Organizadores Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Ana Cristina Vello Loyola Dantas Francisco Adriano de Carvalho Pereira Ana

Cristina Fermino Soares José Fernandes Melo Filho Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira

Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Ana Cristina Vello Loyola Dantas Francisco Adriano de Carvalho Pereira Ana Cristina Fermino Soares José Fernandes Melo Filho Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira (Organizadores)

TÓPICOS EM CIÊNCIAS AGRÁRIAS

VOLUME I

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS, AMBIENTAIS E BIOLÓGICAS

CRUZ DAS ALMAS - BAHIA 2009

Copyright 2009

CAPA Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Gráfica e Editora Nova Civilização Ltda.

FOTOS DA CAPA Ana Cristina Vello Loyola Dantas

REVISÃO Ana Cristina Vello Loyola Dantas Sidiney Ferreira Sardinha

DIAGRAMAÇÃO Gráfica e Editora Nova Civilização Ltda.

Ficha Catalográfica preparada pela Seção de Catalogação da Biblioteca da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia T674 Tópicos em Ciências Agrárias / Carlos Alfredo Lopes de Carvalho... [et al.], organizadores. – Cruz das Almas, BA: Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas, 2009. 296p. : v. 1. :il. ISBN 978-85-61346-04-1 1. Ciência animal. I. Carvalho, Carlos Alfredo Lopes de, II. Dantas, Ana Cristina Vello Loyola, III. Pereira, Francisco Adriano de Carvalho, IV. Soares, Ana Cristina Fermino, V. Melo Filho, José Fernandes, VI. Oliveira, Gabriel Jorge Carneiro de. CDD 631 Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias - UFRB Tele/Fax: (75) 3621.3120 E-mail: pgagrarias@ufrb.edu.br Home Page: www.ufrb.edu.br/pgcienciasagrarias

O conteúdo dos Capítulos é de inteira responsabilidade dos autores

É permitida a reprodução parcial ou total desta publicação desde que devidamente citada a fonte.

ORGANIZADORES

Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Doutor em Ciências - Entomologia Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Ana Cristina Vello Loyola Dantas Doutor em Agronomia - Genética e Melhoramento de Plantas Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Francisco Adriano de Carvalho Pereira Doutor em Irrigação e Drenagem Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Ana Cristina Fermino Soares Doutor em Produção Vegetal Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia José Fernandes de Melo Filho Doutor em Agronomia - Solos e Nutrição de Plantas Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira Doutor em Zootecnia Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

APRESENTAÇÃO

A grande área das Ciências Agrárias representa parte significante do conhecimento gerado no Brasil com retorno importante para a sociedade, uma vez que técnicas de manejo de culturas, melhoramento animal e vegetal, conservação dos solos, sistemas de irrigação, entre outros, se traduzem em maior produtividade com reflexo direto na produção de alimento. Dada a sua especificidade, notadamente em países com as características do Brasil, a pesquisa agropecuária tem sido ferramenta importante na busca de respostas aos desafios promovidos pela necessidade de aumento da produtividade agropastoril associada com a sustentabilidade ambiental e responsabilidade social. Neste contexto, além das questões inerentes à própria pesquisa, a formação de recursos humanos altamente qualificados tem sido um desafio ainda maior para atender as demandas complexas dos agrosistemas. É neste cenário desafiador que o Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, cuja primeira turma de Mestrado foi iniciada em 1979 e a de Doutorado em 2006, tem contribuído, tanto na formação de recursos humanos qualificados, como na geração de conhecimento técnico-científico. Com mais de 350 dissertações de Mestrado e duas teses de Doutorado defendidas, o Programa da UFRB possui egressos em várias instituições no Brasil e em outros países, desenvolvendo pesquisas importantes na solução dos problemas enfrentados pela agropecuária. Motivados com a importante e necessária divulgação dos resultados obtidos pelos Grupos de Pesquisa que contribuíram ou contribuem na consolidação do lastro de sustentação do Programa ao longo desses anos, docentes pesquisadores e seus orientados reuniram resultados de trabalhos e revisão bibliográfica, lançando o primeiro volume com diferentes temas sobre as Ciências Agrárias. A obra é mais uma contribuição do Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias da UFRB e é composta por diversos tópicos da área de Ciências Agrárias, cujos temas estão distribuídos em Capítulos, de forma que o leitor pode ter acesso, tanto às informações específicas, como a questões mais gerais ao longo dos textos. Neste sentido, ela se constituirá em uma importante fonte de consulta bibliográfica para discentes e docentes pesquisadores, tanto nos trabalhos de formação, como nos projetos de pesquisa.

Paulo Gabriel Soledade Nacif Reitor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

......01 Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa..........................91 Manoel Teixeira de Castro Neto & Anna Christina Passos Menezes CAPÍTULO 8 Viabilidade e vigor de sementes de milho híbrido precoce ..15 Simone Alves Silva.. Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio CAPÍTULO 9 Análises faunísticas em estudos entomológicos...............133 Antônio Souza do Nascimento & Tuffi Cerqueira Habibe ..........................................................................55 Getúlio Augusto Pinto da Cunha CAPÍTULO 6 Produtividade vegetal: principais fatores................................................ Carlos Alfredo Lopes de Carvalho & Gilberto Marcos de Mendonça Santos CAPÍTULO 10 Interface da entomologia aplicada na fruticultura tropical .........................................................119 Oton Meira Marques............CONTEÚDO CAPÍTULO 1 Conservação de fruteiras potenciais para o nordeste brasileiro ........................................ Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa........................................ José Vieira Uzeda Luna............ Simone Alves Silva & Janay Almeida dos SantosSerejo CAPÍTULO 4 Dinâmica do crescimento vegetal: princípios básicos................................................. Milene da Silva Castellen........................... Claudia Fortes Ferreira & Antonio Augusto Oliveira Fonseca CAPÍTULO 3 Propagação de fruteiras potenciais para o nordeste brasileiro........................................................................... Ana Cristina Vello Loyola Dantas....................................................................37 Clóvis Pereira Peixoto & Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto CAPÍTULO 5 Fisiologia da floração do abacaxizeiro................................................................ Clóvis Pereira Peixoto..77 Elvis Lima Vieira CAPÍTULO 7 Ecofisiologia e floração da mangueira e crescimento do fruto de manga.............. Fernanda Vidigal Duarte Souza................................................................ Weliton Antônio Bastos de Almeida...........................................105 Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio............................................ Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa..............25 Ana Cristina Vello Loyola Dantas.................. Simone Alves Silva & Ana Cristina Vello Loyola Dantas CAPÍTULO 2 Caracterização de genótipos de fruteiras potenciais para o nordeste brasileiro ........................

............................................... Adailde do Carmo Santos & Leandro Gonçalves dos Santos CAPÍTULO 14 Desordens nutricionais em pomares cítricos no Recôncavo Baiano ................................................................................................................................ Aureo Silva de Oliveira........................233 Benedito Marques da Costa. Rozilda Vieira Oliveira Sacramento & Robson Rui Cotrim Duete CAPÍTULO 15 Variabilidade espacial da condutividade hidráulica do solo: conceitos e bases para avaliação................................ Cláudia Melo da Paixão & Robélia Tosta Dias Amorim CAPÍTULO 12 Impacto de herbicidas em processos microbiológicos do solo e qualidade fisiológica de sementes em Latossolo Amarelo coeso do Recôncavo Baiano .............................................................................................................183 Washington Luiz Cotrim Duete........................ adubação e diagnose nutricional de pastagens no Recôncavo da Bahia ..........................................................................................197 José Fernandes de Melo Filho & Paulo Leonel Libardi CAPÍTULO 16 Evapotranspiração ........289 Carlos Augusto Pereira Filho & Warli Anjos de Souza .................................................CAPÍTULO 11 Interação entre fungos micorrízicos arbusculares e patógenos radiculares de citros ............................... Clóvis Pereira Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio CAPÍTULO 13 Evolução......................................................245 Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira CAPÍTULO 19 Carboidratos na nutrição de peixes ...................................219 Francisco Adriano de Carvalho Pereira...... mudança tecnológica e eficiência na agropecuária do nordeste do Brasil no período 1975/1995..147 Antônio Alberto Rocha Oliveira........171 Anacleto Ranulfo dos Santos....159 Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto.... Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira & Maria do Carmo Martins Marques da Costa CAPÍTULO 18 Efeitos da adição de gordura suplementar à ração de bovinos sobre o metabolismo da glândula mamária.......................... Vital Pedro da Silva Paz & Greice Ximena Santos Oliveira CAPÍTULO 17 Mistura mineral para bovinos em regime de pasto ...........................277 Warli Anjos de Souza CAPÍTULO 22 Produtividade.......................................................257 Leandro Portz CAPÍTULO 20 Alimentação de caprinos leiteiros.............................................................. Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Benedito Marques da Costa CAPÍTULO 21 Desenvolvimento regional e a competitividade do agronegócio: estudos de cluster... Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio................................................... a qualidade do leite e da carne e a produção de alimentos funcionais.................................................................................. Raul Lomanto Neto.269 Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira.

José Vieira Uzeda Luna. Milene da Silva Castellen. Weliton Antônio Bastos de Almeida. Simone Alves Silva & Ana Cristina Vello Loyola Dantas Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 1 CONSERVAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa. Fernanda Vidigal Duarte Souza.

Cruz das Almas-BA. D’Eeckenbrugge et al. UFRB. Dessa forma. como sistemas reprodutivo e de cruzamento. Ana Cristina Vello Loyola Dantas1 1 2 Professor . como coleções-base e/ou ativas de sementes. diante de mudanças ambientais ou aparecimento de novas pragas e doenças. a necessidade de se optar por coleções completas do tipo específico. até condições financeiras da Empresa. 1. voltadas para a alimentação. Dentre os recursos genéticos vegetais voltados para a alimentação e agricultura. Fernanda Vidigal Duarte Souza2. pela conservação e caracterização do germoplasma disponível. Weliton Antônio Bastos de Almeida1. proteínas. mas principalmente. um dos mais importantes centros de diversidade genética de muitas espécies frutíferas tropicais. A escolha da estratégia de conservação mais adequada para cada espécie é dependente de uma gama de fatores. incluindo possibilidades de conservação in situ e ex situ. as fruteiras destacam-se pela grande diversidade e potencial que apresentam. e passa impreterivelmente. no entanto. podem ser consumidas in natura ou na forma de sucos. O porte alto.. v. a conservação do pool gênico dessas espécies tornou-se prioridade em programas agrícolas de muitos países. A exploração racional de espécies de importância econômica ou de potencial utilização. tem grande responsabilidade sobre essa riqueza. como o país mais rico do mundo em recursos biológicos. vitaminas e sais minerais. variedades de uso tradicional e as variedades melhoradas. não apenas para explorá-la de modo sustentável. E-mail: mapcosta@ufrb. o pouco conhecimento que se tem sobre variedades e genótipos de algumas dessas espécies. perfeitamente adaptadas e com potencial para a conquista do mercado interno. José Vieira Uzeda Luna3.Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA). abrangendo a conservação de variedades silvestres. Estação de Fruticultura Tropical. Pesquisador . Simone Alves Silva1.CONSERVAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa1. A exploração racional e o uso sustentável desse germoplasma dependem inicialmente. principalmente em relação a espécies de importância econômica atual e potencial. seria a estratégia mais segura para resguardar esse recurso. Cruz das Almas-BA. causada pela destruição dos ecossistemas e pela domesticação dos cultivos pelo homem.Centro de Ciências Agrárias. para a exportação e para a diversificação agrícola da região (Giacometti & Goes.br 3 INTRODUÇÃO O uso sustentável e continuado da diversidade genética disponível para o cultivo e consumo de espécies vegetais utilizadas na alimentação é de suma importância para o bem estar das gerações atuais e futuras. de um programa de conservação e manutenção desses recursos genéticos. Essas frutas apresentam sabores sui generis e elevados teores de açúcares. O Brasil. Órgão ou Centro de Estudos que ficará responsável pelo estabelecimento e manutenção da coleção. que vão desde aspectos botânicos. necessitando de estratégias próprias. para conservá-la. A caracterização e manutenção de recursos genéticos são hoje. de grande importância para a dieta alimentar. Milene da Silva Castellen2. Conceição do Almeida-BA. Tópicos em Ciências Agrárias. são as maiores dificuldades encontradas nos estabelecimentos desses bancos de germoplasma. Um aspecto normalmente negligenciado por muitos curadores de Bancos de Germoplasma. 2009 03 . sorvetes e geléias entre outras delícias culinárias (Avidos et al. Adicionalmente. sendo o Brasil. É preciso considerar que a perda da variabilidade genética supõe uma grande limitação na capacidade de se corresponder a novas necessidades e um incremento da vulnerabilidade dos cultivos dessas fruteiras. coleções nucleares e bancos de germoplasma in vitro. A evolução econômica e a demanda dos mercados reforçam hoje o interesse dos países latino-americanos para as frutas em geral e as frutas nativas ou exóticas em particular. uma demanda relevante.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. uma caracterização morfológica ainda bastante incipiente. e que deve ser considerado no caso da conservação do germoplasma dessas fruteiras em especial. 1998). e mesmo. 1993. é a destruição devastadora que está ocorrendo nas áreas de ocorrência natural dessas espécies. 2000). porte da planta.embrapa. nativas e exóticas.br Pesquisador . Ambientais e Biológicas/UFRB. licores. E-mail: fernanda@cnpmf. no mundo. Com o avanço da erosão genética. coleções em campo. são evidentes na formação de coleções de germoplasma dessas fruteiras.edu. o longo período de juvenilidade. Algumas limitações. tem sido o objetivo de programas de melhoramento genético em todo país. No Nordeste brasileiro é possível encontrar uma grande variabilidade genética das mais diversas fruteiras..

contribuindo para o aumento da renda de produtores. Em relação à carambola e ao rambutão foram identificadas quatro matrizes com características horticulturais superiores. Outra importante coleção de fruteiras tropicais do Estado da Bahia encontra-se no Centro de Ciências Agrárias. introduzido através da técnica de produção de mudas por garfagem em fenda cheia. produção. o Centro de Ciências Agrárias. através da incorporação de novas cultivares ao processo produtivo. (A. 2001). o alto custo de implantação. e que de maneira geral utilizam-se três plantas para cada acesso. Esse BAG vem sendo utilizado como suporte aos trabalhos de seleção de matrizes e como apoio básico às atividades de produção de mudas. Considerado como um dos mais importantes da América Latina. Recife e Paraíba. utilizadas principalmente no Sul da Bahia. com as modificações necessárias. o durião (Durio zibethinus Murray). outras limitações em relação à conservação de germoplasma dessas fruteiras em campo. com 30 espécies e 157 acessos (Tabela 2) coletados nas diversas regiões do País. champeden Spreng. Segundo Carvalho et al. recebendo os tratos culturais e fitossanitários de acordo com as exigências de cada espécie. localizado na EBDA estão catalogados mais de 364 acessos de 60 espécies de clima tropical. Essas espécies estão sendo multiplicadas na EBDA e difundidas em pequena escala no Sul da Bahia. visto a restrita variabilidade existente nas coleções brasileiras. podem ser destacadas. UFRB. No caso dos bancos de germoplasma de fruteiras nativas do Brasil. esta coleção foi iniciada em 1996. assim como os riscos de perdas pela ocorrência de catástrofes de ordem biótica. possibilitando a incorporação de muitas espécies aos sistemas produtivos comerciais. Além das extensas áreas. como as cultivares Lisa e Morada. Dentre essas. Nessa mesma coleção. com índice de pegamento de quase 100%. Alagoas. graviola.) Merr. tendo em vista as condições ecológicas propícias ao desenvolvimento. No Estado da Bahia. Muitas espécies apresentam grande escassez ou mesmo ausência de dados relativos à sua morfologia. Ambientais e Biológicas da UFRB. introduções procedentes da Colômbia possibilitaram a identificação e recomendação de materiais de alta qualidade. Estas informações são importantes para a descrição e caracterização de genótipos. Pernambuco. as mais solicitadas são: mamão. constituindo mais uma alternativa de renda para o produtor. em Itabuna. 2009 . goiaba. praticamente toda a conservação é realizada na forma de coleções de campo. Nos últimos 10 anos. sendo que. A conservação de espécies de Persea é de extrema importância atualmente. também originário da Malásia e o canistel (Pouteria campechiana Baehni) da família Sapotaceae e originária da América Central. No Nordeste Brasileiro os bancos e coleções de germoplasmas de fruteiras estão distribuídos nos Estados da Bahia. condução e manutenção das coleções. 1. O mamão teve o maior número de acessos intercambiados. beneficiando quarenta e cinco Instituições e inúmeros produtores de praticamente todos os Estados do Brasil.Bancos de Germoplasma da Região Nordeste O Nordeste Brasileiro apresenta diversidade genética considerável. Ambientais e Biológicas da UFRB. com introdução das 04 Tópicos em Ciências Agrárias. Esses acessos encontram-se em fase de caracterização e avaliação com base nas características morfológicas e agronômicas. encontra-se igualmente. para a produção de polpa congelada. características fisiológicas e fenologia. No Banco de Germoplasma de Fruteiras Nativas e Exóticas. oriundos de várias partes do mundo e introduzidos pelo CENARGEN (Tabela 1). da família Bombacaceae. Considerando-se que a grande maioria dessas frutíferas é arbórea. necessitando ampliação por meio de novas coletas nos locais de origem (Ferreira. 1999).). a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. ressaltando-se a distribuição de materiais de propagação para diferentes Instituições. Dentre as diferentes espécies mantidas. Ceará. a área ocupada por esses bancos é extensa e de difícil manejo. Vale ressaltar que nesse BAG encontra-se a única coleção de abacate da Região Nordeste com 33 acessos. quanto de espécies exóticas bem adaptadas às condições edafo-climáticas da região. v. tanto de espécies nativas. em Cruz das Almas-BA. em Cruz das Almas e o Centro de Pesquisa da Lavoura Cacaueira (CEPLAC). acerola e maracujá. abiótica e antrópica (Valois et al. foram distribuídas cerca de 85 mil mudas de fruteiras tropicais nativas exóticas.. As plantas estão mantidas em campo e dispostas em número variável de três a dez plantas por acesso. a necessidade de recursos humanos treinados. Os acessos são caracterizados e avaliados tomando-se por base os descritores do IBPGR (1980). No tocante à cultura da graviola. da família Moraceae e oriunda da Malásia. a partir de populações de plantas obtidas por meio de sementes. Outras fruteiras introduzidas recentemente nesse BAG foram o champedaque (Artocarpus integer (Thumb. a recomendação de cultivares de abacate e goiaba para o plantio nas condições do Recôncavo Baiano. o BAG de Fruteiras Nativas e Exóticas possibilitou ainda. cada planta ocupa uma área em torno de 40 m2. um acesso de jenipapo sem sementes. Sergipe. as principais Instituições responsáveis pela conservação de fruteiras são a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA) em Conceição do Almeida. (2002).

Fortunella. resistentes à morte súbita dos citros. de grande interesse ecológico e com potencial econômico. Além do melhoramento dos porta-enxertos. é a base para o programa de melhoramento genético. conservados em condições de campo. a partir de coletas realizadas na região do Recôncavo Baiano. sendo uma das maiores coleções de germoplasma de abacaxi do mundo. acerola. nas regiões de ocorrência (Iramaia. à gomose de Phytophthora e ao complexo do vírus da tristeza dos citros . formas. 2000. as variedades-copa têm sido selecionadas com vistas à sua utilização em ecossistemas característicos. Castellen et al. v. 1. 2005b). Merrill) foi iniciado no início dos anos 80 e reúne um total de 743 acessos no campo. do gênero Ananas e outras bromeliáceas. Eremocitrus e Severinia. Atualmente. cor. Atualmente. a semelhança dos outros existentes nessa Unidade da Embrapa. foram lançadas as variedades Pineapple. visando a identificação de genótipos de interesse e molecular para análise de polimorfismo entre os genótipos.. as três primeiras são laranjas doces (C. que vem gradativamente. No panorama atual. que deverão substituir as variedades suscetíveis. assumindo um lugar de destaque na floricultura nacional.CTV (citrus tristeza virus). ‘Cablocla’ e ‘Rubra’. Estima-se que a maior parte da variabilidade genética intra e interespecífica do abacaxi esteja aí representada (Cabral et al. Salustiana. indicado para consumo de mesa. a resistência encontrada em materiais diplóides conservados possibilitou o desenvolvimento de novos híbridos resistentes. Ambientais e Biológicas da UFRB.. Dentre as características desejadas. tendo como propósito subsidiar o programa de melhoramento genético da espécie implantado no Centro de Ciências Agrárias. Novos acessos de mangaba e jenipapo estão sendo introduzidos. como é o caso do Poncirus. O BAG Banana possui 400 acessos. é o BAG Maracujá. Esse material vem sendo caracterizado quanto a morfologia e características físico-químicas do fruto. citros. encontram-se. das quais apenas 15 encontram-se conservadas em Bancos de Germoplasma. O BAG Passiflora conta atualmente com 44 acessos. o que possibilitou a identificação de acessos com resistência à fusariose. compreendendo diversas espécies e variedades de Citrus e gêneros afins. Creste et al. 2009 05 . UFRB. (no prelo) citam 35 espécies do gênero distribuídas pela região dos Tabuleiros Costeiros. Recentemente. plantas com ausência de espinhos e frutos com altos teores de sólidos solúveis. já foram identificadas e lançadas duas variedades para mesa.. Caracterizações moleculares de pelo menos 60 diplóides foram realizadas por meio de marcadores do tipo RAPD e microssatélites (Paz et al. Ouriçangas e Nova Soure) (Cruz. com o alastramento da Sigatoka negra. que vêm sendo caracterizados morfologicamente a partir de uma lista de descritores multiculturais. Foram detectadas fontes de resistência às principais doenças da cultura. Recentemente. e a última um híbrido tipo tangerina. mamão e manga. foi lançado um híbrido. como é o caso do abacaxi. a maior parte dos acessos do gênero Passiflora conservados refere-se à espécie Passiflora edulis (maracujá roxo) e à forma flavicarpa (maracujá amarelo). 1998). Outro aspecto que vem sendo explorado nesse banco é o potencial ornamental encerrado em muitos de seus acessos (Souza et al. como é o caso dos Tabuleiros Costeiros. No caso específico da mangabeira avaliações preliminares demonstraram reduzida variabilidade genética entre as populações e presença de variabilidade dentro da população. em um levantamento no Estado da Bahia. com características agronômicas muito interessantes e resistente à fusariose. entre nativas e exóticas. Tópicos em Ciências Agrárias. plantas de porte baixo e outras características de interesse para o melhoramento da cultura. A variabilidade existente no BAG agrega uma extensa fonte de cores. Outro Banco que a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical mantém desde 1997. que visa a obtenção de genótipos com características interessantes para o cultivo dos citros. sendo três delas consideradas endêmicas do Estado e prioritárias para conservação. O BAG Citros possui cerca de 700 acessos. Valência Tuxpan e Page.. Os descritores mais utilizados referem-se ao porte da planta. uma das mais sérias doenças da bananeira causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis. em sua maioria. tamanhos de frutos e coroas e diferentes arquiteturas a serem exploradas (Cunha e Cabral. litoral e caatinga da Bahia. dos quais 60% já estão caracterizados morfologicamente utilizando-se os descritores já estabelecidos para a cultura. passíveis de serem processadas pela indústria e também serem consumidas in natura. O BAG Abacaxi (Ananas comosus L. O Banco de Acerola conta hoje com 150 acessos de Malpighia glabra e um acesso de Malpighia coccigera. que estão sendo caracterizados utilizando-se descritores morfológicos pré-estabelecidos para a cultura. características desejáveis para o programa de melhoramento genético da cultura. e a cada ano a coleção vem sendo ampliada com a introdução de novos acessos. Desse BAG. coloração da pétala. Microcitrus. Esse germoplasma vem sendo caracterizado utilizando-se os descritores morfológicos estabelecidos para a cultura do abacaxi. como resultado desse programa. 2004). Esse banco de germoplasma. Chapada Diamantina. sinensis). 2005). maracujá.primeiras mudas. Na Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical estão estabelecidos Bancos Ativos de Germoplasma (BAG) de diversas fruteiras. cita 29 espécies do gênero. Esses Bancos foram estabelecidos para servirem de suporte aos programas de melhoramento genético da Unidade e encontram-se parcialmente caracterizados.. A região Nordeste possui diversas espécies do gênero Passiflora. o abacaxi `Imperial´. tamanho e firmeza do fruto. 1999) para a identificação de abacaxis ornamentais. 40% desse banco já está caracterizado morfologicamente. cor da polpa. porta-enxertos tolerantes à seca e ao alumínio. banana. e alguns híbridos estão em fase de avaliação. Nunes (2002).

Spondia dulcis Forst. Pourouma cecropiaefolia Mart. Anacardium occidentale L. Clausenta lansium (Lour. NOME VULGAR Abacate Abiu Abricó Abricó-da-praia Acerola Akee Ameixa-de-madagascar Araçá Araçá-boi Araticum do Brejo Atemóia Bilimbi Cabeludinha Cafezinho Cainito Cajá Cajarana Caju Camu-camu Canistel Caqui Carambola Champedaque Ciriguela Coco Durião Falso mangostão Goiaba Graviola Groselha Grumixama Guabiraba Jabuticaba Jaca Jambo vermelho Jambo rosa Jambolão Jenipapo Kundang Lichia Longon Mabolo Macadâmia Manga Mangostão Mapati Marang Nêspera Noz okari Noz pili Pinha Pitanga Pitomba Pitomba do Norte Pupunha Rambutão Romã Sapota branca Sapota verde Sapoti Tâmata Tamarindo Uampi Umbu NOME CIENTÍFICO Persea americana Mill. Eugenia stipitata McVangh Annona glabra L. Eugenia tomentosa Gamb. Terminalia kaernbachi Warb. Myciaria dúbia H. Tamarindus indica L. Punica granatium L. Alston Syzzygium cumini L. 2005. Eugenia uniflora L. Munilkara zapota L. (Mc Vaugh) Pouteria champechiana Baehni Diospyrus kaki L. Annona muricata L. Syzzygium malacoense L.BA.) Merr. Psiduum guajava L.) Steud Diospyrus discolor Willd Macadamia intergrifolia Maiden & Betch Mangifera indica L.B.Tabela 1. & Iex. Artocarpus heterophylus Lam.C.) Skeels Spondia tuberosa Arruda FAMÍLIA Lauraceae Sapotaceae Clusiaceae Sapotaceae Malpighiaceae Sapindaceae Flacourtiaceae Myrtaceae Myrtaceae Annonaceae Annonaceae Averrheaceae Myrtaceae Malpighiaceae Sapindaceae Anacardiaceae Anacardiaceae Anacardiaceae Myrtaceae Sapotaceae Ebenaceae Averrhoaceae Moraceae Anacardiaceae Arecaceae Bombacaceae Clusiaceae Myrtaceae Annonaceae Euphorbiaceae Myrtaceae Myrtaceae Myrtaceae Moraceae Myrtaceae Myrtaceae Myrtaceae Rubiaceae Anacardiaceae Sapindaceae Sapindaceae Ebenaceae Proteaceae Anarcadiaceae Clusiaceae Cecropiaceae Moraceae Rosaceae Combretaceae Burseraceae Annonaceae Myrtaceae Sapindaceae Sapindaceae Arecaceae Sapindaceae Punicaceae Rutaceae Sapotaceae Sapotaceae Aracaceae Cesalpinaceae Rutaceae Anacardiaceae N° ACESSOS 33 02 01 01 04 01 01 04 01 01 01 01 01 01 02 02 01 05 01 02 03 45 42 01 02 02 01 31 12 01 01 02 03 01 02 01 01 03 01 01 01 01 11 50 01 01 01 01 01 01 05 05 01 01 02 45 02 01 01 04 01 02 01 02 06 Tópicos em Ciências Agrárias.K. Phyllantus acidus L. Pouteria viridi Pitt. Garcinia mangostana L. Spondia lútea L. Mimusops elengi Malpighia emarginata D. Canarium ovatum Engl. Averrhoa carambola L. Genipa americana L. Durio zibethinus Murray Garcinia sp. v. Merr & Perry Syzzygium jambos L. Conceição do Almeida . Compomonesia spp. Phoenyx daclylifera L. Pouteria caimito Radlk Mammea americana L. UFRB. Artocarpus interger (Thumb. Bouea macrophyla Litchi chinensis Sonn Dimocarpus longon (Lour. Anonna cherimola Mill x Annona squamosa L.C. Psidium spp. Eugenia luschnathiama Klotz Talisia escul enta Radlk Bactris gasipae Kunth Nephelium lappaceum L. Blighia sapida Koenig Flacourtia indica Merr. Bunchosia armeniaca AD. Annona squamosa L. Artocarpus odoratissimus Blanco Eriobotrya japonica Lindl. 1. Spondia púrpura L. Cocuns nucifera L. Eugenia brasiliensis Lam. Averhoa bilimbi L. Casimiroa edulis Llav. 2009 . Relação das espécies existentes no BAG de Fruteiras Nativas Exóticas da Empresa Baiana de Pesquisa Agropecuária (EBDA). Myrciaria cauliflora Ber. Chysophylum cainito L.

a sintetização e avaliação de cinco linhagens. já que a manutenção de um banco de germoplasma é muito cara. até o momento. sendo o maior banco de germoplasma dessa cultura no país. Auto-fecundações e cruzamentos entre indivíduos estreitamente aparentados. as quais deram origem a nove híbridos promissores. NOME COMUM Abiu Canistel Mamei Açaí Palmito Araticum-do-brejo Araticum Araçá boi Biriba Bilimbi Butiá-vinagre Cabeludinha Café da mata Cagaita Caimito roxo Cajá Cupuaçú Goiaba Guabiroba Grumixama Jaboticaba Camu-camu Jenipapo Jatobá Pindaiba Pitanga Pitomba do Norte Pupunha Uvaia Vinagreira Fonte: Ferreira. Atualmente o BAG Manga. Ambientais e Biológicas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Eugenia brasiliensis Myrciaria truncifolia Myrciaria dubia Genipa americana Hymenaea courbaril Xylopia emarginata Eugenia uniflora Talisia esculenta Bactris setosa Eugenia pyriformis Hibiscus sabdariffa N° ACESSOS 04 02 10 10 05 05 02 06 01 10 01 05 06 02 05 03 05 05 05 05 05 10 05 02 06 10 05 02 05 10 O BAG Mamão dessa Instituição conta atualmente com 191 acessos. Cruz das Almas. Desse conjunto. dentro de famílias. O BAG Manga da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical conta com 115 acessos de Mangifera indica conservados em campo. UFRB. Relação das espécies existentes na coleção de fruteiras nativas e exóticas do Centro de Ciências Agrárias. Réplicas desses acessos têm sido mantidos no BAG da Embrapa Semi-Árido. aproximadamente 50% dos acessos já foram avaliados. 2009 07 . Tópicos em Ciências Agrárias. passíveis de resultar em novos materiais à disposição dos produtores. Segundo Pinto & Ferreira (2005). ainda em fase de avaliação. onde pesquisas com a cultura também são desenvolvidas. possibilitaram. além dos objetivos conservacionistas. 2005.Tabela 2.BA. 1. os melhoristas têm uma pequena variabilidade genética à sua disposição para uso no melhoramento. atende ao fornecimento de material vegetativo e embriônico e a pesquisas para obtenção de híbridos com potencial para a indústria de sucos e para o consumo ao natural. 2003 NOME CIENTÍFICO Pouteria caimito Pouteria campechiana Mammea americana Euterpe oleracea Euterpe edulis Annona glabra Annona crassiflora Eugenia stipitata Rollinia mucosa Averrhoa bilimbi Butiá capitata Eugenia tomentosa Myrcia sp Eugenia dysenterica Crhysophyllum cainito Spondia mombim Theobroma grandiflorum Psidium guajava Compomanesia spp. v. embora a mangueira seja a quinta mais importante espécie frutífera do mundo.

gov. Serra Talhada N° ACESSOS 12 14 12 110 33 35 3 4 70 11 31 21 250 18 45 22 43 3 143 85 120 10 6 35 270 4 13 13 31 No Estado do Ceará as principais coleções de fruteiras encontram-se no Centro Nacional de Agroindústria Tropical (CNPAT) em Fortaleza.mma.. carambola. As Coleções do Estado de Pernambuco encontram-se distribuídas na Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA). Itapirema E. Ibimitim E. Itambé E. Tabela 3 (Bezerra et al.E.E. v. Itapirema E. Ibimitim E. a coleção do IPA conta atualmente. no CNPAT também são encontradas coleções de graviola.Caju. Garanhuns E.: Estação Experimental LOCAL E. genótipos de sapoti. microcarpum existente no Banco de Germoplasma.E. 08 Tópicos em Ciências Agrárias.E. Araripina E. Itambé E. em relação aos tipos comerciais. NOME COMUM Abacaxi Aceloreira Aceloreira Araçá-comum Cajazeiro Cajá-umbú Cajarana Cajueiro Anão Carambola Ciriguela Citros Goiaba Goiaba Graviola Graviola Jaboticabeira Jaqueira Macadâmia Mangabeira Pinheira Pitangueira Pitangueira Pomelo Romã Sapoti Tâmara Tangerina Tangerina Umbu E. 1.E.E. 20 acessos de Anacardium othonianum e 24 acessos de Anacardium spp. cajá e acerola (http://www. Araripina Comocim de São Félix E. Itambé E. bem como de materiais provenientes de instituições de ensino e pesquisa. via retrocruzamento. Itambé E. Segundo Crisóstomo et al. Itambé Comocim de São Félix E.E. encontra-se o BAG de caju com 440 acessos de Anacardium occidentale. de características desejáveis em genótipos da espécie A.E. a partir de prospecção genética e coleta de germoplasma de diversas fruteiras nativas e exóticas do Estado. 1997). Ibimirim E.E.E.E.E.E.E.E. com 29 espécies.E. UFRB. Araripina E. acerola.br/port/sbf/chm/doc/cap2i. Embrapa Semi-Árido e Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). (2002) genótipos da espécie A. Garanhuns E.E. Alguns genótipos vêm sendo caracterizados para serem empregados em programas de melhoramento. Itambé E.E. 09 acessos de de Anacardium humile. Iniciada no ano de 1987. 2005). Ibimirim E. pinheira e pitanga.E. Estes genótipos vêm sendo empregados no melhoramento do cajueiro-anão-precoce pela introdução. Ibimirim Comocim de São Félix E. Itambé Comocim de São Félix E. destacam-se por apresentarem algumas características contrastantes e positivas.pdf. Porto de Galinhas E. Relação das espécies existentes na coleção de fruteiras tropicais e subtropicais da Empresa IPA.E. A partir de avaliações realizadas ao longo dos anos na Coleção de Germoplasma foi possível recomendar para as diversas regiões do Estado de Pernambuco.E. No CNPAT.E. Itapirema E. Ibimirim E. Além do BAG .E. microcarpum L.E.Tabela 3. 2009 . Itambé E. Itambé E.E.E. sobretudo quanto à adstringência.

Tópicos em Ciências Agrárias. No tocante à cultura de tecidos. complementando as informações geradas por descritores morfológicos ou bioquímicos. Samal et al. cpDNA e nDNA também têm auxiliado estratégias conservacionistas. de especial interesse em fruteiras sob extrativismo e em parentes silvestres de espécies cultivadas. 2004 e Creste et al. As coleções do Estado da Paraíba encontram-se distribuídas na EMEPA. A conservação in situ. 42 acessos de acerola (Malpighia glabra) e 70 acessos de umbu (Spondia tuberosa). 2002. A partir dessa técnica derivaram se inúmeros marcadores como RAPD (Random Amplified Polymorphic DNA). a UFAL (Universidade Federal de Alagoas) mantêm coleções de mangabeira e no Estado de Sergipe. No que tange à conservação ex situ.. (2) selecionar acessos divergentes que abriguem valiosa variabilidade genética para programas de melhoramento a partir de cálculos de distância genética. v.. No Estado de Alagoas. (3) identificar acessos duplicados na coleção.A Embrapa Semi-Árido é responsável por oito acessos de goiabeira (Pisidium cattelyanum). A conservação in vitro surge como uma alternativa de conservação de germoplasma. 2009 09 . banco de germoplasma. quando bem conduzida. 1995. a única fruteira que vem sendo conservada na condição in vitro é o abacaxi. a manutenção de um grande número de acessos num pequeno espaço físico e livre das intempéries e riscos que existem no campo. 105 acessos de manga (Mangifera indica). tem sido beneficiada por esses marcadores que permitem estudar a distribuição da variabilidade genética em populações naturais. níveis de endogamia e tamanho efetivo de populações sob extrativismo. Os recentes avanços em biologia molecular marcaram o início de uma nova era na conservação de recursos genéticos com o advento de marcadores moleculares que permitem detectar o polimorfismo diretamente no DNA.. além de monitorar a longo prazo mudanças na estrutura genética. Ortis et al. 1. STS (Sequence Tagged Sites) e microssatélites. com 324 acessos de mangabeira e 21 acessos cajá. mas como complementares no entendimento da variabilidade disponível. fluxo gênico. Wörheide et al. 2000) quanto ex situ (Wünsch & Hormaza. por exemplo. 2004) de diversas espécies animais e vegetais.. Kelch & Baldwin. AFLP (Amplified Fragment Length Polymorphism). (5) caracterizar acessos. Na região Nordeste. dados moleculares a respeito da diversidade genética podem ser usados para diversos objetivos como: (1) planejar coletas ou estratégias de intercâmbio de germoplasma. 2000).. Adicionalmente. (4) monitorar mudanças na estrutura genética de acessos regenerados. No entanto. várias técnicas podem ser citadas no auxílio à caracterização. a partir da identificação de populações e locais prioritários para conservação. Os marcadores moleculares são usualmente divididos em dois grupos distintos metodologicamente: o primeiro engloba marcadores que utilizam técnicas de hibridização como. (6) gerar informações para desenvolvimento de coleções nucleares representativas de toda coleção e ainda (7) determinar a presença de um alelo particular ou sequência de nucleotídeo em um táxon. auxiliando na manutenção e utilização sustentável da biodiversidade. apesar de que trabalhos para o estabelecimento de um BAG in vitro de maracujá e banana já estão em andamento (Junghans et al. que deve ser considerada pelas vantagens que apresenta. como por exemplo. em diferentes organismos (Petit et al. população ou acesso. UFRB. A escolha do marcador ideal dependerá da questão a ser respondida e dos equipamentos e recursos financeiros disponíveis. gerando informações importantes para o esclarecimento de relações filogenéticas. RFLP (Restriction Fragment Length Polymorphism) e minissatélites. reduz os custos e garante a manutenção da fidelidade genética dos acessos conservados. análises de seqüências de mtDNA. eventos de hibridação e confirmação de unidades taxonômicas. facilitando a disponibilidade dos mesmos para o melhoramento genético e o próprio intercâmbio de germoplasma. conservação e utilização do germoplasma em programas de melhoramento genético. 2003). a Embrapa Tabuleiros Costeiros (em Betume . Acessos de acerola também são mantidos na UFRPE. Trabalhos utilizando marcadores moleculares têm propiciado informações chaves para conservação tanto in situ (Rosseto et al. 2004. Contribuição da biotecnologia na caracterização e conservação de germoplasma A demanda de recursos genéticos para a alimentação e agricultura tem gerado necessidades cada vez mais dependentes da utilização de novos métodos e processos biotecnológicos (Vilela-Morales & Valois. SCAR (Sequence Characterized Amplified Regions). 2002. enquanto o outro grupo agrega marcadores baseados na reação da polimerase em cadeia (PCR). Tansley & Brown.. Esta estratégia. 2004. estas ferramentas não devem ser vistas como substitutas de estudos morfológicos e bioquímicos. O desenvolvimento da técnica de PCR permitiu a síntese enzimática in vitro de milhões de cópias de um segmento específico de DNA na presença da enzima DNA polimerase.SE) é responsável por 19 acessos de coco. deve-se salientar que apesar das técnicas moleculares gerarem grandes possibilidades na conservação de RGV..

assim como algumas variedades de abacaxi com potencial ornamental. Paralelamente. Desta forma está sendo realizada uma série de trabalhos com a finalidade de prolongar o tempo de conservação do germoplasma de abacaxi in vitro. dessa forma. Entre os materiais conservados encontram-se diferentes acessos do gênero Ananas e espécies afins. Em uma região com uma extensa diversidade biológica. assim como o aporte racional de recursos humanos e financeiros para o desenvolvimento das ações integradas. além de alguns aspectos de ordem técnica. O valor do material autóctone. 1. tipo de conservação realizada em temperaturas ultra baixas (-154ºC aproximadamente). a gestão de modelos em rede otimiza o trabalho em recursos genéticos agregando às atividades com objetivos similares. passa inicialmente pela conservação e utilização racional do germoplasma existente. vegetais e de microrganismos. A grande maioria tem pouco do seu acervo caracterizado e portanto grande parte de seu potencial ainda permanece desconhecido. a avaliação do potencial da diversidade genética regional. identificando zonas de ocorrência e endemismo de diversas espécies de fruteiras. otimizando o processo de conservação (Canto et al. Gonçalves et al. em sua maioria. e o estabelecimento de atividades prioritárias para cada espécie.2002. mas também pelo total desconhecimento da população. UFRB. no que se refere a fruteiras. quanto de sua utilização. permitirá o delineamento de estratégias de coleta e conservação in situ e ex situ eficientes e representativas da variabilidade genética regional intra e interespecífica. Uma das diretrizes iniciais para formação de uma rede na região Nordeste seria a realização de uma radiografia e um diagnóstico dos bancos de fruteiras existentes na região. portanto. onde o objetivo é a parada total do metabolismo da planta. As coleções mencionadas nesse capítulo. 2001). Outros aspectos que precisam ser considerados são a possibilidade de diversificação para o agricultor do Nordeste. por meio da Rede Nacional de Recursos Genéticos (RENARGEN) que utiliza esse modelo na gestão de recursos genéticos animais. manutenção e documentação desse germoplasma. precisa ser melhor explorado. já que a demanda por sabores diferentes cresce a cada dia no hábito alimentar do consumidor e as frutas representam uma larga fatia desse novo mercado. Outras vantagens do seu estabelecimento são a ordenação da informação e a determinação de atividades e espécies prioritárias. O estímulo à sua utilização. 2004). identificando. pela falta de recursos financeiros e humanos para sua manutenção. concentração osmótica e reguladores vegetais. um programa que englobe várias ações integradas entre Instituições de diferentes Estados e que possam culminar no sucesso. em diferentes instituições e estados do Nordeste. A conservação in situ nessas regiões é difícil. 10 Tópicos em Ciências Agrárias. o que a torna laboriosa. as demandas mais urgentes. Esse tipo de conservação já começa a se fazer realidade para alguns cultivos.. Na Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical já estão estabelecidos in vitro aproximadamente 100 acessos oriundos do BAG abacaxi em campo. Souza et al. com a vantagem de que as fruteiras nativas são adaptadas às nossas condições e o importante papel que o recurso genético autóctone desempenha no intercâmbio internacional por germoplasma exótico em um cenário de crescentes restrições. demarca a importância que deve ser dada para o aspecto da conservação desses recursos genéticos na região. no que se refere à importância desse germoplasma e pelas condições sociais da mesma. A expectativa é que a transposição total do banco esteja terminada no final de 2007. que devidamente controlados. 2004. não apenas pela falta de apoio dos governos locais. 2005a). não apresentam uma adequada representação da diversidade genética da espécie em questão e muitas se encontram em situação precária. Experiências semelhantes têm sido conduzidas no âmbito da Embrapa. A formação de uma rede de recursos genéticos entre os Estados do Nordeste contribuirá não apenas para elaboração de um diagnóstico da situação atual dos recursos genéticos da região como para o estabelecimento de uma cultura de cooperação técnica que trará benefícios para vários segmentos da sociedade. tanto da preservação do germoplasma existente. sendo necessário adequar condições para retardar o crescimento das plântulas. É preciso.. além dos riscos de gerar plantas variantes. auxiliam no prolongamento do tempo entre subcultivos. dentro de um enfoque de sustentabilidade. v. Outra técnica utilizada para a conservação de germoplasma é a criopreservação. 1998. A obtenção das plântulas para a conservação é realizada por meio da multiplicação in vitro dos acessos a serem introduzidos. 2009 .. já que uma das desvantagens desta técnica é a necessidade de subcultivos periódicos.. CONSIDERAÇÕES FINAIS A variabilidade genética das fruteiras nativas e exóticas existente na Região Nordeste. o potencial intelectual e as diversas capacidades institucionais. bem como da infra-estrutura disponível para as atividades de caracterização. Ponis & Thint. Alguns fatores influenciam no crescimento das plântulas. como temperatura. mas ainda apresenta muitas barreiras para sua utilização (Pérez et al. adequando as condições de cultivo e buscando a limitação do crescimento. biomas altamente diferenciados e enormes variações de sistemas agrícolas.

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Claudia Fortes Ferreira & Antonio Augusto Oliveira Fonseca Tópicos em Ciências Agrárias . Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa. Ana Cristina Vello Loyola Dantas.CAPÍTULO 2 CARACTERIZAÇÃO DE GENÓTIPOS DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Simone Alves Silva.

br INTRODUÇÃO Tendo em vista a grande diversidade de fruteiras adaptadas às condições agroecológicas do Nordeste brasileiro. a recuperação de áreas desmatadas ou degradadas. DESCRITORES MORFOLÓGICOS A caracterização morfológica consiste na anotação de descritores botânicos facilmente visíveis ou mensuráveis. com considerável diversidade quanto ao modo de reprodução. UFRB. v. Em virtude da alta variabilidade genética que comumente está disponível no seu habitat natural e da insuficiência de informações para definição de critérios de seleção.edu. Cruz das Almas-BA. distintas culturas. Esta fase é conhecida como Pré-Melhoramento.CARACTERIZAÇÃO DE GENÓTIPOS DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Simone Alves Silva1. a formação de pomares domésticos e comerciais e o plantio em áreas de reflorestamento. Geralmente um Programa de Melhoramento de espécies pouco conhecidas inicia-se com a coleta. muitos agricultores e chacareiros já estão implantando pomares de frutas nativas e exóticas e os viveiristas estão intensificando a produção de mudas. serão considerados neste capítulo alguns descritores utilizados para atender à caracterização da maioria das fruteiras. Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa1. Claudia Fortes Ferreira2. E-mail: cfferreira@cnpmf.edu. As plantas frutíferas englobam grande quantidade de espécies. Investir no melhoramento e na conservação destas fruteiras proporciona uma importante alternativa agrícola ecologicamente eficiente e competitiva para o Estado da Bahia. Ambientais e Biológicas/UFRB. A evolução econômica e a demanda dos mercados reforçam hoje o interesse dos países latinoamericanos para as frutas em geral. mapcosta@ufrb.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. Cruz das Almas-BA. Caracterizar. surgem como potencialmente interessantes para o Nordeste brasileiro. a cajá. Ana Cristina Vello Loyola Dantas1. ou pre-breeding. E-mail: sas@ufrb. além de intensificar o melhoramento das espécies são estratégias necessárias para incluí-las como alternativas viáveis para exploração racional. dentre outras. Neste contexto. como por exemplo a mangaba. Existem muitas limitações para a exploração comercial de fruteiras potenciais para o Nordeste brasileiro. é necessário reconhecer a existência de algumas espécies com potencial para a conquista do mercado interno.br. a jaca. caracterização.embrapa. para a exportação e também para a diversificação agrícola. aumentando a freqüência de combinações alélicas desejáveis na população. 17 Tópicos em Ciências Agrárias. 1. 2009 . ciclo da planta e aos métodos de propagação. Dentre as possibilidades atuais de utilização das fruteiras do Nordeste destacam-se: o plantio em áreas de proteção ambiental. mas também a necessidade de se preservar e conservar espécies nativas ou bem adaptadas à região e que emergem como alternativas para o cultivo sustentável. tornando-os marcadores fenotípicos e que a princípio podem ser expressos em todos os ambientes. Não apenas a geração de divisas para o país e a diversificação regional devem ser consideradas.edu. parques e jardins e em áreas acidentadas.br. período juvenil. o jenipapo. o enriquecimento da flora das áreas mais pobres. Nesse sentido. identificar e preservar genótipos promissores. já que as espécies ainda não foram domesticadas e vêm sendo exploradas de forma desorganizada.br 2 1 Pesquisador . a pinha. possibilitando o melhor direcionamento dos cruzamentos e desta forma. alógamas e predominantemente de propagação sexuada.Centro de Ciências Agrárias. São geralmente perenes e lenhosas. o umbu. com ampla expectativa de progressos genéticos obtidos por meio do conhecimento da variabilidade genética. Antonio Augusto Oliveira Fonseca¹ Professor . Estes marcadores são bastante acessíveis e variam em função do destino que será dado ao produto final e às diretrizes do programa de melhoramento genético. avaliação de germoplasma e posterior seleção de genótipos mais promissores para serem utilizados como clones ou para etapas seguintes do melhoramento genético. acloyola@ufrb.

49%.24.44 kg).50% do fruto e o bagunço 8.60. com a coleta de 30 genótipos no município de Cruz das Almas. compotas. 2009 . diâmetro do fruto (19. Estes têm tido papel fundamental na divulgação das características agronômicas de novos materiais genéticos e podem influenciar decisivamente na escolha de variedades por parte de agricultores e outros interessados. sabor e aroma.72 kg).76 mg 100 g-1 e acidez total titulável de 1. Jaqueira (Artocarpus heterophyllus Lam.90 e 14.88% de sementes. com a seleção de genótipos que poderão ser indicados como cultivares comerciais.69% de glicídios redutores e totais. a exemplo de jenipapeiro. opções de investirem no processamento de doces. 8.58. através dos caracteres físicos como massa do fruto (4. Por suas qualidades organolépticas. pH e acidez titulável. respectivamente. pois permite indicar cultivares com potencial de uso imediato pelos agricultores. Quanto aos caracteres químicos. observando-se variabilidade para a maioria dos caracteres. ºBrix elevado e balanceamento organoléptico equilibrado. estudo de caracterização foi realizado por Lordêlo (2001). acidez titulável total (ATT) de 0.14). Foram avaliados 30 genótipos de jaqueira em nove frutos por planta num total de 270 frutos.84 mm. eles podem muitas vezes não distinguir adequadamente cultivares comerciais (Pecchioni et al. massa do bagunço (5. licores etc. 6. elevados conteúdos de sólidos solúveis totais e vitamina C (para consumo in natura) e alta acidez total titulável (para industrialização). encontrou valores médios de massa do fruto de 261. açúcares totais. sendo os caracteres massa do fruto e percentagem de polpa. respectivamente. com massa de 218. observando-se variabilidade nas plantas de jenipapeiro dentro e entre populações.31% de ácido cítrico. não redutores e totais.03% e 15.86% de cinzas e 86. O melhoramento desta espécie está voltado basicamente para a obtenção de frutos com menor cavidade interna.01. Sendo assim. inferior ao da casca (50.A caracterização de genótipos constitui uma das principais etapas dos trabalhos com germoplasma.75 cm). o conhe-cimento das características físicas e químicas dos frutos pode contribuir para a seleção de tipos promissores e desejáveis ao estabelecimento de cultivares. social e alimentício a ser explorado.84% de polpa.19%.75%.40%. O percentual de polpa encontrado foi de 30. Ambientais e Biológicas da UFRB. a semente representou 10. respectivamente). Diversas fruteiras tropicais nativas e adaptadas têm sido caracterizadas em programas desenvolvidos no Centro de Ciências Agrárias. entre outros. 2001). número total de bagos (120. UFRB. os descritores morfológicos apresentam limitações. a jaca apresentou valores médios de 25.11% de glicídio redutores. Os trabalhos de caracterização morfológica do jenipapeiro iniciaram em 1998. número de sementes normais e anormais (105. por apresentar frutos com massa acima de 200 g.18 ºBrix.74%.37 kg). Em culturas de base genética estreita. rendimento em polpa e diâmetros longitudinal e transversal. massa da semente (495.89 cm). 1.82 cm). v. bem como identificar acessos que apresentem características interessantes para o melhoramento. pH de 5.44% e 19. visando identificar e indicar constituições genéticas úteis para a continuidade do melhoramento e/ou produzir matrizes para serem propagadas vegetativamente. Quando se trata da distinguibilidade exigida pela Lei de proteção de cultivares. massa da polpa (1. 12. compostos por 60. jaqueira. 1996). Neste sentido. mais importantes para a seleção de genótipos promissores. 1. 18 Tópicos em Ciências Agrárias. sólidos solúveis totais de 17.27 g) e massa da casca (2. Foram identificadas plantas com interesse para o processamento e/ou industrialização e para consumo in natura. A análise da polpa revelou um teor médio de 18. vitamina c de 2.11 g. acidez total titulável (ATT) de 1.) Com relação à cultura da jaqueira. 0. diâmetro longitudunal e transversal de 80..66%. contudo.13 cm). constituindo-se numa alternativa ao incremento da renda familiar além de oferecer aos pequenos e micro industriais. proporcionarão um maior progresso.19 para a relação SST/ATT. 5. estes resultados permitiram a identificação de genótipos promissores.) O jenipapeiro é uma espécie alógama. boa percentagem de polpa. detectando-se variabilidade para a maioria dos caracteres. Assim. especialmente na distinção de genótipos elites aparentados.81º Brix. rendimento de 85. umidade de 73. confirmando o potencial da fruteira tanto para consumo in natura como para industrialização (Santos. cajazeira. a depender do destino no mercado consumidor (in natura ou industrialização). comprimento do fruto (28. a jaca pode representar um potencial econômico.26%). Jenipapeiro (Genipa americana L. Os descritores morfológicos são ainda hoje o “cartão de apresentação” de uma nova variedade. espessura da casca (0. sucos. Os frutos apresentaram formato ligeiramente alongado. melhor características organolépticas como cor. Hansen (2006). a busca por constituições genéticas que agreguem atributos como maiores massa do fruto.27% de casca e 33. pH de 3.67%. avaliando 100 genótipos do Recôncavo Baiano.96 g.58%. umidade de 73. além da composição química do fruto como maior vitamina C.22% de cinzas e relação SST/ATT de 11.34º Brix. possibilitando um maior rendimento de polpa. mangabeira e pinheira.

evidenciando uma alta variabilidade genética entre os genótipos. teor de sólidos solúveis totais (15. massa do fruto. massa da polpa. bem como de outras características botânicas serão fundamentais para caracterizar a diversidade de variedades que ocorrem na região estudada (Sousa et al. UFRB. As nervuras das folhas apresentaram-se de forma penivênias do tipo obliquivênia. diâmentros transversal (38. cinza. com ampla base genética. 2005). independente da distância geográfica. São moléculas como DNA ou proteínas que marcam uma região ou regiões do genoma. marcadores genéticos representam estritamente a variação genética. constatou-se que a filotaxia é do tipo oposta dística. Tópicos em Ciências Agrárias. Os descritores morfológicos de folhas. em virtude de partirem duas folhas do mesmo nó. massa da polpa. Ouriçangas e Nova Soure. SST/ATT. caracterizado por ápice e bases quase iguais sendo que o primeiro é ligeiramente agudo. Foram avaliados caracteres como massa do fruto. diâmetro do fruto. Conde.. rendimento de polpa e coloração de polpa. Pinheira (Annona squamosa L. Nas distintas regiões avaliadas foi verificada ausência de pressão de seleção dentro das populações o que possibilitou a ocorrência desta variabilidade. como aporte ao programa de melhoramento genético de mangabeira. rendimento industrial. O estudo da morfologia foliar. dos cruzamentos controlados e do ajuste ao ambiente avaliado. vitamina C. Mangabeira (Hancornia speciosa Gomes) Expedições de coletas de 100 genótipos de mangaba em quatro regiões da Bahia. Análise por estatística descritiva e multivariada. em torno de 113. massa total do fruto. massa da semente. flores. sendo a margem do limbo lisa. As plantas apresentaram folhas com limbo foliar de forma lanceolada do tipo oblongolanceolado. frutos e sementes de mangabeira também foram aplicados. massa do receptáculo. ligada(s) a alguma característica de interesse agronômico. massa da semente. avaliando-se: comprimento do fruto. 2004). rendimento da polpa. em sentidos opostos e no mesmo plano de inserção. com a formação de dez grupos de genótipos.49 mm) e longitudinal (41. espessura da casca. MARCADORES MOLECULARES Marcadores moleculares são características de DNA que diferenciam dois ou mais indivíduos e têm base mendeliana. Foi verificada ampla variabilidade genética nas populações estudadas o que propicia a coleta de genótipos para futuros trabalhos de melhoramento e montagem de coleções e/ou bancos de germoplasma. de casca e de semente e caracterização físicoquímica e física de frutos como pH. Desta forma. visando sua adaptabilidade e estabilidade e posterior lançamento de variedades (Cruz. possibilitando a identificação de materiais promissores (Sousa. utilizando-se as técnicas de agrupamento e análise de componentes principais mostraram variabilidade para a maioria dos caracteres.95 mm) e massa da polpa (33. 1. pH. 1995). químicas e físico-químicas com alto teor de vitamina C. v. açúcares totais. visando principalmente estabelecer subsídios teóricos de taxonomia.07 mg. 2009 19 . massa do fruto (35. sólidos solúveis totais (STT). relação (STT/ATT). desprovidas de duplicatas desordenadas para o melhor acompanhamento do desempenho desta espécie. distintos genótipos foram identificados como superiores quanto a características físicas. açúcares redutores e açúcares não-redutores. foram caracterizados 30 genótipos de pinheira provenientes do município de Presidente Dutra (BA). massa da casca.21%). percentual de polpa. vitamina C. SST. mostraram comportamento diferenciado entre as plantas dentro da população em relação a caracteres físicos e físico-químicos. incluindo os municípios de Iramaia. sendo esta última característica como a mais promissora para um melhor desempenho da mangabeira. Por outro lado. Além disso. ATT. Destas análises.Cajazeira (Spondias lutea L. por representar a maior procura tanto no mercado in natura quanto para industrialização. Características morfológicas e agronômicas têm a desvantagem de serem influenciadas pelos fatores do ambiente e podem não representar a real similaridade ou diferença entre os indivíduos. massa da casca. não sofrendo influência do ambiente (Weising et al. é possível estabelecer coleções biológicas organizadas. teor de ácido ascórbico/100g de polpa em frutos maduros (2.) Visando identificar materiais de interesse para utilização em sistemas de cultivo e em programas de melhoramento genético. acidez total titulável (ATT).) A caracterização morfológica de 30 genótipos de cajazeira em 10 frutos por planta foi realizada por Pinto (2002).76 g). 2005).. umidade.84 g).82 oBrix).

utiliza primers mais curtos e de seqüência arbitrária. O'Donoughue et al. determinar a presença ou ausência de gene(s) ligado(s) a características específicas para fins de melhoramento. oferecendo novas possibilidades no manejo de uma coleção. 1991). 2009 . v. na identificação e monitoramento de genes de importância em maçã (Wang-Caihong et al.. adjacentes e em número variável (Jeffreys et al. Com isso. não permitindo a distinção de heterozigotos. os quatro mais utilizados são Polimorfismo de Comprimentos de Fragmentos de Restrição (RFLP). 1996). se um genótipo de maracujazeiro confere resistência a uma bacteriose. Entre as vantagens do uso de marcadores AFLP. o Polimorfismo de Comprimentos de Fragmentos Amplificados (AFLP).. essa informação está impressa no DNA desta cultivar. O AFLP foi descrita por Vos et al. 1995).. cultivares e clones e análise de diversidade genética (Daly et al. Cipriani et al. Estes marcadores têm sido utilizados para aplicações de mapeamento genético em inúmeras frutíferas (Kijas et al. e representam regiões instáveis do genoma que estão sob alterações mutacionais a taxas muito maiores do que as observadas na seqüência de cópia única. estão o alto grau de polimorfismo e o mais alto número de marcadores obtidos por gel analisado. capina. conforme a espécie. As diferenças entre indivíduos são notadas quando se visualiza diferentes tamanhos de fragmentos de DNA entre estes. possuindo. 1998). 2002).. 1. o que elimina a necessidade do conhecimento prévio da seqüência alvo. e tem revelado um grau de polimorfismo de intermediário a baixo. Ulanovsky et al. Entre os marcadores de DNA. 1998). O polimorfismo detectado resulta de variações no número destas seqüências. especialmente em germoplasma aparentado e de baixa variabilidade. variando basicamente o tipo de sonda utilizado. (1990). A técnica de DNA polimórfico amplificado ao acaso (RAPD). produzindo um grande número de fragmentos. Apesar deste marcador ter natureza dominante. 1989. não trará gravado em seu DNA essa informação. 1994. 1985). O polimorfismo obtido com esta técnica está baseado em diferenças entre genótipos na distribuição dos sítios de restrição e na amplificação diferencial de fragmentos. Como todas as diferenças entre os seres vivos estão presentes no DNA. o que a torna uma das melhores opções para uso na caracterização de cultivares. sendo uma técnica que possui grande capacidade para detecção de variabilidade genética e uso em caracterização de cultivares. A maior vantagem dessa técnica é o elevado polimorfismo revelado. Uma vantagem adicional dos minissatélites é o alto grau de polimorfismo apresentado. Esta técnica é elaborada. O indicador 20 Tópicos em Ciências Agrárias. UFRB. (1995). Por exemplo.O uso de marcadores moleculares representa uma ferramenta adicional em programas de melhoramento genético em frutíferas. os RFLPs têm sido utilizados em um grande número de estudos de caracterização de cultivares (Gebhardt et al. multialélicos. diminui-se o volume de material que necessitaria de cuidados como adubação. 1990).. Permite. 2001). Minissatélites têm sido utilizados no melhoramento de frutíferas para a identificação de variedades. mais demorada que as outras técnicas para obtenção de resultados de custo relativamente alto. Autrique et al.. 1995. decorrente da variação na distribuição dos sítios de restrição. “softwares” têm sido desenvolvidos para distinguir indivíduos homozigotos e heterozigotos (Vos et al. sendo que essa mesma região pode não existir em outro indivíduo. desenvolvida por Williams et al. portanto. 1999. também. Um outro genótipo que não apresente a resistência.. os genomas das duas cultivares serão diferentes. irrigação etc. A técnica RFLP consiste basicamente no uso de enzimas de restrição que corta o DNA em sítios específicos. A instabilidade dos microssatélites resulta em marcadores altamente polimórficos. das sondas utilizadas e do número e tipos das seqüências repetitivas.. O polimorfismo de RAPD tem natureza binária (presença ou ausência). repetidas lado a lado. Isso tem sido devido principalmente a sua alta consistência e repetibilidade na obtenção dos resultados.. que são extremamente úteis em estudos de genética.. minisatelites e os microssatélites (Ferreira & Grattapaglia. Crouch et al. Mesmo assim. com as vantagens e desvantagens já apresentadas para a técnica anterior. com a vantagem de se fazer as análises antes do material ir para o campo. 1998). Essa técnica é similar a de RFLP.. permitindo a comparação entre indivíduos e identificando duplicatas (Engelborhs et al. além de possibilitar a classificação do germoplasma em grupos de interesse para os diferentes programas de melhoramento. Marcadores AFLP são utilizados com sucesso para detectar diferenças genéticas e variantes somaclonais em banana (Engelborghs et al. 1998.. São marcadores dominantes.. um indicador de reação terá sua seqüência complementar a uma determinada região em um indivíduo. Os microssatélites consistem em seqüências de 1 a 6 nucleotídeos... as isoenzimas e proteínas de semente são menos úteis para escolha de pais em populações geneticamente homogêneas. 1998). Os minissatélites ou locos VTNR são seqüências repetitivas de DNA. Entre esses marcadores. havendo redução no número de gerações de melhoramento necessárias no desenvolvimento de variedades.. 2001) e em estudos de diversidade genética em pêssego (Aranzana et al. É uma técnica significativa na detecção de variabilidade genética e não requer mão de obra especializada (Ferreira & Grattapaglia. Polimorfismos em nível de DNA podem ser detectados por vários métodos. grande capacidade para detecção de variabilidade genética no nível de DNA. desta maneira. Nessa região. em razão da variabilidade relativamente pequena dos mesmos. o Polimorfismo de Fragmentos Aleatórios e Amplificados de DNA (RAPD). A forma como esses fragmentos são obtidos varia com o tipo de metodologia empregada (Hillis et al.

representam importantes ferramentas na seleção antecipada (Ferreira & Grattapaglia. permitindo a comparação entre indivíduos. avaliando os marcadores RAPD em mangaba (Cruz. Os seis primers responsivos geraram 28 produtos de amplificação (bandas). comprovando a formação de grupos dissimilares. Tópicos em Ciências Agrárias. UFRB. A utilização desta técnica demonstrou existência de polimorfismo no material em estudo. A utilização de marcadores moleculares como ferramenta de seleções em culturas perenes. como influência do ambiente e baixo número de polimorfismo. com uma média de 10. são suficientes para estimar relações genéticas dentro e entre espécies. com o número de fragmentos produzidos variando de 3 (OPB-19) até 7 (OPH-15). a presença ou ausência de gene ligado a características específicas. identificação de duplicatas. sendo que 32 proporcionaram eficiência na amplificação. (1980). Sendo assim. capina. Segundo Colombo et al. Além disto. identificados também por marcadores morfológicos. a qual foi respaldada com similar variabilidade detectada com a caracterização morfológica. Um total de 185 marcadores foram amplificados. Em trabalho subseqüente foram avaliados 50 primers. 17 forneceram produtos nítidos de amplificação e boa repetibilidade. Neste trabalho. dos 119 primers testados. Estimativas de distância genética baseada na análise direta de DNA eliminam complicações advindas da avaliação do fenótipo. O uso de marcadores moleculares no Centro de Ciências Agrárias tem sido feito com à cultura da mangabeira e está sendo aplicado à cultura do jenipapeiro. 10 a 30 primers. com a vantagem de análises precoces antes dos genótipos irem para o campo. a fim de identificar o polimorfismo presente nos genótipos avaliados e sua resposta em comparação à caracterização morfológica. sendo uma técnica viável e uma importante ferramenta na identificação da variabilidade genética em jenipapeiros. mas não no segundo. 2005). oferecendo novas possibilidades no manejo. gerando 50 a 100 bandas polimórficas. 2007). indicando a presença de variabilidade genética entre os genótipos avaliados. como a maioria das fruteiras com potencial para o Nordeste brasileiro. 2003).. os genótipos foram avaliados utilizando técnicas de marcadores moleculares do tipo RAPD.7 por primer. 2009 21 . a classificação de germoplasma. Jenipapeiro (Genipa americana L. em trabalho realizado por Hansen (2006). O número de bandas polimórficas foi de 148 (81. dois foram monomórficos e seis polimórficos. com o primer OPAI-01 à 13. As estimativas de distância genética foram aplicadas baseadas na análise direta do DNA como ferramenta adicional na confirmação dos valores morfológicos. Mangabeira (Hancornia speciosa Gomes) A caracterização molecular desta fruteira teve como objetivo determinar a distância genética entre os genótipos coletados utilizando a técnica de RAPD. Com isso diminui o volume de plantas que necessitam de cuidados como adubação. os marcadores moleculares evidenciaram variabilidade pela presença de polimorfismo. técnicas que permitem identificar marcadores moleculares ligados a genes responsáveis por características de importância agronômica. faz com que o melhoramento de espécies frutíferas seja a área onde o uso efetivo desta tecnologia tende a ter as melhores perspectivas de sucesso. Em trabalho pioneiro. é de grande contribuição para o êxito na seleção de genótipos superiores destas culturas. sendo 257 polimóficas e 150 monomórficas (Capinam.) A formação de grupos gerados por mensurações físicas e químicas poderão ser respaldadas ao confirmarem suas informações genéticas diretamente do DNA. A perspectiva de tornar mais eficiente a seleção precoce e com isso aumentar o ganho genético por unidade de tempo. Pode-se observar padrões de bandas diferentes. O uso de marcadores moleculares representa uma ferramenta adicional em programas de melhoramento genético em frutíferas. Por esta razão. é uma tecnologia extremamente atraente tendo em vista o tempo necessário para completar uma geração de melhoramento desta espécie. 1. desta forma eles serão separados pelo RAPD (Moreira. com o primer OPH-13. encontrar marcadores moleculares aliados às características fenotípicas de maior rendimento do produto final aferidos por dados biométricos. v. Nesta amplificação foi gerado um total de 407 bandas. 2003). dos oito primers amplificados. com bandas de padrão de visualização adequada. 1998). havendo redução no número de gerações de seleção necessárias para o desenvolvimento de variedades (Moreira. Desta forma.32%) e variou de 3.amplificará fragmentos no primeiro indivíduo. irrigação etc.

conservados e manipulados através de cruzamentos genéticos ou incorporação de genes promissores por biotecnologia. p. disponibilidade de germoplasma com ampla variabilidade e conhecimento acumulado sobre a biologia da espécie a ser estudada. M. CHARREIRA. tecnologias de marcadores moleculares. 1. morphological traits and coefficient of parentage. G. A. 735-742. 1999. 2007. localização de genes. UFRB. C. a necessidade de adaptação das metodologias de melhoramento e técnicas experimentais e a demora na obtenção de novas cultivares decorrente da necessidade de avaliação no ambiente de cultivo. TANKSLEY. Seleção de germoplasma de mangabeira (Hancornia speciosa Gomes) definida por marcadores morfológicos e moleculares. p. identificando os genótipos distintos e superiores para serem multiplicados. melhoria da qualidade e adaptação a determinado ambiente. CIPRIANI. p. C.et al. e tem como objetivo final o aumento da produtividade. Crop Science. Por fim. P. identificação de fontes de variação genética dentro do germoplasma disponível... SORRELLS. seleção em cultivo hidropônico em estádio de plântula e propagação vegetativa de genótipos promissores. Cruz das Almas. VALLE.CONSIDERAÇÕES FINAIS O melhoramento pressupõe a necessidade de modificar a constituição genética do indivíduo. 2009 . o reduzido estoque de informações básicas sobre a biologia e a genética do material a ser melhorado (modo de reprodução. 99. 65-72. H. Iniciar um programa de melhoramento implica em compromissos a médio e longo prazo. A presença de ampla variabilidade constitui a primeira etapa para o alcance de tal objetivo. comparação do material melhorado com um padrão existente. ARUS. escolha da metodologia adequada para avaliação do material. seleção dos segregantes superiores. Segregation of microsatellite loci from haploid and diploid gametes in Musa.38. NACHIT. France. M. 120 f. 22 Tópicos em Ciências Agrárias.. Berlin. SECOND. AC/GT and AG/CT microsatellite repeats in peach (Prunus persica (L) Batsch): isolation.211-217.E.. CAPINAN. Crop Science. S. M. Vários fatores têm sido apontados como difíceis de serem superados pelo melhoramento de fruteiras ainda pouco exploradas. É onde a seleção pode atuar. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias). T. cujas deficiências e qualidades são conhecidas. Frente a esta preocupação. characterisation and cross-species amplification in Prunus. São vários e distintos os mecanismos utilizados para obtenção de melhoria para as fruteiras pouco exploradas e de grande potencial econômico e social. K. Acta Horticulturae. as informações sobre a variabilidade disponível facilita o estabelecimento dos objetivos de um programa de melhoramento.) Batsch).. 1998. Assim. Genetic and Molecular Biology. v. J. Genetic diversity in durum wheat based on RFLPs. p. p. Comparison of fruit and leaf dna extracts for AFLP and SSR analysis in peach (Prunus persica (L. 1.. v. 105-113. escolha e recombinação dos genitores. M. COLOMBO. REFERÊNCIAS ARANZANA. 36..D. culturas de tecidos. VICENTE. G. 1996. avaliação do comportamento da planta. CROUCH. distribuição do novo material. P. E. 1998. estudo sobre herança etc). v. de. 21. Theoretical and Applied Genetics. et al. G. que mesmo a médio e longo prazo possam ser estreitados com adição de tecnologias complementares e eficientes. AUTRIQUE. como o pequeno conhecimento sobre a variabilidade destas espécies. Madison. n. 546. 297-300. C. L. n.M. MONNEVEUX. a estratégia para o melhoramento de fruteira deve conter as seguintes fases: identificação das características importantes a serem melhoradas. 2001. Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. v.. S. poderão tornar efetivo o progresso genético destas espécies. v. Genetic diversity characterization of cassava cultivars (Manihot esculenta Crantz) with RAPD markers. Todas estas dificuldades serão superadas com pesquisas que agreguem informações e na criação de Programas de Melhoramento destas fruteiras potenciais.

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CAPÍTULO 3 PROPAGAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Ana Cristina Vello Loyola Dantas. Simone Alves Silva & Janay Almeida dos Santos-Serejo Tópicos em Ciências Agrárias . Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa.

Segundo Lerdeman et al. 2009 27 . tais como Persea americana Mill (Barceló-Muñoz et al. v. pitanga. Simone Alves Silva1. Cruz das Almas-BA. a regeneração de plantas in vitro a partir de explantes meristemáticos tem sido reportada em diversas espécies lenhosas. Algumas espécies produzem estruturas utilizadas para propagação.br. entre outras vantagens. Malus domestica Borkh (Centellas et al. umbu. E-mail: acloyola@ufrb. Em fruticultura. sas@ufrb. 1. A reprodução sexuada é o principal mecanismo de multiplicação das plantas superiores e de praticamente todas as angiospermas e resulta em população com variabilidade genética devido à segregação e à recombinação de genes. A escolha da planta matriz. em virtude da recalcitrância da maioria dessas espécies. 1996). Com a demanda crescente do mercado por produtos de alta qualidade e com características agronômicas bem Tópicos em Ciências Agrárias. Apesar dos grandes avanços das técnicas de cultura de tecidos. (2001) em citros (Citrus sinensis L. cada vez mais. UFRB. Dentre os poucos trabalhos. 2001).edu. com início de produção precoce e idêntica à planta-mãe. ciência e técnica (Hartmann & Kester. garfagem. A propagação vegetativa utilizando técnicas de cultura de tecido pode ser um valioso instrumento na propagação clonal rápida de fruteiras. jenipapo.) C.) Liang & Ferguson (Nachtigal et al. Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa1.PROPAGAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Ana Cristina Vello Loyola Dantas1. a propagação assexuada das principais espécies frutíferas cultivadas comercialmente já é uma prática amplamente difundida e adotada pelos viveiristas e produtores de frutas tropicais.br 2 1 Pesquisador -Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. 1994). a cultura de calos visa à regeneração via organogênese ou embriogênese. Vitis vinifera L.edu. dos frutos e o preparo e seleção das sementes constituem etapas importantes para a obtenção de plantas vigorosas. podendo considerar-se que a propagação envolve aspectos de arte. 1995). Entretanto. em situações mais específicas. Actinidia deliciosa (Chev. para espécies com dificuldade de multiplicação por outros meios. que têm sido. Osbeck). Kock).. Uma das grandes vantagens dessa técnica é a manutenção do genótipo e fenótipo de plantas propagadas por esse sistema (Giacometti. sendo recomendada para obtenção de porta-enxertos e de novas cultivares.Centro de Ciências Agrárias. Por outro lado. dentre outros. 1999). (1992). Rodriguez & Wetzstein (1998) em pecan (Carya illinoinensis (Wagenh. quase todas as espécies podem ser propagadas vegetativamente. incorporadas nos programas de melhoramento genético de plantas (Borém. Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO A propagação de plantas consiste em realizar sua multiplicação por via sexuada ou assexuada e tem sido uma atividade fundamental para a humanidade desde o início da civilização.. a exemplo de rebentos e filhotes. Os métodos para propagação assexuada normalmente utilizados em plantas frutíferas são: estaquia. subtropicais e temperadas. pinha. da estrutura e forma de desenvolvimento da planta e da espécie e dos métodos de propagação relacionados. Esta técnica pode ser feita via gemas pré-existentes ou cultura de calos derivados de diferentes tecidos. (1998) e Moura et al.). pode-se mencionar aqueles realizados por Cervera et al. são exemplos práticos da utilização de sementes como meio de propagação e formação de mudas para o plantio. sendo o método mais indicado por possibilitar a obtenção de plantas uniformes. Fruteiras como jaca. que requer prática e experiência. Ambientais e Biológicas/UFRB. mangaba. 1999) e muitas outras. encostia). Janay Almeida dos Santos-Serejo 2 Professor . as fruteiras nativas e exóticas típicas do Nordeste brasileiro ainda são propagadas única e exclusivamente por via seminífera. Embora a utilização das sementes seja mais difundida para a maioria das frutíferas tropicais.edu. em larga escala. Um estudo de propagação de plantas envolve conhecimento dos procedimentos técnicos. a otimização de protocolos eficientes que estimulem a organogênese e/ou embriogênese em plantas lenhosas tem sido muito limitada. (1996) em urucum (Bixa orellana L. A micropropagação de espécies lenhosas vem sendo estudada há várias décadas e tem como objetivo básico o estabelecimento de uma metodologia de multiplicação clonal de indivíduos superiores. para obtenção de clones nucelares e em plantas homozigotas. Almeida et al. 1990)..br. Por sua vez. O desenvolvimento de métodos de regeneração de plantas in vitro via organogênese ou embriogênese somática é requisito necessário para utilização de técnicas biotecnológicas como a transformação genética ou hibridação somática (Brasileiro & Dusi. o uso da propagação sexuada tem sido restrita. mergulhia (alporquia). 1999). (Peixoto & Pasqual. entre outras. 1996). Eucalyptus (Xavier & Comério. enxertia (borbulhia. mapcosta@ufrb.

estudos têm sido realizados para maior conhecimento do processo de multiplicação.07 cm) e diâmetro do caule (7. realizando-se o desbaste quando a planta apresentar 10 cm de altura. As sementeiras devem ter dimensões de 1. (1994) indicaram acondicionamento das sementes de jenipapo em geladeira. Na semeadura em sacos de polietileno. que pode demorar de 15 a 30 dias.definidas. (1998) verificaram que sementes procedentes de frutos maduros colhidos no chão. entre outros métodos (Carvalho. além de ser de fácil manuseio. Nascimento & Damião-Filho (1998) verificaram que a germinação ocorre de maneira heterogênea. com leito constituído por 3 partes de terriço e 1 a 2 partes de esterco de curral bem curtido. Ambientais e Biológicas/UFRB vêm demonstrando a capacidade organogenética da cultura a partir de segmentos internodais (Figura 1). não havendo influência dos substratos na eficiência dos métodos de enxertia utilizados. Para isso deve-se utilizar borbulhas de ramo maduro. Rocha et al. contra 0. 30°C e 35°C. retirando-se as sementes por meio da maceração. O percentual médio de pegamento do enxerto. a garfagem no topo em fenda cheia apresentou-se mais eficiente. sacos plásticos 18 x 30 cm) com o mesmo substrato usado nas leiras. depois uma maior concentração e no final novamente poucas . e com a importância crescente de fruteiras até então pouco exploradas. Em trabalho realizado por Andrade et al. 1. (1994). No entanto. Este é um aspecto interessante.3 %). cortando-se as plantas restantes. (2000) obteve-se maiores percentagens de germinação de sementes de jenipapo em temperaturas de 25°C. proporcionando uma média de 58 % de emergência de plântulas aos 60 dias de armazenamento. a semeadura é feita preferencialmente em sacos de polietileno com dimensões mínimas de 20 cm de altura e 7 cm de diâmetro ou em sementeiras previamente preparadas (Santos. Prado Neto (2006) avaliou a influência de diferentes substratos no desenvolvimento inicial da planta e a eficiência de métodos de enxertia por garfagem em jenipapeiro. glabro.0 mg L-1 de benzilaminopurina (BAP) e/ou sem a utilização de reguladores vegetais. 1978). buscando desenvolver e adaptar tecnologias de propagação para diversas espécies frutíferas tropicais nativas e exóticas. Mudas formadas em sementeira estarão em condições de serem plantadas quando atingirem 20 a 35 cm de altura (Santos. num tempo médio de 17 dias após o início da germinação. 1978). Na propagação por sementes. extraídas por fricção em peneira.71mm). 2003b).0% para garfagem em fenda lateral. com predominância do uso das sementes. no início poucas plântulas. onde os melhores resultados foram conseguidos em meio MS com adição de 1. seis a doze meses após a repicagem (Jenipapo. recomendaram a imersão das sementes em água a 65°C por 5 a 10 minutos por ser um método econômico e proporcionar maior valor para o índice de velocidade de germinação. indicando possibilidade de seleção nas plantas matrizes para esses caracteres. divulgando resultados da literatura e de pesquisas realizadas no Centro de Ciências Agrárias. UFRB. os frutos devem ser provenientes de plantas isentas de pragas e doenças e de boa produção.30 m de altura x 10-20 m de comprimento. 2009 . pode-se colocar 3 a 4 sementes a 2 a 3 cm de profundidade. 32 dias após a enxertia. v. Souto et al. Após secagem à sombra por 48 horas. Jenipapo (2003a) recomenda a imersão em água fria por 48 horas para acelerar e uniformizar a germinação. na medida em que possibilitou pegamento médio de 87% aos 8 dias após a enxertia. Cultura do jenipapeiro (Genipa americana) A propagação do jenipapo se dá via sementes e vegetativamente. por alporquia e enxertia. enquanto frutos amadurecidos na planta e extração por abrasão em areia resultaram em sementes com maior índice de velocidade de germinação. A propagação vegetativa tem sido pouco mencionada na literatura. A muda estará pronta para o plantio quando atingir cerca de 20 cm de altura. Borges et al. não sendo importante a idade do cavalo no ponto de inserção. A influência dos substratos no desenvolvimento das plantas só foi observada aos 13 meses quando o substrato composto por solo. Jenipapo. verde-azulado realizando-se cortes de quatro centímetros de comprimento. 2003b). quando 28 Tópicos em Ciências Agrárias. Cada metro quadrado deve receber 360 sementes a de 2 a 3 cm de profundidade. apresentaram os maiores valores de germinação (cerca de 78. utilizando-se vermiculita e solo como substrato. Gomes (1989) cita que a enxertia por borbulhia foi usada nas Filipinas com bom resultado. após a avaliação da germinação de sementes de jenipapo submetidas a tratamentos prégerminativos. As mudas com cerca de 2 cm de altura devem ser repicadas para vasos (jacás. laminados. 1994. foi de 100 e 95. Silva et al. Ambientais e Biológicas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Recentes trabalhos desenvolvidos no Laboratório de Cultura de Tecidos de Planta da Centro de Ciências Agrárias. coletados quando começam a cair. (1994) mostraram haver variabilidade entre 37 progênies de jenipapo quanto à percentagem de germinação e índice de velocidade de emergência.4 % respectivamente para garfagem no topo em fenda cheia e garfagem em fenda lateral. O objetivo deste trabalho foi reunir informações sobre a propagação de espécies frutíferas com potencial no Nordeste brasileiro.2 m de largura x 0. areia e esterco de galinha proporcionou as melhores médias de altura da planta (36.

No sentido de desenvolver protocolo eficiente para estimular as repostas in vitro desta cultura a partir de segmentos de epicótilo. para que possam ser futuramente utilizados em técnicas biotecnológicas como a hibridação somática e/ou transformação genética. 1. O início da emergência de plântulas ocorreu em média aos 23 dias após a semeadura. proporcionando a continuação das etapas de melhoramento da espécie. UFRB. sugerindo comportamento recalcitrante. Novaes et al. Pimentel & Santos (1978) verificaram um decréscimo de 52% na germinação das sementes ao terceiro dia extração dos frutos quando deixados em condições ambientais. Vieira Neto (2001) recomenda colher os frutos diretamente da árvore. sendo necessária rápida semeadura logo que colhidas. A percentagem média de germinação foi de 33. uma porcentagem de 25% de germinação. A emergência das plântulas ocorre em média de quinze a trinta dias após semeadura. embora indiquem um potencial promissor para a propagação vegetativa in vitro de plântulas de jenipapeiro a baixo custo. Este acentuado decréscimo deve-se provavelmente à rápida desidratação das sementes. (1987) observaram que sementes de mangaba embaladas em saco de polietileno armazenados à temperatura de 15oC e umidade de 45% mantiveram até os 25 dias. destacando-se o meio MS suplementado com 1. bem como uma provável diminuição nos riscos de variação somaclonal. estudos referentes aos substratos mais eficazes na germinação das sementes recalcitrantes da mangabeira foram realizados.7 %. Tavares (1960).0 2.se visa propagação clonal.0 1.25 mg L-1 (AIA) (Tabela 1). servem também como ponto de partida para outros estudos visando inclusive. E por serem recalcitrantes as sementes perdem rapidamente o poder germinativo logo que retirados dos frutos.0 -1 3. um grande entrave na cultura da mangabeira. houve tendência de redução de germinação com o dessecamento e com o armazenamento. Para obtenção das sementes. e embora sem diferença significativa.0 Concentrações de BAP (mg L ) Figura 1. Ainda na busca por substratos mais responsivos. visto ser a produção de mudas. já que neste caso. O aspecto morfológico das brotações Tópicos em Ciências Agrárias. quando estes iniciarem a queda espontânea ou recolhê-los no chão. Cultura da mangabeira (Hancornia pubescens) A mangabeira é uma espécie cujas sementes em condições ambientais apresentam baixa longevidade. várias combinações de reguladores vegetais vêm sendo testadas em meio MS (Murashige & Skoog 1962).8 %. até umidade de 18. v. 2003). As taxas médias de multiplicação variaram entre 0. obtendo os melhores resultados na utilização de areia lavada adicionada de terra vegetal (proporção 1:1).2 brotos por explantes.0 mg L-1 (BAP) + 0. Em relação à forma mais apropriada de produzir as mudas desta espécie. não só haveria redução de custos pela falta da necessidade de usar reguladores vegetais. 2009 29 . estudando a germinação de sementes de mangaba. Gonzaga Neto et al. citado por Ferreira (1973). constatou-se bom desempenho das plantas em bagaço de cana e areia lavada na proporção de 1:1. constatou que o poder germinativo das sementes cai rapidamente entre o quarto e o oitavo dia após sua retirada dos frutos. havendo variação na percentagem de acordo com o período de secagem e condições de armazenamento. Também foi possível verificar que as sementes embebidas em água apresentaram uma maior percentagem de germinação em relação às não embebidas (Capinan. (2002). Efeito das concentrações da bezilaminopurina (BAP) na frequência de explantes com brotações de jenipapeiro. e do armazenamento por 72 horas sob condição de refrigeração na germinação e índice de velocidade de emergência. 15 Frequencia de brotações (%) 10 5 0 0. embriogênese somática. Os resultados observados. não observaram influência significativa do dessecamento.1 e 1.

0 mg L (BAP)+ 0. 1962) suplementado com 1. 2. dentre outras.46 Taxa de multiplicação 0.desenvolvidas neste meio de cultura foi satisfatório. não apresentaram raízes. 0. v. Apesar dos resultados promissores quanto ao número de brotações. Cruz das Almas.0 mg L (BAP)+ 0.25 mg L (AIA) -1 -1 1. razão pela qual a conversão em planta também é reduzida. sendo considerado internódio 1 aquele mais próximo ao sistema radicular. independente da posição do segmento internodal. Regeneração in vitro de plantas de mangabeira. segmentos de epicótilo foram numerados de acordo com a proximidade em relação ao ápice.88 A 0. 3 e 4 aqueles mais próximos ao ápice caulinar. 2009 . a partir de segmentos de epicótilo em de cultura MS (Murashige & Skoog.33 C 0.0 mg L-1 de BAP e 0. Combinações de reguladores vegetais acrescidas no meio de cultura MS (Murashige & Skoog.00 mg L (AIA) -1 -1 1. Geralmente os trabalhos in vitro estão voltados para testes de germinação.28 C 25. onde as mesmas apresentaram comprimento em torno de 5.25 mg L-1 (AIA).23 C 0.03 D 29.0 mg L (BAP)+ 0.50 mg L (AIA) -1 -1 2.23 A 0. 1962) suplementado com BAP (0. 2003.0 mg L-1) e AIA (0.24 Valores seguidos da mesma letra na vertical não diferem entre si pelo teste de Tukey a 1% de probabilidade. Neste sentido.0 cm e 4 a 5 pares de folhas opostas. As taxas de multiplicação obtidas neste trabalho podem ser consideradas baixas.0 mg L (BAP)+ 0. Número de explantes intumescidos e taxa média de multiplicação (brotos por explantes) de mangabeira.25 mg L (AIA) -1 -1 2.50 mg L (AIA) CV (%) -1 -1 Explantes intumescidos 0.50 mg L-1). 1.25 ou 0. em função do meio de cultura MS (Murashige e Skoog. 1962). 30 Tópicos em Ciências Agrárias.0. a capacidade de enraizamento tanto in vitro como ex vitro da mangabeira. 0.56 B 0. Este fato possivelmente deve-se aos poucos trabalhos. Verificou-se que a combinação de 1.0. como o relatado por Pinheiro et al. Tabela 1. banana.13 C 0.63 B 0.0 mg L (BAP)+ 0. Figura 2.28 C 1. realizados com a fruteira em estudo.0 mg L-1 (BAP) + 0. conforme se observa na Figura 2. buscando discriminar a existência de zonas com maior potencial organogênico que favoreça o enraizamento.25 mg L-1 de AIA realmente é aquela que proporciona melhor resposta dos explantes de mangabeira na indução de brotações. 1. (2001). UFRB.0 ou 2. desta natureza. quando comparadas com aquelas fruteiras que já possuem protocolos de regeneração de plantas in vitro definidos. citros. é baixa. tais como abacaxi. no entanto.

