Organizadores Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Ana Cristina Vello Loyola Dantas Francisco Adriano de Carvalho Pereira Ana

Cristina Fermino Soares José Fernandes Melo Filho Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira

Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Ana Cristina Vello Loyola Dantas Francisco Adriano de Carvalho Pereira Ana Cristina Fermino Soares José Fernandes Melo Filho Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira (Organizadores)

TÓPICOS EM CIÊNCIAS AGRÁRIAS

VOLUME I

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS, AMBIENTAIS E BIOLÓGICAS

CRUZ DAS ALMAS - BAHIA 2009

Copyright 2009

CAPA Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Gráfica e Editora Nova Civilização Ltda.

FOTOS DA CAPA Ana Cristina Vello Loyola Dantas

REVISÃO Ana Cristina Vello Loyola Dantas Sidiney Ferreira Sardinha

DIAGRAMAÇÃO Gráfica e Editora Nova Civilização Ltda.

Ficha Catalográfica preparada pela Seção de Catalogação da Biblioteca da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia T674 Tópicos em Ciências Agrárias / Carlos Alfredo Lopes de Carvalho... [et al.], organizadores. – Cruz das Almas, BA: Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas, 2009. 296p. : v. 1. :il. ISBN 978-85-61346-04-1 1. Ciência animal. I. Carvalho, Carlos Alfredo Lopes de, II. Dantas, Ana Cristina Vello Loyola, III. Pereira, Francisco Adriano de Carvalho, IV. Soares, Ana Cristina Fermino, V. Melo Filho, José Fernandes, VI. Oliveira, Gabriel Jorge Carneiro de. CDD 631 Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias - UFRB Tele/Fax: (75) 3621.3120 E-mail: pgagrarias@ufrb.edu.br Home Page: www.ufrb.edu.br/pgcienciasagrarias

O conteúdo dos Capítulos é de inteira responsabilidade dos autores

É permitida a reprodução parcial ou total desta publicação desde que devidamente citada a fonte.

ORGANIZADORES

Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Doutor em Ciências - Entomologia Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Ana Cristina Vello Loyola Dantas Doutor em Agronomia - Genética e Melhoramento de Plantas Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Francisco Adriano de Carvalho Pereira Doutor em Irrigação e Drenagem Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Ana Cristina Fermino Soares Doutor em Produção Vegetal Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia José Fernandes de Melo Filho Doutor em Agronomia - Solos e Nutrição de Plantas Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira Doutor em Zootecnia Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

APRESENTAÇÃO

A grande área das Ciências Agrárias representa parte significante do conhecimento gerado no Brasil com retorno importante para a sociedade, uma vez que técnicas de manejo de culturas, melhoramento animal e vegetal, conservação dos solos, sistemas de irrigação, entre outros, se traduzem em maior produtividade com reflexo direto na produção de alimento. Dada a sua especificidade, notadamente em países com as características do Brasil, a pesquisa agropecuária tem sido ferramenta importante na busca de respostas aos desafios promovidos pela necessidade de aumento da produtividade agropastoril associada com a sustentabilidade ambiental e responsabilidade social. Neste contexto, além das questões inerentes à própria pesquisa, a formação de recursos humanos altamente qualificados tem sido um desafio ainda maior para atender as demandas complexas dos agrosistemas. É neste cenário desafiador que o Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, cuja primeira turma de Mestrado foi iniciada em 1979 e a de Doutorado em 2006, tem contribuído, tanto na formação de recursos humanos qualificados, como na geração de conhecimento técnico-científico. Com mais de 350 dissertações de Mestrado e duas teses de Doutorado defendidas, o Programa da UFRB possui egressos em várias instituições no Brasil e em outros países, desenvolvendo pesquisas importantes na solução dos problemas enfrentados pela agropecuária. Motivados com a importante e necessária divulgação dos resultados obtidos pelos Grupos de Pesquisa que contribuíram ou contribuem na consolidação do lastro de sustentação do Programa ao longo desses anos, docentes pesquisadores e seus orientados reuniram resultados de trabalhos e revisão bibliográfica, lançando o primeiro volume com diferentes temas sobre as Ciências Agrárias. A obra é mais uma contribuição do Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias da UFRB e é composta por diversos tópicos da área de Ciências Agrárias, cujos temas estão distribuídos em Capítulos, de forma que o leitor pode ter acesso, tanto às informações específicas, como a questões mais gerais ao longo dos textos. Neste sentido, ela se constituirá em uma importante fonte de consulta bibliográfica para discentes e docentes pesquisadores, tanto nos trabalhos de formação, como nos projetos de pesquisa.

Paulo Gabriel Soledade Nacif Reitor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

... Simone Alves Silva & Ana Cristina Vello Loyola Dantas CAPÍTULO 2 Caracterização de genótipos de fruteiras potenciais para o nordeste brasileiro .................................................................................................................................. Weliton Antônio Bastos de Almeida.................................................. Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa................................. Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa.....55 Getúlio Augusto Pinto da Cunha CAPÍTULO 6 Produtividade vegetal: principais fatores....................... Ana Cristina Vello Loyola Dantas..................25 Ana Cristina Vello Loyola Dantas......................... Clóvis Pereira Peixoto.....................................................................01 Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa....119 Oton Meira Marques................ Fernanda Vidigal Duarte Souza..................................CONTEÚDO CAPÍTULO 1 Conservação de fruteiras potenciais para o nordeste brasileiro ........................... Milene da Silva Castellen..105 Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio...............................................................77 Elvis Lima Vieira CAPÍTULO 7 Ecofisiologia e floração da mangueira e crescimento do fruto de manga..............................91 Manoel Teixeira de Castro Neto & Anna Christina Passos Menezes CAPÍTULO 8 Viabilidade e vigor de sementes de milho híbrido precoce ......37 Clóvis Pereira Peixoto & Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto CAPÍTULO 5 Fisiologia da floração do abacaxizeiro......... Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio CAPÍTULO 9 Análises faunísticas em estudos entomológicos............................ Claudia Fortes Ferreira & Antonio Augusto Oliveira Fonseca CAPÍTULO 3 Propagação de fruteiras potenciais para o nordeste brasileiro................................................ Carlos Alfredo Lopes de Carvalho & Gilberto Marcos de Mendonça Santos CAPÍTULO 10 Interface da entomologia aplicada na fruticultura tropical ......................... Simone Alves Silva & Janay Almeida dos SantosSerejo CAPÍTULO 4 Dinâmica do crescimento vegetal: princípios básicos................................. José Vieira Uzeda Luna..........................................................................133 Antônio Souza do Nascimento & Tuffi Cerqueira Habibe ......................................................................15 Simone Alves Silva...............

................................257 Leandro Portz CAPÍTULO 20 Alimentação de caprinos leiteiros....................................................................245 Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira CAPÍTULO 19 Carboidratos na nutrição de peixes ................. mudança tecnológica e eficiência na agropecuária do nordeste do Brasil no período 1975/1995.....................197 José Fernandes de Melo Filho & Paulo Leonel Libardi CAPÍTULO 16 Evapotranspiração ..................219 Francisco Adriano de Carvalho Pereira................... Aureo Silva de Oliveira...................... Cláudia Melo da Paixão & Robélia Tosta Dias Amorim CAPÍTULO 12 Impacto de herbicidas em processos microbiológicos do solo e qualidade fisiológica de sementes em Latossolo Amarelo coeso do Recôncavo Baiano ....................................................233 Benedito Marques da Costa................................. Rozilda Vieira Oliveira Sacramento & Robson Rui Cotrim Duete CAPÍTULO 15 Variabilidade espacial da condutividade hidráulica do solo: conceitos e bases para avaliação..... Clóvis Pereira Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio CAPÍTULO 13 Evolução...... Raul Lomanto Neto...............................269 Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira....................................................................................277 Warli Anjos de Souza CAPÍTULO 22 Produtividade....................................... a qualidade do leite e da carne e a produção de alimentos funcionais.................... Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Benedito Marques da Costa CAPÍTULO 21 Desenvolvimento regional e a competitividade do agronegócio: estudos de cluster................................................................................................................. Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio.................................171 Anacleto Ranulfo dos Santos................. Vital Pedro da Silva Paz & Greice Ximena Santos Oliveira CAPÍTULO 17 Mistura mineral para bovinos em regime de pasto ............................................................ adubação e diagnose nutricional de pastagens no Recôncavo da Bahia ............................................ Adailde do Carmo Santos & Leandro Gonçalves dos Santos CAPÍTULO 14 Desordens nutricionais em pomares cítricos no Recôncavo Baiano ...........147 Antônio Alberto Rocha Oliveira........................................CAPÍTULO 11 Interação entre fungos micorrízicos arbusculares e patógenos radiculares de citros ........................................................................................................................................289 Carlos Augusto Pereira Filho & Warli Anjos de Souza ................ Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira & Maria do Carmo Martins Marques da Costa CAPÍTULO 18 Efeitos da adição de gordura suplementar à ração de bovinos sobre o metabolismo da glândula mamária......159 Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto..........183 Washington Luiz Cotrim Duete...........

CAPÍTULO 1 CONSERVAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa. Fernanda Vidigal Duarte Souza. Simone Alves Silva & Ana Cristina Vello Loyola Dantas Tópicos em Ciências Agrárias . Weliton Antônio Bastos de Almeida. Milene da Silva Castellen. José Vieira Uzeda Luna.

E-mail: fernanda@cnpmf. incluindo possibilidades de conservação in situ e ex situ. mas principalmente. Um aspecto normalmente negligenciado por muitos curadores de Bancos de Germoplasma.CONSERVAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa1. Pesquisador .. de um programa de conservação e manutenção desses recursos genéticos.embrapa. para conservá-la. coleções em campo. como sistemas reprodutivo e de cruzamento. A evolução econômica e a demanda dos mercados reforçam hoje o interesse dos países latino-americanos para as frutas em geral e as frutas nativas ou exóticas em particular.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. A exploração racional de espécies de importância econômica ou de potencial utilização. 1998). diante de mudanças ambientais ou aparecimento de novas pragas e doenças. um dos mais importantes centros de diversidade genética de muitas espécies frutíferas tropicais. de grande importância para a dieta alimentar. como o país mais rico do mundo em recursos biológicos. até condições financeiras da Empresa. 1993. 1. perfeitamente adaptadas e com potencial para a conquista do mercado interno. como coleções-base e/ou ativas de sementes. uma caracterização morfológica ainda bastante incipiente. Adicionalmente. no entanto. são evidentes na formação de coleções de germoplasma dessas fruteiras. Cruz das Almas-BA. Fernanda Vidigal Duarte Souza2. sendo o Brasil. Weliton Antônio Bastos de Almeida1. seria a estratégia mais segura para resguardar esse recurso. Essas frutas apresentam sabores sui generis e elevados teores de açúcares. Ana Cristina Vello Loyola Dantas1 1 2 Professor . são as maiores dificuldades encontradas nos estabelecimentos desses bancos de germoplasma. Com o avanço da erosão genética.br Pesquisador . e passa impreterivelmente. no mundo. É preciso considerar que a perda da variabilidade genética supõe uma grande limitação na capacidade de se corresponder a novas necessidades e um incremento da vulnerabilidade dos cultivos dessas fruteiras. e mesmo. Conceição do Almeida-BA. porte da planta. Milene da Silva Castellen2. sorvetes e geléias entre outras delícias culinárias (Avidos et al. para a exportação e para a diversificação agrícola da região (Giacometti & Goes. Dessa forma. Simone Alves Silva1. Estação de Fruticultura Tropical. abrangendo a conservação de variedades silvestres. a necessidade de se optar por coleções completas do tipo específico. O Brasil. v. o pouco conhecimento que se tem sobre variedades e genótipos de algumas dessas espécies. variedades de uso tradicional e as variedades melhoradas. vitaminas e sais minerais. que vão desde aspectos botânicos. necessitando de estratégias próprias. voltadas para a alimentação. 2009 03 . pela conservação e caracterização do germoplasma disponível. não apenas para explorá-la de modo sustentável. tem grande responsabilidade sobre essa riqueza. podem ser consumidas in natura ou na forma de sucos. causada pela destruição dos ecossistemas e pela domesticação dos cultivos pelo homem. nativas e exóticas. UFRB. tem sido o objetivo de programas de melhoramento genético em todo país. José Vieira Uzeda Luna3. principalmente em relação a espécies de importância econômica atual e potencial. D’Eeckenbrugge et al. No Nordeste brasileiro é possível encontrar uma grande variabilidade genética das mais diversas fruteiras. é a destruição devastadora que está ocorrendo nas áreas de ocorrência natural dessas espécies.edu.br 3 INTRODUÇÃO O uso sustentável e continuado da diversidade genética disponível para o cultivo e consumo de espécies vegetais utilizadas na alimentação é de suma importância para o bem estar das gerações atuais e futuras. e que deve ser considerado no caso da conservação do germoplasma dessas fruteiras em especial. Dentre os recursos genéticos vegetais voltados para a alimentação e agricultura. Ambientais e Biológicas/UFRB. a conservação do pool gênico dessas espécies tornou-se prioridade em programas agrícolas de muitos países. uma demanda relevante. O porte alto. proteínas. as fruteiras destacam-se pela grande diversidade e potencial que apresentam.Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA). Algumas limitações. A caracterização e manutenção de recursos genéticos são hoje. o longo período de juvenilidade. Cruz das Almas-BA. licores.. A escolha da estratégia de conservação mais adequada para cada espécie é dependente de uma gama de fatores. 2000).Centro de Ciências Agrárias. coleções nucleares e bancos de germoplasma in vitro. Tópicos em Ciências Agrárias. A exploração racional e o uso sustentável desse germoplasma dependem inicialmente. Órgão ou Centro de Estudos que ficará responsável pelo estabelecimento e manutenção da coleção. E-mail: mapcosta@ufrb.

o BAG de Fruteiras Nativas e Exóticas possibilitou ainda. Ceará. com 30 espécies e 157 acessos (Tabela 2) coletados nas diversas regiões do País. tendo em vista as condições ecológicas propícias ao desenvolvimento. No Banco de Germoplasma de Fruteiras Nativas e Exóticas. tanto de espécies nativas. No caso dos bancos de germoplasma de fruteiras nativas do Brasil. e que de maneira geral utilizam-se três plantas para cada acesso. champeden Spreng. Os acessos são caracterizados e avaliados tomando-se por base os descritores do IBPGR (1980). oriundos de várias partes do mundo e introduzidos pelo CENARGEN (Tabela 1). em Itabuna. visto a restrita variabilidade existente nas coleções brasileiras. para a produção de polpa congelada. encontra-se igualmente. a partir de populações de plantas obtidas por meio de sementes. Sergipe. o alto custo de implantação. necessitando ampliação por meio de novas coletas nos locais de origem (Ferreira. podem ser destacadas. No tocante à cultura da graviola. Ambientais e Biológicas da UFRB.) Merr. sendo que. esta coleção foi iniciada em 1996. as mais solicitadas são: mamão. Recife e Paraíba. Considerado como um dos mais importantes da América Latina. a necessidade de recursos humanos treinados. 2001). (2002). Em relação à carambola e ao rambutão foram identificadas quatro matrizes com características horticulturais superiores. UFRB. Dentre as diferentes espécies mantidas. o Centro de Ciências Agrárias. assim como os riscos de perdas pela ocorrência de catástrofes de ordem biótica. acerola e maracujá. quanto de espécies exóticas bem adaptadas às condições edafo-climáticas da região. características fisiológicas e fenologia. Além das extensas áreas. Estas informações são importantes para a descrição e caracterização de genótipos. goiaba. graviola. A conservação de espécies de Persea é de extrema importância atualmente. Considerando-se que a grande maioria dessas frutíferas é arbórea. No Nordeste Brasileiro os bancos e coleções de germoplasmas de fruteiras estão distribuídos nos Estados da Bahia. introduções procedentes da Colômbia possibilitaram a identificação e recomendação de materiais de alta qualidade. abiótica e antrópica (Valois et al. a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. localizado na EBDA estão catalogados mais de 364 acessos de 60 espécies de clima tropical. 1. um acesso de jenipapo sem sementes. produção. a recomendação de cultivares de abacate e goiaba para o plantio nas condições do Recôncavo Baiano. utilizadas principalmente no Sul da Bahia. introduzido através da técnica de produção de mudas por garfagem em fenda cheia. Nessa mesma coleção. 1999). praticamente toda a conservação é realizada na forma de coleções de campo. constituindo mais uma alternativa de renda para o produtor. No Estado da Bahia. Nos últimos 10 anos. com índice de pegamento de quase 100%. (A. Essas espécies estão sendo multiplicadas na EBDA e difundidas em pequena escala no Sul da Bahia. Segundo Carvalho et al. Pernambuco. em Cruz das Almas-BA. As plantas estão mantidas em campo e dispostas em número variável de três a dez plantas por acesso. Outras fruteiras introduzidas recentemente nesse BAG foram o champedaque (Artocarpus integer (Thumb. Muitas espécies apresentam grande escassez ou mesmo ausência de dados relativos à sua morfologia. da família Moraceae e oriunda da Malásia. em Cruz das Almas e o Centro de Pesquisa da Lavoura Cacaueira (CEPLAC). foram distribuídas cerca de 85 mil mudas de fruteiras tropicais nativas exóticas. Ambientais e Biológicas da UFRB. também originário da Malásia e o canistel (Pouteria campechiana Baehni) da família Sapotaceae e originária da América Central. cada planta ocupa uma área em torno de 40 m2. através da incorporação de novas cultivares ao processo produtivo. o durião (Durio zibethinus Murray). possibilitando a incorporação de muitas espécies aos sistemas produtivos comerciais. contribuindo para o aumento da renda de produtores.Bancos de Germoplasma da Região Nordeste O Nordeste Brasileiro apresenta diversidade genética considerável. v. Outra importante coleção de fruteiras tropicais do Estado da Bahia encontra-se no Centro de Ciências Agrárias. Vale ressaltar que nesse BAG encontra-se a única coleção de abacate da Região Nordeste com 33 acessos. da família Bombacaceae. com as modificações necessárias.. com introdução das 04 Tópicos em Ciências Agrárias. Dentre essas. 2009 . outras limitações em relação à conservação de germoplasma dessas fruteiras em campo. condução e manutenção das coleções. Alagoas. Esses acessos encontram-se em fase de caracterização e avaliação com base nas características morfológicas e agronômicas. O mamão teve o maior número de acessos intercambiados. a área ocupada por esses bancos é extensa e de difícil manejo. Esse BAG vem sendo utilizado como suporte aos trabalhos de seleção de matrizes e como apoio básico às atividades de produção de mudas. como as cultivares Lisa e Morada. beneficiando quarenta e cinco Instituições e inúmeros produtores de praticamente todos os Estados do Brasil.). recebendo os tratos culturais e fitossanitários de acordo com as exigências de cada espécie. as principais Instituições responsáveis pela conservação de fruteiras são a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA) em Conceição do Almeida. ressaltando-se a distribuição de materiais de propagação para diferentes Instituições.

Além do melhoramento dos porta-enxertos. Eremocitrus e Severinia. resistentes à morte súbita dos citros. No panorama atual. 2005b). dos quais 60% já estão caracterizados morfologicamente utilizando-se os descritores já estabelecidos para a cultura. Outro Banco que a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical mantém desde 1997. em um levantamento no Estado da Bahia. em sua maioria. como é o caso do Poncirus. Esse germoplasma vem sendo caracterizado utilizando-se os descritores morfológicos estabelecidos para a cultura do abacaxi.. Fortunella. mamão e manga. assumindo um lugar de destaque na floricultura nacional. Salustiana. e a última um híbrido tipo tangerina. foram lançadas as variedades Pineapple.. cor. como é o caso dos Tabuleiros Costeiros. O BAG Banana possui 400 acessos.. ‘Cablocla’ e ‘Rubra’. sendo três delas consideradas endêmicas do Estado e prioritárias para conservação. A região Nordeste possui diversas espécies do gênero Passiflora.. as três primeiras são laranjas doces (C. indicado para consumo de mesa.primeiras mudas. O BAG Citros possui cerca de 700 acessos. a resistência encontrada em materiais diplóides conservados possibilitou o desenvolvimento de novos híbridos resistentes. entre nativas e exóticas. que visa a obtenção de genótipos com características interessantes para o cultivo dos citros. Outro aspecto que vem sendo explorado nesse banco é o potencial ornamental encerrado em muitos de seus acessos (Souza et al. de grande interesse ecológico e com potencial econômico. 2004). é o BAG Maracujá. a partir de coletas realizadas na região do Recôncavo Baiano. Novos acessos de mangaba e jenipapo estão sendo introduzidos. das quais apenas 15 encontram-se conservadas em Bancos de Germoplasma. tamanho e firmeza do fruto. 2000. citros. Ambientais e Biológicas da UFRB. cita 29 espécies do gênero. que deverão substituir as variedades suscetíveis. Merrill) foi iniciado no início dos anos 80 e reúne um total de 743 acessos no campo. Esses Bancos foram estabelecidos para servirem de suporte aos programas de melhoramento genético da Unidade e encontram-se parcialmente caracterizados. a semelhança dos outros existentes nessa Unidade da Embrapa. nas regiões de ocorrência (Iramaia. v. Foram detectadas fontes de resistência às principais doenças da cultura. Ouriçangas e Nova Soure) (Cruz. Valência Tuxpan e Page. Estima-se que a maior parte da variabilidade genética intra e interespecífica do abacaxi esteja aí representada (Cabral et al. tendo como propósito subsidiar o programa de melhoramento genético da espécie implantado no Centro de Ciências Agrárias. O BAG Passiflora conta atualmente com 44 acessos. compreendendo diversas espécies e variedades de Citrus e gêneros afins. Caracterizações moleculares de pelo menos 60 diplóides foram realizadas por meio de marcadores do tipo RAPD e microssatélites (Paz et al. com características agronômicas muito interessantes e resistente à fusariose. foi lançado um híbrido. 1999) para a identificação de abacaxis ornamentais. plantas de porte baixo e outras características de interesse para o melhoramento da cultura. No caso específico da mangabeira avaliações preliminares demonstraram reduzida variabilidade genética entre as populações e presença de variabilidade dentro da população.CTV (citrus tristeza virus). O Banco de Acerola conta hoje com 150 acessos de Malpighia glabra e um acesso de Malpighia coccigera. maracujá. a maior parte dos acessos do gênero Passiflora conservados refere-se à espécie Passiflora edulis (maracujá roxo) e à forma flavicarpa (maracujá amarelo). sinensis). 40% desse banco já está caracterizado morfologicamente. banana. Castellen et al. Nunes (2002). 2005). características desejáveis para o programa de melhoramento genético da cultura. tamanhos de frutos e coroas e diferentes arquiteturas a serem exploradas (Cunha e Cabral. as variedades-copa têm sido selecionadas com vistas à sua utilização em ecossistemas característicos. Creste et al. como é o caso do abacaxi. porta-enxertos tolerantes à seca e ao alumínio. e alguns híbridos estão em fase de avaliação. 2009 05 . Microcitrus.. Chapada Diamantina. o que possibilitou a identificação de acessos com resistência à fusariose. 1. do gênero Ananas e outras bromeliáceas. uma das mais sérias doenças da bananeira causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis. é a base para o programa de melhoramento genético. O BAG Abacaxi (Ananas comosus L. plantas com ausência de espinhos e frutos com altos teores de sólidos solúveis. Os descritores mais utilizados referem-se ao porte da planta. litoral e caatinga da Bahia. acerola. que vem gradativamente. Esse banco de germoplasma. como resultado desse programa. passíveis de serem processadas pela indústria e também serem consumidas in natura. Atualmente. que vêm sendo caracterizados morfologicamente a partir de uma lista de descritores multiculturais. Tópicos em Ciências Agrárias. A variabilidade existente no BAG agrega uma extensa fonte de cores. formas. Esse material vem sendo caracterizado quanto a morfologia e características físico-químicas do fruto. o abacaxi `Imperial´. Desse BAG. sendo uma das maiores coleções de germoplasma de abacaxi do mundo. encontram-se. visando a identificação de genótipos de interesse e molecular para análise de polimorfismo entre os genótipos. com o alastramento da Sigatoka negra. Recentemente. 1998). Na Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical estão estabelecidos Bancos Ativos de Germoplasma (BAG) de diversas fruteiras. UFRB. conservados em condições de campo. que estão sendo caracterizados utilizando-se descritores morfológicos pré-estabelecidos para a cultura. (no prelo) citam 35 espécies do gênero distribuídas pela região dos Tabuleiros Costeiros. Atualmente. à gomose de Phytophthora e ao complexo do vírus da tristeza dos citros . Dentre as características desejadas. já foram identificadas e lançadas duas variedades para mesa. cor da polpa. e a cada ano a coleção vem sendo ampliada com a introdução de novos acessos. Recentemente. coloração da pétala.

Garcinia mangostana L. Canarium ovatum Engl. Annona muricata L.Tabela 1. Phoenyx daclylifera L. Compomonesia spp. Averrhoa carambola L. Syzzygium malacoense L.B. Blighia sapida Koenig Flacourtia indica Merr. Spondia púrpura L. Cocuns nucifera L. Eugenia uniflora L. Merr & Perry Syzzygium jambos L. Eugenia stipitata McVangh Annona glabra L. Terminalia kaernbachi Warb. v. Pouteria caimito Radlk Mammea americana L. Spondia dulcis Forst. & Iex. (Mc Vaugh) Pouteria champechiana Baehni Diospyrus kaki L. Artocarpus odoratissimus Blanco Eriobotrya japonica Lindl. Relação das espécies existentes no BAG de Fruteiras Nativas Exóticas da Empresa Baiana de Pesquisa Agropecuária (EBDA). 2009 . Eugenia tomentosa Gamb. Myrciaria cauliflora Ber. Genipa americana L. Eugenia luschnathiama Klotz Talisia escul enta Radlk Bactris gasipae Kunth Nephelium lappaceum L. Pourouma cecropiaefolia Mart. Phyllantus acidus L. Psiduum guajava L. Alston Syzzygium cumini L. Artocarpus heterophylus Lam. Myciaria dúbia H. Munilkara zapota L. Conceição do Almeida . Annona squamosa L. Chysophylum cainito L.K. Punica granatium L.C. Durio zibethinus Murray Garcinia sp.C. Anacardium occidentale L. Artocarpus interger (Thumb. Psidium spp. Tamarindus indica L.) Merr. Anonna cherimola Mill x Annona squamosa L.) Skeels Spondia tuberosa Arruda FAMÍLIA Lauraceae Sapotaceae Clusiaceae Sapotaceae Malpighiaceae Sapindaceae Flacourtiaceae Myrtaceae Myrtaceae Annonaceae Annonaceae Averrheaceae Myrtaceae Malpighiaceae Sapindaceae Anacardiaceae Anacardiaceae Anacardiaceae Myrtaceae Sapotaceae Ebenaceae Averrhoaceae Moraceae Anacardiaceae Arecaceae Bombacaceae Clusiaceae Myrtaceae Annonaceae Euphorbiaceae Myrtaceae Myrtaceae Myrtaceae Moraceae Myrtaceae Myrtaceae Myrtaceae Rubiaceae Anacardiaceae Sapindaceae Sapindaceae Ebenaceae Proteaceae Anarcadiaceae Clusiaceae Cecropiaceae Moraceae Rosaceae Combretaceae Burseraceae Annonaceae Myrtaceae Sapindaceae Sapindaceae Arecaceae Sapindaceae Punicaceae Rutaceae Sapotaceae Sapotaceae Aracaceae Cesalpinaceae Rutaceae Anacardiaceae N° ACESSOS 33 02 01 01 04 01 01 04 01 01 01 01 01 01 02 02 01 05 01 02 03 45 42 01 02 02 01 31 12 01 01 02 03 01 02 01 01 03 01 01 01 01 11 50 01 01 01 01 01 01 05 05 01 01 02 45 02 01 01 04 01 02 01 02 06 Tópicos em Ciências Agrárias. Averhoa bilimbi L. Mimusops elengi Malpighia emarginata D. 1. Casimiroa edulis Llav. Bouea macrophyla Litchi chinensis Sonn Dimocarpus longon (Lour. Clausenta lansium (Lour.BA. UFRB. Spondia lútea L. 2005.) Steud Diospyrus discolor Willd Macadamia intergrifolia Maiden & Betch Mangifera indica L. Pouteria viridi Pitt. NOME VULGAR Abacate Abiu Abricó Abricó-da-praia Acerola Akee Ameixa-de-madagascar Araçá Araçá-boi Araticum do Brejo Atemóia Bilimbi Cabeludinha Cafezinho Cainito Cajá Cajarana Caju Camu-camu Canistel Caqui Carambola Champedaque Ciriguela Coco Durião Falso mangostão Goiaba Graviola Groselha Grumixama Guabiraba Jabuticaba Jaca Jambo vermelho Jambo rosa Jambolão Jenipapo Kundang Lichia Longon Mabolo Macadâmia Manga Mangostão Mapati Marang Nêspera Noz okari Noz pili Pinha Pitanga Pitomba Pitomba do Norte Pupunha Rambutão Romã Sapota branca Sapota verde Sapoti Tâmata Tamarindo Uampi Umbu NOME CIENTÍFICO Persea americana Mill. Bunchosia armeniaca AD. Eugenia brasiliensis Lam.

Atualmente o BAG Manga. atende ao fornecimento de material vegetativo e embriônico e a pesquisas para obtenção de híbridos com potencial para a indústria de sucos e para o consumo ao natural. Desse conjunto. Réplicas desses acessos têm sido mantidos no BAG da Embrapa Semi-Árido. a sintetização e avaliação de cinco linhagens. 1. dentro de famílias. embora a mangueira seja a quinta mais importante espécie frutífera do mundo.BA. O BAG Manga da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical conta com 115 acessos de Mangifera indica conservados em campo. Cruz das Almas. além dos objetivos conservacionistas. até o momento. NOME COMUM Abiu Canistel Mamei Açaí Palmito Araticum-do-brejo Araticum Araçá boi Biriba Bilimbi Butiá-vinagre Cabeludinha Café da mata Cagaita Caimito roxo Cajá Cupuaçú Goiaba Guabiroba Grumixama Jaboticaba Camu-camu Jenipapo Jatobá Pindaiba Pitanga Pitomba do Norte Pupunha Uvaia Vinagreira Fonte: Ferreira.Tabela 2. passíveis de resultar em novos materiais à disposição dos produtores. ainda em fase de avaliação. Auto-fecundações e cruzamentos entre indivíduos estreitamente aparentados. as quais deram origem a nove híbridos promissores. Tópicos em Ciências Agrárias. Relação das espécies existentes na coleção de fruteiras nativas e exóticas do Centro de Ciências Agrárias. possibilitaram. Segundo Pinto & Ferreira (2005). Eugenia brasiliensis Myrciaria truncifolia Myrciaria dubia Genipa americana Hymenaea courbaril Xylopia emarginata Eugenia uniflora Talisia esculenta Bactris setosa Eugenia pyriformis Hibiscus sabdariffa N° ACESSOS 04 02 10 10 05 05 02 06 01 10 01 05 06 02 05 03 05 05 05 05 05 10 05 02 06 10 05 02 05 10 O BAG Mamão dessa Instituição conta atualmente com 191 acessos. já que a manutenção de um banco de germoplasma é muito cara. 2003 NOME CIENTÍFICO Pouteria caimito Pouteria campechiana Mammea americana Euterpe oleracea Euterpe edulis Annona glabra Annona crassiflora Eugenia stipitata Rollinia mucosa Averrhoa bilimbi Butiá capitata Eugenia tomentosa Myrcia sp Eugenia dysenterica Crhysophyllum cainito Spondia mombim Theobroma grandiflorum Psidium guajava Compomanesia spp. 2009 07 . Ambientais e Biológicas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. sendo o maior banco de germoplasma dessa cultura no país. v. 2005. onde pesquisas com a cultura também são desenvolvidas. aproximadamente 50% dos acessos já foram avaliados. os melhoristas têm uma pequena variabilidade genética à sua disposição para uso no melhoramento. UFRB.

Itambé E. 08 Tópicos em Ciências Agrárias. Itapirema E. UFRB.Caju. de características desejáveis em genótipos da espécie A.E. bem como de materiais provenientes de instituições de ensino e pesquisa.E. Ibimitim E. em relação aos tipos comerciais. 09 acessos de de Anacardium humile. Araripina Comocim de São Félix E. Estes genótipos vêm sendo empregados no melhoramento do cajueiro-anão-precoce pela introdução.E. Além do BAG . Ibimirim E..gov. via retrocruzamento.E. microcarpum existente no Banco de Germoplasma.br/port/sbf/chm/doc/cap2i. Itambé E. encontra-se o BAG de caju com 440 acessos de Anacardium occidentale.E. v.E.E. Serra Talhada N° ACESSOS 12 14 12 110 33 35 3 4 70 11 31 21 250 18 45 22 43 3 143 85 120 10 6 35 270 4 13 13 31 No Estado do Ceará as principais coleções de fruteiras encontram-se no Centro Nacional de Agroindústria Tropical (CNPAT) em Fortaleza.E. no CNPAT também são encontradas coleções de graviola. Alguns genótipos vêm sendo caracterizados para serem empregados em programas de melhoramento. 2009 . acerola.mma.E.E. Garanhuns E. Garanhuns E. Itambé E. genótipos de sapoti. microcarpum L. NOME COMUM Abacaxi Aceloreira Aceloreira Araçá-comum Cajazeiro Cajá-umbú Cajarana Cajueiro Anão Carambola Ciriguela Citros Goiaba Goiaba Graviola Graviola Jaboticabeira Jaqueira Macadâmia Mangabeira Pinheira Pitangueira Pitangueira Pomelo Romã Sapoti Tâmara Tangerina Tangerina Umbu E.E. Itambé E. destacam-se por apresentarem algumas características contrastantes e positivas.E.Tabela 3. Itapirema E. Tabela 3 (Bezerra et al. cajá e acerola (http://www. No CNPAT. Araripina E. a partir de prospecção genética e coleta de germoplasma de diversas fruteiras nativas e exóticas do Estado. Embrapa Semi-Árido e Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).pdf.E. (2002) genótipos da espécie A. Itambé E.E. Itambé E. Relação das espécies existentes na coleção de fruteiras tropicais e subtropicais da Empresa IPA.E.E.E. Porto de Galinhas E. sobretudo quanto à adstringência. Itapirema E. 20 acessos de Anacardium othonianum e 24 acessos de Anacardium spp. 2005).E.E. As Coleções do Estado de Pernambuco encontram-se distribuídas na Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA).E.E. Itambé E. 1. pinheira e pitanga.E. Iniciada no ano de 1987. Itambé Comocim de São Félix E.E. Itambé Comocim de São Félix E. A partir de avaliações realizadas ao longo dos anos na Coleção de Germoplasma foi possível recomendar para as diversas regiões do Estado de Pernambuco. carambola. com 29 espécies. Segundo Crisóstomo et al.E.E.: Estação Experimental LOCAL E. 1997). Ibimirim E.E. Araripina E. Ibimitim E. Ibimirim Comocim de São Félix E. Ibimirim E. a coleção do IPA conta atualmente.

auxiliando na manutenção e utilização sustentável da biodiversidade. RFLP (Restriction Fragment Length Polymorphism) e minissatélites. Os recentes avanços em biologia molecular marcaram o início de uma nova era na conservação de recursos genéticos com o advento de marcadores moleculares que permitem detectar o polimorfismo diretamente no DNA. No tocante à cultura de tecidos. A conservação in situ. 2002. v. eventos de hibridação e confirmação de unidades taxonômicas. de especial interesse em fruteiras sob extrativismo e em parentes silvestres de espécies cultivadas. com 324 acessos de mangabeira e 21 acessos cajá. O desenvolvimento da técnica de PCR permitiu a síntese enzimática in vitro de milhões de cópias de um segmento específico de DNA na presença da enzima DNA polimerase. além de monitorar a longo prazo mudanças na estrutura genética. dados moleculares a respeito da diversidade genética podem ser usados para diversos objetivos como: (1) planejar coletas ou estratégias de intercâmbio de germoplasma.SE) é responsável por 19 acessos de coco. (5) caracterizar acessos. banco de germoplasma. AFLP (Amplified Fragment Length Polymorphism). facilitando a disponibilidade dos mesmos para o melhoramento genético e o próprio intercâmbio de germoplasma. Samal et al. No que tange à conservação ex situ. a Embrapa Tabuleiros Costeiros (em Betume . 2002. deve-se salientar que apesar das técnicas moleculares gerarem grandes possibilidades na conservação de RGV. Na região Nordeste... Esta estratégia. estas ferramentas não devem ser vistas como substitutas de estudos morfológicos e bioquímicos. várias técnicas podem ser citadas no auxílio à caracterização. a manutenção de um grande número de acessos num pequeno espaço físico e livre das intempéries e riscos que existem no campo. 2004 e Creste et al. níveis de endogamia e tamanho efetivo de populações sob extrativismo. 42 acessos de acerola (Malpighia glabra) e 70 acessos de umbu (Spondia tuberosa).. UFRB. 105 acessos de manga (Mangifera indica). 2000) quanto ex situ (Wünsch & Hormaza. enquanto o outro grupo agrega marcadores baseados na reação da polimerase em cadeia (PCR). (2) selecionar acessos divergentes que abriguem valiosa variabilidade genética para programas de melhoramento a partir de cálculos de distância genética. a UFAL (Universidade Federal de Alagoas) mantêm coleções de mangabeira e no Estado de Sergipe. No Estado de Alagoas. Acessos de acerola também são mantidos na UFRPE... Ortis et al. 2004. reduz os custos e garante a manutenção da fidelidade genética dos acessos conservados. Tópicos em Ciências Agrárias. 2004) de diversas espécies animais e vegetais. (4) monitorar mudanças na estrutura genética de acessos regenerados. Kelch & Baldwin. como por exemplo. (3) identificar acessos duplicados na coleção. em diferentes organismos (Petit et al. Adicionalmente. (6) gerar informações para desenvolvimento de coleções nucleares representativas de toda coleção e ainda (7) determinar a presença de um alelo particular ou sequência de nucleotídeo em um táxon. Contribuição da biotecnologia na caracterização e conservação de germoplasma A demanda de recursos genéticos para a alimentação e agricultura tem gerado necessidades cada vez mais dependentes da utilização de novos métodos e processos biotecnológicos (Vilela-Morales & Valois. que deve ser considerada pelas vantagens que apresenta. Tansley & Brown. 2009 09 . 2003).. A partir dessa técnica derivaram se inúmeros marcadores como RAPD (Random Amplified Polymorphic DNA). mas como complementares no entendimento da variabilidade disponível. a partir da identificação de populações e locais prioritários para conservação. Trabalhos utilizando marcadores moleculares têm propiciado informações chaves para conservação tanto in situ (Rosseto et al. A escolha do marcador ideal dependerá da questão a ser respondida e dos equipamentos e recursos financeiros disponíveis. 1. fluxo gênico. As coleções do Estado da Paraíba encontram-se distribuídas na EMEPA. 1995. No entanto. cpDNA e nDNA também têm auxiliado estratégias conservacionistas. STS (Sequence Tagged Sites) e microssatélites. A conservação in vitro surge como uma alternativa de conservação de germoplasma. a única fruteira que vem sendo conservada na condição in vitro é o abacaxi. Wörheide et al. quando bem conduzida. Os marcadores moleculares são usualmente divididos em dois grupos distintos metodologicamente: o primeiro engloba marcadores que utilizam técnicas de hibridização como. SCAR (Sequence Characterized Amplified Regions). 2000). gerando informações importantes para o esclarecimento de relações filogenéticas. tem sido beneficiada por esses marcadores que permitem estudar a distribuição da variabilidade genética em populações naturais. por exemplo..A Embrapa Semi-Árido é responsável por oito acessos de goiabeira (Pisidium cattelyanum). 2004. análises de seqüências de mtDNA. conservação e utilização do germoplasma em programas de melhoramento genético. apesar de que trabalhos para o estabelecimento de um BAG in vitro de maracujá e banana já estão em andamento (Junghans et al. complementando as informações geradas por descritores morfológicos ou bioquímicos. população ou acesso.

no que se refere à importância desse germoplasma e pelas condições sociais da mesma. com a vantagem de que as fruteiras nativas são adaptadas às nossas condições e o importante papel que o recurso genético autóctone desempenha no intercâmbio internacional por germoplasma exótico em um cenário de crescentes restrições. manutenção e documentação desse germoplasma. 1998. Paralelamente. dentro de um enfoque de sustentabilidade. 2005a). um programa que englobe várias ações integradas entre Instituições de diferentes Estados e que possam culminar no sucesso. demarca a importância que deve ser dada para o aspecto da conservação desses recursos genéticos na região. adequando as condições de cultivo e buscando a limitação do crescimento.. já que a demanda por sabores diferentes cresce a cada dia no hábito alimentar do consumidor e as frutas representam uma larga fatia desse novo mercado. 2009 . identificando. bem como da infra-estrutura disponível para as atividades de caracterização. Outras vantagens do seu estabelecimento são a ordenação da informação e a determinação de atividades e espécies prioritárias. Souza et al. CONSIDERAÇÕES FINAIS A variabilidade genética das fruteiras nativas e exóticas existente na Região Nordeste. mas ainda apresenta muitas barreiras para sua utilização (Pérez et al. identificando zonas de ocorrência e endemismo de diversas espécies de fruteiras. onde o objetivo é a parada total do metabolismo da planta. precisa ser melhor explorado. não apresentam uma adequada representação da diversidade genética da espécie em questão e muitas se encontram em situação precária. Entre os materiais conservados encontram-se diferentes acessos do gênero Ananas e espécies afins.. no que se refere a fruteiras. Outra técnica utilizada para a conservação de germoplasma é a criopreservação. Experiências semelhantes têm sido conduzidas no âmbito da Embrapa. Desta forma está sendo realizada uma série de trabalhos com a finalidade de prolongar o tempo de conservação do germoplasma de abacaxi in vitro. dessa forma. além de alguns aspectos de ordem técnica. tipo de conservação realizada em temperaturas ultra baixas (-154ºC aproximadamente). portanto. concentração osmótica e reguladores vegetais. v. Na Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical já estão estabelecidos in vitro aproximadamente 100 acessos oriundos do BAG abacaxi em campo. Alguns fatores influenciam no crescimento das plântulas. A conservação in situ nessas regiões é difícil.2002. em sua maioria. não apenas pela falta de apoio dos governos locais. as demandas mais urgentes. assim como algumas variedades de abacaxi com potencial ornamental. o potencial intelectual e as diversas capacidades institucionais. assim como o aporte racional de recursos humanos e financeiros para o desenvolvimento das ações integradas. passa inicialmente pela conservação e utilização racional do germoplasma existente. o que a torna laboriosa. Em uma região com uma extensa diversidade biológica. permitirá o delineamento de estratégias de coleta e conservação in situ e ex situ eficientes e representativas da variabilidade genética regional intra e interespecífica. Uma das diretrizes iniciais para formação de uma rede na região Nordeste seria a realização de uma radiografia e um diagnóstico dos bancos de fruteiras existentes na região. quanto de sua utilização. A expectativa é que a transposição total do banco esteja terminada no final de 2007. a avaliação do potencial da diversidade genética regional. tanto da preservação do germoplasma existente.. a gestão de modelos em rede otimiza o trabalho em recursos genéticos agregando às atividades com objetivos similares. É preciso. e o estabelecimento de atividades prioritárias para cada espécie. 2004). 2004.. 2001). pela falta de recursos financeiros e humanos para sua manutenção. O valor do material autóctone. 1. como temperatura. auxiliam no prolongamento do tempo entre subcultivos. A grande maioria tem pouco do seu acervo caracterizado e portanto grande parte de seu potencial ainda permanece desconhecido. UFRB. Esse tipo de conservação já começa a se fazer realidade para alguns cultivos. O estímulo à sua utilização. A obtenção das plântulas para a conservação é realizada por meio da multiplicação in vitro dos acessos a serem introduzidos. além dos riscos de gerar plantas variantes. já que uma das desvantagens desta técnica é a necessidade de subcultivos periódicos. sendo necessário adequar condições para retardar o crescimento das plântulas. mas também pelo total desconhecimento da população. Ponis & Thint. As coleções mencionadas nesse capítulo. por meio da Rede Nacional de Recursos Genéticos (RENARGEN) que utiliza esse modelo na gestão de recursos genéticos animais. que devidamente controlados. A formação de uma rede de recursos genéticos entre os Estados do Nordeste contribuirá não apenas para elaboração de um diagnóstico da situação atual dos recursos genéticos da região como para o estabelecimento de uma cultura de cooperação técnica que trará benefícios para vários segmentos da sociedade. 10 Tópicos em Ciências Agrárias. biomas altamente diferenciados e enormes variações de sistemas agrícolas. Gonçalves et al. vegetais e de microrganismos. em diferentes instituições e estados do Nordeste. otimizando o processo de conservação (Canto et al. Outros aspectos que precisam ser considerados são a possibilidade de diversificação para o agricultor do Nordeste.

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Claudia Fortes Ferreira & Antonio Augusto Oliveira Fonseca Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 2 CARACTERIZAÇÃO DE GENÓTIPOS DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Simone Alves Silva. Ana Cristina Vello Loyola Dantas. Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa.

Estes marcadores são bastante acessíveis e variam em função do destino que será dado ao produto final e às diretrizes do programa de melhoramento genético.Centro de Ciências Agrárias. Geralmente um Programa de Melhoramento de espécies pouco conhecidas inicia-se com a coleta. UFRB. a pinha. a formação de pomares domésticos e comerciais e o plantio em áreas de reflorestamento. para a exportação e também para a diversificação agrícola. com considerável diversidade quanto ao modo de reprodução. Em virtude da alta variabilidade genética que comumente está disponível no seu habitat natural e da insuficiência de informações para definição de critérios de seleção. 2009 . Cruz das Almas-BA.edu. muitos agricultores e chacareiros já estão implantando pomares de frutas nativas e exóticas e os viveiristas estão intensificando a produção de mudas. Caracterizar. surgem como potencialmente interessantes para o Nordeste brasileiro. a recuperação de áreas desmatadas ou degradadas. 17 Tópicos em Ciências Agrárias. mapcosta@ufrb. 1.br INTRODUÇÃO Tendo em vista a grande diversidade de fruteiras adaptadas às condições agroecológicas do Nordeste brasileiro. Cruz das Almas-BA. possibilitando o melhor direcionamento dos cruzamentos e desta forma. Ana Cristina Vello Loyola Dantas1. período juvenil. A evolução econômica e a demanda dos mercados reforçam hoje o interesse dos países latinoamericanos para as frutas em geral. identificar e preservar genótipos promissores.br 2 1 Pesquisador . distintas culturas. Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa1. como por exemplo a mangaba. tornando-os marcadores fenotípicos e que a princípio podem ser expressos em todos os ambientes. Antonio Augusto Oliveira Fonseca¹ Professor . v. Investir no melhoramento e na conservação destas fruteiras proporciona uma importante alternativa agrícola ecologicamente eficiente e competitiva para o Estado da Bahia. é necessário reconhecer a existência de algumas espécies com potencial para a conquista do mercado interno. Esta fase é conhecida como Pré-Melhoramento. E-mail: sas@ufrb. o enriquecimento da flora das áreas mais pobres. São geralmente perenes e lenhosas. Nesse sentido. ciclo da planta e aos métodos de propagação. Dentre as possibilidades atuais de utilização das fruteiras do Nordeste destacam-se: o plantio em áreas de proteção ambiental. o jenipapo. ou pre-breeding. caracterização.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. mas também a necessidade de se preservar e conservar espécies nativas ou bem adaptadas à região e que emergem como alternativas para o cultivo sustentável. E-mail: cfferreira@cnpmf. Neste contexto. a cajá. As plantas frutíferas englobam grande quantidade de espécies.CARACTERIZAÇÃO DE GENÓTIPOS DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Simone Alves Silva1.br. Existem muitas limitações para a exploração comercial de fruteiras potenciais para o Nordeste brasileiro.embrapa. a jaca. já que as espécies ainda não foram domesticadas e vêm sendo exploradas de forma desorganizada. aumentando a freqüência de combinações alélicas desejáveis na população. serão considerados neste capítulo alguns descritores utilizados para atender à caracterização da maioria das fruteiras. dentre outras. parques e jardins e em áreas acidentadas. com ampla expectativa de progressos genéticos obtidos por meio do conhecimento da variabilidade genética. Claudia Fortes Ferreira2.br. alógamas e predominantemente de propagação sexuada.edu.edu. avaliação de germoplasma e posterior seleção de genótipos mais promissores para serem utilizados como clones ou para etapas seguintes do melhoramento genético. Não apenas a geração de divisas para o país e a diversificação regional devem ser consideradas. o umbu. Ambientais e Biológicas/UFRB. acloyola@ufrb. além de intensificar o melhoramento das espécies são estratégias necessárias para incluí-las como alternativas viáveis para exploração racional. DESCRITORES MORFOLÓGICOS A caracterização morfológica consiste na anotação de descritores botânicos facilmente visíveis ou mensuráveis.

0. visando identificar e indicar constituições genéticas úteis para a continuidade do melhoramento e/ou produzir matrizes para serem propagadas vegetativamente. número de sementes normais e anormais (105. O melhoramento desta espécie está voltado basicamente para a obtenção de frutos com menor cavidade interna. massa da polpa (1. confirmando o potencial da fruteira tanto para consumo in natura como para industrialização (Santos. 18 Tópicos em Ciências Agrárias.86% de cinzas e 86. sabor e aroma. compotas. social e alimentício a ser explorado. respectivamente. diâmetro longitudunal e transversal de 80. pH e acidez titulável.84 mm. boa percentagem de polpa. Jaqueira (Artocarpus heterophyllus Lam.) O jenipapeiro é uma espécie alógama.60. 2001). com a coleta de 30 genótipos no município de Cruz das Almas. pois permite indicar cultivares com potencial de uso imediato pelos agricultores.74%.40%.49%. bem como identificar acessos que apresentem características interessantes para o melhoramento. acidez titulável total (ATT) de 0. através dos caracteres físicos como massa do fruto (4. A análise da polpa revelou um teor médio de 18. por apresentar frutos com massa acima de 200 g.88% de sementes. massa da semente (495. açúcares totais.01. Foram identificadas plantas com interesse para o processamento e/ou industrialização e para consumo in natura.58%. 8. além da composição química do fruto como maior vitamina C. v. mais importantes para a seleção de genótipos promissores.26%). sólidos solúveis totais de 17. umidade de 73. diâmetro do fruto (19. avaliando 100 genótipos do Recôncavo Baiano.66%. a jaca apresentou valores médios de 25. Estes têm tido papel fundamental na divulgação das características agronômicas de novos materiais genéticos e podem influenciar decisivamente na escolha de variedades por parte de agricultores e outros interessados. mangabeira e pinheira. especialmente na distinção de genótipos elites aparentados. massa do bagunço (5. compostos por 60. contudo.03% e 15. pH de 3. elevados conteúdos de sólidos solúveis totais e vitamina C (para consumo in natura) e alta acidez total titulável (para industrialização).24. pH de 5.75%. Quanto aos caracteres químicos. 6. rendimento de 85.58.90 e 14. Sendo assim. ºBrix elevado e balanceamento organoléptico equilibrado.50% do fruto e o bagunço 8. possibilitando um maior rendimento de polpa. acidez total titulável (ATT) de 1. Hansen (2006).89 cm). os descritores morfológicos apresentam limitações.69% de glicídios redutores e totais.44 kg). a depender do destino no mercado consumidor (in natura ou industrialização). respectivamente). Assim. rendimento em polpa e diâmetros longitudinal e transversal. número total de bagos (120. 1996).14). a jaca pode representar um potencial econômico. sucos. com massa de 218.11% de glicídio redutores. Quando se trata da distinguibilidade exigida pela Lei de proteção de cultivares. proporcionarão um maior progresso. inferior ao da casca (50. Por suas qualidades organolépticas.22% de cinzas e relação SST/ATT de 11. a semente representou 10. 1.) Com relação à cultura da jaqueira. licores etc. observando-se variabilidade nas plantas de jenipapeiro dentro e entre populações. o conhe-cimento das características físicas e químicas dos frutos pode contribuir para a seleção de tipos promissores e desejáveis ao estabelecimento de cultivares.84% de polpa. 5. não redutores e totais.. estes resultados permitiram a identificação de genótipos promissores. a busca por constituições genéticas que agreguem atributos como maiores massa do fruto. Em culturas de base genética estreita. entre outros.27% de casca e 33.11 g.19%. 12. UFRB. 2009 .75 cm). encontrou valores médios de massa do fruto de 261. cajazeira.96 g. detectando-se variabilidade para a maioria dos caracteres. Foram avaliados 30 genótipos de jaqueira em nove frutos por planta num total de 270 frutos. eles podem muitas vezes não distinguir adequadamente cultivares comerciais (Pecchioni et al. opções de investirem no processamento de doces.82 cm). comprimento do fruto (28. Jenipapeiro (Genipa americana L. Neste sentido.76 mg 100 g-1 e acidez total titulável de 1.44% e 19.81º Brix. Os frutos apresentaram formato ligeiramente alongado. constituindo-se numa alternativa ao incremento da renda familiar além de oferecer aos pequenos e micro industriais. com a seleção de genótipos que poderão ser indicados como cultivares comerciais. observando-se variabilidade para a maioria dos caracteres.13 cm).18 ºBrix.34º Brix. a exemplo de jenipapeiro. Diversas fruteiras tropicais nativas e adaptadas têm sido caracterizadas em programas desenvolvidos no Centro de Ciências Agrárias. jaqueira. umidade de 73.67%. Ambientais e Biológicas da UFRB. 1.37 kg). sendo os caracteres massa do fruto e percentagem de polpa. vitamina c de 2. O percentual de polpa encontrado foi de 30. respectivamente. melhor características organolépticas como cor.A caracterização de genótipos constitui uma das principais etapas dos trabalhos com germoplasma.72 kg). Os descritores morfológicos são ainda hoje o “cartão de apresentação” de uma nova variedade.19 para a relação SST/ATT. estudo de caracterização foi realizado por Lordêlo (2001).31% de ácido cítrico.27 g) e massa da casca (2. Os trabalhos de caracterização morfológica do jenipapeiro iniciaram em 1998. espessura da casca (0.

possibilitando a identificação de materiais promissores (Sousa. v. rendimento da polpa. Desta forma..07 mg. Análise por estatística descritiva e multivariada. em virtude de partirem duas folhas do mesmo nó. bem como de outras características botânicas serão fundamentais para caracterizar a diversidade de variedades que ocorrem na região estudada (Sousa et al. com a formação de dez grupos de genótipos.Cajazeira (Spondias lutea L. São moléculas como DNA ou proteínas que marcam uma região ou regiões do genoma. evidenciando uma alta variabilidade genética entre os genótipos.82 oBrix). Nas distintas regiões avaliadas foi verificada ausência de pressão de seleção dentro das populações o que possibilitou a ocorrência desta variabilidade.) Visando identificar materiais de interesse para utilização em sistemas de cultivo e em programas de melhoramento genético. utilizando-se as técnicas de agrupamento e análise de componentes principais mostraram variabilidade para a maioria dos caracteres. SST/ATT. caracterizado por ápice e bases quase iguais sendo que o primeiro é ligeiramente agudo. Características morfológicas e agronômicas têm a desvantagem de serem influenciadas pelos fatores do ambiente e podem não representar a real similaridade ou diferença entre os indivíduos. Destas análises. açúcares totais. desprovidas de duplicatas desordenadas para o melhor acompanhamento do desempenho desta espécie. umidade. sólidos solúveis totais (STT). 1. ATT. químicas e físico-químicas com alto teor de vitamina C. Foram avaliados caracteres como massa do fruto. 2004). massa da semente. massa do fruto. 1995). ligada(s) a alguma característica de interesse agronômico. rendimento industrial. Mangabeira (Hancornia speciosa Gomes) Expedições de coletas de 100 genótipos de mangaba em quatro regiões da Bahia. não sofrendo influência do ambiente (Weising et al.76 g). UFRB. acidez total titulável (ATT).21%). rendimento de polpa e coloração de polpa. foram caracterizados 30 genótipos de pinheira provenientes do município de Presidente Dutra (BA). por representar a maior procura tanto no mercado in natura quanto para industrialização. massa da polpa. massa do fruto (35. 2005). cinza. vitamina C. com ampla base genética. percentual de polpa. Ouriçangas e Nova Soure. como aporte ao programa de melhoramento genético de mangabeira. em sentidos opostos e no mesmo plano de inserção. açúcares redutores e açúcares não-redutores. O estudo da morfologia foliar.84 g). constatou-se que a filotaxia é do tipo oposta dística. As nervuras das folhas apresentaram-se de forma penivênias do tipo obliquivênia. teor de ácido ascórbico/100g de polpa em frutos maduros (2. Além disso. visando principalmente estabelecer subsídios teóricos de taxonomia. Conde. massa da semente. marcadores genéticos representam estritamente a variação genética. SST. As plantas apresentaram folhas com limbo foliar de forma lanceolada do tipo oblongolanceolado. massa total do fruto. sendo esta última característica como a mais promissora para um melhor desempenho da mangabeira.95 mm) e massa da polpa (33. distintos genótipos foram identificados como superiores quanto a características físicas. avaliando-se: comprimento do fruto. diâmetro do fruto. pH. 2009 19 . em torno de 113. massa da casca. Pinheira (Annona squamosa L. massa do receptáculo. massa da casca. Os descritores morfológicos de folhas. diâmentros transversal (38. mostraram comportamento diferenciado entre as plantas dentro da população em relação a caracteres físicos e físico-químicos.) A caracterização morfológica de 30 genótipos de cajazeira em 10 frutos por planta foi realizada por Pinto (2002). Por outro lado. é possível estabelecer coleções biológicas organizadas. sendo a margem do limbo lisa. visando sua adaptabilidade e estabilidade e posterior lançamento de variedades (Cruz.49 mm) e longitudinal (41. massa da polpa. dos cruzamentos controlados e do ajuste ao ambiente avaliado. MARCADORES MOLECULARES Marcadores moleculares são características de DNA que diferenciam dois ou mais indivíduos e têm base mendeliana. teor de sólidos solúveis totais (15. relação (STT/ATT). 2005). Tópicos em Ciências Agrárias. de casca e de semente e caracterização físicoquímica e física de frutos como pH. flores. Foi verificada ampla variabilidade genética nas populações estudadas o que propicia a coleta de genótipos para futuros trabalhos de melhoramento e montagem de coleções e/ou bancos de germoplasma. incluindo os municípios de Iramaia.. frutos e sementes de mangabeira também foram aplicados. independente da distância geográfica. espessura da casca. vitamina C.

. adjacentes e em número variável (Jeffreys et al. Os minissatélites ou locos VTNR são seqüências repetitivas de DNA. que são extremamente úteis em estudos de genética. 1998). O AFLP foi descrita por Vos et al.. (1990). e representam regiões instáveis do genoma que estão sob alterações mutacionais a taxas muito maiores do que as observadas na seqüência de cópia única. os quatro mais utilizados são Polimorfismo de Comprimentos de Fragmentos de Restrição (RFLP). as isoenzimas e proteínas de semente são menos úteis para escolha de pais em populações geneticamente homogêneas. sendo que essa mesma região pode não existir em outro indivíduo. variando basicamente o tipo de sonda utilizado. Marcadores AFLP são utilizados com sucesso para detectar diferenças genéticas e variantes somaclonais em banana (Engelborghs et al. É uma técnica significativa na detecção de variabilidade genética e não requer mão de obra especializada (Ferreira & Grattapaglia. cultivares e clones e análise de diversidade genética (Daly et al. Um outro genótipo que não apresente a resistência. com a vantagem de se fazer as análises antes do material ir para o campo. 1. A forma como esses fragmentos são obtidos varia com o tipo de metodologia empregada (Hillis et al. 2001). Por exemplo. Nessa região. 1998). Ulanovsky et al. 1999. Essa técnica é similar a de RFLP. Mesmo assim. A instabilidade dos microssatélites resulta em marcadores altamente polimórficos. na identificação e monitoramento de genes de importância em maçã (Wang-Caihong et al. O'Donoughue et al. 1996). capina. Com isso. mais demorada que as outras técnicas para obtenção de resultados de custo relativamente alto. 1989... um indicador de reação terá sua seqüência complementar a uma determinada região em um indivíduo. com as vantagens e desvantagens já apresentadas para a técnica anterior.O uso de marcadores moleculares representa uma ferramenta adicional em programas de melhoramento genético em frutíferas. minisatelites e os microssatélites (Ferreira & Grattapaglia. 1995. possuindo. 1994. Entre as vantagens do uso de marcadores AFLP. Entre os marcadores de DNA.. os RFLPs têm sido utilizados em um grande número de estudos de caracterização de cultivares (Gebhardt et al. desenvolvida por Williams et al. 1991). O polimorfismo de RAPD tem natureza binária (presença ou ausência). irrigação etc. 1998). 1995). os genomas das duas cultivares serão diferentes. oferecendo novas possibilidades no manejo de uma coleção. “softwares” têm sido desenvolvidos para distinguir indivíduos homozigotos e heterozigotos (Vos et al. especialmente em germoplasma aparentado e de baixa variabilidade... não permitindo a distinção de heterozigotos.. não trará gravado em seu DNA essa informação. 2009 . O indicador 20 Tópicos em Ciências Agrárias. conforme a espécie. decorrente da variação na distribuição dos sítios de restrição. havendo redução no número de gerações de melhoramento necessárias no desenvolvimento de variedades. Como todas as diferenças entre os seres vivos estão presentes no DNA. se um genótipo de maracujazeiro confere resistência a uma bacteriose. utiliza primers mais curtos e de seqüência arbitrária. 1990). As diferenças entre indivíduos são notadas quando se visualiza diferentes tamanhos de fragmentos de DNA entre estes. Estes marcadores têm sido utilizados para aplicações de mapeamento genético em inúmeras frutíferas (Kijas et al. desta maneira.. também. repetidas lado a lado. essa informação está impressa no DNA desta cultivar. diminui-se o volume de material que necessitaria de cuidados como adubação. Crouch et al. além de possibilitar a classificação do germoplasma em grupos de interesse para os diferentes programas de melhoramento. Polimorfismos em nível de DNA podem ser detectados por vários métodos. A maior vantagem dessa técnica é o elevado polimorfismo revelado. em razão da variabilidade relativamente pequena dos mesmos. UFRB. O polimorfismo obtido com esta técnica está baseado em diferenças entre genótipos na distribuição dos sítios de restrição e na amplificação diferencial de fragmentos. 2001) e em estudos de diversidade genética em pêssego (Aranzana et al. Os microssatélites consistem em seqüências de 1 a 6 nucleotídeos. o que a torna uma das melhores opções para uso na caracterização de cultivares. e tem revelado um grau de polimorfismo de intermediário a baixo. portanto. 1985). permitindo a comparação entre indivíduos e identificando duplicatas (Engelborhs et al. (1995).. v. O polimorfismo detectado resulta de variações no número destas seqüências.. das sondas utilizadas e do número e tipos das seqüências repetitivas. 1998). produzindo um grande número de fragmentos. Uma vantagem adicional dos minissatélites é o alto grau de polimorfismo apresentado. grande capacidade para detecção de variabilidade genética no nível de DNA. A técnica RFLP consiste basicamente no uso de enzimas de restrição que corta o DNA em sítios específicos. Permite. sendo uma técnica que possui grande capacidade para detecção de variabilidade genética e uso em caracterização de cultivares. Entre esses marcadores. o Polimorfismo de Comprimentos de Fragmentos Amplificados (AFLP). determinar a presença ou ausência de gene(s) ligado(s) a características específicas para fins de melhoramento. Cipriani et al. multialélicos... Autrique et al.. Apesar deste marcador ter natureza dominante. Minissatélites têm sido utilizados no melhoramento de frutíferas para a identificação de variedades. 1998. o que elimina a necessidade do conhecimento prévio da seqüência alvo.. 2002). Esta técnica é elaborada.. estão o alto grau de polimorfismo e o mais alto número de marcadores obtidos por gel analisado. Isso tem sido devido principalmente a sua alta consistência e repetibilidade na obtenção dos resultados. São marcadores dominantes. o Polimorfismo de Fragmentos Aleatórios e Amplificados de DNA (RAPD). A técnica de DNA polimórfico amplificado ao acaso (RAPD).

os genótipos foram avaliados utilizando técnicas de marcadores moleculares do tipo RAPD. são suficientes para estimar relações genéticas dentro e entre espécies. representam importantes ferramentas na seleção antecipada (Ferreira & Grattapaglia. 2003). sendo que 32 proporcionaram eficiência na amplificação. os marcadores moleculares evidenciaram variabilidade pela presença de polimorfismo. dos oito primers amplificados. comprovando a formação de grupos dissimilares. Nesta amplificação foi gerado um total de 407 bandas. Além disto. Em trabalho pioneiro. Jenipapeiro (Genipa americana L. avaliando os marcadores RAPD em mangaba (Cruz. com o primer OPH-13. Em trabalho subseqüente foram avaliados 50 primers. permitindo a comparação entre indivíduos. Neste trabalho. técnicas que permitem identificar marcadores moleculares ligados a genes responsáveis por características de importância agronômica. As estimativas de distância genética foram aplicadas baseadas na análise direta do DNA como ferramenta adicional na confirmação dos valores morfológicos. Desta forma.. oferecendo novas possibilidades no manejo. com o primer OPAI-01 à 13.) A formação de grupos gerados por mensurações físicas e químicas poderão ser respaldadas ao confirmarem suas informações genéticas diretamente do DNA. Por esta razão. com uma média de 10. desta forma eles serão separados pelo RAPD (Moreira. a classificação de germoplasma. faz com que o melhoramento de espécies frutíferas seja a área onde o uso efetivo desta tecnologia tende a ter as melhores perspectivas de sucesso. 2007). v. Mangabeira (Hancornia speciosa Gomes) A caracterização molecular desta fruteira teve como objetivo determinar a distância genética entre os genótipos coletados utilizando a técnica de RAPD. com a vantagem de análises precoces antes dos genótipos irem para o campo. Um total de 185 marcadores foram amplificados. Sendo assim. gerando 50 a 100 bandas polimórficas. 10 a 30 primers. 2003). UFRB. a fim de identificar o polimorfismo presente nos genótipos avaliados e sua resposta em comparação à caracterização morfológica. Segundo Colombo et al. a qual foi respaldada com similar variabilidade detectada com a caracterização morfológica. (1980). 1998). 17 forneceram produtos nítidos de amplificação e boa repetibilidade. com o número de fragmentos produzidos variando de 3 (OPB-19) até 7 (OPH-15). como influência do ambiente e baixo número de polimorfismo. capina. Tópicos em Ciências Agrárias. identificados também por marcadores morfológicos. irrigação etc. O uso de marcadores moleculares no Centro de Ciências Agrárias tem sido feito com à cultura da mangabeira e está sendo aplicado à cultura do jenipapeiro.32%) e variou de 3. A utilização de marcadores moleculares como ferramenta de seleções em culturas perenes. O uso de marcadores moleculares representa uma ferramenta adicional em programas de melhoramento genético em frutíferas. indicando a presença de variabilidade genética entre os genótipos avaliados. é de grande contribuição para o êxito na seleção de genótipos superiores destas culturas. 2009 21 . sendo 257 polimóficas e 150 monomórficas (Capinam. dois foram monomórficos e seis polimórficos. Pode-se observar padrões de bandas diferentes. 1. é uma tecnologia extremamente atraente tendo em vista o tempo necessário para completar uma geração de melhoramento desta espécie. mas não no segundo. Com isso diminui o volume de plantas que necessitam de cuidados como adubação. como a maioria das fruteiras com potencial para o Nordeste brasileiro. 2005). A utilização desta técnica demonstrou existência de polimorfismo no material em estudo. identificação de duplicatas. encontrar marcadores moleculares aliados às características fenotípicas de maior rendimento do produto final aferidos por dados biométricos.amplificará fragmentos no primeiro indivíduo. havendo redução no número de gerações de seleção necessárias para o desenvolvimento de variedades (Moreira. Estimativas de distância genética baseada na análise direta de DNA eliminam complicações advindas da avaliação do fenótipo.7 por primer. em trabalho realizado por Hansen (2006). a presença ou ausência de gene ligado a características específicas. com bandas de padrão de visualização adequada. O número de bandas polimórficas foi de 148 (81. A perspectiva de tornar mais eficiente a seleção precoce e com isso aumentar o ganho genético por unidade de tempo. Os seis primers responsivos geraram 28 produtos de amplificação (bandas). sendo uma técnica viável e uma importante ferramenta na identificação da variabilidade genética em jenipapeiros. dos 119 primers testados.

que mesmo a médio e longo prazo possam ser estreitados com adição de tecnologias complementares e eficientes. Seleção de germoplasma de mangabeira (Hancornia speciosa Gomes) definida por marcadores morfológicos e moleculares. n. AC/GT and AG/CT microsatellite repeats in peach (Prunus persica (L) Batsch): isolation. L. SORRELLS. 1. CHARREIRA. 21. UFRB. M. characterisation and cross-species amplification in Prunus. v.E. Vários fatores têm sido apontados como difíceis de serem superados pelo melhoramento de fruteiras ainda pouco exploradas. disponibilidade de germoplasma com ampla variabilidade e conhecimento acumulado sobre a biologia da espécie a ser estudada.. M. Iniciar um programa de melhoramento implica em compromissos a médio e longo prazo. C.. T. escolha e recombinação dos genitores. CAPINAN. 297-300. NACHIT. n. Segregation of microsatellite loci from haploid and diploid gametes in Musa. G. G. C. Assim. AUTRIQUE. 22 Tópicos em Ciências Agrárias. K. Por fim. Crop Science. E. 2001. Berlin.. p. Theoretical and Applied Genetics.211-217. estudo sobre herança etc). Acta Horticulturae. p. 1999. cujas deficiências e qualidades são conhecidas. as informações sobre a variabilidade disponível facilita o estabelecimento dos objetivos de um programa de melhoramento.38. J. 1998. culturas de tecidos. SECOND.. VICENTE. France. p. 36. MONNEVEUX. É onde a seleção pode atuar.. v. Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. identificação de fontes de variação genética dentro do germoplasma disponível. comparação do material melhorado com um padrão existente. escolha da metodologia adequada para avaliação do material. CROUCH. como o pequeno conhecimento sobre a variabilidade destas espécies. VALLE.D. melhoria da qualidade e adaptação a determinado ambiente. p. avaliação do comportamento da planta. tecnologias de marcadores moleculares. 1998. Cruz das Almas. conservados e manipulados através de cruzamentos genéticos ou incorporação de genes promissores por biotecnologia. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias). 99. Frente a esta preocupação. CIPRIANI. 65-72.. São vários e distintos os mecanismos utilizados para obtenção de melhoria para as fruteiras pouco exploradas e de grande potencial econômico e social.. 120 f. 735-742. Genetic diversity characterization of cassava cultivars (Manihot esculenta Crantz) with RAPD markers. 1996.M. Genetic and Molecular Biology.CONSIDERAÇÕES FINAIS O melhoramento pressupõe a necessidade de modificar a constituição genética do indivíduo. e tem como objetivo final o aumento da produtividade. 105-113. 546. A presença de ampla variabilidade constitui a primeira etapa para o alcance de tal objetivo. A. v. S.et al. COLOMBO. et al. Crop Science. S. a estratégia para o melhoramento de fruteira deve conter as seguintes fases: identificação das características importantes a serem melhoradas. morphological traits and coefficient of parentage. seleção em cultivo hidropônico em estádio de plântula e propagação vegetativa de genótipos promissores. 2007.. M. de. Todas estas dificuldades serão superadas com pesquisas que agreguem informações e na criação de Programas de Melhoramento destas fruteiras potenciais. Comparison of fruit and leaf dna extracts for AFLP and SSR analysis in peach (Prunus persica (L. 2009 . a necessidade de adaptação das metodologias de melhoramento e técnicas experimentais e a demora na obtenção de novas cultivares decorrente da necessidade de avaliação no ambiente de cultivo. C. o reduzido estoque de informações básicas sobre a biologia e a genética do material a ser melhorado (modo de reprodução. poderão tornar efetivo o progresso genético destas espécies. v. p. TANKSLEY. P.) Batsch). localização de genes. Madison. Genetic diversity in durum wheat based on RFLPs. G. distribuição do novo material. 1. P. H. identificando os genótipos distintos e superiores para serem multiplicados. M. seleção dos segregantes superiores. REFERÊNCIAS ARANZANA. ARUS. v.

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Simone Alves Silva & Janay Almeida dos Santos-Serejo Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 3 PROPAGAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Ana Cristina Vello Loyola Dantas. Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa.

a cultura de calos visa à regeneração via organogênese ou embriogênese.. Algumas espécies produzem estruturas utilizadas para propagação. a propagação assexuada das principais espécies frutíferas cultivadas comercialmente já é uma prática amplamente difundida e adotada pelos viveiristas e produtores de frutas tropicais. da estrutura e forma de desenvolvimento da planta e da espécie e dos métodos de propagação relacionados. Rodriguez & Wetzstein (1998) em pecan (Carya illinoinensis (Wagenh. mergulhia (alporquia). 1999). UFRB. Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa1. mangaba. Vitis vinifera L. a regeneração de plantas in vitro a partir de explantes meristemáticos tem sido reportada em diversas espécies lenhosas.br. ciência e técnica (Hartmann & Kester. Uma das grandes vantagens dessa técnica é a manutenção do genótipo e fenótipo de plantas propagadas por esse sistema (Giacometti. 1999) e muitas outras. em virtude da recalcitrância da maioria dessas espécies. 1. Osbeck). Um estudo de propagação de plantas envolve conhecimento dos procedimentos técnicos. Embora a utilização das sementes seja mais difundida para a maioria das frutíferas tropicais. para espécies com dificuldade de multiplicação por outros meios. podendo considerar-se que a propagação envolve aspectos de arte. as fruteiras nativas e exóticas típicas do Nordeste brasileiro ainda são propagadas única e exclusivamente por via seminífera. Eucalyptus (Xavier & Comério. 1990). Por outro lado. dentre outros. A reprodução sexuada é o principal mecanismo de multiplicação das plantas superiores e de praticamente todas as angiospermas e resulta em população com variabilidade genética devido à segregação e à recombinação de genes. pitanga.) Liang & Ferguson (Nachtigal et al. para obtenção de clones nucelares e em plantas homozigotas. umbu. A escolha da planta matriz. Simone Alves Silva1.edu. que têm sido. A micropropagação de espécies lenhosas vem sendo estudada há várias décadas e tem como objetivo básico o estabelecimento de uma metodologia de multiplicação clonal de indivíduos superiores.). garfagem. Segundo Lerdeman et al. (Peixoto & Pasqual. Com a demanda crescente do mercado por produtos de alta qualidade e com características agronômicas bem Tópicos em Ciências Agrárias.. tais como Persea americana Mill (Barceló-Muñoz et al. Em fruticultura. Almeida et al. dos frutos e o preparo e seleção das sementes constituem etapas importantes para a obtenção de plantas vigorosas.PROPAGAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Ana Cristina Vello Loyola Dantas1. (2001) em citros (Citrus sinensis L. enxertia (borbulhia. A propagação vegetativa utilizando técnicas de cultura de tecido pode ser um valioso instrumento na propagação clonal rápida de fruteiras. com início de produção precoce e idêntica à planta-mãe. encostia). 1999).br 2 1 Pesquisador -Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. cada vez mais. Por sua vez. entre outras. Apesar dos grandes avanços das técnicas de cultura de tecidos.) C. 2009 27 . Esta técnica pode ser feita via gemas pré-existentes ou cultura de calos derivados de diferentes tecidos. Dentre os poucos trabalhos. Kock). 1994). a otimização de protocolos eficientes que estimulem a organogênese e/ou embriogênese em plantas lenhosas tem sido muito limitada.edu. sendo recomendada para obtenção de porta-enxertos e de novas cultivares. em situações mais específicas. 2001). mapcosta@ufrb. a exemplo de rebentos e filhotes. quase todas as espécies podem ser propagadas vegetativamente. E-mail: acloyola@ufrb. 1995). Actinidia deliciosa (Chev. Cruz das Almas-BA. Fruteiras como jaca.Centro de Ciências Agrárias. v. (1996) em urucum (Bixa orellana L. 1996). Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO A propagação de plantas consiste em realizar sua multiplicação por via sexuada ou assexuada e tem sido uma atividade fundamental para a humanidade desde o início da civilização. Janay Almeida dos Santos-Serejo 2 Professor . são exemplos práticos da utilização de sementes como meio de propagação e formação de mudas para o plantio. entre outras vantagens. Entretanto. Os métodos para propagação assexuada normalmente utilizados em plantas frutíferas são: estaquia. subtropicais e temperadas. Ambientais e Biológicas/UFRB.edu. o uso da propagação sexuada tem sido restrita..br. sas@ufrb. que requer prática e experiência. pode-se mencionar aqueles realizados por Cervera et al. pinha. (1992). O desenvolvimento de métodos de regeneração de plantas in vitro via organogênese ou embriogênese somática é requisito necessário para utilização de técnicas biotecnológicas como a transformação genética ou hibridação somática (Brasileiro & Dusi. jenipapo. sendo o método mais indicado por possibilitar a obtenção de plantas uniformes. em larga escala. incorporadas nos programas de melhoramento genético de plantas (Borém. Malus domestica Borkh (Centellas et al. 1996). (1998) e Moura et al.

Cada metro quadrado deve receber 360 sementes a de 2 a 3 cm de profundidade. realizando-se o desbaste quando a planta apresentar 10 cm de altura. Na semeadura em sacos de polietileno. Cultura do jenipapeiro (Genipa americana) A propagação do jenipapo se dá via sementes e vegetativamente.2 m de largura x 0. proporcionando uma média de 58 % de emergência de plântulas aos 60 dias de armazenamento.30 m de altura x 10-20 m de comprimento. cortando-se as plantas restantes. coletados quando começam a cair. areia e esterco de galinha proporcionou as melhores médias de altura da planta (36. contra 0. O percentual médio de pegamento do enxerto. (1998) verificaram que sementes procedentes de frutos maduros colhidos no chão. Nascimento & Damião-Filho (1998) verificaram que a germinação ocorre de maneira heterogênea.definidas. onde os melhores resultados foram conseguidos em meio MS com adição de 1. 2003b). com predominância do uso das sementes. (1994).71mm). no início poucas plântulas. quando 28 Tópicos em Ciências Agrárias. divulgando resultados da literatura e de pesquisas realizadas no Centro de Ciências Agrárias. A propagação vegetativa tem sido pouco mencionada na literatura. O objetivo deste trabalho foi reunir informações sobre a propagação de espécies frutíferas com potencial no Nordeste brasileiro. não havendo influência dos substratos na eficiência dos métodos de enxertia utilizados. v. A muda estará pronta para o plantio quando atingir cerca de 20 cm de altura. com leito constituído por 3 partes de terriço e 1 a 2 partes de esterco de curral bem curtido. apresentaram os maiores valores de germinação (cerca de 78. pode-se colocar 3 a 4 sementes a 2 a 3 cm de profundidade. a garfagem no topo em fenda cheia apresentou-se mais eficiente. laminados. Rocha et al. 1. na medida em que possibilitou pegamento médio de 87% aos 8 dias após a enxertia. não sendo importante a idade do cavalo no ponto de inserção. Na propagação por sementes. após a avaliação da germinação de sementes de jenipapo submetidas a tratamentos prégerminativos. Borges et al. (1994) mostraram haver variabilidade entre 37 progênies de jenipapo quanto à percentagem de germinação e índice de velocidade de emergência. Em trabalho realizado por Andrade et al. por alporquia e enxertia.3 %). Para isso deve-se utilizar borbulhas de ramo maduro.0 mg L-1 de benzilaminopurina (BAP) e/ou sem a utilização de reguladores vegetais.0% para garfagem em fenda lateral. entre outros métodos (Carvalho. indicando possibilidade de seleção nas plantas matrizes para esses caracteres. As sementeiras devem ter dimensões de 1. Gomes (1989) cita que a enxertia por borbulhia foi usada nas Filipinas com bom resultado. Este é um aspecto interessante. (1994) indicaram acondicionamento das sementes de jenipapo em geladeira. Recentes trabalhos desenvolvidos no Laboratório de Cultura de Tecidos de Planta da Centro de Ciências Agrárias. Jenipapo (2003a) recomenda a imersão em água fria por 48 horas para acelerar e uniformizar a germinação. Souto et al. seis a doze meses após a repicagem (Jenipapo. 2009 . 1978). sacos plásticos 18 x 30 cm) com o mesmo substrato usado nas leiras. estudos têm sido realizados para maior conhecimento do processo de multiplicação. 32 dias após a enxertia. glabro. extraídas por fricção em peneira. a semeadura é feita preferencialmente em sacos de polietileno com dimensões mínimas de 20 cm de altura e 7 cm de diâmetro ou em sementeiras previamente preparadas (Santos. utilizando-se vermiculita e solo como substrato. Mudas formadas em sementeira estarão em condições de serem plantadas quando atingirem 20 a 35 cm de altura (Santos. enquanto frutos amadurecidos na planta e extração por abrasão em areia resultaram em sementes com maior índice de velocidade de germinação.07 cm) e diâmetro do caule (7. buscando desenvolver e adaptar tecnologias de propagação para diversas espécies frutíferas tropicais nativas e exóticas. além de ser de fácil manuseio. 30°C e 35°C. que pode demorar de 15 a 30 dias. depois uma maior concentração e no final novamente poucas . 1978). No entanto. e com a importância crescente de fruteiras até então pouco exploradas. Após secagem à sombra por 48 horas. 1994. retirando-se as sementes por meio da maceração. Ambientais e Biológicas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. recomendaram a imersão das sementes em água a 65°C por 5 a 10 minutos por ser um método econômico e proporcionar maior valor para o índice de velocidade de germinação. foi de 100 e 95. (2000) obteve-se maiores percentagens de germinação de sementes de jenipapo em temperaturas de 25°C. 2003b). A influência dos substratos no desenvolvimento das plantas só foi observada aos 13 meses quando o substrato composto por solo. verde-azulado realizando-se cortes de quatro centímetros de comprimento. As mudas com cerca de 2 cm de altura devem ser repicadas para vasos (jacás.4 % respectivamente para garfagem no topo em fenda cheia e garfagem em fenda lateral. Silva et al. Jenipapo. os frutos devem ser provenientes de plantas isentas de pragas e doenças e de boa produção. Ambientais e Biológicas/UFRB vêm demonstrando a capacidade organogenética da cultura a partir de segmentos internodais (Figura 1). num tempo médio de 17 dias após o início da germinação. Prado Neto (2006) avaliou a influência de diferentes substratos no desenvolvimento inicial da planta e a eficiência de métodos de enxertia por garfagem em jenipapeiro. UFRB.

havendo variação na percentagem de acordo com o período de secagem e condições de armazenamento. 2009 29 . (2002).7 %. não só haveria redução de custos pela falta da necessidade de usar reguladores vegetais. v. visto ser a produção de mudas. Cultura da mangabeira (Hancornia pubescens) A mangabeira é uma espécie cujas sementes em condições ambientais apresentam baixa longevidade. Gonzaga Neto et al. Os resultados observados. obtendo os melhores resultados na utilização de areia lavada adicionada de terra vegetal (proporção 1:1). destacando-se o meio MS suplementado com 1. e do armazenamento por 72 horas sob condição de refrigeração na germinação e índice de velocidade de emergência. Também foi possível verificar que as sementes embebidas em água apresentaram uma maior percentagem de germinação em relação às não embebidas (Capinan. Novaes et al.0 2. embriogênese somática.se visa propagação clonal. bem como uma provável diminuição nos riscos de variação somaclonal.0 1. até umidade de 18. Ainda na busca por substratos mais responsivos. 15 Frequencia de brotações (%) 10 5 0 0. E por serem recalcitrantes as sementes perdem rapidamente o poder germinativo logo que retirados dos frutos. sugerindo comportamento recalcitrante. As taxas médias de multiplicação variaram entre 0. quando estes iniciarem a queda espontânea ou recolhê-los no chão. O início da emergência de plântulas ocorreu em média aos 23 dias após a semeadura. A emergência das plântulas ocorre em média de quinze a trinta dias após semeadura. várias combinações de reguladores vegetais vêm sendo testadas em meio MS (Murashige & Skoog 1962). servem também como ponto de partida para outros estudos visando inclusive.8 %. Efeito das concentrações da bezilaminopurina (BAP) na frequência de explantes com brotações de jenipapeiro.0 Concentrações de BAP (mg L ) Figura 1. para que possam ser futuramente utilizados em técnicas biotecnológicas como a hibridação somática e/ou transformação genética. houve tendência de redução de germinação com o dessecamento e com o armazenamento. 1. Para obtenção das sementes. citado por Ferreira (1973). Pimentel & Santos (1978) verificaram um decréscimo de 52% na germinação das sementes ao terceiro dia extração dos frutos quando deixados em condições ambientais.2 brotos por explantes. (1987) observaram que sementes de mangaba embaladas em saco de polietileno armazenados à temperatura de 15oC e umidade de 45% mantiveram até os 25 dias. Tavares (1960). Vieira Neto (2001) recomenda colher os frutos diretamente da árvore. um grande entrave na cultura da mangabeira. estudando a germinação de sementes de mangaba. No sentido de desenvolver protocolo eficiente para estimular as repostas in vitro desta cultura a partir de segmentos de epicótilo. UFRB. já que neste caso.25 mg L-1 (AIA) (Tabela 1). constatou que o poder germinativo das sementes cai rapidamente entre o quarto e o oitavo dia após sua retirada dos frutos. 2003). proporcionando a continuação das etapas de melhoramento da espécie. não observaram influência significativa do dessecamento. Este acentuado decréscimo deve-se provavelmente à rápida desidratação das sementes. A percentagem média de germinação foi de 33. O aspecto morfológico das brotações Tópicos em Ciências Agrárias. e embora sem diferença significativa.1 e 1. constatou-se bom desempenho das plantas em bagaço de cana e areia lavada na proporção de 1:1. uma porcentagem de 25% de germinação. estudos referentes aos substratos mais eficazes na germinação das sementes recalcitrantes da mangabeira foram realizados. embora indiquem um potencial promissor para a propagação vegetativa in vitro de plântulas de jenipapeiro a baixo custo.0 mg L-1 (BAP) + 0. Em relação à forma mais apropriada de produzir as mudas desta espécie.0 -1 3. sendo necessária rápida semeadura logo que colhidas.

50 mg L (AIA) -1 -1 2. v. segmentos de epicótilo foram numerados de acordo com a proximidade em relação ao ápice. como o relatado por Pinheiro et al.28 C 25. no entanto.25 mg L (AIA) -1 -1 1. Geralmente os trabalhos in vitro estão voltados para testes de germinação.0 cm e 4 a 5 pares de folhas opostas. 0. realizados com a fruteira em estudo. não apresentaram raízes.25 mg L (AIA) -1 -1 2. 1962) suplementado com 1. UFRB.0 mg L-1) e AIA (0. banana.0. citros. Cruz das Almas.0 mg L (BAP)+ 0. Combinações de reguladores vegetais acrescidas no meio de cultura MS (Murashige & Skoog. Apesar dos resultados promissores quanto ao número de brotações.28 C 1. razão pela qual a conversão em planta também é reduzida. conforme se observa na Figura 2. a partir de segmentos de epicótilo em de cultura MS (Murashige & Skoog. 30 Tópicos em Ciências Agrárias. Verificou-se que a combinação de 1. 2009 . (2001). Neste sentido.0. Este fato possivelmente deve-se aos poucos trabalhos. tais como abacaxi. a capacidade de enraizamento tanto in vitro como ex vitro da mangabeira. é baixa.13 C 0.00 mg L (AIA) -1 -1 1. independente da posição do segmento internodal. Regeneração in vitro de plantas de mangabeira.desenvolvidas neste meio de cultura foi satisfatório. onde as mesmas apresentaram comprimento em torno de 5.50 mg L-1). sendo considerado internódio 1 aquele mais próximo ao sistema radicular.23 A 0. Número de explantes intumescidos e taxa média de multiplicação (brotos por explantes) de mangabeira.25 ou 0.0 mg L (BAP)+ 0.0 mg L (BAP)+ 0. 1.0 ou 2. desta natureza. 1. 3 e 4 aqueles mais próximos ao ápice caulinar.0 mg L (BAP)+ 0.0 mg L-1 de BAP e 0.23 C 0. Figura 2.0 mg L-1 (BAP) + 0. buscando discriminar a existência de zonas com maior potencial organogênico que favoreça o enraizamento. Tabela 1.33 C 0.63 B 0.50 mg L (AIA) CV (%) -1 -1 Explantes intumescidos 0.0 mg L (BAP)+ 0.88 A 0. As taxas de multiplicação obtidas neste trabalho podem ser consideradas baixas.25 mg L-1 (AIA). em função do meio de cultura MS (Murashige e Skoog. 1962).03 D 29. 0.24 Valores seguidos da mesma letra na vertical não diferem entre si pelo teste de Tukey a 1% de probabilidade. 2. dentre outras.56 B 0. 2003.25 mg L-1 de AIA realmente é aquela que proporciona melhor resposta dos explantes de mangabeira na indução de brotações. quando comparadas com aquelas fruteiras que já possuem protocolos de regeneração de plantas in vitro definidos. 1962) suplementado com BAP (0.46 Taxa de multiplicação 0.

água. Corrêa et al. O uso destes recipientes depende do tipo e do local onde a muda será produzida. nutrientes e oxigênio. 2001). capacidade de troca catiônica.40 x 0. No preparo de mudas para porta-enxerto. as plantas oriundas a partir desse processo apresentam uma grande variação na produtividade. Recomenda-se selecionar as sementes maiores e semeá-las o mais breve possível. Entre os tubetes artesanais biodegradáveis. A produtividade e a qualidade dos frutos produzidos em pomares de “pé-franco” são bastante variáveis. mostrou que substratos existentes no mercado possibilitam a produção de porta-enxertos mais vigorosos. apresentam em geral baixa qualidade fitossanitária e agronômica. no tamanho. A germinação ocorre dentro de três semanas e quando as mudas apresentarem 30 cm de altura podem ser plantadas definitivamente. (1995) destacaram que os processos de propagação mais utilizados no cajueiro são a alporquia e a enxertia. devendo estes proporcionarem um bom desenvolvimento à muda enquanto esta permanecer no viveiro. 1. refletindo em sua história as dificuldades de acesso dos produtores a mudas enxertadas com materiais apropriados e economicamente viáveis (Cavalcante Júnior & Chaves. O uso de tubetes artesanais biodegradáveis produzidos a partir de fibra de sisal (Agave sisalana). O tamanho da semente tem efeito Tópicos em Ciências Agrárias. com maior sobrevivência dos enxertos. UFRB. observando-se efeito significativo do substrato Citrus 1. recomenda-se utilizar sacos de 0.). não satisfazendo portando os interesses dos consumidores de caju. bagaços. Estes pomares improdutivos estabelecidos com altos custos. Como a polinização é cruzada. tem como resultado plantas com características diferentes no que diz respeito ao fenótipo e genótipo. as sementes devem ser coletadas em frutos provenientes de árvores de boa produção e frutos de alta qualidade. esterilidade biológica. 2009 31 . Os melhores resultados para a maioria das características avaliadas foram obtidos com a utilização do tubete de polipropileno rígido em substrato Citrus 1. independentemente do tubete utilizado. além de proporcionar boa agregação das raízes aos substratos e facilidade de retirada das mudas dos tubetes de polipropileno rígido. vasos de barro. fenômeno que depende de outros fatores.). Visando a produção de mudas de cajueiro anão precoce. Os principais fatores determinantes na formação de uma muda são o substrato e o recipiente. As sementes podem ser colocadas para germinar diretamente em sacos de polietileno não reciclado de 30 x 18 cm e 12 m de espessura. 1980). recipientes metálico e sacos de polietileno. xaxim. Entre as características desejáveis de um substrato. areia etc. necessitando aumento do suprimento hídrico e o tubete de palha de banana apresentou maior grau de degradabilidade. a exemplo de animal (esterco. a exemplo de caixas de madeiras.Cultura do cajueiro (Anacardium occidentale) A propagação de cajueiro por sementes (pé-franco). pode-se citar o custo. da estrutura do viveiro e de uma criteriosa análise de custo. a exemplo da viabilidade da semente. teor de nutrientes. para produção de mudas de cajueiro anão precoce em diferentes substratos (composto do lixo urbano. Os resultados na literatura não são consistentes e muitas vezes conflitantes. Nesse tipo de propagação. retenção de umidade e uniformidade. o de folha de taboa destacou-se pelo seu menor custo de confecção e boa resistência ao manuseio e transporte da muda. forma e qualidade dos frutos. Hartmann & Kester (1994) relacionam vários tipos de recipientes que podem ser usados na propagação e cultivo de plantas jovens. o que favorecerá o desempenho futuro da planta. plástico e fibra. O tubete de fibra de sisal apresentou problemas de baixa retenção de umidade nos substratos. Em geral. bem como no período de colheita (Luna. devido a desuniformidade das fases de desenvolvimento. devendo-se considerar os benefícios da sustentabilidade e geração de emprego para indicar a sua utilização. 1997). disponibilidade. A manutenção das sementes em água durante 24 horas melhora a germinação e por 48 horas em ácido giberélico resulta em 100% de germinação. Cultura da jaqueira (Arthocarpus integrifolia) A jaqueira tem sido propagada tradicionalmente por sementes. vermicomposto e substrato comercial Citrus 1) mostrou que a porcentagem de germinação e o índice de velocidade de emergência foram influenciados pelo substrato.30 m considerando-se a necessidade de permanecerem por maior tempo no viveiro. plástico e metal. O tamanho das sementes é um dos fatores que pode influenciar a germinação e o vigor das plântulas. O substrato atua como se fosse o solo fornecendo à planta sustentação. blocos de fibra. podendo ser de diversas origens. experimento realizado por Silva (2002). os estudos mostram que o tamanho da semente não tem influência sobre a germinação. v. o que inviabiliza a exploração comercial racional de pomares assim estabelecidos. perlita. sob condição de viveiro telado. vegetal (tortas. pois as mesmas perdem gradativamente a viabilidade. mas afeta o vigor da plântula (Carvalho & Nakagawa. húmus etc. fibra da folha de taboa (Typha dominquensis) e palha de bananeira (Musa sp). Os substratos vermicomposto e composto do lixo urbano proporcionaram menor desenvolvimento das mudas. mineral (vermiculita.). isopor etc.) e artificial (espuma fenólica. O custo final médio da muda usando tubete artesanal biodegradável foi superior em 13 %. serragem etc. aeração. porém com características suficientes para atender às exigências mínimas da altura e diâmetro do caule para a enxertia no período de 30 dias após emergência.

