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LIVRO TÓPICOS EM CIÊNCIAS AGRÁRIAS(1)

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Organizadores Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Ana Cristina Vello Loyola Dantas Francisco Adriano de Carvalho Pereira Ana

Cristina Fermino Soares José Fernandes Melo Filho Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira

Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Ana Cristina Vello Loyola Dantas Francisco Adriano de Carvalho Pereira Ana Cristina Fermino Soares José Fernandes Melo Filho Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira (Organizadores)

TÓPICOS EM CIÊNCIAS AGRÁRIAS

VOLUME I

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS, AMBIENTAIS E BIOLÓGICAS

CRUZ DAS ALMAS - BAHIA 2009

Copyright 2009

CAPA Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Gráfica e Editora Nova Civilização Ltda.

FOTOS DA CAPA Ana Cristina Vello Loyola Dantas

REVISÃO Ana Cristina Vello Loyola Dantas Sidiney Ferreira Sardinha

DIAGRAMAÇÃO Gráfica e Editora Nova Civilização Ltda.

Ficha Catalográfica preparada pela Seção de Catalogação da Biblioteca da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia T674 Tópicos em Ciências Agrárias / Carlos Alfredo Lopes de Carvalho... [et al.], organizadores. – Cruz das Almas, BA: Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas, 2009. 296p. : v. 1. :il. ISBN 978-85-61346-04-1 1. Ciência animal. I. Carvalho, Carlos Alfredo Lopes de, II. Dantas, Ana Cristina Vello Loyola, III. Pereira, Francisco Adriano de Carvalho, IV. Soares, Ana Cristina Fermino, V. Melo Filho, José Fernandes, VI. Oliveira, Gabriel Jorge Carneiro de. CDD 631 Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias - UFRB Tele/Fax: (75) 3621.3120 E-mail: pgagrarias@ufrb.edu.br Home Page: www.ufrb.edu.br/pgcienciasagrarias

O conteúdo dos Capítulos é de inteira responsabilidade dos autores

É permitida a reprodução parcial ou total desta publicação desde que devidamente citada a fonte.

ORGANIZADORES

Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Doutor em Ciências - Entomologia Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Ana Cristina Vello Loyola Dantas Doutor em Agronomia - Genética e Melhoramento de Plantas Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Francisco Adriano de Carvalho Pereira Doutor em Irrigação e Drenagem Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Ana Cristina Fermino Soares Doutor em Produção Vegetal Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia José Fernandes de Melo Filho Doutor em Agronomia - Solos e Nutrição de Plantas Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira Doutor em Zootecnia Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

APRESENTAÇÃO

A grande área das Ciências Agrárias representa parte significante do conhecimento gerado no Brasil com retorno importante para a sociedade, uma vez que técnicas de manejo de culturas, melhoramento animal e vegetal, conservação dos solos, sistemas de irrigação, entre outros, se traduzem em maior produtividade com reflexo direto na produção de alimento. Dada a sua especificidade, notadamente em países com as características do Brasil, a pesquisa agropecuária tem sido ferramenta importante na busca de respostas aos desafios promovidos pela necessidade de aumento da produtividade agropastoril associada com a sustentabilidade ambiental e responsabilidade social. Neste contexto, além das questões inerentes à própria pesquisa, a formação de recursos humanos altamente qualificados tem sido um desafio ainda maior para atender as demandas complexas dos agrosistemas. É neste cenário desafiador que o Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, cuja primeira turma de Mestrado foi iniciada em 1979 e a de Doutorado em 2006, tem contribuído, tanto na formação de recursos humanos qualificados, como na geração de conhecimento técnico-científico. Com mais de 350 dissertações de Mestrado e duas teses de Doutorado defendidas, o Programa da UFRB possui egressos em várias instituições no Brasil e em outros países, desenvolvendo pesquisas importantes na solução dos problemas enfrentados pela agropecuária. Motivados com a importante e necessária divulgação dos resultados obtidos pelos Grupos de Pesquisa que contribuíram ou contribuem na consolidação do lastro de sustentação do Programa ao longo desses anos, docentes pesquisadores e seus orientados reuniram resultados de trabalhos e revisão bibliográfica, lançando o primeiro volume com diferentes temas sobre as Ciências Agrárias. A obra é mais uma contribuição do Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias da UFRB e é composta por diversos tópicos da área de Ciências Agrárias, cujos temas estão distribuídos em Capítulos, de forma que o leitor pode ter acesso, tanto às informações específicas, como a questões mais gerais ao longo dos textos. Neste sentido, ela se constituirá em uma importante fonte de consulta bibliográfica para discentes e docentes pesquisadores, tanto nos trabalhos de formação, como nos projetos de pesquisa.

Paulo Gabriel Soledade Nacif Reitor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

...................................................37 Clóvis Pereira Peixoto & Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto CAPÍTULO 5 Fisiologia da floração do abacaxizeiro.... Carlos Alfredo Lopes de Carvalho & Gilberto Marcos de Mendonça Santos CAPÍTULO 10 Interface da entomologia aplicada na fruticultura tropical ..............................................................................................119 Oton Meira Marques......................................................CONTEÚDO CAPÍTULO 1 Conservação de fruteiras potenciais para o nordeste brasileiro ...... Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa... Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio CAPÍTULO 9 Análises faunísticas em estudos entomológicos................... Clóvis Pereira Peixoto........................................................................................................................................ Simone Alves Silva & Janay Almeida dos SantosSerejo CAPÍTULO 4 Dinâmica do crescimento vegetal: princípios básicos..............................55 Getúlio Augusto Pinto da Cunha CAPÍTULO 6 Produtividade vegetal: principais fatores............................. Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa.............................................................77 Elvis Lima Vieira CAPÍTULO 7 Ecofisiologia e floração da mangueira e crescimento do fruto de manga................................................................................................. José Vieira Uzeda Luna........ Weliton Antônio Bastos de Almeida.. Simone Alves Silva & Ana Cristina Vello Loyola Dantas CAPÍTULO 2 Caracterização de genótipos de fruteiras potenciais para o nordeste brasileiro ..91 Manoel Teixeira de Castro Neto & Anna Christina Passos Menezes CAPÍTULO 8 Viabilidade e vigor de sementes de milho híbrido precoce ......... Ana Cristina Vello Loyola Dantas.............133 Antônio Souza do Nascimento & Tuffi Cerqueira Habibe ........................ Fernanda Vidigal Duarte Souza................................25 Ana Cristina Vello Loyola Dantas................................15 Simone Alves Silva..........105 Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio.............................. Milene da Silva Castellen................ Claudia Fortes Ferreira & Antonio Augusto Oliveira Fonseca CAPÍTULO 3 Propagação de fruteiras potenciais para o nordeste brasileiro................................................................01 Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa..............

....159 Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto.........269 Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira...... Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio................... a qualidade do leite e da carne e a produção de alimentos funcionais................................................................183 Washington Luiz Cotrim Duete......197 José Fernandes de Melo Filho & Paulo Leonel Libardi CAPÍTULO 16 Evapotranspiração ............171 Anacleto Ranulfo dos Santos........................277 Warli Anjos de Souza CAPÍTULO 22 Produtividade..........................................................................................................245 Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira CAPÍTULO 19 Carboidratos na nutrição de peixes ..............................233 Benedito Marques da Costa...... adubação e diagnose nutricional de pastagens no Recôncavo da Bahia ......................................................................................................... Clóvis Pereira Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio CAPÍTULO 13 Evolução...........CAPÍTULO 11 Interação entre fungos micorrízicos arbusculares e patógenos radiculares de citros ........ Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira & Maria do Carmo Martins Marques da Costa CAPÍTULO 18 Efeitos da adição de gordura suplementar à ração de bovinos sobre o metabolismo da glândula mamária.................................................... Raul Lomanto Neto.............................................. Cláudia Melo da Paixão & Robélia Tosta Dias Amorim CAPÍTULO 12 Impacto de herbicidas em processos microbiológicos do solo e qualidade fisiológica de sementes em Latossolo Amarelo coeso do Recôncavo Baiano ............219 Francisco Adriano de Carvalho Pereira............ Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Benedito Marques da Costa CAPÍTULO 21 Desenvolvimento regional e a competitividade do agronegócio: estudos de cluster............................. Adailde do Carmo Santos & Leandro Gonçalves dos Santos CAPÍTULO 14 Desordens nutricionais em pomares cítricos no Recôncavo Baiano ............ Rozilda Vieira Oliveira Sacramento & Robson Rui Cotrim Duete CAPÍTULO 15 Variabilidade espacial da condutividade hidráulica do solo: conceitos e bases para avaliação...... Vital Pedro da Silva Paz & Greice Ximena Santos Oliveira CAPÍTULO 17 Mistura mineral para bovinos em regime de pasto .................... Aureo Silva de Oliveira......................................................................................................................257 Leandro Portz CAPÍTULO 20 Alimentação de caprinos leiteiros...............................147 Antônio Alberto Rocha Oliveira................................289 Carlos Augusto Pereira Filho & Warli Anjos de Souza ........................................................................................................... mudança tecnológica e eficiência na agropecuária do nordeste do Brasil no período 1975/1995.............................................................................

CAPÍTULO 1 CONSERVAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa. Simone Alves Silva & Ana Cristina Vello Loyola Dantas Tópicos em Ciências Agrárias . Fernanda Vidigal Duarte Souza. Weliton Antônio Bastos de Almeida. José Vieira Uzeda Luna. Milene da Silva Castellen.

O Brasil. No Nordeste brasileiro é possível encontrar uma grande variabilidade genética das mais diversas fruteiras. a necessidade de se optar por coleções completas do tipo específico. E-mail: mapcosta@ufrb. coleções em campo. 1993. o longo período de juvenilidade. voltadas para a alimentação. vitaminas e sais minerais.br 3 INTRODUÇÃO O uso sustentável e continuado da diversidade genética disponível para o cultivo e consumo de espécies vegetais utilizadas na alimentação é de suma importância para o bem estar das gerações atuais e futuras. para a exportação e para a diversificação agrícola da região (Giacometti & Goes. é a destruição devastadora que está ocorrendo nas áreas de ocorrência natural dessas espécies.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. as fruteiras destacam-se pela grande diversidade e potencial que apresentam. pela conservação e caracterização do germoplasma disponível. e passa impreterivelmente. Tópicos em Ciências Agrárias. nativas e exóticas. coleções nucleares e bancos de germoplasma in vitro. variedades de uso tradicional e as variedades melhoradas.br Pesquisador . Dessa forma. Com o avanço da erosão genética. 1.. Dentre os recursos genéticos vegetais voltados para a alimentação e agricultura. Estação de Fruticultura Tropical. Algumas limitações.. A exploração racional e o uso sustentável desse germoplasma dependem inicialmente. incluindo possibilidades de conservação in situ e ex situ. tem sido o objetivo de programas de melhoramento genético em todo país. Pesquisador . A caracterização e manutenção de recursos genéticos são hoje.Centro de Ciências Agrárias.edu. UFRB. perfeitamente adaptadas e com potencial para a conquista do mercado interno. Weliton Antônio Bastos de Almeida1.Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA). o pouco conhecimento que se tem sobre variedades e genótipos de algumas dessas espécies. e mesmo. O porte alto. são evidentes na formação de coleções de germoplasma dessas fruteiras. são as maiores dificuldades encontradas nos estabelecimentos desses bancos de germoplasma.CONSERVAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa1. principalmente em relação a espécies de importância econômica atual e potencial. de um programa de conservação e manutenção desses recursos genéticos. v. diante de mudanças ambientais ou aparecimento de novas pragas e doenças. É preciso considerar que a perda da variabilidade genética supõe uma grande limitação na capacidade de se corresponder a novas necessidades e um incremento da vulnerabilidade dos cultivos dessas fruteiras. Órgão ou Centro de Estudos que ficará responsável pelo estabelecimento e manutenção da coleção. 1998). licores. sorvetes e geléias entre outras delícias culinárias (Avidos et al. Milene da Silva Castellen2. como o país mais rico do mundo em recursos biológicos. abrangendo a conservação de variedades silvestres. A escolha da estratégia de conservação mais adequada para cada espécie é dependente de uma gama de fatores. tem grande responsabilidade sobre essa riqueza. proteínas. de grande importância para a dieta alimentar. a conservação do pool gênico dessas espécies tornou-se prioridade em programas agrícolas de muitos países. Ana Cristina Vello Loyola Dantas1 1 2 Professor . Cruz das Almas-BA.embrapa. D’Eeckenbrugge et al. não apenas para explorá-la de modo sustentável. Essas frutas apresentam sabores sui generis e elevados teores de açúcares. A evolução econômica e a demanda dos mercados reforçam hoje o interesse dos países latino-americanos para as frutas em geral e as frutas nativas ou exóticas em particular. uma caracterização morfológica ainda bastante incipiente. como coleções-base e/ou ativas de sementes. mas principalmente. Um aspecto normalmente negligenciado por muitos curadores de Bancos de Germoplasma. Adicionalmente. que vão desde aspectos botânicos. Fernanda Vidigal Duarte Souza2. 2000). no mundo. podem ser consumidas in natura ou na forma de sucos. sendo o Brasil. Conceição do Almeida-BA. Cruz das Almas-BA. no entanto. Simone Alves Silva1. José Vieira Uzeda Luna3. Ambientais e Biológicas/UFRB. uma demanda relevante. até condições financeiras da Empresa. um dos mais importantes centros de diversidade genética de muitas espécies frutíferas tropicais. E-mail: fernanda@cnpmf. para conservá-la. necessitando de estratégias próprias. seria a estratégia mais segura para resguardar esse recurso. 2009 03 . A exploração racional de espécies de importância econômica ou de potencial utilização. porte da planta. causada pela destruição dos ecossistemas e pela domesticação dos cultivos pelo homem. e que deve ser considerado no caso da conservação do germoplasma dessas fruteiras em especial. como sistemas reprodutivo e de cruzamento.

cada planta ocupa uma área em torno de 40 m2. um acesso de jenipapo sem sementes. Segundo Carvalho et al. utilizadas principalmente no Sul da Bahia. a recomendação de cultivares de abacate e goiaba para o plantio nas condições do Recôncavo Baiano. Nos últimos 10 anos. 1999). com índice de pegamento de quase 100%. com introdução das 04 Tópicos em Ciências Agrárias. da família Bombacaceae. Alagoas. beneficiando quarenta e cinco Instituições e inúmeros produtores de praticamente todos os Estados do Brasil. No Estado da Bahia. através da incorporação de novas cultivares ao processo produtivo. com 30 espécies e 157 acessos (Tabela 2) coletados nas diversas regiões do País. champeden Spreng. Esse BAG vem sendo utilizado como suporte aos trabalhos de seleção de matrizes e como apoio básico às atividades de produção de mudas. condução e manutenção das coleções. produção. também originário da Malásia e o canistel (Pouteria campechiana Baehni) da família Sapotaceae e originária da América Central. Em relação à carambola e ao rambutão foram identificadas quatro matrizes com características horticulturais superiores. 2001). 2009 . assim como os riscos de perdas pela ocorrência de catástrofes de ordem biótica. Os acessos são caracterizados e avaliados tomando-se por base os descritores do IBPGR (1980). esta coleção foi iniciada em 1996. as mais solicitadas são: mamão. No Nordeste Brasileiro os bancos e coleções de germoplasmas de fruteiras estão distribuídos nos Estados da Bahia. Esses acessos encontram-se em fase de caracterização e avaliação com base nas características morfológicas e agronômicas. Pernambuco. Considerando-se que a grande maioria dessas frutíferas é arbórea. Dentre essas. Outras fruteiras introduzidas recentemente nesse BAG foram o champedaque (Artocarpus integer (Thumb. sendo que. outras limitações em relação à conservação de germoplasma dessas fruteiras em campo. Estas informações são importantes para a descrição e caracterização de genótipos. para a produção de polpa congelada. em Cruz das Almas e o Centro de Pesquisa da Lavoura Cacaueira (CEPLAC). Muitas espécies apresentam grande escassez ou mesmo ausência de dados relativos à sua morfologia. o alto custo de implantação. UFRB. localizado na EBDA estão catalogados mais de 364 acessos de 60 espécies de clima tropical. e que de maneira geral utilizam-se três plantas para cada acesso. em Cruz das Almas-BA. a necessidade de recursos humanos treinados. tanto de espécies nativas. da família Moraceae e oriunda da Malásia.Bancos de Germoplasma da Região Nordeste O Nordeste Brasileiro apresenta diversidade genética considerável. A conservação de espécies de Persea é de extrema importância atualmente. Considerado como um dos mais importantes da América Latina. tendo em vista as condições ecológicas propícias ao desenvolvimento. contribuindo para o aumento da renda de produtores. v. podem ser destacadas. constituindo mais uma alternativa de renda para o produtor. No caso dos bancos de germoplasma de fruteiras nativas do Brasil. No tocante à cultura da graviola. Ambientais e Biológicas da UFRB. Além das extensas áreas. Outra importante coleção de fruteiras tropicais do Estado da Bahia encontra-se no Centro de Ciências Agrárias. Essas espécies estão sendo multiplicadas na EBDA e difundidas em pequena escala no Sul da Bahia. oriundos de várias partes do mundo e introduzidos pelo CENARGEN (Tabela 1). Nessa mesma coleção. O mamão teve o maior número de acessos intercambiados. recebendo os tratos culturais e fitossanitários de acordo com as exigências de cada espécie. Dentre as diferentes espécies mantidas. Ceará. encontra-se igualmente. como as cultivares Lisa e Morada. necessitando ampliação por meio de novas coletas nos locais de origem (Ferreira. possibilitando a incorporação de muitas espécies aos sistemas produtivos comerciais. o durião (Durio zibethinus Murray). abiótica e antrópica (Valois et al. (A. quanto de espécies exóticas bem adaptadas às condições edafo-climáticas da região.). Recife e Paraíba. praticamente toda a conservação é realizada na forma de coleções de campo. (2002). a área ocupada por esses bancos é extensa e de difícil manejo. 1. a partir de populações de plantas obtidas por meio de sementes.) Merr. foram distribuídas cerca de 85 mil mudas de fruteiras tropicais nativas exóticas. ressaltando-se a distribuição de materiais de propagação para diferentes Instituições. introduções procedentes da Colômbia possibilitaram a identificação e recomendação de materiais de alta qualidade. em Itabuna. introduzido através da técnica de produção de mudas por garfagem em fenda cheia. com as modificações necessárias. a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. Ambientais e Biológicas da UFRB.. o BAG de Fruteiras Nativas e Exóticas possibilitou ainda. Sergipe. as principais Instituições responsáveis pela conservação de fruteiras são a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA) em Conceição do Almeida. acerola e maracujá. No Banco de Germoplasma de Fruteiras Nativas e Exóticas. graviola. goiaba. Vale ressaltar que nesse BAG encontra-se a única coleção de abacate da Região Nordeste com 33 acessos. o Centro de Ciências Agrárias. visto a restrita variabilidade existente nas coleções brasileiras. As plantas estão mantidas em campo e dispostas em número variável de três a dez plantas por acesso. características fisiológicas e fenologia.

tamanho e firmeza do fruto. Eremocitrus e Severinia. coloração da pétala. o que possibilitou a identificação de acessos com resistência à fusariose. Ambientais e Biológicas da UFRB. porta-enxertos tolerantes à seca e ao alumínio.. Fortunella. com características agronômicas muito interessantes e resistente à fusariose. das quais apenas 15 encontram-se conservadas em Bancos de Germoplasma. como é o caso dos Tabuleiros Costeiros. a maior parte dos acessos do gênero Passiflora conservados refere-se à espécie Passiflora edulis (maracujá roxo) e à forma flavicarpa (maracujá amarelo). e a cada ano a coleção vem sendo ampliada com a introdução de novos acessos. maracujá. Dentre as características desejadas. em sua maioria. as três primeiras são laranjas doces (C. sendo uma das maiores coleções de germoplasma de abacaxi do mundo. como é o caso do Poncirus. a semelhança dos outros existentes nessa Unidade da Embrapa. a resistência encontrada em materiais diplóides conservados possibilitou o desenvolvimento de novos híbridos resistentes. plantas de porte baixo e outras características de interesse para o melhoramento da cultura. características desejáveis para o programa de melhoramento genético da cultura. Novos acessos de mangaba e jenipapo estão sendo introduzidos. Desse BAG. a partir de coletas realizadas na região do Recôncavo Baiano. à gomose de Phytophthora e ao complexo do vírus da tristeza dos citros ... Castellen et al. do gênero Ananas e outras bromeliáceas. como resultado desse programa. mamão e manga. Nunes (2002). Recentemente. 2000. Na Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical estão estabelecidos Bancos Ativos de Germoplasma (BAG) de diversas fruteiras. banana. Esse material vem sendo caracterizado quanto a morfologia e características físico-químicas do fruto. Valência Tuxpan e Page. O BAG Abacaxi (Ananas comosus L. como é o caso do abacaxi. 1. conservados em condições de campo. O BAG Passiflora conta atualmente com 44 acessos. A região Nordeste possui diversas espécies do gênero Passiflora. Outro aspecto que vem sendo explorado nesse banco é o potencial ornamental encerrado em muitos de seus acessos (Souza et al. Os descritores mais utilizados referem-se ao porte da planta. entre nativas e exóticas. e alguns híbridos estão em fase de avaliação. acerola.. Outro Banco que a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical mantém desde 1997. Além do melhoramento dos porta-enxertos. e a última um híbrido tipo tangerina. Microcitrus.primeiras mudas. uma das mais sérias doenças da bananeira causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis. visando a identificação de genótipos de interesse e molecular para análise de polimorfismo entre os genótipos. No panorama atual. de grande interesse ecológico e com potencial econômico. cor. 1999) para a identificação de abacaxis ornamentais. Esses Bancos foram estabelecidos para servirem de suporte aos programas de melhoramento genético da Unidade e encontram-se parcialmente caracterizados. 2004). que vêm sendo caracterizados morfologicamente a partir de uma lista de descritores multiculturais. (no prelo) citam 35 espécies do gênero distribuídas pela região dos Tabuleiros Costeiros. dos quais 60% já estão caracterizados morfologicamente utilizando-se os descritores já estabelecidos para a cultura. Esse germoplasma vem sendo caracterizado utilizando-se os descritores morfológicos estabelecidos para a cultura do abacaxi. as variedades-copa têm sido selecionadas com vistas à sua utilização em ecossistemas característicos. cor da polpa. com o alastramento da Sigatoka negra. plantas com ausência de espinhos e frutos com altos teores de sólidos solúveis. 40% desse banco já está caracterizado morfologicamente. Ouriçangas e Nova Soure) (Cruz. O Banco de Acerola conta hoje com 150 acessos de Malpighia glabra e um acesso de Malpighia coccigera. é a base para o programa de melhoramento genético. tamanhos de frutos e coroas e diferentes arquiteturas a serem exploradas (Cunha e Cabral. Foram detectadas fontes de resistência às principais doenças da cultura. 2005b). encontram-se. litoral e caatinga da Bahia. No caso específico da mangabeira avaliações preliminares demonstraram reduzida variabilidade genética entre as populações e presença de variabilidade dentro da população. já foram identificadas e lançadas duas variedades para mesa. A variabilidade existente no BAG agrega uma extensa fonte de cores. compreendendo diversas espécies e variedades de Citrus e gêneros afins. Esse banco de germoplasma.CTV (citrus tristeza virus). assumindo um lugar de destaque na floricultura nacional. Salustiana. O BAG Banana possui 400 acessos. Atualmente. que deverão substituir as variedades suscetíveis. Tópicos em Ciências Agrárias. v. em um levantamento no Estado da Bahia. 2005). Chapada Diamantina. Recentemente. UFRB. nas regiões de ocorrência (Iramaia. que estão sendo caracterizados utilizando-se descritores morfológicos pré-estabelecidos para a cultura. que visa a obtenção de genótipos com características interessantes para o cultivo dos citros. O BAG Citros possui cerca de 700 acessos. formas. 2009 05 . citros. Creste et al. indicado para consumo de mesa. cita 29 espécies do gênero. foram lançadas as variedades Pineapple. 1998). Atualmente. foi lançado um híbrido.. que vem gradativamente. ‘Cablocla’ e ‘Rubra’. Merrill) foi iniciado no início dos anos 80 e reúne um total de 743 acessos no campo. é o BAG Maracujá. sendo três delas consideradas endêmicas do Estado e prioritárias para conservação. Caracterizações moleculares de pelo menos 60 diplóides foram realizadas por meio de marcadores do tipo RAPD e microssatélites (Paz et al. sinensis). tendo como propósito subsidiar o programa de melhoramento genético da espécie implantado no Centro de Ciências Agrárias. o abacaxi `Imperial´. passíveis de serem processadas pela indústria e também serem consumidas in natura. Estima-se que a maior parte da variabilidade genética intra e interespecífica do abacaxi esteja aí representada (Cabral et al. resistentes à morte súbita dos citros.

2005.K. Blighia sapida Koenig Flacourtia indica Merr. Myciaria dúbia H. NOME VULGAR Abacate Abiu Abricó Abricó-da-praia Acerola Akee Ameixa-de-madagascar Araçá Araçá-boi Araticum do Brejo Atemóia Bilimbi Cabeludinha Cafezinho Cainito Cajá Cajarana Caju Camu-camu Canistel Caqui Carambola Champedaque Ciriguela Coco Durião Falso mangostão Goiaba Graviola Groselha Grumixama Guabiraba Jabuticaba Jaca Jambo vermelho Jambo rosa Jambolão Jenipapo Kundang Lichia Longon Mabolo Macadâmia Manga Mangostão Mapati Marang Nêspera Noz okari Noz pili Pinha Pitanga Pitomba Pitomba do Norte Pupunha Rambutão Romã Sapota branca Sapota verde Sapoti Tâmata Tamarindo Uampi Umbu NOME CIENTÍFICO Persea americana Mill. v. Durio zibethinus Murray Garcinia sp. Averhoa bilimbi L.Tabela 1. Compomonesia spp. Syzzygium malacoense L. Tamarindus indica L. Averrhoa carambola L. Merr & Perry Syzzygium jambos L. Eugenia stipitata McVangh Annona glabra L. Conceição do Almeida . Phoenyx daclylifera L.C. Anonna cherimola Mill x Annona squamosa L. Clausenta lansium (Lour.BA. Bouea macrophyla Litchi chinensis Sonn Dimocarpus longon (Lour. Spondia lútea L. Eugenia uniflora L. Bunchosia armeniaca AD. Spondia dulcis Forst. UFRB.B. 2009 . Eugenia luschnathiama Klotz Talisia escul enta Radlk Bactris gasipae Kunth Nephelium lappaceum L. Genipa americana L. Chysophylum cainito L. Psidium spp. Artocarpus odoratissimus Blanco Eriobotrya japonica Lindl. Annona muricata L. Eugenia brasiliensis Lam. Relação das espécies existentes no BAG de Fruteiras Nativas Exóticas da Empresa Baiana de Pesquisa Agropecuária (EBDA). Anacardium occidentale L. Psiduum guajava L. Canarium ovatum Engl. Artocarpus interger (Thumb. Phyllantus acidus L. & Iex. Mimusops elengi Malpighia emarginata D. Myrciaria cauliflora Ber.C.) Merr. 1. Cocuns nucifera L. Eugenia tomentosa Gamb.) Skeels Spondia tuberosa Arruda FAMÍLIA Lauraceae Sapotaceae Clusiaceae Sapotaceae Malpighiaceae Sapindaceae Flacourtiaceae Myrtaceae Myrtaceae Annonaceae Annonaceae Averrheaceae Myrtaceae Malpighiaceae Sapindaceae Anacardiaceae Anacardiaceae Anacardiaceae Myrtaceae Sapotaceae Ebenaceae Averrhoaceae Moraceae Anacardiaceae Arecaceae Bombacaceae Clusiaceae Myrtaceae Annonaceae Euphorbiaceae Myrtaceae Myrtaceae Myrtaceae Moraceae Myrtaceae Myrtaceae Myrtaceae Rubiaceae Anacardiaceae Sapindaceae Sapindaceae Ebenaceae Proteaceae Anarcadiaceae Clusiaceae Cecropiaceae Moraceae Rosaceae Combretaceae Burseraceae Annonaceae Myrtaceae Sapindaceae Sapindaceae Arecaceae Sapindaceae Punicaceae Rutaceae Sapotaceae Sapotaceae Aracaceae Cesalpinaceae Rutaceae Anacardiaceae N° ACESSOS 33 02 01 01 04 01 01 04 01 01 01 01 01 01 02 02 01 05 01 02 03 45 42 01 02 02 01 31 12 01 01 02 03 01 02 01 01 03 01 01 01 01 11 50 01 01 01 01 01 01 05 05 01 01 02 45 02 01 01 04 01 02 01 02 06 Tópicos em Ciências Agrárias. Punica granatium L.) Steud Diospyrus discolor Willd Macadamia intergrifolia Maiden & Betch Mangifera indica L. Spondia púrpura L. Garcinia mangostana L. Pouteria caimito Radlk Mammea americana L. Pourouma cecropiaefolia Mart. Alston Syzzygium cumini L. Terminalia kaernbachi Warb. Annona squamosa L. Pouteria viridi Pitt. Munilkara zapota L. (Mc Vaugh) Pouteria champechiana Baehni Diospyrus kaki L. Casimiroa edulis Llav. Artocarpus heterophylus Lam.

já que a manutenção de um banco de germoplasma é muito cara. os melhoristas têm uma pequena variabilidade genética à sua disposição para uso no melhoramento. UFRB. NOME COMUM Abiu Canistel Mamei Açaí Palmito Araticum-do-brejo Araticum Araçá boi Biriba Bilimbi Butiá-vinagre Cabeludinha Café da mata Cagaita Caimito roxo Cajá Cupuaçú Goiaba Guabiroba Grumixama Jaboticaba Camu-camu Jenipapo Jatobá Pindaiba Pitanga Pitomba do Norte Pupunha Uvaia Vinagreira Fonte: Ferreira. Auto-fecundações e cruzamentos entre indivíduos estreitamente aparentados. 2009 07 . Segundo Pinto & Ferreira (2005). O BAG Manga da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical conta com 115 acessos de Mangifera indica conservados em campo. 2005. a sintetização e avaliação de cinco linhagens. onde pesquisas com a cultura também são desenvolvidas. embora a mangueira seja a quinta mais importante espécie frutífera do mundo. Relação das espécies existentes na coleção de fruteiras nativas e exóticas do Centro de Ciências Agrárias. Cruz das Almas. v. dentro de famílias. aproximadamente 50% dos acessos já foram avaliados. Réplicas desses acessos têm sido mantidos no BAG da Embrapa Semi-Árido. passíveis de resultar em novos materiais à disposição dos produtores. sendo o maior banco de germoplasma dessa cultura no país. 1. ainda em fase de avaliação. Desse conjunto. Atualmente o BAG Manga. até o momento. Ambientais e Biológicas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Eugenia brasiliensis Myrciaria truncifolia Myrciaria dubia Genipa americana Hymenaea courbaril Xylopia emarginata Eugenia uniflora Talisia esculenta Bactris setosa Eugenia pyriformis Hibiscus sabdariffa N° ACESSOS 04 02 10 10 05 05 02 06 01 10 01 05 06 02 05 03 05 05 05 05 05 10 05 02 06 10 05 02 05 10 O BAG Mamão dessa Instituição conta atualmente com 191 acessos. além dos objetivos conservacionistas. Tópicos em Ciências Agrárias.BA. atende ao fornecimento de material vegetativo e embriônico e a pesquisas para obtenção de híbridos com potencial para a indústria de sucos e para o consumo ao natural. as quais deram origem a nove híbridos promissores. possibilitaram. 2003 NOME CIENTÍFICO Pouteria caimito Pouteria campechiana Mammea americana Euterpe oleracea Euterpe edulis Annona glabra Annona crassiflora Eugenia stipitata Rollinia mucosa Averrhoa bilimbi Butiá capitata Eugenia tomentosa Myrcia sp Eugenia dysenterica Crhysophyllum cainito Spondia mombim Theobroma grandiflorum Psidium guajava Compomanesia spp.Tabela 2.

mma.E. Araripina Comocim de São Félix E.E.: Estação Experimental LOCAL E.E. microcarpum existente no Banco de Germoplasma.E. Itapirema E. destacam-se por apresentarem algumas características contrastantes e positivas.E. genótipos de sapoti.pdf.E. pinheira e pitanga. 20 acessos de Anacardium othonianum e 24 acessos de Anacardium spp. Itambé E. Embrapa Semi-Árido e Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). sobretudo quanto à adstringência.. no CNPAT também são encontradas coleções de graviola. Relação das espécies existentes na coleção de fruteiras tropicais e subtropicais da Empresa IPA. com 29 espécies.E.E. Ibimirim E. Garanhuns E. de características desejáveis em genótipos da espécie A. Itambé E.E.E. A partir de avaliações realizadas ao longo dos anos na Coleção de Germoplasma foi possível recomendar para as diversas regiões do Estado de Pernambuco. a coleção do IPA conta atualmente. 1.E. via retrocruzamento. Araripina E. Itambé E.Tabela 3. Ibimirim E. Itambé E. Ibimitim E.E. Ibimirim E. Itambé Comocim de São Félix E.E. 09 acessos de de Anacardium humile. Estes genótipos vêm sendo empregados no melhoramento do cajueiro-anão-precoce pela introdução.Caju. acerola.E. No CNPAT. Itambé Comocim de São Félix E. microcarpum L.E.E.E.E.E. Iniciada no ano de 1987. Segundo Crisóstomo et al. encontra-se o BAG de caju com 440 acessos de Anacardium occidentale.gov. Itapirema E. Ibimirim Comocim de São Félix E. As Coleções do Estado de Pernambuco encontram-se distribuídas na Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA). Itapirema E.E. Tabela 3 (Bezerra et al. carambola. NOME COMUM Abacaxi Aceloreira Aceloreira Araçá-comum Cajazeiro Cajá-umbú Cajarana Cajueiro Anão Carambola Ciriguela Citros Goiaba Goiaba Graviola Graviola Jaboticabeira Jaqueira Macadâmia Mangabeira Pinheira Pitangueira Pitangueira Pomelo Romã Sapoti Tâmara Tangerina Tangerina Umbu E. 08 Tópicos em Ciências Agrárias. Itambé E.E. Garanhuns E. 2005).E. v. Porto de Galinhas E. (2002) genótipos da espécie A. 2009 .E. bem como de materiais provenientes de instituições de ensino e pesquisa. Araripina E.br/port/sbf/chm/doc/cap2i. Ibimitim E. UFRB.E. a partir de prospecção genética e coleta de germoplasma de diversas fruteiras nativas e exóticas do Estado. Itambé E.E. Serra Talhada N° ACESSOS 12 14 12 110 33 35 3 4 70 11 31 21 250 18 45 22 43 3 143 85 120 10 6 35 270 4 13 13 31 No Estado do Ceará as principais coleções de fruteiras encontram-se no Centro Nacional de Agroindústria Tropical (CNPAT) em Fortaleza. 1997). em relação aos tipos comerciais. Alguns genótipos vêm sendo caracterizados para serem empregados em programas de melhoramento. cajá e acerola (http://www. Além do BAG . Itambé E.E.

(6) gerar informações para desenvolvimento de coleções nucleares representativas de toda coleção e ainda (7) determinar a presença de um alelo particular ou sequência de nucleotídeo em um táxon. a manutenção de um grande número de acessos num pequeno espaço físico e livre das intempéries e riscos que existem no campo. banco de germoplasma. Na região Nordeste. reduz os custos e garante a manutenção da fidelidade genética dos acessos conservados. Tópicos em Ciências Agrárias. como por exemplo. 2009 09 . 2002. Kelch & Baldwin. mas como complementares no entendimento da variabilidade disponível. (3) identificar acessos duplicados na coleção. conservação e utilização do germoplasma em programas de melhoramento genético. auxiliando na manutenção e utilização sustentável da biodiversidade. 105 acessos de manga (Mangifera indica).A Embrapa Semi-Árido é responsável por oito acessos de goiabeira (Pisidium cattelyanum).. além de monitorar a longo prazo mudanças na estrutura genética. em diferentes organismos (Petit et al. 2002. a UFAL (Universidade Federal de Alagoas) mantêm coleções de mangabeira e no Estado de Sergipe. A conservação in vitro surge como uma alternativa de conservação de germoplasma. a única fruteira que vem sendo conservada na condição in vitro é o abacaxi. Os marcadores moleculares são usualmente divididos em dois grupos distintos metodologicamente: o primeiro engloba marcadores que utilizam técnicas de hibridização como. UFRB.. No entanto.. com 324 acessos de mangabeira e 21 acessos cajá.. v.. complementando as informações geradas por descritores morfológicos ou bioquímicos. As coleções do Estado da Paraíba encontram-se distribuídas na EMEPA. Tansley & Brown. a Embrapa Tabuleiros Costeiros (em Betume . dados moleculares a respeito da diversidade genética podem ser usados para diversos objetivos como: (1) planejar coletas ou estratégias de intercâmbio de germoplasma. RFLP (Restriction Fragment Length Polymorphism) e minissatélites. 1995. SCAR (Sequence Characterized Amplified Regions). (2) selecionar acessos divergentes que abriguem valiosa variabilidade genética para programas de melhoramento a partir de cálculos de distância genética. O desenvolvimento da técnica de PCR permitiu a síntese enzimática in vitro de milhões de cópias de um segmento específico de DNA na presença da enzima DNA polimerase. de especial interesse em fruteiras sob extrativismo e em parentes silvestres de espécies cultivadas. 2004. Wörheide et al. Esta estratégia. A escolha do marcador ideal dependerá da questão a ser respondida e dos equipamentos e recursos financeiros disponíveis. No que tange à conservação ex situ. população ou acesso. apesar de que trabalhos para o estabelecimento de um BAG in vitro de maracujá e banana já estão em andamento (Junghans et al. quando bem conduzida. No Estado de Alagoas. que deve ser considerada pelas vantagens que apresenta. 2000). Acessos de acerola também são mantidos na UFRPE. Samal et al. a partir da identificação de populações e locais prioritários para conservação. estas ferramentas não devem ser vistas como substitutas de estudos morfológicos e bioquímicos.. eventos de hibridação e confirmação de unidades taxonômicas. 1. 2004 e Creste et al.. Contribuição da biotecnologia na caracterização e conservação de germoplasma A demanda de recursos genéticos para a alimentação e agricultura tem gerado necessidades cada vez mais dependentes da utilização de novos métodos e processos biotecnológicos (Vilela-Morales & Valois. 2004) de diversas espécies animais e vegetais. Adicionalmente. 2000) quanto ex situ (Wünsch & Hormaza. AFLP (Amplified Fragment Length Polymorphism). níveis de endogamia e tamanho efetivo de populações sob extrativismo. várias técnicas podem ser citadas no auxílio à caracterização. deve-se salientar que apesar das técnicas moleculares gerarem grandes possibilidades na conservação de RGV. análises de seqüências de mtDNA. A conservação in situ. (4) monitorar mudanças na estrutura genética de acessos regenerados. Trabalhos utilizando marcadores moleculares têm propiciado informações chaves para conservação tanto in situ (Rosseto et al. Os recentes avanços em biologia molecular marcaram o início de uma nova era na conservação de recursos genéticos com o advento de marcadores moleculares que permitem detectar o polimorfismo diretamente no DNA.SE) é responsável por 19 acessos de coco. cpDNA e nDNA também têm auxiliado estratégias conservacionistas. fluxo gênico. 42 acessos de acerola (Malpighia glabra) e 70 acessos de umbu (Spondia tuberosa). enquanto o outro grupo agrega marcadores baseados na reação da polimerase em cadeia (PCR). A partir dessa técnica derivaram se inúmeros marcadores como RAPD (Random Amplified Polymorphic DNA). STS (Sequence Tagged Sites) e microssatélites. por exemplo. facilitando a disponibilidade dos mesmos para o melhoramento genético e o próprio intercâmbio de germoplasma. 2004. (5) caracterizar acessos. No tocante à cultura de tecidos. tem sido beneficiada por esses marcadores que permitem estudar a distribuição da variabilidade genética em populações naturais. Ortis et al. gerando informações importantes para o esclarecimento de relações filogenéticas. 2003).

Alguns fatores influenciam no crescimento das plântulas. em diferentes instituições e estados do Nordeste. um programa que englobe várias ações integradas entre Instituições de diferentes Estados e que possam culminar no sucesso. e o estabelecimento de atividades prioritárias para cada espécie. pela falta de recursos financeiros e humanos para sua manutenção. É preciso. 2005a). o potencial intelectual e as diversas capacidades institucionais. A expectativa é que a transposição total do banco esteja terminada no final de 2007. além dos riscos de gerar plantas variantes. 2004). O valor do material autóctone. adequando as condições de cultivo e buscando a limitação do crescimento. 2004. 1998.. Outra técnica utilizada para a conservação de germoplasma é a criopreservação. vegetais e de microrganismos. Desta forma está sendo realizada uma série de trabalhos com a finalidade de prolongar o tempo de conservação do germoplasma de abacaxi in vitro. no que se refere a fruteiras. Paralelamente.. otimizando o processo de conservação (Canto et al. onde o objetivo é a parada total do metabolismo da planta. 1.. Ponis & Thint. assim como algumas variedades de abacaxi com potencial ornamental. já que a demanda por sabores diferentes cresce a cada dia no hábito alimentar do consumidor e as frutas representam uma larga fatia desse novo mercado. 10 Tópicos em Ciências Agrárias. Gonçalves et al. 2001). em sua maioria. assim como o aporte racional de recursos humanos e financeiros para o desenvolvimento das ações integradas. a avaliação do potencial da diversidade genética regional. Uma das diretrizes iniciais para formação de uma rede na região Nordeste seria a realização de uma radiografia e um diagnóstico dos bancos de fruteiras existentes na região. além de alguns aspectos de ordem técnica. a gestão de modelos em rede otimiza o trabalho em recursos genéticos agregando às atividades com objetivos similares. Experiências semelhantes têm sido conduzidas no âmbito da Embrapa. as demandas mais urgentes. identificando zonas de ocorrência e endemismo de diversas espécies de fruteiras. tipo de conservação realizada em temperaturas ultra baixas (-154ºC aproximadamente). Em uma região com uma extensa diversidade biológica. já que uma das desvantagens desta técnica é a necessidade de subcultivos periódicos. A conservação in situ nessas regiões é difícil. no que se refere à importância desse germoplasma e pelas condições sociais da mesma. Entre os materiais conservados encontram-se diferentes acessos do gênero Ananas e espécies afins. As coleções mencionadas nesse capítulo. auxiliam no prolongamento do tempo entre subcultivos. por meio da Rede Nacional de Recursos Genéticos (RENARGEN) que utiliza esse modelo na gestão de recursos genéticos animais. portanto. precisa ser melhor explorado. Souza et al. 2009 . Na Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical já estão estabelecidos in vitro aproximadamente 100 acessos oriundos do BAG abacaxi em campo. não apenas pela falta de apoio dos governos locais. A obtenção das plântulas para a conservação é realizada por meio da multiplicação in vitro dos acessos a serem introduzidos. v. quanto de sua utilização. dessa forma. concentração osmótica e reguladores vegetais. CONSIDERAÇÕES FINAIS A variabilidade genética das fruteiras nativas e exóticas existente na Região Nordeste. dentro de um enfoque de sustentabilidade. mas também pelo total desconhecimento da população. não apresentam uma adequada representação da diversidade genética da espécie em questão e muitas se encontram em situação precária. com a vantagem de que as fruteiras nativas são adaptadas às nossas condições e o importante papel que o recurso genético autóctone desempenha no intercâmbio internacional por germoplasma exótico em um cenário de crescentes restrições. passa inicialmente pela conservação e utilização racional do germoplasma existente. o que a torna laboriosa. Outros aspectos que precisam ser considerados são a possibilidade de diversificação para o agricultor do Nordeste. O estímulo à sua utilização. mas ainda apresenta muitas barreiras para sua utilização (Pérez et al. manutenção e documentação desse germoplasma. como temperatura. UFRB. identificando.2002. A grande maioria tem pouco do seu acervo caracterizado e portanto grande parte de seu potencial ainda permanece desconhecido. permitirá o delineamento de estratégias de coleta e conservação in situ e ex situ eficientes e representativas da variabilidade genética regional intra e interespecífica. sendo necessário adequar condições para retardar o crescimento das plântulas. que devidamente controlados. A formação de uma rede de recursos genéticos entre os Estados do Nordeste contribuirá não apenas para elaboração de um diagnóstico da situação atual dos recursos genéticos da região como para o estabelecimento de uma cultura de cooperação técnica que trará benefícios para vários segmentos da sociedade.. bem como da infra-estrutura disponível para as atividades de caracterização. biomas altamente diferenciados e enormes variações de sistemas agrícolas. Esse tipo de conservação já começa a se fazer realidade para alguns cultivos. tanto da preservação do germoplasma existente. demarca a importância que deve ser dada para o aspecto da conservação desses recursos genéticos na região. Outras vantagens do seu estabelecimento são a ordenação da informação e a determinação de atividades e espécies prioritárias.

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CAPÍTULO 2 CARACTERIZAÇÃO DE GENÓTIPOS DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Simone Alves Silva. Claudia Fortes Ferreira & Antonio Augusto Oliveira Fonseca Tópicos em Ciências Agrárias . Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa. Ana Cristina Vello Loyola Dantas.

br. Cruz das Almas-BA. UFRB.edu. surgem como potencialmente interessantes para o Nordeste brasileiro.CARACTERIZAÇÃO DE GENÓTIPOS DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Simone Alves Silva1. com ampla expectativa de progressos genéticos obtidos por meio do conhecimento da variabilidade genética. período juvenil. 2009 . mapcosta@ufrb. como por exemplo a mangaba. com considerável diversidade quanto ao modo de reprodução. para a exportação e também para a diversificação agrícola. ciclo da planta e aos métodos de propagação. a recuperação de áreas desmatadas ou degradadas. dentre outras. Geralmente um Programa de Melhoramento de espécies pouco conhecidas inicia-se com a coleta. Em virtude da alta variabilidade genética que comumente está disponível no seu habitat natural e da insuficiência de informações para definição de critérios de seleção. E-mail: cfferreira@cnpmf.br INTRODUÇÃO Tendo em vista a grande diversidade de fruteiras adaptadas às condições agroecológicas do Nordeste brasileiro. o umbu. muitos agricultores e chacareiros já estão implantando pomares de frutas nativas e exóticas e os viveiristas estão intensificando a produção de mudas. Estes marcadores são bastante acessíveis e variam em função do destino que será dado ao produto final e às diretrizes do programa de melhoramento genético. Esta fase é conhecida como Pré-Melhoramento. a formação de pomares domésticos e comerciais e o plantio em áreas de reflorestamento. v. aumentando a freqüência de combinações alélicas desejáveis na população. mas também a necessidade de se preservar e conservar espécies nativas ou bem adaptadas à região e que emergem como alternativas para o cultivo sustentável. ou pre-breeding. o jenipapo. As plantas frutíferas englobam grande quantidade de espécies.br 2 1 Pesquisador . a jaca. Neste contexto. Ana Cristina Vello Loyola Dantas1. serão considerados neste capítulo alguns descritores utilizados para atender à caracterização da maioria das fruteiras. Investir no melhoramento e na conservação destas fruteiras proporciona uma importante alternativa agrícola ecologicamente eficiente e competitiva para o Estado da Bahia. a cajá. Cruz das Almas-BA. acloyola@ufrb. distintas culturas. além de intensificar o melhoramento das espécies são estratégias necessárias para incluí-las como alternativas viáveis para exploração racional. Caracterizar. Ambientais e Biológicas/UFRB. Não apenas a geração de divisas para o país e a diversificação regional devem ser consideradas.edu.embrapa. a pinha. parques e jardins e em áreas acidentadas. já que as espécies ainda não foram domesticadas e vêm sendo exploradas de forma desorganizada. alógamas e predominantemente de propagação sexuada.Centro de Ciências Agrárias. Antonio Augusto Oliveira Fonseca¹ Professor . E-mail: sas@ufrb. tornando-os marcadores fenotípicos e que a princípio podem ser expressos em todos os ambientes.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. São geralmente perenes e lenhosas. 1. possibilitando o melhor direcionamento dos cruzamentos e desta forma.br. Claudia Fortes Ferreira2. Existem muitas limitações para a exploração comercial de fruteiras potenciais para o Nordeste brasileiro. 17 Tópicos em Ciências Agrárias. A evolução econômica e a demanda dos mercados reforçam hoje o interesse dos países latinoamericanos para as frutas em geral. DESCRITORES MORFOLÓGICOS A caracterização morfológica consiste na anotação de descritores botânicos facilmente visíveis ou mensuráveis. o enriquecimento da flora das áreas mais pobres. Dentre as possibilidades atuais de utilização das fruteiras do Nordeste destacam-se: o plantio em áreas de proteção ambiental.edu. Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa1. é necessário reconhecer a existência de algumas espécies com potencial para a conquista do mercado interno. identificar e preservar genótipos promissores. avaliação de germoplasma e posterior seleção de genótipos mais promissores para serem utilizados como clones ou para etapas seguintes do melhoramento genético. caracterização. Nesse sentido.

) Com relação à cultura da jaqueira. respectivamente. o conhe-cimento das características físicas e químicas dos frutos pode contribuir para a seleção de tipos promissores e desejáveis ao estabelecimento de cultivares.88% de sementes. confirmando o potencial da fruteira tanto para consumo in natura como para industrialização (Santos. compotas. Hansen (2006). com massa de 218.58. massa da semente (495. Foram avaliados 30 genótipos de jaqueira em nove frutos por planta num total de 270 frutos.19%. número de sementes normais e anormais (105.01.75%. Neste sentido. estes resultados permitiram a identificação de genótipos promissores. Quando se trata da distinguibilidade exigida pela Lei de proteção de cultivares. 1996). além da composição química do fruto como maior vitamina C. Quanto aos caracteres químicos. Ambientais e Biológicas da UFRB.49%. 2001). 1. a jaca pode representar um potencial econômico. espessura da casca (0.11 g.44 kg). Assim. número total de bagos (120. entre outros. respectivamente.24. 2009 .86% de cinzas e 86.37 kg).34º Brix. umidade de 73. rendimento de 85. A análise da polpa revelou um teor médio de 18. elevados conteúdos de sólidos solúveis totais e vitamina C (para consumo in natura) e alta acidez total titulável (para industrialização).66%. avaliando 100 genótipos do Recôncavo Baiano.18 ºBrix. acidez titulável total (ATT) de 0.82 cm). não redutores e totais. a jaca apresentou valores médios de 25. com a seleção de genótipos que poderão ser indicados como cultivares comerciais. diâmetro longitudunal e transversal de 80. O melhoramento desta espécie está voltado basicamente para a obtenção de frutos com menor cavidade interna.90 e 14. massa da polpa (1.74%. 8. pois permite indicar cultivares com potencial de uso imediato pelos agricultores. a depender do destino no mercado consumidor (in natura ou industrialização).72 kg). pH de 5.75 cm). respectivamente). 12. vitamina c de 2. estudo de caracterização foi realizado por Lordêlo (2001).96 g. por apresentar frutos com massa acima de 200 g.19 para a relação SST/ATT. inferior ao da casca (50. opções de investirem no processamento de doces. boa percentagem de polpa.84 mm.67%. Jenipapeiro (Genipa americana L. acidez total titulável (ATT) de 1. Os frutos apresentaram formato ligeiramente alongado. pH de 3. Diversas fruteiras tropicais nativas e adaptadas têm sido caracterizadas em programas desenvolvidos no Centro de Ciências Agrárias. licores etc.14). encontrou valores médios de massa do fruto de 261. jaqueira. UFRB. detectando-se variabilidade para a maioria dos caracteres.31% de ácido cítrico..27% de casca e 33. eles podem muitas vezes não distinguir adequadamente cultivares comerciais (Pecchioni et al. 0. através dos caracteres físicos como massa do fruto (4. O percentual de polpa encontrado foi de 30.40%.27 g) e massa da casca (2.60. comprimento do fruto (28. visando identificar e indicar constituições genéticas úteis para a continuidade do melhoramento e/ou produzir matrizes para serem propagadas vegetativamente.89 cm).03% e 15. a exemplo de jenipapeiro. Os trabalhos de caracterização morfológica do jenipapeiro iniciaram em 1998. Por suas qualidades organolépticas. Foram identificadas plantas com interesse para o processamento e/ou industrialização e para consumo in natura.26%). 18 Tópicos em Ciências Agrárias.58%. observando-se variabilidade nas plantas de jenipapeiro dentro e entre populações. bem como identificar acessos que apresentem características interessantes para o melhoramento. pH e acidez titulável. ºBrix elevado e balanceamento organoléptico equilibrado. rendimento em polpa e diâmetros longitudinal e transversal. sucos. Jaqueira (Artocarpus heterophyllus Lam. 6. 5. Em culturas de base genética estreita. constituindo-se numa alternativa ao incremento da renda familiar além de oferecer aos pequenos e micro industriais. sabor e aroma.50% do fruto e o bagunço 8. especialmente na distinção de genótipos elites aparentados.76 mg 100 g-1 e acidez total titulável de 1. observando-se variabilidade para a maioria dos caracteres.69% de glicídios redutores e totais.11% de glicídio redutores. proporcionarão um maior progresso. 1. melhor características organolépticas como cor. umidade de 73. com a coleta de 30 genótipos no município de Cruz das Almas. sólidos solúveis totais de 17.44% e 19. a semente representou 10. massa do bagunço (5. contudo. social e alimentício a ser explorado. Estes têm tido papel fundamental na divulgação das características agronômicas de novos materiais genéticos e podem influenciar decisivamente na escolha de variedades por parte de agricultores e outros interessados. possibilitando um maior rendimento de polpa.A caracterização de genótipos constitui uma das principais etapas dos trabalhos com germoplasma. Os descritores morfológicos são ainda hoje o “cartão de apresentação” de uma nova variedade. diâmetro do fruto (19.13 cm). mangabeira e pinheira. açúcares totais.84% de polpa.81º Brix. compostos por 60.22% de cinzas e relação SST/ATT de 11. mais importantes para a seleção de genótipos promissores. v. a busca por constituições genéticas que agreguem atributos como maiores massa do fruto.) O jenipapeiro é uma espécie alógama. cajazeira. os descritores morfológicos apresentam limitações. Sendo assim. sendo os caracteres massa do fruto e percentagem de polpa.

sendo a margem do limbo lisa. massa da polpa. caracterizado por ápice e bases quase iguais sendo que o primeiro é ligeiramente agudo. massa do fruto.07 mg. Desta forma. massa da casca. v. umidade. massa do receptáculo. vitamina C. massa da semente. possibilitando a identificação de materiais promissores (Sousa. As nervuras das folhas apresentaram-se de forma penivênias do tipo obliquivênia. relação (STT/ATT). O estudo da morfologia foliar.) Visando identificar materiais de interesse para utilização em sistemas de cultivo e em programas de melhoramento genético. 1. açúcares redutores e açúcares não-redutores. desprovidas de duplicatas desordenadas para o melhor acompanhamento do desempenho desta espécie. independente da distância geográfica. distintos genótipos foram identificados como superiores quanto a características físicas. por representar a maior procura tanto no mercado in natura quanto para industrialização. com ampla base genética. 1995). visando principalmente estabelecer subsídios teóricos de taxonomia. Conde. teor de ácido ascórbico/100g de polpa em frutos maduros (2. Destas análises. espessura da casca. utilizando-se as técnicas de agrupamento e análise de componentes principais mostraram variabilidade para a maioria dos caracteres.. bem como de outras características botânicas serão fundamentais para caracterizar a diversidade de variedades que ocorrem na região estudada (Sousa et al. massa total do fruto. Os descritores morfológicos de folhas. Nas distintas regiões avaliadas foi verificada ausência de pressão de seleção dentro das populações o que possibilitou a ocorrência desta variabilidade. evidenciando uma alta variabilidade genética entre os genótipos.82 oBrix). com a formação de dez grupos de genótipos.84 g). ligada(s) a alguma característica de interesse agronômico. marcadores genéticos representam estritamente a variação genética. não sofrendo influência do ambiente (Weising et al. UFRB.. açúcares totais. massa da casca. MARCADORES MOLECULARES Marcadores moleculares são características de DNA que diferenciam dois ou mais indivíduos e têm base mendeliana. diâmentros transversal (38. São moléculas como DNA ou proteínas que marcam uma região ou regiões do genoma. cinza. como aporte ao programa de melhoramento genético de mangabeira. frutos e sementes de mangabeira também foram aplicados. 2004). ATT. em sentidos opostos e no mesmo plano de inserção. teor de sólidos solúveis totais (15.21%). 2005).95 mm) e massa da polpa (33. Mangabeira (Hancornia speciosa Gomes) Expedições de coletas de 100 genótipos de mangaba em quatro regiões da Bahia. Características morfológicas e agronômicas têm a desvantagem de serem influenciadas pelos fatores do ambiente e podem não representar a real similaridade ou diferença entre os indivíduos.76 g). massa da polpa. rendimento industrial. avaliando-se: comprimento do fruto. vitamina C. Ouriçangas e Nova Soure. Pinheira (Annona squamosa L. foram caracterizados 30 genótipos de pinheira provenientes do município de Presidente Dutra (BA). rendimento da polpa. mostraram comportamento diferenciado entre as plantas dentro da população em relação a caracteres físicos e físico-químicos. sólidos solúveis totais (STT).Cajazeira (Spondias lutea L. em torno de 113. SST. Análise por estatística descritiva e multivariada. Além disso. Tópicos em Ciências Agrárias. químicas e físico-químicas com alto teor de vitamina C. percentual de polpa. flores. constatou-se que a filotaxia é do tipo oposta dística. Foram avaliados caracteres como massa do fruto. rendimento de polpa e coloração de polpa. 2005). acidez total titulável (ATT). Foi verificada ampla variabilidade genética nas populações estudadas o que propicia a coleta de genótipos para futuros trabalhos de melhoramento e montagem de coleções e/ou bancos de germoplasma. Por outro lado. incluindo os municípios de Iramaia. é possível estabelecer coleções biológicas organizadas. As plantas apresentaram folhas com limbo foliar de forma lanceolada do tipo oblongolanceolado. pH. 2009 19 . dos cruzamentos controlados e do ajuste ao ambiente avaliado. massa da semente. SST/ATT. massa do fruto (35. visando sua adaptabilidade e estabilidade e posterior lançamento de variedades (Cruz.49 mm) e longitudinal (41.) A caracterização morfológica de 30 genótipos de cajazeira em 10 frutos por planta foi realizada por Pinto (2002). em virtude de partirem duas folhas do mesmo nó. sendo esta última característica como a mais promissora para um melhor desempenho da mangabeira. diâmetro do fruto. de casca e de semente e caracterização físicoquímica e física de frutos como pH.

1998). desenvolvida por Williams et al. Esta técnica é elaborada. com as vantagens e desvantagens já apresentadas para a técnica anterior. com a vantagem de se fazer as análises antes do material ir para o campo. 1996). o que a torna uma das melhores opções para uso na caracterização de cultivares.. das sondas utilizadas e do número e tipos das seqüências repetitivas. capina. minisatelites e os microssatélites (Ferreira & Grattapaglia. essa informação está impressa no DNA desta cultivar. O'Donoughue et al. 1989. os quatro mais utilizados são Polimorfismo de Comprimentos de Fragmentos de Restrição (RFLP).. Entre as vantagens do uso de marcadores AFLP. (1990). além de possibilitar a classificação do germoplasma em grupos de interesse para os diferentes programas de melhoramento. Crouch et al.O uso de marcadores moleculares representa uma ferramenta adicional em programas de melhoramento genético em frutíferas. Nessa região. UFRB. que são extremamente úteis em estudos de genética.. (1995). grande capacidade para detecção de variabilidade genética no nível de DNA. Permite... 1995. os genomas das duas cultivares serão diferentes. Ulanovsky et al. e representam regiões instáveis do genoma que estão sob alterações mutacionais a taxas muito maiores do que as observadas na seqüência de cópia única. na identificação e monitoramento de genes de importância em maçã (Wang-Caihong et al. utiliza primers mais curtos e de seqüência arbitrária. se um genótipo de maracujazeiro confere resistência a uma bacteriose. O polimorfismo detectado resulta de variações no número destas seqüências. O polimorfismo obtido com esta técnica está baseado em diferenças entre genótipos na distribuição dos sítios de restrição e na amplificação diferencial de fragmentos. sendo uma técnica que possui grande capacidade para detecção de variabilidade genética e uso em caracterização de cultivares. Essa técnica é similar a de RFLP.. desta maneira. não permitindo a distinção de heterozigotos. 1998). 1991). A maior vantagem dessa técnica é o elevado polimorfismo revelado. O polimorfismo de RAPD tem natureza binária (presença ou ausência). É uma técnica significativa na detecção de variabilidade genética e não requer mão de obra especializada (Ferreira & Grattapaglia. Estes marcadores têm sido utilizados para aplicações de mapeamento genético em inúmeras frutíferas (Kijas et al. Por exemplo. o que elimina a necessidade do conhecimento prévio da seqüência alvo. 2001).. oferecendo novas possibilidades no manejo de uma coleção. 2002). Minissatélites têm sido utilizados no melhoramento de frutíferas para a identificação de variedades. São marcadores dominantes. havendo redução no número de gerações de melhoramento necessárias no desenvolvimento de variedades. Entre os marcadores de DNA. Uma vantagem adicional dos minissatélites é o alto grau de polimorfismo apresentado. A forma como esses fragmentos são obtidos varia com o tipo de metodologia empregada (Hillis et al. Isso tem sido devido principalmente a sua alta consistência e repetibilidade na obtenção dos resultados. possuindo. Entre esses marcadores. em razão da variabilidade relativamente pequena dos mesmos. Cipriani et al.. “softwares” têm sido desenvolvidos para distinguir indivíduos homozigotos e heterozigotos (Vos et al. As diferenças entre indivíduos são notadas quando se visualiza diferentes tamanhos de fragmentos de DNA entre estes. um indicador de reação terá sua seqüência complementar a uma determinada região em um indivíduo. Como todas as diferenças entre os seres vivos estão presentes no DNA. Os microssatélites consistem em seqüências de 1 a 6 nucleotídeos. repetidas lado a lado. Marcadores AFLP são utilizados com sucesso para detectar diferenças genéticas e variantes somaclonais em banana (Engelborghs et al. O indicador 20 Tópicos em Ciências Agrárias.. v. variando basicamente o tipo de sonda utilizado. mais demorada que as outras técnicas para obtenção de resultados de custo relativamente alto.. as isoenzimas e proteínas de semente são menos úteis para escolha de pais em populações geneticamente homogêneas. especialmente em germoplasma aparentado e de baixa variabilidade. Um outro genótipo que não apresente a resistência. produzindo um grande número de fragmentos. Mesmo assim. 1998). 2001) e em estudos de diversidade genética em pêssego (Aranzana et al... portanto. 1999. 1994. A técnica RFLP consiste basicamente no uso de enzimas de restrição que corta o DNA em sítios específicos. os RFLPs têm sido utilizados em um grande número de estudos de caracterização de cultivares (Gebhardt et al. 1998). Os minissatélites ou locos VTNR são seqüências repetitivas de DNA.. 2009 . Polimorfismos em nível de DNA podem ser detectados por vários métodos. A técnica de DNA polimórfico amplificado ao acaso (RAPD). 1995). não trará gravado em seu DNA essa informação. Apesar deste marcador ter natureza dominante.. diminui-se o volume de material que necessitaria de cuidados como adubação. sendo que essa mesma região pode não existir em outro indivíduo. cultivares e clones e análise de diversidade genética (Daly et al. Autrique et al. O AFLP foi descrita por Vos et al. adjacentes e em número variável (Jeffreys et al. multialélicos. também.. o Polimorfismo de Fragmentos Aleatórios e Amplificados de DNA (RAPD). permitindo a comparação entre indivíduos e identificando duplicatas (Engelborhs et al. 1990). e tem revelado um grau de polimorfismo de intermediário a baixo. o Polimorfismo de Comprimentos de Fragmentos Amplificados (AFLP). 1998. determinar a presença ou ausência de gene(s) ligado(s) a características específicas para fins de melhoramento. conforme a espécie. A instabilidade dos microssatélites resulta em marcadores altamente polimórficos. decorrente da variação na distribuição dos sítios de restrição. estão o alto grau de polimorfismo e o mais alto número de marcadores obtidos por gel analisado. 1. Com isso.. irrigação etc. 1985).

com o número de fragmentos produzidos variando de 3 (OPB-19) até 7 (OPH-15). dois foram monomórficos e seis polimórficos.7 por primer. os marcadores moleculares evidenciaram variabilidade pela presença de polimorfismo. 1998). Segundo Colombo et al. O número de bandas polimórficas foi de 148 (81. identificação de duplicatas. sendo que 32 proporcionaram eficiência na amplificação. Nesta amplificação foi gerado um total de 407 bandas. faz com que o melhoramento de espécies frutíferas seja a área onde o uso efetivo desta tecnologia tende a ter as melhores perspectivas de sucesso. 10 a 30 primers. Mangabeira (Hancornia speciosa Gomes) A caracterização molecular desta fruteira teve como objetivo determinar a distância genética entre os genótipos coletados utilizando a técnica de RAPD. As estimativas de distância genética foram aplicadas baseadas na análise direta do DNA como ferramenta adicional na confirmação dos valores morfológicos. indicando a presença de variabilidade genética entre os genótipos avaliados. v. comprovando a formação de grupos dissimilares. a fim de identificar o polimorfismo presente nos genótipos avaliados e sua resposta em comparação à caracterização morfológica. Os seis primers responsivos geraram 28 produtos de amplificação (bandas). Por esta razão. Pode-se observar padrões de bandas diferentes. é uma tecnologia extremamente atraente tendo em vista o tempo necessário para completar uma geração de melhoramento desta espécie. os genótipos foram avaliados utilizando técnicas de marcadores moleculares do tipo RAPD. gerando 50 a 100 bandas polimórficas. dos 119 primers testados. Jenipapeiro (Genipa americana L. com o primer OPH-13. havendo redução no número de gerações de seleção necessárias para o desenvolvimento de variedades (Moreira. A perspectiva de tornar mais eficiente a seleção precoce e com isso aumentar o ganho genético por unidade de tempo. O uso de marcadores moleculares no Centro de Ciências Agrárias tem sido feito com à cultura da mangabeira e está sendo aplicado à cultura do jenipapeiro. 1. representam importantes ferramentas na seleção antecipada (Ferreira & Grattapaglia. sendo 257 polimóficas e 150 monomórficas (Capinam. capina. encontrar marcadores moleculares aliados às características fenotípicas de maior rendimento do produto final aferidos por dados biométricos. com uma média de 10. avaliando os marcadores RAPD em mangaba (Cruz. são suficientes para estimar relações genéticas dentro e entre espécies. em trabalho realizado por Hansen (2006). A utilização de marcadores moleculares como ferramenta de seleções em culturas perenes. é de grande contribuição para o êxito na seleção de genótipos superiores destas culturas. a qual foi respaldada com similar variabilidade detectada com a caracterização morfológica. com bandas de padrão de visualização adequada. Desta forma. O uso de marcadores moleculares representa uma ferramenta adicional em programas de melhoramento genético em frutíferas. Neste trabalho. com a vantagem de análises precoces antes dos genótipos irem para o campo. como a maioria das fruteiras com potencial para o Nordeste brasileiro. Tópicos em Ciências Agrárias. irrigação etc. Sendo assim. Em trabalho pioneiro. com o primer OPAI-01 à 13. Um total de 185 marcadores foram amplificados. desta forma eles serão separados pelo RAPD (Moreira. UFRB. 2005). A utilização desta técnica demonstrou existência de polimorfismo no material em estudo.. 2003). a classificação de germoplasma. Com isso diminui o volume de plantas que necessitam de cuidados como adubação. permitindo a comparação entre indivíduos. oferecendo novas possibilidades no manejo.) A formação de grupos gerados por mensurações físicas e químicas poderão ser respaldadas ao confirmarem suas informações genéticas diretamente do DNA.amplificará fragmentos no primeiro indivíduo. 17 forneceram produtos nítidos de amplificação e boa repetibilidade. 2003). (1980). Em trabalho subseqüente foram avaliados 50 primers. Estimativas de distância genética baseada na análise direta de DNA eliminam complicações advindas da avaliação do fenótipo. 2007). técnicas que permitem identificar marcadores moleculares ligados a genes responsáveis por características de importância agronômica. a presença ou ausência de gene ligado a características específicas. como influência do ambiente e baixo número de polimorfismo.32%) e variou de 3. identificados também por marcadores morfológicos. dos oito primers amplificados. 2009 21 . sendo uma técnica viável e uma importante ferramenta na identificação da variabilidade genética em jenipapeiros. mas não no segundo. Além disto.

TANKSLEY. 1998. AUTRIQUE. cujas deficiências e qualidades são conhecidas. K.. 120 f. 735-742. C. v. avaliação do comportamento da planta.. 65-72. poderão tornar efetivo o progresso genético destas espécies. characterisation and cross-species amplification in Prunus. Segregation of microsatellite loci from haploid and diploid gametes in Musa. C. que mesmo a médio e longo prazo possam ser estreitados com adição de tecnologias complementares e eficientes. M. Acta Horticulturae.et al. morphological traits and coefficient of parentage. v. as informações sobre a variabilidade disponível facilita o estabelecimento dos objetivos de um programa de melhoramento. Cruz das Almas.211-217. P. e tem como objetivo final o aumento da produtividade. 2009 . G. São vários e distintos os mecanismos utilizados para obtenção de melhoria para as fruteiras pouco exploradas e de grande potencial econômico e social. et al. Berlin. Madison. de. Iniciar um programa de melhoramento implica em compromissos a médio e longo prazo. ARUS. disponibilidade de germoplasma com ampla variabilidade e conhecimento acumulado sobre a biologia da espécie a ser estudada.M. Genetic and Molecular Biology. identificando os genótipos distintos e superiores para serem multiplicados. como o pequeno conhecimento sobre a variabilidade destas espécies. NACHIT. S. n. escolha da metodologia adequada para avaliação do material. Por fim. France. AC/GT and AG/CT microsatellite repeats in peach (Prunus persica (L) Batsch): isolation..) Batsch). M. 1998. tecnologias de marcadores moleculares. MONNEVEUX. VICENTE. Comparison of fruit and leaf dna extracts for AFLP and SSR analysis in peach (Prunus persica (L. Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Vários fatores têm sido apontados como difíceis de serem superados pelo melhoramento de fruteiras ainda pouco exploradas.. G. 99. 1. comparação do material melhorado com um padrão existente. p. CAPINAN. p..D. Genetic diversity characterization of cassava cultivars (Manihot esculenta Crantz) with RAPD markers. localização de genes. É onde a seleção pode atuar. SECOND. identificação de fontes de variação genética dentro do germoplasma disponível. Frente a esta preocupação. 1. v. 1999. p. Theoretical and Applied Genetics. 2007. G. SORRELLS. Assim. 36. E. v.. escolha e recombinação dos genitores. seleção em cultivo hidropônico em estádio de plântula e propagação vegetativa de genótipos promissores.38. M. VALLE. p. REFERÊNCIAS ARANZANA. v. n. COLOMBO. Seleção de germoplasma de mangabeira (Hancornia speciosa Gomes) definida por marcadores morfológicos e moleculares. J. CHARREIRA. 1996.. P. Crop Science. estudo sobre herança etc). 21. UFRB. 546. culturas de tecidos. Todas estas dificuldades serão superadas com pesquisas que agreguem informações e na criação de Programas de Melhoramento destas fruteiras potenciais. seleção dos segregantes superiores. A. CROUCH. T. melhoria da qualidade e adaptação a determinado ambiente. 2001. CIPRIANI. A presença de ampla variabilidade constitui a primeira etapa para o alcance de tal objetivo. M. p. a estratégia para o melhoramento de fruteira deve conter as seguintes fases: identificação das características importantes a serem melhoradas. Genetic diversity in durum wheat based on RFLPs. 297-300. a necessidade de adaptação das metodologias de melhoramento e técnicas experimentais e a demora na obtenção de novas cultivares decorrente da necessidade de avaliação no ambiente de cultivo. conservados e manipulados através de cruzamentos genéticos ou incorporação de genes promissores por biotecnologia. H.E. S. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias).. L. 105-113.CONSIDERAÇÕES FINAIS O melhoramento pressupõe a necessidade de modificar a constituição genética do indivíduo. distribuição do novo material. 22 Tópicos em Ciências Agrárias. Crop Science. C. o reduzido estoque de informações básicas sobre a biologia e a genética do material a ser melhorado (modo de reprodução.

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CAPÍTULO 3 PROPAGAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Ana Cristina Vello Loyola Dantas. Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa. Simone Alves Silva & Janay Almeida dos Santos-Serejo Tópicos em Ciências Agrárias .

br. (Peixoto & Pasqual.br 2 1 Pesquisador -Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. Uma das grandes vantagens dessa técnica é a manutenção do genótipo e fenótipo de plantas propagadas por esse sistema (Giacometti. 1994). 1999). 1999).edu. (2001) em citros (Citrus sinensis L. sas@ufrb. Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO A propagação de plantas consiste em realizar sua multiplicação por via sexuada ou assexuada e tem sido uma atividade fundamental para a humanidade desde o início da civilização. a propagação assexuada das principais espécies frutíferas cultivadas comercialmente já é uma prática amplamente difundida e adotada pelos viveiristas e produtores de frutas tropicais. Kock). (1998) e Moura et al. Algumas espécies produzem estruturas utilizadas para propagação.edu. 2001). subtropicais e temperadas.edu. cada vez mais. 1996). que têm sido. Janay Almeida dos Santos-Serejo 2 Professor . dos frutos e o preparo e seleção das sementes constituem etapas importantes para a obtenção de plantas vigorosas. mergulhia (alporquia). as fruteiras nativas e exóticas típicas do Nordeste brasileiro ainda são propagadas única e exclusivamente por via seminífera. 1995).). a regeneração de plantas in vitro a partir de explantes meristemáticos tem sido reportada em diversas espécies lenhosas. entre outras vantagens. (1996) em urucum (Bixa orellana L. (1992). pitanga. Os métodos para propagação assexuada normalmente utilizados em plantas frutíferas são: estaquia. a exemplo de rebentos e filhotes. Vitis vinifera L. em situações mais específicas.Centro de Ciências Agrárias. garfagem. Por sua vez. UFRB. O desenvolvimento de métodos de regeneração de plantas in vitro via organogênese ou embriogênese somática é requisito necessário para utilização de técnicas biotecnológicas como a transformação genética ou hibridação somática (Brasileiro & Dusi. Osbeck). ciência e técnica (Hartmann & Kester. sendo o método mais indicado por possibilitar a obtenção de plantas uniformes. Em fruticultura. 1996). Simone Alves Silva1. o uso da propagação sexuada tem sido restrita. Por outro lado. A escolha da planta matriz. tais como Persea americana Mill (Barceló-Muñoz et al. pinha. pode-se mencionar aqueles realizados por Cervera et al. podendo considerar-se que a propagação envolve aspectos de arte. Com a demanda crescente do mercado por produtos de alta qualidade e com características agronômicas bem Tópicos em Ciências Agrárias. sendo recomendada para obtenção de porta-enxertos e de novas cultivares. entre outras. Embora a utilização das sementes seja mais difundida para a maioria das frutíferas tropicais. para obtenção de clones nucelares e em plantas homozigotas. A propagação vegetativa utilizando técnicas de cultura de tecido pode ser um valioso instrumento na propagação clonal rápida de fruteiras. mapcosta@ufrb. Malus domestica Borkh (Centellas et al. Um estudo de propagação de plantas envolve conhecimento dos procedimentos técnicos. Segundo Lerdeman et al. são exemplos práticos da utilização de sementes como meio de propagação e formação de mudas para o plantio. Apesar dos grandes avanços das técnicas de cultura de tecidos.br. para espécies com dificuldade de multiplicação por outros meios. incorporadas nos programas de melhoramento genético de plantas (Borém. a otimização de protocolos eficientes que estimulem a organogênese e/ou embriogênese em plantas lenhosas tem sido muito limitada. mangaba. E-mail: acloyola@ufrb. 1999) e muitas outras.) Liang & Ferguson (Nachtigal et al.. quase todas as espécies podem ser propagadas vegetativamente. Eucalyptus (Xavier & Comério. A micropropagação de espécies lenhosas vem sendo estudada há várias décadas e tem como objetivo básico o estabelecimento de uma metodologia de multiplicação clonal de indivíduos superiores. jenipapo. Almeida et al. Cruz das Almas-BA. encostia). dentre outros. em larga escala. 1990). 1.) C. que requer prática e experiência. Dentre os poucos trabalhos. a cultura de calos visa à regeneração via organogênese ou embriogênese. da estrutura e forma de desenvolvimento da planta e da espécie e dos métodos de propagação relacionados. Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa1. Ambientais e Biológicas/UFRB. Entretanto. Actinidia deliciosa (Chev. Esta técnica pode ser feita via gemas pré-existentes ou cultura de calos derivados de diferentes tecidos. 2009 27 . enxertia (borbulhia. Rodriguez & Wetzstein (1998) em pecan (Carya illinoinensis (Wagenh. Fruteiras como jaca.PROPAGAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Ana Cristina Vello Loyola Dantas1. com início de produção precoce e idêntica à planta-mãe. v. A reprodução sexuada é o principal mecanismo de multiplicação das plantas superiores e de praticamente todas as angiospermas e resulta em população com variabilidade genética devido à segregação e à recombinação de genes.. em virtude da recalcitrância da maioria dessas espécies.. umbu.

divulgando resultados da literatura e de pesquisas realizadas no Centro de Ciências Agrárias. quando 28 Tópicos em Ciências Agrárias. Nascimento & Damião-Filho (1998) verificaram que a germinação ocorre de maneira heterogênea. 1978). Rocha et al. (1998) verificaram que sementes procedentes de frutos maduros colhidos no chão. A propagação vegetativa tem sido pouco mencionada na literatura. Jenipapo. 32 dias após a enxertia. Para isso deve-se utilizar borbulhas de ramo maduro. indicando possibilidade de seleção nas plantas matrizes para esses caracteres. na medida em que possibilitou pegamento médio de 87% aos 8 dias após a enxertia. UFRB.0 mg L-1 de benzilaminopurina (BAP) e/ou sem a utilização de reguladores vegetais. Ambientais e Biológicas/UFRB vêm demonstrando a capacidade organogenética da cultura a partir de segmentos internodais (Figura 1). onde os melhores resultados foram conseguidos em meio MS com adição de 1. Prado Neto (2006) avaliou a influência de diferentes substratos no desenvolvimento inicial da planta e a eficiência de métodos de enxertia por garfagem em jenipapeiro. 2003b). areia e esterco de galinha proporcionou as melhores médias de altura da planta (36. não havendo influência dos substratos na eficiência dos métodos de enxertia utilizados. cortando-se as plantas restantes. 2009 . Mudas formadas em sementeira estarão em condições de serem plantadas quando atingirem 20 a 35 cm de altura (Santos. retirando-se as sementes por meio da maceração.07 cm) e diâmetro do caule (7. depois uma maior concentração e no final novamente poucas .definidas. Gomes (1989) cita que a enxertia por borbulhia foi usada nas Filipinas com bom resultado. por alporquia e enxertia. 2003b). Jenipapo (2003a) recomenda a imersão em água fria por 48 horas para acelerar e uniformizar a germinação. recomendaram a imersão das sementes em água a 65°C por 5 a 10 minutos por ser um método econômico e proporcionar maior valor para o índice de velocidade de germinação. num tempo médio de 17 dias após o início da germinação. 1. após a avaliação da germinação de sementes de jenipapo submetidas a tratamentos prégerminativos. seis a doze meses após a repicagem (Jenipapo. extraídas por fricção em peneira. Cada metro quadrado deve receber 360 sementes a de 2 a 3 cm de profundidade.4 % respectivamente para garfagem no topo em fenda cheia e garfagem em fenda lateral. A muda estará pronta para o plantio quando atingir cerca de 20 cm de altura. entre outros métodos (Carvalho. coletados quando começam a cair. 30°C e 35°C. os frutos devem ser provenientes de plantas isentas de pragas e doenças e de boa produção. Na semeadura em sacos de polietileno. estudos têm sido realizados para maior conhecimento do processo de multiplicação. verde-azulado realizando-se cortes de quatro centímetros de comprimento. foi de 100 e 95. Borges et al. v.0% para garfagem em fenda lateral. Silva et al. sacos plásticos 18 x 30 cm) com o mesmo substrato usado nas leiras. Em trabalho realizado por Andrade et al. Recentes trabalhos desenvolvidos no Laboratório de Cultura de Tecidos de Planta da Centro de Ciências Agrárias. proporcionando uma média de 58 % de emergência de plântulas aos 60 dias de armazenamento. Na propagação por sementes.2 m de largura x 0. O percentual médio de pegamento do enxerto. enquanto frutos amadurecidos na planta e extração por abrasão em areia resultaram em sementes com maior índice de velocidade de germinação. utilizando-se vermiculita e solo como substrato. pode-se colocar 3 a 4 sementes a 2 a 3 cm de profundidade.3 %).71mm). laminados. a garfagem no topo em fenda cheia apresentou-se mais eficiente. No entanto. (1994) indicaram acondicionamento das sementes de jenipapo em geladeira. As mudas com cerca de 2 cm de altura devem ser repicadas para vasos (jacás. Cultura do jenipapeiro (Genipa americana) A propagação do jenipapo se dá via sementes e vegetativamente. Souto et al. que pode demorar de 15 a 30 dias. (2000) obteve-se maiores percentagens de germinação de sementes de jenipapo em temperaturas de 25°C. apresentaram os maiores valores de germinação (cerca de 78. (1994) mostraram haver variabilidade entre 37 progênies de jenipapo quanto à percentagem de germinação e índice de velocidade de emergência. no início poucas plântulas. com predominância do uso das sementes.30 m de altura x 10-20 m de comprimento. e com a importância crescente de fruteiras até então pouco exploradas. 1978). não sendo importante a idade do cavalo no ponto de inserção. (1994). realizando-se o desbaste quando a planta apresentar 10 cm de altura. A influência dos substratos no desenvolvimento das plantas só foi observada aos 13 meses quando o substrato composto por solo. Ambientais e Biológicas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. além de ser de fácil manuseio. As sementeiras devem ter dimensões de 1. 1994. buscando desenvolver e adaptar tecnologias de propagação para diversas espécies frutíferas tropicais nativas e exóticas. Este é um aspecto interessante. com leito constituído por 3 partes de terriço e 1 a 2 partes de esterco de curral bem curtido. a semeadura é feita preferencialmente em sacos de polietileno com dimensões mínimas de 20 cm de altura e 7 cm de diâmetro ou em sementeiras previamente preparadas (Santos. contra 0. glabro. O objetivo deste trabalho foi reunir informações sobre a propagação de espécies frutíferas com potencial no Nordeste brasileiro. Após secagem à sombra por 48 horas.

0 -1 3. Novaes et al. Cultura da mangabeira (Hancornia pubescens) A mangabeira é uma espécie cujas sementes em condições ambientais apresentam baixa longevidade. destacando-se o meio MS suplementado com 1.0 mg L-1 (BAP) + 0. Pimentel & Santos (1978) verificaram um decréscimo de 52% na germinação das sementes ao terceiro dia extração dos frutos quando deixados em condições ambientais. bem como uma provável diminuição nos riscos de variação somaclonal. não observaram influência significativa do dessecamento. O aspecto morfológico das brotações Tópicos em Ciências Agrárias.25 mg L-1 (AIA) (Tabela 1).0 1. estudando a germinação de sementes de mangaba. 15 Frequencia de brotações (%) 10 5 0 0. várias combinações de reguladores vegetais vêm sendo testadas em meio MS (Murashige & Skoog 1962). Gonzaga Neto et al. obtendo os melhores resultados na utilização de areia lavada adicionada de terra vegetal (proporção 1:1). sugerindo comportamento recalcitrante.0 Concentrações de BAP (mg L ) Figura 1. Em relação à forma mais apropriada de produzir as mudas desta espécie. até umidade de 18. e embora sem diferença significativa.8 %. v. 2003). Também foi possível verificar que as sementes embebidas em água apresentaram uma maior percentagem de germinação em relação às não embebidas (Capinan. constatou-se bom desempenho das plantas em bagaço de cana e areia lavada na proporção de 1:1. sendo necessária rápida semeadura logo que colhidas. (2002).1 e 1. uma porcentagem de 25% de germinação. Este acentuado decréscimo deve-se provavelmente à rápida desidratação das sementes. Efeito das concentrações da bezilaminopurina (BAP) na frequência de explantes com brotações de jenipapeiro.7 %. Para obtenção das sementes. 2009 29 . O início da emergência de plântulas ocorreu em média aos 23 dias após a semeadura. 1. proporcionando a continuação das etapas de melhoramento da espécie. embriogênese somática. (1987) observaram que sementes de mangaba embaladas em saco de polietileno armazenados à temperatura de 15oC e umidade de 45% mantiveram até os 25 dias. já que neste caso.se visa propagação clonal. constatou que o poder germinativo das sementes cai rapidamente entre o quarto e o oitavo dia após sua retirada dos frutos. visto ser a produção de mudas. houve tendência de redução de germinação com o dessecamento e com o armazenamento.2 brotos por explantes. havendo variação na percentagem de acordo com o período de secagem e condições de armazenamento. citado por Ferreira (1973). e do armazenamento por 72 horas sob condição de refrigeração na germinação e índice de velocidade de emergência. UFRB. para que possam ser futuramente utilizados em técnicas biotecnológicas como a hibridação somática e/ou transformação genética. Ainda na busca por substratos mais responsivos. estudos referentes aos substratos mais eficazes na germinação das sementes recalcitrantes da mangabeira foram realizados.0 2. Os resultados observados. A emergência das plântulas ocorre em média de quinze a trinta dias após semeadura. E por serem recalcitrantes as sementes perdem rapidamente o poder germinativo logo que retirados dos frutos. No sentido de desenvolver protocolo eficiente para estimular as repostas in vitro desta cultura a partir de segmentos de epicótilo. um grande entrave na cultura da mangabeira. servem também como ponto de partida para outros estudos visando inclusive. Tavares (1960). A percentagem média de germinação foi de 33. As taxas médias de multiplicação variaram entre 0. embora indiquem um potencial promissor para a propagação vegetativa in vitro de plântulas de jenipapeiro a baixo custo. quando estes iniciarem a queda espontânea ou recolhê-los no chão. não só haveria redução de custos pela falta da necessidade de usar reguladores vegetais. Vieira Neto (2001) recomenda colher os frutos diretamente da árvore.

como o relatado por Pinheiro et al.00 mg L (AIA) -1 -1 1.50 mg L (AIA) -1 -1 2.28 C 25. citros. UFRB.0 mg L-1) e AIA (0.25 ou 0.25 mg L (AIA) -1 -1 1. 3 e 4 aqueles mais próximos ao ápice caulinar. Número de explantes intumescidos e taxa média de multiplicação (brotos por explantes) de mangabeira. 1. 2009 .63 B 0. a capacidade de enraizamento tanto in vitro como ex vitro da mangabeira. independente da posição do segmento internodal. conforme se observa na Figura 2.56 B 0. 0.23 C 0.25 mg L (AIA) -1 -1 2.0 cm e 4 a 5 pares de folhas opostas. Combinações de reguladores vegetais acrescidas no meio de cultura MS (Murashige & Skoog.33 C 0.0.88 A 0. Apesar dos resultados promissores quanto ao número de brotações.0 mg L (BAP)+ 0. Figura 2. 1962) suplementado com BAP (0. Tabela 1.50 mg L-1). desta natureza. razão pela qual a conversão em planta também é reduzida. 0.50 mg L (AIA) CV (%) -1 -1 Explantes intumescidos 0.03 D 29.25 mg L-1 (AIA). buscando discriminar a existência de zonas com maior potencial organogênico que favoreça o enraizamento. Neste sentido. As taxas de multiplicação obtidas neste trabalho podem ser consideradas baixas. tais como abacaxi.46 Taxa de multiplicação 0. 30 Tópicos em Ciências Agrárias. 2. no entanto.desenvolvidas neste meio de cultura foi satisfatório.0 mg L-1 (BAP) + 0.0 mg L (BAP)+ 0. é baixa. Este fato possivelmente deve-se aos poucos trabalhos. (2001).13 C 0. a partir de segmentos de epicótilo em de cultura MS (Murashige & Skoog. sendo considerado internódio 1 aquele mais próximo ao sistema radicular. v. Cruz das Almas. Verificou-se que a combinação de 1.0 mg L (BAP)+ 0.0 mg L-1 de BAP e 0. Regeneração in vitro de plantas de mangabeira. banana. realizados com a fruteira em estudo. não apresentaram raízes. segmentos de epicótilo foram numerados de acordo com a proximidade em relação ao ápice.0 mg L (BAP)+ 0. dentre outras. 1962).24 Valores seguidos da mesma letra na vertical não diferem entre si pelo teste de Tukey a 1% de probabilidade. Geralmente os trabalhos in vitro estão voltados para testes de germinação. em função do meio de cultura MS (Murashige e Skoog.28 C 1. 1.0 ou 2. 2003.23 A 0.25 mg L-1 de AIA realmente é aquela que proporciona melhor resposta dos explantes de mangabeira na indução de brotações. onde as mesmas apresentaram comprimento em torno de 5. quando comparadas com aquelas fruteiras que já possuem protocolos de regeneração de plantas in vitro definidos.0 mg L (BAP)+ 0.0. 1962) suplementado com 1.

devendo estes proporcionarem um bom desenvolvimento à muda enquanto esta permanecer no viveiro. Hartmann & Kester (1994) relacionam vários tipos de recipientes que podem ser usados na propagação e cultivo de plantas jovens. nutrientes e oxigênio. xaxim. 1997). a exemplo da viabilidade da semente. O custo final médio da muda usando tubete artesanal biodegradável foi superior em 13 %.) e artificial (espuma fenólica. A produtividade e a qualidade dos frutos produzidos em pomares de “pé-franco” são bastante variáveis. Os principais fatores determinantes na formação de uma muda são o substrato e o recipiente. perlita. além de proporcionar boa agregação das raízes aos substratos e facilidade de retirada das mudas dos tubetes de polipropileno rígido. para produção de mudas de cajueiro anão precoce em diferentes substratos (composto do lixo urbano. Recomenda-se selecionar as sementes maiores e semeá-las o mais breve possível. capacidade de troca catiônica. mas afeta o vigor da plântula (Carvalho & Nakagawa. 1. areia etc. Entre os tubetes artesanais biodegradáveis. o que favorecerá o desempenho futuro da planta. húmus etc. O tubete de fibra de sisal apresentou problemas de baixa retenção de umidade nos substratos. no tamanho. as plantas oriundas a partir desse processo apresentam uma grande variação na produtividade. forma e qualidade dos frutos. vermicomposto e substrato comercial Citrus 1) mostrou que a porcentagem de germinação e o índice de velocidade de emergência foram influenciados pelo substrato. observando-se efeito significativo do substrato Citrus 1. Cultura da jaqueira (Arthocarpus integrifolia) A jaqueira tem sido propagada tradicionalmente por sementes. Em geral. independentemente do tubete utilizado. serragem etc. v. isopor etc. As sementes podem ser colocadas para germinar diretamente em sacos de polietileno não reciclado de 30 x 18 cm e 12 m de espessura. aeração. não satisfazendo portando os interesses dos consumidores de caju. Nesse tipo de propagação. vegetal (tortas. podendo ser de diversas origens. blocos de fibra.). pode-se citar o custo. o de folha de taboa destacou-se pelo seu menor custo de confecção e boa resistência ao manuseio e transporte da muda. porém com características suficientes para atender às exigências mínimas da altura e diâmetro do caule para a enxertia no período de 30 dias após emergência. A manutenção das sementes em água durante 24 horas melhora a germinação e por 48 horas em ácido giberélico resulta em 100% de germinação. mineral (vermiculita. vasos de barro. recomenda-se utilizar sacos de 0. Visando a produção de mudas de cajueiro anão precoce. pois as mesmas perdem gradativamente a viabilidade. Os resultados na literatura não são consistentes e muitas vezes conflitantes. O uso de tubetes artesanais biodegradáveis produzidos a partir de fibra de sisal (Agave sisalana). apresentam em geral baixa qualidade fitossanitária e agronômica. bagaços. sob condição de viveiro telado. plástico e fibra. com maior sobrevivência dos enxertos. (1995) destacaram que os processos de propagação mais utilizados no cajueiro são a alporquia e a enxertia. o que inviabiliza a exploração comercial racional de pomares assim estabelecidos. mostrou que substratos existentes no mercado possibilitam a produção de porta-enxertos mais vigorosos. a exemplo de caixas de madeiras. A germinação ocorre dentro de três semanas e quando as mudas apresentarem 30 cm de altura podem ser plantadas definitivamente. tem como resultado plantas com características diferentes no que diz respeito ao fenótipo e genótipo.30 m considerando-se a necessidade de permanecerem por maior tempo no viveiro. No preparo de mudas para porta-enxerto. a exemplo de animal (esterco. Corrêa et al. água. 2009 31 . Os substratos vermicomposto e composto do lixo urbano proporcionaram menor desenvolvimento das mudas. fibra da folha de taboa (Typha dominquensis) e palha de bananeira (Musa sp). plástico e metal.Cultura do cajueiro (Anacardium occidentale) A propagação de cajueiro por sementes (pé-franco).). esterilidade biológica. Como a polinização é cruzada. UFRB. necessitando aumento do suprimento hídrico e o tubete de palha de banana apresentou maior grau de degradabilidade. disponibilidade. 2001). Estes pomares improdutivos estabelecidos com altos custos. Os melhores resultados para a maioria das características avaliadas foram obtidos com a utilização do tubete de polipropileno rígido em substrato Citrus 1. 1980). recipientes metálico e sacos de polietileno.40 x 0. O tamanho da semente tem efeito Tópicos em Ciências Agrárias. refletindo em sua história as dificuldades de acesso dos produtores a mudas enxertadas com materiais apropriados e economicamente viáveis (Cavalcante Júnior & Chaves. experimento realizado por Silva (2002). O substrato atua como se fosse o solo fornecendo à planta sustentação. as sementes devem ser coletadas em frutos provenientes de árvores de boa produção e frutos de alta qualidade. O tamanho das sementes é um dos fatores que pode influenciar a germinação e o vigor das plântulas. devendo-se considerar os benefícios da sustentabilidade e geração de emprego para indicar a sua utilização.). O uso destes recipientes depende do tipo e do local onde a muda será produzida. Entre as características desejáveis de um substrato. os estudos mostram que o tamanho da semente não tem influência sobre a germinação. devido a desuniformidade das fases de desenvolvimento. bem como no período de colheita (Luna. fenômeno que depende de outros fatores. da estrutura do viveiro e de uma criteriosa análise de custo. retenção de umidade e uniformidade. teor de nutrientes.