). nutrientes e oxigênio. recomenda-se utilizar sacos de 0. Os melhores resultados para a maioria das características avaliadas foram obtidos com a utilização do tubete de polipropileno rígido em substrato Citrus 1. As sementes podem ser colocadas para germinar diretamente em sacos de polietileno não reciclado de 30 x 18 cm e 12 m de espessura. mineral (vermiculita. xaxim. fenômeno que depende de outros fatores. (1995) destacaram que os processos de propagação mais utilizados no cajueiro são a alporquia e a enxertia. 1997). serragem etc.) e artificial (espuma fenólica. perlita. isopor etc. capacidade de troca catiônica. Corrêa et al. O uso de tubetes artesanais biodegradáveis produzidos a partir de fibra de sisal (Agave sisalana).40 x 0. independentemente do tubete utilizado. 2009 31 . as sementes devem ser coletadas em frutos provenientes de árvores de boa produção e frutos de alta qualidade. 1. Nesse tipo de propagação. observando-se efeito significativo do substrato Citrus 1. O substrato atua como se fosse o solo fornecendo à planta sustentação. UFRB. Cultura da jaqueira (Arthocarpus integrifolia) A jaqueira tem sido propagada tradicionalmente por sementes. 2001). disponibilidade. sob condição de viveiro telado. com maior sobrevivência dos enxertos. não satisfazendo portando os interesses dos consumidores de caju. as plantas oriundas a partir desse processo apresentam uma grande variação na produtividade. blocos de fibra. aeração. o de folha de taboa destacou-se pelo seu menor custo de confecção e boa resistência ao manuseio e transporte da muda. A manutenção das sementes em água durante 24 horas melhora a germinação e por 48 horas em ácido giberélico resulta em 100% de germinação. devido a desuniformidade das fases de desenvolvimento. vasos de barro. bagaços. O uso destes recipientes depende do tipo e do local onde a muda será produzida. água. vegetal (tortas. plástico e fibra. mas afeta o vigor da plântula (Carvalho & Nakagawa. mostrou que substratos existentes no mercado possibilitam a produção de porta-enxertos mais vigorosos. A germinação ocorre dentro de três semanas e quando as mudas apresentarem 30 cm de altura podem ser plantadas definitivamente. A produtividade e a qualidade dos frutos produzidos em pomares de “pé-franco” são bastante variáveis. O tamanho das sementes é um dos fatores que pode influenciar a germinação e o vigor das plântulas. podendo ser de diversas origens. esterilidade biológica. O custo final médio da muda usando tubete artesanal biodegradável foi superior em 13 %. Entre os tubetes artesanais biodegradáveis. Em geral. para produção de mudas de cajueiro anão precoce em diferentes substratos (composto do lixo urbano. Os substratos vermicomposto e composto do lixo urbano proporcionaram menor desenvolvimento das mudas.). o que inviabiliza a exploração comercial racional de pomares assim estabelecidos. v. No preparo de mudas para porta-enxerto. além de proporcionar boa agregação das raízes aos substratos e facilidade de retirada das mudas dos tubetes de polipropileno rígido. pois as mesmas perdem gradativamente a viabilidade.). apresentam em geral baixa qualidade fitossanitária e agronômica. a exemplo da viabilidade da semente. refletindo em sua história as dificuldades de acesso dos produtores a mudas enxertadas com materiais apropriados e economicamente viáveis (Cavalcante Júnior & Chaves. O tubete de fibra de sisal apresentou problemas de baixa retenção de umidade nos substratos. devendo-se considerar os benefícios da sustentabilidade e geração de emprego para indicar a sua utilização. a exemplo de caixas de madeiras.30 m considerando-se a necessidade de permanecerem por maior tempo no viveiro. a exemplo de animal (esterco. recipientes metálico e sacos de polietileno. teor de nutrientes. 1980). necessitando aumento do suprimento hídrico e o tubete de palha de banana apresentou maior grau de degradabilidade. fibra da folha de taboa (Typha dominquensis) e palha de bananeira (Musa sp). bem como no período de colheita (Luna. Os resultados na literatura não são consistentes e muitas vezes conflitantes. retenção de umidade e uniformidade. húmus etc. forma e qualidade dos frutos. Os principais fatores determinantes na formação de uma muda são o substrato e o recipiente. os estudos mostram que o tamanho da semente não tem influência sobre a germinação. porém com características suficientes para atender às exigências mínimas da altura e diâmetro do caule para a enxertia no período de 30 dias após emergência. vermicomposto e substrato comercial Citrus 1) mostrou que a porcentagem de germinação e o índice de velocidade de emergência foram influenciados pelo substrato. Entre as características desejáveis de um substrato. Como a polinização é cruzada. areia etc. o que favorecerá o desempenho futuro da planta. no tamanho.Cultura do cajueiro (Anacardium occidentale) A propagação de cajueiro por sementes (pé-franco). experimento realizado por Silva (2002). Estes pomares improdutivos estabelecidos com altos custos. O tamanho da semente tem efeito Tópicos em Ciências Agrárias. pode-se citar o custo. plástico e metal. Hartmann & Kester (1994) relacionam vários tipos de recipientes que podem ser usados na propagação e cultivo de plantas jovens. da estrutura do viveiro e de uma criteriosa análise de custo. Recomenda-se selecionar as sementes maiores e semeá-las o mais breve possível. Visando a produção de mudas de cajueiro anão precoce. devendo estes proporcionarem um bom desenvolvimento à muda enquanto esta permanecer no viveiro. tem como resultado plantas com características diferentes no que diz respeito ao fenótipo e genótipo.

) sobre a emergência de plântulas. C. 1999. F.5% com a garfagem em inglês simples. A.. ANDRADE. S. v. mar. ALMEIDA. a propagação da jaqueira pelo método da alporquia apresentou 90% de pegamento. D. (1998) e trabalhos realizados por Machado et al. O trabalho desenvolvido com sementes de diferentes massas: pequenas (2.11 17. podendo atingir até 20 m de altura. No entanto...000 mg kg-1 de ácido indolbutírico e mantidas sob nebulização. (1992). REFERÊNCIAS ALMEIDA. v. Transformação genética de plantas.SPI.99 g) proporcionaram maiores índices de velocidade de emergência. são relatadas experiências bem sucedidas de enraizamento de estacas tratadas com 5.pronunciado sobre o crescimento inicial das plantas. BRASILEIRO. Cultura do jambeiro (Eugenia malaccensis) O jambeiro vermelho. 2000. p. diminuindo a intensidade à medida que a planta se desenvolve (Carvalho & Nakagawa.Os maiores valores para altura de plantas. originário da Índia e de algumas ilhas da Malásia pode ser propagado por sementes ou vegetativamente.1 a 20. BORGES. substrato e morfologia do desenvolvimento pós-seminal. 1079-1080. NUNES. J. 1994.. DUSI.0 g) mostrou que influência da massa da semente no número de dias para início da germinação. que iniciaram a germinação aos 23º dias. SIMÓN-PÉREZ. CALDAS. R. como substrato. 1994.0 g) e grandes (14. Salvador. peso fresco e seco da parte aérea foram observados em sementes grandes. J. (Ed. Os garfos para enxertia são obtidos das jaqueiras selecionadas e após remoção das folhas devem ficar com 10 a 15 cm de comprimento. n. com polpa branca. porém. BUSO. sementes grandes (7. 1.0 a 8. No processo de enxertia podem ser utilizados como porta-enxerto a própria jaqueira e também o champedaque (Artocarpus integer) com um ano de idade. vermelhos. S. ALMEIDA. PLIEGO-ALFARO. Tissue and Organ Culture. A.. 32 Tópicos em Ciências Agrárias. G. C. matéria orgânica de origem vegetal (húmus) bem decomposta e a aplicação de pasta de lanolina contendo fitohormônio (ácido indolbutírico). médias (8.). D. sendo que sementes grandes apresentaram valores superiores em relação às sementes pequenas e médias. com enraizamento aos 60 dias. Brasília. G. 35. P. et al. p. garfagem (fenda lateral) e encostia.0%. 3. não havendo diferença significativa entre as classes de sementes. utilizando-se. L. Trabalho desenvolvido por Dantas et al. L. Indução de brotações em explantes de segmentos de folhas de plântulas de urucueiro em diferentes citocininas. v. A. Apresenta porte elevado. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. Pesquisa Agropecuária Brasileira.2 a 95. Quanto à estaquia. A. Ciência Rural. trabalhos realizados por diversos autores com diferentes espécies mostram influência do tamanho da semente tanto no vigor quanto na germinação. M. pelos métodos de borbulhia em placa. F. A. Sampaio (1986) obteve 57. 13. faz-se necessário o estudo de métodos de propagação para o seu cultivo. utilizados para consumo in natura ou obtenção de doces em compotas ou licores. p. conforme citações de Andrade et al. C. Germinação de sementes de jenipapo: temperatura. Os frutos são ovóides. C. Plant Cell. de A.99 g) e médias (5. Cultura de tecidos e transformação genética de plantas. pois o extrativismo dos frutos ocupa um lugar de destaque na composição da renda familiar de pequenos agricultores. Brasília: Embrapa..58. M. L. 3. F. A percentagem de germinação variou de 81. Efeito do armazenamento de sementes de jenipapo (Genipa americana L. UFRB.1 a 8.. v.. A propagação assexuada da jaqueira pode ser realizada pelos métodos de enxertia e estaquia. 1996.. ENSINA. Micropropagation of adult avocado.45-49. Salvador: SBF.CNPH..0 a 6. E. v. 2009 . et al. J. significativamente superior ao observado para sementes pequenas. p. Por ser uma planta exótica e pouco explorada comercialmente. De acordo com Lederman et al. (2000). (1994). C.0 g).. In: TORRES. BARCELÓ-MUÑOZ. A. M. Embrapa. com sementes grandes germinando aos 16º dia após a semeadura.5% de pegamento com o método de garfagem em fenda cheia e 67. mostrou que o tamanho das sementes não influenciou na germinação. A massa da semente influenciou o índice de velocidade de emergência.26. Resumos. copa de forma cônica e ramificações abundantes. 1980).1 a 14.

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CAPÍTULO 4
DINÂMICA DO CRESCIMENTO VEGETAL: PRINCÍPIOS BÁSICOS

Clóvis Pereira Peixoto & Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto

Tópicos em Ciências Agrárias

DINÂMICA DO CRESCIMENTO VEGETAL: PRINCÍPIOS BÁSICOS

Clóvis Pereira Peixoto1; Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto1
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Professor - Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas/UFRB, Cruz das Almas-BA. E-mail: cppeixot@ufrb.edu.br

INTRODUÇÃO A dinâmica do crescimento vegetal pode ser acompanhada por meio de fórmulas matemáticas, sendo o primeiro passo utilizado para quantificar a produção vegetal, possibilitando avaliar a contribuição dos diferentes órgãos no crescimento final das plantas. Sua principal vantagem está na obtenção de informações a intervalos regulares, sem a necessidade de laboratórios e/ou equipamentos sofisticados, uma vez que as informações necessárias para levar avante tais análises, são a massa da matéria seca (fitomassa) da planta e a dimensão do aparelho fotossintetizante (área foliar). Nos estudos ecofisiológicos das plantas não se pode prescindir da análise de crescimento, pois, os fatores ambientais como luz, temperatura, concentração de CO2 e a disponibilidade de água e nutrientes, próprios de cada local, afetam sensivelmente a taxa assimilatória líquida, a taxa de crescimento relativo, a razão de área foliar etc., destas plantas. Através do estudo das interações destes parâmetros com cada fator ambiental, em particular, e/ou estádio de desenvolvimento da planta, podem ser conhecidas a eficiência do crescimento e a habilidade de adaptação às condições ambientais em que estas plantas crescem. Portanto, independente das dificuldades inerentes ao conhecimento da complexidade que envolve o crescimento das plantas, a análise quantitativa do crescimento é uma ferramenta e o meio mais acessível e bastante preciso para avaliar o desenvolvimento vegetal e a contribuição de diferentes processos fisiológicos sobre o seu desempenho, nas diferentes condições agroecológicas a que são submetidos. A tecnologia de exploração de plantas envolve a aplicação de diversas ciências. Na Agronomia, a horticultura e a silvicultura, entre outras, são disciplinas que utilizam conhecimentos provindos da Botânica, da Edafologia, da Mecânica, da Zoologia (pragas), da Climatologia e de outros setores do conhecimento, visando a produção agrícola que decorre do crescimento e desenvolvimento das plantas. Um controle da produtividade das plantas só é possível, pois, conhecendo-se os fatores que atuam sobre o crescimento e desenvolvimento nos vegetais. Este trabalho visa atender aos iniciantes no estudo da Fisiologia Vegetal e, em particular, aos alunos dos cursos de Agronomia e áreas afins, sendo esta, uma revisão simplificada sobre a dinâmica do crescimento e desenvolvimento das plantas, permitindo que o leitor tenha uma noção básica geral e, caso queira aprofundar o conhecimento, poderá utilizar-se das bibliografias sugeridas e/ou buscar aquelas mais específicas. CONCEITOS BÁSICOS A análise quantitativa de crescimento tem sido usada por pesquisadores de plantas, na tentativa de explicar diferenças no crescimento, de ordem genética ou resultante de modificações no ambiente. Sua aplicação torna-se apropriada quando são usados conceitos básicos de análise de crescimento e os critérios essenciais para a obtenção dos dados. Crescimento - Aumento irreversível de algum atributo físico, especialmente do material protoplasmático (Reis & Muller, 1979). Pode-se medir a massa, tamanho ou volume, a depender: a) do objetivo do experimentador, b) da disponibilidade do material a ser estudado e c) da disponibilidade do equipamento para efetuar a medida. Muitos autores restringem o termo crescimento aos processos de divisão e alongamento celular. Crescimento, entretanto, nem sempre significa um aumento de tamanho (Felippe, 1985). Assim, alguns organismos utilizam materiais de reservas para produzir novas células, havendo multiplicação celular sem, contudo, aumento em extensão, o qual se dá por vacuolização. Tanto é que, em “déficit hídrico”, o crescimento em extensão é o mais sensível, pois depende da pressão de turgor. Desenvolvimento - Diferentes etapas por que passa o organismo ou o vegetal (germinação, juvenilidade, maturação,
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reprodução, senescência e morte). O desenvolvimento é caracterizado pelo crescimento e por mudanças na forma da planta, as quais ocorrem por meios de padrões sensíveis de diferenciação e morfogênese. Diferenciação - Aumento em complexidade. Diz respeito a todas as diferenças qualitativas entre células: especialização de células e tecidos para funções particulares durante o desenvolvimento. Os tecidos diferenciam-se em sistemas vasculares (floema e xilema), de reservas, preenchimentos e síntese (parênquimas), entre outros. Através da fenologia (estudo dos fenômenos periódicos da vida em relação às condições ambientais), pode-se observar que o crescimento e o desenvolvimento de um organismo resultam da ação conjunta de três níveis de controle (Lucchesi, 1987): a) Controle Intracelular - Controle genético - envolve as características da planta que ela carrega em sua bagagem genética. A atividade celular depende da ação gênica para a síntese protéica e enzimática. Estes conhecimentos são muito utilizados em programas de Biotecnologia. b) Controle Intercelular - envolve as substâncias reguladoras; os hormônios, compostos orgânicos não nutrientes, de ocorrência natural, produzidos na planta que, em baixas concentrações promovem, retardam ou inibem processos fisiológicos e morfológicos. Os reguladores vegetais possuem as mesmas pro-priedades, sendo, porém exógenos. Suas atuações acontecem ao nível de gene, portanto, são capazes de promover as mais variadas modificações nos vegetais (Castro & Vieira, 2001). As principais classes de hormônios vegetais são as Auxinas, Giberelinas e Citocininas (promotores), o Etileno (ligado a senescência) e o Ácido abscísico (Inibidor). Alguns reguladores sintéticos como a Hidrazina maleica, têm ação inibidora. Enquanto outros, como o Daminozide (SADH) e Chlormequat (CCC), agem como retardadores do crescimento com ação no meristema subapical sobre a síntese de auxína e giberelina, respectivamente. c) Controle Extracelular - É o controle ambiental. Seriam as condições do ambiente onde está inserido o vegetal, pois seu desenvolvimento depende de vários componentes ambientais como: luz, temperatura, água, sais minerais etc. Estão envolvidos fatores do meio físico (climáticos e edáficos) e fatores do meio biológico (pragas, doenças, plantas daninhas, animais e o homem). O ambiente, constituído do Biótopo (lugar onde há vida) e da Biocenose (conjunto dos seres vivos), afeta a morfologia, o crescimento e a reprodução vegetal, através dos fatores climáticos (altitude, latitude, vento, temperatura, luz e água) e edáficos (topografia, propriedades físicas: textura, estrutura, profundidade e permeabilidade e propriedades químicas: fertilidade, pH e matéria orgânica). Como pode-se observar, o desenvolvimento da planta como um todo, é um processo complexo que envolve fatores externos e internos, compreendendo o crescimento e a diferenciação. O crescimento reflete um aumento em tamanho e peso (massa), sendo, por isto, um processo quantitativo. A diferenciação é um processo qualitativo que pode ser observado, mas não medido, constituído por modificações internas e externas na forma e posição relativa de várias partes da planta durante seu ciclo de vida. As técnicas de análise de crescimento foram desenvolvidas no início do século XX, por investigadores britânicos (Blackman, 1919; Briggs et al., 1920; West et al., 1920), que além de apresentarem as fórmulas de análise de crescimento, suas derivações e condições necessárias para seu uso correto, discutem alternativas e métodos que envolvem uma descrição matemática do peso da matéria seca e da área foliar em função do tempo, seguida de cálculos de diferentes parâmetros de crescimento. O fundamento dessa análise é a medida seqüencial da acumulação de matéria orgânica na planta, sendo que a sua determinação é feita, normalmente, considerando a massa da matéria seca ou a sua fitomassa (Magalhães, 1985). Entretanto, devido ao fato deste procedimento ser destrutivo, as plantas tomadas como amostra a cada tempo, devem representar a população em estudo. A medida da massa da matéria seca das diferentes partes da planta é simples e exige poucos equipamentos (réguas graduadas em milímetros, tesouras, paquímetro, estufas de aeração forçada, sacos plásticos, sacos de papel etc.). Isto é, não exige laboratório nem material sofisticado, o que é considerado uma vantagem da análise do crescimento Castro et al. (1984). Estas informações são obtidas a intervalos de tempo regulares, normalmente uma semana ou cada 14 dias para plantas de ciclo curto (Castro et al., 1984; Magalhães, 1985; Peixoto, 1995; Peixoto, 1998; Brandelero, 2001; Brandelero et al., 2002; Peixoto 2002; Benincasa, 2004 e Lima, 2006). A fim de que o crescimento total da planta possa ser estimado, as raízes devem ser consideradas como importantes componentes do vegetal. No entanto, em geral, a recuperação das raízes, principalmente no campo, pode se tornar um trabalho adicional, o que faz com que esta parte da planta seja desconsiderada nos cálculos de análise de crescimento. Por outro lado, em determinados vegetais, onde as raízes são responsáveis pela produção econômica, faz-se necessário que a tomada de suas medidas, seja em massa, volume, diâmetro ou tamanho.

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A determinação da superfície foliar é muito importante no que diz respeito a inúmeros parâmetros fisiológicos como a taxa de crescimento relativo, a taxa assimilatória líquida e o índice de área foliar, entre outros. A área foliar representa a matéria prima para a fotossíntese e, como tal, é de grande importância para a produção de carboidratos, óleos, proteínas e fibras. Basicamente, os parâmetros utilizados para medir o crescimento vegetal abordam a área foliar (AF ou L) e matéria seca (MS ou W) acumulada pela planta por representarem esses fatores a “fábrica” e o “produto final”, respectivamente (Peixoto, l995). Na prática, as principais medidas de W e L são o peso da matéria seca total (MST) e a área foliar total (AF) da planta. As fases de crescimento de uma planta ou de qualquer outro organismo vivo podem ser resumidas na Figura 1 e representam as modificações no tamanho, na massa ou no volume desse organismo, ou de qualquer órgão dele, em função do tempo. Neste tipo de curva, pode-se distinguir uma fase inicial de crescimento lento, passando posteriormente a uma fase exponencial e, em seguida, a uma de crescimento linear e um novo período de crescimento lento, com a paralisação eventual do processo.

CRESCIMENTO

IDADE DA PLANTA

Figura 1. Curva ilustrativa do crescimento sigmoidal de uma planta (Magalhães, 1985). A interpretação fisiológica dessas diferentes fases do crescimento pode ser compreendida da seguinte forma: a) No início, a planta depende das reservas da semente para a produção dos diferentes órgãos componentes. O espaço ainda não foi ocupado pelas plantas. Cada nova folha que é formada contribui para maior interceptação da luz. Não há sombreamento mútuo ainda e a contribuição das poucas folhas é semelhante. A taxa de crescimento relativa é constante e a cultura é principalmente vegetativa, caracterizando a fase exponencial. b) Após o desenvolvimento do sistema radicular e a expansão das folhas, a planta retira água e nutrientes do substrato em que se desenvolve e inicia os processos anabólicos dependentes da fotossíntese. As folhas serão gradualmente auto-sombreadas, aumenta o índice de área foliar (IAF), passando a uma fase de crescimento linear, com o maior incremento na taxa de matéria seca (MS). Quando água e nutrientes não são limitantes, o IAF poderá facilmente exceder o seu ótimo sem, contudo, significar maior aumento em fitomassa. c) Ao atingir o tamanho definitivo, a planta entra na fase de senescência, diminuindo o IAF, com menor interceptação da energia luminosa, resultando em decréscimo no acúmulo de matéria seca, com a translocação desta para os órgãos de reservas, e conseqüente degeneração do sistema fotossintético. Segundo Lucchesi (1987), um vegetal anual sob condições ecológicas adequadas, ocupa no período de crescimento, em termos de percentagem, 10% para germinar, 6% para emergir, 51% no grande período de crescimento (fase linear), 15% para a reprodução, 8% na maturação e 10% até a colheita. Portanto, durante o seu desenvolvimento, o vegetal ocupa, nas diferentes fases, diferentes períodos de crescimento, naturalmente afetados pelos fatores externos (fenologia) e os inerentes à própria planta. A análise do crescimento constitui uma parte da fisiologia vegetal em que se faz uso de fórmulas e modelos matemáticos para avaliar índices de crescimento das plantas, sendo muito deles relacionados com a atividade fotossintética (Benincasa, 2004). Como o crescimento é avaliado por meio de variações de tamanho de algum aspecto da planta, geralmente morfológico, em função da acumulação de material resultante da fotossíntese líquida, esta passa a ser o aspecto fisiológico de maior importância para a análise de crescimento. Exceções ocorrem como, por exemplo, o alongamento de caules por alta atividade auxínica, sob condições de ausência de luz (estiolamento). A fotossíntese líquida (FL) é definida como a diferença entre a fotossíntese bruta (FB -tudo que é literalmente produzido pela fotossíntese no interior dos cloroplastos) e o que é consumido pela respiração (R). Em algumas plantas, outro processo compete com a fotossíntese bruta: a fotorrespiração (FR). Portanto, FL = FB - (R + FR).
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esse material armazenado poderá ser utilizado diretamente pela respiração. como proteínas. v. Em direção ao nível B. promover adições de novos materiais. são produzidos os produtos primários (PP). de unidades estruturais é função do que a planta armazena (armazenamento I e II) e do que a planta produz em termos de material estrutural (nível B). No nível A. O crescimento da planta como um todo. de massa. de dimensões lineares. promover o crescimento. Fluxo de matéria e energia.nível B. na medida em que a planta cresça. lipídeos e demais componentes orgânicos produzidos pela planta . a partir do processo fotossintético (Benincasa. a fotossíntese bruta terá de ser bem maior para atender às necessidades metabólicas do material existente e. armazenado secundariamente (8) ou serão utilizados para promover aumento do material estrutural (9). Estes carboidratos poderão ser diretamente “queimados” pela respiração (3) e/ou. 1. Fotossíntese A 1 3 Respiração PP 4 2 Armazenamento I 5 6 Síntese de Material Metabólico e Estrutural B 7 Manutenção 9 8 Armazenamento II Crescimento C Figura 2. ocorra um aumento no processo respiratório. ainda. em termos de aumento de volume. eventualmente. mediante o processo fotossintético. que formarão inicialmente os açucares simples (monossacarídeos como glicose e frutose). a qual é utilizada para a manutenção do metabolismo vegetal e de todos os processos fisiológicos. UFRB. o caminho (5) constitui o fluxo de energia obtida pela respiração que será utilizada na síntese de novo material e (6) é fluxo de material armazenado que. em parte.nível C. isto é. 42 Tópicos em Ciências Agrárias. poderá ser mobilizado para as novas sínteses. no qual o esquema se apresenta em três níveis. conseqüentemente. Os compostos elaborados no nível B são. Em caso de estresses. resultando na liberação de energia armazenada nesses compostos. 2004). resultando em crescimento . 2009 .A respiração é um processo de combustão lenta dos carboidratos produzidos na fotossíntese. Na Figura 2 tem-se o fluxo de matéria e energia a partir da fotossíntese. é de se esperar que. ou podem ser armazenados (2) em formas mais complexas (dissacarídeos ou polissacarídeos como a sacarose e o amido). Portanto. e. basicamente carboidratos (1). utilizados para a síntese de material metabólico e estrutural (4). utilizados para manutenção do material já existente (7).

O crescimento pode ser acompanhado a partir da contagem de unidades estruturais morfológicas ou anatômicas (folhas. toma-se amostras de discos foliares. número e distribuição de células do parênquima clorofiliano. Fotocópias . a análise de crescimento atende àqueles pesquisadores que estão interessados em conhecer diferenças funcionais e estruturais entre cultivares de uma mesma espécie. superficiais. Coloca-se uma placa transparente sobre a folha (vidro ou plástico) para facilitar a operação. são feitas cópias heliográficas das folhas e do mesmo papel são retiradas figuras com formas em que a área pode ser conhecida (quadrado. Por interpolação das massas das figuras de áreas conhecidas e a massa da “impressão” recortada da folha.Medidor de área foliar. de forma a poder selecionálos para melhor atender aos seus objetivos ou mesmo utilizar a análise de crescimento no estudo do desenvolvimento vegetal sob diferentes condições ambientais. raízes e frutos) que podem fornecer informações sobre a fenologia e são. são as folhas.). Dimensões lineares (altura de planta. muitas vezes. (b) disponibilidade de material a ser estudado. 1. A área foliar é determinada por diferentes métodos. são as únicas possíveis. UFRB. obtendo-se diretamente a área foliar. relacionando a massa seca da área conhecida do disco com a massa seca da folha. círculo. usadas para detectar diferenças entre os tratamentos estabelecidos. volumétricas. Medidas de superfície . A partir dos dados de crescimento pode-se inferir atividade fisiológica. comprimento e largura de folhas etc.Medidas do crescimento A análise de crescimento permite avaliar o crescimento final da planta como um todo e a contribuição dos diferentes órgãos no crescimento total. o aparelho fotossintetizante é a superfície do caule e ramificações. de forma bastante precisa. componentes de instrumentos eletrônicos. Do ponto de vista agronômico. Pode-se fazer o contorno da folha. Os tipos de medidas a serem realizadas dependem de vários aspectos: (a) objetivos do experimentador. estimar-se. (c) disponibilidade de mão-de-obra. Dentre estes métodos. “de bancadas”. Massa seca de discos foliares . (d) disponibilidade de tempo do experimentador ou da equipe. em vez de se medir a folha inteira. comprimento e diâmetro de caule. acompanhadas ou não. Tópicos em Ciências Agrárias. em alguns casos. as causas de variações de crescimento entre plantas geneticamente diferentes ou entre plantas crescendo em ambientes diferentes. São muito úteis e. que ficam nos laboratórios. É mais comum usar-se a “impressão da folha” em um papel e usar o planímetro no contorno destas. definindo-se como área foliar. Número de unidades estruturais . dão importantes informações sobre as diferenças funcionais entre plantas ou interações destas com o ambiente. Para isso. Número e distribuição de estômatos. incluindo condições de cultivo. Existem os portáteis e os maiores. os órgãos vegetais responsáveis pela fotossíntese. de outras medidas destes órgãos.Estas medidas estão relacionadas com a determinação ou estimativa da superfície fotossinteticamente ativa da planta que. através da utilização de células fotoelétricas. quais sejam: lineares. Integra a área de qualquer material opaco. Uso de integradores . v. estima-se a área foliar. destaca-se: Uso do Planímetro . determina-se a área de uma das faces da folha. com raríssimas exceções. a medida dessa superfície. A maioria com alto grau de precisão. flores. retângulo etc. 2009 43 . de forma a subsidiar o processo de seleção de acordo com os objetivos do experimentador. (e) disponibilidade de equipamentos para executar as medidas. A superfície foliar é determinada diretamente ou estimada por meios indiretos. através de punções.Com um perfurador de área conhecida (de metal).A partir de contornos foliares impressos em papel. isto é. peso e número de unidades estruturais.) Estas medidas de dimensões lineares podem ser feitas em plantas intactas ou não. Em caso de plantas que não apresentem folhas funcionais. como algumas cactáceas. O crescimento de uma planta pode ser estudado através de medidas de diferentes tipos.Comparação da massa de uma área conhecida de papel com a massa dos recortes do perímetro das folhas.

com um número restrito para amostras. O teor de água é bastante variável a partir da colheita da planta. por exemplo: perda de água por transpiração (Reis e Muller. além do ciclo da planta e do seu hábito de crescimento. café. Tamanho da amostragem .É uma medida tridimensional.É a massa constante de determinada amostra. determina-se o valor médio das razões que será utilizado como fator de correção (F) para estimativa da área. Critérios de amostragem O tamanho da comunidade ou da área experimental (homogênea ou não) em estudo. Massa da matéria seca .É a massa do material em equilíbrio com o ambiente. 1. Na observância dos parâmetros que se quer medir (órgão da planta.). É muito trabalhoso. considerado mais preciso (envolve o “peso túrgido”). c) do número de amostragens a ser realizado durante todo o período de observação. relacionando-se o potencial osmótico (Yo). Se não houver diferenças estatísticas entre estas razões. sem. Muita das vezes é obtido por deslocamento de água em determinado recipiente graduado (proveta graduada). procura-se se limitar às plantas disponíveis e as medidas não deverão ser destrutivas. Apresentam a vantagem de serem métodos relativamente rápidos. Modelos matemáticos . espessura). a duração do ciclo. Entretanto. Massa da matéria fresca . calcula-se a razão entre a área foliar (AF) e o produto do comprimento pela largura (C x L) de cada folha medida (R = AF / C x L). A relação entre massa da matéria fresca e massa da matéria seca pode informar sobre o Teor de Água (TA) ou Teor Relativo de Água (TRA) nos tecidos. vão determinar os critérios para a tomada de dados. São exemplos. o que seria um indicativo do “status” de água na planta. leva-se em consideração os seguintes itens: o tamanho da amostragem e o intervalo de amostragem. Vai depender. Exige-se para tal. É muito usado quando se está interessado em produtividade. o matricial (Ym) e o potencial pressão (Yp): Ya = Yo + Ym + Yp. Por outro lado. v. existem exceções como é o caso de embebição de sementes. cuidando para que a visada seja feita em ângulo reto. o tipo de plantas a serem analisadas. a fim de evitar erro de paralaxe. que as folhas sejam simples. Deve-se avaliar dados de comprimento. 2009 . soja. 1978). pois se deve fazer várias repetições. Geralmente o crescimento da matéria seca é acompanhado pelo aumento do teor de água nos tecidos da planta. contudo. UFRB. não exigirem destruição do material e serem de ampla utilização em condições de campo. os objetivos do trabalho são de maior relevância na definição desses critérios. b) da área total a ser amostrada. Há também destruição do indivíduo. 1979). mandioca. Exemplo: Volume de frutos (imersão dos frutos em água para conhecimento de seu volume). Em folhas compostas. A desvantagem do uso de massa da matéria fresca (MMF) é conter algumas imprecisões como o tempo entre a colheita e a pesagem. largura. Indiscutivelmente. Para tanto. além de outros aspectos. Volume . Cada um destes métodos poderá ser usado em situações específicas. onde se denota aumento de volume. usa-se um modelo para cada folíolo de forma geométrica aproximadamente definida e que apresentem altas correlações com suas dimensões lineares ou peso seco (Reis et al. altura 44 Tópicos em Ciências Agrárias. numa dada temperatura (tecidos vegetais: mais ou menos 65 a 70 graus Celsius).A partir da área foliar obtida por integrador ou por outro método. Estabelecem-se os modelos matemáticos quando estas dimensões estão altamente correlacionadas.. a partir de medidas lineares como comprimento (C) e largura (L) da lâmina. da disponibilidade do material e do rigor científico do trabalho. seringueira. O mesmo poderá ser entendido para a área amostrada. de acordo com o tipo de planta usada. a planta inteira etc. principalmente dependente da umidade relativa do ar. sendo essencial que se use pontos pequenos. além de destruir o indivíduo.Método dos pontos . o hábito de crescimento.Desenvolvido por Bleasdale (1977). consiste no uso de uma placa de vidro ou papel transparente (material utilizado em radiografias) com pontos distanciados de 1. entre outras plantas.Refere-se ao número de plantas colhidas ou à vegetação que cobre uma determinada área de solo. desde o local da amostragem até o local de pesagem. aumento na massa seca. Se o número de plantas for restrito ou pequeno. em função do tipo da folha (forma. a amostra tenderá a ser pequena. A placa deve ser colocada sobre a folha. principalmente de três aspectos: a) do número de plantas disponíveis. de um número representativo de folhas.0 cm. pois é uma medida bem mais precisa que o peso da matéria fresca. usa-se também o potencial de água (Ya) como medida. tamanho.

os produtos estudados como volume. Intervalo de amostragem . O tipo de recipiente pode ser fundamental. Muitas vezes não há disponibilidade de plantas ou a área cultivada é pequena. de fruto. Normalmente. Normalmente. Caso contrário. Determinação em raízes . tomando uma conformação sigmóide. mas se tem necessidade de matéria seca. essas medidas tornam-se bastante viáveis. 2004). para não haver mascaramento. Neste caso. o número de plantas colhidas deverá ficar entre o mínimo de 10 e o máximo de 20. Quando há um interesse muito grande. Em déficit hídrico. quaisquer medidas que permitam uma avaliação do crescimento serão válidas. o intervalo não deverá ultrapassar 5 dias. em um número representativo e. intervalos de uma semana ou múltiplo da semana são estabelecidos. No caso de órgãos de armazenamento (raízes e caules subterrâneos). poderão ser medidas todas as plantas. v. Para plantas de até 130 dias. etc. Quando se tem uma área suficientemente grande que se possa colher um número maior de plantas ao acaso. as medidas podem ser feitas normalmente. Quando se trabalha com plantas envasadas. cuja soma deverá corresponder a uma fração significativa da área total. Entretanto. Também os organismos mostram uma conformação sigmóide. com base na média dessas medidas. Tópicos em Ciências Agrárias. embora seja melhor aumentar o número de áreas colhidas. (1984) e Magalhães (1985). que é preferível não executá-las.As medidas de raízes ou do sistema radicular são bastante difíceis de serem feitas. a exemplo do rabanete. aconselham para plantas de ciclo curto o intervalo de 14 dias durante o período de crescimento. é possível colher-se áreas maiores em menor número. Se a amostragem for por área e não por planta. Será determinado um número que permita se fazer todas as medidas previstas num mesmo período de observação (meio dia ou o dia todo). diâmetro de caule. é importante estabelecer a relação Raíz/Parte Aérea. mostram padrão sigmóide quando analisados no decorrer da vida da planta. neste caso. em todas as plantas. Podem ser medidos um ou dois aspectos listados para plantas intactas. uma vez que as remanescentes crescerão em ambiente diferente daquele previamente estabelecido. 1. número de flores. uma vez que valores abaixo de 10 podem induzir a erros e acima de 20.Este aspecto dependerá da disponibilidade de plantas e do tempo do pesquisador. devido eventuais limitações de espaço e/ou nutrientes ou acúmulo de produto final. Este tipo de amostragem só é possível quando se colhem plantas individuais. massa ou superfície. no caso de plantas envasadas ou em casa de vegetação ou ripado. Interações mútuas entre indivíduos impõem limitações ao crescimento e a curva de crescimento sofre uma inflexão. a não ser que se tenha mão-de-obra disponível para executar as medidas. Medidas do sistema radicular tornam-se mais importantes quando se trabalha com estresse hídrico e. Quando se tem uma área cultivada ou coberta por vegetação. número de folhas. não aumentam significativamente a precisão da amostragem (Benincasa. os dois critérios descritos são de difícil aplicação. principalmente quando se trabalha em condições de campo. o intervalo de uma semana é o mais recomendável (Benincasa. Enfim. altura. sendo comum o uso de tubos com altura e diâmetros diferentes e com conexões para permitir estudos de profundidade. número de células ou mesmo conteúdo de proteína. 2004). Considerando-se que a análise de crescimento usa medidas morfológicas ou anatômicas para inferir processos fisiológicos. Deve-se tomar cuidado com a seqüência de amostragens para que as plantas a serem retiradas em amostragens seguintes não estejam próximas das plantas que foram retiradas na amostragem anterior. respeitando o ciclo das plantas em estudo.). a imprecisão das medidas de raízes no campo é de tal ordem. Se o número for pequeno. bem como da área foliar (através das dimensões comprimento (C) x largura (L). a colheita de plantas será feita com base em uma amostragem prévia de plantas marcadas e intactas. 2009 45 . UFRB. para se determinar a gravidade do estresse.de plantas. Castro et al. Padrões de crescimento exponencial e sigmóide As células individuais ou órgãos apresentam potencialmente um crescimento ilimitado que obedece a um padrão exponencial. escolhendo-se o dia mais desejável. o qual é mantido para todas as amostragens feitas). No caso de plantas de ciclo curto. entretanto. existe toda uma metodologia para fazer estas avaliações. será colhido um número de plantas. a amostragem será com destruição de uma área mínima e representativa da área total e deverão ser respeitados alguns princípios usados para amostragens com destruição de plantas. é possível fazer-se uma estimativa a partir de medidas indiretas no campo (estima-se a superfície radicular ou a quantidade de raízes em um determinado volume de solo. podendo ser detectadas quase que integralmente.

passando posteriormente. Parâmetros de análise de crescimento Embora muitas vezes o pesquisador se depare diante de situações difíceis de serem explicadas quanto à complexidade do crescimento vegetal. Com isso. 46 Tópicos em Ciências Agrárias. a uma fase exponencial (de crescimento rápido. enquanto a eficiência fotossintética determina a taxa de juros (Leopold & Kriedman. O crescimento inicial dos organismos inclui uma fase exponencial de crescimento. ocorre um período de redução no crescimento. onde o embrião representa o capital inicial. O crescimento nestas condições segue a seguinte equação: Wt = Wo x e (1) sendo Wt. dependente da absorção das raízes e da atividade fotossintética.O crescimento de plantas superiores está na fase exponencial quando os acúmulos se processam continuamente. A B CRESCIMENTO (w) CRESCIMENTO SIGMÓIDE CRESCIMENTO EX PONENCIAL FIM DA FASE DE CRESCIMENTO ESPONENCIAL P/B dw dw . Só que no banco seu dinheiro rende ou vai crescer exponencialmente. Num gráfico semilogarítmico do peso da matéria seca em função do tempo. a curva que melhor expressa o crescimento é a sigmoidal. semelhante ao acúmulo de capital através da “taxa de juros compostos”. É semelhante a uma poupança. indica a “taxa de crescimento”. UFRB. Durante a fase inicial a planta depende fundamentalmente das substâncias de reservas da semente (período de crescimento lento). ou seja. 1979). 2009 rt . Esta redução do processo pode ser traduzida como uma paralisação na produção de matéria orgânica (Figura 3).tempo (área foliar) dt TEMPO (t) Figura 3. o crescimento exponencial é limitado.Peso seco da planta dt . O crescimento das células e de órgãos individuais seguiria um modelo exponencial caso não houvesse certas limitações no crescimento. Padrões de crescimento em planta: exponencial (A) e sigmóide (B) (Reis & Muller. fase linear). Neste caso. enquanto que no caso da planta. o embrião representa a participação inicial. podendo cessar com o final da senescência. Em seguida. 1. 1978). onde: t = intervalo de tempo e r = taxa de crescimento. definindo-se como a capacidade da planta adicionar matéria seca a si própria. ou ln Wt = ln Wo + r t. ln = logaritmo natural e e = base dos logaritmos naturais (2. r significa o índice de eficiência ou coeficiente de interesse. a equação (1) acima torna-se uma equação da linha reta: lnWt = lnWo + rt ln e (2) onde: Wo representa o crescimento inicial. ele procura utilizar uma “lógica” estabelecida com base em vários parâmetros. o crescimento depois de determinado tempo.7182). Assim. considerando que a análise de crescimento ainda é o meio mais acessível e bastante preciso para avaliar o crescimento e inferir a contribuição dos diferentes processos fisiológicos sobre o comportamento vegetal. enquanto a eficiência fotossintética lhe proporciona a aceleração. v.

É também chamado quociente de área foliar (West et al. descontando a respiração (mais a fotorrespiração nas plantas C3) ou taxa assimilatória líquida (TAL). Wl e W2 representam a massa da matéria seca nos tempos T1 e T2. Assim. 1920): RAF = L/W ou L1 + L2 / W1 + W2. v.lnW1) / (T2 -T1) = g g dia . deve-se aplicar a fórmula: R = C t / W t. Portanto. Taxa de crescimento absoluto (TCA) Para Reis & Muller (1979). Em trabalhos onde se faz necessário o cálculo dos valores instantâneos. Indica a variação de crescimento em um determinado intervalo de tempo.Wo/T = g dia-1. onde ln é o logaritmo neperiano. conforme mostra a Figura 4. ou um incremento de matéria seca neste intervalo de tempo. É apropriada para avaliação do crescimento vegetal. para a produção de matéria seca. podem ser utilizadas várias funções. taxa de crescimento absoluto é a variação ou incremento entre duas amostragens ao longo de um determinado período de tempo. ou nos dois. a taxa de crescimento relativo poderá ser obtida utilizando-se as equações: TCR = TAL x RAF ou TCR = lnW2 . isto é. e da taxa fotossintética bruta. em um intervalo de tempo (Reis & Muller. onde: C t = Taxa de produção de matéria seca total e W t = massa da matéria seca total. uma vez que conceitualmente. O quociente de área foliar varia com a Área foliar específica (AFE) e a Razão de massa de folha (RMF). Esta medida foi estabelecida por Briggs (1920). 2004). 1. Em valores médios.As medidas obtidas ao longo do ciclo da cultura. trata-se da taxa de crescimento relativo: TCR = dW/(dT x 1/W). em plantas intactas ou colhidas. indica a velocidade de crescimento (g dia-1 ou semana). onde: W = base em que se relaciona a TCA. 2009 47 . Magalhães (1985) considera a taxa de crescimento relativo como a medida mais apropriada para avaliação do crescimento vegetal. tem-se que a TCA = Wt . 1979). Segundo Benincasa (2004). Para tanto. usa-se: TCR = (lnW2 . As curvas de taxa de crescimento absoluto (TCA) e taxa de crescimento relativo (TCR) são distintas. É uma medida que pode ser usada para se ter idéia da velocidade média de crescimento ao longo do período de observação. para armazenar ou construir novo material estrutural. equações ou programas. a TCA indica variação ou incremento entre duas amostragens sucessivas. com a tendência da diminuição da área foliar útil ou fotossinteticamente ativa (responde pela interceptação da radiação luminosa e captação do CO2 na fotossíntese). UFRB. Segundo Benincasa (2004). a análise de crescimento estabelece que a taxa de crescimento de uma planta é função do tamanho inicial (período em que se inicia a observação). Razão de área foliar (RAF ou QAF) Representa a relação entre a área foliar (L) e o peso da matéria seca total da planta (W). implicará em alterações na RAF. como permite avaliar a tendência do crescimento em função dos tratamentos (Benincasa. A RAF declina enquanto a planta cresce. ainda. que é o próprio peso da planta. Taxa de crescimento relativo (TCR) Para os biologistas. Neste caso. são tabeladas de forma que possam ser analisadas por meio de fórmulas matemáticas e/ou graficamente. qualquer variação em um deles. W1 e W2 é a variação da massa da matéria seca em duas amostragens consecutivas tomadas nos tempos T1 e T2.lnW1 / T2-T1. Onde. A TCR varia ao longo do ciclo vegetal. A TCA pode ser usada para se ter uma idéia da velocidade média de crescimento ao longo do período de observação. que é dependente da quantidade de material acumulado gradativamente. A utilização de equações de regressão não só corrige as oscilações normais. TCA = (W2-W1)/(T2-T1) = g dia-1 ou semana.. Tópicos em Ciências Agrárias. expressa-se em cm2 ou dm2 g-1. em função do autossombreamento. todo crescimento resultará da produção de material suficiente para atender às necessidades metabólicas do material já existente e. A TCR expressa o incremento na massa de matéria seca. que é dependente da quantidade de material que está sendo acumulado. Para valores -1 -1 médios. é mais interessante expressar essa taxa de crescimento segundo uma base comum. por unidade de peso inicial. pois depende de dois outros fatores do crescimento: a área foliar útil para a fotossíntese ou razão de área foliar (RAF).

serve para estudos de comparação entre espécies e mede a eficiência de uma planta na produção de matéria seca. pois está relacionado com a composição interna formada pelo número e/ou tamanho de células do mesófilo foliar. mesmo na fase de crescimento exponencial das plantas. Portanto. Depende dos fatores ambientais. principalmente da radiação solar.dia-1. A superfície é o componente morfológico e a fitomassa é o componente anatômico. Taxas do crescimento absoluto (TCA) e relativo (TCR) no modelo sigmóide (Reis & Muller.LnL1 / T2 . assumindo que tanto L como W. é necessário que L e W estejam relacionados linearmente.dm-2. a RMF expressa a fração de matéria seca não exportada. que o restante da planta depende da exportação dessa fitomassa. Assim.t t Figura 4. 1987) e indica a eficiência de uma planta na produção de matéria seca. Taxa de crescimento foliar relativo (TCFR) Avalia o relativo crescimento da planta em termos de matéria seca formada na parte aérea. a TAL reflete a dimensão do sistema assimilador que é envolvida na produção de matéria seca. 1920). Considerando que as folhas são o centro de produção de matéria seca através da fotossíntese e. A TAL representa o balanço entre o material produzido pela fotossíntese e aquele perdido pela respiração (Pereira & Machado. No entanto. UFRB. Avalia a resposta do crescimento da planta às condições ambientais. v. Devido ao auto-sombreamento a TAL diminui com o aumento do IAF e. A razão de massa da folha se constitui numa componente fisiológica.. A área foliar específica relaciona a superfície com a massa da matéria seca da própria folha (AF/MSF). 1. É obtida através da equação: TCFR = LnL2 . Taxa assimilatória líquida (TAL) Representa a taxa de incremento de massa de matéria seca (W) por unidade de área foliar (L) existente na planta. pode-se utilizar a seguinte expressão: RAF = AFE x RMF. diminuindo os intervalos de tempo entre as amostragens. com o crescimento da comunidade vegetal. além das folhas. aumentam exponencialmente (West et al. 1979). podem ser levados em consideração para o cálculo da TAL que reflete a capacidade da planta em aumentar sua fitomassa em função de sua superfície assimilatória. relaciona-se com a eficiência fotossintética da planta de modo generalizado. para que haja precisão total da fórmula. a produção econômica está sob outros controles e não necessariamente relacionado com a eficiência fotossintética. 2009 . Segundo Magalhães (1985).W1)(lnL2 . mais precisamente nas folhas (área foliar) em função do peso inicial. ou seja. a taxa assimilatória líquida deve ser aplicada quando existe uma correlação linear entre a área foliar e a matéria seca total. Outros órgãos fotossintéticos. Podese minimizar os erros. já que é razão de massa de matéria seca retida nas folhas e massa de matéria seca acumulada na planta (MSF/MSP). É também chamada de Taxa de 48 Tópicos em Ciências Agrárias. Ou seja. conseqüentemente. em determinado intervalo de tempo.L1)(T2-T1) Para Benincasa (2004). é uma estimativa da fotossíntese líquida. Expressa-se em g. Entretanto. sendo AL = (W2 .lnL1) / (L2 . isto não é rígido.T1 Representa o aumento de área foliar em um determinado período de tempo.

é muito importante para a produção de carboidratos. se o interesse é a produtividade econômica (produto comercializado. O IAF pode variar com a população de plantas. constituindo o somatório das taxas de crescimento dos diversos componentes das plantas (Reis e Muller. Os termos da equação possuem o mesmo significado da taxa assimilatória líquida (TAL). v. portanto. especialmente. Brandelero. separação vertical e arranjo horizontal e pela absorção por estruturas não foliares. O IAF representa a área foliar total por unidade de área do terreno.0 a 5. distribuição de plantas e variedades. Representa a quantidade total de matéria seca acumulada por unidade de área de solo ou outro substrato (vegetação aquática.0 significa 2 m2 de área foliar (AF) ocupando 2 m2 de solo ou de outro substrato (S): IAF = AF / S. Um IAF igual a 2. O ângulo foliar é um parâmetro importante na produção. sendo. Assim. A taxa de crescimento da cultura ou a taxa de produção de fitomassa de uma comunidade vegetal avalia a produtividade primária líquida. Índice de área foliar (IAF) A área foliar de uma planta constitui sua matéria prima para fotossíntese e. podendo ser expressa apenas como: TCFR = lnL2 . 1978.. pecíolos. deseja-se um IAF ótimo) ou a produtividade biológica (fitomassa total. por que a taxa de crescimento da cultura pode ser obtida por: TCC = TAL x IAF (g m-2 dia-1). representa a área ocupada pela cultura no substrato disponível. b) o IAF deve atentar para os objetivos que controlam o cultivo da planta. por exemplo. Pereira & Machado. 2002). A análise de TCFR segue o mesmo raciocínio observado com o parâmetro taxa de crescimento relativo (TCR). A cobertura fotossintética em uma comunidade tem sido expressa por um número puro (admensional). Isto por que: a) durante o crescimento da comunidade vegetal o IAF deve ser suficiente para interceptar o máximo de luz. Tópicos em Ciências Agrárias. UFRB. como pseudocaules. quando interessa um IAF máximo). em virtude de relacionar mais a parte aérea e não a planta como um todo. outras partes do vegetal devem também ser integradas à área foliar. Existe um IAF ótimo para cada cultura. ângulo de inserção e orientação azimutal. uma medida análoga da taxa de crescimento relativo (TCR). lipídeos e proteínas. o crescimento das plantas é fortemente influenciado pelo tempo em que é mantida ativa sua superfície foliar. É a taxa de produção de matéria seca (TPMS) de uma comunidade vegetal. A interceptação de luz por uma superfície foliar é influenciada pelo seu tamanho e forma. 1998. Este conceito é básico para análise de crescimento em comunidade de plantas ou na interceptação de luz e. resultante da área foliar (L) e da área do terreno ou substrato (S). diferenciando-se deste. ele apresenta interações com a TAL e a produtividade.lnL1 ou ainda pode ser empregada a seguinte fórmula: TCFR = TAL x RAF. O índice de área foliar é computado em diferentes estádios de crescimento e é muito variável entre plantas e entre épocas de amostragens.crescimento relativo de folhas (TCRF). Ele avalia a capacidade ou a velocidade com que as partes aéreas do vegetal (área foliar) ocupam a área de solo ou de um outro substrato disponível àquele vegetal. brácteas etc. ou caso se trate de cultivo hidropônico).T1) onde S. que varia geralmente de 2. 1987. 2001 e Brandelero et al. Expressa-se em g m-2 dia-1 e é obtida através da equação: TPMS = (W2 . em um determinado tempo. como tal. folhas eretas são mais eficientes para a fotossíntese máxima. Duração de área foliar (DAF) O aparelho assimilatório das plantas é constituído pelas folhas que definem a produtividade do vegetal. Tal característica é definida pela duração da área foliar: tempo em que é mantida fotossinteticamente ativa a superfície foliar.W1) / S / (T2 . Taxa de crescimento da cultura (TCC) Parâmetro considerado o mais importante em fisiologia da produção e empregado para comunidades vegetais. Peixoto. quando o IAF é grande. Isto é. o índice de área foliar (IAF). Em determinadas circunstâncias.0. além das folhas. Mesmo sendo o IAF a simples razão L/S. para informar sobre o desempenho de folhas individuais. 1. Funciona como indicador da superfície disponível para interceptação e absorção de luz. pois reduz o auto-sombreamento. 2009 49 . A forma cônica de planta induz um maior potencial produtivo que a globosa.

são apresentados dados de nove cultivares de soja recomendados para a Região Oeste da Bahia e que foram avaliados nas condições agroecológicas do município de Cruz das Almas-BA. A eficiência de conversão de produtos sintetizados (matéria seca total ou produtividade biológica) em material de importância econômica (produto comercializado ou produtividade econômica) é determinada pelo genótipo e pelo ambiente. parece lógico supor-se que. tendo 220 m de altitude. a sua carga genética. raiz. Aw a Am. 1. também a outros fatores intrínsecos de cada cultivar. próximo ao daquele (8. Observa-se o incremento da matéria seca (Figura 5) e a variação da superfície foliar (Figura 6). mas. 2009 . descontando-se 0. Nota-se que o cultivar Conquista.5).2g). 50 Tópicos em Ciências Agrárias. que foram ajustados no tempo pela função polinomial exponencial. UFRB. segundo a classificação de Köppen. como por exemplo. conforme o cultivar. dependendo do seu uso. As culturas apresentam IC diferenciados. A duração da área foliar pode ser expressa da seguinte forma: DAF = ½ (L1 + L2) (T2 . em relação ao cultivar Liderança (3.00 Apresentação de dados Como exemplo da utilização prática da análise de crescimento. com nove cultivares (tratamentos) e quatro repetições. O delineamento foi em blocos casualizados.0 m de comprimento e 0.5ºC e precipitação pluviométrica de 1.20 0. sendo que estes apresentaram tendência parabólica para todas as curvas. Em relação a uma cultura madura.3g).63 1. Pereira & Machado (1987) encontraram correlação positiva entre a produtividade econômica e a DAF na cultura do feijoeiro. Portanto. Verifica-se a tendência sigmoidal para as curvas obtidas dos cultivares avaliados (Figura 5). O clima é tropical quente úmido. O experimento foi conduzido no campo experimental da Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia.23 0. fruto) e a fitomassa seca total colhida: IC = MSFEP / FSTC ou IC = PE/PB.6). Tabela 1. Produto comercializado (PE) Sacarose Todos os açúcares Bagaço Vinhaça + cinza Fonte: Lucchesi (1985). Na Figura 6 encontra-se o desempenho dos cultivares de soja quanto ao índice de área foliar.224 mm/ano.Sendo a fotossíntese o processo responsável pelo fornecimento da energia para o crescimento e desenvolvimento das plantas. Essas projeções das curvas são características de culturas anuais a exemplo das encontradas por Pedro Júnior et al. sendo que cada unidade experimental foi composta de oito linhas de plantio com 5.50 m de bordadura nas extremidades. maior será a produtividade biológica da cultura. a DAF nada mais é que a integral do IAF contra o tempo.50 m entrelinhas.T1) e a sua unidade em dm2 dia-1. Duas linhas foram utilizadas para o estudo da análise de crescimento (amostras destrutivas). Índice de colheita (IC) Pereira & Machado (1987) fazem referência ao índice de colheita como um quociente freqüentemente usado para medir a eficiência de conversão de produtos sintetizados (PB) em material de importância econômica (PE). semelhantes aos relatados por Gazzoni (1974) e Peixoto (1998). situado a 12o40'19" de Latitude Sul e 39o06'22" de Longitude Oeste de Greenwich. obteve o valor de matéria seca total da planta (8. Peixoto (1998) e Brandelero et al. localizado nesse município. Diferentes produtos comercializados e índices de colheitas na cana-deaçúcar. mesmo apresentando menor IAF ótimo (2. (2002). Índice de colheita (IC) 0. O objetivo é obter variedades com alto IC em alta densidade populacional. com temperatura média anual de 24. quanto mais rápido a cultura atingir o máximo do IAF e quanto mais tempo a área foliar permanecer ativa. Pereira & Machado (1987). v. A densidade de plantio foi de 15 plantas por metro linear. A cana-de-açúcar é um bom exemplo (Tabela 1). o IC define-se como a razão entre a massa da matéria seca da fração econômica produzida (grão. (1985). demonstrando que a eficiência fotossintética não fica restrita apenas à superfície foliar.

Variação do índice de área foliar (IAF) dias após a emergência (DAE) dos cultivares de soja introduzidos nas condições agroecológicas de Cruz das Almas .Média 18 15 12 9 6 3 0 0 MATÉRIA SECA (gplanta ) Ajuste 18 15 12 9 6 3 0 Celeste Conquista 18 15 12 9 6 3 0 Curió 15 30 45 60 75 90 105 18 0 15 30 45 60 75 90 105 18 15 12 9 6 3 0 0 15 30 45 60 75 90 105 -1 18 15 12 9 6 3 0 0 18 15 12 9 6 3 0 0 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 Liderança Paiaguás Parecis 15 12 9 6 3 0 0 18 15 30 45 60 75 90 105 0 18 15 12 9 6 3 0 15 30 45 60 75 90 105 Tucano Uirapuru Rio vermelho 15 12 9 6 3 0 0 15 30 45 60 DAE 75 90 105 0 15 30 45 60 75 90 105 Figura 5. 4 Conquista 3 2 1 0 0 4 IA F (dm dm ) 3 2 1 0 0 4 Tucano 3 2 1 0 0 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 4 Curió 3 2 1 0 0 4 3 2 1 0 0 4 Uirapuru 3 2 1 0 0 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 4 3 2 1 0 0 4 3 2 1 0 0 4 Celeste 15 30 45 60 75 90 105 Liderança Paiaguás Parecis 2 -2 15 30 45 60 75 90 105 Rio vermelho 3 2 1 0 0 15 30 45 60 75 90 105 Figura 6. UFRB. Tópicos em Ciências Agrárias. v. 2009 51 . 1.BA. Variação da massa da matéria seca dias após a emergência (DAE) dos cultivares de soja introduzidos nas condições agroecológicas de Cruz das Almas .BA. 2000. 2000.

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CAPÍTULO 5 FISIOLOGIA DA FLORAÇÃO DO ABACAXIZEIRO Getúlio Augusto Pinto da Cunha Tópicos em Ciências Agrárias .

posteriormente. que dá origem às folhas durante o estádio vegetativo. exercem sua ação. As flores nada mais são do que ramos ou folhas modificados. abrangendo da ecofisiologia à biofísica (Bernier et al. têm sido realizados com várias espécies nas últimas décadas. em seguida. via de conseqüência.. UFRB. 1981. uma folha na planta. Tais mudanças são captadas por diferentes órgãos da planta: o fotoperíodo pelas folhas maduras. A maioria das plantas reage a sinais ambientais para regular a transição para o florescimento. 2001). que tem também atuação determinante na fisiologia da floração. o que sugere a transmissão de alguma mensagem da folha para o ápice. comosus. constituindo-se no estímulo floral ou florígeno. destaca-se o meristema apical. A questão central da fisiologia da iniciação floral consiste em entender-se quais fatores atuam na transformação do meristema caulinar em primórdio floral e de que modo eles exercem sua ação.. visando ao entendimento de como essa transição é controlada. os primórdios florais. em escala comercial. de intensidade variável. E-mail: getulio@cnpmf. No caso do abacaxizeiro. apresenta grande demanda e importância econômica. pelo menos. 1993. é necessário que exista.. provavelmente pelos seus efeitos na síntese e/ou atividade do etileno. 1993). Trata-se de uma planta que requer tratos culturais cuidadosos e freqüentes e apresenta alguns aspectos morfológicos e fisiológicos. a exemplo do fotoperíodo. v. é a quinta fruta tropical mais cultivada e representa uma ótima opção de cultivo em regiões não tradicionais. que são favoráveis à produção de estruturas. de natureza bastante complexa e controle multifatorial. Coppens & Leal) é uma planta tropical monocotiledônea. temperatura e disponibilidade hídrica.embrapa. principalmente sobre o envolvimento de algumas substâncias químicas que apresentam atividade reguladora do crescimento vegetativo da planta. da família Bromeliaceae. Graças às características de seu fruto. apreciado em todo o mundo onde é cultivado em mais de 60 países e à sua rentabilidade. Apesar do fotoperíodo ser captado pelas folhas. resultando na produção de frutos. porque o florescimento é o primeiro passo da reprodução sexual. gerando uma grande quantidade de informações. apesar da baixa temperatura ser. NOÇÕES DE FISIOLOGIA DA DIFERENCIAÇÃO FLORAL A floração é um processo unitário e integrado. herbácea e perene.FISIOLOGIA DA FLORAÇÃO DO ABACAXIZEIRO Getúlio Augusto Pinto da Cunha Pesquisador . a temperatura por todas as partes da planta. Sabe-se que o meristema de uma planta recebe de outras partes da mesma. passa por transformações. para melhor entendimento dos seus mecanismos e. Diversos estudos. Kinet et al. naturais e sintéticos.br INTRODUÇÃO O abacaxizeiro (Ananas comosus var. Kinet. também. que tem sido estudado extensivamente. que sempre se destacou na fruticultura tropical. hormônio vegetal endógeno e gasoso que regula o crescimento e desenvolvimento das plantas em geral. pelo ápice caulinar. A iniciação floral delimita a transição entre o crescimento vegetativo e o estádio reprodutivo das plantas produtoras de sementes. Dentre esses. A passagem do estádio vegetativo para o de floração é de suma importância para as plantas. ora vegetativas. preferencialmente. Muitos reguladores de crescimento. a exemplo do semi-árido. para que o estímulo florígeno possa ser captado e repassado para o ápice caulinar. a floração natural é estimulada por mudanças sazonais regulares de condições climáticas. 1993). 2009 . No Brasil. permanentemente. Cruz das Almas-BA. formando a coroa do fruto. e a disponibilidade hídrica pelas raízes (Bernier et al. sendo. haja vista que todos os indivíduos de uma espécie têm de florescer de modo sincronizado para o sucesso do cruzamento e. que é a atividade fim ou objetivo maior da exploração econômica das fruteiras.. originando a inflorescência e. ou seja. O abacaxizeiro foi a primeira planta a ter sua floração controlada artificialmente. Em geral. mas que. 1993). retoma sua atividade vegetativa. cujo conhecimento facilita o seu manejo e o entendimento dos mecanismos de seu florescimento. um conjunto de sinais. ora reprodutivas. um evento marcante na vida dessas plantas. portanto.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. porque devem completar sua reprodução sexual sob condições externas favoráveis (Bernier et al. O objetivo desse trabalho é discorrer sobre o floração na cultura do abacaxi. O conhecimento desses sinais é da mais 57 Tópicos em Ciências Agrárias. as alterações morfológicas que vão ocasionar a transição para a formação da flor ocorrem no ápice caulinar (Castro & Vieira. 1. produzidos por meristemas modificados de ramos. do manejo da cultura.

podem ser ativadas individualmente. o que está de acordo com o modelo de controle da “evocação”. Qualquer explicação sobre o mecanismo de controle fotoperiódico do florescimento deve contar com a presença tanto de promotores quanto de inibidores. Cunha et al. tipo e peso da muda e época de plantio (Gowing.tem início ainda na fase reprodutiva. 58 Tópicos em Ciências Agrárias. abrangendo aspectos fisiológicos. os fatores não são os mesmos para as diferentes espécies. O florescimento do abacaxizeiro pode ocorrer naturalmente. este último torna-se. com o uso de produtos químicos. do ponto de vista agroeconômico. invariavelmente. citado por Min (1995). por meio de substâncias químicas. a exemplo do ácido indolacético (AIA) e do etileno. muitas questões ainda precisam ser respondidas. proposto por Bernier et al. é necessário que alguns eventos ocorram no ápice caulinar. relacionados com a diferenciação floral. o “antiflorígeno”. cuja relação com o “florígeno” e a floração. No caso de plantas que florescem sob o efeito da vernalização. Na primeira fase. Estudos envolvendo enxertia em plantas sensíveis ao fotoperíodo serviram de base para Chailachjan. Vários são os fatores que influem no ciclo da cultura.alta importância. que incluem o conceito do “florígeno/antiflorígeno”. quer seja natural ou artificialmente desencadeada.abrange o período do plantio à diferenciação floral. sendo necessário que as folhas captem os estímulos fotoperiódicos e que o meristema apical esteja o mais sensível possível à vernalização. baseadas em várias pesquisas realizadas ao longo de décadas. em geral reguladores de crescimento vegetal. Dentre as teorias de controle interno da “evocação”. 1993). efeito do frio). assim. 1. (1981). De acordo com esses autores. sendo esse o primeiro passo para a formação das flores. incapaz de retomar o crescimento vegetativo. mas. 1981). Isso porque o abacaxizeiro responde muito bem à aplicação de substâncias químicas que têm a capacidade de influenciar seus processos fisiológicos. e podem ser sintetizados nas folhas. Esse ciclo pode ser dividido em três etapas: a) fase vegetativa . este último considerado como fator indutor (Burg & Burg. por meios artificiais. com a iniciação do primórdio floral. mas prolonga-se após a colheita do fruto. em grande parte. Reinhardt & Cunha. relacionado a fatores climáticos. abrangendo o desenvolvimento (ceva) e colheita das mudas. 2009 . Em ambos os casos. citando-se. Daí porque o crescimento vegetativo e o desenvolvimento reprodutivo nas plantas são considerados eventos mutuamente exclusivos. Os principais fatores ambientais responsáveis pela indução floral são o fotoperíodo (comprimento do dia ou horas de luz) e temperatura (vernalização. Algumas teorias foram formuladas para explicar a floração. de modo irreversível. A produção de etileno ocorre por meio de uma ação sequencial das enzimas ACCsintase e ACCoxidase cujo esquema encontra-se no item “Substâncias usadas e modo de atuação”. foi bastante estudada. cujos aspectos apresentam muitos pontos comuns com a floração natural. o processo não tem continuidade. A cultura do abacaxi é explorada comercialmente em razão de poder-se controlar e uniformizar. ou artificialmente. além dos climáticos. principalmente. (1993) terem apresentado resultados que apoiam o controle multifatorial. raízes. dominam os dois primeiros. UFRB. comprometendo-o. foi associado outro produto. também. Algumas evidências demonstram que o florescimento no meristema pode consistir de diversas etapas que. a que apresenta menor elasticidade é a reprodutiva. Dessas fases.vai da diferenciação floral à colheita do fruto. b) fase reprodutiva (envolvendo a floração e frutificação) . v. denominado de “evocação” (Kinet et al. os quais serão abordados a seguir. 1982a. a nutrição mineral.. concentrar a colheita em épocas oportunas. na floração são observadas duas fases: a iniciação floral e o desenvolvimento floral. a depender das condições ambientais e do manejo da cultura. fundamental e prática. Se apenas um fator estiver ausente. genéticos (relacionados à sensibilidade das plantas aos fatores climáticos) e ambientais. A planta precisa também atingir a maturidade suficiente para ser induzida à floração. o florescimento das plantas e. porém. a hipótese do desvio de nutrientes e sinais elétricos. Foi levantada.. 1961. para uma exploração mais racional das culturas. postular a presença de um hipotético hormônio do florescimento. O processo de florescimento do abacaxizeiro pode ser melhor entendido conhecendo-se seu ciclo cultural. a possibilidade de existência de um inibidor floral. ainda sem provas definitivas. pela idade ou tamanho da planta. Uma vez consumada a transformação do meristema caulinar em primórdio floral. que varia de 12 a 30 meses até que seja produzido o primeiro fruto. denominado de “florígeno”. responsável direto pela diferenciação floral. há o envolvimento de fatores internos ou hormônios produzidos pela própria planta. FLORESCIMENTO DO ABACAXIZEIRO A diferenciação floral do abacaxizeiro possui outra particularidade: a de poder ser desencadeada artificialmente. o modelo de controle multifatorial. que atuaria de modo antagônico ao “florígeno”. ápice caulinar e outros locais. c) fase propagativa . por sua vez. 1966). ou distribuí-la em todos os meses do ano. apesar de Bernier et al. a “vernalina”. A suscetibilidade do abacaxizeiro à floração natural ou à indução artificial é determinada. mas todos estão presentes sob condições indutivas. Em geral.

A floração natural do abacaxizeiro é um fenômeno que apresenta uma série de inconvenientes. Rebolledo-Martínez et al. ainda. Tal fato pode ser observado cerca de uns quatro dias após a diferenciação floral. também. Esse tipo de floração vem causando. notando-se. Rabie et al. 1997). aproximadamente. Esses autores relataram. 1973). tornando-se cada vez mais proeminente sobre o pedúnculo. no ano subseqüente ao do plantio. tem-se observado que mesmo as plantas pequenas têm respondido aos estímulos florais. Os prejuízos tornam-se maiores se a floração ocorre precocemente. as plantas ainda não apresentam um desenvolvimento ou porte adequado para produzir um fruto com padrão comer-cial. sérios prejuízos nas regiões produtoras de todo o mundo. com três glândulas nectaríferas separando os lóculos. 2000). Sendo função também das condições climáticas. com um fluxo importante de açúcares para o fruto. que é o prolongamento do caule. A outra etapa acontece 15 dias antes da colheita. Scott. nessa situação. Nas principais regiões produtoras do mundo.descrição botânica. ou. possuindo três sépalas. A primeira ocorre.. de acordo com as épocas e regiões produtoras. e que plantas submetidas à temperatura constante de 25oC apresentam alta taxa de florescimento. cerca de seis semanas após a diferenciação floral. A primeira evidência de mudança morfológica nesse meristema é a expansão do diâmetro do seu disco. trímeras. não se associando consistentemente com um determinado fator climático. Quando a planta atinge a maturidade no seu desenvolvimento. 1997. tricarpelar e trilocular. 1. por meio de um corte longitudinal do ápice caulinar (Py & Silvy. da base para o ápice. onde essas são exploradas. 1994. com intensidade cada vez maior. Pode-se distinguir duas etapas importantes nos processos de crescimento e desenvolvimento da inflorescência do abacaxizeiro. Barbosa. via de regra. no qual passou a operar.. o florescimento envolve a transição da diferenciação das estruturas vegetativas para a formação de uma inflorescência no meristema apical do caule. diferenças na suscetibilidade das mudas e plantas à floração. 2009 59 . a floração natural varia de ano para ano. ao desabrochamento das primeiras flores e início de crescimento da coroa. A diferenciação natural do florescimento dá-se. podendo. As flores do abacaxizeiro são formadas pelo mesmo meristema que origina as folhas. período de temperaturas mínimas. cada inflorescência pode conter mais de uma centena de flores individuais (Okimoto. dispostas em oito espirais. Friend & Lydon (1979) observaram que o crescimento vegetativo do abacaxizeiro 'Smooth Cayenne' aumentou nesse mesmo intervalo de fotoperíodo. Essas flores não abrem ao mesmo tempo e a floração procede espiralmente. 1986. seis estames e um ovário ínfero. o metabolismo ácido das crassuláceas (CAM). 1954). situado no ápice do caule. a ocorrência de floração natural no Havaí entre dezembro e janeiro. devido à cor azul púrpura de suas pétalas e brácteas. FLORAÇÃO NATURAL DO ABACAXIZEIRO Fatores Envolvidos O desencadeamento da floração do abacaxizeiro depende do porte e estado fisiológico da planta e do comprimento do dia e temperatura (Bartholomew & Malézieux. correspondendo à parada do desenvolvimento da coroa e murchamento do pedúnculo. Segundo esse autor. abaixo de 15oC. ainda em crescimento (Teisson. a inflorescência avermelhada. a depender da região. UFRB. 1948). com uma ou mais flores abrindo a cada dia (apenas nas primeiras horas da manhã) durante duas a quatro semanas (Okimoto. crescimento e desenvolvimento A inflorescência do abacaxizeiro é formada por um grupo de flores sésseis soldadas em torno de um eixo. apenas acentuar o efeito dos dias curtos. que diminui à medida que o fotoperíodo aumenta de oito para 16 horas/dia. desponta no centro da roseta foliar. naturais e artificiais. v. ainda. um mínimo de diferença de temperatura dia/noite é necessário para provocar o florescimento natural do abacaxizeiro. mas também a colheita e a comercialização do fruto. pois dificulta não apenas os tratos culturais e fitossanitários. A seca também estimula a diferenciação floral em áreas onde tanto o fotoperíodo quanto a temperatura variam pouco (regiões subtropicais). acentuando-se sua incidência em áreas de altitude e latitude mais elevadas. as flores são hermafroditas. geralmente noturnas. por outro lado.. com a formação inicial do pedúnculo e da primeira flor ocorrendo quando o mesmo exibe seu diâmetro máximo. têm sido relatadas taxas de ocorrência de floração natural variando de 20% a 80% (Reinhardt et al. 1993. ainda que possa ocorrer em outras estações. a depender do seu tamanho. entre o final do outono e o início do inverno. O comprimento e a largura da folha aumentaram entre oito e 12 horas/dia. apresentando uma filotaxia 8/21. três pétalas. 1948). dois meses após a diferenciação e corresponde à parada de crescimento do pedúnculo. ocorrendo o inverso Tópicos em Ciências Agrárias. haja vista que. dependendo de seu estado fisiológico/nutricional. refletir negativamente no rendimento da primeira e demais safras. Inflorescência do Abacaxizeiro . De acordo com esses autores. Esse fato tem sido comprovado tanto em plantações comerciais quanto experimentalmente. sendo as maiores mais suscetíveis. então. Apesar disso.

em resposta à redução nas horas de irradiância (Bartholomew & Kadzimin. Reinhardt et al. mas não obrigatória. o que estimula o florescimento. 1977). conforme foi observado por Mekers & De Proft (1983) em bromeliáceas ornamentais. que envolve ainda. O florescimento natural do abacaxizeiro. porém. a exigência de dias curtos (Van Overbeek & Cruzado. Assim. 1989b). também. nos meses de agosto e dezembro-janeiro (Bartholomew & Malézieux. 1986). 1972. Mas. Esse tamanho mínimo é alcançado em períodos mais curtos sob condições favoráveis. sofre os efeitos da taxa de desenvolvimento da planta. também. ao encurtamento do dia. a época de plantio ou. a adubação nitrogenada e a irrigação. Mekers & De Proft. em grande parte. quantitativamente. o equilíbrio entre os estádios de vegetação e reprodução (floração) tende para o primeiro. ainda. 1983. Quanto mais jovem é a planta. Min & Bartholomew (1997) observaram que a produção do etileno e a atividade da enzima formadora de etileno (ACCoxidase) no caule e em tecidos da folha de plantas de abacaxi cultivadas a 30/30 oC (dia/noite) foram menores do que as das plantas cultivadas a 30/20 oC. Segundo esses autores. hipoteticamente pode-se dizer que a floração natural é desencadeada pelo etileno produzido endogenamente ou por mudanças na suscetibilidade e sensibilidade da planta ao mesmo ou ambos (Min & Bartholomew. Contudo. sendo. de que a baixa temperatura noturna aumenta o nível de auxina livre na planta. de acordo com Sanewski et al. Py. Bartholomew & Malézieux. 1979. A maturidade para a floração está sempre correlacionada com a capacidade da planta em converter o ácido 1aminociclopropano-1-carboxílico (ACC) exógeno em etileno. Sanewski et al. E. qual o efeito direto da baixa temperatura na floração natural. 1972. Na Costa do Marfim. nessa planta. Esses autores concluíram que a floração na cultura do abacaxi é controlada pelo fotoperíodo. o estímulo à floração natural ocorre. por reduzir sua sensibilidade aos estímulos florais (Evans. uma taxa de crescimento vegetativo elevada pode inibir ou retardar o florescimento do abacaxizeiro. (1998) observaram que o teor de ACC (precursor imediato do etileno) aumentou cerca de 40% no inverno. 1986). as temperaturas abaixo de 17-15 oC promovem a floração natural (Bartholomew & Malézieux. Sanewski et al. 1993). nem todas as variedades respondem igualmente aos estímulos florais. 1948. 1959). Alguns autores são unânimes em afirmar que o período do plantio à colheita de um fruto de um determinado padrão é função do tipo e peso ou tamanho da muda (Teisson. como a redução na nutrição. 1961. assim. Assim. situada a 4o N. o efeito direto da baixa temperatura ainda não está bem esclarecido.. 1993). pensa-se que esta e o encurtamento dos dias aumentam a produção de etileno no meristema apical e na parte basal aclorofilada da folha. mesmo não se sabendo. mais lenta é a sua resposta aos fatores (naturais e artificiais) que promovem a floração. bem como à baixa temperatura. do efeito cumulativo desses dias (Friend & Lydon. supostamente. e baixa irradiância devido à nebulosidade (Gowing. Plantas que haviam formado a inflorescência apresentavam atividade da ACCoxidase nas folhas e no caule bem maior do que nas plantas em estádio vegetativo (Min. podem 60 Tópicos em Ciências Agrárias. chegou-se ao consenso de que a mesma está relacionada. no comprimento do dia e na radiação solar (Bartholomew & Kadzimin. onde a mudança no comprimento do dia é muito pequena (cerca de 36 minutos apenas). UFRB. Na prática. desde que a planta tenha alcançado um tamanho adequado para tornar-se suscetível à indução floral. não sendo influenciada diretamente pelo peso seco da planta nem pelo metabolismo CAM. no suprimento de água. Teisson. necessário que a mesma atinja um porte adequado ou a maturidade ontogenética. Reinhardt et al. 1. considera-se o abacaxizeiro uma planta de dias curtos. está. relacionada ao processo. principalmente a noturna. outros são de opinião que. 1994).com a espessura. 1977). causando o florescimento e reduzindo. tanto naturais quanto artificiais (Cunha..5 o C. quando a temperatura mínima média atingiu 14. Nesse caso. para responder aos estímulos ambientais (Lacoeuilhe. Parece que. em geral. A exemplo do que acontece com outras culturas. assim. fatores climáticos e tratos culturais que afetam o crescimento vegetativo da planta (Friend & Lydon. além de ser influenciado por fatores climáticos.. que depende. Bartholomew & Kadzimin. 1994). 1977). 2009 . do que onde o crescimento é atrasado por falta de nutrientes e água e por temperatura baixa (Bartholomew & Malézieux. 1948). tem-se observado que mesmo as plantas pequenas apresentam capacidade de responder aos estímulos florais. além disso. Cunha et al. 1994). a produção de etileno pela folha também foi maior. v. Nas pesquisas desenvolvidas para determinar-se quais os fatores ambientais envolvidos na diferenciação floral natural do abacaxizeiro. Existem evidências. 1979. e às baixas temperaturas observadas. Baseado no fato de que o florescimento do abacaxizeiro pode ser induzido artificialmente pela aplicação de várias substâncias químicas que estimulam a produção e/ou atividade do etileno. na temperatura. 1995). As exigências climáticas do abacaxizeiro são caracterizadas por sua grande sensibilidade às geadas e radiação solar muito intensa. 1975. Bartholomew & Kadzimin. mais exatamente. os fatores ambientais que a promovem são aqueles que tendem a retardar a taxa de crescimento vegetativo. (1998) observaram 100% de floração natural em abacaxizeiros mantidos a 20 oC por dez a 12 semanas. 1994). 1977). Apesar de não haver exigência de frio. sendo umas mais e outras menos sensíveis (Van Overbeek & Cruzado. por favorecerem o crescimento vegetativo das plantas. (1998). 1968. a idade da planta no período favorável à indução floral. com pouca ou nenhuma va-riação estacional de temperatura.

porém. normalmente. entre o final do outono e o início do inverno no ano seguinte ao do plantio. Dados climáticos de 1980 a 1982. 1993). os índices são bastante variáveis. Entretanto. a tal ponto que a incidência de floração natural precoce na safra seguinte pode atingir índices de 50%-70 % (Scott. Bartholomew & Malézieux (1994) indicaram que. 1983). Reinhardt & Cunha (1982a). mesmo em plantações instaladas para se evitar sua ocorrência.9%) e novembro/dezembro (77. onde tal problema é um dos mais importantes. em geral. em todos os meses do ano. Condições ambientais favoráveis podem acelerar a taxa de crescimento dos rebentões ainda na planta-mãe. em alguns anos. a depender das condições climáticas esses índices podem alcançar 20% (Rebolledo-Martínez et al. maio/junho (88. 2009 61 . No Havaí. Brazil (Fonte: Reinhardt. 1997). entre 5% a 10%. 1993). um dos principais problemas não solucionados. (1984) observaram que a massa da muda influiu decisivamente no ciclo da planta. ainda. 1984). tendo os rebentões de 700-800 g emitido as inflorescências bem mais cedo do que os de 300-400 g.. estudando o efeito da irrigação no ciclo do abacaxizeiro 'Pérola'. passou a ser uma prática comum (Bartholomew. ainda. No Recôncavo Baiano. apesar de todas as pesquisas efetuadas. atinge níveis de 50% a 70% (Scott. enquanto que na Austrália. a floração torna-se imprevisível e irregular (Mekers & De Proft. ainda. maior uniformidade na colheita. v. (2000). inversamente. No Brasil. ocorrendo inesperadamente. em outras estações. A diferenciação natural do florescimento na cultura do abacaxi ocorre. o florescimento natural é antecipado pelo aumento do tamanho da planta. registrando-se índices de até 80% (Barbosa. também. a coroa mais tardia. Esses aspectos levam à conclusão de que o florescimento natural do abacaxizeiro constitui. Bahia. encurtando o ciclo da cultura em 22 dias. tem sido observada. 13 12 11 0 30 25 o c 20 15 0 200 h 150 100 0 200 mm 150 100 50 0 h Comprimento do dia Temperatura média Máxima Média Mínima Insolação Chuva J F M A M J J 1980 A S O N D J F M A M J J 1981 A S O N D J F M A M J J A 1982 S O N D 40 Diferenciação floral natural PLANTIOS Janeiro 80 Abril 80 Novembro 80 Julho 81 30 % 20 10 0 J F M A M J J 1980 A S O N D J F M A M J J 1981 A S O N D J F M A M J J A 1982 S O N D Figura 1. Cruz das Almas. 1997). em seguida a um re-envazamento ou transporte.9%). e o filhote tem comportamento intermediário (Reyes. quando lâminas crescentes de água contribuíram para antecipar a floração e a frutificação. com tendência para concentração em meados do ano (Figura 1). observando-se. em áreas onde os períodos de seca são prolongados. UFRB. não observaram influência alguma da época da última adubação sobre a eficiência da indução artificial da floração. as variações observadas em relação à floração são decorrentes das diferenças no teor de reservas nutricionais e no estado fisiológico dos vários tipos de mudas: o rebentão é mais precoce. a indução natural tem-se tornado um problema ocasional desde quando a produção de frutos. Com relação à ocorrência da floração natural nas diversas regiões produtoras. (1986) relataram que a floração natural ocorreu em diferentes épocas do ano e por períodos prolongados. a depender da região. Reinhardt et al. permitindo. Resultado semelhante foi observado por Almeida et al. o florescimento precoce tem-se tornado bastante freqüente em todas as regiões produtoras.4%). 1997). 1. quando as condições ambientais estão mudando (de baixa para alta insolação) ou após um estresse de frio ou. Giacomelli et al. Diferenciação floral natural (%) em abacaxi 'Smooth Cayenne' relacionado a diferentes datas de plantio. no México. com picos nos meses de março/abril (49. na medida em que a taxa de crescimento das plantas aumenta em resposta ao suprimento de água.contribuir para inibir o florescimento (Py & Guyot. 1970). Com relação à irrigação. Tópicos em Ciências Agrárias. Entretanto. Quanto ao material de plantio. 1996).

material contendo ACACS1 com orientação senso para inibir o gene da planta por mecanismos de supressão-senso. Nesse sentido. o diuron e o diquat. ameixa e cereja é benéfico por evitar perdas devido às geadas ocasionais de primavera. na maior. 1981). existe a possibilidade de se induzir o florescimento ou de inibí-lo ou. e de 55. d) corte do suprimento hídrico. 1981 e Sampaio et al. a fim de tornar as plantas menos sensíveis aos fatores naturais.. obtido do meristema apical e ativado por condições ambientais. De acordo com esses autores. A promoção do florescimento é praticada no abacaxizeiro e outras bromeliáceas. inibiu o florescimento do abacaxizeiro (Millar-Watt. 62 Tópicos em Ciências Agrárias.. o que tem sido conseguido com o uso da aminoetoxivinilglicina (AVG). menos suscetíveis à indução natural. tendo o ANA (400 mg L-1) proporcionado o melhor resultado. O objetivo desse trabalho é obter plantas que não produzam etileno induzidas por um choque térmico (frio). a floração natural precoce pode ser controlada ou ter seus efeitos minimizados adotando-se as seguintes medidas: a) plantar mudas que atinjam um porte adequado à floração antes ou no início da época favorável à diferenciação natural. o alto custo do único produto que apresentou algum efeito inibidor (o nitrato de prata) e o número de aplicações (até sete) tornam inviável seu uso prático na atualidade. enzima relacionada ao etileno e ao florescimento.Controle da floração natural Nas culturas em geral. provavelmente.000 mg L-1. em altas concentrações e várias aplicações. 1994). relataram que a floração precoce foi inibida em 76% e 82% em plantios de abacaxi 'Smooth Cayenne' com 33 e 46 mil plantas ha -1. Na opinião de Bartholomew (1996). O ANA. No caso do abacaxizeiro. existem diferenças varietais quanto a essa sensibilidade. 1990. já foi obtido. ao menor ritmo de crescimento das plantas.. a prevenção do florescimento pode ser efetivada de diversos modos: a) interrupção do período noturno com luz. e) aplicação de produtos químicos. c) poda de folhas e ramos. d) ou. Scott (1993) conseguiu reduzir a ocorrência do florescimento precoce. assim. respectivamente.5% para 8. usando o mesmo ácido (100 mg L-1). b) aumento de temperatura. c) efetuar um manejo adequado da cultura. 1994. Lanahan et al. e de 82%. Wang (1987) relatou que o atraso na floração em maçã. vindo. posteriormente. Outro produto que teve algum efeito inibidor da floração foi a tiouréia. sob a forma do ácido 2-cloroetilfosfônico. v. que induz a floração natural. (2000).2%. 1986). O primeiro produto usado na prevenção da floração em culturas comerciais foi a hidrazida maleica em cana de açúcar (cujo florescimento reduz drasticamente o rendimento). com o paclobutrazol (160 mg L-1). na menor densidade. 1998). 1994. Em muitas culturas hortícolas. (2000) estão produzindo abacaxizeiros transgênicos. talvez por atuar competitivamente. Botella et al.5%. então. com este último conseguiu-se 100% de inibição da floração. o monuron. conforme comentado anteriormente. Yuri et al. inibidor da ACC sintase (envolvida na formação do etileno). Millar-Watt (1981) já tinha observado que o nitrato de prata a 1. suprimir a floração natural precoce. aplicado três vezes com intervalos de 30 dias. os resultados não foram totalmente satisfatórios. a exemplo do pêssego. a fim de reduzir sua expressão e. O mesmo aconteceu quando aplicado poucas horas antes da indução artificial com o etephon (Sanford & Bartholomew. que carregam cópias senso e antisenso do gene da ACCsintase. com o objetivo de evitar o florescimento natural.2% para 28. b) usar mudas que ultrapassem a época de indução natural. Klee & Romano. 1983). O etileno. as plantas mais jovens são mais sensíveis à inibição da floração. se o mesmo estiver causando uma redução no benefício econômico. A floração natural tem causado muitos problemas à abacaxicultura na Martinica. resultante da maior competição entre elas. 1. Trabalhos realizados com tomateiros transgênicos e mutantes demonstram essa possibilidade (Hamilton et al. nas pesquisas conduzidas visando solucionar tal problema. Estudos preliminares realizados por Cunha (1989b) mostraram a viabilidade do uso de reguladores vegetais na inibição do florescimento do abacaxizeiro. sem terem atingido um porte suficiente para responder aos estímulos ambientais. O melhor resultado observado na maior densidade deveu-se. Bowler & Chua. pode-se minimizar o florescimento natural dando-se às plantas as melhores condições possíveis de crescimento e plantando-se apenas mudas pequenas e. em três aplicações. 2009 . então. tem sido utilizado na cultura da cana de açúcar. Segundo Rebolledo-Martínez et al. reduzindo o nível da auxina natural no meristema apical (Castro. mas apresentou fitotoxidade. UFRB. amêndoa e algumas plantas floríferas. de 48. a floração foi de 95%. nos tratamentos testemunhas. o mesmo tendo sido observado em Aechmea victoriana (Mekers & De Proft. Rebolledo-Martínez et al. dessa forma inibindo a floração natural. reduziu a floração natural para 27%. com intervalos de 15 dias. realizar o tratamento de indução artificial para antecipar-se aos estímulos dos fatores climáticos. onde essa é passível de ocorrer. com o uso do ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico (50 mg L-1). portanto. (2002) clonaram um gene ACCsintase de abacaxi (ACACS1). retardá-lo. enquanto que a inibição ou atraso da iniciação floral é realizada em muitas outras culturas. pois. Outro meio importante é o uso de plantas menos sensíveis aos estímulos naturais da floração. na dose de dois litros do produto comercial por hectare. contra 57% na testemunha. apenas 5% a 13% de floração (induzida com carbureto de cálcio). dificultando a colheita e prejudicando a segunda safra. (1997). pêra.