M.0 g). p. M. C. substrato e morfologia do desenvolvimento pós-seminal. BUSO. conforme citações de Andrade et al. BRASILEIRO.000 mg kg-1 de ácido indolbutírico e mantidas sob nebulização. Sampaio (1986) obteve 57. Ciência Rural. O trabalho desenvolvido com sementes de diferentes massas: pequenas (2. utilizados para consumo in natura ou obtenção de doces em compotas ou licores. peso fresco e seco da parte aérea foram observados em sementes grandes. n. CALDAS.. UFRB. são relatadas experiências bem sucedidas de enraizamento de estacas tratadas com 5.0%. S. v... Trabalho desenvolvido por Dantas et al. v. L. garfagem (fenda lateral) e encostia.1 a 14. A.1 a 8.5% de pegamento com o método de garfagem em fenda cheia e 67. ENSINA. p.SPI. J. 3. Cultura de tecidos e transformação genética de plantas. F.pronunciado sobre o crescimento inicial das plantas.0 a 6. F. A percentagem de germinação variou de 81. Efeito do armazenamento de sementes de jenipapo (Genipa americana L. ALMEIDA. Os garfos para enxertia são obtidos das jaqueiras selecionadas e após remoção das folhas devem ficar com 10 a 15 cm de comprimento. (1994).). Micropropagation of adult avocado. Brasília: Embrapa. E. REFERÊNCIAS ALMEIDA. pois o extrativismo dos frutos ocupa um lugar de destaque na composição da renda familiar de pequenos agricultores. 1994.. 13. não havendo diferença significativa entre as classes de sementes. (1998) e trabalhos realizados por Machado et al. P.. No entanto. A. et al. R. 32 Tópicos em Ciências Agrárias. com sementes grandes germinando aos 16º dia após a semeadura. Resumos. Indução de brotações em explantes de segmentos de folhas de plântulas de urucueiro em diferentes citocininas. vermelhos. trabalhos realizados por diversos autores com diferentes espécies mostram influência do tamanho da semente tanto no vigor quanto na germinação.Os maiores valores para altura de plantas. podendo atingir até 20 m de altura. G.99 g) e médias (5. C. ALMEIDA. Embrapa. a propagação da jaqueira pelo método da alporquia apresentou 90% de pegamento.2 a 95. C. p. significativamente superior ao observado para sementes pequenas. C. Salvador. A propagação assexuada da jaqueira pode ser realizada pelos métodos de enxertia e estaquia. Tissue and Organ Culture.. com enraizamento aos 60 dias. 2009 . NUNES.. 3. como substrato. 1980). médias (8.CNPH. S.0 g) mostrou que influência da massa da semente no número de dias para início da germinação. originário da Índia e de algumas ilhas da Malásia pode ser propagado por sementes ou vegetativamente. utilizando-se. com polpa branca. (1992). (Ed. v. A. v. 1. porém. 1994.0 a 8. p. mar. de A. et al. Salvador: SBF. matéria orgânica de origem vegetal (húmus) bem decomposta e a aplicação de pasta de lanolina contendo fitohormônio (ácido indolbutírico). mostrou que o tamanho das sementes não influenciou na germinação. No processo de enxertia podem ser utilizados como porta-enxerto a própria jaqueira e também o champedaque (Artocarpus integer) com um ano de idade. 1999. Cultura do jambeiro (Eugenia malaccensis) O jambeiro vermelho. 2000. J. Germinação de sementes de jenipapo: temperatura.. G. Os frutos são ovóides. C.11 17. (2000). pelos métodos de borbulhia em placa.45-49.1 a 20. D. Transformação genética de plantas. SIMÓN-PÉREZ. copa de forma cônica e ramificações abundantes. Por ser uma planta exótica e pouco explorada comercialmente. J. In: TORRES. 1996. BARCELÓ-MUÑOZ. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. Apresenta porte elevado.) sobre a emergência de plântulas. L. Plant Cell. Brasília.. D. faz-se necessário o estudo de métodos de propagação para o seu cultivo. A massa da semente influenciou o índice de velocidade de emergência. sementes grandes (7. diminuindo a intensidade à medida que a planta se desenvolve (Carvalho & Nakagawa.5% com a garfagem em inglês simples. Quanto à estaquia. ANDRADE.. M. sendo que sementes grandes apresentaram valores superiores em relação às sementes pequenas e médias. 1079-1080. DUSI. L. BORGES. Pesquisa Agropecuária Brasileira. 35.58. A. PLIEGO-ALFARO. F.0 g) e grandes (14. A.26. v. De acordo com Lederman et al.. A.99 g) proporcionaram maiores índices de velocidade de emergência. que iniciaram a germinação aos 23º dias.

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Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

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CAPÍTULO 4
DINÂMICA DO CRESCIMENTO VEGETAL: PRINCÍPIOS BÁSICOS

Clóvis Pereira Peixoto & Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto

Tópicos em Ciências Agrárias

DINÂMICA DO CRESCIMENTO VEGETAL: PRINCÍPIOS BÁSICOS

Clóvis Pereira Peixoto1; Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto1
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Professor - Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas/UFRB, Cruz das Almas-BA. E-mail: cppeixot@ufrb.edu.br

INTRODUÇÃO A dinâmica do crescimento vegetal pode ser acompanhada por meio de fórmulas matemáticas, sendo o primeiro passo utilizado para quantificar a produção vegetal, possibilitando avaliar a contribuição dos diferentes órgãos no crescimento final das plantas. Sua principal vantagem está na obtenção de informações a intervalos regulares, sem a necessidade de laboratórios e/ou equipamentos sofisticados, uma vez que as informações necessárias para levar avante tais análises, são a massa da matéria seca (fitomassa) da planta e a dimensão do aparelho fotossintetizante (área foliar). Nos estudos ecofisiológicos das plantas não se pode prescindir da análise de crescimento, pois, os fatores ambientais como luz, temperatura, concentração de CO2 e a disponibilidade de água e nutrientes, próprios de cada local, afetam sensivelmente a taxa assimilatória líquida, a taxa de crescimento relativo, a razão de área foliar etc., destas plantas. Através do estudo das interações destes parâmetros com cada fator ambiental, em particular, e/ou estádio de desenvolvimento da planta, podem ser conhecidas a eficiência do crescimento e a habilidade de adaptação às condições ambientais em que estas plantas crescem. Portanto, independente das dificuldades inerentes ao conhecimento da complexidade que envolve o crescimento das plantas, a análise quantitativa do crescimento é uma ferramenta e o meio mais acessível e bastante preciso para avaliar o desenvolvimento vegetal e a contribuição de diferentes processos fisiológicos sobre o seu desempenho, nas diferentes condições agroecológicas a que são submetidos. A tecnologia de exploração de plantas envolve a aplicação de diversas ciências. Na Agronomia, a horticultura e a silvicultura, entre outras, são disciplinas que utilizam conhecimentos provindos da Botânica, da Edafologia, da Mecânica, da Zoologia (pragas), da Climatologia e de outros setores do conhecimento, visando a produção agrícola que decorre do crescimento e desenvolvimento das plantas. Um controle da produtividade das plantas só é possível, pois, conhecendo-se os fatores que atuam sobre o crescimento e desenvolvimento nos vegetais. Este trabalho visa atender aos iniciantes no estudo da Fisiologia Vegetal e, em particular, aos alunos dos cursos de Agronomia e áreas afins, sendo esta, uma revisão simplificada sobre a dinâmica do crescimento e desenvolvimento das plantas, permitindo que o leitor tenha uma noção básica geral e, caso queira aprofundar o conhecimento, poderá utilizar-se das bibliografias sugeridas e/ou buscar aquelas mais específicas. CONCEITOS BÁSICOS A análise quantitativa de crescimento tem sido usada por pesquisadores de plantas, na tentativa de explicar diferenças no crescimento, de ordem genética ou resultante de modificações no ambiente. Sua aplicação torna-se apropriada quando são usados conceitos básicos de análise de crescimento e os critérios essenciais para a obtenção dos dados. Crescimento - Aumento irreversível de algum atributo físico, especialmente do material protoplasmático (Reis & Muller, 1979). Pode-se medir a massa, tamanho ou volume, a depender: a) do objetivo do experimentador, b) da disponibilidade do material a ser estudado e c) da disponibilidade do equipamento para efetuar a medida. Muitos autores restringem o termo crescimento aos processos de divisão e alongamento celular. Crescimento, entretanto, nem sempre significa um aumento de tamanho (Felippe, 1985). Assim, alguns organismos utilizam materiais de reservas para produzir novas células, havendo multiplicação celular sem, contudo, aumento em extensão, o qual se dá por vacuolização. Tanto é que, em “déficit hídrico”, o crescimento em extensão é o mais sensível, pois depende da pressão de turgor. Desenvolvimento - Diferentes etapas por que passa o organismo ou o vegetal (germinação, juvenilidade, maturação,
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reprodução, senescência e morte). O desenvolvimento é caracterizado pelo crescimento e por mudanças na forma da planta, as quais ocorrem por meios de padrões sensíveis de diferenciação e morfogênese. Diferenciação - Aumento em complexidade. Diz respeito a todas as diferenças qualitativas entre células: especialização de células e tecidos para funções particulares durante o desenvolvimento. Os tecidos diferenciam-se em sistemas vasculares (floema e xilema), de reservas, preenchimentos e síntese (parênquimas), entre outros. Através da fenologia (estudo dos fenômenos periódicos da vida em relação às condições ambientais), pode-se observar que o crescimento e o desenvolvimento de um organismo resultam da ação conjunta de três níveis de controle (Lucchesi, 1987): a) Controle Intracelular - Controle genético - envolve as características da planta que ela carrega em sua bagagem genética. A atividade celular depende da ação gênica para a síntese protéica e enzimática. Estes conhecimentos são muito utilizados em programas de Biotecnologia. b) Controle Intercelular - envolve as substâncias reguladoras; os hormônios, compostos orgânicos não nutrientes, de ocorrência natural, produzidos na planta que, em baixas concentrações promovem, retardam ou inibem processos fisiológicos e morfológicos. Os reguladores vegetais possuem as mesmas pro-priedades, sendo, porém exógenos. Suas atuações acontecem ao nível de gene, portanto, são capazes de promover as mais variadas modificações nos vegetais (Castro & Vieira, 2001). As principais classes de hormônios vegetais são as Auxinas, Giberelinas e Citocininas (promotores), o Etileno (ligado a senescência) e o Ácido abscísico (Inibidor). Alguns reguladores sintéticos como a Hidrazina maleica, têm ação inibidora. Enquanto outros, como o Daminozide (SADH) e Chlormequat (CCC), agem como retardadores do crescimento com ação no meristema subapical sobre a síntese de auxína e giberelina, respectivamente. c) Controle Extracelular - É o controle ambiental. Seriam as condições do ambiente onde está inserido o vegetal, pois seu desenvolvimento depende de vários componentes ambientais como: luz, temperatura, água, sais minerais etc. Estão envolvidos fatores do meio físico (climáticos e edáficos) e fatores do meio biológico (pragas, doenças, plantas daninhas, animais e o homem). O ambiente, constituído do Biótopo (lugar onde há vida) e da Biocenose (conjunto dos seres vivos), afeta a morfologia, o crescimento e a reprodução vegetal, através dos fatores climáticos (altitude, latitude, vento, temperatura, luz e água) e edáficos (topografia, propriedades físicas: textura, estrutura, profundidade e permeabilidade e propriedades químicas: fertilidade, pH e matéria orgânica). Como pode-se observar, o desenvolvimento da planta como um todo, é um processo complexo que envolve fatores externos e internos, compreendendo o crescimento e a diferenciação. O crescimento reflete um aumento em tamanho e peso (massa), sendo, por isto, um processo quantitativo. A diferenciação é um processo qualitativo que pode ser observado, mas não medido, constituído por modificações internas e externas na forma e posição relativa de várias partes da planta durante seu ciclo de vida. As técnicas de análise de crescimento foram desenvolvidas no início do século XX, por investigadores britânicos (Blackman, 1919; Briggs et al., 1920; West et al., 1920), que além de apresentarem as fórmulas de análise de crescimento, suas derivações e condições necessárias para seu uso correto, discutem alternativas e métodos que envolvem uma descrição matemática do peso da matéria seca e da área foliar em função do tempo, seguida de cálculos de diferentes parâmetros de crescimento. O fundamento dessa análise é a medida seqüencial da acumulação de matéria orgânica na planta, sendo que a sua determinação é feita, normalmente, considerando a massa da matéria seca ou a sua fitomassa (Magalhães, 1985). Entretanto, devido ao fato deste procedimento ser destrutivo, as plantas tomadas como amostra a cada tempo, devem representar a população em estudo. A medida da massa da matéria seca das diferentes partes da planta é simples e exige poucos equipamentos (réguas graduadas em milímetros, tesouras, paquímetro, estufas de aeração forçada, sacos plásticos, sacos de papel etc.). Isto é, não exige laboratório nem material sofisticado, o que é considerado uma vantagem da análise do crescimento Castro et al. (1984). Estas informações são obtidas a intervalos de tempo regulares, normalmente uma semana ou cada 14 dias para plantas de ciclo curto (Castro et al., 1984; Magalhães, 1985; Peixoto, 1995; Peixoto, 1998; Brandelero, 2001; Brandelero et al., 2002; Peixoto 2002; Benincasa, 2004 e Lima, 2006). A fim de que o crescimento total da planta possa ser estimado, as raízes devem ser consideradas como importantes componentes do vegetal. No entanto, em geral, a recuperação das raízes, principalmente no campo, pode se tornar um trabalho adicional, o que faz com que esta parte da planta seja desconsiderada nos cálculos de análise de crescimento. Por outro lado, em determinados vegetais, onde as raízes são responsáveis pela produção econômica, faz-se necessário que a tomada de suas medidas, seja em massa, volume, diâmetro ou tamanho.

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A determinação da superfície foliar é muito importante no que diz respeito a inúmeros parâmetros fisiológicos como a taxa de crescimento relativo, a taxa assimilatória líquida e o índice de área foliar, entre outros. A área foliar representa a matéria prima para a fotossíntese e, como tal, é de grande importância para a produção de carboidratos, óleos, proteínas e fibras. Basicamente, os parâmetros utilizados para medir o crescimento vegetal abordam a área foliar (AF ou L) e matéria seca (MS ou W) acumulada pela planta por representarem esses fatores a “fábrica” e o “produto final”, respectivamente (Peixoto, l995). Na prática, as principais medidas de W e L são o peso da matéria seca total (MST) e a área foliar total (AF) da planta. As fases de crescimento de uma planta ou de qualquer outro organismo vivo podem ser resumidas na Figura 1 e representam as modificações no tamanho, na massa ou no volume desse organismo, ou de qualquer órgão dele, em função do tempo. Neste tipo de curva, pode-se distinguir uma fase inicial de crescimento lento, passando posteriormente a uma fase exponencial e, em seguida, a uma de crescimento linear e um novo período de crescimento lento, com a paralisação eventual do processo.

CRESCIMENTO

IDADE DA PLANTA

Figura 1. Curva ilustrativa do crescimento sigmoidal de uma planta (Magalhães, 1985). A interpretação fisiológica dessas diferentes fases do crescimento pode ser compreendida da seguinte forma: a) No início, a planta depende das reservas da semente para a produção dos diferentes órgãos componentes. O espaço ainda não foi ocupado pelas plantas. Cada nova folha que é formada contribui para maior interceptação da luz. Não há sombreamento mútuo ainda e a contribuição das poucas folhas é semelhante. A taxa de crescimento relativa é constante e a cultura é principalmente vegetativa, caracterizando a fase exponencial. b) Após o desenvolvimento do sistema radicular e a expansão das folhas, a planta retira água e nutrientes do substrato em que se desenvolve e inicia os processos anabólicos dependentes da fotossíntese. As folhas serão gradualmente auto-sombreadas, aumenta o índice de área foliar (IAF), passando a uma fase de crescimento linear, com o maior incremento na taxa de matéria seca (MS). Quando água e nutrientes não são limitantes, o IAF poderá facilmente exceder o seu ótimo sem, contudo, significar maior aumento em fitomassa. c) Ao atingir o tamanho definitivo, a planta entra na fase de senescência, diminuindo o IAF, com menor interceptação da energia luminosa, resultando em decréscimo no acúmulo de matéria seca, com a translocação desta para os órgãos de reservas, e conseqüente degeneração do sistema fotossintético. Segundo Lucchesi (1987), um vegetal anual sob condições ecológicas adequadas, ocupa no período de crescimento, em termos de percentagem, 10% para germinar, 6% para emergir, 51% no grande período de crescimento (fase linear), 15% para a reprodução, 8% na maturação e 10% até a colheita. Portanto, durante o seu desenvolvimento, o vegetal ocupa, nas diferentes fases, diferentes períodos de crescimento, naturalmente afetados pelos fatores externos (fenologia) e os inerentes à própria planta. A análise do crescimento constitui uma parte da fisiologia vegetal em que se faz uso de fórmulas e modelos matemáticos para avaliar índices de crescimento das plantas, sendo muito deles relacionados com a atividade fotossintética (Benincasa, 2004). Como o crescimento é avaliado por meio de variações de tamanho de algum aspecto da planta, geralmente morfológico, em função da acumulação de material resultante da fotossíntese líquida, esta passa a ser o aspecto fisiológico de maior importância para a análise de crescimento. Exceções ocorrem como, por exemplo, o alongamento de caules por alta atividade auxínica, sob condições de ausência de luz (estiolamento). A fotossíntese líquida (FL) é definida como a diferença entre a fotossíntese bruta (FB -tudo que é literalmente produzido pela fotossíntese no interior dos cloroplastos) e o que é consumido pela respiração (R). Em algumas plantas, outro processo compete com a fotossíntese bruta: a fotorrespiração (FR). Portanto, FL = FB - (R + FR).
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o caminho (5) constitui o fluxo de energia obtida pela respiração que será utilizada na síntese de novo material e (6) é fluxo de material armazenado que.A respiração é um processo de combustão lenta dos carboidratos produzidos na fotossíntese. a fotossíntese bruta terá de ser bem maior para atender às necessidades metabólicas do material existente e. são produzidos os produtos primários (PP). a partir do processo fotossintético (Benincasa. 2004). lipídeos e demais componentes orgânicos produzidos pela planta . esse material armazenado poderá ser utilizado diretamente pela respiração. Os compostos elaborados no nível B são.nível C. Fotossíntese A 1 3 Respiração PP 4 2 Armazenamento I 5 6 Síntese de Material Metabólico e Estrutural B 7 Manutenção 9 8 Armazenamento II Crescimento C Figura 2. 42 Tópicos em Ciências Agrárias. utilizados para a síntese de material metabólico e estrutural (4). Fluxo de matéria e energia. promover adições de novos materiais. utilizados para manutenção do material já existente (7). 2009 . O crescimento da planta como um todo. resultando na liberação de energia armazenada nesses compostos. promover o crescimento. Estes carboidratos poderão ser diretamente “queimados” pela respiração (3) e/ou. Em caso de estresses. na medida em que a planta cresça. Em direção ao nível B. ou podem ser armazenados (2) em formas mais complexas (dissacarídeos ou polissacarídeos como a sacarose e o amido). UFRB. Portanto. Na Figura 2 tem-se o fluxo de matéria e energia a partir da fotossíntese. como proteínas. de unidades estruturais é função do que a planta armazena (armazenamento I e II) e do que a planta produz em termos de material estrutural (nível B). eventualmente. 1. a qual é utilizada para a manutenção do metabolismo vegetal e de todos os processos fisiológicos.nível B. v. resultando em crescimento . conseqüentemente. é de se esperar que. isto é. que formarão inicialmente os açucares simples (monossacarídeos como glicose e frutose). de massa. em parte. ainda. em termos de aumento de volume. armazenado secundariamente (8) ou serão utilizados para promover aumento do material estrutural (9). poderá ser mobilizado para as novas sínteses. mediante o processo fotossintético. no qual o esquema se apresenta em três níveis. de dimensões lineares. e. ocorra um aumento no processo respiratório. No nível A. basicamente carboidratos (1).

volumétricas. raízes e frutos) que podem fornecer informações sobre a fenologia e são. a medida dessa superfície. são as únicas possíveis.Medidor de área foliar.Com um perfurador de área conhecida (de metal). Número e distribuição de estômatos. Massa seca de discos foliares . UFRB. Tópicos em Ciências Agrárias. os órgãos vegetais responsáveis pela fotossíntese.Comparação da massa de uma área conhecida de papel com a massa dos recortes do perímetro das folhas. incluindo condições de cultivo. “de bancadas”. a análise de crescimento atende àqueles pesquisadores que estão interessados em conhecer diferenças funcionais e estruturais entre cultivares de uma mesma espécie. relacionando a massa seca da área conhecida do disco com a massa seca da folha. retângulo etc. Dimensões lineares (altura de planta. obtendo-se diretamente a área foliar. que ficam nos laboratórios. Número de unidades estruturais . A partir dos dados de crescimento pode-se inferir atividade fisiológica. através de punções. (e) disponibilidade de equipamentos para executar as medidas. são feitas cópias heliográficas das folhas e do mesmo papel são retiradas figuras com formas em que a área pode ser conhecida (quadrado.). isto é.) Estas medidas de dimensões lineares podem ser feitas em plantas intactas ou não. (c) disponibilidade de mão-de-obra. com raríssimas exceções. Dentre estes métodos.A partir de contornos foliares impressos em papel. determina-se a área de uma das faces da folha. o aparelho fotossintetizante é a superfície do caule e ramificações. (d) disponibilidade de tempo do experimentador ou da equipe. Medidas de superfície . usadas para detectar diferenças entre os tratamentos estabelecidos. Do ponto de vista agronômico. É mais comum usar-se a “impressão da folha” em um papel e usar o planímetro no contorno destas. peso e número de unidades estruturais. em vez de se medir a folha inteira. A superfície foliar é determinada diretamente ou estimada por meios indiretos. A maioria com alto grau de precisão. O crescimento de uma planta pode ser estudado através de medidas de diferentes tipos.O crescimento pode ser acompanhado a partir da contagem de unidades estruturais morfológicas ou anatômicas (folhas. Uso de integradores . Fotocópias . Para isso. Por interpolação das massas das figuras de áreas conhecidas e a massa da “impressão” recortada da folha. componentes de instrumentos eletrônicos. 2009 43 . através da utilização de células fotoelétricas. comprimento e largura de folhas etc. estimar-se. de forma a poder selecionálos para melhor atender aos seus objetivos ou mesmo utilizar a análise de crescimento no estudo do desenvolvimento vegetal sob diferentes condições ambientais. Os tipos de medidas a serem realizadas dependem de vários aspectos: (a) objetivos do experimentador. 1. quais sejam: lineares. (b) disponibilidade de material a ser estudado. dão importantes informações sobre as diferenças funcionais entre plantas ou interações destas com o ambiente. flores. acompanhadas ou não. de forma bastante precisa.Estas medidas estão relacionadas com a determinação ou estimativa da superfície fotossinteticamente ativa da planta que. A área foliar é determinada por diferentes métodos. como algumas cactáceas. muitas vezes. superficiais. Em caso de plantas que não apresentem folhas funcionais. em alguns casos. estima-se a área foliar. destaca-se: Uso do Planímetro . Integra a área de qualquer material opaco. de outras medidas destes órgãos. círculo. Coloca-se uma placa transparente sobre a folha (vidro ou plástico) para facilitar a operação. as causas de variações de crescimento entre plantas geneticamente diferentes ou entre plantas crescendo em ambientes diferentes. são as folhas. v. de forma a subsidiar o processo de seleção de acordo com os objetivos do experimentador. Pode-se fazer o contorno da folha. comprimento e diâmetro de caule. toma-se amostras de discos foliares. definindo-se como área foliar. Existem os portáteis e os maiores. número e distribuição de células do parênquima clorofiliano.Medidas do crescimento A análise de crescimento permite avaliar o crescimento final da planta como um todo e a contribuição dos diferentes órgãos no crescimento total. São muito úteis e.

determina-se o valor médio das razões que será utilizado como fator de correção (F) para estimativa da área. 1979). O teor de água é bastante variável a partir da colheita da planta. a partir de medidas lineares como comprimento (C) e largura (L) da lâmina. contudo. procura-se se limitar às plantas disponíveis e as medidas não deverão ser destrutivas. a fim de evitar erro de paralaxe. aumento na massa seca. Critérios de amostragem O tamanho da comunidade ou da área experimental (homogênea ou não) em estudo. Massa da matéria seca . Exemplo: Volume de frutos (imersão dos frutos em água para conhecimento de seu volume). Cada um destes métodos poderá ser usado em situações específicas. É muito trabalhoso. pois se deve fazer várias repetições. Volume . entre outras plantas. que as folhas sejam simples.Desenvolvido por Bleasdale (1977). vão determinar os critérios para a tomada de dados. relacionando-se o potencial osmótico (Yo). os objetivos do trabalho são de maior relevância na definição desses critérios. 2009 .0 cm. a amostra tenderá a ser pequena. considerado mais preciso (envolve o “peso túrgido”). Se não houver diferenças estatísticas entre estas razões. com um número restrito para amostras. v. É muito usado quando se está interessado em produtividade. Deve-se avaliar dados de comprimento. o matricial (Ym) e o potencial pressão (Yp): Ya = Yo + Ym + Yp. em função do tipo da folha (forma. a duração do ciclo. existem exceções como é o caso de embebição de sementes.É a massa constante de determinada amostra. de um número representativo de folhas. Entretanto. calcula-se a razão entre a área foliar (AF) e o produto do comprimento pela largura (C x L) de cada folha medida (R = AF / C x L). Geralmente o crescimento da matéria seca é acompanhado pelo aumento do teor de água nos tecidos da planta. além do ciclo da planta e do seu hábito de crescimento. da disponibilidade do material e do rigor científico do trabalho. Se o número de plantas for restrito ou pequeno. Estabelecem-se os modelos matemáticos quando estas dimensões estão altamente correlacionadas.Método dos pontos . tamanho. usa-se um modelo para cada folíolo de forma geométrica aproximadamente definida e que apresentem altas correlações com suas dimensões lineares ou peso seco (Reis et al. A relação entre massa da matéria fresca e massa da matéria seca pode informar sobre o Teor de Água (TA) ou Teor Relativo de Água (TRA) nos tecidos. usa-se também o potencial de água (Ya) como medida. numa dada temperatura (tecidos vegetais: mais ou menos 65 a 70 graus Celsius). sem. principalmente dependente da umidade relativa do ar. A placa deve ser colocada sobre a folha. 1. não exigirem destruição do material e serem de ampla utilização em condições de campo. Por outro lado. além de destruir o indivíduo. cuidando para que a visada seja feita em ângulo reto. c) do número de amostragens a ser realizado durante todo o período de observação.). pois é uma medida bem mais precisa que o peso da matéria fresca. além de outros aspectos. O mesmo poderá ser entendido para a área amostrada. onde se denota aumento de volume. sendo essencial que se use pontos pequenos. mandioca. de acordo com o tipo de planta usada. o tipo de plantas a serem analisadas. por exemplo: perda de água por transpiração (Reis e Muller. o que seria um indicativo do “status” de água na planta. largura. Modelos matemáticos . soja. b) da área total a ser amostrada. Massa da matéria fresca . espessura). 1978). Para tanto. São exemplos. desde o local da amostragem até o local de pesagem. Apresentam a vantagem de serem métodos relativamente rápidos. A desvantagem do uso de massa da matéria fresca (MMF) é conter algumas imprecisões como o tempo entre a colheita e a pesagem.A partir da área foliar obtida por integrador ou por outro método. café. UFRB. Há também destruição do indivíduo. seringueira. Indiscutivelmente.Refere-se ao número de plantas colhidas ou à vegetação que cobre uma determinada área de solo. Na observância dos parâmetros que se quer medir (órgão da planta. Vai depender. consiste no uso de uma placa de vidro ou papel transparente (material utilizado em radiografias) com pontos distanciados de 1. Muita das vezes é obtido por deslocamento de água em determinado recipiente graduado (proveta graduada).. Exige-se para tal. o hábito de crescimento.É a massa do material em equilíbrio com o ambiente. a planta inteira etc. Em folhas compostas. altura 44 Tópicos em Ciências Agrárias. Tamanho da amostragem . principalmente de três aspectos: a) do número de plantas disponíveis.É uma medida tridimensional. leva-se em consideração os seguintes itens: o tamanho da amostragem e o intervalo de amostragem.

principalmente quando se trabalha em condições de campo. altura. cuja soma deverá corresponder a uma fração significativa da área total. diâmetro de caule. massa ou superfície. respeitando o ciclo das plantas em estudo. em todas as plantas. para não haver mascaramento. Padrões de crescimento exponencial e sigmóide As células individuais ou órgãos apresentam potencialmente um crescimento ilimitado que obedece a um padrão exponencial. Normalmente. Se a amostragem for por área e não por planta. a exemplo do rabanete. Caso contrário. as medidas podem ser feitas normalmente. O tipo de recipiente pode ser fundamental. Quando se tem uma área suficientemente grande que se possa colher um número maior de plantas ao acaso. é possível fazer-se uma estimativa a partir de medidas indiretas no campo (estima-se a superfície radicular ou a quantidade de raízes em um determinado volume de solo. número de células ou mesmo conteúdo de proteína. não aumentam significativamente a precisão da amostragem (Benincasa. o qual é mantido para todas as amostragens feitas). Enfim. Para plantas de até 130 dias. bem como da área foliar (através das dimensões comprimento (C) x largura (L). em um número representativo e. mas se tem necessidade de matéria seca. Podem ser medidos um ou dois aspectos listados para plantas intactas. Medidas do sistema radicular tornam-se mais importantes quando se trabalha com estresse hídrico e. 2004). Em déficit hídrico. essas medidas tornam-se bastante viáveis. Este tipo de amostragem só é possível quando se colhem plantas individuais. o intervalo não deverá ultrapassar 5 dias. Interações mútuas entre indivíduos impõem limitações ao crescimento e a curva de crescimento sofre uma inflexão. escolhendo-se o dia mais desejável. a imprecisão das medidas de raízes no campo é de tal ordem. Neste caso. Castro et al. será colhido um número de plantas. existe toda uma metodologia para fazer estas avaliações. (1984) e Magalhães (1985). No caso de plantas de ciclo curto. quaisquer medidas que permitam uma avaliação do crescimento serão válidas. a colheita de plantas será feita com base em uma amostragem prévia de plantas marcadas e intactas. podendo ser detectadas quase que integralmente. etc. intervalos de uma semana ou múltiplo da semana são estabelecidos. 1. Quando se trabalha com plantas envasadas. Tópicos em Ciências Agrárias. a não ser que se tenha mão-de-obra disponível para executar as medidas. os produtos estudados como volume. Normalmente. neste caso.As medidas de raízes ou do sistema radicular são bastante difíceis de serem feitas. no caso de plantas envasadas ou em casa de vegetação ou ripado. 2009 45 . o número de plantas colhidas deverá ficar entre o mínimo de 10 e o máximo de 20. Determinação em raízes . entretanto. Se o número for pequeno. o intervalo de uma semana é o mais recomendável (Benincasa. embora seja melhor aumentar o número de áreas colhidas.Este aspecto dependerá da disponibilidade de plantas e do tempo do pesquisador. Intervalo de amostragem . número de flores. No caso de órgãos de armazenamento (raízes e caules subterrâneos). uma vez que as remanescentes crescerão em ambiente diferente daquele previamente estabelecido.de plantas. é importante estabelecer a relação Raíz/Parte Aérea. de fruto. aconselham para plantas de ciclo curto o intervalo de 14 dias durante o período de crescimento. mostram padrão sigmóide quando analisados no decorrer da vida da planta. Quando há um interesse muito grande. é possível colher-se áreas maiores em menor número.). poderão ser medidas todas as plantas. os dois critérios descritos são de difícil aplicação. número de folhas. Quando se tem uma área cultivada ou coberta por vegetação. devido eventuais limitações de espaço e/ou nutrientes ou acúmulo de produto final. UFRB. para se determinar a gravidade do estresse. sendo comum o uso de tubos com altura e diâmetros diferentes e com conexões para permitir estudos de profundidade. com base na média dessas medidas. Será determinado um número que permita se fazer todas as medidas previstas num mesmo período de observação (meio dia ou o dia todo). Considerando-se que a análise de crescimento usa medidas morfológicas ou anatômicas para inferir processos fisiológicos. 2004). a amostragem será com destruição de uma área mínima e representativa da área total e deverão ser respeitados alguns princípios usados para amostragens com destruição de plantas. tomando uma conformação sigmóide. que é preferível não executá-las. v. Muitas vezes não há disponibilidade de plantas ou a área cultivada é pequena. Também os organismos mostram uma conformação sigmóide. Entretanto. uma vez que valores abaixo de 10 podem induzir a erros e acima de 20. Deve-se tomar cuidado com a seqüência de amostragens para que as plantas a serem retiradas em amostragens seguintes não estejam próximas das plantas que foram retiradas na amostragem anterior.

Padrões de crescimento em planta: exponencial (A) e sigmóide (B) (Reis & Muller.O crescimento de plantas superiores está na fase exponencial quando os acúmulos se processam continuamente. Parâmetros de análise de crescimento Embora muitas vezes o pesquisador se depare diante de situações difíceis de serem explicadas quanto à complexidade do crescimento vegetal. ou ln Wt = ln Wo + r t. É semelhante a uma poupança. onde o embrião representa o capital inicial. Assim. UFRB. Só que no banco seu dinheiro rende ou vai crescer exponencialmente. dependente da absorção das raízes e da atividade fotossintética. enquanto que no caso da planta. O crescimento das células e de órgãos individuais seguiria um modelo exponencial caso não houvesse certas limitações no crescimento. fase linear). Em seguida. passando posteriormente. Num gráfico semilogarítmico do peso da matéria seca em função do tempo. onde: t = intervalo de tempo e r = taxa de crescimento. a equação (1) acima torna-se uma equação da linha reta: lnWt = lnWo + rt ln e (2) onde: Wo representa o crescimento inicial. 1. A B CRESCIMENTO (w) CRESCIMENTO SIGMÓIDE CRESCIMENTO EX PONENCIAL FIM DA FASE DE CRESCIMENTO ESPONENCIAL P/B dw dw . ou seja. considerando que a análise de crescimento ainda é o meio mais acessível e bastante preciso para avaliar o crescimento e inferir a contribuição dos diferentes processos fisiológicos sobre o comportamento vegetal. 1979). podendo cessar com o final da senescência.7182). v. enquanto a eficiência fotossintética determina a taxa de juros (Leopold & Kriedman. Com isso. O crescimento inicial dos organismos inclui uma fase exponencial de crescimento. a uma fase exponencial (de crescimento rápido. ln = logaritmo natural e e = base dos logaritmos naturais (2. ele procura utilizar uma “lógica” estabelecida com base em vários parâmetros. semelhante ao acúmulo de capital através da “taxa de juros compostos”. 46 Tópicos em Ciências Agrárias. 1978). Durante a fase inicial a planta depende fundamentalmente das substâncias de reservas da semente (período de crescimento lento). r significa o índice de eficiência ou coeficiente de interesse. Neste caso. Esta redução do processo pode ser traduzida como uma paralisação na produção de matéria orgânica (Figura 3). 2009 rt . a curva que melhor expressa o crescimento é a sigmoidal. O crescimento nestas condições segue a seguinte equação: Wt = Wo x e (1) sendo Wt. o crescimento exponencial é limitado. o crescimento depois de determinado tempo. enquanto a eficiência fotossintética lhe proporciona a aceleração.Peso seco da planta dt .tempo (área foliar) dt TEMPO (t) Figura 3. definindo-se como a capacidade da planta adicionar matéria seca a si própria. o embrião representa a participação inicial. ocorre um período de redução no crescimento. indica a “taxa de crescimento”.

Wl e W2 representam a massa da matéria seca nos tempos T1 e T2. Para tanto. que é dependente da quantidade de material acumulado gradativamente. em função do autossombreamento. 2009 47 . isto é. onde ln é o logaritmo neperiano.lnW1) / (T2 -T1) = g g dia . UFRB. 2004). A TCA pode ser usada para se ter uma idéia da velocidade média de crescimento ao longo do período de observação. Onde. descontando a respiração (mais a fotorrespiração nas plantas C3) ou taxa assimilatória líquida (TAL). ainda. Tópicos em Ciências Agrárias. equações ou programas. em um intervalo de tempo (Reis & Muller. A utilização de equações de regressão não só corrige as oscilações normais. 1920): RAF = L/W ou L1 + L2 / W1 + W2. e da taxa fotossintética bruta.. onde: W = base em que se relaciona a TCA. a TCA indica variação ou incremento entre duas amostragens sucessivas. TCA = (W2-W1)/(T2-T1) = g dia-1 ou semana. podem ser utilizadas várias funções. W1 e W2 é a variação da massa da matéria seca em duas amostragens consecutivas tomadas nos tempos T1 e T2. em plantas intactas ou colhidas. são tabeladas de forma que possam ser analisadas por meio de fórmulas matemáticas e/ou graficamente. implicará em alterações na RAF. Assim. que é dependente da quantidade de material que está sendo acumulado. ou nos dois. Razão de área foliar (RAF ou QAF) Representa a relação entre a área foliar (L) e o peso da matéria seca total da planta (W). taxa de crescimento absoluto é a variação ou incremento entre duas amostragens ao longo de um determinado período de tempo. para a produção de matéria seca. O quociente de área foliar varia com a Área foliar específica (AFE) e a Razão de massa de folha (RMF). conforme mostra a Figura 4. Segundo Benincasa (2004). deve-se aplicar a fórmula: R = C t / W t. é mais interessante expressar essa taxa de crescimento segundo uma base comum.lnW1 / T2-T1. Esta medida foi estabelecida por Briggs (1920). 1979).As medidas obtidas ao longo do ciclo da cultura. Taxa de crescimento relativo (TCR) Para os biologistas. É apropriada para avaliação do crescimento vegetal. Magalhães (1985) considera a taxa de crescimento relativo como a medida mais apropriada para avaliação do crescimento vegetal. usa-se: TCR = (lnW2 . Indica a variação de crescimento em um determinado intervalo de tempo. A TCR varia ao longo do ciclo vegetal. A RAF declina enquanto a planta cresce. onde: C t = Taxa de produção de matéria seca total e W t = massa da matéria seca total. expressa-se em cm2 ou dm2 g-1. As curvas de taxa de crescimento absoluto (TCA) e taxa de crescimento relativo (TCR) são distintas. É uma medida que pode ser usada para se ter idéia da velocidade média de crescimento ao longo do período de observação. Em trabalhos onde se faz necessário o cálculo dos valores instantâneos.Wo/T = g dia-1. A TCR expressa o incremento na massa de matéria seca. a análise de crescimento estabelece que a taxa de crescimento de uma planta é função do tamanho inicial (período em que se inicia a observação). Para valores -1 -1 médios. indica a velocidade de crescimento (g dia-1 ou semana). para armazenar ou construir novo material estrutural. que é o próprio peso da planta. tem-se que a TCA = Wt . Segundo Benincasa (2004). uma vez que conceitualmente. com a tendência da diminuição da área foliar útil ou fotossinteticamente ativa (responde pela interceptação da radiação luminosa e captação do CO2 na fotossíntese). qualquer variação em um deles. como permite avaliar a tendência do crescimento em função dos tratamentos (Benincasa. Em valores médios. por unidade de peso inicial. ou um incremento de matéria seca neste intervalo de tempo. Taxa de crescimento absoluto (TCA) Para Reis & Muller (1979). Portanto. a taxa de crescimento relativo poderá ser obtida utilizando-se as equações: TCR = TAL x RAF ou TCR = lnW2 . v. É também chamado quociente de área foliar (West et al. Neste caso. trata-se da taxa de crescimento relativo: TCR = dW/(dT x 1/W). pois depende de dois outros fatores do crescimento: a área foliar útil para a fotossíntese ou razão de área foliar (RAF). 1. todo crescimento resultará da produção de material suficiente para atender às necessidades metabólicas do material já existente e.

dia-1. No entanto. relaciona-se com a eficiência fotossintética da planta de modo generalizado. que o restante da planta depende da exportação dessa fitomassa. É obtida através da equação: TCFR = LnL2 .L1)(T2-T1) Para Benincasa (2004). Considerando que as folhas são o centro de produção de matéria seca através da fotossíntese e. sendo AL = (W2 . podem ser levados em consideração para o cálculo da TAL que reflete a capacidade da planta em aumentar sua fitomassa em função de sua superfície assimilatória. a produção econômica está sob outros controles e não necessariamente relacionado com a eficiência fotossintética. a taxa assimilatória líquida deve ser aplicada quando existe uma correlação linear entre a área foliar e a matéria seca total. a RMF expressa a fração de matéria seca não exportada. A razão de massa da folha se constitui numa componente fisiológica. assumindo que tanto L como W. Taxas do crescimento absoluto (TCA) e relativo (TCR) no modelo sigmóide (Reis & Muller. Depende dos fatores ambientais. A área foliar específica relaciona a superfície com a massa da matéria seca da própria folha (AF/MSF). é necessário que L e W estejam relacionados linearmente. isto não é rígido.. ou seja.W1)(lnL2 . 1987) e indica a eficiência de uma planta na produção de matéria seca. serve para estudos de comparação entre espécies e mede a eficiência de uma planta na produção de matéria seca. 1979). mais precisamente nas folhas (área foliar) em função do peso inicial. conseqüentemente.lnL1) / (L2 . Segundo Magalhães (1985). 2009 . Assim.t t Figura 4. v.LnL1 / T2 . UFRB. Expressa-se em g. diminuindo os intervalos de tempo entre as amostragens.T1 Representa o aumento de área foliar em um determinado período de tempo. em determinado intervalo de tempo. já que é razão de massa de matéria seca retida nas folhas e massa de matéria seca acumulada na planta (MSF/MSP). Podese minimizar os erros. Taxa assimilatória líquida (TAL) Representa a taxa de incremento de massa de matéria seca (W) por unidade de área foliar (L) existente na planta. Ou seja. para que haja precisão total da fórmula. Taxa de crescimento foliar relativo (TCFR) Avalia o relativo crescimento da planta em termos de matéria seca formada na parte aérea. é uma estimativa da fotossíntese líquida. Avalia a resposta do crescimento da planta às condições ambientais. mesmo na fase de crescimento exponencial das plantas. Devido ao auto-sombreamento a TAL diminui com o aumento do IAF e. 1920). É também chamada de Taxa de 48 Tópicos em Ciências Agrárias.dm-2. Entretanto. a TAL reflete a dimensão do sistema assimilador que é envolvida na produção de matéria seca. além das folhas. principalmente da radiação solar. pode-se utilizar a seguinte expressão: RAF = AFE x RMF. Portanto. Outros órgãos fotossintéticos. 1. com o crescimento da comunidade vegetal. A superfície é o componente morfológico e a fitomassa é o componente anatômico. pois está relacionado com a composição interna formada pelo número e/ou tamanho de células do mesófilo foliar. A TAL representa o balanço entre o material produzido pela fotossíntese e aquele perdido pela respiração (Pereira & Machado. aumentam exponencialmente (West et al.

Brandelero.0 significa 2 m2 de área foliar (AF) ocupando 2 m2 de solo ou de outro substrato (S): IAF = AF / S. que varia geralmente de 2.T1) onde S. como pseudocaules. Taxa de crescimento da cultura (TCC) Parâmetro considerado o mais importante em fisiologia da produção e empregado para comunidades vegetais.W1) / S / (T2 . 1987. Os termos da equação possuem o mesmo significado da taxa assimilatória líquida (TAL).crescimento relativo de folhas (TCRF). A forma cônica de planta induz um maior potencial produtivo que a globosa. 2002). UFRB. Mesmo sendo o IAF a simples razão L/S. para informar sobre o desempenho de folhas individuais. distribuição de plantas e variedades. folhas eretas são mais eficientes para a fotossíntese máxima. 2009 49 . O IAF representa a área foliar total por unidade de área do terreno. é muito importante para a produção de carboidratos. ele apresenta interações com a TAL e a produtividade. separação vertical e arranjo horizontal e pela absorção por estruturas não foliares. Peixoto. por exemplo. o crescimento das plantas é fortemente influenciado pelo tempo em que é mantida ativa sua superfície foliar. representa a área ocupada pela cultura no substrato disponível. O índice de área foliar é computado em diferentes estádios de crescimento e é muito variável entre plantas e entre épocas de amostragens. O IAF pode variar com a população de plantas. podendo ser expressa apenas como: TCFR = lnL2 . em um determinado tempo. O ângulo foliar é um parâmetro importante na produção. pois reduz o auto-sombreamento. Assim. b) o IAF deve atentar para os objetivos que controlam o cultivo da planta. Expressa-se em g m-2 dia-1 e é obtida através da equação: TPMS = (W2 . resultante da área foliar (L) e da área do terreno ou substrato (S). lipídeos e proteínas. Isto por que: a) durante o crescimento da comunidade vegetal o IAF deve ser suficiente para interceptar o máximo de luz.0 a 5. quando o IAF é grande. 1998. Existe um IAF ótimo para cada cultura. 1. Um IAF igual a 2. Ele avalia a capacidade ou a velocidade com que as partes aéreas do vegetal (área foliar) ocupam a área de solo ou de um outro substrato disponível àquele vegetal. A taxa de crescimento da cultura ou a taxa de produção de fitomassa de uma comunidade vegetal avalia a produtividade primária líquida. ou caso se trate de cultivo hidropônico). pecíolos. diferenciando-se deste. Tópicos em Ciências Agrárias. Tal característica é definida pela duração da área foliar: tempo em que é mantida fotossinteticamente ativa a superfície foliar. constituindo o somatório das taxas de crescimento dos diversos componentes das plantas (Reis e Muller. Pereira & Machado. como tal. Isto é.. Duração de área foliar (DAF) O aparelho assimilatório das plantas é constituído pelas folhas que definem a produtividade do vegetal. 1978. outras partes do vegetal devem também ser integradas à área foliar. A análise de TCFR segue o mesmo raciocínio observado com o parâmetro taxa de crescimento relativo (TCR). ângulo de inserção e orientação azimutal. Representa a quantidade total de matéria seca acumulada por unidade de área de solo ou outro substrato (vegetação aquática. brácteas etc.0. se o interesse é a produtividade econômica (produto comercializado.lnL1 ou ainda pode ser empregada a seguinte fórmula: TCFR = TAL x RAF. em virtude de relacionar mais a parte aérea e não a planta como um todo. o índice de área foliar (IAF). Funciona como indicador da superfície disponível para interceptação e absorção de luz. Em determinadas circunstâncias. Este conceito é básico para análise de crescimento em comunidade de plantas ou na interceptação de luz e. Índice de área foliar (IAF) A área foliar de uma planta constitui sua matéria prima para fotossíntese e. quando interessa um IAF máximo). uma medida análoga da taxa de crescimento relativo (TCR). 2001 e Brandelero et al. É a taxa de produção de matéria seca (TPMS) de uma comunidade vegetal. além das folhas. sendo. deseja-se um IAF ótimo) ou a produtividade biológica (fitomassa total. portanto. A interceptação de luz por uma superfície foliar é influenciada pelo seu tamanho e forma. A cobertura fotossintética em uma comunidade tem sido expressa por um número puro (admensional). especialmente. v. por que a taxa de crescimento da cultura pode ser obtida por: TCC = TAL x IAF (g m-2 dia-1).

3g).T1) e a sua unidade em dm2 dia-1.63 1. mesmo apresentando menor IAF ótimo (2. Observa-se o incremento da matéria seca (Figura 5) e a variação da superfície foliar (Figura 6). A cana-de-açúcar é um bom exemplo (Tabela 1). Índice de colheita (IC) 0.224 mm/ano. em relação ao cultivar Liderança (3.50 m entrelinhas. Pereira & Machado (1987) encontraram correlação positiva entre a produtividade econômica e a DAF na cultura do feijoeiro. raiz. Aw a Am.5ºC e precipitação pluviométrica de 1. Pereira & Machado (1987).50 m de bordadura nas extremidades. parece lógico supor-se que. Diferentes produtos comercializados e índices de colheitas na cana-deaçúcar. Duas linhas foram utilizadas para o estudo da análise de crescimento (amostras destrutivas). próximo ao daquele (8. Essas projeções das curvas são características de culturas anuais a exemplo das encontradas por Pedro Júnior et al. Tabela 1. conforme o cultivar. 2009 . A densidade de plantio foi de 15 plantas por metro linear. segundo a classificação de Köppen. o IC define-se como a razão entre a massa da matéria seca da fração econômica produzida (grão.2g). Na Figura 6 encontra-se o desempenho dos cultivares de soja quanto ao índice de área foliar.5). (2002). 1. Portanto. Verifica-se a tendência sigmoidal para as curvas obtidas dos cultivares avaliados (Figura 5). Produto comercializado (PE) Sacarose Todos os açúcares Bagaço Vinhaça + cinza Fonte: Lucchesi (1985). como por exemplo.00 Apresentação de dados Como exemplo da utilização prática da análise de crescimento. com nove cultivares (tratamentos) e quatro repetições. (1985). O objetivo é obter variedades com alto IC em alta densidade populacional. A duração da área foliar pode ser expressa da seguinte forma: DAF = ½ (L1 + L2) (T2 . a DAF nada mais é que a integral do IAF contra o tempo. UFRB. obteve o valor de matéria seca total da planta (8. As culturas apresentam IC diferenciados. maior será a produtividade biológica da cultura. mas. sendo que cada unidade experimental foi composta de oito linhas de plantio com 5.0 m de comprimento e 0. fruto) e a fitomassa seca total colhida: IC = MSFEP / FSTC ou IC = PE/PB. sendo que estes apresentaram tendência parabólica para todas as curvas. semelhantes aos relatados por Gazzoni (1974) e Peixoto (1998). O delineamento foi em blocos casualizados. 50 Tópicos em Ciências Agrárias. demonstrando que a eficiência fotossintética não fica restrita apenas à superfície foliar.23 0. dependendo do seu uso. A eficiência de conversão de produtos sintetizados (matéria seca total ou produtividade biológica) em material de importância econômica (produto comercializado ou produtividade econômica) é determinada pelo genótipo e pelo ambiente. Nota-se que o cultivar Conquista.6).20 0. a sua carga genética. são apresentados dados de nove cultivares de soja recomendados para a Região Oeste da Bahia e que foram avaliados nas condições agroecológicas do município de Cruz das Almas-BA. localizado nesse município. tendo 220 m de altitude. descontando-se 0. com temperatura média anual de 24. O experimento foi conduzido no campo experimental da Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia.Sendo a fotossíntese o processo responsável pelo fornecimento da energia para o crescimento e desenvolvimento das plantas. também a outros fatores intrínsecos de cada cultivar. O clima é tropical quente úmido. que foram ajustados no tempo pela função polinomial exponencial. Em relação a uma cultura madura. v. quanto mais rápido a cultura atingir o máximo do IAF e quanto mais tempo a área foliar permanecer ativa. Índice de colheita (IC) Pereira & Machado (1987) fazem referência ao índice de colheita como um quociente freqüentemente usado para medir a eficiência de conversão de produtos sintetizados (PB) em material de importância econômica (PE). situado a 12o40'19" de Latitude Sul e 39o06'22" de Longitude Oeste de Greenwich. Peixoto (1998) e Brandelero et al.

4 Conquista 3 2 1 0 0 4 IA F (dm dm ) 3 2 1 0 0 4 Tucano 3 2 1 0 0 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 4 Curió 3 2 1 0 0 4 3 2 1 0 0 4 Uirapuru 3 2 1 0 0 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 4 3 2 1 0 0 4 3 2 1 0 0 4 Celeste 15 30 45 60 75 90 105 Liderança Paiaguás Parecis 2 -2 15 30 45 60 75 90 105 Rio vermelho 3 2 1 0 0 15 30 45 60 75 90 105 Figura 6. v. 1. Variação do índice de área foliar (IAF) dias após a emergência (DAE) dos cultivares de soja introduzidos nas condições agroecológicas de Cruz das Almas . 2009 51 .BA. 2000. Tópicos em Ciências Agrárias. Variação da massa da matéria seca dias após a emergência (DAE) dos cultivares de soja introduzidos nas condições agroecológicas de Cruz das Almas . UFRB.Média 18 15 12 9 6 3 0 0 MATÉRIA SECA (gplanta ) Ajuste 18 15 12 9 6 3 0 Celeste Conquista 18 15 12 9 6 3 0 Curió 15 30 45 60 75 90 105 18 0 15 30 45 60 75 90 105 18 15 12 9 6 3 0 0 15 30 45 60 75 90 105 -1 18 15 12 9 6 3 0 0 18 15 12 9 6 3 0 0 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 Liderança Paiaguás Parecis 15 12 9 6 3 0 0 18 15 30 45 60 75 90 105 0 18 15 12 9 6 3 0 15 30 45 60 75 90 105 Tucano Uirapuru Rio vermelho 15 12 9 6 3 0 0 15 30 45 60 DAE 75 90 105 0 15 30 45 60 75 90 105 Figura 5. 2000.BA.

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CAPÍTULO 5 FISIOLOGIA DA FLORAÇÃO DO ABACAXIZEIRO Getúlio Augusto Pinto da Cunha Tópicos em Ciências Agrárias .

do manejo da cultura. Kinet. posteriormente. gerando uma grande quantidade de informações. No caso do abacaxizeiro. que tem também atuação determinante na fisiologia da floração. que é a atividade fim ou objetivo maior da exploração econômica das fruteiras. Diversos estudos. a temperatura por todas as partes da planta. Muitos reguladores de crescimento. formando a coroa do fruto. abrangendo da ecofisiologia à biofísica (Bernier et al.FISIOLOGIA DA FLORAÇÃO DO ABACAXIZEIRO Getúlio Augusto Pinto da Cunha Pesquisador . porque devem completar sua reprodução sexual sob condições externas favoráveis (Bernier et al. de intensidade variável. O conhecimento desses sinais é da mais 57 Tópicos em Ciências Agrárias. naturais e sintéticos. comosus. UFRB. para melhor entendimento dos seus mecanismos e. Apesar do fotoperíodo ser captado pelas folhas. NOÇÕES DE FISIOLOGIA DA DIFERENCIAÇÃO FLORAL A floração é um processo unitário e integrado. temperatura e disponibilidade hídrica. principalmente sobre o envolvimento de algumas substâncias químicas que apresentam atividade reguladora do crescimento vegetativo da planta. que dá origem às folhas durante o estádio vegetativo. Cruz das Almas-BA.. No Brasil. retoma sua atividade vegetativa. via de conseqüência. cujo conhecimento facilita o seu manejo e o entendimento dos mecanismos de seu florescimento. o que sugere a transmissão de alguma mensagem da folha para o ápice. as alterações morfológicas que vão ocasionar a transição para a formação da flor ocorrem no ápice caulinar (Castro & Vieira. A passagem do estádio vegetativo para o de floração é de suma importância para as plantas. a exemplo do fotoperíodo. exercem sua ação. é a quinta fruta tropical mais cultivada e representa uma ótima opção de cultivo em regiões não tradicionais. 1981. apreciado em todo o mundo onde é cultivado em mais de 60 países e à sua rentabilidade. provavelmente pelos seus efeitos na síntese e/ou atividade do etileno. 1993). passa por transformações. também. permanentemente. Tais mudanças são captadas por diferentes órgãos da planta: o fotoperíodo pelas folhas maduras. haja vista que todos os indivíduos de uma espécie têm de florescer de modo sincronizado para o sucesso do cruzamento e. 1993. produzidos por meristemas modificados de ramos. a exemplo do semi-árido. Dentre esses. apresenta grande demanda e importância econômica. de natureza bastante complexa e controle multifatorial. para que o estímulo florígeno possa ser captado e repassado para o ápice caulinar. portanto. visando ao entendimento de como essa transição é controlada. que são favoráveis à produção de estruturas. Trata-se de uma planta que requer tratos culturais cuidadosos e freqüentes e apresenta alguns aspectos morfológicos e fisiológicos. v. 1993). da família Bromeliaceae.br INTRODUÇÃO O abacaxizeiro (Ananas comosus var. mas que. O abacaxizeiro foi a primeira planta a ter sua floração controlada artificialmente... pelo ápice caulinar. os primórdios florais. constituindo-se no estímulo floral ou florígeno. destaca-se o meristema apical. em seguida. As flores nada mais são do que ramos ou folhas modificados. hormônio vegetal endógeno e gasoso que regula o crescimento e desenvolvimento das plantas em geral. têm sido realizados com várias espécies nas últimas décadas. preferencialmente. O objetivo desse trabalho é discorrer sobre o floração na cultura do abacaxi. ora reprodutivas. herbácea e perene. A maioria das plantas reage a sinais ambientais para regular a transição para o florescimento. Sabe-se que o meristema de uma planta recebe de outras partes da mesma. sendo. 1993). em escala comercial.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. ora vegetativas. Coppens & Leal) é uma planta tropical monocotiledônea. um evento marcante na vida dessas plantas. originando a inflorescência e. ou seja. um conjunto de sinais. que tem sido estudado extensivamente. A questão central da fisiologia da iniciação floral consiste em entender-se quais fatores atuam na transformação do meristema caulinar em primórdio floral e de que modo eles exercem sua ação. 1. uma folha na planta. é necessário que exista. a floração natural é estimulada por mudanças sazonais regulares de condições climáticas. Kinet et al. pelo menos. 2001). porque o florescimento é o primeiro passo da reprodução sexual. resultando na produção de frutos. E-mail: getulio@cnpmf. apesar da baixa temperatura ser. que sempre se destacou na fruticultura tropical. Em geral.embrapa. e a disponibilidade hídrica pelas raízes (Bernier et al. Graças às características de seu fruto. A iniciação floral delimita a transição entre o crescimento vegetativo e o estádio reprodutivo das plantas produtoras de sementes.. 2009 .

na floração são observadas duas fases: a iniciação floral e o desenvolvimento floral. podem ser ativadas individualmente. que varia de 12 a 30 meses até que seja produzido o primeiro fruto. baseadas em várias pesquisas realizadas ao longo de décadas. FLORESCIMENTO DO ABACAXIZEIRO A diferenciação floral do abacaxizeiro possui outra particularidade: a de poder ser desencadeada artificialmente. denominado de “florígeno”.abrange o período do plantio à diferenciação floral. relacionado a fatores climáticos. abrangendo o desenvolvimento (ceva) e colheita das mudas. mas todos estão presentes sob condições indutivas. Algumas evidências demonstram que o florescimento no meristema pode consistir de diversas etapas que. pela idade ou tamanho da planta. com o uso de produtos químicos. citando-se. além dos climáticos. (1981). também. 1966). apesar de Bernier et al. os fatores não são os mesmos para as diferentes espécies. a possibilidade de existência de um inibidor floral. porém. 1961.. b) fase reprodutiva (envolvendo a floração e frutificação) . Algumas teorias foram formuladas para explicar a floração. por sua vez. Cunha et al. o florescimento das plantas e.alta importância. foi associado outro produto. o processo não tem continuidade. efeito do frio). Uma vez consumada a transformação do meristema caulinar em primórdio floral. os quais serão abordados a seguir. Em geral. a exemplo do ácido indolacético (AIA) e do etileno. raízes. o “antiflorígeno”. 1981). O processo de florescimento do abacaxizeiro pode ser melhor entendido conhecendo-se seu ciclo cultural. (1993) terem apresentado resultados que apoiam o controle multifatorial. De acordo com esses autores. dominam os dois primeiros. 1982a. fundamental e prática. mas prolonga-se após a colheita do fruto. tipo e peso da muda e época de plantio (Gowing. o que está de acordo com o modelo de controle da “evocação”. O florescimento do abacaxizeiro pode ocorrer naturalmente. sendo necessário que as folhas captem os estímulos fotoperiódicos e que o meristema apical esteja o mais sensível possível à vernalização. Esse ciclo pode ser dividido em três etapas: a) fase vegetativa . sendo esse o primeiro passo para a formação das flores. Em ambos os casos.. invariavelmente. este último torna-se. Reinhardt & Cunha. ou artificialmente.vai da diferenciação floral à colheita do fruto. que incluem o conceito do “florígeno/antiflorígeno”. Dentre as teorias de controle interno da “evocação”. responsável direto pela diferenciação floral. Estudos envolvendo enxertia em plantas sensíveis ao fotoperíodo serviram de base para Chailachjan. 1. ainda sem provas definitivas. em grande parte. No caso de plantas que florescem sob o efeito da vernalização. Na primeira fase. UFRB. Dessas fases. a nutrição mineral. quer seja natural ou artificialmente desencadeada. muitas questões ainda precisam ser respondidas. a que apresenta menor elasticidade é a reprodutiva. cujos aspectos apresentam muitos pontos comuns com a floração natural. Vários são os fatores que influem no ciclo da cultura. com a iniciação do primórdio floral. A produção de etileno ocorre por meio de uma ação sequencial das enzimas ACCsintase e ACCoxidase cujo esquema encontra-se no item “Substâncias usadas e modo de atuação”. e podem ser sintetizados nas folhas. Daí porque o crescimento vegetativo e o desenvolvimento reprodutivo nas plantas são considerados eventos mutuamente exclusivos. há o envolvimento de fatores internos ou hormônios produzidos pela própria planta. Isso porque o abacaxizeiro responde muito bem à aplicação de substâncias químicas que têm a capacidade de influenciar seus processos fisiológicos.tem início ainda na fase reprodutiva. Se apenas um fator estiver ausente. o modelo de controle multifatorial. v. a hipótese do desvio de nutrientes e sinais elétricos. 58 Tópicos em Ciências Agrárias. 1993). concentrar a colheita em épocas oportunas. em geral reguladores de crescimento vegetal. Foi levantada. foi bastante estudada. 2009 . principalmente. comprometendo-o. Os principais fatores ambientais responsáveis pela indução floral são o fotoperíodo (comprimento do dia ou horas de luz) e temperatura (vernalização. A cultura do abacaxi é explorada comercialmente em razão de poder-se controlar e uniformizar. de modo irreversível. é necessário que alguns eventos ocorram no ápice caulinar. a “vernalina”. Qualquer explicação sobre o mecanismo de controle fotoperiódico do florescimento deve contar com a presença tanto de promotores quanto de inibidores. assim. genéticos (relacionados à sensibilidade das plantas aos fatores climáticos) e ambientais. proposto por Bernier et al. mas. que atuaria de modo antagônico ao “florígeno”. c) fase propagativa . cuja relação com o “florígeno” e a floração. denominado de “evocação” (Kinet et al. para uma exploração mais racional das culturas. ápice caulinar e outros locais. ou distribuí-la em todos os meses do ano. relacionados com a diferenciação floral. a depender das condições ambientais e do manejo da cultura. A suscetibilidade do abacaxizeiro à floração natural ou à indução artificial é determinada. postular a presença de um hipotético hormônio do florescimento. citado por Min (1995). do ponto de vista agroeconômico. este último considerado como fator indutor (Burg & Burg. abrangendo aspectos fisiológicos. por meio de substâncias químicas. incapaz de retomar o crescimento vegetativo. A planta precisa também atingir a maturidade suficiente para ser induzida à floração. por meios artificiais.

Os prejuízos tornam-se maiores se a floração ocorre precocemente. trímeras. Pode-se distinguir duas etapas importantes nos processos de crescimento e desenvolvimento da inflorescência do abacaxizeiro. haja vista que. FLORAÇÃO NATURAL DO ABACAXIZEIRO Fatores Envolvidos O desencadeamento da floração do abacaxizeiro depende do porte e estado fisiológico da planta e do comprimento do dia e temperatura (Bartholomew & Malézieux. entre o final do outono e o início do inverno.descrição botânica. ou. cerca de seis semanas após a diferenciação floral. com uma ou mais flores abrindo a cada dia (apenas nas primeiras horas da manhã) durante duas a quatro semanas (Okimoto. 1948). Quando a planta atinge a maturidade no seu desenvolvimento. um mínimo de diferença de temperatura dia/noite é necessário para provocar o florescimento natural do abacaxizeiro. Esse tipo de floração vem causando. A outra etapa acontece 15 dias antes da colheita. Barbosa. da base para o ápice. têm sido relatadas taxas de ocorrência de floração natural variando de 20% a 80% (Reinhardt et al. ainda em crescimento (Teisson. pois dificulta não apenas os tratos culturais e fitossanitários. que é o prolongamento do caule. cada inflorescência pode conter mais de uma centena de flores individuais (Okimoto. no qual passou a operar. dois meses após a diferenciação e corresponde à parada de crescimento do pedúnculo. Inflorescência do Abacaxizeiro . situado no ápice do caule. Rabie et al. período de temperaturas mínimas. 1997. 2009 59 . Esse fato tem sido comprovado tanto em plantações comerciais quanto experimentalmente. correspondendo à parada do desenvolvimento da coroa e murchamento do pedúnculo. o metabolismo ácido das crassuláceas (CAM). Rebolledo-Martínez et al. nessa situação. três pétalas.. a floração natural varia de ano para ano. desponta no centro da roseta foliar. Nas principais regiões produtoras do mundo. 1994. com um fluxo importante de açúcares para o fruto. por meio de um corte longitudinal do ápice caulinar (Py & Silvy. A primeira ocorre. devido à cor azul púrpura de suas pétalas e brácteas.A floração natural do abacaxizeiro é um fenômeno que apresenta uma série de inconvenientes. v. diferenças na suscetibilidade das mudas e plantas à floração. ocorrendo o inverso Tópicos em Ciências Agrárias. ainda. 2000). 1986. acentuando-se sua incidência em áreas de altitude e latitude mais elevadas. o florescimento envolve a transição da diferenciação das estruturas vegetativas para a formação de uma inflorescência no meristema apical do caule. seis estames e um ovário ínfero. tornando-se cada vez mais proeminente sobre o pedúnculo. de acordo com as épocas e regiões produtoras. O comprimento e a largura da folha aumentaram entre oito e 12 horas/dia. Sendo função também das condições climáticas. refletir negativamente no rendimento da primeira e demais safras. 1973). por outro lado. De acordo com esses autores. A seca também estimula a diferenciação floral em áreas onde tanto o fotoperíodo quanto a temperatura variam pouco (regiões subtropicais). A primeira evidência de mudança morfológica nesse meristema é a expansão do diâmetro do seu disco. Apesar disso. 1993. geralmente noturnas. a inflorescência avermelhada. Esses autores relataram. no ano subseqüente ao do plantio. sérios prejuízos nas regiões produtoras de todo o mundo. com três glândulas nectaríferas separando os lóculos. ao desabrochamento das primeiras flores e início de crescimento da coroa. UFRB. As flores do abacaxizeiro são formadas pelo mesmo meristema que origina as folhas. naturais e artificiais.. também. ainda que possa ocorrer em outras estações. com intensidade cada vez maior.. apenas acentuar o efeito dos dias curtos. mas também a colheita e a comercialização do fruto. Segundo esse autor. Essas flores não abrem ao mesmo tempo e a floração procede espiralmente. a ocorrência de floração natural no Havaí entre dezembro e janeiro. tricarpelar e trilocular. A diferenciação natural do florescimento dá-se. a depender da região. abaixo de 15oC. Friend & Lydon (1979) observaram que o crescimento vegetativo do abacaxizeiro 'Smooth Cayenne' aumentou nesse mesmo intervalo de fotoperíodo. 1948). podendo. apresentando uma filotaxia 8/21. ainda. tem-se observado que mesmo as plantas pequenas têm respondido aos estímulos florais. 1954). dispostas em oito espirais. que diminui à medida que o fotoperíodo aumenta de oito para 16 horas/dia. via de regra. as flores são hermafroditas. crescimento e desenvolvimento A inflorescência do abacaxizeiro é formada por um grupo de flores sésseis soldadas em torno de um eixo. 1997). então. dependendo de seu estado fisiológico/nutricional. sendo as maiores mais suscetíveis. as plantas ainda não apresentam um desenvolvimento ou porte adequado para produzir um fruto com padrão comer-cial. notando-se. 1. possuindo três sépalas. Scott. não se associando consistentemente com um determinado fator climático. Tal fato pode ser observado cerca de uns quatro dias após a diferenciação floral. com a formação inicial do pedúnculo e da primeira flor ocorrendo quando o mesmo exibe seu diâmetro máximo. e que plantas submetidas à temperatura constante de 25oC apresentam alta taxa de florescimento. a depender do seu tamanho. onde essas são exploradas. aproximadamente.

Existem evidências. UFRB. e baixa irradiância devido à nebulosidade (Gowing. de que a baixa temperatura noturna aumenta o nível de auxina livre na planta. sendo. de acordo com Sanewski et al. 1993). fatores climáticos e tratos culturais que afetam o crescimento vegetativo da planta (Friend & Lydon. 1994). Esse tamanho mínimo é alcançado em períodos mais curtos sob condições favoráveis. como a redução na nutrição. Apesar de não haver exigência de frio. onde a mudança no comprimento do dia é muito pequena (cerca de 36 minutos apenas). os fatores ambientais que a promovem são aqueles que tendem a retardar a taxa de crescimento vegetativo. a produção de etileno pela folha também foi maior. no comprimento do dia e na radiação solar (Bartholomew & Kadzimin. a adubação nitrogenada e a irrigação. 1975.. sofre os efeitos da taxa de desenvolvimento da planta. as temperaturas abaixo de 17-15 oC promovem a floração natural (Bartholomew & Malézieux. a idade da planta no período favorável à indução floral. 1989b). desde que a planta tenha alcançado um tamanho adequado para tornar-se suscetível à indução floral. Esses autores concluíram que a floração na cultura do abacaxi é controlada pelo fotoperíodo. nessa planta. por reduzir sua sensibilidade aos estímulos florais (Evans. além de ser influenciado por fatores climáticos. tem-se observado que mesmo as plantas pequenas apresentam capacidade de responder aos estímulos florais. O florescimento natural do abacaxizeiro. pensa-se que esta e o encurtamento dos dias aumentam a produção de etileno no meristema apical e na parte basal aclorofilada da folha. nos meses de agosto e dezembro-janeiro (Bartholomew & Malézieux. Baseado no fato de que o florescimento do abacaxizeiro pode ser induzido artificialmente pela aplicação de várias substâncias químicas que estimulam a produção e/ou atividade do etileno. na temperatura. em geral. assim. 1994). 1986). mas não obrigatória. 1977). Mas. necessário que a mesma atinja um porte adequado ou a maturidade ontogenética. porém. (1998). causando o florescimento e reduzindo.5 o C. Py. 1972. Contudo. ao encurtamento do dia. também. a época de plantio ou. assim. 1972. para responder aos estímulos ambientais (Lacoeuilhe. A exemplo do que acontece com outras culturas. o estímulo à floração natural ocorre. Sanewski et al. está. do efeito cumulativo desses dias (Friend & Lydon. chegou-se ao consenso de que a mesma está relacionada. que envolve ainda.. 1. conforme foi observado por Mekers & De Proft (1983) em bromeliáceas ornamentais. 1948). Bartholomew & Malézieux. quantitativamente. A maturidade para a floração está sempre correlacionada com a capacidade da planta em converter o ácido 1aminociclopropano-1-carboxílico (ACC) exógeno em etileno. com pouca ou nenhuma va-riação estacional de temperatura. outros são de opinião que. qual o efeito direto da baixa temperatura na floração natural. Bartholomew & Kadzimin. Min & Bartholomew (1997) observaram que a produção do etileno e a atividade da enzima formadora de etileno (ACCoxidase) no caule e em tecidos da folha de plantas de abacaxi cultivadas a 30/30 oC (dia/noite) foram menores do que as das plantas cultivadas a 30/20 oC. E. Assim. podem 60 Tópicos em Ciências Agrárias. supostamente. Parece que. Mekers & De Proft. hipoteticamente pode-se dizer que a floração natural é desencadeada pelo etileno produzido endogenamente ou por mudanças na suscetibilidade e sensibilidade da planta ao mesmo ou ambos (Min & Bartholomew. relacionada ao processo. principalmente a noturna.com a espessura. sendo umas mais e outras menos sensíveis (Van Overbeek & Cruzado. considera-se o abacaxizeiro uma planta de dias curtos. Na prática. Bartholomew & Kadzimin. por favorecerem o crescimento vegetativo das plantas. 1979.. 1995). a exigência de dias curtos (Van Overbeek & Cruzado. (1998) observaram 100% de floração natural em abacaxizeiros mantidos a 20 oC por dez a 12 semanas. Plantas que haviam formado a inflorescência apresentavam atividade da ACCoxidase nas folhas e no caule bem maior do que nas plantas em estádio vegetativo (Min. 1979. Reinhardt et al. 1961. (1998) observaram que o teor de ACC (precursor imediato do etileno) aumentou cerca de 40% no inverno. 1959). Cunha et al. o equilíbrio entre os estádios de vegetação e reprodução (floração) tende para o primeiro. uma taxa de crescimento vegetativo elevada pode inibir ou retardar o florescimento do abacaxizeiro. Sanewski et al. 1994). 1977). 1993). v. Nesse caso. Reinhardt et al. tanto naturais quanto artificiais (Cunha. e às baixas temperaturas observadas. 1968. Teisson. do que onde o crescimento é atrasado por falta de nutrientes e água e por temperatura baixa (Bartholomew & Malézieux. Assim. mais exatamente. mais lenta é a sua resposta aos fatores (naturais e artificiais) que promovem a floração. o que estimula o florescimento. mesmo não se sabendo. além disso. que depende. 1977). As exigências climáticas do abacaxizeiro são caracterizadas por sua grande sensibilidade às geadas e radiação solar muito intensa. Nas pesquisas desenvolvidas para determinar-se quais os fatores ambientais envolvidos na diferenciação floral natural do abacaxizeiro. 1983. não sendo influenciada diretamente pelo peso seco da planta nem pelo metabolismo CAM. em resposta à redução nas horas de irradiância (Bartholomew & Kadzimin. 1994). nem todas as variedades respondem igualmente aos estímulos florais. Quanto mais jovem é a planta. também. em grande parte. 2009 . Na Costa do Marfim. 1948. 1977). situada a 4o N. Segundo esses autores. o efeito direto da baixa temperatura ainda não está bem esclarecido. bem como à baixa temperatura. Alguns autores são unânimes em afirmar que o período do plantio à colheita de um fruto de um determinado padrão é função do tipo e peso ou tamanho da muda (Teisson. quando a temperatura mínima média atingiu 14. no suprimento de água. ainda. 1986).

a indução natural tem-se tornado um problema ocasional desde quando a produção de frutos. 13 12 11 0 30 25 o c 20 15 0 200 h 150 100 0 200 mm 150 100 50 0 h Comprimento do dia Temperatura média Máxima Média Mínima Insolação Chuva J F M A M J J 1980 A S O N D J F M A M J J 1981 A S O N D J F M A M J J A 1982 S O N D 40 Diferenciação floral natural PLANTIOS Janeiro 80 Abril 80 Novembro 80 Julho 81 30 % 20 10 0 J F M A M J J 1980 A S O N D J F M A M J J 1981 A S O N D J F M A M J J A 1982 S O N D Figura 1. também. Bahia. os índices são bastante variáveis. (1986) relataram que a floração natural ocorreu em diferentes épocas do ano e por períodos prolongados. não observaram influência alguma da época da última adubação sobre a eficiência da indução artificial da floração. (2000). Diferenciação floral natural (%) em abacaxi 'Smooth Cayenne' relacionado a diferentes datas de plantio. no México. Esses aspectos levam à conclusão de que o florescimento natural do abacaxizeiro constitui. Cruz das Almas. apesar de todas as pesquisas efetuadas. a tal ponto que a incidência de floração natural precoce na safra seguinte pode atingir índices de 50%-70 % (Scott.4%). em alguns anos. 1997). 1996). Tópicos em Ciências Agrárias. Entretanto. Com relação à irrigação. Giacomelli et al. mesmo em plantações instaladas para se evitar sua ocorrência. quando lâminas crescentes de água contribuíram para antecipar a floração e a frutificação. ainda. em áreas onde os períodos de seca são prolongados. A diferenciação natural do florescimento na cultura do abacaxi ocorre. maio/junho (88.contribuir para inibir o florescimento (Py & Guyot. maior uniformidade na colheita. estudando o efeito da irrigação no ciclo do abacaxizeiro 'Pérola'. a depender das condições climáticas esses índices podem alcançar 20% (Rebolledo-Martínez et al. UFRB. com tendência para concentração em meados do ano (Figura 1). ainda. 1970). Brazil (Fonte: Reinhardt. 2009 61 . 1993). encurtando o ciclo da cultura em 22 dias. com picos nos meses de março/abril (49. atinge níveis de 50% a 70% (Scott. na medida em que a taxa de crescimento das plantas aumenta em resposta ao suprimento de água. No Brasil. Reinhardt & Cunha (1982a). entre 5% a 10%. 1993). as variações observadas em relação à floração são decorrentes das diferenças no teor de reservas nutricionais e no estado fisiológico dos vários tipos de mudas: o rebentão é mais precoce. e o filhote tem comportamento intermediário (Reyes. inversamente. Condições ambientais favoráveis podem acelerar a taxa de crescimento dos rebentões ainda na planta-mãe. normalmente. 1997). entre o final do outono e o início do inverno no ano seguinte ao do plantio. (1984) observaram que a massa da muda influiu decisivamente no ciclo da planta. onde tal problema é um dos mais importantes.. em todos os meses do ano. quando as condições ambientais estão mudando (de baixa para alta insolação) ou após um estresse de frio ou. Reinhardt et al. ainda. porém. em seguida a um re-envazamento ou transporte. a depender da região. o florescimento natural é antecipado pelo aumento do tamanho da planta. No Havaí. No Recôncavo Baiano. Com relação à ocorrência da floração natural nas diversas regiões produtoras.9%) e novembro/dezembro (77. v. 1984). permitindo. 1. ocorrendo inesperadamente.9%). o florescimento precoce tem-se tornado bastante freqüente em todas as regiões produtoras. em outras estações. tendo os rebentões de 700-800 g emitido as inflorescências bem mais cedo do que os de 300-400 g. um dos principais problemas não solucionados. a floração torna-se imprevisível e irregular (Mekers & De Proft. Dados climáticos de 1980 a 1982. 1983). Bartholomew & Malézieux (1994) indicaram que. 1997). observando-se. tem sido observada. Resultado semelhante foi observado por Almeida et al. enquanto que na Austrália. registrando-se índices de até 80% (Barbosa. Entretanto. a coroa mais tardia. passou a ser uma prática comum (Bartholomew. em geral. Quanto ao material de plantio.

reduzindo o nível da auxina natural no meristema apical (Castro. De acordo com esses autores. a prevenção do florescimento pode ser efetivada de diversos modos: a) interrupção do período noturno com luz. 1990. apenas 5% a 13% de floração (induzida com carbureto de cálcio). a fim de tornar as plantas menos sensíveis aos fatores naturais. relataram que a floração precoce foi inibida em 76% e 82% em plantios de abacaxi 'Smooth Cayenne' com 33 e 46 mil plantas ha -1. com intervalos de 15 dias. (1997). Klee & Romano. d) corte do suprimento hídrico. Botella et al. 1994. O melhor resultado observado na maior densidade deveu-se.. o monuron.2% para 28. pode-se minimizar o florescimento natural dando-se às plantas as melhores condições possíveis de crescimento e plantando-se apenas mudas pequenas e. já foi obtido. tendo o ANA (400 mg L-1) proporcionado o melhor resultado. conforme comentado anteriormente. existe a possibilidade de se induzir o florescimento ou de inibí-lo ou. Estudos preliminares realizados por Cunha (1989b) mostraram a viabilidade do uso de reguladores vegetais na inibição do florescimento do abacaxizeiro. em três aplicações. 1994). Outro produto que teve algum efeito inibidor da floração foi a tiouréia. material contendo ACACS1 com orientação senso para inibir o gene da planta por mecanismos de supressão-senso. 1998). o alto custo do único produto que apresentou algum efeito inibidor (o nitrato de prata) e o número de aplicações (até sete) tornam inviável seu uso prático na atualidade. Na opinião de Bartholomew (1996). v. Outro meio importante é o uso de plantas menos sensíveis aos estímulos naturais da floração. e de 82%. O objetivo desse trabalho é obter plantas que não produzam etileno induzidas por um choque térmico (frio). b) aumento de temperatura. de 48.Controle da floração natural Nas culturas em geral. (2000) estão produzindo abacaxizeiros transgênicos. 1. então. O etileno. b) usar mudas que ultrapassem a época de indução natural. O ANA. provavelmente. d) ou. amêndoa e algumas plantas floríferas. que carregam cópias senso e antisenso do gene da ACCsintase. suprimir a floração natural precoce. aplicado três vezes com intervalos de 30 dias.5%. com o uso do ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico (50 mg L-1). enquanto que a inibição ou atraso da iniciação floral é realizada em muitas outras culturas. retardá-lo. c) efetuar um manejo adequado da cultura. inibiu o florescimento do abacaxizeiro (Millar-Watt. na maior. Em muitas culturas hortícolas.5% para 8. obtido do meristema apical e ativado por condições ambientais. respectivamente. ao menor ritmo de crescimento das plantas. 1981 e Sampaio et al. onde essa é passível de ocorrer. na menor densidade.. dificultando a colheita e prejudicando a segunda safra. 1994. 1981). e) aplicação de produtos químicos. com este último conseguiu-se 100% de inibição da floração. menos suscetíveis à indução natural. a floração natural precoce pode ser controlada ou ter seus efeitos minimizados adotando-se as seguintes medidas: a) plantar mudas que atinjam um porte adequado à floração antes ou no início da época favorável à diferenciação natural. enzima relacionada ao etileno e ao florescimento. dessa forma inibindo a floração natural. se o mesmo estiver causando uma redução no benefício econômico. Nesse sentido. o diuron e o diquat. Scott (1993) conseguiu reduzir a ocorrência do florescimento precoce. portanto. com o paclobutrazol (160 mg L-1). No caso do abacaxizeiro.. (2002) clonaram um gene ACCsintase de abacaxi (ACACS1). 1983). Yuri et al. contra 57% na testemunha. Trabalhos realizados com tomateiros transgênicos e mutantes demonstram essa possibilidade (Hamilton et al. Segundo Rebolledo-Martínez et al. a exemplo do pêssego. que induz a floração natural. sem terem atingido um porte suficiente para responder aos estímulos ambientais. o que tem sido conseguido com o uso da aminoetoxivinilglicina (AVG). UFRB. mas apresentou fitotoxidade. c) poda de folhas e ramos. vindo. usando o mesmo ácido (100 mg L-1). resultante da maior competição entre elas. 1986). nas pesquisas conduzidas visando solucionar tal problema. assim. (2000). inibidor da ACC sintase (envolvida na formação do etileno). com o objetivo de evitar o florescimento natural. Rebolledo-Martínez et al. existem diferenças varietais quanto a essa sensibilidade. a fim de reduzir sua expressão e. os resultados não foram totalmente satisfatórios. reduziu a floração natural para 27%. então. talvez por atuar competitivamente. 62 Tópicos em Ciências Agrárias.2%. Bowler & Chua. A promoção do florescimento é praticada no abacaxizeiro e outras bromeliáceas. pois. pêra. e de 55. Wang (1987) relatou que o atraso na floração em maçã. o mesmo tendo sido observado em Aechmea victoriana (Mekers & De Proft. Millar-Watt (1981) já tinha observado que o nitrato de prata a 1. O primeiro produto usado na prevenção da floração em culturas comerciais foi a hidrazida maleica em cana de açúcar (cujo florescimento reduz drasticamente o rendimento). a floração foi de 95%. A floração natural tem causado muitos problemas à abacaxicultura na Martinica. tem sido utilizado na cultura da cana de açúcar. em altas concentrações e várias aplicações. as plantas mais jovens são mais sensíveis à inibição da floração. O mesmo aconteceu quando aplicado poucas horas antes da indução artificial com o etephon (Sanford & Bartholomew. posteriormente. na dose de dois litros do produto comercial por hectare. 2009 . nos tratamentos testemunhas. Lanahan et al. realizar o tratamento de indução artificial para antecipar-se aos estímulos dos fatores climáticos. sob a forma do ácido 2-cloroetilfosfônico.000 mg L-1. ameixa e cereja é benéfico por evitar perdas devido às geadas ocasionais de primavera.

UFRB.9% a 94. reguladores de crescimento ou fitorreguladores. 1970. podendo ser um dos fatores responsáveis pelo atraso na floração. (1989) observaram uma redução de 70% na produção de etileno em cevada e Brassica napus. Grossman et al. quando aplicadas em altas concentrações. na concentração de 100 mg L-1. Rabie et al. os produtos uniconazole. é devido à interrupção na síntese de giberelina. com sucesso. produção e crescimento de frutos. Min (1995) é de opinião que o modo de atuação das auxinas. (2000) afirmam que produtos à base do ácido 2(3-clorofenoxi) propiônico podem inibir. do grupo dos triazoles. contribui para o desenvolvimento reprodutivo. a inibição do crescimento vegetativo constituiu um efeito colateral de conseqüências ainda desconhecidas. Taniguchi (1999) observou que o tebuconazole e o propaconazole. devido. De acordo com esses autores.. v. sugerindo a inibição da conversão do ACC a etileno. concluindo que o mecanismo pelo qual o ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico inibe o florescimento precisa ser mais pesquisado.8% da floração em plantas de abacaxi 'Pérola'. 2001. 1983). 63 Tópicos em Ciências Agrárias. Cooke & Randall. Isso porque o abacaxizeiro responde muito bem a esse tipo de prática. 1968. provocando o desenvolvimento reprodutivo e a floração. inibiram a floração natural do abacaxizeiro. de 90. um a dois meses após o tratamento. 1986. paclobutrazol e o ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico inibiram. por inibir a oxidação do kaurene a ácido kaurenóico. em concentrações variando de 90 a 240 mg L-1. do ácido 1-aminociclopropano-1-carboxílico (ACC. com redução de seu custo. o florescimento de abacaxizeiros dos grupos 'Smooth Cayenne' e 'Queen'. com ação fungicida e eficientes no controle da Chalara paradoxa. favorecendo a produção de etileno pelo caule da planta. ainda não é conhecido. via uréia foliar. Estudando os efeitos do meio ambiente sobre o crescimento. Bondad.9% a 78. a não ser uma pequena redução no crescimento do rebentão. quando aplicado em junho. florescimento e frutificação do abacaxizeiro. a parte mais ativa é a que se deposita na gema apical ou nos tecidos tenros situados logo abaixo da gema. O ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico demonstrou potencial de inibição. precursor imediato do etileno) e do ácido 1-(malonilamino) ciclopropano-1-carboxílico (MACC) em tecidos de plantas tratadas com o ácido 2(3-clorofenoxi) propiônico. analisando os teores de etileno. b) uniformização da frutificação e concentração da colheita.. a partir dos feixes vasculares).4% e de 67. porém. inibindo. inclusive uso racional da terra. 1973. formação de gemas. pelo menos em parte. Barbosa et al.). o que é descrito por diversos autores (Dass et al. até 82. enquanto a uréia e o cloreto de mepiquat não tiveram efeito inibidor. como inibidoras da floração. o autor observou um aumento da produção de etileno. (1997) relataram que a adubação nitrogenada complementar. ao fato do mesmo atuar.5% (Cunha. sendo os dois primeiros mais eficientes. (1998) observaram que o paclobutrazol foi o único produto a mostrar efeito significativo. Cunha et al. Tanto o ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico quanto o paclobutrazol. 2002). à redução do crescimento vegetativo da planta. como uma auxina. Esses autores obtiveram inibições do florescimento de até 91%. O paclobutrazol. contraditoriamente. permitindo maior eficiência no uso dos fatores de produção inerentes à cultura. cuja translocação ocorre através do xilema (Lever. não afetou a floração natural do abacaxizeiro. possivelmente. reduzindo o crescimento vegetativo e o alongamento do caule em várias plantas. respectivamente. com índices variando. 1975. haja vista que os referidos produtos reduziram o comprimento da folha “D”. A indução artificial do florescimento do abacaxizeiro apresenta as seguintes vantagens: a) maior eficiência no emprego dos fatores de produção. mais do que a uma interferência direta do ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico no processo de diferenciação floral. quando tratadas com inibidores de crescimento. 2009 . 1. mas provocou algumas anomalias morfológicas nas plantas (torção da roseta foliar e formação de raízes adventícias nas folhas. Guyot & Py. Min (1995) relacionou o efeito do ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico como inibidor da floração do abacaxizeiro. Esses produtos são ativos em baixa concentração e não são fitotóxicos. sem apresentar efeitos adversos na planta. Bartholomew & Min (1996) observaram que o paclobutrazol e o uniconazole atrasaram ou inibiram o florescimento e inibiram a produção de etileno pelo tecido basal aclorofilado da folha. resulta no fim do crescimento vegetativo. há bastante tempo vem sendo amplamente usada. FLORAÇÃO ARTIFICIAL DO ABACAXIZEIRO Histórico e Vantagens A indução floral do abacaxizeiro com substâncias químicas. inibiram de modo significativo a floração natural do abacaxizeiro 'Pérola'. Sampaio et al.. O tratamento artificial da floração apresenta vantagens tecnológicas e econômico-sociais. de modo consistente. c) fornecimento regular e constante de frutos para a indústria e mercado “in natura”. após cinco horas. o florescimento natural. A queda na taxa de giberelina no meristema sub-apical. Quando pulverizado sobre as folhas. Scott (1993) atribuiu a inibição da floração do abacaxizeiro 'Smooth Cayenne' à redução da massa vegetal da planta. Essa diminuição foi acompanhada pelo aumento ou pela manutenção de níveis constantes de ACC e MACC. Isso porque. sob condições controladas de cultivo (plantas em vasos). além de atrasar o crescimento das plantas. com reflexos na produtividade de árvores frutíferas. Onaha et al.Existem evidências de que o papel do paclobutrazol.