O trabalho desenvolvido com sementes de diferentes massas: pequenas (2.0%.0 a 6. M.. BRASILEIRO. M. Ciência Rural. Trabalho desenvolvido por Dantas et al. que iniciaram a germinação aos 23º dias. utilizando-se.0 g). A. são relatadas experiências bem sucedidas de enraizamento de estacas tratadas com 5. com sementes grandes germinando aos 16º dia após a semeadura. P. BARCELÓ-MUÑOZ. C.) sobre a emergência de plântulas. J. PLIEGO-ALFARO. significativamente superior ao observado para sementes pequenas. Transformação genética de plantas. p. DUSI. utilizados para consumo in natura ou obtenção de doces em compotas ou licores. et al.. p. F. faz-se necessário o estudo de métodos de propagação para o seu cultivo. A.. Pesquisa Agropecuária Brasileira. CALDAS. A..Os maiores valores para altura de plantas. REFERÊNCIAS ALMEIDA. p. L. peso fresco e seco da parte aérea foram observados em sementes grandes. podendo atingir até 20 m de altura. ANDRADE. garfagem (fenda lateral) e encostia. R. (2000). A massa da semente influenciou o índice de velocidade de emergência. conforme citações de Andrade et al. C. Micropropagation of adult avocado. médias (8. A propagação assexuada da jaqueira pode ser realizada pelos métodos de enxertia e estaquia. No entanto. 2009 . (1998) e trabalhos realizados por Machado et al. G. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. mostrou que o tamanho das sementes não influenciou na germinação. Os frutos são ovóides. ENSINA. SIMÓN-PÉREZ.. 13. 1079-1080. 3. Apresenta porte elevado.. (Ed. 1999.. E. C. com polpa branca. G. Cultura do jambeiro (Eugenia malaccensis) O jambeiro vermelho. D. Por ser uma planta exótica e pouco explorada comercialmente.. v. n. 1980). Tissue and Organ Culture. S.58.SPI..5% com a garfagem em inglês simples. BORGES. mar. de A. Os garfos para enxertia são obtidos das jaqueiras selecionadas e após remoção das folhas devem ficar com 10 a 15 cm de comprimento. A. matéria orgânica de origem vegetal (húmus) bem decomposta e a aplicação de pasta de lanolina contendo fitohormônio (ácido indolbutírico). Brasília: Embrapa. sendo que sementes grandes apresentaram valores superiores em relação às sementes pequenas e médias. trabalhos realizados por diversos autores com diferentes espécies mostram influência do tamanho da semente tanto no vigor quanto na germinação. copa de forma cônica e ramificações abundantes. A. ALMEIDA..CNPH. (1992). 2000. Salvador. D. (1994). C. NUNES. 3.0 a 8. v. Embrapa. 1994. p. De acordo com Lederman et al. 1996.0 g) mostrou que influência da massa da semente no número de dias para início da germinação. originário da Índia e de algumas ilhas da Malásia pode ser propagado por sementes ou vegetativamente.).000 mg kg-1 de ácido indolbutírico e mantidas sob nebulização.26. No processo de enxertia podem ser utilizados como porta-enxerto a própria jaqueira e também o champedaque (Artocarpus integer) com um ano de idade. et al. Resumos. 1. vermelhos. F. ALMEIDA. Salvador: SBF. UFRB. Germinação de sementes de jenipapo: temperatura.11 17. L.2 a 95.1 a 8. substrato e morfologia do desenvolvimento pós-seminal. M. Plant Cell.. S. pois o extrativismo dos frutos ocupa um lugar de destaque na composição da renda familiar de pequenos agricultores. 1994. F. Indução de brotações em explantes de segmentos de folhas de plântulas de urucueiro em diferentes citocininas. Quanto à estaquia. Efeito do armazenamento de sementes de jenipapo (Genipa americana L.1 a 14. como substrato. BUSO. Brasília. com enraizamento aos 60 dias.99 g) e médias (5. A percentagem de germinação variou de 81. C. A. diminuindo a intensidade à medida que a planta se desenvolve (Carvalho & Nakagawa.5% de pegamento com o método de garfagem em fenda cheia e 67. v.99 g) proporcionaram maiores índices de velocidade de emergência. Cultura de tecidos e transformação genética de plantas. não havendo diferença significativa entre as classes de sementes. In: TORRES. sementes grandes (7. J. L. 35. v. Sampaio (1986) obteve 57. pelos métodos de borbulhia em placa. a propagação da jaqueira pelo método da alporquia apresentou 90% de pegamento.0 g) e grandes (14.pronunciado sobre o crescimento inicial das plantas. J.45-49. 32 Tópicos em Ciências Agrárias.1 a 20. porém. v.

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CAPÍTULO 4
DINÂMICA DO CRESCIMENTO VEGETAL: PRINCÍPIOS BÁSICOS

Clóvis Pereira Peixoto & Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto

Tópicos em Ciências Agrárias

DINÂMICA DO CRESCIMENTO VEGETAL: PRINCÍPIOS BÁSICOS

Clóvis Pereira Peixoto1; Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto1
1

Professor - Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas/UFRB, Cruz das Almas-BA. E-mail: cppeixot@ufrb.edu.br

INTRODUÇÃO A dinâmica do crescimento vegetal pode ser acompanhada por meio de fórmulas matemáticas, sendo o primeiro passo utilizado para quantificar a produção vegetal, possibilitando avaliar a contribuição dos diferentes órgãos no crescimento final das plantas. Sua principal vantagem está na obtenção de informações a intervalos regulares, sem a necessidade de laboratórios e/ou equipamentos sofisticados, uma vez que as informações necessárias para levar avante tais análises, são a massa da matéria seca (fitomassa) da planta e a dimensão do aparelho fotossintetizante (área foliar). Nos estudos ecofisiológicos das plantas não se pode prescindir da análise de crescimento, pois, os fatores ambientais como luz, temperatura, concentração de CO2 e a disponibilidade de água e nutrientes, próprios de cada local, afetam sensivelmente a taxa assimilatória líquida, a taxa de crescimento relativo, a razão de área foliar etc., destas plantas. Através do estudo das interações destes parâmetros com cada fator ambiental, em particular, e/ou estádio de desenvolvimento da planta, podem ser conhecidas a eficiência do crescimento e a habilidade de adaptação às condições ambientais em que estas plantas crescem. Portanto, independente das dificuldades inerentes ao conhecimento da complexidade que envolve o crescimento das plantas, a análise quantitativa do crescimento é uma ferramenta e o meio mais acessível e bastante preciso para avaliar o desenvolvimento vegetal e a contribuição de diferentes processos fisiológicos sobre o seu desempenho, nas diferentes condições agroecológicas a que são submetidos. A tecnologia de exploração de plantas envolve a aplicação de diversas ciências. Na Agronomia, a horticultura e a silvicultura, entre outras, são disciplinas que utilizam conhecimentos provindos da Botânica, da Edafologia, da Mecânica, da Zoologia (pragas), da Climatologia e de outros setores do conhecimento, visando a produção agrícola que decorre do crescimento e desenvolvimento das plantas. Um controle da produtividade das plantas só é possível, pois, conhecendo-se os fatores que atuam sobre o crescimento e desenvolvimento nos vegetais. Este trabalho visa atender aos iniciantes no estudo da Fisiologia Vegetal e, em particular, aos alunos dos cursos de Agronomia e áreas afins, sendo esta, uma revisão simplificada sobre a dinâmica do crescimento e desenvolvimento das plantas, permitindo que o leitor tenha uma noção básica geral e, caso queira aprofundar o conhecimento, poderá utilizar-se das bibliografias sugeridas e/ou buscar aquelas mais específicas. CONCEITOS BÁSICOS A análise quantitativa de crescimento tem sido usada por pesquisadores de plantas, na tentativa de explicar diferenças no crescimento, de ordem genética ou resultante de modificações no ambiente. Sua aplicação torna-se apropriada quando são usados conceitos básicos de análise de crescimento e os critérios essenciais para a obtenção dos dados. Crescimento - Aumento irreversível de algum atributo físico, especialmente do material protoplasmático (Reis & Muller, 1979). Pode-se medir a massa, tamanho ou volume, a depender: a) do objetivo do experimentador, b) da disponibilidade do material a ser estudado e c) da disponibilidade do equipamento para efetuar a medida. Muitos autores restringem o termo crescimento aos processos de divisão e alongamento celular. Crescimento, entretanto, nem sempre significa um aumento de tamanho (Felippe, 1985). Assim, alguns organismos utilizam materiais de reservas para produzir novas células, havendo multiplicação celular sem, contudo, aumento em extensão, o qual se dá por vacuolização. Tanto é que, em “déficit hídrico”, o crescimento em extensão é o mais sensível, pois depende da pressão de turgor. Desenvolvimento - Diferentes etapas por que passa o organismo ou o vegetal (germinação, juvenilidade, maturação,
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reprodução, senescência e morte). O desenvolvimento é caracterizado pelo crescimento e por mudanças na forma da planta, as quais ocorrem por meios de padrões sensíveis de diferenciação e morfogênese. Diferenciação - Aumento em complexidade. Diz respeito a todas as diferenças qualitativas entre células: especialização de células e tecidos para funções particulares durante o desenvolvimento. Os tecidos diferenciam-se em sistemas vasculares (floema e xilema), de reservas, preenchimentos e síntese (parênquimas), entre outros. Através da fenologia (estudo dos fenômenos periódicos da vida em relação às condições ambientais), pode-se observar que o crescimento e o desenvolvimento de um organismo resultam da ação conjunta de três níveis de controle (Lucchesi, 1987): a) Controle Intracelular - Controle genético - envolve as características da planta que ela carrega em sua bagagem genética. A atividade celular depende da ação gênica para a síntese protéica e enzimática. Estes conhecimentos são muito utilizados em programas de Biotecnologia. b) Controle Intercelular - envolve as substâncias reguladoras; os hormônios, compostos orgânicos não nutrientes, de ocorrência natural, produzidos na planta que, em baixas concentrações promovem, retardam ou inibem processos fisiológicos e morfológicos. Os reguladores vegetais possuem as mesmas pro-priedades, sendo, porém exógenos. Suas atuações acontecem ao nível de gene, portanto, são capazes de promover as mais variadas modificações nos vegetais (Castro & Vieira, 2001). As principais classes de hormônios vegetais são as Auxinas, Giberelinas e Citocininas (promotores), o Etileno (ligado a senescência) e o Ácido abscísico (Inibidor). Alguns reguladores sintéticos como a Hidrazina maleica, têm ação inibidora. Enquanto outros, como o Daminozide (SADH) e Chlormequat (CCC), agem como retardadores do crescimento com ação no meristema subapical sobre a síntese de auxína e giberelina, respectivamente. c) Controle Extracelular - É o controle ambiental. Seriam as condições do ambiente onde está inserido o vegetal, pois seu desenvolvimento depende de vários componentes ambientais como: luz, temperatura, água, sais minerais etc. Estão envolvidos fatores do meio físico (climáticos e edáficos) e fatores do meio biológico (pragas, doenças, plantas daninhas, animais e o homem). O ambiente, constituído do Biótopo (lugar onde há vida) e da Biocenose (conjunto dos seres vivos), afeta a morfologia, o crescimento e a reprodução vegetal, através dos fatores climáticos (altitude, latitude, vento, temperatura, luz e água) e edáficos (topografia, propriedades físicas: textura, estrutura, profundidade e permeabilidade e propriedades químicas: fertilidade, pH e matéria orgânica). Como pode-se observar, o desenvolvimento da planta como um todo, é um processo complexo que envolve fatores externos e internos, compreendendo o crescimento e a diferenciação. O crescimento reflete um aumento em tamanho e peso (massa), sendo, por isto, um processo quantitativo. A diferenciação é um processo qualitativo que pode ser observado, mas não medido, constituído por modificações internas e externas na forma e posição relativa de várias partes da planta durante seu ciclo de vida. As técnicas de análise de crescimento foram desenvolvidas no início do século XX, por investigadores britânicos (Blackman, 1919; Briggs et al., 1920; West et al., 1920), que além de apresentarem as fórmulas de análise de crescimento, suas derivações e condições necessárias para seu uso correto, discutem alternativas e métodos que envolvem uma descrição matemática do peso da matéria seca e da área foliar em função do tempo, seguida de cálculos de diferentes parâmetros de crescimento. O fundamento dessa análise é a medida seqüencial da acumulação de matéria orgânica na planta, sendo que a sua determinação é feita, normalmente, considerando a massa da matéria seca ou a sua fitomassa (Magalhães, 1985). Entretanto, devido ao fato deste procedimento ser destrutivo, as plantas tomadas como amostra a cada tempo, devem representar a população em estudo. A medida da massa da matéria seca das diferentes partes da planta é simples e exige poucos equipamentos (réguas graduadas em milímetros, tesouras, paquímetro, estufas de aeração forçada, sacos plásticos, sacos de papel etc.). Isto é, não exige laboratório nem material sofisticado, o que é considerado uma vantagem da análise do crescimento Castro et al. (1984). Estas informações são obtidas a intervalos de tempo regulares, normalmente uma semana ou cada 14 dias para plantas de ciclo curto (Castro et al., 1984; Magalhães, 1985; Peixoto, 1995; Peixoto, 1998; Brandelero, 2001; Brandelero et al., 2002; Peixoto 2002; Benincasa, 2004 e Lima, 2006). A fim de que o crescimento total da planta possa ser estimado, as raízes devem ser consideradas como importantes componentes do vegetal. No entanto, em geral, a recuperação das raízes, principalmente no campo, pode se tornar um trabalho adicional, o que faz com que esta parte da planta seja desconsiderada nos cálculos de análise de crescimento. Por outro lado, em determinados vegetais, onde as raízes são responsáveis pela produção econômica, faz-se necessário que a tomada de suas medidas, seja em massa, volume, diâmetro ou tamanho.

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A determinação da superfície foliar é muito importante no que diz respeito a inúmeros parâmetros fisiológicos como a taxa de crescimento relativo, a taxa assimilatória líquida e o índice de área foliar, entre outros. A área foliar representa a matéria prima para a fotossíntese e, como tal, é de grande importância para a produção de carboidratos, óleos, proteínas e fibras. Basicamente, os parâmetros utilizados para medir o crescimento vegetal abordam a área foliar (AF ou L) e matéria seca (MS ou W) acumulada pela planta por representarem esses fatores a “fábrica” e o “produto final”, respectivamente (Peixoto, l995). Na prática, as principais medidas de W e L são o peso da matéria seca total (MST) e a área foliar total (AF) da planta. As fases de crescimento de uma planta ou de qualquer outro organismo vivo podem ser resumidas na Figura 1 e representam as modificações no tamanho, na massa ou no volume desse organismo, ou de qualquer órgão dele, em função do tempo. Neste tipo de curva, pode-se distinguir uma fase inicial de crescimento lento, passando posteriormente a uma fase exponencial e, em seguida, a uma de crescimento linear e um novo período de crescimento lento, com a paralisação eventual do processo.

CRESCIMENTO

IDADE DA PLANTA

Figura 1. Curva ilustrativa do crescimento sigmoidal de uma planta (Magalhães, 1985). A interpretação fisiológica dessas diferentes fases do crescimento pode ser compreendida da seguinte forma: a) No início, a planta depende das reservas da semente para a produção dos diferentes órgãos componentes. O espaço ainda não foi ocupado pelas plantas. Cada nova folha que é formada contribui para maior interceptação da luz. Não há sombreamento mútuo ainda e a contribuição das poucas folhas é semelhante. A taxa de crescimento relativa é constante e a cultura é principalmente vegetativa, caracterizando a fase exponencial. b) Após o desenvolvimento do sistema radicular e a expansão das folhas, a planta retira água e nutrientes do substrato em que se desenvolve e inicia os processos anabólicos dependentes da fotossíntese. As folhas serão gradualmente auto-sombreadas, aumenta o índice de área foliar (IAF), passando a uma fase de crescimento linear, com o maior incremento na taxa de matéria seca (MS). Quando água e nutrientes não são limitantes, o IAF poderá facilmente exceder o seu ótimo sem, contudo, significar maior aumento em fitomassa. c) Ao atingir o tamanho definitivo, a planta entra na fase de senescência, diminuindo o IAF, com menor interceptação da energia luminosa, resultando em decréscimo no acúmulo de matéria seca, com a translocação desta para os órgãos de reservas, e conseqüente degeneração do sistema fotossintético. Segundo Lucchesi (1987), um vegetal anual sob condições ecológicas adequadas, ocupa no período de crescimento, em termos de percentagem, 10% para germinar, 6% para emergir, 51% no grande período de crescimento (fase linear), 15% para a reprodução, 8% na maturação e 10% até a colheita. Portanto, durante o seu desenvolvimento, o vegetal ocupa, nas diferentes fases, diferentes períodos de crescimento, naturalmente afetados pelos fatores externos (fenologia) e os inerentes à própria planta. A análise do crescimento constitui uma parte da fisiologia vegetal em que se faz uso de fórmulas e modelos matemáticos para avaliar índices de crescimento das plantas, sendo muito deles relacionados com a atividade fotossintética (Benincasa, 2004). Como o crescimento é avaliado por meio de variações de tamanho de algum aspecto da planta, geralmente morfológico, em função da acumulação de material resultante da fotossíntese líquida, esta passa a ser o aspecto fisiológico de maior importância para a análise de crescimento. Exceções ocorrem como, por exemplo, o alongamento de caules por alta atividade auxínica, sob condições de ausência de luz (estiolamento). A fotossíntese líquida (FL) é definida como a diferença entre a fotossíntese bruta (FB -tudo que é literalmente produzido pela fotossíntese no interior dos cloroplastos) e o que é consumido pela respiração (R). Em algumas plantas, outro processo compete com a fotossíntese bruta: a fotorrespiração (FR). Portanto, FL = FB - (R + FR).
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Na Figura 2 tem-se o fluxo de matéria e energia a partir da fotossíntese. utilizados para manutenção do material já existente (7). mediante o processo fotossintético. conseqüentemente. ocorra um aumento no processo respiratório. o caminho (5) constitui o fluxo de energia obtida pela respiração que será utilizada na síntese de novo material e (6) é fluxo de material armazenado que. utilizados para a síntese de material metabólico e estrutural (4). como proteínas. que formarão inicialmente os açucares simples (monossacarídeos como glicose e frutose). basicamente carboidratos (1). UFRB. em parte. 2004). e. resultando em crescimento . a fotossíntese bruta terá de ser bem maior para atender às necessidades metabólicas do material existente e. esse material armazenado poderá ser utilizado diretamente pela respiração. v. em termos de aumento de volume. Fotossíntese A 1 3 Respiração PP 4 2 Armazenamento I 5 6 Síntese de Material Metabólico e Estrutural B 7 Manutenção 9 8 Armazenamento II Crescimento C Figura 2.nível B. O crescimento da planta como um todo. ou podem ser armazenados (2) em formas mais complexas (dissacarídeos ou polissacarídeos como a sacarose e o amido). Portanto. promover o crescimento. a partir do processo fotossintético (Benincasa. são produzidos os produtos primários (PP). é de se esperar que.nível C.A respiração é um processo de combustão lenta dos carboidratos produzidos na fotossíntese. Os compostos elaborados no nível B são. de dimensões lineares. Em direção ao nível B. 42 Tópicos em Ciências Agrárias. de massa. isto é. armazenado secundariamente (8) ou serão utilizados para promover aumento do material estrutural (9). de unidades estruturais é função do que a planta armazena (armazenamento I e II) e do que a planta produz em termos de material estrutural (nível B). a qual é utilizada para a manutenção do metabolismo vegetal e de todos os processos fisiológicos. lipídeos e demais componentes orgânicos produzidos pela planta . Estes carboidratos poderão ser diretamente “queimados” pela respiração (3) e/ou. ainda. no qual o esquema se apresenta em três níveis. No nível A. 2009 . poderá ser mobilizado para as novas sínteses. promover adições de novos materiais. Fluxo de matéria e energia. 1. eventualmente. na medida em que a planta cresça. Em caso de estresses. resultando na liberação de energia armazenada nesses compostos.

superficiais. (d) disponibilidade de tempo do experimentador ou da equipe. peso e número de unidades estruturais. (c) disponibilidade de mão-de-obra. toma-se amostras de discos foliares. em alguns casos. relacionando a massa seca da área conhecida do disco com a massa seca da folha. de forma a poder selecionálos para melhor atender aos seus objetivos ou mesmo utilizar a análise de crescimento no estudo do desenvolvimento vegetal sob diferentes condições ambientais. usadas para detectar diferenças entre os tratamentos estabelecidos. Número e distribuição de estômatos. Para isso. Dimensões lineares (altura de planta. círculo. de forma a subsidiar o processo de seleção de acordo com os objetivos do experimentador. definindo-se como área foliar.Medidor de área foliar. são as folhas. os órgãos vegetais responsáveis pela fotossíntese. volumétricas. raízes e frutos) que podem fornecer informações sobre a fenologia e são. que ficam nos laboratórios. comprimento e diâmetro de caule. “de bancadas”. como algumas cactáceas. acompanhadas ou não. A maioria com alto grau de precisão. Pode-se fazer o contorno da folha. Integra a área de qualquer material opaco.Comparação da massa de uma área conhecida de papel com a massa dos recortes do perímetro das folhas. A partir dos dados de crescimento pode-se inferir atividade fisiológica. 2009 43 . através de punções.Medidas do crescimento A análise de crescimento permite avaliar o crescimento final da planta como um todo e a contribuição dos diferentes órgãos no crescimento total. Massa seca de discos foliares . quais sejam: lineares. o aparelho fotossintetizante é a superfície do caule e ramificações. v. flores. (e) disponibilidade de equipamentos para executar as medidas. Do ponto de vista agronômico.Com um perfurador de área conhecida (de metal). Medidas de superfície . A superfície foliar é determinada diretamente ou estimada por meios indiretos. as causas de variações de crescimento entre plantas geneticamente diferentes ou entre plantas crescendo em ambientes diferentes. estimar-se. através da utilização de células fotoelétricas. de forma bastante precisa. determina-se a área de uma das faces da folha. Os tipos de medidas a serem realizadas dependem de vários aspectos: (a) objetivos do experimentador.) Estas medidas de dimensões lineares podem ser feitas em plantas intactas ou não. incluindo condições de cultivo. São muito úteis e.O crescimento pode ser acompanhado a partir da contagem de unidades estruturais morfológicas ou anatômicas (folhas. Dentre estes métodos. são feitas cópias heliográficas das folhas e do mesmo papel são retiradas figuras com formas em que a área pode ser conhecida (quadrado. Uso de integradores .A partir de contornos foliares impressos em papel. Por interpolação das massas das figuras de áreas conhecidas e a massa da “impressão” recortada da folha. em vez de se medir a folha inteira. isto é. 1. são as únicas possíveis. de outras medidas destes órgãos. número e distribuição de células do parênquima clorofiliano. É mais comum usar-se a “impressão da folha” em um papel e usar o planímetro no contorno destas. Número de unidades estruturais . dão importantes informações sobre as diferenças funcionais entre plantas ou interações destas com o ambiente. retângulo etc. com raríssimas exceções. Em caso de plantas que não apresentem folhas funcionais. componentes de instrumentos eletrônicos.).Estas medidas estão relacionadas com a determinação ou estimativa da superfície fotossinteticamente ativa da planta que. A área foliar é determinada por diferentes métodos. Tópicos em Ciências Agrárias. obtendo-se diretamente a área foliar. a análise de crescimento atende àqueles pesquisadores que estão interessados em conhecer diferenças funcionais e estruturais entre cultivares de uma mesma espécie. muitas vezes. Fotocópias . Coloca-se uma placa transparente sobre a folha (vidro ou plástico) para facilitar a operação. destaca-se: Uso do Planímetro . UFRB. comprimento e largura de folhas etc. estima-se a área foliar. a medida dessa superfície. Existem os portáteis e os maiores. O crescimento de uma planta pode ser estudado através de medidas de diferentes tipos. (b) disponibilidade de material a ser estudado.

Método dos pontos .Refere-se ao número de plantas colhidas ou à vegetação que cobre uma determinada área de solo. a fim de evitar erro de paralaxe. A placa deve ser colocada sobre a folha. UFRB. seringueira.. Se o número de plantas for restrito ou pequeno. contudo. O mesmo poderá ser entendido para a área amostrada. largura. não exigirem destruição do material e serem de ampla utilização em condições de campo. c) do número de amostragens a ser realizado durante todo o período de observação. A desvantagem do uso de massa da matéria fresca (MMF) é conter algumas imprecisões como o tempo entre a colheita e a pesagem. tamanho. calcula-se a razão entre a área foliar (AF) e o produto do comprimento pela largura (C x L) de cada folha medida (R = AF / C x L). de acordo com o tipo de planta usada. numa dada temperatura (tecidos vegetais: mais ou menos 65 a 70 graus Celsius).A partir da área foliar obtida por integrador ou por outro método. café. mandioca. o matricial (Ym) e o potencial pressão (Yp): Ya = Yo + Ym + Yp. Cada um destes métodos poderá ser usado em situações específicas. de um número representativo de folhas. consiste no uso de uma placa de vidro ou papel transparente (material utilizado em radiografias) com pontos distanciados de 1. 1978). desde o local da amostragem até o local de pesagem. sendo essencial que se use pontos pequenos. Exemplo: Volume de frutos (imersão dos frutos em água para conhecimento de seu volume). A relação entre massa da matéria fresca e massa da matéria seca pode informar sobre o Teor de Água (TA) ou Teor Relativo de Água (TRA) nos tecidos. cuidando para que a visada seja feita em ângulo reto. Muita das vezes é obtido por deslocamento de água em determinado recipiente graduado (proveta graduada). Estabelecem-se os modelos matemáticos quando estas dimensões estão altamente correlacionadas. soja. 2009 .É uma medida tridimensional. Massa da matéria seca . pois se deve fazer várias repetições. b) da área total a ser amostrada. Em folhas compostas. leva-se em consideração os seguintes itens: o tamanho da amostragem e o intervalo de amostragem. Critérios de amostragem O tamanho da comunidade ou da área experimental (homogênea ou não) em estudo. o hábito de crescimento. espessura). sem. considerado mais preciso (envolve o “peso túrgido”). 1.É a massa constante de determinada amostra. Por outro lado. pois é uma medida bem mais precisa que o peso da matéria fresca. Indiscutivelmente. É muito trabalhoso. Volume . v. Entretanto. a partir de medidas lineares como comprimento (C) e largura (L) da lâmina. determina-se o valor médio das razões que será utilizado como fator de correção (F) para estimativa da área. Para tanto. altura 44 Tópicos em Ciências Agrárias. Há também destruição do indivíduo. entre outras plantas. Na observância dos parâmetros que se quer medir (órgão da planta. os objetivos do trabalho são de maior relevância na definição desses critérios. em função do tipo da folha (forma. Se não houver diferenças estatísticas entre estas razões. É muito usado quando se está interessado em produtividade.).Desenvolvido por Bleasdale (1977). vão determinar os critérios para a tomada de dados. Deve-se avaliar dados de comprimento. O teor de água é bastante variável a partir da colheita da planta. principalmente de três aspectos: a) do número de plantas disponíveis. além do ciclo da planta e do seu hábito de crescimento. Vai depender. usa-se um modelo para cada folíolo de forma geométrica aproximadamente definida e que apresentem altas correlações com suas dimensões lineares ou peso seco (Reis et al. Modelos matemáticos . além de destruir o indivíduo. onde se denota aumento de volume.É a massa do material em equilíbrio com o ambiente. além de outros aspectos. Exige-se para tal. São exemplos. Massa da matéria fresca . com um número restrito para amostras. principalmente dependente da umidade relativa do ar. existem exceções como é o caso de embebição de sementes. o que seria um indicativo do “status” de água na planta. que as folhas sejam simples. relacionando-se o potencial osmótico (Yo). da disponibilidade do material e do rigor científico do trabalho. usa-se também o potencial de água (Ya) como medida. o tipo de plantas a serem analisadas. a planta inteira etc. Apresentam a vantagem de serem métodos relativamente rápidos. a duração do ciclo.0 cm. procura-se se limitar às plantas disponíveis e as medidas não deverão ser destrutivas. 1979). a amostra tenderá a ser pequena. Geralmente o crescimento da matéria seca é acompanhado pelo aumento do teor de água nos tecidos da planta. aumento na massa seca. por exemplo: perda de água por transpiração (Reis e Muller. Tamanho da amostragem .

número de células ou mesmo conteúdo de proteína. que é preferível não executá-las. o intervalo de uma semana é o mais recomendável (Benincasa. entretanto. Tópicos em Ciências Agrárias. a não ser que se tenha mão-de-obra disponível para executar as medidas. Quando se trabalha com plantas envasadas. de fruto. Intervalo de amostragem . Determinação em raízes . a imprecisão das medidas de raízes no campo é de tal ordem. existe toda uma metodologia para fazer estas avaliações. os dois critérios descritos são de difícil aplicação. (1984) e Magalhães (1985). Normalmente. 2004). será colhido um número de plantas. Neste caso. No caso de órgãos de armazenamento (raízes e caules subterrâneos). poderão ser medidas todas as plantas.Este aspecto dependerá da disponibilidade de plantas e do tempo do pesquisador. cuja soma deverá corresponder a uma fração significativa da área total. mostram padrão sigmóide quando analisados no decorrer da vida da planta. o número de plantas colhidas deverá ficar entre o mínimo de 10 e o máximo de 20. podendo ser detectadas quase que integralmente. No caso de plantas de ciclo curto. Caso contrário. uma vez que valores abaixo de 10 podem induzir a erros e acima de 20. em um número representativo e.de plantas. escolhendo-se o dia mais desejável. intervalos de uma semana ou múltiplo da semana são estabelecidos. Deve-se tomar cuidado com a seqüência de amostragens para que as plantas a serem retiradas em amostragens seguintes não estejam próximas das plantas que foram retiradas na amostragem anterior. número de flores. as medidas podem ser feitas normalmente. v. tomando uma conformação sigmóide. Interações mútuas entre indivíduos impõem limitações ao crescimento e a curva de crescimento sofre uma inflexão. é importante estabelecer a relação Raíz/Parte Aérea. respeitando o ciclo das plantas em estudo. etc. 2009 45 . Se a amostragem for por área e não por planta. Quando se tem uma área cultivada ou coberta por vegetação.). Para plantas de até 130 dias. Quando se tem uma área suficientemente grande que se possa colher um número maior de plantas ao acaso. Castro et al. o qual é mantido para todas as amostragens feitas). para não haver mascaramento. Em déficit hídrico. embora seja melhor aumentar o número de áreas colhidas. número de folhas. Normalmente. O tipo de recipiente pode ser fundamental. bem como da área foliar (através das dimensões comprimento (C) x largura (L). essas medidas tornam-se bastante viáveis. Padrões de crescimento exponencial e sigmóide As células individuais ou órgãos apresentam potencialmente um crescimento ilimitado que obedece a um padrão exponencial. principalmente quando se trabalha em condições de campo. Muitas vezes não há disponibilidade de plantas ou a área cultivada é pequena. UFRB. massa ou superfície. Será determinado um número que permita se fazer todas as medidas previstas num mesmo período de observação (meio dia ou o dia todo). Considerando-se que a análise de crescimento usa medidas morfológicas ou anatômicas para inferir processos fisiológicos. Entretanto. a colheita de plantas será feita com base em uma amostragem prévia de plantas marcadas e intactas. Também os organismos mostram uma conformação sigmóide. diâmetro de caule. o intervalo não deverá ultrapassar 5 dias. sendo comum o uso de tubos com altura e diâmetros diferentes e com conexões para permitir estudos de profundidade. Este tipo de amostragem só é possível quando se colhem plantas individuais. a exemplo do rabanete.As medidas de raízes ou do sistema radicular são bastante difíceis de serem feitas. Enfim. a amostragem será com destruição de uma área mínima e representativa da área total e deverão ser respeitados alguns princípios usados para amostragens com destruição de plantas. 1. devido eventuais limitações de espaço e/ou nutrientes ou acúmulo de produto final. Podem ser medidos um ou dois aspectos listados para plantas intactas. no caso de plantas envasadas ou em casa de vegetação ou ripado. neste caso. os produtos estudados como volume. quaisquer medidas que permitam uma avaliação do crescimento serão válidas. não aumentam significativamente a precisão da amostragem (Benincasa. altura. em todas as plantas. Se o número for pequeno. uma vez que as remanescentes crescerão em ambiente diferente daquele previamente estabelecido. Medidas do sistema radicular tornam-se mais importantes quando se trabalha com estresse hídrico e. com base na média dessas medidas. é possível fazer-se uma estimativa a partir de medidas indiretas no campo (estima-se a superfície radicular ou a quantidade de raízes em um determinado volume de solo. Quando há um interesse muito grande. 2004). para se determinar a gravidade do estresse. é possível colher-se áreas maiores em menor número. aconselham para plantas de ciclo curto o intervalo de 14 dias durante o período de crescimento. mas se tem necessidade de matéria seca.

É semelhante a uma poupança. 1979). O crescimento inicial dos organismos inclui uma fase exponencial de crescimento. Assim. Durante a fase inicial a planta depende fundamentalmente das substâncias de reservas da semente (período de crescimento lento). dependente da absorção das raízes e da atividade fotossintética. indica a “taxa de crescimento”. enquanto a eficiência fotossintética determina a taxa de juros (Leopold & Kriedman. 1. Num gráfico semilogarítmico do peso da matéria seca em função do tempo. a curva que melhor expressa o crescimento é a sigmoidal. ele procura utilizar uma “lógica” estabelecida com base em vários parâmetros.Peso seco da planta dt . a uma fase exponencial (de crescimento rápido. passando posteriormente. v. ocorre um período de redução no crescimento. onde o embrião representa o capital inicial.7182). Padrões de crescimento em planta: exponencial (A) e sigmóide (B) (Reis & Muller. semelhante ao acúmulo de capital através da “taxa de juros compostos”. onde: t = intervalo de tempo e r = taxa de crescimento. Esta redução do processo pode ser traduzida como uma paralisação na produção de matéria orgânica (Figura 3). a equação (1) acima torna-se uma equação da linha reta: lnWt = lnWo + rt ln e (2) onde: Wo representa o crescimento inicial. UFRB. Em seguida. r significa o índice de eficiência ou coeficiente de interesse. o crescimento exponencial é limitado. 1978). Neste caso. o crescimento depois de determinado tempo. 2009 rt .tempo (área foliar) dt TEMPO (t) Figura 3. podendo cessar com o final da senescência.O crescimento de plantas superiores está na fase exponencial quando os acúmulos se processam continuamente. enquanto que no caso da planta. ou seja. Só que no banco seu dinheiro rende ou vai crescer exponencialmente. ou ln Wt = ln Wo + r t. definindo-se como a capacidade da planta adicionar matéria seca a si própria. A B CRESCIMENTO (w) CRESCIMENTO SIGMÓIDE CRESCIMENTO EX PONENCIAL FIM DA FASE DE CRESCIMENTO ESPONENCIAL P/B dw dw . ln = logaritmo natural e e = base dos logaritmos naturais (2. 46 Tópicos em Ciências Agrárias. enquanto a eficiência fotossintética lhe proporciona a aceleração. fase linear). o embrião representa a participação inicial. Com isso. considerando que a análise de crescimento ainda é o meio mais acessível e bastante preciso para avaliar o crescimento e inferir a contribuição dos diferentes processos fisiológicos sobre o comportamento vegetal. O crescimento das células e de órgãos individuais seguiria um modelo exponencial caso não houvesse certas limitações no crescimento. O crescimento nestas condições segue a seguinte equação: Wt = Wo x e (1) sendo Wt. Parâmetros de análise de crescimento Embora muitas vezes o pesquisador se depare diante de situações difíceis de serem explicadas quanto à complexidade do crescimento vegetal.

implicará em alterações na RAF. v. onde: W = base em que se relaciona a TCA. 2004). 1920): RAF = L/W ou L1 + L2 / W1 + W2. A RAF declina enquanto a planta cresce. a análise de crescimento estabelece que a taxa de crescimento de uma planta é função do tamanho inicial (período em que se inicia a observação). Wl e W2 representam a massa da matéria seca nos tempos T1 e T2. Razão de área foliar (RAF ou QAF) Representa a relação entre a área foliar (L) e o peso da matéria seca total da planta (W). para armazenar ou construir novo material estrutural. que é dependente da quantidade de material que está sendo acumulado. ou um incremento de matéria seca neste intervalo de tempo. qualquer variação em um deles. onde: C t = Taxa de produção de matéria seca total e W t = massa da matéria seca total. isto é. expressa-se em cm2 ou dm2 g-1. Tópicos em Ciências Agrárias. a TCA indica variação ou incremento entre duas amostragens sucessivas. A TCR expressa o incremento na massa de matéria seca. UFRB. todo crescimento resultará da produção de material suficiente para atender às necessidades metabólicas do material já existente e. ou nos dois. deve-se aplicar a fórmula: R = C t / W t. As curvas de taxa de crescimento absoluto (TCA) e taxa de crescimento relativo (TCR) são distintas. com a tendência da diminuição da área foliar útil ou fotossinteticamente ativa (responde pela interceptação da radiação luminosa e captação do CO2 na fotossíntese). são tabeladas de forma que possam ser analisadas por meio de fórmulas matemáticas e/ou graficamente.Wo/T = g dia-1. Portanto. 1. trata-se da taxa de crescimento relativo: TCR = dW/(dT x 1/W). Segundo Benincasa (2004). é mais interessante expressar essa taxa de crescimento segundo uma base comum. Taxa de crescimento relativo (TCR) Para os biologistas. uma vez que conceitualmente. Indica a variação de crescimento em um determinado intervalo de tempo. descontando a respiração (mais a fotorrespiração nas plantas C3) ou taxa assimilatória líquida (TAL). 1979). como permite avaliar a tendência do crescimento em função dos tratamentos (Benincasa. Neste caso. pois depende de dois outros fatores do crescimento: a área foliar útil para a fotossíntese ou razão de área foliar (RAF). Em trabalhos onde se faz necessário o cálculo dos valores instantâneos. ainda. W1 e W2 é a variação da massa da matéria seca em duas amostragens consecutivas tomadas nos tempos T1 e T2. podem ser utilizadas várias funções. em um intervalo de tempo (Reis & Muller. Taxa de crescimento absoluto (TCA) Para Reis & Muller (1979). em plantas intactas ou colhidas. equações ou programas. É também chamado quociente de área foliar (West et al. para a produção de matéria seca. onde ln é o logaritmo neperiano..lnW1) / (T2 -T1) = g g dia . A TCA pode ser usada para se ter uma idéia da velocidade média de crescimento ao longo do período de observação. Para valores -1 -1 médios. O quociente de área foliar varia com a Área foliar específica (AFE) e a Razão de massa de folha (RMF). Em valores médios. A utilização de equações de regressão não só corrige as oscilações normais. usa-se: TCR = (lnW2 . por unidade de peso inicial.lnW1 / T2-T1. a taxa de crescimento relativo poderá ser obtida utilizando-se as equações: TCR = TAL x RAF ou TCR = lnW2 . e da taxa fotossintética bruta. A TCR varia ao longo do ciclo vegetal. É uma medida que pode ser usada para se ter idéia da velocidade média de crescimento ao longo do período de observação. que é dependente da quantidade de material acumulado gradativamente. em função do autossombreamento. que é o próprio peso da planta. conforme mostra a Figura 4. tem-se que a TCA = Wt . indica a velocidade de crescimento (g dia-1 ou semana).As medidas obtidas ao longo do ciclo da cultura. É apropriada para avaliação do crescimento vegetal. taxa de crescimento absoluto é a variação ou incremento entre duas amostragens ao longo de um determinado período de tempo. 2009 47 . Para tanto. Segundo Benincasa (2004). TCA = (W2-W1)/(T2-T1) = g dia-1 ou semana. Onde. Esta medida foi estabelecida por Briggs (1920). Magalhães (1985) considera a taxa de crescimento relativo como a medida mais apropriada para avaliação do crescimento vegetal. Assim.

pode-se utilizar a seguinte expressão: RAF = AFE x RMF. que o restante da planta depende da exportação dessa fitomassa. além das folhas. Devido ao auto-sombreamento a TAL diminui com o aumento do IAF e. conseqüentemente.dia-1. sendo AL = (W2 . podem ser levados em consideração para o cálculo da TAL que reflete a capacidade da planta em aumentar sua fitomassa em função de sua superfície assimilatória. relaciona-se com a eficiência fotossintética da planta de modo generalizado. Portanto. com o crescimento da comunidade vegetal. pois está relacionado com a composição interna formada pelo número e/ou tamanho de células do mesófilo foliar. A área foliar específica relaciona a superfície com a massa da matéria seca da própria folha (AF/MSF). assumindo que tanto L como W. v. Considerando que as folhas são o centro de produção de matéria seca através da fotossíntese e. Assim. serve para estudos de comparação entre espécies e mede a eficiência de uma planta na produção de matéria seca.T1 Representa o aumento de área foliar em um determinado período de tempo. A TAL representa o balanço entre o material produzido pela fotossíntese e aquele perdido pela respiração (Pereira & Machado. UFRB. a TAL reflete a dimensão do sistema assimilador que é envolvida na produção de matéria seca. mais precisamente nas folhas (área foliar) em função do peso inicial. é necessário que L e W estejam relacionados linearmente.dm-2. 1987) e indica a eficiência de uma planta na produção de matéria seca. No entanto. aumentam exponencialmente (West et al. Taxa assimilatória líquida (TAL) Representa a taxa de incremento de massa de matéria seca (W) por unidade de área foliar (L) existente na planta. Depende dos fatores ambientais. A superfície é o componente morfológico e a fitomassa é o componente anatômico. É obtida através da equação: TCFR = LnL2 . Segundo Magalhães (1985).. em determinado intervalo de tempo. é uma estimativa da fotossíntese líquida. 1. mesmo na fase de crescimento exponencial das plantas. Avalia a resposta do crescimento da planta às condições ambientais.L1)(T2-T1) Para Benincasa (2004). Outros órgãos fotossintéticos. 1920). Taxa de crescimento foliar relativo (TCFR) Avalia o relativo crescimento da planta em termos de matéria seca formada na parte aérea. diminuindo os intervalos de tempo entre as amostragens. Expressa-se em g. a RMF expressa a fração de matéria seca não exportada. Podese minimizar os erros. isto não é rígido. Taxas do crescimento absoluto (TCA) e relativo (TCR) no modelo sigmóide (Reis & Muller. É também chamada de Taxa de 48 Tópicos em Ciências Agrárias. Ou seja. ou seja.lnL1) / (L2 . Entretanto. já que é razão de massa de matéria seca retida nas folhas e massa de matéria seca acumulada na planta (MSF/MSP). principalmente da radiação solar.W1)(lnL2 . a taxa assimilatória líquida deve ser aplicada quando existe uma correlação linear entre a área foliar e a matéria seca total.t t Figura 4. A razão de massa da folha se constitui numa componente fisiológica.LnL1 / T2 . 2009 . 1979). a produção econômica está sob outros controles e não necessariamente relacionado com a eficiência fotossintética. para que haja precisão total da fórmula.

Índice de área foliar (IAF) A área foliar de uma planta constitui sua matéria prima para fotossíntese e. Peixoto.T1) onde S. É a taxa de produção de matéria seca (TPMS) de uma comunidade vegetal. sendo. 1. resultante da área foliar (L) e da área do terreno ou substrato (S). Existe um IAF ótimo para cada cultura. constituindo o somatório das taxas de crescimento dos diversos componentes das plantas (Reis e Muller. Duração de área foliar (DAF) O aparelho assimilatório das plantas é constituído pelas folhas que definem a produtividade do vegetal. brácteas etc. UFRB. portanto. pois reduz o auto-sombreamento. O ângulo foliar é um parâmetro importante na produção.0.W1) / S / (T2 . pecíolos. distribuição de plantas e variedades. como tal. para informar sobre o desempenho de folhas individuais. especialmente. A cobertura fotossintética em uma comunidade tem sido expressa por um número puro (admensional). Um IAF igual a 2. em virtude de relacionar mais a parte aérea e não a planta como um todo. 2009 49 . folhas eretas são mais eficientes para a fotossíntese máxima. representa a área ocupada pela cultura no substrato disponível. quando o IAF é grande. 1998. diferenciando-se deste.lnL1 ou ainda pode ser empregada a seguinte fórmula: TCFR = TAL x RAF. Isto é.0 a 5. O índice de área foliar é computado em diferentes estádios de crescimento e é muito variável entre plantas e entre épocas de amostragens. como pseudocaules. o crescimento das plantas é fortemente influenciado pelo tempo em que é mantida ativa sua superfície foliar. Taxa de crescimento da cultura (TCC) Parâmetro considerado o mais importante em fisiologia da produção e empregado para comunidades vegetais. O IAF pode variar com a população de plantas. por exemplo. Expressa-se em g m-2 dia-1 e é obtida através da equação: TPMS = (W2 . deseja-se um IAF ótimo) ou a produtividade biológica (fitomassa total.. Tópicos em Ciências Agrárias. Assim. podendo ser expressa apenas como: TCFR = lnL2 . A taxa de crescimento da cultura ou a taxa de produção de fitomassa de uma comunidade vegetal avalia a produtividade primária líquida. O IAF representa a área foliar total por unidade de área do terreno. A análise de TCFR segue o mesmo raciocínio observado com o parâmetro taxa de crescimento relativo (TCR). Funciona como indicador da superfície disponível para interceptação e absorção de luz. A interceptação de luz por uma superfície foliar é influenciada pelo seu tamanho e forma. uma medida análoga da taxa de crescimento relativo (TCR). ou caso se trate de cultivo hidropônico). v. 2001 e Brandelero et al.crescimento relativo de folhas (TCRF). quando interessa um IAF máximo). ângulo de inserção e orientação azimutal. Os termos da equação possuem o mesmo significado da taxa assimilatória líquida (TAL). 2002). em um determinado tempo. A forma cônica de planta induz um maior potencial produtivo que a globosa. Em determinadas circunstâncias. Brandelero. é muito importante para a produção de carboidratos. Mesmo sendo o IAF a simples razão L/S. Este conceito é básico para análise de crescimento em comunidade de plantas ou na interceptação de luz e. Pereira & Machado. separação vertical e arranjo horizontal e pela absorção por estruturas não foliares. Representa a quantidade total de matéria seca acumulada por unidade de área de solo ou outro substrato (vegetação aquática. Ele avalia a capacidade ou a velocidade com que as partes aéreas do vegetal (área foliar) ocupam a área de solo ou de um outro substrato disponível àquele vegetal. 1987. Tal característica é definida pela duração da área foliar: tempo em que é mantida fotossinteticamente ativa a superfície foliar.0 significa 2 m2 de área foliar (AF) ocupando 2 m2 de solo ou de outro substrato (S): IAF = AF / S. outras partes do vegetal devem também ser integradas à área foliar. que varia geralmente de 2. por que a taxa de crescimento da cultura pode ser obtida por: TCC = TAL x IAF (g m-2 dia-1). o índice de área foliar (IAF). ele apresenta interações com a TAL e a produtividade. b) o IAF deve atentar para os objetivos que controlam o cultivo da planta. Isto por que: a) durante o crescimento da comunidade vegetal o IAF deve ser suficiente para interceptar o máximo de luz. 1978. se o interesse é a produtividade econômica (produto comercializado. lipídeos e proteínas. além das folhas.

segundo a classificação de Köppen. Nota-se que o cultivar Conquista.0 m de comprimento e 0. O clima é tropical quente úmido.T1) e a sua unidade em dm2 dia-1. O delineamento foi em blocos casualizados. Aw a Am.50 m entrelinhas. (1985). próximo ao daquele (8. Na Figura 6 encontra-se o desempenho dos cultivares de soja quanto ao índice de área foliar. maior será a produtividade biológica da cultura. descontando-se 0. sendo que cada unidade experimental foi composta de oito linhas de plantio com 5. Índice de colheita (IC) Pereira & Machado (1987) fazem referência ao índice de colheita como um quociente freqüentemente usado para medir a eficiência de conversão de produtos sintetizados (PB) em material de importância econômica (PE). As culturas apresentam IC diferenciados. com temperatura média anual de 24. localizado nesse município.5ºC e precipitação pluviométrica de 1. o IC define-se como a razão entre a massa da matéria seca da fração econômica produzida (grão.00 Apresentação de dados Como exemplo da utilização prática da análise de crescimento. com nove cultivares (tratamentos) e quatro repetições. Produto comercializado (PE) Sacarose Todos os açúcares Bagaço Vinhaça + cinza Fonte: Lucchesi (1985). também a outros fatores intrínsecos de cada cultivar. são apresentados dados de nove cultivares de soja recomendados para a Região Oeste da Bahia e que foram avaliados nas condições agroecológicas do município de Cruz das Almas-BA.63 1. tendo 220 m de altitude. demonstrando que a eficiência fotossintética não fica restrita apenas à superfície foliar.2g). Observa-se o incremento da matéria seca (Figura 5) e a variação da superfície foliar (Figura 6). Peixoto (1998) e Brandelero et al. parece lógico supor-se que. dependendo do seu uso. a sua carga genética.3g). Em relação a uma cultura madura. mas. conforme o cultivar. Essas projeções das curvas são características de culturas anuais a exemplo das encontradas por Pedro Júnior et al.5).Sendo a fotossíntese o processo responsável pelo fornecimento da energia para o crescimento e desenvolvimento das plantas. A eficiência de conversão de produtos sintetizados (matéria seca total ou produtividade biológica) em material de importância econômica (produto comercializado ou produtividade econômica) é determinada pelo genótipo e pelo ambiente. quanto mais rápido a cultura atingir o máximo do IAF e quanto mais tempo a área foliar permanecer ativa.6). Índice de colheita (IC) 0. Diferentes produtos comercializados e índices de colheitas na cana-deaçúcar. A densidade de plantio foi de 15 plantas por metro linear. Verifica-se a tendência sigmoidal para as curvas obtidas dos cultivares avaliados (Figura 5). que foram ajustados no tempo pela função polinomial exponencial.23 0. A cana-de-açúcar é um bom exemplo (Tabela 1). semelhantes aos relatados por Gazzoni (1974) e Peixoto (1998). a DAF nada mais é que a integral do IAF contra o tempo. Pereira & Machado (1987). O objetivo é obter variedades com alto IC em alta densidade populacional. A duração da área foliar pode ser expressa da seguinte forma: DAF = ½ (L1 + L2) (T2 . Duas linhas foram utilizadas para o estudo da análise de crescimento (amostras destrutivas).224 mm/ano. 1. Pereira & Machado (1987) encontraram correlação positiva entre a produtividade econômica e a DAF na cultura do feijoeiro. em relação ao cultivar Liderança (3. situado a 12o40'19" de Latitude Sul e 39o06'22" de Longitude Oeste de Greenwich. obteve o valor de matéria seca total da planta (8. raiz. 2009 . (2002). v.20 0. como por exemplo. mesmo apresentando menor IAF ótimo (2. fruto) e a fitomassa seca total colhida: IC = MSFEP / FSTC ou IC = PE/PB. Tabela 1. O experimento foi conduzido no campo experimental da Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia. Portanto. sendo que estes apresentaram tendência parabólica para todas as curvas.50 m de bordadura nas extremidades. 50 Tópicos em Ciências Agrárias. UFRB.

2000. Variação da massa da matéria seca dias após a emergência (DAE) dos cultivares de soja introduzidos nas condições agroecológicas de Cruz das Almas . UFRB. 2009 51 . Tópicos em Ciências Agrárias. 2000. 1. v.Média 18 15 12 9 6 3 0 0 MATÉRIA SECA (gplanta ) Ajuste 18 15 12 9 6 3 0 Celeste Conquista 18 15 12 9 6 3 0 Curió 15 30 45 60 75 90 105 18 0 15 30 45 60 75 90 105 18 15 12 9 6 3 0 0 15 30 45 60 75 90 105 -1 18 15 12 9 6 3 0 0 18 15 12 9 6 3 0 0 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 Liderança Paiaguás Parecis 15 12 9 6 3 0 0 18 15 30 45 60 75 90 105 0 18 15 12 9 6 3 0 15 30 45 60 75 90 105 Tucano Uirapuru Rio vermelho 15 12 9 6 3 0 0 15 30 45 60 DAE 75 90 105 0 15 30 45 60 75 90 105 Figura 5.BA. Variação do índice de área foliar (IAF) dias após a emergência (DAE) dos cultivares de soja introduzidos nas condições agroecológicas de Cruz das Almas . 4 Conquista 3 2 1 0 0 4 IA F (dm dm ) 3 2 1 0 0 4 Tucano 3 2 1 0 0 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 4 Curió 3 2 1 0 0 4 3 2 1 0 0 4 Uirapuru 3 2 1 0 0 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 4 3 2 1 0 0 4 3 2 1 0 0 4 Celeste 15 30 45 60 75 90 105 Liderança Paiaguás Parecis 2 -2 15 30 45 60 75 90 105 Rio vermelho 3 2 1 0 0 15 30 45 60 75 90 105 Figura 6.BA.

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CAPÍTULO 5 FISIOLOGIA DA FLORAÇÃO DO ABACAXIZEIRO Getúlio Augusto Pinto da Cunha Tópicos em Ciências Agrárias .

abrangendo da ecofisiologia à biofísica (Bernier et al.embrapa. mas que. destaca-se o meristema apical. ora reprodutivas. UFRB. principalmente sobre o envolvimento de algumas substâncias químicas que apresentam atividade reguladora do crescimento vegetativo da planta. que tem sido estudado extensivamente. produzidos por meristemas modificados de ramos. posteriormente. Sabe-se que o meristema de uma planta recebe de outras partes da mesma. cujo conhecimento facilita o seu manejo e o entendimento dos mecanismos de seu florescimento. 1993. ora vegetativas. Tais mudanças são captadas por diferentes órgãos da planta: o fotoperíodo pelas folhas maduras. em escala comercial. 1993). naturais e sintéticos. provavelmente pelos seus efeitos na síntese e/ou atividade do etileno. Graças às características de seu fruto. Em geral. apesar da baixa temperatura ser.. uma folha na planta. 1993). exercem sua ação. é necessário que exista. a exemplo do fotoperíodo.br INTRODUÇÃO O abacaxizeiro (Ananas comosus var.. 1993). Kinet et al. 1. o que sugere a transmissão de alguma mensagem da folha para o ápice. que são favoráveis à produção de estruturas. um evento marcante na vida dessas plantas. 2001). O abacaxizeiro foi a primeira planta a ter sua floração controlada artificialmente.. Dentre esses. A passagem do estádio vegetativo para o de floração é de suma importância para as plantas. do manejo da cultura. a exemplo do semi-árido. a floração natural é estimulada por mudanças sazonais regulares de condições climáticas. retoma sua atividade vegetativa. comosus. ou seja. um conjunto de sinais. O conhecimento desses sinais é da mais 57 Tópicos em Ciências Agrárias.. A questão central da fisiologia da iniciação floral consiste em entender-se quais fatores atuam na transformação do meristema caulinar em primórdio floral e de que modo eles exercem sua ação. Apesar do fotoperíodo ser captado pelas folhas.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. de intensidade variável. têm sido realizados com várias espécies nas últimas décadas. NOÇÕES DE FISIOLOGIA DA DIFERENCIAÇÃO FLORAL A floração é um processo unitário e integrado.FISIOLOGIA DA FLORAÇÃO DO ABACAXIZEIRO Getúlio Augusto Pinto da Cunha Pesquisador . de natureza bastante complexa e controle multifatorial. A maioria das plantas reage a sinais ambientais para regular a transição para o florescimento. Muitos reguladores de crescimento. para que o estímulo florígeno possa ser captado e repassado para o ápice caulinar. e a disponibilidade hídrica pelas raízes (Bernier et al. gerando uma grande quantidade de informações. preferencialmente. da família Bromeliaceae. haja vista que todos os indivíduos de uma espécie têm de florescer de modo sincronizado para o sucesso do cruzamento e. As flores nada mais são do que ramos ou folhas modificados. originando a inflorescência e. em seguida. 1981. constituindo-se no estímulo floral ou florígeno. os primórdios florais. v. portanto. No caso do abacaxizeiro. que tem também atuação determinante na fisiologia da floração. E-mail: getulio@cnpmf. 2009 . é a quinta fruta tropical mais cultivada e representa uma ótima opção de cultivo em regiões não tradicionais. sendo. apresenta grande demanda e importância econômica. A iniciação floral delimita a transição entre o crescimento vegetativo e o estádio reprodutivo das plantas produtoras de sementes. resultando na produção de frutos. No Brasil. Diversos estudos. herbácea e perene. porque devem completar sua reprodução sexual sob condições externas favoráveis (Bernier et al. pelo menos. Cruz das Almas-BA. a temperatura por todas as partes da planta. O objetivo desse trabalho é discorrer sobre o floração na cultura do abacaxi. pelo ápice caulinar. Kinet. apreciado em todo o mundo onde é cultivado em mais de 60 países e à sua rentabilidade. Trata-se de uma planta que requer tratos culturais cuidadosos e freqüentes e apresenta alguns aspectos morfológicos e fisiológicos. formando a coroa do fruto. visando ao entendimento de como essa transição é controlada. passa por transformações. também. que é a atividade fim ou objetivo maior da exploração econômica das fruteiras. que sempre se destacou na fruticultura tropical. para melhor entendimento dos seus mecanismos e. permanentemente. que dá origem às folhas durante o estádio vegetativo. porque o florescimento é o primeiro passo da reprodução sexual. via de conseqüência. hormônio vegetal endógeno e gasoso que regula o crescimento e desenvolvimento das plantas em geral. as alterações morfológicas que vão ocasionar a transição para a formação da flor ocorrem no ápice caulinar (Castro & Vieira. temperatura e disponibilidade hídrica. Coppens & Leal) é uma planta tropical monocotiledônea.

pela idade ou tamanho da planta. 58 Tópicos em Ciências Agrárias. citando-se.abrange o período do plantio à diferenciação floral. abrangendo aspectos fisiológicos. O processo de florescimento do abacaxizeiro pode ser melhor entendido conhecendo-se seu ciclo cultural. na floração são observadas duas fases: a iniciação floral e o desenvolvimento floral. mas. 1982a. efeito do frio). responsável direto pela diferenciação floral. o processo não tem continuidade. mas todos estão presentes sob condições indutivas. A cultura do abacaxi é explorada comercialmente em razão de poder-se controlar e uniformizar. há o envolvimento de fatores internos ou hormônios produzidos pela própria planta. cuja relação com o “florígeno” e a floração. foi associado outro produto. v. Algumas evidências demonstram que o florescimento no meristema pode consistir de diversas etapas que. Em ambos os casos. por meios artificiais. concentrar a colheita em épocas oportunas. genéticos (relacionados à sensibilidade das plantas aos fatores climáticos) e ambientais. também. Esse ciclo pode ser dividido em três etapas: a) fase vegetativa . muitas questões ainda precisam ser respondidas. por meio de substâncias químicas. A planta precisa também atingir a maturidade suficiente para ser induzida à floração. apesar de Bernier et al. (1981). Uma vez consumada a transformação do meristema caulinar em primórdio floral. em grande parte. O florescimento do abacaxizeiro pode ocorrer naturalmente. c) fase propagativa . relacionado a fatores climáticos. o que está de acordo com o modelo de controle da “evocação”. 1961. postular a presença de um hipotético hormônio do florescimento. Dentre as teorias de controle interno da “evocação”. assim. quer seja natural ou artificialmente desencadeada. a nutrição mineral. ápice caulinar e outros locais. a exemplo do ácido indolacético (AIA) e do etileno. FLORESCIMENTO DO ABACAXIZEIRO A diferenciação floral do abacaxizeiro possui outra particularidade: a de poder ser desencadeada artificialmente. a que apresenta menor elasticidade é a reprodutiva. Na primeira fase. b) fase reprodutiva (envolvendo a floração e frutificação) . Isso porque o abacaxizeiro responde muito bem à aplicação de substâncias químicas que têm a capacidade de influenciar seus processos fisiológicos.. No caso de plantas que florescem sob o efeito da vernalização. Dessas fases.tem início ainda na fase reprodutiva. sendo necessário que as folhas captem os estímulos fotoperiódicos e que o meristema apical esteja o mais sensível possível à vernalização. dominam os dois primeiros. incapaz de retomar o crescimento vegetativo. este último considerado como fator indutor (Burg & Burg. 1981). cujos aspectos apresentam muitos pontos comuns com a floração natural. A suscetibilidade do abacaxizeiro à floração natural ou à indução artificial é determinada. comprometendo-o. mas prolonga-se após a colheita do fruto. Qualquer explicação sobre o mecanismo de controle fotoperiódico do florescimento deve contar com a presença tanto de promotores quanto de inibidores. Em geral. a depender das condições ambientais e do manejo da cultura. 1966).vai da diferenciação floral à colheita do fruto. que incluem o conceito do “florígeno/antiflorígeno”. é necessário que alguns eventos ocorram no ápice caulinar. ou distribuí-la em todos os meses do ano. proposto por Bernier et al. o “antiflorígeno”. invariavelmente. principalmente. sendo esse o primeiro passo para a formação das flores. do ponto de vista agroeconômico. Reinhardt & Cunha. o modelo de controle multifatorial. (1993) terem apresentado resultados que apoiam o controle multifatorial. fundamental e prática. tipo e peso da muda e época de plantio (Gowing. Vários são os fatores que influem no ciclo da cultura. este último torna-se. a hipótese do desvio de nutrientes e sinais elétricos. 1. em geral reguladores de crescimento vegetal. A produção de etileno ocorre por meio de uma ação sequencial das enzimas ACCsintase e ACCoxidase cujo esquema encontra-se no item “Substâncias usadas e modo de atuação”. Daí porque o crescimento vegetativo e o desenvolvimento reprodutivo nas plantas são considerados eventos mutuamente exclusivos. com a iniciação do primórdio floral. Os principais fatores ambientais responsáveis pela indução floral são o fotoperíodo (comprimento do dia ou horas de luz) e temperatura (vernalização. Foi levantada. e podem ser sintetizados nas folhas. os quais serão abordados a seguir. o florescimento das plantas e. baseadas em várias pesquisas realizadas ao longo de décadas. com o uso de produtos químicos. citado por Min (1995). abrangendo o desenvolvimento (ceva) e colheita das mudas. De acordo com esses autores. Se apenas um fator estiver ausente. ainda sem provas definitivas. raízes. porém. a possibilidade de existência de um inibidor floral. Estudos envolvendo enxertia em plantas sensíveis ao fotoperíodo serviram de base para Chailachjan. que varia de 12 a 30 meses até que seja produzido o primeiro fruto. para uma exploração mais racional das culturas. 1993). que atuaria de modo antagônico ao “florígeno”. relacionados com a diferenciação floral. de modo irreversível. podem ser ativadas individualmente. Algumas teorias foram formuladas para explicar a floração. a “vernalina”. por sua vez. UFRB. ou artificialmente. 2009 .alta importância. denominado de “evocação” (Kinet et al. os fatores não são os mesmos para as diferentes espécies. além dos climáticos.. foi bastante estudada. denominado de “florígeno”. Cunha et al.

refletir negativamente no rendimento da primeira e demais safras. no ano subseqüente ao do plantio. ou. devido à cor azul púrpura de suas pétalas e brácteas. acentuando-se sua incidência em áreas de altitude e latitude mais elevadas.descrição botânica. Segundo esse autor.. com intensidade cada vez maior.. Pode-se distinguir duas etapas importantes nos processos de crescimento e desenvolvimento da inflorescência do abacaxizeiro. geralmente noturnas. Quando a planta atinge a maturidade no seu desenvolvimento. então. também. correspondendo à parada do desenvolvimento da coroa e murchamento do pedúnculo. 1954). a depender da região. Scott. com um fluxo importante de açúcares para o fruto. aproximadamente. as flores são hermafroditas.. que diminui à medida que o fotoperíodo aumenta de oito para 16 horas/dia. FLORAÇÃO NATURAL DO ABACAXIZEIRO Fatores Envolvidos O desencadeamento da floração do abacaxizeiro depende do porte e estado fisiológico da planta e do comprimento do dia e temperatura (Bartholomew & Malézieux. diferenças na suscetibilidade das mudas e plantas à floração. por meio de um corte longitudinal do ápice caulinar (Py & Silvy. dispostas em oito espirais. 1993. nessa situação. Tal fato pode ser observado cerca de uns quatro dias após a diferenciação floral. naturais e artificiais. ao desabrochamento das primeiras flores e início de crescimento da coroa. dois meses após a diferenciação e corresponde à parada de crescimento do pedúnculo. cada inflorescência pode conter mais de uma centena de flores individuais (Okimoto. tornando-se cada vez mais proeminente sobre o pedúnculo. Rebolledo-Martínez et al. crescimento e desenvolvimento A inflorescência do abacaxizeiro é formada por um grupo de flores sésseis soldadas em torno de um eixo. têm sido relatadas taxas de ocorrência de floração natural variando de 20% a 80% (Reinhardt et al. um mínimo de diferença de temperatura dia/noite é necessário para provocar o florescimento natural do abacaxizeiro. Apesar disso. possuindo três sépalas. por outro lado. 1948). que é o prolongamento do caule. trímeras. A outra etapa acontece 15 dias antes da colheita. Esse fato tem sido comprovado tanto em plantações comerciais quanto experimentalmente. com três glândulas nectaríferas separando os lóculos. haja vista que. entre o final do outono e o início do inverno. sérios prejuízos nas regiões produtoras de todo o mundo. 1986. A primeira evidência de mudança morfológica nesse meristema é a expansão do diâmetro do seu disco. Esse tipo de floração vem causando. 1. ainda em crescimento (Teisson. 2009 59 . 1997). A diferenciação natural do florescimento dá-se. Os prejuízos tornam-se maiores se a floração ocorre precocemente. situado no ápice do caule. UFRB. o metabolismo ácido das crassuláceas (CAM). período de temperaturas mínimas. tricarpelar e trilocular. a depender do seu tamanho. ainda. 1948). 1973). três pétalas. apenas acentuar o efeito dos dias curtos. Rabie et al. o florescimento envolve a transição da diferenciação das estruturas vegetativas para a formação de uma inflorescência no meristema apical do caule. as plantas ainda não apresentam um desenvolvimento ou porte adequado para produzir um fruto com padrão comer-cial. desponta no centro da roseta foliar. ocorrendo o inverso Tópicos em Ciências Agrárias. Inflorescência do Abacaxizeiro . Sendo função também das condições climáticas. 2000). Esses autores relataram. Friend & Lydon (1979) observaram que o crescimento vegetativo do abacaxizeiro 'Smooth Cayenne' aumentou nesse mesmo intervalo de fotoperíodo. ainda que possa ocorrer em outras estações. A seca também estimula a diferenciação floral em áreas onde tanto o fotoperíodo quanto a temperatura variam pouco (regiões subtropicais). com a formação inicial do pedúnculo e da primeira flor ocorrendo quando o mesmo exibe seu diâmetro máximo. 1994. abaixo de 15oC. O comprimento e a largura da folha aumentaram entre oito e 12 horas/dia. apresentando uma filotaxia 8/21. pois dificulta não apenas os tratos culturais e fitossanitários. de acordo com as épocas e regiões produtoras. dependendo de seu estado fisiológico/nutricional. tem-se observado que mesmo as plantas pequenas têm respondido aos estímulos florais. As flores do abacaxizeiro são formadas pelo mesmo meristema que origina as folhas. podendo. cerca de seis semanas após a diferenciação floral. não se associando consistentemente com um determinado fator climático. mas também a colheita e a comercialização do fruto. com uma ou mais flores abrindo a cada dia (apenas nas primeiras horas da manhã) durante duas a quatro semanas (Okimoto. Essas flores não abrem ao mesmo tempo e a floração procede espiralmente. 1997. Barbosa.A floração natural do abacaxizeiro é um fenômeno que apresenta uma série de inconvenientes. no qual passou a operar. seis estames e um ovário ínfero. A primeira ocorre. a ocorrência de floração natural no Havaí entre dezembro e janeiro. e que plantas submetidas à temperatura constante de 25oC apresentam alta taxa de florescimento. ainda. notando-se. a inflorescência avermelhada. Nas principais regiões produtoras do mundo. onde essas são exploradas. sendo as maiores mais suscetíveis. via de regra. da base para o ápice. De acordo com esses autores. a floração natural varia de ano para ano. v.

do efeito cumulativo desses dias (Friend & Lydon. em grande parte. 1972. também. O florescimento natural do abacaxizeiro. tem-se observado que mesmo as plantas pequenas apresentam capacidade de responder aos estímulos florais. as temperaturas abaixo de 17-15 oC promovem a floração natural (Bartholomew & Malézieux. como a redução na nutrição. 1977). e baixa irradiância devido à nebulosidade (Gowing. nos meses de agosto e dezembro-janeiro (Bartholomew & Malézieux. qual o efeito direto da baixa temperatura na floração natural. por favorecerem o crescimento vegetativo das plantas. do que onde o crescimento é atrasado por falta de nutrientes e água e por temperatura baixa (Bartholomew & Malézieux. Nas pesquisas desenvolvidas para determinar-se quais os fatores ambientais envolvidos na diferenciação floral natural do abacaxizeiro. no comprimento do dia e na radiação solar (Bartholomew & Kadzimin. 1993). Esses autores concluíram que a floração na cultura do abacaxi é controlada pelo fotoperíodo. não sendo influenciada diretamente pelo peso seco da planta nem pelo metabolismo CAM. em resposta à redução nas horas de irradiância (Bartholomew & Kadzimin. sofre os efeitos da taxa de desenvolvimento da planta. mesmo não se sabendo. (1998). 1948. Baseado no fato de que o florescimento do abacaxizeiro pode ser induzido artificialmente pela aplicação de várias substâncias químicas que estimulam a produção e/ou atividade do etileno. 1972. Sanewski et al. 1948). Bartholomew & Malézieux. hipoteticamente pode-se dizer que a floração natural é desencadeada pelo etileno produzido endogenamente ou por mudanças na suscetibilidade e sensibilidade da planta ao mesmo ou ambos (Min & Bartholomew. a produção de etileno pela folha também foi maior. Reinhardt et al. v. Mekers & De Proft. 1993). pensa-se que esta e o encurtamento dos dias aumentam a produção de etileno no meristema apical e na parte basal aclorofilada da folha. Nesse caso. (1998) observaram 100% de floração natural em abacaxizeiros mantidos a 20 oC por dez a 12 semanas. A maturidade para a floração está sempre correlacionada com a capacidade da planta em converter o ácido 1aminociclopropano-1-carboxílico (ACC) exógeno em etileno. supostamente. 1989b). assim. que depende. necessário que a mesma atinja um porte adequado ou a maturidade ontogenética. além de ser influenciado por fatores climáticos. Segundo esses autores. além disso. 1979. Assim. o equilíbrio entre os estádios de vegetação e reprodução (floração) tende para o primeiro. Cunha et al. nessa planta. (1998) observaram que o teor de ACC (precursor imediato do etileno) aumentou cerca de 40% no inverno. Contudo. Teisson. 1968. fatores climáticos e tratos culturais que afetam o crescimento vegetativo da planta (Friend & Lydon. para responder aos estímulos ambientais (Lacoeuilhe. 1994). Min & Bartholomew (1997) observaram que a produção do etileno e a atividade da enzima formadora de etileno (ACCoxidase) no caule e em tecidos da folha de plantas de abacaxi cultivadas a 30/30 oC (dia/noite) foram menores do que as das plantas cultivadas a 30/20 oC. de que a baixa temperatura noturna aumenta o nível de auxina livre na planta. Bartholomew & Kadzimin. sendo. chegou-se ao consenso de que a mesma está relacionada. 1983. a adubação nitrogenada e a irrigação. tanto naturais quanto artificiais (Cunha. sendo umas mais e outras menos sensíveis (Van Overbeek & Cruzado. os fatores ambientais que a promovem são aqueles que tendem a retardar a taxa de crescimento vegetativo. 1961. no suprimento de água. E. Bartholomew & Kadzimin. está. por reduzir sua sensibilidade aos estímulos florais (Evans. Apesar de não haver exigência de frio. assim. 1994). causando o florescimento e reduzindo.. principalmente a noturna. situada a 4o N. Na Costa do Marfim. 1. o estímulo à floração natural ocorre. mais exatamente. 1986). 1975. de acordo com Sanewski et al. relacionada ao processo. 1977). Sanewski et al. a época de plantio ou. Esse tamanho mínimo é alcançado em períodos mais curtos sob condições favoráveis. bem como à baixa temperatura.. 2009 . mas não obrigatória. o efeito direto da baixa temperatura ainda não está bem esclarecido. 1979. Existem evidências. e às baixas temperaturas observadas. com pouca ou nenhuma va-riação estacional de temperatura. 1977). na temperatura. nem todas as variedades respondem igualmente aos estímulos florais. Reinhardt et al. em geral.. 1994). ainda. a idade da planta no período favorável à indução floral. que envolve ainda. Na prática. porém. Assim. quando a temperatura mínima média atingiu 14. UFRB. outros são de opinião que. a exigência de dias curtos (Van Overbeek & Cruzado.5 o C. As exigências climáticas do abacaxizeiro são caracterizadas por sua grande sensibilidade às geadas e radiação solar muito intensa. Quanto mais jovem é a planta. o que estimula o florescimento. desde que a planta tenha alcançado um tamanho adequado para tornar-se suscetível à indução floral. 1994). considera-se o abacaxizeiro uma planta de dias curtos. conforme foi observado por Mekers & De Proft (1983) em bromeliáceas ornamentais. 1995). Mas. A exemplo do que acontece com outras culturas. 1977). onde a mudança no comprimento do dia é muito pequena (cerca de 36 minutos apenas). mais lenta é a sua resposta aos fatores (naturais e artificiais) que promovem a floração. Parece que. uma taxa de crescimento vegetativo elevada pode inibir ou retardar o florescimento do abacaxizeiro. ao encurtamento do dia. 1986). Py.com a espessura. quantitativamente. podem 60 Tópicos em Ciências Agrárias. também. Alguns autores são unânimes em afirmar que o período do plantio à colheita de um fruto de um determinado padrão é função do tipo e peso ou tamanho da muda (Teisson. 1959). Plantas que haviam formado a inflorescência apresentavam atividade da ACCoxidase nas folhas e no caule bem maior do que nas plantas em estádio vegetativo (Min.

no México. registrando-se índices de até 80% (Barbosa. Diferenciação floral natural (%) em abacaxi 'Smooth Cayenne' relacionado a diferentes datas de plantio. tem sido observada. (1984) observaram que a massa da muda influiu decisivamente no ciclo da planta. normalmente. entre 5% a 10%. Resultado semelhante foi observado por Almeida et al. permitindo. 1. em geral.9%) e novembro/dezembro (77. estudando o efeito da irrigação no ciclo do abacaxizeiro 'Pérola'. Com relação à irrigação. encurtando o ciclo da cultura em 22 dias. quando as condições ambientais estão mudando (de baixa para alta insolação) ou após um estresse de frio ou. 1993). onde tal problema é um dos mais importantes. a depender da região. o florescimento precoce tem-se tornado bastante freqüente em todas as regiões produtoras.9%). Entretanto. e o filhote tem comportamento intermediário (Reyes. a depender das condições climáticas esses índices podem alcançar 20% (Rebolledo-Martínez et al. em alguns anos. No Recôncavo Baiano. inversamente. enquanto que na Austrália. um dos principais problemas não solucionados. as variações observadas em relação à floração são decorrentes das diferenças no teor de reservas nutricionais e no estado fisiológico dos vários tipos de mudas: o rebentão é mais precoce. maior uniformidade na colheita. em todos os meses do ano. entre o final do outono e o início do inverno no ano seguinte ao do plantio. mesmo em plantações instaladas para se evitar sua ocorrência. os índices são bastante variáveis. A diferenciação natural do florescimento na cultura do abacaxi ocorre. Dados climáticos de 1980 a 1982. No Havaí. em áreas onde os períodos de seca são prolongados. na medida em que a taxa de crescimento das plantas aumenta em resposta ao suprimento de água. (2000). ocorrendo inesperadamente. 2009 61 . Reinhardt & Cunha (1982a). tendo os rebentões de 700-800 g emitido as inflorescências bem mais cedo do que os de 300-400 g. 1997). a floração torna-se imprevisível e irregular (Mekers & De Proft. 1970). (1986) relataram que a floração natural ocorreu em diferentes épocas do ano e por períodos prolongados. ainda. em seguida a um re-envazamento ou transporte. Bartholomew & Malézieux (1994) indicaram que. Brazil (Fonte: Reinhardt.. Reinhardt et al. apesar de todas as pesquisas efetuadas.4%). Entretanto. v. No Brasil. também. a indução natural tem-se tornado um problema ocasional desde quando a produção de frutos. com picos nos meses de março/abril (49. a coroa mais tardia. 1997). Bahia. 1983). 1993). quando lâminas crescentes de água contribuíram para antecipar a floração e a frutificação. 1996). o florescimento natural é antecipado pelo aumento do tamanho da planta. maio/junho (88. a tal ponto que a incidência de floração natural precoce na safra seguinte pode atingir índices de 50%-70 % (Scott. 13 12 11 0 30 25 o c 20 15 0 200 h 150 100 0 200 mm 150 100 50 0 h Comprimento do dia Temperatura média Máxima Média Mínima Insolação Chuva J F M A M J J 1980 A S O N D J F M A M J J 1981 A S O N D J F M A M J J A 1982 S O N D 40 Diferenciação floral natural PLANTIOS Janeiro 80 Abril 80 Novembro 80 Julho 81 30 % 20 10 0 J F M A M J J 1980 A S O N D J F M A M J J 1981 A S O N D J F M A M J J A 1982 S O N D Figura 1. Esses aspectos levam à conclusão de que o florescimento natural do abacaxizeiro constitui. em outras estações. Cruz das Almas. Condições ambientais favoráveis podem acelerar a taxa de crescimento dos rebentões ainda na planta-mãe. não observaram influência alguma da época da última adubação sobre a eficiência da indução artificial da floração. atinge níveis de 50% a 70% (Scott. Com relação à ocorrência da floração natural nas diversas regiões produtoras. Quanto ao material de plantio. passou a ser uma prática comum (Bartholomew. UFRB. com tendência para concentração em meados do ano (Figura 1).contribuir para inibir o florescimento (Py & Guyot. 1997). 1984). observando-se. porém. Giacomelli et al. Tópicos em Ciências Agrárias. ainda. ainda.

Bowler & Chua.2% para 28. portanto. então. a fim de tornar as plantas menos sensíveis aos fatores naturais. e) aplicação de produtos químicos.. a floração natural precoce pode ser controlada ou ter seus efeitos minimizados adotando-se as seguintes medidas: a) plantar mudas que atinjam um porte adequado à floração antes ou no início da época favorável à diferenciação natural..2%. reduzindo o nível da auxina natural no meristema apical (Castro. usando o mesmo ácido (100 mg L-1). O melhor resultado observado na maior densidade deveu-se. os resultados não foram totalmente satisfatórios. pois. e de 82%. na dose de dois litros do produto comercial por hectare. a floração foi de 95%. e de 55. 1.000 mg L-1. na menor densidade. assim. 1983). material contendo ACACS1 com orientação senso para inibir o gene da planta por mecanismos de supressão-senso. inibidor da ACC sintase (envolvida na formação do etileno). com este último conseguiu-se 100% de inibição da floração. retardá-lo. UFRB. ameixa e cereja é benéfico por evitar perdas devido às geadas ocasionais de primavera. 1981 e Sampaio et al.. 1994. com o paclobutrazol (160 mg L-1). b) aumento de temperatura. O objetivo desse trabalho é obter plantas que não produzam etileno induzidas por um choque térmico (frio). b) usar mudas que ultrapassem a época de indução natural. Na opinião de Bartholomew (1996). com o objetivo de evitar o florescimento natural. conforme comentado anteriormente. (2000). 1990. Botella et al. d) corte do suprimento hídrico. onde essa é passível de ocorrer. na maior. 1994). pode-se minimizar o florescimento natural dando-se às plantas as melhores condições possíveis de crescimento e plantando-se apenas mudas pequenas e. inibiu o florescimento do abacaxizeiro (Millar-Watt. Estudos preliminares realizados por Cunha (1989b) mostraram a viabilidade do uso de reguladores vegetais na inibição do florescimento do abacaxizeiro. aplicado três vezes com intervalos de 30 dias. relataram que a floração precoce foi inibida em 76% e 82% em plantios de abacaxi 'Smooth Cayenne' com 33 e 46 mil plantas ha -1. a fim de reduzir sua expressão e. realizar o tratamento de indução artificial para antecipar-se aos estímulos dos fatores climáticos. existe a possibilidade de se induzir o florescimento ou de inibí-lo ou.5% para 8.5%. vindo. Wang (1987) relatou que o atraso na floração em maçã. posteriormente. 1981). pêra. Yuri et al. 1998). Scott (1993) conseguiu reduzir a ocorrência do florescimento precoce. o monuron. com o uso do ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico (50 mg L-1). a prevenção do florescimento pode ser efetivada de diversos modos: a) interrupção do período noturno com luz. c) efetuar um manejo adequado da cultura. tendo o ANA (400 mg L-1) proporcionado o melhor resultado. então. existem diferenças varietais quanto a essa sensibilidade. sob a forma do ácido 2-cloroetilfosfônico. o que tem sido conseguido com o uso da aminoetoxivinilglicina (AVG). A promoção do florescimento é praticada no abacaxizeiro e outras bromeliáceas. Nesse sentido. se o mesmo estiver causando uma redução no benefício econômico. Lanahan et al. (2002) clonaram um gene ACCsintase de abacaxi (ACACS1). tem sido utilizado na cultura da cana de açúcar. provavelmente. menos suscetíveis à indução natural. 62 Tópicos em Ciências Agrárias. obtido do meristema apical e ativado por condições ambientais. (1997). 2009 . v. amêndoa e algumas plantas floríferas. Trabalhos realizados com tomateiros transgênicos e mutantes demonstram essa possibilidade (Hamilton et al. d) ou. a exemplo do pêssego. suprimir a floração natural precoce. em altas concentrações e várias aplicações. contra 57% na testemunha.Controle da floração natural Nas culturas em geral. ao menor ritmo de crescimento das plantas. em três aplicações. o mesmo tendo sido observado em Aechmea victoriana (Mekers & De Proft. enzima relacionada ao etileno e ao florescimento. já foi obtido. resultante da maior competição entre elas. No caso do abacaxizeiro. De acordo com esses autores. Klee & Romano. respectivamente. as plantas mais jovens são mais sensíveis à inibição da floração. O primeiro produto usado na prevenção da floração em culturas comerciais foi a hidrazida maleica em cana de açúcar (cujo florescimento reduz drasticamente o rendimento). Rebolledo-Martínez et al. dificultando a colheita e prejudicando a segunda safra. Segundo Rebolledo-Martínez et al. O mesmo aconteceu quando aplicado poucas horas antes da indução artificial com o etephon (Sanford & Bartholomew. mas apresentou fitotoxidade. com intervalos de 15 dias. O etileno. que induz a floração natural. que carregam cópias senso e antisenso do gene da ACCsintase. Millar-Watt (1981) já tinha observado que o nitrato de prata a 1. dessa forma inibindo a floração natural. talvez por atuar competitivamente. Outro meio importante é o uso de plantas menos sensíveis aos estímulos naturais da floração. apenas 5% a 13% de floração (induzida com carbureto de cálcio). o alto custo do único produto que apresentou algum efeito inibidor (o nitrato de prata) e o número de aplicações (até sete) tornam inviável seu uso prático na atualidade. o diuron e o diquat. O ANA. enquanto que a inibição ou atraso da iniciação floral é realizada em muitas outras culturas. Outro produto que teve algum efeito inibidor da floração foi a tiouréia. sem terem atingido um porte suficiente para responder aos estímulos ambientais. reduziu a floração natural para 27%. 1994. de 48. Em muitas culturas hortícolas. A floração natural tem causado muitos problemas à abacaxicultura na Martinica. (2000) estão produzindo abacaxizeiros transgênicos. 1986). nas pesquisas conduzidas visando solucionar tal problema. c) poda de folhas e ramos. nos tratamentos testemunhas.

os produtos uniconazole. Quando pulverizado sobre as folhas. analisando os teores de etileno. De acordo com esses autores. como uma auxina. até 82. ao fato do mesmo atuar. sendo os dois primeiros mais eficientes. via uréia foliar. Isso porque o abacaxizeiro responde muito bem a esse tipo de prática. do ácido 1-aminociclopropano-1-carboxílico (ACC. um a dois meses após o tratamento. 1986. a parte mais ativa é a que se deposita na gema apical ou nos tecidos tenros situados logo abaixo da gema.9% a 94. 63 Tópicos em Ciências Agrárias. a não ser uma pequena redução no crescimento do rebentão. de 90. 1968. como inibidoras da floração. o florescimento de abacaxizeiros dos grupos 'Smooth Cayenne' e 'Queen'. quando aplicado em junho. 2002). a partir dos feixes vasculares). devido. resulta no fim do crescimento vegetativo. sem apresentar efeitos adversos na planta.Existem evidências de que o papel do paclobutrazol. Onaha et al.. possivelmente. quando aplicadas em altas concentrações. Esses autores obtiveram inibições do florescimento de até 91%. FLORAÇÃO ARTIFICIAL DO ABACAXIZEIRO Histórico e Vantagens A indução floral do abacaxizeiro com substâncias químicas. 2001. Cunha et al.9% a 78. Scott (1993) atribuiu a inibição da floração do abacaxizeiro 'Smooth Cayenne' à redução da massa vegetal da planta. Sampaio et al. Grossman et al. contraditoriamente. 1975. Bartholomew & Min (1996) observaram que o paclobutrazol e o uniconazole atrasaram ou inibiram o florescimento e inibiram a produção de etileno pelo tecido basal aclorofilado da folha. mais do que a uma interferência direta do ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico no processo de diferenciação floral. Essa diminuição foi acompanhada pelo aumento ou pela manutenção de níveis constantes de ACC e MACC. O ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico demonstrou potencial de inibição. favorecendo a produção de etileno pelo caule da planta. é devido à interrupção na síntese de giberelina. permitindo maior eficiência no uso dos fatores de produção inerentes à cultura. enquanto a uréia e o cloreto de mepiquat não tiveram efeito inibidor. formação de gemas. há bastante tempo vem sendo amplamente usada.). com sucesso. com redução de seu custo. inibiram a floração natural do abacaxizeiro. florescimento e frutificação do abacaxizeiro. O tratamento artificial da floração apresenta vantagens tecnológicas e econômico-sociais. o autor observou um aumento da produção de etileno.. concluindo que o mecanismo pelo qual o ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico inibe o florescimento precisa ser mais pesquisado. UFRB. Guyot & Py. Esses produtos são ativos em baixa concentração e não são fitotóxicos. após cinco horas. com índices variando. pelo menos em parte. Isso porque. Bondad. precursor imediato do etileno) e do ácido 1-(malonilamino) ciclopropano-1-carboxílico (MACC) em tecidos de plantas tratadas com o ácido 2(3-clorofenoxi) propiônico. sob condições controladas de cultivo (plantas em vasos). respectivamente. 1973. podendo ser um dos fatores responsáveis pelo atraso na floração. cuja translocação ocorre através do xilema (Lever. na concentração de 100 mg L-1. porém. Min (1995) relacionou o efeito do ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico como inibidor da floração do abacaxizeiro. o que é descrito por diversos autores (Dass et al. O paclobutrazol. à redução do crescimento vegetativo da planta. mas provocou algumas anomalias morfológicas nas plantas (torção da roseta foliar e formação de raízes adventícias nas folhas. Barbosa et al. b) uniformização da frutificação e concentração da colheita. 2009 . inibindo. paclobutrazol e o ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico inibiram. c) fornecimento regular e constante de frutos para a indústria e mercado “in natura”. sugerindo a inibição da conversão do ACC a etileno. ainda não é conhecido. (1998) observaram que o paclobutrazol foi o único produto a mostrar efeito significativo. quando tratadas com inibidores de crescimento. (1997) relataram que a adubação nitrogenada complementar. inclusive uso racional da terra. o florescimento natural.. reduzindo o crescimento vegetativo e o alongamento do caule em várias plantas. Tanto o ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico quanto o paclobutrazol. Taniguchi (1999) observou que o tebuconazole e o propaconazole. por inibir a oxidação do kaurene a ácido kaurenóico. Rabie et al. produção e crescimento de frutos. 1. haja vista que os referidos produtos reduziram o comprimento da folha “D”. Cooke & Randall. Estudando os efeitos do meio ambiente sobre o crescimento. contribui para o desenvolvimento reprodutivo. reguladores de crescimento ou fitorreguladores.4% e de 67. A indução artificial do florescimento do abacaxizeiro apresenta as seguintes vantagens: a) maior eficiência no emprego dos fatores de produção. Min (1995) é de opinião que o modo de atuação das auxinas. com reflexos na produtividade de árvores frutíferas. v. além de atrasar o crescimento das plantas. com ação fungicida e eficientes no controle da Chalara paradoxa. 1970.5% (Cunha. (1989) observaram uma redução de 70% na produção de etileno em cevada e Brassica napus.8% da floração em plantas de abacaxi 'Pérola'. provocando o desenvolvimento reprodutivo e a floração. 1983). a inibição do crescimento vegetativo constituiu um efeito colateral de conseqüências ainda desconhecidas. do grupo dos triazoles. de modo consistente. inibiram de modo significativo a floração natural do abacaxizeiro 'Pérola'. em concentrações variando de 90 a 240 mg L-1. A queda na taxa de giberelina no meristema sub-apical. não afetou a floração natural do abacaxizeiro. (2000) afirmam que produtos à base do ácido 2(3-clorofenoxi) propiônico podem inibir.