até 82. 1983). em concentrações variando de 90 a 240 mg L-1. com reflexos na produtividade de árvores frutíferas. a partir dos feixes vasculares). 1986. O tratamento artificial da floração apresenta vantagens tecnológicas e econômico-sociais. inibindo. a não ser uma pequena redução no crescimento do rebentão.9% a 94. Isso porque o abacaxizeiro responde muito bem a esse tipo de prática.5% (Cunha. Min (1995) é de opinião que o modo de atuação das auxinas. sob condições controladas de cultivo (plantas em vasos). v. de modo consistente. com índices variando. o florescimento de abacaxizeiros dos grupos 'Smooth Cayenne' e 'Queen'. inibiram de modo significativo a floração natural do abacaxizeiro 'Pérola'.. enquanto a uréia e o cloreto de mepiquat não tiveram efeito inibidor. permitindo maior eficiência no uso dos fatores de produção inerentes à cultura. do ácido 1-aminociclopropano-1-carboxílico (ACC. o que é descrito por diversos autores (Dass et al. 2009 . sem apresentar efeitos adversos na planta. com ação fungicida e eficientes no controle da Chalara paradoxa. Essa diminuição foi acompanhada pelo aumento ou pela manutenção de níveis constantes de ACC e MACC. paclobutrazol e o ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico inibiram. Rabie et al. (1997) relataram que a adubação nitrogenada complementar. Esses autores obtiveram inibições do florescimento de até 91%. Min (1995) relacionou o efeito do ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico como inibidor da floração do abacaxizeiro. há bastante tempo vem sendo amplamente usada.Existem evidências de que o papel do paclobutrazol. (2000) afirmam que produtos à base do ácido 2(3-clorofenoxi) propiônico podem inibir. Isso porque. O ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico demonstrou potencial de inibição. Scott (1993) atribuiu a inibição da floração do abacaxizeiro 'Smooth Cayenne' à redução da massa vegetal da planta. do grupo dos triazoles. reguladores de crescimento ou fitorreguladores. como uma auxina. possivelmente.4% e de 67. florescimento e frutificação do abacaxizeiro. após cinco horas. com sucesso. reduzindo o crescimento vegetativo e o alongamento do caule em várias plantas. cuja translocação ocorre através do xilema (Lever. 63 Tópicos em Ciências Agrárias. sendo os dois primeiros mais eficientes. De acordo com esses autores. não afetou a floração natural do abacaxizeiro. mais do que a uma interferência direta do ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico no processo de diferenciação floral. o florescimento natural. mas provocou algumas anomalias morfológicas nas plantas (torção da roseta foliar e formação de raízes adventícias nas folhas. os produtos uniconazole.9% a 78. b) uniformização da frutificação e concentração da colheita. contribui para o desenvolvimento reprodutivo. Onaha et al. quando aplicadas em altas concentrações. resulta no fim do crescimento vegetativo. (1989) observaram uma redução de 70% na produção de etileno em cevada e Brassica napus. inibiram a floração natural do abacaxizeiro. Esses produtos são ativos em baixa concentração e não são fitotóxicos. precursor imediato do etileno) e do ácido 1-(malonilamino) ciclopropano-1-carboxílico (MACC) em tecidos de plantas tratadas com o ácido 2(3-clorofenoxi) propiônico. O paclobutrazol. Bondad. Guyot & Py.. à redução do crescimento vegetativo da planta. UFRB. 2001. produção e crescimento de frutos. a parte mais ativa é a que se deposita na gema apical ou nos tecidos tenros situados logo abaixo da gema. porém. Grossman et al. devido. contraditoriamente. por inibir a oxidação do kaurene a ácido kaurenóico. é devido à interrupção na síntese de giberelina. formação de gemas. 1970. provocando o desenvolvimento reprodutivo e a floração. a inibição do crescimento vegetativo constituiu um efeito colateral de conseqüências ainda desconhecidas. A queda na taxa de giberelina no meristema sub-apical. quando aplicado em junho. respectivamente. pelo menos em parte. Sampaio et al. Bartholomew & Min (1996) observaram que o paclobutrazol e o uniconazole atrasaram ou inibiram o florescimento e inibiram a produção de etileno pelo tecido basal aclorofilado da folha. (1998) observaram que o paclobutrazol foi o único produto a mostrar efeito significativo. via uréia foliar. quando tratadas com inibidores de crescimento. A indução artificial do florescimento do abacaxizeiro apresenta as seguintes vantagens: a) maior eficiência no emprego dos fatores de produção. c) fornecimento regular e constante de frutos para a indústria e mercado “in natura”. Barbosa et al.. sugerindo a inibição da conversão do ACC a etileno. inclusive uso racional da terra. um a dois meses após o tratamento. 1975. haja vista que os referidos produtos reduziram o comprimento da folha “D”. o autor observou um aumento da produção de etileno. na concentração de 100 mg L-1. Cunha et al. 1. Quando pulverizado sobre as folhas. com redução de seu custo. FLORAÇÃO ARTIFICIAL DO ABACAXIZEIRO Histórico e Vantagens A indução floral do abacaxizeiro com substâncias químicas. analisando os teores de etileno. ainda não é conhecido. podendo ser um dos fatores responsáveis pelo atraso na floração. 1968. Taniguchi (1999) observou que o tebuconazole e o propaconazole. concluindo que o mecanismo pelo qual o ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico inibe o florescimento precisa ser mais pesquisado. ao fato do mesmo atuar. de 90. Estudando os efeitos do meio ambiente sobre o crescimento. Tanto o ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico quanto o paclobutrazol. 1973. como inibidoras da floração.).8% da floração em plantas de abacaxi 'Pérola'. favorecendo a produção de etileno pelo caule da planta. 2002). além de atrasar o crescimento das plantas. Cooke & Randall.

apenas alguns poucos são usados. Ainda segundo Yang (1987). h) possibilidade de exploração de uma segunda safra ou soca (Cunha et al. a exemplo do etileno. regulada pela enzima ACC sintase. Bioquimicamente. bem como o acetileno. ainda. 1932). 1993). Desses. passou-se a usar o etileno diretamente na indução floral do abacaxizeiro. muitos trabalhos têm sido realizados. e) controle do peso e tamanho do fruto. Randhawa et al. Todos eles reduzem drasticamente o rendimento e a rentabilidade da cultura. formando um complexo ativado que. os mais comuns e que podem ser usados comercialmente são os ácidos alfanaftaleno acético (ANA). Outros processos fisiológicos podem ser também influenciados pelo emprego de reguladores de crescimento. o etileno é responsável pela floração natural do abacaxizeiro devido a que as baixas temperaturas estimulam sua biossíntese. carbureto de cálcio e etephon. que é o fator primário que limita a produção do ACC (Min & Bartholomew. a usar o ácido alfanaftaleno acético. 1993). vários reguladores vegetais foram identificados como eficientes no desencadeamento do florescimento do abacaxizeiro. pelo maior número de frutos colhidos. controlando-se ou regulando-se o nível desse produto nos tecidos pela: 1) adição ou remoção. Desde então. 1966). Com base nessas descobertas e no reconhecimento do etileno como um importante regulador de crescimento das plantas. Antecipar e uniformizar o florescimento do abacaxizeiro sempre foi um desafio para reduzir o custo de produção dessa cultura. pensa-se que o etileno liga-se a uma molécula receptora. apesar de provocar muitas respostas fisiológicas nas plantas. tais como auxinas e compostos similares (Dass et al. 2-cloroetilfosfônico (etephon) e. de acordo com as exigências do mercado consumidor. v. fazendo a floração coincidir com períodos de menor potencial de inóculo. assim. Acredita-se que os reguladores vegetais atuam promovendo o aumento do teor de etileno no interior da planta. apenas na década de 1920 descobriu-se que o agente da fumaça que provocava o florescimento era o gás etileno (C2H4). 2009 . pela atividade da enzima formadora de etileno ACCoxidase (Kende.4diclorofenóxiacético (2. danos e deformações nos frutos (muito arredondados ou cônicos). o que torna o ápice caulinar mais sensível aos efeitos da auxina endógena. um hidrocarboneto insaturado (Rodrigues. tendo sido uma descoberta casual. o etileno tem de ser biossintetizado pela planta ou ser suprido exogenamente (Yang. haja vista o período relativamente dilatado. alguns problemas podem ocorrer em função da má aplicação dos indutores florais: frutos pequenos com coroas grandes. tombamento de frutos. g) melhor distribuição de mão de obra e facilidade na administração da propriedade. 64 Tópicos em Ciências Agrárias. o que deve ter ocorrido por volta do século XIX (1885). onde a absorção dos produtos é mais rápida. a produção de etileno é controlada pela concentração do ácido 1-aminociclopropano-1carboxílico (ACC). demonstrou-se que as auxinas também podiam causar o florescimento do abacaxizeiro.. d) facilidade no controle fitossanitário de determinadas pragas e doenças. de mais de 15 meses. Entretanto. 1. succínico. Substâncias usadas e modos de atuação Após muitos anos de pesquisa. 1975. as respostas das plantas ao etileno podem ser modificadas. a hidroxietilhidrazina (HOH) e a betahidroxietilhidrazina (BOH). Antes de poder exercer sua ação.4-D). mais precisamente na zona meristemática (Burg & Burg. No Brasil.sem afetar a qualidade dos mesmos e em épocas mais favoráveis comercialmente. devido à maior atividade celular nessa área. 1985). chegando-se à descoberta de diversas outras substâncias com essa capacidade de indução floral. (2000). redução do número de mudas por planta. 1987). a partir da década de 1970. Nos anos 40.. inicia uma série de reações. ocasionando. o modo de atuação do etileno nesses processos e na floração natural do abacaxizeiro e de outras bromeliáceas ainda não está plenamente conhecido. Cooke & Randall (1968) recomendaram o etephon como agente da floração na cultura do abacaxi. 1970. Soler. o carbureto de cálcio (CaC2). então. betanaftaleno acético (BNA). 3) modificando-se a ligação ou a quantidade do receptor com o qual ele interage.. 2) pelo estímulo ou inibição da biossíntese do mesmo nos referidos tecidos. os gases etileno (C2H4) e acetileno (C2H2). com oito meses de idade. nos Açores. indolbutírico (AIB). principalmente como estimulador do processo de maturação dos frutos. que a planta requer para iniciar a diferenciação floral e sua desuniformidade na plantação. alongamento do pedúnculo. talvez por ser mais barato e de fácil manejo. Como em relação a outros hormônios. Burg & Burg (1966) não observaram etileno em abacaxizeiros cultivados em vasos. incluindo modificações na expressão de genes. Porém. e pela ACCsintase. fazendo com que a colheita prolongue-se por até dez a 12 meses. conforme sugerido por Py & Guyot (1970). Entretanto. 2. A partir da década de 30. f) aumento do rendimento da cultura. Segundo Botella et al. Entretanto. A fumaça foi a primeira substância usada na indução artificial da floração na cultura do abacaxi. o etephon (precursor do etileno) teve seu uso bastante difundido. e 4) manipulando-se a expressão do gene dependente dele. o mais comum é o carbureto de cálcio (precursor do acetileno). apesar de sua eficiência poder ser modificada por alguns fatores externos. ao indicarem que a chuva e a temperatura alta podem exercer uma ação negativa sobre o referido produto. uma ampla variedade de respostas fisiológicas. acetileno. admite-se que a floração do abacaxizeiro está muito relacionada a essa substância. mas. por sua vez. passando-se. UFRB. 1994).

com o uso de indutores da floração. proteínas. Dentre esses. 1999). que se transformou em inflorescência. que a floração do abacaxizeiro não está apenas relacionada a uma série de fatores externos (duração do dia. 1999). independente da época de aplicação. ácido ascórbico.000 mg L-1. citam-se as auxinas. o que pode ser causado pela aplicação de alguns fitorreguladores. em dias muito quentes. (c) ACCoxidase]. Das Biswas et al.CH2 . a alta temperatura ambiente pode ser a causa de falhas parciais ou totais da indução com o etephon. Dessa forma. como se observa em regiões e períodos de alta temperatura. pelo pH da solução indutora e pela superfície onde as gotas dessa solução são depositadas. (1993. Ainda segundo Turnbull et al. 1. principalmente a noturna (Min. liberando etileno e íons clorato e fosfato. Cl .+ H3PO4 etileno + Ca(OH)2 . na concentração e no tempo certos. apesar de ativo. Ahmed & Bora (1987) relataram que a floração do abacaxizeiro ocorreu em resposta ao aumento sequencial de metabólitos (açúcares. No entanto. (b) ACCsintase. temperatura. 1.000 a 2. é impedido de atuar in loco por inibidores fenólicos. Gowing (1961) assumiu que o efeito de auxinas sintéticas baseia-se no deslocamento da auxina endógena (AIA) dos seus locais de atividade no meristema apical da planta.Os passos da biossíntese do etileno são os seguintes: + NH3 ATP PP ii+ P + NH3 5 CH3 – S – 4 CH2– 3CH2 – Metionina 2 CH –1-COO (a) CH3 – +S – CH 2 – Ch2 – CH – COO CH O 2 Ade - OH (b) H 2C C H 2C COO(c) + OH S-Adenosil metionina NH3 CH 2 = CH2 Etileno Ácido 1-aminociclopropano-1-carboxílico [Enzimas envolvidas: (a) AdoMetsintetase.CH2 . o etephon (ácido 2-cloroetilfosfônico) decompõe-se. Segundo eles. carbureto acetileno O etileno torna os tecidos do ápice vegetativo mais sensíveis à auxina endógena. Ao atingir os tecidos internos da planta. ácidos nucléicos) na gema apical. 2009 65 . também. nem sempre a resposta à indução floral artificial causada pelo etephon é uniforme (Cunha 1989a). existe uma concentração ótima do AIA no meristema apical da planta. Vê-se. o qual deve permanecer numa determinada faixa durante algum tempo. mudanças estruturais no ápice do caule. v. Turnbull et al. porém de modo mais pronunciado em junho e decrescendo até janeiro. O mesmo se observa Tópicos em Ciências Agrárias. por determinar uma secagem rápida da solução na superfície das folhas. pois ele é estável em solução aquosa com valores baixos de pH (ácido). (1983) notaram aumentos no nível de etileno no ápice caulinar. auxina endógena no abacaxizeiro. para que se proceda à indução do florescimento torna-se necessário apenas a aplicação de substâncias que alterem o nível do AIA nesse meristema.1995. Burg & Burg (1966) usaram o abacaxizeiro para esclarecer algumas contradições aparentes da interação “auxina-etileno” como indutores da floração. irradiância). As reações de liberação do etileno pelo ethephon e do acetileno pelo carbureto de cálcio são as seguintes: 1. O AIA. UFRB.PO3H2 + OHethephon 2. desde que o pH do meio esteja acima de quatro (faixa alcalina). cujas concentrações requeridas são elevadas. portanto. principalmente o ácido indolacético (AIA).. A absorção desse produto é bastante modificada pela temperatura e umidade relativa ambientais. Foram observadas. mas também a fatores internos (hormônios produzidos pela própria planta). principalmente quando aplicado no verão. CaC2 + 2H2O C 2H 2 CH2 = CH2 + Cl. que favorece ou provoca a floração.

que estão. 2009 . causando a decomposição cinética do produto. Como exemplos. Tais obstáculos exercem um papel de grande relevância. daí porque esses autores consideram importante que a aplicação do indutor seja dirigida ao centro da roseta foliar. em geral. arrancando-se uma das folhas centrais da roseta foliar e observando-se a sua base.0. que interfere diretamente na interceptação do produto pela planta. conforme comentado anteriormente. a taxa de liberação quase duplicou com a elevação do valor do pH de 4. Em solução. a segunda fase corresponde à faixa onde é possível influenciar a ação indutora com a elevação do pH e adição de uréia à solução. celulósicas e cerosas e dos tricomas abundantes. um maior tempo de contato do produto com a epiderme abaxial perto do ápice caulinar. A maior taxa de liberação do etileno em solução aquosa ocorre na faixa de pH entre 5. especialmente a barreira física das camadas cuticulares. citam-se aqueles que afetam a concentração do produto antes da sua absorção pela planta. A resposta da planta ao uso de indutores florais é muito rápida. UFRB. a última fase é caracterizada por uma faixa de concentração em que a eficiência do referido produto quase não se altera com o uso de coadjuvantes (Figura 3). 1966). apesar de que em menor escala. tais como o método de aplicação. Dependendo das condições ambientais. com perda do etileno. Levando-se em conta que a diferenciação floral do abacaxizeiro é uma resposta fisiológica à elevação do teor de etileno no meristema apical e que o etephon. 1989b). da cv. na parte basal aclorofilada (Turnbull et al. devido ao aumento efêmero da eficiência do etephon. ao se decompor. Com essa prática haverá o acúmulo da solução nas axilas das folhas. Inicialmente. 1970). 1. podem ser citadas a fumaça. local de aplicação e condições ambientais (temperatura.0. Se estiver avermelhada. Os rebentões são induzidos à floração mais facilmente que os filhotes e as coroas. translocação e decomposição do etileno na planta (Turnbull et al. cheios com vapor d'água ou gases. porque o processo de absorção/diluição através da cutícula é bem mais importante que a penetração pelos ostíolos dos estômatos. A maior absorção do etileno pelo abacaxizeiro ocorre através da superfície inferior da folha. na referida zona. López de Vélez & Cunha (1983) idealizaram uma curva hipotética de ação de coadjuvantes sobre a atuação do etephon. libera etileno (Burg & Burg. A velocidade de decomposição do etephon depende da fração que está na forma de dianion. O primeiro sinal da transformação do meristema em primórdio floral é o aumento da atividade mitótica das células imediatamente abaixo da zona central ou parte mais apical (distal) do meristema vegetativo. estão sendo procuradas novas alternativas de produtos para o tratamento de indução artificial da floração do abacaxizeiro. Diversos estudos têm demonstrado efeitos drásticos do pH da solução indutora.. na qual a fase inicial indica concentrações que não conseguem desencadear o processo de diferenciação floral (talvez por serem muito baixas). um intumescimento do meristema apical.0 para 6.0. encontrando-se essencialmente nesse estado em pH 9. a temperatura alta. a chuva. a inflorescência (Kerns et al. Atualmente. enquanto no tecido. Pérola.0 (valor máximo testado). que cessa de produzir primórdios foliares. v. 66 Tópicos em Ciências Agrárias. notase o surgimento da inflorescência no centro da roseta foliar. o tipo de muda. Lopez de Vélez & Cunha (1983) esquematizaram a influência desses diversos fatores (Figura 2). e a radiação solar. os fatores que influenciam a velocidade de decomposição do etephon adquirem grande importância. 1993). Tal fato pode ser confirmado. tendo sido observada uma gradação na suscetibilidade à floração. a liberação do etephon aumenta linearmente até o pH 9. Quando o produto entra em contato com as folhas. seu vigor e taxa de crescimento. por meio de um corte longitudinal do ápice caulinar. é sinal de que a floração já foi desencadeada. umidade relativa) na absorção. deve-se considerar a importância que as modificações na sua concentração e a intensidade dos fatores que influenciam sua decomposição exercem sobre a ação indutora desse produto. Entrando na corrente citoplasmática. a partir de 40-50 dias depois do tratamento de indução. Do mesmo modo como acontece no florescimento natural. como ocorre no estádio vegetativo. formando. Esse fato foi comprovado num teste de indução precoce de mudas de diversos tamanhos (20 a 47 cm). já que o produto é tido como relativamente estável na presença da luz.quando a planta está em fase de crescimento ativo e rápido. com as mudas maiores sendo mais sensíveis (Cunha. Nota-se. água gelada e gelo.. a resposta ao tratamento de indução artificial varia de acordo com o ambiente. defronta-se com fatores que dificultam sua absorção. dentre os quais destaca-se o pH do citoplasma. também. então. 1993). na fase seguinte. torna-se praticamente dispensável o uso de coadjuvantes.0 e 7. permitindo. considerando-se a demanda por produtos oriundos de cultivo orgânico e de produção integrada de frutas. que arrasta as gotículas antes de serem absorvidas pela planta. que dilui ou arrasta a solução depositada sobre as folhas (Py & Guyot. com aumento do diâmetro da área meristemática. assim.. tendo sido demonstrado que aos quatro dias após a aplicação do produto já se pode observar o início da diferenciação. o vento. 1936).

2009 67 . ou líquida (30-50 mL planta-1. o CaC2 pode alcançar uma eficiência de 100 % (Singh & Rameshwar. O ANA é mais eficiente quando aplicado próximo do período de diferenciação natural (Gowing. 1983).I. 1974). 1964). Fatores que influenciam a concentração Chuva Temperatura Vento Perdas Ethephon II. UFRB. Quando aplicado adequadamente. Fatores que influenciam a decomposição pH Enzimas Temp.5-1. como em pulverização total da planta. Fatores que influenciam a absorção Floração Tricomas Cerosidade Cutícula Estômatos Perdas III. de uma solução preparada com base em uma mistura de 350-400 g de CaC2 por 100 litros de água fria e limpa) em épocas secas. o que se observa com o tratamento de indução artificial em geral. Das. Tópicos em Ciências Agrárias. Ação do etileno Etileno Íon cloreto Decomposição Figura 2. 1. sendo que o carbureto de cálcio.4-D são aplicados no centro da roseta foliar. 1961. O carbureto de cálcio (precursor do acetileno) pode ser aplicado sob a forma sólida (granulado ou pó. enquanto que o ethephon. o acetileno e o 2. 0. v. o ANA e o BOH tanto podem ser aplicados no centro da roseta foliar. Representação esquemática de fatores que influenciam a eficiência do ethephon como indutor floral do abacaxizeiro (Fonte: López de Vélez & Cunha. o etileno e o BNA em pulverização sobre as plantas.0 g planta-1) em períodos chuvosos. Modos de aplicação dos indutores florais Os indutores florais diferem quanto ao modo de aplicação e eficiência.

0%). a exemplo do CaCO3 (carbonato de cálcio). 1. o que corresponde a concentrações de até 4. 1982).. Abutiate. sua eficiência. podendo ser carvão ativado (0. A maior eficiência observada nas aplicações noturnas pode ser o resultado de uma maior concentração do etileno nos tecidos da planta nessas condições e/ou melhor absorção do produto aplicado. caracterizado. das 20:00 às 05:00 horas da manhã. 1977.100 Faixa de ação dos coadjuvantes Percentagem de indução floral 80 60 40 20 0 10 50 Concentração do ethephon (ppm) 4. aumenta ainda mais a eficiência da indução artificial (Fahl et al. 1986). Porém. a concentração realmente recomendada é a de um a quatro litros do produto comercial para 1000 litros de água. 1981. possibilitando o uso de menor quantidade do produto. recomenda-se adicionar um coadjuvante à solução.5%0 a 1. seu uso é restrito. Cunha (1989a) obteve ótimos resultados adicionando 35 g de Ca(OH)2 a 100 litros da solução.000 Figura 3. Reinhardt & Cunha.000 litros) e a distribuição homogênea sobre as plantas muito importantes.0 ou 10. do etileno proveniente de um cilindro apropriado. 2009 . UFRB. assim. Essa operação consiste na pulverização total das plantas com uma solução saturada desse gás. levandose em conta que o abacaxizeiro é uma planta que apresenta. em um tanque contendo água fria. 1975. em dias nublados (Aldrich & Nakasone. 1983). viável apenas em plantios mecanizados. aplicando-se de 30 a 50 mL da solução por planta. qualidade do fruto e produção de mudas (Py & Silvy.0 aumenta bastante sua eficiência. o que resulta em mais de 90 % de eficiência na indução da floração.000 mgL-1. Nesse caso. Modelo hipotético da ação de produtos coadjuvantes na performance do ethephon. para o que podem ser usadas algumas substâncias alcalinizantes. ou então. Na2(CO3) (carbonato de sódio) e Ca(OH)2 (hidróxido de cálcio). 1975. 2-3 kg 100-1 litros da solução. É importante que os estômatos permaneçam abertos por um período de quatro a seis horas após a aplicação do indutor 68 Tópicos em Ciências Agrárias.04 %) + uréia (2%) aumentou a porcentagem de florescimento e reduziu o tempo de emersão da inflorescência e de maturação do fruto do abacaxizeiro 'Kew'. A adição de uréia (2%-3%). sob pressão. sendo o volume de água (6. sendo preferido em plantios mecanizados por apresentar eficiência comprovada e pelos seus efeitos benéficos sobre a inflorescência. portanto. alternativamente. pois. 1983). devendo ser efetuada preferentemente à noite. Cunha & Reinhardt. López de Vélez & Cunha. sendo. 1954). por tratar-se de uma substância gasosa e necessitar de equipamento específico para aplicação. no processo de diferenciação floral do abacaxizeiro (Fonte: López de Vélez & Cunha. a liberação do etileno.0%0) ou bentonita (1. Com relação ao ethephon.000 a 8.. elevando o pH para 10. portanto. como já foi visto. a concentração recomendada pode ser reduzida para 25 a 100 mg L-1. torna-se facilitada em meio alcalino (Dass et al. do qual o ethefon é precursor.0. A hora de aplicação do regulador vegetal é muito importante. A diminuição da acidez da solução indutora para um pH 8. O gás etileno também pode ser aplicado diretamente para induzir a floração do abacaxizeiro. o metabolismo ácido das crassuláceas (CAM). pela assimilação de CO2 e abertura estomática predominantemente noturnas. O ethephon a 25 mg L-1 + CaCO3 (0. Para facilitar a difusão desse gás na água e. A quantidade de etileno indicada por Dericke (1974) é de 800 g ha-1 por aplicação. v. obtida pela injeção.

a depender da cultivar. 1977). não dependem apenas da sua economicidade e praticidade. em trabalhos de melhoramento genético deve-se atentar para as progênies que tenham a capacidade de produzir frutos de valor comercial mesmo com uma pequena massa vegetal. Considerando que essas substâncias. o tratamento de indução floral pode ser efetuado quando o abacaxizeiro atingir sete a 15 meses após o plantio. mas não têm efeito sobre a duração da fase reprodutiva. o peso do fruto do abacaxizeiro depende. Foi abordado o envolvimento de diversos fatores na floração do abacaxizeiro. a depender da região ecológica (Cunha et al. 1979). essa repetição é desnecessária. Segundo Chan & Lee (2000). por algum motivo. muitos dos quais determinam o sucesso da indução artificial. o mesmo ocorrendo quando as condições ambientais são adversas à floração. o abacaxizeiro não responde de modo satisfatório à aplicação dos produtos florígenos. (1993) recomendaram que as pulverizações com os indutores florais sejam feitas com alto volume. para inibir a floração ou reduzir a eficiência da indução artificial. Afirma-se inclusive que. quanto ao etephon. Isso porque. 1995). a fim de obter-se uma maior eficiência. pois uma irregularidade na mesma pode trazer conseqüências danosas ao seu cultivo. O tratamento de indução da floração do abacaxizeiro é. elevando bastante o nível de CO2. apenas iniciam o processo de floração. uma falha de aplicação ou uma irregularidade na resposta das plantas ao tratamento. Havendo. também. devido à retomada de crescimento da planta (Bartholomew & Kadzimin. geralmente com cinco a dez meses de antecedência. pequenos frutos serão produzidos. o que geralmente é feito dois a três dias subseqüentes à primeira aplicação. a exemplo de um estresse hídrico severo. Logicamente. Alguns produtos requerem a repetição da aplicação. após um prolongado período de seca ou durante uma fase de crescimento ativo da planta ou de altas temperaturas. No entanto. evitando-se dias quentes para se reduzir falhas na floração artificial. 1. Sabendo-se que existe uma correlação positiva (linear) entre o tamanho/peso da planta e o peso do fruto para uma determinada região (Chan & Lee. Esses casos podem requerer uma maior dosagem dos produtos. Dentre outros fatores. Todavia. do estado nutricional e estádio de crescimento alcançado pela planta quando da diferenciação floral. a indução de plantas pequenas ou imaturas pode reduzir consideravelmente o rendimento da cultura. quando usadas como indutoras. a não ser ao encurtamento dos dias. parece que a suscetibilidade do abacaxizeiro à indução floral está relacionada à condição fisiológica da planta e não apenas à sua idade cronológica ou tamanho (Min. devido à pequena área foliar. assim. próximo do ápice caulinar. Assim é que. deve-se evitar o uso de doses muito elevadas dos reguladores vegetais. UFRB. a segunda produção. contribuindo. a alta temperatura diurna provoca uma descarboxilação intensa. devido à sua maior atividade celular. que é um possante inibidor do etileno. a sua aplicação deve ser planejada de acordo com a época que se deseja efetuar a colheita. Turnbull et al. que paralisa o crescimento da planta. A penetração dos produtos é mais rápida. v. não devendo ser superior a 26-28 oC. a escolha do fitorregulador (indutor) e do método de aplicação. mas também da sua eficiência. sendo que do seu êxito depende a rentabilidade dessa cultura. a não ser que chova até seis horas após sua aplicação. 1994). do manejo da cultura e da região. diz-se que após um determinado período do seu ciclo vegetativo.. ou após um período muito seco alternado com um chuvoso. isso é. apesar de Burg & Burg (1966) não terem encontrado correlação entre a produção de etileno e o tamanho da planta. 2000). Segundo Glennie (1979). a não ser naqueles casos cuja finalidade é a uniformização do florescimento já iniciado e que. Nessas situações pode-se usar os indutores com menores concentrações.(Glennie. a partir do final da tarde. no entanto. o mesmo valendo para o carbureto de cálcio. uma prática cultural imprescindível. daí porque a maior eficiência quando a aplicação é feita na roseta foliar. recomenda-se a repetição da indução individual das plantas que Tópicos em Ciências Agrárias. ocorreu de modo irregular. dificilmente o abacaxizeiro responderá aos estímulos do meio ambiente. caso pretenda-se explorar a soca. Porém. A temperatura ambiente durante a aplicação dos produtos é. como é o caso do etileno e do ANA. Outrossim. Geralmente. sem o domínio dessa técnica cultural. sabe-se que uma planta em fase de crescimento ativo não responde satisfatoriamente ao tratamento de indução artificial. Por outro lado. seria difícil pensar-se na exploração econômica dessa frutífera e que devido a esse fato é que os agricultores a cultivam. CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE A FLORAÇÃO DO ABACAXIZEIRO Conforme se depreende pelo que foi apresentado. 2009 69 . assim. o que prejudicará. Por outro lado. a fim de que não ocorram alterações fisiológicas na planta ou prejudiquem a qualidade do fruto. especialmente. também. muito importante. a indução floral artificial deve ser realizada antes da época provável ou favorável à floração natural. a floração na cultura do abacaxi assume aspecto relevante.

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CAPÍTULO 6 PRODUTIVIDADE VEGETAL: PRINCIPAIS FATORES Elvis Lima Vieira Tópicos em Ciências Agrárias .

a produção primária líquida menos o consumo heterotrófico) durante o período em consideração. mantendo um balanço positivo de trocas gasosas. UFRB. e representa a capacidade que a planta ou comunidade vegetal tem em explorar o espaço disponível (Pereira & Machado. geralmente a estação de crescimento. expresso relativamente ao uso respiratório pelas plantas durante o período de medição. Para Larcher (1986). convertendo-os em diversos tecidos (Odum. 2000). A TAL é um indicador da eficiência de uma planta na produção de matéria seca. O rendimento pode ser definido como a relação da quantidade de material produzido pelas plantas num determinado intervalo de tempo (geralmente um ano de colheita) por área de terreno utilizado. O IAF funciona como indicador da superfície disponível para interceptação e absorção de luz. sendo o principal fator a determinar a produtividade de uma cultura. que designa de uso eficiente da água de fotossíntese (UEAFS). como a taxa de assimilação líquida (TAL).edu. 2009 . também chamada de “fotossíntese total” ou “assimilação total”. é a quantidade de matéria seca formada pela vegetação em uma dada área. A eficiência de conversão de produtos sintetizados em material de importância econômica pode ser avaliada através do IC . de magnitude menor. seja de um sistema ecológico. em substâncias orgânicas. Define-se como produtividade secundária. 1987). e geralmente encontra-se entre os valores 2. 1995). Esta depende diretamente do índice de área foliar (IAF). sendo expressa com referência à área de solo coberta. A produtividade primária bruta. O IAF é ótimo para a produção quando a radiação fotossinteticamente ativa (RFA: 400 a 700 nm) é absorvida. pela atividade fotossintética e quimiossintética de organismos produtores (na maior parte. é a taxa global de fotossíntese. 1920). incluindo a matéria orgânica usada na respiração durante o período de medição. E-mail: elvieira@ufrb. Ambientais e Biológicas/UFRB. Cruz das Almas-BA. o qual difere do usual ou econômico. ou um ano. 1. tão completamente quanto possível. organismo ou população (Hopkins. Esta eficiência de conversão é determinada pelo genótipo e pelo ambiente (Pereira & Machado. como a área foliar por unidade de área de terreno. A produtividade líquida da comunidade é a taxa de armazenamento de matéria orgânica não utilizada pelos heterótrofos (ou seja. Segundo Hall & Coombs (1989). frutos). v. de uma comunidade ou de qualquer parte deles. Produtividade primária de um sistema ecológico é definida como a taxa na qual a energia radiante é convertida. 1987).br INTRODUÇÃO A fotossíntese é o processo responsável pelo fornecimento da energia necessária ao crescimento e desenvolvimento da planta.. assumindo que tanto L como W. quanto mais completa for a absorção de luz. durante sua passagem através do dossel de folhas. A taxa de armazenamento de matéria orgânica nos tecidos vegetais. em toneladas de matéria orgânica seca por hectare (t ha-1) ou (g m-2). Pode variar com a população de plantas. Segundo Ferri (1985). é definida como produtividade primária líquida. plantas verdes). O termo produtividade refere-se ao incremento em biomassa. raízes.Centro de Ciências Agrárias. as taxas de armazenamento energético em níveis de consumidores. a produção da comunidade ou produção primária (PP). o produto fotossintético total produzido pode ser chamado de rendimento biológico verdadeiro. que relaciona a massa da matéria seca da fração econômica de uma cultura (grãos. designada também de “fotossíntese aparente” ou “assimilação líquida”. distribuição de plantas e variedades.PRODUTIVIDADE VEGETAL: PRINCIPAIS FATORES Elvis Lima Vieira Professor . A TAL representa a taxa de incremento de massa de matéria seca (W) por unidade de área foliar (L) existente em uma planta. PP é maior quanto mais altas as taxas de assimilação das espécies que compõem a comunidade.0 e 8. Estes só utilizam materiais alimentares já produzidos. 1988). A fração utilizada é conhecida como índice de colheita (IC). que é a matéria seca contida em um órgão. e pode ser representada da seguinte forma: UEAFS = Fs / Tr ( m mol CO2 m-2 s-1 / mmol H2O m-2 s-1) 79 Tópicos em Ciências Agrárias.0 (Larcher. aumentam exponencialmente (Briggs et al. o IAF descreve a dimensão do sistema assimilador de uma comunidade vegetal. que foi definido por Watson (1952). Larcher (1995) apresenta uma relação entre a fotossíntese (Fs) e a transpiração (Tr) de uma planta. O balanço entre o material produzido pela fotossíntese e aquele perdido pela respiração é definido por Pereira & Machado (1987). e quanto mais longo for o período de assimilação. com a fitomassa seca total colhida.

o nível de irradiância no qual a fotossíntese bruta (FB) está em equilíbrio com a respiração (R) e com a fotorrespiração (FR). a concentração de CO2 do ar é bastante constante e relativamente baixa (0. Em termos ecológicos. 1995). fixada na forma de ligações químicas. fototropismos. Segundo Hopkins (1995). neste ponto a fotossíntese líquida (FL) é nula [FL = FB (R + FR)]. que apresentam este processo e normalmente se saturam com a luz natural (500 a 1000 mol m-2 s-1). v. fornece mais informações do que as taxas instantâneas de trocas gasosas. ao longo do qual se encontra com distintas resistências. incrementos na taxa fotossintética são conseguidos por aumentos nos níveis de CO2 por dois motivos: incremento na quantidade de substrato para a carboxilação pela enzima rubisco e. os vegetais expostos a maiores níveis de irradiância desenvolvem um eficaz sistema axial para condução da água. disponibilidade de CO2. a produção de matéria seca orgânica refere-se a área do estande. Apresenta outra relação.). o UEAFS também é afetado pelas condições climáticas. No campo. como por exemplo no fenômeno do estiolamento de plantas e nos fototropismos. 2009 . Para valores de irradiância acima deste ponto. UFRB. produzem grandes quantidades de matéria seca e são mais vigorosas. Existe uma interação entre os níveis de CO2 do ambiente e a luz. Além disso alcançam maiores valores de fotossíntese líquida em comparação às plantas C3. agricultural e florestal. nutrientes e a estrutura do dossel). que indica a percentagem de energia radiante absorvida. a fixação fotossintética bruta está equilibrada com a 80 Tópicos em Ciências Agrárias. a fotossíntese líquida será sempre positiva. através da regulação do processo fotossintético. pela fotossíntese. causando fotooxidações de pigmentos do cloroplasto e radiações ultravioletas alterando os ácidos nucléicos. a energia absorvida na forma de fótons pelos vegetais pode produzir basicamente três efeitos: 1) fotoenergéticos (fotossíntese. chamada de o uso eficiente da água de produtividade (UEAP). e o consumo de água refere-se à evapotranspiração total. Pelo contrário. temperatura. Neste último caso (uso eficiente da água de produtividade). proteínas. é definida como o uso eficiente de radiação pela fotossíntese (UERFS). O CO2 atmosférico tem que cruzar um longo e complicado caminho.) e 3) fotodestrutivos (altas irradiâncias da RFA). De maneira geral. das condições ambientais e das características funcionais e estruturais das plantas. definida pela razão entre a produção de matéria orgânica seca e o consumo de água: UEAP = produção de matéria orgânica seca consumo de água (g MS kg-1 H2O) A produção de matéria seca e a quantidade de água consumida podem ter como referência uma única planta ou um estande de plantas. Esta relação depende principalmente dos gradientes de concentração de CO2 e vapor d'água. Este aspecto é bem mais importante para as plantas C3 do que para as plantas C4. etc. Salisbury & Ross (1994) definem como ponto de saturação lumínica. Larcher (1995) propõe que a relação entre a produção de matéria seca e o consumo de água. Segundo Martinez (1995). os principais fatores que afetam a produtividade das plantas são: a variedade genética e os fatores ambientais (luz. podendo ser representada da seguinte forma: UERFS = energia química estocada x 100 energia radiante absorvida As taxas fotossintéticas não são amplificadas somente por aumentos nos níveis de irradiância. fotoconversões e fotooxidações). 2) fotocibernéticos (fotoestimulantes ou fotoinibidores de rotas metabólicas. água. em determinado período de crescimento de um vegetal. até chegar e ser reduzido no interior do cloroplasto.O UEAFS expressa qualitativamente e instantaneamente as trocas gasosas (CO2 e vapor d'água) que ocorrem na folha . enzimas. 1995). 1. A luz interfere sobre o processo de crescimento de forma indireta. através da competição com o oxigênio. em especial quando os estômatos estão parcialmente fechados (Hopkins. mas também por maiores concentrações de CO2. pela conversão de dióxido de carbono em compostos orgânicos. quando em condição de máxima irradiância solar (Martinez. O ponto de compensação de CO2 é atingido quando. as plantas de sombra exibem uma menor produção de matéria seca. O ponto de compensação lumínico se incrementa à medida que se aumenta a concentração de CO2. Em condições naturais. exercendo também influência direta sobre o crescimento. Em plantas C3. fotomorfogêneses etc. na concentração de CO2 atmosférico. Segundo Larcher (1995) e Larcher (2000) a eficiência da conversão de energia radiante solar em energia química. reduzindo a taxa de fotorrespiração. Geralmente as plantas C4 não apresentam o processo de fotorrespiração mensurável e não sofrem saturação lumínica.035% em volume ou 350 mL L-1). Suas folhas possuem várias camadas de células no mesófilo paliçadico e as células apresentam abundantes cloroplastos. maior eficácia na síntese de proteínas e baixa taxa respiratória e de intercâmbio hídrico. que possuem um mecanismo interno de concentração de CO2 em união ao fenômeno de insaturação lumínica.

perda de CO2 através da respiração e da fotorrespiração. Neste ponto, a fotossíntese líquida é aparentemente igual a zero. Logo, o processo fotossintético não poderá se beneficiar de incrementos nos níveis de CO2 se não superar este limite (ponto de compensação). De maneira geral, as plantas C3 possuem um ponto de compensação de CO2 mais alto (35 a 45 mmol mol-1) do que as plantas C4 (0 a 5 mmol mol-1) (Taiz & Zeiger, 2004). Hopkins (1995) apresenta um modelo que descreve a limitação da taxa fotossintética em função da concentração de CO2. Em baixas concentrações de CO2, a fotossíntese é limitada pela baixa capacidade de carboxilação de enzima rubisco. Em altas concentrações de CO2, as taxas fotossintéticas são limitadas pela taxa de regeneração do aceptor molecular, a ribulose-1,5-difosfato. Tradicionalmente, a produtividade das plantas tem sido avaliada pelas mudanças no seu peso, medido pela colheita de amostras a intervalos de dias, semanas ou meses. No entanto, a medição da taxa de troca de CO2 nos permite uma avaliação instantânea da produtividade minuto a minuto, caso seja requerido (Hall & Coombs, 1989). O crescimento vegetal é estimulado pela temperatura até certo limite, a partir do qual começa a atuar como fator de inibição. O papel regulador da temperatura sobre o crescimento se realiza através da regulação de enzimas que catalisam as reações que direta ou indiretamente interferem em todos os processos metabólicos e fisiológicos (germinação, respiração, transpiração, fotossíntese, fotorrespiração, translocação, absorção de água e nutrientes, floração, frutificação e senescência). Hopkins (1995) relata que a temperatura pode ser caracterizada por três pontos: o de mínimo (Tmin), o de máximo (Tmax) e o ótimo (Tótima) onde as reações se processam. A temperatura afeta fundamentalmente os processos químicos, mais que os físicos. A fotossíntese, a respiração e a fotorrespiração são afetadas de maneiras diferentes pela temperatura, pois as temperaturas ótimas diurnas afetam a produção (fotossíntese, fotorrespiração e respiração) e as temperaturas noturnas influenciam somente na respiração. De maneira geral, não existem taxas apreciáveis de fotossíntese à 0º C, a não ser aqueles detectados abaixo desta temperatura, em alguns liquens , plantas alpinas, espécies de tundra etc., porém não é um fenômeno habitual. A atividade das enzimas de carboxilação das plantas C4 (PEPcarboxilase) e da plantas C3 (Rubisco), apresentam pontos ótimos de atividade diferentes, 30º C e 25º C, respectivamente. Outro efeito marcante da temperatura ocorre sobre o processo transpiratório das plantas, que está relacionado diretamente com a fotossíntese (trocas gasosas), a temperatura foliar e com o estabelecimento de uma tensão hídrica na planta (Martinez, 1995). A água participa diretamente do processo de crescimento das plantas de diversas formas, como por exemplo: é o principal constituinte do protoplasma, participa diretamente de numerosas reações químicas (fotossíntese e respiração), praticamente todos os compostos orgânicos são solúveis em água, favorece o transporte de nutrientes e fotoassimilados dentro da planta, responsável pela turgescência celular, sem a qual não ocorrem as trocas gasosas e, é responsável pela estabilidade térmica do material vivo celular, favorecendo a manutenção das atividades bioquímicas do vegetal (Sutcliffe, 1980). Qualquer redução no potencial hídrico da planta afeta instantaneamente a abertura estomática, podendo induzir o fechamento estomático, causando diminuição das trocas gasosas e, consequentemente, reduzindo a fotossíntese. A taxa fossintética declina sob condições de estresse hídrico, e em caso de severo estresse hídrico, esta pode ser completamente anulada. De maneira geral, em condição de estresse hídrico, a redução na produtividade das plantas C3 é maior do que nas plantas C4. As plantas C4 apresentam algumas vantagens sobre as plantas C3, com relação à fotossíntese e estresse hídrico, por que elas são mais eficientes no uso da água. As plantas C3, C4 e MAC (metabolismo Ácido das Crassuláceas), apresentam diferentes aspectos em relação à fisiologia, bioquímica, botânica e ecologia, que afetam significativamente a capacidade produtiva destas plantas (Tabela 1). Os nutrientes minerais possuem uma extraordinária importância no crescimento e no desenvolvimento dos vegetais, desempenhando diversas funções como por exemplo: estrutural, constituinte de enzimas, ativador enzimático, regulador do pH citossólico, regulador da permeabilidade celular e na manutenção da neutralidade eletrostática intracelular (Malavolta et al., 1997). A nutrição mineral manifesta determinadas influências sobre a fotossíntese e interfere sobre todos os níveis de nitrogênio, cuja deficiência determina uma diminuição evidente nas taxas de fotossíntese, ou seja, na produtividade primária, devido à redução nas taxas de síntese protéica, particularmente da rubisco e dos elementos transportadores das cadeias eletrônicas (Hopkins, 1995). O potássio também interfere decisivamente na assimilação de CO2, afetando o mecanismo de abertura e fechamento estomático, a atividade de muitas enzimas e, em particular, a mobilização de proteínas e carboidratos. O cloro é indispensável para a fotólise da água e o sódio é essencial para a fotossíntese de algumas plantas C4. O ferro é necessário ao metabolismo das clorofilas e das proteínas férricas do transporte eletrônico. O magnésio afeta a síntese de clorofilas, a ativação de numerosas enzimas fotossintéticas e participa também da fotólise da água no fotosistema II (Martinez, 1995). A máxima possibilidade fotossintética conseguida por uma folha é conhecida de capacidade fotossintética foliar, sendo determinada através da taxa de fotossíntese por unidade de área foliar sob condições de saturação de luz incidente, concentrações normais de CO2 (0,003%) e O2 (21%), ótimo de temperatura e alta umidade relativa. A
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81

capacidade fotossintética foliar é altíssima em plantas adaptadas a ambientes rico em recursos onde luz, água e nutrientes são abundantes. A redução da fotossíntese é uma conseqüência de deficiência de praticamente todos os elementos essenciais, mas a capacidade fotossintética foliar é particularmente sensível ao suprimento de nitrogênio. Como constituinte básico da molécula de clorofila, participante de reações de redox no transporte de elétrons e envolvido com todas as enzimas do metabolismo do carbono, o nitrogênio assume um papel crítico na produtividade primária dos vegetais (Hopkins, 1995). De maneira geral, ótimas taxas fotossintéticas são coincidentes com uma nutrição mineral equilibrada e de concentrações ótimas. A produtividade primária líquida de um estande de plantas é notadamente influenciada pela estrutura do dossel. Esta estrutura é alterada pela idade, morfologia, pelo ângulo e espaçamento individual entre folhas. A capacidade fotossintética de uma folha declina com a senescência. Esta deterioração progressiva da folha é caracterizada, em parte, pela redução de clorofilas e da atividade das enzimas ligadas ao processo fotossintético. Muitas plantas herbáceas apresentam uma seqüência na senescência foliar. Quando as folhas mais velhas do dossel estão senescentes, as folhas novas estão em formação no topo do dossel. A arquitetura do dossel é muito importante quando se considera a produção agrícola e os ecossistemas naturais, pois esta determina como a luz será eficientemente absorvida. Altas produtividades dependem em parte da extensão de área de solo que é coberta com superfície fotossintetizante, porque a luz solar exposta ao solo não contribui para a produtividade. Estas relações são avaliadas através do IAF (Hopkins, 1995). Hall & Combs (1989) apresentam de forma resumida (Figura 1) a seqüência lógica a ser observada para resolução dos problemas referentes às etapas limitantes da eficiência do processo energético luminoso na conversão de um determinado cultivo em biomassa. No entanto, alertam que, mesmo antes de buscar tais respostas, deve-se primeiro verificar se é possível definir as melhores condições ambientais e de produtividade das plantas. Tabela 1. Comparação entre plantas C3, C4 e MAC quanto aos aspectos que influenciam na produtividade vegetal.
CLASSES DE PLANTAS

C3
PARÂMETROS

C4 Mesófilo Foliar, presença de Bainha Vascular (BV), com cloroplasto (Anatomia Kranz) Mesófilo granal e Bainha Vascular granal ou agranal Cerca de 4 : 1 1:5:2

MAC Mesófilo foliar, ausência de Bainha Vascular, células com grandes vacúlos. Granal <3:1 Na luz 1 : 3 : 2 No escuro 1 : 5 : 2 Nas intensidades intermediárias e altas. Inferior às plantas C4 Assimilação de CO2 noturna Na luz: RuDP No escuro: PEP PGA à luz Malato no escuro Rubisco na luz PEPcase: no escuro
Rubisco: luz PEPcase: escuro Rubisco/cloroplasto PEPcase/citoplasma continua...

01

ANATOMIA FOLIAR

Mesófilo Foliar (MF), ausência de Bainha Vascular, com cloroplasto - Parenquimático Granal Cerca de 3 : 1 1:3:2

02 03 04

CLOROPLASTOS CLOROFILA a / b RELAÇÃO CO2 : ATP : NADPH+ SATURAÇÃO DE LUZ DA FOTOSSÍNTESE

05

Há intensidade intermediárias ~1/3 Não satura a altas intensidades (50 - 150 Wm-2) (+ 500 Wm-2) (500 - 1000 m mol m2 s-1) -1 (2000 mmol quanta m-2 s-1) -2 (600 a 800 m mol quanta m s ) 30°C : 18,9 20°C : 15,4 20 ou 30°C gramíneas = 15,9 dicotiledôneas = 17,5 Fosfoenolpiruvato (PEP) Ácidos C4 - (AOA) (Malato ou Aspartato) PEP carboxilase (PEPcase)

06

EFICIÊNCIA QUÂNTICA (mol quanta/mol CO2

07 ACEPTOR PRIMÁRIO DE CO2 atm. 08 PRIMEIRO PRODUTO ESTÁVEL DA FOTOSSÍNTESE ENZIMA PRIMÁRIA DE CARBOXILAÇÃO
Km DA ENZIMA DE CARBOXILAÇÃO LOCALIZAÇÃO DA ENZIMA DE CARBOXILAÇÃO

Ribulose 1,5 difosfato (RuDP) Ácidos C3 Ácido 3 - fosfoglicérico (PGA) RuDP carbosilase/oxigenase Rubisco* Carboxidismutase
Rubisco (@20 m MCO2) 20mM CO2 Rubisco - cloroplasto (MF)

09

10

PEPcase (@5 m MCO2) 100 a 160 mM HCO-3 PEPcase: - citoplasma (MF) Rubisco - cloroplasto (BV)

11

82

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... continuação
CLASSES DE PLANTAS

C3
PARÂMETROS

C4

MAC CO2: luz HCO 3: escuro Sem referência

12 13

SUBSTRATO DA CARBOXILAÇÃO TEMPERATURA ÓTIMA/ENZIMA TEMPERATURA ÓTIMA PARA FOTOSSÍNTESE ABERTURA ESTOMÁTICA NA PRESENÇA DA LUZ

CO2 Rubisco: 20 - 25°C

HCO 3 PEPcase: 30 - 35°C

-

14

20 - 35°C Grande (fotoativas) Forte inibição na presença da luz Aumento do processo fotorrespiratório 3 a 5 vezes MAIS que a respiração no escuro

30 - 45°C Pequena a média (fotoativas)

30 - 45°C Pequena ou nula (não fotoativas) Forte inibição na presença da luz Não há aumento Difícil de determinar Não mensurável, difícil determinar Na luz: 0 - 200 ppm No escuro: < 5 ppm

15

EFEITO DEPRESSIVO 16 DO OXIGÊNIO (21%) NA FOTOSSÍNTESE 17 EFEITO DE ALTAS TEMPERATURAS

Sem efeito

Não há aumento 10 vezes MENOR que a respiração no escuro

VELOCIDADE RELATIVA 18 DA FOTORRESPIRAÇÃO

LIBERAÇÃO DE CO2 NA Sim; presente em torno de 25 19 LUZ (FOTORRESPIRAÇÃO a 30% do valor da fotossíntese APARENTE) 20 PONTO DE COMPENSAÇÃO DE CO2 50 - 150 ppm (ALTO) 30 - 70 mmol CO2 mol 20 - 100 mLCO2L-1

Não mensurável 0 - 10 ppm (BAIXO) 0 - mmol CO2 mol 0 - 5 mLCO2L-1

PONTO DE COMPENSAÇÃO LUMÍNICO (RFA) 21 20°C - 340 ppmCO2 CONSUMO DE H2O PARA PRODUÇÃO DE MATÉRIA SECA EFICIÊNCIA NO USO DE ÁGUA (E.U.A) N NA FOLHA PARA ATINGIR FOTOSSÍNTESE MÁXIMA REQUERIMENTO DE Na COMO MICRONUTRIENTE EFICIÊNCIA NO USO DE NITROGÊNIO (E.U.N.) VELOCIDADE MÁXIMA DE CRESCIMENTO gms dm-2 dia-1
+

6 - 10 mmol m s

-2

-1

4 - 8 mmol m-2 s-1

Sem referência

22

450 - 1000 moles de H2O transpirada/mol de CO2 assimilado 1a3g -1 CO2 Kg H2O 6,5 - 7,5% peso seco Não

200 - 350 moles de H2O transpirada/mol de CO2 assimilado 2a5g -1 CO2 Kg H2O 2,0 - 4,5% peso seco Sim

18 a 125 moles de H2O transpirada/mol de CO2 assimilado 1a4g -1 CO2Kg H2O

23

24 25

Sem referência Sim

26

Rubisco > 50%

Rubisco: 25% PEPcase: 10% 4,0 - 5,0

Rubisco: 25% PEPcase: 10% 0,015 - 0,02
Na luz leve No escuro média 2,5 - 7,6 mmol CO2 m-2s-1

27

0,5 - 2,0

CAPACIDADE 28 FOTOSSINTÉTICA LIQUIDA FL = [FB - (FR+R)] REDISTRIBUIÇÃO DOS PRODUTOS DE ASSIMILAÇÃO PRODUÇÃO DE MATÉRIA SECA

Leve e alta 15 - 40 mg CO2 dm-2 h-1 15 - 25 mmol CO2m2 s-1

Alta e muito alta 60 - 100 mg CO2dm-2h-1 25 - 40 mmol CO2m-2s-1

29

Lenta (MF) 22 + 3,3 ton ha-1 ano-1 (média) 0,2 a 0,4 ton ha-1 dia-1 (leguminosas

Rápida (BV) 38 + 16,9 ton ha-1 ano -1 (alta) 0,5 ton ha -1 dia -1 (cereais)

Variável Pouco conhecida, menos que C3 (baixa)

30

continua...

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83

... continuação
CLASSES DE PLANTAS

C3
PARÂMETROS

C4

MAC Desértico, semi-árido. Crassuláceae, Cactáceae, bromeliaceae, Agavacecae, Liliaceae, Euphorbiaceae e Orchidacecace. Abacaxi e Sisal.

31

OCORRÊNCIA (CLIMA)

Temperado, equatorial e tropical. Tropical, subtropical, semi-árido e desértico. Milho, sorgo, Arroz, trigo, cebola, leguminosas, cana-de-açúcar e Atriplex. avena e tabaco. Todas Maioria das monocotiledônias gimnospermas angiospermas (gramínease ciperáceas) (285.000 espécies), e 300 espécies de briófitas e algas. cotiledônias).

Decréscimo na produção medido pela queda na taxa de crescimento absoluto (planta) e na taxa de crescimento da colheita (plantações)

Análise do crescimento das plantas

Decréscimo na taxa líquida de assimilação

ou

Decréscimo na área da folha ou copas
Estudos de trocas Gasosas

Decréscimo na taxa de fotossíntese das folhas

ou

Aumento no total das perdas de respiração
Medição da resistência difusiva

Aumento das limitações dentro do mesófilo

ou

Aumento das limitações impostas pelos estômatos Estudos biofísicos e bioquímicos

Efeitos na fotoquímica e fotossíntese do transporte de elétrons

ou

Efeitos no metabolismo fotossintético do carbono

Figura 1. Análise redutora dos fatores que limitam a produtividade. Fonte: Adaptado de Hall & Combs, 1989.

Mayer (1975) apresenta uma relação de aspectos a serem pesquisados, com relação à produtividade agrícola, designados por ele de pesquisas imperativas: a) Com relação ao fornecimento de carbono: - Identificar os aspectos da fotossíntese os quais limitam a fixação de CO2 nos ambientes naturais; - Elucidar as relações entre o desenvolvimento das plantas e o processo fotossintético; - Suprir as plantas de novos procedimentos para seleção, em relação à produção. b) Com relação a nutrição nitrogenada:
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- Minimizar a energia e custos na fabricação dos fertilizantes nitrogenados; - Desenvolver a nutrição nitrogenada de auto-suficiência para as plantas; - Maximizar a eficiência do uso do nitrogênio do solo e do fertilizante nitrogenado; - Aperfeiçoar as características nutricionais dos produtos agrícolas. c) Com relação à interação água - solo - minerais: - Administrar a relação entre a produção água - solo; - Tornar viável o controle da erosão e desenvolver novas tecnologias, especialmente para se cultivar em terras marginais; - Estudar e conhecer como a planta se relaciona com a célula, em relação à água e como esta relação afeta a produtividade agrícola, e desenvolver métodos para a manipulação destas relações; - Relacionar a água e o solo administrando o sistema para prevenir a salinização; - Desenvolver sistemas de produção agrícola compatível com o interesse da comunidade e com o ambiente; - Adaptar o solo administrando práticas para cultivos de subsistência para países em desenvolvimento; - Desenvolver tecnologias de solos para a produção agrícola em solos problemáticos (ex: oxisolos, ultisolos); - Evoluir métodos de administração de solos para aperfeiçoar as características dos solos, assegurando a germinação de sementes; - Caracterizar e quantificar os problemas de estresse em solos, relatando os resultados para que se possa realizar pesquisas nas áreas de genética, fisiologia e cultural; - Identificar a aumentar o uso de fontes baratas para o melhoramento do solo e nutrição de plantas, incluindo lixo e resíduos de culturas; - Estimular a absorção e crescimento de plantas, pelo uso de micorrízas selecionadas e/ou bactérias da rizosfera; - Esclarecer a absorção de nutrientes minerais de culturas em meio salino, ambiente com íon tóxico e em solos altamente férteis, pela utilização de culturas selecionadas através de melhoramento genético; - Quantificar quimicamente, fisicamente e biologicamente as propriedades da interface raiz-solo e seus papéis na nutrição mineral e absorção de água; - Investigar a distribuição radicular e as características de absorção de componentes de produtos múltiplos, os quais maximizam o uso dos recursos do solo; - Elucidar o controle metabólico e a integração do transporte iônico do solo para dentro dos pêlos absorventes e da planta; d) Com relação ao estresse ambiental: - Manipulação dos produtos agrícolas ou do seu ambiente, o que poderá evitar ou reduzir as injúrias causadas pelo estresse e aumentar a produtividade; - Explorar o potencial genético para desenvolver novas variedades resistentes ao estresse; - Elucidar os princípios básicos das injúrias provocadas pelo estresse e da resistência, avaliar a oportunidade e natureza dos danos do estresse. e) Com relação aos processos de desenvolvimento das plantas: - Utilizar técnicas de culturas de células e tecidos, para acelerar geneticamente a produção de plantas; - Identificar e avaliar os mecanismos de controle para o desenvolvimento de uma planta; - Determinar as bases fisiológicas e genéticas com relação aos estresses ambientais; - Preservar as fontes e explorar as possibilidades da variabilidade genética; - Combinar as disciplinas de genética e fisiologia de plantas para projetar plantas; - Continuar e encorajar as pesquisas básicas em desenvolvimento de plantas.
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Assim sendo. 86 Tópicos em Ciências Agrárias. Esquema da expressão fenotípica da produtividade (Nasyrov. 1978). . . 2009 . Figura 2. a produtividade final da cultura depende de: a) quantidade de energia incidente (excitação eletrônica). que ocorrem na ontogênese sob influência das condições externas (Nasyrov. b) quantidade de energia interceptada e absorvida. . UFRB. É estimado que a produtividade potencial possa chegar a 12%. Segundo Bernardes (1987). c) quantidade de energia convertida (fixação de CO2). . não atingindo 1% na maioria das espécies. d) quantidade de energia transportada para as partes úteis da planta (partição de assimilados) e e) metabolismo nas partes úteis da planta (eficiência na utilização). a eficiência fotossintética das plantas é baixa. A baixa eficiência é considerada o primeiro fator limitante da produtividade. v.Melhorar os pesticidas e o seu uso. A produtividade de uma planta é resultado de processos e diversas reações complexas.Inovação de abordagens para proteção de plantas. . .Desenvolver e implementar modelos para a prática de proteção de plantas. 1.Treinamentos para se desenvolver resistência estável de doenças em plantas.Expandir as pesquisas para que no futuro se desenvolva o controle biológico de plantas. Em condições ótimas registra-se eficiência de 3 a 4% nas plantas C3 e de 5 a 6% em plantas C4.f) Com relação à proteção de plantas: . 1978). Vários são os componentes que englobam este complexo mecanismo da expressão fenotípica da produtividade (Figura 2).Necessidade de pesquisas para o desenvolvimento e administração de sistemas integrados para combinar proteção estável para os vários estilos de agricultura.Aumentar o entendimento dos fundamentos biológicos das doenças.

Finalmente. os hormônios vegetais iniciam processos de crescimento e diferenciação. Magalhães. onde estão envolvidas a floração e a maturação do fruto (Martinez . Tópicos em Ciências Agrárias. regulando o crescimento e o desenvolvimento vegetal (Castro & Vieira. Todas as partes da planta são informadas também através da síntese. Segundo Larcher (1995). os hormônios vegetais também possuem um papel de coordenação dentro do organismo. e sincronizam o desenvolvimento da planta com as mudanças estacionais do ambiente.Laborde & Garcia. 1987). 2002). outros animais e o próprio homem). dependendo do órgão envolvido e da predisposição da planta. 1989). Esta fase é denominada exponencial ou logarítmica (fase I). produção de vagens. influenciando positivamente na produção e produtividade das culturas. sendo esta. 2004). ocorre uma fase central de rápido aumento de tamanho designada fase de crescimento ou fase linear. O aumento da fotossíntese pode ser alcançado através de: aumento da interceptação e melhoria da distribuição da radiação fotossinteticamente ativa (RFA) no dossel da planta. Além disso. nebulosidade. Segundo Casillas et al. As reações provocadas podem se sinergéticas ou antagônicas. UFRB. Os fatores endógenos são ativos não somente em níveis molecular e celular. mais sim uma reação normal frente às ações dos fatores ambientais. de um ou mais hormônios. Junto com os fatores externos.Segundo Lucchesi (1987). Após a germinação e o estabelecimento de uma plântula . O fenótipo não é uma mera tradução do genótipo. v. sendo portanto capazes de promoverem as mais variadas alterações morfológicas e fisiológicas nos vegetais. função da disponibilidade de água e nutrientes do substrato e da capacidade fotossintética (fixação de CO2) da planta. vento. Vários processos têm sido investigados com o objetivo de se elevar a produção vegetal: eficiência fotossintética. A aplicação de biorreguladores e de estimulantes vegetais. para se obter eficiência no melhoramento genético. O crescimento de um vegetal é lento no início e depende das reservas (cotilédones ou endosperma) contidas nas sementes. eficiência de uso de minerais pela planta. e corresponde às últimas etapas do desenvolvimento da planta. No entanto. pragas. afetando os processos metabólicos através da transcrição e tradução. os principais fatores envolvidos na produção vegetal são: a) cinética do crescimento vegetal e b) controle do crescimento e do desenvolvimento vegetal (controle intracelular ou genético. 1994 . O controle ambiental. da manipulação da arquitetura foliar do aumento da eficiência de conversão da RFA em matéria seca através da manipulação das taxas de fotossíntese bruta. Segundo Salisbury & Ross (1994). as demais características (aquelas que não sejam objeto do melhoramento) devem se manter relativamente uniformes (Snyder & Carlson. como catalisadores. 1985). A ação interna dos hormônios depende do estádio de desenvolvimento da planta. Adicionalmente. com expectativas de boas produtividades. (1986). A utilização dessas substâncias pode influenciar positivamente a germinação de sementes. onde existe uma relação linear entre o logaritmo do crescimento e o tempo. respiração e fotorrespiração (Hay & Walker. latitude. moléstias. fixação de nitrogênio atmosférico e seu aproveitamento. Esta fase se denomina fase de envelhecimento ou de senescência (fase III). redução do ciclo produtivo (permitindo mais safras) e tolerância à condições de estresse (York. Seus resultados. e o teor de matéria orgânica. após a planta ter atingido o tamanho definitivo. número e massa seca de grãos por planta (Vieira & Castro. é necessário que as características em questão apresentem diferenças facilmente observadas e herdabilidade suficiente para se obter diferenças nas progênies. O controle genético envolve as características da planta que ela carrega em sua bagagem genética herdada. armazenamento e mobilização de substâncias nutritivas. tem apresentado resultados significativos. e estão em constante interação com os fatores ambientais. outras plantas. visando aprimorar os padrões de produção e produtividade. controle intercelular ou hormonal e o controle extracelular ou ambiental). certamente. 1. São as condições do ambiente onde está inserido o vegetal (Lucchesi. quando aplicadas em baixas concentrações em sementes ou na parte aérea das plantas. Os vegetais estão condicionados pela sua constituição genética. 1984). água. Vieira & Monteiro. 2009 87 . índice de colheita (IC). atividade metabólica. serão bem mais expressivos e significativos em cultivos onde o sistema de produção já apresenta níveis elevados de tecnologia. transporte. O significado ecológico dos hormônios vegetais reside no seu papel como substâncias tradutoras. respondendo e percebendo os estímulos ambientais. ocorre uma fase em que a taxa de crescimento vai sofrendo decréscimos cada vez maiores na acumulação de matéria seca. da natureza do estímulo externo e do tempo de ação. Os fatores do meio biológico (biocenose) são os organismos que podem afetar o crescimento e o desenvolvimento do vegetal (microorganismos. 1994). pode afetar a morfologia e a reprodução do vegetal. vigor das plântulas. 2001. existem evidências de que os hormônios vegetais controlam a atividade gênica. ou mudanças na concentração. Os fatores físicos (biótopo) podem ser classificados como climáticos (altitude. temperatura e energia radiante) e edáficos (posição geográfica. também conhecido como de concorrência. Os hormônios atuam em nível de genes. topografia e o material de origem do solo que influencia nas propriedades físicas e químicas. crescimento e desenvolvimento radicular. É um período de crescimento vegetativo (fase II). essas substâncias. favorecem um melhor desempenho dos processos fisiológicos vitais. eles regulam a intensidade e a direção do crescimento. gases atmosféricos. Os hormônios vegetais agem em diminutas concentrações.

M. A.A. New York: John Wiley & Sons. BRIGGS.J. v.A. K. 185195. p.. 1.O. Buckup. In: CASTRO. 2. 290p.. Biol. . P. W.. BOOTER. 7. Ann.L.. A quantitative analysis of plant growth. BRIGGS. P. utilizaram os modelos SOYGRO e MAIS para estimar o efeito de algumas estratégias de manipulação genética sobre o aumento de produção em soja e milho. a manipulação do período de enchimento de grãos parece ser a característica mais promissora em termos de aumento de produtividade. Aplicações de reguladores vegetais na agricultura tropical. G.. (Eds.. HALL. D. GIFFORD. LARCHER. 1986. Acta Agronomica.). LARCHER.. F. M.A. 13-48. part I.225. 292p. Ann. 1920. de Antonio de Pádua e Hildegard T. Ecofisiologia vegetal. p. respectivamente. São Carlos: RiMa Artes e Textos.. G.. Guaíba: Livraria e Editora Agropecuária. 1985. no entanto. E. 2001. J. 36. n. Crop productivity and photoassimilate partitioning. An introduction to the physiology of crop yield.L. WEST. Trad. Carlos Henrique Britto de Assis Prado. I.O.J.J. cap. n. Introduction to plant physiology. v.R. WEST. provavelmente devido a mecanismos de auto regulação da planta (Gifford et al.K. FERREIRA.). R. v.. Nova York.H. M. 1920.R. Appl.T. Science. 319p. 1987. Longman Scientific and Technical. KIDD. 103-123.D.M.G.. p. 132p.G. Trad. p. p. 4664. Analisis cuantitativo de la aplicacion de cuatro bioestimulantes en el cultivo en el cultivo del rabano (Raphanus sativus L. S. V.J. 1989.J. 531p.. Piracicaba: POTAFOS. THORNE.C. Fortaleza: Edições Universidade Federal do Ceará.E. Ecofisiologia vegetal. Técnicas de bioprodutividade e fotossíntese. R. T. J. v. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária Ltda. não tem sido possível aumentar a produção através de manipulação genética ou química do sistema fotossintético em níveis inferiores ao de desenvolvimento da área foliar. CASTRO. R. INC. UFRB. YAMADA..A. COOMBS.M. F. Fisiologia vegetal 1.. que qualquer alteração genética nas plantas deve vir acompanhada de mudanças nas técnicas agronômicas a fim de que realmente haja um incremento da produção em nível de campo. Fotossíntese no dossel das plantas cultivadas. REFERÊNCIAS BERNARDES. 88 Tópicos em Ciências Agrárias. W. Part I.. 1995. 2009 . BUITRAGO G. K.7. HITZ. têm se procurado avaliar o efeito de possíveis alterações genéticas na planta sobre seu potencial produtivo através de modelos de simulação.. por exemplo. v..C.E.A.801-808. 1986. Appl. C.H. VIEIRA. 1984. FERRI..S.103-123. In: BOOTE. LONDOÑO. Modelling genetic yield potential. 1984).C. GUERRERO A. . Biol. C. HAY.Apesar de ser possível elevar a produção aumentando a taxa fotossintética através de alterações no meio ambiente (nível de CO2 ou luminosidade).. 2. É importante lembrar. WALKER. GIAQUINTA. 2000. Ultimamente. 464p. W. A quantitative analysis of plant growth.. 1989. 362p. . São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária Ltda. CASILLAS. TOLLENAAR. Ecofisiologia da produção agrícola. Boote & Tollenaar (1994). KIDD. HOPKINS. W. Segundo esses autores.

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CAPÍTULO 7 ECOFISIOLOGIA E FLORAÇÃO DA MANGUEIRA E CRESCIMENTO DO FRUTO DE MANGA Manoel Teixeira de Castro Neto & Anna Christina Passos Menezes Tópicos em Ciências Agrárias .

forma. 1997). coriáceas. INTRODUÇÃO A cultura da mangueira se destaca na pauta de exportação das frutas brasileira e portanto. é necessário o conhecimento dos aspectos ecofisiológicos da cultura para que se possa desenvolver um manejo sustentável e produtivo. muitos desses caem ao atingirem 2. Cruz das Almas-BA E-mail: mtcastroneto@gmail. considerandose que em torno de 0. É conhecida pela sua alternância de produção ou produção irregular. FLORESCIMENTO E FRUTIFICAÇÃO A mangueira (Mangifera indica L.ECOFISIOLOGIA E FLORAÇÃO DA MANGUEIRA E CRESCIMENTO DO FRUTO DE MANGA Manoel Teixeira de Castro Neto1. 2009 93 . 1960). Para o florescimento da mangueira.Centro de Ciências Agrárias. que tem como causa o florescimento irregular. Em nenhum momento os pontos discutidos aqui são conclusivos e há muito o que saber antes de se ter uma posição definitiva sobre a ecofisiologia da mangueira.1995). Estes surtos estão correlacionados com os futuros florescimentos e conseqüente frutificação. sendo essa diferenciação. v.Faculdade de Agronomia do Médio São Francisco/UNEB. coloração da casca. o processo de indução do florescimento é o que tem chamado mais a atenção dos pesquisadores e produtores. A iniciação e desenvolvimento de novos ramos dependem da disponibilidade de nitrogênio.1% das flores hermafroditas chegam efetivamente a frutificar (Silva. A principal finalidade desta publicação é mostrar o conhecimento atual sobre o assunto e onde são necessárias informações para elucidar os fatores que limitam a produtividade da cultura. uma vez que ramos entre 4 a 18 meses de idade poderão emitir inflorescências (Silva. 1997). muitos trabalhos têm sido conduzidos focando-se diferentes aspectos da cultura. umidade e produção de carbohidratos. diversos trabalhos foram conduzidos no programa de pós-graduação da então Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia. florescimento e Tópicos em Ciências Agrárias. com pedúnculo curto (Silva. dependendo das condições climáticas de cada região. HÁBITOS DE VEGETAÇÃO. em grande parte influenciada pelas condições ambientais e tratos culturais (Singh. 1. Ambientais e Biológicas/UFRB. uma vez que determinam a colheita final (Doni. A mangueira se caracteriza por apresentar baixa eficiência em termos de frutificação. As folhas são lanceoladas. com a copa variando da forma arredondada globosa à piramidal. que é coriácea. é importante que haja a paralisação do crescimento da planta e um período anterior de dormência. 1995). é cultivada nas mais diversas regiões equatoriais e mesmo nas subtropicais. Juazeiro-BA. considerada uma frutífera tropical. em muitos casos fatores climáticos limitantes ao seu desenvolvimento. Além destes fatores. apresentando um crescimento vegetativo caracterizado por desenvolvimento ativo e dormências periódicas (Castro Neto. podendo ser compacta ou aberta. Dentre destes aspectos. a variação no nível de inibidores/promotores de crescimento nas folhas e/ou ramos afetam o padrão de crescimento da planta (Castro Neto. com características muito variáveis quanto ao tamanho. que apresentam. e neste capítulo são colocados alguns resultados obtidos.com Professor . Pode apresentar vários surtos vegetativos por ano. Ecofisiologia da mangueira A mangueira. Anna Christina Passos Menezes2 1 2 Professor .4 cm de diâmetro. Para Popenoe (1917). em alguns casos os frutos desenvolvem-se partenocarpicamente. 1974). peso. No estudo da frutificação da mangueira. a fixação e a queda dos frutos adquirem uma importância fundamental. queda de flores e frutos. Como não poderia deixar de ser. a queda indica a necessidade de polinização das flores. UFRB. pois. as sementes variam também em termos de forma e tamanho.) se caracteriza por possuir porte médio a alto (10 a 30m). primavera e verão. distribuídos do final de inverno. As variedades apresentam fruto tipo drupa. 1997). Sendo assim. contudo. BOTÂNICA. e a polpa com vários tons de amarelo.

1997). A relação entre a atividade fotossintética das folhas e o florescimento da planta não foi investigada pelos autores. sendo os fatores: luminosidade. os mais importantes que afetam o desenvolvimento da mangueira. 1966). Crescimento e graus-dia O conceito de graus-dia data de 200 anos atrás. zero de vegetação é a temperatura abaixo da qual não ocorre desenvolvimento vegetativo. A temperatura base para a qual a mangueira não apresenta crescimento e desenvolvimento tem sido 9°C (Davenport. 1995). deficiência hídrica. O acúmulo de graus-dia também tem sido usado para calcular a melhor época de colheita da manga. só irá frutificar bem com luz solar direta e abundante. foi sugerida uma diferença entre a atividade fotossintética das folhas diretamente expostas ao sol quando comparadas com as folhas sombreadas da parte interna da copa (Schaffer & Gaye. a mangueira poderá florescer à sombra porém. Para a cultivar Carabao.5 a 27oC é considerada como ideal para o cultivo e. o que causaria injúrias nas estruturas reprodutivas (Sturrock. em Pakchong nordeste da Tailândia. Temperatura Todos os seres vivos apresentam limites de temperatura bem definidos. A faixa de temperatura entre 19. consequentemente. Sendo assim. que pode provocar a queda total das flores e frutos jovens (Costa. Para estes autores. influindo na vegetação. 1997). por exemplo. 1981). requer uma combinação de temperatura diurna/noturna de 19/13oC ou 25/19oC por um período de duas ou mais semanas para alcançar uma floração de 60 a 80% (Shu & Sheen. é relativamente constante. v. Segundo Piza Jr. 1. perturbando o balanço hídrico (Castro Neto.). em seu desenvolvimento normal (Mandelli.9°C. Luminosidade Existem poucas informações sobre os efeitos da luz nas trocas gasosas da folha da mangueira. e essa quantidade de calor é expressa em grausdia (Mota. umidade do ar e do solo. A temperatura é um dos elementos climáticos mais importantes para a mangueira (Simão. a menos que venham acompanhadas de baixa umidade e ventos fortes. Muitas pesquisas evidenciaram este fenômeno.frutificação (Silva. (1992) encontraram 109 a 94 Tópicos em Ciências Agrárias. UFRB. temperaturas altas até 45oC não são prejudiciais à mangueira durante as diferentes fases de crescimento da planta. O conceito de unidades térmicas relaciona a taxa de desenvolvimento da planta com a temperatura acumulada acima da temperatura mínima basal (Monteith. Bugante citado por Lizada (1991) estabeleceu um período de 110 -130 dias para o fruto atingir a maturação. para a cultivar Nang Klangwan. O crescimento de uma planta é diferente de acordo com a quantidade de calor a qual ela é submetida durante toda a sua vida. na época do florescimento. A mangueira responde claramente a uma determinada combinação de temperatura diurna e noturna. independentemente da época de plantio e local onde é feito o cultivo. auxiliando a abertura de flores e reduzindo o ataque de fungos. 1984). para Maranca (1975). A maioria das panículas emitidas se situam na periferia da copa. 1989). medido em graus-dia. Qualquer deficiência ou excesso resulta em alterações no seu metabolismo e. 1987). (1995). o que aumentaria a transpiração e perda de água. De maneira semelhante. Alguns autores estudaram a correlação entre a luminosidade e a atividade fotossintética e apesar dos resultados dos estudos não terem sido conclusivos.. a ocorrência de baixas temperaturas propiciaria condições favoráveis ao desenvolvimento de oídio (Oidium mangifera B. sugerem existir uma "temperatura-base" abaixo da qual as plantas não se desenvolvem e que cada planta tem a sua "temperatura-base". a determinação da época de colheita pode ser feita com base na quantidade de calor que a planta acumula acima de 9°C. temperatura diurna e noturna. 2009 . posição que favorece a insolação sobre as mesmas. 1989). desde que não ocorram outros fatores limitantes como. O ambiente possui uma influência profunda no crescimento e florescimento da mangueira (Whiley et al. Mota (1987) cita que Abbe (1905) e Holmes & Robertson (1959). a experiência tem demonstrado que durante o ciclo de uma cultura. 1987). o somatório das unidades térmicas. florescimento e frutificação (Donadio. et al. 1971). Além disso. contudo. 1988). A mangueira Haden. baseado na acumulação de 1000 unidades de calor usando como temperatura-base 17. 1980). Uma das causas da baixa produtividade da mangueira é a ocorrência de baixas temperaturas. por exemplo. Ketsa et al.

sua ação se estende à interação com os promotores. 1. isso se traduz em regulação do desenvolvimento (reguladores de desenvolvimento). da atividade enzimática e a função das membranas. UFRB. REGULADORES DE CRESCIMENTO Em fruticultura.118 dias da fixação do fruto à maturação. capazes de romper e refazer ligações entre microfibrilas da parede ou provocar a quebra de seus polissacarídeos.1992). podendo. 2009 95 . a interação com fatores ambientais deve ser conhecida. provocam múltiplas interações capazes de alterar o resultado. 1996). irrigação. todavia.. como do seu transporte para ele ou da exportação a outras partes da planta. em concentrações diluídas. no desenvolvimento dos órgãos. controle de plantas invasoras.500 mm/ano. A atividade hormonal tem sido explicada através da ação que exercem algumas substâncias (hormônios) sobre a expressão da informação genética. Nordeste do Brasil. Os inibidores do desenvolvimento atuam impedindo o desenvolvimento do fruto. que provoca a acidificação em compartimentos da parede celular. O modo de ação dos promotores de crescimento envolve a ligação do hormônio a um receptor na membrana plasmática (proteína G). o uso de reguladores de crescimento vegetal tem adquirido grande importância. O resultado final é conseqüência da interação entre todos elas. como Índia. tais como tipo de solo. 1997). em regiões que apresentam de 500 a 2. sendo cultivada entretanto. portanto. 1984). São Paulo. liberando oligossacarinas que podem estar relacionadas com um sistema regulador gênico que leva à transcrição de novo RNAm. este resultado depende tanto da biossíntese. Em todos os locais nos quais a mangueira tem importância comercial ocorre um período seco na época de florescimento. existir também fatores que a modificam quantitativamente. Provavelmente. pois com seu emprego é possível modificar diferentes processos fisiológicos levados a cabo em forma natural pelas plantas. induzem a mangueira a um crescimento vegetativo intenso. e de sua inativação através de sua conjugação com outros compostos ou de seu catabolismo (Agustí.. a resposta aos reguladores vegetais. em decorrência da diminuição do ataque de fungos e do favorecimento da floração. Áreas tropicais úmidas. outras inibindo. quando utilizados sob a forma de pulverização. estado fitossanitário das árvores etc. No caso dos frutos. 1997). A ocorrência de um período mais seco durante quatro a cinco meses proporciona à mangueira condições de atingir altas produções. Como sua presença é em geral em todos os frutos com semente e sem semente. com temperaturas elevadas e precipitações freqüentes. promovendo ativação de enzimas (endo-trans-glicosilase ou bglucam sintetase). Israel e Austrália. em pequenas quantidades promove. de diversos hormônios. isto é.. em detrimento de florescimento e frutificação (Simão. é a causa de sua influência na resposta (Castro et al. a influência que tais fatores exercem sobre a síntese e a acumulação dos reguladores vegetais e. umas promovendo processos. responsável pela síntese de novas enzimas que podem atuar na morfogênese (Castro.1976). proteína quinase C.1971). Ca2+-calmodulina). As condições do meio podem alterar o metabolismo da planta e. poderiam inibir a abscisão e então.000 mm/ano. de modo que esse equilíbrio entre ambos os grupos de reguladores de desenvolvimento é que determina o crescimento e desenvolvimento posterior do fruto (Takahashi et al. efetivamente. com isso. A exigência mínima da mangueira em termos de precipitação seria 1. Os pioneiros neste campo demonstraram que alguns reguladores de crescimento. diacilglicerol.1975) Auxinas O ácido naftalenacético (ANA) é uma auxina sintética. inibe ou modifica de alguma maneira os processo fisiológicos vegetais (Weaver. pelo fruto. Em certas ocasiões. 1999). a resposta aos reguladores vegetais pode ser pequena ou não se produz. Um regulador de crescimento vegetal é um composto orgânico diferente dos nutrientes que. a ativação de um carregador de H+ (ATPase). Flórida. fertilização. As condições de cultivo. sendo que o calor acumulado oscilou de 991 a 1006 graus-dia. polinização e fixação dos frutos (Silva. provocando sua abscisão. retardar a queda de Tópicos em Ciências Agrárias. Assim. v. comumente empregada para induzir a formação de raízes adventícias em podas e reduzir a queda de frutos nas colheitas de âmbito comercial (Bartel. a amplificação do efeito hormonal por mensageiros secundários (trifosfato de inositol. Umidade relativa do ar Produção satisfatória de manga pode ser obtida em áreas tropicais e subtropicais de alta ou baixa umidade (Campbell.

os pesquisadores e produtores têm sugerido diversos métodos de indução do florescimento da mangueira. é apenas representado pela ação da giberelina e de outros hormônios. 1991). como temperatura. Baseado nos modelos de florescimento. a colheita. 1964 e Overholser et al. e Abbott nos anos 50 conseguiu demonstrar que a eliminação das sementes promovia a abscisão dos frutos e que elas poderiam ser substituídas em sua ação pela adição de auxinas. com o tamanho final do fruto. O processo de floração ainda possui muitas respostas para serem respondidas antes que se possa controlá-lo completamente. a indução do florescimento (Figura 3) é feita com a utilização do paclobutrazol. nos anos 40. UFRB. Luckwill. Das dez substâncias por eles testadas. o forte estímulo floral gerado em climas subtropicais pode mascarar completamente o efeito do KNO3. v. o naftaleno acetamida e os sais do ANA se destacaram por sua efetividade. muitas substâncias. O período de efetividade do ANA é relativamente curto (10 a 28 dias). Uma dessas substâncias é o Nitrato de Potássio (KNO3). Para Agustí & Almela (1991).1978). Muitas vezes são estudos que testam deferentes substâncias para o florescimento. sobretudo. aliando a uma série de outros elementos químicos que ainda não existe confirmação científica da sua eficiência. indicam que a folhagem é a principal responsável pela geração do estímulo do ANA. a produção das plantas frutíferas depende. No entanto. sim.maçãs na pré-colheita. O florescimento é a fase crítica na determinação da produtividade. Neste sentido. Floração A floração das plantas é conseqüência de um conjunto de fatores promotores e inibidores. sendo esta uma das limitações deste regulador de crescimento (Childers. as sementes em desenvolvimento constituem fontes de auxina (Raven et al. demonstrou a presença de auxinas em sementes de maçãs durante seu desenvolvimento inicial. 1997 e Chacko. ainda falta uma explicação para o seu papel na indução. que nas condições tropicais semi-áridas do Nordeste Brasileiro promove uma aceleração na floração da mangueira e nenhum efeito nas regiões subtropicais da Flórida. Em alguns casos não é o número insuficiente de flores que limita a colheita. umidade do ar e precipitação sobre a indução do florescimento da mangueira. Nesses modelos pode-se ver o efeito dos fatores ambientais. Aparentemente. variando segundo a cultivar e a temperatura subsequente à aplicação. ou que procuram investigar o papel de possível regulador/inibidor no processo de florescimento. a fixação destas.. da floração. embora a frutificação esteja correlacionada ao florescimento somente quando este é escasso ou demasiado (Becerra & Guardiola. 1984). portanto. 1996). Os modelos de floração da mangueira são fundamentais para a determinação de métodos de indução do florescimento e do manejo adequado para a cultura. Na região do pólo irrigado Juazeiro/Petrolina. 1. Explicação para esse fato pode ser devida a uma inibição dos mecanismos responsáveis pela resposta do KNO3 induzida pelas temperaturas mais amenas dos climas subtropicais. os fatores fisiológicos. O entendimento dos vários fatores externos e internos que envolvem a indução do florescimento em mangueira é crucial para o desenvolvimento de uma prática de cultivo satisfatória e o alcance de rendimentos regulares (Singh. Martinez-Zaporta.1960). Seu conhecimento fica plenamente justificado quando se quer melhorar a produção (Castro et al. que requer carência de 3 dias. embora provoquem o florescimento da planta. 96 Tópicos em Ciências Agrárias.1999).. Diversos modelos de floração (Figuras 1 e 2) têm sido proposto por diferentes pesquisadores (Davenport.1969). Também. no que se refere ao retardamento da queda de frutos. sem o qual a formação do fruto é impossível. determinam. que pode estar comprometida quando o número de flores formado por planta é excessivo. Resultados obtidos por Batjer (1948). a maior parte deles desconhecidos (Agustí. como o etileno e as auxinas que influenciam o florescimento da mangueira. mas. Ambos os fatores. observação visual da intensidade de floração tem revelado a eficiência dos agroquímicos utilizados.. antes de se tornar efetivo (Childers. 2009 . floração e fixação. como o controle hormonal da floração. o ácido naftalenoácetico (ANA). Sendo assim. 1943). Contudo.1969.