1985). e pela ACCsintase. ainda.. 1993). ocasionando. v. chegando-se à descoberta de diversas outras substâncias com essa capacidade de indução floral. alguns problemas podem ocorrer em função da má aplicação dos indutores florais: frutos pequenos com coroas grandes. regulada pela enzima ACC sintase. Nos anos 40. mas. Burg & Burg (1966) não observaram etileno em abacaxizeiros cultivados em vasos. indolbutírico (AIB). h) possibilidade de exploração de uma segunda safra ou soca (Cunha et al. Randhawa et al. pelo maior número de frutos colhidos. UFRB. 1993). 1. o modo de atuação do etileno nesses processos e na floração natural do abacaxizeiro e de outras bromeliáceas ainda não está plenamente conhecido. o etileno é responsável pela floração natural do abacaxizeiro devido a que as baixas temperaturas estimulam sua biossíntese. então. alongamento do pedúnculo. a exemplo do etileno. e) controle do peso e tamanho do fruto. admite-se que a floração do abacaxizeiro está muito relacionada a essa substância.4-D). o mais comum é o carbureto de cálcio (precursor do acetileno). de mais de 15 meses. 64 Tópicos em Ciências Agrárias. o carbureto de cálcio (CaC2). Como em relação a outros hormônios. Porém. passou-se a usar o etileno diretamente na indução floral do abacaxizeiro. uma ampla variedade de respostas fisiológicas. 3) modificando-se a ligação ou a quantidade do receptor com o qual ele interage.. a usar o ácido alfanaftaleno acético. A fumaça foi a primeira substância usada na indução artificial da floração na cultura do abacaxi. inicia uma série de reações. de acordo com as exigências do mercado consumidor. o etileno tem de ser biossintetizado pela planta ou ser suprido exogenamente (Yang. conforme sugerido por Py & Guyot (1970). No Brasil. Ainda segundo Yang (1987). a hidroxietilhidrazina (HOH) e a betahidroxietilhidrazina (BOH). 1987). devido à maior atividade celular nessa área. as respostas das plantas ao etileno podem ser modificadas. 1975. Desses. tais como auxinas e compostos similares (Dass et al.sem afetar a qualidade dos mesmos e em épocas mais favoráveis comercialmente. a produção de etileno é controlada pela concentração do ácido 1-aminociclopropano-1carboxílico (ACC). apenas na década de 1920 descobriu-se que o agente da fumaça que provocava o florescimento era o gás etileno (C2H4). redução do número de mudas por planta. ao indicarem que a chuva e a temperatura alta podem exercer uma ação negativa sobre o referido produto. Soler. mais precisamente na zona meristemática (Burg & Burg. muitos trabalhos têm sido realizados. com oito meses de idade. nos Açores. bem como o acetileno. Segundo Botella et al. um hidrocarboneto insaturado (Rodrigues. assim. betanaftaleno acético (BNA). passando-se. demonstrou-se que as auxinas também podiam causar o florescimento do abacaxizeiro. Antes de poder exercer sua ação. pela atividade da enzima formadora de etileno ACCoxidase (Kende. succínico. 2) pelo estímulo ou inibição da biossíntese do mesmo nos referidos tecidos. a partir da década de 1970. Entretanto. que é o fator primário que limita a produção do ACC (Min & Bartholomew. 1994). talvez por ser mais barato e de fácil manejo. Substâncias usadas e modos de atuação Após muitos anos de pesquisa. apenas alguns poucos são usados. pensa-se que o etileno liga-se a uma molécula receptora. onde a absorção dos produtos é mais rápida. Com base nessas descobertas e no reconhecimento do etileno como um importante regulador de crescimento das plantas. 2-cloroetilfosfônico (etephon) e. acetileno. 1966). os gases etileno (C2H4) e acetileno (C2H2). 2. fazendo a floração coincidir com períodos de menor potencial de inóculo. que a planta requer para iniciar a diferenciação floral e sua desuniformidade na plantação. d) facilidade no controle fitossanitário de determinadas pragas e doenças. Acredita-se que os reguladores vegetais atuam promovendo o aumento do teor de etileno no interior da planta. haja vista o período relativamente dilatado. fazendo com que a colheita prolongue-se por até dez a 12 meses. Cooke & Randall (1968) recomendaram o etephon como agente da floração na cultura do abacaxi. Antecipar e uniformizar o florescimento do abacaxizeiro sempre foi um desafio para reduzir o custo de produção dessa cultura. 2009 . os mais comuns e que podem ser usados comercialmente são os ácidos alfanaftaleno acético (ANA). tombamento de frutos. g) melhor distribuição de mão de obra e facilidade na administração da propriedade. o etephon (precursor do etileno) teve seu uso bastante difundido. tendo sido uma descoberta casual. formando um complexo ativado que. incluindo modificações na expressão de genes. (2000). Outros processos fisiológicos podem ser também influenciados pelo emprego de reguladores de crescimento. Entretanto. vários reguladores vegetais foram identificados como eficientes no desencadeamento do florescimento do abacaxizeiro.4diclorofenóxiacético (2. Desde então.. o que torna o ápice caulinar mais sensível aos efeitos da auxina endógena. Todos eles reduzem drasticamente o rendimento e a rentabilidade da cultura. por sua vez. carbureto de cálcio e etephon. 1932). e 4) manipulando-se a expressão do gene dependente dele. Entretanto. controlando-se ou regulando-se o nível desse produto nos tecidos pela: 1) adição ou remoção. apesar de sua eficiência poder ser modificada por alguns fatores externos. 1970. f) aumento do rendimento da cultura. danos e deformações nos frutos (muito arredondados ou cônicos). o que deve ter ocorrido por volta do século XIX (1885). A partir da década de 30. Bioquimicamente. apesar de provocar muitas respostas fisiológicas nas plantas. principalmente como estimulador do processo de maturação dos frutos.

em dias muito quentes. cujas concentrações requeridas são elevadas. que a floração do abacaxizeiro não está apenas relacionada a uma série de fatores externos (duração do dia. 2009 65 .. auxina endógena no abacaxizeiro.Os passos da biossíntese do etileno são os seguintes: + NH3 ATP PP ii+ P + NH3 5 CH3 – S – 4 CH2– 3CH2 – Metionina 2 CH –1-COO (a) CH3 – +S – CH 2 – Ch2 – CH – COO CH O 2 Ade - OH (b) H 2C C H 2C COO(c) + OH S-Adenosil metionina NH3 CH 2 = CH2 Etileno Ácido 1-aminociclopropano-1-carboxílico [Enzimas envolvidas: (a) AdoMetsintetase. existe uma concentração ótima do AIA no meristema apical da planta.000 a 2. principalmente o ácido indolacético (AIA). portanto. (b) ACCsintase. Dentre esses. O AIA. Foram observadas. nem sempre a resposta à indução floral artificial causada pelo etephon é uniforme (Cunha 1989a). para que se proceda à indução do florescimento torna-se necessário apenas a aplicação de substâncias que alterem o nível do AIA nesse meristema.CH2 . o etephon (ácido 2-cloroetilfosfônico) decompõe-se. Vê-se. Turnbull et al. principalmente a noturna (Min. pois ele é estável em solução aquosa com valores baixos de pH (ácido). com o uso de indutores da floração. Segundo eles. As reações de liberação do etileno pelo ethephon e do acetileno pelo carbureto de cálcio são as seguintes: 1. independente da época de aplicação. Ahmed & Bora (1987) relataram que a floração do abacaxizeiro ocorreu em resposta ao aumento sequencial de metabólitos (açúcares. ácido ascórbico. v. No entanto. mas também a fatores internos (hormônios produzidos pela própria planta). principalmente quando aplicado no verão. mudanças estruturais no ápice do caule. que favorece ou provoca a floração. é impedido de atuar in loco por inibidores fenólicos. por determinar uma secagem rápida da solução na superfície das folhas. Dessa forma. o qual deve permanecer numa determinada faixa durante algum tempo.000 mg L-1. Ao atingir os tecidos internos da planta. como se observa em regiões e períodos de alta temperatura. na concentração e no tempo certos. 1999). Cl . 1. (c) ACCoxidase]. UFRB. o que pode ser causado pela aplicação de alguns fitorreguladores. irradiância). temperatura. porém de modo mais pronunciado em junho e decrescendo até janeiro. A absorção desse produto é bastante modificada pela temperatura e umidade relativa ambientais. 1. pelo pH da solução indutora e pela superfície onde as gotas dessa solução são depositadas. 1999). Ainda segundo Turnbull et al. carbureto acetileno O etileno torna os tecidos do ápice vegetativo mais sensíveis à auxina endógena. liberando etileno e íons clorato e fosfato. desde que o pH do meio esteja acima de quatro (faixa alcalina). Das Biswas et al.+ H3PO4 etileno + Ca(OH)2 .1995. citam-se as auxinas. que se transformou em inflorescência. (1983) notaram aumentos no nível de etileno no ápice caulinar. Burg & Burg (1966) usaram o abacaxizeiro para esclarecer algumas contradições aparentes da interação “auxina-etileno” como indutores da floração. CaC2 + 2H2O C 2H 2 CH2 = CH2 + Cl. (1993. apesar de ativo. ácidos nucléicos) na gema apical. a alta temperatura ambiente pode ser a causa de falhas parciais ou totais da indução com o etephon. O mesmo se observa Tópicos em Ciências Agrárias. também.PO3H2 + OHethephon 2. Gowing (1961) assumiu que o efeito de auxinas sintéticas baseia-se no deslocamento da auxina endógena (AIA) dos seus locais de atividade no meristema apical da planta. proteínas.CH2 .

já que o produto é tido como relativamente estável na presença da luz. Tais obstáculos exercem um papel de grande relevância. apesar de que em menor escala. Como exemplos. seu vigor e taxa de crescimento. como ocorre no estádio vegetativo. a última fase é caracterizada por uma faixa de concentração em que a eficiência do referido produto quase não se altera com o uso de coadjuvantes (Figura 3). a liberação do etephon aumenta linearmente até o pH 9. assim. que dilui ou arrasta a solução depositada sobre as folhas (Py & Guyot. com as mudas maiores sendo mais sensíveis (Cunha. a inflorescência (Kerns et al. UFRB. permitindo. formando..0. v. Inicialmente. a taxa de liberação quase duplicou com a elevação do valor do pH de 4. translocação e decomposição do etileno na planta (Turnbull et al. Lopez de Vélez & Cunha (1983) esquematizaram a influência desses diversos fatores (Figura 2). arrancando-se uma das folhas centrais da roseta foliar e observando-se a sua base. um maior tempo de contato do produto com a epiderme abaxial perto do ápice caulinar. notase o surgimento da inflorescência no centro da roseta foliar. estão sendo procuradas novas alternativas de produtos para o tratamento de indução artificial da floração do abacaxizeiro. 1970). com aumento do diâmetro da área meristemática. Esse fato foi comprovado num teste de indução precoce de mudas de diversos tamanhos (20 a 47 cm).quando a planta está em fase de crescimento ativo e rápido. podem ser citadas a fumaça. na fase seguinte. que interfere diretamente na interceptação do produto pela planta. Os rebentões são induzidos à floração mais facilmente que os filhotes e as coroas. Dependendo das condições ambientais. que estão. 1993). a partir de 40-50 dias depois do tratamento de indução. tendo sido observada uma gradação na suscetibilidade à floração. em geral. cheios com vapor d'água ou gases.. é sinal de que a floração já foi desencadeada. água gelada e gelo. enquanto no tecido. A maior taxa de liberação do etileno em solução aquosa ocorre na faixa de pH entre 5. Tal fato pode ser confirmado. na qual a fase inicial indica concentrações que não conseguem desencadear o processo de diferenciação floral (talvez por serem muito baixas). Quando o produto entra em contato com as folhas. a temperatura alta. Nota-se. Pérola. Levando-se em conta que a diferenciação floral do abacaxizeiro é uma resposta fisiológica à elevação do teor de etileno no meristema apical e que o etephon. Entrando na corrente citoplasmática. o tipo de muda. causando a decomposição cinética do produto. ao se decompor.0 e 7. os fatores que influenciam a velocidade de decomposição do etephon adquirem grande importância. que arrasta as gotículas antes de serem absorvidas pela planta. tendo sido demonstrado que aos quatro dias após a aplicação do produto já se pode observar o início da diferenciação. local de aplicação e condições ambientais (temperatura. 1. Diversos estudos têm demonstrado efeitos drásticos do pH da solução indutora. Se estiver avermelhada. Do mesmo modo como acontece no florescimento natural. defronta-se com fatores que dificultam sua absorção. López de Vélez & Cunha (1983) idealizaram uma curva hipotética de ação de coadjuvantes sobre a atuação do etephon. celulósicas e cerosas e dos tricomas abundantes.0 (valor máximo testado).0. 1966). 2009 . libera etileno (Burg & Burg. encontrando-se essencialmente nesse estado em pH 9. citam-se aqueles que afetam a concentração do produto antes da sua absorção pela planta. a chuva. O primeiro sinal da transformação do meristema em primórdio floral é o aumento da atividade mitótica das células imediatamente abaixo da zona central ou parte mais apical (distal) do meristema vegetativo. daí porque esses autores consideram importante que a aplicação do indutor seja dirigida ao centro da roseta foliar. umidade relativa) na absorção. e a radiação solar. porque o processo de absorção/diluição através da cutícula é bem mais importante que a penetração pelos ostíolos dos estômatos. 66 Tópicos em Ciências Agrárias. Atualmente. Em solução. Com essa prática haverá o acúmulo da solução nas axilas das folhas. devido ao aumento efêmero da eficiência do etephon.0 para 6. um intumescimento do meristema apical.0. A maior absorção do etileno pelo abacaxizeiro ocorre através da superfície inferior da folha. na referida zona. 1989b). tais como o método de aplicação. especialmente a barreira física das camadas cuticulares. a segunda fase corresponde à faixa onde é possível influenciar a ação indutora com a elevação do pH e adição de uréia à solução. então.. que cessa de produzir primórdios foliares. 1993). a resposta ao tratamento de indução artificial varia de acordo com o ambiente. A velocidade de decomposição do etephon depende da fração que está na forma de dianion. conforme comentado anteriormente. o vento. deve-se considerar a importância que as modificações na sua concentração e a intensidade dos fatores que influenciam sua decomposição exercem sobre a ação indutora desse produto. por meio de um corte longitudinal do ápice caulinar. 1936). considerando-se a demanda por produtos oriundos de cultivo orgânico e de produção integrada de frutas. da cv. na parte basal aclorofilada (Turnbull et al. A resposta da planta ao uso de indutores florais é muito rápida. dentre os quais destaca-se o pH do citoplasma. também. com perda do etileno. torna-se praticamente dispensável o uso de coadjuvantes.

Modos de aplicação dos indutores florais Os indutores florais diferem quanto ao modo de aplicação e eficiência. 1964). o etileno e o BNA em pulverização sobre as plantas. Fatores que influenciam a decomposição pH Enzimas Temp. o acetileno e o 2. O carbureto de cálcio (precursor do acetileno) pode ser aplicado sob a forma sólida (granulado ou pó. o ANA e o BOH tanto podem ser aplicados no centro da roseta foliar. Fatores que influenciam a concentração Chuva Temperatura Vento Perdas Ethephon II. 1961. sendo que o carbureto de cálcio.I. Tópicos em Ciências Agrárias. Representação esquemática de fatores que influenciam a eficiência do ethephon como indutor floral do abacaxizeiro (Fonte: López de Vélez & Cunha. como em pulverização total da planta. 2009 67 . 1983). de uma solução preparada com base em uma mistura de 350-400 g de CaC2 por 100 litros de água fria e limpa) em épocas secas. Ação do etileno Etileno Íon cloreto Decomposição Figura 2. v. o que se observa com o tratamento de indução artificial em geral. o CaC2 pode alcançar uma eficiência de 100 % (Singh & Rameshwar. 1. O ANA é mais eficiente quando aplicado próximo do período de diferenciação natural (Gowing. Fatores que influenciam a absorção Floração Tricomas Cerosidade Cutícula Estômatos Perdas III. ou líquida (30-50 mL planta-1.5-1. UFRB.0 g planta-1) em períodos chuvosos.4-D são aplicados no centro da roseta foliar. 1974). Das. enquanto que o ethephon. 0. Quando aplicado adequadamente.

o que corresponde a concentrações de até 4. pois. caracterizado. no processo de diferenciação floral do abacaxizeiro (Fonte: López de Vélez & Cunha. sendo. das 20:00 às 05:00 horas da manhã. UFRB. Cunha & Reinhardt. 1982).0%).. por tratar-se de uma substância gasosa e necessitar de equipamento específico para aplicação.000 Figura 3.000 mgL-1. É importante que os estômatos permaneçam abertos por um período de quatro a seis horas após a aplicação do indutor 68 Tópicos em Ciências Agrárias. Porém. torna-se facilitada em meio alcalino (Dass et al. sob pressão. 1983). do qual o ethefon é precursor.100 Faixa de ação dos coadjuvantes Percentagem de indução floral 80 60 40 20 0 10 50 Concentração do ethephon (ppm) 4. v.0 ou 10. a concentração recomendada pode ser reduzida para 25 a 100 mg L-1. 2-3 kg 100-1 litros da solução. Com relação ao ethephon. levandose em conta que o abacaxizeiro é uma planta que apresenta. sendo o volume de água (6. 1981. a liberação do etileno. 1983).0.04 %) + uréia (2%) aumentou a porcentagem de florescimento e reduziu o tempo de emersão da inflorescência e de maturação do fruto do abacaxizeiro 'Kew'. 1986). podendo ser carvão ativado (0. 1975.0 aumenta bastante sua eficiência.000 a 8. recomenda-se adicionar um coadjuvante à solução. A hora de aplicação do regulador vegetal é muito importante. em um tanque contendo água fria. aplicando-se de 30 a 50 mL da solução por planta.0%0) ou bentonita (1. Abutiate. Para facilitar a difusão desse gás na água e. sendo preferido em plantios mecanizados por apresentar eficiência comprovada e pelos seus efeitos benéficos sobre a inflorescência. 1977. 2009 . viável apenas em plantios mecanizados. a exemplo do CaCO3 (carbonato de cálcio). ou então. O gás etileno também pode ser aplicado diretamente para induzir a floração do abacaxizeiro.5%0 a 1. devendo ser efetuada preferentemente à noite. seu uso é restrito. obtida pela injeção. como já foi visto. A quantidade de etileno indicada por Dericke (1974) é de 800 g ha-1 por aplicação. em dias nublados (Aldrich & Nakasone. 1975. o metabolismo ácido das crassuláceas (CAM). aumenta ainda mais a eficiência da indução artificial (Fahl et al. 1954). do etileno proveniente de um cilindro apropriado. Nesse caso. elevando o pH para 10.000 litros) e a distribuição homogênea sobre as plantas muito importantes. A adição de uréia (2%-3%). A diminuição da acidez da solução indutora para um pH 8. Reinhardt & Cunha.. assim. portanto. O ethephon a 25 mg L-1 + CaCO3 (0. Modelo hipotético da ação de produtos coadjuvantes na performance do ethephon. Na2(CO3) (carbonato de sódio) e Ca(OH)2 (hidróxido de cálcio). sua eficiência. portanto. Essa operação consiste na pulverização total das plantas com uma solução saturada desse gás. A maior eficiência observada nas aplicações noturnas pode ser o resultado de uma maior concentração do etileno nos tecidos da planta nessas condições e/ou melhor absorção do produto aplicado. López de Vélez & Cunha. qualidade do fruto e produção de mudas (Py & Silvy. possibilitando o uso de menor quantidade do produto. Cunha (1989a) obteve ótimos resultados adicionando 35 g de Ca(OH)2 a 100 litros da solução. a concentração realmente recomendada é a de um a quatro litros do produto comercial para 1000 litros de água. o que resulta em mais de 90 % de eficiência na indução da floração. para o que podem ser usadas algumas substâncias alcalinizantes. 1. alternativamente. pela assimilação de CO2 e abertura estomática predominantemente noturnas.

Segundo Chan & Lee (2000). Turnbull et al. A temperatura ambiente durante a aplicação dos produtos é. pois uma irregularidade na mesma pode trazer conseqüências danosas ao seu cultivo. Assim é que. sabe-se que uma planta em fase de crescimento ativo não responde satisfatoriamente ao tratamento de indução artificial. caso pretenda-se explorar a soca. isso é.(Glennie. especialmente. assim. não devendo ser superior a 26-28 oC. também. para inibir a floração ou reduzir a eficiência da indução artificial. 1994). seria difícil pensar-se na exploração econômica dessa frutífera e que devido a esse fato é que os agricultores a cultivam. Considerando que essas substâncias. Sabendo-se que existe uma correlação positiva (linear) entre o tamanho/peso da planta e o peso do fruto para uma determinada região (Chan & Lee. o que geralmente é feito dois a três dias subseqüentes à primeira aplicação. Por outro lado. Porém. Isso porque. 1. geralmente com cinco a dez meses de antecedência. (1993) recomendaram que as pulverizações com os indutores florais sejam feitas com alto volume. uma falha de aplicação ou uma irregularidade na resposta das plantas ao tratamento. a não ser naqueles casos cuja finalidade é a uniformização do florescimento já iniciado e que. do manejo da cultura e da região. a fim de obter-se uma maior eficiência. Esses casos podem requerer uma maior dosagem dos produtos. Dentre outros fatores. não dependem apenas da sua economicidade e praticidade. uma prática cultural imprescindível. a fim de que não ocorram alterações fisiológicas na planta ou prejudiquem a qualidade do fruto. Por outro lado. contribuindo. 2009 69 . CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE A FLORAÇÃO DO ABACAXIZEIRO Conforme se depreende pelo que foi apresentado. mas também da sua eficiência. muito importante. a partir do final da tarde. do estado nutricional e estádio de crescimento alcançado pela planta quando da diferenciação floral. após um prolongado período de seca ou durante uma fase de crescimento ativo da planta ou de altas temperaturas. elevando bastante o nível de CO2. Logicamente. Afirma-se inclusive que. 1995). a alta temperatura diurna provoca uma descarboxilação intensa. no entanto. ou após um período muito seco alternado com um chuvoso. Outrossim. devido à retomada de crescimento da planta (Bartholomew & Kadzimin. a não ser ao encurtamento dos dias. como é o caso do etileno e do ANA. O tratamento de indução da floração do abacaxizeiro é. o abacaxizeiro não responde de modo satisfatório à aplicação dos produtos florígenos. a sua aplicação deve ser planejada de acordo com a época que se deseja efetuar a colheita. A penetração dos produtos é mais rápida. próximo do ápice caulinar. a escolha do fitorregulador (indutor) e do método de aplicação. o mesmo ocorrendo quando as condições ambientais são adversas à floração. sendo que do seu êxito depende a rentabilidade dessa cultura. a indução de plantas pequenas ou imaturas pode reduzir consideravelmente o rendimento da cultura. o tratamento de indução floral pode ser efetuado quando o abacaxizeiro atingir sete a 15 meses após o plantio. parece que a suscetibilidade do abacaxizeiro à indução floral está relacionada à condição fisiológica da planta e não apenas à sua idade cronológica ou tamanho (Min. v. Havendo. o mesmo valendo para o carbureto de cálcio. o peso do fruto do abacaxizeiro depende. essa repetição é desnecessária. No entanto. a segunda produção.. Geralmente. que paralisa o crescimento da planta. 2000). quanto ao etephon. a depender da região ecológica (Cunha et al. apenas iniciam o processo de floração. diz-se que após um determinado período do seu ciclo vegetativo. a depender da cultivar. pequenos frutos serão produzidos. daí porque a maior eficiência quando a aplicação é feita na roseta foliar. a indução floral artificial deve ser realizada antes da época provável ou favorável à floração natural. por algum motivo. Foi abordado o envolvimento de diversos fatores na floração do abacaxizeiro. mas não têm efeito sobre a duração da fase reprodutiva. sem o domínio dessa técnica cultural. apesar de Burg & Burg (1966) não terem encontrado correlação entre a produção de etileno e o tamanho da planta. Todavia. devido à pequena área foliar. que é um possante inibidor do etileno. evitando-se dias quentes para se reduzir falhas na floração artificial. o que prejudicará. 1979). em trabalhos de melhoramento genético deve-se atentar para as progênies que tenham a capacidade de produzir frutos de valor comercial mesmo com uma pequena massa vegetal. Nessas situações pode-se usar os indutores com menores concentrações. UFRB. também. recomenda-se a repetição da indução individual das plantas que Tópicos em Ciências Agrárias. ocorreu de modo irregular. 1977). a floração na cultura do abacaxi assume aspecto relevante. Segundo Glennie (1979). deve-se evitar o uso de doses muito elevadas dos reguladores vegetais. dificilmente o abacaxizeiro responderá aos estímulos do meio ambiente. assim. Alguns produtos requerem a repetição da aplicação. a exemplo de um estresse hídrico severo. muitos dos quais determinam o sucesso da indução artificial. a não ser que chova até seis horas após sua aplicação. quando usadas como indutoras. devido à sua maior atividade celular.

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CAPÍTULO 6 PRODUTIVIDADE VEGETAL: PRINCIPAIS FATORES Elvis Lima Vieira Tópicos em Ciências Agrárias .

como a taxa de assimilação líquida (TAL). convertendo-os em diversos tecidos (Odum. o produto fotossintético total produzido pode ser chamado de rendimento biológico verdadeiro. frutos). expresso relativamente ao uso respiratório pelas plantas durante o período de medição. durante sua passagem através do dossel de folhas. 1. ou um ano. 2009 . com a fitomassa seca total colhida. incluindo a matéria orgânica usada na respiração durante o período de medição. 1987). Estes só utilizam materiais alimentares já produzidos. O balanço entre o material produzido pela fotossíntese e aquele perdido pela respiração é definido por Pereira & Machado (1987). de magnitude menor. em toneladas de matéria orgânica seca por hectare (t ha-1) ou (g m-2). O termo produtividade refere-se ao incremento em biomassa. A TAL é um indicador da eficiência de uma planta na produção de matéria seca. organismo ou população (Hopkins. Segundo Hall & Coombs (1989). assumindo que tanto L como W.Centro de Ciências Agrárias. também chamada de “fotossíntese total” ou “assimilação total”. o qual difere do usual ou econômico. a produção da comunidade ou produção primária (PP). em substâncias orgânicas. Pode variar com a população de plantas.PRODUTIVIDADE VEGETAL: PRINCIPAIS FATORES Elvis Lima Vieira Professor . e pode ser representada da seguinte forma: UEAFS = Fs / Tr ( m mol CO2 m-2 s-1 / mmol H2O m-2 s-1) 79 Tópicos em Ciências Agrárias.br INTRODUÇÃO A fotossíntese é o processo responsável pelo fornecimento da energia necessária ao crescimento e desenvolvimento da planta. e quanto mais longo for o período de assimilação. que relaciona a massa da matéria seca da fração econômica de uma cultura (grãos. e geralmente encontra-se entre os valores 2. seja de um sistema ecológico. que foi definido por Watson (1952). Define-se como produtividade secundária. é a quantidade de matéria seca formada pela vegetação em uma dada área. A eficiência de conversão de produtos sintetizados em material de importância econômica pode ser avaliada através do IC . quanto mais completa for a absorção de luz. UFRB. de uma comunidade ou de qualquer parte deles. Esta depende diretamente do índice de área foliar (IAF). é a taxa global de fotossíntese. Larcher (1995) apresenta uma relação entre a fotossíntese (Fs) e a transpiração (Tr) de uma planta. tão completamente quanto possível.0 (Larcher. PP é maior quanto mais altas as taxas de assimilação das espécies que compõem a comunidade. v. O IAF funciona como indicador da superfície disponível para interceptação e absorção de luz.0 e 8. 1988). 1995). 1920). Cruz das Almas-BA. a produção primária líquida menos o consumo heterotrófico) durante o período em consideração. que designa de uso eficiente da água de fotossíntese (UEAFS). A produtividade primária bruta. que é a matéria seca contida em um órgão. Esta eficiência de conversão é determinada pelo genótipo e pelo ambiente (Pereira & Machado. raízes. o IAF descreve a dimensão do sistema assimilador de uma comunidade vegetal. mantendo um balanço positivo de trocas gasosas. geralmente a estação de crescimento. E-mail: elvieira@ufrb. Para Larcher (1986). A taxa de armazenamento de matéria orgânica nos tecidos vegetais. 1987). é definida como produtividade primária líquida.edu. Segundo Ferri (1985). A produtividade líquida da comunidade é a taxa de armazenamento de matéria orgânica não utilizada pelos heterótrofos (ou seja. distribuição de plantas e variedades. plantas verdes). sendo o principal fator a determinar a produtividade de uma cultura. e representa a capacidade que a planta ou comunidade vegetal tem em explorar o espaço disponível (Pereira & Machado. Ambientais e Biológicas/UFRB. sendo expressa com referência à área de solo coberta. como a área foliar por unidade de área de terreno. O rendimento pode ser definido como a relação da quantidade de material produzido pelas plantas num determinado intervalo de tempo (geralmente um ano de colheita) por área de terreno utilizado. Produtividade primária de um sistema ecológico é definida como a taxa na qual a energia radiante é convertida.. A TAL representa a taxa de incremento de massa de matéria seca (W) por unidade de área foliar (L) existente em uma planta. A fração utilizada é conhecida como índice de colheita (IC). pela atividade fotossintética e quimiossintética de organismos produtores (na maior parte. O IAF é ótimo para a produção quando a radiação fotossinteticamente ativa (RFA: 400 a 700 nm) é absorvida. designada também de “fotossíntese aparente” ou “assimilação líquida”. 2000). as taxas de armazenamento energético em níveis de consumidores. aumentam exponencialmente (Briggs et al.

a produção de matéria seca orgânica refere-se a área do estande. o UEAFS também é afetado pelas condições climáticas. incrementos na taxa fotossintética são conseguidos por aumentos nos níveis de CO2 por dois motivos: incremento na quantidade de substrato para a carboxilação pela enzima rubisco e. na concentração de CO2 atmosférico. Geralmente as plantas C4 não apresentam o processo de fotorrespiração mensurável e não sofrem saturação lumínica. fornece mais informações do que as taxas instantâneas de trocas gasosas. como por exemplo no fenômeno do estiolamento de plantas e nos fototropismos. O CO2 atmosférico tem que cruzar um longo e complicado caminho. a energia absorvida na forma de fótons pelos vegetais pode produzir basicamente três efeitos: 1) fotoenergéticos (fotossíntese. reduzindo a taxa de fotorrespiração. Em termos ecológicos. a fotossíntese líquida será sempre positiva. ao longo do qual se encontra com distintas resistências. os vegetais expostos a maiores níveis de irradiância desenvolvem um eficaz sistema axial para condução da água. agricultural e florestal. etc. 1995). neste ponto a fotossíntese líquida (FL) é nula [FL = FB (R + FR)]. proteínas.) e 3) fotodestrutivos (altas irradiâncias da RFA). Segundo Martinez (1995). Existe uma interação entre os níveis de CO2 do ambiente e a luz. No campo. fixada na forma de ligações químicas. causando fotooxidações de pigmentos do cloroplasto e radiações ultravioletas alterando os ácidos nucléicos. Apresenta outra relação. pela conversão de dióxido de carbono em compostos orgânicos. a concentração de CO2 do ar é bastante constante e relativamente baixa (0. 2) fotocibernéticos (fotoestimulantes ou fotoinibidores de rotas metabólicas. fotoconversões e fotooxidações). UFRB. podendo ser representada da seguinte forma: UERFS = energia química estocada x 100 energia radiante absorvida As taxas fotossintéticas não são amplificadas somente por aumentos nos níveis de irradiância. disponibilidade de CO2. 2009 . que apresentam este processo e normalmente se saturam com a luz natural (500 a 1000 mol m-2 s-1). Em condições naturais.). quando em condição de máxima irradiância solar (Martinez. chamada de o uso eficiente da água de produtividade (UEAP). O ponto de compensação lumínico se incrementa à medida que se aumenta a concentração de CO2. maior eficácia na síntese de proteínas e baixa taxa respiratória e de intercâmbio hídrico. temperatura. a fixação fotossintética bruta está equilibrada com a 80 Tópicos em Ciências Agrárias. o nível de irradiância no qual a fotossíntese bruta (FB) está em equilíbrio com a respiração (R) e com a fotorrespiração (FR). através da competição com o oxigênio. Pelo contrário. A luz interfere sobre o processo de crescimento de forma indireta. Para valores de irradiância acima deste ponto. que possuem um mecanismo interno de concentração de CO2 em união ao fenômeno de insaturação lumínica. De maneira geral. água. exercendo também influência direta sobre o crescimento. Salisbury & Ross (1994) definem como ponto de saturação lumínica. é definida como o uso eficiente de radiação pela fotossíntese (UERFS). v. Neste último caso (uso eficiente da água de produtividade). mas também por maiores concentrações de CO2. em determinado período de crescimento de um vegetal. Segundo Larcher (1995) e Larcher (2000) a eficiência da conversão de energia radiante solar em energia química. Este aspecto é bem mais importante para as plantas C3 do que para as plantas C4. Esta relação depende principalmente dos gradientes de concentração de CO2 e vapor d'água. e o consumo de água refere-se à evapotranspiração total. 1995). Além disso alcançam maiores valores de fotossíntese líquida em comparação às plantas C3.O UEAFS expressa qualitativamente e instantaneamente as trocas gasosas (CO2 e vapor d'água) que ocorrem na folha . os principais fatores que afetam a produtividade das plantas são: a variedade genética e os fatores ambientais (luz. em especial quando os estômatos estão parcialmente fechados (Hopkins. que indica a percentagem de energia radiante absorvida.035% em volume ou 350 mL L-1). das condições ambientais e das características funcionais e estruturais das plantas. enzimas. através da regulação do processo fotossintético. 1. as plantas de sombra exibem uma menor produção de matéria seca. fotomorfogêneses etc. Em plantas C3. nutrientes e a estrutura do dossel). até chegar e ser reduzido no interior do cloroplasto. pela fotossíntese. fototropismos. definida pela razão entre a produção de matéria orgânica seca e o consumo de água: UEAP = produção de matéria orgânica seca consumo de água (g MS kg-1 H2O) A produção de matéria seca e a quantidade de água consumida podem ter como referência uma única planta ou um estande de plantas. Suas folhas possuem várias camadas de células no mesófilo paliçadico e as células apresentam abundantes cloroplastos. Segundo Hopkins (1995). O ponto de compensação de CO2 é atingido quando. produzem grandes quantidades de matéria seca e são mais vigorosas. Larcher (1995) propõe que a relação entre a produção de matéria seca e o consumo de água.

perda de CO2 através da respiração e da fotorrespiração. Neste ponto, a fotossíntese líquida é aparentemente igual a zero. Logo, o processo fotossintético não poderá se beneficiar de incrementos nos níveis de CO2 se não superar este limite (ponto de compensação). De maneira geral, as plantas C3 possuem um ponto de compensação de CO2 mais alto (35 a 45 mmol mol-1) do que as plantas C4 (0 a 5 mmol mol-1) (Taiz & Zeiger, 2004). Hopkins (1995) apresenta um modelo que descreve a limitação da taxa fotossintética em função da concentração de CO2. Em baixas concentrações de CO2, a fotossíntese é limitada pela baixa capacidade de carboxilação de enzima rubisco. Em altas concentrações de CO2, as taxas fotossintéticas são limitadas pela taxa de regeneração do aceptor molecular, a ribulose-1,5-difosfato. Tradicionalmente, a produtividade das plantas tem sido avaliada pelas mudanças no seu peso, medido pela colheita de amostras a intervalos de dias, semanas ou meses. No entanto, a medição da taxa de troca de CO2 nos permite uma avaliação instantânea da produtividade minuto a minuto, caso seja requerido (Hall & Coombs, 1989). O crescimento vegetal é estimulado pela temperatura até certo limite, a partir do qual começa a atuar como fator de inibição. O papel regulador da temperatura sobre o crescimento se realiza através da regulação de enzimas que catalisam as reações que direta ou indiretamente interferem em todos os processos metabólicos e fisiológicos (germinação, respiração, transpiração, fotossíntese, fotorrespiração, translocação, absorção de água e nutrientes, floração, frutificação e senescência). Hopkins (1995) relata que a temperatura pode ser caracterizada por três pontos: o de mínimo (Tmin), o de máximo (Tmax) e o ótimo (Tótima) onde as reações se processam. A temperatura afeta fundamentalmente os processos químicos, mais que os físicos. A fotossíntese, a respiração e a fotorrespiração são afetadas de maneiras diferentes pela temperatura, pois as temperaturas ótimas diurnas afetam a produção (fotossíntese, fotorrespiração e respiração) e as temperaturas noturnas influenciam somente na respiração. De maneira geral, não existem taxas apreciáveis de fotossíntese à 0º C, a não ser aqueles detectados abaixo desta temperatura, em alguns liquens , plantas alpinas, espécies de tundra etc., porém não é um fenômeno habitual. A atividade das enzimas de carboxilação das plantas C4 (PEPcarboxilase) e da plantas C3 (Rubisco), apresentam pontos ótimos de atividade diferentes, 30º C e 25º C, respectivamente. Outro efeito marcante da temperatura ocorre sobre o processo transpiratório das plantas, que está relacionado diretamente com a fotossíntese (trocas gasosas), a temperatura foliar e com o estabelecimento de uma tensão hídrica na planta (Martinez, 1995). A água participa diretamente do processo de crescimento das plantas de diversas formas, como por exemplo: é o principal constituinte do protoplasma, participa diretamente de numerosas reações químicas (fotossíntese e respiração), praticamente todos os compostos orgânicos são solúveis em água, favorece o transporte de nutrientes e fotoassimilados dentro da planta, responsável pela turgescência celular, sem a qual não ocorrem as trocas gasosas e, é responsável pela estabilidade térmica do material vivo celular, favorecendo a manutenção das atividades bioquímicas do vegetal (Sutcliffe, 1980). Qualquer redução no potencial hídrico da planta afeta instantaneamente a abertura estomática, podendo induzir o fechamento estomático, causando diminuição das trocas gasosas e, consequentemente, reduzindo a fotossíntese. A taxa fossintética declina sob condições de estresse hídrico, e em caso de severo estresse hídrico, esta pode ser completamente anulada. De maneira geral, em condição de estresse hídrico, a redução na produtividade das plantas C3 é maior do que nas plantas C4. As plantas C4 apresentam algumas vantagens sobre as plantas C3, com relação à fotossíntese e estresse hídrico, por que elas são mais eficientes no uso da água. As plantas C3, C4 e MAC (metabolismo Ácido das Crassuláceas), apresentam diferentes aspectos em relação à fisiologia, bioquímica, botânica e ecologia, que afetam significativamente a capacidade produtiva destas plantas (Tabela 1). Os nutrientes minerais possuem uma extraordinária importância no crescimento e no desenvolvimento dos vegetais, desempenhando diversas funções como por exemplo: estrutural, constituinte de enzimas, ativador enzimático, regulador do pH citossólico, regulador da permeabilidade celular e na manutenção da neutralidade eletrostática intracelular (Malavolta et al., 1997). A nutrição mineral manifesta determinadas influências sobre a fotossíntese e interfere sobre todos os níveis de nitrogênio, cuja deficiência determina uma diminuição evidente nas taxas de fotossíntese, ou seja, na produtividade primária, devido à redução nas taxas de síntese protéica, particularmente da rubisco e dos elementos transportadores das cadeias eletrônicas (Hopkins, 1995). O potássio também interfere decisivamente na assimilação de CO2, afetando o mecanismo de abertura e fechamento estomático, a atividade de muitas enzimas e, em particular, a mobilização de proteínas e carboidratos. O cloro é indispensável para a fotólise da água e o sódio é essencial para a fotossíntese de algumas plantas C4. O ferro é necessário ao metabolismo das clorofilas e das proteínas férricas do transporte eletrônico. O magnésio afeta a síntese de clorofilas, a ativação de numerosas enzimas fotossintéticas e participa também da fotólise da água no fotosistema II (Martinez, 1995). A máxima possibilidade fotossintética conseguida por uma folha é conhecida de capacidade fotossintética foliar, sendo determinada através da taxa de fotossíntese por unidade de área foliar sob condições de saturação de luz incidente, concentrações normais de CO2 (0,003%) e O2 (21%), ótimo de temperatura e alta umidade relativa. A
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capacidade fotossintética foliar é altíssima em plantas adaptadas a ambientes rico em recursos onde luz, água e nutrientes são abundantes. A redução da fotossíntese é uma conseqüência de deficiência de praticamente todos os elementos essenciais, mas a capacidade fotossintética foliar é particularmente sensível ao suprimento de nitrogênio. Como constituinte básico da molécula de clorofila, participante de reações de redox no transporte de elétrons e envolvido com todas as enzimas do metabolismo do carbono, o nitrogênio assume um papel crítico na produtividade primária dos vegetais (Hopkins, 1995). De maneira geral, ótimas taxas fotossintéticas são coincidentes com uma nutrição mineral equilibrada e de concentrações ótimas. A produtividade primária líquida de um estande de plantas é notadamente influenciada pela estrutura do dossel. Esta estrutura é alterada pela idade, morfologia, pelo ângulo e espaçamento individual entre folhas. A capacidade fotossintética de uma folha declina com a senescência. Esta deterioração progressiva da folha é caracterizada, em parte, pela redução de clorofilas e da atividade das enzimas ligadas ao processo fotossintético. Muitas plantas herbáceas apresentam uma seqüência na senescência foliar. Quando as folhas mais velhas do dossel estão senescentes, as folhas novas estão em formação no topo do dossel. A arquitetura do dossel é muito importante quando se considera a produção agrícola e os ecossistemas naturais, pois esta determina como a luz será eficientemente absorvida. Altas produtividades dependem em parte da extensão de área de solo que é coberta com superfície fotossintetizante, porque a luz solar exposta ao solo não contribui para a produtividade. Estas relações são avaliadas através do IAF (Hopkins, 1995). Hall & Combs (1989) apresentam de forma resumida (Figura 1) a seqüência lógica a ser observada para resolução dos problemas referentes às etapas limitantes da eficiência do processo energético luminoso na conversão de um determinado cultivo em biomassa. No entanto, alertam que, mesmo antes de buscar tais respostas, deve-se primeiro verificar se é possível definir as melhores condições ambientais e de produtividade das plantas. Tabela 1. Comparação entre plantas C3, C4 e MAC quanto aos aspectos que influenciam na produtividade vegetal.
CLASSES DE PLANTAS

C3
PARÂMETROS

C4 Mesófilo Foliar, presença de Bainha Vascular (BV), com cloroplasto (Anatomia Kranz) Mesófilo granal e Bainha Vascular granal ou agranal Cerca de 4 : 1 1:5:2

MAC Mesófilo foliar, ausência de Bainha Vascular, células com grandes vacúlos. Granal <3:1 Na luz 1 : 3 : 2 No escuro 1 : 5 : 2 Nas intensidades intermediárias e altas. Inferior às plantas C4 Assimilação de CO2 noturna Na luz: RuDP No escuro: PEP PGA à luz Malato no escuro Rubisco na luz PEPcase: no escuro
Rubisco: luz PEPcase: escuro Rubisco/cloroplasto PEPcase/citoplasma continua...

01

ANATOMIA FOLIAR

Mesófilo Foliar (MF), ausência de Bainha Vascular, com cloroplasto - Parenquimático Granal Cerca de 3 : 1 1:3:2

02 03 04

CLOROPLASTOS CLOROFILA a / b RELAÇÃO CO2 : ATP : NADPH+ SATURAÇÃO DE LUZ DA FOTOSSÍNTESE

05

Há intensidade intermediárias ~1/3 Não satura a altas intensidades (50 - 150 Wm-2) (+ 500 Wm-2) (500 - 1000 m mol m2 s-1) -1 (2000 mmol quanta m-2 s-1) -2 (600 a 800 m mol quanta m s ) 30°C : 18,9 20°C : 15,4 20 ou 30°C gramíneas = 15,9 dicotiledôneas = 17,5 Fosfoenolpiruvato (PEP) Ácidos C4 - (AOA) (Malato ou Aspartato) PEP carboxilase (PEPcase)

06

EFICIÊNCIA QUÂNTICA (mol quanta/mol CO2

07 ACEPTOR PRIMÁRIO DE CO2 atm. 08 PRIMEIRO PRODUTO ESTÁVEL DA FOTOSSÍNTESE ENZIMA PRIMÁRIA DE CARBOXILAÇÃO
Km DA ENZIMA DE CARBOXILAÇÃO LOCALIZAÇÃO DA ENZIMA DE CARBOXILAÇÃO

Ribulose 1,5 difosfato (RuDP) Ácidos C3 Ácido 3 - fosfoglicérico (PGA) RuDP carbosilase/oxigenase Rubisco* Carboxidismutase
Rubisco (@20 m MCO2) 20mM CO2 Rubisco - cloroplasto (MF)

09

10

PEPcase (@5 m MCO2) 100 a 160 mM HCO-3 PEPcase: - citoplasma (MF) Rubisco - cloroplasto (BV)

11

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... continuação
CLASSES DE PLANTAS

C3
PARÂMETROS

C4

MAC CO2: luz HCO 3: escuro Sem referência

12 13

SUBSTRATO DA CARBOXILAÇÃO TEMPERATURA ÓTIMA/ENZIMA TEMPERATURA ÓTIMA PARA FOTOSSÍNTESE ABERTURA ESTOMÁTICA NA PRESENÇA DA LUZ

CO2 Rubisco: 20 - 25°C

HCO 3 PEPcase: 30 - 35°C

-

14

20 - 35°C Grande (fotoativas) Forte inibição na presença da luz Aumento do processo fotorrespiratório 3 a 5 vezes MAIS que a respiração no escuro

30 - 45°C Pequena a média (fotoativas)

30 - 45°C Pequena ou nula (não fotoativas) Forte inibição na presença da luz Não há aumento Difícil de determinar Não mensurável, difícil determinar Na luz: 0 - 200 ppm No escuro: < 5 ppm

15

EFEITO DEPRESSIVO 16 DO OXIGÊNIO (21%) NA FOTOSSÍNTESE 17 EFEITO DE ALTAS TEMPERATURAS

Sem efeito

Não há aumento 10 vezes MENOR que a respiração no escuro

VELOCIDADE RELATIVA 18 DA FOTORRESPIRAÇÃO

LIBERAÇÃO DE CO2 NA Sim; presente em torno de 25 19 LUZ (FOTORRESPIRAÇÃO a 30% do valor da fotossíntese APARENTE) 20 PONTO DE COMPENSAÇÃO DE CO2 50 - 150 ppm (ALTO) 30 - 70 mmol CO2 mol 20 - 100 mLCO2L-1

Não mensurável 0 - 10 ppm (BAIXO) 0 - mmol CO2 mol 0 - 5 mLCO2L-1

PONTO DE COMPENSAÇÃO LUMÍNICO (RFA) 21 20°C - 340 ppmCO2 CONSUMO DE H2O PARA PRODUÇÃO DE MATÉRIA SECA EFICIÊNCIA NO USO DE ÁGUA (E.U.A) N NA FOLHA PARA ATINGIR FOTOSSÍNTESE MÁXIMA REQUERIMENTO DE Na COMO MICRONUTRIENTE EFICIÊNCIA NO USO DE NITROGÊNIO (E.U.N.) VELOCIDADE MÁXIMA DE CRESCIMENTO gms dm-2 dia-1
+

6 - 10 mmol m s

-2

-1

4 - 8 mmol m-2 s-1

Sem referência

22

450 - 1000 moles de H2O transpirada/mol de CO2 assimilado 1a3g -1 CO2 Kg H2O 6,5 - 7,5% peso seco Não

200 - 350 moles de H2O transpirada/mol de CO2 assimilado 2a5g -1 CO2 Kg H2O 2,0 - 4,5% peso seco Sim

18 a 125 moles de H2O transpirada/mol de CO2 assimilado 1a4g -1 CO2Kg H2O

23

24 25

Sem referência Sim

26

Rubisco > 50%

Rubisco: 25% PEPcase: 10% 4,0 - 5,0

Rubisco: 25% PEPcase: 10% 0,015 - 0,02
Na luz leve No escuro média 2,5 - 7,6 mmol CO2 m-2s-1

27

0,5 - 2,0

CAPACIDADE 28 FOTOSSINTÉTICA LIQUIDA FL = [FB - (FR+R)] REDISTRIBUIÇÃO DOS PRODUTOS DE ASSIMILAÇÃO PRODUÇÃO DE MATÉRIA SECA

Leve e alta 15 - 40 mg CO2 dm-2 h-1 15 - 25 mmol CO2m2 s-1

Alta e muito alta 60 - 100 mg CO2dm-2h-1 25 - 40 mmol CO2m-2s-1

29

Lenta (MF) 22 + 3,3 ton ha-1 ano-1 (média) 0,2 a 0,4 ton ha-1 dia-1 (leguminosas

Rápida (BV) 38 + 16,9 ton ha-1 ano -1 (alta) 0,5 ton ha -1 dia -1 (cereais)

Variável Pouco conhecida, menos que C3 (baixa)

30

continua...

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... continuação
CLASSES DE PLANTAS

C3
PARÂMETROS

C4

MAC Desértico, semi-árido. Crassuláceae, Cactáceae, bromeliaceae, Agavacecae, Liliaceae, Euphorbiaceae e Orchidacecace. Abacaxi e Sisal.

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OCORRÊNCIA (CLIMA)

Temperado, equatorial e tropical. Tropical, subtropical, semi-árido e desértico. Milho, sorgo, Arroz, trigo, cebola, leguminosas, cana-de-açúcar e Atriplex. avena e tabaco. Todas Maioria das monocotiledônias gimnospermas angiospermas (gramínease ciperáceas) (285.000 espécies), e 300 espécies de briófitas e algas. cotiledônias).

Decréscimo na produção medido pela queda na taxa de crescimento absoluto (planta) e na taxa de crescimento da colheita (plantações)

Análise do crescimento das plantas

Decréscimo na taxa líquida de assimilação

ou

Decréscimo na área da folha ou copas
Estudos de trocas Gasosas

Decréscimo na taxa de fotossíntese das folhas

ou

Aumento no total das perdas de respiração
Medição da resistência difusiva

Aumento das limitações dentro do mesófilo

ou

Aumento das limitações impostas pelos estômatos Estudos biofísicos e bioquímicos

Efeitos na fotoquímica e fotossíntese do transporte de elétrons

ou

Efeitos no metabolismo fotossintético do carbono

Figura 1. Análise redutora dos fatores que limitam a produtividade. Fonte: Adaptado de Hall & Combs, 1989.

Mayer (1975) apresenta uma relação de aspectos a serem pesquisados, com relação à produtividade agrícola, designados por ele de pesquisas imperativas: a) Com relação ao fornecimento de carbono: - Identificar os aspectos da fotossíntese os quais limitam a fixação de CO2 nos ambientes naturais; - Elucidar as relações entre o desenvolvimento das plantas e o processo fotossintético; - Suprir as plantas de novos procedimentos para seleção, em relação à produção. b) Com relação a nutrição nitrogenada:
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- Minimizar a energia e custos na fabricação dos fertilizantes nitrogenados; - Desenvolver a nutrição nitrogenada de auto-suficiência para as plantas; - Maximizar a eficiência do uso do nitrogênio do solo e do fertilizante nitrogenado; - Aperfeiçoar as características nutricionais dos produtos agrícolas. c) Com relação à interação água - solo - minerais: - Administrar a relação entre a produção água - solo; - Tornar viável o controle da erosão e desenvolver novas tecnologias, especialmente para se cultivar em terras marginais; - Estudar e conhecer como a planta se relaciona com a célula, em relação à água e como esta relação afeta a produtividade agrícola, e desenvolver métodos para a manipulação destas relações; - Relacionar a água e o solo administrando o sistema para prevenir a salinização; - Desenvolver sistemas de produção agrícola compatível com o interesse da comunidade e com o ambiente; - Adaptar o solo administrando práticas para cultivos de subsistência para países em desenvolvimento; - Desenvolver tecnologias de solos para a produção agrícola em solos problemáticos (ex: oxisolos, ultisolos); - Evoluir métodos de administração de solos para aperfeiçoar as características dos solos, assegurando a germinação de sementes; - Caracterizar e quantificar os problemas de estresse em solos, relatando os resultados para que se possa realizar pesquisas nas áreas de genética, fisiologia e cultural; - Identificar a aumentar o uso de fontes baratas para o melhoramento do solo e nutrição de plantas, incluindo lixo e resíduos de culturas; - Estimular a absorção e crescimento de plantas, pelo uso de micorrízas selecionadas e/ou bactérias da rizosfera; - Esclarecer a absorção de nutrientes minerais de culturas em meio salino, ambiente com íon tóxico e em solos altamente férteis, pela utilização de culturas selecionadas através de melhoramento genético; - Quantificar quimicamente, fisicamente e biologicamente as propriedades da interface raiz-solo e seus papéis na nutrição mineral e absorção de água; - Investigar a distribuição radicular e as características de absorção de componentes de produtos múltiplos, os quais maximizam o uso dos recursos do solo; - Elucidar o controle metabólico e a integração do transporte iônico do solo para dentro dos pêlos absorventes e da planta; d) Com relação ao estresse ambiental: - Manipulação dos produtos agrícolas ou do seu ambiente, o que poderá evitar ou reduzir as injúrias causadas pelo estresse e aumentar a produtividade; - Explorar o potencial genético para desenvolver novas variedades resistentes ao estresse; - Elucidar os princípios básicos das injúrias provocadas pelo estresse e da resistência, avaliar a oportunidade e natureza dos danos do estresse. e) Com relação aos processos de desenvolvimento das plantas: - Utilizar técnicas de culturas de células e tecidos, para acelerar geneticamente a produção de plantas; - Identificar e avaliar os mecanismos de controle para o desenvolvimento de uma planta; - Determinar as bases fisiológicas e genéticas com relação aos estresses ambientais; - Preservar as fontes e explorar as possibilidades da variabilidade genética; - Combinar as disciplinas de genética e fisiologia de plantas para projetar plantas; - Continuar e encorajar as pesquisas básicas em desenvolvimento de plantas.
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Inovação de abordagens para proteção de plantas. 1. . a eficiência fotossintética das plantas é baixa. . A produtividade de uma planta é resultado de processos e diversas reações complexas. Vários são os componentes que englobam este complexo mecanismo da expressão fenotípica da produtividade (Figura 2). que ocorrem na ontogênese sob influência das condições externas (Nasyrov.Treinamentos para se desenvolver resistência estável de doenças em plantas. d) quantidade de energia transportada para as partes úteis da planta (partição de assimilados) e e) metabolismo nas partes úteis da planta (eficiência na utilização). 1978). v. 1978). a produtividade final da cultura depende de: a) quantidade de energia incidente (excitação eletrônica). . . . Esquema da expressão fenotípica da produtividade (Nasyrov.Expandir as pesquisas para que no futuro se desenvolva o controle biológico de plantas.Aumentar o entendimento dos fundamentos biológicos das doenças. b) quantidade de energia interceptada e absorvida. Figura 2.Necessidade de pesquisas para o desenvolvimento e administração de sistemas integrados para combinar proteção estável para os vários estilos de agricultura. Em condições ótimas registra-se eficiência de 3 a 4% nas plantas C3 e de 5 a 6% em plantas C4. c) quantidade de energia convertida (fixação de CO2). Segundo Bernardes (1987).f) Com relação à proteção de plantas: . . A baixa eficiência é considerada o primeiro fator limitante da produtividade.Melhorar os pesticidas e o seu uso. 86 Tópicos em Ciências Agrárias. É estimado que a produtividade potencial possa chegar a 12%. UFRB. Assim sendo.Desenvolver e implementar modelos para a prática de proteção de plantas. 2009 . não atingindo 1% na maioria das espécies.

vigor das plântulas. onde estão envolvidas a floração e a maturação do fruto (Martinez . outras plantas. É um período de crescimento vegetativo (fase II). de um ou mais hormônios. outros animais e o próprio homem). O crescimento de um vegetal é lento no início e depende das reservas (cotilédones ou endosperma) contidas nas sementes. eles regulam a intensidade e a direção do crescimento. Seus resultados. função da disponibilidade de água e nutrientes do substrato e da capacidade fotossintética (fixação de CO2) da planta. fixação de nitrogênio atmosférico e seu aproveitamento. O significado ecológico dos hormônios vegetais reside no seu papel como substâncias tradutoras. e sincronizam o desenvolvimento da planta com as mudanças estacionais do ambiente. Vários processos têm sido investigados com o objetivo de se elevar a produção vegetal: eficiência fotossintética. O controle ambiental. respondendo e percebendo os estímulos ambientais. No entanto.Laborde & Garcia. Esta fase se denomina fase de envelhecimento ou de senescência (fase III). Tópicos em Ciências Agrárias. 2004). índice de colheita (IC). número e massa seca de grãos por planta (Vieira & Castro. Os hormônios vegetais agem em diminutas concentrações. 2001. 2002). após a planta ter atingido o tamanho definitivo. mais sim uma reação normal frente às ações dos fatores ambientais. pode afetar a morfologia e a reprodução do vegetal. Os hormônios atuam em nível de genes. A aplicação de biorreguladores e de estimulantes vegetais. atividade metabólica. também conhecido como de concorrência. certamente. Os vegetais estão condicionados pela sua constituição genética. dependendo do órgão envolvido e da predisposição da planta. (1986). vento. Esta fase é denominada exponencial ou logarítmica (fase I). como catalisadores. Adicionalmente. respiração e fotorrespiração (Hay & Walker. v. favorecem um melhor desempenho dos processos fisiológicos vitais. Finalmente. nebulosidade. Os fatores do meio biológico (biocenose) são os organismos que podem afetar o crescimento e o desenvolvimento do vegetal (microorganismos. topografia e o material de origem do solo que influencia nas propriedades físicas e químicas. pragas. sendo portanto capazes de promoverem as mais variadas alterações morfológicas e fisiológicas nos vegetais. os hormônios vegetais também possuem um papel de coordenação dentro do organismo. Além disso. 1. para se obter eficiência no melhoramento genético. Após a germinação e o estabelecimento de uma plântula . ou mudanças na concentração. onde existe uma relação linear entre o logaritmo do crescimento e o tempo. 1994). com expectativas de boas produtividades. essas substâncias. Segundo Larcher (1995). Magalhães. As reações provocadas podem se sinergéticas ou antagônicas. e o teor de matéria orgânica. água. da natureza do estímulo externo e do tempo de ação. os hormônios vegetais iniciam processos de crescimento e diferenciação. afetando os processos metabólicos através da transcrição e tradução. influenciando positivamente na produção e produtividade das culturas. é necessário que as características em questão apresentem diferenças facilmente observadas e herdabilidade suficiente para se obter diferenças nas progênies. controle intercelular ou hormonal e o controle extracelular ou ambiental). Segundo Salisbury & Ross (1994). A ação interna dos hormônios depende do estádio de desenvolvimento da planta. 2009 87 . 1985). transporte. tem apresentado resultados significativos. existem evidências de que os hormônios vegetais controlam a atividade gênica. ocorre uma fase central de rápido aumento de tamanho designada fase de crescimento ou fase linear. os principais fatores envolvidos na produção vegetal são: a) cinética do crescimento vegetal e b) controle do crescimento e do desenvolvimento vegetal (controle intracelular ou genético. São as condições do ambiente onde está inserido o vegetal (Lucchesi. 1994 .Segundo Lucchesi (1987). regulando o crescimento e o desenvolvimento vegetal (Castro & Vieira. produção de vagens. serão bem mais expressivos e significativos em cultivos onde o sistema de produção já apresenta níveis elevados de tecnologia. latitude. crescimento e desenvolvimento radicular. gases atmosféricos. Junto com os fatores externos. armazenamento e mobilização de substâncias nutritivas. 1989). visando aprimorar os padrões de produção e produtividade. Os fatores endógenos são ativos não somente em níveis molecular e celular. O controle genético envolve as características da planta que ela carrega em sua bagagem genética herdada. quando aplicadas em baixas concentrações em sementes ou na parte aérea das plantas. moléstias. Segundo Casillas et al. e corresponde às últimas etapas do desenvolvimento da planta. UFRB. O aumento da fotossíntese pode ser alcançado através de: aumento da interceptação e melhoria da distribuição da radiação fotossinteticamente ativa (RFA) no dossel da planta. A utilização dessas substâncias pode influenciar positivamente a germinação de sementes. Todas as partes da planta são informadas também através da síntese. temperatura e energia radiante) e edáficos (posição geográfica. sendo esta. Vieira & Monteiro. 1987). O fenótipo não é uma mera tradução do genótipo. eficiência de uso de minerais pela planta. Os fatores físicos (biótopo) podem ser classificados como climáticos (altitude. ocorre uma fase em que a taxa de crescimento vai sofrendo decréscimos cada vez maiores na acumulação de matéria seca. redução do ciclo produtivo (permitindo mais safras) e tolerância à condições de estresse (York. 1984). as demais características (aquelas que não sejam objeto do melhoramento) devem se manter relativamente uniformes (Snyder & Carlson. e estão em constante interação com os fatores ambientais. da manipulação da arquitetura foliar do aumento da eficiência de conversão da RFA em matéria seca através da manipulação das taxas de fotossíntese bruta.

1986. . M. Fisiologia vegetal 1. 2000. É importante lembrar..A. que qualquer alteração genética nas plantas deve vir acompanhada de mudanças nas técnicas agronômicas a fim de que realmente haja um incremento da produção em nível de campo. 531p.H. F. Segundo esses autores.. Biol. 88 Tópicos em Ciências Agrárias. M. Aplicações de reguladores vegetais na agricultura tropical. HITZ.L. 2009 . BRIGGS.O. p. V. D. FERRI. LARCHER. Trad. 36. Fotossíntese no dossel das plantas cultivadas.). KIDD.. A quantitative analysis of plant growth. New York: John Wiley & Sons. Ecofisiologia vegetal. BUITRAGO G. WEST. respectivamente. R... W. Piracicaba: POTAFOS.. 1920.103-123.. REFERÊNCIAS BERNARDES. J.A. Ecofisiologia da produção agrícola. a manipulação do período de enchimento de grãos parece ser a característica mais promissora em termos de aumento de produtividade. 103-123.J. 2.E. 4664. Crop productivity and photoassimilate partitioning. GUERRERO A. 2.D.G. p.. Carlos Henrique Britto de Assis Prado. v. Acta Agronomica.. Buckup. provavelmente devido a mecanismos de auto regulação da planta (Gifford et al. G.C.R.. 132p. Trad. T. 1995. 362p. Fortaleza: Edições Universidade Federal do Ceará. 1.C. p. UFRB. v. Appl. A. HAY. 290p. 292p. LONDOÑO. n. LARCHER. HALL.E.801-808. THORNE. part I. E. 1985.G. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária Ltda. Biol..J. G. COOMBS. C. CASTRO. não tem sido possível aumentar a produção através de manipulação genética ou química do sistema fotossintético em níveis inferiores ao de desenvolvimento da área foliar. R. por exemplo.. São Carlos: RiMa Artes e Textos. W. F. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária Ltda. A quantitative analysis of plant growth.J.S. An introduction to the physiology of crop yield.. S. Longman Scientific and Technical.C. 1920. TOLLENAAR. de Antonio de Pádua e Hildegard T. v. M. K. WALKER. Ann. ... Guaíba: Livraria e Editora Agropecuária. p. 464p.. W. 1989. In: BOOTE. WEST. P.225. Analisis cuantitativo de la aplicacion de cuatro bioestimulantes en el cultivo en el cultivo del rabano (Raphanus sativus L. Ultimamente. HOPKINS. têm se procurado avaliar o efeito de possíveis alterações genéticas na planta sobre seu potencial produtivo através de modelos de simulação. Modelling genetic yield potential.J..T. (Eds. 1989. R. VIEIRA. 1984). 1984. Técnicas de bioprodutividade e fotossíntese. Ann. 319p. no entanto.A. Nova York..R.. GIFFORD. I.L.). Appl.J. KIDD.M.H. Boote & Tollenaar (1994). Part I.A. C. utilizaram os modelos SOYGRO e MAIS para estimar o efeito de algumas estratégias de manipulação genética sobre o aumento de produção em soja e milho.Apesar de ser possível elevar a produção aumentando a taxa fotossintética através de alterações no meio ambiente (nível de CO2 ou luminosidade). v. BRIGGS. n. W.M.O. Introduction to plant physiology. 2001. Science.7.A. J.. BOOTER. 1987. K. v. 7. GIAQUINTA. YAMADA. Ecofisiologia vegetal. P. 13-48. INC. . In: CASTRO. 1986.K. 185195. FERREIRA. p. CASILLAS. cap.

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CAPÍTULO 7 ECOFISIOLOGIA E FLORAÇÃO DA MANGUEIRA E CRESCIMENTO DO FRUTO DE MANGA Manoel Teixeira de Castro Neto & Anna Christina Passos Menezes Tópicos em Ciências Agrárias .

com pedúnculo curto (Silva. 1974). considerada uma frutífera tropical. Dentre destes aspectos.) se caracteriza por possuir porte médio a alto (10 a 30m). Sendo assim. Estes surtos estão correlacionados com os futuros florescimentos e conseqüente frutificação. muitos desses caem ao atingirem 2. HÁBITOS DE VEGETAÇÃO. 1997). distribuídos do final de inverno. uma vez que determinam a colheita final (Doni. Ambientais e Biológicas/UFRB. 1. v. é cultivada nas mais diversas regiões equatoriais e mesmo nas subtropicais. uma vez que ramos entre 4 a 18 meses de idade poderão emitir inflorescências (Silva. Pode apresentar vários surtos vegetativos por ano. A principal finalidade desta publicação é mostrar o conhecimento atual sobre o assunto e onde são necessárias informações para elucidar os fatores que limitam a produtividade da cultura. 2009 93 . Como não poderia deixar de ser. No estudo da frutificação da mangueira. Anna Christina Passos Menezes2 1 2 Professor . primavera e verão. 1997). o processo de indução do florescimento é o que tem chamado mais a atenção dos pesquisadores e produtores. sendo essa diferenciação. Ecofisiologia da mangueira A mangueira. É conhecida pela sua alternância de produção ou produção irregular. peso. dependendo das condições climáticas de cada região. UFRB. Além destes fatores. podendo ser compacta ou aberta. INTRODUÇÃO A cultura da mangueira se destaca na pauta de exportação das frutas brasileira e portanto.ECOFISIOLOGIA E FLORAÇÃO DA MANGUEIRA E CRESCIMENTO DO FRUTO DE MANGA Manoel Teixeira de Castro Neto1.4 cm de diâmetro. contudo. Para Popenoe (1917). 1995). As folhas são lanceoladas. as sementes variam também em termos de forma e tamanho. forma.1% das flores hermafroditas chegam efetivamente a frutificar (Silva. umidade e produção de carbohidratos. a queda indica a necessidade de polinização das flores.1995). coriáceas. queda de flores e frutos.Centro de Ciências Agrárias. Para o florescimento da mangueira. pois. é importante que haja a paralisação do crescimento da planta e um período anterior de dormência. Cruz das Almas-BA E-mail: mtcastroneto@gmail.com Professor . Em nenhum momento os pontos discutidos aqui são conclusivos e há muito o que saber antes de se ter uma posição definitiva sobre a ecofisiologia da mangueira. que tem como causa o florescimento irregular. 1997). em grande parte influenciada pelas condições ambientais e tratos culturais (Singh. e neste capítulo são colocados alguns resultados obtidos.Faculdade de Agronomia do Médio São Francisco/UNEB. diversos trabalhos foram conduzidos no programa de pós-graduação da então Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia. é necessário o conhecimento dos aspectos ecofisiológicos da cultura para que se possa desenvolver um manejo sustentável e produtivo. A iniciação e desenvolvimento de novos ramos dependem da disponibilidade de nitrogênio. em alguns casos os frutos desenvolvem-se partenocarpicamente. com a copa variando da forma arredondada globosa à piramidal. BOTÂNICA. e a polpa com vários tons de amarelo. com características muito variáveis quanto ao tamanho. apresentando um crescimento vegetativo caracterizado por desenvolvimento ativo e dormências periódicas (Castro Neto. florescimento e Tópicos em Ciências Agrárias. coloração da casca. considerandose que em torno de 0. muitos trabalhos têm sido conduzidos focando-se diferentes aspectos da cultura. que apresentam. a fixação e a queda dos frutos adquirem uma importância fundamental. a variação no nível de inibidores/promotores de crescimento nas folhas e/ou ramos afetam o padrão de crescimento da planta (Castro Neto. que é coriácea. A mangueira se caracteriza por apresentar baixa eficiência em termos de frutificação. FLORESCIMENTO E FRUTIFICAÇÃO A mangueira (Mangifera indica L. em muitos casos fatores climáticos limitantes ao seu desenvolvimento. Juazeiro-BA. 1960). As variedades apresentam fruto tipo drupa.

Crescimento e graus-dia O conceito de graus-dia data de 200 anos atrás. auxiliando a abertura de flores e reduzindo o ataque de fungos. Qualquer deficiência ou excesso resulta em alterações no seu metabolismo e. que pode provocar a queda total das flores e frutos jovens (Costa. sendo os fatores: luminosidade. é relativamente constante. 1966). o somatório das unidades térmicas. para a cultivar Nang Klangwan. Temperatura Todos os seres vivos apresentam limites de temperatura bem definidos.5 a 27oC é considerada como ideal para o cultivo e. posição que favorece a insolação sobre as mesmas. Além disso. Sendo assim. a ocorrência de baixas temperaturas propiciaria condições favoráveis ao desenvolvimento de oídio (Oidium mangifera B. Segundo Piza Jr. Para a cultivar Carabao. 1989). influindo na vegetação. (1992) encontraram 109 a 94 Tópicos em Ciências Agrárias. (1995). umidade do ar e do solo. 2009 . 1984). 1987). et al. independentemente da época de plantio e local onde é feito o cultivo. v. Bugante citado por Lizada (1991) estabeleceu um período de 110 -130 dias para o fruto atingir a maturação. Muitas pesquisas evidenciaram este fenômeno. por exemplo. para Maranca (1975). o que causaria injúrias nas estruturas reprodutivas (Sturrock. perturbando o balanço hídrico (Castro Neto. 1971).. o que aumentaria a transpiração e perda de água. medido em graus-dia. a determinação da época de colheita pode ser feita com base na quantidade de calor que a planta acumula acima de 9°C. consequentemente. Alguns autores estudaram a correlação entre a luminosidade e a atividade fotossintética e apesar dos resultados dos estudos não terem sido conclusivos. 1. por exemplo. foi sugerida uma diferença entre a atividade fotossintética das folhas diretamente expostas ao sol quando comparadas com as folhas sombreadas da parte interna da copa (Schaffer & Gaye. O conceito de unidades térmicas relaciona a taxa de desenvolvimento da planta com a temperatura acumulada acima da temperatura mínima basal (Monteith. em Pakchong nordeste da Tailândia. Ketsa et al. 1980). baseado na acumulação de 1000 unidades de calor usando como temperatura-base 17. Mota (1987) cita que Abbe (1905) e Holmes & Robertson (1959). a menos que venham acompanhadas de baixa umidade e ventos fortes. desde que não ocorram outros fatores limitantes como. UFRB. a mangueira poderá florescer à sombra porém. O acúmulo de graus-dia também tem sido usado para calcular a melhor época de colheita da manga. 1981). 1995). Uma das causas da baixa produtividade da mangueira é a ocorrência de baixas temperaturas. 1989). 1988). 1987). os mais importantes que afetam o desenvolvimento da mangueira. contudo.frutificação (Silva. Luminosidade Existem poucas informações sobre os efeitos da luz nas trocas gasosas da folha da mangueira. A faixa de temperatura entre 19. e essa quantidade de calor é expressa em grausdia (Mota. a experiência tem demonstrado que durante o ciclo de uma cultura. em seu desenvolvimento normal (Mandelli. florescimento e frutificação (Donadio. A temperatura base para a qual a mangueira não apresenta crescimento e desenvolvimento tem sido 9°C (Davenport. A mangueira responde claramente a uma determinada combinação de temperatura diurna e noturna. zero de vegetação é a temperatura abaixo da qual não ocorre desenvolvimento vegetativo. 1997).9°C. requer uma combinação de temperatura diurna/noturna de 19/13oC ou 25/19oC por um período de duas ou mais semanas para alcançar uma floração de 60 a 80% (Shu & Sheen. A temperatura é um dos elementos climáticos mais importantes para a mangueira (Simão. De maneira semelhante.). O crescimento de uma planta é diferente de acordo com a quantidade de calor a qual ela é submetida durante toda a sua vida. sugerem existir uma "temperatura-base" abaixo da qual as plantas não se desenvolvem e que cada planta tem a sua "temperatura-base". A mangueira Haden. 1997). na época do florescimento. Para estes autores. O ambiente possui uma influência profunda no crescimento e florescimento da mangueira (Whiley et al. temperatura diurna e noturna. só irá frutificar bem com luz solar direta e abundante. deficiência hídrica. temperaturas altas até 45oC não são prejudiciais à mangueira durante as diferentes fases de crescimento da planta. A maioria das panículas emitidas se situam na periferia da copa. A relação entre a atividade fotossintética das folhas e o florescimento da planta não foi investigada pelos autores.

Umidade relativa do ar Produção satisfatória de manga pode ser obtida em áreas tropicais e subtropicais de alta ou baixa umidade (Campbell. sua ação se estende à interação com os promotores. Nordeste do Brasil. Flórida.000 mm/ano. As condições do meio podem alterar o metabolismo da planta e. como do seu transporte para ele ou da exportação a outras partes da planta. polinização e fixação dos frutos (Silva. 1. Áreas tropicais úmidas. estado fitossanitário das árvores etc. O modo de ação dos promotores de crescimento envolve a ligação do hormônio a um receptor na membrana plasmática (proteína G). umas promovendo processos. capazes de romper e refazer ligações entre microfibrilas da parede ou provocar a quebra de seus polissacarídeos. da atividade enzimática e a função das membranas. irrigação. em decorrência da diminuição do ataque de fungos e do favorecimento da floração. o uso de reguladores de crescimento vegetal tem adquirido grande importância. v. e de sua inativação através de sua conjugação com outros compostos ou de seu catabolismo (Agustí. quando utilizados sob a forma de pulverização. Um regulador de crescimento vegetal é um composto orgânico diferente dos nutrientes que. em regiões que apresentam de 500 a 2.118 dias da fixação do fruto à maturação. de modo que esse equilíbrio entre ambos os grupos de reguladores de desenvolvimento é que determina o crescimento e desenvolvimento posterior do fruto (Takahashi et al. a ativação de um carregador de H+ (ATPase). tais como tipo de solo. a resposta aos reguladores vegetais. A ocorrência de um período mais seco durante quatro a cinco meses proporciona à mangueira condições de atingir altas produções. diacilglicerol.. 1999). a resposta aos reguladores vegetais pode ser pequena ou não se produz. REGULADORES DE CRESCIMENTO Em fruticultura. A exigência mínima da mangueira em termos de precipitação seria 1. outras inibindo.1971). comumente empregada para induzir a formação de raízes adventícias em podas e reduzir a queda de frutos nas colheitas de âmbito comercial (Bartel. é a causa de sua influência na resposta (Castro et al. pois com seu emprego é possível modificar diferentes processos fisiológicos levados a cabo em forma natural pelas plantas. em concentrações diluídas. a influência que tais fatores exercem sobre a síntese e a acumulação dos reguladores vegetais e. isso se traduz em regulação do desenvolvimento (reguladores de desenvolvimento). pelo fruto. 1997). com isso. todavia. Assim.500 mm/ano. 1996). provocando sua abscisão. induzem a mangueira a um crescimento vegetativo intenso. São Paulo. 1984). retardar a queda de Tópicos em Ciências Agrárias. existir também fatores que a modificam quantitativamente. sendo que o calor acumulado oscilou de 991 a 1006 graus-dia. O resultado final é conseqüência da interação entre todos elas. podendo. este resultado depende tanto da biossíntese. efetivamente. a amplificação do efeito hormonal por mensageiros secundários (trifosfato de inositol. Os inibidores do desenvolvimento atuam impedindo o desenvolvimento do fruto. controle de plantas invasoras. Como sua presença é em geral em todos os frutos com semente e sem semente. 2009 95 . UFRB. 1997).. Provavelmente. poderiam inibir a abscisão e então. a interação com fatores ambientais deve ser conhecida. Em certas ocasiões. no desenvolvimento dos órgãos. provocam múltiplas interações capazes de alterar o resultado.1992).1976). Ca2+-calmodulina). As condições de cultivo. Israel e Austrália.. liberando oligossacarinas que podem estar relacionadas com um sistema regulador gênico que leva à transcrição de novo RNAm. sendo cultivada entretanto. A atividade hormonal tem sido explicada através da ação que exercem algumas substâncias (hormônios) sobre a expressão da informação genética. isto é. portanto. fertilização. No caso dos frutos. que provoca a acidificação em compartimentos da parede celular. em detrimento de florescimento e frutificação (Simão. promovendo ativação de enzimas (endo-trans-glicosilase ou bglucam sintetase). em pequenas quantidades promove. Em todos os locais nos quais a mangueira tem importância comercial ocorre um período seco na época de florescimento.1975) Auxinas O ácido naftalenacético (ANA) é uma auxina sintética. inibe ou modifica de alguma maneira os processo fisiológicos vegetais (Weaver. de diversos hormônios. com temperaturas elevadas e precipitações freqüentes. responsável pela síntese de novas enzimas que podem atuar na morfogênese (Castro. Os pioneiros neste campo demonstraram que alguns reguladores de crescimento. como Índia. proteína quinase C.

sem o qual a formação do fruto é impossível. sendo esta uma das limitações deste regulador de crescimento (Childers. a colheita. e Abbott nos anos 50 conseguiu demonstrar que a eliminação das sementes promovia a abscisão dos frutos e que elas poderiam ser substituídas em sua ação pela adição de auxinas. o naftaleno acetamida e os sais do ANA se destacaram por sua efetividade. 1996). variando segundo a cultivar e a temperatura subsequente à aplicação. umidade do ar e precipitação sobre a indução do florescimento da mangueira. o ácido naftalenoácetico (ANA). o forte estímulo floral gerado em climas subtropicais pode mascarar completamente o efeito do KNO3. sim. Nesses modelos pode-se ver o efeito dos fatores ambientais. Em alguns casos não é o número insuficiente de flores que limita a colheita. Baseado nos modelos de florescimento. Sendo assim. 1943). os pesquisadores e produtores têm sugerido diversos métodos de indução do florescimento da mangueira. Luckwill. Floração A floração das plantas é conseqüência de um conjunto de fatores promotores e inibidores. como o controle hormonal da floração. 1991). No entanto. aliando a uma série de outros elementos químicos que ainda não existe confirmação científica da sua eficiência. que nas condições tropicais semi-áridas do Nordeste Brasileiro promove uma aceleração na floração da mangueira e nenhum efeito nas regiões subtropicais da Flórida. a indução do florescimento (Figura 3) é feita com a utilização do paclobutrazol. O período de efetividade do ANA é relativamente curto (10 a 28 dias).maçãs na pré-colheita. UFRB. com o tamanho final do fruto.1978). nos anos 40. que requer carência de 3 dias. Os modelos de floração da mangueira são fundamentais para a determinação de métodos de indução do florescimento e do manejo adequado para a cultura.1999). Muitas vezes são estudos que testam deferentes substâncias para o florescimento. determinam. Para Agustí & Almela (1991). indicam que a folhagem é a principal responsável pela geração do estímulo do ANA. embora provoquem o florescimento da planta. as sementes em desenvolvimento constituem fontes de auxina (Raven et al. 1997 e Chacko. 1. antes de se tornar efetivo (Childers. Aparentemente. 1984). que pode estar comprometida quando o número de flores formado por planta é excessivo.1969). muitas substâncias. Explicação para esse fato pode ser devida a uma inibição dos mecanismos responsáveis pela resposta do KNO3 induzida pelas temperaturas mais amenas dos climas subtropicais. 96 Tópicos em Ciências Agrárias. Resultados obtidos por Batjer (1948). Também. 1964 e Overholser et al. Martinez-Zaporta. da floração. embora a frutificação esteja correlacionada ao florescimento somente quando este é escasso ou demasiado (Becerra & Guardiola. portanto. é apenas representado pela ação da giberelina e de outros hormônios. Contudo.. Diversos modelos de floração (Figuras 1 e 2) têm sido proposto por diferentes pesquisadores (Davenport. ainda falta uma explicação para o seu papel na indução. O processo de floração ainda possui muitas respostas para serem respondidas antes que se possa controlá-lo completamente. Neste sentido. mas.1969. no que se refere ao retardamento da queda de frutos.. 2009 . Das dez substâncias por eles testadas. a maior parte deles desconhecidos (Agustí. a fixação destas.. demonstrou a presença de auxinas em sementes de maçãs durante seu desenvolvimento inicial. a produção das plantas frutíferas depende. Na região do pólo irrigado Juazeiro/Petrolina. Seu conhecimento fica plenamente justificado quando se quer melhorar a produção (Castro et al. como o etileno e as auxinas que influenciam o florescimento da mangueira. como temperatura. ou que procuram investigar o papel de possível regulador/inibidor no processo de florescimento. Ambos os fatores.1960). v. O entendimento dos vários fatores externos e internos que envolvem a indução do florescimento em mangueira é crucial para o desenvolvimento de uma prática de cultivo satisfatória e o alcance de rendimentos regulares (Singh. Uma dessas substâncias é o Nitrato de Potássio (KNO3). os fatores fisiológicos. sobretudo. floração e fixação. O florescimento é a fase crítica na determinação da produtividade. observação visual da intensidade de floração tem revelado a eficiência dos agroquímicos utilizados.

2009 97 . Modelo de floração segundo Davenport 1997. 1. PARADA DO CRESCIMENTO Alto teor de Sacarose Elo Perdido Aplicação externa de Geberelinas Aumento de assimilados para a gema meristemática Açúcares Divergência de assimilados das regiôes meristemáticas apicas dos ramos Estimulação do crescimento pelos altos teores do giberelinas Temperaturas Altas Umidades Altas Alta Umidade do Solo Alto teor de Nitrogênio Teor alto de substâncias de reservas Partição eficiente do assimilados Baixas Substâncias de reservas Mais formação de madeira Cultivares precoces e anãs Cultivares muito vigorosas Frequêntes fluxos de raízes e ramos Altos níveis de Giberelinas HEREDITARIEDADE JUVENILIDADE Figura 1.INDUÇÃO FLORAL KNO3 (Específico para cultivar e local) INIBIÇÃO FLORAL ESTRESSE HÍDRICO BAIXAS TEMPERATURAS ALTO VPD INUNDAÇÃO ANELAMENTO PODA DE RAÍZES MODERADA FOME DE NITROGÊNIO TERARDANTES E INIBIDORES DECRES. v. Outros fatores? GA3 GAX Ramo Vegetativo Ramo Misto Ramo Reprodutivo Poda Desfoha KNO 3 Etileno INICIAÇÃO DO CRESCIMENTO Baixas Temperaturas INICIAÇÃO RADICULAR Anelamento ESTRESSE HÍDRICO ARMAZENAMENTO DE CARBOIDRATOS Citocininas RAÍZES Figura 2. Linhas duplas indicam fatores que inibem a floração. Tópicos em Ciências Agrárias. 1991). UFRB. Auxinas Fotoassimilados Frutificação Giberelinas Auxinas Giberelinas GA3 GA1 GAX Crescimento Vegetativo Freqüêntes INDUÇÃO DO FLORESCIMENTO Promotor nas Folhas Baixas temp. Relação entre os diversos fatores fisiológicos e ambientais sobre a floração da mangueira (Adaptado de Chacko. Linhas simples indicam fatores promotores da floração.

superfície. As interações mútuas entre indivíduos. 1990). 1976). Na primeira. o tamanho aumenta exponencialmente com o tempo. A formação das partes que compõem um fruto engloba as mesmas três fases verificadas no desenvolvimento dos órgãos vegetativos. sofra limitações pela fonte. o aumento de volume e a diferenciação celular (Meyer et al. expansão máxima. A modificação da distribuição de fotoassimilados em benefício de partes de interesse econômico pelo melhoramento genético. A eficiência do crescimento das plantas e de seus órgãos varia sensivelmente em função da idade e das condições ambientais (Reis & Muller. 1. Fruto Início das aplicações de nitrato de potássio (3% . 1978). parecem ser os principais determinantes do aumento do peso da matéria fresca dos frutos carnosos. altura. respectivamente.. na segunda. significando que o crescimento é lento no início. Contribuição adicional. vindo a seguir um período de aceleração e. potencialmente. Drenos vegetativos sofrem restrições ou mesmo paralisação no crescimento. O desenvolvimento dos frutos.a. a distribuição de assimilados para partes de importância econômica pode ser limitada por fatores externos. as células e órgãos apresentam crescimento diferenciado. é fisiologicamente muito semelhante ao crescimento vegetativo. 1978).1971). v. resulta da divisão celular após a antese e de um aumento na concentração de solutos./m de diâmetro de copa –Ramos com 30 dias Amadurecimento do Ramo Aplicação de etileno intercalado com sulfato de potássio KNO3 Frutificação e Amadurecimento do Colheita – 110 dias da . A área foliar disponível por fruto é muitas vezes insuficiente para manter um crescimento adequado. em condições de campo. O acúmulo de matéria seca é determinado pelos mesmos fatores e o aumento do volume do fruto deve-se tanto ao incremento do número como ao tamanho das células (Coombe. porém menor. conteúdo de proteínas mostram padrão sigmóide quando analisados no decorrer da vida da planta (Miller. maturidade e senescência (Salisbury & Ross. 1995). Os frutos em desenvolvimento constituem um dos reservatórios da planta para onde se translocam muitas substâncias. no entanto. a divisão. particularmente os frutos carnosos. (Adaptado de Castro Neto. impõem limitações.4 %) – Ramos com 110 dias Floração – Ramos com 120 dias Figura 3. mas seguem um padrão. o rendimento econômico resulta do crescimento ou armazenamento de reservas em partes de valor comercial. A iniciação de estruturas reprodutivas é um evento fenológico em que a distribuição de assimilados é redirecionada. A divisão celular anterior à antese e a expansão celular após a antese. com a expansão máxima do órgão ou organismo. cuja curva sofre inflexões. UFRB. maneiras de se aumentar a produtividade agrícola. às fases logarítmicas. 1985). a princípio. linear e senescente do crescimento sigmóide. A taxa de translocação de assimilados para um dreno específico pode ser estimada pela taxa de acúmulo de matéria seca desse dreno (Almeida & Valle. Isto significa que. Num mesmo fruto as quantidades destas diversas substâncias que se deslocam para cada uma das 98 Tópicos em Ciências Agrárias. Frutos e sementes em crescimento constituem drenos com alta capacidade mobilizadora de assimilados. peso. tomando a conformação sigmóide. Reis & Muller. 1973). Parâmetros como volume.100% da necessidade de água da cultura Ramo maduro apto Brotar Brotação Vegetativa Ramo . mas aumenta continuamente. 1967. pela utilização de reguladores químicos ou por intermédio de práticas de manejo constitui. que fazem com que a força do dreno passe a ser limitante (Watson. 2004) Crescimento dos frutos Nas culturas. Em geral. ocorre o crescimento em taxas máximas e a terceira caracteriza-se pela redução da taxa de crescimento. isto é. o crescimento por divisão celular é de curta duração. Todavia. Estas fases correspondem. É possível que em muitos casos o seu acúmulo. 2009 floração . Potencialmente. enquanto que a expansão celular pode continuar até a maturidade (Chitarra & Chitarra. Novo Aplicação de PBZ (1 g i. Esquema mostrando o manejo de floração da mangueira sob irrigação e em clima tropical semi-árido. o crescimento é relativamente lento. uma fase em que o crescimento diminui até cessar. nesses drenos.

. o número de flores formadas e sua disposição. é de 120 a 150 dias. considerandose que dos frutos formados.70% dos frutos inicialmente fixados. segundo Gortner et al. bem como fornecer informações que podem ser repassadas. ataque de pragas e doenças. Mais de 99% são abortados (Castro Neto. solos impróprios. dificilmente supera o valor de 5. havendo redução dos mesmos de acordo com a posição ocupada na panícula (Singh et al. um processo intimamente regulado pelo balanço hormonal da planta (Powell & Krezdorn. Barnell (1939). água e outros metabólitos. são inúmeros os fatores determinantes da queda dos frutos e das flores das árvores frutíferas.. 1984).0025% de frutos como porcentagem do número total de flores. a fixação ocorre após a queda fisiológica. a época e as condições ambientais em geral (Albuquerque et al. de acordo com as condições climáticas e do manejo em cada região. restando ao final apenas 0. denominada estádio juvenil.3% de frutos por panícula e 50 frutos maduros por árvore. cargas excessivas. disfunção decorrente. Na Índia.. Numa maior floração ocorre uma menor fixação. dependendo da espécie. 3. O período de desenvolvimento do fruto da mangueira. a reposição de nutrientes em função da demanda da planta. 1. Os frutos.várias regiões meristemáticas diferem consideravelmente e quando qualquer uma destas substâncias torna-se deficiente num fruto. Para Simão (1958). O tamanho é uma das características do fruto mais enfatizada pela indústria. entre outros: falta ou excesso de umidade. O conhecimento de aspectos relacionados ao crescimento do fruto e a sua associação com o ponto de maturidade fisiógica é de considerável importância por subsidiar o planejamento de novos projetos de pesquisa. da competição dos frutos em desenvolvimento por carboidratos. 1973). tendo maior possibilidade de fixação.4 frutos por panícula foi fixada até a colheita. A mangueira é sujeita à pesada e continuada queda de frutos. sendo. em oito variedades estudadas por Jawanda & Singh Tópicos em Ciências Agrárias. 60 a 90% caem nos primeiros 30 dias. isto é. A variedade Haden apresenta: 0. Wolfenbarger (1957) e Simão (1958) verificaram que de centenas de frutos existentes inicialmente na panícula. (2004). a curto prazo. Normalmente. Segundo Abeles et al. já que nesta fase.1% dos frutos de flores hermafroditas se desenvolvem em frutos maduros. a partir deste. A média de 0. fatores hereditários. aos agricultores (Fonseca & Cruz. caracteriza-se pelo contínuo crescimento do fruto. provavelmente os frutos chegarão à maturação. basicamente em decorrência da competição por nutrientes. Krezdorn (1986) definiu fixação como o estádio de desenvolvimento em que.1999). 1995). provavelmente. Apenas 25% das panículas mantêm de um a três frutos até a maturação. caracterizando-se por um rápido crescimento celular. o potencial de crescimento dos frutos. o crescimento do fruto da mangueira pode ser representado por uma curva sigmóide. De acordo com Castro Neto et al. 1967). O quarto estádio caracteriza-se pela senescência do fruto (Salunke & Desai. dada a influência que tem no rendimento industrial e no custo de produção da conserva (Sachs & Rheingantz. a sua taxa de crescimento diminui (Meyer et al. Aborto de Frutos O tipo de floração. v. O fundamento da análise de crescimento é a medida seqüencial da acumulação da matéria orgânica e a sua determinação é feita normalmente considerando o peso da matéria fresca e/ou seca (Calbo et al. inicia-se com a fertilização da flor e se estende por três semanas. 2009 99 . O segundo estádio. excluído posteriores abscisões causadas por estresse fisiológico.0% em relação às flores inicialmente formadas. O percentual de pegamento de frutos. a abscisão é regulada por um balanço entre fatores de juvenilidade (presumivelmente auxinas) que estão diretamente relacionados com o desprendimento das folhas e frutos e com a presença de enzimas que degradam a parede celular. danos mecânicos ou devido a injúrias de pragas ou patógenos. o fruto atinge a máxima qualidade comestível. as flores que estejam em melhor disposição na planta (flores companheiras e aquelas que se encontram em brotações com folhas). determinam o pegamento de frutos.1959). (1971).. a que tem despertado maior interesse é o amadurecimento.67 a 0. entretanto. ação dos ventos. 1977). que se estende até o 40°dia. 1976). 1994). com o fruto apresentando profundas transformações químicas e físico-químicas e se extende até o 77° dia. 0. Dentre as fases do desenvolvimento de frutos. normalmente um só e excepcionalmente dois frutos chegam ao final do ciclo. apresentam curvas de crescimento caracterizadas como sigmóide-simples. dentre outros fatores. menos 0. 1989). 94 a 99% aos 60 dias.010% de frutos como porcentagem de flores perfeitas. Esta curva pode adquirir características diversas segundo a cultivar. menos que 1% dos frutos atingem o estádio de maturação (Simão. plantas de primeira floração. a queda de frutos. 1997) e está dividido em quatro estádios. em condições normais de cultivo da mangueira. da floração à colheita (Silva. UFRB. falta de afinidade da enxertia e ausência de luz . Essa frutífera realiza um "desbaste" natural. 1971). A primeira fase. O terceiro estádio evidencia o processo de maturação. (1967). duplo-sigmóide ou triplo-sigmóide (Coombe. mudanças bruscas das condições climáticas. falta de polinização.

7. 1. seguidos pelo tartárico.C. de. o fruto apresenta altos teores de ácidos orgânicos. p. v. REFERÊNCIAS ABELES. Após a colheita. Piracicaba. 1999. O teor de umidade é relativamente baixo (70%) nos estádios iniciais do desenvolvimento do fruto. Ed. HortScience. Barcelona: Aedos. Flórida. 1991.C.30. 1. p. Abscission: Regulation of senescence.1999. C. M. W.A. p..L. 1980 e Medlicott et al.. p. de. Transformações fisico-químicas no fruto A manga sofre diversas transformações físico-químicas e químicas durante o desenvolvimento e amadurecimento. Brasília. 240p. Ajuste de funções não lineares de crescimento.R. oxálico e o glicólico são os mais comuns em mangas. R. CAMPBELL.1. Tropical fruits and nuts. ALMELA. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE FRUTICULTURA. Revista Agricola. v.1984. et al. UFRB. A redução da acidez durante o amadurecimento influencia o balanço ácido: açúcar e. 1999.161-185. Martin. LEATHER. F. Petrolina. p. v.(1961). G. ALBUQUERQUE. VALLE. v. Proceding American Society Horticulturae Science.1995. 1989. W. P. p.67. J. SILVA. et al .9-17. 1992. M..C. 1948.6. conseqüentemente. p. n. o processo se acentua com a senescência (Subramanyam & Krishnamurthy.P. and enzyme by athylene. 77p... o sabor e aroma dos frutos quando maduros (Lakshminarayana. Studies in tropical fruits. Proceedings of the International Society of Citriculture. V. AGUSTÍ. p. Annual Review of Plant Physiology and Plant Molecular Biology. Botucatu.371-76.G. Michigan.2. Inter-relationship between flowering and fruiting in sweet orange. jul. ALMEIDA. Análise de crescimento do fruto e das sementes de sete genótipos de Theobroma cacao L. 100 Tópicos em Ciências Agrárias. protein synthesis. Os ácidos cítricos. FORRENCE. CASTRO. PE: EMBRAPA Semi-Árido/VALEXPORT.4. BARNELL.. V. M. Floración y frutificación de los citricos.. que diminuem com o advento do processo de maturação. Produção e qualidade de frutos cítricos: anais.L.W. O cultivo da mangueira irrigada no semiárido brasileiro. A . CALBO. Pesquisa Agropecuária Brasileira.D.3.909-916. n.R. AGUSTÍ. A . 1986). BARTEL.B. TORRES. v. Auxin Biosynthesis... MOUCO. alcança um máximo na sexta semana após a fecundação (86%) e então declina lentamente até a colheita.77-89. 1971. 48. 1975). F. p. GUARDIOLA. 22-33. 190-194. A-A. 57. 261p. E. BECERRA. 2009 . v.R. L. S.. CRC Press. Ação auxínica.74-80. BATJER. Botucatu: FAPESP. J. Annals of Botany. F.E. MEDINA. S. v. Aplicación de fitorreguladores em citricultura. málico. L. 1939. In: CRC Handbook of Tropical Food Crops. n. 1. Inc. Durante os estádios iniciais de desenvolvimento. v. B. cultivar navelina. A. Revista Brasileira de Fisiologia Vegetal. n. SP. v. 51-66. The transmission of effect of naphthaleneacetic acid on apple drop as determined by localized application. 1997. 1984. do C.1.

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CAPÍTULO 8 VIABILIDADE E VIGOR DE SEMENTES DE MILHO HÍBRIDO PRECOCE Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio. Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio Tópicos em Ciências Agrárias . Clóvis Pereira Peixoto.

estendendo-se até as etapas de distribuição e comercialização. a amostra é examinada cuidadosamente e separada em três constituintes: sementes puras.edu. UFRB.VIABILIDADE E VIGOR DE SEMENTES DE MILHO HÍBRIDO PRECOCE Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio1. os resultados referentes às sementes puras. outras sementes (de plantas cultivadas e de plantas silvestres) e material inerte. Desta forma. reveste-se de importância estudá-lo. 1987). no controle da secagem (temperatura. separados apenas por uma classificação didática. pois possibilita a obtenção de uma boa emegência no campo e de plantas vigorosas e uniformes com reflexos na produtividade. maior o período de Tópicos em Ciências Agrárias. principalmente se for mecanizada (influenciando na regulagem da máquina). 1. De acordo com as Regras para Análise de Sementes (R.. Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio1 1 Professor . Dessa forma. através da sua análise e da interpretação correta dos resultados. Quando estas porcentagens são inferiores a 0. algumas sementes aparentando infecção (lote 2) e as demais sementes com aparência física normal (lote 3).br INTRODUÇÃO A utilização de sementes de qualidade é um fator importantíssimo para o sucesso de culturas de importância econômica. Determinação do teor de água O teor de água exerce grande influência sobre o comportamento da semente quando submetida a diferentes situações. a análise de pureza física pode ser considerada com 100% de pureza . Clóvis Pereira Peixoto1. Sabe-se que a qualidade das sementes é avaliada com segurança. provenientes de três lotes da safra 1993/94. materiais inertes e total de impurezas devem ser expressos em porcentagem por peso.A. Para um melhor entendimento desses aspectos será abordado a aplicação de diferentes testes em sementes de milho híbrido precoce. bem como determinar a quantidade e a proporção desses constituintes (Marcos Filho et al. 1992). armazenados em câmara seca. 2009 107 . quanto menor o teor de água e menor a temperatura. a análise de pureza é efetuada em laboratórios. como também a escolha dos métodos. uma vez que poderá influenciar no momento da colheita. A análise de sementes pode ser utilizada para o monitoramento da qualidade desde o início da condução do campo. Cruz das Almas-BA. Para sementes ortodoxas. E-mail: cppeixot@ufrb. com uma casa decimal. Os resultados das outras sementes são expressos em número por peso da amostra de trabalho ou por unidade de peso. período e intensidade). no beneficiamento (trincamentos ou amassamento) e na manutenção da qualidade física. Portanto. Para tanto. mas sua importância é mais destacada a partir da maturação. DETERMINAÇÕES PRELIMINARES Análise de pureza A pureza física é uma característica que reflete a composição física ou mecânica de um lote de sementes. procurando-se identificar as diferentes espécies de sementes e os materiais inertes geralmente presentes em uma amostra. Os vários testes aplicados foram divididos preliminarmente em de viabilidade e de vigor.Centro de Ciências Agrárias.05 deve ser mencionada na ficha de análise a palavra "traço". É de fundamental importância que métodos padronizados forneçam dados confiáveis. Ambientais e Biológicas/UFRB.) (Brasil. especificando-se os nomes das espécies e cultivares presentes. Na análise. Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto1.S. sem a presença de outras sementes ou de material inerte. sendo que alguns deles pode estar em uma e outra classe de testes. verficou-se apenas duas sementes com dano mecânico visível (lote l). fisiológica e sanitária da semente. mediante os quais possam ser obtidos resultados uniformes e comparáveis entre diferentes laboratórios. v.