Com base nessas descobertas e no reconhecimento do etileno como um importante regulador de crescimento das plantas. tendo sido uma descoberta casual. a hidroxietilhidrazina (HOH) e a betahidroxietilhidrazina (BOH). (2000). mais precisamente na zona meristemática (Burg & Burg. Entretanto. uma ampla variedade de respostas fisiológicas. No Brasil. passando-se. 1985). 1987). então. alongamento do pedúnculo. haja vista o período relativamente dilatado. de acordo com as exigências do mercado consumidor. 1970. succínico. 1993). redução do número de mudas por planta. bem como o acetileno. o carbureto de cálcio (CaC2). 2. o mais comum é o carbureto de cálcio (precursor do acetileno). 1975. Antes de poder exercer sua ação. d) facilidade no controle fitossanitário de determinadas pragas e doenças. por sua vez. as respostas das plantas ao etileno podem ser modificadas. 1932). ainda. apenas alguns poucos são usados. assim. passou-se a usar o etileno diretamente na indução floral do abacaxizeiro. Antecipar e uniformizar o florescimento do abacaxizeiro sempre foi um desafio para reduzir o custo de produção dessa cultura. tais como auxinas e compostos similares (Dass et al. apesar de sua eficiência poder ser modificada por alguns fatores externos. Todos eles reduzem drasticamente o rendimento e a rentabilidade da cultura. UFRB. Soler. Ainda segundo Yang (1987). admite-se que a floração do abacaxizeiro está muito relacionada a essa substância. incluindo modificações na expressão de genes. indolbutírico (AIB). 2) pelo estímulo ou inibição da biossíntese do mesmo nos referidos tecidos. 1966). chegando-se à descoberta de diversas outras substâncias com essa capacidade de indução floral. conforme sugerido por Py & Guyot (1970). Nos anos 40. muitos trabalhos têm sido realizados. 1993). a produção de etileno é controlada pela concentração do ácido 1-aminociclopropano-1carboxílico (ACC). 2009 . betanaftaleno acético (BNA). Porém. os gases etileno (C2H4) e acetileno (C2H2). demonstrou-se que as auxinas também podiam causar o florescimento do abacaxizeiro. nos Açores. fazendo com que a colheita prolongue-se por até dez a 12 meses. g) melhor distribuição de mão de obra e facilidade na administração da propriedade. pela atividade da enzima formadora de etileno ACCoxidase (Kende. apenas na década de 1920 descobriu-se que o agente da fumaça que provocava o florescimento era o gás etileno (C2H4). o etileno é responsável pela floração natural do abacaxizeiro devido a que as baixas temperaturas estimulam sua biossíntese. e pela ACCsintase. o modo de atuação do etileno nesses processos e na floração natural do abacaxizeiro e de outras bromeliáceas ainda não está plenamente conhecido. os mais comuns e que podem ser usados comercialmente são os ácidos alfanaftaleno acético (ANA). que é o fator primário que limita a produção do ACC (Min & Bartholomew.4-D). f) aumento do rendimento da cultura. pensa-se que o etileno liga-se a uma molécula receptora. 64 Tópicos em Ciências Agrárias.sem afetar a qualidade dos mesmos e em épocas mais favoráveis comercialmente. formando um complexo ativado que. 1. ao indicarem que a chuva e a temperatura alta podem exercer uma ação negativa sobre o referido produto. o que torna o ápice caulinar mais sensível aos efeitos da auxina endógena. Burg & Burg (1966) não observaram etileno em abacaxizeiros cultivados em vasos. Desses. Entretanto. Como em relação a outros hormônios. Randhawa et al. v. tombamento de frutos. 1994). regulada pela enzima ACC sintase. acetileno. Acredita-se que os reguladores vegetais atuam promovendo o aumento do teor de etileno no interior da planta. h) possibilidade de exploração de uma segunda safra ou soca (Cunha et al.4diclorofenóxiacético (2. que a planta requer para iniciar a diferenciação floral e sua desuniformidade na plantação. pelo maior número de frutos colhidos. apesar de provocar muitas respostas fisiológicas nas plantas. devido à maior atividade celular nessa área. ocasionando. A fumaça foi a primeira substância usada na indução artificial da floração na cultura do abacaxi. a partir da década de 1970. danos e deformações nos frutos (muito arredondados ou cônicos). com oito meses de idade. e 4) manipulando-se a expressão do gene dependente dele. Segundo Botella et al. um hidrocarboneto insaturado (Rodrigues. 3) modificando-se a ligação ou a quantidade do receptor com o qual ele interage. 2-cloroetilfosfônico (etephon) e. controlando-se ou regulando-se o nível desse produto nos tecidos pela: 1) adição ou remoção. Cooke & Randall (1968) recomendaram o etephon como agente da floração na cultura do abacaxi. o etileno tem de ser biossintetizado pela planta ou ser suprido exogenamente (Yang. Outros processos fisiológicos podem ser também influenciados pelo emprego de reguladores de crescimento. inicia uma série de reações. Desde então. principalmente como estimulador do processo de maturação dos frutos. o que deve ter ocorrido por volta do século XIX (1885). Bioquimicamente. de mais de 15 meses. carbureto de cálcio e etephon. fazendo a floração coincidir com períodos de menor potencial de inóculo.. o etephon (precursor do etileno) teve seu uso bastante difundido.. a exemplo do etileno. A partir da década de 30.. alguns problemas podem ocorrer em função da má aplicação dos indutores florais: frutos pequenos com coroas grandes. Substâncias usadas e modos de atuação Após muitos anos de pesquisa. a usar o ácido alfanaftaleno acético. Entretanto. mas. onde a absorção dos produtos é mais rápida. talvez por ser mais barato e de fácil manejo. vários reguladores vegetais foram identificados como eficientes no desencadeamento do florescimento do abacaxizeiro. e) controle do peso e tamanho do fruto.

ácidos nucléicos) na gema apical. principalmente o ácido indolacético (AIA). o que pode ser causado pela aplicação de alguns fitorreguladores. que se transformou em inflorescência.CH2 . Foram observadas. apesar de ativo. portanto. As reações de liberação do etileno pelo ethephon e do acetileno pelo carbureto de cálcio são as seguintes: 1. A absorção desse produto é bastante modificada pela temperatura e umidade relativa ambientais. 1999). proteínas. é impedido de atuar in loco por inibidores fenólicos. Cl . Ahmed & Bora (1987) relataram que a floração do abacaxizeiro ocorreu em resposta ao aumento sequencial de metabólitos (açúcares. que a floração do abacaxizeiro não está apenas relacionada a uma série de fatores externos (duração do dia. auxina endógena no abacaxizeiro. Dentre esses. Ao atingir os tecidos internos da planta. (b) ACCsintase. por determinar uma secagem rápida da solução na superfície das folhas. em dias muito quentes. na concentração e no tempo certos. existe uma concentração ótima do AIA no meristema apical da planta. principalmente quando aplicado no verão. irradiância). pois ele é estável em solução aquosa com valores baixos de pH (ácido). ácido ascórbico. Gowing (1961) assumiu que o efeito de auxinas sintéticas baseia-se no deslocamento da auxina endógena (AIA) dos seus locais de atividade no meristema apical da planta. mudanças estruturais no ápice do caule. (1993. liberando etileno e íons clorato e fosfato.+ H3PO4 etileno + Ca(OH)2 . temperatura.1995. para que se proceda à indução do florescimento torna-se necessário apenas a aplicação de substâncias que alterem o nível do AIA nesse meristema. UFRB. o etephon (ácido 2-cloroetilfosfônico) decompõe-se. com o uso de indutores da floração. O mesmo se observa Tópicos em Ciências Agrárias. (1983) notaram aumentos no nível de etileno no ápice caulinar. No entanto. Turnbull et al. v. citam-se as auxinas. independente da época de aplicação.CH2 .. Burg & Burg (1966) usaram o abacaxizeiro para esclarecer algumas contradições aparentes da interação “auxina-etileno” como indutores da floração. (c) ACCoxidase]. 2009 65 . Das Biswas et al. o qual deve permanecer numa determinada faixa durante algum tempo. 1999). Ainda segundo Turnbull et al.PO3H2 + OHethephon 2. como se observa em regiões e períodos de alta temperatura.000 mg L-1. também. Dessa forma. a alta temperatura ambiente pode ser a causa de falhas parciais ou totais da indução com o etephon. O AIA. CaC2 + 2H2O C 2H 2 CH2 = CH2 + Cl.Os passos da biossíntese do etileno são os seguintes: + NH3 ATP PP ii+ P + NH3 5 CH3 – S – 4 CH2– 3CH2 – Metionina 2 CH –1-COO (a) CH3 – +S – CH 2 – Ch2 – CH – COO CH O 2 Ade - OH (b) H 2C C H 2C COO(c) + OH S-Adenosil metionina NH3 CH 2 = CH2 Etileno Ácido 1-aminociclopropano-1-carboxílico [Enzimas envolvidas: (a) AdoMetsintetase. porém de modo mais pronunciado em junho e decrescendo até janeiro. carbureto acetileno O etileno torna os tecidos do ápice vegetativo mais sensíveis à auxina endógena. Segundo eles. pelo pH da solução indutora e pela superfície onde as gotas dessa solução são depositadas. mas também a fatores internos (hormônios produzidos pela própria planta).000 a 2. desde que o pH do meio esteja acima de quatro (faixa alcalina). principalmente a noturna (Min. 1. nem sempre a resposta à indução floral artificial causada pelo etephon é uniforme (Cunha 1989a). 1. Vê-se. cujas concentrações requeridas são elevadas. que favorece ou provoca a floração.

Pérola. por meio de um corte longitudinal do ápice caulinar. formando. também. a liberação do etephon aumenta linearmente até o pH 9. um intumescimento do meristema apical. v. A resposta da planta ao uso de indutores florais é muito rápida. Entrando na corrente citoplasmática. A maior taxa de liberação do etileno em solução aquosa ocorre na faixa de pH entre 5. 2009 . 1966). Do mesmo modo como acontece no florescimento natural. encontrando-se essencialmente nesse estado em pH 9. a partir de 40-50 dias depois do tratamento de indução. Tal fato pode ser confirmado. ao se decompor. um maior tempo de contato do produto com a epiderme abaxial perto do ápice caulinar. celulósicas e cerosas e dos tricomas abundantes.. Inicialmente. assim. cheios com vapor d'água ou gases. e a radiação solar.0. conforme comentado anteriormente. dentre os quais destaca-se o pH do citoplasma.0. Nota-se. Os rebentões são induzidos à floração mais facilmente que os filhotes e as coroas. A velocidade de decomposição do etephon depende da fração que está na forma de dianion. podem ser citadas a fumaça.. seu vigor e taxa de crescimento.0 e 7. 1989b). com perda do etileno. torna-se praticamente dispensável o uso de coadjuvantes. a inflorescência (Kerns et al. a temperatura alta. devido ao aumento efêmero da eficiência do etephon. especialmente a barreira física das camadas cuticulares. arrancando-se uma das folhas centrais da roseta foliar e observando-se a sua base. permitindo. translocação e decomposição do etileno na planta (Turnbull et al. enquanto no tecido.0 (valor máximo testado).quando a planta está em fase de crescimento ativo e rápido. a taxa de liberação quase duplicou com a elevação do valor do pH de 4. na referida zona. 1. daí porque esses autores consideram importante que a aplicação do indutor seja dirigida ao centro da roseta foliar. López de Vélez & Cunha (1983) idealizaram uma curva hipotética de ação de coadjuvantes sobre a atuação do etephon. que arrasta as gotículas antes de serem absorvidas pela planta. Esse fato foi comprovado num teste de indução precoce de mudas de diversos tamanhos (20 a 47 cm). tendo sido observada uma gradação na suscetibilidade à floração. o tipo de muda. Atualmente. com aumento do diâmetro da área meristemática. a chuva. 66 Tópicos em Ciências Agrárias. na parte basal aclorofilada (Turnbull et al. citam-se aqueles que afetam a concentração do produto antes da sua absorção pela planta. Como exemplos. a última fase é caracterizada por uma faixa de concentração em que a eficiência do referido produto quase não se altera com o uso de coadjuvantes (Figura 3). 1993). que cessa de produzir primórdios foliares. da cv. 1993).. que dilui ou arrasta a solução depositada sobre as folhas (Py & Guyot. 1970).0. UFRB. em geral. porque o processo de absorção/diluição através da cutícula é bem mais importante que a penetração pelos ostíolos dos estômatos. o vento. causando a decomposição cinética do produto. água gelada e gelo. Com essa prática haverá o acúmulo da solução nas axilas das folhas. notase o surgimento da inflorescência no centro da roseta foliar. Se estiver avermelhada. Diversos estudos têm demonstrado efeitos drásticos do pH da solução indutora. na qual a fase inicial indica concentrações que não conseguem desencadear o processo de diferenciação floral (talvez por serem muito baixas). então. na fase seguinte. umidade relativa) na absorção. apesar de que em menor escala. considerando-se a demanda por produtos oriundos de cultivo orgânico e de produção integrada de frutas. Dependendo das condições ambientais. defronta-se com fatores que dificultam sua absorção. Tais obstáculos exercem um papel de grande relevância. tais como o método de aplicação. a resposta ao tratamento de indução artificial varia de acordo com o ambiente. com as mudas maiores sendo mais sensíveis (Cunha. que interfere diretamente na interceptação do produto pela planta. é sinal de que a floração já foi desencadeada. que estão. Levando-se em conta que a diferenciação floral do abacaxizeiro é uma resposta fisiológica à elevação do teor de etileno no meristema apical e que o etephon. como ocorre no estádio vegetativo. Quando o produto entra em contato com as folhas. tendo sido demonstrado que aos quatro dias após a aplicação do produto já se pode observar o início da diferenciação. deve-se considerar a importância que as modificações na sua concentração e a intensidade dos fatores que influenciam sua decomposição exercem sobre a ação indutora desse produto.0 para 6. Em solução. libera etileno (Burg & Burg. a segunda fase corresponde à faixa onde é possível influenciar a ação indutora com a elevação do pH e adição de uréia à solução. local de aplicação e condições ambientais (temperatura. 1936). A maior absorção do etileno pelo abacaxizeiro ocorre através da superfície inferior da folha. estão sendo procuradas novas alternativas de produtos para o tratamento de indução artificial da floração do abacaxizeiro. já que o produto é tido como relativamente estável na presença da luz. Lopez de Vélez & Cunha (1983) esquematizaram a influência desses diversos fatores (Figura 2). O primeiro sinal da transformação do meristema em primórdio floral é o aumento da atividade mitótica das células imediatamente abaixo da zona central ou parte mais apical (distal) do meristema vegetativo. os fatores que influenciam a velocidade de decomposição do etephon adquirem grande importância.

4-D são aplicados no centro da roseta foliar. 1961. 1. v. como em pulverização total da planta. enquanto que o ethephon. UFRB. Fatores que influenciam a absorção Floração Tricomas Cerosidade Cutícula Estômatos Perdas III. de uma solução preparada com base em uma mistura de 350-400 g de CaC2 por 100 litros de água fria e limpa) em épocas secas. o etileno e o BNA em pulverização sobre as plantas. sendo que o carbureto de cálcio.0 g planta-1) em períodos chuvosos. 1983).I. o que se observa com o tratamento de indução artificial em geral. Representação esquemática de fatores que influenciam a eficiência do ethephon como indutor floral do abacaxizeiro (Fonte: López de Vélez & Cunha. Fatores que influenciam a concentração Chuva Temperatura Vento Perdas Ethephon II. ou líquida (30-50 mL planta-1. O carbureto de cálcio (precursor do acetileno) pode ser aplicado sob a forma sólida (granulado ou pó. Das. 1974). o acetileno e o 2.5-1. 1964). 0. Fatores que influenciam a decomposição pH Enzimas Temp. o CaC2 pode alcançar uma eficiência de 100 % (Singh & Rameshwar. Ação do etileno Etileno Íon cloreto Decomposição Figura 2. o ANA e o BOH tanto podem ser aplicados no centro da roseta foliar. Modos de aplicação dos indutores florais Os indutores florais diferem quanto ao modo de aplicação e eficiência. Quando aplicado adequadamente. 2009 67 . Tópicos em Ciências Agrárias. O ANA é mais eficiente quando aplicado próximo do período de diferenciação natural (Gowing.

.5%0 a 1. sendo. o metabolismo ácido das crassuláceas (CAM). Abutiate.04 %) + uréia (2%) aumentou a porcentagem de florescimento e reduziu o tempo de emersão da inflorescência e de maturação do fruto do abacaxizeiro 'Kew'. pela assimilação de CO2 e abertura estomática predominantemente noturnas. UFRB. 1986).000 mgL-1. Modelo hipotético da ação de produtos coadjuvantes na performance do ethephon. em dias nublados (Aldrich & Nakasone. podendo ser carvão ativado (0.100 Faixa de ação dos coadjuvantes Percentagem de indução floral 80 60 40 20 0 10 50 Concentração do ethephon (ppm) 4. no processo de diferenciação floral do abacaxizeiro (Fonte: López de Vélez & Cunha. Essa operação consiste na pulverização total das plantas com uma solução saturada desse gás. portanto. 2009 . por tratar-se de uma substância gasosa e necessitar de equipamento específico para aplicação. pois. em um tanque contendo água fria. aplicando-se de 30 a 50 mL da solução por planta. 1983). 1982). assim. É importante que os estômatos permaneçam abertos por um período de quatro a seis horas após a aplicação do indutor 68 Tópicos em Ciências Agrárias. obtida pela injeção. A maior eficiência observada nas aplicações noturnas pode ser o resultado de uma maior concentração do etileno nos tecidos da planta nessas condições e/ou melhor absorção do produto aplicado. v. seu uso é restrito. o que corresponde a concentrações de até 4. 1975. 1. López de Vélez & Cunha. 1983). Reinhardt & Cunha.0 ou 10. das 20:00 às 05:00 horas da manhã.0%).0%0) ou bentonita (1. aumenta ainda mais a eficiência da indução artificial (Fahl et al. 1981. possibilitando o uso de menor quantidade do produto. sendo o volume de água (6. Cunha (1989a) obteve ótimos resultados adicionando 35 g de Ca(OH)2 a 100 litros da solução.0. viável apenas em plantios mecanizados. para o que podem ser usadas algumas substâncias alcalinizantes. a concentração realmente recomendada é a de um a quatro litros do produto comercial para 1000 litros de água. O gás etileno também pode ser aplicado diretamente para induzir a floração do abacaxizeiro. A diminuição da acidez da solução indutora para um pH 8. a concentração recomendada pode ser reduzida para 25 a 100 mg L-1.000 Figura 3. alternativamente. sob pressão. ou então. Para facilitar a difusão desse gás na água e. devendo ser efetuada preferentemente à noite. 1977. a liberação do etileno. Cunha & Reinhardt.000 a 8. Na2(CO3) (carbonato de sódio) e Ca(OH)2 (hidróxido de cálcio). qualidade do fruto e produção de mudas (Py & Silvy..000 litros) e a distribuição homogênea sobre as plantas muito importantes. recomenda-se adicionar um coadjuvante à solução. A quantidade de etileno indicada por Dericke (1974) é de 800 g ha-1 por aplicação. levandose em conta que o abacaxizeiro é uma planta que apresenta. sendo preferido em plantios mecanizados por apresentar eficiência comprovada e pelos seus efeitos benéficos sobre a inflorescência. A adição de uréia (2%-3%). Com relação ao ethephon. do etileno proveniente de um cilindro apropriado. Porém. torna-se facilitada em meio alcalino (Dass et al. A hora de aplicação do regulador vegetal é muito importante. como já foi visto. caracterizado. Nesse caso. elevando o pH para 10. sua eficiência. o que resulta em mais de 90 % de eficiência na indução da floração. 1975. a exemplo do CaCO3 (carbonato de cálcio). 1954). O ethephon a 25 mg L-1 + CaCO3 (0. portanto. do qual o ethefon é precursor.0 aumenta bastante sua eficiência. 2-3 kg 100-1 litros da solução.

Logicamente. devido à sua maior atividade celular. assim. a fim de obter-se uma maior eficiência. o que geralmente é feito dois a três dias subseqüentes à primeira aplicação. não devendo ser superior a 26-28 oC. especialmente. caso pretenda-se explorar a soca. que paralisa o crescimento da planta. para inibir a floração ou reduzir a eficiência da indução artificial. a alta temperatura diurna provoca uma descarboxilação intensa. UFRB. o abacaxizeiro não responde de modo satisfatório à aplicação dos produtos florígenos. apesar de Burg & Burg (1966) não terem encontrado correlação entre a produção de etileno e o tamanho da planta. diz-se que após um determinado período do seu ciclo vegetativo. dificilmente o abacaxizeiro responderá aos estímulos do meio ambiente. 1. seria difícil pensar-se na exploração econômica dessa frutífera e que devido a esse fato é que os agricultores a cultivam. também. v. Esses casos podem requerer uma maior dosagem dos produtos. a depender da cultivar. pequenos frutos serão produzidos. Afirma-se inclusive que. quando usadas como indutoras. Assim é que. Foi abordado o envolvimento de diversos fatores na floração do abacaxizeiro.. uma falha de aplicação ou uma irregularidade na resposta das plantas ao tratamento. Segundo Glennie (1979). o que prejudicará. do manejo da cultura e da região. 1995). A temperatura ambiente durante a aplicação dos produtos é. No entanto. no entanto. Dentre outros fatores. Nessas situações pode-se usar os indutores com menores concentrações. geralmente com cinco a dez meses de antecedência. O tratamento de indução da floração do abacaxizeiro é. a não ser que chova até seis horas após sua aplicação. por algum motivo. ou após um período muito seco alternado com um chuvoso. evitando-se dias quentes para se reduzir falhas na floração artificial. Por outro lado. Geralmente. o tratamento de indução floral pode ser efetuado quando o abacaxizeiro atingir sete a 15 meses após o plantio. isso é. a floração na cultura do abacaxi assume aspecto relevante. essa repetição é desnecessária. sabe-se que uma planta em fase de crescimento ativo não responde satisfatoriamente ao tratamento de indução artificial. sem o domínio dessa técnica cultural. que é um possante inibidor do etileno. Isso porque. CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE A FLORAÇÃO DO ABACAXIZEIRO Conforme se depreende pelo que foi apresentado. a escolha do fitorregulador (indutor) e do método de aplicação. 1979). Havendo. a indução floral artificial deve ser realizada antes da época provável ou favorável à floração natural. também. 2000). contribuindo. a partir do final da tarde. Por outro lado. 2009 69 . devido à pequena área foliar. a não ser naqueles casos cuja finalidade é a uniformização do florescimento já iniciado e que. quanto ao etephon. mas também da sua eficiência. a depender da região ecológica (Cunha et al. muito importante. a não ser ao encurtamento dos dias. elevando bastante o nível de CO2. mas não têm efeito sobre a duração da fase reprodutiva. parece que a suscetibilidade do abacaxizeiro à indução floral está relacionada à condição fisiológica da planta e não apenas à sua idade cronológica ou tamanho (Min. (1993) recomendaram que as pulverizações com os indutores florais sejam feitas com alto volume. em trabalhos de melhoramento genético deve-se atentar para as progênies que tenham a capacidade de produzir frutos de valor comercial mesmo com uma pequena massa vegetal. após um prolongado período de seca ou durante uma fase de crescimento ativo da planta ou de altas temperaturas. 1977). a fim de que não ocorram alterações fisiológicas na planta ou prejudiquem a qualidade do fruto. o mesmo ocorrendo quando as condições ambientais são adversas à floração. o mesmo valendo para o carbureto de cálcio. assim. Sabendo-se que existe uma correlação positiva (linear) entre o tamanho/peso da planta e o peso do fruto para uma determinada região (Chan & Lee. a indução de plantas pequenas ou imaturas pode reduzir consideravelmente o rendimento da cultura. 1994). daí porque a maior eficiência quando a aplicação é feita na roseta foliar.(Glennie. como é o caso do etileno e do ANA. pois uma irregularidade na mesma pode trazer conseqüências danosas ao seu cultivo. apenas iniciam o processo de floração. ocorreu de modo irregular. sendo que do seu êxito depende a rentabilidade dessa cultura. a sua aplicação deve ser planejada de acordo com a época que se deseja efetuar a colheita. A penetração dos produtos é mais rápida. Porém. Todavia. Outrossim. Considerando que essas substâncias. uma prática cultural imprescindível. a segunda produção. do estado nutricional e estádio de crescimento alcançado pela planta quando da diferenciação floral. a exemplo de um estresse hídrico severo. muitos dos quais determinam o sucesso da indução artificial. devido à retomada de crescimento da planta (Bartholomew & Kadzimin. deve-se evitar o uso de doses muito elevadas dos reguladores vegetais. próximo do ápice caulinar. Alguns produtos requerem a repetição da aplicação. o peso do fruto do abacaxizeiro depende. Turnbull et al. Segundo Chan & Lee (2000). recomenda-se a repetição da indução individual das plantas que Tópicos em Ciências Agrárias. não dependem apenas da sua economicidade e praticidade.

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CAPÍTULO 6 PRODUTIVIDADE VEGETAL: PRINCIPAIS FATORES Elvis Lima Vieira Tópicos em Ciências Agrárias .

PP é maior quanto mais altas as taxas de assimilação das espécies que compõem a comunidade. que é a matéria seca contida em um órgão. em toneladas de matéria orgânica seca por hectare (t ha-1) ou (g m-2). as taxas de armazenamento energético em níveis de consumidores. A TAL representa a taxa de incremento de massa de matéria seca (W) por unidade de área foliar (L) existente em uma planta. A TAL é um indicador da eficiência de uma planta na produção de matéria seca. o qual difere do usual ou econômico.0 (Larcher. A produtividade primária bruta. com a fitomassa seca total colhida. frutos). o IAF descreve a dimensão do sistema assimilador de uma comunidade vegetal.Centro de Ciências Agrárias. Esta depende diretamente do índice de área foliar (IAF). 1995). que designa de uso eficiente da água de fotossíntese (UEAFS). distribuição de plantas e variedades. que relaciona a massa da matéria seca da fração econômica de uma cultura (grãos. também chamada de “fotossíntese total” ou “assimilação total”. de magnitude menor. Produtividade primária de um sistema ecológico é definida como a taxa na qual a energia radiante é convertida. de uma comunidade ou de qualquer parte deles. 2000). O IAF funciona como indicador da superfície disponível para interceptação e absorção de luz. A fração utilizada é conhecida como índice de colheita (IC). O rendimento pode ser definido como a relação da quantidade de material produzido pelas plantas num determinado intervalo de tempo (geralmente um ano de colheita) por área de terreno utilizado. a produção da comunidade ou produção primária (PP). Define-se como produtividade secundária.br INTRODUÇÃO A fotossíntese é o processo responsável pelo fornecimento da energia necessária ao crescimento e desenvolvimento da planta. Pode variar com a população de plantas. e quanto mais longo for o período de assimilação. seja de um sistema ecológico. 1920). 1987). a produção primária líquida menos o consumo heterotrófico) durante o período em consideração. O balanço entre o material produzido pela fotossíntese e aquele perdido pela respiração é definido por Pereira & Machado (1987). 2009 . mantendo um balanço positivo de trocas gasosas. Para Larcher (1986). Cruz das Almas-BA. Larcher (1995) apresenta uma relação entre a fotossíntese (Fs) e a transpiração (Tr) de uma planta. sendo expressa com referência à área de solo coberta. que foi definido por Watson (1952). UFRB. plantas verdes). Esta eficiência de conversão é determinada pelo genótipo e pelo ambiente (Pereira & Machado. pela atividade fotossintética e quimiossintética de organismos produtores (na maior parte. raízes. incluindo a matéria orgânica usada na respiração durante o período de medição. Ambientais e Biológicas/UFRB.edu. ou um ano. v. Estes só utilizam materiais alimentares já produzidos. aumentam exponencialmente (Briggs et al. expresso relativamente ao uso respiratório pelas plantas durante o período de medição. convertendo-os em diversos tecidos (Odum. A eficiência de conversão de produtos sintetizados em material de importância econômica pode ser avaliada através do IC .0 e 8. sendo o principal fator a determinar a produtividade de uma cultura. A taxa de armazenamento de matéria orgânica nos tecidos vegetais. Segundo Ferri (1985). 1987). e representa a capacidade que a planta ou comunidade vegetal tem em explorar o espaço disponível (Pereira & Machado. E-mail: elvieira@ufrb. tão completamente quanto possível. é a quantidade de matéria seca formada pela vegetação em uma dada área. organismo ou população (Hopkins. O IAF é ótimo para a produção quando a radiação fotossinteticamente ativa (RFA: 400 a 700 nm) é absorvida. e pode ser representada da seguinte forma: UEAFS = Fs / Tr ( m mol CO2 m-2 s-1 / mmol H2O m-2 s-1) 79 Tópicos em Ciências Agrárias.. assumindo que tanto L como W. Segundo Hall & Coombs (1989). quanto mais completa for a absorção de luz. durante sua passagem através do dossel de folhas. 1988). designada também de “fotossíntese aparente” ou “assimilação líquida”. A produtividade líquida da comunidade é a taxa de armazenamento de matéria orgânica não utilizada pelos heterótrofos (ou seja.PRODUTIVIDADE VEGETAL: PRINCIPAIS FATORES Elvis Lima Vieira Professor . geralmente a estação de crescimento. como a taxa de assimilação líquida (TAL). 1. e geralmente encontra-se entre os valores 2. é a taxa global de fotossíntese. O termo produtividade refere-se ao incremento em biomassa. como a área foliar por unidade de área de terreno. é definida como produtividade primária líquida. em substâncias orgânicas. o produto fotossintético total produzido pode ser chamado de rendimento biológico verdadeiro.

em determinado período de crescimento de um vegetal. UFRB. até chegar e ser reduzido no interior do cloroplasto. reduzindo a taxa de fotorrespiração. Larcher (1995) propõe que a relação entre a produção de matéria seca e o consumo de água. Existe uma interação entre os níveis de CO2 do ambiente e a luz. podendo ser representada da seguinte forma: UERFS = energia química estocada x 100 energia radiante absorvida As taxas fotossintéticas não são amplificadas somente por aumentos nos níveis de irradiância. O ponto de compensação de CO2 é atingido quando. chamada de o uso eficiente da água de produtividade (UEAP). que apresentam este processo e normalmente se saturam com a luz natural (500 a 1000 mol m-2 s-1). a fotossíntese líquida será sempre positiva. os principais fatores que afetam a produtividade das plantas são: a variedade genética e os fatores ambientais (luz. o UEAFS também é afetado pelas condições climáticas. o nível de irradiância no qual a fotossíntese bruta (FB) está em equilíbrio com a respiração (R) e com a fotorrespiração (FR). 1995). pela conversão de dióxido de carbono em compostos orgânicos. fornece mais informações do que as taxas instantâneas de trocas gasosas. Este aspecto é bem mais importante para as plantas C3 do que para as plantas C4. definida pela razão entre a produção de matéria orgânica seca e o consumo de água: UEAP = produção de matéria orgânica seca consumo de água (g MS kg-1 H2O) A produção de matéria seca e a quantidade de água consumida podem ter como referência uma única planta ou um estande de plantas. das condições ambientais e das características funcionais e estruturais das plantas. proteínas. Para valores de irradiância acima deste ponto. água. Geralmente as plantas C4 não apresentam o processo de fotorrespiração mensurável e não sofrem saturação lumínica. O ponto de compensação lumínico se incrementa à medida que se aumenta a concentração de CO2. neste ponto a fotossíntese líquida (FL) é nula [FL = FB (R + FR)]. O CO2 atmosférico tem que cruzar um longo e complicado caminho. A luz interfere sobre o processo de crescimento de forma indireta. na concentração de CO2 atmosférico. nutrientes e a estrutura do dossel). Salisbury & Ross (1994) definem como ponto de saturação lumínica. Em condições naturais. que possuem um mecanismo interno de concentração de CO2 em união ao fenômeno de insaturação lumínica. maior eficácia na síntese de proteínas e baixa taxa respiratória e de intercâmbio hídrico. disponibilidade de CO2. a energia absorvida na forma de fótons pelos vegetais pode produzir basicamente três efeitos: 1) fotoenergéticos (fotossíntese. causando fotooxidações de pigmentos do cloroplasto e radiações ultravioletas alterando os ácidos nucléicos. ao longo do qual se encontra com distintas resistências. através da regulação do processo fotossintético. quando em condição de máxima irradiância solar (Martinez.O UEAFS expressa qualitativamente e instantaneamente as trocas gasosas (CO2 e vapor d'água) que ocorrem na folha . enzimas. fotoconversões e fotooxidações). Apresenta outra relação. produzem grandes quantidades de matéria seca e são mais vigorosas. Pelo contrário. Segundo Hopkins (1995). a concentração de CO2 do ar é bastante constante e relativamente baixa (0. as plantas de sombra exibem uma menor produção de matéria seca. que indica a percentagem de energia radiante absorvida. 2) fotocibernéticos (fotoestimulantes ou fotoinibidores de rotas metabólicas. pela fotossíntese. é definida como o uso eficiente de radiação pela fotossíntese (UERFS). Em plantas C3.035% em volume ou 350 mL L-1). fixada na forma de ligações químicas. fototropismos. como por exemplo no fenômeno do estiolamento de plantas e nos fototropismos. 1. os vegetais expostos a maiores níveis de irradiância desenvolvem um eficaz sistema axial para condução da água. a produção de matéria seca orgânica refere-se a área do estande. Além disso alcançam maiores valores de fotossíntese líquida em comparação às plantas C3. exercendo também influência direta sobre o crescimento. De maneira geral. incrementos na taxa fotossintética são conseguidos por aumentos nos níveis de CO2 por dois motivos: incremento na quantidade de substrato para a carboxilação pela enzima rubisco e. Segundo Larcher (1995) e Larcher (2000) a eficiência da conversão de energia radiante solar em energia química. Suas folhas possuem várias camadas de células no mesófilo paliçadico e as células apresentam abundantes cloroplastos. Em termos ecológicos.) e 3) fotodestrutivos (altas irradiâncias da RFA). e o consumo de água refere-se à evapotranspiração total. agricultural e florestal. v. através da competição com o oxigênio. No campo. Segundo Martinez (1995). 1995). temperatura. a fixação fotossintética bruta está equilibrada com a 80 Tópicos em Ciências Agrárias. Esta relação depende principalmente dos gradientes de concentração de CO2 e vapor d'água. etc. 2009 . Neste último caso (uso eficiente da água de produtividade).). mas também por maiores concentrações de CO2. em especial quando os estômatos estão parcialmente fechados (Hopkins. fotomorfogêneses etc.

perda de CO2 através da respiração e da fotorrespiração. Neste ponto, a fotossíntese líquida é aparentemente igual a zero. Logo, o processo fotossintético não poderá se beneficiar de incrementos nos níveis de CO2 se não superar este limite (ponto de compensação). De maneira geral, as plantas C3 possuem um ponto de compensação de CO2 mais alto (35 a 45 mmol mol-1) do que as plantas C4 (0 a 5 mmol mol-1) (Taiz & Zeiger, 2004). Hopkins (1995) apresenta um modelo que descreve a limitação da taxa fotossintética em função da concentração de CO2. Em baixas concentrações de CO2, a fotossíntese é limitada pela baixa capacidade de carboxilação de enzima rubisco. Em altas concentrações de CO2, as taxas fotossintéticas são limitadas pela taxa de regeneração do aceptor molecular, a ribulose-1,5-difosfato. Tradicionalmente, a produtividade das plantas tem sido avaliada pelas mudanças no seu peso, medido pela colheita de amostras a intervalos de dias, semanas ou meses. No entanto, a medição da taxa de troca de CO2 nos permite uma avaliação instantânea da produtividade minuto a minuto, caso seja requerido (Hall & Coombs, 1989). O crescimento vegetal é estimulado pela temperatura até certo limite, a partir do qual começa a atuar como fator de inibição. O papel regulador da temperatura sobre o crescimento se realiza através da regulação de enzimas que catalisam as reações que direta ou indiretamente interferem em todos os processos metabólicos e fisiológicos (germinação, respiração, transpiração, fotossíntese, fotorrespiração, translocação, absorção de água e nutrientes, floração, frutificação e senescência). Hopkins (1995) relata que a temperatura pode ser caracterizada por três pontos: o de mínimo (Tmin), o de máximo (Tmax) e o ótimo (Tótima) onde as reações se processam. A temperatura afeta fundamentalmente os processos químicos, mais que os físicos. A fotossíntese, a respiração e a fotorrespiração são afetadas de maneiras diferentes pela temperatura, pois as temperaturas ótimas diurnas afetam a produção (fotossíntese, fotorrespiração e respiração) e as temperaturas noturnas influenciam somente na respiração. De maneira geral, não existem taxas apreciáveis de fotossíntese à 0º C, a não ser aqueles detectados abaixo desta temperatura, em alguns liquens , plantas alpinas, espécies de tundra etc., porém não é um fenômeno habitual. A atividade das enzimas de carboxilação das plantas C4 (PEPcarboxilase) e da plantas C3 (Rubisco), apresentam pontos ótimos de atividade diferentes, 30º C e 25º C, respectivamente. Outro efeito marcante da temperatura ocorre sobre o processo transpiratório das plantas, que está relacionado diretamente com a fotossíntese (trocas gasosas), a temperatura foliar e com o estabelecimento de uma tensão hídrica na planta (Martinez, 1995). A água participa diretamente do processo de crescimento das plantas de diversas formas, como por exemplo: é o principal constituinte do protoplasma, participa diretamente de numerosas reações químicas (fotossíntese e respiração), praticamente todos os compostos orgânicos são solúveis em água, favorece o transporte de nutrientes e fotoassimilados dentro da planta, responsável pela turgescência celular, sem a qual não ocorrem as trocas gasosas e, é responsável pela estabilidade térmica do material vivo celular, favorecendo a manutenção das atividades bioquímicas do vegetal (Sutcliffe, 1980). Qualquer redução no potencial hídrico da planta afeta instantaneamente a abertura estomática, podendo induzir o fechamento estomático, causando diminuição das trocas gasosas e, consequentemente, reduzindo a fotossíntese. A taxa fossintética declina sob condições de estresse hídrico, e em caso de severo estresse hídrico, esta pode ser completamente anulada. De maneira geral, em condição de estresse hídrico, a redução na produtividade das plantas C3 é maior do que nas plantas C4. As plantas C4 apresentam algumas vantagens sobre as plantas C3, com relação à fotossíntese e estresse hídrico, por que elas são mais eficientes no uso da água. As plantas C3, C4 e MAC (metabolismo Ácido das Crassuláceas), apresentam diferentes aspectos em relação à fisiologia, bioquímica, botânica e ecologia, que afetam significativamente a capacidade produtiva destas plantas (Tabela 1). Os nutrientes minerais possuem uma extraordinária importância no crescimento e no desenvolvimento dos vegetais, desempenhando diversas funções como por exemplo: estrutural, constituinte de enzimas, ativador enzimático, regulador do pH citossólico, regulador da permeabilidade celular e na manutenção da neutralidade eletrostática intracelular (Malavolta et al., 1997). A nutrição mineral manifesta determinadas influências sobre a fotossíntese e interfere sobre todos os níveis de nitrogênio, cuja deficiência determina uma diminuição evidente nas taxas de fotossíntese, ou seja, na produtividade primária, devido à redução nas taxas de síntese protéica, particularmente da rubisco e dos elementos transportadores das cadeias eletrônicas (Hopkins, 1995). O potássio também interfere decisivamente na assimilação de CO2, afetando o mecanismo de abertura e fechamento estomático, a atividade de muitas enzimas e, em particular, a mobilização de proteínas e carboidratos. O cloro é indispensável para a fotólise da água e o sódio é essencial para a fotossíntese de algumas plantas C4. O ferro é necessário ao metabolismo das clorofilas e das proteínas férricas do transporte eletrônico. O magnésio afeta a síntese de clorofilas, a ativação de numerosas enzimas fotossintéticas e participa também da fotólise da água no fotosistema II (Martinez, 1995). A máxima possibilidade fotossintética conseguida por uma folha é conhecida de capacidade fotossintética foliar, sendo determinada através da taxa de fotossíntese por unidade de área foliar sob condições de saturação de luz incidente, concentrações normais de CO2 (0,003%) e O2 (21%), ótimo de temperatura e alta umidade relativa. A
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81

capacidade fotossintética foliar é altíssima em plantas adaptadas a ambientes rico em recursos onde luz, água e nutrientes são abundantes. A redução da fotossíntese é uma conseqüência de deficiência de praticamente todos os elementos essenciais, mas a capacidade fotossintética foliar é particularmente sensível ao suprimento de nitrogênio. Como constituinte básico da molécula de clorofila, participante de reações de redox no transporte de elétrons e envolvido com todas as enzimas do metabolismo do carbono, o nitrogênio assume um papel crítico na produtividade primária dos vegetais (Hopkins, 1995). De maneira geral, ótimas taxas fotossintéticas são coincidentes com uma nutrição mineral equilibrada e de concentrações ótimas. A produtividade primária líquida de um estande de plantas é notadamente influenciada pela estrutura do dossel. Esta estrutura é alterada pela idade, morfologia, pelo ângulo e espaçamento individual entre folhas. A capacidade fotossintética de uma folha declina com a senescência. Esta deterioração progressiva da folha é caracterizada, em parte, pela redução de clorofilas e da atividade das enzimas ligadas ao processo fotossintético. Muitas plantas herbáceas apresentam uma seqüência na senescência foliar. Quando as folhas mais velhas do dossel estão senescentes, as folhas novas estão em formação no topo do dossel. A arquitetura do dossel é muito importante quando se considera a produção agrícola e os ecossistemas naturais, pois esta determina como a luz será eficientemente absorvida. Altas produtividades dependem em parte da extensão de área de solo que é coberta com superfície fotossintetizante, porque a luz solar exposta ao solo não contribui para a produtividade. Estas relações são avaliadas através do IAF (Hopkins, 1995). Hall & Combs (1989) apresentam de forma resumida (Figura 1) a seqüência lógica a ser observada para resolução dos problemas referentes às etapas limitantes da eficiência do processo energético luminoso na conversão de um determinado cultivo em biomassa. No entanto, alertam que, mesmo antes de buscar tais respostas, deve-se primeiro verificar se é possível definir as melhores condições ambientais e de produtividade das plantas. Tabela 1. Comparação entre plantas C3, C4 e MAC quanto aos aspectos que influenciam na produtividade vegetal.
CLASSES DE PLANTAS

C3
PARÂMETROS

C4 Mesófilo Foliar, presença de Bainha Vascular (BV), com cloroplasto (Anatomia Kranz) Mesófilo granal e Bainha Vascular granal ou agranal Cerca de 4 : 1 1:5:2

MAC Mesófilo foliar, ausência de Bainha Vascular, células com grandes vacúlos. Granal <3:1 Na luz 1 : 3 : 2 No escuro 1 : 5 : 2 Nas intensidades intermediárias e altas. Inferior às plantas C4 Assimilação de CO2 noturna Na luz: RuDP No escuro: PEP PGA à luz Malato no escuro Rubisco na luz PEPcase: no escuro
Rubisco: luz PEPcase: escuro Rubisco/cloroplasto PEPcase/citoplasma continua...

01

ANATOMIA FOLIAR

Mesófilo Foliar (MF), ausência de Bainha Vascular, com cloroplasto - Parenquimático Granal Cerca de 3 : 1 1:3:2

02 03 04

CLOROPLASTOS CLOROFILA a / b RELAÇÃO CO2 : ATP : NADPH+ SATURAÇÃO DE LUZ DA FOTOSSÍNTESE

05

Há intensidade intermediárias ~1/3 Não satura a altas intensidades (50 - 150 Wm-2) (+ 500 Wm-2) (500 - 1000 m mol m2 s-1) -1 (2000 mmol quanta m-2 s-1) -2 (600 a 800 m mol quanta m s ) 30°C : 18,9 20°C : 15,4 20 ou 30°C gramíneas = 15,9 dicotiledôneas = 17,5 Fosfoenolpiruvato (PEP) Ácidos C4 - (AOA) (Malato ou Aspartato) PEP carboxilase (PEPcase)

06

EFICIÊNCIA QUÂNTICA (mol quanta/mol CO2

07 ACEPTOR PRIMÁRIO DE CO2 atm. 08 PRIMEIRO PRODUTO ESTÁVEL DA FOTOSSÍNTESE ENZIMA PRIMÁRIA DE CARBOXILAÇÃO
Km DA ENZIMA DE CARBOXILAÇÃO LOCALIZAÇÃO DA ENZIMA DE CARBOXILAÇÃO

Ribulose 1,5 difosfato (RuDP) Ácidos C3 Ácido 3 - fosfoglicérico (PGA) RuDP carbosilase/oxigenase Rubisco* Carboxidismutase
Rubisco (@20 m MCO2) 20mM CO2 Rubisco - cloroplasto (MF)

09

10

PEPcase (@5 m MCO2) 100 a 160 mM HCO-3 PEPcase: - citoplasma (MF) Rubisco - cloroplasto (BV)

11

82

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... continuação
CLASSES DE PLANTAS

C3
PARÂMETROS

C4

MAC CO2: luz HCO 3: escuro Sem referência

12 13

SUBSTRATO DA CARBOXILAÇÃO TEMPERATURA ÓTIMA/ENZIMA TEMPERATURA ÓTIMA PARA FOTOSSÍNTESE ABERTURA ESTOMÁTICA NA PRESENÇA DA LUZ

CO2 Rubisco: 20 - 25°C

HCO 3 PEPcase: 30 - 35°C

-

14

20 - 35°C Grande (fotoativas) Forte inibição na presença da luz Aumento do processo fotorrespiratório 3 a 5 vezes MAIS que a respiração no escuro

30 - 45°C Pequena a média (fotoativas)

30 - 45°C Pequena ou nula (não fotoativas) Forte inibição na presença da luz Não há aumento Difícil de determinar Não mensurável, difícil determinar Na luz: 0 - 200 ppm No escuro: < 5 ppm

15

EFEITO DEPRESSIVO 16 DO OXIGÊNIO (21%) NA FOTOSSÍNTESE 17 EFEITO DE ALTAS TEMPERATURAS

Sem efeito

Não há aumento 10 vezes MENOR que a respiração no escuro

VELOCIDADE RELATIVA 18 DA FOTORRESPIRAÇÃO

LIBERAÇÃO DE CO2 NA Sim; presente em torno de 25 19 LUZ (FOTORRESPIRAÇÃO a 30% do valor da fotossíntese APARENTE) 20 PONTO DE COMPENSAÇÃO DE CO2 50 - 150 ppm (ALTO) 30 - 70 mmol CO2 mol 20 - 100 mLCO2L-1

Não mensurável 0 - 10 ppm (BAIXO) 0 - mmol CO2 mol 0 - 5 mLCO2L-1

PONTO DE COMPENSAÇÃO LUMÍNICO (RFA) 21 20°C - 340 ppmCO2 CONSUMO DE H2O PARA PRODUÇÃO DE MATÉRIA SECA EFICIÊNCIA NO USO DE ÁGUA (E.U.A) N NA FOLHA PARA ATINGIR FOTOSSÍNTESE MÁXIMA REQUERIMENTO DE Na COMO MICRONUTRIENTE EFICIÊNCIA NO USO DE NITROGÊNIO (E.U.N.) VELOCIDADE MÁXIMA DE CRESCIMENTO gms dm-2 dia-1
+

6 - 10 mmol m s

-2

-1

4 - 8 mmol m-2 s-1

Sem referência

22

450 - 1000 moles de H2O transpirada/mol de CO2 assimilado 1a3g -1 CO2 Kg H2O 6,5 - 7,5% peso seco Não

200 - 350 moles de H2O transpirada/mol de CO2 assimilado 2a5g -1 CO2 Kg H2O 2,0 - 4,5% peso seco Sim

18 a 125 moles de H2O transpirada/mol de CO2 assimilado 1a4g -1 CO2Kg H2O

23

24 25

Sem referência Sim

26

Rubisco > 50%

Rubisco: 25% PEPcase: 10% 4,0 - 5,0

Rubisco: 25% PEPcase: 10% 0,015 - 0,02
Na luz leve No escuro média 2,5 - 7,6 mmol CO2 m-2s-1

27

0,5 - 2,0

CAPACIDADE 28 FOTOSSINTÉTICA LIQUIDA FL = [FB - (FR+R)] REDISTRIBUIÇÃO DOS PRODUTOS DE ASSIMILAÇÃO PRODUÇÃO DE MATÉRIA SECA

Leve e alta 15 - 40 mg CO2 dm-2 h-1 15 - 25 mmol CO2m2 s-1

Alta e muito alta 60 - 100 mg CO2dm-2h-1 25 - 40 mmol CO2m-2s-1

29

Lenta (MF) 22 + 3,3 ton ha-1 ano-1 (média) 0,2 a 0,4 ton ha-1 dia-1 (leguminosas

Rápida (BV) 38 + 16,9 ton ha-1 ano -1 (alta) 0,5 ton ha -1 dia -1 (cereais)

Variável Pouco conhecida, menos que C3 (baixa)

30

continua...

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83

... continuação
CLASSES DE PLANTAS

C3
PARÂMETROS

C4

MAC Desértico, semi-árido. Crassuláceae, Cactáceae, bromeliaceae, Agavacecae, Liliaceae, Euphorbiaceae e Orchidacecace. Abacaxi e Sisal.

31

OCORRÊNCIA (CLIMA)

Temperado, equatorial e tropical. Tropical, subtropical, semi-árido e desértico. Milho, sorgo, Arroz, trigo, cebola, leguminosas, cana-de-açúcar e Atriplex. avena e tabaco. Todas Maioria das monocotiledônias gimnospermas angiospermas (gramínease ciperáceas) (285.000 espécies), e 300 espécies de briófitas e algas. cotiledônias).

Decréscimo na produção medido pela queda na taxa de crescimento absoluto (planta) e na taxa de crescimento da colheita (plantações)

Análise do crescimento das plantas

Decréscimo na taxa líquida de assimilação

ou

Decréscimo na área da folha ou copas
Estudos de trocas Gasosas

Decréscimo na taxa de fotossíntese das folhas

ou

Aumento no total das perdas de respiração
Medição da resistência difusiva

Aumento das limitações dentro do mesófilo

ou

Aumento das limitações impostas pelos estômatos Estudos biofísicos e bioquímicos

Efeitos na fotoquímica e fotossíntese do transporte de elétrons

ou

Efeitos no metabolismo fotossintético do carbono

Figura 1. Análise redutora dos fatores que limitam a produtividade. Fonte: Adaptado de Hall & Combs, 1989.

Mayer (1975) apresenta uma relação de aspectos a serem pesquisados, com relação à produtividade agrícola, designados por ele de pesquisas imperativas: a) Com relação ao fornecimento de carbono: - Identificar os aspectos da fotossíntese os quais limitam a fixação de CO2 nos ambientes naturais; - Elucidar as relações entre o desenvolvimento das plantas e o processo fotossintético; - Suprir as plantas de novos procedimentos para seleção, em relação à produção. b) Com relação a nutrição nitrogenada:
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- Minimizar a energia e custos na fabricação dos fertilizantes nitrogenados; - Desenvolver a nutrição nitrogenada de auto-suficiência para as plantas; - Maximizar a eficiência do uso do nitrogênio do solo e do fertilizante nitrogenado; - Aperfeiçoar as características nutricionais dos produtos agrícolas. c) Com relação à interação água - solo - minerais: - Administrar a relação entre a produção água - solo; - Tornar viável o controle da erosão e desenvolver novas tecnologias, especialmente para se cultivar em terras marginais; - Estudar e conhecer como a planta se relaciona com a célula, em relação à água e como esta relação afeta a produtividade agrícola, e desenvolver métodos para a manipulação destas relações; - Relacionar a água e o solo administrando o sistema para prevenir a salinização; - Desenvolver sistemas de produção agrícola compatível com o interesse da comunidade e com o ambiente; - Adaptar o solo administrando práticas para cultivos de subsistência para países em desenvolvimento; - Desenvolver tecnologias de solos para a produção agrícola em solos problemáticos (ex: oxisolos, ultisolos); - Evoluir métodos de administração de solos para aperfeiçoar as características dos solos, assegurando a germinação de sementes; - Caracterizar e quantificar os problemas de estresse em solos, relatando os resultados para que se possa realizar pesquisas nas áreas de genética, fisiologia e cultural; - Identificar a aumentar o uso de fontes baratas para o melhoramento do solo e nutrição de plantas, incluindo lixo e resíduos de culturas; - Estimular a absorção e crescimento de plantas, pelo uso de micorrízas selecionadas e/ou bactérias da rizosfera; - Esclarecer a absorção de nutrientes minerais de culturas em meio salino, ambiente com íon tóxico e em solos altamente férteis, pela utilização de culturas selecionadas através de melhoramento genético; - Quantificar quimicamente, fisicamente e biologicamente as propriedades da interface raiz-solo e seus papéis na nutrição mineral e absorção de água; - Investigar a distribuição radicular e as características de absorção de componentes de produtos múltiplos, os quais maximizam o uso dos recursos do solo; - Elucidar o controle metabólico e a integração do transporte iônico do solo para dentro dos pêlos absorventes e da planta; d) Com relação ao estresse ambiental: - Manipulação dos produtos agrícolas ou do seu ambiente, o que poderá evitar ou reduzir as injúrias causadas pelo estresse e aumentar a produtividade; - Explorar o potencial genético para desenvolver novas variedades resistentes ao estresse; - Elucidar os princípios básicos das injúrias provocadas pelo estresse e da resistência, avaliar a oportunidade e natureza dos danos do estresse. e) Com relação aos processos de desenvolvimento das plantas: - Utilizar técnicas de culturas de células e tecidos, para acelerar geneticamente a produção de plantas; - Identificar e avaliar os mecanismos de controle para o desenvolvimento de uma planta; - Determinar as bases fisiológicas e genéticas com relação aos estresses ambientais; - Preservar as fontes e explorar as possibilidades da variabilidade genética; - Combinar as disciplinas de genética e fisiologia de plantas para projetar plantas; - Continuar e encorajar as pesquisas básicas em desenvolvimento de plantas.
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86 Tópicos em Ciências Agrárias. A produtividade de uma planta é resultado de processos e diversas reações complexas.Necessidade de pesquisas para o desenvolvimento e administração de sistemas integrados para combinar proteção estável para os vários estilos de agricultura.f) Com relação à proteção de plantas: .Desenvolver e implementar modelos para a prática de proteção de plantas. a produtividade final da cultura depende de: a) quantidade de energia incidente (excitação eletrônica). A baixa eficiência é considerada o primeiro fator limitante da produtividade. . que ocorrem na ontogênese sob influência das condições externas (Nasyrov.Expandir as pesquisas para que no futuro se desenvolva o controle biológico de plantas.Melhorar os pesticidas e o seu uso. 2009 . Em condições ótimas registra-se eficiência de 3 a 4% nas plantas C3 e de 5 a 6% em plantas C4. . . 1. b) quantidade de energia interceptada e absorvida.Treinamentos para se desenvolver resistência estável de doenças em plantas. Esquema da expressão fenotípica da produtividade (Nasyrov. Segundo Bernardes (1987). 1978). 1978). d) quantidade de energia transportada para as partes úteis da planta (partição de assimilados) e e) metabolismo nas partes úteis da planta (eficiência na utilização). Assim sendo. . Vários são os componentes que englobam este complexo mecanismo da expressão fenotípica da produtividade (Figura 2). Figura 2. c) quantidade de energia convertida (fixação de CO2).Inovação de abordagens para proteção de plantas.Aumentar o entendimento dos fundamentos biológicos das doenças. não atingindo 1% na maioria das espécies. v. É estimado que a produtividade potencial possa chegar a 12%. a eficiência fotossintética das plantas é baixa. . . UFRB.

de um ou mais hormônios. Magalhães. eles regulam a intensidade e a direção do crescimento. 1987). outros animais e o próprio homem). afetando os processos metabólicos através da transcrição e tradução. Os fatores do meio biológico (biocenose) são os organismos que podem afetar o crescimento e o desenvolvimento do vegetal (microorganismos. 2002). os hormônios vegetais também possuem um papel de coordenação dentro do organismo. Os hormônios atuam em nível de genes. existem evidências de que os hormônios vegetais controlam a atividade gênica. Os fatores físicos (biótopo) podem ser classificados como climáticos (altitude. certamente. O significado ecológico dos hormônios vegetais reside no seu papel como substâncias tradutoras. e sincronizam o desenvolvimento da planta com as mudanças estacionais do ambiente. produção de vagens. Segundo Casillas et al. (1986). e o teor de matéria orgânica. Seus resultados. crescimento e desenvolvimento radicular. e corresponde às últimas etapas do desenvolvimento da planta. v. O aumento da fotossíntese pode ser alcançado através de: aumento da interceptação e melhoria da distribuição da radiação fotossinteticamente ativa (RFA) no dossel da planta. onde estão envolvidas a floração e a maturação do fruto (Martinez . A ação interna dos hormônios depende do estádio de desenvolvimento da planta. armazenamento e mobilização de substâncias nutritivas. Adicionalmente. O controle ambiental. nebulosidade. vigor das plântulas. regulando o crescimento e o desenvolvimento vegetal (Castro & Vieira. como catalisadores. ocorre uma fase central de rápido aumento de tamanho designada fase de crescimento ou fase linear. Segundo Salisbury & Ross (1994). respondendo e percebendo os estímulos ambientais. essas substâncias. após a planta ter atingido o tamanho definitivo. índice de colheita (IC). sendo portanto capazes de promoverem as mais variadas alterações morfológicas e fisiológicas nos vegetais.Segundo Lucchesi (1987). respiração e fotorrespiração (Hay & Walker. Vários processos têm sido investigados com o objetivo de se elevar a produção vegetal: eficiência fotossintética. O fenótipo não é uma mera tradução do genótipo. UFRB. pragas. 2009 87 . topografia e o material de origem do solo que influencia nas propriedades físicas e químicas. sendo esta. Vieira & Monteiro. O controle genético envolve as características da planta que ela carrega em sua bagagem genética herdada. onde existe uma relação linear entre o logaritmo do crescimento e o tempo. ocorre uma fase em que a taxa de crescimento vai sofrendo decréscimos cada vez maiores na acumulação de matéria seca. temperatura e energia radiante) e edáficos (posição geográfica. 1. quando aplicadas em baixas concentrações em sementes ou na parte aérea das plantas. Junto com os fatores externos. As reações provocadas podem se sinergéticas ou antagônicas. atividade metabólica. Esta fase se denomina fase de envelhecimento ou de senescência (fase III). São as condições do ambiente onde está inserido o vegetal (Lucchesi. dependendo do órgão envolvido e da predisposição da planta. as demais características (aquelas que não sejam objeto do melhoramento) devem se manter relativamente uniformes (Snyder & Carlson. com expectativas de boas produtividades. gases atmosféricos. fixação de nitrogênio atmosférico e seu aproveitamento. 1985). 1984). 1989). No entanto. A aplicação de biorreguladores e de estimulantes vegetais. Esta fase é denominada exponencial ou logarítmica (fase I). vento. moléstias. favorecem um melhor desempenho dos processos fisiológicos vitais. A utilização dessas substâncias pode influenciar positivamente a germinação de sementes. Além disso. ou mudanças na concentração. Segundo Larcher (1995). os hormônios vegetais iniciam processos de crescimento e diferenciação. 2004). para se obter eficiência no melhoramento genético. visando aprimorar os padrões de produção e produtividade. É um período de crescimento vegetativo (fase II). da manipulação da arquitetura foliar do aumento da eficiência de conversão da RFA em matéria seca através da manipulação das taxas de fotossíntese bruta. eficiência de uso de minerais pela planta. Todas as partes da planta são informadas também através da síntese. número e massa seca de grãos por planta (Vieira & Castro. controle intercelular ou hormonal e o controle extracelular ou ambiental). redução do ciclo produtivo (permitindo mais safras) e tolerância à condições de estresse (York. os principais fatores envolvidos na produção vegetal são: a) cinética do crescimento vegetal e b) controle do crescimento e do desenvolvimento vegetal (controle intracelular ou genético. serão bem mais expressivos e significativos em cultivos onde o sistema de produção já apresenta níveis elevados de tecnologia. transporte. outras plantas. Os vegetais estão condicionados pela sua constituição genética. água. Finalmente. e estão em constante interação com os fatores ambientais. 1994 . Os fatores endógenos são ativos não somente em níveis molecular e celular. é necessário que as características em questão apresentem diferenças facilmente observadas e herdabilidade suficiente para se obter diferenças nas progênies. 1994). latitude. 2001. mais sim uma reação normal frente às ações dos fatores ambientais. Tópicos em Ciências Agrárias. da natureza do estímulo externo e do tempo de ação. tem apresentado resultados significativos. função da disponibilidade de água e nutrientes do substrato e da capacidade fotossintética (fixação de CO2) da planta. Após a germinação e o estabelecimento de uma plântula . também conhecido como de concorrência. Os hormônios vegetais agem em diminutas concentrações.Laborde & Garcia. O crescimento de um vegetal é lento no início e depende das reservas (cotilédones ou endosperma) contidas nas sementes. pode afetar a morfologia e a reprodução do vegetal. influenciando positivamente na produção e produtividade das culturas.

I. 7. Longman Scientific and Technical. (Eds. Carlos Henrique Britto de Assis Prado. UFRB.R. INC. W. 531p. G. 2000. Ecofisiologia vegetal. Fortaleza: Edições Universidade Federal do Ceará. F.. FERRI. M. Biol. 1986. 1920. W. provavelmente devido a mecanismos de auto regulação da planta (Gifford et al. 1984. Crop productivity and photoassimilate partitioning. p. HAY.. têm se procurado avaliar o efeito de possíveis alterações genéticas na planta sobre seu potencial produtivo através de modelos de simulação. 4664. FERREIRA. n. An introduction to the physiology of crop yield. de Antonio de Pádua e Hildegard T. Trad. 103-123. Trad. J.801-808.G.O. WALKER. A quantitative analysis of plant growth.M. 36. BUITRAGO G.K.. GIFFORD. R. não tem sido possível aumentar a produção através de manipulação genética ou química do sistema fotossintético em níveis inferiores ao de desenvolvimento da área foliar. Science. BRIGGS. WEST. v.L. v.J.225.. 319p. W. K. New York: John Wiley & Sons. Técnicas de bioprodutividade e fotossíntese. no entanto. Buckup. J. CASILLAS. p. WEST. v.E. BRIGGS.A. cap. A quantitative analysis of plant growth. 362p. 1987. HOPKINS. HITZ. TOLLENAAR. .. part I. Ultimamente. Ann. 1985. M.J. 1989. P. 292p. YAMADA. 1984). 290p. utilizaram os modelos SOYGRO e MAIS para estimar o efeito de algumas estratégias de manipulação genética sobre o aumento de produção em soja e milho.A.S.J. KIDD. Boote & Tollenaar (1994). São Carlos: RiMa Artes e Textos.).A.L. 2001. K. THORNE. 464p.. Part I. LARCHER. E. 132p. REFERÊNCIAS BERNARDES. Ecofisiologia vegetal. Modelling genetic yield potential. 88 Tópicos em Ciências Agrárias. D.. HALL. Aplicações de reguladores vegetais na agricultura tropical. In: BOOTE. ... G.A. p.C.R.M. 1989.D. M. LONDOÑO. 1. Acta Agronomica. respectivamente.. por exemplo.O.. BOOTER. Appl. 13-48..Apesar de ser possível elevar a produção aumentando a taxa fotossintética através de alterações no meio ambiente (nível de CO2 ou luminosidade).H. C.). 1986. KIDD.J. In: CASTRO. Fotossíntese no dossel das plantas cultivadas.7.. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária Ltda. p.. COOMBS.. v. 2. T. Introduction to plant physiology.T. A. 185195. 2009 . C. W.C. S.. Ecofisiologia da produção agrícola. que qualquer alteração genética nas plantas deve vir acompanhada de mudanças nas técnicas agronômicas a fim de que realmente haja um incremento da produção em nível de campo.. V. Biol. Piracicaba: POTAFOS. R. É importante lembrar. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária Ltda. Fisiologia vegetal 1. Appl.C.. Guaíba: Livraria e Editora Agropecuária.E.G. R.103-123. 1920. GIAQUINTA. v.J.. . a manipulação do período de enchimento de grãos parece ser a característica mais promissora em termos de aumento de produtividade. VIEIRA.H. LARCHER.. Segundo esses autores. 2.A. Nova York. 1995. p. GUERRERO A. n. Analisis cuantitativo de la aplicacion de cuatro bioestimulantes en el cultivo en el cultivo del rabano (Raphanus sativus L. Ann. CASTRO. F. P.

Fatores da produção vegetal. p. Genetic control of photosynthesis and improving of crop productivity. GARCIA.C. YORK JR. 2. R. Trad.R. Agricultural Experiment Station. MARTINEZ. SENA. 759p. .. v. W. A. Madrid: Ediciones Mundi Prensa. 319p. In: Castro. Rio de Janeiro: Editora Guanabara S. SNYDER.. 1994. 434p. T. SUTCLIFFE. Elementos de fisiologia vegetal.J. 29. 281p. Porto Alegre: Artmed.W. A.C. 1987.C. 20. E.C. In: BOOTE. Palo Alto. 1994. S. Advances in Agronomy. Introdução à fisiologia do desenvolvimento vegetal. J. Fisiologia vegetal. Piracicaba: Associação Brasileira para Pesquisa da Potassa e do Fosfato.. Ecologia. Crop Science Society of America. S. . G. 1995. 2009 89 . de Virgilio González Velázquez. 506p. 3. ROSS. 215-37. (Eds..R. 1988. D.4.J. E. v. Yamada.M. 2002. 126p. p333-350.A. American Society of Agronomy. R. 399p. G. J. SINCLAIR. Y. New York: Springer Verlag. P.L.). Santarém.A. C. Hormônios vegetais. 73p.S. G. Advances in Agronomy. cap. WATSON. v.W. Soil Science Society of America. 1987. J..G.E. MACHADO. BENETT. M.. p. Annual Review of Plant Physiology. OLIVIEIRA..1-17. Global perspectives on international agricultural research.P. E. 1985. MARTINEZ LABORDE.) Merrill). p. 1997.R. Ecofisiologia da Produção Agrícola. Trad. Ohio: State University. Introducion a la Fisiologia Vegetal. F. Cap. Madrid: Ediciones Mundi-Prensa.8..101-104. Fisiologia vegetal. C.ed. (IAC-Boletim Técnico n.. México: Grupo Rditorial Iberoamérica.A. 2004. (Ed. 37. 1984. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária Ltda. In: CASTRO. Piracicaba: POTAFOS. 1147p. MAGALHÃES. ODUM.T.. E. VITTI. F. As plantas e a água. VIEIRA.. Fisiologia Vegetal 1.C.P. 1975. p.ed.C. E.M. NASYROV.79-104.A.B. p. KLUGE.LARCHER. P. F. MAYER.O.) Physiology and determination of crop yield. UFRB. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária Ltda. MALAVOLTA. E. p.. Análise quantitativa do crescimento. CASTRO. TAIZ. E. Cosmópolis: Stoller do Brasil.B. The physiological basic of variation in yield.O. F. .. 47-72. Ferreira. 1952. Campinas: Instituto Agronômico. P. LUCCHESI. PAULSEN. Madison.A. A. E. 1995. Crop productivity research imperatives. 33p.. Physiological plant ecology. .G. SALISBURY. T. Selecting for partitioning of photosynthetic products in crops. 719p. 2004. MONTEIRO.1-10. Análise Quantitativa do Crescimento de Vegetais. K. Ação de bioestimulante na cultura da soja (Glycine max (l.A. Third edition. J. J. CARLSON. 1980. In: FERRI. PEREIRA. L. . Tópicos em Ciências Agrárias. 1.114). 1978. v.L. VIEIRA. Cap. Avaliação do estado nutricional das plantas princípios e aplicações. ZEIGER.R.N. Maringá: Eduem.1.R. 1994.

CAPÍTULO 7 ECOFISIOLOGIA E FLORAÇÃO DA MANGUEIRA E CRESCIMENTO DO FRUTO DE MANGA Manoel Teixeira de Castro Neto & Anna Christina Passos Menezes Tópicos em Ciências Agrárias .

1. v. é necessário o conhecimento dos aspectos ecofisiológicos da cultura para que se possa desenvolver um manejo sustentável e produtivo. Juazeiro-BA.1995). 1995). florescimento e Tópicos em Ciências Agrárias. uma vez que ramos entre 4 a 18 meses de idade poderão emitir inflorescências (Silva. é cultivada nas mais diversas regiões equatoriais e mesmo nas subtropicais. pois. primavera e verão. Sendo assim. 1997). que é coriácea. é importante que haja a paralisação do crescimento da planta e um período anterior de dormência. Em nenhum momento os pontos discutidos aqui são conclusivos e há muito o que saber antes de se ter uma posição definitiva sobre a ecofisiologia da mangueira. e neste capítulo são colocados alguns resultados obtidos. forma.Faculdade de Agronomia do Médio São Francisco/UNEB. com características muito variáveis quanto ao tamanho. sendo essa diferenciação. muitos trabalhos têm sido conduzidos focando-se diferentes aspectos da cultura. umidade e produção de carbohidratos. apresentando um crescimento vegetativo caracterizado por desenvolvimento ativo e dormências periódicas (Castro Neto. BOTÂNICA. Dentre destes aspectos. É conhecida pela sua alternância de produção ou produção irregular.com Professor . Além destes fatores.4 cm de diâmetro. com a copa variando da forma arredondada globosa à piramidal. dependendo das condições climáticas de cada região. 1997). o processo de indução do florescimento é o que tem chamado mais a atenção dos pesquisadores e produtores. UFRB. considerandose que em torno de 0. com pedúnculo curto (Silva. distribuídos do final de inverno. coriáceas. Cruz das Almas-BA E-mail: mtcastroneto@gmail. Para Popenoe (1917). A principal finalidade desta publicação é mostrar o conhecimento atual sobre o assunto e onde são necessárias informações para elucidar os fatores que limitam a produtividade da cultura. muitos desses caem ao atingirem 2. As folhas são lanceoladas. Estes surtos estão correlacionados com os futuros florescimentos e conseqüente frutificação. queda de flores e frutos. peso.ECOFISIOLOGIA E FLORAÇÃO DA MANGUEIRA E CRESCIMENTO DO FRUTO DE MANGA Manoel Teixeira de Castro Neto1. FLORESCIMENTO E FRUTIFICAÇÃO A mangueira (Mangifera indica L. em alguns casos os frutos desenvolvem-se partenocarpicamente. uma vez que determinam a colheita final (Doni. a fixação e a queda dos frutos adquirem uma importância fundamental.Centro de Ciências Agrárias. Anna Christina Passos Menezes2 1 2 Professor . coloração da casca. a variação no nível de inibidores/promotores de crescimento nas folhas e/ou ramos afetam o padrão de crescimento da planta (Castro Neto. As variedades apresentam fruto tipo drupa. e a polpa com vários tons de amarelo. considerada uma frutífera tropical. diversos trabalhos foram conduzidos no programa de pós-graduação da então Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia. a queda indica a necessidade de polinização das flores. Ecofisiologia da mangueira A mangueira. 1960). que apresentam. A iniciação e desenvolvimento de novos ramos dependem da disponibilidade de nitrogênio. 1997). Para o florescimento da mangueira. as sementes variam também em termos de forma e tamanho. em muitos casos fatores climáticos limitantes ao seu desenvolvimento. A mangueira se caracteriza por apresentar baixa eficiência em termos de frutificação. Como não poderia deixar de ser. Pode apresentar vários surtos vegetativos por ano. No estudo da frutificação da mangueira.1% das flores hermafroditas chegam efetivamente a frutificar (Silva. INTRODUÇÃO A cultura da mangueira se destaca na pauta de exportação das frutas brasileira e portanto. podendo ser compacta ou aberta. contudo. que tem como causa o florescimento irregular.) se caracteriza por possuir porte médio a alto (10 a 30m). HÁBITOS DE VEGETAÇÃO. em grande parte influenciada pelas condições ambientais e tratos culturais (Singh. 1974). 2009 93 . Ambientais e Biológicas/UFRB.

1997). consequentemente. medido em graus-dia. por exemplo. sugerem existir uma "temperatura-base" abaixo da qual as plantas não se desenvolvem e que cada planta tem a sua "temperatura-base". 1984). A temperatura é um dos elementos climáticos mais importantes para a mangueira (Simão. 1980). De maneira semelhante. Para estes autores. temperaturas altas até 45oC não são prejudiciais à mangueira durante as diferentes fases de crescimento da planta. para a cultivar Nang Klangwan. A maioria das panículas emitidas se situam na periferia da copa.).9°C. 1989).5 a 27oC é considerada como ideal para o cultivo e. requer uma combinação de temperatura diurna/noturna de 19/13oC ou 25/19oC por um período de duas ou mais semanas para alcançar uma floração de 60 a 80% (Shu & Sheen. na época do florescimento. O acúmulo de graus-dia também tem sido usado para calcular a melhor época de colheita da manga. foi sugerida uma diferença entre a atividade fotossintética das folhas diretamente expostas ao sol quando comparadas com as folhas sombreadas da parte interna da copa (Schaffer & Gaye. Mota (1987) cita que Abbe (1905) e Holmes & Robertson (1959). a mangueira poderá florescer à sombra porém. é relativamente constante. em Pakchong nordeste da Tailândia. 1966).frutificação (Silva. O crescimento de uma planta é diferente de acordo com a quantidade de calor a qual ela é submetida durante toda a sua vida. 1997). os mais importantes que afetam o desenvolvimento da mangueira. 1987). a menos que venham acompanhadas de baixa umidade e ventos fortes. 1988). (1992) encontraram 109 a 94 Tópicos em Ciências Agrárias. em seu desenvolvimento normal (Mandelli. Bugante citado por Lizada (1991) estabeleceu um período de 110 -130 dias para o fruto atingir a maturação. perturbando o balanço hídrico (Castro Neto. Ketsa et al. a determinação da época de colheita pode ser feita com base na quantidade de calor que a planta acumula acima de 9°C. influindo na vegetação. posição que favorece a insolação sobre as mesmas. e essa quantidade de calor é expressa em grausdia (Mota. a experiência tem demonstrado que durante o ciclo de uma cultura. o somatório das unidades térmicas. só irá frutificar bem com luz solar direta e abundante. que pode provocar a queda total das flores e frutos jovens (Costa. o que aumentaria a transpiração e perda de água. Segundo Piza Jr. Luminosidade Existem poucas informações sobre os efeitos da luz nas trocas gasosas da folha da mangueira. umidade do ar e do solo. baseado na acumulação de 1000 unidades de calor usando como temperatura-base 17. A mangueira responde claramente a uma determinada combinação de temperatura diurna e noturna. Alguns autores estudaram a correlação entre a luminosidade e a atividade fotossintética e apesar dos resultados dos estudos não terem sido conclusivos. zero de vegetação é a temperatura abaixo da qual não ocorre desenvolvimento vegetativo. v. auxiliando a abertura de flores e reduzindo o ataque de fungos. A temperatura base para a qual a mangueira não apresenta crescimento e desenvolvimento tem sido 9°C (Davenport. deficiência hídrica. Crescimento e graus-dia O conceito de graus-dia data de 200 anos atrás. Sendo assim. 1989). A faixa de temperatura entre 19. et al. Qualquer deficiência ou excesso resulta em alterações no seu metabolismo e. por exemplo. O ambiente possui uma influência profunda no crescimento e florescimento da mangueira (Whiley et al. Além disso. (1995). 1987).. temperatura diurna e noturna. 2009 . Muitas pesquisas evidenciaram este fenômeno. A mangueira Haden. UFRB. A relação entre a atividade fotossintética das folhas e o florescimento da planta não foi investigada pelos autores. 1. contudo. florescimento e frutificação (Donadio. Temperatura Todos os seres vivos apresentam limites de temperatura bem definidos. Uma das causas da baixa produtividade da mangueira é a ocorrência de baixas temperaturas. O conceito de unidades térmicas relaciona a taxa de desenvolvimento da planta com a temperatura acumulada acima da temperatura mínima basal (Monteith. independentemente da época de plantio e local onde é feito o cultivo. Para a cultivar Carabao. o que causaria injúrias nas estruturas reprodutivas (Sturrock. desde que não ocorram outros fatores limitantes como. para Maranca (1975). 1971). sendo os fatores: luminosidade. 1995). 1981). a ocorrência de baixas temperaturas propiciaria condições favoráveis ao desenvolvimento de oídio (Oidium mangifera B.

O resultado final é conseqüência da interação entre todos elas. retardar a queda de Tópicos em Ciências Agrárias. Como sua presença é em geral em todos os frutos com semente e sem semente. que provoca a acidificação em compartimentos da parede celular. REGULADORES DE CRESCIMENTO Em fruticultura. liberando oligossacarinas que podem estar relacionadas com um sistema regulador gênico que leva à transcrição de novo RNAm. a interação com fatores ambientais deve ser conhecida. em pequenas quantidades promove. no desenvolvimento dos órgãos. A atividade hormonal tem sido explicada através da ação que exercem algumas substâncias (hormônios) sobre a expressão da informação genética. em regiões que apresentam de 500 a 2.1975) Auxinas O ácido naftalenacético (ANA) é uma auxina sintética. o uso de reguladores de crescimento vegetal tem adquirido grande importância. tais como tipo de solo. a influência que tais fatores exercem sobre a síntese e a acumulação dos reguladores vegetais e. As condições do meio podem alterar o metabolismo da planta e. e de sua inativação através de sua conjugação com outros compostos ou de seu catabolismo (Agustí. como Índia. A ocorrência de um período mais seco durante quatro a cinco meses proporciona à mangueira condições de atingir altas produções.000 mm/ano. Em todos os locais nos quais a mangueira tem importância comercial ocorre um período seco na época de florescimento. diacilglicerol. umas promovendo processos. Os inibidores do desenvolvimento atuam impedindo o desenvolvimento do fruto. polinização e fixação dos frutos (Silva. Áreas tropicais úmidas. sendo que o calor acumulado oscilou de 991 a 1006 graus-dia. capazes de romper e refazer ligações entre microfibrilas da parede ou provocar a quebra de seus polissacarídeos. provocando sua abscisão.. No caso dos frutos. em concentrações diluídas. 1. efetivamente. 1997). Provavelmente. de modo que esse equilíbrio entre ambos os grupos de reguladores de desenvolvimento é que determina o crescimento e desenvolvimento posterior do fruto (Takahashi et al. isto é. As condições de cultivo. Em certas ocasiões. a ativação de um carregador de H+ (ATPase). outras inibindo. a amplificação do efeito hormonal por mensageiros secundários (trifosfato de inositol.. 2009 95 . da atividade enzimática e a função das membranas. 1996). UFRB. A exigência mínima da mangueira em termos de precipitação seria 1. Umidade relativa do ar Produção satisfatória de manga pode ser obtida em áreas tropicais e subtropicais de alta ou baixa umidade (Campbell.500 mm/ano. 1999). Israel e Austrália. 1997). promovendo ativação de enzimas (endo-trans-glicosilase ou bglucam sintetase). existir também fatores que a modificam quantitativamente.1976).. fertilização. comumente empregada para induzir a formação de raízes adventícias em podas e reduzir a queda de frutos nas colheitas de âmbito comercial (Bartel. em decorrência da diminuição do ataque de fungos e do favorecimento da floração.1992). poderiam inibir a abscisão e então. de diversos hormônios. inibe ou modifica de alguma maneira os processo fisiológicos vegetais (Weaver. sua ação se estende à interação com os promotores. v. pois com seu emprego é possível modificar diferentes processos fisiológicos levados a cabo em forma natural pelas plantas. pelo fruto. portanto. 1984). com temperaturas elevadas e precipitações freqüentes. quando utilizados sob a forma de pulverização. proteína quinase C. Ca2+-calmodulina). controle de plantas invasoras. O modo de ação dos promotores de crescimento envolve a ligação do hormônio a um receptor na membrana plasmática (proteína G). este resultado depende tanto da biossíntese. responsável pela síntese de novas enzimas que podem atuar na morfogênese (Castro. a resposta aos reguladores vegetais pode ser pequena ou não se produz. em detrimento de florescimento e frutificação (Simão. com isso. induzem a mangueira a um crescimento vegetativo intenso. todavia. estado fitossanitário das árvores etc. Assim.1971). Um regulador de crescimento vegetal é um composto orgânico diferente dos nutrientes que. isso se traduz em regulação do desenvolvimento (reguladores de desenvolvimento).118 dias da fixação do fruto à maturação. a resposta aos reguladores vegetais. podendo. é a causa de sua influência na resposta (Castro et al. irrigação. Os pioneiros neste campo demonstraram que alguns reguladores de crescimento. sendo cultivada entretanto. Nordeste do Brasil. provocam múltiplas interações capazes de alterar o resultado. como do seu transporte para ele ou da exportação a outras partes da planta. Flórida. São Paulo.

sendo esta uma das limitações deste regulador de crescimento (Childers. Martinez-Zaporta. Neste sentido. Em alguns casos não é o número insuficiente de flores que limita a colheita. Das dez substâncias por eles testadas. é apenas representado pela ação da giberelina e de outros hormônios. Floração A floração das plantas é conseqüência de um conjunto de fatores promotores e inibidores. que nas condições tropicais semi-áridas do Nordeste Brasileiro promove uma aceleração na floração da mangueira e nenhum efeito nas regiões subtropicais da Flórida. aliando a uma série de outros elementos químicos que ainda não existe confirmação científica da sua eficiência.. portanto. da floração. embora a frutificação esteja correlacionada ao florescimento somente quando este é escasso ou demasiado (Becerra & Guardiola. a maior parte deles desconhecidos (Agustí.1978). a indução do florescimento (Figura 3) é feita com a utilização do paclobutrazol. os fatores fisiológicos. 1997 e Chacko. e Abbott nos anos 50 conseguiu demonstrar que a eliminação das sementes promovia a abscisão dos frutos e que elas poderiam ser substituídas em sua ação pela adição de auxinas. Contudo. Nesses modelos pode-se ver o efeito dos fatores ambientais. Explicação para esse fato pode ser devida a uma inibição dos mecanismos responsáveis pela resposta do KNO3 induzida pelas temperaturas mais amenas dos climas subtropicais. que pode estar comprometida quando o número de flores formado por planta é excessivo. os pesquisadores e produtores têm sugerido diversos métodos de indução do florescimento da mangueira. como o controle hormonal da floração. Ambos os fatores. O florescimento é a fase crítica na determinação da produtividade. Aparentemente. floração e fixação. como o etileno e as auxinas que influenciam o florescimento da mangueira. como temperatura.maçãs na pré-colheita. 1991). O período de efetividade do ANA é relativamente curto (10 a 28 dias). No entanto. variando segundo a cultivar e a temperatura subsequente à aplicação. que requer carência de 3 dias. sim..1969). embora provoquem o florescimento da planta. Muitas vezes são estudos que testam deferentes substâncias para o florescimento. a produção das plantas frutíferas depende. a colheita. muitas substâncias. 1964 e Overholser et al. v. ou que procuram investigar o papel de possível regulador/inibidor no processo de florescimento. nos anos 40. demonstrou a presença de auxinas em sementes de maçãs durante seu desenvolvimento inicial. mas. sobretudo. o forte estímulo floral gerado em climas subtropicais pode mascarar completamente o efeito do KNO3. indicam que a folhagem é a principal responsável pela geração do estímulo do ANA.1960). a fixação destas. UFRB.1969. Diversos modelos de floração (Figuras 1 e 2) têm sido proposto por diferentes pesquisadores (Davenport. com o tamanho final do fruto. as sementes em desenvolvimento constituem fontes de auxina (Raven et al. Baseado nos modelos de florescimento. Também. 2009 . no que se refere ao retardamento da queda de frutos. 1984). Resultados obtidos por Batjer (1948). ainda falta uma explicação para o seu papel na indução. sem o qual a formação do fruto é impossível. 96 Tópicos em Ciências Agrárias. O entendimento dos vários fatores externos e internos que envolvem a indução do florescimento em mangueira é crucial para o desenvolvimento de uma prática de cultivo satisfatória e o alcance de rendimentos regulares (Singh. O processo de floração ainda possui muitas respostas para serem respondidas antes que se possa controlá-lo completamente. 1. observação visual da intensidade de floração tem revelado a eficiência dos agroquímicos utilizados. umidade do ar e precipitação sobre a indução do florescimento da mangueira. o naftaleno acetamida e os sais do ANA se destacaram por sua efetividade.1999). Sendo assim.. Luckwill. Para Agustí & Almela (1991). Uma dessas substâncias é o Nitrato de Potássio (KNO3). antes de se tornar efetivo (Childers. 1996). o ácido naftalenoácetico (ANA). Seu conhecimento fica plenamente justificado quando se quer melhorar a produção (Castro et al. determinam. Na região do pólo irrigado Juazeiro/Petrolina. Os modelos de floração da mangueira são fundamentais para a determinação de métodos de indução do florescimento e do manejo adequado para a cultura. 1943).

PARADA DO CRESCIMENTO Alto teor de Sacarose Elo Perdido Aplicação externa de Geberelinas Aumento de assimilados para a gema meristemática Açúcares Divergência de assimilados das regiôes meristemáticas apicas dos ramos Estimulação do crescimento pelos altos teores do giberelinas Temperaturas Altas Umidades Altas Alta Umidade do Solo Alto teor de Nitrogênio Teor alto de substâncias de reservas Partição eficiente do assimilados Baixas Substâncias de reservas Mais formação de madeira Cultivares precoces e anãs Cultivares muito vigorosas Frequêntes fluxos de raízes e ramos Altos níveis de Giberelinas HEREDITARIEDADE JUVENILIDADE Figura 1. Tópicos em Ciências Agrárias. Linhas duplas indicam fatores que inibem a floração. 1991). Linhas simples indicam fatores promotores da floração. v. Relação entre os diversos fatores fisiológicos e ambientais sobre a floração da mangueira (Adaptado de Chacko. Outros fatores? GA3 GAX Ramo Vegetativo Ramo Misto Ramo Reprodutivo Poda Desfoha KNO 3 Etileno INICIAÇÃO DO CRESCIMENTO Baixas Temperaturas INICIAÇÃO RADICULAR Anelamento ESTRESSE HÍDRICO ARMAZENAMENTO DE CARBOIDRATOS Citocininas RAÍZES Figura 2. Auxinas Fotoassimilados Frutificação Giberelinas Auxinas Giberelinas GA3 GA1 GAX Crescimento Vegetativo Freqüêntes INDUÇÃO DO FLORESCIMENTO Promotor nas Folhas Baixas temp. Modelo de floração segundo Davenport 1997. 2009 97 .INDUÇÃO FLORAL KNO3 (Específico para cultivar e local) INIBIÇÃO FLORAL ESTRESSE HÍDRICO BAIXAS TEMPERATURAS ALTO VPD INUNDAÇÃO ANELAMENTO PODA DE RAÍZES MODERADA FOME DE NITROGÊNIO TERARDANTES E INIBIDORES DECRES. UFRB. 1.

cuja curva sofre inflexões. altura. 1978). superfície. As interações mútuas entre indivíduos. 1990). a divisão. maneiras de se aumentar a produtividade agrícola. A formação das partes que compõem um fruto engloba as mesmas três fases verificadas no desenvolvimento dos órgãos vegetativos.100% da necessidade de água da cultura Ramo maduro apto Brotar Brotação Vegetativa Ramo . Frutos e sementes em crescimento constituem drenos com alta capacidade mobilizadora de assimilados. Reis & Muller. sofra limitações pela fonte. 1985). nesses drenos. Num mesmo fruto as quantidades destas diversas substâncias que se deslocam para cada uma das 98 Tópicos em Ciências Agrárias. particularmente os frutos carnosos. porém menor. O desenvolvimento dos frutos. 2009 floração . tomando a conformação sigmóide. (Adaptado de Castro Neto.4 %) – Ramos com 110 dias Floração – Ramos com 120 dias Figura 3. em condições de campo. uma fase em que o crescimento diminui até cessar. com a expansão máxima do órgão ou organismo. na segunda.1971). Os frutos em desenvolvimento constituem um dos reservatórios da planta para onde se translocam muitas substâncias. pela utilização de reguladores químicos ou por intermédio de práticas de manejo constitui. 2004) Crescimento dos frutos Nas culturas. o aumento de volume e a diferenciação celular (Meyer et al. significando que o crescimento é lento no início. mas seguem um padrão. A área foliar disponível por fruto é muitas vezes insuficiente para manter um crescimento adequado. as células e órgãos apresentam crescimento diferenciado. Na primeira. A iniciação de estruturas reprodutivas é um evento fenológico em que a distribuição de assimilados é redirecionada. 1967. A taxa de translocação de assimilados para um dreno específico pode ser estimada pela taxa de acúmulo de matéria seca desse dreno (Almeida & Valle. respectivamente. expansão máxima. Drenos vegetativos sofrem restrições ou mesmo paralisação no crescimento. às fases logarítmicas. Esquema mostrando o manejo de floração da mangueira sob irrigação e em clima tropical semi-árido. isto é. maturidade e senescência (Salisbury & Ross. resulta da divisão celular após a antese e de um aumento na concentração de solutos. enquanto que a expansão celular pode continuar até a maturidade (Chitarra & Chitarra. peso. que fazem com que a força do dreno passe a ser limitante (Watson./m de diâmetro de copa –Ramos com 30 dias Amadurecimento do Ramo Aplicação de etileno intercalado com sulfato de potássio KNO3 Frutificação e Amadurecimento do Colheita – 110 dias da . linear e senescente do crescimento sigmóide.a. Fruto Início das aplicações de nitrato de potássio (3% . Isto significa que. vindo a seguir um período de aceleração e. A divisão celular anterior à antese e a expansão celular após a antese. parecem ser os principais determinantes do aumento do peso da matéria fresca dos frutos carnosos. o crescimento por divisão celular é de curta duração. 1976). a distribuição de assimilados para partes de importância econômica pode ser limitada por fatores externos. Potencialmente. o tamanho aumenta exponencialmente com o tempo. UFRB. o crescimento é relativamente lento. impõem limitações. 1. Parâmetros como volume. a princípio.. Novo Aplicação de PBZ (1 g i. Em geral. A eficiência do crescimento das plantas e de seus órgãos varia sensivelmente em função da idade e das condições ambientais (Reis & Muller. no entanto. ocorre o crescimento em taxas máximas e a terceira caracteriza-se pela redução da taxa de crescimento. 1973). conteúdo de proteínas mostram padrão sigmóide quando analisados no decorrer da vida da planta (Miller. v. Contribuição adicional. É possível que em muitos casos o seu acúmulo. A modificação da distribuição de fotoassimilados em benefício de partes de interesse econômico pelo melhoramento genético. é fisiologicamente muito semelhante ao crescimento vegetativo. Todavia. potencialmente. 1995). mas aumenta continuamente. 1978). Estas fases correspondem. o rendimento econômico resulta do crescimento ou armazenamento de reservas em partes de valor comercial. O acúmulo de matéria seca é determinado pelos mesmos fatores e o aumento do volume do fruto deve-se tanto ao incremento do número como ao tamanho das células (Coombe.

com o fruto apresentando profundas transformações químicas e físico-químicas e se extende até o 77° dia. falta de polinização. aos agricultores (Fonseca & Cruz. Normalmente. água e outros metabólitos. normalmente um só e excepcionalmente dois frutos chegam ao final do ciclo. isto é. fatores hereditários. a queda de frutos. determinam o pegamento de frutos. danos mecânicos ou devido a injúrias de pragas ou patógenos. 1989). a que tem despertado maior interesse é o amadurecimento. 1997) e está dividido em quatro estádios. O segundo estádio. 1. Aborto de Frutos O tipo de floração. denominada estádio juvenil.4 frutos por panícula foi fixada até a colheita. Para Simão (1958). duplo-sigmóide ou triplo-sigmóide (Coombe. o potencial de crescimento dos frutos. plantas de primeira floração. 1971). a curto prazo. já que nesta fase. Dentre as fases do desenvolvimento de frutos. entretanto. Esta curva pode adquirir características diversas segundo a cultivar. Na Índia. dependendo da espécie. apresentam curvas de crescimento caracterizadas como sigmóide-simples. (1967). segundo Gortner et al.. 1994). menos 0. o número de flores formadas e sua disposição. A média de 0. Mais de 99% são abortados (Castro Neto. 94 a 99% aos 60 dias. O tamanho é uma das características do fruto mais enfatizada pela indústria. A mangueira é sujeita à pesada e continuada queda de frutos.1999). O fundamento da análise de crescimento é a medida seqüencial da acumulação da matéria orgânica e a sua determinação é feita normalmente considerando o peso da matéria fresca e/ou seca (Calbo et al. inicia-se com a fertilização da flor e se estende por três semanas. da floração à colheita (Silva. em condições normais de cultivo da mangueira. De acordo com Castro Neto et al. dentre outros fatores.várias regiões meristemáticas diferem consideravelmente e quando qualquer uma destas substâncias torna-se deficiente num fruto. 1984). O percentual de pegamento de frutos. a reposição de nutrientes em função da demanda da planta. considerandose que dos frutos formados. as flores que estejam em melhor disposição na planta (flores companheiras e aquelas que se encontram em brotações com folhas). provavelmente.0025% de frutos como porcentagem do número total de flores. O conhecimento de aspectos relacionados ao crescimento do fruto e a sua associação com o ponto de maturidade fisiógica é de considerável importância por subsidiar o planejamento de novos projetos de pesquisa. Wolfenbarger (1957) e Simão (1958) verificaram que de centenas de frutos existentes inicialmente na panícula. a sua taxa de crescimento diminui (Meyer et al. Apenas 25% das panículas mantêm de um a três frutos até a maturação. caracterizando-se por um rápido crescimento celular. Essa frutífera realiza um "desbaste" natural. solos impróprios. são inúmeros os fatores determinantes da queda dos frutos e das flores das árvores frutíferas.010% de frutos como porcentagem de flores perfeitas. que se estende até o 40°dia. (2004). a época e as condições ambientais em geral (Albuquerque et al. cargas excessivas. a partir deste. caracteriza-se pelo contínuo crescimento do fruto. basicamente em decorrência da competição por nutrientes. de acordo com as condições climáticas e do manejo em cada região. disfunção decorrente.67 a 0. o crescimento do fruto da mangueira pode ser representado por uma curva sigmóide. (1971). entre outros: falta ou excesso de umidade. O terceiro estádio evidencia o processo de maturação. UFRB. Krezdorn (1986) definiu fixação como o estádio de desenvolvimento em que. 0.0% em relação às flores inicialmente formadas. O período de desenvolvimento do fruto da mangueira. A primeira fase. 60 a 90% caem nos primeiros 30 dias. 2009 99 .1959). dada a influência que tem no rendimento industrial e no custo de produção da conserva (Sachs & Rheingantz. tendo maior possibilidade de fixação. Barnell (1939). mudanças bruscas das condições climáticas. é de 120 a 150 dias. 1967).. em oito variedades estudadas por Jawanda & Singh Tópicos em Ciências Agrárias. menos que 1% dos frutos atingem o estádio de maturação (Simão. da competição dos frutos em desenvolvimento por carboidratos.1% dos frutos de flores hermafroditas se desenvolvem em frutos maduros. ação dos ventos. ataque de pragas e doenças. Os frutos. dificilmente supera o valor de 5. restando ao final apenas 0. provavelmente os frutos chegarão à maturação. a fixação ocorre após a queda fisiológica. a abscisão é regulada por um balanço entre fatores de juvenilidade (presumivelmente auxinas) que estão diretamente relacionados com o desprendimento das folhas e frutos e com a presença de enzimas que degradam a parede celular.. 1977). sendo. excluído posteriores abscisões causadas por estresse fisiológico. o fruto atinge a máxima qualidade comestível. 1973). 1995). bem como fornecer informações que podem ser repassadas. O quarto estádio caracteriza-se pela senescência do fruto (Salunke & Desai.. A variedade Haden apresenta: 0. v. 1976). Numa maior floração ocorre uma menor fixação. falta de afinidade da enxertia e ausência de luz .3% de frutos por panícula e 50 frutos maduros por árvore. Segundo Abeles et al.70% dos frutos inicialmente fixados. um processo intimamente regulado pelo balanço hormonal da planta (Powell & Krezdorn. havendo redução dos mesmos de acordo com a posição ocupada na panícula (Singh et al. 3.