UFRB.INDUÇÃO FLORAL KNO3 (Específico para cultivar e local) INIBIÇÃO FLORAL ESTRESSE HÍDRICO BAIXAS TEMPERATURAS ALTO VPD INUNDAÇÃO ANELAMENTO PODA DE RAÍZES MODERADA FOME DE NITROGÊNIO TERARDANTES E INIBIDORES DECRES. Relação entre os diversos fatores fisiológicos e ambientais sobre a floração da mangueira (Adaptado de Chacko. PARADA DO CRESCIMENTO Alto teor de Sacarose Elo Perdido Aplicação externa de Geberelinas Aumento de assimilados para a gema meristemática Açúcares Divergência de assimilados das regiôes meristemáticas apicas dos ramos Estimulação do crescimento pelos altos teores do giberelinas Temperaturas Altas Umidades Altas Alta Umidade do Solo Alto teor de Nitrogênio Teor alto de substâncias de reservas Partição eficiente do assimilados Baixas Substâncias de reservas Mais formação de madeira Cultivares precoces e anãs Cultivares muito vigorosas Frequêntes fluxos de raízes e ramos Altos níveis de Giberelinas HEREDITARIEDADE JUVENILIDADE Figura 1. Outros fatores? GA3 GAX Ramo Vegetativo Ramo Misto Ramo Reprodutivo Poda Desfoha KNO 3 Etileno INICIAÇÃO DO CRESCIMENTO Baixas Temperaturas INICIAÇÃO RADICULAR Anelamento ESTRESSE HÍDRICO ARMAZENAMENTO DE CARBOIDRATOS Citocininas RAÍZES Figura 2. Linhas simples indicam fatores promotores da floração. 1. v. Tópicos em Ciências Agrárias. 1991). Auxinas Fotoassimilados Frutificação Giberelinas Auxinas Giberelinas GA3 GA1 GAX Crescimento Vegetativo Freqüêntes INDUÇÃO DO FLORESCIMENTO Promotor nas Folhas Baixas temp. 2009 97 . Modelo de floração segundo Davenport 1997. Linhas duplas indicam fatores que inibem a floração.

1971). com a expansão máxima do órgão ou organismo. Reis & Muller. conteúdo de proteínas mostram padrão sigmóide quando analisados no decorrer da vida da planta (Miller. as células e órgãos apresentam crescimento diferenciado. 1. v.100% da necessidade de água da cultura Ramo maduro apto Brotar Brotação Vegetativa Ramo . porém menor. vindo a seguir um período de aceleração e.. O acúmulo de matéria seca é determinado pelos mesmos fatores e o aumento do volume do fruto deve-se tanto ao incremento do número como ao tamanho das células (Coombe. A iniciação de estruturas reprodutivas é um evento fenológico em que a distribuição de assimilados é redirecionada. UFRB. a divisão. enquanto que a expansão celular pode continuar até a maturidade (Chitarra & Chitarra. pela utilização de reguladores químicos ou por intermédio de práticas de manejo constitui. particularmente os frutos carnosos. é fisiologicamente muito semelhante ao crescimento vegetativo. impõem limitações. 1990). A área foliar disponível por fruto é muitas vezes insuficiente para manter um crescimento adequado. Estas fases correspondem. As interações mútuas entre indivíduos. A eficiência do crescimento das plantas e de seus órgãos varia sensivelmente em função da idade e das condições ambientais (Reis & Muller. A divisão celular anterior à antese e a expansão celular após a antese. Frutos e sementes em crescimento constituem drenos com alta capacidade mobilizadora de assimilados. a princípio. mas seguem um padrão.4 %) – Ramos com 110 dias Floração – Ramos com 120 dias Figura 3. o rendimento econômico resulta do crescimento ou armazenamento de reservas em partes de valor comercial. em condições de campo. o crescimento é relativamente lento. Todavia. É possível que em muitos casos o seu acúmulo. Isto significa que. altura. A modificação da distribuição de fotoassimilados em benefício de partes de interesse econômico pelo melhoramento genético. Em geral. 1985). 2009 floração . o tamanho aumenta exponencialmente com o tempo. nesses drenos. Novo Aplicação de PBZ (1 g i. linear e senescente do crescimento sigmóide. A formação das partes que compõem um fruto engloba as mesmas três fases verificadas no desenvolvimento dos órgãos vegetativos. 1995). Fruto Início das aplicações de nitrato de potássio (3% . isto é. A taxa de translocação de assimilados para um dreno específico pode ser estimada pela taxa de acúmulo de matéria seca desse dreno (Almeida & Valle. que fazem com que a força do dreno passe a ser limitante (Watson./m de diâmetro de copa –Ramos com 30 dias Amadurecimento do Ramo Aplicação de etileno intercalado com sulfato de potássio KNO3 Frutificação e Amadurecimento do Colheita – 110 dias da . Potencialmente. 1976). Drenos vegetativos sofrem restrições ou mesmo paralisação no crescimento. uma fase em que o crescimento diminui até cessar. expansão máxima. ocorre o crescimento em taxas máximas e a terceira caracteriza-se pela redução da taxa de crescimento. 1978). significando que o crescimento é lento no início. respectivamente. Os frutos em desenvolvimento constituem um dos reservatórios da planta para onde se translocam muitas substâncias. potencialmente. Parâmetros como volume. no entanto. na segunda. cuja curva sofre inflexões. (Adaptado de Castro Neto. 2004) Crescimento dos frutos Nas culturas.a. parecem ser os principais determinantes do aumento do peso da matéria fresca dos frutos carnosos. O desenvolvimento dos frutos. resulta da divisão celular após a antese e de um aumento na concentração de solutos. o crescimento por divisão celular é de curta duração. sofra limitações pela fonte. superfície. 1973). 1978). Esquema mostrando o manejo de floração da mangueira sob irrigação e em clima tropical semi-árido. maneiras de se aumentar a produtividade agrícola. a distribuição de assimilados para partes de importância econômica pode ser limitada por fatores externos. o aumento de volume e a diferenciação celular (Meyer et al. peso. mas aumenta continuamente. Contribuição adicional. maturidade e senescência (Salisbury & Ross. Na primeira. tomando a conformação sigmóide. Num mesmo fruto as quantidades destas diversas substâncias que se deslocam para cada uma das 98 Tópicos em Ciências Agrárias. 1967. às fases logarítmicas.

basicamente em decorrência da competição por nutrientes. Essa frutífera realiza um "desbaste" natural. isto é. excluído posteriores abscisões causadas por estresse fisiológico. falta de polinização. considerandose que dos frutos formados. Aborto de Frutos O tipo de floração. segundo Gortner et al. O terceiro estádio evidencia o processo de maturação. 1977). disfunção decorrente. solos impróprios. De acordo com Castro Neto et al. 1984). a época e as condições ambientais em geral (Albuquerque et al. inicia-se com a fertilização da flor e se estende por três semanas. a que tem despertado maior interesse é o amadurecimento.0% em relação às flores inicialmente formadas. provavelmente. Wolfenbarger (1957) e Simão (1958) verificaram que de centenas de frutos existentes inicialmente na panícula. O período de desenvolvimento do fruto da mangueira. dependendo da espécie. O conhecimento de aspectos relacionados ao crescimento do fruto e a sua associação com o ponto de maturidade fisiógica é de considerável importância por subsidiar o planejamento de novos projetos de pesquisa.. dificilmente supera o valor de 5. o número de flores formadas e sua disposição. a fixação ocorre após a queda fisiológica. em oito variedades estudadas por Jawanda & Singh Tópicos em Ciências Agrárias. duplo-sigmóide ou triplo-sigmóide (Coombe. as flores que estejam em melhor disposição na planta (flores companheiras e aquelas que se encontram em brotações com folhas). O percentual de pegamento de frutos. 3. tendo maior possibilidade de fixação.4 frutos por panícula foi fixada até a colheita. Apenas 25% das panículas mantêm de um a três frutos até a maturação. determinam o pegamento de frutos.1% dos frutos de flores hermafroditas se desenvolvem em frutos maduros. mudanças bruscas das condições climáticas. A média de 0. restando ao final apenas 0. 2009 99 .. 1973). Krezdorn (1986) definiu fixação como o estádio de desenvolvimento em que.. entretanto. A variedade Haden apresenta: 0. em condições normais de cultivo da mangueira. 0. um processo intimamente regulado pelo balanço hormonal da planta (Powell & Krezdorn. (1971).3% de frutos por panícula e 50 frutos maduros por árvore. entre outros: falta ou excesso de umidade. a partir deste. 1994). da floração à colheita (Silva.010% de frutos como porcentagem de flores perfeitas.67 a 0. Dentre as fases do desenvolvimento de frutos. a abscisão é regulada por um balanço entre fatores de juvenilidade (presumivelmente auxinas) que estão diretamente relacionados com o desprendimento das folhas e frutos e com a presença de enzimas que degradam a parede celular. o crescimento do fruto da mangueira pode ser representado por uma curva sigmóide. fatores hereditários.0025% de frutos como porcentagem do número total de flores. 1989). Numa maior floração ocorre uma menor fixação. 1967). o fruto atinge a máxima qualidade comestível. UFRB. havendo redução dos mesmos de acordo com a posição ocupada na panícula (Singh et al. ataque de pragas e doenças. v.várias regiões meristemáticas diferem consideravelmente e quando qualquer uma destas substâncias torna-se deficiente num fruto. a queda de frutos. 1997) e está dividido em quatro estádios. denominada estádio juvenil. a sua taxa de crescimento diminui (Meyer et al. já que nesta fase.1999). sendo. 94 a 99% aos 60 dias. de acordo com as condições climáticas e do manejo em cada região. bem como fornecer informações que podem ser repassadas. normalmente um só e excepcionalmente dois frutos chegam ao final do ciclo. 1971).70% dos frutos inicialmente fixados. dentre outros fatores. Os frutos. a curto prazo. O segundo estádio. são inúmeros os fatores determinantes da queda dos frutos e das flores das árvores frutíferas. a reposição de nutrientes em função da demanda da planta. dada a influência que tem no rendimento industrial e no custo de produção da conserva (Sachs & Rheingantz. O fundamento da análise de crescimento é a medida seqüencial da acumulação da matéria orgânica e a sua determinação é feita normalmente considerando o peso da matéria fresca e/ou seca (Calbo et al. A primeira fase.1959). Esta curva pode adquirir características diversas segundo a cultivar. apresentam curvas de crescimento caracterizadas como sigmóide-simples. da competição dos frutos em desenvolvimento por carboidratos. (2004). Segundo Abeles et al. O quarto estádio caracteriza-se pela senescência do fruto (Salunke & Desai. falta de afinidade da enxertia e ausência de luz . menos que 1% dos frutos atingem o estádio de maturação (Simão. Na Índia. (1967). plantas de primeira floração. 1995). cargas excessivas.. Barnell (1939). aos agricultores (Fonseca & Cruz. 1976). que se estende até o 40°dia. O tamanho é uma das características do fruto mais enfatizada pela indústria. provavelmente os frutos chegarão à maturação. Normalmente. menos 0. água e outros metabólitos. caracteriza-se pelo contínuo crescimento do fruto. o potencial de crescimento dos frutos. ação dos ventos. caracterizando-se por um rápido crescimento celular. 1. Para Simão (1958). A mangueira é sujeita à pesada e continuada queda de frutos. danos mecânicos ou devido a injúrias de pragas ou patógenos. 60 a 90% caem nos primeiros 30 dias. com o fruto apresentando profundas transformações químicas e físico-químicas e se extende até o 77° dia. Mais de 99% são abortados (Castro Neto. é de 120 a 150 dias.

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Clóvis Pereira Peixoto. Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 8 VIABILIDADE E VIGOR DE SEMENTES DE MILHO HÍBRIDO PRECOCE Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio.

maior o período de Tópicos em Ciências Agrárias.edu. v. a análise de pureza é efetuada em laboratórios. Os resultados das outras sementes são expressos em número por peso da amostra de trabalho ou por unidade de peso. 2009 107 . Cruz das Almas-BA. 1987).05 deve ser mencionada na ficha de análise a palavra "traço". estendendo-se até as etapas de distribuição e comercialização. Sabe-se que a qualidade das sementes é avaliada com segurança. fisiológica e sanitária da semente. verficou-se apenas duas sementes com dano mecânico visível (lote l). no controle da secagem (temperatura. a análise de pureza física pode ser considerada com 100% de pureza . armazenados em câmara seca. Os vários testes aplicados foram divididos preliminarmente em de viabilidade e de vigor. bem como determinar a quantidade e a proporção desses constituintes (Marcos Filho et al. separados apenas por uma classificação didática. provenientes de três lotes da safra 1993/94. mas sua importância é mais destacada a partir da maturação. no beneficiamento (trincamentos ou amassamento) e na manutenção da qualidade física. quanto menor o teor de água e menor a temperatura. E-mail: cppeixot@ufrb.A.) (Brasil. Ambientais e Biológicas/UFRB. uma vez que poderá influenciar no momento da colheita. A análise de sementes pode ser utilizada para o monitoramento da qualidade desde o início da condução do campo. os resultados referentes às sementes puras.. com uma casa decimal. algumas sementes aparentando infecção (lote 2) e as demais sementes com aparência física normal (lote 3). através da sua análise e da interpretação correta dos resultados. DETERMINAÇÕES PRELIMINARES Análise de pureza A pureza física é uma característica que reflete a composição física ou mecânica de um lote de sementes. outras sementes (de plantas cultivadas e de plantas silvestres) e material inerte. 1992). Quando estas porcentagens são inferiores a 0. principalmente se for mecanizada (influenciando na regulagem da máquina). Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto1. materiais inertes e total de impurezas devem ser expressos em porcentagem por peso. a amostra é examinada cuidadosamente e separada em três constituintes: sementes puras. É de fundamental importância que métodos padronizados forneçam dados confiáveis. Dessa forma.br INTRODUÇÃO A utilização de sementes de qualidade é um fator importantíssimo para o sucesso de culturas de importância econômica. Para um melhor entendimento desses aspectos será abordado a aplicação de diferentes testes em sementes de milho híbrido precoce. UFRB. reveste-se de importância estudá-lo. Na análise.VIABILIDADE E VIGOR DE SEMENTES DE MILHO HÍBRIDO PRECOCE Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio1. Desta forma. sendo que alguns deles pode estar em uma e outra classe de testes. Clóvis Pereira Peixoto1.Centro de Ciências Agrárias. sem a presença de outras sementes ou de material inerte. Para tanto. mediante os quais possam ser obtidos resultados uniformes e comparáveis entre diferentes laboratórios. período e intensidade). Para sementes ortodoxas. procurando-se identificar as diferentes espécies de sementes e os materiais inertes geralmente presentes em uma amostra. Determinação do teor de água O teor de água exerce grande influência sobre o comportamento da semente quando submetida a diferentes situações. como também a escolha dos métodos.S. especificando-se os nomes das espécies e cultivares presentes. Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio1 1 Professor . De acordo com as Regras para Análise de Sementes (R. 1. Portanto. pois possibilita a obtenção de uma boa emegência no campo e de plantas vigorosas e uniformes com reflexos na produtividade.

60 Peso Seco ( g ) 21. pois. encontram-se na Tabela 2 indicando o poder germinativo das amostras testadas através da média das porcentagens de plântulas normais presentes nas quatro repetições dos lotes estudados. v. como as de seringueira. 1992).5. evidentemente. sendo classificadas como normais ou anormais. Métodos de análise em laboratório. Tabela 2. Este teste visa a obtenção de informações que permitam determinar o valor das sementes para a semeadura e a comparação do valor de diferentes lotes. deve ser indicado com a palavra zero. As sementes não germinadas são avaliadas e classificadas. em quatro amostras de 100 sementes. Em laboratório de análise de sementes. As porcentagens de plântulas normais. todas as plântulas são avaliadas. utilizando-se quatro amostras para cada lote. anormais. determinado em estufa a 105°C por 24 horas. fazendo-se aproximação para mais se a fração for superior a 0. Cv. 2009 .5 11. satisfatória. os resultados nem sempre podem ser fielmente reproduzidos.14 24. como também as sementes duras e mortas. UFRB. algumas determinações exigem conhecimento do teor de água (peso volumétrico. O estádio de desenvolvimento das estruturas essenciais das plântulas deve ser suficiente para permitir uma avaliação correta das mesmas. dada a variação das condições ambientais.6 11. Se qualquer destes valores for igual a zero. Os testes de germinação em substratos artificiais permitem uma fácil avaliação das plântulas.23 21.. para menos quando é igual ou inferior a 0. Cv.70 Teor de Água ( % ) 11. rápida e completa da maioria das amostras de sementes de uma determinada espécie. Somente plântulas absolutamente normais são removidas e contadas. manifestanto sua capacidade para dar origem a uma plântula normal. a germinação é definida como a emergência e o desenvolvimento das estruturas essenciais do embrião. Na contagem final. A realização destes testes em condições de campo não é. AG 510. 1987). sementes recalcitrantes. e. Dados médios da porcentagem de germinação em três lotes de sementes de milho híbrido precoce. teste de vigor e peso de 1000 sementes). Os resultados dos lotes de milho híbrido. Por outro lado.95 22. Estas condições consideradas ótimas são padronizadas. e estas estão especificadas nas Regras para Análises de Sementes. geralmente. efetuados sob condições controladas de alguns ou de todos os fatores externos. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) Peso Úmido ( g ) 24. AG 510. a semeadura de lotes com baixo poder germinativo pode acarretar prejuízos consideráveis ao agricultor (Marcos Filho et al. Uma “primeira” contagem é feita para diminuir o número de plântulas no substrato. A Tabela 1 mostra os resultados médios do teor de água de sementes de milho híbrido precoce. necessitam de alta umidade para manter a viabilidade. e a diferenciação entre as plântulas normais e anormais. Tabela 1. O prazo de germinação da maioria da espécies é entre uma a duas semanas.84 25. As plântulas são avaliadas normalmente em duas ocasiões durante o transcorrer do teste. AG 510. Cv. 1. sementes duras e sementes dormentes são expressas em números inteiros.7 TESTES DE VIABILIDADE Teste de germinação Em tecnologia de sementes. e anotadas. Obviamente.5. Dados médios do teor de água (%) de sementes de milho híbrido precoce. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) 108 R1 96 94 92 R2 98 88 96 R3 100 98 94 R4 94 92 98 Tópicos em Ciências Agrárias. têm sido estudados e desenvolvidos de maneira a permitir uma germinação mais regular. sob condições ambientais favoráveis. sementes mortas.armazenamento. para que os resultados dos testes de germinação possam ser reproduzidos e comparados dentro de limites tolerados pelas Regras para Análise de Sementes (Brasil.

Cv. Verifica-se na Tabela 3 os resultados com os dados médios de viabilidade por lote de milho híbrido precoce. beneficiamento. Cv. Trata-se de um fator Tópicos em Ciências Agrárias. danos causados por insetos e formação morfológica das sementes. os danos químicos causados por produtos utilizados no tratamento de sementes. Por isso. em geral. tem procurado aprimorar os testes de germinação e vigor com o objetivo de que os resultados expressem a real qualidade fisiológica de um determinado lote de sementes. em amostras de 100 sementes. o que visa. Tabela 3. não são identificados os microorganismos que infectam as plântulas e. deterioradas ou danificadas. 1. para a avaliação do teste é necessário conhecer com segurança a estrutura das sementes. como um segmento do processo de produção. coleóptilo.Teste de tetrazólio As empresas que comercializam sementes. a tecnologia de sementes. O desenvolvimento do conceito de vigor em sementes data de períodos coincidentes com os primórdios da humanidade. armazenamento ou descarte de lotes. independentemente do período de permanência no tetrazólio. a região central do escutelo. O teste de tetrazólio baseia-se principalmente na distribuição dos tecidos vivos e mortos no embrião. pois. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 92 91 94 R2 96 92 95 Média 94 92 95 Compararando-se a porcentagem de germinação com a de viabilidade. as áreas vitais são: plúmula. ao aumento de produtividade associado a um incremento na qualidade. em particular. UFRB. como também. O teste de tetrazólio é um método rápido. em amostras de 100 sementes. AG 510. os agricultores e os pecuaristas frequentemente se defrontam com problemas para escolha de lotes de sementes que pretendem adquirir. venda. o desenvolvimento de métodos para a determinação da viabilidade de sementes em um período de tempo relativamente curto. agilizando decisões de compra. Nas sementes de milho. e a região situada entre a plúmula e a radícula. são observadas a turgescência dos tecidos. Dados médios de viabilidade (em porcentagem) por lote de milho híbrido precoce. em presença de uma solução de sal de tetrazólio Os testes de germinação. nem sempre é possível identificar danos mecânicos. nos últimos anos. a radícula. os estudos relativos aos testes de vigor. que é de 3 a 5%. Por isso. Portanto. destacam-se. Testes de germinação paralelos aos de tetrazólio devem ser realizados para aferir a interpretação. 2009 109 . quando muito recentes. sempre admitindo diferenças em torno de 5% entre seus resultados. onde se encontram as raízes seminais. no momento em que o homem passou a conviver e entender os outros seres vivos. o teste de tetrazólio permite a obtenção dos resultados em menos de 24 horas. As sementes vigorosas colorem-se vagarosamente. AG 510. tem grande importância para o setor de sementes. não podem protelar sua decisão. Dentro deste contexto. ausência de fraturas em regiões vitais. fato esse que ocorre com frequência. informando a viabilidade e o vigor. Assim. basicamente. verifica-se que os resultados são bastante próximos. Diferenças na coloração dos tecidos pode não significar baixa viabilidade e sim alterações na sua permeabilidade. v. tem levado as empresas a buscarem um aprimoramento técnico de suas atividades. TESTES DE VIGOR EM SEMENTES O aumento da atividade produtora de sementes no Brasil. Como essa avaliação é feita sem a germinação. Sementes mais velhas. bem como as causas da perda da qualidade. muitas vezes. apresentando um tom rosa brilhante bem superficial. enquanto o teste de tetrazólio pode informar a viabilidade das sementes em algumas horas. que estima a viabilidade das sementes com base na alteração da coloração de tecidos vivos. Para sementes de milho. com uma variação dentro da amplitude normal da amostra. Além da coloração. colorem-se mais rápida e profundamente e apresentam coloração vermelho-grená. demonstrando que a solução teve dificuldade de penetrar nos tecidos devido à integridade das membranas celulares. assume grande importância. na maioria das espécies cultivadas necessitam de 7 a 30 dias para obtenção dos resultados.

Delouche e Lienhard estudaram a resposta de sementes de trevo à germinação. lotes com maior ou menor probabilidade de apresentar bom desempenho após a semeadura e/ou durante o armazenamento. a capacidade de apresentar desempenho adequado quando expostas a diferentes condições de ambiente. a avaliação do potencial de armazenamento. seus resultados. o teste é utilizado para avaliar o vigor de diversas espécies e incluído em programas de controle de qualidade por empresas produtoras de sementes pois. havendo também. Estudo que se baseava em informações obtidas por Croker e Groves. Tratamentos 2 3 68 60 12 32 52 40 Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) 1 64 32 18 4 8 14 40 Médias 50 23 38 110 Tópicos em Ciências Agrárias. com segurança. O objetivo básico dos testes de vigor é a identificação precisa de “diferenças importantes” na qualidade fisiológica dos lotes comercializáveis. Estes pesquisadores sugeriram que testes de germinação. (1987). que avalia a resposta de sementes à temperatura e umidade elevadas. 1. procurando predizer o potencial relativo de armazenamento de lotes de trevo e de festuca. v. envelhecimento precoce. geralmente estresses. ou seja. AG 510 de milho híbrido precoce obtidos no teste de germinação após o envelhecimento artificial. pode-se ter uma idéia do potencial de armazenamento dos lotes processados. através da determinação de parâmetros associados ao vigor. foi desenvolvido por Delouche (1965). opções dirigidas à obtenção da “resposta” de sementes quando submetidas a condições específicas de ambiente. não se aproximaram da porcentagem de emergência das plântulas. rapidamente divulgados pelos tecnologistas de sementes. dentre os quais se destacam a seleção de lotes para semeadura (com base no potencial de emergência das plântulas em campo). Em 1962. há disponibilidade de testes que procuram avaliar “o estado atual de sementes”. podem identificar as melhores e as piores amostras. Atualmente. como em uma amostra de sementes postas a germinar. no entanto. Os testes de vigor oferecem apenas comparação entre o potencial fisiológico das amostras avaliadas. Tabela 4. Dentre estes. em geral. Valores médios (%) para os lotes do Cv. Os dados apresentados na Tabela 4 permitem verificar que os valores absolutos obtidos no teste de envelhecimento.biológico que se evidencia facilmente aos olhos a partir de uma observação. segundo as quais a morte de sementes durante o armazenamento era causada pela coagulação de proteínas e que o aquecimento “acelerava” este processo. Envelhecimento acelerado Este teste. vários métodos têm sido desenvolvidos para avaliá-lo com segurança. pretende-se distinguir. sugerindo que o “envelhecimento rápido ou acelerado” poderia ser muito útil para avaliar o potencial relativo de armazenamento das sementes. Helmer. resultando plântulas com diferenças marcantes quanto à característica que se pretende observar. envelhecimento rápido ou envelhecimento artificial”. não permitindo “predizer” a futura porcentagem de emergência de plântulas em campo nem estimar o período de conservação da qualidade das sementes durante o armazenamento. em poucos dias. O teste de envelhecimento artificial tem sido conduzido com diferentes objetivos. principalmente dos que possuem poder germinativo semelhante. Para tanto. poderiam ser úteis para predizer a longevidade. o auxílio à seleção de genótipos durante o melhoramento de plantas e o embasamento de programas de controle de qualidade de sementes. após alguns dias de exposição à alta temperatura e umidade e verificaram alta relação com o vigor de sementes e emergência de plântulas em campo. O vigor de sementes é o reflexo de um conjunto de características ou propriedades que determinam o seu “potencial fisiológico”. citado por Marcos Filho et al. talvez o mais popular é o teste de “envelhecimento acelerado. conduzidos após a exposição relativamente rápida de sementes secas à temperaturas elevadas (50-100ºC). 2009 . UFRB. Diante desta situação. em 1915. Esta sugestão foi considerada por vários pesquisadores e o teste de envelhecimento passou a ser incluído em inúmeros projetos de pesquisa e. Em outras palavras.

pois assim obtem-se resultados diretamente aproveitáveis para a implantação da cultura ou tem-se um bom indicativo da potencialidade dos lotes em fase inicial de desenvolvimento no campo. 70 a 85 % de plântulas normais. o que explica a obtenção de resultados desuniformes entre laboratórios. devese ter muito cuidado quando se faz comparação entre lotes. diferenciando portanto o lote 1. equanto decresce esta potencialidade nos lotes 3 e 2.. após a semeadura.5 cm acima do nível do substrato (AOSA. No caso de milho. o teste de frio não é empregado apenas para espécies sujeitas a essa situação. no mínimo. não possibilitando a diferenciação de vigor entre os lotes. inicialmente. assume grande importância no que concerne à identificação das potencialidades dos lotes estudados. Desse modo. (1994). Os resultados do teste de frio são geralmente expressos em porcentagem de plântulas normais. 1989). porém. v. Valores médios (%) obtidos no teste de germinação para os lotes do Cv. durante e após a colheita. procurandose simular condições desfavoráveis que ocorrem com frequência durante a época de semeadura (excesso de água no solo e baixas temperaturas) na área denominada Cinturão do Milho nos Estados Unidos. 1983). no qual lotes de boa qualidade devem apresentar. Tabela 5. pois essas condições podem afetar as sementes. mais do que valores absolutos para germinação. seguidos pelos simples e linhagens (Cicero & Vieira. UFRB. os testes de campo são conduzidos em condições naturais de ambiente. pois considera-se que as sementes resistentes às condições desfavoráveis são mais vigorosas. uma vez que apresentou menor porcentagem de emergência de plântulas normais. após a semeadura. com relação à tolerância aos diferentes estresses que as sementes possam vir a submeter-se. principalmente se esses são constituídos de genótipos diferentes. destacando-se o lote 1. Quando realizados fora de época recomendada. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) Tratamentos 2 3 94 96 84 78 88 94 Médias 96 83 88 1 92 88 86 4 100 80 84 Por outro lado. 1994 ). a possibilidade de comparações entre lotes. a combinação de baixas temperaturas e excesso de água no solo é utilizada para permitir apenas a sobrevivência de sementes vigorosas. os resultados do teste de frio proporcionam. 1. 2009 111 . para avaliar o vigor de sementes de milho e. Nos resultados da Tabela 5 observa-se um padrão de germinação entre os lotes que permite distinguir o lote 2 como mais sensível ao estresse provocado pela baixa temperatura e umidade elevada. a princípio. Como este teste envolve o uso de solo. No entanto. observou-se melhor germinação sob condições de baixa temperatura e alta umidade. torna-se muito difícil a sua padronização. considerando aquelas com o comprimento maior ou igual a 2. Tópicos em Ciências Agrárias. o qual apresenta alta variabilidade física e biológica. Entretanto. Foi desenvolvido. AG 510 de milho híbrido precoce após o teste de frio com solo.Embora um único teste de vigor não seja capaz de caracterizar todas as interações possíveis entre as sementes e as condições ambientais predominantes antes. Assim. Teste de frio com solo O teste de frio é provavelmente o método mais utilizado para avaliar o vigor de semente. de preferência na época recomendada para a semeadura da espécie em avaliação. como de maior potencial de emergência em campo. é também um teste adequado para avaliar a eficiência de fungicidas (Cícero et al. bem como as verificadas por ocasião da semeadura. verifica-se um comportamento intermediário do lote 2. reduzindo a velocidade de emergência e favorecendo o desenvolvimento de microganismos patogênicos. alguns dos testes podem sofrer diminuição da sua sensibilidade face ao efeito das condições climáticas desfavoráveis. assim. de híbridos duplos. Porcentagem de emergência de plântulas no campo De acordo com Nakagawa (1994). posteriormente. adaptado para outras espécies. Atualmente. possibilitam ainda a comparação do vigor relativo entre os lotes em estudo. encontra-se dentro do padrão estipulado por Grabe (1976) citado por Cicero (1992) e em Vieira et al. como o mais promissor para germinar sobre amplas variações das condições de água e temperatura do solo.

população e atividade de microorganismos) e da própria semente (tamanho. empregando-se o IVE para cálculo. todavia não afetará o vigor relativo entre os lotes. v. Este último. climáticas. como o de menor potencialidade de emergência em um campo de produção. com base na repetição com 100 sementes no sulco ou linha. Os que são conduzidos em laboratórios são classificados como métodos indiretos. o que apresentou maior velocidade de emergência e conseqüentemente. se não o principal. 112 Tópicos em Ciências Agrárias. Tabela 6. portanto. Este teste possibilita a comparação do vigor dos lotes semeados em uma mesma época. Enquanto os testes de laboratório exigem instalações especiais e condições padronizadas de acordo com as Regras para Análise de Sementes (Brasil. que um dos objetivos. dificultando a diferenciação de vigor entre os lotes. entretanto. A Tabela 6 mostra as porcentagens médias de emergência dos lotes estudados. Dados médios da porcentagem de emergência de plântulas em lotes do Cv. de preferência na época recomendada para semeadura da espécie em avaliação. sendo o lote 2. sofrerem perda da sensibilidade. principalmente pela inexistência de valores referenciais. para cada lote estudado. 1. alguns testes. O que não será sempre possível é a comparação entre os lotes obtidos em testes instalados em épocas distintas. 8 e 9. Os resultados dos testes são expressos em porcentagem e representam a média das repetições empregadas para cada lote em estudo. nos estudos de teste de vigor ou nos trabalhos de avaliação de qualidade das sementes. UFRB. os de campo são conduzidos em condições naturais de ambiente. de uma região para outra (diferenças edáficas. Caso o teste seja feito em época distinta à recomendada para a cultura. é sempre interessante e recomendável a utilização destes em condição do campo. os mais empregados são o de velocidade de emergência e o de porcentagem de emergência de plântulas. deve-se ser bastante cuidadoso com sua interpretação. climáticas. de preferência na época de semeadura recomendada para a cultura. determinar o vigor relativo do lote de sementes avaliando a velocidade de emergência de plântulas em condições de campo. O lote cuja média foi maior é o que levou menos dias para a emergência das plântulas no solo. possibilitam ainda a comparação relativa do vigor entre os lotes estudados. de população e atividades de microflora e microfauna) e de épocas do ano em uma mesma região (diferenças climáticas. Tratamentos 3 92 72 81 Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) 1 90 84 80 2 88 77 83 4 85 82 80 Médias 89 79 81 Velocidade de emergência de plântulas Este teste tem como objetivo. dos testes de vigor é de verificar o potencial de emergência no campo em condições as mais amplas possíveis (favoráveis e desfavoráveis). maior vigor. Os testes de vigor que se baseiam na avaliação de plântulas são realizados em laboratórios sob condições controladas ou em condições de campo (Nakagawa. Em geral. também denominados por alguns autores como de população inicial ou estande inicial. visa determinar o vigor relativo do lote de sementes avaliando a porcentagem de emergência de plântulas em condições de campo. haverá influência marcante da temperatura do meio sobre a velocidade de emergência. Nas Tabelas 7. 1994). com destaque para o lote 1. 2009 . enquanto os realizados em campo. AG 510 de milho híbrido precoce em campo. Tendo em vista. Quando realizadas fora da época recomendada. verifica-se o resultado do teste de velocidade de emergência de plântulas. para que possa ser um bom indicativo da potencialidade dos lotes em sua fase inicial de desenvolvimento no campo. 1992). Baseia-se no princípio de que é tanto mais vigoroso um lote de sementes quanto mais rápida for a emergência das plântulas no campo. Como estes testes apresentam o inconveniente da dificuldade de padronização face às diferenças das condições de campo (edáficas. inserem-se dentro dos métodos diretos. em testes fisiológicos. Calculou-se o número de plântulas emergidas nas quatro repetições para obter o valor do índice de velocidade de emergência (IVE) para cada lote.Estes testes apresentam o incoveniente da dificuldade de padronização face às diferenças das condições de campo. indicando nítida diferenciação de vigor entre eles. de população e atividades da microflora e microfauna). dormência). podendo.

Teste de velocidade de emergência de 100 sementes do Cv. O lote que apresentar a maior porcentagem média neste dia definido será o mais vigoroso. que em condições não controladas de campo. DAS 1 . v. 45/15 37/16 6/17 2/18 5. 48/15 28/16 2/16 5/18 5. 61 20 0 2 83 R2 IVE . 67 12 0 2 81 R3 IVE . NPN= Nº de plântulas normais. caracterizando que suas sementes são mais vigorosas e possibilitando inferir.90 R3 NPN IVE 0 . Através desse procedimento pode-se evitar algumas interferências ou mascaramentos de resultados de velocidade de emergência de plântulas que as fórmulas possam trazer. 48 28 2 7 85 R4 IVE . 45 45/15 20 20/16 7 7/17 10 10/18 82 5. 47 32 1 12 92 R3 IVE . Tópicos em Ciências Agrárias.99 Tabela 9. 67/15 12/16 0/17 2/18 5. apresentaram maior rapidez de emergência.AG 510 de milho híbrido precoce referente ao lote 3.42 NPN 0 . 58/15 24/16 5/17 1/18 5. Cuidados especiais necessitam ser tomados no controle de pragas que possam prejudicar a emergência ou a manutenção das plântulas durante o teste. 35 35/15 32 32/16 1 1/17 16 16/18 84 5.21 NPN 0 . . IVE médio = 5. . verifica-se neste experimento.28 R2 NPN IVE 0 . .AG 510 de milho híbrido precoce referente ao lote 2.85 NPN 0 . 58 24 5 1 88 R2 IVE . NPN = Nº de plântulas normais. 62/15 17/16 0/17 1/18 5.Tabela 7. Teste de velocidade de emergência de 100 sementes do Cv.71 NPN 0 .61 R4 NPN IVE 0 . é a de eleger determinado(s) dia(s) logo no início da emergência das plântulas. IVE = Índice de velocidade de emergência. 45 37 6 2 90 IVE . observando todos os lotes. UFRB.67 Tabela 8. À semelhança de resultados anteriores. 61/15 20/16 0/17 2/18 5. DAS 1 . considerando a média de repetições para cada lote. IVE=Índice de velocidade de emergência. NPN= Nº de plântulas normais. 60 10 8 2 80 IVE . 47/15 32/16 1/17 12/18 5. 2009 113 . 15 16 17 18 TOTAL R1 NPN IVE 0 . 62 17 0 1 80 R4 IVE .2 DAS= Dias após semeadura. baseada na velocidade de emergência de plântulas sem o emprego de fórmulas. às vezes. 15 16 17 18 TOTAL R1 NPN 0 . IVE médio = 5. e realizando uma comparação da porcentagem de emergência de plântulas naquele dia.73 NPN 0 . IVE=Índice de velocidade de emergência. Teste de velocidade de emergência de 100 sementes do Cv. que o lote 1 destaca-se como mais promissor. indicando que suas sementes. IVE médio = 4. não totalmente favoráveis à espécie para o processo de germinação.AG 510 de milho híbrido precoce referente ao lote 1. 1. 34 34/15 33 33/16 2 2/17 3 3/18 72 4.77 NPN 0 . 60/15 10/16 8/17 2/18 4. por serem mais vigorosas. 15 16 17 18 TOTAL R1 NPN 0 . DAS 1 . em comparação com os demais. 41 41/15 23 23/16 4 4/17 9 9/18 77 4.35 DAS= Dias após semeadura.25 DAS= Dias após semeadura. . teria sucesso em germinar e produzir plântulas normais em solo e ambiente climático.15 Outra possibilidade para a determinação do vigor relativo entre os lotes.

também. Entretanto. trevo vermelho.38 R4 8.75 13. feijão. um dos grandes problemas que se tem com relação aos testes de vigor. o teste tem sido extensivamente usado para avaliar o vigor de sementes de ervilha na Inglaterra. dentre as quais. temperatura de embebição e teor de água inicial de sementes) que podem causar variações nos resultados.26 7. soja. para a maioria das especies cultivadas.63 9.Teste de condutividade elétrica O teste de condutividade elétrica apresenta-se como um dos mais utilizados em testes de vigor. não possibilitando estimativas sobre o comportamento de lotes sob condições de campo. ervilha. Tabela 10.68 13. caracterizando o lote 1 como mais vigoroso. e também com sementes de milho. a medida da condutividade elétrica passou a ser estudada como um teste de vigor para várias espécies. com bastante sucesso. diz respeito à dificuldade na interpretação dos resultados. 2009 . as Regras para Análise de Sementes estabelecem um limite de tempo para a duração do teste.28 R3 9. uma gramínea.28 14. como outros testes.70 mmhos/cm/g têm sido consideradas como de alto vigor.80 mmhos/cm/g já são valores com tendência para médio vigor. Muitos resultados de pesquisa têm indicado.31 10. condutividade de sementes de soja superior a 150 mmhos/cm/g é um indicativo de sementes de baixo vigor (AOSA. considerando que o mesmo apresentou maior taxa de lixiviados na solução. Assim.22 12. Geralmente são efetuadas duas contagens: a primeira contagem é necessária para a diminuição do número de plântulas infeccionadas que podem comprometer a sanidade do teste e para reduzir a possibilidade de entrelaçamento entre plântulas. Com relação às informações sobre o vigor das sementes. já que. verifica-se que os lotes podem ser separados em diferentes níveis. milho. por sua vez. com apenas esses resultados.. A partir destes estudos.47 10. fornecidas pelo teste de condutividade elétrica (Tabela 10). devido à necessidade de submetê-las a um tratamento ou à desuniformidade ou menor velocidade de germinação. uma vez que liberou menor quantidade de eletrólitos. 1994). Por outro lado. AG 510 de milho híbrido precoce por repetição. prever o comportamento de lotes de sementes sob uma ampla faixa de condições. enquanto 70 . UFRB. tem duração de 7 a 14 dias.78 Embora as informações obtidas através do teste de condutividade elétrica sejam importantes. em cada lote estudado. para a interpretação dos resultados.37 Média 7. geralmente 21. Dentre esses aspectos é importante ressaltar as diferenças de condutividade elétrica observadas em sementes de diferentes espécies (Vieira et al. 1983). Primeira contagem de germinação O teste de germinação. Porém. não se dispõe de parâmetros de comparação. proposto como teste de vigor para sementes de ervilha na Inglaterra. para sementes do Cv. Sem dúvida alguma. classifica-se como de pior desempenho.46 10. tempo de embebição. 114 Tópicos em Ciências Agrárias. Quando a semente apresenta dormência. valores variando entre 4 e 30 mmhos/cm/g para sementes de milho. como ervilha. Sendo mais tarde utilizado para medir viabilidade de sementes de algodão (1958) e. Austrália e Nova Zelândia. Nos EUA.57 R2 6. já havia sido utilizado na década de 20 para estimar a viabilidade de sementes de capim timóteo. e sementes com condutividade elétrica até 60 . Lotes 1 2 3 R1 6. após vários estudos. 28 ou 35 dias. deve-se ter em mente os vários fatores (característica de sementes. Média dos resultados de condutividade elétrica (mmhos/cm/g). v. principalmente com sementes de leguminosas graúdas. os resultados de teste de condutividade elétrica só permitem comparações do potencial fisiológico dos lotes avaliados. como sobre o potencial de armazenamento. não é possível. algodão. o período pode ser ampliado. os padrões já são outros. O lote 2. bem como de sementes de ervilha e de trigo. No caso particular do teste de condutividade elétrica. não só de armazenamento como também de semeadura. sendo principalmente estudado em sementes de ervilha. Dentre estas. considera-se que. 1. correspondem a lotes que se situam em categorias consideradas de alto a baixo vigor. no caso de soja. que o teste pode ser utilizado para semente de soja.84 14. Logo. com rara exceção. feijão e soja. Embora sua utilização tenha sido intensificada a partir da década de 60. verifica-se que um grande volume de informações tem sido produzido. As gramíneas forrageiras requerem períodos mais longos.

caso necessário. Cv. Foi conduzido conjuntamente com o teste de germinação. Como determinações adicionais são designadas aquelas análises que contribuem com outras informações sobre a qualidade do lote.0 Média 1. de que as sementes do lote 1 são as mais vigorosas. as que apresentaram maior velocidade de germinação.0 0.0 0. AG 510. milho. v.Portanto. Exame de sementes infestadas Tem por objetivo determinar a porcentagem de um lote que se encontre danificado por insetos (gorgulho. Dados médios de primeira contagem de germinação (%) em três lotes do Cv. Tabela 11. ou em outras palavras. todas as demais que apresentam orifício de saída do inseto. Dados médios de três lotes de sementes (%) de milho híbrido precoce. na primeira contagem são removidas as plântulas normais. larva. nas condições em que se procedeu o teste. consistindo do registro das porcentagens de plântulas normais encontradas na primeira contagem do referido teste. o desenvolvimento excessivo de plântulas dificulta a interpretação. traças e carunchos). após o exame de sementes infestadas. Os resultados foram expressos em porcentagem média de plântulas normais. confirmando a tendência observada em outros testes. DETERMINAÇÕES ADICIONAIS A qualidade de sementes é avaliada por um conjunto de índices determinados por análises. Tabela 12. A infestação pode ocorrer ainda no campo. conservando-se no substrato as plântulas anormais e as sementes não germinadas ou em início de germinação. Na Tabela 11 encontram-se resultados com dados médios em porcentagem do teste de primeira contagem de germinação (PCG) dos lotes do Cv. além de sementes que contêm ovo. AG 510 de milho híbrido precoce.0 0. ou durante o período de armazenamento. frequentemente atacadas por aqueles insetos. Lotes 1 2 3 R1 96 92 88 R2 96 86 96 R3 98 96 92 R4 94 86 92 Média 96 90 92 Examinando os resultados obtidos e considerando que não houve dúvidas quanto à normalidade das plantas.0 R2 1. esse teste objetiva determinar o vigor relativo do lote.0 0.0 0. prevalecendo uma relativa superioridade do lote 1 sobre o 3 e este sobre o 2. Os resultados obtidos através da média das sementes infestadas encontradas nas duas subamostras é expresso em porcentagem com uma casa decimal e encontra-se na Tabela 12. são consideradas. devido ao atraso na colheita das sementes. é preferível a antecipação. 1. Para efeito desse exame. Quando se utiliza areia ou solo como substrato. sementes mortas e plântulas infeccionadas. por repetição. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 1. 2009 . avaliando a porcentagem de plântulas normais que são obtidas por ocasião da primeira contagem do teste de germinação. Assim. Serve para indicar a necessidade de expurgo de um lote de sementes. estudados nas condições detalhadas no teste de germinação correspondente.0 0. AGR 510 de milho híbrido precoce em quatro repetições de 100 sementes. pupa e inseto adulto. feita no quinto dia após a semeadura. UFRB.. por lote. para os três lotes estudados.0 115 Tópicos em Ciências Agrárias. Os dados obtidos através deste teste são muito importantes para espécies como o feijão. observou-se pequeno porcentual de sementes consideradas como anormais e/ou mortas. sorgo etc. quer tenham sido essas sementes danificadas por uma única espécie de insetos ou por várias. A data dessa contagem pode ser antecipada ou retardada de 1 a 3 dias. uma vez que com o atraso. realiza-se apenas uma contagem.

Após a interpretação. inseto adulto e o orifício de saída do inseto.66 R8 32. obtido do peso médio (g) de oito subamostras de 100 sementes (R1 a R8) da porção semente pura. É uma informação que dá idéia da qualidade de sementes. podendo ser usado para o milho e outros cereais. somou-se as porcentagens de sementes danificadas por repetição e calculou-se a porcentagem média por amostra. pois os danos severos. Peso de 1.23 28.000 sementes. Os resultados encontram-se na Tabela 13. As sementes com trincas foram identificadas pela formação da coloração azul. 1.000 sementes (g) de milho híbrido precoce.39 28. 2009 .50 Média 328. lagarta. Seguiu-se os critérios das Regras para Análise de Sementes para o cálculo do peso de 1. AG 510. o resultado da determinação foi calculado multiplicando-se por 10 o peso médio obtido das subamostras de 100 sementes. prejudicam a qualidade das mesmas.0 8.8 116 Tópicos em Ciências Agrárias.0 16. v. do Desvio padrão e do Coeficiente de variação dos valores obtidos nas pesagens.0 R2 8.6 7. para análise de pureza. Cv. bem como a extensão desses danos. com a determinação da Variância. Além de fornecer informações para o cálculo de semeadura e regulagens de máquinas semeadeiras. após o teste de injúrias mecânicas.000 sementes O peso de 1. devido a influência do teor de água. Cv. são utilizadas sementes puras provenientes da análise de pureza. o peso médio de 100 sementes. utilizando-se as oito subamostras.Foram consideradas atacadas as sementes onde se constatou a presença do ovo. Tabela 14. a presença de danos mecânicos é constatada pela formação da coloração azul.5 De acordo com Everson (l985) citado por Dias & Barros (l995).6 305. danos nas sementes de milho entre 30 e 50% devem ser preocupantes ao produtor.0 24.5 20.1 283. que pode ser adquirido em frascos de 10 ou 25 gramas em casa de produtos químicos. sendo x média. Tabela 13.29 30.000 sementes é em geral utilizado para calcular a densidade de semeadura e o peso da amostra de trabalho.43 30. tem grande importância na qualidade da semente bem como na sua comercialização. UFRB. O peso de mil sementes é influenciado pelo teor de água. principalmente. Peso médio de 1. Para realizar esta determinação. Dados médios (%) de três lotes de sementes de milho híbrido precoce. Pode-se empregar também a tintura de iodo. que é relativamente simples. Como o coeficiente de variação não excedeu a 4%. pode ser empregado o teste do verde rápido (Fast Green FCF). Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 33. assim como do seu estado de maturidade e sanidade. Acima de 50% o produtor deve tomar medidas necessárias para reduzir os danos mecânicos durante a debulha e processamento das sementes.0 10. AG 510. resultante da reação entre o iodo e o amido espermático. Teste para identificar injúrias mecânicas Para a identificação de danos mecânicos de sementes de milho. Em contato com a solução de iodo. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 5.0 Média 6.

S. BARROS. FCAV/UNESP/JABOTICABAL. 1987. CARVALHO. 32 ). 95 p. 363p... M. 1994.S. MARCOS FILHO. FEALQ. Regras para Análise de Sementes. v. R.L. BRASIL.SILVA. 43 p. 207-23 CICERO.M. S. C. Piracicaba.. VIEIRA. N. Tópicos em Ciências Agrárias. 2009 117 . 1994. Avaliação da qualidade das sementes.1989. Testes de vigor e suas possibilidades de uso.. SILVA. S. (Handbook on seed testing.S. p. R. J. 95 p. 1992. FCAV/UNESP/JABOTICABAL. ed. Circular no 88. . de L.. 95 p. SADER. 1983. Fundação Cargill. In: Testes de vigor em sementes FCAV/UNESP/JABOTICABAL. M. Divisão de Sementes e Mudas. Seed vigor testing handbook . Ministério da Agricultura.230 p. UFRB. W. J. 1995. CICERO.R.D. J. NAKAGAWA. In: Testes de vigor em sementes. Atualização em produção de sementes. 88p. Avaliação da qualidade fisiológica de sementes de milho. CICERO.REFERÊNCIAS ASSOCIATION OF OFFICIAL SEED ANALYSIS. coord. MARCOS FILHO.Testes de Vigor baseados na avaliação das plântulas. Campinas. In: Testes de vigor em sementes. IAPAR. do R. DIAS. R.L. M. 1992. Teste de Frio. W. M. 1.. S.p.. A.

Carlos Alfredo Lopes de Carvalho & Gilberto Marcos de Mendonça Santos Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 9 ANÁLISES FAUNÍSTICAS EM ESTUDOS ENTOMOLÓGICOS Oton Meira Marques.

Centro de Ciências Agrárias. 2000. na maioria dos casos. corresponde à diversidade de espécies (espécies presentes em um ambiente ou região definida). entre outras. ecossistemas são essencialmente sistemas funcionais. Delimitar e caracterizar a fauna de um determinado ambiente é fundamental para o bom entendimento do ambiente. que consiste em traçar um transecto subdividido em n quadrados de tamanho padrão e contar o número de representantes da espécie em cada quadrante (Figura 1). Cruz das Almas-BA. Porém. é mais ambígua que as outras duas categorias. UFRB. 1996). Bolsista CNPq Professor . Os insetos constituem o grupo de seres vivos com o maior número de espécies na Terra e estima-se que existam 950.ANÁLISES FAUNÍSTICAS EM ESTUDOS ENTOMOLÓGICOS Oton Meira Marques1. caracterizados por sua dinâmica. 1990) ou 1. 2002).diversidade dentro de espécies. desprovidos de unidade. A diversidade faunística é fator primordial para o equilíbrio. A vantagem da utilização dos índices é que. 2009 121 . inventariar ou monitorar a diversidade de ecossistemas. são. 1991). As variâncias apresentadas na presença de indivíduos nos quadrantes são plotalas em gráficos. Feira de Santana-BA. Os primeiros estudos voltados a elucidar a relação entre as características estruturais dos habitats e a diversidade faunística foram realizados por Mac Arthur & Mac Arthur (1961). Esse padrão pode ser avaliado pelo método da variância dos quadrados contíguos.000 espécies descritas. 3 diversidade de ecossistemas. gerando uma gama de dados analisáveis. Southwood & van Emden (1967) e Janzen & Schoener (1968) realizaram trabalhos pioneiros de análise faunística de entomofaunas. nem pode existir.Centro de Ciências Agrárias. a organização da vida terá sempre que ser descrita e aferida por uma série de definições e medidas diversas (Gaston. permitindo comparações entre comunidades amostradas de modo não padronizado. os índices faunísticos figuram entre os mais aceitos. Mas.br INTRODUÇÃO Os fenômenos de síntese realizada pela vegetação e o consumo dessas substâncias pelos animais são dois processos vitais que. 2002). é pouco praticável (embora não impossível) e.84 a 2. Ambientais e Biológicas/UFRB.9 a 6. abrange toda a variação entre indivíduos de uma população. A diversidade biológica inclui três tipos de diversidade: 1 . explicam a complexidade das interações entre os componentes das diversas comunidades. por definição. bem como entre populações espacialmente distintas da mesma espécie e tem sido tratada como equivalente à diversidade genética (embora possa incluir diversidade morfológica.br Professor . A fórmula e programa de computador para análise das variâncias encontram-se em Ludwig & Reynolds (1988). Dentre os diversos processos utilizados para analisar a fauna de um dado ambiente.Departamento de Ciências Biológicas. além de serem facilmente calculados.6 milhões (Stork & Gaston. o padrão de distribuição de uma espécie é importante para o entendimento da importância relativa da espécie em termos locais. fluxo e/ou ciclagem de energia e matéria nos ecossistemas. E-mail: gmms@uefs. usar a dinâmica como base para avaliar. Universidade Estadual de Feira de Santana. Cruz das Almas-BA. Gilberto Marcos de Mendonça Santos3 1 2 3 Professor . 2 . Outra estimativa sobre o total de espécies de insetos na Terra foi apresentada por Erwin (1982) e chegou ao extraordinário número de 30 milhões de espécies. Tópicos em Ciências Agrárias. sem ater-se estritamente à base genética de tais diferenças). regionais e até globais. podendo este número representar apenas metade do total existente no planeta (Arnet Jr. surgiram outras estimativas fornecendo números mais modestos: 4.edu. Padrões de distribuição Apesar de não constar dos índices faunísticos clássicos. 1. E-mail: calfredo@ufrb. em termos práticos.diversidade entre espécies.57 milhões (Hodkinson & Casson. E-mail: oton@ufrb. é tratada como correlacionada com a diversidade de fisionomias de vegetação ao nível da paisagem ou de bioma (Lewinsohn & Prado.br. indicando o tipo de padrão de distribuição apresentado pela população estudada (Figura 2). uma definição e uma medida unificada para biodiversidade e por ser um fenômeno intrinsecamente complexo.edu. de comportamento. Lewinsohn & Prado.. Estes números são apresentados na literatura especializada ou não como a biodiversidade ou diversidade biológica ou diversidade de insetos na face da Terra. Carlos Alfredo Lopes de Carvalho2. Ambientais e Biológicas/UFRB. v. não existe. Posteriormente.

a eqüitabilidade é considerada baixa. o conceito de diversidade de espécies inclui o número de espécies na comunidade (abundância ou riqueza de espécies) e a uniformidade (eqüitabilidade) com a qual os indivíduos são distribuídos entre as espécies (Krebs. Diferentes índices têm sido propostos para caracterizar isoladamente a abundância de espécies e a 122 Tópicos em Ciências Agrárias.: espécies. uma revisão sobre este assunto é encontrada em Carneiro et al. 1988. estão distribuídos entre as outras nove espécies. Posicionamento de quadrados contíguos ao longo de transectos em três ambientes onde os padrões de distribuição são aleatório (ou randômico).a combinação do número total e a eqüitabilidade (abundância relativa) de espécies. enquanto que. Considerando uma comunidade composta por dez espécies. 1989). 1988). 1. a eqüitabilidade é considerada máxima. A combinação do número total de espécies e a eqüitabilidade é considerada a abundância relativa das espécies (Ludwig & Reynolds. se 90% dos indivíduos pertencem a uma só espécie e. os mais amplamente utilizados neste tipo de estudo.g. 1976). famílias) de insetos coletados em um ambiente. regularidades na variação do número de espécies no espaço e no tempo.número total de espécies em uma comunidade (freqüentemente denominado abundância de espécies) e 2 . (1998). baseada no número de táxons (e. 2009 . uniforme e agregado (baseado em Ludwig & Reynolds. UFRB. 5 4 Variança 3 2 1 0 0 1 2 3 4 5 Espaço 6 7 8 9 10 Aleatório Uniforme Agregado Figura 2. Dois parâmetros devem ser considerados ao avaliar a diversidade biológica de um ambiente: 1 . 1988). Odum. Algumas comunidades são mais ricas do que outras no número de espécies. v. Diversidade Existem diversos padrões de diversidade. Assim. isto é. gêneros. Plotagem típica de variâncias encontradas em quadrados contíguos cujas populações apresentavam os padrões de distribuição: aleatório. podendo ser feita por meio dos índices faunísticos descritos a seguir. a última indica como o total de indivíduos encontra-se distribuído entre as espécies. fornece conhecimentos básicos sobre as populações presentes e os níveis de importância quantitativa das mesmas. Uma análise faunística. mas não apresentam necessariamente mais indivíduos por unidade de área (Lewis & Taylor. se cada uma das dez espécies contribui com 10% do total de indivíduos.aleatório agregado uniforme Figura 1. agregado ou uniforme (adaptado de Ludwig & Reynolds. 1988). os restantes 10%.

eqüitabilidade de uma comunidade. constância e abundância e os valores do teste F na determinação da dominância podem ser calculados por meio das funções estatísticas de planilhas eletrônicas computacionais. 1988). Muito abundante (m) = n maior que o limite superior do IC1%.1) ln(N) onde. explorando de forma diferente os componentes da diversidade. apresentando elevado número de espécies. 1988). Disperso (d) = n entre os limites inferiores dos IC1% e IC5%. b) Índice de abundância A comparação dos dados de abundância obtidos em diferentes pesquisas é possível através da utilização de índices como. Estes índices podem apresentar a desvantagem de confundir variáveis que caracterizam a estrutura de uma comunidade: 1) número de espécies. Comum (c) = n situado dentro do IC5%.. N = número total de indivíduos. 2) eqüitabilidade e 3) homogeneidade e o tamanho da área amostrada. As espécies podem ser distribuídas em classes de abundância baseadas no Intervalo de Confiança (IC) do número de indivíduos (n) ao nível de 5% e 1% de significância (Bicelli et al. o Alfa (a) proposto por Margalef (1951): a = (S . UFRB. por exemplo. Os Intervalos de Confiança para as classes de freqüência. 1989). em que o número de espécie tende a diminuir e o número de indivíduos das espécies dominantes tende a aumentar. c) Índices de diversidade Diferentes índices expressam a diversidade de uma área ou região. há indicação de que o local é bastante diversificado. Por outro lado. a) Abundância O número total das espécies amostradas em um determinado estudo é considerado a abundância (S) dessas no ambiente (Ludwig & Reynolds. Os limites de classes mais comumente utilizados são: Raro (r) = n menor que o limite inferior do IC1%. v. 1. 1976). a utilização desses índices pode permitir a comparação entre comunidades. S = número total de espécies.. significando que o local é mais específico. Outros tipos de índices combinam as duas características em um só valor e são conhecidos como índices de diversidade. independente do processo de levantamento e do tamanho da amostra (Silveira Neto et al. ln = logaritmo neperiano. Alguns destes índices são expostos a seguir: Índice H' (Shannon-Wiener): H' = . Quando o valor obtido é alto. O índice a mede a relação existente entre o número de espécies e o número de indivíduos de uma comunidade. Esse índice é baixo nos locais onde ocorre competição interespecífica.S pi (ln pi) Tópicos em Ciências Agrárias. 2009 123 . Abundante (a) = n situado entre os limites superiores dos IC5% e IC1%. embora com menor número de indivíduos (Odum.

provavelmente. 1. o índice de eqüitabilidade mais usado em estudos ecológicos. De acordo com Odum (1988). quanto maior o valor obtido. ni = número de indivíduos da espécie i. 2009 . UFRB. Os índices de abundância (a).1) ÷ ç ÷ i =1 æ n i (n i . å ç N ( N . o que permite a comparação entre comunidades ainda que as amostragens em cada ambiente tenham sido realizadas com tamanhos diferentes (Odum. baseandose na abundância relativa de espécies e no grau de sua dominância. De acordo com Washington (1984). Esse índice apresenta a vantagem de ser relativamente independente do tamanho da amostra.onde. diversidade (H' e l) e eqüitabilidade (J') podem ser facilmente obtidos por meio da montagem de uma planilha de cálculo. 1988). sendo que. Ludwig & Reynolds. maior será a dominância por uma ou poucas espécies. O índice H´ é um dos melhores índices para uso em comparações de comunidades. N = número total de indivíduos. o índice de Simpson dá maior peso para as espécies mais comuns na comunidade. N = número total de indivíduos. pi = freqüência relativa da espécie i dada por ni/N. 1977) J’ = onde. então a diversidade na comunidade amostrada é baixa (Ludwig & Reynolds. Índice J' (Pielou. caso não haja interesse em separar os dois componentes da diversidade. H' H' max O índice proposto por Pielou (1977) e denominado J´ é. S = número total de espécies. atingindo o valor máximo quando todas as espécies apresentam a mesma freqüência relativa (Odum. dando a probabilidade de dois indivíduos coletados casualmente na população pertencerem à mesma espécie. abundância e eqüitabilidade. Índice l (Simpson. v. ln = logaritmo neperiano. Se a probabilidade for alta. expressando a uniformidade em número de indivíduos que as espécies possuem ou não. ln = logaritmo neperiano. O índice J' varia de 0 a 1. sendo que em comunidades biológicas não ultrapassa o valor 5. H' = componente de “riqueza” de espécies. H' = componente da “riqueza” de espécies. 1988). 1949): s l= onde. 1988. ni = número de indivíduos da espécie i. o índice de diversidade H' varia com o número de espécie. 124 Tópicos em Ciências Agrárias. H'max = ln S. 1988).1) ö è ø Esse índice varia de 0 a 1.

o método da análise da riqueza baseado na Curva de Rarefação fornece informação sobre a suficiência amostral do estudo. enquanto que uma curva que mostre tendência de crescimento indica que novas espécies podem ser encontradas com um pequeno aumento no esforço amostral. No exemplo da Figura 4. quaisquer análises de comunidade baseada em índices faunísticos (freqüência. discutido por Ludwig & Reynolds (1988). observa-se duas comunidades hipotéticas: na comunidade 1. pode-se fazer inferências sobre o esforço necessário para atingir um número determinado de espécies em comunidades distintas. 1971. para aumentar o número de espécies encontradas. a curva mostra que a riqueza foi baixa e que o esforço amostral foi suficiente para caracterizar a comunidade. Na Figura 3. evitando a sub amostragem. número de armadilhas) e a variação do número de espécies encontradas em função deste esforço. Magurran (1988) e Krebs (1989). 1981) e mede a eficiência do número de coletas na representatividade das espécies que ocorrem em uma determinada área (Colwell & Coddington. abundância e outros). Como o gráfico da curva de rarefação permite avaliar a intercessão dos eixos onde são plotados. calculados sobre os 1000 indivíduos encontrados levariam a erro na caracterização. além de servir como indicativo da efetividade da amostragem das populações que compõem uma comunidade. Um modelo de distribuição de abundância pode ser baseado na distribuição das espécies e indivíduos em oitavas (Preston. neste caso. valor da abundância de espécies (S). Observa-se que ocorreu uma estabilização a partir da 23a coleta. biomassa. constância. v. na comunidade 2. James & Rathburn. Tópicos em Ciências Agrárias. Um estudo que se propõe a caracterizar uma comunidade baseado em seus índices faunísticos precisa se certificar que o ambiente foi suficientemente amostrado. a variação do esforço amostral (número de indivíduos. a distribuição do número de indivíduos e de espécies por coleta indicou que o número de coletas realizadas foi suficiente para amostrar a abundância de espécies da área estudada. Só pode ser considerado suficientemente amostrado aquele ambiente cuja curva encontrada apresente tendência à estabilização. 35 Curva de Rarefação 30 Número de Espécies 25 20 15 10 5 0 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 comunidade 1 comunidade 2 Número de Indivíduos Figura 3. 2009 125 . Uma curva que tenda a se estabilizar indica que. número de horas amostradas. na qual o esforço amostral foi de apenas 500 indivíduos. A validação estatística para o modelo encontrado pode ser obtida por meio da análise de regressão. quando se atingiu o total de 80 espécies. UFRB. Curva de rarefação de duas comunidades hipotéticas.Modelo de distribuição e estimativa da abundância de espécies O método da Curva de Rarefação ou Curva do Coletor (Richness rarefraction method) indica o número de espécies esperadas em um dado tamanho de amostra (Hurlbert. 1. cujo esforço amostral foi de 1000 indivíduos. Ludwig & Reynolds (1988) defendem esse tipo de análise como o mais eficiente para comparar a riqueza de comunidades cujas intensidades de esforço amostral foram diferentes. 1994). 1948). é preciso aumentar muito o esforço amostral. A fórmula e um programa para obtenção da Curva de Rarefação estão disponíveis em Ludwig & Reynolds (1988). a curva mostra que o ambiente não foi suficientemente amostrado e.

q (x . x: média do número de indivíduo em log 10 Þ x = åx S . entre janeiro de 1994 e fevereiro de 1995 (Carvalho.m ) vx . S å 126 Tópicos em Ciências Agrárias. R = 0 na oitava modal. m: estimativa da média Þ m = x . (1961) para lognormal truncada.po ( xo .x) 2 2 s : variância Þ s = . po = probabilidade da curva normal para zo (proporção da curva normal de acordo com Zar. O procedimento para avaliar o modelo da distribuição lognormal truncada é encontrado em Magurran (1988). a distribuição lognormal é representada por: S(R) = So e(-a²R²) onde.90 espécies Número acumulado de es écies 80 70 60 50 40 30 20 10 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 y = 2. a = medida de amplitude inversa da distribuição.01) Coletas Figura 4. v. UFRB. l = s2/(x-xo)2. S* = número estimado de espécies. S = número total de espécies. De acordo com Ludwig e Reynolds (1988). 1984). R = logaritmo na base 2 da abundância de espécie de uma determinada classe de oitava dividido pela abundância de espécie na oitava modal.96 (p > 0.5). q = parâmetro obtido através de l e da tabela de Cohen Jr. onde o número estimado de espécie na comunidade é obtido pela equação: S* = onde.xo). xo = log10(0.28x + 25.42 R2 = 0. Município de Castro Alves-BA. 1. Curva do Coletor para amostras de abelhas (Apoidea) coletadas no vale do rio Paraguaçu. 2009 . S(R) = número de espécies na R-ésima oitava (= classes). 2 ( x . So = estimativa do número de espécies na oitava modal. 1999). zo: variável normal estandartizada Þ zo = S 1 .

.0% do número estimado de espécies presentes na área não foi coletado.5. sendo a abundância estimada (S*) igual a 86 espécies. sendo necessário o estudo de outras áreas. a coleta de dados deve ser por vários anos (Martins. Constância Calculada por meio da percentagem de ocorrência das espécies no levantamento (Silveira Neto et al. Neste estudo. utilizando-se a fórmula: C= ç æ ci ö ÷ x 100 è Nc ø Tópicos em Ciências Agrárias. a estimativa do número de espécie na comunidade não possui um sistema para avaliar a sua precisão e deve ser analisada com precauções. o incremento no número de horas de coletas em diferentes épocas do ano. Os estudos sobre a composição faunística de áreas restritas apresentam limitações quanto à possibilidade de se fazer extrapolações para áreas maiores. com o número de graus de liberdade igual ao número de oitavas menos três (Magurran.x: número de indivíduo em log10 x = log10 ni. ni = número de indivíduos da espécie i. conforme Ludwig & Reynolds (1988) e Magurran (1988). N = número total de indivíduos. b) Freqüente (F) = f situado dentro do IC5%. 1967). como também. No exemplo da Figura 1. 1990). 1. O teste do Qui-quadrado (X2) aplicado e o valor obtido é comparado com o tabelado ao nível de 5% de significância. Segundo Krebs (1989). v. esse tipo de resultado permite apenas uma abordagem descritiva da comunidade e não deve ser considerado conclusivo. uma vez que o método de amostragem pode ter contribuído para a ausência de algumas espécies nas coletas. sendo cada classe representada pelo dobro da abundância de espécie acrescido de 0. Entretanto. Por outro lado. 2009 127 . ni = número de indivíduo da espécie i vx: estimativa da variância = s2 + q (x-xo)2 As oitavas são formadas por intervalos do número de indivíduos e número de espécies. Isso significa que. æ ni ö ÷ x 100 èN ø De acordo com os resultados obtidos são estabelecidas classes de freqüência para cada espécie. c) Muito Freqüente (MF) = f > o limite superior (LS) do Ic5%. por meio de Intervalos de Confiança (IC) a 5% de probabilidade: a) Pouco Freqüente (PF) = f < o limite inferior (LI) do IC5%. 1988). em relação ao total coletado (Silveira Neto et al. 1976). 7. 1976): f = ç onde. requerendo uma quantidade maior de amostras. o modelo de distribuição das espécies observadas e esperadas pode ser estatisticamente avaliado pelo teste do Qui-quadrado. aproximadamente. UFRB. provavelmente resultaria na amostragem de outras espécies consideradas raras (com poucos indivíduos).. Apesar dessas limitações. Frequência A freqüência (f) das espécies é determinada pela participação percentual do número de indivíduos de cada espécie. a amostragem de insetos em áreas restritas fornece uma estimativa considerável da abundância relativa das espécies e famílias dentro da comunidade (Sakagami & Matsumura. um total de 80 espécies foi coletado (S).

o impacto recebido do ambiente. 1976). 2009 æ1ö ÷ x 100 èSø . Uma determinada espécie será considerada como dominante quando o seu limite inferior (Li) for maior que o inverso do número total de espécies multiplicado por 100 (LD).. utilizando as equações: Ls = ç ç æ (k1 xFo ) ö ÷ x 100 k2 + (k1 xFo ) ÷ è ø (k '1 xFo ) ö ÷ x 100 k ' 2 +(k '1 xFo ) ÷ ø e. Dominância A dominância consiste na capacidade ou não da espécie em modificar. 1. segundo a classificação de Bodenheimer (citado por Silveira Neto et al. Bueno e Souza (1993). c) Espécies acidentais (Z): C < o limite inferior (LI) do IC5%. k1' e k2'. pois depende da atividade desempenhada pela espécie na comunidade (Silveira Neto et al. Um outro procedimento para considerar a dominância de uma espécie é quando o Limite Inferior for maior que o Limite Superior para K = 0. (1982). LD = ç onde. S = número total de espécies. 1976) e o IC a 5%em: a) Espécies constantes (W): C > limite superior (LS) do IC5%. k'2 = 2 (ni + 1). LD = limite da dominância. Li = limite inferior. em seu benefício. UFRB. Rossi (1989). de acordo com Sakagami e Matsumura (1967). Laroca et al. referido por Laroca & Mielke (1975). k'1 = 2 (N ni + 1). Este método foi utilizado por diversos pesquisadores como. 128 Tópicos em Ciências Agrárias. Nc = número total de coletas efetuadas. Bicelli et al. podendo assim causar o aparecimento ou desaparecimento de outros organismos. A dominância ou não das espécies pode ser obtida pelo método de Kato et al. (1983). Fo= valor obtido da tabela de distribuição de F ao nível de 5% de significância para graus de liberdades obtidos em k1 e k2 e. v. b) Espécies acessórias (Y): C entre os limites (LI e LS) do IC5%. as espécies podem ser separadas em categorias. (1989). ci = número de coletas contendo a espécie i. Li = ç1 ç æ è onde: Ls = limite superior. por exemplo.. É uma característica difícil de ser avaliada quantitativamente. ni = número de indivíduos da espécie i. k2 = 2 (N ni + 1). De acordo com os percentuais obtidos. N = número total de indivíduos.onde: C = percentagem de constância.. k1 = 2 (ni + 1). Nascimento et al.

bni = número coletado de indivíduos da espécie de abelha b na espécie vegetal i. 2 db = å bn bN 2 . onde se avalia a semelhança na composição das espécies entre duas áreas.. UFRB. Outro modo de avaliar a similaridade entre comunidades de insetos é o Coeficiente de Similaridade de Sfrensen. não depende do tamanho da amostra e é um dos melhores índices para medir a similaridade em estudos ecológicos (Wolda. aN = número coletado de indivíduos da espécie de abelha a. a abordagem é qualitativa. O índice de Morisita-Horn varia de zero (nenhuma similaridade) a 1 (completa similaridade) (Krebs. calculada pela soma dos menores valores da porcentagem do total de indivíduos das espécies comuns às duas comunidades comparadas: %S = Somatório (a + b + . v. 1989). A fórmula a seguir representa o Coeficiente de Sfrensen: CS = 2j / (2j + a + b) onde: a = número de espécies no agroecossistema I b = número de espécies no agroecossistema II j = número de espécies encontradas em ambos os agroecossistemas O coeficiente de Similaridade de Jaccard (1912) também pode ser utilizado para indicar a semelhança entre duas comunidades quanto à composição de espécies e pode ser obtido por meio da fórmula a seguir. 1981). utilizando as mesmas variáveis do Coeficiente de Sfrensen: CJ = j / (j + a + b) Outro índice conhecido é a Porcentagem de Similaridade.Similaridade entre comunidades de insetos A similaridade entre duas comunidades quanto à composição de espécies. 2009 129 . [( da + db ) ´ ( aN ´ bN )] Im-h = Índice de Morisita-Horn entre as espécies de abelhas a e b.+ n) onde: %S= Porcentagem de Similaridade a = Menor porcentagem da espécie "a" observada no confronto entre os dois agroecossistemas b = Menor porcentagem da espécie "b" observada no confronto entre os dois agroecossistemas n = Menor porcentagem da espécie "n" observada no confronto entre os dois agroecossistemas Tópicos em Ciências Agrárias. isto é. presença ou ausência. ou ainda entre espécies quanto a hospedeiros ou recursos tróficos pode ser obtida pelo Índice de Morisita-Horn (Im-h). Neste caso. ani = número coletado de indivíduos da espécie de abelha a na espécie vegetal i. bN = número coletado de indivíduos da espécie de abelha b. Por exemplo. da = å an aN 2 2 . 1.. de acordo com Magurran (1988). a similaridade entre as espécies de abelhas quanto às espécies de plantas visitadas pode ser calculada da forma a seguir: 2 ( an i ´ bn i ) Im-h = onde.

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CAPÍTULO 10 INTERFACE DA ENTOMOLOGIA APLICADA NA FRUTICULTURA TROPICAL Antônio Souza do Nascimento & Tuffi Cerqueira Habibe Tópicos em Ciências Agrárias .

com uma percentagem de 70 % do total de braconídeos coletados e ocorrendo em 81 % dos frutos amostrados. Segundo Carvalho et al. foi a espécie mais comum encontrada. que ocorre da Argentina até o sul dos EEUU. No Brasil. ainda assim.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. UFRB. (1980) realizaram o levantamento de tefritídeos no Brasil amostrando 55 espécies de hospedeiros dos quais 25 estavam atacados por C. Os estudos sobre os eucoilíneos para o controle biológico de moscas-das-frutas demostram o potencial desses parasitóides em programas de manejo de pragas. somente Ceratitis capitata é considerada praga de importância econômica. capitata. c) Conhecer a incidência de inimigos naturais parasitóides nativos. Tuffi Cerqueira Habibe 2 1 2 Pesquisador . Parasitóides Dentre os organismos que efetuam o controle biológico de moscas-das-frutas. não foi relatada a presença de moscas-dasfrutas nesta cultura em Cruz das Almas (Sá. Em 1995. por se constituírem em fatores limitantes à produção. parasitando tanto as espécies da família Tephritidae quanto as da família Lonchaeidae. (2000). caracterização e dano dos Insetos-Praga em acerola em Cruz das Almas e relataram que a larva de C. isto é. capitata danifica o fruto. as pragas e doenças assumem papel de grande relevância para essa atividade. Nesse contexto. 2003). O trabalho foi desenvolvido na área experimental da sede da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. 1999). 2009 135 . 1762) como hospedeira de moscas-das-frutas (Diptera: Tephritidae) no Recôncavo da Bahia O Brasil é o principal produtor de acerola (Malpighia punicifolia) no mundo. gerando mais de cinco milhões de empregos diretos (FAO.INTERFACE DA ENTOMOLOGIA APLICADA NA FRUTICULTURA TROPICAL Antônio Souza do Nascimento1. Os eucoilíneos conhecidos são generalistas. Num posterior levantamento de insetos associados à cultura da acerola. o incremento do parque industrial e a elevação de sua capacidade produtiva e de exportação. Este trabalho visou: a)Identificar as espécies de moscas-das-frutas que utilizam a acerola como hospedeiro. 2001). (1999) mencionaram a presença de moscas-dasfrutas (Anastrepha spp.embrapa.. os estudos com parasitóides de moscas-das-frutas são recentes. patógenos. Esses autores relataram que a mosca do mediterrâneo era mais freqüente nas fruteiras introduzidas enquanto que as espécies de Anastrepha preferem os hospedeiros nativos.br INTRODUÇÃO Atualmente. Em frutos menores. em Tópicos em Ciências Agrárias. que cai precocemente. A fruticultura tem apresentado grande avanço nos últimos anos. devido principalmente à disponibilização de novas tecnologias. Outro importante grupo de parasitóides é representado pela família Figitidae (Eucoilinae).com. com uma produção de 38 milhões de toneladas/ano. Devido à associação com os tefritídeos. o parasitismo em moscas-das-frutas depende do tamanho do fruto. pela facilidade que o parasitóide encontra em localizar as larvas da mosca no interior do fruto. os últimos parecem ser os mais efetivos. no período de outubro a dezembro e alerta ao produtor a ter atenção especial com ela. com polpa e casca fina. bactérias e parasitóides. o Brasil ocupa a terceira posição entre os países produtores de frutas.) como praga de aceroleira. Malavasi et al. num levantamento no país.br Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. b) Conhecer o nível de infestação nos frutos. esses parasitóides desempenham função importante como inimigos naturais de moscas-das-frutas. As espécies de moscas-das-frutas assinaladas no Brasil. Didonet et al.. v. mas destaca que ainda sendo uma praga potencialmente importante. E-mail: nascimento@cnpmf. causando danos econômicos em alguns fruteiras. aumentando o mercado interno e propiciando a conquista de novos mercados internacionais (Lima et al. o índice de parasitismo é maior. (1999) realizaram a descrição. reduzindo a produtividade. predadores. não existe suficiente informação sobre o comportamento de insetos limitantes a sua produção. nematóides. pertencem aos gêneros Anastrepha e Ceratitis. Cruz das Almas-BA. Nascimento et al. E-mail: tuffihabibe@yahoo. favorecendo o aumento da área de cultivo. A acerola (Malpighia punicifolia L. 1. verificou-se que Doryctobracon aerolatus. Cruz das Almas-BA.

1 2. capitata ser a única espécie representante do gênero ocorrendo no Brasil. em duas áreas do Banco de Germoplasma BAG de Acerola.02 0. que os frutos introduzidos são mais susceptíveis a infestações por C. mas possuem estratégias diferentes em relação à utilização de nutrientes. A área 2. pelo fato de C. manga (Mangifera indica).11 0. 0.00 0.00 0. e segundo Zucoloto (1993). afirmações feitas pelos autores naquela época em relação à adaptação de C.33 0. mamão (Carica papaya).00 0. capitata e 99.02 0.00 0. mandioca (Manihot esculenta). O levantamento populacional foi iniciado em abril de 2000 até agosto 2001. estas duas espécies ocupam nichos alimentares semelhantes. distribuídas no centro e na periferia das culturas.00 15.701 frutos que deram 1. capitata foi dominante comparada com A.64 50.29 % a Anastrepha spp..94 2. sendo que os indivíduos do gênero Ceratitis foram contados.00 0. Tabela 1.).00 0. banana (Musa spp.17 0.64%) e 9 espécimes de A.00 0. As amostras foram levadas ao laboratório de Entomologia da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical e acondicionadas em bandejas plásticas contendo uma camada de vermiculita com aproximadamente 3 cm de espessura.00 0.79 70. corrobora com as observações feitas por Malavasi et al.42 136 Tópicos em Ciências Agrárias. 652 pertenceram à espécie C.00 48.00 0. Total fruto Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto TOTAL 590 1060 480 110 0 1040 180 440 290 0 0 1010 620 110 430 250 6610 Número Infestação Número Número Número Viabilidade Índice de pupas pupas/frutos Ceratitis Anastrepha Parasitóides Pupal Parasitismo 102 121 8 4 0 4 0 19 20 0 0 13 39 6 7 0 343 0.56 0.36%) (Tabelas 1 e 2).00 0. foram coletados nas duas áreas 14.00 0. Infestação de frutos. para permitir a empupação.00 2.14 0. Estas proporções diferem da encontrada por Nascimento & Zucchi (1981) no Recôncavo Baiano que de um total de 17.00 75.00 0.877 indivíduos coletados. utilizando atrativo alimentar hidrolizado de proteína (“Tephritide”) a 5% com armadilhas tipo Valenciano modificada.00 0.00 0. capitata (98. viabilidade pupal e índice de parasitismo em acerola (Malpighia punicifolia L. (1980).05 0.23 50.) por moscas-das-frutas dos gêneros Anastrepha e Ceratitis na Área 1 do Banco de Germoplasma em Cruz das Almas-BA.01 0. abacaxi (Ananas comosus). cajá (Spondias lutea) e vegetação nativa. Os espécimens de Tephritidae foram separados por sexo e identificados.00 23.05 66 37 2 3 0 0 0 3 14 0 0 3 24 2 4 0 158 0 1 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 2 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 4 66. Efetuou-se a coleta sistemática de frutos maduros ou em início de maturação em diferentes alturas da copa das árvores.00 0. capitata. obliqua (1. Neste estudo.00 33.07 0.00 0. Por outro lado.00 0.06 0.00 0. sendo acerola um cultivo introduzido. distantes entre si aproximadamente 500 m e separadas por vegetação nativa em direção nordeste.04 0.00 57.00 0.67 32. capitata às condições do recôncavo. 2009 .04 0. a presença de C. UFRB. separados por sexo e descartados após sua verificação. 1.) e vegetação nativa.08 61. Monitorou-se semanalmente.Cruz das Almas. A área 1 teve como cultivos vizinhos. têm sido confirmadas neste trabalho. obliqua. v. Durante o período de estudo.343 pupas das quais emergiram 661 espécimes.00 0. enquanto as espécies de Anastrepha infestam preferencialmente hospedeiros nativos.00 0. cítros (Citrus sp.71 % correspondeu a C. 2001.00 0. BA.

A Tabela 3 apresenta a relação de espécies com a Ordem.00 0.33 94. e um número razoável de espécies benéficas.07 0.00 0. Em todo agroecossistema..05 0. 1. seu período de maior ocorrência.00 0.18 0. As avaliações foram efetuadas no período de junho de 1996 a dezembro de 1997.09 68. Infestação de frutos.BAG.00 0.00 0. ataca os botões florais da acerola. 2009 137 .Pulgão . BA.00 0. com o aumento da demanda pelo mercado externo e visando principalmente ao aproveitamento de seu teor de vitamina C.17 56.67 38. quinzenalmente.Aphis spiraecola (Patch. acerolae identificado por Clark (1998). onde pode-se constatar um número reduzido de espécies consideradas pragas da cultura. bem como danos e sintomas causados entre junho de 1996 e dezembro de 1997.00 0.06 0.92 66. espécie descrita pelo material coletado em Nova Soure.00 37.00 1. surge um elevado número de insetos associados às plantas cultivadas.45 0. Cruz das Almas.00 0. o número de espécies que provoca danos é relativamente baixo. com base em estudos desenvolvidos na região do Recôncavo da Bahia: 1 .46 0.00 0. BA. Na cultura da acerola.00 0.50 59. Família e hábito alimentar. área agrícola onde se explora uma cultura de expressão econômica.Tabela 2. são relatas as épocas de ocorrência dos principais insetos-praga para a cultura. 1914) Hemiptera: Aphididae Os maiores picos populacionais ocorrem no período de agosto a outubro.88 51.) por moscas-das-frutas dos gêneros Anastrepha e Ceratitis na Área 2 do Banco Germoplasma em Cruz das Almas-BA. viabilidade pupal e índice de parasitismo em acerola (Malpighia punicifolia L.17 0. e a intensidade dos danos varia de região para região.00 0. v.00 50.00 0. O experimento foi conduzido na sede da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical.93 0.05 0.00 0.00 0. O A. A seguir.00 0. 1762) na região de Cruz das Almas. ganhou grande expressão a partir da década de 80.11 Número Ceratitis 98 107 45 5 0 0 34 3 13 17 0 0 24 136 12 0 0 494 Número Número Viabilidade Índice de Anastrepha Parasitóides Pupal Parasitismo 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 5 0 0 6 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 0 0 0 4 61. no Banco Ativo de Germoplasma de acerola .00 0.00 0.01 0.00 0.00 55. UFRB.00 0. 2001.2 1.26 0.00 0.42 0.00 0.00 0. Objetivou-se identificar os principais insetos associados à acerola.00 0.44 0. num grupo de 55 plantas em genótipos identificados como “promissores” de um universo de 275 plantas. podendo ser prejudiciais àquela cultura ou mesmo benéficos .07 0.os inimigos naturais das pragas.79 Insetos associados à cultura da acerola Malphigia punicifolia (L.00 31. no Brasil.03 0. BA O cultivo da acerola Malphigia punicifolia L. Total fruto Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto TOTAL 950 490 940 281 0 0 1180 580 770 460 0 0 1140 950 100 250 0 8091 Número pupas 160 208 69 13 0 0 68 8 22 25 0 0 77 245 18 0 0 913 Infestação pupas/frutos 0.01 0. Tópicos em Ciências Agrárias.