AG 510. rápida e completa da maioria das amostras de sementes de uma determinada espécie. deve ser indicado com a palavra zero. O prazo de germinação da maioria da espécies é entre uma a duas semanas. Uma “primeira” contagem é feita para diminuir o número de plântulas no substrato.95 22.7 TESTES DE VIABILIDADE Teste de germinação Em tecnologia de sementes. 1987). A realização destes testes em condições de campo não é.14 24. Obviamente. têm sido estudados e desenvolvidos de maneira a permitir uma germinação mais regular.. e estas estão especificadas nas Regras para Análises de Sementes. fazendo-se aproximação para mais se a fração for superior a 0. a semeadura de lotes com baixo poder germinativo pode acarretar prejuízos consideráveis ao agricultor (Marcos Filho et al. A Tabela 1 mostra os resultados médios do teor de água de sementes de milho híbrido precoce. evidentemente. Por outro lado. os resultados nem sempre podem ser fielmente reproduzidos. Dados médios do teor de água (%) de sementes de milho híbrido precoce. Somente plântulas absolutamente normais são removidas e contadas.armazenamento. sob condições ambientais favoráveis. necessitam de alta umidade para manter a viabilidade. AG 510. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) Peso Úmido ( g ) 24.84 25. satisfatória. teste de vigor e peso de 1000 sementes).60 Peso Seco ( g ) 21. Dados médios da porcentagem de germinação em três lotes de sementes de milho híbrido precoce. e anotadas. encontram-se na Tabela 2 indicando o poder germinativo das amostras testadas através da média das porcentagens de plântulas normais presentes nas quatro repetições dos lotes estudados. e a diferenciação entre as plântulas normais e anormais. Se qualquer destes valores for igual a zero. Tabela 2. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) 108 R1 96 94 92 R2 98 88 96 R3 100 98 94 R4 94 92 98 Tópicos em Ciências Agrárias. O estádio de desenvolvimento das estruturas essenciais das plântulas deve ser suficiente para permitir uma avaliação correta das mesmas.23 21. v. sementes mortas. como as de seringueira.5. algumas determinações exigem conhecimento do teor de água (peso volumétrico. e. a germinação é definida como a emergência e o desenvolvimento das estruturas essenciais do embrião. 2009 . Os resultados dos lotes de milho híbrido. para menos quando é igual ou inferior a 0. anormais. dada a variação das condições ambientais. sementes duras e sementes dormentes são expressas em números inteiros. Tabela 1. sementes recalcitrantes.6 11. geralmente. As porcentagens de plântulas normais. como também as sementes duras e mortas. Cv. para que os resultados dos testes de germinação possam ser reproduzidos e comparados dentro de limites tolerados pelas Regras para Análise de Sementes (Brasil. 1992). Na contagem final. utilizando-se quatro amostras para cada lote. sendo classificadas como normais ou anormais.5 11. As sementes não germinadas são avaliadas e classificadas. efetuados sob condições controladas de alguns ou de todos os fatores externos.70 Teor de Água ( % ) 11. 1. Estas condições consideradas ótimas são padronizadas. Cv. todas as plântulas são avaliadas. determinado em estufa a 105°C por 24 horas. pois. Os testes de germinação em substratos artificiais permitem uma fácil avaliação das plântulas. Métodos de análise em laboratório. AG 510. em quatro amostras de 100 sementes.5. UFRB. manifestanto sua capacidade para dar origem a uma plântula normal. Cv. Em laboratório de análise de sementes. As plântulas são avaliadas normalmente em duas ocasiões durante o transcorrer do teste. Este teste visa a obtenção de informações que permitam determinar o valor das sementes para a semeadura e a comparação do valor de diferentes lotes.

Para sementes de milho. em presença de uma solução de sal de tetrazólio Os testes de germinação. para a avaliação do teste é necessário conhecer com segurança a estrutura das sementes. danos causados por insetos e formação morfológica das sementes. 2009 109 . verifica-se que os resultados são bastante próximos. tem procurado aprimorar os testes de germinação e vigor com o objetivo de que os resultados expressem a real qualidade fisiológica de um determinado lote de sementes. v. sempre admitindo diferenças em torno de 5% entre seus resultados. Cv. quando muito recentes. são observadas a turgescência dos tecidos. com uma variação dentro da amplitude normal da amostra. a tecnologia de sementes. Diferenças na coloração dos tecidos pode não significar baixa viabilidade e sim alterações na sua permeabilidade. O teste de tetrazólio é um método rápido. na maioria das espécies cultivadas necessitam de 7 a 30 dias para obtenção dos resultados. Nas sementes de milho. Verifica-se na Tabela 3 os resultados com os dados médios de viabilidade por lote de milho híbrido precoce. em geral. Testes de germinação paralelos aos de tetrazólio devem ser realizados para aferir a interpretação. O teste de tetrazólio baseia-se principalmente na distribuição dos tecidos vivos e mortos no embrião. Assim. 1. onde se encontram as raízes seminais. bem como as causas da perda da qualidade. os estudos relativos aos testes de vigor. basicamente. muitas vezes. não são identificados os microorganismos que infectam as plântulas e. Dados médios de viabilidade (em porcentagem) por lote de milho híbrido precoce. em particular. destacam-se. os danos químicos causados por produtos utilizados no tratamento de sementes. o que visa. UFRB. AG 510. o desenvolvimento de métodos para a determinação da viabilidade de sementes em um período de tempo relativamente curto. nem sempre é possível identificar danos mecânicos. informando a viabilidade e o vigor. independentemente do período de permanência no tetrazólio. demonstrando que a solução teve dificuldade de penetrar nos tecidos devido à integridade das membranas celulares. ausência de fraturas em regiões vitais. e a região situada entre a plúmula e a radícula. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 92 91 94 R2 96 92 95 Média 94 92 95 Compararando-se a porcentagem de germinação com a de viabilidade. TESTES DE VIGOR EM SEMENTES O aumento da atividade produtora de sementes no Brasil. Por isso. Além da coloração. agilizando decisões de compra. Por isso. Sementes mais velhas. a região central do escutelo. deterioradas ou danificadas. Portanto. As sementes vigorosas colorem-se vagarosamente. como um segmento do processo de produção. as áreas vitais são: plúmula. coleóptilo. assume grande importância. venda. como também. ao aumento de produtividade associado a um incremento na qualidade. Como essa avaliação é feita sem a germinação. em amostras de 100 sementes. pois. AG 510. colorem-se mais rápida e profundamente e apresentam coloração vermelho-grená. apresentando um tom rosa brilhante bem superficial. Dentro deste contexto. tem levado as empresas a buscarem um aprimoramento técnico de suas atividades. a radícula. tem grande importância para o setor de sementes.Teste de tetrazólio As empresas que comercializam sementes. não podem protelar sua decisão. Tabela 3. beneficiamento. os agricultores e os pecuaristas frequentemente se defrontam com problemas para escolha de lotes de sementes que pretendem adquirir. O desenvolvimento do conceito de vigor em sementes data de períodos coincidentes com os primórdios da humanidade. Cv. nos últimos anos. no momento em que o homem passou a conviver e entender os outros seres vivos. Trata-se de um fator Tópicos em Ciências Agrárias. que é de 3 a 5%. em amostras de 100 sementes. que estima a viabilidade das sementes com base na alteração da coloração de tecidos vivos. fato esse que ocorre com frequência. o teste de tetrazólio permite a obtenção dos resultados em menos de 24 horas. armazenamento ou descarte de lotes. enquanto o teste de tetrazólio pode informar a viabilidade das sementes em algumas horas.

ou seja. O teste de envelhecimento artificial tem sido conduzido com diferentes objetivos. Tratamentos 2 3 68 60 12 32 52 40 Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) 1 64 32 18 4 8 14 40 Médias 50 23 38 110 Tópicos em Ciências Agrárias. Delouche e Lienhard estudaram a resposta de sementes de trevo à germinação. Envelhecimento acelerado Este teste. podem identificar as melhores e as piores amostras. Estudo que se baseava em informações obtidas por Croker e Groves. procurando predizer o potencial relativo de armazenamento de lotes de trevo e de festuca. citado por Marcos Filho et al. a capacidade de apresentar desempenho adequado quando expostas a diferentes condições de ambiente. seus resultados. lotes com maior ou menor probabilidade de apresentar bom desempenho após a semeadura e/ou durante o armazenamento. Helmer. não se aproximaram da porcentagem de emergência das plântulas. em 1915. talvez o mais popular é o teste de “envelhecimento acelerado. o auxílio à seleção de genótipos durante o melhoramento de plantas e o embasamento de programas de controle de qualidade de sementes. Os dados apresentados na Tabela 4 permitem verificar que os valores absolutos obtidos no teste de envelhecimento. no entanto. Dentre estes. Tabela 4. opções dirigidas à obtenção da “resposta” de sementes quando submetidas a condições específicas de ambiente. envelhecimento rápido ou envelhecimento artificial”. Para tanto. Em outras palavras. AG 510 de milho híbrido precoce obtidos no teste de germinação após o envelhecimento artificial. v. UFRB. com segurança. (1987).biológico que se evidencia facilmente aos olhos a partir de uma observação. Diante desta situação. a avaliação do potencial de armazenamento. geralmente estresses. através da determinação de parâmetros associados ao vigor. envelhecimento precoce. foi desenvolvido por Delouche (1965). Em 1962. Atualmente. Os testes de vigor oferecem apenas comparação entre o potencial fisiológico das amostras avaliadas. pode-se ter uma idéia do potencial de armazenamento dos lotes processados. poderiam ser úteis para predizer a longevidade. Esta sugestão foi considerada por vários pesquisadores e o teste de envelhecimento passou a ser incluído em inúmeros projetos de pesquisa e. sugerindo que o “envelhecimento rápido ou acelerado” poderia ser muito útil para avaliar o potencial relativo de armazenamento das sementes. segundo as quais a morte de sementes durante o armazenamento era causada pela coagulação de proteínas e que o aquecimento “acelerava” este processo. principalmente dos que possuem poder germinativo semelhante. há disponibilidade de testes que procuram avaliar “o estado atual de sementes”. após alguns dias de exposição à alta temperatura e umidade e verificaram alta relação com o vigor de sementes e emergência de plântulas em campo. não permitindo “predizer” a futura porcentagem de emergência de plântulas em campo nem estimar o período de conservação da qualidade das sementes durante o armazenamento. 2009 . 1. O vigor de sementes é o reflexo de um conjunto de características ou propriedades que determinam o seu “potencial fisiológico”. em geral. pretende-se distinguir. o teste é utilizado para avaliar o vigor de diversas espécies e incluído em programas de controle de qualidade por empresas produtoras de sementes pois. resultando plântulas com diferenças marcantes quanto à característica que se pretende observar. O objetivo básico dos testes de vigor é a identificação precisa de “diferenças importantes” na qualidade fisiológica dos lotes comercializáveis. havendo também. Valores médios (%) para os lotes do Cv. conduzidos após a exposição relativamente rápida de sementes secas à temperaturas elevadas (50-100ºC). que avalia a resposta de sementes à temperatura e umidade elevadas. em poucos dias. como em uma amostra de sementes postas a germinar. Estes pesquisadores sugeriram que testes de germinação. dentre os quais se destacam a seleção de lotes para semeadura (com base no potencial de emergência das plântulas em campo). vários métodos têm sido desenvolvidos para avaliá-lo com segurança. rapidamente divulgados pelos tecnologistas de sementes.

possibilitam ainda a comparação do vigor relativo entre os lotes em estudo. o teste de frio não é empregado apenas para espécies sujeitas a essa situação. porém. mais do que valores absolutos para germinação. os testes de campo são conduzidos em condições naturais de ambiente. Desse modo. principalmente se esses são constituídos de genótipos diferentes. 1989). Teste de frio com solo O teste de frio é provavelmente o método mais utilizado para avaliar o vigor de semente. de híbridos duplos. no mínimo. bem como as verificadas por ocasião da semeadura. não possibilitando a diferenciação de vigor entre os lotes. Porcentagem de emergência de plântulas no campo De acordo com Nakagawa (1994). adaptado para outras espécies. Assim. diferenciando portanto o lote 1. No entanto. Foi desenvolvido. pois considera-se que as sementes resistentes às condições desfavoráveis são mais vigorosas. Entretanto. o que explica a obtenção de resultados desuniformes entre laboratórios. alguns dos testes podem sofrer diminuição da sua sensibilidade face ao efeito das condições climáticas desfavoráveis. destacando-se o lote 1. Tópicos em Ciências Agrárias. Nos resultados da Tabela 5 observa-se um padrão de germinação entre os lotes que permite distinguir o lote 2 como mais sensível ao estresse provocado pela baixa temperatura e umidade elevada. 1983). (1994). UFRB. Atualmente. devese ter muito cuidado quando se faz comparação entre lotes. posteriormente. no qual lotes de boa qualidade devem apresentar. pois assim obtem-se resultados diretamente aproveitáveis para a implantação da cultura ou tem-se um bom indicativo da potencialidade dos lotes em fase inicial de desenvolvimento no campo. de preferência na época recomendada para a semeadura da espécie em avaliação. 2009 111 . reduzindo a velocidade de emergência e favorecendo o desenvolvimento de microganismos patogênicos. inicialmente. Tabela 5. Os resultados do teste de frio são geralmente expressos em porcentagem de plântulas normais. equanto decresce esta potencialidade nos lotes 3 e 2. seguidos pelos simples e linhagens (Cicero & Vieira. observou-se melhor germinação sob condições de baixa temperatura e alta umidade. No caso de milho. é também um teste adequado para avaliar a eficiência de fungicidas (Cícero et al. encontra-se dentro do padrão estipulado por Grabe (1976) citado por Cicero (1992) e em Vieira et al. a princípio. após a semeadura. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) Tratamentos 2 3 94 96 84 78 88 94 Médias 96 83 88 1 92 88 86 4 100 80 84 Por outro lado. assim. uma vez que apresentou menor porcentagem de emergência de plântulas normais. pois essas condições podem afetar as sementes. durante e após a colheita. 70 a 85 % de plântulas normais. Quando realizados fora de época recomendada. v. o qual apresenta alta variabilidade física e biológica.5 cm acima do nível do substrato (AOSA. após a semeadura. procurandose simular condições desfavoráveis que ocorrem com frequência durante a época de semeadura (excesso de água no solo e baixas temperaturas) na área denominada Cinturão do Milho nos Estados Unidos. os resultados do teste de frio proporcionam. como o mais promissor para germinar sobre amplas variações das condições de água e temperatura do solo. verifica-se um comportamento intermediário do lote 2. 1. como de maior potencial de emergência em campo. torna-se muito difícil a sua padronização.. considerando aquelas com o comprimento maior ou igual a 2. 1994 ). Como este teste envolve o uso de solo. Valores médios (%) obtidos no teste de germinação para os lotes do Cv. AG 510 de milho híbrido precoce após o teste de frio com solo. a combinação de baixas temperaturas e excesso de água no solo é utilizada para permitir apenas a sobrevivência de sementes vigorosas.Embora um único teste de vigor não seja capaz de caracterizar todas as interações possíveis entre as sementes e as condições ambientais predominantes antes. a possibilidade de comparações entre lotes. para avaliar o vigor de sementes de milho e. assume grande importância no que concerne à identificação das potencialidades dos lotes estudados. com relação à tolerância aos diferentes estresses que as sementes possam vir a submeter-se.

climáticas. de população e atividades da microflora e microfauna). Como estes testes apresentam o inconveniente da dificuldade de padronização face às diferenças das condições de campo (edáficas. O que não será sempre possível é a comparação entre os lotes obtidos em testes instalados em épocas distintas. climáticas. Enquanto os testes de laboratório exigem instalações especiais e condições padronizadas de acordo com as Regras para Análise de Sementes (Brasil. os de campo são conduzidos em condições naturais de ambiente. população e atividade de microorganismos) e da própria semente (tamanho. Caso o teste seja feito em época distinta à recomendada para a cultura. 8 e 9. Dados médios da porcentagem de emergência de plântulas em lotes do Cv.Estes testes apresentam o incoveniente da dificuldade de padronização face às diferenças das condições de campo. os mais empregados são o de velocidade de emergência e o de porcentagem de emergência de plântulas. visa determinar o vigor relativo do lote de sementes avaliando a porcentagem de emergência de plântulas em condições de campo. UFRB. Nas Tabelas 7. com base na repetição com 100 sementes no sulco ou linha. todavia não afetará o vigor relativo entre os lotes. sendo o lote 2. também denominados por alguns autores como de população inicial ou estande inicial. Quando realizadas fora da época recomendada. dormência). em testes fisiológicos. alguns testes. Tabela 6. nos estudos de teste de vigor ou nos trabalhos de avaliação de qualidade das sementes. Este teste possibilita a comparação do vigor dos lotes semeados em uma mesma época. 112 Tópicos em Ciências Agrárias. principalmente pela inexistência de valores referenciais. como o de menor potencialidade de emergência em um campo de produção. sofrerem perda da sensibilidade. dos testes de vigor é de verificar o potencial de emergência no campo em condições as mais amplas possíveis (favoráveis e desfavoráveis). indicando nítida diferenciação de vigor entre eles. Calculou-se o número de plântulas emergidas nas quatro repetições para obter o valor do índice de velocidade de emergência (IVE) para cada lote. o que apresentou maior velocidade de emergência e conseqüentemente. de população e atividades de microflora e microfauna) e de épocas do ano em uma mesma região (diferenças climáticas. 1992). v. é sempre interessante e recomendável a utilização destes em condição do campo. AG 510 de milho híbrido precoce em campo. inserem-se dentro dos métodos diretos. 2009 . Em geral. enquanto os realizados em campo. Os que são conduzidos em laboratórios são classificados como métodos indiretos. se não o principal. verifica-se o resultado do teste de velocidade de emergência de plântulas. de preferência na época de semeadura recomendada para a cultura. podendo. para que possa ser um bom indicativo da potencialidade dos lotes em sua fase inicial de desenvolvimento no campo. Este último. maior vigor. de uma região para outra (diferenças edáficas. Os testes de vigor que se baseiam na avaliação de plântulas são realizados em laboratórios sob condições controladas ou em condições de campo (Nakagawa. entretanto. O lote cuja média foi maior é o que levou menos dias para a emergência das plântulas no solo. Os resultados dos testes são expressos em porcentagem e representam a média das repetições empregadas para cada lote em estudo. Baseia-se no princípio de que é tanto mais vigoroso um lote de sementes quanto mais rápida for a emergência das plântulas no campo. portanto. com destaque para o lote 1. 1994). de preferência na época recomendada para semeadura da espécie em avaliação. Tratamentos 3 92 72 81 Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) 1 90 84 80 2 88 77 83 4 85 82 80 Médias 89 79 81 Velocidade de emergência de plântulas Este teste tem como objetivo. que um dos objetivos. haverá influência marcante da temperatura do meio sobre a velocidade de emergência. dificultando a diferenciação de vigor entre os lotes. A Tabela 6 mostra as porcentagens médias de emergência dos lotes estudados. deve-se ser bastante cuidadoso com sua interpretação. determinar o vigor relativo do lote de sementes avaliando a velocidade de emergência de plântulas em condições de campo. Tendo em vista. para cada lote estudado. empregando-se o IVE para cálculo. possibilitam ainda a comparação relativa do vigor entre os lotes estudados. 1.

caracterizando que suas sementes são mais vigorosas e possibilitando inferir. 47/15 32/16 1/17 12/18 5. IVE médio = 5. 61 20 0 2 83 R2 IVE . 45 37 6 2 90 IVE .15 Outra possibilidade para a determinação do vigor relativo entre os lotes. em comparação com os demais.28 R2 NPN IVE 0 . às vezes. DAS 1 . 41 41/15 23 23/16 4 4/17 9 9/18 77 4.99 Tabela 9. Teste de velocidade de emergência de 100 sementes do Cv. 48/15 28/16 2/16 5/18 5.Tabela 7. IVE=Índice de velocidade de emergência. IVE médio = 4. 48 28 2 7 85 R4 IVE . . 67/15 12/16 0/17 2/18 5. NPN = Nº de plântulas normais.73 NPN 0 . 62/15 17/16 0/17 1/18 5.77 NPN 0 . 15 16 17 18 TOTAL R1 NPN 0 . 62 17 0 1 80 R4 IVE . Teste de velocidade de emergência de 100 sementes do Cv.85 NPN 0 . e realizando uma comparação da porcentagem de emergência de plântulas naquele dia. . 67 12 0 2 81 R3 IVE .21 NPN 0 .90 R3 NPN IVE 0 .2 DAS= Dias após semeadura. À semelhança de resultados anteriores.42 NPN 0 . . indicando que suas sementes. não totalmente favoráveis à espécie para o processo de germinação. DAS 1 . observando todos os lotes.61 R4 NPN IVE 0 . 58/15 24/16 5/17 1/18 5. teria sucesso em germinar e produzir plântulas normais em solo e ambiente climático. UFRB.AG 510 de milho híbrido precoce referente ao lote 1. IVE = Índice de velocidade de emergência. 45/15 37/16 6/17 2/18 5. 61/15 20/16 0/17 2/18 5. 60 10 8 2 80 IVE . 47 32 1 12 92 R3 IVE . considerando a média de repetições para cada lote. 15 16 17 18 TOTAL R1 NPN IVE 0 . DAS 1 . 15 16 17 18 TOTAL R1 NPN 0 . é a de eleger determinado(s) dia(s) logo no início da emergência das plântulas. Tópicos em Ciências Agrárias. 2009 113 . 45 45/15 20 20/16 7 7/17 10 10/18 82 5.AG 510 de milho híbrido precoce referente ao lote 3. NPN= Nº de plântulas normais. IVE médio = 5. NPN= Nº de plântulas normais. Cuidados especiais necessitam ser tomados no controle de pragas que possam prejudicar a emergência ou a manutenção das plântulas durante o teste. por serem mais vigorosas. Através desse procedimento pode-se evitar algumas interferências ou mascaramentos de resultados de velocidade de emergência de plântulas que as fórmulas possam trazer. v. apresentaram maior rapidez de emergência.67 Tabela 8. 60/15 10/16 8/17 2/18 4. 34 34/15 33 33/16 2 2/17 3 3/18 72 4. 1. verifica-se neste experimento. 58 24 5 1 88 R2 IVE .71 NPN 0 .25 DAS= Dias após semeadura. Teste de velocidade de emergência de 100 sementes do Cv.35 DAS= Dias após semeadura. 35 35/15 32 32/16 1 1/17 16 16/18 84 5.AG 510 de milho híbrido precoce referente ao lote 2. que em condições não controladas de campo. . O lote que apresentar a maior porcentagem média neste dia definido será o mais vigoroso. que o lote 1 destaca-se como mais promissor. IVE=Índice de velocidade de emergência. baseada na velocidade de emergência de plântulas sem o emprego de fórmulas.

soja. com apenas esses resultados. Por outro lado. não se dispõe de parâmetros de comparação. proposto como teste de vigor para sementes de ervilha na Inglaterra. 2009 . 28 ou 35 dias. não só de armazenamento como também de semeadura. Austrália e Nova Zelândia.46 10. principalmente com sementes de leguminosas graúdas. 1983). Média dos resultados de condutividade elétrica (mmhos/cm/g). bem como de sementes de ervilha e de trigo. já havia sido utilizado na década de 20 para estimar a viabilidade de sementes de capim timóteo. temperatura de embebição e teor de água inicial de sementes) que podem causar variações nos resultados. feijão. considerando que o mesmo apresentou maior taxa de lixiviados na solução. No caso particular do teste de condutividade elétrica. Dentre esses aspectos é importante ressaltar as diferenças de condutividade elétrica observadas em sementes de diferentes espécies (Vieira et al.84 14. por sua vez. deve-se ter em mente os vários fatores (característica de sementes. AG 510 de milho híbrido precoce por repetição. verifica-se que os lotes podem ser separados em diferentes níveis. no caso de soja. que o teste pode ser utilizado para semente de soja. após vários estudos.28 R3 9. uma vez que liberou menor quantidade de eletrólitos. como ervilha. 1994). dentre as quais. sendo principalmente estudado em sementes de ervilha. um dos grandes problemas que se tem com relação aos testes de vigor. milho. considera-se que.80 mmhos/cm/g já são valores com tendência para médio vigor. condutividade de sementes de soja superior a 150 mmhos/cm/g é um indicativo de sementes de baixo vigor (AOSA. Sem dúvida alguma. geralmente 21.38 R4 8. tem duração de 7 a 14 dias. A partir destes estudos. para a maioria das especies cultivadas. os resultados de teste de condutividade elétrica só permitem comparações do potencial fisiológico dos lotes avaliados. fornecidas pelo teste de condutividade elétrica (Tabela 10). com rara exceção. 114 Tópicos em Ciências Agrárias. o período pode ser ampliado. Entretanto. tempo de embebição. também. As gramíneas forrageiras requerem períodos mais longos. feijão e soja. diz respeito à dificuldade na interpretação dos resultados.68 13. caracterizando o lote 1 como mais vigoroso. enquanto 70 . Com relação às informações sobre o vigor das sementes. 1.75 13. Lotes 1 2 3 R1 6. v. e sementes com condutividade elétrica até 60 .47 10. Primeira contagem de germinação O teste de germinação. prever o comportamento de lotes de sementes sob uma ampla faixa de condições. Embora sua utilização tenha sido intensificada a partir da década de 60. verifica-se que um grande volume de informações tem sido produzido. Geralmente são efetuadas duas contagens: a primeira contagem é necessária para a diminuição do número de plântulas infeccionadas que podem comprometer a sanidade do teste e para reduzir a possibilidade de entrelaçamento entre plântulas. classifica-se como de pior desempenho. em cada lote estudado. Muitos resultados de pesquisa têm indicado. O lote 2.78 Embora as informações obtidas através do teste de condutividade elétrica sejam importantes.57 R2 6. os padrões já são outros. Sendo mais tarde utilizado para medir viabilidade de sementes de algodão (1958) e.28 14. Logo. para a interpretação dos resultados.22 12. algodão. Assim. para sementes do Cv. Quando a semente apresenta dormência. trevo vermelho. UFRB. como sobre o potencial de armazenamento. Nos EUA. Porém. ervilha.70 mmhos/cm/g têm sido consideradas como de alto vigor.Teste de condutividade elétrica O teste de condutividade elétrica apresenta-se como um dos mais utilizados em testes de vigor.26 7. valores variando entre 4 e 30 mmhos/cm/g para sementes de milho. as Regras para Análise de Sementes estabelecem um limite de tempo para a duração do teste. correspondem a lotes que se situam em categorias consideradas de alto a baixo vigor. Dentre estas. com bastante sucesso. uma gramínea.63 9.37 Média 7. devido à necessidade de submetê-las a um tratamento ou à desuniformidade ou menor velocidade de germinação. não possibilitando estimativas sobre o comportamento de lotes sob condições de campo. e também com sementes de milho. o teste tem sido extensivamente usado para avaliar o vigor de sementes de ervilha na Inglaterra.31 10.. a medida da condutividade elétrica passou a ser estudada como um teste de vigor para várias espécies. como outros testes. Tabela 10. não é possível. já que.

consistindo do registro das porcentagens de plântulas normais encontradas na primeira contagem do referido teste. ou durante o período de armazenamento.0 0. Os resultados foram expressos em porcentagem média de plântulas normais. caso necessário. traças e carunchos). AG 510. Dados médios de três lotes de sementes (%) de milho híbrido precoce. Foi conduzido conjuntamente com o teste de germinação.0 0.0 115 Tópicos em Ciências Agrárias. esse teste objetiva determinar o vigor relativo do lote. prevalecendo uma relativa superioridade do lote 1 sobre o 3 e este sobre o 2. Na Tabela 11 encontram-se resultados com dados médios em porcentagem do teste de primeira contagem de germinação (PCG) dos lotes do Cv. sorgo etc. Lotes 1 2 3 R1 96 92 88 R2 96 86 96 R3 98 96 92 R4 94 86 92 Média 96 90 92 Examinando os resultados obtidos e considerando que não houve dúvidas quanto à normalidade das plantas. nas condições em que se procedeu o teste. Para efeito desse exame. para os três lotes estudados. além de sementes que contêm ovo. Cv.0 0. por repetição. Serve para indicar a necessidade de expurgo de um lote de sementes. A infestação pode ocorrer ainda no campo. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 1. AG 510 de milho híbrido precoce. larva. é preferível a antecipação. 2009 . Como determinações adicionais são designadas aquelas análises que contribuem com outras informações sobre a qualidade do lote. pupa e inseto adulto. todas as demais que apresentam orifício de saída do inseto. v. as que apresentaram maior velocidade de germinação. realiza-se apenas uma contagem. Dados médios de primeira contagem de germinação (%) em três lotes do Cv. UFRB. quer tenham sido essas sementes danificadas por uma única espécie de insetos ou por várias. de que as sementes do lote 1 são as mais vigorosas. milho. após o exame de sementes infestadas. devido ao atraso na colheita das sementes.0 0. o desenvolvimento excessivo de plântulas dificulta a interpretação.0 0. uma vez que com o atraso. Tabela 12. conservando-se no substrato as plântulas anormais e as sementes não germinadas ou em início de germinação. na primeira contagem são removidas as plântulas normais. AGR 510 de milho híbrido precoce em quatro repetições de 100 sementes. Os dados obtidos através deste teste são muito importantes para espécies como o feijão. Tabela 11. Assim. observou-se pequeno porcentual de sementes consideradas como anormais e/ou mortas. ou em outras palavras. feita no quinto dia após a semeadura. Exame de sementes infestadas Tem por objetivo determinar a porcentagem de um lote que se encontre danificado por insetos (gorgulho. sementes mortas e plântulas infeccionadas.0 R2 1. estudados nas condições detalhadas no teste de germinação correspondente. 1. A data dessa contagem pode ser antecipada ou retardada de 1 a 3 dias. frequentemente atacadas por aqueles insetos. confirmando a tendência observada em outros testes..0 Média 1. Quando se utiliza areia ou solo como substrato. Os resultados obtidos através da média das sementes infestadas encontradas nas duas subamostras é expresso em porcentagem com uma casa decimal e encontra-se na Tabela 12. são consideradas. por lote. DETERMINAÇÕES ADICIONAIS A qualidade de sementes é avaliada por um conjunto de índices determinados por análises. avaliando a porcentagem de plântulas normais que são obtidas por ocasião da primeira contagem do teste de germinação.0 0.Portanto.

1 283. que pode ser adquirido em frascos de 10 ou 25 gramas em casa de produtos químicos. Peso médio de 1. O peso de mil sementes é influenciado pelo teor de água. Seguiu-se os critérios das Regras para Análise de Sementes para o cálculo do peso de 1. com a determinação da Variância.6 305. para análise de pureza.000 sementes (g) de milho híbrido precoce.0 Média 6. AG 510. obtido do peso médio (g) de oito subamostras de 100 sementes (R1 a R8) da porção semente pura.8 116 Tópicos em Ciências Agrárias. Peso de 1. devido a influência do teor de água. 2009 . 1. As sementes com trincas foram identificadas pela formação da coloração azul. Em contato com a solução de iodo. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 33. o peso médio de 100 sementes. principalmente. É uma informação que dá idéia da qualidade de sementes.000 sementes. pois os danos severos.0 16. bem como a extensão desses danos. v. pode ser empregado o teste do verde rápido (Fast Green FCF).5 20. Para realizar esta determinação.39 28. após o teste de injúrias mecânicas. tem grande importância na qualidade da semente bem como na sua comercialização. que é relativamente simples. Como o coeficiente de variação não excedeu a 4%.5 De acordo com Everson (l985) citado por Dias & Barros (l995). do Desvio padrão e do Coeficiente de variação dos valores obtidos nas pesagens. Cv.Foram consideradas atacadas as sementes onde se constatou a presença do ovo. Cv.43 30. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 5.29 30.0 8. Após a interpretação. lagarta. somou-se as porcentagens de sementes danificadas por repetição e calculou-se a porcentagem média por amostra. danos nas sementes de milho entre 30 e 50% devem ser preocupantes ao produtor. Tabela 14. Além de fornecer informações para o cálculo de semeadura e regulagens de máquinas semeadeiras. Os resultados encontram-se na Tabela 13. são utilizadas sementes puras provenientes da análise de pureza.66 R8 32.0 10.23 28. utilizando-se as oito subamostras. AG 510. UFRB.0 R2 8. inseto adulto e o orifício de saída do inseto.6 7. podendo ser usado para o milho e outros cereais.000 sementes é em geral utilizado para calcular a densidade de semeadura e o peso da amostra de trabalho. Tabela 13. Dados médios (%) de três lotes de sementes de milho híbrido precoce. assim como do seu estado de maturidade e sanidade.0 24.000 sementes O peso de 1.50 Média 328. o resultado da determinação foi calculado multiplicando-se por 10 o peso médio obtido das subamostras de 100 sementes. a presença de danos mecânicos é constatada pela formação da coloração azul. sendo x média. Teste para identificar injúrias mecânicas Para a identificação de danos mecânicos de sementes de milho. Acima de 50% o produtor deve tomar medidas necessárias para reduzir os danos mecânicos durante a debulha e processamento das sementes. prejudicam a qualidade das mesmas. Pode-se empregar também a tintura de iodo. resultante da reação entre o iodo e o amido espermático.

Testes de vigor e suas possibilidades de uso. 43 p.. 95 p. In: Testes de vigor em sementes. W. A.SILVA. Tópicos em Ciências Agrárias. 363p. 1995. do R. 1994.M. J. C. Divisão de Sementes e Mudas. Ministério da Agricultura.. S. S. J. 1983. BRASIL. 1994. Teste de Frio. CARVALHO. MARCOS FILHO. Atualização em produção de sementes.. 95 p. CICERO. Avaliação da qualidade fisiológica de sementes de milho. UFRB. Regras para Análise de Sementes. R. 1. M.S. W. NAKAGAWA. BARROS. J. de L. M. coord. 95 p. Piracicaba.S. Fundação Cargill. v.D. FEALQ. Avaliação da qualidade das sementes. CICERO. S.R.. S.L. N. VIEIRA. R. FCAV/UNESP/JABOTICABAL. 1987. Campinas.230 p.p. Seed vigor testing handbook . . 207-23 CICERO. SILVA. DIAS. Circular no 88.REFERÊNCIAS ASSOCIATION OF OFFICIAL SEED ANALYSIS. In: Testes de vigor em sementes. 1992..L. FCAV/UNESP/JABOTICABAL. 32 ). M. M.. IAPAR. R. MARCOS FILHO.Testes de Vigor baseados na avaliação das plântulas. 2009 117 . 88p. In: Testes de vigor em sementes FCAV/UNESP/JABOTICABAL. ed.. SADER. (Handbook on seed testing.1989. p. 1992.

Carlos Alfredo Lopes de Carvalho & Gilberto Marcos de Mendonça Santos Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 9 ANÁLISES FAUNÍSTICAS EM ESTUDOS ENTOMOLÓGICOS Oton Meira Marques.

Tópicos em Ciências Agrárias. é pouco praticável (embora não impossível) e. nem pode existir. não existe. corresponde à diversidade de espécies (espécies presentes em um ambiente ou região definida). Outra estimativa sobre o total de espécies de insetos na Terra foi apresentada por Erwin (1982) e chegou ao extraordinário número de 30 milhões de espécies. Mas. Lewinsohn & Prado. A vantagem da utilização dos índices é que. E-mail: calfredo@ufrb. podendo este número representar apenas metade do total existente no planeta (Arnet Jr. E-mail: gmms@uefs. o padrão de distribuição de uma espécie é importante para o entendimento da importância relativa da espécie em termos locais. 2000. 2009 121 . E-mail: oton@ufrb.edu.edu. Porém.000 espécies descritas. explicam a complexidade das interações entre os componentes das diversas comunidades. Universidade Estadual de Feira de Santana. Os insetos constituem o grupo de seres vivos com o maior número de espécies na Terra e estima-se que existam 950.. Delimitar e caracterizar a fauna de um determinado ambiente é fundamental para o bom entendimento do ambiente. A diversidade faunística é fator primordial para o equilíbrio. Esse padrão pode ser avaliado pelo método da variância dos quadrados contíguos. na maioria dos casos. usar a dinâmica como base para avaliar. a organização da vida terá sempre que ser descrita e aferida por uma série de definições e medidas diversas (Gaston.9 a 6.ANÁLISES FAUNÍSTICAS EM ESTUDOS ENTOMOLÓGICOS Oton Meira Marques1. v. de comportamento. Gilberto Marcos de Mendonça Santos3 1 2 3 Professor . Carlos Alfredo Lopes de Carvalho2. A fórmula e programa de computador para análise das variâncias encontram-se em Ludwig & Reynolds (1988). Posteriormente.57 milhões (Hodkinson & Casson. são. que consiste em traçar um transecto subdividido em n quadrados de tamanho padrão e contar o número de representantes da espécie em cada quadrante (Figura 1).br Professor . caracterizados por sua dinâmica. Cruz das Almas-BA.6 milhões (Stork & Gaston. é mais ambígua que as outras duas categorias.diversidade dentro de espécies.br. Padrões de distribuição Apesar de não constar dos índices faunísticos clássicos. além de serem facilmente calculados. Ambientais e Biológicas/UFRB. abrange toda a variação entre indivíduos de uma população. entre outras. Estes números são apresentados na literatura especializada ou não como a biodiversidade ou diversidade biológica ou diversidade de insetos na face da Terra.diversidade entre espécies. inventariar ou monitorar a diversidade de ecossistemas. 3 diversidade de ecossistemas. 2002). UFRB. 1. 1996). ecossistemas são essencialmente sistemas funcionais. os índices faunísticos figuram entre os mais aceitos. indicando o tipo de padrão de distribuição apresentado pela população estudada (Figura 2).84 a 2. é tratada como correlacionada com a diversidade de fisionomias de vegetação ao nível da paisagem ou de bioma (Lewinsohn & Prado.Centro de Ciências Agrárias. Os primeiros estudos voltados a elucidar a relação entre as características estruturais dos habitats e a diversidade faunística foram realizados por Mac Arthur & Mac Arthur (1961). por definição. Ambientais e Biológicas/UFRB. fluxo e/ou ciclagem de energia e matéria nos ecossistemas. uma definição e uma medida unificada para biodiversidade e por ser um fenômeno intrinsecamente complexo. Southwood & van Emden (1967) e Janzen & Schoener (1968) realizaram trabalhos pioneiros de análise faunística de entomofaunas. em termos práticos. 2 . desprovidos de unidade.Centro de Ciências Agrárias.br INTRODUÇÃO Os fenômenos de síntese realizada pela vegetação e o consumo dessas substâncias pelos animais são dois processos vitais que. 2002). Cruz das Almas-BA. Feira de Santana-BA. 1991). As variâncias apresentadas na presença de indivíduos nos quadrantes são plotalas em gráficos. sem ater-se estritamente à base genética de tais diferenças). bem como entre populações espacialmente distintas da mesma espécie e tem sido tratada como equivalente à diversidade genética (embora possa incluir diversidade morfológica. Bolsista CNPq Professor . Dentre os diversos processos utilizados para analisar a fauna de um dado ambiente. surgiram outras estimativas fornecendo números mais modestos: 4. gerando uma gama de dados analisáveis. regionais e até globais. A diversidade biológica inclui três tipos de diversidade: 1 .Departamento de Ciências Biológicas. 1990) ou 1. permitindo comparações entre comunidades amostradas de modo não padronizado.

v. Dois parâmetros devem ser considerados ao avaliar a diversidade biológica de um ambiente: 1 . Diferentes índices têm sido propostos para caracterizar isoladamente a abundância de espécies e a 122 Tópicos em Ciências Agrárias.g. os restantes 10%. Considerando uma comunidade composta por dez espécies.número total de espécies em uma comunidade (freqüentemente denominado abundância de espécies) e 2 . mas não apresentam necessariamente mais indivíduos por unidade de área (Lewis & Taylor. podendo ser feita por meio dos índices faunísticos descritos a seguir. 1988). Posicionamento de quadrados contíguos ao longo de transectos em três ambientes onde os padrões de distribuição são aleatório (ou randômico). o conceito de diversidade de espécies inclui o número de espécies na comunidade (abundância ou riqueza de espécies) e a uniformidade (eqüitabilidade) com a qual os indivíduos são distribuídos entre as espécies (Krebs. Assim. famílias) de insetos coletados em um ambiente.a combinação do número total e a eqüitabilidade (abundância relativa) de espécies. se cada uma das dez espécies contribui com 10% do total de indivíduos. regularidades na variação do número de espécies no espaço e no tempo. 1988). 1988). a última indica como o total de indivíduos encontra-se distribuído entre as espécies. uniforme e agregado (baseado em Ludwig & Reynolds.aleatório agregado uniforme Figura 1. 1. a eqüitabilidade é considerada máxima. isto é. se 90% dos indivíduos pertencem a uma só espécie e. 5 4 Variança 3 2 1 0 0 1 2 3 4 5 Espaço 6 7 8 9 10 Aleatório Uniforme Agregado Figura 2. 1989). Odum.: espécies. Plotagem típica de variâncias encontradas em quadrados contíguos cujas populações apresentavam os padrões de distribuição: aleatório. A combinação do número total de espécies e a eqüitabilidade é considerada a abundância relativa das espécies (Ludwig & Reynolds. agregado ou uniforme (adaptado de Ludwig & Reynolds. a eqüitabilidade é considerada baixa. Diversidade Existem diversos padrões de diversidade. 1976). enquanto que. UFRB. Algumas comunidades são mais ricas do que outras no número de espécies. gêneros. fornece conhecimentos básicos sobre as populações presentes e os níveis de importância quantitativa das mesmas. 1988. os mais amplamente utilizados neste tipo de estudo. (1998). baseada no número de táxons (e. 2009 . uma revisão sobre este assunto é encontrada em Carneiro et al. Uma análise faunística. estão distribuídos entre as outras nove espécies.

c) Índices de diversidade Diferentes índices expressam a diversidade de uma área ou região. UFRB. Os limites de classes mais comumente utilizados são: Raro (r) = n menor que o limite inferior do IC1%. independente do processo de levantamento e do tamanho da amostra (Silveira Neto et al.. Outros tipos de índices combinam as duas características em um só valor e são conhecidos como índices de diversidade. Muito abundante (m) = n maior que o limite superior do IC1%.. As espécies podem ser distribuídas em classes de abundância baseadas no Intervalo de Confiança (IC) do número de indivíduos (n) ao nível de 5% e 1% de significância (Bicelli et al. a) Abundância O número total das espécies amostradas em um determinado estudo é considerado a abundância (S) dessas no ambiente (Ludwig & Reynolds. 1988). explorando de forma diferente os componentes da diversidade.1) ln(N) onde. significando que o local é mais específico. em que o número de espécie tende a diminuir e o número de indivíduos das espécies dominantes tende a aumentar. v.S pi (ln pi) Tópicos em Ciências Agrárias. Quando o valor obtido é alto. apresentando elevado número de espécies. N = número total de indivíduos. há indicação de que o local é bastante diversificado. Os Intervalos de Confiança para as classes de freqüência. 1989). a utilização desses índices pode permitir a comparação entre comunidades. 1976). 2) eqüitabilidade e 3) homogeneidade e o tamanho da área amostrada. Alguns destes índices são expostos a seguir: Índice H' (Shannon-Wiener): H' = . embora com menor número de indivíduos (Odum. Por outro lado. ln = logaritmo neperiano. por exemplo. o Alfa (a) proposto por Margalef (1951): a = (S . 2009 123 . Comum (c) = n situado dentro do IC5%. S = número total de espécies. 1988). constância e abundância e os valores do teste F na determinação da dominância podem ser calculados por meio das funções estatísticas de planilhas eletrônicas computacionais. O índice a mede a relação existente entre o número de espécies e o número de indivíduos de uma comunidade. Estes índices podem apresentar a desvantagem de confundir variáveis que caracterizam a estrutura de uma comunidade: 1) número de espécies. 1.eqüitabilidade de uma comunidade. Abundante (a) = n situado entre os limites superiores dos IC5% e IC1%. Esse índice é baixo nos locais onde ocorre competição interespecífica. b) Índice de abundância A comparação dos dados de abundância obtidos em diferentes pesquisas é possível através da utilização de índices como. Disperso (d) = n entre os limites inferiores dos IC1% e IC5%.

Esse índice apresenta a vantagem de ser relativamente independente do tamanho da amostra. caso não haja interesse em separar os dois componentes da diversidade.onde. quanto maior o valor obtido. o índice de eqüitabilidade mais usado em estudos ecológicos.1) ÷ ç ÷ i =1 æ n i (n i . O índice J' varia de 0 a 1. o índice de diversidade H' varia com o número de espécie. sendo que em comunidades biológicas não ultrapassa o valor 5. 1988). H' = componente da “riqueza” de espécies. 1949): s l= onde. N = número total de indivíduos. diversidade (H' e l) e eqüitabilidade (J') podem ser facilmente obtidos por meio da montagem de uma planilha de cálculo. baseandose na abundância relativa de espécies e no grau de sua dominância. Ludwig & Reynolds. abundância e eqüitabilidade. atingindo o valor máximo quando todas as espécies apresentam a mesma freqüência relativa (Odum. Se a probabilidade for alta.1) ö è ø Esse índice varia de 0 a 1. O índice H´ é um dos melhores índices para uso em comparações de comunidades. 124 Tópicos em Ciências Agrárias. UFRB. provavelmente. pi = freqüência relativa da espécie i dada por ni/N. Índice J' (Pielou. dando a probabilidade de dois indivíduos coletados casualmente na população pertencerem à mesma espécie. ln = logaritmo neperiano. 1988). 1977) J’ = onde. S = número total de espécies. Os índices de abundância (a). expressando a uniformidade em número de indivíduos que as espécies possuem ou não. ni = número de indivíduos da espécie i. 1988. H'max = ln S. 1. N = número total de indivíduos. ln = logaritmo neperiano. 1988). maior será a dominância por uma ou poucas espécies. Índice l (Simpson. o índice de Simpson dá maior peso para as espécies mais comuns na comunidade. H' = componente de “riqueza” de espécies. sendo que. v. 2009 . H' H' max O índice proposto por Pielou (1977) e denominado J´ é. å ç N ( N . então a diversidade na comunidade amostrada é baixa (Ludwig & Reynolds. De acordo com Washington (1984). o que permite a comparação entre comunidades ainda que as amostragens em cada ambiente tenham sido realizadas com tamanhos diferentes (Odum. De acordo com Odum (1988). ni = número de indivíduos da espécie i.

calculados sobre os 1000 indivíduos encontrados levariam a erro na caracterização. Um estudo que se propõe a caracterizar uma comunidade baseado em seus índices faunísticos precisa se certificar que o ambiente foi suficientemente amostrado. Um modelo de distribuição de abundância pode ser baseado na distribuição das espécies e indivíduos em oitavas (Preston. é preciso aumentar muito o esforço amostral. o método da análise da riqueza baseado na Curva de Rarefação fornece informação sobre a suficiência amostral do estudo. Só pode ser considerado suficientemente amostrado aquele ambiente cuja curva encontrada apresente tendência à estabilização. Magurran (1988) e Krebs (1989). Na Figura 3. Como o gráfico da curva de rarefação permite avaliar a intercessão dos eixos onde são plotados. além de servir como indicativo da efetividade da amostragem das populações que compõem uma comunidade. valor da abundância de espécies (S). discutido por Ludwig & Reynolds (1988). 2009 125 . a distribuição do número de indivíduos e de espécies por coleta indicou que o número de coletas realizadas foi suficiente para amostrar a abundância de espécies da área estudada. observa-se duas comunidades hipotéticas: na comunidade 1. a curva mostra que o ambiente não foi suficientemente amostrado e. 1. para aumentar o número de espécies encontradas. enquanto que uma curva que mostre tendência de crescimento indica que novas espécies podem ser encontradas com um pequeno aumento no esforço amostral. quaisquer análises de comunidade baseada em índices faunísticos (freqüência. na comunidade 2. biomassa. No exemplo da Figura 4. 1981) e mede a eficiência do número de coletas na representatividade das espécies que ocorrem em uma determinada área (Colwell & Coddington. evitando a sub amostragem. 1994). na qual o esforço amostral foi de apenas 500 indivíduos. pode-se fazer inferências sobre o esforço necessário para atingir um número determinado de espécies em comunidades distintas. 35 Curva de Rarefação 30 Número de Espécies 25 20 15 10 5 0 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 comunidade 1 comunidade 2 Número de Indivíduos Figura 3. A validação estatística para o modelo encontrado pode ser obtida por meio da análise de regressão. constância. a variação do esforço amostral (número de indivíduos. número de armadilhas) e a variação do número de espécies encontradas em função deste esforço.Modelo de distribuição e estimativa da abundância de espécies O método da Curva de Rarefação ou Curva do Coletor (Richness rarefraction method) indica o número de espécies esperadas em um dado tamanho de amostra (Hurlbert. 1948). abundância e outros). 1971. James & Rathburn. Curva de rarefação de duas comunidades hipotéticas. Observa-se que ocorreu uma estabilização a partir da 23a coleta. A fórmula e um programa para obtenção da Curva de Rarefação estão disponíveis em Ludwig & Reynolds (1988). Ludwig & Reynolds (1988) defendem esse tipo de análise como o mais eficiente para comparar a riqueza de comunidades cujas intensidades de esforço amostral foram diferentes. neste caso. UFRB. v. Uma curva que tenda a se estabilizar indica que. número de horas amostradas. a curva mostra que a riqueza foi baixa e que o esforço amostral foi suficiente para caracterizar a comunidade. Tópicos em Ciências Agrárias. cujo esforço amostral foi de 1000 indivíduos. quando se atingiu o total de 80 espécies.

S = número total de espécies.q (x . So = estimativa do número de espécies na oitava modal. xo = log10(0. R = logaritmo na base 2 da abundância de espécie de uma determinada classe de oitava dividido pela abundância de espécie na oitava modal. S* = número estimado de espécies. po = probabilidade da curva normal para zo (proporção da curva normal de acordo com Zar. Município de Castro Alves-BA. l = s2/(x-xo)2.m ) vx . a distribuição lognormal é representada por: S(R) = So e(-a²R²) onde. 1984). 2009 . q = parâmetro obtido através de l e da tabela de Cohen Jr.01) Coletas Figura 4. v. 1999).xo). zo: variável normal estandartizada Þ zo = S 1 . Curva do Coletor para amostras de abelhas (Apoidea) coletadas no vale do rio Paraguaçu.x) 2 2 s : variância Þ s = .42 R2 = 0. UFRB. S å 126 Tópicos em Ciências Agrárias. De acordo com Ludwig e Reynolds (1988). (1961) para lognormal truncada. 2 ( x .po ( xo . O procedimento para avaliar o modelo da distribuição lognormal truncada é encontrado em Magurran (1988). entre janeiro de 1994 e fevereiro de 1995 (Carvalho.28x + 25. R = 0 na oitava modal.90 espécies Número acumulado de es écies 80 70 60 50 40 30 20 10 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 y = 2. 1.96 (p > 0. onde o número estimado de espécie na comunidade é obtido pela equação: S* = onde. a = medida de amplitude inversa da distribuição. S(R) = número de espécies na R-ésima oitava (= classes). x: média do número de indivíduo em log 10 Þ x = åx S .5). m: estimativa da média Þ m = x .

. ni = número de indivíduos da espécie i. O teste do Qui-quadrado (X2) aplicado e o valor obtido é comparado com o tabelado ao nível de 5% de significância. conforme Ludwig & Reynolds (1988) e Magurran (1988). æ ni ö ÷ x 100 èN ø De acordo com os resultados obtidos são estabelecidas classes de freqüência para cada espécie. 7.0% do número estimado de espécies presentes na área não foi coletado. Frequência A freqüência (f) das espécies é determinada pela participação percentual do número de indivíduos de cada espécie. 1988).x: número de indivíduo em log10 x = log10 ni. um total de 80 espécies foi coletado (S). UFRB. sendo a abundância estimada (S*) igual a 86 espécies. No exemplo da Figura 1.. por meio de Intervalos de Confiança (IC) a 5% de probabilidade: a) Pouco Freqüente (PF) = f < o limite inferior (LI) do IC5%. 1976). c) Muito Freqüente (MF) = f > o limite superior (LS) do Ic5%. a coleta de dados deve ser por vários anos (Martins. em relação ao total coletado (Silveira Neto et al. como também. 1967). v. esse tipo de resultado permite apenas uma abordagem descritiva da comunidade e não deve ser considerado conclusivo. aproximadamente. utilizando-se a fórmula: C= ç æ ci ö ÷ x 100 è Nc ø Tópicos em Ciências Agrárias. uma vez que o método de amostragem pode ter contribuído para a ausência de algumas espécies nas coletas. o modelo de distribuição das espécies observadas e esperadas pode ser estatisticamente avaliado pelo teste do Qui-quadrado. com o número de graus de liberdade igual ao número de oitavas menos três (Magurran. Neste estudo. ni = número de indivíduo da espécie i vx: estimativa da variância = s2 + q (x-xo)2 As oitavas são formadas por intervalos do número de indivíduos e número de espécies. 1990). o incremento no número de horas de coletas em diferentes épocas do ano. a estimativa do número de espécie na comunidade não possui um sistema para avaliar a sua precisão e deve ser analisada com precauções. Segundo Krebs (1989). Por outro lado. provavelmente resultaria na amostragem de outras espécies consideradas raras (com poucos indivíduos). requerendo uma quantidade maior de amostras. 1976): f = ç onde. 1. sendo cada classe representada pelo dobro da abundância de espécie acrescido de 0. Entretanto. Constância Calculada por meio da percentagem de ocorrência das espécies no levantamento (Silveira Neto et al. Apesar dessas limitações. N = número total de indivíduos. sendo necessário o estudo de outras áreas. Isso significa que. a amostragem de insetos em áreas restritas fornece uma estimativa considerável da abundância relativa das espécies e famílias dentro da comunidade (Sakagami & Matsumura. b) Freqüente (F) = f situado dentro do IC5%. 2009 127 .5. Os estudos sobre a composição faunística de áreas restritas apresentam limitações quanto à possibilidade de se fazer extrapolações para áreas maiores.

em seu benefício. referido por Laroca & Mielke (1975). Este método foi utilizado por diversos pesquisadores como. 128 Tópicos em Ciências Agrárias. S = número total de espécies. k1' e k2'. 1976). Nc = número total de coletas efetuadas. N = número total de indivíduos. ci = número de coletas contendo a espécie i. 2009 æ1ö ÷ x 100 èSø . (1983). Laroca et al. 1. o impacto recebido do ambiente. Li = limite inferior. ni = número de indivíduos da espécie i. k'2 = 2 (ni + 1).onde: C = percentagem de constância. É uma característica difícil de ser avaliada quantitativamente. 1976) e o IC a 5%em: a) Espécies constantes (W): C > limite superior (LS) do IC5%. por exemplo. podendo assim causar o aparecimento ou desaparecimento de outros organismos. LD = limite da dominância. Uma determinada espécie será considerada como dominante quando o seu limite inferior (Li) for maior que o inverso do número total de espécies multiplicado por 100 (LD). (1982). b) Espécies acessórias (Y): C entre os limites (LI e LS) do IC5%. LD = ç onde. segundo a classificação de Bodenheimer (citado por Silveira Neto et al. pois depende da atividade desempenhada pela espécie na comunidade (Silveira Neto et al. Bicelli et al. k'1 = 2 (N ni + 1). v. c) Espécies acidentais (Z): C < o limite inferior (LI) do IC5%.. Dominância A dominância consiste na capacidade ou não da espécie em modificar. Rossi (1989). Nascimento et al. de acordo com Sakagami e Matsumura (1967).. UFRB. Li = ç1 ç æ è onde: Ls = limite superior. Um outro procedimento para considerar a dominância de uma espécie é quando o Limite Inferior for maior que o Limite Superior para K = 0. k1 = 2 (ni + 1). De acordo com os percentuais obtidos. utilizando as equações: Ls = ç ç æ (k1 xFo ) ö ÷ x 100 k2 + (k1 xFo ) ÷ è ø (k '1 xFo ) ö ÷ x 100 k ' 2 +(k '1 xFo ) ÷ ø e. (1989). as espécies podem ser separadas em categorias. Bueno e Souza (1993). A dominância ou não das espécies pode ser obtida pelo método de Kato et al. k2 = 2 (N ni + 1).. Fo= valor obtido da tabela de distribuição de F ao nível de 5% de significância para graus de liberdades obtidos em k1 e k2 e.

O índice de Morisita-Horn varia de zero (nenhuma similaridade) a 1 (completa similaridade) (Krebs. utilizando as mesmas variáveis do Coeficiente de Sfrensen: CJ = j / (j + a + b) Outro índice conhecido é a Porcentagem de Similaridade. Por exemplo. Outro modo de avaliar a similaridade entre comunidades de insetos é o Coeficiente de Similaridade de Sfrensen. 1. v. presença ou ausência.. bN = número coletado de indivíduos da espécie de abelha b. bni = número coletado de indivíduos da espécie de abelha b na espécie vegetal i.Similaridade entre comunidades de insetos A similaridade entre duas comunidades quanto à composição de espécies. [( da + db ) ´ ( aN ´ bN )] Im-h = Índice de Morisita-Horn entre as espécies de abelhas a e b. ou ainda entre espécies quanto a hospedeiros ou recursos tróficos pode ser obtida pelo Índice de Morisita-Horn (Im-h). de acordo com Magurran (1988). da = å an aN 2 2 . a abordagem é qualitativa. A fórmula a seguir representa o Coeficiente de Sfrensen: CS = 2j / (2j + a + b) onde: a = número de espécies no agroecossistema I b = número de espécies no agroecossistema II j = número de espécies encontradas em ambos os agroecossistemas O coeficiente de Similaridade de Jaccard (1912) também pode ser utilizado para indicar a semelhança entre duas comunidades quanto à composição de espécies e pode ser obtido por meio da fórmula a seguir. Neste caso. não depende do tamanho da amostra e é um dos melhores índices para medir a similaridade em estudos ecológicos (Wolda. 1981). 2009 129 . a similaridade entre as espécies de abelhas quanto às espécies de plantas visitadas pode ser calculada da forma a seguir: 2 ( an i ´ bn i ) Im-h = onde. UFRB. 2 db = å bn bN 2 . aN = número coletado de indivíduos da espécie de abelha a. calculada pela soma dos menores valores da porcentagem do total de indivíduos das espécies comuns às duas comunidades comparadas: %S = Somatório (a + b + .+ n) onde: %S= Porcentagem de Similaridade a = Menor porcentagem da espécie "a" observada no confronto entre os dois agroecossistemas b = Menor porcentagem da espécie "b" observada no confronto entre os dois agroecossistemas n = Menor porcentagem da espécie "n" observada no confronto entre os dois agroecossistemas Tópicos em Ciências Agrárias. isto é. ani = número coletado de indivíduos da espécie de abelha a na espécie vegetal i. onde se avalia a semelhança na composição das espécies entre duas áreas. 1989)..

Technometrics. v. v. também pode ser representada graficamente por meio de um dendograma construído através do diagrama de treliça (Silveira Neto et al. Auk. H. A diversidade padronizada. 535-541. 39-47. L. A. 104p. SOUZA. v. J. 1912. p. 1003 p. 2ª. J. p. D. 101-110.. constância.. dominância. The non-concept of species diversity: a critique and alternative parameters. CODDINGTON.. P. 2009 . 1989. HURLBERT. Rarefraction. 1. diversidade de Shannon-Wiener. A.. C. 1994. R. ed. 43. COLWELL. Anais da Sociedade Entomológica do Brasil. HODKINSON. O.. v. 1. A. C. Diversidade de abelhas (Hymenoptera. UFRB. FERNANDES. 1982. v. R.A. RATHBUR. In: GASTON. Piracicaba. W. acephala em Lavras MG. 52. freqüência. K. p. 1. A. Brasil. V. 1981. Boca Raton: CRC Press.. A. S. Ecology. (Tese de Doutorado).. The distribution of the flora in the alpine zone. K. similaridade e outros podem ser obtidos com o programa ANAFAU. H. C. Fitopatologia e Zoologia Agrícola da Esalq/USP (Moraes et al. 345. C. p. ESALQ/USP. p. p. p. C. B. p. CASSON. n.). Ciência Hoje. 1996. D. relative abundance. Agrotrópica. p. 36. J. p. Apoidea) e plantas visitadas no município de Castro Alves-BA. Philosophical Transactions Royal Society of London (B).A handbook of insects of America north of Mexico. F. Oxford: Blackwell Science. 26-32. G. 11. M. 1991. H. Ocorrência e diversidade de insetos predadores e parasitóides na cultura de couve Brassica oleracea var. H. JACCARD. Tables for maximum likelihood estimates: singly truncated and singly censored samples.. MENDES. 1998. v. CARNEIRO.. 22. de. 1961. S. I.. Estimating terrestrial biodiversity through extrapolation. equitabilidade. SILVEIRA-NETO. C.. 101-118. Pará. D.A similaridade entre as comunidades de insetos. and diversity of avian communities. BICELLI. S. A lesser predilection for bugs: Hemiptera (Insecta) diversity in tropical rain forests.L. 1993. De SOUZA. ERWIN. Dinâmica populacional de insetos coletados em cultura de cacau na região de Altamira. desenvolvido no Departamento de Entomologia. K. v. 577586. The Coleopterists Bulletin. H. Biodiversity: a biology of numbers and difference. A. 37-50. II.. COHEN Jr. 1-9. Nerophytal. 1. v. 1976). 2003). 74-75. 518. R. What is biodiversity?. T. ix+396p. abundância. 24. (Ed. M. P. L. 2000. v. Differences in insect abundance and between wetter and drier sites during a tropical 130 Tópicos em Ciências Agrárias. de. JANZEN. 1971. 785800. B. análise faunística. REFERÊNCIA ARNETT Jr. p. Tropical forests: their richness in Coleoptera and other arthropod species. n. BUENO. T. Os índices: dominância. 98. JAMES. GASTON. CARVALHO. American Insects . v. 3. F. LARA. Biological Journal of the Linnean Society. 1999. SCHOENER. v..

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CAPÍTULO 10 INTERFACE DA ENTOMOLOGIA APLICADA NA FRUTICULTURA TROPICAL Antônio Souza do Nascimento & Tuffi Cerqueira Habibe Tópicos em Ciências Agrárias .

E-mail: tuffihabibe@yahoo. em Tópicos em Ciências Agrárias. (1980) realizaram o levantamento de tefritídeos no Brasil amostrando 55 espécies de hospedeiros dos quais 25 estavam atacados por C. patógenos. causando danos econômicos em alguns fruteiras. mas destaca que ainda sendo uma praga potencialmente importante. Devido à associação com os tefritídeos. capitata. parasitando tanto as espécies da família Tephritidae quanto as da família Lonchaeidae. Segundo Carvalho et al. o Brasil ocupa a terceira posição entre os países produtores de frutas. 2001). (2000). as pragas e doenças assumem papel de grande relevância para essa atividade. reduzindo a produtividade. não foi relatada a presença de moscas-dasfrutas nesta cultura em Cruz das Almas (Sá. somente Ceratitis capitata é considerada praga de importância econômica. b) Conhecer o nível de infestação nos frutos. foi a espécie mais comum encontrada. Nesse contexto. c) Conhecer a incidência de inimigos naturais parasitóides nativos. 2009 135 . Cruz das Almas-BA. o incremento do parque industrial e a elevação de sua capacidade produtiva e de exportação. 1762) como hospedeira de moscas-das-frutas (Diptera: Tephritidae) no Recôncavo da Bahia O Brasil é o principal produtor de acerola (Malpighia punicifolia) no mundo. capitata danifica o fruto. Este trabalho visou: a)Identificar as espécies de moscas-das-frutas que utilizam a acerola como hospedeiro. os últimos parecem ser os mais efetivos. pertencem aos gêneros Anastrepha e Ceratitis. A acerola (Malpighia punicifolia L. Cruz das Almas-BA. UFRB. por se constituírem em fatores limitantes à produção.br Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. E-mail: nascimento@cnpmf. ainda assim. 2003). A fruticultura tem apresentado grande avanço nos últimos anos. favorecendo o aumento da área de cultivo. os estudos com parasitóides de moscas-das-frutas são recentes. predadores. As espécies de moscas-das-frutas assinaladas no Brasil. isto é. Outro importante grupo de parasitóides é representado pela família Figitidae (Eucoilinae). verificou-se que Doryctobracon aerolatus. que cai precocemente. gerando mais de cinco milhões de empregos diretos (FAO.) como praga de aceroleira. 1. Nascimento et al. com uma produção de 38 milhões de toneladas/ano.br INTRODUÇÃO Atualmente. Num posterior levantamento de insetos associados à cultura da acerola. No Brasil. Malavasi et al. esses parasitóides desempenham função importante como inimigos naturais de moscas-das-frutas. Em frutos menores. (1999) realizaram a descrição. com polpa e casca fina. o índice de parasitismo é maior. (1999) mencionaram a presença de moscas-dasfrutas (Anastrepha spp.embrapa. o parasitismo em moscas-das-frutas depende do tamanho do fruto. Tuffi Cerqueira Habibe 2 1 2 Pesquisador . Parasitóides Dentre os organismos que efetuam o controle biológico de moscas-das-frutas. Os estudos sobre os eucoilíneos para o controle biológico de moscas-das-frutas demostram o potencial desses parasitóides em programas de manejo de pragas. bactérias e parasitóides. devido principalmente à disponibilização de novas tecnologias.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical.com. com uma percentagem de 70 % do total de braconídeos coletados e ocorrendo em 81 % dos frutos amostrados.. num levantamento no país. Didonet et al. 1999). Os eucoilíneos conhecidos são generalistas. Esses autores relataram que a mosca do mediterrâneo era mais freqüente nas fruteiras introduzidas enquanto que as espécies de Anastrepha preferem os hospedeiros nativos. Em 1995. aumentando o mercado interno e propiciando a conquista de novos mercados internacionais (Lima et al.INTERFACE DA ENTOMOLOGIA APLICADA NA FRUTICULTURA TROPICAL Antônio Souza do Nascimento1. no período de outubro a dezembro e alerta ao produtor a ter atenção especial com ela. O trabalho foi desenvolvido na área experimental da sede da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. caracterização e dano dos Insetos-Praga em acerola em Cruz das Almas e relataram que a larva de C. pela facilidade que o parasitóide encontra em localizar as larvas da mosca no interior do fruto. que ocorre da Argentina até o sul dos EEUU.. nematóides. não existe suficiente informação sobre o comportamento de insetos limitantes a sua produção. v.

00 23. capitata às condições do recôncavo. As amostras foram levadas ao laboratório de Entomologia da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical e acondicionadas em bandejas plásticas contendo uma camada de vermiculita com aproximadamente 3 cm de espessura. Neste estudo.00 0. Durante o período de estudo. distribuídas no centro e na periferia das culturas. pelo fato de C. capitata (98.00 0.00 0.64 50.00 0. utilizando atrativo alimentar hidrolizado de proteína (“Tephritide”) a 5% com armadilhas tipo Valenciano modificada. distantes entre si aproximadamente 500 m e separadas por vegetação nativa em direção nordeste.00 0. mas possuem estratégias diferentes em relação à utilização de nutrientes. sendo acerola um cultivo introduzido. Tabela 1. capitata ser a única espécie representante do gênero ocorrendo no Brasil.00 2.00 0. Estas proporções diferem da encontrada por Nascimento & Zucchi (1981) no Recôncavo Baiano que de um total de 17. a presença de C.14 0. têm sido confirmadas neste trabalho.04 0.71 % correspondeu a C.01 0.00 0.08 61.1 2.94 2.00 48.00 0. Efetuou-se a coleta sistemática de frutos maduros ou em início de maturação em diferentes alturas da copa das árvores. UFRB. 0.04 0.05 66 37 2 3 0 0 0 3 14 0 0 3 24 2 4 0 158 0 1 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 2 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 4 66.00 0. mandioca (Manihot esculenta).33 0. 1.00 0.343 pupas das quais emergiram 661 espécimes.36%) (Tabelas 1 e 2).00 0. Monitorou-se semanalmente.00 75.00 33. BA. capitata.64%) e 9 espécimes de A.00 0. capitata e 99.02 0.00 0.00 0.00 15.).) por moscas-das-frutas dos gêneros Anastrepha e Ceratitis na Área 1 do Banco de Germoplasma em Cruz das Almas-BA.701 frutos que deram 1. afirmações feitas pelos autores naquela época em relação à adaptação de C. 2009 .00 0. que os frutos introduzidos são mais susceptíveis a infestações por C.. O levantamento populacional foi iniciado em abril de 2000 até agosto 2001. viabilidade pupal e índice de parasitismo em acerola (Malpighia punicifolia L. obliqua (1. e segundo Zucoloto (1993). 652 pertenceram à espécie C.23 50. cítros (Citrus sp.00 0. manga (Mangifera indica).00 0.79 70. Total fruto Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto TOTAL 590 1060 480 110 0 1040 180 440 290 0 0 1010 620 110 430 250 6610 Número Infestação Número Número Número Viabilidade Índice de pupas pupas/frutos Ceratitis Anastrepha Parasitóides Pupal Parasitismo 102 121 8 4 0 4 0 19 20 0 0 13 39 6 7 0 343 0.67 32.00 0. em duas áreas do Banco de Germoplasma BAG de Acerola.00 57.02 0. foram coletados nas duas áreas 14. Infestação de frutos. cajá (Spondias lutea) e vegetação nativa.07 0.17 0. para permitir a empupação.00 0.) e vegetação nativa. (1980). enquanto as espécies de Anastrepha infestam preferencialmente hospedeiros nativos. corrobora com as observações feitas por Malavasi et al. sendo que os indivíduos do gênero Ceratitis foram contados. Os espécimens de Tephritidae foram separados por sexo e identificados.00 0.05 0.Cruz das Almas. mamão (Carica papaya). A área 1 teve como cultivos vizinhos.42 136 Tópicos em Ciências Agrárias.56 0. estas duas espécies ocupam nichos alimentares semelhantes.11 0. banana (Musa spp.877 indivíduos coletados.00 0. obliqua.00 0. separados por sexo e descartados após sua verificação. capitata foi dominante comparada com A. Por outro lado. v. abacaxi (Ananas comosus). A área 2.29 % a Anastrepha spp. 2001.06 0.

00 0. no Banco Ativo de Germoplasma de acerola . BA O cultivo da acerola Malphigia punicifolia L.00 0. 2001.Aphis spiraecola (Patch.05 0. A Tabela 3 apresenta a relação de espécies com a Ordem. O experimento foi conduzido na sede da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. surge um elevado número de insetos associados às plantas cultivadas. no Brasil. ataca os botões florais da acerola. viabilidade pupal e índice de parasitismo em acerola (Malpighia punicifolia L.00 31.05 0. Em todo agroecossistema.07 0.46 0.00 0.) por moscas-das-frutas dos gêneros Anastrepha e Ceratitis na Área 2 do Banco Germoplasma em Cruz das Almas-BA. A seguir. Infestação de frutos.01 0..11 Número Ceratitis 98 107 45 5 0 0 34 3 13 17 0 0 24 136 12 0 0 494 Número Número Viabilidade Índice de Anastrepha Parasitóides Pupal Parasitismo 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 5 0 0 6 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 0 0 0 4 61. acerolae identificado por Clark (1998). Na cultura da acerola.09 68.06 0.00 0.00 0. UFRB. com o aumento da demanda pelo mercado externo e visando principalmente ao aproveitamento de seu teor de vitamina C. BA.00 37. quinzenalmente.00 0. Objetivou-se identificar os principais insetos associados à acerola. num grupo de 55 plantas em genótipos identificados como “promissores” de um universo de 275 plantas. O A.00 0.44 0.00 55.00 0.00 0.00 0.Tabela 2. o número de espécies que provoca danos é relativamente baixo.67 38.26 0. As avaliações foram efetuadas no período de junho de 1996 a dezembro de 1997.00 0.00 1. bem como danos e sintomas causados entre junho de 1996 e dezembro de 1997.00 0.92 66.18 0. seu período de maior ocorrência.00 50.00 0.17 0. Cruz das Almas. 1914) Hemiptera: Aphididae Os maiores picos populacionais ocorrem no período de agosto a outubro. onde pode-se constatar um número reduzido de espécies consideradas pragas da cultura. com base em estudos desenvolvidos na região do Recôncavo da Bahia: 1 . podendo ser prejudiciais àquela cultura ou mesmo benéficos . v.93 0.00 0.79 Insetos associados à cultura da acerola Malphigia punicifolia (L.07 0. 1762) na região de Cruz das Almas. Família e hábito alimentar.00 0.00 0.2 1. e um número razoável de espécies benéficas. Tópicos em Ciências Agrárias.00 0. ganhou grande expressão a partir da década de 80.33 94.00 0.00 0.88 51.os inimigos naturais das pragas. são relatas as épocas de ocorrência dos principais insetos-praga para a cultura.00 0.17 56.03 0.45 0. 2009 137 .BAG.50 59. 1.00 0.00 0.01 0. e a intensidade dos danos varia de região para região. espécie descrita pelo material coletado em Nova Soure. área agrícola onde se explora uma cultura de expressão econômica. Total fruto Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto TOTAL 950 490 940 281 0 0 1180 580 770 460 0 0 1140 950 100 250 0 8091 Número pupas 160 208 69 13 0 0 68 8 22 25 0 0 77 245 18 0 0 913 Infestação pupas/frutos 0.00 0. BA.Pulgão .42 0.

chegando a 100% em janeiro de 1997 e 56. período mais seco do ano.) saevissima Trachideres thoracicus Fonte: Ampliado de Oliveira et al. Malpighia punicifolia. sanctus (inseto adulto). 1824) e Anastrepha spp.. 1891) Hemiptera: Ortheziidae Época de ocorrência: De outubro a março. sanctus uma vez que ambos têm como alvo de ataque o fruto. 6 . Relação de espécies de insetos associados à cultura da acerola.) acuta Crinocerus sanctus Cycloneda sanguinea Cyphopsis clathratus Dorymyrmex sp. 1999). 4 . Crematogaster (E. 2009 . Pulgão (Aphis spiraecola). Enchenopa sp. com pico populacional no período de agosto a fevereiro.6% em dezembro de 1996. com pico populacional entre dezembro e fevereiro (Sá. 1997. Ortézia dos citros (Orthezia praelonga).Bicudo do botão floral .(Coqueberg. 1. As plantas apresentaram-se mais atacadas pelo A. 1801) Hemiptera: Membracidae Durante os meses de março a setembro. Dentre as 25 espécies identificadas. devido ao período de chuvas. BA. seis merecem destaque pela alta freqüência na região estudada: Bicudo do botão floral (Anthonomus acerolae).Cigarrinha . 1775) Hemiptera: Coreidae Durante todo o ano.) blandus Ceratites capitata Chilocorus sp.. Tabela 3. Deve-se ampliar os estudos em A. provavelmente pela falta do alimento. 5 . Doryctobracon areolatus E. Cigarrinha (Bolbonata tuberculata).Orthezia praelonga (Douglas. a espécie ocorre praticamente em todos os meses do ano. Percevejo vermelho (Crinocerus sanctus).. v. 1998 Ordem Coleoptera Hemiptera Coleoptera Hemiptera Hymenoptera Diptera Coleoptera Hymenoptera Hemiptera Coleoptera Coleoptera Hymenoptera Hymenoptera Hemiptera Hymenoptera Hemiptera Hymenoptera Hemiptera Coleoptera Hemiptera Hemiptera Coleoptera Hymenoptera Coleoptera Família Curculionidae Aphididae Coccinelidae Membracidae Formicidae Tephtidae Coccinelidae Formicidae Coreidae Coccinelidae Curculionidae Formicidae Braconidae Pentatomidae Formicidae Pentatomidae Elasmidae Membracidae Coccinelidae Coreidae Ortheziidae Chrysomelidae Formicidae Cerambicidae Hábito Fitófago Fitófago Predador Fitófago Trofobionte Fitófago Predador Trofobionte Fitófago Predador Fitófago Trofobionte Parasitóide Fitófago Trofobionte Fitófago Parasitóide Fitófago Predador Fitófago Fitófago Fitófago Trofobionte Fitófago 138 Tópicos em Ciências Agrárias. Espécie Anthonomus acerolae Aphis spiraecola Azya imitator Bolbonata tuberculata Camponotus (M. Diptera: Tephritidae Havendo frutificação. 1988) Coleoptera: Curculionidae Os adultos ocorrem no período de setembro a abril. Exoplectra sp.2 . UFRB. Cruz das Almas. Os insetos estudados apresentaram uma queda na população entre abril e junho.Moscas-das-frutas Ceratitis capitata (Wied. acerolae e o C.Bolbonata tuberculata . acerolae e em C.Crinocerus sanctus (Fabr. 3 .Percevejo vermelho . Machtima crucigere Orthezia praelonga Physocoryna scabra Solenopsis (S. Os resultados demonstram a grande diversidade de espécies associadas à cultura da acerola.Anthonomus acerolae (Clark. rufomarginata Ectatoma brunneum Edessa meditabunda Elasmus sp.

1905) tem sido a espécie mais utilizada em nível mundial. 1824). Visando a utilização desse parasitóide no manejo de moscas-das-frutas em programas de manejo integrado.000 cm3. como tal. buscando-se otimizar sua criação em laboratório. e têm custo muito elevado para governos e organizações internacionais. com sede em Cruz das Almas.TIE). Os insetos foram criados em dieta artificial. merecendo cuidados especiais durante o período de frutificação (Carvalho. com tela nas laterais e parte superior. Este procedimento foi adotado durante todo o período de vida das fêmeas. 1. de acordo com a metodologia vigente no laboratório.Longevidade e reprodução de Diachasmimorpha longicaudata (Ashm.8 dias. Moscas-das-frutas são insetos que causam dano direto ao produto final. As outras 20 fêmeas permaneceram virgens para aferição da capacidade reprodutiva sem acasalamento. Período de oviposição Constatou-se que. com volume aproximado de 2. A cada fêmea foram oferecidas. A maioria desses programas empregam parasitóides da família Braconidae e. Longevidade de fêmeas adultas As fêmeas não acasaladas de D. Vinte dessas fêmeas receberam. Doryctobracon areolatus (Szèpligeti.) (Hymenoptera: Braconidae) criado em larvas de Ceratitis capitata (Wiedemann. capitata em 3º estádio. Tópicos em Ciências Agrárias. fim e picos de oviposição destas fêmeas. Em ambos os casos. o número diário e total de descendentes produzidos por fêmea acasalada e não acasalada e a razão sexual da descendência. para puparem. Programas de controle biológico bem sucedidos têm sido reportados na literatura.80%) e 12 horas de fotofase. O fato de fêmeas virgens terem sido mais longevas do que as acasaladas talvez possa ser explicado pela economia da energia que seria dispendida nos acasalamentos. exposta em bandagens de nylon. Os machos ocasionalmente mortos antes das fêmeas foram substituídos. UFRB. diariamente. Os trabalhos foram conduzidos no laboratório de Entomologia da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. o fruto. dentre estes. 1988). Devido aos inúmeros prejuízos que causam. 2009 139 . e podem contribuir para o manejo integrado das moscas-das-frutas. para garantir a fecundação. 1824) (Diptera: Tephritidae). As larvas foram submetidas ao parasitismo em “unidades de exposição” confeccionadas a partir de um pequeno pedaço de tecido fino amarrado à maneira de um saco e dependurado na parte interior e superior da gaiola. houve uma concentração de picos de oviposição no terço inicial deste período (até o 20º dia). As larvas ficaram assim expostas ao parasitismo pelo período de 24 h. agar e água. capitata foi adaptada de Diaz (1992). e média de 25. estes picos se mantiveram até mais ou menos a metade do seu ciclo de vida (também próximo ao 20º dia). Dentre estes. sendo 8 e 40 dias as longevidades mínima e máxima. cerca de 100 larvas de C. 1984). com uma média em torno de 32. nipagin. com predominância dos braconídeos. (1998). e organizadas continuamente campanhas multimilionárias de erradicação. cultural e comportamental (Técnica do Inseto Estéril . ácido ascórbico. Após esse tempo.1911) é a espécie mais abundante na maioria das regiões estudadas (Nascimento et al. cada uma. No caso das fêmeas acasaladas. Os insetos foram alimentados com dieta artificial composta de mel de abelha. atingem o nível de dano econômico em densidades populacionais baixas. A metodologia de criação de C. Diachasmimorpha longicaudata (Ashmead. e receberam água em pequenos frascos cobertos com chumaços de algodão. Os métodos de controle utilizados são principalmente químico. o estudo teve como objetivo conhecer sua performance reprodutiva sobre larvas de Ceratitis capitata (Wiedemann. foram transferidas para pequenos recipientes contendo vermiculita. embora a atividade de oviposição estivesse presente durante toda a fase adulta das fêmeas não acasaladas. têm sido estabelecidas numerosas barreiras fitossanitárias entre países e regiões.5 dias de vida. v. a companhia permanente de um macho. os limites máximos de sobrevivência encontrados muito se aproximam daqueles citados por Diaz (1992): 57 dias para fêmeas não acasaladas e 48 dias para fêmeas com reprodução sexual. umidade (60 . em condições controladas de temperatura (25º C). conforme Carvalho et al. exibiram uma menor amplitude entre os limites de idade. possibilitando mensurar a longevidade dos parasitóides adultos fêmeas. tendo como principal ferramenta o uso de inimigos naturais. especialmente em pomares orientados para o mercado externo. o início. Estudos da ocorrência e distribuição geográfica de parasitóides de moscas-das frutas no Brasil demonstram uma grande diversidade de espécies. sendo classificados como pragas-chave das fruteiras e. BA. longicaudata apresentaram longevidade máxima de 59 dias e mínima de 10 dias.. respectivamente. Quarenta fêmeas recém emergidas foram individualizadas em gaiolas cilíndricas de plástico transparente. Já as fêmeas acasaladas.

1989.Fêmeas não acasaladas exibem o fenômeno da partenogênese arrenótoca. A média diária foi de 5. Convolvulaceae e Cucurbitaceae. cigarrinhas e mosca-branca. evidencia-se a concentração da descendência (em torno de 90%) nos intervalos de idade que compõem a primeira metade da vida das fêmeas. Solo. sendo o mínimo de 0 e máximo de 371 parasitóides/fêmea. A meleira é atualmente o maior problema fitossanitário da cultura do mamoeiro. são apresentados os dados reprodutivos do parasitóide D. 1993).Quantificação da progênie As fêmeas não acasaladas produziram. Solanaceae. sendo separados em grupos de 10 e 20 indivíduos adultos e/ou ninfas e posteriormente. O perfil de oviposição das fêmeas é dado importante para a criação massal da espécie e definição do período ótimo de atividade dos parasitóides. dentre eles destacando-se os relacionados com afídeos. em média. em gaiolas de campo e telado na sede da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. Compositae. Esta suposta esterilidade pode estar relacionada à ausência de machos. 1. longicaudata quando não acasaladas vivem. O experimento foi desenvolvido nos Laboratórios de Entomologia e Fitovirologia. sendo relatada também nos estados de Pernambuco e Ceará (Rodrigues et al.5 m) com tela antiafídica até a realização dos testes. durante o seu ciclo.A progênie de fêmeas acasaladas exibe uma razão sexual média de 0. 4.72 descendentes/fêmea. obedecendo as seguintes etapas: Período de aquisição (P. A seguir.O número médio de descendentes/fêmea é praticamente igual para fêmeas virgens e acasaladas: em torno de 170 parasitóides/fêmea. demonstrando uma participação equilibrada de ambos os sexos na descendência. permanecendo por um período de 1 hora 140 Tópicos em Ciências Agrárias. Costa. um número médio de 173. A mosca-branca atualmente se constitui em um grave problema fitossanitário. foram inoculadas mecanicamente (ferimento com agulha) com látex de frutos de plantas infectadas por meleira. A progênie das fêmeas acasaladas mostraram uma razão sexual média da ordem de 0. 52% dos seus descendentes foram fêmeas. atribuindo-se a estes a capacidade de estimular as fêmeas para a reprodução. praticamente 1:1. Malvaceae..A.O período de oviposição de fêmeas acasaladas e não acasaladas coincide com a duração de seus estágios adultos.Fêmeas adultas de D. Kitajima (1999).52. enquanto dois espécimes da amostra de fêmeas virgens não produziram descendente algum. Este trabalho teve com o objetivo identificar insetos-vetores do vírus da meleira do mamoeiro. com aproximadamente dois meses de idade. ainda que em número insignificante (3 e 4 descendentes). 3. As seguintes espécies foram utilizadas nos testes de transmissão: pulgão (Toxoptera citricidus e Myzus persicae). 1998). pertencentes principalmente às famílias Fabaceae.25% mais que as acasaladas.A. embora os picos de oviposição concentrem-se nos primeiros 20 dias de idade.75 descendentes.52. indica que o agente causal da meleira é o "Papaya sticky disease virus". cigarrinha (Empoasca bordia) e mosca-branca (Bemisia tabaci Biótipo B).16 parasitóides/fêmea.1998). em média. localizada no município de Cruz das Almas-BA. estas exibiram um mínimo de 3. Em ambos os casos. um máximo de 312 e uma média para o ciclo de vida de 171. PSDV e que o padrão de disseminação inicial sugere a existência de um vetor que traz o vírus de fora para dentro da plantação.. Observou-se que todas as fêmeas acasaladas originaram prole. Euphorbiaceae. colocados em um recipiente de vidro (15 cm de diâmetro x 10 cm de altura) com tampa de tela. 2. Quanto às fêmeas acasaladas. UFRB. com o objetivo de identificar insetos-vetores do PSDV. 5.5x1. evidenciando a relação hospedeiro-vírus-vetor (Yuki et al. 1998. 2009 . v. sendo responsável por perdas de 30 a 100% na produção dos pomares afetados no sul e nordeste da Bahia e norte do Espírito Santo. Transmissão do vírus da meleira do mamoeiro por insetos Inúmeros são os estudos de transmissão de viroses por insetos vetores. Quatro mudas de mamão cv. A média diária ficou em 7.. mantidas em gaiola de campo (2x1.) Os insetos foram coletados com o auxílio de um pincel (afídeos) e um aspirador bucal (cigarrinha e moscabranca). longicaudata 1. sendo na sua maioria dicotiledôneas (Salgueiro. Barbosa et al. 22. colonizando mais de 500 espécies vegetais. ou seja.15 descendentes/fêmea. sendo colocados separadamente em gaiolas de campo. Razão sexual da descendência: Fêmeas não acasaladas de D. contendo três mudas sadias de mamão. longicaudata produziram apenas descendentes machos.

v. sendo transplantadas posteriormente para gaiolas de campo (duas plantas por gaiola). (1998) na Índia.A. A análise estatística foi realizada testando-se as proporções via aproximação normal pelo teste Z em nível de 5% de probabilidade. tabaci como vetor. que encontraram Trialeurodes sp. b) a mosca-branca. por um período de nove meses quanto ao aparecimento dos sintomas da meleira.A. mediante inoculação com macerado de Bemisia tabaci GENN biótipo B. Tópicos em Ciências Agrárias.I. (2001) transmitiram o PSDV para mamoeiros sadios. exceto o P. insetos provenientes das mesmas colônias. como também nas plantas controle. que neste caso foi realizado em planta sadia. Testes com Bemisia tabaci biótipo B Três meses após a infestação. onde permaneceram por períodos de 48 h e 30 min.A. Testes com Empoasca bordia Não foi detectado dsRNA do PSDV nas plantas infestadas pelos insetos submetido ao P.A.. coletou-se amostras de folhas novas de todas as plantas utilizadas nos testes. A capacidade da mosca-branca em transmitir virose para o mamoeiro foi relatada por Sangeeta et al. O índice de infeção observado aos três e nove meses após a infestação. Para cada tratamento.I. onde permaneceram por um período de 24 e 72 horas. Concluiu-se que: a) a cigarrinha Empoasca bordia. não foi capaz de transmitir o vírus da meleira do mamoeiro (PSDV). demonstra alta eficiência do inseto como vetor (Tabela 4). UFRB. 2009 141 . (2005).sem alimentação (jejum).A. os insetos foram transferidos para uma gaiola de campo contendo planta com meleira. Período de acesso e inoculação (P. não transmitiram o vírus da meleira do mamoeiro. quando demonstraram que Empoasca sp. confirma a hipótese do envolvimento de uma causa biótica na transmissão e disseminação da doença. Apesar dos afídeos serem o grupo de vetores mais importante e eficiente na transmissão de mais de 275 fitoviroses (Nault 1997). as quais foram processadas e avaliadas de acordo com o protocolo de Morris & Dodds (1979) modificado por Habibe et al. c) A identificação de Bemisia tabaci Biótipo B como vetor do vírus da meleira do mamoeiro. indicando o potencial de B.I. onde permaneceram por um período de nove meses ou até a frutificação. onde Bemisia tabaci é responsável pela transmissão de um Geminivírus para mamão. 1. No Brasil.A. submetidas ao (P... coletadas em mamoeiros infectados pela doença. Aos três e nove meses após o P.A. sendo submetidas a análises para detecção do dsRNA do PSDV.A.) Após o P.A. a ocorrência de mosca-branca em mamão foi relatada por Vieira & Correa (2001). todas as plantas infestadas por Bemisia tabaci biótipo B.I. inclusive para mamão. Após o P. as plantas foram avaliadas mensalmente. Após o jejum. Bemisia tabaci Biótipo B transmitiu o vírus da meleira do mamoeiro. tabaci biótipo B. submetidos aos mesmos procedimentos acima descritos.A. cinco foram infectadas pelo vírus da meleira. para alimentação. e observação de sintomas da doença.). foram utilizados como controle.A. Estes resultados corroboram com Vital et al. Testes com Toxoptera citricidus e Myzus persicae A análise eletroforética não revelou a presença do dsRNA do PSDV nas plantas testadas. Após o transplante para as gaiolas de campo. (1999). não sendo detectado em nenhuma das plantas controle (Figura 1B). Habibe et al.. constatou-se a presença de dsRNA com migrações semelhantes ao de plantas naturalmente infectadas pela meleira (Figura 1A). 2. não foram capazes de transmitir o vírus da meleira. submetidas ao P. apresentaram dsRNA do vírus da meleira. grupos de 10 e 20 espécimens de cada espécie foram transferidos para uma gaiola telada (50 x 25 x 25 cm) contendo uma planta de mamão sadia (planta-teste) com três meses de idade. com uma percentagem de transmissão de 83%. os pulgões Toxoptera citricidus e Myzus persicae.A. colonizando e se alimentando em mamoeiros protegidos em telado. Nove meses após a infestação. as plantas foram mantidas em um telado por um período de trinta dias. e Bemisia tabaci biótipo B. Das seis plantas infestadas por B.

7-8/10-11: controle negativo. Apesar dessa posição de destaque. O objetivo do presente trabalho foi gerar informações sobre o comportamento varietal de mamoeiros ao PSDV. destacando-se nesse contexto a meleira do mamoeiro (Habibe et al. Dantas. 1999). principalmente nos plantios irrigados. 9: meleira. neste trabalho. Paraíba. 16 genótipos de mamoeiro. tendo como agravante a essa situação a ação de um complexo de fungos atacando a cultura. a disseminação do vírus também ocorre durante as operações de eliminação das folhas quando não é feita a desinfecção das ferramentas utilizadas. Gel de agarose a 1. Os acessos foram introduzidos em duas áreas distintas.. o Brasil desponta como líder do “ranking” dos países produtores de mamão com uma produção de 1. ambas localizadas em Petrolina-PE: área 1. A) Três meses após infestação. NS = não significativo ESPÉCIE 2ª avaliação 270 dias 100%* 0% NS 0% NS 0% NS A meleira do mamoeiro no trópico semi-árido O mamoeiro é uma das fruteiras mais cultivadas e consumidas nas regiões tropicais e subtropicais do mundo (Chen et al. B) 1-6: Amostras de plantas infestadas por Bemisia tabaci biótipo B. atingindo diversas áreas de cultivos comerciais no país. UFRB. B) Nove meses após infestação Tabela 4 . Avaliou-se. 2003).lote de produtor de mamão. 1991). Ceará e Pólos Frutícolas de Juazeiro-BA e Petrolina-PE. a totalidade de sua área está implantada basicamente sobre três cultivares pertencentes a dois grupos. Espírito Santo. A disseminação do vírus ocorre de fora para dentro da plantação. contendo extrações de dsRNA de amostras de látex e folhas de mamoeiro. A ocorrência da meleira vem ocasionando grandes prejuízos à produção da fruta. 7 controle negativo. 2002). o elevado preço e a dificuldade de obtenção de sementes do híbrido F1 comercial do grupo Formosa. 1.2%.1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 A B Figura 1. 142 Tópicos em Ciências Agrárias. 2009 . Solo e Formosa. tem-se observado um elevado número de plantios atacados pelo PSDV na região do vale Sub-Médio São Francisco. Rio Grande do Norte. Nas linhas de plantio. Nos últimos anos. o que implica em vulnerabilidade às pragas. 2-6: Amostras de plantas infestadas por Bemisia tabaci biótipo B. a mosca-branca (Bemisia tabaci GENN biótipo B). 9:Látex de planta naturalmente infectada pela meleira. A disseminação dessa virose vem se dando de forma crescente. Percentagem de plantas infectadas pelo vírus da meleira.. 2001).5000. após infestação por insetos (Cruz das Almas-Bahia. v. 8: Marcador de DNA 1Kb. também constituem fatores limitantes à expansão da cultura (Oliveira. Além do problema inerente a esta estreita base genética. quanto à sua suscetibilidade ao PSDV. doenças e variações edafoclimáticas. sob condições de trópico semi-árido.1994. A) 1: Marcador de DNA 1Kb .000 t/ano (FAO. como os localizados no sul da Bahia. Contribuindo com cerca de 25% da produção mundial. Cruz das Almas-BA. O mamoeiro é altamente suscetível às doenças fúngicas e viróticas. Nº de plantas 1ª avaliação infestadas 90 dias Bemisia tabaci biótipo B 6 83%* Empoasca bordia 0% NS 6 Toxoptera citricidus 6 0% NS Myzus persicae 6 0% NS * = Significativo em nível de 5% de probabilidade pelo teste de Z. obtidos no Banco Ativo de Germoplasma (BAG-Mamão) da Embrapa Mandioca e Fruticultura. pelo inseto vetor. 12: Marcador de DNA 1Kb.

as duas áreas apresentaram o mesmo percentual de infecção pelo PSDV. verificou-se uma baixa ocorrência de mosca-branca. UFRB. inversamente ao que foi observado na área 2. fonte de informações para estabelecimento de estratégias de controle para a meleira. Tópicos em Ciências Agrárias. Figura 2. na área 2. quanto a presença dos sintomas e dsRNA característicos da doença. biótipo b. sem a presença do vírus. Os resultados obtidos poderão servir de subsídio aos programas de melhoramento genético do mamoeiro. Os acessos CMF 023. 1. biótipo B nos mamoeiros presentes na área. Entretanto. Antonio Souza do Nascimento. Estes resultados corroboram com os obtidos por Vidal et al. desenvolvidas no “Curso de Mestrado em Ciências Agrárias da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia”. assim como. as bordaduras foram inoculadas mecanicamente com meleira. Na medida em que houve um aumento populacional deste inseto na área 2. (2000). Na área 1.Estação Experimental da Embrapa Semi-Árido. área 2. tabaci (GENN). nas áreas avaliadas. além de ser observada alta colonização destas plantas por mosca-branca. A disseminação da infecção pelo PSDV. A disseminação mais rápida do vírus na área 1. Os autores dessa compilação agradecem aos Mestres: Noemi Elizabeth Castro Portilla. mediante a transmissão experimental do PSDV para mamoeiro por mosca-branca B. ao final das avaliações. Foram considerados de baixa suscetibilidade ao vírus o Tainung Nº 1 e os acessos CMF 018. lote de produtor de mamão.apresentando alto índice de infecção pela meleira. inicialmente foi mais rápida na área 1 (Produtor). avaliados sob condições de trópico semi-árido em área de produtor área 1 e Campo experimental da Embrapa Semi-Arido área 2. AGRADECIMENTOS O texto acima é uma compilação das Dissertações de Mestrado. Nesta área. Petrolina PE. Campo experimental da Embrapa Semi-Árido. observou-se que a velocidade de disseminação do vírus na área 1 foi superior à apresentada na área 2. foi observada a elevação no número de acessos infectados. Além disso. assim como uma elevada colonização de mosca-branca Bemisia tabaci (GENN). havendo um maior número de plantas infectadas em um menor espaço de tempo (Figura 2). comparativamente à área 2 (Embrapa Semi-Àrido). lote do produtor. sob orientação do Dr. Entretanto. pode ser explicada pela presença de grande número de mamoeiros infectados pelo PSDV. Avanço da infecção pelo PSDV em 16 acessos de mamoeiro. Sérgio Wally Pereira Bispo e Carlos Augusto Vidal. que indicaram ser a mosca-branca vetor da meleira. v. 2009 143 . observou-se um grande número de plantas infectadas pelo PSDV. área sem histórico da doença. para obtenção da fonte de inóculo. CMF 054. 2002. CMF 012 e CMF 008 mostraram-se altamente suscetíveis ao PSDV. As plantas foram monitoradas durante o período entre janeiro de 2001 a outubro de 2002. Walkyria Maria Sampaio Sá.