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Clóvis Pereira Peixoto.CAPÍTULO 8 VIABILIDADE E VIGOR DE SEMENTES DE MILHO HÍBRIDO PRECOCE Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio. Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio Tópicos em Ciências Agrárias .

algumas sementes aparentando infecção (lote 2) e as demais sementes com aparência física normal (lote 3). mediante os quais possam ser obtidos resultados uniformes e comparáveis entre diferentes laboratórios. verficou-se apenas duas sementes com dano mecânico visível (lote l). maior o período de Tópicos em Ciências Agrárias. UFRB. procurando-se identificar as diferentes espécies de sementes e os materiais inertes geralmente presentes em uma amostra. sem a presença de outras sementes ou de material inerte.VIABILIDADE E VIGOR DE SEMENTES DE MILHO HÍBRIDO PRECOCE Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio1. pois possibilita a obtenção de uma boa emegência no campo e de plantas vigorosas e uniformes com reflexos na produtividade. quanto menor o teor de água e menor a temperatura.br INTRODUÇÃO A utilização de sementes de qualidade é um fator importantíssimo para o sucesso de culturas de importância econômica. provenientes de três lotes da safra 1993/94. com uma casa decimal.edu. Para tanto. Para um melhor entendimento desses aspectos será abordado a aplicação de diferentes testes em sementes de milho híbrido precoce. Determinação do teor de água O teor de água exerce grande influência sobre o comportamento da semente quando submetida a diferentes situações. A análise de sementes pode ser utilizada para o monitoramento da qualidade desde o início da condução do campo. outras sementes (de plantas cultivadas e de plantas silvestres) e material inerte. Sabe-se que a qualidade das sementes é avaliada com segurança. uma vez que poderá influenciar no momento da colheita. Clóvis Pereira Peixoto1. Quando estas porcentagens são inferiores a 0. especificando-se os nomes das espécies e cultivares presentes. v. Ambientais e Biológicas/UFRB. Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto1. De acordo com as Regras para Análise de Sementes (R. materiais inertes e total de impurezas devem ser expressos em porcentagem por peso. a análise de pureza física pode ser considerada com 100% de pureza ..Centro de Ciências Agrárias. separados apenas por uma classificação didática. Para sementes ortodoxas. período e intensidade). a análise de pureza é efetuada em laboratórios. bem como determinar a quantidade e a proporção desses constituintes (Marcos Filho et al. Desta forma. 1. 1987). Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio1 1 Professor . Os vários testes aplicados foram divididos preliminarmente em de viabilidade e de vigor. fisiológica e sanitária da semente. 2009 107 . no controle da secagem (temperatura. 1992). É de fundamental importância que métodos padronizados forneçam dados confiáveis. principalmente se for mecanizada (influenciando na regulagem da máquina). como também a escolha dos métodos. Portanto. através da sua análise e da interpretação correta dos resultados. no beneficiamento (trincamentos ou amassamento) e na manutenção da qualidade física.) (Brasil. Cruz das Almas-BA.S. a amostra é examinada cuidadosamente e separada em três constituintes: sementes puras. os resultados referentes às sementes puras. Na análise. armazenados em câmara seca. estendendo-se até as etapas de distribuição e comercialização. mas sua importância é mais destacada a partir da maturação.A.05 deve ser mencionada na ficha de análise a palavra "traço". Dessa forma. reveste-se de importância estudá-lo. DETERMINAÇÕES PRELIMINARES Análise de pureza A pureza física é uma característica que reflete a composição física ou mecânica de um lote de sementes. E-mail: cppeixot@ufrb. sendo que alguns deles pode estar em uma e outra classe de testes. Os resultados das outras sementes são expressos em número por peso da amostra de trabalho ou por unidade de peso.

5. Estas condições consideradas ótimas são padronizadas. deve ser indicado com a palavra zero. Os testes de germinação em substratos artificiais permitem uma fácil avaliação das plântulas. todas as plântulas são avaliadas. e. geralmente. Tabela 1. Tabela 2. determinado em estufa a 105°C por 24 horas.70 Teor de Água ( % ) 11. AG 510. A Tabela 1 mostra os resultados médios do teor de água de sementes de milho híbrido precoce. Se qualquer destes valores for igual a zero.6 11. Cv. O estádio de desenvolvimento das estruturas essenciais das plântulas deve ser suficiente para permitir uma avaliação correta das mesmas. como também as sementes duras e mortas. os resultados nem sempre podem ser fielmente reproduzidos. As plântulas são avaliadas normalmente em duas ocasiões durante o transcorrer do teste. utilizando-se quatro amostras para cada lote.60 Peso Seco ( g ) 21. para menos quando é igual ou inferior a 0. 2009 . Somente plântulas absolutamente normais são removidas e contadas. sementes duras e sementes dormentes são expressas em números inteiros. AG 510.23 21. Obviamente. dada a variação das condições ambientais. 1. Por outro lado. rápida e completa da maioria das amostras de sementes de uma determinada espécie.5 11. e a diferenciação entre as plântulas normais e anormais. O prazo de germinação da maioria da espécies é entre uma a duas semanas. Cv. 1987). evidentemente. necessitam de alta umidade para manter a viabilidade.. Cv. v. sementes recalcitrantes. em quatro amostras de 100 sementes. teste de vigor e peso de 1000 sementes). sementes mortas. A realização destes testes em condições de campo não é. têm sido estudados e desenvolvidos de maneira a permitir uma germinação mais regular. Métodos de análise em laboratório. Em laboratório de análise de sementes.5.7 TESTES DE VIABILIDADE Teste de germinação Em tecnologia de sementes. UFRB. Na contagem final.95 22. As sementes não germinadas são avaliadas e classificadas. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) Peso Úmido ( g ) 24. a semeadura de lotes com baixo poder germinativo pode acarretar prejuízos consideráveis ao agricultor (Marcos Filho et al.14 24. 1992). AG 510. sendo classificadas como normais ou anormais. manifestanto sua capacidade para dar origem a uma plântula normal. como as de seringueira. anormais. Este teste visa a obtenção de informações que permitam determinar o valor das sementes para a semeadura e a comparação do valor de diferentes lotes. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) 108 R1 96 94 92 R2 98 88 96 R3 100 98 94 R4 94 92 98 Tópicos em Ciências Agrárias. encontram-se na Tabela 2 indicando o poder germinativo das amostras testadas através da média das porcentagens de plântulas normais presentes nas quatro repetições dos lotes estudados. Uma “primeira” contagem é feita para diminuir o número de plântulas no substrato. satisfatória. e anotadas. e estas estão especificadas nas Regras para Análises de Sementes. pois. Dados médios do teor de água (%) de sementes de milho híbrido precoce. Os resultados dos lotes de milho híbrido.armazenamento.84 25. efetuados sob condições controladas de alguns ou de todos os fatores externos. sob condições ambientais favoráveis. fazendo-se aproximação para mais se a fração for superior a 0. As porcentagens de plântulas normais. para que os resultados dos testes de germinação possam ser reproduzidos e comparados dentro de limites tolerados pelas Regras para Análise de Sementes (Brasil. algumas determinações exigem conhecimento do teor de água (peso volumétrico. Dados médios da porcentagem de germinação em três lotes de sementes de milho híbrido precoce. a germinação é definida como a emergência e o desenvolvimento das estruturas essenciais do embrião.

deterioradas ou danificadas. quando muito recentes. Dentro deste contexto. no momento em que o homem passou a conviver e entender os outros seres vivos. o desenvolvimento de métodos para a determinação da viabilidade de sementes em um período de tempo relativamente curto. não podem protelar sua decisão. Tabela 3. Dados médios de viabilidade (em porcentagem) por lote de milho híbrido precoce. tem procurado aprimorar os testes de germinação e vigor com o objetivo de que os resultados expressem a real qualidade fisiológica de um determinado lote de sementes. Como essa avaliação é feita sem a germinação. O teste de tetrazólio é um método rápido. O desenvolvimento do conceito de vigor em sementes data de períodos coincidentes com os primórdios da humanidade. Sementes mais velhas. as áreas vitais são: plúmula. Testes de germinação paralelos aos de tetrazólio devem ser realizados para aferir a interpretação. armazenamento ou descarte de lotes. e a região situada entre a plúmula e a radícula. demonstrando que a solução teve dificuldade de penetrar nos tecidos devido à integridade das membranas celulares. a região central do escutelo. Para sementes de milho. sempre admitindo diferenças em torno de 5% entre seus resultados. Por isso. em presença de uma solução de sal de tetrazólio Os testes de germinação. ao aumento de produtividade associado a um incremento na qualidade. apresentando um tom rosa brilhante bem superficial. em amostras de 100 sementes. Cv. os danos químicos causados por produtos utilizados no tratamento de sementes.Teste de tetrazólio As empresas que comercializam sementes. Portanto. v. tem levado as empresas a buscarem um aprimoramento técnico de suas atividades. AG 510. que estima a viabilidade das sementes com base na alteração da coloração de tecidos vivos. para a avaliação do teste é necessário conhecer com segurança a estrutura das sementes. independentemente do período de permanência no tetrazólio. 2009 109 . onde se encontram as raízes seminais. basicamente. coleóptilo. em particular. danos causados por insetos e formação morfológica das sementes. UFRB. o teste de tetrazólio permite a obtenção dos resultados em menos de 24 horas. não são identificados os microorganismos que infectam as plântulas e. fato esse que ocorre com frequência. pois. Verifica-se na Tabela 3 os resultados com os dados médios de viabilidade por lote de milho híbrido precoce. nem sempre é possível identificar danos mecânicos. com uma variação dentro da amplitude normal da amostra. O teste de tetrazólio baseia-se principalmente na distribuição dos tecidos vivos e mortos no embrião. Assim. ausência de fraturas em regiões vitais. colorem-se mais rápida e profundamente e apresentam coloração vermelho-grená. venda. Nas sementes de milho. na maioria das espécies cultivadas necessitam de 7 a 30 dias para obtenção dos resultados. Por isso. Trata-se de um fator Tópicos em Ciências Agrárias. beneficiamento. destacam-se. tem grande importância para o setor de sementes. bem como as causas da perda da qualidade. Diferenças na coloração dos tecidos pode não significar baixa viabilidade e sim alterações na sua permeabilidade. os estudos relativos aos testes de vigor. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 92 91 94 R2 96 92 95 Média 94 92 95 Compararando-se a porcentagem de germinação com a de viabilidade. em amostras de 100 sementes. assume grande importância. muitas vezes. como também. enquanto o teste de tetrazólio pode informar a viabilidade das sementes em algumas horas. são observadas a turgescência dos tecidos. como um segmento do processo de produção. informando a viabilidade e o vigor. o que visa. a tecnologia de sementes. As sementes vigorosas colorem-se vagarosamente. AG 510. verifica-se que os resultados são bastante próximos. que é de 3 a 5%. Cv. agilizando decisões de compra. 1. Além da coloração. a radícula. nos últimos anos. em geral. TESTES DE VIGOR EM SEMENTES O aumento da atividade produtora de sementes no Brasil. os agricultores e os pecuaristas frequentemente se defrontam com problemas para escolha de lotes de sementes que pretendem adquirir.

citado por Marcos Filho et al. Em 1962. Os dados apresentados na Tabela 4 permitem verificar que os valores absolutos obtidos no teste de envelhecimento. Atualmente. procurando predizer o potencial relativo de armazenamento de lotes de trevo e de festuca. O vigor de sementes é o reflexo de um conjunto de características ou propriedades que determinam o seu “potencial fisiológico”. vários métodos têm sido desenvolvidos para avaliá-lo com segurança. envelhecimento precoce. AG 510 de milho híbrido precoce obtidos no teste de germinação após o envelhecimento artificial. talvez o mais popular é o teste de “envelhecimento acelerado. Helmer. seus resultados. Envelhecimento acelerado Este teste. O objetivo básico dos testes de vigor é a identificação precisa de “diferenças importantes” na qualidade fisiológica dos lotes comercializáveis. em 1915. sugerindo que o “envelhecimento rápido ou acelerado” poderia ser muito útil para avaliar o potencial relativo de armazenamento das sementes. o auxílio à seleção de genótipos durante o melhoramento de plantas e o embasamento de programas de controle de qualidade de sementes. conduzidos após a exposição relativamente rápida de sementes secas à temperaturas elevadas (50-100ºC). Valores médios (%) para os lotes do Cv. Os testes de vigor oferecem apenas comparação entre o potencial fisiológico das amostras avaliadas. principalmente dos que possuem poder germinativo semelhante. há disponibilidade de testes que procuram avaliar “o estado atual de sementes”. pode-se ter uma idéia do potencial de armazenamento dos lotes processados. não se aproximaram da porcentagem de emergência das plântulas. Em outras palavras. podem identificar as melhores e as piores amostras. foi desenvolvido por Delouche (1965). Dentre estes. Tabela 4. lotes com maior ou menor probabilidade de apresentar bom desempenho após a semeadura e/ou durante o armazenamento.biológico que se evidencia facilmente aos olhos a partir de uma observação. a capacidade de apresentar desempenho adequado quando expostas a diferentes condições de ambiente. após alguns dias de exposição à alta temperatura e umidade e verificaram alta relação com o vigor de sementes e emergência de plântulas em campo. poderiam ser úteis para predizer a longevidade. pretende-se distinguir. Estes pesquisadores sugeriram que testes de germinação. no entanto. Estudo que se baseava em informações obtidas por Croker e Groves. Diante desta situação. que avalia a resposta de sementes à temperatura e umidade elevadas. opções dirigidas à obtenção da “resposta” de sementes quando submetidas a condições específicas de ambiente. v. em poucos dias. como em uma amostra de sementes postas a germinar. não permitindo “predizer” a futura porcentagem de emergência de plântulas em campo nem estimar o período de conservação da qualidade das sementes durante o armazenamento. 1. UFRB. Esta sugestão foi considerada por vários pesquisadores e o teste de envelhecimento passou a ser incluído em inúmeros projetos de pesquisa e. dentre os quais se destacam a seleção de lotes para semeadura (com base no potencial de emergência das plântulas em campo). ou seja. segundo as quais a morte de sementes durante o armazenamento era causada pela coagulação de proteínas e que o aquecimento “acelerava” este processo. a avaliação do potencial de armazenamento. (1987). Tratamentos 2 3 68 60 12 32 52 40 Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) 1 64 32 18 4 8 14 40 Médias 50 23 38 110 Tópicos em Ciências Agrárias. envelhecimento rápido ou envelhecimento artificial”. O teste de envelhecimento artificial tem sido conduzido com diferentes objetivos. Para tanto. rapidamente divulgados pelos tecnologistas de sementes. com segurança. geralmente estresses. em geral. havendo também. através da determinação de parâmetros associados ao vigor. 2009 . resultando plântulas com diferenças marcantes quanto à característica que se pretende observar. o teste é utilizado para avaliar o vigor de diversas espécies e incluído em programas de controle de qualidade por empresas produtoras de sementes pois. Delouche e Lienhard estudaram a resposta de sementes de trevo à germinação.

v. (1994). de híbridos duplos. Porcentagem de emergência de plântulas no campo De acordo com Nakagawa (1994). verifica-se um comportamento intermediário do lote 2. de preferência na época recomendada para a semeadura da espécie em avaliação. como de maior potencial de emergência em campo. para avaliar o vigor de sementes de milho e. reduzindo a velocidade de emergência e favorecendo o desenvolvimento de microganismos patogênicos. equanto decresce esta potencialidade nos lotes 3 e 2. Quando realizados fora de época recomendada. os testes de campo são conduzidos em condições naturais de ambiente. pois assim obtem-se resultados diretamente aproveitáveis para a implantação da cultura ou tem-se um bom indicativo da potencialidade dos lotes em fase inicial de desenvolvimento no campo. procurandose simular condições desfavoráveis que ocorrem com frequência durante a época de semeadura (excesso de água no solo e baixas temperaturas) na área denominada Cinturão do Milho nos Estados Unidos. pois essas condições podem afetar as sementes. 1994 ). torna-se muito difícil a sua padronização. não possibilitando a diferenciação de vigor entre os lotes. 1989). no qual lotes de boa qualidade devem apresentar. durante e após a colheita. adaptado para outras espécies. pois considera-se que as sementes resistentes às condições desfavoráveis são mais vigorosas. Valores médios (%) obtidos no teste de germinação para os lotes do Cv. a possibilidade de comparações entre lotes. inicialmente. No caso de milho. diferenciando portanto o lote 1. assume grande importância no que concerne à identificação das potencialidades dos lotes estudados. Assim. seguidos pelos simples e linhagens (Cicero & Vieira. Os resultados do teste de frio são geralmente expressos em porcentagem de plântulas normais. Tabela 5.. encontra-se dentro do padrão estipulado por Grabe (1976) citado por Cicero (1992) e em Vieira et al. principalmente se esses são constituídos de genótipos diferentes. os resultados do teste de frio proporcionam. porém. 70 a 85 % de plântulas normais. Desse modo. Foi desenvolvido. o qual apresenta alta variabilidade física e biológica. devese ter muito cuidado quando se faz comparação entre lotes. alguns dos testes podem sofrer diminuição da sua sensibilidade face ao efeito das condições climáticas desfavoráveis. considerando aquelas com o comprimento maior ou igual a 2. após a semeadura. uma vez que apresentou menor porcentagem de emergência de plântulas normais. bem como as verificadas por ocasião da semeadura. o que explica a obtenção de resultados desuniformes entre laboratórios. Nos resultados da Tabela 5 observa-se um padrão de germinação entre os lotes que permite distinguir o lote 2 como mais sensível ao estresse provocado pela baixa temperatura e umidade elevada. Tópicos em Ciências Agrárias. no mínimo. destacando-se o lote 1.Embora um único teste de vigor não seja capaz de caracterizar todas as interações possíveis entre as sementes e as condições ambientais predominantes antes. UFRB. o teste de frio não é empregado apenas para espécies sujeitas a essa situação. Como este teste envolve o uso de solo. assim. posteriormente. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) Tratamentos 2 3 94 96 84 78 88 94 Médias 96 83 88 1 92 88 86 4 100 80 84 Por outro lado.5 cm acima do nível do substrato (AOSA. 2009 111 . Teste de frio com solo O teste de frio é provavelmente o método mais utilizado para avaliar o vigor de semente. Atualmente. mais do que valores absolutos para germinação. é também um teste adequado para avaliar a eficiência de fungicidas (Cícero et al. a princípio. após a semeadura. observou-se melhor germinação sob condições de baixa temperatura e alta umidade. como o mais promissor para germinar sobre amplas variações das condições de água e temperatura do solo. No entanto. possibilitam ainda a comparação do vigor relativo entre os lotes em estudo. a combinação de baixas temperaturas e excesso de água no solo é utilizada para permitir apenas a sobrevivência de sementes vigorosas. AG 510 de milho híbrido precoce após o teste de frio com solo. Entretanto. com relação à tolerância aos diferentes estresses que as sementes possam vir a submeter-se. 1. 1983).

Dados médios da porcentagem de emergência de plântulas em lotes do Cv. principalmente pela inexistência de valores referenciais. entretanto. v. possibilitam ainda a comparação relativa do vigor entre os lotes estudados. Enquanto os testes de laboratório exigem instalações especiais e condições padronizadas de acordo com as Regras para Análise de Sementes (Brasil. Caso o teste seja feito em época distinta à recomendada para a cultura. de preferência na época recomendada para semeadura da espécie em avaliação. Este teste possibilita a comparação do vigor dos lotes semeados em uma mesma época. sendo o lote 2. indicando nítida diferenciação de vigor entre eles. enquanto os realizados em campo. 8 e 9. nos estudos de teste de vigor ou nos trabalhos de avaliação de qualidade das sementes. Tabela 6. UFRB. de uma região para outra (diferenças edáficas. Em geral. Os resultados dos testes são expressos em porcentagem e representam a média das repetições empregadas para cada lote em estudo. visa determinar o vigor relativo do lote de sementes avaliando a porcentagem de emergência de plântulas em condições de campo. alguns testes. os de campo são conduzidos em condições naturais de ambiente. de preferência na época de semeadura recomendada para a cultura. Tendo em vista. os mais empregados são o de velocidade de emergência e o de porcentagem de emergência de plântulas. verifica-se o resultado do teste de velocidade de emergência de plântulas. com destaque para o lote 1. é sempre interessante e recomendável a utilização destes em condição do campo. o que apresentou maior velocidade de emergência e conseqüentemente. dormência). 2009 . portanto. Como estes testes apresentam o inconveniente da dificuldade de padronização face às diferenças das condições de campo (edáficas. maior vigor. sofrerem perda da sensibilidade. climáticas. de população e atividades de microflora e microfauna) e de épocas do ano em uma mesma região (diferenças climáticas. Quando realizadas fora da época recomendada. que um dos objetivos. climáticas. dos testes de vigor é de verificar o potencial de emergência no campo em condições as mais amplas possíveis (favoráveis e desfavoráveis). Nas Tabelas 7. todavia não afetará o vigor relativo entre os lotes. se não o principal. também denominados por alguns autores como de população inicial ou estande inicial. com base na repetição com 100 sementes no sulco ou linha. Calculou-se o número de plântulas emergidas nas quatro repetições para obter o valor do índice de velocidade de emergência (IVE) para cada lote. como o de menor potencialidade de emergência em um campo de produção. 112 Tópicos em Ciências Agrárias. para que possa ser um bom indicativo da potencialidade dos lotes em sua fase inicial de desenvolvimento no campo. para cada lote estudado. inserem-se dentro dos métodos diretos. O lote cuja média foi maior é o que levou menos dias para a emergência das plântulas no solo. O que não será sempre possível é a comparação entre os lotes obtidos em testes instalados em épocas distintas. haverá influência marcante da temperatura do meio sobre a velocidade de emergência. Tratamentos 3 92 72 81 Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) 1 90 84 80 2 88 77 83 4 85 82 80 Médias 89 79 81 Velocidade de emergência de plântulas Este teste tem como objetivo.Estes testes apresentam o incoveniente da dificuldade de padronização face às diferenças das condições de campo. determinar o vigor relativo do lote de sementes avaliando a velocidade de emergência de plântulas em condições de campo. AG 510 de milho híbrido precoce em campo. 1994). população e atividade de microorganismos) e da própria semente (tamanho. empregando-se o IVE para cálculo. 1992). Os que são conduzidos em laboratórios são classificados como métodos indiretos. 1. em testes fisiológicos. Baseia-se no princípio de que é tanto mais vigoroso um lote de sementes quanto mais rápida for a emergência das plântulas no campo. deve-se ser bastante cuidadoso com sua interpretação. Este último. A Tabela 6 mostra as porcentagens médias de emergência dos lotes estudados. de população e atividades da microflora e microfauna). Os testes de vigor que se baseiam na avaliação de plântulas são realizados em laboratórios sob condições controladas ou em condições de campo (Nakagawa. podendo. dificultando a diferenciação de vigor entre os lotes.

62/15 17/16 0/17 1/18 5. 45/15 37/16 6/17 2/18 5.28 R2 NPN IVE 0 . IVE médio = 5.85 NPN 0 . 58 24 5 1 88 R2 IVE . NPN= Nº de plântulas normais. Cuidados especiais necessitam ser tomados no controle de pragas que possam prejudicar a emergência ou a manutenção das plântulas durante o teste. 60/15 10/16 8/17 2/18 4.90 R3 NPN IVE 0 . e realizando uma comparação da porcentagem de emergência de plântulas naquele dia. Teste de velocidade de emergência de 100 sementes do Cv. IVE = Índice de velocidade de emergência. em comparação com os demais. considerando a média de repetições para cada lote. 15 16 17 18 TOTAL R1 NPN IVE 0 .99 Tabela 9.77 NPN 0 . verifica-se neste experimento. . 35 35/15 32 32/16 1 1/17 16 16/18 84 5. às vezes. que em condições não controladas de campo. teria sucesso em germinar e produzir plântulas normais em solo e ambiente climático. 47 32 1 12 92 R3 IVE . DAS 1 . 1. 58/15 24/16 5/17 1/18 5. por serem mais vigorosas. . 61/15 20/16 0/17 2/18 5. indicando que suas sementes.15 Outra possibilidade para a determinação do vigor relativo entre os lotes.42 NPN 0 . À semelhança de resultados anteriores. IVE médio = 5.AG 510 de milho híbrido precoce referente ao lote 2. 48/15 28/16 2/16 5/18 5. não totalmente favoráveis à espécie para o processo de germinação. Através desse procedimento pode-se evitar algumas interferências ou mascaramentos de resultados de velocidade de emergência de plântulas que as fórmulas possam trazer. 15 16 17 18 TOTAL R1 NPN 0 . .Tabela 7. é a de eleger determinado(s) dia(s) logo no início da emergência das plântulas.61 R4 NPN IVE 0 . 41 41/15 23 23/16 4 4/17 9 9/18 77 4. 60 10 8 2 80 IVE . caracterizando que suas sementes são mais vigorosas e possibilitando inferir. DAS 1 . 45 37 6 2 90 IVE . 61 20 0 2 83 R2 IVE . 67/15 12/16 0/17 2/18 5. 34 34/15 33 33/16 2 2/17 3 3/18 72 4. 62 17 0 1 80 R4 IVE . observando todos os lotes. 48 28 2 7 85 R4 IVE . 47/15 32/16 1/17 12/18 5. 45 45/15 20 20/16 7 7/17 10 10/18 82 5.AG 510 de milho híbrido precoce referente ao lote 1. IVE=Índice de velocidade de emergência. v.67 Tabela 8.2 DAS= Dias após semeadura. Teste de velocidade de emergência de 100 sementes do Cv. apresentaram maior rapidez de emergência. O lote que apresentar a maior porcentagem média neste dia definido será o mais vigoroso. IVE médio = 4.35 DAS= Dias após semeadura.21 NPN 0 . baseada na velocidade de emergência de plântulas sem o emprego de fórmulas. 15 16 17 18 TOTAL R1 NPN 0 . IVE=Índice de velocidade de emergência. DAS 1 .25 DAS= Dias após semeadura.73 NPN 0 . que o lote 1 destaca-se como mais promissor. NPN = Nº de plântulas normais.71 NPN 0 . UFRB. Teste de velocidade de emergência de 100 sementes do Cv. 2009 113 . NPN= Nº de plântulas normais.AG 510 de milho híbrido precoce referente ao lote 3. 67 12 0 2 81 R3 IVE . . Tópicos em Ciências Agrárias.

também. o teste tem sido extensivamente usado para avaliar o vigor de sementes de ervilha na Inglaterra. sendo principalmente estudado em sementes de ervilha. Primeira contagem de germinação O teste de germinação. os padrões já são outros. diz respeito à dificuldade na interpretação dos resultados.84 14. AG 510 de milho híbrido precoce por repetição. com bastante sucesso. Geralmente são efetuadas duas contagens: a primeira contagem é necessária para a diminuição do número de plântulas infeccionadas que podem comprometer a sanidade do teste e para reduzir a possibilidade de entrelaçamento entre plântulas. uma gramínea.37 Média 7. As gramíneas forrageiras requerem períodos mais longos. 28 ou 35 dias. 1. por sua vez. após vários estudos. com rara exceção. para sementes do Cv.47 10. temperatura de embebição e teor de água inicial de sementes) que podem causar variações nos resultados. geralmente 21.70 mmhos/cm/g têm sido consideradas como de alto vigor. Dentre estas.28 R3 9. caracterizando o lote 1 como mais vigoroso. fornecidas pelo teste de condutividade elétrica (Tabela 10). e também com sementes de milho. ervilha. tem duração de 7 a 14 dias. Muitos resultados de pesquisa têm indicado.. não possibilitando estimativas sobre o comportamento de lotes sob condições de campo. milho. 2009 . trevo vermelho. proposto como teste de vigor para sementes de ervilha na Inglaterra. 1994). feijão e soja. Por outro lado. em cada lote estudado. considera-se que. principalmente com sementes de leguminosas graúdas. como ervilha. v. Média dos resultados de condutividade elétrica (mmhos/cm/g).Teste de condutividade elétrica O teste de condutividade elétrica apresenta-se como um dos mais utilizados em testes de vigor. o período pode ser ampliado. no caso de soja. Logo.26 7. Porém. UFRB. e sementes com condutividade elétrica até 60 . as Regras para Análise de Sementes estabelecem um limite de tempo para a duração do teste.22 12. já havia sido utilizado na década de 20 para estimar a viabilidade de sementes de capim timóteo. valores variando entre 4 e 30 mmhos/cm/g para sementes de milho. devido à necessidade de submetê-las a um tratamento ou à desuniformidade ou menor velocidade de germinação. Dentre esses aspectos é importante ressaltar as diferenças de condutividade elétrica observadas em sementes de diferentes espécies (Vieira et al. O lote 2. soja. os resultados de teste de condutividade elétrica só permitem comparações do potencial fisiológico dos lotes avaliados. feijão. bem como de sementes de ervilha e de trigo. condutividade de sementes de soja superior a 150 mmhos/cm/g é um indicativo de sementes de baixo vigor (AOSA. a medida da condutividade elétrica passou a ser estudada como um teste de vigor para várias espécies. Tabela 10. um dos grandes problemas que se tem com relação aos testes de vigor. tempo de embebição. Assim. Austrália e Nova Zelândia. Com relação às informações sobre o vigor das sementes. já que. 114 Tópicos em Ciências Agrárias.28 14. Sendo mais tarde utilizado para medir viabilidade de sementes de algodão (1958) e.31 10. A partir destes estudos. para a interpretação dos resultados.80 mmhos/cm/g já são valores com tendência para médio vigor. Entretanto. uma vez que liberou menor quantidade de eletrólitos.46 10. Lotes 1 2 3 R1 6. No caso particular do teste de condutividade elétrica.75 13.78 Embora as informações obtidas através do teste de condutividade elétrica sejam importantes. prever o comportamento de lotes de sementes sob uma ampla faixa de condições. enquanto 70 .63 9.57 R2 6. Quando a semente apresenta dormência. como sobre o potencial de armazenamento. deve-se ter em mente os vários fatores (característica de sementes. algodão. para a maioria das especies cultivadas. não é possível. que o teste pode ser utilizado para semente de soja. Embora sua utilização tenha sido intensificada a partir da década de 60. dentre as quais. Sem dúvida alguma. verifica-se que os lotes podem ser separados em diferentes níveis. verifica-se que um grande volume de informações tem sido produzido. classifica-se como de pior desempenho. 1983). não só de armazenamento como também de semeadura. como outros testes.38 R4 8.68 13. com apenas esses resultados. correspondem a lotes que se situam em categorias consideradas de alto a baixo vigor. considerando que o mesmo apresentou maior taxa de lixiviados na solução. Nos EUA. não se dispõe de parâmetros de comparação.

uma vez que com o atraso. confirmando a tendência observada em outros testes.0 0. observou-se pequeno porcentual de sementes consideradas como anormais e/ou mortas. avaliando a porcentagem de plântulas normais que são obtidas por ocasião da primeira contagem do teste de germinação. 2009 . frequentemente atacadas por aqueles insetos.0 0.0 R2 1. Os resultados foram expressos em porcentagem média de plântulas normais. Exame de sementes infestadas Tem por objetivo determinar a porcentagem de um lote que se encontre danificado por insetos (gorgulho. feita no quinto dia após a semeadura. Como determinações adicionais são designadas aquelas análises que contribuem com outras informações sobre a qualidade do lote. Lotes 1 2 3 R1 96 92 88 R2 96 86 96 R3 98 96 92 R4 94 86 92 Média 96 90 92 Examinando os resultados obtidos e considerando que não houve dúvidas quanto à normalidade das plantas. Os dados obtidos através deste teste são muito importantes para espécies como o feijão. A infestação pode ocorrer ainda no campo. sementes mortas e plântulas infeccionadas. Assim. após o exame de sementes infestadas. realiza-se apenas uma contagem. Os resultados obtidos através da média das sementes infestadas encontradas nas duas subamostras é expresso em porcentagem com uma casa decimal e encontra-se na Tabela 12. AG 510 de milho híbrido precoce.0 115 Tópicos em Ciências Agrárias. são consideradas. nas condições em que se procedeu o teste. Na Tabela 11 encontram-se resultados com dados médios em porcentagem do teste de primeira contagem de germinação (PCG) dos lotes do Cv. ou durante o período de armazenamento.0 0. esse teste objetiva determinar o vigor relativo do lote. traças e carunchos). pupa e inseto adulto.0 0. UFRB. na primeira contagem são removidas as plântulas normais. além de sementes que contêm ovo.Portanto. devido ao atraso na colheita das sementes. Dados médios de três lotes de sementes (%) de milho híbrido precoce. quer tenham sido essas sementes danificadas por uma única espécie de insetos ou por várias. Quando se utiliza areia ou solo como substrato. milho.0 0. AG 510. estudados nas condições detalhadas no teste de germinação correspondente. Dados médios de primeira contagem de germinação (%) em três lotes do Cv. v. consistindo do registro das porcentagens de plântulas normais encontradas na primeira contagem do referido teste. o desenvolvimento excessivo de plântulas dificulta a interpretação. ou em outras palavras. larva. é preferível a antecipação.0 Média 1. DETERMINAÇÕES ADICIONAIS A qualidade de sementes é avaliada por um conjunto de índices determinados por análises. Tabela 12. Cv. sorgo etc. conservando-se no substrato as plântulas anormais e as sementes não germinadas ou em início de germinação. 1. Foi conduzido conjuntamente com o teste de germinação. de que as sementes do lote 1 são as mais vigorosas. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 1. AGR 510 de milho híbrido precoce em quatro repetições de 100 sementes. por lote. todas as demais que apresentam orifício de saída do inseto. por repetição.0 0. Serve para indicar a necessidade de expurgo de um lote de sementes.. prevalecendo uma relativa superioridade do lote 1 sobre o 3 e este sobre o 2. Para efeito desse exame. para os três lotes estudados. caso necessário. as que apresentaram maior velocidade de germinação. A data dessa contagem pode ser antecipada ou retardada de 1 a 3 dias. Tabela 11.

O peso de mil sementes é influenciado pelo teor de água.50 Média 328. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 5. com a determinação da Variância.000 sementes O peso de 1. pode ser empregado o teste do verde rápido (Fast Green FCF). Em contato com a solução de iodo. Peso de 1.000 sementes é em geral utilizado para calcular a densidade de semeadura e o peso da amostra de trabalho. lagarta.8 116 Tópicos em Ciências Agrárias. devido a influência do teor de água. somou-se as porcentagens de sementes danificadas por repetição e calculou-se a porcentagem média por amostra.5 20. a presença de danos mecânicos é constatada pela formação da coloração azul.Foram consideradas atacadas as sementes onde se constatou a presença do ovo. Para realizar esta determinação. resultante da reação entre o iodo e o amido espermático. Peso médio de 1. podendo ser usado para o milho e outros cereais. 2009 . obtido do peso médio (g) de oito subamostras de 100 sementes (R1 a R8) da porção semente pura. assim como do seu estado de maturidade e sanidade.0 16.1 283. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 33. inseto adulto e o orifício de saída do inseto. Teste para identificar injúrias mecânicas Para a identificação de danos mecânicos de sementes de milho. Tabela 13.66 R8 32.0 24.5 De acordo com Everson (l985) citado por Dias & Barros (l995). sendo x média. prejudicam a qualidade das mesmas.0 10. 1. do Desvio padrão e do Coeficiente de variação dos valores obtidos nas pesagens. são utilizadas sementes puras provenientes da análise de pureza. Seguiu-se os critérios das Regras para Análise de Sementes para o cálculo do peso de 1. que pode ser adquirido em frascos de 10 ou 25 gramas em casa de produtos químicos.29 30. UFRB. o resultado da determinação foi calculado multiplicando-se por 10 o peso médio obtido das subamostras de 100 sementes. danos nas sementes de milho entre 30 e 50% devem ser preocupantes ao produtor. As sementes com trincas foram identificadas pela formação da coloração azul. o peso médio de 100 sementes.0 R2 8. Cv.000 sementes (g) de milho híbrido precoce.6 7. Como o coeficiente de variação não excedeu a 4%. após o teste de injúrias mecânicas. que é relativamente simples.0 Média 6. É uma informação que dá idéia da qualidade de sementes. AG 510. principalmente. Tabela 14. Cv.6 305. AG 510. utilizando-se as oito subamostras. Dados médios (%) de três lotes de sementes de milho híbrido precoce. para análise de pureza. Os resultados encontram-se na Tabela 13. pois os danos severos. Pode-se empregar também a tintura de iodo. Após a interpretação.43 30.000 sementes.23 28. bem como a extensão desses danos. v.39 28.0 8. Além de fornecer informações para o cálculo de semeadura e regulagens de máquinas semeadeiras. tem grande importância na qualidade da semente bem como na sua comercialização. Acima de 50% o produtor deve tomar medidas necessárias para reduzir os danos mecânicos durante a debulha e processamento das sementes.

230 p. VIEIRA. S. v. 1.S. 43 p. do R.L. ed. 1992.M. M. 2009 117 . S. SADER... 95 p. 1994...L. 32 ). CARVALHO. C. J. MARCOS FILHO. 1983. J. Seed vigor testing handbook . Circular no 88. FEALQ.Testes de Vigor baseados na avaliação das plântulas. In: Testes de vigor em sementes FCAV/UNESP/JABOTICABAL. 95 p. MARCOS FILHO.. M. 1995. Atualização em produção de sementes. Divisão de Sementes e Mudas. Avaliação da qualidade fisiológica de sementes de milho. 95 p. FCAV/UNESP/JABOTICABAL. IAPAR. coord. In: Testes de vigor em sementes.p. A. CICERO. S.S. W. 363p. In: Testes de vigor em sementes. 1992. W..D. SILVA.SILVA. R. p.. FCAV/UNESP/JABOTICABAL. Fundação Cargill. Teste de Frio. 1987. DIAS. Piracicaba. M. (Handbook on seed testing. 1994. N. Tópicos em Ciências Agrárias. M.R. CICERO. 207-23 CICERO.1989. BRASIL. Testes de vigor e suas possibilidades de uso. 88p. Regras para Análise de Sementes. R. J. Ministério da Agricultura. R. BARROS.REFERÊNCIAS ASSOCIATION OF OFFICIAL SEED ANALYSIS. de L. Avaliação da qualidade das sementes. NAKAGAWA. . S. UFRB. Campinas.

Carlos Alfredo Lopes de Carvalho & Gilberto Marcos de Mendonça Santos Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 9 ANÁLISES FAUNÍSTICAS EM ESTUDOS ENTOMOLÓGICOS Oton Meira Marques.

A diversidade faunística é fator primordial para o equilíbrio. E-mail: calfredo@ufrb. Bolsista CNPq Professor . nem pode existir. é tratada como correlacionada com a diversidade de fisionomias de vegetação ao nível da paisagem ou de bioma (Lewinsohn & Prado.6 milhões (Stork & Gaston. 2009 121 . Padrões de distribuição Apesar de não constar dos índices faunísticos clássicos. Cruz das Almas-BA. entre outras. além de serem facilmente calculados. Dentre os diversos processos utilizados para analisar a fauna de um dado ambiente. sem ater-se estritamente à base genética de tais diferenças).Departamento de Ciências Biológicas.ANÁLISES FAUNÍSTICAS EM ESTUDOS ENTOMOLÓGICOS Oton Meira Marques1.diversidade entre espécies. corresponde à diversidade de espécies (espécies presentes em um ambiente ou região definida). As variâncias apresentadas na presença de indivíduos nos quadrantes são plotalas em gráficos. o padrão de distribuição de uma espécie é importante para o entendimento da importância relativa da espécie em termos locais. Ambientais e Biológicas/UFRB. Gilberto Marcos de Mendonça Santos3 1 2 3 Professor . 1.Centro de Ciências Agrárias. 1996).br. Ambientais e Biológicas/UFRB. por definição. 1990) ou 1.diversidade dentro de espécies. Porém. Feira de Santana-BA. 2 . Outra estimativa sobre o total de espécies de insetos na Terra foi apresentada por Erwin (1982) e chegou ao extraordinário número de 30 milhões de espécies. v. em termos práticos.57 milhões (Hodkinson & Casson. a organização da vida terá sempre que ser descrita e aferida por uma série de definições e medidas diversas (Gaston.000 espécies descritas. Os insetos constituem o grupo de seres vivos com o maior número de espécies na Terra e estima-se que existam 950. caracterizados por sua dinâmica. Estes números são apresentados na literatura especializada ou não como a biodiversidade ou diversidade biológica ou diversidade de insetos na face da Terra. podendo este número representar apenas metade do total existente no planeta (Arnet Jr. os índices faunísticos figuram entre os mais aceitos. A fórmula e programa de computador para análise das variâncias encontram-se em Ludwig & Reynolds (1988). 2002). usar a dinâmica como base para avaliar. inventariar ou monitorar a diversidade de ecossistemas. 2000.br INTRODUÇÃO Os fenômenos de síntese realizada pela vegetação e o consumo dessas substâncias pelos animais são dois processos vitais que. regionais e até globais. Cruz das Almas-BA.edu. E-mail: gmms@uefs. bem como entre populações espacialmente distintas da mesma espécie e tem sido tratada como equivalente à diversidade genética (embora possa incluir diversidade morfológica. é pouco praticável (embora não impossível) e. Universidade Estadual de Feira de Santana. Southwood & van Emden (1967) e Janzen & Schoener (1968) realizaram trabalhos pioneiros de análise faunística de entomofaunas. de comportamento. A vantagem da utilização dos índices é que. gerando uma gama de dados analisáveis. 1991). E-mail: oton@ufrb.. Mas. UFRB.9 a 6. Lewinsohn & Prado. Esse padrão pode ser avaliado pelo método da variância dos quadrados contíguos. uma definição e uma medida unificada para biodiversidade e por ser um fenômeno intrinsecamente complexo. são. na maioria dos casos. fluxo e/ou ciclagem de energia e matéria nos ecossistemas. 2002). é mais ambígua que as outras duas categorias. que consiste em traçar um transecto subdividido em n quadrados de tamanho padrão e contar o número de representantes da espécie em cada quadrante (Figura 1). não existe. Delimitar e caracterizar a fauna de um determinado ambiente é fundamental para o bom entendimento do ambiente. surgiram outras estimativas fornecendo números mais modestos: 4.Centro de Ciências Agrárias. abrange toda a variação entre indivíduos de uma população.84 a 2. A diversidade biológica inclui três tipos de diversidade: 1 . Carlos Alfredo Lopes de Carvalho2. desprovidos de unidade. explicam a complexidade das interações entre os componentes das diversas comunidades.edu. ecossistemas são essencialmente sistemas funcionais. permitindo comparações entre comunidades amostradas de modo não padronizado. Tópicos em Ciências Agrárias. indicando o tipo de padrão de distribuição apresentado pela população estudada (Figura 2). Os primeiros estudos voltados a elucidar a relação entre as características estruturais dos habitats e a diversidade faunística foram realizados por Mac Arthur & Mac Arthur (1961).br Professor . Posteriormente. 3 diversidade de ecossistemas.

Diferentes índices têm sido propostos para caracterizar isoladamente a abundância de espécies e a 122 Tópicos em Ciências Agrárias. baseada no número de táxons (e. Uma análise faunística.aleatório agregado uniforme Figura 1. Odum. Dois parâmetros devem ser considerados ao avaliar a diversidade biológica de um ambiente: 1 . 1989). mas não apresentam necessariamente mais indivíduos por unidade de área (Lewis & Taylor. estão distribuídos entre as outras nove espécies. 1976). v. Considerando uma comunidade composta por dez espécies. 1988. 1988). UFRB.a combinação do número total e a eqüitabilidade (abundância relativa) de espécies.número total de espécies em uma comunidade (freqüentemente denominado abundância de espécies) e 2 . agregado ou uniforme (adaptado de Ludwig & Reynolds. 1988). a última indica como o total de indivíduos encontra-se distribuído entre as espécies. 1988). (1998). se cada uma das dez espécies contribui com 10% do total de indivíduos.: espécies. se 90% dos indivíduos pertencem a uma só espécie e. famílias) de insetos coletados em um ambiente. uma revisão sobre este assunto é encontrada em Carneiro et al. 2009 . regularidades na variação do número de espécies no espaço e no tempo. o conceito de diversidade de espécies inclui o número de espécies na comunidade (abundância ou riqueza de espécies) e a uniformidade (eqüitabilidade) com a qual os indivíduos são distribuídos entre as espécies (Krebs. os mais amplamente utilizados neste tipo de estudo. a eqüitabilidade é considerada baixa. Algumas comunidades são mais ricas do que outras no número de espécies. isto é. Diversidade Existem diversos padrões de diversidade. Posicionamento de quadrados contíguos ao longo de transectos em três ambientes onde os padrões de distribuição são aleatório (ou randômico). A combinação do número total de espécies e a eqüitabilidade é considerada a abundância relativa das espécies (Ludwig & Reynolds. fornece conhecimentos básicos sobre as populações presentes e os níveis de importância quantitativa das mesmas.g. a eqüitabilidade é considerada máxima. os restantes 10%. uniforme e agregado (baseado em Ludwig & Reynolds. 1. podendo ser feita por meio dos índices faunísticos descritos a seguir. 5 4 Variança 3 2 1 0 0 1 2 3 4 5 Espaço 6 7 8 9 10 Aleatório Uniforme Agregado Figura 2. Assim. gêneros. enquanto que. Plotagem típica de variâncias encontradas em quadrados contíguos cujas populações apresentavam os padrões de distribuição: aleatório.

O índice a mede a relação existente entre o número de espécies e o número de indivíduos de uma comunidade. Comum (c) = n situado dentro do IC5%. 2) eqüitabilidade e 3) homogeneidade e o tamanho da área amostrada. 1988).S pi (ln pi) Tópicos em Ciências Agrárias. por exemplo. explorando de forma diferente os componentes da diversidade. 1988). c) Índices de diversidade Diferentes índices expressam a diversidade de uma área ou região.1) ln(N) onde. Esse índice é baixo nos locais onde ocorre competição interespecífica. ln = logaritmo neperiano. a utilização desses índices pode permitir a comparação entre comunidades. Muito abundante (m) = n maior que o limite superior do IC1%. constância e abundância e os valores do teste F na determinação da dominância podem ser calculados por meio das funções estatísticas de planilhas eletrônicas computacionais. b) Índice de abundância A comparação dos dados de abundância obtidos em diferentes pesquisas é possível através da utilização de índices como. em que o número de espécie tende a diminuir e o número de indivíduos das espécies dominantes tende a aumentar. Disperso (d) = n entre os limites inferiores dos IC1% e IC5%. Abundante (a) = n situado entre os limites superiores dos IC5% e IC1%. S = número total de espécies. As espécies podem ser distribuídas em classes de abundância baseadas no Intervalo de Confiança (IC) do número de indivíduos (n) ao nível de 5% e 1% de significância (Bicelli et al. 2009 123 . Os limites de classes mais comumente utilizados são: Raro (r) = n menor que o limite inferior do IC1%. o Alfa (a) proposto por Margalef (1951): a = (S . Os Intervalos de Confiança para as classes de freqüência. 1989). independente do processo de levantamento e do tamanho da amostra (Silveira Neto et al. Por outro lado. a) Abundância O número total das espécies amostradas em um determinado estudo é considerado a abundância (S) dessas no ambiente (Ludwig & Reynolds.. significando que o local é mais específico. UFRB. v. Estes índices podem apresentar a desvantagem de confundir variáveis que caracterizam a estrutura de uma comunidade: 1) número de espécies.eqüitabilidade de uma comunidade. N = número total de indivíduos. Quando o valor obtido é alto. embora com menor número de indivíduos (Odum.. Outros tipos de índices combinam as duas características em um só valor e são conhecidos como índices de diversidade. 1976). 1. há indicação de que o local é bastante diversificado. apresentando elevado número de espécies. Alguns destes índices são expostos a seguir: Índice H' (Shannon-Wiener): H' = .

1988). o índice de Simpson dá maior peso para as espécies mais comuns na comunidade. quanto maior o valor obtido. 1988. De acordo com Odum (1988). maior será a dominância por uma ou poucas espécies. Se a probabilidade for alta. o índice de diversidade H' varia com o número de espécie. O índice H´ é um dos melhores índices para uso em comparações de comunidades. 124 Tópicos em Ciências Agrárias. Esse índice apresenta a vantagem de ser relativamente independente do tamanho da amostra. pi = freqüência relativa da espécie i dada por ni/N. ln = logaritmo neperiano. å ç N ( N . 1988). S = número total de espécies. sendo que em comunidades biológicas não ultrapassa o valor 5. expressando a uniformidade em número de indivíduos que as espécies possuem ou não. Ludwig & Reynolds. sendo que. H' H' max O índice proposto por Pielou (1977) e denominado J´ é. v. ni = número de indivíduos da espécie i. provavelmente. diversidade (H' e l) e eqüitabilidade (J') podem ser facilmente obtidos por meio da montagem de uma planilha de cálculo. Os índices de abundância (a). H' = componente da “riqueza” de espécies. H'max = ln S. então a diversidade na comunidade amostrada é baixa (Ludwig & Reynolds. Índice l (Simpson. dando a probabilidade de dois indivíduos coletados casualmente na população pertencerem à mesma espécie. 1977) J’ = onde.1) ö è ø Esse índice varia de 0 a 1. o que permite a comparação entre comunidades ainda que as amostragens em cada ambiente tenham sido realizadas com tamanhos diferentes (Odum. abundância e eqüitabilidade. 2009 . baseandose na abundância relativa de espécies e no grau de sua dominância. caso não haja interesse em separar os dois componentes da diversidade.1) ÷ ç ÷ i =1 æ n i (n i . N = número total de indivíduos.onde. o índice de eqüitabilidade mais usado em estudos ecológicos. 1. Índice J' (Pielou. De acordo com Washington (1984). atingindo o valor máximo quando todas as espécies apresentam a mesma freqüência relativa (Odum. UFRB. O índice J' varia de 0 a 1. 1949): s l= onde. 1988). ln = logaritmo neperiano. ni = número de indivíduos da espécie i. H' = componente de “riqueza” de espécies. N = número total de indivíduos.

A validação estatística para o modelo encontrado pode ser obtida por meio da análise de regressão. além de servir como indicativo da efetividade da amostragem das populações que compõem uma comunidade. pode-se fazer inferências sobre o esforço necessário para atingir um número determinado de espécies em comunidades distintas. 1981) e mede a eficiência do número de coletas na representatividade das espécies que ocorrem em uma determinada área (Colwell & Coddington. Magurran (1988) e Krebs (1989). Como o gráfico da curva de rarefação permite avaliar a intercessão dos eixos onde são plotados. na qual o esforço amostral foi de apenas 500 indivíduos. biomassa. 1971. evitando a sub amostragem. valor da abundância de espécies (S). Tópicos em Ciências Agrárias. Um estudo que se propõe a caracterizar uma comunidade baseado em seus índices faunísticos precisa se certificar que o ambiente foi suficientemente amostrado. Só pode ser considerado suficientemente amostrado aquele ambiente cuja curva encontrada apresente tendência à estabilização. quando se atingiu o total de 80 espécies. 1994). na comunidade 2. A fórmula e um programa para obtenção da Curva de Rarefação estão disponíveis em Ludwig & Reynolds (1988). é preciso aumentar muito o esforço amostral. a curva mostra que o ambiente não foi suficientemente amostrado e. 1. neste caso. o método da análise da riqueza baseado na Curva de Rarefação fornece informação sobre a suficiência amostral do estudo. UFRB. a variação do esforço amostral (número de indivíduos. a curva mostra que a riqueza foi baixa e que o esforço amostral foi suficiente para caracterizar a comunidade. enquanto que uma curva que mostre tendência de crescimento indica que novas espécies podem ser encontradas com um pequeno aumento no esforço amostral. discutido por Ludwig & Reynolds (1988). Na Figura 3. número de armadilhas) e a variação do número de espécies encontradas em função deste esforço. 1948). observa-se duas comunidades hipotéticas: na comunidade 1. abundância e outros). No exemplo da Figura 4. 35 Curva de Rarefação 30 Número de Espécies 25 20 15 10 5 0 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 comunidade 1 comunidade 2 Número de Indivíduos Figura 3. v. Curva de rarefação de duas comunidades hipotéticas.Modelo de distribuição e estimativa da abundância de espécies O método da Curva de Rarefação ou Curva do Coletor (Richness rarefraction method) indica o número de espécies esperadas em um dado tamanho de amostra (Hurlbert. para aumentar o número de espécies encontradas. James & Rathburn. Uma curva que tenda a se estabilizar indica que. a distribuição do número de indivíduos e de espécies por coleta indicou que o número de coletas realizadas foi suficiente para amostrar a abundância de espécies da área estudada. cujo esforço amostral foi de 1000 indivíduos. Ludwig & Reynolds (1988) defendem esse tipo de análise como o mais eficiente para comparar a riqueza de comunidades cujas intensidades de esforço amostral foram diferentes. 2009 125 . Um modelo de distribuição de abundância pode ser baseado na distribuição das espécies e indivíduos em oitavas (Preston. Observa-se que ocorreu uma estabilização a partir da 23a coleta. constância. calculados sobre os 1000 indivíduos encontrados levariam a erro na caracterização. número de horas amostradas. quaisquer análises de comunidade baseada em índices faunísticos (freqüência.

xo). 2009 . a = medida de amplitude inversa da distribuição.5). O procedimento para avaliar o modelo da distribuição lognormal truncada é encontrado em Magurran (1988).01) Coletas Figura 4. 1. m: estimativa da média Þ m = x . S(R) = número de espécies na R-ésima oitava (= classes). po = probabilidade da curva normal para zo (proporção da curva normal de acordo com Zar. onde o número estimado de espécie na comunidade é obtido pela equação: S* = onde. x: média do número de indivíduo em log 10 Þ x = åx S .42 R2 = 0. Curva do Coletor para amostras de abelhas (Apoidea) coletadas no vale do rio Paraguaçu. l = s2/(x-xo)2. (1961) para lognormal truncada.po ( xo . 1999). a distribuição lognormal é representada por: S(R) = So e(-a²R²) onde.96 (p > 0. v. So = estimativa do número de espécies na oitava modal. UFRB. Município de Castro Alves-BA. 1984). R = logaritmo na base 2 da abundância de espécie de uma determinada classe de oitava dividido pela abundância de espécie na oitava modal.28x + 25.90 espécies Número acumulado de es écies 80 70 60 50 40 30 20 10 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 y = 2. q = parâmetro obtido através de l e da tabela de Cohen Jr.q (x . De acordo com Ludwig e Reynolds (1988).m ) vx . S å 126 Tópicos em Ciências Agrárias. entre janeiro de 1994 e fevereiro de 1995 (Carvalho. R = 0 na oitava modal. 2 ( x . xo = log10(0. S = número total de espécies.x) 2 2 s : variância Þ s = . zo: variável normal estandartizada Þ zo = S 1 . S* = número estimado de espécies.

v.. com o número de graus de liberdade igual ao número de oitavas menos três (Magurran. aproximadamente. Isso significa que. No exemplo da Figura 1. Por outro lado. Segundo Krebs (1989).0% do número estimado de espécies presentes na área não foi coletado. UFRB. Os estudos sobre a composição faunística de áreas restritas apresentam limitações quanto à possibilidade de se fazer extrapolações para áreas maiores. a coleta de dados deve ser por vários anos (Martins. b) Freqüente (F) = f situado dentro do IC5%. Constância Calculada por meio da percentagem de ocorrência das espécies no levantamento (Silveira Neto et al. o incremento no número de horas de coletas em diferentes épocas do ano. a amostragem de insetos em áreas restritas fornece uma estimativa considerável da abundância relativa das espécies e famílias dentro da comunidade (Sakagami & Matsumura. sendo a abundância estimada (S*) igual a 86 espécies. ni = número de indivíduo da espécie i vx: estimativa da variância = s2 + q (x-xo)2 As oitavas são formadas por intervalos do número de indivíduos e número de espécies. sendo cada classe representada pelo dobro da abundância de espécie acrescido de 0. utilizando-se a fórmula: C= ç æ ci ö ÷ x 100 è Nc ø Tópicos em Ciências Agrárias. 1967). em relação ao total coletado (Silveira Neto et al. conforme Ludwig & Reynolds (1988) e Magurran (1988).. 7. ni = número de indivíduos da espécie i. esse tipo de resultado permite apenas uma abordagem descritiva da comunidade e não deve ser considerado conclusivo. 1976).5. como também. por meio de Intervalos de Confiança (IC) a 5% de probabilidade: a) Pouco Freqüente (PF) = f < o limite inferior (LI) do IC5%. Frequência A freqüência (f) das espécies é determinada pela participação percentual do número de indivíduos de cada espécie. um total de 80 espécies foi coletado (S). a estimativa do número de espécie na comunidade não possui um sistema para avaliar a sua precisão e deve ser analisada com precauções. 1. N = número total de indivíduos. 1988). Neste estudo. uma vez que o método de amostragem pode ter contribuído para a ausência de algumas espécies nas coletas. sendo necessário o estudo de outras áreas. æ ni ö ÷ x 100 èN ø De acordo com os resultados obtidos são estabelecidas classes de freqüência para cada espécie. requerendo uma quantidade maior de amostras. Entretanto. 2009 127 . c) Muito Freqüente (MF) = f > o limite superior (LS) do Ic5%. o modelo de distribuição das espécies observadas e esperadas pode ser estatisticamente avaliado pelo teste do Qui-quadrado. 1976): f = ç onde. provavelmente resultaria na amostragem de outras espécies consideradas raras (com poucos indivíduos). Apesar dessas limitações. 1990).x: número de indivíduo em log10 x = log10 ni. O teste do Qui-quadrado (X2) aplicado e o valor obtido é comparado com o tabelado ao nível de 5% de significância.

Bueno e Souza (1993). segundo a classificação de Bodenheimer (citado por Silveira Neto et al. (1989). b) Espécies acessórias (Y): C entre os limites (LI e LS) do IC5%. De acordo com os percentuais obtidos. Bicelli et al. Nc = número total de coletas efetuadas. pois depende da atividade desempenhada pela espécie na comunidade (Silveira Neto et al.onde: C = percentagem de constância. Rossi (1989). por exemplo. Li = limite inferior. Dominância A dominância consiste na capacidade ou não da espécie em modificar. k'2 = 2 (ni + 1). 1. 128 Tópicos em Ciências Agrárias. LD = limite da dominância. v. Um outro procedimento para considerar a dominância de uma espécie é quando o Limite Inferior for maior que o Limite Superior para K = 0. ni = número de indivíduos da espécie i. as espécies podem ser separadas em categorias. Laroca et al. (1982). (1983). 1976) e o IC a 5%em: a) Espécies constantes (W): C > limite superior (LS) do IC5%... Nascimento et al. c) Espécies acidentais (Z): C < o limite inferior (LI) do IC5%. S = número total de espécies. de acordo com Sakagami e Matsumura (1967). UFRB. Uma determinada espécie será considerada como dominante quando o seu limite inferior (Li) for maior que o inverso do número total de espécies multiplicado por 100 (LD). 1976).. LD = ç onde. Este método foi utilizado por diversos pesquisadores como. k1' e k2'. Fo= valor obtido da tabela de distribuição de F ao nível de 5% de significância para graus de liberdades obtidos em k1 e k2 e. utilizando as equações: Ls = ç ç æ (k1 xFo ) ö ÷ x 100 k2 + (k1 xFo ) ÷ è ø (k '1 xFo ) ö ÷ x 100 k ' 2 +(k '1 xFo ) ÷ ø e. Li = ç1 ç æ è onde: Ls = limite superior. k'1 = 2 (N ni + 1). k1 = 2 (ni + 1). k2 = 2 (N ni + 1). ci = número de coletas contendo a espécie i. N = número total de indivíduos. A dominância ou não das espécies pode ser obtida pelo método de Kato et al. 2009 æ1ö ÷ x 100 èSø . É uma característica difícil de ser avaliada quantitativamente. referido por Laroca & Mielke (1975). em seu benefício. o impacto recebido do ambiente. podendo assim causar o aparecimento ou desaparecimento de outros organismos.

aN = número coletado de indivíduos da espécie de abelha a. não depende do tamanho da amostra e é um dos melhores índices para medir a similaridade em estudos ecológicos (Wolda.+ n) onde: %S= Porcentagem de Similaridade a = Menor porcentagem da espécie "a" observada no confronto entre os dois agroecossistemas b = Menor porcentagem da espécie "b" observada no confronto entre os dois agroecossistemas n = Menor porcentagem da espécie "n" observada no confronto entre os dois agroecossistemas Tópicos em Ciências Agrárias. 1.. presença ou ausência. Por exemplo. utilizando as mesmas variáveis do Coeficiente de Sfrensen: CJ = j / (j + a + b) Outro índice conhecido é a Porcentagem de Similaridade. a abordagem é qualitativa. 1981). ou ainda entre espécies quanto a hospedeiros ou recursos tróficos pode ser obtida pelo Índice de Morisita-Horn (Im-h). v. de acordo com Magurran (1988). [( da + db ) ´ ( aN ´ bN )] Im-h = Índice de Morisita-Horn entre as espécies de abelhas a e b. bni = número coletado de indivíduos da espécie de abelha b na espécie vegetal i. O índice de Morisita-Horn varia de zero (nenhuma similaridade) a 1 (completa similaridade) (Krebs. calculada pela soma dos menores valores da porcentagem do total de indivíduos das espécies comuns às duas comunidades comparadas: %S = Somatório (a + b + . isto é. UFRB. Neste caso. onde se avalia a semelhança na composição das espécies entre duas áreas. ani = número coletado de indivíduos da espécie de abelha a na espécie vegetal i. 2 db = å bn bN 2 . A fórmula a seguir representa o Coeficiente de Sfrensen: CS = 2j / (2j + a + b) onde: a = número de espécies no agroecossistema I b = número de espécies no agroecossistema II j = número de espécies encontradas em ambos os agroecossistemas O coeficiente de Similaridade de Jaccard (1912) também pode ser utilizado para indicar a semelhança entre duas comunidades quanto à composição de espécies e pode ser obtido por meio da fórmula a seguir. bN = número coletado de indivíduos da espécie de abelha b.. Outro modo de avaliar a similaridade entre comunidades de insetos é o Coeficiente de Similaridade de Sfrensen. da = å an aN 2 2 .Similaridade entre comunidades de insetos A similaridade entre duas comunidades quanto à composição de espécies. 2009 129 . 1989). a similaridade entre as espécies de abelhas quanto às espécies de plantas visitadas pode ser calculada da forma a seguir: 2 ( an i ´ bn i ) Im-h = onde.

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CAPÍTULO 10 INTERFACE DA ENTOMOLOGIA APLICADA NA FRUTICULTURA TROPICAL Antônio Souza do Nascimento & Tuffi Cerqueira Habibe Tópicos em Ciências Agrárias .

com polpa e casca fina. Didonet et al. capitata danifica o fruto. ainda assim. Num posterior levantamento de insetos associados à cultura da acerola. (1999) mencionaram a presença de moscas-dasfrutas (Anastrepha spp. não foi relatada a presença de moscas-dasfrutas nesta cultura em Cruz das Almas (Sá. reduzindo a produtividade.. gerando mais de cinco milhões de empregos diretos (FAO. favorecendo o aumento da área de cultivo. Os estudos sobre os eucoilíneos para o controle biológico de moscas-das-frutas demostram o potencial desses parasitóides em programas de manejo de pragas. Este trabalho visou: a)Identificar as espécies de moscas-das-frutas que utilizam a acerola como hospedeiro. foi a espécie mais comum encontrada. esses parasitóides desempenham função importante como inimigos naturais de moscas-das-frutas.INTERFACE DA ENTOMOLOGIA APLICADA NA FRUTICULTURA TROPICAL Antônio Souza do Nascimento1. que ocorre da Argentina até o sul dos EEUU.br INTRODUÇÃO Atualmente. Nesse contexto. caracterização e dano dos Insetos-Praga em acerola em Cruz das Almas e relataram que a larva de C. UFRB. 1. nematóides.com.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. (1999) realizaram a descrição. c) Conhecer a incidência de inimigos naturais parasitóides nativos. não existe suficiente informação sobre o comportamento de insetos limitantes a sua produção. pela facilidade que o parasitóide encontra em localizar as larvas da mosca no interior do fruto. Tuffi Cerqueira Habibe 2 1 2 Pesquisador . (1980) realizaram o levantamento de tefritídeos no Brasil amostrando 55 espécies de hospedeiros dos quais 25 estavam atacados por C. causando danos econômicos em alguns fruteiras. as pragas e doenças assumem papel de grande relevância para essa atividade. Segundo Carvalho et al. o Brasil ocupa a terceira posição entre os países produtores de frutas. o incremento do parque industrial e a elevação de sua capacidade produtiva e de exportação. com uma percentagem de 70 % do total de braconídeos coletados e ocorrendo em 81 % dos frutos amostrados. no período de outubro a dezembro e alerta ao produtor a ter atenção especial com ela.br Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. O trabalho foi desenvolvido na área experimental da sede da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. o índice de parasitismo é maior. bactérias e parasitóides. parasitando tanto as espécies da família Tephritidae quanto as da família Lonchaeidae. num levantamento no país. isto é. predadores. v. E-mail: nascimento@cnpmf. Cruz das Almas-BA. b) Conhecer o nível de infestação nos frutos. Nascimento et al. 1999). 2003). aumentando o mercado interno e propiciando a conquista de novos mercados internacionais (Lima et al. Esses autores relataram que a mosca do mediterrâneo era mais freqüente nas fruteiras introduzidas enquanto que as espécies de Anastrepha preferem os hospedeiros nativos. com uma produção de 38 milhões de toneladas/ano. (2000). A fruticultura tem apresentado grande avanço nos últimos anos. No Brasil. Em frutos menores. Parasitóides Dentre os organismos que efetuam o controle biológico de moscas-das-frutas. que cai precocemente. As espécies de moscas-das-frutas assinaladas no Brasil. os estudos com parasitóides de moscas-das-frutas são recentes.. somente Ceratitis capitata é considerada praga de importância econômica. A acerola (Malpighia punicifolia L.embrapa. os últimos parecem ser os mais efetivos. 2009 135 . 1762) como hospedeira de moscas-das-frutas (Diptera: Tephritidae) no Recôncavo da Bahia O Brasil é o principal produtor de acerola (Malpighia punicifolia) no mundo. pertencem aos gêneros Anastrepha e Ceratitis. o parasitismo em moscas-das-frutas depende do tamanho do fruto. Devido à associação com os tefritídeos. Em 1995. patógenos. Os eucoilíneos conhecidos são generalistas. mas destaca que ainda sendo uma praga potencialmente importante. em Tópicos em Ciências Agrárias. capitata. Cruz das Almas-BA. por se constituírem em fatores limitantes à produção. E-mail: tuffihabibe@yahoo. Outro importante grupo de parasitóides é representado pela família Figitidae (Eucoilinae). devido principalmente à disponibilização de novas tecnologias.) como praga de aceroleira. Malavasi et al. 2001). verificou-se que Doryctobracon aerolatus.

06 0.00 0. têm sido confirmadas neste trabalho. mas possuem estratégias diferentes em relação à utilização de nutrientes.00 0.64 50.42 136 Tópicos em Ciências Agrárias.00 23. pelo fato de C. 1. Tabela 1.11 0.05 0. Monitorou-se semanalmente. cítros (Citrus sp.71 % correspondeu a C. 0. capitata e 99. distribuídas no centro e na periferia das culturas. Efetuou-se a coleta sistemática de frutos maduros ou em início de maturação em diferentes alturas da copa das árvores. 2009 . sendo acerola um cultivo introduzido.00 0.877 indivíduos coletados.01 0. Durante o período de estudo.04 0.00 15.36%) (Tabelas 1 e 2).00 75.00 0. mandioca (Manihot esculenta).67 32.00 0.17 0. (1980).343 pupas das quais emergiram 661 espécimes. 652 pertenceram à espécie C. mamão (Carica papaya).00 2. A área 1 teve como cultivos vizinhos.00 0.56 0. enquanto as espécies de Anastrepha infestam preferencialmente hospedeiros nativos.) por moscas-das-frutas dos gêneros Anastrepha e Ceratitis na Área 1 do Banco de Germoplasma em Cruz das Almas-BA. distantes entre si aproximadamente 500 m e separadas por vegetação nativa em direção nordeste.00 0.23 50.1 2. capitata (98.00 48.00 57.14 0. em duas áreas do Banco de Germoplasma BAG de Acerola.94 2. banana (Musa spp.00 0.64%) e 9 espécimes de A. estas duas espécies ocupam nichos alimentares semelhantes. UFRB.00 33. abacaxi (Ananas comosus). capitata ser a única espécie representante do gênero ocorrendo no Brasil. foram coletados nas duas áreas 14. utilizando atrativo alimentar hidrolizado de proteína (“Tephritide”) a 5% com armadilhas tipo Valenciano modificada. capitata foi dominante comparada com A. Estas proporções diferem da encontrada por Nascimento & Zucchi (1981) no Recôncavo Baiano que de um total de 17.79 70. 2001. Neste estudo.00 0.). Total fruto Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto TOTAL 590 1060 480 110 0 1040 180 440 290 0 0 1010 620 110 430 250 6610 Número Infestação Número Número Número Viabilidade Índice de pupas pupas/frutos Ceratitis Anastrepha Parasitóides Pupal Parasitismo 102 121 8 4 0 4 0 19 20 0 0 13 39 6 7 0 343 0.02 0.00 0. que os frutos introduzidos são mais susceptíveis a infestações por C.00 0. separados por sexo e descartados após sua verificação.00 0. v.00 0.) e vegetação nativa. As amostras foram levadas ao laboratório de Entomologia da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical e acondicionadas em bandejas plásticas contendo uma camada de vermiculita com aproximadamente 3 cm de espessura.00 0.00 0.00 0. a presença de C. afirmações feitas pelos autores naquela época em relação à adaptação de C. e segundo Zucoloto (1993). manga (Mangifera indica). BA.701 frutos que deram 1. corrobora com as observações feitas por Malavasi et al.Cruz das Almas.05 66 37 2 3 0 0 0 3 14 0 0 3 24 2 4 0 158 0 1 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 2 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 4 66.00 0. obliqua (1.00 0. cajá (Spondias lutea) e vegetação nativa.00 0. capitata às condições do recôncavo. para permitir a empupação. capitata.02 0. A área 2. Os espécimens de Tephritidae foram separados por sexo e identificados.00 0.07 0.08 61.04 0. O levantamento populacional foi iniciado em abril de 2000 até agosto 2001. obliqua.. Por outro lado. viabilidade pupal e índice de parasitismo em acerola (Malpighia punicifolia L. sendo que os indivíduos do gênero Ceratitis foram contados.00 0. Infestação de frutos.29 % a Anastrepha spp.33 0.00 0.

Em todo agroecossistema.00 0. UFRB.00 0.00 0.00 0.00 0. v.os inimigos naturais das pragas. acerolae identificado por Clark (1998).05 0.00 0.17 0.06 0.00 0.50 59. O A. área agrícola onde se explora uma cultura de expressão econômica.00 55.Tabela 2.07 0. com base em estudos desenvolvidos na região do Recôncavo da Bahia: 1 . com o aumento da demanda pelo mercado externo e visando principalmente ao aproveitamento de seu teor de vitamina C.00 0. no Banco Ativo de Germoplasma de acerola .00 0.42 0.33 94.00 0. e a intensidade dos danos varia de região para região.BAG.03 0. 2001.44 0. ataca os botões florais da acerola. Família e hábito alimentar. Objetivou-se identificar os principais insetos associados à acerola.00 0. A seguir.2 1.05 0.00 1.00 0.00 0. são relatas as épocas de ocorrência dos principais insetos-praga para a cultura. 1.00 0. bem como danos e sintomas causados entre junho de 1996 e dezembro de 1997. BA. o número de espécies que provoca danos é relativamente baixo. ganhou grande expressão a partir da década de 80. espécie descrita pelo material coletado em Nova Soure. onde pode-se constatar um número reduzido de espécies consideradas pragas da cultura. BA.00 0.00 0.09 68.00 0. Total fruto Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto TOTAL 950 490 940 281 0 0 1180 580 770 460 0 0 1140 950 100 250 0 8091 Número pupas 160 208 69 13 0 0 68 8 22 25 0 0 77 245 18 0 0 913 Infestação pupas/frutos 0. 1762) na região de Cruz das Almas.11 Número Ceratitis 98 107 45 5 0 0 34 3 13 17 0 0 24 136 12 0 0 494 Número Número Viabilidade Índice de Anastrepha Parasitóides Pupal Parasitismo 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 5 0 0 6 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 0 0 0 4 61. Cruz das Almas. Na cultura da acerola. A Tabela 3 apresenta a relação de espécies com a Ordem. seu período de maior ocorrência. 2009 137 . e um número razoável de espécies benéficas.67 38.88 51.93 0. no Brasil. As avaliações foram efetuadas no período de junho de 1996 a dezembro de 1997.01 0.00 0.Pulgão .01 0.92 66. num grupo de 55 plantas em genótipos identificados como “promissores” de um universo de 275 plantas..00 0.79 Insetos associados à cultura da acerola Malphigia punicifolia (L. podendo ser prejudiciais àquela cultura ou mesmo benéficos .Aphis spiraecola (Patch.) por moscas-das-frutas dos gêneros Anastrepha e Ceratitis na Área 2 do Banco Germoplasma em Cruz das Almas-BA.00 31.17 56.00 50.00 0. BA O cultivo da acerola Malphigia punicifolia L. surge um elevado número de insetos associados às plantas cultivadas.46 0.00 0. viabilidade pupal e índice de parasitismo em acerola (Malpighia punicifolia L. O experimento foi conduzido na sede da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical.26 0.00 0. quinzenalmente.18 0.00 37. Infestação de frutos.07 0.00 0. Tópicos em Ciências Agrárias. 1914) Hemiptera: Aphididae Os maiores picos populacionais ocorrem no período de agosto a outubro.45 0.

Bicudo do botão floral . v. 3 .) saevissima Trachideres thoracicus Fonte: Ampliado de Oliveira et al. provavelmente pela falta do alimento. Cigarrinha (Bolbonata tuberculata). 4 . 1997.. UFRB.. rufomarginata Ectatoma brunneum Edessa meditabunda Elasmus sp. acerolae e o C. 1988) Coleoptera: Curculionidae Os adultos ocorrem no período de setembro a abril.Orthezia praelonga (Douglas. Doryctobracon areolatus E. chegando a 100% em janeiro de 1997 e 56. 5 .. Percevejo vermelho (Crinocerus sanctus). acerolae e em C. Ortézia dos citros (Orthezia praelonga). seis merecem destaque pela alta freqüência na região estudada: Bicudo do botão floral (Anthonomus acerolae).Bolbonata tuberculata . 2009 .2 . 1.) blandus Ceratites capitata Chilocorus sp. Exoplectra sp. Pulgão (Aphis spiraecola).Anthonomus acerolae (Clark.) acuta Crinocerus sanctus Cycloneda sanguinea Cyphopsis clathratus Dorymyrmex sp. 1998 Ordem Coleoptera Hemiptera Coleoptera Hemiptera Hymenoptera Diptera Coleoptera Hymenoptera Hemiptera Coleoptera Coleoptera Hymenoptera Hymenoptera Hemiptera Hymenoptera Hemiptera Hymenoptera Hemiptera Coleoptera Hemiptera Hemiptera Coleoptera Hymenoptera Coleoptera Família Curculionidae Aphididae Coccinelidae Membracidae Formicidae Tephtidae Coccinelidae Formicidae Coreidae Coccinelidae Curculionidae Formicidae Braconidae Pentatomidae Formicidae Pentatomidae Elasmidae Membracidae Coccinelidae Coreidae Ortheziidae Chrysomelidae Formicidae Cerambicidae Hábito Fitófago Fitófago Predador Fitófago Trofobionte Fitófago Predador Trofobionte Fitófago Predador Fitófago Trofobionte Parasitóide Fitófago Trofobionte Fitófago Parasitóide Fitófago Predador Fitófago Fitófago Fitófago Trofobionte Fitófago 138 Tópicos em Ciências Agrárias. Espécie Anthonomus acerolae Aphis spiraecola Azya imitator Bolbonata tuberculata Camponotus (M. Malpighia punicifolia. a espécie ocorre praticamente em todos os meses do ano.6% em dezembro de 1996. 1775) Hemiptera: Coreidae Durante todo o ano. com pico populacional entre dezembro e fevereiro (Sá.Crinocerus sanctus (Fabr. As plantas apresentaram-se mais atacadas pelo A. Enchenopa sp.Cigarrinha .Moscas-das-frutas Ceratitis capitata (Wied. 1891) Hemiptera: Ortheziidae Época de ocorrência: De outubro a março. Relação de espécies de insetos associados à cultura da acerola. BA. Machtima crucigere Orthezia praelonga Physocoryna scabra Solenopsis (S.Percevejo vermelho . sanctus (inseto adulto). Crematogaster (E. Os resultados demonstram a grande diversidade de espécies associadas à cultura da acerola. Diptera: Tephritidae Havendo frutificação.(Coqueberg. Tabela 3. Cruz das Almas. sanctus uma vez que ambos têm como alvo de ataque o fruto. 1999). 6 . Dentre as 25 espécies identificadas. Os insetos estudados apresentaram uma queda na população entre abril e junho. período mais seco do ano. 1801) Hemiptera: Membracidae Durante os meses de março a setembro. Deve-se ampliar os estudos em A. devido ao período de chuvas. 1824) e Anastrepha spp. com pico populacional no período de agosto a fevereiro.

o estudo teve como objetivo conhecer sua performance reprodutiva sobre larvas de Ceratitis capitata (Wiedemann. o início. Após esse tempo. o fruto. Moscas-das-frutas são insetos que causam dano direto ao produto final. tendo como principal ferramenta o uso de inimigos naturais.5 dias de vida. de acordo com a metodologia vigente no laboratório. com uma média em torno de 32. exibiram uma menor amplitude entre os limites de idade. Devido aos inúmeros prejuízos que causam. dentre estes. e podem contribuir para o manejo integrado das moscas-das-frutas. merecendo cuidados especiais durante o período de frutificação (Carvalho. e organizadas continuamente campanhas multimilionárias de erradicação.000 cm3. estes picos se mantiveram até mais ou menos a metade do seu ciclo de vida (também próximo ao 20º dia). v. sendo classificados como pragas-chave das fruteiras e. A cada fêmea foram oferecidas. cada uma. Estudos da ocorrência e distribuição geográfica de parasitóides de moscas-das frutas no Brasil demonstram uma grande diversidade de espécies. Diachasmimorpha longicaudata (Ashmead. foram transferidas para pequenos recipientes contendo vermiculita. com tela nas laterais e parte superior. Os insetos foram criados em dieta artificial. A maioria desses programas empregam parasitóides da família Braconidae e. respectivamente. e receberam água em pequenos frascos cobertos com chumaços de algodão. agar e água. atingem o nível de dano econômico em densidades populacionais baixas. Doryctobracon areolatus (Szèpligeti. cerca de 100 larvas de C. Em ambos os casos. Período de oviposição Constatou-se que. Vinte dessas fêmeas receberam. para garantir a fecundação. possibilitando mensurar a longevidade dos parasitóides adultos fêmeas. especialmente em pomares orientados para o mercado externo. Os métodos de controle utilizados são principalmente químico. Este procedimento foi adotado durante todo o período de vida das fêmeas. (1998). 1824) (Diptera: Tephritidae). embora a atividade de oviposição estivesse presente durante toda a fase adulta das fêmeas não acasaladas. Dentre estes. BA. Quarenta fêmeas recém emergidas foram individualizadas em gaiolas cilíndricas de plástico transparente. Os trabalhos foram conduzidos no laboratório de Entomologia da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. nipagin. diariamente. 1988). têm sido estabelecidas numerosas barreiras fitossanitárias entre países e regiões. com predominância dos braconídeos. para puparem. cultural e comportamental (Técnica do Inseto Estéril .. 1984).Longevidade e reprodução de Diachasmimorpha longicaudata (Ashm. 1824). os limites máximos de sobrevivência encontrados muito se aproximam daqueles citados por Diaz (1992): 57 dias para fêmeas não acasaladas e 48 dias para fêmeas com reprodução sexual. conforme Carvalho et al. Longevidade de fêmeas adultas As fêmeas não acasaladas de D. longicaudata apresentaram longevidade máxima de 59 dias e mínima de 10 dias. com volume aproximado de 2. sendo 8 e 40 dias as longevidades mínima e máxima. Os machos ocasionalmente mortos antes das fêmeas foram substituídos. com sede em Cruz das Almas. exposta em bandagens de nylon. a companhia permanente de um macho. As larvas foram submetidas ao parasitismo em “unidades de exposição” confeccionadas a partir de um pequeno pedaço de tecido fino amarrado à maneira de um saco e dependurado na parte interior e superior da gaiola. como tal. Visando a utilização desse parasitóide no manejo de moscas-das-frutas em programas de manejo integrado. fim e picos de oviposição destas fêmeas. 1. No caso das fêmeas acasaladas. ácido ascórbico. O fato de fêmeas virgens terem sido mais longevas do que as acasaladas talvez possa ser explicado pela economia da energia que seria dispendida nos acasalamentos. houve uma concentração de picos de oviposição no terço inicial deste período (até o 20º dia). e têm custo muito elevado para governos e organizações internacionais. o número diário e total de descendentes produzidos por fêmea acasalada e não acasalada e a razão sexual da descendência. e média de 25.TIE). Os insetos foram alimentados com dieta artificial composta de mel de abelha. capitata em 3º estádio. Tópicos em Ciências Agrárias. As outras 20 fêmeas permaneceram virgens para aferição da capacidade reprodutiva sem acasalamento.1911) é a espécie mais abundante na maioria das regiões estudadas (Nascimento et al.8 dias. As larvas ficaram assim expostas ao parasitismo pelo período de 24 h. buscando-se otimizar sua criação em laboratório. Já as fêmeas acasaladas.) (Hymenoptera: Braconidae) criado em larvas de Ceratitis capitata (Wiedemann. A metodologia de criação de C. capitata foi adaptada de Diaz (1992). Programas de controle biológico bem sucedidos têm sido reportados na literatura. 2009 139 .80%) e 12 horas de fotofase. em condições controladas de temperatura (25º C). UFRB. 1905) tem sido a espécie mais utilizada em nível mundial. umidade (60 .

5x1. Solo. pertencentes principalmente às famílias Fabaceae. Euphorbiaceae. A média diária foi de 5. indica que o agente causal da meleira é o "Papaya sticky disease virus". Costa.16 parasitóides/fêmea..Fêmeas não acasaladas exibem o fenômeno da partenogênese arrenótoca. colocados em um recipiente de vidro (15 cm de diâmetro x 10 cm de altura) com tampa de tela. Convolvulaceae e Cucurbitaceae. dentre eles destacando-se os relacionados com afídeos. 52% dos seus descendentes foram fêmeas. Em ambos os casos. contendo três mudas sadias de mamão. longicaudata produziram apenas descendentes machos. evidencia-se a concentração da descendência (em torno de 90%) nos intervalos de idade que compõem a primeira metade da vida das fêmeas. foram inoculadas mecanicamente (ferimento com agulha) com látex de frutos de plantas infectadas por meleira. v. obedecendo as seguintes etapas: Período de aquisição (P. ainda que em número insignificante (3 e 4 descendentes). com o objetivo de identificar insetos-vetores do PSDV..72 descendentes/fêmea. A meleira é atualmente o maior problema fitossanitário da cultura do mamoeiro. embora os picos de oviposição concentrem-se nos primeiros 20 dias de idade. evidenciando a relação hospedeiro-vírus-vetor (Yuki et al.15 descendentes/fêmea. cigarrinhas e mosca-branca. 1998). Solanaceae. 2009 . Razão sexual da descendência: Fêmeas não acasaladas de D. Observou-se que todas as fêmeas acasaladas originaram prole.52.5 m) com tela antiafídica até a realização dos testes. em média. 4. O perfil de oviposição das fêmeas é dado importante para a criação massal da espécie e definição do período ótimo de atividade dos parasitóides. enquanto dois espécimes da amostra de fêmeas virgens não produziram descendente algum.75 descendentes. cigarrinha (Empoasca bordia) e mosca-branca (Bemisia tabaci Biótipo B). estas exibiram um mínimo de 3. um máximo de 312 e uma média para o ciclo de vida de 171.25% mais que as acasaladas.Fêmeas adultas de D. Quatro mudas de mamão cv.. 22. 2. 5. com aproximadamente dois meses de idade. durante o seu ciclo. Este trabalho teve com o objetivo identificar insetos-vetores do vírus da meleira do mamoeiro. longicaudata quando não acasaladas vivem. longicaudata 1. sendo o mínimo de 0 e máximo de 371 parasitóides/fêmea.A. A média diária ficou em 7. Compositae. sendo separados em grupos de 10 e 20 indivíduos adultos e/ou ninfas e posteriormente. 1998. Quanto às fêmeas acasaladas. Kitajima (1999). Barbosa et al.O número médio de descendentes/fêmea é praticamente igual para fêmeas virgens e acasaladas: em torno de 170 parasitóides/fêmea. sendo colocados separadamente em gaiolas de campo.1998). UFRB. O experimento foi desenvolvido nos Laboratórios de Entomologia e Fitovirologia. colonizando mais de 500 espécies vegetais.Quantificação da progênie As fêmeas não acasaladas produziram. A seguir. em média. sendo responsável por perdas de 30 a 100% na produção dos pomares afetados no sul e nordeste da Bahia e norte do Espírito Santo. Transmissão do vírus da meleira do mamoeiro por insetos Inúmeros são os estudos de transmissão de viroses por insetos vetores. em gaiolas de campo e telado na sede da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. 3. 1. PSDV e que o padrão de disseminação inicial sugere a existência de um vetor que traz o vírus de fora para dentro da plantação. sendo relatada também nos estados de Pernambuco e Ceará (Rodrigues et al.52. As seguintes espécies foram utilizadas nos testes de transmissão: pulgão (Toxoptera citricidus e Myzus persicae). permanecendo por um período de 1 hora 140 Tópicos em Ciências Agrárias.) Os insetos foram coletados com o auxílio de um pincel (afídeos) e um aspirador bucal (cigarrinha e moscabranca). A mosca-branca atualmente se constitui em um grave problema fitossanitário. 1993). localizada no município de Cruz das Almas-BA.A progênie de fêmeas acasaladas exibe uma razão sexual média de 0. ou seja. um número médio de 173.A. Malvaceae.1989. A progênie das fêmeas acasaladas mostraram uma razão sexual média da ordem de 0. Esta suposta esterilidade pode estar relacionada à ausência de machos.O período de oviposição de fêmeas acasaladas e não acasaladas coincide com a duração de seus estágios adultos. praticamente 1:1. atribuindo-se a estes a capacidade de estimular as fêmeas para a reprodução. sendo na sua maioria dicotiledôneas (Salgueiro. são apresentados os dados reprodutivos do parasitóide D. demonstrando uma participação equilibrada de ambos os sexos na descendência. mantidas em gaiola de campo (2x1.

Nove meses após a infestação. exceto o P. c) A identificação de Bemisia tabaci Biótipo B como vetor do vírus da meleira do mamoeiro. A capacidade da mosca-branca em transmitir virose para o mamoeiro foi relatada por Sangeeta et al.A. submetidas ao P. indicando o potencial de B. mediante inoculação com macerado de Bemisia tabaci GENN biótipo B. b) a mosca-branca. constatou-se a presença de dsRNA com migrações semelhantes ao de plantas naturalmente infectadas pela meleira (Figura 1A).A. todas as plantas infestadas por Bemisia tabaci biótipo B. 2009 141 . que neste caso foi realizado em planta sadia. cinco foram infectadas pelo vírus da meleira. as plantas foram mantidas em um telado por um período de trinta dias.A. demonstra alta eficiência do inseto como vetor (Tabela 4).A.A. as quais foram processadas e avaliadas de acordo com o protocolo de Morris & Dodds (1979) modificado por Habibe et al. não transmitiram o vírus da meleira do mamoeiro. onde permaneceram por períodos de 48 h e 30 min. não foi capaz de transmitir o vírus da meleira do mamoeiro (PSDV).A. e observação de sintomas da doença. onde permaneceram por um período de 24 e 72 horas. onde Bemisia tabaci é responsável pela transmissão de um Geminivírus para mamão. Testes com Bemisia tabaci biótipo B Três meses após a infestação. foram utilizados como controle. a ocorrência de mosca-branca em mamão foi relatada por Vieira & Correa (2001). Concluiu-se que: a) a cigarrinha Empoasca bordia.. Após o transplante para as gaiolas de campo. UFRB. tabaci como vetor. Testes com Empoasca bordia Não foi detectado dsRNA do PSDV nas plantas infestadas pelos insetos submetido ao P. sendo transplantadas posteriormente para gaiolas de campo (duas plantas por gaiola). coletadas em mamoeiros infectados pela doença. 2. por um período de nove meses quanto ao aparecimento dos sintomas da meleira. O índice de infeção observado aos três e nove meses após a infestação. coletou-se amostras de folhas novas de todas as plantas utilizadas nos testes. insetos provenientes das mesmas colônias.. não sendo detectado em nenhuma das plantas controle (Figura 1B). Apesar dos afídeos serem o grupo de vetores mais importante e eficiente na transmissão de mais de 275 fitoviroses (Nault 1997). inclusive para mamão. grupos de 10 e 20 espécimens de cada espécie foram transferidos para uma gaiola telada (50 x 25 x 25 cm) contendo uma planta de mamão sadia (planta-teste) com três meses de idade. sendo submetidas a análises para detecção do dsRNA do PSDV. para alimentação. submetidos aos mesmos procedimentos acima descritos. Para cada tratamento. as plantas foram avaliadas mensalmente.) Após o P. que encontraram Trialeurodes sp. Estes resultados corroboram com Vital et al.A. 1. submetidas ao (P.A. Período de acesso e inoculação (P.A. Testes com Toxoptera citricidus e Myzus persicae A análise eletroforética não revelou a presença do dsRNA do PSDV nas plantas testadas..I. apresentaram dsRNA do vírus da meleira. v. (2005). Tópicos em Ciências Agrárias. os insetos foram transferidos para uma gaiola de campo contendo planta com meleira.. (1998) na Índia. Após o jejum. quando demonstraram que Empoasca sp. os pulgões Toxoptera citricidus e Myzus persicae.I. Aos três e nove meses após o P. como também nas plantas controle. e Bemisia tabaci biótipo B. não foram capazes de transmitir o vírus da meleira. (2001) transmitiram o PSDV para mamoeiros sadios. colonizando e se alimentando em mamoeiros protegidos em telado. Habibe et al. onde permaneceram por um período de nove meses ou até a frutificação. A análise estatística foi realizada testando-se as proporções via aproximação normal pelo teste Z em nível de 5% de probabilidade. Após o P.A. confirma a hipótese do envolvimento de uma causa biótica na transmissão e disseminação da doença.A.I. tabaci biótipo B.I.A. Bemisia tabaci Biótipo B transmitiu o vírus da meleira do mamoeiro. (1999).sem alimentação (jejum). Das seis plantas infestadas por B. com uma percentagem de transmissão de 83%.). No Brasil.

A) 1: Marcador de DNA 1Kb .5000. 2009 . destacando-se nesse contexto a meleira do mamoeiro (Habibe et al.lote de produtor de mamão. Rio Grande do Norte. O mamoeiro é altamente suscetível às doenças fúngicas e viróticas. quanto à sua suscetibilidade ao PSDV. 7 controle negativo. B) Nove meses após infestação Tabela 4 . Os acessos foram introduzidos em duas áreas distintas. o Brasil desponta como líder do “ranking” dos países produtores de mamão com uma produção de 1. o que implica em vulnerabilidade às pragas. 2001). como os localizados no sul da Bahia. A) Três meses após infestação. Contribuindo com cerca de 25% da produção mundial. Espírito Santo. também constituem fatores limitantes à expansão da cultura (Oliveira. 1991). a mosca-branca (Bemisia tabaci GENN biótipo B). a totalidade de sua área está implantada basicamente sobre três cultivares pertencentes a dois grupos. Avaliou-se. Cruz das Almas-BA. Paraíba. tem-se observado um elevado número de plantios atacados pelo PSDV na região do vale Sub-Médio São Francisco.. 9: meleira. 1. 16 genótipos de mamoeiro. Apesar dessa posição de destaque. 7-8/10-11: controle negativo.1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 A B Figura 1.2%. principalmente nos plantios irrigados. a disseminação do vírus também ocorre durante as operações de eliminação das folhas quando não é feita a desinfecção das ferramentas utilizadas. 8: Marcador de DNA 1Kb. A ocorrência da meleira vem ocasionando grandes prejuízos à produção da fruta. 142 Tópicos em Ciências Agrárias. 9:Látex de planta naturalmente infectada pela meleira.1994. doenças e variações edafoclimáticas. UFRB. Nos últimos anos. 2002). neste trabalho. 2-6: Amostras de plantas infestadas por Bemisia tabaci biótipo B. Nº de plantas 1ª avaliação infestadas 90 dias Bemisia tabaci biótipo B 6 83%* Empoasca bordia 0% NS 6 Toxoptera citricidus 6 0% NS Myzus persicae 6 0% NS * = Significativo em nível de 5% de probabilidade pelo teste de Z. contendo extrações de dsRNA de amostras de látex e folhas de mamoeiro. 2003). Dantas. ambas localizadas em Petrolina-PE: área 1. A disseminação do vírus ocorre de fora para dentro da plantação. v. obtidos no Banco Ativo de Germoplasma (BAG-Mamão) da Embrapa Mandioca e Fruticultura.. A disseminação dessa virose vem se dando de forma crescente. 12: Marcador de DNA 1Kb. Gel de agarose a 1. Nas linhas de plantio. NS = não significativo ESPÉCIE 2ª avaliação 270 dias 100%* 0% NS 0% NS 0% NS A meleira do mamoeiro no trópico semi-árido O mamoeiro é uma das fruteiras mais cultivadas e consumidas nas regiões tropicais e subtropicais do mundo (Chen et al. tendo como agravante a essa situação a ação de um complexo de fungos atacando a cultura. Solo e Formosa. 1999). pelo inseto vetor. atingindo diversas áreas de cultivos comerciais no país. sob condições de trópico semi-árido. Além do problema inerente a esta estreita base genética.000 t/ano (FAO. Ceará e Pólos Frutícolas de Juazeiro-BA e Petrolina-PE. o elevado preço e a dificuldade de obtenção de sementes do híbrido F1 comercial do grupo Formosa. Percentagem de plantas infectadas pelo vírus da meleira. O objetivo do presente trabalho foi gerar informações sobre o comportamento varietal de mamoeiros ao PSDV. B) 1-6: Amostras de plantas infestadas por Bemisia tabaci biótipo B. após infestação por insetos (Cruz das Almas-Bahia.