Cruz das Almas. 6 . com pico populacional entre dezembro e fevereiro (Sá. acerolae e em C.. 1999). Enchenopa sp. rufomarginata Ectatoma brunneum Edessa meditabunda Elasmus sp. chegando a 100% em janeiro de 1997 e 56. Deve-se ampliar os estudos em A. Ortézia dos citros (Orthezia praelonga). Doryctobracon areolatus E. 1801) Hemiptera: Membracidae Durante os meses de março a setembro. devido ao período de chuvas. Pulgão (Aphis spiraecola). Dentre as 25 espécies identificadas. sanctus (inseto adulto).Bolbonata tuberculata . seis merecem destaque pela alta freqüência na região estudada: Bicudo do botão floral (Anthonomus acerolae). 3 . As plantas apresentaram-se mais atacadas pelo A. 1824) e Anastrepha spp. 1.(Coqueberg.Moscas-das-frutas Ceratitis capitata (Wied.) acuta Crinocerus sanctus Cycloneda sanguinea Cyphopsis clathratus Dorymyrmex sp. Machtima crucigere Orthezia praelonga Physocoryna scabra Solenopsis (S. Os resultados demonstram a grande diversidade de espécies associadas à cultura da acerola. BA.Bicudo do botão floral . UFRB. acerolae e o C.Cigarrinha .6% em dezembro de 1996. 1891) Hemiptera: Ortheziidae Época de ocorrência: De outubro a março. provavelmente pela falta do alimento. Os insetos estudados apresentaram uma queda na população entre abril e junho. Crematogaster (E.) blandus Ceratites capitata Chilocorus sp. 1998 Ordem Coleoptera Hemiptera Coleoptera Hemiptera Hymenoptera Diptera Coleoptera Hymenoptera Hemiptera Coleoptera Coleoptera Hymenoptera Hymenoptera Hemiptera Hymenoptera Hemiptera Hymenoptera Hemiptera Coleoptera Hemiptera Hemiptera Coleoptera Hymenoptera Coleoptera Família Curculionidae Aphididae Coccinelidae Membracidae Formicidae Tephtidae Coccinelidae Formicidae Coreidae Coccinelidae Curculionidae Formicidae Braconidae Pentatomidae Formicidae Pentatomidae Elasmidae Membracidae Coccinelidae Coreidae Ortheziidae Chrysomelidae Formicidae Cerambicidae Hábito Fitófago Fitófago Predador Fitófago Trofobionte Fitófago Predador Trofobionte Fitófago Predador Fitófago Trofobionte Parasitóide Fitófago Trofobionte Fitófago Parasitóide Fitófago Predador Fitófago Fitófago Fitófago Trofobionte Fitófago 138 Tópicos em Ciências Agrárias. período mais seco do ano. Tabela 3. Cigarrinha (Bolbonata tuberculata).Percevejo vermelho . sanctus uma vez que ambos têm como alvo de ataque o fruto. Exoplectra sp. Espécie Anthonomus acerolae Aphis spiraecola Azya imitator Bolbonata tuberculata Camponotus (M. 5 . Malpighia punicifolia.2 . a espécie ocorre praticamente em todos os meses do ano.Anthonomus acerolae (Clark. 2009 .. v. Relação de espécies de insetos associados à cultura da acerola. 1775) Hemiptera: Coreidae Durante todo o ano. Diptera: Tephritidae Havendo frutificação. Percevejo vermelho (Crinocerus sanctus).) saevissima Trachideres thoracicus Fonte: Ampliado de Oliveira et al. 1988) Coleoptera: Curculionidae Os adultos ocorrem no período de setembro a abril.Crinocerus sanctus (Fabr. com pico populacional no período de agosto a fevereiro. 1997. 4 ..Orthezia praelonga (Douglas.

umidade (60 . com sede em Cruz das Almas. exibiram uma menor amplitude entre os limites de idade. agar e água.80%) e 12 horas de fotofase. com uma média em torno de 32. dentre estes. Vinte dessas fêmeas receberam. diariamente. capitata foi adaptada de Diaz (1992). No caso das fêmeas acasaladas. As larvas foram submetidas ao parasitismo em “unidades de exposição” confeccionadas a partir de um pequeno pedaço de tecido fino amarrado à maneira de um saco e dependurado na parte interior e superior da gaiola. As outras 20 fêmeas permaneceram virgens para aferição da capacidade reprodutiva sem acasalamento. Quarenta fêmeas recém emergidas foram individualizadas em gaiolas cilíndricas de plástico transparente. houve uma concentração de picos de oviposição no terço inicial deste período (até o 20º dia).8 dias. Devido aos inúmeros prejuízos que causam. estes picos se mantiveram até mais ou menos a metade do seu ciclo de vida (também próximo ao 20º dia). cada uma. para garantir a fecundação. sendo classificados como pragas-chave das fruteiras e. atingem o nível de dano econômico em densidades populacionais baixas. e média de 25. em condições controladas de temperatura (25º C). Tópicos em Ciências Agrárias. possibilitando mensurar a longevidade dos parasitóides adultos fêmeas. Doryctobracon areolatus (Szèpligeti. Os métodos de controle utilizados são principalmente químico. 1905) tem sido a espécie mais utilizada em nível mundial. 2009 139 .Longevidade e reprodução de Diachasmimorpha longicaudata (Ashm. 1824) (Diptera: Tephritidae). embora a atividade de oviposição estivesse presente durante toda a fase adulta das fêmeas não acasaladas. capitata em 3º estádio. Dentre estes. longicaudata apresentaram longevidade máxima de 59 dias e mínima de 10 dias. (1998). As larvas ficaram assim expostas ao parasitismo pelo período de 24 h. 1824). UFRB. o início. exposta em bandagens de nylon. cultural e comportamental (Técnica do Inseto Estéril . Os trabalhos foram conduzidos no laboratório de Entomologia da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. Longevidade de fêmeas adultas As fêmeas não acasaladas de D. o estudo teve como objetivo conhecer sua performance reprodutiva sobre larvas de Ceratitis capitata (Wiedemann. nipagin. 1988). tendo como principal ferramenta o uso de inimigos naturais. e receberam água em pequenos frascos cobertos com chumaços de algodão. respectivamente. o número diário e total de descendentes produzidos por fêmea acasalada e não acasalada e a razão sexual da descendência. a companhia permanente de um macho. Período de oviposição Constatou-se que. 1984). com tela nas laterais e parte superior. e podem contribuir para o manejo integrado das moscas-das-frutas. Este procedimento foi adotado durante todo o período de vida das fêmeas. especialmente em pomares orientados para o mercado externo.1911) é a espécie mais abundante na maioria das regiões estudadas (Nascimento et al. Os insetos foram alimentados com dieta artificial composta de mel de abelha.000 cm3.) (Hymenoptera: Braconidae) criado em larvas de Ceratitis capitata (Wiedemann. BA. A cada fêmea foram oferecidas. Estudos da ocorrência e distribuição geográfica de parasitóides de moscas-das frutas no Brasil demonstram uma grande diversidade de espécies. Já as fêmeas acasaladas. v. A metodologia de criação de C. Os machos ocasionalmente mortos antes das fêmeas foram substituídos. o fruto. Visando a utilização desse parasitóide no manejo de moscas-das-frutas em programas de manejo integrado. com volume aproximado de 2. com predominância dos braconídeos.TIE). sendo 8 e 40 dias as longevidades mínima e máxima. ácido ascórbico.5 dias de vida. de acordo com a metodologia vigente no laboratório. buscando-se otimizar sua criação em laboratório. A maioria desses programas empregam parasitóides da família Braconidae e. cerca de 100 larvas de C. O fato de fêmeas virgens terem sido mais longevas do que as acasaladas talvez possa ser explicado pela economia da energia que seria dispendida nos acasalamentos. merecendo cuidados especiais durante o período de frutificação (Carvalho. conforme Carvalho et al. foram transferidas para pequenos recipientes contendo vermiculita. como tal. Diachasmimorpha longicaudata (Ashmead. Programas de controle biológico bem sucedidos têm sido reportados na literatura. Em ambos os casos. e têm custo muito elevado para governos e organizações internacionais. Os insetos foram criados em dieta artificial. Moscas-das-frutas são insetos que causam dano direto ao produto final. os limites máximos de sobrevivência encontrados muito se aproximam daqueles citados por Diaz (1992): 57 dias para fêmeas não acasaladas e 48 dias para fêmeas com reprodução sexual.. 1. fim e picos de oviposição destas fêmeas. e organizadas continuamente campanhas multimilionárias de erradicação. Após esse tempo. têm sido estabelecidas numerosas barreiras fitossanitárias entre países e regiões. para puparem.

localizada no município de Cruz das Almas-BA. ou seja. 3.Quantificação da progênie As fêmeas não acasaladas produziram.Fêmeas adultas de D.5 m) com tela antiafídica até a realização dos testes. As seguintes espécies foram utilizadas nos testes de transmissão: pulgão (Toxoptera citricidus e Myzus persicae). Malvaceae. 5. Kitajima (1999). atribuindo-se a estes a capacidade de estimular as fêmeas para a reprodução. longicaudata 1. 1. estas exibiram um mínimo de 3. A progênie das fêmeas acasaladas mostraram uma razão sexual média da ordem de 0. sendo separados em grupos de 10 e 20 indivíduos adultos e/ou ninfas e posteriormente. ainda que em número insignificante (3 e 4 descendentes). Observou-se que todas as fêmeas acasaladas originaram prole. com aproximadamente dois meses de idade. foram inoculadas mecanicamente (ferimento com agulha) com látex de frutos de plantas infectadas por meleira. embora os picos de oviposição concentrem-se nos primeiros 20 dias de idade. permanecendo por um período de 1 hora 140 Tópicos em Ciências Agrárias. obedecendo as seguintes etapas: Período de aquisição (P.5x1. A seguir..16 parasitóides/fêmea. sendo o mínimo de 0 e máximo de 371 parasitóides/fêmea.A progênie de fêmeas acasaladas exibe uma razão sexual média de 0. colocados em um recipiente de vidro (15 cm de diâmetro x 10 cm de altura) com tampa de tela. 4.72 descendentes/fêmea. Transmissão do vírus da meleira do mamoeiro por insetos Inúmeros são os estudos de transmissão de viroses por insetos vetores. 1998). Costa. um número médio de 173. praticamente 1:1. sendo relatada também nos estados de Pernambuco e Ceará (Rodrigues et al. A meleira é atualmente o maior problema fitossanitário da cultura do mamoeiro. pertencentes principalmente às famílias Fabaceae. v. Este trabalho teve com o objetivo identificar insetos-vetores do vírus da meleira do mamoeiro.1998). evidenciando a relação hospedeiro-vírus-vetor (Yuki et al. em média.O número médio de descendentes/fêmea é praticamente igual para fêmeas virgens e acasaladas: em torno de 170 parasitóides/fêmea. longicaudata produziram apenas descendentes machos. Razão sexual da descendência: Fêmeas não acasaladas de D.Fêmeas não acasaladas exibem o fenômeno da partenogênese arrenótoca. demonstrando uma participação equilibrada de ambos os sexos na descendência. indica que o agente causal da meleira é o "Papaya sticky disease virus". 2009 . com o objetivo de identificar insetos-vetores do PSDV. sendo responsável por perdas de 30 a 100% na produção dos pomares afetados no sul e nordeste da Bahia e norte do Espírito Santo. A média diária ficou em 7. dentre eles destacando-se os relacionados com afídeos. Compositae. PSDV e que o padrão de disseminação inicial sugere a existência de um vetor que traz o vírus de fora para dentro da plantação. 1998. cigarrinhas e mosca-branca. A média diária foi de 5. Solo.52.A. 52% dos seus descendentes foram fêmeas. Em ambos os casos. Solanaceae. sendo colocados separadamente em gaiolas de campo. contendo três mudas sadias de mamão.75 descendentes..25% mais que as acasaladas. A mosca-branca atualmente se constitui em um grave problema fitossanitário. sendo na sua maioria dicotiledôneas (Salgueiro. em média. em gaiolas de campo e telado na sede da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. longicaudata quando não acasaladas vivem. UFRB.O período de oviposição de fêmeas acasaladas e não acasaladas coincide com a duração de seus estágios adultos. evidencia-se a concentração da descendência (em torno de 90%) nos intervalos de idade que compõem a primeira metade da vida das fêmeas. são apresentados os dados reprodutivos do parasitóide D. mantidas em gaiola de campo (2x1. Barbosa et al.52.. O perfil de oviposição das fêmeas é dado importante para a criação massal da espécie e definição do período ótimo de atividade dos parasitóides. durante o seu ciclo. 1993). cigarrinha (Empoasca bordia) e mosca-branca (Bemisia tabaci Biótipo B). O experimento foi desenvolvido nos Laboratórios de Entomologia e Fitovirologia.1989. Quatro mudas de mamão cv.) Os insetos foram coletados com o auxílio de um pincel (afídeos) e um aspirador bucal (cigarrinha e moscabranca). Esta suposta esterilidade pode estar relacionada à ausência de machos. enquanto dois espécimes da amostra de fêmeas virgens não produziram descendente algum.15 descendentes/fêmea. colonizando mais de 500 espécies vegetais. Quanto às fêmeas acasaladas. 22. Convolvulaceae e Cucurbitaceae. Euphorbiaceae. 2.A. um máximo de 312 e uma média para o ciclo de vida de 171.

as quais foram processadas e avaliadas de acordo com o protocolo de Morris & Dodds (1979) modificado por Habibe et al.A. confirma a hipótese do envolvimento de uma causa biótica na transmissão e disseminação da doença.sem alimentação (jejum). as plantas foram mantidas em um telado por um período de trinta dias. No Brasil. Tópicos em Ciências Agrárias. e Bemisia tabaci biótipo B. para alimentação.I. que neste caso foi realizado em planta sadia. tabaci como vetor. exceto o P. grupos de 10 e 20 espécimens de cada espécie foram transferidos para uma gaiola telada (50 x 25 x 25 cm) contendo uma planta de mamão sadia (planta-teste) com três meses de idade.I.A.A. Habibe et al. mediante inoculação com macerado de Bemisia tabaci GENN biótipo B. c) A identificação de Bemisia tabaci Biótipo B como vetor do vírus da meleira do mamoeiro..A. onde permaneceram por um período de 24 e 72 horas. colonizando e se alimentando em mamoeiros protegidos em telado.I. Nove meses após a infestação. (2005). coletadas em mamoeiros infectados pela doença. como também nas plantas controle. v. Após o jejum. não transmitiram o vírus da meleira do mamoeiro. submetidos aos mesmos procedimentos acima descritos.A. a ocorrência de mosca-branca em mamão foi relatada por Vieira & Correa (2001).A. indicando o potencial de B. que encontraram Trialeurodes sp. onde permaneceram por períodos de 48 h e 30 min. Testes com Bemisia tabaci biótipo B Três meses após a infestação. sendo transplantadas posteriormente para gaiolas de campo (duas plantas por gaiola). todas as plantas infestadas por Bemisia tabaci biótipo B. e observação de sintomas da doença. 2.A. b) a mosca-branca. 2009 141 . Testes com Empoasca bordia Não foi detectado dsRNA do PSDV nas plantas infestadas pelos insetos submetido ao P. tabaci biótipo B. Estes resultados corroboram com Vital et al. Testes com Toxoptera citricidus e Myzus persicae A análise eletroforética não revelou a presença do dsRNA do PSDV nas plantas testadas. Período de acesso e inoculação (P.A. submetidas ao (P. Após o transplante para as gaiolas de campo. inclusive para mamão. A análise estatística foi realizada testando-se as proporções via aproximação normal pelo teste Z em nível de 5% de probabilidade. quando demonstraram que Empoasca sp.) Após o P. por um período de nove meses quanto ao aparecimento dos sintomas da meleira. os insetos foram transferidos para uma gaiola de campo contendo planta com meleira.A.I. 1. onde permaneceram por um período de nove meses ou até a frutificação. Após o P. as plantas foram avaliadas mensalmente. (1999). (1998) na Índia.A. não foi capaz de transmitir o vírus da meleira do mamoeiro (PSDV).A.. submetidas ao P. coletou-se amostras de folhas novas de todas as plantas utilizadas nos testes. não sendo detectado em nenhuma das plantas controle (Figura 1B).A. onde Bemisia tabaci é responsável pela transmissão de um Geminivírus para mamão. não foram capazes de transmitir o vírus da meleira. Bemisia tabaci Biótipo B transmitiu o vírus da meleira do mamoeiro. com uma percentagem de transmissão de 83%. O índice de infeção observado aos três e nove meses após a infestação.. Das seis plantas infestadas por B. UFRB. Para cada tratamento. apresentaram dsRNA do vírus da meleira. Concluiu-se que: a) a cigarrinha Empoasca bordia.). (2001) transmitiram o PSDV para mamoeiros sadios. Apesar dos afídeos serem o grupo de vetores mais importante e eficiente na transmissão de mais de 275 fitoviroses (Nault 1997). sendo submetidas a análises para detecção do dsRNA do PSDV. insetos provenientes das mesmas colônias. demonstra alta eficiência do inseto como vetor (Tabela 4). cinco foram infectadas pelo vírus da meleira. os pulgões Toxoptera citricidus e Myzus persicae. foram utilizados como controle. A capacidade da mosca-branca em transmitir virose para o mamoeiro foi relatada por Sangeeta et al. constatou-se a presença de dsRNA com migrações semelhantes ao de plantas naturalmente infectadas pela meleira (Figura 1A). Aos três e nove meses após o P..

9: meleira. doenças e variações edafoclimáticas.lote de produtor de mamão. principalmente nos plantios irrigados. o elevado preço e a dificuldade de obtenção de sementes do híbrido F1 comercial do grupo Formosa. a mosca-branca (Bemisia tabaci GENN biótipo B). Nos últimos anos. neste trabalho. B) Nove meses após infestação Tabela 4 .1994. O mamoeiro é altamente suscetível às doenças fúngicas e viróticas. Dantas. 12: Marcador de DNA 1Kb. atingindo diversas áreas de cultivos comerciais no país. UFRB. 142 Tópicos em Ciências Agrárias. Avaliou-se. 8: Marcador de DNA 1Kb. Cruz das Almas-BA. Apesar dessa posição de destaque. Além do problema inerente a esta estreita base genética.000 t/ano (FAO. 9:Látex de planta naturalmente infectada pela meleira. 2009 . 7 controle negativo. NS = não significativo ESPÉCIE 2ª avaliação 270 dias 100%* 0% NS 0% NS 0% NS A meleira do mamoeiro no trópico semi-árido O mamoeiro é uma das fruteiras mais cultivadas e consumidas nas regiões tropicais e subtropicais do mundo (Chen et al. obtidos no Banco Ativo de Germoplasma (BAG-Mamão) da Embrapa Mandioca e Fruticultura. 2-6: Amostras de plantas infestadas por Bemisia tabaci biótipo B.. também constituem fatores limitantes à expansão da cultura (Oliveira. A disseminação dessa virose vem se dando de forma crescente. Paraíba. v. a totalidade de sua área está implantada basicamente sobre três cultivares pertencentes a dois grupos. Solo e Formosa. 2002). Contribuindo com cerca de 25% da produção mundial. sob condições de trópico semi-árido. destacando-se nesse contexto a meleira do mamoeiro (Habibe et al. pelo inseto vetor. ambas localizadas em Petrolina-PE: área 1. quanto à sua suscetibilidade ao PSDV.5000. o Brasil desponta como líder do “ranking” dos países produtores de mamão com uma produção de 1. a disseminação do vírus também ocorre durante as operações de eliminação das folhas quando não é feita a desinfecção das ferramentas utilizadas. O objetivo do presente trabalho foi gerar informações sobre o comportamento varietal de mamoeiros ao PSDV. Nº de plantas 1ª avaliação infestadas 90 dias Bemisia tabaci biótipo B 6 83%* Empoasca bordia 0% NS 6 Toxoptera citricidus 6 0% NS Myzus persicae 6 0% NS * = Significativo em nível de 5% de probabilidade pelo teste de Z. como os localizados no sul da Bahia. 1. contendo extrações de dsRNA de amostras de látex e folhas de mamoeiro. A) 1: Marcador de DNA 1Kb . Gel de agarose a 1. Percentagem de plantas infectadas pelo vírus da meleira. após infestação por insetos (Cruz das Almas-Bahia.1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 A B Figura 1. 16 genótipos de mamoeiro. A disseminação do vírus ocorre de fora para dentro da plantação. Nas linhas de plantio.2%. o que implica em vulnerabilidade às pragas. B) 1-6: Amostras de plantas infestadas por Bemisia tabaci biótipo B. 1999). tem-se observado um elevado número de plantios atacados pelo PSDV na região do vale Sub-Médio São Francisco. tendo como agravante a essa situação a ação de um complexo de fungos atacando a cultura. A) Três meses após infestação. 2001). Os acessos foram introduzidos em duas áreas distintas.. Espírito Santo. 2003). 1991). Ceará e Pólos Frutícolas de Juazeiro-BA e Petrolina-PE. 7-8/10-11: controle negativo. Rio Grande do Norte. A ocorrência da meleira vem ocasionando grandes prejuízos à produção da fruta.

biótipo B nos mamoeiros presentes na área. área sem histórico da doença. mediante a transmissão experimental do PSDV para mamoeiro por mosca-branca B. Os resultados obtidos poderão servir de subsídio aos programas de melhoramento genético do mamoeiro. Tópicos em Ciências Agrárias. Na área 1. (2000). Avanço da infecção pelo PSDV em 16 acessos de mamoeiro. fonte de informações para estabelecimento de estratégias de controle para a meleira. Walkyria Maria Sampaio Sá. Estes resultados corroboram com os obtidos por Vidal et al. assim como uma elevada colonização de mosca-branca Bemisia tabaci (GENN). Os autores dessa compilação agradecem aos Mestres: Noemi Elizabeth Castro Portilla. 2009 143 . tabaci (GENN). comparativamente à área 2 (Embrapa Semi-Àrido). AGRADECIMENTOS O texto acima é uma compilação das Dissertações de Mestrado. lote do produtor. além de ser observada alta colonização destas plantas por mosca-branca. observou-se que a velocidade de disseminação do vírus na área 1 foi superior à apresentada na área 2. Os acessos CMF 023. Além disso. foi observada a elevação no número de acessos infectados. as bordaduras foram inoculadas mecanicamente com meleira. assim como. lote de produtor de mamão. que indicaram ser a mosca-branca vetor da meleira. quanto a presença dos sintomas e dsRNA característicos da doença.apresentando alto índice de infecção pela meleira. Campo experimental da Embrapa Semi-Árido. Petrolina PE. sob orientação do Dr. nas áreas avaliadas. inversamente ao que foi observado na área 2. A disseminação mais rápida do vírus na área 1. avaliados sob condições de trópico semi-árido em área de produtor área 1 e Campo experimental da Embrapa Semi-Arido área 2. biótipo b. área 2. 1. observou-se um grande número de plantas infectadas pelo PSDV. sem a presença do vírus. na área 2. Foram considerados de baixa suscetibilidade ao vírus o Tainung Nº 1 e os acessos CMF 018. as duas áreas apresentaram o mesmo percentual de infecção pelo PSDV. verificou-se uma baixa ocorrência de mosca-branca. Antonio Souza do Nascimento. 2002. As plantas foram monitoradas durante o período entre janeiro de 2001 a outubro de 2002. UFRB. Figura 2. inicialmente foi mais rápida na área 1 (Produtor). para obtenção da fonte de inóculo. pode ser explicada pela presença de grande número de mamoeiros infectados pelo PSDV. CMF 054. v. Entretanto.Estação Experimental da Embrapa Semi-Árido. Na medida em que houve um aumento populacional deste inseto na área 2. Entretanto. ao final das avaliações. A disseminação da infecção pelo PSDV. havendo um maior número de plantas infectadas em um menor espaço de tempo (Figura 2). Nesta área. Sérgio Wally Pereira Bispo e Carlos Augusto Vidal. desenvolvidas no “Curso de Mestrado em Ciências Agrárias da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia”. CMF 012 e CMF 008 mostraram-se altamente suscetíveis ao PSDV.

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UFRB. v.CAPÍTULO 11 INTERAÇÃO ENTRE FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES E PATÓGENOS RADICULARES DE CITROS Antônio Alberto Rocha Oliveira. Cláudia Melo da Paixão & Robélia Tosta Dias Amorim Tópicos em Ciências Agrárias. 2009 . 1.

Em outro trabalho. 1991). Das frutíferas estudadas nos últimos anos. dentre outras. atacando partes subterrâneas das plantas ou partes destas que se desenvolveram próximas ao solo.. a muda cítrica é considerada o insumo mais importante na formação de um pomar. de crescimento rápido. Efeitos benéficos foram observados em plantas de tomate cultivar “Pusa Ruby”. 1992. sendo de interesse dos viveiristas e técnicos a obtenção de mudas sadias. 2009 149 . as plantas cítricas foram identificadas como as mais dependentes dos FMAs e que também redundaram em melhores respostas. o que caracteriza os principais solos brasileiros utilizados para a citricultura (Hoffmann et al. A aplicação de fungicidas sistêmicos pode provocar boa supressão da doença. O efeito benéfico é devido. 1984). probabilidade de desenvolvimento de resistência e potencial de risco ao ambiente (Rossetti. A inoculação conjunta dos dois microrganismos fez reduzir o número de propágulos do patógeno e aumentou rapidamente o mecanismo de resistência à doença. o gênero Pythium destaca-se como patógeno de grande importância. intraradices com Pythium ultimum não afetou a biomassa de Tagets patula e em plantas jovens não afetou a colonização das raízes por Glomus. em relação aos fitopatógenos. UFRB. o grande número de doenças que incide sobre a cultura. das quais. quando inoculado com Glomus fasciculatum. o total de Tópicos em Ciências Agrárias. Esses fungos formam associações mutualísticas com as raízes das plantas e ocorrem na maioria das espécies em condições naturais. 1994). mais de 52 são atribuídas a fungos e bactérias. Esse fungo é amplamente distribuído no mundo. depende de quais organismos se estabelecem primeiro no tecido das raízes (Siqueira. Cruz das Almas-BA Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. permite melhor distribuição das raízes no solo. 1994). podridão de raízes e podridão mole de órgãos suculentos. dentre eles. em relação à inoculação micorrízica duas semanas depois do fitopatógeno. Assim. Robélia Tosta Dias Amorim3 1 2 3 Pesquisador . Assim. Cláudia Melo da Paixão2. sendo responsáveis pela maior absorção de água e nutrientes do solo pelas plantas (Zambolim & Siqueira. 1996). causando diferentes tipos de doenças. quando a mesma ainda não está infectada por P. em solos fertilizados com 6 g de P/g de solo. no uso de porta-enxertos resistentes. uso de práticas culturais que minimizem a exposição da suscetibilidade do tecido do enxerto ao fungo e na fumigação do solo antes do plantio. à formação de micélio externo à raiz que. notadamente o uso de fungos micorrízicos arbusculares (FMA) para o controle de diversas fitomoléstias (Zambolim. este efeito deve começar durante a fase inicial de desenvolvimento do vegetal e continuar durante todo ciclo da cultura (Silveira. Este resultado sugere que FMAs podem colonizar e proteger plantas de tomate de “damping-off”. Dentre os fungos que afetam a cultura dos citros. Escola de Agronomia/UFBA. aumentando. havendo aumento de biomassa vegetal. estudando gengibre. principalmente. vigorosas. v. como o fósforo. O efeito de FMAs.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. Cruz das Almas-BA Eng. aphanidermatum. tais como: podridão de sementes.) protegeu a planta de Pythium ultimun. estiolamento de pré e pós-emergência. 1992). Quando Glomus foi inoculado simultaneamente ou duas semanas antes do fitopatógeno. sendo que a pré-colonização da raiz pelo fungo micorrízico garante uma proteção mais eficiente. mas nem sempre é desejável devido ao alto custo. 1. Estratégias de manejo consistem. O efeito protetor ocorre quando ambos os microrganismos estão simultaneamente presentes na rizosfera ou na raiz da planta. Davis & Menge (1980) demonstraram que. Guillemin et al. Agr. 1985). Calvet et al. 1991. a incidência de “damping-off” foi reduzida e o peso da raiz aumentada. com isso. Eyer & Sundaraju (1993). em termos de redução de danos causados por Pythium aphanidermatum. principalmente em solos com baixo nível de fósforo disponível na solução. Nos anos recentes. Fontes. Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO A produtividade de um pomar de citros depende em grande parte da qualidade da muda usada na sua implantação. (1993) citam que Glomus mosseae inoculado em cravo de defunto (Tagets erecta L. Diversos fatores podem influenciar o desenvolvimento das mudas e. aphanidermatum (Hedge & Rai.INTERAÇÃO ENTRE FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES E PATÓGENOS RADICULARES DE CITROS Antonio Alberto Rocha Oliveira1.. constituindo uma superfície adicional. a retirada de elementos minerais pouco móveis. observaram que os FMAs foram favoráveis ao crescimento das plantas reduzindo a percentagem de infecção por P. bem como portadoras de uma rizomassa desenvolvida. St-Arnaud (1994) observou que a inoculação de G. vem se multiplicando o número de pesquisas que fazem uso do método de controle biológico.

foi multiplicada. numa pressão de 1 atmosfera por 1 hora a 120 ºC. 150 Tópicos em Ciências Agrárias. obtiveram-se diferentes isolamentos. sendo. sementeiras de isopor que foram preenchidas com areia previamente autoclavada. a 1200C. em liquidificador. a um menor custo de produção por reduzir gastos com defensivos agrícolas e fertilizantes. utilizando-se sorgo (Sorgum vulgare) como planta multiplicadora. aphanidermatum foi retirado uma amostra de 1 mL para contagem em hemacitômetro de Rosenthal estimando-se. a literatura nacional e internacional sobre interação entre estes fungos simbióticos e aqueles patogênicos é muito escassa em resultados de pesquisa. com maior desenvolvimento. Esse filtrado foi obtido a partir de 20 g do substrato dos "vasos de cultivo" usado na multiplicação dos FMAs em 1 litro de água deionizada e peneiramento úmido em peneira de 400 "mesh" (0. buscou-se com o presente trabalho avaliar o efeito de FMAs nativos e/ou Gigaspora margarita e de Pythium aphanidermatum no desenvolvimento e nutrição de mudas cítricas. Gigaspora margarita. durante dois minutos. a microbiota entre os tratamentos. sob condições de casa de vegetação. Em cada abertura foi colocada uma semente para obtenção dos porta-enxertos. em condições controlada de casa de vegetação. durante cinco meses. margarita a população de outros microrganismos existentes no inóculo utilizado no experimento com este fungo usado. micélio e raízes infectadas. mais tolerantes à fitopatógenos e ao estresse do transplantio e do ambiente. Do preparado de P.037 mm de abertura) com a finalidade de reter propágulos de FMAs e deixar passar os outros microrganismos presentes na microbiota desse substrato. assim. assim. O inóculo foi constituído por 20 g da mistura de solo que foi pesada de forma a fornecer aproximadamente 900 esporos por vaso. margarita receberam 10 mL de um filtrado do inóculo isento de propágulos de FMAs. em vasos contendo uma mistura de solo de baixa fertilidade: areia grossa lavada: turfa (1:1:1 v:v:v) autoclavada. De forma semelhante à descrita na inoculação com FMAs. para que fosse garantida a presença de espécies nativas de fungos micorrízicos bem como a microbiota natural do substrato e de solo autoclavado. a densidade de 3. UFRB. então. Ensaio O experimento foi conduzido na Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. A semeadura foi realizada em casa de vegetação. as plântulas foram selecionadas de acordo com a altura e o número de folhas. 2009 . ex Tan. v. procedeu-se à inoculação com o filtrado usado nos tratamentos sem FMAs. Os tratamentos constaram de solo natural. dois a três pares definitivos. Assim. Fez-se um orifício central no substrato. Duas semanas pósgerminação. 1. Visando fornecer aos tratamentos não inoculados com G. cultivada no pomar da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. Esse estudo sugere que plantas cítricas micorrizadas são eficientes no controle de Phytophthora em condições de baixa fertilidade. em substrato natural e autoclavado. Sementes de limão 'Cravo' (Citrus limonia Osbeck CV) e tangerina 'Cleópatra' (Citrus reshni Hort.) foram retiradas de frutos maduros originados de uma única planta apropriada para matriz. numa proporção de 1:1:1 (v:v:v). simulando plantio de mudas em cova e no fundo deste orifício. contribuindo desta forma para a biodiversidade e sustentabilidade agrícola. aumentando-se gradativamente a velocidade até o máximo. o emprego de plantas cítricas micorrizadas oferece grandes possibilidades de exploração. Colocou-se. transplantadas para os vasos que já continham o substrato. desta forma. foi realizada a inoculação com o FMA. A partir das lesões nas mudas selecionadas. distribuiu-se um pouco do inóculo. permitindo-se. uniformizando.peso seco de citros micorrizados com Glomus fasciculatum foi maior que na condição não inoculada. na cultura dos citros. pois pode resultar em mudas mais precoces. procedente da coleção de FMAs do Laboratório de Nematologia e Microbiologia do Solo da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. No preparo do inóculo. triturou-se o conteúdo das placas (cultura pura com fungos com 18 dias de idade) acrescido de 200 mL de água deionizada. um contato íntimo. a partir desta. ao mesmo tempo em que se distribuiu o restante do inóculo ao redor e sobre as raízes da mesma. a concentração da suspensão a ser utilizada foi ajustada para 104 esporângios mL-1. com um solo arenoso coletado no campo da Central de Tratamentos de Efluentes (CETREL) e uma parte de areia grossa lavada coletada em rio.4x105 esporângios mL-1 e. todos os vasos não inoculados com G. No ato do transplantio das mudas para os vasos. A espécie de fungo micorrízico arbuscular utilizada. Como substrato foi utilizado uma mistura de latossolo amarelo distrófico. Entretanto. coletado na área experimental da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. empregando-se como recipientes. Estado da Bahia. Dessa forma. a muda. Amostras de mudas de limão 'Cravo' com sintomas semelhantes àqueles causados por “damping off” foram coletadas e trazidas para o laboratório de Fitopatologia. então. localizada no município de Cruz das Almas. A esterilização foi feita em autoclave durante uma hora à pressão de uma atmosfera. no período abril a setembro de 1999. bem como obter informações complementares sobre a viabilidade da utilização de porta-enxerto tangerina 'Cleópatra' como alternativa ao limão 'Cravo'.

A inoculação de P. aphanidermatum foi realizada juntamente com a de G. margarita, simultaneamente ao transplantio das mudas, através da aplicação de 50 ml de uma suspensão contendo hifas, zoósporos e esporângios distribuídos uniformemente sobre as raízes na superfície do substrato ao redor das plantas. Para as testemunhas, sem fitopatógenos, triturou-se meio de cultura sem fungos, e obedecendo procedimento idêntico ao do tratamento com inoculação do fungo, inoculou-se o preparado no mesmo volume da suspensão. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos inteiramente casualizados em esquema fatorial 2x2x2x2 com quatro repetições, perfazendo um total de 64 vasos. Cada unidade experimental foi constituída por um vaso plástico contendo uma muda. O experimento foi conduzido durante, aproximadamente, cinco meses, sendo avaliados: altura das plantas, diâmetro do caule, número de folhas, área foliar, peso da matéria seca da parte aérea e das raízes, comprimento de raiz, densidade de esporos e colonização micorrízica. Para determinação da colonização micorrízica, usaram-se apenas as radicelas, que foram lavadas em água destilada e cortadas em segmentos de aproximadamente 1cm. O descoramento e a coloração das raízes foram realizados a partir da metodologia de Phillips & Hayman (1970) que foi modificada empregando-se KOH 10 % em banho-maria a 90 0C durante 40 minutos, água alcalina durante 15 minutos, HCl 3 % em 5 minutos, 12 horas em azul-de-trípano a 0,05 %. A percentagem de segmentos colonizados foi determinada pela visualização sob microscópio estereoscópio de 50 segmentos radiculares de aproximadamente 1 cm de comprimento dispostos em lâminas de vidro contendo glicerina e cobertas com lamínulas, com base em metodologia proposta por Giovannetti & Mosse (1980). O comprimento total das raízes foi determinado pelo método da intersecção linear em placa quadriculada, de acordo com Newman (1966). Para esta determinação, foram utilizadas radicelas e raízes mais grossas também cortadas em aproximadamente 1cm de comprimento. Os esporos foram extraídos em 50 g de substrato úmido através de peneiramento e centrifugação em solução de sacarose 50 % por 5 e 1 minuto, respectivamente (Gerdemann & Nicolson, 1963; Pacioni, 1992). Em seguida foram colocadas em placas de Petri quadriculadas e através de lupa estimou-se a densidade total de esporos (Giovannetti & Mosse, 1980). Sub-amostras pesando 50 g de substrato úmido foram colocadas em estufa a 60 0C, durante 2 dias, para obtenção de peso da matéria seca e, por regra de três, obteve-se o número de esporos por grama de substrato seco. Todos os dados foram submetidos à análise de variância e teste de Tukey a 5%, para comparação das médias conforme o delineamento experimental utilizado, através do programa estatístico SAEG (Ribeiro Junior, 2001). Densidade de esporos de FMAs e colonização micorrízica Ocorreram diferenças significativas em relação a todos os tratamentos isoladamente. Na Figura 1, são apresentados os dados sobre densidade de esporos micorrízicos na rizosfera e taxa de colonização micorrízica dos porta-enxertos, aos 150 dias pós-semeadura. A pequena quantidade de esporos observada no tratamento testemunha, substrato autoclavado e não inoculado, pode ser predominantemente refugo da esterilização, estando inviável, já que a colonização micorrízica foi praticamente ausente neste tratamento. Nos tratamentos com G. margarita, observou-se tendência de maior esporulação em substrato natural, o que, possivelmente, deve ser devido à presença de fungos nativos já adaptados ao substrato mais a introdução de G. margarita, que, também, apresentou boa adaptação. Além disso, como os esporos de Gigaspora são grandes, a quantidade produzida é menor em comparação com a de outras espécies, justificando-se a menor densidade de esporos dos tratamentos autoclavados. Nas plantas sem Pythium, a densidade de esporos foi maior para o limão 'Cravo', entretanto, na presença deste patógeno, verificou-se menores valores em praticamente todos os tratamentos. Pelos dados de colonização apresentados por G. margarita em substrato autoclavado, para os dois portaenxertos, acima de 98 e 48%, na ausência e presença de patógenos, respectivamente, evidencia-se que os propágulos deste fungo eram viáveis e estavam em quantidades suficientes para garantir a colonização das radicelas e resposta da planta. Os fungos nativos apresentaram colonização acima de 45 e 40% na ausência e presença do patógeno, respectivamente, evidenciando, também, estabelecimento no substrato e boa capacidade de colonização das raízes dos porta-enxertos cítricos. G. margarita promoveu maior colonização micorrízica em substrato autoclavado ou em substrato natural, comparada aos fungos nativos isoladamente. Entretanto, os maiores valores de colonização foram observados em substrato autoclavado, podendo-se inferir que os FMAs nativos reduziram os efeitos proporcionados por G. margarita, visto que, na ausência destes fungos, a resposta à inoculação foi significativamente maior para as
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duas variedades. Segundo Brundrett & Juniper (1995), fatores como emissão múltipla de tubos germinativos e o grande tamanho dos esporos favorecem a viabilidade e capacidade de colonização das espécies de Gigaspora.

S0 M0

S0 M1

S1 M0

S1 M1

Limão 'Cravo'
12

Tangerina 'Cleópatra'
12
Esporos g de substrato

Esporos g de substrato

10 8 6 4 2 0

aA aA aA aA bA
Sem patógeno

10 8 6 4 2 0

aA aA aA aA bA
Sem patógeno

aA

aA aA

-1

bA
P. aphanidermatum

-1

aA

bA
P. aphanidermatum

Limão 'Cravo'
% de segmentos colonizados % de segmentos colonizados 120 100 80 60 40 20 0

Tangerina 'Cleópatra'
120 100 80 60 40 20 0

aA bA cA aB aB aB

aA

bA bA

aB aA aA

dA
Sem patógeno

bA
P. aphanidermatum

cA
Sem patógeno

bA
P. aphanidermatum

Figura 1. Efeito da inoculação com Pythium aphanidermatum sobre a densidade de esporos micorrízicos na rizosfera e taxa de colonização micorrízica dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra' inoculados ou não com Gigaspora margarita, em substrato natural ou autoclavado. Substrato: S0=natural, S1=autoclavado. FMAs: M0=não inoculado, M1= Gigaspora margarita. Barras seguidas pelas mesmas letras maiúsculas comparam os tratamentos patogênicos com ou sem inoculação de FMAs e minúsculas comparam os tratamentos micorrízicos na presença ou ausência do patógeno (Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Cruz das Almas - BA, 1999).

Foi verificada influência da variedade na colonização por FMAs, sendo estes valores maiores no limão 'Cravo'. Smith & Gianinazzi-Pearson (1988) observaram que diferentes espécies e isolados de uma mesma espécie de FMAs podem exibir benefícios diferenciados às plantas hospedeiras em função das condições edafoclimáticas e aspectos da relação fungo-planta. Observou-se que P. aphanidermatum reduziu a colonização micorrízica dos FMAs nativos e do introduzido e, que na presença deste patógeno, não houve efeito significativo de G. margarita em relação aos fungos nativos, o que foi observado na sua ausência. Provavelmente, ocorre competição entre os diferentes fungos por espaço e fotossintatos das plantas, reduzindo a colonização. Pereira (1994), estudando a colonização de cafeeiro por G. margarita e Rhizoctonia, comentou que os danos causados pelo patógeno no sistema vascular e vasos condutores de seiva, com desestruturação dos tecidos, limitando, consequentemente, o crescimento do fungo micorrízico, também pode ocasionar menor colonização. A redução da colonização micorrízica ocorreu nas duas variedades, mas com diferença significativa apenas no limão 'Cravo'. Desta forma, trabalhando-se com FMAs, se for constatada a presença de Pythium no substrato, seria mais adequado trabalhar com a tangerina 'Cleópatra' do que com o limão 'Cravo' que sofre mais danos quando infectado por este patógeno.

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Características de crescimento das plantas Os valores médios de altura, número de folhas, diâmetro do caule e área foliar do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', em função dos tratamentos fúngicos e das épocas de avaliações, encontram-se na Tabela 1. Verifica-se que, mesmo na ausência do patógeno, os valores de todas as características em substrato autoclavado sem FMAs foram muito baixos. De maneira geral, independentemente do tratamento dado ao substrato, os valores de todas as características analisadas foram significativamente superiores em plantas micorrizadas. Observa-se que os FMAs nativos promoveram aumentos de 48,57 e 31,95% na altura do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', respectivamente, sendo que, em relação à área foliar, estes valores foram superiores 608,33% para o limão 'Cravo' e 190,77% para a tangerina 'Cleópatra'. Já a inoculação de G. margarita promoveu aumento acima de 140% na altura dos dois portaenxertos estudados e de 1004,17 e 318,46% na área foliar de limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', respectivamente, comprovando que as plantas cítricas são bastantes micotróficas e que a presença de FMAs no substrato contribui significativamente para o desenvolvimento dessas plantas. Este resultado vem sendo mencionado em diversos trabalhos com associações micorrízicas em citros (Kleinschmidt & Gerdemann, 1972; Cardoso et al. 1986; Camargo, 1989; Weber et al., 1990; Fonseca et al., 1994).

Tabela 1. Influência da inoculação com Pythium aphanidermatum e/ou Gigaspora margarita sobre o crescimento vegetativo dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', em substrato natural ou autoclavado (Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Cruz das Almas - BA, 1999).

Tratamentos Variedades Gm * Solo** A NI NA ‘Cravo' A I NA

Altura das plantas (cm) NI 6,65 aB 9,88 aA I 6,05 aB 7,23 bA

Número de folhas

Diâmetro do caule (cm)
*

Área foliar 2 (cm ) NI 6,00 aB I 4,00 aB

Pythium aphanidermatum NI I NI 6,00 aB 9,50 aA 4,00 bB 7,50 bA 0,21 aB 0,30 aA

I

0,18 bB 0,23 bA

42,50 aA 39,00 aA

17,23 aA 12,83 aB

10,90 bA 10,08 bB

13,25 aA 12,25 aA

10,67 bA 0,36 aA 9,40 bB

0,30 bA

66,25 aA 47,00 bA 53,50 aA 50,67 aA

0,33 aB 0,28 bA

A NI ‘Cleópatra’ I NA

8,45 aB 11,15 aA

6,13 bB 9,65 bA

8,50 aB

7,00 bB

0,24 aB 0,31 aA

0,20 bB 0,30 aA

16,25 aB 11,50 aB 47,25 aA 45,25 aA

14,00 aA 11,75 bA

A NA

20,50 aA 16,38 aB

12,20 bA 11,33 bB

18,75 aA 13,75 bB 15,50 aB 15,25 aA 7,21

0,39 aA

0,29 bA

68,00 aA 50,00 aA 62,00 aA 48,25 aA 31,93

0,36 aB 0,30 bA 5,53

CV (%)

4,76

Médias seguidas pela mesma letra maiúscula nas colunas e minúscula nas linhas não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. *Gm = Gigaspora margarita. NI - Não inoculado; I - Inoculado. **A - Autoclavado; NA - Natural.

Observou-se que os benefícios promovidos por G. margarita foram maiores em substrato autoclavado do que no natural. Como o aumento proporcionado por G. margarita em substrato natural foi superior ao obtido com os fungos nativos, infere-se que, também nesta condição, houve bom estabelecimento de G. margarita, que apresentou poder competitivo diante dos endófitos nativos. Manjunath et al. (1983) e Oliveira & Jesus (1987) também observaram que a inoculação micorrízica de citros pode ser benéfica, mesmo em alguns solos não esterilizados. Os maiores valores de altura e diâmetro do caule do limão 'Cravo' (17,23 cm e 3,6 mm, respectivamente) observados no tratamento autoclavado e inoculado com G. margarita, na ausência de Pythium, foram maiores do que
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aqueles verificados por Fontanezzi (1989), trabalhando com este mesmo porta-enxerto na presença de Glomus clarum em solo esterilizado e adubado com 1280g de P2O5 m-3, 17,20 cm e 3,33 mm, respectivamente, aos 135 dias póssemeadura. Em relação à tangerina 'Cleópatra', verificou-se que a maior altura e diâmetro do caule, respectivamente, 20,50 cm e 3,90 mm, no tratamento inoculado em substrato autoclavado sem patógeno, também foram superiores aos obtidos por este autor, 11,82 cm de altura e 2,61 mm de diâmetro do caule, nas condições citadas anteriormente, só que com adubação de 640 g de P2O5 m-3. Como o substrato deste experimento não recebeu adubação fosfatada e tinha um teor de P em torno de 8 mg dm-3, considera-se que os resultados aqui encontrados foram satisfatórios. Pode-se inferir que a inoculação com G. margarita conferiu desenvolvimento à planta, reduzindo a exigência externa de adubação e que o fungo introduzido teve boa adaptação às condições do experimento. O efeito negativo do patógeno sobre o crescimento vegetativo foi observado nos dois porta-enxertos, constatando-se diferenças significativas em quase todos os parâmetros avaliados. A percentagem de perdas das duas variedades, quando estava presente apenas Pythium, em relação à testemunha sem fungo micorrízico arbuscular e sem patógeno, foi de 9,02% na altura do limão 'Cravo', sendo mais expressiva em tangerina 'Cleópatra', 27,46%. Em relação ao número de folhas, observa-se que o limão 'Cravo' sofreu mais a ação do patógeno, apresentando perda de 33,33%, em comparação com 17,65% da tangerina 'Cleópatra'. Houve perda de 14,29 e 16,67 % em relação ao diâmetro e, em torno de 33,33 e 29,23%, na área foliar de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente. Na presença de Pythium, a altura média das mudas colonizadas por fungos nativos foi superior às das não micorrizadas, sendo este efeito maior quando se inoculou G. margarita. Em substrato autoclavado, também observouse que plantas inoculadas com G. margarita apresentaram maior desenvolvimento. Assim, a micorrização não controlou o patógeno, mas reduziu sua severidade amenizando os efeitos nocivos, visto que, mesmo na presença de Pythium, as plantas micorrizadas apresentaram maior desenvolvimento do que as não micorrizadas, porém menor do que na ausência do mesmo. O aumento médio da altura do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', na presença de P. aphanidermatum e de fungos nativos, em relação àquelas não micorrizadas, mas com presença de patógeno foram, respectivamente, 19,50 e 57,42%. Quando, além de P. aphanidermatum inoculou-se G. margarita, em substrato natural, houve aumento de 66,61 e 84,83%. Já em substrato autoclavado, a inoculação simultânea de G. margarita e P. aphanidermatum proporcionou incremento de 80,17 e 99,02%, em relação ao tratamento sem FMAs. Quanto à área foliar, comparando-se ao tratamento em que apenas P. aphanidermatum estava presente, observou-se acréscimo de 875 e 293,48% em limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra' respectivamente, quando Pythium foi inoculado em substrato natural; de 1167 e 319,57% quando ao substrato natural foi inoculado G. margarita e de 1075 e 339,57% quando G. margarita foi inoculada em substrato autoclavado. Dessa forma, é possível observar que os porta-enxertos inoculados com P. aphanidermatum, apresentaram desenvolvimento reduzido, mas quando os FMAs estavam presentes, a expressão total dos efeitos do patógeno foi menor, ocorrendo tendência de proteção pelas micorrizas que promoveram maior desenvolvimento em todas as características. Considerar estas respostas é muito importante na produção de mudas, visto que, a redução do número de folhas e da área foliar, pode influenciar negativamente a capacidade fotossinteticamente ativa das plantas. Com exceção do diâmetro do caule em substrato autoclavado e inoculado com G. margarita e Pythium, e da área foliar em substrato natural também, na presença destes dois fungos, os valores da tangerina 'Cleópatra' foram maiores do que os do limão 'Cravo', mesmo em solo sem FMAs. Provavelmente esse efeito ocorreu porque a tangerina 'Cleópatra' apresenta maior taxa de crescimento, ou por esta variedade ter apresentado maior adaptação às condições do experimento. Entretanto, em termos de benefício da micorrização, nota-se tendência do limão 'Cravo' obter maiores rendimentos percentuais na presença e mais perdas na ausência deste simbionte, assim, aparentemente, os FMAs foram mais eficiente para esse porta-enxerto. Peso da matéria seca e comprimento radicular As médias referentes à produção de matéria seca da planta e comprimento de raiz do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', aos 150 dias pós-semeadura, encontram-se na Tabela 2. A fumigação do substrato influenciou os resultados. Na ausência de FMAs nativos e do patógeno ocorreu redução em torno de 60 e 44 % no peso da matéria seca da parte aérea de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente; 36,67 e 20,34% no peso da matéria seca das raízes e de 33,95 e 22,62% no comprimento radicular. Maiores danos foram observados quando inoculou-se o patógeno em substrato sem micorriza, sendo em torno de 100 e 165% no peso da matéria seca da parte aérea de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente; 160 e 83% no peso da matéria seca das raízes e de 248 e 118% no comprimento radicular. Observou-se que, com a
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eliminação dos fungos nativos e ausência de G. margarita, são reduzidos os organismos antagônicos ao patógeno presentes no substrato, havendo menor produção de matéria seca e comprimento radicular. Nos tratamentos sem patógeno e sem FMAs nativos, o fungo G. margarita promoveu aumentos de 217,19 e 329 % no peso da matéria seca total de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente; 500 e 476,19 % no peso da parte aérea; 150 e 108,51 % no peso seco da raiz e 103,93 e 35,36 % no comprimento das raízes. Na presença do patógeno, verificou-se aumentos de 173,33 e 112,50%, no peso da matéria seca da planta para o limão 'Cravo' e a tangerina 'Cleópatra', respectivamente, cultivados em substrato natural sem G. margarita; de 236,67 e 157,50% quando estavam presentes P. aphanidermatum e G. margarita em substrato natural e de 303,33 e 297,50% quando se inocularam esses fungos em substrato autoclavado. Quando não se realizou esterilização ou quando G. margarita foi introduzido ao substrato, o efeito do patógeno foi reduzido e a muda apresentou melhor desenvolvimento. Diante desses resultados, pode-se inferir que embora o patógeno tenha afetado negativamente o desenvolvimento das plantas nota-se que os FMAs compensaram os efeitos deletérios do patógeno, resultando em maior desenvolvimento das plantas. Este efeito pode ser devido ao aumento da área de absorção radicular pelo micélio externo do fungo micorrízico. Baath & Hayman (1983), trabalhando com tomateiros inoculados com Verticillium albo atrum, observaram reduzida colonização micorrízica nas raízes e que os danos causados pelo patógeno diminui a eficiência fotossintética, reduzindo, assim, o transporte de fotoassimilados para as raízes, ocasionando menor crescimento das plantas inoculadas com FMAs. As reduções na parte aérea de plantas infectadas por P. aphanidermatum podem ser consequências das alterações no sistema radicular, que apresentaram menor capacidade exploratória, diminuindo a absorção e a translocação de nutrientes. Tabela 2. Influência da inoculação com Pythium aphanidermatum e/ou Gigaspora margarita sobre o peso da matéria seca e comprimento radicular dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', em substrato natural ou autoclavado (Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Cruz das Almas - BA, 1999).

Tratamentos Variedades Gm* Solo** NI A NI ‘Cravo’ I NA A NI NA A I NA CV (%) 2,03 aB 1,03 bB 1,68 aB 1,01 bA 0,79 aB 1,34 aA 3,39 aA 0,40 bB 0,85 bA 1,59 bA NA A 0,64 aB 1,05 aA 2,03 aA Total I 0,30 bB 0,82 aA 1,21 bA

Peso da matéria seca (g) Parte aérea NI
0,18 aB 0,45 aA 1,08 aA 0,82 aB 0,42 aB 0,75 aA 2,42 aA 1,15 aB

Raiz

Comprimento radicular (cm) NI 212,28 aA I 82,29 aB

Pythium aphanidermatum I NI I 0,15 aA 0,30 bA 0,40 bA 0,40 bA 0,17 bB 0,45 bA 0,85 bA 0,47 bB 0,38 aA 0,60 aA 0,95 aA 0,86 aA 0,47 aA 0,59 aA 0,98 aA 0,88 aA 0,15 aA 0,39 aA 0,74 aA 0,56 bA 0,29 aA 0,53 aA 0,81 aA 0,61 bA

321,41 aA 286,22 aA 432,91 aA 352,61 aA 411,05 aA 323,79 aA 254,24 aA 132,50 aB 328,56 aA 288,41 aA 435,90 aA 378,98 aA 386,00 aA 328,96 aA 31,93

‘Cleópatra’

18,33

15,97

34,75

Médias seguidas pela mesma letra maiúscula nas colunas e minúscula nas linhas não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. *Gm = Gigaspora margarita. NI - Não inoculado; I - Inoculado. **A - Autoclavado; NA - Natural.

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. Non-destructive assessment of spore germination of VAM fungi and production of pot cultures from single spores. n. no peso da matéria seca e comprimento de raízes. 1983. Oxford. Oxford. p. 148. BRUNDRETT. D. Estes dados contradizem os resultados obtidos por Fontanezzi (1989). S.. demonstrando ser adequada para diversificação de porta-enxerto como alternativa ao limão 'Cravo'. Segundo Menge et al. Limão 'Cravo' sofreu perda de 60.. Plant and Soil. 4. 156 Tópicos em Ciências Agrárias. 1-6. p. E. Inhibition of Pythium ultimum in roots and growth substrate of mycorrhiza Tagetes patula colonized with Glomus intraradices. New Phytologist. Entretanto. n. enquanto que em tangerina 'Cleópatra'.. CARON M. CALVET. reduzindo o uso de adubos e pesticidas químicos.1. o que poderá resultar em plantas com sistema radicular mais desenvolvido. p.. FORTIN J. C. Canadian Journal of Plant Pathology. Soil Biology and Biochemistry. HAMEL C. o menor crescimento das plantas não micorrizadas pode dificultar a detecção do efeito do patógeno.85-91. Portanto.27. 95. aphanidermatum. HAYMAN. v. estas perdas foram de 38.) to inoculation with Glomus mosseae. p.88%. v. nos quais a tangerina 'Cleópatra' mostrou-se mais dependente da micorriza do que o limão 'Cravo' e estão de acordo com aqueles encontrados por Nemec (1978). com isso. podendo-se dizer que o sistema radicular do limão 'Cravo' foi mais afetado por P. Para Tinker (1978). Os dois porta-enxertos de citros foram dependentes das micorrizas para crescimento. mesmo em condições de pós-emergência. seja nas formas de radicelas ou micorrizas. BAATH.. maior tolerância ao estresse de transplantio e a patógenos. CONCLUSÕES 1. v. compensando parcialmente os efeitos deletérios deste fungo. S. (1988). 419-426. aphanidermatum do que o da tangerina 'Cleópatra'. e.. 2. 1. 3.24 %. o efeito das micorrizas sobre diferentes espécies de citros pode variar com as condições de fertilidade do substrato.3.53 e 61. reduziu o desenvolvimento das mudas cítricas. 1993. A micorrização não impediu. Os fungos micorrízicos arbusculares (FMAs) nativos e Gigaspora margarita promoveram benefícios acentuados para o desenvolvimento dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra'. PERA. como também observado por Garcia (1988) e Garcia & Carvalho et al. v. A tangerina 'Cleópatra' apresentou maior resposta em quase todas as características analisadas. outros fatores que determinam a infectividade e efetividade dos fungos micorrízicos podem estar envolvidos. Growth response of marigold (Tagetes erecta L. Limão 'Cravo' foi o porta-enxerto mais suscetível ao patógeno.30 e 47. JUNIPER. 1972. 1994.16. respectivamente. BAREA. n. que observou maior dependência do limão 'Cravo'. Trichoderma aureoviride and Pythium ultimum in a peat-perlite mixture.Segundo Pereira (1994). M. maior eficiência na absorção de água e nutrientes. Ottawa. em presença do patógeno. v. J. 1995. mas reduziu a ação de P. Interactions with Verticillium wilt on tomato plants. Observou-se que o patógeno influenciou as variedades. 2009 . A presença do fungo fitopatogênico Pythium aphanidermatum. Plant growth responses to vesicular-arbuscular mycorrhiza XVI. UFRB. J. respectivamente. o substrato empregado na semeadura do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra' deverá conter FMAs ou deve-se proceder à inoculação das mudas com estes fungos. Vários autores já observaram que diferentes porta-enxertos variam na sua dependência micorrízica (Kleinschmidt & Gerdemann. REFERÊNCIAS ST-ARNAUD M. Menge et al. M. 1978). verifica-se também nesta condição tendência das mudas em apresentarem redução no crescimento da parte aérea e raízes.A. porém os aumentos percentuais decorrentes da micorrização foram maiores no limão 'Cravo'. na presença ou ausência do patógeno e do simbionte. 1.187-194. (1978)..

C. p. GUILLEMIN.. J. D. KLEINSCHMIDT.. FONTANEZZI.84. B. W. J.. J. Comportamento de três cultivares porta-enxerto de citros em relação a Rhizoctonia solani e Pythium spp. 2009 157 . Canadian Journal of Botany. Brasília. GIANINAZZI.. W. C... J.447-452. J. G. v. M. 1980. E. 10. p. E. v. R. J. de. Efeitos do fósforo e um fungo MVA na nutrição de dois porta-enxertos de citros. SILVEIRA. 105f. MENGE. n. J.. 1983. New Phytologist.2530. D. GIANINAZZI-PEARSON. 1. 1989. CARVALHO. Colonização de radicelas de cultivares cítricos porta-enxerto por Rhizoctonia solani e Pythium spp. FONTES. Dissertação (Mestrado). v. v. M. p. Controle biológico: um desafio para o País. A. 1993. Revista Brasileira de Fruticultura. GIOVANNETTI. Spores of mycorrhizal Endogone species extracted from soil by wet sieving and decanting. M.. 10. GARCIA. n. Stunting of citrus seedlings in fumigated nursery soils related to the absence of endomycorrhizae. GERDEMANN.30-34. 1963. Transactions of British Mycological Society. ANTUNES.235-244. v.. p. RAMOS. Phytopathology.CAMARGO. v.241-251. S. MOSSE. (Edição especial). CARVALHO. S.. London.. 10. p. 2729-2732. HEDGE. Journal of Plantation-Crops. HOFFMANN.. Mycorrhizal dependency of several citrus cultivars under three nutrient Tópicos em Ciências Agrárias. v. Campinas. 1972. E. S.70.). Current science. M. E. de.1889-1896. CARDOSO. p. India. SILVA.1-4. v. JOHNSON. Revista Brasileira de Fruticultura.) Merr) against Phytophthora cinnamomi Rands. v.. 1994. V. n. Revista Brasileira de Ciência do Solo. p.2. OLIVEIRA. B. Phytopathology. CARVALHO. L. ANTUNES. n.. Cruz das Almas.3. n.5.27. CHALFUN. fontes de fósforo e de fungos micorrízicos sobre o limoeiro 'Cravo' até a repicagem. H. MANJUNATH.1. E. Oxford. GARCIA. J. Lavras. N. I.12. Response of citrus to vesicular-arbuscular mycorrhizal inoculation in unsterile soils. H. p. J. p. v. M. D. Efeitos de doses. da. n. G. SOUZA.489-500. Influence of Glomus fasciculatus and soil phosphorus on Phytophthora root rot of citrus. 1989. A.53. SUNDARAJU. 1988. J. v..1. Paul. mycorriza with Meloidogyne incognita and Pythium aphanidermatum affecting ginger (Zingiber officinale Rosc. J. MARSHAL. V. Brasília v. p.. P. p. n. 104f. N. Influence of Glomus fasciculatum on damping-off of tomato.. Lavras: UFLA/FAEPE. BAGYARAJ. T.46. DAVIS. R. A. P. de. E. 318p. R. G. 1988. P. Ottawa. 21-24. 62. Cruz das Almas. St. 10. St. G. UFRB. An evaluation of techniques for measuring vesicular-arbuscular mycorrhizal infection in roots. Propagação de plantas frutíferas. v.. p. PLATT. V. A. I.. 1986. J.. R. D. p. Contribution of arbuscular mycorrhizas to biological protection of micropropagated pineapple (Ananas comosus (L. Dissertação (Mestrado) ESAL. Paul. 1996. v. B. P. Pesquisa Agropecuária Brasileira.. 1994. R. Middletown. OLIVEIRA. A. R. Agricultural Science in Finland. V. V. RAI. M. 61.12.1447-1453. 3. PASQUAL. ESAL. A. N. Efeitos de micorriza vesicular arbuscular e de superfosfato simples no crescimento e nutrição de porta enxertos de citros. Pesquisa Agropecuária Brasileira. J.. MENGE. 1992. n. 1984. L. de. 3. Lavras. 17-19. J. GERDEMANN. NICOLSON. Eficiência de fungos micorrízicos vesículoarbusculares em porta-enxertos de citros. 1980. Interactions of VA. FONSECA. B. MOHAN.29. G. A.588-589.. O. P. n.21. EYER.

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Clóvis Pereira Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio Tópicos em Ciências Agrárias . Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio.CAPÍTULO 12 IMPACTO DE HERBICIDAS EM PROCESSOS MICROBIOLÓGICOS DO SOLO E QUALIDADE FISIOLÓGICA DE SEMENTES EM LATOSSOLO AMARELO COESO DO RECÔNCAVO BAIANO Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto.

Atualmente. fungicidas.). Nesse sentido. Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio1 1 Professor . Os diferentes tratos culturais afetam a produtividade e a qualidade de sementes (que pode ser avaliada através do índice de velocidade de emergência. uma maioria de pesquisadores considera que algumas medidas práticas para avaliar o “status biológico” do solo sejam o monitoramento da população e atividade microbiana do solo. tendo como enfoque a sua contribuição na decomposição e mineralização da matéria orgânica e. respectivamente.7% do total nacional) está na raiz de vários problemas de contaminação de águas constatados até hoje.8 kg p. O consumo de agrotóxicos no país tais como. terceiro produto na lista dos que mais consomem agrotóxicos. Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio1. químicos e biológicos. O consumo desses produtos difere nas várias regiões do país.9%) e arroz irrigado (3.). que também é reflexo do manejo.5 bilhões (Assis. cana-de-açúcar (12. parâmetros relacionados com a produção de sementes. eficiência e efeitos prolongados dos herbicidas. 38. Quanto ao consumo de herbicidas por unidade de área cultivada.IMPACTO DE HERBICIDAS EM PROCESSOS MICROBIOLÓGICOS DO SOLO E QUALIDADE FISIOLÓGICA DE SEMENTES EM LATOSSOLO AMARELO COESO DO RECÔNCAVO BAIANO Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto1. inseticidas. Essa intensificação no uso de herbicidas entre os agricultores deve-se entre outros fatores. a avaliação da fixação biológica do nitrogênio através do número e massa seca de nódulos. N total. 2002). conseqüentemente.c. peso volumétrico. bem como. milho (23. a cana-de-açúcar.8 mil toneladas. o consumo de herbicidas foi cerca de 174 mil toneladas de produtos formulados (comerciais) em 2000. Clóvis Pereira Peixoto1. E-mail: fpeixoto@ufrb. permitem uma avaliação sistemática do manejo adotado e a obtenção de índices de aferição da sustentabilidade. por exemplo. especialmente nos países tropicais em desenvolvimento. Verifica-se desta forma. na fertilidade do solo. porcentagem de emergência. onde se misturam atividades agrícolas intensivas e tradicionais. 1. teores de C orgânico. 2004). A avaliação da qualidade do solo é feita através de indicadores que podem ser atributos físicos. influencia a produtividade e a qualidade fisiológica de sementes (Osman et al. destacando-se a soja (39. peso de 1000 sementes etc. O segundo produto de maior consumo de agrotóxicos. processos que ocorrem no solo como as associações entre bactérias do gênero Rhizobium e plantas leguminosas.edu. não é tipicamente sulista.9%. a média geral no Brasil foi de 3. representando mais de 81 mil toneladas quando expresso em ingrediente ativo (i. a. quando associados aos valores de pH. tem sido crescente. v. que o Brasil utiliza grandes quantidades de herbicidas na agricultura. esses dados. Ambientais e Biológicas/UFRB. 81.7%) (Spadotto.5%). doenças e plantas daninhas um dos principais fatores limitantes ao seu desempenho.br INTRODUÇÃO A rápida degradação do solo sob exploração agrícola no mundo. Tópicos em Ciências Agrárias. UFRB. Cruz das Almas-BA. em 2000 e em termos de ingredientes ativos no mesmo ano. 1983). 2009 161 . são aspectos importantes quando se considera esta questão.2% do total consumido com pesticidas.. No Brasil.3%. Na região Nordeste este valor é de 6. o grande desafio da ciência do solo é demonstrar a relação entre os níveis de atividade biológica do solo e o funcionamento sustentável do ecossistema. Além disso.8%). Esses parâmetros fazem parte dos estudos de ciclagem de nutrientes. Da mesma forma. umidade e argila do solo. bem como a comparação entre a eficiência do rizóbio introduzido em relação aqueles nativos. A intensidade da fixação biológica do nitrogênio. 29. Ao longo das últimas décadas. É na soja que se concentra a maior parte dos gastos dos agricultores brasileiros com agrotóxicos: nada menos que 35% do total.9% e 22. Centro-Oeste e Sudeste representam. Esses produtos são aplicados basicamente de duas maneiras: diretamente sobre o solo em pré-emergência ou em pósemergência das plantas daninhas. mas a concentração de seus 330 mil ha cultivados nas usinas do Norte do Paraná (apenas 6./ha. herbicidas. A produção agrícola tem na ocorrência de pragas. a utilização de agrotóxicos no Brasil tem sido a base técnica através da qual o setor agrícola normalmente vem enfrentando a questão. entre outros. despertou nas últimas décadas a preocupação com a qualidade do solo e a sustentabilidade da exploração agrícola. O milho. massa dos frutos. ao aumento da área cultivada com culturas de grande expressão econômica e à ação rápida.Centro de Ciências Agrárias. alcançando hoje vendas anuais que superam US$ 2. tem cerca de um terço de sua área total no Sul do País. Nas regiões Sul.

predominando os plantios de cana-de-açúcar.. aplicando-se logo depois da semeadura com o terreno em boas condições de umidade e em cobertura total. em decorrência da erosão. ocupando uma área de 98. O RECÔNCAVO BAIANO O Recôncavo Baiano possui uma área de 17340 km2 e uma população de 500 mil habitantes. tais como o alachlor. UFRB. devem ser cuidadosamente usados e monitorados. Diversos trabalhos têm relatado sua degradação e persistência (Monteiro. adensamento de plantas dentro das linhas. no Estado de São Paulo (Rezende. a região Sul entrou com quase a metade. implica na necessidade de se determinar o efeito das mesmas no sistema produtivo. podendo alguns desses serem afetados. muito duros ou até extremamente duros quando secos e friáveis quando úmidos. aparecem geralmente. Em função desse uso intensivo de produtos químicos na agricultura moderna e a formação de grandes quantidades de resíduos. há de se considerar que existe uma variação com relação à resistência à decomposição dos herbicidas em função de fatores do solo. no prazo máximo de 3 dias após a última gradagem. Mais recentemente.. irrigação e épocas de plantio em diferentes estações do ano.1997. 1979). tem sido acrescentados ao arsenal dos herbicidas disponíveis para o uso em cultivo de amendoim (Bridges et al. A ação dos microrganismos do solo sobre os herbicidas constitui-se num mecanismo de maior importância quando se depara com a questão ambiental. 1995. inoculação com bactérias do gênero Rhizobium. sendo absorvido pelo coleóptilo das gramíneas e epicótilo das dicotiledôneas (Rodrigues & Almeida. 162 Tópicos em Ciências Agrárias. Vários trabalhos têm demonstrado que aplicações de herbicidas em doses recomendadas não alteram de forma considerável o número total de microrganismos do solo. maio e junho). batata doce. 2009 . O plantio é normalmente realizado com enxadas em covas espaçadas irregularmente (30 cm) e coincide com o período mais chuvoso do ano (março. O amendoim é uma planta dicotiledônea. deve-se aplicar em pré-emergência das ervas. 2004). com significado de tenaz. como também para o ambiente. nos últimos anos.. após os primeiros 10 a 20 centímetros. O Latossolo Amarelo coeso é um solo representativo desta região. No caso do alachlor. Dos 160 mil hectares cultivados com batatinha no Brasil. fumo. os herbicidas do grupo das cloroacetanilidas. milho. sendo que a espécie Arachis hypogaea L. 1997. da estrutura química do composto. Vanderheyden et al. 1984). citros e os cultivos de subsistência como mandioca. entretanto. estendendo-se até o vale do rio Paraíba do Sul. tem sido usado para destacar a capacidade natural (adensamento) de horizontes subsuperficiais associada a diferentes graus de coesão. Stolp & Shea. Herbicida e atributos microbiológicos do solo Embora os pesticidas sejam de grande benefício para o homem. produto também com alto uso de agrotóxicos. tem havido. 1. Caracteriza-se por apresentar uma agricultura bastante diversificada. O uso de controle químico para as ervas daninhas na cultura do amendoim iniciou-se a partir de 1950 com herbicidas seletivos tais como o dinoseb. esses horizontes situam-se a profundidade variáveis. vem basicamente do Rio Grande do Sul. inhame. 1998). plantio mecânico em linhas. porque podem ser perigosos tanto para a vida humana e animal. Em solos cultivados. de baixa fertilidade. pouco se sabe sobre o que ocorre com os herbicidas no solo após sua aplicação. amendoim etc.503 km2 apenas na região Nordeste. A maior parte dos solos da região é do grupo Latossolo e Podzólico. o arroz irrigado. v. em uma ou duas capinas. da característica fisiológica do microrganismo (tipo de enzima) e da dose e época de aplicação. Nos Latossolos Amarelos e Argissolos Amarelos sob floresta primária. bem como o seu efeito em processos microbiológicos do solo e na qualidade fisiológica de sementes. Esta região está inserida na zona dos Tabuleiros Costeiros que são formações terciárias que se distribuem por quase toda a faixa costeira do Brasil. mas sua multiplicação e recuperação é rápida e os relatos onde indicam toxidez ocorrem quando as dosagens empregadas são consideravelmente superiores às recomendadas (ABEAS. A mudança de tecnologia prevendo a utilização de herbicidas. no entanto. abril. temporariamente. normalmente coincidindo com os horizontes AB e ou BA. uma maior preocupação em se conhecer o comportamento e destino dos pesticidas nos diversos ecossistemas. ajudando no aumento da produção de alimentos e controlando as pragas das plantas e animais.1983) De maneira geral. A pluviosidade varia de 1000 a 2000 mm e temperatura média anual em torno de 24 0 C. A terra deve estar bem preparada e livre de torrões e restos de cultura.Outro produto que aparece com destaque na lista de uso de agrotóxicos. O controle de ervas daninhas é também feito com a enxada. O termo coeso. Na década de 60 com o desenvolvimento dos herbicidas dinitroanilinas surgiu a trifluralina. os quais têm importância destacada no equilíbrio social da região (Rezende et al. da família Leguminosae. feijão. sofre a concorrência competitiva das ervas daninhas que prejudicam a sua produção (Sader et al. apresentando-se duros. desde o Estado do Amapá até o Rio de Janeiro. indicado para a cultura do amendoim.. 2002)..

algumas moléculas de herbicidas.0 aB 1. podem inibir a atividade microbiana. potencial para formação de resíduos (Queiroz. 1986 e Lichtenstein. 2009 163 .0 bB 5. desta forma. ele pode vir a favorecer determinadas populações microbianas e inibir outras. Fatores do solo que aumentam a atividade microbiana incluem: umidade em torno de 70-100% da capacidade de campo. capina sem inoculação (CSI). CI CSI HI HSI 45 mg C-C02/100 g solo 40 35 30 25 20 15 10 5 0 0 14 28 42 56 70 84 Tempo (dias) Figura 1. sabe-se que. 1995. Barriuso & Koskinen. População de bactérias e fungos (no. poderá utilizá-la como fonte de energia e nutrientes. 1997.0 bA 4. g solo-1) x 104. em caso de solos tratados com prévias aplicações de pesticidas. Atividade microbiana do solo (mg C-C02/100 g solo) nos tratamentos: capina inoculado (CI). herbicida inoculado (HI) e herbicida sem inoculação (HSI) para o genótipo Vagem Lisa.0 aA 2. O desprendimento de CO2 e absorção de O2 no solo flutuam grandemente num determinado período de tempo. No entanto. boa aeração. utilizando-se sementes inoculadas e não inoculadas de dois genótipos de amendoim (Vagem Lisa e Tatuí). Em trabalho realizado no Campo Experimental da então Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia.0 bB 4. pH em torno de 6. Se a população adaptar-se metabolicamente para degradar a molécula do pesticida ou parte dela.Yassir et al. nos diferentes tratamentos.. não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Porém. GENÓTIPOS Tatuí Vagem Lisa Bactéria Fungo 7. esta fase não tem sido observada. um herbicida deverá exercer um efeito muito pronunciado na microflora.0 aB TRATAMENTOS Capina inoculado Capina s/ inoculação Herbicida inoculado Herbicida s/ inoculação Vagem Lisa Bactéria 6.0 cA 2.5 cB 3.1977). a partir do momento em que um pesticida atinge o solo.0 dB 1. v.5 dA 4.. 1996) e biodisponibilidade para as plantas (Khan & Behki. 1976).0 dB 3.0 cB 8. Mas. dentro de cada genótipo. 1980). diversos cientistas obtiveram resultados do efeito dos herbicidas no desprendimento de CO2 e absorção de O2 em doses normais de aplicação (Grossbard..1990. é mais provável que esse efeito ocorra em doses elevadas.0 aB Médias seguidas pela mesma letra minúscula na vertical e maiúscula na horizontal.0 dA Tatuí Fungo 2.5 e substrato energético (Lewis et al. uma fase de adaptação desta população. 1. temperatura entre 25-35oC. mesmo em baixas concentrações. fungos e actinomicetos) e que também atuam na ciclagem de nutrientes no ecossistema. Tópicos em Ciências Agrárias. Segundo alguns estudos.0 bA 5. entretanto. Kloskowsky et al. Segundo Grossbard & Davis (1976). Tabela 1. no município de Cruz das Almas.0 cA 9. porém menos freqüentemente que em altas. UFRB. avaliou-se o efeito do herbicida alachlor na população de bactérias e fungos do solo (Tabela 1) e atividade microbiana do solo (Figuras 1 e 2). Existe. no período de setembro de 2001 a janeiro de 2002. Wais et al. 1998) .. Outro parâmetro que deve ser monitorado é a população dos principais grupos de microrganismos do solo que participam da biodegradação dessas moléculas no ambiente (bactérias.

500 a 19. Inúmeros trabalhos nacionais e internacionais demonstram que não é possível fazer generalizações. Diversos fatores físicos. Nesta. as simbioses de rizóbio com leguminosas certamente se destacam por sua importância econômica. entre outros (Moreira & Siqueira. As respostas variam em função do tipo de solo. das propriedades físico-químicas do herbicida e da própria sensibilidade da estirpe de rizóbio utilizada. v. Subdivide-se em três subfamílias: Caesalpinioideae. Apenas uma parcela relativamente pequena das espécies de procariotos possuem a enzima nitrogenase que é capaz de reduzir o N2 para a forma inorgânica combinada NH3. ocorrer endofiticamente. além de colonizar abundantemente a rizosfera. que está relacionada não só à ampla distribuição geográfica e utilização dos hospedeiros. 2002). Dentre esses fatores destaca-se os herbicidas. Esses organismos são chamados de fixadores de N2 ou diazotróficos e o processo que mediam . Os 6. Atividade microbiana do solo (mg C-C02/100 g solo) nos tratamentos: capina inoculado (CI). quando se utilizou a combinação herbicida e inoculação nos genótipos Vagem Lisa e Tatuí. raramente (Moreira & Siqueira. químicos e biológicos afetam o processo de fixação biológica. 2009 . como também à maior eficiência do processo decorrente de uma parceria vegetal e microbiana mais evoluída. 1. neste último caso porém. que pode então se tornar disponível para as plantas e outros organismos.700 espécies e entre 640 a 680 gêneros.8%) está na crosta terrestre. herbicida inoculado (HI) e herbicida sem inoculação (HSI) para o genótipo Tatuí. que diferem bastante com relação ao hábito de crescimento de suas espécies. Estimase que a família Leguminosae possua entre 16. Existe uma relação direta entre o aumento da população de bactérias no tratamento herbicida com inoculação (para os dois genótipos) e a atividade microbiana do solo. Houve uma maior atividade microbiana do solo em todo período. 164 Tópicos em Ciências Agrárias. Mimosoideae e Papilionoideae. capina sem inoculação (CSI).1979). nas formas combinadas orgânicas ou inorgânicas existentes nos ecossistemas aquáticos e terrestres (Roswall. 99.CI CSI HI HSI 40 mg C-C02/100 g solo 35 30 25 20 15 10 5 0 0 14 28 42 56 70 84 Tempo (dias) Figura 2. ou seja. Herbicida e fixação biológica do nitrogênio A maior parte do nitrogênio do planeta terra (93. Dentre as simbioses de fixadores de N2 com plantas. UFRB.96% do nitrogênio está na forma de N2 na atmosfera e os restantes 0.04%. O efeito pode ser prejudicial. que reflete a maior capacidade do rizóbio introduzido em degradar a molécula de alachlor. assim como a capacidade de formar simbiose com rizóbio. não exercer nenhum efeito ou até mesmo ter efeito benéfico sobre o rizóbio e suas simbioses. Ressalta-se que tanto os fatores bióticos quanto abióticos podem atuar sobre a bactéria e/ou sobre o hospedeiro afetando a simbiose. 2002).2% restantes estão na ecosfera.Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN) é representado pela seguinte equação: Nitrogenase N2 + 8H + 16 ATP + 8 e ____________ + - 2 NH3 + H2 + 16 ADP + 16Pi (CNTP) Algumas espécies de diazotróficos podem. O número e massa seca de nódulos são parâmetros indiretos que podem avaliar esses efeitos no processo de fixação biológica do nitrogênio. invadir o córtex e colonizar tecidos internos em diversas espécies vegetais.

75 kg ha-1). concluiram que o herbicida alachlor não afetou o número de nódulos aos 42 e 56 dias após o plantio (Tabela 2).00 aA 56 dias Capina 230.75 aA 182.00 bA Médias seguidas da mesma letra minúscula na horizontal e maiúscula na vertical.75 aA 130.7b 22a 24a 16b 11. Tópicos em Ciências Agrárias. pendimethalin e trifluralina) nas doses indicadas pelo fabricante para a cultura do amendoim.95 + 0.45 + 0.No caso de plantas leguminosas. trifluralin (0.00 aA 265.37 kg ha-1).25 aA 323.g planta-1) e número de nódulos (NN no planta-1) de plantas de amendoim aos trinta dias após a emergência. o estudo da influência de herbicidas no processo de fixação biológica do nitrogênio é de extrema importância. O uso do contrôle químico pode causar problemas na nodulação conforme salientam Krust & Struckmeyer (1971) e Olambre (1969). Peixoto et al.75 aA 272. mais especificamente no município de Cruz das Almas-BA. não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade Herbicida e qualidade fisiológica das sementes A determinação da qualidade fisiológica de sementes através de testes de germinação e principalmente de vigor é de fundamental importância na agricultura moderna. (2002a) avaliaram o efeito de diferentes herbicidas (alachlor. Tabela 2. 2002a). em experimento conduzido na Fazenda Capivari no Município de Muritiba .91 kg ha-1). UFRB.8a 8. Número de nódulos (g planta-1). 2009 165 . representativo dos Tabuleiros Costeiros da região do Recôncavo.2a 7. chloramben (1. já existem pesquisas desenvolvidas quanto ao efeito de herbicidas sobre o processo de fixação biológica do nitrogênio em plantas de amendoim.75 aA 182. (1985).Bahia. submetidas a diferentes tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al.6b MSN NN Figura 3. em estudo realizado para avaliar a influência da aplicação de herbicidas fluorodifen (0. Esses mesmos autores.00 aA Herbicida 151. Já Rezende et al. pois este processo representa economia nos custos de produção. aos 42 e 56 dias após o plantio nos ratamentos capina e herbicida. Na região do Recôncavo Baiano.50 aA 257. Concluíram que de maneira geral esses herbicidas estimulam a nodulação inicial das plantas de amendoim (Figura 3). dentro de cada período.66 kg ha-1) no rendimento de grãos. nodulação e qualidade fisiológica de sementes de soja concluíram que a nodulação não foi influenciada pelos herbicidas testados.97 kg ha-1).50 aA 182. pendimethalin (0.50 aA 194.9 kg ha-1). Utilizaram como substrato o solo Latossolo Amarelo coeso do município de Cruz das Almas-BA. tanto em casa de vegetação quanto em campo. Genótipos BR1 BR151 L7 Vagem Lisa Película Havana 42 dias Capina 242. chloramben + alachlor (0. v. 1. principalmente quando causas adversas possam compro-meter a germinação de sementes e posterior desenvolvimento das plantas. que empregaram doses elevadas de trifluralina e chloramben na cultura da soja.75 aA Herbicida 273.50 aA 199..50 aA 209. fluordifen + pendimethalin (0.00 aA 246. com o mesmo tipo de solo e quatro genótipos de amendoim. em condições de casa de vegetação. Massa seca dos nódulos (MSN . Trifluralina Pendimethalin Alachlor Testemunha 25a 25 20 15 10 5 0 11.

hídricas. estrutura do solo e microorganismos.5a 6. representativo do Recôncavo Baiano.). 1995 ). v.O processo de deterioração implica em uma série de mudanças fisio-bioquímicas que podem levar a uma ação mais efetiva de agentes externos. luz.5a 6. Os fatores ambientais que permanentemente influenciam a germinação são a água. como. químicas.8a 7. temperatura. uma redução sensível das atividades respiratórias e biossintéticas..8a 8.8b 10. submetidas a diversos tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al. em condições de casa de vegetação. reduzem a porcentagem de emergência. especificamente. Peixoto et al. Trifluralina Altura e comprimento (cm) e IVE 16 14 12 10 8 6 4 2 0 Pendimethalin Alachlor Testemunha 15.2bc 3. observa-se a degeneração das membranas lipo-proteicas. 5 e 6. Altura da planta (AP).. no sentido de minimizar os efeitos de agentes externos na velocidade e porcentagem de emergência. Constatou-se que os herbicidas testados. 2002a). como também. pendimethalin e trifluralina na nodulação e crescimento inicial de plantas de amendoim. 1. À medida que as sementes perdem qualidade fisiológica. com perda significativa da permeabilidade. Assim sendo.9a 7. 2002a). microbianas etc. respectivamente). o uso de sementes vigorosas é de fundamental importância. UFRB. 2009 . (2002a) avaliaram o efeito dos herbicidas alachlor. crescimento das plantas e produtividade final (Copeland & McDonald.2b AP CR IVE Figura 5.2a 10. normalidade das plântulas. Porcentagem de emergência (PE). 1985). Entretanto. altura das plantas e massa seca da parte aérea (Figuras 4. tornando a germinação mais lenta e a semente mais vulnerável às variações do meio (térmicas. utilizando-se como substrato o Latossolo Amarelo coeso.1ab 4. oxigênio. Trifluralina Pendimethalin Alachlor Testemunha 70 60 Porcentagem (%) 62a 55b 55a 47b 30d 32c 34a 15c 21b 8d 11d 30c 50 40 30 20 10 0 PE PA SM Figura 4. comprimento da raiz (CR) e índice de velocidade de emergência (IVE) de amendoim aos trinta dias após a emergência. a germinação de sementes pode ser afetada por produtos químicos inorgânicos e orgânicos (Bewley & Black. os herbicidas.2b 7.1c 7. de plântulas anormais (PA) e de sementes mortas (SM) de amendoim em diferentes tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al. 166 Tópicos em Ciências Agrárias.

23c 0. submetidas a vários tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al. 2.0 L ha-1) na qualidade fisiológica de plantas de soja em condições de casa de vegetação.755 R2 = 0..03b 2.96a Alachlor Testemunha Massa da matéria seca (g planta -1) 3.16a 0. representativo do Recôncavo Baiano.36bc 1. Um exemplo desta afirmação pode ser constatado em outro trabalho realizado por Peixoto et al. Segundo esses autores. só afetou a porcentagem de emergência quando se utilizou as doses de 2. 2009 167 .00 2. 2002b) Tópicos em Ciências Agrárias.2.13a 1. com as propriedades físico-químicas das moléculas e o tipo de solo em questão.0 L ha-1 (Figura 8). não permitindo portanto generalizações.4677x2 .8375 Observado Estimado Polinômio (Observado) 3 4 Figura 7.76b 1.0 e 4. também utilizando como substrato o Latossolo Amarelo coeso. No entanto. 2002a).. Massa da matéria seca acumulada na parte aérea (MSPA) e raiz (MSR) de plantas de amendoim aos trinta dias após a emergência.207x + 27. (2002b). Verificou-se que o aumento da dose promoveu decréscimo no índice de velocidade de emergência (Figura 7).Trifluralina Pendimethalin 2.46c MSPA MSR Figura 6. os efeitos na porcentagem de emergência foram resultado da baixa adsorção das moléculas pelo solo em questão. Índice de velocidade de emergência 30 25 20 15 10 5 0 0 1 2 Doses y = -0. Avaliou-se o efeito de diferentes doses de trifluralina (zero. o comportamento da molécula depende. UFRB. v. das suas propriedades físicoquímicas e também do ambiente. Desta forma. Os efeitos dos herbicidas sobre a qualidade fisiológica de sementes variam.0 e 4.00 1. principalmente. Índice de velocidade de emergência de sementes de soja submetidas a diferentes doses de trifluralina (FONTE: Peixoto et al. dentre outros fatores.00 1.5. provavelmente. 1.00 0. permitindo maior concentração na solução do solo e favorecendo assim a absorção. para as condições estudadas. 1. sendo o solo utilizado de textura média e baixa CTC.

