Organizadores Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Ana Cristina Vello Loyola Dantas Francisco Adriano de Carvalho Pereira Ana

Cristina Fermino Soares José Fernandes Melo Filho Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira

Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Ana Cristina Vello Loyola Dantas Francisco Adriano de Carvalho Pereira Ana Cristina Fermino Soares José Fernandes Melo Filho Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira (Organizadores)

TÓPICOS EM CIÊNCIAS AGRÁRIAS

VOLUME I

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS, AMBIENTAIS E BIOLÓGICAS

CRUZ DAS ALMAS - BAHIA 2009

Copyright 2009

CAPA Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Gráfica e Editora Nova Civilização Ltda.

FOTOS DA CAPA Ana Cristina Vello Loyola Dantas

REVISÃO Ana Cristina Vello Loyola Dantas Sidiney Ferreira Sardinha

DIAGRAMAÇÃO Gráfica e Editora Nova Civilização Ltda.

Ficha Catalográfica preparada pela Seção de Catalogação da Biblioteca da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia T674 Tópicos em Ciências Agrárias / Carlos Alfredo Lopes de Carvalho... [et al.], organizadores. – Cruz das Almas, BA: Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas, 2009. 296p. : v. 1. :il. ISBN 978-85-61346-04-1 1. Ciência animal. I. Carvalho, Carlos Alfredo Lopes de, II. Dantas, Ana Cristina Vello Loyola, III. Pereira, Francisco Adriano de Carvalho, IV. Soares, Ana Cristina Fermino, V. Melo Filho, José Fernandes, VI. Oliveira, Gabriel Jorge Carneiro de. CDD 631 Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias - UFRB Tele/Fax: (75) 3621.3120 E-mail: pgagrarias@ufrb.edu.br Home Page: www.ufrb.edu.br/pgcienciasagrarias

O conteúdo dos Capítulos é de inteira responsabilidade dos autores

É permitida a reprodução parcial ou total desta publicação desde que devidamente citada a fonte.

ORGANIZADORES

Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Doutor em Ciências - Entomologia Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Ana Cristina Vello Loyola Dantas Doutor em Agronomia - Genética e Melhoramento de Plantas Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Francisco Adriano de Carvalho Pereira Doutor em Irrigação e Drenagem Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Ana Cristina Fermino Soares Doutor em Produção Vegetal Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia José Fernandes de Melo Filho Doutor em Agronomia - Solos e Nutrição de Plantas Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira Doutor em Zootecnia Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

APRESENTAÇÃO

A grande área das Ciências Agrárias representa parte significante do conhecimento gerado no Brasil com retorno importante para a sociedade, uma vez que técnicas de manejo de culturas, melhoramento animal e vegetal, conservação dos solos, sistemas de irrigação, entre outros, se traduzem em maior produtividade com reflexo direto na produção de alimento. Dada a sua especificidade, notadamente em países com as características do Brasil, a pesquisa agropecuária tem sido ferramenta importante na busca de respostas aos desafios promovidos pela necessidade de aumento da produtividade agropastoril associada com a sustentabilidade ambiental e responsabilidade social. Neste contexto, além das questões inerentes à própria pesquisa, a formação de recursos humanos altamente qualificados tem sido um desafio ainda maior para atender as demandas complexas dos agrosistemas. É neste cenário desafiador que o Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, cuja primeira turma de Mestrado foi iniciada em 1979 e a de Doutorado em 2006, tem contribuído, tanto na formação de recursos humanos qualificados, como na geração de conhecimento técnico-científico. Com mais de 350 dissertações de Mestrado e duas teses de Doutorado defendidas, o Programa da UFRB possui egressos em várias instituições no Brasil e em outros países, desenvolvendo pesquisas importantes na solução dos problemas enfrentados pela agropecuária. Motivados com a importante e necessária divulgação dos resultados obtidos pelos Grupos de Pesquisa que contribuíram ou contribuem na consolidação do lastro de sustentação do Programa ao longo desses anos, docentes pesquisadores e seus orientados reuniram resultados de trabalhos e revisão bibliográfica, lançando o primeiro volume com diferentes temas sobre as Ciências Agrárias. A obra é mais uma contribuição do Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias da UFRB e é composta por diversos tópicos da área de Ciências Agrárias, cujos temas estão distribuídos em Capítulos, de forma que o leitor pode ter acesso, tanto às informações específicas, como a questões mais gerais ao longo dos textos. Neste sentido, ela se constituirá em uma importante fonte de consulta bibliográfica para discentes e docentes pesquisadores, tanto nos trabalhos de formação, como nos projetos de pesquisa.

Paulo Gabriel Soledade Nacif Reitor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

... Weliton Antônio Bastos de Almeida.............................................................................................................................119 Oton Meira Marques........CONTEÚDO CAPÍTULO 1 Conservação de fruteiras potenciais para o nordeste brasileiro ....................................................................................................37 Clóvis Pereira Peixoto & Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto CAPÍTULO 5 Fisiologia da floração do abacaxizeiro............91 Manoel Teixeira de Castro Neto & Anna Christina Passos Menezes CAPÍTULO 8 Viabilidade e vigor de sementes de milho híbrido precoce ..... José Vieira Uzeda Luna..... Claudia Fortes Ferreira & Antonio Augusto Oliveira Fonseca CAPÍTULO 3 Propagação de fruteiras potenciais para o nordeste brasileiro..................................................55 Getúlio Augusto Pinto da Cunha CAPÍTULO 6 Produtividade vegetal: principais fatores............................. Clóvis Pereira Peixoto. Simone Alves Silva & Janay Almeida dos SantosSerejo CAPÍTULO 4 Dinâmica do crescimento vegetal: princípios básicos............ Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio CAPÍTULO 9 Análises faunísticas em estudos entomológicos............ Carlos Alfredo Lopes de Carvalho & Gilberto Marcos de Mendonça Santos CAPÍTULO 10 Interface da entomologia aplicada na fruticultura tropical .............................01 Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa........................................................................... Milene da Silva Castellen..................................................................... Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa........ Fernanda Vidigal Duarte Souza........ Ana Cristina Vello Loyola Dantas..................................................15 Simone Alves Silva...........................................................105 Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio...............................................77 Elvis Lima Vieira CAPÍTULO 7 Ecofisiologia e floração da mangueira e crescimento do fruto de manga..133 Antônio Souza do Nascimento & Tuffi Cerqueira Habibe ................................................................................. Simone Alves Silva & Ana Cristina Vello Loyola Dantas CAPÍTULO 2 Caracterização de genótipos de fruteiras potenciais para o nordeste brasileiro ..... Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa.......25 Ana Cristina Vello Loyola Dantas......................................

............................289 Carlos Augusto Pereira Filho & Warli Anjos de Souza ...................197 José Fernandes de Melo Filho & Paulo Leonel Libardi CAPÍTULO 16 Evapotranspiração .......................................233 Benedito Marques da Costa..................... Adailde do Carmo Santos & Leandro Gonçalves dos Santos CAPÍTULO 14 Desordens nutricionais em pomares cítricos no Recôncavo Baiano ............................................................................................................................................................................. Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira & Maria do Carmo Martins Marques da Costa CAPÍTULO 18 Efeitos da adição de gordura suplementar à ração de bovinos sobre o metabolismo da glândula mamária........................... adubação e diagnose nutricional de pastagens no Recôncavo da Bahia ..........................................................257 Leandro Portz CAPÍTULO 20 Alimentação de caprinos leiteiros..... Aureo Silva de Oliveira............................ Rozilda Vieira Oliveira Sacramento & Robson Rui Cotrim Duete CAPÍTULO 15 Variabilidade espacial da condutividade hidráulica do solo: conceitos e bases para avaliação........ Cláudia Melo da Paixão & Robélia Tosta Dias Amorim CAPÍTULO 12 Impacto de herbicidas em processos microbiológicos do solo e qualidade fisiológica de sementes em Latossolo Amarelo coeso do Recôncavo Baiano ........................................................................ Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio.................... a qualidade do leite e da carne e a produção de alimentos funcionais.......183 Washington Luiz Cotrim Duete......... Raul Lomanto Neto...........147 Antônio Alberto Rocha Oliveira........................ Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Benedito Marques da Costa CAPÍTULO 21 Desenvolvimento regional e a competitividade do agronegócio: estudos de cluster.............................................................219 Francisco Adriano de Carvalho Pereira.......... Clóvis Pereira Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio CAPÍTULO 13 Evolução..........................245 Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira CAPÍTULO 19 Carboidratos na nutrição de peixes ....................159 Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto................................................................CAPÍTULO 11 Interação entre fungos micorrízicos arbusculares e patógenos radiculares de citros ............................................................................. Vital Pedro da Silva Paz & Greice Ximena Santos Oliveira CAPÍTULO 17 Mistura mineral para bovinos em regime de pasto ..277 Warli Anjos de Souza CAPÍTULO 22 Produtividade.............................171 Anacleto Ranulfo dos Santos............................................................................................................ mudança tecnológica e eficiência na agropecuária do nordeste do Brasil no período 1975/1995.............269 Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira.....

Weliton Antônio Bastos de Almeida. Simone Alves Silva & Ana Cristina Vello Loyola Dantas Tópicos em Ciências Agrárias . Fernanda Vidigal Duarte Souza. Milene da Silva Castellen. José Vieira Uzeda Luna.CAPÍTULO 1 CONSERVAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa.

incluindo possibilidades de conservação in situ e ex situ. O porte alto. v. Estação de Fruticultura Tropical. vitaminas e sais minerais. um dos mais importantes centros de diversidade genética de muitas espécies frutíferas tropicais. a necessidade de se optar por coleções completas do tipo específico. Dentre os recursos genéticos vegetais voltados para a alimentação e agricultura. José Vieira Uzeda Luna3. abrangendo a conservação de variedades silvestres. e que deve ser considerado no caso da conservação do germoplasma dessas fruteiras em especial. Conceição do Almeida-BA. o longo período de juvenilidade. É preciso considerar que a perda da variabilidade genética supõe uma grande limitação na capacidade de se corresponder a novas necessidades e um incremento da vulnerabilidade dos cultivos dessas fruteiras.Centro de Ciências Agrárias. E-mail: fernanda@cnpmf.edu. 1. mas principalmente. Fernanda Vidigal Duarte Souza2. até condições financeiras da Empresa. são as maiores dificuldades encontradas nos estabelecimentos desses bancos de germoplasma. 1993. Ambientais e Biológicas/UFRB. para a exportação e para a diversificação agrícola da região (Giacometti & Goes. causada pela destruição dos ecossistemas e pela domesticação dos cultivos pelo homem. diante de mudanças ambientais ou aparecimento de novas pragas e doenças.. Pesquisador . de um programa de conservação e manutenção desses recursos genéticos. Adicionalmente. Weliton Antônio Bastos de Almeida1.embrapa.br Pesquisador . que vão desde aspectos botânicos. porte da planta. Tópicos em Ciências Agrárias. nativas e exóticas. podem ser consumidas in natura ou na forma de sucos. Milene da Silva Castellen2. são evidentes na formação de coleções de germoplasma dessas fruteiras. como o país mais rico do mundo em recursos biológicos. Algumas limitações. Com o avanço da erosão genética. Órgão ou Centro de Estudos que ficará responsável pelo estabelecimento e manutenção da coleção. no mundo. de grande importância para a dieta alimentar. 2000). variedades de uso tradicional e as variedades melhoradas. no entanto. 1998). uma demanda relevante. seria a estratégia mais segura para resguardar esse recurso. sendo o Brasil. como sistemas reprodutivo e de cruzamento.Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA). sorvetes e geléias entre outras delícias culinárias (Avidos et al. coleções nucleares e bancos de germoplasma in vitro. pela conservação e caracterização do germoplasma disponível. 2009 03 . perfeitamente adaptadas e com potencial para a conquista do mercado interno. A exploração racional e o uso sustentável desse germoplasma dependem inicialmente. Ana Cristina Vello Loyola Dantas1 1 2 Professor . Um aspecto normalmente negligenciado por muitos curadores de Bancos de Germoplasma. coleções em campo. e passa impreterivelmente. como coleções-base e/ou ativas de sementes. principalmente em relação a espécies de importância econômica atual e potencial. e mesmo. Dessa forma. é a destruição devastadora que está ocorrendo nas áreas de ocorrência natural dessas espécies.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. Simone Alves Silva1. A exploração racional de espécies de importância econômica ou de potencial utilização. voltadas para a alimentação. tem grande responsabilidade sobre essa riqueza. A escolha da estratégia de conservação mais adequada para cada espécie é dependente de uma gama de fatores.. A caracterização e manutenção de recursos genéticos são hoje. D’Eeckenbrugge et al. para conservá-la. o pouco conhecimento que se tem sobre variedades e genótipos de algumas dessas espécies. necessitando de estratégias próprias. a conservação do pool gênico dessas espécies tornou-se prioridade em programas agrícolas de muitos países. licores. tem sido o objetivo de programas de melhoramento genético em todo país. E-mail: mapcosta@ufrb.CONSERVAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa1.br 3 INTRODUÇÃO O uso sustentável e continuado da diversidade genética disponível para o cultivo e consumo de espécies vegetais utilizadas na alimentação é de suma importância para o bem estar das gerações atuais e futuras. No Nordeste brasileiro é possível encontrar uma grande variabilidade genética das mais diversas fruteiras. Cruz das Almas-BA. Essas frutas apresentam sabores sui generis e elevados teores de açúcares. não apenas para explorá-la de modo sustentável. UFRB. uma caracterização morfológica ainda bastante incipiente. A evolução econômica e a demanda dos mercados reforçam hoje o interesse dos países latino-americanos para as frutas em geral e as frutas nativas ou exóticas em particular. proteínas. as fruteiras destacam-se pela grande diversidade e potencial que apresentam. O Brasil. Cruz das Almas-BA.

Considerado como um dos mais importantes da América Latina. tanto de espécies nativas. e que de maneira geral utilizam-se três plantas para cada acesso. Em relação à carambola e ao rambutão foram identificadas quatro matrizes com características horticulturais superiores. Os acessos são caracterizados e avaliados tomando-se por base os descritores do IBPGR (1980). praticamente toda a conservação é realizada na forma de coleções de campo. quanto de espécies exóticas bem adaptadas às condições edafo-climáticas da região. Dentre as diferentes espécies mantidas. Estas informações são importantes para a descrição e caracterização de genótipos. em Itabuna. goiaba. com índice de pegamento de quase 100%. Sergipe. visto a restrita variabilidade existente nas coleções brasileiras. UFRB. No tocante à cultura da graviola. da família Moraceae e oriunda da Malásia. Pernambuco. No Banco de Germoplasma de Fruteiras Nativas e Exóticas. recebendo os tratos culturais e fitossanitários de acordo com as exigências de cada espécie.) Merr. sendo que. as mais solicitadas são: mamão. a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. com introdução das 04 Tópicos em Ciências Agrárias. Ambientais e Biológicas da UFRB. introduzido através da técnica de produção de mudas por garfagem em fenda cheia. abiótica e antrópica (Valois et al. o BAG de Fruteiras Nativas e Exóticas possibilitou ainda.. 2009 . cada planta ocupa uma área em torno de 40 m2. o alto custo de implantação. 1999). Ambientais e Biológicas da UFRB. em Cruz das Almas e o Centro de Pesquisa da Lavoura Cacaueira (CEPLAC). utilizadas principalmente no Sul da Bahia. localizado na EBDA estão catalogados mais de 364 acessos de 60 espécies de clima tropical. um acesso de jenipapo sem sementes. constituindo mais uma alternativa de renda para o produtor. graviola. foram distribuídas cerca de 85 mil mudas de fruteiras tropicais nativas exóticas. Recife e Paraíba. No Nordeste Brasileiro os bancos e coleções de germoplasmas de fruteiras estão distribuídos nos Estados da Bahia. O mamão teve o maior número de acessos intercambiados. 1. para a produção de polpa congelada. produção. Muitas espécies apresentam grande escassez ou mesmo ausência de dados relativos à sua morfologia. Esses acessos encontram-se em fase de caracterização e avaliação com base nas características morfológicas e agronômicas. Nos últimos 10 anos. Considerando-se que a grande maioria dessas frutíferas é arbórea. v. com as modificações necessárias. condução e manutenção das coleções. esta coleção foi iniciada em 1996.). 2001). Nessa mesma coleção. através da incorporação de novas cultivares ao processo produtivo. a recomendação de cultivares de abacate e goiaba para o plantio nas condições do Recôncavo Baiano. Segundo Carvalho et al. ressaltando-se a distribuição de materiais de propagação para diferentes Instituições. também originário da Malásia e o canistel (Pouteria campechiana Baehni) da família Sapotaceae e originária da América Central. Outra importante coleção de fruteiras tropicais do Estado da Bahia encontra-se no Centro de Ciências Agrárias. assim como os riscos de perdas pela ocorrência de catástrofes de ordem biótica. como as cultivares Lisa e Morada. as principais Instituições responsáveis pela conservação de fruteiras são a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA) em Conceição do Almeida. A conservação de espécies de Persea é de extrema importância atualmente. encontra-se igualmente.Bancos de Germoplasma da Região Nordeste O Nordeste Brasileiro apresenta diversidade genética considerável. (A. com 30 espécies e 157 acessos (Tabela 2) coletados nas diversas regiões do País. introduções procedentes da Colômbia possibilitaram a identificação e recomendação de materiais de alta qualidade. Ceará. Esse BAG vem sendo utilizado como suporte aos trabalhos de seleção de matrizes e como apoio básico às atividades de produção de mudas. possibilitando a incorporação de muitas espécies aos sistemas produtivos comerciais. a partir de populações de plantas obtidas por meio de sementes. necessitando ampliação por meio de novas coletas nos locais de origem (Ferreira. No caso dos bancos de germoplasma de fruteiras nativas do Brasil. oriundos de várias partes do mundo e introduzidos pelo CENARGEN (Tabela 1). da família Bombacaceae. As plantas estão mantidas em campo e dispostas em número variável de três a dez plantas por acesso. Outras fruteiras introduzidas recentemente nesse BAG foram o champedaque (Artocarpus integer (Thumb. No Estado da Bahia. características fisiológicas e fenologia. a necessidade de recursos humanos treinados. Dentre essas. Essas espécies estão sendo multiplicadas na EBDA e difundidas em pequena escala no Sul da Bahia. Vale ressaltar que nesse BAG encontra-se a única coleção de abacate da Região Nordeste com 33 acessos. outras limitações em relação à conservação de germoplasma dessas fruteiras em campo. em Cruz das Almas-BA. a área ocupada por esses bancos é extensa e de difícil manejo. o durião (Durio zibethinus Murray). Alagoas. champeden Spreng. (2002). Além das extensas áreas. acerola e maracujá. podem ser destacadas. beneficiando quarenta e cinco Instituições e inúmeros produtores de praticamente todos os Estados do Brasil. tendo em vista as condições ecológicas propícias ao desenvolvimento. o Centro de Ciências Agrárias. contribuindo para o aumento da renda de produtores.

UFRB. Outro aspecto que vem sendo explorado nesse banco é o potencial ornamental encerrado em muitos de seus acessos (Souza et al. Novos acessos de mangaba e jenipapo estão sendo introduzidos. Além do melhoramento dos porta-enxertos. Outro Banco que a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical mantém desde 1997. 2005b). como é o caso do Poncirus. que vem gradativamente.. que vêm sendo caracterizados morfologicamente a partir de uma lista de descritores multiculturais.. Fortunella. Castellen et al. visando a identificação de genótipos de interesse e molecular para análise de polimorfismo entre os genótipos. plantas com ausência de espinhos e frutos com altos teores de sólidos solúveis. O Banco de Acerola conta hoje com 150 acessos de Malpighia glabra e um acesso de Malpighia coccigera. coloração da pétala. No caso específico da mangabeira avaliações preliminares demonstraram reduzida variabilidade genética entre as populações e presença de variabilidade dentro da população. O BAG Banana possui 400 acessos. 2000. à gomose de Phytophthora e ao complexo do vírus da tristeza dos citros . No panorama atual. conservados em condições de campo. Ambientais e Biológicas da UFRB. de grande interesse ecológico e com potencial econômico. O BAG Abacaxi (Ananas comosus L. sendo três delas consideradas endêmicas do Estado e prioritárias para conservação. mamão e manga. é a base para o programa de melhoramento genético. das quais apenas 15 encontram-se conservadas em Bancos de Germoplasma. do gênero Ananas e outras bromeliáceas. que visa a obtenção de genótipos com características interessantes para o cultivo dos citros.. Creste et al. como é o caso dos Tabuleiros Costeiros. a semelhança dos outros existentes nessa Unidade da Embrapa.. dos quais 60% já estão caracterizados morfologicamente utilizando-se os descritores já estabelecidos para a cultura. passíveis de serem processadas pela indústria e também serem consumidas in natura. sinensis). encontram-se. A região Nordeste possui diversas espécies do gênero Passiflora. foi lançado um híbrido. a partir de coletas realizadas na região do Recôncavo Baiano. Recentemente. Atualmente. 40% desse banco já está caracterizado morfologicamente. Esse germoplasma vem sendo caracterizado utilizando-se os descritores morfológicos estabelecidos para a cultura do abacaxi. indicado para consumo de mesa. tendo como propósito subsidiar o programa de melhoramento genético da espécie implantado no Centro de Ciências Agrárias. cita 29 espécies do gênero. plantas de porte baixo e outras características de interesse para o melhoramento da cultura. Tópicos em Ciências Agrárias. acerola. porta-enxertos tolerantes à seca e ao alumínio. que estão sendo caracterizados utilizando-se descritores morfológicos pré-estabelecidos para a cultura. o abacaxi `Imperial´. A variabilidade existente no BAG agrega uma extensa fonte de cores. Eremocitrus e Severinia. Esse banco de germoplasma. 1998). O BAG Passiflora conta atualmente com 44 acessos. Atualmente. Merrill) foi iniciado no início dos anos 80 e reúne um total de 743 acessos no campo. com características agronômicas muito interessantes e resistente à fusariose. Esses Bancos foram estabelecidos para servirem de suporte aos programas de melhoramento genético da Unidade e encontram-se parcialmente caracterizados. Microcitrus. com o alastramento da Sigatoka negra. em sua maioria. Nunes (2002). as variedades-copa têm sido selecionadas com vistas à sua utilização em ecossistemas característicos.CTV (citrus tristeza virus). entre nativas e exóticas. já foram identificadas e lançadas duas variedades para mesa. como é o caso do abacaxi. como resultado desse programa. 2009 05 . banana. o que possibilitou a identificação de acessos com resistência à fusariose. Desse BAG. a resistência encontrada em materiais diplóides conservados possibilitou o desenvolvimento de novos híbridos resistentes. resistentes à morte súbita dos citros. 1. Recentemente. e a última um híbrido tipo tangerina. cor. que deverão substituir as variedades suscetíveis. Os descritores mais utilizados referem-se ao porte da planta. características desejáveis para o programa de melhoramento genético da cultura. assumindo um lugar de destaque na floricultura nacional. em um levantamento no Estado da Bahia. ‘Cablocla’ e ‘Rubra’. as três primeiras são laranjas doces (C. 2004). Valência Tuxpan e Page. é o BAG Maracujá. sendo uma das maiores coleções de germoplasma de abacaxi do mundo. formas. Salustiana. v. Na Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical estão estabelecidos Bancos Ativos de Germoplasma (BAG) de diversas fruteiras. litoral e caatinga da Bahia. maracujá. Chapada Diamantina. e alguns híbridos estão em fase de avaliação. Esse material vem sendo caracterizado quanto a morfologia e características físico-químicas do fruto. compreendendo diversas espécies e variedades de Citrus e gêneros afins. (no prelo) citam 35 espécies do gênero distribuídas pela região dos Tabuleiros Costeiros. O BAG Citros possui cerca de 700 acessos. nas regiões de ocorrência (Iramaia. Ouriçangas e Nova Soure) (Cruz. uma das mais sérias doenças da bananeira causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis. 2005). cor da polpa. 1999) para a identificação de abacaxis ornamentais. tamanho e firmeza do fruto. Dentre as características desejadas. e a cada ano a coleção vem sendo ampliada com a introdução de novos acessos. Foram detectadas fontes de resistência às principais doenças da cultura. a maior parte dos acessos do gênero Passiflora conservados refere-se à espécie Passiflora edulis (maracujá roxo) e à forma flavicarpa (maracujá amarelo).primeiras mudas. citros. Estima-se que a maior parte da variabilidade genética intra e interespecífica do abacaxi esteja aí representada (Cabral et al. foram lançadas as variedades Pineapple. Caracterizações moleculares de pelo menos 60 diplóides foram realizadas por meio de marcadores do tipo RAPD e microssatélites (Paz et al. tamanhos de frutos e coroas e diferentes arquiteturas a serem exploradas (Cunha e Cabral..

Eugenia uniflora L.C. Pourouma cecropiaefolia Mart. UFRB. Myciaria dúbia H. Compomonesia spp. Canarium ovatum Engl. Anonna cherimola Mill x Annona squamosa L. Anacardium occidentale L. Terminalia kaernbachi Warb. Eugenia stipitata McVangh Annona glabra L.B.K. Bouea macrophyla Litchi chinensis Sonn Dimocarpus longon (Lour. 2005.C. Relação das espécies existentes no BAG de Fruteiras Nativas Exóticas da Empresa Baiana de Pesquisa Agropecuária (EBDA). Artocarpus odoratissimus Blanco Eriobotrya japonica Lindl. Annona muricata L. Annona squamosa L. Artocarpus interger (Thumb.Tabela 1. Eugenia brasiliensis Lam. Artocarpus heterophylus Lam. Spondia dulcis Forst. NOME VULGAR Abacate Abiu Abricó Abricó-da-praia Acerola Akee Ameixa-de-madagascar Araçá Araçá-boi Araticum do Brejo Atemóia Bilimbi Cabeludinha Cafezinho Cainito Cajá Cajarana Caju Camu-camu Canistel Caqui Carambola Champedaque Ciriguela Coco Durião Falso mangostão Goiaba Graviola Groselha Grumixama Guabiraba Jabuticaba Jaca Jambo vermelho Jambo rosa Jambolão Jenipapo Kundang Lichia Longon Mabolo Macadâmia Manga Mangostão Mapati Marang Nêspera Noz okari Noz pili Pinha Pitanga Pitomba Pitomba do Norte Pupunha Rambutão Romã Sapota branca Sapota verde Sapoti Tâmata Tamarindo Uampi Umbu NOME CIENTÍFICO Persea americana Mill. 1. Punica granatium L. v.) Merr. Syzzygium malacoense L.) Skeels Spondia tuberosa Arruda FAMÍLIA Lauraceae Sapotaceae Clusiaceae Sapotaceae Malpighiaceae Sapindaceae Flacourtiaceae Myrtaceae Myrtaceae Annonaceae Annonaceae Averrheaceae Myrtaceae Malpighiaceae Sapindaceae Anacardiaceae Anacardiaceae Anacardiaceae Myrtaceae Sapotaceae Ebenaceae Averrhoaceae Moraceae Anacardiaceae Arecaceae Bombacaceae Clusiaceae Myrtaceae Annonaceae Euphorbiaceae Myrtaceae Myrtaceae Myrtaceae Moraceae Myrtaceae Myrtaceae Myrtaceae Rubiaceae Anacardiaceae Sapindaceae Sapindaceae Ebenaceae Proteaceae Anarcadiaceae Clusiaceae Cecropiaceae Moraceae Rosaceae Combretaceae Burseraceae Annonaceae Myrtaceae Sapindaceae Sapindaceae Arecaceae Sapindaceae Punicaceae Rutaceae Sapotaceae Sapotaceae Aracaceae Cesalpinaceae Rutaceae Anacardiaceae N° ACESSOS 33 02 01 01 04 01 01 04 01 01 01 01 01 01 02 02 01 05 01 02 03 45 42 01 02 02 01 31 12 01 01 02 03 01 02 01 01 03 01 01 01 01 11 50 01 01 01 01 01 01 05 05 01 01 02 45 02 01 01 04 01 02 01 02 06 Tópicos em Ciências Agrárias. Durio zibethinus Murray Garcinia sp. Psidium spp. Averhoa bilimbi L. Bunchosia armeniaca AD. & Iex. Genipa americana L. Psiduum guajava L. Chysophylum cainito L. Pouteria caimito Radlk Mammea americana L. 2009 . (Mc Vaugh) Pouteria champechiana Baehni Diospyrus kaki L.) Steud Diospyrus discolor Willd Macadamia intergrifolia Maiden & Betch Mangifera indica L. Conceição do Almeida . Phoenyx daclylifera L. Cocuns nucifera L. Tamarindus indica L. Merr & Perry Syzzygium jambos L. Phyllantus acidus L. Mimusops elengi Malpighia emarginata D. Myrciaria cauliflora Ber. Eugenia tomentosa Gamb. Averrhoa carambola L. Clausenta lansium (Lour. Spondia lútea L. Spondia púrpura L. Munilkara zapota L. Alston Syzzygium cumini L. Garcinia mangostana L. Blighia sapida Koenig Flacourtia indica Merr. Casimiroa edulis Llav.BA. Eugenia luschnathiama Klotz Talisia escul enta Radlk Bactris gasipae Kunth Nephelium lappaceum L. Pouteria viridi Pitt.

1. Ambientais e Biológicas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. aproximadamente 50% dos acessos já foram avaliados. ainda em fase de avaliação. Eugenia brasiliensis Myrciaria truncifolia Myrciaria dubia Genipa americana Hymenaea courbaril Xylopia emarginata Eugenia uniflora Talisia esculenta Bactris setosa Eugenia pyriformis Hibiscus sabdariffa N° ACESSOS 04 02 10 10 05 05 02 06 01 10 01 05 06 02 05 03 05 05 05 05 05 10 05 02 06 10 05 02 05 10 O BAG Mamão dessa Instituição conta atualmente com 191 acessos. Desse conjunto. a sintetização e avaliação de cinco linhagens. Relação das espécies existentes na coleção de fruteiras nativas e exóticas do Centro de Ciências Agrárias. O BAG Manga da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical conta com 115 acessos de Mangifera indica conservados em campo. 2009 07 . Auto-fecundações e cruzamentos entre indivíduos estreitamente aparentados. já que a manutenção de um banco de germoplasma é muito cara. v. Atualmente o BAG Manga. as quais deram origem a nove híbridos promissores. Segundo Pinto & Ferreira (2005). os melhoristas têm uma pequena variabilidade genética à sua disposição para uso no melhoramento. passíveis de resultar em novos materiais à disposição dos produtores. Tópicos em Ciências Agrárias. onde pesquisas com a cultura também são desenvolvidas. até o momento. sendo o maior banco de germoplasma dessa cultura no país. atende ao fornecimento de material vegetativo e embriônico e a pesquisas para obtenção de híbridos com potencial para a indústria de sucos e para o consumo ao natural. dentro de famílias. Cruz das Almas. possibilitaram.Tabela 2.BA. 2005. Réplicas desses acessos têm sido mantidos no BAG da Embrapa Semi-Árido. além dos objetivos conservacionistas. embora a mangueira seja a quinta mais importante espécie frutífera do mundo. NOME COMUM Abiu Canistel Mamei Açaí Palmito Araticum-do-brejo Araticum Araçá boi Biriba Bilimbi Butiá-vinagre Cabeludinha Café da mata Cagaita Caimito roxo Cajá Cupuaçú Goiaba Guabiroba Grumixama Jaboticaba Camu-camu Jenipapo Jatobá Pindaiba Pitanga Pitomba do Norte Pupunha Uvaia Vinagreira Fonte: Ferreira. 2003 NOME CIENTÍFICO Pouteria caimito Pouteria campechiana Mammea americana Euterpe oleracea Euterpe edulis Annona glabra Annona crassiflora Eugenia stipitata Rollinia mucosa Averrhoa bilimbi Butiá capitata Eugenia tomentosa Myrcia sp Eugenia dysenterica Crhysophyllum cainito Spondia mombim Theobroma grandiflorum Psidium guajava Compomanesia spp. UFRB.

gov. Ibimirim E. 2005). Itambé E. Além do BAG . Serra Talhada N° ACESSOS 12 14 12 110 33 35 3 4 70 11 31 21 250 18 45 22 43 3 143 85 120 10 6 35 270 4 13 13 31 No Estado do Ceará as principais coleções de fruteiras encontram-se no Centro Nacional de Agroindústria Tropical (CNPAT) em Fortaleza.E. Ibimirim Comocim de São Félix E. Alguns genótipos vêm sendo caracterizados para serem empregados em programas de melhoramento. No CNPAT. Araripina Comocim de São Félix E.mma.pdf. 1. microcarpum L. Relação das espécies existentes na coleção de fruteiras tropicais e subtropicais da Empresa IPA. As Coleções do Estado de Pernambuco encontram-se distribuídas na Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA). v.E.E. carambola. Garanhuns E.E. 20 acessos de Anacardium othonianum e 24 acessos de Anacardium spp. no CNPAT também são encontradas coleções de graviola. a partir de prospecção genética e coleta de germoplasma de diversas fruteiras nativas e exóticas do Estado. 2009 . Itambé E. (2002) genótipos da espécie A. destacam-se por apresentarem algumas características contrastantes e positivas. acerola.E.E. Porto de Galinhas E. Itambé E. Itapirema E.E.E.: Estação Experimental LOCAL E. sobretudo quanto à adstringência.E. pinheira e pitanga. Itapirema E. UFRB. Itapirema E.E. bem como de materiais provenientes de instituições de ensino e pesquisa. 1997). genótipos de sapoti. Ibimirim E. Araripina E.E. em relação aos tipos comerciais. Ibimirim E. via retrocruzamento. Tabela 3 (Bezerra et al. Ibimitim E. Itambé Comocim de São Félix E. com 29 espécies. 09 acessos de de Anacardium humile. cajá e acerola (http://www.E.E.E. a coleção do IPA conta atualmente. NOME COMUM Abacaxi Aceloreira Aceloreira Araçá-comum Cajazeiro Cajá-umbú Cajarana Cajueiro Anão Carambola Ciriguela Citros Goiaba Goiaba Graviola Graviola Jaboticabeira Jaqueira Macadâmia Mangabeira Pinheira Pitangueira Pitangueira Pomelo Romã Sapoti Tâmara Tangerina Tangerina Umbu E. Segundo Crisóstomo et al.E.E. A partir de avaliações realizadas ao longo dos anos na Coleção de Germoplasma foi possível recomendar para as diversas regiões do Estado de Pernambuco.E. Garanhuns E.E. Itambé E. de características desejáveis em genótipos da espécie A.E. Itambé E.E. Embrapa Semi-Árido e Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Araripina E. Iniciada no ano de 1987.E.E.E. 08 Tópicos em Ciências Agrárias.E. Itambé E. encontra-se o BAG de caju com 440 acessos de Anacardium occidentale. Ibimitim E.E. Itambé E.br/port/sbf/chm/doc/cap2i.Caju.Tabela 3. microcarpum existente no Banco de Germoplasma. Itambé Comocim de São Félix E..E. Estes genótipos vêm sendo empregados no melhoramento do cajueiro-anão-precoce pela introdução.

cpDNA e nDNA também têm auxiliado estratégias conservacionistas. Os recentes avanços em biologia molecular marcaram o início de uma nova era na conservação de recursos genéticos com o advento de marcadores moleculares que permitem detectar o polimorfismo diretamente no DNA. O desenvolvimento da técnica de PCR permitiu a síntese enzimática in vitro de milhões de cópias de um segmento específico de DNA na presença da enzima DNA polimerase. 2002. A partir dessa técnica derivaram se inúmeros marcadores como RAPD (Random Amplified Polymorphic DNA). população ou acesso. apesar de que trabalhos para o estabelecimento de um BAG in vitro de maracujá e banana já estão em andamento (Junghans et al. Na região Nordeste. Contribuição da biotecnologia na caracterização e conservação de germoplasma A demanda de recursos genéticos para a alimentação e agricultura tem gerado necessidades cada vez mais dependentes da utilização de novos métodos e processos biotecnológicos (Vilela-Morales & Valois. 2000). dados moleculares a respeito da diversidade genética podem ser usados para diversos objetivos como: (1) planejar coletas ou estratégias de intercâmbio de germoplasma. Adicionalmente.. (4) monitorar mudanças na estrutura genética de acessos regenerados. a manutenção de um grande número de acessos num pequeno espaço físico e livre das intempéries e riscos que existem no campo. Acessos de acerola também são mantidos na UFRPE. (2) selecionar acessos divergentes que abriguem valiosa variabilidade genética para programas de melhoramento a partir de cálculos de distância genética. Tansley & Brown. No tocante à cultura de tecidos. a UFAL (Universidade Federal de Alagoas) mantêm coleções de mangabeira e no Estado de Sergipe. 2009 09 . a partir da identificação de populações e locais prioritários para conservação.. A conservação in vitro surge como uma alternativa de conservação de germoplasma. complementando as informações geradas por descritores morfológicos ou bioquímicos. Tópicos em Ciências Agrárias. 2000) quanto ex situ (Wünsch & Hormaza. em diferentes organismos (Petit et al. (6) gerar informações para desenvolvimento de coleções nucleares representativas de toda coleção e ainda (7) determinar a presença de um alelo particular ou sequência de nucleotídeo em um táxon. STS (Sequence Tagged Sites) e microssatélites.A Embrapa Semi-Árido é responsável por oito acessos de goiabeira (Pisidium cattelyanum).SE) é responsável por 19 acessos de coco. Trabalhos utilizando marcadores moleculares têm propiciado informações chaves para conservação tanto in situ (Rosseto et al. banco de germoplasma. Kelch & Baldwin. fluxo gênico. Os marcadores moleculares são usualmente divididos em dois grupos distintos metodologicamente: o primeiro engloba marcadores que utilizam técnicas de hibridização como.. UFRB. conservação e utilização do germoplasma em programas de melhoramento genético. níveis de endogamia e tamanho efetivo de populações sob extrativismo. (3) identificar acessos duplicados na coleção. mas como complementares no entendimento da variabilidade disponível. 2004. gerando informações importantes para o esclarecimento de relações filogenéticas. 2004) de diversas espécies animais e vegetais. Wörheide et al. estas ferramentas não devem ser vistas como substitutas de estudos morfológicos e bioquímicos. v. (5) caracterizar acessos.. 2003). Samal et al. As coleções do Estado da Paraíba encontram-se distribuídas na EMEPA. A escolha do marcador ideal dependerá da questão a ser respondida e dos equipamentos e recursos financeiros disponíveis. por exemplo. várias técnicas podem ser citadas no auxílio à caracterização. como por exemplo. a Embrapa Tabuleiros Costeiros (em Betume . eventos de hibridação e confirmação de unidades taxonômicas.. AFLP (Amplified Fragment Length Polymorphism). que deve ser considerada pelas vantagens que apresenta. análises de seqüências de mtDNA. No que tange à conservação ex situ. tem sido beneficiada por esses marcadores que permitem estudar a distribuição da variabilidade genética em populações naturais. facilitando a disponibilidade dos mesmos para o melhoramento genético e o próprio intercâmbio de germoplasma. de especial interesse em fruteiras sob extrativismo e em parentes silvestres de espécies cultivadas. A conservação in situ. além de monitorar a longo prazo mudanças na estrutura genética. quando bem conduzida. 1. reduz os custos e garante a manutenção da fidelidade genética dos acessos conservados. Ortis et al. deve-se salientar que apesar das técnicas moleculares gerarem grandes possibilidades na conservação de RGV. enquanto o outro grupo agrega marcadores baseados na reação da polimerase em cadeia (PCR). 2004 e Creste et al.. SCAR (Sequence Characterized Amplified Regions). 1995. 105 acessos de manga (Mangifera indica). a única fruteira que vem sendo conservada na condição in vitro é o abacaxi.. 2002. com 324 acessos de mangabeira e 21 acessos cajá. 2004. auxiliando na manutenção e utilização sustentável da biodiversidade. RFLP (Restriction Fragment Length Polymorphism) e minissatélites. No Estado de Alagoas. 42 acessos de acerola (Malpighia glabra) e 70 acessos de umbu (Spondia tuberosa). Esta estratégia. No entanto.

por meio da Rede Nacional de Recursos Genéticos (RENARGEN) que utiliza esse modelo na gestão de recursos genéticos animais. assim como algumas variedades de abacaxi com potencial ornamental. dessa forma. e o estabelecimento de atividades prioritárias para cada espécie. Desta forma está sendo realizada uma série de trabalhos com a finalidade de prolongar o tempo de conservação do germoplasma de abacaxi in vitro. como temperatura. com a vantagem de que as fruteiras nativas são adaptadas às nossas condições e o importante papel que o recurso genético autóctone desempenha no intercâmbio internacional por germoplasma exótico em um cenário de crescentes restrições. mas ainda apresenta muitas barreiras para sua utilização (Pérez et al. já que a demanda por sabores diferentes cresce a cada dia no hábito alimentar do consumidor e as frutas representam uma larga fatia desse novo mercado. 2004. o que a torna laboriosa. um programa que englobe várias ações integradas entre Instituições de diferentes Estados e que possam culminar no sucesso. v. Souza et al. mas também pelo total desconhecimento da população. 10 Tópicos em Ciências Agrárias. Experiências semelhantes têm sido conduzidas no âmbito da Embrapa. 2009 . O valor do material autóctone. 2001). assim como o aporte racional de recursos humanos e financeiros para o desenvolvimento das ações integradas.. já que uma das desvantagens desta técnica é a necessidade de subcultivos periódicos. O estímulo à sua utilização. 1. que devidamente controlados. 1998. UFRB. manutenção e documentação desse germoplasma.. o potencial intelectual e as diversas capacidades institucionais. A obtenção das plântulas para a conservação é realizada por meio da multiplicação in vitro dos acessos a serem introduzidos. em diferentes instituições e estados do Nordeste. auxiliam no prolongamento do tempo entre subcultivos. biomas altamente diferenciados e enormes variações de sistemas agrícolas. portanto. a avaliação do potencial da diversidade genética regional. CONSIDERAÇÕES FINAIS A variabilidade genética das fruteiras nativas e exóticas existente na Região Nordeste. a gestão de modelos em rede otimiza o trabalho em recursos genéticos agregando às atividades com objetivos similares. Na Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical já estão estabelecidos in vitro aproximadamente 100 acessos oriundos do BAG abacaxi em campo. 2004). não apresentam uma adequada representação da diversidade genética da espécie em questão e muitas se encontram em situação precária. A expectativa é que a transposição total do banco esteja terminada no final de 2007. pela falta de recursos financeiros e humanos para sua manutenção. não apenas pela falta de apoio dos governos locais.2002. A formação de uma rede de recursos genéticos entre os Estados do Nordeste contribuirá não apenas para elaboração de um diagnóstico da situação atual dos recursos genéticos da região como para o estabelecimento de uma cultura de cooperação técnica que trará benefícios para vários segmentos da sociedade. Outra técnica utilizada para a conservação de germoplasma é a criopreservação. Alguns fatores influenciam no crescimento das plântulas. em sua maioria. otimizando o processo de conservação (Canto et al. adequando as condições de cultivo e buscando a limitação do crescimento. 2005a). além de alguns aspectos de ordem técnica. permitirá o delineamento de estratégias de coleta e conservação in situ e ex situ eficientes e representativas da variabilidade genética regional intra e interespecífica. identificando.. onde o objetivo é a parada total do metabolismo da planta. Esse tipo de conservação já começa a se fazer realidade para alguns cultivos. sendo necessário adequar condições para retardar o crescimento das plântulas. no que se refere à importância desse germoplasma e pelas condições sociais da mesma. As coleções mencionadas nesse capítulo. A grande maioria tem pouco do seu acervo caracterizado e portanto grande parte de seu potencial ainda permanece desconhecido. concentração osmótica e reguladores vegetais. as demandas mais urgentes. identificando zonas de ocorrência e endemismo de diversas espécies de fruteiras. Em uma região com uma extensa diversidade biológica. Outras vantagens do seu estabelecimento são a ordenação da informação e a determinação de atividades e espécies prioritárias. Gonçalves et al. no que se refere a fruteiras. Entre os materiais conservados encontram-se diferentes acessos do gênero Ananas e espécies afins. Uma das diretrizes iniciais para formação de uma rede na região Nordeste seria a realização de uma radiografia e um diagnóstico dos bancos de fruteiras existentes na região. A conservação in situ nessas regiões é difícil. bem como da infra-estrutura disponível para as atividades de caracterização. demarca a importância que deve ser dada para o aspecto da conservação desses recursos genéticos na região. quanto de sua utilização.. precisa ser melhor explorado. É preciso. tipo de conservação realizada em temperaturas ultra baixas (-154ºC aproximadamente). dentro de um enfoque de sustentabilidade. tanto da preservação do germoplasma existente. passa inicialmente pela conservação e utilização racional do germoplasma existente. Outros aspectos que precisam ser considerados são a possibilidade de diversificação para o agricultor do Nordeste. Paralelamente. vegetais e de microrganismos. além dos riscos de gerar plantas variantes. Ponis & Thint.

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Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa. Ana Cristina Vello Loyola Dantas. Claudia Fortes Ferreira & Antonio Augusto Oliveira Fonseca Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 2 CARACTERIZAÇÃO DE GENÓTIPOS DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Simone Alves Silva.

a recuperação de áreas desmatadas ou degradadas. Neste contexto. Cruz das Almas-BA. dentre outras. As plantas frutíferas englobam grande quantidade de espécies. parques e jardins e em áreas acidentadas. Existem muitas limitações para a exploração comercial de fruteiras potenciais para o Nordeste brasileiro. distintas culturas. Em virtude da alta variabilidade genética que comumente está disponível no seu habitat natural e da insuficiência de informações para definição de critérios de seleção. 1.br 2 1 Pesquisador . a pinha. identificar e preservar genótipos promissores.CARACTERIZAÇÃO DE GENÓTIPOS DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Simone Alves Silva1.br.embrapa. serão considerados neste capítulo alguns descritores utilizados para atender à caracterização da maioria das fruteiras. com considerável diversidade quanto ao modo de reprodução. Nesse sentido. E-mail: cfferreira@cnpmf. E-mail: sas@ufrb. DESCRITORES MORFOLÓGICOS A caracterização morfológica consiste na anotação de descritores botânicos facilmente visíveis ou mensuráveis. surgem como potencialmente interessantes para o Nordeste brasileiro. com ampla expectativa de progressos genéticos obtidos por meio do conhecimento da variabilidade genética. ciclo da planta e aos métodos de propagação. Antonio Augusto Oliveira Fonseca¹ Professor . acloyola@ufrb. Caracterizar. aumentando a freqüência de combinações alélicas desejáveis na população. Esta fase é conhecida como Pré-Melhoramento. além de intensificar o melhoramento das espécies são estratégias necessárias para incluí-las como alternativas viáveis para exploração racional. Ambientais e Biológicas/UFRB. possibilitando o melhor direcionamento dos cruzamentos e desta forma. Cruz das Almas-BA. 2009 . alógamas e predominantemente de propagação sexuada. Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa1. muitos agricultores e chacareiros já estão implantando pomares de frutas nativas e exóticas e os viveiristas estão intensificando a produção de mudas. caracterização. São geralmente perenes e lenhosas. o umbu. já que as espécies ainda não foram domesticadas e vêm sendo exploradas de forma desorganizada. mas também a necessidade de se preservar e conservar espécies nativas ou bem adaptadas à região e que emergem como alternativas para o cultivo sustentável. ou pre-breeding. Ana Cristina Vello Loyola Dantas1. Investir no melhoramento e na conservação destas fruteiras proporciona uma importante alternativa agrícola ecologicamente eficiente e competitiva para o Estado da Bahia. a formação de pomares domésticos e comerciais e o plantio em áreas de reflorestamento. avaliação de germoplasma e posterior seleção de genótipos mais promissores para serem utilizados como clones ou para etapas seguintes do melhoramento genético.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical.edu. Estes marcadores são bastante acessíveis e variam em função do destino que será dado ao produto final e às diretrizes do programa de melhoramento genético. Dentre as possibilidades atuais de utilização das fruteiras do Nordeste destacam-se: o plantio em áreas de proteção ambiental. é necessário reconhecer a existência de algumas espécies com potencial para a conquista do mercado interno. mapcosta@ufrb.br INTRODUÇÃO Tendo em vista a grande diversidade de fruteiras adaptadas às condições agroecológicas do Nordeste brasileiro.br. a cajá. o jenipapo.edu. 17 Tópicos em Ciências Agrárias. A evolução econômica e a demanda dos mercados reforçam hoje o interesse dos países latinoamericanos para as frutas em geral. período juvenil. Geralmente um Programa de Melhoramento de espécies pouco conhecidas inicia-se com a coleta.Centro de Ciências Agrárias. Claudia Fortes Ferreira2. UFRB.edu. o enriquecimento da flora das áreas mais pobres. para a exportação e também para a diversificação agrícola. v. a jaca. Não apenas a geração de divisas para o país e a diversificação regional devem ser consideradas. como por exemplo a mangaba. tornando-os marcadores fenotípicos e que a princípio podem ser expressos em todos os ambientes.

diâmetro longitudunal e transversal de 80. inferior ao da casca (50.75%. entre outros.24. 8. UFRB.82 cm). comprimento do fruto (28. O melhoramento desta espécie está voltado basicamente para a obtenção de frutos com menor cavidade interna.58%. mais importantes para a seleção de genótipos promissores. acidez total titulável (ATT) de 1. não redutores e totais. 1996). Sendo assim. constituindo-se numa alternativa ao incremento da renda familiar além de oferecer aos pequenos e micro industriais. acidez titulável total (ATT) de 0.26%). além da composição química do fruto como maior vitamina C.44% e 19. estes resultados permitiram a identificação de genótipos promissores. elevados conteúdos de sólidos solúveis totais e vitamina C (para consumo in natura) e alta acidez total titulável (para industrialização).75 cm).14).01.72 kg).40%.37 kg). observando-se variabilidade para a maioria dos caracteres. com a seleção de genótipos que poderão ser indicados como cultivares comerciais. 6. sabor e aroma.60. A análise da polpa revelou um teor médio de 18. opções de investirem no processamento de doces. Quanto aos caracteres químicos. respectivamente. 1. Quando se trata da distinguibilidade exigida pela Lei de proteção de cultivares. Os frutos apresentaram formato ligeiramente alongado.96 g. espessura da casca (0. encontrou valores médios de massa do fruto de 261.A caracterização de genótipos constitui uma das principais etapas dos trabalhos com germoplasma. especialmente na distinção de genótipos elites aparentados. massa do bagunço (5. 2001). jaqueira.22% de cinzas e relação SST/ATT de 11. diâmetro do fruto (19. massa da polpa (1. 12. umidade de 73. Em culturas de base genética estreita. Diversas fruteiras tropicais nativas e adaptadas têm sido caracterizadas em programas desenvolvidos no Centro de Ciências Agrárias. estudo de caracterização foi realizado por Lordêlo (2001).11% de glicídio redutores. possibilitando um maior rendimento de polpa. Estes têm tido papel fundamental na divulgação das características agronômicas de novos materiais genéticos e podem influenciar decisivamente na escolha de variedades por parte de agricultores e outros interessados.) Com relação à cultura da jaqueira.88% de sementes. boa percentagem de polpa. respectivamente. os descritores morfológicos apresentam limitações. pH de 5. ºBrix elevado e balanceamento organoléptico equilibrado.50% do fruto e o bagunço 8.86% de cinzas e 86. compotas.49%. através dos caracteres físicos como massa do fruto (4. detectando-se variabilidade para a maioria dos caracteres. 0. pois permite indicar cultivares com potencial de uso imediato pelos agricultores. Os descritores morfológicos são ainda hoje o “cartão de apresentação” de uma nova variedade.84 mm. mangabeira e pinheira. massa da semente (495.44 kg). a exemplo de jenipapeiro. respectivamente). Os trabalhos de caracterização morfológica do jenipapeiro iniciaram em 1998. 5. Jaqueira (Artocarpus heterophyllus Lam. proporcionarão um maior progresso.03% e 15.34º Brix. compostos por 60. eles podem muitas vezes não distinguir adequadamente cultivares comerciais (Pecchioni et al. sendo os caracteres massa do fruto e percentagem de polpa. Por suas qualidades organolépticas. com massa de 218. por apresentar frutos com massa acima de 200 g.58. rendimento em polpa e diâmetros longitudinal e transversal. a jaca pode representar um potencial econômico. sólidos solúveis totais de 17.) O jenipapeiro é uma espécie alógama.76 mg 100 g-1 e acidez total titulável de 1. contudo. vitamina c de 2. O percentual de polpa encontrado foi de 30. Ambientais e Biológicas da UFRB. Jenipapeiro (Genipa americana L. Neste sentido. melhor características organolépticas como cor.11 g. umidade de 73. licores etc.27 g) e massa da casca (2. a semente representou 10.19 para a relação SST/ATT. com a coleta de 30 genótipos no município de Cruz das Almas. a busca por constituições genéticas que agreguem atributos como maiores massa do fruto. confirmando o potencial da fruteira tanto para consumo in natura como para industrialização (Santos.66%.27% de casca e 33. v. açúcares totais.81º Brix. o conhe-cimento das características físicas e químicas dos frutos pode contribuir para a seleção de tipos promissores e desejáveis ao estabelecimento de cultivares. pH de 3. cajazeira. visando identificar e indicar constituições genéticas úteis para a continuidade do melhoramento e/ou produzir matrizes para serem propagadas vegetativamente. Foram identificadas plantas com interesse para o processamento e/ou industrialização e para consumo in natura. observando-se variabilidade nas plantas de jenipapeiro dentro e entre populações. a jaca apresentou valores médios de 25.19%. 2009 . Foram avaliados 30 genótipos de jaqueira em nove frutos por planta num total de 270 frutos. rendimento de 85.69% de glicídios redutores e totais.90 e 14.84% de polpa. avaliando 100 genótipos do Recôncavo Baiano. número de sementes normais e anormais (105. bem como identificar acessos que apresentem características interessantes para o melhoramento. a depender do destino no mercado consumidor (in natura ou industrialização).74%. Hansen (2006). Assim. número total de bagos (120..18 ºBrix. sucos. 1.89 cm).31% de ácido cítrico.13 cm).67%. social e alimentício a ser explorado. pH e acidez titulável. 18 Tópicos em Ciências Agrárias.

massa do receptáculo. O estudo da morfologia foliar. Ouriçangas e Nova Soure. bem como de outras características botânicas serão fundamentais para caracterizar a diversidade de variedades que ocorrem na região estudada (Sousa et al. v. como aporte ao programa de melhoramento genético de mangabeira. massa do fruto. flores. rendimento de polpa e coloração de polpa. possibilitando a identificação de materiais promissores (Sousa.84 g). massa da polpa.. espessura da casca. mostraram comportamento diferenciado entre as plantas dentro da população em relação a caracteres físicos e físico-químicos. SST/ATT. sendo esta última característica como a mais promissora para um melhor desempenho da mangabeira. massa da semente. teor de ácido ascórbico/100g de polpa em frutos maduros (2. diâmentros transversal (38. acidez total titulável (ATT). Além disso. sendo a margem do limbo lisa. MARCADORES MOLECULARES Marcadores moleculares são características de DNA que diferenciam dois ou mais indivíduos e têm base mendeliana. 2005). açúcares redutores e açúcares não-redutores. açúcares totais. independente da distância geográfica. massa da semente.) A caracterização morfológica de 30 genótipos de cajazeira em 10 frutos por planta foi realizada por Pinto (2002). As nervuras das folhas apresentaram-se de forma penivênias do tipo obliquivênia. em sentidos opostos e no mesmo plano de inserção. em torno de 113. 2009 19 . São moléculas como DNA ou proteínas que marcam uma região ou regiões do genoma. 1995). Conde. é possível estabelecer coleções biológicas organizadas. rendimento da polpa. com a formação de dez grupos de genótipos. teor de sólidos solúveis totais (15. massa total do fruto. Foram avaliados caracteres como massa do fruto. massa da casca. distintos genótipos foram identificados como superiores quanto a características físicas. visando principalmente estabelecer subsídios teóricos de taxonomia. por representar a maior procura tanto no mercado in natura quanto para industrialização. SST. cinza. massa da casca. com ampla base genética. Por outro lado. evidenciando uma alta variabilidade genética entre os genótipos. constatou-se que a filotaxia é do tipo oposta dística. Nas distintas regiões avaliadas foi verificada ausência de pressão de seleção dentro das populações o que possibilitou a ocorrência desta variabilidade. Tópicos em Ciências Agrárias. Desta forma. em virtude de partirem duas folhas do mesmo nó. massa da polpa. avaliando-se: comprimento do fruto.95 mm) e massa da polpa (33. percentual de polpa. Análise por estatística descritiva e multivariada. As plantas apresentaram folhas com limbo foliar de forma lanceolada do tipo oblongolanceolado. vitamina C. Características morfológicas e agronômicas têm a desvantagem de serem influenciadas pelos fatores do ambiente e podem não representar a real similaridade ou diferença entre os indivíduos. 1. relação (STT/ATT). umidade.76 g).. sólidos solúveis totais (STT). não sofrendo influência do ambiente (Weising et al. massa do fruto (35. Pinheira (Annona squamosa L.Cajazeira (Spondias lutea L.07 mg. visando sua adaptabilidade e estabilidade e posterior lançamento de variedades (Cruz. utilizando-se as técnicas de agrupamento e análise de componentes principais mostraram variabilidade para a maioria dos caracteres. caracterizado por ápice e bases quase iguais sendo que o primeiro é ligeiramente agudo. químicas e físico-químicas com alto teor de vitamina C. incluindo os municípios de Iramaia. frutos e sementes de mangabeira também foram aplicados. diâmetro do fruto. Foi verificada ampla variabilidade genética nas populações estudadas o que propicia a coleta de genótipos para futuros trabalhos de melhoramento e montagem de coleções e/ou bancos de germoplasma. vitamina C. Mangabeira (Hancornia speciosa Gomes) Expedições de coletas de 100 genótipos de mangaba em quatro regiões da Bahia. rendimento industrial. Destas análises. pH. 2004). de casca e de semente e caracterização físicoquímica e física de frutos como pH. Os descritores morfológicos de folhas.82 oBrix). 2005).49 mm) e longitudinal (41. marcadores genéticos representam estritamente a variação genética. desprovidas de duplicatas desordenadas para o melhor acompanhamento do desempenho desta espécie. UFRB.21%). dos cruzamentos controlados e do ajuste ao ambiente avaliado. ligada(s) a alguma característica de interesse agronômico. foram caracterizados 30 genótipos de pinheira provenientes do município de Presidente Dutra (BA). ATT.) Visando identificar materiais de interesse para utilização em sistemas de cultivo e em programas de melhoramento genético.

Isso tem sido devido principalmente a sua alta consistência e repetibilidade na obtenção dos resultados. portanto. Nessa região. Apesar deste marcador ter natureza dominante. O'Donoughue et al. os RFLPs têm sido utilizados em um grande número de estudos de caracterização de cultivares (Gebhardt et al.. Marcadores AFLP são utilizados com sucesso para detectar diferenças genéticas e variantes somaclonais em banana (Engelborghs et al. O polimorfismo detectado resulta de variações no número destas seqüências. não permitindo a distinção de heterozigotos. também. essa informação está impressa no DNA desta cultivar. 2009 . produzindo um grande número de fragmentos. adjacentes e em número variável (Jeffreys et al. 1. cultivares e clones e análise de diversidade genética (Daly et al. sendo que essa mesma região pode não existir em outro indivíduo. Por exemplo. capina.. v. estão o alto grau de polimorfismo e o mais alto número de marcadores obtidos por gel analisado. O indicador 20 Tópicos em Ciências Agrárias. (1995). das sondas utilizadas e do número e tipos das seqüências repetitivas.O uso de marcadores moleculares representa uma ferramenta adicional em programas de melhoramento genético em frutíferas. e representam regiões instáveis do genoma que estão sob alterações mutacionais a taxas muito maiores do que as observadas na seqüência de cópia única. permitindo a comparação entre indivíduos e identificando duplicatas (Engelborhs et al. um indicador de reação terá sua seqüência complementar a uma determinada região em um indivíduo.. Os microssatélites consistem em seqüências de 1 a 6 nucleotídeos. diminui-se o volume de material que necessitaria de cuidados como adubação. 1998). O polimorfismo de RAPD tem natureza binária (presença ou ausência). Com isso. O polimorfismo obtido com esta técnica está baseado em diferenças entre genótipos na distribuição dos sítios de restrição e na amplificação diferencial de fragmentos. havendo redução no número de gerações de melhoramento necessárias no desenvolvimento de variedades. 1991). mais demorada que as outras técnicas para obtenção de resultados de custo relativamente alto. 1985).. 1998. É uma técnica significativa na detecção de variabilidade genética e não requer mão de obra especializada (Ferreira & Grattapaglia. 1995).. além de possibilitar a classificação do germoplasma em grupos de interesse para os diferentes programas de melhoramento. com a vantagem de se fazer as análises antes do material ir para o campo. (1990). Autrique et al. não trará gravado em seu DNA essa informação.. especialmente em germoplasma aparentado e de baixa variabilidade. conforme a espécie. Os minissatélites ou locos VTNR são seqüências repetitivas de DNA.. São marcadores dominantes. as isoenzimas e proteínas de semente são menos úteis para escolha de pais em populações geneticamente homogêneas. A instabilidade dos microssatélites resulta em marcadores altamente polimórficos. que são extremamente úteis em estudos de genética. 1999. o Polimorfismo de Fragmentos Aleatórios e Amplificados de DNA (RAPD). variando basicamente o tipo de sonda utilizado. Ulanovsky et al. Entre esses marcadores. grande capacidade para detecção de variabilidade genética no nível de DNA.. se um genótipo de maracujazeiro confere resistência a uma bacteriose. o que elimina a necessidade do conhecimento prévio da seqüência alvo. Um outro genótipo que não apresente a resistência. determinar a presença ou ausência de gene(s) ligado(s) a características específicas para fins de melhoramento. o Polimorfismo de Comprimentos de Fragmentos Amplificados (AFLP). Uma vantagem adicional dos minissatélites é o alto grau de polimorfismo apresentado. Polimorfismos em nível de DNA podem ser detectados por vários métodos. os quatro mais utilizados são Polimorfismo de Comprimentos de Fragmentos de Restrição (RFLP). na identificação e monitoramento de genes de importância em maçã (Wang-Caihong et al.. 1995. “softwares” têm sido desenvolvidos para distinguir indivíduos homozigotos e heterozigotos (Vos et al. Crouch et al.. com as vantagens e desvantagens já apresentadas para a técnica anterior. desenvolvida por Williams et al. Minissatélites têm sido utilizados no melhoramento de frutíferas para a identificação de variedades. Como todas as diferenças entre os seres vivos estão presentes no DNA. UFRB. Entre os marcadores de DNA.. multialélicos. 2002). 1989. em razão da variabilidade relativamente pequena dos mesmos. A técnica de DNA polimórfico amplificado ao acaso (RAPD). sendo uma técnica que possui grande capacidade para detecção de variabilidade genética e uso em caracterização de cultivares. e tem revelado um grau de polimorfismo de intermediário a baixo. irrigação etc. repetidas lado a lado... 1990). A forma como esses fragmentos são obtidos varia com o tipo de metodologia empregada (Hillis et al. os genomas das duas cultivares serão diferentes. o que a torna uma das melhores opções para uso na caracterização de cultivares. 1996). Permite. minisatelites e os microssatélites (Ferreira & Grattapaglia. 1998). utiliza primers mais curtos e de seqüência arbitrária. Estes marcadores têm sido utilizados para aplicações de mapeamento genético em inúmeras frutíferas (Kijas et al. desta maneira. O AFLP foi descrita por Vos et al. 2001) e em estudos de diversidade genética em pêssego (Aranzana et al. As diferenças entre indivíduos são notadas quando se visualiza diferentes tamanhos de fragmentos de DNA entre estes. Mesmo assim. A técnica RFLP consiste basicamente no uso de enzimas de restrição que corta o DNA em sítios específicos. Essa técnica é similar a de RFLP. Cipriani et al. A maior vantagem dessa técnica é o elevado polimorfismo revelado. 1994. 1998). decorrente da variação na distribuição dos sítios de restrição. 1998).. possuindo. oferecendo novas possibilidades no manejo de uma coleção.. 2001).. Entre as vantagens do uso de marcadores AFLP. Esta técnica é elaborada.

Neste trabalho. Com isso diminui o volume de plantas que necessitam de cuidados como adubação. com a vantagem de análises precoces antes dos genótipos irem para o campo. avaliando os marcadores RAPD em mangaba (Cruz. Os seis primers responsivos geraram 28 produtos de amplificação (bandas). A utilização de marcadores moleculares como ferramenta de seleções em culturas perenes. Mangabeira (Hancornia speciosa Gomes) A caracterização molecular desta fruteira teve como objetivo determinar a distância genética entre os genótipos coletados utilizando a técnica de RAPD. Nesta amplificação foi gerado um total de 407 bandas. O uso de marcadores moleculares representa uma ferramenta adicional em programas de melhoramento genético em frutíferas. O número de bandas polimórficas foi de 148 (81. como a maioria das fruteiras com potencial para o Nordeste brasileiro. 10 a 30 primers. são suficientes para estimar relações genéticas dentro e entre espécies. com bandas de padrão de visualização adequada. indicando a presença de variabilidade genética entre os genótipos avaliados. Sendo assim. representam importantes ferramentas na seleção antecipada (Ferreira & Grattapaglia. Segundo Colombo et al. dos oito primers amplificados. v.amplificará fragmentos no primeiro indivíduo.. Em trabalho subseqüente foram avaliados 50 primers. Desta forma. com o número de fragmentos produzidos variando de 3 (OPB-19) até 7 (OPH-15). A perspectiva de tornar mais eficiente a seleção precoce e com isso aumentar o ganho genético por unidade de tempo. mas não no segundo. a presença ou ausência de gene ligado a características específicas. Além disto. identificados também por marcadores morfológicos. 2003). UFRB. sendo que 32 proporcionaram eficiência na amplificação. a fim de identificar o polimorfismo presente nos genótipos avaliados e sua resposta em comparação à caracterização morfológica. sendo 257 polimóficas e 150 monomórficas (Capinam. sendo uma técnica viável e uma importante ferramenta na identificação da variabilidade genética em jenipapeiros. é de grande contribuição para o êxito na seleção de genótipos superiores destas culturas. encontrar marcadores moleculares aliados às características fenotípicas de maior rendimento do produto final aferidos por dados biométricos. irrigação etc. em trabalho realizado por Hansen (2006). 2009 21 . (1980). 1998). comprovando a formação de grupos dissimilares. dos 119 primers testados. havendo redução no número de gerações de seleção necessárias para o desenvolvimento de variedades (Moreira.32%) e variou de 3. Tópicos em Ciências Agrárias. 2005). os genótipos foram avaliados utilizando técnicas de marcadores moleculares do tipo RAPD. 2007). a classificação de germoplasma. identificação de duplicatas. desta forma eles serão separados pelo RAPD (Moreira. A utilização desta técnica demonstrou existência de polimorfismo no material em estudo. faz com que o melhoramento de espécies frutíferas seja a área onde o uso efetivo desta tecnologia tende a ter as melhores perspectivas de sucesso. Em trabalho pioneiro.7 por primer. 2003). O uso de marcadores moleculares no Centro de Ciências Agrárias tem sido feito com à cultura da mangabeira e está sendo aplicado à cultura do jenipapeiro. Jenipapeiro (Genipa americana L. As estimativas de distância genética foram aplicadas baseadas na análise direta do DNA como ferramenta adicional na confirmação dos valores morfológicos. capina. Estimativas de distância genética baseada na análise direta de DNA eliminam complicações advindas da avaliação do fenótipo. Por esta razão. 17 forneceram produtos nítidos de amplificação e boa repetibilidade. técnicas que permitem identificar marcadores moleculares ligados a genes responsáveis por características de importância agronômica. com o primer OPAI-01 à 13. os marcadores moleculares evidenciaram variabilidade pela presença de polimorfismo. Pode-se observar padrões de bandas diferentes. a qual foi respaldada com similar variabilidade detectada com a caracterização morfológica. oferecendo novas possibilidades no manejo.) A formação de grupos gerados por mensurações físicas e químicas poderão ser respaldadas ao confirmarem suas informações genéticas diretamente do DNA. permitindo a comparação entre indivíduos. gerando 50 a 100 bandas polimórficas. Um total de 185 marcadores foram amplificados. 1. é uma tecnologia extremamente atraente tendo em vista o tempo necessário para completar uma geração de melhoramento desta espécie. com uma média de 10. como influência do ambiente e baixo número de polimorfismo. com o primer OPH-13. dois foram monomórficos e seis polimórficos.

735-742. CAPINAN. É onde a seleção pode atuar. Crop Science. ARUS. M. 2001. J. 120 f. Comparison of fruit and leaf dna extracts for AFLP and SSR analysis in peach (Prunus persica (L. 99. 21.. CHARREIRA. C. e tem como objetivo final o aumento da produtividade. UFRB. avaliação do comportamento da planta. CIPRIANI. a necessidade de adaptação das metodologias de melhoramento e técnicas experimentais e a demora na obtenção de novas cultivares decorrente da necessidade de avaliação no ambiente de cultivo. S. Vários fatores têm sido apontados como difíceis de serem superados pelo melhoramento de fruteiras ainda pouco exploradas.D. A presença de ampla variabilidade constitui a primeira etapa para o alcance de tal objetivo. AC/GT and AG/CT microsatellite repeats in peach (Prunus persica (L) Batsch): isolation. 2007. São vários e distintos os mecanismos utilizados para obtenção de melhoria para as fruteiras pouco exploradas e de grande potencial econômico e social. G. SORRELLS. M. P. Madison. H. estudo sobre herança etc). P. p. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias). REFERÊNCIAS ARANZANA. Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.. Acta Horticulturae. 1. M. comparação do material melhorado com um padrão existente. disponibilidade de germoplasma com ampla variabilidade e conhecimento acumulado sobre a biologia da espécie a ser estudada. seleção em cultivo hidropônico em estádio de plântula e propagação vegetativa de genótipos promissores. CROUCH. culturas de tecidos.38. 546. VALLE. Genetic diversity characterization of cassava cultivars (Manihot esculenta Crantz) with RAPD markers. distribuição do novo material. conservados e manipulados através de cruzamentos genéticos ou incorporação de genes promissores por biotecnologia. morphological traits and coefficient of parentage. Crop Science.M. v..) Batsch). tecnologias de marcadores moleculares.. COLOMBO. identificando os genótipos distintos e superiores para serem multiplicados. et al. v.CONSIDERAÇÕES FINAIS O melhoramento pressupõe a necessidade de modificar a constituição genética do indivíduo. characterisation and cross-species amplification in Prunus. escolha da metodologia adequada para avaliação do material.211-217.. 1996.et al. TANKSLEY. France. K. 1. as informações sobre a variabilidade disponível facilita o estabelecimento dos objetivos de um programa de melhoramento. M. C. G. S. p. 36. v. L. cujas deficiências e qualidades são conhecidas. 22 Tópicos em Ciências Agrárias. A. n. p. Cruz das Almas. seleção dos segregantes superiores. como o pequeno conhecimento sobre a variabilidade destas espécies. n. VICENTE. a estratégia para o melhoramento de fruteira deve conter as seguintes fases: identificação das características importantes a serem melhoradas. p. Seleção de germoplasma de mangabeira (Hancornia speciosa Gomes) definida por marcadores morfológicos e moleculares. 1999. 65-72. AUTRIQUE. de. 297-300. Por fim. localização de genes. C.. T.. Genetic and Molecular Biology. Segregation of microsatellite loci from haploid and diploid gametes in Musa. NACHIT. melhoria da qualidade e adaptação a determinado ambiente. Berlin. poderão tornar efetivo o progresso genético destas espécies. o reduzido estoque de informações básicas sobre a biologia e a genética do material a ser melhorado (modo de reprodução. p..E. v. Todas estas dificuldades serão superadas com pesquisas que agreguem informações e na criação de Programas de Melhoramento destas fruteiras potenciais. 2009 . escolha e recombinação dos genitores. MONNEVEUX. que mesmo a médio e longo prazo possam ser estreitados com adição de tecnologias complementares e eficientes. 105-113. E. SECOND. v. Iniciar um programa de melhoramento implica em compromissos a médio e longo prazo. 1998. 1998. G. Assim. Theoretical and Applied Genetics. identificação de fontes de variação genética dentro do germoplasma disponível. Genetic diversity in durum wheat based on RFLPs. Frente a esta preocupação.

br Consultado em 09/2003. 2002.318-370. Montpellier. p. ssp. 1996. I. p. v. DNA fingerprinting: approaches and applications. Universidade Federal da Bahia. C. Universidade Federal da Bahia. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias). The isolation and characterization of plant sequences homologus to human hypervariable minisatellites. THEIN. et al. HILLIS. p. STANCA. tuberosum) with RFLPfingerprints. n. Hypervariable 'minisatelite' regions in human DNA.. 34. 3ª ed. 1994.edu/mpmbio. S. 76-79.. p. J.CRUZ. L. p. Crop Science.. SORRELLS. R. M. In: HILLIS. E. A. M. 349-355. Basel: Birkhäser. Nature. FACCIOLI. ENGELBORGHS..3. Introdução ao uso de marcadores moleculares em análise genética. Toda fruta. 77 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias). MONETTI.. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias). Marcadores agronômicos e moleculares na caracterização de jenipapeiros do Recôncavo Baiano. N. 1995. V. 2. Journal Genetics Breeding. 1998... U..M. v. In: BURKE. de O. Programa TFPGA (Tools for population genetic analyses): versão 1. v. M..S.E. p. p.330-341. MOREIRA. SOUZA.E... L. D. M. Identification of 2n breeding lines and 4n varieties of potato (Solanum tuberosum.com. Molecular markers for genotype identification in small grain cereals. 2001. SCHACHTSCHABEL. D. 76. FOWLER. 1991. Ottawa. Molecular systematics. D. Tópicos em Ciências Agrárias.. Nucleic acids III: sequencing. KIJAS. Universidade Federal da Bahia. v. et al.html Consultado em 01/2005. 78:16-22. Caracterização de genótipos de cajazeira (Spondias lutea L. C. M. GEBHARDT. Infomusa. 50. V. E. 3-6. BLOMENDAHL. Sunderland: Sinauer Associates. 1990. C. Universidade Federal da Bahia. VAN CAMPENHOUT. Relationships among North American oat cultivars based on restriction fragment length polymorphisms. 72p. HANSEN. 2009 23 . O'DONOUGHUE. Cruz das Almas. 1. LORDÊLO. F. DALY. J. M. SALAMINI. TANKSLEY.cist... C. M. Disponível: http://bioweb. P. A. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias). P. FERREIRA. Cruz das Almas. Theoretical and Applied Genetics. S. p. v. F. E. Marcadores bioquímicos e de DNA: importantes ferramentas no melhoramento genético de fruteiras. THOMAS. RITTER. Caracterização e seleção de genótipos de mangabeira utilizando marcadores morfológicos e moleculares. Califórnia: UCC. Capacidad del AFLP para detectar diferencias genéticas y variantes somaclonales en Musa spp.. 1997. SWENNEN. A. 1985.. R.todafruta. A. 316. MORITZ. S. D.usu. Cruz das Almas.. S. 2006. S. S. 1989. 75 p.220. 2005. H. Site: www. T.D. 1251-1258. MILLER. 38.) em Cruz das Almas-BA.. Caracterização de jaqueiras (Artocarpus heterophyllus Lam. WILSON. PINTO.. PECCHIONI. 203-219. UFRB. Genome. Brasília: EMBRAPA-CENARGEN. 64 p. R. 1998.) e as necessidades do sistema agroindustrial. v. An evaluation of sequence tagged microsatellite site markers for genetic analysis within Citrus and related species. M. C. TERZI. Cruz das Almas. T. W. DEBENER.L. da S. et al. GRATTAPAGLIA. JEFFREYS.J.

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Simone Alves Silva & Janay Almeida dos Santos-Serejo Tópicos em Ciências Agrárias . Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa.CAPÍTULO 3 PROPAGAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Ana Cristina Vello Loyola Dantas.

Apesar dos grandes avanços das técnicas de cultura de tecidos.) Liang & Ferguson (Nachtigal et al. sendo recomendada para obtenção de porta-enxertos e de novas cultivares. são exemplos práticos da utilização de sementes como meio de propagação e formação de mudas para o plantio. pode-se mencionar aqueles realizados por Cervera et al. pinha. umbu. Com a demanda crescente do mercado por produtos de alta qualidade e com características agronômicas bem Tópicos em Ciências Agrárias. Esta técnica pode ser feita via gemas pré-existentes ou cultura de calos derivados de diferentes tecidos. (1996) em urucum (Bixa orellana L.. Fruteiras como jaca. 1999). mangaba. Ambientais e Biológicas/UFRB.br. v. Embora a utilização das sementes seja mais difundida para a maioria das frutíferas tropicais. em situações mais específicas. para obtenção de clones nucelares e em plantas homozigotas. o uso da propagação sexuada tem sido restrita. em virtude da recalcitrância da maioria dessas espécies. a propagação assexuada das principais espécies frutíferas cultivadas comercialmente já é uma prática amplamente difundida e adotada pelos viveiristas e produtores de frutas tropicais. com início de produção precoce e idêntica à planta-mãe. Eucalyptus (Xavier & Comério. (Peixoto & Pasqual. Actinidia deliciosa (Chev. a regeneração de plantas in vitro a partir de explantes meristemáticos tem sido reportada em diversas espécies lenhosas. E-mail: acloyola@ufrb. Cruz das Almas-BA. 1999) e muitas outras. 1994). 2009 27 . mapcosta@ufrb. a otimização de protocolos eficientes que estimulem a organogênese e/ou embriogênese em plantas lenhosas tem sido muito limitada. Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO A propagação de plantas consiste em realizar sua multiplicação por via sexuada ou assexuada e tem sido uma atividade fundamental para a humanidade desde o início da civilização. as fruteiras nativas e exóticas típicas do Nordeste brasileiro ainda são propagadas única e exclusivamente por via seminífera. UFRB. encostia).. Rodriguez & Wetzstein (1998) em pecan (Carya illinoinensis (Wagenh. pitanga. 2001).edu. Entretanto. que têm sido. entre outras vantagens. Kock). Um estudo de propagação de plantas envolve conhecimento dos procedimentos técnicos. 1. Algumas espécies produzem estruturas utilizadas para propagação.edu. A reprodução sexuada é o principal mecanismo de multiplicação das plantas superiores e de praticamente todas as angiospermas e resulta em população com variabilidade genética devido à segregação e à recombinação de genes. Malus domestica Borkh (Centellas et al. A micropropagação de espécies lenhosas vem sendo estudada há várias décadas e tem como objetivo básico o estabelecimento de uma metodologia de multiplicação clonal de indivíduos superiores. sendo o método mais indicado por possibilitar a obtenção de plantas uniformes. Dentre os poucos trabalhos. Vitis vinifera L. 1996).).br 2 1 Pesquisador -Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical.) C. que requer prática e experiência. em larga escala. Por sua vez. Uma das grandes vantagens dessa técnica é a manutenção do genótipo e fenótipo de plantas propagadas por esse sistema (Giacometti. (1992). podendo considerar-se que a propagação envolve aspectos de arte. Os métodos para propagação assexuada normalmente utilizados em plantas frutíferas são: estaquia.br. incorporadas nos programas de melhoramento genético de plantas (Borém. A escolha da planta matriz. a cultura de calos visa à regeneração via organogênese ou embriogênese. para espécies com dificuldade de multiplicação por outros meios. 1990). cada vez mais. (1998) e Moura et al. enxertia (borbulhia. A propagação vegetativa utilizando técnicas de cultura de tecido pode ser um valioso instrumento na propagação clonal rápida de fruteiras. jenipapo. dos frutos e o preparo e seleção das sementes constituem etapas importantes para a obtenção de plantas vigorosas. a exemplo de rebentos e filhotes. sas@ufrb. 1996). Osbeck). (2001) em citros (Citrus sinensis L. Segundo Lerdeman et al. entre outras. da estrutura e forma de desenvolvimento da planta e da espécie e dos métodos de propagação relacionados. tais como Persea americana Mill (Barceló-Muñoz et al. Em fruticultura. Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa1. ciência e técnica (Hartmann & Kester. Janay Almeida dos Santos-Serejo 2 Professor . Simone Alves Silva1.PROPAGAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Ana Cristina Vello Loyola Dantas1. 1995). Almeida et al. O desenvolvimento de métodos de regeneração de plantas in vitro via organogênese ou embriogênese somática é requisito necessário para utilização de técnicas biotecnológicas como a transformação genética ou hibridação somática (Brasileiro & Dusi.Centro de Ciências Agrárias. 1999). quase todas as espécies podem ser propagadas vegetativamente. mergulhia (alporquia).edu. Por outro lado. dentre outros. subtropicais e temperadas.. garfagem.

3 %). Na semeadura em sacos de polietileno. Ambientais e Biológicas/UFRB vêm demonstrando a capacidade organogenética da cultura a partir de segmentos internodais (Figura 1). extraídas por fricção em peneira. que pode demorar de 15 a 30 dias. 30°C e 35°C. depois uma maior concentração e no final novamente poucas . 2003b). e com a importância crescente de fruteiras até então pouco exploradas. buscando desenvolver e adaptar tecnologias de propagação para diversas espécies frutíferas tropicais nativas e exóticas. Silva et al. Gomes (1989) cita que a enxertia por borbulhia foi usada nas Filipinas com bom resultado. 1. areia e esterco de galinha proporcionou as melhores médias de altura da planta (36. divulgando resultados da literatura e de pesquisas realizadas no Centro de Ciências Agrárias. (1994) indicaram acondicionamento das sementes de jenipapo em geladeira.07 cm) e diâmetro do caule (7. utilizando-se vermiculita e solo como substrato. contra 0. estudos têm sido realizados para maior conhecimento do processo de multiplicação. laminados. Jenipapo. a garfagem no topo em fenda cheia apresentou-se mais eficiente. num tempo médio de 17 dias após o início da germinação. Jenipapo (2003a) recomenda a imersão em água fria por 48 horas para acelerar e uniformizar a germinação. a semeadura é feita preferencialmente em sacos de polietileno com dimensões mínimas de 20 cm de altura e 7 cm de diâmetro ou em sementeiras previamente preparadas (Santos. com predominância do uso das sementes. (1994). apresentaram os maiores valores de germinação (cerca de 78. As sementeiras devem ter dimensões de 1. UFRB. 1978).0 mg L-1 de benzilaminopurina (BAP) e/ou sem a utilização de reguladores vegetais. na medida em que possibilitou pegamento médio de 87% aos 8 dias após a enxertia.definidas. A muda estará pronta para o plantio quando atingir cerca de 20 cm de altura. Mudas formadas em sementeira estarão em condições de serem plantadas quando atingirem 20 a 35 cm de altura (Santos. 32 dias após a enxertia. 2003b). (1998) verificaram que sementes procedentes de frutos maduros colhidos no chão. Ambientais e Biológicas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. com leito constituído por 3 partes de terriço e 1 a 2 partes de esterco de curral bem curtido.4 % respectivamente para garfagem no topo em fenda cheia e garfagem em fenda lateral. onde os melhores resultados foram conseguidos em meio MS com adição de 1. retirando-se as sementes por meio da maceração. Para isso deve-se utilizar borbulhas de ramo maduro.2 m de largura x 0. foi de 100 e 95. indicando possibilidade de seleção nas plantas matrizes para esses caracteres. os frutos devem ser provenientes de plantas isentas de pragas e doenças e de boa produção. seis a doze meses após a repicagem (Jenipapo. Prado Neto (2006) avaliou a influência de diferentes substratos no desenvolvimento inicial da planta e a eficiência de métodos de enxertia por garfagem em jenipapeiro. realizando-se o desbaste quando a planta apresentar 10 cm de altura. Nascimento & Damião-Filho (1998) verificaram que a germinação ocorre de maneira heterogênea. por alporquia e enxertia. 1994. O percentual médio de pegamento do enxerto.71mm). cortando-se as plantas restantes. sacos plásticos 18 x 30 cm) com o mesmo substrato usado nas leiras. proporcionando uma média de 58 % de emergência de plântulas aos 60 dias de armazenamento. verde-azulado realizando-se cortes de quatro centímetros de comprimento. A propagação vegetativa tem sido pouco mencionada na literatura. não sendo importante a idade do cavalo no ponto de inserção. Após secagem à sombra por 48 horas. 2009 . Em trabalho realizado por Andrade et al. Rocha et al. glabro. Este é um aspecto interessante. No entanto. não havendo influência dos substratos na eficiência dos métodos de enxertia utilizados. Recentes trabalhos desenvolvidos no Laboratório de Cultura de Tecidos de Planta da Centro de Ciências Agrárias. As mudas com cerca de 2 cm de altura devem ser repicadas para vasos (jacás. Borges et al. após a avaliação da germinação de sementes de jenipapo submetidas a tratamentos prégerminativos. 1978). v. Cada metro quadrado deve receber 360 sementes a de 2 a 3 cm de profundidade.30 m de altura x 10-20 m de comprimento. A influência dos substratos no desenvolvimento das plantas só foi observada aos 13 meses quando o substrato composto por solo. no início poucas plântulas. Na propagação por sementes. (1994) mostraram haver variabilidade entre 37 progênies de jenipapo quanto à percentagem de germinação e índice de velocidade de emergência. entre outros métodos (Carvalho. Cultura do jenipapeiro (Genipa americana) A propagação do jenipapo se dá via sementes e vegetativamente. recomendaram a imersão das sementes em água a 65°C por 5 a 10 minutos por ser um método econômico e proporcionar maior valor para o índice de velocidade de germinação. enquanto frutos amadurecidos na planta e extração por abrasão em areia resultaram em sementes com maior índice de velocidade de germinação. quando 28 Tópicos em Ciências Agrárias. coletados quando começam a cair.0% para garfagem em fenda lateral. além de ser de fácil manuseio. O objetivo deste trabalho foi reunir informações sobre a propagação de espécies frutíferas com potencial no Nordeste brasileiro. pode-se colocar 3 a 4 sementes a 2 a 3 cm de profundidade. (2000) obteve-se maiores percentagens de germinação de sementes de jenipapo em temperaturas de 25°C. Souto et al.

embriogênese somática. até umidade de 18. E por serem recalcitrantes as sementes perdem rapidamente o poder germinativo logo que retirados dos frutos.8 %. embora indiquem um potencial promissor para a propagação vegetativa in vitro de plântulas de jenipapeiro a baixo custo. 15 Frequencia de brotações (%) 10 5 0 0. (2002). Vieira Neto (2001) recomenda colher os frutos diretamente da árvore. servem também como ponto de partida para outros estudos visando inclusive. não só haveria redução de custos pela falta da necessidade de usar reguladores vegetais. Os resultados observados. não observaram influência significativa do dessecamento. Pimentel & Santos (1978) verificaram um decréscimo de 52% na germinação das sementes ao terceiro dia extração dos frutos quando deixados em condições ambientais. uma porcentagem de 25% de germinação. Também foi possível verificar que as sementes embebidas em água apresentaram uma maior percentagem de germinação em relação às não embebidas (Capinan. (1987) observaram que sementes de mangaba embaladas em saco de polietileno armazenados à temperatura de 15oC e umidade de 45% mantiveram até os 25 dias. já que neste caso. proporcionando a continuação das etapas de melhoramento da espécie. constatou que o poder germinativo das sementes cai rapidamente entre o quarto e o oitavo dia após sua retirada dos frutos. 2003). obtendo os melhores resultados na utilização de areia lavada adicionada de terra vegetal (proporção 1:1).se visa propagação clonal. Cultura da mangabeira (Hancornia pubescens) A mangabeira é uma espécie cujas sementes em condições ambientais apresentam baixa longevidade. e do armazenamento por 72 horas sob condição de refrigeração na germinação e índice de velocidade de emergência.25 mg L-1 (AIA) (Tabela 1). A emergência das plântulas ocorre em média de quinze a trinta dias após semeadura. Novaes et al. 1. Gonzaga Neto et al. Em relação à forma mais apropriada de produzir as mudas desta espécie. UFRB. Tavares (1960). A percentagem média de germinação foi de 33.0 -1 3. visto ser a produção de mudas. v. Ainda na busca por substratos mais responsivos. Efeito das concentrações da bezilaminopurina (BAP) na frequência de explantes com brotações de jenipapeiro. houve tendência de redução de germinação com o dessecamento e com o armazenamento.0 mg L-1 (BAP) + 0. O início da emergência de plântulas ocorreu em média aos 23 dias após a semeadura. sugerindo comportamento recalcitrante. quando estes iniciarem a queda espontânea ou recolhê-los no chão. 2009 29 .0 1. um grande entrave na cultura da mangabeira.2 brotos por explantes. No sentido de desenvolver protocolo eficiente para estimular as repostas in vitro desta cultura a partir de segmentos de epicótilo. As taxas médias de multiplicação variaram entre 0. Este acentuado decréscimo deve-se provavelmente à rápida desidratação das sementes.1 e 1. citado por Ferreira (1973). para que possam ser futuramente utilizados em técnicas biotecnológicas como a hibridação somática e/ou transformação genética. constatou-se bom desempenho das plantas em bagaço de cana e areia lavada na proporção de 1:1. estudando a germinação de sementes de mangaba. Para obtenção das sementes.0 2. bem como uma provável diminuição nos riscos de variação somaclonal. sendo necessária rápida semeadura logo que colhidas. várias combinações de reguladores vegetais vêm sendo testadas em meio MS (Murashige & Skoog 1962). destacando-se o meio MS suplementado com 1.7 %. O aspecto morfológico das brotações Tópicos em Ciências Agrárias.0 Concentrações de BAP (mg L ) Figura 1. havendo variação na percentagem de acordo com o período de secagem e condições de armazenamento. estudos referentes aos substratos mais eficazes na germinação das sementes recalcitrantes da mangabeira foram realizados. e embora sem diferença significativa.

0 mg L-1) e AIA (0. citros. Este fato possivelmente deve-se aos poucos trabalhos. (2001).25 mg L-1 (AIA).0 mg L (BAP)+ 0. 0. Figura 2.03 D 29.0.0. Número de explantes intumescidos e taxa média de multiplicação (brotos por explantes) de mangabeira.0 mg L-1 (BAP) + 0. onde as mesmas apresentaram comprimento em torno de 5.50 mg L (AIA) -1 -1 2. 1962). Tabela 1. a partir de segmentos de epicótilo em de cultura MS (Murashige & Skoog. 3 e 4 aqueles mais próximos ao ápice caulinar.0 mg L (BAP)+ 0. 2. 1. 1962) suplementado com 1. 1.25 mg L-1 de AIA realmente é aquela que proporciona melhor resposta dos explantes de mangabeira na indução de brotações. 2009 . Regeneração in vitro de plantas de mangabeira. razão pela qual a conversão em planta também é reduzida. 1962) suplementado com BAP (0. UFRB.28 C 25.0 ou 2.0 mg L-1 de BAP e 0. em função do meio de cultura MS (Murashige e Skoog. 0. Neste sentido.13 C 0.28 C 1. não apresentaram raízes.0 cm e 4 a 5 pares de folhas opostas. 30 Tópicos em Ciências Agrárias.00 mg L (AIA) -1 -1 1.24 Valores seguidos da mesma letra na vertical não diferem entre si pelo teste de Tukey a 1% de probabilidade. realizados com a fruteira em estudo.0 mg L (BAP)+ 0. As taxas de multiplicação obtidas neste trabalho podem ser consideradas baixas.63 B 0. buscando discriminar a existência de zonas com maior potencial organogênico que favoreça o enraizamento. conforme se observa na Figura 2. Apesar dos resultados promissores quanto ao número de brotações. é baixa.88 A 0. no entanto. dentre outras. independente da posição do segmento internodal.25 mg L (AIA) -1 -1 2.50 mg L-1). desta natureza.25 ou 0. banana. Verificou-se que a combinação de 1.50 mg L (AIA) CV (%) -1 -1 Explantes intumescidos 0. Combinações de reguladores vegetais acrescidas no meio de cultura MS (Murashige & Skoog.46 Taxa de multiplicação 0.0 mg L (BAP)+ 0. quando comparadas com aquelas fruteiras que já possuem protocolos de regeneração de plantas in vitro definidos. a capacidade de enraizamento tanto in vitro como ex vitro da mangabeira. tais como abacaxi.33 C 0. como o relatado por Pinheiro et al.56 B 0. segmentos de epicótilo foram numerados de acordo com a proximidade em relação ao ápice. v. Geralmente os trabalhos in vitro estão voltados para testes de germinação.0 mg L (BAP)+ 0. 2003.25 mg L (AIA) -1 -1 1. Cruz das Almas.23 A 0.desenvolvidas neste meio de cultura foi satisfatório. sendo considerado internódio 1 aquele mais próximo ao sistema radicular.23 C 0.

disponibilidade. o de folha de taboa destacou-se pelo seu menor custo de confecção e boa resistência ao manuseio e transporte da muda. apresentam em geral baixa qualidade fitossanitária e agronômica. mineral (vermiculita. 1980). capacidade de troca catiônica. Cultura da jaqueira (Arthocarpus integrifolia) A jaqueira tem sido propagada tradicionalmente por sementes. blocos de fibra. não satisfazendo portando os interesses dos consumidores de caju. vermicomposto e substrato comercial Citrus 1) mostrou que a porcentagem de germinação e o índice de velocidade de emergência foram influenciados pelo substrato. Corrêa et al. O substrato atua como se fosse o solo fornecendo à planta sustentação. húmus etc. água. O tamanho das sementes é um dos fatores que pode influenciar a germinação e o vigor das plântulas. Os melhores resultados para a maioria das características avaliadas foram obtidos com a utilização do tubete de polipropileno rígido em substrato Citrus 1. pois as mesmas perdem gradativamente a viabilidade. A produtividade e a qualidade dos frutos produzidos em pomares de “pé-franco” são bastante variáveis. mas afeta o vigor da plântula (Carvalho & Nakagawa. vasos de barro. observando-se efeito significativo do substrato Citrus 1. Em geral. as plantas oriundas a partir desse processo apresentam uma grande variação na produtividade. Estes pomares improdutivos estabelecidos com altos custos. podendo ser de diversas origens. sob condição de viveiro telado. (1995) destacaram que os processos de propagação mais utilizados no cajueiro são a alporquia e a enxertia. da estrutura do viveiro e de uma criteriosa análise de custo. As sementes podem ser colocadas para germinar diretamente em sacos de polietileno não reciclado de 30 x 18 cm e 12 m de espessura. teor de nutrientes. Visando a produção de mudas de cajueiro anão precoce. O uso destes recipientes depende do tipo e do local onde a muda será produzida. Os substratos vermicomposto e composto do lixo urbano proporcionaram menor desenvolvimento das mudas. plástico e fibra. isopor etc. A germinação ocorre dentro de três semanas e quando as mudas apresentarem 30 cm de altura podem ser plantadas definitivamente. perlita.40 x 0. Recomenda-se selecionar as sementes maiores e semeá-las o mais breve possível. independentemente do tubete utilizado. Entre as características desejáveis de um substrato. pode-se citar o custo. o que inviabiliza a exploração comercial racional de pomares assim estabelecidos. fibra da folha de taboa (Typha dominquensis) e palha de bananeira (Musa sp). Os resultados na literatura não são consistentes e muitas vezes conflitantes. 2009 31 .) e artificial (espuma fenólica. serragem etc. o que favorecerá o desempenho futuro da planta.).Cultura do cajueiro (Anacardium occidentale) A propagação de cajueiro por sementes (pé-franco). O uso de tubetes artesanais biodegradáveis produzidos a partir de fibra de sisal (Agave sisalana). areia etc.30 m considerando-se a necessidade de permanecerem por maior tempo no viveiro. 1997). Nesse tipo de propagação. UFRB. vegetal (tortas. O custo final médio da muda usando tubete artesanal biodegradável foi superior em 13 %. esterilidade biológica. além de proporcionar boa agregação das raízes aos substratos e facilidade de retirada das mudas dos tubetes de polipropileno rígido. Como a polinização é cruzada. plástico e metal.). retenção de umidade e uniformidade. experimento realizado por Silva (2002). v. No preparo de mudas para porta-enxerto. recomenda-se utilizar sacos de 0.). a exemplo de caixas de madeiras. forma e qualidade dos frutos. Hartmann & Kester (1994) relacionam vários tipos de recipientes que podem ser usados na propagação e cultivo de plantas jovens. para produção de mudas de cajueiro anão precoce em diferentes substratos (composto do lixo urbano. porém com características suficientes para atender às exigências mínimas da altura e diâmetro do caule para a enxertia no período de 30 dias após emergência. devido a desuniformidade das fases de desenvolvimento. xaxim. a exemplo da viabilidade da semente. O tamanho da semente tem efeito Tópicos em Ciências Agrárias. mostrou que substratos existentes no mercado possibilitam a produção de porta-enxertos mais vigorosos. tem como resultado plantas com características diferentes no que diz respeito ao fenótipo e genótipo. aeração. Entre os tubetes artesanais biodegradáveis. bagaços. bem como no período de colheita (Luna. necessitando aumento do suprimento hídrico e o tubete de palha de banana apresentou maior grau de degradabilidade. a exemplo de animal (esterco. Os principais fatores determinantes na formação de uma muda são o substrato e o recipiente. O tubete de fibra de sisal apresentou problemas de baixa retenção de umidade nos substratos. A manutenção das sementes em água durante 24 horas melhora a germinação e por 48 horas em ácido giberélico resulta em 100% de germinação. devendo estes proporcionarem um bom desenvolvimento à muda enquanto esta permanecer no viveiro. com maior sobrevivência dos enxertos. no tamanho. devendo-se considerar os benefícios da sustentabilidade e geração de emprego para indicar a sua utilização. as sementes devem ser coletadas em frutos provenientes de árvores de boa produção e frutos de alta qualidade. refletindo em sua história as dificuldades de acesso dos produtores a mudas enxertadas com materiais apropriados e economicamente viáveis (Cavalcante Júnior & Chaves. fenômeno que depende de outros fatores. 1. os estudos mostram que o tamanho da semente não tem influência sobre a germinação. 2001). nutrientes e oxigênio. recipientes metálico e sacos de polietileno.