CMF 012 e CMF 008 mostraram-se altamente suscetíveis ao PSDV. Na área 1. 2002. Na medida em que houve um aumento populacional deste inseto na área 2. quanto a presença dos sintomas e dsRNA característicos da doença. biótipo b. Walkyria Maria Sampaio Sá. Antonio Souza do Nascimento. comparativamente à área 2 (Embrapa Semi-Àrido). As plantas foram monitoradas durante o período entre janeiro de 2001 a outubro de 2002. UFRB. havendo um maior número de plantas infectadas em um menor espaço de tempo (Figura 2). desenvolvidas no “Curso de Mestrado em Ciências Agrárias da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia”. 1. Avanço da infecção pelo PSDV em 16 acessos de mamoeiro. assim como uma elevada colonização de mosca-branca Bemisia tabaci (GENN). observou-se que a velocidade de disseminação do vírus na área 1 foi superior à apresentada na área 2. sem a presença do vírus. mediante a transmissão experimental do PSDV para mamoeiro por mosca-branca B. v. sob orientação do Dr. Sérgio Wally Pereira Bispo e Carlos Augusto Vidal. ao final das avaliações. fonte de informações para estabelecimento de estratégias de controle para a meleira. área sem histórico da doença. inicialmente foi mais rápida na área 1 (Produtor). Os autores dessa compilação agradecem aos Mestres: Noemi Elizabeth Castro Portilla. para obtenção da fonte de inóculo. as bordaduras foram inoculadas mecanicamente com meleira. Além disso.Estação Experimental da Embrapa Semi-Árido. as duas áreas apresentaram o mesmo percentual de infecção pelo PSDV. Petrolina PE. Entretanto. Os resultados obtidos poderão servir de subsídio aos programas de melhoramento genético do mamoeiro. A disseminação mais rápida do vírus na área 1. foi observada a elevação no número de acessos infectados. (2000). nas áreas avaliadas. CMF 054. Tópicos em Ciências Agrárias. além de ser observada alta colonização destas plantas por mosca-branca. A disseminação da infecção pelo PSDV. tabaci (GENN).apresentando alto índice de infecção pela meleira. avaliados sob condições de trópico semi-árido em área de produtor área 1 e Campo experimental da Embrapa Semi-Arido área 2. área 2. biótipo B nos mamoeiros presentes na área. assim como. verificou-se uma baixa ocorrência de mosca-branca. 2009 143 . observou-se um grande número de plantas infectadas pelo PSDV. Campo experimental da Embrapa Semi-Árido. que indicaram ser a mosca-branca vetor da meleira. Nesta área. lote de produtor de mamão. Figura 2. lote do produtor. na área 2. Foram considerados de baixa suscetibilidade ao vírus o Tainung Nº 1 e os acessos CMF 018. Estes resultados corroboram com os obtidos por Vidal et al. inversamente ao que foi observado na área 2. AGRADECIMENTOS O texto acima é uma compilação das Dissertações de Mestrado. Entretanto. pode ser explicada pela presença de grande número de mamoeiros infectados pelo PSDV. Os acessos CMF 023.

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146 Tópicos em Ciências Agrárias. 1. 171-173. Ocorrência de moscas-brancas (Hemíptera: Aleyrodidae) e do predador Delphastus pusilus (LeCont) (Coleóptera: Coccinelidae) em mamoeiro (Carica papaya L. L.. M. V. 675-678. 2009 . Londrina. S. A.gennaio. 1993. Transmissão experimental do vírus do mosaico dourado do feijoeiro por Bemisia argentifolii Bellwos e Perring. 4. Dordecht. Adaptation of a Ceratitis capitata population to an animal protein based diet. v. 67. v. CORREA. F. 2001. R. v.VIEIRA. YUKI. Neotropical Entomology. Entomologia Experimentalis Applicata. 27. UFRB. 119-127. dez. Londrina. p. mar. et al. n.) sob cultivo em ambiente protegido. 1. 1998. p. Anais da Sociedade Entomológica do Brasil. v. ZUCOLOTO. p. S.

UFRB.CAPÍTULO 11 INTERAÇÃO ENTRE FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES E PATÓGENOS RADICULARES DE CITROS Antônio Alberto Rocha Oliveira. v. Cláudia Melo da Paixão & Robélia Tosta Dias Amorim Tópicos em Ciências Agrárias. 1. 2009 .

Assim. 1992. v. as plantas cítricas foram identificadas como as mais dependentes dos FMAs e que também redundaram em melhores respostas. 1984). principalmente em solos com baixo nível de fósforo disponível na solução. UFRB. A inoculação conjunta dos dois microrganismos fez reduzir o número de propágulos do patógeno e aumentou rapidamente o mecanismo de resistência à doença. Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO A produtividade de um pomar de citros depende em grande parte da qualidade da muda usada na sua implantação. uso de práticas culturais que minimizem a exposição da suscetibilidade do tecido do enxerto ao fungo e na fumigação do solo antes do plantio. Em outro trabalho.INTERAÇÃO ENTRE FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES E PATÓGENOS RADICULARES DE CITROS Antonio Alberto Rocha Oliveira1. Calvet et al. vigorosas. em relação aos fitopatógenos. Das frutíferas estudadas nos últimos anos.. constituindo uma superfície adicional. 1991). Agr. Esses fungos formam associações mutualísticas com as raízes das plantas e ocorrem na maioria das espécies em condições naturais. probabilidade de desenvolvimento de resistência e potencial de risco ao ambiente (Rossetti. 1996). o grande número de doenças que incide sobre a cultura. mas nem sempre é desejável devido ao alto custo. de crescimento rápido. Diversos fatores podem influenciar o desenvolvimento das mudas e. vem se multiplicando o número de pesquisas que fazem uso do método de controle biológico. sendo de interesse dos viveiristas e técnicos a obtenção de mudas sadias. 1994). Cruz das Almas-BA Eng.. sendo que a pré-colonização da raiz pelo fungo micorrízico garante uma proteção mais eficiente. como o fósforo. Estratégias de manejo consistem. Cláudia Melo da Paixão2.) protegeu a planta de Pythium ultimun. com isso. dentre eles. no uso de porta-enxertos resistentes. Robélia Tosta Dias Amorim3 1 2 3 Pesquisador . O efeito benéfico é devido. intraradices com Pythium ultimum não afetou a biomassa de Tagets patula e em plantas jovens não afetou a colonização das raízes por Glomus. O efeito protetor ocorre quando ambos os microrganismos estão simultaneamente presentes na rizosfera ou na raiz da planta. bem como portadoras de uma rizomassa desenvolvida. o gênero Pythium destaca-se como patógeno de grande importância. aphanidermatum. em relação à inoculação micorrízica duas semanas depois do fitopatógeno. estudando gengibre. (1993) citam que Glomus mosseae inoculado em cravo de defunto (Tagets erecta L. havendo aumento de biomassa vegetal. Dentre os fungos que afetam a cultura dos citros.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. Fontes. Guillemin et al. das quais. 2009 149 . quando a mesma ainda não está infectada por P. A aplicação de fungicidas sistêmicos pode provocar boa supressão da doença. à formação de micélio externo à raiz que. Eyer & Sundaraju (1993). 1991. depende de quais organismos se estabelecem primeiro no tecido das raízes (Siqueira. notadamente o uso de fungos micorrízicos arbusculares (FMA) para o controle de diversas fitomoléstias (Zambolim. quando inoculado com Glomus fasciculatum. a incidência de “damping-off” foi reduzida e o peso da raiz aumentada. podridão de raízes e podridão mole de órgãos suculentos. 1985). Nos anos recentes. em solos fertilizados com 6 g de P/g de solo. sendo responsáveis pela maior absorção de água e nutrientes do solo pelas plantas (Zambolim & Siqueira. O efeito de FMAs. Davis & Menge (1980) demonstraram que. Cruz das Almas-BA Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. St-Arnaud (1994) observou que a inoculação de G. a muda cítrica é considerada o insumo mais importante na formação de um pomar. em termos de redução de danos causados por Pythium aphanidermatum. o que caracteriza os principais solos brasileiros utilizados para a citricultura (Hoffmann et al. tais como: podridão de sementes. Este resultado sugere que FMAs podem colonizar e proteger plantas de tomate de “damping-off”. 1. este efeito deve começar durante a fase inicial de desenvolvimento do vegetal e continuar durante todo ciclo da cultura (Silveira. a retirada de elementos minerais pouco móveis. aphanidermatum (Hedge & Rai. dentre outras. permite melhor distribuição das raízes no solo. 1994). observaram que os FMAs foram favoráveis ao crescimento das plantas reduzindo a percentagem de infecção por P. Assim. Esse fungo é amplamente distribuído no mundo. 1992). Quando Glomus foi inoculado simultaneamente ou duas semanas antes do fitopatógeno. principalmente. atacando partes subterrâneas das plantas ou partes destas que se desenvolveram próximas ao solo. aumentando. Efeitos benéficos foram observados em plantas de tomate cultivar “Pusa Ruby”. mais de 52 são atribuídas a fungos e bactérias. causando diferentes tipos de doenças. estiolamento de pré e pós-emergência. o total de Tópicos em Ciências Agrárias. Escola de Agronomia/UFBA.

contribuindo desta forma para a biodiversidade e sustentabilidade agrícola. para que fosse garantida a presença de espécies nativas de fungos micorrízicos bem como a microbiota natural do substrato e de solo autoclavado. Esse estudo sugere que plantas cítricas micorrizadas são eficientes no controle de Phytophthora em condições de baixa fertilidade. O inóculo foi constituído por 20 g da mistura de solo que foi pesada de forma a fornecer aproximadamente 900 esporos por vaso. a densidade de 3. Amostras de mudas de limão 'Cravo' com sintomas semelhantes àqueles causados por “damping off” foram coletadas e trazidas para o laboratório de Fitopatologia. Duas semanas pósgerminação. obtiveram-se diferentes isolamentos. 1. Entretanto. transplantadas para os vasos que já continham o substrato. o emprego de plantas cítricas micorrizadas oferece grandes possibilidades de exploração. Colocou-se. foi multiplicada. foi realizada a inoculação com o FMA. 150 Tópicos em Ciências Agrárias. Gigaspora margarita. todos os vasos não inoculados com G. micélio e raízes infectadas. a concentração da suspensão a ser utilizada foi ajustada para 104 esporângios mL-1. com um solo arenoso coletado no campo da Central de Tratamentos de Efluentes (CETREL) e uma parte de areia grossa lavada coletada em rio. distribuiu-se um pouco do inóculo. na cultura dos citros.4x105 esporângios mL-1 e. então. em substrato natural e autoclavado. Do preparado de P. triturou-se o conteúdo das placas (cultura pura com fungos com 18 dias de idade) acrescido de 200 mL de água deionizada.peso seco de citros micorrizados com Glomus fasciculatum foi maior que na condição não inoculada. coletado na área experimental da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. buscou-se com o presente trabalho avaliar o efeito de FMAs nativos e/ou Gigaspora margarita e de Pythium aphanidermatum no desenvolvimento e nutrição de mudas cítricas. numa proporção de 1:1:1 (v:v:v). em condições controlada de casa de vegetação.037 mm de abertura) com a finalidade de reter propágulos de FMAs e deixar passar os outros microrganismos presentes na microbiota desse substrato. ex Tan. a microbiota entre os tratamentos. cultivada no pomar da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. a um menor custo de produção por reduzir gastos com defensivos agrícolas e fertilizantes. margarita a população de outros microrganismos existentes no inóculo utilizado no experimento com este fungo usado. empregando-se como recipientes. margarita receberam 10 mL de um filtrado do inóculo isento de propágulos de FMAs. a partir desta. Em cada abertura foi colocada uma semente para obtenção dos porta-enxertos. permitindo-se. sob condições de casa de vegetação. bem como obter informações complementares sobre a viabilidade da utilização de porta-enxerto tangerina 'Cleópatra' como alternativa ao limão 'Cravo'. então. com maior desenvolvimento. pois pode resultar em mudas mais precoces. No preparo do inóculo. aphanidermatum foi retirado uma amostra de 1 mL para contagem em hemacitômetro de Rosenthal estimando-se. durante cinco meses. em liquidificador. a literatura nacional e internacional sobre interação entre estes fungos simbióticos e aqueles patogênicos é muito escassa em resultados de pesquisa. A esterilização foi feita em autoclave durante uma hora à pressão de uma atmosfera. assim. Sementes de limão 'Cravo' (Citrus limonia Osbeck CV) e tangerina 'Cleópatra' (Citrus reshni Hort. Assim. 2009 . Ensaio O experimento foi conduzido na Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. De forma semelhante à descrita na inoculação com FMAs. A espécie de fungo micorrízico arbuscular utilizada. A partir das lesões nas mudas selecionadas. Como substrato foi utilizado uma mistura de latossolo amarelo distrófico. uniformizando. sementeiras de isopor que foram preenchidas com areia previamente autoclavada.) foram retiradas de frutos maduros originados de uma única planta apropriada para matriz. Fez-se um orifício central no substrato. v. desta forma. procedeu-se à inoculação com o filtrado usado nos tratamentos sem FMAs. a 1200C. mais tolerantes à fitopatógenos e ao estresse do transplantio e do ambiente. procedente da coleção de FMAs do Laboratório de Nematologia e Microbiologia do Solo da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. ao mesmo tempo em que se distribuiu o restante do inóculo ao redor e sobre as raízes da mesma. Os tratamentos constaram de solo natural. No ato do transplantio das mudas para os vasos. Dessa forma. simulando plantio de mudas em cova e no fundo deste orifício. um contato íntimo. no período abril a setembro de 1999. utilizando-se sorgo (Sorgum vulgare) como planta multiplicadora. UFRB. as plântulas foram selecionadas de acordo com a altura e o número de folhas. A semeadura foi realizada em casa de vegetação. durante dois minutos. Visando fornecer aos tratamentos não inoculados com G. dois a três pares definitivos. localizada no município de Cruz das Almas. em vasos contendo uma mistura de solo de baixa fertilidade: areia grossa lavada: turfa (1:1:1 v:v:v) autoclavada. Esse filtrado foi obtido a partir de 20 g do substrato dos "vasos de cultivo" usado na multiplicação dos FMAs em 1 litro de água deionizada e peneiramento úmido em peneira de 400 "mesh" (0. sendo. a muda. assim. aumentando-se gradativamente a velocidade até o máximo. Estado da Bahia. numa pressão de 1 atmosfera por 1 hora a 120 ºC.

A inoculação de P. aphanidermatum foi realizada juntamente com a de G. margarita, simultaneamente ao transplantio das mudas, através da aplicação de 50 ml de uma suspensão contendo hifas, zoósporos e esporângios distribuídos uniformemente sobre as raízes na superfície do substrato ao redor das plantas. Para as testemunhas, sem fitopatógenos, triturou-se meio de cultura sem fungos, e obedecendo procedimento idêntico ao do tratamento com inoculação do fungo, inoculou-se o preparado no mesmo volume da suspensão. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos inteiramente casualizados em esquema fatorial 2x2x2x2 com quatro repetições, perfazendo um total de 64 vasos. Cada unidade experimental foi constituída por um vaso plástico contendo uma muda. O experimento foi conduzido durante, aproximadamente, cinco meses, sendo avaliados: altura das plantas, diâmetro do caule, número de folhas, área foliar, peso da matéria seca da parte aérea e das raízes, comprimento de raiz, densidade de esporos e colonização micorrízica. Para determinação da colonização micorrízica, usaram-se apenas as radicelas, que foram lavadas em água destilada e cortadas em segmentos de aproximadamente 1cm. O descoramento e a coloração das raízes foram realizados a partir da metodologia de Phillips & Hayman (1970) que foi modificada empregando-se KOH 10 % em banho-maria a 90 0C durante 40 minutos, água alcalina durante 15 minutos, HCl 3 % em 5 minutos, 12 horas em azul-de-trípano a 0,05 %. A percentagem de segmentos colonizados foi determinada pela visualização sob microscópio estereoscópio de 50 segmentos radiculares de aproximadamente 1 cm de comprimento dispostos em lâminas de vidro contendo glicerina e cobertas com lamínulas, com base em metodologia proposta por Giovannetti & Mosse (1980). O comprimento total das raízes foi determinado pelo método da intersecção linear em placa quadriculada, de acordo com Newman (1966). Para esta determinação, foram utilizadas radicelas e raízes mais grossas também cortadas em aproximadamente 1cm de comprimento. Os esporos foram extraídos em 50 g de substrato úmido através de peneiramento e centrifugação em solução de sacarose 50 % por 5 e 1 minuto, respectivamente (Gerdemann & Nicolson, 1963; Pacioni, 1992). Em seguida foram colocadas em placas de Petri quadriculadas e através de lupa estimou-se a densidade total de esporos (Giovannetti & Mosse, 1980). Sub-amostras pesando 50 g de substrato úmido foram colocadas em estufa a 60 0C, durante 2 dias, para obtenção de peso da matéria seca e, por regra de três, obteve-se o número de esporos por grama de substrato seco. Todos os dados foram submetidos à análise de variância e teste de Tukey a 5%, para comparação das médias conforme o delineamento experimental utilizado, através do programa estatístico SAEG (Ribeiro Junior, 2001). Densidade de esporos de FMAs e colonização micorrízica Ocorreram diferenças significativas em relação a todos os tratamentos isoladamente. Na Figura 1, são apresentados os dados sobre densidade de esporos micorrízicos na rizosfera e taxa de colonização micorrízica dos porta-enxertos, aos 150 dias pós-semeadura. A pequena quantidade de esporos observada no tratamento testemunha, substrato autoclavado e não inoculado, pode ser predominantemente refugo da esterilização, estando inviável, já que a colonização micorrízica foi praticamente ausente neste tratamento. Nos tratamentos com G. margarita, observou-se tendência de maior esporulação em substrato natural, o que, possivelmente, deve ser devido à presença de fungos nativos já adaptados ao substrato mais a introdução de G. margarita, que, também, apresentou boa adaptação. Além disso, como os esporos de Gigaspora são grandes, a quantidade produzida é menor em comparação com a de outras espécies, justificando-se a menor densidade de esporos dos tratamentos autoclavados. Nas plantas sem Pythium, a densidade de esporos foi maior para o limão 'Cravo', entretanto, na presença deste patógeno, verificou-se menores valores em praticamente todos os tratamentos. Pelos dados de colonização apresentados por G. margarita em substrato autoclavado, para os dois portaenxertos, acima de 98 e 48%, na ausência e presença de patógenos, respectivamente, evidencia-se que os propágulos deste fungo eram viáveis e estavam em quantidades suficientes para garantir a colonização das radicelas e resposta da planta. Os fungos nativos apresentaram colonização acima de 45 e 40% na ausência e presença do patógeno, respectivamente, evidenciando, também, estabelecimento no substrato e boa capacidade de colonização das raízes dos porta-enxertos cítricos. G. margarita promoveu maior colonização micorrízica em substrato autoclavado ou em substrato natural, comparada aos fungos nativos isoladamente. Entretanto, os maiores valores de colonização foram observados em substrato autoclavado, podendo-se inferir que os FMAs nativos reduziram os efeitos proporcionados por G. margarita, visto que, na ausência destes fungos, a resposta à inoculação foi significativamente maior para as
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duas variedades. Segundo Brundrett & Juniper (1995), fatores como emissão múltipla de tubos germinativos e o grande tamanho dos esporos favorecem a viabilidade e capacidade de colonização das espécies de Gigaspora.

S0 M0

S0 M1

S1 M0

S1 M1

Limão 'Cravo'
12

Tangerina 'Cleópatra'
12
Esporos g de substrato

Esporos g de substrato

10 8 6 4 2 0

aA aA aA aA bA
Sem patógeno

10 8 6 4 2 0

aA aA aA aA bA
Sem patógeno

aA

aA aA

-1

bA
P. aphanidermatum

-1

aA

bA
P. aphanidermatum

Limão 'Cravo'
% de segmentos colonizados % de segmentos colonizados 120 100 80 60 40 20 0

Tangerina 'Cleópatra'
120 100 80 60 40 20 0

aA bA cA aB aB aB

aA

bA bA

aB aA aA

dA
Sem patógeno

bA
P. aphanidermatum

cA
Sem patógeno

bA
P. aphanidermatum

Figura 1. Efeito da inoculação com Pythium aphanidermatum sobre a densidade de esporos micorrízicos na rizosfera e taxa de colonização micorrízica dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra' inoculados ou não com Gigaspora margarita, em substrato natural ou autoclavado. Substrato: S0=natural, S1=autoclavado. FMAs: M0=não inoculado, M1= Gigaspora margarita. Barras seguidas pelas mesmas letras maiúsculas comparam os tratamentos patogênicos com ou sem inoculação de FMAs e minúsculas comparam os tratamentos micorrízicos na presença ou ausência do patógeno (Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Cruz das Almas - BA, 1999).

Foi verificada influência da variedade na colonização por FMAs, sendo estes valores maiores no limão 'Cravo'. Smith & Gianinazzi-Pearson (1988) observaram que diferentes espécies e isolados de uma mesma espécie de FMAs podem exibir benefícios diferenciados às plantas hospedeiras em função das condições edafoclimáticas e aspectos da relação fungo-planta. Observou-se que P. aphanidermatum reduziu a colonização micorrízica dos FMAs nativos e do introduzido e, que na presença deste patógeno, não houve efeito significativo de G. margarita em relação aos fungos nativos, o que foi observado na sua ausência. Provavelmente, ocorre competição entre os diferentes fungos por espaço e fotossintatos das plantas, reduzindo a colonização. Pereira (1994), estudando a colonização de cafeeiro por G. margarita e Rhizoctonia, comentou que os danos causados pelo patógeno no sistema vascular e vasos condutores de seiva, com desestruturação dos tecidos, limitando, consequentemente, o crescimento do fungo micorrízico, também pode ocasionar menor colonização. A redução da colonização micorrízica ocorreu nas duas variedades, mas com diferença significativa apenas no limão 'Cravo'. Desta forma, trabalhando-se com FMAs, se for constatada a presença de Pythium no substrato, seria mais adequado trabalhar com a tangerina 'Cleópatra' do que com o limão 'Cravo' que sofre mais danos quando infectado por este patógeno.

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Características de crescimento das plantas Os valores médios de altura, número de folhas, diâmetro do caule e área foliar do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', em função dos tratamentos fúngicos e das épocas de avaliações, encontram-se na Tabela 1. Verifica-se que, mesmo na ausência do patógeno, os valores de todas as características em substrato autoclavado sem FMAs foram muito baixos. De maneira geral, independentemente do tratamento dado ao substrato, os valores de todas as características analisadas foram significativamente superiores em plantas micorrizadas. Observa-se que os FMAs nativos promoveram aumentos de 48,57 e 31,95% na altura do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', respectivamente, sendo que, em relação à área foliar, estes valores foram superiores 608,33% para o limão 'Cravo' e 190,77% para a tangerina 'Cleópatra'. Já a inoculação de G. margarita promoveu aumento acima de 140% na altura dos dois portaenxertos estudados e de 1004,17 e 318,46% na área foliar de limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', respectivamente, comprovando que as plantas cítricas são bastantes micotróficas e que a presença de FMAs no substrato contribui significativamente para o desenvolvimento dessas plantas. Este resultado vem sendo mencionado em diversos trabalhos com associações micorrízicas em citros (Kleinschmidt & Gerdemann, 1972; Cardoso et al. 1986; Camargo, 1989; Weber et al., 1990; Fonseca et al., 1994).

Tabela 1. Influência da inoculação com Pythium aphanidermatum e/ou Gigaspora margarita sobre o crescimento vegetativo dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', em substrato natural ou autoclavado (Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Cruz das Almas - BA, 1999).

Tratamentos Variedades Gm * Solo** A NI NA ‘Cravo' A I NA

Altura das plantas (cm) NI 6,65 aB 9,88 aA I 6,05 aB 7,23 bA

Número de folhas

Diâmetro do caule (cm)
*

Área foliar 2 (cm ) NI 6,00 aB I 4,00 aB

Pythium aphanidermatum NI I NI 6,00 aB 9,50 aA 4,00 bB 7,50 bA 0,21 aB 0,30 aA

I

0,18 bB 0,23 bA

42,50 aA 39,00 aA

17,23 aA 12,83 aB

10,90 bA 10,08 bB

13,25 aA 12,25 aA

10,67 bA 0,36 aA 9,40 bB

0,30 bA

66,25 aA 47,00 bA 53,50 aA 50,67 aA

0,33 aB 0,28 bA

A NI ‘Cleópatra’ I NA

8,45 aB 11,15 aA

6,13 bB 9,65 bA

8,50 aB

7,00 bB

0,24 aB 0,31 aA

0,20 bB 0,30 aA

16,25 aB 11,50 aB 47,25 aA 45,25 aA

14,00 aA 11,75 bA

A NA

20,50 aA 16,38 aB

12,20 bA 11,33 bB

18,75 aA 13,75 bB 15,50 aB 15,25 aA 7,21

0,39 aA

0,29 bA

68,00 aA 50,00 aA 62,00 aA 48,25 aA 31,93

0,36 aB 0,30 bA 5,53

CV (%)

4,76

Médias seguidas pela mesma letra maiúscula nas colunas e minúscula nas linhas não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. *Gm = Gigaspora margarita. NI - Não inoculado; I - Inoculado. **A - Autoclavado; NA - Natural.

Observou-se que os benefícios promovidos por G. margarita foram maiores em substrato autoclavado do que no natural. Como o aumento proporcionado por G. margarita em substrato natural foi superior ao obtido com os fungos nativos, infere-se que, também nesta condição, houve bom estabelecimento de G. margarita, que apresentou poder competitivo diante dos endófitos nativos. Manjunath et al. (1983) e Oliveira & Jesus (1987) também observaram que a inoculação micorrízica de citros pode ser benéfica, mesmo em alguns solos não esterilizados. Os maiores valores de altura e diâmetro do caule do limão 'Cravo' (17,23 cm e 3,6 mm, respectivamente) observados no tratamento autoclavado e inoculado com G. margarita, na ausência de Pythium, foram maiores do que
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aqueles verificados por Fontanezzi (1989), trabalhando com este mesmo porta-enxerto na presença de Glomus clarum em solo esterilizado e adubado com 1280g de P2O5 m-3, 17,20 cm e 3,33 mm, respectivamente, aos 135 dias póssemeadura. Em relação à tangerina 'Cleópatra', verificou-se que a maior altura e diâmetro do caule, respectivamente, 20,50 cm e 3,90 mm, no tratamento inoculado em substrato autoclavado sem patógeno, também foram superiores aos obtidos por este autor, 11,82 cm de altura e 2,61 mm de diâmetro do caule, nas condições citadas anteriormente, só que com adubação de 640 g de P2O5 m-3. Como o substrato deste experimento não recebeu adubação fosfatada e tinha um teor de P em torno de 8 mg dm-3, considera-se que os resultados aqui encontrados foram satisfatórios. Pode-se inferir que a inoculação com G. margarita conferiu desenvolvimento à planta, reduzindo a exigência externa de adubação e que o fungo introduzido teve boa adaptação às condições do experimento. O efeito negativo do patógeno sobre o crescimento vegetativo foi observado nos dois porta-enxertos, constatando-se diferenças significativas em quase todos os parâmetros avaliados. A percentagem de perdas das duas variedades, quando estava presente apenas Pythium, em relação à testemunha sem fungo micorrízico arbuscular e sem patógeno, foi de 9,02% na altura do limão 'Cravo', sendo mais expressiva em tangerina 'Cleópatra', 27,46%. Em relação ao número de folhas, observa-se que o limão 'Cravo' sofreu mais a ação do patógeno, apresentando perda de 33,33%, em comparação com 17,65% da tangerina 'Cleópatra'. Houve perda de 14,29 e 16,67 % em relação ao diâmetro e, em torno de 33,33 e 29,23%, na área foliar de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente. Na presença de Pythium, a altura média das mudas colonizadas por fungos nativos foi superior às das não micorrizadas, sendo este efeito maior quando se inoculou G. margarita. Em substrato autoclavado, também observouse que plantas inoculadas com G. margarita apresentaram maior desenvolvimento. Assim, a micorrização não controlou o patógeno, mas reduziu sua severidade amenizando os efeitos nocivos, visto que, mesmo na presença de Pythium, as plantas micorrizadas apresentaram maior desenvolvimento do que as não micorrizadas, porém menor do que na ausência do mesmo. O aumento médio da altura do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', na presença de P. aphanidermatum e de fungos nativos, em relação àquelas não micorrizadas, mas com presença de patógeno foram, respectivamente, 19,50 e 57,42%. Quando, além de P. aphanidermatum inoculou-se G. margarita, em substrato natural, houve aumento de 66,61 e 84,83%. Já em substrato autoclavado, a inoculação simultânea de G. margarita e P. aphanidermatum proporcionou incremento de 80,17 e 99,02%, em relação ao tratamento sem FMAs. Quanto à área foliar, comparando-se ao tratamento em que apenas P. aphanidermatum estava presente, observou-se acréscimo de 875 e 293,48% em limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra' respectivamente, quando Pythium foi inoculado em substrato natural; de 1167 e 319,57% quando ao substrato natural foi inoculado G. margarita e de 1075 e 339,57% quando G. margarita foi inoculada em substrato autoclavado. Dessa forma, é possível observar que os porta-enxertos inoculados com P. aphanidermatum, apresentaram desenvolvimento reduzido, mas quando os FMAs estavam presentes, a expressão total dos efeitos do patógeno foi menor, ocorrendo tendência de proteção pelas micorrizas que promoveram maior desenvolvimento em todas as características. Considerar estas respostas é muito importante na produção de mudas, visto que, a redução do número de folhas e da área foliar, pode influenciar negativamente a capacidade fotossinteticamente ativa das plantas. Com exceção do diâmetro do caule em substrato autoclavado e inoculado com G. margarita e Pythium, e da área foliar em substrato natural também, na presença destes dois fungos, os valores da tangerina 'Cleópatra' foram maiores do que os do limão 'Cravo', mesmo em solo sem FMAs. Provavelmente esse efeito ocorreu porque a tangerina 'Cleópatra' apresenta maior taxa de crescimento, ou por esta variedade ter apresentado maior adaptação às condições do experimento. Entretanto, em termos de benefício da micorrização, nota-se tendência do limão 'Cravo' obter maiores rendimentos percentuais na presença e mais perdas na ausência deste simbionte, assim, aparentemente, os FMAs foram mais eficiente para esse porta-enxerto. Peso da matéria seca e comprimento radicular As médias referentes à produção de matéria seca da planta e comprimento de raiz do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', aos 150 dias pós-semeadura, encontram-se na Tabela 2. A fumigação do substrato influenciou os resultados. Na ausência de FMAs nativos e do patógeno ocorreu redução em torno de 60 e 44 % no peso da matéria seca da parte aérea de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente; 36,67 e 20,34% no peso da matéria seca das raízes e de 33,95 e 22,62% no comprimento radicular. Maiores danos foram observados quando inoculou-se o patógeno em substrato sem micorriza, sendo em torno de 100 e 165% no peso da matéria seca da parte aérea de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente; 160 e 83% no peso da matéria seca das raízes e de 248 e 118% no comprimento radicular. Observou-se que, com a
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eliminação dos fungos nativos e ausência de G. margarita, são reduzidos os organismos antagônicos ao patógeno presentes no substrato, havendo menor produção de matéria seca e comprimento radicular. Nos tratamentos sem patógeno e sem FMAs nativos, o fungo G. margarita promoveu aumentos de 217,19 e 329 % no peso da matéria seca total de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente; 500 e 476,19 % no peso da parte aérea; 150 e 108,51 % no peso seco da raiz e 103,93 e 35,36 % no comprimento das raízes. Na presença do patógeno, verificou-se aumentos de 173,33 e 112,50%, no peso da matéria seca da planta para o limão 'Cravo' e a tangerina 'Cleópatra', respectivamente, cultivados em substrato natural sem G. margarita; de 236,67 e 157,50% quando estavam presentes P. aphanidermatum e G. margarita em substrato natural e de 303,33 e 297,50% quando se inocularam esses fungos em substrato autoclavado. Quando não se realizou esterilização ou quando G. margarita foi introduzido ao substrato, o efeito do patógeno foi reduzido e a muda apresentou melhor desenvolvimento. Diante desses resultados, pode-se inferir que embora o patógeno tenha afetado negativamente o desenvolvimento das plantas nota-se que os FMAs compensaram os efeitos deletérios do patógeno, resultando em maior desenvolvimento das plantas. Este efeito pode ser devido ao aumento da área de absorção radicular pelo micélio externo do fungo micorrízico. Baath & Hayman (1983), trabalhando com tomateiros inoculados com Verticillium albo atrum, observaram reduzida colonização micorrízica nas raízes e que os danos causados pelo patógeno diminui a eficiência fotossintética, reduzindo, assim, o transporte de fotoassimilados para as raízes, ocasionando menor crescimento das plantas inoculadas com FMAs. As reduções na parte aérea de plantas infectadas por P. aphanidermatum podem ser consequências das alterações no sistema radicular, que apresentaram menor capacidade exploratória, diminuindo a absorção e a translocação de nutrientes. Tabela 2. Influência da inoculação com Pythium aphanidermatum e/ou Gigaspora margarita sobre o peso da matéria seca e comprimento radicular dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', em substrato natural ou autoclavado (Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Cruz das Almas - BA, 1999).

Tratamentos Variedades Gm* Solo** NI A NI ‘Cravo’ I NA A NI NA A I NA CV (%) 2,03 aB 1,03 bB 1,68 aB 1,01 bA 0,79 aB 1,34 aA 3,39 aA 0,40 bB 0,85 bA 1,59 bA NA A 0,64 aB 1,05 aA 2,03 aA Total I 0,30 bB 0,82 aA 1,21 bA

Peso da matéria seca (g) Parte aérea NI
0,18 aB 0,45 aA 1,08 aA 0,82 aB 0,42 aB 0,75 aA 2,42 aA 1,15 aB

Raiz

Comprimento radicular (cm) NI 212,28 aA I 82,29 aB

Pythium aphanidermatum I NI I 0,15 aA 0,30 bA 0,40 bA 0,40 bA 0,17 bB 0,45 bA 0,85 bA 0,47 bB 0,38 aA 0,60 aA 0,95 aA 0,86 aA 0,47 aA 0,59 aA 0,98 aA 0,88 aA 0,15 aA 0,39 aA 0,74 aA 0,56 bA 0,29 aA 0,53 aA 0,81 aA 0,61 bA

321,41 aA 286,22 aA 432,91 aA 352,61 aA 411,05 aA 323,79 aA 254,24 aA 132,50 aB 328,56 aA 288,41 aA 435,90 aA 378,98 aA 386,00 aA 328,96 aA 31,93

‘Cleópatra’

18,33

15,97

34,75

Médias seguidas pela mesma letra maiúscula nas colunas e minúscula nas linhas não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. *Gm = Gigaspora margarita. NI - Não inoculado; I - Inoculado. **A - Autoclavado; NA - Natural.

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demonstrando ser adequada para diversificação de porta-enxerto como alternativa ao limão 'Cravo'.1. 1. maior eficiência na absorção de água e nutrientes. Canadian Journal of Plant Pathology. Portanto. M. p. 3. A micorrização não impediu.. no peso da matéria seca e comprimento de raízes. J. estas perdas foram de 38. 1972. 148. S. Os fungos micorrízicos arbusculares (FMAs) nativos e Gigaspora margarita promoveram benefícios acentuados para o desenvolvimento dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra'. HAMEL C. JUNIPER. 1993. Oxford. respectivamente. aphanidermatum do que o da tangerina 'Cleópatra'. A presença do fungo fitopatogênico Pythium aphanidermatum. p. respectivamente.) to inoculation with Glomus mosseae. A tangerina 'Cleópatra' apresentou maior resposta em quase todas as características analisadas.53 e 61. PERA. n. Menge et al. n. 4. reduzindo o uso de adubos e pesticidas químicos.. 1. 1995.Segundo Pereira (1994).3. mesmo em condições de pós-emergência. em presença do patógeno. outros fatores que determinam a infectividade e efetividade dos fungos micorrízicos podem estar envolvidos. maior tolerância ao estresse de transplantio e a patógenos.. v. J. REFERÊNCIAS ST-ARNAUD M. Entretanto. Plant growth responses to vesicular-arbuscular mycorrhiza XVI. nos quais a tangerina 'Cleópatra' mostrou-se mais dependente da micorriza do que o limão 'Cravo' e estão de acordo com aqueles encontrados por Nemec (1978). BAATH. Ottawa. D. New Phytologist. o menor crescimento das plantas não micorrizadas pode dificultar a detecção do efeito do patógeno. S.. Interactions with Verticillium wilt on tomato plants. compensando parcialmente os efeitos deletérios deste fungo. que observou maior dependência do limão 'Cravo'. E. 1978). Os dois porta-enxertos de citros foram dependentes das micorrizas para crescimento. UFRB.A.24 %. o que poderá resultar em plantas com sistema radicular mais desenvolvido.. 1-6. 1983. M. FORTIN J. o substrato empregado na semeadura do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra' deverá conter FMAs ou deve-se proceder à inoculação das mudas com estes fungos. v. p. 156 Tópicos em Ciências Agrárias. 95.16.187-194. podendo-se dizer que o sistema radicular do limão 'Cravo' foi mais afetado por P. p. 2009 . Non-destructive assessment of spore germination of VAM fungi and production of pot cultures from single spores. porém os aumentos percentuais decorrentes da micorrização foram maiores no limão 'Cravo'. Segundo Menge et al. Vários autores já observaram que diferentes porta-enxertos variam na sua dependência micorrízica (Kleinschmidt & Gerdemann.27. aphanidermatum. CONCLUSÕES 1. verifica-se também nesta condição tendência das mudas em apresentarem redução no crescimento da parte aérea e raízes. Estes dados contradizem os resultados obtidos por Fontanezzi (1989). CARON M. v. Limão 'Cravo' foi o porta-enxerto mais suscetível ao patógeno.30 e 47. na presença ou ausência do patógeno e do simbionte.88%.. BAREA. C. seja nas formas de radicelas ou micorrizas. o efeito das micorrizas sobre diferentes espécies de citros pode variar com as condições de fertilidade do substrato.85-91. v. com isso. HAYMAN. CALVET. n. (1988). BRUNDRETT. Limão 'Cravo' sofreu perda de 60. (1978). 1994. Inhibition of Pythium ultimum in roots and growth substrate of mycorrhiza Tagetes patula colonized with Glomus intraradices. Plant and Soil. enquanto que em tangerina 'Cleópatra'.. como também observado por Garcia (1988) e Garcia & Carvalho et al. Trichoderma aureoviride and Pythium ultimum in a peat-perlite mixture. Soil Biology and Biochemistry. e. Growth response of marigold (Tagetes erecta L. Oxford. reduziu o desenvolvimento das mudas cítricas.. 419-426. 2. Para Tinker (1978). Observou-se que o patógeno influenciou as variedades. mas reduziu a ação de P. v.

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Clóvis Pereira Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 12 IMPACTO DE HERBICIDAS EM PROCESSOS MICROBIOLÓGICOS DO SOLO E QUALIDADE FISIOLÓGICA DE SEMENTES EM LATOSSOLO AMARELO COESO DO RECÔNCAVO BAIANO Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto. Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio.

IMPACTO DE HERBICIDAS EM PROCESSOS MICROBIOLÓGICOS DO SOLO E QUALIDADE FISIOLÓGICA DE SEMENTES EM LATOSSOLO AMARELO COESO DO RECÔNCAVO BAIANO Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto1.7% do total nacional) está na raiz de vários problemas de contaminação de águas constatados até hoje. teores de C orgânico. Essa intensificação no uso de herbicidas entre os agricultores deve-se entre outros fatores. A avaliação da qualidade do solo é feita através de indicadores que podem ser atributos físicos. ao aumento da área cultivada com culturas de grande expressão econômica e à ação rápida. onde se misturam atividades agrícolas intensivas e tradicionais. a utilização de agrotóxicos no Brasil tem sido a base técnica através da qual o setor agrícola normalmente vem enfrentando a questão. Esses produtos são aplicados basicamente de duas maneiras: diretamente sobre o solo em pré-emergência ou em pósemergência das plantas daninhas.9%) e arroz irrigado (3. Ao longo das últimas décadas. milho (23. não é tipicamente sulista. A produção agrícola tem na ocorrência de pragas. uma maioria de pesquisadores considera que algumas medidas práticas para avaliar o “status biológico” do solo sejam o monitoramento da população e atividade microbiana do solo. entre outros.edu. Cruz das Almas-BA. UFRB.). O consumo desses produtos difere nas várias regiões do país. quando associados aos valores de pH. em 2000 e em termos de ingredientes ativos no mesmo ano. O segundo produto de maior consumo de agrotóxicos. bem como. respectivamente. que o Brasil utiliza grandes quantidades de herbicidas na agricultura. Esses parâmetros fazem parte dos estudos de ciclagem de nutrientes. E-mail: fpeixoto@ufrb. A intensidade da fixação biológica do nitrogênio. É na soja que se concentra a maior parte dos gastos dos agricultores brasileiros com agrotóxicos: nada menos que 35% do total. Além disso. doenças e plantas daninhas um dos principais fatores limitantes ao seu desempenho. esses dados. o grande desafio da ciência do solo é demonstrar a relação entre os níveis de atividade biológica do solo e o funcionamento sustentável do ecossistema. representando mais de 81 mil toneladas quando expresso em ingrediente ativo (i. a média geral no Brasil foi de 3. 1. umidade e argila do solo. 29. Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio1. a avaliação da fixação biológica do nitrogênio através do número e massa seca de nódulos. eficiência e efeitos prolongados dos herbicidas. influencia a produtividade e a qualidade fisiológica de sementes (Osman et al. No Brasil. Nesse sentido. Atualmente. Ambientais e Biológicas/UFRB. 38. cana-de-açúcar (12. porcentagem de emergência. fungicidas. tem cerca de um terço de sua área total no Sul do País.8 kg p. Da mesma forma. processos que ocorrem no solo como as associações entre bactérias do gênero Rhizobium e plantas leguminosas.. O consumo de agrotóxicos no país tais como. destacando-se a soja (39. permitem uma avaliação sistemática do manejo adotado e a obtenção de índices de aferição da sustentabilidade./ha. químicos e biológicos. tendo como enfoque a sua contribuição na decomposição e mineralização da matéria orgânica e. Nas regiões Sul. peso de 1000 sementes etc.8%).8 mil toneladas.9% e 22. Na região Nordeste este valor é de 6. herbicidas.5%). na fertilidade do solo. a. despertou nas últimas décadas a preocupação com a qualidade do solo e a sustentabilidade da exploração agrícola. especialmente nos países tropicais em desenvolvimento.br INTRODUÇÃO A rápida degradação do solo sob exploração agrícola no mundo. bem como a comparação entre a eficiência do rizóbio introduzido em relação aqueles nativos. 2004). mas a concentração de seus 330 mil ha cultivados nas usinas do Norte do Paraná (apenas 6. por exemplo. são aspectos importantes quando se considera esta questão.7%) (Spadotto. massa dos frutos.Centro de Ciências Agrárias. 81. peso volumétrico. Os diferentes tratos culturais afetam a produtividade e a qualidade de sementes (que pode ser avaliada através do índice de velocidade de emergência. o consumo de herbicidas foi cerca de 174 mil toneladas de produtos formulados (comerciais) em 2000. que também é reflexo do manejo. O milho. Verifica-se desta forma.c. v.9%.5 bilhões (Assis.). 1983). Clóvis Pereira Peixoto1. parâmetros relacionados com a produção de sementes. Centro-Oeste e Sudeste representam. N total. Tópicos em Ciências Agrárias. Quanto ao consumo de herbicidas por unidade de área cultivada.2% do total consumido com pesticidas. tem sido crescente. alcançando hoje vendas anuais que superam US$ 2.3%. inseticidas. terceiro produto na lista dos que mais consomem agrotóxicos. Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio1 1 Professor . a cana-de-açúcar. conseqüentemente. 2009 161 . 2002).

plantio mecânico em linhas. de baixa fertilidade. uma maior preocupação em se conhecer o comportamento e destino dos pesticidas nos diversos ecossistemas. amendoim etc. 1979). Esta região está inserida na zona dos Tabuleiros Costeiros que são formações terciárias que se distribuem por quase toda a faixa costeira do Brasil. predominando os plantios de cana-de-açúcar. tem sido usado para destacar a capacidade natural (adensamento) de horizontes subsuperficiais associada a diferentes graus de coesão. Caracteriza-se por apresentar uma agricultura bastante diversificada. O termo coeso.Outro produto que aparece com destaque na lista de uso de agrotóxicos. o arroz irrigado. aparecem geralmente. no entanto. no prazo máximo de 3 dias após a última gradagem. desde o Estado do Amapá até o Rio de Janeiro. os quais têm importância destacada no equilíbrio social da região (Rezende et al. entretanto. 2009 . O Latossolo Amarelo coeso é um solo representativo desta região. 1984). O plantio é normalmente realizado com enxadas em covas espaçadas irregularmente (30 cm) e coincide com o período mais chuvoso do ano (março. 2004). citros e os cultivos de subsistência como mandioca. porque podem ser perigosos tanto para a vida humana e animal. O RECÔNCAVO BAIANO O Recôncavo Baiano possui uma área de 17340 km2 e uma população de 500 mil habitantes. apresentando-se duros. pouco se sabe sobre o que ocorre com os herbicidas no solo após sua aplicação.. v. a região Sul entrou com quase a metade. há de se considerar que existe uma variação com relação à resistência à decomposição dos herbicidas em função de fatores do solo. A terra deve estar bem preparada e livre de torrões e restos de cultura. em uma ou duas capinas. abril. 1998).. milho. Vanderheyden et al. ajudando no aumento da produção de alimentos e controlando as pragas das plantas e animais. bem como o seu efeito em processos microbiológicos do solo e na qualidade fisiológica de sementes. Diversos trabalhos têm relatado sua degradação e persistência (Monteiro. da estrutura química do composto. devem ser cuidadosamente usados e monitorados. esses horizontes situam-se a profundidade variáveis. tem sido acrescentados ao arsenal dos herbicidas disponíveis para o uso em cultivo de amendoim (Bridges et al. muito duros ou até extremamente duros quando secos e friáveis quando úmidos.1997. Vários trabalhos têm demonstrado que aplicações de herbicidas em doses recomendadas não alteram de forma considerável o número total de microrganismos do solo. Nos Latossolos Amarelos e Argissolos Amarelos sob floresta primária. deve-se aplicar em pré-emergência das ervas.. irrigação e épocas de plantio em diferentes estações do ano. com significado de tenaz. inhame. da família Leguminosae. estendendo-se até o vale do rio Paraíba do Sul. Em função desse uso intensivo de produtos químicos na agricultura moderna e a formação de grandes quantidades de resíduos. maio e junho). 2002). No caso do alachlor. mas sua multiplicação e recuperação é rápida e os relatos onde indicam toxidez ocorrem quando as dosagens empregadas são consideravelmente superiores às recomendadas (ABEAS. Mais recentemente. vem basicamente do Rio Grande do Sul. ocupando uma área de 98. sofre a concorrência competitiva das ervas daninhas que prejudicam a sua produção (Sader et al. A maior parte dos solos da região é do grupo Latossolo e Podzólico. feijão. sendo que a espécie Arachis hypogaea L. O uso de controle químico para as ervas daninhas na cultura do amendoim iniciou-se a partir de 1950 com herbicidas seletivos tais como o dinoseb. Herbicida e atributos microbiológicos do solo Embora os pesticidas sejam de grande benefício para o homem. os herbicidas do grupo das cloroacetanilidas. 1995. 1. indicado para a cultura do amendoim.1983) De maneira geral. produto também com alto uso de agrotóxicos. nos últimos anos. no Estado de São Paulo (Rezende.. Na década de 60 com o desenvolvimento dos herbicidas dinitroanilinas surgiu a trifluralina. A pluviosidade varia de 1000 a 2000 mm e temperatura média anual em torno de 24 0 C. em decorrência da erosão. A mudança de tecnologia prevendo a utilização de herbicidas. UFRB.. adensamento de plantas dentro das linhas. fumo. normalmente coincidindo com os horizontes AB e ou BA. batata doce. aplicando-se logo depois da semeadura com o terreno em boas condições de umidade e em cobertura total. Stolp & Shea. sendo absorvido pelo coleóptilo das gramíneas e epicótilo das dicotiledôneas (Rodrigues & Almeida. O amendoim é uma planta dicotiledônea. da característica fisiológica do microrganismo (tipo de enzima) e da dose e época de aplicação. 162 Tópicos em Ciências Agrárias. tem havido. inoculação com bactérias do gênero Rhizobium. A ação dos microrganismos do solo sobre os herbicidas constitui-se num mecanismo de maior importância quando se depara com a questão ambiental. Em solos cultivados. podendo alguns desses serem afetados. como também para o ambiente. O controle de ervas daninhas é também feito com a enxada.503 km2 apenas na região Nordeste. 1997. Dos 160 mil hectares cultivados com batatinha no Brasil. implica na necessidade de se determinar o efeito das mesmas no sistema produtivo. temporariamente. tais como o alachlor. após os primeiros 10 a 20 centímetros.

um herbicida deverá exercer um efeito muito pronunciado na microflora.0 dA Tatuí Fungo 2. fungos e actinomicetos) e que também atuam na ciclagem de nutrientes no ecossistema. 1. 1998) . No entanto.0 aB Médias seguidas pela mesma letra minúscula na vertical e maiúscula na horizontal. boa aeração. Segundo Grossbard & Davis (1976). desta forma. entretanto. esta fase não tem sido observada. v.0 bA 5. Se a população adaptar-se metabolicamente para degradar a molécula do pesticida ou parte dela.0 bA 4. não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. População de bactérias e fungos (no. Em trabalho realizado no Campo Experimental da então Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia... porém menos freqüentemente que em altas.0 aB 1. Porém. em caso de solos tratados com prévias aplicações de pesticidas.0 cA 9. Wais et al. poderá utilizá-la como fonte de energia e nutrientes. 1996) e biodisponibilidade para as plantas (Khan & Behki.0 dB 3.0 aA 2. diversos cientistas obtiveram resultados do efeito dos herbicidas no desprendimento de CO2 e absorção de O2 em doses normais de aplicação (Grossbard.0 bB 4. avaliou-se o efeito do herbicida alachlor na população de bactérias e fungos do solo (Tabela 1) e atividade microbiana do solo (Figuras 1 e 2).0 aB TRATAMENTOS Capina inoculado Capina s/ inoculação Herbicida inoculado Herbicida s/ inoculação Vagem Lisa Bactéria 6.0 bB 5. 2009 163 . nos diferentes tratamentos. podem inibir a atividade microbiana. é mais provável que esse efeito ocorra em doses elevadas.1990. 1980). a partir do momento em que um pesticida atinge o solo. Atividade microbiana do solo (mg C-C02/100 g solo) nos tratamentos: capina inoculado (CI). no município de Cruz das Almas. pH em torno de 6.. utilizando-se sementes inoculadas e não inoculadas de dois genótipos de amendoim (Vagem Lisa e Tatuí). ele pode vir a favorecer determinadas populações microbianas e inibir outras. g solo-1) x 104.5 dA 4.0 cA 2. herbicida inoculado (HI) e herbicida sem inoculação (HSI) para o genótipo Vagem Lisa. Segundo alguns estudos. Tabela 1. potencial para formação de resíduos (Queiroz. UFRB. Barriuso & Koskinen. uma fase de adaptação desta população.5 e substrato energético (Lewis et al. temperatura entre 25-35oC. 1997.1977).5 cB 3. Fatores do solo que aumentam a atividade microbiana incluem: umidade em torno de 70-100% da capacidade de campo. dentro de cada genótipo. Tópicos em Ciências Agrárias.0 cB 8. capina sem inoculação (CSI).0 dB 1. mesmo em baixas concentrações. Mas. Outro parâmetro que deve ser monitorado é a população dos principais grupos de microrganismos do solo que participam da biodegradação dessas moléculas no ambiente (bactérias. Existe. O desprendimento de CO2 e absorção de O2 no solo flutuam grandemente num determinado período de tempo.Yassir et al. algumas moléculas de herbicidas. 1995. CI CSI HI HSI 45 mg C-C02/100 g solo 40 35 30 25 20 15 10 5 0 0 14 28 42 56 70 84 Tempo (dias) Figura 1.. 1986 e Lichtenstein. no período de setembro de 2001 a janeiro de 2002. GENÓTIPOS Tatuí Vagem Lisa Bactéria Fungo 7. Kloskowsky et al. sabe-se que. 1976).

1. não exercer nenhum efeito ou até mesmo ter efeito benéfico sobre o rizóbio e suas simbioses. que diferem bastante com relação ao hábito de crescimento de suas espécies. Estimase que a família Leguminosae possua entre 16. invadir o córtex e colonizar tecidos internos em diversas espécies vegetais. neste último caso porém. Ressalta-se que tanto os fatores bióticos quanto abióticos podem atuar sobre a bactéria e/ou sobre o hospedeiro afetando a simbiose.500 a 19. como também à maior eficiência do processo decorrente de uma parceria vegetal e microbiana mais evoluída. Mimosoideae e Papilionoideae. Diversos fatores físicos. químicos e biológicos afetam o processo de fixação biológica. Inúmeros trabalhos nacionais e internacionais demonstram que não é possível fazer generalizações. O efeito pode ser prejudicial.96% do nitrogênio está na forma de N2 na atmosfera e os restantes 0. v. Herbicida e fixação biológica do nitrogênio A maior parte do nitrogênio do planeta terra (93.700 espécies e entre 640 a 680 gêneros. entre outros (Moreira & Siqueira. raramente (Moreira & Siqueira. Houve uma maior atividade microbiana do solo em todo período.8%) está na crosta terrestre.04%. 164 Tópicos em Ciências Agrárias.Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN) é representado pela seguinte equação: Nitrogenase N2 + 8H + 16 ATP + 8 e ____________ + - 2 NH3 + H2 + 16 ADP + 16Pi (CNTP) Algumas espécies de diazotróficos podem. além de colonizar abundantemente a rizosfera. UFRB. Subdivide-se em três subfamílias: Caesalpinioideae.2% restantes estão na ecosfera. Os 6. nas formas combinadas orgânicas ou inorgânicas existentes nos ecossistemas aquáticos e terrestres (Roswall. que pode então se tornar disponível para as plantas e outros organismos. 2002). que reflete a maior capacidade do rizóbio introduzido em degradar a molécula de alachlor. Atividade microbiana do solo (mg C-C02/100 g solo) nos tratamentos: capina inoculado (CI). O número e massa seca de nódulos são parâmetros indiretos que podem avaliar esses efeitos no processo de fixação biológica do nitrogênio. herbicida inoculado (HI) e herbicida sem inoculação (HSI) para o genótipo Tatuí. Nesta. Apenas uma parcela relativamente pequena das espécies de procariotos possuem a enzima nitrogenase que é capaz de reduzir o N2 para a forma inorgânica combinada NH3. Esses organismos são chamados de fixadores de N2 ou diazotróficos e o processo que mediam . assim como a capacidade de formar simbiose com rizóbio. Dentre esses fatores destaca-se os herbicidas. 99. que está relacionada não só à ampla distribuição geográfica e utilização dos hospedeiros.CI CSI HI HSI 40 mg C-C02/100 g solo 35 30 25 20 15 10 5 0 0 14 28 42 56 70 84 Tempo (dias) Figura 2. as simbioses de rizóbio com leguminosas certamente se destacam por sua importância econômica. Dentre as simbioses de fixadores de N2 com plantas.1979). das propriedades físico-químicas do herbicida e da própria sensibilidade da estirpe de rizóbio utilizada. quando se utilizou a combinação herbicida e inoculação nos genótipos Vagem Lisa e Tatuí. As respostas variam em função do tipo de solo. ocorrer endofiticamente. 2009 . ou seja. capina sem inoculação (CSI). 2002). Existe uma relação direta entre o aumento da população de bactérias no tratamento herbicida com inoculação (para os dois genótipos) e a atividade microbiana do solo.

00 aA Herbicida 151.75 aA 272. com o mesmo tipo de solo e quatro genótipos de amendoim.50 aA 209. Já Rezende et al.6b MSN NN Figura 3. v.75 aA 182. pendimethalin (0. Na região do Recôncavo Baiano. já existem pesquisas desenvolvidas quanto ao efeito de herbicidas sobre o processo de fixação biológica do nitrogênio em plantas de amendoim. chloramben + alachlor (0.91 kg ha-1).9 kg ha-1).g planta-1) e número de nódulos (NN no planta-1) de plantas de amendoim aos trinta dias após a emergência. pois este processo representa economia nos custos de produção. 1. (1985).2a 7.Bahia. 2009 165 .00 bA Médias seguidas da mesma letra minúscula na horizontal e maiúscula na vertical.95 + 0. em estudo realizado para avaliar a influência da aplicação de herbicidas fluorodifen (0.50 aA 182. em condições de casa de vegetação. Tabela 2. Tópicos em Ciências Agrárias.8a 8. submetidas a diferentes tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al. Esses mesmos autores. tanto em casa de vegetação quanto em campo. Utilizaram como substrato o solo Latossolo Amarelo coeso do município de Cruz das Almas-BA. aos 42 e 56 dias após o plantio nos ratamentos capina e herbicida. (2002a) avaliaram o efeito de diferentes herbicidas (alachlor. Peixoto et al. em experimento conduzido na Fazenda Capivari no Município de Muritiba . concluiram que o herbicida alachlor não afetou o número de nódulos aos 42 e 56 dias após o plantio (Tabela 2).66 kg ha-1) no rendimento de grãos.50 aA 194. Massa seca dos nódulos (MSN .75 aA Herbicida 273. 2002a).00 aA 56 dias Capina 230.50 aA 199. representativo dos Tabuleiros Costeiros da região do Recôncavo. fluordifen + pendimethalin (0. Concluíram que de maneira geral esses herbicidas estimulam a nodulação inicial das plantas de amendoim (Figura 3). UFRB.No caso de plantas leguminosas. pendimethalin e trifluralina) nas doses indicadas pelo fabricante para a cultura do amendoim.45 + 0. trifluralin (0. principalmente quando causas adversas possam compro-meter a germinação de sementes e posterior desenvolvimento das plantas. chloramben (1. Genótipos BR1 BR151 L7 Vagem Lisa Película Havana 42 dias Capina 242. dentro de cada período. não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade Herbicida e qualidade fisiológica das sementes A determinação da qualidade fisiológica de sementes através de testes de germinação e principalmente de vigor é de fundamental importância na agricultura moderna. Trifluralina Pendimethalin Alachlor Testemunha 25a 25 20 15 10 5 0 11.. que empregaram doses elevadas de trifluralina e chloramben na cultura da soja.7b 22a 24a 16b 11.50 aA 257.75 kg ha-1).75 aA 182.37 kg ha-1).00 aA 246. Número de nódulos (g planta-1). nodulação e qualidade fisiológica de sementes de soja concluíram que a nodulação não foi influenciada pelos herbicidas testados.97 kg ha-1). O uso do contrôle químico pode causar problemas na nodulação conforme salientam Krust & Struckmeyer (1971) e Olambre (1969).00 aA 265. o estudo da influência de herbicidas no processo de fixação biológica do nitrogênio é de extrema importância.75 aA 130. mais especificamente no município de Cruz das Almas-BA.25 aA 323.

1985). estrutura do solo e microorganismos. 2002a).O processo de deterioração implica em uma série de mudanças fisio-bioquímicas que podem levar a uma ação mais efetiva de agentes externos. (2002a) avaliaram o efeito dos herbicidas alachlor.2b AP CR IVE Figura 5. representativo do Recôncavo Baiano. Peixoto et al. tornando a germinação mais lenta e a semente mais vulnerável às variações do meio (térmicas. químicas. 5 e 6. Altura da planta (AP). respectivamente).8b 10. normalidade das plântulas. crescimento das plantas e produtividade final (Copeland & McDonald. hídricas. v. Constatou-se que os herbicidas testados.8a 8. observa-se a degeneração das membranas lipo-proteicas. luz.2bc 3. os herbicidas.1ab 4. utilizando-se como substrato o Latossolo Amarelo coeso. UFRB. de plântulas anormais (PA) e de sementes mortas (SM) de amendoim em diferentes tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al. altura das plantas e massa seca da parte aérea (Figuras 4. À medida que as sementes perdem qualidade fisiológica. 1995 ).8a 7. 2002a). em condições de casa de vegetação. comprimento da raiz (CR) e índice de velocidade de emergência (IVE) de amendoim aos trinta dias após a emergência. Os fatores ambientais que permanentemente influenciam a germinação são a água.5a 6. temperatura. oxigênio. pendimethalin e trifluralina na nodulação e crescimento inicial de plantas de amendoim. Porcentagem de emergência (PE).2a 10. com perda significativa da permeabilidade. especificamente. Assim sendo. Entretanto. como. como também. a germinação de sementes pode ser afetada por produtos químicos inorgânicos e orgânicos (Bewley & Black. 1.1c 7.2b 7. Trifluralina Altura e comprimento (cm) e IVE 16 14 12 10 8 6 4 2 0 Pendimethalin Alachlor Testemunha 15. 166 Tópicos em Ciências Agrárias. microbianas etc. reduzem a porcentagem de emergência. o uso de sementes vigorosas é de fundamental importância. 2009 . submetidas a diversos tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al. Trifluralina Pendimethalin Alachlor Testemunha 70 60 Porcentagem (%) 62a 55b 55a 47b 30d 32c 34a 15c 21b 8d 11d 30c 50 40 30 20 10 0 PE PA SM Figura 4. no sentido de minimizar os efeitos de agentes externos na velocidade e porcentagem de emergência. uma redução sensível das atividades respiratórias e biossintéticas.).5a 6...9a 7.

76b 1.96a Alachlor Testemunha Massa da matéria seca (g planta -1) 3. 1..00 0.00 1. v..16a 0.0 e 4. Desta forma.03b 2. os efeitos na porcentagem de emergência foram resultado da baixa adsorção das moléculas pelo solo em questão.5. Índice de velocidade de emergência 30 25 20 15 10 5 0 0 1 2 Doses y = -0. Verificou-se que o aumento da dose promoveu decréscimo no índice de velocidade de emergência (Figura 7). permitindo maior concentração na solução do solo e favorecendo assim a absorção.8375 Observado Estimado Polinômio (Observado) 3 4 Figura 7.4677x2 .46c MSPA MSR Figura 6.755 R2 = 0. 1. também utilizando como substrato o Latossolo Amarelo coeso. 2002a). principalmente. 2. das suas propriedades físicoquímicas e também do ambiente. 2009 167 . provavelmente. Avaliou-se o efeito de diferentes doses de trifluralina (zero. não permitindo portanto generalizações.207x + 27.23c 0. Segundo esses autores. Índice de velocidade de emergência de sementes de soja submetidas a diferentes doses de trifluralina (FONTE: Peixoto et al. o comportamento da molécula depende. (2002b).0 L ha-1) na qualidade fisiológica de plantas de soja em condições de casa de vegetação.13a 1. sendo o solo utilizado de textura média e baixa CTC. No entanto.0 L ha-1 (Figura 8).00 1. Os efeitos dos herbicidas sobre a qualidade fisiológica de sementes variam.00 2. para as condições estudadas. UFRB.2. só afetou a porcentagem de emergência quando se utilizou as doses de 2. com as propriedades físico-químicas das moléculas e o tipo de solo em questão. submetidas a vários tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al. Massa da matéria seca acumulada na parte aérea (MSPA) e raiz (MSR) de plantas de amendoim aos trinta dias após a emergência. dentre outros fatores. Um exemplo desta afirmação pode ser constatado em outro trabalho realizado por Peixoto et al.36bc 1.Trifluralina Pendimethalin 2. 2002b) Tópicos em Ciências Agrárias. representativo do Recôncavo Baiano.0 e 4.

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ADUBAÇÃO E DIAGNOSE NUTRICIONAL DE PASTAGENS NO RECÔNCAVO DA BAHIA Anacleto Ranulfo dos Santos. Raul Lomanto Neto.CAPÍTULO 13 EVOLUÇÃO. Adailde do Carmo Santos & Leandro Gonçalves dos Santos Tópicos em Ciências Agrárias .

citricultura. Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO O Grande Recôncavo Baiano com 78 municípios se caracteriza pela predominância de pequenas glebas e mãode-obra familiar como base de sua produção agropecuária. Porém. à exceção dos municípios próximos a Castro Alves. foi implantada a cultura do fumo que despontava como segunda alternativa de cultivo econômico e ao lado destas lavouras desenvolveram-se culturas de subsistência. fumo e da citricultura. sendo que sua produção jamais se igualou à da cana-de-açúcar por causa das contingências do mercado internacional (Rezende. liberdade de produção e facilidade de transporte. inhame e a presença significativa de áreas de pastagens. pela alta densidade demográfica dessa região. Cruz das Almas-BA. E-mail: adacsantos@zipmail. Com o declínio da cultura do fumo.EVOLUÇÃO.com. para as partes mais altas do Recôncavo Sul. sendo paulatinamente substituída pelas atividades econômicas. Leandro Gonçalves dos Santos4 1 2 3 4 Professor . 1. Nos terrenos impróprios à cana-de-açúcar.º Agrônomo/UFBA. cujo modelo de ocupação da terra é resultado da política do Brasil Colonial. café. no decorrer dos anos. sofreu grandes oscilações em seus quatro séculos de existência. Amargosa-BA Mestre em Ciências Agrárias/UFBA.edu. especialmente a mandioca. No século XVIII a cultura do café foi introduzida a partir de Maragogipe. No início a cultura da cana-de-açúcar era próspera e gerava grandes lucros aos exportadores. fumo. Cruz das Almas-BA. Outra cultura de destaque no ciclo de desenvolvimento do Recôncavo foi o algodão. cacauicultura. com ênfase aos municípios de Cruz das Almas até Santo Antônio de Jesus. 2009 173 . café. mandioca. o Recôncavo foi a primeira região de exploração agrícola para exportação que foi a cana-deaçúcar. que também foi um dos produtos de exportação nos meados do século XVI. a vegetação original de quase toda a região foi. No Recôncavo as maiores extensões são os solos dos grupos Tópicos em Ciências Agrárias. feijão. o dendê e as culturas de subsistência. Dessa forma. A expansão da pecuária é posterior aos ciclos de exploração iniciais. v. os Tabuleiros Costeiros são formações Terciárias que ocupam grandes extensões de áreas na Bahia e no Nordeste Brasileiro. cultivada em sub-bosque sendo determinante para a ocupação de Amargosa e dos municípios vizinhos do vale do Jiquiriçá. UFRB. e os subseqüentes ciclos de cultivos de algodão.Centro de Ciências Agrárias. Adailde do Carmo Santos3. Raul Lomanto Neto2.br Eng. Além disso. Solos do Recôncavo De acordo com Ribeiro (1998).EVOLUÇÃO AGRÍCOLA A economia do Recôncavo. com significativa redução na área plantada e na produtividade dos pomares. exploração de madeira. como base fornecedora de produtos alimentícios para a capital do Estado. gerando instabilidade econômica e desconfiança dos produtores pela continuidade dessa atividade. tais como milho. proteção e estímulos governamentais. Essa região foi destacadamente o grande pólo de desenvolvimento da agricultura baiana desde o período Colonial até décadas recentes. Mais recentemente foi dividido nas regiões econômicas: Litoral Norte e Recôncavo Sul. como base importante da alimentação dos povos da região. ADUBAÇÃO E DIAGNOSE NUTRICIONAL DE PASTAGENS NO RECÔNCAVO DA BAHIA Anacleto Ranulfo dos Santos1. E-mail: anacleto@ufrb. cedendo espaço para a cana. pois contava com preços compensadores. RECÔNCAVO SUL . Reconhecido como berço da agricultura brasileira. surgiu um novo modelo agrícola que foi a citricultura.br Pesquisador da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA). onde não havia proibição para criação de gado. Ambientais e Biológicas/UFRB. a citricultura entrou em declínio nas últimas décadas. como os demais ciclos de cultivos. fez-se necessário o desenvolvimento de uma agricultura mais intensiva com exploração de diversas culturas de subsistências. com predomínio do gênero Brachiaria. 2004). principalmente nos Tabuleiros Costeiros. que esteve fundamentalmente vinculada à lavoura açucareira desde o período colonial.

LATOSSOLO E ARGISSOLO. Os LATOSSOLOS AMARELOS predominam em todo Recôncavo e se caracterizam pela baixa fertilidade natural quanto à disponibilidade de nutrientes e com limitações físicas para o desenvolvimento natural das plantas, principalmente pela presença de uma camada coesa no seu perfil, logo abaixo do horizonte A podendo chegar a 1,0 metro de espessura, condição que reduz a permeabilidade para o ar e água, dificultando o fluxo de nutrientes e impedindo o aprofundamento das raízes. Naturalmente são distróficos ou álicos, com acidez acentuada e baixa capacidade de troca de cátions (Rezende, 2000). Esse fenômeno é conseqüência da compacidade natural (adensamento) cuja característica se acentua em períodos de prolongado estresse hídrico e quando associado ao manejo inadequado desses solos. Em ambiente sob floresta esses solos apresentam o efeito coeso nos horizontes AB e ou BA, porém, se submetidos a cultivos constantes essa coesão surge nas camadas mais próximas da superfície, em função da ação erosiva nesse ambiente. Na região, dentre os cultivos mais atingidos por essa camada endurecida no perfil do solo, sem dúvida é a citricultura. Segundo Souza et al. (2000), um adequado suplemento de água ao longo do tempo com o solo friável esse impedimento físico ao crescimento radicular seria não limitante. De acordo com os resultados analíticos de amostras dos diversos municípios da região do Recôncavo Sul, esses solos apresentam significativa variabilidade química natural (Tabela 1), o que influencia diretamente no rendimento das culturas implantadas. Nessas condições de fertilidade, resultados de pesquisas demonstram potencialidade desses ambientes que, uma vez manejados adequadamente, destacando a correção do solo e adubação, podem aumentar a produtividade das culturas de forma expressiva. Assim, as áreas de pastagens em sua maioria degradadas, com baixas produções de forragens, podem ser recuperadas num curto prazo com aplicação de tecnologias simples de manejo da gramínea observando o seu estado nutricional, manejo do solo quanto à composição química e física, e o manejo animal, destacando a sua potencialidade genética para o tipo de exploração desejada, quando interagidas essas ações. Tabela 1. Caracterização química de LATOSSOLO AMARELO coletado na camada 0,20 m sob diferentes cultivos, em municípios do Recôncavo Sul da Bahia.
pH (H20) (5) (5) (1) (2) (3) (6) (4) (6) (6) 4,9 5,8 5,6 5,0 4,5 5,2 4,8 4,2 5,4 P -1 (mg kg ) 2,0 3,0 4,0 3,0 3,0 1,0 5,0 1,0 1,0 K Ca Mg Al H -3 .......................... cmol c dm ……................ 0,07 0,10 0,07 0,20 0,10 0,20 0,23 0,10 0,12 0,7 1,2 8,1 2,8 0,5 0,4 0,8 0,3 0,5 0,5 1,1 1,0 0,9 0,4 0,2 0,6 0,3 0,6 0,5 0,0 0,3 0,2 0,4 0,0 0,1 0,7 0,2 2,4 2,2 7,0 2,6 1,6 1,8 2,8 5,0 2,7 M0 -3 (g dm ) 14,6 8,2 78,8 12,5 6,0 22,9 18,0 16,0 14,5

Municípios C. Almas Sapeaçú Amargosa Amargosa C. Almas Muritiba Muritiba S.A. Jesus D.M. Costa

(1) área de pastejo rotacionado; (2) Latossolo sob Mata Atlântica; (3, 4) área de citricultura; (5) área de mandioca; (6) área de pastejo extensivo.

Histórico das pastagens no Recôncavo Sul O Recôncavo Sul é composto por 33 municípios, ocupa uma área de 10.839,5 km2 e uma população estimada em 2003 de 701.675 habitantes, portanto, uma das mais densas das regiões da Bahia com 64,7 habitantes/km2. Está localizada entre 120 23' e 130 24' de latitude sul e 380 38' e 400 10' de longitude Oeste, com homogeneidade de clima, solo, relevo e regime pluviométrico. A vegetação original na maior parte do Recôncavo Baiano até a sua descoberta se caracterizava pelas formações florestais, de diferentes tipos, equatorial, tropical, subtropical e em seis municípios localizados no semi-árido tem-se formação de caatinga. A derrubada da mata visava o preparo da terra para cultivos anuais e perenes. Como conseqüência do inadequado manejo dessas áreas de florestas, a utilização dos campos nativos e das pastagens implantadas, surgiram como alternativa econômica na região, pois imaginava-se que as gramíneas forrageiras seriam produtivas nos diversos ambientes, o suficiente para sustentar a evolução dos rebanhos. O estabelecimento das pastagens nas áreas florestais foi destacado no começo do século passado e se intensificou a partir das décadas de 30 e 40. Os capins que predominaram neste sistema foram o capim-gordura (Melinis minutiflora), capim-angola (Brachiaria mutica) e o capim colonião (Panicum maximun) restrito às áreas mais subtropicais. Estas forrageiras, após alguns anos sob pastejo, apresentavam uma queda na produção e iniciava-se o processo de degradação. Com esta situação os produtores buscavam alternativa e passou-se à procura da “forrageira milagrosa” e dessa forma chegou-se ao que foi denominado de ciclo dos capins. Essa nova forrageira deveria ir bem em terras fracas e fornecer algum verde na seca. O capim Brachiaria decumbens, popularmente capim-braquiária, adaptou-se perfeitamente às condições de
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solos ácidos e de baixa fertilidade do Recôncavo, proporcionando na época, aumentos na taxa de lotação de 5 a 10 vezes maiores que as pastagens existentes nessas áreas. O aumento da produção das pastagens e dos rebanhos foi expressivo e possibilitou que os produtores passassem a integrar as atividades de cria, recria e engorda. A utilização das gramíneas do gênero Brachiaria nas pastagens tem sido vinculada à agressividade na formação da área, à dispensa de seguidos cultivos na época de reformas de pastagens velhas e à menor exigência em fertilidade que as demais gramíneas. A realidade existente no Recôncavo Sul é a mesma em todo o Brasil, visto que a quase totalidade dos pastos é de gramíneas do gênero Brachiaria, predominando o Brachiaria decumbens. Como conseqüência da falta de adoção de práticas conservacionista ao longo dos anos, essas pastagens apresentam-se atualmente elevado grau de degradação, tendo como principal característica o baixo rendimento de forragem. O fator de manejo mais relevante para a persistência das pastagens é a pressão de pastejo. Impressionado com as elevadas produções forrageiras dos primeiros anos, principalmente nos períodos mais chuvosos na região que vai de março a agosto, o produtor passou a elevar a carga animal muito acima da capacidade de suporte da pastagem (geralmente estimada em unidade animal por hectare). Esse modelo de criação é mais degradativo nos períodos mais seco do ano, pois diminui a produção de forragem e os animais pastejam quase rente ao solo, fato que dificulta a rebrota da gramínea. Spain & Graldron (1991) citam que os fatores que mais contribuem para a degradação das pastagens são: o super pastejo com altura de corte muito rente ao solo prejudica a rebrota das plantas; o sub pastejo que favorece o acúmulo de material maçegado, logo maior incidência de pragas e doenças; invasão de plantas indesejáveis; falta de adaptação das espécies implantadas; perda da fertilidade do solo; falta de adubação de reposição e manutenção da fertilidade do solo e incompatibilidade entre as espécies associadas. Importância econômica das pastagens O modelo de criação bovina extensiva a pasto é a forma mais econômica de fornecer alimentação abundante e de qualidade aos animais. Para tanto, é preciso que o solo tenha alta fertilidade e condições de fornecer os nutrientes para as plantas. No Recôncavo, a exploração dos rebanhos leiteiros e produção de carne está apoiada na criação a pasto, fato que destaca a importância de estudos nesses ecossistemas para adoção de manejo adequado nessas pastagens. O estado da Bahia possui um rebanho bovino de 9.170.680 cabeças, compondo com 5,57 % do total de bovinos do país. A área de pastagem do estado é de 14.489.768 hectares, ocupando cerca de 48,55% da área total de 29.842.900 hectares de agropecuária. O Recôncavo Sul baiano possui um rebanho bovino de aproximadamente 436.070 cabeças, compondo com 4,75% do total de bovinos do estado da Bahia (Censo, 2000). A área ocupada com a atividade agropecuária nos municípios do Recôncavo Sul é superior a 815.908 hectares, sendo com pastagens, aproximadamente 622.872 hectares, dos quais mais de 60% é ocupado com a Brachiaria decumbens. Dentre os municípios do Recôncavo Sul, Amargosa destaca-se como detentor do maior rebanho bovino e conseqüentemente maior produtor de carne e leite, condição que justifica ser a região de maior aplicação de índices tecnológicos e resultados de produção acima da média do Estado. Em grande parte do Recôncavo Sul o sistema de criação mais usado é o extensivo, onde a adoção de tecnologia é muito pequena, tem maior atenção nas ações profiláticas, o manejo dos pastos depende do índice pluviométrico e a média da capacidade de suporte chega a ser inferior a 0,3 UA ha-1. Em menor proporção encontra-se o sistema de exploração racional com adoção do pastejo rotacionado, adubação das pastagens, programa sanitário para o rebanho, inseminação artificial e utilização de transferência de embrião, com índices zootécnicos acima da média do estado da Bahia e com capacidade de suporte maior que 1,5 UA ha-1. Degradação de pastagens no Recôncavo Sul A perda de fertilidade natural do solo tem levado os pecuaristas em todo Recôncavo Sul a uma cíclica substituição de espécies forrageiras sempre no sentido das menos exigentes como, por conseguinte, de menor valor nutritivo. Assim, o capim-colonião (Panicum maximum Jacq.) foi substituído em muitas áreas pelo pangola e posteriormente pelas braquiárias. As pastagens são consideradas em degradação quando a produção da forragem é insuficiente para manter determinado número de animais no pasto e por certo tempo. Entretanto, quando a produção de matéria seca diminui sensivelmente a ponto de ser notada através de lotação animal, a planta forrageira já reduziu drasticamente o sistema radicular, o perfilhamento a expansão de folhas novas e os níveis de reservas de carboidratos nas raízes e base das hastes. A degradação, na verdade, dificilmente pode ser devida a uma causa isolada. É necessária uma noção de
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conjunto e de funcionamento dos ecossistemas de pastagens. Em geral observa-se que, uma vez estabelecida a pastagem, com exceção dos problemas causados por pragas e doenças, o início da degradação tem origem nos problemas de manejo do rebanho e na não adoção de práticas conservacionistas. Além disso, fatores como sazonalidade da produção forrageira e superestimação das taxas de lotação contribuem diretamente para a degradação desses ecossistemas. No Recôncavo Sul como nas demais regiões de pastagens do Brasil, o que determina o nível da exploração é a produção de forragem na estação seca do ano. Considerando que áreas de pastagem são mantidas durante todo o ano com a mesma taxa de lotação, gera-se aí situação clássica de excesso de forragem na estação chuvosa e falta na estação seca. Poucos produtores adotam um planejamento para ter na propriedade uma área destinada à reserva estratégica (capineira, milho, cana, sorgo, palma, mandioca, leguminosas, feno e construção de silo etc.). Associados à taxa de lotação, estão os problemas relacionados aos hábitos de locomoção dos animais. Em todo o Recôncavo Sul, observa-se a formação de trilhas preferências no sentido morro abaixo nas pastagens, preferencialmente, próximo a cochos de sais ou bebedouros. Em muitas pastagens localizadas em áreas amorradas, pode-se observar alguns trechos do terreno sem vegetação, que apresentam sulcos de erosão. Estes sulcos, geralmente, têm como causa a movimentação constante de animais pela mesma área, no sentido do declive. No entanto, vários outros autores, inclusive alguns mencionados anterior-mente (Dematte, 1988; Sampaio, 1998), são conclusivos em dizer que a prática da queimada, se mal conduzida ou mesmo efetuada continuamente, pode trazer con-seqüências negativas tanto para a pastagem quanto para o solo que a sustenta. Adubação de pastagens Para o bom desenvolvimento das pastagens, assim como de qualquer cultura, há necessidade que esteja disponível e, em quantidade adequada no ambiente, todos os elementos considerados essenciais, classificados como orgânicos: carbono (C), oxigênio (0) e hidrogênio(H) e inorgânicos como os macronutrientes: nitrogênio (N), fósforo(P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S), e micronutrientes: boro (B), cloro (Cl), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn) (Epstein, 1975). É evidente que o solo é o principal componente fornecedor de elementos químicos para as plantas, não apenas os considerados essenciais como também aqueles classificados como benéficos como o sódio, silício, selênio, cobalto e os elementos tóxicos como o alumínio, mercúrio, cromo, chumbo etc. Certamente, a prática de reposição de nutrientes através da adubação é fundamental para elevação e manutenção da quantidade e qualidade da forragem a pasto. Há evidências nas pastagens do Recôncavo Sul, da utilização planejada de adubos como uréia, superfosfato simples e cloreto de potássio como fonte de N, P e K, respectivamente, assim como de pastagens consorciadas com leguminosas, dentre elas o calopogônio, crotalária juncea, crotalária vistosa, estilosantes, mucuna, feijão de porco etc., e cultivos isolados dessas culturas servindo de bancos de proteínas para os animais. Segundo Werner (1986), o uso de pastagens consorciadas é uma opção para reconstituir a fertilidade do solo quanto à matéria orgânica, devido à capacidade da leguminosa em fixar nitrogênio do ar. Para tanto, é preciso que essa leguminosa esteja bem nutrida com os demais elementos essenciais e que não haja fatores adversos, como exemplo, elevados teores de alumínio no solo. Calagem: a aplicação de calcário em áreas de pastagens, principalmente o dolomítico é fundamental para redução da acidez que se constata na maioria dos solos do Recôncavo (Tabela 1) e por fornecer em proporções mais adequadas os nutrientes cálcio e magnésio para as plantas. A calagem é uma prática que também diminui os efeitos danosos do alumínio, manganês e ferro, os quais podem estar em quantidades excessivas quando o solo apresenta pH baixo, prejudicando diretamente as plantas, assim como, bactérias importantes (Rhizobium) para as leguminosas. É importante destacar que dependendo da espécie as plantas são mais ou menos responsivas à calagem. As braquiárias são classificadas como plantas de tolerância relativa à acidez do solo, atributo importante para a sua persistência e produtividade nas mais diversificadas condições de solo. Nitrogênio (N): é um dos nutrientes mais exigidos pela maioria das plantas cultivadas, sendo absorvido preferencialmente nas formas iônicas N03-, NH4+ e N2. Esse elemento tem função estrutural e faz parte de molécula de aminoácidos, proteínas, é constituinte de bases nitrogenadas e ácidos nucléicos, clorofila e alcalóides, bem como de muitos hormônios, enzimas e vitaminas. Além disso, influencia nos processos de absorção iônica, respiração, fotossíntese, diferenciação celular etc. (Malavolta, 1980). A deficiência de N influencia de imediato no crescimento da planta com coloração verde clara ao amarelecimento inicial das folhas mais velhas em função de sua alta mobilidade interna na planta. O excesso provoca redução de floração, frutificação e acamamento.

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Fósforo (P): elemento constituinte das moléculas de ATP, ADP, ácidos nucléicos e dos fosfolipídeos das membranas celulares, sendo importante na liberação de energia para o processo ativo de absorção iônica. As formas iônicas H2P04e HP04-2 são as preferencialmente absorvidas, formando compostos orgânicos como hexoses fosfatadas, ésteres de carboidratos, fosfolipídeos e outros, como também, compostos inorgânicos como ortofosfatos e pirofosfatos (Mengel & Kirkby (1987). Segundo Werner (1986), depois do nitrogênio, o fósforo é o elemento mais importante, tendo grande influência no crescimento das raízes e no perfilhamento das plantas forrageiras. Por isso esse elemento é fundamental no processo de recuperação de pastagens degradadas. O excesso de fósforo gera deficiência de cobre, ferro, manganês e zinco. Grant et al. (2001) citam que deficiência de fósforo no início do ciclo vegetativo da planta pode resultar em restrições no crescimento, das quais a planta não se recupera mesmo fornecendo fósforo posteriormente. Potássio (K): é absorvido na forma iônica (K+) e atua como ativador de algumas enzimas na síntese de amido e ácidos graxos. Participa da fotossíntese e respiração e da síntese de clorofila, sendo importante nos movimentos de abertura e fechamento dos estômatos e no transporte de carboidratos (Marschner, 1995). Os capins deficientes em potássio apresentam colmos finos, raquíticos e pouco resistentes ao tombamento. As leguminosas deficientes em potássio têm seu crescimento limitado, há redução na nodulação, afetando a fixação de nitrogênio. Em excesso, o potássio causa deficiência de cálcio e ou maganésio. Cálcio (Ca): absorvido na forma iônica (Ca2+) esse elemento tem função estrutural, fazendo parte da parede celular como pectato de cálcio, estando ligado à formação e funcionamento das membranas celulares. É ativador enzimático (ATPase e fosfolipase) e faz parte da amilase. A deficiência de cálcio pode ser induzida por excesso de Na, K, NH4+ e ou Mg que limitam a sua absorção. O cálcio é importante para manter a estrutura e o funcionamento normal das membranas da célula e em baixas concentrações, estimula a absorção de outros íons. Sintoma de deficiência em folhas novas, deformação das folhas, morte dos pontos de crescimento e clorose nas pontas. O excesso provoca deficiência de potássio e ou magnésio. Magnésio (Mg): é elemento estrutural da molécula de clorofila, pectina e fitina, participa da fotossíntese, ativador enzimático e funciona como carregador de fósforo. Absorvido na forma iônica (Mg2+), é móvel no floema celular, por isso apresenta sintomas de deficiência primeiramente nas folhas velhas, assim como o nitrogênio, fósforo e potássio. Em condição de deficiência ocorre clorose internerval e a nervura da folha permanece verde. O excesso de magnésio promove indução de deficiência de potássio e/ou cálcio. Enxofre (S): absorvido na forma iônica SO42-, é constituinte dos aminoácidos cistina e metionina, de proteínas, clorofila, vitaminas e importante para fixação de nitrogênio. Esse elemento é pouco móvel na planta, por isso o sintoma de deficiência aparece primeiro nas folhas novas. A deficiência de enxofre nas pastagens do Recôncavo ainda não é preocupante, entretanto, a forte aplicação de adubos nitrogenados nessas áreas pode favorecer o desequilíbrio nitrogênio e enxofre afetando o crescimento da forrageira. Micronutrientes: nas condições edafo-climáticas da região do Recôncavo não se têm encontrado resultados satisfatórios do uso de micronutrientes nas pastagens. Dentre esses elementos (boro, cloro, cobre, ferro, manganês, molibdênio e zinco), o zinco é o micronutriente mais utilizado na maioria das culturas, além de sua forte interação com o fósforo no solo (Mengel & Kirkby, 1987). Estudos com micronutrientes são importantes para obter o máximo de eficiência produtiva e qualidade da forragem em pasto. RESULTADOS DE PESQUISAS COM FORRAGEIRAS NO RECÔNCAVO Na região do Recôncavo da Bahia ainda são incipientes os trabalhos de pesquisas direcionados para avaliação do estado nutricional de plantas forrageiras. Mais recentemente, como apoio do Mestrado em Ciências Agrárias, e com a formação do grupo de pesquisa em “Nutrição Mineral de Plantas e Pós-Colheita” da UFRB, estudos com macronutrientes isolados e em interações vêm sendo desenvolvidos com capins do gênero Brachiaria, principalmente o Brachiaria decumbens, que é o mais cultivado na região. Estudos com aplicação de calcário em pastagens de braquiária estabelecida em LATOSSOLO AMARELO foram desenvolvidos nos anos de 1998 e 1999 na então Escola de Agronomia da UFBA. Os resultados da Tabela 2
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demonstram que no primeiro ciclo da braquiária a elevação da saturação de bases (V%=60) incrementou o rendimento de massa seca em 95% e que saturação acima deste valor apresentou aumentos inferiores a este, quando comparados com a fertilidade natural do solo (V%=33). No segundo ciclo vegetativo, sem reposição da calagem, observou-se aumento linear, com 84% quando V%=80. Nos dois cortes não houve efeito significativo da calagem sobre a concentração de nitrogênio, assim como para os valores de proteína bruta na forrageira. Entretanto, o acúmulo de nitrogênio foi mais acentuado quando V%=70. Esses resultados indicam efeito positivo do aumento da disponibilidade de cálcio e magnésio no solo na qualidade da forrageira. Neste estudo, quando se fez a substituição de 25% do CaO do calcário por gesso agrícola, verificou-se apenas aumento de 27% e 14% no rendimento de massa seca da braquiária no primeiro e segundo cortes, respectivamente, quando o V%=50. Também não foi observada influência da presença do gesso agrícola nos teores de nitrogênio na planta, entretanto, a extração de nitrogênio do solo foi menor com o aumento da saturação por bases. Tabela 2. Rendimento em massa seca, teor, acúmulo de nitrogênio e proteína bruta do primeiro e segundo cortes da parte aérea do capim-braquiária, em função da saturação por bases (V%). Os valores são médios de quatro repetições.
------------------------------33 50 4628 5330 1812 2550 10,6 8,9 15,3 16,9 49,01 47,54 31,67 43,18 66,1 55,6 95,9 105,5 (V %) ------------------------------60 70 80 9040 8450 8230 2662 2975 3337 8,3 10,4 9,3 16,9 15,3 15,3 75,37 88,34 76,95 44,00 67,90 53,55 56,8 65,2 55,9 105,5 107,2 95,9

VARIÁVEIS Massa seda (kg ha ) Teor de N (g kg )
Acúmulo de N (kg ha )
-1

CORTE
-1

-1

Proteína bruta (g kg )

-1

I II I II I II I II

Trabalho não publicado. Resultados em Relatório de Pesquisa PIBIC (Silva & Santos, 1999a).