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CAPÍTULO 13 EVOLUÇÃO. Adailde do Carmo Santos & Leandro Gonçalves dos Santos Tópicos em Ciências Agrárias . ADUBAÇÃO E DIAGNOSE NUTRICIONAL DE PASTAGENS NO RECÔNCAVO DA BAHIA Anacleto Ranulfo dos Santos. Raul Lomanto Neto.

foi implantada a cultura do fumo que despontava como segunda alternativa de cultivo econômico e ao lado destas lavouras desenvolveram-se culturas de subsistência. Nos terrenos impróprios à cana-de-açúcar. que esteve fundamentalmente vinculada à lavoura açucareira desde o período colonial.EVOLUÇÃO. E-mail: adacsantos@zipmail. citricultura. onde não havia proibição para criação de gado. E-mail: anacleto@ufrb. tais como milho. gerando instabilidade econômica e desconfiança dos produtores pela continuidade dessa atividade. 2009 173 . a vegetação original de quase toda a região foi. como base importante da alimentação dos povos da região. o dendê e as culturas de subsistência. Amargosa-BA Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. o Recôncavo foi a primeira região de exploração agrícola para exportação que foi a cana-deaçúcar. principalmente nos Tabuleiros Costeiros.º Agrônomo/UFBA. feijão. No Recôncavo as maiores extensões são os solos dos grupos Tópicos em Ciências Agrárias. com ênfase aos municípios de Cruz das Almas até Santo Antônio de Jesus. Reconhecido como berço da agricultura brasileira. Porém. A expansão da pecuária é posterior aos ciclos de exploração iniciais.br Eng. Com o declínio da cultura do fumo. sendo que sua produção jamais se igualou à da cana-de-açúcar por causa das contingências do mercado internacional (Rezende. Essa região foi destacadamente o grande pólo de desenvolvimento da agricultura baiana desde o período Colonial até décadas recentes. Ambientais e Biológicas/UFRB. pela alta densidade demográfica dessa região. com significativa redução na área plantada e na produtividade dos pomares. No século XVIII a cultura do café foi introduzida a partir de Maragogipe. fumo. mandioca. 2004). inhame e a presença significativa de áreas de pastagens. liberdade de produção e facilidade de transporte.br Pesquisador da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA). UFRB. e os subseqüentes ciclos de cultivos de algodão. cedendo espaço para a cana. proteção e estímulos governamentais. especialmente a mandioca. cacauicultura. 1. cujo modelo de ocupação da terra é resultado da política do Brasil Colonial. pois contava com preços compensadores. com predomínio do gênero Brachiaria. Cruz das Almas-BA. à exceção dos municípios próximos a Castro Alves. Além disso. Outra cultura de destaque no ciclo de desenvolvimento do Recôncavo foi o algodão. para as partes mais altas do Recôncavo Sul.com. No início a cultura da cana-de-açúcar era próspera e gerava grandes lucros aos exportadores. como base fornecedora de produtos alimentícios para a capital do Estado. cultivada em sub-bosque sendo determinante para a ocupação de Amargosa e dos municípios vizinhos do vale do Jiquiriçá. Dessa forma.edu. Adailde do Carmo Santos3. como os demais ciclos de cultivos. ADUBAÇÃO E DIAGNOSE NUTRICIONAL DE PASTAGENS NO RECÔNCAVO DA BAHIA Anacleto Ranulfo dos Santos1. Raul Lomanto Neto2. sofreu grandes oscilações em seus quatro séculos de existência. Solos do Recôncavo De acordo com Ribeiro (1998). v. Cruz das Almas-BA. surgiu um novo modelo agrícola que foi a citricultura. Mais recentemente foi dividido nas regiões econômicas: Litoral Norte e Recôncavo Sul. fumo e da citricultura. Leandro Gonçalves dos Santos4 1 2 3 4 Professor . no decorrer dos anos. café. a citricultura entrou em declínio nas últimas décadas. exploração de madeira. sendo paulatinamente substituída pelas atividades econômicas. fez-se necessário o desenvolvimento de uma agricultura mais intensiva com exploração de diversas culturas de subsistências. os Tabuleiros Costeiros são formações Terciárias que ocupam grandes extensões de áreas na Bahia e no Nordeste Brasileiro. Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO O Grande Recôncavo Baiano com 78 municípios se caracteriza pela predominância de pequenas glebas e mãode-obra familiar como base de sua produção agropecuária.Centro de Ciências Agrárias. que também foi um dos produtos de exportação nos meados do século XVI. café.EVOLUÇÃO AGRÍCOLA A economia do Recôncavo. RECÔNCAVO SUL .

LATOSSOLO E ARGISSOLO. Os LATOSSOLOS AMARELOS predominam em todo Recôncavo e se caracterizam pela baixa fertilidade natural quanto à disponibilidade de nutrientes e com limitações físicas para o desenvolvimento natural das plantas, principalmente pela presença de uma camada coesa no seu perfil, logo abaixo do horizonte A podendo chegar a 1,0 metro de espessura, condição que reduz a permeabilidade para o ar e água, dificultando o fluxo de nutrientes e impedindo o aprofundamento das raízes. Naturalmente são distróficos ou álicos, com acidez acentuada e baixa capacidade de troca de cátions (Rezende, 2000). Esse fenômeno é conseqüência da compacidade natural (adensamento) cuja característica se acentua em períodos de prolongado estresse hídrico e quando associado ao manejo inadequado desses solos. Em ambiente sob floresta esses solos apresentam o efeito coeso nos horizontes AB e ou BA, porém, se submetidos a cultivos constantes essa coesão surge nas camadas mais próximas da superfície, em função da ação erosiva nesse ambiente. Na região, dentre os cultivos mais atingidos por essa camada endurecida no perfil do solo, sem dúvida é a citricultura. Segundo Souza et al. (2000), um adequado suplemento de água ao longo do tempo com o solo friável esse impedimento físico ao crescimento radicular seria não limitante. De acordo com os resultados analíticos de amostras dos diversos municípios da região do Recôncavo Sul, esses solos apresentam significativa variabilidade química natural (Tabela 1), o que influencia diretamente no rendimento das culturas implantadas. Nessas condições de fertilidade, resultados de pesquisas demonstram potencialidade desses ambientes que, uma vez manejados adequadamente, destacando a correção do solo e adubação, podem aumentar a produtividade das culturas de forma expressiva. Assim, as áreas de pastagens em sua maioria degradadas, com baixas produções de forragens, podem ser recuperadas num curto prazo com aplicação de tecnologias simples de manejo da gramínea observando o seu estado nutricional, manejo do solo quanto à composição química e física, e o manejo animal, destacando a sua potencialidade genética para o tipo de exploração desejada, quando interagidas essas ações. Tabela 1. Caracterização química de LATOSSOLO AMARELO coletado na camada 0,20 m sob diferentes cultivos, em municípios do Recôncavo Sul da Bahia.
pH (H20) (5) (5) (1) (2) (3) (6) (4) (6) (6) 4,9 5,8 5,6 5,0 4,5 5,2 4,8 4,2 5,4 P -1 (mg kg ) 2,0 3,0 4,0 3,0 3,0 1,0 5,0 1,0 1,0 K Ca Mg Al H -3 .......................... cmol c dm ……................ 0,07 0,10 0,07 0,20 0,10 0,20 0,23 0,10 0,12 0,7 1,2 8,1 2,8 0,5 0,4 0,8 0,3 0,5 0,5 1,1 1,0 0,9 0,4 0,2 0,6 0,3 0,6 0,5 0,0 0,3 0,2 0,4 0,0 0,1 0,7 0,2 2,4 2,2 7,0 2,6 1,6 1,8 2,8 5,0 2,7 M0 -3 (g dm ) 14,6 8,2 78,8 12,5 6,0 22,9 18,0 16,0 14,5

Municípios C. Almas Sapeaçú Amargosa Amargosa C. Almas Muritiba Muritiba S.A. Jesus D.M. Costa

(1) área de pastejo rotacionado; (2) Latossolo sob Mata Atlântica; (3, 4) área de citricultura; (5) área de mandioca; (6) área de pastejo extensivo.

Histórico das pastagens no Recôncavo Sul O Recôncavo Sul é composto por 33 municípios, ocupa uma área de 10.839,5 km2 e uma população estimada em 2003 de 701.675 habitantes, portanto, uma das mais densas das regiões da Bahia com 64,7 habitantes/km2. Está localizada entre 120 23' e 130 24' de latitude sul e 380 38' e 400 10' de longitude Oeste, com homogeneidade de clima, solo, relevo e regime pluviométrico. A vegetação original na maior parte do Recôncavo Baiano até a sua descoberta se caracterizava pelas formações florestais, de diferentes tipos, equatorial, tropical, subtropical e em seis municípios localizados no semi-árido tem-se formação de caatinga. A derrubada da mata visava o preparo da terra para cultivos anuais e perenes. Como conseqüência do inadequado manejo dessas áreas de florestas, a utilização dos campos nativos e das pastagens implantadas, surgiram como alternativa econômica na região, pois imaginava-se que as gramíneas forrageiras seriam produtivas nos diversos ambientes, o suficiente para sustentar a evolução dos rebanhos. O estabelecimento das pastagens nas áreas florestais foi destacado no começo do século passado e se intensificou a partir das décadas de 30 e 40. Os capins que predominaram neste sistema foram o capim-gordura (Melinis minutiflora), capim-angola (Brachiaria mutica) e o capim colonião (Panicum maximun) restrito às áreas mais subtropicais. Estas forrageiras, após alguns anos sob pastejo, apresentavam uma queda na produção e iniciava-se o processo de degradação. Com esta situação os produtores buscavam alternativa e passou-se à procura da “forrageira milagrosa” e dessa forma chegou-se ao que foi denominado de ciclo dos capins. Essa nova forrageira deveria ir bem em terras fracas e fornecer algum verde na seca. O capim Brachiaria decumbens, popularmente capim-braquiária, adaptou-se perfeitamente às condições de
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solos ácidos e de baixa fertilidade do Recôncavo, proporcionando na época, aumentos na taxa de lotação de 5 a 10 vezes maiores que as pastagens existentes nessas áreas. O aumento da produção das pastagens e dos rebanhos foi expressivo e possibilitou que os produtores passassem a integrar as atividades de cria, recria e engorda. A utilização das gramíneas do gênero Brachiaria nas pastagens tem sido vinculada à agressividade na formação da área, à dispensa de seguidos cultivos na época de reformas de pastagens velhas e à menor exigência em fertilidade que as demais gramíneas. A realidade existente no Recôncavo Sul é a mesma em todo o Brasil, visto que a quase totalidade dos pastos é de gramíneas do gênero Brachiaria, predominando o Brachiaria decumbens. Como conseqüência da falta de adoção de práticas conservacionista ao longo dos anos, essas pastagens apresentam-se atualmente elevado grau de degradação, tendo como principal característica o baixo rendimento de forragem. O fator de manejo mais relevante para a persistência das pastagens é a pressão de pastejo. Impressionado com as elevadas produções forrageiras dos primeiros anos, principalmente nos períodos mais chuvosos na região que vai de março a agosto, o produtor passou a elevar a carga animal muito acima da capacidade de suporte da pastagem (geralmente estimada em unidade animal por hectare). Esse modelo de criação é mais degradativo nos períodos mais seco do ano, pois diminui a produção de forragem e os animais pastejam quase rente ao solo, fato que dificulta a rebrota da gramínea. Spain & Graldron (1991) citam que os fatores que mais contribuem para a degradação das pastagens são: o super pastejo com altura de corte muito rente ao solo prejudica a rebrota das plantas; o sub pastejo que favorece o acúmulo de material maçegado, logo maior incidência de pragas e doenças; invasão de plantas indesejáveis; falta de adaptação das espécies implantadas; perda da fertilidade do solo; falta de adubação de reposição e manutenção da fertilidade do solo e incompatibilidade entre as espécies associadas. Importância econômica das pastagens O modelo de criação bovina extensiva a pasto é a forma mais econômica de fornecer alimentação abundante e de qualidade aos animais. Para tanto, é preciso que o solo tenha alta fertilidade e condições de fornecer os nutrientes para as plantas. No Recôncavo, a exploração dos rebanhos leiteiros e produção de carne está apoiada na criação a pasto, fato que destaca a importância de estudos nesses ecossistemas para adoção de manejo adequado nessas pastagens. O estado da Bahia possui um rebanho bovino de 9.170.680 cabeças, compondo com 5,57 % do total de bovinos do país. A área de pastagem do estado é de 14.489.768 hectares, ocupando cerca de 48,55% da área total de 29.842.900 hectares de agropecuária. O Recôncavo Sul baiano possui um rebanho bovino de aproximadamente 436.070 cabeças, compondo com 4,75% do total de bovinos do estado da Bahia (Censo, 2000). A área ocupada com a atividade agropecuária nos municípios do Recôncavo Sul é superior a 815.908 hectares, sendo com pastagens, aproximadamente 622.872 hectares, dos quais mais de 60% é ocupado com a Brachiaria decumbens. Dentre os municípios do Recôncavo Sul, Amargosa destaca-se como detentor do maior rebanho bovino e conseqüentemente maior produtor de carne e leite, condição que justifica ser a região de maior aplicação de índices tecnológicos e resultados de produção acima da média do Estado. Em grande parte do Recôncavo Sul o sistema de criação mais usado é o extensivo, onde a adoção de tecnologia é muito pequena, tem maior atenção nas ações profiláticas, o manejo dos pastos depende do índice pluviométrico e a média da capacidade de suporte chega a ser inferior a 0,3 UA ha-1. Em menor proporção encontra-se o sistema de exploração racional com adoção do pastejo rotacionado, adubação das pastagens, programa sanitário para o rebanho, inseminação artificial e utilização de transferência de embrião, com índices zootécnicos acima da média do estado da Bahia e com capacidade de suporte maior que 1,5 UA ha-1. Degradação de pastagens no Recôncavo Sul A perda de fertilidade natural do solo tem levado os pecuaristas em todo Recôncavo Sul a uma cíclica substituição de espécies forrageiras sempre no sentido das menos exigentes como, por conseguinte, de menor valor nutritivo. Assim, o capim-colonião (Panicum maximum Jacq.) foi substituído em muitas áreas pelo pangola e posteriormente pelas braquiárias. As pastagens são consideradas em degradação quando a produção da forragem é insuficiente para manter determinado número de animais no pasto e por certo tempo. Entretanto, quando a produção de matéria seca diminui sensivelmente a ponto de ser notada através de lotação animal, a planta forrageira já reduziu drasticamente o sistema radicular, o perfilhamento a expansão de folhas novas e os níveis de reservas de carboidratos nas raízes e base das hastes. A degradação, na verdade, dificilmente pode ser devida a uma causa isolada. É necessária uma noção de
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conjunto e de funcionamento dos ecossistemas de pastagens. Em geral observa-se que, uma vez estabelecida a pastagem, com exceção dos problemas causados por pragas e doenças, o início da degradação tem origem nos problemas de manejo do rebanho e na não adoção de práticas conservacionistas. Além disso, fatores como sazonalidade da produção forrageira e superestimação das taxas de lotação contribuem diretamente para a degradação desses ecossistemas. No Recôncavo Sul como nas demais regiões de pastagens do Brasil, o que determina o nível da exploração é a produção de forragem na estação seca do ano. Considerando que áreas de pastagem são mantidas durante todo o ano com a mesma taxa de lotação, gera-se aí situação clássica de excesso de forragem na estação chuvosa e falta na estação seca. Poucos produtores adotam um planejamento para ter na propriedade uma área destinada à reserva estratégica (capineira, milho, cana, sorgo, palma, mandioca, leguminosas, feno e construção de silo etc.). Associados à taxa de lotação, estão os problemas relacionados aos hábitos de locomoção dos animais. Em todo o Recôncavo Sul, observa-se a formação de trilhas preferências no sentido morro abaixo nas pastagens, preferencialmente, próximo a cochos de sais ou bebedouros. Em muitas pastagens localizadas em áreas amorradas, pode-se observar alguns trechos do terreno sem vegetação, que apresentam sulcos de erosão. Estes sulcos, geralmente, têm como causa a movimentação constante de animais pela mesma área, no sentido do declive. No entanto, vários outros autores, inclusive alguns mencionados anterior-mente (Dematte, 1988; Sampaio, 1998), são conclusivos em dizer que a prática da queimada, se mal conduzida ou mesmo efetuada continuamente, pode trazer con-seqüências negativas tanto para a pastagem quanto para o solo que a sustenta. Adubação de pastagens Para o bom desenvolvimento das pastagens, assim como de qualquer cultura, há necessidade que esteja disponível e, em quantidade adequada no ambiente, todos os elementos considerados essenciais, classificados como orgânicos: carbono (C), oxigênio (0) e hidrogênio(H) e inorgânicos como os macronutrientes: nitrogênio (N), fósforo(P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S), e micronutrientes: boro (B), cloro (Cl), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn) (Epstein, 1975). É evidente que o solo é o principal componente fornecedor de elementos químicos para as plantas, não apenas os considerados essenciais como também aqueles classificados como benéficos como o sódio, silício, selênio, cobalto e os elementos tóxicos como o alumínio, mercúrio, cromo, chumbo etc. Certamente, a prática de reposição de nutrientes através da adubação é fundamental para elevação e manutenção da quantidade e qualidade da forragem a pasto. Há evidências nas pastagens do Recôncavo Sul, da utilização planejada de adubos como uréia, superfosfato simples e cloreto de potássio como fonte de N, P e K, respectivamente, assim como de pastagens consorciadas com leguminosas, dentre elas o calopogônio, crotalária juncea, crotalária vistosa, estilosantes, mucuna, feijão de porco etc., e cultivos isolados dessas culturas servindo de bancos de proteínas para os animais. Segundo Werner (1986), o uso de pastagens consorciadas é uma opção para reconstituir a fertilidade do solo quanto à matéria orgânica, devido à capacidade da leguminosa em fixar nitrogênio do ar. Para tanto, é preciso que essa leguminosa esteja bem nutrida com os demais elementos essenciais e que não haja fatores adversos, como exemplo, elevados teores de alumínio no solo. Calagem: a aplicação de calcário em áreas de pastagens, principalmente o dolomítico é fundamental para redução da acidez que se constata na maioria dos solos do Recôncavo (Tabela 1) e por fornecer em proporções mais adequadas os nutrientes cálcio e magnésio para as plantas. A calagem é uma prática que também diminui os efeitos danosos do alumínio, manganês e ferro, os quais podem estar em quantidades excessivas quando o solo apresenta pH baixo, prejudicando diretamente as plantas, assim como, bactérias importantes (Rhizobium) para as leguminosas. É importante destacar que dependendo da espécie as plantas são mais ou menos responsivas à calagem. As braquiárias são classificadas como plantas de tolerância relativa à acidez do solo, atributo importante para a sua persistência e produtividade nas mais diversificadas condições de solo. Nitrogênio (N): é um dos nutrientes mais exigidos pela maioria das plantas cultivadas, sendo absorvido preferencialmente nas formas iônicas N03-, NH4+ e N2. Esse elemento tem função estrutural e faz parte de molécula de aminoácidos, proteínas, é constituinte de bases nitrogenadas e ácidos nucléicos, clorofila e alcalóides, bem como de muitos hormônios, enzimas e vitaminas. Além disso, influencia nos processos de absorção iônica, respiração, fotossíntese, diferenciação celular etc. (Malavolta, 1980). A deficiência de N influencia de imediato no crescimento da planta com coloração verde clara ao amarelecimento inicial das folhas mais velhas em função de sua alta mobilidade interna na planta. O excesso provoca redução de floração, frutificação e acamamento.

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Fósforo (P): elemento constituinte das moléculas de ATP, ADP, ácidos nucléicos e dos fosfolipídeos das membranas celulares, sendo importante na liberação de energia para o processo ativo de absorção iônica. As formas iônicas H2P04e HP04-2 são as preferencialmente absorvidas, formando compostos orgânicos como hexoses fosfatadas, ésteres de carboidratos, fosfolipídeos e outros, como também, compostos inorgânicos como ortofosfatos e pirofosfatos (Mengel & Kirkby (1987). Segundo Werner (1986), depois do nitrogênio, o fósforo é o elemento mais importante, tendo grande influência no crescimento das raízes e no perfilhamento das plantas forrageiras. Por isso esse elemento é fundamental no processo de recuperação de pastagens degradadas. O excesso de fósforo gera deficiência de cobre, ferro, manganês e zinco. Grant et al. (2001) citam que deficiência de fósforo no início do ciclo vegetativo da planta pode resultar em restrições no crescimento, das quais a planta não se recupera mesmo fornecendo fósforo posteriormente. Potássio (K): é absorvido na forma iônica (K+) e atua como ativador de algumas enzimas na síntese de amido e ácidos graxos. Participa da fotossíntese e respiração e da síntese de clorofila, sendo importante nos movimentos de abertura e fechamento dos estômatos e no transporte de carboidratos (Marschner, 1995). Os capins deficientes em potássio apresentam colmos finos, raquíticos e pouco resistentes ao tombamento. As leguminosas deficientes em potássio têm seu crescimento limitado, há redução na nodulação, afetando a fixação de nitrogênio. Em excesso, o potássio causa deficiência de cálcio e ou maganésio. Cálcio (Ca): absorvido na forma iônica (Ca2+) esse elemento tem função estrutural, fazendo parte da parede celular como pectato de cálcio, estando ligado à formação e funcionamento das membranas celulares. É ativador enzimático (ATPase e fosfolipase) e faz parte da amilase. A deficiência de cálcio pode ser induzida por excesso de Na, K, NH4+ e ou Mg que limitam a sua absorção. O cálcio é importante para manter a estrutura e o funcionamento normal das membranas da célula e em baixas concentrações, estimula a absorção de outros íons. Sintoma de deficiência em folhas novas, deformação das folhas, morte dos pontos de crescimento e clorose nas pontas. O excesso provoca deficiência de potássio e ou magnésio. Magnésio (Mg): é elemento estrutural da molécula de clorofila, pectina e fitina, participa da fotossíntese, ativador enzimático e funciona como carregador de fósforo. Absorvido na forma iônica (Mg2+), é móvel no floema celular, por isso apresenta sintomas de deficiência primeiramente nas folhas velhas, assim como o nitrogênio, fósforo e potássio. Em condição de deficiência ocorre clorose internerval e a nervura da folha permanece verde. O excesso de magnésio promove indução de deficiência de potássio e/ou cálcio. Enxofre (S): absorvido na forma iônica SO42-, é constituinte dos aminoácidos cistina e metionina, de proteínas, clorofila, vitaminas e importante para fixação de nitrogênio. Esse elemento é pouco móvel na planta, por isso o sintoma de deficiência aparece primeiro nas folhas novas. A deficiência de enxofre nas pastagens do Recôncavo ainda não é preocupante, entretanto, a forte aplicação de adubos nitrogenados nessas áreas pode favorecer o desequilíbrio nitrogênio e enxofre afetando o crescimento da forrageira. Micronutrientes: nas condições edafo-climáticas da região do Recôncavo não se têm encontrado resultados satisfatórios do uso de micronutrientes nas pastagens. Dentre esses elementos (boro, cloro, cobre, ferro, manganês, molibdênio e zinco), o zinco é o micronutriente mais utilizado na maioria das culturas, além de sua forte interação com o fósforo no solo (Mengel & Kirkby, 1987). Estudos com micronutrientes são importantes para obter o máximo de eficiência produtiva e qualidade da forragem em pasto. RESULTADOS DE PESQUISAS COM FORRAGEIRAS NO RECÔNCAVO Na região do Recôncavo da Bahia ainda são incipientes os trabalhos de pesquisas direcionados para avaliação do estado nutricional de plantas forrageiras. Mais recentemente, como apoio do Mestrado em Ciências Agrárias, e com a formação do grupo de pesquisa em “Nutrição Mineral de Plantas e Pós-Colheita” da UFRB, estudos com macronutrientes isolados e em interações vêm sendo desenvolvidos com capins do gênero Brachiaria, principalmente o Brachiaria decumbens, que é o mais cultivado na região. Estudos com aplicação de calcário em pastagens de braquiária estabelecida em LATOSSOLO AMARELO foram desenvolvidos nos anos de 1998 e 1999 na então Escola de Agronomia da UFBA. Os resultados da Tabela 2
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demonstram que no primeiro ciclo da braquiária a elevação da saturação de bases (V%=60) incrementou o rendimento de massa seca em 95% e que saturação acima deste valor apresentou aumentos inferiores a este, quando comparados com a fertilidade natural do solo (V%=33). No segundo ciclo vegetativo, sem reposição da calagem, observou-se aumento linear, com 84% quando V%=80. Nos dois cortes não houve efeito significativo da calagem sobre a concentração de nitrogênio, assim como para os valores de proteína bruta na forrageira. Entretanto, o acúmulo de nitrogênio foi mais acentuado quando V%=70. Esses resultados indicam efeito positivo do aumento da disponibilidade de cálcio e magnésio no solo na qualidade da forrageira. Neste estudo, quando se fez a substituição de 25% do CaO do calcário por gesso agrícola, verificou-se apenas aumento de 27% e 14% no rendimento de massa seca da braquiária no primeiro e segundo cortes, respectivamente, quando o V%=50. Também não foi observada influência da presença do gesso agrícola nos teores de nitrogênio na planta, entretanto, a extração de nitrogênio do solo foi menor com o aumento da saturação por bases. Tabela 2. Rendimento em massa seca, teor, acúmulo de nitrogênio e proteína bruta do primeiro e segundo cortes da parte aérea do capim-braquiária, em função da saturação por bases (V%). Os valores são médios de quatro repetições.
------------------------------33 50 4628 5330 1812 2550 10,6 8,9 15,3 16,9 49,01 47,54 31,67 43,18 66,1 55,6 95,9 105,5 (V %) ------------------------------60 70 80 9040 8450 8230 2662 2975 3337 8,3 10,4 9,3 16,9 15,3 15,3 75,37 88,34 76,95 44,00 67,90 53,55 56,8 65,2 55,9 105,5 107,2 95,9

VARIÁVEIS Massa seda (kg ha ) Teor de N (g kg )
Acúmulo de N (kg ha )
-1

CORTE
-1

-1

Proteína bruta (g kg )

-1

I II I II I II I II

Trabalho não publicado. Resultados em Relatório de Pesquisa PIBIC (Silva & Santos, 1999a).

A aplicação de N, como fonte uréia, em pastagem implantada com braquiária demonstrou que houve incremento linear de 174% no rendimento da massa seca da forrageira (2300 para 6300 kg ha-1), na dose de N= 600 kg ha-1 no primeiro crescimento da cultura. No segundo crescimento houve efeito quadrático de resposta, com maior aumento de 104% (1710 para 3480 kg ha-1) na dose N=300 kg ha-1. O teor de N nas folhas aumentou significativamente na ordem de 424% e 32% no primeiro e segundo cortes da planta na dose de N= 600 kg ha-1, respectivamente. Nas hastes da planta esse aumento foi de 800% no primeiro e 24% no segundo corte. Nessa dosagem de N no solo, obteve-se aumento de N acumulado na planta superior a 800% (13,7 para 134,8 kg de N ha-1) no primeiro corte, e de 156% (27,41 para 62,78 kg de N ha-1) no segundo corte da forrageira, quando comparado com o tratamento sem aplicação de uréia (Silva & Santos, 1999b). Estudo desenvolvido por Carvalho (2000), avaliando o comportamento de algumas gramíneas e leguminosas em LATOSSOLO AMARELO no município de Cruz das Almas-BA, demonstrou que a Crotalária juncea e a mucuna apresentaram rápido crescimento no período inicial, precocidade na produção de massa, boa cobertura do solo e bom volume de raízes em profundidade. Por isso, essas plantas apresentam potencial para serem usadas como adubo verde e na recuperação de solos fisicamente degradados. Por outro lado, o autor constatou que o calopogônio apresentou menor velocidade de crescimento no período inicial, sendo mais tardia para cobertura total do solo. Nesse estudo, o capim cameroon e a braquiária humidícola apresentaram grande velocidade de crescimento no período inicial do ciclo vegetativo, podendo assim, serem competitivas com a vegetação nativa. A produção de massa seca do cameroon foi superior às demais espécies estudadas, confirmando ser uma excelente opção como forrageira de corte na região. Esses resultados indicam a importância da diversificação de espécies num ambiente de pastagem, condição que favorece o melhor aproveitamento de água, nutriente e adequação às variações climáticas. Estudos com resíduos orgânicos e adubação mineral com NPK no capim-braquiária demonstraram que a produção de massa seca aumentou de forma mais significativa com a adubação NPK, que em relação às adubações com esterco bovino curtido e compostos de lixo selecionado e não selecionado. O rendimento de forragem e o número de perfilhos não foram influenciados com adição dos compostos orgânicos, sendo o esterco bovino o mais eficiente no rendimento de forragem (Rodrigues, 2001). Santos & Santos (2002), estudando a interação N:S em capim-braquiária, observaram no primeiro corte que houve efeito significativo para as doses de nitrogênio e para a interação, entretanto, não foi observada significância do enxofre isoladamente. O maior rendimento em massa seca foi obtido com a dose de N=300 kg ha-1, correspondendo a
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br/ibge/estatística/economia/agropecuária/censoagro/default. A. GUSS. Avaliando a interação N:P num LATOSSOLO na região de Amargosa. 1988. 1988. Nutrição mineral de plantas: princípios e perspectivas. EPSTEIN. o rendimento de massa seca da braquiária foi influenciado pela adubação fosfatada e magnesiana. 2009 179 . Identificação..5 g kg-1 no limbo foliar e na haste da forrageira. 95) 5p. As doses de K2O 50 e 100 kg ha-¹ promoveram um incremento de massa seca de 40 e 60%.uma concentração em N de 18. apresentando 121% quando comparado a omissão de P e K (Santos & Santos. C. São Paulo: USP. SHEPPARD.gov. do solo e do excesso de animais por área e do tipo de criação. enquanto que a interação com as doses 100:40 apresentou um aumento de cinco vezes no rendimento em relação ao tratamento controle. 1. http://www. Exigências de fósforo para o estabelecimento de gramíneas e leguminosas forrageiras tropicais em solos com diferentes características físicas e químicas. N. A adubação fosfatada é imprescindível no estabelecimento de pastagens nos solos da região do Recôncavo. C. Segundo Santos et al. 1975. GRANT. (2004).ibge. Mg e N nos dois ciclos de crescimento do capim-braquiária. CENSO Agropecuário 2000. Rio de Janeiro: IBGE. J. Piracicaba: Associação Brasileira para Pesquisa de Potassa e do Fosfato. apresentaram respostas significativas com a aplicação desses elementos. das hastes e parte aérea. v. 2003). de. D. Dissertação (Mestrado em Agronomia) Universidade Federal de Viçosa. a concentração e o acúmulo do N e P. Esses resultados foram semelhantes aos obtidos por Guss (1988) e Rao et al. principalmente nas áreas de capins do gênero Brachiaria. REFERÊNCIAS CARVALHO. 215p. Em estudo de interação P:Mg.R. Os resultados apresentados demonstram a significativa influência da adubação mineral nas pastagens do Recôncavo da Bahia. Viçosa. FLANT. A adubação de pastagens através da interação P:K também vem sendo avaliada na região. assim como. A. e que os conhecimentos gerados possam melhorar a produtividade e qualidade das pastagens da região. Com isso. S. 341p. Lomanto Neto (2002) observou que numa pastagem degradada de capim-braquiária a produção de massa seca das folhas. respectivamente.8 g kg-1 e 14. A importância do fósforo no desenvolvimento inicial da planta. o aumento das doses de P num LATOSSOLO AMARELO favoreceu maior concentração e acúmulo de P. UFRB. vez que estes normalmente apresentam baixas concentrações desse elemento. Campinas: Fundação Cargill. Disponível em: DEMATTÊ.. 2000. No primeiro crescimento a interação N:P nas doses 200:160 (kg ha-1) promoveu um aumento de 14 vezes em massa seca. No segundo crescimento não houve significância para S e nem para a interação N:S. De acordo com Santos (2003). respectivamente. (1996) em relação à concentração de P na planta.L. S. caracterização e cinética do crescimento de leguminosas e gramíneas com alto poder relativo de penetração de raízes em solo coeso dos tabuleiros costeiros do recôncavo baiano. Em presença de altas concentrações de P (200 kg P2O5 ha-¹) o maior acréscimo no rendimento de massa seca foi obtido com a dose 50 kg K2O ha-¹. J. E. 2001. 115f. Manejo de solos ácidos dos trópicos úmidos: região Amazônica.I. 2000. Universidade Federal da Bahia. (Informações Agronômicas.L. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) Escola de Agronomia. D.shtm. 74f. com características de degradação com baixa produção de massa seca. Tópicos em Ciências Agrárias. TOMASIEWICZ. e altas concentrações de P no solo apresentou melhor desempenho da forrageira quando a dose de magnésio foi de 40 kg ha-1. espera-se que as pesquisas com plantas forrageiras possam continuar de forma ainda mais intensiva. resultante de vários fatores de manejo da forrageira.. a eficiência da adubação fosfatada aumenta com a disponibilidade de Mg no solo. quando em omissão de P. Cruz das Almas.

1999. R. n. 2004. MACEDO. R. v. O. dos. E. do C Rendimento e estado nutricional do capim-braquiária. L. 22f. 1999a. 687p. J.. SANTOS. em função da interação fósforo e magnésio em um Latossolo Amarelo do Recôncavo da Bahia.ed.) num Latossolo Amarelo.B. Relatório de Pesquisa.. SANTOS. de O. 20f. L. Cruz das Almas. VALLE. Relatório de Pesquisa.L. Universidade Federal da Bahia. Salvador: P&A. C. Magistra. 1. 1999b. 25f. Recôncavo Baiano. Dissertação (Mestrado em Solos e Nutrição de Plantas) Universidade Federal de Viçosa. Interação fósforo:potássio no rendimento.9-18. Salvador-BA: SEAGRI/SPA. Relatório de Pesquisa. 1999. MALAVOLTA. (Série Estudos Agrícolas. Mineral nutrition of higher plants. London: Academic Press. São Paulo: Agronômica Cerres. 1998. 1996. J. 1995. SANTOS. 131 f. J. M. 1998. G. E. 2003.16. Os Latossolos Amarelos do Recôncavo Baiano: gênese.M. 180 Tópicos em Ciências Agrárias. A. 2009 . v. A. MAASS. MENGEL. de O.. Caracterização da degradação e resposta de pastagens com Brachiaria decumbens Stapf. 78f.1. Cruz das Almas-BA. G. 117p. A. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) Escola de Agronomia. (Agronomy. SANTOS. SANTOS. Nutritional requiriments of Brachiaria and adaptation to acid soil. 2. à interação N:P na região de Amargosa-BA. Cali: CIAT.teor e acúmulo de nitrogênio do capim-braquiária (Brachiaria decumbens Stapf. In: MILES. il. Cruz das Almas-BA.M. evolução e degradação.A.. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) Escola de Agronomia. M. 251p. A. 10f. dos. Cruz das Almas-BA. da. berço da Universidade Federal segunda da Bahia: passado. Elementos de nutrição mineral de plantas. REZENDE. BA: SEPLANTEC/CADCT. P..do (Ed. 2003. SILVA. 98P. 119f. SAMPAIO. do C.. R. Principles of plants nutrition. dos. PIBIC..W. MARCSHNER. Resposta do capim Brachiaria decumbens Stapf... 98f. G. 1980. Universidade Federal da Bahia. H. R.C. SANTOS. Rendimento de matéria seca e avaliação nutricional da Brachiaria decumbens Stapf. KIRKBY. 2003. L. SILVA. UFRB. I. J.P. R. B. Cruz das Almas. dos. PIBIC. G.. em função da aplicação de diferentes doses de nitrogênio e enxofre num Latossolo Amarelo coeso do Recôncavo da Bahia. 2004. Teores de nutrientes em pastagens com braquiária em função da interação fósforo e magnésio em um Latossolo Amarelo. 2002. dos.. submetida à adubação com resíduos orgânicos compostados em Latossolo Amarelo coeso. dos. dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) Escola de Agronomia. P. Balanço de nutriente em sistema de agricultura migratória no município de Ji-Paraná-RO. 1). RODRIGUES. EMBRAPA. F. L. A.. SANTOS. p. Resposta do capim-braquiária submetido a doses de calcário e gesso agrícola em um Latossolo amarelo coeso.. Rendimento da Brachiaria decumbens Stapf.53-71. and Improvement). A. REZENDE. R. dos. 889p.C. SANTOS. 194p. Salvador. RIBEIRO. presente e futuro / Joelito de Oliveira Rezende. 1987.LOMANTO NETO. Universidade Federal da Bahia. A. Cruz das Almas. SANTOS. RAO. 2000. PIBIC. S. E. L. Cruz das Almas-BA. Solos Coesos dos Tabuleiros Costeiros: limitações agrícolas e menejo. 2002.. Bern: International Potash Institute.. SANTOS. dos. Cruz das Almas. R. Viçosa. A. 2001. Relatório de Pesquisa.) Brachiaria: Biology. submetido a doses de nitrogênio em solos dos Tabuleiros costeiros no Recôncavo da Bahia. KERRIDGE.

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Rozilda Vieira Oliveira Sacramento & Robson Rui Cotrim Duete Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 14 DESORDENS NUTRICIONAIS EM POMARES CÍTRICOS NO RECÔNCAVO BAIANO Washington Luiz Cotrim Duete.

Considerando as condições climáticas da região. pela capacidade desta armazená-lo nas folhas para redistribuição nos períodos de florescimento e frutificação. o suprimento adequado e alto de N nas plantas pode ser explicado pelas freqüentes adubações orgânicas com esterco de animal.br. E-mail: wlcduete@ufrb. entre 27 a 30 g kg-1. Entretanto.61% da produção mundial segundo dados da FAO (2004).842 frutos ha-1 (SEI-BA. Aliado a estes fatores acrescenta-se ainda a adubação insuficiente. (1998) observaram decréscimo de rendimento com teores foliares de N igual a 28 g kg-1. A despeito dos baixos teores de matéria orgânica encontrados neste solo. A produção nacional é liderada pelo Estado de São Paulo o qual responde por 79.deficiências. caracterizando-se pela baixa capacidade de retenção de água.edu. conforme visualiza-se na Tabela 2. com destaque para os municípios de Cruz das Almas. 2004). Tópicos em Ciências Agrárias. Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO O Brasil destaca-se no cenário mundial como maior produtor de laranjas.65 % dessa produção. Uma das melhores técnicas para avaliar o estado nutricional dos pomares e orientar programas de adubação consiste na análise foliar aliada aos conhecimentos da fertilidade do solo e das influências de outros fatores (Rodriguez. É importante chamar atenção que os teores de matéria orgânica do solo tanto nas camadas de 0 . 1. Nesta região a citricultura desenvolve-se em solos de Tabuleiros Costeiros.Centro de Ciências Agrárias. estando a Bahia em 2º lugar participando com apenas 4. excessos e desequilíbrios responsáveis pela baixa produtividade dos pomares. para 3. o estado nutricional dos pomares de laranjeiras nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira situados no Recôncavo Baiano. obtendo-se maiores rendimentos a baixas doses. a cada safra. Rozilda Vieira Oliveira Sacramento2. (1995). que é realizado nas entrelinhas dos pomares. será avaliado neste capítulo. Desta forma. apresentaram-se na faixa de muito baixo a baixo. comprometendo a produção e a longevidade dos pomares. E-mail: rozilda@ufrb. passando de 4. v. Cruz das Almas-BA. Desta produção o Recôncavo Baiano responde com 15. UFRB. Cruz das Almas-BA. resultando em plantas de baixo vigor. segundo Obreza (1996).98% no ranking nacional. com predominância do Latossolo Amarelo distrófico. possivelmente. de textura média. estando o N em nível adequado a alto na planta.20 cm quanto de 20 a 40 cm. a citricultura tem grande importância social. Na Bahia. pois emprega. Quaggio et al. ocupando ainda a posição de maior exportador de suco concentrado.55%. acidez natural e presença de camadas adensadas limitando a infiltração e o aprofundamento do sistema radicular. com rendimento médio de 68. Cabaceiras do Paraguaçu. a partir da diagnose foliar e das condições de fertilidade apresentada pelo solo. Mestre em Ciências Agrárias/UFBA.edu. Ambientais e Biológicas/UFRB. segundo classificação de Malavolta & Prates (1994) (Tabela 1). Conceição do Almeida. um contingente superior a 20 mil pessoas. Robson Rui Cotrim Duete 3 1 2 3 Professor . 2009 185 .4 bilhões em 2000. Sapeaçu. conforme relatos de Legaz et al. identificando as desordens nutricionais . além da torta de mamona utilizada quando da aplicação da fórmula 10-10-10 fornecidas aos agricultores para o cultivo do fumo.3 bilhões de frutos em 1999. ausência de controle fitossanitário e o manejo inadequado.1988). Muritiba. Nitrogênio Na região em estudo os teores foliares de N apresentaram-se adequados em 59% dos pomares na faixa de 24 26 g kg-1 de N. Considerando os altos valores encontrados convém relembrar que.Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA). razão pela qual seus teores no solo são sempre baixos. a atividade citrícola no Estado sofreu decréscimo na produção de laranja de 21%. apresentando ainda 41% dos pomares com altas concentrações. o N segue a lei dos incrementos decrescentes.br Pesquisador . suprindo 80% da demanda mundial e gerando divisas de US$ 1 bilhão/ano.DESORDENS NUTRICIONAIS EM POMARES CÍTRICOS DO RECÔNCAVO BAIANO Washington Luiz Cotrim Duete1. é intenso o processo de mineralização da matéria orgânica. Com a mesma preocupação. Castro Alves e Governador Mangabeira. participando com 26.

... 2009 ..Tabela 1.. 0 – 20 Muito Baixo Médio Bom Muito bom baixo .9 20......8 17.8 2...7 20.8 0 91.5 11.0 88. % .5 2....... 2003. % .9 2...3 17............ em pomares de laranjeira 'Pêra' nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA..1 0 0 0 0 0 50.9 14.0 8. 1..7 26..8 17...6 14.....2 59........9 5..6 26.. Freqüência de amostras observadas por classe de teores de matéria orgânica...6 88......6 73....... 186 Tópicos em Ciências Agrárias..9 0 5.2 20....6 61..9 0 2..9 11...0 11. 2003.6 58.8 0 8..5 50...5 8........6 35.2 0 59..6 20....9 41.. Classe de teores Elementos Deficiente Baixo Adequado Alto Excessivo .....8 0 0 97..9 0 11.....6 8...8 5......... 3..7 0 2.......6 0 0 0 14...8 0 14...0 17.7 2..8 64......7 0 23.....9 44..9 41.0 88..3 23..5 26.......2 MO 20 – 40 0 – 20 P 20 – 40 0 – 20 K 20 – 40 0 – 20 Ca 20 – 40 0 – 20 Mg 20 – 40 0 – 20 S 20 – 40 Acidez efetiva (1) pH(CaCl2) (1) 0 – 20 20 – 40 A interpretação desta característica deve ser alta e muito alta em lugar de bom e muito bom..1 11.. UFRB.... nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA. N P K S Ca Mg 0 0 0 0 0 0 0 11..2 0 26.0 41.....0 0 44..8 8.................0 Tabela 2.....8 2....2 53... Parâmetros químicos Classe de teores Profundidade ...... macronutrientes e propriedades do solo. nas duas profundidades..... v. cm ...8 0 0 0 17... Freqüência de amostras observadas por classe de teores foliares de macronutrientes em pomares de laranjeira 'Pêra'.....6 73....6 2...0 0 38.5 88......8 0 0 29..

1 g kg-1 (Tabela 1).2 proposto por Malavolta et al.20 e 20 . 2009 187 . do que com as exigências da plantas ou a capacidade das raízes para absorver P. Estes resultados estão de acordo com as afirmações de Malavolta (1983). (1997). acredita-se ser a justificativa dos três autores acima citados a mais aplicada às condições locais. sendo assim pequena fertilização de N supri essa função.40 cm. respectivamente.8 e 38. em estudo sobre a contribuição de N provenientes da mineralização de resíduos de folhas e galhos secos que retornam ao solo.2% dos pomares apresentaram classe de teores baixo e alto. comprovaram que esses resíduos podem contribuir com até 153 kg ha-1 ano-1.85. respectivamente.1. Dou et al.5. contrastando com os 88.3% dos pomares com baixo teor de Ca apresentaram altos teores de N.2% dos teores foliares adequados.2% dos pomares. 1983). Nesta região.2% dos pomares e baixos em 11. respectivamente.3. 53 e 38.2% dos pomares apresentaram teores foliares de K na faixa de adequada e alta. Koo (1985) afirma que as inter-relações são os fatores predominantes sobre os teores de nutrientes nas folhas. diluindo sua concentração nas folhas. Com o cruzamento dos mapas temáticos de P no solo (20-40 cm) e P foliar visualizado na Figura 1. Uma das razões para explicar tal situação deve-se Tópicos em Ciências Agrárias.8% na faixa de 0. 23.7 g kg-1 em 88. até certo ponto por um maior crescimento vegetativo e baixa mobilidade do mesmo na planta. apresentaram teores foliares adequados. pode-se observar que os pomares localizados em áreas com teores de P no solo classificados como muito baixo.16.7%. baixo e médio. mas sim que as plantas cítricas são mais eficientes na absorção de P no solo devido à extensão do sistema radicular e maior tempo para absorção. 35. Pesquisas têm demonstrado uma maior correlação no estudo entre as relações dos nutrientes com a produtividade que considerando os teores isolados dos elementos. Já na camada de 20 . médio. quantidade que corresponde de 1/3 à metade da recomendação anual de N para árvores adultas de citros. consideradas ideais por Malavolta et al.20 cm entre as faixas. Os teores de K no solo distribuíram-se na camada de 0 . bom e muito bom.1. a fertilização com o elemento P está mais relacionada com a melhoria do crescimento vegetativo que com respostas positivas quanto ao rendimento (Malavolta.9 . justificando que as altas doses de P usadas nos pomares cítricos estão mais relacionadas com a diminuição na disponibilidade do elemento por fixação e com o pequeno sistema radicular.47% dos pomares apresentaram relação acima de 19 e 17. sendo que 76. respectivamente (Tabela 2). nas camadas de 0 . para o qual a laranjeira pode produzir satisfatoriamente num solo pobre em P enquanto que uma cultura anual poderia mostrar sintomas de fome.8% em classe de teores considerados bom e 2. (1991) e o Grupo Paulista de Adubação e Calagem para Citros (1994). Considerando as condições físico-químicas dos solos estudados e a presença da camada coesa encontrada nos Latossolos dos Tabuleiros Costeiros. Neste sentido. Potássio A distribuição em classes de teores mostra na Tabela 1 que 53% dos pomares estão na faixa adequada com os teores variando de 10 a 14 g kg-1 de acordo com os limites estabelecidos por Malavolta & Prates (1994).5 e 14. v. Apesar dos 88. Em contradição. As reduções dos teores foliares de Ca são devidas possivelmente.8% e 97. Assim.3% dos pomares apresentaram teores abaixo do adequado com apenas 8.2% dos pomares apresentarem teores foliares de P adequados.40 cm 88. Convém destacar que 76. num pomar cítrico a reciclagem da matéria orgânica fornece a maior parte do N necessário para formar novas folhas e galhos.Vale também ressaltar que a ciclagem de N em ambiente de pomar cítrico é complexa e tem sido objeto de estudo por vários pesquisadores. Verifica-se também uma associação negativa entre as concentrações de N e Ca nas folhas uma vez que 61. a relação média N/P foi de 20. Fósforo Os teores foliares de P apresentaram-se adequados na faixa de 1. Quaggio (1996) afirma que os citros não são menos exigente em P que as culturais anuais.88. 8. no solo a distribuição desses teores em faixas de classificação apresentaram-se abaixo da adequada. Segundo Obreza (1996).40 cm. baixo. Obreza. 1983.1% dos pomares. possivelmente em razão dos altos teores de K encontrados em 38. (1991) como ideal para atingir uma produção superior a 800 cx ha-1. respectivamente.2 . que é um fator limitante ao desenvolvimento do sistema radicular. UFRB. para 55. na camada de 20 . a análise da fertilidade do solo não possibilita estimar a disponibilidade de N devido à dinâmica deste elemento no processo de decomposição e mineralização da matéria orgânica. Apesar dos baixos teores de K no solo.5% dos pomares amostrados apresentaram relação N/K abaixo do limite de 2. Além disso. 2003.9 % muito bom (Tabela 2). 1. Koo. apresentando valor médio de 1. com percentual de 26.

(1991) e Grupo Paulista de Adubação e Calagem para Citros .72g kg-1. 1. Conforme Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais (1999).31 e 3. uma vez que não existe nenhuma comprovação experimental que o nível de 35 g kg-1 proposto por Malavolta & Prates (1994) seja realmente o mínimo necessário às necessidades metabólicas da planta. Já na profundidade de 20-40 cm 85. 11% médio e apenas 2. Além disso.3% dos pomares foram classificados como baixos segundo tabela de classificação. Como também Weir (1969) observou que o K era o nutriente mais fortemente antagônico das bases estudadas. favorecendo ainda mais a lixiviação. o limite superior da classe média correspondente a 24 mmolc dm-3 para o Ca. (1978) já haviam demonstrado que os aumentos nos teores foliares de K levaram à redução nos teores de Ca.2 e 100% dos pomares nas duas profun-didades respectivamente. A discrepância desses dados indica a necessidade de reavaliação da faixa de teores considerados adequados para a cultura na região. Cálcio Os teores foliares de Ca apresentaram-se baixos na faixa de 20-34 g kg-1 em 91.9% médios e 50% de bom a muito bom. v. 73. Os valores ótimos para as relações K/Ca e K/Mg nas folhas de citros em estudos realizados no Estado de São Paulo segundo Sanchez (1979). No solo na profundidade de 0 . 2009 . combinada com os baixos teores de Ca e Mg no solo favorecem uma alta absorção de K pelas plantas segundo Malavolta (1980) e Boyer (1985). 0. pode ser atribuída aos baixos teores de matéria orgânica encontrados nas duas profundidades nestes solos uma vez que.1% dos pomares encontra-se na classe de teores baixa a muito baixo. Entretanto. podem ser justificados pelas perdas por lixiviação comum nos solos tropicais e com alto grau de intemperismo.6% dos pomares apresentaram teores médios (Tabela 2).24 e 4. Observando a Tabela 1 percebe-se que 91.3 e 3.5 e 29.82 respectivamente. Nagai et al. (1975) e Embleton et al.85. 2. esta constitui uma das principais fontes fornecedoras de S à planta. estão com teores de Ca no solo abaixo do nível crítico razão pela qual 91. baixa concentração de Ca e elevada concentrações de Mg foliar nestes pomares.GPACC (1994) são: 0. onde predomina argila do tipo 1:1 e óxidos hidratados de Fe e Al podendo ainda estes óxidos obstruírem as camadas das argilas 2:1 caso elas estejam presentes nestes solos. demonstrando altas concentrações de K. Enxofre Os teores foliares de S para 41 e 59% dos pomares apresentaram-se na faixa adequada e alta.2% dos pomares encontram-se na faixa adequada a alta para K enquanto que a mesma percentagem de pomares apresentam teores baixos de Ca e 94. Observa-se na Figura 3 que os teores foliares de Ca variaram em função dos teores de K no solo na profundidade de 0 . os valores da relação K/Ca foi maior e K/Mg a menor de todas as demais citadas. Malavolta et al. respectivamente.49 e 2. Uma possível razão para explicar as baixas concentrações de S encontradas em ambas as camadas. estejam adequados para suprir as necessidades das plantas cítricas (Figura 2). Neste levantamento as relações médias de K/Ca e K/Mg foram 0. sendo assim 91. UFRB. enquanto que na profundidade de 20-40 cm. com apenas 8. respectivamente (Tabela 1). percebendo significativa redução dos teores com o aumento da profundidade.2.inicialmente às altas adubações realizadas nos pomares utilizando a fórmula 10-10-10 que. 88.3% dos pomares estão baixo a muito baixo. ressaltando-se também que não se observou na área de estudo relevante problemas de deficiência de Ca. Quanto aos baixos teores de K no solo. indica o nível crítico deste elemento no solo. Na camada de 0-20 cm 47.2% dos pomares segundo as classes de interpretação para os teores foliares propostas por Malavolta & Prates (1994). a região apresenta clima subúmido a úmido e os solos têm grande possibilidade de serem deficiente em S por causa do rápido processo de mineralização da matéria orgânica.8% adequados (Tabela 1).0. leva-se em conta que os teores considerados baixo pela tabela de interpretação de fertilidade do solo proposta pela CFSEMG (1999).2% do mesmo apresentaram baixos teores de Ca nas folhas.20 cm.9% considerados bons (Tabela 2). uma vez que. deve-se ressaltar que pesquisas realizadas em solos arenosos de baixa fertilidade tem obtido produção máxima e nível crítico com teores foliares de Ca no valor de 28. 0. enquanto que as áreas que apresentaram teores de K nos solos de baixo a 188 Tópicos em Ciências Agrárias. respectivamente. do que entre o K e o Mg. constante na tabela de interpretação de fertilidade do solo. chamando também atenção que este antagonismo foi mais forte entre K e o Ca.20 cm. percebendo que as áreas onde os teores de K foram classificados como bom e muito bom apresentaram menores teores de Ca foliar. Outra hipótese para explicar tal situação.1% alto a excessivo para Mg.

devido aos baixos teores de Mg neste solo.500 m 39°9'0"W 39°3'36"W 38°58'12"W Figura 1. uma vez que o Mg atua na síntese de proteína. alta 7 a 10 e muito alta. considerada como baixa segundo Guardiola (citado por Vitti et al. Tópicos em Ciências Agrárias. maior que 10.5 . deve-se à participação do Mg no metabolismo do N. sendo que. Cruzamento entre os mapas de P no solo na profundidade de 20-40 cm e P foliar. na faixa de 2. Esta observação torna-se importante pois. segundo Koo (1983). UFRB. 39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S 12°36'0"S MURITIBA 12°39'36"S Muito baixo Muito baixo Baixo Baixo Médio Bom Muito bom Baixo Adequado Baixo Adequado Adequado Adequado Adequado 0 1. sugerindo assim a reavaliação das faixas de teores foliares para esse nutriente. Esse efeito sinérgico. Já a relação Ca/Mg no solo apresentou na profundidade de 0 .9% apresentaram teores de Mg adequados. valor médio correspondente a 2. A despeito dos elevados teores foliares de Mg encontrados na região. não há na literatura indicação de efeitos depressivos do excesso de Mg em condições normais de cultivo. torna-se arriscado tal recomendação. 91.1 e 50% dos pomares foram classificados em altos e excessivos.2% dos pomares apresentaram teores foliares baixo de Ca associado a 94. Uma outra possível razão para explicar os elevados teores de Mg foliar pode estar relacionada com as freqüentes adubações nitrogenadas realizadas na região utilizando as fórmulas 10-10-10. 20-08-20 e torta de mamona pois. observou que com o aumento nas doses de N houve elevação dos teores de N e Mg foliar. 2009 12°39'36"S P solo x P foliar 12°36'0"S GOVERNADOR MANGABEIRA 189 . sendo comum no estado de São Paulo teores foliares de Mg acima de 5..médio registraram maiores teores de Ca nos pomares. (1991) após avaliar a composição mineral das folhas de laranjeira por um período de 10 anos.68 bem inferior ao valor 10 proposto por Sanchez (1979) para pomares de São Paulo e 18 encontrado por Malavolta et al. A relação média Ca/Mg foliar encontrada nos pomares estudados foi de 5. em Alfenas . nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA. 1. segundo Malavolta (1980). na região em estudo. Entretanto. respectivamente (Tabela 1). 2003. o que induziria à necessidade do uso de calcário calcítico. 1996) o qual apresenta ainda como normal a relação entre 4 a 6. v. Vale ressaltar que a baixa relação encontrada nos pomares da região se justifica em razão dos baixos teores de Ca e alto a excessivo teores de Mg.1% dos pomares com teores altos a excessivo de Mg. apenas 5.MG.250 2.20 cm. convém ressaltar que.3. Magnésio Dos pomares amostrados. de acordo com Baumgartner (1996).3. 44.0 g kg-1. usando os atuais critérios de diagnose foliar. analisando resposta da adubação N e K em citros em quatro experimentos.0 g kg-1 não relacionando a efeitos prejudiciais na planta.

enquanto que na profundidade de 20 . a despeito dos altos a excessivos teores foliares de Mg.20 e 20 . Cruzamento entre os mapas de K no solo na profundidade de 20-40 cm e K foliar. 82.8 e 5.3% e 8.9% dos mesmos foram classificados como muito baixo.250 2. bom e muito bom. 76.1% dos pomares amostrados estão com teor de Mg no solo inferior ao nível crítico citado.0 mmolc dm-3 para o teor de Mg no solo. 39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S 12°36'0"S MURITIBA K solo 12°39'36"S x K foliar Baixo Adequado Baixo Adequado Alto Adequado Alto Alto Alto 39°9'0"W 39°3'36"W 12°39'36"S 0 1.9% dos mesmos (Tabela 3). 2009 12°36'0"S GOVERNADOR MANGABEIRA . estabelecido por Quaggio (1992) e a Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais (1994) conclui-se que.40 cm. os quais não observaram teores baixos ou deficientes desse nutriente para os pomares do Estado da Bahia. nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA. UFRB. 20.7.40 cm 2. baixo. para as camadas de 0 . respectivamente.40 cm pode ser explicada. 11. 190 Tópicos em Ciências Agrárias. médio e muito bom.1% dos pomares e baixo em apenas 5. respectivamente (Tabela 2). para a profundidade de 20 .9% dos pomares estudados foram classificados como baixo.Os teores de Mg nos solos em 17. 2003.3% dos pomares amostrados exibem teores médios para a profundidade de 0 .6. Pela Tabela 4 observa-se que os solos de 88.20 cm. 1.500 m Muito baixo Muito Baixo Baixo Baixo Baixo Médio Médio Bom Muito bom 38°58'12"W Figura 1. 64. respectivamente. pela baixa mobilidade deste elemento no solo favorecendo seu acúmulo na superfície.6 e 2. Resultados semelhantes foram encontrados por Coelho & Matos (1991). médio.4% em altos e excessivos.3 e 97. Cobre Os teores foliares de Cu apresentaram-se adequados em 94. para a profundidade de 0-20 cm. v.6. Esta diminuição de disponibilidade do Cu na camada de 20 . Considerando o nível crítico de 9. também Valadares (1975) constatou essa diferença encontrando alta correlação entre o teor de Cu e de argila em alguns perfis. encontrando 53% dos pomares com teores ótimos e 38. segundo Karim et al. apresentam proporcionalmente teores baixos e médios.40 cm respectivamente.9. (1976).

. Considerando a classificação do GPACC (1994).... Classe de teores Nutrientes Deficiente 0 2...... v.2% dos pomares apresentaram teores baixos de Fe e apenas 2.... segundo Malavolta & Prates (1994). Tabela 3.55 . no entanto. 2003. Coelho & Matos (1991) classificaram segundo Rodriguez (1979)...... Distribuição em classes dos teores de K no solo na profundidade de 0-20 cm e Ca foliar (g kg-1) nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA.. Estas discordâncias possivelmente podem ser explicadas em razão do uso de diferentes tabelas de interpretação uma vez que.4% como adequado.. UFRB.. respectivamente. Observa-se na Tabela 4 que os teores de Fe no solo apresentaram-se altos em 100% dos pomares nas duas profundidades.. mostra que 91..9 8.13 .. alto. que classificaram 86... % .38 0 1.......9 64.1 5.7 Baixo 5. Estes resultados não estão de acordo com os encontrados por Coelho & Matos (1991) em levantamento de pomares cítricos na Bahia..9% foram classificados como deficientes e adequados...39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S ## # # ! ! # " ! # " ! ! # # ! " GOVERNADOR MANGABEIRA 12°36'0"S # ! X ! ! X ! ! ! ! ! ! MURITIBA 12°39'36"S K solo Baixo ! 23......54 Bom Muito Bom " 34.81 .......2 26.7 64. Freqüência de amostras observadas por classe de teores foliares de micronutrientes em pomares de laranjeira 'Pêra'.... a classificação encontrada na Tabela 3.34.90 39°9'0"W 39°3'36"W Ca foliar X 21.... 2009 12°39'36"S 12°36'0"S ! !X # ! 191 .27.... atingindo 82...2% dos pomares Tópicos em Ciências Agrárias.9 e 5..... Cu Fe Mn Zn Ferro Percebe-se na Tabela 3 que 91.250 2...7%. nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA..9 91...6% dos pomares como altos.500 m 38°58'12"W Figura 3... 1.. a distribuição dos pomares em classe de suficiência mudaria.9% baixo e 14.39.. apenas 2.. 2003....3 Adequado 94... sendo necessário portanto..... reavaliar tais tabelas.8 0 Alto 0 0 0 0 Excessivo 0 0 0 0 .39 .....5 35. o que é uma característica dos Latossolos onde predominam sesquióxidos de Fe e Al e principalmente as argilas do tipo 1:1 (caulinita).....12 Médio # 27..........23....

Manganês A distribuição dos pomares em classes de teores foliares. a pobreza natural destes solos. Freqüência de amostras observadas por classe de teores de micronu-trientes no solo. respectivamente.... muito abaixo do nível crítico sugerido pela referida Tabela.... A similaridade existente entre esses dois íons deve-se possivelmente por apresentarem valências iguais.4 29. Observa-se na Figura 4. respectivamente..8 8.7% dos pomares cítrico do Recôncavo Baiano foram classificados como deficiente enquanto que....... o que favoreceria a alta disponibilidade de Mn no solo.94 mg dm-3 e 1.... Esta relação antagônica é comumente encontrada na literatura considerando altas concentrações de Mn que.7% e 76. originados predominantemente de rochas ácidas. cm . 67.... em pomares de laranjeira 'Pêra' nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA..... Coelho & Matos (1991) relataram teor médio de 30.1% dos pomares com teores foliares de Mg alto a excessivo..3% dos pomares foram classificados como deficiente e baixo respectivamente... o que explica os 64.... Considerando que o solo da região em estudo apresenta acidez efetiva alta a muito alta. o nível crítico de Mn no solo.. UFRB.... 16. Cu Fe Mn Zn 0 – 20 20 – 40 0 – 20 20 – 40 0 – 20 20 – 40 0 – 20 20 – 40 Zinco Observando a Tabela 3 percebe-se que 64..8 Médio 88. Tabela 4.. baixo e adequado. Parâmetros químicos Profundidade ...5% e 8. (1997).. apresentado na tabela de interpretação dos teores... Segundo Raij et al.3 50. Entretanto...6% dos pomares do levantamento do Estado foram considerados na faixa de ótimo.. pode diminuir a absorção de Mg principalmente em solos ácidos e com baixo teor de Ca. este antagonismo se fez presente considerando baixa concentração de Mn no solo e alta concentração de Mg nas folhas...8 50........ relação antagônica entre os teores de Mn no solo e Mg foliar onde dos 94..6 8.. os teores médios (2. que os teores de Mn na profundidade de 0-20 cm dos solos de 94.1 32..4 Alto 2. enquanto que para a profundidade de 20-40 cm..1% dos pomares foram classificados como médio. 26.5 mg kg-1 e 6.6% e 32..apresentaram baixos teores foliares de Fe.. não se observou nenhum sintoma de deficiência visual de Fe nos pomares. estando portanto.9 0 100 100 5. 192 Tópicos em Ciências Agrárias.8% na faixa de deficiente. possivelmente..4 32. nas duas profundidades.6% dos pomares foram classificados como deficiente. a razão para os baixos teores encontrados é... 2003.... (1969)..9 0 58.7% dos pomares deficientes.. Visualiza-se na Tabela 4.7%. % ... apresentou 64. Classe de teores Baixo 8.0 0 0 94.0 0 0 0 67.. 1. Tal constatação reforça o que foi exposto acima quanto à necessidade de rever as faixas de classificação dos teores foliares de Fe para citros. Além disso... respectivamente.7% e 35. Tabela 3.. 76. Percebe-se com isto que os 64... Contrastando com os resultados encontrados neste trabalho.... baixo e ótimo..27 mg dm-3) apresentados em ambas as profundidades nos pomares da região.... seria o limite superior da classe média correspondente a 5 mg dm-3....7%.... daí a possibilidade da absorção de Mg ter sido favorecida pela baixa concentração de Mn e também pela baixa concentração de Ca.8 .8 61..4% encontram-se na classe de teores baixo e médio. raio iônio e grau de hidratação semelhantes. v.12% estão localizados em área com baixos teores de Mn no solo.. 78.. 2009 .. segundo Mass et al.

uma vez que. médio e alto nas classes de teores de Zn para as camadas de 0-20 cm. Uma outra possível razão para explicar a deficiência e os baixos teores de Zn nos pomares em estudo pode ser a sua capacidade de adsorção no solo. 39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S "" " " " " " " # ! " # 12°36'0"S 12°36'0"S " " " # " ## # " " " # GOVERNADOR MANGABEIRA # # # " # # ! MURITIBA # # # 12°39'36"S 12°39'36"S Mn solo Mg foliar Baixo ! Adequado Médio # Alto " Excessivo 39°9'0"W 39°3'36"W 0 1. 2009 193 . percebe-se que 8. 2003.500 m 38°58'12"W Figura 4. 64. mostrando com isto maior relação com os teores foliares. 1.8%.250 2. os teores na folha permitiram classificar os pomares em. constituindo uma base para elaboração de programas que possibilitem. Tópicos em Ciências Agrárias. a adsorção é um fator importante no controle da concentração do elemento na solução do solo. para a profundidade de 20-40 cm observou-se uma distribuição de 61.3% em nível baixo. com a experimentação local. v. que segundo Malavolta (1980) os citros está classificado como pouco eficiente. 29. UFRB.8% como baixo.4% e 8. melhorar os tratos culturais e manejar adequadamente os solos. a definição de curvas de calibração de análise de solo para calagem e adubação com macro e micronutrientes. tendo como conseqüência imediata a revitalização da cultura na região. 32. na profundidade de 20-40 cm 61. não correlacionando com os teores no solo para a profundidade de 0-20 cm. respectivamente.Pela Tabela 4.8% dos pomares estão classificados como baixo.8% foram classificados como baixo. Vale ressaltar. Enquanto que. Os resultados encontrados fornecem um diagnóstico da citricultura regional.2% dos pomares classificados como nível médio a alto. que apesar dos teores de Zn no solo na camada de 0-20 cm apresentarem 91. Distribuição em classes dos teores de Mn na profundidade de 20-40 e Mg foliar nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA.8%.7% deficiente e 35. médio e alto. Aliado a esses fatores soma-se ainda a capacidade diferenciada na absorção de Zn pelas plantas. Entretanto. como no solo em estudo predomina óxido de Fe e Al a capacidade de adsorção é alta diminuindo sua disponibilidade.4% e 58. contribuindo com isto para o aumento da produtividade.

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CAPÍTULO 15 VARIABILIDADE ESPACIAL DA CONDUTIVIDADE HIDRÁULICA DO SOLO: CONCEITOS E BASES PARA AVALIAÇÃO José Fernandes de Melo Filho & Paulo Leonel Libardi Tópicos em Ciências Agrárias .

Atento a esta realidade. conforme Libardi (2000). a condição mais comum no meio poroso de nosso interesse. K(q). tais como.K (q) grad ft a qual é denominada atualmente de equação de Darcy-Buckingham.usp. E-mail: jfmelo@ufrb. o solo. é a não saturação. tem a seguinte forma: q = . como a soma do potencial mátrico fm (“potencial capilar” de Buckingham) e o potencial gravitacional fz.. E-mail: pllibard@esalq. sendo fg o potencial gravitacional e fp o potencial de pressão. K(q) a função condutividade hidráulica. 2000). Filizola et al. fm(q) a função potencial mátrico e q a umidade volumétrica do solo. Cruz das Almas-BA.K grad f t (1) em que q é o vetor densidade de fluxo para qualquer direção no espaço e grad f t o vetor gradiente de potencial total ft de mesma direção mas sentido oposto ao do vetor . na França.. Ambientais e Biológicas/UFRB. proposta por Buckingham.VARIABILIDADE ESPACIAL DA CONDUTIVIDADE HIDRÁULICA DO SOLO: CONCEITOS E BASES PARA AVALIAÇÃO José Fernandes de Melo Filho1. q = .K (q)grad f m (q) (2) sendo q a densidade de fluxo da solução.br CONDUTIVIDADE HIDRÁULICA DA ÁGUA NO SOLO A condutividade hidráulica do solo foi definida. é. tanto é que na equação (1). nutrição de plantas. a constante K é um índice que expressa a facilidade com que um meio poroso transporta a água através dos seus poros. Libardi. por Henry Darcy em 1856. Freeze. igual ao volume de água ou solução que atravessa.Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”/Universidade de São Paulo. completamente saturadas. Em conseqüência das condições experimentais de seu trabalho. A equação de Darcy. Queiroz et al. planejamento de sistemas de irrigação e drenagem. rebaixamento de lençol freático. 1997. como. 1. Em outras palavras. Bolsista do CNPq. Jong van Lier & Libardi.br. uma unidade de área de uma amostra de uma unidade de comprimento de um meio poroso (solo) sob uma diferença unitária de potencial total. ft. numericamente. 1999. No entanto. considerando a notação vetorial.Centro de Ciências Agrárias.edu. a equação de Darcy foi desenvolvida e aplicase para quantificar o movimento de um líquido em condições de saturação. pode ser escrita. controle de erosão e poluição da água (Jones & Wagenet. Tópicos em Ciências Agrárias. 2000. reescrevendo a equação do movimento da solução no solo como: q = . movimento de água no interior do perfil do solo. UFRB. Piracicaba-SP. 1994. como a constante de proporcionalidade (K) das relações matemáticas resultantes de seus experimentos de movimento vertical de água em colunas de areia. Professor . v. Paulo Leonel Libardi2 1 2 Professor . (3) A função condutividade hidráulica do solo. segundo Libardi (2000): para um meio poroso isotóprico com relação a K. Atualmente é um dos principais parâmetros utilizados para estudos agrícolas e do ambiente que envolvem o fluxo de água no solo. com base na equação (3). 1984. ft = fg + fp. 1997. empiricamente. também atualizada (Libardi 2000). Buckingham (1907) teorizou a quantificação do movimento da solução no solo não saturado e a equação. para a filtragem e purificação de água para abastecimento urbano da cidade de Dijon. 2009 199 . Radcliffe & Rasmussen. Quando se substitui a equação de Darcy-Buckingham (3) na equação da continuidade (4). numa unidade de tempo. Foi Richards (1928) quem definiu um potencial total. A equação de Buckingham (1907) apresenta a limitação de ser válida apenas para o movimento da solução no solo na direção horizontal.

o mais utilizado é o método do perfil instantâneo. não obstante o grau de complexidade. deve ser convenientemente instrumentada para medida da umidade do solo e do potencial mátrico a diversas profundidades do perfil. Com este procedimento experimental. devido ao elevado grau de controle das condições experimentais. Richards e Weeks (1953) foram.. cuja expressão para o fluxo na direção vertical (Libardi. K (q) ¶f t =0 ¶z ¶f t >0 ¶z Z = Z. enquanto que Watson (1966) melhorou a técnica para obtenção dos dados tornando o método mais preciso. experiência e conhecimento do pesquisador. 1972. permeâmetro de carga decrescente. 1. v. Dentre os métodos de campo. 2000. Para aplicação do método do perfil instantâneo. 1972. 1986. provavelmente. à medida que este ocorre.. Libardi. método das condições transientes. Ogata & Richards. (1956) em condições de campo.. tipo de amostra disponível. Jones & Wagenet. Por outro lado. Shouse et al. De forma geral. No laboratório é possível atingir um grau de precisão e refinamento muito superior ao campo. podem-se citar os seguintes métodos para determinação da condutividade hidráulica dos solos: permeâmetro de carga constante. UFRB. Amoozegar & Warrick. Também assume-se que as condições internas sejam isotérmicas durante o processo. nas condições de campo. Atingida a condição de saturação. Klute. Reichardt et al. integrando-se esta equação com relação à profundidade Z. entre os limites Z = 0 e Z = Z com as seguintes condições de contorno: Z = 0. que tem como principal dificuldade a exigência de uma delimitação bem apurada da parcela experimental a fim de que não haja movimento lateral de água. 2000). 1962. procura-se uma solução para a equação de Richards (1928) na direção vertical (equação 5). Gardner & Miklich. 1992. t ³ 0. t o tempo (horas) e z a coordenada vertical de posição (metros). É um método prático que não necessita de equipamentos sofisticados para sua aplicação. Libardi et al. qual seja a eliminação do fluxo na superfície do solo com a colocação de uma lona plástica. 1996.¶q = -div q . Quantificação da condutividade hidráulica A determinação da condutividade hidráulica do solo pode ser feita por métodos de laboratório e de campo. interrompe-se a infiltração e cobre-se a superfície do solo com uma lona plástica para evitar a evaporação e a entrada de água através da superfície. Van Genuchten. Hillel et al. A escolha do método depende de alguns fatores como disponibilidade de equipamentos. ¶t (4) gera-se a equação diferencial geral que rege o movimento da solução em solos isotrópicos com relação a K(q) e conhecida pelo nome de equação de Richards. Posteriormente foi aperfeiçoado por contribuições de vários autores. Childs. os primeiros pesquisadores a utilizarem a técnica do perfil instantâneo em experimentos de laboratório com utilização de colunas de solo e Richards et al. 1975. t > 0. método das colunas pequenas. É um método que foi inicialmente desenvolvido e testado para condições de laboratório em estudos de drenagem em colunas homogêneas de solo. desde que o lençol freático seja ausente ou esteja bem profundo. Gardner. 1957. 1986.. sendo também aplicável para determinar a condutividade hidráulica de solos não saturados in situ. Radcliffe & Rasmussen. método do furo do trado e método do perfil instantâneo. isto é. Libardi. 2000) é: ¶f ¶q ¶ æ çK( ) t = q ¶t ¶ zç ¶z è ö ÷ ÷ ø (5) sendo q a umidade (m3 m-3). 1969. medidas periódicas de umidade e de potencial mátrico são feitas (Green et al. método das colunas grandes. 1980. Green et al.. 2009 . Um novo aperfeiçoamento ao método.. 1953. 1984. 1986. uma parcela deve ser delimitada no campo e inundada até a saturação. faixa de tensão a ser estudada e objetivo das determinações (Richards & Weeks. Esta área. 1956. foi determinado por Ogata e Richards (1957). Klute & Dirksen. 1986. A água contida no perfil redistribui-se pelo processo de drenagem interna e. Existem também os métodos indiretos que tentam quantificar a condutividade hidráulica a partir de outras propriedades do meio poroso cuja determinação seja mais fácil. infiltrômetro de tensão. K (q) 200 Tópicos em Ciências Agrárias. mesmo para perfis heterogêneos. 2000). Prevedello. 1980. as medidas são feitas em condições naturais e com perturbação mínima do solo. suficientemente grande para que os processos em seu centro não sejam afetados pelos seus limites. natureza do solo.

obtém-se: Z -ò ou. A segunda tabela. 2000). então. sob condições de campo (Or & Wraith. o tipo tradicional com manômetro de mercúrio ainda é o mais adequado e utilizado para estudos da função K(q). (1972) simplificaram bastante esta metodologia. a equação (8) transforma-se. Nesse sentido. Normalmente. muito embora tentativas tenham sido feitas para automatizá-lo. b o coeficiente angular da reta ln K em função de q e qo e Ko a umidade e a condutividade hidráulica. Igualmente o mesmo deve ser considerado para determinação do potencial total. o valor de K(q). Libardi. como por exemplo. v. 2009 201 . ou seja. soma dos potenciais mátrico e gravitacional. Estes autores sugerem um roteiro simples para a determinação da função K(q) com base na elaboração de duas tabelas. determina-se a variação de armazenagem hz com o tempo t e o gradiente de qt ao longo de Z que aparecem na equação (7) e. Hillel et al. a sonda de nêutrons (Greacen.Z ¶t Z ¶t 0 = ¶f t ¶f t ¶z Z ¶z Z (7) sendo hz (m3 m-2) a armazenagem de água no solo entre a superfície (Z = 0) e a profundidade Z.. 1972.ln K o = bq . aproximada para um somatório e ¶q/¶t medida graficamente em pontos particulares no tempo em curvas de q em função de t. para cálculo da condutividade hidráulica em cada profundidade e para diferentes umidades. o tensiômetro é um equipamento consagrado de medida da tensão ou potencial mátrico da água no solo. para o tempo zero de redistribuição da água. Para o tempo zero de redistribuição. isto é. o valor de ln K para q = 0. Por meio de medidas simultâneas de umidade e de potencial total ao longo do perfil de solo durante a redistribuição da água. A primeira para determinação da densidade de fluxo de água no solo nas diversas profundidades e para diversos tempos a partir da integral da equação (7) com relação a profundidade do solo. 1981) e o TDR (Smith & Mullins. em ln K o = ln K q = 0 + bq o Subtraindo a equação (9) da equação (8) tem-se: (9) ln K . os valores de K(q) apresentam uma relação exponencial com a umidade (Hillel et al. respectivamente. Para a medida da umidade. evidentemente. rearranjando ¶f ¶q dZ = K (q ) t ¶t ¶z 0 Z (6) Z -ò K (q ) Z = ¶h ¶q dZ . dividindo-se os fluxos q da primeira tabela pelos gradientes de potencial também obtidos graficamente a partir dos perfis de potencial total para os diversos tempos (Libardi. como já esclarecido.bq o ou (10) æ K lnç çK è O pelo que ö ÷ = b ( -q O ) q ÷ ø (11) K = e b (q -q O ) KO e. Tópicos em Ciências Agrárias. (12) K = Ko e b (q -q o ) (13) sendo. com o tempo. 1991). 2000) e. ao longo do perfil é recomendável a utilização de equipamentos não destrutivos. portanto. 1. UFRB. um gráfico de ln K em função de q dá uma linha reta: ln K = ln K q = 0 + bq (8) sendo b o coeficiente angular da reta e ln Kq = 0 seu coeficiente linear. 2000).

é também acentuada pelas técnicas de manejo do solo decorrentes de seu uso agrícola (Alvarenga & Sousa. organismos. Hillel et al. a condutividade hidráulica.Uma alternativa na técnica do perfil instantâneo é a de se considerar o gradiente de potencial total como unitário. reconhecida desde o início do século vinte. Souza et al. a densidade. Por esta razão esta é uma das proposições mais utilizadas nos estudos relacionados com a condutividade hidráulica. conseqüentemente. Outro fator importante que afeta a condutividade hidráulica é a umidade do solo (q). eles concluíram que o desenvolvimento de microestrutura massiva resulta em baixos valores de Ko. seguramente. eles concluíram que há um decréscimo significativo na condutividade hidráulica do solo saturado com a profundidade e atribuem este fato à estratificação dos horizontes. o processo de desenvolvimento do perfil influencia no padrão de porosidade. 1999. (1995) determinaram a condutividade hidráulica de um Latossolo Roxo distrófico (Latosssolo Vermelho (EMBRAPA (1999)) pelo método do perfil instantâneo. De acordo com Falleiros et al. 1999). Variabilidade espacial do solo O solo é um corpo natural e complexo. (1989) sugerem efeitos do processo de gênese na heterogeneidade e conseqüente variabilidade dos parâmetros hídricos do solo. Libardi et al. Esta heterogeneidade natural. (1995). a condutividade hidráulica está entre aquelas que apresentam maior índice de variabilidade. (1980) simplificaram mais ainda o procedimento para se determinar a função K(q) a partir de medidas de umidade apenas durante o processo de redistribuição. diminuição do teor de matéria orgânica e alterações da estrutura do solo. 1986. Carvalho et al. clima. 1980. densidade do solo e porosidade. Bouma et al. UFRB. Dentre as propriedades do solo. conferindo-lhe variabilidade espacial elevada. a estrutura. 2009 . propriedades do solo como a textura. 1. Os processos de formação determinam. Assim. da ordem de 1 a 2%. v. tendo como base teórica a estatística clássica. Outros fatores como sistemas de uso. Quanto à condutividade hidráulica. 1985. a qualidade das argilas e a matéria orgânica exercem influência sobre a condutividade hidráulica. 1972. fundamental para a sustentação das diversas formas de vida no planeta. 2000). Quanto ao tamanho dos poros. relevo e tempo) que o torna um sistema dinâmico e variável. as características químicas.. De outra forma. Eles concluíram que a função K = K(q) possui uma clara tendência de aumentar com a profundidade em conseqüência do efeito do preparo periódico. (1986) verificaram a influência do aumento da densidade nas propriedades físicas de dois Latossolos. Silva et al. Oliveira et al. 1997a. afetando a condutividade hidráulica do solo saturado. concluiu. Libardi. portanto. 1999. Desta forma. manejo e erosão. Comegna et al. que interferem nas propriedades físicas do solo. Nestes casos. podem acarretar grandes 202 Tópicos em Ciências Agrárias. apresentaram pequeno coeficiente de variação. Souza. 2000). a condutividade hidráulica é influenciada por todas as propriedades que afetam a distribuição. também afetam as suas propriedades hídricas e. 1985. da infiltração e da condutividade hidráulica em relação à condição natural (Centurion & Demattê. o tamanho e a forma dos poros. quando analisam o impacto de erosão induzida. 1992. Silva et al. ao passo que quando o processo resulta em poros de grãos simples e fissurais ocorre exatamente o contrário. físicas e biológicas do solo. estando implícito nesta relação que K(q) é função direta de q e apresenta. Borges et al.. Alvarenga & Davide. observaram uma acentuada queda nos valores. Corrêa. Silva (1988).. nos teores de água podem gerar coeficientes de variação superiores a 170% no valor da condutividade hidráulica do solo não saturado. Neste caso. Utilizando amostras compactadas artificialmente. Com esta proposição Libardi et al. pela remoção da camada superficial. Para estes autores. em atributos físicos e químicos do solo.. Gardner.. pequenas alterações em propriedades como a densidade do solo. 1907. a forma exponencial da equação (13) para valores de q não muito baixos (Buckingham. 1995. normalmente. Porém. geralmente ocorre um aumento na densidade do solo e redução da porosidade total. 1997. observaram que o aumento da densidade elevou a percentagem de microporos com conseqüente redução dos macroporos. Na medida em que ocorre no espaço livre do solo. argila. o autor faz uma importante consideração quando afirma que para os parâmetros físicos do solo influenciados pelas alterações na estrutura a sensibilidade é muito grande. que propriedades do solo como areia. (1998) a relação entre K e q é tão sensível que alterações muito pequenas. estudando a variabilidade espacial de alguns atributos físicos de um Latossolo Roxo.. certamente relacionada com a diminuição do espaço poroso que foi constatada. Em ambos os casos verificaram que a compactação alterou a porosidade e a condutividade hidráulica do solo saturado. resultante da interação dos seus fatores de formação (material de origem. Baseando-se no exame de amostras micromorfológicas. 1958. Mata. Dechen & Vieira (1997) apresentam resultados diferentes das conclusões de Carvalho et al..