C.. G. faz-se necessário o estudo de métodos de propagação para o seu cultivo. Cultura do jambeiro (Eugenia malaccensis) O jambeiro vermelho. C.2 a 95. 3. 1996. BRASILEIRO. SIMÓN-PÉREZ. 2000. v. p. mar. n. são relatadas experiências bem sucedidas de enraizamento de estacas tratadas com 5.1 a 8. C. utilizados para consumo in natura ou obtenção de doces em compotas ou licores.0 g) mostrou que influência da massa da semente no número de dias para início da germinação. Brasília. p. L. E. G. Micropropagation of adult avocado.5% de pegamento com o método de garfagem em fenda cheia e 67.58. de A. Trabalho desenvolvido por Dantas et al.SPI. p. ANDRADE.99 g) e médias (5. A. A.1 a 20. 1999. v. A. 1.0 a 6. sendo que sementes grandes apresentaram valores superiores em relação às sementes pequenas e médias.0%. Tissue and Organ Culture. como substrato.Os maiores valores para altura de plantas. (1994). trabalhos realizados por diversos autores com diferentes espécies mostram influência do tamanho da semente tanto no vigor quanto na germinação. ALMEIDA.11 17. Indução de brotações em explantes de segmentos de folhas de plântulas de urucueiro em diferentes citocininas.. A percentagem de germinação variou de 81. Ciência Rural. D. Quanto à estaquia. PLIEGO-ALFARO.. (1992). L. pois o extrativismo dos frutos ocupa um lugar de destaque na composição da renda familiar de pequenos agricultores.. Transformação genética de plantas. F. mostrou que o tamanho das sementes não influenciou na germinação.5% com a garfagem em inglês simples. CALDAS. a propagação da jaqueira pelo método da alporquia apresentou 90% de pegamento. não havendo diferença significativa entre as classes de sementes. et al. A. No entanto. garfagem (fenda lateral) e encostia. J. D. A massa da semente influenciou o índice de velocidade de emergência. podendo atingir até 20 m de altura. v..pronunciado sobre o crescimento inicial das plantas.. S. UFRB. 13. Brasília: Embrapa. Embrapa. R. vermelhos.. P. que iniciaram a germinação aos 23º dias. sementes grandes (7. et al.0 g). matéria orgânica de origem vegetal (húmus) bem decomposta e a aplicação de pasta de lanolina contendo fitohormônio (ácido indolbutírico). conforme citações de Andrade et al. 1994. No processo de enxertia podem ser utilizados como porta-enxerto a própria jaqueira e também o champedaque (Artocarpus integer) com um ano de idade. Cultura de tecidos e transformação genética de plantas.000 mg kg-1 de ácido indolbutírico e mantidas sob nebulização. pelos métodos de borbulhia em placa. substrato e morfologia do desenvolvimento pós-seminal. 35. DUSI..CNPH. originário da Índia e de algumas ilhas da Malásia pode ser propagado por sementes ou vegetativamente. Os frutos são ovóides. De acordo com Lederman et al. significativamente superior ao observado para sementes pequenas.45-49. utilizando-se. Os garfos para enxertia são obtidos das jaqueiras selecionadas e após remoção das folhas devem ficar com 10 a 15 cm de comprimento.. 32 Tópicos em Ciências Agrárias.. v. Efeito do armazenamento de sementes de jenipapo (Genipa americana L.) sobre a emergência de plântulas.0 g) e grandes (14. porém. Germinação de sementes de jenipapo: temperatura. 3. peso fresco e seco da parte aérea foram observados em sementes grandes. C. diminuindo a intensidade à medida que a planta se desenvolve (Carvalho & Nakagawa. A propagação assexuada da jaqueira pode ser realizada pelos métodos de enxertia e estaquia. (2000). 1994. p. copa de forma cônica e ramificações abundantes. O trabalho desenvolvido com sementes de diferentes massas: pequenas (2. A. Pesquisa Agropecuária Brasileira. BARCELÓ-MUÑOZ. ALMEIDA. F. C. J.1 a 14. In: TORRES. Sampaio (1986) obteve 57. 1980). M. com sementes grandes germinando aos 16º dia após a semeadura. L. Resumos. J. v.0 a 8. Salvador: SBF. (Ed. M. com enraizamento aos 60 dias. (1998) e trabalhos realizados por Machado et al.). BORGES. BUSO. 1079-1080. REFERÊNCIAS ALMEIDA. S.26. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. M.. Plant Cell. com polpa branca. NUNES. ENSINA. médias (8.99 g) proporcionaram maiores índices de velocidade de emergência. Por ser uma planta exótica e pouco explorada comercialmente. F. 2009 . Apresenta porte elevado. A. Salvador.

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Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

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CAPÍTULO 4
DINÂMICA DO CRESCIMENTO VEGETAL: PRINCÍPIOS BÁSICOS

Clóvis Pereira Peixoto & Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto

Tópicos em Ciências Agrárias

DINÂMICA DO CRESCIMENTO VEGETAL: PRINCÍPIOS BÁSICOS

Clóvis Pereira Peixoto1; Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto1
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Professor - Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas/UFRB, Cruz das Almas-BA. E-mail: cppeixot@ufrb.edu.br

INTRODUÇÃO A dinâmica do crescimento vegetal pode ser acompanhada por meio de fórmulas matemáticas, sendo o primeiro passo utilizado para quantificar a produção vegetal, possibilitando avaliar a contribuição dos diferentes órgãos no crescimento final das plantas. Sua principal vantagem está na obtenção de informações a intervalos regulares, sem a necessidade de laboratórios e/ou equipamentos sofisticados, uma vez que as informações necessárias para levar avante tais análises, são a massa da matéria seca (fitomassa) da planta e a dimensão do aparelho fotossintetizante (área foliar). Nos estudos ecofisiológicos das plantas não se pode prescindir da análise de crescimento, pois, os fatores ambientais como luz, temperatura, concentração de CO2 e a disponibilidade de água e nutrientes, próprios de cada local, afetam sensivelmente a taxa assimilatória líquida, a taxa de crescimento relativo, a razão de área foliar etc., destas plantas. Através do estudo das interações destes parâmetros com cada fator ambiental, em particular, e/ou estádio de desenvolvimento da planta, podem ser conhecidas a eficiência do crescimento e a habilidade de adaptação às condições ambientais em que estas plantas crescem. Portanto, independente das dificuldades inerentes ao conhecimento da complexidade que envolve o crescimento das plantas, a análise quantitativa do crescimento é uma ferramenta e o meio mais acessível e bastante preciso para avaliar o desenvolvimento vegetal e a contribuição de diferentes processos fisiológicos sobre o seu desempenho, nas diferentes condições agroecológicas a que são submetidos. A tecnologia de exploração de plantas envolve a aplicação de diversas ciências. Na Agronomia, a horticultura e a silvicultura, entre outras, são disciplinas que utilizam conhecimentos provindos da Botânica, da Edafologia, da Mecânica, da Zoologia (pragas), da Climatologia e de outros setores do conhecimento, visando a produção agrícola que decorre do crescimento e desenvolvimento das plantas. Um controle da produtividade das plantas só é possível, pois, conhecendo-se os fatores que atuam sobre o crescimento e desenvolvimento nos vegetais. Este trabalho visa atender aos iniciantes no estudo da Fisiologia Vegetal e, em particular, aos alunos dos cursos de Agronomia e áreas afins, sendo esta, uma revisão simplificada sobre a dinâmica do crescimento e desenvolvimento das plantas, permitindo que o leitor tenha uma noção básica geral e, caso queira aprofundar o conhecimento, poderá utilizar-se das bibliografias sugeridas e/ou buscar aquelas mais específicas. CONCEITOS BÁSICOS A análise quantitativa de crescimento tem sido usada por pesquisadores de plantas, na tentativa de explicar diferenças no crescimento, de ordem genética ou resultante de modificações no ambiente. Sua aplicação torna-se apropriada quando são usados conceitos básicos de análise de crescimento e os critérios essenciais para a obtenção dos dados. Crescimento - Aumento irreversível de algum atributo físico, especialmente do material protoplasmático (Reis & Muller, 1979). Pode-se medir a massa, tamanho ou volume, a depender: a) do objetivo do experimentador, b) da disponibilidade do material a ser estudado e c) da disponibilidade do equipamento para efetuar a medida. Muitos autores restringem o termo crescimento aos processos de divisão e alongamento celular. Crescimento, entretanto, nem sempre significa um aumento de tamanho (Felippe, 1985). Assim, alguns organismos utilizam materiais de reservas para produzir novas células, havendo multiplicação celular sem, contudo, aumento em extensão, o qual se dá por vacuolização. Tanto é que, em “déficit hídrico”, o crescimento em extensão é o mais sensível, pois depende da pressão de turgor. Desenvolvimento - Diferentes etapas por que passa o organismo ou o vegetal (germinação, juvenilidade, maturação,
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reprodução, senescência e morte). O desenvolvimento é caracterizado pelo crescimento e por mudanças na forma da planta, as quais ocorrem por meios de padrões sensíveis de diferenciação e morfogênese. Diferenciação - Aumento em complexidade. Diz respeito a todas as diferenças qualitativas entre células: especialização de células e tecidos para funções particulares durante o desenvolvimento. Os tecidos diferenciam-se em sistemas vasculares (floema e xilema), de reservas, preenchimentos e síntese (parênquimas), entre outros. Através da fenologia (estudo dos fenômenos periódicos da vida em relação às condições ambientais), pode-se observar que o crescimento e o desenvolvimento de um organismo resultam da ação conjunta de três níveis de controle (Lucchesi, 1987): a) Controle Intracelular - Controle genético - envolve as características da planta que ela carrega em sua bagagem genética. A atividade celular depende da ação gênica para a síntese protéica e enzimática. Estes conhecimentos são muito utilizados em programas de Biotecnologia. b) Controle Intercelular - envolve as substâncias reguladoras; os hormônios, compostos orgânicos não nutrientes, de ocorrência natural, produzidos na planta que, em baixas concentrações promovem, retardam ou inibem processos fisiológicos e morfológicos. Os reguladores vegetais possuem as mesmas pro-priedades, sendo, porém exógenos. Suas atuações acontecem ao nível de gene, portanto, são capazes de promover as mais variadas modificações nos vegetais (Castro & Vieira, 2001). As principais classes de hormônios vegetais são as Auxinas, Giberelinas e Citocininas (promotores), o Etileno (ligado a senescência) e o Ácido abscísico (Inibidor). Alguns reguladores sintéticos como a Hidrazina maleica, têm ação inibidora. Enquanto outros, como o Daminozide (SADH) e Chlormequat (CCC), agem como retardadores do crescimento com ação no meristema subapical sobre a síntese de auxína e giberelina, respectivamente. c) Controle Extracelular - É o controle ambiental. Seriam as condições do ambiente onde está inserido o vegetal, pois seu desenvolvimento depende de vários componentes ambientais como: luz, temperatura, água, sais minerais etc. Estão envolvidos fatores do meio físico (climáticos e edáficos) e fatores do meio biológico (pragas, doenças, plantas daninhas, animais e o homem). O ambiente, constituído do Biótopo (lugar onde há vida) e da Biocenose (conjunto dos seres vivos), afeta a morfologia, o crescimento e a reprodução vegetal, através dos fatores climáticos (altitude, latitude, vento, temperatura, luz e água) e edáficos (topografia, propriedades físicas: textura, estrutura, profundidade e permeabilidade e propriedades químicas: fertilidade, pH e matéria orgânica). Como pode-se observar, o desenvolvimento da planta como um todo, é um processo complexo que envolve fatores externos e internos, compreendendo o crescimento e a diferenciação. O crescimento reflete um aumento em tamanho e peso (massa), sendo, por isto, um processo quantitativo. A diferenciação é um processo qualitativo que pode ser observado, mas não medido, constituído por modificações internas e externas na forma e posição relativa de várias partes da planta durante seu ciclo de vida. As técnicas de análise de crescimento foram desenvolvidas no início do século XX, por investigadores britânicos (Blackman, 1919; Briggs et al., 1920; West et al., 1920), que além de apresentarem as fórmulas de análise de crescimento, suas derivações e condições necessárias para seu uso correto, discutem alternativas e métodos que envolvem uma descrição matemática do peso da matéria seca e da área foliar em função do tempo, seguida de cálculos de diferentes parâmetros de crescimento. O fundamento dessa análise é a medida seqüencial da acumulação de matéria orgânica na planta, sendo que a sua determinação é feita, normalmente, considerando a massa da matéria seca ou a sua fitomassa (Magalhães, 1985). Entretanto, devido ao fato deste procedimento ser destrutivo, as plantas tomadas como amostra a cada tempo, devem representar a população em estudo. A medida da massa da matéria seca das diferentes partes da planta é simples e exige poucos equipamentos (réguas graduadas em milímetros, tesouras, paquímetro, estufas de aeração forçada, sacos plásticos, sacos de papel etc.). Isto é, não exige laboratório nem material sofisticado, o que é considerado uma vantagem da análise do crescimento Castro et al. (1984). Estas informações são obtidas a intervalos de tempo regulares, normalmente uma semana ou cada 14 dias para plantas de ciclo curto (Castro et al., 1984; Magalhães, 1985; Peixoto, 1995; Peixoto, 1998; Brandelero, 2001; Brandelero et al., 2002; Peixoto 2002; Benincasa, 2004 e Lima, 2006). A fim de que o crescimento total da planta possa ser estimado, as raízes devem ser consideradas como importantes componentes do vegetal. No entanto, em geral, a recuperação das raízes, principalmente no campo, pode se tornar um trabalho adicional, o que faz com que esta parte da planta seja desconsiderada nos cálculos de análise de crescimento. Por outro lado, em determinados vegetais, onde as raízes são responsáveis pela produção econômica, faz-se necessário que a tomada de suas medidas, seja em massa, volume, diâmetro ou tamanho.

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A determinação da superfície foliar é muito importante no que diz respeito a inúmeros parâmetros fisiológicos como a taxa de crescimento relativo, a taxa assimilatória líquida e o índice de área foliar, entre outros. A área foliar representa a matéria prima para a fotossíntese e, como tal, é de grande importância para a produção de carboidratos, óleos, proteínas e fibras. Basicamente, os parâmetros utilizados para medir o crescimento vegetal abordam a área foliar (AF ou L) e matéria seca (MS ou W) acumulada pela planta por representarem esses fatores a “fábrica” e o “produto final”, respectivamente (Peixoto, l995). Na prática, as principais medidas de W e L são o peso da matéria seca total (MST) e a área foliar total (AF) da planta. As fases de crescimento de uma planta ou de qualquer outro organismo vivo podem ser resumidas na Figura 1 e representam as modificações no tamanho, na massa ou no volume desse organismo, ou de qualquer órgão dele, em função do tempo. Neste tipo de curva, pode-se distinguir uma fase inicial de crescimento lento, passando posteriormente a uma fase exponencial e, em seguida, a uma de crescimento linear e um novo período de crescimento lento, com a paralisação eventual do processo.

CRESCIMENTO

IDADE DA PLANTA

Figura 1. Curva ilustrativa do crescimento sigmoidal de uma planta (Magalhães, 1985). A interpretação fisiológica dessas diferentes fases do crescimento pode ser compreendida da seguinte forma: a) No início, a planta depende das reservas da semente para a produção dos diferentes órgãos componentes. O espaço ainda não foi ocupado pelas plantas. Cada nova folha que é formada contribui para maior interceptação da luz. Não há sombreamento mútuo ainda e a contribuição das poucas folhas é semelhante. A taxa de crescimento relativa é constante e a cultura é principalmente vegetativa, caracterizando a fase exponencial. b) Após o desenvolvimento do sistema radicular e a expansão das folhas, a planta retira água e nutrientes do substrato em que se desenvolve e inicia os processos anabólicos dependentes da fotossíntese. As folhas serão gradualmente auto-sombreadas, aumenta o índice de área foliar (IAF), passando a uma fase de crescimento linear, com o maior incremento na taxa de matéria seca (MS). Quando água e nutrientes não são limitantes, o IAF poderá facilmente exceder o seu ótimo sem, contudo, significar maior aumento em fitomassa. c) Ao atingir o tamanho definitivo, a planta entra na fase de senescência, diminuindo o IAF, com menor interceptação da energia luminosa, resultando em decréscimo no acúmulo de matéria seca, com a translocação desta para os órgãos de reservas, e conseqüente degeneração do sistema fotossintético. Segundo Lucchesi (1987), um vegetal anual sob condições ecológicas adequadas, ocupa no período de crescimento, em termos de percentagem, 10% para germinar, 6% para emergir, 51% no grande período de crescimento (fase linear), 15% para a reprodução, 8% na maturação e 10% até a colheita. Portanto, durante o seu desenvolvimento, o vegetal ocupa, nas diferentes fases, diferentes períodos de crescimento, naturalmente afetados pelos fatores externos (fenologia) e os inerentes à própria planta. A análise do crescimento constitui uma parte da fisiologia vegetal em que se faz uso de fórmulas e modelos matemáticos para avaliar índices de crescimento das plantas, sendo muito deles relacionados com a atividade fotossintética (Benincasa, 2004). Como o crescimento é avaliado por meio de variações de tamanho de algum aspecto da planta, geralmente morfológico, em função da acumulação de material resultante da fotossíntese líquida, esta passa a ser o aspecto fisiológico de maior importância para a análise de crescimento. Exceções ocorrem como, por exemplo, o alongamento de caules por alta atividade auxínica, sob condições de ausência de luz (estiolamento). A fotossíntese líquida (FL) é definida como a diferença entre a fotossíntese bruta (FB -tudo que é literalmente produzido pela fotossíntese no interior dos cloroplastos) e o que é consumido pela respiração (R). Em algumas plantas, outro processo compete com a fotossíntese bruta: a fotorrespiração (FR). Portanto, FL = FB - (R + FR).
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Na Figura 2 tem-se o fluxo de matéria e energia a partir da fotossíntese. poderá ser mobilizado para as novas sínteses. mediante o processo fotossintético. 2004). Portanto. Estes carboidratos poderão ser diretamente “queimados” pela respiração (3) e/ou. UFRB. v. resultando na liberação de energia armazenada nesses compostos. de massa. eventualmente. promover adições de novos materiais. isto é. Os compostos elaborados no nível B são. 42 Tópicos em Ciências Agrárias. utilizados para a síntese de material metabólico e estrutural (4). Fotossíntese A 1 3 Respiração PP 4 2 Armazenamento I 5 6 Síntese de Material Metabólico e Estrutural B 7 Manutenção 9 8 Armazenamento II Crescimento C Figura 2.A respiração é um processo de combustão lenta dos carboidratos produzidos na fotossíntese. lipídeos e demais componentes orgânicos produzidos pela planta . de dimensões lineares. 1. promover o crescimento. no qual o esquema se apresenta em três níveis. Em caso de estresses. O crescimento da planta como um todo. a qual é utilizada para a manutenção do metabolismo vegetal e de todos os processos fisiológicos. basicamente carboidratos (1). e. ainda. são produzidos os produtos primários (PP).nível B. ou podem ser armazenados (2) em formas mais complexas (dissacarídeos ou polissacarídeos como a sacarose e o amido). como proteínas. armazenado secundariamente (8) ou serão utilizados para promover aumento do material estrutural (9). a fotossíntese bruta terá de ser bem maior para atender às necessidades metabólicas do material existente e. que formarão inicialmente os açucares simples (monossacarídeos como glicose e frutose). Fluxo de matéria e energia. resultando em crescimento . Em direção ao nível B. utilizados para manutenção do material já existente (7). a partir do processo fotossintético (Benincasa. em termos de aumento de volume. conseqüentemente. ocorra um aumento no processo respiratório. é de se esperar que. o caminho (5) constitui o fluxo de energia obtida pela respiração que será utilizada na síntese de novo material e (6) é fluxo de material armazenado que. de unidades estruturais é função do que a planta armazena (armazenamento I e II) e do que a planta produz em termos de material estrutural (nível B). na medida em que a planta cresça. No nível A. em parte.nível C. 2009 . esse material armazenado poderá ser utilizado diretamente pela respiração.

Pode-se fazer o contorno da folha. A partir dos dados de crescimento pode-se inferir atividade fisiológica.Com um perfurador de área conhecida (de metal). obtendo-se diretamente a área foliar. estimar-se. comprimento e diâmetro de caule. de forma bastante precisa. Fotocópias . de forma a poder selecionálos para melhor atender aos seus objetivos ou mesmo utilizar a análise de crescimento no estudo do desenvolvimento vegetal sob diferentes condições ambientais. Número e distribuição de estômatos. as causas de variações de crescimento entre plantas geneticamente diferentes ou entre plantas crescendo em ambientes diferentes. São muito úteis e. com raríssimas exceções. UFRB. A área foliar é determinada por diferentes métodos. retângulo etc. (b) disponibilidade de material a ser estudado. definindo-se como área foliar. Medidas de superfície . Uso de integradores . são as únicas possíveis. que ficam nos laboratórios. a medida dessa superfície. Em caso de plantas que não apresentem folhas funcionais. Dimensões lineares (altura de planta.) Estas medidas de dimensões lineares podem ser feitas em plantas intactas ou não. a análise de crescimento atende àqueles pesquisadores que estão interessados em conhecer diferenças funcionais e estruturais entre cultivares de uma mesma espécie. através da utilização de células fotoelétricas.). são as folhas. flores. 1. comprimento e largura de folhas etc. através de punções. (d) disponibilidade de tempo do experimentador ou da equipe. em alguns casos. quais sejam: lineares. determina-se a área de uma das faces da folha. componentes de instrumentos eletrônicos. É mais comum usar-se a “impressão da folha” em um papel e usar o planímetro no contorno destas. Massa seca de discos foliares . relacionando a massa seca da área conhecida do disco com a massa seca da folha. toma-se amostras de discos foliares. o aparelho fotossintetizante é a superfície do caule e ramificações.Estas medidas estão relacionadas com a determinação ou estimativa da superfície fotossinteticamente ativa da planta que. volumétricas.Comparação da massa de uma área conhecida de papel com a massa dos recortes do perímetro das folhas. Os tipos de medidas a serem realizadas dependem de vários aspectos: (a) objetivos do experimentador. estima-se a área foliar. usadas para detectar diferenças entre os tratamentos estabelecidos. “de bancadas”. v. dão importantes informações sobre as diferenças funcionais entre plantas ou interações destas com o ambiente. A superfície foliar é determinada diretamente ou estimada por meios indiretos. em vez de se medir a folha inteira. como algumas cactáceas. de forma a subsidiar o processo de seleção de acordo com os objetivos do experimentador. círculo. Coloca-se uma placa transparente sobre a folha (vidro ou plástico) para facilitar a operação. (c) disponibilidade de mão-de-obra.Medidor de área foliar. acompanhadas ou não. Tópicos em Ciências Agrárias. muitas vezes. Dentre estes métodos. os órgãos vegetais responsáveis pela fotossíntese. peso e número de unidades estruturais.A partir de contornos foliares impressos em papel. (e) disponibilidade de equipamentos para executar as medidas. Integra a área de qualquer material opaco. número e distribuição de células do parênquima clorofiliano. isto é. 2009 43 .O crescimento pode ser acompanhado a partir da contagem de unidades estruturais morfológicas ou anatômicas (folhas. Do ponto de vista agronômico. Por interpolação das massas das figuras de áreas conhecidas e a massa da “impressão” recortada da folha. Número de unidades estruturais . Existem os portáteis e os maiores. de outras medidas destes órgãos. O crescimento de uma planta pode ser estudado através de medidas de diferentes tipos. são feitas cópias heliográficas das folhas e do mesmo papel são retiradas figuras com formas em que a área pode ser conhecida (quadrado. superficiais. destaca-se: Uso do Planímetro .Medidas do crescimento A análise de crescimento permite avaliar o crescimento final da planta como um todo e a contribuição dos diferentes órgãos no crescimento total. raízes e frutos) que podem fornecer informações sobre a fenologia e são. incluindo condições de cultivo. A maioria com alto grau de precisão. Para isso.

aumento na massa seca. Exige-se para tal. a duração do ciclo. a partir de medidas lineares como comprimento (C) e largura (L) da lâmina. leva-se em consideração os seguintes itens: o tamanho da amostragem e o intervalo de amostragem. Há também destruição do indivíduo. sem. É muito trabalhoso. largura. determina-se o valor médio das razões que será utilizado como fator de correção (F) para estimativa da área. principalmente de três aspectos: a) do número de plantas disponíveis.É uma medida tridimensional. Massa da matéria seca . usa-se também o potencial de água (Ya) como medida. cuidando para que a visada seja feita em ângulo reto.Desenvolvido por Bleasdale (1977). vão determinar os critérios para a tomada de dados. c) do número de amostragens a ser realizado durante todo o período de observação. usa-se um modelo para cada folíolo de forma geométrica aproximadamente definida e que apresentem altas correlações com suas dimensões lineares ou peso seco (Reis et al. Se não houver diferenças estatísticas entre estas razões. São exemplos. numa dada temperatura (tecidos vegetais: mais ou menos 65 a 70 graus Celsius). não exigirem destruição do material e serem de ampla utilização em condições de campo.. UFRB. O mesmo poderá ser entendido para a área amostrada.É a massa do material em equilíbrio com o ambiente. É muito usado quando se está interessado em produtividade. Por outro lado. Tamanho da amostragem . Geralmente o crescimento da matéria seca é acompanhado pelo aumento do teor de água nos tecidos da planta. mandioca. Massa da matéria fresca . além do ciclo da planta e do seu hábito de crescimento. altura 44 Tópicos em Ciências Agrárias. Cada um destes métodos poderá ser usado em situações específicas. contudo. Deve-se avaliar dados de comprimento. café. consiste no uso de uma placa de vidro ou papel transparente (material utilizado em radiografias) com pontos distanciados de 1. em função do tipo da folha (forma. além de destruir o indivíduo. Na observância dos parâmetros que se quer medir (órgão da planta. considerado mais preciso (envolve o “peso túrgido”). de um número representativo de folhas. o que seria um indicativo do “status” de água na planta.A partir da área foliar obtida por integrador ou por outro método. calcula-se a razão entre a área foliar (AF) e o produto do comprimento pela largura (C x L) de cada folha medida (R = AF / C x L). seringueira. principalmente dependente da umidade relativa do ar. sendo essencial que se use pontos pequenos. Critérios de amostragem O tamanho da comunidade ou da área experimental (homogênea ou não) em estudo. v. Se o número de plantas for restrito ou pequeno. com um número restrito para amostras. relacionando-se o potencial osmótico (Yo).0 cm. 1. A desvantagem do uso de massa da matéria fresca (MMF) é conter algumas imprecisões como o tempo entre a colheita e a pesagem.Refere-se ao número de plantas colhidas ou à vegetação que cobre uma determinada área de solo. da disponibilidade do material e do rigor científico do trabalho. b) da área total a ser amostrada. Para tanto. a fim de evitar erro de paralaxe. soja. onde se denota aumento de volume. o matricial (Ym) e o potencial pressão (Yp): Ya = Yo + Ym + Yp.É a massa constante de determinada amostra. pois se deve fazer várias repetições. o tipo de plantas a serem analisadas. Em folhas compostas. Vai depender. A placa deve ser colocada sobre a folha. Estabelecem-se os modelos matemáticos quando estas dimensões estão altamente correlacionadas. desde o local da amostragem até o local de pesagem. entre outras plantas. os objetivos do trabalho são de maior relevância na definição desses critérios. A relação entre massa da matéria fresca e massa da matéria seca pode informar sobre o Teor de Água (TA) ou Teor Relativo de Água (TRA) nos tecidos. tamanho. o hábito de crescimento. a planta inteira etc. por exemplo: perda de água por transpiração (Reis e Muller. 1979). espessura). a amostra tenderá a ser pequena. Modelos matemáticos . Entretanto. existem exceções como é o caso de embebição de sementes. de acordo com o tipo de planta usada. Volume . Exemplo: Volume de frutos (imersão dos frutos em água para conhecimento de seu volume). Muita das vezes é obtido por deslocamento de água em determinado recipiente graduado (proveta graduada).Método dos pontos . pois é uma medida bem mais precisa que o peso da matéria fresca. Indiscutivelmente. O teor de água é bastante variável a partir da colheita da planta. que as folhas sejam simples.). 2009 . 1978). Apresentam a vantagem de serem métodos relativamente rápidos. além de outros aspectos. procura-se se limitar às plantas disponíveis e as medidas não deverão ser destrutivas.

aconselham para plantas de ciclo curto o intervalo de 14 dias durante o período de crescimento. que é preferível não executá-las. quaisquer medidas que permitam uma avaliação do crescimento serão válidas. Castro et al. neste caso. será colhido um número de plantas. número de células ou mesmo conteúdo de proteína.). UFRB. o número de plantas colhidas deverá ficar entre o mínimo de 10 e o máximo de 20. Deve-se tomar cuidado com a seqüência de amostragens para que as plantas a serem retiradas em amostragens seguintes não estejam próximas das plantas que foram retiradas na amostragem anterior. devido eventuais limitações de espaço e/ou nutrientes ou acúmulo de produto final. entretanto. para não haver mascaramento. mas se tem necessidade de matéria seca. 1. Também os organismos mostram uma conformação sigmóide. Quando há um interesse muito grande. 2009 45 . em um número representativo e. intervalos de uma semana ou múltiplo da semana são estabelecidos. não aumentam significativamente a precisão da amostragem (Benincasa. Será determinado um número que permita se fazer todas as medidas previstas num mesmo período de observação (meio dia ou o dia todo). com base na média dessas medidas. em todas as plantas. uma vez que as remanescentes crescerão em ambiente diferente daquele previamente estabelecido. bem como da área foliar (através das dimensões comprimento (C) x largura (L). embora seja melhor aumentar o número de áreas colhidas. para se determinar a gravidade do estresse. Quando se tem uma área cultivada ou coberta por vegetação. Se a amostragem for por área e não por planta. Normalmente. Para plantas de até 130 dias. Interações mútuas entre indivíduos impõem limitações ao crescimento e a curva de crescimento sofre uma inflexão. Considerando-se que a análise de crescimento usa medidas morfológicas ou anatômicas para inferir processos fisiológicos. Quando se trabalha com plantas envasadas. a colheita de plantas será feita com base em uma amostragem prévia de plantas marcadas e intactas. podendo ser detectadas quase que integralmente. diâmetro de caule. Intervalo de amostragem . os produtos estudados como volume. sendo comum o uso de tubos com altura e diâmetros diferentes e com conexões para permitir estudos de profundidade.de plantas. a não ser que se tenha mão-de-obra disponível para executar as medidas. Enfim. mostram padrão sigmóide quando analisados no decorrer da vida da planta. poderão ser medidas todas as plantas. a imprecisão das medidas de raízes no campo é de tal ordem. 2004). escolhendo-se o dia mais desejável. cuja soma deverá corresponder a uma fração significativa da área total. de fruto. as medidas podem ser feitas normalmente. Entretanto. principalmente quando se trabalha em condições de campo. Medidas do sistema radicular tornam-se mais importantes quando se trabalha com estresse hídrico e. 2004). Podem ser medidos um ou dois aspectos listados para plantas intactas. Determinação em raízes . Em déficit hídrico. número de folhas.Este aspecto dependerá da disponibilidade de plantas e do tempo do pesquisador. Caso contrário. no caso de plantas envasadas ou em casa de vegetação ou ripado. Muitas vezes não há disponibilidade de plantas ou a área cultivada é pequena. essas medidas tornam-se bastante viáveis. altura. Este tipo de amostragem só é possível quando se colhem plantas individuais. (1984) e Magalhães (1985). número de flores. é possível fazer-se uma estimativa a partir de medidas indiretas no campo (estima-se a superfície radicular ou a quantidade de raízes em um determinado volume de solo. Quando se tem uma área suficientemente grande que se possa colher um número maior de plantas ao acaso. é possível colher-se áreas maiores em menor número. etc. massa ou superfície. o intervalo não deverá ultrapassar 5 dias. Se o número for pequeno. respeitando o ciclo das plantas em estudo. a amostragem será com destruição de uma área mínima e representativa da área total e deverão ser respeitados alguns princípios usados para amostragens com destruição de plantas. os dois critérios descritos são de difícil aplicação. a exemplo do rabanete. o qual é mantido para todas as amostragens feitas). Tópicos em Ciências Agrárias. existe toda uma metodologia para fazer estas avaliações. é importante estabelecer a relação Raíz/Parte Aérea. O tipo de recipiente pode ser fundamental. Neste caso. No caso de órgãos de armazenamento (raízes e caules subterrâneos). v.As medidas de raízes ou do sistema radicular são bastante difíceis de serem feitas. tomando uma conformação sigmóide. No caso de plantas de ciclo curto. Normalmente. o intervalo de uma semana é o mais recomendável (Benincasa. Padrões de crescimento exponencial e sigmóide As células individuais ou órgãos apresentam potencialmente um crescimento ilimitado que obedece a um padrão exponencial. uma vez que valores abaixo de 10 podem induzir a erros e acima de 20.

ou ln Wt = ln Wo + r t. ln = logaritmo natural e e = base dos logaritmos naturais (2. fase linear). passando posteriormente. A B CRESCIMENTO (w) CRESCIMENTO SIGMÓIDE CRESCIMENTO EX PONENCIAL FIM DA FASE DE CRESCIMENTO ESPONENCIAL P/B dw dw . a uma fase exponencial (de crescimento rápido. a curva que melhor expressa o crescimento é a sigmoidal. É semelhante a uma poupança. UFRB. indica a “taxa de crescimento”. v.tempo (área foliar) dt TEMPO (t) Figura 3. definindo-se como a capacidade da planta adicionar matéria seca a si própria. enquanto que no caso da planta. 46 Tópicos em Ciências Agrárias. Só que no banco seu dinheiro rende ou vai crescer exponencialmente. o crescimento exponencial é limitado. dependente da absorção das raízes e da atividade fotossintética. Durante a fase inicial a planta depende fundamentalmente das substâncias de reservas da semente (período de crescimento lento). O crescimento nestas condições segue a seguinte equação: Wt = Wo x e (1) sendo Wt. Parâmetros de análise de crescimento Embora muitas vezes o pesquisador se depare diante de situações difíceis de serem explicadas quanto à complexidade do crescimento vegetal. ou seja. Esta redução do processo pode ser traduzida como uma paralisação na produção de matéria orgânica (Figura 3). o crescimento depois de determinado tempo. onde: t = intervalo de tempo e r = taxa de crescimento. O crescimento das células e de órgãos individuais seguiria um modelo exponencial caso não houvesse certas limitações no crescimento. Neste caso. considerando que a análise de crescimento ainda é o meio mais acessível e bastante preciso para avaliar o crescimento e inferir a contribuição dos diferentes processos fisiológicos sobre o comportamento vegetal. ocorre um período de redução no crescimento. a equação (1) acima torna-se uma equação da linha reta: lnWt = lnWo + rt ln e (2) onde: Wo representa o crescimento inicial. semelhante ao acúmulo de capital através da “taxa de juros compostos”. Em seguida. onde o embrião representa o capital inicial. 1978).7182).O crescimento de plantas superiores está na fase exponencial quando os acúmulos se processam continuamente. Num gráfico semilogarítmico do peso da matéria seca em função do tempo. enquanto a eficiência fotossintética lhe proporciona a aceleração. Com isso. Assim. 1979). O crescimento inicial dos organismos inclui uma fase exponencial de crescimento.Peso seco da planta dt . 1. ele procura utilizar uma “lógica” estabelecida com base em vários parâmetros. enquanto a eficiência fotossintética determina a taxa de juros (Leopold & Kriedman. podendo cessar com o final da senescência. 2009 rt . r significa o índice de eficiência ou coeficiente de interesse. Padrões de crescimento em planta: exponencial (A) e sigmóide (B) (Reis & Muller. o embrião representa a participação inicial.

taxa de crescimento absoluto é a variação ou incremento entre duas amostragens ao longo de um determinado período de tempo. podem ser utilizadas várias funções. Razão de área foliar (RAF ou QAF) Representa a relação entre a área foliar (L) e o peso da matéria seca total da planta (W). ou um incremento de matéria seca neste intervalo de tempo. TCA = (W2-W1)/(T2-T1) = g dia-1 ou semana. Segundo Benincasa (2004). 1. Taxa de crescimento relativo (TCR) Para os biologistas. em plantas intactas ou colhidas. onde: W = base em que se relaciona a TCA. uma vez que conceitualmente. Indica a variação de crescimento em um determinado intervalo de tempo. ou nos dois. A RAF declina enquanto a planta cresce. e da taxa fotossintética bruta. Em valores médios. em função do autossombreamento. que é dependente da quantidade de material que está sendo acumulado. são tabeladas de forma que possam ser analisadas por meio de fórmulas matemáticas e/ou graficamente. Em trabalhos onde se faz necessário o cálculo dos valores instantâneos. a TCA indica variação ou incremento entre duas amostragens sucessivas. As curvas de taxa de crescimento absoluto (TCA) e taxa de crescimento relativo (TCR) são distintas. Assim. onde: C t = Taxa de produção de matéria seca total e W t = massa da matéria seca total. que é o próprio peso da planta. em um intervalo de tempo (Reis & Muller. Portanto. O quociente de área foliar varia com a Área foliar específica (AFE) e a Razão de massa de folha (RMF). A TCR expressa o incremento na massa de matéria seca. é mais interessante expressar essa taxa de crescimento segundo uma base comum. W1 e W2 é a variação da massa da matéria seca em duas amostragens consecutivas tomadas nos tempos T1 e T2. 1979). implicará em alterações na RAF. por unidade de peso inicial. Taxa de crescimento absoluto (TCA) Para Reis & Muller (1979). É também chamado quociente de área foliar (West et al. usa-se: TCR = (lnW2 .lnW1) / (T2 -T1) = g g dia . como permite avaliar a tendência do crescimento em função dos tratamentos (Benincasa. a análise de crescimento estabelece que a taxa de crescimento de uma planta é função do tamanho inicial (período em que se inicia a observação). UFRB. deve-se aplicar a fórmula: R = C t / W t. 2004). Tópicos em Ciências Agrárias. ainda. expressa-se em cm2 ou dm2 g-1.. qualquer variação em um deles. a taxa de crescimento relativo poderá ser obtida utilizando-se as equações: TCR = TAL x RAF ou TCR = lnW2 . para armazenar ou construir novo material estrutural. 2009 47 . todo crescimento resultará da produção de material suficiente para atender às necessidades metabólicas do material já existente e. Esta medida foi estabelecida por Briggs (1920). Onde. Neste caso.Wo/T = g dia-1. Para tanto. trata-se da taxa de crescimento relativo: TCR = dW/(dT x 1/W). Magalhães (1985) considera a taxa de crescimento relativo como a medida mais apropriada para avaliação do crescimento vegetal. A TCR varia ao longo do ciclo vegetal. tem-se que a TCA = Wt . equações ou programas. isto é. indica a velocidade de crescimento (g dia-1 ou semana). A TCA pode ser usada para se ter uma idéia da velocidade média de crescimento ao longo do período de observação. É uma medida que pode ser usada para se ter idéia da velocidade média de crescimento ao longo do período de observação.lnW1 / T2-T1. para a produção de matéria seca. É apropriada para avaliação do crescimento vegetal. que é dependente da quantidade de material acumulado gradativamente. 1920): RAF = L/W ou L1 + L2 / W1 + W2. descontando a respiração (mais a fotorrespiração nas plantas C3) ou taxa assimilatória líquida (TAL). onde ln é o logaritmo neperiano. com a tendência da diminuição da área foliar útil ou fotossinteticamente ativa (responde pela interceptação da radiação luminosa e captação do CO2 na fotossíntese). A utilização de equações de regressão não só corrige as oscilações normais. Wl e W2 representam a massa da matéria seca nos tempos T1 e T2.As medidas obtidas ao longo do ciclo da cultura. Para valores -1 -1 médios. v. Segundo Benincasa (2004). conforme mostra a Figura 4. pois depende de dois outros fatores do crescimento: a área foliar útil para a fotossíntese ou razão de área foliar (RAF).

Ou seja. já que é razão de massa de matéria seca retida nas folhas e massa de matéria seca acumulada na planta (MSF/MSP). A razão de massa da folha se constitui numa componente fisiológica. Taxa assimilatória líquida (TAL) Representa a taxa de incremento de massa de matéria seca (W) por unidade de área foliar (L) existente na planta. em determinado intervalo de tempo. A TAL representa o balanço entre o material produzido pela fotossíntese e aquele perdido pela respiração (Pereira & Machado. além das folhas. para que haja precisão total da fórmula. mais precisamente nas folhas (área foliar) em função do peso inicial. sendo AL = (W2 . aumentam exponencialmente (West et al.LnL1 / T2 . pois está relacionado com a composição interna formada pelo número e/ou tamanho de células do mesófilo foliar. 1920). Depende dos fatores ambientais. a taxa assimilatória líquida deve ser aplicada quando existe uma correlação linear entre a área foliar e a matéria seca total.L1)(T2-T1) Para Benincasa (2004). 1..T1 Representa o aumento de área foliar em um determinado período de tempo. 2009 . UFRB. 1979). pode-se utilizar a seguinte expressão: RAF = AFE x RMF.W1)(lnL2 . com o crescimento da comunidade vegetal. a TAL reflete a dimensão do sistema assimilador que é envolvida na produção de matéria seca. ou seja. É também chamada de Taxa de 48 Tópicos em Ciências Agrárias. serve para estudos de comparação entre espécies e mede a eficiência de uma planta na produção de matéria seca.t t Figura 4. Taxa de crescimento foliar relativo (TCFR) Avalia o relativo crescimento da planta em termos de matéria seca formada na parte aérea. assumindo que tanto L como W.dm-2. v. No entanto.lnL1) / (L2 . Entretanto. Expressa-se em g. podem ser levados em consideração para o cálculo da TAL que reflete a capacidade da planta em aumentar sua fitomassa em função de sua superfície assimilatória. Taxas do crescimento absoluto (TCA) e relativo (TCR) no modelo sigmóide (Reis & Muller. é necessário que L e W estejam relacionados linearmente. a produção econômica está sob outros controles e não necessariamente relacionado com a eficiência fotossintética. mesmo na fase de crescimento exponencial das plantas. Outros órgãos fotossintéticos. A área foliar específica relaciona a superfície com a massa da matéria seca da própria folha (AF/MSF). 1987) e indica a eficiência de uma planta na produção de matéria seca. é uma estimativa da fotossíntese líquida. É obtida através da equação: TCFR = LnL2 . relaciona-se com a eficiência fotossintética da planta de modo generalizado. Devido ao auto-sombreamento a TAL diminui com o aumento do IAF e. Avalia a resposta do crescimento da planta às condições ambientais. isto não é rígido.dia-1. principalmente da radiação solar. diminuindo os intervalos de tempo entre as amostragens. Considerando que as folhas são o centro de produção de matéria seca através da fotossíntese e. Assim. Segundo Magalhães (1985). a RMF expressa a fração de matéria seca não exportada. A superfície é o componente morfológico e a fitomassa é o componente anatômico. Podese minimizar os erros. conseqüentemente. Portanto. que o restante da planta depende da exportação dessa fitomassa.

diferenciando-se deste. quando interessa um IAF máximo). Taxa de crescimento da cultura (TCC) Parâmetro considerado o mais importante em fisiologia da produção e empregado para comunidades vegetais. A taxa de crescimento da cultura ou a taxa de produção de fitomassa de uma comunidade vegetal avalia a produtividade primária líquida. Isto é. brácteas etc. Índice de área foliar (IAF) A área foliar de uma planta constitui sua matéria prima para fotossíntese e. quando o IAF é grande. Pereira & Machado. distribuição de plantas e variedades. em virtude de relacionar mais a parte aérea e não a planta como um todo. Os termos da equação possuem o mesmo significado da taxa assimilatória líquida (TAL). portanto.0 significa 2 m2 de área foliar (AF) ocupando 2 m2 de solo ou de outro substrato (S): IAF = AF / S. deseja-se um IAF ótimo) ou a produtividade biológica (fitomassa total. O índice de área foliar é computado em diferentes estádios de crescimento e é muito variável entre plantas e entre épocas de amostragens. UFRB. 2001 e Brandelero et al. Ele avalia a capacidade ou a velocidade com que as partes aéreas do vegetal (área foliar) ocupam a área de solo ou de um outro substrato disponível àquele vegetal. Expressa-se em g m-2 dia-1 e é obtida através da equação: TPMS = (W2 . Este conceito é básico para análise de crescimento em comunidade de plantas ou na interceptação de luz e. ou caso se trate de cultivo hidropônico). em um determinado tempo. para informar sobre o desempenho de folhas individuais. especialmente. Funciona como indicador da superfície disponível para interceptação e absorção de luz. Assim. Representa a quantidade total de matéria seca acumulada por unidade de área de solo ou outro substrato (vegetação aquática. O IAF representa a área foliar total por unidade de área do terreno.crescimento relativo de folhas (TCRF). Mesmo sendo o IAF a simples razão L/S. 1987. pecíolos. separação vertical e arranjo horizontal e pela absorção por estruturas não foliares.. representa a área ocupada pela cultura no substrato disponível. o índice de área foliar (IAF). Brandelero. 1. outras partes do vegetal devem também ser integradas à área foliar. O ângulo foliar é um parâmetro importante na produção. folhas eretas são mais eficientes para a fotossíntese máxima. como tal.0. lipídeos e proteínas. 1978. Um IAF igual a 2.T1) onde S. A forma cônica de planta induz um maior potencial produtivo que a globosa. uma medida análoga da taxa de crescimento relativo (TCR). é muito importante para a produção de carboidratos. pois reduz o auto-sombreamento. sendo. 2002). A cobertura fotossintética em uma comunidade tem sido expressa por um número puro (admensional). além das folhas.W1) / S / (T2 . Isto por que: a) durante o crescimento da comunidade vegetal o IAF deve ser suficiente para interceptar o máximo de luz. Peixoto. por exemplo. A interceptação de luz por uma superfície foliar é influenciada pelo seu tamanho e forma. se o interesse é a produtividade econômica (produto comercializado. Duração de área foliar (DAF) O aparelho assimilatório das plantas é constituído pelas folhas que definem a produtividade do vegetal. Em determinadas circunstâncias. Tal característica é definida pela duração da área foliar: tempo em que é mantida fotossinteticamente ativa a superfície foliar. que varia geralmente de 2. A análise de TCFR segue o mesmo raciocínio observado com o parâmetro taxa de crescimento relativo (TCR). Tópicos em Ciências Agrárias.lnL1 ou ainda pode ser empregada a seguinte fórmula: TCFR = TAL x RAF. É a taxa de produção de matéria seca (TPMS) de uma comunidade vegetal. resultante da área foliar (L) e da área do terreno ou substrato (S). 1998. Existe um IAF ótimo para cada cultura. como pseudocaules. v. O IAF pode variar com a população de plantas. 2009 49 . podendo ser expressa apenas como: TCFR = lnL2 . ele apresenta interações com a TAL e a produtividade.0 a 5. b) o IAF deve atentar para os objetivos que controlam o cultivo da planta. o crescimento das plantas é fortemente influenciado pelo tempo em que é mantida ativa sua superfície foliar. constituindo o somatório das taxas de crescimento dos diversos componentes das plantas (Reis e Muller. ângulo de inserção e orientação azimutal. por que a taxa de crescimento da cultura pode ser obtida por: TCC = TAL x IAF (g m-2 dia-1).

a sua carga genética. A densidade de plantio foi de 15 plantas por metro linear. próximo ao daquele (8. Aw a Am.224 mm/ano. fruto) e a fitomassa seca total colhida: IC = MSFEP / FSTC ou IC = PE/PB.T1) e a sua unidade em dm2 dia-1. O delineamento foi em blocos casualizados. Verifica-se a tendência sigmoidal para as curvas obtidas dos cultivares avaliados (Figura 5). A duração da área foliar pode ser expressa da seguinte forma: DAF = ½ (L1 + L2) (T2 . A eficiência de conversão de produtos sintetizados (matéria seca total ou produtividade biológica) em material de importância econômica (produto comercializado ou produtividade econômica) é determinada pelo genótipo e pelo ambiente. parece lógico supor-se que. situado a 12o40'19" de Latitude Sul e 39o06'22" de Longitude Oeste de Greenwich. o IC define-se como a razão entre a massa da matéria seca da fração econômica produzida (grão.20 0.5ºC e precipitação pluviométrica de 1.23 0.3g).50 m entrelinhas. Essas projeções das curvas são características de culturas anuais a exemplo das encontradas por Pedro Júnior et al. Produto comercializado (PE) Sacarose Todos os açúcares Bagaço Vinhaça + cinza Fonte: Lucchesi (1985).00 Apresentação de dados Como exemplo da utilização prática da análise de crescimento. em relação ao cultivar Liderança (3. maior será a produtividade biológica da cultura. também a outros fatores intrínsecos de cada cultivar. como por exemplo. 2009 . Observa-se o incremento da matéria seca (Figura 5) e a variação da superfície foliar (Figura 6).6). O clima é tropical quente úmido. semelhantes aos relatados por Gazzoni (1974) e Peixoto (1998). descontando-se 0. O objetivo é obter variedades com alto IC em alta densidade populacional. 1. mesmo apresentando menor IAF ótimo (2. conforme o cultivar. Na Figura 6 encontra-se o desempenho dos cultivares de soja quanto ao índice de área foliar. Portanto. tendo 220 m de altitude. v. UFRB. mas. dependendo do seu uso. 50 Tópicos em Ciências Agrárias. a DAF nada mais é que a integral do IAF contra o tempo.5). O experimento foi conduzido no campo experimental da Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia. segundo a classificação de Köppen. Índice de colheita (IC) Pereira & Machado (1987) fazem referência ao índice de colheita como um quociente freqüentemente usado para medir a eficiência de conversão de produtos sintetizados (PB) em material de importância econômica (PE).0 m de comprimento e 0. são apresentados dados de nove cultivares de soja recomendados para a Região Oeste da Bahia e que foram avaliados nas condições agroecológicas do município de Cruz das Almas-BA. A cana-de-açúcar é um bom exemplo (Tabela 1). Índice de colheita (IC) 0. (1985). que foram ajustados no tempo pela função polinomial exponencial. com temperatura média anual de 24. raiz. Peixoto (1998) e Brandelero et al. As culturas apresentam IC diferenciados. (2002). Pereira & Machado (1987). demonstrando que a eficiência fotossintética não fica restrita apenas à superfície foliar. Diferentes produtos comercializados e índices de colheitas na cana-deaçúcar. sendo que cada unidade experimental foi composta de oito linhas de plantio com 5. Duas linhas foram utilizadas para o estudo da análise de crescimento (amostras destrutivas). obteve o valor de matéria seca total da planta (8. Tabela 1. Nota-se que o cultivar Conquista.2g). localizado nesse município. Em relação a uma cultura madura. sendo que estes apresentaram tendência parabólica para todas as curvas. com nove cultivares (tratamentos) e quatro repetições.63 1.Sendo a fotossíntese o processo responsável pelo fornecimento da energia para o crescimento e desenvolvimento das plantas. Pereira & Machado (1987) encontraram correlação positiva entre a produtividade econômica e a DAF na cultura do feijoeiro. quanto mais rápido a cultura atingir o máximo do IAF e quanto mais tempo a área foliar permanecer ativa.50 m de bordadura nas extremidades.

4 Conquista 3 2 1 0 0 4 IA F (dm dm ) 3 2 1 0 0 4 Tucano 3 2 1 0 0 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 4 Curió 3 2 1 0 0 4 3 2 1 0 0 4 Uirapuru 3 2 1 0 0 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 4 3 2 1 0 0 4 3 2 1 0 0 4 Celeste 15 30 45 60 75 90 105 Liderança Paiaguás Parecis 2 -2 15 30 45 60 75 90 105 Rio vermelho 3 2 1 0 0 15 30 45 60 75 90 105 Figura 6. Variação do índice de área foliar (IAF) dias após a emergência (DAE) dos cultivares de soja introduzidos nas condições agroecológicas de Cruz das Almas .BA. v. Tópicos em Ciências Agrárias. 2000. 2000. Variação da massa da matéria seca dias após a emergência (DAE) dos cultivares de soja introduzidos nas condições agroecológicas de Cruz das Almas .Média 18 15 12 9 6 3 0 0 MATÉRIA SECA (gplanta ) Ajuste 18 15 12 9 6 3 0 Celeste Conquista 18 15 12 9 6 3 0 Curió 15 30 45 60 75 90 105 18 0 15 30 45 60 75 90 105 18 15 12 9 6 3 0 0 15 30 45 60 75 90 105 -1 18 15 12 9 6 3 0 0 18 15 12 9 6 3 0 0 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 Liderança Paiaguás Parecis 15 12 9 6 3 0 0 18 15 30 45 60 75 90 105 0 18 15 12 9 6 3 0 15 30 45 60 75 90 105 Tucano Uirapuru Rio vermelho 15 12 9 6 3 0 0 15 30 45 60 DAE 75 90 105 0 15 30 45 60 75 90 105 Figura 5.BA. 1. UFRB. 2009 51 .

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CAPÍTULO 5 FISIOLOGIA DA FLORAÇÃO DO ABACAXIZEIRO Getúlio Augusto Pinto da Cunha Tópicos em Ciências Agrárias .

NOÇÕES DE FISIOLOGIA DA DIFERENCIAÇÃO FLORAL A floração é um processo unitário e integrado. que tem também atuação determinante na fisiologia da floração. Tais mudanças são captadas por diferentes órgãos da planta: o fotoperíodo pelas folhas maduras. E-mail: getulio@cnpmf. O conhecimento desses sinais é da mais 57 Tópicos em Ciências Agrárias. que dá origem às folhas durante o estádio vegetativo..embrapa. para melhor entendimento dos seus mecanismos e. A iniciação floral delimita a transição entre o crescimento vegetativo e o estádio reprodutivo das plantas produtoras de sementes. posteriormente. 1993. herbácea e perene. gerando uma grande quantidade de informações. pelo ápice caulinar. a floração natural é estimulada por mudanças sazonais regulares de condições climáticas. v. os primórdios florais. As flores nada mais são do que ramos ou folhas modificados. Sabe-se que o meristema de uma planta recebe de outras partes da mesma. A maioria das plantas reage a sinais ambientais para regular a transição para o florescimento. cujo conhecimento facilita o seu manejo e o entendimento dos mecanismos de seu florescimento. é a quinta fruta tropical mais cultivada e representa uma ótima opção de cultivo em regiões não tradicionais. haja vista que todos os indivíduos de uma espécie têm de florescer de modo sincronizado para o sucesso do cruzamento e. ora vegetativas. do manejo da cultura. é necessário que exista. em seguida. e a disponibilidade hídrica pelas raízes (Bernier et al. provavelmente pelos seus efeitos na síntese e/ou atividade do etileno. A questão central da fisiologia da iniciação floral consiste em entender-se quais fatores atuam na transformação do meristema caulinar em primórdio floral e de que modo eles exercem sua ação. têm sido realizados com várias espécies nas últimas décadas. Kinet. UFRB. um conjunto de sinais. a exemplo do semi-árido. 1993). Muitos reguladores de crescimento.FISIOLOGIA DA FLORAÇÃO DO ABACAXIZEIRO Getúlio Augusto Pinto da Cunha Pesquisador . o que sugere a transmissão de alguma mensagem da folha para o ápice. constituindo-se no estímulo floral ou florígeno. de intensidade variável. de natureza bastante complexa e controle multifatorial.. 1993). 1. pelo menos. No Brasil. permanentemente. 1981. principalmente sobre o envolvimento de algumas substâncias químicas que apresentam atividade reguladora do crescimento vegetativo da planta. uma folha na planta. Trata-se de uma planta que requer tratos culturais cuidadosos e freqüentes e apresenta alguns aspectos morfológicos e fisiológicos. que sempre se destacou na fruticultura tropical. abrangendo da ecofisiologia à biofísica (Bernier et al.. Coppens & Leal) é uma planta tropical monocotiledônea. mas que. que é a atividade fim ou objetivo maior da exploração econômica das fruteiras. apresenta grande demanda e importância econômica. destaca-se o meristema apical. temperatura e disponibilidade hídrica. a temperatura por todas as partes da planta. originando a inflorescência e. para que o estímulo florígeno possa ser captado e repassado para o ápice caulinar. porque devem completar sua reprodução sexual sob condições externas favoráveis (Bernier et al. sendo. 2001). O abacaxizeiro foi a primeira planta a ter sua floração controlada artificialmente. Kinet et al. No caso do abacaxizeiro. apreciado em todo o mundo onde é cultivado em mais de 60 países e à sua rentabilidade. a exemplo do fotoperíodo. que tem sido estudado extensivamente. 1993). comosus. ora reprodutivas. que são favoráveis à produção de estruturas. Dentre esses. portanto.. O objetivo desse trabalho é discorrer sobre o floração na cultura do abacaxi. visando ao entendimento de como essa transição é controlada. hormônio vegetal endógeno e gasoso que regula o crescimento e desenvolvimento das plantas em geral. passa por transformações. produzidos por meristemas modificados de ramos. resultando na produção de frutos. naturais e sintéticos.br INTRODUÇÃO O abacaxizeiro (Ananas comosus var. exercem sua ação. via de conseqüência. Diversos estudos. formando a coroa do fruto. porque o florescimento é o primeiro passo da reprodução sexual. preferencialmente. um evento marcante na vida dessas plantas. ou seja. Cruz das Almas-BA. da família Bromeliaceae. retoma sua atividade vegetativa. apesar da baixa temperatura ser. Apesar do fotoperíodo ser captado pelas folhas. as alterações morfológicas que vão ocasionar a transição para a formação da flor ocorrem no ápice caulinar (Castro & Vieira. Em geral. A passagem do estádio vegetativo para o de floração é de suma importância para as plantas. 2009 . também. Graças às características de seu fruto. em escala comercial.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical.

Qualquer explicação sobre o mecanismo de controle fotoperiódico do florescimento deve contar com a presença tanto de promotores quanto de inibidores. os fatores não são os mesmos para as diferentes espécies. Foi levantada.tem início ainda na fase reprodutiva. apesar de Bernier et al. na floração são observadas duas fases: a iniciação floral e o desenvolvimento floral. Dentre as teorias de controle interno da “evocação”. De acordo com esses autores. há o envolvimento de fatores internos ou hormônios produzidos pela própria planta. os quais serão abordados a seguir. mas. este último torna-se. mas todos estão presentes sob condições indutivas. o modelo de controle multifatorial. denominado de “evocação” (Kinet et al. abrangendo aspectos fisiológicos. por sua vez. efeito do frio). 1981). 1982a. é necessário que alguns eventos ocorram no ápice caulinar. o que está de acordo com o modelo de controle da “evocação”. cuja relação com o “florígeno” e a floração. Cunha et al.. Isso porque o abacaxizeiro responde muito bem à aplicação de substâncias químicas que têm a capacidade de influenciar seus processos fisiológicos. a “vernalina”. tipo e peso da muda e época de plantio (Gowing. de modo irreversível. o florescimento das plantas e. relacionados com a diferenciação floral. do ponto de vista agroeconômico. além dos climáticos.vai da diferenciação floral à colheita do fruto. raízes. a exemplo do ácido indolacético (AIA) e do etileno. A produção de etileno ocorre por meio de uma ação sequencial das enzimas ACCsintase e ACCoxidase cujo esquema encontra-se no item “Substâncias usadas e modo de atuação”. a nutrição mineral. Em geral. ou distribuí-la em todos os meses do ano. assim. por meios artificiais. relacionado a fatores climáticos. por meio de substâncias químicas. (1993) terem apresentado resultados que apoiam o controle multifatorial. foi bastante estudada. O processo de florescimento do abacaxizeiro pode ser melhor entendido conhecendo-se seu ciclo cultural. Vários são os fatores que influem no ciclo da cultura. o “antiflorígeno”. pela idade ou tamanho da planta. postular a presença de um hipotético hormônio do florescimento. Na primeira fase. Se apenas um fator estiver ausente. Esse ciclo pode ser dividido em três etapas: a) fase vegetativa . A planta precisa também atingir a maturidade suficiente para ser induzida à floração. cujos aspectos apresentam muitos pontos comuns com a floração natural. Uma vez consumada a transformação do meristema caulinar em primórdio floral. baseadas em várias pesquisas realizadas ao longo de décadas. b) fase reprodutiva (envolvendo a floração e frutificação) . Em ambos os casos. 58 Tópicos em Ciências Agrárias. 1993). Estudos envolvendo enxertia em plantas sensíveis ao fotoperíodo serviram de base para Chailachjan. Daí porque o crescimento vegetativo e o desenvolvimento reprodutivo nas plantas são considerados eventos mutuamente exclusivos. Os principais fatores ambientais responsáveis pela indução floral são o fotoperíodo (comprimento do dia ou horas de luz) e temperatura (vernalização. este último considerado como fator indutor (Burg & Burg. denominado de “florígeno”. Reinhardt & Cunha. 1966). muitas questões ainda precisam ser respondidas. Algumas teorias foram formuladas para explicar a floração. foi associado outro produto. citado por Min (1995). também. a depender das condições ambientais e do manejo da cultura. o processo não tem continuidade. comprometendo-o. em grande parte. ou artificialmente. porém. v. citando-se. No caso de plantas que florescem sob o efeito da vernalização. a que apresenta menor elasticidade é a reprodutiva. a possibilidade de existência de um inibidor floral. UFRB. sendo esse o primeiro passo para a formação das flores. fundamental e prática. 2009 . quer seja natural ou artificialmente desencadeada. Algumas evidências demonstram que o florescimento no meristema pode consistir de diversas etapas que. sendo necessário que as folhas captem os estímulos fotoperiódicos e que o meristema apical esteja o mais sensível possível à vernalização. concentrar a colheita em épocas oportunas.. A cultura do abacaxi é explorada comercialmente em razão de poder-se controlar e uniformizar. c) fase propagativa . com o uso de produtos químicos. 1961. invariavelmente.alta importância. que incluem o conceito do “florígeno/antiflorígeno”. Dessas fases. podem ser ativadas individualmente. incapaz de retomar o crescimento vegetativo. que varia de 12 a 30 meses até que seja produzido o primeiro fruto. ápice caulinar e outros locais. dominam os dois primeiros. mas prolonga-se após a colheita do fruto. (1981). genéticos (relacionados à sensibilidade das plantas aos fatores climáticos) e ambientais. 1. proposto por Bernier et al. principalmente. abrangendo o desenvolvimento (ceva) e colheita das mudas. que atuaria de modo antagônico ao “florígeno”. em geral reguladores de crescimento vegetal. A suscetibilidade do abacaxizeiro à floração natural ou à indução artificial é determinada. e podem ser sintetizados nas folhas. responsável direto pela diferenciação floral. ainda sem provas definitivas. para uma exploração mais racional das culturas. FLORESCIMENTO DO ABACAXIZEIRO A diferenciação floral do abacaxizeiro possui outra particularidade: a de poder ser desencadeada artificialmente. O florescimento do abacaxizeiro pode ocorrer naturalmente. a hipótese do desvio de nutrientes e sinais elétricos.abrange o período do plantio à diferenciação floral. com a iniciação do primórdio floral.

A outra etapa acontece 15 dias antes da colheita. possuindo três sépalas. ao desabrochamento das primeiras flores e início de crescimento da coroa. então. também. mas também a colheita e a comercialização do fruto. correspondendo à parada do desenvolvimento da coroa e murchamento do pedúnculo. naturais e artificiais. abaixo de 15oC. por outro lado. três pétalas. 1948). FLORAÇÃO NATURAL DO ABACAXIZEIRO Fatores Envolvidos O desencadeamento da floração do abacaxizeiro depende do porte e estado fisiológico da planta e do comprimento do dia e temperatura (Bartholomew & Malézieux. A primeira evidência de mudança morfológica nesse meristema é a expansão do diâmetro do seu disco. período de temperaturas mínimas. nessa situação. dois meses após a diferenciação e corresponde à parada de crescimento do pedúnculo. ainda. Inflorescência do Abacaxizeiro . no qual passou a operar. Sendo função também das condições climáticas. Segundo esse autor. com a formação inicial do pedúnculo e da primeira flor ocorrendo quando o mesmo exibe seu diâmetro máximo. Barbosa. a inflorescência avermelhada. o florescimento envolve a transição da diferenciação das estruturas vegetativas para a formação de uma inflorescência no meristema apical do caule. a ocorrência de floração natural no Havaí entre dezembro e janeiro. ainda. entre o final do outono e o início do inverno. A diferenciação natural do florescimento dá-se. Quando a planta atinge a maturidade no seu desenvolvimento. apresentando uma filotaxia 8/21. 1954). tem-se observado que mesmo as plantas pequenas têm respondido aos estímulos florais. Esses autores relataram. Esse fato tem sido comprovado tanto em plantações comerciais quanto experimentalmente. devido à cor azul púrpura de suas pétalas e brácteas. Friend & Lydon (1979) observaram que o crescimento vegetativo do abacaxizeiro 'Smooth Cayenne' aumentou nesse mesmo intervalo de fotoperíodo. cada inflorescência pode conter mais de uma centena de flores individuais (Okimoto. haja vista que. desponta no centro da roseta foliar. as plantas ainda não apresentam um desenvolvimento ou porte adequado para produzir um fruto com padrão comer-cial. seis estames e um ovário ínfero. no ano subseqüente ao do plantio. apenas acentuar o efeito dos dias curtos. O comprimento e a largura da folha aumentaram entre oito e 12 horas/dia. e que plantas submetidas à temperatura constante de 25oC apresentam alta taxa de florescimento. por meio de um corte longitudinal do ápice caulinar (Py & Silvy. Scott. cerca de seis semanas após a diferenciação floral. com uma ou mais flores abrindo a cada dia (apenas nas primeiras horas da manhã) durante duas a quatro semanas (Okimoto.. Rebolledo-Martínez et al. A primeira ocorre. ocorrendo o inverso Tópicos em Ciências Agrárias. As flores do abacaxizeiro são formadas pelo mesmo meristema que origina as folhas. ainda que possa ocorrer em outras estações. Os prejuízos tornam-se maiores se a floração ocorre precocemente. um mínimo de diferença de temperatura dia/noite é necessário para provocar o florescimento natural do abacaxizeiro. 2000).descrição botânica. Nas principais regiões produtoras do mundo. crescimento e desenvolvimento A inflorescência do abacaxizeiro é formada por um grupo de flores sésseis soldadas em torno de um eixo.. tricarpelar e trilocular. onde essas são exploradas. 1994. Essas flores não abrem ao mesmo tempo e a floração procede espiralmente. ou. 1997). o metabolismo ácido das crassuláceas (CAM). Rabie et al. da base para o ápice. com intensidade cada vez maior. dispostas em oito espirais. têm sido relatadas taxas de ocorrência de floração natural variando de 20% a 80% (Reinhardt et al. 2009 59 . via de regra. ainda em crescimento (Teisson. a depender do seu tamanho. 1973). 1986. a floração natural varia de ano para ano. que diminui à medida que o fotoperíodo aumenta de oito para 16 horas/dia. De acordo com esses autores. Pode-se distinguir duas etapas importantes nos processos de crescimento e desenvolvimento da inflorescência do abacaxizeiro. geralmente noturnas. com três glândulas nectaríferas separando os lóculos. notando-se. podendo. Esse tipo de floração vem causando. refletir negativamente no rendimento da primeira e demais safras. as flores são hermafroditas.. trímeras. dependendo de seu estado fisiológico/nutricional. 1993. v. sendo as maiores mais suscetíveis. diferenças na suscetibilidade das mudas e plantas à floração. 1948). Apesar disso. pois dificulta não apenas os tratos culturais e fitossanitários. com um fluxo importante de açúcares para o fruto. aproximadamente. Tal fato pode ser observado cerca de uns quatro dias após a diferenciação floral. UFRB. não se associando consistentemente com um determinado fator climático. que é o prolongamento do caule. 1997. A seca também estimula a diferenciação floral em áreas onde tanto o fotoperíodo quanto a temperatura variam pouco (regiões subtropicais). acentuando-se sua incidência em áreas de altitude e latitude mais elevadas. a depender da região. situado no ápice do caule.A floração natural do abacaxizeiro é um fenômeno que apresenta uma série de inconvenientes. 1. tornando-se cada vez mais proeminente sobre o pedúnculo. de acordo com as épocas e regiões produtoras. sérios prejuízos nas regiões produtoras de todo o mundo.

1993). assim. 1995). Bartholomew & Kadzimin. bem como à baixa temperatura. Mekers & De Proft. v. 1961. conforme foi observado por Mekers & De Proft (1983) em bromeliáceas ornamentais. Cunha et al. pensa-se que esta e o encurtamento dos dias aumentam a produção de etileno no meristema apical e na parte basal aclorofilada da folha. por reduzir sua sensibilidade aos estímulos florais (Evans. Segundo esses autores. 1994). 1994). no comprimento do dia e na radiação solar (Bartholomew & Kadzimin. onde a mudança no comprimento do dia é muito pequena (cerca de 36 minutos apenas). as temperaturas abaixo de 17-15 oC promovem a floração natural (Bartholomew & Malézieux. no suprimento de água. do efeito cumulativo desses dias (Friend & Lydon. nem todas as variedades respondem igualmente aos estímulos florais. 1977). 1975. também. assim. Reinhardt et al. mesmo não se sabendo. 1983. tem-se observado que mesmo as plantas pequenas apresentam capacidade de responder aos estímulos florais. 1979. Nas pesquisas desenvolvidas para determinar-se quais os fatores ambientais envolvidos na diferenciação floral natural do abacaxizeiro. Baseado no fato de que o florescimento do abacaxizeiro pode ser induzido artificialmente pela aplicação de várias substâncias químicas que estimulam a produção e/ou atividade do etileno. mas não obrigatória. está. com pouca ou nenhuma va-riação estacional de temperatura. situada a 4o N. em resposta à redução nas horas de irradiância (Bartholomew & Kadzimin. Esse tamanho mínimo é alcançado em períodos mais curtos sob condições favoráveis. o equilíbrio entre os estádios de vegetação e reprodução (floração) tende para o primeiro. necessário que a mesma atinja um porte adequado ou a maturidade ontogenética. (1998). A exemplo do que acontece com outras culturas. (1998) observaram que o teor de ACC (precursor imediato do etileno) aumentou cerca de 40% no inverno. fatores climáticos e tratos culturais que afetam o crescimento vegetativo da planta (Friend & Lydon.com a espessura. o que estimula o florescimento. de acordo com Sanewski et al. a época de plantio ou. Quanto mais jovem é a planta. Py. além disso. Contudo. Sanewski et al. mais exatamente. ainda. Apesar de não haver exigência de frio. quantitativamente. Alguns autores são unânimes em afirmar que o período do plantio à colheita de um fruto de um determinado padrão é função do tipo e peso ou tamanho da muda (Teisson. 1977). O florescimento natural do abacaxizeiro. além de ser influenciado por fatores climáticos. quando a temperatura mínima média atingiu 14.5 o C. nos meses de agosto e dezembro-janeiro (Bartholomew & Malézieux. em geral. 1979. Parece que. em grande parte. Esses autores concluíram que a floração na cultura do abacaxi é controlada pelo fotoperíodo. causando o florescimento e reduzindo. 1994). Reinhardt et al. 1972. como a redução na nutrição. 1948. sendo umas mais e outras menos sensíveis (Van Overbeek & Cruzado. considera-se o abacaxizeiro uma planta de dias curtos. (1998) observaram 100% de floração natural em abacaxizeiros mantidos a 20 oC por dez a 12 semanas. mais lenta é a sua resposta aos fatores (naturais e artificiais) que promovem a floração. Teisson. uma taxa de crescimento vegetativo elevada pode inibir ou retardar o florescimento do abacaxizeiro.. não sendo influenciada diretamente pelo peso seco da planta nem pelo metabolismo CAM. também. a exigência de dias curtos (Van Overbeek & Cruzado. Assim. que envolve ainda. podem 60 Tópicos em Ciências Agrárias. Mas. E. 1. de que a baixa temperatura noturna aumenta o nível de auxina livre na planta. do que onde o crescimento é atrasado por falta de nutrientes e água e por temperatura baixa (Bartholomew & Malézieux. Sanewski et al. Nesse caso. chegou-se ao consenso de que a mesma está relacionada. 1986). que depende. outros são de opinião que.. 1968. supostamente. sofre os efeitos da taxa de desenvolvimento da planta. 1972. tanto naturais quanto artificiais (Cunha. nessa planta. o efeito direto da baixa temperatura ainda não está bem esclarecido. a idade da planta no período favorável à indução floral. A maturidade para a floração está sempre correlacionada com a capacidade da planta em converter o ácido 1aminociclopropano-1-carboxílico (ACC) exógeno em etileno. 1989b). Existem evidências. desde que a planta tenha alcançado um tamanho adequado para tornar-se suscetível à indução floral. Na prática. 1986). Bartholomew & Malézieux. As exigências climáticas do abacaxizeiro são caracterizadas por sua grande sensibilidade às geadas e radiação solar muito intensa. principalmente a noturna. Bartholomew & Kadzimin. 2009 . Assim. e às baixas temperaturas observadas. Na Costa do Marfim. 1977). Min & Bartholomew (1997) observaram que a produção do etileno e a atividade da enzima formadora de etileno (ACCoxidase) no caule e em tecidos da folha de plantas de abacaxi cultivadas a 30/30 oC (dia/noite) foram menores do que as das plantas cultivadas a 30/20 oC.. qual o efeito direto da baixa temperatura na floração natural. Plantas que haviam formado a inflorescência apresentavam atividade da ACCoxidase nas folhas e no caule bem maior do que nas plantas em estádio vegetativo (Min. 1977). para responder aos estímulos ambientais (Lacoeuilhe. os fatores ambientais que a promovem são aqueles que tendem a retardar a taxa de crescimento vegetativo. UFRB. porém. sendo. 1948). na temperatura. ao encurtamento do dia. relacionada ao processo. a produção de etileno pela folha também foi maior. o estímulo à floração natural ocorre. 1993). hipoteticamente pode-se dizer que a floração natural é desencadeada pelo etileno produzido endogenamente ou por mudanças na suscetibilidade e sensibilidade da planta ao mesmo ou ambos (Min & Bartholomew. 1994). 1959). por favorecerem o crescimento vegetativo das plantas. e baixa irradiância devido à nebulosidade (Gowing. a adubação nitrogenada e a irrigação.

registrando-se índices de até 80% (Barbosa.9%). Diferenciação floral natural (%) em abacaxi 'Smooth Cayenne' relacionado a diferentes datas de plantio.. o florescimento natural é antecipado pelo aumento do tamanho da planta. em alguns anos. a depender das condições climáticas esses índices podem alcançar 20% (Rebolledo-Martínez et al. quando as condições ambientais estão mudando (de baixa para alta insolação) ou após um estresse de frio ou. a tal ponto que a incidência de floração natural precoce na safra seguinte pode atingir índices de 50%-70 % (Scott.4%). em áreas onde os períodos de seca são prolongados. 2009 61 . a floração torna-se imprevisível e irregular (Mekers & De Proft. Bartholomew & Malézieux (1994) indicaram que. 1997). em geral. ainda. apesar de todas as pesquisas efetuadas. 1996). a depender da região. 1984). ocorrendo inesperadamente. Resultado semelhante foi observado por Almeida et al. Esses aspectos levam à conclusão de que o florescimento natural do abacaxizeiro constitui. com tendência para concentração em meados do ano (Figura 1). maio/junho (88. onde tal problema é um dos mais importantes. Tópicos em Ciências Agrárias. Brazil (Fonte: Reinhardt. quando lâminas crescentes de água contribuíram para antecipar a floração e a frutificação. no México. A diferenciação natural do florescimento na cultura do abacaxi ocorre. a indução natural tem-se tornado um problema ocasional desde quando a produção de frutos. No Havaí. (1984) observaram que a massa da muda influiu decisivamente no ciclo da planta. observando-se. na medida em que a taxa de crescimento das plantas aumenta em resposta ao suprimento de água. UFRB. 1983). 1997). (2000). porém. Entretanto.9%) e novembro/dezembro (77. Quanto ao material de plantio. mesmo em plantações instaladas para se evitar sua ocorrência.contribuir para inibir o florescimento (Py & Guyot. em todos os meses do ano. estudando o efeito da irrigação no ciclo do abacaxizeiro 'Pérola'. 1970). em outras estações. (1986) relataram que a floração natural ocorreu em diferentes épocas do ano e por períodos prolongados. encurtando o ciclo da cultura em 22 dias. tem sido observada. 1997). o florescimento precoce tem-se tornado bastante freqüente em todas as regiões produtoras. Dados climáticos de 1980 a 1982. Bahia. Condições ambientais favoráveis podem acelerar a taxa de crescimento dos rebentões ainda na planta-mãe. normalmente. ainda. 13 12 11 0 30 25 o c 20 15 0 200 h 150 100 0 200 mm 150 100 50 0 h Comprimento do dia Temperatura média Máxima Média Mínima Insolação Chuva J F M A M J J 1980 A S O N D J F M A M J J 1981 A S O N D J F M A M J J A 1982 S O N D 40 Diferenciação floral natural PLANTIOS Janeiro 80 Abril 80 Novembro 80 Julho 81 30 % 20 10 0 J F M A M J J 1980 A S O N D J F M A M J J 1981 A S O N D J F M A M J J A 1982 S O N D Figura 1. com picos nos meses de março/abril (49. passou a ser uma prática comum (Bartholomew. Giacomelli et al. tendo os rebentões de 700-800 g emitido as inflorescências bem mais cedo do que os de 300-400 g. 1993). inversamente. 1993). permitindo. um dos principais problemas não solucionados. Com relação à ocorrência da floração natural nas diversas regiões produtoras. os índices são bastante variáveis. entre 5% a 10%. e o filhote tem comportamento intermediário (Reyes. 1. Reinhardt & Cunha (1982a). também. entre o final do outono e o início do inverno no ano seguinte ao do plantio. não observaram influência alguma da época da última adubação sobre a eficiência da indução artificial da floração. v. No Brasil. atinge níveis de 50% a 70% (Scott. No Recôncavo Baiano. em seguida a um re-envazamento ou transporte. Entretanto. Cruz das Almas. enquanto que na Austrália. Com relação à irrigação. maior uniformidade na colheita. as variações observadas em relação à floração são decorrentes das diferenças no teor de reservas nutricionais e no estado fisiológico dos vários tipos de mudas: o rebentão é mais precoce. Reinhardt et al. a coroa mais tardia. ainda.

aplicado três vezes com intervalos de 30 dias. as plantas mais jovens são mais sensíveis à inibição da floração. o monuron. c) efetuar um manejo adequado da cultura. pois. O etileno. e) aplicação de produtos químicos. Millar-Watt (1981) já tinha observado que o nitrato de prata a 1. apenas 5% a 13% de floração (induzida com carbureto de cálcio). enquanto que a inibição ou atraso da iniciação floral é realizada em muitas outras culturas. conforme comentado anteriormente. sem terem atingido um porte suficiente para responder aos estímulos ambientais. e de 82%. De acordo com esses autores. na maior. com o paclobutrazol (160 mg L-1). com o objetivo de evitar o florescimento natural.. A promoção do florescimento é praticada no abacaxizeiro e outras bromeliáceas. suprimir a floração natural precoce. pode-se minimizar o florescimento natural dando-se às plantas as melhores condições possíveis de crescimento e plantando-se apenas mudas pequenas e. inibiu o florescimento do abacaxizeiro (Millar-Watt. nos tratamentos testemunhas. 1998). a exemplo do pêssego. o diuron e o diquat. O melhor resultado observado na maior densidade deveu-se. 1981 e Sampaio et al. nas pesquisas conduzidas visando solucionar tal problema. d) corte do suprimento hídrico. respectivamente. (2000). No caso do abacaxizeiro. vindo. 1. Klee & Romano. 1986). contra 57% na testemunha. a floração natural precoce pode ser controlada ou ter seus efeitos minimizados adotando-se as seguintes medidas: a) plantar mudas que atinjam um porte adequado à floração antes ou no início da época favorável à diferenciação natural. Wang (1987) relatou que o atraso na floração em maçã. realizar o tratamento de indução artificial para antecipar-se aos estímulos dos fatores climáticos.5% para 8.000 mg L-1. reduzindo o nível da auxina natural no meristema apical (Castro. Trabalhos realizados com tomateiros transgênicos e mutantes demonstram essa possibilidade (Hamilton et al. obtido do meristema apical e ativado por condições ambientais. a prevenção do florescimento pode ser efetivada de diversos modos: a) interrupção do período noturno com luz. v. Estudos preliminares realizados por Cunha (1989b) mostraram a viabilidade do uso de reguladores vegetais na inibição do florescimento do abacaxizeiro. o alto custo do único produto que apresentou algum efeito inibidor (o nitrato de prata) e o número de aplicações (até sete) tornam inviável seu uso prático na atualidade. menos suscetíveis à indução natural. b) aumento de temperatura. resultante da maior competição entre elas. Na opinião de Bartholomew (1996). dessa forma inibindo a floração natural. ao menor ritmo de crescimento das plantas. ameixa e cereja é benéfico por evitar perdas devido às geadas ocasionais de primavera. existem diferenças varietais quanto a essa sensibilidade. O primeiro produto usado na prevenção da floração em culturas comerciais foi a hidrazida maleica em cana de açúcar (cujo florescimento reduz drasticamente o rendimento). existe a possibilidade de se induzir o florescimento ou de inibí-lo ou.2% para 28. mas apresentou fitotoxidade. enzima relacionada ao etileno e ao florescimento. que carregam cópias senso e antisenso do gene da ACCsintase. d) ou. portanto.5%. 62 Tópicos em Ciências Agrárias. dificultando a colheita e prejudicando a segunda safra. amêndoa e algumas plantas floríferas. 1983).. posteriormente. O objetivo desse trabalho é obter plantas que não produzam etileno induzidas por um choque térmico (frio). b) usar mudas que ultrapassem a época de indução natural. Outro produto que teve algum efeito inibidor da floração foi a tiouréia. onde essa é passível de ocorrer. (2000) estão produzindo abacaxizeiros transgênicos. sob a forma do ácido 2-cloroetilfosfônico. c) poda de folhas e ramos. Scott (1993) conseguiu reduzir a ocorrência do florescimento precoce. de 48. O mesmo aconteceu quando aplicado poucas horas antes da indução artificial com o etephon (Sanford & Bartholomew. a floração foi de 95%. A floração natural tem causado muitos problemas à abacaxicultura na Martinica. O ANA. Segundo Rebolledo-Martínez et al. reduziu a floração natural para 27%. (1997). e de 55. assim. na dose de dois litros do produto comercial por hectare. já foi obtido. com este último conseguiu-se 100% de inibição da floração. usando o mesmo ácido (100 mg L-1). (2002) clonaram um gene ACCsintase de abacaxi (ACACS1). a fim de tornar as plantas menos sensíveis aos fatores naturais. a fim de reduzir sua expressão e. UFRB. os resultados não foram totalmente satisfatórios. com o uso do ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico (50 mg L-1).2%. em três aplicações. Rebolledo-Martínez et al. Em muitas culturas hortícolas. tendo o ANA (400 mg L-1) proporcionado o melhor resultado. relataram que a floração precoce foi inibida em 76% e 82% em plantios de abacaxi 'Smooth Cayenne' com 33 e 46 mil plantas ha -1. Outro meio importante é o uso de plantas menos sensíveis aos estímulos naturais da floração. provavelmente. 1990. pêra. 1994). tem sido utilizado na cultura da cana de açúcar. 1994. 1981). 2009 . Nesse sentido. inibidor da ACC sintase (envolvida na formação do etileno).Controle da floração natural Nas culturas em geral. na menor densidade. 1994. retardá-lo. material contendo ACACS1 com orientação senso para inibir o gene da planta por mecanismos de supressão-senso. o mesmo tendo sido observado em Aechmea victoriana (Mekers & De Proft. Lanahan et al. Yuri et al. que induz a floração natural. se o mesmo estiver causando uma redução no benefício econômico. Bowler & Chua. então. então. o que tem sido conseguido com o uso da aminoetoxivinilglicina (AVG). Botella et al. em altas concentrações e várias aplicações. talvez por atuar competitivamente. com intervalos de 15 dias..

na concentração de 100 mg L-1. 1983). permitindo maior eficiência no uso dos fatores de produção inerentes à cultura. quando aplicadas em altas concentrações. UFRB. Esses produtos são ativos em baixa concentração e não são fitotóxicos. Sampaio et al. inibindo. (2000) afirmam que produtos à base do ácido 2(3-clorofenoxi) propiônico podem inibir. quando aplicado em junho. a parte mais ativa é a que se deposita na gema apical ou nos tecidos tenros situados logo abaixo da gema. haja vista que os referidos produtos reduziram o comprimento da folha “D”. Isso porque o abacaxizeiro responde muito bem a esse tipo de prática. pelo menos em parte. 1975. favorecendo a produção de etileno pelo caule da planta. à redução do crescimento vegetativo da planta. inibiram de modo significativo a floração natural do abacaxizeiro 'Pérola'. do grupo dos triazoles. como uma auxina. com sucesso. devido. por inibir a oxidação do kaurene a ácido kaurenóico. Esses autores obtiveram inibições do florescimento de até 91%. 1973. podendo ser um dos fatores responsáveis pelo atraso na floração. mais do que a uma interferência direta do ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico no processo de diferenciação floral. porém. sendo os dois primeiros mais eficientes. de modo consistente. reduzindo o crescimento vegetativo e o alongamento do caule em várias plantas. sugerindo a inibição da conversão do ACC a etileno. paclobutrazol e o ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico inibiram. Grossman et al.9% a 94. Rabie et al. um a dois meses após o tratamento. provocando o desenvolvimento reprodutivo e a floração. não afetou a floração natural do abacaxizeiro. em concentrações variando de 90 a 240 mg L-1. 2001. com ação fungicida e eficientes no controle da Chalara paradoxa. (1997) relataram que a adubação nitrogenada complementar. FLORAÇÃO ARTIFICIAL DO ABACAXIZEIRO Histórico e Vantagens A indução floral do abacaxizeiro com substâncias químicas. possivelmente. inclusive uso racional da terra.. (1989) observaram uma redução de 70% na produção de etileno em cevada e Brassica napus. 2009 .8% da floração em plantas de abacaxi 'Pérola'. v. Isso porque..4% e de 67. respectivamente. o que é descrito por diversos autores (Dass et al. florescimento e frutificação do abacaxizeiro. 1. Bartholomew & Min (1996) observaram que o paclobutrazol e o uniconazole atrasaram ou inibiram o florescimento e inibiram a produção de etileno pelo tecido basal aclorofilado da folha. 63 Tópicos em Ciências Agrárias. (1998) observaram que o paclobutrazol foi o único produto a mostrar efeito significativo. com reflexos na produtividade de árvores frutíferas. O paclobutrazol. o autor observou um aumento da produção de etileno. sem apresentar efeitos adversos na planta. a partir dos feixes vasculares). o florescimento de abacaxizeiros dos grupos 'Smooth Cayenne' e 'Queen'. até 82. Cunha et al.. Quando pulverizado sobre as folhas. 1968. após cinco horas. de 90. produção e crescimento de frutos. Essa diminuição foi acompanhada pelo aumento ou pela manutenção de níveis constantes de ACC e MACC. além de atrasar o crescimento das plantas. formação de gemas. c) fornecimento regular e constante de frutos para a indústria e mercado “in natura”. quando tratadas com inibidores de crescimento. Onaha et al. via uréia foliar. Scott (1993) atribuiu a inibição da floração do abacaxizeiro 'Smooth Cayenne' à redução da massa vegetal da planta. Taniguchi (1999) observou que o tebuconazole e o propaconazole. resulta no fim do crescimento vegetativo. inibiram a floração natural do abacaxizeiro.).5% (Cunha. enquanto a uréia e o cloreto de mepiquat não tiveram efeito inibidor. concluindo que o mecanismo pelo qual o ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico inibe o florescimento precisa ser mais pesquisado. o florescimento natural. 1986. Estudando os efeitos do meio ambiente sobre o crescimento. O tratamento artificial da floração apresenta vantagens tecnológicas e econômico-sociais. sob condições controladas de cultivo (plantas em vasos). mas provocou algumas anomalias morfológicas nas plantas (torção da roseta foliar e formação de raízes adventícias nas folhas. ainda não é conhecido. 2002). A queda na taxa de giberelina no meristema sub-apical.9% a 78. a inibição do crescimento vegetativo constituiu um efeito colateral de conseqüências ainda desconhecidas. contribui para o desenvolvimento reprodutivo. há bastante tempo vem sendo amplamente usada. 1970. Min (1995) relacionou o efeito do ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico como inibidor da floração do abacaxizeiro. De acordo com esses autores. como inibidoras da floração. com redução de seu custo. b) uniformização da frutificação e concentração da colheita. cuja translocação ocorre através do xilema (Lever. Guyot & Py. ao fato do mesmo atuar. a não ser uma pequena redução no crescimento do rebentão. Bondad. Tanto o ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico quanto o paclobutrazol. Barbosa et al. analisando os teores de etileno. é devido à interrupção na síntese de giberelina. Cooke & Randall. Min (1995) é de opinião que o modo de atuação das auxinas. reguladores de crescimento ou fitorreguladores. contraditoriamente. com índices variando. os produtos uniconazole. do ácido 1-aminociclopropano-1-carboxílico (ACC. A indução artificial do florescimento do abacaxizeiro apresenta as seguintes vantagens: a) maior eficiência no emprego dos fatores de produção.Existem evidências de que o papel do paclobutrazol. O ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico demonstrou potencial de inibição. precursor imediato do etileno) e do ácido 1-(malonilamino) ciclopropano-1-carboxílico (MACC) em tecidos de plantas tratadas com o ácido 2(3-clorofenoxi) propiônico.