A aplicação de N, como fonte uréia, em pastagem implantada com braquiária demonstrou que houve incremento linear de 174% no rendimento da massa seca da forrageira (2300 para 6300 kg ha-1), na dose de N= 600 kg ha-1 no primeiro crescimento da cultura. No segundo crescimento houve efeito quadrático de resposta, com maior aumento de 104% (1710 para 3480 kg ha-1) na dose N=300 kg ha-1. O teor de N nas folhas aumentou significativamente na ordem de 424% e 32% no primeiro e segundo cortes da planta na dose de N= 600 kg ha-1, respectivamente. Nas hastes da planta esse aumento foi de 800% no primeiro e 24% no segundo corte. Nessa dosagem de N no solo, obteve-se aumento de N acumulado na planta superior a 800% (13,7 para 134,8 kg de N ha-1) no primeiro corte, e de 156% (27,41 para 62,78 kg de N ha-1) no segundo corte da forrageira, quando comparado com o tratamento sem aplicação de uréia (Silva & Santos, 1999b). Estudo desenvolvido por Carvalho (2000), avaliando o comportamento de algumas gramíneas e leguminosas em LATOSSOLO AMARELO no município de Cruz das Almas-BA, demonstrou que a Crotalária juncea e a mucuna apresentaram rápido crescimento no período inicial, precocidade na produção de massa, boa cobertura do solo e bom volume de raízes em profundidade. Por isso, essas plantas apresentam potencial para serem usadas como adubo verde e na recuperação de solos fisicamente degradados. Por outro lado, o autor constatou que o calopogônio apresentou menor velocidade de crescimento no período inicial, sendo mais tardia para cobertura total do solo. Nesse estudo, o capim cameroon e a braquiária humidícola apresentaram grande velocidade de crescimento no período inicial do ciclo vegetativo, podendo assim, serem competitivas com a vegetação nativa. A produção de massa seca do cameroon foi superior às demais espécies estudadas, confirmando ser uma excelente opção como forrageira de corte na região. Esses resultados indicam a importância da diversificação de espécies num ambiente de pastagem, condição que favorece o melhor aproveitamento de água, nutriente e adequação às variações climáticas. Estudos com resíduos orgânicos e adubação mineral com NPK no capim-braquiária demonstraram que a produção de massa seca aumentou de forma mais significativa com a adubação NPK, que em relação às adubações com esterco bovino curtido e compostos de lixo selecionado e não selecionado. O rendimento de forragem e o número de perfilhos não foram influenciados com adição dos compostos orgânicos, sendo o esterco bovino o mais eficiente no rendimento de forragem (Rodrigues, 2001). Santos & Santos (2002), estudando a interação N:S em capim-braquiária, observaram no primeiro corte que houve efeito significativo para as doses de nitrogênio e para a interação, entretanto, não foi observada significância do enxofre isoladamente. O maior rendimento em massa seca foi obtido com a dose de N=300 kg ha-1, correspondendo a
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1988. Em estudo de interação P:Mg. vez que estes normalmente apresentam baixas concentrações desse elemento.br/ibge/estatística/economia/agropecuária/censoagro/default. De acordo com Santos (2003). A.I. Rio de Janeiro: IBGE. enquanto que a interação com as doses 100:40 apresentou um aumento de cinco vezes no rendimento em relação ao tratamento controle. Segundo Santos et al. 74f. 2009 179 .L. N. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) Escola de Agronomia. Campinas: Fundação Cargill. S. (1996) em relação à concentração de P na planta.. E. 1975. 115f. C. As doses de K2O 50 e 100 kg ha-¹ promoveram um incremento de massa seca de 40 e 60%. A adubação fosfatada é imprescindível no estabelecimento de pastagens nos solos da região do Recôncavo. (Informações Agronômicas. 341p. Com isso. quando em omissão de P. Avaliando a interação N:P num LATOSSOLO na região de Amargosa. Identificação.. apresentando 121% quando comparado a omissão de P e K (Santos & Santos. São Paulo: USP. o rendimento de massa seca da braquiária foi influenciado pela adubação fosfatada e magnesiana. com características de degradação com baixa produção de massa seca. Em presença de altas concentrações de P (200 kg P2O5 ha-¹) o maior acréscimo no rendimento de massa seca foi obtido com a dose 50 kg K2O ha-¹.L. Exigências de fósforo para o estabelecimento de gramíneas e leguminosas forrageiras tropicais em solos com diferentes características físicas e químicas. J.8 g kg-1 e 14. respectivamente. 1. Viçosa. Nutrição mineral de plantas: princípios e perspectivas. respectivamente. Universidade Federal da Bahia. Tópicos em Ciências Agrárias. 2001. 2003). resultante de vários fatores de manejo da forrageira. D. UFRB. Piracicaba: Associação Brasileira para Pesquisa de Potassa e do Fosfato. GUSS. Esses resultados foram semelhantes aos obtidos por Guss (1988) e Rao et al. http://www.shtm. REFERÊNCIAS CARVALHO. CENSO Agropecuário 2000. Disponível em: DEMATTÊ. de. v.uma concentração em N de 18. Cruz das Almas. C. No segundo crescimento não houve significância para S e nem para a interação N:S. das hastes e parte aérea. A adubação de pastagens através da interação P:K também vem sendo avaliada na região. principalmente nas áreas de capins do gênero Brachiaria. Os resultados apresentados demonstram a significativa influência da adubação mineral nas pastagens do Recôncavo da Bahia. 95) 5p. D. assim como. espera-se que as pesquisas com plantas forrageiras possam continuar de forma ainda mais intensiva. S.ibge. 1988. do solo e do excesso de animais por área e do tipo de criação.R.5 g kg-1 no limbo foliar e na haste da forrageira. Manejo de solos ácidos dos trópicos úmidos: região Amazônica. A importância do fósforo no desenvolvimento inicial da planta. SHEPPARD. a eficiência da adubação fosfatada aumenta com a disponibilidade de Mg no solo. Mg e N nos dois ciclos de crescimento do capim-braquiária. 2000. e que os conhecimentos gerados possam melhorar a produtividade e qualidade das pastagens da região. 215p. apresentaram respostas significativas com a aplicação desses elementos. A. o aumento das doses de P num LATOSSOLO AMARELO favoreceu maior concentração e acúmulo de P. GRANT. 2000.gov. caracterização e cinética do crescimento de leguminosas e gramíneas com alto poder relativo de penetração de raízes em solo coeso dos tabuleiros costeiros do recôncavo baiano. (2004).. FLANT. Dissertação (Mestrado em Agronomia) Universidade Federal de Viçosa. e altas concentrações de P no solo apresentou melhor desempenho da forrageira quando a dose de magnésio foi de 40 kg ha-1. TOMASIEWICZ. a concentração e o acúmulo do N e P. No primeiro crescimento a interação N:P nas doses 200:160 (kg ha-1) promoveu um aumento de 14 vezes em massa seca. Lomanto Neto (2002) observou que numa pastagem degradada de capim-braquiária a produção de massa seca das folhas. J. EPSTEIN.

194p. SANTOS. 119f. dos. EMBRAPA. H. 20f. (Agronomy. R. Nutritional requiriments of Brachiaria and adaptation to acid soil. (Série Estudos Agrícolas. REZENDE. KERRIDGE. PIBIC.. J. A. E. L. SANTOS. P. RIBEIRO. P.. 98P. 1980. 78f. SANTOS. do C Rendimento e estado nutricional do capim-braquiária. submetida à adubação com resíduos orgânicos compostados em Latossolo Amarelo coeso. dos. L. 22f. REZENDE. dos. dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) Escola de Agronomia..M.16. RODRIGUES.. J. Cruz das Almas. Cruz das Almas-BA. Os Latossolos Amarelos do Recôncavo Baiano: gênese. I. M. R. SANTOS. Cruz das Almas. Relatório de Pesquisa. Universidade Federal da Bahia. G. 889p. Rendimento de matéria seca e avaliação nutricional da Brachiaria decumbens Stapf.) Brachiaria: Biology. Viçosa. Cruz das Almas. 2002. Cruz das Almas. 1999a.53-71. Resposta do capim-braquiária submetido a doses de calcário e gesso agrícola em um Latossolo amarelo coeso. Cali: CIAT. L. J. A. 2001.C. and Improvement). R. R. berço da Universidade Federal segunda da Bahia: passado. 2004. 1999b. v. MAASS. 251p. 117p.LOMANTO NETO. 2009 . 2004.9-18. Relatório de Pesquisa. A. em função da aplicação de diferentes doses de nitrogênio e enxofre num Latossolo Amarelo coeso do Recôncavo da Bahia. G. v. Cruz das Almas-BA. In: MILES. Dissertação (Mestrado em Solos e Nutrição de Plantas) Universidade Federal de Viçosa. de O. BA: SEPLANTEC/CADCT. SANTOS. Principles of plants nutrition..ed.L. KIRKBY. PIBIC. dos. 98f.. em função da interação fósforo e magnésio em um Latossolo Amarelo do Recôncavo da Bahia. SANTOS. J. 1996. Cruz das Almas-BA.. Relatório de Pesquisa. R.C.. RAO.B. submetido a doses de nitrogênio em solos dos Tabuleiros costeiros no Recôncavo da Bahia. Universidade Federal da Bahia. evolução e degradação. 10f. Salvador-BA: SEAGRI/SPA. 2. Mineral nutrition of higher plants. São Paulo: Agronômica Cerres. dos. 2000. do C.. SILVA. SANTOS. R. SANTOS. n. Magistra. G. A.1. G. E. PIBIC. C.M. MACEDO. 180 Tópicos em Ciências Agrárias.P. M. MARCSHNER. 2003. à interação N:P na região de Amargosa-BA. Elementos de nutrição mineral de plantas.A. Cruz das Almas-BA. SILVA. L.) num Latossolo Amarelo. dos. A. UFRB. A. dos. VALLE. 1995. 1). Caracterização da degradação e resposta de pastagens com Brachiaria decumbens Stapf.. Resposta do capim Brachiaria decumbens Stapf. Balanço de nutriente em sistema de agricultura migratória no município de Ji-Paraná-RO. Solos Coesos dos Tabuleiros Costeiros: limitações agrícolas e menejo.. R.. 25f. 2003. B. 1999. SANTOS. MALAVOLTA. F. SANTOS. MENGEL. de O. E. London: Academic Press.do (Ed. Universidade Federal da Bahia. A. Salvador. 2002. Bern: International Potash Institute.W. Interação fósforo:potássio no rendimento. O. Rendimento da Brachiaria decumbens Stapf. 1. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) Escola de Agronomia. SAMPAIO. L. A. Salvador: P&A. 1999. 1998... 1987.. Teores de nutrientes em pastagens com braquiária em função da interação fósforo e magnésio em um Latossolo Amarelo. da. 687p.teor e acúmulo de nitrogênio do capim-braquiária (Brachiaria decumbens Stapf. p. Relatório de Pesquisa. dos. 131 f. il. Recôncavo Baiano. S. 1998. 2003. presente e futuro / Joelito de Oliveira Rezende. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) Escola de Agronomia.

Ilhéus. In: REUNIÃO BRASILEIRA DE MANEJO E CONSERVAÇÃO DO SOLO E DA ÁGUA. In: LASCANO. Degradación e reabilitación de pastures. J. SPAIN.C. 1991. Tópicos em Ciências Agrárias. GUALDRON. (Eds).. 49p. Establecimiento y renovación de pastures.. Perspectivas de uso dos solos dos tabuleiros costeiros. Cali: CIAT. v.SOUZA L. et al. (IZ. Boletim Técnico. 2009 181 . WERNER. 1. 57p.. 1986. J. Anais. R. 18). Nova Odessa: Instituto de Zootecnia. C.. J. UFRB. BA. SPAIN. SBCS.. 2000. 13.M. da S. Adubação de pastagens.M.

CAPÍTULO 14 DESORDENS NUTRICIONAIS EM POMARES CÍTRICOS NO RECÔNCAVO BAIANO Washington Luiz Cotrim Duete. Rozilda Vieira Oliveira Sacramento & Robson Rui Cotrim Duete Tópicos em Ciências Agrárias .

DESORDENS NUTRICIONAIS EM POMARES CÍTRICOS DO RECÔNCAVO BAIANO Washington Luiz Cotrim Duete1. a cada safra.842 frutos ha-1 (SEI-BA. Aliado a estes fatores acrescenta-se ainda a adubação insuficiente. acidez natural e presença de camadas adensadas limitando a infiltração e o aprofundamento do sistema radicular.3 bilhões de frutos em 1999. A produção nacional é liderada pelo Estado de São Paulo o qual responde por 79. segundo Obreza (1996). para 3. de textura média. Tópicos em Ciências Agrárias.Centro de Ciências Agrárias. E-mail: rozilda@ufrb. É importante chamar atenção que os teores de matéria orgânica do solo tanto nas camadas de 0 . Uma das melhores técnicas para avaliar o estado nutricional dos pomares e orientar programas de adubação consiste na análise foliar aliada aos conhecimentos da fertilidade do solo e das influências de outros fatores (Rodriguez. identificando as desordens nutricionais . participando com 26. segundo classificação de Malavolta & Prates (1994) (Tabela 1). estando o N em nível adequado a alto na planta. o estado nutricional dos pomares de laranjeiras nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira situados no Recôncavo Baiano.Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA). será avaliado neste capítulo. Desta forma. é intenso o processo de mineralização da matéria orgânica. estando a Bahia em 2º lugar participando com apenas 4. resultando em plantas de baixo vigor. conforme visualiza-se na Tabela 2. razão pela qual seus teores no solo são sempre baixos. obtendo-se maiores rendimentos a baixas doses. a partir da diagnose foliar e das condições de fertilidade apresentada pelo solo. Muritiba. com destaque para os municípios de Cruz das Almas. a atividade citrícola no Estado sofreu decréscimo na produção de laranja de 21%. ocupando ainda a posição de maior exportador de suco concentrado. entre 27 a 30 g kg-1.br. suprindo 80% da demanda mundial e gerando divisas de US$ 1 bilhão/ano. pela capacidade desta armazená-lo nas folhas para redistribuição nos períodos de florescimento e frutificação.deficiências.61% da produção mundial segundo dados da FAO (2004).edu. 1. passando de 4. Quaggio et al. caracterizando-se pela baixa capacidade de retenção de água.4 bilhões em 2000. UFRB. Nesta região a citricultura desenvolve-se em solos de Tabuleiros Costeiros. além da torta de mamona utilizada quando da aplicação da fórmula 10-10-10 fornecidas aos agricultores para o cultivo do fumo. 2004). um contingente superior a 20 mil pessoas.98% no ranking nacional. que é realizado nas entrelinhas dos pomares. Ambientais e Biológicas/UFRB. Conceição do Almeida. Cruz das Almas-BA. v.65 % dessa produção. Rozilda Vieira Oliveira Sacramento2. Com a mesma preocupação. excessos e desequilíbrios responsáveis pela baixa produtividade dos pomares. possivelmente. conforme relatos de Legaz et al. Nitrogênio Na região em estudo os teores foliares de N apresentaram-se adequados em 59% dos pomares na faixa de 24 26 g kg-1 de N. Robson Rui Cotrim Duete 3 1 2 3 Professor . o N segue a lei dos incrementos decrescentes. apresentaram-se na faixa de muito baixo a baixo. Sapeaçu. Cruz das Almas-BA. ausência de controle fitossanitário e o manejo inadequado. Considerando os altos valores encontrados convém relembrar que. com predominância do Latossolo Amarelo distrófico. Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. o suprimento adequado e alto de N nas plantas pode ser explicado pelas freqüentes adubações orgânicas com esterco de animal. com rendimento médio de 68. Cabaceiras do Paraguaçu. pois emprega.br Pesquisador .1988). (1995). 2009 185 .20 cm quanto de 20 a 40 cm. Entretanto. A despeito dos baixos teores de matéria orgânica encontrados neste solo. apresentando ainda 41% dos pomares com altas concentrações. Castro Alves e Governador Mangabeira. (1998) observaram decréscimo de rendimento com teores foliares de N igual a 28 g kg-1. Desta produção o Recôncavo Baiano responde com 15. a citricultura tem grande importância social. Na Bahia. Considerando as condições climáticas da região. Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO O Brasil destaca-se no cenário mundial como maior produtor de laranjas.edu. E-mail: wlcduete@ufrb.55%. comprometendo a produção e a longevidade dos pomares.

5 8.... 1........8 5.0 11...0 88.8 0 91.0 Tabela 2. em pomares de laranjeira 'Pêra' nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA...6 14......9 20.......9 2..6 73......9 5........7 2.9 41.8 64..0 88......9 44... % ...0 0 44.........8 17..6 73....2 20.5 88...8 2...8 2..... nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA..3 23...... 186 Tópicos em Ciências Agrárias.. Classe de teores Elementos Deficiente Baixo Adequado Alto Excessivo . N P K S Ca Mg 0 0 0 0 0 0 0 11..5 26... Freqüência de amostras observadas por classe de teores foliares de macronutrientes em pomares de laranjeira 'Pêra'.2 MO 20 – 40 0 – 20 P 20 – 40 0 – 20 K 20 – 40 0 – 20 Ca 20 – 40 0 – 20 Mg 20 – 40 0 – 20 S 20 – 40 Acidez efetiva (1) pH(CaCl2) (1) 0 – 20 20 – 40 A interpretação desta característica deve ser alta e muito alta em lugar de bom e muito bom. macronutrientes e propriedades do solo...........8 0 0 97...6 20... % . 3.0 41..9 0 11..0 0 38...0 17. v.6 8..5 50....7 0 23.... 2003..6 35... 2009 . 0 – 20 Muito Baixo Médio Bom Muito bom baixo ..... Parâmetros químicos Classe de teores Profundidade ..6 61.9 14.....9 0 2.2 53........6 88....... cm ..8 0 8..0 8..1 0 0 0 0 0 50.6 0 0 0 14...8 0 14.9 0 5....... 2003..7 0 2.2 59.5 11..8 17..Tabela 1...1 11....................8 0 0 0 17..9 11.....8 8..8 0 0 29.7 20..9 41.2 0 59...6 2.7 26.2 0 26.. UFRB........5 2... nas duas profundidades.......3 17...6 26....... Freqüência de amostras observadas por classe de teores de matéria orgânica..6 58..

para o qual a laranjeira pode produzir satisfatoriamente num solo pobre em P enquanto que uma cultura anual poderia mostrar sintomas de fome. num pomar cítrico a reciclagem da matéria orgânica fornece a maior parte do N necessário para formar novas folhas e galhos. 35. Apesar dos baixos teores de K no solo. a análise da fertilidade do solo não possibilita estimar a disponibilidade de N devido à dinâmica deste elemento no processo de decomposição e mineralização da matéria orgânica. Obreza.1 g kg-1 (Tabela 1). Koo. respectivamente. 2003.5.1. mas sim que as plantas cítricas são mais eficientes na absorção de P no solo devido à extensão do sistema radicular e maior tempo para absorção. respectivamente (Tabela 2).20 e 20 . 1983. Além disso. Apesar dos 88.1% dos pomares.2 proposto por Malavolta et al. na camada de 20 . comprovaram que esses resíduos podem contribuir com até 153 kg ha-1 ano-1. em estudo sobre a contribuição de N provenientes da mineralização de resíduos de folhas e galhos secos que retornam ao solo.47% dos pomares apresentaram relação acima de 19 e 17. Estes resultados estão de acordo com as afirmações de Malavolta (1983).3% dos pomares com baixo teor de Ca apresentaram altos teores de N. acredita-se ser a justificativa dos três autores acima citados a mais aplicada às condições locais. do que com as exigências da plantas ou a capacidade das raízes para absorver P.40 cm. 1.85. Já na camada de 20 .2 . Assim.2% dos pomares apresentaram teores foliares de K na faixa de adequada e alta.7 g kg-1 em 88.20 cm entre as faixas.9 . Neste sentido.1. Koo (1985) afirma que as inter-relações são os fatores predominantes sobre os teores de nutrientes nas folhas. bom e muito bom. Os teores de K no solo distribuíram-se na camada de 0 .2% dos teores foliares adequados. 1983). (1991) como ideal para atingir uma produção superior a 800 cx ha-1.5 e 14. apresentando valor médio de 1. nas camadas de 0 . 8.2% dos pomares e baixos em 11. que é um fator limitante ao desenvolvimento do sistema radicular.2% dos pomares apresentaram classe de teores baixo e alto. possivelmente em razão dos altos teores de K encontrados em 38.2% dos pomares.40 cm 88. Potássio A distribuição em classes de teores mostra na Tabela 1 que 53% dos pomares estão na faixa adequada com os teores variando de 10 a 14 g kg-1 de acordo com os limites estabelecidos por Malavolta & Prates (1994). apresentaram teores foliares adequados.8% e 97.16. consideradas ideais por Malavolta et al. 23. Verifica-se também uma associação negativa entre as concentrações de N e Ca nas folhas uma vez que 61. UFRB. até certo ponto por um maior crescimento vegetativo e baixa mobilidade do mesmo na planta. Pesquisas têm demonstrado uma maior correlação no estudo entre as relações dos nutrientes com a produtividade que considerando os teores isolados dos elementos.3. a fertilização com o elemento P está mais relacionada com a melhoria do crescimento vegetativo que com respostas positivas quanto ao rendimento (Malavolta. quantidade que corresponde de 1/3 à metade da recomendação anual de N para árvores adultas de citros. Uma das razões para explicar tal situação deve-se Tópicos em Ciências Agrárias. Em contradição. respectivamente.40 cm.2% dos pomares apresentarem teores foliares de P adequados. no solo a distribuição desses teores em faixas de classificação apresentaram-se abaixo da adequada.Vale também ressaltar que a ciclagem de N em ambiente de pomar cítrico é complexa e tem sido objeto de estudo por vários pesquisadores. Com o cruzamento dos mapas temáticos de P no solo (20-40 cm) e P foliar visualizado na Figura 1. Segundo Obreza (1996). justificando que as altas doses de P usadas nos pomares cítricos estão mais relacionadas com a diminuição na disponibilidade do elemento por fixação e com o pequeno sistema radicular. sendo que 76. Fósforo Os teores foliares de P apresentaram-se adequados na faixa de 1. médio. com percentual de 26. pode-se observar que os pomares localizados em áreas com teores de P no solo classificados como muito baixo. (1991) e o Grupo Paulista de Adubação e Calagem para Citros (1994).7%. 53 e 38. contrastando com os 88. a relação média N/P foi de 20.5% dos pomares amostrados apresentaram relação N/K abaixo do limite de 2.8 e 38. Quaggio (1996) afirma que os citros não são menos exigente em P que as culturais anuais. Convém destacar que 76. diluindo sua concentração nas folhas. sendo assim pequena fertilização de N supri essa função.88. v.8% na faixa de 0.9 % muito bom (Tabela 2). Considerando as condições físico-químicas dos solos estudados e a presença da camada coesa encontrada nos Latossolos dos Tabuleiros Costeiros. 2009 187 . Dou et al.8% em classe de teores considerados bom e 2. baixo.3% dos pomares apresentaram teores abaixo do adequado com apenas 8. para 55. respectivamente. respectivamente. (1997). Nesta região. As reduções dos teores foliares de Ca são devidas possivelmente. baixo e médio.

combinada com os baixos teores de Ca e Mg no solo favorecem uma alta absorção de K pelas plantas segundo Malavolta (1980) e Boyer (1985). indica o nível crítico deste elemento no solo. o limite superior da classe média correspondente a 24 mmolc dm-3 para o Ca. deve-se ressaltar que pesquisas realizadas em solos arenosos de baixa fertilidade tem obtido produção máxima e nível crítico com teores foliares de Ca no valor de 28. 73.72g kg-1. chamando também atenção que este antagonismo foi mais forte entre K e o Ca. respectivamente. respectivamente (Tabela 1). Enxofre Os teores foliares de S para 41 e 59% dos pomares apresentaram-se na faixa adequada e alta. pode ser atribuída aos baixos teores de matéria orgânica encontrados nas duas profundidades nestes solos uma vez que. enquanto que as áreas que apresentaram teores de K nos solos de baixo a 188 Tópicos em Ciências Agrárias. constante na tabela de interpretação de fertilidade do solo. uma vez que não existe nenhuma comprovação experimental que o nível de 35 g kg-1 proposto por Malavolta & Prates (1994) seja realmente o mínimo necessário às necessidades metabólicas da planta. onde predomina argila do tipo 1:1 e óxidos hidratados de Fe e Al podendo ainda estes óxidos obstruírem as camadas das argilas 2:1 caso elas estejam presentes nestes solos.1% alto a excessivo para Mg. v. Já na profundidade de 20-40 cm 85.2% do mesmo apresentaram baixos teores de Ca nas folhas. 0. podem ser justificados pelas perdas por lixiviação comum nos solos tropicais e com alto grau de intemperismo.82 respectivamente. percebendo significativa redução dos teores com o aumento da profundidade. A discrepância desses dados indica a necessidade de reavaliação da faixa de teores considerados adequados para a cultura na região.3 e 3. demonstrando altas concentrações de K.3% dos pomares foram classificados como baixos segundo tabela de classificação. a região apresenta clima subúmido a úmido e os solos têm grande possibilidade de serem deficiente em S por causa do rápido processo de mineralização da matéria orgânica.6% dos pomares apresentaram teores médios (Tabela 2). Os valores ótimos para as relações K/Ca e K/Mg nas folhas de citros em estudos realizados no Estado de São Paulo segundo Sanchez (1979). (1975) e Embleton et al.20 cm. Além disso. Entretanto. 0. estejam adequados para suprir as necessidades das plantas cítricas (Figura 2).5 e 29. Como também Weir (1969) observou que o K era o nutriente mais fortemente antagônico das bases estudadas.3% dos pomares estão baixo a muito baixo. ressaltando-se também que não se observou na área de estudo relevante problemas de deficiência de Ca. Observando a Tabela 1 percebe-se que 91.inicialmente às altas adubações realizadas nos pomares utilizando a fórmula 10-10-10 que.85. estão com teores de Ca no solo abaixo do nível crítico razão pela qual 91. Neste levantamento as relações médias de K/Ca e K/Mg foram 0.9% médios e 50% de bom a muito bom. UFRB. sendo assim 91. 2. Na camada de 0-20 cm 47. Nagai et al. com apenas 8. respectivamente. baixa concentração de Ca e elevada concentrações de Mg foliar nestes pomares. (1991) e Grupo Paulista de Adubação e Calagem para Citros . percebendo que as áreas onde os teores de K foram classificados como bom e muito bom apresentaram menores teores de Ca foliar. Malavolta et al. 2009 . uma vez que. 88.8% adequados (Tabela 1).GPACC (1994) são: 0. Observa-se na Figura 3 que os teores foliares de Ca variaram em função dos teores de K no solo na profundidade de 0 .49 e 2. 11% médio e apenas 2. Conforme Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais (1999). enquanto que na profundidade de 20-40 cm. do que entre o K e o Mg.1% dos pomares encontra-se na classe de teores baixa a muito baixo. Outra hipótese para explicar tal situação. esta constitui uma das principais fontes fornecedoras de S à planta. Uma possível razão para explicar as baixas concentrações de S encontradas em ambas as camadas.2. os valores da relação K/Ca foi maior e K/Mg a menor de todas as demais citadas.24 e 4. leva-se em conta que os teores considerados baixo pela tabela de interpretação de fertilidade do solo proposta pela CFSEMG (1999).31 e 3.9% considerados bons (Tabela 2). Quanto aos baixos teores de K no solo.2 e 100% dos pomares nas duas profun-didades respectivamente. (1978) já haviam demonstrado que os aumentos nos teores foliares de K levaram à redução nos teores de Ca.2% dos pomares segundo as classes de interpretação para os teores foliares propostas por Malavolta & Prates (1994).2% dos pomares encontram-se na faixa adequada a alta para K enquanto que a mesma percentagem de pomares apresentam teores baixos de Ca e 94.20 cm. favorecendo ainda mais a lixiviação. No solo na profundidade de 0 . 1. Cálcio Os teores foliares de Ca apresentaram-se baixos na faixa de 20-34 g kg-1 em 91.0.

na faixa de 2.20 cm.2% dos pomares apresentaram teores foliares baixo de Ca associado a 94. sugerindo assim a reavaliação das faixas de teores foliares para esse nutriente.médio registraram maiores teores de Ca nos pomares.1 e 50% dos pomares foram classificados em altos e excessivos. alta 7 a 10 e muito alta. o que induziria à necessidade do uso de calcário calcítico. uma vez que o Mg atua na síntese de proteína. 1.68 bem inferior ao valor 10 proposto por Sanchez (1979) para pomares de São Paulo e 18 encontrado por Malavolta et al. UFRB. na região em estudo. usando os atuais critérios de diagnose foliar.MG.250 2. segundo Koo (1983).500 m 39°9'0"W 39°3'36"W 38°58'12"W Figura 1. Magnésio Dos pomares amostrados. Vale ressaltar que a baixa relação encontrada nos pomares da região se justifica em razão dos baixos teores de Ca e alto a excessivo teores de Mg. nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA. segundo Malavolta (1980). sendo comum no estado de São Paulo teores foliares de Mg acima de 5. de acordo com Baumgartner (1996).0 g kg-1. sendo que. 44. não há na literatura indicação de efeitos depressivos do excesso de Mg em condições normais de cultivo. (1991) após avaliar a composição mineral das folhas de laranjeira por um período de 10 anos. v. A relação média Ca/Mg foliar encontrada nos pomares estudados foi de 5. torna-se arriscado tal recomendação. em Alfenas . 1996) o qual apresenta ainda como normal a relação entre 4 a 6. Esse efeito sinérgico.1% dos pomares com teores altos a excessivo de Mg. 2009 12°39'36"S P solo x P foliar 12°36'0"S GOVERNADOR MANGABEIRA 189 . observou que com o aumento nas doses de N houve elevação dos teores de N e Mg foliar.9% apresentaram teores de Mg adequados.. respectivamente (Tabela 1).3. Já a relação Ca/Mg no solo apresentou na profundidade de 0 . devido aos baixos teores de Mg neste solo. 20-08-20 e torta de mamona pois. Uma outra possível razão para explicar os elevados teores de Mg foliar pode estar relacionada com as freqüentes adubações nitrogenadas realizadas na região utilizando as fórmulas 10-10-10. A despeito dos elevados teores foliares de Mg encontrados na região. Tópicos em Ciências Agrárias. analisando resposta da adubação N e K em citros em quatro experimentos. maior que 10. Esta observação torna-se importante pois. considerada como baixa segundo Guardiola (citado por Vitti et al. 91. apenas 5. Cruzamento entre os mapas de P no solo na profundidade de 20-40 cm e P foliar. valor médio correspondente a 2.5 .0 g kg-1 não relacionando a efeitos prejudiciais na planta. convém ressaltar que. 2003. 39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S 12°36'0"S MURITIBA 12°39'36"S Muito baixo Muito baixo Baixo Baixo Médio Bom Muito bom Baixo Adequado Baixo Adequado Adequado Adequado Adequado 0 1.3. Entretanto. deve-se à participação do Mg no metabolismo do N.

6 e 2. UFRB. médio e muito bom. segundo Karim et al. encontrando 53% dos pomares com teores ótimos e 38.4% em altos e excessivos. respectivamente.9% dos mesmos foram classificados como muito baixo. 1. respectivamente.0 mmolc dm-3 para o teor de Mg no solo. médio. para a profundidade de 20 . nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA.250 2. Esta diminuição de disponibilidade do Cu na camada de 20 .9% dos mesmos (Tabela 3).40 cm 2.6. a despeito dos altos a excessivos teores foliares de Mg. 2003. para as camadas de 0 . 64. (1976).9% dos pomares estudados foram classificados como baixo.Os teores de Mg nos solos em 17. enquanto que na profundidade de 20 . também Valadares (1975) constatou essa diferença encontrando alta correlação entre o teor de Cu e de argila em alguns perfis. 20. pela baixa mobilidade deste elemento no solo favorecendo seu acúmulo na superfície.3% e 8. Resultados semelhantes foram encontrados por Coelho & Matos (1991).1% dos pomares amostrados estão com teor de Mg no solo inferior ao nível crítico citado.7. estabelecido por Quaggio (1992) e a Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais (1994) conclui-se que.3 e 97. 11.8 e 5. respectivamente (Tabela 2). 76.20 e 20 . apresentam proporcionalmente teores baixos e médios. 2009 12°36'0"S GOVERNADOR MANGABEIRA . 39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S 12°36'0"S MURITIBA K solo 12°39'36"S x K foliar Baixo Adequado Baixo Adequado Alto Adequado Alto Alto Alto 39°9'0"W 39°3'36"W 12°39'36"S 0 1. v.40 cm pode ser explicada. 190 Tópicos em Ciências Agrárias. os quais não observaram teores baixos ou deficientes desse nutriente para os pomares do Estado da Bahia. Considerando o nível crítico de 9. Cruzamento entre os mapas de K no solo na profundidade de 20-40 cm e K foliar.3% dos pomares amostrados exibem teores médios para a profundidade de 0 .6.40 cm.20 cm. baixo.40 cm respectivamente. 82.500 m Muito baixo Muito Baixo Baixo Baixo Baixo Médio Médio Bom Muito bom 38°58'12"W Figura 1.9.1% dos pomares e baixo em apenas 5. Cobre Os teores foliares de Cu apresentaram-se adequados em 94. Pela Tabela 4 observa-se que os solos de 88. para a profundidade de 0-20 cm. bom e muito bom.

1.23. Classe de teores Nutrientes Deficiente 0 2....250 2.....38 0 1..34.9 64...13 .9 8..39...9% foram classificados como deficientes e adequados.. alto.1 5..81 . 2003.9% baixo e 14..... atingindo 82...7 Baixo 5... % ....7%....27..500 m 38°58'12"W Figura 3. Coelho & Matos (1991) classificaram segundo Rodriguez (1979).9 e 5. respectivamente...2 26. a classificação encontrada na Tabela 3........ Distribuição em classes dos teores de K no solo na profundidade de 0-20 cm e Ca foliar (g kg-1) nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA......12 Médio # 27.... que classificaram 86....55 . no entanto. 2003..8 0 Alto 0 0 0 0 Excessivo 0 0 0 0 .... Tabela 3....5 35.. Estas discordâncias possivelmente podem ser explicadas em razão do uso de diferentes tabelas de interpretação uma vez que.. a distribuição dos pomares em classe de suficiência mudaria....... Estes resultados não estão de acordo com os encontrados por Coelho & Matos (1991) em levantamento de pomares cítricos na Bahia... segundo Malavolta & Prates (1994)... Cu Fe Mn Zn Ferro Percebe-se na Tabela 3 que 91.. mostra que 91. v....2% dos pomares Tópicos em Ciências Agrárias......3 Adequado 94....... o que é uma característica dos Latossolos onde predominam sesquióxidos de Fe e Al e principalmente as argilas do tipo 1:1 (caulinita).90 39°9'0"W 39°3'36"W Ca foliar X 21. sendo necessário portanto. reavaliar tais tabelas.2% dos pomares apresentaram teores baixos de Fe e apenas 2....6% dos pomares como altos.7 64..9 91.39 . apenas 2. 2009 12°39'36"S 12°36'0"S ! !X # ! 191 ..39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S ## # # ! ! # " ! # " ! ! # # ! " GOVERNADOR MANGABEIRA 12°36'0"S # ! X ! ! X ! ! ! ! ! ! MURITIBA 12°39'36"S K solo Baixo ! 23.. Considerando a classificação do GPACC (1994)... Observa-se na Tabela 4 que os teores de Fe no solo apresentaram-se altos em 100% dos pomares nas duas profundidades...54 Bom Muito Bom " 34.. UFRB. Freqüência de amostras observadas por classe de teores foliares de micronutrientes em pomares de laranjeira 'Pêra'.... nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA..4% como adequado.

4 29.. Tabela 3. Coelho & Matos (1991) relataram teor médio de 30..27 mg dm-3) apresentados em ambas as profundidades nos pomares da região..... % ... o que favoreceria a alta disponibilidade de Mn no solo..6% dos pomares foram classificados como deficiente..7% e 76. respectivamente... que os teores de Mn na profundidade de 0-20 cm dos solos de 94.8 50.... Contrastando com os resultados encontrados neste trabalho.5% e 8.... em pomares de laranjeira 'Pêra' nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA...8 8. Entretanto.8 Médio 88.. baixo e adequado. não se observou nenhum sintoma de deficiência visual de Fe nos pomares.... (1969). pode diminuir a absorção de Mg principalmente em solos ácidos e com baixo teor de Ca.. Tal constatação reforça o que foi exposto acima quanto à necessidade de rever as faixas de classificação dos teores foliares de Fe para citros. Tabela 4....6% dos pomares do levantamento do Estado foram considerados na faixa de ótimo. Visualiza-se na Tabela 4. Percebe-se com isto que os 64. relação antagônica entre os teores de Mn no solo e Mg foliar onde dos 94.0 0 0 94..8 .... o nível crítico de Mn no solo. segundo Mass et al. Cu Fe Mn Zn 0 – 20 20 – 40 0 – 20 20 – 40 0 – 20 20 – 40 0 – 20 20 – 40 Zinco Observando a Tabela 3 percebe-se que 64. Manganês A distribuição dos pomares em classes de teores foliares.. estando portanto.9 0 100 100 5. a razão para os baixos teores encontrados é. Freqüência de amostras observadas por classe de teores de micronu-trientes no solo.1 32.. (1997). o que explica os 64.12% estão localizados em área com baixos teores de Mn no solo.5 mg kg-1 e 6..6 8.. 1...6% e 32. Além disso..... Parâmetros químicos Profundidade ... os teores médios (2.... v.. Segundo Raij et al.. seria o limite superior da classe média correspondente a 5 mg dm-3.... apresentou 64.. 2009 .4 Alto 2..3 50.. 26. 192 Tópicos em Ciências Agrárias..94 mg dm-3 e 1..3% dos pomares foram classificados como deficiente e baixo respectivamente... a pobreza natural destes solos...4 32. 2003.apresentaram baixos teores foliares de Fe.... muito abaixo do nível crítico sugerido pela referida Tabela. 16.7%... originados predominantemente de rochas ácidas.1% dos pomares com teores foliares de Mg alto a excessivo.. este antagonismo se fez presente considerando baixa concentração de Mn no solo e alta concentração de Mg nas folhas..8 61.... apresentado na tabela de interpretação dos teores..0 0 0 0 67.7% e 35. respectivamente.. baixo e ótimo..4% encontram-se na classe de teores baixo e médio.. UFRB. respectivamente. Observa-se na Figura 4.. Considerando que o solo da região em estudo apresenta acidez efetiva alta a muito alta. A similaridade existente entre esses dois íons deve-se possivelmente por apresentarem valências iguais..9 0 58. Classe de teores Baixo 8.... Esta relação antagônica é comumente encontrada na literatura considerando altas concentrações de Mn que. 67. raio iônio e grau de hidratação semelhantes.8% na faixa de deficiente..1% dos pomares foram classificados como médio.... 78.. nas duas profundidades..7% dos pomares deficientes. 76. enquanto que para a profundidade de 20-40 cm. daí a possibilidade da absorção de Mg ter sido favorecida pela baixa concentração de Mn e também pela baixa concentração de Ca.. cm .....7%.7% dos pomares cítrico do Recôncavo Baiano foram classificados como deficiente enquanto que. possivelmente.

melhorar os tratos culturais e manejar adequadamente os solos. não correlacionando com os teores no solo para a profundidade de 0-20 cm. percebe-se que 8. v.8% como baixo. Tópicos em Ciências Agrárias.8% dos pomares estão classificados como baixo. 2003. 64.7% deficiente e 35. os teores na folha permitiram classificar os pomares em. constituindo uma base para elaboração de programas que possibilitem.3% em nível baixo. uma vez que.8%. Vale ressaltar. que apesar dos teores de Zn no solo na camada de 0-20 cm apresentarem 91. para a profundidade de 20-40 cm observou-se uma distribuição de 61. UFRB. 32.4% e 8.500 m 38°58'12"W Figura 4. que segundo Malavolta (1980) os citros está classificado como pouco eficiente. contribuindo com isto para o aumento da produtividade. 29.2% dos pomares classificados como nível médio a alto. Os resultados encontrados fornecem um diagnóstico da citricultura regional. a definição de curvas de calibração de análise de solo para calagem e adubação com macro e micronutrientes.250 2. a adsorção é um fator importante no controle da concentração do elemento na solução do solo. com a experimentação local. Enquanto que. médio e alto nas classes de teores de Zn para as camadas de 0-20 cm. na profundidade de 20-40 cm 61.4% e 58. tendo como conseqüência imediata a revitalização da cultura na região. mostrando com isto maior relação com os teores foliares. como no solo em estudo predomina óxido de Fe e Al a capacidade de adsorção é alta diminuindo sua disponibilidade. 1. 2009 193 . Uma outra possível razão para explicar a deficiência e os baixos teores de Zn nos pomares em estudo pode ser a sua capacidade de adsorção no solo.8% foram classificados como baixo. Distribuição em classes dos teores de Mn na profundidade de 20-40 e Mg foliar nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA. Aliado a esses fatores soma-se ainda a capacidade diferenciada na absorção de Zn pelas plantas. respectivamente.Pela Tabela 4. 39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S "" " " " " " " # ! " # 12°36'0"S 12°36'0"S " " " # " ## # " " " # GOVERNADOR MANGABEIRA # # # " # # ! MURITIBA # # # 12°39'36"S 12°39'36"S Mn solo Mg foliar Baixo ! Adequado Médio # Alto " Excessivo 39°9'0"W 39°3'36"W 0 1. Entretanto.8%. médio e alto.

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CAPÍTULO 15 VARIABILIDADE ESPACIAL DA CONDUTIVIDADE HIDRÁULICA DO SOLO: CONCEITOS E BASES PARA AVALIAÇÃO José Fernandes de Melo Filho & Paulo Leonel Libardi Tópicos em Ciências Agrárias .

A equação de Buckingham (1907) apresenta a limitação de ser válida apenas para o movimento da solução no solo na direção horizontal. Tópicos em Ciências Agrárias. E-mail: jfmelo@ufrb. rebaixamento de lençol freático. Bolsista do CNPq. Radcliffe & Rasmussen. Cruz das Almas-BA. planejamento de sistemas de irrigação e drenagem. movimento de água no interior do perfil do solo. igual ao volume de água ou solução que atravessa. (3) A função condutividade hidráulica do solo. E-mail: pllibard@esalq. também atualizada (Libardi 2000).. na França.usp. o solo. 1999. q = . como a soma do potencial mátrico fm (“potencial capilar” de Buckingham) e o potencial gravitacional fz. é a não saturação. a constante K é um índice que expressa a facilidade com que um meio poroso transporta a água através dos seus poros. Piracicaba-SP.K (q) grad ft a qual é denominada atualmente de equação de Darcy-Buckingham. Ambientais e Biológicas/UFRB. tais como.edu. Professor . controle de erosão e poluição da água (Jones & Wagenet. numericamente. uma unidade de área de uma amostra de uma unidade de comprimento de um meio poroso (solo) sob uma diferença unitária de potencial total. UFRB. Quando se substitui a equação de Darcy-Buckingham (3) na equação da continuidade (4). 1. numa unidade de tempo. pode ser escrita. considerando a notação vetorial. Foi Richards (1928) quem definiu um potencial total. 2009 199 . empiricamente.Centro de Ciências Agrárias. sendo fg o potencial gravitacional e fp o potencial de pressão. como. 1984. a equação de Darcy foi desenvolvida e aplicase para quantificar o movimento de um líquido em condições de saturação. completamente saturadas. tem a seguinte forma: q = . Freeze.br CONDUTIVIDADE HIDRÁULICA DA ÁGUA NO SOLO A condutividade hidráulica do solo foi definida. K(q). Atento a esta realidade. para a filtragem e purificação de água para abastecimento urbano da cidade de Dijon. conforme Libardi (2000). ft = fg + fp. No entanto. nutrição de plantas. reescrevendo a equação do movimento da solução no solo como: q = . como a constante de proporcionalidade (K) das relações matemáticas resultantes de seus experimentos de movimento vertical de água em colunas de areia. proposta por Buckingham.Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”/Universidade de São Paulo. 1994. Buckingham (1907) teorizou a quantificação do movimento da solução no solo não saturado e a equação. a condição mais comum no meio poroso de nosso interesse. 2000. Atualmente é um dos principais parâmetros utilizados para estudos agrícolas e do ambiente que envolvem o fluxo de água no solo. Queiroz et al. 1997.VARIABILIDADE ESPACIAL DA CONDUTIVIDADE HIDRÁULICA DO SOLO: CONCEITOS E BASES PARA AVALIAÇÃO José Fernandes de Melo Filho1. com base na equação (3). 2000).K grad f t (1) em que q é o vetor densidade de fluxo para qualquer direção no espaço e grad f t o vetor gradiente de potencial total ft de mesma direção mas sentido oposto ao do vetor . Libardi. Em outras palavras. K(q) a função condutividade hidráulica. Jong van Lier & Libardi. ft. 1997. Paulo Leonel Libardi2 1 2 Professor . A equação de Darcy. Filizola et al. segundo Libardi (2000): para um meio poroso isotóprico com relação a K. é. fm(q) a função potencial mátrico e q a umidade volumétrica do solo.K (q)grad f m (q) (2) sendo q a densidade de fluxo da solução.br.. Em conseqüência das condições experimentais de seu trabalho. v. tanto é que na equação (1). por Henry Darcy em 1856.

interrompe-se a infiltração e cobre-se a superfície do solo com uma lona plástica para evitar a evaporação e a entrada de água através da superfície. Libardi. Klute. t o tempo (horas) e z a coordenada vertical de posição (metros). Posteriormente foi aperfeiçoado por contribuições de vários autores. 1980. integrando-se esta equação com relação à profundidade Z. 1972. É um método que foi inicialmente desenvolvido e testado para condições de laboratório em estudos de drenagem em colunas homogêneas de solo. A escolha do método depende de alguns fatores como disponibilidade de equipamentos. devido ao elevado grau de controle das condições experimentais. Gardner.. método do furo do trado e método do perfil instantâneo. uma parcela deve ser delimitada no campo e inundada até a saturação. 2000). Existem também os métodos indiretos que tentam quantificar a condutividade hidráulica a partir de outras propriedades do meio poroso cuja determinação seja mais fácil. cuja expressão para o fluxo na direção vertical (Libardi. Green et al. deve ser convenientemente instrumentada para medida da umidade do solo e do potencial mátrico a diversas profundidades do perfil. Para aplicação do método do perfil instantâneo. 1957. método das colunas grandes. 1975. 1996. 1986. à medida que este ocorre. Quantificação da condutividade hidráulica A determinação da condutividade hidráulica do solo pode ser feita por métodos de laboratório e de campo. K (q) ¶f t =0 ¶z ¶f t >0 ¶z Z = Z.¶q = -div q . t > 0. Dentre os métodos de campo. 1986. K (q) 200 Tópicos em Ciências Agrárias. foi determinado por Ogata e Richards (1957). Ogata & Richards. Com este procedimento experimental. medidas periódicas de umidade e de potencial mátrico são feitas (Green et al. natureza do solo. Richards e Weeks (1953) foram. Reichardt et al. Atingida a condição de saturação. 2000) é: ¶f ¶q ¶ æ çK( ) t = q ¶t ¶ zç ¶z è ö ÷ ÷ ø (5) sendo q a umidade (m3 m-3). método das colunas pequenas. Radcliffe & Rasmussen. os primeiros pesquisadores a utilizarem a técnica do perfil instantâneo em experimentos de laboratório com utilização de colunas de solo e Richards et al. 2000). que tem como principal dificuldade a exigência de uma delimitação bem apurada da parcela experimental a fim de que não haja movimento lateral de água. entre os limites Z = 0 e Z = Z com as seguintes condições de contorno: Z = 0. Childs. É um método prático que não necessita de equipamentos sofisticados para sua aplicação. 1953. 1969. t ³ 0. 1956... não obstante o grau de complexidade. UFRB. Libardi. (1956) em condições de campo. Amoozegar & Warrick. 1. isto é. Prevedello. podem-se citar os seguintes métodos para determinação da condutividade hidráulica dos solos: permeâmetro de carga constante. A água contida no perfil redistribui-se pelo processo de drenagem interna e. 1972. provavelmente. Também assume-se que as condições internas sejam isotérmicas durante o processo.. procura-se uma solução para a equação de Richards (1928) na direção vertical (equação 5). tipo de amostra disponível. 1984. Van Genuchten. 1980. suficientemente grande para que os processos em seu centro não sejam afetados pelos seus limites. desde que o lençol freático seja ausente ou esteja bem profundo. 1992. Por outro lado. as medidas são feitas em condições naturais e com perturbação mínima do solo. Klute & Dirksen. enquanto que Watson (1966) melhorou a técnica para obtenção dos dados tornando o método mais preciso. Um novo aperfeiçoamento ao método. Gardner & Miklich. sendo também aplicável para determinar a condutividade hidráulica de solos não saturados in situ.. 2009 . Esta área. Jones & Wagenet.. 1986. No laboratório é possível atingir um grau de precisão e refinamento muito superior ao campo. Hillel et al. método das condições transientes. faixa de tensão a ser estudada e objetivo das determinações (Richards & Weeks. 2000. nas condições de campo. mesmo para perfis heterogêneos. infiltrômetro de tensão. 1962. experiência e conhecimento do pesquisador. o mais utilizado é o método do perfil instantâneo. De forma geral. qual seja a eliminação do fluxo na superfície do solo com a colocação de uma lona plástica. ¶t (4) gera-se a equação diferencial geral que rege o movimento da solução em solos isotrópicos com relação a K(q) e conhecida pelo nome de equação de Richards. Shouse et al. permeâmetro de carga decrescente. 1986. Libardi et al. v.

evidentemente. Normalmente. (1972) simplificaram bastante esta metodologia. Para a medida da umidade. 2000). Por meio de medidas simultâneas de umidade e de potencial total ao longo do perfil de solo durante a redistribuição da água. 2000) e. em ln K o = ln K q = 0 + bq o Subtraindo a equação (9) da equação (8) tem-se: (9) ln K . a equação (8) transforma-se. 1981) e o TDR (Smith & Mullins.Z ¶t Z ¶t 0 = ¶f t ¶f t ¶z Z ¶z Z (7) sendo hz (m3 m-2) a armazenagem de água no solo entre a superfície (Z = 0) e a profundidade Z. Libardi. com o tempo. v. Nesse sentido. sob condições de campo (Or & Wraith. então. 1. 2000). ao longo do perfil é recomendável a utilização de equipamentos não destrutivos. a sonda de nêutrons (Greacen. soma dos potenciais mátrico e gravitacional.bq o ou (10) æ K lnç çK è O pelo que ö ÷ = b ( -q O ) q ÷ ø (11) K = e b (q -q O ) KO e. dividindo-se os fluxos q da primeira tabela pelos gradientes de potencial também obtidos graficamente a partir dos perfis de potencial total para os diversos tempos (Libardi. A primeira para determinação da densidade de fluxo de água no solo nas diversas profundidades e para diversos tempos a partir da integral da equação (7) com relação a profundidade do solo. o tensiômetro é um equipamento consagrado de medida da tensão ou potencial mátrico da água no solo. A segunda tabela. aproximada para um somatório e ¶q/¶t medida graficamente em pontos particulares no tempo em curvas de q em função de t. 1972. rearranjando ¶f ¶q dZ = K (q ) t ¶t ¶z 0 Z (6) Z -ò K (q ) Z = ¶h ¶q dZ . como por exemplo. Igualmente o mesmo deve ser considerado para determinação do potencial total. o valor de ln K para q = 0. portanto. 2009 201 . ou seja.ln K o = bq . respectivamente. um gráfico de ln K em função de q dá uma linha reta: ln K = ln K q = 0 + bq (8) sendo b o coeficiente angular da reta e ln Kq = 0 seu coeficiente linear. para o tempo zero de redistribuição da água. Hillel et al. determina-se a variação de armazenagem hz com o tempo t e o gradiente de qt ao longo de Z que aparecem na equação (7) e. b o coeficiente angular da reta ln K em função de q e qo e Ko a umidade e a condutividade hidráulica. o tipo tradicional com manômetro de mercúrio ainda é o mais adequado e utilizado para estudos da função K(q). Estes autores sugerem um roteiro simples para a determinação da função K(q) com base na elaboração de duas tabelas. (12) K = Ko e b (q -q o ) (13) sendo. UFRB.. muito embora tentativas tenham sido feitas para automatizá-lo. isto é. os valores de K(q) apresentam uma relação exponencial com a umidade (Hillel et al.obtém-se: Z -ò ou. Para o tempo zero de redistribuição. como já esclarecido. para cálculo da condutividade hidráulica em cada profundidade e para diferentes umidades. Tópicos em Ciências Agrárias. o valor de K(q). 1991).

Variabilidade espacial do solo O solo é um corpo natural e complexo. Utilizando amostras compactadas artificialmente. quando analisam o impacto de erosão induzida. (1995). Para estes autores. propriedades do solo como a textura.. Os processos de formação determinam. 1997.. Na medida em que ocorre no espaço livre do solo. Quanto ao tamanho dos poros. Com esta proposição Libardi et al. Borges et al. a qualidade das argilas e a matéria orgânica exercem influência sobre a condutividade hidráulica. 1999. conferindo-lhe variabilidade espacial elevada.. o autor faz uma importante consideração quando afirma que para os parâmetros físicos do solo influenciados pelas alterações na estrutura a sensibilidade é muito grande.. clima. 2000). a densidade. Libardi et al. Assim. a estrutura. Dentre as propriedades do solo. Silva (1988).Uma alternativa na técnica do perfil instantâneo é a de se considerar o gradiente de potencial total como unitário. nos teores de água podem gerar coeficientes de variação superiores a 170% no valor da condutividade hidráulica do solo não saturado. estando implícito nesta relação que K(q) é função direta de q e apresenta. concluiu. 2000). é também acentuada pelas técnicas de manejo do solo decorrentes de seu uso agrícola (Alvarenga & Sousa. observaram que o aumento da densidade elevou a percentagem de microporos com conseqüente redução dos macroporos. Outros fatores como sistemas de uso. Souza. Corrêa. observaram uma acentuada queda nos valores. o tamanho e a forma dos poros.. 1985. Carvalho et al. as características químicas. Silva et al. Nestes casos. 1986. também afetam as suas propriedades hídricas e. Souza et al. portanto. Neste caso. da infiltração e da condutividade hidráulica em relação à condição natural (Centurion & Demattê.. Libardi. 1997a. 2009 . 1999. (1986) verificaram a influência do aumento da densidade nas propriedades físicas de dois Latossolos. resultante da interação dos seus fatores de formação (material de origem. eles concluíram que há um decréscimo significativo na condutividade hidráulica do solo saturado com a profundidade e atribuem este fato à estratificação dos horizontes. 1995. Comegna et al. Esta heterogeneidade natural. a condutividade hidráulica. Outro fator importante que afeta a condutividade hidráulica é a umidade do solo (q).. apresentaram pequeno coeficiente de variação. De acordo com Falleiros et al. fundamental para a sustentação das diversas formas de vida no planeta. Baseando-se no exame de amostras micromorfológicas. argila. geralmente ocorre um aumento na densidade do solo e redução da porosidade total. diminuição do teor de matéria orgânica e alterações da estrutura do solo. que interferem nas propriedades físicas do solo. físicas e biológicas do solo. seguramente. (1989) sugerem efeitos do processo de gênese na heterogeneidade e conseqüente variabilidade dos parâmetros hídricos do solo. conseqüentemente. que propriedades do solo como areia. da ordem de 1 a 2%. Por esta razão esta é uma das proposições mais utilizadas nos estudos relacionados com a condutividade hidráulica. Oliveira et al. (1980) simplificaram mais ainda o procedimento para se determinar a função K(q) a partir de medidas de umidade apenas durante o processo de redistribuição. tendo como base teórica a estatística clássica. Silva et al. em atributos físicos e químicos do solo. Desta forma. 1972. pela remoção da camada superficial. certamente relacionada com a diminuição do espaço poroso que foi constatada. eles concluíram que o desenvolvimento de microestrutura massiva resulta em baixos valores de Ko. afetando a condutividade hidráulica do solo saturado. 1980. estudando a variabilidade espacial de alguns atributos físicos de um Latossolo Roxo. podem acarretar grandes 202 Tópicos em Ciências Agrárias. (1998) a relação entre K e q é tão sensível que alterações muito pequenas. 1958. manejo e erosão. 1999). a condutividade hidráulica é influenciada por todas as propriedades que afetam a distribuição. Dechen & Vieira (1997) apresentam resultados diferentes das conclusões de Carvalho et al. reconhecida desde o início do século vinte. pequenas alterações em propriedades como a densidade do solo. a condutividade hidráulica está entre aquelas que apresentam maior índice de variabilidade. Hillel et al. Bouma et al. 1. organismos. De outra forma. densidade do solo e porosidade. o processo de desenvolvimento do perfil influencia no padrão de porosidade. 1907. Eles concluíram que a função K = K(q) possui uma clara tendência de aumentar com a profundidade em conseqüência do efeito do preparo periódico. Mata. normalmente. ao passo que quando o processo resulta em poros de grãos simples e fissurais ocorre exatamente o contrário. a forma exponencial da equação (13) para valores de q não muito baixos (Buckingham. v. UFRB. Alvarenga & Davide. Quanto à condutividade hidráulica. Gardner. 1992. Em ambos os casos verificaram que a compactação alterou a porosidade e a condutividade hidráulica do solo saturado. Porém. 1985. (1995) determinaram a condutividade hidráulica de um Latossolo Roxo distrófico (Latosssolo Vermelho (EMBRAPA (1999)) pelo método do perfil instantâneo. relevo e tempo) que o torna um sistema dinâmico e variável.

Comegna et al. 1996) mesmo quando a variabilidade é simplificada em função da aplicação de técnicas e conceitos como o “scaling” (Mallants et al. Importante registrar também. o uso de simplificações para o cálculo da função K(q). Comprovando esta realidade. O resultado da influência de todo este conjunto de fatores e suas relações é tornar a condutividade hidráulica do solo uma das suas propriedades com maior índice de variabilidade espacial e temporal. Flühler et al. Este autor comparou valores de Ko. b) caracterizar a distribuição das medidas de Ko e sua relação com a variabilidade espacial da textura. pode ser vantajoso. podendo tanto subestimar quanto superestimar os valores da função K(q) (Bacchi & Reichardt. aqui entendida como condutividade hidráulica. Informam também que os erros originados da leitura dos tensiômetros são mais importantes que outros e ocorrem no início do proces-so de drenagem. De acordo com estes autores a condutividade hidráulica é uma propriedade que apresenta alta variabilidade. UFRB. que não encontraram diferenças significativas quanto ao procedimento de cálculo da condutividade hidráulica do solo saturado. 1997). v. podendo alcançar valores de até 420% de variação. Neste caso. (1995). calibração e equipamentos). então. Os resultados destes autores sugerem também que. Prevedello et al. experimentais. Complementando. sob condições de campo. Seus resultados mostram que as determinações de laboratório podem superestimar os valores de Ko. 2009 203 . Porém. examinando seus efeitos na estimativa da média. pelo grau de desenvolvimento e estabilidade da estrutura do solo no campo. Os métodos resultaram em estimativas equivalentes para Ko. conteúdo de matéria orgânica e superfície topográfica. quando o gradiente hidráulico é menor que 0. Reynolds & Zebchuk (1996) realizaram um experimento com os objetivos de: a) comparar um grande número de medidas de condutividade hidráulica calculada pelos métodos do permeâmetro de Guelph e furo de trado. como mostram os resultados de Calvache et al. os diversos procedimentos de cálculo também devem ser registrados como importantes fontes de variação da condutividade hidráulica. observou-se que os erros na condutividade hidráulica são crescentes com a diminuição da umidade e podem subestimá-la em valores compreendidos entre 12 até 73%. umidade volumétrica antecedente.. (1997). (1994) analisaram a magnitude dos erros envolvidos no cálculo da condutividade hidráulica em função da umidade.modificações em parâmetros que dela dependam. Seus dados mostram que a condutividade hidráulica do solo saturado pode apresentar até 190% de variação. a magnitude e a estrutura da variabilidade da condutividade hidráulica do solo saturado foram controlados. tendo em vista o fenômeno da variabilidade espacial. Souza et al. As conclusões de Maheshwari (1997) são confirmadas por Banton (1993). estes autores informam que na faixa úmida os mesmos são responsáveis por 20 a 30% da variação dos valores de K. quando se adota o uso de simplificações metodológicas como o gradiente de potencial total unitário. de acordo com Libardi (1978). da variância e na distribuição deste parâmetro hídrico para um mesmo solo. Warrick & Nielsen (1980) apresentam uma tabela em que registram os níveis de variação de algumas propriedades físicas do solo. devido a alterações nas amostras e ocorrência de fluxo preferencial durante o processo de medida. enquanto que para a condutividade hidráulica do solo não saturado são bem mais significativos. 1988. Porém. pois permite a substituição de métodos mais precisos por outros mais simples e que possibilitem a obtenção de um maior número de medidas. medida pelo método do furo do trado. (1976) incluem como fatores de variação da condutividade hidráulica do solo não saturado. o alcance. tipo distribuição de poros e retenção e movimentação de água. Nos três casos analisados a condutividade hidráulica foi maior no horizonte Ap. que o método de determinação pode ser fator de variação da condutividade hidráulica para um mesmo solo.3 mbar cm-1. logicamente em função da maior macroporosidade apresentada por este horizonte. em relação a medidas de campo. Maheshwari (1997) constatou diferenças entre valores de Ko em estudo de comparação das inter-relações entre parâmetros físicos e hidráulicos do solo. De forma semelhante. conteúdo de matéria orgânica e superfície topográfica de um solo de textura argilosa. sistemáticos. tendo em vista os resultados de Queiroz et al. (1997b) verificaram a influência conjunta da gradagem e matéria orgânica na distribuição de poros de um horizonte Ap para três diferentes solos e seus reflexos na condutividade hidráulica em relação aos horizontes mais profundos. deve-se ressaltar que esta não é uma regra geral. determinados por métodos de laboratório e campo. enquanto que os erros de medida da umidade são dominantes durante o processo de secagem do solo. 1. que medidas de laboratório não podem ser usadas como estimativa de valores de campo para o parâmetro condutividade hidráulica do solo saturado. Estudando a propagação desses erros na determinação da condutividade hidráulica pelo método do perfil instantâneo. quando a drenagem é muito lenta. introduzindo erros. Neste sentido. cuja magnitude de variação foi dez vezes maior do que no método de campo. O autor sugere. as características estatísticas diferiram significativamente e não houve correlação entre os resultados de campo e laboratório. os erros decorrentes e associados aos métodos experimentais (erros de leitura. Neste caso. Associados aos métodos. primariamente. resultados experimentais publicadas por Tópicos em Ciências Agrárias. em relação à textura. Ko.

afirmam que a relação entre K versus q. físicas e biológicas. Ko. utilizando o método do perfil instantâneo. pode-se alcançar a solução dos problemas contemporâneos. v. Estes autores analisaram. em nove profundidades. 1. segundo Grossi Sad (1986) estabeleceu-se que a quantificação da variabilidade de um certo atributo medido neste corpo geológico deve ser feita por meio de técnicas estatísticas. de uma Terra Roxa Estruturada Latossólica (Nitossolo (EMBRAPA (1999)). com doze pontos de observação. é a principal causa de variabilidade nas relações matemáticas entre K e q. Uma análise mais apurada permite identificar nos resultados de Cadima et al. Jong van Lier & Libardi (1999). afirmam que “a variabilidade dos parâmetros físicos do solo pode ser integrada para responder às crescentes questões sobre problemas específicos que permitam escolher os melhores sistemas de manejo”. Neste experimento os valores de g (correspondente ao b da equação 13) e Ko mostraram-se muito variáveis. (1980) outras informações interessantes sobre a variabilidade da condutividade hidráulica do solo não saturado. Para o g. Por sua vez. Finalizando.000 m2. com equilíbrio entre o econômico e o técnico.Anderson & Cassel (1986) indicam que a condutividade hidráulica do solo pode variar de 130 até 3. (1994) indicam que a dependência espacial da função K(q) pode alcançar valores acima de 30 metros. o mapeamento e aplicação de técnicas para o manejo e a recuperação dos solos. como a condutividade hidráulica. portanto. 1998). locais e métodos de análise para todos os parâmetros possíveis. (1995) compararam dois procedimentos para determinação das relações K(q). Complementando esta última informação. Utilizando o método do perfil instantâneo em cinco parcelas distribuídas em uma área de 10. diminuindo significativamente em profundidade. Neste caso. Eles concluíram que a variabilidade é mais acentuada nas camadas superficiais. Estes níveis de variação indicam que a utilização e extrapolação de valores médios. a variação foi da ordem de 200 a 6000 em uma mesma profundidade. gerando informações científicas mais claras e precisamente analisadas. UFRB. atingindo valores extremamente baixos aos quarenta dias de experimento. indicando o número mais representativo de amostras. quando determinada pelo método do perfil instantâneo. geram erros cuja ordem de grandeza são significativamente elevadas. resultantes de observações experimentais de campo em estudos de dinâmica da água no solo. textura média. em uma área de 1. (1980). o conhecimento da variabilidade espacial das características do solo tem importância significativa para o correto uso deste recurso natural. cujos resultados poderão ser utilizados com grande confiança. uma vez que ela afeta as amostragens para fins de avaliações químicas. Avaliação da variabilidade espacial De acordo com Berg & Klamt (1997). quando for necessária a obtenção de amostras independentes para investigar propriedades físicas do solo. cuja variação pode chegar a 150%. Sugerem a comparação entre solos. Resultados de Jong van Lier & Libardi (1999) também mostram que o valor da condutividade hidráulica do solo saturado. o planejamento da amostragem deve considerar este fato.5 metros e. para este parâmetro hidráulico em suas aplicações agrícolas. (1973) e Cadima et al. 204 Tópicos em Ciências Agrárias.000 m2 de um Typic Haplustoll eles concluíram que o ponto crítico das estimativas de K estão nos valores de Ko. os valores de condutividade hidráulica diminuíram bruscamente nas primeiras vinte e quatro horas após a interrupção da infiltração. relativos à condutividade hidráulica. Como se trata de um meio naturalmente descontínuo. conseqüentemente. resultando em valores de K(q) com até 100% de variabilidade. a partir de grupos multidisciplinares e com o uso da expressiva base de dados já existente. para o levantamento e a classificação. Verificaram também uma variação muito maior dos valores de g nas camadas superficiais. evidenciando que os problemas na determinação da função K(q) e suas aplicações em estudos hidrológicos devem considerar essa característica. Também constataram que a variabilidade temporal é muito significativa nas camadas superiores do perfil. principalmente para as camadas superficiais. Anderson & Cassel (1986) indicam que somente existe autocorrelação para propriedades como a condutividade hidráulica em distâncias menores que 2. Estes autores conduziram um experimento para medir a variabilidade dos parâmetros da equação exponencial que relaciona a condutividade hidráulica com a umidade do solo. Calvache et al. da escala de observação (Seyfried. enquanto o Ko variou de 10-8 m2 h-1 kPa-1 a 102 m2 h-1 kPa-1. sob condições de campo. não representa uma área muito maior do que àquela onde o método foi aplicado. o conceito de homogeneidade para os solos e suas características tem uma aplicação relativa e depende. Os mesmos autores. resultados de vários estudos apresentados por Iwata et al. Assim. Warrick & Nielsen (1980) sugerem que os estudos e avaliações sobre a variabilidade dos solos devem contemplar os padrões e freqüências de distribuição e estrutura da variabilidade. afirmam Nielsen et al.300%. Ao contrário de Jong van Lier & Libardi (1999) e Anderson & Cassel (1986). a variabilidade espacial da condutividade hidráulica de um Latossolo Vermelho-Amarelo (Latossolo Vermelho (EMBRAPA (1999)). 2009 . Por isso.

retratar a estrutura da variabilidade espacial e ser adequado para a operacionalização do método de medida. em Nielsen et al. 1983. 1994. Portanto. que descreve a dependência e a variabilidade espacial de uma variável a partir de correlogramas e semivariogramas. o espaço para o qual cada valor é representativo. Lauren et al. Vieira (1997). UFRB. que representa a distância na qual determinado parâmetro está correlacionado com seu par e. O processo de amostragem discreto requer a coleta de amostras em locais predeterminados e usa técnicas invasivas de obtenção. 2009 205 . 1996b. v. podendo ser representada por funções numéricas ordinárias que assumem um valor definido em cada ponto e descreve. em minúcias. Este conceito possibilitou a interpretação precisa de resultados experimentais relativos a muitas propriedades químicas e físicas do solo (Cambardella et al. Discordando de Russo & Bresler (1981). dentre as quais a condutividade hidráulica (Cogels. variam em resposta a variações regionais de clima e material de origem. aspectos e requerimentos para o cálculo das diversas funções da geoestatística e suas aplicações no estudo da variabilidade das propriedades físicas do solo exigiriam o desenvolvimento de um formulário muito extenso neste ponto. obtidas pelas técnicas de sensoriamento remoto. sua descrição estatística deve considerar a estrutura da variabilidade espacial. Couto & Klamt. 1997. bem como o alcance de cada amostragem. (1985). Vários trabalhos foram realizados com o objetivo de determinar o VER para as diversas propriedades físicas do solo. textura e temperatura. mas que. influenciando significativamente o desenvolvimento do solo. (1981) estudaram a dependência e a estrutura espacial para onze propriedades físicas de um Typic Torrifluvent no Arizona e verificaram que foi difícil realizar generalizações. os autores relatam que cada parâmetro hídrico pode ser caracterizado estatisticamente por uma função de probabilidade independentemente da sua posição espacial e por uma função de autocorrelação que depende somente do valor da distância que separa dois pontos no campo. Como exemplo desta técnica.. 1. sendo necessário. Trangmar et al. Porém. No entanto. Wendroth et al. dependem do elemento de volume ou tamanho da amostra. Gonçalves et al. (1983). os padrões de variação das propriedades do solo ao nível de parcela no campo (Mulla & McBratney. esses autores também indicam que é difícil atribuir uma escala mais precisa para estudos de variabilidade de parâmetros físicos do solo. as propriedades do solo na paisagem. No processo de amostragem contínuo. pois.. a aplicação de técnicas mais refinadas para quantificar precisamente algumas de suas propriedades no campo.. Gajem et al. Uma revisão importante sobre o tema variabilidade espacial de solos foi feita por Reichardt et al. evidentemente. Mulla & McBratney. Russo & Bresler (1981) afirmam que as propriedades hídricas do solo não variam aleatoriamente no campo e que. visto que medidas de propriedades como densidade do solo. potencial mátrico. a definição de uniformidade e heterogeneidade do solo depende de um Volume Elementar Representativo (VER). o qual preferimos suprimir neste trabalho. por exemplo. um valor considerado representativo para toda uma região no espaço. a medida de uma determinada propriedade do solo é feita em toda abrangência da área de interesse no campo. mesmo os mapeamentos mais detalhados não são suficientes para expressar e descrever. pois.1988. que explicitam o nível de dependência espacial. Detalhamentos dos princípios básicos. conferindo-lhes características diagnósticas que possibilitam a sua individualização como corpos naturais homogêneos ao nível de ordem.Miyazaki (1993) também considera que a heterogeneidade do solo é função de uma escala. existem levantamentos de solos com escala suficiente para identificar até dez unidades de mapeamento por propriedade rural. (1986). conseqüentemente. o qual deve apresentar um pequeno desvio padrão.. Vieira et al. Para tanto. Ao nível de série. No campo. afetam o transporte e o armazenamento de água no perfil. Neste trabalho os autores mostram que as técnicas da estatística tradicional e da geoestatística são complementares e que a Tópicos em Ciências Agrárias. por sua vez. portanto. Warrick & Nielsen (1980). a variabilidade das propriedades do solo é causada por pequenas mudanças na topografia que. Das técnicas estatísticas aplicadas ao estudo da variabilidade dos solos. quanto aquela que ocorre em pequenas distâncias têm sido extensivamente descritas e classificadas. Mulla & McBratney (2000) citam a determinação da condutividade elétrica do solo com o uso do sensor de indução eletromagnética “Geonics EM38”. Bouma et al. matematicamente. 1989. 2000). muito embora a zona de influência das propriedades físicas tenha sido fortemente dependente da distância entre as amostras. Raice & Bowman. conteúdo de água. 1988). tal o patamar de detalhamento alcançado. como nos EUA. 1997. é indispensável ao estudo e pode ser encontrado. (1997).. para efeito de classificação e mapeamento. Vieira (2000). a geoestatística é uma ferramenta de análise de amostragem regionalizada. 2000). Neste caso o procedimento de amostragem não precisa de planejamento prévio e elimina a interpolação entre as medidas. tanto a variação em grande escala. Sousa et al. Considerando que a estrutura da variabilidade espacial das propriedades hídricas do solo é caracterizada por uma escala integral. (1973). Rodrigues & Zimback. em muitos locais do planeta. Não raro. A obtenção dos materiais de solo para quantificação da variabilidade pode ser feita utilizando amostras contínuas ou discretas. um fenômeno natural qualquer. usam-se fotografias aéreas ou imagens de satélite. Em escala macro. 1999. A variável regionalizada possui. Desta maneira somente uma parte da população é observada e as suas características são inferidas por meio de técnicas estatísticas.

Outros autores discutem diretamente a aplicação destes conhecimentos ao estudo da variabilidade dos solos. (1986). 1. A média fornece uma idéia do conjunto de dados porém não permite avaliar a sua dispersão. nas condições de seu experimento. A média é considerada uma medida de posição ou medida de tendência central e sua estimativa é dada pela seguinte expressão matemática: X= 1 N å Xi N i =1 (14) sendo N o número de medidas consideradas e Xi o valor de cada medida em análise. freqüentemente referida como estatística clássica. densidade do solo e curva de retenção de água em um Latossolo Roxo (Latossolo Vermelho (EMBRAPA. Mata (1997) afirma que a geoestatística o permitiu chegar a conclusões que passariam despercebidas caso fosse utilizada somente as ferramentas “tradicionais” ou estatística clássica. densidade dos sólidos. Banzato & Kronka (1995). o coeficiente de variação. muito embora seja uma importante ferramenta auxiliar. Nos estudos de variabilidade os parâmetros estatísticos considerados pela estatística clássica são a média. 206 Tópicos em Ciências Agrárias. desvios pequenos indicam mais homogeneidade dos dados e conseqüentemente pequena dispersão. Também assume-se que as amostras são completamente independentes entre si. Souza (1992). A moda é o valor que ocorre com a maior freqüência. Gomes (1987b). Fischer assumiu a direção do Departamento de Estatística da Estação Experimental de Rothampstead em Londres e passou a buscar métodos matemáticos que lhe possibilitasse obter conclusões sobre vários fenômenos experimentais. Miyazaki (1993) e Mulla & McBratney (2000). No entanto. v. desta forma. a estatística não espacial. (1996). também é muito usada para examinar aspectos de variabilidade espacial dos parâmetros físicos do solo. Segundo Libardi et al. textura e densidade de uma Terra Roxa Estruturada (Nitossolo (EMBRAPA. conforme verificaram Libardi et al. Ao contrário. UFRB. confirmando as conclusões de Reichardt et al. A média e o desvio padrão são duas características chaves para a análise inicial da variabilidade de uma população. A mediana é o valor do meio ou a média aritmética dos dois valores centrais. uma maneira sofisticada. Tais estimativas são mais confiáveis à medida que se aumenta o número de observações. O desvio padrão indica a heterogeneidade do conjunto de dados em estudo. mas de tratamento matemático muito simples e de propriedades sempre convincentes. a curtose e os intervalos de confiança para as estimativas dos dados. 1999). este autor considera que a geoestatística não encerra todas as dificuldades para estudos de variabilidade espacial. Não obstante a reconhecida eficiência da geoestatística como ferramenta para análises relacionadas com a variabilidade espacial. quando Ronald A. (1986). Reichardt et al. Gomes (1987). (1986) quando aplicaram as funções da teoria das variáveis regionalizadas para avaliar a magnitude da variabilidade espacial da umidade. a média representa apenas uma estimativa do valor correto da amostra. a variância. a distribuição da freqüência dos dados. a assimetria. 2009 . a mediana. sendo. recomendável como estatística de avaliação da variabilidade. Levine et al. O modelo matemático para calcular o desvio padrão é: 2 1 N å (X i . Estes métodos estatísticos foram desenvolvidos a partir do ano de 1919. Para tanto. (1998). A base teórica e detalhamento dos métodos estatísticos clássicos estão amplamente descritos em Spiegel (1968). o desvio padrão. 1999). que é a raiz quadrada da variância (s2). Como não conseguiu. Mais crítico e considerando que os métodos estatísticos diferem basicamente na forma de avaliar a variabilidade dos dados. identificar a estrutura da variabilidade. Neste caso torna-se necessário uma medida relativa da variabilidade.1 i =1 s= (15) Na prática. visto que as unidades de medida também são diferentes. Neste caso a amostragem é feita de forma inteiramente casualizada e sem considerar a posição relativa de cada variável no espaço.geoestatística possibilita a obtenção de respostas que os métodos tradicionais não conseguem fornecer. a moda. Porém a utilização do desvio padrão para comparação de duas variáveis diferentes é inadequada. dentre os quais podem ser citados Warrick & Nielsen (1980).X ) N . dentre outras. Silva (1988) realizou um experimento com o objetivo de comparar a estatística clássica com a geoestatística em relação à quantificação da variabilidade dos atributos físicos do solo. tal qual o coeficiente de variação. o desvio padrão tem a vantagem de apresentar a variabilidade dos dados na unidade de medida original. em uma seqüência ordenada de dados. Desvios grandes indicam dados heterogêneos e com elevada dispersão de seus elementos. textura. é a estimativa do desvio padrão (s).

Uma distribuição assimétrica muito comum é a log-normal. Por outro lado. se a população varia pouco.. Estes padrões de distribuição também foram encontrados por vários pesquisadores.35% e > 36%. como realizar este processo? Esta etapa do estudo da variabilidade deve começar a partir de um planejamento de amostragem capaz de fornecer as bases para uma precisa identificação dos padrões da variabilidade espacial da propriedade em estudo. (2000). Reynolds & Zebchuk (1996). um número abstrato e relativo. para o coeficiente de variação.. Segundo Reichardt et al. Esta função permite calcular médias. Warrick & Nielsen (1980) sugerem um método gráfico como sendo uma das maneiras mais fáceis. 1993. UFRB. 2009 207 . 1997). expressa pelo coeficiente de variação. Exemplos de aplicações em que o logaritmo é usado para normalizar a distribuição dos dados aparecem em estudos das propriedades hídricas do solo realizados por Sisson & Wierenga (1981). Mulla & McBratney (2000) citam outro esquema de classificação bem mais rigoroso. “box-plot” e ramos e folhas. as distribuições de freqüências assimétricas devem ser normalizadas. que indica a precisão dos dados e possibilita a comparação racional entre valores diferentes. dispersões e a probabilidade de um dado valor ocorrer entre limites especificados. indicam pequena. De acordo com os autores muitas propriedades do solo. (1996) demonstram as verificações da normalidade para os métodos do gráfico de Henry. a média. A média (m) e a variância (s2) da distribuição do logaritmo transformado podem ser usadas para estimar a média aritmética dos dados não transformados usando a seguinte expressão: X = exp(m + 0. média e alta variabilidade.O coeficiente de variação é um número que representa o desvio padrão em percentagem da média. Nos outros casos são diferentes. no qual valores de 0 . 1. de tempo e praticidade. informando que é um dos mais utilizados para este propósito e Libardi et al. Schaap & Leij (1998) e Comegna et al. A freqüência de distribuição corresponde a um arranjo tabular dos dados por classes. contribuindo para definir de maneira mais completa a sua variabilidade. Em estudos de variabilidade uma pergunta a ser respondida é: quantas amostras devem ser obtidas para representar adequadamente uma propriedade ou característica do solo diante de sua inerente variabilidade espacial? Os estudos disponíveis apresentam as mais diversas proposições. pois. Moraes (1991) e Beiguelman (1994) detalham o método dos momentos estatísticos. enquanto outras. (1986). condutividade hidráulica (Libardi et al. a curva tem aspecto estreito e muitos dos seus valores estarão bem próximos da média e mediana. Guerra (1988) cita os testes não paramétricos de KolmogorovSmirnov e Chi-Quadrado. (1973) provavelmente os primeiros autores a verificarem que as propriedades do solo obedecem a diferentes padrões de distribuição. foram Nielsen et al. na prática. sendo simétrica ou assimétrica em relação à média. Por exemplo Warrick & Nielsen (1980) classificaram a variabilidade das propriedades do solo. 1980. média (12% < CV < 80%) e alta (CV > 80%). Considerando que a distribuição normal é uma exigência básica para análise de dados pelos métodos da estatística clássica. Quando a freqüência de distribuição é normal. juntamente com as freqüências correspondentes. 1996). sob diversas formas características. Existem diversos métodos para identificar qual o tipo de distribuição de um conjunto de dados. como teores de areia e argila. As curvas de freqüência aparecem. Para medidas de dispersão normalizadas em torno de uma média o CV é estimado pela expressão: æ sö CV = ç ÷ 100 èXø (16) O CV é. Podem ter distribuição normal ou não. Diante das questões econômicas. A curva de distribuição de freqüência para uma população com alta variabilidade apresenta-se relativamente larga e ampla. v. seguem distribuição assimétrica. No caso da distribuição lognormal. O Tópicos em Ciências Agrárias. 16 . Propriedades do solo com CV elevado são mais variáveis que aquelas com baixo valor de CV. em três níveis: Baixa variação (CV < 12%). existe até proposições de uma classificação para identificar a extensão da variabilidade das propriedades do solo com base no seu coeficiente de variação. Informações complementares aos momentos estatísticos já descritos podem ser obtidas pela caracterização da freqüência de distribuição dos parâmetros medidos. Jones (1969) propõe a utilização de tabelas relacionando os valores de assimetria e curtose para testar a normalidade de um conjunto de dados com base na teoria estatística dos testes de hipótese. apresentam uma distribuição normal. areia e argila (Vieira. geralmente log-normal.15%. Neste caso. a mediana e a moda são iguais. Logsdon & Jaynes. ao contrário. Quando isto ocorre o valor da mediana é maior que a moda e menor que a média. como a condutividade hidráulica. Banton. recomendando desde dezenas até milhares de amostras. isto é feito calculando-se o logaritmo natural do dado observado. respectivamente.5s 2 ) (17) A dispersão de uma distribuição de freqüência normal em torno da média é uma importante medida da variabilidade da população amostrada.

o valor da sua média. que é utilizado como uma ferramenta estatística para indicar o grau de concordância da variabilidade espacial obtida em diferentes tempos. a seguinte fórmula é muito utilizada para estimar o número (N) de pontos amostrais necessários para calcular. Para o autor isso representa um avanço em relação às outras metodologias tradicionais. Neste caso. Na teoria. Sendo assim. Para o caso de parâmetros cujas amostras são independentes e apresentam distribuição normal. na medida em que o teor de água em um local mais úmido no solo tende a se manter assim em qualquer tempo. No entanto. (1985) quando estudaram a estabilidade temporal da distribuição espacial da umidade no solo em uma área irrigada. Os mesmos Mulla & McBratney (2000) afirmam que o modelo matemático para calcular o número de amostras de populações para as quais a variabilidade espacial é considerada. Vachaud et al. Gonçalves et al. Na prática. com a precisão desejada. o número de graus de liberdade necessários para a estimativa de t também não é. Para aplicação do conceito de estabilidade temporal a um conjunto de dados é necessário que duas condições sejam atendidas. para um determinado tempo. Normalmente o número de amostras que resulta da aplicação das metodologias tradicionais é muito grande. A primeira técnica é o teste de correlação de Spearman (Campos. durante o tempo de redistribuição da água. s é uma estimativa preliminar do desvio padrão da população. Com base em estudos de conteúdo de água no solo esses autores introduziram o conceito de estabilidade temporal. A primeira condição requer. 1. possibilitando a análise dos 208 Tópicos em Ciências Agrárias. quando a correlação espacial existe. Tal conceito pode ser definido como resultante da associação invariável no tempo entre a localização espacial e as medidas estatísticas que caracterizam uma dada propriedade do solo. do custo das análises e disponibilidade dos equipamentos de laboratório. difere da equação (18). v. o que nem sempre é correto. posições que representam as médias dessas variáveis em qualquer tempo e que as posições identificadas como estáveis no tempo podem ser usadas para estimativa de q e fm com razoável precisão e representatividade. (1999a) comprovaram o conceito de Vachaud et al. 1983). UFRB. Vachaud et al. sendo aconselhável a identificação de mais de um local de medida para ampliar a representatividade da amostragem. é necessário um grande número de amostras para estimar a média. desde que N não é conhecido. Na segunda condição deve ser possível associar a cada posição ou local o seu valor estatístico de densidade de probabilidade de distribuição normal. Percebendo esta dificuldade prática para a obtenção de médias representativas. 2000). Melo Filho (2002) também aplicou a técnica da estabilidade temporal em medidas do teor de água (q) e potencial mátrico da água no solo (fm) e verificou que a existência da estabilidade temporal para teor e potencial mátrico da água no solo. do nível de precisão desejado para estimar a média da população. sempre assume-se que o tamanho da amostra (N) é suficiente para tal objetivo (Mulla & McBratney. na qual o denominador refere-se ao número equivalente de amostras independentes. t 2 x s2 N= d2 (18) em que t é o valor tabulado de Student para o nível de confiança estabelecido. Para a umidade do solo este conceito foi comprovado. (1985) propõem duas técnicas. um número suficiente de observações para obtenção de seus parâmetros estatísticos clássicos. no campo. conforme bem explicitaram Wesenbeeck et al.número ótimo de amostras a ser coletado depende da variabilidade da população. Este incremento do número de amostras necessárias é estimado calculando-se o número de observações independentes para a população. d é o desvio padrão desejado da população em relação à média. como para a condutividade hidráulica do solo saturado. Existem na literatura proposições que permitem estimar o verdadeiro valor de N a partir do cálculo interativo de valores estimados do próprio N e seus correspondentes graus de liberdade para t. Para tanto. Em alguns casos. em qualquer tempo. na medida em que possibilita a redução do número de amostras necessárias para estimar uma média representativa com elevada precisão e reduzido esforço amostral. o coeficiente de correlação de Spearman (r) possibilita verificar a existência da estabilidade temporal. esse número pode alcançar valores impraticáveis de até 26. 2009 . 1986). mas não identifica os locais em que as medidas possam ser feitas para representar a média da variável em estudo para qualquer tempo e valor. do intervalo de confiança da média populacional. Para analisar a estabilidade temporal Vachaud et al. no método do perfil instantâneo para determinação da condutividade hidráulica.000 amostras para estimativa da média com razoável precisão (Anderson & Cassel. possibilita identificar. Em seu trabalho os autores constataram a persistência das distribuições espaciais da umidade e a possibilidade de identificar locais de amostragem cujos valores permitam estimar a média geral da umidade em uma área. o verdadeiro número de amostras para estimar a média é dado pela relação N2 / N*. (1988). (1985) propuseram uma metodologia capaz de reduzir o número de observações requeridas para caracterizar uma propriedade física do solo. notadamente para os casos de propriedades do solo com grande variabilidade. (1985) sugerem o cálculo das diferenças relativas e seus respectivos desvios padrões.

na medida em que se pode obter um número muito grande de amostras. v. Utilizando-se esta técnica é possível realizar comparações estatísticas em áreas diversas do conhecimento científico. atribuída ao Barão de Munchausen. entre as quais pode-se citar amostragem dirigida. O tempo ou período de amostragem é particularmente importante quando se medem variáveis temporais. incluindo física de solos (Efron & Tibshirani. Venkovsky et al. tipo e profundidade de cultivo e principalmente das condições de solo (seco. em que cada observação de uma população tem a mesma probabilidade de ser incluída na amostra. escrito por Rudolph Erich Raspe no século dezoito. no livro sobre suas aventuras. Resumindo. genética. Para superar esta limitação técnica. Chung et al. (1985) o cálculo das diferenças relativas pode ser feito utilizando-se a seguinte equação: DR(% ) = c ij . No primeiro caso. O “bootstrap” é uma delas. baseado na técnica da substituição. compactado). (1985).. estratificada sistemática. UFRB. como teor de água e condutividade hidráulica do solo. (1985). Concluíram que a armazenagem de água em um determinado local resulta da ocorrência de um conjunto de processos hidrológicos que operam em diferentes escalas espaciais e então. Do mesmo modo Melo Filho et al. o “bootstrap” foi importante ferramenta de apoio para o desenvolvimento de um sistema de modelagem para calcular propriedades Tópicos em Ciências Agrárias. 1. De acordo com Vachaud et al. Concluíram que as estimativas de amostragem utilizando o “bootstrap” difere do método convencional e como a mesma independe da distribuição dos dados e não é afetada pela presença de “outliers” pode ser utilizada para estimar tamanho de amostras com precisão e eficiência. Outro exemplo da aplicação da técnica “bootstrap” para estudo de propriedades hídricas do solo é o trabalho de Schaap & Leij (1998). Na realidade o “bootstrap” é um procedimento computacional intensivo de reamostragem. Várias estratégias para determinar a distribuição espacial dos pontos a serem amostrados foram desenvolvidas. possibilitam identificar os pontos cujos valores sempre estejam próximos da média e possam ser utilizados como referência amostral. cij a determinação no local i no tempo j. O método de reamostragem com reposição é mais vantajoso porque torna a população teoricamente infinita. enquanto que no método sem reposição a observação só pode ser escolhida uma vez em cada reamostragem. Por outro lado. desenvolvida para realizar inferências estatísticas de uma amostra populacional. medidos espacialmente.. demonstraram que análises de coerência espacial poderiam ser usadas para examinar a estabilidade temporal como uma função da escala espacial de qualquer variável do solo. Suas conclusões significaram um avanço e ao mesmo tempo simplificaram a proposta de Vachaud et al. (1986) e Hendrickx & Wierenga (1990). o tempo. O uso do termo “bootstrap” tem origem na frase 'to pull oneself up by one's bootstrap'. cj a determinação média para todas as posições. quando ordenadas e plotadas em um gráfico.c j cj 100 (19) sendo: DR (%) a diferença relativa entre uma determinação individual para um local e tempo e a estimativa da média. Segundo seus resultados. 1996. 2000)..desvios entre os valores observados individualmente e a média deles. estratificada ao acaso. uma observação pode ser escolhida mais de uma vez. Outras considerações adicionais ao número de amostras incluem a profundidade. 2009 209 . úmido. Kachanoski & De Jong (1988) aplicaram o conceito de estabilidade temporal como definido por Vachaud et al. para evitar erros de amostragem é necessário um rigoroso planejamento estatístico juntamente com a aplicação de técnicas adequadas. Uma das formas para se obter amostras representativas é a reamostragem aleatória. 1993. recente. tendo como base dados de uma amostra ou população. sistemática. foram desenvolvidas poderosas metodologias de amostragem com base em programas de computador. Sua desvantagem é ser um processo trabalhoso e complexo. As mesmas. biologia e agronomia. ecologia. que possibilita a estimativa da distribuição amostral de estatísticas de interesse. Estes pesquisadores utilizaram o “bootstrap” em associação com funções do tipo “neural networks” para desenvolver esquemas de modelagem para o cálculo e estimativas da curva de retenção e condutividade hidráulica em condições de saturação e não saturação. Este processo pode ser feito com ou sem reposição. a profundidade é dependente de muitos outros fatores como o tipo de propriedade a ser medida. no momento j. a composição e o volume da amostra. Aplicações da técnica “bootstrap” ao estudo da variabilidade de parâmetros hídricos do solo são encontradas nos trabalhos de Dane et al. como economia. 2000. (2003) aplicaram e técnica “bootstrap” em um conjunto de dados de umidade e potencial mátrico da água no solo para o desenvolvimento de um método capaz de determinar o número mínimo de amostras necessárias para estimar a média de uma população a partir de um determinado grau de precisão. Amador et al. O “bootstrap” é uma técnica computacional. o tipo de equipamento usado para coleta. 2000). 1997. Jhun & Jeong. ao acaso. em faixas e amostragem geoestatística (Mulla & McBratney. Igualdades ou pequenas variações da diferença relativa entre posições ao longo do tempo indicam estabilidade temporal.

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Vital Pedro da Silva Paz & Greice Ximena Santos de Oliveira Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 16 EVAPOTRANSPIRAÇÃO Francisco Adriano de Carvalho Pereira. Áureo Silva de Oliveira.