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1. UFRB. Cláudia Melo da Paixão & Robélia Tosta Dias Amorim Tópicos em Ciências Agrárias.CAPÍTULO 11 INTERAÇÃO ENTRE FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES E PATÓGENOS RADICULARES DE CITROS Antônio Alberto Rocha Oliveira. v. 2009 .

Em outro trabalho. dentre eles. mais de 52 são atribuídas a fungos e bactérias. aphanidermatum. vem se multiplicando o número de pesquisas que fazem uso do método de controle biológico. a retirada de elementos minerais pouco móveis. dentre outras. o grande número de doenças que incide sobre a cultura. estiolamento de pré e pós-emergência. em solos fertilizados com 6 g de P/g de solo. mas nem sempre é desejável devido ao alto custo. atacando partes subterrâneas das plantas ou partes destas que se desenvolveram próximas ao solo. principalmente. uso de práticas culturais que minimizem a exposição da suscetibilidade do tecido do enxerto ao fungo e na fumigação do solo antes do plantio. estudando gengibre. Esses fungos formam associações mutualísticas com as raízes das plantas e ocorrem na maioria das espécies em condições naturais. as plantas cítricas foram identificadas como as mais dependentes dos FMAs e que também redundaram em melhores respostas. Este resultado sugere que FMAs podem colonizar e proteger plantas de tomate de “damping-off”. Dentre os fungos que afetam a cultura dos citros. Nos anos recentes.. quando inoculado com Glomus fasciculatum. podridão de raízes e podridão mole de órgãos suculentos. St-Arnaud (1994) observou que a inoculação de G. v. quando a mesma ainda não está infectada por P. A inoculação conjunta dos dois microrganismos fez reduzir o número de propágulos do patógeno e aumentou rapidamente o mecanismo de resistência à doença. Efeitos benéficos foram observados em plantas de tomate cultivar “Pusa Ruby”. havendo aumento de biomassa vegetal. Diversos fatores podem influenciar o desenvolvimento das mudas e. constituindo uma superfície adicional. 1991. como o fósforo. 1985). a muda cítrica é considerada o insumo mais importante na formação de um pomar. probabilidade de desenvolvimento de resistência e potencial de risco ao ambiente (Rossetti. Assim. tais como: podridão de sementes. aphanidermatum (Hedge & Rai. Assim. Cláudia Melo da Paixão2. no uso de porta-enxertos resistentes. aumentando. Cruz das Almas-BA Eng. à formação de micélio externo à raiz que. sendo de interesse dos viveiristas e técnicos a obtenção de mudas sadias.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical.INTERAÇÃO ENTRE FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES E PATÓGENOS RADICULARES DE CITROS Antonio Alberto Rocha Oliveira1. Fontes. vigorosas. Robélia Tosta Dias Amorim3 1 2 3 Pesquisador . O efeito protetor ocorre quando ambos os microrganismos estão simultaneamente presentes na rizosfera ou na raiz da planta. Eyer & Sundaraju (1993). em relação aos fitopatógenos. UFRB. Calvet et al.. em termos de redução de danos causados por Pythium aphanidermatum. o gênero Pythium destaca-se como patógeno de grande importância. Esse fungo é amplamente distribuído no mundo. principalmente em solos com baixo nível de fósforo disponível na solução. O efeito de FMAs. 1994). bem como portadoras de uma rizomassa desenvolvida. o que caracteriza os principais solos brasileiros utilizados para a citricultura (Hoffmann et al. Quando Glomus foi inoculado simultaneamente ou duas semanas antes do fitopatógeno. 1992. em relação à inoculação micorrízica duas semanas depois do fitopatógeno. causando diferentes tipos de doenças. Escola de Agronomia/UFBA. Das frutíferas estudadas nos últimos anos. a incidência de “damping-off” foi reduzida e o peso da raiz aumentada. sendo responsáveis pela maior absorção de água e nutrientes do solo pelas plantas (Zambolim & Siqueira. Guillemin et al. Davis & Menge (1980) demonstraram que. intraradices com Pythium ultimum não afetou a biomassa de Tagets patula e em plantas jovens não afetou a colonização das raízes por Glomus. notadamente o uso de fungos micorrízicos arbusculares (FMA) para o controle de diversas fitomoléstias (Zambolim. Cruz das Almas-BA Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. (1993) citam que Glomus mosseae inoculado em cravo de defunto (Tagets erecta L. 1984). das quais. com isso. 1994). este efeito deve começar durante a fase inicial de desenvolvimento do vegetal e continuar durante todo ciclo da cultura (Silveira. 1991). Estratégias de manejo consistem. O efeito benéfico é devido. Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO A produtividade de um pomar de citros depende em grande parte da qualidade da muda usada na sua implantação. 2009 149 . 1992). de crescimento rápido. 1. depende de quais organismos se estabelecem primeiro no tecido das raízes (Siqueira. permite melhor distribuição das raízes no solo.) protegeu a planta de Pythium ultimun. 1996). o total de Tópicos em Ciências Agrárias. A aplicação de fungicidas sistêmicos pode provocar boa supressão da doença. observaram que os FMAs foram favoráveis ao crescimento das plantas reduzindo a percentagem de infecção por P. Agr. sendo que a pré-colonização da raiz pelo fungo micorrízico garante uma proteção mais eficiente.

então. utilizando-se sorgo (Sorgum vulgare) como planta multiplicadora. assim. De forma semelhante à descrita na inoculação com FMAs. todos os vasos não inoculados com G.037 mm de abertura) com a finalidade de reter propágulos de FMAs e deixar passar os outros microrganismos presentes na microbiota desse substrato. Visando fornecer aos tratamentos não inoculados com G. A esterilização foi feita em autoclave durante uma hora à pressão de uma atmosfera. simulando plantio de mudas em cova e no fundo deste orifício. a densidade de 3. O inóculo foi constituído por 20 g da mistura de solo que foi pesada de forma a fornecer aproximadamente 900 esporos por vaso. as plântulas foram selecionadas de acordo com a altura e o número de folhas. Sementes de limão 'Cravo' (Citrus limonia Osbeck CV) e tangerina 'Cleópatra' (Citrus reshni Hort. Amostras de mudas de limão 'Cravo' com sintomas semelhantes àqueles causados por “damping off” foram coletadas e trazidas para o laboratório de Fitopatologia. um contato íntimo. assim. Esse estudo sugere que plantas cítricas micorrizadas são eficientes no controle de Phytophthora em condições de baixa fertilidade. a partir desta. o emprego de plantas cítricas micorrizadas oferece grandes possibilidades de exploração.peso seco de citros micorrizados com Glomus fasciculatum foi maior que na condição não inoculada. Ensaio O experimento foi conduzido na Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. uniformizando. numa pressão de 1 atmosfera por 1 hora a 120 ºC. A semeadura foi realizada em casa de vegetação. aphanidermatum foi retirado uma amostra de 1 mL para contagem em hemacitômetro de Rosenthal estimando-se. a um menor custo de produção por reduzir gastos com defensivos agrícolas e fertilizantes. procedente da coleção de FMAs do Laboratório de Nematologia e Microbiologia do Solo da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. Como substrato foi utilizado uma mistura de latossolo amarelo distrófico. 2009 . Os tratamentos constaram de solo natural. v. micélio e raízes infectadas. A espécie de fungo micorrízico arbuscular utilizada. No ato do transplantio das mudas para os vasos. obtiveram-se diferentes isolamentos. então.4x105 esporângios mL-1 e. bem como obter informações complementares sobre a viabilidade da utilização de porta-enxerto tangerina 'Cleópatra' como alternativa ao limão 'Cravo'. durante dois minutos. buscou-se com o presente trabalho avaliar o efeito de FMAs nativos e/ou Gigaspora margarita e de Pythium aphanidermatum no desenvolvimento e nutrição de mudas cítricas. A partir das lesões nas mudas selecionadas. a muda. com um solo arenoso coletado no campo da Central de Tratamentos de Efluentes (CETREL) e uma parte de areia grossa lavada coletada em rio. No preparo do inóculo. sob condições de casa de vegetação. ao mesmo tempo em que se distribuiu o restante do inóculo ao redor e sobre as raízes da mesma. a 1200C. durante cinco meses. em condições controlada de casa de vegetação. margarita a população de outros microrganismos existentes no inóculo utilizado no experimento com este fungo usado. no período abril a setembro de 1999. para que fosse garantida a presença de espécies nativas de fungos micorrízicos bem como a microbiota natural do substrato e de solo autoclavado. permitindo-se. localizada no município de Cruz das Almas. Estado da Bahia. Entretanto. numa proporção de 1:1:1 (v:v:v). em substrato natural e autoclavado. a concentração da suspensão a ser utilizada foi ajustada para 104 esporângios mL-1. Esse filtrado foi obtido a partir de 20 g do substrato dos "vasos de cultivo" usado na multiplicação dos FMAs em 1 litro de água deionizada e peneiramento úmido em peneira de 400 "mesh" (0. Dessa forma. cultivada no pomar da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. Gigaspora margarita. Duas semanas pósgerminação. ex Tan. Fez-se um orifício central no substrato. mais tolerantes à fitopatógenos e ao estresse do transplantio e do ambiente. margarita receberam 10 mL de um filtrado do inóculo isento de propágulos de FMAs. dois a três pares definitivos. Em cada abertura foi colocada uma semente para obtenção dos porta-enxertos. 1. contribuindo desta forma para a biodiversidade e sustentabilidade agrícola. UFRB. aumentando-se gradativamente a velocidade até o máximo. sendo. Assim. com maior desenvolvimento. coletado na área experimental da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. a literatura nacional e internacional sobre interação entre estes fungos simbióticos e aqueles patogênicos é muito escassa em resultados de pesquisa. pois pode resultar em mudas mais precoces. na cultura dos citros. sementeiras de isopor que foram preenchidas com areia previamente autoclavada. distribuiu-se um pouco do inóculo. procedeu-se à inoculação com o filtrado usado nos tratamentos sem FMAs.) foram retiradas de frutos maduros originados de uma única planta apropriada para matriz. 150 Tópicos em Ciências Agrárias. transplantadas para os vasos que já continham o substrato. foi realizada a inoculação com o FMA. em vasos contendo uma mistura de solo de baixa fertilidade: areia grossa lavada: turfa (1:1:1 v:v:v) autoclavada. Colocou-se. Do preparado de P. foi multiplicada. triturou-se o conteúdo das placas (cultura pura com fungos com 18 dias de idade) acrescido de 200 mL de água deionizada. empregando-se como recipientes. em liquidificador. a microbiota entre os tratamentos. desta forma.

A inoculação de P. aphanidermatum foi realizada juntamente com a de G. margarita, simultaneamente ao transplantio das mudas, através da aplicação de 50 ml de uma suspensão contendo hifas, zoósporos e esporângios distribuídos uniformemente sobre as raízes na superfície do substrato ao redor das plantas. Para as testemunhas, sem fitopatógenos, triturou-se meio de cultura sem fungos, e obedecendo procedimento idêntico ao do tratamento com inoculação do fungo, inoculou-se o preparado no mesmo volume da suspensão. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos inteiramente casualizados em esquema fatorial 2x2x2x2 com quatro repetições, perfazendo um total de 64 vasos. Cada unidade experimental foi constituída por um vaso plástico contendo uma muda. O experimento foi conduzido durante, aproximadamente, cinco meses, sendo avaliados: altura das plantas, diâmetro do caule, número de folhas, área foliar, peso da matéria seca da parte aérea e das raízes, comprimento de raiz, densidade de esporos e colonização micorrízica. Para determinação da colonização micorrízica, usaram-se apenas as radicelas, que foram lavadas em água destilada e cortadas em segmentos de aproximadamente 1cm. O descoramento e a coloração das raízes foram realizados a partir da metodologia de Phillips & Hayman (1970) que foi modificada empregando-se KOH 10 % em banho-maria a 90 0C durante 40 minutos, água alcalina durante 15 minutos, HCl 3 % em 5 minutos, 12 horas em azul-de-trípano a 0,05 %. A percentagem de segmentos colonizados foi determinada pela visualização sob microscópio estereoscópio de 50 segmentos radiculares de aproximadamente 1 cm de comprimento dispostos em lâminas de vidro contendo glicerina e cobertas com lamínulas, com base em metodologia proposta por Giovannetti & Mosse (1980). O comprimento total das raízes foi determinado pelo método da intersecção linear em placa quadriculada, de acordo com Newman (1966). Para esta determinação, foram utilizadas radicelas e raízes mais grossas também cortadas em aproximadamente 1cm de comprimento. Os esporos foram extraídos em 50 g de substrato úmido através de peneiramento e centrifugação em solução de sacarose 50 % por 5 e 1 minuto, respectivamente (Gerdemann & Nicolson, 1963; Pacioni, 1992). Em seguida foram colocadas em placas de Petri quadriculadas e através de lupa estimou-se a densidade total de esporos (Giovannetti & Mosse, 1980). Sub-amostras pesando 50 g de substrato úmido foram colocadas em estufa a 60 0C, durante 2 dias, para obtenção de peso da matéria seca e, por regra de três, obteve-se o número de esporos por grama de substrato seco. Todos os dados foram submetidos à análise de variância e teste de Tukey a 5%, para comparação das médias conforme o delineamento experimental utilizado, através do programa estatístico SAEG (Ribeiro Junior, 2001). Densidade de esporos de FMAs e colonização micorrízica Ocorreram diferenças significativas em relação a todos os tratamentos isoladamente. Na Figura 1, são apresentados os dados sobre densidade de esporos micorrízicos na rizosfera e taxa de colonização micorrízica dos porta-enxertos, aos 150 dias pós-semeadura. A pequena quantidade de esporos observada no tratamento testemunha, substrato autoclavado e não inoculado, pode ser predominantemente refugo da esterilização, estando inviável, já que a colonização micorrízica foi praticamente ausente neste tratamento. Nos tratamentos com G. margarita, observou-se tendência de maior esporulação em substrato natural, o que, possivelmente, deve ser devido à presença de fungos nativos já adaptados ao substrato mais a introdução de G. margarita, que, também, apresentou boa adaptação. Além disso, como os esporos de Gigaspora são grandes, a quantidade produzida é menor em comparação com a de outras espécies, justificando-se a menor densidade de esporos dos tratamentos autoclavados. Nas plantas sem Pythium, a densidade de esporos foi maior para o limão 'Cravo', entretanto, na presença deste patógeno, verificou-se menores valores em praticamente todos os tratamentos. Pelos dados de colonização apresentados por G. margarita em substrato autoclavado, para os dois portaenxertos, acima de 98 e 48%, na ausência e presença de patógenos, respectivamente, evidencia-se que os propágulos deste fungo eram viáveis e estavam em quantidades suficientes para garantir a colonização das radicelas e resposta da planta. Os fungos nativos apresentaram colonização acima de 45 e 40% na ausência e presença do patógeno, respectivamente, evidenciando, também, estabelecimento no substrato e boa capacidade de colonização das raízes dos porta-enxertos cítricos. G. margarita promoveu maior colonização micorrízica em substrato autoclavado ou em substrato natural, comparada aos fungos nativos isoladamente. Entretanto, os maiores valores de colonização foram observados em substrato autoclavado, podendo-se inferir que os FMAs nativos reduziram os efeitos proporcionados por G. margarita, visto que, na ausência destes fungos, a resposta à inoculação foi significativamente maior para as
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duas variedades. Segundo Brundrett & Juniper (1995), fatores como emissão múltipla de tubos germinativos e o grande tamanho dos esporos favorecem a viabilidade e capacidade de colonização das espécies de Gigaspora.

S0 M0

S0 M1

S1 M0

S1 M1

Limão 'Cravo'
12

Tangerina 'Cleópatra'
12
Esporos g de substrato

Esporos g de substrato

10 8 6 4 2 0

aA aA aA aA bA
Sem patógeno

10 8 6 4 2 0

aA aA aA aA bA
Sem patógeno

aA

aA aA

-1

bA
P. aphanidermatum

-1

aA

bA
P. aphanidermatum

Limão 'Cravo'
% de segmentos colonizados % de segmentos colonizados 120 100 80 60 40 20 0

Tangerina 'Cleópatra'
120 100 80 60 40 20 0

aA bA cA aB aB aB

aA

bA bA

aB aA aA

dA
Sem patógeno

bA
P. aphanidermatum

cA
Sem patógeno

bA
P. aphanidermatum

Figura 1. Efeito da inoculação com Pythium aphanidermatum sobre a densidade de esporos micorrízicos na rizosfera e taxa de colonização micorrízica dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra' inoculados ou não com Gigaspora margarita, em substrato natural ou autoclavado. Substrato: S0=natural, S1=autoclavado. FMAs: M0=não inoculado, M1= Gigaspora margarita. Barras seguidas pelas mesmas letras maiúsculas comparam os tratamentos patogênicos com ou sem inoculação de FMAs e minúsculas comparam os tratamentos micorrízicos na presença ou ausência do patógeno (Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Cruz das Almas - BA, 1999).

Foi verificada influência da variedade na colonização por FMAs, sendo estes valores maiores no limão 'Cravo'. Smith & Gianinazzi-Pearson (1988) observaram que diferentes espécies e isolados de uma mesma espécie de FMAs podem exibir benefícios diferenciados às plantas hospedeiras em função das condições edafoclimáticas e aspectos da relação fungo-planta. Observou-se que P. aphanidermatum reduziu a colonização micorrízica dos FMAs nativos e do introduzido e, que na presença deste patógeno, não houve efeito significativo de G. margarita em relação aos fungos nativos, o que foi observado na sua ausência. Provavelmente, ocorre competição entre os diferentes fungos por espaço e fotossintatos das plantas, reduzindo a colonização. Pereira (1994), estudando a colonização de cafeeiro por G. margarita e Rhizoctonia, comentou que os danos causados pelo patógeno no sistema vascular e vasos condutores de seiva, com desestruturação dos tecidos, limitando, consequentemente, o crescimento do fungo micorrízico, também pode ocasionar menor colonização. A redução da colonização micorrízica ocorreu nas duas variedades, mas com diferença significativa apenas no limão 'Cravo'. Desta forma, trabalhando-se com FMAs, se for constatada a presença de Pythium no substrato, seria mais adequado trabalhar com a tangerina 'Cleópatra' do que com o limão 'Cravo' que sofre mais danos quando infectado por este patógeno.

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Características de crescimento das plantas Os valores médios de altura, número de folhas, diâmetro do caule e área foliar do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', em função dos tratamentos fúngicos e das épocas de avaliações, encontram-se na Tabela 1. Verifica-se que, mesmo na ausência do patógeno, os valores de todas as características em substrato autoclavado sem FMAs foram muito baixos. De maneira geral, independentemente do tratamento dado ao substrato, os valores de todas as características analisadas foram significativamente superiores em plantas micorrizadas. Observa-se que os FMAs nativos promoveram aumentos de 48,57 e 31,95% na altura do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', respectivamente, sendo que, em relação à área foliar, estes valores foram superiores 608,33% para o limão 'Cravo' e 190,77% para a tangerina 'Cleópatra'. Já a inoculação de G. margarita promoveu aumento acima de 140% na altura dos dois portaenxertos estudados e de 1004,17 e 318,46% na área foliar de limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', respectivamente, comprovando que as plantas cítricas são bastantes micotróficas e que a presença de FMAs no substrato contribui significativamente para o desenvolvimento dessas plantas. Este resultado vem sendo mencionado em diversos trabalhos com associações micorrízicas em citros (Kleinschmidt & Gerdemann, 1972; Cardoso et al. 1986; Camargo, 1989; Weber et al., 1990; Fonseca et al., 1994).

Tabela 1. Influência da inoculação com Pythium aphanidermatum e/ou Gigaspora margarita sobre o crescimento vegetativo dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', em substrato natural ou autoclavado (Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Cruz das Almas - BA, 1999).

Tratamentos Variedades Gm * Solo** A NI NA ‘Cravo' A I NA

Altura das plantas (cm) NI 6,65 aB 9,88 aA I 6,05 aB 7,23 bA

Número de folhas

Diâmetro do caule (cm)
*

Área foliar 2 (cm ) NI 6,00 aB I 4,00 aB

Pythium aphanidermatum NI I NI 6,00 aB 9,50 aA 4,00 bB 7,50 bA 0,21 aB 0,30 aA

I

0,18 bB 0,23 bA

42,50 aA 39,00 aA

17,23 aA 12,83 aB

10,90 bA 10,08 bB

13,25 aA 12,25 aA

10,67 bA 0,36 aA 9,40 bB

0,30 bA

66,25 aA 47,00 bA 53,50 aA 50,67 aA

0,33 aB 0,28 bA

A NI ‘Cleópatra’ I NA

8,45 aB 11,15 aA

6,13 bB 9,65 bA

8,50 aB

7,00 bB

0,24 aB 0,31 aA

0,20 bB 0,30 aA

16,25 aB 11,50 aB 47,25 aA 45,25 aA

14,00 aA 11,75 bA

A NA

20,50 aA 16,38 aB

12,20 bA 11,33 bB

18,75 aA 13,75 bB 15,50 aB 15,25 aA 7,21

0,39 aA

0,29 bA

68,00 aA 50,00 aA 62,00 aA 48,25 aA 31,93

0,36 aB 0,30 bA 5,53

CV (%)

4,76

Médias seguidas pela mesma letra maiúscula nas colunas e minúscula nas linhas não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. *Gm = Gigaspora margarita. NI - Não inoculado; I - Inoculado. **A - Autoclavado; NA - Natural.

Observou-se que os benefícios promovidos por G. margarita foram maiores em substrato autoclavado do que no natural. Como o aumento proporcionado por G. margarita em substrato natural foi superior ao obtido com os fungos nativos, infere-se que, também nesta condição, houve bom estabelecimento de G. margarita, que apresentou poder competitivo diante dos endófitos nativos. Manjunath et al. (1983) e Oliveira & Jesus (1987) também observaram que a inoculação micorrízica de citros pode ser benéfica, mesmo em alguns solos não esterilizados. Os maiores valores de altura e diâmetro do caule do limão 'Cravo' (17,23 cm e 3,6 mm, respectivamente) observados no tratamento autoclavado e inoculado com G. margarita, na ausência de Pythium, foram maiores do que
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aqueles verificados por Fontanezzi (1989), trabalhando com este mesmo porta-enxerto na presença de Glomus clarum em solo esterilizado e adubado com 1280g de P2O5 m-3, 17,20 cm e 3,33 mm, respectivamente, aos 135 dias póssemeadura. Em relação à tangerina 'Cleópatra', verificou-se que a maior altura e diâmetro do caule, respectivamente, 20,50 cm e 3,90 mm, no tratamento inoculado em substrato autoclavado sem patógeno, também foram superiores aos obtidos por este autor, 11,82 cm de altura e 2,61 mm de diâmetro do caule, nas condições citadas anteriormente, só que com adubação de 640 g de P2O5 m-3. Como o substrato deste experimento não recebeu adubação fosfatada e tinha um teor de P em torno de 8 mg dm-3, considera-se que os resultados aqui encontrados foram satisfatórios. Pode-se inferir que a inoculação com G. margarita conferiu desenvolvimento à planta, reduzindo a exigência externa de adubação e que o fungo introduzido teve boa adaptação às condições do experimento. O efeito negativo do patógeno sobre o crescimento vegetativo foi observado nos dois porta-enxertos, constatando-se diferenças significativas em quase todos os parâmetros avaliados. A percentagem de perdas das duas variedades, quando estava presente apenas Pythium, em relação à testemunha sem fungo micorrízico arbuscular e sem patógeno, foi de 9,02% na altura do limão 'Cravo', sendo mais expressiva em tangerina 'Cleópatra', 27,46%. Em relação ao número de folhas, observa-se que o limão 'Cravo' sofreu mais a ação do patógeno, apresentando perda de 33,33%, em comparação com 17,65% da tangerina 'Cleópatra'. Houve perda de 14,29 e 16,67 % em relação ao diâmetro e, em torno de 33,33 e 29,23%, na área foliar de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente. Na presença de Pythium, a altura média das mudas colonizadas por fungos nativos foi superior às das não micorrizadas, sendo este efeito maior quando se inoculou G. margarita. Em substrato autoclavado, também observouse que plantas inoculadas com G. margarita apresentaram maior desenvolvimento. Assim, a micorrização não controlou o patógeno, mas reduziu sua severidade amenizando os efeitos nocivos, visto que, mesmo na presença de Pythium, as plantas micorrizadas apresentaram maior desenvolvimento do que as não micorrizadas, porém menor do que na ausência do mesmo. O aumento médio da altura do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', na presença de P. aphanidermatum e de fungos nativos, em relação àquelas não micorrizadas, mas com presença de patógeno foram, respectivamente, 19,50 e 57,42%. Quando, além de P. aphanidermatum inoculou-se G. margarita, em substrato natural, houve aumento de 66,61 e 84,83%. Já em substrato autoclavado, a inoculação simultânea de G. margarita e P. aphanidermatum proporcionou incremento de 80,17 e 99,02%, em relação ao tratamento sem FMAs. Quanto à área foliar, comparando-se ao tratamento em que apenas P. aphanidermatum estava presente, observou-se acréscimo de 875 e 293,48% em limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra' respectivamente, quando Pythium foi inoculado em substrato natural; de 1167 e 319,57% quando ao substrato natural foi inoculado G. margarita e de 1075 e 339,57% quando G. margarita foi inoculada em substrato autoclavado. Dessa forma, é possível observar que os porta-enxertos inoculados com P. aphanidermatum, apresentaram desenvolvimento reduzido, mas quando os FMAs estavam presentes, a expressão total dos efeitos do patógeno foi menor, ocorrendo tendência de proteção pelas micorrizas que promoveram maior desenvolvimento em todas as características. Considerar estas respostas é muito importante na produção de mudas, visto que, a redução do número de folhas e da área foliar, pode influenciar negativamente a capacidade fotossinteticamente ativa das plantas. Com exceção do diâmetro do caule em substrato autoclavado e inoculado com G. margarita e Pythium, e da área foliar em substrato natural também, na presença destes dois fungos, os valores da tangerina 'Cleópatra' foram maiores do que os do limão 'Cravo', mesmo em solo sem FMAs. Provavelmente esse efeito ocorreu porque a tangerina 'Cleópatra' apresenta maior taxa de crescimento, ou por esta variedade ter apresentado maior adaptação às condições do experimento. Entretanto, em termos de benefício da micorrização, nota-se tendência do limão 'Cravo' obter maiores rendimentos percentuais na presença e mais perdas na ausência deste simbionte, assim, aparentemente, os FMAs foram mais eficiente para esse porta-enxerto. Peso da matéria seca e comprimento radicular As médias referentes à produção de matéria seca da planta e comprimento de raiz do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', aos 150 dias pós-semeadura, encontram-se na Tabela 2. A fumigação do substrato influenciou os resultados. Na ausência de FMAs nativos e do patógeno ocorreu redução em torno de 60 e 44 % no peso da matéria seca da parte aérea de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente; 36,67 e 20,34% no peso da matéria seca das raízes e de 33,95 e 22,62% no comprimento radicular. Maiores danos foram observados quando inoculou-se o patógeno em substrato sem micorriza, sendo em torno de 100 e 165% no peso da matéria seca da parte aérea de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente; 160 e 83% no peso da matéria seca das raízes e de 248 e 118% no comprimento radicular. Observou-se que, com a
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eliminação dos fungos nativos e ausência de G. margarita, são reduzidos os organismos antagônicos ao patógeno presentes no substrato, havendo menor produção de matéria seca e comprimento radicular. Nos tratamentos sem patógeno e sem FMAs nativos, o fungo G. margarita promoveu aumentos de 217,19 e 329 % no peso da matéria seca total de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente; 500 e 476,19 % no peso da parte aérea; 150 e 108,51 % no peso seco da raiz e 103,93 e 35,36 % no comprimento das raízes. Na presença do patógeno, verificou-se aumentos de 173,33 e 112,50%, no peso da matéria seca da planta para o limão 'Cravo' e a tangerina 'Cleópatra', respectivamente, cultivados em substrato natural sem G. margarita; de 236,67 e 157,50% quando estavam presentes P. aphanidermatum e G. margarita em substrato natural e de 303,33 e 297,50% quando se inocularam esses fungos em substrato autoclavado. Quando não se realizou esterilização ou quando G. margarita foi introduzido ao substrato, o efeito do patógeno foi reduzido e a muda apresentou melhor desenvolvimento. Diante desses resultados, pode-se inferir que embora o patógeno tenha afetado negativamente o desenvolvimento das plantas nota-se que os FMAs compensaram os efeitos deletérios do patógeno, resultando em maior desenvolvimento das plantas. Este efeito pode ser devido ao aumento da área de absorção radicular pelo micélio externo do fungo micorrízico. Baath & Hayman (1983), trabalhando com tomateiros inoculados com Verticillium albo atrum, observaram reduzida colonização micorrízica nas raízes e que os danos causados pelo patógeno diminui a eficiência fotossintética, reduzindo, assim, o transporte de fotoassimilados para as raízes, ocasionando menor crescimento das plantas inoculadas com FMAs. As reduções na parte aérea de plantas infectadas por P. aphanidermatum podem ser consequências das alterações no sistema radicular, que apresentaram menor capacidade exploratória, diminuindo a absorção e a translocação de nutrientes. Tabela 2. Influência da inoculação com Pythium aphanidermatum e/ou Gigaspora margarita sobre o peso da matéria seca e comprimento radicular dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', em substrato natural ou autoclavado (Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Cruz das Almas - BA, 1999).

Tratamentos Variedades Gm* Solo** NI A NI ‘Cravo’ I NA A NI NA A I NA CV (%) 2,03 aB 1,03 bB 1,68 aB 1,01 bA 0,79 aB 1,34 aA 3,39 aA 0,40 bB 0,85 bA 1,59 bA NA A 0,64 aB 1,05 aA 2,03 aA Total I 0,30 bB 0,82 aA 1,21 bA

Peso da matéria seca (g) Parte aérea NI
0,18 aB 0,45 aA 1,08 aA 0,82 aB 0,42 aB 0,75 aA 2,42 aA 1,15 aB

Raiz

Comprimento radicular (cm) NI 212,28 aA I 82,29 aB

Pythium aphanidermatum I NI I 0,15 aA 0,30 bA 0,40 bA 0,40 bA 0,17 bB 0,45 bA 0,85 bA 0,47 bB 0,38 aA 0,60 aA 0,95 aA 0,86 aA 0,47 aA 0,59 aA 0,98 aA 0,88 aA 0,15 aA 0,39 aA 0,74 aA 0,56 bA 0,29 aA 0,53 aA 0,81 aA 0,61 bA

321,41 aA 286,22 aA 432,91 aA 352,61 aA 411,05 aA 323,79 aA 254,24 aA 132,50 aB 328,56 aA 288,41 aA 435,90 aA 378,98 aA 386,00 aA 328,96 aA 31,93

‘Cleópatra’

18,33

15,97

34,75

Médias seguidas pela mesma letra maiúscula nas colunas e minúscula nas linhas não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. *Gm = Gigaspora margarita. NI - Não inoculado; I - Inoculado. **A - Autoclavado; NA - Natural.

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Entretanto. 2009 . 1. p. o menor crescimento das plantas não micorrizadas pode dificultar a detecção do efeito do patógeno. com isso. p. no peso da matéria seca e comprimento de raízes. podendo-se dizer que o sistema radicular do limão 'Cravo' foi mais afetado por P. maior tolerância ao estresse de transplantio e a patógenos. JUNIPER. Plant growth responses to vesicular-arbuscular mycorrhiza XVI.Segundo Pereira (1994). Oxford. Limão 'Cravo' foi o porta-enxerto mais suscetível ao patógeno. CARON M. Portanto. 1993. verifica-se também nesta condição tendência das mudas em apresentarem redução no crescimento da parte aérea e raízes. 1994. v. (1988). n. o que poderá resultar em plantas com sistema radicular mais desenvolvido. New Phytologist. Non-destructive assessment of spore germination of VAM fungi and production of pot cultures from single spores. reduziu o desenvolvimento das mudas cítricas. CONCLUSÕES 1. J. enquanto que em tangerina 'Cleópatra'. CALVET. mas reduziu a ação de P.88%. v. 3. REFERÊNCIAS ST-ARNAUD M. BAATH.187-194. demonstrando ser adequada para diversificação de porta-enxerto como alternativa ao limão 'Cravo'. o substrato empregado na semeadura do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra' deverá conter FMAs ou deve-se proceder à inoculação das mudas com estes fungos.30 e 47. Oxford. 1-6. D. Estes dados contradizem os resultados obtidos por Fontanezzi (1989). Os dois porta-enxertos de citros foram dependentes das micorrizas para crescimento.. Os fungos micorrízicos arbusculares (FMAs) nativos e Gigaspora margarita promoveram benefícios acentuados para o desenvolvimento dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra'. respectivamente. Menge et al. 148. Trichoderma aureoviride and Pythium ultimum in a peat-perlite mixture..) to inoculation with Glomus mosseae. n. 1995..1. respectivamente.24 %. E. 95. 1.. A presença do fungo fitopatogênico Pythium aphanidermatum. como também observado por Garcia (1988) e Garcia & Carvalho et al. Growth response of marigold (Tagetes erecta L.A. (1978). v. S. 1978). nos quais a tangerina 'Cleópatra' mostrou-se mais dependente da micorriza do que o limão 'Cravo' e estão de acordo com aqueles encontrados por Nemec (1978). BRUNDRETT. M. 156 Tópicos em Ciências Agrárias. S. porém os aumentos percentuais decorrentes da micorrização foram maiores no limão 'Cravo'. maior eficiência na absorção de água e nutrientes. Limão 'Cravo' sofreu perda de 60. HAYMAN. Observou-se que o patógeno influenciou as variedades. Segundo Menge et al. reduzindo o uso de adubos e pesticidas químicos. M. J. v.3.. 4. Plant and Soil.. UFRB. seja nas formas de radicelas ou micorrizas. 419-426. BAREA.27. FORTIN J. Soil Biology and Biochemistry. que observou maior dependência do limão 'Cravo'. Vários autores já observaram que diferentes porta-enxertos variam na sua dependência micorrízica (Kleinschmidt & Gerdemann. Interactions with Verticillium wilt on tomato plants. na presença ou ausência do patógeno e do simbionte. v. p. em presença do patógeno. Ottawa. o efeito das micorrizas sobre diferentes espécies de citros pode variar com as condições de fertilidade do substrato. A micorrização não impediu. Para Tinker (1978). Canadian Journal of Plant Pathology. C. e. n. A tangerina 'Cleópatra' apresentou maior resposta em quase todas as características analisadas.. Inhibition of Pythium ultimum in roots and growth substrate of mycorrhiza Tagetes patula colonized with Glomus intraradices. HAMEL C. aphanidermatum do que o da tangerina 'Cleópatra'. aphanidermatum. mesmo em condições de pós-emergência. PERA. outros fatores que determinam a infectividade e efetividade dos fungos micorrízicos podem estar envolvidos.85-91.53 e 61. compensando parcialmente os efeitos deletérios deste fungo. 1972. p. estas perdas foram de 38. 1983.. 2.16.

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Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio.CAPÍTULO 12 IMPACTO DE HERBICIDAS EM PROCESSOS MICROBIOLÓGICOS DO SOLO E QUALIDADE FISIOLÓGICA DE SEMENTES EM LATOSSOLO AMARELO COESO DO RECÔNCAVO BAIANO Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto. Clóvis Pereira Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio Tópicos em Ciências Agrárias .

a avaliação da fixação biológica do nitrogênio através do número e massa seca de nódulos. Os diferentes tratos culturais afetam a produtividade e a qualidade de sementes (que pode ser avaliada através do índice de velocidade de emergência.IMPACTO DE HERBICIDAS EM PROCESSOS MICROBIOLÓGICOS DO SOLO E QUALIDADE FISIOLÓGICA DE SEMENTES EM LATOSSOLO AMARELO COESO DO RECÔNCAVO BAIANO Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto1. Tópicos em Ciências Agrárias. porcentagem de emergência. Ambientais e Biológicas/UFRB. 2002).3%.br INTRODUÇÃO A rápida degradação do solo sob exploração agrícola no mundo. despertou nas últimas décadas a preocupação com a qualidade do solo e a sustentabilidade da exploração agrícola. A intensidade da fixação biológica do nitrogênio. representando mais de 81 mil toneladas quando expresso em ingrediente ativo (i. o consumo de herbicidas foi cerca de 174 mil toneladas de produtos formulados (comerciais) em 2000.). Além disso.9% e 22. Nesse sentido. N total. por exemplo.5 bilhões (Assis. 81. quando associados aos valores de pH. O segundo produto de maior consumo de agrotóxicos. a cana-de-açúcar. especialmente nos países tropicais em desenvolvimento. bem como a comparação entre a eficiência do rizóbio introduzido em relação aqueles nativos. entre outros. Da mesma forma. 1983).5%). que o Brasil utiliza grandes quantidades de herbicidas na agricultura. em 2000 e em termos de ingredientes ativos no mesmo ano. O consumo desses produtos difere nas várias regiões do país.7% do total nacional) está na raiz de vários problemas de contaminação de águas constatados até hoje. 29.c. tendo como enfoque a sua contribuição na decomposição e mineralização da matéria orgânica e.7%) (Spadotto. peso volumétrico. 2004). respectivamente. herbicidas. permitem uma avaliação sistemática do manejo adotado e a obtenção de índices de aferição da sustentabilidade. Esses parâmetros fazem parte dos estudos de ciclagem de nutrientes. 2009 161 . são aspectos importantes quando se considera esta questão. na fertilidade do solo. Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio1. Clóvis Pereira Peixoto1. bem como./ha. massa dos frutos. mas a concentração de seus 330 mil ha cultivados nas usinas do Norte do Paraná (apenas 6. Na região Nordeste este valor é de 6.Centro de Ciências Agrárias. não é tipicamente sulista. uma maioria de pesquisadores considera que algumas medidas práticas para avaliar o “status biológico” do solo sejam o monitoramento da população e atividade microbiana do solo. Ao longo das últimas décadas. O milho. E-mail: fpeixoto@ufrb.8%). v. influencia a produtividade e a qualidade fisiológica de sementes (Osman et al. Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio1 1 Professor . É na soja que se concentra a maior parte dos gastos dos agricultores brasileiros com agrotóxicos: nada menos que 35% do total. Cruz das Almas-BA. ao aumento da área cultivada com culturas de grande expressão econômica e à ação rápida.8 mil toneladas. doenças e plantas daninhas um dos principais fatores limitantes ao seu desempenho. O consumo de agrotóxicos no país tais como. o grande desafio da ciência do solo é demonstrar a relação entre os níveis de atividade biológica do solo e o funcionamento sustentável do ecossistema. alcançando hoje vendas anuais que superam US$ 2. umidade e argila do solo. Esses produtos são aplicados basicamente de duas maneiras: diretamente sobre o solo em pré-emergência ou em pósemergência das plantas daninhas. Verifica-se desta forma. eficiência e efeitos prolongados dos herbicidas. teores de C orgânico.9%) e arroz irrigado (3. UFRB. terceiro produto na lista dos que mais consomem agrotóxicos. a utilização de agrotóxicos no Brasil tem sido a base técnica através da qual o setor agrícola normalmente vem enfrentando a questão. Nas regiões Sul. No Brasil.2% do total consumido com pesticidas. 1. Essa intensificação no uso de herbicidas entre os agricultores deve-se entre outros fatores. A produção agrícola tem na ocorrência de pragas. peso de 1000 sementes etc. esses dados.. tem cerca de um terço de sua área total no Sul do País. que também é reflexo do manejo.). processos que ocorrem no solo como as associações entre bactérias do gênero Rhizobium e plantas leguminosas. a.edu. A avaliação da qualidade do solo é feita através de indicadores que podem ser atributos físicos. químicos e biológicos. fungicidas. tem sido crescente.8 kg p. milho (23. 38. onde se misturam atividades agrícolas intensivas e tradicionais. Atualmente. Centro-Oeste e Sudeste representam.9%. inseticidas. destacando-se a soja (39. Quanto ao consumo de herbicidas por unidade de área cultivada. conseqüentemente. parâmetros relacionados com a produção de sementes. cana-de-açúcar (12. a média geral no Brasil foi de 3.

No caso do alachlor. os herbicidas do grupo das cloroacetanilidas. Dos 160 mil hectares cultivados com batatinha no Brasil. devem ser cuidadosamente usados e monitorados.Outro produto que aparece com destaque na lista de uso de agrotóxicos. pouco se sabe sobre o que ocorre com os herbicidas no solo após sua aplicação.. Vários trabalhos têm demonstrado que aplicações de herbicidas em doses recomendadas não alteram de forma considerável o número total de microrganismos do solo. plantio mecânico em linhas. porque podem ser perigosos tanto para a vida humana e animal. Em solos cultivados. v. Caracteriza-se por apresentar uma agricultura bastante diversificada. vem basicamente do Rio Grande do Sul. A mudança de tecnologia prevendo a utilização de herbicidas. A pluviosidade varia de 1000 a 2000 mm e temperatura média anual em torno de 24 0 C. 1995. O controle de ervas daninhas é também feito com a enxada. O Latossolo Amarelo coeso é um solo representativo desta região. da família Leguminosae. no entanto. da estrutura química do composto. produto também com alto uso de agrotóxicos. A ação dos microrganismos do solo sobre os herbicidas constitui-se num mecanismo de maior importância quando se depara com a questão ambiental. 1998). ocupando uma área de 98.503 km2 apenas na região Nordeste. Diversos trabalhos têm relatado sua degradação e persistência (Monteiro. podendo alguns desses serem afetados.. uma maior preocupação em se conhecer o comportamento e destino dos pesticidas nos diversos ecossistemas.. os quais têm importância destacada no equilíbrio social da região (Rezende et al. desde o Estado do Amapá até o Rio de Janeiro. 2004). A terra deve estar bem preparada e livre de torrões e restos de cultura. A maior parte dos solos da região é do grupo Latossolo e Podzólico. 162 Tópicos em Ciências Agrárias. inoculação com bactérias do gênero Rhizobium. no Estado de São Paulo (Rezende. amendoim etc. O RECÔNCAVO BAIANO O Recôncavo Baiano possui uma área de 17340 km2 e uma população de 500 mil habitantes. o arroz irrigado. O amendoim é uma planta dicotiledônea. de baixa fertilidade. sofre a concorrência competitiva das ervas daninhas que prejudicam a sua produção (Sader et al.. mas sua multiplicação e recuperação é rápida e os relatos onde indicam toxidez ocorrem quando as dosagens empregadas são consideravelmente superiores às recomendadas (ABEAS. maio e junho). UFRB. milho. aparecem geralmente. há de se considerar que existe uma variação com relação à resistência à decomposição dos herbicidas em função de fatores do solo. tais como o alachlor. O termo coeso. Em função desse uso intensivo de produtos químicos na agricultura moderna e a formação de grandes quantidades de resíduos. irrigação e épocas de plantio em diferentes estações do ano. com significado de tenaz. 1979). muito duros ou até extremamente duros quando secos e friáveis quando úmidos. O plantio é normalmente realizado com enxadas em covas espaçadas irregularmente (30 cm) e coincide com o período mais chuvoso do ano (março. como também para o ambiente. tem sido usado para destacar a capacidade natural (adensamento) de horizontes subsuperficiais associada a diferentes graus de coesão.. temporariamente. em uma ou duas capinas. 1997. Herbicida e atributos microbiológicos do solo Embora os pesticidas sejam de grande benefício para o homem. Na década de 60 com o desenvolvimento dos herbicidas dinitroanilinas surgiu a trifluralina. da característica fisiológica do microrganismo (tipo de enzima) e da dose e época de aplicação. a região Sul entrou com quase a metade. feijão. bem como o seu efeito em processos microbiológicos do solo e na qualidade fisiológica de sementes.1983) De maneira geral. 2009 . entretanto. no prazo máximo de 3 dias após a última gradagem. em decorrência da erosão. ajudando no aumento da produção de alimentos e controlando as pragas das plantas e animais.1997. aplicando-se logo depois da semeadura com o terreno em boas condições de umidade e em cobertura total. fumo. Vanderheyden et al. sendo absorvido pelo coleóptilo das gramíneas e epicótilo das dicotiledôneas (Rodrigues & Almeida. estendendo-se até o vale do rio Paraíba do Sul. após os primeiros 10 a 20 centímetros. indicado para a cultura do amendoim. predominando os plantios de cana-de-açúcar. esses horizontes situam-se a profundidade variáveis. Esta região está inserida na zona dos Tabuleiros Costeiros que são formações terciárias que se distribuem por quase toda a faixa costeira do Brasil. sendo que a espécie Arachis hypogaea L. implica na necessidade de se determinar o efeito das mesmas no sistema produtivo. Stolp & Shea. tem sido acrescentados ao arsenal dos herbicidas disponíveis para o uso em cultivo de amendoim (Bridges et al. inhame. normalmente coincidindo com os horizontes AB e ou BA. nos últimos anos. apresentando-se duros. 1. tem havido. Mais recentemente. deve-se aplicar em pré-emergência das ervas. 1984). batata doce. citros e os cultivos de subsistência como mandioca. Nos Latossolos Amarelos e Argissolos Amarelos sob floresta primária. O uso de controle químico para as ervas daninhas na cultura do amendoim iniciou-se a partir de 1950 com herbicidas seletivos tais como o dinoseb. abril. adensamento de plantas dentro das linhas. 2002).

0 aB Médias seguidas pela mesma letra minúscula na vertical e maiúscula na horizontal. capina sem inoculação (CSI). poderá utilizá-la como fonte de energia e nutrientes. no período de setembro de 2001 a janeiro de 2002. Atividade microbiana do solo (mg C-C02/100 g solo) nos tratamentos: capina inoculado (CI). um herbicida deverá exercer um efeito muito pronunciado na microflora.5 cB 3. 1986 e Lichtenstein.0 aB TRATAMENTOS Capina inoculado Capina s/ inoculação Herbicida inoculado Herbicida s/ inoculação Vagem Lisa Bactéria 6. algumas moléculas de herbicidas.0 cB 8. 2009 163 . Tabela 1.1990.5 dA 4. fungos e actinomicetos) e que também atuam na ciclagem de nutrientes no ecossistema. sabe-se que. Segundo alguns estudos. CI CSI HI HSI 45 mg C-C02/100 g solo 40 35 30 25 20 15 10 5 0 0 14 28 42 56 70 84 Tempo (dias) Figura 1. herbicida inoculado (HI) e herbicida sem inoculação (HSI) para o genótipo Vagem Lisa. Fatores do solo que aumentam a atividade microbiana incluem: umidade em torno de 70-100% da capacidade de campo. mesmo em baixas concentrações.Yassir et al. utilizando-se sementes inoculadas e não inoculadas de dois genótipos de amendoim (Vagem Lisa e Tatuí). ele pode vir a favorecer determinadas populações microbianas e inibir outras.0 aB 1. Mas.0 bA 5.0 dB 1. v. Existe. População de bactérias e fungos (no. Segundo Grossbard & Davis (1976). uma fase de adaptação desta população. Outro parâmetro que deve ser monitorado é a população dos principais grupos de microrganismos do solo que participam da biodegradação dessas moléculas no ambiente (bactérias.0 bB 4.0 bB 5. Kloskowsky et al. Tópicos em Ciências Agrárias. GENÓTIPOS Tatuí Vagem Lisa Bactéria Fungo 7. entretanto. temperatura entre 25-35oC. Em trabalho realizado no Campo Experimental da então Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia. 1995. 1996) e biodisponibilidade para as plantas (Khan & Behki. Wais et al. esta fase não tem sido observada. em caso de solos tratados com prévias aplicações de pesticidas.0 aA 2. nos diferentes tratamentos. pH em torno de 6.0 cA 2. não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. porém menos freqüentemente que em altas. No entanto. 1998) .0 bA 4.1977).0 dA Tatuí Fungo 2. 1980). 1.5 e substrato energético (Lewis et al.. podem inibir a atividade microbiana. no município de Cruz das Almas. 1997.0 dB 3. potencial para formação de resíduos (Queiroz. desta forma... g solo-1) x 104.0 cA 9. UFRB. avaliou-se o efeito do herbicida alachlor na população de bactérias e fungos do solo (Tabela 1) e atividade microbiana do solo (Figuras 1 e 2). Porém. diversos cientistas obtiveram resultados do efeito dos herbicidas no desprendimento de CO2 e absorção de O2 em doses normais de aplicação (Grossbard. dentro de cada genótipo. Se a população adaptar-se metabolicamente para degradar a molécula do pesticida ou parte dela. é mais provável que esse efeito ocorra em doses elevadas. a partir do momento em que um pesticida atinge o solo.. O desprendimento de CO2 e absorção de O2 no solo flutuam grandemente num determinado período de tempo. Barriuso & Koskinen. boa aeração. 1976).

O número e massa seca de nódulos são parâmetros indiretos que podem avaliar esses efeitos no processo de fixação biológica do nitrogênio. assim como a capacidade de formar simbiose com rizóbio. ocorrer endofiticamente. 99. Herbicida e fixação biológica do nitrogênio A maior parte do nitrogênio do planeta terra (93. Nesta. 2009 . O efeito pode ser prejudicial. que reflete a maior capacidade do rizóbio introduzido em degradar a molécula de alachlor. que está relacionada não só à ampla distribuição geográfica e utilização dos hospedeiros.1979). Dentre esses fatores destaca-se os herbicidas. 2002). nas formas combinadas orgânicas ou inorgânicas existentes nos ecossistemas aquáticos e terrestres (Roswall. 1. neste último caso porém.04%. as simbioses de rizóbio com leguminosas certamente se destacam por sua importância econômica. não exercer nenhum efeito ou até mesmo ter efeito benéfico sobre o rizóbio e suas simbioses.700 espécies e entre 640 a 680 gêneros. ou seja.CI CSI HI HSI 40 mg C-C02/100 g solo 35 30 25 20 15 10 5 0 0 14 28 42 56 70 84 Tempo (dias) Figura 2. quando se utilizou a combinação herbicida e inoculação nos genótipos Vagem Lisa e Tatuí.8%) está na crosta terrestre. Os 6. entre outros (Moreira & Siqueira. capina sem inoculação (CSI). como também à maior eficiência do processo decorrente de uma parceria vegetal e microbiana mais evoluída. Mimosoideae e Papilionoideae. 164 Tópicos em Ciências Agrárias. que diferem bastante com relação ao hábito de crescimento de suas espécies. Inúmeros trabalhos nacionais e internacionais demonstram que não é possível fazer generalizações. UFRB.500 a 19. que pode então se tornar disponível para as plantas e outros organismos. além de colonizar abundantemente a rizosfera. das propriedades físico-químicas do herbicida e da própria sensibilidade da estirpe de rizóbio utilizada. Subdivide-se em três subfamílias: Caesalpinioideae. As respostas variam em função do tipo de solo. Houve uma maior atividade microbiana do solo em todo período. Ressalta-se que tanto os fatores bióticos quanto abióticos podem atuar sobre a bactéria e/ou sobre o hospedeiro afetando a simbiose. químicos e biológicos afetam o processo de fixação biológica. Existe uma relação direta entre o aumento da população de bactérias no tratamento herbicida com inoculação (para os dois genótipos) e a atividade microbiana do solo. Esses organismos são chamados de fixadores de N2 ou diazotróficos e o processo que mediam .96% do nitrogênio está na forma de N2 na atmosfera e os restantes 0.Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN) é representado pela seguinte equação: Nitrogenase N2 + 8H + 16 ATP + 8 e ____________ + - 2 NH3 + H2 + 16 ADP + 16Pi (CNTP) Algumas espécies de diazotróficos podem. invadir o córtex e colonizar tecidos internos em diversas espécies vegetais. raramente (Moreira & Siqueira. Atividade microbiana do solo (mg C-C02/100 g solo) nos tratamentos: capina inoculado (CI). Dentre as simbioses de fixadores de N2 com plantas. herbicida inoculado (HI) e herbicida sem inoculação (HSI) para o genótipo Tatuí.2% restantes estão na ecosfera. v. 2002). Apenas uma parcela relativamente pequena das espécies de procariotos possuem a enzima nitrogenase que é capaz de reduzir o N2 para a forma inorgânica combinada NH3. Diversos fatores físicos. Estimase que a família Leguminosae possua entre 16.

g planta-1) e número de nódulos (NN no planta-1) de plantas de amendoim aos trinta dias após a emergência. Peixoto et al. dentro de cada período.50 aA 182. Genótipos BR1 BR151 L7 Vagem Lisa Película Havana 42 dias Capina 242.75 aA 182. em estudo realizado para avaliar a influência da aplicação de herbicidas fluorodifen (0.No caso de plantas leguminosas.37 kg ha-1).66 kg ha-1) no rendimento de grãos.8a 8. Utilizaram como substrato o solo Latossolo Amarelo coeso do município de Cruz das Almas-BA. Esses mesmos autores. 2009 165 . fluordifen + pendimethalin (0. não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade Herbicida e qualidade fisiológica das sementes A determinação da qualidade fisiológica de sementes através de testes de germinação e principalmente de vigor é de fundamental importância na agricultura moderna. Massa seca dos nódulos (MSN .6b MSN NN Figura 3.2a 7.75 aA 130. em condições de casa de vegetação.91 kg ha-1).00 aA 56 dias Capina 230. (2002a) avaliaram o efeito de diferentes herbicidas (alachlor. 2002a).97 kg ha-1). trifluralin (0.. principalmente quando causas adversas possam compro-meter a germinação de sementes e posterior desenvolvimento das plantas. representativo dos Tabuleiros Costeiros da região do Recôncavo. que empregaram doses elevadas de trifluralina e chloramben na cultura da soja. pendimethalin (0. Já Rezende et al.75 kg ha-1).75 aA 272.Bahia.75 aA Herbicida 273.45 + 0. (1985). v. aos 42 e 56 dias após o plantio nos ratamentos capina e herbicida. o estudo da influência de herbicidas no processo de fixação biológica do nitrogênio é de extrema importância.50 aA 199.50 aA 194.95 + 0. concluiram que o herbicida alachlor não afetou o número de nódulos aos 42 e 56 dias após o plantio (Tabela 2). O uso do contrôle químico pode causar problemas na nodulação conforme salientam Krust & Struckmeyer (1971) e Olambre (1969). Trifluralina Pendimethalin Alachlor Testemunha 25a 25 20 15 10 5 0 11.25 aA 323. em experimento conduzido na Fazenda Capivari no Município de Muritiba .50 aA 257. com o mesmo tipo de solo e quatro genótipos de amendoim. Concluíram que de maneira geral esses herbicidas estimulam a nodulação inicial das plantas de amendoim (Figura 3).75 aA 182. já existem pesquisas desenvolvidas quanto ao efeito de herbicidas sobre o processo de fixação biológica do nitrogênio em plantas de amendoim.00 aA 265. pendimethalin e trifluralina) nas doses indicadas pelo fabricante para a cultura do amendoim. chloramben + alachlor (0. tanto em casa de vegetação quanto em campo.00 bA Médias seguidas da mesma letra minúscula na horizontal e maiúscula na vertical. chloramben (1. 1. submetidas a diferentes tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al. nodulação e qualidade fisiológica de sementes de soja concluíram que a nodulação não foi influenciada pelos herbicidas testados.00 aA Herbicida 151. Tópicos em Ciências Agrárias.7b 22a 24a 16b 11. Número de nódulos (g planta-1).00 aA 246. pois este processo representa economia nos custos de produção.9 kg ha-1). Na região do Recôncavo Baiano. UFRB. mais especificamente no município de Cruz das Almas-BA. Tabela 2.50 aA 209.

observa-se a degeneração das membranas lipo-proteicas.2b AP CR IVE Figura 5.8b 10. 1995 ). de plântulas anormais (PA) e de sementes mortas (SM) de amendoim em diferentes tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al. especificamente.1c 7. em condições de casa de vegetação.. o uso de sementes vigorosas é de fundamental importância. oxigênio. Trifluralina Altura e comprimento (cm) e IVE 16 14 12 10 8 6 4 2 0 Pendimethalin Alachlor Testemunha 15. estrutura do solo e microorganismos. 166 Tópicos em Ciências Agrárias.8a 8. microbianas etc. v. pendimethalin e trifluralina na nodulação e crescimento inicial de plantas de amendoim. Altura da planta (AP). Assim sendo. altura das plantas e massa seca da parte aérea (Figuras 4. comprimento da raiz (CR) e índice de velocidade de emergência (IVE) de amendoim aos trinta dias após a emergência.5a 6. como. os herbicidas. submetidas a diversos tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al. como também. Porcentagem de emergência (PE). químicas.2bc 3.8a 7.. 1985).). tornando a germinação mais lenta e a semente mais vulnerável às variações do meio (térmicas. temperatura. 2009 . hídricas.1ab 4.9a 7.O processo de deterioração implica em uma série de mudanças fisio-bioquímicas que podem levar a uma ação mais efetiva de agentes externos. a germinação de sementes pode ser afetada por produtos químicos inorgânicos e orgânicos (Bewley & Black. respectivamente). Os fatores ambientais que permanentemente influenciam a germinação são a água. normalidade das plântulas. com perda significativa da permeabilidade. luz. no sentido de minimizar os efeitos de agentes externos na velocidade e porcentagem de emergência.2b 7. Constatou-se que os herbicidas testados. utilizando-se como substrato o Latossolo Amarelo coeso. representativo do Recôncavo Baiano. (2002a) avaliaram o efeito dos herbicidas alachlor. 2002a). 1. crescimento das plantas e produtividade final (Copeland & McDonald. uma redução sensível das atividades respiratórias e biossintéticas.5a 6. 5 e 6. 2002a). reduzem a porcentagem de emergência. UFRB. Trifluralina Pendimethalin Alachlor Testemunha 70 60 Porcentagem (%) 62a 55b 55a 47b 30d 32c 34a 15c 21b 8d 11d 30c 50 40 30 20 10 0 PE PA SM Figura 4.2a 10. À medida que as sementes perdem qualidade fisiológica. Entretanto. Peixoto et al.

1.0 L ha-1) na qualidade fisiológica de plantas de soja em condições de casa de vegetação. 2002a).00 2.96a Alachlor Testemunha Massa da matéria seca (g planta -1) 3.4677x2 . Os efeitos dos herbicidas sobre a qualidade fisiológica de sementes variam.00 1. submetidas a vários tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al. No entanto.00 1.0 e 4. 1.76b 1. Um exemplo desta afirmação pode ser constatado em outro trabalho realizado por Peixoto et al.. (2002b).36bc 1. v.5. com as propriedades físico-químicas das moléculas e o tipo de solo em questão. os efeitos na porcentagem de emergência foram resultado da baixa adsorção das moléculas pelo solo em questão.207x + 27.46c MSPA MSR Figura 6. Desta forma. representativo do Recôncavo Baiano. Avaliou-se o efeito de diferentes doses de trifluralina (zero.755 R2 = 0.0 L ha-1 (Figura 8).2. Verificou-se que o aumento da dose promoveu decréscimo no índice de velocidade de emergência (Figura 7). provavelmente. 2. o comportamento da molécula depende.0 e 4.00 0. para as condições estudadas.8375 Observado Estimado Polinômio (Observado) 3 4 Figura 7. principalmente.. 2009 167 .23c 0. UFRB. sendo o solo utilizado de textura média e baixa CTC.13a 1. das suas propriedades físicoquímicas e também do ambiente. Segundo esses autores. dentre outros fatores. Índice de velocidade de emergência de sementes de soja submetidas a diferentes doses de trifluralina (FONTE: Peixoto et al.03b 2. não permitindo portanto generalizações.16a 0. Índice de velocidade de emergência 30 25 20 15 10 5 0 0 1 2 Doses y = -0. Massa da matéria seca acumulada na parte aérea (MSPA) e raiz (MSR) de plantas de amendoim aos trinta dias após a emergência. também utilizando como substrato o Latossolo Amarelo coeso. 2002b) Tópicos em Ciências Agrárias. só afetou a porcentagem de emergência quando se utilizou as doses de 2.Trifluralina Pendimethalin 2. permitindo maior concentração na solução do solo e favorecendo assim a absorção.

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Raul Lomanto Neto.CAPÍTULO 13 EVOLUÇÃO. ADUBAÇÃO E DIAGNOSE NUTRICIONAL DE PASTAGENS NO RECÔNCAVO DA BAHIA Anacleto Ranulfo dos Santos. Adailde do Carmo Santos & Leandro Gonçalves dos Santos Tópicos em Ciências Agrárias .

no decorrer dos anos.EVOLUÇÃO. a vegetação original de quase toda a região foi. 2009 173 . como base importante da alimentação dos povos da região. como os demais ciclos de cultivos. com significativa redução na área plantada e na produtividade dos pomares. como base fornecedora de produtos alimentícios para a capital do Estado. cujo modelo de ocupação da terra é resultado da política do Brasil Colonial. sendo que sua produção jamais se igualou à da cana-de-açúcar por causa das contingências do mercado internacional (Rezende. Porém. onde não havia proibição para criação de gado.br Eng. liberdade de produção e facilidade de transporte.EVOLUÇÃO AGRÍCOLA A economia do Recôncavo. gerando instabilidade econômica e desconfiança dos produtores pela continuidade dessa atividade. ADUBAÇÃO E DIAGNOSE NUTRICIONAL DE PASTAGENS NO RECÔNCAVO DA BAHIA Anacleto Ranulfo dos Santos1. No início a cultura da cana-de-açúcar era próspera e gerava grandes lucros aos exportadores. fumo. surgiu um novo modelo agrícola que foi a citricultura. fumo e da citricultura. cultivada em sub-bosque sendo determinante para a ocupação de Amargosa e dos municípios vizinhos do vale do Jiquiriçá. pois contava com preços compensadores. sendo paulatinamente substituída pelas atividades econômicas.edu. UFRB. Raul Lomanto Neto2. pela alta densidade demográfica dessa região. e os subseqüentes ciclos de cultivos de algodão. Outra cultura de destaque no ciclo de desenvolvimento do Recôncavo foi o algodão. foi implantada a cultura do fumo que despontava como segunda alternativa de cultivo econômico e ao lado destas lavouras desenvolveram-se culturas de subsistência. cacauicultura. Além disso.com. mandioca. o Recôncavo foi a primeira região de exploração agrícola para exportação que foi a cana-deaçúcar. com ênfase aos municípios de Cruz das Almas até Santo Antônio de Jesus. Com o declínio da cultura do fumo. Cruz das Almas-BA. inhame e a presença significativa de áreas de pastagens. fez-se necessário o desenvolvimento de uma agricultura mais intensiva com exploração de diversas culturas de subsistências. A expansão da pecuária é posterior aos ciclos de exploração iniciais.º Agrônomo/UFBA. cedendo espaço para a cana. o dendê e as culturas de subsistência. v. Reconhecido como berço da agricultura brasileira. Cruz das Almas-BA. a citricultura entrou em declínio nas últimas décadas. tais como milho.Centro de Ciências Agrárias. 1. No Recôncavo as maiores extensões são os solos dos grupos Tópicos em Ciências Agrárias. que também foi um dos produtos de exportação nos meados do século XVI. Amargosa-BA Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. Essa região foi destacadamente o grande pólo de desenvolvimento da agricultura baiana desde o período Colonial até décadas recentes. proteção e estímulos governamentais. que esteve fundamentalmente vinculada à lavoura açucareira desde o período colonial. para as partes mais altas do Recôncavo Sul. Dessa forma. feijão. os Tabuleiros Costeiros são formações Terciárias que ocupam grandes extensões de áreas na Bahia e no Nordeste Brasileiro. Adailde do Carmo Santos3. principalmente nos Tabuleiros Costeiros. com predomínio do gênero Brachiaria. Leandro Gonçalves dos Santos4 1 2 3 4 Professor . citricultura. Mais recentemente foi dividido nas regiões econômicas: Litoral Norte e Recôncavo Sul. Nos terrenos impróprios à cana-de-açúcar. exploração de madeira. à exceção dos municípios próximos a Castro Alves. café. E-mail: adacsantos@zipmail. No século XVIII a cultura do café foi introduzida a partir de Maragogipe. 2004). café. RECÔNCAVO SUL . Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO O Grande Recôncavo Baiano com 78 municípios se caracteriza pela predominância de pequenas glebas e mãode-obra familiar como base de sua produção agropecuária. Ambientais e Biológicas/UFRB.br Pesquisador da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA). Solos do Recôncavo De acordo com Ribeiro (1998). sofreu grandes oscilações em seus quatro séculos de existência. especialmente a mandioca. E-mail: anacleto@ufrb.

LATOSSOLO E ARGISSOLO. Os LATOSSOLOS AMARELOS predominam em todo Recôncavo e se caracterizam pela baixa fertilidade natural quanto à disponibilidade de nutrientes e com limitações físicas para o desenvolvimento natural das plantas, principalmente pela presença de uma camada coesa no seu perfil, logo abaixo do horizonte A podendo chegar a 1,0 metro de espessura, condição que reduz a permeabilidade para o ar e água, dificultando o fluxo de nutrientes e impedindo o aprofundamento das raízes. Naturalmente são distróficos ou álicos, com acidez acentuada e baixa capacidade de troca de cátions (Rezende, 2000). Esse fenômeno é conseqüência da compacidade natural (adensamento) cuja característica se acentua em períodos de prolongado estresse hídrico e quando associado ao manejo inadequado desses solos. Em ambiente sob floresta esses solos apresentam o efeito coeso nos horizontes AB e ou BA, porém, se submetidos a cultivos constantes essa coesão surge nas camadas mais próximas da superfície, em função da ação erosiva nesse ambiente. Na região, dentre os cultivos mais atingidos por essa camada endurecida no perfil do solo, sem dúvida é a citricultura. Segundo Souza et al. (2000), um adequado suplemento de água ao longo do tempo com o solo friável esse impedimento físico ao crescimento radicular seria não limitante. De acordo com os resultados analíticos de amostras dos diversos municípios da região do Recôncavo Sul, esses solos apresentam significativa variabilidade química natural (Tabela 1), o que influencia diretamente no rendimento das culturas implantadas. Nessas condições de fertilidade, resultados de pesquisas demonstram potencialidade desses ambientes que, uma vez manejados adequadamente, destacando a correção do solo e adubação, podem aumentar a produtividade das culturas de forma expressiva. Assim, as áreas de pastagens em sua maioria degradadas, com baixas produções de forragens, podem ser recuperadas num curto prazo com aplicação de tecnologias simples de manejo da gramínea observando o seu estado nutricional, manejo do solo quanto à composição química e física, e o manejo animal, destacando a sua potencialidade genética para o tipo de exploração desejada, quando interagidas essas ações. Tabela 1. Caracterização química de LATOSSOLO AMARELO coletado na camada 0,20 m sob diferentes cultivos, em municípios do Recôncavo Sul da Bahia.
pH (H20) (5) (5) (1) (2) (3) (6) (4) (6) (6) 4,9 5,8 5,6 5,0 4,5 5,2 4,8 4,2 5,4 P -1 (mg kg ) 2,0 3,0 4,0 3,0 3,0 1,0 5,0 1,0 1,0 K Ca Mg Al H -3 .......................... cmol c dm ……................ 0,07 0,10 0,07 0,20 0,10 0,20 0,23 0,10 0,12 0,7 1,2 8,1 2,8 0,5 0,4 0,8 0,3 0,5 0,5 1,1 1,0 0,9 0,4 0,2 0,6 0,3 0,6 0,5 0,0 0,3 0,2 0,4 0,0 0,1 0,7 0,2 2,4 2,2 7,0 2,6 1,6 1,8 2,8 5,0 2,7 M0 -3 (g dm ) 14,6 8,2 78,8 12,5 6,0 22,9 18,0 16,0 14,5

Municípios C. Almas Sapeaçú Amargosa Amargosa C. Almas Muritiba Muritiba S.A. Jesus D.M. Costa

(1) área de pastejo rotacionado; (2) Latossolo sob Mata Atlântica; (3, 4) área de citricultura; (5) área de mandioca; (6) área de pastejo extensivo.

Histórico das pastagens no Recôncavo Sul O Recôncavo Sul é composto por 33 municípios, ocupa uma área de 10.839,5 km2 e uma população estimada em 2003 de 701.675 habitantes, portanto, uma das mais densas das regiões da Bahia com 64,7 habitantes/km2. Está localizada entre 120 23' e 130 24' de latitude sul e 380 38' e 400 10' de longitude Oeste, com homogeneidade de clima, solo, relevo e regime pluviométrico. A vegetação original na maior parte do Recôncavo Baiano até a sua descoberta se caracterizava pelas formações florestais, de diferentes tipos, equatorial, tropical, subtropical e em seis municípios localizados no semi-árido tem-se formação de caatinga. A derrubada da mata visava o preparo da terra para cultivos anuais e perenes. Como conseqüência do inadequado manejo dessas áreas de florestas, a utilização dos campos nativos e das pastagens implantadas, surgiram como alternativa econômica na região, pois imaginava-se que as gramíneas forrageiras seriam produtivas nos diversos ambientes, o suficiente para sustentar a evolução dos rebanhos. O estabelecimento das pastagens nas áreas florestais foi destacado no começo do século passado e se intensificou a partir das décadas de 30 e 40. Os capins que predominaram neste sistema foram o capim-gordura (Melinis minutiflora), capim-angola (Brachiaria mutica) e o capim colonião (Panicum maximun) restrito às áreas mais subtropicais. Estas forrageiras, após alguns anos sob pastejo, apresentavam uma queda na produção e iniciava-se o processo de degradação. Com esta situação os produtores buscavam alternativa e passou-se à procura da “forrageira milagrosa” e dessa forma chegou-se ao que foi denominado de ciclo dos capins. Essa nova forrageira deveria ir bem em terras fracas e fornecer algum verde na seca. O capim Brachiaria decumbens, popularmente capim-braquiária, adaptou-se perfeitamente às condições de
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solos ácidos e de baixa fertilidade do Recôncavo, proporcionando na época, aumentos na taxa de lotação de 5 a 10 vezes maiores que as pastagens existentes nessas áreas. O aumento da produção das pastagens e dos rebanhos foi expressivo e possibilitou que os produtores passassem a integrar as atividades de cria, recria e engorda. A utilização das gramíneas do gênero Brachiaria nas pastagens tem sido vinculada à agressividade na formação da área, à dispensa de seguidos cultivos na época de reformas de pastagens velhas e à menor exigência em fertilidade que as demais gramíneas. A realidade existente no Recôncavo Sul é a mesma em todo o Brasil, visto que a quase totalidade dos pastos é de gramíneas do gênero Brachiaria, predominando o Brachiaria decumbens. Como conseqüência da falta de adoção de práticas conservacionista ao longo dos anos, essas pastagens apresentam-se atualmente elevado grau de degradação, tendo como principal característica o baixo rendimento de forragem. O fator de manejo mais relevante para a persistência das pastagens é a pressão de pastejo. Impressionado com as elevadas produções forrageiras dos primeiros anos, principalmente nos períodos mais chuvosos na região que vai de março a agosto, o produtor passou a elevar a carga animal muito acima da capacidade de suporte da pastagem (geralmente estimada em unidade animal por hectare). Esse modelo de criação é mais degradativo nos períodos mais seco do ano, pois diminui a produção de forragem e os animais pastejam quase rente ao solo, fato que dificulta a rebrota da gramínea. Spain & Graldron (1991) citam que os fatores que mais contribuem para a degradação das pastagens são: o super pastejo com altura de corte muito rente ao solo prejudica a rebrota das plantas; o sub pastejo que favorece o acúmulo de material maçegado, logo maior incidência de pragas e doenças; invasão de plantas indesejáveis; falta de adaptação das espécies implantadas; perda da fertilidade do solo; falta de adubação de reposição e manutenção da fertilidade do solo e incompatibilidade entre as espécies associadas. Importância econômica das pastagens O modelo de criação bovina extensiva a pasto é a forma mais econômica de fornecer alimentação abundante e de qualidade aos animais. Para tanto, é preciso que o solo tenha alta fertilidade e condições de fornecer os nutrientes para as plantas. No Recôncavo, a exploração dos rebanhos leiteiros e produção de carne está apoiada na criação a pasto, fato que destaca a importância de estudos nesses ecossistemas para adoção de manejo adequado nessas pastagens. O estado da Bahia possui um rebanho bovino de 9.170.680 cabeças, compondo com 5,57 % do total de bovinos do país. A área de pastagem do estado é de 14.489.768 hectares, ocupando cerca de 48,55% da área total de 29.842.900 hectares de agropecuária. O Recôncavo Sul baiano possui um rebanho bovino de aproximadamente 436.070 cabeças, compondo com 4,75% do total de bovinos do estado da Bahia (Censo, 2000). A área ocupada com a atividade agropecuária nos municípios do Recôncavo Sul é superior a 815.908 hectares, sendo com pastagens, aproximadamente 622.872 hectares, dos quais mais de 60% é ocupado com a Brachiaria decumbens. Dentre os municípios do Recôncavo Sul, Amargosa destaca-se como detentor do maior rebanho bovino e conseqüentemente maior produtor de carne e leite, condição que justifica ser a região de maior aplicação de índices tecnológicos e resultados de produção acima da média do Estado. Em grande parte do Recôncavo Sul o sistema de criação mais usado é o extensivo, onde a adoção de tecnologia é muito pequena, tem maior atenção nas ações profiláticas, o manejo dos pastos depende do índice pluviométrico e a média da capacidade de suporte chega a ser inferior a 0,3 UA ha-1. Em menor proporção encontra-se o sistema de exploração racional com adoção do pastejo rotacionado, adubação das pastagens, programa sanitário para o rebanho, inseminação artificial e utilização de transferência de embrião, com índices zootécnicos acima da média do estado da Bahia e com capacidade de suporte maior que 1,5 UA ha-1. Degradação de pastagens no Recôncavo Sul A perda de fertilidade natural do solo tem levado os pecuaristas em todo Recôncavo Sul a uma cíclica substituição de espécies forrageiras sempre no sentido das menos exigentes como, por conseguinte, de menor valor nutritivo. Assim, o capim-colonião (Panicum maximum Jacq.) foi substituído em muitas áreas pelo pangola e posteriormente pelas braquiárias. As pastagens são consideradas em degradação quando a produção da forragem é insuficiente para manter determinado número de animais no pasto e por certo tempo. Entretanto, quando a produção de matéria seca diminui sensivelmente a ponto de ser notada através de lotação animal, a planta forrageira já reduziu drasticamente o sistema radicular, o perfilhamento a expansão de folhas novas e os níveis de reservas de carboidratos nas raízes e base das hastes. A degradação, na verdade, dificilmente pode ser devida a uma causa isolada. É necessária uma noção de
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conjunto e de funcionamento dos ecossistemas de pastagens. Em geral observa-se que, uma vez estabelecida a pastagem, com exceção dos problemas causados por pragas e doenças, o início da degradação tem origem nos problemas de manejo do rebanho e na não adoção de práticas conservacionistas. Além disso, fatores como sazonalidade da produção forrageira e superestimação das taxas de lotação contribuem diretamente para a degradação desses ecossistemas. No Recôncavo Sul como nas demais regiões de pastagens do Brasil, o que determina o nível da exploração é a produção de forragem na estação seca do ano. Considerando que áreas de pastagem são mantidas durante todo o ano com a mesma taxa de lotação, gera-se aí situação clássica de excesso de forragem na estação chuvosa e falta na estação seca. Poucos produtores adotam um planejamento para ter na propriedade uma área destinada à reserva estratégica (capineira, milho, cana, sorgo, palma, mandioca, leguminosas, feno e construção de silo etc.). Associados à taxa de lotação, estão os problemas relacionados aos hábitos de locomoção dos animais. Em todo o Recôncavo Sul, observa-se a formação de trilhas preferências no sentido morro abaixo nas pastagens, preferencialmente, próximo a cochos de sais ou bebedouros. Em muitas pastagens localizadas em áreas amorradas, pode-se observar alguns trechos do terreno sem vegetação, que apresentam sulcos de erosão. Estes sulcos, geralmente, têm como causa a movimentação constante de animais pela mesma área, no sentido do declive. No entanto, vários outros autores, inclusive alguns mencionados anterior-mente (Dematte, 1988; Sampaio, 1998), são conclusivos em dizer que a prática da queimada, se mal conduzida ou mesmo efetuada continuamente, pode trazer con-seqüências negativas tanto para a pastagem quanto para o solo que a sustenta. Adubação de pastagens Para o bom desenvolvimento das pastagens, assim como de qualquer cultura, há necessidade que esteja disponível e, em quantidade adequada no ambiente, todos os elementos considerados essenciais, classificados como orgânicos: carbono (C), oxigênio (0) e hidrogênio(H) e inorgânicos como os macronutrientes: nitrogênio (N), fósforo(P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S), e micronutrientes: boro (B), cloro (Cl), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn) (Epstein, 1975). É evidente que o solo é o principal componente fornecedor de elementos químicos para as plantas, não apenas os considerados essenciais como também aqueles classificados como benéficos como o sódio, silício, selênio, cobalto e os elementos tóxicos como o alumínio, mercúrio, cromo, chumbo etc. Certamente, a prática de reposição de nutrientes através da adubação é fundamental para elevação e manutenção da quantidade e qualidade da forragem a pasto. Há evidências nas pastagens do Recôncavo Sul, da utilização planejada de adubos como uréia, superfosfato simples e cloreto de potássio como fonte de N, P e K, respectivamente, assim como de pastagens consorciadas com leguminosas, dentre elas o calopogônio, crotalária juncea, crotalária vistosa, estilosantes, mucuna, feijão de porco etc., e cultivos isolados dessas culturas servindo de bancos de proteínas para os animais. Segundo Werner (1986), o uso de pastagens consorciadas é uma opção para reconstituir a fertilidade do solo quanto à matéria orgânica, devido à capacidade da leguminosa em fixar nitrogênio do ar. Para tanto, é preciso que essa leguminosa esteja bem nutrida com os demais elementos essenciais e que não haja fatores adversos, como exemplo, elevados teores de alumínio no solo. Calagem: a aplicação de calcário em áreas de pastagens, principalmente o dolomítico é fundamental para redução da acidez que se constata na maioria dos solos do Recôncavo (Tabela 1) e por fornecer em proporções mais adequadas os nutrientes cálcio e magnésio para as plantas. A calagem é uma prática que também diminui os efeitos danosos do alumínio, manganês e ferro, os quais podem estar em quantidades excessivas quando o solo apresenta pH baixo, prejudicando diretamente as plantas, assim como, bactérias importantes (Rhizobium) para as leguminosas. É importante destacar que dependendo da espécie as plantas são mais ou menos responsivas à calagem. As braquiárias são classificadas como plantas de tolerância relativa à acidez do solo, atributo importante para a sua persistência e produtividade nas mais diversificadas condições de solo. Nitrogênio (N): é um dos nutrientes mais exigidos pela maioria das plantas cultivadas, sendo absorvido preferencialmente nas formas iônicas N03-, NH4+ e N2. Esse elemento tem função estrutural e faz parte de molécula de aminoácidos, proteínas, é constituinte de bases nitrogenadas e ácidos nucléicos, clorofila e alcalóides, bem como de muitos hormônios, enzimas e vitaminas. Além disso, influencia nos processos de absorção iônica, respiração, fotossíntese, diferenciação celular etc. (Malavolta, 1980). A deficiência de N influencia de imediato no crescimento da planta com coloração verde clara ao amarelecimento inicial das folhas mais velhas em função de sua alta mobilidade interna na planta. O excesso provoca redução de floração, frutificação e acamamento.

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Fósforo (P): elemento constituinte das moléculas de ATP, ADP, ácidos nucléicos e dos fosfolipídeos das membranas celulares, sendo importante na liberação de energia para o processo ativo de absorção iônica. As formas iônicas H2P04e HP04-2 são as preferencialmente absorvidas, formando compostos orgânicos como hexoses fosfatadas, ésteres de carboidratos, fosfolipídeos e outros, como também, compostos inorgânicos como ortofosfatos e pirofosfatos (Mengel & Kirkby (1987). Segundo Werner (1986), depois do nitrogênio, o fósforo é o elemento mais importante, tendo grande influência no crescimento das raízes e no perfilhamento das plantas forrageiras. Por isso esse elemento é fundamental no processo de recuperação de pastagens degradadas. O excesso de fósforo gera deficiência de cobre, ferro, manganês e zinco. Grant et al. (2001) citam que deficiência de fósforo no início do ciclo vegetativo da planta pode resultar em restrições no crescimento, das quais a planta não se recupera mesmo fornecendo fósforo posteriormente. Potássio (K): é absorvido na forma iônica (K+) e atua como ativador de algumas enzimas na síntese de amido e ácidos graxos. Participa da fotossíntese e respiração e da síntese de clorofila, sendo importante nos movimentos de abertura e fechamento dos estômatos e no transporte de carboidratos (Marschner, 1995). Os capins deficientes em potássio apresentam colmos finos, raquíticos e pouco resistentes ao tombamento. As leguminosas deficientes em potássio têm seu crescimento limitado, há redução na nodulação, afetando a fixação de nitrogênio. Em excesso, o potássio causa deficiência de cálcio e ou maganésio. Cálcio (Ca): absorvido na forma iônica (Ca2+) esse elemento tem função estrutural, fazendo parte da parede celular como pectato de cálcio, estando ligado à formação e funcionamento das membranas celulares. É ativador enzimático (ATPase e fosfolipase) e faz parte da amilase. A deficiência de cálcio pode ser induzida por excesso de Na, K, NH4+ e ou Mg que limitam a sua absorção. O cálcio é importante para manter a estrutura e o funcionamento normal das membranas da célula e em baixas concentrações, estimula a absorção de outros íons. Sintoma de deficiência em folhas novas, deformação das folhas, morte dos pontos de crescimento e clorose nas pontas. O excesso provoca deficiência de potássio e ou magnésio. Magnésio (Mg): é elemento estrutural da molécula de clorofila, pectina e fitina, participa da fotossíntese, ativador enzimático e funciona como carregador de fósforo. Absorvido na forma iônica (Mg2+), é móvel no floema celular, por isso apresenta sintomas de deficiência primeiramente nas folhas velhas, assim como o nitrogênio, fósforo e potássio. Em condição de deficiência ocorre clorose internerval e a nervura da folha permanece verde. O excesso de magnésio promove indução de deficiência de potássio e/ou cálcio. Enxofre (S): absorvido na forma iônica SO42-, é constituinte dos aminoácidos cistina e metionina, de proteínas, clorofila, vitaminas e importante para fixação de nitrogênio. Esse elemento é pouco móvel na planta, por isso o sintoma de deficiência aparece primeiro nas folhas novas. A deficiência de enxofre nas pastagens do Recôncavo ainda não é preocupante, entretanto, a forte aplicação de adubos nitrogenados nessas áreas pode favorecer o desequilíbrio nitrogênio e enxofre afetando o crescimento da forrageira. Micronutrientes: nas condições edafo-climáticas da região do Recôncavo não se têm encontrado resultados satisfatórios do uso de micronutrientes nas pastagens. Dentre esses elementos (boro, cloro, cobre, ferro, manganês, molibdênio e zinco), o zinco é o micronutriente mais utilizado na maioria das culturas, além de sua forte interação com o fósforo no solo (Mengel & Kirkby, 1987). Estudos com micronutrientes são importantes para obter o máximo de eficiência produtiva e qualidade da forragem em pasto. RESULTADOS DE PESQUISAS COM FORRAGEIRAS NO RECÔNCAVO Na região do Recôncavo da Bahia ainda são incipientes os trabalhos de pesquisas direcionados para avaliação do estado nutricional de plantas forrageiras. Mais recentemente, como apoio do Mestrado em Ciências Agrárias, e com a formação do grupo de pesquisa em “Nutrição Mineral de Plantas e Pós-Colheita” da UFRB, estudos com macronutrientes isolados e em interações vêm sendo desenvolvidos com capins do gênero Brachiaria, principalmente o Brachiaria decumbens, que é o mais cultivado na região. Estudos com aplicação de calcário em pastagens de braquiária estabelecida em LATOSSOLO AMARELO foram desenvolvidos nos anos de 1998 e 1999 na então Escola de Agronomia da UFBA. Os resultados da Tabela 2
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demonstram que no primeiro ciclo da braquiária a elevação da saturação de bases (V%=60) incrementou o rendimento de massa seca em 95% e que saturação acima deste valor apresentou aumentos inferiores a este, quando comparados com a fertilidade natural do solo (V%=33). No segundo ciclo vegetativo, sem reposição da calagem, observou-se aumento linear, com 84% quando V%=80. Nos dois cortes não houve efeito significativo da calagem sobre a concentração de nitrogênio, assim como para os valores de proteína bruta na forrageira. Entretanto, o acúmulo de nitrogênio foi mais acentuado quando V%=70. Esses resultados indicam efeito positivo do aumento da disponibilidade de cálcio e magnésio no solo na qualidade da forrageira. Neste estudo, quando se fez a substituição de 25% do CaO do calcário por gesso agrícola, verificou-se apenas aumento de 27% e 14% no rendimento de massa seca da braquiária no primeiro e segundo cortes, respectivamente, quando o V%=50. Também não foi observada influência da presença do gesso agrícola nos teores de nitrogênio na planta, entretanto, a extração de nitrogênio do solo foi menor com o aumento da saturação por bases. Tabela 2. Rendimento em massa seca, teor, acúmulo de nitrogênio e proteína bruta do primeiro e segundo cortes da parte aérea do capim-braquiária, em função da saturação por bases (V%). Os valores são médios de quatro repetições.
------------------------------33 50 4628 5330 1812 2550 10,6 8,9 15,3 16,9 49,01 47,54 31,67 43,18 66,1 55,6 95,9 105,5 (V %) ------------------------------60 70 80 9040 8450 8230 2662 2975 3337 8,3 10,4 9,3 16,9 15,3 15,3 75,37 88,34 76,95 44,00 67,90 53,55 56,8 65,2 55,9 105,5 107,2 95,9

VARIÁVEIS Massa seda (kg ha ) Teor de N (g kg )
Acúmulo de N (kg ha )
-1

CORTE
-1

-1

Proteína bruta (g kg )

-1

I II I II I II I II

Trabalho não publicado. Resultados em Relatório de Pesquisa PIBIC (Silva & Santos, 1999a).

A aplicação de N, como fonte uréia, em pastagem implantada com braquiária demonstrou que houve incremento linear de 174% no rendimento da massa seca da forrageira (2300 para 6300 kg ha-1), na dose de N= 600 kg ha-1 no primeiro crescimento da cultura. No segundo crescimento houve efeito quadrático de resposta, com maior aumento de 104% (1710 para 3480 kg ha-1) na dose N=300 kg ha-1. O teor de N nas folhas aumentou significativamente na ordem de 424% e 32% no primeiro e segundo cortes da planta na dose de N= 600 kg ha-1, respectivamente. Nas hastes da planta esse aumento foi de 800% no primeiro e 24% no segundo corte. Nessa dosagem de N no solo, obteve-se aumento de N acumulado na planta superior a 800% (13,7 para 134,8 kg de N ha-1) no primeiro corte, e de 156% (27,41 para 62,78 kg de N ha-1) no segundo corte da forrageira, quando comparado com o tratamento sem aplicação de uréia (Silva & Santos, 1999b). Estudo desenvolvido por Carvalho (2000), avaliando o comportamento de algumas gramíneas e leguminosas em LATOSSOLO AMARELO no município de Cruz das Almas-BA, demonstrou que a Crotalária juncea e a mucuna apresentaram rápido crescimento no período inicial, precocidade na produção de massa, boa cobertura do solo e bom volume de raízes em profundidade. Por isso, essas plantas apresentam potencial para serem usadas como adubo verde e na recuperação de solos fisicamente degradados. Por outro lado, o autor constatou que o calopogônio apresentou menor velocidade de crescimento no período inicial, sendo mais tardia para cobertura total do solo. Nesse estudo, o capim cameroon e a braquiária humidícola apresentaram grande velocidade de crescimento no período inicial do ciclo vegetativo, podendo assim, serem competitivas com a vegetação nativa. A produção de massa seca do cameroon foi superior às demais espécies estudadas, confirmando ser uma excelente opção como forrageira de corte na região. Esses resultados indicam a importância da diversificação de espécies num ambiente de pastagem, condição que favorece o melhor aproveitamento de água, nutriente e adequação às variações climáticas. Estudos com resíduos orgânicos e adubação mineral com NPK no capim-braquiária demonstraram que a produção de massa seca aumentou de forma mais significativa com a adubação NPK, que em relação às adubações com esterco bovino curtido e compostos de lixo selecionado e não selecionado. O rendimento de forragem e o número de perfilhos não foram influenciados com adição dos compostos orgânicos, sendo o esterco bovino o mais eficiente no rendimento de forragem (Rodrigues, 2001). Santos & Santos (2002), estudando a interação N:S em capim-braquiária, observaram no primeiro corte que houve efeito significativo para as doses de nitrogênio e para a interação, entretanto, não foi observada significância do enxofre isoladamente. O maior rendimento em massa seca foi obtido com a dose de N=300 kg ha-1, correspondendo a
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Universidade Federal da Bahia. Em presença de altas concentrações de P (200 kg P2O5 ha-¹) o maior acréscimo no rendimento de massa seca foi obtido com a dose 50 kg K2O ha-¹. 1975. 2003). respectivamente. Lomanto Neto (2002) observou que numa pastagem degradada de capim-braquiária a produção de massa seca das folhas. Viçosa. 2000. v. Mg e N nos dois ciclos de crescimento do capim-braquiária. D. (2004). 74f. Rio de Janeiro: IBGE.uma concentração em N de 18. 2009 179 . FLANT. São Paulo: USP. espera-se que as pesquisas com plantas forrageiras possam continuar de forma ainda mais intensiva. As doses de K2O 50 e 100 kg ha-¹ promoveram um incremento de massa seca de 40 e 60%..8 g kg-1 e 14. 2001. de. caracterização e cinética do crescimento de leguminosas e gramíneas com alto poder relativo de penetração de raízes em solo coeso dos tabuleiros costeiros do recôncavo baiano.I. Nutrição mineral de plantas: princípios e perspectivas.gov. vez que estes normalmente apresentam baixas concentrações desse elemento. enquanto que a interação com as doses 100:40 apresentou um aumento de cinco vezes no rendimento em relação ao tratamento controle. A adubação fosfatada é imprescindível no estabelecimento de pastagens nos solos da região do Recôncavo. C. Identificação. Os resultados apresentados demonstram a significativa influência da adubação mineral nas pastagens do Recôncavo da Bahia. D. a eficiência da adubação fosfatada aumenta com a disponibilidade de Mg no solo. C. Piracicaba: Associação Brasileira para Pesquisa de Potassa e do Fosfato. 115f.R. 1.ibge. http://www. o aumento das doses de P num LATOSSOLO AMARELO favoreceu maior concentração e acúmulo de P.. A.L. S. Tópicos em Ciências Agrárias. Avaliando a interação N:P num LATOSSOLO na região de Amargosa. a concentração e o acúmulo do N e P. N. apresentando 121% quando comparado a omissão de P e K (Santos & Santos. Disponível em: DEMATTÊ. Em estudo de interação P:Mg. 2000. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) Escola de Agronomia. Com isso. resultante de vários fatores de manejo da forrageira. No primeiro crescimento a interação N:P nas doses 200:160 (kg ha-1) promoveu um aumento de 14 vezes em massa seca.. assim como. GRANT. A. com características de degradação com baixa produção de massa seca. No segundo crescimento não houve significância para S e nem para a interação N:S. Manejo de solos ácidos dos trópicos úmidos: região Amazônica. De acordo com Santos (2003). Exigências de fósforo para o estabelecimento de gramíneas e leguminosas forrageiras tropicais em solos com diferentes características físicas e químicas. 341p.5 g kg-1 no limbo foliar e na haste da forrageira. (1996) em relação à concentração de P na planta. principalmente nas áreas de capins do gênero Brachiaria. S. SHEPPARD. quando em omissão de P. e altas concentrações de P no solo apresentou melhor desempenho da forrageira quando a dose de magnésio foi de 40 kg ha-1. (Informações Agronômicas. e que os conhecimentos gerados possam melhorar a produtividade e qualidade das pastagens da região. Campinas: Fundação Cargill. Segundo Santos et al. apresentaram respostas significativas com a aplicação desses elementos. TOMASIEWICZ. Cruz das Almas. 1988. EPSTEIN. 1988. A importância do fósforo no desenvolvimento inicial da planta. respectivamente. do solo e do excesso de animais por área e do tipo de criação. CENSO Agropecuário 2000. Dissertação (Mestrado em Agronomia) Universidade Federal de Viçosa. E.shtm. J. J. Esses resultados foram semelhantes aos obtidos por Guss (1988) e Rao et al. das hastes e parte aérea.br/ibge/estatística/economia/agropecuária/censoagro/default. 95) 5p. A adubação de pastagens através da interação P:K também vem sendo avaliada na região. o rendimento de massa seca da braquiária foi influenciado pela adubação fosfatada e magnesiana. 215p. REFERÊNCIAS CARVALHO.L. GUSS. UFRB.