1. apesar de sua eficiência poder ser modificada por alguns fatores externos. e 4) manipulando-se a expressão do gene dependente dele. admite-se que a floração do abacaxizeiro está muito relacionada a essa substância. tendo sido uma descoberta casual. incluindo modificações na expressão de genes. por sua vez.. 1993). A fumaça foi a primeira substância usada na indução artificial da floração na cultura do abacaxi. chegando-se à descoberta de diversas outras substâncias com essa capacidade de indução floral. ocasionando. 1966). Antecipar e uniformizar o florescimento do abacaxizeiro sempre foi um desafio para reduzir o custo de produção dessa cultura. Desses. ainda. de acordo com as exigências do mercado consumidor. Randhawa et al. o etephon (precursor do etileno) teve seu uso bastante difundido. Desde então. inicia uma série de reações. A partir da década de 30. Nos anos 40. e pela ACCsintase. tombamento de frutos. o carbureto de cálcio (CaC2). de mais de 15 meses. Outros processos fisiológicos podem ser também influenciados pelo emprego de reguladores de crescimento. 64 Tópicos em Ciências Agrárias. 1932). d) facilidade no controle fitossanitário de determinadas pragas e doenças. o etileno é responsável pela floração natural do abacaxizeiro devido a que as baixas temperaturas estimulam sua biossíntese. nos Açores. onde a absorção dos produtos é mais rápida. com oito meses de idade. controlando-se ou regulando-se o nível desse produto nos tecidos pela: 1) adição ou remoção. 2009 . talvez por ser mais barato e de fácil manejo. o etileno tem de ser biossintetizado pela planta ou ser suprido exogenamente (Yang. passando-se. tais como auxinas e compostos similares (Dass et al. Todos eles reduzem drasticamente o rendimento e a rentabilidade da cultura.4-D). vários reguladores vegetais foram identificados como eficientes no desencadeamento do florescimento do abacaxizeiro. apenas alguns poucos são usados. os mais comuns e que podem ser usados comercialmente são os ácidos alfanaftaleno acético (ANA). indolbutírico (AIB). 1987). v. acetileno. UFRB. demonstrou-se que as auxinas também podiam causar o florescimento do abacaxizeiro. Entretanto.. passou-se a usar o etileno diretamente na indução floral do abacaxizeiro. Entretanto. 1985). danos e deformações nos frutos (muito arredondados ou cônicos). fazendo a floração coincidir com períodos de menor potencial de inóculo. 1975. a exemplo do etileno. principalmente como estimulador do processo de maturação dos frutos. h) possibilidade de exploração de uma segunda safra ou soca (Cunha et al. o mais comum é o carbureto de cálcio (precursor do acetileno). a hidroxietilhidrazina (HOH) e a betahidroxietilhidrazina (BOH).4diclorofenóxiacético (2. o que deve ter ocorrido por volta do século XIX (1885). alongamento do pedúnculo. alguns problemas podem ocorrer em função da má aplicação dos indutores florais: frutos pequenos com coroas grandes. devido à maior atividade celular nessa área. Substâncias usadas e modos de atuação Após muitos anos de pesquisa. g) melhor distribuição de mão de obra e facilidade na administração da propriedade. betanaftaleno acético (BNA). 2-cloroetilfosfônico (etephon) e. o modo de atuação do etileno nesses processos e na floração natural do abacaxizeiro e de outras bromeliáceas ainda não está plenamente conhecido. as respostas das plantas ao etileno podem ser modificadas. conforme sugerido por Py & Guyot (1970). muitos trabalhos têm sido realizados. Com base nessas descobertas e no reconhecimento do etileno como um importante regulador de crescimento das plantas. Como em relação a outros hormônios. No Brasil. Soler. Porém. 1994). ao indicarem que a chuva e a temperatura alta podem exercer uma ação negativa sobre o referido produto.sem afetar a qualidade dos mesmos e em épocas mais favoráveis comercialmente. a partir da década de 1970. que a planta requer para iniciar a diferenciação floral e sua desuniformidade na plantação. Cooke & Randall (1968) recomendaram o etephon como agente da floração na cultura do abacaxi. mais precisamente na zona meristemática (Burg & Burg. apesar de provocar muitas respostas fisiológicas nas plantas. 2. redução do número de mudas por planta. o que torna o ápice caulinar mais sensível aos efeitos da auxina endógena. Antes de poder exercer sua ação. a produção de etileno é controlada pela concentração do ácido 1-aminociclopropano-1carboxílico (ACC). Bioquimicamente. f) aumento do rendimento da cultura. uma ampla variedade de respostas fisiológicas. mas. um hidrocarboneto insaturado (Rodrigues. regulada pela enzima ACC sintase. 1970. apenas na década de 1920 descobriu-se que o agente da fumaça que provocava o florescimento era o gás etileno (C2H4). haja vista o período relativamente dilatado. a usar o ácido alfanaftaleno acético. os gases etileno (C2H4) e acetileno (C2H2). assim. pensa-se que o etileno liga-se a uma molécula receptora.. fazendo com que a colheita prolongue-se por até dez a 12 meses. Segundo Botella et al. pelo maior número de frutos colhidos. e) controle do peso e tamanho do fruto. Burg & Burg (1966) não observaram etileno em abacaxizeiros cultivados em vasos. 2) pelo estímulo ou inibição da biossíntese do mesmo nos referidos tecidos. 3) modificando-se a ligação ou a quantidade do receptor com o qual ele interage. succínico. carbureto de cálcio e etephon. formando um complexo ativado que. (2000). Acredita-se que os reguladores vegetais atuam promovendo o aumento do teor de etileno no interior da planta. que é o fator primário que limita a produção do ACC (Min & Bartholomew. Ainda segundo Yang (1987). 1993). pela atividade da enzima formadora de etileno ACCoxidase (Kende. Entretanto. bem como o acetileno. então.

principalmente quando aplicado no verão. (b) ACCsintase. O mesmo se observa Tópicos em Ciências Agrárias. principalmente a noturna (Min. UFRB. mas também a fatores internos (hormônios produzidos pela própria planta). liberando etileno e íons clorato e fosfato. é impedido de atuar in loco por inibidores fenólicos. pois ele é estável em solução aquosa com valores baixos de pH (ácido).000 mg L-1. Segundo eles. Das Biswas et al. independente da época de aplicação. Dentre esses.000 a 2. ácido ascórbico. (1983) notaram aumentos no nível de etileno no ápice caulinar. 2009 65 . Foram observadas.CH2 . 1999). que a floração do abacaxizeiro não está apenas relacionada a uma série de fatores externos (duração do dia. 1999). apesar de ativo. que favorece ou provoca a floração. Gowing (1961) assumiu que o efeito de auxinas sintéticas baseia-se no deslocamento da auxina endógena (AIA) dos seus locais de atividade no meristema apical da planta. que se transformou em inflorescência. porém de modo mais pronunciado em junho e decrescendo até janeiro. carbureto acetileno O etileno torna os tecidos do ápice vegetativo mais sensíveis à auxina endógena. cujas concentrações requeridas são elevadas. Ao atingir os tecidos internos da planta. na concentração e no tempo certos. existe uma concentração ótima do AIA no meristema apical da planta. (c) ACCoxidase]. (1993. No entanto. Turnbull et al. nem sempre a resposta à indução floral artificial causada pelo etephon é uniforme (Cunha 1989a). Vê-se. o qual deve permanecer numa determinada faixa durante algum tempo. a alta temperatura ambiente pode ser a causa de falhas parciais ou totais da indução com o etephon.. 1. o que pode ser causado pela aplicação de alguns fitorreguladores. mudanças estruturais no ápice do caule. portanto. 1. temperatura.1995. auxina endógena no abacaxizeiro. Burg & Burg (1966) usaram o abacaxizeiro para esclarecer algumas contradições aparentes da interação “auxina-etileno” como indutores da floração. A absorção desse produto é bastante modificada pela temperatura e umidade relativa ambientais. Dessa forma. Ahmed & Bora (1987) relataram que a floração do abacaxizeiro ocorreu em resposta ao aumento sequencial de metabólitos (açúcares. desde que o pH do meio esteja acima de quatro (faixa alcalina). para que se proceda à indução do florescimento torna-se necessário apenas a aplicação de substâncias que alterem o nível do AIA nesse meristema. com o uso de indutores da floração. O AIA.+ H3PO4 etileno + Ca(OH)2 . como se observa em regiões e períodos de alta temperatura. ácidos nucléicos) na gema apical. irradiância).Os passos da biossíntese do etileno são os seguintes: + NH3 ATP PP ii+ P + NH3 5 CH3 – S – 4 CH2– 3CH2 – Metionina 2 CH –1-COO (a) CH3 – +S – CH 2 – Ch2 – CH – COO CH O 2 Ade - OH (b) H 2C C H 2C COO(c) + OH S-Adenosil metionina NH3 CH 2 = CH2 Etileno Ácido 1-aminociclopropano-1-carboxílico [Enzimas envolvidas: (a) AdoMetsintetase. CaC2 + 2H2O C 2H 2 CH2 = CH2 + Cl. em dias muito quentes. As reações de liberação do etileno pelo ethephon e do acetileno pelo carbureto de cálcio são as seguintes: 1. Ainda segundo Turnbull et al.CH2 . principalmente o ácido indolacético (AIA). proteínas.PO3H2 + OHethephon 2. Cl . pelo pH da solução indutora e pela superfície onde as gotas dessa solução são depositadas. também. citam-se as auxinas. v. o etephon (ácido 2-cloroetilfosfônico) decompõe-se. por determinar uma secagem rápida da solução na superfície das folhas.

ao se decompor. já que o produto é tido como relativamente estável na presença da luz. A maior taxa de liberação do etileno em solução aquosa ocorre na faixa de pH entre 5. o tipo de muda. considerando-se a demanda por produtos oriundos de cultivo orgânico e de produção integrada de frutas. os fatores que influenciam a velocidade de decomposição do etephon adquirem grande importância. a resposta ao tratamento de indução artificial varia de acordo com o ambiente. 66 Tópicos em Ciências Agrárias. Entrando na corrente citoplasmática. v. causando a decomposição cinética do produto. local de aplicação e condições ambientais (temperatura. tais como o método de aplicação. UFRB. na referida zona. Do mesmo modo como acontece no florescimento natural. torna-se praticamente dispensável o uso de coadjuvantes. daí porque esses autores consideram importante que a aplicação do indutor seja dirigida ao centro da roseta foliar. Se estiver avermelhada. a temperatura alta.quando a planta está em fase de crescimento ativo e rápido. especialmente a barreira física das camadas cuticulares. deve-se considerar a importância que as modificações na sua concentração e a intensidade dos fatores que influenciam sua decomposição exercem sobre a ação indutora desse produto. conforme comentado anteriormente. 2009 . Levando-se em conta que a diferenciação floral do abacaxizeiro é uma resposta fisiológica à elevação do teor de etileno no meristema apical e que o etephon. estão sendo procuradas novas alternativas de produtos para o tratamento de indução artificial da floração do abacaxizeiro. que estão. a inflorescência (Kerns et al.0. da cv. Os rebentões são induzidos à floração mais facilmente que os filhotes e as coroas. na fase seguinte. enquanto no tecido. Em solução. A maior absorção do etileno pelo abacaxizeiro ocorre através da superfície inferior da folha. com perda do etileno. notase o surgimento da inflorescência no centro da roseta foliar. na qual a fase inicial indica concentrações que não conseguem desencadear o processo de diferenciação floral (talvez por serem muito baixas). celulósicas e cerosas e dos tricomas abundantes. Atualmente. 1993).. umidade relativa) na absorção. com aumento do diâmetro da área meristemática. a taxa de liberação quase duplicou com a elevação do valor do pH de 4... como ocorre no estádio vegetativo. Tais obstáculos exercem um papel de grande relevância. em geral. Dependendo das condições ambientais. também. a partir de 40-50 dias depois do tratamento de indução. então. formando. assim. O primeiro sinal da transformação do meristema em primórdio floral é o aumento da atividade mitótica das células imediatamente abaixo da zona central ou parte mais apical (distal) do meristema vegetativo. e a radiação solar. Pérola. que arrasta as gotículas antes de serem absorvidas pela planta. 1936). permitindo. Diversos estudos têm demonstrado efeitos drásticos do pH da solução indutora. 1.0 para 6. porque o processo de absorção/diluição através da cutícula é bem mais importante que a penetração pelos ostíolos dos estômatos. Com essa prática haverá o acúmulo da solução nas axilas das folhas. 1970). citam-se aqueles que afetam a concentração do produto antes da sua absorção pela planta. translocação e decomposição do etileno na planta (Turnbull et al. tendo sido observada uma gradação na suscetibilidade à floração. que interfere diretamente na interceptação do produto pela planta. podem ser citadas a fumaça. água gelada e gelo. cheios com vapor d'água ou gases. 1966). libera etileno (Burg & Burg. tendo sido demonstrado que aos quatro dias após a aplicação do produto já se pode observar o início da diferenciação. por meio de um corte longitudinal do ápice caulinar. um maior tempo de contato do produto com a epiderme abaxial perto do ápice caulinar. 1989b). Inicialmente. A resposta da planta ao uso de indutores florais é muito rápida. que cessa de produzir primórdios foliares. a liberação do etephon aumenta linearmente até o pH 9. López de Vélez & Cunha (1983) idealizaram uma curva hipotética de ação de coadjuvantes sobre a atuação do etephon. Esse fato foi comprovado num teste de indução precoce de mudas de diversos tamanhos (20 a 47 cm). que dilui ou arrasta a solução depositada sobre as folhas (Py & Guyot. Quando o produto entra em contato com as folhas. Como exemplos. Nota-se. apesar de que em menor escala. A velocidade de decomposição do etephon depende da fração que está na forma de dianion. na parte basal aclorofilada (Turnbull et al. defronta-se com fatores que dificultam sua absorção. um intumescimento do meristema apical.0. a chuva. Lopez de Vélez & Cunha (1983) esquematizaram a influência desses diversos fatores (Figura 2). arrancando-se uma das folhas centrais da roseta foliar e observando-se a sua base.0. a segunda fase corresponde à faixa onde é possível influenciar a ação indutora com a elevação do pH e adição de uréia à solução. dentre os quais destaca-se o pH do citoplasma. o vento. Tal fato pode ser confirmado. seu vigor e taxa de crescimento. devido ao aumento efêmero da eficiência do etephon. é sinal de que a floração já foi desencadeada. 1993). com as mudas maiores sendo mais sensíveis (Cunha.0 (valor máximo testado). encontrando-se essencialmente nesse estado em pH 9.0 e 7. a última fase é caracterizada por uma faixa de concentração em que a eficiência do referido produto quase não se altera com o uso de coadjuvantes (Figura 3).

1. Quando aplicado adequadamente. 1964). enquanto que o ethephon. Fatores que influenciam a decomposição pH Enzimas Temp. 2009 67 . como em pulverização total da planta. Fatores que influenciam a concentração Chuva Temperatura Vento Perdas Ethephon II. O ANA é mais eficiente quando aplicado próximo do período de diferenciação natural (Gowing. O carbureto de cálcio (precursor do acetileno) pode ser aplicado sob a forma sólida (granulado ou pó.5-1. o etileno e o BNA em pulverização sobre as plantas.I. Das. ou líquida (30-50 mL planta-1. Modos de aplicação dos indutores florais Os indutores florais diferem quanto ao modo de aplicação e eficiência. 1974). sendo que o carbureto de cálcio.4-D são aplicados no centro da roseta foliar. 1983). 1961. o ANA e o BOH tanto podem ser aplicados no centro da roseta foliar. Ação do etileno Etileno Íon cloreto Decomposição Figura 2. UFRB. Tópicos em Ciências Agrárias.0 g planta-1) em períodos chuvosos. o CaC2 pode alcançar uma eficiência de 100 % (Singh & Rameshwar. Fatores que influenciam a absorção Floração Tricomas Cerosidade Cutícula Estômatos Perdas III. 0. o acetileno e o 2. Representação esquemática de fatores que influenciam a eficiência do ethephon como indutor floral do abacaxizeiro (Fonte: López de Vélez & Cunha. de uma solução preparada com base em uma mistura de 350-400 g de CaC2 por 100 litros de água fria e limpa) em épocas secas. v. o que se observa com o tratamento de indução artificial em geral.

Nesse caso. A diminuição da acidez da solução indutora para um pH 8. como já foi visto. aplicando-se de 30 a 50 mL da solução por planta. Na2(CO3) (carbonato de sódio) e Ca(OH)2 (hidróxido de cálcio). 1977. 2009 .. 1983).04 %) + uréia (2%) aumentou a porcentagem de florescimento e reduziu o tempo de emersão da inflorescência e de maturação do fruto do abacaxizeiro 'Kew'. sendo preferido em plantios mecanizados por apresentar eficiência comprovada e pelos seus efeitos benéficos sobre a inflorescência. A maior eficiência observada nas aplicações noturnas pode ser o resultado de uma maior concentração do etileno nos tecidos da planta nessas condições e/ou melhor absorção do produto aplicado. em dias nublados (Aldrich & Nakasone. Porém. elevando o pH para 10. aumenta ainda mais a eficiência da indução artificial (Fahl et al. López de Vélez & Cunha. Cunha & Reinhardt. o metabolismo ácido das crassuláceas (CAM). sua eficiência. pois.000 mgL-1. portanto. Abutiate. v.0%). 1982). alternativamente. Modelo hipotético da ação de produtos coadjuvantes na performance do ethephon. por tratar-se de uma substância gasosa e necessitar de equipamento específico para aplicação.0 ou 10.0. assim. Para facilitar a difusão desse gás na água e. Reinhardt & Cunha.. em um tanque contendo água fria. seu uso é restrito.5%0 a 1. sob pressão. levandose em conta que o abacaxizeiro é uma planta que apresenta.000 litros) e a distribuição homogênea sobre as plantas muito importantes. recomenda-se adicionar um coadjuvante à solução. no processo de diferenciação floral do abacaxizeiro (Fonte: López de Vélez & Cunha. O ethephon a 25 mg L-1 + CaCO3 (0. obtida pela injeção. 1. do qual o ethefon é precursor. É importante que os estômatos permaneçam abertos por um período de quatro a seis horas após a aplicação do indutor 68 Tópicos em Ciências Agrárias. UFRB. 2-3 kg 100-1 litros da solução. Cunha (1989a) obteve ótimos resultados adicionando 35 g de Ca(OH)2 a 100 litros da solução. 1975.000 a 8. torna-se facilitada em meio alcalino (Dass et al. devendo ser efetuada preferentemente à noite.0 aumenta bastante sua eficiência. A quantidade de etileno indicada por Dericke (1974) é de 800 g ha-1 por aplicação. qualidade do fruto e produção de mudas (Py & Silvy. sendo o volume de água (6. 1975. A hora de aplicação do regulador vegetal é muito importante. a concentração recomendada pode ser reduzida para 25 a 100 mg L-1. pela assimilação de CO2 e abertura estomática predominantemente noturnas. o que corresponde a concentrações de até 4. do etileno proveniente de um cilindro apropriado. caracterizado. portanto. podendo ser carvão ativado (0. 1954). das 20:00 às 05:00 horas da manhã. viável apenas em plantios mecanizados. 1986). O gás etileno também pode ser aplicado diretamente para induzir a floração do abacaxizeiro. para o que podem ser usadas algumas substâncias alcalinizantes.100 Faixa de ação dos coadjuvantes Percentagem de indução floral 80 60 40 20 0 10 50 Concentração do ethephon (ppm) 4. a exemplo do CaCO3 (carbonato de cálcio). possibilitando o uso de menor quantidade do produto. sendo. Com relação ao ethephon. Essa operação consiste na pulverização total das plantas com uma solução saturada desse gás. 1983). 1981. ou então. a concentração realmente recomendada é a de um a quatro litros do produto comercial para 1000 litros de água. o que resulta em mais de 90 % de eficiência na indução da floração. a liberação do etileno. A adição de uréia (2%-3%).0%0) ou bentonita (1.000 Figura 3.

assim. sem o domínio dessa técnica cultural. sabe-se que uma planta em fase de crescimento ativo não responde satisfatoriamente ao tratamento de indução artificial. Foi abordado o envolvimento de diversos fatores na floração do abacaxizeiro. 1994). Segundo Chan & Lee (2000). Afirma-se inclusive que. Nessas situações pode-se usar os indutores com menores concentrações. a fim de que não ocorram alterações fisiológicas na planta ou prejudiquem a qualidade do fruto. devido à sua maior atividade celular. não devendo ser superior a 26-28 oC. muito importante. isso é. Por outro lado. deve-se evitar o uso de doses muito elevadas dos reguladores vegetais. apesar de Burg & Burg (1966) não terem encontrado correlação entre a produção de etileno e o tamanho da planta. elevando bastante o nível de CO2. apenas iniciam o processo de floração. o abacaxizeiro não responde de modo satisfatório à aplicação dos produtos florígenos. dificilmente o abacaxizeiro responderá aos estímulos do meio ambiente. quando usadas como indutoras.(Glennie. que é um possante inibidor do etileno. após um prolongado período de seca ou durante uma fase de crescimento ativo da planta ou de altas temperaturas. CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE A FLORAÇÃO DO ABACAXIZEIRO Conforme se depreende pelo que foi apresentado. para inibir a floração ou reduzir a eficiência da indução artificial. Sabendo-se que existe uma correlação positiva (linear) entre o tamanho/peso da planta e o peso do fruto para uma determinada região (Chan & Lee. Logicamente. assim. em trabalhos de melhoramento genético deve-se atentar para as progênies que tenham a capacidade de produzir frutos de valor comercial mesmo com uma pequena massa vegetal. ou após um período muito seco alternado com um chuvoso. Havendo. Todavia. v. mas não têm efeito sobre a duração da fase reprodutiva. Alguns produtos requerem a repetição da aplicação. caso pretenda-se explorar a soca. UFRB. também. o tratamento de indução floral pode ser efetuado quando o abacaxizeiro atingir sete a 15 meses após o plantio. Por outro lado. (1993) recomendaram que as pulverizações com os indutores florais sejam feitas com alto volume. geralmente com cinco a dez meses de antecedência. Assim é que. que paralisa o crescimento da planta. seria difícil pensar-se na exploração econômica dessa frutífera e que devido a esse fato é que os agricultores a cultivam. Segundo Glennie (1979). daí porque a maior eficiência quando a aplicação é feita na roseta foliar. No entanto. a sua aplicação deve ser planejada de acordo com a época que se deseja efetuar a colheita. 1977). Turnbull et al. 1979). mas também da sua eficiência. o mesmo valendo para o carbureto de cálcio. do manejo da cultura e da região. não dependem apenas da sua economicidade e praticidade. quanto ao etephon. Porém. sendo que do seu êxito depende a rentabilidade dessa cultura. Outrossim. contribuindo. a não ser que chova até seis horas após sua aplicação. a exemplo de um estresse hídrico severo. a não ser naqueles casos cuja finalidade é a uniformização do florescimento já iniciado e que. a indução floral artificial deve ser realizada antes da época provável ou favorável à floração natural.. devido à pequena área foliar. muitos dos quais determinam o sucesso da indução artificial. O tratamento de indução da floração do abacaxizeiro é. no entanto. pequenos frutos serão produzidos. a não ser ao encurtamento dos dias. o que geralmente é feito dois a três dias subseqüentes à primeira aplicação. uma falha de aplicação ou uma irregularidade na resposta das plantas ao tratamento. a segunda produção. também. essa repetição é desnecessária. a depender da cultivar. a indução de plantas pequenas ou imaturas pode reduzir consideravelmente o rendimento da cultura. parece que a suscetibilidade do abacaxizeiro à indução floral está relacionada à condição fisiológica da planta e não apenas à sua idade cronológica ou tamanho (Min. o que prejudicará. A penetração dos produtos é mais rápida. recomenda-se a repetição da indução individual das plantas que Tópicos em Ciências Agrárias. A temperatura ambiente durante a aplicação dos produtos é. especialmente. evitando-se dias quentes para se reduzir falhas na floração artificial. próximo do ápice caulinar. 2000). o peso do fruto do abacaxizeiro depende. Geralmente. o mesmo ocorrendo quando as condições ambientais são adversas à floração. a fim de obter-se uma maior eficiência. a escolha do fitorregulador (indutor) e do método de aplicação. Dentre outros fatores. 2009 69 . 1995). por algum motivo. a depender da região ecológica (Cunha et al. a partir do final da tarde. uma prática cultural imprescindível. Isso porque. diz-se que após um determinado período do seu ciclo vegetativo. do estado nutricional e estádio de crescimento alcançado pela planta quando da diferenciação floral. a alta temperatura diurna provoca uma descarboxilação intensa. Considerando que essas substâncias. Esses casos podem requerer uma maior dosagem dos produtos. pois uma irregularidade na mesma pode trazer conseqüências danosas ao seu cultivo. como é o caso do etileno e do ANA. ocorreu de modo irregular. devido à retomada de crescimento da planta (Bartholomew & Kadzimin. 1. a floração na cultura do abacaxi assume aspecto relevante.

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CAPÍTULO 6 PRODUTIVIDADE VEGETAL: PRINCIPAIS FATORES Elvis Lima Vieira Tópicos em Ciências Agrárias .

2009 . Cruz das Almas-BA. Para Larcher (1986). A fração utilizada é conhecida como índice de colheita (IC). pela atividade fotossintética e quimiossintética de organismos produtores (na maior parte. geralmente a estação de crescimento. E-mail: elvieira@ufrb. A eficiência de conversão de produtos sintetizados em material de importância econômica pode ser avaliada através do IC . e geralmente encontra-se entre os valores 2. quanto mais completa for a absorção de luz. A produtividade primária bruta. e pode ser representada da seguinte forma: UEAFS = Fs / Tr ( m mol CO2 m-2 s-1 / mmol H2O m-2 s-1) 79 Tópicos em Ciências Agrárias. plantas verdes). UFRB. a produção primária líquida menos o consumo heterotrófico) durante o período em consideração. aumentam exponencialmente (Briggs et al. 1995). em toneladas de matéria orgânica seca por hectare (t ha-1) ou (g m-2). Pode variar com a população de plantas. distribuição de plantas e variedades. o produto fotossintético total produzido pode ser chamado de rendimento biológico verdadeiro. convertendo-os em diversos tecidos (Odum. a produção da comunidade ou produção primária (PP). que designa de uso eficiente da água de fotossíntese (UEAFS). A produtividade líquida da comunidade é a taxa de armazenamento de matéria orgânica não utilizada pelos heterótrofos (ou seja. O IAF funciona como indicador da superfície disponível para interceptação e absorção de luz. frutos). mantendo um balanço positivo de trocas gasosas. como a taxa de assimilação líquida (TAL). v. seja de um sistema ecológico. 1987). PP é maior quanto mais altas as taxas de assimilação das espécies que compõem a comunidade. com a fitomassa seca total colhida. A TAL representa a taxa de incremento de massa de matéria seca (W) por unidade de área foliar (L) existente em uma planta. O rendimento pode ser definido como a relação da quantidade de material produzido pelas plantas num determinado intervalo de tempo (geralmente um ano de colheita) por área de terreno utilizado. durante sua passagem através do dossel de folhas.0 e 8. Larcher (1995) apresenta uma relação entre a fotossíntese (Fs) e a transpiração (Tr) de uma planta. tão completamente quanto possível. e representa a capacidade que a planta ou comunidade vegetal tem em explorar o espaço disponível (Pereira & Machado. sendo expressa com referência à área de solo coberta. raízes.. Estes só utilizam materiais alimentares já produzidos. 1920). as taxas de armazenamento energético em níveis de consumidores. sendo o principal fator a determinar a produtividade de uma cultura. como a área foliar por unidade de área de terreno. 1. que foi definido por Watson (1952).br INTRODUÇÃO A fotossíntese é o processo responsável pelo fornecimento da energia necessária ao crescimento e desenvolvimento da planta. O IAF é ótimo para a produção quando a radiação fotossinteticamente ativa (RFA: 400 a 700 nm) é absorvida.edu. incluindo a matéria orgânica usada na respiração durante o período de medição. expresso relativamente ao uso respiratório pelas plantas durante o período de medição. Ambientais e Biológicas/UFRB. O balanço entre o material produzido pela fotossíntese e aquele perdido pela respiração é definido por Pereira & Machado (1987). Define-se como produtividade secundária.0 (Larcher. Segundo Ferri (1985). assumindo que tanto L como W. de magnitude menor. o qual difere do usual ou econômico. é definida como produtividade primária líquida. Produtividade primária de um sistema ecológico é definida como a taxa na qual a energia radiante é convertida. que é a matéria seca contida em um órgão. é a quantidade de matéria seca formada pela vegetação em uma dada área. A taxa de armazenamento de matéria orgânica nos tecidos vegetais.Centro de Ciências Agrárias. que relaciona a massa da matéria seca da fração econômica de uma cultura (grãos. O termo produtividade refere-se ao incremento em biomassa.PRODUTIVIDADE VEGETAL: PRINCIPAIS FATORES Elvis Lima Vieira Professor . designada também de “fotossíntese aparente” ou “assimilação líquida”. Esta eficiência de conversão é determinada pelo genótipo e pelo ambiente (Pereira & Machado. 1987). 1988). Segundo Hall & Coombs (1989). 2000). também chamada de “fotossíntese total” ou “assimilação total”. em substâncias orgânicas. de uma comunidade ou de qualquer parte deles. ou um ano. Esta depende diretamente do índice de área foliar (IAF). o IAF descreve a dimensão do sistema assimilador de uma comunidade vegetal. é a taxa global de fotossíntese. e quanto mais longo for o período de assimilação. organismo ou população (Hopkins. A TAL é um indicador da eficiência de uma planta na produção de matéria seca.

incrementos na taxa fotossintética são conseguidos por aumentos nos níveis de CO2 por dois motivos: incremento na quantidade de substrato para a carboxilação pela enzima rubisco e. na concentração de CO2 atmosférico. Existe uma interação entre os níveis de CO2 do ambiente e a luz. Pelo contrário. O ponto de compensação de CO2 é atingido quando. através da competição com o oxigênio. fotoconversões e fotooxidações). Para valores de irradiância acima deste ponto. 1995). Além disso alcançam maiores valores de fotossíntese líquida em comparação às plantas C3. disponibilidade de CO2. os principais fatores que afetam a produtividade das plantas são: a variedade genética e os fatores ambientais (luz. as plantas de sombra exibem uma menor produção de matéria seca. exercendo também influência direta sobre o crescimento. Apresenta outra relação. Segundo Larcher (1995) e Larcher (2000) a eficiência da conversão de energia radiante solar em energia química. como por exemplo no fenômeno do estiolamento de plantas e nos fototropismos. Em plantas C3. definida pela razão entre a produção de matéria orgânica seca e o consumo de água: UEAP = produção de matéria orgânica seca consumo de água (g MS kg-1 H2O) A produção de matéria seca e a quantidade de água consumida podem ter como referência uma única planta ou um estande de plantas. v. o UEAFS também é afetado pelas condições climáticas. a produção de matéria seca orgânica refere-se a área do estande. UFRB. O ponto de compensação lumínico se incrementa à medida que se aumenta a concentração de CO2. das condições ambientais e das características funcionais e estruturais das plantas. Salisbury & Ross (1994) definem como ponto de saturação lumínica.) e 3) fotodestrutivos (altas irradiâncias da RFA). produzem grandes quantidades de matéria seca e são mais vigorosas. que possuem um mecanismo interno de concentração de CO2 em união ao fenômeno de insaturação lumínica. etc. até chegar e ser reduzido no interior do cloroplasto. fotomorfogêneses etc. a fotossíntese líquida será sempre positiva. neste ponto a fotossíntese líquida (FL) é nula [FL = FB (R + FR)]. nutrientes e a estrutura do dossel). temperatura. através da regulação do processo fotossintético. No campo. pela conversão de dióxido de carbono em compostos orgânicos. 1995). Segundo Hopkins (1995). De maneira geral. reduzindo a taxa de fotorrespiração. a concentração de CO2 do ar é bastante constante e relativamente baixa (0. fototropismos. 2) fotocibernéticos (fotoestimulantes ou fotoinibidores de rotas metabólicas. Neste último caso (uso eficiente da água de produtividade). 1. A luz interfere sobre o processo de crescimento de forma indireta. chamada de o uso eficiente da água de produtividade (UEAP). a energia absorvida na forma de fótons pelos vegetais pode produzir basicamente três efeitos: 1) fotoenergéticos (fotossíntese. Este aspecto é bem mais importante para as plantas C3 do que para as plantas C4. agricultural e florestal. causando fotooxidações de pigmentos do cloroplasto e radiações ultravioletas alterando os ácidos nucléicos. Larcher (1995) propõe que a relação entre a produção de matéria seca e o consumo de água. enzimas.O UEAFS expressa qualitativamente e instantaneamente as trocas gasosas (CO2 e vapor d'água) que ocorrem na folha . Esta relação depende principalmente dos gradientes de concentração de CO2 e vapor d'água. mas também por maiores concentrações de CO2. fornece mais informações do que as taxas instantâneas de trocas gasosas. os vegetais expostos a maiores níveis de irradiância desenvolvem um eficaz sistema axial para condução da água. o nível de irradiância no qual a fotossíntese bruta (FB) está em equilíbrio com a respiração (R) e com a fotorrespiração (FR). em determinado período de crescimento de um vegetal. maior eficácia na síntese de proteínas e baixa taxa respiratória e de intercâmbio hídrico. Suas folhas possuem várias camadas de células no mesófilo paliçadico e as células apresentam abundantes cloroplastos. é definida como o uso eficiente de radiação pela fotossíntese (UERFS). a fixação fotossintética bruta está equilibrada com a 80 Tópicos em Ciências Agrárias. Geralmente as plantas C4 não apresentam o processo de fotorrespiração mensurável e não sofrem saturação lumínica.). e o consumo de água refere-se à evapotranspiração total. fixada na forma de ligações químicas. O CO2 atmosférico tem que cruzar um longo e complicado caminho. quando em condição de máxima irradiância solar (Martinez. água. em especial quando os estômatos estão parcialmente fechados (Hopkins. podendo ser representada da seguinte forma: UERFS = energia química estocada x 100 energia radiante absorvida As taxas fotossintéticas não são amplificadas somente por aumentos nos níveis de irradiância. pela fotossíntese. proteínas.035% em volume ou 350 mL L-1). que apresentam este processo e normalmente se saturam com a luz natural (500 a 1000 mol m-2 s-1). 2009 . Em condições naturais. Em termos ecológicos. que indica a percentagem de energia radiante absorvida. ao longo do qual se encontra com distintas resistências. Segundo Martinez (1995).

perda de CO2 através da respiração e da fotorrespiração. Neste ponto, a fotossíntese líquida é aparentemente igual a zero. Logo, o processo fotossintético não poderá se beneficiar de incrementos nos níveis de CO2 se não superar este limite (ponto de compensação). De maneira geral, as plantas C3 possuem um ponto de compensação de CO2 mais alto (35 a 45 mmol mol-1) do que as plantas C4 (0 a 5 mmol mol-1) (Taiz & Zeiger, 2004). Hopkins (1995) apresenta um modelo que descreve a limitação da taxa fotossintética em função da concentração de CO2. Em baixas concentrações de CO2, a fotossíntese é limitada pela baixa capacidade de carboxilação de enzima rubisco. Em altas concentrações de CO2, as taxas fotossintéticas são limitadas pela taxa de regeneração do aceptor molecular, a ribulose-1,5-difosfato. Tradicionalmente, a produtividade das plantas tem sido avaliada pelas mudanças no seu peso, medido pela colheita de amostras a intervalos de dias, semanas ou meses. No entanto, a medição da taxa de troca de CO2 nos permite uma avaliação instantânea da produtividade minuto a minuto, caso seja requerido (Hall & Coombs, 1989). O crescimento vegetal é estimulado pela temperatura até certo limite, a partir do qual começa a atuar como fator de inibição. O papel regulador da temperatura sobre o crescimento se realiza através da regulação de enzimas que catalisam as reações que direta ou indiretamente interferem em todos os processos metabólicos e fisiológicos (germinação, respiração, transpiração, fotossíntese, fotorrespiração, translocação, absorção de água e nutrientes, floração, frutificação e senescência). Hopkins (1995) relata que a temperatura pode ser caracterizada por três pontos: o de mínimo (Tmin), o de máximo (Tmax) e o ótimo (Tótima) onde as reações se processam. A temperatura afeta fundamentalmente os processos químicos, mais que os físicos. A fotossíntese, a respiração e a fotorrespiração são afetadas de maneiras diferentes pela temperatura, pois as temperaturas ótimas diurnas afetam a produção (fotossíntese, fotorrespiração e respiração) e as temperaturas noturnas influenciam somente na respiração. De maneira geral, não existem taxas apreciáveis de fotossíntese à 0º C, a não ser aqueles detectados abaixo desta temperatura, em alguns liquens , plantas alpinas, espécies de tundra etc., porém não é um fenômeno habitual. A atividade das enzimas de carboxilação das plantas C4 (PEPcarboxilase) e da plantas C3 (Rubisco), apresentam pontos ótimos de atividade diferentes, 30º C e 25º C, respectivamente. Outro efeito marcante da temperatura ocorre sobre o processo transpiratório das plantas, que está relacionado diretamente com a fotossíntese (trocas gasosas), a temperatura foliar e com o estabelecimento de uma tensão hídrica na planta (Martinez, 1995). A água participa diretamente do processo de crescimento das plantas de diversas formas, como por exemplo: é o principal constituinte do protoplasma, participa diretamente de numerosas reações químicas (fotossíntese e respiração), praticamente todos os compostos orgânicos são solúveis em água, favorece o transporte de nutrientes e fotoassimilados dentro da planta, responsável pela turgescência celular, sem a qual não ocorrem as trocas gasosas e, é responsável pela estabilidade térmica do material vivo celular, favorecendo a manutenção das atividades bioquímicas do vegetal (Sutcliffe, 1980). Qualquer redução no potencial hídrico da planta afeta instantaneamente a abertura estomática, podendo induzir o fechamento estomático, causando diminuição das trocas gasosas e, consequentemente, reduzindo a fotossíntese. A taxa fossintética declina sob condições de estresse hídrico, e em caso de severo estresse hídrico, esta pode ser completamente anulada. De maneira geral, em condição de estresse hídrico, a redução na produtividade das plantas C3 é maior do que nas plantas C4. As plantas C4 apresentam algumas vantagens sobre as plantas C3, com relação à fotossíntese e estresse hídrico, por que elas são mais eficientes no uso da água. As plantas C3, C4 e MAC (metabolismo Ácido das Crassuláceas), apresentam diferentes aspectos em relação à fisiologia, bioquímica, botânica e ecologia, que afetam significativamente a capacidade produtiva destas plantas (Tabela 1). Os nutrientes minerais possuem uma extraordinária importância no crescimento e no desenvolvimento dos vegetais, desempenhando diversas funções como por exemplo: estrutural, constituinte de enzimas, ativador enzimático, regulador do pH citossólico, regulador da permeabilidade celular e na manutenção da neutralidade eletrostática intracelular (Malavolta et al., 1997). A nutrição mineral manifesta determinadas influências sobre a fotossíntese e interfere sobre todos os níveis de nitrogênio, cuja deficiência determina uma diminuição evidente nas taxas de fotossíntese, ou seja, na produtividade primária, devido à redução nas taxas de síntese protéica, particularmente da rubisco e dos elementos transportadores das cadeias eletrônicas (Hopkins, 1995). O potássio também interfere decisivamente na assimilação de CO2, afetando o mecanismo de abertura e fechamento estomático, a atividade de muitas enzimas e, em particular, a mobilização de proteínas e carboidratos. O cloro é indispensável para a fotólise da água e o sódio é essencial para a fotossíntese de algumas plantas C4. O ferro é necessário ao metabolismo das clorofilas e das proteínas férricas do transporte eletrônico. O magnésio afeta a síntese de clorofilas, a ativação de numerosas enzimas fotossintéticas e participa também da fotólise da água no fotosistema II (Martinez, 1995). A máxima possibilidade fotossintética conseguida por uma folha é conhecida de capacidade fotossintética foliar, sendo determinada através da taxa de fotossíntese por unidade de área foliar sob condições de saturação de luz incidente, concentrações normais de CO2 (0,003%) e O2 (21%), ótimo de temperatura e alta umidade relativa. A
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capacidade fotossintética foliar é altíssima em plantas adaptadas a ambientes rico em recursos onde luz, água e nutrientes são abundantes. A redução da fotossíntese é uma conseqüência de deficiência de praticamente todos os elementos essenciais, mas a capacidade fotossintética foliar é particularmente sensível ao suprimento de nitrogênio. Como constituinte básico da molécula de clorofila, participante de reações de redox no transporte de elétrons e envolvido com todas as enzimas do metabolismo do carbono, o nitrogênio assume um papel crítico na produtividade primária dos vegetais (Hopkins, 1995). De maneira geral, ótimas taxas fotossintéticas são coincidentes com uma nutrição mineral equilibrada e de concentrações ótimas. A produtividade primária líquida de um estande de plantas é notadamente influenciada pela estrutura do dossel. Esta estrutura é alterada pela idade, morfologia, pelo ângulo e espaçamento individual entre folhas. A capacidade fotossintética de uma folha declina com a senescência. Esta deterioração progressiva da folha é caracterizada, em parte, pela redução de clorofilas e da atividade das enzimas ligadas ao processo fotossintético. Muitas plantas herbáceas apresentam uma seqüência na senescência foliar. Quando as folhas mais velhas do dossel estão senescentes, as folhas novas estão em formação no topo do dossel. A arquitetura do dossel é muito importante quando se considera a produção agrícola e os ecossistemas naturais, pois esta determina como a luz será eficientemente absorvida. Altas produtividades dependem em parte da extensão de área de solo que é coberta com superfície fotossintetizante, porque a luz solar exposta ao solo não contribui para a produtividade. Estas relações são avaliadas através do IAF (Hopkins, 1995). Hall & Combs (1989) apresentam de forma resumida (Figura 1) a seqüência lógica a ser observada para resolução dos problemas referentes às etapas limitantes da eficiência do processo energético luminoso na conversão de um determinado cultivo em biomassa. No entanto, alertam que, mesmo antes de buscar tais respostas, deve-se primeiro verificar se é possível definir as melhores condições ambientais e de produtividade das plantas. Tabela 1. Comparação entre plantas C3, C4 e MAC quanto aos aspectos que influenciam na produtividade vegetal.
CLASSES DE PLANTAS

C3
PARÂMETROS

C4 Mesófilo Foliar, presença de Bainha Vascular (BV), com cloroplasto (Anatomia Kranz) Mesófilo granal e Bainha Vascular granal ou agranal Cerca de 4 : 1 1:5:2

MAC Mesófilo foliar, ausência de Bainha Vascular, células com grandes vacúlos. Granal <3:1 Na luz 1 : 3 : 2 No escuro 1 : 5 : 2 Nas intensidades intermediárias e altas. Inferior às plantas C4 Assimilação de CO2 noturna Na luz: RuDP No escuro: PEP PGA à luz Malato no escuro Rubisco na luz PEPcase: no escuro
Rubisco: luz PEPcase: escuro Rubisco/cloroplasto PEPcase/citoplasma continua...

01

ANATOMIA FOLIAR

Mesófilo Foliar (MF), ausência de Bainha Vascular, com cloroplasto - Parenquimático Granal Cerca de 3 : 1 1:3:2

02 03 04

CLOROPLASTOS CLOROFILA a / b RELAÇÃO CO2 : ATP : NADPH+ SATURAÇÃO DE LUZ DA FOTOSSÍNTESE

05

Há intensidade intermediárias ~1/3 Não satura a altas intensidades (50 - 150 Wm-2) (+ 500 Wm-2) (500 - 1000 m mol m2 s-1) -1 (2000 mmol quanta m-2 s-1) -2 (600 a 800 m mol quanta m s ) 30°C : 18,9 20°C : 15,4 20 ou 30°C gramíneas = 15,9 dicotiledôneas = 17,5 Fosfoenolpiruvato (PEP) Ácidos C4 - (AOA) (Malato ou Aspartato) PEP carboxilase (PEPcase)

06

EFICIÊNCIA QUÂNTICA (mol quanta/mol CO2

07 ACEPTOR PRIMÁRIO DE CO2 atm. 08 PRIMEIRO PRODUTO ESTÁVEL DA FOTOSSÍNTESE ENZIMA PRIMÁRIA DE CARBOXILAÇÃO
Km DA ENZIMA DE CARBOXILAÇÃO LOCALIZAÇÃO DA ENZIMA DE CARBOXILAÇÃO

Ribulose 1,5 difosfato (RuDP) Ácidos C3 Ácido 3 - fosfoglicérico (PGA) RuDP carbosilase/oxigenase Rubisco* Carboxidismutase
Rubisco (@20 m MCO2) 20mM CO2 Rubisco - cloroplasto (MF)

09

10

PEPcase (@5 m MCO2) 100 a 160 mM HCO-3 PEPcase: - citoplasma (MF) Rubisco - cloroplasto (BV)

11

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... continuação
CLASSES DE PLANTAS

C3
PARÂMETROS

C4

MAC CO2: luz HCO 3: escuro Sem referência

12 13

SUBSTRATO DA CARBOXILAÇÃO TEMPERATURA ÓTIMA/ENZIMA TEMPERATURA ÓTIMA PARA FOTOSSÍNTESE ABERTURA ESTOMÁTICA NA PRESENÇA DA LUZ

CO2 Rubisco: 20 - 25°C

HCO 3 PEPcase: 30 - 35°C

-

14

20 - 35°C Grande (fotoativas) Forte inibição na presença da luz Aumento do processo fotorrespiratório 3 a 5 vezes MAIS que a respiração no escuro

30 - 45°C Pequena a média (fotoativas)

30 - 45°C Pequena ou nula (não fotoativas) Forte inibição na presença da luz Não há aumento Difícil de determinar Não mensurável, difícil determinar Na luz: 0 - 200 ppm No escuro: < 5 ppm

15

EFEITO DEPRESSIVO 16 DO OXIGÊNIO (21%) NA FOTOSSÍNTESE 17 EFEITO DE ALTAS TEMPERATURAS

Sem efeito

Não há aumento 10 vezes MENOR que a respiração no escuro

VELOCIDADE RELATIVA 18 DA FOTORRESPIRAÇÃO

LIBERAÇÃO DE CO2 NA Sim; presente em torno de 25 19 LUZ (FOTORRESPIRAÇÃO a 30% do valor da fotossíntese APARENTE) 20 PONTO DE COMPENSAÇÃO DE CO2 50 - 150 ppm (ALTO) 30 - 70 mmol CO2 mol 20 - 100 mLCO2L-1

Não mensurável 0 - 10 ppm (BAIXO) 0 - mmol CO2 mol 0 - 5 mLCO2L-1

PONTO DE COMPENSAÇÃO LUMÍNICO (RFA) 21 20°C - 340 ppmCO2 CONSUMO DE H2O PARA PRODUÇÃO DE MATÉRIA SECA EFICIÊNCIA NO USO DE ÁGUA (E.U.A) N NA FOLHA PARA ATINGIR FOTOSSÍNTESE MÁXIMA REQUERIMENTO DE Na COMO MICRONUTRIENTE EFICIÊNCIA NO USO DE NITROGÊNIO (E.U.N.) VELOCIDADE MÁXIMA DE CRESCIMENTO gms dm-2 dia-1
+

6 - 10 mmol m s

-2

-1

4 - 8 mmol m-2 s-1

Sem referência

22

450 - 1000 moles de H2O transpirada/mol de CO2 assimilado 1a3g -1 CO2 Kg H2O 6,5 - 7,5% peso seco Não

200 - 350 moles de H2O transpirada/mol de CO2 assimilado 2a5g -1 CO2 Kg H2O 2,0 - 4,5% peso seco Sim

18 a 125 moles de H2O transpirada/mol de CO2 assimilado 1a4g -1 CO2Kg H2O

23

24 25

Sem referência Sim

26

Rubisco > 50%

Rubisco: 25% PEPcase: 10% 4,0 - 5,0

Rubisco: 25% PEPcase: 10% 0,015 - 0,02
Na luz leve No escuro média 2,5 - 7,6 mmol CO2 m-2s-1

27

0,5 - 2,0

CAPACIDADE 28 FOTOSSINTÉTICA LIQUIDA FL = [FB - (FR+R)] REDISTRIBUIÇÃO DOS PRODUTOS DE ASSIMILAÇÃO PRODUÇÃO DE MATÉRIA SECA

Leve e alta 15 - 40 mg CO2 dm-2 h-1 15 - 25 mmol CO2m2 s-1

Alta e muito alta 60 - 100 mg CO2dm-2h-1 25 - 40 mmol CO2m-2s-1

29

Lenta (MF) 22 + 3,3 ton ha-1 ano-1 (média) 0,2 a 0,4 ton ha-1 dia-1 (leguminosas

Rápida (BV) 38 + 16,9 ton ha-1 ano -1 (alta) 0,5 ton ha -1 dia -1 (cereais)

Variável Pouco conhecida, menos que C3 (baixa)

30

continua...

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... continuação
CLASSES DE PLANTAS

C3
PARÂMETROS

C4

MAC Desértico, semi-árido. Crassuláceae, Cactáceae, bromeliaceae, Agavacecae, Liliaceae, Euphorbiaceae e Orchidacecace. Abacaxi e Sisal.

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OCORRÊNCIA (CLIMA)

Temperado, equatorial e tropical. Tropical, subtropical, semi-árido e desértico. Milho, sorgo, Arroz, trigo, cebola, leguminosas, cana-de-açúcar e Atriplex. avena e tabaco. Todas Maioria das monocotiledônias gimnospermas angiospermas (gramínease ciperáceas) (285.000 espécies), e 300 espécies de briófitas e algas. cotiledônias).

Decréscimo na produção medido pela queda na taxa de crescimento absoluto (planta) e na taxa de crescimento da colheita (plantações)

Análise do crescimento das plantas

Decréscimo na taxa líquida de assimilação

ou

Decréscimo na área da folha ou copas
Estudos de trocas Gasosas

Decréscimo na taxa de fotossíntese das folhas

ou

Aumento no total das perdas de respiração
Medição da resistência difusiva

Aumento das limitações dentro do mesófilo

ou

Aumento das limitações impostas pelos estômatos Estudos biofísicos e bioquímicos

Efeitos na fotoquímica e fotossíntese do transporte de elétrons

ou

Efeitos no metabolismo fotossintético do carbono

Figura 1. Análise redutora dos fatores que limitam a produtividade. Fonte: Adaptado de Hall & Combs, 1989.

Mayer (1975) apresenta uma relação de aspectos a serem pesquisados, com relação à produtividade agrícola, designados por ele de pesquisas imperativas: a) Com relação ao fornecimento de carbono: - Identificar os aspectos da fotossíntese os quais limitam a fixação de CO2 nos ambientes naturais; - Elucidar as relações entre o desenvolvimento das plantas e o processo fotossintético; - Suprir as plantas de novos procedimentos para seleção, em relação à produção. b) Com relação a nutrição nitrogenada:
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- Minimizar a energia e custos na fabricação dos fertilizantes nitrogenados; - Desenvolver a nutrição nitrogenada de auto-suficiência para as plantas; - Maximizar a eficiência do uso do nitrogênio do solo e do fertilizante nitrogenado; - Aperfeiçoar as características nutricionais dos produtos agrícolas. c) Com relação à interação água - solo - minerais: - Administrar a relação entre a produção água - solo; - Tornar viável o controle da erosão e desenvolver novas tecnologias, especialmente para se cultivar em terras marginais; - Estudar e conhecer como a planta se relaciona com a célula, em relação à água e como esta relação afeta a produtividade agrícola, e desenvolver métodos para a manipulação destas relações; - Relacionar a água e o solo administrando o sistema para prevenir a salinização; - Desenvolver sistemas de produção agrícola compatível com o interesse da comunidade e com o ambiente; - Adaptar o solo administrando práticas para cultivos de subsistência para países em desenvolvimento; - Desenvolver tecnologias de solos para a produção agrícola em solos problemáticos (ex: oxisolos, ultisolos); - Evoluir métodos de administração de solos para aperfeiçoar as características dos solos, assegurando a germinação de sementes; - Caracterizar e quantificar os problemas de estresse em solos, relatando os resultados para que se possa realizar pesquisas nas áreas de genética, fisiologia e cultural; - Identificar a aumentar o uso de fontes baratas para o melhoramento do solo e nutrição de plantas, incluindo lixo e resíduos de culturas; - Estimular a absorção e crescimento de plantas, pelo uso de micorrízas selecionadas e/ou bactérias da rizosfera; - Esclarecer a absorção de nutrientes minerais de culturas em meio salino, ambiente com íon tóxico e em solos altamente férteis, pela utilização de culturas selecionadas através de melhoramento genético; - Quantificar quimicamente, fisicamente e biologicamente as propriedades da interface raiz-solo e seus papéis na nutrição mineral e absorção de água; - Investigar a distribuição radicular e as características de absorção de componentes de produtos múltiplos, os quais maximizam o uso dos recursos do solo; - Elucidar o controle metabólico e a integração do transporte iônico do solo para dentro dos pêlos absorventes e da planta; d) Com relação ao estresse ambiental: - Manipulação dos produtos agrícolas ou do seu ambiente, o que poderá evitar ou reduzir as injúrias causadas pelo estresse e aumentar a produtividade; - Explorar o potencial genético para desenvolver novas variedades resistentes ao estresse; - Elucidar os princípios básicos das injúrias provocadas pelo estresse e da resistência, avaliar a oportunidade e natureza dos danos do estresse. e) Com relação aos processos de desenvolvimento das plantas: - Utilizar técnicas de culturas de células e tecidos, para acelerar geneticamente a produção de plantas; - Identificar e avaliar os mecanismos de controle para o desenvolvimento de uma planta; - Determinar as bases fisiológicas e genéticas com relação aos estresses ambientais; - Preservar as fontes e explorar as possibilidades da variabilidade genética; - Combinar as disciplinas de genética e fisiologia de plantas para projetar plantas; - Continuar e encorajar as pesquisas básicas em desenvolvimento de plantas.
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não atingindo 1% na maioria das espécies. . . A produtividade de uma planta é resultado de processos e diversas reações complexas. que ocorrem na ontogênese sob influência das condições externas (Nasyrov. 86 Tópicos em Ciências Agrárias.Necessidade de pesquisas para o desenvolvimento e administração de sistemas integrados para combinar proteção estável para os vários estilos de agricultura. a eficiência fotossintética das plantas é baixa.Melhorar os pesticidas e o seu uso. a produtividade final da cultura depende de: a) quantidade de energia incidente (excitação eletrônica).Desenvolver e implementar modelos para a prática de proteção de plantas. 2009 . Figura 2. 1978).Inovação de abordagens para proteção de plantas. 1978).Expandir as pesquisas para que no futuro se desenvolva o controle biológico de plantas. Em condições ótimas registra-se eficiência de 3 a 4% nas plantas C3 e de 5 a 6% em plantas C4. Assim sendo. v.f) Com relação à proteção de plantas: . . Esquema da expressão fenotípica da produtividade (Nasyrov. A baixa eficiência é considerada o primeiro fator limitante da produtividade. .Aumentar o entendimento dos fundamentos biológicos das doenças. É estimado que a produtividade potencial possa chegar a 12%. Vários são os componentes que englobam este complexo mecanismo da expressão fenotípica da produtividade (Figura 2). UFRB. b) quantidade de energia interceptada e absorvida.Treinamentos para se desenvolver resistência estável de doenças em plantas. Segundo Bernardes (1987). c) quantidade de energia convertida (fixação de CO2). d) quantidade de energia transportada para as partes úteis da planta (partição de assimilados) e e) metabolismo nas partes úteis da planta (eficiência na utilização). . . 1.

pode afetar a morfologia e a reprodução do vegetal. Seus resultados. Após a germinação e o estabelecimento de uma plântula . pragas. Os hormônios atuam em nível de genes. essas substâncias. água. respiração e fotorrespiração (Hay & Walker. Os fatores do meio biológico (biocenose) são os organismos que podem afetar o crescimento e o desenvolvimento do vegetal (microorganismos. Magalhães. Esta fase se denomina fase de envelhecimento ou de senescência (fase III). transporte. eficiência de uso de minerais pela planta. onde estão envolvidas a floração e a maturação do fruto (Martinez . O aumento da fotossíntese pode ser alcançado através de: aumento da interceptação e melhoria da distribuição da radiação fotossinteticamente ativa (RFA) no dossel da planta. os hormônios vegetais iniciam processos de crescimento e diferenciação. Vieira & Monteiro. para se obter eficiência no melhoramento genético. após a planta ter atingido o tamanho definitivo. da natureza do estímulo externo e do tempo de ação. temperatura e energia radiante) e edáficos (posição geográfica. Esta fase é denominada exponencial ou logarítmica (fase I). O controle ambiental. ocorre uma fase central de rápido aumento de tamanho designada fase de crescimento ou fase linear. O controle genético envolve as características da planta que ela carrega em sua bagagem genética herdada. é necessário que as características em questão apresentem diferenças facilmente observadas e herdabilidade suficiente para se obter diferenças nas progênies. O significado ecológico dos hormônios vegetais reside no seu papel como substâncias tradutoras. e o teor de matéria orgânica. 2002). Os vegetais estão condicionados pela sua constituição genética. 1984). existem evidências de que os hormônios vegetais controlam a atividade gênica. vento. sendo portanto capazes de promoverem as mais variadas alterações morfológicas e fisiológicas nos vegetais.Segundo Lucchesi (1987). tem apresentado resultados significativos. Tópicos em Ciências Agrárias. ou mudanças na concentração. os hormônios vegetais também possuem um papel de coordenação dentro do organismo. Junto com os fatores externos. índice de colheita (IC). 1. certamente. e corresponde às últimas etapas do desenvolvimento da planta. visando aprimorar os padrões de produção e produtividade. regulando o crescimento e o desenvolvimento vegetal (Castro & Vieira. 1989). quando aplicadas em baixas concentrações em sementes ou na parte aérea das plantas. 1994 . Finalmente. com expectativas de boas produtividades. afetando os processos metabólicos através da transcrição e tradução. número e massa seca de grãos por planta (Vieira & Castro. O fenótipo não é uma mera tradução do genótipo. Os fatores endógenos são ativos não somente em níveis molecular e celular. A utilização dessas substâncias pode influenciar positivamente a germinação de sementes. redução do ciclo produtivo (permitindo mais safras) e tolerância à condições de estresse (York. 1985). de um ou mais hormônios. outros animais e o próprio homem). como catalisadores. mais sim uma reação normal frente às ações dos fatores ambientais. São as condições do ambiente onde está inserido o vegetal (Lucchesi. outras plantas. topografia e o material de origem do solo que influencia nas propriedades físicas e químicas. latitude. Os hormônios vegetais agem em diminutas concentrações. Além disso. 1987). UFRB. sendo esta. influenciando positivamente na produção e produtividade das culturas.Laborde & Garcia. gases atmosféricos. serão bem mais expressivos e significativos em cultivos onde o sistema de produção já apresenta níveis elevados de tecnologia. 1994). eles regulam a intensidade e a direção do crescimento. moléstias. também conhecido como de concorrência. A ação interna dos hormônios depende do estádio de desenvolvimento da planta. as demais características (aquelas que não sejam objeto do melhoramento) devem se manter relativamente uniformes (Snyder & Carlson. e sincronizam o desenvolvimento da planta com as mudanças estacionais do ambiente. respondendo e percebendo os estímulos ambientais. 2004). onde existe uma relação linear entre o logaritmo do crescimento e o tempo. Adicionalmente. armazenamento e mobilização de substâncias nutritivas. As reações provocadas podem se sinergéticas ou antagônicas. e estão em constante interação com os fatores ambientais. Segundo Larcher (1995). Vários processos têm sido investigados com o objetivo de se elevar a produção vegetal: eficiência fotossintética. Segundo Salisbury & Ross (1994). No entanto. nebulosidade. 2009 87 . Os fatores físicos (biótopo) podem ser classificados como climáticos (altitude. Todas as partes da planta são informadas também através da síntese. os principais fatores envolvidos na produção vegetal são: a) cinética do crescimento vegetal e b) controle do crescimento e do desenvolvimento vegetal (controle intracelular ou genético. O crescimento de um vegetal é lento no início e depende das reservas (cotilédones ou endosperma) contidas nas sementes. (1986). 2001. É um período de crescimento vegetativo (fase II). crescimento e desenvolvimento radicular. da manipulação da arquitetura foliar do aumento da eficiência de conversão da RFA em matéria seca através da manipulação das taxas de fotossíntese bruta. fixação de nitrogênio atmosférico e seu aproveitamento. controle intercelular ou hormonal e o controle extracelular ou ambiental). Segundo Casillas et al. dependendo do órgão envolvido e da predisposição da planta. v. ocorre uma fase em que a taxa de crescimento vai sofrendo decréscimos cada vez maiores na acumulação de matéria seca. favorecem um melhor desempenho dos processos fisiológicos vitais. vigor das plântulas. atividade metabólica. produção de vagens. A aplicação de biorreguladores e de estimulantes vegetais. função da disponibilidade de água e nutrientes do substrato e da capacidade fotossintética (fixação de CO2) da planta.

..G. . 1984). K.. W.. WEST.A. no entanto. 1. Técnicas de bioprodutividade e fotossíntese. R. 13-48. D.. part I. LONDOÑO. UFRB. 1920. V. Biol. 2.C.K. p. 103-123. R. Nova York. p.J. A quantitative analysis of plant growth. p.S. Ecofisiologia vegetal. Ann. I. T. 319p. CASTRO.J. VIEIRA. F. 2000. 88 Tópicos em Ciências Agrárias..R.103-123. P.. .E.M.J. 464p. que qualquer alteração genética nas plantas deve vir acompanhada de mudanças nas técnicas agronômicas a fim de que realmente haja um incremento da produção em nível de campo. THORNE. 7. 1986. G. Fisiologia vegetal 1. 292p. J. Fortaleza: Edições Universidade Federal do Ceará. respectivamente. cap.C. p. FERRI.J. 185195. 1989. não tem sido possível aumentar a produção através de manipulação genética ou química do sistema fotossintético em níveis inferiores ao de desenvolvimento da área foliar. In: BOOTE. p. Trad. P. 1989..).G. W. 362p.M. . WALKER.H. Part I. Buckup.A. CASILLAS. Introduction to plant physiology. M.. HAY. HOPKINS. 132p. BUITRAGO G.7. utilizaram os modelos SOYGRO e MAIS para estimar o efeito de algumas estratégias de manipulação genética sobre o aumento de produção em soja e milho. FERREIRA. LARCHER. BOOTER. São Carlos: RiMa Artes e Textos. 1995. INC. Guaíba: Livraria e Editora Agropecuária.H. Fotossíntese no dossel das plantas cultivadas.O.T. 2001. Crop productivity and photoassimilate partitioning. (Eds.. A.. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária Ltda. LARCHER.801-808. C. 4664. GIFFORD. 1987. BRIGGS. GIAQUINTA. S. TOLLENAAR. REFERÊNCIAS BERNARDES... BRIGGS. W. v. 290p. An introduction to the physiology of crop yield. W. G.R. v. Appl. Boote & Tollenaar (1994). É importante lembrar. Biol. Science. 1985.C. por exemplo. provavelmente devido a mecanismos de auto regulação da planta (Gifford et al. Analisis cuantitativo de la aplicacion de cuatro bioestimulantes en el cultivo en el cultivo del rabano (Raphanus sativus L. 2. YAMADA.O. Ann. KIDD. v.. a manipulação do período de enchimento de grãos parece ser a característica mais promissora em termos de aumento de produtividade. têm se procurado avaliar o efeito de possíveis alterações genéticas na planta sobre seu potencial produtivo através de modelos de simulação.E.A. 1984. v. 1920. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária Ltda. 36. Aplicações de reguladores vegetais na agricultura tropical. 2009 .A. HALL..A. Segundo esses autores.L. Carlos Henrique Britto de Assis Prado. R. GUERRERO A. M. F. COOMBS. K. KIDD. 1986.L. A quantitative analysis of plant growth. Modelling genetic yield potential. New York: John Wiley & Sons..J. Acta Agronomica. n. Trad.225. HITZ.. de Antonio de Pádua e Hildegard T.D. M. In: CASTRO.Apesar de ser possível elevar a produção aumentando a taxa fotossintética através de alterações no meio ambiente (nível de CO2 ou luminosidade). 531p. v.. Ecofisiologia da produção agrícola. n. Appl.. Ecofisiologia vegetal. Ultimamente. Longman Scientific and Technical. J. C.). E.. Piracicaba: POTAFOS. WEST.

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CAPÍTULO 7 ECOFISIOLOGIA E FLORAÇÃO DA MANGUEIRA E CRESCIMENTO DO FRUTO DE MANGA Manoel Teixeira de Castro Neto & Anna Christina Passos Menezes Tópicos em Ciências Agrárias .

apresentando um crescimento vegetativo caracterizado por desenvolvimento ativo e dormências periódicas (Castro Neto. Para Popenoe (1917). Sendo assim. diversos trabalhos foram conduzidos no programa de pós-graduação da então Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia. As folhas são lanceoladas.4 cm de diâmetro. primavera e verão. com características muito variáveis quanto ao tamanho. Juazeiro-BA. muitos trabalhos têm sido conduzidos focando-se diferentes aspectos da cultura. 2009 93 . peso. 1. podendo ser compacta ou aberta. que apresentam. em grande parte influenciada pelas condições ambientais e tratos culturais (Singh. que é coriácea. v. Ambientais e Biológicas/UFRB. Em nenhum momento os pontos discutidos aqui são conclusivos e há muito o que saber antes de se ter uma posição definitiva sobre a ecofisiologia da mangueira. HÁBITOS DE VEGETAÇÃO. que tem como causa o florescimento irregular. queda de flores e frutos. É conhecida pela sua alternância de produção ou produção irregular. sendo essa diferenciação. 1997). em muitos casos fatores climáticos limitantes ao seu desenvolvimento. INTRODUÇÃO A cultura da mangueira se destaca na pauta de exportação das frutas brasileira e portanto.1995). Ecofisiologia da mangueira A mangueira. Anna Christina Passos Menezes2 1 2 Professor . 1974). Estes surtos estão correlacionados com os futuros florescimentos e conseqüente frutificação. a queda indica a necessidade de polinização das flores. BOTÂNICA. 1960). As variedades apresentam fruto tipo drupa. UFRB. as sementes variam também em termos de forma e tamanho.ECOFISIOLOGIA E FLORAÇÃO DA MANGUEIRA E CRESCIMENTO DO FRUTO DE MANGA Manoel Teixeira de Castro Neto1. Além destes fatores. distribuídos do final de inverno.) se caracteriza por possuir porte médio a alto (10 a 30m). forma. a fixação e a queda dos frutos adquirem uma importância fundamental. umidade e produção de carbohidratos.com Professor . A mangueira se caracteriza por apresentar baixa eficiência em termos de frutificação. contudo. coloração da casca. Para o florescimento da mangueira. com a copa variando da forma arredondada globosa à piramidal. dependendo das condições climáticas de cada região. o processo de indução do florescimento é o que tem chamado mais a atenção dos pesquisadores e produtores. com pedúnculo curto (Silva. pois. Pode apresentar vários surtos vegetativos por ano. muitos desses caem ao atingirem 2. Dentre destes aspectos. é cultivada nas mais diversas regiões equatoriais e mesmo nas subtropicais. é necessário o conhecimento dos aspectos ecofisiológicos da cultura para que se possa desenvolver um manejo sustentável e produtivo. A principal finalidade desta publicação é mostrar o conhecimento atual sobre o assunto e onde são necessárias informações para elucidar os fatores que limitam a produtividade da cultura. A iniciação e desenvolvimento de novos ramos dependem da disponibilidade de nitrogênio. a variação no nível de inibidores/promotores de crescimento nas folhas e/ou ramos afetam o padrão de crescimento da planta (Castro Neto. coriáceas. FLORESCIMENTO E FRUTIFICAÇÃO A mangueira (Mangifera indica L. Como não poderia deixar de ser. florescimento e Tópicos em Ciências Agrárias. No estudo da frutificação da mangueira. e neste capítulo são colocados alguns resultados obtidos. 1997). e a polpa com vários tons de amarelo. uma vez que ramos entre 4 a 18 meses de idade poderão emitir inflorescências (Silva. 1997). uma vez que determinam a colheita final (Doni. considerada uma frutífera tropical.Centro de Ciências Agrárias. Cruz das Almas-BA E-mail: mtcastroneto@gmail. é importante que haja a paralisação do crescimento da planta e um período anterior de dormência. 1995). em alguns casos os frutos desenvolvem-se partenocarpicamente.1% das flores hermafroditas chegam efetivamente a frutificar (Silva. considerandose que em torno de 0.Faculdade de Agronomia do Médio São Francisco/UNEB.

é relativamente constante. desde que não ocorram outros fatores limitantes como. influindo na vegetação. 1984). Crescimento e graus-dia O conceito de graus-dia data de 200 anos atrás. temperatura diurna e noturna. v.). 1987). A relação entre a atividade fotossintética das folhas e o florescimento da planta não foi investigada pelos autores. (1992) encontraram 109 a 94 Tópicos em Ciências Agrárias. Mota (1987) cita que Abbe (1905) e Holmes & Robertson (1959). só irá frutificar bem com luz solar direta e abundante. Além disso. o somatório das unidades térmicas. sendo os fatores: luminosidade. a experiência tem demonstrado que durante o ciclo de uma cultura. Muitas pesquisas evidenciaram este fenômeno.5 a 27oC é considerada como ideal para o cultivo e. Uma das causas da baixa produtividade da mangueira é a ocorrência de baixas temperaturas. florescimento e frutificação (Donadio. por exemplo. A mangueira Haden. a mangueira poderá florescer à sombra porém. Qualquer deficiência ou excesso resulta em alterações no seu metabolismo e.9°C. O acúmulo de graus-dia também tem sido usado para calcular a melhor época de colheita da manga. por exemplo. auxiliando a abertura de flores e reduzindo o ataque de fungos. O conceito de unidades térmicas relaciona a taxa de desenvolvimento da planta com a temperatura acumulada acima da temperatura mínima basal (Monteith. 1. Ketsa et al. umidade do ar e do solo.frutificação (Silva. O crescimento de uma planta é diferente de acordo com a quantidade de calor a qual ela é submetida durante toda a sua vida. a ocorrência de baixas temperaturas propiciaria condições favoráveis ao desenvolvimento de oídio (Oidium mangifera B. Para estes autores. medido em graus-dia. 1997). foi sugerida uma diferença entre a atividade fotossintética das folhas diretamente expostas ao sol quando comparadas com as folhas sombreadas da parte interna da copa (Schaffer & Gaye. requer uma combinação de temperatura diurna/noturna de 19/13oC ou 25/19oC por um período de duas ou mais semanas para alcançar uma floração de 60 a 80% (Shu & Sheen. e essa quantidade de calor é expressa em grausdia (Mota. a determinação da época de colheita pode ser feita com base na quantidade de calor que a planta acumula acima de 9°C. 1987). consequentemente. para Maranca (1975). 2009 . o que aumentaria a transpiração e perda de água. em seu desenvolvimento normal (Mandelli. O ambiente possui uma influência profunda no crescimento e florescimento da mangueira (Whiley et al. De maneira semelhante. deficiência hídrica. 1989).. temperaturas altas até 45oC não são prejudiciais à mangueira durante as diferentes fases de crescimento da planta. Para a cultivar Carabao. 1988). os mais importantes que afetam o desenvolvimento da mangueira. contudo. 1989). Sendo assim. a menos que venham acompanhadas de baixa umidade e ventos fortes. A mangueira responde claramente a uma determinada combinação de temperatura diurna e noturna. sugerem existir uma "temperatura-base" abaixo da qual as plantas não se desenvolvem e que cada planta tem a sua "temperatura-base". zero de vegetação é a temperatura abaixo da qual não ocorre desenvolvimento vegetativo. et al. 1966). 1981). A maioria das panículas emitidas se situam na periferia da copa. baseado na acumulação de 1000 unidades de calor usando como temperatura-base 17. 1997). perturbando o balanço hídrico (Castro Neto. 1995). independentemente da época de plantio e local onde é feito o cultivo. (1995). que pode provocar a queda total das flores e frutos jovens (Costa. A faixa de temperatura entre 19. UFRB. Temperatura Todos os seres vivos apresentam limites de temperatura bem definidos. em Pakchong nordeste da Tailândia. o que causaria injúrias nas estruturas reprodutivas (Sturrock. A temperatura base para a qual a mangueira não apresenta crescimento e desenvolvimento tem sido 9°C (Davenport. na época do florescimento. Bugante citado por Lizada (1991) estabeleceu um período de 110 -130 dias para o fruto atingir a maturação. 1980). posição que favorece a insolação sobre as mesmas. 1971). para a cultivar Nang Klangwan. Segundo Piza Jr. A temperatura é um dos elementos climáticos mais importantes para a mangueira (Simão. Alguns autores estudaram a correlação entre a luminosidade e a atividade fotossintética e apesar dos resultados dos estudos não terem sido conclusivos. Luminosidade Existem poucas informações sobre os efeitos da luz nas trocas gasosas da folha da mangueira.

de modo que esse equilíbrio entre ambos os grupos de reguladores de desenvolvimento é que determina o crescimento e desenvolvimento posterior do fruto (Takahashi et al. Os inibidores do desenvolvimento atuam impedindo o desenvolvimento do fruto. a ativação de um carregador de H+ (ATPase). 1997). quando utilizados sob a forma de pulverização.1971). controle de plantas invasoras. Como sua presença é em geral em todos os frutos com semente e sem semente. pelo fruto. responsável pela síntese de novas enzimas que podem atuar na morfogênese (Castro. que provoca a acidificação em compartimentos da parede celular. Em certas ocasiões. proteína quinase C. e de sua inativação através de sua conjugação com outros compostos ou de seu catabolismo (Agustí. polinização e fixação dos frutos (Silva. sendo cultivada entretanto. UFRB. a amplificação do efeito hormonal por mensageiros secundários (trifosfato de inositol. portanto.1992). pois com seu emprego é possível modificar diferentes processos fisiológicos levados a cabo em forma natural pelas plantas. a interação com fatores ambientais deve ser conhecida. 1984). a influência que tais fatores exercem sobre a síntese e a acumulação dos reguladores vegetais e. fertilização. Provavelmente. em concentrações diluídas. provocam múltiplas interações capazes de alterar o resultado.118 dias da fixação do fruto à maturação. existir também fatores que a modificam quantitativamente. diacilglicerol. A ocorrência de um período mais seco durante quatro a cinco meses proporciona à mangueira condições de atingir altas produções. efetivamente. No caso dos frutos. sua ação se estende à interação com os promotores. sendo que o calor acumulado oscilou de 991 a 1006 graus-dia. o uso de reguladores de crescimento vegetal tem adquirido grande importância. em decorrência da diminuição do ataque de fungos e do favorecimento da floração. Em todos os locais nos quais a mangueira tem importância comercial ocorre um período seco na época de florescimento. As condições do meio podem alterar o metabolismo da planta e. em detrimento de florescimento e frutificação (Simão. a resposta aos reguladores vegetais.. Um regulador de crescimento vegetal é um composto orgânico diferente dos nutrientes que. como do seu transporte para ele ou da exportação a outras partes da planta. 1. com isso. como Índia. v. REGULADORES DE CRESCIMENTO Em fruticultura. todavia. inibe ou modifica de alguma maneira os processo fisiológicos vegetais (Weaver. Umidade relativa do ar Produção satisfatória de manga pode ser obtida em áreas tropicais e subtropicais de alta ou baixa umidade (Campbell. isto é.1976). Israel e Austrália. capazes de romper e refazer ligações entre microfibrilas da parede ou provocar a quebra de seus polissacarídeos. podendo. retardar a queda de Tópicos em Ciências Agrárias. comumente empregada para induzir a formação de raízes adventícias em podas e reduzir a queda de frutos nas colheitas de âmbito comercial (Bartel. liberando oligossacarinas que podem estar relacionadas com um sistema regulador gênico que leva à transcrição de novo RNAm. este resultado depende tanto da biossíntese. 1996).1975) Auxinas O ácido naftalenacético (ANA) é uma auxina sintética.500 mm/ano. São Paulo. tais como tipo de solo. provocando sua abscisão. promovendo ativação de enzimas (endo-trans-glicosilase ou bglucam sintetase). no desenvolvimento dos órgãos. O modo de ação dos promotores de crescimento envolve a ligação do hormônio a um receptor na membrana plasmática (proteína G).000 mm/ano. Áreas tropicais úmidas. 1997). irrigação. Assim. em pequenas quantidades promove. Nordeste do Brasil.. da atividade enzimática e a função das membranas. isso se traduz em regulação do desenvolvimento (reguladores de desenvolvimento). de diversos hormônios. 1999). outras inibindo.. Os pioneiros neste campo demonstraram que alguns reguladores de crescimento. Ca2+-calmodulina). A atividade hormonal tem sido explicada através da ação que exercem algumas substâncias (hormônios) sobre a expressão da informação genética. Flórida. com temperaturas elevadas e precipitações freqüentes. induzem a mangueira a um crescimento vegetativo intenso. estado fitossanitário das árvores etc. poderiam inibir a abscisão e então. As condições de cultivo. em regiões que apresentam de 500 a 2. é a causa de sua influência na resposta (Castro et al. A exigência mínima da mangueira em termos de precipitação seria 1. umas promovendo processos. a resposta aos reguladores vegetais pode ser pequena ou não se produz. O resultado final é conseqüência da interação entre todos elas. 2009 95 .

Sendo assim. os pesquisadores e produtores têm sugerido diversos métodos de indução do florescimento da mangueira.1969. O período de efetividade do ANA é relativamente curto (10 a 28 dias). Floração A floração das plantas é conseqüência de um conjunto de fatores promotores e inibidores..1999). portanto. sim. a maior parte deles desconhecidos (Agustí. no que se refere ao retardamento da queda de frutos. Aparentemente. a colheita. muitas substâncias.1978). que requer carência de 3 dias. Ambos os fatores. umidade do ar e precipitação sobre a indução do florescimento da mangueira. que pode estar comprometida quando o número de flores formado por planta é excessivo. embora a frutificação esteja correlacionada ao florescimento somente quando este é escasso ou demasiado (Becerra & Guardiola. da floração. Baseado nos modelos de florescimento. o naftaleno acetamida e os sais do ANA se destacaram por sua efetividade. determinam. como o etileno e as auxinas que influenciam o florescimento da mangueira. 1996). com o tamanho final do fruto. Seu conhecimento fica plenamente justificado quando se quer melhorar a produção (Castro et al. como o controle hormonal da floração. Martinez-Zaporta. Contudo. Uma dessas substâncias é o Nitrato de Potássio (KNO3). O processo de floração ainda possui muitas respostas para serem respondidas antes que se possa controlá-lo completamente.. 1943). a produção das plantas frutíferas depende. 1997 e Chacko. Em alguns casos não é o número insuficiente de flores que limita a colheita. Diversos modelos de floração (Figuras 1 e 2) têm sido proposto por diferentes pesquisadores (Davenport. variando segundo a cultivar e a temperatura subsequente à aplicação. 2009 . ou que procuram investigar o papel de possível regulador/inibidor no processo de florescimento. Muitas vezes são estudos que testam deferentes substâncias para o florescimento. UFRB. a indução do florescimento (Figura 3) é feita com a utilização do paclobutrazol. o forte estímulo floral gerado em climas subtropicais pode mascarar completamente o efeito do KNO3. Nesses modelos pode-se ver o efeito dos fatores ambientais.. Neste sentido. e Abbott nos anos 50 conseguiu demonstrar que a eliminação das sementes promovia a abscisão dos frutos e que elas poderiam ser substituídas em sua ação pela adição de auxinas. ainda falta uma explicação para o seu papel na indução.1960).1969). Os modelos de floração da mangueira são fundamentais para a determinação de métodos de indução do florescimento e do manejo adequado para a cultura. Na região do pólo irrigado Juazeiro/Petrolina. No entanto. mas. antes de se tornar efetivo (Childers. Também. v. floração e fixação. Explicação para esse fato pode ser devida a uma inibição dos mecanismos responsáveis pela resposta do KNO3 induzida pelas temperaturas mais amenas dos climas subtropicais. indicam que a folhagem é a principal responsável pela geração do estímulo do ANA. Resultados obtidos por Batjer (1948). que nas condições tropicais semi-áridas do Nordeste Brasileiro promove uma aceleração na floração da mangueira e nenhum efeito nas regiões subtropicais da Flórida. demonstrou a presença de auxinas em sementes de maçãs durante seu desenvolvimento inicial. a fixação destas.maçãs na pré-colheita. as sementes em desenvolvimento constituem fontes de auxina (Raven et al. O florescimento é a fase crítica na determinação da produtividade. 1. 1964 e Overholser et al. Das dez substâncias por eles testadas. embora provoquem o florescimento da planta. o ácido naftalenoácetico (ANA). 1991). sendo esta uma das limitações deste regulador de crescimento (Childers. os fatores fisiológicos. sobretudo. aliando a uma série de outros elementos químicos que ainda não existe confirmação científica da sua eficiência. 1984). O entendimento dos vários fatores externos e internos que envolvem a indução do florescimento em mangueira é crucial para o desenvolvimento de uma prática de cultivo satisfatória e o alcance de rendimentos regulares (Singh. Luckwill. nos anos 40. como temperatura. Para Agustí & Almela (1991). 96 Tópicos em Ciências Agrárias. observação visual da intensidade de floração tem revelado a eficiência dos agroquímicos utilizados. é apenas representado pela ação da giberelina e de outros hormônios. sem o qual a formação do fruto é impossível.

1991). Auxinas Fotoassimilados Frutificação Giberelinas Auxinas Giberelinas GA3 GA1 GAX Crescimento Vegetativo Freqüêntes INDUÇÃO DO FLORESCIMENTO Promotor nas Folhas Baixas temp. Linhas duplas indicam fatores que inibem a floração. Outros fatores? GA3 GAX Ramo Vegetativo Ramo Misto Ramo Reprodutivo Poda Desfoha KNO 3 Etileno INICIAÇÃO DO CRESCIMENTO Baixas Temperaturas INICIAÇÃO RADICULAR Anelamento ESTRESSE HÍDRICO ARMAZENAMENTO DE CARBOIDRATOS Citocininas RAÍZES Figura 2. Tópicos em Ciências Agrárias. Modelo de floração segundo Davenport 1997. 2009 97 . PARADA DO CRESCIMENTO Alto teor de Sacarose Elo Perdido Aplicação externa de Geberelinas Aumento de assimilados para a gema meristemática Açúcares Divergência de assimilados das regiôes meristemáticas apicas dos ramos Estimulação do crescimento pelos altos teores do giberelinas Temperaturas Altas Umidades Altas Alta Umidade do Solo Alto teor de Nitrogênio Teor alto de substâncias de reservas Partição eficiente do assimilados Baixas Substâncias de reservas Mais formação de madeira Cultivares precoces e anãs Cultivares muito vigorosas Frequêntes fluxos de raízes e ramos Altos níveis de Giberelinas HEREDITARIEDADE JUVENILIDADE Figura 1. v. UFRB. 1. Relação entre os diversos fatores fisiológicos e ambientais sobre a floração da mangueira (Adaptado de Chacko.INDUÇÃO FLORAL KNO3 (Específico para cultivar e local) INIBIÇÃO FLORAL ESTRESSE HÍDRICO BAIXAS TEMPERATURAS ALTO VPD INUNDAÇÃO ANELAMENTO PODA DE RAÍZES MODERADA FOME DE NITROGÊNIO TERARDANTES E INIBIDORES DECRES. Linhas simples indicam fatores promotores da floração.

Isto significa que. A modificação da distribuição de fotoassimilados em benefício de partes de interesse econômico pelo melhoramento genético.a. a divisão. cuja curva sofre inflexões. o crescimento por divisão celular é de curta duração. Drenos vegetativos sofrem restrições ou mesmo paralisação no crescimento. 1978). ocorre o crescimento em taxas máximas e a terceira caracteriza-se pela redução da taxa de crescimento. na segunda. A área foliar disponível por fruto é muitas vezes insuficiente para manter um crescimento adequado. 1976). 1973). superfície. conteúdo de proteínas mostram padrão sigmóide quando analisados no decorrer da vida da planta (Miller. Em geral. as células e órgãos apresentam crescimento diferenciado. significando que o crescimento é lento no início. que fazem com que a força do dreno passe a ser limitante (Watson. 1. Esquema mostrando o manejo de floração da mangueira sob irrigação e em clima tropical semi-árido. 1990). parecem ser os principais determinantes do aumento do peso da matéria fresca dos frutos carnosos. com a expansão máxima do órgão ou organismo. mas aumenta continuamente. no entanto. particularmente os frutos carnosos. resulta da divisão celular após a antese e de um aumento na concentração de solutos. Parâmetros como volume. A iniciação de estruturas reprodutivas é um evento fenológico em que a distribuição de assimilados é redirecionada. 2004) Crescimento dos frutos Nas culturas. a distribuição de assimilados para partes de importância econômica pode ser limitada por fatores externos. A divisão celular anterior à antese e a expansão celular após a antese. a princípio. 1978). UFRB. maneiras de se aumentar a produtividade agrícola. expansão máxima. mas seguem um padrão. Estas fases correspondem. sofra limitações pela fonte. o tamanho aumenta exponencialmente com o tempo. Na primeira. A taxa de translocação de assimilados para um dreno específico pode ser estimada pela taxa de acúmulo de matéria seca desse dreno (Almeida & Valle.100% da necessidade de água da cultura Ramo maduro apto Brotar Brotação Vegetativa Ramo . Fruto Início das aplicações de nitrato de potássio (3% . maturidade e senescência (Salisbury & Ross. linear e senescente do crescimento sigmóide. Frutos e sementes em crescimento constituem drenos com alta capacidade mobilizadora de assimilados. é fisiologicamente muito semelhante ao crescimento vegetativo. A eficiência do crescimento das plantas e de seus órgãos varia sensivelmente em função da idade e das condições ambientais (Reis & Muller. impõem limitações. Todavia. Novo Aplicação de PBZ (1 g i. As interações mútuas entre indivíduos. potencialmente./m de diâmetro de copa –Ramos com 30 dias Amadurecimento do Ramo Aplicação de etileno intercalado com sulfato de potássio KNO3 Frutificação e Amadurecimento do Colheita – 110 dias da . respectivamente. enquanto que a expansão celular pode continuar até a maturidade (Chitarra & Chitarra. 1985). o rendimento econômico resulta do crescimento ou armazenamento de reservas em partes de valor comercial.1971). Num mesmo fruto as quantidades destas diversas substâncias que se deslocam para cada uma das 98 Tópicos em Ciências Agrárias. Potencialmente. 1967. O acúmulo de matéria seca é determinado pelos mesmos fatores e o aumento do volume do fruto deve-se tanto ao incremento do número como ao tamanho das células (Coombe. o aumento de volume e a diferenciação celular (Meyer et al. uma fase em que o crescimento diminui até cessar. nesses drenos. Contribuição adicional. Os frutos em desenvolvimento constituem um dos reservatórios da planta para onde se translocam muitas substâncias. vindo a seguir um período de aceleração e. A formação das partes que compõem um fruto engloba as mesmas três fases verificadas no desenvolvimento dos órgãos vegetativos. peso. porém menor. O desenvolvimento dos frutos. v. É possível que em muitos casos o seu acúmulo. 2009 floração . tomando a conformação sigmóide. Reis & Muller. às fases logarítmicas. isto é. 1995). (Adaptado de Castro Neto. pela utilização de reguladores químicos ou por intermédio de práticas de manejo constitui.4 %) – Ramos com 110 dias Floração – Ramos com 120 dias Figura 3. altura. o crescimento é relativamente lento.. em condições de campo.

dentre outros fatores. Essa frutífera realiza um "desbaste" natural. tendo maior possibilidade de fixação. caracterizando-se por um rápido crescimento celular. provavelmente os frutos chegarão à maturação. (1967). denominada estádio juvenil. o fruto atinge a máxima qualidade comestível.3% de frutos por panícula e 50 frutos maduros por árvore. Para Simão (1958). 1995). 60 a 90% caem nos primeiros 30 dias. 1994). dada a influência que tem no rendimento industrial e no custo de produção da conserva (Sachs & Rheingantz. é de 120 a 150 dias. o número de flores formadas e sua disposição. provavelmente. menos que 1% dos frutos atingem o estádio de maturação (Simão.. cargas excessivas. Aborto de Frutos O tipo de floração. Mais de 99% são abortados (Castro Neto. Krezdorn (1986) definiu fixação como o estádio de desenvolvimento em que.1959). em condições normais de cultivo da mangueira. plantas de primeira floração. já que nesta fase. 0. de acordo com as condições climáticas e do manejo em cada região. Wolfenbarger (1957) e Simão (1958) verificaram que de centenas de frutos existentes inicialmente na panícula. considerandose que dos frutos formados. 1976). basicamente em decorrência da competição por nutrientes. disfunção decorrente. bem como fornecer informações que podem ser repassadas. De acordo com Castro Neto et al. a queda de frutos. Segundo Abeles et al. 1989). a fixação ocorre após a queda fisiológica. O terceiro estádio evidencia o processo de maturação. Normalmente. entre outros: falta ou excesso de umidade. dificilmente supera o valor de 5.várias regiões meristemáticas diferem consideravelmente e quando qualquer uma destas substâncias torna-se deficiente num fruto. o potencial de crescimento dos frutos. A variedade Haden apresenta: 0. O período de desenvolvimento do fruto da mangueira. entretanto. a sua taxa de crescimento diminui (Meyer et al. com o fruto apresentando profundas transformações químicas e físico-químicas e se extende até o 77° dia. 1977). são inúmeros os fatores determinantes da queda dos frutos e das flores das árvores frutíferas. falta de polinização. a reposição de nutrientes em função da demanda da planta. 1973). dependendo da espécie. (2004). Os frutos. Apenas 25% das panículas mantêm de um a três frutos até a maturação. (1971). 3. duplo-sigmóide ou triplo-sigmóide (Coombe. O fundamento da análise de crescimento é a medida seqüencial da acumulação da matéria orgânica e a sua determinação é feita normalmente considerando o peso da matéria fresca e/ou seca (Calbo et al. a que tem despertado maior interesse é o amadurecimento. aos agricultores (Fonseca & Cruz. o crescimento do fruto da mangueira pode ser representado por uma curva sigmóide. 94 a 99% aos 60 dias. a partir deste. segundo Gortner et al. que se estende até o 40°dia. A mangueira é sujeita à pesada e continuada queda de frutos. menos 0. 1971).. a época e as condições ambientais em geral (Albuquerque et al. A primeira fase. 1997) e está dividido em quatro estádios. apresentam curvas de crescimento caracterizadas como sigmóide-simples.70% dos frutos inicialmente fixados. mudanças bruscas das condições climáticas. O percentual de pegamento de frutos. a abscisão é regulada por um balanço entre fatores de juvenilidade (presumivelmente auxinas) que estão diretamente relacionados com o desprendimento das folhas e frutos e com a presença de enzimas que degradam a parede celular. danos mecânicos ou devido a injúrias de pragas ou patógenos. inicia-se com a fertilização da flor e se estende por três semanas. determinam o pegamento de frutos. ataque de pragas e doenças. havendo redução dos mesmos de acordo com a posição ocupada na panícula (Singh et al.4 frutos por panícula foi fixada até a colheita. da competição dos frutos em desenvolvimento por carboidratos. a curto prazo. ação dos ventos. Dentre as fases do desenvolvimento de frutos. fatores hereditários.. sendo. Barnell (1939). Na Índia. 1984). O tamanho é uma das características do fruto mais enfatizada pela indústria.. solos impróprios.1% dos frutos de flores hermafroditas se desenvolvem em frutos maduros. O segundo estádio. 1967). O conhecimento de aspectos relacionados ao crescimento do fruto e a sua associação com o ponto de maturidade fisiógica é de considerável importância por subsidiar o planejamento de novos projetos de pesquisa. isto é. excluído posteriores abscisões causadas por estresse fisiológico. O quarto estádio caracteriza-se pela senescência do fruto (Salunke & Desai. água e outros metabólitos. A média de 0. em oito variedades estudadas por Jawanda & Singh Tópicos em Ciências Agrárias.1999). 1. da floração à colheita (Silva. Esta curva pode adquirir características diversas segundo a cultivar. um processo intimamente regulado pelo balanço hormonal da planta (Powell & Krezdorn. Numa maior floração ocorre uma menor fixação. falta de afinidade da enxertia e ausência de luz . 2009 99 . v.0% em relação às flores inicialmente formadas.010% de frutos como porcentagem de flores perfeitas.0025% de frutos como porcentagem do número total de flores. UFRB. restando ao final apenas 0.67 a 0. normalmente um só e excepcionalmente dois frutos chegam ao final do ciclo. as flores que estejam em melhor disposição na planta (flores companheiras e aquelas que se encontram em brotações com folhas). caracteriza-se pelo contínuo crescimento do fruto.

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Clóvis Pereira Peixoto. Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 8 VIABILIDADE E VIGOR DE SEMENTES DE MILHO HÍBRIDO PRECOCE Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio.