O autor sugere. examinando seus efeitos na estimativa da média. Reynolds & Zebchuk (1996) realizaram um experimento com os objetivos de: a) comparar um grande número de medidas de condutividade hidráulica calculada pelos métodos do permeâmetro de Guelph e furo de trado. pelo grau de desenvolvimento e estabilidade da estrutura do solo no campo. devido a alterações nas amostras e ocorrência de fluxo preferencial durante o processo de medida. os diversos procedimentos de cálculo também devem ser registrados como importantes fontes de variação da condutividade hidráulica. 1996) mesmo quando a variabilidade é simplificada em função da aplicação de técnicas e conceitos como o “scaling” (Mallants et al. sob condições de campo. b) caracterizar a distribuição das medidas de Ko e sua relação com a variabilidade espacial da textura. Importante registrar também. 1988. Warrick & Nielsen (1980) apresentam uma tabela em que registram os níveis de variação de algumas propriedades físicas do solo. Flühler et al. pode ser vantajoso. cuja magnitude de variação foi dez vezes maior do que no método de campo. sistemáticos. conteúdo de matéria orgânica e superfície topográfica. logicamente em função da maior macroporosidade apresentada por este horizonte. Comprovando esta realidade. Seus resultados mostram que as determinações de laboratório podem superestimar os valores de Ko. o uso de simplificações para o cálculo da função K(q). medida pelo método do furo do trado. Associados aos métodos. de acordo com Libardi (1978). estes autores informam que na faixa úmida os mesmos são responsáveis por 20 a 30% da variação dos valores de K. De acordo com estes autores a condutividade hidráulica é uma propriedade que apresenta alta variabilidade. Neste sentido. como mostram os resultados de Calvache et al. 1997). Comegna et al. que medidas de laboratório não podem ser usadas como estimativa de valores de campo para o parâmetro condutividade hidráulica do solo saturado. Neste caso. em relação à textura. Ko. quando o gradiente hidráulico é menor que 0. as características estatísticas diferiram significativamente e não houve correlação entre os resultados de campo e laboratório. pois permite a substituição de métodos mais precisos por outros mais simples e que possibilitem a obtenção de um maior número de medidas. Informam também que os erros originados da leitura dos tensiômetros são mais importantes que outros e ocorrem no início do proces-so de drenagem. podendo tanto subestimar quanto superestimar os valores da função K(q) (Bacchi & Reichardt. tipo distribuição de poros e retenção e movimentação de água. O resultado da influência de todo este conjunto de fatores e suas relações é tornar a condutividade hidráulica do solo uma das suas propriedades com maior índice de variabilidade espacial e temporal.. 1. determinados por métodos de laboratório e campo. primariamente. v. que não encontraram diferenças significativas quanto ao procedimento de cálculo da condutividade hidráulica do solo saturado.modificações em parâmetros que dela dependam. aqui entendida como condutividade hidráulica. Porém. introduzindo erros. podendo alcançar valores de até 420% de variação. Maheshwari (1997) constatou diferenças entre valores de Ko em estudo de comparação das inter-relações entre parâmetros físicos e hidráulicos do solo. quando se adota o uso de simplificações metodológicas como o gradiente de potencial total unitário. (1995). (1994) analisaram a magnitude dos erros envolvidos no cálculo da condutividade hidráulica em função da umidade. (1997b) verificaram a influência conjunta da gradagem e matéria orgânica na distribuição de poros de um horizonte Ap para três diferentes solos e seus reflexos na condutividade hidráulica em relação aos horizontes mais profundos. tendo em vista os resultados de Queiroz et al. conteúdo de matéria orgânica e superfície topográfica de um solo de textura argilosa. 2009 203 . em relação a medidas de campo. que o método de determinação pode ser fator de variação da condutividade hidráulica para um mesmo solo. (1976) incluem como fatores de variação da condutividade hidráulica do solo não saturado. Nos três casos analisados a condutividade hidráulica foi maior no horizonte Ap. Porém. Os resultados destes autores sugerem também que. Estudando a propagação desses erros na determinação da condutividade hidráulica pelo método do perfil instantâneo. observou-se que os erros na condutividade hidráulica são crescentes com a diminuição da umidade e podem subestimá-la em valores compreendidos entre 12 até 73%. umidade volumétrica antecedente.3 mbar cm-1. Neste caso. Os métodos resultaram em estimativas equivalentes para Ko. a magnitude e a estrutura da variabilidade da condutividade hidráulica do solo saturado foram controlados. resultados experimentais publicadas por Tópicos em Ciências Agrárias. Prevedello et al. Souza et al. então. Complementando. o alcance. deve-se ressaltar que esta não é uma regra geral. calibração e equipamentos). enquanto que para a condutividade hidráulica do solo não saturado são bem mais significativos. tendo em vista o fenômeno da variabilidade espacial. As conclusões de Maheshwari (1997) são confirmadas por Banton (1993). os erros decorrentes e associados aos métodos experimentais (erros de leitura. Seus dados mostram que a condutividade hidráulica do solo saturado pode apresentar até 190% de variação. enquanto que os erros de medida da umidade são dominantes durante o processo de secagem do solo. experimentais. (1997). Este autor comparou valores de Ko. quando a drenagem é muito lenta. UFRB. De forma semelhante. da variância e na distribuição deste parâmetro hídrico para um mesmo solo.

não representa uma área muito maior do que àquela onde o método foi aplicado. locais e métodos de análise para todos os parâmetros possíveis. relativos à condutividade hidráulica.Anderson & Cassel (1986) indicam que a condutividade hidráulica do solo pode variar de 130 até 3. Verificaram também uma variação muito maior dos valores de g nas camadas superficiais. Estes autores conduziram um experimento para medir a variabilidade dos parâmetros da equação exponencial que relaciona a condutividade hidráulica com a umidade do solo. Estes níveis de variação indicam que a utilização e extrapolação de valores médios. Por isso. Sugerem a comparação entre solos. em uma área de 1. de uma Terra Roxa Estruturada Latossólica (Nitossolo (EMBRAPA (1999)). o mapeamento e aplicação de técnicas para o manejo e a recuperação dos solos. (1980). Warrick & Nielsen (1980) sugerem que os estudos e avaliações sobre a variabilidade dos solos devem contemplar os padrões e freqüências de distribuição e estrutura da variabilidade. 2009 . os valores de condutividade hidráulica diminuíram bruscamente nas primeiras vinte e quatro horas após a interrupção da infiltração. o conhecimento da variabilidade espacial das características do solo tem importância significativa para o correto uso deste recurso natural. Anderson & Cassel (1986) indicam que somente existe autocorrelação para propriedades como a condutividade hidráulica em distâncias menores que 2. da escala de observação (Seyfried. Avaliação da variabilidade espacial De acordo com Berg & Klamt (1997). resultados de vários estudos apresentados por Iwata et al. com equilíbrio entre o econômico e o técnico. portanto. atingindo valores extremamente baixos aos quarenta dias de experimento. com doze pontos de observação. (1994) indicam que a dependência espacial da função K(q) pode alcançar valores acima de 30 metros. quando for necessária a obtenção de amostras independentes para investigar propriedades físicas do solo. Complementando esta última informação. Neste caso. v. pode-se alcançar a solução dos problemas contemporâneos. como a condutividade hidráulica. segundo Grossi Sad (1986) estabeleceu-se que a quantificação da variabilidade de um certo atributo medido neste corpo geológico deve ser feita por meio de técnicas estatísticas. Calvache et al. sob condições de campo. afirmam que a relação entre K versus q. Utilizando o método do perfil instantâneo em cinco parcelas distribuídas em uma área de 10. evidenciando que os problemas na determinação da função K(q) e suas aplicações em estudos hidrológicos devem considerar essa característica. para o levantamento e a classificação. Ko. a variabilidade espacial da condutividade hidráulica de um Latossolo Vermelho-Amarelo (Latossolo Vermelho (EMBRAPA (1999)). enquanto o Ko variou de 10-8 m2 h-1 kPa-1 a 102 m2 h-1 kPa-1. Eles concluíram que a variabilidade é mais acentuada nas camadas superficiais. Finalizando. gerando informações científicas mais claras e precisamente analisadas. Resultados de Jong van Lier & Libardi (1999) também mostram que o valor da condutividade hidráulica do solo saturado. Também constataram que a variabilidade temporal é muito significativa nas camadas superiores do perfil. 204 Tópicos em Ciências Agrárias. o planejamento da amostragem deve considerar este fato. afirmam que “a variabilidade dos parâmetros físicos do solo pode ser integrada para responder às crescentes questões sobre problemas específicos que permitam escolher os melhores sistemas de manejo”. 1998). UFRB. utilizando o método do perfil instantâneo. Neste experimento os valores de g (correspondente ao b da equação 13) e Ko mostraram-se muito variáveis. 1. Assim. Jong van Lier & Libardi (1999). Estes autores analisaram. Para o g. em nove profundidades. afirmam Nielsen et al. principalmente para as camadas superficiais. geram erros cuja ordem de grandeza são significativamente elevadas.000 m2. textura média. indicando o número mais representativo de amostras. é a principal causa de variabilidade nas relações matemáticas entre K e q. para este parâmetro hidráulico em suas aplicações agrícolas. (1980) outras informações interessantes sobre a variabilidade da condutividade hidráulica do solo não saturado. cuja variação pode chegar a 150%.5 metros e. conseqüentemente. (1973) e Cadima et al. a partir de grupos multidisciplinares e com o uso da expressiva base de dados já existente. quando determinada pelo método do perfil instantâneo.000 m2 de um Typic Haplustoll eles concluíram que o ponto crítico das estimativas de K estão nos valores de Ko. cujos resultados poderão ser utilizados com grande confiança. Uma análise mais apurada permite identificar nos resultados de Cadima et al. o conceito de homogeneidade para os solos e suas características tem uma aplicação relativa e depende. uma vez que ela afeta as amostragens para fins de avaliações químicas. físicas e biológicas. diminuindo significativamente em profundidade. resultando em valores de K(q) com até 100% de variabilidade. (1995) compararam dois procedimentos para determinação das relações K(q). Os mesmos autores. Por sua vez. Como se trata de um meio naturalmente descontínuo.300%. Ao contrário de Jong van Lier & Libardi (1999) e Anderson & Cassel (1986). resultantes de observações experimentais de campo em estudos de dinâmica da água no solo. a variação foi da ordem de 200 a 6000 em uma mesma profundidade.

sendo necessário. Sousa et al. potencial mátrico. No entanto. Das técnicas estatísticas aplicadas ao estudo da variabilidade dos solos. a variabilidade das propriedades do solo é causada por pequenas mudanças na topografia que. 2009 205 . Discordando de Russo & Bresler (1981). quanto aquela que ocorre em pequenas distâncias têm sido extensivamente descritas e classificadas. (1973). existem levantamentos de solos com escala suficiente para identificar até dez unidades de mapeamento por propriedade rural. tal o patamar de detalhamento alcançado. O processo de amostragem discreto requer a coleta de amostras em locais predeterminados e usa técnicas invasivas de obtenção. 2000).. Detalhamentos dos princípios básicos.. evidentemente. (1986). conferindo-lhes características diagnósticas que possibilitam a sua individualização como corpos naturais homogêneos ao nível de ordem. podendo ser representada por funções numéricas ordinárias que assumem um valor definido em cada ponto e descreve. retratar a estrutura da variabilidade espacial e ser adequado para a operacionalização do método de medida. dependem do elemento de volume ou tamanho da amostra. Warrick & Nielsen (1980). Vieira (1997). que representa a distância na qual determinado parâmetro está correlacionado com seu par e. um fenômeno natural qualquer.. Couto & Klamt. como nos EUA. conteúdo de água. 1997. Este conceito possibilitou a interpretação precisa de resultados experimentais relativos a muitas propriedades químicas e físicas do solo (Cambardella et al. pois. a medida de uma determinada propriedade do solo é feita em toda abrangência da área de interesse no campo. Desta maneira somente uma parte da população é observada e as suas características são inferidas por meio de técnicas estatísticas. Vieira (2000). por sua vez. em Nielsen et al. No campo. Não raro. Neste trabalho os autores mostram que as técnicas da estatística tradicional e da geoestatística são complementares e que a Tópicos em Ciências Agrárias. que explicitam o nível de dependência espacial. a geoestatística é uma ferramenta de análise de amostragem regionalizada. os padrões de variação das propriedades do solo ao nível de parcela no campo (Mulla & McBratney. visto que medidas de propriedades como densidade do solo. para efeito de classificação e mapeamento. Mulla & McBratney (2000) citam a determinação da condutividade elétrica do solo com o uso do sensor de indução eletromagnética “Geonics EM38”. 1996b. A variável regionalizada possui. mas que. No processo de amostragem contínuo. (1981) estudaram a dependência e a estrutura espacial para onze propriedades físicas de um Typic Torrifluvent no Arizona e verificaram que foi difícil realizar generalizações. UFRB. 1997. a definição de uniformidade e heterogeneidade do solo depende de um Volume Elementar Representativo (VER). Bouma et al. tanto a variação em grande escala. (1985). afetam o transporte e o armazenamento de água no perfil. que descreve a dependência e a variabilidade espacial de uma variável a partir de correlogramas e semivariogramas. sua descrição estatística deve considerar a estrutura da variabilidade espacial. as propriedades do solo na paisagem. Ao nível de série. Mulla & McBratney. um valor considerado representativo para toda uma região no espaço. o qual preferimos suprimir neste trabalho. mesmo os mapeamentos mais detalhados não são suficientes para expressar e descrever. (1983). Para tanto. obtidas pelas técnicas de sensoriamento remoto. em muitos locais do planeta. A obtenção dos materiais de solo para quantificação da variabilidade pode ser feita utilizando amostras contínuas ou discretas.Miyazaki (1993) também considera que a heterogeneidade do solo é função de uma escala. Gajem et al. Russo & Bresler (1981) afirmam que as propriedades hídricas do solo não variam aleatoriamente no campo e que. em minúcias. matematicamente. os autores relatam que cada parâmetro hídrico pode ser caracterizado estatisticamente por uma função de probabilidade independentemente da sua posição espacial e por uma função de autocorrelação que depende somente do valor da distância que separa dois pontos no campo. 1989. portanto. Vários trabalhos foram realizados com o objetivo de determinar o VER para as diversas propriedades físicas do solo. 1983. aspectos e requerimentos para o cálculo das diversas funções da geoestatística e suas aplicações no estudo da variabilidade das propriedades físicas do solo exigiriam o desenvolvimento de um formulário muito extenso neste ponto. a aplicação de técnicas mais refinadas para quantificar precisamente algumas de suas propriedades no campo. Rodrigues & Zimback. Gonçalves et al. muito embora a zona de influência das propriedades físicas tenha sido fortemente dependente da distância entre as amostras. Lauren et al. 1994. usam-se fotografias aéreas ou imagens de satélite. conseqüentemente..1988. textura e temperatura. Porém. 1. esses autores também indicam que é difícil atribuir uma escala mais precisa para estudos de variabilidade de parâmetros físicos do solo. influenciando significativamente o desenvolvimento do solo. pois. Raice & Bowman. Portanto. Wendroth et al. é indispensável ao estudo e pode ser encontrado. 1988). (1997). dentre as quais a condutividade hidráulica (Cogels. o qual deve apresentar um pequeno desvio padrão. por exemplo. v. Trangmar et al.. Neste caso o procedimento de amostragem não precisa de planejamento prévio e elimina a interpolação entre as medidas. Considerando que a estrutura da variabilidade espacial das propriedades hídricas do solo é caracterizada por uma escala integral. 2000). Como exemplo desta técnica. Uma revisão importante sobre o tema variabilidade espacial de solos foi feita por Reichardt et al. 1999. bem como o alcance de cada amostragem. Vieira et al. Em escala macro. o espaço para o qual cada valor é representativo. variam em resposta a variações regionais de clima e material de origem.

1. 206 Tópicos em Ciências Agrárias. densidade do solo e curva de retenção de água em um Latossolo Roxo (Latossolo Vermelho (EMBRAPA. desta forma. Fischer assumiu a direção do Departamento de Estatística da Estação Experimental de Rothampstead em Londres e passou a buscar métodos matemáticos que lhe possibilitasse obter conclusões sobre vários fenômenos experimentais. (1996). Ao contrário. O desvio padrão indica a heterogeneidade do conjunto de dados em estudo. quando Ronald A. 1999). a assimetria. a moda. Silva (1988) realizou um experimento com o objetivo de comparar a estatística clássica com a geoestatística em relação à quantificação da variabilidade dos atributos físicos do solo. UFRB. dentre os quais podem ser citados Warrick & Nielsen (1980). visto que as unidades de medida também são diferentes. Levine et al. é a estimativa do desvio padrão (s). textura e densidade de uma Terra Roxa Estruturada (Nitossolo (EMBRAPA. Gomes (1987). A moda é o valor que ocorre com a maior freqüência. textura. uma maneira sofisticada. dentre outras. Nos estudos de variabilidade os parâmetros estatísticos considerados pela estatística clássica são a média. A base teórica e detalhamento dos métodos estatísticos clássicos estão amplamente descritos em Spiegel (1968). Neste caso torna-se necessário uma medida relativa da variabilidade. que é a raiz quadrada da variância (s2). No entanto. Miyazaki (1993) e Mulla & McBratney (2000). confirmando as conclusões de Reichardt et al. (1986). a curtose e os intervalos de confiança para as estimativas dos dados. v. A média fornece uma idéia do conjunto de dados porém não permite avaliar a sua dispersão. 2009 . Reichardt et al. muito embora seja uma importante ferramenta auxiliar. nas condições de seu experimento. Mais crítico e considerando que os métodos estatísticos diferem basicamente na forma de avaliar a variabilidade dos dados. (1998). densidade dos sólidos. Como não conseguiu. (1986). a distribuição da freqüência dos dados. (1986) quando aplicaram as funções da teoria das variáveis regionalizadas para avaliar a magnitude da variabilidade espacial da umidade. a variância. freqüentemente referida como estatística clássica. Neste caso a amostragem é feita de forma inteiramente casualizada e sem considerar a posição relativa de cada variável no espaço. Tais estimativas são mais confiáveis à medida que se aumenta o número de observações. mas de tratamento matemático muito simples e de propriedades sempre convincentes. A mediana é o valor do meio ou a média aritmética dos dois valores centrais. A média e o desvio padrão são duas características chaves para a análise inicial da variabilidade de uma população. o desvio padrão tem a vantagem de apresentar a variabilidade dos dados na unidade de medida original. Segundo Libardi et al. tal qual o coeficiente de variação. a média representa apenas uma estimativa do valor correto da amostra. a mediana.geoestatística possibilita a obtenção de respostas que os métodos tradicionais não conseguem fornecer. este autor considera que a geoestatística não encerra todas as dificuldades para estudos de variabilidade espacial. Banzato & Kronka (1995). O modelo matemático para calcular o desvio padrão é: 2 1 N å (X i . Não obstante a reconhecida eficiência da geoestatística como ferramenta para análises relacionadas com a variabilidade espacial. recomendável como estatística de avaliação da variabilidade. Mata (1997) afirma que a geoestatística o permitiu chegar a conclusões que passariam despercebidas caso fosse utilizada somente as ferramentas “tradicionais” ou estatística clássica. Estes métodos estatísticos foram desenvolvidos a partir do ano de 1919. sendo.1 i =1 s= (15) Na prática. em uma seqüência ordenada de dados. identificar a estrutura da variabilidade. 1999). Para tanto. Souza (1992). conforme verificaram Libardi et al. o desvio padrão. também é muito usada para examinar aspectos de variabilidade espacial dos parâmetros físicos do solo.X ) N . Porém a utilização do desvio padrão para comparação de duas variáveis diferentes é inadequada. Gomes (1987b). Desvios grandes indicam dados heterogêneos e com elevada dispersão de seus elementos. o coeficiente de variação. Outros autores discutem diretamente a aplicação destes conhecimentos ao estudo da variabilidade dos solos. Também assume-se que as amostras são completamente independentes entre si. A média é considerada uma medida de posição ou medida de tendência central e sua estimativa é dada pela seguinte expressão matemática: X= 1 N å Xi N i =1 (14) sendo N o número de medidas consideradas e Xi o valor de cada medida em análise. a estatística não espacial. desvios pequenos indicam mais homogeneidade dos dados e conseqüentemente pequena dispersão.

16 . as distribuições de freqüências assimétricas devem ser normalizadas. contribuindo para definir de maneira mais completa a sua variabilidade. Propriedades do solo com CV elevado são mais variáveis que aquelas com baixo valor de CV. (2000). O Tópicos em Ciências Agrárias. como realizar este processo? Esta etapa do estudo da variabilidade deve começar a partir de um planejamento de amostragem capaz de fornecer as bases para uma precisa identificação dos padrões da variabilidade espacial da propriedade em estudo. foram Nielsen et al. um número abstrato e relativo. isto é feito calculando-se o logaritmo natural do dado observado.35% e > 36%. recomendando desde dezenas até milhares de amostras. As curvas de freqüência aparecem. como a condutividade hidráulica. Quando a freqüência de distribuição é normal.. pois. ao contrário. A freqüência de distribuição corresponde a um arranjo tabular dos dados por classes. Informações complementares aos momentos estatísticos já descritos podem ser obtidas pela caracterização da freqüência de distribuição dos parâmetros medidos.. geralmente log-normal. em três níveis: Baixa variação (CV < 12%).O coeficiente de variação é um número que representa o desvio padrão em percentagem da média. 1997). média (12% < CV < 80%) e alta (CV > 80%). Neste caso. enquanto outras. Uma distribuição assimétrica muito comum é a log-normal. média e alta variabilidade. respectivamente. Nos outros casos são diferentes. de tempo e praticidade. a média. Existem diversos métodos para identificar qual o tipo de distribuição de um conjunto de dados. a mediana e a moda são iguais. existe até proposições de uma classificação para identificar a extensão da variabilidade das propriedades do solo com base no seu coeficiente de variação. informando que é um dos mais utilizados para este propósito e Libardi et al. Exemplos de aplicações em que o logaritmo é usado para normalizar a distribuição dos dados aparecem em estudos das propriedades hídricas do solo realizados por Sisson & Wierenga (1981). No caso da distribuição lognormal. 1993. na prática. (1973) provavelmente os primeiros autores a verificarem que as propriedades do solo obedecem a diferentes padrões de distribuição. A média (m) e a variância (s2) da distribuição do logaritmo transformado podem ser usadas para estimar a média aritmética dos dados não transformados usando a seguinte expressão: X = exp(m + 0. seguem distribuição assimétrica. (1996) demonstram as verificações da normalidade para os métodos do gráfico de Henry. Mulla & McBratney (2000) citam outro esquema de classificação bem mais rigoroso. dispersões e a probabilidade de um dado valor ocorrer entre limites especificados. 1980. sendo simétrica ou assimétrica em relação à média. (1986). Guerra (1988) cita os testes não paramétricos de KolmogorovSmirnov e Chi-Quadrado. indicam pequena. que indica a precisão dos dados e possibilita a comparação racional entre valores diferentes. 1996). condutividade hidráulica (Libardi et al. Em estudos de variabilidade uma pergunta a ser respondida é: quantas amostras devem ser obtidas para representar adequadamente uma propriedade ou característica do solo diante de sua inerente variabilidade espacial? Os estudos disponíveis apresentam as mais diversas proposições. Warrick & Nielsen (1980) sugerem um método gráfico como sendo uma das maneiras mais fáceis. Diante das questões econômicas. como teores de areia e argila. areia e argila (Vieira. “box-plot” e ramos e folhas. sob diversas formas características. Quando isto ocorre o valor da mediana é maior que a moda e menor que a média. 2009 207 . Segundo Reichardt et al. para o coeficiente de variação. a curva tem aspecto estreito e muitos dos seus valores estarão bem próximos da média e mediana. juntamente com as freqüências correspondentes. Estes padrões de distribuição também foram encontrados por vários pesquisadores. Por outro lado. Reynolds & Zebchuk (1996). Considerando que a distribuição normal é uma exigência básica para análise de dados pelos métodos da estatística clássica. se a população varia pouco. Schaap & Leij (1998) e Comegna et al. Logsdon & Jaynes. Para medidas de dispersão normalizadas em torno de uma média o CV é estimado pela expressão: æ sö CV = ç ÷ 100 èXø (16) O CV é.5s 2 ) (17) A dispersão de uma distribuição de freqüência normal em torno da média é uma importante medida da variabilidade da população amostrada. Moraes (1991) e Beiguelman (1994) detalham o método dos momentos estatísticos. Esta função permite calcular médias. Banton. no qual valores de 0 . Jones (1969) propõe a utilização de tabelas relacionando os valores de assimetria e curtose para testar a normalidade de um conjunto de dados com base na teoria estatística dos testes de hipótese. v.15%. Por exemplo Warrick & Nielsen (1980) classificaram a variabilidade das propriedades do solo. apresentam uma distribuição normal. A curva de distribuição de freqüência para uma população com alta variabilidade apresenta-se relativamente larga e ampla. 1. UFRB. expressa pelo coeficiente de variação. De acordo com os autores muitas propriedades do solo. Podem ter distribuição normal ou não.

Vachaud et al. esse número pode alcançar valores impraticáveis de até 26. (1999a) comprovaram o conceito de Vachaud et al. (1985) propuseram uma metodologia capaz de reduzir o número de observações requeridas para caracterizar uma propriedade física do solo. um número suficiente de observações para obtenção de seus parâmetros estatísticos clássicos. para um determinado tempo. Para o autor isso representa um avanço em relação às outras metodologias tradicionais. na medida em que o teor de água em um local mais úmido no solo tende a se manter assim em qualquer tempo. Para tanto. do nível de precisão desejado para estimar a média da população. Tal conceito pode ser definido como resultante da associação invariável no tempo entre a localização espacial e as medidas estatísticas que caracterizam uma dada propriedade do solo. o verdadeiro número de amostras para estimar a média é dado pela relação N2 / N*.número ótimo de amostras a ser coletado depende da variabilidade da população. do custo das análises e disponibilidade dos equipamentos de laboratório. quando a correlação espacial existe. mas não identifica os locais em que as medidas possam ser feitas para representar a média da variável em estudo para qualquer tempo e valor. A primeira técnica é o teste de correlação de Spearman (Campos. Normalmente o número de amostras que resulta da aplicação das metodologias tradicionais é muito grande. Percebendo esta dificuldade prática para a obtenção de médias representativas. d é o desvio padrão desejado da população em relação à média. o número de graus de liberdade necessários para a estimativa de t também não é. como para a condutividade hidráulica do solo saturado. s é uma estimativa preliminar do desvio padrão da população. 2009 . na qual o denominador refere-se ao número equivalente de amostras independentes. 1986). Para a umidade do solo este conceito foi comprovado. Este incremento do número de amostras necessárias é estimado calculando-se o número de observações independentes para a população. no campo. Em seu trabalho os autores constataram a persistência das distribuições espaciais da umidade e a possibilidade de identificar locais de amostragem cujos valores permitam estimar a média geral da umidade em uma área. 2000). Gonçalves et al. possibilita identificar. A primeira condição requer. No entanto. Melo Filho (2002) também aplicou a técnica da estabilidade temporal em medidas do teor de água (q) e potencial mátrico da água no solo (fm) e verificou que a existência da estabilidade temporal para teor e potencial mátrico da água no solo. UFRB. Em alguns casos. em qualquer tempo. t 2 x s2 N= d2 (18) em que t é o valor tabulado de Student para o nível de confiança estabelecido. sendo aconselhável a identificação de mais de um local de medida para ampliar a representatividade da amostragem. v. o coeficiente de correlação de Spearman (r) possibilita verificar a existência da estabilidade temporal. durante o tempo de redistribuição da água. (1985) propõem duas técnicas. a seguinte fórmula é muito utilizada para estimar o número (N) de pontos amostrais necessários para calcular.000 amostras para estimativa da média com razoável precisão (Anderson & Cassel. notadamente para os casos de propriedades do solo com grande variabilidade. Os mesmos Mulla & McBratney (2000) afirmam que o modelo matemático para calcular o número de amostras de populações para as quais a variabilidade espacial é considerada. que é utilizado como uma ferramenta estatística para indicar o grau de concordância da variabilidade espacial obtida em diferentes tempos. Na teoria. o que nem sempre é correto. Para aplicação do conceito de estabilidade temporal a um conjunto de dados é necessário que duas condições sejam atendidas. (1985) sugerem o cálculo das diferenças relativas e seus respectivos desvios padrões. (1985) quando estudaram a estabilidade temporal da distribuição espacial da umidade no solo em uma área irrigada. 1. o valor da sua média. com a precisão desejada. 1983). Neste caso. difere da equação (18). do intervalo de confiança da média populacional. Na prática. Existem na literatura proposições que permitem estimar o verdadeiro valor de N a partir do cálculo interativo de valores estimados do próprio N e seus correspondentes graus de liberdade para t. possibilitando a análise dos 208 Tópicos em Ciências Agrárias. Vachaud et al. (1988). Na segunda condição deve ser possível associar a cada posição ou local o seu valor estatístico de densidade de probabilidade de distribuição normal. é necessário um grande número de amostras para estimar a média. sempre assume-se que o tamanho da amostra (N) é suficiente para tal objetivo (Mulla & McBratney. Com base em estudos de conteúdo de água no solo esses autores introduziram o conceito de estabilidade temporal. desde que N não é conhecido. Para analisar a estabilidade temporal Vachaud et al. na medida em que possibilita a redução do número de amostras necessárias para estimar uma média representativa com elevada precisão e reduzido esforço amostral. Sendo assim. Para o caso de parâmetros cujas amostras são independentes e apresentam distribuição normal. posições que representam as médias dessas variáveis em qualquer tempo e que as posições identificadas como estáveis no tempo podem ser usadas para estimativa de q e fm com razoável precisão e representatividade. conforme bem explicitaram Wesenbeeck et al. no método do perfil instantâneo para determinação da condutividade hidráulica.

genética. Resumindo. Kachanoski & De Jong (1988) aplicaram o conceito de estabilidade temporal como definido por Vachaud et al. De acordo com Vachaud et al. compactado). o tipo de equipamento usado para coleta. a profundidade é dependente de muitos outros fatores como o tipo de propriedade a ser medida. v. ecologia. O “bootstrap” é uma técnica computacional. O tempo ou período de amostragem é particularmente importante quando se medem variáveis temporais. Várias estratégias para determinar a distribuição espacial dos pontos a serem amostrados foram desenvolvidas. Aplicações da técnica “bootstrap” ao estudo da variabilidade de parâmetros hídricos do solo são encontradas nos trabalhos de Dane et al. demonstraram que análises de coerência espacial poderiam ser usadas para examinar a estabilidade temporal como uma função da escala espacial de qualquer variável do solo. em que cada observação de uma população tem a mesma probabilidade de ser incluída na amostra. cij a determinação no local i no tempo j. o tempo. tipo e profundidade de cultivo e principalmente das condições de solo (seco. na medida em que se pode obter um número muito grande de amostras. (1985). Segundo seus resultados. em faixas e amostragem geoestatística (Mulla & McBratney. medidos espacialmente. Chung et al. 2000). enquanto que no método sem reposição a observação só pode ser escolhida uma vez em cada reamostragem. Utilizando-se esta técnica é possível realizar comparações estatísticas em áreas diversas do conhecimento científico. Na realidade o “bootstrap” é um procedimento computacional intensivo de reamostragem. 1997. No primeiro caso. Concluíram que as estimativas de amostragem utilizando o “bootstrap” difere do método convencional e como a mesma independe da distribuição dos dados e não é afetada pela presença de “outliers” pode ser utilizada para estimar tamanho de amostras com precisão e eficiência. 1993. Outras considerações adicionais ao número de amostras incluem a profundidade. Para superar esta limitação técnica. 1. O método de reamostragem com reposição é mais vantajoso porque torna a população teoricamente infinita. quando ordenadas e plotadas em um gráfico. Estes pesquisadores utilizaram o “bootstrap” em associação com funções do tipo “neural networks” para desenvolver esquemas de modelagem para o cálculo e estimativas da curva de retenção e condutividade hidráulica em condições de saturação e não saturação. sistemática. a composição e o volume da amostra. (1985) o cálculo das diferenças relativas pode ser feito utilizando-se a seguinte equação: DR(% ) = c ij . (2003) aplicaram e técnica “bootstrap” em um conjunto de dados de umidade e potencial mátrico da água no solo para o desenvolvimento de um método capaz de determinar o número mínimo de amostras necessárias para estimar a média de uma população a partir de um determinado grau de precisão. Por outro lado. Venkovsky et al. úmido.. Amador et al. O uso do termo “bootstrap” tem origem na frase 'to pull oneself up by one's bootstrap'. UFRB. entre as quais pode-se citar amostragem dirigida. escrito por Rudolph Erich Raspe no século dezoito. 2000). (1985). no livro sobre suas aventuras. no momento j. Este processo pode ser feito com ou sem reposição. tendo como base dados de uma amostra ou população.. 2000. Outro exemplo da aplicação da técnica “bootstrap” para estudo de propriedades hídricas do solo é o trabalho de Schaap & Leij (1998). Jhun & Jeong. Sua desvantagem é ser um processo trabalhoso e complexo. ao acaso. que possibilita a estimativa da distribuição amostral de estatísticas de interesse. cj a determinação média para todas as posições. uma observação pode ser escolhida mais de uma vez. incluindo física de solos (Efron & Tibshirani. 1996. 2009 209 . o “bootstrap” foi importante ferramenta de apoio para o desenvolvimento de um sistema de modelagem para calcular propriedades Tópicos em Ciências Agrárias. Suas conclusões significaram um avanço e ao mesmo tempo simplificaram a proposta de Vachaud et al. foram desenvolvidas poderosas metodologias de amostragem com base em programas de computador. estratificada sistemática. desenvolvida para realizar inferências estatísticas de uma amostra populacional. como economia. estratificada ao acaso. como teor de água e condutividade hidráulica do solo. Uma das formas para se obter amostras representativas é a reamostragem aleatória. para evitar erros de amostragem é necessário um rigoroso planejamento estatístico juntamente com a aplicação de técnicas adequadas. (1986) e Hendrickx & Wierenga (1990). O “bootstrap” é uma delas. Do mesmo modo Melo Filho et al. biologia e agronomia..c j cj 100 (19) sendo: DR (%) a diferença relativa entre uma determinação individual para um local e tempo e a estimativa da média. As mesmas. Igualdades ou pequenas variações da diferença relativa entre posições ao longo do tempo indicam estabilidade temporal. atribuída ao Barão de Munchausen. Concluíram que a armazenagem de água em um determinado local resulta da ocorrência de um conjunto de processos hidrológicos que operam em diferentes escalas espaciais e então. baseado na técnica da substituição. possibilitam identificar os pontos cujos valores sempre estejam próximos da média e possam ser utilizados como referência amostral. recente.desvios entre os valores observados individualmente e a média deles.

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Vital Pedro da Silva Paz & Greice Ximena Santos de Oliveira Tópicos em Ciências Agrárias . Áureo Silva de Oliveira.CAPÍTULO 16 EVAPOTRANSPIRAÇÃO Francisco Adriano de Carvalho Pereira.

no qual a água passa da fase líquida para a fase de vapor. Posteriormente. entretanto. sendo a grama tomada como padrão. pode-se verificar que a definição de evapotranspiração de referência coincide com a evapotranspiração potencial (ETP). com altura de 0. Aureo Silva de Oliveira1. faz-se necessário um conhecimento claro a respeito de certas definições.Centro de Ciências Agrárias.br Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. argumentou-se que o seu porte seria mais representativo das condições aerodinâmicas de outras culturas do que a grama com o seu porte rasteiro.12 m. como a fotossíntese e a fosforilação oxidativa. principalmente. o consumo de água pelas plantas normalmente se refere à água transferida para a atmosfera pelos processos de evaporação da superfície do solo e pela transpiração das plantas. No protoplasma. a evapotranspiração (ET) constitui a transferência de água. viabilizando o intercâmbio de trabalhos realizados sob condições diferentes. através da evaporação direta da superfície do solo e da água perdida pelas plantas através da transpiração. utilizados na definição do processo da evapotranspiração.08 a 0. deveria ser baixa e de altura uniforme. Cruz das Almas-BA. Jansen et al. cobrindo totalmente a superfície do solo e sem restrições hídricas. A evapotranspiração real é aquela que ocorre numa superfície vegetada. quando se trata da quantificação da evapotranspiração e do requerimento de água das culturas. com altura de 0. Do ponto de vista físico. os processos da evaporação e da transpiração são muito parecidos. introduziram o termo evapotranspiração de referência (ETo). E-mail: fadriano@ufrb.5 m. utilizando os conceitos propostos por Thornthwaite aplicando-os à cultura da alfafa (Mendicago sativa L. Devido à grande diversidade de termos existentes na literatura. que os valores obtidos com a utilização da cultura da alfafa podem diferir substancialmente dos encontrados com a grama. devido às diferenças de rugosidade e albedo das suas superfícies. Desta maneira. em crescimento ativo.). definindo-a como a água utilizada por uma extensa área vegetada. Buscando apresentar uma padronização para a definição da evapotranspiração de referência e visando.3 a 0. sob condições ótimas de umidade do solo. participa de importantes processos metabólicos essenciais à vida vegetal. as plantas transferem aproximadamente 98% da água retirada do solo para a atmosfera. Penman (1956) estabeleceu que o tipo de vegetação a ser tomada como referência. em crescimento ativo e cobrindo totalmente a superfície do terreno. 1. com área tampão de 100 m aproximadamente. numa dada condição climática. Vital Pedro da Silva Paz1. Desta maneira. em virtude da sua utilização como cobertura dos postos meteorológicos. O termo evapotranspiração potencial (ETp) foi introduzido na literatura especializada por Thornthwaite (1948). v. sem imposição de qualquer condição Tópicos em Ciências Agrárias. INTRODUÇÃO A água é um elemento essencial ao desenvolvimento vegetal. UFRB. Desta maneira. Doorenbos & Pruitt (1977) apresentaram um definição para evapotranspiração de referência. diferenciando-se unicamente quanto ao tipo de superfície evaporante.EVAPOTRANSPIRAÇÃO Francisco Adriano de Carvalho Pereira1. como aquela que ocorre em uma extensa superfície gramada. (1971). com altura fixa de 0. DEFINIÇÕES A evapotranspiração pode ser definida como a soma da quantidade de água perdida por uma superfície coberta com vegetação. Cruz das Almas-BA. Greice Ximena Santos de Oliveira2 1 2 Professor . em crescimento ativo e sem restrições de água no solo.15 m. 2009 221 . Smith (1991) apresentou uma conceituação da ETo como aquela que ocorre em uma cultura hipotética. Durante o seu ciclo de desenvolvimento as plantas consomem um grande volume de água. à utilização do modelo de Penman-Monteith. muitas dificuldades têm surgido entre os técnicos para a compreensão deste importante fenômeno de transformação física. Ambientais e Biológicas/UFRB. Vale ressaltar. Entre as razões apresentadas para a escolha da alfafa como planta de referência. poder refletor (albedo) de 23% e resistência do dossel ao transporte de vapor d'água de 69 sm-1. Entretanto. Essa proposição coincide com a evapotranspiração de uma superfície coberta com grama. na forma de vapor. Em essência. participando como constituinte do protoplasma celular em proporções que podem alcançar 95% do seu peso total. sendo que deste total. através do sistema solo-planta para a atmosfera.edu.

vários são os fatores que afetam a evapotranspiração: climáticos. que na prática é chamada de evapotranspiração da cultura (ETc). Em média.45 MJ kg-1.1 cm = 1 mm Para uma superfície de 1 ha (10. pode-se observar que kc varia ao longo do ciclo de uma cultura de acordo com o IAF.de contorno.45 MJ para evaporar 1 kg de água. as diferenças na anatomia da folha. pode corresponder a 10. da sua superfície evapotranspirante. ou seja. entende-se a importância da evapotranspiração no dimensionamento e manejo adequado da irrigação pois cada 1 mm aplicado.000 m2). Por exemplo. também denominada de máxima (ETm). 222 Tópicos em Ciências Agrárias. por isso. Assim. visto que esta representa a quantidade de água que deve ser reposta ao solo para manter o crescimento e a produção da cultura em condições ideais. a evapotranspiração é a perda de determinado volume de água em uma determinada área. Considerando a perda de 1 litro de água de uma superfície com área igual a 1 m2. a ETc é muito importante para um bom dimensionamento de projetos de irrigação.001 m = V / 10. que é expressa pelo coeficiente de cultura (kc). Outros fatores. ou seja.48 MJ kg-1. tem-se que: ET = 1 litro / 1 m2 = 1. uma ET = 1 mm (0.000 cm2 = 0. Em locais onde existe uma pequena área irrigada em torno de uma grande área seca ou quando a área de bordadura não é suficiente para eliminar os efeitos advectivos do calor sensível. da planta e do manejo do solo. a evapotranspiração é expressa em mm (milímetros) por unidade de tempo. = 2.45 MJ m-2.000 cm3 / 10. Durante os diferentes estágios fenológicos das culturas e sua ocupação na área disponível ocorre a evapotranspiração real. Através dessa relação. da sua área de bordadura e das condições de disponibilidade de água no solo. que por sua vez é variável com os períodos fenológicos. Essa energia é denominada de calor latente de eva-poração. 1 kg de água corresponde a 1 litro e.45 MJ kg-1. Por isso.000 m2 V = 10 m3 (1) ou seja. para evaporar 1 mm são necessários 2. 1 mm dia-1 corresponde a 10 m3ha-1dia-1. Portanto. Sendo a densidade da água igual a uma unidade. = 2.000 litros de água por hectare. a ETc pode ser estimada por: Etc = kc ETo UNIDADES Como foi demonstrado. que nessas condições recebe a denominação de evapotranspiração de oásis (ETo). a 20ºC. uma determina altura ou lâmina de água. FATORES QUE AFETAM A EVAPOTRANSPIRAÇÃO De acordo com as condições adotadas. v. irá corresponder a um volume de água de: 0. enquanto que a 5ºC. 1. A ETc é uma variável dependente das condições meteorológicas e da área foliar da cultura (AF). UFRB. normalmente.001 m). até sob as mesmas condições climáticas e de mesma área foliar. adota-se o valor de = 2. 2009 . tais como. nas propriedades aerodinâmicas (altura das plantas) e no albedo fazem com que a ETc seja substancialmente diferente da ETo. tem-se verificado a ocorrência de valores exagerados de evapotranspiração. nas características dos estômatos. portanto. a (ETR) independe do porte da vegetação. o que significa que são necessários 2. que nada mais é do que a relação entre a ETc e a ETo. Apesar de sua determinação ser difícil e muitas vezes inexata. Outra forma de se expressar a evapotranspiração é em termos da energia requerida para o processo.

Coeficiente de reflexão (albedo): afeta o saldo de radiação. com 1.Impedimentos físicos / químicos: reduzindo o volume de água disponível para o uso pelas plantas pois.Tipo de solo: solos argilosos têm maior capacidade de armazenamento de água do que os arenosos e. . maior consumo de água por área.Fatores climáticos . Apesar da simplicidade de seu manuseio. . a facilidade de acesso de animais e ao fato da evaporação ocorrer também durante o período noturno. . . apresenta algumas desvantagens como a superexposição às condições ambientais. Plantas mais altas interagem mais com a atmosfera em movimento. Através da utilização de tanques de evaporação.Altura da planta: interfere na interação planta-atmosfera.Espécie: relacionado à arquitetura foliar. pois a cobertura morta sobre o solo diminui a perda de água por evaporação. objetivando o suprimento de água à planta. Fatores da planta .Área foliar: relacionada ao tamanho da superfície foliar disponível para o processo de transpiração. Foi desenvolvido nos Estados Unidos e é amplamente utilizado no Brasil. principalmente à radiação solar e à velocidade do vento. obtém-se o total de água evaporada em um dado intervalo de tempo pela diferença das alturas dos níveis da água em dias consecutivos. determinando o déficit de saturação do ar. Quanto menor o espaçamento. Fatores de manejo do solo . .Umidade Relativa (UR): atua junto com a temperatura. .Saldo de Radiação (Rn): principal fonte de energia para o processo evapotranspirativo.Temperatura do ar (T): o calor sensível contribui com parte da energia necessária ao processo de evapotranspiração e a temperatura também está diretamente ligada à umidade relativa e ao déficit de saturação do ar. Quanto maior a área foliar maior a exigência hídrica da planta. UFRB. extraindo mais energia do ar.Vento (U): responsável pela remoção do ar saturado junto à superfície das folhas e pelo transporte de calor de áreas mais secas (advecção de calor sensível). a capacidade de atender as exigências hídricas da cultura por mais tempo. utilizando-se o parafuso micrométrico em tanque tranquilizador ou automática.15 m2 e é instalado sobre a superfície em um estrado de madeira. v.Profundidade do sistema radicular: relacionado ao volume de solo explorado pelas raízes. . Depende da radiação solar incidente e do albedo da vegetação. utilizando-se sensores eletrônicos.Disponibilidade de água no solo: afeta diretamente a evapotranspiração pois a reduz quando o armazenamento cai além do limite crítico. mais indivíduos. . à resistência ao transporte de vapor no estômato e a outros aspectos morfológicos que interferem diretamente na evapotranspiração. O Tanque tipo Classe A (Figura 1) é o mais utilizado para esta finalidade. MEDIDAS DA EVAPOTRANSPIRAÇÃO A medida da evaporação é feita de forma simples e é muito utilizada no manejo da irrigação e no gerenciamento dos recursos hídricos. portanto. um dos componentes do poder evaporante do ar. . 2009 223 . principal fonte de energia para o processo de evapotranspiração. . . possui área circular. o que dificulta a sua utilização quando o objetivo é a Tópicos em Ciências Agrárias. Devido à relação positiva entre a evaporação observada em tanques e aquela que ocorre de um lago ou de uma superfície vegetada. limitam o crescimento do sistema radicular da cultura. 1. A medida da evaporação pode ser obtida com leitura manual.Espaçamento / Densidade de plantio: determina o nível de competição entre os indivíduos da mesma espécie.Plantio direto: reduz a evapotranspiração. essas medidas têm sido utilizadas para estimativas dessas variáveis. É o outro componente do poder evaporante do ar.

A Figura 2 apresenta os tipos de tanque com suas dimensões. 224 Tópicos em Ciências Agrárias. dada a grande variabilidade encontrada entre os valores de evaporação.84 m2). (1) (2) (3) (4) Figura 2. com suas dimensões. 20 m2 (2). 2009 . Fonte: INMET Além do tanque Classe A. v. Figura 1. GGI3000 (3) e Colorado (4).30 m2). UFRB. Na tentativa de diluir estes erros. enterrado e com área evaporante de 0. entre os quais o GGI3000 (circular. é aconselhável que o tanque Classe A seja utilizado com repetições. enterrado e com área evaporante de 20 m2) e o Colorado (quadrado. o de 20 m2 (circular.estimativa da evapotranspiração de referência. Tanques evaporimétrico tipo Classe A. outros tanques podem ser utilizados para a medida da evaporação. como mostra a Figura 1. Tanques evaporimétricos Classe A (1). enterrado e com área evaporante de 0. 1.

o método de balanço de água no solo e os lisímetros. UFRB.G (2) sendo Rn e G medidos e H estimado a partir de medidas precisas do gradiente térmico sobre a vegetação. em que as entradas são: a chuva (P). Os micrometeorológicos são aqueles que utilizam o princípio do balanço de energia em que o fluxo de calor latente (lET). consiste no balanço entre as entradas e saídas de água em um volume de solo conhecido. 1.H . pela seguinte expressão: DARM = P + I + Ri + O + DLi + AC – (ET + Ro + DLo + DP ) (3) Segundo Allen et al. não podendo ser obtidos para curtos períodos de tempo. assim os métodos utilizados para tal medida demandam equipamentos sofisticados e não são apropriados para medidas rotineiras. o escoamento subsuperficial (DLo) e a drenagem profunda (DP). o lET também pode ser determinado pelo método de transferência de massa. que representa a evapotranspiração. a irrigação (I). o escoamento superficial (Ro). em um dado período de tempo. o orvalho (O). especialmente DL. Entre os métodos utilizados para a determinação direta da evapotranspiração. o escoamento subsuperficial (DLi) e a ascenção capilar (AC). os que apresentam coeficientes (kp) para converter a medida de evaporação em evapotranspiração de referência são os do tipo Classe A e Colorado. pressão atual de vapor e velocidade do vento a diferentes níveis acima da superfície. Tópicos em Ciências Agrárias. (1998). O método de balanço de água no solo. para o período analisado. v. Nessas condições. A medida da evapotranspiração é difícil e onerosa. O resultado desse balanço é a variação do armazenamento de água no solo (DARM). por diferença. a evapotranspiração pode ser obtida. é dado por: lET = Rn . o balanço de água no solo pode ser representado pelo esquema da Figura 3. o que limita a utilização deste método a períodos com mais de cinco dias. enquanto que as saídas são: a evapotranspiração (ET). Além disso. tem os métodos micrometeorológicos. De forma geral. o escoamento superficial (Ri). método micrometeorológico que requer medidas precisas de temperatura do ar.Apesar da existência dos diversos tipos de tanque. Representação gráfica do balanço de água no solo. alguns desses componentes são de difícil medida. justificando seu emprego apenas em condições experimentais. 2009 225 . AC e DP. Figura 3.

Neste último. 2009 .RA) e registro da água reposta (L1 .RI e reservatório de alimentação . dependendo basicamente das condições climáticas regionais. 226 Tópicos em Ciências Agrárias. o de lençol freático constante. v. Segundo Pereira et al. (1997). usando células de carga. Ilustração esquemática dos lisímetros de drenagem. A ET é dada pela diferença de peso (P1 P2) em um dado intervalo de tempo. porém. Figura 4. cujo tamanho deve ser suficientemente grande para anular os efeitos da advecção. e o de pesagem que utiliza medida automatizada com células de carga (CC) instaladas sob uma caixa impermeável e ligadas a um sistema de aquisição de dados (SAD) (Figura 5). os resultados experimentais mostram que o tamanho da área tampão é bastante variável. 1. baseado no princípio de conservação de massa e que funciona adequadamente em períodos longos de observação (acima de 5 dias). que utiliza um sistema automático de alimentação (reservatório intermediário . a vegetação no interior do lisímetro deve apresentar as mesmas condições (altura e área foliar) da área tampão.L2).. os mais comuns são o de drenagem. Para medidas acuradas da ET. por meio de um tubo (T). de modo a manter o nível do lençol freático (LF) constante. sendo necessário apenas algumas dezenas de metros em condições de clima úmido e entre 100 a 300 m em condições de clima seco. Bateria com cinco lisímetros de pesagem. É uma estrutura cujo objetivo é isolar um certo volume de solo de modo a se controlar todas as entradas e saídas de água desse sistema (Figura 4). a ET pode ser obtida com uma grande acurácia e para períodos muito curtos de tempo (1 hora). Dentre os diversos tipos de lisímetros. UFRB. tem como incoveniente a necessidade de drenagem da água armazenada em sua parte inferior. Figura 5.O uso de lisímetros tem sido a forma mais empregada para a obtenção direta da ET. lençol freático constante e de pesagem com células de carga.

514 -5 2 -7 3 (6) (7) + 6. por não levar em consideração o poder evaporante do ar. UFRB. Priestley-Taylor e PermanMonteith.5 C º em que: ETp é a evapotranspiração padronizada para um mês de 30 dias e para um fotoperíodo (N) igual a 12h. corrigindo a temperatura utilizada. sendo universais.43 Tm p/ T > 26.24 Tm .2 Tni)1.Tmin) em que: Tmax é a temperatura máxima do ar. Camargo. Ta a temperatura média anual normal (média histórica). apresentam uma base física mais sólida. Entre estes.85 + 32.514 I = 12 (0. basta se determinar ETp com a temperatura média do dia e utilizar a seguinte formulação : ETo = (ETp / 30) (N/12) (10) Segundo resultados experimentais de Camargo (1962) e Camargo & Sentelhas (1997) este método apresentou boas estimativas de ETo para condições de clima úmido no Brasil mas. pois só são válidos para condições climáticas específicas.COMO ESTIMAR A EVAPOTRANSPIRAÇÃO Inúmeros métodos empíricos e semi-empíricos. esta deve ser corrigida em função do número de dias (ND) e do fotoperíodo médio (Tabela 1) do mês em questão. 1. Hargreaves-Samani. Por ser um método desenvolvido e testado em condições de clima úmido. em ºC. Assim. pois desenvolvidos exclusivamente para se estimar a ETo. Após a determinação de ETp. destacam-se os de Thornthwaite. é dada por : ETo = ETp (ND/30) (N/12) (9) No caso da determinação da ETo em mm dia-1. integrando todos os elementos que condicionam o processo de ET. e Tmin a temperatura mínima do ar. visto que é difícil obter rotineiramente medidas precisas. obtidos a partir dos dados normais da região e determinados pelas seguintes expressões: I = S(0. Tópicos em Ciências Agrárias. Dentre os métodos mais empregados. para condições de clima super-úmido e semiárido. nem sempre disponíveis para a localidade em estudo. como mostrou o trabalho de Camargo & Sentelhas (1997). tanque Classe A. apresenta subestimativas em condições de clima seco. 2001): ETp = 16 (10 Tm/I)a para 0 < Tm < 26. porém. outros.75 10 I (8) a = 0.5ºC 2 (4) (5) ETp = -415. "I" e "a" índices de calor.7912 10 I . destaca-se o método proposto por Thornthwaite (1948). na Inglaterra.2 Ta) -2 1.7. e Penman (1948). o qual propõe um ajuste para tais condições. Método de Thornthwaite Um dos primeiros métodos desenvolvidos para estimar ETo (Thornthwaite. A ETo é obtida em mm mês-1 pela seguinte formulação (Pereira et al. sua eficácia é discutível. 2009 (11) 227 . 1948). Baseia-se na relação empírica existente entre a ETo e a temperatura do ar.0. ambas em ºC.36 (3 Tmax . a qual expressa a energia disponível no ambiente. contudo a maior desvantagem do método é a dependência de dados meteorológicos. quer seja pela sua simplicidade ou pelo seu grau de confiabilidade. dada por: Tef = 0.71 10 em que: Tn é a temperatura média normal do mês i (i = 1 a 12). em ºC.Outros métodos restringem sua aplicação. que serão descritos a seguir.49239 + 1. ETo em mm/mês. que passa a ser denominada de temperatura efetiva (Tef). v. nos Estados Unidos. em ºC . Tm é a temperatura média do mês.. através da utilização de dados meteorológicos foram criados para estimar a evapotranspiração de referência.

5 11.9 11.8 11.1 12.6 12.4 12.4 12.6 13.1 13.1 12.1 11.8 13.5 13.7 11.4 11.2 14.9 13.0 12.1 12.4 12.2 11.6 11.2 12.5 10.9 12.5 12.0 12.7 11.1 9.9 11.2 10.5 12.6 13.80)ù a = 23. UFRB.8 10.2 11.3 13.0 12.2 12.3 12.9 10.6 14.8 12.5 Set 12.2 12.9 13.9 12. em hora.9 12.80 9.4 12.1 12.0 12.6 11.5 12.4 12.9 10.2 12.3 11.4 11.1 12.5 11.8 12.7 12.3 13. m: latitude (-) se localizado no hemisfério Sul. 228 Tópicos em Ciências Agrárias.4 11.2 14.3 12. o método criado por Hargreaves e Samani (1985).4 11.7 13.8 12.4 12.0 9.1 12.2 12.9 13.9 10.1 10.2 11.9 12.0 11.2 12.6 11.0 10.0 12.3 11.8 10.5 12.2 13.1 12.3 11.0 12.2 12. em relação ao apresentado anteriormente.2 12.4 12.9 14.2 12.0 10.2 12.1 12.0 12.2 13.4 10.6 10.3 12.0 12.4 12.6 12.1 12.9 11. 2009 .0 11.6 12. é recomendado pela FAO (Allen et al.1 10.1 12.8 11.6 12.6 12.3 13..8 10.9 14.3 12.1 12.6 11.7 12.5 12. em ºC.9 11.70 9.7 Fev 11.1 Nov 11.4 12.4 13.1 12.4 12.1 Mai 12.9 10.5 11.3 12.9 11. Método de Hargreaves e Samani Apesar de ter sido desenvolvido para as condições de clima semi-árido da Califórnia.9 12.3 12. e ND o número de dias do período considerado.4 Abr 12.1 12.9 11.5 13.1 12.0 11.2 12.tg a tg m ] é 360 (DJ .0 12.0 13.1 11.8 11. Duração máxima de insolação diária (N).3 10.5 11.4 12.3 12.5 11.8 11.1 12.0 13.0 12.1 12.2 13.2 12.0 11.7 12.1 10.0 12.9 11.3 12.1 12.3 12.7 11. 1.0 OBS: Pode-se também calcular o valor da duração máxima da insolação diária (N).1 12.7 12.8 12. expressa em mm de evaporação equivalente.2 14.7 13.7 11.7 11.9 10. é que não há necessidade do uso de dados normais de temperatura do ar.6 Ago 12.8 11.4 10. por meio das seguintes equações: 2 H 15 H = ar cos [.5 12. Assim.3 12.8 11.7 10.6 10.8 15.1 12.9 Jun 12.7 11.1 12.1 12.3 12.6 10.3 11.5 10. nos meses e latitude de 10º N a 40º S.2 13.2 11.1 13.2 11.1 12.2 12.0 12.7 11.4 11.2 10.9 11.1 12.45 sen ê ú 365 ë û N= Sendo: a:declinação solar.9 11.9 11.5 11.5 14.0 14.9 11.8 12.6 11.9 1.Tabela 1.7 12.5 11.1 12.8 11.0 12.0 13.7 10.0 12.1 12.3 12.1 13.6 11.0 12.7 11.6 11.0 12.8 9.2 12.3 12.2 12.0 13.8 11.5 12.7 11.1 13.0 12.01 Qo Tmed ND (12) em que: Qo é a irradiância solar extraterrestre.7 10.9 11.0 14.3 11. correspondente ao 15º dia de cada mês Latitude 10º N 8º N 6º N 4º N 2º N Equador 2º S 4º S 6º S 8º S 10º S 12º S 14º S 16º S 18º S 20º S 22º S 24º S 26º S 28º S 30º S 32º S 34º S 36º S 38º S 40º S Jan 11.5 12.2 12.2 12.6 Mar 12.1 14.3 Jul 12.4 12.1 12. DJ: Dia Juliano.1 12.3 12.1 12.6 12.3 14. A ETo é estimada diretamente a partir da seguinte fórmula : Eto = 0.6 11. Contudo.1 12.8 13.7 12.0 11.4 14.6 12.1 12.1 12.6 13.7 11.8 11.0 12.9 11.6 11. de acordo com método original.1 11.1 12.3 12.0 11.7 12.1 12. trouxe uma vantagem adicional. faz uso apenas da temperatura média do ar e não leva em consideração o poder evaporante do ar.2 12.5 13.2 12.2 11.0 9.9 12.9 12.6 12.4 12.4 13.2 13.2 12. Tmed é temperatura média do período considerado.0 14.5 9.4 12.5 12.2 12.2 12.9 13. Método de Camargo O método proposto por Camargo (1971) é uma simplificação do método de Thornthwaite (1948).4 11.3 12.5 11.5 13.7 10.3 10.9 11. 1998) como uma opção para a estimativa de ETo.3 Dez 11.8 Out 11.6 12. v.2 12.

00327 U2m ln(B) .1434 ln(URmed) . é função da velocidade do vento. havendo a necessidade de um coeficiente de proporcionalidade. em ºC.5 (Tmed + 17.0.4 U2m) (16) em que: U2m é a velocidade média do vento a 2 m de altura. denominado aerodinâmico (AERO). a quantidade de água que é transferida para a atmosfera pelos processos de evaporação e evapotranspiração difere significativamente. que converte a evaporação obtida no tanque Classe A (ECA) em evapotranspiração. deve ser calibrado para outras condições climáticas.0023 Qo (Tmax . Tmin a temperatura mínima do ar.0106 ln(86.61 + 0..8 ) (13) em que: Tmax é a temperatura máxima do ar.0. . da umidade relativa e do tamanho e do tipo da bordadura circunvizinha ao tanque Classe A. B é a extensão da bordadura. Allen et al. Logicamente. os quais são: U2m entre 1 e 8 m s-1. não é de aplicação universal e. A FAO sugere outra opção. o kp pode ser obtido pelas seguintes equações apresentadas por Allen et al. caso contrário pode provocar superestimativas em condições de clima úmido (Sentelhas e Camargo. em ºC. Isso se dá devido ao aumento excessivo da ECA. 1996.Tmin)0. 1998).108 .00063 [ln(B)]2 ln(URmed) (15) para bordadura sem vegetação kp = 0. Método do tanque Classe A Este método é baseado na proporcionalidade existente entre a evaporação do tanque Classe A e a ETo. menor o valor de kp.0.0422 ln(B) + 0. Deve-se atentar para os limites das equações 25 e 26.000162 U2m URmed . 2001). Quanto maior a velocidade do vento. Os valores de kp são normalmente apresentados na forma de tabelas (Doorembos e Kassam. é substituído por uma fração que este representa do primeiro termo. v. 1998). Sua fórmula para a estimativa diária de ETo é a seguinte: ETo = 0. 1994. No entanto. UFRB.0286 U2m + 0. devido às diferenças entre a superfície de água livre e a superfície de uma cultura e entre os mecanismos de resistência ao transporte de água e vapor que atuam nesses dois meios. em m s-1. e Qo a irradiância solar extraterrestre. expressa em mm de evaporação equivalente. em que o segundo termo da equação. 2009 229 . sempre menor do que 1. 1998 e Pereira et al. denominado de coeficiente de tanque (kp).4 U2m) ln(B) + 0.00000959 U2m B + 0. para facilitar a interpolação e o uso de sistemas informatizados.00289 U2m ln(86. Allen et al. menor a umidade relativa e menor a bordadura.0. como mostra a equação a seguir: ETo = ECA kp (14) O valor de kp.0.4 U2m) . em %. que é a de se adotar valores médios de URmed e U2m para a região estudada. portanto. denominado energético (ENERG).quando há somente disponibilidade de dados de temperatura do ar local. em m. Assim como os métodos de Camargo e de Thornthwaite. nessas condições. em relação ao aumento de ETo.. proposta pelo boletim 56 (Allen et al.00063 [ln(B)]2 ln(86. Tmed a temperatura média do ar.00341 URmed . e URmed a umidade relativa média diária. considera que: Eto = ENERG + AERO (16) Tópicos em Ciências Agrárias. 1. (1998): para bordadura vegetada kp = 0. B entre 1 e 1000 m e URmed entre 30 e 84%.0. em ºC. Uma alternativa no caso de não se dispor de dados de URmed e de U2m é o de se adotar um kp fixo.. Método de Priestley-Taylor É uma simplificação do método original de Penman (1948). O método de Penman. representativo da região.

38 (Td .407 + 0. podendo ser determinado pelas seguintes expressões: W = 0. da velocidade do vento. Penman combinou o balanço de energia com o método do transporte de massa e derivou uma equação para descrever a evaporação de superfícies de água livre. que representanda todo o conjunto de resistências da superfície que atua no processo. obtidos em estações meteorológicas.483 + 0. pela cutícula e pelo solo. Essas resistências foram genericamente denominadas de resistência da cobertura (rc).26 W (Rn .3)2 (22) 230 Tópicos em Ciências Agrárias. ainda. em ºC. do solo e da vegetação. v. sendo dependente. e W um fator de ponderação dependente da temperatura (T) e do coeficiente psicrométrico. em kPa.Dividindo-se todos os termos da equação pelo termo ENERG.T-3d) (20) sendo Td a temperatura média do dia em questão e T-3d a temperatura média do ar dos três dias anteriores. estimado a partir da seguinte expressão (Pereira et al.063 kPaºC-1. (1 + AERO / ENERG) é denominado de Parâmetro de Priestley-Taylor. T a temperatura média do ar.34 U2m)] (21) em que : Rn é o saldo de radiação. em m s-1. g a constante psicrométrica. tendo o valor de 1. em MJ m-2d-1. es-ea o déficit de pressão de saturação do ar. G fluxo de calor no solo.G). ou.01 T (0 < T < 16ºC) (16. G o fluxo de calor no solo. como mostra a Figura 6. em MJm-2d-1.26. em MJ m-2d-1.1 < T < 32 C) º (18) (19) Não se dispondo de medidas de G. sendo que a rc descreve as resistências ao fluxo de vapor exercidas pelos estômatos. igual a 2. por meio da introdução de fatores de resistência da planta. U2m a velocidade do vento a 2m. l é o calor latente de evaporação. em MJm-2d-1. enquanto que ra representa a resistência ao transporte de vapor exercida pelo fluxo de ar. temperatura. Método de Penman-Monteith (FAO) Em 1948. e s a declividade da curva de pressão de vapor na temperatura do ar. As equações recomendadas para a obtenção das variáveis acima são: s = (4098 es) / (T + 237.45 MJ/kg a 20ºC. esse valor poderá ser desprezado para a escala diária. sendo atualmente recomendada como padrão da FAO com a seguinte parametrização: Eto = {0. (1998) para a estimativa da evapotranspiração de referência na escala diária.G) (17) em que: Rn é o saldo de radiação. igual a 0. umidade e velocidade do vento.G) + g ?[900/(T + 273)] U2m (es . 2009 . podendo ser medido ou estimado. portanto. Esse método foi denominado de combinado e ao longo do tempo foi adaptado para a superfície vegetada. a partir de dados de insolação. o método de Priestley-Taylor fica com a seguinte formulação: ETo = 1.408 s (Rn . 2001): G = 0. 1. A equação com esse novo conceito de resistência da superfície foi apresentada por Monteith (1965) e adaptada por Allen et al. tem-se que: ETo / ENERG = ENERG / ENERG + AERO / ENERG ETo / ENERG = 1 + AERO / ENERG Nessa situação. em kPa ºC-1.ea)}/ [s + g (1 + 0. A rc atua em série com a resistência do ar (ra). UFRB.0145 T W 0.. ambas em ºC. Sendo o termo energético igual a W (Rn .

v. 1998). métodos empíricos como os de Thornthwaite e de Camargo apresentam melhores estimativas em escalas de tempo maiores. Figura 6. enquanto que aqueles que utilizam o balanço de energia podem ser empregados até mesmo na escala horária. os métodos de Priestley-Taylor e Penman-Monteith não poderão ser empregados onde há apenas dados de temperatura do ar. URmax a umidade relativa máxima. No Brasil. Este método vem sendo largamente empregado em todo o mundo. Desse modo.Tmax) / (237. enquanto que a estimativa de G é dada pela equação 20. em %. CRITÉRIOS PARA A ESCOLHA DE MÉTODO DE ESTIMATIVA DA ETo De acordo com Pereira et al. a escolha de um método de estimativa de ETo depende de uma série de fatores. como visto no item anterior. em %.. Esquema da resistência do ar e da cobertura ao fluxo de vapor. O primeiro deles é a disponibilidade de dados meteorológicos. O segundo fator é a escala de tempo requerida. o terceiro fator envolve a adaptabilidade dos métodos empíricos à região de estudo.27. o método de Hargreaves-Samani produz melhores resultados em condições de clima árido e semi-árido. requerendo ajustes locais. URmin a umidade relativa mínima.3 + Tmin)] es = 0. Normalmente. (2001).e ea = (URmed es) / 100 URmed = (URmax + URmin) / 2 T = (Tmax + Tmin) / 2 sendo Tmax a temperatura máxima do ar. Tópicos em Ciências Agrárias. Por outro lado. sendo o único problema a falta dos dados necessários ao seu emprego em algumas localidades. os métodos de Thornthwaite e Camargo apresentam melhores estimativas de ETo em condições de clima úmido.27. (1998). Tmin a temperatura mínima do ar. exigem grande número de variáveis. apresentando excelentes resultados (Allen et al. pois esses não são de aplicação universal. em ºC.es = (esTmax + esTmin) / 2 es Tmax Tmin (23) (24) (25) (26) (27) (28) = 0.Tmin) / (237. Quando aplicado em condições de clima úmido este método superestima a ETo. Os procedimentos de medida e estimativa de Rn são apresentados no item 3 deste capítulo. provocando subestimativas de ETo em climas semi-áridos. 2009 231 . pois os métodos mais complexos. Finalmente.6108. Em geral. 1.3 + Tmax)] [(17. Adaptado de Allen et al. seu emprego já é bastante difundido. UFRB. como por exemplo no semi-árido nordestino. em ºC.6108 e [(17.

Trans. Reference crop evapotranspiration from ambient air temperature. FAO Irrigation and Drainage Paper. An approch toward a rational classification of climate. C. Natural evaporation from open water. C. Rome: FAO. v. New York. Irrigação e Drenagem 33) Tradução Gheyi. B. 183 p. SENTELHAS. CAMARGO. v. Avaliação do desempenho de diferentes métodos de estimativa da evapotranspiração potencial no Estado de São Paulo. London. p. 45 p.. bare soil and grass. A. M. R. L.. p. CAMARGO. of the ASAE.. SEDIYAMA. H. v. R. A. 5. Guaíba.. PENMAN. HARGREAVES. 179pp. G. 1965. v. 232 Tópicos em Ciências Agrárias. M. PEREIRA. 56). DOOREMBOS. Symp. Universidade Federal da Paraíba. crop and soil data. Agrometeorologia . L. Contribuição para determinação da evapotranspiração potencial no Estado de São Paulo. Evapo(Transpi)Ração. PEREIRA. 55-94. M. KASSAM. A. v. v. v. Proc. J.A.R. Estimating soil moisture depletion from climate.J.. SMITH. 163-213. v. Report on the expert consultation on revision of FAO methodologies for crop water requirements. Agric. O Efeito da água no rendimento das culturas. UFRB. O. Rome. 1997. v. 89-97. ANGELOCCI. J.. P. A. 2009 . Geografical Review. SENTELHAS. L. R.... 1. P. H. E. 193. A.L.. 4. SENTELHAS. A. 3. (Boletim. Guidlines for predicting Crop water requirements. Rome FAO. 1996. 1. Evaporation and environment. baseada no método de Hargreaves . v.fundamentos e aplicações práticas. V. PRUITT. p. RS: Livraria e Editora Agropecuária Ltda. 1991. RAES.. P. D. 1977. FAO 306p. 1948. Revista Brasileira de Agrometeorologia. n. 1. 1971. 2001.ed.1974. 38. 116) CAMARGO.. 1998. Chicago. A. 21. n. p. 1. 1. Z. p. WRIGHT. P.. W.. 1994. ed. H. 1971. p. 24 2nd ed. 120-146. PRATT. SAMANI. 954-959.. Piracicaba.. e outros. NOVA. J. G. Campina Grande. ed. 19. R. N. C. A. Santa Maria. 14. Eng.. (Paper 85-2517) 1985. Biol. Meeting. 478 p.. 24p. Campinas: Instituto Agronômico. G. Crop evapotranspiration: guidelines for computing crop water requirements. Soc. P. (Estudos FAO. Equação para a estimativa da evapotranspiração potencial no Estado de São Paulo. 5.. JANSEN. 205-234. THORNTHWAITE. DOOREMBOS. n. J. C. H. 1948. n. Amer.REFERÊNCIAS ALLEN R. 1997. 1. MONTEITH. p. Bragantia. SMITH. 1. PEREIRA. Soc Expl. C. 1962.. L. P. P. 77-81. CAMARGO. Balanço hídrico no Estado de São Paulo. J. Soc.. Santa Maria. Revista Brasileira de Agrometeorologia. (FAO: Irrigation and Drainage Paper. SP: Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz. 1.

CAPÍTULO 17 MISTURA MINERAL PARA BOVINOS EM REGIME DE PASTO Benedito Marques da Costa. Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira & Maria do Carmo Martins Marques da Costa Tópicos em Ciências Agrárias .

ÁGUA E SOLO COMO FONTE DE MINERAIS A água de beber não se constitui em fonte adequada de minerais. Em regime de pasto. Sousa et al. tais como: cálcio. (1966/67). 2009 235 . os animais em regime de pasto podem ter atendidas suas exigências de energia. (1974). RJ. zinco e selênio. a nutrição mineral do ruminante é dada pelo somatório da ingestão de minerais via água de beber.. (1985). Maria do Carmo Martins Marques da Costa1 1 Professor . apresentam um grande consumo de solo. No fígado. plantas e tecidos de animais (Santiago et al. Como o fósforo é o elemento mais carente em ambiente tropical e considerando que os solos dessa região apresentam baixos níveis de fósforo e altos de ferro e alumínio. também. em condições normais e práticas. Em Roraima. em diferentes períodos do ano. Agostini & Kaminski (1976) e Sousa et al.. cobre e zinco. 1. Contudo. Santos et al. quando os animais bebem água com salinidade excessiva. (1987) encontraram deficiência de magnésio nos solos. Gallo et al. Sob condições tropicais. 1985). Também. se os animais possuírem apenas a forragem como única fonte desses nutrientes. forragem da pastagem e eventual suplementação mineral no cocho. (1992). ingestão de solo. Sousa & Darsie. somente 10% do rebanho bovino nacional possui uma correta nutrição mineral e 70% ou mais do efetivo recebe somente sal grosso ou mesmo nenhuma forma de suplemento mineral na dieta. vários autores detectaram níveis deficientes de cobre no solo. 1980). SP. na região de Calciolândia. MG e Barra Mansa. (1992) detectaram deficiências minerais nas plantas forrageiras. era de se esperar um efeito deletério da ingestão de solo sobre a disponibilidade de fósforo ao animal. Possenti et al.. Ambientais e Biológicas/UFRB. para fósforo..MISTURA MINERAL PARA BOVINOS EM REGIME DE PASTO Benedito Marques da Costa1. (1986) observaram deficiências de cálcio e fósforo em forrageiras e níveis próximo ao limite da deficiência.. crescimento. entretanto observaram níveis nas forragens considerados adequados para bovinos de corte em crescimento e acabamento.Centro de Ciências Agrárias. Lopes et al. Teixeira et al. Pereira et al. 1968. as deficiências minerais mais comuns são as de cálcio. Sousa et al. Lopes et al. Cruz das Almas-BA. a sua ingestão causa uma diminuição no consumo de minerais em nível de cocho (Shirley & Carvalho. vez que o nível deste elemento mostrou-se deficiente no fígado. em pastagens. Em Nova Odessa. os teores de magnésio encontrados nas forragens são suficientes para atender às necessidades dos animais em diferentes fases de produção. os quais podem ter exercido um efeito tóxico em nível de absorção ou de metabolismo do manganês. Caielli (1974) informa que foram encontrados níveis de cálcio abaixo do limite. porém inadequados para vacas em lactação. 1966. (1981) observaram níveis elevados de ferro nas forragens. Segundo levantamentos realizados por Andreasi et al. Segundo Haddad & Platzeck (1985). 1971.. 1986). 1976). em regime de pasto. lactação. nas forrageiras e nos tecidos de animais (Tokarnia et al. E-mail: beneditomc@hotmail. Em algumas regiões de Roraima. proteína e vitaminas. Tokarnia et al. iodo. Sousa et al. no metabolismo do manganês. Segundo Underwood et al. 1980 e Santiago et al. gestação e engorda. Níveis excessivos de ferro e manganês foram observados em todos os períodos estudados.. Por isso. cobre. nas cinzas ósseas. No Brasil. citados por Possenti et al. Em algumas regiões de Mato Grosso.. 1971. Rosa et al.. cobalto. UFRB. ela não é considerada quando do cálculo de uma mistura mineral para bovinos em regime de pasto (Haddad & Platzeck. (1982) constataram a interferência do ferro e alumínio ingeridos via solo sobre a utilização de fósforo Tópicos em Ciências Agrárias. cobalto. outros minerais em excesso podem interferir. sódio.com INTRODUÇÃO Em épocas e condições favoráveis de crescimento das plantas forrageiras (calor e umidade). 1960. Contudo. Tokarnia et al. 1985. Bovinos e ovinos. Gallo et al. teores elevados de ferro na dieta interferem na absorção do manganês. v. 1986. 1985). Contudo.. foram verificadas deficiências de zinco nos solos. magnésio e potássio. 1974. 1970. Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira1. foram encontrados níveis abaixo do normal para manganês e concentrações normais para os demais elementos.. fósforo. Esse consumo se torna maior em solos desagregados ou em áreas onde a lotação é alta (Haddad & Platzeck. a nutrição mineral desses animais é freqüentemente desbalanceada..

quanto maior for a percentagem de cloreto de sódio. a aplicação endovenosa de 3 a 40 mg de EDTA-cobre ou glicinato de cobre foi eficaz na correção da deficiência e manutenção de altos níveis séricos de cobre. umidade relativa etc. balas ou pellets de cobalto. o cloreto de sódio (sal comum) é o ingrediente que mais limita o consumo de uma mistura mineral. Segundo Haddad (1980). 2009 . em curto prazo. local e data de amostragem etc. Essa é a melhor forma de mineralizar o rebanho porque existe controle da quantidade ingerida de minerais pelos animais. o conhecimento de sua composição mineral é de fundamental importância no cálculo de um suplemento mineral.A fertilização das pastagens pode melhorar a produção e composição mineral da forragem. 1986. para se regionalizar a mineralização é necessário que se obtenha um grande número de dados da composição mineral de amostras de forragem colhidas na pastagem. d) injeções específicas de elementos minerais. o efeito da ingestão de solo sobre a utilização de fósforo é função dos níveis de ferro e alumínio solúveis do solo ingerido e. f) suplementação no cocho (à vontade). por um determinado espaço de tempo (Haddad & Platzeck. 1976. Contudo. água de beber (e solo) não satisfizer as suas necessidades específicas. Sousa et al. do tipo de solo (estrutura. Injeções específicas de elementos minerais . Para Ammerman et al. condição fisiológica. Cavalheiro & Trindade.. o estádio de maturação da planta colhida. b) fertilização das pastagens. 1. Camarão et al. à vontade. Assim. atentando que esse efeito poderia ser prejudicial quando os animais apresentavam carência de fósforo.. se a ingestão dos elementos minerais via forragem.O uso direto de elementos minerais na ração consiste em misturar os elementos minerais no concentrado fornecido diariamente aos animais. cristais de óxido de cobre etc. não é aconselhável porque os animais ingerem na pastagem uma grande parte de minerais para atender às suas necessidades. tais como categoria animal. Recomenda-se ao gado bovino leiteiro. Seu uso em bovino de corte. 120240 mg de EDTA-cobre. Para bovinos as dosagens utilizadas. em confinamento ou semiconfinamento. Desse modo. temperatura ambiente. forma física da dieta. 1992 e Possenti et al. em ovinos. informações sobre a espécie forrageira. e) minerais contidos na água de beber. Segundo Sousa (1995). Uso direto na ração .A utilização de minerais na água de beber não é recomendável porque existem fatores responsáveis por grande variação no consumo de água pelos ruminantes. sendo aplicável quando as condições econômicas. mostraram-se efetivas por três meses. isto é. Minerais na água de beber . 1976. A composição mineral das plantas forrageiras da pastagem afeta de algum modo o consumo de um suplemento mineral pelo animal. Suplementação de minerais no cocho . menor será o consumo da mistura mineral pelos bovinos.. edáficas e climáticas são favoráveis. v. COMPOSIÇÃO MINERAL DA FORRAGEIRA As espécies forrageiras das pastagens apresentam uma grande variabilidade na concentração dos elementos minerais. também. 1988) e em relação à estação ou ao período do ano (Silva et al. Nascimento Júnior et al. (1984). origem) considerado. também. por até 4 meses. selênio. É o caso da suplementação oral de magnésio. é a forma de fornecimento mais recomendável. 1985).da dieta. sob regime de pasto. Estes dados devem conter.. 1982. a resolução de um problema carencial e/ou manutenção de níveis adequados de um elemento mineral no organismo. Suplementação artificial . MÉTODOS DE SUPLEMENTAÇÃO MINERAL A suplementação mineral é a forma mais racional de se complementar a nutrição dos ruminantes.. Essa variação tem sido observada em relação à idade das plantas (Gomide. o cloreto de sódio (NaCl) é usado no cálculo da mistura mineral como ingrediente regulador do consumo da mistura. Fertilização das pastagens . (1983) sugerem os seguintes métodos para suprir minerais para ruminantes: a) uso direto na ração. UFRB. 236 Tópicos em Ciências Agrárias. 1992).Injeções específicas de elementos minerais são aplicáveis quando se necessita.A suplementação de minerais no cocho.A suplementação artificial por via oral é aplicável quando o consumo de alguns elementos minerais ao nível de cocho for inviável ou difícil de ser atendida. McDowell et al. c) suplementação artificial.

na prática de formulação de misturas minerais são geralmente usados níveis mais elevados de suplementação do que o indicado pelo NRC (1984). Os macroelementos. . sódio 0.000 g ou 10.As exigências nutricionais de minerais para bovinos de corte.000. indicando uma mineralização óssea deficiente. 100 g -----------------. 2009 237 .x x = 900 g ou 900 ppm de P Por outro lado. se uma forrageira apresentar 0.000 g da amostra ------------------------. que é uma reprodução do NRC .000: 1. selênio 0.4 ppm de cobalto. manganês 60 ppm.20 %. que os níveis hepáticos de zinco.000 g ------------. Tópicos em Ciências Agrárias.x 0.000. UFRB.x 1. para o cobalto. fósforo. que são de 0.1 % (1000 ppm) de sódio na matéria seca da dieta. geralmente. nos cálculos práticos de misturas minerais.= 10.900 g de P 100 g da amostra x = 0. quando o consumo de sódio é feito ad libitum. a suplementação de cálcio.000 ppm 100 g . esse valor equivale a 900 ppm desse elemento. para transformar ppm em percentagem. basta dividir o valor em ppm por 10. através de biópsias de fígado feitas em vacas em lactação e em animais de sobreano. Entretanto.National Research Council de 1984. enxofre 0.A unidade utilizada no cálculo das fórmulas minerais é sempre o ppm (partes por milhão).09 g de P 1. Verificou-se. Unidades Utilizadas . Assim. cobalto e manganês estavam abaixo dos teores considerados adequados. Exigências Nutricionais . serão usados os níveis recomendados pelo NRC (1984). zinco 5 ppm.000 ppm deste elemento.005 %.09% .000.000. Sousa (1995) recomenda considerar as exigências de sódio do NRC (1970).CÁLCULO DE UMA MISTURA MINERAL Exemplo do cálculo de uma mistura mineral para bovinos de corte. 1. 100 g da amostra ------------. cobre. para se transformar percentagem em ppm. basta multiplicar por 10.000 g -----------------. magnésio e enxofre segue as exigências mínimas do NRC (1984). são expressos em percentagem.01 ppm. segundo informações de Sousa (1995). no caso do sódio. os animais podem consumir mais de 800 ppm de sódio na matéria seca da dieta. Com relação aos microelementos ferro e manganês.1 g 1.000 g x 1 g x = ------------------------. encontram-se na Tabela 1. Portanto.01 ppm.92 %. As análises das forrageiras de uma fazenda de bovinos de corte indicaram os seguintes resultados: fósforo 0. Sousa (1995) recomenda 0. como a mistura será fornecida à vontade (ad libitum).0. Por exemplo. Contudo.000. v.09% de fósforo.09 %.02 ppm. cálcio 0. iodo 0. tornando-se necessária a transformação para ppm. cobalto 0. cobre 2 ppm. ainda. magnésio 0.09 g ou -----------------------. Assim.085 %. As análises de biópsias de ossos revelaram baixa percentagem de cinza. demonstra-se que 1% de um elemento é equivalente a 10. fósforo e magnésio na cinza óssea confirmaram níveis deficientes nestes minerais. Na presente formulação.13 %. Os resultados das análises de cálcio. potássio 0. ferro 350 ppm.

Sabe-se. Assim. esta quantidade .778 g de fosfato bicálcico (Tabela 3).20 --------Nível tóxico 2.21 % de cálcio e 0.800 . Cálculo da Mistura Mineral .08 0.28ª 0.Tabela 1. tomar-se-á como padrão um animal de 450 kg de peso vivo (P. que o consumo de um bovino é proporcional ao seu peso vivo.00 1. ppm Molibdênio. a mistura mineral poderá ser fornecida aos bovinos de todas as categorias. ppm Manganês. % Fósforo.V.800 ppm de P (Tabela 1) Análise da forrageira = 0.65 0. ppm Zinco.. 238 Tópicos em Ciências Agrárias. ppm Cobalto.300 = 500 ppm de P na MS da dieta./dia Fonte de fósforo: fosfato bicálcico = 18% de fósforo (Tabela 2).00 0. % Sódio. 1) Cálculo de fósforo: Exigência = 0.40 1000 500 115 1000 50 5 2 6 20-100 Fonte: NRC (1984).) e que consuma 10 kg de matéria seca/dia. % Enxofre.5 .A. ppm Flúor. 5 g de fósforo/U.13% ou 1. ppm Nível sugerido 0.00 0. % Microelementos: Ferro. 2009 10 kg de MS/dia.).V.300 ppm de P Nível de suplementação = 1. sabe-se que as vacas de corte das raças nacionais.10 0. UFRB. ppm Iodo. v. Este animal padrão é denominado de uma unidade animal (1 U. quando se calcula uma mistura mineral para 1 U. ppm Selênio. Exigências nutricionais de minerais para bovinos de corte. ª Para animais de 450 kg de peso vivo com ganhos diários de 0.A. Elementos minerais Macroelementos: Cálcio. temos que: 500 ppm de P = 500 mg de P/kg de MS da dieta 500 ppm de P = 5000 mg de P/10 kg de MS da dieta Considerando que um animal de 450 kg de peso vivo consome cerca de poderá ser representada da seguinte maneira: 5000 mg de P/animal de 450 kg de peso vivo ou.18% ou 1.0 kg recomenda-se 0. sendo os consumos estimados de acordo com o peso vivo médio dos animais em questão.10 0. ppm Cobre.40 3. Como ppm = mg/kg. e nem sempre consomem 10 kg de matéria seca por dia. geralmente. pesam menos de 450 kg de P. 1.17-0.48ª 0. % Magnésio.18 g de P x --------------------------.A. expressas na matéria seca do alimento.10 50 30 8 40 0. também.17-0. % Potássio.50 0.18 % de fósforo.1. sendo representado por uma vaca seca. respectivamente. Contudo.5 g de P x = 27.No cálculo da mistura mineral. 100 g de fosfato bicálcico --------------------------.00 10.1.

10 % ou 1000 ppm de Mg (Tabela 1) Análise da forrageira = 0. 100 g de óxido de magnésio -------------------------.850 = 150 ppm de Mg na MS da dieta.60.A. 1. A quantidade calculada para fornecimento de fósforo foi de 27. 2009 239 . O fosfato bicálcico possui 23. Análise da forrageira = 5 ppm de Zn Nível de suplementação = 30 .x x = 6. UFRB. tendo em vista que o fosfato bicálcico já contribui com uma quantidade de cálcio que satisfaz as necessidades dos animais.5 g de Mg/U.A.3 g de Ca 27.5 = 25 ppm de Zn na MS da dieta Nível de suplementação =25 ppm de Zn = 25 mg de Zn/kg de MS da dieta = 250 mg de Zn/10 kg de MS da dieta = 250 mg de Zn/animal de 450 kg de peso vivo = 0./dia Fonte de magnésio: óxido de magnésio = 60./dia Fonte de cálcio: fosfato bicálcico = 23.3 g de Mg x -------------------------x = 2.3 % de Ca (Tabela 2).3 % de cálcio. A.3 % de magnésio (Tabela 2). 3) Cálculo do magnésio Exigência = 0.0 g de Ca/U. não será necessário suplementar com mais outra fonte de cálcio.2000 = 100 ppm de Ca 100 ppm de Ca = 100 mg de Ca/kg de MS da dieta = 1000 mg de Ca/10 kg de MS da dieta = 1. 150 ppm de Mg = 150 mg de Mg/kg de MS da dieta = 1500 mg de Mg/10 kg de MS da dieta = 1500 mg de Mg/animal de 450 kg de peso vivo = 1. 4) Cálculo do zinco Exigência = 30 ppm de Zn (Tabela 1).085 % ou 850 ppm de Mg Nível de suplementação = 1000 .2) Cálculo do cálcio: Exigência = 0.488 g de óxido de magnésio (Tabela 3).21 % ou 2100 ppm de Ca Análise da forragem = 0. Desse modo.23. a contribuição do fosfato bicálcico em cálcio foi: 100 g de fosfato bicálcico -------------------------.472 g de cálcio Assim.25 g de Zn//U.5 g de Mg Tópicos em Ciências Agrárias./dia 1.20 % de Ca ou 2000 ppm de Ca Nível de suplementação = 2100 .778 g de fosfato bicálcico. v.778 g de fosfato bicálcico -------------------------.

08 % ou 800 ppm (Tabela 1).0 mg de Se/10 kg de MS da dieta = 2.2 mg de Se/kg de MS da dieta = 2. 2009 . No caso do cobalto.3 g de Zn x ---------------------. 6) Cálculo do Selênio Exigência = 0. 100 g de selenito de sódio ---------------------------.10 ppm de Co (Tabela 1).004 g de Co//U.002 g de selênio x = 0.004 g de selenito de sódio (Tabela 3). na prática de formulação de misturas minerais.0 mg de Co/animal de 450 kg de peso vivo = 0.01 ppm Nível de suplementação = 0. v.8% de Cobalto (Tabela 2).0.3% de zinco (Tabela 2).01 ppm de Co Nível de suplementação = 0./dia (Tabela 3). iodato de potássio e enxofre em pó.2 ppm 0. Por isso.A. 1.002 g de Se/U.45 g de Selênio x ---------------------------. 0. são geralmente usados níveis mais elevados de suplementação.4 mg de Co/kg de MS da dieta = 4. Análise da forrageira = 0. 100 g de sulfato de cobalto --------------------------. 100 g de óxido de zinco ---------------------. conforme recomendação de Sousa (1995).2 ppm de selênio = 0.311 g de óxido de zinco (Tabela 3).0 mg de Se/animal de 450 kg de peso vivo = 0. 5) Cálculo do cobalto Exigência = 0.004 g de Co x = 0. tomou-se um nível de suplementação de 0.0.24.0 mg de Co/10 kg de MS da dieta = 4. iodo e enxofre (Tabela 3).0.2 ppm (Tabela 1). A.8 g de Co x --------------------------. 7) Cálculo do Sódio Exigência de sódio = 0.A.Fonte de zinco: óxido de zinco = 80.80.005% ou 50 ppm Nível de suplementação = 1000 ppm 240 Tópicos em Ciências Agrárias./dia Fonte de selênio: selenito de sódio = 45 % de selênio (Tabela 2). UFRB. correspondentes a cobre. Análise da forrageira = 0.4 ppm de Co = 0.25 g de Zn x = 0.4 ppm na MS da dieta./dia Fonte de cobalto: sulfato de cobalto = 24.4 ppm de cobalto na matéria seca da dieta. Usando-se do mesmo raciocínio pode-se chegar também aos valores de sulfato de cobre. segundo recomendação de Sousa (1995).016 g sulfato de cobalto//U. Análise da forrageira = 0.

6H2O CoSO4.7 Zn 22. 7 H2O Sº Na2 SeO3 Cl 60 Na 37 Co 49.O NRC (1984) recomenda para o sódio 0.3 18.0 25.5 14.0 38.0 59. UFRB.Mg CO3 CaCO3. quando o consumo de sódio é feito ad libitum.7 41.2 30.5 Cu 37. 1. os animais podem consumir mais sódio do que 800 ppm na matéria seca da dieta.5 Fe 36.2 80.9 96 Se 45 Cristais brancos Cristais vermelhos Cristais vermelho escuro Cristais vermelhos Cristais brancos Cristais brancos Pó avermelhado Cristais avermelhados Cristais vermelhos Pó preto Cristais azuis Pó solúvel Pó ligeiramente solúvel Cristais brancos Pó branco Pó branco Cristais brancos Pó amarelo Cristais brancos Iodo Iodato de cálcio Iodato de potássio Carbonato manganês Manganês Sulfato de manganês Cobre Cloreto de cobre Óxido de cobre Sulfato de cobre Sulfato ferroso anidro Carbonato ferroso Zinco Sulfato de zinco Óxido de zinco Óxido de magnésio Sulfato de magnésio Enxofre em pó Selenito de sódio Ferro Magnésio Enxofre Selênio Fonte: Campos (1980) Tópicos em Ciências Agrárias.0 23.2H2O Ca3(PO4)2.5 22.7 80. 5 H2O Fe SO4 Fe CO3. v.5 24. H2O CuCl2.5 13. Elemento Cálcio e Fósforo Nome do produto Fosfato bicálcico Farinha de ossos autoclavada Fosfato de rocha desfluorado Carbonato de cálcio Calcário calcítico Calcário dolomítico Farinha de ostras Fosfato dibásico de amônio Cloreto de sódio Carbonato de cobalto Cloreto de cobalto Sulfato de cobalto Fórmula CaHPO4.8 32.3 Forma Física do Produto Cristais brancos Farinha Pó ligeiramente solúvel Pó branco Pó insolúvel Pó insolúvel Granulada Cristais brancos Cloro e sódio Cobalto NaCl CoCO3 CoCl2.08 % (800 ppm) na matéria seca da dieta.A.3 38. 2 H2O Cu O CuSO4. quando o sódio é fornecido à vontade..3 9. 7 H2O Ca (IO3)2 KI O3 de Mn CO3 MnSO4.7 24./dia Tabela 2. 7 H2O Zn O Mg O MgSO4.CaX CaCO3 CaCO3 CaCO3.1 29.8 I 62. que são de 0. H2O Zn O4. Sousa (1995) recomenda considerar as exigências de sódio do NRC (1970). Assim.CaX % Elemento Ca P 23.CaX Ca3(PO4)2.1% (1000 ppm) de sódio na matéria seca da dieta. Nos cálculos práticos de misturas minerais. Fontes de minerais para bovinos.3 Mg 60. 1000 ppm de sódio = 1000 mg de Na/kg de MS da dieta = 10000 mg de Na/10 kg de MS da dieta = 10000 mg de Na/animal de 450 kg de peso vivo = 10 g de Na/U. considerou-se o nível de suplementação de 1000 ppm de sódio.0 Mn 47. Entretanto.2 40. 2009 241 .