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Rozilda Vieira Oliveira Sacramento & Robson Rui Cotrim Duete Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 14 DESORDENS NUTRICIONAIS EM POMARES CÍTRICOS NO RECÔNCAVO BAIANO Washington Luiz Cotrim Duete.

estando a Bahia em 2º lugar participando com apenas 4. um contingente superior a 20 mil pessoas. Cruz das Almas-BA. resultando em plantas de baixo vigor. conforme relatos de Legaz et al. comprometendo a produção e a longevidade dos pomares. segundo classificação de Malavolta & Prates (1994) (Tabela 1). caracterizando-se pela baixa capacidade de retenção de água. Sapeaçu. será avaliado neste capítulo.1988). obtendo-se maiores rendimentos a baixas doses. Ambientais e Biológicas/UFRB. Cabaceiras do Paraguaçu. Cruz das Almas-BA. o estado nutricional dos pomares de laranjeiras nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira situados no Recôncavo Baiano. que é realizado nas entrelinhas dos pomares. entre 27 a 30 g kg-1. Robson Rui Cotrim Duete 3 1 2 3 Professor . de textura média. Quaggio et al.br. Conceição do Almeida. a atividade citrícola no Estado sofreu decréscimo na produção de laranja de 21%.842 frutos ha-1 (SEI-BA. Desta produção o Recôncavo Baiano responde com 15.65 % dessa produção. razão pela qual seus teores no solo são sempre baixos. o N segue a lei dos incrementos decrescentes. Considerando as condições climáticas da região. Desta forma. com predominância do Latossolo Amarelo distrófico. apresentando ainda 41% dos pomares com altas concentrações.98% no ranking nacional. Aliado a estes fatores acrescenta-se ainda a adubação insuficiente. passando de 4.61% da produção mundial segundo dados da FAO (2004). Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. com rendimento médio de 68.20 cm quanto de 20 a 40 cm. ausência de controle fitossanitário e o manejo inadequado. segundo Obreza (1996). Rozilda Vieira Oliveira Sacramento2. possivelmente.DESORDENS NUTRICIONAIS EM POMARES CÍTRICOS DO RECÔNCAVO BAIANO Washington Luiz Cotrim Duete1.Centro de Ciências Agrárias. apresentaram-se na faixa de muito baixo a baixo. Nitrogênio Na região em estudo os teores foliares de N apresentaram-se adequados em 59% dos pomares na faixa de 24 26 g kg-1 de N. a partir da diagnose foliar e das condições de fertilidade apresentada pelo solo. com destaque para os municípios de Cruz das Almas.Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA). pela capacidade desta armazená-lo nas folhas para redistribuição nos períodos de florescimento e frutificação. o suprimento adequado e alto de N nas plantas pode ser explicado pelas freqüentes adubações orgânicas com esterco de animal. participando com 26.edu. Nesta região a citricultura desenvolve-se em solos de Tabuleiros Costeiros. Com a mesma preocupação. além da torta de mamona utilizada quando da aplicação da fórmula 10-10-10 fornecidas aos agricultores para o cultivo do fumo. ocupando ainda a posição de maior exportador de suco concentrado. UFRB. Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO O Brasil destaca-se no cenário mundial como maior produtor de laranjas. Uma das melhores técnicas para avaliar o estado nutricional dos pomares e orientar programas de adubação consiste na análise foliar aliada aos conhecimentos da fertilidade do solo e das influências de outros fatores (Rodriguez. a citricultura tem grande importância social. identificando as desordens nutricionais . pois emprega. (1995). é intenso o processo de mineralização da matéria orgânica. conforme visualiza-se na Tabela 2. Considerando os altos valores encontrados convém relembrar que. Na Bahia. excessos e desequilíbrios responsáveis pela baixa produtividade dos pomares. suprindo 80% da demanda mundial e gerando divisas de US$ 1 bilhão/ano.edu. estando o N em nível adequado a alto na planta. A produção nacional é liderada pelo Estado de São Paulo o qual responde por 79. a cada safra. acidez natural e presença de camadas adensadas limitando a infiltração e o aprofundamento do sistema radicular.55%. É importante chamar atenção que os teores de matéria orgânica do solo tanto nas camadas de 0 .4 bilhões em 2000. E-mail: wlcduete@ufrb. Tópicos em Ciências Agrárias. Muritiba. E-mail: rozilda@ufrb. 1. para 3. Castro Alves e Governador Mangabeira.3 bilhões de frutos em 1999. A despeito dos baixos teores de matéria orgânica encontrados neste solo. 2004).deficiências. 2009 185 . Entretanto.br Pesquisador . v. (1998) observaram decréscimo de rendimento com teores foliares de N igual a 28 g kg-1.

.0 0 44. macronutrientes e propriedades do solo.......6 8...... em pomares de laranjeira 'Pêra' nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA.0 88... Freqüência de amostras observadas por classe de teores foliares de macronutrientes em pomares de laranjeira 'Pêra'... nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA... 186 Tópicos em Ciências Agrárias.0 41....8 17. 2003.. % .8 2........2 0 26.5 11.9 11.8 0 0 97........2 MO 20 – 40 0 – 20 P 20 – 40 0 – 20 K 20 – 40 0 – 20 Ca 20 – 40 0 – 20 Mg 20 – 40 0 – 20 S 20 – 40 Acidez efetiva (1) pH(CaCl2) (1) 0 – 20 20 – 40 A interpretação desta característica deve ser alta e muito alta em lugar de bom e muito bom. cm ..... UFRB.. 3. 1... v................5 8...9 0 11...6 20.....6 73...8 8.1 0 0 0 0 0 50...9 20.... Parâmetros químicos Classe de teores Profundidade .........9 0 5...5 50.9 44......... nas duas profundidades. N P K S Ca Mg 0 0 0 0 0 0 0 11....9 41.8 0 14.....1 11...8 0 91..... Classe de teores Elementos Deficiente Baixo Adequado Alto Excessivo .9 5.8 0 0 0 17....0 Tabela 2...0 17.8 5.6 88.......5 2.3 17..8 64...2 53.........9 41.6 14.0 88.. 0 – 20 Muito Baixo Médio Bom Muito bom baixo .......6 2.6 0 0 0 14..9 2...8 2...Tabela 1..6 58.7 0 23.9 14.0 11.. 2003.. Freqüência de amostras observadas por classe de teores de matéria orgânica.5 26.2 0 59..5 88.............0 8...2 20....6 61.7 20.9 0 2...2 59........7 2.....6 26.8 0 0 29.3 23..8 17.7 26..8 0 8......... % ....7 0 2...6 35....0 0 38.. 2009 ...6 73......

Além disso. Neste sentido.7%. 1983). Considerando as condições físico-químicas dos solos estudados e a presença da camada coesa encontrada nos Latossolos dos Tabuleiros Costeiros.40 cm.1. Uma das razões para explicar tal situação deve-se Tópicos em Ciências Agrárias. contrastando com os 88. num pomar cítrico a reciclagem da matéria orgânica fornece a maior parte do N necessário para formar novas folhas e galhos. 2003. consideradas ideais por Malavolta et al. Quaggio (1996) afirma que os citros não são menos exigente em P que as culturais anuais. respectivamente. Assim. nas camadas de 0 . apresentaram teores foliares adequados. em estudo sobre a contribuição de N provenientes da mineralização de resíduos de folhas e galhos secos que retornam ao solo.7 g kg-1 em 88. Em contradição. 2009 187 . 1983.2 .2% dos teores foliares adequados.8% em classe de teores considerados bom e 2. sendo que 76. a análise da fertilidade do solo não possibilita estimar a disponibilidade de N devido à dinâmica deste elemento no processo de decomposição e mineralização da matéria orgânica. v. até certo ponto por um maior crescimento vegetativo e baixa mobilidade do mesmo na planta. Apesar dos 88.3. 35.9 % muito bom (Tabela 2).1.1% dos pomares.47% dos pomares apresentaram relação acima de 19 e 17. quantidade que corresponde de 1/3 à metade da recomendação anual de N para árvores adultas de citros.8% na faixa de 0. possivelmente em razão dos altos teores de K encontrados em 38. baixo. (1997).3% dos pomares com baixo teor de Ca apresentaram altos teores de N. sendo assim pequena fertilização de N supri essa função.9 .2% dos pomares e baixos em 11. UFRB.88.20 cm entre as faixas. no solo a distribuição desses teores em faixas de classificação apresentaram-se abaixo da adequada.2% dos pomares apresentaram classe de teores baixo e alto. com percentual de 26. Obreza. acredita-se ser a justificativa dos três autores acima citados a mais aplicada às condições locais. comprovaram que esses resíduos podem contribuir com até 153 kg ha-1 ano-1. Com o cruzamento dos mapas temáticos de P no solo (20-40 cm) e P foliar visualizado na Figura 1. apresentando valor médio de 1. para o qual a laranjeira pode produzir satisfatoriamente num solo pobre em P enquanto que uma cultura anual poderia mostrar sintomas de fome. que é um fator limitante ao desenvolvimento do sistema radicular. Os teores de K no solo distribuíram-se na camada de 0 .Vale também ressaltar que a ciclagem de N em ambiente de pomar cítrico é complexa e tem sido objeto de estudo por vários pesquisadores.2 proposto por Malavolta et al. respectivamente (Tabela 2). mas sim que as plantas cítricas são mais eficientes na absorção de P no solo devido à extensão do sistema radicular e maior tempo para absorção. baixo e médio. Já na camada de 20 . Potássio A distribuição em classes de teores mostra na Tabela 1 que 53% dos pomares estão na faixa adequada com os teores variando de 10 a 14 g kg-1 de acordo com os limites estabelecidos por Malavolta & Prates (1994). pode-se observar que os pomares localizados em áreas com teores de P no solo classificados como muito baixo. Apesar dos baixos teores de K no solo. a relação média N/P foi de 20.5% dos pomares amostrados apresentaram relação N/K abaixo do limite de 2. 1.85. a fertilização com o elemento P está mais relacionada com a melhoria do crescimento vegetativo que com respostas positivas quanto ao rendimento (Malavolta. para 55. respectivamente. médio. bom e muito bom. do que com as exigências da plantas ou a capacidade das raízes para absorver P. Convém destacar que 76. 8. diluindo sua concentração nas folhas. respectivamente.20 e 20 .3% dos pomares apresentaram teores abaixo do adequado com apenas 8. Dou et al. Pesquisas têm demonstrado uma maior correlação no estudo entre as relações dos nutrientes com a produtividade que considerando os teores isolados dos elementos.5 e 14. Koo. 53 e 38.1 g kg-1 (Tabela 1).16. respectivamente. Fósforo Os teores foliares de P apresentaram-se adequados na faixa de 1.5. Segundo Obreza (1996).8 e 38. justificando que as altas doses de P usadas nos pomares cítricos estão mais relacionadas com a diminuição na disponibilidade do elemento por fixação e com o pequeno sistema radicular. (1991) e o Grupo Paulista de Adubação e Calagem para Citros (1994).8% e 97. Estes resultados estão de acordo com as afirmações de Malavolta (1983). Koo (1985) afirma que as inter-relações são os fatores predominantes sobre os teores de nutrientes nas folhas.40 cm.2% dos pomares apresentaram teores foliares de K na faixa de adequada e alta.2% dos pomares. As reduções dos teores foliares de Ca são devidas possivelmente. 23.2% dos pomares apresentarem teores foliares de P adequados. Verifica-se também uma associação negativa entre as concentrações de N e Ca nas folhas uma vez que 61. (1991) como ideal para atingir uma produção superior a 800 cx ha-1. Nesta região. na camada de 20 .40 cm 88.

Observando a Tabela 1 percebe-se que 91. estejam adequados para suprir as necessidades das plantas cítricas (Figura 2).9% médios e 50% de bom a muito bom. leva-se em conta que os teores considerados baixo pela tabela de interpretação de fertilidade do solo proposta pela CFSEMG (1999).2. Malavolta et al. 0. Cálcio Os teores foliares de Ca apresentaram-se baixos na faixa de 20-34 g kg-1 em 91.31 e 3. Outra hipótese para explicar tal situação. Já na profundidade de 20-40 cm 85.GPACC (1994) são: 0. enquanto que as áreas que apresentaram teores de K nos solos de baixo a 188 Tópicos em Ciências Agrárias. uma vez que não existe nenhuma comprovação experimental que o nível de 35 g kg-1 proposto por Malavolta & Prates (1994) seja realmente o mínimo necessário às necessidades metabólicas da planta. percebendo significativa redução dos teores com o aumento da profundidade. (1975) e Embleton et al.2 e 100% dos pomares nas duas profun-didades respectivamente. Conforme Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais (1999). os valores da relação K/Ca foi maior e K/Mg a menor de todas as demais citadas. No solo na profundidade de 0 .1% dos pomares encontra-se na classe de teores baixa a muito baixo.8% adequados (Tabela 1). o limite superior da classe média correspondente a 24 mmolc dm-3 para o Ca. Entretanto. combinada com os baixos teores de Ca e Mg no solo favorecem uma alta absorção de K pelas plantas segundo Malavolta (1980) e Boyer (1985). chamando também atenção que este antagonismo foi mais forte entre K e o Ca. onde predomina argila do tipo 1:1 e óxidos hidratados de Fe e Al podendo ainda estes óxidos obstruírem as camadas das argilas 2:1 caso elas estejam presentes nestes solos. pode ser atribuída aos baixos teores de matéria orgânica encontrados nas duas profundidades nestes solos uma vez que.3% dos pomares foram classificados como baixos segundo tabela de classificação. Neste levantamento as relações médias de K/Ca e K/Mg foram 0. 11% médio e apenas 2. uma vez que.3% dos pomares estão baixo a muito baixo. Observa-se na Figura 3 que os teores foliares de Ca variaram em função dos teores de K no solo na profundidade de 0 .85. percebendo que as áreas onde os teores de K foram classificados como bom e muito bom apresentaram menores teores de Ca foliar. Enxofre Os teores foliares de S para 41 e 59% dos pomares apresentaram-se na faixa adequada e alta. do que entre o K e o Mg. esta constitui uma das principais fontes fornecedoras de S à planta.5 e 29. Quanto aos baixos teores de K no solo. Além disso. 2.2% dos pomares segundo as classes de interpretação para os teores foliares propostas por Malavolta & Prates (1994).3 e 3.0. enquanto que na profundidade de 20-40 cm.inicialmente às altas adubações realizadas nos pomares utilizando a fórmula 10-10-10 que.72g kg-1. (1978) já haviam demonstrado que os aumentos nos teores foliares de K levaram à redução nos teores de Ca. 2009 . deve-se ressaltar que pesquisas realizadas em solos arenosos de baixa fertilidade tem obtido produção máxima e nível crítico com teores foliares de Ca no valor de 28. 73. Os valores ótimos para as relações K/Ca e K/Mg nas folhas de citros em estudos realizados no Estado de São Paulo segundo Sanchez (1979). Na camada de 0-20 cm 47. com apenas 8. sendo assim 91.20 cm. ressaltando-se também que não se observou na área de estudo relevante problemas de deficiência de Ca. UFRB. v. a região apresenta clima subúmido a úmido e os solos têm grande possibilidade de serem deficiente em S por causa do rápido processo de mineralização da matéria orgânica. constante na tabela de interpretação de fertilidade do solo.20 cm.49 e 2. demonstrando altas concentrações de K.2% dos pomares encontram-se na faixa adequada a alta para K enquanto que a mesma percentagem de pomares apresentam teores baixos de Ca e 94. 1. Uma possível razão para explicar as baixas concentrações de S encontradas em ambas as camadas. estão com teores de Ca no solo abaixo do nível crítico razão pela qual 91. Como também Weir (1969) observou que o K era o nutriente mais fortemente antagônico das bases estudadas.24 e 4. Nagai et al. 88. respectivamente. respectivamente.2% do mesmo apresentaram baixos teores de Ca nas folhas. 0. favorecendo ainda mais a lixiviação. A discrepância desses dados indica a necessidade de reavaliação da faixa de teores considerados adequados para a cultura na região. podem ser justificados pelas perdas por lixiviação comum nos solos tropicais e com alto grau de intemperismo. baixa concentração de Ca e elevada concentrações de Mg foliar nestes pomares.9% considerados bons (Tabela 2).1% alto a excessivo para Mg. indica o nível crítico deste elemento no solo.82 respectivamente. (1991) e Grupo Paulista de Adubação e Calagem para Citros .6% dos pomares apresentaram teores médios (Tabela 2). respectivamente (Tabela 1).

UFRB. 2009 12°39'36"S P solo x P foliar 12°36'0"S GOVERNADOR MANGABEIRA 189 .. 44.1% dos pomares com teores altos a excessivo de Mg. A despeito dos elevados teores foliares de Mg encontrados na região. analisando resposta da adubação N e K em citros em quatro experimentos. Tópicos em Ciências Agrárias. na região em estudo. torna-se arriscado tal recomendação. sugerindo assim a reavaliação das faixas de teores foliares para esse nutriente. uma vez que o Mg atua na síntese de proteína. de acordo com Baumgartner (1996). nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA.20 cm. apenas 5. Esta observação torna-se importante pois. maior que 10.1 e 50% dos pomares foram classificados em altos e excessivos. 91.500 m 39°9'0"W 39°3'36"W 38°58'12"W Figura 1. (1991) após avaliar a composição mineral das folhas de laranjeira por um período de 10 anos. Já a relação Ca/Mg no solo apresentou na profundidade de 0 . Uma outra possível razão para explicar os elevados teores de Mg foliar pode estar relacionada com as freqüentes adubações nitrogenadas realizadas na região utilizando as fórmulas 10-10-10. não há na literatura indicação de efeitos depressivos do excesso de Mg em condições normais de cultivo. Magnésio Dos pomares amostrados. deve-se à participação do Mg no metabolismo do N. 1.250 2. Cruzamento entre os mapas de P no solo na profundidade de 20-40 cm e P foliar. Entretanto.5 . observou que com o aumento nas doses de N houve elevação dos teores de N e Mg foliar.MG.3. convém ressaltar que. considerada como baixa segundo Guardiola (citado por Vitti et al. alta 7 a 10 e muito alta. respectivamente (Tabela 1).0 g kg-1 não relacionando a efeitos prejudiciais na planta. 1996) o qual apresenta ainda como normal a relação entre 4 a 6. segundo Koo (1983). Vale ressaltar que a baixa relação encontrada nos pomares da região se justifica em razão dos baixos teores de Ca e alto a excessivo teores de Mg.3. usando os atuais critérios de diagnose foliar.68 bem inferior ao valor 10 proposto por Sanchez (1979) para pomares de São Paulo e 18 encontrado por Malavolta et al. A relação média Ca/Mg foliar encontrada nos pomares estudados foi de 5.9% apresentaram teores de Mg adequados. 2003.0 g kg-1.médio registraram maiores teores de Ca nos pomares. o que induziria à necessidade do uso de calcário calcítico. sendo que. 39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S 12°36'0"S MURITIBA 12°39'36"S Muito baixo Muito baixo Baixo Baixo Médio Bom Muito bom Baixo Adequado Baixo Adequado Adequado Adequado Adequado 0 1. em Alfenas . 20-08-20 e torta de mamona pois. na faixa de 2. valor médio correspondente a 2. Esse efeito sinérgico.2% dos pomares apresentaram teores foliares baixo de Ca associado a 94. sendo comum no estado de São Paulo teores foliares de Mg acima de 5. segundo Malavolta (1980). v. devido aos baixos teores de Mg neste solo.

para as camadas de 0 .Os teores de Mg nos solos em 17.4% em altos e excessivos. nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA. bom e muito bom. 2003.20 cm.0 mmolc dm-3 para o teor de Mg no solo. segundo Karim et al.3% dos pomares amostrados exibem teores médios para a profundidade de 0 . Cruzamento entre os mapas de K no solo na profundidade de 20-40 cm e K foliar. médio e muito bom.500 m Muito baixo Muito Baixo Baixo Baixo Baixo Médio Médio Bom Muito bom 38°58'12"W Figura 1. respectivamente. respectivamente.3 e 97.6. Cobre Os teores foliares de Cu apresentaram-se adequados em 94. 39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S 12°36'0"S MURITIBA K solo 12°39'36"S x K foliar Baixo Adequado Baixo Adequado Alto Adequado Alto Alto Alto 39°9'0"W 39°3'36"W 12°39'36"S 0 1.9% dos mesmos foram classificados como muito baixo. 2009 12°36'0"S GOVERNADOR MANGABEIRA . UFRB. encontrando 53% dos pomares com teores ótimos e 38.40 cm pode ser explicada.9% dos mesmos (Tabela 3).6.8 e 5. Resultados semelhantes foram encontrados por Coelho & Matos (1991). baixo. 11. também Valadares (1975) constatou essa diferença encontrando alta correlação entre o teor de Cu e de argila em alguns perfis. os quais não observaram teores baixos ou deficientes desse nutriente para os pomares do Estado da Bahia. 64.7.40 cm respectivamente.40 cm. para a profundidade de 20 . Considerando o nível crítico de 9.6 e 2. pela baixa mobilidade deste elemento no solo favorecendo seu acúmulo na superfície. v. 1. Esta diminuição de disponibilidade do Cu na camada de 20 .20 e 20 . 82. respectivamente (Tabela 2). 20. 190 Tópicos em Ciências Agrárias. para a profundidade de 0-20 cm. 76. estabelecido por Quaggio (1992) e a Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais (1994) conclui-se que.1% dos pomares amostrados estão com teor de Mg no solo inferior ao nível crítico citado. (1976).9% dos pomares estudados foram classificados como baixo.9. apresentam proporcionalmente teores baixos e médios.40 cm 2. Pela Tabela 4 observa-se que os solos de 88. médio.1% dos pomares e baixo em apenas 5.3% e 8. enquanto que na profundidade de 20 .250 2. a despeito dos altos a excessivos teores foliares de Mg.

. Distribuição em classes dos teores de K no solo na profundidade de 0-20 cm e Ca foliar (g kg-1) nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA.9% foram classificados como deficientes e adequados... Classe de teores Nutrientes Deficiente 0 2. o que é uma característica dos Latossolos onde predominam sesquióxidos de Fe e Al e principalmente as argilas do tipo 1:1 (caulinita).39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S ## # # ! ! # " ! # " ! ! # # ! " GOVERNADOR MANGABEIRA 12°36'0"S # ! X ! ! X ! ! ! ! ! ! MURITIBA 12°39'36"S K solo Baixo ! 23. a classificação encontrada na Tabela 3.......38 0 1. 2009 12°39'36"S 12°36'0"S ! !X # ! 191 .1 5.6% dos pomares como altos.500 m 38°58'12"W Figura 3.90 39°9'0"W 39°3'36"W Ca foliar X 21.. % ... 2003...........7 64.55 ... reavaliar tais tabelas... apenas 2. Cu Fe Mn Zn Ferro Percebe-se na Tabela 3 que 91...250 2. Estes resultados não estão de acordo com os encontrados por Coelho & Matos (1991) em levantamento de pomares cítricos na Bahia.27. a distribuição dos pomares em classe de suficiência mudaria... Observa-se na Tabela 4 que os teores de Fe no solo apresentaram-se altos em 100% dos pomares nas duas profundidades..9 e 5.. UFRB.. alto. atingindo 82. mostra que 91...34.. Freqüência de amostras observadas por classe de teores foliares de micronutrientes em pomares de laranjeira 'Pêra'..3 Adequado 94... no entanto. segundo Malavolta & Prates (1994)..81 .............9 91..13 .....7%.2% dos pomares Tópicos em Ciências Agrárias..4% como adequado. 1......... que classificaram 86.2 26.39 ..54 Bom Muito Bom " 34.23.....7 Baixo 5.........9 8.. Tabela 3. Considerando a classificação do GPACC (1994).8 0 Alto 0 0 0 0 Excessivo 0 0 0 0 ..2% dos pomares apresentaram teores baixos de Fe e apenas 2..5 35.. Estas discordâncias possivelmente podem ser explicadas em razão do uso de diferentes tabelas de interpretação uma vez que. Coelho & Matos (1991) classificaram segundo Rodriguez (1979).39.......9 64.. 2003... nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA. v....12 Médio # 27.... respectivamente.9% baixo e 14.. sendo necessário portanto.

.3 50....9 0 58........ Classe de teores Baixo 8... apresentado na tabela de interpretação dos teores..4 32.... 76.7% e 76...0 0 0 94.5 mg kg-1 e 6.8 50..... (1997).. que os teores de Mn na profundidade de 0-20 cm dos solos de 94. a pobreza natural destes solos. Visualiza-se na Tabela 4.. % . não se observou nenhum sintoma de deficiência visual de Fe nos pomares. Observa-se na Figura 4.. cm .12% estão localizados em área com baixos teores de Mn no solo...7% dos pomares cítrico do Recôncavo Baiano foram classificados como deficiente enquanto que. Entretanto. enquanto que para a profundidade de 20-40 cm.. 67. 16. este antagonismo se fez presente considerando baixa concentração de Mn no solo e alta concentração de Mg nas folhas.7%. originados predominantemente de rochas ácidas......... possivelmente. respectivamente. UFRB. segundo Mass et al.... baixo e adequado. Contrastando com os resultados encontrados neste trabalho.. respectivamente. Esta relação antagônica é comumente encontrada na literatura considerando altas concentrações de Mn que.. a razão para os baixos teores encontrados é. nas duas profundidades. raio iônio e grau de hidratação semelhantes.94 mg dm-3 e 1. 2003. A similaridade existente entre esses dois íons deve-se possivelmente por apresentarem valências iguais. 2009 ...8% na faixa de deficiente...8 .7% dos pomares deficientes. 26. pode diminuir a absorção de Mg principalmente em solos ácidos e com baixo teor de Ca.8 8. (1969).. os teores médios (2... 78...0 0 0 0 67... baixo e ótimo...... Segundo Raij et al.. Coelho & Matos (1991) relataram teor médio de 30. Tabela 4.. Cu Fe Mn Zn 0 – 20 20 – 40 0 – 20 20 – 40 0 – 20 20 – 40 0 – 20 20 – 40 Zinco Observando a Tabela 3 percebe-se que 64. Manganês A distribuição dos pomares em classes de teores foliares.......9 0 100 100 5.6% dos pomares foram classificados como deficiente. o que favoreceria a alta disponibilidade de Mn no solo. Freqüência de amostras observadas por classe de teores de micronu-trientes no solo....4 29.. em pomares de laranjeira 'Pêra' nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA.. 1.8 61. daí a possibilidade da absorção de Mg ter sido favorecida pela baixa concentração de Mn e também pela baixa concentração de Ca.....7%..7% e 35.. muito abaixo do nível crítico sugerido pela referida Tabela..4% encontram-se na classe de teores baixo e médio.4 Alto 2. respectivamente... Tal constatação reforça o que foi exposto acima quanto à necessidade de rever as faixas de classificação dos teores foliares de Fe para citros. Tabela 3.3% dos pomares foram classificados como deficiente e baixo respectivamente. relação antagônica entre os teores de Mn no solo e Mg foliar onde dos 94..1% dos pomares foram classificados como médio. Parâmetros químicos Profundidade . Além disso..6 8..apresentaram baixos teores foliares de Fe.27 mg dm-3) apresentados em ambas as profundidades nos pomares da região.6% e 32. o nível crítico de Mn no solo..1% dos pomares com teores foliares de Mg alto a excessivo. o que explica os 64. Considerando que o solo da região em estudo apresenta acidez efetiva alta a muito alta.. v.6% dos pomares do levantamento do Estado foram considerados na faixa de ótimo..8 Médio 88..1 32. estando portanto. 192 Tópicos em Ciências Agrárias... Percebe-se com isto que os 64.5% e 8.. apresentou 64.. seria o limite superior da classe média correspondente a 5 mg dm-3.

Tópicos em Ciências Agrárias. tendo como conseqüência imediata a revitalização da cultura na região.500 m 38°58'12"W Figura 4. os teores na folha permitiram classificar os pomares em. Enquanto que.4% e 8. mostrando com isto maior relação com os teores foliares. percebe-se que 8. Entretanto. UFRB.8% dos pomares estão classificados como baixo.8%.2% dos pomares classificados como nível médio a alto. 29. uma vez que. que segundo Malavolta (1980) os citros está classificado como pouco eficiente. contribuindo com isto para o aumento da produtividade. respectivamente. melhorar os tratos culturais e manejar adequadamente os solos. que apesar dos teores de Zn no solo na camada de 0-20 cm apresentarem 91.8%.4% e 58.7% deficiente e 35. constituindo uma base para elaboração de programas que possibilitem. 2009 193 . para a profundidade de 20-40 cm observou-se uma distribuição de 61. Aliado a esses fatores soma-se ainda a capacidade diferenciada na absorção de Zn pelas plantas. 1. não correlacionando com os teores no solo para a profundidade de 0-20 cm. Distribuição em classes dos teores de Mn na profundidade de 20-40 e Mg foliar nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA. na profundidade de 20-40 cm 61.250 2. com a experimentação local. Vale ressaltar.8% como baixo.3% em nível baixo. 32. Uma outra possível razão para explicar a deficiência e os baixos teores de Zn nos pomares em estudo pode ser a sua capacidade de adsorção no solo. Os resultados encontrados fornecem um diagnóstico da citricultura regional.Pela Tabela 4.8% foram classificados como baixo. médio e alto nas classes de teores de Zn para as camadas de 0-20 cm. como no solo em estudo predomina óxido de Fe e Al a capacidade de adsorção é alta diminuindo sua disponibilidade. 2003. a definição de curvas de calibração de análise de solo para calagem e adubação com macro e micronutrientes. 39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S "" " " " " " " # ! " # 12°36'0"S 12°36'0"S " " " # " ## # " " " # GOVERNADOR MANGABEIRA # # # " # # ! MURITIBA # # # 12°39'36"S 12°39'36"S Mn solo Mg foliar Baixo ! Adequado Médio # Alto " Excessivo 39°9'0"W 39°3'36"W 0 1. 64. a adsorção é um fator importante no controle da concentração do elemento na solução do solo. médio e alto. v.

. (ed. p. 1991. 1999. B.GPACC. R.2. et al. 13-71. 1978. Recomendações de adubação e calagem para citros no Estado de São Paulo. 1077-1086. n. 1997.7. R. C.. Nutrição mineral e adubação de citros.. COMISSÃO DE FERTILIDADE DO SOLO DO ESTADO DE MINAS GERAIS CFSEMG. frescos y elaborados. H.173. PRATES. 4. COELHO. KOO. C. B. T. Sidney. Nota sobre a interpretação dos teores de macro e micronutrientes nas folhas de diversas variedades de laranjeira. Brasília. J. ed. 1. Seja doutor de seu citros. 4). São Paulo: Editora Agronômica Ceres. 1978. The profile distribution of total and DTPA-extractable copper in selected soils in Louisiana.. MALAVOLTA. E. Madison: SSSA. Plant and Soil. W. p. (ed.345-356. KHAKURAL. UFRB. 16 p. 4. 5ª aproximação. 4. 2004. In: MUNSON. A. DOU. mar.. S. J. Effects of fertilization of citrus on fruit quality and graund water nitrate-pollution potencial. 1983. v. G. PICCIN. Disponível em: http://www. 1996. MATOS. 1994. Dinâmica dos elementos químicos e fertilidade dos solos. 335-340. Frutos cítricos. 1994. Diagnose foliar na citricultura brasileira. Elementos de nutrição mineral de plantas. H. 359 p. C. 1226-1232. In: INTERNATIONAL CITRUS CONGRESS. E. 1985. Piracicaba. Soil Science Society of America Journal. Recomendações para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais.. 26. MALAVOLTA.12.). In: YAMADA. 1995.K. p. (ed. J. 61-76.. S.. M. Nutrição mineral e adubação dos citros.. p. Nutrição e adubação dos citros. v. Madison. KOO.). 1983. 280-285. v. L. 3 ed. New York. p. T. E. 2009 . 1996.. Campinas: Fundação Cargill.437-452. D. p. R. J. R. 27 p. 311p. Y. n. 1985. Nitrogen mineralization from citrus trees residues under different production conditions. LEGAZ. Pesquisa Agropecuária Brasileira. estadísticas anuales. 65 mar. F. 1991. FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS -FAO.205-210. R. SERNA. Cordeirópolis. 61. v. EMBLETON.REFERÊNCIAS BAUMGARTNER. C. 251p. Potassium in agriculture. Nutrição mineral e adubação citros.fao. CASALE.. 1976. p. MILLER. D. ALVA. BOYER. Potassium nutrition of citrus. J. Salvador: Instituto de Geociências da UFBA. p. Viçosa. Piracicaba: Instituto da Potassa. p.. 194 Tópicos em Ciências Agrárias. (Arquivo Agronômico.. In: YAMADA. T. v. p. J. E. Edição Especial. E. v. H.. n. PRIMO-MILLO. Anais. 3. KARIM. Piracicaba: Institutos da Potassa. Bebedouro. H. Laranja. E. 99. Proceedings. R. Laranja. GRUPO PAULISTA DE ADUBAÇÃO E CALAGEM PARA CITROS . Levantamento nutricional dos pomares cítricos na Bahia. Communications in Soil Science and Plant Analysis. Cordeirópolis. 1980. Sidney: International Society of Citriculture. Piracicaba. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE CITROS. MALAVOLTA. Informações Agronômicas. 2003. SEDBERRY Jr. Mobilization of the reserve N in citrus. MALAVOLTA. ed.org Acesso em: 16 abr.122.).

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CAPÍTULO 15 VARIABILIDADE ESPACIAL DA CONDUTIVIDADE HIDRÁULICA DO SOLO: CONCEITOS E BASES PARA AVALIAÇÃO José Fernandes de Melo Filho & Paulo Leonel Libardi Tópicos em Ciências Agrárias .

1997. 1. pode ser escrita. Foi Richards (1928) quem definiu um potencial total. Paulo Leonel Libardi2 1 2 Professor . Queiroz et al.K (q)grad f m (q) (2) sendo q a densidade de fluxo da solução. conforme Libardi (2000). Cruz das Almas-BA. v. como a constante de proporcionalidade (K) das relações matemáticas resultantes de seus experimentos de movimento vertical de água em colunas de areia.. ft. nutrição de plantas. Piracicaba-SP.Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”/Universidade de São Paulo. E-mail: pllibard@esalq. Em outras palavras. numericamente. fm(q) a função potencial mátrico e q a umidade volumétrica do solo. a constante K é um índice que expressa a facilidade com que um meio poroso transporta a água através dos seus poros. 1997.K grad f t (1) em que q é o vetor densidade de fluxo para qualquer direção no espaço e grad f t o vetor gradiente de potencial total ft de mesma direção mas sentido oposto ao do vetor . K(q) a função condutividade hidráulica. Radcliffe & Rasmussen. tais como. Em conseqüência das condições experimentais de seu trabalho. 1999.VARIABILIDADE ESPACIAL DA CONDUTIVIDADE HIDRÁULICA DO SOLO: CONCEITOS E BASES PARA AVALIAÇÃO José Fernandes de Melo Filho1. também atualizada (Libardi 2000). Filizola et al. q = . reescrevendo a equação do movimento da solução no solo como: q = .br. segundo Libardi (2000): para um meio poroso isotóprico com relação a K. considerando a notação vetorial. por Henry Darcy em 1856. rebaixamento de lençol freático. K(q). controle de erosão e poluição da água (Jones & Wagenet. a condição mais comum no meio poroso de nosso interesse. 2009 199 . igual ao volume de água ou solução que atravessa. Ambientais e Biológicas/UFRB.usp. tanto é que na equação (1). como a soma do potencial mátrico fm (“potencial capilar” de Buckingham) e o potencial gravitacional fz. empiricamente. tem a seguinte forma: q = . completamente saturadas. uma unidade de área de uma amostra de uma unidade de comprimento de um meio poroso (solo) sob uma diferença unitária de potencial total.edu.K (q) grad ft a qual é denominada atualmente de equação de Darcy-Buckingham. ft = fg + fp. Tópicos em Ciências Agrárias. Atento a esta realidade. Atualmente é um dos principais parâmetros utilizados para estudos agrícolas e do ambiente que envolvem o fluxo de água no solo. UFRB. A equação de Buckingham (1907) apresenta a limitação de ser válida apenas para o movimento da solução no solo na direção horizontal. com base na equação (3). 1994. numa unidade de tempo. na França. Bolsista do CNPq. proposta por Buckingham. Professor . 2000). como. 2000. é. sendo fg o potencial gravitacional e fp o potencial de pressão. Quando se substitui a equação de Darcy-Buckingham (3) na equação da continuidade (4). movimento de água no interior do perfil do solo. Jong van Lier & Libardi.br CONDUTIVIDADE HIDRÁULICA DA ÁGUA NO SOLO A condutividade hidráulica do solo foi definida. o solo. 1984. E-mail: jfmelo@ufrb. No entanto. é a não saturação. (3) A função condutividade hidráulica do solo. Freeze.. Buckingham (1907) teorizou a quantificação do movimento da solução no solo não saturado e a equação. Libardi. a equação de Darcy foi desenvolvida e aplicase para quantificar o movimento de um líquido em condições de saturação. planejamento de sistemas de irrigação e drenagem.Centro de Ciências Agrárias. para a filtragem e purificação de água para abastecimento urbano da cidade de Dijon. A equação de Darcy.

uma parcela deve ser delimitada no campo e inundada até a saturação. as medidas são feitas em condições naturais e com perturbação mínima do solo. t ³ 0. Amoozegar & Warrick. Libardi et al. 1972. Também assume-se que as condições internas sejam isotérmicas durante o processo. Jones & Wagenet. 1956. qual seja a eliminação do fluxo na superfície do solo com a colocação de uma lona plástica. 1986. enquanto que Watson (1966) melhorou a técnica para obtenção dos dados tornando o método mais preciso. Green et al. nas condições de campo. Richards e Weeks (1953) foram. ¶t (4) gera-se a equação diferencial geral que rege o movimento da solução em solos isotrópicos com relação a K(q) e conhecida pelo nome de equação de Richards. Um novo aperfeiçoamento ao método. (1956) em condições de campo. suficientemente grande para que os processos em seu centro não sejam afetados pelos seus limites. faixa de tensão a ser estudada e objetivo das determinações (Richards & Weeks. método das colunas grandes. experiência e conhecimento do pesquisador. Childs. Radcliffe & Rasmussen. procura-se uma solução para a equação de Richards (1928) na direção vertical (equação 5). No laboratório é possível atingir um grau de precisão e refinamento muito superior ao campo. A água contida no perfil redistribui-se pelo processo de drenagem interna e. 1969. medidas periódicas de umidade e de potencial mátrico são feitas (Green et al. 1972. desde que o lençol freático seja ausente ou esteja bem profundo. 1986. Libardi. 1962. Ogata & Richards. Gardner. 1980. interrompe-se a infiltração e cobre-se a superfície do solo com uma lona plástica para evitar a evaporação e a entrada de água através da superfície.¶q = -div q . Quantificação da condutividade hidráulica A determinação da condutividade hidráulica do solo pode ser feita por métodos de laboratório e de campo. mesmo para perfis heterogêneos. Shouse et al. Para aplicação do método do perfil instantâneo. Esta área. Van Genuchten. permeâmetro de carga decrescente.. método do furo do trado e método do perfil instantâneo. Prevedello. Com este procedimento experimental.. método das condições transientes. Existem também os métodos indiretos que tentam quantificar a condutividade hidráulica a partir de outras propriedades do meio poroso cuja determinação seja mais fácil. 1975. t o tempo (horas) e z a coordenada vertical de posição (metros). Hillel et al. 1992. devido ao elevado grau de controle das condições experimentais. 1980. 2000. que tem como principal dificuldade a exigência de uma delimitação bem apurada da parcela experimental a fim de que não haja movimento lateral de água. Posteriormente foi aperfeiçoado por contribuições de vários autores. 1. Por outro lado. deve ser convenientemente instrumentada para medida da umidade do solo e do potencial mátrico a diversas profundidades do perfil. cuja expressão para o fluxo na direção vertical (Libardi. 1957. Atingida a condição de saturação.. tipo de amostra disponível. à medida que este ocorre. o mais utilizado é o método do perfil instantâneo. podem-se citar os seguintes métodos para determinação da condutividade hidráulica dos solos: permeâmetro de carga constante. É um método prático que não necessita de equipamentos sofisticados para sua aplicação. 2000) é: ¶f ¶q ¶ æ çK( ) t = q ¶t ¶ zç ¶z è ö ÷ ÷ ø (5) sendo q a umidade (m3 m-3). De forma geral. 2000). isto é. Libardi. infiltrômetro de tensão. método das colunas pequenas. 2009 . 1984. provavelmente. Klute & Dirksen. não obstante o grau de complexidade.. 1953. natureza do solo. K (q) 200 Tópicos em Ciências Agrárias. os primeiros pesquisadores a utilizarem a técnica do perfil instantâneo em experimentos de laboratório com utilização de colunas de solo e Richards et al. foi determinado por Ogata e Richards (1957). Reichardt et al. Dentre os métodos de campo. K (q) ¶f t =0 ¶z ¶f t >0 ¶z Z = Z. entre os limites Z = 0 e Z = Z com as seguintes condições de contorno: Z = 0. integrando-se esta equação com relação à profundidade Z. t > 0. 1996. 2000).. A escolha do método depende de alguns fatores como disponibilidade de equipamentos. UFRB. 1986. É um método que foi inicialmente desenvolvido e testado para condições de laboratório em estudos de drenagem em colunas homogêneas de solo. Klute. sendo também aplicável para determinar a condutividade hidráulica de solos não saturados in situ. 1986. v.. Gardner & Miklich.

muito embora tentativas tenham sido feitas para automatizá-lo. ou seja. sob condições de campo (Or & Wraith. 2009 201 . como já esclarecido. isto é. um gráfico de ln K em função de q dá uma linha reta: ln K = ln K q = 0 + bq (8) sendo b o coeficiente angular da reta e ln Kq = 0 seu coeficiente linear. Nesse sentido. portanto. para o tempo zero de redistribuição da água. o valor de K(q). Estes autores sugerem um roteiro simples para a determinação da função K(q) com base na elaboração de duas tabelas.bq o ou (10) æ K lnç çK è O pelo que ö ÷ = b ( -q O ) q ÷ ø (11) K = e b (q -q O ) KO e. a equação (8) transforma-se. UFRB. Tópicos em Ciências Agrárias. Libardi.Z ¶t Z ¶t 0 = ¶f t ¶f t ¶z Z ¶z Z (7) sendo hz (m3 m-2) a armazenagem de água no solo entre a superfície (Z = 0) e a profundidade Z.. 2000) e. b o coeficiente angular da reta ln K em função de q e qo e Ko a umidade e a condutividade hidráulica. 1991). rearranjando ¶f ¶q dZ = K (q ) t ¶t ¶z 0 Z (6) Z -ò K (q ) Z = ¶h ¶q dZ . o tensiômetro é um equipamento consagrado de medida da tensão ou potencial mátrico da água no solo. com o tempo. determina-se a variação de armazenagem hz com o tempo t e o gradiente de qt ao longo de Z que aparecem na equação (7) e. os valores de K(q) apresentam uma relação exponencial com a umidade (Hillel et al. 2000). 1981) e o TDR (Smith & Mullins. respectivamente. (1972) simplificaram bastante esta metodologia. Igualmente o mesmo deve ser considerado para determinação do potencial total.obtém-se: Z -ò ou. 1. Normalmente. A primeira para determinação da densidade de fluxo de água no solo nas diversas profundidades e para diversos tempos a partir da integral da equação (7) com relação a profundidade do solo. soma dos potenciais mátrico e gravitacional. Para o tempo zero de redistribuição. então. dividindo-se os fluxos q da primeira tabela pelos gradientes de potencial também obtidos graficamente a partir dos perfis de potencial total para os diversos tempos (Libardi.ln K o = bq . o valor de ln K para q = 0. ao longo do perfil é recomendável a utilização de equipamentos não destrutivos. em ln K o = ln K q = 0 + bq o Subtraindo a equação (9) da equação (8) tem-se: (9) ln K . 2000). 1972. A segunda tabela. a sonda de nêutrons (Greacen. o tipo tradicional com manômetro de mercúrio ainda é o mais adequado e utilizado para estudos da função K(q). (12) K = Ko e b (q -q o ) (13) sendo. evidentemente. v. Hillel et al. para cálculo da condutividade hidráulica em cada profundidade e para diferentes umidades. Por meio de medidas simultâneas de umidade e de potencial total ao longo do perfil de solo durante a redistribuição da água. como por exemplo. Para a medida da umidade. aproximada para um somatório e ¶q/¶t medida graficamente em pontos particulares no tempo em curvas de q em função de t.

tendo como base teórica a estatística clássica. 1. clima. concluiu. Outro fator importante que afeta a condutividade hidráulica é a umidade do solo (q). Por esta razão esta é uma das proposições mais utilizadas nos estudos relacionados com a condutividade hidráulica. fundamental para a sustentação das diversas formas de vida no planeta. 2000). 1972. Comegna et al. Borges et al. estando implícito nesta relação que K(q) é função direta de q e apresenta. Para estes autores. pela remoção da camada superficial. Bouma et al. a forma exponencial da equação (13) para valores de q não muito baixos (Buckingham. em atributos físicos e químicos do solo. seguramente. a densidade. propriedades do solo como a textura. 1999). 1958. Libardi. conseqüentemente. 2000).. (1995) determinaram a condutividade hidráulica de um Latossolo Roxo distrófico (Latosssolo Vermelho (EMBRAPA (1999)) pelo método do perfil instantâneo. geralmente ocorre um aumento na densidade do solo e redução da porosidade total. De acordo com Falleiros et al. resultante da interação dos seus fatores de formação (material de origem. Silva et al. as características químicas. UFRB. que interferem nas propriedades físicas do solo. também afetam as suas propriedades hídricas e. Com esta proposição Libardi et al. 1997. Eles concluíram que a função K = K(q) possui uma clara tendência de aumentar com a profundidade em conseqüência do efeito do preparo periódico. Gardner. Souza. Quanto ao tamanho dos poros. 1995. Os processos de formação determinam. o tamanho e a forma dos poros. Silva (1988). observaram uma acentuada queda nos valores. Variabilidade espacial do solo O solo é um corpo natural e complexo. quando analisam o impacto de erosão induzida. Hillel et al. reconhecida desde o início do século vinte. Em ambos os casos verificaram que a compactação alterou a porosidade e a condutividade hidráulica do solo saturado. da infiltração e da condutividade hidráulica em relação à condição natural (Centurion & Demattê. 1999. Porém. 1997a. Dechen & Vieira (1997) apresentam resultados diferentes das conclusões de Carvalho et al. De outra forma. Dentre as propriedades do solo. (1989) sugerem efeitos do processo de gênese na heterogeneidade e conseqüente variabilidade dos parâmetros hídricos do solo. manejo e erosão. Silva et al. ao passo que quando o processo resulta em poros de grãos simples e fissurais ocorre exatamente o contrário. 1985. a qualidade das argilas e a matéria orgânica exercem influência sobre a condutividade hidráulica. portanto. relevo e tempo) que o torna um sistema dinâmico e variável. Mata. certamente relacionada com a diminuição do espaço poroso que foi constatada. (1986) verificaram a influência do aumento da densidade nas propriedades físicas de dois Latossolos. v. a condutividade hidráulica. organismos. Alvarenga & Davide. Nestes casos.. físicas e biológicas do solo. a estrutura. densidade do solo e porosidade. argila. 1999. afetando a condutividade hidráulica do solo saturado. 1992.Uma alternativa na técnica do perfil instantâneo é a de se considerar o gradiente de potencial total como unitário. 1980... Oliveira et al. normalmente. 1986. a condutividade hidráulica é influenciada por todas as propriedades que afetam a distribuição. Corrêa. podem acarretar grandes 202 Tópicos em Ciências Agrárias. Libardi et al. Utilizando amostras compactadas artificialmente. é também acentuada pelas técnicas de manejo do solo decorrentes de seu uso agrícola (Alvarenga & Sousa. o processo de desenvolvimento do perfil influencia no padrão de porosidade. Souza et al. Na medida em que ocorre no espaço livre do solo. (1998) a relação entre K e q é tão sensível que alterações muito pequenas. diminuição do teor de matéria orgânica e alterações da estrutura do solo.. observaram que o aumento da densidade elevou a percentagem de microporos com conseqüente redução dos macroporos. Baseando-se no exame de amostras micromorfológicas. estudando a variabilidade espacial de alguns atributos físicos de um Latossolo Roxo. nos teores de água podem gerar coeficientes de variação superiores a 170% no valor da condutividade hidráulica do solo não saturado. 2009 . da ordem de 1 a 2%. (1980) simplificaram mais ainda o procedimento para se determinar a função K(q) a partir de medidas de umidade apenas durante o processo de redistribuição. Desta forma. Esta heterogeneidade natural. (1995). o autor faz uma importante consideração quando afirma que para os parâmetros físicos do solo influenciados pelas alterações na estrutura a sensibilidade é muito grande. que propriedades do solo como areia. pequenas alterações em propriedades como a densidade do solo. conferindo-lhe variabilidade espacial elevada. Assim. 1907. Neste caso. Carvalho et al. Quanto à condutividade hidráulica. 1985... a condutividade hidráulica está entre aquelas que apresentam maior índice de variabilidade. eles concluíram que há um decréscimo significativo na condutividade hidráulica do solo saturado com a profundidade e atribuem este fato à estratificação dos horizontes. apresentaram pequeno coeficiente de variação. Outros fatores como sistemas de uso. eles concluíram que o desenvolvimento de microestrutura massiva resulta em baixos valores de Ko.

1. 1997). (1997). o alcance. pois permite a substituição de métodos mais precisos por outros mais simples e que possibilitem a obtenção de um maior número de medidas. os erros decorrentes e associados aos métodos experimentais (erros de leitura. (1995). O autor sugere. tipo distribuição de poros e retenção e movimentação de água. b) caracterizar a distribuição das medidas de Ko e sua relação com a variabilidade espacial da textura. pode ser vantajoso. tendo em vista os resultados de Queiroz et al. Neste caso. De forma semelhante. que não encontraram diferenças significativas quanto ao procedimento de cálculo da condutividade hidráulica do solo saturado. Nos três casos analisados a condutividade hidráulica foi maior no horizonte Ap. resultados experimentais publicadas por Tópicos em Ciências Agrárias. Prevedello et al. primariamente. aqui entendida como condutividade hidráulica. Ko. 1996) mesmo quando a variabilidade é simplificada em função da aplicação de técnicas e conceitos como o “scaling” (Mallants et al. quando a drenagem é muito lenta. 1988. conteúdo de matéria orgânica e superfície topográfica. sistemáticos. De acordo com estes autores a condutividade hidráulica é uma propriedade que apresenta alta variabilidade. enquanto que os erros de medida da umidade são dominantes durante o processo de secagem do solo. sob condições de campo. então. observou-se que os erros na condutividade hidráulica são crescentes com a diminuição da umidade e podem subestimá-la em valores compreendidos entre 12 até 73%. em relação a medidas de campo. Souza et al. Os resultados destes autores sugerem também que. Comprovando esta realidade.modificações em parâmetros que dela dependam. Este autor comparou valores de Ko. que o método de determinação pode ser fator de variação da condutividade hidráulica para um mesmo solo. medida pelo método do furo do trado. a magnitude e a estrutura da variabilidade da condutividade hidráulica do solo saturado foram controlados. Neste caso. UFRB.. Estudando a propagação desses erros na determinação da condutividade hidráulica pelo método do perfil instantâneo. Informam também que os erros originados da leitura dos tensiômetros são mais importantes que outros e ocorrem no início do proces-so de drenagem. podendo tanto subestimar quanto superestimar os valores da função K(q) (Bacchi & Reichardt. introduzindo erros. Warrick & Nielsen (1980) apresentam uma tabela em que registram os níveis de variação de algumas propriedades físicas do solo. os diversos procedimentos de cálculo também devem ser registrados como importantes fontes de variação da condutividade hidráulica. Reynolds & Zebchuk (1996) realizaram um experimento com os objetivos de: a) comparar um grande número de medidas de condutividade hidráulica calculada pelos métodos do permeâmetro de Guelph e furo de trado. as características estatísticas diferiram significativamente e não houve correlação entre os resultados de campo e laboratório. Importante registrar também. Flühler et al. examinando seus efeitos na estimativa da média. experimentais. que medidas de laboratório não podem ser usadas como estimativa de valores de campo para o parâmetro condutividade hidráulica do solo saturado. quando se adota o uso de simplificações metodológicas como o gradiente de potencial total unitário. 2009 203 . tendo em vista o fenômeno da variabilidade espacial. Os métodos resultaram em estimativas equivalentes para Ko. o uso de simplificações para o cálculo da função K(q). em relação à textura. Associados aos métodos. logicamente em função da maior macroporosidade apresentada por este horizonte. Complementando. Comegna et al.3 mbar cm-1. estes autores informam que na faixa úmida os mesmos são responsáveis por 20 a 30% da variação dos valores de K. Neste sentido. As conclusões de Maheshwari (1997) são confirmadas por Banton (1993). v. pelo grau de desenvolvimento e estabilidade da estrutura do solo no campo. como mostram os resultados de Calvache et al. cuja magnitude de variação foi dez vezes maior do que no método de campo. determinados por métodos de laboratório e campo. Maheshwari (1997) constatou diferenças entre valores de Ko em estudo de comparação das inter-relações entre parâmetros físicos e hidráulicos do solo. deve-se ressaltar que esta não é uma regra geral. devido a alterações nas amostras e ocorrência de fluxo preferencial durante o processo de medida. podendo alcançar valores de até 420% de variação. quando o gradiente hidráulico é menor que 0. Seus resultados mostram que as determinações de laboratório podem superestimar os valores de Ko. (1976) incluem como fatores de variação da condutividade hidráulica do solo não saturado. umidade volumétrica antecedente. da variância e na distribuição deste parâmetro hídrico para um mesmo solo. Porém. O resultado da influência de todo este conjunto de fatores e suas relações é tornar a condutividade hidráulica do solo uma das suas propriedades com maior índice de variabilidade espacial e temporal. (1994) analisaram a magnitude dos erros envolvidos no cálculo da condutividade hidráulica em função da umidade. de acordo com Libardi (1978). calibração e equipamentos). Porém. enquanto que para a condutividade hidráulica do solo não saturado são bem mais significativos. conteúdo de matéria orgânica e superfície topográfica de um solo de textura argilosa. (1997b) verificaram a influência conjunta da gradagem e matéria orgânica na distribuição de poros de um horizonte Ap para três diferentes solos e seus reflexos na condutividade hidráulica em relação aos horizontes mais profundos. Seus dados mostram que a condutividade hidráulica do solo saturado pode apresentar até 190% de variação.

Jong van Lier & Libardi (1999). sob condições de campo. Uma análise mais apurada permite identificar nos resultados de Cadima et al. Estes autores conduziram um experimento para medir a variabilidade dos parâmetros da equação exponencial que relaciona a condutividade hidráulica com a umidade do solo. Por sua vez. conseqüentemente. com equilíbrio entre o econômico e o técnico. relativos à condutividade hidráulica. resultantes de observações experimentais de campo em estudos de dinâmica da água no solo. Neste caso. Ao contrário de Jong van Lier & Libardi (1999) e Anderson & Cassel (1986). quando for necessária a obtenção de amostras independentes para investigar propriedades físicas do solo. Estes autores analisaram. em uma área de 1.Anderson & Cassel (1986) indicam que a condutividade hidráulica do solo pode variar de 130 até 3. Estes níveis de variação indicam que a utilização e extrapolação de valores médios. Neste experimento os valores de g (correspondente ao b da equação 13) e Ko mostraram-se muito variáveis. resultados de vários estudos apresentados por Iwata et al. o conhecimento da variabilidade espacial das características do solo tem importância significativa para o correto uso deste recurso natural. Por isso. indicando o número mais representativo de amostras. Finalizando. portanto. para o levantamento e a classificação. Os mesmos autores. quando determinada pelo método do perfil instantâneo. geram erros cuja ordem de grandeza são significativamente elevadas. cuja variação pode chegar a 150%. 204 Tópicos em Ciências Agrárias. o planejamento da amostragem deve considerar este fato. em nove profundidades. Ko. o conceito de homogeneidade para os solos e suas características tem uma aplicação relativa e depende. 2009 . afirmam que a relação entre K versus q. pode-se alcançar a solução dos problemas contemporâneos. Resultados de Jong van Lier & Libardi (1999) também mostram que o valor da condutividade hidráulica do solo saturado.5 metros e. com doze pontos de observação. diminuindo significativamente em profundidade. a variabilidade espacial da condutividade hidráulica de um Latossolo Vermelho-Amarelo (Latossolo Vermelho (EMBRAPA (1999)).000 m2 de um Typic Haplustoll eles concluíram que o ponto crítico das estimativas de K estão nos valores de Ko. evidenciando que os problemas na determinação da função K(q) e suas aplicações em estudos hidrológicos devem considerar essa característica. afirmam Nielsen et al. enquanto o Ko variou de 10-8 m2 h-1 kPa-1 a 102 m2 h-1 kPa-1. principalmente para as camadas superficiais. Também constataram que a variabilidade temporal é muito significativa nas camadas superiores do perfil. (1980). (1995) compararam dois procedimentos para determinação das relações K(q). resultando em valores de K(q) com até 100% de variabilidade. Calvache et al. atingindo valores extremamente baixos aos quarenta dias de experimento. não representa uma área muito maior do que àquela onde o método foi aplicado. gerando informações científicas mais claras e precisamente analisadas. (1994) indicam que a dependência espacial da função K(q) pode alcançar valores acima de 30 metros. cujos resultados poderão ser utilizados com grande confiança. v. locais e métodos de análise para todos os parâmetros possíveis. (1973) e Cadima et al. utilizando o método do perfil instantâneo. 1. Como se trata de um meio naturalmente descontínuo. 1998).000 m2. textura média. Eles concluíram que a variabilidade é mais acentuada nas camadas superficiais. os valores de condutividade hidráulica diminuíram bruscamente nas primeiras vinte e quatro horas após a interrupção da infiltração. Para o g. a partir de grupos multidisciplinares e com o uso da expressiva base de dados já existente.300%. uma vez que ela afeta as amostragens para fins de avaliações químicas. UFRB. Sugerem a comparação entre solos. Avaliação da variabilidade espacial De acordo com Berg & Klamt (1997). Utilizando o método do perfil instantâneo em cinco parcelas distribuídas em uma área de 10. de uma Terra Roxa Estruturada Latossólica (Nitossolo (EMBRAPA (1999)). Warrick & Nielsen (1980) sugerem que os estudos e avaliações sobre a variabilidade dos solos devem contemplar os padrões e freqüências de distribuição e estrutura da variabilidade. da escala de observação (Seyfried. Anderson & Cassel (1986) indicam que somente existe autocorrelação para propriedades como a condutividade hidráulica em distâncias menores que 2. Complementando esta última informação. para este parâmetro hidráulico em suas aplicações agrícolas. (1980) outras informações interessantes sobre a variabilidade da condutividade hidráulica do solo não saturado. afirmam que “a variabilidade dos parâmetros físicos do solo pode ser integrada para responder às crescentes questões sobre problemas específicos que permitam escolher os melhores sistemas de manejo”. segundo Grossi Sad (1986) estabeleceu-se que a quantificação da variabilidade de um certo atributo medido neste corpo geológico deve ser feita por meio de técnicas estatísticas. Verificaram também uma variação muito maior dos valores de g nas camadas superficiais. Assim. a variação foi da ordem de 200 a 6000 em uma mesma profundidade. é a principal causa de variabilidade nas relações matemáticas entre K e q. como a condutividade hidráulica. físicas e biológicas. o mapeamento e aplicação de técnicas para o manejo e a recuperação dos solos.

Sousa et al. UFRB. obtidas pelas técnicas de sensoriamento remoto. Neste caso o procedimento de amostragem não precisa de planejamento prévio e elimina a interpolação entre as medidas. a definição de uniformidade e heterogeneidade do solo depende de um Volume Elementar Representativo (VER). por sua vez.. que representa a distância na qual determinado parâmetro está correlacionado com seu par e. conteúdo de água. muito embora a zona de influência das propriedades físicas tenha sido fortemente dependente da distância entre as amostras. pois. Couto & Klamt. influenciando significativamente o desenvolvimento do solo. Rodrigues & Zimback. 1989. No processo de amostragem contínuo. pois. dentre as quais a condutividade hidráulica (Cogels. Vieira (1997). matematicamente. Uma revisão importante sobre o tema variabilidade espacial de solos foi feita por Reichardt et al. 1997. como nos EUA. a medida de uma determinada propriedade do solo é feita em toda abrangência da área de interesse no campo.. afetam o transporte e o armazenamento de água no perfil. 1996b. Mulla & McBratney (2000) citam a determinação da condutividade elétrica do solo com o uso do sensor de indução eletromagnética “Geonics EM38”. em Nielsen et al. Gonçalves et al. 1999. Para tanto. 2000).. sua descrição estatística deve considerar a estrutura da variabilidade espacial. a variabilidade das propriedades do solo é causada por pequenas mudanças na topografia que. No campo. por exemplo. Vieira (2000). o qual deve apresentar um pequeno desvio padrão. No entanto. 1. (1973). para efeito de classificação e mapeamento. (1985). que explicitam o nível de dependência espacial. aspectos e requerimentos para o cálculo das diversas funções da geoestatística e suas aplicações no estudo da variabilidade das propriedades físicas do solo exigiriam o desenvolvimento de um formulário muito extenso neste ponto. Discordando de Russo & Bresler (1981). sendo necessário. Vieira et al. retratar a estrutura da variabilidade espacial e ser adequado para a operacionalização do método de medida. Trangmar et al. esses autores também indicam que é difícil atribuir uma escala mais precisa para estudos de variabilidade de parâmetros físicos do solo.. um fenômeno natural qualquer. 1997. Detalhamentos dos princípios básicos. Neste trabalho os autores mostram que as técnicas da estatística tradicional e da geoestatística são complementares e que a Tópicos em Ciências Agrárias. 1988). Vários trabalhos foram realizados com o objetivo de determinar o VER para as diversas propriedades físicas do solo. Em escala macro. Como exemplo desta técnica. tal o patamar de detalhamento alcançado. dependem do elemento de volume ou tamanho da amostra. bem como o alcance de cada amostragem. Gajem et al. 1983. 2009 205 . conseqüentemente.1988. Raice & Bowman. A obtenção dos materiais de solo para quantificação da variabilidade pode ser feita utilizando amostras contínuas ou discretas. portanto. Russo & Bresler (1981) afirmam que as propriedades hídricas do solo não variam aleatoriamente no campo e que. mas que. a geoestatística é uma ferramenta de análise de amostragem regionalizada. o qual preferimos suprimir neste trabalho. (1983). usam-se fotografias aéreas ou imagens de satélite. visto que medidas de propriedades como densidade do solo. um valor considerado representativo para toda uma região no espaço. Não raro. as propriedades do solo na paisagem. os padrões de variação das propriedades do solo ao nível de parcela no campo (Mulla & McBratney. 1994. Warrick & Nielsen (1980). Wendroth et al. O processo de amostragem discreto requer a coleta de amostras em locais predeterminados e usa técnicas invasivas de obtenção. o espaço para o qual cada valor é representativo. conferindo-lhes características diagnósticas que possibilitam a sua individualização como corpos naturais homogêneos ao nível de ordem. Desta maneira somente uma parte da população é observada e as suas características são inferidas por meio de técnicas estatísticas. v. Considerando que a estrutura da variabilidade espacial das propriedades hídricas do solo é caracterizada por uma escala integral. variam em resposta a variações regionais de clima e material de origem. a aplicação de técnicas mais refinadas para quantificar precisamente algumas de suas propriedades no campo. em minúcias. Porém. os autores relatam que cada parâmetro hídrico pode ser caracterizado estatisticamente por uma função de probabilidade independentemente da sua posição espacial e por uma função de autocorrelação que depende somente do valor da distância que separa dois pontos no campo. Bouma et al. textura e temperatura. Este conceito possibilitou a interpretação precisa de resultados experimentais relativos a muitas propriedades químicas e físicas do solo (Cambardella et al. A variável regionalizada possui. (1986). Ao nível de série. evidentemente. 2000). podendo ser representada por funções numéricas ordinárias que assumem um valor definido em cada ponto e descreve. em muitos locais do planeta. potencial mátrico. (1997). Portanto.Miyazaki (1993) também considera que a heterogeneidade do solo é função de uma escala. é indispensável ao estudo e pode ser encontrado. quanto aquela que ocorre em pequenas distâncias têm sido extensivamente descritas e classificadas. existem levantamentos de solos com escala suficiente para identificar até dez unidades de mapeamento por propriedade rural. (1981) estudaram a dependência e a estrutura espacial para onze propriedades físicas de um Typic Torrifluvent no Arizona e verificaram que foi difícil realizar generalizações. que descreve a dependência e a variabilidade espacial de uma variável a partir de correlogramas e semivariogramas. tanto a variação em grande escala. Das técnicas estatísticas aplicadas ao estudo da variabilidade dos solos. mesmo os mapeamentos mais detalhados não são suficientes para expressar e descrever. Mulla & McBratney.. Lauren et al.

Reichardt et al. também é muito usada para examinar aspectos de variabilidade espacial dos parâmetros físicos do solo. a moda. freqüentemente referida como estatística clássica. UFRB. Levine et al. recomendável como estatística de avaliação da variabilidade. Banzato & Kronka (1995). Outros autores discutem diretamente a aplicação destes conhecimentos ao estudo da variabilidade dos solos.geoestatística possibilita a obtenção de respostas que os métodos tradicionais não conseguem fornecer. 1999). mas de tratamento matemático muito simples e de propriedades sempre convincentes. sendo. Porém a utilização do desvio padrão para comparação de duas variáveis diferentes é inadequada. Também assume-se que as amostras são completamente independentes entre si. Neste caso a amostragem é feita de forma inteiramente casualizada e sem considerar a posição relativa de cada variável no espaço. 206 Tópicos em Ciências Agrárias. O desvio padrão indica a heterogeneidade do conjunto de dados em estudo. identificar a estrutura da variabilidade. Desvios grandes indicam dados heterogêneos e com elevada dispersão de seus elementos. a assimetria. Gomes (1987). 1. densidade do solo e curva de retenção de água em um Latossolo Roxo (Latossolo Vermelho (EMBRAPA. textura. visto que as unidades de medida também são diferentes. densidade dos sólidos. (1986). confirmando as conclusões de Reichardt et al. a mediana. Para tanto. textura e densidade de uma Terra Roxa Estruturada (Nitossolo (EMBRAPA. A média fornece uma idéia do conjunto de dados porém não permite avaliar a sua dispersão.X ) N . A mediana é o valor do meio ou a média aritmética dos dois valores centrais. Nos estudos de variabilidade os parâmetros estatísticos considerados pela estatística clássica são a média.1 i =1 s= (15) Na prática. (1986). nas condições de seu experimento. Mata (1997) afirma que a geoestatística o permitiu chegar a conclusões que passariam despercebidas caso fosse utilizada somente as ferramentas “tradicionais” ou estatística clássica. A média e o desvio padrão são duas características chaves para a análise inicial da variabilidade de uma população. Gomes (1987b). o desvio padrão. tal qual o coeficiente de variação. a média representa apenas uma estimativa do valor correto da amostra. que é a raiz quadrada da variância (s2). Estes métodos estatísticos foram desenvolvidos a partir do ano de 1919. dentre os quais podem ser citados Warrick & Nielsen (1980). (1998). 2009 . Mais crítico e considerando que os métodos estatísticos diferem basicamente na forma de avaliar a variabilidade dos dados. este autor considera que a geoestatística não encerra todas as dificuldades para estudos de variabilidade espacial. Souza (1992). quando Ronald A. Não obstante a reconhecida eficiência da geoestatística como ferramenta para análises relacionadas com a variabilidade espacial. A média é considerada uma medida de posição ou medida de tendência central e sua estimativa é dada pela seguinte expressão matemática: X= 1 N å Xi N i =1 (14) sendo N o número de medidas consideradas e Xi o valor de cada medida em análise. Segundo Libardi et al. Miyazaki (1993) e Mulla & McBratney (2000). é a estimativa do desvio padrão (s). Silva (1988) realizou um experimento com o objetivo de comparar a estatística clássica com a geoestatística em relação à quantificação da variabilidade dos atributos físicos do solo. (1986) quando aplicaram as funções da teoria das variáveis regionalizadas para avaliar a magnitude da variabilidade espacial da umidade. A moda é o valor que ocorre com a maior freqüência. No entanto. desta forma. muito embora seja uma importante ferramenta auxiliar. Tais estimativas são mais confiáveis à medida que se aumenta o número de observações. dentre outras. em uma seqüência ordenada de dados. 1999). a estatística não espacial. a variância. desvios pequenos indicam mais homogeneidade dos dados e conseqüentemente pequena dispersão. Como não conseguiu. Neste caso torna-se necessário uma medida relativa da variabilidade. Fischer assumiu a direção do Departamento de Estatística da Estação Experimental de Rothampstead em Londres e passou a buscar métodos matemáticos que lhe possibilitasse obter conclusões sobre vários fenômenos experimentais. o coeficiente de variação. a distribuição da freqüência dos dados. v. O modelo matemático para calcular o desvio padrão é: 2 1 N å (X i . (1996). uma maneira sofisticada. Ao contrário. a curtose e os intervalos de confiança para as estimativas dos dados. conforme verificaram Libardi et al. A base teórica e detalhamento dos métodos estatísticos clássicos estão amplamente descritos em Spiegel (1968). o desvio padrão tem a vantagem de apresentar a variabilidade dos dados na unidade de medida original.

areia e argila (Vieira. dispersões e a probabilidade de um dado valor ocorrer entre limites especificados. Warrick & Nielsen (1980) sugerem um método gráfico como sendo uma das maneiras mais fáceis.. 1997). Exemplos de aplicações em que o logaritmo é usado para normalizar a distribuição dos dados aparecem em estudos das propriedades hídricas do solo realizados por Sisson & Wierenga (1981). indicam pequena. Estes padrões de distribuição também foram encontrados por vários pesquisadores. Existem diversos métodos para identificar qual o tipo de distribuição de um conjunto de dados. 1980.5s 2 ) (17) A dispersão de uma distribuição de freqüência normal em torno da média é uma importante medida da variabilidade da população amostrada. foram Nielsen et al. Schaap & Leij (1998) e Comegna et al. Informações complementares aos momentos estatísticos já descritos podem ser obtidas pela caracterização da freqüência de distribuição dos parâmetros medidos. 1. as distribuições de freqüências assimétricas devem ser normalizadas. média e alta variabilidade.15%. As curvas de freqüência aparecem. O Tópicos em Ciências Agrárias. (2000). Moraes (1991) e Beiguelman (1994) detalham o método dos momentos estatísticos. Neste caso. Guerra (1988) cita os testes não paramétricos de KolmogorovSmirnov e Chi-Quadrado. condutividade hidráulica (Libardi et al. Propriedades do solo com CV elevado são mais variáveis que aquelas com baixo valor de CV. Podem ter distribuição normal ou não. geralmente log-normal. Reynolds & Zebchuk (1996). Logsdon & Jaynes. Diante das questões econômicas. isto é feito calculando-se o logaritmo natural do dado observado. contribuindo para definir de maneira mais completa a sua variabilidade. a mediana e a moda são iguais. a curva tem aspecto estreito e muitos dos seus valores estarão bem próximos da média e mediana. (1973) provavelmente os primeiros autores a verificarem que as propriedades do solo obedecem a diferentes padrões de distribuição. que indica a precisão dos dados e possibilita a comparação racional entre valores diferentes. Para medidas de dispersão normalizadas em torno de uma média o CV é estimado pela expressão: æ sö CV = ç ÷ 100 èXø (16) O CV é. De acordo com os autores muitas propriedades do solo. um número abstrato e relativo. A freqüência de distribuição corresponde a um arranjo tabular dos dados por classes. enquanto outras.. Segundo Reichardt et al. Esta função permite calcular médias. Banton.35% e > 36%. existe até proposições de uma classificação para identificar a extensão da variabilidade das propriedades do solo com base no seu coeficiente de variação. como realizar este processo? Esta etapa do estudo da variabilidade deve começar a partir de um planejamento de amostragem capaz de fornecer as bases para uma precisa identificação dos padrões da variabilidade espacial da propriedade em estudo. pois. Mulla & McBratney (2000) citam outro esquema de classificação bem mais rigoroso. Quando a freqüência de distribuição é normal. (1986). v. de tempo e praticidade.O coeficiente de variação é um número que representa o desvio padrão em percentagem da média. a média. sob diversas formas características. para o coeficiente de variação. Quando isto ocorre o valor da mediana é maior que a moda e menor que a média. como teores de areia e argila. Jones (1969) propõe a utilização de tabelas relacionando os valores de assimetria e curtose para testar a normalidade de um conjunto de dados com base na teoria estatística dos testes de hipótese. Em estudos de variabilidade uma pergunta a ser respondida é: quantas amostras devem ser obtidas para representar adequadamente uma propriedade ou característica do solo diante de sua inerente variabilidade espacial? Os estudos disponíveis apresentam as mais diversas proposições. respectivamente. expressa pelo coeficiente de variação. na prática. Por outro lado. 16 . A média (m) e a variância (s2) da distribuição do logaritmo transformado podem ser usadas para estimar a média aritmética dos dados não transformados usando a seguinte expressão: X = exp(m + 0. Uma distribuição assimétrica muito comum é a log-normal. recomendando desde dezenas até milhares de amostras. 1996). apresentam uma distribuição normal. Considerando que a distribuição normal é uma exigência básica para análise de dados pelos métodos da estatística clássica. “box-plot” e ramos e folhas. informando que é um dos mais utilizados para este propósito e Libardi et al. UFRB. Por exemplo Warrick & Nielsen (1980) classificaram a variabilidade das propriedades do solo. como a condutividade hidráulica. Nos outros casos são diferentes. juntamente com as freqüências correspondentes. no qual valores de 0 . em três níveis: Baixa variação (CV < 12%). 1993. ao contrário. seguem distribuição assimétrica. 2009 207 . média (12% < CV < 80%) e alta (CV > 80%). se a população varia pouco. (1996) demonstram as verificações da normalidade para os métodos do gráfico de Henry. sendo simétrica ou assimétrica em relação à média. A curva de distribuição de freqüência para uma população com alta variabilidade apresenta-se relativamente larga e ampla. No caso da distribuição lognormal.

Em seu trabalho os autores constataram a persistência das distribuições espaciais da umidade e a possibilidade de identificar locais de amostragem cujos valores permitam estimar a média geral da umidade em uma área. Gonçalves et al. sempre assume-se que o tamanho da amostra (N) é suficiente para tal objetivo (Mulla & McBratney. para um determinado tempo. possibilitando a análise dos 208 Tópicos em Ciências Agrárias. conforme bem explicitaram Wesenbeeck et al. do custo das análises e disponibilidade dos equipamentos de laboratório. Melo Filho (2002) também aplicou a técnica da estabilidade temporal em medidas do teor de água (q) e potencial mátrico da água no solo (fm) e verificou que a existência da estabilidade temporal para teor e potencial mátrico da água no solo. do intervalo de confiança da média populacional. (1999a) comprovaram o conceito de Vachaud et al. difere da equação (18). (1985) propuseram uma metodologia capaz de reduzir o número de observações requeridas para caracterizar uma propriedade física do solo. Normalmente o número de amostras que resulta da aplicação das metodologias tradicionais é muito grande. (1988). Existem na literatura proposições que permitem estimar o verdadeiro valor de N a partir do cálculo interativo de valores estimados do próprio N e seus correspondentes graus de liberdade para t. UFRB. Neste caso. v. Tal conceito pode ser definido como resultante da associação invariável no tempo entre a localização espacial e as medidas estatísticas que caracterizam uma dada propriedade do solo. o valor da sua média. Vachaud et al. Percebendo esta dificuldade prática para a obtenção de médias representativas. d é o desvio padrão desejado da população em relação à média. 1. Para a umidade do solo este conceito foi comprovado. Em alguns casos. notadamente para os casos de propriedades do solo com grande variabilidade. Os mesmos Mulla & McBratney (2000) afirmam que o modelo matemático para calcular o número de amostras de populações para as quais a variabilidade espacial é considerada. Este incremento do número de amostras necessárias é estimado calculando-se o número de observações independentes para a população. com a precisão desejada. na qual o denominador refere-se ao número equivalente de amostras independentes. posições que representam as médias dessas variáveis em qualquer tempo e que as posições identificadas como estáveis no tempo podem ser usadas para estimativa de q e fm com razoável precisão e representatividade. a seguinte fórmula é muito utilizada para estimar o número (N) de pontos amostrais necessários para calcular. quando a correlação espacial existe. em qualquer tempo. mas não identifica os locais em que as medidas possam ser feitas para representar a média da variável em estudo para qualquer tempo e valor. Com base em estudos de conteúdo de água no solo esses autores introduziram o conceito de estabilidade temporal. (1985) quando estudaram a estabilidade temporal da distribuição espacial da umidade no solo em uma área irrigada. Para tanto. t 2 x s2 N= d2 (18) em que t é o valor tabulado de Student para o nível de confiança estabelecido. Para o caso de parâmetros cujas amostras são independentes e apresentam distribuição normal. sendo aconselhável a identificação de mais de um local de medida para ampliar a representatividade da amostragem. Na segunda condição deve ser possível associar a cada posição ou local o seu valor estatístico de densidade de probabilidade de distribuição normal. do nível de precisão desejado para estimar a média da população. na medida em que o teor de água em um local mais úmido no solo tende a se manter assim em qualquer tempo. Na prática. durante o tempo de redistribuição da água. o número de graus de liberdade necessários para a estimativa de t também não é. 1986). Na teoria. 2000). 1983). o verdadeiro número de amostras para estimar a média é dado pela relação N2 / N*. esse número pode alcançar valores impraticáveis de até 26. A primeira técnica é o teste de correlação de Spearman (Campos. um número suficiente de observações para obtenção de seus parâmetros estatísticos clássicos. desde que N não é conhecido.000 amostras para estimativa da média com razoável precisão (Anderson & Cassel. que é utilizado como uma ferramenta estatística para indicar o grau de concordância da variabilidade espacial obtida em diferentes tempos. Para o autor isso representa um avanço em relação às outras metodologias tradicionais. o coeficiente de correlação de Spearman (r) possibilita verificar a existência da estabilidade temporal. Para analisar a estabilidade temporal Vachaud et al. (1985) propõem duas técnicas. Para aplicação do conceito de estabilidade temporal a um conjunto de dados é necessário que duas condições sejam atendidas. s é uma estimativa preliminar do desvio padrão da população.número ótimo de amostras a ser coletado depende da variabilidade da população. 2009 . na medida em que possibilita a redução do número de amostras necessárias para estimar uma média representativa com elevada precisão e reduzido esforço amostral. o que nem sempre é correto. no campo. no método do perfil instantâneo para determinação da condutividade hidráulica. A primeira condição requer. é necessário um grande número de amostras para estimar a média. Sendo assim. Vachaud et al. como para a condutividade hidráulica do solo saturado. No entanto. (1985) sugerem o cálculo das diferenças relativas e seus respectivos desvios padrões. possibilita identificar.

2000). como teor de água e condutividade hidráulica do solo. Várias estratégias para determinar a distribuição espacial dos pontos a serem amostrados foram desenvolvidas. enquanto que no método sem reposição a observação só pode ser escolhida uma vez em cada reamostragem. cj a determinação média para todas as posições. entre as quais pode-se citar amostragem dirigida. estratificada sistemática. Uma das formas para se obter amostras representativas é a reamostragem aleatória. (1985) o cálculo das diferenças relativas pode ser feito utilizando-se a seguinte equação: DR(% ) = c ij . Utilizando-se esta técnica é possível realizar comparações estatísticas em áreas diversas do conhecimento científico. (1985). 2000. uma observação pode ser escolhida mais de uma vez. Igualdades ou pequenas variações da diferença relativa entre posições ao longo do tempo indicam estabilidade temporal. ao acaso. O tempo ou período de amostragem é particularmente importante quando se medem variáveis temporais. As mesmas. Resumindo. demonstraram que análises de coerência espacial poderiam ser usadas para examinar a estabilidade temporal como uma função da escala espacial de qualquer variável do solo. medidos espacialmente. 1996. O “bootstrap” é uma delas. Este processo pode ser feito com ou sem reposição. Amador et al. Concluíram que a armazenagem de água em um determinado local resulta da ocorrência de um conjunto de processos hidrológicos que operam em diferentes escalas espaciais e então. biologia e agronomia. cij a determinação no local i no tempo j. O método de reamostragem com reposição é mais vantajoso porque torna a população teoricamente infinita. Por outro lado. Sua desvantagem é ser um processo trabalhoso e complexo. a composição e o volume da amostra. O “bootstrap” é uma técnica computacional. No primeiro caso. 2009 209 . Kachanoski & De Jong (1988) aplicaram o conceito de estabilidade temporal como definido por Vachaud et al. Venkovsky et al. sistemática. escrito por Rudolph Erich Raspe no século dezoito. quando ordenadas e plotadas em um gráfico. na medida em que se pode obter um número muito grande de amostras. Concluíram que as estimativas de amostragem utilizando o “bootstrap” difere do método convencional e como a mesma independe da distribuição dos dados e não é afetada pela presença de “outliers” pode ser utilizada para estimar tamanho de amostras com precisão e eficiência.. atribuída ao Barão de Munchausen. (1986) e Hendrickx & Wierenga (1990). Para superar esta limitação técnica.. Outro exemplo da aplicação da técnica “bootstrap” para estudo de propriedades hídricas do solo é o trabalho de Schaap & Leij (1998). 1993. O uso do termo “bootstrap” tem origem na frase 'to pull oneself up by one's bootstrap'. estratificada ao acaso. Suas conclusões significaram um avanço e ao mesmo tempo simplificaram a proposta de Vachaud et al. De acordo com Vachaud et al. 1. foram desenvolvidas poderosas metodologias de amostragem com base em programas de computador. baseado na técnica da substituição. Na realidade o “bootstrap” é um procedimento computacional intensivo de reamostragem.. em que cada observação de uma população tem a mesma probabilidade de ser incluída na amostra. tendo como base dados de uma amostra ou população. 1997. recente. para evitar erros de amostragem é necessário um rigoroso planejamento estatístico juntamente com a aplicação de técnicas adequadas.c j cj 100 (19) sendo: DR (%) a diferença relativa entre uma determinação individual para um local e tempo e a estimativa da média. Jhun & Jeong. compactado).desvios entre os valores observados individualmente e a média deles. Aplicações da técnica “bootstrap” ao estudo da variabilidade de parâmetros hídricos do solo são encontradas nos trabalhos de Dane et al. que possibilita a estimativa da distribuição amostral de estatísticas de interesse. UFRB. 2000). v. Segundo seus resultados. incluindo física de solos (Efron & Tibshirani. Do mesmo modo Melo Filho et al. no livro sobre suas aventuras. Chung et al. (2003) aplicaram e técnica “bootstrap” em um conjunto de dados de umidade e potencial mátrico da água no solo para o desenvolvimento de um método capaz de determinar o número mínimo de amostras necessárias para estimar a média de uma população a partir de um determinado grau de precisão. (1985). no momento j. Outras considerações adicionais ao número de amostras incluem a profundidade. desenvolvida para realizar inferências estatísticas de uma amostra populacional. o tempo. o “bootstrap” foi importante ferramenta de apoio para o desenvolvimento de um sistema de modelagem para calcular propriedades Tópicos em Ciências Agrárias. úmido. em faixas e amostragem geoestatística (Mulla & McBratney. o tipo de equipamento usado para coleta. tipo e profundidade de cultivo e principalmente das condições de solo (seco. possibilitam identificar os pontos cujos valores sempre estejam próximos da média e possam ser utilizados como referência amostral. ecologia. Estes pesquisadores utilizaram o “bootstrap” em associação com funções do tipo “neural networks” para desenvolver esquemas de modelagem para o cálculo e estimativas da curva de retenção e condutividade hidráulica em condições de saturação e não saturação. como economia. genética. a profundidade é dependente de muitos outros fatores como o tipo de propriedade a ser medida.

. B.. Características físicas e químicas de um latossolo vermelho-escuro e a sustentabilidade de agroecossistemas. E. Alteração de propriedades físicas e atividade microbiana de um latossolo amarelo álico após o cultivo com fruteiras perenes e mandioca. é possível definir. n. n...N. WARRICK. FAEAP.K. 140p. S. Geoderma. BANTON. 1: Physical and mineralogical methods. O.O. Curso prático de bioestatística. 244p.C.3. WANG. BEIGUELMAN. Concluindo.C. Experimentação agrícola. associando-se os princípios da estatística clássica aos da geoestatística e aplicando-se as novas técnicas computacionais de reamostragem intensiva. Revista Brasileira de Ciência do Solo. Studies on the movement of soil moisture.I. JONGMANS. Pt. RS. p. Atributos do solo e o impacto ambiental. A. 247p. J. v.23.1019-1025.23.W. BANZATTO. v. L. BUCKINGHAM. A.A. p. M. CADIMA Z.10-15.4. p. Soil Science Society of America Journal. KRONKA. (Bulletin. v. padrões de análise para realizar um estudo confiável e preciso de determinada característica do solo. LIBARDI. Escalonamento de propriedades hídricas na avaliação de métodos de determinação da condutividade hidráulica de solos.21.. BOUMA. 1988.L. BACCHI. Variabilidade espacial da condutividade hidráulica em um latossolo 210 Tópicos em Ciências Agrárias. II. Madison: SSSA. In: KLUTE... 1986. CASSEL. A.C.217-223..401-408. 1. A. Fine-scale spatial variability of physical and biological soil properties in Kingston. Soil Science Society of America Journal. Geoderma. M..ed. Y.G.. n.45. S.98. BERG. p. A. E. Revista Brasileira de Ciência do Solo. J.29. p. 1995. a partir do número de amostras necessário para se ter um coeficiente de variação aceitável e do conhecimento da dependência espacial do fator em estudo. Statistical and autoregressive analysis of physical properties of Portsmouth sandy loam. 1993. 3. v. Ribeirão Preto: Sociedade Brasileira de Genética.S. K. Revista Brasileira de Ciência do Solo. 2000. p. 3. Characterizing spatial variable hydraulic properties of a boulder clay deposit in the Netherlands.A. 1986. M. 50. AMADOR.ed. DAVIDE.N.H. 1999. REICHARDT. v. Jaboticabal: FUNEP. BORGES. como o “bootstrap”. 2009 . M. ALVARENGA. PEEK. 1989. (Ed. KLAMT. UFRB. Washington: USDA. 1907.. SOUSA. Análise da semivariância e da variância... A. J. v.hídricas do solo. Variabilidade espacial de características de solos na região do planalto médio. ANDERSON. SOUZA.12.933-942. Field and laboratory determined hydraulic conductivities considering anisotropy and core surface area.. SAVIN. v. Lavras: ESAL. 1999. STEIN. van den. REFERÊNCIAS ALVARENGA. 1994.19-29.) Methods of soil analysis.83-94. A. p. Hydraulic conductivity of saturated soils: Field methods.57. p. 61p. 735-770. O. D.1096-1104. G. KIEHL.N. 1995. Bureau of Soils. REICHARDT. JH. 1997. D. v. Revista Brasileira de Ciência do Solo.I..4. A. GÖRRES.A. v. K. cap. p.L.S. AMOOZEGAR. 38). pode-se afirmar que. Rhode Island. J. P.

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CAPÍTULO 16 EVAPOTRANSPIRAÇÃO Francisco Adriano de Carvalho Pereira. Vital Pedro da Silva Paz & Greice Ximena Santos de Oliveira Tópicos em Ciências Agrárias . Áureo Silva de Oliveira.

Cruz das Almas-BA. Doorenbos & Pruitt (1977) apresentaram um definição para evapotranspiração de referência. Desta maneira. em crescimento ativo. Do ponto de vista físico. INTRODUÇÃO A água é um elemento essencial ao desenvolvimento vegetal. 2009 221 .5 m. em crescimento ativo e sem restrições de água no solo. com altura fixa de 0. E-mail: fadriano@ufrb.Centro de Ciências Agrárias. cobrindo totalmente a superfície do solo e sem restrições hídricas. Entre as razões apresentadas para a escolha da alfafa como planta de referência. as plantas transferem aproximadamente 98% da água retirada do solo para a atmosfera. utilizados na definição do processo da evapotranspiração. como aquela que ocorre em uma extensa superfície gramada. Posteriormente. através da evaporação direta da superfície do solo e da água perdida pelas plantas através da transpiração. UFRB. em crescimento ativo e cobrindo totalmente a superfície do terreno.edu. sob condições ótimas de umidade do solo. faz-se necessário um conhecimento claro a respeito de certas definições. Vital Pedro da Silva Paz1. sem imposição de qualquer condição Tópicos em Ciências Agrárias. sendo que deste total.08 a 0. o consumo de água pelas plantas normalmente se refere à água transferida para a atmosfera pelos processos de evaporação da superfície do solo e pela transpiração das plantas. numa dada condição climática. com altura de 0. definindo-a como a água utilizada por uma extensa área vegetada. devido às diferenças de rugosidade e albedo das suas superfícies. viabilizando o intercâmbio de trabalhos realizados sob condições diferentes. No protoplasma. principalmente. introduziram o termo evapotranspiração de referência (ETo). Buscando apresentar uma padronização para a definição da evapotranspiração de referência e visando. Desta maneira. Em essência. poder refletor (albedo) de 23% e resistência do dossel ao transporte de vapor d'água de 69 sm-1. à utilização do modelo de Penman-Monteith. 1.br Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. A evapotranspiração real é aquela que ocorre numa superfície vegetada. deveria ser baixa e de altura uniforme. v. Penman (1956) estabeleceu que o tipo de vegetação a ser tomada como referência.12 m.15 m.). no qual a água passa da fase líquida para a fase de vapor. os processos da evaporação e da transpiração são muito parecidos. sendo a grama tomada como padrão. Greice Ximena Santos de Oliveira2 1 2 Professor . em virtude da sua utilização como cobertura dos postos meteorológicos. diferenciando-se unicamente quanto ao tipo de superfície evaporante. Cruz das Almas-BA. Jansen et al. (1971). argumentou-se que o seu porte seria mais representativo das condições aerodinâmicas de outras culturas do que a grama com o seu porte rasteiro. como a fotossíntese e a fosforilação oxidativa. Essa proposição coincide com a evapotranspiração de uma superfície coberta com grama.EVAPOTRANSPIRAÇÃO Francisco Adriano de Carvalho Pereira1. pode-se verificar que a definição de evapotranspiração de referência coincide com a evapotranspiração potencial (ETP). com área tampão de 100 m aproximadamente. Aureo Silva de Oliveira1. Entretanto. Ambientais e Biológicas/UFRB. participa de importantes processos metabólicos essenciais à vida vegetal. utilizando os conceitos propostos por Thornthwaite aplicando-os à cultura da alfafa (Mendicago sativa L. com altura de 0. a evapotranspiração (ET) constitui a transferência de água.3 a 0. Devido à grande diversidade de termos existentes na literatura. que os valores obtidos com a utilização da cultura da alfafa podem diferir substancialmente dos encontrados com a grama. participando como constituinte do protoplasma celular em proporções que podem alcançar 95% do seu peso total. Vale ressaltar. O termo evapotranspiração potencial (ETp) foi introduzido na literatura especializada por Thornthwaite (1948). Desta maneira. Smith (1991) apresentou uma conceituação da ETo como aquela que ocorre em uma cultura hipotética. Durante o seu ciclo de desenvolvimento as plantas consomem um grande volume de água. através do sistema solo-planta para a atmosfera. DEFINIÇÕES A evapotranspiração pode ser definida como a soma da quantidade de água perdida por uma superfície coberta com vegetação. na forma de vapor. entretanto. quando se trata da quantificação da evapotranspiração e do requerimento de água das culturas. muitas dificuldades têm surgido entre os técnicos para a compreensão deste importante fenômeno de transformação física.

normalmente. tem-se que: ET = 1 litro / 1 m2 = 1. Apesar de sua determinação ser difícil e muitas vezes inexata. da planta e do manejo do solo. da sua superfície evapotranspirante. Essa energia é denominada de calor latente de eva-poração. 2009 . nas características dos estômatos. até sob as mesmas condições climáticas e de mesma área foliar. 1 mm dia-1 corresponde a 10 m3ha-1dia-1. a evapotranspiração é expressa em mm (milímetros) por unidade de tempo. = 2. para evaporar 1 mm são necessários 2. Em locais onde existe uma pequena área irrigada em torno de uma grande área seca ou quando a área de bordadura não é suficiente para eliminar os efeitos advectivos do calor sensível. Por isso. a ETc pode ser estimada por: Etc = kc ETo UNIDADES Como foi demonstrado. entende-se a importância da evapotranspiração no dimensionamento e manejo adequado da irrigação pois cada 1 mm aplicado. adota-se o valor de = 2.000 litros de água por hectare. que por sua vez é variável com os períodos fenológicos. a 20ºC. Através dessa relação.45 MJ kg-1.45 MJ kg-1. que nada mais é do que a relação entre a ETc e a ETo. FATORES QUE AFETAM A EVAPOTRANSPIRAÇÃO De acordo com as condições adotadas. Considerando a perda de 1 litro de água de uma superfície com área igual a 1 m2. a ETc é muito importante para um bom dimensionamento de projetos de irrigação. que nessas condições recebe a denominação de evapotranspiração de oásis (ETo). pode-se observar que kc varia ao longo do ciclo de uma cultura de acordo com o IAF. A ETc é uma variável dependente das condições meteorológicas e da área foliar da cultura (AF). Assim.000 cm2 = 0. a (ETR) independe do porte da vegetação. portanto. UFRB. que é expressa pelo coeficiente de cultura (kc). enquanto que a 5ºC. visto que esta representa a quantidade de água que deve ser reposta ao solo para manter o crescimento e a produção da cultura em condições ideais. uma determina altura ou lâmina de água. Em média. vários são os fatores que afetam a evapotranspiração: climáticos.000 m2). Portanto. Outra forma de se expressar a evapotranspiração é em termos da energia requerida para o processo.001 m). também denominada de máxima (ETm).48 MJ kg-1. tais como. Por exemplo. 1 kg de água corresponde a 1 litro e.1 cm = 1 mm Para uma superfície de 1 ha (10.de contorno. Outros fatores. que na prática é chamada de evapotranspiração da cultura (ETc).45 MJ m-2. 1. tem-se verificado a ocorrência de valores exagerados de evapotranspiração. Sendo a densidade da água igual a uma unidade. por isso. ou seja. a evapotranspiração é a perda de determinado volume de água em uma determinada área.000 cm3 / 10. = 2. as diferenças na anatomia da folha. o que significa que são necessários 2.45 MJ para evaporar 1 kg de água. pode corresponder a 10. v. da sua área de bordadura e das condições de disponibilidade de água no solo. 222 Tópicos em Ciências Agrárias.001 m = V / 10.000 m2 V = 10 m3 (1) ou seja. nas propriedades aerodinâmicas (altura das plantas) e no albedo fazem com que a ETc seja substancialmente diferente da ETo. uma ET = 1 mm (0. ou seja. Durante os diferentes estágios fenológicos das culturas e sua ocupação na área disponível ocorre a evapotranspiração real. irá corresponder a um volume de água de: 0.