Para um melhor entendimento desses aspectos será abordado a aplicação de diferentes testes em sementes de milho híbrido precoce. no beneficiamento (trincamentos ou amassamento) e na manutenção da qualidade física.Centro de Ciências Agrárias. 1987).. principalmente se for mecanizada (influenciando na regulagem da máquina). separados apenas por uma classificação didática. E-mail: cppeixot@ufrb. algumas sementes aparentando infecção (lote 2) e as demais sementes com aparência física normal (lote 3). os resultados referentes às sementes puras. DETERMINAÇÕES PRELIMINARES Análise de pureza A pureza física é uma característica que reflete a composição física ou mecânica de um lote de sementes. pois possibilita a obtenção de uma boa emegência no campo e de plantas vigorosas e uniformes com reflexos na produtividade. Para tanto. maior o período de Tópicos em Ciências Agrárias.S. bem como determinar a quantidade e a proporção desses constituintes (Marcos Filho et al. mas sua importância é mais destacada a partir da maturação. Desta forma. Ambientais e Biológicas/UFRB. a análise de pureza é efetuada em laboratórios.A. De acordo com as Regras para Análise de Sementes (R. estendendo-se até as etapas de distribuição e comercialização. sendo que alguns deles pode estar em uma e outra classe de testes. quanto menor o teor de água e menor a temperatura. 2009 107 . UFRB. uma vez que poderá influenciar no momento da colheita. Clóvis Pereira Peixoto1. Dessa forma. materiais inertes e total de impurezas devem ser expressos em porcentagem por peso. Os resultados das outras sementes são expressos em número por peso da amostra de trabalho ou por unidade de peso. 1. Portanto. Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto1. Quando estas porcentagens são inferiores a 0. Determinação do teor de água O teor de água exerce grande influência sobre o comportamento da semente quando submetida a diferentes situações. É de fundamental importância que métodos padronizados forneçam dados confiáveis. 1992).05 deve ser mencionada na ficha de análise a palavra "traço".br INTRODUÇÃO A utilização de sementes de qualidade é um fator importantíssimo para o sucesso de culturas de importância econômica. procurando-se identificar as diferentes espécies de sementes e os materiais inertes geralmente presentes em uma amostra. mediante os quais possam ser obtidos resultados uniformes e comparáveis entre diferentes laboratórios. Os vários testes aplicados foram divididos preliminarmente em de viabilidade e de vigor. no controle da secagem (temperatura. período e intensidade). verficou-se apenas duas sementes com dano mecânico visível (lote l). através da sua análise e da interpretação correta dos resultados. sem a presença de outras sementes ou de material inerte. a amostra é examinada cuidadosamente e separada em três constituintes: sementes puras. A análise de sementes pode ser utilizada para o monitoramento da qualidade desde o início da condução do campo. fisiológica e sanitária da semente. como também a escolha dos métodos.VIABILIDADE E VIGOR DE SEMENTES DE MILHO HÍBRIDO PRECOCE Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio1. Na análise. outras sementes (de plantas cultivadas e de plantas silvestres) e material inerte. especificando-se os nomes das espécies e cultivares presentes. com uma casa decimal. armazenados em câmara seca. v.edu. Para sementes ortodoxas. Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio1 1 Professor . Sabe-se que a qualidade das sementes é avaliada com segurança. reveste-se de importância estudá-lo. Cruz das Almas-BA. a análise de pureza física pode ser considerada com 100% de pureza . provenientes de três lotes da safra 1993/94.) (Brasil.

sementes duras e sementes dormentes são expressas em números inteiros. Por outro lado.5 11. manifestanto sua capacidade para dar origem a uma plântula normal. deve ser indicado com a palavra zero. necessitam de alta umidade para manter a viabilidade. em quatro amostras de 100 sementes. A Tabela 1 mostra os resultados médios do teor de água de sementes de milho híbrido precoce.14 24. 2009 . Cv. e a diferenciação entre as plântulas normais e anormais. 1992). Na contagem final. Uma “primeira” contagem é feita para diminuir o número de plântulas no substrato. UFRB. v. teste de vigor e peso de 1000 sementes). Este teste visa a obtenção de informações que permitam determinar o valor das sementes para a semeadura e a comparação do valor de diferentes lotes. AG 510. encontram-se na Tabela 2 indicando o poder germinativo das amostras testadas através da média das porcentagens de plântulas normais presentes nas quatro repetições dos lotes estudados. AG 510. e. AG 510. têm sido estudados e desenvolvidos de maneira a permitir uma germinação mais regular. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) 108 R1 96 94 92 R2 98 88 96 R3 100 98 94 R4 94 92 98 Tópicos em Ciências Agrárias. geralmente. fazendo-se aproximação para mais se a fração for superior a 0. para menos quando é igual ou inferior a 0. sementes mortas. rápida e completa da maioria das amostras de sementes de uma determinada espécie.70 Teor de Água ( % ) 11. satisfatória. e anotadas. pois.5.60 Peso Seco ( g ) 21. sob condições ambientais favoráveis. Tabela 2. As plântulas são avaliadas normalmente em duas ocasiões durante o transcorrer do teste.5. A realização destes testes em condições de campo não é. 1. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) Peso Úmido ( g ) 24. sementes recalcitrantes. Em laboratório de análise de sementes. Métodos de análise em laboratório. anormais.armazenamento. Obviamente. evidentemente. Os resultados dos lotes de milho híbrido. Dados médios do teor de água (%) de sementes de milho híbrido precoce. Cv. como também as sementes duras e mortas. As sementes não germinadas são avaliadas e classificadas. sendo classificadas como normais ou anormais. Estas condições consideradas ótimas são padronizadas.6 11. Tabela 1. O estádio de desenvolvimento das estruturas essenciais das plântulas deve ser suficiente para permitir uma avaliação correta das mesmas. As porcentagens de plântulas normais. a semeadura de lotes com baixo poder germinativo pode acarretar prejuízos consideráveis ao agricultor (Marcos Filho et al. Cv.7 TESTES DE VIABILIDADE Teste de germinação Em tecnologia de sementes. Se qualquer destes valores for igual a zero. O prazo de germinação da maioria da espécies é entre uma a duas semanas. Dados médios da porcentagem de germinação em três lotes de sementes de milho híbrido precoce. dada a variação das condições ambientais. 1987). e estas estão especificadas nas Regras para Análises de Sementes. a germinação é definida como a emergência e o desenvolvimento das estruturas essenciais do embrião..23 21. determinado em estufa a 105°C por 24 horas. efetuados sob condições controladas de alguns ou de todos os fatores externos. Somente plântulas absolutamente normais são removidas e contadas. algumas determinações exigem conhecimento do teor de água (peso volumétrico. para que os resultados dos testes de germinação possam ser reproduzidos e comparados dentro de limites tolerados pelas Regras para Análise de Sementes (Brasil. como as de seringueira.84 25. utilizando-se quatro amostras para cada lote. todas as plântulas são avaliadas. os resultados nem sempre podem ser fielmente reproduzidos. Os testes de germinação em substratos artificiais permitem uma fácil avaliação das plântulas.95 22.

Testes de germinação paralelos aos de tetrazólio devem ser realizados para aferir a interpretação. O desenvolvimento do conceito de vigor em sementes data de períodos coincidentes com os primórdios da humanidade. sempre admitindo diferenças em torno de 5% entre seus resultados. Assim. Para sementes de milho. destacam-se. não podem protelar sua decisão. Cv. tem levado as empresas a buscarem um aprimoramento técnico de suas atividades. demonstrando que a solução teve dificuldade de penetrar nos tecidos devido à integridade das membranas celulares. Tabela 3. venda. as áreas vitais são: plúmula. que é de 3 a 5%. Dentro deste contexto. danos causados por insetos e formação morfológica das sementes. apresentando um tom rosa brilhante bem superficial. Cv. assume grande importância. Nas sementes de milho. os estudos relativos aos testes de vigor. UFRB. a tecnologia de sementes. e a região situada entre a plúmula e a radícula. pois. são observadas a turgescência dos tecidos. em geral. informando a viabilidade e o vigor. fato esse que ocorre com frequência. As sementes vigorosas colorem-se vagarosamente. tem grande importância para o setor de sementes. Portanto. independentemente do período de permanência no tetrazólio. o que visa. armazenamento ou descarte de lotes. v. como também. o teste de tetrazólio permite a obtenção dos resultados em menos de 24 horas. deterioradas ou danificadas. que estima a viabilidade das sementes com base na alteração da coloração de tecidos vivos. 2009 109 . em presença de uma solução de sal de tetrazólio Os testes de germinação. Verifica-se na Tabela 3 os resultados com os dados médios de viabilidade por lote de milho híbrido precoce. AG 510. ausência de fraturas em regiões vitais. como um segmento do processo de produção. Trata-se de um fator Tópicos em Ciências Agrárias. enquanto o teste de tetrazólio pode informar a viabilidade das sementes em algumas horas. não são identificados os microorganismos que infectam as plântulas e. tem procurado aprimorar os testes de germinação e vigor com o objetivo de que os resultados expressem a real qualidade fisiológica de um determinado lote de sementes. coleóptilo. muitas vezes. o desenvolvimento de métodos para a determinação da viabilidade de sementes em um período de tempo relativamente curto. basicamente. com uma variação dentro da amplitude normal da amostra. a região central do escutelo. nem sempre é possível identificar danos mecânicos. bem como as causas da perda da qualidade. os agricultores e os pecuaristas frequentemente se defrontam com problemas para escolha de lotes de sementes que pretendem adquirir. Por isso. a radícula. no momento em que o homem passou a conviver e entender os outros seres vivos. para a avaliação do teste é necessário conhecer com segurança a estrutura das sementes. em particular. Como essa avaliação é feita sem a germinação. O teste de tetrazólio baseia-se principalmente na distribuição dos tecidos vivos e mortos no embrião. Dados médios de viabilidade (em porcentagem) por lote de milho híbrido precoce. verifica-se que os resultados são bastante próximos. ao aumento de produtividade associado a um incremento na qualidade.Teste de tetrazólio As empresas que comercializam sementes. beneficiamento. TESTES DE VIGOR EM SEMENTES O aumento da atividade produtora de sementes no Brasil. em amostras de 100 sementes. agilizando decisões de compra. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 92 91 94 R2 96 92 95 Média 94 92 95 Compararando-se a porcentagem de germinação com a de viabilidade. O teste de tetrazólio é um método rápido. 1. Sementes mais velhas. colorem-se mais rápida e profundamente e apresentam coloração vermelho-grená. quando muito recentes. Por isso. AG 510. em amostras de 100 sementes. na maioria das espécies cultivadas necessitam de 7 a 30 dias para obtenção dos resultados. nos últimos anos. os danos químicos causados por produtos utilizados no tratamento de sementes. Diferenças na coloração dos tecidos pode não significar baixa viabilidade e sim alterações na sua permeabilidade. onde se encontram as raízes seminais. Além da coloração.

resultando plântulas com diferenças marcantes quanto à característica que se pretende observar. Em outras palavras. havendo também. como em uma amostra de sementes postas a germinar. após alguns dias de exposição à alta temperatura e umidade e verificaram alta relação com o vigor de sementes e emergência de plântulas em campo. talvez o mais popular é o teste de “envelhecimento acelerado. Estudo que se baseava em informações obtidas por Croker e Groves. (1987). com segurança. lotes com maior ou menor probabilidade de apresentar bom desempenho após a semeadura e/ou durante o armazenamento. Esta sugestão foi considerada por vários pesquisadores e o teste de envelhecimento passou a ser incluído em inúmeros projetos de pesquisa e. opções dirigidas à obtenção da “resposta” de sementes quando submetidas a condições específicas de ambiente. conduzidos após a exposição relativamente rápida de sementes secas à temperaturas elevadas (50-100ºC). procurando predizer o potencial relativo de armazenamento de lotes de trevo e de festuca. Os dados apresentados na Tabela 4 permitem verificar que os valores absolutos obtidos no teste de envelhecimento. poderiam ser úteis para predizer a longevidade. Envelhecimento acelerado Este teste. Diante desta situação. não permitindo “predizer” a futura porcentagem de emergência de plântulas em campo nem estimar o período de conservação da qualidade das sementes durante o armazenamento. a capacidade de apresentar desempenho adequado quando expostas a diferentes condições de ambiente. v. há disponibilidade de testes que procuram avaliar “o estado atual de sementes”.biológico que se evidencia facilmente aos olhos a partir de uma observação. Delouche e Lienhard estudaram a resposta de sementes de trevo à germinação. principalmente dos que possuem poder germinativo semelhante. envelhecimento precoce. O vigor de sementes é o reflexo de um conjunto de características ou propriedades que determinam o seu “potencial fisiológico”. Valores médios (%) para os lotes do Cv. que avalia a resposta de sementes à temperatura e umidade elevadas. O objetivo básico dos testes de vigor é a identificação precisa de “diferenças importantes” na qualidade fisiológica dos lotes comercializáveis. Atualmente. rapidamente divulgados pelos tecnologistas de sementes. seus resultados. envelhecimento rápido ou envelhecimento artificial”. o auxílio à seleção de genótipos durante o melhoramento de plantas e o embasamento de programas de controle de qualidade de sementes. através da determinação de parâmetros associados ao vigor. foi desenvolvido por Delouche (1965). dentre os quais se destacam a seleção de lotes para semeadura (com base no potencial de emergência das plântulas em campo). em poucos dias. Para tanto. Helmer. citado por Marcos Filho et al. em geral. não se aproximaram da porcentagem de emergência das plântulas. a avaliação do potencial de armazenamento. sugerindo que o “envelhecimento rápido ou acelerado” poderia ser muito útil para avaliar o potencial relativo de armazenamento das sementes. Tabela 4. O teste de envelhecimento artificial tem sido conduzido com diferentes objetivos. ou seja. Em 1962. pode-se ter uma idéia do potencial de armazenamento dos lotes processados. 1. geralmente estresses. em 1915. Estes pesquisadores sugeriram que testes de germinação. Tratamentos 2 3 68 60 12 32 52 40 Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) 1 64 32 18 4 8 14 40 Médias 50 23 38 110 Tópicos em Ciências Agrárias. no entanto. AG 510 de milho híbrido precoce obtidos no teste de germinação após o envelhecimento artificial. vários métodos têm sido desenvolvidos para avaliá-lo com segurança. segundo as quais a morte de sementes durante o armazenamento era causada pela coagulação de proteínas e que o aquecimento “acelerava” este processo. Os testes de vigor oferecem apenas comparação entre o potencial fisiológico das amostras avaliadas. o teste é utilizado para avaliar o vigor de diversas espécies e incluído em programas de controle de qualidade por empresas produtoras de sementes pois. UFRB. podem identificar as melhores e as piores amostras. Dentre estes. pretende-se distinguir. 2009 .

o qual apresenta alta variabilidade física e biológica.Embora um único teste de vigor não seja capaz de caracterizar todas as interações possíveis entre as sementes e as condições ambientais predominantes antes. no mínimo. torna-se muito difícil a sua padronização. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) Tratamentos 2 3 94 96 84 78 88 94 Médias 96 83 88 1 92 88 86 4 100 80 84 Por outro lado. os resultados do teste de frio proporcionam. inicialmente. Entretanto. considerando aquelas com o comprimento maior ou igual a 2. o que explica a obtenção de resultados desuniformes entre laboratórios. a combinação de baixas temperaturas e excesso de água no solo é utilizada para permitir apenas a sobrevivência de sementes vigorosas. Teste de frio com solo O teste de frio é provavelmente o método mais utilizado para avaliar o vigor de semente. os testes de campo são conduzidos em condições naturais de ambiente. porém. Quando realizados fora de época recomendada. Assim. No caso de milho. destacando-se o lote 1. pois assim obtem-se resultados diretamente aproveitáveis para a implantação da cultura ou tem-se um bom indicativo da potencialidade dos lotes em fase inicial de desenvolvimento no campo. verifica-se um comportamento intermediário do lote 2. possibilitam ainda a comparação do vigor relativo entre os lotes em estudo. principalmente se esses são constituídos de genótipos diferentes. assume grande importância no que concerne à identificação das potencialidades dos lotes estudados. o teste de frio não é empregado apenas para espécies sujeitas a essa situação. durante e após a colheita. 1983). como o mais promissor para germinar sobre amplas variações das condições de água e temperatura do solo. pois essas condições podem afetar as sementes. 1994 ).. não possibilitando a diferenciação de vigor entre os lotes. (1994). de preferência na época recomendada para a semeadura da espécie em avaliação. Como este teste envolve o uso de solo. devese ter muito cuidado quando se faz comparação entre lotes. assim. 1. AG 510 de milho híbrido precoce após o teste de frio com solo. procurandose simular condições desfavoráveis que ocorrem com frequência durante a época de semeadura (excesso de água no solo e baixas temperaturas) na área denominada Cinturão do Milho nos Estados Unidos. mais do que valores absolutos para germinação. após a semeadura. Tópicos em Ciências Agrárias. bem como as verificadas por ocasião da semeadura. para avaliar o vigor de sementes de milho e. 2009 111 . alguns dos testes podem sofrer diminuição da sua sensibilidade face ao efeito das condições climáticas desfavoráveis. Atualmente. Porcentagem de emergência de plântulas no campo De acordo com Nakagawa (1994). 70 a 85 % de plântulas normais. a princípio. observou-se melhor germinação sob condições de baixa temperatura e alta umidade.5 cm acima do nível do substrato (AOSA. encontra-se dentro do padrão estipulado por Grabe (1976) citado por Cicero (1992) e em Vieira et al. seguidos pelos simples e linhagens (Cicero & Vieira. de híbridos duplos. Foi desenvolvido. No entanto. diferenciando portanto o lote 1. no qual lotes de boa qualidade devem apresentar. Os resultados do teste de frio são geralmente expressos em porcentagem de plântulas normais. 1989). adaptado para outras espécies. UFRB. pois considera-se que as sementes resistentes às condições desfavoráveis são mais vigorosas. posteriormente. Valores médios (%) obtidos no teste de germinação para os lotes do Cv. uma vez que apresentou menor porcentagem de emergência de plântulas normais. reduzindo a velocidade de emergência e favorecendo o desenvolvimento de microganismos patogênicos. Desse modo. a possibilidade de comparações entre lotes. equanto decresce esta potencialidade nos lotes 3 e 2. com relação à tolerância aos diferentes estresses que as sementes possam vir a submeter-se. é também um teste adequado para avaliar a eficiência de fungicidas (Cícero et al. Tabela 5. v. como de maior potencial de emergência em campo. Nos resultados da Tabela 5 observa-se um padrão de germinação entre os lotes que permite distinguir o lote 2 como mais sensível ao estresse provocado pela baixa temperatura e umidade elevada. após a semeadura.

A Tabela 6 mostra as porcentagens médias de emergência dos lotes estudados. Nas Tabelas 7. com base na repetição com 100 sementes no sulco ou linha. enquanto os realizados em campo. v. de população e atividades de microflora e microfauna) e de épocas do ano em uma mesma região (diferenças climáticas. 2009 . empregando-se o IVE para cálculo. maior vigor. UFRB. Baseia-se no princípio de que é tanto mais vigoroso um lote de sementes quanto mais rápida for a emergência das plântulas no campo. Os resultados dos testes são expressos em porcentagem e representam a média das repetições empregadas para cada lote em estudo. visa determinar o vigor relativo do lote de sementes avaliando a porcentagem de emergência de plântulas em condições de campo. Quando realizadas fora da época recomendada. dos testes de vigor é de verificar o potencial de emergência no campo em condições as mais amplas possíveis (favoráveis e desfavoráveis). é sempre interessante e recomendável a utilização destes em condição do campo. de população e atividades da microflora e microfauna). Como estes testes apresentam o inconveniente da dificuldade de padronização face às diferenças das condições de campo (edáficas. com destaque para o lote 1. que um dos objetivos. de uma região para outra (diferenças edáficas. portanto. AG 510 de milho híbrido precoce em campo. Este último. os de campo são conduzidos em condições naturais de ambiente. indicando nítida diferenciação de vigor entre eles. Calculou-se o número de plântulas emergidas nas quatro repetições para obter o valor do índice de velocidade de emergência (IVE) para cada lote. sendo o lote 2. o que apresentou maior velocidade de emergência e conseqüentemente.Estes testes apresentam o incoveniente da dificuldade de padronização face às diferenças das condições de campo. principalmente pela inexistência de valores referenciais. Dados médios da porcentagem de emergência de plântulas em lotes do Cv. climáticas. se não o principal. em testes fisiológicos. inserem-se dentro dos métodos diretos. haverá influência marcante da temperatura do meio sobre a velocidade de emergência. Caso o teste seja feito em época distinta à recomendada para a cultura. podendo. os mais empregados são o de velocidade de emergência e o de porcentagem de emergência de plântulas. como o de menor potencialidade de emergência em um campo de produção. para que possa ser um bom indicativo da potencialidade dos lotes em sua fase inicial de desenvolvimento no campo. de preferência na época recomendada para semeadura da espécie em avaliação. Tendo em vista. para cada lote estudado. Tabela 6. 1992). Este teste possibilita a comparação do vigor dos lotes semeados em uma mesma época. também denominados por alguns autores como de população inicial ou estande inicial. dormência). Enquanto os testes de laboratório exigem instalações especiais e condições padronizadas de acordo com as Regras para Análise de Sementes (Brasil. entretanto. alguns testes. 112 Tópicos em Ciências Agrárias. 8 e 9. determinar o vigor relativo do lote de sementes avaliando a velocidade de emergência de plântulas em condições de campo. Em geral. todavia não afetará o vigor relativo entre os lotes. dificultando a diferenciação de vigor entre os lotes. Os que são conduzidos em laboratórios são classificados como métodos indiretos. Os testes de vigor que se baseiam na avaliação de plântulas são realizados em laboratórios sob condições controladas ou em condições de campo (Nakagawa. verifica-se o resultado do teste de velocidade de emergência de plântulas. 1. sofrerem perda da sensibilidade. nos estudos de teste de vigor ou nos trabalhos de avaliação de qualidade das sementes. climáticas. deve-se ser bastante cuidadoso com sua interpretação. 1994). população e atividade de microorganismos) e da própria semente (tamanho. O que não será sempre possível é a comparação entre os lotes obtidos em testes instalados em épocas distintas. possibilitam ainda a comparação relativa do vigor entre os lotes estudados. Tratamentos 3 92 72 81 Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) 1 90 84 80 2 88 77 83 4 85 82 80 Médias 89 79 81 Velocidade de emergência de plântulas Este teste tem como objetivo. O lote cuja média foi maior é o que levou menos dias para a emergência das plântulas no solo. de preferência na época de semeadura recomendada para a cultura.

baseada na velocidade de emergência de plântulas sem o emprego de fórmulas. DAS 1 . observando todos os lotes. IVE=Índice de velocidade de emergência. 41 41/15 23 23/16 4 4/17 9 9/18 77 4. 60/15 10/16 8/17 2/18 4. DAS 1 . NPN = Nº de plântulas normais. Teste de velocidade de emergência de 100 sementes do Cv. verifica-se neste experimento. 62/15 17/16 0/17 1/18 5. indicando que suas sementes. IVE médio = 5. IVE médio = 4. e realizando uma comparação da porcentagem de emergência de plântulas naquele dia. apresentaram maior rapidez de emergência. considerando a média de repetições para cada lote.21 NPN 0 . Teste de velocidade de emergência de 100 sementes do Cv. 48 28 2 7 85 R4 IVE .85 NPN 0 . caracterizando que suas sementes são mais vigorosas e possibilitando inferir. Tópicos em Ciências Agrárias. DAS 1 . é a de eleger determinado(s) dia(s) logo no início da emergência das plântulas. 60 10 8 2 80 IVE .25 DAS= Dias após semeadura. que o lote 1 destaca-se como mais promissor. teria sucesso em germinar e produzir plântulas normais em solo e ambiente climático. 45 45/15 20 20/16 7 7/17 10 10/18 82 5.42 NPN 0 . Cuidados especiais necessitam ser tomados no controle de pragas que possam prejudicar a emergência ou a manutenção das plântulas durante o teste. IVE médio = 5. IVE=Índice de velocidade de emergência.AG 510 de milho híbrido precoce referente ao lote 2. O lote que apresentar a maior porcentagem média neste dia definido será o mais vigoroso. 58/15 24/16 5/17 1/18 5. 2009 113 . . não totalmente favoráveis à espécie para o processo de germinação.61 R4 NPN IVE 0 . 67/15 12/16 0/17 2/18 5. por serem mais vigorosas. 45 37 6 2 90 IVE .77 NPN 0 .AG 510 de milho híbrido precoce referente ao lote 3. 48/15 28/16 2/16 5/18 5.71 NPN 0 . que em condições não controladas de campo. 47/15 32/16 1/17 12/18 5. 45/15 37/16 6/17 2/18 5. 61 20 0 2 83 R2 IVE . em comparação com os demais. 15 16 17 18 TOTAL R1 NPN IVE 0 . UFRB. NPN= Nº de plântulas normais. NPN= Nº de plântulas normais. 58 24 5 1 88 R2 IVE . . 47 32 1 12 92 R3 IVE . 34 34/15 33 33/16 2 2/17 3 3/18 72 4.AG 510 de milho híbrido precoce referente ao lote 1.67 Tabela 8. IVE = Índice de velocidade de emergência.2 DAS= Dias após semeadura. .73 NPN 0 . 15 16 17 18 TOTAL R1 NPN 0 . 1. À semelhança de resultados anteriores. 15 16 17 18 TOTAL R1 NPN 0 . .35 DAS= Dias após semeadura. às vezes.90 R3 NPN IVE 0 .28 R2 NPN IVE 0 . Através desse procedimento pode-se evitar algumas interferências ou mascaramentos de resultados de velocidade de emergência de plântulas que as fórmulas possam trazer. 35 35/15 32 32/16 1 1/17 16 16/18 84 5.99 Tabela 9. v. 67 12 0 2 81 R3 IVE .15 Outra possibilidade para a determinação do vigor relativo entre os lotes. 62 17 0 1 80 R4 IVE . 61/15 20/16 0/17 2/18 5.Tabela 7. Teste de velocidade de emergência de 100 sementes do Cv.

caracterizando o lote 1 como mais vigoroso. Média dos resultados de condutividade elétrica (mmhos/cm/g). trevo vermelho. após vários estudos. considera-se que. não é possível.80 mmhos/cm/g já são valores com tendência para médio vigor.26 7. considerando que o mesmo apresentou maior taxa de lixiviados na solução.78 Embora as informações obtidas através do teste de condutividade elétrica sejam importantes. 1. em cada lote estudado. Dentre estas.47 10. milho.84 14. para sementes do Cv. com apenas esses resultados. Entretanto. Com relação às informações sobre o vigor das sementes. verifica-se que os lotes podem ser separados em diferentes níveis. fornecidas pelo teste de condutividade elétrica (Tabela 10). e sementes com condutividade elétrica até 60 . um dos grandes problemas que se tem com relação aos testes de vigor. já que.75 13. tempo de embebição. e também com sementes de milho. Tabela 10. para a maioria das especies cultivadas. 1983).Teste de condutividade elétrica O teste de condutividade elétrica apresenta-se como um dos mais utilizados em testes de vigor. como outros testes. valores variando entre 4 e 30 mmhos/cm/g para sementes de milho. devido à necessidade de submetê-las a um tratamento ou à desuniformidade ou menor velocidade de germinação. o período pode ser ampliado. que o teste pode ser utilizado para semente de soja. também. ervilha. v. os resultados de teste de condutividade elétrica só permitem comparações do potencial fisiológico dos lotes avaliados. temperatura de embebição e teor de água inicial de sementes) que podem causar variações nos resultados.70 mmhos/cm/g têm sido consideradas como de alto vigor. Austrália e Nova Zelândia. 1994). prever o comportamento de lotes de sementes sob uma ampla faixa de condições.68 13. UFRB. 2009 . feijão. algodão. Quando a semente apresenta dormência. verifica-se que um grande volume de informações tem sido produzido.22 12.28 14. principalmente com sementes de leguminosas graúdas. Lotes 1 2 3 R1 6. bem como de sementes de ervilha e de trigo. enquanto 70 .37 Média 7. Geralmente são efetuadas duas contagens: a primeira contagem é necessária para a diminuição do número de plântulas infeccionadas que podem comprometer a sanidade do teste e para reduzir a possibilidade de entrelaçamento entre plântulas. com bastante sucesso. Sem dúvida alguma.63 9. feijão e soja. deve-se ter em mente os vários fatores (característica de sementes. no caso de soja. como sobre o potencial de armazenamento. não só de armazenamento como também de semeadura.28 R3 9. O lote 2. A partir destes estudos. os padrões já são outros.57 R2 6. Dentre esses aspectos é importante ressaltar as diferenças de condutividade elétrica observadas em sementes de diferentes espécies (Vieira et al. As gramíneas forrageiras requerem períodos mais longos. uma vez que liberou menor quantidade de eletrólitos. Logo. Porém. Embora sua utilização tenha sido intensificada a partir da década de 60. Sendo mais tarde utilizado para medir viabilidade de sementes de algodão (1958) e. Nos EUA. o teste tem sido extensivamente usado para avaliar o vigor de sementes de ervilha na Inglaterra.38 R4 8. soja. 28 ou 35 dias.31 10. não se dispõe de parâmetros de comparação. condutividade de sementes de soja superior a 150 mmhos/cm/g é um indicativo de sementes de baixo vigor (AOSA. AG 510 de milho híbrido precoce por repetição. Muitos resultados de pesquisa têm indicado. tem duração de 7 a 14 dias. geralmente 21. correspondem a lotes que se situam em categorias consideradas de alto a baixo vigor. a medida da condutividade elétrica passou a ser estudada como um teste de vigor para várias espécies. Por outro lado. No caso particular do teste de condutividade elétrica. com rara exceção. 114 Tópicos em Ciências Agrárias.46 10. para a interpretação dos resultados.. as Regras para Análise de Sementes estabelecem um limite de tempo para a duração do teste. por sua vez. sendo principalmente estudado em sementes de ervilha. como ervilha. diz respeito à dificuldade na interpretação dos resultados. proposto como teste de vigor para sementes de ervilha na Inglaterra. Assim. Primeira contagem de germinação O teste de germinação. não possibilitando estimativas sobre o comportamento de lotes sob condições de campo. classifica-se como de pior desempenho. dentre as quais. já havia sido utilizado na década de 20 para estimar a viabilidade de sementes de capim timóteo. uma gramínea.

Tabela 11. realiza-se apenas uma contagem.0 115 Tópicos em Ciências Agrárias. feita no quinto dia após a semeadura. larva. é preferível a antecipação. as que apresentaram maior velocidade de germinação. além de sementes que contêm ovo.0 Média 1. A data dessa contagem pode ser antecipada ou retardada de 1 a 3 dias. nas condições em que se procedeu o teste. Os resultados foram expressos em porcentagem média de plântulas normais. Assim. Foi conduzido conjuntamente com o teste de germinação. o desenvolvimento excessivo de plântulas dificulta a interpretação. Os resultados obtidos através da média das sementes infestadas encontradas nas duas subamostras é expresso em porcentagem com uma casa decimal e encontra-se na Tabela 12. Dados médios de primeira contagem de germinação (%) em três lotes do Cv. AG 510. prevalecendo uma relativa superioridade do lote 1 sobre o 3 e este sobre o 2. DETERMINAÇÕES ADICIONAIS A qualidade de sementes é avaliada por um conjunto de índices determinados por análises. caso necessário.0 0. Quando se utiliza areia ou solo como substrato. ou em outras palavras. Lotes 1 2 3 R1 96 92 88 R2 96 86 96 R3 98 96 92 R4 94 86 92 Média 96 90 92 Examinando os resultados obtidos e considerando que não houve dúvidas quanto à normalidade das plantas.Portanto. frequentemente atacadas por aqueles insetos. para os três lotes estudados. pupa e inseto adulto. Na Tabela 11 encontram-se resultados com dados médios em porcentagem do teste de primeira contagem de germinação (PCG) dos lotes do Cv.0 0. estudados nas condições detalhadas no teste de germinação correspondente. Os dados obtidos através deste teste são muito importantes para espécies como o feijão. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 1. por repetição. Dados médios de três lotes de sementes (%) de milho híbrido precoce. traças e carunchos). após o exame de sementes infestadas. A infestação pode ocorrer ainda no campo. devido ao atraso na colheita das sementes. são consideradas.. consistindo do registro das porcentagens de plântulas normais encontradas na primeira contagem do referido teste. confirmando a tendência observada em outros testes. na primeira contagem são removidas as plântulas normais. ou durante o período de armazenamento. milho.0 0. AG 510 de milho híbrido precoce. esse teste objetiva determinar o vigor relativo do lote. AGR 510 de milho híbrido precoce em quatro repetições de 100 sementes. Tabela 12. quer tenham sido essas sementes danificadas por uma única espécie de insetos ou por várias. por lote.0 0.0 0. sorgo etc. Cv. sementes mortas e plântulas infeccionadas. v.0 R2 1. Exame de sementes infestadas Tem por objetivo determinar a porcentagem de um lote que se encontre danificado por insetos (gorgulho. todas as demais que apresentam orifício de saída do inseto. observou-se pequeno porcentual de sementes consideradas como anormais e/ou mortas. uma vez que com o atraso. conservando-se no substrato as plântulas anormais e as sementes não germinadas ou em início de germinação. UFRB. Serve para indicar a necessidade de expurgo de um lote de sementes. Como determinações adicionais são designadas aquelas análises que contribuem com outras informações sobre a qualidade do lote. 2009 . 1. Para efeito desse exame. avaliando a porcentagem de plântulas normais que são obtidas por ocasião da primeira contagem do teste de germinação.0 0. de que as sementes do lote 1 são as mais vigorosas.

AG 510.29 30. após o teste de injúrias mecânicas. principalmente. Além de fornecer informações para o cálculo de semeadura e regulagens de máquinas semeadeiras. Após a interpretação. são utilizadas sementes puras provenientes da análise de pureza.66 R8 32. 1.000 sementes é em geral utilizado para calcular a densidade de semeadura e o peso da amostra de trabalho. Dados médios (%) de três lotes de sementes de milho híbrido precoce. Acima de 50% o produtor deve tomar medidas necessárias para reduzir os danos mecânicos durante a debulha e processamento das sementes. O peso de mil sementes é influenciado pelo teor de água. As sementes com trincas foram identificadas pela formação da coloração azul. Seguiu-se os critérios das Regras para Análise de Sementes para o cálculo do peso de 1. Os resultados encontram-se na Tabela 13.50 Média 328.Foram consideradas atacadas as sementes onde se constatou a presença do ovo.43 30.8 116 Tópicos em Ciências Agrárias. UFRB. pode ser empregado o teste do verde rápido (Fast Green FCF).6 7. Tabela 14. que é relativamente simples.6 305. prejudicam a qualidade das mesmas. Tabela 13. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 5.0 24. a presença de danos mecânicos é constatada pela formação da coloração azul.5 20. sendo x média. v. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 33. pois os danos severos. resultante da reação entre o iodo e o amido espermático.000 sementes (g) de milho híbrido precoce.0 8. Como o coeficiente de variação não excedeu a 4%. lagarta. utilizando-se as oito subamostras.1 283.000 sementes O peso de 1. Teste para identificar injúrias mecânicas Para a identificação de danos mecânicos de sementes de milho. do Desvio padrão e do Coeficiente de variação dos valores obtidos nas pesagens. obtido do peso médio (g) de oito subamostras de 100 sementes (R1 a R8) da porção semente pura.0 10.39 28. devido a influência do teor de água. tem grande importância na qualidade da semente bem como na sua comercialização. danos nas sementes de milho entre 30 e 50% devem ser preocupantes ao produtor.5 De acordo com Everson (l985) citado por Dias & Barros (l995).000 sementes. bem como a extensão desses danos. o peso médio de 100 sementes. somou-se as porcentagens de sementes danificadas por repetição e calculou-se a porcentagem média por amostra. assim como do seu estado de maturidade e sanidade.23 28. com a determinação da Variância. inseto adulto e o orifício de saída do inseto. o resultado da determinação foi calculado multiplicando-se por 10 o peso médio obtido das subamostras de 100 sementes. Cv. Cv. para análise de pureza. É uma informação que dá idéia da qualidade de sementes. AG 510.0 Média 6. que pode ser adquirido em frascos de 10 ou 25 gramas em casa de produtos químicos. podendo ser usado para o milho e outros cereais.0 R2 8. Em contato com a solução de iodo. Para realizar esta determinação. Pode-se empregar também a tintura de iodo. Peso de 1. 2009 . Peso médio de 1.0 16.

.R. 1994. Testes de vigor e suas possibilidades de uso. Divisão de Sementes e Mudas. Teste de Frio. Tópicos em Ciências Agrárias. J. 1. N. SADER. Seed vigor testing handbook . W. 1992. M..S. VIEIRA. M.. W. 1992.1989. S. J. 95 p. M. MARCOS FILHO. DIAS. 207-23 CICERO. A. FCAV/UNESP/JABOTICABAL. S.Testes de Vigor baseados na avaliação das plântulas. UFRB. Atualização em produção de sementes. 2009 117 . Campinas. M. 363p. In: Testes de vigor em sementes FCAV/UNESP/JABOTICABAL. BARROS. R. 1994. R. ed.REFERÊNCIAS ASSOCIATION OF OFFICIAL SEED ANALYSIS. p. CICERO. IAPAR. Ministério da Agricultura. CARVALHO. Circular no 88. Piracicaba..S. MARCOS FILHO.M.. S.. do R.230 p. v. Avaliação da qualidade das sementes..L. de L. FEALQ.SILVA. 1983. FCAV/UNESP/JABOTICABAL. S. CICERO. BRASIL. 1987. In: Testes de vigor em sementes. (Handbook on seed testing. C. 88p. Fundação Cargill.D. J. SILVA. 32 ). Regras para Análise de Sementes. 95 p. 1995. R. 95 p.L. In: Testes de vigor em sementes..p. NAKAGAWA. 43 p. coord. Avaliação da qualidade fisiológica de sementes de milho.

CAPÍTULO 9 ANÁLISES FAUNÍSTICAS EM ESTUDOS ENTOMOLÓGICOS Oton Meira Marques. Carlos Alfredo Lopes de Carvalho & Gilberto Marcos de Mendonça Santos Tópicos em Ciências Agrárias .

000 espécies descritas. explicam a complexidade das interações entre os componentes das diversas comunidades. A vantagem da utilização dos índices é que. o padrão de distribuição de uma espécie é importante para o entendimento da importância relativa da espécie em termos locais. indicando o tipo de padrão de distribuição apresentado pela população estudada (Figura 2). desprovidos de unidade..9 a 6. 3 diversidade de ecossistemas. surgiram outras estimativas fornecendo números mais modestos: 4. Os insetos constituem o grupo de seres vivos com o maior número de espécies na Terra e estima-se que existam 950. que consiste em traçar um transecto subdividido em n quadrados de tamanho padrão e contar o número de representantes da espécie em cada quadrante (Figura 1). 2002).diversidade entre espécies. E-mail: calfredo@ufrb. além de serem facilmente calculados.84 a 2. fluxo e/ou ciclagem de energia e matéria nos ecossistemas. Padrões de distribuição Apesar de não constar dos índices faunísticos clássicos. Outra estimativa sobre o total de espécies de insetos na Terra foi apresentada por Erwin (1982) e chegou ao extraordinário número de 30 milhões de espécies. Southwood & van Emden (1967) e Janzen & Schoener (1968) realizaram trabalhos pioneiros de análise faunística de entomofaunas. Carlos Alfredo Lopes de Carvalho2.Centro de Ciências Agrárias. v.br INTRODUÇÃO Os fenômenos de síntese realizada pela vegetação e o consumo dessas substâncias pelos animais são dois processos vitais que. 2009 121 .ANÁLISES FAUNÍSTICAS EM ESTUDOS ENTOMOLÓGICOS Oton Meira Marques1. Tópicos em Ciências Agrárias. Ambientais e Biológicas/UFRB. Cruz das Almas-BA. Cruz das Almas-BA. E-mail: oton@ufrb. A fórmula e programa de computador para análise das variâncias encontram-se em Ludwig & Reynolds (1988). corresponde à diversidade de espécies (espécies presentes em um ambiente ou região definida). regionais e até globais. bem como entre populações espacialmente distintas da mesma espécie e tem sido tratada como equivalente à diversidade genética (embora possa incluir diversidade morfológica. sem ater-se estritamente à base genética de tais diferenças). são. usar a dinâmica como base para avaliar. de comportamento.edu. é mais ambígua que as outras duas categorias. 1. 1991).Centro de Ciências Agrárias. na maioria dos casos. UFRB. em termos práticos. gerando uma gama de dados analisáveis. Lewinsohn & Prado.57 milhões (Hodkinson & Casson. 1996).6 milhões (Stork & Gaston. Feira de Santana-BA. Porém. Os primeiros estudos voltados a elucidar a relação entre as características estruturais dos habitats e a diversidade faunística foram realizados por Mac Arthur & Mac Arthur (1961).br. é pouco praticável (embora não impossível) e. por definição. Ambientais e Biológicas/UFRB. entre outras. é tratada como correlacionada com a diversidade de fisionomias de vegetação ao nível da paisagem ou de bioma (Lewinsohn & Prado.br Professor . Gilberto Marcos de Mendonça Santos3 1 2 3 Professor . a organização da vida terá sempre que ser descrita e aferida por uma série de definições e medidas diversas (Gaston. Estes números são apresentados na literatura especializada ou não como a biodiversidade ou diversidade biológica ou diversidade de insetos na face da Terra. As variâncias apresentadas na presença de indivíduos nos quadrantes são plotalas em gráficos. uma definição e uma medida unificada para biodiversidade e por ser um fenômeno intrinsecamente complexo. ecossistemas são essencialmente sistemas funcionais. caracterizados por sua dinâmica. podendo este número representar apenas metade do total existente no planeta (Arnet Jr. não existe. Delimitar e caracterizar a fauna de um determinado ambiente é fundamental para o bom entendimento do ambiente. nem pode existir. 2002).edu. Bolsista CNPq Professor . A diversidade biológica inclui três tipos de diversidade: 1 . 2000. 2 . A diversidade faunística é fator primordial para o equilíbrio. abrange toda a variação entre indivíduos de uma população.Departamento de Ciências Biológicas. Dentre os diversos processos utilizados para analisar a fauna de um dado ambiente. os índices faunísticos figuram entre os mais aceitos. inventariar ou monitorar a diversidade de ecossistemas. permitindo comparações entre comunidades amostradas de modo não padronizado.diversidade dentro de espécies. Esse padrão pode ser avaliado pelo método da variância dos quadrados contíguos. Mas. E-mail: gmms@uefs. Universidade Estadual de Feira de Santana. Posteriormente. 1990) ou 1.

aleatório agregado uniforme Figura 1. regularidades na variação do número de espécies no espaço e no tempo. UFRB. Odum. 1988. uma revisão sobre este assunto é encontrada em Carneiro et al. 1988). os restantes 10%. Posicionamento de quadrados contíguos ao longo de transectos em três ambientes onde os padrões de distribuição são aleatório (ou randômico).a combinação do número total e a eqüitabilidade (abundância relativa) de espécies. isto é. 2009 . Diferentes índices têm sido propostos para caracterizar isoladamente a abundância de espécies e a 122 Tópicos em Ciências Agrárias. mas não apresentam necessariamente mais indivíduos por unidade de área (Lewis & Taylor. agregado ou uniforme (adaptado de Ludwig & Reynolds. os mais amplamente utilizados neste tipo de estudo. podendo ser feita por meio dos índices faunísticos descritos a seguir. enquanto que. gêneros. v.número total de espécies em uma comunidade (freqüentemente denominado abundância de espécies) e 2 . 1. 1988). Uma análise faunística. Dois parâmetros devem ser considerados ao avaliar a diversidade biológica de um ambiente: 1 . Assim. estão distribuídos entre as outras nove espécies. Algumas comunidades são mais ricas do que outras no número de espécies. (1998). fornece conhecimentos básicos sobre as populações presentes e os níveis de importância quantitativa das mesmas. Diversidade Existem diversos padrões de diversidade. se 90% dos indivíduos pertencem a uma só espécie e. a eqüitabilidade é considerada máxima. uniforme e agregado (baseado em Ludwig & Reynolds. Considerando uma comunidade composta por dez espécies. o conceito de diversidade de espécies inclui o número de espécies na comunidade (abundância ou riqueza de espécies) e a uniformidade (eqüitabilidade) com a qual os indivíduos são distribuídos entre as espécies (Krebs. A combinação do número total de espécies e a eqüitabilidade é considerada a abundância relativa das espécies (Ludwig & Reynolds.g. Plotagem típica de variâncias encontradas em quadrados contíguos cujas populações apresentavam os padrões de distribuição: aleatório. 1976). 5 4 Variança 3 2 1 0 0 1 2 3 4 5 Espaço 6 7 8 9 10 Aleatório Uniforme Agregado Figura 2. 1989).: espécies. a eqüitabilidade é considerada baixa. 1988). famílias) de insetos coletados em um ambiente. baseada no número de táxons (e. a última indica como o total de indivíduos encontra-se distribuído entre as espécies. se cada uma das dez espécies contribui com 10% do total de indivíduos.

b) Índice de abundância A comparação dos dados de abundância obtidos em diferentes pesquisas é possível através da utilização de índices como. v. apresentando elevado número de espécies. a utilização desses índices pode permitir a comparação entre comunidades. em que o número de espécie tende a diminuir e o número de indivíduos das espécies dominantes tende a aumentar. N = número total de indivíduos. constância e abundância e os valores do teste F na determinação da dominância podem ser calculados por meio das funções estatísticas de planilhas eletrônicas computacionais. ln = logaritmo neperiano. 1976). Alguns destes índices são expostos a seguir: Índice H' (Shannon-Wiener): H' = . Estes índices podem apresentar a desvantagem de confundir variáveis que caracterizam a estrutura de uma comunidade: 1) número de espécies.1) ln(N) onde.eqüitabilidade de uma comunidade. As espécies podem ser distribuídas em classes de abundância baseadas no Intervalo de Confiança (IC) do número de indivíduos (n) ao nível de 5% e 1% de significância (Bicelli et al. Quando o valor obtido é alto. independente do processo de levantamento e do tamanho da amostra (Silveira Neto et al. UFRB.. S = número total de espécies. O índice a mede a relação existente entre o número de espécies e o número de indivíduos de uma comunidade. 1. 1988). Outros tipos de índices combinam as duas características em um só valor e são conhecidos como índices de diversidade. 2) eqüitabilidade e 3) homogeneidade e o tamanho da área amostrada.S pi (ln pi) Tópicos em Ciências Agrárias.. embora com menor número de indivíduos (Odum. 1988). Disperso (d) = n entre os limites inferiores dos IC1% e IC5%. 1989). c) Índices de diversidade Diferentes índices expressam a diversidade de uma área ou região. por exemplo. há indicação de que o local é bastante diversificado. Por outro lado. 2009 123 . o Alfa (a) proposto por Margalef (1951): a = (S . significando que o local é mais específico. a) Abundância O número total das espécies amostradas em um determinado estudo é considerado a abundância (S) dessas no ambiente (Ludwig & Reynolds. Abundante (a) = n situado entre os limites superiores dos IC5% e IC1%. Comum (c) = n situado dentro do IC5%. Os limites de classes mais comumente utilizados são: Raro (r) = n menor que o limite inferior do IC1%. Os Intervalos de Confiança para as classes de freqüência. explorando de forma diferente os componentes da diversidade. Esse índice é baixo nos locais onde ocorre competição interespecífica. Muito abundante (m) = n maior que o limite superior do IC1%.

De acordo com Odum (1988). Os índices de abundância (a). sendo que em comunidades biológicas não ultrapassa o valor 5. S = número total de espécies. ni = número de indivíduos da espécie i. v. sendo que. UFRB. 1949): s l= onde. Índice J' (Pielou. pi = freqüência relativa da espécie i dada por ni/N. 1988). Se a probabilidade for alta. ln = logaritmo neperiano. 124 Tópicos em Ciências Agrárias. o que permite a comparação entre comunidades ainda que as amostragens em cada ambiente tenham sido realizadas com tamanhos diferentes (Odum. 1. então a diversidade na comunidade amostrada é baixa (Ludwig & Reynolds. N = número total de indivíduos. Esse índice apresenta a vantagem de ser relativamente independente do tamanho da amostra. H'max = ln S. baseandose na abundância relativa de espécies e no grau de sua dominância. N = número total de indivíduos. atingindo o valor máximo quando todas as espécies apresentam a mesma freqüência relativa (Odum. o índice de eqüitabilidade mais usado em estudos ecológicos. å ç N ( N . dando a probabilidade de dois indivíduos coletados casualmente na população pertencerem à mesma espécie. O índice J' varia de 0 a 1. 1988. H' H' max O índice proposto por Pielou (1977) e denominado J´ é. caso não haja interesse em separar os dois componentes da diversidade. H' = componente de “riqueza” de espécies. 1988). diversidade (H' e l) e eqüitabilidade (J') podem ser facilmente obtidos por meio da montagem de uma planilha de cálculo. o índice de diversidade H' varia com o número de espécie. abundância e eqüitabilidade. H' = componente da “riqueza” de espécies. 2009 .1) ÷ ç ÷ i =1 æ n i (n i . ni = número de indivíduos da espécie i. Ludwig & Reynolds. Índice l (Simpson. ln = logaritmo neperiano. quanto maior o valor obtido. o índice de Simpson dá maior peso para as espécies mais comuns na comunidade. 1988). maior será a dominância por uma ou poucas espécies. expressando a uniformidade em número de indivíduos que as espécies possuem ou não.onde. 1977) J’ = onde. De acordo com Washington (1984).1) ö è ø Esse índice varia de 0 a 1. O índice H´ é um dos melhores índices para uso em comparações de comunidades. provavelmente.

a curva mostra que o ambiente não foi suficientemente amostrado e. a curva mostra que a riqueza foi baixa e que o esforço amostral foi suficiente para caracterizar a comunidade. Uma curva que tenda a se estabilizar indica que. Ludwig & Reynolds (1988) defendem esse tipo de análise como o mais eficiente para comparar a riqueza de comunidades cujas intensidades de esforço amostral foram diferentes. abundância e outros). para aumentar o número de espécies encontradas. A fórmula e um programa para obtenção da Curva de Rarefação estão disponíveis em Ludwig & Reynolds (1988). UFRB. quando se atingiu o total de 80 espécies. o método da análise da riqueza baseado na Curva de Rarefação fornece informação sobre a suficiência amostral do estudo. constância. na qual o esforço amostral foi de apenas 500 indivíduos. evitando a sub amostragem. Um estudo que se propõe a caracterizar uma comunidade baseado em seus índices faunísticos precisa se certificar que o ambiente foi suficientemente amostrado. número de armadilhas) e a variação do número de espécies encontradas em função deste esforço. Curva de rarefação de duas comunidades hipotéticas. Magurran (1988) e Krebs (1989). enquanto que uma curva que mostre tendência de crescimento indica que novas espécies podem ser encontradas com um pequeno aumento no esforço amostral. biomassa. No exemplo da Figura 4. quaisquer análises de comunidade baseada em índices faunísticos (freqüência. James & Rathburn. a distribuição do número de indivíduos e de espécies por coleta indicou que o número de coletas realizadas foi suficiente para amostrar a abundância de espécies da área estudada. Um modelo de distribuição de abundância pode ser baseado na distribuição das espécies e indivíduos em oitavas (Preston. discutido por Ludwig & Reynolds (1988). pode-se fazer inferências sobre o esforço necessário para atingir um número determinado de espécies em comunidades distintas. calculados sobre os 1000 indivíduos encontrados levariam a erro na caracterização. 1. 35 Curva de Rarefação 30 Número de Espécies 25 20 15 10 5 0 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 comunidade 1 comunidade 2 Número de Indivíduos Figura 3. neste caso. na comunidade 2. v. Na Figura 3. além de servir como indicativo da efetividade da amostragem das populações que compõem uma comunidade. 2009 125 . 1994). número de horas amostradas. 1971. 1981) e mede a eficiência do número de coletas na representatividade das espécies que ocorrem em uma determinada área (Colwell & Coddington. valor da abundância de espécies (S). cujo esforço amostral foi de 1000 indivíduos. 1948). Como o gráfico da curva de rarefação permite avaliar a intercessão dos eixos onde são plotados. Observa-se que ocorreu uma estabilização a partir da 23a coleta. A validação estatística para o modelo encontrado pode ser obtida por meio da análise de regressão. Só pode ser considerado suficientemente amostrado aquele ambiente cuja curva encontrada apresente tendência à estabilização. Tópicos em Ciências Agrárias. é preciso aumentar muito o esforço amostral. observa-se duas comunidades hipotéticas: na comunidade 1. a variação do esforço amostral (número de indivíduos.Modelo de distribuição e estimativa da abundância de espécies O método da Curva de Rarefação ou Curva do Coletor (Richness rarefraction method) indica o número de espécies esperadas em um dado tamanho de amostra (Hurlbert.

S(R) = número de espécies na R-ésima oitava (= classes). x: média do número de indivíduo em log 10 Þ x = åx S . 1984).28x + 25. Município de Castro Alves-BA. UFRB. 1999). De acordo com Ludwig e Reynolds (1988). So = estimativa do número de espécies na oitava modal. m: estimativa da média Þ m = x .xo).m ) vx .42 R2 = 0. (1961) para lognormal truncada.po ( xo . zo: variável normal estandartizada Þ zo = S 1 . po = probabilidade da curva normal para zo (proporção da curva normal de acordo com Zar. Curva do Coletor para amostras de abelhas (Apoidea) coletadas no vale do rio Paraguaçu. v. q = parâmetro obtido através de l e da tabela de Cohen Jr. xo = log10(0. S* = número estimado de espécies. S = número total de espécies. 1. R = 0 na oitava modal.01) Coletas Figura 4. a distribuição lognormal é representada por: S(R) = So e(-a²R²) onde. 2009 . a = medida de amplitude inversa da distribuição.96 (p > 0. S å 126 Tópicos em Ciências Agrárias.5). R = logaritmo na base 2 da abundância de espécie de uma determinada classe de oitava dividido pela abundância de espécie na oitava modal. l = s2/(x-xo)2.90 espécies Número acumulado de es écies 80 70 60 50 40 30 20 10 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 y = 2.q (x . onde o número estimado de espécie na comunidade é obtido pela equação: S* = onde. entre janeiro de 1994 e fevereiro de 1995 (Carvalho. 2 ( x . O procedimento para avaliar o modelo da distribuição lognormal truncada é encontrado em Magurran (1988).x) 2 2 s : variância Þ s = .

uma vez que o método de amostragem pode ter contribuído para a ausência de algumas espécies nas coletas. Frequência A freqüência (f) das espécies é determinada pela participação percentual do número de indivíduos de cada espécie. por meio de Intervalos de Confiança (IC) a 5% de probabilidade: a) Pouco Freqüente (PF) = f < o limite inferior (LI) do IC5%. Isso significa que.. N = número total de indivíduos. Constância Calculada por meio da percentagem de ocorrência das espécies no levantamento (Silveira Neto et al. 1967). 1988). a estimativa do número de espécie na comunidade não possui um sistema para avaliar a sua precisão e deve ser analisada com precauções. como também. v. c) Muito Freqüente (MF) = f > o limite superior (LS) do Ic5%.0% do número estimado de espécies presentes na área não foi coletado. Apesar dessas limitações. Entretanto. Neste estudo. com o número de graus de liberdade igual ao número de oitavas menos três (Magurran. 2009 127 . um total de 80 espécies foi coletado (S). Segundo Krebs (1989).x: número de indivíduo em log10 x = log10 ni. o modelo de distribuição das espécies observadas e esperadas pode ser estatisticamente avaliado pelo teste do Qui-quadrado. em relação ao total coletado (Silveira Neto et al. UFRB. aproximadamente. 7. sendo necessário o estudo de outras áreas. Por outro lado. a amostragem de insetos em áreas restritas fornece uma estimativa considerável da abundância relativa das espécies e famílias dentro da comunidade (Sakagami & Matsumura. sendo cada classe representada pelo dobro da abundância de espécie acrescido de 0. Os estudos sobre a composição faunística de áreas restritas apresentam limitações quanto à possibilidade de se fazer extrapolações para áreas maiores.5. provavelmente resultaria na amostragem de outras espécies consideradas raras (com poucos indivíduos). sendo a abundância estimada (S*) igual a 86 espécies.. a coleta de dados deve ser por vários anos (Martins. o incremento no número de horas de coletas em diferentes épocas do ano. No exemplo da Figura 1. ni = número de indivíduo da espécie i vx: estimativa da variância = s2 + q (x-xo)2 As oitavas são formadas por intervalos do número de indivíduos e número de espécies. b) Freqüente (F) = f situado dentro do IC5%. requerendo uma quantidade maior de amostras. utilizando-se a fórmula: C= ç æ ci ö ÷ x 100 è Nc ø Tópicos em Ciências Agrárias. ni = número de indivíduos da espécie i. O teste do Qui-quadrado (X2) aplicado e o valor obtido é comparado com o tabelado ao nível de 5% de significância. æ ni ö ÷ x 100 èN ø De acordo com os resultados obtidos são estabelecidas classes de freqüência para cada espécie. 1. 1976). conforme Ludwig & Reynolds (1988) e Magurran (1988). 1990). 1976): f = ç onde. esse tipo de resultado permite apenas uma abordagem descritiva da comunidade e não deve ser considerado conclusivo.

k2 = 2 (N ni + 1). Li = limite inferior. k'1 = 2 (N ni + 1). v. A dominância ou não das espécies pode ser obtida pelo método de Kato et al. UFRB. 128 Tópicos em Ciências Agrárias. k1' e k2'. (1982). Bueno e Souza (1993). (1989). k1 = 2 (ni + 1). podendo assim causar o aparecimento ou desaparecimento de outros organismos. por exemplo. (1983). Bicelli et al. de acordo com Sakagami e Matsumura (1967). 2009 æ1ö ÷ x 100 èSø . De acordo com os percentuais obtidos. É uma característica difícil de ser avaliada quantitativamente. k'2 = 2 (ni + 1). ni = número de indivíduos da espécie i. Dominância A dominância consiste na capacidade ou não da espécie em modificar. N = número total de indivíduos. segundo a classificação de Bodenheimer (citado por Silveira Neto et al.onde: C = percentagem de constância.. as espécies podem ser separadas em categorias. pois depende da atividade desempenhada pela espécie na comunidade (Silveira Neto et al. o impacto recebido do ambiente. Nc = número total de coletas efetuadas. c) Espécies acidentais (Z): C < o limite inferior (LI) do IC5%. b) Espécies acessórias (Y): C entre os limites (LI e LS) do IC5%. utilizando as equações: Ls = ç ç æ (k1 xFo ) ö ÷ x 100 k2 + (k1 xFo ) ÷ è ø (k '1 xFo ) ö ÷ x 100 k ' 2 +(k '1 xFo ) ÷ ø e. 1976). 1976) e o IC a 5%em: a) Espécies constantes (W): C > limite superior (LS) do IC5%. ci = número de coletas contendo a espécie i. Rossi (1989). Um outro procedimento para considerar a dominância de uma espécie é quando o Limite Inferior for maior que o Limite Superior para K = 0. LD = limite da dominância. S = número total de espécies. 1. Laroca et al... referido por Laroca & Mielke (1975). em seu benefício. Fo= valor obtido da tabela de distribuição de F ao nível de 5% de significância para graus de liberdades obtidos em k1 e k2 e. Uma determinada espécie será considerada como dominante quando o seu limite inferior (Li) for maior que o inverso do número total de espécies multiplicado por 100 (LD). LD = ç onde. Li = ç1 ç æ è onde: Ls = limite superior. Este método foi utilizado por diversos pesquisadores como. Nascimento et al.

Neste caso. onde se avalia a semelhança na composição das espécies entre duas áreas. isto é. v. a similaridade entre as espécies de abelhas quanto às espécies de plantas visitadas pode ser calculada da forma a seguir: 2 ( an i ´ bn i ) Im-h = onde. O índice de Morisita-Horn varia de zero (nenhuma similaridade) a 1 (completa similaridade) (Krebs. 2 db = å bn bN 2 .Similaridade entre comunidades de insetos A similaridade entre duas comunidades quanto à composição de espécies. Por exemplo. aN = número coletado de indivíduos da espécie de abelha a. calculada pela soma dos menores valores da porcentagem do total de indivíduos das espécies comuns às duas comunidades comparadas: %S = Somatório (a + b + . a abordagem é qualitativa. bN = número coletado de indivíduos da espécie de abelha b. utilizando as mesmas variáveis do Coeficiente de Sfrensen: CJ = j / (j + a + b) Outro índice conhecido é a Porcentagem de Similaridade. de acordo com Magurran (1988). 1981). 1. 2009 129 .. A fórmula a seguir representa o Coeficiente de Sfrensen: CS = 2j / (2j + a + b) onde: a = número de espécies no agroecossistema I b = número de espécies no agroecossistema II j = número de espécies encontradas em ambos os agroecossistemas O coeficiente de Similaridade de Jaccard (1912) também pode ser utilizado para indicar a semelhança entre duas comunidades quanto à composição de espécies e pode ser obtido por meio da fórmula a seguir.+ n) onde: %S= Porcentagem de Similaridade a = Menor porcentagem da espécie "a" observada no confronto entre os dois agroecossistemas b = Menor porcentagem da espécie "b" observada no confronto entre os dois agroecossistemas n = Menor porcentagem da espécie "n" observada no confronto entre os dois agroecossistemas Tópicos em Ciências Agrárias. 1989). ani = número coletado de indivíduos da espécie de abelha a na espécie vegetal i. [( da + db ) ´ ( aN ´ bN )] Im-h = Índice de Morisita-Horn entre as espécies de abelhas a e b. não depende do tamanho da amostra e é um dos melhores índices para medir a similaridade em estudos ecológicos (Wolda.. Outro modo de avaliar a similaridade entre comunidades de insetos é o Coeficiente de Similaridade de Sfrensen. presença ou ausência. da = å an aN 2 2 . UFRB. bni = número coletado de indivíduos da espécie de abelha b na espécie vegetal i. ou ainda entre espécies quanto a hospedeiros ou recursos tróficos pode ser obtida pelo Índice de Morisita-Horn (Im-h).

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CAPÍTULO 10 INTERFACE DA ENTOMOLOGIA APLICADA NA FRUTICULTURA TROPICAL Antônio Souza do Nascimento & Tuffi Cerqueira Habibe Tópicos em Ciências Agrárias .

no período de outubro a dezembro e alerta ao produtor a ter atenção especial com ela. por se constituírem em fatores limitantes à produção. ainda assim. 2001).INTERFACE DA ENTOMOLOGIA APLICADA NA FRUTICULTURA TROPICAL Antônio Souza do Nascimento1. num levantamento no país. Este trabalho visou: a)Identificar as espécies de moscas-das-frutas que utilizam a acerola como hospedeiro. v. patógenos.) como praga de aceroleira. c) Conhecer a incidência de inimigos naturais parasitóides nativos. predadores. Os estudos sobre os eucoilíneos para o controle biológico de moscas-das-frutas demostram o potencial desses parasitóides em programas de manejo de pragas. E-mail: nascimento@cnpmf. (2000). gerando mais de cinco milhões de empregos diretos (FAO. Cruz das Almas-BA. esses parasitóides desempenham função importante como inimigos naturais de moscas-das-frutas. os últimos parecem ser os mais efetivos. (1999) realizaram a descrição. devido principalmente à disponibilização de novas tecnologias. o índice de parasitismo é maior. No Brasil. não existe suficiente informação sobre o comportamento de insetos limitantes a sua produção. somente Ceratitis capitata é considerada praga de importância econômica. Num posterior levantamento de insetos associados à cultura da acerola. 2003). 1. Em 1995. b) Conhecer o nível de infestação nos frutos. caracterização e dano dos Insetos-Praga em acerola em Cruz das Almas e relataram que a larva de C.. Cruz das Almas-BA. o parasitismo em moscas-das-frutas depende do tamanho do fruto. (1999) mencionaram a presença de moscas-dasfrutas (Anastrepha spp. as pragas e doenças assumem papel de grande relevância para essa atividade. mas destaca que ainda sendo uma praga potencialmente importante. Nascimento et al. Parasitóides Dentre os organismos que efetuam o controle biológico de moscas-das-frutas. As espécies de moscas-das-frutas assinaladas no Brasil. com uma produção de 38 milhões de toneladas/ano. Em frutos menores.embrapa. que ocorre da Argentina até o sul dos EEUU. Nesse contexto. com polpa e casca fina. Outro importante grupo de parasitóides é representado pela família Figitidae (Eucoilinae). A fruticultura tem apresentado grande avanço nos últimos anos.br Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. Segundo Carvalho et al. nematóides. Malavasi et al. pela facilidade que o parasitóide encontra em localizar as larvas da mosca no interior do fruto. bactérias e parasitóides. isto é. com uma percentagem de 70 % do total de braconídeos coletados e ocorrendo em 81 % dos frutos amostrados. capitata danifica o fruto. Tuffi Cerqueira Habibe 2 1 2 Pesquisador .br INTRODUÇÃO Atualmente. pertencem aos gêneros Anastrepha e Ceratitis. E-mail: tuffihabibe@yahoo. foi a espécie mais comum encontrada. capitata.. reduzindo a produtividade. 1999). os estudos com parasitóides de moscas-das-frutas são recentes. aumentando o mercado interno e propiciando a conquista de novos mercados internacionais (Lima et al. 1762) como hospedeira de moscas-das-frutas (Diptera: Tephritidae) no Recôncavo da Bahia O Brasil é o principal produtor de acerola (Malpighia punicifolia) no mundo. Didonet et al.com. que cai precocemente. (1980) realizaram o levantamento de tefritídeos no Brasil amostrando 55 espécies de hospedeiros dos quais 25 estavam atacados por C.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. causando danos econômicos em alguns fruteiras. verificou-se que Doryctobracon aerolatus. o incremento do parque industrial e a elevação de sua capacidade produtiva e de exportação. Esses autores relataram que a mosca do mediterrâneo era mais freqüente nas fruteiras introduzidas enquanto que as espécies de Anastrepha preferem os hospedeiros nativos. UFRB. favorecendo o aumento da área de cultivo. o Brasil ocupa a terceira posição entre os países produtores de frutas. A acerola (Malpighia punicifolia L. não foi relatada a presença de moscas-dasfrutas nesta cultura em Cruz das Almas (Sá. parasitando tanto as espécies da família Tephritidae quanto as da família Lonchaeidae. em Tópicos em Ciências Agrárias. Os eucoilíneos conhecidos são generalistas. Devido à associação com os tefritídeos. O trabalho foi desenvolvido na área experimental da sede da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. 2009 135 .

capitata às condições do recôncavo.11 0.08 61.00 0.00 0. A área 2.79 70. obliqua. enquanto as espécies de Anastrepha infestam preferencialmente hospedeiros nativos.) e vegetação nativa. Monitorou-se semanalmente.00 0. distribuídas no centro e na periferia das culturas. 652 pertenceram à espécie C. mandioca (Manihot esculenta). UFRB. A área 1 teve como cultivos vizinhos. cajá (Spondias lutea) e vegetação nativa. capitata e 99.00 0.02 0.01 0. obliqua (1.701 frutos que deram 1.. mas possuem estratégias diferentes em relação à utilização de nutrientes.00 0. Infestação de frutos. estas duas espécies ocupam nichos alimentares semelhantes.00 0. foram coletados nas duas áreas 14.23 50. que os frutos introduzidos são mais susceptíveis a infestações por C. Estas proporções diferem da encontrada por Nascimento & Zucchi (1981) no Recôncavo Baiano que de um total de 17. utilizando atrativo alimentar hidrolizado de proteína (“Tephritide”) a 5% com armadilhas tipo Valenciano modificada.00 0. v.1 2.94 2.04 0. e segundo Zucoloto (1993). Os espécimens de Tephritidae foram separados por sexo e identificados.00 0.00 0. abacaxi (Ananas comosus).05 66 37 2 3 0 0 0 3 14 0 0 3 24 2 4 0 158 0 1 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 2 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 4 66. distantes entre si aproximadamente 500 m e separadas por vegetação nativa em direção nordeste. cítros (Citrus sp. Tabela 1. capitata ser a única espécie representante do gênero ocorrendo no Brasil.06 0.64%) e 9 espécimes de A. Por outro lado. corrobora com as observações feitas por Malavasi et al. BA. 2001.71 % correspondeu a C. Efetuou-se a coleta sistemática de frutos maduros ou em início de maturação em diferentes alturas da copa das árvores.05 0.).00 0.33 0. Neste estudo. sendo que os indivíduos do gênero Ceratitis foram contados.00 2. banana (Musa spp. As amostras foram levadas ao laboratório de Entomologia da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical e acondicionadas em bandejas plásticas contendo uma camada de vermiculita com aproximadamente 3 cm de espessura.00 57.00 0. (1980).877 indivíduos coletados. afirmações feitas pelos autores naquela época em relação à adaptação de C.00 0.00 0. a presença de C.Cruz das Almas. pelo fato de C. viabilidade pupal e índice de parasitismo em acerola (Malpighia punicifolia L.00 75.00 0. O levantamento populacional foi iniciado em abril de 2000 até agosto 2001. 2009 .343 pupas das quais emergiram 661 espécimes. capitata foi dominante comparada com A.00 0.00 0.00 15.00 0.07 0.00 0. manga (Mangifera indica). 0. mamão (Carica papaya).) por moscas-das-frutas dos gêneros Anastrepha e Ceratitis na Área 1 do Banco de Germoplasma em Cruz das Almas-BA.00 33.14 0.29 % a Anastrepha spp.02 0. sendo acerola um cultivo introduzido. têm sido confirmadas neste trabalho.56 0.42 136 Tópicos em Ciências Agrárias.00 0. capitata (98. capitata. para permitir a empupação.67 32.04 0.00 0. separados por sexo e descartados após sua verificação.64 50. em duas áreas do Banco de Germoplasma BAG de Acerola.00 23.36%) (Tabelas 1 e 2). Durante o período de estudo. Total fruto Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto TOTAL 590 1060 480 110 0 1040 180 440 290 0 0 1010 620 110 430 250 6610 Número Infestação Número Número Número Viabilidade Índice de pupas pupas/frutos Ceratitis Anastrepha Parasitóides Pupal Parasitismo 102 121 8 4 0 4 0 19 20 0 0 13 39 6 7 0 343 0.00 0.17 0. 1.00 0.00 48.

09 68.07 0.00 0.Aphis spiraecola (Patch.00 0.00 0.50 59. A seguir.17 0. Tópicos em Ciências Agrárias. viabilidade pupal e índice de parasitismo em acerola (Malpighia punicifolia L.88 51.42 0.26 0.00 37. 2009 137 .os inimigos naturais das pragas.00 0. Família e hábito alimentar. BA. com o aumento da demanda pelo mercado externo e visando principalmente ao aproveitamento de seu teor de vitamina C. bem como danos e sintomas causados entre junho de 1996 e dezembro de 1997.00 1. A Tabela 3 apresenta a relação de espécies com a Ordem.92 66. o número de espécies que provoca danos é relativamente baixo. v. 1.33 94. Objetivou-se identificar os principais insetos associados à acerola.00 0.Tabela 2.93 0. acerolae identificado por Clark (1998).45 0.44 0. O A.03 0.00 0. no Banco Ativo de Germoplasma de acerola .BAG.00 0.) por moscas-das-frutas dos gêneros Anastrepha e Ceratitis na Área 2 do Banco Germoplasma em Cruz das Almas-BA.00 0.00 0. área agrícola onde se explora uma cultura de expressão econômica.00 0.01 0.01 0. UFRB.00 0.00 0. BA O cultivo da acerola Malphigia punicifolia L.05 0.00 0.18 0. 1762) na região de Cruz das Almas. seu período de maior ocorrência.11 Número Ceratitis 98 107 45 5 0 0 34 3 13 17 0 0 24 136 12 0 0 494 Número Número Viabilidade Índice de Anastrepha Parasitóides Pupal Parasitismo 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 5 0 0 6 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 0 0 0 4 61. num grupo de 55 plantas em genótipos identificados como “promissores” de um universo de 275 plantas.00 55. surge um elevado número de insetos associados às plantas cultivadas.Pulgão .06 0. O experimento foi conduzido na sede da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical.05 0. As avaliações foram efetuadas no período de junho de 1996 a dezembro de 1997. e um número razoável de espécies benéficas. 1914) Hemiptera: Aphididae Os maiores picos populacionais ocorrem no período de agosto a outubro.46 0.00 0.00 0.00 50. são relatas as épocas de ocorrência dos principais insetos-praga para a cultura.00 0.. Total fruto Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto TOTAL 950 490 940 281 0 0 1180 580 770 460 0 0 1140 950 100 250 0 8091 Número pupas 160 208 69 13 0 0 68 8 22 25 0 0 77 245 18 0 0 913 Infestação pupas/frutos 0. BA.79 Insetos associados à cultura da acerola Malphigia punicifolia (L. espécie descrita pelo material coletado em Nova Soure. e a intensidade dos danos varia de região para região.00 0.2 1.00 0.07 0. podendo ser prejudiciais àquela cultura ou mesmo benéficos .67 38. Em todo agroecossistema.00 0. quinzenalmente. Na cultura da acerola.00 0. 2001. Infestação de frutos.00 0. ataca os botões florais da acerola. onde pode-se constatar um número reduzido de espécies consideradas pragas da cultura. ganhou grande expressão a partir da década de 80. Cruz das Almas.17 56.00 0.00 0.00 31. com base em estudos desenvolvidos na região do Recôncavo da Bahia: 1 . no Brasil.

Pulgão (Aphis spiraecola). Cruz das Almas. com pico populacional no período de agosto a fevereiro. Cigarrinha (Bolbonata tuberculata). 2009 . Relação de espécies de insetos associados à cultura da acerola. 1. 6 .Anthonomus acerolae (Clark. seis merecem destaque pela alta freqüência na região estudada: Bicudo do botão floral (Anthonomus acerolae).. Deve-se ampliar os estudos em A. Enchenopa sp. a espécie ocorre praticamente em todos os meses do ano.Bolbonata tuberculata . rufomarginata Ectatoma brunneum Edessa meditabunda Elasmus sp. Tabela 3.Crinocerus sanctus (Fabr. Crematogaster (E. com pico populacional entre dezembro e fevereiro (Sá.2 . 1997. provavelmente pela falta do alimento. Os resultados demonstram a grande diversidade de espécies associadas à cultura da acerola.(Coqueberg. Espécie Anthonomus acerolae Aphis spiraecola Azya imitator Bolbonata tuberculata Camponotus (M.) acuta Crinocerus sanctus Cycloneda sanguinea Cyphopsis clathratus Dorymyrmex sp.Orthezia praelonga (Douglas.) saevissima Trachideres thoracicus Fonte: Ampliado de Oliveira et al. 1988) Coleoptera: Curculionidae Os adultos ocorrem no período de setembro a abril. devido ao período de chuvas.Percevejo vermelho . Diptera: Tephritidae Havendo frutificação. Malpighia punicifolia. 1999). 1775) Hemiptera: Coreidae Durante todo o ano. 1824) e Anastrepha spp. 1891) Hemiptera: Ortheziidae Época de ocorrência: De outubro a março. Doryctobracon areolatus E. período mais seco do ano. acerolae e o C. 1998 Ordem Coleoptera Hemiptera Coleoptera Hemiptera Hymenoptera Diptera Coleoptera Hymenoptera Hemiptera Coleoptera Coleoptera Hymenoptera Hymenoptera Hemiptera Hymenoptera Hemiptera Hymenoptera Hemiptera Coleoptera Hemiptera Hemiptera Coleoptera Hymenoptera Coleoptera Família Curculionidae Aphididae Coccinelidae Membracidae Formicidae Tephtidae Coccinelidae Formicidae Coreidae Coccinelidae Curculionidae Formicidae Braconidae Pentatomidae Formicidae Pentatomidae Elasmidae Membracidae Coccinelidae Coreidae Ortheziidae Chrysomelidae Formicidae Cerambicidae Hábito Fitófago Fitófago Predador Fitófago Trofobionte Fitófago Predador Trofobionte Fitófago Predador Fitófago Trofobionte Parasitóide Fitófago Trofobionte Fitófago Parasitóide Fitófago Predador Fitófago Fitófago Fitófago Trofobionte Fitófago 138 Tópicos em Ciências Agrárias. As plantas apresentaram-se mais atacadas pelo A. 3 . Ortézia dos citros (Orthezia praelonga).. Exoplectra sp.. Percevejo vermelho (Crinocerus sanctus). BA. Dentre as 25 espécies identificadas. UFRB. sanctus uma vez que ambos têm como alvo de ataque o fruto. 5 . 1801) Hemiptera: Membracidae Durante os meses de março a setembro. chegando a 100% em janeiro de 1997 e 56.Cigarrinha . sanctus (inseto adulto). Machtima crucigere Orthezia praelonga Physocoryna scabra Solenopsis (S.) blandus Ceratites capitata Chilocorus sp. v. 4 .Moscas-das-frutas Ceratitis capitata (Wied.Bicudo do botão floral .6% em dezembro de 1996. Os insetos estudados apresentaram uma queda na população entre abril e junho. acerolae e em C.

Doryctobracon areolatus (Szèpligeti. Este procedimento foi adotado durante todo o período de vida das fêmeas.Longevidade e reprodução de Diachasmimorpha longicaudata (Ashm. e podem contribuir para o manejo integrado das moscas-das-frutas. têm sido estabelecidas numerosas barreiras fitossanitárias entre países e regiões. nipagin. v. os limites máximos de sobrevivência encontrados muito se aproximam daqueles citados por Diaz (1992): 57 dias para fêmeas não acasaladas e 48 dias para fêmeas com reprodução sexual. Período de oviposição Constatou-se que. diariamente. com volume aproximado de 2. A metodologia de criação de C. umidade (60 . em condições controladas de temperatura (25º C). houve uma concentração de picos de oviposição no terço inicial deste período (até o 20º dia). e receberam água em pequenos frascos cobertos com chumaços de algodão. ácido ascórbico. As outras 20 fêmeas permaneceram virgens para aferição da capacidade reprodutiva sem acasalamento. A maioria desses programas empregam parasitóides da família Braconidae e. exposta em bandagens de nylon. de acordo com a metodologia vigente no laboratório. conforme Carvalho et al. foram transferidas para pequenos recipientes contendo vermiculita. Diachasmimorpha longicaudata (Ashmead. cada uma. e organizadas continuamente campanhas multimilionárias de erradicação.5 dias de vida. buscando-se otimizar sua criação em laboratório. a companhia permanente de um macho. As larvas foram submetidas ao parasitismo em “unidades de exposição” confeccionadas a partir de um pequeno pedaço de tecido fino amarrado à maneira de um saco e dependurado na parte interior e superior da gaiola.1911) é a espécie mais abundante na maioria das regiões estudadas (Nascimento et al.. merecendo cuidados especiais durante o período de frutificação (Carvalho. fim e picos de oviposição destas fêmeas. 1988). e têm custo muito elevado para governos e organizações internacionais. com tela nas laterais e parte superior. embora a atividade de oviposição estivesse presente durante toda a fase adulta das fêmeas não acasaladas. O fato de fêmeas virgens terem sido mais longevas do que as acasaladas talvez possa ser explicado pela economia da energia que seria dispendida nos acasalamentos. Em ambos os casos.) (Hymenoptera: Braconidae) criado em larvas de Ceratitis capitata (Wiedemann. com predominância dos braconídeos. No caso das fêmeas acasaladas. agar e água. o fruto. Devido aos inúmeros prejuízos que causam. respectivamente. Dentre estes. 1. Após esse tempo. atingem o nível de dano econômico em densidades populacionais baixas. sendo classificados como pragas-chave das fruteiras e. tendo como principal ferramenta o uso de inimigos naturais. UFRB. 1984). A cada fêmea foram oferecidas. como tal. Os insetos foram criados em dieta artificial. Tópicos em Ciências Agrárias. possibilitando mensurar a longevidade dos parasitóides adultos fêmeas. Quarenta fêmeas recém emergidas foram individualizadas em gaiolas cilíndricas de plástico transparente. com uma média em torno de 32. Vinte dessas fêmeas receberam. 1824). cerca de 100 larvas de C. capitata foi adaptada de Diaz (1992). Os machos ocasionalmente mortos antes das fêmeas foram substituídos. longicaudata apresentaram longevidade máxima de 59 dias e mínima de 10 dias. cultural e comportamental (Técnica do Inseto Estéril . dentre estes. e média de 25. para puparem. o início. Programas de controle biológico bem sucedidos têm sido reportados na literatura. (1998). estes picos se mantiveram até mais ou menos a metade do seu ciclo de vida (também próximo ao 20º dia). Estudos da ocorrência e distribuição geográfica de parasitóides de moscas-das frutas no Brasil demonstram uma grande diversidade de espécies.TIE).80%) e 12 horas de fotofase. Moscas-das-frutas são insetos que causam dano direto ao produto final. BA. capitata em 3º estádio. o estudo teve como objetivo conhecer sua performance reprodutiva sobre larvas de Ceratitis capitata (Wiedemann. exibiram uma menor amplitude entre os limites de idade.8 dias.000 cm3. Os insetos foram alimentados com dieta artificial composta de mel de abelha. Visando a utilização desse parasitóide no manejo de moscas-das-frutas em programas de manejo integrado. para garantir a fecundação. As larvas ficaram assim expostas ao parasitismo pelo período de 24 h. Longevidade de fêmeas adultas As fêmeas não acasaladas de D. sendo 8 e 40 dias as longevidades mínima e máxima. com sede em Cruz das Almas. 1824) (Diptera: Tephritidae). Já as fêmeas acasaladas. especialmente em pomares orientados para o mercado externo. 1905) tem sido a espécie mais utilizada em nível mundial. o número diário e total de descendentes produzidos por fêmea acasalada e não acasalada e a razão sexual da descendência. Os trabalhos foram conduzidos no laboratório de Entomologia da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. 2009 139 . Os métodos de controle utilizados são principalmente químico.

dentre eles destacando-se os relacionados com afídeos..5 m) com tela antiafídica até a realização dos testes. foram inoculadas mecanicamente (ferimento com agulha) com látex de frutos de plantas infectadas por meleira. A meleira é atualmente o maior problema fitossanitário da cultura do mamoeiro.5x1. O experimento foi desenvolvido nos Laboratórios de Entomologia e Fitovirologia. v. cigarrinha (Empoasca bordia) e mosca-branca (Bemisia tabaci Biótipo B). 4.75 descendentes. evidencia-se a concentração da descendência (em torno de 90%) nos intervalos de idade que compõem a primeira metade da vida das fêmeas. pertencentes principalmente às famílias Fabaceae.52. A média diária ficou em 7. Kitajima (1999). Costa. embora os picos de oviposição concentrem-se nos primeiros 20 dias de idade. indica que o agente causal da meleira é o "Papaya sticky disease virus".Fêmeas não acasaladas exibem o fenômeno da partenogênese arrenótoca. Este trabalho teve com o objetivo identificar insetos-vetores do vírus da meleira do mamoeiro.15 descendentes/fêmea. Observou-se que todas as fêmeas acasaladas originaram prole. ainda que em número insignificante (3 e 4 descendentes). evidenciando a relação hospedeiro-vírus-vetor (Yuki et al. demonstrando uma participação equilibrada de ambos os sexos na descendência. 1998. PSDV e que o padrão de disseminação inicial sugere a existência de um vetor que traz o vírus de fora para dentro da plantação. A média diária foi de 5. sendo na sua maioria dicotiledôneas (Salgueiro. mantidas em gaiola de campo (2x1.Fêmeas adultas de D. em média.A. 3. Quatro mudas de mamão cv. colocados em um recipiente de vidro (15 cm de diâmetro x 10 cm de altura) com tampa de tela. um máximo de 312 e uma média para o ciclo de vida de 171. longicaudata quando não acasaladas vivem.A. Compositae.1989. com o objetivo de identificar insetos-vetores do PSDV.52.25% mais que as acasaladas. praticamente 1:1. 1. em média. 22. A mosca-branca atualmente se constitui em um grave problema fitossanitário. estas exibiram um mínimo de 3. Malvaceae.A progênie de fêmeas acasaladas exibe uma razão sexual média de 0. 52% dos seus descendentes foram fêmeas.) Os insetos foram coletados com o auxílio de um pincel (afídeos) e um aspirador bucal (cigarrinha e moscabranca). longicaudata 1. obedecendo as seguintes etapas: Período de aquisição (P. permanecendo por um período de 1 hora 140 Tópicos em Ciências Agrárias. longicaudata produziram apenas descendentes machos. UFRB. sendo responsável por perdas de 30 a 100% na produção dos pomares afetados no sul e nordeste da Bahia e norte do Espírito Santo. colonizando mais de 500 espécies vegetais. sendo colocados separadamente em gaiolas de campo. são apresentados os dados reprodutivos do parasitóide D. Solo. Solanaceae. 1993). localizada no município de Cruz das Almas-BA. Quanto às fêmeas acasaladas. Convolvulaceae e Cucurbitaceae. Euphorbiaceae. Em ambos os casos. durante o seu ciclo. 2. sendo relatada também nos estados de Pernambuco e Ceará (Rodrigues et al. com aproximadamente dois meses de idade. A progênie das fêmeas acasaladas mostraram uma razão sexual média da ordem de 0. 1998). sendo o mínimo de 0 e máximo de 371 parasitóides/fêmea. Transmissão do vírus da meleira do mamoeiro por insetos Inúmeros são os estudos de transmissão de viroses por insetos vetores. contendo três mudas sadias de mamão.O número médio de descendentes/fêmea é praticamente igual para fêmeas virgens e acasaladas: em torno de 170 parasitóides/fêmea. Barbosa et al. Esta suposta esterilidade pode estar relacionada à ausência de machos.16 parasitóides/fêmea.1998). 2009 . ou seja. atribuindo-se a estes a capacidade de estimular as fêmeas para a reprodução. O perfil de oviposição das fêmeas é dado importante para a criação massal da espécie e definição do período ótimo de atividade dos parasitóides. cigarrinhas e mosca-branca. A seguir. 5. um número médio de 173.72 descendentes/fêmea.. sendo separados em grupos de 10 e 20 indivíduos adultos e/ou ninfas e posteriormente.Quantificação da progênie As fêmeas não acasaladas produziram. em gaiolas de campo e telado na sede da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. Razão sexual da descendência: Fêmeas não acasaladas de D.O período de oviposição de fêmeas acasaladas e não acasaladas coincide com a duração de seus estágios adultos. As seguintes espécies foram utilizadas nos testes de transmissão: pulgão (Toxoptera citricidus e Myzus persicae).. enquanto dois espécimes da amostra de fêmeas virgens não produziram descendente algum.

A. A análise estatística foi realizada testando-se as proporções via aproximação normal pelo teste Z em nível de 5% de probabilidade.A. Período de acesso e inoculação (P. grupos de 10 e 20 espécimens de cada espécie foram transferidos para uma gaiola telada (50 x 25 x 25 cm) contendo uma planta de mamão sadia (planta-teste) com três meses de idade. Testes com Empoasca bordia Não foi detectado dsRNA do PSDV nas plantas infestadas pelos insetos submetido ao P. Das seis plantas infestadas por B. constatou-se a presença de dsRNA com migrações semelhantes ao de plantas naturalmente infectadas pela meleira (Figura 1A).. 2009 141 .A. e observação de sintomas da doença.I. (1999). com uma percentagem de transmissão de 83%.. A capacidade da mosca-branca em transmitir virose para o mamoeiro foi relatada por Sangeeta et al. Após o P.I. onde permaneceram por períodos de 48 h e 30 min. inclusive para mamão. c) A identificação de Bemisia tabaci Biótipo B como vetor do vírus da meleira do mamoeiro. 2. tabaci biótipo B. (1998) na Índia. demonstra alta eficiência do inseto como vetor (Tabela 4). Testes com Toxoptera citricidus e Myzus persicae A análise eletroforética não revelou a presença do dsRNA do PSDV nas plantas testadas. tabaci como vetor. todas as plantas infestadas por Bemisia tabaci biótipo B. No Brasil. Concluiu-se que: a) a cigarrinha Empoasca bordia. apresentaram dsRNA do vírus da meleira. Bemisia tabaci Biótipo B transmitiu o vírus da meleira do mamoeiro. coletou-se amostras de folhas novas de todas as plantas utilizadas nos testes. Após o transplante para as gaiolas de campo. Após o jejum. os pulgões Toxoptera citricidus e Myzus persicae.A. coletadas em mamoeiros infectados pela doença. por um período de nove meses quanto ao aparecimento dos sintomas da meleira.I. O índice de infeção observado aos três e nove meses após a infestação. submetidas ao P. que neste caso foi realizado em planta sadia. Aos três e nove meses após o P. confirma a hipótese do envolvimento de uma causa biótica na transmissão e disseminação da doença. colonizando e se alimentando em mamoeiros protegidos em telado. para alimentação. submetidas ao (P. quando demonstraram que Empoasca sp. Nove meses após a infestação. UFRB..A. (2005). Testes com Bemisia tabaci biótipo B Três meses após a infestação. foram utilizados como controle.sem alimentação (jejum). v. mediante inoculação com macerado de Bemisia tabaci GENN biótipo B. como também nas plantas controle. b) a mosca-branca.A. onde permaneceram por um período de nove meses ou até a frutificação. não transmitiram o vírus da meleira do mamoeiro. não foi capaz de transmitir o vírus da meleira do mamoeiro (PSDV). não foram capazes de transmitir o vírus da meleira.I.. as plantas foram mantidas em um telado por um período de trinta dias.A. Habibe et al. e Bemisia tabaci biótipo B.A. sendo transplantadas posteriormente para gaiolas de campo (duas plantas por gaiola). não sendo detectado em nenhuma das plantas controle (Figura 1B).A. Para cada tratamento. a ocorrência de mosca-branca em mamão foi relatada por Vieira & Correa (2001).).A.A. que encontraram Trialeurodes sp. Estes resultados corroboram com Vital et al. Tópicos em Ciências Agrárias. os insetos foram transferidos para uma gaiola de campo contendo planta com meleira. indicando o potencial de B. sendo submetidas a análises para detecção do dsRNA do PSDV. insetos provenientes das mesmas colônias. 1. submetidos aos mesmos procedimentos acima descritos. as plantas foram avaliadas mensalmente.A.) Após o P. as quais foram processadas e avaliadas de acordo com o protocolo de Morris & Dodds (1979) modificado por Habibe et al. cinco foram infectadas pelo vírus da meleira. exceto o P. Apesar dos afídeos serem o grupo de vetores mais importante e eficiente na transmissão de mais de 275 fitoviroses (Nault 1997). onde permaneceram por um período de 24 e 72 horas. onde Bemisia tabaci é responsável pela transmissão de um Geminivírus para mamão. (2001) transmitiram o PSDV para mamoeiros sadios.

2%.1994.lote de produtor de mamão. doenças e variações edafoclimáticas. 9:Látex de planta naturalmente infectada pela meleira. Os acessos foram introduzidos em duas áreas distintas. O objetivo do presente trabalho foi gerar informações sobre o comportamento varietal de mamoeiros ao PSDV. Solo e Formosa. O mamoeiro é altamente suscetível às doenças fúngicas e viróticas. contendo extrações de dsRNA de amostras de látex e folhas de mamoeiro. Nos últimos anos. Nº de plantas 1ª avaliação infestadas 90 dias Bemisia tabaci biótipo B 6 83%* Empoasca bordia 0% NS 6 Toxoptera citricidus 6 0% NS Myzus persicae 6 0% NS * = Significativo em nível de 5% de probabilidade pelo teste de Z. obtidos no Banco Ativo de Germoplasma (BAG-Mamão) da Embrapa Mandioca e Fruticultura. destacando-se nesse contexto a meleira do mamoeiro (Habibe et al. 2009 . neste trabalho. A disseminação do vírus ocorre de fora para dentro da plantação. 12: Marcador de DNA 1Kb. 7-8/10-11: controle negativo. 7 controle negativo. 1999). o elevado preço e a dificuldade de obtenção de sementes do híbrido F1 comercial do grupo Formosa. Além do problema inerente a esta estreita base genética. A disseminação dessa virose vem se dando de forma crescente. também constituem fatores limitantes à expansão da cultura (Oliveira. pelo inseto vetor. B) Nove meses após infestação Tabela 4 . o que implica em vulnerabilidade às pragas. Nas linhas de plantio. a totalidade de sua área está implantada basicamente sobre três cultivares pertencentes a dois grupos. 2002). 16 genótipos de mamoeiro..000 t/ano (FAO. a disseminação do vírus também ocorre durante as operações de eliminação das folhas quando não é feita a desinfecção das ferramentas utilizadas. Contribuindo com cerca de 25% da produção mundial. atingindo diversas áreas de cultivos comerciais no país. A) Três meses após infestação.1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 A B Figura 1. Percentagem de plantas infectadas pelo vírus da meleira. sob condições de trópico semi-árido. Cruz das Almas-BA. v. Avaliou-se. 142 Tópicos em Ciências Agrárias. Apesar dessa posição de destaque. o Brasil desponta como líder do “ranking” dos países produtores de mamão com uma produção de 1. B) 1-6: Amostras de plantas infestadas por Bemisia tabaci biótipo B. Ceará e Pólos Frutícolas de Juazeiro-BA e Petrolina-PE. quanto à sua suscetibilidade ao PSDV.. ambas localizadas em Petrolina-PE: área 1. A ocorrência da meleira vem ocasionando grandes prejuízos à produção da fruta. Espírito Santo. NS = não significativo ESPÉCIE 2ª avaliação 270 dias 100%* 0% NS 0% NS 0% NS A meleira do mamoeiro no trópico semi-árido O mamoeiro é uma das fruteiras mais cultivadas e consumidas nas regiões tropicais e subtropicais do mundo (Chen et al. a mosca-branca (Bemisia tabaci GENN biótipo B). A) 1: Marcador de DNA 1Kb . como os localizados no sul da Bahia.5000. Paraíba. 2003). 2-6: Amostras de plantas infestadas por Bemisia tabaci biótipo B. principalmente nos plantios irrigados. 8: Marcador de DNA 1Kb. tendo como agravante a essa situação a ação de um complexo de fungos atacando a cultura. 1. Rio Grande do Norte. 9: meleira. Gel de agarose a 1. 1991). após infestação por insetos (Cruz das Almas-Bahia. Dantas. UFRB. tem-se observado um elevado número de plantios atacados pelo PSDV na região do vale Sub-Médio São Francisco. 2001).

2009 143 . sob orientação do Dr. as duas áreas apresentaram o mesmo percentual de infecção pelo PSDV. ao final das avaliações. inicialmente foi mais rápida na área 1 (Produtor). havendo um maior número de plantas infectadas em um menor espaço de tempo (Figura 2). na área 2. biótipo B nos mamoeiros presentes na área. AGRADECIMENTOS O texto acima é uma compilação das Dissertações de Mestrado. observou-se um grande número de plantas infectadas pelo PSDV. Figura 2. mediante a transmissão experimental do PSDV para mamoeiro por mosca-branca B. além de ser observada alta colonização destas plantas por mosca-branca. lote de produtor de mamão. Os resultados obtidos poderão servir de subsídio aos programas de melhoramento genético do mamoeiro. Petrolina PE. A disseminação mais rápida do vírus na área 1. Na área 1. para obtenção da fonte de inóculo. v. verificou-se uma baixa ocorrência de mosca-branca. 2002. Antonio Souza do Nascimento. Entretanto. Sérgio Wally Pereira Bispo e Carlos Augusto Vidal. quanto a presença dos sintomas e dsRNA característicos da doença. (2000). fonte de informações para estabelecimento de estratégias de controle para a meleira. Nesta área.Estação Experimental da Embrapa Semi-Árido. pode ser explicada pela presença de grande número de mamoeiros infectados pelo PSDV. tabaci (GENN). biótipo b. nas áreas avaliadas. Walkyria Maria Sampaio Sá. sem a presença do vírus. assim como uma elevada colonização de mosca-branca Bemisia tabaci (GENN).apresentando alto índice de infecção pela meleira. Tópicos em Ciências Agrárias. Foram considerados de baixa suscetibilidade ao vírus o Tainung Nº 1 e os acessos CMF 018. área 2. foi observada a elevação no número de acessos infectados. Na medida em que houve um aumento populacional deste inseto na área 2. comparativamente à área 2 (Embrapa Semi-Àrido). CMF 054. A disseminação da infecção pelo PSDV. UFRB. assim como. As plantas foram monitoradas durante o período entre janeiro de 2001 a outubro de 2002. CMF 012 e CMF 008 mostraram-se altamente suscetíveis ao PSDV. área sem histórico da doença. Campo experimental da Embrapa Semi-Árido. Os acessos CMF 023. avaliados sob condições de trópico semi-árido em área de produtor área 1 e Campo experimental da Embrapa Semi-Arido área 2. Estes resultados corroboram com os obtidos por Vidal et al. observou-se que a velocidade de disseminação do vírus na área 1 foi superior à apresentada na área 2. Os autores dessa compilação agradecem aos Mestres: Noemi Elizabeth Castro Portilla. Avanço da infecção pelo PSDV em 16 acessos de mamoeiro. desenvolvidas no “Curso de Mestrado em Ciências Agrárias da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia”. que indicaram ser a mosca-branca vetor da meleira. Entretanto. 1. Além disso. inversamente ao que foi observado na área 2. lote do produtor. as bordaduras foram inoculadas mecanicamente com meleira.