à utilização do modelo de Penman-Monteith. Entretanto. numa dada condição climática. como aquela que ocorre em uma extensa superfície gramada. em crescimento ativo e cobrindo totalmente a superfície do terreno. cobrindo totalmente a superfície do solo e sem restrições hídricas. participando como constituinte do protoplasma celular em proporções que podem alcançar 95% do seu peso total.edu. v. Vital Pedro da Silva Paz1. pode-se verificar que a definição de evapotranspiração de referência coincide com a evapotranspiração potencial (ETP). DEFINIÇÕES A evapotranspiração pode ser definida como a soma da quantidade de água perdida por uma superfície coberta com vegetação. 2009 221 . Durante o seu ciclo de desenvolvimento as plantas consomem um grande volume de água.Centro de Ciências Agrárias. principalmente. faz-se necessário um conhecimento claro a respeito de certas definições. sendo que deste total. com altura fixa de 0. com altura de 0. Desta maneira. em virtude da sua utilização como cobertura dos postos meteorológicos. entretanto.08 a 0. Greice Ximena Santos de Oliveira2 1 2 Professor . (1971). diferenciando-se unicamente quanto ao tipo de superfície evaporante.). Vale ressaltar. utilizando os conceitos propostos por Thornthwaite aplicando-os à cultura da alfafa (Mendicago sativa L.br Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. Desta maneira. INTRODUÇÃO A água é um elemento essencial ao desenvolvimento vegetal. como a fotossíntese e a fosforilação oxidativa. Cruz das Almas-BA.5 m. os processos da evaporação e da transpiração são muito parecidos. 1. participa de importantes processos metabólicos essenciais à vida vegetal. introduziram o termo evapotranspiração de referência (ETo). Desta maneira. com área tampão de 100 m aproximadamente. sob condições ótimas de umidade do solo. com altura de 0. A evapotranspiração real é aquela que ocorre numa superfície vegetada. Doorenbos & Pruitt (1977) apresentaram um definição para evapotranspiração de referência. O termo evapotranspiração potencial (ETp) foi introduzido na literatura especializada por Thornthwaite (1948). através do sistema solo-planta para a atmosfera.3 a 0. Do ponto de vista físico. Essa proposição coincide com a evapotranspiração de uma superfície coberta com grama. através da evaporação direta da superfície do solo e da água perdida pelas plantas através da transpiração. deveria ser baixa e de altura uniforme. a evapotranspiração (ET) constitui a transferência de água. definindo-a como a água utilizada por uma extensa área vegetada.15 m. Jansen et al. em crescimento ativo e sem restrições de água no solo. Em essência. muitas dificuldades têm surgido entre os técnicos para a compreensão deste importante fenômeno de transformação física. devido às diferenças de rugosidade e albedo das suas superfícies. UFRB. Smith (1991) apresentou uma conceituação da ETo como aquela que ocorre em uma cultura hipotética.EVAPOTRANSPIRAÇÃO Francisco Adriano de Carvalho Pereira1. Entre as razões apresentadas para a escolha da alfafa como planta de referência. Cruz das Almas-BA. o consumo de água pelas plantas normalmente se refere à água transferida para a atmosfera pelos processos de evaporação da superfície do solo e pela transpiração das plantas. Aureo Silva de Oliveira1. viabilizando o intercâmbio de trabalhos realizados sob condições diferentes. sendo a grama tomada como padrão. utilizados na definição do processo da evapotranspiração. na forma de vapor. E-mail: fadriano@ufrb. argumentou-se que o seu porte seria mais representativo das condições aerodinâmicas de outras culturas do que a grama com o seu porte rasteiro. quando se trata da quantificação da evapotranspiração e do requerimento de água das culturas. que os valores obtidos com a utilização da cultura da alfafa podem diferir substancialmente dos encontrados com a grama. Ambientais e Biológicas/UFRB. as plantas transferem aproximadamente 98% da água retirada do solo para a atmosfera.12 m. Posteriormente. No protoplasma. em crescimento ativo. Devido à grande diversidade de termos existentes na literatura. no qual a água passa da fase líquida para a fase de vapor. poder refletor (albedo) de 23% e resistência do dossel ao transporte de vapor d'água de 69 sm-1. Buscando apresentar uma padronização para a definição da evapotranspiração de referência e visando. sem imposição de qualquer condição Tópicos em Ciências Agrárias. Penman (1956) estabeleceu que o tipo de vegetação a ser tomada como referência.

a evapotranspiração é a perda de determinado volume de água em uma determinada área. enquanto que a 5ºC. v. ou seja. uma ET = 1 mm (0. as diferenças na anatomia da folha.000 litros de água por hectare. Outros fatores. Através dessa relação. nas propriedades aerodinâmicas (altura das plantas) e no albedo fazem com que a ETc seja substancialmente diferente da ETo. Por isso. que é expressa pelo coeficiente de cultura (kc). UFRB.000 m2). normalmente. Outra forma de se expressar a evapotranspiração é em termos da energia requerida para o processo. pode corresponder a 10. vários são os fatores que afetam a evapotranspiração: climáticos. = 2. 1 kg de água corresponde a 1 litro e. Em média. 222 Tópicos em Ciências Agrárias. nas características dos estômatos. a ETc pode ser estimada por: Etc = kc ETo UNIDADES Como foi demonstrado. o que significa que são necessários 2. = 2. 1. Considerando a perda de 1 litro de água de uma superfície com área igual a 1 m2.45 MJ para evaporar 1 kg de água. Assim.45 MJ kg-1. da sua superfície evapotranspirante. pode-se observar que kc varia ao longo do ciclo de uma cultura de acordo com o IAF. a ETc é muito importante para um bom dimensionamento de projetos de irrigação. 2009 . a 20ºC.000 cm3 / 10. da sua área de bordadura e das condições de disponibilidade de água no solo.000 m2 V = 10 m3 (1) ou seja. Apesar de sua determinação ser difícil e muitas vezes inexata. irá corresponder a um volume de água de: 0. tem-se que: ET = 1 litro / 1 m2 = 1. Durante os diferentes estágios fenológicos das culturas e sua ocupação na área disponível ocorre a evapotranspiração real. a (ETR) independe do porte da vegetação.45 MJ m-2. adota-se o valor de = 2. que nada mais é do que a relação entre a ETc e a ETo. Portanto. para evaporar 1 mm são necessários 2. Sendo a densidade da água igual a uma unidade. tem-se verificado a ocorrência de valores exagerados de evapotranspiração.1 cm = 1 mm Para uma superfície de 1 ha (10.000 cm2 = 0. visto que esta representa a quantidade de água que deve ser reposta ao solo para manter o crescimento e a produção da cultura em condições ideais. até sob as mesmas condições climáticas e de mesma área foliar. que por sua vez é variável com os períodos fenológicos. portanto. 1 mm dia-1 corresponde a 10 m3ha-1dia-1.45 MJ kg-1. FATORES QUE AFETAM A EVAPOTRANSPIRAÇÃO De acordo com as condições adotadas. uma determina altura ou lâmina de água. ou seja. por isso. também denominada de máxima (ETm). entende-se a importância da evapotranspiração no dimensionamento e manejo adequado da irrigação pois cada 1 mm aplicado. Essa energia é denominada de calor latente de eva-poração.001 m). que nessas condições recebe a denominação de evapotranspiração de oásis (ETo). A ETc é uma variável dependente das condições meteorológicas e da área foliar da cultura (AF). Em locais onde existe uma pequena área irrigada em torno de uma grande área seca ou quando a área de bordadura não é suficiente para eliminar os efeitos advectivos do calor sensível. a evapotranspiração é expressa em mm (milímetros) por unidade de tempo. tais como. Por exemplo.de contorno.001 m = V / 10. que na prática é chamada de evapotranspiração da cultura (ETc).48 MJ kg-1. da planta e do manejo do solo.

limitam o crescimento do sistema radicular da cultura. . maior consumo de água por área. utilizando-se sensores eletrônicos. Devido à relação positiva entre a evaporação observada em tanques e aquela que ocorre de um lago ou de uma superfície vegetada. .Coeficiente de reflexão (albedo): afeta o saldo de radiação. . É o outro componente do poder evaporante do ar. a capacidade de atender as exigências hídricas da cultura por mais tempo. . possui área circular.Saldo de Radiação (Rn): principal fonte de energia para o processo evapotranspirativo. o que dificulta a sua utilização quando o objetivo é a Tópicos em Ciências Agrárias. determinando o déficit de saturação do ar.Temperatura do ar (T): o calor sensível contribui com parte da energia necessária ao processo de evapotranspiração e a temperatura também está diretamente ligada à umidade relativa e ao déficit de saturação do ar.Espécie: relacionado à arquitetura foliar. . com 1.Plantio direto: reduz a evapotranspiração. à resistência ao transporte de vapor no estômato e a outros aspectos morfológicos que interferem diretamente na evapotranspiração. . . Fatores da planta . UFRB.Impedimentos físicos / químicos: reduzindo o volume de água disponível para o uso pelas plantas pois.Área foliar: relacionada ao tamanho da superfície foliar disponível para o processo de transpiração. Depende da radiação solar incidente e do albedo da vegetação. um dos componentes do poder evaporante do ar. mais indivíduos. principalmente à radiação solar e à velocidade do vento.Vento (U): responsável pela remoção do ar saturado junto à superfície das folhas e pelo transporte de calor de áreas mais secas (advecção de calor sensível). objetivando o suprimento de água à planta. 1.Fatores climáticos .Profundidade do sistema radicular: relacionado ao volume de solo explorado pelas raízes. extraindo mais energia do ar. O Tanque tipo Classe A (Figura 1) é o mais utilizado para esta finalidade.Tipo de solo: solos argilosos têm maior capacidade de armazenamento de água do que os arenosos e. a facilidade de acesso de animais e ao fato da evaporação ocorrer também durante o período noturno. . apresenta algumas desvantagens como a superexposição às condições ambientais. pois a cobertura morta sobre o solo diminui a perda de água por evaporação. Foi desenvolvido nos Estados Unidos e é amplamente utilizado no Brasil. MEDIDAS DA EVAPOTRANSPIRAÇÃO A medida da evaporação é feita de forma simples e é muito utilizada no manejo da irrigação e no gerenciamento dos recursos hídricos.Altura da planta: interfere na interação planta-atmosfera. v.Disponibilidade de água no solo: afeta diretamente a evapotranspiração pois a reduz quando o armazenamento cai além do limite crítico. portanto. . 2009 223 . Quanto menor o espaçamento.Espaçamento / Densidade de plantio: determina o nível de competição entre os indivíduos da mesma espécie.15 m2 e é instalado sobre a superfície em um estrado de madeira. Quanto maior a área foliar maior a exigência hídrica da planta. . A medida da evaporação pode ser obtida com leitura manual. . Fatores de manejo do solo .Umidade Relativa (UR): atua junto com a temperatura. Plantas mais altas interagem mais com a atmosfera em movimento. Através da utilização de tanques de evaporação. Apesar da simplicidade de seu manuseio. obtém-se o total de água evaporada em um dado intervalo de tempo pela diferença das alturas dos níveis da água em dias consecutivos. utilizando-se o parafuso micrométrico em tanque tranquilizador ou automática. essas medidas têm sido utilizadas para estimativas dessas variáveis. principal fonte de energia para o processo de evapotranspiração.

outros tanques podem ser utilizados para a medida da evaporação. 2009 . 20 m2 (2). enterrado e com área evaporante de 0. dada a grande variabilidade encontrada entre os valores de evaporação. v. o de 20 m2 (circular. como mostra a Figura 1. é aconselhável que o tanque Classe A seja utilizado com repetições. UFRB. A Figura 2 apresenta os tipos de tanque com suas dimensões. (1) (2) (3) (4) Figura 2.estimativa da evapotranspiração de referência.84 m2). 1. GGI3000 (3) e Colorado (4). com suas dimensões. 224 Tópicos em Ciências Agrárias. enterrado e com área evaporante de 0. Tanques evaporimétrico tipo Classe A. Figura 1. enterrado e com área evaporante de 20 m2) e o Colorado (quadrado. Na tentativa de diluir estes erros. Fonte: INMET Além do tanque Classe A. entre os quais o GGI3000 (circular.30 m2). Tanques evaporimétricos Classe A (1).

O método de balanço de água no solo.G (2) sendo Rn e G medidos e H estimado a partir de medidas precisas do gradiente térmico sobre a vegetação. o escoamento superficial (Ro). o balanço de água no solo pode ser representado pelo esquema da Figura 3. Figura 3. especialmente DL. método micrometeorológico que requer medidas precisas de temperatura do ar. por diferença. pressão atual de vapor e velocidade do vento a diferentes níveis acima da superfície. Nessas condições. é dado por: lET = Rn . para o período analisado.Apesar da existência dos diversos tipos de tanque. Tópicos em Ciências Agrárias. os que apresentam coeficientes (kp) para converter a medida de evaporação em evapotranspiração de referência são os do tipo Classe A e Colorado. Além disso. UFRB. justificando seu emprego apenas em condições experimentais. a evapotranspiração pode ser obtida. enquanto que as saídas são: a evapotranspiração (ET). tem os métodos micrometeorológicos. o lET também pode ser determinado pelo método de transferência de massa. que representa a evapotranspiração. Representação gráfica do balanço de água no solo. o escoamento subsuperficial (DLi) e a ascenção capilar (AC). em um dado período de tempo. em que as entradas são: a chuva (P). Entre os métodos utilizados para a determinação direta da evapotranspiração. não podendo ser obtidos para curtos períodos de tempo. o método de balanço de água no solo e os lisímetros. v. o escoamento subsuperficial (DLo) e a drenagem profunda (DP).H . a irrigação (I). alguns desses componentes são de difícil medida. 2009 225 . O resultado desse balanço é a variação do armazenamento de água no solo (DARM). A medida da evapotranspiração é difícil e onerosa. (1998). o que limita a utilização deste método a períodos com mais de cinco dias. pela seguinte expressão: DARM = P + I + Ri + O + DLi + AC – (ET + Ro + DLo + DP ) (3) Segundo Allen et al. 1. AC e DP. assim os métodos utilizados para tal medida demandam equipamentos sofisticados e não são apropriados para medidas rotineiras. o escoamento superficial (Ri). Os micrometeorológicos são aqueles que utilizam o princípio do balanço de energia em que o fluxo de calor latente (lET). consiste no balanço entre as entradas e saídas de água em um volume de solo conhecido. De forma geral. o orvalho (O).

o de lençol freático constante. Figura 4. Neste último. v.L2). lençol freático constante e de pesagem com células de carga. Segundo Pereira et al. os mais comuns são o de drenagem. a ET pode ser obtida com uma grande acurácia e para períodos muito curtos de tempo (1 hora). É uma estrutura cujo objetivo é isolar um certo volume de solo de modo a se controlar todas as entradas e saídas de água desse sistema (Figura 4). A ET é dada pela diferença de peso (P1 P2) em um dado intervalo de tempo. sendo necessário apenas algumas dezenas de metros em condições de clima úmido e entre 100 a 300 m em condições de clima seco. (1997). Figura 5. a vegetação no interior do lisímetro deve apresentar as mesmas condições (altura e área foliar) da área tampão. porém. de modo a manter o nível do lençol freático (LF) constante.RA) e registro da água reposta (L1 .RI e reservatório de alimentação . UFRB..O uso de lisímetros tem sido a forma mais empregada para a obtenção direta da ET. 226 Tópicos em Ciências Agrárias. Bateria com cinco lisímetros de pesagem. Dentre os diversos tipos de lisímetros. 1. Ilustração esquemática dos lisímetros de drenagem. tem como incoveniente a necessidade de drenagem da água armazenada em sua parte inferior. que utiliza um sistema automático de alimentação (reservatório intermediário . usando células de carga. por meio de um tubo (T). Para medidas acuradas da ET. 2009 . dependendo basicamente das condições climáticas regionais. cujo tamanho deve ser suficientemente grande para anular os efeitos da advecção. os resultados experimentais mostram que o tamanho da área tampão é bastante variável. baseado no princípio de conservação de massa e que funciona adequadamente em períodos longos de observação (acima de 5 dias). e o de pesagem que utiliza medida automatizada com células de carga (CC) instaladas sob uma caixa impermeável e ligadas a um sistema de aquisição de dados (SAD) (Figura 5).

pois desenvolvidos exclusivamente para se estimar a ETo. ETo em mm/mês. tanque Classe A. como mostrou o trabalho de Camargo & Sentelhas (1997).2 Tni)1.514 -5 2 -7 3 (6) (7) + 6. basta se determinar ETp com a temperatura média do dia e utilizar a seguinte formulação : ETo = (ETp / 30) (N/12) (10) Segundo resultados experimentais de Camargo (1962) e Camargo & Sentelhas (1997) este método apresentou boas estimativas de ETo para condições de clima úmido no Brasil mas. outros. quer seja pela sua simplicidade ou pelo seu grau de confiabilidade. Priestley-Taylor e PermanMonteith. a qual expressa a energia disponível no ambiente.7.71 10 em que: Tn é a temperatura média normal do mês i (i = 1 a 12). Ta a temperatura média anual normal (média histórica). Tópicos em Ciências Agrárias. em ºC. Hargreaves-Samani. Por ser um método desenvolvido e testado em condições de clima úmido. 2009 (11) 227 . apresentam uma base física mais sólida. que serão descritos a seguir.7912 10 I .5 C º em que: ETp é a evapotranspiração padronizada para um mês de 30 dias e para um fotoperíodo (N) igual a 12h. por não levar em consideração o poder evaporante do ar. nem sempre disponíveis para a localidade em estudo.85 + 32.36 (3 Tmax . integrando todos os elementos que condicionam o processo de ET. na Inglaterra. através da utilização de dados meteorológicos foram criados para estimar a evapotranspiração de referência.43 Tm p/ T > 26.514 I = 12 (0.Tmin) em que: Tmax é a temperatura máxima do ar. em ºC. para condições de clima super-úmido e semiárido. ambas em ºC.. é dada por : ETo = ETp (ND/30) (N/12) (9) No caso da determinação da ETo em mm dia-1. 1. que passa a ser denominada de temperatura efetiva (Tef). "I" e "a" índices de calor. nos Estados Unidos. contudo a maior desvantagem do método é a dependência de dados meteorológicos. corrigindo a temperatura utilizada. sendo universais. esta deve ser corrigida em função do número de dias (ND) e do fotoperíodo médio (Tabela 1) do mês em questão. Assim. v. e Tmin a temperatura mínima do ar. A ETo é obtida em mm mês-1 pela seguinte formulação (Pereira et al.24 Tm . dada por: Tef = 0.0.75 10 I (8) a = 0. visto que é difícil obter rotineiramente medidas precisas. apresenta subestimativas em condições de clima seco.5ºC 2 (4) (5) ETp = -415. Baseia-se na relação empírica existente entre a ETo e a temperatura do ar. porém. Após a determinação de ETp.49239 + 1. UFRB. 2001): ETp = 16 (10 Tm/I)a para 0 < Tm < 26. sua eficácia é discutível. destaca-se o método proposto por Thornthwaite (1948). Camargo. pois só são válidos para condições climáticas específicas. em ºC .Outros métodos restringem sua aplicação. 1948). obtidos a partir dos dados normais da região e determinados pelas seguintes expressões: I = S(0. e Penman (1948). destacam-se os de Thornthwaite.COMO ESTIMAR A EVAPOTRANSPIRAÇÃO Inúmeros métodos empíricos e semi-empíricos. Método de Thornthwaite Um dos primeiros métodos desenvolvidos para estimar ETo (Thornthwaite. Dentre os métodos mais empregados. Tm é a temperatura média do mês.2 Ta) -2 1. o qual propõe um ajuste para tais condições. Entre estes.

2 13.3 Jul 12.6 13. v.4 10.5 11.80 9.7 12.1 11.1 12.6 12.3 13.2 12.3 12.0 13.3 12.2 12.1 12. em relação ao apresentado anteriormente.1 12.2 11.0 11.2 13.1 12. expressa em mm de evaporação equivalente.9 12.8 11.6 11.tg a tg m ] é 360 (DJ .6 11.0 12.4 14.0 11.6 Ago 12. é que não há necessidade do uso de dados normais de temperatura do ar.0 10.5 12.1 12.0 12.8 9.0 12.2 13.4 12.7 11.7 13.1 12.0 12.0 12.9 10.6 11.0 12.4 10.0 12.8 11.9 11.45 sen ê ú 365 ë û N= Sendo: a:declinação solar.1 12.1 Nov 11. em hora.6 10.7 12.9 12.4 11.2 12.2 12.5 12.1 12.2 12.6 13.2 12.9 11.6 12. Duração máxima de insolação diária (N).2 13.0 12.6 10.3 Dez 11.0 10.5 12.9 11.8 11.0 12.4 11.8 13.9 10. o método criado por Hargreaves e Samani (1985).0 14.7 11.2 12. Assim.1 12.4 12.9 10. nos meses e latitude de 10º N a 40º S. correspondente ao 15º dia de cada mês Latitude 10º N 8º N 6º N 4º N 2º N Equador 2º S 4º S 6º S 8º S 10º S 12º S 14º S 16º S 18º S 20º S 22º S 24º S 26º S 28º S 30º S 32º S 34º S 36º S 38º S 40º S Jan 11.7 11.5 13.6 12.5 Set 12.8 12. 2009 .6 11.2 10.2 13.3 13.9 12.2 14.5 11.9 11.3 10.8 11.1 12.2 12.1 12.3 11.7 10. Método de Hargreaves e Samani Apesar de ter sido desenvolvido para as condições de clima semi-árido da Califórnia.4 11. Método de Camargo O método proposto por Camargo (1971) é uma simplificação do método de Thornthwaite (1948).7 12.9 11. m: latitude (-) se localizado no hemisfério Sul.1 9.1 12. DJ: Dia Juliano.4 13.5 12.8 Out 11.0 14.3 12.9 11.7 11.6 11.1 12.0 14.8 11.6 Mar 12.5 13.2 12.1 14.1 12.1 12.4 11.3 12.4 12.0 12.6 11.3 12. é recomendado pela FAO (Allen et al.2 11.6 11.2 12.6 12.5 11..2 12.4 12.01 Qo Tmed ND (12) em que: Qo é a irradiância solar extraterrestre.7 Fev 11.0 12. e ND o número de dias do período considerado.1 12.0 OBS: Pode-se também calcular o valor da duração máxima da insolação diária (N).7 10. trouxe uma vantagem adicional.4 12.6 11.0 12.5 9. UFRB.2 11.7 12.8 11.1 12.2 12.0 11.9 12. A ETo é estimada diretamente a partir da seguinte fórmula : Eto = 0.8 15.0 9.3 11.8 12.0 12.4 12.6 12.1 12.3 11.2 12.5 12.0 13.1 12.5 13. Tmed é temperatura média do período considerado.2 12.9 Jun 12.4 12.6 14.7 10.3 14.3 12.7 10.2 11.0 9.2 12.5 11.1 Mai 12.6 13.5 12.7 13.2 12.2 14.8 11.2 14.4 12.2 12.7 12.0 11.3 10.9 11.5 10.7 11.0 12.3 12.9 12.1 12.7 11. 1. faz uso apenas da temperatura média do ar e não leva em consideração o poder evaporante do ar.9 11.2 10.8 12.7 11.2 12.3 11.9 11.5 10.5 12.9 13.0 12.1 12. Contudo.5 11.6 12.4 11.1 12.3 12.5 14.0 13.1 10.7 11.8 10.4 Abr 12.4 12.5 12.8 12.8 12.3 12.1 12.2 12.5 12.6 12. 228 Tópicos em Ciências Agrárias.4 12.8 11.9 10.2 12.9 1.7 12.9 10. por meio das seguintes equações: 2 H 15 H = ar cos [.3 12.9 12.1 13.4 11.0 12.5 11.4 12.1 12.5 11.1 11.0 13.80)ù a = 23.1 12.4 13.7 12.2 12.0 11.9 14.0 12.3 12.3 12.1 10.6 12.4 12.3 12.5 11.1 12.8 10.3 12. 1998) como uma opção para a estimativa de ETo.1 12.1 12.1 13.2 12. em ºC.6 12.7 11.9 11.9 13.2 12.9 13.70 9.0 11.4 12.1 12.9 11.8 10.1 12.4 12.9 11.1 13.1 12. de acordo com método original.1 10.1 11.1 12.3 12.9 11.0 12.5 13.7 11.9 11.1 13.6 11.3 13.8 11.Tabela 1.3 12.1 12.2 11.8 13.2 11.6 10.9 12.9 13.3 11.9 14.

61 + 0. 1998 e Pereira et al. menor a umidade relativa e menor a bordadura. representativo da região. o kp pode ser obtido pelas seguintes equações apresentadas por Allen et al.0.0. em relação ao aumento de ETo. e URmed a umidade relativa média diária. Isso se dá devido ao aumento excessivo da ECA.108 . em ºC.000162 U2m URmed .4 U2m) .00063 [ln(B)]2 ln(URmed) (15) para bordadura sem vegetação kp = 0.00327 U2m ln(B) . expressa em mm de evaporação equivalente. proposta pelo boletim 56 (Allen et al. da umidade relativa e do tamanho e do tipo da bordadura circunvizinha ao tanque Classe A. Tmin a temperatura mínima do ar. v. em que o segundo termo da equação. Os valores de kp são normalmente apresentados na forma de tabelas (Doorembos e Kassam. 1998).. denominado energético (ENERG). A FAO sugere outra opção. No entanto. não é de aplicação universal e. UFRB. Método de Priestley-Taylor É uma simplificação do método original de Penman (1948). considera que: Eto = ENERG + AERO (16) Tópicos em Ciências Agrárias. que converte a evaporação obtida no tanque Classe A (ECA) em evapotranspiração. a quantidade de água que é transferida para a atmosfera pelos processos de evaporação e evapotranspiração difere significativamente. B é a extensão da bordadura. em m s-1.0. como mostra a equação a seguir: ETo = ECA kp (14) O valor de kp.00289 U2m ln(86.0023 Qo (Tmax . Sua fórmula para a estimativa diária de ETo é a seguinte: ETo = 0. (1998): para bordadura vegetada kp = 0. em ºC. B entre 1 e 1000 m e URmed entre 30 e 84%.5 (Tmed + 17.4 U2m) ln(B) + 0. havendo a necessidade de um coeficiente de proporcionalidade. . sempre menor do que 1. portanto. Tmed a temperatura média do ar. 2009 229 ..00000959 U2m B + 0.0. Deve-se atentar para os limites das equações 25 e 26. 1998). O método de Penman. nessas condições. caso contrário pode provocar superestimativas em condições de clima úmido (Sentelhas e Camargo.00341 URmed . é substituído por uma fração que este representa do primeiro termo. Allen et al. Uma alternativa no caso de não se dispor de dados de URmed e de U2m é o de se adotar um kp fixo. é função da velocidade do vento. denominado de coeficiente de tanque (kp). em m. em %. Assim como os métodos de Camargo e de Thornthwaite.00063 [ln(B)]2 ln(86. 1996. 1. denominado aerodinâmico (AERO). Quanto maior a velocidade do vento.0.8 ) (13) em que: Tmax é a temperatura máxima do ar. Allen et al.quando há somente disponibilidade de dados de temperatura do ar local. 2001). menor o valor de kp.0286 U2m + 0.Tmin)0. e Qo a irradiância solar extraterrestre.0422 ln(B) + 0. deve ser calibrado para outras condições climáticas.. que é a de se adotar valores médios de URmed e U2m para a região estudada.4 U2m) (16) em que: U2m é a velocidade média do vento a 2 m de altura. para facilitar a interpolação e o uso de sistemas informatizados.0106 ln(86. em ºC.1434 ln(URmed) . Logicamente. Método do tanque Classe A Este método é baseado na proporcionalidade existente entre a evaporação do tanque Classe A e a ETo. os quais são: U2m entre 1 e 8 m s-1. 1994.0. devido às diferenças entre a superfície de água livre e a superfície de uma cultura e entre os mecanismos de resistência ao transporte de água e vapor que atuam nesses dois meios.

temperatura. em MJm-2d-1. 2009 . a partir de dados de insolação.407 + 0.063 kPaºC-1. pela cutícula e pelo solo. sendo que a rc descreve as resistências ao fluxo de vapor exercidas pelos estômatos. em MJ m-2d-1. ou. Esse método foi denominado de combinado e ao longo do tempo foi adaptado para a superfície vegetada. em MJ m-2d-1.26.45 MJ/kg a 20ºC. 2001): G = 0. ainda. estimado a partir da seguinte expressão (Pereira et al. UFRB.G) + g ?[900/(T + 273)] U2m (es .G) (17) em que: Rn é o saldo de radiação. em kPa ºC-1.T-3d) (20) sendo Td a temperatura média do dia em questão e T-3d a temperatura média do ar dos três dias anteriores. podendo ser determinado pelas seguintes expressões: W = 0. enquanto que ra representa a resistência ao transporte de vapor exercida pelo fluxo de ar.ea)}/ [s + g (1 + 0. v. podendo ser medido ou estimado.Dividindo-se todos os termos da equação pelo termo ENERG. que representanda todo o conjunto de resistências da superfície que atua no processo. T a temperatura média do ar. (1998) para a estimativa da evapotranspiração de referência na escala diária. em MJm-2d-1. Penman combinou o balanço de energia com o método do transporte de massa e derivou uma equação para descrever a evaporação de superfícies de água livre. em ºC. igual a 2. obtidos em estações meteorológicas.1 < T < 32 C) º (18) (19) Não se dispondo de medidas de G. U2m a velocidade do vento a 2m. G o fluxo de calor no solo. da velocidade do vento. Essas resistências foram genericamente denominadas de resistência da cobertura (rc).. es-ea o déficit de pressão de saturação do ar.G). tem-se que: ETo / ENERG = ENERG / ENERG + AERO / ENERG ETo / ENERG = 1 + AERO / ENERG Nessa situação.01 T (0 < T < 16ºC) (16. sendo dependente. l é o calor latente de evaporação.3)2 (22) 230 Tópicos em Ciências Agrárias. igual a 0. As equações recomendadas para a obtenção das variáveis acima são: s = (4098 es) / (T + 237. como mostra a Figura 6. A rc atua em série com a resistência do ar (ra). esse valor poderá ser desprezado para a escala diária. em kPa. (1 + AERO / ENERG) é denominado de Parâmetro de Priestley-Taylor. o método de Priestley-Taylor fica com a seguinte formulação: ETo = 1. em m s-1. umidade e velocidade do vento. e W um fator de ponderação dependente da temperatura (T) e do coeficiente psicrométrico.483 + 0. sendo atualmente recomendada como padrão da FAO com a seguinte parametrização: Eto = {0.38 (Td . por meio da introdução de fatores de resistência da planta. A equação com esse novo conceito de resistência da superfície foi apresentada por Monteith (1965) e adaptada por Allen et al. e s a declividade da curva de pressão de vapor na temperatura do ar. portanto. G fluxo de calor no solo. ambas em ºC.0145 T W 0. Sendo o termo energético igual a W (Rn . Método de Penman-Monteith (FAO) Em 1948. 1.26 W (Rn . g a constante psicrométrica.34 U2m)] (21) em que : Rn é o saldo de radiação.408 s (Rn . do solo e da vegetação. tendo o valor de 1.

a escolha de um método de estimativa de ETo depende de uma série de fatores. pois esses não são de aplicação universal. Tópicos em Ciências Agrárias.es = (esTmax + esTmin) / 2 es Tmax Tmin (23) (24) (25) (26) (27) (28) = 0. em ºC. O primeiro deles é a disponibilidade de dados meteorológicos. Normalmente. Figura 6. os métodos de Thornthwaite e Camargo apresentam melhores estimativas de ETo em condições de clima úmido.Tmax) / (237. 2009 231 . O segundo fator é a escala de tempo requerida. Quando aplicado em condições de clima úmido este método superestima a ETo. (2001). v. URmin a umidade relativa mínima.3 + Tmin)] es = 0. exigem grande número de variáveis.. Tmin a temperatura mínima do ar.3 + Tmax)] [(17.6108. pois os métodos mais complexos.e ea = (URmed es) / 100 URmed = (URmax + URmin) / 2 T = (Tmax + Tmin) / 2 sendo Tmax a temperatura máxima do ar. métodos empíricos como os de Thornthwaite e de Camargo apresentam melhores estimativas em escalas de tempo maiores. seu emprego já é bastante difundido.27. em %.6108 e [(17. os métodos de Priestley-Taylor e Penman-Monteith não poderão ser empregados onde há apenas dados de temperatura do ar. No Brasil. (1998). 1998). como por exemplo no semi-árido nordestino. Adaptado de Allen et al. sendo o único problema a falta dos dados necessários ao seu emprego em algumas localidades. apresentando excelentes resultados (Allen et al. Desse modo. Finalmente. 1.Tmin) / (237. o terceiro fator envolve a adaptabilidade dos métodos empíricos à região de estudo. Em geral. Este método vem sendo largamente empregado em todo o mundo. o método de Hargreaves-Samani produz melhores resultados em condições de clima árido e semi-árido. como visto no item anterior. Esquema da resistência do ar e da cobertura ao fluxo de vapor. CRITÉRIOS PARA A ESCOLHA DE MÉTODO DE ESTIMATIVA DA ETo De acordo com Pereira et al. enquanto que a estimativa de G é dada pela equação 20. URmax a umidade relativa máxima. UFRB. requerendo ajustes locais. provocando subestimativas de ETo em climas semi-áridos. em %.27. Por outro lado. enquanto que aqueles que utilizam o balanço de energia podem ser empregados até mesmo na escala horária. Os procedimentos de medida e estimativa de Rn são apresentados no item 3 deste capítulo. em ºC.

. 1997. n. L. O. v. THORNTHWAITE. 116) CAMARGO. n.. WRIGHT. PENMAN. Rome... N. J. 38. (Paper 85-2517) 1985. 232 Tópicos em Ciências Agrárias. 24p. 1962. O Efeito da água no rendimento das culturas. RAES. PEREIRA. Meeting. A. JANSEN. Evaporation and environment.. V. v. 1. v. 179pp.REFERÊNCIAS ALLEN R. Soc. SP: Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz. Guidlines for predicting Crop water requirements. J. C. H. DOOREMBOS. e outros. Piracicaba. PEREIRA. A. H. Estimating soil moisture depletion from climate. 1971. A.. MONTEITH. HARGREAVES. ed. ANGELOCCI. R. R. bare soil and grass. A. v. C. v. 1. J. Soc. Crop evapotranspiration: guidelines for computing crop water requirements. W. Biol. L. 183 p. CAMARGO. 1948. FAO 306p. 2001.L.fundamentos e aplicações práticas. (Boletim. PRUITT. SAMANI. M.. M. NOVA. G. 1965. Contribuição para determinação da evapotranspiração potencial no Estado de São Paulo. New York. Report on the expert consultation on revision of FAO methodologies for crop water requirements. A. J.. Rome: FAO. SENTELHAS. p. ed. 56). 3. Symp. (Estudos FAO. Eng. Campinas: Instituto Agronômico. v. Santa Maria. A. London. 1948. P. v..R. P.ed. Santa Maria. 2009 . SENTELHAS. 478 p. Soc Expl. 163-213. 1991. PEREIRA. E. P. 120-146. p. Revista Brasileira de Agrometeorologia. 1997..J. Geografical Review.. SMITH. B. PRATT. 1994. L. L. A. v. 14. 205-234. p. 19. J.A. P. G. n. baseada no método de Hargreaves . CAMARGO.. Campina Grande... 1996. Irrigação e Drenagem 33) Tradução Gheyi. Rome FAO. v. 1. C. 1.. 193.. 1998. Chicago. Amer..1974. Revista Brasileira de Agrometeorologia. RS: Livraria e Editora Agropecuária Ltda. SEDIYAMA.. SENTELHAS. of the ASAE. Bragantia. 89-97. SMITH. p. Natural evaporation from open water. p. Guaíba. Z. H. An approch toward a rational classification of climate. 1. 5. 954-959. 1. UFRB. 55-94. 45 p. C. 77-81. FAO Irrigation and Drainage Paper. 24 2nd ed. 1971.. R. KASSAM. p. Universidade Federal da Paraíba. v. 4. 21. R. 1. n.. Balanço hídrico no Estado de São Paulo. CAMARGO. p. Trans. P. M. C. Reference crop evapotranspiration from ambient air temperature. A.. crop and soil data. Agrometeorologia . Equação para a estimativa da evapotranspiração potencial no Estado de São Paulo. Agric. (FAO: Irrigation and Drainage Paper. Avaliação do desempenho de diferentes métodos de estimativa da evapotranspiração potencial no Estado de São Paulo. DOOREMBOS. P. H. Evapo(Transpi)Ração. 1. D. 1977. Proc. 5. P. G.

Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira & Maria do Carmo Martins Marques da Costa Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 17 MISTURA MINERAL PARA BOVINOS EM REGIME DE PASTO Benedito Marques da Costa.

. ela não é considerada quando do cálculo de uma mistura mineral para bovinos em regime de pasto (Haddad & Platzeck. crescimento. Segundo levantamentos realizados por Andreasi et al. para fósforo. nas cinzas ósseas.. Segundo Haddad & Platzeck (1985).. era de se esperar um efeito deletério da ingestão de solo sobre a disponibilidade de fósforo ao animal. Em algumas regiões de Mato Grosso. v. Sousa & Darsie. em regime de pasto. E-mail: beneditomc@hotmail.. Como o fósforo é o elemento mais carente em ambiente tropical e considerando que os solos dessa região apresentam baixos níveis de fósforo e altos de ferro e alumínio. forragem da pastagem e eventual suplementação mineral no cocho. Agostini & Kaminski (1976) e Sousa et al. Esse consumo se torna maior em solos desagregados ou em áreas onde a lotação é alta (Haddad & Platzeck. proteína e vitaminas.. 1976). Lopes et al. (1981) observaram níveis elevados de ferro nas forragens. 1985. Rosa et al. cobre. 1986). 1970. ÁGUA E SOLO COMO FONTE DE MINERAIS A água de beber não se constitui em fonte adequada de minerais. gestação e engorda. lactação. Gallo et al. Contudo. apresentam um grande consumo de solo. os animais em regime de pasto podem ter atendidas suas exigências de energia. Níveis excessivos de ferro e manganês foram observados em todos os períodos estudados. cobalto. (1966/67). Em Nova Odessa.. foram encontrados níveis abaixo do normal para manganês e concentrações normais para os demais elementos.com INTRODUÇÃO Em épocas e condições favoráveis de crescimento das plantas forrageiras (calor e umidade). 1986. 1985). 1966. (1992) detectaram deficiências minerais nas plantas forrageiras.. 2009 235 . 1985). Possenti et al. no metabolismo do manganês. ingestão de solo. nas forrageiras e nos tecidos de animais (Tokarnia et al. outros minerais em excesso podem interferir. Segundo Underwood et al. (1992).. zinco e selênio. foram verificadas deficiências de zinco nos solos. 1968.. (1987) encontraram deficiência de magnésio nos solos. plantas e tecidos de animais (Santiago et al. 1971.MISTURA MINERAL PARA BOVINOS EM REGIME DE PASTO Benedito Marques da Costa1. RJ. Teixeira et al. SP. fósforo. os quais podem ter exercido um efeito tóxico em nível de absorção ou de metabolismo do manganês. Tokarnia et al. Em Roraima. Maria do Carmo Martins Marques da Costa1 1 Professor . (1982) constataram a interferência do ferro e alumínio ingeridos via solo sobre a utilização de fósforo Tópicos em Ciências Agrárias. MG e Barra Mansa. as deficiências minerais mais comuns são as de cálcio. (1986) observaram deficiências de cálcio e fósforo em forrageiras e níveis próximo ao limite da deficiência. No Brasil. Pereira et al. Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira1. (1974). Lopes et al. Contudo. Também. Tokarnia et al. cobalto. Gallo et al. Sob condições tropicais. porém inadequados para vacas em lactação.. Santos et al. UFRB. a nutrição mineral do ruminante é dada pelo somatório da ingestão de minerais via água de beber. Contudo. Sousa et al. Cruz das Almas-BA. teores elevados de ferro na dieta interferem na absorção do manganês. sódio. os teores de magnésio encontrados nas forragens são suficientes para atender às necessidades dos animais em diferentes fases de produção.Centro de Ciências Agrárias. vários autores detectaram níveis deficientes de cobre no solo. Ambientais e Biológicas/UFRB. Caielli (1974) informa que foram encontrados níveis de cálcio abaixo do limite. em pastagens. tais como: cálcio. Bovinos e ovinos. 1980). 1980 e Santiago et al.. Em regime de pasto. 1974. iodo. também. a nutrição mineral desses animais é freqüentemente desbalanceada. somente 10% do rebanho bovino nacional possui uma correta nutrição mineral e 70% ou mais do efetivo recebe somente sal grosso ou mesmo nenhuma forma de suplemento mineral na dieta. em condições normais e práticas. vez que o nível deste elemento mostrou-se deficiente no fígado. a sua ingestão causa uma diminuição no consumo de minerais em nível de cocho (Shirley & Carvalho. 1960. se os animais possuírem apenas a forragem como única fonte desses nutrientes. 1971. Sousa et al. na região de Calciolândia.. quando os animais bebem água com salinidade excessiva. magnésio e potássio. Em algumas regiões de Roraima. citados por Possenti et al. Sousa et al. cobre e zinco. Por isso. em diferentes períodos do ano. 1. entretanto observaram níveis nas forragens considerados adequados para bovinos de corte em crescimento e acabamento. No fígado. (1985).

A fertilização das pastagens pode melhorar a produção e composição mineral da forragem. Segundo Sousa (1995). 1985). forma física da dieta. sob regime de pasto. v. em ovinos.. A composição mineral das plantas forrageiras da pastagem afeta de algum modo o consumo de um suplemento mineral pelo animal. Minerais na água de beber . água de beber (e solo) não satisfizer as suas necessidades específicas. Segundo Haddad (1980). o cloreto de sódio (NaCl) é usado no cálculo da mistura mineral como ingrediente regulador do consumo da mistura. o estádio de maturação da planta colhida. também. 1976. tais como categoria animal. 1988) e em relação à estação ou ao período do ano (Silva et al.A suplementação de minerais no cocho. 1976.A suplementação artificial por via oral é aplicável quando o consumo de alguns elementos minerais ao nível de cocho for inviável ou difícil de ser atendida. Uso direto na ração .A utilização de minerais na água de beber não é recomendável porque existem fatores responsáveis por grande variação no consumo de água pelos ruminantes. Cavalheiro & Trindade. 236 Tópicos em Ciências Agrárias. 1986. para se regionalizar a mineralização é necessário que se obtenha um grande número de dados da composição mineral de amostras de forragem colhidas na pastagem. informações sobre a espécie forrageira. 1992 e Possenti et al. à vontade. o conhecimento de sua composição mineral é de fundamental importância no cálculo de um suplemento mineral. 1. 2009 . condição fisiológica. também. c) suplementação artificial. COMPOSIÇÃO MINERAL DA FORRAGEIRA As espécies forrageiras das pastagens apresentam uma grande variabilidade na concentração dos elementos minerais. se a ingestão dos elementos minerais via forragem. em curto prazo. MÉTODOS DE SUPLEMENTAÇÃO MINERAL A suplementação mineral é a forma mais racional de se complementar a nutrição dos ruminantes. Sousa et al. do tipo de solo (estrutura. origem) considerado. Nascimento Júnior et al. temperatura ambiente. balas ou pellets de cobalto. McDowell et al. atentando que esse efeito poderia ser prejudicial quando os animais apresentavam carência de fósforo. 1992). por um determinado espaço de tempo (Haddad & Platzeck. cristais de óxido de cobre etc.. a aplicação endovenosa de 3 a 40 mg de EDTA-cobre ou glicinato de cobre foi eficaz na correção da deficiência e manutenção de altos níveis séricos de cobre. Para Ammerman et al. UFRB. Assim. o efeito da ingestão de solo sobre a utilização de fósforo é função dos níveis de ferro e alumínio solúveis do solo ingerido e. Estes dados devem conter. o cloreto de sódio (sal comum) é o ingrediente que mais limita o consumo de uma mistura mineral. Essa variação tem sido observada em relação à idade das plantas (Gomide. (1984). 120240 mg de EDTA-cobre. d) injeções específicas de elementos minerais. em confinamento ou semiconfinamento. não é aconselhável porque os animais ingerem na pastagem uma grande parte de minerais para atender às suas necessidades. local e data de amostragem etc. e) minerais contidos na água de beber.. Contudo. Seu uso em bovino de corte. por até 4 meses.Injeções específicas de elementos minerais são aplicáveis quando se necessita. Injeções específicas de elementos minerais . Recomenda-se ao gado bovino leiteiro. edáficas e climáticas são favoráveis. mostraram-se efetivas por três meses. 1982. b) fertilização das pastagens. Suplementação artificial . isto é. é a forma de fornecimento mais recomendável. f) suplementação no cocho (à vontade). quanto maior for a percentagem de cloreto de sódio. sendo aplicável quando as condições econômicas. a resolução de um problema carencial e/ou manutenção de níveis adequados de um elemento mineral no organismo.. Camarão et al. Para bovinos as dosagens utilizadas. selênio.O uso direto de elementos minerais na ração consiste em misturar os elementos minerais no concentrado fornecido diariamente aos animais. É o caso da suplementação oral de magnésio.da dieta. Fertilização das pastagens .. Desse modo. (1983) sugerem os seguintes métodos para suprir minerais para ruminantes: a) uso direto na ração. umidade relativa etc. menor será o consumo da mistura mineral pelos bovinos. Essa é a melhor forma de mineralizar o rebanho porque existe controle da quantidade ingerida de minerais pelos animais. Suplementação de minerais no cocho .

085 %. Com relação aos microelementos ferro e manganês.000 g x 1 g x = ------------------------. como a mistura será fornecida à vontade (ad libitum). que os níveis hepáticos de zinco.000. iodo 0.900 g de P 100 g da amostra x = 0. para o cobalto.09 g ou -----------------------. Os macroelementos.02 ppm.000 g ------------. cobalto e manganês estavam abaixo dos teores considerados adequados. 100 g -----------------.000 ppm 100 g . geralmente.As exigências nutricionais de minerais para bovinos de corte.09% . ainda. magnésio e enxofre segue as exigências mínimas do NRC (1984).A unidade utilizada no cálculo das fórmulas minerais é sempre o ppm (partes por milhão). sódio 0. que é uma reprodução do NRC . Verificou-se. para se transformar percentagem em ppm.09 g de P 1. cobalto 0.09 %.000 ppm deste elemento. Entretanto. cobre. Assim.000. segundo informações de Sousa (1995). Portanto. indicando uma mineralização óssea deficiente. As análises das forrageiras de uma fazenda de bovinos de corte indicaram os seguintes resultados: fósforo 0. se uma forrageira apresentar 0.= 10.0. Exigências Nutricionais .4 ppm de cobalto.1 g 1.005 %.000.x 0.09% de fósforo.01 ppm. Contudo.x x = 900 g ou 900 ppm de P Por outro lado. cobre 2 ppm.1 % (1000 ppm) de sódio na matéria seca da dieta. potássio 0. UFRB. Sousa (1995) recomenda 0.000. cálcio 0. tornando-se necessária a transformação para ppm. Por exemplo. Assim.20 %. 2009 237 . zinco 5 ppm. no caso do sódio. 100 g da amostra ------------. selênio 0. são expressos em percentagem. através de biópsias de fígado feitas em vacas em lactação e em animais de sobreano. manganês 60 ppm. os animais podem consumir mais de 800 ppm de sódio na matéria seca da dieta.000 g da amostra ------------------------.92 %. Unidades Utilizadas . encontram-se na Tabela 1. serão usados os níveis recomendados pelo NRC (1984). basta dividir o valor em ppm por 10.01 ppm. que são de 0.000. enxofre 0. esse valor equivale a 900 ppm desse elemento. quando o consumo de sódio é feito ad libitum. na prática de formulação de misturas minerais são geralmente usados níveis mais elevados de suplementação do que o indicado pelo NRC (1984). Os resultados das análises de cálcio. fósforo. ferro 350 ppm.CÁLCULO DE UMA MISTURA MINERAL Exemplo do cálculo de uma mistura mineral para bovinos de corte.x 1. magnésio 0. v. . As análises de biópsias de ossos revelaram baixa percentagem de cinza. Na presente formulação.000 g ou 10. 1. demonstra-se que 1% de um elemento é equivalente a 10.13 %. basta multiplicar por 10.000: 1. Tópicos em Ciências Agrárias.National Research Council de 1984.000 g -----------------. Sousa (1995) recomenda considerar as exigências de sódio do NRC (1970). fósforo e magnésio na cinza óssea confirmaram níveis deficientes nestes minerais. a suplementação de cálcio. nos cálculos práticos de misturas minerais. para transformar ppm em percentagem.

ppm Zinco. ª Para animais de 450 kg de peso vivo com ganhos diários de 0.V. % Microelementos: Ferro.20 --------Nível tóxico 2.18% ou 1.800 ppm de P (Tabela 1) Análise da forrageira = 0.00 10.10 50 30 8 40 0.18 % de fósforo. 5 g de fósforo/U.00 0.18 g de P x --------------------------.. ppm Molibdênio. ppm Cobre.50 0. e nem sempre consomem 10 kg de matéria seca por dia. sabe-se que as vacas de corte das raças nacionais. Elementos minerais Macroelementos: Cálcio. Assim.21 % de cálcio e 0.A. Exigências nutricionais de minerais para bovinos de corte.800 .10 0. 2009 10 kg de MS/dia. temos que: 500 ppm de P = 500 mg de P/kg de MS da dieta 500 ppm de P = 5000 mg de P/10 kg de MS da dieta Considerando que um animal de 450 kg de peso vivo consome cerca de poderá ser representada da seguinte maneira: 5000 mg de P/animal de 450 kg de peso vivo ou. ppm Nível sugerido 0. ppm Flúor.08 0. Contudo. tomar-se-á como padrão um animal de 450 kg de peso vivo (P.00 1.40 3. v.A.40 1000 500 115 1000 50 5 2 6 20-100 Fonte: NRC (1984). % Sódio.V. % Potássio. 1.5 g de P x = 27. Sabe-se. ppm Cobalto. % Fósforo. % Enxofre.1.No cálculo da mistura mineral. UFRB. ppm Manganês. quando se calcula uma mistura mineral para 1 U.5 . 1) Cálculo de fósforo: Exigência = 0.48ª 0.) e que consuma 10 kg de matéria seca/dia. esta quantidade . % Magnésio.10 0. Este animal padrão é denominado de uma unidade animal (1 U.65 0. sendo representado por uma vaca seca. Cálculo da Mistura Mineral . expressas na matéria seca do alimento.13% ou 1.Tabela 1. 100 g de fosfato bicálcico --------------------------. a mistura mineral poderá ser fornecida aos bovinos de todas as categorias.00 0. geralmente. que o consumo de um bovino é proporcional ao seu peso vivo./dia Fonte de fósforo: fosfato bicálcico = 18% de fósforo (Tabela 2).28ª 0. ppm Iodo. também.0 kg recomenda-se 0. ppm Selênio.300 = 500 ppm de P na MS da dieta.). 238 Tópicos em Ciências Agrárias.17-0.17-0. pesam menos de 450 kg de P. Como ppm = mg/kg.A. sendo os consumos estimados de acordo com o peso vivo médio dos animais em questão. respectivamente.778 g de fosfato bicálcico (Tabela 3).1.300 ppm de P Nível de suplementação = 1.

A.A. v.5 = 25 ppm de Zn na MS da dieta Nível de suplementação =25 ppm de Zn = 25 mg de Zn/kg de MS da dieta = 250 mg de Zn/10 kg de MS da dieta = 250 mg de Zn/animal de 450 kg de peso vivo = 0.21 % ou 2100 ppm de Ca Análise da forragem = 0.20 % de Ca ou 2000 ppm de Ca Nível de suplementação = 2100 .778 g de fosfato bicálcico. UFRB.60.472 g de cálcio Assim.3 % de cálcio.3 % de Ca (Tabela 2). 2009 239 .x x = 6.23.3 g de Ca 27.25 g de Zn//U./dia Fonte de cálcio: fosfato bicálcico = 23. 100 g de óxido de magnésio -------------------------.085 % ou 850 ppm de Mg Nível de suplementação = 1000 . Análise da forrageira = 5 ppm de Zn Nível de suplementação = 30 .5 g de Mg Tópicos em Ciências Agrárias.5 g de Mg/U. não será necessário suplementar com mais outra fonte de cálcio. Desse modo.3 g de Mg x -------------------------x = 2.2000 = 100 ppm de Ca 100 ppm de Ca = 100 mg de Ca/kg de MS da dieta = 1000 mg de Ca/10 kg de MS da dieta = 1.10 % ou 1000 ppm de Mg (Tabela 1) Análise da forrageira = 0./dia 1. tendo em vista que o fosfato bicálcico já contribui com uma quantidade de cálcio que satisfaz as necessidades dos animais.778 g de fosfato bicálcico -------------------------. a contribuição do fosfato bicálcico em cálcio foi: 100 g de fosfato bicálcico -------------------------.488 g de óxido de magnésio (Tabela 3). O fosfato bicálcico possui 23.3 % de magnésio (Tabela 2). 150 ppm de Mg = 150 mg de Mg/kg de MS da dieta = 1500 mg de Mg/10 kg de MS da dieta = 1500 mg de Mg/animal de 450 kg de peso vivo = 1. 1. 3) Cálculo do magnésio Exigência = 0.0 g de Ca/U. 4) Cálculo do zinco Exigência = 30 ppm de Zn (Tabela 1).850 = 150 ppm de Mg na MS da dieta.2) Cálculo do cálcio: Exigência = 0. A quantidade calculada para fornecimento de fósforo foi de 27./dia Fonte de magnésio: óxido de magnésio = 60. A.

A. correspondentes a cobre.3 g de Zn x ---------------------.4 ppm de cobalto na matéria seca da dieta.01 ppm Nível de suplementação = 0. Por isso. Análise da forrageira = 0.4 ppm de Co = 0.005% ou 50 ppm Nível de suplementação = 1000 ppm 240 Tópicos em Ciências Agrárias.3% de zinco (Tabela 2).2 mg de Se/kg de MS da dieta = 2. 7) Cálculo do Sódio Exigência de sódio = 0. iodo e enxofre (Tabela 3). são geralmente usados níveis mais elevados de suplementação.08 % ou 800 ppm (Tabela 1).0 mg de Se/animal de 450 kg de peso vivo = 0. v.0 mg de Se/10 kg de MS da dieta = 2. conforme recomendação de Sousa (1995).01 ppm de Co Nível de suplementação = 0.2 ppm de selênio = 0. 5) Cálculo do cobalto Exigência = 0. UFRB.004 g de selenito de sódio (Tabela 3). 2009 ./dia Fonte de cobalto: sulfato de cobalto = 24.0.A.311 g de óxido de zinco (Tabela 3). 100 g de selenito de sódio ---------------------------. iodato de potássio e enxofre em pó.0.004 g de Co//U.004 g de Co x = 0.8 g de Co x --------------------------. 100 g de sulfato de cobalto --------------------------.002 g de selênio x = 0. 6) Cálculo do Selênio Exigência = 0.8% de Cobalto (Tabela 2).2 ppm 0.0.2 ppm (Tabela 1). tomou-se um nível de suplementação de 0. segundo recomendação de Sousa (1995). A. 0.4 mg de Co/kg de MS da dieta = 4. Análise da forrageira = 0. na prática de formulação de misturas minerais.80. No caso do cobalto.4 ppm na MS da dieta.0 mg de Co/animal de 450 kg de peso vivo = 0.45 g de Selênio x ---------------------------.25 g de Zn x = 0.24.002 g de Se/U.0 mg de Co/10 kg de MS da dieta = 4./dia (Tabela 3). Usando-se do mesmo raciocínio pode-se chegar também aos valores de sulfato de cobre.016 g sulfato de cobalto//U. 100 g de óxido de zinco ---------------------. 1.Fonte de zinco: óxido de zinco = 80.10 ppm de Co (Tabela 1). Análise da forrageira = 0./dia Fonte de selênio: selenito de sódio = 45 % de selênio (Tabela 2).

Entretanto.7 41.5 Fe 36.7 80.9 96 Se 45 Cristais brancos Cristais vermelhos Cristais vermelho escuro Cristais vermelhos Cristais brancos Cristais brancos Pó avermelhado Cristais avermelhados Cristais vermelhos Pó preto Cristais azuis Pó solúvel Pó ligeiramente solúvel Cristais brancos Pó branco Pó branco Cristais brancos Pó amarelo Cristais brancos Iodo Iodato de cálcio Iodato de potássio Carbonato manganês Manganês Sulfato de manganês Cobre Cloreto de cobre Óxido de cobre Sulfato de cobre Sulfato ferroso anidro Carbonato ferroso Zinco Sulfato de zinco Óxido de zinco Óxido de magnésio Sulfato de magnésio Enxofre em pó Selenito de sódio Ferro Magnésio Enxofre Selênio Fonte: Campos (1980) Tópicos em Ciências Agrárias.5 22.3 18. 7 H2O Sº Na2 SeO3 Cl 60 Na 37 Co 49.O NRC (1984) recomenda para o sódio 0. 7 H2O Zn O Mg O MgSO4. 7 H2O Ca (IO3)2 KI O3 de Mn CO3 MnSO4. 2009 241 . 1.CaX % Elemento Ca P 23.2 30.2 40. quando o sódio é fornecido à vontade.5 Cu 37.2H2O Ca3(PO4)2.8 32.2 80. Assim.7 Zn 22.7 24.Mg CO3 CaCO3.0 25.CaX CaCO3 CaCO3 CaCO3.0 38.0 Mn 47.3 38. UFRB.08 % (800 ppm) na matéria seca da dieta.3 9./dia Tabela 2. 1000 ppm de sódio = 1000 mg de Na/kg de MS da dieta = 10000 mg de Na/10 kg de MS da dieta = 10000 mg de Na/animal de 450 kg de peso vivo = 10 g de Na/U. H2O Zn O4.1% (1000 ppm) de sódio na matéria seca da dieta.0 23. quando o consumo de sódio é feito ad libitum. 6H2O CoSO4. que são de 0.0 59. v. Fontes de minerais para bovinos.CaX Ca3(PO4)2.1 29. Nos cálculos práticos de misturas minerais. Elemento Cálcio e Fósforo Nome do produto Fosfato bicálcico Farinha de ossos autoclavada Fosfato de rocha desfluorado Carbonato de cálcio Calcário calcítico Calcário dolomítico Farinha de ostras Fosfato dibásico de amônio Cloreto de sódio Carbonato de cobalto Cloreto de cobalto Sulfato de cobalto Fórmula CaHPO4..3 Mg 60. 2 H2O Cu O CuSO4. Sousa (1995) recomenda considerar as exigências de sódio do NRC (1970).3 Forma Física do Produto Cristais brancos Farinha Pó ligeiramente solúvel Pó branco Pó insolúvel Pó insolúvel Granulada Cristais brancos Cloro e sódio Cobalto NaCl CoCO3 CoCl2.5 13. os animais podem consumir mais sódio do que 800 ppm na matéria seca da dieta.5 14. 5 H2O Fe SO4 Fe CO3.A.5 24.8 I 62. considerou-se o nível de suplementação de 1000 ppm de sódio. H2O CuCl2.

Revista da Faculdade de Medicina Veterinária. Nova Odessa. consumo por unidade animal/dia e percentagem dos ingredientes na mistura mineral.014 1. ANDREASI.37 g de sódio x --------------------------.58. C. Exemplo do cálculo: 27.027 58. 2009 . P. 7.027 0. Levantamentos dos elementos minerais em plantas forrageiras de áreas delimitadas do Estado de São Paulo. 1. transforma-se os valores de consumo das fontes de minerais/unidade animal/dia para percentagem (Tabela 3).399 0..909 Composição em % 47. 385-406. 1984.909 g da mistura x -------------------------. Anais.Fonte Sódio: cloreto de sódio = 37% de sódio (Tabela 2). n. Journal of Animal Science.. 4. Revista Centro de Ciências Rurais. Fontes de minerais. F. R.027 g de cloreto de sódio (Tabela 3).000 REFERÊNCIAS AGOSTINI. A.778 g de fosfato bicálcico -------------------------. J..042 0. V.008 1. SP: Instituto de Zootecnia. p. X. 1966/67.10 g de sódio x = 27. VEIGA. I. 100 g de cloreto de sódio --------------------------. 6. VALDIVIA. In: ENCONTRO DE ATUALIZAÇÃO EM PASTAGENS. KAMINSKI.004 27.59.A fim de facilitar o preparo da mistura.. A. Effect of sand or soil as a dietary component on phosphorus utilization by sheep. I. E. UFRB.. A. S.909 g da mistura consome aproximadamente 27 g de cloreto de sódio (10 g de sódio) e geralmente perde o apetite pela mistura mineral.4. A.. Alimentação. B. MENDONÇA JÙNIOR.311 0..778 2. et al. v. 3.007 45. H. v. v. L. um bovino ao ingerir 58. Fonte Fosfato bicálcico Óxido de magnésio Óxido de zinco Sulfato de cobre Sulfato de cobalto Iodato de potássio Enxofre em pó Selenito de sódio Cloreto de sódio Total Consumo em g/U. J. Teores de minerais de capim canarana-erecta-lisa (Echinochloa 242 Tópicos em Ciências Agrárias. 1976. /dia 27. J.016 0.769 0. 1974. MATOS. 1. Estudo preliminar das concentrações de nutrientes minerais de solos e pastagens naturais ocorrentes em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. fósforo e magnésio. Mistura Mineral em Percentagem .235 0. de O. et al. Santa Maria. Cálcio. H.879 100. o provável consumo /unidade animal/dia e a percentagem de cada ingrediente na mistura mineral. BATISTA. n. ROSA. n. Desse modo..528 0. AMMERMAN. 583-604.488 0. São Paulo. CAIELLI. v. Tabela 3. p..154 % de fosfato bicálcico A Tabela 3 mostra as fontes de minerais usadas.154 g ou 47. 2 CAMARÃO. RS. C. Nova Odessa. a fim de que o consumo seja semelhante ou aproximadamente o mesmo do previamente calculado. v.223 0.154 4. Assim. M. G.100 g da mistura x = 47. é importante que todos os ingredientes da mistura mineral sejam bem homogeneizados com o cloreto de sódio.. 1092-1099. A. 1974.

Anais. R. B. J. v. p. C. 151-159. 1980. 1986. CAVALHEIRO. Nutrients requirements of beef cattle. p. (Circular Técnica.A. L. C. 80. n. p. PEREIRA. LOPES. W. UFV. D. EPAMIG. I. 31.. J.National Research Council. p. 1983. W. O. Subcommittee on beef cattle nutrition. Viçosa: Universidade Federal de Viçosa. et al. 1970. M. Belo Horizonte. A. Belo Horizonte: UFMG. 1980. et al. . C. 32. n. R. Interrelationship of dietary phosphorus. 2. Belém.. PLATZECK. v. Revista Brasileira de Zootecnia... Composição mineral de gramíneas e leguminosas. cobre e cobalto em algumas pastagens de Teófilo Otoni. 20-33. R. 5.. p.. 1985. BATAGLIA. SANTIAGO. forrageiras e tecidos animais.National Research Council. v. D. 87p. Arquivo da Escola de Veterinária. p. Experientiae. p. P. 48-55. O. J. C. Washington. nos solos. 1.. D. v. J. 12 p. D.. 56 p. LOBÃO. D. Revista Brasileira de Zootecnia... em áreas da região Centro . Teores de fósforo. Administração e consumo de um suplemento mineral. SILVA. 3... Minerals for grazing ruminants in tropical regions. A. POSSENTI. 1. ELLIS.pyramidalis) em três idades. R. HIROCE. C.55. PINHEIRO. MG. F. n.. 1982. 2009 243 . n.. C.67-86. 6. J. Piracicaba: ESALQ/CATI. Washington. A. A. 53.. 1985. v.1231.. NAZARIO. p. In: SIMPÓSIO SOBRE NUTRIÇÃO DE BOVINOS. Tabelas para cálculo de rações. C. 54) CAMPOS. Anais. NRC . 1976. In: SIMPÓSIO LATINO-AMERICANO SOBRE NUTRIÇÃO MINERAL DE RUMINANTES EM PASTAGENS. SP. ESAL.. Journal of Animal Science. W. et al. Gainsville: University of Florida. p. 6. C. v. Carências minerais: aspectos relacionados com a deficiência de cobre no organismo animal. M. 1992. 1971. S. aluminium and iron on perfomance and tissue mineral composition in lambs. São Paulo. de O. Piracicaba. MG. 1. Composição química inorgânica de forrageiras do Estado de São Paulo. GALLO. sódio e potássio em pastagens nativas do Rio Grande do Sul. 55 p. Determinações minerais em forragens e tecidos de bovinos. 6th ed. C et al. ROSA.. Anais. v. L. 21.. NRC . McDOWELL. O. Viçosa. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA PASTAGEM. 115-138. 2. Piracicaba. C. Boletim de Indústria Animal. 49. H. CONRAD. 155-188. 1980. R. v. Concentrações de cálcio. n. n. 1988. p. PA: EMBRAPA/CPATU. Piracicaba: FEALQ.1980. S. 1984. P. S. A. J. GOMIDE.. J. Arquivos do Instituto Biológico. FURLANI. S. 1974. Teores de alguns minerais no capim-jaraguá em várias idades de corte. Boletim de Indústria Animal. BRAGA. Tópicos em Ciências Agrárias. Estudos de elementos minerais de interesse para a bovinocultura de corte. et al. magnésio. et al. 418-428. Teores de cobre e zinco em amostras de tecido animal. 3. S. 1 / 4. E.: National Academy of Science.. 1976. AMMERMAN. Nutrients requirements of beef cattle. CAMARGO. V. V. FICHTNER. HADDAD. J. UFRB.. 131-144. NASCIMENTO JÚNIOR. J. MINERAIS PARA RUMINANTES. p. R. M. RIBEIRO. M. TRINDADE. JARDIM. 1992. A.1240..Oeste do Brasil. Subcommittee on beef cattle Nutrition. C. HADDAD. 1-14. H. São Paulo. H. HENRY. Nova Odessa. n.12. 61 p. 4th ed. SILVA. v.. A.: National Academy of Science.

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A QUALIDADE DO LEITE E DA CARNE E A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS FUNCIONAIS Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 18 EFEITOS DA ADIÇÃO DE GORDURA SUPLEMENTAR À RAÇÃO DE BOVINOS SOBRE O METABOLISMO DA GLÂNDULA MAMÁRIA.

tanto para gado de corte em confinamento.edu. Já no caso do gado de corte. 1985). também devem ser considerados quando se recomenda a suplementação lipídica. composição totalmente diversa daquela encontrada nas reservas corporais ou no leite de não ruminantes (Kinght et al. na tentativa de aumentar a densidade energética da dieta.EFEITOS DA ADIÇÃO DE GORDURA SUPLEMENTAR À RAÇÃO DE BOVINOS SOBRE O METABOLISMO DA GLÂNDULA MAMÁRIA. apresentam perfis de ácidos graxos também variáveis. para sustentar a síntese láctea. Entretanto. As fontes lipídicas fornecidas aos bovinos. podendo conter misturas de gordura vegetal e animal. em proporções adequadas. Efeitos da suplementação lipídica sobre o metabolismo da glândula mamária A glândula mamária é o maior sítio de triglicerídeos dos ruminantes. A composição de ácidos graxos do leite dos ruminantes reflete a natureza dos lipídios da dieta. O perfil médio de ácidos graxos do leite de bovinos foi descrito por Palmquist et al. o fornecimento de gordura adicional pode influenciar outros aspectos fisiológicos dos ruminantes. A glândula mamária é dependente do suprimento sanguíneo que fornece substâncias. a qualidade do leite e da carne. bem como os efeitos do metabolismo ruminal dos ácidos graxos e a síntese destes ácidos no intestino. sendo consideradas. c) produzir os chamados alimentos funcionais (i.br INTRODUÇÃO A adição de gordura suplementar à ração de bovinos é uma estratégia alimentar que vem sendo bastante utilizada como alternativa economicamente viável. 2009 247 .br. portanto. E-mail: sljaeger@ufrb. v.e. proporcionando maior ganho de peso em níveis mais baixos de consumo. Do total de calorias do leite destes animais. A disponibilidade destas substâncias é definida como o produto de sua concentração no sangue e do fluxo sanguíneo no úbere (Davis & Collier. óleo de farinha de peixe. ao contrário do que é observado na maioria dos leites das outras espécies. bem como a importância desta prática na produção dos alimentos funcionais. 1994) que é composta por cerca de 95% de triglicerídeos. sebo. Cruz das Almas-BA. A QUALIDADE DO LEITE E DA CARNE E A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS FUNCIONAIS Soraya Maria Palma Luz Jaeger¹. b) reduzir os teores de gordura saturada da carne e do leite. podendo estar complexadas com o cálcio. que apesar de menos estudados. Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira¹ 1 Professor . além dos efeitos sobre a fermentação ruminal e a composição do perfil de ácidos graxos do leite e da carne.Centro de Ciências Agrárias. 50% provêm da gordura (Van Soest. A principal peculiaridade do leite de ruminantes consiste na presença de ácidos graxos de cadeia curta (produzidos na síntese lipídica da glândula mamária). quanto no grau de saturação. Ambientais e Biológicas/UFRB. ruminalmente inertes. óleo de sementes.edu. neste caso. alimentos que contém compostos que agem como farmacêuticos. O desenvolvimento de pesquisas utilizando uma ampla variedade de fontes dietéticas de gordura tem buscado.. glândula mamária e tecido adiposo. gajocaol@ufrb. Neste capítulo será feita uma avaliação das perspectivas do uso de fontes lipídicas em dietas de ruminantes e sua influência sobre o metabolismo da glândula mamária. a recomendação da adição de gordura é feita para as dietas de terminação. que por sua vez. (1993) e é apresentado na Tabela 1. melhorando a saúde humana). 1. visando corrigir o déficit energético ocasionado pelo baixo consumo de alimentos e o aumento da demanda de energia para a lactação. 1994). tanto no comprimento de cadeia. Tópicos em Ciências Agrárias. UFRB. apresentando. como para vacas de leite de alta produção. característicos deste período. são variadas. principalmente: a) minimizar os efeitos negativos dos lipídios sobre a fermentação ruminal. Recomenda-se que a suplementação lipídica para vacas de leite seja feita no início do pós-parto.

19 2. principalmente a partir do acetato e do butirato.81 3. este mecanismo encontrado em todos os ruminantes tem a função de preservar a fluidez do leite (Demeyer & Doreau. v. 248 Tópicos em Ciências Agrárias. sugerindo que a quantidade de trans-C18:1 que chega à glândula e é incorporada ao leite. síntese. são de origem sanguínea. ao passo que o acetato responde principalmente pela formação de ácidos graxos de cadeia mediana (10-14 carbonos) por intermédio da formação do primer preferencial malonil-CoA e posterior ação da enzima ácido graxo sintase. O b-hidroxibutirato parece responder mais pela síntese de ácidos graxos de cadeia curta. a intensidade de ocorrência do ciclo de Krebs na glândula mamária.84 27. 1993). em segundo lugar. haveria efeito negativo da presença do trans-C18:1 sobre o processo de síntese lipídica na glândula mamária.32 2.0%) 9. 1993). leva a efeitos depressivos sobre o teor de gordura do leite. Os ácidos graxos de cadeia longa. o processo de produção de leite engloba inter-relações complexas entre eventos de absorção. Assim..39 2.Tabela 1. pode indicar redução do requerimento de NADPH para a síntese de ácidos graxos (redução da ação da isocitrato desidrogenase).63 29. (1994) infundiram no abomaso de vacas holandesas misturas de ácidos graxos ricas em isômeros cis-C18:1 (tratamento CIS) ou trans-C18:1 (tratamento TRANS). embora estes mecanismos ainda não estejam bem elucidados. resultante do efeito tóxico dos lipídios sobre as bactérias fibrolíticas tem sido. são sintetizados na própria glândula mamária. observaram redução no teor de gordura do leite e aumento do fluxo de trans-C18:1 para o duodeno. ditaria a extensão da depressão no teor de gordura. Em suma. Tem sido relatado que a suplementação lipídica.53 3.. oxidação e excreção. Essa redução. a ação inibitória do trans-C18:1 sobre a enzima acil-transferase (que atua na esterificação de ácidos graxos) na glândula mamária e. no alongamento da cadeia (Palmiquist et al. Composição padrão de ácidos graxos da gordura do leite de vaca (Adaptado de Palmiquist et al. procedimento comum na alimentação de vacas leiteiras de alta produção no início da lactação. UFRB. o que resulta num valor mais baixo da proporção C18:0/C18:1 em comparação à digesta duodenal. Fornecendo diferentes fontes de gordura suplementar a vacas em lactação. relacionada aos ácidos graxos trans-C18:1. mais recentemente. foi observada relação negativa em ambos os casos. 1985). e não da síntese local.34 1. a maior concentração de citrato no leite. 1999). provavelmente exercem influência sobre a síntese de novo e/ou a esterificação de ácidos graxos na glândula mamária. que durante muito tempo foi associada a limitações no nível de substrato (acetato e b-hidroxibutirato) para a síntese de ácidos graxos na glândula mamária. 2009 . sendo sua concentração dependente da ação da enzima lipoprotéica lipase no endotélio capilar mamário (Davis & Collier.41 2.78 (40. Wonsil et al. conseqüentemente. os quais. (1994). observada no tratamento TRANS. limitando. Os ácidos graxos saturados que são captados pela glândula mamária são então dessaturados pela ação da enzima dessaturase. Ácido graxo C4:0 (ac. butírico) C6:0 (caproico) C8:0 (caprílico) C10:0 (cáprico) C12:0 (laurico) C14:0 (mirístico) C14:1(miristoleico) C16:0 (palmítico) C16:1 (palmitoleico) C18:0 (esteárico) C18:1 (oleico) C18:2 (linoleico) Teor (g 100 g-1 de gordura) 3.0%) A grande maioria dos ácidos graxos de até 16 carbonos presentes no leite de ruminantes.38 (60. Ao que tudo indica. Ao estabelecerem regressão entre o fluxo duodenal e concentração de trans-C18:1 no leite com a percentagem de gordura no leite. 1. e observaram redução no teor de gordura do leite de vacas submetidas ao tratamento TRANS (Tabela 2). por sua vez. Segundo estes autores duas teorias podem estar efetivamente envolvidas na redução do teor de gordura do leite pela suplementação com lipídios.39 11. Gaynor et al. Em primeiro lugar.

também relatam reduções dentro da faixa citada. Wu & Huber (1994) resumiram as comparações entre mudanças na produção e teor de proteína do leite para dietas com gordura suplementar em experimentos individuais (Tabela 3). avaliando a influência da suplementação lipídica com diferentes fontes (óleos e gordura animal. sugerindo que a depressão da proteína do leite ocorre independente do tipo de gordura suplementar. 1992).10 a 0. 1990. sais de cálcio de ácidos graxos.512 3.211 2. à medida que a produção (volume) de leite é estimulada pela suplementação. comparadas a dietas controle (contendo.27 0. Dietas ricas em lipídios (ruminalmente inertes ou não). Dentre as frações da proteína do leite. outros isômeros trans-C18:1 podem ser formados e dúvidas se erguem se outra forma isomérica possa ter ação mais potente sobre o metabolismo da glândula mamária. gordura dietética acima das recomendações Diluição da proteína pelo aumento da produção de leite - o Tópicos em Ciências Agrárias. 2009 249 .. (1994). Mudanças relativas na produção de leite N de Razões aparentes para mudanças e proteína do leite comparações Aumento proteína > aumento do leite 10 O consumo de matéria seca foi mantido Proteína diminuiu.0 1.3 1.15 unidades percentuais na proteína do leite (Canale et al. Tabela 3. não foram observadas interações relacionadas à fonte de lipídio suplementar. Cant et al. Na comparação entre os diversos resultados. embora o trans-11-C18:1 (ácido vacínico) seja na maioria das vezes apontado como mais influente na ocorrência da síndrome do baixo teor de gordura do leite. também têm sido associadas a reduções entre 0. gordura e trans-C18:1. Fonte: adaptado de Gaynor et al.59 2. resida no tecido mamário. v.605 3. Mudanças relativas na produção de leite e na proteína do leite de vacas recebendo dietas com gordura suplementar comparadas a dietas controle (adaptado de Wu & Huber.7 8. sebo.4 7. soja integral e gordura amarela) com teor de gordura variando entre 5 a 8% da MS (e algumas exceções com 17% da MS). Os mesmos autores acrescentam que manipulações dietéticas para aumentar a absorção de aminoácidos limitantes ou para incrementar a síntese protéica microbiana ruminal seriam indicadas para amenizar este problema.45 0.. pela adição de gordura suplementar à dieta. em média. Variável Fluxo trans-C18:1 (g dia ) -1 Leite (kg dia ) -1 Gordura (kg dia ) Gordura (%) 1 trans-C18:1 no sangue -1 Citrato no leite (mmol l ) 1 -1 -1 Controle 2 47.99 Dados em g 100 g de ésteres de ácidos graxos. sobre o consumo de matéria seca e porcentagem e produção de proteína do leite. 1991. 3% de gordura na MS). DePeters & Cant. 1.68 TANS 308 47. Dados de 83 experimentos de diversos autores. Kalscheur et al.Tabela 2. Produção diária de leite. sebo protegido. 1990.0 1. Como a caseína é sintetizada de novo na glândula mamária. acredita-se que o mecanismo causador da depressão da proteína do leite.. (1998) afirmaram que.83 Tratamentos CIS 2 46. 1994). concentração de citrato no leite e fluxo duodenal de trans-C18:1. mas leite aumentou Proteína e leite diminuíram Aumento proteína < aumento do leite Nenhuma mudança Total 11 15 45 2 83 Consumo da MS diminuído. (1997) e Griinari et al. Polan & Fisher. deva estar associada a uma inadequação dos aminoácidos essenciais disponíveis para a síntese de proteína do leite na glândula mamária. Nesta comparação concluiu-se que a diminuição da concentração da proteína do leite durante a suplementação lipídica. 1993). a caseína é a mais susceptível à depressão associada ao fornecimento de dietas ricas em lipídios (Chow et al. Para determinar as causas da redução da porcentagem de proteína do leite. sendo a magnitude da depressão similar para as diversas fontes. em vacas holandesas. sumarizados por Wu & Huber (1994). gordura dietética acima das recomendações Início da lactação.6 9. UFRB. caroço de algodão.

Inúmeras técnicas. transformando-os em ácidos graxos saturados (principalmente o ácido esteárico) ou isômeros trans de ácidos graxos monoinsaturados (Chilliard. inibindo a incorporação e/ou a síntese de novo. aumentar o fluxo de AGI para o intestino delgado. nos animais de corte. Há ainda estudos que diferenciam os efeitos dos AGPI de acordo com a posição da dupla ligação (w-3 ou w-6). qualidade do leite e da carne A qualidade dos produtos de origem animal tem sido freqüentemente associada à natureza da fração lipídica neles contida. pode alterar o teor de gordura e a composição de ácidos graxos do leite. que ocorre por ação microbiana.Suplementação lipídica vs. reduções do colesterol propiciadas por dietas ricas em AGPI ocorrem associadas à redução de HDL-colesterol (Mensik & Katan. transporte e metabolismo dos lipídios. bem como da manipulação do perfil de ácidos graxos nos tecidos dos ruminantes. conseqüentemente. o aumento do fornecimento de gordura insaturada na dieta tem efeito limitado sobre o conteúdo de ácidos graxos insaturados (AGI) nos tecidos ou no leite de ruminantes. os AGPI w-3 são mais potentes em reduzir o colesterol que os AGPI w-6. Tem-se encontrado altos níveis de trans-C18:1 no leite. A proteção dos lipídios com proteínas tratadas com formaldeído é uma delas. 1. 2000). Esta técnica parece ser bastante eficiente quando se deseja incrementar a absorção intestinal de ácidos graxos polinsaturados. O mecanismo pelo qual os ácidos graxos insaturados diminuem os níveis de LDL-colesterol tem sido investigado intensamente. físicas e químicas. (1981). do leite e seus derivados. O mecanismo de redução do LDL-colesterol pelo consumo de dietas ricas em ácidos graxos poliinsaturados é o oposto ao demonstrado pelos ácidos graxos saturados. o conhecimento das particularidades da digestão. Gordura não protegida. Van Nevel & Demeyer (1996) afirmaram que quanto mais baixo o pH ruminal (i. Tem-se observado que os ácidos graxos poliinsaturados presentes na carne e no leite de ruminantes. o fígado e o tecido adiposo. Ao que parece. absorção. é um dos principais fatores relacionados à baixa proporção de ácidos graxos polinsaturados na gordura destes animais. Como já foi comentada anteriormente. ex. ou seja. quando as dietas são ricas em concentrado) ou quanto maior for o teor de ácidos graxos insaturados da gordura complexadada. A redução do LDL-colesterol ocasionada pelos AGPI não é somente pela substituição dos ácidos graxos saturados. a suplementação lipídica. Segundo Connor et al. Kennelly (1996) afirma que a única maneira de aumentar o teor de ácido linoléico no leite seria a suplementação de lipídios protegidos com proteína. Entretanto. as características qualitativas e quantitativas da produção de carne e leite. e na contribuição dos lipídios para a síntese de gordura do leite. o que pode trazer sérias limitações a este tipo de proteção. óleos ricos em ácido linoléico e óleos parcialmente hidrogenados contendo diferentes isômeros trans. Pesquisas recentes nessa área têm aperfeiçoado o conhecimento da influência das lipoproteínas na partição dos lipídios entre a musculatura esquelética. Porém. não interferindo negativamente sobre a digestibilidade da fibra. quando são fornecidas dietas contendo óleo de peixe. os chamados “sais de cálcio” são considerados ruminalmente inertes. conseqüentemente. óleo de linhaça) protegida contra a biohidrogenação. v. levando à redução de 70-90% do teor de ácidos graxos polinsaturados (AGPI) da digesta. incrementar a absorção dos mesmos. incremento da função do receptor de LDL e redução da secreção de lipoproteína-colesterol pelo fígado (Stipanuk. maior será a dissociação dos sais de cálcio. Desde que o elevado consumo de gordura saturada passou a ser apontado por médicos e nutricionistas como principal causa de doenças cardiovasculares em humanos.e. UFRB. 1989). Ao contrário do que ocorre nos monogástricos. Ainda que se consiga aumentar o fluxo duodenal de ácidos graxos insaturados e. Da mesma maneira. o enriquecimento do leite com ácido linolênico só seria possível com o fornecimento de gordura (p. têm sido sugeridas para tentar proteger a gordura suplementar fornecida aos ruminantes contra a biohidrogenação e. Além de proteger os ácidos graxos insaturados contra a biohidrogenação. portanto. Um exemplo de proteção química que vem sendo bastante empregada é a complexação das gorduras com cálcio. 2009 . Entretanto. estratégia freqüentemente usada para atingir os requisitos de energia das vacas de alta produção no período do pós-parto. possuem propriedades que reduzem a concentração plasmática de colesterol em humanos. sementes oleaginosas e sais de cálcio não resultam em conteúdo de ácido linoléico maior que 5mg/100mg do total de ácidos graxos do leite. mas também devido a alguma atividade daqueles. A influência positiva dos AGPI w-3 nas doenças cardiovasculares em humanos sugere que seria benéfico aumentar os teores de tais ácidos no leite. deve-se lembrar que a composição química e a taxa de secreção das lipoproteínas estão entre os principais fatores que controlam a utilização de lipídios pelos tecidos e. passaram a ser objeto de inúmeras pesquisas visando a melhoria das qualidades nutricionais da carne. 1993). em diversos países.18:1. o uso da proteção com formaldeído é proibido devido ao suposto efeito cancerígeno deste tratamento. a biohidrogenação ruminal. Acredita250 Tópicos em Ciências Agrárias.

em razão disso pesquisadores têm buscado elevar os teores de CLA nestes alimentos.. rins e fígado. v. funcionando como incentivo adicional ao uso da suplementação lipídica para o gado de corte. podendo agir em benefício da saúde humana. isto é. bem como aos seus subprodutos. promoção do crescimento. Bessa et al. acreditou-se que o melhoramento genético visando obter animais mais magros com baixo teor de gordura intramuscular seria a melhor solução para se obter carne bovina de melhor qualidade. C18:1. Parodi. citados por Gaynor et al. muito embora esta atividade também tenha sido Tópicos em Ciências Agrárias. propriedades benéficas à saúde humana. então hidrogenado ao ácido esteárico. observaram aumentos de até 100% nos teores de AGPI intramuscular (gordura de marmoreio) destes animais. Em uma segunda etapa o dieno conjugado é hidrogenado ao ácido trans-11. a produção de carne não é limitada pelo consumo de energia.1997. aumento da massa magra e propriedades antidiabéticas (Pariza. ao que parece. O incremento do teor de triacilgliceróis enriquecidos com AGPI na gordura intramuscular. UFRB. (1994). pode conferir à carne e ao leite. pois o tratamento térmico das sementes de oleaginosas parece proteger os ácidos graxos C18:2 da biohidrogenação. Pires et al. (2002). quando gordura protegida a base de óleo de peixe é adicionada à dieta destes animais. Estes efeitos têm sido menos pronunciados nos lipídios intramusculares em comparação aos da gordura subcutânea. a adição de gordura é uma alternativa viável para baratear a formulação de dietas. a suplementação com gordura insaturada tem provocado um decréscimo nos teores de ácidos graxos de cadeia curta e média. Segundo Ashes et al. melhoria do sistema imune. (1991) relatam que a suplementação com óleo de linhaça na dieta de bovinos elevou o teor de C18:3 w-3 no tecido adiposo. sem a presença do Carbono metilênico entre as duas duplas ligações. não têm se preocupado apenas com a melhoria das qualidades nutricionais destes alimentos. ainda são escassas as pesquisas desenvolvidas nesta área. músculos. encontrado em altas concentrações na gordura de animais. De maneira diversa à produção de leite. Durante algum tempo. Rule et al. depreciando o seu valor. Assim como tem sido observado no leite. forneceram a bovinos suplementação lipídica a base de canola extrusada e observaram alterações na composição de ácidos graxos do tecido adiposo. e quando a fonte de gordura é composta de sementes oleaginosas tratadas pelo calor ao invés de óleos (não protegidos).octadecenóico (ácido trans-vacinico) e. devido a menores taxas de hidrogenação no rúmen (Demeyer & Doreau. através de manipulações da dieta passou então a ser o alvo das pesquisas. Contudo. quando se almeja manipular o perfil de ácidos graxos destes produtos. 1. caracterizada por decréscimo nos teores de C16:0. tem sido sugerido. o cis-9 trans-11 parece ser a forma mais comum que apresenta atividade biológica. como primeiro intermediário da biohidrogenação de ácido linoléico da dieta. e aumento dos teores de C18:0. Entretanto é sabido que baixos níveis de gordura intramuscular (cerca de 10g kg-1) podem prejudicar as propriedades organolépticas da carne. Desses isômeros. mais tarde. Ultimamente tem-se relatado que o ácido linoléico conjugado (CLA). O CLA é produzido no rúmen. e um aumento nos teores de ácidos graxos de cadeia longa (principalmente C18:1) da carne. e. (1992) os lipídios intramusculares em carneiros retêm muito mais AGPI w-3 que o leite. analisando o perfil de ácidos graxos da carne de novilhos precoces alimentados com fonte suplementar de gordura protegida (5% da MS). bem como diversos AGPI de cadeia longa.se que uma combinação entre altos níveis de concentrado e uma suplementação com óleos de peixe ou óleos ricos em ácido linoléico poderiam aumentar a produção de trans-18:1. tais como: efeito anti-carcinogênico. Suplementação lipídica influenciando a produção de alimentos funcionais As estratégias de alimentação de ruminantes que visam a manipulação do perfil de ácidos graxos da carne e do leite. que pode promover alterações benéficas na composição de ácidos graxos da carne. 2000) e. pela enzima ácido linoléico isomerase produzida pela bactéria Butyrivibrio fibrisolvens. Entretanto a maior susceptibilidade à oxidação e aos defeitos de aroma e sabor da carne e derivados enriquecidos com AGPI também devem ser considerados. que são aqueles que contém compostos com propriedades farmacêuticas. 1999). Um incremento na proporção de AGPI w-3: w-6 em animais magros. 1994. O CLA se refere a uma mistura de isômeros (geométricos e de posição) do ácido linoléico (C18:2 w-6) com uma dupla ligação conjugada. 2009 251 . (1994). Clinquart et al. mas também com a produção dos chamados alimentos funcionais. Existem nove diferentes isômeros do CLA de ocorrência natural em alimentos.

8 Referências Ma et al. (1994) 5. Embora os pesquisadores venham obtendo sucesso na busca para elevar os teores do ácido linoléico conjugado nos alimentos de origem animal. ao longo do ano.7 – 5. (1998) 2. ou sais destes ácidos. e óleos ricos em C20:5 e C20:6. UFRB.2 – 3.2 – 12. pela inclusão de gramíneas na dieta e pela proporção forragem:concentrado na dieta.7 -10. (1999). Dieta Desconhecida Cevada (800g/kg dieta) Silagem de gramíneas e concentrado Milho (820 g/kg dieta) Desconhecido Desconhecido Grãos Concentrado Gramínea Gramínea Gramínea Desconhecida País Canadá Canadá Reino Unido USA USA USA USA Japão USA Austrália Irlanda Alemanha Concentração (mg/g gordura) 1.relatada para outros isômeros. Lin et al. (3) Os aumentos nos teores de CLA promovidos pela suplementação com fontes ricas em ácido linolênico são mais discretos que aqueles ocasionados por fontes ricas em ácido linoléico. (2) Os maiores aumentos dos teores de CLA são obtidos quando a fonte da suplementação lipídica é composta por óleos ricos em ácido linoléico. o cis 9 trans 11 CLA não apresenta efeito significativo em lipídios plasmáticos de hamsteres. (b) óleo de linhaça (rico em C18:3). estudando o efeito de dietas baseadas em pastejo (gramíneas).2 – 8. (2000) 1. revelaram que: (1) gorduras saturadas e monossaturadas não promovem o aumento do CLA.33 g dia-1) resultou em aumento da concentração de CLA nos tecidos da carcaça.7 – 1. relacionando os efeitos da fonte de gordura suplementar da dieta de vacas sobre o teor de CLA no leite. a suplementação de CLA para ovinos em confinamento com uma fonte de ácido linoéico (óleo de girassol . v. Maloney et al.0 Fritsche e Steinhart (1998) Os autores atribuíram a alta concentração deste ácido nas carnes irlandesas e australianas. relataram que o aumento na proporção de gramínea na dieta ocasionou um aumento linear na concentração de CLA na carne. comparados aos que foram suplementados com fontes de ácidos graxos saturados.5 Shanta et al. Porém. Segundo Deckere et al. 2009 . as concentrações atualmente encontradas na carne e no leite de 252 Tópicos em Ciências Agrárias.0 1. em relação à carne produzida no reino unido.C18:1 e o CLA. ainda que esta denominação não tenha sido amplamente aceita pela comunidade científica. (1997) 2.. e relataram que bovinos suplementados com fontes de AGPI apresentaram um aumento de duas a três vezes na concentração de CLA. Segundo Mir et al.9 McGuire et al. 11% e 61%. Este achado pode explicar porque o efeito do trans-C18:1 não é sempre associado à maior incidência de doenças cardiovasculares (Wolff. (2001) sumarizaram dados de diversos autores relatando as concentrações de CLA na carne bovina (Tabela 4). respectivamente. em humanos. silagem de gramíneas ou concentrado sobre a concentração intramuscular de CLA em bovinos de corte. As concentrações de CLA na gordura do leite são primariamente influenciadas pelo suprimento de ácido linoléico no rúmen.1995). (1999) estudaram a concentração de CLA na carcaça de bovinos da raça Charolês recebendo suplementação com diferentes tipos de gordura: (a) saturada. (2000).9 – 4.0 Enser et al.3 – 12. (1988) 3. ao fato do gado consumir maior quantidade de forragens ricas em AGPI nestes países. French et al.4 Tsuneishi et al. HDLcolesterol e aumenta o VLDL-colesterol em 18%. 1. Tabela 4.5 Foferly et al. (1999) Mir et al. (1999) 7. (1997) 3. (c) óleo de peixe (rico em C20:5 e C20:3). Concentração de ácido linoléico conjugado em carne bovina crua (Maloney et al. (1992) 1. Alguns autores utilizam o nome ácido rumênico para o isômero encontrado em maiores concentrações na mistura CLA.1 Shanta et al. (2000) 3. 2001).8 French et al. (1995) e Jiang et al.. Enser et al. Dados de diversos autores compilados por Demeyer & Doreau (1999). (2000).4 Shanta et al.0. (1999) 3. (1996) encontraram uma relação positiva entre trans. o isômero trans 10 cis12 CLA diminui o LDL-colesterol. especialmente o trans-10 cis-12.9 – 4.3 Chin et al.

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A. a newly recognized nutrient. v. v.D.p.11. Occurrence of conjugated cis-9.79. Chemical Industry.A. p. J. C.. UFRB. New England Journal Medicine. v.11. v.78. D.2358-2365. J. GRIINARI. J. The fatty acid composition of milk fat as influenced by feeding oil seeds. D. M. M. 1996. Livestock Production Science.B.80.1753-1771. Feed and animal factors influencing milk fat composition.76. Milk fat yield and composition during abomasal infusion of cis or trans octadecenoates in Holstein cows.438-445. LAWLESS. Proceeding Nutrition Society. KALSCHEUR.. DWYER.. R. K. 321. JAEGER. et al.M. ERDMAN. GAYNOR. M. MONNEY. B.. BEAULIEU. 1994. p. v. FRANCE. n. p. D. M. McGUIRE. 2115-2126. p. 1998.1. 1. A. et al... n.P.J. L. Z. 1996. P. Animal Feed Science and Technology. Composição centesimal e perfil de ácidos graxos da carne de novilhos precoces alimentados com lipídios protegidos. p. Journal Dairy Science. L. Small Ruminant Research. p. MALONEY. Journal Dairy Science. n. Effect of fat source on duodenal flow of trans-C18:1 fatty acids and milk production in dairy cows.J. H..1.81. 1992. JIANG. v. p. KENNELLY. 2043-2070. Producing tender and flavour some beef with enhanced nutritional characteristics. 1997. 1251-1261.P. or concentrate-based diets.T.p. J.39. KERRY. J. M. et al. P. 2009 . S.J. 1995. Trans-octaddecenoic acids and milk fat depression in lactating dairy cows. Journal Animal Science.S. p. BJOERCK. C.L.. Effect of dietary supplementation with either conjugated linoleic acid (CLA) or linoleic rich oil on the CLA content of lamb tissues. Journal Dairy Science.78. 1999. v.221-229.60... 464-466. BEEVER.L. 2001. P. 17.. v.1. MIR. Conjugated linoleic acid. OLIVEIRA. 1989. 2000. Fatty acid composition. n. C. p. 2002. 49. et al. v. Survey of the conjugated linoleic acid contents of dairy products. BOYLSTON. STANTON.. Nutritional factors influencing the nitrogen composition of bovine milk: a review. M. v. B.1.. trans-11-octadecadienoic acid in bovine milk: effects of feed and dietary regimen. n. 2849-2855. n. p.. Journal Dairy Science. CHANG. 69.36. Effect of dietary lipid on the content of conjugated linoleic acid in beef muscle.. PARODI. KATAN. et al. 1993. et al. 1994. FONDÉN. v. p. 436 441.M.. v.157-165. D. v. 3.. N. Animal Science. Conjugated linoleic acid: an anticarcinogenic fatty acid present in milk fat.25-31.DePETERS. 129-137.J. v. 1994. D. 254 Tópicos em Ciências Agrárias. Journal Dairy Science. Effect of a diet enriched with monounsaturated or polyunsaturated fatty acids on levels of low-density and high-density lipoprotein cholesterol in healthy women and man. 12. n. FRENCH. PALMIQUIST. KINGHT.75.. 9. W. ENSER.M. p. TETER. n. PARIZA. n. Nutrient metabolism in mammary gland.. v.B.F.A et al. D. 8. TETER.J. 2000.P. 143-146.60. N. 1997.S.77. LIN. v. Journal Dairy Science. R.E.B.P. Australian Journal of Dairy Technology. H. MENSIK. grass silage. S.6. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE NUTRIÇÃO. et al.5. n. CHOI. p. v. E. CANT. R. of intramuscular fat from steers offered grazed grass. Journal Dairy Science.. et al. BARBANO. F. 93-97. 137-152. n.. PIPEROVA. A. p.. I. R. including conjugated linoleic acid. SCOLLAN. et al. J.P. PIRES.

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CAPÍTULO 19 CARBOIDRATOS NA NUTRIÇÃO DE PEIXES Leandro Portz Tópicos em Ciências Agrárias .