Impedimentos físicos / químicos: reduzindo o volume de água disponível para o uso pelas plantas pois. v. extraindo mais energia do ar. Quanto maior a área foliar maior a exigência hídrica da planta. o que dificulta a sua utilização quando o objetivo é a Tópicos em Ciências Agrárias. MEDIDAS DA EVAPOTRANSPIRAÇÃO A medida da evaporação é feita de forma simples e é muito utilizada no manejo da irrigação e no gerenciamento dos recursos hídricos. . utilizando-se sensores eletrônicos. possui área circular.Vento (U): responsável pela remoção do ar saturado junto à superfície das folhas e pelo transporte de calor de áreas mais secas (advecção de calor sensível). . 1.Tipo de solo: solos argilosos têm maior capacidade de armazenamento de água do que os arenosos e. UFRB.Umidade Relativa (UR): atua junto com a temperatura. . . à resistência ao transporte de vapor no estômato e a outros aspectos morfológicos que interferem diretamente na evapotranspiração.Área foliar: relacionada ao tamanho da superfície foliar disponível para o processo de transpiração. . portanto. apresenta algumas desvantagens como a superexposição às condições ambientais. Apesar da simplicidade de seu manuseio. a facilidade de acesso de animais e ao fato da evaporação ocorrer também durante o período noturno.Fatores climáticos . Fatores de manejo do solo . A medida da evaporação pode ser obtida com leitura manual. pois a cobertura morta sobre o solo diminui a perda de água por evaporação. obtém-se o total de água evaporada em um dado intervalo de tempo pela diferença das alturas dos níveis da água em dias consecutivos. um dos componentes do poder evaporante do ar. objetivando o suprimento de água à planta. Foi desenvolvido nos Estados Unidos e é amplamente utilizado no Brasil.Coeficiente de reflexão (albedo): afeta o saldo de radiação. essas medidas têm sido utilizadas para estimativas dessas variáveis. utilizando-se o parafuso micrométrico em tanque tranquilizador ou automática.Disponibilidade de água no solo: afeta diretamente a evapotranspiração pois a reduz quando o armazenamento cai além do limite crítico. Plantas mais altas interagem mais com a atmosfera em movimento. principalmente à radiação solar e à velocidade do vento. principal fonte de energia para o processo de evapotranspiração.Profundidade do sistema radicular: relacionado ao volume de solo explorado pelas raízes.Saldo de Radiação (Rn): principal fonte de energia para o processo evapotranspirativo. O Tanque tipo Classe A (Figura 1) é o mais utilizado para esta finalidade. Devido à relação positiva entre a evaporação observada em tanques e aquela que ocorre de um lago ou de uma superfície vegetada.15 m2 e é instalado sobre a superfície em um estrado de madeira. mais indivíduos. Quanto menor o espaçamento. com 1.Altura da planta: interfere na interação planta-atmosfera.Espécie: relacionado à arquitetura foliar.Plantio direto: reduz a evapotranspiração. 2009 223 . . maior consumo de água por área. . Fatores da planta . determinando o déficit de saturação do ar. .Espaçamento / Densidade de plantio: determina o nível de competição entre os indivíduos da mesma espécie. . Através da utilização de tanques de evaporação. a capacidade de atender as exigências hídricas da cultura por mais tempo. . É o outro componente do poder evaporante do ar. Depende da radiação solar incidente e do albedo da vegetação. . limitam o crescimento do sistema radicular da cultura.Temperatura do ar (T): o calor sensível contribui com parte da energia necessária ao processo de evapotranspiração e a temperatura também está diretamente ligada à umidade relativa e ao déficit de saturação do ar.

como mostra a Figura 1. Tanques evaporimétrico tipo Classe A. Na tentativa de diluir estes erros. (1) (2) (3) (4) Figura 2. GGI3000 (3) e Colorado (4). Tanques evaporimétricos Classe A (1). v. 1. 20 m2 (2). com suas dimensões. dada a grande variabilidade encontrada entre os valores de evaporação. outros tanques podem ser utilizados para a medida da evaporação. o de 20 m2 (circular. entre os quais o GGI3000 (circular. enterrado e com área evaporante de 0. 224 Tópicos em Ciências Agrárias. 2009 . enterrado e com área evaporante de 20 m2) e o Colorado (quadrado. é aconselhável que o tanque Classe A seja utilizado com repetições.30 m2).84 m2). A Figura 2 apresenta os tipos de tanque com suas dimensões. Fonte: INMET Além do tanque Classe A. UFRB. Figura 1.estimativa da evapotranspiração de referência. enterrado e com área evaporante de 0.

os que apresentam coeficientes (kp) para converter a medida de evaporação em evapotranspiração de referência são os do tipo Classe A e Colorado. (1998). em que as entradas são: a chuva (P). Os micrometeorológicos são aqueles que utilizam o princípio do balanço de energia em que o fluxo de calor latente (lET). o que limita a utilização deste método a períodos com mais de cinco dias. assim os métodos utilizados para tal medida demandam equipamentos sofisticados e não são apropriados para medidas rotineiras. para o período analisado. Além disso. 1. por diferença. justificando seu emprego apenas em condições experimentais. o escoamento subsuperficial (DLo) e a drenagem profunda (DP). método micrometeorológico que requer medidas precisas de temperatura do ar. O resultado desse balanço é a variação do armazenamento de água no solo (DARM). o escoamento subsuperficial (DLi) e a ascenção capilar (AC). AC e DP. alguns desses componentes são de difícil medida. Representação gráfica do balanço de água no solo. tem os métodos micrometeorológicos. A medida da evapotranspiração é difícil e onerosa.H . pela seguinte expressão: DARM = P + I + Ri + O + DLi + AC – (ET + Ro + DLo + DP ) (3) Segundo Allen et al. o balanço de água no solo pode ser representado pelo esquema da Figura 3. v. 2009 225 . não podendo ser obtidos para curtos períodos de tempo. De forma geral. O método de balanço de água no solo. em um dado período de tempo. o lET também pode ser determinado pelo método de transferência de massa. que representa a evapotranspiração. o orvalho (O). pressão atual de vapor e velocidade do vento a diferentes níveis acima da superfície. UFRB. especialmente DL. Nessas condições. o escoamento superficial (Ri). é dado por: lET = Rn . enquanto que as saídas são: a evapotranspiração (ET). consiste no balanço entre as entradas e saídas de água em um volume de solo conhecido. Entre os métodos utilizados para a determinação direta da evapotranspiração. o escoamento superficial (Ro). a evapotranspiração pode ser obtida. Figura 3. a irrigação (I). Tópicos em Ciências Agrárias. o método de balanço de água no solo e os lisímetros.Apesar da existência dos diversos tipos de tanque.G (2) sendo Rn e G medidos e H estimado a partir de medidas precisas do gradiente térmico sobre a vegetação.

UFRB. sendo necessário apenas algumas dezenas de metros em condições de clima úmido e entre 100 a 300 m em condições de clima seco. por meio de um tubo (T). os resultados experimentais mostram que o tamanho da área tampão é bastante variável. Neste último. dependendo basicamente das condições climáticas regionais. Ilustração esquemática dos lisímetros de drenagem. A ET é dada pela diferença de peso (P1 P2) em um dado intervalo de tempo. a vegetação no interior do lisímetro deve apresentar as mesmas condições (altura e área foliar) da área tampão.L2). v. 226 Tópicos em Ciências Agrárias. (1997). os mais comuns são o de drenagem. cujo tamanho deve ser suficientemente grande para anular os efeitos da advecção. usando células de carga. Figura 4. o de lençol freático constante. e o de pesagem que utiliza medida automatizada com células de carga (CC) instaladas sob uma caixa impermeável e ligadas a um sistema de aquisição de dados (SAD) (Figura 5). Segundo Pereira et al. tem como incoveniente a necessidade de drenagem da água armazenada em sua parte inferior. porém. Dentre os diversos tipos de lisímetros. Figura 5.RA) e registro da água reposta (L1 . baseado no princípio de conservação de massa e que funciona adequadamente em períodos longos de observação (acima de 5 dias).O uso de lisímetros tem sido a forma mais empregada para a obtenção direta da ET. Para medidas acuradas da ET. 1. a ET pode ser obtida com uma grande acurácia e para períodos muito curtos de tempo (1 hora).RI e reservatório de alimentação . que utiliza um sistema automático de alimentação (reservatório intermediário .. Bateria com cinco lisímetros de pesagem. É uma estrutura cujo objetivo é isolar um certo volume de solo de modo a se controlar todas as entradas e saídas de água desse sistema (Figura 4). de modo a manter o nível do lençol freático (LF) constante. lençol freático constante e de pesagem com células de carga. 2009 .

é dada por : ETo = ETp (ND/30) (N/12) (9) No caso da determinação da ETo em mm dia-1. obtidos a partir dos dados normais da região e determinados pelas seguintes expressões: I = S(0. "I" e "a" índices de calor. tanque Classe A. Após a determinação de ETp. Ta a temperatura média anual normal (média histórica). que serão descritos a seguir.Outros métodos restringem sua aplicação. integrando todos os elementos que condicionam o processo de ET.5 C º em que: ETp é a evapotranspiração padronizada para um mês de 30 dias e para um fotoperíodo (N) igual a 12h.Tmin) em que: Tmax é a temperatura máxima do ar. apresentam uma base física mais sólida. na Inglaterra.24 Tm . 1948). Dentre os métodos mais empregados. v. pois só são válidos para condições climáticas específicas. visto que é difícil obter rotineiramente medidas precisas. A ETo é obtida em mm mês-1 pela seguinte formulação (Pereira et al.7.0. Por ser um método desenvolvido e testado em condições de clima úmido. em ºC.36 (3 Tmax . em ºC .85 + 32. corrigindo a temperatura utilizada. Priestley-Taylor e PermanMonteith. quer seja pela sua simplicidade ou pelo seu grau de confiabilidade. em ºC. Camargo. ambas em ºC.7912 10 I . Baseia-se na relação empírica existente entre a ETo e a temperatura do ar. 2001): ETp = 16 (10 Tm/I)a para 0 < Tm < 26. sendo universais. destaca-se o método proposto por Thornthwaite (1948).75 10 I (8) a = 0. Hargreaves-Samani.COMO ESTIMAR A EVAPOTRANSPIRAÇÃO Inúmeros métodos empíricos e semi-empíricos. 2009 (11) 227 . através da utilização de dados meteorológicos foram criados para estimar a evapotranspiração de referência. nos Estados Unidos. apresenta subestimativas em condições de clima seco.514 -5 2 -7 3 (6) (7) + 6. pois desenvolvidos exclusivamente para se estimar a ETo. a qual expressa a energia disponível no ambiente. contudo a maior desvantagem do método é a dependência de dados meteorológicos. 1. e Penman (1948).2 Tni)1. Tm é a temperatura média do mês. por não levar em consideração o poder evaporante do ar. basta se determinar ETp com a temperatura média do dia e utilizar a seguinte formulação : ETo = (ETp / 30) (N/12) (10) Segundo resultados experimentais de Camargo (1962) e Camargo & Sentelhas (1997) este método apresentou boas estimativas de ETo para condições de clima úmido no Brasil mas. esta deve ser corrigida em função do número de dias (ND) e do fotoperíodo médio (Tabela 1) do mês em questão. UFRB. Método de Thornthwaite Um dos primeiros métodos desenvolvidos para estimar ETo (Thornthwaite.49239 + 1. outros. para condições de clima super-úmido e semiárido. porém.5ºC 2 (4) (5) ETp = -415. o qual propõe um ajuste para tais condições. como mostrou o trabalho de Camargo & Sentelhas (1997).43 Tm p/ T > 26.514 I = 12 (0. Entre estes. que passa a ser denominada de temperatura efetiva (Tef). nem sempre disponíveis para a localidade em estudo. destacam-se os de Thornthwaite. dada por: Tef = 0. Assim. ETo em mm/mês. e Tmin a temperatura mínima do ar. Tópicos em Ciências Agrárias..71 10 em que: Tn é a temperatura média normal do mês i (i = 1 a 12). sua eficácia é discutível.2 Ta) -2 1.

5 11.7 10.2 13.3 12.0 14.7 Fev 11.4 13.1 13.1 12.3 Dez 11.9 11.0 11.1 12.1 11.9 1.4 11.1 12.8 12.8 12.0 12.0 11.0 12.1 12.2 12. UFRB.4 12.1 12.4 12.7 11.2 12.3 12.2 11.1 12.3 11. Duração máxima de insolação diária (N).7 11.3 12.0 11.2 11.7 12.9 12.1 12.9 11.80)ù a = 23.6 12.6 12.1 Nov 11.8 11.6 11.0 14.8 15.5 11.1 11.2 12.1 12.9 11.1 12.4 12.2 12.3 12.1 12.80 9.3 14.7 12.1 12.9 11.5 Set 12.4 12.1 14.1 11.0 10.4 10. Método de Hargreaves e Samani Apesar de ter sido desenvolvido para as condições de clima semi-árido da Califórnia.01 Qo Tmed ND (12) em que: Qo é a irradiância solar extraterrestre.0 12.5 12.6 12.5 12.7 11.9 12.7 13.7 11.5 13.1 12.3 13.5 12.8 13.0 12. nos meses e latitude de 10º N a 40º S. faz uso apenas da temperatura média do ar e não leva em consideração o poder evaporante do ar.7 13.5 11.3 12.Tabela 1.7 10.4 12.1 12.0 13.7 11.7 11.2 12.4 12.6 11.5 12.1 9. em ºC.9 11.2 12.3 11.6 11.9 11.1 12.5 11.8 11.2 12.5 14.2 12.0 10.8 11. v.5 12.6 10.4 Abr 12.4 11. correspondente ao 15º dia de cada mês Latitude 10º N 8º N 6º N 4º N 2º N Equador 2º S 4º S 6º S 8º S 10º S 12º S 14º S 16º S 18º S 20º S 22º S 24º S 26º S 28º S 30º S 32º S 34º S 36º S 38º S 40º S Jan 11.5 12.1 12.5 12.2 12.2 12.6 11.6 13.6 12.2 12.7 12.6 13.9 14.0 14.7 11.3 12.0 13.9 11.0 9.2 13.0 12. Tmed é temperatura média do período considerado.8 11.0 OBS: Pode-se também calcular o valor da duração máxima da insolação diária (N).6 11.0 12.6 11..0 12.4 11.1 13.0 13.1 12.1 12.6 11.8 11.7 11. o método criado por Hargreaves e Samani (1985).5 13.5 11.7 12.8 13.9 11.3 Jul 12.5 11.1 12.9 Jun 12.1 12.6 Ago 12.2 12.8 12.3 10. em hora.9 12.2 12.4 12.9 12.5 13.5 11. Contudo.3 11.1 10.9 13.1 12.9 10.8 12.5 12.2 11.9 14.6 12.4 11.70 9.8 11.6 14.3 11.2 11.4 12.4 12.9 10.2 12.2 14.5 10.4 12.6 10.3 12.8 10.6 12. m: latitude (-) se localizado no hemisfério Sul.1 10.7 12.9 10.7 12.tg a tg m ] é 360 (DJ .2 12.2 11. 1998) como uma opção para a estimativa de ETo.2 13.4 14.8 11. Assim.8 11.7 10.5 13.1 12.8 11. em relação ao apresentado anteriormente.6 11. é que não há necessidade do uso de dados normais de temperatura do ar.8 10.6 11.1 10.4 12.2 13.3 12.2 12.4 11.3 12.2 10.0 12.0 11.0 12. expressa em mm de evaporação equivalente. 228 Tópicos em Ciências Agrárias.1 12.2 12.1 12.1 12.0 12.0 11.4 10.3 12.2 12.8 12.9 13.0 12.0 13.1 12.2 12.0 12.8 Out 11.7 10. 1.45 sen ê ú 365 ë û N= Sendo: a:declinação solar.0 12.3 12.1 12.9 10.3 12.8 10.3 12.9 12. trouxe uma vantagem adicional. e ND o número de dias do período considerado.8 9.1 12.9 11.9 10.4 12.2 11. A ETo é estimada diretamente a partir da seguinte fórmula : Eto = 0.3 10.7 11.2 12.7 11.3 12.9 11. de acordo com método original.0 11.3 12.1 13.2 14.3 11.2 13. 2009 .6 13. Método de Camargo O método proposto por Camargo (1971) é uma simplificação do método de Thornthwaite (1948).9 11.4 13.0 12.4 12.0 12.3 13.1 12.5 9. é recomendado pela FAO (Allen et al.1 12.5 11.0 12.6 12.3 12.2 12.9 11.9 13.9 11.9 12.1 12.6 Mar 12.1 Mai 12. DJ: Dia Juliano.5 10.9 11.6 12.1 12.9 13.2 12.0 12.1 13.2 14.2 12.9 12.0 12.5 12.0 9.6 12.4 12.6 10.4 11.1 12.2 10.7 12.3 13. por meio das seguintes equações: 2 H 15 H = ar cos [.1 12.

Allen et al. menor a umidade relativa e menor a bordadura.Tmin)0. denominado aerodinâmico (AERO). em relação ao aumento de ETo.0023 Qo (Tmax .00289 U2m ln(86. deve ser calibrado para outras condições climáticas. UFRB.000162 U2m URmed . Deve-se atentar para os limites das equações 25 e 26. é substituído por uma fração que este representa do primeiro termo. que é a de se adotar valores médios de URmed e U2m para a região estudada. denominado de coeficiente de tanque (kp). Quanto maior a velocidade do vento.5 (Tmed + 17. não é de aplicação universal e.0. e URmed a umidade relativa média diária. portanto.0422 ln(B) + 0. 2009 229 . A FAO sugere outra opção.quando há somente disponibilidade de dados de temperatura do ar local. Sua fórmula para a estimativa diária de ETo é a seguinte: ETo = 0. que converte a evaporação obtida no tanque Classe A (ECA) em evapotranspiração. Os valores de kp são normalmente apresentados na forma de tabelas (Doorembos e Kassam. proposta pelo boletim 56 (Allen et al. sempre menor do que 1. a quantidade de água que é transferida para a atmosfera pelos processos de evaporação e evapotranspiração difere significativamente. menor o valor de kp. Método de Priestley-Taylor É uma simplificação do método original de Penman (1948). em %. No entanto. expressa em mm de evaporação equivalente. Assim como os métodos de Camargo e de Thornthwaite.0.0. 1994. 1.0.61 + 0. caso contrário pode provocar superestimativas em condições de clima úmido (Sentelhas e Camargo. representativo da região.4 U2m) (16) em que: U2m é a velocidade média do vento a 2 m de altura.4 U2m) ln(B) + 0. em ºC.00341 URmed . em que o segundo termo da equação. Tmin a temperatura mínima do ar. Isso se dá devido ao aumento excessivo da ECA. havendo a necessidade de um coeficiente de proporcionalidade. nessas condições. Allen et al.0106 ln(86. 2001).0.4 U2m) . 1996. o kp pode ser obtido pelas seguintes equações apresentadas por Allen et al.1434 ln(URmed) . em m s-1... 1998).8 ) (13) em que: Tmax é a temperatura máxima do ar. Tmed a temperatura média do ar. Logicamente. v. devido às diferenças entre a superfície de água livre e a superfície de uma cultura e entre os mecanismos de resistência ao transporte de água e vapor que atuam nesses dois meios. em ºC. 1998 e Pereira et al.00063 [ln(B)]2 ln(URmed) (15) para bordadura sem vegetação kp = 0. denominado energético (ENERG).0.00000959 U2m B + 0. para facilitar a interpolação e o uso de sistemas informatizados. e Qo a irradiância solar extraterrestre.. .00063 [ln(B)]2 ln(86. B entre 1 e 1000 m e URmed entre 30 e 84%. é função da velocidade do vento. B é a extensão da bordadura.00327 U2m ln(B) . como mostra a equação a seguir: ETo = ECA kp (14) O valor de kp. Uma alternativa no caso de não se dispor de dados de URmed e de U2m é o de se adotar um kp fixo. considera que: Eto = ENERG + AERO (16) Tópicos em Ciências Agrárias. em m. (1998): para bordadura vegetada kp = 0.0286 U2m + 0. 1998). em ºC. da umidade relativa e do tamanho e do tipo da bordadura circunvizinha ao tanque Classe A. O método de Penman. os quais são: U2m entre 1 e 8 m s-1. Método do tanque Classe A Este método é baseado na proporcionalidade existente entre a evaporação do tanque Classe A e a ETo.108 .

da velocidade do vento. A equação com esse novo conceito de resistência da superfície foi apresentada por Monteith (1965) e adaptada por Allen et al. igual a 2.408 s (Rn . (1998) para a estimativa da evapotranspiração de referência na escala diária. em kPa. em MJm-2d-1. ou. podendo ser determinado pelas seguintes expressões: W = 0. sendo atualmente recomendada como padrão da FAO com a seguinte parametrização: Eto = {0. sendo que a rc descreve as resistências ao fluxo de vapor exercidas pelos estômatos. ainda.26. o método de Priestley-Taylor fica com a seguinte formulação: ETo = 1. g a constante psicrométrica.1 < T < 32 C) º (18) (19) Não se dispondo de medidas de G.ea)}/ [s + g (1 + 0.38 (Td . e W um fator de ponderação dependente da temperatura (T) e do coeficiente psicrométrico. por meio da introdução de fatores de resistência da planta.G). G fluxo de calor no solo. Método de Penman-Monteith (FAO) Em 1948. como mostra a Figura 6. umidade e velocidade do vento. U2m a velocidade do vento a 2m.G) (17) em que: Rn é o saldo de radiação. 1. ambas em ºC. em MJm-2d-1. portanto. temperatura.G) + g ?[900/(T + 273)] U2m (es . em ºC. que representanda todo o conjunto de resistências da superfície que atua no processo.Dividindo-se todos os termos da equação pelo termo ENERG. l é o calor latente de evaporação. igual a 0.T-3d) (20) sendo Td a temperatura média do dia em questão e T-3d a temperatura média do ar dos três dias anteriores. 2009 . obtidos em estações meteorológicas. (1 + AERO / ENERG) é denominado de Parâmetro de Priestley-Taylor. Sendo o termo energético igual a W (Rn . sendo dependente. 2001): G = 0.063 kPaºC-1. v. tem-se que: ETo / ENERG = ENERG / ENERG + AERO / ENERG ETo / ENERG = 1 + AERO / ENERG Nessa situação.3)2 (22) 230 Tópicos em Ciências Agrárias. enquanto que ra representa a resistência ao transporte de vapor exercida pelo fluxo de ar. em kPa ºC-1. estimado a partir da seguinte expressão (Pereira et al. tendo o valor de 1. G o fluxo de calor no solo. em MJ m-2d-1.45 MJ/kg a 20ºC. pela cutícula e pelo solo. esse valor poderá ser desprezado para a escala diária.. Essas resistências foram genericamente denominadas de resistência da cobertura (rc). do solo e da vegetação. Penman combinou o balanço de energia com o método do transporte de massa e derivou uma equação para descrever a evaporação de superfícies de água livre. em MJ m-2d-1. UFRB. es-ea o déficit de pressão de saturação do ar. a partir de dados de insolação.407 + 0. e s a declividade da curva de pressão de vapor na temperatura do ar. Esse método foi denominado de combinado e ao longo do tempo foi adaptado para a superfície vegetada.483 + 0.26 W (Rn . T a temperatura média do ar. A rc atua em série com a resistência do ar (ra).01 T (0 < T < 16ºC) (16. As equações recomendadas para a obtenção das variáveis acima são: s = (4098 es) / (T + 237. podendo ser medido ou estimado. em m s-1.0145 T W 0.34 U2m)] (21) em que : Rn é o saldo de radiação.

os métodos de Thornthwaite e Camargo apresentam melhores estimativas de ETo em condições de clima úmido. em ºC. UFRB. O segundo fator é a escala de tempo requerida. enquanto que a estimativa de G é dada pela equação 20. 1998). v. provocando subestimativas de ETo em climas semi-áridos. 2009 231 . como por exemplo no semi-árido nordestino.27. Adaptado de Allen et al. Figura 6. a escolha de um método de estimativa de ETo depende de uma série de fatores.3 + Tmax)] [(17. 1. em %. apresentando excelentes resultados (Allen et al.Tmax) / (237. o método de Hargreaves-Samani produz melhores resultados em condições de clima árido e semi-árido. Por outro lado. os métodos de Priestley-Taylor e Penman-Monteith não poderão ser empregados onde há apenas dados de temperatura do ar. Em geral. requerendo ajustes locais.27. o terceiro fator envolve a adaptabilidade dos métodos empíricos à região de estudo.Tmin) / (237.6108 e [(17. O primeiro deles é a disponibilidade de dados meteorológicos. métodos empíricos como os de Thornthwaite e de Camargo apresentam melhores estimativas em escalas de tempo maiores. Finalmente. Normalmente. em %.es = (esTmax + esTmin) / 2 es Tmax Tmin (23) (24) (25) (26) (27) (28) = 0. Esquema da resistência do ar e da cobertura ao fluxo de vapor. seu emprego já é bastante difundido. CRITÉRIOS PARA A ESCOLHA DE MÉTODO DE ESTIMATIVA DA ETo De acordo com Pereira et al. em ºC. pois esses não são de aplicação universal.e ea = (URmed es) / 100 URmed = (URmax + URmin) / 2 T = (Tmax + Tmin) / 2 sendo Tmax a temperatura máxima do ar. Desse modo. sendo o único problema a falta dos dados necessários ao seu emprego em algumas localidades. Tópicos em Ciências Agrárias.. exigem grande número de variáveis. (2001). Este método vem sendo largamente empregado em todo o mundo. No Brasil. pois os métodos mais complexos. URmin a umidade relativa mínima. como visto no item anterior. enquanto que aqueles que utilizam o balanço de energia podem ser empregados até mesmo na escala horária. Tmin a temperatura mínima do ar. URmax a umidade relativa máxima.6108. Os procedimentos de medida e estimativa de Rn são apresentados no item 3 deste capítulo. Quando aplicado em condições de clima úmido este método superestima a ETo.3 + Tmin)] es = 0. (1998).

1994. Chicago. (Estudos FAO. J. A. HARGREAVES. C. 478 p. Trans. 1948. 55-94. Universidade Federal da Paraíba. 38. RS: Livraria e Editora Agropecuária Ltda. Equação para a estimativa da evapotranspiração potencial no Estado de São Paulo. n. G. A. Amer.. PEREIRA. R.. 21. n. Symp. 14. Estimating soil moisture depletion from climate. 1997. 89-97. 56). 1977. Agric.. e outros. A.fundamentos e aplicações práticas. 205-234. Soc. Santa Maria. PEREIRA. H. 1965. Evaporation and environment. 5. Reference crop evapotranspiration from ambient air temperature. 1997. Guidlines for predicting Crop water requirements. Santa Maria. SENTELHAS. 183 p. Revista Brasileira de Agrometeorologia. v. PRATT. A. CAMARGO. Evapo(Transpi)Ração. crop and soil data. 1. 1. MONTEITH. Contribuição para determinação da evapotranspiração potencial no Estado de São Paulo. Agrometeorologia . PENMAN. 24 2nd ed. H.. 179pp. p. n. L. 1998. UFRB.A. ed. 2009 . Rome: FAO. O. P. 116) CAMARGO. p. Proc. C. P. Rome FAO.. v. O Efeito da água no rendimento das culturas.L. v. V. SMITH. v. SENTELHAS. 1971.. H. Eng. Avaliação do desempenho de diferentes métodos de estimativa da evapotranspiração potencial no Estado de São Paulo.REFERÊNCIAS ALLEN R. 232 Tópicos em Ciências Agrárias. B. 163-213. 3. Campinas: Instituto Agronômico. 954-959. C. Bragantia. v. ed. H. 24p. W. Campina Grande. R. R.ed. M. FAO Irrigation and Drainage Paper. DOOREMBOS. J.. WRIGHT.. M. FAO 306p. THORNTHWAITE.. DOOREMBOS. Biol.. n. Balanço hídrico no Estado de São Paulo. 5.J. J. 4. 1962. E. baseada no método de Hargreaves .. v. PRUITT. 1. A. A. J. Revista Brasileira de Agrometeorologia. 1. CAMARGO. A. p. An approch toward a rational classification of climate. SENTELHAS. 1.. bare soil and grass. 1971. v. D. G. (Paper 85-2517) 1985. v. J. SEDIYAMA. p. M. P. v. of the ASAE. L. G. KASSAM. New York. 193. L. 45 p. L. London. p. NOVA. Crop evapotranspiration: guidelines for computing crop water requirements. p. N. Report on the expert consultation on revision of FAO methodologies for crop water requirements.. (Boletim. 120-146. 2001. 77-81. SMITH. CAMARGO.. R. Meeting. SAMANI. A. P. 1996. 1. Geografical Review.1974. Piracicaba.. P. JANSEN. C. P. p. 1948. Irrigação e Drenagem 33) Tradução Gheyi. v.. ANGELOCCI. SP: Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz. (FAO: Irrigation and Drainage Paper. 1. RAES. 19.. Guaíba.. Z...R. Soc Expl. Soc. C. 1991. Natural evaporation from open water. 1. P.. Rome. PEREIRA.

CAPÍTULO 17 MISTURA MINERAL PARA BOVINOS EM REGIME DE PASTO Benedito Marques da Costa. Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira & Maria do Carmo Martins Marques da Costa Tópicos em Ciências Agrárias .

vários autores detectaram níveis deficientes de cobre no solo. citados por Possenti et al. Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira1. Por isso. em pastagens. Contudo. se os animais possuírem apenas a forragem como única fonte desses nutrientes. a nutrição mineral desses animais é freqüentemente desbalanceada. 1. plantas e tecidos de animais (Santiago et al. crescimento. no metabolismo do manganês. 1974. sódio. 1968. Sousa et al. No fígado. tais como: cálcio. Em Nova Odessa. em regime de pasto. Caielli (1974) informa que foram encontrados níveis de cálcio abaixo do limite. Em algumas regiões de Mato Grosso. a nutrição mineral do ruminante é dada pelo somatório da ingestão de minerais via água de beber. também. cobre e zinco. Contudo. Também. Sousa et al. Agostini & Kaminski (1976) e Sousa et al. Esse consumo se torna maior em solos desagregados ou em áreas onde a lotação é alta (Haddad & Platzeck. nas cinzas ósseas. 1976). 1985. a sua ingestão causa uma diminuição no consumo de minerais em nível de cocho (Shirley & Carvalho. (1992). Cruz das Almas-BA. 1966.. as deficiências minerais mais comuns são as de cálcio.. UFRB. somente 10% do rebanho bovino nacional possui uma correta nutrição mineral e 70% ou mais do efetivo recebe somente sal grosso ou mesmo nenhuma forma de suplemento mineral na dieta. cobre. os teores de magnésio encontrados nas forragens são suficientes para atender às necessidades dos animais em diferentes fases de produção. era de se esperar um efeito deletério da ingestão de solo sobre a disponibilidade de fósforo ao animal. (1987) encontraram deficiência de magnésio nos solos. 1971. 2009 235 . Como o fósforo é o elemento mais carente em ambiente tropical e considerando que os solos dessa região apresentam baixos níveis de fósforo e altos de ferro e alumínio. Sousa & Darsie. Ambientais e Biológicas/UFRB. (1966/67). Santos et al. (1982) constataram a interferência do ferro e alumínio ingeridos via solo sobre a utilização de fósforo Tópicos em Ciências Agrárias. 1980 e Santiago et al. vez que o nível deste elemento mostrou-se deficiente no fígado. 1985). magnésio e potássio.. SP. os animais em regime de pasto podem ter atendidas suas exigências de energia.. Gallo et al. lactação. entretanto observaram níveis nas forragens considerados adequados para bovinos de corte em crescimento e acabamento. ela não é considerada quando do cálculo de uma mistura mineral para bovinos em regime de pasto (Haddad & Platzeck. para fósforo. MG e Barra Mansa. No Brasil.. 1986). outros minerais em excesso podem interferir. em condições normais e práticas. Tokarnia et al. na região de Calciolândia. ingestão de solo. Pereira et al. Rosa et al.. cobalto. Sob condições tropicais. quando os animais bebem água com salinidade excessiva.. em diferentes períodos do ano. os quais podem ter exercido um efeito tóxico em nível de absorção ou de metabolismo do manganês. Lopes et al. proteína e vitaminas. Bovinos e ovinos. Níveis excessivos de ferro e manganês foram observados em todos os períodos estudados. apresentam um grande consumo de solo.. cobalto. 1970. nas forrageiras e nos tecidos de animais (Tokarnia et al. Contudo. Em regime de pasto. gestação e engorda. forragem da pastagem e eventual suplementação mineral no cocho. fósforo. ÁGUA E SOLO COMO FONTE DE MINERAIS A água de beber não se constitui em fonte adequada de minerais. Segundo Underwood et al.. E-mail: beneditomc@hotmail. Tokarnia et al... (1985). v. Em algumas regiões de Roraima. (1974). 1971.MISTURA MINERAL PARA BOVINOS EM REGIME DE PASTO Benedito Marques da Costa1. Possenti et al. 1986. porém inadequados para vacas em lactação. 1960. Teixeira et al. Maria do Carmo Martins Marques da Costa1 1 Professor . 1980). Segundo Haddad & Platzeck (1985). iodo. Sousa et al.com INTRODUÇÃO Em épocas e condições favoráveis de crescimento das plantas forrageiras (calor e umidade). Segundo levantamentos realizados por Andreasi et al.Centro de Ciências Agrárias. foram encontrados níveis abaixo do normal para manganês e concentrações normais para os demais elementos. (1992) detectaram deficiências minerais nas plantas forrageiras. Em Roraima. 1985).. Lopes et al. (1986) observaram deficiências de cálcio e fósforo em forrageiras e níveis próximo ao limite da deficiência. teores elevados de ferro na dieta interferem na absorção do manganês. foram verificadas deficiências de zinco nos solos. RJ. Gallo et al. zinco e selênio. (1981) observaram níveis elevados de ferro nas forragens.

MÉTODOS DE SUPLEMENTAÇÃO MINERAL A suplementação mineral é a forma mais racional de se complementar a nutrição dos ruminantes. b) fertilização das pastagens.da dieta. se a ingestão dos elementos minerais via forragem. sob regime de pasto. 236 Tópicos em Ciências Agrárias. balas ou pellets de cobalto. água de beber (e solo) não satisfizer as suas necessidades específicas.A fertilização das pastagens pode melhorar a produção e composição mineral da forragem. Suplementação artificial . Camarão et al. o efeito da ingestão de solo sobre a utilização de fósforo é função dos níveis de ferro e alumínio solúveis do solo ingerido e. o estádio de maturação da planta colhida.. COMPOSIÇÃO MINERAL DA FORRAGEIRA As espécies forrageiras das pastagens apresentam uma grande variabilidade na concentração dos elementos minerais.A suplementação artificial por via oral é aplicável quando o consumo de alguns elementos minerais ao nível de cocho for inviável ou difícil de ser atendida. origem) considerado. Assim. Nascimento Júnior et al. Cavalheiro & Trindade. umidade relativa etc. cristais de óxido de cobre etc. v. é a forma de fornecimento mais recomendável. 1982. Uso direto na ração . por até 4 meses. em confinamento ou semiconfinamento. mostraram-se efetivas por três meses. c) suplementação artificial.. Seu uso em bovino de corte. Estes dados devem conter. (1984). Contudo. Para Ammerman et al. Recomenda-se ao gado bovino leiteiro. Desse modo. Essa é a melhor forma de mineralizar o rebanho porque existe controle da quantidade ingerida de minerais pelos animais. atentando que esse efeito poderia ser prejudicial quando os animais apresentavam carência de fósforo. do tipo de solo (estrutura. McDowell et al. Minerais na água de beber . a resolução de um problema carencial e/ou manutenção de níveis adequados de um elemento mineral no organismo. o conhecimento de sua composição mineral é de fundamental importância no cálculo de um suplemento mineral. Essa variação tem sido observada em relação à idade das plantas (Gomide. local e data de amostragem etc. Segundo Haddad (1980). em ovinos. por um determinado espaço de tempo (Haddad & Platzeck. o cloreto de sódio (NaCl) é usado no cálculo da mistura mineral como ingrediente regulador do consumo da mistura. forma física da dieta. edáficas e climáticas são favoráveis.. A composição mineral das plantas forrageiras da pastagem afeta de algum modo o consumo de um suplemento mineral pelo animal. Suplementação de minerais no cocho .O uso direto de elementos minerais na ração consiste em misturar os elementos minerais no concentrado fornecido diariamente aos animais. não é aconselhável porque os animais ingerem na pastagem uma grande parte de minerais para atender às suas necessidades. e) minerais contidos na água de beber.. Injeções específicas de elementos minerais . Fertilização das pastagens . (1983) sugerem os seguintes métodos para suprir minerais para ruminantes: a) uso direto na ração. 1976. Sousa et al. 1992 e Possenti et al. condição fisiológica. isto é. também. tais como categoria animal. quanto maior for a percentagem de cloreto de sódio. informações sobre a espécie forrageira. 1988) e em relação à estação ou ao período do ano (Silva et al.Injeções específicas de elementos minerais são aplicáveis quando se necessita.A suplementação de minerais no cocho. em curto prazo. UFRB. f) suplementação no cocho (à vontade). a aplicação endovenosa de 3 a 40 mg de EDTA-cobre ou glicinato de cobre foi eficaz na correção da deficiência e manutenção de altos níveis séricos de cobre. d) injeções específicas de elementos minerais. Segundo Sousa (1995). o cloreto de sódio (sal comum) é o ingrediente que mais limita o consumo de uma mistura mineral. 120240 mg de EDTA-cobre.A utilização de minerais na água de beber não é recomendável porque existem fatores responsáveis por grande variação no consumo de água pelos ruminantes.. É o caso da suplementação oral de magnésio. Para bovinos as dosagens utilizadas. para se regionalizar a mineralização é necessário que se obtenha um grande número de dados da composição mineral de amostras de forragem colhidas na pastagem. menor será o consumo da mistura mineral pelos bovinos. 1986. à vontade. selênio. 2009 . 1976. também. 1992). sendo aplicável quando as condições econômicas. 1985). temperatura ambiente. 1.

que são de 0. manganês 60 ppm.085 %.09 g de P 1.000 ppm 100 g . Os resultados das análises de cálcio.02 ppm. Sousa (1995) recomenda considerar as exigências de sódio do NRC (1970). UFRB. Unidades Utilizadas . Tópicos em Ciências Agrárias. ainda. fósforo. esse valor equivale a 900 ppm desse elemento. indicando uma mineralização óssea deficiente. Verificou-se.005 %.000.13 %. basta dividir o valor em ppm por 10. Exigências Nutricionais . .09% de fósforo. v. geralmente.09 %. cobalto e manganês estavam abaixo dos teores considerados adequados.A unidade utilizada no cálculo das fórmulas minerais é sempre o ppm (partes por milhão). cobre 2 ppm. 100 g -----------------.000 g -----------------. Na presente formulação. para o cobalto. na prática de formulação de misturas minerais são geralmente usados níveis mais elevados de suplementação do que o indicado pelo NRC (1984).0. 2009 237 . enxofre 0.09 g ou -----------------------.x 1.As exigências nutricionais de minerais para bovinos de corte. segundo informações de Sousa (1995).000.09% . através de biópsias de fígado feitas em vacas em lactação e em animais de sobreano.01 ppm.000. a suplementação de cálcio. serão usados os níveis recomendados pelo NRC (1984). As análises das forrageiras de uma fazenda de bovinos de corte indicaram os seguintes resultados: fósforo 0. tornando-se necessária a transformação para ppm. encontram-se na Tabela 1.x 0. 1. quando o consumo de sódio é feito ad libitum.000. se uma forrageira apresentar 0. ferro 350 ppm. Assim.000 g ------------. demonstra-se que 1% de um elemento é equivalente a 10.1 g 1. iodo 0.900 g de P 100 g da amostra x = 0.000 g x 1 g x = ------------------------. no caso do sódio. fósforo e magnésio na cinza óssea confirmaram níveis deficientes nestes minerais. que os níveis hepáticos de zinco. 100 g da amostra ------------.x x = 900 g ou 900 ppm de P Por outro lado. basta multiplicar por 10.4 ppm de cobalto.01 ppm. nos cálculos práticos de misturas minerais. cobre. Com relação aos microelementos ferro e manganês.20 %.1 % (1000 ppm) de sódio na matéria seca da dieta. potássio 0. como a mistura será fornecida à vontade (ad libitum).000 ppm deste elemento.000: 1. cálcio 0. magnésio e enxofre segue as exigências mínimas do NRC (1984). Os macroelementos. selênio 0. Por exemplo.92 %. para se transformar percentagem em ppm. para transformar ppm em percentagem.000 g ou 10.= 10. Assim. magnésio 0. são expressos em percentagem. As análises de biópsias de ossos revelaram baixa percentagem de cinza. Contudo. que é uma reprodução do NRC . Portanto. zinco 5 ppm.CÁLCULO DE UMA MISTURA MINERAL Exemplo do cálculo de uma mistura mineral para bovinos de corte.000 g da amostra ------------------------.National Research Council de 1984.000. sódio 0. Sousa (1995) recomenda 0. Entretanto. os animais podem consumir mais de 800 ppm de sódio na matéria seca da dieta. cobalto 0.

00 0.800 ppm de P (Tabela 1) Análise da forrageira = 0. 100 g de fosfato bicálcico --------------------------.A. sendo representado por uma vaca seca.Tabela 1.A. % Magnésio.0 kg recomenda-se 0.18 g de P x --------------------------. sendo os consumos estimados de acordo com o peso vivo médio dos animais em questão. expressas na matéria seca do alimento. % Enxofre. geralmente.5 g de P x = 27. 5 g de fósforo/U. % Fósforo. ppm Selênio.V. 238 Tópicos em Ciências Agrárias. 2009 10 kg de MS/dia.28ª 0. ppm Zinco.5 . ppm Cobre.).17-0. % Sódio. Elementos minerais Macroelementos: Cálcio. sabe-se que as vacas de corte das raças nacionais.10 0. Sabe-se. ppm Cobalto. % Microelementos: Ferro.300 = 500 ppm de P na MS da dieta.) e que consuma 10 kg de matéria seca/dia.1.13% ou 1. respectivamente. ppm Flúor. v. esta quantidade . ppm Nível sugerido 0.18 % de fósforo. ppm Manganês.40 3.A.00 10. a mistura mineral poderá ser fornecida aos bovinos de todas as categorias. e nem sempre consomem 10 kg de matéria seca por dia.18% ou 1.300 ppm de P Nível de suplementação = 1. UFRB. Contudo.65 0.10 50 30 8 40 0.50 0. % Potássio.40 1000 500 115 1000 50 5 2 6 20-100 Fonte: NRC (1984).. 1) Cálculo de fósforo: Exigência = 0.21 % de cálcio e 0. temos que: 500 ppm de P = 500 mg de P/kg de MS da dieta 500 ppm de P = 5000 mg de P/10 kg de MS da dieta Considerando que um animal de 450 kg de peso vivo consome cerca de poderá ser representada da seguinte maneira: 5000 mg de P/animal de 450 kg de peso vivo ou.00 1.08 0. quando se calcula uma mistura mineral para 1 U. que o consumo de um bovino é proporcional ao seu peso vivo.00 0.20 --------Nível tóxico 2.1.V. ª Para animais de 450 kg de peso vivo com ganhos diários de 0.17-0. ppm Iodo. também. Cálculo da Mistura Mineral . ppm Molibdênio. Assim. Como ppm = mg/kg.10 0.No cálculo da mistura mineral. Exigências nutricionais de minerais para bovinos de corte.800 . Este animal padrão é denominado de uma unidade animal (1 U.778 g de fosfato bicálcico (Tabela 3).48ª 0. 1./dia Fonte de fósforo: fosfato bicálcico = 18% de fósforo (Tabela 2). tomar-se-á como padrão um animal de 450 kg de peso vivo (P. pesam menos de 450 kg de P.

0 g de Ca/U.10 % ou 1000 ppm de Mg (Tabela 1) Análise da forrageira = 0. A quantidade calculada para fornecimento de fósforo foi de 27.472 g de cálcio Assim.3 g de Ca 27.3 % de magnésio (Tabela 2).20 % de Ca ou 2000 ppm de Ca Nível de suplementação = 2100 .25 g de Zn//U. 100 g de óxido de magnésio -------------------------. 1.x x = 6. Análise da forrageira = 5 ppm de Zn Nível de suplementação = 30 .778 g de fosfato bicálcico -------------------------.2000 = 100 ppm de Ca 100 ppm de Ca = 100 mg de Ca/kg de MS da dieta = 1000 mg de Ca/10 kg de MS da dieta = 1. 4) Cálculo do zinco Exigência = 30 ppm de Zn (Tabela 1).21 % ou 2100 ppm de Ca Análise da forragem = 0.60./dia 1. 150 ppm de Mg = 150 mg de Mg/kg de MS da dieta = 1500 mg de Mg/10 kg de MS da dieta = 1500 mg de Mg/animal de 450 kg de peso vivo = 1.5 = 25 ppm de Zn na MS da dieta Nível de suplementação =25 ppm de Zn = 25 mg de Zn/kg de MS da dieta = 250 mg de Zn/10 kg de MS da dieta = 250 mg de Zn/animal de 450 kg de peso vivo = 0.A.3 % de Ca (Tabela 2)./dia Fonte de magnésio: óxido de magnésio = 60. A.5 g de Mg Tópicos em Ciências Agrárias.850 = 150 ppm de Mg na MS da dieta. a contribuição do fosfato bicálcico em cálcio foi: 100 g de fosfato bicálcico -------------------------.085 % ou 850 ppm de Mg Nível de suplementação = 1000 . não será necessário suplementar com mais outra fonte de cálcio. O fosfato bicálcico possui 23.778 g de fosfato bicálcico.A.5 g de Mg/U.2) Cálculo do cálcio: Exigência = 0. v.3 g de Mg x -------------------------x = 2. 3) Cálculo do magnésio Exigência = 0. Desse modo./dia Fonte de cálcio: fosfato bicálcico = 23. tendo em vista que o fosfato bicálcico já contribui com uma quantidade de cálcio que satisfaz as necessidades dos animais. 2009 239 .23.488 g de óxido de magnésio (Tabela 3).3 % de cálcio. UFRB.

/dia Fonte de selênio: selenito de sódio = 45 % de selênio (Tabela 2). na prática de formulação de misturas minerais.0 mg de Co/animal de 450 kg de peso vivo = 0. Usando-se do mesmo raciocínio pode-se chegar também aos valores de sulfato de cobre. 5) Cálculo do cobalto Exigência = 0.80.0 mg de Co/10 kg de MS da dieta = 4. v. 100 g de óxido de zinco ---------------------.8 g de Co x --------------------------.2 ppm 0.4 ppm na MS da dieta.A.3% de zinco (Tabela 2).25 g de Zn x = 0. segundo recomendação de Sousa (1995).8% de Cobalto (Tabela 2). Análise da forrageira = 0. 6) Cálculo do Selênio Exigência = 0. correspondentes a cobre. A. 7) Cálculo do Sódio Exigência de sódio = 0.0 mg de Se/10 kg de MS da dieta = 2.002 g de Se/U.A.0 mg de Se/animal de 450 kg de peso vivo = 0.004 g de Co//U.0.4 mg de Co/kg de MS da dieta = 4. 1. 0. 100 g de selenito de sódio ---------------------------. No caso do cobalto.24.002 g de selênio x = 0.Fonte de zinco: óxido de zinco = 80.4 ppm de cobalto na matéria seca da dieta. 100 g de sulfato de cobalto --------------------------.004 g de Co x = 0.45 g de Selênio x ---------------------------./dia Fonte de cobalto: sulfato de cobalto = 24.0. Por isso. 2009 .2 mg de Se/kg de MS da dieta = 2.10 ppm de Co (Tabela 1). tomou-se um nível de suplementação de 0. iodo e enxofre (Tabela 3).016 g sulfato de cobalto//U. são geralmente usados níveis mais elevados de suplementação. UFRB.01 ppm de Co Nível de suplementação = 0. conforme recomendação de Sousa (1995). iodato de potássio e enxofre em pó.311 g de óxido de zinco (Tabela 3). Análise da forrageira = 0.2 ppm de selênio = 0.005% ou 50 ppm Nível de suplementação = 1000 ppm 240 Tópicos em Ciências Agrárias.0./dia (Tabela 3).2 ppm (Tabela 1).08 % ou 800 ppm (Tabela 1).01 ppm Nível de suplementação = 0.4 ppm de Co = 0.004 g de selenito de sódio (Tabela 3).3 g de Zn x ---------------------. Análise da forrageira = 0.

08 % (800 ppm) na matéria seca da dieta.9 96 Se 45 Cristais brancos Cristais vermelhos Cristais vermelho escuro Cristais vermelhos Cristais brancos Cristais brancos Pó avermelhado Cristais avermelhados Cristais vermelhos Pó preto Cristais azuis Pó solúvel Pó ligeiramente solúvel Cristais brancos Pó branco Pó branco Cristais brancos Pó amarelo Cristais brancos Iodo Iodato de cálcio Iodato de potássio Carbonato manganês Manganês Sulfato de manganês Cobre Cloreto de cobre Óxido de cobre Sulfato de cobre Sulfato ferroso anidro Carbonato ferroso Zinco Sulfato de zinco Óxido de zinco Óxido de magnésio Sulfato de magnésio Enxofre em pó Selenito de sódio Ferro Magnésio Enxofre Selênio Fonte: Campos (1980) Tópicos em Ciências Agrárias. quando o sódio é fornecido à vontade.3 38.1 29.8 32. 2 H2O Cu O CuSO4. 1000 ppm de sódio = 1000 mg de Na/kg de MS da dieta = 10000 mg de Na/10 kg de MS da dieta = 10000 mg de Na/animal de 450 kg de peso vivo = 10 g de Na/U.7 80. H2O Zn O4.0 59.2 40.CaX Ca3(PO4)2.7 Zn 22. considerou-se o nível de suplementação de 1000 ppm de sódio.7 41.1% (1000 ppm) de sódio na matéria seca da dieta. Sousa (1995) recomenda considerar as exigências de sódio do NRC (1970). 2009 241 . Fontes de minerais para bovinos.CaX CaCO3 CaCO3 CaCO3.A. Nos cálculos práticos de misturas minerais. quando o consumo de sódio é feito ad libitum. 7 H2O Sº Na2 SeO3 Cl 60 Na 37 Co 49. 7 H2O Ca (IO3)2 KI O3 de Mn CO3 MnSO4.5 22.5 13. 6H2O CoSO4.0 25. 7 H2O Zn O Mg O MgSO4.3 9./dia Tabela 2.3 Forma Física do Produto Cristais brancos Farinha Pó ligeiramente solúvel Pó branco Pó insolúvel Pó insolúvel Granulada Cristais brancos Cloro e sódio Cobalto NaCl CoCO3 CoCl2.0 38.5 Cu 37.5 Fe 36.0 23. Entretanto..2H2O Ca3(PO4)2. v.O NRC (1984) recomenda para o sódio 0.5 14.2 80.5 24.7 24.3 Mg 60. 1. Elemento Cálcio e Fósforo Nome do produto Fosfato bicálcico Farinha de ossos autoclavada Fosfato de rocha desfluorado Carbonato de cálcio Calcário calcítico Calcário dolomítico Farinha de ostras Fosfato dibásico de amônio Cloreto de sódio Carbonato de cobalto Cloreto de cobalto Sulfato de cobalto Fórmula CaHPO4.Mg CO3 CaCO3.8 I 62. os animais podem consumir mais sódio do que 800 ppm na matéria seca da dieta. H2O CuCl2.3 18. 5 H2O Fe SO4 Fe CO3. Assim.0 Mn 47. UFRB.CaX % Elemento Ca P 23.2 30. que são de 0.

778 g de fosfato bicálcico -------------------------. v. A.016 0. /dia 27. R. S. Mistura Mineral em Percentagem . J.59. 1.Fonte Sódio: cloreto de sódio = 37% de sódio (Tabela 2). Desse modo. Cálcio. BATISTA. B. 583-604. Nova Odessa. In: ENCONTRO DE ATUALIZAÇÃO EM PASTAGENS..A fim de facilitar o preparo da mistura. 2009 .909 Composição em % 47. é importante que todos os ingredientes da mistura mineral sejam bem homogeneizados com o cloreto de sódio. Fontes de minerais..027 0. Fonte Fosfato bicálcico Óxido de magnésio Óxido de zinco Sulfato de cobre Sulfato de cobalto Iodato de potássio Enxofre em pó Selenito de sódio Cloreto de sódio Total Consumo em g/U.027 g de cloreto de sódio (Tabela 3). CAIELLI. KAMINSKI. a fim de que o consumo seja semelhante ou aproximadamente o mesmo do previamente calculado. UFRB.154 % de fosfato bicálcico A Tabela 3 mostra as fontes de minerais usadas. et al. L. 385-406. SP: Instituto de Zootecnia. X.528 0. E.488 0. transforma-se os valores de consumo das fontes de minerais/unidade animal/dia para percentagem (Tabela 3). Assim.778 2. MENDONÇA JÙNIOR. A. Journal of Animal Science. ANDREASI.014 1. 4. 1984. Effect of sand or soil as a dietary component on phosphorus utilization by sheep.. Alimentação. G.004 27. o provável consumo /unidade animal/dia e a percentagem de cada ingrediente na mistura mineral. 1974. J. M. v.. Exemplo do cálculo: 27.909 g da mistura consome aproximadamente 27 g de cloreto de sódio (10 g de sódio) e geralmente perde o apetite pela mistura mineral.58. Revista da Faculdade de Medicina Veterinária.. consumo por unidade animal/dia e percentagem dos ingredientes na mistura mineral.007 45. Santa Maria. F. H. 6. Teores de minerais de capim canarana-erecta-lisa (Echinochloa 242 Tópicos em Ciências Agrárias. 3. 1976.769 0.4.399 0. A. I. C.042 0.235 0. et al. 7. I. n.. RS.027 58. VALDIVIA.. P.311 0. 100 g de cloreto de sódio --------------------------. MATOS. 1. fósforo e magnésio. ROSA. J. p.37 g de sódio x --------------------------. A. v.. Estudo preliminar das concentrações de nutrientes minerais de solos e pastagens naturais ocorrentes em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. VEIGA. p.008 1. São Paulo. H. v. Anais.000 REFERÊNCIAS AGOSTINI.154 4. 1092-1099. 2 CAMARÃO. C. n. n.909 g da mistura x -------------------------. Revista Centro de Ciências Rurais..10 g de sódio x = 27.. v.100 g da mistura x = 47. AMMERMAN. Levantamentos dos elementos minerais em plantas forrageiras de áreas delimitadas do Estado de São Paulo.154 g ou 47. A.879 100. V. Nova Odessa. um bovino ao ingerir 58. 1974. 1966/67. de O. Tabela 3.223 0.

. POSSENTI. 61 p. C. v. C. 1-14.pyramidalis) em três idades. P. S. Anais..Oeste do Brasil. et al. 20-33.67-86. A. 1980. D. C. M. R.National Research Council. p. J. v.55. p. 1984. Viçosa. n. MINERAIS PARA RUMINANTES. D. Teores de alguns minerais no capim-jaraguá em várias idades de corte. SILVA. C.. BATAGLIA. PEREIRA. 1976. SP. 2. C. Belo Horizonte: UFMG. 80. 2. 4th ed. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA PASTAGEM. n. RIBEIRO. 6.. 3. NRC . v. Arquivos do Instituto Biológico. 6.. Teores de cobre e zinco em amostras de tecido animal. 21. C. Washington.. 1985. A. p. Teores de fósforo. Revista Brasileira de Zootecnia. V. 1974. p. A. GOMIDE. sódio e potássio em pastagens nativas do Rio Grande do Sul.. 12 p. n. EPAMIG.A. em áreas da região Centro . v.. p. O.. R. A. v. Nutrients requirements of beef cattle. 1. 3. v.. p. I. 55 p. 155-188. Arquivo da Escola de Veterinária. HADDAD. J. p. In: SIMPÓSIO LATINO-AMERICANO SOBRE NUTRIÇÃO MINERAL DE RUMINANTES EM PASTAGENS. São Paulo. L. A. ROSA. AMMERMAN.1240.1231. Carências minerais: aspectos relacionados com a deficiência de cobre no organismo animal. 1976. D. M. NASCIMENTO JÚNIOR. J. cobre e cobalto em algumas pastagens de Teófilo Otoni. aluminium and iron on perfomance and tissue mineral composition in lambs. In: SIMPÓSIO SOBRE NUTRIÇÃO DE BOVINOS. SANTIAGO. E. GALLO. CAVALHEIRO. 1992. Estudos de elementos minerais de interesse para a bovinocultura de corte. Nutrients requirements of beef cattle. Tópicos em Ciências Agrárias. Determinações minerais em forragens e tecidos de bovinos. Piracicaba: FEALQ. R. HIROCE. V. n. 31. p. S. Minerals for grazing ruminants in tropical regions. J. 6th ed. R. UFRB. A. C... J. et al. Viçosa: Universidade Federal de Viçosa. . HADDAD. 1980. 1971. H. PINHEIRO. S. 1986. Experientiae. NAZARIO. C et al. D. Belo Horizonte.. nos solos. 2009 243 . ESAL. McDOWELL. 1992. 1985. 48-55. J. Gainsville: University of Florida. J.. Subcommittee on beef cattle nutrition. 1980.: National Academy of Science.. v. PA: EMBRAPA/CPATU.1980. FURLANI. NRC . Anais. F. MG. O. C. Boletim de Indústria Animal. ELLIS. et al.: National Academy of Science. Subcommittee on beef cattle Nutrition. P. SILVA. 1983.. 87p. M.. O. CONRAD. HENRY. Piracicaba. B.National Research Council. 56 p. 1. de O. 131-144. PLATZECK... Washington. M. S. Administração e consumo de um suplemento mineral. R. n. S. R. W. n. Piracicaba: ESALQ/CATI.12. Nova Odessa. J. Revista Brasileira de Zootecnia. n. 53. magnésio. 1982. p. et al. et al. H. 1 / 4. UFV. JARDIM... C. p. H. 1988. 418-428. 5. 54) CAMPOS. W. 115-138. A. 151-159. 49. LOPES. 32. Composição química inorgânica de forrageiras do Estado de São Paulo.. (Circular Técnica. LOBÃO. Belém. forrageiras e tecidos animais. v.. Interrelationship of dietary phosphorus. BRAGA. CAMARGO. Piracicaba. Journal of Animal Science. Tabelas para cálculo de rações. Boletim de Indústria Animal. 1. W. C. MG. L.. TRINDADE. 1970. v. Composição mineral de gramíneas e leguminosas. Concentrações de cálcio. FICHTNER. p. J. D. Anais. São Paulo.

L. Brasil. TOKARNIA. GUIMARÃES. A. v. ESALQ. 12. J. J. M. BLUE. n. I. J.. Pesquisa Agropecuária Brasileira. Piracicaba: FEALQ. W. no solo. 259-269. F. Brasília. 5.. 1309-1316. 1985. Arquivos do Instituto Biológico. plantas forrageiras e tecido animal. J. n. C. Viçosa. L. v. Interrelações entre minerais no solo. 1971... C. 1985. TOKARNIA. SHIRLEY. J. p.. R. 1. 1981. SILVA. J.. III. et al. Magnésio. Editado por Aristeu Mendes Peixoto e outros. C. 1966. CANELLA. 1. C. 3. v. GOMES. SOUSA. Brasília. Manganês.. SOUSA. Deficiências minerais em bovinos de Roraima. São Paulo. p. Brasil. 1980. H. 1987. J. Pesquisa Agropecuária Brasileira. p. 1970. v. In: Nutrição de bovinos: conceitos básicos e aplicados. 15. ferro e cobalto. G. BLUE. 20. v. CONRAD. R. J. S. J. H.. P. CANELLA.. plantas forrageiras e tecido animal. cobre e cobalto em pastagens do município de Morrinhos. G. 1986.. 25-32. Deficiência de cobre em bovinos no delta do Rio Parnaíba. Pesquisa Agropecuária Brasileira. SAMPAIO. DOBEREINER. Brasília. cobalto e vitamina B12 em fígado de bovinos e capim de algumas regiões do Estado de São Paulo. n. n. 63-87. 1960.. 1327-1336. GONÇALVES. 3. n. C. J.SANTOS.. v. A. et al. et al. 1968. DOBEREINER. Rio de Janeiro. C. Pesquisa Agropecuária Brasileira. J. 34-50. et al. Goiás. E. Brasil. DARSIE. 12. de Água como fonte de minerais.. 37. 3. UFV. 244 Tópicos em Ciências Agrárias. Série Atualização em Zootecnia. FREIRE.. 1976. n. C. Suplementação mineral de novilhos de corte em pastagens adubadas de capim-colonião. et al. p. F. p. A. Cálcio e fósforo. N. H. SOUSA. SILVA. C. VIANA. de O.. J.. FERNANDES. UFRB. p. EPAMIG. 1982. VIANA. J. C. C. 1976. 3. Pesquisa Agropecuária Brasileira. Anais. H. M. R. J. M. v. p. C. IV. 11. C. TOKARNIA. J. BRAGA. MG. 473-489 (FEALQ. de Formulação de misturas minerais para bovinos. Belo Horizonte: UFMG. CANELLA. et al. Cobre e molibdênio. p. Deficiências de cobre e cobalto em bovinos e ovinos no Nordeste e Norte do Brasil. da.. N. 2. Deficiência de fósforo. C. J. Pesquisa Agropecuária Brasileira. J. 11. 2009 . v.. p. C. F. Experientiae. SOUSA. C. n. 22. et al. 16.. GONÇALVES. C. TEIXEIRA.151-167. 351-360. F.. p. 1. SOUSA. In: SIMPÓSIO LATINO AMERICANO SOBRE PESQUISA EM NUTRIÇÃO MINERAL DE RUMINANTES EM PASTAGENS. Interrelações entre minerais. p. Ataxia enzootica em cordeiros na costa do Piauí. 3. 21. J. 3. Arquivos do Instituto Biológico. Brasília. 1. W.. C. C. p.ed.. 335-341. M. n.1995. C. R. Brasília. M. 89-98. Determinação do teor de cobre. et al. M. Pesquisa Agropecuária Brasileira.. 2.. T. H. G. CONRAD. Deficiências minerais em bovinos de Roraima. 5. p. 7). Zinco e cobalto. H. v. M. Deficiências minerais em bovinos de Roraima. CAMPOS. 375-382. Pesquisa Agropecuária Brasileira. C. SOUSA. 739-746. v. 163-167. p. v. ESAL. v. n. SOUSA. CARVALHO. E . 20. nos Estados do Piauí e Maranhão. MENDES.. Revista Brasileira de Zootecnia. v. sódio e potássio. Teores de alguns nutrientes minerais em três gramíneas forrageiras. Brasília.

CAPÍTULO 18 EFEITOS DA ADIÇÃO DE GORDURA SUPLEMENTAR À RAÇÃO DE BOVINOS SOBRE O METABOLISMO DA GLÂNDULA MAMÁRIA. A QUALIDADE DO LEITE E DA CARNE E A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS FUNCIONAIS Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira Tópicos em Ciências Agrárias .

alimentos que contém compostos que agem como farmacêuticos. podendo conter misturas de gordura vegetal e animal.e. 1985). tanto no comprimento de cadeia. melhorando a saúde humana). A QUALIDADE DO LEITE E DA CARNE E A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS FUNCIONAIS Soraya Maria Palma Luz Jaeger¹. que por sua vez. como para vacas de leite de alta produção. principalmente: a) minimizar os efeitos negativos dos lipídios sobre a fermentação ruminal. são variadas. glândula mamária e tecido adiposo. A glândula mamária é dependente do suprimento sanguíneo que fornece substâncias. O desenvolvimento de pesquisas utilizando uma ampla variedade de fontes dietéticas de gordura tem buscado. quanto no grau de saturação. bem como os efeitos do metabolismo ruminal dos ácidos graxos e a síntese destes ácidos no intestino. Neste capítulo será feita uma avaliação das perspectivas do uso de fontes lipídicas em dietas de ruminantes e sua influência sobre o metabolismo da glândula mamária. 2009 247 . ao contrário do que é observado na maioria dos leites das outras espécies. a recomendação da adição de gordura é feita para as dietas de terminação. que apesar de menos estudados. proporcionando maior ganho de peso em níveis mais baixos de consumo. v. 1994). Entretanto. neste caso. na tentativa de aumentar a densidade energética da dieta. UFRB. O perfil médio de ácidos graxos do leite de bovinos foi descrito por Palmquist et al.br. tanto para gado de corte em confinamento. b) reduzir os teores de gordura saturada da carne e do leite. portanto.edu. A disponibilidade destas substâncias é definida como o produto de sua concentração no sangue e do fluxo sanguíneo no úbere (Davis & Collier. c) produzir os chamados alimentos funcionais (i. Ambientais e Biológicas/UFRB. bem como a importância desta prática na produção dos alimentos funcionais. gajocaol@ufrb. ruminalmente inertes. E-mail: sljaeger@ufrb. Já no caso do gado de corte. 1. apresentam perfis de ácidos graxos também variáveis. Efeitos da suplementação lipídica sobre o metabolismo da glândula mamária A glândula mamária é o maior sítio de triglicerídeos dos ruminantes. óleo de farinha de peixe. característicos deste período. apresentando. (1993) e é apresentado na Tabela 1. Tópicos em Ciências Agrárias.Centro de Ciências Agrárias. para sustentar a síntese láctea. óleo de sementes. visando corrigir o déficit energético ocasionado pelo baixo consumo de alimentos e o aumento da demanda de energia para a lactação.EFEITOS DA ADIÇÃO DE GORDURA SUPLEMENTAR À RAÇÃO DE BOVINOS SOBRE O METABOLISMO DA GLÂNDULA MAMÁRIA. o fornecimento de gordura adicional pode influenciar outros aspectos fisiológicos dos ruminantes.edu. A composição de ácidos graxos do leite dos ruminantes reflete a natureza dos lipídios da dieta. Recomenda-se que a suplementação lipídica para vacas de leite seja feita no início do pós-parto. 1994) que é composta por cerca de 95% de triglicerídeos. composição totalmente diversa daquela encontrada nas reservas corporais ou no leite de não ruminantes (Kinght et al. podendo estar complexadas com o cálcio. além dos efeitos sobre a fermentação ruminal e a composição do perfil de ácidos graxos do leite e da carne. Do total de calorias do leite destes animais. em proporções adequadas.. Cruz das Almas-BA. 50% provêm da gordura (Van Soest. As fontes lipídicas fornecidas aos bovinos. sendo consideradas. a qualidade do leite e da carne.br INTRODUÇÃO A adição de gordura suplementar à ração de bovinos é uma estratégia alimentar que vem sendo bastante utilizada como alternativa economicamente viável. Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira¹ 1 Professor . A principal peculiaridade do leite de ruminantes consiste na presença de ácidos graxos de cadeia curta (produzidos na síntese lipídica da glândula mamária). sebo. também devem ser considerados quando se recomenda a suplementação lipídica.

pode indicar redução do requerimento de NADPH para a síntese de ácidos graxos (redução da ação da isocitrato desidrogenase). por sua vez.0%) A grande maioria dos ácidos graxos de até 16 carbonos presentes no leite de ruminantes. provavelmente exercem influência sobre a síntese de novo e/ou a esterificação de ácidos graxos na glândula mamária.. 1993). 1985). Composição padrão de ácidos graxos da gordura do leite de vaca (Adaptado de Palmiquist et al. e observaram redução no teor de gordura do leite de vacas submetidas ao tratamento TRANS (Tabela 2). embora estes mecanismos ainda não estejam bem elucidados.32 2. a maior concentração de citrato no leite. Os ácidos graxos de cadeia longa. procedimento comum na alimentação de vacas leiteiras de alta produção no início da lactação. UFRB. a intensidade de ocorrência do ciclo de Krebs na glândula mamária. em segundo lugar. são sintetizados na própria glândula mamária. limitando.78 (40. Tem sido relatado que a suplementação lipídica. Essa redução. Ao estabelecerem regressão entre o fluxo duodenal e concentração de trans-C18:1 no leite com a percentagem de gordura no leite. observada no tratamento TRANS. os quais. são de origem sanguínea. Em primeiro lugar. haveria efeito negativo da presença do trans-C18:1 sobre o processo de síntese lipídica na glândula mamária.39 2. 1999). mais recentemente. Ao que tudo indica.34 1. Ácido graxo C4:0 (ac. no alongamento da cadeia (Palmiquist et al. relacionada aos ácidos graxos trans-C18:1. observaram redução no teor de gordura do leite e aumento do fluxo de trans-C18:1 para o duodeno. Gaynor et al. Em suma. este mecanismo encontrado em todos os ruminantes tem a função de preservar a fluidez do leite (Demeyer & Doreau. e não da síntese local.81 3.53 3. O b-hidroxibutirato parece responder mais pela síntese de ácidos graxos de cadeia curta. Wonsil et al. sugerindo que a quantidade de trans-C18:1 que chega à glândula e é incorporada ao leite. ditaria a extensão da depressão no teor de gordura. 248 Tópicos em Ciências Agrárias. foi observada relação negativa em ambos os casos.41 2. leva a efeitos depressivos sobre o teor de gordura do leite. Assim. síntese. (1994) infundiram no abomaso de vacas holandesas misturas de ácidos graxos ricas em isômeros cis-C18:1 (tratamento CIS) ou trans-C18:1 (tratamento TRANS). principalmente a partir do acetato e do butirato. sendo sua concentração dependente da ação da enzima lipoprotéica lipase no endotélio capilar mamário (Davis & Collier. (1994). Os ácidos graxos saturados que são captados pela glândula mamária são então dessaturados pela ação da enzima dessaturase. 1993). conseqüentemente.0%) 9.19 2.39 11.Tabela 1. 2009 . resultante do efeito tóxico dos lipídios sobre as bactérias fibrolíticas tem sido. 1. Fornecendo diferentes fontes de gordura suplementar a vacas em lactação. o que resulta num valor mais baixo da proporção C18:0/C18:1 em comparação à digesta duodenal. butírico) C6:0 (caproico) C8:0 (caprílico) C10:0 (cáprico) C12:0 (laurico) C14:0 (mirístico) C14:1(miristoleico) C16:0 (palmítico) C16:1 (palmitoleico) C18:0 (esteárico) C18:1 (oleico) C18:2 (linoleico) Teor (g 100 g-1 de gordura) 3. a ação inibitória do trans-C18:1 sobre a enzima acil-transferase (que atua na esterificação de ácidos graxos) na glândula mamária e.84 27.38 (60. oxidação e excreção. Segundo estes autores duas teorias podem estar efetivamente envolvidas na redução do teor de gordura do leite pela suplementação com lipídios. ao passo que o acetato responde principalmente pela formação de ácidos graxos de cadeia mediana (10-14 carbonos) por intermédio da formação do primer preferencial malonil-CoA e posterior ação da enzima ácido graxo sintase. o processo de produção de leite engloba inter-relações complexas entre eventos de absorção.63 29. v.. que durante muito tempo foi associada a limitações no nível de substrato (acetato e b-hidroxibutirato) para a síntese de ácidos graxos na glândula mamária.

Cant et al.Tabela 2. Wu & Huber (1994) resumiram as comparações entre mudanças na produção e teor de proteína do leite para dietas com gordura suplementar em experimentos individuais (Tabela 3). (1998) afirmaram que. UFRB. caroço de algodão. Na comparação entre os diversos resultados. à medida que a produção (volume) de leite é estimulada pela suplementação.0 1. Os mesmos autores acrescentam que manipulações dietéticas para aumentar a absorção de aminoácidos limitantes ou para incrementar a síntese protéica microbiana ruminal seriam indicadas para amenizar este problema. (1994). Como a caseína é sintetizada de novo na glândula mamária. em vacas holandesas. soja integral e gordura amarela) com teor de gordura variando entre 5 a 8% da MS (e algumas exceções com 17% da MS). sebo protegido. gordura e trans-C18:1. outros isômeros trans-C18:1 podem ser formados e dúvidas se erguem se outra forma isomérica possa ter ação mais potente sobre o metabolismo da glândula mamária. a caseína é a mais susceptível à depressão associada ao fornecimento de dietas ricas em lipídios (Chow et al. também têm sido associadas a reduções entre 0. Dentre as frações da proteína do leite. pela adição de gordura suplementar à dieta. Variável Fluxo trans-C18:1 (g dia ) -1 Leite (kg dia ) -1 Gordura (kg dia ) Gordura (%) 1 trans-C18:1 no sangue -1 Citrato no leite (mmol l ) 1 -1 -1 Controle 2 47. Produção diária de leite.0 1. v. (1997) e Griinari et al. acredita-se que o mecanismo causador da depressão da proteína do leite. sugerindo que a depressão da proteína do leite ocorre independente do tipo de gordura suplementar. DePeters & Cant.. 1991. não foram observadas interações relacionadas à fonte de lipídio suplementar.99 Dados em g 100 g de ésteres de ácidos graxos.512 3.83 Tratamentos CIS 2 46. em média.68 TANS 308 47. embora o trans-11-C18:1 (ácido vacínico) seja na maioria das vezes apontado como mais influente na ocorrência da síndrome do baixo teor de gordura do leite. avaliando a influência da suplementação lipídica com diferentes fontes (óleos e gordura animal. Tabela 3. comparadas a dietas controle (contendo.45 0. 1990. Mudanças relativas na produção de leite N de Razões aparentes para mudanças e proteína do leite comparações Aumento proteína > aumento do leite 10 O consumo de matéria seca foi mantido Proteína diminuiu.4 7. sendo a magnitude da depressão similar para as diversas fontes.211 2. sais de cálcio de ácidos graxos. sobre o consumo de matéria seca e porcentagem e produção de proteína do leite. Dietas ricas em lipídios (ruminalmente inertes ou não). 3% de gordura na MS). sumarizados por Wu & Huber (1994).3 1. Kalscheur et al. 2009 249 . gordura dietética acima das recomendações Diluição da proteína pelo aumento da produção de leite - o Tópicos em Ciências Agrárias. Dados de 83 experimentos de diversos autores. mas leite aumentou Proteína e leite diminuíram Aumento proteína < aumento do leite Nenhuma mudança Total 11 15 45 2 83 Consumo da MS diminuído. deva estar associada a uma inadequação dos aminoácidos essenciais disponíveis para a síntese de proteína do leite na glândula mamária. Fonte: adaptado de Gaynor et al.7 8. Mudanças relativas na produção de leite e na proteína do leite de vacas recebendo dietas com gordura suplementar comparadas a dietas controle (adaptado de Wu & Huber.27 0. 1994). 1992). 1.605 3. Polan & Fisher. também relatam reduções dentro da faixa citada. Para determinar as causas da redução da porcentagem de proteína do leite. gordura dietética acima das recomendações Início da lactação.59 2. 1990.. concentração de citrato no leite e fluxo duodenal de trans-C18:1. resida no tecido mamário..15 unidades percentuais na proteína do leite (Canale et al. sebo. Nesta comparação concluiu-se que a diminuição da concentração da proteína do leite durante a suplementação lipídica. 1993).6 9.10 a 0.

óleos ricos em ácido linoléico e óleos parcialmente hidrogenados contendo diferentes isômeros trans. bem como da manipulação do perfil de ácidos graxos nos tecidos dos ruminantes. transformando-os em ácidos graxos saturados (principalmente o ácido esteárico) ou isômeros trans de ácidos graxos monoinsaturados (Chilliard. v. deve-se lembrar que a composição química e a taxa de secreção das lipoproteínas estão entre os principais fatores que controlam a utilização de lipídios pelos tecidos e. 1. maior será a dissociação dos sais de cálcio. A proteção dos lipídios com proteínas tratadas com formaldeído é uma delas. 1989). conseqüentemente. passaram a ser objeto de inúmeras pesquisas visando a melhoria das qualidades nutricionais da carne.18:1. as características qualitativas e quantitativas da produção de carne e leite. quando as dietas são ricas em concentrado) ou quanto maior for o teor de ácidos graxos insaturados da gordura complexadada. 2009 . reduções do colesterol propiciadas por dietas ricas em AGPI ocorrem associadas à redução de HDL-colesterol (Mensik & Katan. Esta técnica parece ser bastante eficiente quando se deseja incrementar a absorção intestinal de ácidos graxos polinsaturados. ou seja. Como já foi comentada anteriormente. sementes oleaginosas e sais de cálcio não resultam em conteúdo de ácido linoléico maior que 5mg/100mg do total de ácidos graxos do leite. os chamados “sais de cálcio” são considerados ruminalmente inertes. 1993). Porém. incremento da função do receptor de LDL e redução da secreção de lipoproteína-colesterol pelo fígado (Stipanuk. é um dos principais fatores relacionados à baixa proporção de ácidos graxos polinsaturados na gordura destes animais. A redução do LDL-colesterol ocasionada pelos AGPI não é somente pela substituição dos ácidos graxos saturados. levando à redução de 70-90% do teor de ácidos graxos polinsaturados (AGPI) da digesta.e. possuem propriedades que reduzem a concentração plasmática de colesterol em humanos. o que pode trazer sérias limitações a este tipo de proteção. Tem-se observado que os ácidos graxos poliinsaturados presentes na carne e no leite de ruminantes.Suplementação lipídica vs. absorção. conseqüentemente. físicas e químicas. O mecanismo de redução do LDL-colesterol pelo consumo de dietas ricas em ácidos graxos poliinsaturados é o oposto ao demonstrado pelos ácidos graxos saturados. a biohidrogenação ruminal. em diversos países. Ao que parece. Desde que o elevado consumo de gordura saturada passou a ser apontado por médicos e nutricionistas como principal causa de doenças cardiovasculares em humanos. o enriquecimento do leite com ácido linolênico só seria possível com o fornecimento de gordura (p. do leite e seus derivados. têm sido sugeridas para tentar proteger a gordura suplementar fornecida aos ruminantes contra a biohidrogenação e. Entretanto. a suplementação lipídica. aumentar o fluxo de AGI para o intestino delgado. inibindo a incorporação e/ou a síntese de novo. que ocorre por ação microbiana. Entretanto. Tem-se encontrado altos níveis de trans-C18:1 no leite. Um exemplo de proteção química que vem sendo bastante empregada é a complexação das gorduras com cálcio. óleo de linhaça) protegida contra a biohidrogenação. o aumento do fornecimento de gordura insaturada na dieta tem efeito limitado sobre o conteúdo de ácidos graxos insaturados (AGI) nos tecidos ou no leite de ruminantes. os AGPI w-3 são mais potentes em reduzir o colesterol que os AGPI w-6. portanto. pode alterar o teor de gordura e a composição de ácidos graxos do leite. O mecanismo pelo qual os ácidos graxos insaturados diminuem os níveis de LDL-colesterol tem sido investigado intensamente. ex. Ao contrário do que ocorre nos monogástricos. Da mesma maneira. Acredita250 Tópicos em Ciências Agrárias. transporte e metabolismo dos lipídios. o fígado e o tecido adiposo. qualidade do leite e da carne A qualidade dos produtos de origem animal tem sido freqüentemente associada à natureza da fração lipídica neles contida. Ainda que se consiga aumentar o fluxo duodenal de ácidos graxos insaturados e. quando são fornecidas dietas contendo óleo de peixe. 2000). e na contribuição dos lipídios para a síntese de gordura do leite. estratégia freqüentemente usada para atingir os requisitos de energia das vacas de alta produção no período do pós-parto. nos animais de corte. Há ainda estudos que diferenciam os efeitos dos AGPI de acordo com a posição da dupla ligação (w-3 ou w-6). mas também devido a alguma atividade daqueles. Segundo Connor et al. A influência positiva dos AGPI w-3 nas doenças cardiovasculares em humanos sugere que seria benéfico aumentar os teores de tais ácidos no leite. não interferindo negativamente sobre a digestibilidade da fibra. o uso da proteção com formaldeído é proibido devido ao suposto efeito cancerígeno deste tratamento. Pesquisas recentes nessa área têm aperfeiçoado o conhecimento da influência das lipoproteínas na partição dos lipídios entre a musculatura esquelética. incrementar a absorção dos mesmos. Gordura não protegida. Kennelly (1996) afirma que a única maneira de aumentar o teor de ácido linoléico no leite seria a suplementação de lipídios protegidos com proteína. Além de proteger os ácidos graxos insaturados contra a biohidrogenação. o conhecimento das particularidades da digestão. UFRB. Van Nevel & Demeyer (1996) afirmaram que quanto mais baixo o pH ruminal (i. (1981). Inúmeras técnicas.

citados por Gaynor et al. sem a presença do Carbono metilênico entre as duas duplas ligações. Estes efeitos têm sido menos pronunciados nos lipídios intramusculares em comparação aos da gordura subcutânea.octadecenóico (ácido trans-vacinico) e. pela enzima ácido linoléico isomerase produzida pela bactéria Butyrivibrio fibrisolvens. quando se almeja manipular o perfil de ácidos graxos destes produtos. De maneira diversa à produção de leite. caracterizada por decréscimo nos teores de C16:0. a adição de gordura é uma alternativa viável para baratear a formulação de dietas. ao que parece.1997. Um incremento na proporção de AGPI w-3: w-6 em animais magros. devido a menores taxas de hidrogenação no rúmen (Demeyer & Doreau. promoção do crescimento. analisando o perfil de ácidos graxos da carne de novilhos precoces alimentados com fonte suplementar de gordura protegida (5% da MS). Entretanto é sabido que baixos níveis de gordura intramuscular (cerca de 10g kg-1) podem prejudicar as propriedades organolépticas da carne. então hidrogenado ao ácido esteárico. (2002). Assim como tem sido observado no leite. Existem nove diferentes isômeros do CLA de ocorrência natural em alimentos. Ultimamente tem-se relatado que o ácido linoléico conjugado (CLA). 2009 251 . O incremento do teor de triacilgliceróis enriquecidos com AGPI na gordura intramuscular. forneceram a bovinos suplementação lipídica a base de canola extrusada e observaram alterações na composição de ácidos graxos do tecido adiposo. 1. e. a produção de carne não é limitada pelo consumo de energia. O CLA se refere a uma mistura de isômeros (geométricos e de posição) do ácido linoléico (C18:2 w-6) com uma dupla ligação conjugada. Rule et al. Bessa et al. bem como aos seus subprodutos. que são aqueles que contém compostos com propriedades farmacêuticas. o cis-9 trans-11 parece ser a forma mais comum que apresenta atividade biológica. C18:1. melhoria do sistema imune. mais tarde. (1991) relatam que a suplementação com óleo de linhaça na dieta de bovinos elevou o teor de C18:3 w-3 no tecido adiposo. 1999). (1992) os lipídios intramusculares em carneiros retêm muito mais AGPI w-3 que o leite. UFRB. mas também com a produção dos chamados alimentos funcionais. muito embora esta atividade também tenha sido Tópicos em Ciências Agrárias. propriedades benéficas à saúde humana. através de manipulações da dieta passou então a ser o alvo das pesquisas. aumento da massa magra e propriedades antidiabéticas (Pariza. Em uma segunda etapa o dieno conjugado é hidrogenado ao ácido trans-11. e quando a fonte de gordura é composta de sementes oleaginosas tratadas pelo calor ao invés de óleos (não protegidos). (1994). ainda são escassas as pesquisas desenvolvidas nesta área. músculos. depreciando o seu valor. Parodi. (1994). Durante algum tempo. acreditou-se que o melhoramento genético visando obter animais mais magros com baixo teor de gordura intramuscular seria a melhor solução para se obter carne bovina de melhor qualidade. Clinquart et al. pode conferir à carne e ao leite. que pode promover alterações benéficas na composição de ácidos graxos da carne. e aumento dos teores de C18:0. bem como diversos AGPI de cadeia longa. tem sido sugerido. Desses isômeros. observaram aumentos de até 100% nos teores de AGPI intramuscular (gordura de marmoreio) destes animais. quando gordura protegida a base de óleo de peixe é adicionada à dieta destes animais.se que uma combinação entre altos níveis de concentrado e uma suplementação com óleos de peixe ou óleos ricos em ácido linoléico poderiam aumentar a produção de trans-18:1. tais como: efeito anti-carcinogênico. e um aumento nos teores de ácidos graxos de cadeia longa (principalmente C18:1) da carne. rins e fígado. podendo agir em benefício da saúde humana. Contudo.. em razão disso pesquisadores têm buscado elevar os teores de CLA nestes alimentos. 1994. como primeiro intermediário da biohidrogenação de ácido linoléico da dieta. Pires et al. Segundo Ashes et al. O CLA é produzido no rúmen. Entretanto a maior susceptibilidade à oxidação e aos defeitos de aroma e sabor da carne e derivados enriquecidos com AGPI também devem ser considerados. não têm se preocupado apenas com a melhoria das qualidades nutricionais destes alimentos. funcionando como incentivo adicional ao uso da suplementação lipídica para o gado de corte. Suplementação lipídica influenciando a produção de alimentos funcionais As estratégias de alimentação de ruminantes que visam a manipulação do perfil de ácidos graxos da carne e do leite. encontrado em altas concentrações na gordura de animais. a suplementação com gordura insaturada tem provocado um decréscimo nos teores de ácidos graxos de cadeia curta e média. v. isto é. 2000) e. pois o tratamento térmico das sementes de oleaginosas parece proteger os ácidos graxos C18:2 da biohidrogenação.

Segundo Mir et al. (1999) estudaram a concentração de CLA na carcaça de bovinos da raça Charolês recebendo suplementação com diferentes tipos de gordura: (a) saturada.7 -10.0 Enser et al. as concentrações atualmente encontradas na carne e no leite de 252 Tópicos em Ciências Agrárias. UFRB. (2000). (2000) 1. (2000) 3. (1992) 1.7 – 1.7 – 5. (1997) 2. (1999). comparados aos que foram suplementados com fontes de ácidos graxos saturados. ao longo do ano.2 – 3. estudando o efeito de dietas baseadas em pastejo (gramíneas). relacionando os efeitos da fonte de gordura suplementar da dieta de vacas sobre o teor de CLA no leite. e relataram que bovinos suplementados com fontes de AGPI apresentaram um aumento de duas a três vezes na concentração de CLA.33 g dia-1) resultou em aumento da concentração de CLA nos tecidos da carcaça. Lin et al. silagem de gramíneas ou concentrado sobre a concentração intramuscular de CLA em bovinos de corte. (1994) 5. (2) Os maiores aumentos dos teores de CLA são obtidos quando a fonte da suplementação lipídica é composta por óleos ricos em ácido linoléico.2 – 8.C18:1 e o CLA. (1997) 3. (1998) 2.3 Chin et al. 1. em relação à carne produzida no reino unido. (1999) 3.9 McGuire et al. especialmente o trans-10 cis-12. (1999) Mir et al.0. Concentração de ácido linoléico conjugado em carne bovina crua (Maloney et al. Segundo Deckere et al. Enser et al.8 Referências Ma et al.4 Shanta et al.. ou sais destes ácidos. (1995) e Jiang et al. Dados de diversos autores compilados por Demeyer & Doreau (1999). (1988) 3. o isômero trans 10 cis12 CLA diminui o LDL-colesterol. HDLcolesterol e aumenta o VLDL-colesterol em 18%. v. As concentrações de CLA na gordura do leite são primariamente influenciadas pelo suprimento de ácido linoléico no rúmen. relataram que o aumento na proporção de gramínea na dieta ocasionou um aumento linear na concentração de CLA na carne. (2000).0 1.0 Fritsche e Steinhart (1998) Os autores atribuíram a alta concentração deste ácido nas carnes irlandesas e australianas. ao fato do gado consumir maior quantidade de forragens ricas em AGPI nestes países. (c) óleo de peixe (rico em C20:5 e C20:3). Este achado pode explicar porque o efeito do trans-C18:1 não é sempre associado à maior incidência de doenças cardiovasculares (Wolff.5 Foferly et al. (b) óleo de linhaça (rico em C18:3). o cis 9 trans 11 CLA não apresenta efeito significativo em lipídios plasmáticos de hamsteres.3 – 12. 2009 .9 – 4.5 Shanta et al. Dieta Desconhecida Cevada (800g/kg dieta) Silagem de gramíneas e concentrado Milho (820 g/kg dieta) Desconhecido Desconhecido Grãos Concentrado Gramínea Gramínea Gramínea Desconhecida País Canadá Canadá Reino Unido USA USA USA USA Japão USA Austrália Irlanda Alemanha Concentração (mg/g gordura) 1.1995). ainda que esta denominação não tenha sido amplamente aceita pela comunidade científica.4 Tsuneishi et al. 2001). pela inclusão de gramíneas na dieta e pela proporção forragem:concentrado na dieta. Embora os pesquisadores venham obtendo sucesso na busca para elevar os teores do ácido linoléico conjugado nos alimentos de origem animal.relatada para outros isômeros.9 – 4. (3) Os aumentos nos teores de CLA promovidos pela suplementação com fontes ricas em ácido linolênico são mais discretos que aqueles ocasionados por fontes ricas em ácido linoléico. French et al. Porém. a suplementação de CLA para ovinos em confinamento com uma fonte de ácido linoéico (óleo de girassol . (2001) sumarizaram dados de diversos autores relatando as concentrações de CLA na carne bovina (Tabela 4). em humanos.8 French et al. Maloney et al. e óleos ricos em C20:5 e C20:6.1 Shanta et al. (1999) 7. respectivamente. revelaram que: (1) gorduras saturadas e monossaturadas não promovem o aumento do CLA. Alguns autores utilizam o nome ácido rumênico para o isômero encontrado em maiores concentrações na mistura CLA.. 11% e 61%. Tabela 4.2 – 12. (1996) encontraram uma relação positiva entre trans.

. D.. REFERÊNCIAS ASHES. v. E. Effect of dietary fat and postruminal casein administration on milk composition of lactating dairy cows. COLLIER. J. Journal Dairy Science. 73. CANT.D.J.593-607. RIBEIRO.J.53. sua determinação seria um dos pontos de partida na produção de alimentos funcionais derivados da carne e do leite. p. p. Mammary blood flow and regulation of substrates supply for milk synthesis (Review). 629-631.. lipoproteins. p. p. 2000. 1. v.S. 211-219..4.73. Targets and procedures for altering ruminant meat and milk lipids (Review). CLINQUART. C.. Livestock Production Science.. Journal Dairy Science. J. Journal Dairy Science. CANALE. Lipids. Arteriosclerosis.76. McNEIL. et al. BALDWIN.74. W.4. 1991. 1990.J.R. CHOW. considera-se que o aprofundamento dos conhecimentos ligados aos eventos físicoquímicos que regulam a digestão absorção e transporte de lipídios em ruminantes. 1041-1058. v. v. B. n.1031-1038. BURGESS. v. et al. n. AMELSVOORT. 8. MULLER..M. DEMEYER. DePETERS. BALDWIN. and rodents: A review. n. I. 63. SIEBERT.ruminantes (principais fontes de CLA na nutrição humana). v.. E. GULATI.M. 27. 3897-931. bem como aos efeitos da adição de gordura à dieta de bovinos sobre a produção de carne e leite.B. M. W. v. n. Effects of conjugated linoleic acid (CLA) isomers on lipid levels and peroxisome proliferation in the hamster. A. Dietary fat and adipose tissue metabolism in ruminants. R. n. A comparison of dietary polyunsaturated n-6 fatty acids in humans: Effects on plasma lipids. G.. Animal Production. DUFRASNE. 1999.L. P.R.4. 201-211. Tópicos em Ciências Agrárias. e.M. Y. HARRIS. LIN. D..D. 363-378. capaz de proporcionar proteção contra câncer em humanos. n.B.P.J. 58. DOREAU. 1999. SANTOS-SILVA.K. L. v. p. 1991. p.. v. com certeza. 82.. J. 68.P. p. ISTASSE.1. Incorporation of n-3 fatty acids of fish oil into tissue and serum lipids of ruminants. Effect of rumen-protected methionine and lysine on casein in milk when diets high in fat or concentrate are fed.4.. p. apesar das intensivas pesquisas relacionadas às propriedades do CLA.3. n. 1.1051-1061. BESSA. 2009 253 . v. Journal Lipid Research. ainda não foi suficientemente esclarecida. p. 1992. v. 1981. et al.M. v. Calcium salts of fatty acids in diets that differ in neutral detergent fibber: effect of lactation performance and nutrient digestibility. 315-320.E.. E. 12. CHILLIARD. DECKERE.R. Reticulum-rumen biohydrogenation and the enrichment of ruminant edible products with oleic acid conjugated isomers. Vale lembrar que. Journal Dairy Science. 308-317.L. Effects on animal performance and fat composition of two fat concentrates in diets for growing-fattening bulls. pigs. and sterol balance.L.M. a dose mínima diária deste ácido. DePETERS. ainda são considerados insuficientes para lhes conferir propriedades farmacêuticas. Proceedings of the Nutrition Society. UFRB. n. J. R. British Journal Nutrition. p. constituem-se em vasto campo de pesquisa que só tem a contribuir para o aperfeiçoamento de tecnologias relacionadas à produção e manejo destes animais.. n. et al. S.. 1990. 1991 CONNOR. R. S. p. J. 1993..A. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante desta avaliação..J. DAVIS. R. 1985. J. Journal Dairy Science. L.

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CAPÍTULO 19 CARBOIDRATOS NA NUTRIÇÃO DE PEIXES Leandro Portz Tópicos em Ciências Agrárias .