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UFRB. v.CAPÍTULO 11 INTERAÇÃO ENTRE FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES E PATÓGENOS RADICULARES DE CITROS Antônio Alberto Rocha Oliveira. Cláudia Melo da Paixão & Robélia Tosta Dias Amorim Tópicos em Ciências Agrárias. 1. 2009 .

o gênero Pythium destaca-se como patógeno de grande importância. Agr. 1984). Este resultado sugere que FMAs podem colonizar e proteger plantas de tomate de “damping-off”. bem como portadoras de uma rizomassa desenvolvida. estiolamento de pré e pós-emergência. 1. Esse fungo é amplamente distribuído no mundo. 1991). Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO A produtividade de um pomar de citros depende em grande parte da qualidade da muda usada na sua implantação. Eyer & Sundaraju (1993). Calvet et al. aumentando. mais de 52 são atribuídas a fungos e bactérias. em solos fertilizados com 6 g de P/g de solo. Esses fungos formam associações mutualísticas com as raízes das plantas e ocorrem na maioria das espécies em condições naturais. em relação à inoculação micorrízica duas semanas depois do fitopatógeno. dentre outras. Escola de Agronomia/UFBA. Davis & Menge (1980) demonstraram que. (1993) citam que Glomus mosseae inoculado em cravo de defunto (Tagets erecta L. à formação de micélio externo à raiz que. observaram que os FMAs foram favoráveis ao crescimento das plantas reduzindo a percentagem de infecção por P.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. v. aphanidermatum. intraradices com Pythium ultimum não afetou a biomassa de Tagets patula e em plantas jovens não afetou a colonização das raízes por Glomus. dentre eles. permite melhor distribuição das raízes no solo. de crescimento rápido. quando a mesma ainda não está infectada por P. o grande número de doenças que incide sobre a cultura. havendo aumento de biomassa vegetal. Efeitos benéficos foram observados em plantas de tomate cultivar “Pusa Ruby”. o que caracteriza os principais solos brasileiros utilizados para a citricultura (Hoffmann et al. este efeito deve começar durante a fase inicial de desenvolvimento do vegetal e continuar durante todo ciclo da cultura (Silveira. 1994). a retirada de elementos minerais pouco móveis. Diversos fatores podem influenciar o desenvolvimento das mudas e. Cláudia Melo da Paixão2. a muda cítrica é considerada o insumo mais importante na formação de um pomar. no uso de porta-enxertos resistentes. Guillemin et al. vigorosas. 1992). atacando partes subterrâneas das plantas ou partes destas que se desenvolveram próximas ao solo. com isso. estudando gengibre.. 1996). em relação aos fitopatógenos.. O efeito protetor ocorre quando ambos os microrganismos estão simultaneamente presentes na rizosfera ou na raiz da planta. principalmente em solos com baixo nível de fósforo disponível na solução. 1992. O efeito de FMAs. das quais. em termos de redução de danos causados por Pythium aphanidermatum. Fontes. Dentre os fungos que afetam a cultura dos citros. Nos anos recentes. sendo que a pré-colonização da raiz pelo fungo micorrízico garante uma proteção mais eficiente. Cruz das Almas-BA Eng. Robélia Tosta Dias Amorim3 1 2 3 Pesquisador . quando inoculado com Glomus fasciculatum. Quando Glomus foi inoculado simultaneamente ou duas semanas antes do fitopatógeno. causando diferentes tipos de doenças. Estratégias de manejo consistem. como o fósforo. 2009 149 . depende de quais organismos se estabelecem primeiro no tecido das raízes (Siqueira.) protegeu a planta de Pythium ultimun. Em outro trabalho. sendo responsáveis pela maior absorção de água e nutrientes do solo pelas plantas (Zambolim & Siqueira. mas nem sempre é desejável devido ao alto custo. o total de Tópicos em Ciências Agrárias. as plantas cítricas foram identificadas como as mais dependentes dos FMAs e que também redundaram em melhores respostas. a incidência de “damping-off” foi reduzida e o peso da raiz aumentada. vem se multiplicando o número de pesquisas que fazem uso do método de controle biológico. 1985). Assim.INTERAÇÃO ENTRE FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES E PATÓGENOS RADICULARES DE CITROS Antonio Alberto Rocha Oliveira1. Assim. A aplicação de fungicidas sistêmicos pode provocar boa supressão da doença. Das frutíferas estudadas nos últimos anos. St-Arnaud (1994) observou que a inoculação de G. notadamente o uso de fungos micorrízicos arbusculares (FMA) para o controle de diversas fitomoléstias (Zambolim. A inoculação conjunta dos dois microrganismos fez reduzir o número de propágulos do patógeno e aumentou rapidamente o mecanismo de resistência à doença. podridão de raízes e podridão mole de órgãos suculentos. 1991. tais como: podridão de sementes. O efeito benéfico é devido. constituindo uma superfície adicional. Cruz das Almas-BA Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. probabilidade de desenvolvimento de resistência e potencial de risco ao ambiente (Rossetti. 1994). aphanidermatum (Hedge & Rai. UFRB. uso de práticas culturais que minimizem a exposição da suscetibilidade do tecido do enxerto ao fungo e na fumigação do solo antes do plantio. principalmente. sendo de interesse dos viveiristas e técnicos a obtenção de mudas sadias.

Assim. assim. no período abril a setembro de 1999. sendo. todos os vasos não inoculados com G. para que fosse garantida a presença de espécies nativas de fungos micorrízicos bem como a microbiota natural do substrato e de solo autoclavado. a um menor custo de produção por reduzir gastos com defensivos agrícolas e fertilizantes. localizada no município de Cruz das Almas. a 1200C. 150 Tópicos em Ciências Agrárias. pois pode resultar em mudas mais precoces. distribuiu-se um pouco do inóculo. Os tratamentos constaram de solo natural. sob condições de casa de vegetação. No ato do transplantio das mudas para os vasos. Duas semanas pósgerminação. Entretanto. com maior desenvolvimento. bem como obter informações complementares sobre a viabilidade da utilização de porta-enxerto tangerina 'Cleópatra' como alternativa ao limão 'Cravo'. Esse filtrado foi obtido a partir de 20 g do substrato dos "vasos de cultivo" usado na multiplicação dos FMAs em 1 litro de água deionizada e peneiramento úmido em peneira de 400 "mesh" (0. procedente da coleção de FMAs do Laboratório de Nematologia e Microbiologia do Solo da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. contribuindo desta forma para a biodiversidade e sustentabilidade agrícola. Em cada abertura foi colocada uma semente para obtenção dos porta-enxertos. durante dois minutos. em vasos contendo uma mistura de solo de baixa fertilidade: areia grossa lavada: turfa (1:1:1 v:v:v) autoclavada. Do preparado de P. uniformizando. Amostras de mudas de limão 'Cravo' com sintomas semelhantes àqueles causados por “damping off” foram coletadas e trazidas para o laboratório de Fitopatologia. um contato íntimo. transplantadas para os vasos que já continham o substrato. na cultura dos citros. De forma semelhante à descrita na inoculação com FMAs. UFRB. Gigaspora margarita. em substrato natural e autoclavado. numa proporção de 1:1:1 (v:v:v). A partir das lesões nas mudas selecionadas. A espécie de fungo micorrízico arbuscular utilizada. Colocou-se. cultivada no pomar da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. Sementes de limão 'Cravo' (Citrus limonia Osbeck CV) e tangerina 'Cleópatra' (Citrus reshni Hort. Dessa forma. 1. a densidade de 3. então.peso seco de citros micorrizados com Glomus fasciculatum foi maior que na condição não inoculada.4x105 esporângios mL-1 e. em condições controlada de casa de vegetação. a concentração da suspensão a ser utilizada foi ajustada para 104 esporângios mL-1. coletado na área experimental da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. A semeadura foi realizada em casa de vegetação. margarita receberam 10 mL de um filtrado do inóculo isento de propágulos de FMAs. A esterilização foi feita em autoclave durante uma hora à pressão de uma atmosfera. margarita a população de outros microrganismos existentes no inóculo utilizado no experimento com este fungo usado. 2009 . aphanidermatum foi retirado uma amostra de 1 mL para contagem em hemacitômetro de Rosenthal estimando-se. Esse estudo sugere que plantas cítricas micorrizadas são eficientes no controle de Phytophthora em condições de baixa fertilidade. obtiveram-se diferentes isolamentos. então. mais tolerantes à fitopatógenos e ao estresse do transplantio e do ambiente. com um solo arenoso coletado no campo da Central de Tratamentos de Efluentes (CETREL) e uma parte de areia grossa lavada coletada em rio. aumentando-se gradativamente a velocidade até o máximo. Estado da Bahia. Como substrato foi utilizado uma mistura de latossolo amarelo distrófico. permitindo-se. Fez-se um orifício central no substrato. buscou-se com o presente trabalho avaliar o efeito de FMAs nativos e/ou Gigaspora margarita e de Pythium aphanidermatum no desenvolvimento e nutrição de mudas cítricas. triturou-se o conteúdo das placas (cultura pura com fungos com 18 dias de idade) acrescido de 200 mL de água deionizada. o emprego de plantas cítricas micorrizadas oferece grandes possibilidades de exploração. a literatura nacional e internacional sobre interação entre estes fungos simbióticos e aqueles patogênicos é muito escassa em resultados de pesquisa. sementeiras de isopor que foram preenchidas com areia previamente autoclavada. utilizando-se sorgo (Sorgum vulgare) como planta multiplicadora. a microbiota entre os tratamentos. foi realizada a inoculação com o FMA.) foram retiradas de frutos maduros originados de uma única planta apropriada para matriz. foi multiplicada. a muda. No preparo do inóculo. simulando plantio de mudas em cova e no fundo deste orifício. Ensaio O experimento foi conduzido na Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical.037 mm de abertura) com a finalidade de reter propágulos de FMAs e deixar passar os outros microrganismos presentes na microbiota desse substrato. v. durante cinco meses. dois a três pares definitivos. ex Tan. ao mesmo tempo em que se distribuiu o restante do inóculo ao redor e sobre as raízes da mesma. desta forma. assim. Visando fornecer aos tratamentos não inoculados com G. em liquidificador. numa pressão de 1 atmosfera por 1 hora a 120 ºC. O inóculo foi constituído por 20 g da mistura de solo que foi pesada de forma a fornecer aproximadamente 900 esporos por vaso. a partir desta. empregando-se como recipientes. procedeu-se à inoculação com o filtrado usado nos tratamentos sem FMAs. micélio e raízes infectadas. as plântulas foram selecionadas de acordo com a altura e o número de folhas.

A inoculação de P. aphanidermatum foi realizada juntamente com a de G. margarita, simultaneamente ao transplantio das mudas, através da aplicação de 50 ml de uma suspensão contendo hifas, zoósporos e esporângios distribuídos uniformemente sobre as raízes na superfície do substrato ao redor das plantas. Para as testemunhas, sem fitopatógenos, triturou-se meio de cultura sem fungos, e obedecendo procedimento idêntico ao do tratamento com inoculação do fungo, inoculou-se o preparado no mesmo volume da suspensão. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos inteiramente casualizados em esquema fatorial 2x2x2x2 com quatro repetições, perfazendo um total de 64 vasos. Cada unidade experimental foi constituída por um vaso plástico contendo uma muda. O experimento foi conduzido durante, aproximadamente, cinco meses, sendo avaliados: altura das plantas, diâmetro do caule, número de folhas, área foliar, peso da matéria seca da parte aérea e das raízes, comprimento de raiz, densidade de esporos e colonização micorrízica. Para determinação da colonização micorrízica, usaram-se apenas as radicelas, que foram lavadas em água destilada e cortadas em segmentos de aproximadamente 1cm. O descoramento e a coloração das raízes foram realizados a partir da metodologia de Phillips & Hayman (1970) que foi modificada empregando-se KOH 10 % em banho-maria a 90 0C durante 40 minutos, água alcalina durante 15 minutos, HCl 3 % em 5 minutos, 12 horas em azul-de-trípano a 0,05 %. A percentagem de segmentos colonizados foi determinada pela visualização sob microscópio estereoscópio de 50 segmentos radiculares de aproximadamente 1 cm de comprimento dispostos em lâminas de vidro contendo glicerina e cobertas com lamínulas, com base em metodologia proposta por Giovannetti & Mosse (1980). O comprimento total das raízes foi determinado pelo método da intersecção linear em placa quadriculada, de acordo com Newman (1966). Para esta determinação, foram utilizadas radicelas e raízes mais grossas também cortadas em aproximadamente 1cm de comprimento. Os esporos foram extraídos em 50 g de substrato úmido através de peneiramento e centrifugação em solução de sacarose 50 % por 5 e 1 minuto, respectivamente (Gerdemann & Nicolson, 1963; Pacioni, 1992). Em seguida foram colocadas em placas de Petri quadriculadas e através de lupa estimou-se a densidade total de esporos (Giovannetti & Mosse, 1980). Sub-amostras pesando 50 g de substrato úmido foram colocadas em estufa a 60 0C, durante 2 dias, para obtenção de peso da matéria seca e, por regra de três, obteve-se o número de esporos por grama de substrato seco. Todos os dados foram submetidos à análise de variância e teste de Tukey a 5%, para comparação das médias conforme o delineamento experimental utilizado, através do programa estatístico SAEG (Ribeiro Junior, 2001). Densidade de esporos de FMAs e colonização micorrízica Ocorreram diferenças significativas em relação a todos os tratamentos isoladamente. Na Figura 1, são apresentados os dados sobre densidade de esporos micorrízicos na rizosfera e taxa de colonização micorrízica dos porta-enxertos, aos 150 dias pós-semeadura. A pequena quantidade de esporos observada no tratamento testemunha, substrato autoclavado e não inoculado, pode ser predominantemente refugo da esterilização, estando inviável, já que a colonização micorrízica foi praticamente ausente neste tratamento. Nos tratamentos com G. margarita, observou-se tendência de maior esporulação em substrato natural, o que, possivelmente, deve ser devido à presença de fungos nativos já adaptados ao substrato mais a introdução de G. margarita, que, também, apresentou boa adaptação. Além disso, como os esporos de Gigaspora são grandes, a quantidade produzida é menor em comparação com a de outras espécies, justificando-se a menor densidade de esporos dos tratamentos autoclavados. Nas plantas sem Pythium, a densidade de esporos foi maior para o limão 'Cravo', entretanto, na presença deste patógeno, verificou-se menores valores em praticamente todos os tratamentos. Pelos dados de colonização apresentados por G. margarita em substrato autoclavado, para os dois portaenxertos, acima de 98 e 48%, na ausência e presença de patógenos, respectivamente, evidencia-se que os propágulos deste fungo eram viáveis e estavam em quantidades suficientes para garantir a colonização das radicelas e resposta da planta. Os fungos nativos apresentaram colonização acima de 45 e 40% na ausência e presença do patógeno, respectivamente, evidenciando, também, estabelecimento no substrato e boa capacidade de colonização das raízes dos porta-enxertos cítricos. G. margarita promoveu maior colonização micorrízica em substrato autoclavado ou em substrato natural, comparada aos fungos nativos isoladamente. Entretanto, os maiores valores de colonização foram observados em substrato autoclavado, podendo-se inferir que os FMAs nativos reduziram os efeitos proporcionados por G. margarita, visto que, na ausência destes fungos, a resposta à inoculação foi significativamente maior para as
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duas variedades. Segundo Brundrett & Juniper (1995), fatores como emissão múltipla de tubos germinativos e o grande tamanho dos esporos favorecem a viabilidade e capacidade de colonização das espécies de Gigaspora.

S0 M0

S0 M1

S1 M0

S1 M1

Limão 'Cravo'
12

Tangerina 'Cleópatra'
12
Esporos g de substrato

Esporos g de substrato

10 8 6 4 2 0

aA aA aA aA bA
Sem patógeno

10 8 6 4 2 0

aA aA aA aA bA
Sem patógeno

aA

aA aA

-1

bA
P. aphanidermatum

-1

aA

bA
P. aphanidermatum

Limão 'Cravo'
% de segmentos colonizados % de segmentos colonizados 120 100 80 60 40 20 0

Tangerina 'Cleópatra'
120 100 80 60 40 20 0

aA bA cA aB aB aB

aA

bA bA

aB aA aA

dA
Sem patógeno

bA
P. aphanidermatum

cA
Sem patógeno

bA
P. aphanidermatum

Figura 1. Efeito da inoculação com Pythium aphanidermatum sobre a densidade de esporos micorrízicos na rizosfera e taxa de colonização micorrízica dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra' inoculados ou não com Gigaspora margarita, em substrato natural ou autoclavado. Substrato: S0=natural, S1=autoclavado. FMAs: M0=não inoculado, M1= Gigaspora margarita. Barras seguidas pelas mesmas letras maiúsculas comparam os tratamentos patogênicos com ou sem inoculação de FMAs e minúsculas comparam os tratamentos micorrízicos na presença ou ausência do patógeno (Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Cruz das Almas - BA, 1999).

Foi verificada influência da variedade na colonização por FMAs, sendo estes valores maiores no limão 'Cravo'. Smith & Gianinazzi-Pearson (1988) observaram que diferentes espécies e isolados de uma mesma espécie de FMAs podem exibir benefícios diferenciados às plantas hospedeiras em função das condições edafoclimáticas e aspectos da relação fungo-planta. Observou-se que P. aphanidermatum reduziu a colonização micorrízica dos FMAs nativos e do introduzido e, que na presença deste patógeno, não houve efeito significativo de G. margarita em relação aos fungos nativos, o que foi observado na sua ausência. Provavelmente, ocorre competição entre os diferentes fungos por espaço e fotossintatos das plantas, reduzindo a colonização. Pereira (1994), estudando a colonização de cafeeiro por G. margarita e Rhizoctonia, comentou que os danos causados pelo patógeno no sistema vascular e vasos condutores de seiva, com desestruturação dos tecidos, limitando, consequentemente, o crescimento do fungo micorrízico, também pode ocasionar menor colonização. A redução da colonização micorrízica ocorreu nas duas variedades, mas com diferença significativa apenas no limão 'Cravo'. Desta forma, trabalhando-se com FMAs, se for constatada a presença de Pythium no substrato, seria mais adequado trabalhar com a tangerina 'Cleópatra' do que com o limão 'Cravo' que sofre mais danos quando infectado por este patógeno.

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Características de crescimento das plantas Os valores médios de altura, número de folhas, diâmetro do caule e área foliar do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', em função dos tratamentos fúngicos e das épocas de avaliações, encontram-se na Tabela 1. Verifica-se que, mesmo na ausência do patógeno, os valores de todas as características em substrato autoclavado sem FMAs foram muito baixos. De maneira geral, independentemente do tratamento dado ao substrato, os valores de todas as características analisadas foram significativamente superiores em plantas micorrizadas. Observa-se que os FMAs nativos promoveram aumentos de 48,57 e 31,95% na altura do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', respectivamente, sendo que, em relação à área foliar, estes valores foram superiores 608,33% para o limão 'Cravo' e 190,77% para a tangerina 'Cleópatra'. Já a inoculação de G. margarita promoveu aumento acima de 140% na altura dos dois portaenxertos estudados e de 1004,17 e 318,46% na área foliar de limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', respectivamente, comprovando que as plantas cítricas são bastantes micotróficas e que a presença de FMAs no substrato contribui significativamente para o desenvolvimento dessas plantas. Este resultado vem sendo mencionado em diversos trabalhos com associações micorrízicas em citros (Kleinschmidt & Gerdemann, 1972; Cardoso et al. 1986; Camargo, 1989; Weber et al., 1990; Fonseca et al., 1994).

Tabela 1. Influência da inoculação com Pythium aphanidermatum e/ou Gigaspora margarita sobre o crescimento vegetativo dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', em substrato natural ou autoclavado (Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Cruz das Almas - BA, 1999).

Tratamentos Variedades Gm * Solo** A NI NA ‘Cravo' A I NA

Altura das plantas (cm) NI 6,65 aB 9,88 aA I 6,05 aB 7,23 bA

Número de folhas

Diâmetro do caule (cm)
*

Área foliar 2 (cm ) NI 6,00 aB I 4,00 aB

Pythium aphanidermatum NI I NI 6,00 aB 9,50 aA 4,00 bB 7,50 bA 0,21 aB 0,30 aA

I

0,18 bB 0,23 bA

42,50 aA 39,00 aA

17,23 aA 12,83 aB

10,90 bA 10,08 bB

13,25 aA 12,25 aA

10,67 bA 0,36 aA 9,40 bB

0,30 bA

66,25 aA 47,00 bA 53,50 aA 50,67 aA

0,33 aB 0,28 bA

A NI ‘Cleópatra’ I NA

8,45 aB 11,15 aA

6,13 bB 9,65 bA

8,50 aB

7,00 bB

0,24 aB 0,31 aA

0,20 bB 0,30 aA

16,25 aB 11,50 aB 47,25 aA 45,25 aA

14,00 aA 11,75 bA

A NA

20,50 aA 16,38 aB

12,20 bA 11,33 bB

18,75 aA 13,75 bB 15,50 aB 15,25 aA 7,21

0,39 aA

0,29 bA

68,00 aA 50,00 aA 62,00 aA 48,25 aA 31,93

0,36 aB 0,30 bA 5,53

CV (%)

4,76

Médias seguidas pela mesma letra maiúscula nas colunas e minúscula nas linhas não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. *Gm = Gigaspora margarita. NI - Não inoculado; I - Inoculado. **A - Autoclavado; NA - Natural.

Observou-se que os benefícios promovidos por G. margarita foram maiores em substrato autoclavado do que no natural. Como o aumento proporcionado por G. margarita em substrato natural foi superior ao obtido com os fungos nativos, infere-se que, também nesta condição, houve bom estabelecimento de G. margarita, que apresentou poder competitivo diante dos endófitos nativos. Manjunath et al. (1983) e Oliveira & Jesus (1987) também observaram que a inoculação micorrízica de citros pode ser benéfica, mesmo em alguns solos não esterilizados. Os maiores valores de altura e diâmetro do caule do limão 'Cravo' (17,23 cm e 3,6 mm, respectivamente) observados no tratamento autoclavado e inoculado com G. margarita, na ausência de Pythium, foram maiores do que
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aqueles verificados por Fontanezzi (1989), trabalhando com este mesmo porta-enxerto na presença de Glomus clarum em solo esterilizado e adubado com 1280g de P2O5 m-3, 17,20 cm e 3,33 mm, respectivamente, aos 135 dias póssemeadura. Em relação à tangerina 'Cleópatra', verificou-se que a maior altura e diâmetro do caule, respectivamente, 20,50 cm e 3,90 mm, no tratamento inoculado em substrato autoclavado sem patógeno, também foram superiores aos obtidos por este autor, 11,82 cm de altura e 2,61 mm de diâmetro do caule, nas condições citadas anteriormente, só que com adubação de 640 g de P2O5 m-3. Como o substrato deste experimento não recebeu adubação fosfatada e tinha um teor de P em torno de 8 mg dm-3, considera-se que os resultados aqui encontrados foram satisfatórios. Pode-se inferir que a inoculação com G. margarita conferiu desenvolvimento à planta, reduzindo a exigência externa de adubação e que o fungo introduzido teve boa adaptação às condições do experimento. O efeito negativo do patógeno sobre o crescimento vegetativo foi observado nos dois porta-enxertos, constatando-se diferenças significativas em quase todos os parâmetros avaliados. A percentagem de perdas das duas variedades, quando estava presente apenas Pythium, em relação à testemunha sem fungo micorrízico arbuscular e sem patógeno, foi de 9,02% na altura do limão 'Cravo', sendo mais expressiva em tangerina 'Cleópatra', 27,46%. Em relação ao número de folhas, observa-se que o limão 'Cravo' sofreu mais a ação do patógeno, apresentando perda de 33,33%, em comparação com 17,65% da tangerina 'Cleópatra'. Houve perda de 14,29 e 16,67 % em relação ao diâmetro e, em torno de 33,33 e 29,23%, na área foliar de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente. Na presença de Pythium, a altura média das mudas colonizadas por fungos nativos foi superior às das não micorrizadas, sendo este efeito maior quando se inoculou G. margarita. Em substrato autoclavado, também observouse que plantas inoculadas com G. margarita apresentaram maior desenvolvimento. Assim, a micorrização não controlou o patógeno, mas reduziu sua severidade amenizando os efeitos nocivos, visto que, mesmo na presença de Pythium, as plantas micorrizadas apresentaram maior desenvolvimento do que as não micorrizadas, porém menor do que na ausência do mesmo. O aumento médio da altura do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', na presença de P. aphanidermatum e de fungos nativos, em relação àquelas não micorrizadas, mas com presença de patógeno foram, respectivamente, 19,50 e 57,42%. Quando, além de P. aphanidermatum inoculou-se G. margarita, em substrato natural, houve aumento de 66,61 e 84,83%. Já em substrato autoclavado, a inoculação simultânea de G. margarita e P. aphanidermatum proporcionou incremento de 80,17 e 99,02%, em relação ao tratamento sem FMAs. Quanto à área foliar, comparando-se ao tratamento em que apenas P. aphanidermatum estava presente, observou-se acréscimo de 875 e 293,48% em limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra' respectivamente, quando Pythium foi inoculado em substrato natural; de 1167 e 319,57% quando ao substrato natural foi inoculado G. margarita e de 1075 e 339,57% quando G. margarita foi inoculada em substrato autoclavado. Dessa forma, é possível observar que os porta-enxertos inoculados com P. aphanidermatum, apresentaram desenvolvimento reduzido, mas quando os FMAs estavam presentes, a expressão total dos efeitos do patógeno foi menor, ocorrendo tendência de proteção pelas micorrizas que promoveram maior desenvolvimento em todas as características. Considerar estas respostas é muito importante na produção de mudas, visto que, a redução do número de folhas e da área foliar, pode influenciar negativamente a capacidade fotossinteticamente ativa das plantas. Com exceção do diâmetro do caule em substrato autoclavado e inoculado com G. margarita e Pythium, e da área foliar em substrato natural também, na presença destes dois fungos, os valores da tangerina 'Cleópatra' foram maiores do que os do limão 'Cravo', mesmo em solo sem FMAs. Provavelmente esse efeito ocorreu porque a tangerina 'Cleópatra' apresenta maior taxa de crescimento, ou por esta variedade ter apresentado maior adaptação às condições do experimento. Entretanto, em termos de benefício da micorrização, nota-se tendência do limão 'Cravo' obter maiores rendimentos percentuais na presença e mais perdas na ausência deste simbionte, assim, aparentemente, os FMAs foram mais eficiente para esse porta-enxerto. Peso da matéria seca e comprimento radicular As médias referentes à produção de matéria seca da planta e comprimento de raiz do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', aos 150 dias pós-semeadura, encontram-se na Tabela 2. A fumigação do substrato influenciou os resultados. Na ausência de FMAs nativos e do patógeno ocorreu redução em torno de 60 e 44 % no peso da matéria seca da parte aérea de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente; 36,67 e 20,34% no peso da matéria seca das raízes e de 33,95 e 22,62% no comprimento radicular. Maiores danos foram observados quando inoculou-se o patógeno em substrato sem micorriza, sendo em torno de 100 e 165% no peso da matéria seca da parte aérea de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente; 160 e 83% no peso da matéria seca das raízes e de 248 e 118% no comprimento radicular. Observou-se que, com a
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eliminação dos fungos nativos e ausência de G. margarita, são reduzidos os organismos antagônicos ao patógeno presentes no substrato, havendo menor produção de matéria seca e comprimento radicular. Nos tratamentos sem patógeno e sem FMAs nativos, o fungo G. margarita promoveu aumentos de 217,19 e 329 % no peso da matéria seca total de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente; 500 e 476,19 % no peso da parte aérea; 150 e 108,51 % no peso seco da raiz e 103,93 e 35,36 % no comprimento das raízes. Na presença do patógeno, verificou-se aumentos de 173,33 e 112,50%, no peso da matéria seca da planta para o limão 'Cravo' e a tangerina 'Cleópatra', respectivamente, cultivados em substrato natural sem G. margarita; de 236,67 e 157,50% quando estavam presentes P. aphanidermatum e G. margarita em substrato natural e de 303,33 e 297,50% quando se inocularam esses fungos em substrato autoclavado. Quando não se realizou esterilização ou quando G. margarita foi introduzido ao substrato, o efeito do patógeno foi reduzido e a muda apresentou melhor desenvolvimento. Diante desses resultados, pode-se inferir que embora o patógeno tenha afetado negativamente o desenvolvimento das plantas nota-se que os FMAs compensaram os efeitos deletérios do patógeno, resultando em maior desenvolvimento das plantas. Este efeito pode ser devido ao aumento da área de absorção radicular pelo micélio externo do fungo micorrízico. Baath & Hayman (1983), trabalhando com tomateiros inoculados com Verticillium albo atrum, observaram reduzida colonização micorrízica nas raízes e que os danos causados pelo patógeno diminui a eficiência fotossintética, reduzindo, assim, o transporte de fotoassimilados para as raízes, ocasionando menor crescimento das plantas inoculadas com FMAs. As reduções na parte aérea de plantas infectadas por P. aphanidermatum podem ser consequências das alterações no sistema radicular, que apresentaram menor capacidade exploratória, diminuindo a absorção e a translocação de nutrientes. Tabela 2. Influência da inoculação com Pythium aphanidermatum e/ou Gigaspora margarita sobre o peso da matéria seca e comprimento radicular dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', em substrato natural ou autoclavado (Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Cruz das Almas - BA, 1999).

Tratamentos Variedades Gm* Solo** NI A NI ‘Cravo’ I NA A NI NA A I NA CV (%) 2,03 aB 1,03 bB 1,68 aB 1,01 bA 0,79 aB 1,34 aA 3,39 aA 0,40 bB 0,85 bA 1,59 bA NA A 0,64 aB 1,05 aA 2,03 aA Total I 0,30 bB 0,82 aA 1,21 bA

Peso da matéria seca (g) Parte aérea NI
0,18 aB 0,45 aA 1,08 aA 0,82 aB 0,42 aB 0,75 aA 2,42 aA 1,15 aB

Raiz

Comprimento radicular (cm) NI 212,28 aA I 82,29 aB

Pythium aphanidermatum I NI I 0,15 aA 0,30 bA 0,40 bA 0,40 bA 0,17 bB 0,45 bA 0,85 bA 0,47 bB 0,38 aA 0,60 aA 0,95 aA 0,86 aA 0,47 aA 0,59 aA 0,98 aA 0,88 aA 0,15 aA 0,39 aA 0,74 aA 0,56 bA 0,29 aA 0,53 aA 0,81 aA 0,61 bA

321,41 aA 286,22 aA 432,91 aA 352,61 aA 411,05 aA 323,79 aA 254,24 aA 132,50 aB 328,56 aA 288,41 aA 435,90 aA 378,98 aA 386,00 aA 328,96 aA 31,93

‘Cleópatra’

18,33

15,97

34,75

Médias seguidas pela mesma letra maiúscula nas colunas e minúscula nas linhas não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. *Gm = Gigaspora margarita. NI - Não inoculado; I - Inoculado. **A - Autoclavado; NA - Natural.

Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

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v. PERA. Vários autores já observaram que diferentes porta-enxertos variam na sua dependência micorrízica (Kleinschmidt & Gerdemann.. UFRB. Growth response of marigold (Tagetes erecta L. S. Portanto. v. reduzindo o uso de adubos e pesticidas químicos. Interactions with Verticillium wilt on tomato plants.1.27. M. Estes dados contradizem os resultados obtidos por Fontanezzi (1989).3.. CONCLUSÕES 1.16. 1972. mesmo em condições de pós-emergência. Para Tinker (1978).Segundo Pereira (1994). Non-destructive assessment of spore germination of VAM fungi and production of pot cultures from single spores. enquanto que em tangerina 'Cleópatra'. Inhibition of Pythium ultimum in roots and growth substrate of mycorrhiza Tagetes patula colonized with Glomus intraradices. Oxford. J. S. o que poderá resultar em plantas com sistema radicular mais desenvolvido. Os fungos micorrízicos arbusculares (FMAs) nativos e Gigaspora margarita promoveram benefícios acentuados para o desenvolvimento dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra'. 1-6. HAYMAN. 95. 2. D. 156 Tópicos em Ciências Agrárias. Oxford. demonstrando ser adequada para diversificação de porta-enxerto como alternativa ao limão 'Cravo'. n. nos quais a tangerina 'Cleópatra' mostrou-se mais dependente da micorriza do que o limão 'Cravo' e estão de acordo com aqueles encontrados por Nemec (1978). REFERÊNCIAS ST-ARNAUD M. Plant and Soil. Canadian Journal of Plant Pathology. outros fatores que determinam a infectividade e efetividade dos fungos micorrízicos podem estar envolvidos. A micorrização não impediu. Soil Biology and Biochemistry. CALVET. (1978). Plant growth responses to vesicular-arbuscular mycorrhiza XVI. BAATH. aphanidermatum. Limão 'Cravo' foi o porta-enxerto mais suscetível ao patógeno.85-91.. HAMEL C. Trichoderma aureoviride and Pythium ultimum in a peat-perlite mixture. 1995. A tangerina 'Cleópatra' apresentou maior resposta em quase todas as características analisadas. J. podendo-se dizer que o sistema radicular do limão 'Cravo' foi mais afetado por P. mas reduziu a ação de P.. que observou maior dependência do limão 'Cravo'. respectivamente.30 e 47.. n. p. (1988). v. 1. o efeito das micorrizas sobre diferentes espécies de citros pode variar com as condições de fertilidade do substrato. E. JUNIPER. v. porém os aumentos percentuais decorrentes da micorrização foram maiores no limão 'Cravo'.. C. Observou-se que o patógeno influenciou as variedades. aphanidermatum do que o da tangerina 'Cleópatra'. BAREA. e. em presença do patógeno. como também observado por Garcia (1988) e Garcia & Carvalho et al. Segundo Menge et al. 1983.. 1994. verifica-se também nesta condição tendência das mudas em apresentarem redução no crescimento da parte aérea e raízes.88%. Entretanto. o substrato empregado na semeadura do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra' deverá conter FMAs ou deve-se proceder à inoculação das mudas com estes fungos. no peso da matéria seca e comprimento de raízes. New Phytologist. Os dois porta-enxertos de citros foram dependentes das micorrizas para crescimento. p. v. n.24 %. Menge et al. Limão 'Cravo' sofreu perda de 60. maior tolerância ao estresse de transplantio e a patógenos.53 e 61. FORTIN J. 1. maior eficiência na absorção de água e nutrientes. 3. CARON M.A.187-194. o menor crescimento das plantas não micorrizadas pode dificultar a detecção do efeito do patógeno. respectivamente. 419-426. Ottawa. 1978). seja nas formas de radicelas ou micorrizas.) to inoculation with Glomus mosseae. compensando parcialmente os efeitos deletérios deste fungo. p.. p. 2009 . reduziu o desenvolvimento das mudas cítricas. 4. BRUNDRETT. 148. M. com isso. estas perdas foram de 38. na presença ou ausência do patógeno e do simbionte. 1993. A presença do fungo fitopatogênico Pythium aphanidermatum.

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Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio.CAPÍTULO 12 IMPACTO DE HERBICIDAS EM PROCESSOS MICROBIOLÓGICOS DO SOLO E QUALIDADE FISIOLÓGICA DE SEMENTES EM LATOSSOLO AMARELO COESO DO RECÔNCAVO BAIANO Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto. Clóvis Pereira Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio Tópicos em Ciências Agrárias .

O milho. que o Brasil utiliza grandes quantidades de herbicidas na agricultura.. 2004). a utilização de agrotóxicos no Brasil tem sido a base técnica através da qual o setor agrícola normalmente vem enfrentando a questão. Nesse sentido.8%). teores de C orgânico. respectivamente. Quanto ao consumo de herbicidas por unidade de área cultivada. Esses parâmetros fazem parte dos estudos de ciclagem de nutrientes. Esses produtos são aplicados basicamente de duas maneiras: diretamente sobre o solo em pré-emergência ou em pósemergência das plantas daninhas.9% e 22. uma maioria de pesquisadores considera que algumas medidas práticas para avaliar o “status biológico” do solo sejam o monitoramento da população e atividade microbiana do solo. porcentagem de emergência. O segundo produto de maior consumo de agrotóxicos.8 mil toneladas. Além disso.2% do total consumido com pesticidas. fungicidas.Centro de Ciências Agrárias. químicos e biológicos.5%).8 kg p. Essa intensificação no uso de herbicidas entre os agricultores deve-se entre outros fatores. ao aumento da área cultivada com culturas de grande expressão econômica e à ação rápida. o consumo de herbicidas foi cerca de 174 mil toneladas de produtos formulados (comerciais) em 2000. Nas regiões Sul. quando associados aos valores de pH. herbicidas. Tópicos em Ciências Agrárias. Centro-Oeste e Sudeste representam.9%. representando mais de 81 mil toneladas quando expresso em ingrediente ativo (i. v. O consumo de agrotóxicos no país tais como. Os diferentes tratos culturais afetam a produtividade e a qualidade de sementes (que pode ser avaliada através do índice de velocidade de emergência. processos que ocorrem no solo como as associações entre bactérias do gênero Rhizobium e plantas leguminosas. N total. cana-de-açúcar (12. Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio1 1 Professor . influencia a produtividade e a qualidade fisiológica de sementes (Osman et al. em 2000 e em termos de ingredientes ativos no mesmo ano. destacando-se a soja (39.7% do total nacional) está na raiz de vários problemas de contaminação de águas constatados até hoje. a avaliação da fixação biológica do nitrogênio através do número e massa seca de nódulos. bem como. massa dos frutos. É na soja que se concentra a maior parte dos gastos dos agricultores brasileiros com agrotóxicos: nada menos que 35% do total. na fertilidade do solo. bem como a comparação entre a eficiência do rizóbio introduzido em relação aqueles nativos. onde se misturam atividades agrícolas intensivas e tradicionais. Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio1. despertou nas últimas décadas a preocupação com a qualidade do solo e a sustentabilidade da exploração agrícola. Verifica-se desta forma. por exemplo.). a média geral no Brasil foi de 3. parâmetros relacionados com a produção de sementes. UFRB.7%) (Spadotto. entre outros. conseqüentemente. O consumo desses produtos difere nas várias regiões do país. A intensidade da fixação biológica do nitrogênio. Atualmente. não é tipicamente sulista. 2002). inseticidas.). eficiência e efeitos prolongados dos herbicidas. milho (23. Cruz das Almas-BA. Da mesma forma. 38. Na região Nordeste este valor é de 6. a cana-de-açúcar. 29. tem sido crescente. doenças e plantas daninhas um dos principais fatores limitantes ao seu desempenho. alcançando hoje vendas anuais que superam US$ 2. 1983).br INTRODUÇÃO A rápida degradação do solo sob exploração agrícola no mundo. No Brasil. são aspectos importantes quando se considera esta questão.9%) e arroz irrigado (3. Ao longo das últimas décadas. que também é reflexo do manejo.c. tem cerca de um terço de sua área total no Sul do País. terceiro produto na lista dos que mais consomem agrotóxicos. mas a concentração de seus 330 mil ha cultivados nas usinas do Norte do Paraná (apenas 6. 81. permitem uma avaliação sistemática do manejo adotado e a obtenção de índices de aferição da sustentabilidade. o grande desafio da ciência do solo é demonstrar a relação entre os níveis de atividade biológica do solo e o funcionamento sustentável do ecossistema. especialmente nos países tropicais em desenvolvimento. 1. A produção agrícola tem na ocorrência de pragas.5 bilhões (Assis. a. peso volumétrico. Clóvis Pereira Peixoto1.IMPACTO DE HERBICIDAS EM PROCESSOS MICROBIOLÓGICOS DO SOLO E QUALIDADE FISIOLÓGICA DE SEMENTES EM LATOSSOLO AMARELO COESO DO RECÔNCAVO BAIANO Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto1. E-mail: fpeixoto@ufrb. tendo como enfoque a sua contribuição na decomposição e mineralização da matéria orgânica e. Ambientais e Biológicas/UFRB.edu. A avaliação da qualidade do solo é feita através de indicadores que podem ser atributos físicos./ha. umidade e argila do solo. esses dados.3%. peso de 1000 sementes etc. 2009 161 .

no entanto.. O amendoim é uma planta dicotiledônea. predominando os plantios de cana-de-açúcar. apresentando-se duros. Caracteriza-se por apresentar uma agricultura bastante diversificada. há de se considerar que existe uma variação com relação à resistência à decomposição dos herbicidas em função de fatores do solo. com significado de tenaz. porque podem ser perigosos tanto para a vida humana e animal. No caso do alachlor. feijão. indicado para a cultura do amendoim. 2004). 2002). tem havido. uma maior preocupação em se conhecer o comportamento e destino dos pesticidas nos diversos ecossistemas. no prazo máximo de 3 dias após a última gradagem. em uma ou duas capinas. amendoim etc. A maior parte dos solos da região é do grupo Latossolo e Podzólico. 1979). O plantio é normalmente realizado com enxadas em covas espaçadas irregularmente (30 cm) e coincide com o período mais chuvoso do ano (março. vem basicamente do Rio Grande do Sul. 1998). tais como o alachlor. 2009 . maio e junho). bem como o seu efeito em processos microbiológicos do solo e na qualidade fisiológica de sementes. da família Leguminosae. 162 Tópicos em Ciências Agrárias.. aplicando-se logo depois da semeadura com o terreno em boas condições de umidade e em cobertura total. nos últimos anos. de baixa fertilidade. mas sua multiplicação e recuperação é rápida e os relatos onde indicam toxidez ocorrem quando as dosagens empregadas são consideravelmente superiores às recomendadas (ABEAS. O Latossolo Amarelo coeso é um solo representativo desta região. 1984). 1997. sendo absorvido pelo coleóptilo das gramíneas e epicótilo das dicotiledôneas (Rodrigues & Almeida. esses horizontes situam-se a profundidade variáveis.. milho. v. desde o Estado do Amapá até o Rio de Janeiro. inoculação com bactérias do gênero Rhizobium.. no Estado de São Paulo (Rezende. O controle de ervas daninhas é também feito com a enxada. 1995. Esta região está inserida na zona dos Tabuleiros Costeiros que são formações terciárias que se distribuem por quase toda a faixa costeira do Brasil.503 km2 apenas na região Nordeste. Mais recentemente. deve-se aplicar em pré-emergência das ervas. muito duros ou até extremamente duros quando secos e friáveis quando úmidos. plantio mecânico em linhas.. Vanderheyden et al. abril. implica na necessidade de se determinar o efeito das mesmas no sistema produtivo. em decorrência da erosão. O RECÔNCAVO BAIANO O Recôncavo Baiano possui uma área de 17340 km2 e uma população de 500 mil habitantes. Vários trabalhos têm demonstrado que aplicações de herbicidas em doses recomendadas não alteram de forma considerável o número total de microrganismos do solo. Em solos cultivados. da característica fisiológica do microrganismo (tipo de enzima) e da dose e época de aplicação. ocupando uma área de 98. UFRB. inhame. Dos 160 mil hectares cultivados com batatinha no Brasil.1997. Herbicida e atributos microbiológicos do solo Embora os pesticidas sejam de grande benefício para o homem. aparecem geralmente. fumo. entretanto. temporariamente. devem ser cuidadosamente usados e monitorados. ajudando no aumento da produção de alimentos e controlando as pragas das plantas e animais. Em função desse uso intensivo de produtos químicos na agricultura moderna e a formação de grandes quantidades de resíduos. A terra deve estar bem preparada e livre de torrões e restos de cultura. Stolp & Shea. sofre a concorrência competitiva das ervas daninhas que prejudicam a sua produção (Sader et al.Outro produto que aparece com destaque na lista de uso de agrotóxicos. a região Sul entrou com quase a metade. os herbicidas do grupo das cloroacetanilidas.1983) De maneira geral. A mudança de tecnologia prevendo a utilização de herbicidas. A pluviosidade varia de 1000 a 2000 mm e temperatura média anual em torno de 24 0 C. pouco se sabe sobre o que ocorre com os herbicidas no solo após sua aplicação. os quais têm importância destacada no equilíbrio social da região (Rezende et al. o arroz irrigado. como também para o ambiente. normalmente coincidindo com os horizontes AB e ou BA. tem sido acrescentados ao arsenal dos herbicidas disponíveis para o uso em cultivo de amendoim (Bridges et al. podendo alguns desses serem afetados. da estrutura química do composto. Na década de 60 com o desenvolvimento dos herbicidas dinitroanilinas surgiu a trifluralina. A ação dos microrganismos do solo sobre os herbicidas constitui-se num mecanismo de maior importância quando se depara com a questão ambiental. adensamento de plantas dentro das linhas. O uso de controle químico para as ervas daninhas na cultura do amendoim iniciou-se a partir de 1950 com herbicidas seletivos tais como o dinoseb. O termo coeso. produto também com alto uso de agrotóxicos. Diversos trabalhos têm relatado sua degradação e persistência (Monteiro. Nos Latossolos Amarelos e Argissolos Amarelos sob floresta primária. irrigação e épocas de plantio em diferentes estações do ano. estendendo-se até o vale do rio Paraíba do Sul. batata doce. tem sido usado para destacar a capacidade natural (adensamento) de horizontes subsuperficiais associada a diferentes graus de coesão. 1. sendo que a espécie Arachis hypogaea L. após os primeiros 10 a 20 centímetros. citros e os cultivos de subsistência como mandioca.

1995.0 aA 2.. Fatores do solo que aumentam a atividade microbiana incluem: umidade em torno de 70-100% da capacidade de campo.1990. a partir do momento em que um pesticida atinge o solo. Tabela 1.0 cA 9.. UFRB. boa aeração. 1976). no município de Cruz das Almas. População de bactérias e fungos (no.0 bA 5. 1. 2009 163 . Barriuso & Koskinen. um herbicida deverá exercer um efeito muito pronunciado na microflora. Em trabalho realizado no Campo Experimental da então Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia.0 bB 5. Tópicos em Ciências Agrárias. é mais provável que esse efeito ocorra em doses elevadas. 1986 e Lichtenstein. potencial para formação de resíduos (Queiroz. Kloskowsky et al.0 dB 1. uma fase de adaptação desta população. herbicida inoculado (HI) e herbicida sem inoculação (HSI) para o genótipo Vagem Lisa. 1998) . Porém. entretanto. capina sem inoculação (CSI). Outro parâmetro que deve ser monitorado é a população dos principais grupos de microrganismos do solo que participam da biodegradação dessas moléculas no ambiente (bactérias. algumas moléculas de herbicidas. v. Se a população adaptar-se metabolicamente para degradar a molécula do pesticida ou parte dela. esta fase não tem sido observada.0 cA 2.0 cB 8. GENÓTIPOS Tatuí Vagem Lisa Bactéria Fungo 7.0 dA Tatuí Fungo 2. 1997. 1996) e biodisponibilidade para as plantas (Khan & Behki. não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. g solo-1) x 104. O desprendimento de CO2 e absorção de O2 no solo flutuam grandemente num determinado período de tempo. poderá utilizá-la como fonte de energia e nutrientes.5 e substrato energético (Lewis et al. no período de setembro de 2001 a janeiro de 2002.. Atividade microbiana do solo (mg C-C02/100 g solo) nos tratamentos: capina inoculado (CI). ele pode vir a favorecer determinadas populações microbianas e inibir outras. Wais et al. 1980). Mas. pH em torno de 6. em caso de solos tratados com prévias aplicações de pesticidas. porém menos freqüentemente que em altas.0 aB TRATAMENTOS Capina inoculado Capina s/ inoculação Herbicida inoculado Herbicida s/ inoculação Vagem Lisa Bactéria 6. No entanto. sabe-se que.0 aB Médias seguidas pela mesma letra minúscula na vertical e maiúscula na horizontal.5 dA 4.0 dB 3. avaliou-se o efeito do herbicida alachlor na população de bactérias e fungos do solo (Tabela 1) e atividade microbiana do solo (Figuras 1 e 2). Segundo Grossbard & Davis (1976).5 cB 3. fungos e actinomicetos) e que também atuam na ciclagem de nutrientes no ecossistema. utilizando-se sementes inoculadas e não inoculadas de dois genótipos de amendoim (Vagem Lisa e Tatuí).0 aB 1. dentro de cada genótipo.0 bB 4. podem inibir a atividade microbiana.0 bA 4. diversos cientistas obtiveram resultados do efeito dos herbicidas no desprendimento de CO2 e absorção de O2 em doses normais de aplicação (Grossbard. nos diferentes tratamentos. desta forma. mesmo em baixas concentrações. temperatura entre 25-35oC.Yassir et al.1977). Segundo alguns estudos.. CI CSI HI HSI 45 mg C-C02/100 g solo 40 35 30 25 20 15 10 5 0 0 14 28 42 56 70 84 Tempo (dias) Figura 1. Existe.

2002). entre outros (Moreira & Siqueira. Estimase que a família Leguminosae possua entre 16. UFRB. além de colonizar abundantemente a rizosfera.2% restantes estão na ecosfera. que reflete a maior capacidade do rizóbio introduzido em degradar a molécula de alachlor. Inúmeros trabalhos nacionais e internacionais demonstram que não é possível fazer generalizações.Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN) é representado pela seguinte equação: Nitrogenase N2 + 8H + 16 ATP + 8 e ____________ + - 2 NH3 + H2 + 16 ADP + 16Pi (CNTP) Algumas espécies de diazotróficos podem.1979).04%. neste último caso porém. Os 6. Ressalta-se que tanto os fatores bióticos quanto abióticos podem atuar sobre a bactéria e/ou sobre o hospedeiro afetando a simbiose. raramente (Moreira & Siqueira. herbicida inoculado (HI) e herbicida sem inoculação (HSI) para o genótipo Tatuí. Nesta. Apenas uma parcela relativamente pequena das espécies de procariotos possuem a enzima nitrogenase que é capaz de reduzir o N2 para a forma inorgânica combinada NH3. O número e massa seca de nódulos são parâmetros indiretos que podem avaliar esses efeitos no processo de fixação biológica do nitrogênio.700 espécies e entre 640 a 680 gêneros.8%) está na crosta terrestre. capina sem inoculação (CSI). Subdivide-se em três subfamílias: Caesalpinioideae. que pode então se tornar disponível para as plantas e outros organismos. que está relacionada não só à ampla distribuição geográfica e utilização dos hospedeiros. Esses organismos são chamados de fixadores de N2 ou diazotróficos e o processo que mediam . quando se utilizou a combinação herbicida e inoculação nos genótipos Vagem Lisa e Tatuí. As respostas variam em função do tipo de solo. Atividade microbiana do solo (mg C-C02/100 g solo) nos tratamentos: capina inoculado (CI). Houve uma maior atividade microbiana do solo em todo período. químicos e biológicos afetam o processo de fixação biológica. v. das propriedades físico-químicas do herbicida e da própria sensibilidade da estirpe de rizóbio utilizada. ou seja. 164 Tópicos em Ciências Agrárias.96% do nitrogênio está na forma de N2 na atmosfera e os restantes 0. Dentre as simbioses de fixadores de N2 com plantas. como também à maior eficiência do processo decorrente de uma parceria vegetal e microbiana mais evoluída. 2002). as simbioses de rizóbio com leguminosas certamente se destacam por sua importância econômica. O efeito pode ser prejudicial. Dentre esses fatores destaca-se os herbicidas. invadir o córtex e colonizar tecidos internos em diversas espécies vegetais. não exercer nenhum efeito ou até mesmo ter efeito benéfico sobre o rizóbio e suas simbioses. Mimosoideae e Papilionoideae. 99. Diversos fatores físicos. 1. Existe uma relação direta entre o aumento da população de bactérias no tratamento herbicida com inoculação (para os dois genótipos) e a atividade microbiana do solo. 2009 . ocorrer endofiticamente. Herbicida e fixação biológica do nitrogênio A maior parte do nitrogênio do planeta terra (93. assim como a capacidade de formar simbiose com rizóbio.500 a 19. nas formas combinadas orgânicas ou inorgânicas existentes nos ecossistemas aquáticos e terrestres (Roswall.CI CSI HI HSI 40 mg C-C02/100 g solo 35 30 25 20 15 10 5 0 0 14 28 42 56 70 84 Tempo (dias) Figura 2. que diferem bastante com relação ao hábito de crescimento de suas espécies.

em experimento conduzido na Fazenda Capivari no Município de Muritiba . Concluíram que de maneira geral esses herbicidas estimulam a nodulação inicial das plantas de amendoim (Figura 3). v. mais especificamente no município de Cruz das Almas-BA.97 kg ha-1). pendimethalin e trifluralina) nas doses indicadas pelo fabricante para a cultura do amendoim. (2002a) avaliaram o efeito de diferentes herbicidas (alachlor. Peixoto et al.No caso de plantas leguminosas.66 kg ha-1) no rendimento de grãos. O uso do contrôle químico pode causar problemas na nodulação conforme salientam Krust & Struckmeyer (1971) e Olambre (1969).Bahia. pendimethalin (0. trifluralin (0. principalmente quando causas adversas possam compro-meter a germinação de sementes e posterior desenvolvimento das plantas. 2002a).37 kg ha-1). aos 42 e 56 dias após o plantio nos ratamentos capina e herbicida. concluiram que o herbicida alachlor não afetou o número de nódulos aos 42 e 56 dias após o plantio (Tabela 2). Número de nódulos (g planta-1). pois este processo representa economia nos custos de produção. em estudo realizado para avaliar a influência da aplicação de herbicidas fluorodifen (0.9 kg ha-1).75 aA 182.00 aA 246.g planta-1) e número de nódulos (NN no planta-1) de plantas de amendoim aos trinta dias após a emergência.75 aA 272.6b MSN NN Figura 3.50 aA 194.75 aA Herbicida 273.00 aA Herbicida 151. dentro de cada período. Já Rezende et al.75 kg ha-1). Utilizaram como substrato o solo Latossolo Amarelo coeso do município de Cruz das Almas-BA. fluordifen + pendimethalin (0.2a 7. Esses mesmos autores. representativo dos Tabuleiros Costeiros da região do Recôncavo. já existem pesquisas desenvolvidas quanto ao efeito de herbicidas sobre o processo de fixação biológica do nitrogênio em plantas de amendoim. com o mesmo tipo de solo e quatro genótipos de amendoim. Trifluralina Pendimethalin Alachlor Testemunha 25a 25 20 15 10 5 0 11.00 bA Médias seguidas da mesma letra minúscula na horizontal e maiúscula na vertical. nodulação e qualidade fisiológica de sementes de soja concluíram que a nodulação não foi influenciada pelos herbicidas testados.50 aA 209. 2009 165 . que empregaram doses elevadas de trifluralina e chloramben na cultura da soja. UFRB. em condições de casa de vegetação.7b 22a 24a 16b 11.91 kg ha-1). não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade Herbicida e qualidade fisiológica das sementes A determinação da qualidade fisiológica de sementes através de testes de germinação e principalmente de vigor é de fundamental importância na agricultura moderna.75 aA 182.75 aA 130.00 aA 265. Tópicos em Ciências Agrárias. o estudo da influência de herbicidas no processo de fixação biológica do nitrogênio é de extrema importância. Massa seca dos nódulos (MSN . submetidas a diferentes tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al.8a 8.45 + 0.00 aA 56 dias Capina 230. chloramben + alachlor (0.50 aA 199.. 1.50 aA 257.25 aA 323. Genótipos BR1 BR151 L7 Vagem Lisa Película Havana 42 dias Capina 242. Na região do Recôncavo Baiano.50 aA 182. tanto em casa de vegetação quanto em campo.95 + 0. chloramben (1. Tabela 2. (1985).

2bc 3. submetidas a diversos tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al. como também. especificamente. pendimethalin e trifluralina na nodulação e crescimento inicial de plantas de amendoim. uma redução sensível das atividades respiratórias e biossintéticas. 1995 ). normalidade das plântulas. Peixoto et al. os herbicidas. 5 e 6. 2002a). utilizando-se como substrato o Latossolo Amarelo coeso.).5a 6. como. respectivamente). observa-se a degeneração das membranas lipo-proteicas.. com perda significativa da permeabilidade.2b 7. químicas. comprimento da raiz (CR) e índice de velocidade de emergência (IVE) de amendoim aos trinta dias após a emergência. 1985). 2002a). no sentido de minimizar os efeitos de agentes externos na velocidade e porcentagem de emergência.8a 8. UFRB.9a 7. o uso de sementes vigorosas é de fundamental importância. a germinação de sementes pode ser afetada por produtos químicos inorgânicos e orgânicos (Bewley & Black. Trifluralina Pendimethalin Alachlor Testemunha 70 60 Porcentagem (%) 62a 55b 55a 47b 30d 32c 34a 15c 21b 8d 11d 30c 50 40 30 20 10 0 PE PA SM Figura 4. em condições de casa de vegetação. 166 Tópicos em Ciências Agrárias.8a 7. temperatura.1ab 4. (2002a) avaliaram o efeito dos herbicidas alachlor. de plântulas anormais (PA) e de sementes mortas (SM) de amendoim em diferentes tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al.2b AP CR IVE Figura 5. 2009 . tornando a germinação mais lenta e a semente mais vulnerável às variações do meio (térmicas.2a 10. Altura da planta (AP). luz. Assim sendo. Entretanto. estrutura do solo e microorganismos. hídricas. Porcentagem de emergência (PE). Trifluralina Altura e comprimento (cm) e IVE 16 14 12 10 8 6 4 2 0 Pendimethalin Alachlor Testemunha 15. representativo do Recôncavo Baiano. 1. Constatou-se que os herbicidas testados. v.1c 7. Os fatores ambientais que permanentemente influenciam a germinação são a água.O processo de deterioração implica em uma série de mudanças fisio-bioquímicas que podem levar a uma ação mais efetiva de agentes externos. microbianas etc.8b 10. altura das plantas e massa seca da parte aérea (Figuras 4.5a 6.. reduzem a porcentagem de emergência. oxigênio. À medida que as sementes perdem qualidade fisiológica. crescimento das plantas e produtividade final (Copeland & McDonald.

Um exemplo desta afirmação pode ser constatado em outro trabalho realizado por Peixoto et al.5. com as propriedades físico-químicas das moléculas e o tipo de solo em questão. Massa da matéria seca acumulada na parte aérea (MSPA) e raiz (MSR) de plantas de amendoim aos trinta dias após a emergência. principalmente. os efeitos na porcentagem de emergência foram resultado da baixa adsorção das moléculas pelo solo em questão..96a Alachlor Testemunha Massa da matéria seca (g planta -1) 3. 1. das suas propriedades físicoquímicas e também do ambiente. Índice de velocidade de emergência de sementes de soja submetidas a diferentes doses de trifluralina (FONTE: Peixoto et al. só afetou a porcentagem de emergência quando se utilizou as doses de 2.23c 0.16a 0.76b 1.. No entanto. Os efeitos dos herbicidas sobre a qualidade fisiológica de sementes variam.03b 2.0 L ha-1) na qualidade fisiológica de plantas de soja em condições de casa de vegetação.0 L ha-1 (Figura 8). também utilizando como substrato o Latossolo Amarelo coeso. submetidas a vários tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al. provavelmente.Trifluralina Pendimethalin 2.4677x2 . 2.00 0. para as condições estudadas.00 2. UFRB.46c MSPA MSR Figura 6.00 1. sendo o solo utilizado de textura média e baixa CTC.0 e 4. Desta forma. Segundo esses autores. v.755 R2 = 0.00 1.2.0 e 4.8375 Observado Estimado Polinômio (Observado) 3 4 Figura 7.207x + 27.36bc 1. representativo do Recôncavo Baiano.13a 1. 2009 167 . permitindo maior concentração na solução do solo e favorecendo assim a absorção. Verificou-se que o aumento da dose promoveu decréscimo no índice de velocidade de emergência (Figura 7). não permitindo portanto generalizações. 2002b) Tópicos em Ciências Agrárias. (2002b). 2002a). dentre outros fatores. Índice de velocidade de emergência 30 25 20 15 10 5 0 0 1 2 Doses y = -0. o comportamento da molécula depende. Avaliou-se o efeito de diferentes doses de trifluralina (zero. 1.

ecology. 2009 . 409p.. M. GROSSBARD.395 R2 = 0. KHAN.9521 2 Observado Estimado Polinômio (Observado) Doses Figura 8. v. Journal of Agricultural and Food Chemistry. p. n. J. p. 19.584-591. 140-162. Defensivos alternativos: ferramenta para uma agricultura ecológica não poluente. Weed Science. p. ASSIS.. produtora de alimentos sadios. J. E. 1971. MITTELSTAEDT.. p. submetidas a diferentes doses de trifluralina. 1995. 2004. Effect on the soil microflora.2090-2093. p. McDONALD. KLOSKOWSKI . Porcentagem de emergência de sementes de soja. R. BEWLEY. 2004. 2. W. Incorporating nonextractable atrazine residues into soil size fractions as a function of time. New York: Plenum Press. N.crea-rj. p. C.9894x + 84. Seed Science and Thecnology. 168 Tópicos em Ciências Agrárias. McGUIRE. In. 1996. Specifc microbial responses to hebicides on the soil microflora. W.Porcentagem de emergência (%) 100 80 60 40 20 0 0 1 2 3 4 y = -2. 2002b) REFERÊNCIAS ABEAS (Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior). A.. GROSSBARD . E.R. E. v.org. v.16.60. M. Weed Research . (FONTE: Peixoto et al.. L. U.99-147. L. D. 1984. 1983. BEHKI. E. Comportamento dos Herbicidas no Solo. v. p-163-9. B21. C.6. n. p. 1986. New York: Chapman & Hall. KRUST. Acesso em: 23 ago. A. UFRB. C. 1995. J. Weed Science. 487-505.. Seeds: Physiology of Development and Germination. B. London: Academic Press. F. S. v. AUDUS.. D. J. M. B. biochemistry.38. 150-157. ed.R. v. Soil Science Society of America Journal. BARRIUSO. H.7506x + 3. 2v. 1990..32. Effects of trifluralin on growth nodulation and anatomy of soybeans. BRIDGES. DAVIS.. MARTIN. 1. In: Defensivos Agrícola Módulo 2-Herbicidas. Effects of Pseudomonas species on the release of bound 14C residues from soil treated with [14] atrazine. STRUCKMEYER. . Disponível em: <http://www. Plant availability of bound anilazine residues in a degraded loess soil. 1976.147-152. Efficiency of chemical and mechanical methods for controlling weeds in peanuts (Arachis hipogea). 445p. 1976. COPELAND.br/crea/divulgaçao/publicaçoes/cartilhas/da/. BLACK.. A. FÜHR. O. KOSKINEN. Journal of Environmental Science and Healt v. C. Herbicides physiology.

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CAPÍTULO 13 EVOLUÇÃO. ADUBAÇÃO E DIAGNOSE NUTRICIONAL DE PASTAGENS NO RECÔNCAVO DA BAHIA Anacleto Ranulfo dos Santos. Raul Lomanto Neto. Adailde do Carmo Santos & Leandro Gonçalves dos Santos Tópicos em Ciências Agrárias .

No início a cultura da cana-de-açúcar era próspera e gerava grandes lucros aos exportadores. especialmente a mandioca. Cruz das Almas-BA. no decorrer dos anos. Dessa forma. foi implantada a cultura do fumo que despontava como segunda alternativa de cultivo econômico e ao lado destas lavouras desenvolveram-se culturas de subsistência. feijão. Mais recentemente foi dividido nas regiões econômicas: Litoral Norte e Recôncavo Sul. sendo que sua produção jamais se igualou à da cana-de-açúcar por causa das contingências do mercado internacional (Rezende. à exceção dos municípios próximos a Castro Alves. v. Amargosa-BA Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. principalmente nos Tabuleiros Costeiros. Leandro Gonçalves dos Santos4 1 2 3 4 Professor . com ênfase aos municípios de Cruz das Almas até Santo Antônio de Jesus.EVOLUÇÃO. que também foi um dos produtos de exportação nos meados do século XVI. Outra cultura de destaque no ciclo de desenvolvimento do Recôncavo foi o algodão. Adailde do Carmo Santos3. com significativa redução na área plantada e na produtividade dos pomares. gerando instabilidade econômica e desconfiança dos produtores pela continuidade dessa atividade. 1. Além disso. como os demais ciclos de cultivos. fumo. cujo modelo de ocupação da terra é resultado da política do Brasil Colonial. cultivada em sub-bosque sendo determinante para a ocupação de Amargosa e dos municípios vizinhos do vale do Jiquiriçá. tais como milho. Reconhecido como berço da agricultura brasileira. No século XVIII a cultura do café foi introduzida a partir de Maragogipe. Porém. o dendê e as culturas de subsistência. como base fornecedora de produtos alimentícios para a capital do Estado. os Tabuleiros Costeiros são formações Terciárias que ocupam grandes extensões de áreas na Bahia e no Nordeste Brasileiro. liberdade de produção e facilidade de transporte. para as partes mais altas do Recôncavo Sul. como base importante da alimentação dos povos da região. onde não havia proibição para criação de gado. a citricultura entrou em declínio nas últimas décadas. ADUBAÇÃO E DIAGNOSE NUTRICIONAL DE PASTAGENS NO RECÔNCAVO DA BAHIA Anacleto Ranulfo dos Santos1.edu. inhame e a presença significativa de áreas de pastagens. Cruz das Almas-BA. surgiu um novo modelo agrícola que foi a citricultura. Com o declínio da cultura do fumo. Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO O Grande Recôncavo Baiano com 78 municípios se caracteriza pela predominância de pequenas glebas e mãode-obra familiar como base de sua produção agropecuária. Nos terrenos impróprios à cana-de-açúcar. café. citricultura. A expansão da pecuária é posterior aos ciclos de exploração iniciais.EVOLUÇÃO AGRÍCOLA A economia do Recôncavo.br Eng. E-mail: adacsantos@zipmail.Centro de Ciências Agrárias. a vegetação original de quase toda a região foi. pela alta densidade demográfica dessa região. com predomínio do gênero Brachiaria. proteção e estímulos governamentais.º Agrônomo/UFBA. exploração de madeira. fez-se necessário o desenvolvimento de uma agricultura mais intensiva com exploração de diversas culturas de subsistências. que esteve fundamentalmente vinculada à lavoura açucareira desde o período colonial. e os subseqüentes ciclos de cultivos de algodão. RECÔNCAVO SUL . UFRB. Ambientais e Biológicas/UFRB. pois contava com preços compensadores.com. cacauicultura. café. cedendo espaço para a cana. 2004). Essa região foi destacadamente o grande pólo de desenvolvimento da agricultura baiana desde o período Colonial até décadas recentes. sofreu grandes oscilações em seus quatro séculos de existência. E-mail: anacleto@ufrb. fumo e da citricultura. No Recôncavo as maiores extensões são os solos dos grupos Tópicos em Ciências Agrárias.br Pesquisador da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA). sendo paulatinamente substituída pelas atividades econômicas. Raul Lomanto Neto2. mandioca. Solos do Recôncavo De acordo com Ribeiro (1998). 2009 173 . o Recôncavo foi a primeira região de exploração agrícola para exportação que foi a cana-deaçúcar.

LATOSSOLO E ARGISSOLO. Os LATOSSOLOS AMARELOS predominam em todo Recôncavo e se caracterizam pela baixa fertilidade natural quanto à disponibilidade de nutrientes e com limitações físicas para o desenvolvimento natural das plantas, principalmente pela presença de uma camada coesa no seu perfil, logo abaixo do horizonte A podendo chegar a 1,0 metro de espessura, condição que reduz a permeabilidade para o ar e água, dificultando o fluxo de nutrientes e impedindo o aprofundamento das raízes. Naturalmente são distróficos ou álicos, com acidez acentuada e baixa capacidade de troca de cátions (Rezende, 2000). Esse fenômeno é conseqüência da compacidade natural (adensamento) cuja característica se acentua em períodos de prolongado estresse hídrico e quando associado ao manejo inadequado desses solos. Em ambiente sob floresta esses solos apresentam o efeito coeso nos horizontes AB e ou BA, porém, se submetidos a cultivos constantes essa coesão surge nas camadas mais próximas da superfície, em função da ação erosiva nesse ambiente. Na região, dentre os cultivos mais atingidos por essa camada endurecida no perfil do solo, sem dúvida é a citricultura. Segundo Souza et al. (2000), um adequado suplemento de água ao longo do tempo com o solo friável esse impedimento físico ao crescimento radicular seria não limitante. De acordo com os resultados analíticos de amostras dos diversos municípios da região do Recôncavo Sul, esses solos apresentam significativa variabilidade química natural (Tabela 1), o que influencia diretamente no rendimento das culturas implantadas. Nessas condições de fertilidade, resultados de pesquisas demonstram potencialidade desses ambientes que, uma vez manejados adequadamente, destacando a correção do solo e adubação, podem aumentar a produtividade das culturas de forma expressiva. Assim, as áreas de pastagens em sua maioria degradadas, com baixas produções de forragens, podem ser recuperadas num curto prazo com aplicação de tecnologias simples de manejo da gramínea observando o seu estado nutricional, manejo do solo quanto à composição química e física, e o manejo animal, destacando a sua potencialidade genética para o tipo de exploração desejada, quando interagidas essas ações. Tabela 1. Caracterização química de LATOSSOLO AMARELO coletado na camada 0,20 m sob diferentes cultivos, em municípios do Recôncavo Sul da Bahia.
pH (H20) (5) (5) (1) (2) (3) (6) (4) (6) (6) 4,9 5,8 5,6 5,0 4,5 5,2 4,8 4,2 5,4 P -1 (mg kg ) 2,0 3,0 4,0 3,0 3,0 1,0 5,0 1,0 1,0 K Ca Mg Al H -3 .......................... cmol c dm ……................ 0,07 0,10 0,07 0,20 0,10 0,20 0,23 0,10 0,12 0,7 1,2 8,1 2,8 0,5 0,4 0,8 0,3 0,5 0,5 1,1 1,0 0,9 0,4 0,2 0,6 0,3 0,6 0,5 0,0 0,3 0,2 0,4 0,0 0,1 0,7 0,2 2,4 2,2 7,0 2,6 1,6 1,8 2,8 5,0 2,7 M0 -3 (g dm ) 14,6 8,2 78,8 12,5 6,0 22,9 18,0 16,0 14,5

Municípios C. Almas Sapeaçú Amargosa Amargosa C. Almas Muritiba Muritiba S.A. Jesus D.M. Costa

(1) área de pastejo rotacionado; (2) Latossolo sob Mata Atlântica; (3, 4) área de citricultura; (5) área de mandioca; (6) área de pastejo extensivo.

Histórico das pastagens no Recôncavo Sul O Recôncavo Sul é composto por 33 municípios, ocupa uma área de 10.839,5 km2 e uma população estimada em 2003 de 701.675 habitantes, portanto, uma das mais densas das regiões da Bahia com 64,7 habitantes/km2. Está localizada entre 120 23' e 130 24' de latitude sul e 380 38' e 400 10' de longitude Oeste, com homogeneidade de clima, solo, relevo e regime pluviométrico. A vegetação original na maior parte do Recôncavo Baiano até a sua descoberta se caracterizava pelas formações florestais, de diferentes tipos, equatorial, tropical, subtropical e em seis municípios localizados no semi-árido tem-se formação de caatinga. A derrubada da mata visava o preparo da terra para cultivos anuais e perenes. Como conseqüência do inadequado manejo dessas áreas de florestas, a utilização dos campos nativos e das pastagens implantadas, surgiram como alternativa econômica na região, pois imaginava-se que as gramíneas forrageiras seriam produtivas nos diversos ambientes, o suficiente para sustentar a evolução dos rebanhos. O estabelecimento das pastagens nas áreas florestais foi destacado no começo do século passado e se intensificou a partir das décadas de 30 e 40. Os capins que predominaram neste sistema foram o capim-gordura (Melinis minutiflora), capim-angola (Brachiaria mutica) e o capim colonião (Panicum maximun) restrito às áreas mais subtropicais. Estas forrageiras, após alguns anos sob pastejo, apresentavam uma queda na produção e iniciava-se o processo de degradação. Com esta situação os produtores buscavam alternativa e passou-se à procura da “forrageira milagrosa” e dessa forma chegou-se ao que foi denominado de ciclo dos capins. Essa nova forrageira deveria ir bem em terras fracas e fornecer algum verde na seca. O capim Brachiaria decumbens, popularmente capim-braquiária, adaptou-se perfeitamente às condições de
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solos ácidos e de baixa fertilidade do Recôncavo, proporcionando na época, aumentos na taxa de lotação de 5 a 10 vezes maiores que as pastagens existentes nessas áreas. O aumento da produção das pastagens e dos rebanhos foi expressivo e possibilitou que os produtores passassem a integrar as atividades de cria, recria e engorda. A utilização das gramíneas do gênero Brachiaria nas pastagens tem sido vinculada à agressividade na formação da área, à dispensa de seguidos cultivos na época de reformas de pastagens velhas e à menor exigência em fertilidade que as demais gramíneas. A realidade existente no Recôncavo Sul é a mesma em todo o Brasil, visto que a quase totalidade dos pastos é de gramíneas do gênero Brachiaria, predominando o Brachiaria decumbens. Como conseqüência da falta de adoção de práticas conservacionista ao longo dos anos, essas pastagens apresentam-se atualmente elevado grau de degradação, tendo como principal característica o baixo rendimento de forragem. O fator de manejo mais relevante para a persistência das pastagens é a pressão de pastejo. Impressionado com as elevadas produções forrageiras dos primeiros anos, principalmente nos períodos mais chuvosos na região que vai de março a agosto, o produtor passou a elevar a carga animal muito acima da capacidade de suporte da pastagem (geralmente estimada em unidade animal por hectare). Esse modelo de criação é mais degradativo nos períodos mais seco do ano, pois diminui a produção de forragem e os animais pastejam quase rente ao solo, fato que dificulta a rebrota da gramínea. Spain & Graldron (1991) citam que os fatores que mais contribuem para a degradação das pastagens são: o super pastejo com altura de corte muito rente ao solo prejudica a rebrota das plantas; o sub pastejo que favorece o acúmulo de material maçegado, logo maior incidência de pragas e doenças; invasão de plantas indesejáveis; falta de adaptação das espécies implantadas; perda da fertilidade do solo; falta de adubação de reposição e manutenção da fertilidade do solo e incompatibilidade entre as espécies associadas. Importância econômica das pastagens O modelo de criação bovina extensiva a pasto é a forma mais econômica de fornecer alimentação abundante e de qualidade aos animais. Para tanto, é preciso que o solo tenha alta fertilidade e condições de fornecer os nutrientes para as plantas. No Recôncavo, a exploração dos rebanhos leiteiros e produção de carne está apoiada na criação a pasto, fato que destaca a importância de estudos nesses ecossistemas para adoção de manejo adequado nessas pastagens. O estado da Bahia possui um rebanho bovino de 9.170.680 cabeças, compondo com 5,57 % do total de bovinos do país. A área de pastagem do estado é de 14.489.768 hectares, ocupando cerca de 48,55% da área total de 29.842.900 hectares de agropecuária. O Recôncavo Sul baiano possui um rebanho bovino de aproximadamente 436.070 cabeças, compondo com 4,75% do total de bovinos do estado da Bahia (Censo, 2000). A área ocupada com a atividade agropecuária nos municípios do Recôncavo Sul é superior a 815.908 hectares, sendo com pastagens, aproximadamente 622.872 hectares, dos quais mais de 60% é ocupado com a Brachiaria decumbens. Dentre os municípios do Recôncavo Sul, Amargosa destaca-se como detentor do maior rebanho bovino e conseqüentemente maior produtor de carne e leite, condição que justifica ser a região de maior aplicação de índices tecnológicos e resultados de produção acima da média do Estado. Em grande parte do Recôncavo Sul o sistema de criação mais usado é o extensivo, onde a adoção de tecnologia é muito pequena, tem maior atenção nas ações profiláticas, o manejo dos pastos depende do índice pluviométrico e a média da capacidade de suporte chega a ser inferior a 0,3 UA ha-1. Em menor proporção encontra-se o sistema de exploração racional com adoção do pastejo rotacionado, adubação das pastagens, programa sanitário para o rebanho, inseminação artificial e utilização de transferência de embrião, com índices zootécnicos acima da média do estado da Bahia e com capacidade de suporte maior que 1,5 UA ha-1. Degradação de pastagens no Recôncavo Sul A perda de fertilidade natural do solo tem levado os pecuaristas em todo Recôncavo Sul a uma cíclica substituição de espécies forrageiras sempre no sentido das menos exigentes como, por conseguinte, de menor valor nutritivo. Assim, o capim-colonião (Panicum maximum Jacq.) foi substituído em muitas áreas pelo pangola e posteriormente pelas braquiárias. As pastagens são consideradas em degradação quando a produção da forragem é insuficiente para manter determinado número de animais no pasto e por certo tempo. Entretanto, quando a produção de matéria seca diminui sensivelmente a ponto de ser notada através de lotação animal, a planta forrageira já reduziu drasticamente o sistema radicular, o perfilhamento a expansão de folhas novas e os níveis de reservas de carboidratos nas raízes e base das hastes. A degradação, na verdade, dificilmente pode ser devida a uma causa isolada. É necessária uma noção de
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conjunto e de funcionamento dos ecossistemas de pastagens. Em geral observa-se que, uma vez estabelecida a pastagem, com exceção dos problemas causados por pragas e doenças, o início da degradação tem origem nos problemas de manejo do rebanho e na não adoção de práticas conservacionistas. Além disso, fatores como sazonalidade da produção forrageira e superestimação das taxas de lotação contribuem diretamente para a degradação desses ecossistemas. No Recôncavo Sul como nas demais regiões de pastagens do Brasil, o que determina o nível da exploração é a produção de forragem na estação seca do ano. Considerando que áreas de pastagem são mantidas durante todo o ano com a mesma taxa de lotação, gera-se aí situação clássica de excesso de forragem na estação chuvosa e falta na estação seca. Poucos produtores adotam um planejamento para ter na propriedade uma área destinada à reserva estratégica (capineira, milho, cana, sorgo, palma, mandioca, leguminosas, feno e construção de silo etc.). Associados à taxa de lotação, estão os problemas relacionados aos hábitos de locomoção dos animais. Em todo o Recôncavo Sul, observa-se a formação de trilhas preferências no sentido morro abaixo nas pastagens, preferencialmente, próximo a cochos de sais ou bebedouros. Em muitas pastagens localizadas em áreas amorradas, pode-se observar alguns trechos do terreno sem vegetação, que apresentam sulcos de erosão. Estes sulcos, geralmente, têm como causa a movimentação constante de animais pela mesma área, no sentido do declive. No entanto, vários outros autores, inclusive alguns mencionados anterior-mente (Dematte, 1988; Sampaio, 1998), são conclusivos em dizer que a prática da queimada, se mal conduzida ou mesmo efetuada continuamente, pode trazer con-seqüências negativas tanto para a pastagem quanto para o solo que a sustenta. Adubação de pastagens Para o bom desenvolvimento das pastagens, assim como de qualquer cultura, há necessidade que esteja disponível e, em quantidade adequada no ambiente, todos os elementos considerados essenciais, classificados como orgânicos: carbono (C), oxigênio (0) e hidrogênio(H) e inorgânicos como os macronutrientes: nitrogênio (N), fósforo(P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S), e micronutrientes: boro (B), cloro (Cl), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn) (Epstein, 1975). É evidente que o solo é o principal componente fornecedor de elementos químicos para as plantas, não apenas os considerados essenciais como também aqueles classificados como benéficos como o sódio, silício, selênio, cobalto e os elementos tóxicos como o alumínio, mercúrio, cromo, chumbo etc. Certamente, a prática de reposição de nutrientes através da adubação é fundamental para elevação e manutenção da quantidade e qualidade da forragem a pasto. Há evidências nas pastagens do Recôncavo Sul, da utilização planejada de adubos como uréia, superfosfato simples e cloreto de potássio como fonte de N, P e K, respectivamente, assim como de pastagens consorciadas com leguminosas, dentre elas o calopogônio, crotalária juncea, crotalária vistosa, estilosantes, mucuna, feijão de porco etc., e cultivos isolados dessas culturas servindo de bancos de proteínas para os animais. Segundo Werner (1986), o uso de pastagens consorciadas é uma opção para reconstituir a fertilidade do solo quanto à matéria orgânica, devido à capacidade da leguminosa em fixar nitrogênio do ar. Para tanto, é preciso que essa leguminosa esteja bem nutrida com os demais elementos essenciais e que não haja fatores adversos, como exemplo, elevados teores de alumínio no solo. Calagem: a aplicação de calcário em áreas de pastagens, principalmente o dolomítico é fundamental para redução da acidez que se constata na maioria dos solos do Recôncavo (Tabela 1) e por fornecer em proporções mais adequadas os nutrientes cálcio e magnésio para as plantas. A calagem é uma prática que também diminui os efeitos danosos do alumínio, manganês e ferro, os quais podem estar em quantidades excessivas quando o solo apresenta pH baixo, prejudicando diretamente as plantas, assim como, bactérias importantes (Rhizobium) para as leguminosas. É importante destacar que dependendo da espécie as plantas são mais ou menos responsivas à calagem. As braquiárias são classificadas como plantas de tolerância relativa à acidez do solo, atributo importante para a sua persistência e produtividade nas mais diversificadas condições de solo. Nitrogênio (N): é um dos nutrientes mais exigidos pela maioria das plantas cultivadas, sendo absorvido preferencialmente nas formas iônicas N03-, NH4+ e N2. Esse elemento tem função estrutural e faz parte de molécula de aminoácidos, proteínas, é constituinte de bases nitrogenadas e ácidos nucléicos, clorofila e alcalóides, bem como de muitos hormônios, enzimas e vitaminas. Além disso, influencia nos processos de absorção iônica, respiração, fotossíntese, diferenciação celular etc. (Malavolta, 1980). A deficiência de N influencia de imediato no crescimento da planta com coloração verde clara ao amarelecimento inicial das folhas mais velhas em função de sua alta mobilidade interna na planta. O excesso provoca redução de floração, frutificação e acamamento.

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Fósforo (P): elemento constituinte das moléculas de ATP, ADP, ácidos nucléicos e dos fosfolipídeos das membranas celulares, sendo importante na liberação de energia para o processo ativo de absorção iônica. As formas iônicas H2P04e HP04-2 são as preferencialmente absorvidas, formando compostos orgânicos como hexoses fosfatadas, ésteres de carboidratos, fosfolipídeos e outros, como também, compostos inorgânicos como ortofosfatos e pirofosfatos (Mengel & Kirkby (1987). Segundo Werner (1986), depois do nitrogênio, o fósforo é o elemento mais importante, tendo grande influência no crescimento das raízes e no perfilhamento das plantas forrageiras. Por isso esse elemento é fundamental no processo de recuperação de pastagens degradadas. O excesso de fósforo gera deficiência de cobre, ferro, manganês e zinco. Grant et al. (2001) citam que deficiência de fósforo no início do ciclo vegetativo da planta pode resultar em restrições no crescimento, das quais a planta não se recupera mesmo fornecendo fósforo posteriormente. Potássio (K): é absorvido na forma iônica (K+) e atua como ativador de algumas enzimas na síntese de amido e ácidos graxos. Participa da fotossíntese e respiração e da síntese de clorofila, sendo importante nos movimentos de abertura e fechamento dos estômatos e no transporte de carboidratos (Marschner, 1995). Os capins deficientes em potássio apresentam colmos finos, raquíticos e pouco resistentes ao tombamento. As leguminosas deficientes em potássio têm seu crescimento limitado, há redução na nodulação, afetando a fixação de nitrogênio. Em excesso, o potássio causa deficiência de cálcio e ou maganésio. Cálcio (Ca): absorvido na forma iônica (Ca2+) esse elemento tem função estrutural, fazendo parte da parede celular como pectato de cálcio, estando ligado à formação e funcionamento das membranas celulares. É ativador enzimático (ATPase e fosfolipase) e faz parte da amilase. A deficiência de cálcio pode ser induzida por excesso de Na, K, NH4+ e ou Mg que limitam a sua absorção. O cálcio é importante para manter a estrutura e o funcionamento normal das membranas da célula e em baixas concentrações, estimula a absorção de outros íons. Sintoma de deficiência em folhas novas, deformação das folhas, morte dos pontos de crescimento e clorose nas pontas. O excesso provoca deficiência de potássio e ou magnésio. Magnésio (Mg): é elemento estrutural da molécula de clorofila, pectina e fitina, participa da fotossíntese, ativador enzimático e funciona como carregador de fósforo. Absorvido na forma iônica (Mg2+), é móvel no floema celular, por isso apresenta sintomas de deficiência primeiramente nas folhas velhas, assim como o nitrogênio, fósforo e potássio. Em condição de deficiência ocorre clorose internerval e a nervura da folha permanece verde. O excesso de magnésio promove indução de deficiência de potássio e/ou cálcio. Enxofre (S): absorvido na forma iônica SO42-, é constituinte dos aminoácidos cistina e metionina, de proteínas, clorofila, vitaminas e importante para fixação de nitrogênio. Esse elemento é pouco móvel na planta, por isso o sintoma de deficiência aparece primeiro nas folhas novas. A deficiência de enxofre nas pastagens do Recôncavo ainda não é preocupante, entretanto, a forte aplicação de adubos nitrogenados nessas áreas pode favorecer o desequilíbrio nitrogênio e enxofre afetando o crescimento da forrageira. Micronutrientes: nas condições edafo-climáticas da região do Recôncavo não se têm encontrado resultados satisfatórios do uso de micronutrientes nas pastagens. Dentre esses elementos (boro, cloro, cobre, ferro, manganês, molibdênio e zinco), o zinco é o micronutriente mais utilizado na maioria das culturas, além de sua forte interação com o fósforo no solo (Mengel & Kirkby, 1987). Estudos com micronutrientes são importantes para obter o máximo de eficiência produtiva e qualidade da forragem em pasto. RESULTADOS DE PESQUISAS COM FORRAGEIRAS NO RECÔNCAVO Na região do Recôncavo da Bahia ainda são incipientes os trabalhos de pesquisas direcionados para avaliação do estado nutricional de plantas forrageiras. Mais recentemente, como apoio do Mestrado em Ciências Agrárias, e com a formação do grupo de pesquisa em “Nutrição Mineral de Plantas e Pós-Colheita” da UFRB, estudos com macronutrientes isolados e em interações vêm sendo desenvolvidos com capins do gênero Brachiaria, principalmente o Brachiaria decumbens, que é o mais cultivado na região. Estudos com aplicação de calcário em pastagens de braquiária estabelecida em LATOSSOLO AMARELO foram desenvolvidos nos anos de 1998 e 1999 na então Escola de Agronomia da UFBA. Os resultados da Tabela 2
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demonstram que no primeiro ciclo da braquiária a elevação da saturação de bases (V%=60) incrementou o rendimento de massa seca em 95% e que saturação acima deste valor apresentou aumentos inferiores a este, quando comparados com a fertilidade natural do solo (V%=33). No segundo ciclo vegetativo, sem reposição da calagem, observou-se aumento linear, com 84% quando V%=80. Nos dois cortes não houve efeito significativo da calagem sobre a concentração de nitrogênio, assim como para os valores de proteína bruta na forrageira. Entretanto, o acúmulo de nitrogênio foi mais acentuado quando V%=70. Esses resultados indicam efeito positivo do aumento da disponibilidade de cálcio e magnésio no solo na qualidade da forrageira. Neste estudo, quando se fez a substituição de 25% do CaO do calcário por gesso agrícola, verificou-se apenas aumento de 27% e 14% no rendimento de massa seca da braquiária no primeiro e segundo cortes, respectivamente, quando o V%=50. Também não foi observada influência da presença do gesso agrícola nos teores de nitrogênio na planta, entretanto, a extração de nitrogênio do solo foi menor com o aumento da saturação por bases. Tabela 2. Rendimento em massa seca, teor, acúmulo de nitrogênio e proteína bruta do primeiro e segundo cortes da parte aérea do capim-braquiária, em função da saturação por bases (V%). Os valores são médios de quatro repetições.
------------------------------33 50 4628 5330 1812 2550 10,6 8,9 15,3 16,9 49,01 47,54 31,67 43,18 66,1 55,6 95,9 105,5 (V %) ------------------------------60 70 80 9040 8450 8230 2662 2975 3337 8,3 10,4 9,3 16,9 15,3 15,3 75,37 88,34 76,95 44,00 67,90 53,55 56,8 65,2 55,9 105,5 107,2 95,9

VARIÁVEIS Massa seda (kg ha ) Teor de N (g kg )
Acúmulo de N (kg ha )
-1

CORTE
-1

-1

Proteína bruta (g kg )

-1

I II I II I II I II

Trabalho não publicado. Resultados em Relatório de Pesquisa PIBIC (Silva & Santos, 1999a).

A aplicação de N, como fonte uréia, em pastagem implantada com braquiária demonstrou que houve incremento linear de 174% no rendimento da massa seca da forrageira (2300 para 6300 kg ha-1), na dose de N= 600 kg ha-1 no primeiro crescimento da cultura. No segundo crescimento houve efeito quadrático de resposta, com maior aumento de 104% (1710 para 3480 kg ha-1) na dose N=300 kg ha-1. O teor de N nas folhas aumentou significativamente na ordem de 424% e 32% no primeiro e segundo cortes da planta na dose de N= 600 kg ha-1, respectivamente. Nas hastes da planta esse aumento foi de 800% no primeiro e 24% no segundo corte. Nessa dosagem de N no solo, obteve-se aumento de N acumulado na planta superior a 800% (13,7 para 134,8 kg de N ha-1) no primeiro corte, e de 156% (27,41 para 62,78 kg de N ha-1) no segundo corte da forrageira, quando comparado com o tratamento sem aplicação de uréia (Silva & Santos, 1999b). Estudo desenvolvido por Carvalho (2000), avaliando o comportamento de algumas gramíneas e leguminosas em LATOSSOLO AMARELO no município de Cruz das Almas-BA, demonstrou que a Crotalária juncea e a mucuna apresentaram rápido crescimento no período inicial, precocidade na produção de massa, boa cobertura do solo e bom volume de raízes em profundidade. Por isso, essas plantas apresentam potencial para serem usadas como adubo verde e na recuperação de solos fisicamente degradados. Por outro lado, o autor constatou que o calopogônio apresentou menor velocidade de crescimento no período inicial, sendo mais tardia para cobertura total do solo. Nesse estudo, o capim cameroon e a braquiária humidícola apresentaram grande velocidade de crescimento no período inicial do ciclo vegetativo, podendo assim, serem competitivas com a vegetação nativa. A produção de massa seca do cameroon foi superior às demais espécies estudadas, confirmando ser uma excelente opção como forrageira de corte na região. Esses resultados indicam a importância da diversificação de espécies num ambiente de pastagem, condição que favorece o melhor aproveitamento de água, nutriente e adequação às variações climáticas. Estudos com resíduos orgânicos e adubação mineral com NPK no capim-braquiária demonstraram que a produção de massa seca aumentou de forma mais significativa com a adubação NPK, que em relação às adubações com esterco bovino curtido e compostos de lixo selecionado e não selecionado. O rendimento de forragem e o número de perfilhos não foram influenciados com adição dos compostos orgânicos, sendo o esterco bovino o mais eficiente no rendimento de forragem (Rodrigues, 2001). Santos & Santos (2002), estudando a interação N:S em capim-braquiária, observaram no primeiro corte que houve efeito significativo para as doses de nitrogênio e para a interação, entretanto, não foi observada significância do enxofre isoladamente. O maior rendimento em massa seca foi obtido com a dose de N=300 kg ha-1, correspondendo a
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1988. apresentaram respostas significativas com a aplicação desses elementos. C.br/ibge/estatística/economia/agropecuária/censoagro/default. Rio de Janeiro: IBGE. Exigências de fósforo para o estabelecimento de gramíneas e leguminosas forrageiras tropicais em solos com diferentes características físicas e químicas.L. (Informações Agronômicas. 1988. 341p. assim como. e altas concentrações de P no solo apresentou melhor desempenho da forrageira quando a dose de magnésio foi de 40 kg ha-1. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) Escola de Agronomia. No primeiro crescimento a interação N:P nas doses 200:160 (kg ha-1) promoveu um aumento de 14 vezes em massa seca. 115f. 2001. quando em omissão de P. TOMASIEWICZ. A. Mg e N nos dois ciclos de crescimento do capim-braquiária. 1975. Tópicos em Ciências Agrárias. 95) 5p. A importância do fósforo no desenvolvimento inicial da planta. Avaliando a interação N:P num LATOSSOLO na região de Amargosa. A. respectivamente. a concentração e o acúmulo do N e P. De acordo com Santos (2003).ibge. Viçosa.R. D. o aumento das doses de P num LATOSSOLO AMARELO favoreceu maior concentração e acúmulo de P. http://www. de. v. Campinas: Fundação Cargill. 2000. Esses resultados foram semelhantes aos obtidos por Guss (1988) e Rao et al. As doses de K2O 50 e 100 kg ha-¹ promoveram um incremento de massa seca de 40 e 60%. o rendimento de massa seca da braquiária foi influenciado pela adubação fosfatada e magnesiana.I.L. 74f. D. 2003). vez que estes normalmente apresentam baixas concentrações desse elemento. do solo e do excesso de animais por área e do tipo de criação. das hastes e parte aérea. apresentando 121% quando comparado a omissão de P e K (Santos & Santos. GRANT.uma concentração em N de 18. REFERÊNCIAS CARVALHO. 215p.gov. Identificação.. e que os conhecimentos gerados possam melhorar a produtividade e qualidade das pastagens da região. respectivamente. Dissertação (Mestrado em Agronomia) Universidade Federal de Viçosa. Em estudo de interação P:Mg. Em presença de altas concentrações de P (200 kg P2O5 ha-¹) o maior acréscimo no rendimento de massa seca foi obtido com a dose 50 kg K2O ha-¹. a eficiência da adubação fosfatada aumenta com a disponibilidade de Mg no solo.8 g kg-1 e 14. resultante de vários fatores de manejo da forrageira. 2009 179 . Disponível em: DEMATTÊ. J. (1996) em relação à concentração de P na planta. Manejo de solos ácidos dos trópicos úmidos: região Amazônica. principalmente nas áreas de capins do gênero Brachiaria. EPSTEIN. Nutrição mineral de plantas: princípios e perspectivas. Os resultados apresentados demonstram a significativa influência da adubação mineral nas pastagens do Recôncavo da Bahia. C.shtm. J. GUSS. Cruz das Almas. 2000. A adubação de pastagens através da interação P:K também vem sendo avaliada na região. enquanto que a interação com as doses 100:40 apresentou um aumento de cinco vezes no rendimento em relação ao tratamento controle.. espera-se que as pesquisas com plantas forrageiras possam continuar de forma ainda mais intensiva. Universidade Federal da Bahia. S. Piracicaba: Associação Brasileira para Pesquisa de Potassa e do Fosfato. caracterização e cinética do crescimento de leguminosas e gramíneas com alto poder relativo de penetração de raízes em solo coeso dos tabuleiros costeiros do recôncavo baiano. São Paulo: USP.5 g kg-1 no limbo foliar e na haste da forrageira. Lomanto Neto (2002) observou que numa pastagem degradada de capim-braquiária a produção de massa seca das folhas. FLANT.. CENSO Agropecuário 2000. SHEPPARD. No segundo crescimento não houve significância para S e nem para a interação N:S. Segundo Santos et al. A adubação fosfatada é imprescindível no estabelecimento de pastagens nos solos da região do Recôncavo. Com isso. com características de degradação com baixa produção de massa seca. S. N. UFRB. E. (2004). 1.