CARBOIDRATOS NA NUTRIÇÃO DE PEIXES Leandro Portz Professor . UFRB. obtendo suas reservas energéticas através da proteína. Cruz das Almas-BA. 1. sendo encontrado em grande quantidade nos tecidos do fígado e músculo destes animais. O Tópicos em Ciências Agrárias. da salinidade. Nagai & Ikeda (1971) mostraram que períodos de restrição alimentar superiores a 164 dias não resultam em uma queda significativa na reserva de glicogênio muscular da carpa comum (Cyprinus carpio). O glicogênio hepático é considerado um estoque emergencial de energia prontamente utilizável nos primeiros momentos de situações críticas de estresse (Christiansen & Klungsoyr. Hilton & Atkinson (1982) constataram que dietas contendo amido de milho extrusado ou simplesmente milho extrusado à truta arco-íris (Oncorhynchus mykiss).edu. 1961). apresentaram um desempenho melhor do que em dietas contendo amido cru. 1971). tendo como função primordial o estoque de energia que pode ser utilizada pelos animais. períodos de grande esforço físico e mudanças de dietas.Centro de Ciências Agrárias. 1996. 1982. Do ponto de vista de utilização da energia. sendo restabelecidas somente 24 horas após terem sido consumidas. embora estes peixes tenham mostrado uma redução de 75% na reserva de glicogênio tecidual hepático após 100 dias de restrição alimentar. necessitam de energia para a manutenção do metabolismo básico. os carboidratos não são eficientemente utilizados pelos peixes (NRC. aminoácidos. Erfanullah & Jafri. podendo ser utilizados diretamente como fonte de energia ou levados até o fígado. podem resultar tanto em aumento como em diminuição do estoque de glicogênio (Moraes et al. onde são metabolizados.. o lactato e o piruvato (Black et al. Pode-se citar como carboidratos mais importantes no metabolismo de peixes: o glicogênio. alcançando normalmente 7% do peso seco do tecido (Stryer. Os peixes em seu habitat natural consomem pouco carboidrato através do alimento natural. 1993). Isto mostra que estes peixes iniciam a utilização das reservas de glicogênio do corpo a partir do glicogênio tecidual hepático. 1995). Embora o tecido muscular de peixes carnívoros. De modo geral. Normalmente esta energia é obtida através do metabolismo dos carboidratos. as quantidades totais de glicogênio muscular ou hepático podem ser consideradas iguais (Steffens. assim como os mamíferos e animais terrestres. crescimento e reprodução. 1987). Ambientais e Biológicas/UFRB. os peixes são considerados muito mais eficientes do que mamíferos e aves. As vias bioquímicas mais importantes envolvendo estes carboidratos são: a glicólise (oxidação anaeróbica da molécula de glicose). as reservas de glicogênio no músculo e fígado dos peixes podem diminuir em poucos minutos.lactato. 1999). os carboidratos (di. compostos estes presentes na dieta. oligo e polissacarídeos) são digeridos através de ação enzimática. porém quando criados confinados em tanques e viveiros a alimentação artificial proporciona a disponibilização destes carboidratos pela composição vegetal de suas dietas. tipo e forma do carboidrato e principalmente à espécie e seu hábito alimentar (Hilton & Atkinson. O glicogênio é um nutriente muito utilizado em adaptações bioquímicas em várias situações de estresse ambiental. onde são absorvidos por transporte passivo (difusão simples) ou por transporte ativo (potencial de membrana ou gasto direto de ATP) na parede do trato digestivo e assim transportados via sistema porta. Os carboidratos são componentes essenciais a quase todos os seres vivos. Variações do pH. Os polissacarídeos são encontrados em todas as células dos animais e mais abundantemente no fígado. a gliconeogênese (síntese de uma nova molécula de glicose ou frutose utilizando um intermediário não glicídico . 1989). 1987).. No processo de digestão dos peixes. A utilização dos carboidratos está diretamente relacionada à sua concentração na dieta. O glicogênio é uma das muitas formas de armazenamento da energia consumida como alimento pelo peixe.. As fontes de carboidratos são melhores utilizadas pelos peixes quando sofrem um processo térmico. E-mail: lportz@ufrb. 2009 259 . Como conseqüência de uma intensa atividade física ou jejum. v. Soengas et al. a glicose. possa concentrar cerca de 6% a mais glicogênio que o fígado. dos níveis de oxigênio dissolvido na água.br INTRODUÇÃO Os peixes. glicogênese (síntese de glicogênio) e glicogenólise (degradação do glicogênio para disponibilização de glicose). como a truta arco-íris (Oncorhynchus mykiss). pois não gastam energia para manutenção da temperatura corporal e excreção dos compostos nitrogenados. glicerol). lipídios e aminoácidos. O ciclo do glicogênio hepático no catabolismo mostra que esta forma de reserva orgânica é muito mais importante como suprimento de intermediários metabólicos para processos biossintéticos do que como fonte de energia (Christiansen & Klungsoyr. sem serem convertidos em monossacarídeos.

UFRB. Similarmente. Atividade da amilase em trutas arco-íris (Oncorhynchus mykiss) em resposta a diferentes dietas: farinha de peixe (FM). Estas enzimas. mas não necessariamente em todas as espécies que são utilizadas em estudos de pesquisas relacionadas à nutrição. este mesmo autor comprovou uma alta atividade da amilase quando este onívoro foi alimentado com dietas ricas em energia.mesmo foi observado em experimentos com esturjão siberiano (Acipenser baeri) utilizando-se o amido extrusado ou pré-gelatinizado e o milho extrusado em comparação com o amido cru. Segundo Steffens (1989). ao aumento na temperatura ou salinidade da água. 260 Tópicos em Ciências Agrárias. acelulose (C). diferem de espécie para espécie e são descritas na literatura de acordo com os hábitos alimentares dos peixes. sacarose e frutose (Wilson & Poe. 15% PS. em experimentos conduzidos com a tilápia mossambica (Oreochromis mossambicus). assim como as lipases. 15% PS. 15% PS. assim A (80% FM. Em experimentos com truta arco-íris. Bergot & Breque (1983) constataram que a celulose é um carboidrato muito utilizado em experimentos com dietas purificadas mas que não pode ser utilizada como fonte de energia mas sim como fibra. com atividades específicas. que normalmente estão presentes na membrana do intestino. Ainda este mesmo autor afirma que somente algumas bactérias presentes no intestino de peixes herbívoros e de alguns onívoros poderiam talvez apresentar tal enzima. Por outro lado. indicaram que dietas contendo dextrina e amido de milho proporcionaram melhores índices de desempenho do que dietas que continham glucose. Pezzato (1997) explica que a baixa utilização se deve ao fato destas espécies não possuírem a enzima celulase. Digestão dos carboidratos em peixes Nos peixes podemos encontrar diversos tipos de enzimas digestivas (carboidrases). 2009 . o pâncreas é o maior produtor das enzimas que degradam os carboidratos. celulose. amido de batata (PS). 15% PS) 4500 4000 Atividade Total 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 B (60% FM. Em relação aos níveis de amido na dieta. 1. 20% C) C (40% FM. maltose. Porém. na maioria das espécies. 40% C) D (20% FM. As enzimas possuem uma ampla faixa de tolerância à variações térmicas (20-40oC) e suas atividades ótimas ocorrem entre pH 6-8 (Hilton & Atkinson 1982). O aumento do nível da farinha de peixe na dieta reflete no aumento dos níveis de proteína na dieta (Adaptado de Steffens 1989). sendo esta considerada uma fonte de energia não disponível para os peixes. a atividade da enzima amilase em trutas arco-íris pode aumentar em resposta ao tipo de alimento fornecido. Assim poderíamos concluir que para este bagre onívoro a utilização de carboidratos complexos é mais eficiente. principalmente da amilase. a carpa comum (peixe onívoro) responde de modo oposto ao da truta arco-íris (Figura 2). ou quando é fornecida ao peixe uma dieta rica em proteína (Figura 1). 60% C) 0 10 20 30 40 Figura 1. também poderão ser encontradas no suco pancreático e estômago. v. necessária para hidrólise da fibra. Porém trabalhos feitos com peixes onívoros como o bagre do canal (Ictalurus punctatus). outros carboidratos. Normalmente a atividade das enzimas. 1987).

na alimentação de juvenis de “sunshine bass” (Lepomis gibossus) e utilizaram a relação hepato-somática (RHS) como uma medida relativa de estoque energético. Espécies Carassius carrassius Ctenopharyngodon idella Oreochromis niloticus Cyprinus carpio Salmo gairdneri Anguilla japonica Seriola quinqueradiata I 100 84 44 35 8 1 1 Amilase P S a-Glucosidase I S 100 b-Galactosidase I S 34 61 59 8 31 <1 <1 <1 16 15 <1 2 20 22 <1 11 6 I= Intestino. 60% PS) D (10% FM. Isto mostra que rações contendo altos níveis de proteína. v. condicionam um maior acúmulo de reservas energéticas prontamente utilizáveis na forma de glicogênio. (1997) para o “European sea bass” (Paralabrax humeralis) que. 10% PS) 5000 B (60% FM. (2000). 1989). maior a utilização de carboidratos e a deposição de glicogênio no fígado. 1989. Resultados semelhantes foram relatados por Pérez et al. Adaptado de Steffens. a-glucosidase e b-ga-lactosidase no trato digestivo de diferentes espécies. 1. Atividade relativa (máx. estudando rações que continham farinha de trigo como fonte de carboidrato. alimentado com dietas extrusadas com diferentes níveis protéicos e níveis de lipídios variando entre 12 e 14% e níveis de carboidratos de até 30%. observaram níveis mais altos de glicogênio tecidual hepático (GTH) e nos valores da relação hepato-somática (RHS) quando o carnívoro “black bass” (Micropterus salmoides) era alimentado com dietas contendo 42% de PB. Cyrino et al. P= Ceco pilórico. UFRB. Efeito da composição da dieta na atividade da amilase em carpa comum (Cyprinus carpio). com incremento de 5%. Os autores observaram que os valores da relação hepato-somática encontrados eram inversamente proporcionais aos níveis de proteína e diretamente proporcionais aos níveis de carboidratos digestíveis dietéticos. não apresentaram queda de desempenho. próximos a 42%. Estes mesmos autores ainda concluem que o “black bass” pode utilizar eficientemente dietas artificiais desde que os níveis de carboidratos sejam inferiores a 30% e as rações sejam adequadamente processadas (extrusadas).=100) de amilase. amido de batata (PS) (Adaptado de Steffens.A (90% FM. Resultados semelhantes também foram mostrados por Millikin (1982) para o “striped bass” (Morone saxatilis). Tópicos em Ciências Agrárias. o que mostra que quanto menor o nível de proteína dietética. 90% PS) Atividade amilase 4000 3000 2000 1000 0 7 23 43 69 80 Duração da alimentação (dias) Figura 2. 2009 261 . 40% PS) C (40% FM. Brown et al. como também atividades de outras enzimas que digerem carboidratos são descritas pela diferenciação na nutrição entre espécies (Tabela 1). Digestibilidade dos carboidratos em peixes Tabela 1. Farinha de peixe (FM). S= Estômago. (1992) testaram níveis de proteína dietética variando de 25 a 55%.

Carboidratos Glucose Maltose Sacarose Lactose Dextrina Amido cozido Amido cru a .8 95. Para os salmonídeos. não sendo este coeficiente influenciado pela temperatura da água.5 94.80 52 .5 98.2 97.0 98. os carboidratos geralmente estão ausentes na dieta natural. e os autores sugerem que estes carboidratos podem atuar como economizadores de proteína.Amido de batata Fonte: Singh & Nose (1987). Tabela 2. Nível de Carboidrato na Dieta (%) 20 99.99%.2 60 99.7 50 99.5o C e 15o C e também pelas dietas que continham acima de 25% deste carboidrato.2 30 99. Shiau (1997) foi capaz de mostrar que o amido de milho após sofrer um tratamento térmico (gelatinização) era melhor utilizado pelo peixe do que o amido de milho em estado natural.1 Carboidratos Glucose Sacarose Lactose Dextrina a .8 65. 262 Tópicos em Ciências Agrárias. observa-se que os coeficientes de digestibilidade dos carboidratos diminuem com o aumento de sua proporção na dieta (Tabela 3).5 26. “Brook trout” (%) 99 92 73 60 57 38 - Truta arco-íris (%) 79 . observouse uma alta taxa no ganho de peso e melhores taxas na conversão alimentar da truta arco-íris (Tabela 4). A capacidade de digestão dos carboidratos pelos salmonídeos tem sido freqüentemente detalhada e pesquisada em estudos referente à nutrição. 2009 . foi de 96% .14 Tabela 3. contudo nas dietas artificiais os carboidratos estão presentes e pode ser observado que estes carnívoros podem ser capazes de digerir carboidratos. (1981).24 10 . Juvenis de Oncorhyncus tshawytscha (truta da califónia) pesando menos de 1g mostraram menores taxas de crescimento em água à 10o C. 1. UFRB. dextrina e amido de batata (Figura 3).0 52. à existência de uma variabilidade entre as diversas espécies de peixes quanto a digestibilidade dos carboidratos se deve.1 97. que foram também substituídas por maltose.70 20 .0 99. com níveis de glucose de 20% na dieta.Além do hábito alimentar. que variou entre 11.celulose Fonte: NRC 1973.90 77 .4 60.4 45. Digestibilidade de diferentes carboidratos da “brook trout” (Salvelinus fontinalis) e truta arco-íris. A digestibilidade dos polissacarídeos é dependente da magnitude de sua contribuição na dieta.2 50.3 40 99. v.6 99. Quando o amido de milho hidrolisado era empregado em uma composição básica de ração.3 74. Chiou & Slinger (1979) demonstraram os coeficientes de digestibilidade de diferentes carboidratos utilizados em rações para truta que receberam processos térmicos diferentes (Tabela 5).8 96. Por se tratar de espécies carnívoras. o coeficiente de digestibilidade para glucose em trutas arco-íris.3 99.4 77. também. Na maioria das pesquisas realizadas para avaliação da digestibilidade de carboidratos em peixes. embora em proporções menores em relação às proteínas (Tabela 2).2 69. à diferenciação anato-fisiológicas do trato digestivo destas espécies. existe um interesse particular centralizado no que diz respeito à digestibilidade do amido e da dextrina. Digestibilidade (%) de diferentes carboidratos em vária proporções na dieta de truta arco-íris com 10-25 g de peso vivo e uma temperatura de água à 16o C. Em testes realizados por Hilton et al.1 38.

a . v. Dietas 1 Proteína (%) 42 Amido (%) 15 Ganho de Peso (g) n 80 h 92 Taxa de Conversão Alimentar (kg/kg ganho) n 1. 1. à 112 C) Farinha de trigo crua autoclavada (10 min.73 1.0 0.glucose Dextrina (amido hidrol. contendo cada uma amido de milho em estado natural (n) ou amido de milho hidrolisado (h). D = amido de batata.34 1. Crescimento de juvenis de Oncorhynchus tshawytcha em resposta a diferentes tipos de carboidratos (com nível de 20%) na dieta.5 D 1. Digestibilidade aparente de amido e açúcar para truta arco-íris.55 2 42 13 107 121 1. Diferenças no ganho e utilização de alimento em alevinos de truta arco-íris em resposta à administração de dietas similares.5 20 40 60 80 Dias Figura 3. à o 112 C) tostada o (10 min. Tabela 4.74 h 1. B = maltose.) Amido crú (milho) Amido autoclavado o (10min. Amido g/kg Digestibilidade da dieta (%) 807 100 780 0 772 541 391 418 75 168 0 0 62 27 54 62 Açúcar g/kg Digestibilidade da dieta (%) 843 100 19 40 41 101 88 57 87 100 263 Tópicos em Ciências Agrárias.A B C Ganho de Peso 1.62 3 42 13 67 115 2.64 4 32 29 66 112 2. C = dextrina. Fonte: Adaptado de Steffens. 1989.67 Tabela 5. à 250 C) Farelo de soja (49% de proteína bruta) Farinha de glúten de milho (60% de PB) Fonte: Adaptado de Steffens (1989). 2009 . UFRB. A = glucose.30 1.

0 25. Embora a digestibilidade do a-amido tenha sido significativamente menor em comparação à glucose.% 71 59 56 52 Fibra Bruta (%) 2. Tabela 8. (1986) obtiveram os valores em resposta à digestibilidade da glucose e do amido de batata cozido. 264 Tópicos em Ciências Agrárias. Digestibilidade de diferentes carboidratos em carpas com dois anos de idade. Alimentos Cevada Aveia Centeio Trigo Ervilha Lúpulo Semente de girassol tostada Farinha de amendoin Farinha de soja Componenetes da dieta Fonte: Adaptado de Steffens (1989). Chiou & Ogino em 1975 já haviam concluído que a fração de carboidratos da semente de lúpulo e da soja apresentavam baixo desempenho quando utilizadas em dietas para peixes.7 8. 10 84 20 80 30 79 40 60 50 38 60 35 O peixe Seriola quinqueradiata. A digestibilidade de carboidratos provenientes de sementes de leguminosas aparentemente são mais pobres do que a dos cereais. Furuichi et al. 1989).0 Digestibilidade (%) 91 56 38 14 Fonte: Kirchgessner et al. Carboidrato (% do peso seco) 55.0 37. UFRB. onde os peixes estavam condicionados a temperaturas variando entre 10o C . o grupo que recebeu 20% de glucose na dieta demonstrou resultados piores em relação aos outros grupos (Tabela 9).5 Digestibilidade (%) 74 75 84 58 45 56 55 65 51 46 75 Tabela 7. 2009 . surgia uma relação negativa entre os coeficientes de digestibilidade e a concentração de dextrina na dieta (Tabela 8). não digere carboidratos com tanta eficiência quanto as carpas. o melhor ganho de peso percentual era descrito em resposta ao amido contido na dieta e não à glicose. Com relação ao ganho de peso e taxa de conversão alimentar da dieta. Tabela 6. Alimento Farinha de trigo Pó de trigo Grãos de trigo Farelo de trigo ENN (extrat. (1986). Digestibilidade de carboidratos (trigo) de uma carpa de 1200 g de peso vivo condicionada a uma temperatura de 24oC.8 30. v.6 15.3 46. não nitrogenado) . (1986). uma espécie que se alimenta essencialmente de vegetais.4 14.A digestão de carboidratos em carpa foi descrita por Furuichi & Yone (1982) (Tabela 6).8 14. um tunídeo de águas tropicais muito criado no Japão. Dextrina contida na dieta (%) Digestibilidade (%) Fonte: Steffens (1989). Para a carpa-capim (Ctenopharygodon idella).6 34.7 12. Digestibilidade da Dextrina em várias concentrações em substituição no alimento. ambos com 30% de inclusão na dieta (Steffens.8 43. Quando foi testada a digestibilidade da dextrina como fonte de carboidrato.22o C.1 22. 1. A digestibilidade de carboidratos em carpas é extremamente dependente do nível de fibra bruta contida na dieta (Tabela 7) conforme demonstrado em experimentos feitos por Kirchgessner et al.1 5. a digestibilidade do farelo de soja foi de 63% e para a farinha de milho 88%.

O amido cru na dieta pode aumentar a taxa de transito do conteúdo intestinal. Fonte: Furuichi et al. em ambos os tratamentos com 10% e 20% de glucose contida na dieta. (1986). v.41 20 94 60 2. Os autores supracitados observaram que este fator reflete no aumento do nível de açúcar sangüíneo após duas horas de alimentação. pode ser excretada sem ser utilizada. o qual também contribui para perdas na digestibilidade de nutrientes. taxa de conversão alimentar.43 Furuichi et al. 2009 265 . Spannonhof & Plantikow (1983) descreveram que a atividade da amilase em trutas arco-íris é reduzida em cerca de 80% quando o trigo é utilizado em sua forma natural sem nenhum processamento térmico Tópicos em Ciências Agrárias. níveis elevados de amido na dieta de truta arco-íris produzem um aumento no volume de suco gástrico. Este fato foi comprovado quando os autores detectaram o aparecimento de glucose na urina (Glicosúria). Outro fator importante a ser levado em consideração quanto às fontes de carboidratos é que o trigo contém albuminas as quais agem como inibidores de amilases. 1. que a glucose na forma livre é mais rapidamente absorvida que a glucose contida na forma de a-amido (Figura 4). durante 30 dias de alimentação. Glucose 10 92 84 1. UFRB. Nível de Carboidrato na Dieta (%) Digestibilidade (%) Ganho (%) Taxa de Conversão Alimentar (kg/kg) Fonte: Furuichi et al. (1986). 100 80 60 40 20 S 20 S 10 G 20 G 10 Absorção (%) 1 2 3 4 5 6 Horas Figura 4. isto poderia demonstrar uma importante descoberta no metabolismo pós-absortivo de peixes. A atividade da amilase era reduzida pela presença de amido cru e aumentada pela inclusão de amido hidrolisado. Taxa de absorção de glucose (G) e a-amido de batata (S) em quantidades de 10% e 20% na dieta de Seriola quinqueradiata. (1986) também observaram em carpas e no atum (Seriola quinqueradiata). digestibilidade da glucose e amido de batata em várias concentrações na dieta do peixe Seriola quinqueradiata com 70-150 g de peso vivo. Os autores concluíram que a maior parte dos carboidratos oriundos da absorção de glucose na forma livre. De acordo com Spannonhof & Plantikow (1983).11 Amido de Batata 20 56 95 1.Tabela 9. apesar de serem altamente e rapidamente absorvidos antes do aumento das atividades enzimáticas. pelo fato do nível de insulina do plasma sangüíneo somente alcançar o seu nível máximo após duas horas da ingestão do alimento e a atividade das enzimas glicolíticas hepáticas e gluconeogênicas relacionadas ao metabolismo de carboidratos somente mostrar aumento após duas a três horas da administração do alimento. Porém. Ganho.

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CAPÍTULO 20 ALIMENTAÇÃO DE CAPRINOS LEITEIROS Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira. Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Benedito Marques da Costa Tópicos em Ciências Agrárias .

com INTRODUÇÃO A criação de cabras com objetivo de produção de leite é uma atividade produtiva bastante importante pelos aspectos econômico e social. pequenos produtores podem criar cabras para a subsistência de sua família. voltando a apartá-los à tarde.É uma forma de aleitamento prática. é aconselhável administrar à dieta vitamina D. e mistura mineral. Este método exige maior mão-de-obra que o anterior. CABRITOS EM ALEITAMENTO A partir dos três dias de idade. e reduza a produção de leite do rebanho. conforme a sua produção de leite. Neste esquema as cabras e as crias permanecem juntas. Esquema de aleitamento .O fornecimento de colostro é feito nas primeiras horas de vida. devido ao seu valor nutritivo e ao fato de ser um leite que pode ser consumido por crianças e adultos que apresentam intolerância a outro tipo de leite. durante os primeiros 3 dias de vida. Cruz das Almas-BA. onde são alimentadas diariamente com alimentos volumosos (capins de corte. preferencialmente feno de leguminosa.br. poderá ser utilizado o colostro proveniente de outras matrizes. Animais em regime de confinamento total. Em regime de semi-confinamento.edu. Nesse programa. objetivando a absorção de anticorpos que se verifica mais nesse período inicial. 1. v. Benedito Marques da Costa1 ¹ Professor . as cabras são mantidas em capril. fornecer pelo menos no primeiro dia.O cabrito é separado da mãe desde o primeiro dia. Soraya Maria Palma Luz Jaeger1. Existem criações que.br. mistura mineral e ração concentrada. em regime de semi-confinamento ou em confinamento total. Deve ser fornecido 500 ml do colostro. parcelado em quatro ou cinco vezes ao dia. Fornecimento de colostro . UFRB. devido ao elevado preço do leite de cabra. A seguir é apresentado um programa de alimentação de caprinos com objetivo de produção de leite. alcançando preços por litro mais elevados do que o de leite de vacas. após a ordenha. sljaeger@ufrb. receber suplementação de ração concentrada. além do alimento concentrado e da mistura mineral completa. a produção de leite de cabras pode ser rentável. também. recebendo o colostro e leite inicialmente em mamadeira ou caixa de aleitamento e depois no balde. Ambientais e Biológicas/UFRB. recomenda-se o fornecimento de alimento concentrado com 12 a 18 % de proteína bruta e mistura mineral completa à vontade. b) Aleitamento artificial . embora não seja econômica. isoladas do rebanho nos primeiros cinco dias após o parto. 2009 271 . Tópicos em Ciências Agrárias.ALIMENTAÇÃO DE CAPRINOS LEITEIROS Gabriel Jorge Carneiro Oliveira1. através de premix vitamínico.edu. deixam os cabritos com a mãe. silagem ou fenos de capins ou de leguminosas). em seguida o cabrito é apartado e levado para aleitamento. duas ou três vezes ao dia. Este procedimento exige menos mão-de-obra. embora retarde o consumo de concentrados e volumosos pelos cabritos.Existem dois esquemas de aleitamento para recém-nascidos: a) Aleitamento natural .Centro de Ciências Agrárias. E-mail: gajocaol@ufrb. beneditomc@hotmail. Em regime de confinamento total. sem receber sol. podendo receber uma suplementação de volumosos na forma de capins de corte. em pequenas áreas. após o parto. Quando não se dispõe de quantidade suficiente. Considerando-se o aspecto social. de fenos de capins ou de leguminosas. as cabras são mantidas em pastagens. A partir de oito dias de idade. deve-se fornecer alimento volumoso rico. Podem. destacam-se a alimentação de cabritos nas fases de aleitamento e crescimento e de cabras em gestação e lactação. Quando ocorre acidente com a matriz. Levando-se em conta o seu aspecto econômico.

cálcio (Ca) e fósforo (P) para um ganho de peso diário de 100 g. a dieta possa atingir até 22 % de proteína bruta.32 2. proteína bruta (PB). 12º dia: leite de vaca. 1981. o nível de nutrientes requeridos e o consumo de matéria seca devem ser levados em consideração no cálculo da dieta a ser fornecida.49 P (g) 1.6 % do peso vivo. Ao utilizar leite de vaca a substituição deve ser gradual seguindo as seguintes proporções: 6º ao 11º dia: duas partes de leite de cabra / uma parte de leite de vaca. Exigências de matéria seca (MS). da gestação e do estágio da gestação (NRC.43 3. devem receber a vitamina D através da adição de premix vitamínico na ração concentrada. O fornecimento de uma mistura mineral pode ser necessário para complementar as exigências de cálcio e fósforo e demais elementos minerais. 1990. para caprinos em crescimento (adaptado do NRC. O peso vivo dos animais a serem arraçoados.45 0. Tabela 1. sem receber sol. A desmama tardia é realizada a partir dos 90 dias de idade. provocada pelo aumento do volume do útero. v. UFRB.21 1. do número de fetos.5:1. A Tabela 1 serve de orientação para o cálculo da ração visando um ganho de peso diário de 100 gramas. INRA. CABRAS EM FINAL DE GESTAÇÃO No terço final da prenhez ocorre uma redução de 20% no consumo de matéria seca.43 1. 1 Peso vivo (kg) 10 20 30 1 MS (kg) 0. deve-se ter cuidado de fornecer somente a partir do 28º dia. quando o animal já estiver ruminando. 272 Tópicos em Ciências Agrárias. A relação cálcio/fósforo deve ficar ajustada entre 2:1 e 1.A higiene do material deve ser rigorosa. neste período as exigências nutricionais são maiores. Se for oferecido antes do 28º dia pode causar sérios problemas de distúrbios digestivos.88 2. passando gradativamente a ser oferecido à temperatura ambiente no segundo mês. 9º ao 11º dia: 50 % de leite de cabra e 50 % de leite de vaca.Considerando o estado fisiológico do cabrito e os objetivos da criação.41 2.09 ED (Mcal) 1. o ganho de peso diário objetivado.47 NDT (g) 275 426 561 PB (g) 51 67 79 Ca (g) 2. em uma ingestão diária de matéria seca que varia de 2. 1993). energia digestiva (ED).1981). Recomenda-se o fornecimento de volumoso de boa qualidade juntamente com alimento concentrado rico em proteína bruta. durante o primeiro mês.79 1. sendo o primeiro o mais indicado para substituir o leite de cabra. Com estes cuidados evitam-se distúrbios digestivos. destacam-se o leite de vaca e o de soja. de forma que. que comprime o rúmen. Os animais criados em confinamento. 2009 . a depender do peso vivo da matriz. Entre os produtos utilizados no aleitamento artificial. é importante o fornecimento de volumosos de boa qualidade com o intuito de proporcionar aos animais condições de adquirirem o peso de reprodução ou de abate mais precocemente. O leite ou “sucedâneo” deve ser fornecido com temperatura de 35 a 37º C. nutrientes digestíveis totais (NDT).10 Mcal = Megacalorias. devido à demanda de nutrientes da mãe somados àqueles para formação do feto (Tabela 2). AFRC. a desmama pode ser realizada a partir de três semanas de idade. Desmama . levando o animal à morte. ANIMAIS EM CRESCIMENTO Nesta fase. 1.0 a 2. Quando se usa leite de soja ou produtos comerciais contendo soja. Por outro lado.

8 Mcal = megacalorias.1 3. Tópicos em Ciências Agrárias.52 6.58 4. de forma direta.305 PL onde.0 4. energia digestiva (ED).3 5.4 5. proteína bruta (PB).1 2.8 4.0 7.0 2.0 3.Tabela 2.09 1.07 0.0 8.0 50 60 70 80 1 Mcal = megacalorias.42 6.062 PV 0.62 3. Para atender às exigências de FDN fisicamente efetiva. Exigências de matéria seca (MS). que necessitam ingerir grandes quantidades de alimentos concentrados. Peso vivo (kg) 30 40 50 60 70 1 ED (Mcal)¹ 1. nutrientes digestíveis totais (NDT). pelo menos 1/3 da IMS deve ser de feno não picado ou forragem verde.5 3. PL = Produção de leite (kg dia-1) com 3.4 1.0 8.10 5.60 1.40 6. com relatos de consumo que chegam a atingir 8 % do PV. Segundo o AFRC (1993). Exigências de nutrientes para mantença. v. com a ração total contendo no mínimo 28 % de FDN.4 2. devese atentar para o consumo de fibra em detergente neutro (FDN) fisicamente efetiva.20 1.5 4. até 5 % para animais de alta produção.01 NDT (g) 362 448 530 608 682 PB (g) 51 63 75 86 96 Ca (g) 2.59 1. Fonte: adaptado do NRC (1981). 1.62 NDT(g) 816 1141 932 1268 1027 1363 1114 1454 1458 1504 PB(g) 159 215 173 235 187 253 200 273 212 293 Ca (g) 5.00 4. 1981). Peso vivo (kg) 40 Gestação (mês) 4° 5° 4° 5° 4° 5° 4° 5° 4° 5° MS(kg) 1. A demanda de nutrientes para produção de leite depende. o cálculo da IMS deve ser feito a partir da seguinte equação: IMS = 0.02 4. do peso vivo e da produção de leite da cabra.46 ED (Mcal)¹ 3. A IMS varia de 1.0 11. CABRAS EM LACTAÇÃO Apesar da ingestão de matéria seca (IMS) poder variar a cada dia.34 1.5 9. UFRB. nos dois últimos meses de prenhez.97 1.5 % de gordura Para animais de alta produção.0 3.0 6. IMS = Ingestão de MS (g dia-1). As Tabelas 3 e 4 possibilitam estimar as quantidades de alimentos e de nutrientes a serem fornecidos para produção de leite.0 % do peso vivo (PV) em animais de baixa exigência. Segundo o INRA (1990) a demanda de nutrientes para produção de leite deve obedecer à regra apresentada na Tabela 4. PV = Peso Vivo (kg).33 1.0 6. existem equações que permitem calcular o provável consumo de matéria seca (MS) para situações específicas.0 10.4 2.0 P (g) 2.59 5.98 2.75 + 0.5 a 2.0 P (g) 1. Tabela 3. As equações podem considerar diversos fatores.1 2.90 6.7 3. dentre os quais se destacam o peso metabólico ou apenas o peso vivo e o nível de produção de leite.0 3. cálcio (Ca) e fósforo (P) para cabras gestando dois fetos.5 7.0 13. incluindo os requerimentos de mantença (adaptado do NRC.47 1. 2009 273 .21 1.

UFRB. em lactação e cabritos em crescimento. Tabela 4. apresentando teor de proteína bruta de 10 a 14 % na matéria seca. b) médio. mostrando preferências por espécies forrageiras e por determinadas partes das plantas. Para o tipo de volumoso pobre é necessária a suplementação com ração concentrada para todas as categorias de animais.2 Dezembro 1. que determinam o teor dos nutrientes e a quantidade de concentrados a serem oferecidos de conformidade com as necessidades de mantença e produção dos animais.5 3. Tabela 5. somente cabras em lactação e cabritos em crescimento recebem suplementação de ração concentrada. com elevada percentagem de leguminosas. É recomendável que a alimentação seja individual. Huss et al.0 4.6 26. Embrater (1984) classifica os volumosos em quatro tipos: a) rico. com algumas leguminosas. deve-se suplementar ração concentrada para cabras em final de gestação. Eles consomem mais brotos e folhas de árvores e arbustos e dicotiledôneas herbáceas do que gramíneas. 1990). as principais espécies lenhosas que compõem a vegetação da caatinga e os seus graus de aceitabilidade por caprinos (Oliveira. e Zertuche. pode ser fornecida em cochos coletivos desde que haja disponibilidade de canzis para contenção dos animais. c) pobre e d) muito pobre.8 Junho 1.). como também foi constatada por Araújo Filho et al. A alimentação de cabras leiteiras deve seguir um programa baseado na qualidade dos alimentos volumosos disponíveis.0 3.4 67. citado por Azevedo (s. Variações da composição botânica nas dietas de caprinos. quando aumentaram a acessibilidade e a produção de forragem pelo corte da vegetação arbustiva. Contudo. Demanda de nutrientes para produção de leite em função das exigências de mantença (adaptado de INRA.1 28. manifestando suas preferências. silagem ou feno de gramíneas pobres com teor de proteína bruta de 5 a 10 % na matéria seca.6 A Tabela 6 exemplifica.3 68. v. 2009 . O volumoso pobre é formado por pasto em início de maturação. os caprinos são pastejadores seletivos. é necessário que a forragem dessas espécies esteja ao alcance dos animais.0 2. essas preferências variam conforme a época do ano (Tabela 5). O volumoso do tipo médio é formado por pasto maduro.3 Outubro 2. conseguiram uma melhora do ganho de peso diário de caprinos. Contudo. silagem ou feno de boa qualidade. 1.8 22. d. De acordo com a composição em nutrientes. 274 Tópicos em Ciências Agrárias. (1996). em diferentes meses do ano. apresentando teor de proteína bruta na matéria seca acima de 14 %.1 24.A Tabela 4 demonstra que as cabras devem ser alimentadas segundo sua produção. 1990). Fevereiro 37.3 59. para que possam se alimentar adequadamente.5 4. Produção de leite (kg dia-1) 2 3 4 5 6 7 Múltiplo da exigência de mantença 2. Tipo de forragem Gramíneas (%) Dicotiledôneas herbáceas Brotos e folhas Fonte: Pfister. feno de boa qualidade.7 34. Ao utilizar este tipo de volumoso.5 PREFERÊNCIA ALIMENTAR E USO DE VOLUMOSOS Com relação à preferência alimentar. O tipo rico é aquele constituído de pasto verde em crescimento. Quando se utiliza este tipo de volumoso. citados por Huss (1972). Contudo.

melaço ou mandioca para se obter bons resultados. ou plantios em faixas nas pastagens de gramíneas. Contudo. essa prática ainda está muito reduzida. Algumas das leguminosas recomendadas são apreciadas pelos caprinos (Tabela 6). conhecidos por “bancos de proteínas” ou “legumineiras”. Outra forma de uso da uréia é em mistura com o sal. O tipo de volumoso muito pobre é formado por pasto maduro. deve-se incorporar à mistura fontes de carboidratos como o milho. em mistura com melaço. A uréia pode ser fornecida. a suplementação concentrada é necessária até para manter o peso vivo dos animais. tanto herbáceas como arbustivas. a uréia é recomendada para caprinos adultos ao nível de até 30 % do nitrogênio total da dieta. ++ = média. PASTAGEM DE LEGUMINOSAS As leguminosas se constituem em importante fonte de proteínas para os ruminantes. produção de forragem e utilização do guandu (Cajanus cajan) e leucena (Leucaena leucocephala). 1. Principais espécies lenhosas da caatinga e graus de aceitabilidade por caprinos. contudo. falta de sementes idôneas para o plantio das leguminosas recomendadas e a outros fatores. apresentando uma orientação geral de manejo. neste caso. silagem ou feno. como pasto para ruminantes. Tópicos em Ciências Agrárias. foram apresentadas por Garcia (1986). Com este tipo de volumoso. Com relação ao concentrado. USO DA URÉIA A utilização da uréia em mistura com alimentos para caprinos deve ser feita observando-se as mesmas normas preconizadas para os bovinos e respeitando-se sempre o nível máximo de uréia na mistura. v. com teor de proteína bruta inferior a 5 % na matéria seca. Nome vulgar Sabiá Marmeleiro Mofumbo Jurema preta Jurema branca Pau branco Catingueira Juazeiro Pereiro Pau mocó Aroeira Imburana Melosa Mororó Jucazeiro Nome científico Mimosa caesalpiniaefolia Croton hemiagyreus Cobretum leprosum Mimosa nigra Pithecolobium dumosum Auxema onconcalyz Caesalpinia pyramidalis Ziziphus joazeiro Aspidosperma pririfolium Luetzelburgia auriculata Astromium urundeuva Bursera leptophloeos Ruelia asperula Bauhinia forficata Caesalpinia ferrea Aceitabilidade +++ + + ++ ++ + ++ +++ + ++ + + +++ +++ ++ Legenda: + = baixa. +++ = alta. cana picada. 40 g 100 kg-1 de peso vivo/animal/dia (Teixeira. pode ser usada em até 3 % deste ou até 1 % da matéria seca total da ração.Tabela 6. entretanto o consumo deve ser limitado. São realizados plantios de áreas exclusivamente com leguminosas. A fim de se evitar intoxicação dos animais. provavelmente devido à dificuldade de acesso às informações provenientes da pesquisa. Fonte: adaptado de Oliveira (1990). de baixa qualidade. 1989). na proporção de 5 % da mistura. (1989) recomendam algumas espécies de leguminosas nativas e exóticas para formação de pastagens. também. requer que se faça uma adaptação gradativa para prevenir intoxicação e para que haja um bom aproveitamento (Tabela 7). No caso dos caprinos é recomendável a utilização de espécies perenes. Importantes informações sobre o valor nutritivo. UFRB. ou seja. Informações sobre a produção de leite em caprinos alimentados com níveis crescentes de uréia foram apresentadas por Santos & Bose (1985). 2009 275 . Costa et al. Seu uso na alimentação de caprinos.

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CAPÍTULO 21 DESENVOLVIMENTO REGIONAL E A COMPETITIVIDADE DO AGRONEGÓCIO: ESTUDOS DE CLUSTER Warli Anjos de Souza Tópicos em Ciências Agrárias .

econômica e ambiental. Os estudos de cluster têm revelado as premissas para atingir o melhor equilíbrio no desenvolvimento interno.DESENVOLVIMENTO REGIONAL E A COMPETITIVIDADE DO AGRONEGÓCIO: ESTUDOS DE CLUSTER Warli Anjos de Souza1 1 Professor . Evidencia-se nesta exposição que o processo de aglomeração não é apenas uma conseqüência da globalização e das vantagens das empresas localizadas nos clusters. gerava economias externas. 1. institucionais e ambientais. Cruz das Almas-BA. na integração de diferentes atores e atividades.edu.Centro de Ciências Agrárias. O Conceito de Cluster Cluster é um termo recente na literatura das ciências sociais. Assim. os impactos ambientais e sociais da aglomeração. expressas na redução dos custos de coordenação e na melhoria da eficiência e da inovação tecnológica da agroindústria. políticos. que alcançaram um dinamismo competitivo e tecnológico. nas suas três dimensões: social. em Princípios de Economia. COMPETITIVIDADE LOCAL E CLUSTERS A competitividade local é a base onde se assenta a interiorização do desenvolvimento e requer uma compreensão multidisciplinar. As economias externas explicam o crescimento dos clusters industriais contemporâneos e é por isso que Tópicos em Ciências Agrárias. nesta abordagem. Compreendido o fenômeno local. Em conformidade com Haddad (1999). UFRB. formando grandes aglomerados interativos. A delimitação conceitual do termo cluster permite compreender o seu significado para o estabelecimento da competitividade local. Marshall notou que a aglomeração de firmas. através da concentração geográfica de indústrias pertencentes à mesma cadeia produtiva e da participação em ações conjuntas de interesses comuns. porque um agrupamento de empresas poderia auxiliá-las. Essas vantagens incluíam um grupo de trabalhadores especializados. envolvidas em atividades similares e relacionadas. a competitividade é abordada a partir de uma leitura multidisciplinar. suprimentos ou suporte fundamental. o que se busca com o desenvolvimento regional é a competitividade dinâmica de empresas e regiões. Embora o termo seja recente.br INTRODUÇÃO Este capítulo consiste em apresentar os aspectos conceituais relacionados ao termo cluster e sua conexão com desenvolvimento regional e a competitividade local do agronegócio. Neste sentido. que procura medir o desempenho econômico. Um roteiro metodológico é sugerido para conduzir pesquisas de arranjos produtivos locais na forma de estudos de caso de cadeias agroindustriais selecionadas em determinada região. Isto é. Portanto. sociais. são apresentadas também as condições necessárias e suficientes que complementam a explicação para o surgimento de um cluster ou agricluster numa região ou país. v. busca identificar aquelas atividades que orientam o cluster para exportação. Ambientais e Biológicas/UFRB. esta abordagem utiliza o conceito de cluster para a análise de problemas de desenvolvimento dirigidos à agroindústria regional. em decorrência da abertura da economia brasileira para uma integração competitiva em escala global. pois o fenômeno envolve aspectos macroeconômicos. A metodologia busca analisar a competitividade da agroindústria regional numa concepção de desenvolvimento integrado do cluster. especialmente as pequenas empresas. a competirem. A ênfase é dada às investigações das questões associadas à competitividade local. que surgiu para denominar alguns setores bem sucedidos da economia mundial. Marshall (1920) já havia demonstrado. DESENVOLVIMENTO REGIONAL. E-mail: warli@ufrb. a elaboração de um plano de desenvolvimento local tem como roteiro inicial identificar as questões que devem orientar a prática da construção da competitividade com base nessa multiplicidade de fatores. isto é. fácil acesso aos fornecedores de insumos e serviços especializados e a rápida disseminação de novos conhecimentos (tecnologias). microeconômicos. Adicionalmente. os pólos de desenvolvimento localizados. O texto está dividido em duas seções: uma fundamentação teórica sobre cluster e uma metodologia alternativa para a pesquisa. diminuindo os custos de produtores. as condições necessárias ao desenvolvimento configuram-se na construção de redes (networks). que definem as atividades-chave do cluster. 2009 279 .

pois possibilita. horizontais e verticais. de forma significativa. Porter (1999) define cluster como concentrações geográficas de companhias e instituições num setor específico que englobam uma gama de empresas e outras entidades importantes para a competição. em algumas linhas de pesquisa da Economia Regional (Krugman. vantagens de redução dos custos de coordenação que melhoram a eficiência e a inovação. o que permite explorar diversas economias de aglomeração. O processo de formação de cluster Steinle & Schiele (2002). Humphrey & Schmitz. A ação coletiva é apresentada em diversos relatórios de pesquisas sobre clusters industriais em países avançados e em desenvolvimento. Assim. As alternativas implementadas dentro de um setor levam ao aumento da produtividade. ainda. fornecedores de matéria-prima. o alcance de matéria-prima. especialmente. produtos e serviços mais qualitativos e até inovados. mas pela visão sistêmica de que o todo é mais que a soma das partes. serviços e instituições voltadas para o setor. 1996). as economias externas. com base em diversas pesquisas. surge o conceito de eficiência coletiva. que é preciso verificar as 280 Tópicos em Ciências Agrárias. criticam a literatura específica de clusters que considera que a centralização de atividades em uma região surge somente em conseqüência da globalização e devido às vantagens das empresas que estão localizadas nos clusters. especificamente. Haddad (1999) caracteriza cluster como indústrias e instituições que apresentam conexões entre si. incluindo. do final do século XIX. técnico ou humano). publicados na década de 1990 (Brusco. empresas prestadoras de serviços. através da integração das empresas. derivado de economias externas (efeitos incidentais) e da ação coletiva (efeitos deliberativos). na acepção marshalliana. Os clusters são pesquisados. maquinários. O autor destaca que toda análise de cluster focaliza-se nos insumos críticos que as empresas necessitam para serem dinamicamente competitivas. Cooperação produtiva e ou tecnológica são estimuladas a partir de um processo de interação local que viabiliza o aumento da eficiência produtiva. visto que ao desenvolver ações em conjunto os resultados obtidos superam o que individualmente seria inviável em seus múltiplos aspectos (financeiro. 1996) e Inovação Tecnológica (Braczyk et al. os conceitos de cluster evidenciam a concentração espacial de empresas em ativa conexão. v. mas dos riscos e da não necessidade de multiplicidade de esforços por parte das indústrias do setor. O conceito de cluster remete as pesquisas a identificarem atividades produtivas e inovadoras. Rabellotti. a partir da qual são geradas externalidades produtivas e tecnológicas. Gestão de Negócios (Porter. equipamento. O recorte analítico baseado no conceito de cluster ressalta também os impactos das articulações entre agentes em termos de geração de efeitos de aprendizado e da dinamização do processo inovador em escala local ou regional. Tendler & Amorim. Assim. 1998). componentes. em diversas ciências sociais. A ação conjunta e a integração dos agentes econômicos aos arranjos produtivos permitem a emergência das vantagens competitivas no nível industrial para uma região. 1991). 1. Os autores argumentam que existem outras abordagens que complementam e explicam algumas características particulares do fenômeno e. mão-de-obra. e geralmente incluem: empresas de produção especializada. é uma referência padrão nesta nova literatura (Schmitz & Nadvi. Isso ocorre em razão da pulverização não só dos recursos financeiros. empresas fornecedoras. instituições de pesquisa. 1998). Entretanto.o trabalho de Marshall. 1998. integradas ao espaço e as vantagens de proximidade das empresas.. existe uma força de ação coletiva na tomada de decisões. máquinas. Ciências Regionais (Scott. informação. Adiconalmente às economias externas incidentais. UFRB. Podem se estender verticalmente e horizontalmente na cadeia produtiva. 1990. não são suficientes para explicar o desenvolvimento de um cluster. 1997. 1998. Essa visão contemplada pelo cluster traz a valorização da importância da sinergia entre as indústrias. definido como a vantagem competitiva. A integração de uma cadeia produtiva passa a ser vista não só pela dependência entre as partes. Cooke & Morgan. instituições públicas e privadas de suporte fundamental. Um cluster se desenvolve para criar capacidades produtivas especializadas dentro de uma região e como conseqüência promove o seu desenvolvimento econômico social e ambiental. Schmitz & Nadvi (1999) têm a definição mais simples para clusters: são concentrações espacial e setorial de firmas. 1999). 2009 . gerando um ambiente propício à elevação da competitividade dos agentes. Esses estudos caracterizam-se por um enfoque nas empresas como entidades em interação e por uma ênfase nos fatores locais para a competitividade em mercados globais. A importância de um cluster está em viabilizar ações que permitam enfrentar e criar alternativas para as empresas face à concorrência desenfreada que a globalização de mercado impõe aos diversos setores da economia. Todos os conceitos de cluster apresentados referem-se à emergência de uma concentração geográfica e setorial de empresas. por exemplo. Podem ser citadas.

Tópicos em Ciências Agrárias. existem determinantes para sua gênese e processo evolutivo. o desenvolvimento de um agricluster requer também o estabelecimento de algumas condições. as diversas abordagens expostas aqui. alguns trabalhos. Furtado. 1992. v. por outro lado. Archibugi & Pianta. apresentam num nível interindustrial. UFRB. 1999). têm confirmado a suposição que a globalização freqüentemente significa centralização. Vantagens das empresas localizadas nos clusters A redução dos custos de coordenação do sistema traduz-se em vantagens para as empresas promovendo a eficiência e a inovação. clusters inovativos não são simples concentração de agentes econômicos independentes. Isto se torna mais evidente quando se deseja entender as condições para a aglomeração. Patel & Vega.. elas podem indicar. 1995). 1990) é o conceito que tende a dominar a discussão sobre competitividade induzida pela inovação. por meio de negócios eletrônicos. como fator central para o sucesso de uma indústria. os clusters oferecem vantagens competitivas. paradoxalmente. 1997). Amendoa et al. Um cluster inovativo. 1992. redes de negócios cooperativos. Isaksen. como o fenômeno de formação de um cluster é um fenômeno multidimensional. requer uma abordagem integrativa. 1992. A abordagem francesa. 1. apenas a literatura com uma referência explícita em clusters não é suficiente para entender o fenômeno. tem dado mais ênfase. Centralização como uma conseqüência da globalização Em indústrias sujeitas ao processo de formação de cluster. seus membros não mostram qualquer interação entre eles. 1991. provavelmente. Em síntese. Steinle & Schiele (2002) explicam porque as empresas obtêm vantagens de se localizarem próximas das outras. 1994). Mas é preciso considerar que o fenômeno de formação de um cluster é um processo de desenvolvimento de sistemas que criam valor local. não à eficiência na redução do custo. antes de tudo. 1998. devido à interação como um clube. têm aumentado a importância do ambiente próximo das empresas (Gertler. a velocidade deste processo. 1995. que têm se dedicado à analise das cadeias internacionais de commodity. Estas pesquisas estão dirigidas para clusters desenvolvidos. o modelo do diamante da vantagem competitiva (Porter. Condições para clusterização As seis condições focalizadas por Steinle & Schiele (2002) aplicam-se à indústria em geral. 2009 281 . Assim. De fato. 1997. Outro caso específico é o das pesquisas que aprofundam o entendimento da interação dentro de sistemas que criam valores. 1999). também. A crítica a este modelo é que ele não se ajusta às industrias centradas em matérias primas. Se existem vantagens de proximidade. Para Steinle & Schiele (2002). Em outra direção. que nem todas as indústrias são igualmente afetadas pelo processo de formação de um cluster. Beccattini. De diferentes perspectivas. e sim ao poder de inovação tecnológica das regiões (Aydalot & Keeble. para os autores. Diversos estudos apontam que a maior eficiência dessas aglomerações deve-se à flexibilidade da especialização (Brusco 1982. uma vez que eles oferecem explicações sobre como os membros de sistemas multiorganizacionais ajustam seus comportamentos aos dos outros. Assim aglomerações ao acaso são excluídas da análise. Capello. àquelas estritamente domésticas ou àquelas que produzem bens não tradeables.condições necessárias e suficientes para a clusterização. estudos da teoria da inovação tecnológica levaram a uma volta à teoria de sistemas de manufatura e inovação genuinamente nacional (Lundvall. como aquelas centradas exclusivamente nas matérias primas e como tal. Ao invés de espalhar-se pelo globo. Freeman. Sobre a influência da abordagem de analyse de filière. o melhor potencial de formação de um agricluster. Em outras palavras. A globalização acelerou. 1991). ou seja. estudos com robusto suporte estatístico. Nesse sentido. tornam claro. não se desenvolve de forma automática. Os clusters surgem como aglomerações setoriais localizadas de organizações sinérgicas que podem permitir um desempenho superior das empresas. Ou seja. mostram produtos que resistem à globalização da produção (Hopkins & Wallerstien. é preciso verificar as condições necessárias e suficientes para a clusterização. afirma-se que a harmonização de mercados internacionais e a redução dos custos de transporte. mas. empresas similares tendem a agruparem-se em nações específicas ou mesmo regiões (Patel & Pavitt.

O número de interfaces aumenta. formas alternativas de coordenação precisam ser evidenciadas (Brusco. 1995). mais sua competitividade depende da complementaridade dos atores e mais importante torna-se a organização do seu ambiente. É a possibilidade de dividir o processo de produção em diversas etapas distintas que permite a especialização. 1998). Uma invenção leva a um produto radicalmente novo. enquanto o produto final pode ser facilmente exportado. Enquanto o poder amplo da inovação é usualmente atribuído aos clusters (Baptista & Swann. as quatro condições suficientes que estão relacionadas com a coordenação flexível dos seus distintos e diversos atores. Tal situação é típica de um sistema que cria valor muito fragmentado em consequência. depende de sua divisibilidade técnica (Piore & Sabel. a evolução do processo de inovação pode ser distinguida em três fases: 1ª. a fragmentação do processo de produção. Ou seja. a localização de seus fornecedores é determinada pelo local de seus consumidores. pode ser considerado como outra condição suficiente para o processo de formação de um cluster. 2009 . v. As duas primeiras condições suficientes delineadas por Richardson (1972) distinguem atividades complementares (cadeia de valor) de atividades similares (competências similares). o desafio da coordenação é acentuado. Em conseqüência. c) Inovação em rede As inovações em rede são vistas como um motor para a aglomeração. 1982. Genet. Quanto mais a complementaridade entre os atores contribuir para o processo de inovação e quanto menor for o tempo disponível para sua coordenação. mais a eficiência da sua cooperação torna-se um fator de sucesso. Independente de inovações radicais ou incrementais estarem presentes. inovações de laboratório e inovações em rede é útil para entender a propensão ao processo de formação de cluster devido a inovação induzida por uma indústria. em conseqüência. Por razões de natureza técnica. 1. a) Cadeia de valor longa Esta condição diz respeito à coordenação dos múltiplos componentes que irão formar um produto final. as chances para o processo de formação de cluster se acentuam. isto conduz a uma forma integrada de organização. entretanto. A presença de complementaridade mais o conhecimento dissimilar em um sistema de criação de valor.Condições necessárias Compreendem duas condições relacionadas à divisibilidade do processo de produção e à possibilidade de transporte do produto. Quanto mais especializada uma organização. e. Lazerson. Condições suficientes Estabelecidas as duas condições necessárias para emergência de um cluster. a distinção entre inovações do próprio inventor. 1997). 1995. 1984). a necessidade de proximidade durante a fase de produção aumenta. É preciso distinguir o produto final de seus componentes. ou se a indústria está em formação ou na sua maturidade. Richardson (1972) refere-se à similaridade entre essas atividades: quanto mais distinta as competências em uma cadeia de valor. Os produtos do cluster têm que ser transportáveis (Lazerson. b) Diversidade de competências O aspecto principal desta condição é que embora seja múltipla e dissimilar. surge o problema de coordenação dos diversos parceiros. Pesquisa e desenvolvimento em grandes centros: Especialistas reunidos em departamentos distintos promovem as 282 Tópicos em Ciências Agrárias. Outra razão para a segmentação da cadeia de valor reside nas diferenças de lucratividade dos seus segmentos. freqüentemente comercializado pelo próprio inventor inovador que é um empreendedor. verifica-se agora. Se o produto não pode ser deslocado. cada um focalizado em diferentes competências. não existe consenso sobre o tipo de inovação que particularmente promove o processo de formação de cluster. 2ª. UFRB. mais desafios para uma única empresa liderar a todos. Inventor inovador: Ator predominante no século XIX. diversos produtos intermedários surgem simultaneamente. há complementaridade de competências. Como conseqüência. Com base em Freeman (1995). Se os suprimentos são difíceis de transportar.

Se todas ou a maioria destas características aplicam-se a uma indústria. Isto ocorre porque a empresa passa a monitorar como o cluster vem se estabelecendo e como ela poderia lucrar a partir desta evolução. pela crescente integração global. UFRB. Nem todas as indústrias estão presentes de forma simultânea. como no caso de um laboratório ou centro de pesquisa tradicional. com competências distintas. como aquelas capazes de resistirem aos processos de globalização e de integração da economia nacional. A inovação em rede ocorre quando atores diferentes. de um lado. Adicionalmente. De forma mais sistemática que a fase anterior. A sensibilidade ao tempo em um determinado mercado promove uma redução no controle dos produtores em reação à demanda e ajuda. modificações da economia alteram a composição e a dimensão do estoque. 3ª. na utilização dos recursos naturais do ecossistema de forma predatória. A inovação em rede não é uma nova invenção radical para um uso prático. Tópicos em Ciências Agrárias. Segundo Haddad (1999). 2009 283 . se assentam sobre os recursos naturais de uma região e de sua posição relativa a outras regiões do país e do exterior. combinam suas habilidades. o estoque dos recursos naturais são requeridos pela economia nacional para atender às demandas interna e externa. Neste ponto. uma inovação em rede pode acontecer sem o planejamento. Num terceiro momento. d) Volatilidade de mercado Condição entendida como a recompensa aos atores do sistema pela adaptação flexível. é preciso distinguir as vantagens econômicas espúrias das vantagens competitivas dinâmicas. 2002). como a primeira etapa para delimitar um sistema produtivo regional. a dedução das seis condições para clusterização permite o teste de sua precisão pela avaliação transversal destas condições com estudos de casos. no processo de formação de um cluster em uma região ou país. 1. medidas de uma rede regional ou outras formas de desenvolvimento de cluster. como no caso de um empreendedor inventor. devido à proximidade dos atores na cadeia de valor. num horizonte de longo prazo. específicas de cada região. cada vez mais declinantes. A necessidade de uma coordenação eficiente torna-se vital. a desenvolver um cluster. ou seja. para Haddad (1999). em seus laboratórios. Finalmente. melhoraram os processo existentes. espera-se que em tal indústria este fenômeno favoreça a formação de um cluster. Isto se explica. melhorando um produto existente ou processo ou mesmo criando um novo. mas requer a cooperação de diversas organizações. por esta razão. seus atores teriam conhecimento da sua existência. Inovação em rede: Trata-se de um novo modelo que tem a possibilidade de se tornar predominante. Se o desenvolvimento de uma indústria é dirigido por inovações em rede. transformam-se em vantagens competitivas.invenções de laboratório. os municípios e localidades de uma região com custos de transportes e impostos. as condições para o surgimento do cluster permitem planejar uma política industrial e regional para pré-selecionar. a meta industrial. pela pressão da concorrência interregional. uma empresa em particular tornar-se um membro do cluster. Em oposição. é a condição essencial para desencadear o processo de desenvolvimento de uma região. numa região que não disponha dessa competitividade dinâmica é muito pequena ou inviável. Nem tão pouco se trata de um aperfeiçoamento das competências existentes. mas. Haddad (1999) também identifica as vantagens competitivas dinâmicas da agroindústria de uma região. As vantagens da coordenação. em determinado período de tempo. Cluster. precisam apresentar vantagens competitivas para poder desencadear o processo de desenvolvimento. Num segundo momento. num primeiro momento. As vantagens competitivas espúrias apresentam como característica principal a insustentabilidade. no longo prazo. de qualquer natureza e em qualquer escala produtiva. Por exemplo. com maior acuidade. se a velocidade da reação dos agentes é grande. v. e por diversos trabalhos empíricos (Steinle & Schiele. O mercado requer reações rápidas às imprevisíveis mudanças na demanda dos consumidores (volatilidade de mercado). no caso de mercados voláteis. na sobre-exploração da mão-de-obra ou na informalidade e na clandestinidade de suas operações. Isto é. Diferente de um bem organizado centro de pesquisa e desenvolvimento. com os determinantes da demanda final. em termos de preço e qualidade. os pesquisadores. que amplia o espaço da concorrência internacional. Tais vantagens baseiam-se exclusivamente em incentivos fiscais e financeiros recorrentes. no médio prazo. por outro lado. no caso do fenômeno aplicar-se a um conjunto de indústrias. Estas vantagens. agroindústria e desenvolvimento regional Delimitar um sistema agroindustrial regional competitivo e dinâmico. os recursos naturais de uma região mudam com a dinâmica do crescimento econômico. particularmente os aduaneiros. a sobrevivência de atividades econômicas. num contexto de comércio exterior desregulamentado.

com as condições tecnológicas de produção. a partir de seus recursos naturais. o conceito de potencialidade não é físico e sim econômico. Não se busca determinar a incidência de um dado fenômeno no seu universo. torna-se necessário. Especial atenção é dirigida àquelas regiões cuja atividade econômica preponderante seja a agroindústria. a produtividade dos fatores e a concentração da renda e riqueza. ambos os fatores definem o conceito de cluster (aglomerados ou complexos produtivos) em atividades-chave orientadas para exportações. para suprimento e para suporte fundamental. Somam-se ao problema ambiental as questões de natureza fundiária que podem conduzir a produtividade do setor agrícola para valores muito diminutos. estabelecer as etapas de seu desenvolvimento que. 284 Tópicos em Ciências Agrárias. pesquisa e desenvolvimento. quanto mais bem distribuída a renda de uma região. suprimento e de suporte fundamental. da organização do sistema produtivo e do sistema político. apresenta uma tríplice leitura: desempenho econômico. O mercado interno de uma região apresenta três determinantes fundamentais: a população regional. Nesta seqüência. desenvolver os fornecedores. a análise de clusters apresenta uma grande vantagem para estudar os problemas de competitividade dinâmica do agronegócio no contexto do desenvolvimento econômico. Finalmente. Devido às argumentações já discutidas na seção anterior. permitem verificar o desempenho econômico regional: identificar as atividades produtivas do agricluster. às inovações tecnológicas adotadas no processo de comercialização e outros. oferta de serviços comunitários. No estudo específico de agricluster. à medida que a exploração da base de recursos naturais da região permite o crescimento do seu mercado interno. aos custos de produção e de transporte. Os impactos ambientais são avaliados pela emissão de resíduos tóxicos. antes de tudo. devido a proximidade espacial. porque considera todos esses elementos conceituais de forma sistêmica. testes de qualidade. de acordo com IFC KAISER (1997). v. quanto maior o nível de produtividade. assim. Neste sentido. Assim. de acordo com ICF KAISER (1997). construir formas de cooperação público-privado. exportações. incorporar custos de oportunidade e de concorrência são fundamentais nos estudos que permitem compreender o conceito de competitividade interregional. identificar necessidades de suporte fundamental. UFRB. Estudo de caso Este método de pesquisa tem um caráter mais qualitativo. 2009 . o desempenho econômico é avaliado pela aglomeração. no caso específico da definição de cluster para análise da competitividade das agroindústrias. social e ambiental. certificado ISO 14000 entre outros. Em síntese. Para Haddad (1999). fluxos migratórios entre outros. valor adicionado. crescimento. mas. devido a uma melhor oportunidade do que em outra localidade ou região. potencial poluição ambiental. impactos ambientais e impactos sociais. especialização. efetividade do controle ambiental. O frágil sistema produtivo pode apresentar problemas de degradação ambiental que podem conduzir a uma queda intensa da capacidade produtiva dos recursos naturais. METODOLOGIA PARA ANÁLISE DA COMPETITIVIDADE DO AGRONEGÓCIO Entre as diversas abordagens analíticas para o estudo da competitividade local das principais cadeias agroindustriais de uma região e suas implicações para o desenvolvimento regional. a metodologia alternativa apresentada é a análise de cluster na forma de estudos de caso. é preciso estimar as oportunidades de investimento que surgem. Quanto maior a população. Os impactos sociais são avaliados por oportunidades de emprego para grupos sociais de baixa renda. geram economias de aglomeração e externalidades e. 1. revela os sistemas de coordenação existentes e aponta os insumos críticos para a criação de capacidades produtivas especializadas numa tríplice leitura: econômica. é preciso identificar uma oportunidade favorável em alguma localidade ou região que possa ser explorada. pois seu principal objetivo é contextualizar e aprofundar o estudo do problema. Estes três aspectos definem a orientação das atividades-chave do cluster para as exportações. a concepção do desenvolvimento integrado do agricluster. ao contrário. O ponto crítico refere-se aos custos relativos. reinvestimento entre outros. maior será a dimensão do seu mercado interno. o autor mostra que os serviços de suporte empresarial (contabilidade de custos. avalia ineficiências em cada segmento da cadeia agroindustrial. esta metodologia é adequada porque alcança os setores mais dinâmicos. Para definir quais são as potencialidades de crescimento econômico de uma região. manutenção técnica etc) requeridos pelas empresas. e é particularmente útil neste enfoque. vincula-se à demanda. o enfoque é dado na sua compreensão em nível mais aprofundado. Isto significa que o valor de um recurso natural não é inerente ao material. o papel da força de trabalho rural. Assim.

do já citado baixo rigor. sazonalidade. telecomunicações. o que se procura.Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU. qualidade dos serviços. UFRB. é detalhar a conformação institucional desses arranjos. h) Desenvolvimento de cultura organizacional . rotatividade.O método de estudo de caso por ser mais qualitativo pressupõe que os arranjos produtivos locais podem ser associados a uma estrutura referenciada a um setor específico ou a uma região geográfica delimitada. controle de qualidade. g) Indicadores ambientais . índice de condições de Vida (ICV). ISO 14000 (número de certificados). sistemas de financiamento. com o uso de dados qualitativos e com a profundidade das análises. infraestrutura especializada. Ou seja.Nível de qualificação do empresariado.Manejo de dejetos produzidos. Assim o pesquisador pode ser conduzido a realizar generalizações que não são verdadeiras. conforme Haddad (1999). formas de controle e reciclagem de resíduos. avaliando-se os resultados gerados em termos de desempenho produtivo e tecnológico do setor investigado (Britto & Albuquerque. Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). um espaço caracterizado pela homogeneidade física. e) Suporte fundamental . compactação do solo por sobre-pastejo na pecuária. c) Aglomerados ou complexos produtivos . Para isto. manutenção técnica. centros de pesquisa e universidades. entrepostos de comercialização.Para cada cluster deve ser elaborado um diagrama que mostre a estrutura do complexo produtivo. 2002). econômica e social. 1985). outros. Tais indicadores devem ser comparados com regiões concorrentes no país e no exterior. adoção de técnicas de planejamento estratégico. Roteiro metodológico para análise de cluster O roteiro metodológico do estudo de caso sugerido para medir a competitividade do agronegócio. Uma forma de contornar este problema é realizar as generalizações analíticas com fortes bases estatísticas e dados com fontes fidedignas. como também devem ser registradas as fontes de dados. a delimitação é realizada com base no critério de regionalização. 2009 285 . marketing rural e internacional.Logística de transporte. Cada indicador deve ser definido tecnicamente. indicadores de qualidade do emprego: salário médio real. produtividade e qualidade do bem ou serviço para a região. assistência técnica nos diversos segmentos do cluster. é preciso evitar que a subjetividade do pesquisador predomine no relatório.Relacionados com a produção. segurança. onde o corpo teórico é insuficiente para estabelecer relações causais e onde o fenômeno pode ser estudado fora do seu contexto sem perda de utilidade da pesquisa (Bonoma. fontes de terceirização e subcontratação. adoção de técnicas de gestão. 1. f) Indicadores de desenvolvimento social da região do cluster . ISO9000 (número de certificados). percentagem do emprego gerado pelo cluster no total da região. agências regulatórias. d) Serviços de suporte empresarial . Esta limitação é crítica numa situação em que o pesquisador não dispõe da capacitação suficiente e desejável para evitar os vieses potenciais que emergem. Por se tratar de uma análise interdisciplinar. Neste caso. empregos gerados pelo cluster. Os indicadores devem ser preparados por municípios relevantes.Contabilidade de custos. pressupõe: a) Delimitação da área geográfica . para garantir a confiabilidade da pesquisa. b) Indicadores de desempenho setorial . Tópicos em Ciências Agrárias. fortes vieses. com base em critérios específicos de agregação e classificação dos agentes. A principal limitação do método de estudo de caso em pesquisa é o seu baixo rigor metodológico. sistema educacional: qualidade e acesso. nível de informatização dos setores que compõem o cluster. em conseqüência. o desenho da cadeia agroindustrial. Evita-se.Para cada cluster. v. este método encaixa-se bem na situação onde o fenômeno é abrangente e complexo.

GUERRIERI. P. AYDALOT. v. New York. os impactos dos processos de privatização e de concessões sobre a competitividade do agricluster no médio e longo prazo. Impacto de política de rendas ..). apoio à organização de infra-estrutura especializada de ensino e pesquisa. desenvolvimento de técnicas específicas para diversos ecossistemas brasileiros. High Technology Industry an Innovative Environments: The Europeean Experience. isto por que a pesquisa pode revelar se a metodologia se aplica no todo ou em parte.Programas institucionais de treinamento. os custos financeiros como obstáculos ao desenvolvimento e expansão do agricluster. centros de pesquisa e laboratórios especializados. Journal of International and Comparative Economics. a eficiência da política cambial. que os dois esquemas metodológicos sugeridos acima. impactos distributivos da política de rendas. PADOAN. Impactos de política cambial . 4.i) Demanda e necessidade de insumos de conhecimento. D. In: AYDALOT. 3. j) Mecanismos de inserção da Embrapa e do CNPq (formas de cooperação público-privada) . seus efeitos sobre o agricluster regional. sistemas de informação para o cluster (decisões empresariais e planejamento estratégico).. de pesquisa e de ciência e tecnologia no cluster Desenvolvimento de recursos humanos especializados. High-technology and innovative environments in Europe: an overview. P. Para orientar trabalhos pesquisa sobre a competitividade local dos arranjos produtivos e análise de desenvolvimento regional. Impactos fiscais . difusão de incentivos fiscais para promoção de desenvolvimento científico e tecnológico. 1988. as propostas alternativas de novo sistema tributário e sua adequação à competitividade do agricluster regional. v. A decisão do pesquisador deverá estar em conformidade com o estágio atual do arranjo produtivo local. 286 Tópicos em Ciências Agrárias.. 2009 . estoques reguladores e a renda do setor agrícola.C. 1992. sistemas de classificação. p. outros.administração e controle de preços. Ainda é preciso referir-se na metodologia aos efeitos das políticas macroeconômicas sobre o agricluster.Valorização e desvalorização do Real. 1. The techonological specialisation of advanced countries. 1992. podem ou não ser aplicados integralmente nas análises dos estudos de casos das cadeias produtivas de uma região. regularidade da oferta de tradeables face à expansão da demanda. a crise fiscal e financeira do setor público e suas repercussões sobre a oferta de infra-estrutura econômica. M. efetivos (em plena maturidade) ou incipientes (cadeias produtivas decadentes ou em estágio inicial). preços relativos dos tradeables. combate a enfermidades que causam prejuízos diretos e indiretos ao cluster. G. P. D. UFRB. inspirados nas proposições de Haddad (1999). Impactos de política monetária . garantia de preços. e isto depende prioritariamente das cadeias se identificarem como agriclusters potenciais (cadeia de produção agroindustrial). KEEBLE. por fim. 1.. estabilização da renda agrícola e a competitividade do agricluster regional. A report to the EEC on International Science and Techonology Activities. com base em Haddad (1999). KEEBLE. REFERÊNCIAS AMENDOA.o sistema tributário atual e suas influências sobre o desenvolvimento do agricluster regional. . um roteiro metodológico básico é apresentado a seguir: 1. PIANTA. Boston. ARCHIBUGI. É preciso considerar. programas institucionais de pesquisas. International patterns of technological accumalation and trade. 2. comportamento das taxas de juros e câmbio e o desempenho do setor. a política de crédito e de financiamento das atividades do agricluster regional. outros.173-197. (Eds. P. efeitos da política cambial sobre a competitividade do agricluster. D.O processo de equilíbrio fiscal e financeiro do setor público e sua relação com a política monetária vigente.

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MUDANÇA TECNOLÓGICA E EFICIÊNCIA NA AGROPECUÁRIA DO NORDESTE DO BRASIL NO PERÍODO 1975/1995 Carlos Augusto Pereira Filho & Warli Anjos de Souza Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 22 PRODUTIVIDADE.

Neste enfoque. translog.PRODUTIVIDADE. no que se refere ao comportamento da produtividade e da mudança técnica. 1.. Em geral. Considerando-se o nível de agregação dos dados utilizados nestas análises. tem se distanciado da fronteira de produção da agropecuária brasileira. E-mail: capfilho@ufrb. A produtividade parcial é definida pela razão produto/insumo (produtividade média) e mede a contribuição de um fator de produção particular para a eficiência técnica. ou seja. Cruz das Almas-BA. ignorando o efeito dos demais fatores. ao longo do tempo. de modo que as regiões que se situarem na fronteira são consideradas eficientes em relação às que se posicionam abaixo da fronteira. 2009 (2) 291 .Centro de Ciências Agrárias. a PTF é dada pela seguinte expressão: PTF = Y / X = Y / Saixi Onde ai é o peso do insumo xi. 1995. pouco se pode inferir sobre as mudanças intra-regionais na produtividade dos fatores e na tecnologia agropecuária. Warli Anjos de Souza1 1 Professor . distinguem-se os modelos determinísticos e as fronteiras estocásticas. Seja Y o produto e xi um insumo utilizado na produção. portanto. O presente trabalho enfoca as transformações ocorridas na agropecuária da região Nordeste do Brasil. de acordo com os métodos utilizados para estimar a função de produção. o qual permite decompor a produtividade total dos fatores nos seus componentes de eficiência técnica e mudança tecnológica. Utilizou-se uma abordagem não-paramétrica baseada no modelo DEA (Data Envelopment Analysis) para a construção dos índices de Malmquist.br. UFRB. 2001). a produtividade parcial do insumo xi (PPF) é dada pela seguinte expressão: PPF = Y / xi (1) Define-se a produtividade total dos fatores (PTF) como o produto médio de todos os fatores de produção os quais são expressos como um índice. METODOLOGIA O conceito de produtividade está relacionado a dois componentes: produtividade parcial dos fatores e produtividade total. Dias & Bacha.edu. parte-se da construção de uma fronteira tecnológica utilizando-se dados de produção e uso de fatores nas regiões brasileiras. 1998. Os estudos visando analisar a eficiência a partir de fronteiras de produção podem ser agrupados. CES. MUDANÇA TECNOLÓGICA E EFICIÊNCIA NA AGROPECUÁRIA DO NORDESTE DO BRASIL NO PERÍODO 1975/1995 Carlos Augusto Pereira Filho1. a região. 2001. Nos modelos estocásticos. fora do controle da unidade de decisão. v.edu. warli@ufrb. a região nordeste vem apresentando ineficiência na produtividade total dos fatores e deslocando regressivamente a fronteira tecnológica. nas últimas duas décadas. em duas abordagens: paramétrica e não-paramétrica. pressupõe-se que o termo de erro tem dois componentes: um ruído branco que representa os efeitos aleatórios sobre a produção e. Na abordagem paramétrica a função de fronteira é considerada uma função paramétrica dos insumos (CobbDouglas. e um componente assimétrico que mede a ineficiência técnica pela distância em que se situa em Tópicos em Ciências Agrárias. Sendo X o índice de todos os insumos. Ambientais e Biológicas/UFRB. Pereira et al. Na maioria destes estudos os resultados indicam que. Nos modelos determinísticos a eficiência técnica é dada pelo termo de erro e podem ser estimados por programação linear ou técnicas econométricas.br INTRODUÇÃO Vários trabalhos sobre a agricultura brasileira têm sido elaborados enfocando o crescimento da produtividade decorrente do ganho de eficiência técnica e do deslocamento da fronteira tecnológica (Ávila & Evenson. Gomes & Dias. etc).

Mesmo com a utilização de formas funcionais flexíveis. 1995). que permitem melhorar as propriedades de aproximação da verdadeira função. yt) estiver na fronteira tecnológica e a produção é tecnicamente eficiente. necessário para aumentar o produto yt de modo que yt/ q Î St (ou seja.. propuseram a decomposição do crescimento da produtividade em dois componentes mutuamente exclusivos: mudança relativa na eficiência técnica e deslocamento da fronteira de produção (mudança técnica) no decorrer do tempo. Färe et al. (1982) com base nas funções de distância desenvolvidas por Malmquist (1953). UFRB. Sendo St a fronteira de produção no período t (t = 1. qyt) Î St]}-1 onde o sub-índice o indica orientação produto. surgiu da necessidade de não se especificar uma forma funcional particular à função de produção.. para medir as contribuições do progresso tecnológico e da eficiência técnica ao crescimento da produtividade da agricultura do Nordeste do Brasil. yt/ q) Î St] = {sup[q: (xt. a recíproca da medida de eficiência técnica relativa de Farrell). yt+1). o que inviabilizaria a sua aplicação em casos em que o número de graus de liberdade é reduzido. (1994). De forma semelhante. t+1). sob a tecnologia no período t. v. A abordagem não-paramétrica. a transformação dos insumos (xt Î Rn+) em produtos (yt Î R ) é definida do seguinte modo: m + St = {(xt. Se Dot(xt. é definida como em (4). a eficiência é medida como a distância de cada firma em relação a uma fronteira de produção não-paramétrica. O índice de produtividade total dos fatores (FTP) é uma média geométrica de dois índices de produtividade de Malmquist calculados a partir de quatro funções de distância com orientação produto.. Para dois períodos diferentes (t. substituindose t por t+1. a partir do desenvolvimento de uma abordagem não-paramétrica (Data Envelopment Analysis) para o cálculo do índice de Malmquist.relação ao ótimo (fronteira) e que.T). podem ocorrer disparidades entre várias estimativas dependendo da forma funcional especificada. seja resultante de fatores comportamentais que estão sob o controle da unidade de decisão. construída como uma combinação convexa de insumos-produtos observados. yt) = 1 apenas se (xt. Neste estudo utilizou-se o índice generalizado de Malmquist. o índice de mudança da produtividade de Malmquist orientado para produto é dado por: 292 Tópicos em Ciências Agrárias. yt+1) = inf [q: (xt+1. a função de distância com orientação produto é definida da seguinte forma: Dot(xt+1. distinguem-se os modelos conhecidos na literatura como Data Envelopment Analysis (DEA) que utilizam dados de quantidade de insumos e produtos para obter a fronteira de produção. Uma segunda restrição aos modelos estocásticos está relacionada ao número de observações disponíveis para as variáveis. (1994). yt) = inf [q: (xt. Utilizando técnicas de programação linear. A função de distância com orientação produto no período t+1. Nesta abordagem. assume-se. resultando em erros de estimativa (Lambert & Shonkwiler.. (1994). O índice de produtividade de Malmquist foi proposto por Caves et al. desenvolvido por Färe et al. yt) < 1 a produção no período t está no interior da fronteira e não é tecnicamente eficiente. yt): xt pode produzir yt} Define-se a função de distância com orientação produto no período t como: Dot(xt. define-se Dot+1(xt. Dot(xt. Dot+1(xt+1. yt+1/ q) St] (5) A função (5) mede a máxima mudança proporcional no produto yt+1 dados os insumos xt+1. 1. De acordo com Färe et al. (3) (4) A função de distância é definida como a recíproca do máximo q. desenvolvida mais recentemente. yt) como a máxima mudança proporcional no produto yt em relação à tecnologia no período t+1. 2009 . A principal restrição ao emprego dos modelos paramétricos se deve à imposição de uma forma funcional explícita aos dados que podem não corresponder à verdadeira estrutura da tecnologia de produção. dado xt.

x t. y t ) = E ( x t +1 . Dot(xt+1. y ) (6) A expressão (6) pode ser decomposta em duas partes de modo que: t t t Do+1 ( x t +1 . y t =1 ...m k =1 K sujeito a: K t 1 t q k y k+m £ å ltk y k . isto implica na solução. y t ) = {[ t t Do ( x t +1 . x t . y ) Do ( x .m £ å ltk y k . pela razão entre os índices de eficiência técnica calculados sob RCE e RVE. y ) Do ( x . y t ) = (7) M 0 ( x t +1 ..M 0 ( x t +1 . yt+1).M produtos e n = 1. yt+1) e Dot+1(xt+1.n ål k =1 t k t t 1 x k . y t ) onde E(xt+1. Dot+1(xt. ltk ³ 0 ltk ³ 0 Os cálculos de Dot(xt+1. sob retornos constantes à escala (RCE). Fonte e descrição dos dados Os dados utilizados neste trabalho foram obtidos dos Censos Agropecuários de 1975. t = 1. 1. y k+1 )]-1 = max q k (9) sujeito a K t t q k y k . y t +1 ) Do ( x t . Isto é feito acrescentando-se aos problemas (8) e (9) a restrição Slk=1... xt. yt).n £ x k+n .. yt) é o índice de mudança tecnológica (inovação) entre os períodos t e t+1. yt+1.. terras em descanso e terra produtivas não utilizadas). y t +1 . y t +1 ) Do+1 ( x t +1 . yt+1. substituindo-se t por t+1. Para tanto. x t . y t ) Do ( x . O índice de eficiência de escala é dado. k =1 K ål k =1 t k t t x k .T períodos. 2009 293 .N insumos. yt) são similares a (8) e (9). então. yt) é o índice de mudança relativa na eficiência e T(xt+1. y t =1 ) Do ( x t +1 .n £ x k .m . Visando uma análise mais detalhada das causas de variação da produtividade.. 1985 e 1995/96. Comparando-se cada estado da região Nordeste com a fronteira tecnológica tem-se uma medida da eficiência em relação à fronteira e uma medida da mudança da fronteira (inovação ou tecnologia).. o índice de eficiência técnica pode ser decomposto em dois componentes: índice de eficiência técnica pura e índice de eficiência de escala. terra (área total exceto matas naturais. y ) M 0 ( x t +1. pressupondo-se retornos constantes à escala (RCE): t t t [ Do ( x k .. de quatro problemas de programação linear. UFRB.. x t .K estados. Definindo k = 1..T ( x t +1 . y t +1 . Utilizando a abordagem não-paramétrica. para cada estado k. y t +1 ) 1 ][ ]} 2 t t t t +1 t t Do ( x . respectivamente.. Neste estudo. As seguintes variáveis foram usadas: valor total da produção agropecuária (em Reais de 1994). y t =1. m = 1. xt. utilizou-se o modelo DEA para construir as fronteiras de produção para cada período e para cada tipo de tecnologia. mão-de-obra (pessoal ocupado total) e capital (número de tratores de 50 a menos de 100 cv) RESULTADOS E DISCUSSÃO Na Tabela 1 são apresentadas as funções de distância calculadas. x t . as seguintes funções de distância são calculadas. Tópicos em Ciências Agrárias.. yt)... y k )]-1 = max q k (8) t t t [ Do ( x k+1 . v. para a construção do índice de Malmquist. y t =1 . torna-se necessário estimar os índices de eficiência técnica sob retornos variáveis à escala (RVE). y t ). yt+1) e Dot+1(xt. o índice de produtividade de Malmquist entre os períodos t e t+1 é obtido a partir de quatro funções de distância: Dot(xt. y t ) 1 {[ t +1 t +1 t +1 ][ t +1 t t ]} 2 t Do ( x t . Para cada Estado.

697 0.y ) D (x .613 0. para os períodos de 1975/85 e 1985/95.750 0.000 1. 1985 e 1995.000 1.433 7.y ) 1.655 1. respectivamente.000 0.000 1.661 0. mudança tecnológica e mudança de escala são apresentados nas Tabelas 3 e 4. A perda de eficiência técnica no estado da Bahia.000 1.910 1.000 0. 294 Tópicos em Ciências Agrárias.y3) sob a condição de retornos variáveis à escala. considerando que não houve variações nos índices de eficiência técnica1. 1985 e 1995*.y ) D (x .771 0.000 1.923 D (x .547 1.775 1.713 1.969 Os sobre índices 1.y ) D (x . 1 1 1 rve 2 2 2 rve 3 3 3 rve Estado Maranhão Piauí Ceará R. a produtividade total dos fatores decresceu 1 Exceto para o estado de Sergipe que apresentou uma pequena perda de eficiência de escala.903 0.000 0.y ) D (x .562 0. Funções de distância calculadas.926 D (x . torna-se necessário o cálculo das funções de distância D1(x1.000 0. Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind.000 1. decorreu da ineficiente escala de operação.621 0. para os estados da região Nordeste do Brasil.418 0.000 0.084 1. respectivamente. Tabela 2. Alagoas e Sergipe apresentaram ganhos de produtividade total dos fatores os quais.522 0.523 0. UFRB.678 0.947 1. Médio (*) D (x . Pode-se observar que.000 0.y1).871 0.373 0.y ) 1.000 1.000 1.y ) D (x .000 1.772 1.482 0.557 1. Para se decompor os índices de eficiência técnica.963 0.000 1.Tabela 1.433 1.000 0.590 0. períodos de 1975.000 0.y ) D (x . Pernambuco.500 0. 2 e 3 indicam os anos de 1975. nos componentes eficiência técnica pura e eficiência de escala.830 0.000 0.197 0.366 0.460 0. a fronteira tecnológica foi determinada pelos estados do Maranhão. médio (*) D (x .531 2. Os três primeiros índices (colunas 2 a 4) da Tabela 1 permitem avaliar.000 0.y1) < 1] e a fronteira tecnológica foi determinada pelos estados do Maranhão.883 0.608 0. foram decorrentes de mudança tecnológica.y ) 1. Funções de distância calculadas sob retornos constantes à escala para os estados da região Nordeste do Brasil.G. 1985 e 1995 (*).000 0.G.744 0. a eficiência técnica de cada estado em relação à fronteira tecnológica regional.000 1.965 1. sob retornos constantes à escala. 1 1 1 2 2 2 3 3 3 1 2 2 2 1 1 2 3 3 3 2 2 Estado Maranhão Piauí Ceará R.000 1. 2 e 3 indicam os anos de 1975.341 0.000 1.000 0.009 3. No período 1975/85 (Tabela 3).536 0.645 1.691 1.346 0.416 0.021 0.493 0.417 0.157 2. Pernambuco e Alagoas. Estas funções são apresentadas na Tabela 2. como pode ser observado pela comparação dos índices de eficiência técnica calculados sobre RCE e RVE. respectivamente.174 0.000 0.y2) e D3(x3. 1. apenas os estados de Pernambuco. Os índices de Malmquist e sua decomposição em mudança de eficiência técnica. Nos demais períodos (1985 e 1995) o estado da Bahia apresentou ineficiência técnica [D1(x1.451 0.000 1. v. no ano de 1975.639 0.379 1.000 1.y ) 1. sob RCE.000 0.870 0. D2(x2.538 1. Para os demais estados.773 1. Alagoas e Bahia [D1(x1.564 1.892 1.875 1.y1) = 1].694 Os sobre-índices 1.915 0.246 0. períodos de 1975.320 1. Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind.618 1.000 1.225 0. 1985 e 1995. para cada ano considerado. 2009 .776 1.841 1.

225 1.996 1.929 0. com destaque para os estados do Maranhão e da Bahia que apresentaram taxas crescimento da ordem de 145.025 1. UFRB. decorrente de ganhos de escala.544 0.920 1. médio Tópicos em Ciências Agrárias.000 1. causada pela insuficiente escala de operação a qual foi compensada pela expansão da fronteira tecnológica.000 1. Tabela 4.326 1.104 1.000 1. período 1985/95. na fronteira tecnológica.031 Estado Maranhão Piauí Ceará R. 1. Neste período.056 1. como pode ser observado nas duas últimas colunas da Tabela 3.000 1.G.154 0.000 0.000 1. para os estado do Nordeste do Brasil. regressão da fronteira de produção ou de ambas.177 1. Os estados do Maranhão.963 0.000 1.330 1.223 1. para os estado do Nordeste do Brasil. 2009 295 .957 0. indicando que o ganho de produtividade no período deveu-se à expansão da fronteira técnica (23.934 Estado Maranhão Piauí Ceará R. Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind. na escala e na produtividade total dos fatores.188 1.223 1. b) que a eficiência técnica de cada Estado no período t+1 seja igual a 1 (ou seja.000 1.098 Índice de mudança na fronteira tecnológica 2.000 1.024 1.000 1.000 1.470 0.028 1.191 1.063 0.236 1. Para o primeiro período (1975/85) os resultados não indicam qualquer Estado que fosse responsável pelo deslocamento da fronteira técnica.000 0.908 0.000 1.453 0.561 1.831 Índice de mudança na eficiência técnica total 1.119 1. não se refletiu em ganhos na produtividade total dos fatores (PTF) já que ocorreu uma regressão da fronteira tecnológica.G. Buscando-se evidências de quais Estados podem estar deslocando a fronteira tecnológica. v.512 0.024 1.326 1. na fronteira tecnológica. Para o período 1985/95.512 0.927 Índice de mudança na fronteira tecnológica 0.236 1.360 Índice de mudança na eficiência técnica 1. da ordem de 15.802 0.799 1. Índice de mudança na PTF 0.678 0.047 0. no entanto.4%.326 1.000 1.964 0. os estados de Pernambuco e Alagoas destacam-se como deslocadores da fronteira tecnológica.000 1.3% e 75%. havendo deslocamento da fronteira. na escala e na produtividade total dos fatores. na fronteira tecnológica e na produtividade total dos fatores foram todos maiores do que 1.000 1.757 1.8%).000 1.000 1.065 Índice de mudança na eficiência de escala 1.000 1. O estado do Rio Grande do Norte foi o único estado que apresentou perda de eficiência técnica. médio No período 1985/95 (Tabela 4).774 0.000 1.000 0.212 1.207 1.188 1.251 0.431 1.392 1.933 0.986 0.543 0. Índices de mudanças relativas na eficiência técnica.083 1. Este ganhos de eficiência técnica.957 0. dadas as condições supra mencionadas.185 1. evidencia progresso técnico). respectivamente.239 Índice de mudança na eficiência técnica pura 1. Tabela 3.993 Índice de mudança na eficiência de escala 1.453 1.104 1. c) que o produto da região em t+1 seja maior do que o máximo obtido no período t.000 1. utilizando-se os insumos do período t+1 (o produto potencial em t+1 maior que o máximo produto em t. os Estados que o fazem devem estar situadas sobre ela).000 0. Índice de mudança na PTF 2.897 Índice de mudança na eficiência técnica pura 1. Pernambuco e Alagoas apresentaram ganhos na produtividade total dos fatores decorrentes exclusivamente de expansão da fronteira de produção já que os índices de mudança na eficiência técnica foram iguais a 1.220 1. período 1975/85.283 1.978 1. Os índices médios regionais de mudança na eficiência técnica.094 0.794 0.392 1. Índices de mudanças relativas na eficiência técnica.750 1.841 1. apenas o estado do Piauí apresentou ganhos de eficiência técnica. todos os estados nordestino apresentaram crescimento da produtividade total dos fatores.000 1.678 0.devido à perda de eficiência técnica.154 0.9%) e à mudança na eficiência técnica (9.855 1. é preciso que três condições se verifiquem: a) que o índice de mudança tecnológica entre o período t e t+1 seja maior do que 1 (evidência de mudança tecnológica).816 1. Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind.

dentre outros fatores. Z. entre outros. S. v. 2001. PARRÉ. R. R. p.. v. ALVES. PEREIRA. F. Anais. v. T. S. LAMBERT. Brasília: SOBER. p. Os resultados obtidos neste estudo devem ser observados com parcimônia pois alguns aspectos podem estar contribuindo para os índices calculados como erros na medição das variáveis. GOMES. p. FÄRE. MALMQUIST. J. S. J. 2009 . a política de crédito vigente no período.... dentre outras. Medidas de produtividade na agropecuária brasileira: 1985-1995. and efficiency change in industrialized countries. 3.F. conforme assinalam Gomes & Dias (2001). CD-ROM 2001.578-90.. no período 1975/85. 33.. American Economic Review.209-242. L. T. UFRB. p. GROSSKOPF.. technical progress. CHRISTENSEN. p-631-657. O comportamento da agropecuária brasileira no período de 1987 a 1996. 2001. Brasília: SOBER. 50. v. embora seja possível estabelecer algumas relações com a política agrícola vigente no período.J. os índices de eficiência calculados possivelmente estejam subestimados.. 1. fatores não controlados pelos produtores como clima e preços agrícolas. 1998. v. 1982.C. EVENSON. 1953. 36. CAVES. 35-59. por perda de eficiência técnica e deslocamento regressivo da fronteira tecnológica.. REFERÊNCIAS ÁVILA.D. A. 1995. 37. DIAS. considerando-se que existe uma defasagem entre investimentos e produção e que. o valor da produção é função dos investimentos realizados no mesmo período. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL.. A.. Anais. como a melhoria das relações de preços agropecuário/industrial e recebidos/pagos pelo setor agropecuário. E. v. J. contudo. DIEWERT. Revista Brasileira de Economia e Sociologia Rural.. Brasília: SOBER. A. K. E. The economic theory of index numbers and the measurement of input. S. SILVEIRA. D. P. S. Produtividade e progresso tecnológico na agricultura brasileira. Mensuração da eficiência técnica na agropecuária brasileira através da estimação econométrica de fronteiras de produção. 4. Econometrica. Contudo. sejam. favoreceu a elevação dos investimentos no setor agropecuário. L. C. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL. output. 66-83.. podem ter contribuído para o desempenho da agricultura nordestina neste período. houve um declínio na produtividade do setor agropecuário da região Nordeste do Brasil determinado. J. p. reflexos dos investimentos realizados no primeiro período.. F. 1995. Recife. 1. D. 1. and productivity. 296 Tópicos em Ciências Agrárias. DIAS. ZHANG. American Journal of Agricultural Economics. É provável que os resultados referentes ao segundo período analisado (1985/95). SHONKWILER. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL. p.. v. NORRIS. C. 1998.. 1995. por força do modelo utilizado. R. Recife. ROCHA. Anais. Factor bias stochastic technical change. Curitiba. M. BACHA. 1994. não permitem conclusões sobre os determinantes deste comportamento. M.. R. n. 84.CONCLUSÕES Os resultados obtidos permitem inferir que.. M. 1393-1414. Pode-se argumentar que. Estes resultados. 4-11. BACHA. Productivity growth. n. Total factor productivity growth in the brazilian agriculture and the role of agricultural research. Outros fatores. S. Trabajos de Estatistica. Economia & Tecnologia. assinalados por Bacha & Rocha (1998). CD-ROM 2001. Index numbers and indifference curves.. C. principalmente.

ISBN 978-85-61346-04-1 .

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