. 1961). Erfanullah & Jafri. tendo como função primordial o estoque de energia que pode ser utilizada pelos animais. podem resultar tanto em aumento como em diminuição do estoque de glicogênio (Moraes et al. 1987). compostos estes presentes na dieta. glicogênese (síntese de glicogênio) e glicogenólise (degradação do glicogênio para disponibilização de glicose). porém quando criados confinados em tanques e viveiros a alimentação artificial proporciona a disponibilização destes carboidratos pela composição vegetal de suas dietas. Como conseqüência de uma intensa atividade física ou jejum. 1999). a gliconeogênese (síntese de uma nova molécula de glicose ou frutose utilizando um intermediário não glicídico . 1989). O glicogênio é um nutriente muito utilizado em adaptações bioquímicas em várias situações de estresse ambiental. alcançando normalmente 7% do peso seco do tecido (Stryer. Do ponto de vista de utilização da energia.edu. sem serem convertidos em monossacarídeos. onde são absorvidos por transporte passivo (difusão simples) ou por transporte ativo (potencial de membrana ou gasto direto de ATP) na parede do trato digestivo e assim transportados via sistema porta. onde são metabolizados. Cruz das Almas-BA. assim como os mamíferos e animais terrestres. Normalmente esta energia é obtida através do metabolismo dos carboidratos. obtendo suas reservas energéticas através da proteína. UFRB. A utilização dos carboidratos está diretamente relacionada à sua concentração na dieta. Soengas et al. Ambientais e Biológicas/UFRB. 1. a glicose. Hilton & Atkinson (1982) constataram que dietas contendo amido de milho extrusado ou simplesmente milho extrusado à truta arco-íris (Oncorhynchus mykiss). 1982. aminoácidos. embora estes peixes tenham mostrado uma redução de 75% na reserva de glicogênio tecidual hepático após 100 dias de restrição alimentar. da salinidade. as reservas de glicogênio no músculo e fígado dos peixes podem diminuir em poucos minutos.br INTRODUÇÃO Os peixes. E-mail: lportz@ufrb. 2009 259 . crescimento e reprodução. De modo geral. O ciclo do glicogênio hepático no catabolismo mostra que esta forma de reserva orgânica é muito mais importante como suprimento de intermediários metabólicos para processos biossintéticos do que como fonte de energia (Christiansen & Klungsoyr.lactato. 1987). 1996. sendo restabelecidas somente 24 horas após terem sido consumidas. O glicogênio é uma das muitas formas de armazenamento da energia consumida como alimento pelo peixe. Os peixes em seu habitat natural consomem pouco carboidrato através do alimento natural. oligo e polissacarídeos) são digeridos através de ação enzimática.Centro de Ciências Agrárias. O Tópicos em Ciências Agrárias. pois não gastam energia para manutenção da temperatura corporal e excreção dos compostos nitrogenados. necessitam de energia para a manutenção do metabolismo básico. podendo ser utilizados diretamente como fonte de energia ou levados até o fígado. como a truta arco-íris (Oncorhynchus mykiss).CARBOIDRATOS NA NUTRIÇÃO DE PEIXES Leandro Portz Professor . os carboidratos (di. o lactato e o piruvato (Black et al. Os polissacarídeos são encontrados em todas as células dos animais e mais abundantemente no fígado. glicerol).. Embora o tecido muscular de peixes carnívoros. Nagai & Ikeda (1971) mostraram que períodos de restrição alimentar superiores a 164 dias não resultam em uma queda significativa na reserva de glicogênio muscular da carpa comum (Cyprinus carpio). períodos de grande esforço físico e mudanças de dietas. os carboidratos não são eficientemente utilizados pelos peixes (NRC. 1993). Isto mostra que estes peixes iniciam a utilização das reservas de glicogênio do corpo a partir do glicogênio tecidual hepático. apresentaram um desempenho melhor do que em dietas contendo amido cru. Variações do pH. tipo e forma do carboidrato e principalmente à espécie e seu hábito alimentar (Hilton & Atkinson. As vias bioquímicas mais importantes envolvendo estes carboidratos são: a glicólise (oxidação anaeróbica da molécula de glicose). Os carboidratos são componentes essenciais a quase todos os seres vivos. O glicogênio hepático é considerado um estoque emergencial de energia prontamente utilizável nos primeiros momentos de situações críticas de estresse (Christiansen & Klungsoyr. dos níveis de oxigênio dissolvido na água. Pode-se citar como carboidratos mais importantes no metabolismo de peixes: o glicogênio. lipídios e aminoácidos. v. sendo encontrado em grande quantidade nos tecidos do fígado e músculo destes animais. As fontes de carboidratos são melhores utilizadas pelos peixes quando sofrem um processo térmico. 1995).. possa concentrar cerca de 6% a mais glicogênio que o fígado. 1971). as quantidades totais de glicogênio muscular ou hepático podem ser consideradas iguais (Steffens. No processo de digestão dos peixes. os peixes são considerados muito mais eficientes do que mamíferos e aves.

na maioria das espécies. 15% PS. 1.mesmo foi observado em experimentos com esturjão siberiano (Acipenser baeri) utilizando-se o amido extrusado ou pré-gelatinizado e o milho extrusado em comparação com o amido cru. Assim poderíamos concluir que para este bagre onívoro a utilização de carboidratos complexos é mais eficiente. acelulose (C). maltose. assim como as lipases. 1987). Estas enzimas. Pezzato (1997) explica que a baixa utilização se deve ao fato destas espécies não possuírem a enzima celulase. 2009 . Normalmente a atividade das enzimas. celulose. Bergot & Breque (1983) constataram que a celulose é um carboidrato muito utilizado em experimentos com dietas purificadas mas que não pode ser utilizada como fonte de energia mas sim como fibra. sendo esta considerada uma fonte de energia não disponível para os peixes. Digestão dos carboidratos em peixes Nos peixes podemos encontrar diversos tipos de enzimas digestivas (carboidrases). Segundo Steffens (1989). ou quando é fornecida ao peixe uma dieta rica em proteína (Figura 1). sacarose e frutose (Wilson & Poe. Porém trabalhos feitos com peixes onívoros como o bagre do canal (Ictalurus punctatus). diferem de espécie para espécie e são descritas na literatura de acordo com os hábitos alimentares dos peixes. necessária para hidrólise da fibra. em experimentos conduzidos com a tilápia mossambica (Oreochromis mossambicus). 15% PS) 4500 4000 Atividade Total 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 B (60% FM. As enzimas possuem uma ampla faixa de tolerância à variações térmicas (20-40oC) e suas atividades ótimas ocorrem entre pH 6-8 (Hilton & Atkinson 1982). ao aumento na temperatura ou salinidade da água. Similarmente. assim A (80% FM. com atividades específicas. 20% C) C (40% FM. este mesmo autor comprovou uma alta atividade da amilase quando este onívoro foi alimentado com dietas ricas em energia. 60% C) 0 10 20 30 40 Figura 1. v. 15% PS. indicaram que dietas contendo dextrina e amido de milho proporcionaram melhores índices de desempenho do que dietas que continham glucose. a carpa comum (peixe onívoro) responde de modo oposto ao da truta arco-íris (Figura 2). amido de batata (PS). Em relação aos níveis de amido na dieta. 260 Tópicos em Ciências Agrárias. O aumento do nível da farinha de peixe na dieta reflete no aumento dos níveis de proteína na dieta (Adaptado de Steffens 1989). Atividade da amilase em trutas arco-íris (Oncorhynchus mykiss) em resposta a diferentes dietas: farinha de peixe (FM). Porém. 40% C) D (20% FM. 15% PS. o pâncreas é o maior produtor das enzimas que degradam os carboidratos. UFRB. Ainda este mesmo autor afirma que somente algumas bactérias presentes no intestino de peixes herbívoros e de alguns onívoros poderiam talvez apresentar tal enzima. Por outro lado. principalmente da amilase. Em experimentos com truta arco-íris. a atividade da enzima amilase em trutas arco-íris pode aumentar em resposta ao tipo de alimento fornecido. também poderão ser encontradas no suco pancreático e estômago. mas não necessariamente em todas as espécies que são utilizadas em estudos de pesquisas relacionadas à nutrição. que normalmente estão presentes na membrana do intestino. outros carboidratos.

próximos a 42%. UFRB. não apresentaram queda de desempenho. como também atividades de outras enzimas que digerem carboidratos são descritas pela diferenciação na nutrição entre espécies (Tabela 1). amido de batata (PS) (Adaptado de Steffens. Brown et al. Digestibilidade dos carboidratos em peixes Tabela 1. S= Estômago. Os autores observaram que os valores da relação hepato-somática encontrados eram inversamente proporcionais aos níveis de proteína e diretamente proporcionais aos níveis de carboidratos digestíveis dietéticos. condicionam um maior acúmulo de reservas energéticas prontamente utilizáveis na forma de glicogênio. 90% PS) Atividade amilase 4000 3000 2000 1000 0 7 23 43 69 80 Duração da alimentação (dias) Figura 2. Resultados semelhantes foram relatados por Pérez et al. Tópicos em Ciências Agrárias. (1997) para o “European sea bass” (Paralabrax humeralis) que. alimentado com dietas extrusadas com diferentes níveis protéicos e níveis de lipídios variando entre 12 e 14% e níveis de carboidratos de até 30%. (2000). 40% PS) C (40% FM. v. P= Ceco pilórico. 1989. 2009 261 . na alimentação de juvenis de “sunshine bass” (Lepomis gibossus) e utilizaram a relação hepato-somática (RHS) como uma medida relativa de estoque energético. com incremento de 5%. a-glucosidase e b-ga-lactosidase no trato digestivo de diferentes espécies. Cyrino et al.A (90% FM.=100) de amilase. Espécies Carassius carrassius Ctenopharyngodon idella Oreochromis niloticus Cyprinus carpio Salmo gairdneri Anguilla japonica Seriola quinqueradiata I 100 84 44 35 8 1 1 Amilase P S a-Glucosidase I S 100 b-Galactosidase I S 34 61 59 8 31 <1 <1 <1 16 15 <1 2 20 22 <1 11 6 I= Intestino. Resultados semelhantes também foram mostrados por Millikin (1982) para o “striped bass” (Morone saxatilis). 1. 60% PS) D (10% FM. Estes mesmos autores ainda concluem que o “black bass” pode utilizar eficientemente dietas artificiais desde que os níveis de carboidratos sejam inferiores a 30% e as rações sejam adequadamente processadas (extrusadas). Atividade relativa (máx. (1992) testaram níveis de proteína dietética variando de 25 a 55%. 10% PS) 5000 B (60% FM. Farinha de peixe (FM). Adaptado de Steffens. Efeito da composição da dieta na atividade da amilase em carpa comum (Cyprinus carpio). observaram níveis mais altos de glicogênio tecidual hepático (GTH) e nos valores da relação hepato-somática (RHS) quando o carnívoro “black bass” (Micropterus salmoides) era alimentado com dietas contendo 42% de PB. estudando rações que continham farinha de trigo como fonte de carboidrato. maior a utilização de carboidratos e a deposição de glicogênio no fígado. Isto mostra que rações contendo altos níveis de proteína. o que mostra que quanto menor o nível de proteína dietética. 1989).

(1981).14 Tabela 3. Carboidratos Glucose Maltose Sacarose Lactose Dextrina Amido cozido Amido cru a .8 95.5 94. v.4 45.Além do hábito alimentar.Amido de batata Fonte: Singh & Nose (1987).4 77.0 52. 2009 . Quando o amido de milho hidrolisado era empregado em uma composição básica de ração. Chiou & Slinger (1979) demonstraram os coeficientes de digestibilidade de diferentes carboidratos utilizados em rações para truta que receberam processos térmicos diferentes (Tabela 5). Digestibilidade de diferentes carboidratos da “brook trout” (Salvelinus fontinalis) e truta arco-íris. Nível de Carboidrato na Dieta (%) 20 99.90 77 .0 98. 1. embora em proporções menores em relação às proteínas (Tabela 2). A digestibilidade dos polissacarídeos é dependente da magnitude de sua contribuição na dieta. existe um interesse particular centralizado no que diz respeito à digestibilidade do amido e da dextrina.2 69.7 50 99. foi de 96% . dextrina e amido de batata (Figura 3).1 Carboidratos Glucose Sacarose Lactose Dextrina a .80 52 .70 20 . não sendo este coeficiente influenciado pela temperatura da água.celulose Fonte: NRC 1973.24 10 .3 74.4 60. 262 Tópicos em Ciências Agrárias. Digestibilidade (%) de diferentes carboidratos em vária proporções na dieta de truta arco-íris com 10-25 g de peso vivo e uma temperatura de água à 16o C. observouse uma alta taxa no ganho de peso e melhores taxas na conversão alimentar da truta arco-íris (Tabela 4).2 60 99.0 99.6 99. à existência de uma variabilidade entre as diversas espécies de peixes quanto a digestibilidade dos carboidratos se deve. com níveis de glucose de 20% na dieta. Shiau (1997) foi capaz de mostrar que o amido de milho após sofrer um tratamento térmico (gelatinização) era melhor utilizado pelo peixe do que o amido de milho em estado natural.3 40 99. à diferenciação anato-fisiológicas do trato digestivo destas espécies.1 38. Juvenis de Oncorhyncus tshawytscha (truta da califónia) pesando menos de 1g mostraram menores taxas de crescimento em água à 10o C. A capacidade de digestão dos carboidratos pelos salmonídeos tem sido freqüentemente detalhada e pesquisada em estudos referente à nutrição. Em testes realizados por Hilton et al.8 96. Para os salmonídeos.3 99. também.99%. Na maioria das pesquisas realizadas para avaliação da digestibilidade de carboidratos em peixes.2 30 99. o coeficiente de digestibilidade para glucose em trutas arco-íris. “Brook trout” (%) 99 92 73 60 57 38 - Truta arco-íris (%) 79 . UFRB. os carboidratos geralmente estão ausentes na dieta natural.2 50.5o C e 15o C e também pelas dietas que continham acima de 25% deste carboidrato.5 98. que foram também substituídas por maltose.8 65.2 97. Por se tratar de espécies carnívoras. e os autores sugerem que estes carboidratos podem atuar como economizadores de proteína.5 26. contudo nas dietas artificiais os carboidratos estão presentes e pode ser observado que estes carnívoros podem ser capazes de digerir carboidratos. Tabela 2.1 97. que variou entre 11. observa-se que os coeficientes de digestibilidade dos carboidratos diminuem com o aumento de sua proporção na dieta (Tabela 3).

5 20 40 60 80 Dias Figura 3.73 1. 2009 . Amido g/kg Digestibilidade da dieta (%) 807 100 780 0 772 541 391 418 75 168 0 0 62 27 54 62 Açúcar g/kg Digestibilidade da dieta (%) 843 100 19 40 41 101 88 57 87 100 263 Tópicos em Ciências Agrárias. Digestibilidade aparente de amido e açúcar para truta arco-íris. Diferenças no ganho e utilização de alimento em alevinos de truta arco-íris em resposta à administração de dietas similares. D = amido de batata.34 1.67 Tabela 5. à 250 C) Farelo de soja (49% de proteína bruta) Farinha de glúten de milho (60% de PB) Fonte: Adaptado de Steffens (1989).glucose Dextrina (amido hidrol. Fonte: Adaptado de Steffens. à 112 C) Farinha de trigo crua autoclavada (10 min. A = glucose. Tabela 4.55 2 42 13 107 121 1. 1. C = dextrina. a .30 1.62 3 42 13 67 115 2.0 0. à o 112 C) tostada o (10 min. v. contendo cada uma amido de milho em estado natural (n) ou amido de milho hidrolisado (h). B = maltose.74 h 1. Crescimento de juvenis de Oncorhynchus tshawytcha em resposta a diferentes tipos de carboidratos (com nível de 20%) na dieta.5 D 1. 1989. UFRB.) Amido crú (milho) Amido autoclavado o (10min.A B C Ganho de Peso 1. Dietas 1 Proteína (%) 42 Amido (%) 15 Ganho de Peso (g) n 80 h 92 Taxa de Conversão Alimentar (kg/kg ganho) n 1.64 4 32 29 66 112 2.

(1986) obtiveram os valores em resposta à digestibilidade da glucose e do amido de batata cozido. 10 84 20 80 30 79 40 60 50 38 60 35 O peixe Seriola quinqueradiata. v. a digestibilidade do farelo de soja foi de 63% e para a farinha de milho 88%. Chiou & Ogino em 1975 já haviam concluído que a fração de carboidratos da semente de lúpulo e da soja apresentavam baixo desempenho quando utilizadas em dietas para peixes. 264 Tópicos em Ciências Agrárias. surgia uma relação negativa entre os coeficientes de digestibilidade e a concentração de dextrina na dieta (Tabela 8).8 30.0 25. uma espécie que se alimenta essencialmente de vegetais.5 Digestibilidade (%) 74 75 84 58 45 56 55 65 51 46 75 Tabela 7. 2009 .8 43. não digere carboidratos com tanta eficiência quanto as carpas. ambos com 30% de inclusão na dieta (Steffens. 1989). (1986). Digestibilidade de carboidratos (trigo) de uma carpa de 1200 g de peso vivo condicionada a uma temperatura de 24oC.0 Digestibilidade (%) 91 56 38 14 Fonte: Kirchgessner et al. Alimento Farinha de trigo Pó de trigo Grãos de trigo Farelo de trigo ENN (extrat. Para a carpa-capim (Ctenopharygodon idella). Digestibilidade de diferentes carboidratos em carpas com dois anos de idade. onde os peixes estavam condicionados a temperaturas variando entre 10o C . não nitrogenado) .8 14. Digestibilidade da Dextrina em várias concentrações em substituição no alimento. 1. um tunídeo de águas tropicais muito criado no Japão.3 46. (1986). Tabela 6. o grupo que recebeu 20% de glucose na dieta demonstrou resultados piores em relação aos outros grupos (Tabela 9).% 71 59 56 52 Fibra Bruta (%) 2. A digestibilidade de carboidratos provenientes de sementes de leguminosas aparentemente são mais pobres do que a dos cereais. A digestibilidade de carboidratos em carpas é extremamente dependente do nível de fibra bruta contida na dieta (Tabela 7) conforme demonstrado em experimentos feitos por Kirchgessner et al. Furuichi et al.1 5.4 14.22o C. Tabela 8.A digestão de carboidratos em carpa foi descrita por Furuichi & Yone (1982) (Tabela 6).0 37. Com relação ao ganho de peso e taxa de conversão alimentar da dieta. Quando foi testada a digestibilidade da dextrina como fonte de carboidrato.6 34. o melhor ganho de peso percentual era descrito em resposta ao amido contido na dieta e não à glicose. Dextrina contida na dieta (%) Digestibilidade (%) Fonte: Steffens (1989). Carboidrato (% do peso seco) 55. Embora a digestibilidade do a-amido tenha sido significativamente menor em comparação à glucose.1 22.7 12. UFRB.7 8.6 15. Alimentos Cevada Aveia Centeio Trigo Ervilha Lúpulo Semente de girassol tostada Farinha de amendoin Farinha de soja Componenetes da dieta Fonte: Adaptado de Steffens (1989).

Porém. Taxa de absorção de glucose (G) e a-amido de batata (S) em quantidades de 10% e 20% na dieta de Seriola quinqueradiata. Ganho. De acordo com Spannonhof & Plantikow (1983).41 20 94 60 2. (1986) também observaram em carpas e no atum (Seriola quinqueradiata). digestibilidade da glucose e amido de batata em várias concentrações na dieta do peixe Seriola quinqueradiata com 70-150 g de peso vivo. apesar de serem altamente e rapidamente absorvidos antes do aumento das atividades enzimáticas. pelo fato do nível de insulina do plasma sangüíneo somente alcançar o seu nível máximo após duas horas da ingestão do alimento e a atividade das enzimas glicolíticas hepáticas e gluconeogênicas relacionadas ao metabolismo de carboidratos somente mostrar aumento após duas a três horas da administração do alimento. durante 30 dias de alimentação. Os autores concluíram que a maior parte dos carboidratos oriundos da absorção de glucose na forma livre. Spannonhof & Plantikow (1983) descreveram que a atividade da amilase em trutas arco-íris é reduzida em cerca de 80% quando o trigo é utilizado em sua forma natural sem nenhum processamento térmico Tópicos em Ciências Agrárias. (1986). pode ser excretada sem ser utilizada. 100 80 60 40 20 S 20 S 10 G 20 G 10 Absorção (%) 1 2 3 4 5 6 Horas Figura 4. 1. UFRB. o qual também contribui para perdas na digestibilidade de nutrientes.Tabela 9. Este fato foi comprovado quando os autores detectaram o aparecimento de glucose na urina (Glicosúria). Glucose 10 92 84 1. que a glucose na forma livre é mais rapidamente absorvida que a glucose contida na forma de a-amido (Figura 4). 2009 265 . (1986). v.11 Amido de Batata 20 56 95 1. Nível de Carboidrato na Dieta (%) Digestibilidade (%) Ganho (%) Taxa de Conversão Alimentar (kg/kg) Fonte: Furuichi et al. taxa de conversão alimentar. Outro fator importante a ser levado em consideração quanto às fontes de carboidratos é que o trigo contém albuminas as quais agem como inibidores de amilases. isto poderia demonstrar uma importante descoberta no metabolismo pós-absortivo de peixes. níveis elevados de amido na dieta de truta arco-íris produzem um aumento no volume de suco gástrico.43 Furuichi et al. A atividade da amilase era reduzida pela presença de amido cru e aumentada pela inclusão de amido hidrolisado. O amido cru na dieta pode aumentar a taxa de transito do conteúdo intestinal. Os autores supracitados observaram que este fator reflete no aumento do nível de açúcar sangüíneo após duas horas de alimentação. em ambos os tratamentos com 10% e 20% de glucose contida na dieta. Fonte: Furuichi et al.

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CAPÍTULO 20 ALIMENTAÇÃO DE CAPRINOS LEITEIROS Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira. Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Benedito Marques da Costa Tópicos em Ciências Agrárias .

edu. embora retarde o consumo de concentrados e volumosos pelos cabritos. isoladas do rebanho nos primeiros cinco dias após o parto. A seguir é apresentado um programa de alimentação de caprinos com objetivo de produção de leite. parcelado em quatro ou cinco vezes ao dia.br.O cabrito é separado da mãe desde o primeiro dia.Centro de Ciências Agrárias. b) Aleitamento artificial . Cruz das Almas-BA.ALIMENTAÇÃO DE CAPRINOS LEITEIROS Gabriel Jorge Carneiro Oliveira1. sljaeger@ufrb. podendo receber uma suplementação de volumosos na forma de capins de corte. alcançando preços por litro mais elevados do que o de leite de vacas. Este procedimento exige menos mão-de-obra. Quando não se dispõe de quantidade suficiente. em seguida o cabrito é apartado e levado para aleitamento. é aconselhável administrar à dieta vitamina D. também. pequenos produtores podem criar cabras para a subsistência de sua família. as cabras são mantidas em capril. após o parto. Benedito Marques da Costa1 ¹ Professor . objetivando a absorção de anticorpos que se verifica mais nesse período inicial. onde são alimentadas diariamente com alimentos volumosos (capins de corte. deixam os cabritos com a mãe. Nesse programa. Em regime de confinamento total. 1. E-mail: gajocaol@ufrb. receber suplementação de ração concentrada. e mistura mineral. 2009 271 . Considerando-se o aspecto social. Soraya Maria Palma Luz Jaeger1. Tópicos em Ciências Agrárias. deve-se fornecer alimento volumoso rico. CABRITOS EM ALEITAMENTO A partir dos três dias de idade.com INTRODUÇÃO A criação de cabras com objetivo de produção de leite é uma atividade produtiva bastante importante pelos aspectos econômico e social. Deve ser fornecido 500 ml do colostro. sem receber sol. de fenos de capins ou de leguminosas. as cabras são mantidas em pastagens.Existem dois esquemas de aleitamento para recém-nascidos: a) Aleitamento natural . beneditomc@hotmail. em regime de semi-confinamento ou em confinamento total. após a ordenha. UFRB. preferencialmente feno de leguminosa. v. recebendo o colostro e leite inicialmente em mamadeira ou caixa de aleitamento e depois no balde. Ambientais e Biológicas/UFRB. Quando ocorre acidente com a matriz. Fornecimento de colostro .É uma forma de aleitamento prática. durante os primeiros 3 dias de vida. mistura mineral e ração concentrada. Este método exige maior mão-de-obra que o anterior. Podem. além do alimento concentrado e da mistura mineral completa. duas ou três vezes ao dia. através de premix vitamínico.br. Animais em regime de confinamento total. poderá ser utilizado o colostro proveniente de outras matrizes. fornecer pelo menos no primeiro dia. embora não seja econômica. destacam-se a alimentação de cabritos nas fases de aleitamento e crescimento e de cabras em gestação e lactação. Neste esquema as cabras e as crias permanecem juntas.edu. devido ao elevado preço do leite de cabra. Em regime de semi-confinamento. em pequenas áreas. Levando-se em conta o seu aspecto econômico. silagem ou fenos de capins ou de leguminosas).O fornecimento de colostro é feito nas primeiras horas de vida. Esquema de aleitamento . Existem criações que. a produção de leite de cabras pode ser rentável. e reduza a produção de leite do rebanho. A partir de oito dias de idade. voltando a apartá-los à tarde. conforme a sua produção de leite. devido ao seu valor nutritivo e ao fato de ser um leite que pode ser consumido por crianças e adultos que apresentam intolerância a outro tipo de leite. recomenda-se o fornecimento de alimento concentrado com 12 a 18 % de proteína bruta e mistura mineral completa à vontade.

devido à demanda de nutrientes da mãe somados àqueles para formação do feto (Tabela 2). INRA. Desmama . deve-se ter cuidado de fornecer somente a partir do 28º dia. O peso vivo dos animais a serem arraçoados.09 ED (Mcal) 1. AFRC. da gestação e do estágio da gestação (NRC. A relação cálcio/fósforo deve ficar ajustada entre 2:1 e 1.49 P (g) 1. para caprinos em crescimento (adaptado do NRC. o ganho de peso diário objetivado. nutrientes digestíveis totais (NDT). 12º dia: leite de vaca. O leite ou “sucedâneo” deve ser fornecido com temperatura de 35 a 37º C.Considerando o estado fisiológico do cabrito e os objetivos da criação. 272 Tópicos em Ciências Agrárias. Recomenda-se o fornecimento de volumoso de boa qualidade juntamente com alimento concentrado rico em proteína bruta. destacam-se o leite de vaca e o de soja. Entre os produtos utilizados no aleitamento artificial.32 2. o nível de nutrientes requeridos e o consumo de matéria seca devem ser levados em consideração no cálculo da dieta a ser fornecida. cálcio (Ca) e fósforo (P) para um ganho de peso diário de 100 g. 1990.6 % do peso vivo. UFRB. durante o primeiro mês.88 2. passando gradativamente a ser oferecido à temperatura ambiente no segundo mês.43 3.A higiene do material deve ser rigorosa. 1. A Tabela 1 serve de orientação para o cálculo da ração visando um ganho de peso diário de 100 gramas. que comprime o rúmen. em uma ingestão diária de matéria seca que varia de 2. sem receber sol. energia digestiva (ED). A desmama tardia é realizada a partir dos 90 dias de idade. O fornecimento de uma mistura mineral pode ser necessário para complementar as exigências de cálcio e fósforo e demais elementos minerais. Exigências de matéria seca (MS). provocada pelo aumento do volume do útero. sendo o primeiro o mais indicado para substituir o leite de cabra. 1981. devem receber a vitamina D através da adição de premix vitamínico na ração concentrada. do número de fetos. 1993).10 Mcal = Megacalorias. v. ANIMAIS EM CRESCIMENTO Nesta fase. neste período as exigências nutricionais são maiores. de forma que. a dieta possa atingir até 22 % de proteína bruta. é importante o fornecimento de volumosos de boa qualidade com o intuito de proporcionar aos animais condições de adquirirem o peso de reprodução ou de abate mais precocemente.45 0.43 1.5:1. a depender do peso vivo da matriz. 9º ao 11º dia: 50 % de leite de cabra e 50 % de leite de vaca.41 2. Ao utilizar leite de vaca a substituição deve ser gradual seguindo as seguintes proporções: 6º ao 11º dia: duas partes de leite de cabra / uma parte de leite de vaca.79 1. 2009 . Os animais criados em confinamento. CABRAS EM FINAL DE GESTAÇÃO No terço final da prenhez ocorre uma redução de 20% no consumo de matéria seca. proteína bruta (PB).47 NDT (g) 275 426 561 PB (g) 51 67 79 Ca (g) 2.21 1.1981). Tabela 1. Se for oferecido antes do 28º dia pode causar sérios problemas de distúrbios digestivos. Por outro lado. quando o animal já estiver ruminando.0 a 2. 1 Peso vivo (kg) 10 20 30 1 MS (kg) 0. Quando se usa leite de soja ou produtos comerciais contendo soja. a desmama pode ser realizada a partir de três semanas de idade. levando o animal à morte. Com estes cuidados evitam-se distúrbios digestivos.

97 1.5 9. PV = Peso Vivo (kg). que necessitam ingerir grandes quantidades de alimentos concentrados.3 5.4 2.305 PL onde. nutrientes digestíveis totais (NDT).0 7.8 4.0 6. com relatos de consumo que chegam a atingir 8 % do PV.0 3.4 5.52 6.0 8.59 1.0 13. As equações podem considerar diversos fatores.1 2. 2009 273 .0 3.0 P (g) 2. até 5 % para animais de alta produção. IMS = Ingestão de MS (g dia-1). proteína bruta (PB).4 1.0 2.42 6.5 7. com a ração total contendo no mínimo 28 % de FDN. cálcio (Ca) e fósforo (P) para cabras gestando dois fetos.34 1. Segundo o INRA (1990) a demanda de nutrientes para produção de leite deve obedecer à regra apresentada na Tabela 4. de forma direta.60 1.40 6. o cálculo da IMS deve ser feito a partir da seguinte equação: IMS = 0.062 PV 0. Peso vivo (kg) 30 40 50 60 70 1 ED (Mcal)¹ 1.0 % do peso vivo (PV) em animais de baixa exigência.58 4. Tabela 3.09 1. CABRAS EM LACTAÇÃO Apesar da ingestão de matéria seca (IMS) poder variar a cada dia.01 NDT (g) 362 448 530 608 682 PB (g) 51 63 75 86 96 Ca (g) 2.0 3.33 1. Tópicos em Ciências Agrárias.0 6.75 + 0. Exigências de nutrientes para mantença.00 4. Fonte: adaptado do NRC (1981).0 10. 1981). do peso vivo e da produção de leite da cabra. PL = Produção de leite (kg dia-1) com 3.0 8.1 3. v.8 Mcal = megacalorias.62 NDT(g) 816 1141 932 1268 1027 1363 1114 1454 1458 1504 PB(g) 159 215 173 235 187 253 200 273 212 293 Ca (g) 5. UFRB.07 0. Peso vivo (kg) 40 Gestação (mês) 4° 5° 4° 5° 4° 5° 4° 5° 4° 5° MS(kg) 1. As Tabelas 3 e 4 possibilitam estimar as quantidades de alimentos e de nutrientes a serem fornecidos para produção de leite.10 5.98 2. nos dois últimos meses de prenhez.20 1.5 4.21 1.7 3. dentre os quais se destacam o peso metabólico ou apenas o peso vivo e o nível de produção de leite. incluindo os requerimentos de mantença (adaptado do NRC.02 4. A IMS varia de 1.4 2.59 5. existem equações que permitem calcular o provável consumo de matéria seca (MS) para situações específicas.0 11.90 6.47 1.46 ED (Mcal)¹ 3. 1. pelo menos 1/3 da IMS deve ser de feno não picado ou forragem verde.5 % de gordura Para animais de alta produção.0 4.5 a 2.62 3. A demanda de nutrientes para produção de leite depende.0 P (g) 1. Exigências de matéria seca (MS).5 3.Tabela 2.1 2.0 50 60 70 80 1 Mcal = megacalorias. Segundo o AFRC (1993). devese atentar para o consumo de fibra em detergente neutro (FDN) fisicamente efetiva. energia digestiva (ED). Para atender às exigências de FDN fisicamente efetiva.

(1996). A alimentação de cabras leiteiras deve seguir um programa baseado na qualidade dos alimentos volumosos disponíveis. é necessário que a forragem dessas espécies esteja ao alcance dos animais. É recomendável que a alimentação seja individual. feno de boa qualidade. Tipo de forragem Gramíneas (%) Dicotiledôneas herbáceas Brotos e folhas Fonte: Pfister.2 Dezembro 1. como também foi constatada por Araújo Filho et al. as principais espécies lenhosas que compõem a vegetação da caatinga e os seus graus de aceitabilidade por caprinos (Oliveira. e Zertuche.8 Junho 1. citado por Azevedo (s. Eles consomem mais brotos e folhas de árvores e arbustos e dicotiledôneas herbáceas do que gramíneas. 1990).3 Outubro 2. manifestando suas preferências.7 34. Para o tipo de volumoso pobre é necessária a suplementação com ração concentrada para todas as categorias de animais.0 4. O volumoso do tipo médio é formado por pasto maduro. Fevereiro 37. 1990). conseguiram uma melhora do ganho de peso diário de caprinos. citados por Huss (1972).5 PREFERÊNCIA ALIMENTAR E USO DE VOLUMOSOS Com relação à preferência alimentar.5 4. somente cabras em lactação e cabritos em crescimento recebem suplementação de ração concentrada. os caprinos são pastejadores seletivos. que determinam o teor dos nutrientes e a quantidade de concentrados a serem oferecidos de conformidade com as necessidades de mantença e produção dos animais. quando aumentaram a acessibilidade e a produção de forragem pelo corte da vegetação arbustiva.3 68. Quando se utiliza este tipo de volumoso. Tabela 5.1 24. Demanda de nutrientes para produção de leite em função das exigências de mantença (adaptado de INRA.).0 2. Produção de leite (kg dia-1) 2 3 4 5 6 7 Múltiplo da exigência de mantença 2. c) pobre e d) muito pobre. silagem ou feno de boa qualidade.6 26. com elevada percentagem de leguminosas.4 67. mostrando preferências por espécies forrageiras e por determinadas partes das plantas. b) médio. em diferentes meses do ano. 2009 . Contudo. para que possam se alimentar adequadamente. Variações da composição botânica nas dietas de caprinos. De acordo com a composição em nutrientes. deve-se suplementar ração concentrada para cabras em final de gestação. essas preferências variam conforme a época do ano (Tabela 5). pode ser fornecida em cochos coletivos desde que haja disponibilidade de canzis para contenção dos animais. em lactação e cabritos em crescimento. silagem ou feno de gramíneas pobres com teor de proteína bruta de 5 a 10 % na matéria seca. v.0 3. Embrater (1984) classifica os volumosos em quatro tipos: a) rico. 274 Tópicos em Ciências Agrárias. 1. Contudo. UFRB. apresentando teor de proteína bruta de 10 a 14 % na matéria seca. Tabela 4. O volumoso pobre é formado por pasto em início de maturação.6 A Tabela 6 exemplifica.A Tabela 4 demonstra que as cabras devem ser alimentadas segundo sua produção. Huss et al.3 59. com algumas leguminosas. O tipo rico é aquele constituído de pasto verde em crescimento. apresentando teor de proteína bruta na matéria seca acima de 14 %. Ao utilizar este tipo de volumoso.8 22.5 3.1 28. d. Contudo.

ou seja. O tipo de volumoso muito pobre é formado por pasto maduro. neste caso. como pasto para ruminantes. foram apresentadas por Garcia (1986). ++ = média. Tópicos em Ciências Agrárias. melaço ou mandioca para se obter bons resultados. Principais espécies lenhosas da caatinga e graus de aceitabilidade por caprinos. Fonte: adaptado de Oliveira (1990). tanto herbáceas como arbustivas. a suplementação concentrada é necessária até para manter o peso vivo dos animais. essa prática ainda está muito reduzida. pode ser usada em até 3 % deste ou até 1 % da matéria seca total da ração. também. 1989). Seu uso na alimentação de caprinos. de baixa qualidade. A uréia pode ser fornecida. +++ = alta. São realizados plantios de áreas exclusivamente com leguminosas. produção de forragem e utilização do guandu (Cajanus cajan) e leucena (Leucaena leucocephala). v. Com este tipo de volumoso. cana picada. provavelmente devido à dificuldade de acesso às informações provenientes da pesquisa. entretanto o consumo deve ser limitado. conhecidos por “bancos de proteínas” ou “legumineiras”. falta de sementes idôneas para o plantio das leguminosas recomendadas e a outros fatores. 40 g 100 kg-1 de peso vivo/animal/dia (Teixeira. Com relação ao concentrado. PASTAGEM DE LEGUMINOSAS As leguminosas se constituem em importante fonte de proteínas para os ruminantes. a uréia é recomendada para caprinos adultos ao nível de até 30 % do nitrogênio total da dieta.Tabela 6. ou plantios em faixas nas pastagens de gramíneas. UFRB. No caso dos caprinos é recomendável a utilização de espécies perenes. com teor de proteína bruta inferior a 5 % na matéria seca. apresentando uma orientação geral de manejo. A fim de se evitar intoxicação dos animais. deve-se incorporar à mistura fontes de carboidratos como o milho. Algumas das leguminosas recomendadas são apreciadas pelos caprinos (Tabela 6). USO DA URÉIA A utilização da uréia em mistura com alimentos para caprinos deve ser feita observando-se as mesmas normas preconizadas para os bovinos e respeitando-se sempre o nível máximo de uréia na mistura. 1. requer que se faça uma adaptação gradativa para prevenir intoxicação e para que haja um bom aproveitamento (Tabela 7). (1989) recomendam algumas espécies de leguminosas nativas e exóticas para formação de pastagens. silagem ou feno. Importantes informações sobre o valor nutritivo. na proporção de 5 % da mistura. 2009 275 . Costa et al. Informações sobre a produção de leite em caprinos alimentados com níveis crescentes de uréia foram apresentadas por Santos & Bose (1985). contudo. Outra forma de uso da uréia é em mistura com o sal. Contudo. em mistura com melaço. Nome vulgar Sabiá Marmeleiro Mofumbo Jurema preta Jurema branca Pau branco Catingueira Juazeiro Pereiro Pau mocó Aroeira Imburana Melosa Mororó Jucazeiro Nome científico Mimosa caesalpiniaefolia Croton hemiagyreus Cobretum leprosum Mimosa nigra Pithecolobium dumosum Auxema onconcalyz Caesalpinia pyramidalis Ziziphus joazeiro Aspidosperma pririfolium Luetzelburgia auriculata Astromium urundeuva Bursera leptophloeos Ruelia asperula Bauhinia forficata Caesalpinia ferrea Aceitabilidade +++ + + ++ ++ + ++ +++ + ++ + + +++ +++ ++ Legenda: + = baixa.

Brasília: EMBRATER. Revista da Sociedade Brasileira de Zootecnia. João Pessoa. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE PASTAGENS. p.. Nutrição de caprinos e ovinos no Nordeste do Brasil. Proceedings. J. 1990. Alimentos e Alimentação. e SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA PASTAGEM.Agricultural and Food Research Council. da. Esquema de adaptação de caprinos à uréia. COSTA. E. 1972. 1986.]. p. A. ed. A.. n. B. 331-338.) 10 a 12. Nova Odessa. Produção de leite em caprinos alimentados com níveis crescentes de uréia. Piracicaba: FEALQ. Brasília: Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior. Ceará. C. 1985. 276 Tópicos em Ciências Agrárias. Madrid: MundiPrensa.National Research Council. v. 1986..0 Quantidade (g 100 kg de P. M. V. de. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará. 1986. Alimentación de bovinos. 2009 . R. Boletim de Indústria Animal. A.. [s. E. G. D.. Pró Reitoria de Extensão. M. Manejo alimentar de caprinos e ovinos. A. Banco de proteína. Energy and protein requirements of ruminants. 1989. J. p. 3. R. AN INTERNATIONAL SYMPOSIUM. 1990. 94-107. Anais. n.79-99.0 1. S. Criação de cabras leiteiras. MENDONÇA. 27 p. et al. LEITE. E. de. 321p.5 20 a 25 30 a 37. Nutrient requirements of goats: angora. Piracicaba. 8. Forrageiras arbóreas e suculentas para formação de pastagens. 24 p. 599).. 1984. INRA . ARAÚJO FILHO. 1989. Quantidade no concentrado (%) 0.5 2. R.. p. OLIVEIRA.). 432p. v. v. Composição botânica e química da dieta de ovinos e caprinos em pastoreio combinado na região dos Inhamuns. A. jan-jun. Washington: National Academy Press.V. BOSE. 1. 1. Ogden: USDA Forest Service. 159p. SANTOS. In: SIMPÓSIO NORDESTINO DE ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES.Tabela 7. Viçosa.5 1. de. R. NRC . A. UFRB. 243 p. Anais . 1990. ovinos y caprinos. 1971. AZEVEDO. L. J. GARCIA. dos. 2ª. maio/junho. EMBRATER. GADELHA. 1993. Logan. 91p. 1981. L. Goat response to use of shrubs as forage. HUSS. 42. d. CALAZANS. (Coleção mossoroense série B. M. dairy and meat goats in temperate and tropical countries. In: Wildland shrubs their biology and utilization. d. 383-395. Wallingford: CAB International.5 40 -1 REFERÊNCIAS AFRC . 11-30. TEIXEIRA... João Pessoa: Sociedade Nordestina de Produção Animal.1996. L.Institut National de la Recherche Agronomique.. 25. Período 1ª semana 2ª semana 3ª semana 4ª semana Fonte: adaptado de Azevedo (s. Mossoró: Escola Superior de Agricultura de Mossoró. 3. p.

CAPÍTULO 21 DESENVOLVIMENTO REGIONAL E A COMPETITIVIDADE DO AGRONEGÓCIO: ESTUDOS DE CLUSTER Warli Anjos de Souza Tópicos em Ciências Agrárias .

Marshall notou que a aglomeração de firmas. O Conceito de Cluster Cluster é um termo recente na literatura das ciências sociais. fácil acesso aos fornecedores de insumos e serviços especializados e a rápida disseminação de novos conhecimentos (tecnologias). envolvidas em atividades similares e relacionadas. Isto é. E-mail: warli@ufrb. porque um agrupamento de empresas poderia auxiliá-las. As economias externas explicam o crescimento dos clusters industriais contemporâneos e é por isso que Tópicos em Ciências Agrárias. que procura medir o desempenho econômico. Marshall (1920) já havia demonstrado. os pólos de desenvolvimento localizados. A delimitação conceitual do termo cluster permite compreender o seu significado para o estabelecimento da competitividade local. Os estudos de cluster têm revelado as premissas para atingir o melhor equilíbrio no desenvolvimento interno. O texto está dividido em duas seções: uma fundamentação teórica sobre cluster e uma metodologia alternativa para a pesquisa. UFRB. Portanto. Neste sentido. suprimentos ou suporte fundamental. nesta abordagem. 2009 279 . os impactos ambientais e sociais da aglomeração.br INTRODUÇÃO Este capítulo consiste em apresentar os aspectos conceituais relacionados ao termo cluster e sua conexão com desenvolvimento regional e a competitividade local do agronegócio. Embora o termo seja recente.edu. Ambientais e Biológicas/UFRB. A ênfase é dada às investigações das questões associadas à competitividade local. isto é. a competirem. especialmente as pequenas empresas. a competitividade é abordada a partir de uma leitura multidisciplinar. busca identificar aquelas atividades que orientam o cluster para exportação. políticos. A metodologia busca analisar a competitividade da agroindústria regional numa concepção de desenvolvimento integrado do cluster. microeconômicos. que definem as atividades-chave do cluster. Um roteiro metodológico é sugerido para conduzir pesquisas de arranjos produtivos locais na forma de estudos de caso de cadeias agroindustriais selecionadas em determinada região. formando grandes aglomerados interativos. a elaboração de um plano de desenvolvimento local tem como roteiro inicial identificar as questões que devem orientar a prática da construção da competitividade com base nessa multiplicidade de fatores. gerava economias externas. Em conformidade com Haddad (1999). que alcançaram um dinamismo competitivo e tecnológico. nas suas três dimensões: social. sociais. em Princípios de Economia. econômica e ambiental. através da concentração geográfica de indústrias pertencentes à mesma cadeia produtiva e da participação em ações conjuntas de interesses comuns. DESENVOLVIMENTO REGIONAL. esta abordagem utiliza o conceito de cluster para a análise de problemas de desenvolvimento dirigidos à agroindústria regional. v. Evidencia-se nesta exposição que o processo de aglomeração não é apenas uma conseqüência da globalização e das vantagens das empresas localizadas nos clusters. institucionais e ambientais. Compreendido o fenômeno local. Cruz das Almas-BA. em decorrência da abertura da economia brasileira para uma integração competitiva em escala global. Essas vantagens incluíam um grupo de trabalhadores especializados.DESENVOLVIMENTO REGIONAL E A COMPETITIVIDADE DO AGRONEGÓCIO: ESTUDOS DE CLUSTER Warli Anjos de Souza1 1 Professor . são apresentadas também as condições necessárias e suficientes que complementam a explicação para o surgimento de um cluster ou agricluster numa região ou país. Adicionalmente. COMPETITIVIDADE LOCAL E CLUSTERS A competitividade local é a base onde se assenta a interiorização do desenvolvimento e requer uma compreensão multidisciplinar. diminuindo os custos de produtores. na integração de diferentes atores e atividades. pois o fenômeno envolve aspectos macroeconômicos. que surgiu para denominar alguns setores bem sucedidos da economia mundial. expressas na redução dos custos de coordenação e na melhoria da eficiência e da inovação tecnológica da agroindústria.Centro de Ciências Agrárias. 1. Assim. o que se busca com o desenvolvimento regional é a competitividade dinâmica de empresas e regiões. as condições necessárias ao desenvolvimento configuram-se na construção de redes (networks).

Os clusters são pesquisados. As alternativas implementadas dentro de um setor levam ao aumento da produtividade. serviços e instituições voltadas para o setor. Tendler & Amorim. Essa visão contemplada pelo cluster traz a valorização da importância da sinergia entre as indústrias. técnico ou humano). por exemplo. não são suficientes para explicar o desenvolvimento de um cluster. Rabellotti. Assim. 1999).o trabalho de Marshall. 1996) e Inovação Tecnológica (Braczyk et al. visto que ao desenvolver ações em conjunto os resultados obtidos superam o que individualmente seria inviável em seus múltiplos aspectos (financeiro. A ação coletiva é apresentada em diversos relatórios de pesquisas sobre clusters industriais em países avançados e em desenvolvimento. Cooperação produtiva e ou tecnológica são estimuladas a partir de um processo de interação local que viabiliza o aumento da eficiência produtiva. 1998). Schmitz & Nadvi (1999) têm a definição mais simples para clusters: são concentrações espacial e setorial de firmas.. especialmente. existe uma força de ação coletiva na tomada de decisões. O autor destaca que toda análise de cluster focaliza-se nos insumos críticos que as empresas necessitam para serem dinamicamente competitivas. equipamento. é uma referência padrão nesta nova literatura (Schmitz & Nadvi. Podem se estender verticalmente e horizontalmente na cadeia produtiva. o que permite explorar diversas economias de aglomeração. o alcance de matéria-prima. Gestão de Negócios (Porter. em diversas ciências sociais. informação. máquinas. definido como a vantagem competitiva. Porter (1999) define cluster como concentrações geográficas de companhias e instituições num setor específico que englobam uma gama de empresas e outras entidades importantes para a competição. Isso ocorre em razão da pulverização não só dos recursos financeiros. fornecedores de matéria-prima. Humphrey & Schmitz. a partir da qual são geradas externalidades produtivas e tecnológicas. Todos os conceitos de cluster apresentados referem-se à emergência de uma concentração geográfica e setorial de empresas. A integração de uma cadeia produtiva passa a ser vista não só pela dependência entre as partes. instituições de pesquisa. 1998. criticam a literatura específica de clusters que considera que a centralização de atividades em uma região surge somente em conseqüência da globalização e devido às vantagens das empresas que estão localizadas nos clusters. que é preciso verificar as 280 Tópicos em Ciências Agrárias. Os autores argumentam que existem outras abordagens que complementam e explicam algumas características particulares do fenômeno e. O conceito de cluster remete as pesquisas a identificarem atividades produtivas e inovadoras. UFRB. na acepção marshalliana. 1990. Ciências Regionais (Scott. especificamente. Cooke & Morgan. componentes. com base em diversas pesquisas. do final do século XIX. produtos e serviços mais qualitativos e até inovados. 1998. mão-de-obra. os conceitos de cluster evidenciam a concentração espacial de empresas em ativa conexão. publicados na década de 1990 (Brusco. em algumas linhas de pesquisa da Economia Regional (Krugman. maquinários. v. de forma significativa. Entretanto. O recorte analítico baseado no conceito de cluster ressalta também os impactos das articulações entre agentes em termos de geração de efeitos de aprendizado e da dinamização do processo inovador em escala local ou regional. vantagens de redução dos custos de coordenação que melhoram a eficiência e a inovação. 1998). derivado de economias externas (efeitos incidentais) e da ação coletiva (efeitos deliberativos). mas pela visão sistêmica de que o todo é mais que a soma das partes. A ação conjunta e a integração dos agentes econômicos aos arranjos produtivos permitem a emergência das vantagens competitivas no nível industrial para uma região. 1991). e geralmente incluem: empresas de produção especializada. gerando um ambiente propício à elevação da competitividade dos agentes. 1997. surge o conceito de eficiência coletiva. 2009 . as economias externas. instituições públicas e privadas de suporte fundamental. Esses estudos caracterizam-se por um enfoque nas empresas como entidades em interação e por uma ênfase nos fatores locais para a competitividade em mercados globais. Haddad (1999) caracteriza cluster como indústrias e instituições que apresentam conexões entre si. integradas ao espaço e as vantagens de proximidade das empresas. 1. através da integração das empresas. A importância de um cluster está em viabilizar ações que permitam enfrentar e criar alternativas para as empresas face à concorrência desenfreada que a globalização de mercado impõe aos diversos setores da economia. O processo de formação de cluster Steinle & Schiele (2002). empresas prestadoras de serviços. mas dos riscos e da não necessidade de multiplicidade de esforços por parte das indústrias do setor. Um cluster se desenvolve para criar capacidades produtivas especializadas dentro de uma região e como conseqüência promove o seu desenvolvimento econômico social e ambiental. pois possibilita. incluindo. empresas fornecedoras. ainda. 1996). Assim. Podem ser citadas. Adiconalmente às economias externas incidentais. horizontais e verticais.

condições necessárias e suficientes para a clusterização. A abordagem francesa. 1991. como o fenômeno de formação de um cluster é um fenômeno multidimensional. afirma-se que a harmonização de mercados internacionais e a redução dos custos de transporte. paradoxalmente. Amendoa et al. que têm se dedicado à analise das cadeias internacionais de commodity. 1990) é o conceito que tende a dominar a discussão sobre competitividade induzida pela inovação. o melhor potencial de formação de um agricluster. o desenvolvimento de um agricluster requer também o estabelecimento de algumas condições. 1992.. tem dado mais ênfase. Freeman. Em síntese. Em outras palavras. seus membros não mostram qualquer interação entre eles. Steinle & Schiele (2002) explicam porque as empresas obtêm vantagens de se localizarem próximas das outras. Beccattini. os clusters oferecem vantagens competitivas. 1998. Archibugi & Pianta. estudos da teoria da inovação tecnológica levaram a uma volta à teoria de sistemas de manufatura e inovação genuinamente nacional (Lundvall. 1991). Isaksen. 1999). Um cluster inovativo. Os clusters surgem como aglomerações setoriais localizadas de organizações sinérgicas que podem permitir um desempenho superior das empresas. De diferentes perspectivas. Se existem vantagens de proximidade. alguns trabalhos. e sim ao poder de inovação tecnológica das regiões (Aydalot & Keeble. Mas é preciso considerar que o fenômeno de formação de um cluster é um processo de desenvolvimento de sistemas que criam valor local. por outro lado. têm aumentado a importância do ambiente próximo das empresas (Gertler. como aquelas centradas exclusivamente nas matérias primas e como tal. Assim aglomerações ao acaso são excluídas da análise. para os autores. 2009 281 . Para Steinle & Schiele (2002). Em outra direção. 1995). 1997). Centralização como uma conseqüência da globalização Em indústrias sujeitas ao processo de formação de cluster. àquelas estritamente domésticas ou àquelas que produzem bens não tradeables. redes de negócios cooperativos. apresentam num nível interindustrial. A crítica a este modelo é que ele não se ajusta às industrias centradas em matérias primas. clusters inovativos não são simples concentração de agentes econômicos independentes. como fator central para o sucesso de uma indústria. antes de tudo. 1992. tornam claro. v. não se desenvolve de forma automática. Capello. estudos com robusto suporte estatístico. elas podem indicar. existem determinantes para sua gênese e processo evolutivo. é preciso verificar as condições necessárias e suficientes para a clusterização. UFRB. a velocidade deste processo. Outro caso específico é o das pesquisas que aprofundam o entendimento da interação dentro de sistemas que criam valores. que nem todas as indústrias são igualmente afetadas pelo processo de formação de um cluster. A globalização acelerou. De fato. devido à interação como um clube. têm confirmado a suposição que a globalização freqüentemente significa centralização. mostram produtos que resistem à globalização da produção (Hopkins & Wallerstien. 1992. ou seja. Assim. por meio de negócios eletrônicos. Ou seja. Ao invés de espalhar-se pelo globo. Condições para clusterização As seis condições focalizadas por Steinle & Schiele (2002) aplicam-se à indústria em geral. requer uma abordagem integrativa. Nesse sentido. 1999). Sobre a influência da abordagem de analyse de filière. 1997. 1994). uma vez que eles oferecem explicações sobre como os membros de sistemas multiorganizacionais ajustam seus comportamentos aos dos outros. mas. as diversas abordagens expostas aqui. também. o modelo do diamante da vantagem competitiva (Porter. Estas pesquisas estão dirigidas para clusters desenvolvidos. apenas a literatura com uma referência explícita em clusters não é suficiente para entender o fenômeno. Furtado. Isto se torna mais evidente quando se deseja entender as condições para a aglomeração. Tópicos em Ciências Agrárias. não à eficiência na redução do custo. Patel & Vega. 1. empresas similares tendem a agruparem-se em nações específicas ou mesmo regiões (Patel & Pavitt. provavelmente. Diversos estudos apontam que a maior eficiência dessas aglomerações deve-se à flexibilidade da especialização (Brusco 1982. 1995. Vantagens das empresas localizadas nos clusters A redução dos custos de coordenação do sistema traduz-se em vantagens para as empresas promovendo a eficiência e a inovação.

Lazerson. As duas primeiras condições suficientes delineadas por Richardson (1972) distinguem atividades complementares (cadeia de valor) de atividades similares (competências similares). c) Inovação em rede As inovações em rede são vistas como um motor para a aglomeração. Tal situação é típica de um sistema que cria valor muito fragmentado em consequência. diversos produtos intermedários surgem simultaneamente. Inventor inovador: Ator predominante no século XIX. mais a eficiência da sua cooperação torna-se um fator de sucesso. Independente de inovações radicais ou incrementais estarem presentes. a fragmentação do processo de produção. a localização de seus fornecedores é determinada pelo local de seus consumidores. 1. e. 1995). Uma invenção leva a um produto radicalmente novo. Outra razão para a segmentação da cadeia de valor reside nas diferenças de lucratividade dos seus segmentos. a evolução do processo de inovação pode ser distinguida em três fases: 1ª. v. formas alternativas de coordenação precisam ser evidenciadas (Brusco. O número de interfaces aumenta. verifica-se agora. Se os suprimentos são difíceis de transportar. há complementaridade de competências. Em conseqüência. isto conduz a uma forma integrada de organização. inovações de laboratório e inovações em rede é útil para entender a propensão ao processo de formação de cluster devido a inovação induzida por uma indústria. depende de sua divisibilidade técnica (Piore & Sabel. o desafio da coordenação é acentuado. UFRB. freqüentemente comercializado pelo próprio inventor inovador que é um empreendedor. 2009 . as quatro condições suficientes que estão relacionadas com a coordenação flexível dos seus distintos e diversos atores. 2ª. Condições suficientes Estabelecidas as duas condições necessárias para emergência de um cluster. Por razões de natureza técnica. entretanto. cada um focalizado em diferentes competências. A presença de complementaridade mais o conhecimento dissimilar em um sistema de criação de valor. 1984). a necessidade de proximidade durante a fase de produção aumenta.Condições necessárias Compreendem duas condições relacionadas à divisibilidade do processo de produção e à possibilidade de transporte do produto. pode ser considerado como outra condição suficiente para o processo de formação de um cluster. a distinção entre inovações do próprio inventor. ou se a indústria está em formação ou na sua maturidade. as chances para o processo de formação de cluster se acentuam. É a possibilidade de dividir o processo de produção em diversas etapas distintas que permite a especialização. Quanto mais a complementaridade entre os atores contribuir para o processo de inovação e quanto menor for o tempo disponível para sua coordenação. mais sua competitividade depende da complementaridade dos atores e mais importante torna-se a organização do seu ambiente. Genet. a) Cadeia de valor longa Esta condição diz respeito à coordenação dos múltiplos componentes que irão formar um produto final. Quanto mais especializada uma organização. Enquanto o poder amplo da inovação é usualmente atribuído aos clusters (Baptista & Swann. surge o problema de coordenação dos diversos parceiros. b) Diversidade de competências O aspecto principal desta condição é que embora seja múltipla e dissimilar. mais desafios para uma única empresa liderar a todos. É preciso distinguir o produto final de seus componentes. não existe consenso sobre o tipo de inovação que particularmente promove o processo de formação de cluster. 1982. 1998). Os produtos do cluster têm que ser transportáveis (Lazerson. Pesquisa e desenvolvimento em grandes centros: Especialistas reunidos em departamentos distintos promovem as 282 Tópicos em Ciências Agrárias. em conseqüência. Ou seja. Richardson (1972) refere-se à similaridade entre essas atividades: quanto mais distinta as competências em uma cadeia de valor. enquanto o produto final pode ser facilmente exportado. Como conseqüência. 1997). Se o produto não pode ser deslocado. Com base em Freeman (1995). 1995.

num horizonte de longo prazo. Tópicos em Ciências Agrárias. 2002). espera-se que em tal indústria este fenômeno favoreça a formação de um cluster. A sensibilidade ao tempo em um determinado mercado promove uma redução no controle dos produtores em reação à demanda e ajuda. que amplia o espaço da concorrência internacional. melhorando um produto existente ou processo ou mesmo criando um novo. no caso do fenômeno aplicar-se a um conjunto de indústrias. Num segundo momento. com maior acuidade. com os determinantes da demanda final. no caso de mercados voláteis. as condições para o surgimento do cluster permitem planejar uma política industrial e regional para pré-selecionar. num primeiro momento. Estas vantagens. os recursos naturais de uma região mudam com a dinâmica do crescimento econômico. mas requer a cooperação de diversas organizações. A necessidade de uma coordenação eficiente torna-se vital. agroindústria e desenvolvimento regional Delimitar um sistema agroindustrial regional competitivo e dinâmico. em seus laboratórios. a meta industrial. no processo de formação de um cluster em uma região ou país. Isto ocorre porque a empresa passa a monitorar como o cluster vem se estabelecendo e como ela poderia lucrar a partir desta evolução. Num terceiro momento. Haddad (1999) também identifica as vantagens competitivas dinâmicas da agroindústria de uma região. 1. Inovação em rede: Trata-se de um novo modelo que tem a possibilidade de se tornar predominante. em determinado período de tempo. na utilização dos recursos naturais do ecossistema de forma predatória. Adicionalmente. Por exemplo. Cluster. é preciso distinguir as vantagens econômicas espúrias das vantagens competitivas dinâmicas. precisam apresentar vantagens competitivas para poder desencadear o processo de desenvolvimento. Nem todas as indústrias estão presentes de forma simultânea. As vantagens competitivas espúrias apresentam como característica principal a insustentabilidade. por outro lado. é a condição essencial para desencadear o processo de desenvolvimento de uma região. com competências distintas. Tais vantagens baseiam-se exclusivamente em incentivos fiscais e financeiros recorrentes. combinam suas habilidades. como no caso de um laboratório ou centro de pesquisa tradicional. pela pressão da concorrência interregional. uma empresa em particular tornar-se um membro do cluster. no longo prazo. no médio prazo. Finalmente. em termos de preço e qualidade. Se todas ou a maioria destas características aplicam-se a uma indústria. o estoque dos recursos naturais são requeridos pela economia nacional para atender às demandas interna e externa. UFRB. devido à proximidade dos atores na cadeia de valor. particularmente os aduaneiros. os municípios e localidades de uma região com custos de transportes e impostos. A inovação em rede não é uma nova invenção radical para um uso prático. se assentam sobre os recursos naturais de uma região e de sua posição relativa a outras regiões do país e do exterior. cada vez mais declinantes. Se o desenvolvimento de uma indústria é dirigido por inovações em rede. 3ª. 2009 283 . para Haddad (1999). e por diversos trabalhos empíricos (Steinle & Schiele. De forma mais sistemática que a fase anterior. por esta razão. Em oposição. de qualquer natureza e em qualquer escala produtiva. As vantagens da coordenação. transformam-se em vantagens competitivas. seus atores teriam conhecimento da sua existência. v. A inovação em rede ocorre quando atores diferentes. Neste ponto. d) Volatilidade de mercado Condição entendida como a recompensa aos atores do sistema pela adaptação flexível. modificações da economia alteram a composição e a dimensão do estoque. os pesquisadores. específicas de cada região. de um lado. num contexto de comércio exterior desregulamentado. como no caso de um empreendedor inventor. melhoraram os processo existentes. a desenvolver um cluster. pela crescente integração global. ou seja. Isto se explica. Nem tão pouco se trata de um aperfeiçoamento das competências existentes. a sobrevivência de atividades econômicas. mas. uma inovação em rede pode acontecer sem o planejamento. como a primeira etapa para delimitar um sistema produtivo regional. Isto é. Segundo Haddad (1999). medidas de uma rede regional ou outras formas de desenvolvimento de cluster. Diferente de um bem organizado centro de pesquisa e desenvolvimento. numa região que não disponha dessa competitividade dinâmica é muito pequena ou inviável. a dedução das seis condições para clusterização permite o teste de sua precisão pela avaliação transversal destas condições com estudos de casos. na sobre-exploração da mão-de-obra ou na informalidade e na clandestinidade de suas operações. como aquelas capazes de resistirem aos processos de globalização e de integração da economia nacional.invenções de laboratório. se a velocidade da reação dos agentes é grande. O mercado requer reações rápidas às imprevisíveis mudanças na demanda dos consumidores (volatilidade de mercado).

certificado ISO 14000 entre outros. maior será a dimensão do seu mercado interno. v. o enfoque é dado na sua compreensão em nível mais aprofundado. Devido às argumentações já discutidas na seção anterior. social e ambiental. manutenção técnica etc) requeridos pelas empresas. 1. quanto maior o nível de produtividade. para suprimento e para suporte fundamental. potencial poluição ambiental. 284 Tópicos em Ciências Agrárias. O frágil sistema produtivo pode apresentar problemas de degradação ambiental que podem conduzir a uma queda intensa da capacidade produtiva dos recursos naturais. às inovações tecnológicas adotadas no processo de comercialização e outros. ambos os fatores definem o conceito de cluster (aglomerados ou complexos produtivos) em atividades-chave orientadas para exportações. Assim. No estudo específico de agricluster. Estes três aspectos definem a orientação das atividades-chave do cluster para as exportações. devido a proximidade espacial. o papel da força de trabalho rural. avalia ineficiências em cada segmento da cadeia agroindustrial. oferta de serviços comunitários. estabelecer as etapas de seu desenvolvimento que. identificar necessidades de suporte fundamental. assim. devido a uma melhor oportunidade do que em outra localidade ou região. Isto significa que o valor de um recurso natural não é inerente ao material. a análise de clusters apresenta uma grande vantagem para estudar os problemas de competitividade dinâmica do agronegócio no contexto do desenvolvimento econômico. Não se busca determinar a incidência de um dado fenômeno no seu universo. o conceito de potencialidade não é físico e sim econômico. aos custos de produção e de transporte. o autor mostra que os serviços de suporte empresarial (contabilidade de custos. no caso específico da definição de cluster para análise da competitividade das agroindústrias. a partir de seus recursos naturais. geram economias de aglomeração e externalidades e. apresenta uma tríplice leitura: desempenho econômico. especialização. Estudo de caso Este método de pesquisa tem um caráter mais qualitativo. exportações. UFRB. valor adicionado.com as condições tecnológicas de produção. esta metodologia é adequada porque alcança os setores mais dinâmicos. Em síntese. antes de tudo. Os impactos ambientais são avaliados pela emissão de resíduos tóxicos. Finalmente. incorporar custos de oportunidade e de concorrência são fundamentais nos estudos que permitem compreender o conceito de competitividade interregional. Somam-se ao problema ambiental as questões de natureza fundiária que podem conduzir a produtividade do setor agrícola para valores muito diminutos. Assim. efetividade do controle ambiental. reinvestimento entre outros. O mercado interno de uma região apresenta três determinantes fundamentais: a população regional. quanto mais bem distribuída a renda de uma região. pois seu principal objetivo é contextualizar e aprofundar o estudo do problema. permitem verificar o desempenho econômico regional: identificar as atividades produtivas do agricluster. mas. ao contrário. Especial atenção é dirigida àquelas regiões cuja atividade econômica preponderante seja a agroindústria. construir formas de cooperação público-privado. a metodologia alternativa apresentada é a análise de cluster na forma de estudos de caso. revela os sistemas de coordenação existentes e aponta os insumos críticos para a criação de capacidades produtivas especializadas numa tríplice leitura: econômica. testes de qualidade. O ponto crítico refere-se aos custos relativos. é preciso identificar uma oportunidade favorável em alguma localidade ou região que possa ser explorada. impactos ambientais e impactos sociais. pesquisa e desenvolvimento. é preciso estimar as oportunidades de investimento que surgem. Quanto maior a população. da organização do sistema produtivo e do sistema político. fluxos migratórios entre outros. porque considera todos esses elementos conceituais de forma sistêmica. suprimento e de suporte fundamental. Nesta seqüência. Para definir quais são as potencialidades de crescimento econômico de uma região. à medida que a exploração da base de recursos naturais da região permite o crescimento do seu mercado interno. e é particularmente útil neste enfoque. a concepção do desenvolvimento integrado do agricluster. crescimento. de acordo com ICF KAISER (1997). Os impactos sociais são avaliados por oportunidades de emprego para grupos sociais de baixa renda. 2009 . o desempenho econômico é avaliado pela aglomeração. a produtividade dos fatores e a concentração da renda e riqueza. desenvolver os fornecedores. torna-se necessário. de acordo com IFC KAISER (1997). vincula-se à demanda. Para Haddad (1999). Neste sentido. METODOLOGIA PARA ANÁLISE DA COMPETITIVIDADE DO AGRONEGÓCIO Entre as diversas abordagens analíticas para o estudo da competitividade local das principais cadeias agroindustriais de uma região e suas implicações para o desenvolvimento regional.

controle de qualidade. é preciso evitar que a subjetividade do pesquisador predomine no relatório. h) Desenvolvimento de cultura organizacional . assistência técnica nos diversos segmentos do cluster. infraestrutura especializada. d) Serviços de suporte empresarial . produtividade e qualidade do bem ou serviço para a região. entrepostos de comercialização. o que se procura. econômica e social. adoção de técnicas de gestão. em conseqüência. ISO 14000 (número de certificados). para garantir a confiabilidade da pesquisa. manutenção técnica. telecomunicações. Esta limitação é crítica numa situação em que o pesquisador não dispõe da capacitação suficiente e desejável para evitar os vieses potenciais que emergem. v. Para isto. A principal limitação do método de estudo de caso em pesquisa é o seu baixo rigor metodológico. é detalhar a conformação institucional desses arranjos. empregos gerados pelo cluster. do já citado baixo rigor. Os indicadores devem ser preparados por municípios relevantes. Cada indicador deve ser definido tecnicamente. indicadores de qualidade do emprego: salário médio real. um espaço caracterizado pela homogeneidade física. fortes vieses. Por se tratar de uma análise interdisciplinar. Neste caso. pressupõe: a) Delimitação da área geográfica . sazonalidade. e) Suporte fundamental . Roteiro metodológico para análise de cluster O roteiro metodológico do estudo de caso sugerido para medir a competitividade do agronegócio. este método encaixa-se bem na situação onde o fenômeno é abrangente e complexo. Uma forma de contornar este problema é realizar as generalizações analíticas com fortes bases estatísticas e dados com fontes fidedignas. segurança. f) Indicadores de desenvolvimento social da região do cluster . onde o corpo teórico é insuficiente para estabelecer relações causais e onde o fenômeno pode ser estudado fora do seu contexto sem perda de utilidade da pesquisa (Bonoma. sistemas de financiamento. nível de informatização dos setores que compõem o cluster. fontes de terceirização e subcontratação. 1985). outros. g) Indicadores ambientais . percentagem do emprego gerado pelo cluster no total da região. compactação do solo por sobre-pastejo na pecuária.Contabilidade de custos. índice de condições de Vida (ICV). com base em critérios específicos de agregação e classificação dos agentes.Para cada cluster deve ser elaborado um diagrama que mostre a estrutura do complexo produtivo. Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). formas de controle e reciclagem de resíduos.Nível de qualificação do empresariado. centros de pesquisa e universidades. Evita-se.Relacionados com a produção.Para cada cluster.Logística de transporte.O método de estudo de caso por ser mais qualitativo pressupõe que os arranjos produtivos locais podem ser associados a uma estrutura referenciada a um setor específico ou a uma região geográfica delimitada. 2009 285 . como também devem ser registradas as fontes de dados. avaliando-se os resultados gerados em termos de desempenho produtivo e tecnológico do setor investigado (Britto & Albuquerque. Assim o pesquisador pode ser conduzido a realizar generalizações que não são verdadeiras. conforme Haddad (1999). UFRB. adoção de técnicas de planejamento estratégico.Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU.Manejo de dejetos produzidos. a delimitação é realizada com base no critério de regionalização. rotatividade. o desenho da cadeia agroindustrial. ISO9000 (número de certificados). 2002). sistema educacional: qualidade e acesso. c) Aglomerados ou complexos produtivos . Ou seja. Tópicos em Ciências Agrárias. marketing rural e internacional. agências regulatórias. b) Indicadores de desempenho setorial . Tais indicadores devem ser comparados com regiões concorrentes no país e no exterior. com o uso de dados qualitativos e com a profundidade das análises. 1. qualidade dos serviços.

.Programas institucionais de treinamento. estabilização da renda agrícola e a competitividade do agricluster regional. 1. a crise fiscal e financeira do setor público e suas repercussões sobre a oferta de infra-estrutura econômica. D. P. outros. impactos distributivos da política de rendas. Para orientar trabalhos pesquisa sobre a competitividade local dos arranjos produtivos e análise de desenvolvimento regional. PADOAN. New York. isto por que a pesquisa pode revelar se a metodologia se aplica no todo ou em parte.). . outros. 286 Tópicos em Ciências Agrárias. Impactos de política monetária . efetivos (em plena maturidade) ou incipientes (cadeias produtivas decadentes ou em estágio inicial). KEEBLE.O processo de equilíbrio fiscal e financeiro do setor público e sua relação com a política monetária vigente. GUERRIERI. difusão de incentivos fiscais para promoção de desenvolvimento científico e tecnológico. combate a enfermidades que causam prejuízos diretos e indiretos ao cluster. International patterns of technological accumalation and trade. Impactos fiscais . Boston. os impactos dos processos de privatização e de concessões sobre a competitividade do agricluster no médio e longo prazo. efeitos da política cambial sobre a competitividade do agricluster. High-technology and innovative environments in Europe: an overview. de pesquisa e de ciência e tecnologia no cluster Desenvolvimento de recursos humanos especializados. (Eds. um roteiro metodológico básico é apresentado a seguir: 1. 1. 2. a eficiência da política cambial. podem ou não ser aplicados integralmente nas análises dos estudos de casos das cadeias produtivas de uma região. seus efeitos sobre o agricluster regional. AYDALOT. preços relativos dos tradeables. P. desenvolvimento de técnicas específicas para diversos ecossistemas brasileiros. que os dois esquemas metodológicos sugeridos acima. sistemas de classificação. estoques reguladores e a renda do setor agrícola. Impactos de política cambial . A decisão do pesquisador deverá estar em conformidade com o estágio atual do arranjo produtivo local. garantia de preços. apoio à organização de infra-estrutura especializada de ensino e pesquisa.C. centros de pesquisa e laboratórios especializados. inspirados nas proposições de Haddad (1999). sistemas de informação para o cluster (decisões empresariais e planejamento estratégico)..173-197. 2009 . UFRB. p. os custos financeiros como obstáculos ao desenvolvimento e expansão do agricluster. D. 3.i) Demanda e necessidade de insumos de conhecimento. v. j) Mecanismos de inserção da Embrapa e do CNPq (formas de cooperação público-privada) . 1992. 1988. e isto depende prioritariamente das cadeias se identificarem como agriclusters potenciais (cadeia de produção agroindustrial). por fim. Journal of International and Comparative Economics. 1992. a política de crédito e de financiamento das atividades do agricluster regional.. É preciso considerar. PIANTA.o sistema tributário atual e suas influências sobre o desenvolvimento do agricluster regional. The techonological specialisation of advanced countries. REFERÊNCIAS AMENDOA. 4. regularidade da oferta de tradeables face à expansão da demanda. v. P. High Technology Industry an Innovative Environments: The Europeean Experience. as propostas alternativas de novo sistema tributário e sua adequação à competitividade do agricluster regional.. programas institucionais de pesquisas. P. comportamento das taxas de juros e câmbio e o desempenho do setor. com base em Haddad (1999). Ainda é preciso referir-se na metodologia aos efeitos das políticas macroeconômicas sobre o agricluster.administração e controle de preços. D. A report to the EEC on International Science and Techonology Activities. Impacto de política de rendas . G. KEEBLE.Valorização e desvalorização do Real. In: AYDALOT. M. ARCHIBUGI.

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MUDANÇA TECNOLÓGICA E EFICIÊNCIA NA AGROPECUÁRIA DO NORDESTE DO BRASIL NO PERÍODO 1975/1995 Carlos Augusto Pereira Filho & Warli Anjos de Souza Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 22 PRODUTIVIDADE.

Ambientais e Biológicas/UFRB. Dias & Bacha. o qual permite decompor a produtividade total dos fatores nos seus componentes de eficiência técnica e mudança tecnológica. v. CES. Neste enfoque. parte-se da construção de uma fronteira tecnológica utilizando-se dados de produção e uso de fatores nas regiões brasileiras.Centro de Ciências Agrárias. 2001). Nos modelos determinísticos a eficiência técnica é dada pelo termo de erro e podem ser estimados por programação linear ou técnicas econométricas. Gomes & Dias. Warli Anjos de Souza1 1 Professor . de modo que as regiões que se situarem na fronteira são consideradas eficientes em relação às que se posicionam abaixo da fronteira. 2009 (2) 291 .edu. Cruz das Almas-BA. a produtividade parcial do insumo xi (PPF) é dada pela seguinte expressão: PPF = Y / xi (1) Define-se a produtividade total dos fatores (PTF) como o produto médio de todos os fatores de produção os quais são expressos como um índice. MUDANÇA TECNOLÓGICA E EFICIÊNCIA NA AGROPECUÁRIA DO NORDESTE DO BRASIL NO PERÍODO 1975/1995 Carlos Augusto Pereira Filho1. O presente trabalho enfoca as transformações ocorridas na agropecuária da região Nordeste do Brasil. UFRB. pressupõe-se que o termo de erro tem dois componentes: um ruído branco que representa os efeitos aleatórios sobre a produção e. Pereira et al. no que se refere ao comportamento da produtividade e da mudança técnica. nas últimas duas décadas. ignorando o efeito dos demais fatores. Na maioria destes estudos os resultados indicam que. E-mail: capfilho@ufrb. fora do controle da unidade de decisão. Na abordagem paramétrica a função de fronteira é considerada uma função paramétrica dos insumos (CobbDouglas. tem se distanciado da fronteira de produção da agropecuária brasileira. 2001. 1998. ao longo do tempo. distinguem-se os modelos determinísticos e as fronteiras estocásticas. warli@ufrb. de acordo com os métodos utilizados para estimar a função de produção. Os estudos visando analisar a eficiência a partir de fronteiras de produção podem ser agrupados. e um componente assimétrico que mede a ineficiência técnica pela distância em que se situa em Tópicos em Ciências Agrárias. Seja Y o produto e xi um insumo utilizado na produção. em duas abordagens: paramétrica e não-paramétrica. pouco se pode inferir sobre as mudanças intra-regionais na produtividade dos fatores e na tecnologia agropecuária. METODOLOGIA O conceito de produtividade está relacionado a dois componentes: produtividade parcial dos fatores e produtividade total. Utilizou-se uma abordagem não-paramétrica baseada no modelo DEA (Data Envelopment Analysis) para a construção dos índices de Malmquist.edu. ou seja.PRODUTIVIDADE. A produtividade parcial é definida pela razão produto/insumo (produtividade média) e mede a contribuição de um fator de produção particular para a eficiência técnica.. etc).br.br INTRODUÇÃO Vários trabalhos sobre a agricultura brasileira têm sido elaborados enfocando o crescimento da produtividade decorrente do ganho de eficiência técnica e do deslocamento da fronteira tecnológica (Ávila & Evenson. 1. Em geral. a PTF é dada pela seguinte expressão: PTF = Y / X = Y / Saixi Onde ai é o peso do insumo xi. Nos modelos estocásticos. a região. a região nordeste vem apresentando ineficiência na produtividade total dos fatores e deslocando regressivamente a fronteira tecnológica. Sendo X o índice de todos os insumos. Considerando-se o nível de agregação dos dados utilizados nestas análises. 1995. translog. portanto.

v.. o índice de mudança da produtividade de Malmquist orientado para produto é dado por: 292 Tópicos em Ciências Agrárias. assume-se. t+1). yt/ q) Î St] = {sup[q: (xt. Uma segunda restrição aos modelos estocásticos está relacionada ao número de observações disponíveis para as variáveis. é definida como em (4). que permitem melhorar as propriedades de aproximação da verdadeira função. Utilizando técnicas de programação linear. (3) (4) A função de distância é definida como a recíproca do máximo q. Dot+1(xt+1. (1982) com base nas funções de distância desenvolvidas por Malmquist (1953). construída como uma combinação convexa de insumos-produtos observados. o que inviabilizaria a sua aplicação em casos em que o número de graus de liberdade é reduzido. a transformação dos insumos (xt Î Rn+) em produtos (yt Î R ) é definida do seguinte modo: m + St = {(xt. qyt) Î St]}-1 onde o sub-índice o indica orientação produto. necessário para aumentar o produto yt de modo que yt/ q Î St (ou seja. para medir as contribuições do progresso tecnológico e da eficiência técnica ao crescimento da produtividade da agricultura do Nordeste do Brasil. yt) = 1 apenas se (xt. a eficiência é medida como a distância de cada firma em relação a uma fronteira de produção não-paramétrica. define-se Dot+1(xt. yt) como a máxima mudança proporcional no produto yt em relação à tecnologia no período t+1. podem ocorrer disparidades entre várias estimativas dependendo da forma funcional especificada. yt): xt pode produzir yt} Define-se a função de distância com orientação produto no período t como: Dot(xt. (1994). yt+1/ q) St] (5) A função (5) mede a máxima mudança proporcional no produto yt+1 dados os insumos xt+1. substituindose t por t+1.T). 2009 .relação ao ótimo (fronteira) e que. distinguem-se os modelos conhecidos na literatura como Data Envelopment Analysis (DEA) que utilizam dados de quantidade de insumos e produtos para obter a fronteira de produção. seja resultante de fatores comportamentais que estão sob o controle da unidade de decisão.. (1994). dado xt. Sendo St a fronteira de produção no período t (t = 1.. 1995). O índice de produtividade total dos fatores (FTP) é uma média geométrica de dois índices de produtividade de Malmquist calculados a partir de quatro funções de distância com orientação produto. Färe et al. yt+1). Para dois períodos diferentes (t. desenvolvida mais recentemente. yt) < 1 a produção no período t está no interior da fronteira e não é tecnicamente eficiente. desenvolvido por Färe et al. yt) estiver na fronteira tecnológica e a produção é tecnicamente eficiente. yt+1) = inf [q: (xt+1. UFRB. De acordo com Färe et al. A função de distância com orientação produto no período t+1. Dot(xt. O índice de produtividade de Malmquist foi proposto por Caves et al. (1994). a partir do desenvolvimento de uma abordagem não-paramétrica (Data Envelopment Analysis) para o cálculo do índice de Malmquist.. 1. resultando em erros de estimativa (Lambert & Shonkwiler. Nesta abordagem. Se Dot(xt. surgiu da necessidade de não se especificar uma forma funcional particular à função de produção. Mesmo com a utilização de formas funcionais flexíveis. De forma semelhante. sob a tecnologia no período t. A abordagem não-paramétrica. propuseram a decomposição do crescimento da produtividade em dois componentes mutuamente exclusivos: mudança relativa na eficiência técnica e deslocamento da fronteira de produção (mudança técnica) no decorrer do tempo. Neste estudo utilizou-se o índice generalizado de Malmquist. a função de distância com orientação produto é definida da seguinte forma: Dot(xt+1. a recíproca da medida de eficiência técnica relativa de Farrell). A principal restrição ao emprego dos modelos paramétricos se deve à imposição de uma forma funcional explícita aos dados que podem não corresponder à verdadeira estrutura da tecnologia de produção. yt) = inf [q: (xt.

Visando uma análise mais detalhada das causas de variação da produtividade. y t +1 . para cada estado k. y ) M 0 ( x t +1. y t =1 . k =1 K ål k =1 t k t t x k .... x t . torna-se necessário estimar os índices de eficiência técnica sob retornos variáveis à escala (RVE). y ) (6) A expressão (6) pode ser decomposta em duas partes de modo que: t t t Do+1 ( x t +1 . Fonte e descrição dos dados Os dados utilizados neste trabalho foram obtidos dos Censos Agropecuários de 1975. as seguintes funções de distância são calculadas.m k =1 K sujeito a: K t 1 t q k y k+m £ å ltk y k . y t +1 ) 1 ][ ]} 2 t t t t +1 t t Do ( x . x t . Utilizando a abordagem não-paramétrica. y t ) = {[ t t Do ( x t +1 .m .m £ å ltk y k . Dot(xt+1. m = 1. yt+1) e Dot+1(xt. y k )]-1 = max q k (8) t t t [ Do ( x k+1 . pressupondo-se retornos constantes à escala (RCE): t t t [ Do ( x k . yt+1. xt. UFRB. yt+1) e Dot+1(xt+1. yt) é o índice de mudança relativa na eficiência e T(xt+1.. y t +1 ) Do ( x t .M 0 ( x t +1 . yt+1. 1985 e 1995/96. v. y t ) = E ( x t +1 . y t ) = (7) M 0 ( x t +1 .. o índice de produtividade de Malmquist entre os períodos t e t+1 é obtido a partir de quatro funções de distância: Dot(xt.. yt+1). Tópicos em Ciências Agrárias. 2009 293 .. O índice de eficiência de escala é dado. y t =1 .n ål k =1 t k t t 1 x k . y t ). Para cada Estado..n £ x k+n .N insumos. x t . xt.. yt) é o índice de mudança tecnológica (inovação) entre os períodos t e t+1.. utilizou-se o modelo DEA para construir as fronteiras de produção para cada período e para cada tipo de tecnologia. ltk ³ 0 ltk ³ 0 Os cálculos de Dot(xt+1. y ) Do ( x . o índice de eficiência técnica pode ser decomposto em dois componentes: índice de eficiência técnica pura e índice de eficiência de escala.. yt) são similares a (8) e (9). y t ) onde E(xt+1. Dot+1(xt. de quatro problemas de programação linear. terras em descanso e terra produtivas não utilizadas). Isto é feito acrescentando-se aos problemas (8) e (9) a restrição Slk=1. y t +1 ) Do+1 ( x t +1 . y ) Do ( x . Neste estudo. Para tanto.M produtos e n = 1. respectivamente. isto implica na solução. substituindo-se t por t+1. x t .. Definindo k = 1. As seguintes variáveis foram usadas: valor total da produção agropecuária (em Reais de 1994).. terra (área total exceto matas naturais. y t =1. sob retornos constantes à escala (RCE).T períodos. mão-de-obra (pessoal ocupado total) e capital (número de tratores de 50 a menos de 100 cv) RESULTADOS E DISCUSSÃO Na Tabela 1 são apresentadas as funções de distância calculadas. yt). então.K estados. x t.n £ x k . 1. y t ) Do ( x . yt). t = 1. y t +1 . Comparando-se cada estado da região Nordeste com a fronteira tecnológica tem-se uma medida da eficiência em relação à fronteira e uma medida da mudança da fronteira (inovação ou tecnologia). y k+1 )]-1 = max q k (9) sujeito a K t t q k y k . y t =1 ) Do ( x t +1 . pela razão entre os índices de eficiência técnica calculados sob RCE e RVE...T ( x t +1 . y t ) 1 {[ t +1 t +1 t +1 ][ t +1 t t ]} 2 t Do ( x t . para a construção do índice de Malmquist..

590 0.000 1. 1985 e 1995 (*). foram decorrentes de mudança tecnológica.460 0. para cada ano considerado. períodos de 1975. UFRB.y ) D (x .157 2.000 1.000 1.y ) 1.639 0.451 0. D2(x2.000 1.613 0. Os índices de Malmquist e sua decomposição em mudança de eficiência técnica. 1.564 1.000 1. torna-se necessário o cálculo das funções de distância D1(x1. Estas funções são apresentadas na Tabela 2.493 0.500 0. sob retornos constantes à escala.697 0.433 7.000 1.965 1.531 2. médio (*) D (x .830 0.y1) < 1] e a fronteira tecnológica foi determinada pelos estados do Maranhão.000 1.y ) 1.522 0.000 1.000 1.926 D (x . Funções de distância calculadas sob retornos constantes à escala para os estados da região Nordeste do Brasil.523 0.433 1. respectivamente.y ) D (x .000 1.373 0. respectivamente. 2 e 3 indicam os anos de 1975.963 0. v.536 0.000 0.379 1.773 1.750 0. Pernambuco. períodos de 1975.021 0.000 0. Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind.883 0.775 1.000 1. 1985 e 1995*.621 0. como pode ser observado pela comparação dos índices de eficiência técnica calculados sobre RCE e RVE.000 0.246 0. 2 e 3 indicam os anos de 1975. Tabela 2. mudança tecnológica e mudança de escala são apresentados nas Tabelas 3 e 4.y ) 1.000 0. a eficiência técnica de cada estado em relação à fronteira tecnológica regional.562 0.341 0.557 1.y ) D (x .691 1. A perda de eficiência técnica no estado da Bahia.Tabela 1.915 0.645 1.000 0.y ) D (x . apenas os estados de Pernambuco.910 1.661 0.969 Os sobre índices 1.000 0.y ) 1.000 0.y ) D (x . 2009 .875 1.416 0. considerando que não houve variações nos índices de eficiência técnica1.678 0.084 1. no ano de 1975.713 1.871 0.744 0. 1985 e 1995. para os períodos de 1975/85 e 1985/95.772 1.000 0.771 0.000 1. Alagoas e Sergipe apresentaram ganhos de produtividade total dos fatores os quais. respectivamente.618 1. para os estados da região Nordeste do Brasil. Os três primeiros índices (colunas 2 a 4) da Tabela 1 permitem avaliar.y1) = 1].923 D (x .320 1.547 1.418 0.366 0.y2) e D3(x3. 1985 e 1995. Nos demais períodos (1985 e 1995) o estado da Bahia apresentou ineficiência técnica [D1(x1.608 0.694 Os sobre-índices 1.000 0.000 1.000 0.903 0. a fronteira tecnológica foi determinada pelos estados do Maranhão. decorreu da ineficiente escala de operação.y1).000 0. sob RCE. Alagoas e Bahia [D1(x1.346 0. No período 1975/85 (Tabela 3).870 0.655 1.009 3.225 0.000 1. 1 1 1 2 2 2 3 3 3 1 2 2 2 1 1 2 3 3 3 2 2 Estado Maranhão Piauí Ceará R. Para os demais estados. Funções de distância calculadas.000 0.000 1. 294 Tópicos em Ciências Agrárias. Para se decompor os índices de eficiência técnica.174 0.000 0.G.000 1. nos componentes eficiência técnica pura e eficiência de escala. Médio (*) D (x .417 0.892 1.947 1.197 0.538 1. a produtividade total dos fatores decresceu 1 Exceto para o estado de Sergipe que apresentou uma pequena perda de eficiência de escala. Pernambuco e Alagoas.y3) sob a condição de retornos variáveis à escala.G. 1 1 1 rve 2 2 2 rve 3 3 3 rve Estado Maranhão Piauí Ceará R.841 1.y ) D (x . Pode-se observar que. Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind.776 1.000 0.482 0.

000 1. Buscando-se evidências de quais Estados podem estar deslocando a fronteira tecnológica.223 1.326 1.392 1.000 1.996 1.8%).G.000 0. apenas o estado do Piauí apresentou ganhos de eficiência técnica.543 0. Para o primeiro período (1975/85) os resultados não indicam qualquer Estado que fosse responsável pelo deslocamento da fronteira técnica.561 1.453 1.326 1.392 1.993 Índice de mudança na eficiência de escala 1.104 1.831 Índice de mudança na eficiência técnica total 1.929 0. evidencia progresso técnico). Índices de mudanças relativas na eficiência técnica.920 1.225 1.000 1.104 1. v. UFRB.4%.897 Índice de mudança na eficiência técnica pura 1.devido à perda de eficiência técnica.188 1.794 0. com destaque para os estados do Maranhão e da Bahia que apresentaram taxas crescimento da ordem de 145.177 1. na escala e na produtividade total dos fatores. médio Tópicos em Ciências Agrárias.757 1.000 1. da ordem de 15.000 0.251 0.802 0.G. na fronteira tecnológica. no entanto. utilizando-se os insumos do período t+1 (o produto potencial em t+1 maior que o máximo produto em t.188 1. Índice de mudança na PTF 0.000 1. 1.154 0.544 0. na escala e na produtividade total dos fatores. como pode ser observado nas duas últimas colunas da Tabela 3.512 0.212 1.330 1. na fronteira tecnológica. Neste período.963 0.000 1.841 1.9%) e à mudança na eficiência técnica (9.065 Índice de mudança na eficiência de escala 1.223 1.063 0. dadas as condições supra mencionadas. período 1975/85.964 0.024 1.3% e 75%.000 1.774 0.934 Estado Maranhão Piauí Ceará R.000 1.000 0. na fronteira tecnológica e na produtividade total dos fatores foram todos maiores do que 1. havendo deslocamento da fronteira.236 1.927 Índice de mudança na fronteira tecnológica 0. é preciso que três condições se verifiquem: a) que o índice de mudança tecnológica entre o período t e t+1 seja maior do que 1 (evidência de mudança tecnológica).154 0. indicando que o ganho de produtividade no período deveu-se à expansão da fronteira técnica (23. médio No período 1985/95 (Tabela 4).119 1.453 0.000 1.185 1. Este ganhos de eficiência técnica.094 0.220 1.024 1. para os estado do Nordeste do Brasil. Tabela 4.957 0.000 1.933 0.028 1.207 1. os estados de Pernambuco e Alagoas destacam-se como deslocadores da fronteira tecnológica. Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind.978 1.816 1.000 1.191 1. Tabela 3. Os estados do Maranhão.908 0.000 1.000 1.000 1.799 1.750 1.326 1.000 0.000 1.283 1.360 Índice de mudança na eficiência técnica 1. Os índices médios regionais de mudança na eficiência técnica.855 1. respectivamente. regressão da fronteira de produção ou de ambas. O estado do Rio Grande do Norte foi o único estado que apresentou perda de eficiência técnica. Para o período 1985/95.098 Índice de mudança na fronteira tecnológica 2.025 1.236 1.512 0. Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind.000 1. Índices de mudanças relativas na eficiência técnica.031 Estado Maranhão Piauí Ceará R.431 1. 2009 295 .056 1. causada pela insuficiente escala de operação a qual foi compensada pela expansão da fronteira tecnológica. os Estados que o fazem devem estar situadas sobre ela).239 Índice de mudança na eficiência técnica pura 1. para os estado do Nordeste do Brasil. Índice de mudança na PTF 2.000 1.986 0.000 1. c) que o produto da região em t+1 seja maior do que o máximo obtido no período t.047 0.000 1. não se refletiu em ganhos na produtividade total dos fatores (PTF) já que ocorreu uma regressão da fronteira tecnológica.678 0. todos os estados nordestino apresentaram crescimento da produtividade total dos fatores.678 0. b) que a eficiência técnica de cada Estado no período t+1 seja igual a 1 (ou seja.000 1.083 1.470 0. decorrente de ganhos de escala. Pernambuco e Alagoas apresentaram ganhos na produtividade total dos fatores decorrentes exclusivamente de expansão da fronteira de produção já que os índices de mudança na eficiência técnica foram iguais a 1.957 0. período 1985/95.

. reflexos dos investimentos realizados no primeiro período. MALMQUIST. 1994. 66-83. DIAS... F. S. T. Productivity growth. FÄRE. ROCHA.. podem ter contribuído para o desempenho da agricultura nordestina neste período. DIAS. CD-ROM 2001. embora seja possível estabelecer algumas relações com a política agrícola vigente no período. Pode-se argumentar que.. Produtividade e progresso tecnológico na agricultura brasileira.. 4-11. 2001. 33. A. os índices de eficiência calculados possivelmente estejam subestimados. PARRÉ. assinalados por Bacha & Rocha (1998). 1982. PEREIRA. O comportamento da agropecuária brasileira no período de 1987 a 1996. J. K. por perda de eficiência técnica e deslocamento regressivo da fronteira tecnológica. v.578-90. É provável que os resultados referentes ao segundo período analisado (1985/95). 1953.. 1. BACHA. C. 1998. 1. p. L. REFERÊNCIAS ÁVILA. houve um declínio na produtividade do setor agropecuário da região Nordeste do Brasil determinado. p. M. EVENSON. and productivity. considerando-se que existe uma defasagem entre investimentos e produção e que. T. Index numbers and indifference curves.. C.. 37. entre outros. Factor bias stochastic technical change. A. Brasília: SOBER. conforme assinalam Gomes & Dias (2001). o valor da produção é função dos investimentos realizados no mesmo período. output. Anais. 36. CAVES.F.. and efficiency change in industrialized countries. fatores não controlados pelos produtores como clima e preços agrícolas. sejam. n. J..J. v. Revista Brasileira de Economia e Sociologia Rural. M. não permitem conclusões sobre os determinantes deste comportamento. p. 2001. R. p. Os resultados obtidos neste estudo devem ser observados com parcimônia pois alguns aspectos podem estar contribuindo para os índices calculados como erros na medição das variáveis.. SHONKWILER. v. Recife. Mensuração da eficiência técnica na agropecuária brasileira através da estimação econométrica de fronteiras de produção. v.. no período 1975/85. SILVEIRA. p. S. R. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL. Economia & Tecnologia. S. The economic theory of index numbers and the measurement of input. Estes resultados. Total factor productivity growth in the brazilian agriculture and the role of agricultural research. 1998. Z. Outros fatores. C. UFRB. GOMES. Recife. Contudo. technical progress. Econometrica.D. dentre outras. Anais. 1995. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL. S. L. Medidas de produtividade na agropecuária brasileira: 1985-1995. S. A. 2009 . 1995. American Economic Review. 1...C. Anais. M. P. 3.CONCLUSÕES Os resultados obtidos permitem inferir que. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL. dentre outros fatores.209-242. E. 50. 296 Tópicos em Ciências Agrárias. F.. E. J. ZHANG. n. NORRIS. contudo. p-631-657. Curitiba. CD-ROM 2001. D. v. principalmente. J.. CHRISTENSEN. v. favoreceu a elevação dos investimentos no setor agropecuário. BACHA. DIEWERT.. por força do modelo utilizado. S. Trabajos de Estatistica. 84. Brasília: SOBER. p. 1995. R. GROSSKOPF. v.. ALVES. 4. a política de crédito vigente no período. D. Brasília: SOBER. 1393-1414. American Journal of Agricultural Economics. 35-59. como a melhoria das relações de preços agropecuário/industrial e recebidos/pagos pelo setor agropecuário. LAMBERT. R.

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