10f. dos. 131 f. dos. G.. Caracterização da degradação e resposta de pastagens com Brachiaria decumbens Stapf. 1987. 194p. KERRIDGE. 1999a. submetida à adubação com resíduos orgânicos compostados em Latossolo Amarelo coeso. Rendimento de matéria seca e avaliação nutricional da Brachiaria decumbens Stapf.. London: Academic Press. dos. 2004. A. v. B. 22f. SANTOS. Universidade Federal da Bahia. J. E. PIBIC.A. R.. da. Teores de nutrientes em pastagens com braquiária em função da interação fósforo e magnésio em um Latossolo Amarelo. 98f. UFRB. L.W. Cruz das Almas-BA. Cruz das Almas-BA.M. A. In: MILES.teor e acúmulo de nitrogênio do capim-braquiária (Brachiaria decumbens Stapf. 180 Tópicos em Ciências Agrárias. Rendimento da Brachiaria decumbens Stapf. R. KIRKBY. Recôncavo Baiano.9-18. à interação N:P na região de Amargosa-BA. 687p. SANTOS. MARCSHNER. SANTOS. H. 2003. P. Cruz das Almas.1. dos. 1999. 78f. A. L. A. MALAVOLTA.. MENGEL. do C. Principles of plants nutrition. Mineral nutrition of higher plants. P. dos. (Série Estudos Agrícolas. de O.) Brachiaria: Biology. O. 2002. 1996. R. G. 20f. G. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) Escola de Agronomia. R. R.B. evolução e degradação. 251p.. C.. REZENDE. 1980. do C Rendimento e estado nutricional do capim-braquiária..L. São Paulo: Agronômica Cerres. Relatório de Pesquisa. p. Salvador-BA: SEAGRI/SPA. 2004. Nutritional requiriments of Brachiaria and adaptation to acid soil. submetido a doses de nitrogênio em solos dos Tabuleiros costeiros no Recôncavo da Bahia.. L. Salvador: P&A. and Improvement).. Cruz das Almas-BA. SANTOS. PIBIC.C. SANTOS. 2009 .M. SILVA. 2001. Solos Coesos dos Tabuleiros Costeiros: limitações agrícolas e menejo. Cruz das Almas. dos. Relatório de Pesquisa. 2003. 98P. berço da Universidade Federal segunda da Bahia: passado.P. SANTOS. Cruz das Almas-BA. SANTOS. 2003. 1999b. 25f. Os Latossolos Amarelos do Recôncavo Baiano: gênese. Cali: CIAT. Relatório de Pesquisa. il.53-71. MAASS. dos. Universidade Federal da Bahia. A. (Agronomy. Cruz das Almas.16. VALLE. RIBEIRO. M.. RAO. M.C. 1). em função da interação fósforo e magnésio em um Latossolo Amarelo do Recôncavo da Bahia.. L. Universidade Federal da Bahia. dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) Escola de Agronomia. 1999. E.. 119f.do (Ed. Salvador. Magistra. 117p. Bern: International Potash Institute. Resposta do capim Brachiaria decumbens Stapf.LOMANTO NETO. SANTOS. SANTOS. SAMPAIO. SILVA. 1998. de O. I.ed. BA: SEPLANTEC/CADCT. A. dos. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) Escola de Agronomia. presente e futuro / Joelito de Oliveira Rezende.. 1995. 2000. RODRIGUES. em função da aplicação de diferentes doses de nitrogênio e enxofre num Latossolo Amarelo coeso do Recôncavo da Bahia.. Resposta do capim-braquiária submetido a doses de calcário e gesso agrícola em um Latossolo amarelo coeso. J. A. A. MACEDO. EMBRAPA. R. J. 889p. Interação fósforo:potássio no rendimento. REZENDE. 2. J. Cruz das Almas. Elementos de nutrição mineral de plantas. Balanço de nutriente em sistema de agricultura migratória no município de Ji-Paraná-RO. v. F. 1. 2002.. Relatório de Pesquisa. S. Viçosa. n.) num Latossolo Amarelo. PIBIC. SANTOS. L. Dissertação (Mestrado em Solos e Nutrição de Plantas) Universidade Federal de Viçosa. 1998. G. R. E.

v. SPAIN.SOUZA L. Tópicos em Ciências Agrárias. BA. 18). In: LASCANO. R. 1991. WERNER. Boletim Técnico.C.. Establecimiento y renovación de pastures. da S.M. (IZ. (Eds). J.M. C. GUALDRON. J.. Cali: CIAT. Nova Odessa: Instituto de Zootecnia. In: REUNIÃO BRASILEIRA DE MANEJO E CONSERVAÇÃO DO SOLO E DA ÁGUA. Degradación e reabilitación de pastures. Ilhéus. 57p. SBCS. UFRB. SPAIN. J. et al. Adubação de pastagens. 49p.. 2009 181 ... 13. 1986. Anais. 1. Perspectivas de uso dos solos dos tabuleiros costeiros. 2000.

Rozilda Vieira Oliveira Sacramento & Robson Rui Cotrim Duete Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 14 DESORDENS NUTRICIONAIS EM POMARES CÍTRICOS NO RECÔNCAVO BAIANO Washington Luiz Cotrim Duete.

com rendimento médio de 68. (1995). entre 27 a 30 g kg-1. Rozilda Vieira Oliveira Sacramento2. Quaggio et al. de textura média.1988). 1. a partir da diagnose foliar e das condições de fertilidade apresentada pelo solo.55%. (1998) observaram decréscimo de rendimento com teores foliares de N igual a 28 g kg-1. Entretanto. o suprimento adequado e alto de N nas plantas pode ser explicado pelas freqüentes adubações orgânicas com esterco de animal.842 frutos ha-1 (SEI-BA.61% da produção mundial segundo dados da FAO (2004). comprometendo a produção e a longevidade dos pomares. 2004). um contingente superior a 20 mil pessoas. Aliado a estes fatores acrescenta-se ainda a adubação insuficiente. identificando as desordens nutricionais . estando o N em nível adequado a alto na planta. pois emprega. o N segue a lei dos incrementos decrescentes. estando a Bahia em 2º lugar participando com apenas 4. Cruz das Almas-BA. com predominância do Latossolo Amarelo distrófico. conforme visualiza-se na Tabela 2. excessos e desequilíbrios responsáveis pela baixa produtividade dos pomares. Castro Alves e Governador Mangabeira.98% no ranking nacional. Conceição do Almeida. razão pela qual seus teores no solo são sempre baixos. Muritiba.4 bilhões em 2000.Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA). Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. Tópicos em Ciências Agrárias. além da torta de mamona utilizada quando da aplicação da fórmula 10-10-10 fornecidas aos agricultores para o cultivo do fumo. Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO O Brasil destaca-se no cenário mundial como maior produtor de laranjas. Com a mesma preocupação. suprindo 80% da demanda mundial e gerando divisas de US$ 1 bilhão/ano. v. a atividade citrícola no Estado sofreu decréscimo na produção de laranja de 21%.3 bilhões de frutos em 1999. Desta produção o Recôncavo Baiano responde com 15. Ambientais e Biológicas/UFRB. caracterizando-se pela baixa capacidade de retenção de água. Na Bahia. será avaliado neste capítulo. é intenso o processo de mineralização da matéria orgânica. acidez natural e presença de camadas adensadas limitando a infiltração e o aprofundamento do sistema radicular. Nitrogênio Na região em estudo os teores foliares de N apresentaram-se adequados em 59% dos pomares na faixa de 24 26 g kg-1 de N. com destaque para os municípios de Cruz das Almas. passando de 4.br. Desta forma. resultando em plantas de baixo vigor. pela capacidade desta armazená-lo nas folhas para redistribuição nos períodos de florescimento e frutificação. Cabaceiras do Paraguaçu. possivelmente. UFRB.DESORDENS NUTRICIONAIS EM POMARES CÍTRICOS DO RECÔNCAVO BAIANO Washington Luiz Cotrim Duete1. segundo classificação de Malavolta & Prates (1994) (Tabela 1).edu. E-mail: wlcduete@ufrb. obtendo-se maiores rendimentos a baixas doses. Nesta região a citricultura desenvolve-se em solos de Tabuleiros Costeiros. para 3. Considerando as condições climáticas da região. Sapeaçu. ausência de controle fitossanitário e o manejo inadequado. conforme relatos de Legaz et al.Centro de Ciências Agrárias.deficiências. A produção nacional é liderada pelo Estado de São Paulo o qual responde por 79. Uma das melhores técnicas para avaliar o estado nutricional dos pomares e orientar programas de adubação consiste na análise foliar aliada aos conhecimentos da fertilidade do solo e das influências de outros fatores (Rodriguez. segundo Obreza (1996). Robson Rui Cotrim Duete 3 1 2 3 Professor .65 % dessa produção. Cruz das Almas-BA.br Pesquisador . Considerando os altos valores encontrados convém relembrar que. apresentaram-se na faixa de muito baixo a baixo. E-mail: rozilda@ufrb. o estado nutricional dos pomares de laranjeiras nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira situados no Recôncavo Baiano.edu. ocupando ainda a posição de maior exportador de suco concentrado. apresentando ainda 41% dos pomares com altas concentrações. participando com 26. a citricultura tem grande importância social. É importante chamar atenção que os teores de matéria orgânica do solo tanto nas camadas de 0 . que é realizado nas entrelinhas dos pomares. A despeito dos baixos teores de matéria orgânica encontrados neste solo. a cada safra. 2009 185 .20 cm quanto de 20 a 40 cm.

186 Tópicos em Ciências Agrárias......9 2........0 11...... Freqüência de amostras observadas por classe de teores de matéria orgânica.0 41.9 44..........0 0 44..9 41...8 8... 3.. v.0 8. 2003.6 0 0 0 14.6 20..0 0 38..1 11.2 MO 20 – 40 0 – 20 P 20 – 40 0 – 20 K 20 – 40 0 – 20 Ca 20 – 40 0 – 20 Mg 20 – 40 0 – 20 S 20 – 40 Acidez efetiva (1) pH(CaCl2) (1) 0 – 20 20 – 40 A interpretação desta característica deve ser alta e muito alta em lugar de bom e muito bom..... % ... Parâmetros químicos Classe de teores Profundidade ..... nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA....8 5....6 88.. em pomares de laranjeira 'Pêra' nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA....8 64.0 17... 2003.......8 0 0 29.....5 11.Tabela 1..5 2. Freqüência de amostras observadas por classe de teores foliares de macronutrientes em pomares de laranjeira 'Pêra'.5 88....0 88.9 0 11.8 0 0 0 17....8 0 0 97...8 2...7 26.6 14..2 20.8 0 91.6 61..6 73........ macronutrientes e propriedades do solo. Classe de teores Elementos Deficiente Baixo Adequado Alto Excessivo .. cm ... 1..8 17...0 88..... 0 – 20 Muito Baixo Médio Bom Muito bom baixo .....2 59.3 23...........5 26......7 2...2 0 59....9 11....9 0 5..5 50.........2 0 26.....9 41...8 17...7 0 23..6 26...9 5.. 2009 .7 0 2.....0 Tabela 2.3 17....1 0 0 0 0 0 50.............6 2..6 8.....8 0 14.8 0 8....... nas duas profundidades...... UFRB... % ...6 35..9 0 2..5 8.8 2.....9 14...6 73...2 53. N P K S Ca Mg 0 0 0 0 0 0 0 11.9 20....6 58..7 20..

8% e 97. mas sim que as plantas cítricas são mais eficientes na absorção de P no solo devido à extensão do sistema radicular e maior tempo para absorção. Segundo Obreza (1996). Uma das razões para explicar tal situação deve-se Tópicos em Ciências Agrárias. respectivamente. que é um fator limitante ao desenvolvimento do sistema radicular. até certo ponto por um maior crescimento vegetativo e baixa mobilidade do mesmo na planta.85. 2003. a fertilização com o elemento P está mais relacionada com a melhoria do crescimento vegetativo que com respostas positivas quanto ao rendimento (Malavolta. baixo e médio. Convém destacar que 76. UFRB.2% dos pomares apresentaram teores foliares de K na faixa de adequada e alta. justificando que as altas doses de P usadas nos pomares cítricos estão mais relacionadas com a diminuição na disponibilidade do elemento por fixação e com o pequeno sistema radicular.2 . nas camadas de 0 . Estes resultados estão de acordo com as afirmações de Malavolta (1983). para 55. respectivamente. para o qual a laranjeira pode produzir satisfatoriamente num solo pobre em P enquanto que uma cultura anual poderia mostrar sintomas de fome.20 e 20 .7 g kg-1 em 88.1% dos pomares.40 cm. médio. bom e muito bom. (1997).5% dos pomares amostrados apresentaram relação N/K abaixo do limite de 2. Com o cruzamento dos mapas temáticos de P no solo (20-40 cm) e P foliar visualizado na Figura 1. a análise da fertilidade do solo não possibilita estimar a disponibilidade de N devido à dinâmica deste elemento no processo de decomposição e mineralização da matéria orgânica. Assim. apresentando valor médio de 1. no solo a distribuição desses teores em faixas de classificação apresentaram-se abaixo da adequada. Quaggio (1996) afirma que os citros não são menos exigente em P que as culturais anuais.8 e 38. Koo. num pomar cítrico a reciclagem da matéria orgânica fornece a maior parte do N necessário para formar novas folhas e galhos.47% dos pomares apresentaram relação acima de 19 e 17. possivelmente em razão dos altos teores de K encontrados em 38. Verifica-se também uma associação negativa entre as concentrações de N e Ca nas folhas uma vez que 61. Potássio A distribuição em classes de teores mostra na Tabela 1 que 53% dos pomares estão na faixa adequada com os teores variando de 10 a 14 g kg-1 de acordo com os limites estabelecidos por Malavolta & Prates (1994).2% dos pomares e baixos em 11. 1.8% na faixa de 0. Koo (1985) afirma que as inter-relações são os fatores predominantes sobre os teores de nutrientes nas folhas. As reduções dos teores foliares de Ca são devidas possivelmente. do que com as exigências da plantas ou a capacidade das raízes para absorver P. Obreza. apresentaram teores foliares adequados.2% dos pomares apresentarem teores foliares de P adequados.16. consideradas ideais por Malavolta et al.2 proposto por Malavolta et al. na camada de 20 . diluindo sua concentração nas folhas. contrastando com os 88. respectivamente (Tabela 2). 1983). sendo assim pequena fertilização de N supri essa função. baixo. em estudo sobre a contribuição de N provenientes da mineralização de resíduos de folhas e galhos secos que retornam ao solo.9 .2% dos teores foliares adequados. Os teores de K no solo distribuíram-se na camada de 0 .5. 8. 1983. Pesquisas têm demonstrado uma maior correlação no estudo entre as relações dos nutrientes com a produtividade que considerando os teores isolados dos elementos. Já na camada de 20 . acredita-se ser a justificativa dos três autores acima citados a mais aplicada às condições locais.3% dos pomares apresentaram teores abaixo do adequado com apenas 8. respectivamente. Neste sentido. Em contradição.1 g kg-1 (Tabela 1). 23. sendo que 76. a relação média N/P foi de 20. (1991) e o Grupo Paulista de Adubação e Calagem para Citros (1994).5 e 14.8% em classe de teores considerados bom e 2.88. 35.2% dos pomares apresentaram classe de teores baixo e alto. (1991) como ideal para atingir uma produção superior a 800 cx ha-1.40 cm 88. 2009 187 . v.2% dos pomares. Apesar dos 88.1.7%.Vale também ressaltar que a ciclagem de N em ambiente de pomar cítrico é complexa e tem sido objeto de estudo por vários pesquisadores. Dou et al. 53 e 38.3.9 % muito bom (Tabela 2). Considerando as condições físico-químicas dos solos estudados e a presença da camada coesa encontrada nos Latossolos dos Tabuleiros Costeiros.3% dos pomares com baixo teor de Ca apresentaram altos teores de N. Apesar dos baixos teores de K no solo. quantidade que corresponde de 1/3 à metade da recomendação anual de N para árvores adultas de citros. com percentual de 26. Além disso. Fósforo Os teores foliares de P apresentaram-se adequados na faixa de 1. respectivamente. pode-se observar que os pomares localizados em áreas com teores de P no solo classificados como muito baixo.20 cm entre as faixas. Nesta região.1. comprovaram que esses resíduos podem contribuir com até 153 kg ha-1 ano-1.40 cm.

indica o nível crítico deste elemento no solo. Outra hipótese para explicar tal situação.85. constante na tabela de interpretação de fertilidade do solo. Neste levantamento as relações médias de K/Ca e K/Mg foram 0. respectivamente (Tabela 1). combinada com os baixos teores de Ca e Mg no solo favorecem uma alta absorção de K pelas plantas segundo Malavolta (1980) e Boyer (1985). (1975) e Embleton et al.2.3% dos pomares foram classificados como baixos segundo tabela de classificação.8% adequados (Tabela 1). 0. baixa concentração de Ca e elevada concentrações de Mg foliar nestes pomares.6% dos pomares apresentaram teores médios (Tabela 2). 2009 .2 e 100% dos pomares nas duas profun-didades respectivamente.2% dos pomares encontram-se na faixa adequada a alta para K enquanto que a mesma percentagem de pomares apresentam teores baixos de Ca e 94. (1978) já haviam demonstrado que os aumentos nos teores foliares de K levaram à redução nos teores de Ca. ressaltando-se também que não se observou na área de estudo relevante problemas de deficiência de Ca. estão com teores de Ca no solo abaixo do nível crítico razão pela qual 91. Malavolta et al. uma vez que não existe nenhuma comprovação experimental que o nível de 35 g kg-1 proposto por Malavolta & Prates (1994) seja realmente o mínimo necessário às necessidades metabólicas da planta.1% alto a excessivo para Mg. esta constitui uma das principais fontes fornecedoras de S à planta.2% do mesmo apresentaram baixos teores de Ca nas folhas. demonstrando altas concentrações de K.3 e 3. UFRB. estejam adequados para suprir as necessidades das plantas cítricas (Figura 2).5 e 29. Entretanto. 0. a região apresenta clima subúmido a úmido e os solos têm grande possibilidade de serem deficiente em S por causa do rápido processo de mineralização da matéria orgânica. 88. Como também Weir (1969) observou que o K era o nutriente mais fortemente antagônico das bases estudadas. percebendo significativa redução dos teores com o aumento da profundidade. podem ser justificados pelas perdas por lixiviação comum nos solos tropicais e com alto grau de intemperismo. 2. 73.31 e 3. Cálcio Os teores foliares de Ca apresentaram-se baixos na faixa de 20-34 g kg-1 em 91. favorecendo ainda mais a lixiviação.9% médios e 50% de bom a muito bom.2% dos pomares segundo as classes de interpretação para os teores foliares propostas por Malavolta & Prates (1994). com apenas 8. Os valores ótimos para as relações K/Ca e K/Mg nas folhas de citros em estudos realizados no Estado de São Paulo segundo Sanchez (1979). o limite superior da classe média correspondente a 24 mmolc dm-3 para o Ca. Conforme Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais (1999). Nagai et al. respectivamente. Além disso. 1. do que entre o K e o Mg. Observando a Tabela 1 percebe-se que 91. enquanto que na profundidade de 20-40 cm.3% dos pomares estão baixo a muito baixo. Quanto aos baixos teores de K no solo. os valores da relação K/Ca foi maior e K/Mg a menor de todas as demais citadas. Já na profundidade de 20-40 cm 85.0. leva-se em conta que os teores considerados baixo pela tabela de interpretação de fertilidade do solo proposta pela CFSEMG (1999).9% considerados bons (Tabela 2).1% dos pomares encontra-se na classe de teores baixa a muito baixo.20 cm. No solo na profundidade de 0 . Enxofre Os teores foliares de S para 41 e 59% dos pomares apresentaram-se na faixa adequada e alta. enquanto que as áreas que apresentaram teores de K nos solos de baixo a 188 Tópicos em Ciências Agrárias.inicialmente às altas adubações realizadas nos pomares utilizando a fórmula 10-10-10 que. onde predomina argila do tipo 1:1 e óxidos hidratados de Fe e Al podendo ainda estes óxidos obstruírem as camadas das argilas 2:1 caso elas estejam presentes nestes solos. v.49 e 2.82 respectivamente. pode ser atribuída aos baixos teores de matéria orgânica encontrados nas duas profundidades nestes solos uma vez que. chamando também atenção que este antagonismo foi mais forte entre K e o Ca. Uma possível razão para explicar as baixas concentrações de S encontradas em ambas as camadas. A discrepância desses dados indica a necessidade de reavaliação da faixa de teores considerados adequados para a cultura na região. percebendo que as áreas onde os teores de K foram classificados como bom e muito bom apresentaram menores teores de Ca foliar. sendo assim 91.20 cm. (1991) e Grupo Paulista de Adubação e Calagem para Citros . 11% médio e apenas 2.72g kg-1. respectivamente. Observa-se na Figura 3 que os teores foliares de Ca variaram em função dos teores de K no solo na profundidade de 0 .GPACC (1994) são: 0. Na camada de 0-20 cm 47. deve-se ressaltar que pesquisas realizadas em solos arenosos de baixa fertilidade tem obtido produção máxima e nível crítico com teores foliares de Ca no valor de 28. uma vez que.24 e 4.

Esse efeito sinérgico.9% apresentaram teores de Mg adequados. observou que com o aumento nas doses de N houve elevação dos teores de N e Mg foliar. Já a relação Ca/Mg no solo apresentou na profundidade de 0 .médio registraram maiores teores de Ca nos pomares. sendo que.. v.3. sugerindo assim a reavaliação das faixas de teores foliares para esse nutriente. analisando resposta da adubação N e K em citros em quatro experimentos. segundo Malavolta (1980). A despeito dos elevados teores foliares de Mg encontrados na região. maior que 10. convém ressaltar que.0 g kg-1 não relacionando a efeitos prejudiciais na planta. A relação média Ca/Mg foliar encontrada nos pomares estudados foi de 5. nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA. 1996) o qual apresenta ainda como normal a relação entre 4 a 6.500 m 39°9'0"W 39°3'36"W 38°58'12"W Figura 1. na faixa de 2. usando os atuais critérios de diagnose foliar. Tópicos em Ciências Agrárias. Entretanto. devido aos baixos teores de Mg neste solo. Esta observação torna-se importante pois. Vale ressaltar que a baixa relação encontrada nos pomares da região se justifica em razão dos baixos teores de Ca e alto a excessivo teores de Mg. Uma outra possível razão para explicar os elevados teores de Mg foliar pode estar relacionada com as freqüentes adubações nitrogenadas realizadas na região utilizando as fórmulas 10-10-10. 2009 12°39'36"S P solo x P foliar 12°36'0"S GOVERNADOR MANGABEIRA 189 .0 g kg-1. segundo Koo (1983).250 2. alta 7 a 10 e muito alta. sendo comum no estado de São Paulo teores foliares de Mg acima de 5.1 e 50% dos pomares foram classificados em altos e excessivos. em Alfenas . de acordo com Baumgartner (1996). considerada como baixa segundo Guardiola (citado por Vitti et al. 2003. UFRB.MG. Cruzamento entre os mapas de P no solo na profundidade de 20-40 cm e P foliar.3. Magnésio Dos pomares amostrados. não há na literatura indicação de efeitos depressivos do excesso de Mg em condições normais de cultivo. o que induziria à necessidade do uso de calcário calcítico. na região em estudo. (1991) após avaliar a composição mineral das folhas de laranjeira por um período de 10 anos. valor médio correspondente a 2. 1.2% dos pomares apresentaram teores foliares baixo de Ca associado a 94. 20-08-20 e torta de mamona pois.5 . torna-se arriscado tal recomendação. respectivamente (Tabela 1).68 bem inferior ao valor 10 proposto por Sanchez (1979) para pomares de São Paulo e 18 encontrado por Malavolta et al.1% dos pomares com teores altos a excessivo de Mg. 44. 39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S 12°36'0"S MURITIBA 12°39'36"S Muito baixo Muito baixo Baixo Baixo Médio Bom Muito bom Baixo Adequado Baixo Adequado Adequado Adequado Adequado 0 1. deve-se à participação do Mg no metabolismo do N. uma vez que o Mg atua na síntese de proteína. apenas 5. 91.20 cm.

enquanto que na profundidade de 20 .40 cm pode ser explicada.6. Cobre Os teores foliares de Cu apresentaram-se adequados em 94.40 cm respectivamente. nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA. 82.6 e 2. baixo.9% dos mesmos foram classificados como muito baixo.20 e 20 . pela baixa mobilidade deste elemento no solo favorecendo seu acúmulo na superfície. respectivamente (Tabela 2). encontrando 53% dos pomares com teores ótimos e 38.20 cm.500 m Muito baixo Muito Baixo Baixo Baixo Baixo Médio Médio Bom Muito bom 38°58'12"W Figura 1. 76.8 e 5. a despeito dos altos a excessivos teores foliares de Mg. 39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S 12°36'0"S MURITIBA K solo 12°39'36"S x K foliar Baixo Adequado Baixo Adequado Alto Adequado Alto Alto Alto 39°9'0"W 39°3'36"W 12°39'36"S 0 1.250 2. respectivamente. (1976). 1.9% dos mesmos (Tabela 3).9. também Valadares (1975) constatou essa diferença encontrando alta correlação entre o teor de Cu e de argila em alguns perfis. para as camadas de 0 . 64. 2009 12°36'0"S GOVERNADOR MANGABEIRA .3% dos pomares amostrados exibem teores médios para a profundidade de 0 . Resultados semelhantes foram encontrados por Coelho & Matos (1991). UFRB. Pela Tabela 4 observa-se que os solos de 88. 11. 190 Tópicos em Ciências Agrárias.1% dos pomares amostrados estão com teor de Mg no solo inferior ao nível crítico citado. médio. para a profundidade de 0-20 cm. segundo Karim et al.7.3 e 97.4% em altos e excessivos.40 cm.1% dos pomares e baixo em apenas 5. apresentam proporcionalmente teores baixos e médios.40 cm 2. estabelecido por Quaggio (1992) e a Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais (1994) conclui-se que.0 mmolc dm-3 para o teor de Mg no solo. 2003. v.3% e 8.6. médio e muito bom. respectivamente. bom e muito bom.9% dos pomares estudados foram classificados como baixo. Cruzamento entre os mapas de K no solo na profundidade de 20-40 cm e K foliar. Esta diminuição de disponibilidade do Cu na camada de 20 . 20. Considerando o nível crítico de 9. os quais não observaram teores baixos ou deficientes desse nutriente para os pomares do Estado da Bahia.Os teores de Mg nos solos em 17. para a profundidade de 20 .

.. respectivamente..7%...... que classificaram 86..55 .34.. Estas discordâncias possivelmente podem ser explicadas em razão do uso de diferentes tabelas de interpretação uma vez que.. % .9 91. segundo Malavolta & Prates (1994).500 m 38°58'12"W Figura 3..2% dos pomares Tópicos em Ciências Agrárias....... Tabela 3.. sendo necessário portanto......4% como adequado.. 1...27.. Freqüência de amostras observadas por classe de teores foliares de micronutrientes em pomares de laranjeira 'Pêra'.13 ..... Considerando a classificação do GPACC (1994). apenas 2..6% dos pomares como altos.....54 Bom Muito Bom " 34.... Observa-se na Tabela 4 que os teores de Fe no solo apresentaram-se altos em 100% dos pomares nas duas profundidades..1 5. no entanto....9 8.. a classificação encontrada na Tabela 3. nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA..12 Médio # 27..38 0 1...39... a distribuição dos pomares em classe de suficiência mudaria.. Cu Fe Mn Zn Ferro Percebe-se na Tabela 3 que 91... Classe de teores Nutrientes Deficiente 0 2...... UFRB.....81 ...7 Baixo 5.90 39°9'0"W 39°3'36"W Ca foliar X 21.9% baixo e 14.. Distribuição em classes dos teores de K no solo na profundidade de 0-20 cm e Ca foliar (g kg-1) nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA.2% dos pomares apresentaram teores baixos de Fe e apenas 2.... 2009 12°39'36"S 12°36'0"S ! !X # ! 191 ..5 35... 2003..9 64... v.... reavaliar tais tabelas. mostra que 91..9% foram classificados como deficientes e adequados. Estes resultados não estão de acordo com os encontrados por Coelho & Matos (1991) em levantamento de pomares cítricos na Bahia.. Coelho & Matos (1991) classificaram segundo Rodriguez (1979)...9 e 5.... 2003....7 64..3 Adequado 94...2 26. o que é uma característica dos Latossolos onde predominam sesquióxidos de Fe e Al e principalmente as argilas do tipo 1:1 (caulinita)...23...8 0 Alto 0 0 0 0 Excessivo 0 0 0 0 .... alto.39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S ## # # ! ! # " ! # " ! ! # # ! " GOVERNADOR MANGABEIRA 12°36'0"S # ! X ! ! X ! ! ! ! ! ! MURITIBA 12°39'36"S K solo Baixo ! 23. atingindo 82.39 ..250 2.

.0 0 0 94...8 50.1% dos pomares foram classificados como médio..0 0 0 0 67.. nas duas profundidades..apresentaram baixos teores foliares de Fe.. em pomares de laranjeira 'Pêra' nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA..12% estão localizados em área com baixos teores de Mn no solo.. 2009 ... estando portanto...4 29. Além disso.. Contrastando com os resultados encontrados neste trabalho.....4 Alto 2.. 192 Tópicos em Ciências Agrárias...94 mg dm-3 e 1. o que explica os 64.. Visualiza-se na Tabela 4....8 .. Considerando que o solo da região em estudo apresenta acidez efetiva alta a muito alta.... relação antagônica entre os teores de Mn no solo e Mg foliar onde dos 94.. seria o limite superior da classe média correspondente a 5 mg dm-3..8 61..8 Médio 88. respectivamente..... 76.. 26.. % .. segundo Mass et al. baixo e ótimo.7%.3 50. Freqüência de amostras observadas por classe de teores de micronu-trientes no solo..... Coelho & Matos (1991) relataram teor médio de 30. 67. UFRB... a pobreza natural destes solos.7% dos pomares cítrico do Recôncavo Baiano foram classificados como deficiente enquanto que. A similaridade existente entre esses dois íons deve-se possivelmente por apresentarem valências iguais.. pode diminuir a absorção de Mg principalmente em solos ácidos e com baixo teor de Ca. Entretanto.9 0 100 100 5.. Classe de teores Baixo 8....8 8..7% e 76.. Tabela 4.. Tabela 3....6% e 32.. baixo e adequado. o que favoreceria a alta disponibilidade de Mn no solo.. originados predominantemente de rochas ácidas. 16. respectivamente.1 32. apresentado na tabela de interpretação dos teores. Esta relação antagônica é comumente encontrada na literatura considerando altas concentrações de Mn que... (1997).7%... o nível crítico de Mn no solo.. este antagonismo se fez presente considerando baixa concentração de Mn no solo e alta concentração de Mg nas folhas.... os teores médios (2. apresentou 64.5% e 8.5 mg kg-1 e 6. Observa-se na Figura 4. 2003. daí a possibilidade da absorção de Mg ter sido favorecida pela baixa concentração de Mn e também pela baixa concentração de Ca..7% e 35.27 mg dm-3) apresentados em ambas as profundidades nos pomares da região.6 8. cm .... Segundo Raij et al.1% dos pomares com teores foliares de Mg alto a excessivo.6% dos pomares do levantamento do Estado foram considerados na faixa de ótimo..6% dos pomares foram classificados como deficiente. que os teores de Mn na profundidade de 0-20 cm dos solos de 94..4% encontram-se na classe de teores baixo e médio.. raio iônio e grau de hidratação semelhantes...9 0 58..7% dos pomares deficientes. possivelmente. a razão para os baixos teores encontrados é. muito abaixo do nível crítico sugerido pela referida Tabela.. Manganês A distribuição dos pomares em classes de teores foliares.... 78. Cu Fe Mn Zn 0 – 20 20 – 40 0 – 20 20 – 40 0 – 20 20 – 40 0 – 20 20 – 40 Zinco Observando a Tabela 3 percebe-se que 64.... respectivamente. (1969). v... Tal constatação reforça o que foi exposto acima quanto à necessidade de rever as faixas de classificação dos teores foliares de Fe para citros. não se observou nenhum sintoma de deficiência visual de Fe nos pomares. 1.. Parâmetros químicos Profundidade .4 32. enquanto que para a profundidade de 20-40 cm..3% dos pomares foram classificados como deficiente e baixo respectivamente...8% na faixa de deficiente.. Percebe-se com isto que os 64..

uma vez que. Distribuição em classes dos teores de Mn na profundidade de 20-40 e Mg foliar nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA. que apesar dos teores de Zn no solo na camada de 0-20 cm apresentarem 91.4% e 58. mostrando com isto maior relação com os teores foliares. 39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S "" " " " " " " # ! " # 12°36'0"S 12°36'0"S " " " # " ## # " " " # GOVERNADOR MANGABEIRA # # # " # # ! MURITIBA # # # 12°39'36"S 12°39'36"S Mn solo Mg foliar Baixo ! Adequado Médio # Alto " Excessivo 39°9'0"W 39°3'36"W 0 1. como no solo em estudo predomina óxido de Fe e Al a capacidade de adsorção é alta diminuindo sua disponibilidade. 64.8%. não correlacionando com os teores no solo para a profundidade de 0-20 cm. percebe-se que 8.250 2. 29. melhorar os tratos culturais e manejar adequadamente os solos.2% dos pomares classificados como nível médio a alto. v. Enquanto que.8% como baixo.4% e 8. Tópicos em Ciências Agrárias. constituindo uma base para elaboração de programas que possibilitem. 2009 193 . que segundo Malavolta (1980) os citros está classificado como pouco eficiente. 32. a adsorção é um fator importante no controle da concentração do elemento na solução do solo. com a experimentação local.500 m 38°58'12"W Figura 4. respectivamente. Entretanto. médio e alto nas classes de teores de Zn para as camadas de 0-20 cm. 1. a definição de curvas de calibração de análise de solo para calagem e adubação com macro e micronutrientes.8% foram classificados como baixo.3% em nível baixo.8%. Uma outra possível razão para explicar a deficiência e os baixos teores de Zn nos pomares em estudo pode ser a sua capacidade de adsorção no solo. os teores na folha permitiram classificar os pomares em. Vale ressaltar. tendo como conseqüência imediata a revitalização da cultura na região. Os resultados encontrados fornecem um diagnóstico da citricultura regional. para a profundidade de 20-40 cm observou-se uma distribuição de 61. médio e alto.Pela Tabela 4.7% deficiente e 35. 2003.8% dos pomares estão classificados como baixo. Aliado a esses fatores soma-se ainda a capacidade diferenciada na absorção de Zn pelas plantas. UFRB. na profundidade de 20-40 cm 61. contribuindo com isto para o aumento da produtividade.

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CAPÍTULO 15 VARIABILIDADE ESPACIAL DA CONDUTIVIDADE HIDRÁULICA DO SOLO: CONCEITOS E BASES PARA AVALIAÇÃO José Fernandes de Melo Filho & Paulo Leonel Libardi Tópicos em Ciências Agrárias .

Filizola et al. 1999. tem a seguinte forma: q = . E-mail: pllibard@esalq. 1997. 2009 199 . empiricamente. Libardi. K(q) a função condutividade hidráulica. numericamente.Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”/Universidade de São Paulo. Atento a esta realidade. Bolsista do CNPq. numa unidade de tempo. v. Em outras palavras. ft. considerando a notação vetorial. q = . 2000). fm(q) a função potencial mátrico e q a umidade volumétrica do solo. Professor . A equação de Buckingham (1907) apresenta a limitação de ser válida apenas para o movimento da solução no solo na direção horizontal. UFRB.K (q) grad ft a qual é denominada atualmente de equação de Darcy-Buckingham. 1994. como a constante de proporcionalidade (K) das relações matemáticas resultantes de seus experimentos de movimento vertical de água em colunas de areia. 1984. segundo Libardi (2000): para um meio poroso isotóprico com relação a K. A equação de Darcy.br CONDUTIVIDADE HIDRÁULICA DA ÁGUA NO SOLO A condutividade hidráulica do solo foi definida.VARIABILIDADE ESPACIAL DA CONDUTIVIDADE HIDRÁULICA DO SOLO: CONCEITOS E BASES PARA AVALIAÇÃO José Fernandes de Melo Filho1. nutrição de plantas. Foi Richards (1928) quem definiu um potencial total. é. é a não saturação.. Radcliffe & Rasmussen.K grad f t (1) em que q é o vetor densidade de fluxo para qualquer direção no espaço e grad f t o vetor gradiente de potencial total ft de mesma direção mas sentido oposto ao do vetor . Cruz das Almas-BA. por Henry Darcy em 1856. tais como. como. Atualmente é um dos principais parâmetros utilizados para estudos agrícolas e do ambiente que envolvem o fluxo de água no solo.. Piracicaba-SP. Ambientais e Biológicas/UFRB. com base na equação (3). uma unidade de área de uma amostra de uma unidade de comprimento de um meio poroso (solo) sob uma diferença unitária de potencial total.K (q)grad f m (q) (2) sendo q a densidade de fluxo da solução. E-mail: jfmelo@ufrb. Buckingham (1907) teorizou a quantificação do movimento da solução no solo não saturado e a equação. conforme Libardi (2000). na França. 1. proposta por Buckingham.br. para a filtragem e purificação de água para abastecimento urbano da cidade de Dijon. Tópicos em Ciências Agrárias. Freeze. Quando se substitui a equação de Darcy-Buckingham (3) na equação da continuidade (4). Jong van Lier & Libardi.usp. tanto é que na equação (1). o solo. a condição mais comum no meio poroso de nosso interesse. também atualizada (Libardi 2000). Em conseqüência das condições experimentais de seu trabalho. rebaixamento de lençol freático.edu. controle de erosão e poluição da água (Jones & Wagenet. No entanto. K(q). a equação de Darcy foi desenvolvida e aplicase para quantificar o movimento de um líquido em condições de saturação. a constante K é um índice que expressa a facilidade com que um meio poroso transporta a água através dos seus poros. como a soma do potencial mátrico fm (“potencial capilar” de Buckingham) e o potencial gravitacional fz. sendo fg o potencial gravitacional e fp o potencial de pressão. (3) A função condutividade hidráulica do solo. 1997. planejamento de sistemas de irrigação e drenagem. completamente saturadas. reescrevendo a equação do movimento da solução no solo como: q = . Paulo Leonel Libardi2 1 2 Professor .Centro de Ciências Agrárias. Queiroz et al. 2000. igual ao volume de água ou solução que atravessa. ft = fg + fp. movimento de água no interior do perfil do solo. pode ser escrita.

foi determinado por Ogata e Richards (1957). os primeiros pesquisadores a utilizarem a técnica do perfil instantâneo em experimentos de laboratório com utilização de colunas de solo e Richards et al. faixa de tensão a ser estudada e objetivo das determinações (Richards & Weeks. Ogata & Richards. o mais utilizado é o método do perfil instantâneo. t o tempo (horas) e z a coordenada vertical de posição (metros). provavelmente.. devido ao elevado grau de controle das condições experimentais.¶q = -div q . cuja expressão para o fluxo na direção vertical (Libardi. interrompe-se a infiltração e cobre-se a superfície do solo com uma lona plástica para evitar a evaporação e a entrada de água através da superfície. 1986. qual seja a eliminação do fluxo na superfície do solo com a colocação de uma lona plástica. Prevedello.. Esta área. No laboratório é possível atingir um grau de precisão e refinamento muito superior ao campo. Van Genuchten. UFRB. sendo também aplicável para determinar a condutividade hidráulica de solos não saturados in situ. Atingida a condição de saturação. Libardi et al. K (q) ¶f t =0 ¶z ¶f t >0 ¶z Z = Z. Richards e Weeks (1953) foram. Dentre os métodos de campo. natureza do solo. Libardi. Libardi. v. Childs. não obstante o grau de complexidade. 1986. procura-se uma solução para a equação de Richards (1928) na direção vertical (equação 5). 2000) é: ¶f ¶q ¶ æ çK( ) t = q ¶t ¶ zç ¶z è ö ÷ ÷ ø (5) sendo q a umidade (m3 m-3). mesmo para perfis heterogêneos. Shouse et al. Radcliffe & Rasmussen. deve ser convenientemente instrumentada para medida da umidade do solo e do potencial mátrico a diversas profundidades do perfil. Um novo aperfeiçoamento ao método. experiência e conhecimento do pesquisador. permeâmetro de carga decrescente. à medida que este ocorre. entre os limites Z = 0 e Z = Z com as seguintes condições de contorno: Z = 0. A água contida no perfil redistribui-se pelo processo de drenagem interna e. 1969. método das colunas pequenas. Green et al. 1957. Para aplicação do método do perfil instantâneo. Posteriormente foi aperfeiçoado por contribuições de vários autores. Amoozegar & Warrick. 1986. 1953. tipo de amostra disponível. Quantificação da condutividade hidráulica A determinação da condutividade hidráulica do solo pode ser feita por métodos de laboratório e de campo. 1986. Com este procedimento experimental. desde que o lençol freático seja ausente ou esteja bem profundo. 1980. Klute & Dirksen. enquanto que Watson (1966) melhorou a técnica para obtenção dos dados tornando o método mais preciso. Gardner. suficientemente grande para que os processos em seu centro não sejam afetados pelos seus limites. medidas periódicas de umidade e de potencial mátrico são feitas (Green et al. A escolha do método depende de alguns fatores como disponibilidade de equipamentos. as medidas são feitas em condições naturais e com perturbação mínima do solo. t ³ 0. 1992. 2000). 1972. t > 0. Jones & Wagenet. ¶t (4) gera-se a equação diferencial geral que rege o movimento da solução em solos isotrópicos com relação a K(q) e conhecida pelo nome de equação de Richards.. (1956) em condições de campo.. 1. Reichardt et al. Gardner & Miklich. De forma geral. 2000). É um método prático que não necessita de equipamentos sofisticados para sua aplicação. podem-se citar os seguintes métodos para determinação da condutividade hidráulica dos solos: permeâmetro de carga constante. método das colunas grandes. uma parcela deve ser delimitada no campo e inundada até a saturação. 1980. isto é. 1975. 1962. 1972. 1984. Também assume-se que as condições internas sejam isotérmicas durante o processo. Por outro lado. 1996. Hillel et al. método do furo do trado e método do perfil instantâneo. Klute. 2000. nas condições de campo. que tem como principal dificuldade a exigência de uma delimitação bem apurada da parcela experimental a fim de que não haja movimento lateral de água. 1956. infiltrômetro de tensão... É um método que foi inicialmente desenvolvido e testado para condições de laboratório em estudos de drenagem em colunas homogêneas de solo. 2009 . integrando-se esta equação com relação à profundidade Z. Existem também os métodos indiretos que tentam quantificar a condutividade hidráulica a partir de outras propriedades do meio poroso cuja determinação seja mais fácil. método das condições transientes. K (q) 200 Tópicos em Ciências Agrárias.

2000) e.Z ¶t Z ¶t 0 = ¶f t ¶f t ¶z Z ¶z Z (7) sendo hz (m3 m-2) a armazenagem de água no solo entre a superfície (Z = 0) e a profundidade Z. Nesse sentido. ou seja. um gráfico de ln K em função de q dá uma linha reta: ln K = ln K q = 0 + bq (8) sendo b o coeficiente angular da reta e ln Kq = 0 seu coeficiente linear. 1991). a equação (8) transforma-se. v. UFRB. os valores de K(q) apresentam uma relação exponencial com a umidade (Hillel et al. Hillel et al. em ln K o = ln K q = 0 + bq o Subtraindo a equação (9) da equação (8) tem-se: (9) ln K .ln K o = bq . como já esclarecido. portanto. Para a medida da umidade. respectivamente. b o coeficiente angular da reta ln K em função de q e qo e Ko a umidade e a condutividade hidráulica. 1972. determina-se a variação de armazenagem hz com o tempo t e o gradiente de qt ao longo de Z que aparecem na equação (7) e. Para o tempo zero de redistribuição.. soma dos potenciais mátrico e gravitacional.obtém-se: Z -ò ou. Libardi. muito embora tentativas tenham sido feitas para automatizá-lo. sob condições de campo (Or & Wraith. então. A primeira para determinação da densidade de fluxo de água no solo nas diversas profundidades e para diversos tempos a partir da integral da equação (7) com relação a profundidade do solo. Por meio de medidas simultâneas de umidade e de potencial total ao longo do perfil de solo durante a redistribuição da água. ao longo do perfil é recomendável a utilização de equipamentos não destrutivos. 2000). aproximada para um somatório e ¶q/¶t medida graficamente em pontos particulares no tempo em curvas de q em função de t. A segunda tabela. (1972) simplificaram bastante esta metodologia. 1981) e o TDR (Smith & Mullins. dividindo-se os fluxos q da primeira tabela pelos gradientes de potencial também obtidos graficamente a partir dos perfis de potencial total para os diversos tempos (Libardi.bq o ou (10) æ K lnç çK è O pelo que ö ÷ = b ( -q O ) q ÷ ø (11) K = e b (q -q O ) KO e. 2009 201 . Tópicos em Ciências Agrárias. para o tempo zero de redistribuição da água. o valor de ln K para q = 0. evidentemente. 2000). como por exemplo. para cálculo da condutividade hidráulica em cada profundidade e para diferentes umidades. a sonda de nêutrons (Greacen. o tensiômetro é um equipamento consagrado de medida da tensão ou potencial mátrico da água no solo. 1. Normalmente. Estes autores sugerem um roteiro simples para a determinação da função K(q) com base na elaboração de duas tabelas. isto é. (12) K = Ko e b (q -q o ) (13) sendo. o tipo tradicional com manômetro de mercúrio ainda é o mais adequado e utilizado para estudos da função K(q). Igualmente o mesmo deve ser considerado para determinação do potencial total. o valor de K(q). com o tempo. rearranjando ¶f ¶q dZ = K (q ) t ¶t ¶z 0 Z (6) Z -ò K (q ) Z = ¶h ¶q dZ .

De acordo com Falleiros et al. Bouma et al. organismos. clima. Para estes autores. normalmente. Silva et al. Eles concluíram que a função K = K(q) possui uma clara tendência de aumentar com a profundidade em conseqüência do efeito do preparo periódico. tendo como base teórica a estatística clássica. afetando a condutividade hidráulica do solo saturado. 1997.. propriedades do solo como a textura. 2000). Desta forma. podem acarretar grandes 202 Tópicos em Ciências Agrárias. 2009 . da infiltração e da condutividade hidráulica em relação à condição natural (Centurion & Demattê. Borges et al. 1907. (1995). Os processos de formação determinam. Esta heterogeneidade natural. UFRB. argila. 1972. Silva (1988). Baseando-se no exame de amostras micromorfológicas. apresentaram pequeno coeficiente de variação. a condutividade hidráulica está entre aquelas que apresentam maior índice de variabilidade. De outra forma. observaram que o aumento da densidade elevou a percentagem de microporos com conseqüente redução dos macroporos. Silva et al. Quanto à condutividade hidráulica. a forma exponencial da equação (13) para valores de q não muito baixos (Buckingham. 1999. seguramente. 2000). eles concluíram que há um decréscimo significativo na condutividade hidráulica do solo saturado com a profundidade e atribuem este fato à estratificação dos horizontes. 1985. Libardi et al. portanto. que propriedades do solo como areia. estando implícito nesta relação que K(q) é função direta de q e apresenta. Oliveira et al. relevo e tempo) que o torna um sistema dinâmico e variável. 1985.. a densidade. Dechen & Vieira (1997) apresentam resultados diferentes das conclusões de Carvalho et al. Com esta proposição Libardi et al. observaram uma acentuada queda nos valores. conferindo-lhe variabilidade espacial elevada.. eles concluíram que o desenvolvimento de microestrutura massiva resulta em baixos valores de Ko. Utilizando amostras compactadas artificialmente. resultante da interação dos seus fatores de formação (material de origem. Dentre as propriedades do solo. manejo e erosão. Corrêa. 1999). a condutividade hidráulica é influenciada por todas as propriedades que afetam a distribuição. 1992. pela remoção da camada superficial. estudando a variabilidade espacial de alguns atributos físicos de um Latossolo Roxo. que interferem nas propriedades físicas do solo. Souza et al. 1986. 1999. Nestes casos.. 1958. Outros fatores como sistemas de uso. quando analisam o impacto de erosão induzida. Souza. diminuição do teor de matéria orgânica e alterações da estrutura do solo. conseqüentemente. (1989) sugerem efeitos do processo de gênese na heterogeneidade e conseqüente variabilidade dos parâmetros hídricos do solo. a condutividade hidráulica. o autor faz uma importante consideração quando afirma que para os parâmetros físicos do solo influenciados pelas alterações na estrutura a sensibilidade é muito grande. pequenas alterações em propriedades como a densidade do solo. Variabilidade espacial do solo O solo é um corpo natural e complexo. Quanto ao tamanho dos poros. Mata. 1980. Outro fator importante que afeta a condutividade hidráulica é a umidade do solo (q). 1997a. o processo de desenvolvimento do perfil influencia no padrão de porosidade. Hillel et al. densidade do solo e porosidade. Comegna et al. Neste caso. 1995.. (1986) verificaram a influência do aumento da densidade nas propriedades físicas de dois Latossolos. da ordem de 1 a 2%.. físicas e biológicas do solo. (1995) determinaram a condutividade hidráulica de um Latossolo Roxo distrófico (Latosssolo Vermelho (EMBRAPA (1999)) pelo método do perfil instantâneo. ao passo que quando o processo resulta em poros de grãos simples e fissurais ocorre exatamente o contrário. concluiu. a estrutura. Em ambos os casos verificaram que a compactação alterou a porosidade e a condutividade hidráulica do solo saturado. é também acentuada pelas técnicas de manejo do solo decorrentes de seu uso agrícola (Alvarenga & Sousa. também afetam as suas propriedades hídricas e.. geralmente ocorre um aumento na densidade do solo e redução da porosidade total. a qualidade das argilas e a matéria orgânica exercem influência sobre a condutividade hidráulica. Por esta razão esta é uma das proposições mais utilizadas nos estudos relacionados com a condutividade hidráulica. Libardi. Na medida em que ocorre no espaço livre do solo. v. em atributos físicos e químicos do solo. reconhecida desde o início do século vinte. as características químicas. fundamental para a sustentação das diversas formas de vida no planeta.Uma alternativa na técnica do perfil instantâneo é a de se considerar o gradiente de potencial total como unitário. Gardner. Alvarenga & Davide. Porém. Assim. nos teores de água podem gerar coeficientes de variação superiores a 170% no valor da condutividade hidráulica do solo não saturado. Carvalho et al. (1998) a relação entre K e q é tão sensível que alterações muito pequenas. (1980) simplificaram mais ainda o procedimento para se determinar a função K(q) a partir de medidas de umidade apenas durante o processo de redistribuição. o tamanho e a forma dos poros. certamente relacionada com a diminuição do espaço poroso que foi constatada. 1.

quando se adota o uso de simplificações metodológicas como o gradiente de potencial total unitário. conteúdo de matéria orgânica e superfície topográfica. Os resultados destes autores sugerem também que. 1997). (1976) incluem como fatores de variação da condutividade hidráulica do solo não saturado. Comprovando esta realidade. Porém. umidade volumétrica antecedente. primariamente. determinados por métodos de laboratório e campo. De forma semelhante. (1997b) verificaram a influência conjunta da gradagem e matéria orgânica na distribuição de poros de um horizonte Ap para três diferentes solos e seus reflexos na condutividade hidráulica em relação aos horizontes mais profundos. pode ser vantajoso. resultados experimentais publicadas por Tópicos em Ciências Agrárias. como mostram os resultados de Calvache et al. Ko. 2009 203 . cuja magnitude de variação foi dez vezes maior do que no método de campo. Associados aos métodos. sob condições de campo. 1996) mesmo quando a variabilidade é simplificada em função da aplicação de técnicas e conceitos como o “scaling” (Mallants et al. os diversos procedimentos de cálculo também devem ser registrados como importantes fontes de variação da condutividade hidráulica. que medidas de laboratório não podem ser usadas como estimativa de valores de campo para o parâmetro condutividade hidráulica do solo saturado. Seus resultados mostram que as determinações de laboratório podem superestimar os valores de Ko. que não encontraram diferenças significativas quanto ao procedimento de cálculo da condutividade hidráulica do solo saturado. Warrick & Nielsen (1980) apresentam uma tabela em que registram os níveis de variação de algumas propriedades físicas do solo. podendo tanto subestimar quanto superestimar os valores da função K(q) (Bacchi & Reichardt. tendo em vista os resultados de Queiroz et al. Reynolds & Zebchuk (1996) realizaram um experimento com os objetivos de: a) comparar um grande número de medidas de condutividade hidráulica calculada pelos métodos do permeâmetro de Guelph e furo de trado. (1997). Neste caso. Prevedello et al. As conclusões de Maheshwari (1997) são confirmadas por Banton (1993). Neste caso. (1995). quando a drenagem é muito lenta. Estudando a propagação desses erros na determinação da condutividade hidráulica pelo método do perfil instantâneo. examinando seus efeitos na estimativa da média. 1988. então. pelo grau de desenvolvimento e estabilidade da estrutura do solo no campo. O autor sugere. estes autores informam que na faixa úmida os mesmos são responsáveis por 20 a 30% da variação dos valores de K. calibração e equipamentos). os erros decorrentes e associados aos métodos experimentais (erros de leitura. introduzindo erros.. O resultado da influência de todo este conjunto de fatores e suas relações é tornar a condutividade hidráulica do solo uma das suas propriedades com maior índice de variabilidade espacial e temporal. Comegna et al.3 mbar cm-1. Neste sentido. tendo em vista o fenômeno da variabilidade espacial. Este autor comparou valores de Ko. logicamente em função da maior macroporosidade apresentada por este horizonte. aqui entendida como condutividade hidráulica. quando o gradiente hidráulico é menor que 0. em relação a medidas de campo. em relação à textura. Nos três casos analisados a condutividade hidráulica foi maior no horizonte Ap. de acordo com Libardi (1978). conteúdo de matéria orgânica e superfície topográfica de um solo de textura argilosa. Flühler et al. podendo alcançar valores de até 420% de variação. (1994) analisaram a magnitude dos erros envolvidos no cálculo da condutividade hidráulica em função da umidade. Seus dados mostram que a condutividade hidráulica do solo saturado pode apresentar até 190% de variação. medida pelo método do furo do trado. que o método de determinação pode ser fator de variação da condutividade hidráulica para um mesmo solo. Porém. De acordo com estes autores a condutividade hidráulica é uma propriedade que apresenta alta variabilidade. o uso de simplificações para o cálculo da função K(q). Complementando. enquanto que os erros de medida da umidade são dominantes durante o processo de secagem do solo. Maheshwari (1997) constatou diferenças entre valores de Ko em estudo de comparação das inter-relações entre parâmetros físicos e hidráulicos do solo. deve-se ressaltar que esta não é uma regra geral. UFRB. enquanto que para a condutividade hidráulica do solo não saturado são bem mais significativos.modificações em parâmetros que dela dependam. Informam também que os erros originados da leitura dos tensiômetros são mais importantes que outros e ocorrem no início do proces-so de drenagem. tipo distribuição de poros e retenção e movimentação de água. observou-se que os erros na condutividade hidráulica são crescentes com a diminuição da umidade e podem subestimá-la em valores compreendidos entre 12 até 73%. 1. Souza et al. da variância e na distribuição deste parâmetro hídrico para um mesmo solo. sistemáticos. devido a alterações nas amostras e ocorrência de fluxo preferencial durante o processo de medida. b) caracterizar a distribuição das medidas de Ko e sua relação com a variabilidade espacial da textura. o alcance. Importante registrar também. v. a magnitude e a estrutura da variabilidade da condutividade hidráulica do solo saturado foram controlados. as características estatísticas diferiram significativamente e não houve correlação entre os resultados de campo e laboratório. Os métodos resultaram em estimativas equivalentes para Ko. experimentais. pois permite a substituição de métodos mais precisos por outros mais simples e que possibilitem a obtenção de um maior número de medidas.

textura média. gerando informações científicas mais claras e precisamente analisadas. em uma área de 1. como a condutividade hidráulica. quando for necessária a obtenção de amostras independentes para investigar propriedades físicas do solo. relativos à condutividade hidráulica. Eles concluíram que a variabilidade é mais acentuada nas camadas superficiais. resultados de vários estudos apresentados por Iwata et al. Warrick & Nielsen (1980) sugerem que os estudos e avaliações sobre a variabilidade dos solos devem contemplar os padrões e freqüências de distribuição e estrutura da variabilidade. com equilíbrio entre o econômico e o técnico. Ao contrário de Jong van Lier & Libardi (1999) e Anderson & Cassel (1986). é a principal causa de variabilidade nas relações matemáticas entre K e q. Estes autores analisaram.300%. Anderson & Cassel (1986) indicam que somente existe autocorrelação para propriedades como a condutividade hidráulica em distâncias menores que 2. atingindo valores extremamente baixos aos quarenta dias de experimento. segundo Grossi Sad (1986) estabeleceu-se que a quantificação da variabilidade de um certo atributo medido neste corpo geológico deve ser feita por meio de técnicas estatísticas. 2009 . Avaliação da variabilidade espacial De acordo com Berg & Klamt (1997). indicando o número mais representativo de amostras. Jong van Lier & Libardi (1999). 204 Tópicos em Ciências Agrárias. conseqüentemente. Ko. diminuindo significativamente em profundidade. enquanto o Ko variou de 10-8 m2 h-1 kPa-1 a 102 m2 h-1 kPa-1. (1973) e Cadima et al. Sugerem a comparação entre solos. afirmam Nielsen et al. Finalizando. Também constataram que a variabilidade temporal é muito significativa nas camadas superiores do perfil. Verificaram também uma variação muito maior dos valores de g nas camadas superficiais. Complementando esta última informação. cuja variação pode chegar a 150%.000 m2 de um Typic Haplustoll eles concluíram que o ponto crítico das estimativas de K estão nos valores de Ko. Resultados de Jong van Lier & Libardi (1999) também mostram que o valor da condutividade hidráulica do solo saturado. com doze pontos de observação. em nove profundidades.5 metros e. Os mesmos autores. não representa uma área muito maior do que àquela onde o método foi aplicado. (1995) compararam dois procedimentos para determinação das relações K(q). geram erros cuja ordem de grandeza são significativamente elevadas. utilizando o método do perfil instantâneo. físicas e biológicas. afirmam que a relação entre K versus q. Assim. para este parâmetro hidráulico em suas aplicações agrícolas. o mapeamento e aplicação de técnicas para o manejo e a recuperação dos solos.000 m2. para o levantamento e a classificação. principalmente para as camadas superficiais. sob condições de campo. Estes níveis de variação indicam que a utilização e extrapolação de valores médios. os valores de condutividade hidráulica diminuíram bruscamente nas primeiras vinte e quatro horas após a interrupção da infiltração. Neste caso. da escala de observação (Seyfried. a variabilidade espacial da condutividade hidráulica de um Latossolo Vermelho-Amarelo (Latossolo Vermelho (EMBRAPA (1999)). afirmam que “a variabilidade dos parâmetros físicos do solo pode ser integrada para responder às crescentes questões sobre problemas específicos que permitam escolher os melhores sistemas de manejo”. Por sua vez. Para o g. 1998). (1980) outras informações interessantes sobre a variabilidade da condutividade hidráulica do solo não saturado. locais e métodos de análise para todos os parâmetros possíveis. quando determinada pelo método do perfil instantâneo. v. o conceito de homogeneidade para os solos e suas características tem uma aplicação relativa e depende. a variação foi da ordem de 200 a 6000 em uma mesma profundidade. Utilizando o método do perfil instantâneo em cinco parcelas distribuídas em uma área de 10. Calvache et al. o planejamento da amostragem deve considerar este fato. Neste experimento os valores de g (correspondente ao b da equação 13) e Ko mostraram-se muito variáveis. de uma Terra Roxa Estruturada Latossólica (Nitossolo (EMBRAPA (1999)). Estes autores conduziram um experimento para medir a variabilidade dos parâmetros da equação exponencial que relaciona a condutividade hidráulica com a umidade do solo. cujos resultados poderão ser utilizados com grande confiança. Por isso. Como se trata de um meio naturalmente descontínuo.Anderson & Cassel (1986) indicam que a condutividade hidráulica do solo pode variar de 130 até 3. o conhecimento da variabilidade espacial das características do solo tem importância significativa para o correto uso deste recurso natural. resultando em valores de K(q) com até 100% de variabilidade. (1980). evidenciando que os problemas na determinação da função K(q) e suas aplicações em estudos hidrológicos devem considerar essa característica. UFRB. 1. (1994) indicam que a dependência espacial da função K(q) pode alcançar valores acima de 30 metros. portanto. resultantes de observações experimentais de campo em estudos de dinâmica da água no solo. uma vez que ela afeta as amostragens para fins de avaliações químicas. Uma análise mais apurada permite identificar nos resultados de Cadima et al. a partir de grupos multidisciplinares e com o uso da expressiva base de dados já existente. pode-se alcançar a solução dos problemas contemporâneos.

um fenômeno natural qualquer. pois. Ao nível de série.. quanto aquela que ocorre em pequenas distâncias têm sido extensivamente descritas e classificadas. conferindo-lhes características diagnósticas que possibilitam a sua individualização como corpos naturais homogêneos ao nível de ordem. Detalhamentos dos princípios básicos. Neste caso o procedimento de amostragem não precisa de planejamento prévio e elimina a interpolação entre as medidas. 1994. 1989. Trangmar et al. Discordando de Russo & Bresler (1981). A obtenção dos materiais de solo para quantificação da variabilidade pode ser feita utilizando amostras contínuas ou discretas. em Nielsen et al. Vieira (2000). v. existem levantamentos de solos com escala suficiente para identificar até dez unidades de mapeamento por propriedade rural. (1983).. podendo ser representada por funções numéricas ordinárias que assumem um valor definido em cada ponto e descreve. dependem do elemento de volume ou tamanho da amostra. Rodrigues & Zimback. sendo necessário. um valor considerado representativo para toda uma região no espaço. Vieira et al. as propriedades do solo na paisagem. (1985). por exemplo. a aplicação de técnicas mais refinadas para quantificar precisamente algumas de suas propriedades no campo. Sousa et al. Em escala macro. a definição de uniformidade e heterogeneidade do solo depende de um Volume Elementar Representativo (VER). Gonçalves et al. é indispensável ao estudo e pode ser encontrado. os autores relatam que cada parâmetro hídrico pode ser caracterizado estatisticamente por uma função de probabilidade independentemente da sua posição espacial e por uma função de autocorrelação que depende somente do valor da distância que separa dois pontos no campo. textura e temperatura.1988. 1996b. (1981) estudaram a dependência e a estrutura espacial para onze propriedades físicas de um Typic Torrifluvent no Arizona e verificaram que foi difícil realizar generalizações. que descreve a dependência e a variabilidade espacial de uma variável a partir de correlogramas e semivariogramas. afetam o transporte e o armazenamento de água no perfil. Porém. Couto & Klamt. potencial mátrico. Uma revisão importante sobre o tema variabilidade espacial de solos foi feita por Reichardt et al. 1. Neste trabalho os autores mostram que as técnicas da estatística tradicional e da geoestatística são complementares e que a Tópicos em Ciências Agrárias. 1997. matematicamente. aspectos e requerimentos para o cálculo das diversas funções da geoestatística e suas aplicações no estudo da variabilidade das propriedades físicas do solo exigiriam o desenvolvimento de um formulário muito extenso neste ponto. (1986). muito embora a zona de influência das propriedades físicas tenha sido fortemente dependente da distância entre as amostras. em minúcias. obtidas pelas técnicas de sensoriamento remoto. Como exemplo desta técnica. conseqüentemente. usam-se fotografias aéreas ou imagens de satélite. Portanto. Vieira (1997). tanto a variação em grande escala. evidentemente. como nos EUA.. o qual deve apresentar um pequeno desvio padrão. para efeito de classificação e mapeamento. 1988). 2009 205 . Não raro. dentre as quais a condutividade hidráulica (Cogels. influenciando significativamente o desenvolvimento do solo.. (1997). 1999. em muitos locais do planeta. Desta maneira somente uma parte da população é observada e as suas características são inferidas por meio de técnicas estatísticas. o espaço para o qual cada valor é representativo. tal o patamar de detalhamento alcançado. visto que medidas de propriedades como densidade do solo. (1973). Russo & Bresler (1981) afirmam que as propriedades hídricas do solo não variam aleatoriamente no campo e que. Warrick & Nielsen (1980). variam em resposta a variações regionais de clima e material de origem. O processo de amostragem discreto requer a coleta de amostras em locais predeterminados e usa técnicas invasivas de obtenção. UFRB. Vários trabalhos foram realizados com o objetivo de determinar o VER para as diversas propriedades físicas do solo. os padrões de variação das propriedades do solo ao nível de parcela no campo (Mulla & McBratney. Este conceito possibilitou a interpretação precisa de resultados experimentais relativos a muitas propriedades químicas e físicas do solo (Cambardella et al. A variável regionalizada possui. a variabilidade das propriedades do solo é causada por pequenas mudanças na topografia que. o qual preferimos suprimir neste trabalho. 2000). No campo. Das técnicas estatísticas aplicadas ao estudo da variabilidade dos solos. esses autores também indicam que é difícil atribuir uma escala mais precisa para estudos de variabilidade de parâmetros físicos do solo. Lauren et al. Wendroth et al. Mulla & McBratney (2000) citam a determinação da condutividade elétrica do solo com o uso do sensor de indução eletromagnética “Geonics EM38”. a medida de uma determinada propriedade do solo é feita em toda abrangência da área de interesse no campo. mas que. bem como o alcance de cada amostragem. sua descrição estatística deve considerar a estrutura da variabilidade espacial. Gajem et al. No entanto. pois. Mulla & McBratney. Bouma et al. conteúdo de água. 1983. a geoestatística é uma ferramenta de análise de amostragem regionalizada. que explicitam o nível de dependência espacial. Considerando que a estrutura da variabilidade espacial das propriedades hídricas do solo é caracterizada por uma escala integral. 1997. portanto. Raice & Bowman. mesmo os mapeamentos mais detalhados não são suficientes para expressar e descrever.Miyazaki (1993) também considera que a heterogeneidade do solo é função de uma escala.. retratar a estrutura da variabilidade espacial e ser adequado para a operacionalização do método de medida. 2000). que representa a distância na qual determinado parâmetro está correlacionado com seu par e. No processo de amostragem contínuo. Para tanto. por sua vez.

UFRB. (1996). Souza (1992). Outros autores discutem diretamente a aplicação destes conhecimentos ao estudo da variabilidade dos solos. Neste caso torna-se necessário uma medida relativa da variabilidade. Gomes (1987). nas condições de seu experimento. densidade dos sólidos. A média fornece uma idéia do conjunto de dados porém não permite avaliar a sua dispersão. 1. visto que as unidades de medida também são diferentes. a moda. confirmando as conclusões de Reichardt et al. 1999). Para tanto. a assimetria. Silva (1988) realizou um experimento com o objetivo de comparar a estatística clássica com a geoestatística em relação à quantificação da variabilidade dos atributos físicos do solo. o desvio padrão tem a vantagem de apresentar a variabilidade dos dados na unidade de medida original. Banzato & Kronka (1995). também é muito usada para examinar aspectos de variabilidade espacial dos parâmetros físicos do solo. muito embora seja uma importante ferramenta auxiliar. 206 Tópicos em Ciências Agrárias. dentre outras. Neste caso a amostragem é feita de forma inteiramente casualizada e sem considerar a posição relativa de cada variável no espaço. desvios pequenos indicam mais homogeneidade dos dados e conseqüentemente pequena dispersão. Como não conseguiu. o coeficiente de variação. Também assume-se que as amostras são completamente independentes entre si. Tais estimativas são mais confiáveis à medida que se aumenta o número de observações. Segundo Libardi et al. sendo. em uma seqüência ordenada de dados. mas de tratamento matemático muito simples e de propriedades sempre convincentes. Fischer assumiu a direção do Departamento de Estatística da Estação Experimental de Rothampstead em Londres e passou a buscar métodos matemáticos que lhe possibilitasse obter conclusões sobre vários fenômenos experimentais. Porém a utilização do desvio padrão para comparação de duas variáveis diferentes é inadequada. 2009 . Desvios grandes indicam dados heterogêneos e com elevada dispersão de seus elementos. identificar a estrutura da variabilidade. a média representa apenas uma estimativa do valor correto da amostra. a distribuição da freqüência dos dados. dentre os quais podem ser citados Warrick & Nielsen (1980). Levine et al. Reichardt et al. a curtose e os intervalos de confiança para as estimativas dos dados.X ) N . densidade do solo e curva de retenção de água em um Latossolo Roxo (Latossolo Vermelho (EMBRAPA. (1986) quando aplicaram as funções da teoria das variáveis regionalizadas para avaliar a magnitude da variabilidade espacial da umidade. recomendável como estatística de avaliação da variabilidade. A média é considerada uma medida de posição ou medida de tendência central e sua estimativa é dada pela seguinte expressão matemática: X= 1 N å Xi N i =1 (14) sendo N o número de medidas consideradas e Xi o valor de cada medida em análise. A base teórica e detalhamento dos métodos estatísticos clássicos estão amplamente descritos em Spiegel (1968). freqüentemente referida como estatística clássica. Ao contrário. este autor considera que a geoestatística não encerra todas as dificuldades para estudos de variabilidade espacial. tal qual o coeficiente de variação. Nos estudos de variabilidade os parâmetros estatísticos considerados pela estatística clássica são a média. a mediana. é a estimativa do desvio padrão (s). textura. v. Miyazaki (1993) e Mulla & McBratney (2000). Mata (1997) afirma que a geoestatística o permitiu chegar a conclusões que passariam despercebidas caso fosse utilizada somente as ferramentas “tradicionais” ou estatística clássica. A mediana é o valor do meio ou a média aritmética dos dois valores centrais. desta forma. 1999). O desvio padrão indica a heterogeneidade do conjunto de dados em estudo. (1986). o desvio padrão. A média e o desvio padrão são duas características chaves para a análise inicial da variabilidade de uma população. a variância. Estes métodos estatísticos foram desenvolvidos a partir do ano de 1919. (1986). No entanto.1 i =1 s= (15) Na prática. textura e densidade de uma Terra Roxa Estruturada (Nitossolo (EMBRAPA. Gomes (1987b). conforme verificaram Libardi et al. a estatística não espacial. A moda é o valor que ocorre com a maior freqüência. Não obstante a reconhecida eficiência da geoestatística como ferramenta para análises relacionadas com a variabilidade espacial. quando Ronald A. uma maneira sofisticada.geoestatística possibilita a obtenção de respostas que os métodos tradicionais não conseguem fornecer. Mais crítico e considerando que os métodos estatísticos diferem basicamente na forma de avaliar a variabilidade dos dados. O modelo matemático para calcular o desvio padrão é: 2 1 N å (X i . (1998). que é a raiz quadrada da variância (s2).

expressa pelo coeficiente de variação. areia e argila (Vieira. as distribuições de freqüências assimétricas devem ser normalizadas. a mediana e a moda são iguais. 1. ao contrário. no qual valores de 0 . isto é feito calculando-se o logaritmo natural do dado observado. Moraes (1991) e Beiguelman (1994) detalham o método dos momentos estatísticos. informando que é um dos mais utilizados para este propósito e Libardi et al. contribuindo para definir de maneira mais completa a sua variabilidade. Propriedades do solo com CV elevado são mais variáveis que aquelas com baixo valor de CV. Reynolds & Zebchuk (1996). foram Nielsen et al.. média (12% < CV < 80%) e alta (CV > 80%). geralmente log-normal. Diante das questões econômicas. Exemplos de aplicações em que o logaritmo é usado para normalizar a distribuição dos dados aparecem em estudos das propriedades hídricas do solo realizados por Sisson & Wierenga (1981). condutividade hidráulica (Libardi et al. de tempo e praticidade. 1980. 1996). A freqüência de distribuição corresponde a um arranjo tabular dos dados por classes. Considerando que a distribuição normal é uma exigência básica para análise de dados pelos métodos da estatística clássica. (1973) provavelmente os primeiros autores a verificarem que as propriedades do solo obedecem a diferentes padrões de distribuição. “box-plot” e ramos e folhas.O coeficiente de variação é um número que representa o desvio padrão em percentagem da média. As curvas de freqüência aparecem. 16 . como realizar este processo? Esta etapa do estudo da variabilidade deve começar a partir de um planejamento de amostragem capaz de fornecer as bases para uma precisa identificação dos padrões da variabilidade espacial da propriedade em estudo. Estes padrões de distribuição também foram encontrados por vários pesquisadores. (1986). Banton. apresentam uma distribuição normal. Esta função permite calcular médias. A curva de distribuição de freqüência para uma população com alta variabilidade apresenta-se relativamente larga e ampla. Informações complementares aos momentos estatísticos já descritos podem ser obtidas pela caracterização da freqüência de distribuição dos parâmetros medidos. O Tópicos em Ciências Agrárias. na prática. em três níveis: Baixa variação (CV < 12%). como a condutividade hidráulica. Segundo Reichardt et al. respectivamente. 1997). como teores de areia e argila. para o coeficiente de variação. se a população varia pouco. Por exemplo Warrick & Nielsen (1980) classificaram a variabilidade das propriedades do solo. Quando a freqüência de distribuição é normal. 2009 207 . UFRB. Uma distribuição assimétrica muito comum é a log-normal. existe até proposições de uma classificação para identificar a extensão da variabilidade das propriedades do solo com base no seu coeficiente de variação. enquanto outras. (1996) demonstram as verificações da normalidade para os métodos do gráfico de Henry. Mulla & McBratney (2000) citam outro esquema de classificação bem mais rigoroso. Guerra (1988) cita os testes não paramétricos de KolmogorovSmirnov e Chi-Quadrado. pois. Nos outros casos são diferentes. sob diversas formas características. Schaap & Leij (1998) e Comegna et al.15%. 1993.35% e > 36%.5s 2 ) (17) A dispersão de uma distribuição de freqüência normal em torno da média é uma importante medida da variabilidade da população amostrada. indicam pequena. Jones (1969) propõe a utilização de tabelas relacionando os valores de assimetria e curtose para testar a normalidade de um conjunto de dados com base na teoria estatística dos testes de hipótese. A média (m) e a variância (s2) da distribuição do logaritmo transformado podem ser usadas para estimar a média aritmética dos dados não transformados usando a seguinte expressão: X = exp(m + 0. Warrick & Nielsen (1980) sugerem um método gráfico como sendo uma das maneiras mais fáceis. juntamente com as freqüências correspondentes. recomendando desde dezenas até milhares de amostras. Logsdon & Jaynes. Por outro lado. que indica a precisão dos dados e possibilita a comparação racional entre valores diferentes. (2000).. Podem ter distribuição normal ou não. um número abstrato e relativo. No caso da distribuição lognormal. Em estudos de variabilidade uma pergunta a ser respondida é: quantas amostras devem ser obtidas para representar adequadamente uma propriedade ou característica do solo diante de sua inerente variabilidade espacial? Os estudos disponíveis apresentam as mais diversas proposições. a média. dispersões e a probabilidade de um dado valor ocorrer entre limites especificados. De acordo com os autores muitas propriedades do solo. Neste caso. média e alta variabilidade. a curva tem aspecto estreito e muitos dos seus valores estarão bem próximos da média e mediana. Para medidas de dispersão normalizadas em torno de uma média o CV é estimado pela expressão: æ sö CV = ç ÷ 100 èXø (16) O CV é. seguem distribuição assimétrica. Existem diversos métodos para identificar qual o tipo de distribuição de um conjunto de dados. sendo simétrica ou assimétrica em relação à média. v. Quando isto ocorre o valor da mediana é maior que a moda e menor que a média.

desde que N não é conhecido. possibilita identificar. No entanto. s é uma estimativa preliminar do desvio padrão da população. (1988). o coeficiente de correlação de Spearman (r) possibilita verificar a existência da estabilidade temporal. o verdadeiro número de amostras para estimar a média é dado pela relação N2 / N*. Vachaud et al. com a precisão desejada. Com base em estudos de conteúdo de água no solo esses autores introduziram o conceito de estabilidade temporal.número ótimo de amostras a ser coletado depende da variabilidade da população. Sendo assim. do custo das análises e disponibilidade dos equipamentos de laboratório. (1985) propuseram uma metodologia capaz de reduzir o número de observações requeridas para caracterizar uma propriedade física do solo. em qualquer tempo. do nível de precisão desejado para estimar a média da população. Gonçalves et al. notadamente para os casos de propriedades do solo com grande variabilidade. um número suficiente de observações para obtenção de seus parâmetros estatísticos clássicos. possibilitando a análise dos 208 Tópicos em Ciências Agrárias. o número de graus de liberdade necessários para a estimativa de t também não é. Normalmente o número de amostras que resulta da aplicação das metodologias tradicionais é muito grande. UFRB. durante o tempo de redistribuição da água. Existem na literatura proposições que permitem estimar o verdadeiro valor de N a partir do cálculo interativo de valores estimados do próprio N e seus correspondentes graus de liberdade para t. é necessário um grande número de amostras para estimar a média. a seguinte fórmula é muito utilizada para estimar o número (N) de pontos amostrais necessários para calcular. Para tanto. Vachaud et al. Em seu trabalho os autores constataram a persistência das distribuições espaciais da umidade e a possibilidade de identificar locais de amostragem cujos valores permitam estimar a média geral da umidade em uma área. (1985) propõem duas técnicas. que é utilizado como uma ferramenta estatística para indicar o grau de concordância da variabilidade espacial obtida em diferentes tempos. Tal conceito pode ser definido como resultante da associação invariável no tempo entre a localização espacial e as medidas estatísticas que caracterizam uma dada propriedade do solo. Na prática. difere da equação (18). Em alguns casos. do intervalo de confiança da média populacional. d é o desvio padrão desejado da população em relação à média. sempre assume-se que o tamanho da amostra (N) é suficiente para tal objetivo (Mulla & McBratney. o que nem sempre é correto. Para o caso de parâmetros cujas amostras são independentes e apresentam distribuição normal. sendo aconselhável a identificação de mais de um local de medida para ampliar a representatividade da amostragem. no método do perfil instantâneo para determinação da condutividade hidráulica. Melo Filho (2002) também aplicou a técnica da estabilidade temporal em medidas do teor de água (q) e potencial mátrico da água no solo (fm) e verificou que a existência da estabilidade temporal para teor e potencial mátrico da água no solo. 2009 . Os mesmos Mulla & McBratney (2000) afirmam que o modelo matemático para calcular o número de amostras de populações para as quais a variabilidade espacial é considerada. 1983). Para analisar a estabilidade temporal Vachaud et al. (1985) sugerem o cálculo das diferenças relativas e seus respectivos desvios padrões. (1999a) comprovaram o conceito de Vachaud et al. 2000).000 amostras para estimativa da média com razoável precisão (Anderson & Cassel. para um determinado tempo. o valor da sua média. (1985) quando estudaram a estabilidade temporal da distribuição espacial da umidade no solo em uma área irrigada. esse número pode alcançar valores impraticáveis de até 26. mas não identifica os locais em que as medidas possam ser feitas para representar a média da variável em estudo para qualquer tempo e valor. 1986). 1. Na teoria. Para o autor isso representa um avanço em relação às outras metodologias tradicionais. conforme bem explicitaram Wesenbeeck et al. Para aplicação do conceito de estabilidade temporal a um conjunto de dados é necessário que duas condições sejam atendidas. v. quando a correlação espacial existe. Este incremento do número de amostras necessárias é estimado calculando-se o número de observações independentes para a população. no campo. na medida em que possibilita a redução do número de amostras necessárias para estimar uma média representativa com elevada precisão e reduzido esforço amostral. t 2 x s2 N= d2 (18) em que t é o valor tabulado de Student para o nível de confiança estabelecido. Para a umidade do solo este conceito foi comprovado. como para a condutividade hidráulica do solo saturado. A primeira técnica é o teste de correlação de Spearman (Campos. Neste caso. na medida em que o teor de água em um local mais úmido no solo tende a se manter assim em qualquer tempo. Na segunda condição deve ser possível associar a cada posição ou local o seu valor estatístico de densidade de probabilidade de distribuição normal. A primeira condição requer. na qual o denominador refere-se ao número equivalente de amostras independentes. Percebendo esta dificuldade prática para a obtenção de médias representativas. posições que representam as médias dessas variáveis em qualquer tempo e que as posições identificadas como estáveis no tempo podem ser usadas para estimativa de q e fm com razoável precisão e representatividade.

No primeiro caso. ao acaso. O uso do termo “bootstrap” tem origem na frase 'to pull oneself up by one's bootstrap'. De acordo com Vachaud et al. UFRB. a composição e o volume da amostra. (1985) o cálculo das diferenças relativas pode ser feito utilizando-se a seguinte equação: DR(% ) = c ij . Segundo seus resultados. (1985). possibilitam identificar os pontos cujos valores sempre estejam próximos da média e possam ser utilizados como referência amostral. (1985).. foram desenvolvidas poderosas metodologias de amostragem com base em programas de computador.. Concluíram que a armazenagem de água em um determinado local resulta da ocorrência de um conjunto de processos hidrológicos que operam em diferentes escalas espaciais e então. genética. no momento j. Igualdades ou pequenas variações da diferença relativa entre posições ao longo do tempo indicam estabilidade temporal. O método de reamostragem com reposição é mais vantajoso porque torna a população teoricamente infinita.desvios entre os valores observados individualmente e a média deles. úmido. sistemática. Concluíram que as estimativas de amostragem utilizando o “bootstrap” difere do método convencional e como a mesma independe da distribuição dos dados e não é afetada pela presença de “outliers” pode ser utilizada para estimar tamanho de amostras com precisão e eficiência. cij a determinação no local i no tempo j. o tipo de equipamento usado para coleta. no livro sobre suas aventuras. como economia. Do mesmo modo Melo Filho et al. 2000. 2000). O “bootstrap” é uma técnica computacional. As mesmas. Na realidade o “bootstrap” é um procedimento computacional intensivo de reamostragem. Por outro lado. em que cada observação de uma população tem a mesma probabilidade de ser incluída na amostra. escrito por Rudolph Erich Raspe no século dezoito. 2000).c j cj 100 (19) sendo: DR (%) a diferença relativa entre uma determinação individual para um local e tempo e a estimativa da média. tendo como base dados de uma amostra ou população. recente. o “bootstrap” foi importante ferramenta de apoio para o desenvolvimento de um sistema de modelagem para calcular propriedades Tópicos em Ciências Agrárias. 2009 209 . Amador et al. Este processo pode ser feito com ou sem reposição. medidos espacialmente. Uma das formas para se obter amostras representativas é a reamostragem aleatória. cj a determinação média para todas as posições. biologia e agronomia. quando ordenadas e plotadas em um gráfico. O tempo ou período de amostragem é particularmente importante quando se medem variáveis temporais. demonstraram que análises de coerência espacial poderiam ser usadas para examinar a estabilidade temporal como uma função da escala espacial de qualquer variável do solo. Aplicações da técnica “bootstrap” ao estudo da variabilidade de parâmetros hídricos do solo são encontradas nos trabalhos de Dane et al. atribuída ao Barão de Munchausen. Kachanoski & De Jong (1988) aplicaram o conceito de estabilidade temporal como definido por Vachaud et al. O “bootstrap” é uma delas. Sua desvantagem é ser um processo trabalhoso e complexo. a profundidade é dependente de muitos outros fatores como o tipo de propriedade a ser medida. 1. na medida em que se pode obter um número muito grande de amostras. Várias estratégias para determinar a distribuição espacial dos pontos a serem amostrados foram desenvolvidas. compactado). uma observação pode ser escolhida mais de uma vez. entre as quais pode-se citar amostragem dirigida. 1996. o tempo. Suas conclusões significaram um avanço e ao mesmo tempo simplificaram a proposta de Vachaud et al. Outro exemplo da aplicação da técnica “bootstrap” para estudo de propriedades hídricas do solo é o trabalho de Schaap & Leij (1998). v. em faixas e amostragem geoestatística (Mulla & McBratney. Venkovsky et al. incluindo física de solos (Efron & Tibshirani. Jhun & Jeong. Utilizando-se esta técnica é possível realizar comparações estatísticas em áreas diversas do conhecimento científico. (1986) e Hendrickx & Wierenga (1990). Resumindo. Estes pesquisadores utilizaram o “bootstrap” em associação com funções do tipo “neural networks” para desenvolver esquemas de modelagem para o cálculo e estimativas da curva de retenção e condutividade hidráulica em condições de saturação e não saturação. para evitar erros de amostragem é necessário um rigoroso planejamento estatístico juntamente com a aplicação de técnicas adequadas. Chung et al. baseado na técnica da substituição. ecologia. (2003) aplicaram e técnica “bootstrap” em um conjunto de dados de umidade e potencial mátrico da água no solo para o desenvolvimento de um método capaz de determinar o número mínimo de amostras necessárias para estimar a média de uma população a partir de um determinado grau de precisão. enquanto que no método sem reposição a observação só pode ser escolhida uma vez em cada reamostragem. tipo e profundidade de cultivo e principalmente das condições de solo (seco. estratificada sistemática. 1997. que possibilita a estimativa da distribuição amostral de estatísticas de interesse. 1993. como teor de água e condutividade hidráulica do solo. Outras considerações adicionais ao número de amostras incluem a profundidade. Para superar esta limitação técnica. estratificada ao acaso.. desenvolvida para realizar inferências estatísticas de uma amostra populacional.

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Vital Pedro da Silva Paz & Greice Ximena Santos de Oliveira Tópicos em Ciências Agrárias . Áureo Silva de Oliveira.CAPÍTULO 16 EVAPOTRANSPIRAÇÃO Francisco Adriano de Carvalho Pereira.

Entretanto. DEFINIÇÕES A evapotranspiração pode ser definida como a soma da quantidade de água perdida por uma superfície coberta com vegetação.15 m. 1.EVAPOTRANSPIRAÇÃO Francisco Adriano de Carvalho Pereira1. v.Centro de Ciências Agrárias. Desta maneira. introduziram o termo evapotranspiração de referência (ETo). participando como constituinte do protoplasma celular em proporções que podem alcançar 95% do seu peso total. diferenciando-se unicamente quanto ao tipo de superfície evaporante. deveria ser baixa e de altura uniforme. com altura de 0. quando se trata da quantificação da evapotranspiração e do requerimento de água das culturas.br Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. com altura de 0. UFRB.). E-mail: fadriano@ufrb. cobrindo totalmente a superfície do solo e sem restrições hídricas. à utilização do modelo de Penman-Monteith. Buscando apresentar uma padronização para a definição da evapotranspiração de referência e visando. através do sistema solo-planta para a atmosfera. Jansen et al. participa de importantes processos metabólicos essenciais à vida vegetal.3 a 0. sendo a grama tomada como padrão. sob condições ótimas de umidade do solo. Vale ressaltar. como a fotossíntese e a fosforilação oxidativa. No protoplasma. em crescimento ativo e sem restrições de água no solo. Cruz das Almas-BA. definindo-a como a água utilizada por uma extensa área vegetada. Do ponto de vista físico. Greice Ximena Santos de Oliveira2 1 2 Professor . Cruz das Almas-BA. devido às diferenças de rugosidade e albedo das suas superfícies. INTRODUÇÃO A água é um elemento essencial ao desenvolvimento vegetal. com altura fixa de 0.edu. Devido à grande diversidade de termos existentes na literatura. como aquela que ocorre em uma extensa superfície gramada. Vital Pedro da Silva Paz1. A evapotranspiração real é aquela que ocorre numa superfície vegetada. numa dada condição climática. em crescimento ativo. utilizados na definição do processo da evapotranspiração. em virtude da sua utilização como cobertura dos postos meteorológicos. no qual a água passa da fase líquida para a fase de vapor. Durante o seu ciclo de desenvolvimento as plantas consomem um grande volume de água. que os valores obtidos com a utilização da cultura da alfafa podem diferir substancialmente dos encontrados com a grama. argumentou-se que o seu porte seria mais representativo das condições aerodinâmicas de outras culturas do que a grama com o seu porte rasteiro. a evapotranspiração (ET) constitui a transferência de água.5 m. o consumo de água pelas plantas normalmente se refere à água transferida para a atmosfera pelos processos de evaporação da superfície do solo e pela transpiração das plantas. pode-se verificar que a definição de evapotranspiração de referência coincide com a evapotranspiração potencial (ETP). Smith (1991) apresentou uma conceituação da ETo como aquela que ocorre em uma cultura hipotética. as plantas transferem aproximadamente 98% da água retirada do solo para a atmosfera. principalmente. Em essência. utilizando os conceitos propostos por Thornthwaite aplicando-os à cultura da alfafa (Mendicago sativa L.08 a 0. Aureo Silva de Oliveira1.12 m. (1971). Posteriormente. muitas dificuldades têm surgido entre os técnicos para a compreensão deste importante fenômeno de transformação física. entretanto. Doorenbos & Pruitt (1977) apresentaram um definição para evapotranspiração de referência. Entre as razões apresentadas para a escolha da alfafa como planta de referência. com área tampão de 100 m aproximadamente. Desta maneira. os processos da evaporação e da transpiração são muito parecidos. Desta maneira. faz-se necessário um conhecimento claro a respeito de certas definições. sendo que deste total. poder refletor (albedo) de 23% e resistência do dossel ao transporte de vapor d'água de 69 sm-1. através da evaporação direta da superfície do solo e da água perdida pelas plantas através da transpiração. O termo evapotranspiração potencial (ETp) foi introduzido na literatura especializada por Thornthwaite (1948). Ambientais e Biológicas/UFRB. Essa proposição coincide com a evapotranspiração de uma superfície coberta com grama. na forma de vapor. Penman (1956) estabeleceu que o tipo de vegetação a ser tomada como referência. sem imposição de qualquer condição Tópicos em Ciências Agrárias. viabilizando o intercâmbio de trabalhos realizados sob condições diferentes. 2009 221 . em crescimento ativo e cobrindo totalmente a superfície do terreno.

000 m2 V = 10 m3 (1) ou seja. Por exemplo. da sua área de bordadura e das condições de disponibilidade de água no solo. visto que esta representa a quantidade de água que deve ser reposta ao solo para manter o crescimento e a produção da cultura em condições ideais. que nessas condições recebe a denominação de evapotranspiração de oásis (ETo). portanto. Sendo a densidade da água igual a uma unidade.000 litros de água por hectare. também denominada de máxima (ETm). = 2. Essa energia é denominada de calor latente de eva-poração.1 cm = 1 mm Para uma superfície de 1 ha (10. 222 Tópicos em Ciências Agrárias. que na prática é chamada de evapotranspiração da cultura (ETc). para evaporar 1 mm são necessários 2. uma determina altura ou lâmina de água. que nada mais é do que a relação entre a ETc e a ETo. que por sua vez é variável com os períodos fenológicos. Portanto. enquanto que a 5ºC. Apesar de sua determinação ser difícil e muitas vezes inexata. a (ETR) independe do porte da vegetação. pode-se observar que kc varia ao longo do ciclo de uma cultura de acordo com o IAF. 1 mm dia-1 corresponde a 10 m3ha-1dia-1. Assim. 1 kg de água corresponde a 1 litro e. a 20ºC.de contorno. A ETc é uma variável dependente das condições meteorológicas e da área foliar da cultura (AF). = 2. ou seja. Considerando a perda de 1 litro de água de uma superfície com área igual a 1 m2. FATORES QUE AFETAM A EVAPOTRANSPIRAÇÃO De acordo com as condições adotadas. as diferenças na anatomia da folha. pode corresponder a 10.000 cm3 / 10. 1. normalmente.45 MJ kg-1. Durante os diferentes estágios fenológicos das culturas e sua ocupação na área disponível ocorre a evapotranspiração real. Em média.45 MJ m-2. Através dessa relação. tais como.45 MJ kg-1. que é expressa pelo coeficiente de cultura (kc). vários são os fatores que afetam a evapotranspiração: climáticos. tem-se que: ET = 1 litro / 1 m2 = 1. adota-se o valor de = 2. nas características dos estômatos. ou seja.000 cm2 = 0.000 m2). a ETc é muito importante para um bom dimensionamento de projetos de irrigação. UFRB. tem-se verificado a ocorrência de valores exagerados de evapotranspiração.45 MJ para evaporar 1 kg de água. entende-se a importância da evapotranspiração no dimensionamento e manejo adequado da irrigação pois cada 1 mm aplicado. irá corresponder a um volume de água de: 0. a ETc pode ser estimada por: Etc = kc ETo UNIDADES Como foi demonstrado.001 m). nas propriedades aerodinâmicas (altura das plantas) e no albedo fazem com que a ETc seja substancialmente diferente da ETo. Outros fatores. Por isso. Em locais onde existe uma pequena área irrigada em torno de uma grande área seca ou quando a área de bordadura não é suficiente para eliminar os efeitos advectivos do calor sensível. da sua superfície evapotranspirante. até sob as mesmas condições climáticas e de mesma área foliar.48 MJ kg-1.001 m = V / 10. 2009 . a evapotranspiração é expressa em mm (milímetros) por unidade de tempo. a evapotranspiração é a perda de determinado volume de água em uma determinada área. da planta e do manejo do solo. v. o que significa que são necessários 2. uma ET = 1 mm (0. por isso. Outra forma de se expressar a evapotranspiração é em termos da energia requerida para o processo.

Altura da planta: interfere na interação planta-atmosfera.Temperatura do ar (T): o calor sensível contribui com parte da energia necessária ao processo de evapotranspiração e a temperatura também está diretamente ligada à umidade relativa e ao déficit de saturação do ar. principalmente à radiação solar e à velocidade do vento. Plantas mais altas interagem mais com a atmosfera em movimento. principal fonte de energia para o processo de evapotranspiração.15 m2 e é instalado sobre a superfície em um estrado de madeira. Fatores de manejo do solo .Profundidade do sistema radicular: relacionado ao volume de solo explorado pelas raízes. um dos componentes do poder evaporante do ar. Através da utilização de tanques de evaporação. o que dificulta a sua utilização quando o objetivo é a Tópicos em Ciências Agrárias.Fatores climáticos . possui área circular.Tipo de solo: solos argilosos têm maior capacidade de armazenamento de água do que os arenosos e. . . utilizando-se o parafuso micrométrico em tanque tranquilizador ou automática.Espaçamento / Densidade de plantio: determina o nível de competição entre os indivíduos da mesma espécie. com 1. portanto.Coeficiente de reflexão (albedo): afeta o saldo de radiação. utilizando-se sensores eletrônicos. 2009 223 . . . obtém-se o total de água evaporada em um dado intervalo de tempo pela diferença das alturas dos níveis da água em dias consecutivos. .Disponibilidade de água no solo: afeta diretamente a evapotranspiração pois a reduz quando o armazenamento cai além do limite crítico.Impedimentos físicos / químicos: reduzindo o volume de água disponível para o uso pelas plantas pois. 1. Depende da radiação solar incidente e do albedo da vegetação.Espécie: relacionado à arquitetura foliar. . Quanto menor o espaçamento. extraindo mais energia do ar. mais indivíduos. Foi desenvolvido nos Estados Unidos e é amplamente utilizado no Brasil. pois a cobertura morta sobre o solo diminui a perda de água por evaporação. v. maior consumo de água por área. objetivando o suprimento de água à planta. Quanto maior a área foliar maior a exigência hídrica da planta. . determinando o déficit de saturação do ar. . A medida da evaporação pode ser obtida com leitura manual. a capacidade de atender as exigências hídricas da cultura por mais tempo.Plantio direto: reduz a evapotranspiração. a facilidade de acesso de animais e ao fato da evaporação ocorrer também durante o período noturno. O Tanque tipo Classe A (Figura 1) é o mais utilizado para esta finalidade. UFRB. MEDIDAS DA EVAPOTRANSPIRAÇÃO A medida da evaporação é feita de forma simples e é muito utilizada no manejo da irrigação e no gerenciamento dos recursos hídricos. . É o outro componente do poder evaporante do ar. à resistência ao transporte de vapor no estômato e a outros aspectos morfológicos que interferem diretamente na evapotranspiração.Umidade Relativa (UR): atua junto com a temperatura.Vento (U): responsável pela remoção do ar saturado junto à superfície das folhas e pelo transporte de calor de áreas mais secas (advecção de calor sensível). essas medidas têm sido utilizadas para estimativas dessas variáveis. Devido à relação positiva entre a evaporação observada em tanques e aquela que ocorre de um lago ou de uma superfície vegetada. . limitam o crescimento do sistema radicular da cultura. . apresenta algumas desvantagens como a superexposição às condições ambientais. Fatores da planta .Saldo de Radiação (Rn): principal fonte de energia para o processo evapotranspirativo. Apesar da simplicidade de seu manuseio.Área foliar: relacionada ao tamanho da superfície foliar disponível para o processo de transpiração.

Tanques evaporimétrico tipo Classe A. GGI3000 (3) e Colorado (4). dada a grande variabilidade encontrada entre os valores de evaporação. entre os quais o GGI3000 (circular. 20 m2 (2).estimativa da evapotranspiração de referência. enterrado e com área evaporante de 0. v. o de 20 m2 (circular. UFRB. 224 Tópicos em Ciências Agrárias.30 m2). Tanques evaporimétricos Classe A (1). enterrado e com área evaporante de 0. com suas dimensões. A Figura 2 apresenta os tipos de tanque com suas dimensões. Figura 1. é aconselhável que o tanque Classe A seja utilizado com repetições. Na tentativa de diluir estes erros. como mostra a Figura 1. Fonte: INMET Além do tanque Classe A. 1. (1) (2) (3) (4) Figura 2. 2009 .84 m2). enterrado e com área evaporante de 20 m2) e o Colorado (quadrado. outros tanques podem ser utilizados para a medida da evaporação.

o balanço de água no solo pode ser representado pelo esquema da Figura 3. (1998). para o período analisado. A medida da evapotranspiração é difícil e onerosa. 2009 225 . UFRB. não podendo ser obtidos para curtos períodos de tempo. o orvalho (O). Os micrometeorológicos são aqueles que utilizam o princípio do balanço de energia em que o fluxo de calor latente (lET). Representação gráfica do balanço de água no solo. pressão atual de vapor e velocidade do vento a diferentes níveis acima da superfície. justificando seu emprego apenas em condições experimentais. em um dado período de tempo. De forma geral. pela seguinte expressão: DARM = P + I + Ri + O + DLi + AC – (ET + Ro + DLo + DP ) (3) Segundo Allen et al. consiste no balanço entre as entradas e saídas de água em um volume de solo conhecido. a irrigação (I). método micrometeorológico que requer medidas precisas de temperatura do ar. por diferença. Tópicos em Ciências Agrárias. em que as entradas são: a chuva (P). Figura 3.H . Entre os métodos utilizados para a determinação direta da evapotranspiração. 1.Apesar da existência dos diversos tipos de tanque. o lET também pode ser determinado pelo método de transferência de massa. Além disso. os que apresentam coeficientes (kp) para converter a medida de evaporação em evapotranspiração de referência são os do tipo Classe A e Colorado. AC e DP. o método de balanço de água no solo e os lisímetros. alguns desses componentes são de difícil medida. especialmente DL. tem os métodos micrometeorológicos. o escoamento superficial (Ro). que representa a evapotranspiração. O método de balanço de água no solo. O resultado desse balanço é a variação do armazenamento de água no solo (DARM). enquanto que as saídas são: a evapotranspiração (ET). Nessas condições. v.G (2) sendo Rn e G medidos e H estimado a partir de medidas precisas do gradiente térmico sobre a vegetação. o escoamento superficial (Ri). o escoamento subsuperficial (DLi) e a ascenção capilar (AC). a evapotranspiração pode ser obtida. é dado por: lET = Rn . assim os métodos utilizados para tal medida demandam equipamentos sofisticados e não são apropriados para medidas rotineiras. o que limita a utilização deste método a períodos com mais de cinco dias. o escoamento subsuperficial (DLo) e a drenagem profunda (DP).

226 Tópicos em Ciências Agrárias. 1. v.L2). tem como incoveniente a necessidade de drenagem da água armazenada em sua parte inferior. A ET é dada pela diferença de peso (P1 P2) em um dado intervalo de tempo. Para medidas acuradas da ET. que utiliza um sistema automático de alimentação (reservatório intermediário . e o de pesagem que utiliza medida automatizada com células de carga (CC) instaladas sob uma caixa impermeável e ligadas a um sistema de aquisição de dados (SAD) (Figura 5). Bateria com cinco lisímetros de pesagem. usando células de carga. os mais comuns são o de drenagem. a ET pode ser obtida com uma grande acurácia e para períodos muito curtos de tempo (1 hora).O uso de lisímetros tem sido a forma mais empregada para a obtenção direta da ET. lençol freático constante e de pesagem com células de carga. Ilustração esquemática dos lisímetros de drenagem. 2009 . Neste último. UFRB. Dentre os diversos tipos de lisímetros. Figura 5.RA) e registro da água reposta (L1 . dependendo basicamente das condições climáticas regionais.. por meio de um tubo (T).RI e reservatório de alimentação . sendo necessário apenas algumas dezenas de metros em condições de clima úmido e entre 100 a 300 m em condições de clima seco. É uma estrutura cujo objetivo é isolar um certo volume de solo de modo a se controlar todas as entradas e saídas de água desse sistema (Figura 4). porém. (1997). de modo a manter o nível do lençol freático (LF) constante. Figura 4. Segundo Pereira et al. o de lençol freático constante. a vegetação no interior do lisímetro deve apresentar as mesmas condições (altura e área foliar) da área tampão. cujo tamanho deve ser suficientemente grande para anular os efeitos da advecção. os resultados experimentais mostram que o tamanho da área tampão é bastante variável. baseado no princípio de conservação de massa e que funciona adequadamente em períodos longos de observação (acima de 5 dias).

que passa a ser denominada de temperatura efetiva (Tef). 2009 (11) 227 .514 -5 2 -7 3 (6) (7) + 6.5ºC 2 (4) (5) ETp = -415. nem sempre disponíveis para a localidade em estudo.7. A ETo é obtida em mm mês-1 pela seguinte formulação (Pereira et al. Camargo. que serão descritos a seguir. sendo universais.2 Ta) -2 1. em ºC. Priestley-Taylor e PermanMonteith.0.Outros métodos restringem sua aplicação. "I" e "a" índices de calor. para condições de clima super-úmido e semiárido. ambas em ºC. quer seja pela sua simplicidade ou pelo seu grau de confiabilidade. Dentre os métodos mais empregados. outros. esta deve ser corrigida em função do número de dias (ND) e do fotoperíodo médio (Tabela 1) do mês em questão. Após a determinação de ETp. dada por: Tef = 0. tanque Classe A. Tópicos em Ciências Agrárias. apresentam uma base física mais sólida. Método de Thornthwaite Um dos primeiros métodos desenvolvidos para estimar ETo (Thornthwaite. ETo em mm/mês. v. 1. Ta a temperatura média anual normal (média histórica). sua eficácia é discutível.49239 + 1. o qual propõe um ajuste para tais condições. Baseia-se na relação empírica existente entre a ETo e a temperatura do ar. pois só são válidos para condições climáticas específicas. pois desenvolvidos exclusivamente para se estimar a ETo. 1948).43 Tm p/ T > 26. porém.71 10 em que: Tn é a temperatura média normal do mês i (i = 1 a 12). visto que é difícil obter rotineiramente medidas precisas. Entre estes. e Tmin a temperatura mínima do ar.Tmin) em que: Tmax é a temperatura máxima do ar.36 (3 Tmax .5 C º em que: ETp é a evapotranspiração padronizada para um mês de 30 dias e para um fotoperíodo (N) igual a 12h. por não levar em consideração o poder evaporante do ar.24 Tm . basta se determinar ETp com a temperatura média do dia e utilizar a seguinte formulação : ETo = (ETp / 30) (N/12) (10) Segundo resultados experimentais de Camargo (1962) e Camargo & Sentelhas (1997) este método apresentou boas estimativas de ETo para condições de clima úmido no Brasil mas. Hargreaves-Samani. a qual expressa a energia disponível no ambiente. e Penman (1948). corrigindo a temperatura utilizada. UFRB.2 Tni)1.. contudo a maior desvantagem do método é a dependência de dados meteorológicos. obtidos a partir dos dados normais da região e determinados pelas seguintes expressões: I = S(0. destacam-se os de Thornthwaite. nos Estados Unidos. como mostrou o trabalho de Camargo & Sentelhas (1997). integrando todos os elementos que condicionam o processo de ET. na Inglaterra. em ºC. em ºC . através da utilização de dados meteorológicos foram criados para estimar a evapotranspiração de referência.COMO ESTIMAR A EVAPOTRANSPIRAÇÃO Inúmeros métodos empíricos e semi-empíricos.75 10 I (8) a = 0. 2001): ETp = 16 (10 Tm/I)a para 0 < Tm < 26.514 I = 12 (0.85 + 32. Tm é a temperatura média do mês. é dada por : ETo = ETp (ND/30) (N/12) (9) No caso da determinação da ETo em mm dia-1. apresenta subestimativas em condições de clima seco. Por ser um método desenvolvido e testado em condições de clima úmido.7912 10 I . Assim. destaca-se o método proposto por Thornthwaite (1948).

1 12.2 12. 1.2 12.4 12.1 12.1 12.8 10. é recomendado pela FAO (Allen et al.8 11.0 11.0 12.5 11.0 12.0 9.2 13.9 11.2 11.5 11.1 11. v.0 12.7 11.1 12.8 11. trouxe uma vantagem adicional.9 14. Método de Hargreaves e Samani Apesar de ter sido desenvolvido para as condições de clima semi-árido da Califórnia.2 12.5 9.8 Out 11.0 12.2 12.2 11.1 11.2 12.5 11.3 12.7 12.6 Mar 12. é que não há necessidade do uso de dados normais de temperatura do ar.0 13.7 12.1 12.2 12.0 13.1 12.80 9.5 13.4 12.3 12.6 13.1 12.3 Dez 11.0 12.tg a tg m ] é 360 (DJ . UFRB.1 12.4 11. Assim.0 12.5 13.1 12.1 12.4 12.7 Fev 11.3 12.2 12.1 13.3 11.8 12. o método criado por Hargreaves e Samani (1985).0 11. Método de Camargo O método proposto por Camargo (1971) é uma simplificação do método de Thornthwaite (1948).5 12.4 10.2 10.3 Jul 12.1 14.01 Qo Tmed ND (12) em que: Qo é a irradiância solar extraterrestre.3 12. 1998) como uma opção para a estimativa de ETo.9 11.1 12.8 11.7 13.4 12.8 10.8 12.6 12.3 14.3 12.0 12.6 11.9 13.9 12.0 11.4 13.0 12.1 Nov 11.5 10.4 14.5 10.9 11.1 13.6 11.6 10.1 12.6 14. DJ: Dia Juliano.9 12.1 12.1 12.6 12.0 10.5 12.9 13.9 11.8 11.6 11.2 12.5 12.1 12.8 9.2 12.3 10.0 12.0 14.6 11.9 11.4 12.0 12.3 11.6 13.6 12.2 12. em hora.7 11.2 11. em ºC.0 11.6 12.2 11.6 12.2 10.0 12.4 12.8 11. Contudo.6 11.6 10.1 13.2 13.5 Set 12.6 12.3 11.4 12.6 12.9 11.6 11.6 12.7 12.0 12.8 10.7 10.2 12.3 12.9 11.2 12.1 12.3 12. e ND o número de dias do período considerado.6 Ago 12.70 9.2 14.7 11.1 12.1 10.3 10.2 13.1 13.9 1.7 11.2 14.4 12.45 sen ê ú 365 ë û N= Sendo: a:declinação solar.8 15.9 10.9 10.2 11.0 14. m: latitude (-) se localizado no hemisfério Sul.4 12.2 12. em relação ao apresentado anteriormente.3 12.1 12.0 13.1 12.5 12. 2009 .1 12.4 11.1 12..4 12.9 10.0 12.4 11.6 12.2 12.0 11.6 11.4 12. Duração máxima de insolação diária (N). por meio das seguintes equações: 2 H 15 H = ar cos [.1 10.1 12.1 12.9 11. 228 Tópicos em Ciências Agrárias.9 10.5 11.2 11.7 11.1 12.2 12.3 13.9 11.4 13.80)ù a = 23.2 12.9 12.0 12.3 12.9 Jun 12.2 13.1 12.9 10.8 13.5 11.3 12.3 12.9 11.7 10.8 12.9 12.3 12.2 13.0 12.5 12.6 11.2 12.9 11.2 14.6 10.0 11.5 13.Tabela 1.8 11.8 12.1 12.3 12.8 13.1 9.7 12.5 12.7 12.4 12.8 11.7 11.7 11.5 13.2 12.9 14. Tmed é temperatura média do período considerado.7 10.9 11.9 12.6 11.9 12.0 12.0 OBS: Pode-se também calcular o valor da duração máxima da insolação diária (N).5 12.2 12.1 12.8 11.5 11.2 12. expressa em mm de evaporação equivalente.7 13.4 12.0 13.3 12.5 12.0 9.1 Mai 12.1 11.1 12.4 Abr 12.2 12.4 10.1 12.8 12.8 11.1 12.7 11.0 14.3 11.2 12.1 12.4 12.0 10.9 11.1 12. de acordo com método original.4 11.1 12.6 13.9 12.4 11.5 11.5 11. faz uso apenas da temperatura média do ar e não leva em consideração o poder evaporante do ar.5 12.7 12.7 12.4 11.3 12.2 12. correspondente ao 15º dia de cada mês Latitude 10º N 8º N 6º N 4º N 2º N Equador 2º S 4º S 6º S 8º S 10º S 12º S 14º S 16º S 18º S 20º S 22º S 24º S 26º S 28º S 30º S 32º S 34º S 36º S 38º S 40º S Jan 11.1 10.7 11.3 13.9 13.5 14.3 11. nos meses e latitude de 10º N a 40º S.3 13.7 11.9 13. A ETo é estimada diretamente a partir da seguinte fórmula : Eto = 0.0 12.3 12.0 12.9 11.7 10.

B é a extensão da bordadura. caso contrário pode provocar superestimativas em condições de clima úmido (Sentelhas e Camargo.0. portanto.Tmin)0. é substituído por uma fração que este representa do primeiro termo. Tmed a temperatura média do ar. Logicamente. sempre menor do que 1.00341 URmed . denominado aerodinâmico (AERO). Allen et al.1434 ln(URmed) . expressa em mm de evaporação equivalente. que converte a evaporação obtida no tanque Classe A (ECA) em evapotranspiração. 1998). que é a de se adotar valores médios de URmed e U2m para a região estudada. denominado de coeficiente de tanque (kp). o kp pode ser obtido pelas seguintes equações apresentadas por Allen et al. Isso se dá devido ao aumento excessivo da ECA. da umidade relativa e do tamanho e do tipo da bordadura circunvizinha ao tanque Classe A.0. Tmin a temperatura mínima do ar. Quanto maior a velocidade do vento.00063 [ln(B)]2 ln(86. em %. Sua fórmula para a estimativa diária de ETo é a seguinte: ETo = 0. e URmed a umidade relativa média diária. em que o segundo termo da equação.. Uma alternativa no caso de não se dispor de dados de URmed e de U2m é o de se adotar um kp fixo. 1998). os quais são: U2m entre 1 e 8 m s-1. 1994.4 U2m) .. menor o valor de kp. é função da velocidade do vento. 1996. v. deve ser calibrado para outras condições climáticas.0.0106 ln(86. menor a umidade relativa e menor a bordadura.quando há somente disponibilidade de dados de temperatura do ar local. em ºC.00063 [ln(B)]2 ln(URmed) (15) para bordadura sem vegetação kp = 0. Deve-se atentar para os limites das equações 25 e 26. 2001).0. A FAO sugere outra opção. em ºC.5 (Tmed + 17.0023 Qo (Tmax .108 . considera que: Eto = ENERG + AERO (16) Tópicos em Ciências Agrárias. Método do tanque Classe A Este método é baseado na proporcionalidade existente entre a evaporação do tanque Classe A e a ETo. Allen et al.0. 1.61 + 0. não é de aplicação universal e. em m.00327 U2m ln(B) .0422 ln(B) + 0.0. em ºC.0286 U2m + 0.. e Qo a irradiância solar extraterrestre. proposta pelo boletim 56 (Allen et al.4 U2m) (16) em que: U2m é a velocidade média do vento a 2 m de altura. O método de Penman. denominado energético (ENERG).00289 U2m ln(86. Assim como os métodos de Camargo e de Thornthwaite. . Método de Priestley-Taylor É uma simplificação do método original de Penman (1948).4 U2m) ln(B) + 0.8 ) (13) em que: Tmax é a temperatura máxima do ar. representativo da região. B entre 1 e 1000 m e URmed entre 30 e 84%.00000959 U2m B + 0. para facilitar a interpolação e o uso de sistemas informatizados. devido às diferenças entre a superfície de água livre e a superfície de uma cultura e entre os mecanismos de resistência ao transporte de água e vapor que atuam nesses dois meios. em relação ao aumento de ETo. havendo a necessidade de um coeficiente de proporcionalidade. nessas condições.000162 U2m URmed . em m s-1. No entanto. UFRB. a quantidade de água que é transferida para a atmosfera pelos processos de evaporação e evapotranspiração difere significativamente. 2009 229 . Os valores de kp são normalmente apresentados na forma de tabelas (Doorembos e Kassam. como mostra a equação a seguir: ETo = ECA kp (14) O valor de kp. (1998): para bordadura vegetada kp = 0. 1998 e Pereira et al.

umidade e velocidade do vento.26 W (Rn . em MJ m-2d-1. U2m a velocidade do vento a 2m. estimado a partir da seguinte expressão (Pereira et al. 2009 . esse valor poderá ser desprezado para a escala diária. tendo o valor de 1. portanto. em ºC. sendo atualmente recomendada como padrão da FAO com a seguinte parametrização: Eto = {0. Esse método foi denominado de combinado e ao longo do tempo foi adaptado para a superfície vegetada. l é o calor latente de evaporação. sendo que a rc descreve as resistências ao fluxo de vapor exercidas pelos estômatos.G) (17) em que: Rn é o saldo de radiação. G fluxo de calor no solo. obtidos em estações meteorológicas. enquanto que ra representa a resistência ao transporte de vapor exercida pelo fluxo de ar.. As equações recomendadas para a obtenção das variáveis acima são: s = (4098 es) / (T + 237. em m s-1. em kPa. ambas em ºC.G) + g ?[900/(T + 273)] U2m (es . em kPa ºC-1. T a temperatura média do ar. UFRB. g a constante psicrométrica. (1 + AERO / ENERG) é denominado de Parâmetro de Priestley-Taylor. pela cutícula e pelo solo. ou. podendo ser medido ou estimado. v. ainda.3)2 (22) 230 Tópicos em Ciências Agrárias. a partir de dados de insolação.38 (Td . A rc atua em série com a resistência do ar (ra). em MJm-2d-1. 2001): G = 0. es-ea o déficit de pressão de saturação do ar.ea)}/ [s + g (1 + 0. Penman combinou o balanço de energia com o método do transporte de massa e derivou uma equação para descrever a evaporação de superfícies de água livre. o método de Priestley-Taylor fica com a seguinte formulação: ETo = 1.1 < T < 32 C) º (18) (19) Não se dispondo de medidas de G. A equação com esse novo conceito de resistência da superfície foi apresentada por Monteith (1965) e adaptada por Allen et al. tem-se que: ETo / ENERG = ENERG / ENERG + AERO / ENERG ETo / ENERG = 1 + AERO / ENERG Nessa situação.01 T (0 < T < 16ºC) (16. em MJm-2d-1. temperatura.34 U2m)] (21) em que : Rn é o saldo de radiação. por meio da introdução de fatores de resistência da planta.45 MJ/kg a 20ºC.063 kPaºC-1.26. Método de Penman-Monteith (FAO) Em 1948. que representanda todo o conjunto de resistências da superfície que atua no processo.G). 1.0145 T W 0. e W um fator de ponderação dependente da temperatura (T) e do coeficiente psicrométrico. G o fluxo de calor no solo.408 s (Rn .407 + 0. sendo dependente.483 + 0. podendo ser determinado pelas seguintes expressões: W = 0. igual a 0. Essas resistências foram genericamente denominadas de resistência da cobertura (rc).T-3d) (20) sendo Td a temperatura média do dia em questão e T-3d a temperatura média do ar dos três dias anteriores. igual a 2. (1998) para a estimativa da evapotranspiração de referência na escala diária. da velocidade do vento. como mostra a Figura 6. em MJ m-2d-1.Dividindo-se todos os termos da equação pelo termo ENERG. do solo e da vegetação. Sendo o termo energético igual a W (Rn . e s a declividade da curva de pressão de vapor na temperatura do ar.

Tmin a temperatura mínima do ar. enquanto que a estimativa de G é dada pela equação 20. CRITÉRIOS PARA A ESCOLHA DE MÉTODO DE ESTIMATIVA DA ETo De acordo com Pereira et al. UFRB. em ºC. (2001). Normalmente. em ºC. Figura 6. Desse modo. Em geral. 2009 231 . requerendo ajustes locais. URmin a umidade relativa mínima.es = (esTmax + esTmin) / 2 es Tmax Tmin (23) (24) (25) (26) (27) (28) = 0. O primeiro deles é a disponibilidade de dados meteorológicos. (1998). URmax a umidade relativa máxima. o método de Hargreaves-Samani produz melhores resultados em condições de clima árido e semi-árido. exigem grande número de variáveis. No Brasil. 1. Por outro lado. 1998). seu emprego já é bastante difundido. pois os métodos mais complexos. os métodos de Priestley-Taylor e Penman-Monteith não poderão ser empregados onde há apenas dados de temperatura do ar. Esquema da resistência do ar e da cobertura ao fluxo de vapor.6108. Adaptado de Allen et al. como por exemplo no semi-árido nordestino. v. Finalmente. o terceiro fator envolve a adaptabilidade dos métodos empíricos à região de estudo. O segundo fator é a escala de tempo requerida. métodos empíricos como os de Thornthwaite e de Camargo apresentam melhores estimativas em escalas de tempo maiores. a escolha de um método de estimativa de ETo depende de uma série de fatores. os métodos de Thornthwaite e Camargo apresentam melhores estimativas de ETo em condições de clima úmido.3 + Tmin)] es = 0. em %. Tópicos em Ciências Agrárias.27. Os procedimentos de medida e estimativa de Rn são apresentados no item 3 deste capítulo.. enquanto que aqueles que utilizam o balanço de energia podem ser empregados até mesmo na escala horária. Quando aplicado em condições de clima úmido este método superestima a ETo. provocando subestimativas de ETo em climas semi-áridos. em %.3 + Tmax)] [(17. como visto no item anterior. pois esses não são de aplicação universal.6108 e [(17.e ea = (URmed es) / 100 URmed = (URmax + URmin) / 2 T = (Tmax + Tmin) / 2 sendo Tmax a temperatura máxima do ar.27. Este método vem sendo largamente empregado em todo o mundo. apresentando excelentes resultados (Allen et al.Tmin) / (237.Tmax) / (237. sendo o único problema a falta dos dados necessários ao seu emprego em algumas localidades.

Crop evapotranspiration: guidelines for computing crop water requirements. of the ASAE. H. Guaíba. Meeting. 183 p. 179pp. 1. J.A. SMITH. C. RS: Livraria e Editora Agropecuária Ltda.R. 45 p. 19. Rome FAO. L. 56). A. 1948. DOOREMBOS. Z. Campinas: Instituto Agronômico. G. Chicago. Agric. Evaporation and environment.. A. KASSAM. M. (Boletim. V. Campina Grande. An approch toward a rational classification of climate. J. C. p. Natural evaporation from open water.. 1... 1977. CAMARGO. P. Guidlines for predicting Crop water requirements. v.. 3. 1. p. 4. 1971. J. 1. G. n.. P. RAES. p. R. PEREIRA. 24 2nd ed. 1965. Soc. Trans. A. ANGELOCCI. New York.. Evapo(Transpi)Ração. Balanço hídrico no Estado de São Paulo. Report on the expert consultation on revision of FAO methodologies for crop water requirements.. 1994.fundamentos e aplicações práticas. crop and soil data. FAO 306p. P. R. C. 1997. A. 954-959. Amer. CAMARGO. v. FAO Irrigation and Drainage Paper.. C.REFERÊNCIAS ALLEN R. H. B.. R. 1971. A. SENTELHAS.. SAMANI. PEREIRA. DOOREMBOS. W.. H. 89-97.. P. M. Agrometeorologia . baseada no método de Hargreaves . Rome: FAO. Santa Maria. O Efeito da água no rendimento das culturas. L. Geografical Review. 205-234. bare soil and grass. A. P.. Soc Expl. 1991. WRIGHT. SENTELHAS. UFRB. Rome. 1. SENTELHAS. Avaliação do desempenho de diferentes métodos de estimativa da evapotranspiração potencial no Estado de São Paulo.L. 120-146. p. N. 2001. 1. 1948. D. (FAO: Irrigation and Drainage Paper. 14. JANSEN. PENMAN. 163-213. 116) CAMARGO. G. Soc. Equação para a estimativa da evapotranspiração potencial no Estado de São Paulo. London. A. Revista Brasileira de Agrometeorologia. 1. Symp. Santa Maria. A. Irrigação e Drenagem 33) Tradução Gheyi. v. v. CAMARGO. n. 24p.. 478 p.. E. MONTEITH. v. p. 2009 .1974. R. ed. 21. Universidade Federal da Paraíba. v. 232 Tópicos em Ciências Agrárias. P. 1. Biol. J. e outros. 77-81. Reference crop evapotranspiration from ambient air temperature. p. C. PRUITT. 5. J. (Paper 85-2517) 1985. P. Bragantia. SMITH. O. ed. (Estudos FAO. NOVA. THORNTHWAITE. 38. 193. SEDIYAMA. v.J. Piracicaba. Eng. HARGREAVES. Contribuição para determinação da evapotranspiração potencial no Estado de São Paulo. PEREIRA. 1998. M. Proc. p. Revista Brasileira de Agrometeorologia... 1996. PRATT. L.. 1997. L. n. H. Estimating soil moisture depletion from climate. v. 5.ed.. v. 1962. 55-94.. n. SP: Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz. v.

Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira & Maria do Carmo Martins Marques da Costa Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 17 MISTURA MINERAL PARA BOVINOS EM REGIME DE PASTO Benedito Marques da Costa.

vez que o nível deste elemento mostrou-se deficiente no fígado. Gallo et al. Esse consumo se torna maior em solos desagregados ou em áreas onde a lotação é alta (Haddad & Platzeck. foram encontrados níveis abaixo do normal para manganês e concentrações normais para os demais elementos. 1986. cobalto. Caielli (1974) informa que foram encontrados níveis de cálcio abaixo do limite. (1974). Em algumas regiões de Mato Grosso. vários autores detectaram níveis deficientes de cobre no solo. Contudo. 1. Maria do Carmo Martins Marques da Costa1 1 Professor . Pereira et al. (1982) constataram a interferência do ferro e alumínio ingeridos via solo sobre a utilização de fósforo Tópicos em Ciências Agrárias. Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira1. 1985.. forragem da pastagem e eventual suplementação mineral no cocho. foram verificadas deficiências de zinco nos solos. Segundo Underwood et al. lactação. em condições normais e práticas. crescimento. Lopes et al.. MG e Barra Mansa. Contudo. 1980). a nutrição mineral do ruminante é dada pelo somatório da ingestão de minerais via água de beber... os teores de magnésio encontrados nas forragens são suficientes para atender às necessidades dos animais em diferentes fases de produção. nas forrageiras e nos tecidos de animais (Tokarnia et al. 1966. Segundo levantamentos realizados por Andreasi et al. (1992). sódio.. somente 10% do rebanho bovino nacional possui uma correta nutrição mineral e 70% ou mais do efetivo recebe somente sal grosso ou mesmo nenhuma forma de suplemento mineral na dieta.. 1974. para fósforo. também. (1985).MISTURA MINERAL PARA BOVINOS EM REGIME DE PASTO Benedito Marques da Costa1. cobalto. Possenti et al. Sousa et al. plantas e tecidos de animais (Santiago et al. era de se esperar um efeito deletério da ingestão de solo sobre a disponibilidade de fósforo ao animal. se os animais possuírem apenas a forragem como única fonte desses nutrientes. teores elevados de ferro na dieta interferem na absorção do manganês.. 2009 235 . gestação e engorda.. No Brasil. E-mail: beneditomc@hotmail. Sousa & Darsie. No fígado. a nutrição mineral desses animais é freqüentemente desbalanceada. as deficiências minerais mais comuns são as de cálcio. 1970. Lopes et al. Em Nova Odessa. a sua ingestão causa uma diminuição no consumo de minerais em nível de cocho (Shirley & Carvalho. 1980 e Santiago et al. Sousa et al. Agostini & Kaminski (1976) e Sousa et al. ela não é considerada quando do cálculo de uma mistura mineral para bovinos em regime de pasto (Haddad & Platzeck. 1971. cobre e zinco. Tokarnia et al. (1992) detectaram deficiências minerais nas plantas forrageiras. na região de Calciolândia. RJ. Santos et al. Bovinos e ovinos. fósforo. no metabolismo do manganês.com INTRODUÇÃO Em épocas e condições favoráveis de crescimento das plantas forrageiras (calor e umidade). Em algumas regiões de Roraima. Ambientais e Biológicas/UFRB. (1987) encontraram deficiência de magnésio nos solos. 1976). nas cinzas ósseas. Sob condições tropicais. Segundo Haddad & Platzeck (1985). ÁGUA E SOLO COMO FONTE DE MINERAIS A água de beber não se constitui em fonte adequada de minerais. 1968. entretanto observaram níveis nas forragens considerados adequados para bovinos de corte em crescimento e acabamento. 1985). Sousa et al. magnésio e potássio. em pastagens. Contudo. em regime de pasto. Teixeira et al. zinco e selênio. tais como: cálcio. 1986). outros minerais em excesso podem interferir. Como o fósforo é o elemento mais carente em ambiente tropical e considerando que os solos dessa região apresentam baixos níveis de fósforo e altos de ferro e alumínio. quando os animais bebem água com salinidade excessiva. 1985).. os quais podem ter exercido um efeito tóxico em nível de absorção ou de metabolismo do manganês. Em regime de pasto. cobre. 1960. Rosa et al. Também. 1971.Centro de Ciências Agrárias. apresentam um grande consumo de solo. Níveis excessivos de ferro e manganês foram observados em todos os períodos estudados. os animais em regime de pasto podem ter atendidas suas exigências de energia. iodo. porém inadequados para vacas em lactação. citados por Possenti et al. em diferentes períodos do ano. ingestão de solo. Em Roraima. (1966/67).. (1981) observaram níveis elevados de ferro nas forragens. Tokarnia et al. UFRB. Gallo et al.. SP.. Por isso. Cruz das Almas-BA. (1986) observaram deficiências de cálcio e fósforo em forrageiras e níveis próximo ao limite da deficiência. proteína e vitaminas. v.

Desse modo. Nascimento Júnior et al. Seu uso em bovino de corte. b) fertilização das pastagens. o estádio de maturação da planta colhida. local e data de amostragem etc. Para Ammerman et al. forma física da dieta. à vontade. 1985). do tipo de solo (estrutura. 2009 . quanto maior for a percentagem de cloreto de sódio. 236 Tópicos em Ciências Agrárias. sob regime de pasto. também.. condição fisiológica. Recomenda-se ao gado bovino leiteiro. o cloreto de sódio (NaCl) é usado no cálculo da mistura mineral como ingrediente regulador do consumo da mistura.A fertilização das pastagens pode melhorar a produção e composição mineral da forragem. umidade relativa etc. Contudo. d) injeções específicas de elementos minerais.. e) minerais contidos na água de beber. 1992). Para bovinos as dosagens utilizadas. em confinamento ou semiconfinamento.. Suplementação de minerais no cocho . o conhecimento de sua composição mineral é de fundamental importância no cálculo de um suplemento mineral. 1976.O uso direto de elementos minerais na ração consiste em misturar os elementos minerais no concentrado fornecido diariamente aos animais. Suplementação artificial . A composição mineral das plantas forrageiras da pastagem afeta de algum modo o consumo de um suplemento mineral pelo animal. menor será o consumo da mistura mineral pelos bovinos. v. Cavalheiro & Trindade. a resolução de um problema carencial e/ou manutenção de níveis adequados de um elemento mineral no organismo. 1982. origem) considerado.A suplementação de minerais no cocho. para se regionalizar a mineralização é necessário que se obtenha um grande número de dados da composição mineral de amostras de forragem colhidas na pastagem. em curto prazo. se a ingestão dos elementos minerais via forragem. Sousa et al. f) suplementação no cocho (à vontade). balas ou pellets de cobalto. temperatura ambiente. 1986.da dieta. Segundo Haddad (1980).Injeções específicas de elementos minerais são aplicáveis quando se necessita. isto é. selênio. Fertilização das pastagens . COMPOSIÇÃO MINERAL DA FORRAGEIRA As espécies forrageiras das pastagens apresentam uma grande variabilidade na concentração dos elementos minerais. não é aconselhável porque os animais ingerem na pastagem uma grande parte de minerais para atender às suas necessidades. Segundo Sousa (1995). Estes dados devem conter. por até 4 meses. edáficas e climáticas são favoráveis. Camarão et al.A suplementação artificial por via oral é aplicável quando o consumo de alguns elementos minerais ao nível de cocho for inviável ou difícil de ser atendida.. Uso direto na ração . Minerais na água de beber . é a forma de fornecimento mais recomendável.A utilização de minerais na água de beber não é recomendável porque existem fatores responsáveis por grande variação no consumo de água pelos ruminantes. o efeito da ingestão de solo sobre a utilização de fósforo é função dos níveis de ferro e alumínio solúveis do solo ingerido e. água de beber (e solo) não satisfizer as suas necessidades específicas. mostraram-se efetivas por três meses. sendo aplicável quando as condições econômicas. 120240 mg de EDTA-cobre. 1992 e Possenti et al. Essa variação tem sido observada em relação à idade das plantas (Gomide. a aplicação endovenosa de 3 a 40 mg de EDTA-cobre ou glicinato de cobre foi eficaz na correção da deficiência e manutenção de altos níveis séricos de cobre. informações sobre a espécie forrageira. 1988) e em relação à estação ou ao período do ano (Silva et al. UFRB. cristais de óxido de cobre etc. c) suplementação artificial. o cloreto de sódio (sal comum) é o ingrediente que mais limita o consumo de uma mistura mineral. Assim. Injeções específicas de elementos minerais . 1. 1976. MÉTODOS DE SUPLEMENTAÇÃO MINERAL A suplementação mineral é a forma mais racional de se complementar a nutrição dos ruminantes.. (1984). por um determinado espaço de tempo (Haddad & Platzeck. atentando que esse efeito poderia ser prejudicial quando os animais apresentavam carência de fósforo. em ovinos. tais como categoria animal. É o caso da suplementação oral de magnésio. McDowell et al. (1983) sugerem os seguintes métodos para suprir minerais para ruminantes: a) uso direto na ração. também. Essa é a melhor forma de mineralizar o rebanho porque existe controle da quantidade ingerida de minerais pelos animais.

para o cobalto.000 ppm 100 g .02 ppm.085 %. ainda. Por exemplo. ferro 350 ppm. selênio 0.09% de fósforo. magnésio 0.09 g de P 1. sódio 0. Assim. As análises das forrageiras de uma fazenda de bovinos de corte indicaram os seguintes resultados: fósforo 0. Unidades Utilizadas .000.000 ppm deste elemento.= 10. são expressos em percentagem. esse valor equivale a 900 ppm desse elemento. Verificou-se. 100 g -----------------. zinco 5 ppm.CÁLCULO DE UMA MISTURA MINERAL Exemplo do cálculo de uma mistura mineral para bovinos de corte. cobre 2 ppm.1 g 1. geralmente.000 g ou 10. se uma forrageira apresentar 0. cobalto 0.x x = 900 g ou 900 ppm de P Por outro lado. Os resultados das análises de cálcio. fósforo.0. Sousa (1995) recomenda 0. que é uma reprodução do NRC . iodo 0.20 %.000 g da amostra ------------------------.13 %. v.x 0.000. enxofre 0.A unidade utilizada no cálculo das fórmulas minerais é sempre o ppm (partes por milhão). para se transformar percentagem em ppm. demonstra-se que 1% de um elemento é equivalente a 10. cobre. Os macroelementos. magnésio e enxofre segue as exigências mínimas do NRC (1984). Portanto. manganês 60 ppm.01 ppm. que são de 0.x 1.000 g ------------. Exigências Nutricionais . 2009 237 . 1. os animais podem consumir mais de 800 ppm de sódio na matéria seca da dieta. quando o consumo de sódio é feito ad libitum. cobalto e manganês estavam abaixo dos teores considerados adequados.09 g ou -----------------------. na prática de formulação de misturas minerais são geralmente usados níveis mais elevados de suplementação do que o indicado pelo NRC (1984). basta dividir o valor em ppm por 10. Assim. como a mistura será fornecida à vontade (ad libitum).000 g -----------------. a suplementação de cálcio.000: 1. Contudo. encontram-se na Tabela 1.1 % (1000 ppm) de sódio na matéria seca da dieta. tornando-se necessária a transformação para ppm. cálcio 0. através de biópsias de fígado feitas em vacas em lactação e em animais de sobreano.National Research Council de 1984.4 ppm de cobalto. Sousa (1995) recomenda considerar as exigências de sódio do NRC (1970). Com relação aos microelementos ferro e manganês. indicando uma mineralização óssea deficiente. para transformar ppm em percentagem. potássio 0. fósforo e magnésio na cinza óssea confirmaram níveis deficientes nestes minerais.000. nos cálculos práticos de misturas minerais.000. As análises de biópsias de ossos revelaram baixa percentagem de cinza.09 %.92 %. UFRB. Entretanto. basta multiplicar por 10.01 ppm. serão usados os níveis recomendados pelo NRC (1984).005 %. .000 g x 1 g x = ------------------------.900 g de P 100 g da amostra x = 0.09% .000.As exigências nutricionais de minerais para bovinos de corte. segundo informações de Sousa (1995). que os níveis hepáticos de zinco. 100 g da amostra ------------. Tópicos em Ciências Agrárias. no caso do sódio. Na presente formulação.

A. % Sódio. ppm Zinco.40 1000 500 115 1000 50 5 2 6 20-100 Fonte: NRC (1984).17-0. também.5 g de P x = 27.300 = 500 ppm de P na MS da dieta.10 50 30 8 40 0. Elementos minerais Macroelementos: Cálcio.40 3.20 --------Nível tóxico 2. 5 g de fósforo/U.A.18 g de P x --------------------------.00 0. % Magnésio.) e que consuma 10 kg de matéria seca/dia. geralmente. Exigências nutricionais de minerais para bovinos de corte.300 ppm de P Nível de suplementação = 1. sendo os consumos estimados de acordo com o peso vivo médio dos animais em questão.10 0.10 0. pesam menos de 450 kg de P. UFRB. ppm Molibdênio. % Potássio.50 0. Este animal padrão é denominado de uma unidade animal (1 U.08 0.Tabela 1.).00 0.1.48ª 0. % Microelementos: Ferro.17-0. temos que: 500 ppm de P = 500 mg de P/kg de MS da dieta 500 ppm de P = 5000 mg de P/10 kg de MS da dieta Considerando que um animal de 450 kg de peso vivo consome cerca de poderá ser representada da seguinte maneira: 5000 mg de P/animal de 450 kg de peso vivo ou. esta quantidade . que o consumo de um bovino é proporcional ao seu peso vivo. sendo representado por uma vaca seca. ppm Flúor. v. expressas na matéria seca do alimento.00 1.18% ou 1. sabe-se que as vacas de corte das raças nacionais. 238 Tópicos em Ciências Agrárias. ppm Cobalto. Cálculo da Mistura Mineral . quando se calcula uma mistura mineral para 1 U. Contudo.21 % de cálcio e 0.V.800 . e nem sempre consomem 10 kg de matéria seca por dia. ppm Nível sugerido 0. ppm Cobre. Como ppm = mg/kg. 1. % Enxofre. ppm Manganês./dia Fonte de fósforo: fosfato bicálcico = 18% de fósforo (Tabela 2). 2009 10 kg de MS/dia. a mistura mineral poderá ser fornecida aos bovinos de todas as categorias. % Fósforo. Assim.1. ppm Selênio. ppm Iodo. tomar-se-á como padrão um animal de 450 kg de peso vivo (P.A..800 ppm de P (Tabela 1) Análise da forrageira = 0. ª Para animais de 450 kg de peso vivo com ganhos diários de 0. 1) Cálculo de fósforo: Exigência = 0.28ª 0.65 0.5 .778 g de fosfato bicálcico (Tabela 3).No cálculo da mistura mineral. respectivamente.0 kg recomenda-se 0. 100 g de fosfato bicálcico --------------------------.V.18 % de fósforo. Sabe-se.00 10.13% ou 1.

3 % de magnésio (Tabela 2). a contribuição do fosfato bicálcico em cálcio foi: 100 g de fosfato bicálcico -------------------------.20 % de Ca ou 2000 ppm de Ca Nível de suplementação = 2100 . 3) Cálculo do magnésio Exigência = 0.3 g de Ca 27.0 g de Ca/U.850 = 150 ppm de Mg na MS da dieta. A quantidade calculada para fornecimento de fósforo foi de 27.3 % de Ca (Tabela 2).A.778 g de fosfato bicálcico -------------------------.2) Cálculo do cálcio: Exigência = 0./dia Fonte de magnésio: óxido de magnésio = 60.x x = 6.2000 = 100 ppm de Ca 100 ppm de Ca = 100 mg de Ca/kg de MS da dieta = 1000 mg de Ca/10 kg de MS da dieta = 1. O fosfato bicálcico possui 23.10 % ou 1000 ppm de Mg (Tabela 1) Análise da forrageira = 0. 4) Cálculo do zinco Exigência = 30 ppm de Zn (Tabela 1).085 % ou 850 ppm de Mg Nível de suplementação = 1000 . A.A.5 = 25 ppm de Zn na MS da dieta Nível de suplementação =25 ppm de Zn = 25 mg de Zn/kg de MS da dieta = 250 mg de Zn/10 kg de MS da dieta = 250 mg de Zn/animal de 450 kg de peso vivo = 0.5 g de Mg/U.778 g de fosfato bicálcico. tendo em vista que o fosfato bicálcico já contribui com uma quantidade de cálcio que satisfaz as necessidades dos animais.472 g de cálcio Assim. UFRB. Análise da forrageira = 5 ppm de Zn Nível de suplementação = 30 . 1.60. 2009 239 . v./dia 1. Desse modo.25 g de Zn//U.23.3 % de cálcio. não será necessário suplementar com mais outra fonte de cálcio. 100 g de óxido de magnésio -------------------------. 150 ppm de Mg = 150 mg de Mg/kg de MS da dieta = 1500 mg de Mg/10 kg de MS da dieta = 1500 mg de Mg/animal de 450 kg de peso vivo = 1.3 g de Mg x -------------------------x = 2./dia Fonte de cálcio: fosfato bicálcico = 23.5 g de Mg Tópicos em Ciências Agrárias.21 % ou 2100 ppm de Ca Análise da forragem = 0.488 g de óxido de magnésio (Tabela 3).

v.0 mg de Se/animal de 450 kg de peso vivo = 0. 1.45 g de Selênio x ---------------------------.004 g de selenito de sódio (Tabela 3).4 ppm de Co = 0.2 ppm de selênio = 0.24.08 % ou 800 ppm (Tabela 1).80. conforme recomendação de Sousa (1995).8% de Cobalto (Tabela 2). A.005% ou 50 ppm Nível de suplementação = 1000 ppm 240 Tópicos em Ciências Agrárias. UFRB.Fonte de zinco: óxido de zinco = 80.2 ppm 0. 0. na prática de formulação de misturas minerais./dia Fonte de selênio: selenito de sódio = 45 % de selênio (Tabela 2)./dia Fonte de cobalto: sulfato de cobalto = 24.016 g sulfato de cobalto//U./dia (Tabela 3). 100 g de sulfato de cobalto --------------------------. 7) Cálculo do Sódio Exigência de sódio = 0. Usando-se do mesmo raciocínio pode-se chegar também aos valores de sulfato de cobre. iodato de potássio e enxofre em pó.01 ppm Nível de suplementação = 0.311 g de óxido de zinco (Tabela 3).3% de zinco (Tabela 2).25 g de Zn x = 0.8 g de Co x --------------------------.0 mg de Co/10 kg de MS da dieta = 4. 100 g de óxido de zinco ---------------------. Análise da forrageira = 0.0 mg de Co/animal de 450 kg de peso vivo = 0. iodo e enxofre (Tabela 3).0. segundo recomendação de Sousa (1995).004 g de Co x = 0.2 mg de Se/kg de MS da dieta = 2. tomou-se um nível de suplementação de 0. Análise da forrageira = 0.A.002 g de selênio x = 0. Por isso.0 mg de Se/10 kg de MS da dieta = 2. No caso do cobalto.002 g de Se/U.0.4 mg de Co/kg de MS da dieta = 4.3 g de Zn x ---------------------.4 ppm de cobalto na matéria seca da dieta. Análise da forrageira = 0.4 ppm na MS da dieta. 2009 . correspondentes a cobre.2 ppm (Tabela 1).A. 6) Cálculo do Selênio Exigência = 0.10 ppm de Co (Tabela 1). 100 g de selenito de sódio ---------------------------. são geralmente usados níveis mais elevados de suplementação.004 g de Co//U.01 ppm de Co Nível de suplementação = 0.0. 5) Cálculo do cobalto Exigência = 0.

5 13.3 Forma Física do Produto Cristais brancos Farinha Pó ligeiramente solúvel Pó branco Pó insolúvel Pó insolúvel Granulada Cristais brancos Cloro e sódio Cobalto NaCl CoCO3 CoCl2.3 Mg 60./dia Tabela 2.0 38.CaX CaCO3 CaCO3 CaCO3.8 I 62.0 59.9 96 Se 45 Cristais brancos Cristais vermelhos Cristais vermelho escuro Cristais vermelhos Cristais brancos Cristais brancos Pó avermelhado Cristais avermelhados Cristais vermelhos Pó preto Cristais azuis Pó solúvel Pó ligeiramente solúvel Cristais brancos Pó branco Pó branco Cristais brancos Pó amarelo Cristais brancos Iodo Iodato de cálcio Iodato de potássio Carbonato manganês Manganês Sulfato de manganês Cobre Cloreto de cobre Óxido de cobre Sulfato de cobre Sulfato ferroso anidro Carbonato ferroso Zinco Sulfato de zinco Óxido de zinco Óxido de magnésio Sulfato de magnésio Enxofre em pó Selenito de sódio Ferro Magnésio Enxofre Selênio Fonte: Campos (1980) Tópicos em Ciências Agrárias.7 41.3 38. 1.. 5 H2O Fe SO4 Fe CO3.5 Cu 37.2 40. 2 H2O Cu O CuSO4.A.0 23.7 24. 7 H2O Sº Na2 SeO3 Cl 60 Na 37 Co 49. Entretanto. quando o consumo de sódio é feito ad libitum.7 Zn 22. v. Assim.1 29.0 25. 7 H2O Zn O Mg O MgSO4.2 80.7 80.8 32.Mg CO3 CaCO3. 7 H2O Ca (IO3)2 KI O3 de Mn CO3 MnSO4. UFRB.5 22.5 14.0 Mn 47. H2O Zn O4. que são de 0. Nos cálculos práticos de misturas minerais. Elemento Cálcio e Fósforo Nome do produto Fosfato bicálcico Farinha de ossos autoclavada Fosfato de rocha desfluorado Carbonato de cálcio Calcário calcítico Calcário dolomítico Farinha de ostras Fosfato dibásico de amônio Cloreto de sódio Carbonato de cobalto Cloreto de cobalto Sulfato de cobalto Fórmula CaHPO4. os animais podem consumir mais sódio do que 800 ppm na matéria seca da dieta.2 30.CaX Ca3(PO4)2. quando o sódio é fornecido à vontade.2H2O Ca3(PO4)2.3 9. 6H2O CoSO4.O NRC (1984) recomenda para o sódio 0. 1000 ppm de sódio = 1000 mg de Na/kg de MS da dieta = 10000 mg de Na/10 kg de MS da dieta = 10000 mg de Na/animal de 450 kg de peso vivo = 10 g de Na/U.1% (1000 ppm) de sódio na matéria seca da dieta. 2009 241 .CaX % Elemento Ca P 23.5 24. H2O CuCl2.08 % (800 ppm) na matéria seca da dieta. Sousa (1995) recomenda considerar as exigências de sódio do NRC (1970). considerou-se o nível de suplementação de 1000 ppm de sódio.3 18. Fontes de minerais para bovinos.5 Fe 36.

V. et al.235 0. 2009 . Alimentação. M.909 g da mistura x -------------------------.. v. X.. H. Revista da Faculdade de Medicina Veterinária. um bovino ao ingerir 58.399 0. p.. Levantamentos dos elementos minerais em plantas forrageiras de áreas delimitadas do Estado de São Paulo. Exemplo do cálculo: 27.909 Composição em % 47. 3. 1976. Tabela 3. MENDONÇA JÙNIOR.A fim de facilitar o preparo da mistura. Estudo preliminar das concentrações de nutrientes minerais de solos e pastagens naturais ocorrentes em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. C.004 27. 1092-1099. v.. H. ANDREASI. VALDIVIA. transforma-se os valores de consumo das fontes de minerais/unidade animal/dia para percentagem (Tabela 3). Revista Centro de Ciências Rurais. S. Assim. o provável consumo /unidade animal/dia e a percentagem de cada ingrediente na mistura mineral.042 0. Fontes de minerais.. n.100 g da mistura x = 47. 1. A.. p. AMMERMAN.909 g da mistura consome aproximadamente 27 g de cloreto de sódio (10 g de sódio) e geralmente perde o apetite pela mistura mineral. J. São Paulo. a fim de que o consumo seja semelhante ou aproximadamente o mesmo do previamente calculado. 385-406. I.4..37 g de sódio x --------------------------. é importante que todos os ingredientes da mistura mineral sejam bem homogeneizados com o cloreto de sódio. CAIELLI. Mistura Mineral em Percentagem . UFRB.778 g de fosfato bicálcico -------------------------. Nova Odessa. A.59.154 g ou 47.027 58. v. de O.. fósforo e magnésio. v. Anais. n. Fonte Fosfato bicálcico Óxido de magnésio Óxido de zinco Sulfato de cobre Sulfato de cobalto Iodato de potássio Enxofre em pó Selenito de sódio Cloreto de sódio Total Consumo em g/U. F. 100 g de cloreto de sódio --------------------------. E. G. C. 7.154 4.007 45.014 1.027 g de cloreto de sódio (Tabela 3). Nova Odessa. et al. A.778 2.000 REFERÊNCIAS AGOSTINI. v. J. /dia 27.016 0. Santa Maria. 6..008 1.027 0. SP: Instituto de Zootecnia.58. Cálcio. consumo por unidade animal/dia e percentagem dos ingredientes na mistura mineral.879 100. Desse modo. MATOS. J. 1.488 0. I. P. Teores de minerais de capim canarana-erecta-lisa (Echinochloa 242 Tópicos em Ciências Agrárias.154 % de fosfato bicálcico A Tabela 3 mostra as fontes de minerais usadas. BATISTA. 1966/67.769 0. 1974. n. L. 583-604. 4. 1984. A. ROSA.528 0.Fonte Sódio: cloreto de sódio = 37% de sódio (Tabela 2). 1974. R.311 0. Effect of sand or soil as a dietary component on phosphorus utilization by sheep. KAMINSKI. VEIGA. 2 CAMARÃO. Journal of Animal Science.10 g de sódio x = 27. RS.223 0.. B. In: ENCONTRO DE ATUALIZAÇÃO EM PASTAGENS. A.

3. p. n. 80. I. Experientiae. Anais. O. 1976. 3. 2. Administração e consumo de um suplemento mineral. 21. 131-144. Teores de fósforo. PLATZECK. LOBÃO. D. et al. 4th ed.1240. 32. J.. SP. McDOWELL. Subcommittee on beef cattle Nutrition. n. MG. Washington. nos solos. Piracicaba. R. A. 54) CAMPOS. RIBEIRO. v. 155-188. V. Piracicaba..: National Academy of Science. R. UFV.. 1970. 1992. et al. Piracicaba: ESALQ/CATI. v. Nutrients requirements of beef cattle. E. 1980. CAMARGO. C et al. J..pyramidalis) em três idades. p.. HIROCE. 1980. C. D. GALLO. Composição química inorgânica de forrageiras do Estado de São Paulo. HADDAD. D. p. A. Composição mineral de gramíneas e leguminosas. em áreas da região Centro . L. NASCIMENTO JÚNIOR. 418-428. Nutrients requirements of beef cattle. J. C.67-86. B. de O. PINHEIRO.. p. 1-14. 1.Oeste do Brasil. p. 87p. C. O. p. LOPES. J. MG. S. 56 p.. AMMERMAN. v. In: SIMPÓSIO LATINO-AMERICANO SOBRE NUTRIÇÃO MINERAL DE RUMINANTES EM PASTAGENS. S. Anais. SILVA. 6. 53. 1976. GOMIDE.. F... Subcommittee on beef cattle nutrition. São Paulo.. p. et al. Viçosa.A. H. Tabelas para cálculo de rações. 1974.. 48-55. 1982. Minerals for grazing ruminants in tropical regions.National Research Council. p. P. Determinações minerais em forragens e tecidos de bovinos. p.12. ESAL. NAZARIO. In: SIMPÓSIO SOBRE NUTRIÇÃO DE BOVINOS. Teores de alguns minerais no capim-jaraguá em várias idades de corte. v. R. J. P. 2. 1985. Tópicos em Ciências Agrárias. M. (Circular Técnica. Arquivo da Escola de Veterinária. v.55. 151-159. R. aluminium and iron on perfomance and tissue mineral composition in lambs. p. C. Belo Horizonte. M. L. n. O. Anais.. SILVA. NRC .. v. J. CONRAD. M. S. Nova Odessa. BATAGLIA. FURLANI. HADDAD. v. p.. MINERAIS PARA RUMINANTES. A.. 1. sódio e potássio em pastagens nativas do Rio Grande do Sul. Piracicaba: FEALQ. ELLIS. R. et al. W. NRC . n. C. H. 5. J. 1. cobre e cobalto em algumas pastagens de Teófilo Otoni. 115-138. 49... PA: EMBRAPA/CPATU. BRAGA. 1971. H. POSSENTI. 12 p. Viçosa: Universidade Federal de Viçosa. CAVALHEIRO. 1 / 4.. 1992. M. TRINDADE. C. V. S. Revista Brasileira de Zootecnia.. JARDIM. Belém. 55 p. W. et al. 31. Boletim de Indústria Animal. São Paulo. A. A.. FICHTNER.: National Academy of Science. ROSA. Revista Brasileira de Zootecnia. EPAMIG. HENRY. Teores de cobre e zinco em amostras de tecido animal. Journal of Animal Science. J. D. R.. forrageiras e tecidos animais. UFRB. C. W. A. 1983. C. 1988. Estudos de elementos minerais de interesse para a bovinocultura de corte. 2009 243 .1980. 61 p. C. 1984.National Research Council. . n. Washington. PEREIRA.. J. Carências minerais: aspectos relacionados com a deficiência de cobre no organismo animal. Concentrações de cálcio. n. Belo Horizonte: UFMG.. Boletim de Indústria Animal. 6th ed. v. v. 1986. Arquivos do Instituto Biológico. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA PASTAGEM. Gainsville: University of Florida. S. SANTIAGO. 20-33. 1985. A. Interrelationship of dietary phosphorus. magnésio. C.1231. 6. n. D. 1980.

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A QUALIDADE DO LEITE E DA CARNE E A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS FUNCIONAIS Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 18 EFEITOS DA ADIÇÃO DE GORDURA SUPLEMENTAR À RAÇÃO DE BOVINOS SOBRE O METABOLISMO DA GLÂNDULA MAMÁRIA.

que apesar de menos estudados.EFEITOS DA ADIÇÃO DE GORDURA SUPLEMENTAR À RAÇÃO DE BOVINOS SOBRE O METABOLISMO DA GLÂNDULA MAMÁRIA.br. neste caso.br INTRODUÇÃO A adição de gordura suplementar à ração de bovinos é uma estratégia alimentar que vem sendo bastante utilizada como alternativa economicamente viável. 1. 2009 247 .Centro de Ciências Agrárias. portanto. O perfil médio de ácidos graxos do leite de bovinos foi descrito por Palmquist et al. o fornecimento de gordura adicional pode influenciar outros aspectos fisiológicos dos ruminantes. a recomendação da adição de gordura é feita para as dietas de terminação. bem como os efeitos do metabolismo ruminal dos ácidos graxos e a síntese destes ácidos no intestino. As fontes lipídicas fornecidas aos bovinos. b) reduzir os teores de gordura saturada da carne e do leite. além dos efeitos sobre a fermentação ruminal e a composição do perfil de ácidos graxos do leite e da carne.e. são variadas. 1994). Efeitos da suplementação lipídica sobre o metabolismo da glândula mamária A glândula mamária é o maior sítio de triglicerídeos dos ruminantes. apresentam perfis de ácidos graxos também variáveis. gajocaol@ufrb. A disponibilidade destas substâncias é definida como o produto de sua concentração no sangue e do fluxo sanguíneo no úbere (Davis & Collier. (1993) e é apresentado na Tabela 1. sebo. quanto no grau de saturação. sendo consideradas. c) produzir os chamados alimentos funcionais (i. podendo estar complexadas com o cálcio. como para vacas de leite de alta produção. bem como a importância desta prática na produção dos alimentos funcionais. ao contrário do que é observado na maioria dos leites das outras espécies. Ambientais e Biológicas/UFRB. óleo de farinha de peixe. A principal peculiaridade do leite de ruminantes consiste na presença de ácidos graxos de cadeia curta (produzidos na síntese lipídica da glândula mamária). que por sua vez. em proporções adequadas. alimentos que contém compostos que agem como farmacêuticos. Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira¹ 1 Professor . Do total de calorias do leite destes animais. na tentativa de aumentar a densidade energética da dieta. 50% provêm da gordura (Van Soest. composição totalmente diversa daquela encontrada nas reservas corporais ou no leite de não ruminantes (Kinght et al. a qualidade do leite e da carne. característicos deste período. óleo de sementes. ruminalmente inertes. v. E-mail: sljaeger@ufrb. Tópicos em Ciências Agrárias. também devem ser considerados quando se recomenda a suplementação lipídica. Neste capítulo será feita uma avaliação das perspectivas do uso de fontes lipídicas em dietas de ruminantes e sua influência sobre o metabolismo da glândula mamária. apresentando. visando corrigir o déficit energético ocasionado pelo baixo consumo de alimentos e o aumento da demanda de energia para a lactação. para sustentar a síntese láctea. 1994) que é composta por cerca de 95% de triglicerídeos. glândula mamária e tecido adiposo. melhorando a saúde humana). A composição de ácidos graxos do leite dos ruminantes reflete a natureza dos lipídios da dieta. O desenvolvimento de pesquisas utilizando uma ampla variedade de fontes dietéticas de gordura tem buscado. podendo conter misturas de gordura vegetal e animal. principalmente: a) minimizar os efeitos negativos dos lipídios sobre a fermentação ruminal. Recomenda-se que a suplementação lipídica para vacas de leite seja feita no início do pós-parto.edu. Cruz das Almas-BA. UFRB. A glândula mamária é dependente do suprimento sanguíneo que fornece substâncias.. tanto para gado de corte em confinamento. proporcionando maior ganho de peso em níveis mais baixos de consumo. 1985). Já no caso do gado de corte. A QUALIDADE DO LEITE E DA CARNE E A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS FUNCIONAIS Soraya Maria Palma Luz Jaeger¹. tanto no comprimento de cadeia. Entretanto.edu.

e observaram redução no teor de gordura do leite de vacas submetidas ao tratamento TRANS (Tabela 2). são de origem sanguínea. 1993).0%) 9. sendo sua concentração dependente da ação da enzima lipoprotéica lipase no endotélio capilar mamário (Davis & Collier.0%) A grande maioria dos ácidos graxos de até 16 carbonos presentes no leite de ruminantes. ao passo que o acetato responde principalmente pela formação de ácidos graxos de cadeia mediana (10-14 carbonos) por intermédio da formação do primer preferencial malonil-CoA e posterior ação da enzima ácido graxo sintase. o que resulta num valor mais baixo da proporção C18:0/C18:1 em comparação à digesta duodenal. síntese. Composição padrão de ácidos graxos da gordura do leite de vaca (Adaptado de Palmiquist et al. 1993). Fornecendo diferentes fontes de gordura suplementar a vacas em lactação. UFRB.Tabela 1. resultante do efeito tóxico dos lipídios sobre as bactérias fibrolíticas tem sido. observaram redução no teor de gordura do leite e aumento do fluxo de trans-C18:1 para o duodeno. pode indicar redução do requerimento de NADPH para a síntese de ácidos graxos (redução da ação da isocitrato desidrogenase).84 27. os quais. Ao estabelecerem regressão entre o fluxo duodenal e concentração de trans-C18:1 no leite com a percentagem de gordura no leite.32 2. Gaynor et al. observada no tratamento TRANS.78 (40. Ácido graxo C4:0 (ac. em segundo lugar. (1994). 1999). Wonsil et al. Essa redução. Em suma. Em primeiro lugar. conseqüentemente. Tem sido relatado que a suplementação lipídica. Os ácidos graxos de cadeia longa.19 2. o processo de produção de leite engloba inter-relações complexas entre eventos de absorção.34 1. são sintetizados na própria glândula mamária..39 2. O b-hidroxibutirato parece responder mais pela síntese de ácidos graxos de cadeia curta. ditaria a extensão da depressão no teor de gordura. e não da síntese local. provavelmente exercem influência sobre a síntese de novo e/ou a esterificação de ácidos graxos na glândula mamária.39 11. este mecanismo encontrado em todos os ruminantes tem a função de preservar a fluidez do leite (Demeyer & Doreau.41 2. que durante muito tempo foi associada a limitações no nível de substrato (acetato e b-hidroxibutirato) para a síntese de ácidos graxos na glândula mamária. butírico) C6:0 (caproico) C8:0 (caprílico) C10:0 (cáprico) C12:0 (laurico) C14:0 (mirístico) C14:1(miristoleico) C16:0 (palmítico) C16:1 (palmitoleico) C18:0 (esteárico) C18:1 (oleico) C18:2 (linoleico) Teor (g 100 g-1 de gordura) 3. 1985).81 3. 1. Segundo estes autores duas teorias podem estar efetivamente envolvidas na redução do teor de gordura do leite pela suplementação com lipídios. Assim. no alongamento da cadeia (Palmiquist et al. 248 Tópicos em Ciências Agrárias. limitando. a ação inibitória do trans-C18:1 sobre a enzima acil-transferase (que atua na esterificação de ácidos graxos) na glândula mamária e. Ao que tudo indica. embora estes mecanismos ainda não estejam bem elucidados.53 3. v. leva a efeitos depressivos sobre o teor de gordura do leite. mais recentemente. por sua vez. sugerindo que a quantidade de trans-C18:1 que chega à glândula e é incorporada ao leite. (1994) infundiram no abomaso de vacas holandesas misturas de ácidos graxos ricas em isômeros cis-C18:1 (tratamento CIS) ou trans-C18:1 (tratamento TRANS).. relacionada aos ácidos graxos trans-C18:1. oxidação e excreção. haveria efeito negativo da presença do trans-C18:1 sobre o processo de síntese lipídica na glândula mamária. Os ácidos graxos saturados que são captados pela glândula mamária são então dessaturados pela ação da enzima dessaturase.38 (60. a intensidade de ocorrência do ciclo de Krebs na glândula mamária. procedimento comum na alimentação de vacas leiteiras de alta produção no início da lactação. 2009 . principalmente a partir do acetato e do butirato. foi observada relação negativa em ambos os casos. a maior concentração de citrato no leite.63 29.

6 9. 1991. sugerindo que a depressão da proteína do leite ocorre independente do tipo de gordura suplementar.512 3.3 1. gordura dietética acima das recomendações Diluição da proteína pelo aumento da produção de leite - o Tópicos em Ciências Agrárias.211 2. em média. Mudanças relativas na produção de leite N de Razões aparentes para mudanças e proteína do leite comparações Aumento proteína > aumento do leite 10 O consumo de matéria seca foi mantido Proteína diminuiu. gordura e trans-C18:1.605 3. sebo protegido. (1998) afirmaram que. (1994).Tabela 2. sumarizados por Wu & Huber (1994). 1992). Kalscheur et al.45 0. Dados de 83 experimentos de diversos autores. Como a caseína é sintetizada de novo na glândula mamária. a caseína é a mais susceptível à depressão associada ao fornecimento de dietas ricas em lipídios (Chow et al. não foram observadas interações relacionadas à fonte de lipídio suplementar. embora o trans-11-C18:1 (ácido vacínico) seja na maioria das vezes apontado como mais influente na ocorrência da síndrome do baixo teor de gordura do leite. Tabela 3..99 Dados em g 100 g de ésteres de ácidos graxos. Cant et al. Dietas ricas em lipídios (ruminalmente inertes ou não). deva estar associada a uma inadequação dos aminoácidos essenciais disponíveis para a síntese de proteína do leite na glândula mamária.0 1. 3% de gordura na MS). comparadas a dietas controle (contendo. avaliando a influência da suplementação lipídica com diferentes fontes (óleos e gordura animal.4 7.10 a 0.27 0.. Fonte: adaptado de Gaynor et al.7 8. DePeters & Cant. Para determinar as causas da redução da porcentagem de proteína do leite. Produção diária de leite. soja integral e gordura amarela) com teor de gordura variando entre 5 a 8% da MS (e algumas exceções com 17% da MS). v. 2009 249 . mas leite aumentou Proteína e leite diminuíram Aumento proteína < aumento do leite Nenhuma mudança Total 11 15 45 2 83 Consumo da MS diminuído. outros isômeros trans-C18:1 podem ser formados e dúvidas se erguem se outra forma isomérica possa ter ação mais potente sobre o metabolismo da glândula mamária. 1990.0 1. à medida que a produção (volume) de leite é estimulada pela suplementação. caroço de algodão. sebo. gordura dietética acima das recomendações Início da lactação. também relatam reduções dentro da faixa citada. sobre o consumo de matéria seca e porcentagem e produção de proteína do leite. concentração de citrato no leite e fluxo duodenal de trans-C18:1. 1993).83 Tratamentos CIS 2 46.68 TANS 308 47.59 2. sais de cálcio de ácidos graxos. Wu & Huber (1994) resumiram as comparações entre mudanças na produção e teor de proteína do leite para dietas com gordura suplementar em experimentos individuais (Tabela 3).15 unidades percentuais na proteína do leite (Canale et al. 1994). Nesta comparação concluiu-se que a diminuição da concentração da proteína do leite durante a suplementação lipídica.. sendo a magnitude da depressão similar para as diversas fontes. Mudanças relativas na produção de leite e na proteína do leite de vacas recebendo dietas com gordura suplementar comparadas a dietas controle (adaptado de Wu & Huber. Variável Fluxo trans-C18:1 (g dia ) -1 Leite (kg dia ) -1 Gordura (kg dia ) Gordura (%) 1 trans-C18:1 no sangue -1 Citrato no leite (mmol l ) 1 -1 -1 Controle 2 47. Os mesmos autores acrescentam que manipulações dietéticas para aumentar a absorção de aminoácidos limitantes ou para incrementar a síntese protéica microbiana ruminal seriam indicadas para amenizar este problema. também têm sido associadas a reduções entre 0. Polan & Fisher. resida no tecido mamário. Na comparação entre os diversos resultados. acredita-se que o mecanismo causador da depressão da proteína do leite. 1990. em vacas holandesas. (1997) e Griinari et al. Dentre as frações da proteína do leite. UFRB. 1. pela adição de gordura suplementar à dieta.

A influência positiva dos AGPI w-3 nas doenças cardiovasculares em humanos sugere que seria benéfico aumentar os teores de tais ácidos no leite. o aumento do fornecimento de gordura insaturada na dieta tem efeito limitado sobre o conteúdo de ácidos graxos insaturados (AGI) nos tecidos ou no leite de ruminantes. mas também devido a alguma atividade daqueles. qualidade do leite e da carne A qualidade dos produtos de origem animal tem sido freqüentemente associada à natureza da fração lipídica neles contida. (1981). possuem propriedades que reduzem a concentração plasmática de colesterol em humanos. portanto. Ao contrário do que ocorre nos monogástricos. ou seja. o fígado e o tecido adiposo. O mecanismo de redução do LDL-colesterol pelo consumo de dietas ricas em ácidos graxos poliinsaturados é o oposto ao demonstrado pelos ácidos graxos saturados. do leite e seus derivados. transporte e metabolismo dos lipídios. 1993). Porém. o que pode trazer sérias limitações a este tipo de proteção. pode alterar o teor de gordura e a composição de ácidos graxos do leite. Acredita250 Tópicos em Ciências Agrárias. Ainda que se consiga aumentar o fluxo duodenal de ácidos graxos insaturados e. ex. Desde que o elevado consumo de gordura saturada passou a ser apontado por médicos e nutricionistas como principal causa de doenças cardiovasculares em humanos. a biohidrogenação ruminal. A redução do LDL-colesterol ocasionada pelos AGPI não é somente pela substituição dos ácidos graxos saturados. nos animais de corte. Kennelly (1996) afirma que a única maneira de aumentar o teor de ácido linoléico no leite seria a suplementação de lipídios protegidos com proteína. em diversos países. Entretanto. que ocorre por ação microbiana. Esta técnica parece ser bastante eficiente quando se deseja incrementar a absorção intestinal de ácidos graxos polinsaturados. é um dos principais fatores relacionados à baixa proporção de ácidos graxos polinsaturados na gordura destes animais. os AGPI w-3 são mais potentes em reduzir o colesterol que os AGPI w-6. Além de proteger os ácidos graxos insaturados contra a biohidrogenação. v. Pesquisas recentes nessa área têm aperfeiçoado o conhecimento da influência das lipoproteínas na partição dos lipídios entre a musculatura esquelética. Tem-se encontrado altos níveis de trans-C18:1 no leite. maior será a dissociação dos sais de cálcio.e. e na contribuição dos lipídios para a síntese de gordura do leite. o uso da proteção com formaldeído é proibido devido ao suposto efeito cancerígeno deste tratamento. bem como da manipulação do perfil de ácidos graxos nos tecidos dos ruminantes. deve-se lembrar que a composição química e a taxa de secreção das lipoproteínas estão entre os principais fatores que controlam a utilização de lipídios pelos tecidos e. 1. Van Nevel & Demeyer (1996) afirmaram que quanto mais baixo o pH ruminal (i. o conhecimento das particularidades da digestão. inibindo a incorporação e/ou a síntese de novo. Segundo Connor et al. quando as dietas são ricas em concentrado) ou quanto maior for o teor de ácidos graxos insaturados da gordura complexadada.Suplementação lipídica vs.18:1. transformando-os em ácidos graxos saturados (principalmente o ácido esteárico) ou isômeros trans de ácidos graxos monoinsaturados (Chilliard. O mecanismo pelo qual os ácidos graxos insaturados diminuem os níveis de LDL-colesterol tem sido investigado intensamente. Inúmeras técnicas. conseqüentemente. óleo de linhaça) protegida contra a biohidrogenação. sementes oleaginosas e sais de cálcio não resultam em conteúdo de ácido linoléico maior que 5mg/100mg do total de ácidos graxos do leite. UFRB. estratégia freqüentemente usada para atingir os requisitos de energia das vacas de alta produção no período do pós-parto. Um exemplo de proteção química que vem sendo bastante empregada é a complexação das gorduras com cálcio. Gordura não protegida. físicas e químicas. a suplementação lipídica. 2000). os chamados “sais de cálcio” são considerados ruminalmente inertes. as características qualitativas e quantitativas da produção de carne e leite. reduções do colesterol propiciadas por dietas ricas em AGPI ocorrem associadas à redução de HDL-colesterol (Mensik & Katan. conseqüentemente. Tem-se observado que os ácidos graxos poliinsaturados presentes na carne e no leite de ruminantes. quando são fornecidas dietas contendo óleo de peixe. Da mesma maneira. Ao que parece. absorção. passaram a ser objeto de inúmeras pesquisas visando a melhoria das qualidades nutricionais da carne. não interferindo negativamente sobre a digestibilidade da fibra. A proteção dos lipídios com proteínas tratadas com formaldeído é uma delas. levando à redução de 70-90% do teor de ácidos graxos polinsaturados (AGPI) da digesta. 1989). aumentar o fluxo de AGI para o intestino delgado. incremento da função do receptor de LDL e redução da secreção de lipoproteína-colesterol pelo fígado (Stipanuk. Como já foi comentada anteriormente. têm sido sugeridas para tentar proteger a gordura suplementar fornecida aos ruminantes contra a biohidrogenação e. o enriquecimento do leite com ácido linolênico só seria possível com o fornecimento de gordura (p. 2009 . óleos ricos em ácido linoléico e óleos parcialmente hidrogenados contendo diferentes isômeros trans. Entretanto. Há ainda estudos que diferenciam os efeitos dos AGPI de acordo com a posição da dupla ligação (w-3 ou w-6). incrementar a absorção dos mesmos.

tem sido sugerido. que são aqueles que contém compostos com propriedades farmacêuticas. 1994. Clinquart et al. UFRB. funcionando como incentivo adicional ao uso da suplementação lipídica para o gado de corte. forneceram a bovinos suplementação lipídica a base de canola extrusada e observaram alterações na composição de ácidos graxos do tecido adiposo. Suplementação lipídica influenciando a produção de alimentos funcionais As estratégias de alimentação de ruminantes que visam a manipulação do perfil de ácidos graxos da carne e do leite. ainda são escassas as pesquisas desenvolvidas nesta área. C18:1. Assim como tem sido observado no leite. acreditou-se que o melhoramento genético visando obter animais mais magros com baixo teor de gordura intramuscular seria a melhor solução para se obter carne bovina de melhor qualidade. ao que parece. analisando o perfil de ácidos graxos da carne de novilhos precoces alimentados com fonte suplementar de gordura protegida (5% da MS). Existem nove diferentes isômeros do CLA de ocorrência natural em alimentos. sem a presença do Carbono metilênico entre as duas duplas ligações. quando gordura protegida a base de óleo de peixe é adicionada à dieta destes animais. a suplementação com gordura insaturada tem provocado um decréscimo nos teores de ácidos graxos de cadeia curta e média.1997. em razão disso pesquisadores têm buscado elevar os teores de CLA nestes alimentos. Rule et al. podendo agir em benefício da saúde humana. 2009 251 . De maneira diversa à produção de leite. Desses isômeros. citados por Gaynor et al. Ultimamente tem-se relatado que o ácido linoléico conjugado (CLA). Parodi. observaram aumentos de até 100% nos teores de AGPI intramuscular (gordura de marmoreio) destes animais. (1994). Contudo. Em uma segunda etapa o dieno conjugado é hidrogenado ao ácido trans-11. e. então hidrogenado ao ácido esteárico. tais como: efeito anti-carcinogênico. Entretanto é sabido que baixos níveis de gordura intramuscular (cerca de 10g kg-1) podem prejudicar as propriedades organolépticas da carne. que pode promover alterações benéficas na composição de ácidos graxos da carne. encontrado em altas concentrações na gordura de animais. mas também com a produção dos chamados alimentos funcionais. Durante algum tempo. (2002). músculos. Pires et al. v. (1991) relatam que a suplementação com óleo de linhaça na dieta de bovinos elevou o teor de C18:3 w-3 no tecido adiposo. 1. (1992) os lipídios intramusculares em carneiros retêm muito mais AGPI w-3 que o leite. 1999). mais tarde. devido a menores taxas de hidrogenação no rúmen (Demeyer & Doreau. O CLA se refere a uma mistura de isômeros (geométricos e de posição) do ácido linoléico (C18:2 w-6) com uma dupla ligação conjugada. através de manipulações da dieta passou então a ser o alvo das pesquisas. pois o tratamento térmico das sementes de oleaginosas parece proteger os ácidos graxos C18:2 da biohidrogenação. (1994). rins e fígado. a produção de carne não é limitada pelo consumo de energia. propriedades benéficas à saúde humana.se que uma combinação entre altos níveis de concentrado e uma suplementação com óleos de peixe ou óleos ricos em ácido linoléico poderiam aumentar a produção de trans-18:1. bem como aos seus subprodutos. O CLA é produzido no rúmen. Bessa et al. depreciando o seu valor. o cis-9 trans-11 parece ser a forma mais comum que apresenta atividade biológica. melhoria do sistema imune. como primeiro intermediário da biohidrogenação de ácido linoléico da dieta.octadecenóico (ácido trans-vacinico) e. muito embora esta atividade também tenha sido Tópicos em Ciências Agrárias. Segundo Ashes et al. não têm se preocupado apenas com a melhoria das qualidades nutricionais destes alimentos. e aumento dos teores de C18:0. aumento da massa magra e propriedades antidiabéticas (Pariza. Um incremento na proporção de AGPI w-3: w-6 em animais magros. promoção do crescimento. 2000) e. e quando a fonte de gordura é composta de sementes oleaginosas tratadas pelo calor ao invés de óleos (não protegidos). Entretanto a maior susceptibilidade à oxidação e aos defeitos de aroma e sabor da carne e derivados enriquecidos com AGPI também devem ser considerados. e um aumento nos teores de ácidos graxos de cadeia longa (principalmente C18:1) da carne. a adição de gordura é uma alternativa viável para baratear a formulação de dietas. pela enzima ácido linoléico isomerase produzida pela bactéria Butyrivibrio fibrisolvens.. caracterizada por decréscimo nos teores de C16:0. quando se almeja manipular o perfil de ácidos graxos destes produtos. isto é. pode conferir à carne e ao leite. bem como diversos AGPI de cadeia longa. Estes efeitos têm sido menos pronunciados nos lipídios intramusculares em comparação aos da gordura subcutânea. O incremento do teor de triacilgliceróis enriquecidos com AGPI na gordura intramuscular.

(2) Os maiores aumentos dos teores de CLA são obtidos quando a fonte da suplementação lipídica é composta por óleos ricos em ácido linoléico. (2000).7 – 5.9 – 4. Alguns autores utilizam o nome ácido rumênico para o isômero encontrado em maiores concentrações na mistura CLA. (1988) 3. (2000) 3.1995). Enser et al. ainda que esta denominação não tenha sido amplamente aceita pela comunidade científica. (1999) 3. relacionando os efeitos da fonte de gordura suplementar da dieta de vacas sobre o teor de CLA no leite. v. pela inclusão de gramíneas na dieta e pela proporção forragem:concentrado na dieta. Dados de diversos autores compilados por Demeyer & Doreau (1999). (1998) 2.0. (2000) 1. 2001).5 Foferly et al. especialmente o trans-10 cis-12.5 Shanta et al. 2009 . (1999) estudaram a concentração de CLA na carcaça de bovinos da raça Charolês recebendo suplementação com diferentes tipos de gordura: (a) saturada. em humanos.relatada para outros isômeros. (1992) 1. ou sais destes ácidos. respectivamente. (1995) e Jiang et al.. Dieta Desconhecida Cevada (800g/kg dieta) Silagem de gramíneas e concentrado Milho (820 g/kg dieta) Desconhecido Desconhecido Grãos Concentrado Gramínea Gramínea Gramínea Desconhecida País Canadá Canadá Reino Unido USA USA USA USA Japão USA Austrália Irlanda Alemanha Concentração (mg/g gordura) 1.3 Chin et al.4 Shanta et al. silagem de gramíneas ou concentrado sobre a concentração intramuscular de CLA em bovinos de corte. (1997) 3.9 McGuire et al. Porém. e óleos ricos em C20:5 e C20:6. Segundo Deckere et al. (c) óleo de peixe (rico em C20:5 e C20:3). em relação à carne produzida no reino unido.3 – 12. French et al. (1999).0 Enser et al. (b) óleo de linhaça (rico em C18:3).0 1. ao longo do ano. (3) Os aumentos nos teores de CLA promovidos pela suplementação com fontes ricas em ácido linolênico são mais discretos que aqueles ocasionados por fontes ricas em ácido linoléico. Lin et al. ao fato do gado consumir maior quantidade de forragens ricas em AGPI nestes países. o cis 9 trans 11 CLA não apresenta efeito significativo em lipídios plasmáticos de hamsteres.33 g dia-1) resultou em aumento da concentração de CLA nos tecidos da carcaça.C18:1 e o CLA.7 – 1. 11% e 61%. comparados aos que foram suplementados com fontes de ácidos graxos saturados. (2000).8 Referências Ma et al. (1999) 7. (1994) 5.2 – 12.4 Tsuneishi et al.7 -10. estudando o efeito de dietas baseadas em pastejo (gramíneas).9 – 4. As concentrações de CLA na gordura do leite são primariamente influenciadas pelo suprimento de ácido linoléico no rúmen. (1999) Mir et al.0 Fritsche e Steinhart (1998) Os autores atribuíram a alta concentração deste ácido nas carnes irlandesas e australianas. HDLcolesterol e aumenta o VLDL-colesterol em 18%.. e relataram que bovinos suplementados com fontes de AGPI apresentaram um aumento de duas a três vezes na concentração de CLA. Segundo Mir et al. Maloney et al. o isômero trans 10 cis12 CLA diminui o LDL-colesterol. (2001) sumarizaram dados de diversos autores relatando as concentrações de CLA na carne bovina (Tabela 4). (1996) encontraram uma relação positiva entre trans.1 Shanta et al. relataram que o aumento na proporção de gramínea na dieta ocasionou um aumento linear na concentração de CLA na carne. 1.2 – 8. revelaram que: (1) gorduras saturadas e monossaturadas não promovem o aumento do CLA.2 – 3. Concentração de ácido linoléico conjugado em carne bovina crua (Maloney et al. a suplementação de CLA para ovinos em confinamento com uma fonte de ácido linoéico (óleo de girassol . UFRB. as concentrações atualmente encontradas na carne e no leite de 252 Tópicos em Ciências Agrárias. Tabela 4. Este achado pode explicar porque o efeito do trans-C18:1 não é sempre associado à maior incidência de doenças cardiovasculares (Wolff.8 French et al. (1997) 2. Embora os pesquisadores venham obtendo sucesso na busca para elevar os teores do ácido linoléico conjugado nos alimentos de origem animal.

. 82. R. p. et al.. Vale lembrar que. 73. Journal Dairy Science.A. CHILLIARD. BURGESS.1. 1991. constituem-se em vasto campo de pesquisa que só tem a contribuir para o aperfeiçoamento de tecnologias relacionadas à produção e manejo destes animais. BALDWIN. DECKERE. n. LIN.K. COLLIER. 1999.M. J. Calcium salts of fatty acids in diets that differ in neutral detergent fibber: effect of lactation performance and nutrient digestibility. p. HARRIS. J.L. D. R. D. 308-317.J. 1. GULATI. p. ISTASSE.ruminantes (principais fontes de CLA na nutrição humana).J. Tópicos em Ciências Agrárias. M.4. lipoproteins. 68.M..J.J. et al. ainda não foi suficientemente esclarecida. v. CHOW. n. Journal Dairy Science.. p. British Journal Nutrition. v. Effect of dietary fat and postruminal casein administration on milk composition of lactating dairy cows. 8. 1981. 3897-931. v. J.L.4.1051-1061. UFRB. 1993. n. 211-219. Effect of rumen-protected methionine and lysine on casein in milk when diets high in fat or concentrate are fed. Mammary blood flow and regulation of substrates supply for milk synthesis (Review). E. et al. DEMEYER. 58..R. 315-320. S. and sterol balance. 12.. n.. sua determinação seria um dos pontos de partida na produção de alimentos funcionais derivados da carne e do leite. Journal Lipid Research. v. 363-378. C... v. Journal Dairy Science. v. bem como aos efeitos da adição de gordura à dieta de bovinos sobre a produção de carne e leite. v. MULLER. J. I. e. DePETERS. R. W. RIBEIRO. capaz de proporcionar proteção contra câncer em humanos. DAVIS. n. CLINQUART.D.P.M.. BESSA. 1. Effects on animal performance and fat composition of two fat concentrates in diets for growing-fattening bulls. Incorporation of n-3 fatty acids of fish oil into tissue and serum lipids of ruminants. n. n. 1991. Animal Production. p. pigs.76.73. 1990. Arteriosclerosis... AMELSVOORT. Lipids.3. apesar das intensivas pesquisas relacionadas às propriedades do CLA.. E.. p. J. E.1031-1038. n. Reticulum-rumen biohydrogenation and the enrichment of ruminant edible products with oleic acid conjugated isomers. DUFRASNE. Dietary fat and adipose tissue metabolism in ruminants. Journal Dairy Science..L. p. 1990. CANALE.B.B. considera-se que o aprofundamento dos conhecimentos ligados aos eventos físicoquímicos que regulam a digestão absorção e transporte de lipídios em ruminantes. 1999. v.D.R. SANTOS-SILVA.4.. B. 629-631. et al. A. p. 1992. v.74. S. p.4.593-607. Journal Dairy Science. 1991 CONNOR. ainda são considerados insuficientes para lhes conferir propriedades farmacêuticas. R. CANT. A comparison of dietary polyunsaturated n-6 fatty acids in humans: Effects on plasma lipids. Y. 27.J. SIEBERT. G. and rodents: A review. BALDWIN. Proceedings of the Nutrition Society. 201-211.M. com certeza.. 1041-1058. Effects of conjugated linoleic acid (CLA) isomers on lipid levels and peroxisome proliferation in the hamster.R. McNEIL. J. v. L.. p. DOREAU. W. a dose mínima diária deste ácido. Livestock Production Science. L. 2009 253 . 63. Targets and procedures for altering ruminant meat and milk lipids (Review). 1985. n.S.E. DePETERS.P. P. p. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante desta avaliação. REFERÊNCIAS ASHES. v.53.M. 2000. v.

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POLAN. 1995. C. 2000. WONSIL B. v. VAN SOEST. p.T. DEMEYER. v. Dietary and ruminally derived trans-18:1 fatty acids alter bovine milk lipids. 1... Biochemical and physiological aspects of human nutrition. M. 2002. 153. v. VAN NEVEL. 2009 255 . Feedstuffs. Journal Nutrition. R. D. R.. 2.124. Relation ship between dietary fat supplementation and milk protein concentration in lactation cows: a review.15-21. Effect of pH on biohydrogenation of polyunsaturated fatty acids and their Ca-salts by rumen microorganisms in vitro. p. 1007p. Nutritional ecology of the ruminant.J. p.J. n. Livestock Production Science. p. p. UFRB.39.L.556-565.J. p.4.141-155.Porto Alegre. Journal of American Oil Chemists Society. Tópicos em Ciências Agrárias. P. 476p. v. 1993. WU. et al. WOLFF.65. Anais. Nutrition can affect concentration of milk protein.J. n. 1994. J. n. v.E. Archives of Animal Nutrition. v. 2 ed. Z. Ithaca: Cornell University Press. Content and distribution of trans-18:1 acids in ruminant milk and meat fats..2.72. Their importance in European diets and their effect on human milk.H. SBNC. Porto Alegre.49. FISHER.1996.259-272. STIPANUK. 1994. HUBER. C. 151-157. 1994.

CAPÍTULO 19 CARBOIDRATOS NA NUTRIÇÃO DE PEIXES Leandro Portz Tópicos em Ciências Agrárias .

1989). períodos de grande esforço físico e mudanças de dietas. 1987). 1999). Os carboidratos são componentes essenciais a quase todos os seres vivos. A utilização dos carboidratos está diretamente relacionada à sua concentração na dieta. apresentaram um desempenho melhor do que em dietas contendo amido cru. As fontes de carboidratos são melhores utilizadas pelos peixes quando sofrem um processo térmico.lactato. o lactato e o piruvato (Black et al. Soengas et al. Embora o tecido muscular de peixes carnívoros. sendo restabelecidas somente 24 horas após terem sido consumidas. 2009 259 . onde são absorvidos por transporte passivo (difusão simples) ou por transporte ativo (potencial de membrana ou gasto direto de ATP) na parede do trato digestivo e assim transportados via sistema porta. as quantidades totais de glicogênio muscular ou hepático podem ser consideradas iguais (Steffens. Normalmente esta energia é obtida através do metabolismo dos carboidratos.br INTRODUÇÃO Os peixes. da salinidade. 1. os carboidratos (di. O ciclo do glicogênio hepático no catabolismo mostra que esta forma de reserva orgânica é muito mais importante como suprimento de intermediários metabólicos para processos biossintéticos do que como fonte de energia (Christiansen & Klungsoyr. Isto mostra que estes peixes iniciam a utilização das reservas de glicogênio do corpo a partir do glicogênio tecidual hepático. Ambientais e Biológicas/UFRB. podem resultar tanto em aumento como em diminuição do estoque de glicogênio (Moraes et al. 1961). Nagai & Ikeda (1971) mostraram que períodos de restrição alimentar superiores a 164 dias não resultam em uma queda significativa na reserva de glicogênio muscular da carpa comum (Cyprinus carpio). O glicogênio é um nutriente muito utilizado em adaptações bioquímicas em várias situações de estresse ambiental.edu. 1995). v. O glicogênio é uma das muitas formas de armazenamento da energia consumida como alimento pelo peixe. pois não gastam energia para manutenção da temperatura corporal e excreção dos compostos nitrogenados. 1982. tipo e forma do carboidrato e principalmente à espécie e seu hábito alimentar (Hilton & Atkinson. 1996. Pode-se citar como carboidratos mais importantes no metabolismo de peixes: o glicogênio. as reservas de glicogênio no músculo e fígado dos peixes podem diminuir em poucos minutos. Hilton & Atkinson (1982) constataram que dietas contendo amido de milho extrusado ou simplesmente milho extrusado à truta arco-íris (Oncorhynchus mykiss). Do ponto de vista de utilização da energia. assim como os mamíferos e animais terrestres. necessitam de energia para a manutenção do metabolismo básico. O Tópicos em Ciências Agrárias. possa concentrar cerca de 6% a mais glicogênio que o fígado. onde são metabolizados. Erfanullah & Jafri. os carboidratos não são eficientemente utilizados pelos peixes (NRC. porém quando criados confinados em tanques e viveiros a alimentação artificial proporciona a disponibilização destes carboidratos pela composição vegetal de suas dietas. lipídios e aminoácidos. 1993). sem serem convertidos em monossacarídeos. compostos estes presentes na dieta. De modo geral.CARBOIDRATOS NA NUTRIÇÃO DE PEIXES Leandro Portz Professor . 1971). UFRB..Centro de Ciências Agrárias. O glicogênio hepático é considerado um estoque emergencial de energia prontamente utilizável nos primeiros momentos de situações críticas de estresse (Christiansen & Klungsoyr. Cruz das Almas-BA. a glicose. oligo e polissacarídeos) são digeridos através de ação enzimática. Os polissacarídeos são encontrados em todas as células dos animais e mais abundantemente no fígado. tendo como função primordial o estoque de energia que pode ser utilizada pelos animais. Variações do pH. alcançando normalmente 7% do peso seco do tecido (Stryer. os peixes são considerados muito mais eficientes do que mamíferos e aves. glicogênese (síntese de glicogênio) e glicogenólise (degradação do glicogênio para disponibilização de glicose)... embora estes peixes tenham mostrado uma redução de 75% na reserva de glicogênio tecidual hepático após 100 dias de restrição alimentar. como a truta arco-íris (Oncorhynchus mykiss). E-mail: lportz@ufrb. a gliconeogênese (síntese de uma nova molécula de glicose ou frutose utilizando um intermediário não glicídico . Como conseqüência de uma intensa atividade física ou jejum. sendo encontrado em grande quantidade nos tecidos do fígado e músculo destes animais. No processo de digestão dos peixes. podendo ser utilizados diretamente como fonte de energia ou levados até o fígado. obtendo suas reservas energéticas através da proteína. As vias bioquímicas mais importantes envolvendo estes carboidratos são: a glicólise (oxidação anaeróbica da molécula de glicose). crescimento e reprodução. 1987). aminoácidos. dos níveis de oxigênio dissolvido na água. Os peixes em seu habitat natural consomem pouco carboidrato através do alimento natural. glicerol).

As enzimas possuem uma ampla faixa de tolerância à variações térmicas (20-40oC) e suas atividades ótimas ocorrem entre pH 6-8 (Hilton & Atkinson 1982). 1. Normalmente a atividade das enzimas. UFRB. Em experimentos com truta arco-íris. 15% PS. Atividade da amilase em trutas arco-íris (Oncorhynchus mykiss) em resposta a diferentes dietas: farinha de peixe (FM). principalmente da amilase. Porém trabalhos feitos com peixes onívoros como o bagre do canal (Ictalurus punctatus). 15% PS. Assim poderíamos concluir que para este bagre onívoro a utilização de carboidratos complexos é mais eficiente. também poderão ser encontradas no suco pancreático e estômago. 40% C) D (20% FM. diferem de espécie para espécie e são descritas na literatura de acordo com os hábitos alimentares dos peixes.mesmo foi observado em experimentos com esturjão siberiano (Acipenser baeri) utilizando-se o amido extrusado ou pré-gelatinizado e o milho extrusado em comparação com o amido cru. Estas enzimas. amido de batata (PS). em experimentos conduzidos com a tilápia mossambica (Oreochromis mossambicus). Porém. necessária para hidrólise da fibra. sacarose e frutose (Wilson & Poe. acelulose (C). Em relação aos níveis de amido na dieta. assim A (80% FM. assim como as lipases. 15% PS. maltose. O aumento do nível da farinha de peixe na dieta reflete no aumento dos níveis de proteína na dieta (Adaptado de Steffens 1989). 60% C) 0 10 20 30 40 Figura 1. Similarmente. v. o pâncreas é o maior produtor das enzimas que degradam os carboidratos. Segundo Steffens (1989). 260 Tópicos em Ciências Agrárias. ao aumento na temperatura ou salinidade da água. na maioria das espécies. outros carboidratos. a carpa comum (peixe onívoro) responde de modo oposto ao da truta arco-íris (Figura 2). mas não necessariamente em todas as espécies que são utilizadas em estudos de pesquisas relacionadas à nutrição. com atividades específicas. Ainda este mesmo autor afirma que somente algumas bactérias presentes no intestino de peixes herbívoros e de alguns onívoros poderiam talvez apresentar tal enzima. 2009 . sendo esta considerada uma fonte de energia não disponível para os peixes. celulose. indicaram que dietas contendo dextrina e amido de milho proporcionaram melhores índices de desempenho do que dietas que continham glucose. a atividade da enzima amilase em trutas arco-íris pode aumentar em resposta ao tipo de alimento fornecido. 15% PS) 4500 4000 Atividade Total 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 B (60% FM. que normalmente estão presentes na membrana do intestino. Digestão dos carboidratos em peixes Nos peixes podemos encontrar diversos tipos de enzimas digestivas (carboidrases). Bergot & Breque (1983) constataram que a celulose é um carboidrato muito utilizado em experimentos com dietas purificadas mas que não pode ser utilizada como fonte de energia mas sim como fibra. Pezzato (1997) explica que a baixa utilização se deve ao fato destas espécies não possuírem a enzima celulase. este mesmo autor comprovou uma alta atividade da amilase quando este onívoro foi alimentado com dietas ricas em energia. 20% C) C (40% FM. ou quando é fornecida ao peixe uma dieta rica em proteína (Figura 1). Por outro lado. 1987).

não apresentaram queda de desempenho. próximos a 42%. P= Ceco pilórico. como também atividades de outras enzimas que digerem carboidratos são descritas pela diferenciação na nutrição entre espécies (Tabela 1). alimentado com dietas extrusadas com diferentes níveis protéicos e níveis de lipídios variando entre 12 e 14% e níveis de carboidratos de até 30%. Cyrino et al. estudando rações que continham farinha de trigo como fonte de carboidrato. 60% PS) D (10% FM. a-glucosidase e b-ga-lactosidase no trato digestivo de diferentes espécies. 1989. com incremento de 5%. 40% PS) C (40% FM. Farinha de peixe (FM). 90% PS) Atividade amilase 4000 3000 2000 1000 0 7 23 43 69 80 Duração da alimentação (dias) Figura 2. Isto mostra que rações contendo altos níveis de proteína. Espécies Carassius carrassius Ctenopharyngodon idella Oreochromis niloticus Cyprinus carpio Salmo gairdneri Anguilla japonica Seriola quinqueradiata I 100 84 44 35 8 1 1 Amilase P S a-Glucosidase I S 100 b-Galactosidase I S 34 61 59 8 31 <1 <1 <1 16 15 <1 2 20 22 <1 11 6 I= Intestino. Brown et al. 10% PS) 5000 B (60% FM. na alimentação de juvenis de “sunshine bass” (Lepomis gibossus) e utilizaram a relação hepato-somática (RHS) como uma medida relativa de estoque energético. S= Estômago. Estes mesmos autores ainda concluem que o “black bass” pode utilizar eficientemente dietas artificiais desde que os níveis de carboidratos sejam inferiores a 30% e as rações sejam adequadamente processadas (extrusadas). Tópicos em Ciências Agrárias. Os autores observaram que os valores da relação hepato-somática encontrados eram inversamente proporcionais aos níveis de proteína e diretamente proporcionais aos níveis de carboidratos digestíveis dietéticos.=100) de amilase. Efeito da composição da dieta na atividade da amilase em carpa comum (Cyprinus carpio).A (90% FM. maior a utilização de carboidratos e a deposição de glicogênio no fígado. (1992) testaram níveis de proteína dietética variando de 25 a 55%. (2000). UFRB. amido de batata (PS) (Adaptado de Steffens. Resultados semelhantes também foram mostrados por Millikin (1982) para o “striped bass” (Morone saxatilis). observaram níveis mais altos de glicogênio tecidual hepático (GTH) e nos valores da relação hepato-somática (RHS) quando o carnívoro “black bass” (Micropterus salmoides) era alimentado com dietas contendo 42% de PB. Digestibilidade dos carboidratos em peixes Tabela 1. 2009 261 . Resultados semelhantes foram relatados por Pérez et al. 1. condicionam um maior acúmulo de reservas energéticas prontamente utilizáveis na forma de glicogênio. o que mostra que quanto menor o nível de proteína dietética. v. Adaptado de Steffens. Atividade relativa (máx. 1989). (1997) para o “European sea bass” (Paralabrax humeralis) que.

existe um interesse particular centralizado no que diz respeito à digestibilidade do amido e da dextrina. Chiou & Slinger (1979) demonstraram os coeficientes de digestibilidade de diferentes carboidratos utilizados em rações para truta que receberam processos térmicos diferentes (Tabela 5). A digestibilidade dos polissacarídeos é dependente da magnitude de sua contribuição na dieta. que foram também substituídas por maltose.4 77.Além do hábito alimentar.celulose Fonte: NRC 1973.0 99. v.5 94. contudo nas dietas artificiais os carboidratos estão presentes e pode ser observado que estes carnívoros podem ser capazes de digerir carboidratos.7 50 99.14 Tabela 3.1 38. observouse uma alta taxa no ganho de peso e melhores taxas na conversão alimentar da truta arco-íris (Tabela 4). 262 Tópicos em Ciências Agrárias. 2009 .3 99. 1.0 52.2 97.24 10 .2 50. os carboidratos geralmente estão ausentes na dieta natural. Tabela 2.99%. A capacidade de digestão dos carboidratos pelos salmonídeos tem sido freqüentemente detalhada e pesquisada em estudos referente à nutrição. Quando o amido de milho hidrolisado era empregado em uma composição básica de ração.8 65.5 26. Juvenis de Oncorhyncus tshawytscha (truta da califónia) pesando menos de 1g mostraram menores taxas de crescimento em água à 10o C. com níveis de glucose de 20% na dieta.Amido de batata Fonte: Singh & Nose (1987).70 20 . à diferenciação anato-fisiológicas do trato digestivo destas espécies.8 96.90 77 . “Brook trout” (%) 99 92 73 60 57 38 - Truta arco-íris (%) 79 .2 30 99.4 60.4 45. Shiau (1997) foi capaz de mostrar que o amido de milho após sofrer um tratamento térmico (gelatinização) era melhor utilizado pelo peixe do que o amido de milho em estado natural. não sendo este coeficiente influenciado pela temperatura da água. Digestibilidade de diferentes carboidratos da “brook trout” (Salvelinus fontinalis) e truta arco-íris. (1981).2 60 99. foi de 96% . Carboidratos Glucose Maltose Sacarose Lactose Dextrina Amido cozido Amido cru a . observa-se que os coeficientes de digestibilidade dos carboidratos diminuem com o aumento de sua proporção na dieta (Tabela 3). Digestibilidade (%) de diferentes carboidratos em vária proporções na dieta de truta arco-íris com 10-25 g de peso vivo e uma temperatura de água à 16o C.5o C e 15o C e também pelas dietas que continham acima de 25% deste carboidrato.80 52 .0 98. que variou entre 11.5 98.3 40 99.1 Carboidratos Glucose Sacarose Lactose Dextrina a .6 99.3 74. o coeficiente de digestibilidade para glucose em trutas arco-íris.1 97.2 69. à existência de uma variabilidade entre as diversas espécies de peixes quanto a digestibilidade dos carboidratos se deve. Nível de Carboidrato na Dieta (%) 20 99.8 95. embora em proporções menores em relação às proteínas (Tabela 2). também. Em testes realizados por Hilton et al. Para os salmonídeos. Na maioria das pesquisas realizadas para avaliação da digestibilidade de carboidratos em peixes. e os autores sugerem que estes carboidratos podem atuar como economizadores de proteína. dextrina e amido de batata (Figura 3). Por se tratar de espécies carnívoras. UFRB.

34 1. à o 112 C) tostada o (10 min. contendo cada uma amido de milho em estado natural (n) ou amido de milho hidrolisado (h). a .74 h 1. B = maltose.A B C Ganho de Peso 1. D = amido de batata.73 1.64 4 32 29 66 112 2. A = glucose. Diferenças no ganho e utilização de alimento em alevinos de truta arco-íris em resposta à administração de dietas similares. Tabela 4. Dietas 1 Proteína (%) 42 Amido (%) 15 Ganho de Peso (g) n 80 h 92 Taxa de Conversão Alimentar (kg/kg ganho) n 1.) Amido crú (milho) Amido autoclavado o (10min.5 D 1.55 2 42 13 107 121 1. v.0 0. Amido g/kg Digestibilidade da dieta (%) 807 100 780 0 772 541 391 418 75 168 0 0 62 27 54 62 Açúcar g/kg Digestibilidade da dieta (%) 843 100 19 40 41 101 88 57 87 100 263 Tópicos em Ciências Agrárias. Digestibilidade aparente de amido e açúcar para truta arco-íris. 1.glucose Dextrina (amido hidrol.67 Tabela 5. 1989. 2009 . C = dextrina.5 20 40 60 80 Dias Figura 3. à 112 C) Farinha de trigo crua autoclavada (10 min. Fonte: Adaptado de Steffens.30 1. Crescimento de juvenis de Oncorhynchus tshawytcha em resposta a diferentes tipos de carboidratos (com nível de 20%) na dieta.62 3 42 13 67 115 2. à 250 C) Farelo de soja (49% de proteína bruta) Farinha de glúten de milho (60% de PB) Fonte: Adaptado de Steffens (1989). UFRB.

A digestibilidade de carboidratos provenientes de sementes de leguminosas aparentemente são mais pobres do que a dos cereais.1 5.0 Digestibilidade (%) 91 56 38 14 Fonte: Kirchgessner et al. Com relação ao ganho de peso e taxa de conversão alimentar da dieta. 2009 .22o C. ambos com 30% de inclusão na dieta (Steffens. A digestibilidade de carboidratos em carpas é extremamente dependente do nível de fibra bruta contida na dieta (Tabela 7) conforme demonstrado em experimentos feitos por Kirchgessner et al.0 37. Quando foi testada a digestibilidade da dextrina como fonte de carboidrato. Tabela 6.A digestão de carboidratos em carpa foi descrita por Furuichi & Yone (1982) (Tabela 6). Carboidrato (% do peso seco) 55. Chiou & Ogino em 1975 já haviam concluído que a fração de carboidratos da semente de lúpulo e da soja apresentavam baixo desempenho quando utilizadas em dietas para peixes. Furuichi et al. Alimento Farinha de trigo Pó de trigo Grãos de trigo Farelo de trigo ENN (extrat. um tunídeo de águas tropicais muito criado no Japão. Para a carpa-capim (Ctenopharygodon idella). a digestibilidade do farelo de soja foi de 63% e para a farinha de milho 88%.6 34. 264 Tópicos em Ciências Agrárias. Digestibilidade de carboidratos (trigo) de uma carpa de 1200 g de peso vivo condicionada a uma temperatura de 24oC. o grupo que recebeu 20% de glucose na dieta demonstrou resultados piores em relação aos outros grupos (Tabela 9).8 43. 10 84 20 80 30 79 40 60 50 38 60 35 O peixe Seriola quinqueradiata. Dextrina contida na dieta (%) Digestibilidade (%) Fonte: Steffens (1989). o melhor ganho de peso percentual era descrito em resposta ao amido contido na dieta e não à glicose.1 22.7 12. não digere carboidratos com tanta eficiência quanto as carpas. Embora a digestibilidade do a-amido tenha sido significativamente menor em comparação à glucose.5 Digestibilidade (%) 74 75 84 58 45 56 55 65 51 46 75 Tabela 7. uma espécie que se alimenta essencialmente de vegetais. (1986) obtiveram os valores em resposta à digestibilidade da glucose e do amido de batata cozido. não nitrogenado) . Tabela 8.8 14. Digestibilidade da Dextrina em várias concentrações em substituição no alimento.3 46.6 15.4 14. surgia uma relação negativa entre os coeficientes de digestibilidade e a concentração de dextrina na dieta (Tabela 8). Digestibilidade de diferentes carboidratos em carpas com dois anos de idade. v. (1986).0 25. 1. onde os peixes estavam condicionados a temperaturas variando entre 10o C . 1989). (1986).7 8.8 30. Alimentos Cevada Aveia Centeio Trigo Ervilha Lúpulo Semente de girassol tostada Farinha de amendoin Farinha de soja Componenetes da dieta Fonte: Adaptado de Steffens (1989).% 71 59 56 52 Fibra Bruta (%) 2. UFRB.

Taxa de absorção de glucose (G) e a-amido de batata (S) em quantidades de 10% e 20% na dieta de Seriola quinqueradiata. Outro fator importante a ser levado em consideração quanto às fontes de carboidratos é que o trigo contém albuminas as quais agem como inibidores de amilases. Os autores supracitados observaram que este fator reflete no aumento do nível de açúcar sangüíneo após duas horas de alimentação.11 Amido de Batata 20 56 95 1. v. o qual também contribui para perdas na digestibilidade de nutrientes. Este fato foi comprovado quando os autores detectaram o aparecimento de glucose na urina (Glicosúria). Ganho. Porém. (1986).43 Furuichi et al. pelo fato do nível de insulina do plasma sangüíneo somente alcançar o seu nível máximo após duas horas da ingestão do alimento e a atividade das enzimas glicolíticas hepáticas e gluconeogênicas relacionadas ao metabolismo de carboidratos somente mostrar aumento após duas a três horas da administração do alimento. Glucose 10 92 84 1. Fonte: Furuichi et al. UFRB. 1. Spannonhof & Plantikow (1983) descreveram que a atividade da amilase em trutas arco-íris é reduzida em cerca de 80% quando o trigo é utilizado em sua forma natural sem nenhum processamento térmico Tópicos em Ciências Agrárias. 100 80 60 40 20 S 20 S 10 G 20 G 10 Absorção (%) 1 2 3 4 5 6 Horas Figura 4. (1986). (1986) também observaram em carpas e no atum (Seriola quinqueradiata). em ambos os tratamentos com 10% e 20% de glucose contida na dieta. pode ser excretada sem ser utilizada. 2009 265 . digestibilidade da glucose e amido de batata em várias concentrações na dieta do peixe Seriola quinqueradiata com 70-150 g de peso vivo. A atividade da amilase era reduzida pela presença de amido cru e aumentada pela inclusão de amido hidrolisado.Tabela 9. que a glucose na forma livre é mais rapidamente absorvida que a glucose contida na forma de a-amido (Figura 4). isto poderia demonstrar uma importante descoberta no metabolismo pós-absortivo de peixes.41 20 94 60 2. apesar de serem altamente e rapidamente absorvidos antes do aumento das atividades enzimáticas. durante 30 dias de alimentação. De acordo com Spannonhof & Plantikow (1983). níveis elevados de amido na dieta de truta arco-íris produzem um aumento no volume de suco gástrico. taxa de conversão alimentar. Nível de Carboidrato na Dieta (%) Digestibilidade (%) Ganho (%) Taxa de Conversão Alimentar (kg/kg) Fonte: Furuichi et al. O amido cru na dieta pode aumentar a taxa de transito do conteúdo intestinal. Os autores concluíram que a maior parte dos carboidratos oriundos da absorção de glucose na forma livre.

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CAPÍTULO 20 ALIMENTAÇÃO DE CAPRINOS LEITEIROS Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira. Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Benedito Marques da Costa Tópicos em Ciências Agrárias .

isoladas do rebanho nos primeiros cinco dias após o parto. Em regime de semi-confinamento. embora retarde o consumo de concentrados e volumosos pelos cabritos. Tópicos em Ciências Agrárias. sem receber sol. recebendo o colostro e leite inicialmente em mamadeira ou caixa de aleitamento e depois no balde. em seguida o cabrito é apartado e levado para aleitamento. de fenos de capins ou de leguminosas. e mistura mineral. preferencialmente feno de leguminosa. Neste esquema as cabras e as crias permanecem juntas. alcançando preços por litro mais elevados do que o de leite de vacas. em regime de semi-confinamento ou em confinamento total. poderá ser utilizado o colostro proveniente de outras matrizes. através de premix vitamínico. é aconselhável administrar à dieta vitamina D. conforme a sua produção de leite. Animais em regime de confinamento total. parcelado em quatro ou cinco vezes ao dia. Em regime de confinamento total. fornecer pelo menos no primeiro dia. UFRB. Fornecimento de colostro .O cabrito é separado da mãe desde o primeiro dia. as cabras são mantidas em pastagens. silagem ou fenos de capins ou de leguminosas). 2009 271 .É uma forma de aleitamento prática. as cabras são mantidas em capril. E-mail: gajocaol@ufrb. após o parto. objetivando a absorção de anticorpos que se verifica mais nesse período inicial. duas ou três vezes ao dia. durante os primeiros 3 dias de vida. deve-se fornecer alimento volumoso rico. mistura mineral e ração concentrada.edu. CABRITOS EM ALEITAMENTO A partir dos três dias de idade. Deve ser fornecido 500 ml do colostro. Quando não se dispõe de quantidade suficiente. Soraya Maria Palma Luz Jaeger1. devido ao elevado preço do leite de cabra. além do alimento concentrado e da mistura mineral completa. Este método exige maior mão-de-obra que o anterior. Quando ocorre acidente com a matriz. Considerando-se o aspecto social.O fornecimento de colostro é feito nas primeiras horas de vida.ALIMENTAÇÃO DE CAPRINOS LEITEIROS Gabriel Jorge Carneiro Oliveira1. deixam os cabritos com a mãe. Ambientais e Biológicas/UFRB. Podem. pequenos produtores podem criar cabras para a subsistência de sua família. Benedito Marques da Costa1 ¹ Professor . 1.Centro de Ciências Agrárias. receber suplementação de ração concentrada.br.com INTRODUÇÃO A criação de cabras com objetivo de produção de leite é uma atividade produtiva bastante importante pelos aspectos econômico e social. b) Aleitamento artificial . destacam-se a alimentação de cabritos nas fases de aleitamento e crescimento e de cabras em gestação e lactação. após a ordenha. recomenda-se o fornecimento de alimento concentrado com 12 a 18 % de proteína bruta e mistura mineral completa à vontade. A partir de oito dias de idade. onde são alimentadas diariamente com alimentos volumosos (capins de corte. a produção de leite de cabras pode ser rentável. Este procedimento exige menos mão-de-obra. beneditomc@hotmail.Existem dois esquemas de aleitamento para recém-nascidos: a) Aleitamento natural .br. também. Levando-se em conta o seu aspecto econômico. e reduza a produção de leite do rebanho. v. podendo receber uma suplementação de volumosos na forma de capins de corte. devido ao seu valor nutritivo e ao fato de ser um leite que pode ser consumido por crianças e adultos que apresentam intolerância a outro tipo de leite. Cruz das Almas-BA. sljaeger@ufrb. Esquema de aleitamento . Existem criações que. embora não seja econômica. em pequenas áreas. voltando a apartá-los à tarde.edu. A seguir é apresentado um programa de alimentação de caprinos com objetivo de produção de leite. Nesse programa.

que comprime o rúmen. Quando se usa leite de soja ou produtos comerciais contendo soja. da gestação e do estágio da gestação (NRC. 1. passando gradativamente a ser oferecido à temperatura ambiente no segundo mês. neste período as exigências nutricionais são maiores.41 2.43 1. energia digestiva (ED).1981). devido à demanda de nutrientes da mãe somados àqueles para formação do feto (Tabela 2). INRA. A relação cálcio/fósforo deve ficar ajustada entre 2:1 e 1.79 1. levando o animal à morte. 1981. A Tabela 1 serve de orientação para o cálculo da ração visando um ganho de peso diário de 100 gramas.32 2. o ganho de peso diário objetivado.47 NDT (g) 275 426 561 PB (g) 51 67 79 Ca (g) 2. 1993). 9º ao 11º dia: 50 % de leite de cabra e 50 % de leite de vaca.43 3. a depender do peso vivo da matriz. O peso vivo dos animais a serem arraçoados. Os animais criados em confinamento. O fornecimento de uma mistura mineral pode ser necessário para complementar as exigências de cálcio e fósforo e demais elementos minerais. 272 Tópicos em Ciências Agrárias.45 0.0 a 2. 1 Peso vivo (kg) 10 20 30 1 MS (kg) 0. destacam-se o leite de vaca e o de soja. proteína bruta (PB). nutrientes digestíveis totais (NDT).5:1. do número de fetos. Exigências de matéria seca (MS). 12º dia: leite de vaca. 2009 . durante o primeiro mês. O leite ou “sucedâneo” deve ser fornecido com temperatura de 35 a 37º C.21 1.10 Mcal = Megacalorias.88 2. A desmama tardia é realizada a partir dos 90 dias de idade. Tabela 1. a desmama pode ser realizada a partir de três semanas de idade.6 % do peso vivo. o nível de nutrientes requeridos e o consumo de matéria seca devem ser levados em consideração no cálculo da dieta a ser fornecida. AFRC. provocada pelo aumento do volume do útero. Desmama . devem receber a vitamina D através da adição de premix vitamínico na ração concentrada. para caprinos em crescimento (adaptado do NRC. sem receber sol. 1990.A higiene do material deve ser rigorosa.09 ED (Mcal) 1. Recomenda-se o fornecimento de volumoso de boa qualidade juntamente com alimento concentrado rico em proteína bruta. de forma que. Entre os produtos utilizados no aleitamento artificial. quando o animal já estiver ruminando. em uma ingestão diária de matéria seca que varia de 2. Se for oferecido antes do 28º dia pode causar sérios problemas de distúrbios digestivos. Ao utilizar leite de vaca a substituição deve ser gradual seguindo as seguintes proporções: 6º ao 11º dia: duas partes de leite de cabra / uma parte de leite de vaca. sendo o primeiro o mais indicado para substituir o leite de cabra.49 P (g) 1. UFRB. deve-se ter cuidado de fornecer somente a partir do 28º dia. Com estes cuidados evitam-se distúrbios digestivos. Por outro lado. é importante o fornecimento de volumosos de boa qualidade com o intuito de proporcionar aos animais condições de adquirirem o peso de reprodução ou de abate mais precocemente. v. cálcio (Ca) e fósforo (P) para um ganho de peso diário de 100 g.Considerando o estado fisiológico do cabrito e os objetivos da criação. a dieta possa atingir até 22 % de proteína bruta. ANIMAIS EM CRESCIMENTO Nesta fase. CABRAS EM FINAL DE GESTAÇÃO No terço final da prenhez ocorre uma redução de 20% no consumo de matéria seca.

1. As equações podem considerar diversos fatores.09 1.8 Mcal = megacalorias.4 2.40 6.4 1.0 2.59 5. A IMS varia de 1. Para atender às exigências de FDN fisicamente efetiva. incluindo os requerimentos de mantença (adaptado do NRC.0 8. cálcio (Ca) e fósforo (P) para cabras gestando dois fetos.0 % do peso vivo (PV) em animais de baixa exigência.02 4. dentre os quais se destacam o peso metabólico ou apenas o peso vivo e o nível de produção de leite. energia digestiva (ED). Exigências de matéria seca (MS).62 3.01 NDT (g) 362 448 530 608 682 PB (g) 51 63 75 86 96 Ca (g) 2.33 1.4 5.98 2.0 7.07 0.5 4. IMS = Ingestão de MS (g dia-1).1 3. do peso vivo e da produção de leite da cabra.10 5.0 13. 2009 273 . A demanda de nutrientes para produção de leite depende. com relatos de consumo que chegam a atingir 8 % do PV. Fonte: adaptado do NRC (1981). CABRAS EM LACTAÇÃO Apesar da ingestão de matéria seca (IMS) poder variar a cada dia.52 6. pelo menos 1/3 da IMS deve ser de feno não picado ou forragem verde. que necessitam ingerir grandes quantidades de alimentos concentrados.062 PV 0.5 9.7 3. PV = Peso Vivo (kg).3 5.0 4. proteína bruta (PB).47 1.8 4.20 1.21 1. Peso vivo (kg) 30 40 50 60 70 1 ED (Mcal)¹ 1.0 8.Tabela 2. de forma direta.60 1.75 + 0.90 6.305 PL onde. o cálculo da IMS deve ser feito a partir da seguinte equação: IMS = 0.5 3. nutrientes digestíveis totais (NDT). nos dois últimos meses de prenhez. Peso vivo (kg) 40 Gestação (mês) 4° 5° 4° 5° 4° 5° 4° 5° 4° 5° MS(kg) 1.0 11.0 P (g) 2.59 1.5 % de gordura Para animais de alta produção.97 1. até 5 % para animais de alta produção.0 3.0 50 60 70 80 1 Mcal = megacalorias.4 2.1 2.0 6.42 6. Tópicos em Ciências Agrárias. PL = Produção de leite (kg dia-1) com 3. UFRB. Segundo o AFRC (1993).0 P (g) 1.00 4. 1981).5 a 2.62 NDT(g) 816 1141 932 1268 1027 1363 1114 1454 1458 1504 PB(g) 159 215 173 235 187 253 200 273 212 293 Ca (g) 5. Tabela 3.5 7.0 10. com a ração total contendo no mínimo 28 % de FDN. existem equações que permitem calcular o provável consumo de matéria seca (MS) para situações específicas. Segundo o INRA (1990) a demanda de nutrientes para produção de leite deve obedecer à regra apresentada na Tabela 4.34 1. devese atentar para o consumo de fibra em detergente neutro (FDN) fisicamente efetiva.46 ED (Mcal)¹ 3.0 3. As Tabelas 3 e 4 possibilitam estimar as quantidades de alimentos e de nutrientes a serem fornecidos para produção de leite.0 6. v. Exigências de nutrientes para mantença.58 4.0 3.1 2.

as principais espécies lenhosas que compõem a vegetação da caatinga e os seus graus de aceitabilidade por caprinos (Oliveira. Variações da composição botânica nas dietas de caprinos.1 24.3 68. Embrater (1984) classifica os volumosos em quatro tipos: a) rico. O volumoso pobre é formado por pasto em início de maturação. como também foi constatada por Araújo Filho et al. para que possam se alimentar adequadamente. pode ser fornecida em cochos coletivos desde que haja disponibilidade de canzis para contenção dos animais. citado por Azevedo (s.8 22. Tabela 4.6 26. Produção de leite (kg dia-1) 2 3 4 5 6 7 Múltiplo da exigência de mantença 2. Contudo. Huss et al. A alimentação de cabras leiteiras deve seguir um programa baseado na qualidade dos alimentos volumosos disponíveis.0 2. O volumoso do tipo médio é formado por pasto maduro. mostrando preferências por espécies forrageiras e por determinadas partes das plantas. e Zertuche.5 3. 2009 . b) médio. Eles consomem mais brotos e folhas de árvores e arbustos e dicotiledôneas herbáceas do que gramíneas. apresentando teor de proteína bruta de 10 a 14 % na matéria seca.8 Junho 1. Fevereiro 37. De acordo com a composição em nutrientes. 1990). O tipo rico é aquele constituído de pasto verde em crescimento. Quando se utiliza este tipo de volumoso. conseguiram uma melhora do ganho de peso diário de caprinos. com algumas leguminosas. É recomendável que a alimentação seja individual. apresentando teor de proteína bruta na matéria seca acima de 14 %.). Ao utilizar este tipo de volumoso. UFRB. Tipo de forragem Gramíneas (%) Dicotiledôneas herbáceas Brotos e folhas Fonte: Pfister. quando aumentaram a acessibilidade e a produção de forragem pelo corte da vegetação arbustiva. silagem ou feno de gramíneas pobres com teor de proteína bruta de 5 a 10 % na matéria seca.4 67. Para o tipo de volumoso pobre é necessária a suplementação com ração concentrada para todas as categorias de animais.5 PREFERÊNCIA ALIMENTAR E USO DE VOLUMOSOS Com relação à preferência alimentar.3 59.7 34.0 3. d.2 Dezembro 1. Demanda de nutrientes para produção de leite em função das exigências de mantença (adaptado de INRA. Contudo. com elevada percentagem de leguminosas. os caprinos são pastejadores seletivos. somente cabras em lactação e cabritos em crescimento recebem suplementação de ração concentrada. feno de boa qualidade. Contudo.0 4. manifestando suas preferências. 1. que determinam o teor dos nutrientes e a quantidade de concentrados a serem oferecidos de conformidade com as necessidades de mantença e produção dos animais. em lactação e cabritos em crescimento. 1990).A Tabela 4 demonstra que as cabras devem ser alimentadas segundo sua produção. c) pobre e d) muito pobre. (1996).6 A Tabela 6 exemplifica.1 28. Tabela 5.5 4.3 Outubro 2. 274 Tópicos em Ciências Agrárias. em diferentes meses do ano. é necessário que a forragem dessas espécies esteja ao alcance dos animais. deve-se suplementar ração concentrada para cabras em final de gestação. silagem ou feno de boa qualidade. citados por Huss (1972). v. essas preferências variam conforme a época do ano (Tabela 5).

Com relação ao concentrado. conhecidos por “bancos de proteínas” ou “legumineiras”. Costa et al. USO DA URÉIA A utilização da uréia em mistura com alimentos para caprinos deve ser feita observando-se as mesmas normas preconizadas para os bovinos e respeitando-se sempre o nível máximo de uréia na mistura. ou plantios em faixas nas pastagens de gramíneas. UFRB. PASTAGEM DE LEGUMINOSAS As leguminosas se constituem em importante fonte de proteínas para os ruminantes. Nome vulgar Sabiá Marmeleiro Mofumbo Jurema preta Jurema branca Pau branco Catingueira Juazeiro Pereiro Pau mocó Aroeira Imburana Melosa Mororó Jucazeiro Nome científico Mimosa caesalpiniaefolia Croton hemiagyreus Cobretum leprosum Mimosa nigra Pithecolobium dumosum Auxema onconcalyz Caesalpinia pyramidalis Ziziphus joazeiro Aspidosperma pririfolium Luetzelburgia auriculata Astromium urundeuva Bursera leptophloeos Ruelia asperula Bauhinia forficata Caesalpinia ferrea Aceitabilidade +++ + + ++ ++ + ++ +++ + ++ + + +++ +++ ++ Legenda: + = baixa. A fim de se evitar intoxicação dos animais. requer que se faça uma adaptação gradativa para prevenir intoxicação e para que haja um bom aproveitamento (Tabela 7). Principais espécies lenhosas da caatinga e graus de aceitabilidade por caprinos. São realizados plantios de áreas exclusivamente com leguminosas. Com este tipo de volumoso. No caso dos caprinos é recomendável a utilização de espécies perenes. Tópicos em Ciências Agrárias. ++ = média. +++ = alta. produção de forragem e utilização do guandu (Cajanus cajan) e leucena (Leucaena leucocephala). Informações sobre a produção de leite em caprinos alimentados com níveis crescentes de uréia foram apresentadas por Santos & Bose (1985). na proporção de 5 % da mistura. também. Importantes informações sobre o valor nutritivo. a suplementação concentrada é necessária até para manter o peso vivo dos animais.Tabela 6. Contudo. contudo. v. 1989). entretanto o consumo deve ser limitado. Fonte: adaptado de Oliveira (1990). foram apresentadas por Garcia (1986). provavelmente devido à dificuldade de acesso às informações provenientes da pesquisa. O tipo de volumoso muito pobre é formado por pasto maduro. deve-se incorporar à mistura fontes de carboidratos como o milho. 40 g 100 kg-1 de peso vivo/animal/dia (Teixeira. cana picada. melaço ou mandioca para se obter bons resultados. ou seja. 1. 2009 275 . falta de sementes idôneas para o plantio das leguminosas recomendadas e a outros fatores. silagem ou feno. Seu uso na alimentação de caprinos. (1989) recomendam algumas espécies de leguminosas nativas e exóticas para formação de pastagens. em mistura com melaço. de baixa qualidade. apresentando uma orientação geral de manejo. como pasto para ruminantes. com teor de proteína bruta inferior a 5 % na matéria seca. tanto herbáceas como arbustivas. pode ser usada em até 3 % deste ou até 1 % da matéria seca total da ração. neste caso. a uréia é recomendada para caprinos adultos ao nível de até 30 % do nitrogênio total da dieta. essa prática ainda está muito reduzida. Algumas das leguminosas recomendadas são apreciadas pelos caprinos (Tabela 6). A uréia pode ser fornecida. Outra forma de uso da uréia é em mistura com o sal.

L. Wallingford: CAB International. Produção de leite em caprinos alimentados com níveis crescentes de uréia.. HUSS. 1993. G. ed. João Pessoa. 383-395. 2ª. 599). Ceará. Proceedings. de. R. Nutrient requirements of goats: angora. In: Wildland shrubs their biology and utilization. e SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA PASTAGEM. Forrageiras arbóreas e suculentas para formação de pastagens. n. Energy and protein requirements of ruminants. M. dos. Viçosa. E. Composição botânica e química da dieta de ovinos e caprinos em pastoreio combinado na região dos Inhamuns. AZEVEDO. jan-jun. Anais .. Boletim de Indústria Animal. GARCIA. d. 1990. de.5 1.. TEIXEIRA.1996. 1990.]. A. 331-338. 24 p. UFRB. v. R. S. Logan. Alimentos e Alimentação.. 3.. Criação de cabras leiteiras. R. R.0 Quantidade (g 100 kg de P. Nova Odessa. SANTOS. L. v. 1971.. BOSE. L. A. 1986. 1972. (Coleção mossoroense série B. v. CALAZANS.. Período 1ª semana 2ª semana 3ª semana 4ª semana Fonte: adaptado de Azevedo (s. Pró Reitoria de Extensão. Ogden: USDA Forest Service.. de. GADELHA. V. NRC . p. Goat response to use of shrubs as forage. 276 Tópicos em Ciências Agrárias. Brasília: EMBRATER. 1986. 432p. 25. M.V. Mossoró: Escola Superior de Agricultura de Mossoró. A. 1986. p. João Pessoa: Sociedade Nordestina de Produção Animal. p.Agricultural and Food Research Council. D. A. C. EMBRATER. 1989. Madrid: MundiPrensa.). Manejo alimentar de caprinos e ovinos. A. ARAÚJO FILHO. OLIVEIRA. E. 1990.. Alimentación de bovinos.0 1.National Research Council. Anais. 27 p. p. MENDONÇA..5 40 -1 REFERÊNCIAS AFRC . et al. E. 3. [s. d.Institut National de la Recherche Agronomique. COSTA. 243 p. Washington: National Academy Press.5 2. Esquema de adaptação de caprinos à uréia. 159p. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará.5 20 a 25 30 a 37. 1.79-99.Tabela 7. 94-107. Quantidade no concentrado (%) 0. dairy and meat goats in temperate and tropical countries. 1989. da. ovinos y caprinos. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE PASTAGENS. 1981. 8. INRA . maio/junho. J. 11-30. A. 321p. Nutrição de caprinos e ovinos no Nordeste do Brasil. p. In: SIMPÓSIO NORDESTINO DE ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES. Piracicaba. 1. AN INTERNATIONAL SYMPOSIUM. 91p. n. 1984. 2009 . M. 42. B. Banco de proteína. Brasília: Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior.) 10 a 12. LEITE. Piracicaba: FEALQ. J. 1985. Revista da Sociedade Brasileira de Zootecnia. J.

CAPÍTULO 21 DESENVOLVIMENTO REGIONAL E A COMPETITIVIDADE DO AGRONEGÓCIO: ESTUDOS DE CLUSTER Warli Anjos de Souza Tópicos em Ciências Agrárias .

br INTRODUÇÃO Este capítulo consiste em apresentar os aspectos conceituais relacionados ao termo cluster e sua conexão com desenvolvimento regional e a competitividade local do agronegócio. 1. Neste sentido. Embora o termo seja recente. especialmente as pequenas empresas. Ambientais e Biológicas/UFRB. pois o fenômeno envolve aspectos macroeconômicos. UFRB. Compreendido o fenômeno local. institucionais e ambientais. v. nesta abordagem. os impactos ambientais e sociais da aglomeração. através da concentração geográfica de indústrias pertencentes à mesma cadeia produtiva e da participação em ações conjuntas de interesses comuns. 2009 279 . Isto é. Portanto. fácil acesso aos fornecedores de insumos e serviços especializados e a rápida disseminação de novos conhecimentos (tecnologias). econômica e ambiental. microeconômicos. envolvidas em atividades similares e relacionadas. a competirem. que surgiu para denominar alguns setores bem sucedidos da economia mundial. em Princípios de Economia. COMPETITIVIDADE LOCAL E CLUSTERS A competitividade local é a base onde se assenta a interiorização do desenvolvimento e requer uma compreensão multidisciplinar. Em conformidade com Haddad (1999). Um roteiro metodológico é sugerido para conduzir pesquisas de arranjos produtivos locais na forma de estudos de caso de cadeias agroindustriais selecionadas em determinada região. as condições necessárias ao desenvolvimento configuram-se na construção de redes (networks). os pólos de desenvolvimento localizados. porque um agrupamento de empresas poderia auxiliá-las. na integração de diferentes atores e atividades. Adicionalmente. nas suas três dimensões: social. expressas na redução dos custos de coordenação e na melhoria da eficiência e da inovação tecnológica da agroindústria. a competitividade é abordada a partir de uma leitura multidisciplinar. Os estudos de cluster têm revelado as premissas para atingir o melhor equilíbrio no desenvolvimento interno. são apresentadas também as condições necessárias e suficientes que complementam a explicação para o surgimento de um cluster ou agricluster numa região ou país. que definem as atividades-chave do cluster. O texto está dividido em duas seções: uma fundamentação teórica sobre cluster e uma metodologia alternativa para a pesquisa. busca identificar aquelas atividades que orientam o cluster para exportação. As economias externas explicam o crescimento dos clusters industriais contemporâneos e é por isso que Tópicos em Ciências Agrárias. em decorrência da abertura da economia brasileira para uma integração competitiva em escala global. a elaboração de um plano de desenvolvimento local tem como roteiro inicial identificar as questões que devem orientar a prática da construção da competitividade com base nessa multiplicidade de fatores. E-mail: warli@ufrb. que procura medir o desempenho econômico. Assim. Marshall (1920) já havia demonstrado. diminuindo os custos de produtores.edu. DESENVOLVIMENTO REGIONAL. gerava economias externas. O Conceito de Cluster Cluster é um termo recente na literatura das ciências sociais. suprimentos ou suporte fundamental. que alcançaram um dinamismo competitivo e tecnológico. A delimitação conceitual do termo cluster permite compreender o seu significado para o estabelecimento da competitividade local.Centro de Ciências Agrárias. Essas vantagens incluíam um grupo de trabalhadores especializados. Evidencia-se nesta exposição que o processo de aglomeração não é apenas uma conseqüência da globalização e das vantagens das empresas localizadas nos clusters. Cruz das Almas-BA. formando grandes aglomerados interativos. sociais. o que se busca com o desenvolvimento regional é a competitividade dinâmica de empresas e regiões. isto é. Marshall notou que a aglomeração de firmas. A ênfase é dada às investigações das questões associadas à competitividade local. políticos. esta abordagem utiliza o conceito de cluster para a análise de problemas de desenvolvimento dirigidos à agroindústria regional.DESENVOLVIMENTO REGIONAL E A COMPETITIVIDADE DO AGRONEGÓCIO: ESTUDOS DE CLUSTER Warli Anjos de Souza1 1 Professor . A metodologia busca analisar a competitividade da agroindústria regional numa concepção de desenvolvimento integrado do cluster.

Os clusters são pesquisados. componentes. por exemplo. Haddad (1999) caracteriza cluster como indústrias e instituições que apresentam conexões entre si. máquinas. os conceitos de cluster evidenciam a concentração espacial de empresas em ativa conexão. O processo de formação de cluster Steinle & Schiele (2002). 2009 . através da integração das empresas. Tendler & Amorim. ainda. Cooke & Morgan. empresas prestadoras de serviços. A importância de um cluster está em viabilizar ações que permitam enfrentar e criar alternativas para as empresas face à concorrência desenfreada que a globalização de mercado impõe aos diversos setores da economia. A integração de uma cadeia produtiva passa a ser vista não só pela dependência entre as partes. UFRB. Assim. de forma significativa. informação. Gestão de Negócios (Porter.o trabalho de Marshall. o alcance de matéria-prima. 1999). integradas ao espaço e as vantagens de proximidade das empresas. surge o conceito de eficiência coletiva. serviços e instituições voltadas para o setor. mão-de-obra. Podem ser citadas. Entretanto. v. Podem se estender verticalmente e horizontalmente na cadeia produtiva. especialmente. as economias externas. Todos os conceitos de cluster apresentados referem-se à emergência de uma concentração geográfica e setorial de empresas. 1996). a partir da qual são geradas externalidades produtivas e tecnológicas. 1998). empresas fornecedoras. vantagens de redução dos custos de coordenação que melhoram a eficiência e a inovação. fornecedores de matéria-prima. equipamento. Isso ocorre em razão da pulverização não só dos recursos financeiros. Os autores argumentam que existem outras abordagens que complementam e explicam algumas características particulares do fenômeno e. que é preciso verificar as 280 Tópicos em Ciências Agrárias. Porter (1999) define cluster como concentrações geográficas de companhias e instituições num setor específico que englobam uma gama de empresas e outras entidades importantes para a competição. gerando um ambiente propício à elevação da competitividade dos agentes. instituições de pesquisa. derivado de economias externas (efeitos incidentais) e da ação coletiva (efeitos deliberativos). O autor destaca que toda análise de cluster focaliza-se nos insumos críticos que as empresas necessitam para serem dinamicamente competitivas. A ação coletiva é apresentada em diversos relatórios de pesquisas sobre clusters industriais em países avançados e em desenvolvimento. 1998. O recorte analítico baseado no conceito de cluster ressalta também os impactos das articulações entre agentes em termos de geração de efeitos de aprendizado e da dinamização do processo inovador em escala local ou regional. A ação conjunta e a integração dos agentes econômicos aos arranjos produtivos permitem a emergência das vantagens competitivas no nível industrial para uma região. As alternativas implementadas dentro de um setor levam ao aumento da produtividade. o que permite explorar diversas economias de aglomeração. Um cluster se desenvolve para criar capacidades produtivas especializadas dentro de uma região e como conseqüência promove o seu desenvolvimento econômico social e ambiental. 1998. publicados na década de 1990 (Brusco. técnico ou humano). 1990. Ciências Regionais (Scott. com base em diversas pesquisas. horizontais e verticais. Assim. especificamente. 1997. definido como a vantagem competitiva. 1991). maquinários. visto que ao desenvolver ações em conjunto os resultados obtidos superam o que individualmente seria inviável em seus múltiplos aspectos (financeiro. 1998). em diversas ciências sociais. Adiconalmente às economias externas incidentais. 1. instituições públicas e privadas de suporte fundamental. 1996) e Inovação Tecnológica (Braczyk et al. em algumas linhas de pesquisa da Economia Regional (Krugman. Schmitz & Nadvi (1999) têm a definição mais simples para clusters: são concentrações espacial e setorial de firmas. Essa visão contemplada pelo cluster traz a valorização da importância da sinergia entre as indústrias. não são suficientes para explicar o desenvolvimento de um cluster. O conceito de cluster remete as pesquisas a identificarem atividades produtivas e inovadoras. incluindo. na acepção marshalliana. criticam a literatura específica de clusters que considera que a centralização de atividades em uma região surge somente em conseqüência da globalização e devido às vantagens das empresas que estão localizadas nos clusters. Cooperação produtiva e ou tecnológica são estimuladas a partir de um processo de interação local que viabiliza o aumento da eficiência produtiva. mas pela visão sistêmica de que o todo é mais que a soma das partes. produtos e serviços mais qualitativos e até inovados. é uma referência padrão nesta nova literatura (Schmitz & Nadvi. existe uma força de ação coletiva na tomada de decisões. Humphrey & Schmitz.. Esses estudos caracterizam-se por um enfoque nas empresas como entidades em interação e por uma ênfase nos fatores locais para a competitividade em mercados globais. mas dos riscos e da não necessidade de multiplicidade de esforços por parte das indústrias do setor. pois possibilita. do final do século XIX. e geralmente incluem: empresas de produção especializada. Rabellotti.

1990) é o conceito que tende a dominar a discussão sobre competitividade induzida pela inovação. UFRB. 1992. Os clusters surgem como aglomerações setoriais localizadas de organizações sinérgicas que podem permitir um desempenho superior das empresas. elas podem indicar. que nem todas as indústrias são igualmente afetadas pelo processo de formação de um cluster. v. é preciso verificar as condições necessárias e suficientes para a clusterização. também. o desenvolvimento de um agricluster requer também o estabelecimento de algumas condições. 1992. Sobre a influência da abordagem de analyse de filière. A crítica a este modelo é que ele não se ajusta às industrias centradas em matérias primas. por outro lado. requer uma abordagem integrativa. Em outras palavras. Assim. Vantagens das empresas localizadas nos clusters A redução dos custos de coordenação do sistema traduz-se em vantagens para as empresas promovendo a eficiência e a inovação. redes de negócios cooperativos. 1997. 1995). Isaksen. 1999). não à eficiência na redução do custo. Mas é preciso considerar que o fenômeno de formação de um cluster é um processo de desenvolvimento de sistemas que criam valor local. 1999). clusters inovativos não são simples concentração de agentes econômicos independentes. uma vez que eles oferecem explicações sobre como os membros de sistemas multiorganizacionais ajustam seus comportamentos aos dos outros. têm confirmado a suposição que a globalização freqüentemente significa centralização. provavelmente. A abordagem francesa. Em síntese. apresentam num nível interindustrial. como fator central para o sucesso de uma indústria. 1998. tem dado mais ênfase. Centralização como uma conseqüência da globalização Em indústrias sujeitas ao processo de formação de cluster. Outro caso específico é o das pesquisas que aprofundam o entendimento da interação dentro de sistemas que criam valores. 1991. Tópicos em Ciências Agrárias. não se desenvolve de forma automática. Para Steinle & Schiele (2002). o melhor potencial de formação de um agricluster. Um cluster inovativo. estudos com robusto suporte estatístico. 1995. seus membros não mostram qualquer interação entre eles. A globalização acelerou. Patel & Vega. Beccattini. Assim aglomerações ao acaso são excluídas da análise. a velocidade deste processo. Steinle & Schiele (2002) explicam porque as empresas obtêm vantagens de se localizarem próximas das outras. estudos da teoria da inovação tecnológica levaram a uma volta à teoria de sistemas de manufatura e inovação genuinamente nacional (Lundvall. como aquelas centradas exclusivamente nas matérias primas e como tal.condições necessárias e suficientes para a clusterização. como o fenômeno de formação de um cluster é um fenômeno multidimensional. Se existem vantagens de proximidade. De diferentes perspectivas. Freeman. os clusters oferecem vantagens competitivas. Amendoa et al. mas. 1994).. Diversos estudos apontam que a maior eficiência dessas aglomerações deve-se à flexibilidade da especialização (Brusco 1982. Furtado. ou seja. as diversas abordagens expostas aqui. apenas a literatura com uma referência explícita em clusters não é suficiente para entender o fenômeno. empresas similares tendem a agruparem-se em nações específicas ou mesmo regiões (Patel & Pavitt. 2009 281 . àquelas estritamente domésticas ou àquelas que produzem bens não tradeables. Capello. 1997). por meio de negócios eletrônicos. Nesse sentido. Ou seja. existem determinantes para sua gênese e processo evolutivo. antes de tudo. 1992. 1991). Em outra direção. Archibugi & Pianta. Ao invés de espalhar-se pelo globo. mostram produtos que resistem à globalização da produção (Hopkins & Wallerstien. Condições para clusterização As seis condições focalizadas por Steinle & Schiele (2002) aplicam-se à indústria em geral. De fato. o modelo do diamante da vantagem competitiva (Porter. 1. tornam claro. afirma-se que a harmonização de mercados internacionais e a redução dos custos de transporte. Estas pesquisas estão dirigidas para clusters desenvolvidos. Isto se torna mais evidente quando se deseja entender as condições para a aglomeração. têm aumentado a importância do ambiente próximo das empresas (Gertler. paradoxalmente. devido à interação como um clube. e sim ao poder de inovação tecnológica das regiões (Aydalot & Keeble. alguns trabalhos. para os autores. que têm se dedicado à analise das cadeias internacionais de commodity.

há complementaridade de competências. formas alternativas de coordenação precisam ser evidenciadas (Brusco. Inventor inovador: Ator predominante no século XIX. isto conduz a uma forma integrada de organização. enquanto o produto final pode ser facilmente exportado. inovações de laboratório e inovações em rede é útil para entender a propensão ao processo de formação de cluster devido a inovação induzida por uma indústria. 1. A presença de complementaridade mais o conhecimento dissimilar em um sistema de criação de valor. diversos produtos intermedários surgem simultaneamente. Richardson (1972) refere-se à similaridade entre essas atividades: quanto mais distinta as competências em uma cadeia de valor. Se os suprimentos são difíceis de transportar. Independente de inovações radicais ou incrementais estarem presentes. Condições suficientes Estabelecidas as duas condições necessárias para emergência de um cluster. É preciso distinguir o produto final de seus componentes. a distinção entre inovações do próprio inventor. Se o produto não pode ser deslocado. pode ser considerado como outra condição suficiente para o processo de formação de um cluster. a fragmentação do processo de produção. O número de interfaces aumenta. surge o problema de coordenação dos diversos parceiros. UFRB. Por razões de natureza técnica. mais sua competitividade depende da complementaridade dos atores e mais importante torna-se a organização do seu ambiente. Em conseqüência. mais a eficiência da sua cooperação torna-se um fator de sucesso. 1984). a evolução do processo de inovação pode ser distinguida em três fases: 1ª. c) Inovação em rede As inovações em rede são vistas como um motor para a aglomeração. Tal situação é típica de um sistema que cria valor muito fragmentado em consequência. Enquanto o poder amplo da inovação é usualmente atribuído aos clusters (Baptista & Swann. Uma invenção leva a um produto radicalmente novo. As duas primeiras condições suficientes delineadas por Richardson (1972) distinguem atividades complementares (cadeia de valor) de atividades similares (competências similares). depende de sua divisibilidade técnica (Piore & Sabel. 2ª. 1982. a localização de seus fornecedores é determinada pelo local de seus consumidores. Os produtos do cluster têm que ser transportáveis (Lazerson. Como conseqüência. Com base em Freeman (1995). as chances para o processo de formação de cluster se acentuam. 2009 . b) Diversidade de competências O aspecto principal desta condição é que embora seja múltipla e dissimilar.Condições necessárias Compreendem duas condições relacionadas à divisibilidade do processo de produção e à possibilidade de transporte do produto. 1997). É a possibilidade de dividir o processo de produção em diversas etapas distintas que permite a especialização. mais desafios para uma única empresa liderar a todos. a necessidade de proximidade durante a fase de produção aumenta. cada um focalizado em diferentes competências. a) Cadeia de valor longa Esta condição diz respeito à coordenação dos múltiplos componentes que irão formar um produto final. Outra razão para a segmentação da cadeia de valor reside nas diferenças de lucratividade dos seus segmentos. em conseqüência. 1995). freqüentemente comercializado pelo próprio inventor inovador que é um empreendedor. Genet. verifica-se agora. Pesquisa e desenvolvimento em grandes centros: Especialistas reunidos em departamentos distintos promovem as 282 Tópicos em Ciências Agrárias. ou se a indústria está em formação ou na sua maturidade. Ou seja. as quatro condições suficientes que estão relacionadas com a coordenação flexível dos seus distintos e diversos atores. 1995. entretanto. o desafio da coordenação é acentuado. v. não existe consenso sobre o tipo de inovação que particularmente promove o processo de formação de cluster. Quanto mais especializada uma organização. Quanto mais a complementaridade entre os atores contribuir para o processo de inovação e quanto menor for o tempo disponível para sua coordenação. e. Lazerson. 1998).

de qualquer natureza e em qualquer escala produtiva. Nem tão pouco se trata de um aperfeiçoamento das competências existentes. Isto se explica. em determinado período de tempo. Finalmente. os recursos naturais de uma região mudam com a dinâmica do crescimento econômico. Segundo Haddad (1999). mas requer a cooperação de diversas organizações. Nem todas as indústrias estão presentes de forma simultânea. Inovação em rede: Trata-se de um novo modelo que tem a possibilidade de se tornar predominante. é a condição essencial para desencadear o processo de desenvolvimento de uma região. uma inovação em rede pode acontecer sem o planejamento. numa região que não disponha dessa competitividade dinâmica é muito pequena ou inviável. que amplia o espaço da concorrência internacional. uma empresa em particular tornar-se um membro do cluster. no processo de formação de um cluster em uma região ou país. espera-se que em tal indústria este fenômeno favoreça a formação de um cluster. para Haddad (1999). 2009 283 . Em oposição. como aquelas capazes de resistirem aos processos de globalização e de integração da economia nacional. 3ª. se a velocidade da reação dos agentes é grande. Diferente de um bem organizado centro de pesquisa e desenvolvimento. de um lado. mas. particularmente os aduaneiros. com os determinantes da demanda final. na utilização dos recursos naturais do ecossistema de forma predatória. com maior acuidade. a meta industrial. Num terceiro momento. os municípios e localidades de uma região com custos de transportes e impostos. devido à proximidade dos atores na cadeia de valor. precisam apresentar vantagens competitivas para poder desencadear o processo de desenvolvimento. v. pela pressão da concorrência interregional. como no caso de um empreendedor inventor. com competências distintas. Se o desenvolvimento de uma indústria é dirigido por inovações em rede. combinam suas habilidades. d) Volatilidade de mercado Condição entendida como a recompensa aos atores do sistema pela adaptação flexível. melhoraram os processo existentes. Cluster. transformam-se em vantagens competitivas. o estoque dos recursos naturais são requeridos pela economia nacional para atender às demandas interna e externa. ou seja. se assentam sobre os recursos naturais de uma região e de sua posição relativa a outras regiões do país e do exterior. Se todas ou a maioria destas características aplicam-se a uma indústria. Por exemplo. num primeiro momento. no caso do fenômeno aplicar-se a um conjunto de indústrias. cada vez mais declinantes. no médio prazo. por outro lado. 1. como no caso de um laboratório ou centro de pesquisa tradicional. A inovação em rede ocorre quando atores diferentes. Isto é. Haddad (1999) também identifica as vantagens competitivas dinâmicas da agroindústria de uma região. 2002). e por diversos trabalhos empíricos (Steinle & Schiele. Isto ocorre porque a empresa passa a monitorar como o cluster vem se estabelecendo e como ela poderia lucrar a partir desta evolução. a desenvolver um cluster. medidas de uma rede regional ou outras formas de desenvolvimento de cluster. modificações da economia alteram a composição e a dimensão do estoque. A necessidade de uma coordenação eficiente torna-se vital. por esta razão. a dedução das seis condições para clusterização permite o teste de sua precisão pela avaliação transversal destas condições com estudos de casos. num contexto de comércio exterior desregulamentado. pela crescente integração global. Num segundo momento. A inovação em rede não é uma nova invenção radical para um uso prático. na sobre-exploração da mão-de-obra ou na informalidade e na clandestinidade de suas operações. O mercado requer reações rápidas às imprevisíveis mudanças na demanda dos consumidores (volatilidade de mercado). Estas vantagens. os pesquisadores. Neste ponto. Tópicos em Ciências Agrárias. no longo prazo. específicas de cada região.invenções de laboratório. agroindústria e desenvolvimento regional Delimitar um sistema agroindustrial regional competitivo e dinâmico. UFRB. é preciso distinguir as vantagens econômicas espúrias das vantagens competitivas dinâmicas. no caso de mercados voláteis. num horizonte de longo prazo. em termos de preço e qualidade. Tais vantagens baseiam-se exclusivamente em incentivos fiscais e financeiros recorrentes. seus atores teriam conhecimento da sua existência. em seus laboratórios. As vantagens competitivas espúrias apresentam como característica principal a insustentabilidade. as condições para o surgimento do cluster permitem planejar uma política industrial e regional para pré-selecionar. melhorando um produto existente ou processo ou mesmo criando um novo. a sobrevivência de atividades econômicas. De forma mais sistemática que a fase anterior. As vantagens da coordenação. A sensibilidade ao tempo em um determinado mercado promove uma redução no controle dos produtores em reação à demanda e ajuda. como a primeira etapa para delimitar um sistema produtivo regional. Adicionalmente.

porque considera todos esses elementos conceituais de forma sistêmica. Estudo de caso Este método de pesquisa tem um caráter mais qualitativo. no caso específico da definição de cluster para análise da competitividade das agroindústrias.com as condições tecnológicas de produção. a análise de clusters apresenta uma grande vantagem para estudar os problemas de competitividade dinâmica do agronegócio no contexto do desenvolvimento econômico. de acordo com IFC KAISER (1997). a produtividade dos fatores e a concentração da renda e riqueza. é preciso identificar uma oportunidade favorável em alguma localidade ou região que possa ser explorada. para suprimento e para suporte fundamental. Os impactos ambientais são avaliados pela emissão de resíduos tóxicos. o desempenho econômico é avaliado pela aglomeração. 1. Quanto maior a população. o enfoque é dado na sua compreensão em nível mais aprofundado. estabelecer as etapas de seu desenvolvimento que. Devido às argumentações já discutidas na seção anterior. aos custos de produção e de transporte. METODOLOGIA PARA ANÁLISE DA COMPETITIVIDADE DO AGRONEGÓCIO Entre as diversas abordagens analíticas para o estudo da competitividade local das principais cadeias agroindustriais de uma região e suas implicações para o desenvolvimento regional. geram economias de aglomeração e externalidades e. a partir de seus recursos naturais. v. especialização. antes de tudo. Estes três aspectos definem a orientação das atividades-chave do cluster para as exportações. Para Haddad (1999). torna-se necessário. 2009 . quanto mais bem distribuída a renda de uma região. o papel da força de trabalho rural. O frágil sistema produtivo pode apresentar problemas de degradação ambiental que podem conduzir a uma queda intensa da capacidade produtiva dos recursos naturais. avalia ineficiências em cada segmento da cadeia agroindustrial. é preciso estimar as oportunidades de investimento que surgem. mas. Não se busca determinar a incidência de um dado fenômeno no seu universo. pois seu principal objetivo é contextualizar e aprofundar o estudo do problema. Especial atenção é dirigida àquelas regiões cuja atividade econômica preponderante seja a agroindústria. vincula-se à demanda. permitem verificar o desempenho econômico regional: identificar as atividades produtivas do agricluster. certificado ISO 14000 entre outros. 284 Tópicos em Ciências Agrárias. ambos os fatores definem o conceito de cluster (aglomerados ou complexos produtivos) em atividades-chave orientadas para exportações. o conceito de potencialidade não é físico e sim econômico. a concepção do desenvolvimento integrado do agricluster. testes de qualidade. o autor mostra que os serviços de suporte empresarial (contabilidade de custos. ao contrário. identificar necessidades de suporte fundamental. incorporar custos de oportunidade e de concorrência são fundamentais nos estudos que permitem compreender o conceito de competitividade interregional. à medida que a exploração da base de recursos naturais da região permite o crescimento do seu mercado interno. Os impactos sociais são avaliados por oportunidades de emprego para grupos sociais de baixa renda. impactos ambientais e impactos sociais. de acordo com ICF KAISER (1997). a metodologia alternativa apresentada é a análise de cluster na forma de estudos de caso. fluxos migratórios entre outros. esta metodologia é adequada porque alcança os setores mais dinâmicos. UFRB. potencial poluição ambiental. crescimento. Assim. Neste sentido. maior será a dimensão do seu mercado interno. desenvolver os fornecedores. reinvestimento entre outros. efetividade do controle ambiental. Somam-se ao problema ambiental as questões de natureza fundiária que podem conduzir a produtividade do setor agrícola para valores muito diminutos. Para definir quais são as potencialidades de crescimento econômico de uma região. valor adicionado. Isto significa que o valor de um recurso natural não é inerente ao material. No estudo específico de agricluster. construir formas de cooperação público-privado. Finalmente. às inovações tecnológicas adotadas no processo de comercialização e outros. oferta de serviços comunitários. devido a uma melhor oportunidade do que em outra localidade ou região. Nesta seqüência. O mercado interno de uma região apresenta três determinantes fundamentais: a população regional. da organização do sistema produtivo e do sistema político. O ponto crítico refere-se aos custos relativos. quanto maior o nível de produtividade. Em síntese. social e ambiental. devido a proximidade espacial. pesquisa e desenvolvimento. suprimento e de suporte fundamental. exportações. revela os sistemas de coordenação existentes e aponta os insumos críticos para a criação de capacidades produtivas especializadas numa tríplice leitura: econômica. manutenção técnica etc) requeridos pelas empresas. e é particularmente útil neste enfoque. assim. Assim. apresenta uma tríplice leitura: desempenho econômico.

O método de estudo de caso por ser mais qualitativo pressupõe que os arranjos produtivos locais podem ser associados a uma estrutura referenciada a um setor específico ou a uma região geográfica delimitada. este método encaixa-se bem na situação onde o fenômeno é abrangente e complexo. rotatividade. telecomunicações. econômica e social. para garantir a confiabilidade da pesquisa. Uma forma de contornar este problema é realizar as generalizações analíticas com fortes bases estatísticas e dados com fontes fidedignas. o que se procura. empregos gerados pelo cluster. controle de qualidade. marketing rural e internacional. Assim o pesquisador pode ser conduzido a realizar generalizações que não são verdadeiras. d) Serviços de suporte empresarial . nível de informatização dos setores que compõem o cluster. Tópicos em Ciências Agrárias. infraestrutura especializada. produtividade e qualidade do bem ou serviço para a região. adoção de técnicas de planejamento estratégico.Manejo de dejetos produzidos. avaliando-se os resultados gerados em termos de desempenho produtivo e tecnológico do setor investigado (Britto & Albuquerque. segurança. Evita-se. Por se tratar de uma análise interdisciplinar. Os indicadores devem ser preparados por municípios relevantes. fontes de terceirização e subcontratação. compactação do solo por sobre-pastejo na pecuária.Contabilidade de custos. adoção de técnicas de gestão. um espaço caracterizado pela homogeneidade física. qualidade dos serviços.Para cada cluster deve ser elaborado um diagrama que mostre a estrutura do complexo produtivo.Relacionados com a produção. percentagem do emprego gerado pelo cluster no total da região. 1. A principal limitação do método de estudo de caso em pesquisa é o seu baixo rigor metodológico. entrepostos de comercialização. como também devem ser registradas as fontes de dados. b) Indicadores de desempenho setorial . 2002). indicadores de qualidade do emprego: salário médio real. Roteiro metodológico para análise de cluster O roteiro metodológico do estudo de caso sugerido para medir a competitividade do agronegócio.Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU. g) Indicadores ambientais . pressupõe: a) Delimitação da área geográfica . assistência técnica nos diversos segmentos do cluster. sistemas de financiamento. sazonalidade. é detalhar a conformação institucional desses arranjos. Tais indicadores devem ser comparados com regiões concorrentes no país e no exterior. índice de condições de Vida (ICV). ISO9000 (número de certificados). h) Desenvolvimento de cultura organizacional . conforme Haddad (1999). a delimitação é realizada com base no critério de regionalização. Cada indicador deve ser definido tecnicamente. em conseqüência. Para isto. manutenção técnica. Esta limitação é crítica numa situação em que o pesquisador não dispõe da capacitação suficiente e desejável para evitar os vieses potenciais que emergem.Para cada cluster. f) Indicadores de desenvolvimento social da região do cluster . centros de pesquisa e universidades. onde o corpo teórico é insuficiente para estabelecer relações causais e onde o fenômeno pode ser estudado fora do seu contexto sem perda de utilidade da pesquisa (Bonoma. formas de controle e reciclagem de resíduos. c) Aglomerados ou complexos produtivos . sistema educacional: qualidade e acesso. v. com base em critérios específicos de agregação e classificação dos agentes. 1985). 2009 285 . e) Suporte fundamental .Logística de transporte. outros. o desenho da cadeia agroindustrial. UFRB. fortes vieses. é preciso evitar que a subjetividade do pesquisador predomine no relatório. ISO 14000 (número de certificados). Neste caso. Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). do já citado baixo rigor. com o uso de dados qualitativos e com a profundidade das análises.Nível de qualificação do empresariado. Ou seja. agências regulatórias.

estabilização da renda agrícola e a competitividade do agricluster regional. 2. outros. D. outros. apoio à organização de infra-estrutura especializada de ensino e pesquisa. centros de pesquisa e laboratórios especializados. preços relativos dos tradeables. GUERRIERI. UFRB. Impactos fiscais . Impactos de política monetária .C. G. 3. com base em Haddad (1999). j) Mecanismos de inserção da Embrapa e do CNPq (formas de cooperação público-privada) . seus efeitos sobre o agricluster regional..Valorização e desvalorização do Real. ARCHIBUGI. International patterns of technological accumalation and trade. The techonological specialisation of advanced countries.. A decisão do pesquisador deverá estar em conformidade com o estágio atual do arranjo produtivo local. garantia de preços. 2009 . efeitos da política cambial sobre a competitividade do agricluster. um roteiro metodológico básico é apresentado a seguir: 1. AYDALOT. por fim. REFERÊNCIAS AMENDOA. PIANTA. programas institucionais de pesquisas. D. P. É preciso considerar. impactos distributivos da política de rendas.173-197. sistemas de informação para o cluster (decisões empresariais e planejamento estratégico). Para orientar trabalhos pesquisa sobre a competitividade local dos arranjos produtivos e análise de desenvolvimento regional. New York. 286 Tópicos em Ciências Agrárias. High-technology and innovative environments in Europe: an overview. v. difusão de incentivos fiscais para promoção de desenvolvimento científico e tecnológico. podem ou não ser aplicados integralmente nas análises dos estudos de casos das cadeias produtivas de uma região. efetivos (em plena maturidade) ou incipientes (cadeias produtivas decadentes ou em estágio inicial). P. KEEBLE. 1992. P. High Technology Industry an Innovative Environments: The Europeean Experience. combate a enfermidades que causam prejuízos diretos e indiretos ao cluster.o sistema tributário atual e suas influências sobre o desenvolvimento do agricluster regional. Ainda é preciso referir-se na metodologia aos efeitos das políticas macroeconômicas sobre o agricluster. desenvolvimento de técnicas específicas para diversos ecossistemas brasileiros. In: AYDALOT. 1. 4. D. isto por que a pesquisa pode revelar se a metodologia se aplica no todo ou em parte. Journal of International and Comparative Economics. as propostas alternativas de novo sistema tributário e sua adequação à competitividade do agricluster regional. Impacto de política de rendas . A report to the EEC on International Science and Techonology Activities. inspirados nas proposições de Haddad (1999). comportamento das taxas de juros e câmbio e o desempenho do setor. v. PADOAN. 1992. KEEBLE.i) Demanda e necessidade de insumos de conhecimento. p. que os dois esquemas metodológicos sugeridos acima. de pesquisa e de ciência e tecnologia no cluster Desenvolvimento de recursos humanos especializados. (Eds. a eficiência da política cambial. estoques reguladores e a renda do setor agrícola. Impactos de política cambial .Programas institucionais de treinamento. regularidade da oferta de tradeables face à expansão da demanda. M. 1. Boston. a política de crédito e de financiamento das atividades do agricluster regional.. os impactos dos processos de privatização e de concessões sobre a competitividade do agricluster no médio e longo prazo. os custos financeiros como obstáculos ao desenvolvimento e expansão do agricluster. .administração e controle de preços. P.O processo de equilíbrio fiscal e financeiro do setor público e sua relação com a política monetária vigente. 1988. e isto depende prioritariamente das cadeias se identificarem como agriclusters potenciais (cadeia de produção agroindustrial).).. a crise fiscal e financeira do setor público e suas repercussões sobre a oferta de infra-estrutura econômica. sistemas de classificação.

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CAPÍTULO 22 PRODUTIVIDADE. MUDANÇA TECNOLÓGICA E EFICIÊNCIA NA AGROPECUÁRIA DO NORDESTE DO BRASIL NO PERÍODO 1975/1995 Carlos Augusto Pereira Filho & Warli Anjos de Souza Tópicos em Ciências Agrárias .

etc).br. Nos modelos determinísticos a eficiência técnica é dada pelo termo de erro e podem ser estimados por programação linear ou técnicas econométricas. UFRB. 2009 (2) 291 . warli@ufrb. portanto. 2001). Na abordagem paramétrica a função de fronteira é considerada uma função paramétrica dos insumos (CobbDouglas. ao longo do tempo. ignorando o efeito dos demais fatores. nas últimas duas décadas. CES. 2001. 1998. Considerando-se o nível de agregação dos dados utilizados nestas análises. de acordo com os métodos utilizados para estimar a função de produção.edu. Os estudos visando analisar a eficiência a partir de fronteiras de produção podem ser agrupados.br INTRODUÇÃO Vários trabalhos sobre a agricultura brasileira têm sido elaborados enfocando o crescimento da produtividade decorrente do ganho de eficiência técnica e do deslocamento da fronteira tecnológica (Ávila & Evenson. tem se distanciado da fronteira de produção da agropecuária brasileira. Seja Y o produto e xi um insumo utilizado na produção. Em geral. parte-se da construção de uma fronteira tecnológica utilizando-se dados de produção e uso de fatores nas regiões brasileiras. a PTF é dada pela seguinte expressão: PTF = Y / X = Y / Saixi Onde ai é o peso do insumo xi. Cruz das Almas-BA. 1.edu. distinguem-se os modelos determinísticos e as fronteiras estocásticas. MUDANÇA TECNOLÓGICA E EFICIÊNCIA NA AGROPECUÁRIA DO NORDESTE DO BRASIL NO PERÍODO 1975/1995 Carlos Augusto Pereira Filho1. Neste enfoque. Warli Anjos de Souza1 1 Professor . pouco se pode inferir sobre as mudanças intra-regionais na produtividade dos fatores e na tecnologia agropecuária. E-mail: capfilho@ufrb..PRODUTIVIDADE. Nos modelos estocásticos. a produtividade parcial do insumo xi (PPF) é dada pela seguinte expressão: PPF = Y / xi (1) Define-se a produtividade total dos fatores (PTF) como o produto médio de todos os fatores de produção os quais são expressos como um índice. fora do controle da unidade de decisão. A produtividade parcial é definida pela razão produto/insumo (produtividade média) e mede a contribuição de um fator de produção particular para a eficiência técnica. pressupõe-se que o termo de erro tem dois componentes: um ruído branco que representa os efeitos aleatórios sobre a produção e. translog.Centro de Ciências Agrárias. Gomes & Dias. Pereira et al. Na maioria destes estudos os resultados indicam que. e um componente assimétrico que mede a ineficiência técnica pela distância em que se situa em Tópicos em Ciências Agrárias. a região nordeste vem apresentando ineficiência na produtividade total dos fatores e deslocando regressivamente a fronteira tecnológica. de modo que as regiões que se situarem na fronteira são consideradas eficientes em relação às que se posicionam abaixo da fronteira. o qual permite decompor a produtividade total dos fatores nos seus componentes de eficiência técnica e mudança tecnológica. 1995. Ambientais e Biológicas/UFRB. em duas abordagens: paramétrica e não-paramétrica. Sendo X o índice de todos os insumos. METODOLOGIA O conceito de produtividade está relacionado a dois componentes: produtividade parcial dos fatores e produtividade total. a região. O presente trabalho enfoca as transformações ocorridas na agropecuária da região Nordeste do Brasil. Utilizou-se uma abordagem não-paramétrica baseada no modelo DEA (Data Envelopment Analysis) para a construção dos índices de Malmquist. no que se refere ao comportamento da produtividade e da mudança técnica. Dias & Bacha. ou seja. v.

A abordagem não-paramétrica. qyt) Î St]}-1 onde o sub-índice o indica orientação produto. A principal restrição ao emprego dos modelos paramétricos se deve à imposição de uma forma funcional explícita aos dados que podem não corresponder à verdadeira estrutura da tecnologia de produção. para medir as contribuições do progresso tecnológico e da eficiência técnica ao crescimento da produtividade da agricultura do Nordeste do Brasil. desenvolvida mais recentemente. surgiu da necessidade de não se especificar uma forma funcional particular à função de produção. yt+1). (1994). construída como uma combinação convexa de insumos-produtos observados. o que inviabilizaria a sua aplicação em casos em que o número de graus de liberdade é reduzido. Dot+1(xt+1. que permitem melhorar as propriedades de aproximação da verdadeira função. 2009 . seja resultante de fatores comportamentais que estão sob o controle da unidade de decisão.. v. 1. a recíproca da medida de eficiência técnica relativa de Farrell). define-se Dot+1(xt. Dot(xt. yt/ q) Î St] = {sup[q: (xt. distinguem-se os modelos conhecidos na literatura como Data Envelopment Analysis (DEA) que utilizam dados de quantidade de insumos e produtos para obter a fronteira de produção. Para dois períodos diferentes (t. 1995). é definida como em (4). Sendo St a fronteira de produção no período t (t = 1. a eficiência é medida como a distância de cada firma em relação a uma fronteira de produção não-paramétrica. (1982) com base nas funções de distância desenvolvidas por Malmquist (1953). podem ocorrer disparidades entre várias estimativas dependendo da forma funcional especificada. Färe et al.relação ao ótimo (fronteira) e que. a função de distância com orientação produto é definida da seguinte forma: Dot(xt+1. substituindose t por t+1. Se Dot(xt. O índice de produtividade total dos fatores (FTP) é uma média geométrica de dois índices de produtividade de Malmquist calculados a partir de quatro funções de distância com orientação produto... (1994). yt) como a máxima mudança proporcional no produto yt em relação à tecnologia no período t+1. O índice de produtividade de Malmquist foi proposto por Caves et al. (3) (4) A função de distância é definida como a recíproca do máximo q. assume-se. a transformação dos insumos (xt Î Rn+) em produtos (yt Î R ) é definida do seguinte modo: m + St = {(xt. t+1). (1994).. De acordo com Färe et al. yt) = 1 apenas se (xt. Mesmo com a utilização de formas funcionais flexíveis. yt) estiver na fronteira tecnológica e a produção é tecnicamente eficiente. sob a tecnologia no período t. yt) = inf [q: (xt. dado xt. yt) < 1 a produção no período t está no interior da fronteira e não é tecnicamente eficiente. yt+1) = inf [q: (xt+1. resultando em erros de estimativa (Lambert & Shonkwiler. propuseram a decomposição do crescimento da produtividade em dois componentes mutuamente exclusivos: mudança relativa na eficiência técnica e deslocamento da fronteira de produção (mudança técnica) no decorrer do tempo. Utilizando técnicas de programação linear. Nesta abordagem. Uma segunda restrição aos modelos estocásticos está relacionada ao número de observações disponíveis para as variáveis. Neste estudo utilizou-se o índice generalizado de Malmquist. yt+1/ q) St] (5) A função (5) mede a máxima mudança proporcional no produto yt+1 dados os insumos xt+1. desenvolvido por Färe et al.T). necessário para aumentar o produto yt de modo que yt/ q Î St (ou seja. o índice de mudança da produtividade de Malmquist orientado para produto é dado por: 292 Tópicos em Ciências Agrárias. yt): xt pode produzir yt} Define-se a função de distância com orientação produto no período t como: Dot(xt. UFRB. De forma semelhante. A função de distância com orientação produto no período t+1. a partir do desenvolvimento de uma abordagem não-paramétrica (Data Envelopment Analysis) para o cálculo do índice de Malmquist.

M produtos e n = 1. respectivamente. y k )]-1 = max q k (8) t t t [ Do ( x k+1 . As seguintes variáveis foram usadas: valor total da produção agropecuária (em Reais de 1994).T ( x t +1 . y t ) 1 {[ t +1 t +1 t +1 ][ t +1 t t ]} 2 t Do ( x t .. Dot(xt+1. y t ) = (7) M 0 ( x t +1 . y t =1 ) Do ( x t +1 . sob retornos constantes à escala (RCE). t = 1. Comparando-se cada estado da região Nordeste com a fronteira tecnológica tem-se uma medida da eficiência em relação à fronteira e uma medida da mudança da fronteira (inovação ou tecnologia). yt). Para cada Estado. 1985 e 1995/96. Visando uma análise mais detalhada das causas de variação da produtividade. de quatro problemas de programação linear. Dot+1(xt. y ) Do ( x . isto implica na solução. 1.. mão-de-obra (pessoal ocupado total) e capital (número de tratores de 50 a menos de 100 cv) RESULTADOS E DISCUSSÃO Na Tabela 1 são apresentadas as funções de distância calculadas... Neste estudo. Para tanto. y t =1 . x t. substituindo-se t por t+1. xt. terras em descanso e terra produtivas não utilizadas). k =1 K ål k =1 t k t t x k .. m = 1. Utilizando a abordagem não-paramétrica.m k =1 K sujeito a: K t 1 t q k y k+m £ å ltk y k . x t . yt+1. Isto é feito acrescentando-se aos problemas (8) e (9) a restrição Slk=1.. y t =1. xt.. o índice de eficiência técnica pode ser decomposto em dois componentes: índice de eficiência técnica pura e índice de eficiência de escala. yt+1). x t .m £ å ltk y k .n £ x k .. Definindo k = 1. utilizou-se o modelo DEA para construir as fronteiras de produção para cada período e para cada tipo de tecnologia. y t ) = E ( x t +1 . y t +1 .. pela razão entre os índices de eficiência técnica calculados sob RCE e RVE. y t =1 .. x t .n £ x k+n . y t ). y t +1 .. o índice de produtividade de Malmquist entre os períodos t e t+1 é obtido a partir de quatro funções de distância: Dot(xt. y ) M 0 ( x t +1. yt) são similares a (8) e (9). yt). Tópicos em Ciências Agrárias. para cada estado k. 2009 293 . torna-se necessário estimar os índices de eficiência técnica sob retornos variáveis à escala (RVE). y t +1 ) Do ( x t . y ) (6) A expressão (6) pode ser decomposta em duas partes de modo que: t t t Do+1 ( x t +1 . as seguintes funções de distância são calculadas. yt) é o índice de mudança relativa na eficiência e T(xt+1. UFRB. y t +1 ) Do+1 ( x t +1 . pressupondo-se retornos constantes à escala (RCE): t t t [ Do ( x k . terra (área total exceto matas naturais.n ål k =1 t k t t 1 x k .M 0 ( x t +1 . então. y k+1 )]-1 = max q k (9) sujeito a K t t q k y k . O índice de eficiência de escala é dado.m . v. y t ) = {[ t t Do ( x t +1 . ltk ³ 0 ltk ³ 0 Os cálculos de Dot(xt+1... yt+1.N insumos. yt+1) e Dot+1(xt+1. y t +1 ) 1 ][ ]} 2 t t t t +1 t t Do ( x . para a construção do índice de Malmquist. y t ) onde E(xt+1.. y t ) Do ( x .K estados. x t .T períodos. y ) Do ( x ... Fonte e descrição dos dados Os dados utilizados neste trabalho foram obtidos dos Censos Agropecuários de 1975. yt+1) e Dot+1(xt. yt) é o índice de mudança tecnológica (inovação) entre os períodos t e t+1.

433 7.174 0.713 1.y ) 1.000 0.000 1. Para se decompor os índices de eficiência técnica.493 0.523 0. Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind.775 1.000 1. no ano de 1975. 2 e 3 indicam os anos de 1975.000 1.y ) 1.y1) < 1] e a fronteira tecnológica foi determinada pelos estados do Maranhão.750 0.197 0.538 1.903 0.500 0.000 1. v.021 0. respectivamente.246 0.000 0.379 1.655 1.870 0. nos componentes eficiência técnica pura e eficiência de escala.000 1.744 0. 1985 e 1995*.910 1.000 1. Os três primeiros índices (colunas 2 a 4) da Tabela 1 permitem avaliar.y2) e D3(x3.875 1.000 1.y ) D (x .418 0. torna-se necessário o cálculo das funções de distância D1(x1.000 1.y ) D (x . como pode ser observado pela comparação dos índices de eficiência técnica calculados sobre RCE e RVE.000 0.613 0. Estas funções são apresentadas na Tabela 2.547 1.871 0.346 0.000 1.482 0.000 0.460 0.645 1.000 0.000 0. 2009 . Tabela 2.000 0.y ) 1. foram decorrentes de mudança tecnológica. A perda de eficiência técnica no estado da Bahia.892 1.771 0.562 0.621 0.923 D (x .000 0. respectivamente.557 1. Funções de distância calculadas sob retornos constantes à escala para os estados da região Nordeste do Brasil. para cada ano considerado. sob RCE.564 1.000 1.225 0.y1).926 D (x .y ) D (x .000 1. Nos demais períodos (1985 e 1995) o estado da Bahia apresentou ineficiência técnica [D1(x1. Médio (*) D (x .373 0.536 0. a produtividade total dos fatores decresceu 1 Exceto para o estado de Sergipe que apresentou uma pequena perda de eficiência de escala.661 0. sob retornos constantes à escala. para os períodos de 1975/85 e 1985/95.320 1.694 Os sobre-índices 1. Alagoas e Sergipe apresentaram ganhos de produtividade total dos fatores os quais.084 1.947 1. Alagoas e Bahia [D1(x1.590 0. considerando que não houve variações nos índices de eficiência técnica1.y1) = 1].531 2. No período 1975/85 (Tabela 3). decorreu da ineficiente escala de operação. Para os demais estados. Pernambuco e Alagoas.000 1.000 0. médio (*) D (x .y ) D (x .341 0.433 1. Pode-se observar que.608 0. apenas os estados de Pernambuco.157 2.000 1. 1985 e 1995 (*). a fronteira tecnológica foi determinada pelos estados do Maranhão.y ) D (x . para os estados da região Nordeste do Brasil.000 1.697 0.000 0. 1 1 1 rve 2 2 2 rve 3 3 3 rve Estado Maranhão Piauí Ceará R.G.000 0.000 0.000 0.678 0. D2(x2. Pernambuco.522 0.451 0.y3) sob a condição de retornos variáveis à escala. 2 e 3 indicam os anos de 1975.639 0.965 1.G.Tabela 1.830 0.969 Os sobre índices 1.776 1.618 1. 1985 e 1995.366 0. 1 1 1 2 2 2 3 3 3 1 2 2 2 1 1 2 3 3 3 2 2 Estado Maranhão Piauí Ceará R. a eficiência técnica de cada estado em relação à fronteira tecnológica regional.000 1. Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind. 294 Tópicos em Ciências Agrárias. UFRB. períodos de 1975.416 0.009 3.y ) 1. Os índices de Malmquist e sua decomposição em mudança de eficiência técnica.915 0.883 0.y ) D (x . respectivamente. Funções de distância calculadas.841 1.772 1. 1. períodos de 1975.773 1.000 0. mudança tecnológica e mudança de escala são apresentados nas Tabelas 3 e 4. 1985 e 1995.963 0.000 1.691 1.417 0.

326 1. dadas as condições supra mencionadas. b) que a eficiência técnica de cada Estado no período t+1 seja igual a 1 (ou seja.000 1. na escala e na produtividade total dos fatores.4%. indicando que o ganho de produtividade no período deveu-se à expansão da fronteira técnica (23. período 1975/85.920 1.326 1.104 1. Os estados do Maranhão.927 Índice de mudança na fronteira tecnológica 0.470 0.031 Estado Maranhão Piauí Ceará R.000 1.223 1.191 1.330 1.993 Índice de mudança na eficiência de escala 1. havendo deslocamento da fronteira.392 1.957 0. Tabela 3. 2009 295 .908 0.154 0. Índice de mudança na PTF 0.000 0. como pode ser observado nas duas últimas colunas da Tabela 3.431 1. para os estado do Nordeste do Brasil.453 1. na fronteira tecnológica.000 1. utilizando-se os insumos do período t+1 (o produto potencial em t+1 maior que o máximo produto em t.678 0. Índices de mudanças relativas na eficiência técnica.207 1. causada pela insuficiente escala de operação a qual foi compensada pela expansão da fronteira tecnológica. Índice de mudança na PTF 2.678 0.561 1. Este ganhos de eficiência técnica. na escala e na produtividade total dos fatores.000 1.512 0.544 0.929 0. 1. da ordem de 15.978 1.188 1.177 1. na fronteira tecnológica.799 1.065 Índice de mudança na eficiência de escala 1.104 1.119 1. médio No período 1985/95 (Tabela 4). respectivamente.devido à perda de eficiência técnica. é preciso que três condições se verifiquem: a) que o índice de mudança tecnológica entre o período t e t+1 seja maior do que 1 (evidência de mudança tecnológica).000 1.897 Índice de mudança na eficiência técnica pura 1.794 0. v.543 0.G.028 1.154 0.094 0.188 1. c) que o produto da região em t+1 seja maior do que o máximo obtido no período t.000 1.453 0.757 1.000 1.000 1.831 Índice de mudança na eficiência técnica total 1.000 1. período 1985/95.934 Estado Maranhão Piauí Ceará R. O estado do Rio Grande do Norte foi o único estado que apresentou perda de eficiência técnica.8%).083 1.000 0.098 Índice de mudança na fronteira tecnológica 2.9%) e à mudança na eficiência técnica (9.933 0.056 1.816 1. Buscando-se evidências de quais Estados podem estar deslocando a fronteira tecnológica. decorrente de ganhos de escala.225 1.220 1. para os estado do Nordeste do Brasil.855 1. os estados de Pernambuco e Alagoas destacam-se como deslocadores da fronteira tecnológica.802 0. Índices de mudanças relativas na eficiência técnica. apenas o estado do Piauí apresentou ganhos de eficiência técnica.392 1. todos os estados nordestino apresentaram crescimento da produtividade total dos fatores.063 0.000 1.000 1.360 Índice de mudança na eficiência técnica 1. regressão da fronteira de produção ou de ambas.512 0.047 0.024 1.957 0. Para o período 1985/95. Tabela 4. na fronteira tecnológica e na produtividade total dos fatores foram todos maiores do que 1.025 1.185 1.964 0.024 1.000 1.G. Neste período.000 1. médio Tópicos em Ciências Agrárias.996 1.239 Índice de mudança na eficiência técnica pura 1.963 0.223 1.986 0. Para o primeiro período (1975/85) os resultados não indicam qualquer Estado que fosse responsável pelo deslocamento da fronteira técnica. no entanto. Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind.000 1.236 1.750 1.326 1.000 1.000 1.000 1.000 0. UFRB.3% e 75%.236 1. não se refletiu em ganhos na produtividade total dos fatores (PTF) já que ocorreu uma regressão da fronteira tecnológica.251 0.000 1.212 1.000 1.283 1.774 0. os Estados que o fazem devem estar situadas sobre ela).841 1. com destaque para os estados do Maranhão e da Bahia que apresentaram taxas crescimento da ordem de 145. evidencia progresso técnico). Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind. Os índices médios regionais de mudança na eficiência técnica.000 1. Pernambuco e Alagoas apresentaram ganhos na produtividade total dos fatores decorrentes exclusivamente de expansão da fronteira de produção já que os índices de mudança na eficiência técnica foram iguais a 1.000 0.

Curitiba. EVENSON. C. F. Productivity growth. J. 84. 1982. favoreceu a elevação dos investimentos no setor agropecuário. 296 Tópicos em Ciências Agrárias.. v. SHONKWILER. T. v.. sejam. GOMES. p. p-631-657. Brasília: SOBER.CONCLUSÕES Os resultados obtidos permitem inferir que. Z. J. Pode-se argumentar que. LAMBERT. Index numbers and indifference curves. podem ter contribuído para o desempenho da agricultura nordestina neste período. Recife. v. p. L. R. M. M. v. S. CHRISTENSEN. v.. dentre outras. v. S. houve um declínio na produtividade do setor agropecuário da região Nordeste do Brasil determinado. 66-83.F.. 2001. F. FÄRE. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL. ZHANG. Outros fatores. 1953. 4. 50. o valor da produção é função dos investimentos realizados no mesmo período. Produtividade e progresso tecnológico na agricultura brasileira. D. É provável que os resultados referentes ao segundo período analisado (1985/95).. Trabajos de Estatistica. GROSSKOPF.. p. 2001. C. contudo. BACHA. S.. J. and productivity. CD-ROM 2001. Total factor productivity growth in the brazilian agriculture and the role of agricultural research. Contudo. Mensuração da eficiência técnica na agropecuária brasileira através da estimação econométrica de fronteiras de produção. 2009 .C.. não permitem conclusões sobre os determinantes deste comportamento.. n. 1998. Economia & Tecnologia. A.209-242. American Economic Review. A. Econometrica.. Brasília: SOBER. Estes resultados. conforme assinalam Gomes & Dias (2001). BACHA. 36.. 1. E. 37. K. The economic theory of index numbers and the measurement of input. J. UFRB. 1995. a política de crédito vigente no período. C. v. PEREIRA. O comportamento da agropecuária brasileira no período de 1987 a 1996. principalmente. Anais. p. os índices de eficiência calculados possivelmente estejam subestimados. MALMQUIST. 1994. Recife. A. 1995. S. entre outros. Factor bias stochastic technical change. technical progress. E. dentre outros fatores. L. R.D.. R... CD-ROM 2001. 1. D. Anais. ALVES... output. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL. Anais. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL. and efficiency change in industrialized countries.. CAVES. DIEWERT. 3. Medidas de produtividade na agropecuária brasileira: 1985-1995. S. DIAS. Brasília: SOBER. 1. 33. REFERÊNCIAS ÁVILA. assinalados por Bacha & Rocha (1998). T. p. NORRIS. no período 1975/85. P. SILVEIRA. ROCHA. American Journal of Agricultural Economics. 1995. fatores não controlados pelos produtores como clima e preços agrícolas.578-90. S. 4-11.. Os resultados obtidos neste estudo devem ser observados com parcimônia pois alguns aspectos podem estar contribuindo para os índices calculados como erros na medição das variáveis. n. p. Revista Brasileira de Economia e Sociologia Rural. 35-59. R. M. por perda de eficiência técnica e deslocamento regressivo da fronteira tecnológica. como a melhoria das relações de preços agropecuário/industrial e recebidos/pagos pelo setor agropecuário. DIAS. 1393-1414. embora seja possível estabelecer algumas relações com a política agrícola vigente no período.. considerando-se que existe uma defasagem entre investimentos e produção e que.J. 1998. por força do modelo utilizado. reflexos dos investimentos realizados no primeiro período. PARRÉ.

ISBN 978-85-61346-04-1 .

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