027 58.10 g de sódio x = 27. A.004 27.223 0. V. M. 1966/67. MENDONÇA JÙNIOR. Mistura Mineral em Percentagem . Revista da Faculdade de Medicina Veterinária. ANDREASI. Levantamentos dos elementos minerais em plantas forrageiras de áreas delimitadas do Estado de São Paulo. Desse modo.Fonte Sódio: cloreto de sódio = 37% de sódio (Tabela 2). R.58. G. Fontes de minerais. A. VALDIVIA.007 45. AMMERMAN. S. v.014 1. J. Anais. Exemplo do cálculo: 27.100 g da mistura x = 47. X. v.016 0.879 100. Fonte Fosfato bicálcico Óxido de magnésio Óxido de zinco Sulfato de cobre Sulfato de cobalto Iodato de potássio Enxofre em pó Selenito de sódio Cloreto de sódio Total Consumo em g/U. A.778 2. n. A.778 g de fosfato bicálcico -------------------------.A fim de facilitar o preparo da mistura. de O.4.59. F. H. 3. Assim. p.488 0.027 g de cloreto de sódio (Tabela 3).027 0.042 0.909 Composição em % 47. é importante que todos os ingredientes da mistura mineral sejam bem homogeneizados com o cloreto de sódio. I. P. Alimentação. J. MATOS. Effect of sand or soil as a dietary component on phosphorus utilization by sheep. J. BATISTA. Estudo preliminar das concentrações de nutrientes minerais de solos e pastagens naturais ocorrentes em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. In: ENCONTRO DE ATUALIZAÇÃO EM PASTAGENS.. o provável consumo /unidade animal/dia e a percentagem de cada ingrediente na mistura mineral. n.37 g de sódio x --------------------------. a fim de que o consumo seja semelhante ou aproximadamente o mesmo do previamente calculado.. 1984.528 0. 1. ROSA.154 % de fosfato bicálcico A Tabela 3 mostra as fontes de minerais usadas. B. 1974. H.399 0. consumo por unidade animal/dia e percentagem dos ingredientes na mistura mineral.154 4.. L. RS. 100 g de cloreto de sódio --------------------------. Santa Maria. transforma-se os valores de consumo das fontes de minerais/unidade animal/dia para percentagem (Tabela 3). 1. São Paulo. 583-604... Cálcio. Revista Centro de Ciências Rurais. /dia 27.769 0. E.235 0. p. C. um bovino ao ingerir 58. KAMINSKI.311 0. v. Teores de minerais de capim canarana-erecta-lisa (Echinochloa 242 Tópicos em Ciências Agrárias. Tabela 3. CAIELLI. UFRB.. 1974.. A.. v. Nova Odessa. 2 CAMARÃO. 1092-1099. SP: Instituto de Zootecnia. 2009 . n. 6. 385-406. v. fósforo e magnésio..909 g da mistura consome aproximadamente 27 g de cloreto de sódio (10 g de sódio) e geralmente perde o apetite pela mistura mineral. et al.154 g ou 47.. I.909 g da mistura x -------------------------. 7.008 1. Nova Odessa. 4. C.000 REFERÊNCIAS AGOSTINI. 1976. Journal of Animal Science. et al. VEIGA.

nos solos. LOPES. 1974. p. M. Carências minerais: aspectos relacionados com a deficiência de cobre no organismo animal. I. et al. O. R. Composição química inorgânica de forrageiras do Estado de São Paulo. 1988. 3. J.. R. Tabelas para cálculo de rações... R. v.. P. Concentrações de cálcio.1240. Gainsville: University of Florida. 54) CAMPOS. H. 1976. O. Determinações minerais em forragens e tecidos de bovinos... J. 151-159. C. 6. Revista Brasileira de Zootecnia. 1992.National Research Council. Boletim de Indústria Animal. Viçosa: Universidade Federal de Viçosa. 1970. p. 4th ed. V.. p. J. sódio e potássio em pastagens nativas do Rio Grande do Sul. C. .Oeste do Brasil. n. 1976. magnésio.. J.. R. Washington.: National Academy of Science. 56 p. Experientiae.National Research Council. A. A. In: SIMPÓSIO LATINO-AMERICANO SOBRE NUTRIÇÃO MINERAL DE RUMINANTES EM PASTAGENS. S. J. Belo Horizonte: UFMG. D. McDOWELL. 20-33. BRAGA. J. Teores de cobre e zinco em amostras de tecido animal.. HADDAD. p. Anais. p. p.12.pyramidalis) em três idades.. TRINDADE. p.55. MINERAIS PARA RUMINANTES. ESAL. C. SANTIAGO. forrageiras e tecidos animais. Teores de fósforo. RIBEIRO. Piracicaba: ESALQ/CATI. M. FICHTNER. 1. Estudos de elementos minerais de interesse para a bovinocultura de corte. MG. C et al. n. C. F. 32. n. SILVA. C. 49.1231. FURLANI. em áreas da região Centro . PLATZECK. H. 61 p. J. 115-138. HIROCE. Interrelationship of dietary phosphorus. C.. 53.A.. p. 1986. D. 1 / 4. v. HADDAD. Administração e consumo de um suplemento mineral.. R.. D. Boletim de Indústria Animal. ROSA. Minerals for grazing ruminants in tropical regions. 1-14. 1. Viçosa. v. 2009 243 . v. BATAGLIA. 80. SILVA. 1. PA: EMBRAPA/CPATU. S.: National Academy of Science. 2. 1980.1980. cobre e cobalto em algumas pastagens de Teófilo Otoni. Subcommittee on beef cattle Nutrition. CAVALHEIRO. PEREIRA. W. Nutrients requirements of beef cattle. 31. n. A. Arquivo da Escola de Veterinária. J. UFRB. C. JARDIM. D. P. aluminium and iron on perfomance and tissue mineral composition in lambs. In: SIMPÓSIO SOBRE NUTRIÇÃO DE BOVINOS. 131-144. n. MG. Belo Horizonte. 155-188. W. A. v. Revista Brasileira de Zootecnia. 1980. POSSENTI. 418-428. Anais. J. São Paulo. São Paulo. Tópicos em Ciências Agrárias. p. Piracicaba. 48-55. 6.. W. 1971. 1992. L. R. 2. HENRY. V. Belém. 12 p. 1984. A.. et al. C. C. de O. M. UFV. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA PASTAGEM. C. 21. S. E. v. 1985. GALLO. AMMERMAN. v. 5. p. v. NRC .. 1982. L. Arquivos do Instituto Biológico. D. Piracicaba: FEALQ. CAMARGO. et al. Subcommittee on beef cattle nutrition. 1983. PINHEIRO.. Composição mineral de gramíneas e leguminosas. SP.. Nova Odessa. S. EPAMIG. ELLIS. 3. Washington. A... S. CONRAD. NAZARIO... LOBÃO. (Circular Técnica. v. n. 87p. O. Piracicaba. et al. B. Journal of Animal Science. NRC . n. A. Anais. NASCIMENTO JÚNIOR. 6th ed. Nutrients requirements of beef cattle. 1985.67-86. 55 p. Teores de alguns minerais no capim-jaraguá em várias idades de corte. M. H. 1980. GOMIDE. p. et al.

5. Determinação do teor de cobre. G. J. 34-50. n.. UFRB. Brasil.. Pesquisa Agropecuária Brasileira. Experientiae. L. v. TOKARNIA. Pesquisa Agropecuária Brasileira. de Formulação de misturas minerais para bovinos. F.. 739-746. C. 16. v. J. F. p. 11. p. p. Rio de Janeiro. 22. 2009 . 3.. MENDES. J. v.. p.. GONÇALVES. BRAGA. Brasil. E. M. 1980. p. M. et al. 1. J. CARVALHO.. Deficiência de fósforo. n. 1981.. GOMES.. DOBEREINER. n. SILVA. Revista Brasileira de Zootecnia. C. N. CAMPOS. p. cobre e cobalto em pastagens do município de Morrinhos. sódio e potássio. 163-167. 1. n. 37. IV. 5. C. C. p. 1327-1336.. C. N. I. W. SILVA.. J. R. J. MG. W. Pesquisa Agropecuária Brasileira. J. Belo Horizonte: UFMG. et al. GONÇALVES.. 3. v.. 12. J. da. Cálcio e fósforo. 1966. GUIMARÃES. TOKARNIA. Brasília.. p. VIANA. 2. A. SOUSA. 1. M. 1987. 20. et al. v. A. C. 3. EPAMIG. In: SIMPÓSIO LATINO AMERICANO SOBRE PESQUISA EM NUTRIÇÃO MINERAL DE RUMINANTES EM PASTAGENS. p. 1. J.. C. Viçosa. J. 2. 21. CANELLA. Anais. 12. G. Deficiências minerais em bovinos de Roraima. SOUSA. SAMPAIO. C. Pesquisa Agropecuária Brasileira. J. C. 3. TOKARNIA. C. Piracicaba: FEALQ. C. Pesquisa Agropecuária Brasileira. F. UFV. FERNANDES. Brasília. Cobre e molibdênio. v. H. Magnésio. et al. A. G. CANELLA. P. v.ed. H. Pesquisa Agropecuária Brasileira. J.SANTOS. Brasil. SOUSA. Arquivos do Instituto Biológico.1995. TEIXEIRA. Brasília.. v. ferro e cobalto. 1976.. J. Pesquisa Agropecuária Brasileira. SOUSA. R. M. Zinco e cobalto. H. 1985. H. SOUSA. 473-489 (FEALQ. 1971. et al. FREIRE. 3. p.. DARSIE. Suplementação mineral de novilhos de corte em pastagens adubadas de capim-colonião. Interrelações entre minerais. III. 1309-1316. no solo. Ataxia enzootica em cordeiros na costa do Piauí. Deficiência de cobre em bovinos no delta do Rio Parnaíba.. p. 1976. p. C. Deficiências minerais em bovinos de Roraima. plantas forrageiras e tecido animal. Teores de alguns nutrientes minerais em três gramíneas forrageiras.. n. 1986. 335-341. Goiás. M. SHIRLEY. et al. n.. C. et al. 7). v. n. DOBEREINER. M. C. p. de Água como fonte de minerais.151-167. de O. Manganês. n. v. S. 11. CONRAD. 259-269. SOUSA. C. 3. v. São Paulo. R. n. J. 1960. 1970. C. C. 375-382. Brasília. Interrelações entre minerais no solo. T. plantas forrageiras e tecido animal. E . Editado por Aristeu Mendes Peixoto e outros. C. Brasília. v. v. cobalto e vitamina B12 em fígado de bovinos e capim de algumas regiões do Estado de São Paulo. BLUE. p. C. nos Estados do Piauí e Maranhão.. 1985. et al. Deficiências de cobre e cobalto em bovinos e ovinos no Nordeste e Norte do Brasil. 20. 1982. 15. C... VIANA. 25-32. F. ESALQ.. Pesquisa Agropecuária Brasileira. ESAL. CANELLA. 89-98. SOUSA. H. H. Deficiências minerais em bovinos de Roraima. CONRAD. R. BLUE. L. Brasília. 244 Tópicos em Ciências Agrárias. J. J. Série Atualização em Zootecnia. J. 63-87. 351-360. M. J. 1968. In: Nutrição de bovinos: conceitos básicos e aplicados. Arquivos do Instituto Biológico.

CAPÍTULO 18 EFEITOS DA ADIÇÃO DE GORDURA SUPLEMENTAR À RAÇÃO DE BOVINOS SOBRE O METABOLISMO DA GLÂNDULA MAMÁRIA. A QUALIDADE DO LEITE E DA CARNE E A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS FUNCIONAIS Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira Tópicos em Ciências Agrárias .

Entretanto. Recomenda-se que a suplementação lipídica para vacas de leite seja feita no início do pós-parto. E-mail: sljaeger@ufrb. Neste capítulo será feita uma avaliação das perspectivas do uso de fontes lipídicas em dietas de ruminantes e sua influência sobre o metabolismo da glândula mamária.br. 1994) que é composta por cerca de 95% de triglicerídeos.EFEITOS DA ADIÇÃO DE GORDURA SUPLEMENTAR À RAÇÃO DE BOVINOS SOBRE O METABOLISMO DA GLÂNDULA MAMÁRIA. óleo de sementes. Efeitos da suplementação lipídica sobre o metabolismo da glândula mamária A glândula mamária é o maior sítio de triglicerídeos dos ruminantes.Centro de Ciências Agrárias. gajocaol@ufrb. tanto para gado de corte em confinamento. podendo conter misturas de gordura vegetal e animal. apresentando. característicos deste período. A QUALIDADE DO LEITE E DA CARNE E A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS FUNCIONAIS Soraya Maria Palma Luz Jaeger¹.. A glândula mamária é dependente do suprimento sanguíneo que fornece substâncias. Cruz das Almas-BA.edu. também devem ser considerados quando se recomenda a suplementação lipídica. ao contrário do que é observado na maioria dos leites das outras espécies. A disponibilidade destas substâncias é definida como o produto de sua concentração no sangue e do fluxo sanguíneo no úbere (Davis & Collier. sendo consideradas. composição totalmente diversa daquela encontrada nas reservas corporais ou no leite de não ruminantes (Kinght et al. tanto no comprimento de cadeia. o fornecimento de gordura adicional pode influenciar outros aspectos fisiológicos dos ruminantes. sebo. 1. A composição de ácidos graxos do leite dos ruminantes reflete a natureza dos lipídios da dieta. melhorando a saúde humana). b) reduzir os teores de gordura saturada da carne e do leite. c) produzir os chamados alimentos funcionais (i. Ambientais e Biológicas/UFRB.edu. 50% provêm da gordura (Van Soest. 2009 247 . além dos efeitos sobre a fermentação ruminal e a composição do perfil de ácidos graxos do leite e da carne.br INTRODUÇÃO A adição de gordura suplementar à ração de bovinos é uma estratégia alimentar que vem sendo bastante utilizada como alternativa economicamente viável. como para vacas de leite de alta produção. UFRB. O desenvolvimento de pesquisas utilizando uma ampla variedade de fontes dietéticas de gordura tem buscado. a qualidade do leite e da carne. visando corrigir o déficit energético ocasionado pelo baixo consumo de alimentos e o aumento da demanda de energia para a lactação.e. apresentam perfis de ácidos graxos também variáveis. que apesar de menos estudados. alimentos que contém compostos que agem como farmacêuticos. a recomendação da adição de gordura é feita para as dietas de terminação. A principal peculiaridade do leite de ruminantes consiste na presença de ácidos graxos de cadeia curta (produzidos na síntese lipídica da glândula mamária). que por sua vez. ruminalmente inertes. em proporções adequadas. (1993) e é apresentado na Tabela 1. Tópicos em Ciências Agrárias. As fontes lipídicas fornecidas aos bovinos. bem como a importância desta prática na produção dos alimentos funcionais. na tentativa de aumentar a densidade energética da dieta. neste caso. proporcionando maior ganho de peso em níveis mais baixos de consumo. bem como os efeitos do metabolismo ruminal dos ácidos graxos e a síntese destes ácidos no intestino. Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira¹ 1 Professor . principalmente: a) minimizar os efeitos negativos dos lipídios sobre a fermentação ruminal. quanto no grau de saturação. para sustentar a síntese láctea. v. são variadas. Do total de calorias do leite destes animais. glândula mamária e tecido adiposo. O perfil médio de ácidos graxos do leite de bovinos foi descrito por Palmquist et al. 1994). podendo estar complexadas com o cálcio. 1985). óleo de farinha de peixe. portanto. Já no caso do gado de corte.

e observaram redução no teor de gordura do leite de vacas submetidas ao tratamento TRANS (Tabela 2). conseqüentemente. (1994) infundiram no abomaso de vacas holandesas misturas de ácidos graxos ricas em isômeros cis-C18:1 (tratamento CIS) ou trans-C18:1 (tratamento TRANS).63 29. Assim. pode indicar redução do requerimento de NADPH para a síntese de ácidos graxos (redução da ação da isocitrato desidrogenase). síntese. mais recentemente. 1999). Os ácidos graxos de cadeia longa. leva a efeitos depressivos sobre o teor de gordura do leite. 1993). o processo de produção de leite engloba inter-relações complexas entre eventos de absorção. procedimento comum na alimentação de vacas leiteiras de alta produção no início da lactação.0%) 9.0%) A grande maioria dos ácidos graxos de até 16 carbonos presentes no leite de ruminantes.78 (40. ao passo que o acetato responde principalmente pela formação de ácidos graxos de cadeia mediana (10-14 carbonos) por intermédio da formação do primer preferencial malonil-CoA e posterior ação da enzima ácido graxo sintase. Em primeiro lugar. provavelmente exercem influência sobre a síntese de novo e/ou a esterificação de ácidos graxos na glândula mamária.39 11. embora estes mecanismos ainda não estejam bem elucidados. a maior concentração de citrato no leite. Ao que tudo indica. oxidação e excreção. butírico) C6:0 (caproico) C8:0 (caprílico) C10:0 (cáprico) C12:0 (laurico) C14:0 (mirístico) C14:1(miristoleico) C16:0 (palmítico) C16:1 (palmitoleico) C18:0 (esteárico) C18:1 (oleico) C18:2 (linoleico) Teor (g 100 g-1 de gordura) 3.41 2. limitando. 248 Tópicos em Ciências Agrárias. O b-hidroxibutirato parece responder mais pela síntese de ácidos graxos de cadeia curta.34 1. Tem sido relatado que a suplementação lipídica. Essa redução.19 2. observaram redução no teor de gordura do leite e aumento do fluxo de trans-C18:1 para o duodeno. o que resulta num valor mais baixo da proporção C18:0/C18:1 em comparação à digesta duodenal. 2009 . Ácido graxo C4:0 (ac. a ação inibitória do trans-C18:1 sobre a enzima acil-transferase (que atua na esterificação de ácidos graxos) na glândula mamária e..81 3. 1. UFRB. são sintetizados na própria glândula mamária. no alongamento da cadeia (Palmiquist et al. Gaynor et al. 1993). observada no tratamento TRANS. Em suma. Segundo estes autores duas teorias podem estar efetivamente envolvidas na redução do teor de gordura do leite pela suplementação com lipídios. são de origem sanguínea..84 27. Composição padrão de ácidos graxos da gordura do leite de vaca (Adaptado de Palmiquist et al. os quais. a intensidade de ocorrência do ciclo de Krebs na glândula mamária. principalmente a partir do acetato e do butirato. e não da síntese local. que durante muito tempo foi associada a limitações no nível de substrato (acetato e b-hidroxibutirato) para a síntese de ácidos graxos na glândula mamária. Os ácidos graxos saturados que são captados pela glândula mamária são então dessaturados pela ação da enzima dessaturase. Ao estabelecerem regressão entre o fluxo duodenal e concentração de trans-C18:1 no leite com a percentagem de gordura no leite.39 2. relacionada aos ácidos graxos trans-C18:1. haveria efeito negativo da presença do trans-C18:1 sobre o processo de síntese lipídica na glândula mamária.38 (60. este mecanismo encontrado em todos os ruminantes tem a função de preservar a fluidez do leite (Demeyer & Doreau. foi observada relação negativa em ambos os casos. Fornecendo diferentes fontes de gordura suplementar a vacas em lactação.32 2. Wonsil et al. sugerindo que a quantidade de trans-C18:1 que chega à glândula e é incorporada ao leite. sendo sua concentração dependente da ação da enzima lipoprotéica lipase no endotélio capilar mamário (Davis & Collier. v. resultante do efeito tóxico dos lipídios sobre as bactérias fibrolíticas tem sido. ditaria a extensão da depressão no teor de gordura.Tabela 1. em segundo lugar.53 3. 1985). por sua vez. (1994).

não foram observadas interações relacionadas à fonte de lipídio suplementar. Polan & Fisher. 1990. Na comparação entre os diversos resultados.. caroço de algodão. Kalscheur et al. também relatam reduções dentro da faixa citada. sebo. concentração de citrato no leite e fluxo duodenal de trans-C18:1. Wu & Huber (1994) resumiram as comparações entre mudanças na produção e teor de proteína do leite para dietas com gordura suplementar em experimentos individuais (Tabela 3). comparadas a dietas controle (contendo.3 1. embora o trans-11-C18:1 (ácido vacínico) seja na maioria das vezes apontado como mais influente na ocorrência da síndrome do baixo teor de gordura do leite. Dados de 83 experimentos de diversos autores.27 0. Variável Fluxo trans-C18:1 (g dia ) -1 Leite (kg dia ) -1 Gordura (kg dia ) Gordura (%) 1 trans-C18:1 no sangue -1 Citrato no leite (mmol l ) 1 -1 -1 Controle 2 47. acredita-se que o mecanismo causador da depressão da proteína do leite. a caseína é a mais susceptível à depressão associada ao fornecimento de dietas ricas em lipídios (Chow et al. à medida que a produção (volume) de leite é estimulada pela suplementação.59 2. DePeters & Cant. gordura e trans-C18:1. Os mesmos autores acrescentam que manipulações dietéticas para aumentar a absorção de aminoácidos limitantes ou para incrementar a síntese protéica microbiana ruminal seriam indicadas para amenizar este problema. 2009 249 . Como a caseína é sintetizada de novo na glândula mamária. Cant et al. avaliando a influência da suplementação lipídica com diferentes fontes (óleos e gordura animal.99 Dados em g 100 g de ésteres de ácidos graxos.4 7. 3% de gordura na MS).10 a 0. Produção diária de leite. 1993). sais de cálcio de ácidos graxos.15 unidades percentuais na proteína do leite (Canale et al. 1990. (1998) afirmaram que. pela adição de gordura suplementar à dieta. sobre o consumo de matéria seca e porcentagem e produção de proteína do leite. também têm sido associadas a reduções entre 0.. sendo a magnitude da depressão similar para as diversas fontes.211 2. Mudanças relativas na produção de leite e na proteína do leite de vacas recebendo dietas com gordura suplementar comparadas a dietas controle (adaptado de Wu & Huber. Dentre as frações da proteína do leite. em vacas holandesas.45 0. em média.7 8. Tabela 3. (1994).Tabela 2. Fonte: adaptado de Gaynor et al.0 1. gordura dietética acima das recomendações Início da lactação. outros isômeros trans-C18:1 podem ser formados e dúvidas se erguem se outra forma isomérica possa ter ação mais potente sobre o metabolismo da glândula mamária. soja integral e gordura amarela) com teor de gordura variando entre 5 a 8% da MS (e algumas exceções com 17% da MS). 1994).68 TANS 308 47.512 3. mas leite aumentou Proteína e leite diminuíram Aumento proteína < aumento do leite Nenhuma mudança Total 11 15 45 2 83 Consumo da MS diminuído. sumarizados por Wu & Huber (1994). 1992). deva estar associada a uma inadequação dos aminoácidos essenciais disponíveis para a síntese de proteína do leite na glândula mamária. UFRB.0 1. gordura dietética acima das recomendações Diluição da proteína pelo aumento da produção de leite - o Tópicos em Ciências Agrárias.. 1. sugerindo que a depressão da proteína do leite ocorre independente do tipo de gordura suplementar. 1991. resida no tecido mamário. Dietas ricas em lipídios (ruminalmente inertes ou não). Nesta comparação concluiu-se que a diminuição da concentração da proteína do leite durante a suplementação lipídica. sebo protegido. Para determinar as causas da redução da porcentagem de proteína do leite.6 9.605 3. Mudanças relativas na produção de leite N de Razões aparentes para mudanças e proteína do leite comparações Aumento proteína > aumento do leite 10 O consumo de matéria seca foi mantido Proteína diminuiu. (1997) e Griinari et al.83 Tratamentos CIS 2 46. v.

O mecanismo de redução do LDL-colesterol pelo consumo de dietas ricas em ácidos graxos poliinsaturados é o oposto ao demonstrado pelos ácidos graxos saturados. portanto. (1981). óleo de linhaça) protegida contra a biohidrogenação. Esta técnica parece ser bastante eficiente quando se deseja incrementar a absorção intestinal de ácidos graxos polinsaturados. é um dos principais fatores relacionados à baixa proporção de ácidos graxos polinsaturados na gordura destes animais. Da mesma maneira. Ao que parece. o fígado e o tecido adiposo. pode alterar o teor de gordura e a composição de ácidos graxos do leite. maior será a dissociação dos sais de cálcio. não interferindo negativamente sobre a digestibilidade da fibra. sementes oleaginosas e sais de cálcio não resultam em conteúdo de ácido linoléico maior que 5mg/100mg do total de ácidos graxos do leite. 1989). a suplementação lipídica. do leite e seus derivados. A proteção dos lipídios com proteínas tratadas com formaldeído é uma delas. nos animais de corte. Um exemplo de proteção química que vem sendo bastante empregada é a complexação das gorduras com cálcio. quando são fornecidas dietas contendo óleo de peixe. v. conseqüentemente. o conhecimento das particularidades da digestão. Tem-se observado que os ácidos graxos poliinsaturados presentes na carne e no leite de ruminantes. estratégia freqüentemente usada para atingir os requisitos de energia das vacas de alta produção no período do pós-parto. passaram a ser objeto de inúmeras pesquisas visando a melhoria das qualidades nutricionais da carne. 2000). reduções do colesterol propiciadas por dietas ricas em AGPI ocorrem associadas à redução de HDL-colesterol (Mensik & Katan. 1. a biohidrogenação ruminal. o enriquecimento do leite com ácido linolênico só seria possível com o fornecimento de gordura (p. levando à redução de 70-90% do teor de ácidos graxos polinsaturados (AGPI) da digesta. o aumento do fornecimento de gordura insaturada na dieta tem efeito limitado sobre o conteúdo de ácidos graxos insaturados (AGI) nos tecidos ou no leite de ruminantes. Ainda que se consiga aumentar o fluxo duodenal de ácidos graxos insaturados e. incremento da função do receptor de LDL e redução da secreção de lipoproteína-colesterol pelo fígado (Stipanuk. 1993). incrementar a absorção dos mesmos. transporte e metabolismo dos lipídios. que ocorre por ação microbiana. Segundo Connor et al. ex. quando as dietas são ricas em concentrado) ou quanto maior for o teor de ácidos graxos insaturados da gordura complexadada. qualidade do leite e da carne A qualidade dos produtos de origem animal tem sido freqüentemente associada à natureza da fração lipídica neles contida. o que pode trazer sérias limitações a este tipo de proteção. Desde que o elevado consumo de gordura saturada passou a ser apontado por médicos e nutricionistas como principal causa de doenças cardiovasculares em humanos. Tem-se encontrado altos níveis de trans-C18:1 no leite. ou seja. A redução do LDL-colesterol ocasionada pelos AGPI não é somente pela substituição dos ácidos graxos saturados. possuem propriedades que reduzem a concentração plasmática de colesterol em humanos. Entretanto. Entretanto. Gordura não protegida. têm sido sugeridas para tentar proteger a gordura suplementar fornecida aos ruminantes contra a biohidrogenação e. bem como da manipulação do perfil de ácidos graxos nos tecidos dos ruminantes. Ao contrário do que ocorre nos monogástricos. aumentar o fluxo de AGI para o intestino delgado. inibindo a incorporação e/ou a síntese de novo. Inúmeras técnicas. as características qualitativas e quantitativas da produção de carne e leite. físicas e químicas. Pesquisas recentes nessa área têm aperfeiçoado o conhecimento da influência das lipoproteínas na partição dos lipídios entre a musculatura esquelética. 2009 . Além de proteger os ácidos graxos insaturados contra a biohidrogenação. O mecanismo pelo qual os ácidos graxos insaturados diminuem os níveis de LDL-colesterol tem sido investigado intensamente. Porém. em diversos países.Suplementação lipídica vs. A influência positiva dos AGPI w-3 nas doenças cardiovasculares em humanos sugere que seria benéfico aumentar os teores de tais ácidos no leite. Acredita250 Tópicos em Ciências Agrárias. os chamados “sais de cálcio” são considerados ruminalmente inertes. Há ainda estudos que diferenciam os efeitos dos AGPI de acordo com a posição da dupla ligação (w-3 ou w-6).18:1. UFRB. transformando-os em ácidos graxos saturados (principalmente o ácido esteárico) ou isômeros trans de ácidos graxos monoinsaturados (Chilliard. e na contribuição dos lipídios para a síntese de gordura do leite. os AGPI w-3 são mais potentes em reduzir o colesterol que os AGPI w-6. Como já foi comentada anteriormente. Van Nevel & Demeyer (1996) afirmaram que quanto mais baixo o pH ruminal (i. absorção. conseqüentemente.e. Kennelly (1996) afirma que a única maneira de aumentar o teor de ácido linoléico no leite seria a suplementação de lipídios protegidos com proteína. mas também devido a alguma atividade daqueles. deve-se lembrar que a composição química e a taxa de secreção das lipoproteínas estão entre os principais fatores que controlam a utilização de lipídios pelos tecidos e. o uso da proteção com formaldeído é proibido devido ao suposto efeito cancerígeno deste tratamento. óleos ricos em ácido linoléico e óleos parcialmente hidrogenados contendo diferentes isômeros trans.

tem sido sugerido. C18:1. O incremento do teor de triacilgliceróis enriquecidos com AGPI na gordura intramuscular. rins e fígado. melhoria do sistema imune. tais como: efeito anti-carcinogênico. bem como diversos AGPI de cadeia longa. (2002). e aumento dos teores de C18:0. Assim como tem sido observado no leite. isto é. caracterizada por decréscimo nos teores de C16:0. O CLA é produzido no rúmen. que são aqueles que contém compostos com propriedades farmacêuticas. a produção de carne não é limitada pelo consumo de energia. que pode promover alterações benéficas na composição de ácidos graxos da carne. Entretanto a maior susceptibilidade à oxidação e aos defeitos de aroma e sabor da carne e derivados enriquecidos com AGPI também devem ser considerados. Segundo Ashes et al. Ultimamente tem-se relatado que o ácido linoléico conjugado (CLA). Existem nove diferentes isômeros do CLA de ocorrência natural em alimentos. encontrado em altas concentrações na gordura de animais. sem a presença do Carbono metilênico entre as duas duplas ligações. Pires et al. em razão disso pesquisadores têm buscado elevar os teores de CLA nestes alimentos. Rule et al. músculos. acreditou-se que o melhoramento genético visando obter animais mais magros com baixo teor de gordura intramuscular seria a melhor solução para se obter carne bovina de melhor qualidade. ao que parece. pode conferir à carne e ao leite. quando se almeja manipular o perfil de ácidos graxos destes produtos. ainda são escassas as pesquisas desenvolvidas nesta área. promoção do crescimento. 1994. mas também com a produção dos chamados alimentos funcionais.octadecenóico (ácido trans-vacinico) e. o cis-9 trans-11 parece ser a forma mais comum que apresenta atividade biológica. Clinquart et al. Parodi. 2009 251 . e um aumento nos teores de ácidos graxos de cadeia longa (principalmente C18:1) da carne. devido a menores taxas de hidrogenação no rúmen (Demeyer & Doreau. (1994). Durante algum tempo. através de manipulações da dieta passou então a ser o alvo das pesquisas.. observaram aumentos de até 100% nos teores de AGPI intramuscular (gordura de marmoreio) destes animais. a suplementação com gordura insaturada tem provocado um decréscimo nos teores de ácidos graxos de cadeia curta e média. não têm se preocupado apenas com a melhoria das qualidades nutricionais destes alimentos. (1991) relatam que a suplementação com óleo de linhaça na dieta de bovinos elevou o teor de C18:3 w-3 no tecido adiposo. Entretanto é sabido que baixos níveis de gordura intramuscular (cerca de 10g kg-1) podem prejudicar as propriedades organolépticas da carne. O CLA se refere a uma mistura de isômeros (geométricos e de posição) do ácido linoléico (C18:2 w-6) com uma dupla ligação conjugada. propriedades benéficas à saúde humana. como primeiro intermediário da biohidrogenação de ácido linoléico da dieta. v. Em uma segunda etapa o dieno conjugado é hidrogenado ao ácido trans-11. depreciando o seu valor. (1992) os lipídios intramusculares em carneiros retêm muito mais AGPI w-3 que o leite. 1. UFRB. bem como aos seus subprodutos. e. quando gordura protegida a base de óleo de peixe é adicionada à dieta destes animais. então hidrogenado ao ácido esteárico. Estes efeitos têm sido menos pronunciados nos lipídios intramusculares em comparação aos da gordura subcutânea. 2000) e. funcionando como incentivo adicional ao uso da suplementação lipídica para o gado de corte. 1999). a adição de gordura é uma alternativa viável para baratear a formulação de dietas. Um incremento na proporção de AGPI w-3: w-6 em animais magros. Desses isômeros.1997. e quando a fonte de gordura é composta de sementes oleaginosas tratadas pelo calor ao invés de óleos (não protegidos). De maneira diversa à produção de leite. aumento da massa magra e propriedades antidiabéticas (Pariza. mais tarde.se que uma combinação entre altos níveis de concentrado e uma suplementação com óleos de peixe ou óleos ricos em ácido linoléico poderiam aumentar a produção de trans-18:1. forneceram a bovinos suplementação lipídica a base de canola extrusada e observaram alterações na composição de ácidos graxos do tecido adiposo. Contudo. pois o tratamento térmico das sementes de oleaginosas parece proteger os ácidos graxos C18:2 da biohidrogenação. citados por Gaynor et al. (1994). Bessa et al. muito embora esta atividade também tenha sido Tópicos em Ciências Agrárias. pela enzima ácido linoléico isomerase produzida pela bactéria Butyrivibrio fibrisolvens. podendo agir em benefício da saúde humana. analisando o perfil de ácidos graxos da carne de novilhos precoces alimentados com fonte suplementar de gordura protegida (5% da MS). Suplementação lipídica influenciando a produção de alimentos funcionais As estratégias de alimentação de ruminantes que visam a manipulação do perfil de ácidos graxos da carne e do leite.

relatada para outros isômeros. Alguns autores utilizam o nome ácido rumênico para o isômero encontrado em maiores concentrações na mistura CLA.1995).4 Tsuneishi et al. ao longo do ano. Dados de diversos autores compilados por Demeyer & Doreau (1999). HDLcolesterol e aumenta o VLDL-colesterol em 18%.. Embora os pesquisadores venham obtendo sucesso na busca para elevar os teores do ácido linoléico conjugado nos alimentos de origem animal. (2) Os maiores aumentos dos teores de CLA são obtidos quando a fonte da suplementação lipídica é composta por óleos ricos em ácido linoléico.9 McGuire et al. as concentrações atualmente encontradas na carne e no leite de 252 Tópicos em Ciências Agrárias. 1. (3) Os aumentos nos teores de CLA promovidos pela suplementação com fontes ricas em ácido linolênico são mais discretos que aqueles ocasionados por fontes ricas em ácido linoléico. e óleos ricos em C20:5 e C20:6. (1998) 2. Concentração de ácido linoléico conjugado em carne bovina crua (Maloney et al. 2009 .8 Referências Ma et al.5 Foferly et al.0 Enser et al. (2001) sumarizaram dados de diversos autores relatando as concentrações de CLA na carne bovina (Tabela 4).2 – 12. (1994) 5. (1997) 2. silagem de gramíneas ou concentrado sobre a concentração intramuscular de CLA em bovinos de corte. French et al.0 Fritsche e Steinhart (1998) Os autores atribuíram a alta concentração deste ácido nas carnes irlandesas e australianas. e relataram que bovinos suplementados com fontes de AGPI apresentaram um aumento de duas a três vezes na concentração de CLA. (2000) 3. Segundo Mir et al. especialmente o trans-10 cis-12.33 g dia-1) resultou em aumento da concentração de CLA nos tecidos da carcaça.0. a suplementação de CLA para ovinos em confinamento com uma fonte de ácido linoéico (óleo de girassol . (b) óleo de linhaça (rico em C18:3). ou sais destes ácidos. (1988) 3.0 1. 11% e 61%. em humanos.8 French et al. (1999) 7. Enser et al. (2000) 1. Dieta Desconhecida Cevada (800g/kg dieta) Silagem de gramíneas e concentrado Milho (820 g/kg dieta) Desconhecido Desconhecido Grãos Concentrado Gramínea Gramínea Gramínea Desconhecida País Canadá Canadá Reino Unido USA USA USA USA Japão USA Austrália Irlanda Alemanha Concentração (mg/g gordura) 1.1 Shanta et al. estudando o efeito de dietas baseadas em pastejo (gramíneas). (1992) 1. (1995) e Jiang et al. 2001). Segundo Deckere et al.7 – 5.7 -10. (c) óleo de peixe (rico em C20:5 e C20:3). relacionando os efeitos da fonte de gordura suplementar da dieta de vacas sobre o teor de CLA no leite. (1999) 3. (1999) Mir et al.4 Shanta et al. revelaram que: (1) gorduras saturadas e monossaturadas não promovem o aumento do CLA. (1997) 3.9 – 4. UFRB. (1999) estudaram a concentração de CLA na carcaça de bovinos da raça Charolês recebendo suplementação com diferentes tipos de gordura: (a) saturada. Porém. ao fato do gado consumir maior quantidade de forragens ricas em AGPI nestes países.. As concentrações de CLA na gordura do leite são primariamente influenciadas pelo suprimento de ácido linoléico no rúmen. (1999). (2000).7 – 1. o cis 9 trans 11 CLA não apresenta efeito significativo em lipídios plasmáticos de hamsteres.2 – 3. (1996) encontraram uma relação positiva entre trans.5 Shanta et al. em relação à carne produzida no reino unido. pela inclusão de gramíneas na dieta e pela proporção forragem:concentrado na dieta. respectivamente. comparados aos que foram suplementados com fontes de ácidos graxos saturados. ainda que esta denominação não tenha sido amplamente aceita pela comunidade científica.2 – 8. v. o isômero trans 10 cis12 CLA diminui o LDL-colesterol.3 Chin et al. Este achado pode explicar porque o efeito do trans-C18:1 não é sempre associado à maior incidência de doenças cardiovasculares (Wolff. relataram que o aumento na proporção de gramínea na dieta ocasionou um aumento linear na concentração de CLA na carne. Maloney et al.9 – 4. Tabela 4. Lin et al.3 – 12. (2000).C18:1 e o CLA.

B.. E. P. McNEIL. R. p.S. 63. 68. Proceedings of the Nutrition Society.. 315-320. constituem-se em vasto campo de pesquisa que só tem a contribuir para o aperfeiçoamento de tecnologias relacionadas à produção e manejo destes animais.J. BESSA.M. Arteriosclerosis. 308-317.4. L. CHOW. n. E. Journal Dairy Science.L. p. J.. lipoproteins. Journal Dairy Science. and sterol balance.R. 12.D. p. 2009 253 . D. S. SIEBERT. a dose mínima diária deste ácido. Incorporation of n-3 fatty acids of fish oil into tissue and serum lipids of ruminants. 1992..M. BURGESS. DePETERS. B. CHILLIARD. p. v. n. 363-378..76. 82. C. 73. 1. DECKERE.4. British Journal Nutrition. 1041-1058.. 1993. Journal Dairy Science..D. 211-219. 1990. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante desta avaliação. Effect of rumen-protected methionine and lysine on casein in milk when diets high in fat or concentrate are fed.K. Journal Dairy Science. Effects on animal performance and fat composition of two fat concentrates in diets for growing-fattening bulls. MULLER. Y. Animal Production. CANALE. Dietary fat and adipose tissue metabolism in ruminants. S. n. DAVIS. 1981. p. L.. Livestock Production Science. 1990.53. 8. p. G. DePETERS..J. R. Calcium salts of fatty acids in diets that differ in neutral detergent fibber: effect of lactation performance and nutrient digestibility. 1991 CONNOR. BALDWIN.A. J. Tópicos em Ciências Agrárias. ISTASSE. p. p. GULATI. W. RIBEIRO. CLINQUART. W. R. Mammary blood flow and regulation of substrates supply for milk synthesis (Review). CANT. bem como aos efeitos da adição de gordura à dieta de bovinos sobre a produção de carne e leite. 1999. Journal Lipid Research. M. D.73.M.593-607. v.B. apesar das intensivas pesquisas relacionadas às propriedades do CLA.P.L.4. 58. p.3. et al. v. HARRIS. DUFRASNE. n. 3897-931. 1985. 1991. n. v.74. J. et al.R. R. REFERÊNCIAS ASHES.E.L. com certeza. Effects of conjugated linoleic acid (CLA) isomers on lipid levels and peroxisome proliferation in the hamster. v.J..M. Effect of dietary fat and postruminal casein administration on milk composition of lactating dairy cows.. I. SANTOS-SILVA. v. J. 629-631. ainda são considerados insuficientes para lhes conferir propriedades farmacêuticas. sua determinação seria um dos pontos de partida na produção de alimentos funcionais derivados da carne e do leite.M. J.. et al. p. n. v. capaz de proporcionar proteção contra câncer em humanos. et al.. v.. v. n..1031-1038. e. v. LIN.P. AMELSVOORT.4. considera-se que o aprofundamento dos conhecimentos ligados aos eventos físicoquímicos que regulam a digestão absorção e transporte de lipídios em ruminantes. Vale lembrar que. DOREAU..J. Journal Dairy Science. pigs. J. 2000. UFRB.. Reticulum-rumen biohydrogenation and the enrichment of ruminant edible products with oleic acid conjugated isomers. ainda não foi suficientemente esclarecida. v. 201-211. n. DEMEYER..1. n. Targets and procedures for altering ruminant meat and milk lipids (Review). 1999. p.J. 1991. 27. BALDWIN.1051-1061. COLLIER.R. 1. v. Lipids. A comparison of dietary polyunsaturated n-6 fatty acids in humans: Effects on plasma lipids. E. and rodents: A review.ruminantes (principais fontes de CLA na nutrição humana). A.

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CAPÍTULO 19 CARBOIDRATOS NA NUTRIÇÃO DE PEIXES Leandro Portz Tópicos em Ciências Agrárias .

1971). 1995). tendo como função primordial o estoque de energia que pode ser utilizada pelos animais. Erfanullah & Jafri.. alcançando normalmente 7% do peso seco do tecido (Stryer. O glicogênio hepático é considerado um estoque emergencial de energia prontamente utilizável nos primeiros momentos de situações críticas de estresse (Christiansen & Klungsoyr. UFRB. 1961). pois não gastam energia para manutenção da temperatura corporal e excreção dos compostos nitrogenados. As vias bioquímicas mais importantes envolvendo estes carboidratos são: a glicólise (oxidação anaeróbica da molécula de glicose). O glicogênio é um nutriente muito utilizado em adaptações bioquímicas em várias situações de estresse ambiental. da salinidade. 2009 259 . 1999). onde são absorvidos por transporte passivo (difusão simples) ou por transporte ativo (potencial de membrana ou gasto direto de ATP) na parede do trato digestivo e assim transportados via sistema porta. a glicose. 1996. glicogênese (síntese de glicogênio) e glicogenólise (degradação do glicogênio para disponibilização de glicose). Os carboidratos são componentes essenciais a quase todos os seres vivos. as quantidades totais de glicogênio muscular ou hepático podem ser consideradas iguais (Steffens. sem serem convertidos em monossacarídeos. dos níveis de oxigênio dissolvido na água. Os peixes em seu habitat natural consomem pouco carboidrato através do alimento natural. Soengas et al. necessitam de energia para a manutenção do metabolismo básico. Ambientais e Biológicas/UFRB. 1. 1993). 1987).br INTRODUÇÃO Os peixes. Hilton & Atkinson (1982) constataram que dietas contendo amido de milho extrusado ou simplesmente milho extrusado à truta arco-íris (Oncorhynchus mykiss). 1982. Os polissacarídeos são encontrados em todas as células dos animais e mais abundantemente no fígado. 1989). compostos estes presentes na dieta.. No processo de digestão dos peixes. embora estes peixes tenham mostrado uma redução de 75% na reserva de glicogênio tecidual hepático após 100 dias de restrição alimentar. os carboidratos não são eficientemente utilizados pelos peixes (NRC. os carboidratos (di. períodos de grande esforço físico e mudanças de dietas. Isto mostra que estes peixes iniciam a utilização das reservas de glicogênio do corpo a partir do glicogênio tecidual hepático. o lactato e o piruvato (Black et al. 1987). Cruz das Almas-BA. a gliconeogênese (síntese de uma nova molécula de glicose ou frutose utilizando um intermediário não glicídico . lipídios e aminoácidos. Como conseqüência de uma intensa atividade física ou jejum. sendo encontrado em grande quantidade nos tecidos do fígado e músculo destes animais. possa concentrar cerca de 6% a mais glicogênio que o fígado. sendo restabelecidas somente 24 horas após terem sido consumidas. assim como os mamíferos e animais terrestres. crescimento e reprodução. v.edu. onde são metabolizados. De modo geral. A utilização dos carboidratos está diretamente relacionada à sua concentração na dieta. Pode-se citar como carboidratos mais importantes no metabolismo de peixes: o glicogênio. as reservas de glicogênio no músculo e fígado dos peixes podem diminuir em poucos minutos. porém quando criados confinados em tanques e viveiros a alimentação artificial proporciona a disponibilização destes carboidratos pela composição vegetal de suas dietas. aminoácidos.lactato. As fontes de carboidratos são melhores utilizadas pelos peixes quando sofrem um processo térmico. Embora o tecido muscular de peixes carnívoros.Centro de Ciências Agrárias. Variações do pH. podem resultar tanto em aumento como em diminuição do estoque de glicogênio (Moraes et al. O glicogênio é uma das muitas formas de armazenamento da energia consumida como alimento pelo peixe. Do ponto de vista de utilização da energia.CARBOIDRATOS NA NUTRIÇÃO DE PEIXES Leandro Portz Professor . O Tópicos em Ciências Agrárias. E-mail: lportz@ufrb. glicerol). os peixes são considerados muito mais eficientes do que mamíferos e aves. como a truta arco-íris (Oncorhynchus mykiss). podendo ser utilizados diretamente como fonte de energia ou levados até o fígado. Nagai & Ikeda (1971) mostraram que períodos de restrição alimentar superiores a 164 dias não resultam em uma queda significativa na reserva de glicogênio muscular da carpa comum (Cyprinus carpio). oligo e polissacarídeos) são digeridos através de ação enzimática. O ciclo do glicogênio hepático no catabolismo mostra que esta forma de reserva orgânica é muito mais importante como suprimento de intermediários metabólicos para processos biossintéticos do que como fonte de energia (Christiansen & Klungsoyr.. apresentaram um desempenho melhor do que em dietas contendo amido cru. tipo e forma do carboidrato e principalmente à espécie e seu hábito alimentar (Hilton & Atkinson. obtendo suas reservas energéticas através da proteína. Normalmente esta energia é obtida através do metabolismo dos carboidratos.

Similarmente. amido de batata (PS). v. mas não necessariamente em todas as espécies que são utilizadas em estudos de pesquisas relacionadas à nutrição. 1987). 15% PS. 40% C) D (20% FM. Pezzato (1997) explica que a baixa utilização se deve ao fato destas espécies não possuírem a enzima celulase. assim A (80% FM. Ainda este mesmo autor afirma que somente algumas bactérias presentes no intestino de peixes herbívoros e de alguns onívoros poderiam talvez apresentar tal enzima. ou quando é fornecida ao peixe uma dieta rica em proteína (Figura 1). sendo esta considerada uma fonte de energia não disponível para os peixes. a atividade da enzima amilase em trutas arco-íris pode aumentar em resposta ao tipo de alimento fornecido. necessária para hidrólise da fibra. sacarose e frutose (Wilson & Poe. Porém trabalhos feitos com peixes onívoros como o bagre do canal (Ictalurus punctatus). que normalmente estão presentes na membrana do intestino. 20% C) C (40% FM. o pâncreas é o maior produtor das enzimas que degradam os carboidratos. celulose. UFRB. Segundo Steffens (1989). 260 Tópicos em Ciências Agrárias. também poderão ser encontradas no suco pancreático e estômago. indicaram que dietas contendo dextrina e amido de milho proporcionaram melhores índices de desempenho do que dietas que continham glucose. diferem de espécie para espécie e são descritas na literatura de acordo com os hábitos alimentares dos peixes. 2009 .mesmo foi observado em experimentos com esturjão siberiano (Acipenser baeri) utilizando-se o amido extrusado ou pré-gelatinizado e o milho extrusado em comparação com o amido cru. 15% PS. Estas enzimas. 15% PS. este mesmo autor comprovou uma alta atividade da amilase quando este onívoro foi alimentado com dietas ricas em energia. na maioria das espécies. ao aumento na temperatura ou salinidade da água. acelulose (C). As enzimas possuem uma ampla faixa de tolerância à variações térmicas (20-40oC) e suas atividades ótimas ocorrem entre pH 6-8 (Hilton & Atkinson 1982). Normalmente a atividade das enzimas. Digestão dos carboidratos em peixes Nos peixes podemos encontrar diversos tipos de enzimas digestivas (carboidrases). Porém. Assim poderíamos concluir que para este bagre onívoro a utilização de carboidratos complexos é mais eficiente. assim como as lipases. Por outro lado. Em experimentos com truta arco-íris. Atividade da amilase em trutas arco-íris (Oncorhynchus mykiss) em resposta a diferentes dietas: farinha de peixe (FM). 15% PS) 4500 4000 Atividade Total 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 B (60% FM. 1. Em relação aos níveis de amido na dieta. principalmente da amilase. com atividades específicas. a carpa comum (peixe onívoro) responde de modo oposto ao da truta arco-íris (Figura 2). O aumento do nível da farinha de peixe na dieta reflete no aumento dos níveis de proteína na dieta (Adaptado de Steffens 1989). 60% C) 0 10 20 30 40 Figura 1. em experimentos conduzidos com a tilápia mossambica (Oreochromis mossambicus). maltose. outros carboidratos. Bergot & Breque (1983) constataram que a celulose é um carboidrato muito utilizado em experimentos com dietas purificadas mas que não pode ser utilizada como fonte de energia mas sim como fibra.

observaram níveis mais altos de glicogênio tecidual hepático (GTH) e nos valores da relação hepato-somática (RHS) quando o carnívoro “black bass” (Micropterus salmoides) era alimentado com dietas contendo 42% de PB. S= Estômago. Cyrino et al. Espécies Carassius carrassius Ctenopharyngodon idella Oreochromis niloticus Cyprinus carpio Salmo gairdneri Anguilla japonica Seriola quinqueradiata I 100 84 44 35 8 1 1 Amilase P S a-Glucosidase I S 100 b-Galactosidase I S 34 61 59 8 31 <1 <1 <1 16 15 <1 2 20 22 <1 11 6 I= Intestino. 1989). Atividade relativa (máx. Resultados semelhantes também foram mostrados por Millikin (1982) para o “striped bass” (Morone saxatilis).=100) de amilase. a-glucosidase e b-ga-lactosidase no trato digestivo de diferentes espécies. v. Digestibilidade dos carboidratos em peixes Tabela 1. Adaptado de Steffens. Brown et al. não apresentaram queda de desempenho. 90% PS) Atividade amilase 4000 3000 2000 1000 0 7 23 43 69 80 Duração da alimentação (dias) Figura 2. 60% PS) D (10% FM. com incremento de 5%. amido de batata (PS) (Adaptado de Steffens. Isto mostra que rações contendo altos níveis de proteína. Tópicos em Ciências Agrárias. condicionam um maior acúmulo de reservas energéticas prontamente utilizáveis na forma de glicogênio. 2009 261 . Resultados semelhantes foram relatados por Pérez et al. como também atividades de outras enzimas que digerem carboidratos são descritas pela diferenciação na nutrição entre espécies (Tabela 1). (2000). P= Ceco pilórico. alimentado com dietas extrusadas com diferentes níveis protéicos e níveis de lipídios variando entre 12 e 14% e níveis de carboidratos de até 30%. estudando rações que continham farinha de trigo como fonte de carboidrato. (1997) para o “European sea bass” (Paralabrax humeralis) que. o que mostra que quanto menor o nível de proteína dietética. Efeito da composição da dieta na atividade da amilase em carpa comum (Cyprinus carpio). 10% PS) 5000 B (60% FM. maior a utilização de carboidratos e a deposição de glicogênio no fígado. 40% PS) C (40% FM. (1992) testaram níveis de proteína dietética variando de 25 a 55%.A (90% FM. Estes mesmos autores ainda concluem que o “black bass” pode utilizar eficientemente dietas artificiais desde que os níveis de carboidratos sejam inferiores a 30% e as rações sejam adequadamente processadas (extrusadas). próximos a 42%. UFRB. 1989. na alimentação de juvenis de “sunshine bass” (Lepomis gibossus) e utilizaram a relação hepato-somática (RHS) como uma medida relativa de estoque energético. Farinha de peixe (FM). 1. Os autores observaram que os valores da relação hepato-somática encontrados eram inversamente proporcionais aos níveis de proteína e diretamente proporcionais aos níveis de carboidratos digestíveis dietéticos.

celulose Fonte: NRC 1973.4 60. os carboidratos geralmente estão ausentes na dieta natural.90 77 . (1981).1 97. observa-se que os coeficientes de digestibilidade dos carboidratos diminuem com o aumento de sua proporção na dieta (Tabela 3). UFRB.5 26. Em testes realizados por Hilton et al.80 52 . o coeficiente de digestibilidade para glucose em trutas arco-íris.24 10 .7 50 99.1 Carboidratos Glucose Sacarose Lactose Dextrina a .5o C e 15o C e também pelas dietas que continham acima de 25% deste carboidrato.8 95. Carboidratos Glucose Maltose Sacarose Lactose Dextrina Amido cozido Amido cru a . A capacidade de digestão dos carboidratos pelos salmonídeos tem sido freqüentemente detalhada e pesquisada em estudos referente à nutrição. Chiou & Slinger (1979) demonstraram os coeficientes de digestibilidade de diferentes carboidratos utilizados em rações para truta que receberam processos térmicos diferentes (Tabela 5).2 97. não sendo este coeficiente influenciado pela temperatura da água.4 45.4 77. A digestibilidade dos polissacarídeos é dependente da magnitude de sua contribuição na dieta.0 99. dextrina e amido de batata (Figura 3).8 96.2 30 99. existe um interesse particular centralizado no que diz respeito à digestibilidade do amido e da dextrina.3 74. e os autores sugerem que estes carboidratos podem atuar como economizadores de proteína.1 38. que foram também substituídas por maltose. “Brook trout” (%) 99 92 73 60 57 38 - Truta arco-íris (%) 79 . à existência de uma variabilidade entre as diversas espécies de peixes quanto a digestibilidade dos carboidratos se deve. Shiau (1997) foi capaz de mostrar que o amido de milho após sofrer um tratamento térmico (gelatinização) era melhor utilizado pelo peixe do que o amido de milho em estado natural. 2009 .14 Tabela 3.2 69.3 40 99.0 52. também. Tabela 2. contudo nas dietas artificiais os carboidratos estão presentes e pode ser observado que estes carnívoros podem ser capazes de digerir carboidratos. Juvenis de Oncorhyncus tshawytscha (truta da califónia) pesando menos de 1g mostraram menores taxas de crescimento em água à 10o C. que variou entre 11. Nível de Carboidrato na Dieta (%) 20 99.3 99. Digestibilidade (%) de diferentes carboidratos em vária proporções na dieta de truta arco-íris com 10-25 g de peso vivo e uma temperatura de água à 16o C.2 50. Para os salmonídeos.0 98. v. foi de 96% . com níveis de glucose de 20% na dieta.Amido de batata Fonte: Singh & Nose (1987). observouse uma alta taxa no ganho de peso e melhores taxas na conversão alimentar da truta arco-íris (Tabela 4). 262 Tópicos em Ciências Agrárias.Além do hábito alimentar. à diferenciação anato-fisiológicas do trato digestivo destas espécies.70 20 . 1.5 94. Por se tratar de espécies carnívoras.8 65.99%. Na maioria das pesquisas realizadas para avaliação da digestibilidade de carboidratos em peixes.5 98. embora em proporções menores em relação às proteínas (Tabela 2). Quando o amido de milho hidrolisado era empregado em uma composição básica de ração.2 60 99.6 99. Digestibilidade de diferentes carboidratos da “brook trout” (Salvelinus fontinalis) e truta arco-íris.

Diferenças no ganho e utilização de alimento em alevinos de truta arco-íris em resposta à administração de dietas similares. à 112 C) Farinha de trigo crua autoclavada (10 min. Amido g/kg Digestibilidade da dieta (%) 807 100 780 0 772 541 391 418 75 168 0 0 62 27 54 62 Açúcar g/kg Digestibilidade da dieta (%) 843 100 19 40 41 101 88 57 87 100 263 Tópicos em Ciências Agrárias. Digestibilidade aparente de amido e açúcar para truta arco-íris. Crescimento de juvenis de Oncorhynchus tshawytcha em resposta a diferentes tipos de carboidratos (com nível de 20%) na dieta. v.67 Tabela 5. UFRB. Tabela 4. à o 112 C) tostada o (10 min.5 D 1. contendo cada uma amido de milho em estado natural (n) ou amido de milho hidrolisado (h).73 1.64 4 32 29 66 112 2. Fonte: Adaptado de Steffens.34 1.30 1.) Amido crú (milho) Amido autoclavado o (10min.A B C Ganho de Peso 1.62 3 42 13 67 115 2. 2009 . D = amido de batata. 1989.74 h 1.glucose Dextrina (amido hidrol.55 2 42 13 107 121 1. a . à 250 C) Farelo de soja (49% de proteína bruta) Farinha de glúten de milho (60% de PB) Fonte: Adaptado de Steffens (1989). A = glucose.5 20 40 60 80 Dias Figura 3. B = maltose. C = dextrina. Dietas 1 Proteína (%) 42 Amido (%) 15 Ganho de Peso (g) n 80 h 92 Taxa de Conversão Alimentar (kg/kg ganho) n 1. 1.0 0.

Com relação ao ganho de peso e taxa de conversão alimentar da dieta. 1. Embora a digestibilidade do a-amido tenha sido significativamente menor em comparação à glucose. Digestibilidade de carboidratos (trigo) de uma carpa de 1200 g de peso vivo condicionada a uma temperatura de 24oC. 2009 .A digestão de carboidratos em carpa foi descrita por Furuichi & Yone (1982) (Tabela 6).1 5. Alimento Farinha de trigo Pó de trigo Grãos de trigo Farelo de trigo ENN (extrat.22o C. Dextrina contida na dieta (%) Digestibilidade (%) Fonte: Steffens (1989). surgia uma relação negativa entre os coeficientes de digestibilidade e a concentração de dextrina na dieta (Tabela 8). Carboidrato (% do peso seco) 55. Alimentos Cevada Aveia Centeio Trigo Ervilha Lúpulo Semente de girassol tostada Farinha de amendoin Farinha de soja Componenetes da dieta Fonte: Adaptado de Steffens (1989). Tabela 6. Furuichi et al. o grupo que recebeu 20% de glucose na dieta demonstrou resultados piores em relação aos outros grupos (Tabela 9). ambos com 30% de inclusão na dieta (Steffens.0 37. uma espécie que se alimenta essencialmente de vegetais. (1986). v.4 14. (1986) obtiveram os valores em resposta à digestibilidade da glucose e do amido de batata cozido. A digestibilidade de carboidratos em carpas é extremamente dependente do nível de fibra bruta contida na dieta (Tabela 7) conforme demonstrado em experimentos feitos por Kirchgessner et al. Digestibilidade da Dextrina em várias concentrações em substituição no alimento.6 15.0 Digestibilidade (%) 91 56 38 14 Fonte: Kirchgessner et al.8 14. 1989).% 71 59 56 52 Fibra Bruta (%) 2.1 22.6 34.3 46. UFRB. 10 84 20 80 30 79 40 60 50 38 60 35 O peixe Seriola quinqueradiata. um tunídeo de águas tropicais muito criado no Japão. Chiou & Ogino em 1975 já haviam concluído que a fração de carboidratos da semente de lúpulo e da soja apresentavam baixo desempenho quando utilizadas em dietas para peixes. onde os peixes estavam condicionados a temperaturas variando entre 10o C .8 30. Tabela 8.5 Digestibilidade (%) 74 75 84 58 45 56 55 65 51 46 75 Tabela 7.7 8. Para a carpa-capim (Ctenopharygodon idella). a digestibilidade do farelo de soja foi de 63% e para a farinha de milho 88%.7 12.8 43. Quando foi testada a digestibilidade da dextrina como fonte de carboidrato. não digere carboidratos com tanta eficiência quanto as carpas. Digestibilidade de diferentes carboidratos em carpas com dois anos de idade. não nitrogenado) . (1986). o melhor ganho de peso percentual era descrito em resposta ao amido contido na dieta e não à glicose. A digestibilidade de carboidratos provenientes de sementes de leguminosas aparentemente são mais pobres do que a dos cereais.0 25. 264 Tópicos em Ciências Agrárias.

isto poderia demonstrar uma importante descoberta no metabolismo pós-absortivo de peixes. Este fato foi comprovado quando os autores detectaram o aparecimento de glucose na urina (Glicosúria). (1986). (1986). Taxa de absorção de glucose (G) e a-amido de batata (S) em quantidades de 10% e 20% na dieta de Seriola quinqueradiata. Os autores concluíram que a maior parte dos carboidratos oriundos da absorção de glucose na forma livre. De acordo com Spannonhof & Plantikow (1983). v. durante 30 dias de alimentação. que a glucose na forma livre é mais rapidamente absorvida que a glucose contida na forma de a-amido (Figura 4).11 Amido de Batata 20 56 95 1. pelo fato do nível de insulina do plasma sangüíneo somente alcançar o seu nível máximo após duas horas da ingestão do alimento e a atividade das enzimas glicolíticas hepáticas e gluconeogênicas relacionadas ao metabolismo de carboidratos somente mostrar aumento após duas a três horas da administração do alimento. 1. pode ser excretada sem ser utilizada. (1986) também observaram em carpas e no atum (Seriola quinqueradiata). Spannonhof & Plantikow (1983) descreveram que a atividade da amilase em trutas arco-íris é reduzida em cerca de 80% quando o trigo é utilizado em sua forma natural sem nenhum processamento térmico Tópicos em Ciências Agrárias.Tabela 9. apesar de serem altamente e rapidamente absorvidos antes do aumento das atividades enzimáticas. Os autores supracitados observaram que este fator reflete no aumento do nível de açúcar sangüíneo após duas horas de alimentação. Fonte: Furuichi et al.41 20 94 60 2. A atividade da amilase era reduzida pela presença de amido cru e aumentada pela inclusão de amido hidrolisado. taxa de conversão alimentar. níveis elevados de amido na dieta de truta arco-íris produzem um aumento no volume de suco gástrico. Porém. Glucose 10 92 84 1. Ganho. UFRB. em ambos os tratamentos com 10% e 20% de glucose contida na dieta. 100 80 60 40 20 S 20 S 10 G 20 G 10 Absorção (%) 1 2 3 4 5 6 Horas Figura 4. O amido cru na dieta pode aumentar a taxa de transito do conteúdo intestinal.43 Furuichi et al. digestibilidade da glucose e amido de batata em várias concentrações na dieta do peixe Seriola quinqueradiata com 70-150 g de peso vivo. Outro fator importante a ser levado em consideração quanto às fontes de carboidratos é que o trigo contém albuminas as quais agem como inibidores de amilases. o qual também contribui para perdas na digestibilidade de nutrientes. 2009 265 . Nível de Carboidrato na Dieta (%) Digestibilidade (%) Ganho (%) Taxa de Conversão Alimentar (kg/kg) Fonte: Furuichi et al.

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Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Benedito Marques da Costa Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 20 ALIMENTAÇÃO DE CAPRINOS LEITEIROS Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira.

de fenos de capins ou de leguminosas. duas ou três vezes ao dia. Existem criações que. em pequenas áreas. onde são alimentadas diariamente com alimentos volumosos (capins de corte. 1. Neste esquema as cabras e as crias permanecem juntas. Podem.O fornecimento de colostro é feito nas primeiras horas de vida. as cabras são mantidas em capril. parcelado em quatro ou cinco vezes ao dia.O cabrito é separado da mãe desde o primeiro dia. Este procedimento exige menos mão-de-obra. Esquema de aleitamento . Cruz das Almas-BA. receber suplementação de ração concentrada.br. Deve ser fornecido 500 ml do colostro. alcançando preços por litro mais elevados do que o de leite de vacas. A seguir é apresentado um programa de alimentação de caprinos com objetivo de produção de leite. também. beneditomc@hotmail.br.Existem dois esquemas de aleitamento para recém-nascidos: a) Aleitamento natural . A partir de oito dias de idade. fornecer pelo menos no primeiro dia. Nesse programa. deixam os cabritos com a mãe. deve-se fornecer alimento volumoso rico.edu.ALIMENTAÇÃO DE CAPRINOS LEITEIROS Gabriel Jorge Carneiro Oliveira1. Em regime de semi-confinamento. Quando ocorre acidente com a matriz. Este método exige maior mão-de-obra que o anterior. após a ordenha. e reduza a produção de leite do rebanho. Soraya Maria Palma Luz Jaeger1. embora retarde o consumo de concentrados e volumosos pelos cabritos. durante os primeiros 3 dias de vida. UFRB. e mistura mineral.Centro de Ciências Agrárias. Benedito Marques da Costa1 ¹ Professor . Levando-se em conta o seu aspecto econômico.É uma forma de aleitamento prática. mistura mineral e ração concentrada. devido ao seu valor nutritivo e ao fato de ser um leite que pode ser consumido por crianças e adultos que apresentam intolerância a outro tipo de leite. após o parto. conforme a sua produção de leite. CABRITOS EM ALEITAMENTO A partir dos três dias de idade. silagem ou fenos de capins ou de leguminosas).edu. podendo receber uma suplementação de volumosos na forma de capins de corte. embora não seja econômica. Quando não se dispõe de quantidade suficiente. preferencialmente feno de leguminosa. voltando a apartá-los à tarde. a produção de leite de cabras pode ser rentável. recebendo o colostro e leite inicialmente em mamadeira ou caixa de aleitamento e depois no balde. recomenda-se o fornecimento de alimento concentrado com 12 a 18 % de proteína bruta e mistura mineral completa à vontade. sem receber sol. E-mail: gajocaol@ufrb. Considerando-se o aspecto social. pequenos produtores podem criar cabras para a subsistência de sua família. v. em regime de semi-confinamento ou em confinamento total. isoladas do rebanho nos primeiros cinco dias após o parto. 2009 271 . Em regime de confinamento total. b) Aleitamento artificial . sljaeger@ufrb. além do alimento concentrado e da mistura mineral completa.com INTRODUÇÃO A criação de cabras com objetivo de produção de leite é uma atividade produtiva bastante importante pelos aspectos econômico e social. através de premix vitamínico. devido ao elevado preço do leite de cabra. Fornecimento de colostro . poderá ser utilizado o colostro proveniente de outras matrizes. destacam-se a alimentação de cabritos nas fases de aleitamento e crescimento e de cabras em gestação e lactação. é aconselhável administrar à dieta vitamina D. objetivando a absorção de anticorpos que se verifica mais nesse período inicial. as cabras são mantidas em pastagens. Ambientais e Biológicas/UFRB. em seguida o cabrito é apartado e levado para aleitamento. Animais em regime de confinamento total. Tópicos em Ciências Agrárias.

levando o animal à morte. A desmama tardia é realizada a partir dos 90 dias de idade.A higiene do material deve ser rigorosa.Considerando o estado fisiológico do cabrito e os objetivos da criação. Entre os produtos utilizados no aleitamento artificial.5:1. UFRB. 1993). provocada pelo aumento do volume do útero. Quando se usa leite de soja ou produtos comerciais contendo soja.32 2.41 2.1981).10 Mcal = Megacalorias. A Tabela 1 serve de orientação para o cálculo da ração visando um ganho de peso diário de 100 gramas. 1. a dieta possa atingir até 22 % de proteína bruta. 12º dia: leite de vaca.43 3. passando gradativamente a ser oferecido à temperatura ambiente no segundo mês. para caprinos em crescimento (adaptado do NRC. Os animais criados em confinamento. devido à demanda de nutrientes da mãe somados àqueles para formação do feto (Tabela 2). que comprime o rúmen. Por outro lado. devem receber a vitamina D através da adição de premix vitamínico na ração concentrada. Recomenda-se o fornecimento de volumoso de boa qualidade juntamente com alimento concentrado rico em proteína bruta. é importante o fornecimento de volumosos de boa qualidade com o intuito de proporcionar aos animais condições de adquirirem o peso de reprodução ou de abate mais precocemente. da gestação e do estágio da gestação (NRC. nutrientes digestíveis totais (NDT). 1 Peso vivo (kg) 10 20 30 1 MS (kg) 0. 2009 .6 % do peso vivo.45 0. energia digestiva (ED). em uma ingestão diária de matéria seca que varia de 2. A relação cálcio/fósforo deve ficar ajustada entre 2:1 e 1.47 NDT (g) 275 426 561 PB (g) 51 67 79 Ca (g) 2. v. 1990. quando o animal já estiver ruminando. a depender do peso vivo da matriz. Tabela 1. O leite ou “sucedâneo” deve ser fornecido com temperatura de 35 a 37º C. de forma que. deve-se ter cuidado de fornecer somente a partir do 28º dia. destacam-se o leite de vaca e o de soja. Ao utilizar leite de vaca a substituição deve ser gradual seguindo as seguintes proporções: 6º ao 11º dia: duas partes de leite de cabra / uma parte de leite de vaca. durante o primeiro mês.79 1. sendo o primeiro o mais indicado para substituir o leite de cabra.49 P (g) 1. o nível de nutrientes requeridos e o consumo de matéria seca devem ser levados em consideração no cálculo da dieta a ser fornecida. cálcio (Ca) e fósforo (P) para um ganho de peso diário de 100 g. O fornecimento de uma mistura mineral pode ser necessário para complementar as exigências de cálcio e fósforo e demais elementos minerais. ANIMAIS EM CRESCIMENTO Nesta fase. neste período as exigências nutricionais são maiores. a desmama pode ser realizada a partir de três semanas de idade. Exigências de matéria seca (MS).09 ED (Mcal) 1. O peso vivo dos animais a serem arraçoados. Se for oferecido antes do 28º dia pode causar sérios problemas de distúrbios digestivos. o ganho de peso diário objetivado. Desmama .43 1. 272 Tópicos em Ciências Agrárias.88 2. AFRC. Com estes cuidados evitam-se distúrbios digestivos. INRA. proteína bruta (PB). do número de fetos. CABRAS EM FINAL DE GESTAÇÃO No terço final da prenhez ocorre uma redução de 20% no consumo de matéria seca. 9º ao 11º dia: 50 % de leite de cabra e 50 % de leite de vaca. 1981. sem receber sol.0 a 2.21 1.

8 Mcal = megacalorias. cálcio (Ca) e fósforo (P) para cabras gestando dois fetos.60 1. Peso vivo (kg) 40 Gestação (mês) 4° 5° 4° 5° 4° 5° 4° 5° 4° 5° MS(kg) 1.01 NDT (g) 362 448 530 608 682 PB (g) 51 63 75 86 96 Ca (g) 2.10 5.34 1.42 6. que necessitam ingerir grandes quantidades de alimentos concentrados. dentre os quais se destacam o peso metabólico ou apenas o peso vivo e o nível de produção de leite. com relatos de consumo que chegam a atingir 8 % do PV.0 10. de forma direta.0 13. Tópicos em Ciências Agrárias. nos dois últimos meses de prenhez. Fonte: adaptado do NRC (1981).02 4.305 PL onde. Exigências de matéria seca (MS).0 8.0 4. PV = Peso Vivo (kg).33 1. Para atender às exigências de FDN fisicamente efetiva. IMS = Ingestão de MS (g dia-1).98 2.5 % de gordura Para animais de alta produção.75 + 0. A demanda de nutrientes para produção de leite depende. 2009 273 .4 2.0 3.07 0.47 1. do peso vivo e da produção de leite da cabra.5 a 2.09 1.062 PV 0.1 2.0 P (g) 1.5 7.90 6.62 3.0 6.4 5.40 6.0 3. Exigências de nutrientes para mantença.0 P (g) 2.21 1.0 50 60 70 80 1 Mcal = megacalorias.5 9. pelo menos 1/3 da IMS deve ser de feno não picado ou forragem verde.0 3. existem equações que permitem calcular o provável consumo de matéria seca (MS) para situações específicas.59 5. Segundo o INRA (1990) a demanda de nutrientes para produção de leite deve obedecer à regra apresentada na Tabela 4. Segundo o AFRC (1993). incluindo os requerimentos de mantença (adaptado do NRC.0 7. 1. com a ração total contendo no mínimo 28 % de FDN.0 8. até 5 % para animais de alta produção.97 1. nutrientes digestíveis totais (NDT). As equações podem considerar diversos fatores.1 2.8 4.5 3.46 ED (Mcal)¹ 3.3 5.0 6. UFRB.58 4.00 4.5 4. PL = Produção de leite (kg dia-1) com 3.52 6.1 3.0 % do peso vivo (PV) em animais de baixa exigência. proteína bruta (PB). Peso vivo (kg) 30 40 50 60 70 1 ED (Mcal)¹ 1.Tabela 2. o cálculo da IMS deve ser feito a partir da seguinte equação: IMS = 0.7 3. energia digestiva (ED).4 2.0 2.20 1. 1981). Tabela 3. As Tabelas 3 e 4 possibilitam estimar as quantidades de alimentos e de nutrientes a serem fornecidos para produção de leite. A IMS varia de 1. v.0 11.4 1.59 1. devese atentar para o consumo de fibra em detergente neutro (FDN) fisicamente efetiva. CABRAS EM LACTAÇÃO Apesar da ingestão de matéria seca (IMS) poder variar a cada dia.62 NDT(g) 816 1141 932 1268 1027 1363 1114 1454 1458 1504 PB(g) 159 215 173 235 187 253 200 273 212 293 Ca (g) 5.

5 4. 2009 .8 Junho 1. com algumas leguminosas.5 PREFERÊNCIA ALIMENTAR E USO DE VOLUMOSOS Com relação à preferência alimentar. deve-se suplementar ração concentrada para cabras em final de gestação. somente cabras em lactação e cabritos em crescimento recebem suplementação de ração concentrada. 1990). citado por Azevedo (s.0 2. Tipo de forragem Gramíneas (%) Dicotiledôneas herbáceas Brotos e folhas Fonte: Pfister. com elevada percentagem de leguminosas. A alimentação de cabras leiteiras deve seguir um programa baseado na qualidade dos alimentos volumosos disponíveis. b) médio. as principais espécies lenhosas que compõem a vegetação da caatinga e os seus graus de aceitabilidade por caprinos (Oliveira. essas preferências variam conforme a época do ano (Tabela 5). Tabela 4. O tipo rico é aquele constituído de pasto verde em crescimento. quando aumentaram a acessibilidade e a produção de forragem pelo corte da vegetação arbustiva. (1996). Eles consomem mais brotos e folhas de árvores e arbustos e dicotiledôneas herbáceas do que gramíneas. como também foi constatada por Araújo Filho et al. Contudo. Fevereiro 37. Tabela 5. os caprinos são pastejadores seletivos.1 24. Embrater (1984) classifica os volumosos em quatro tipos: a) rico. O volumoso pobre é formado por pasto em início de maturação. v. apresentando teor de proteína bruta de 10 a 14 % na matéria seca. De acordo com a composição em nutrientes. silagem ou feno de boa qualidade.8 22.A Tabela 4 demonstra que as cabras devem ser alimentadas segundo sua produção. O volumoso do tipo médio é formado por pasto maduro. e Zertuche.4 67. apresentando teor de proteína bruta na matéria seca acima de 14 %. 1.). pode ser fornecida em cochos coletivos desde que haja disponibilidade de canzis para contenção dos animais. Quando se utiliza este tipo de volumoso. 1990).0 4. Produção de leite (kg dia-1) 2 3 4 5 6 7 Múltiplo da exigência de mantença 2. Contudo. é necessário que a forragem dessas espécies esteja ao alcance dos animais. d. silagem ou feno de gramíneas pobres com teor de proteína bruta de 5 a 10 % na matéria seca. UFRB. citados por Huss (1972). em lactação e cabritos em crescimento.6 A Tabela 6 exemplifica. c) pobre e d) muito pobre.6 26. Demanda de nutrientes para produção de leite em função das exigências de mantença (adaptado de INRA.3 59.3 68. Variações da composição botânica nas dietas de caprinos.5 3.3 Outubro 2.1 28. conseguiram uma melhora do ganho de peso diário de caprinos. Para o tipo de volumoso pobre é necessária a suplementação com ração concentrada para todas as categorias de animais. que determinam o teor dos nutrientes e a quantidade de concentrados a serem oferecidos de conformidade com as necessidades de mantença e produção dos animais.0 3. Huss et al. manifestando suas preferências. Contudo. É recomendável que a alimentação seja individual.2 Dezembro 1.7 34. em diferentes meses do ano. para que possam se alimentar adequadamente. Ao utilizar este tipo de volumoso. mostrando preferências por espécies forrageiras e por determinadas partes das plantas. 274 Tópicos em Ciências Agrárias. feno de boa qualidade.

melaço ou mandioca para se obter bons resultados. com teor de proteína bruta inferior a 5 % na matéria seca. pode ser usada em até 3 % deste ou até 1 % da matéria seca total da ração. 40 g 100 kg-1 de peso vivo/animal/dia (Teixeira. também. deve-se incorporar à mistura fontes de carboidratos como o milho. em mistura com melaço. UFRB. conhecidos por “bancos de proteínas” ou “legumineiras”. de baixa qualidade. No caso dos caprinos é recomendável a utilização de espécies perenes. neste caso. essa prática ainda está muito reduzida. Principais espécies lenhosas da caatinga e graus de aceitabilidade por caprinos. ou seja. Contudo. tanto herbáceas como arbustivas. Informações sobre a produção de leite em caprinos alimentados com níveis crescentes de uréia foram apresentadas por Santos & Bose (1985). Com este tipo de volumoso. requer que se faça uma adaptação gradativa para prevenir intoxicação e para que haja um bom aproveitamento (Tabela 7).Tabela 6. a suplementação concentrada é necessária até para manter o peso vivo dos animais. contudo. A uréia pode ser fornecida. Tópicos em Ciências Agrárias. O tipo de volumoso muito pobre é formado por pasto maduro. provavelmente devido à dificuldade de acesso às informações provenientes da pesquisa. A fim de se evitar intoxicação dos animais. v. na proporção de 5 % da mistura. 2009 275 . Outra forma de uso da uréia é em mistura com o sal. Nome vulgar Sabiá Marmeleiro Mofumbo Jurema preta Jurema branca Pau branco Catingueira Juazeiro Pereiro Pau mocó Aroeira Imburana Melosa Mororó Jucazeiro Nome científico Mimosa caesalpiniaefolia Croton hemiagyreus Cobretum leprosum Mimosa nigra Pithecolobium dumosum Auxema onconcalyz Caesalpinia pyramidalis Ziziphus joazeiro Aspidosperma pririfolium Luetzelburgia auriculata Astromium urundeuva Bursera leptophloeos Ruelia asperula Bauhinia forficata Caesalpinia ferrea Aceitabilidade +++ + + ++ ++ + ++ +++ + ++ + + +++ +++ ++ Legenda: + = baixa. (1989) recomendam algumas espécies de leguminosas nativas e exóticas para formação de pastagens. Importantes informações sobre o valor nutritivo. Fonte: adaptado de Oliveira (1990). Com relação ao concentrado. PASTAGEM DE LEGUMINOSAS As leguminosas se constituem em importante fonte de proteínas para os ruminantes. Costa et al. São realizados plantios de áreas exclusivamente com leguminosas. como pasto para ruminantes. Algumas das leguminosas recomendadas são apreciadas pelos caprinos (Tabela 6). +++ = alta. foram apresentadas por Garcia (1986). ++ = média. Seu uso na alimentação de caprinos. produção de forragem e utilização do guandu (Cajanus cajan) e leucena (Leucaena leucocephala). 1. cana picada. ou plantios em faixas nas pastagens de gramíneas. 1989). a uréia é recomendada para caprinos adultos ao nível de até 30 % do nitrogênio total da dieta. entretanto o consumo deve ser limitado. apresentando uma orientação geral de manejo. falta de sementes idôneas para o plantio das leguminosas recomendadas e a outros fatores. USO DA URÉIA A utilização da uréia em mistura com alimentos para caprinos deve ser feita observando-se as mesmas normas preconizadas para os bovinos e respeitando-se sempre o nível máximo de uréia na mistura. silagem ou feno.

p. Manejo alimentar de caprinos e ovinos. Proceedings.). João Pessoa: Sociedade Nordestina de Produção Animal. 1986. Nova Odessa.Institut National de la Recherche Agronomique.5 40 -1 REFERÊNCIAS AFRC . de. J.. UFRB. S.5 1. L. MENDONÇA.1996. A.. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE PASTAGENS. 1989. Anais . In: SIMPÓSIO NORDESTINO DE ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES.. Quantidade no concentrado (%) 0. p.. TEIXEIRA. J. 1990. 599). maio/junho.. ovinos y caprinos. Pró Reitoria de Extensão. R. dos. OLIVEIRA. Boletim de Indústria Animal. v. D. 1971. ARAÚJO FILHO. 159p. GADELHA. (Coleção mossoroense série B. J. Anais. M. 1986. 11-30. 25. Alimentos e Alimentação. CALAZANS. V. de. M.79-99.. Wallingford: CAB International. AN INTERNATIONAL SYMPOSIUM. Energy and protein requirements of ruminants. p. 276 Tópicos em Ciências Agrárias.5 2. L. 27 p. v. 2ª. da. Mossoró: Escola Superior de Agricultura de Mossoró. 2009 . n. 1986. 24 p. A. et al.0 1. R. AZEVEDO. 1990. Ogden: USDA Forest Service. 1984. Revista da Sociedade Brasileira de Zootecnia. Banco de proteína. BOSE. Viçosa. A. R. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará. 1990. n. Composição botânica e química da dieta de ovinos e caprinos em pastoreio combinado na região dos Inhamuns. Logan. Washington: National Academy Press. 243 p.V. 1993. E. Goat response to use of shrubs as forage. João Pessoa. M. SANTOS. Ceará. 331-338. de. 1981. d. Produção de leite em caprinos alimentados com níveis crescentes de uréia. Forrageiras arbóreas e suculentas para formação de pastagens. NRC . jan-jun. dairy and meat goats in temperate and tropical countries. 432p. L. [s. 1989. e SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA PASTAGEM.5 20 a 25 30 a 37.. Nutrient requirements of goats: angora.) 10 a 12. In: Wildland shrubs their biology and utilization. 1972. d. G. Esquema de adaptação de caprinos à uréia. E. ed..]. Nutrição de caprinos e ovinos no Nordeste do Brasil. Piracicaba: FEALQ.. v. LEITE. Período 1ª semana 2ª semana 3ª semana 4ª semana Fonte: adaptado de Azevedo (s. Criação de cabras leiteiras. 1985. 321p. p. INRA . p. B. A. E. C. 94-107. Madrid: MundiPrensa.0 Quantidade (g 100 kg de P.Agricultural and Food Research Council. 3. Alimentación de bovinos. COSTA. GARCIA. 383-395. Brasília: Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior. Brasília: EMBRATER. 1. 1. A. 42. 91p.Tabela 7. Piracicaba. 8. R. EMBRATER. A.National Research Council. HUSS. 3..

CAPÍTULO 21 DESENVOLVIMENTO REGIONAL E A COMPETITIVIDADE DO AGRONEGÓCIO: ESTUDOS DE CLUSTER Warli Anjos de Souza Tópicos em Ciências Agrárias .

A delimitação conceitual do termo cluster permite compreender o seu significado para o estabelecimento da competitividade local. em Princípios de Economia. na integração de diferentes atores e atividades. Ambientais e Biológicas/UFRB. busca identificar aquelas atividades que orientam o cluster para exportação. Compreendido o fenômeno local.DESENVOLVIMENTO REGIONAL E A COMPETITIVIDADE DO AGRONEGÓCIO: ESTUDOS DE CLUSTER Warli Anjos de Souza1 1 Professor . Neste sentido. nesta abordagem. econômica e ambiental. Um roteiro metodológico é sugerido para conduzir pesquisas de arranjos produtivos locais na forma de estudos de caso de cadeias agroindustriais selecionadas em determinada região. os impactos ambientais e sociais da aglomeração. Assim. expressas na redução dos custos de coordenação e na melhoria da eficiência e da inovação tecnológica da agroindústria.edu. DESENVOLVIMENTO REGIONAL. são apresentadas também as condições necessárias e suficientes que complementam a explicação para o surgimento de um cluster ou agricluster numa região ou país. microeconômicos. Evidencia-se nesta exposição que o processo de aglomeração não é apenas uma conseqüência da globalização e das vantagens das empresas localizadas nos clusters. sociais. Isto é. COMPETITIVIDADE LOCAL E CLUSTERS A competitividade local é a base onde se assenta a interiorização do desenvolvimento e requer uma compreensão multidisciplinar. Adicionalmente. A ênfase é dada às investigações das questões associadas à competitividade local. institucionais e ambientais. que alcançaram um dinamismo competitivo e tecnológico. políticos. a competitividade é abordada a partir de uma leitura multidisciplinar. a competirem. que definem as atividades-chave do cluster. a elaboração de um plano de desenvolvimento local tem como roteiro inicial identificar as questões que devem orientar a prática da construção da competitividade com base nessa multiplicidade de fatores. Os estudos de cluster têm revelado as premissas para atingir o melhor equilíbrio no desenvolvimento interno. v. os pólos de desenvolvimento localizados. 1. Cruz das Almas-BA. através da concentração geográfica de indústrias pertencentes à mesma cadeia produtiva e da participação em ações conjuntas de interesses comuns. as condições necessárias ao desenvolvimento configuram-se na construção de redes (networks). Portanto. Em conformidade com Haddad (1999). O Conceito de Cluster Cluster é um termo recente na literatura das ciências sociais. Marshall notou que a aglomeração de firmas. gerava economias externas. o que se busca com o desenvolvimento regional é a competitividade dinâmica de empresas e regiões.br INTRODUÇÃO Este capítulo consiste em apresentar os aspectos conceituais relacionados ao termo cluster e sua conexão com desenvolvimento regional e a competitividade local do agronegócio. Marshall (1920) já havia demonstrado. As economias externas explicam o crescimento dos clusters industriais contemporâneos e é por isso que Tópicos em Ciências Agrárias. formando grandes aglomerados interativos. pois o fenômeno envolve aspectos macroeconômicos. porque um agrupamento de empresas poderia auxiliá-las. fácil acesso aos fornecedores de insumos e serviços especializados e a rápida disseminação de novos conhecimentos (tecnologias). que surgiu para denominar alguns setores bem sucedidos da economia mundial. A metodologia busca analisar a competitividade da agroindústria regional numa concepção de desenvolvimento integrado do cluster. nas suas três dimensões: social.Centro de Ciências Agrárias. envolvidas em atividades similares e relacionadas. isto é. esta abordagem utiliza o conceito de cluster para a análise de problemas de desenvolvimento dirigidos à agroindústria regional. 2009 279 . UFRB. E-mail: warli@ufrb. Essas vantagens incluíam um grupo de trabalhadores especializados. suprimentos ou suporte fundamental. Embora o termo seja recente. O texto está dividido em duas seções: uma fundamentação teórica sobre cluster e uma metodologia alternativa para a pesquisa. que procura medir o desempenho econômico. diminuindo os custos de produtores. especialmente as pequenas empresas. em decorrência da abertura da economia brasileira para uma integração competitiva em escala global.

1998. mas dos riscos e da não necessidade de multiplicidade de esforços por parte das indústrias do setor. O conceito de cluster remete as pesquisas a identificarem atividades produtivas e inovadoras. O recorte analítico baseado no conceito de cluster ressalta também os impactos das articulações entre agentes em termos de geração de efeitos de aprendizado e da dinamização do processo inovador em escala local ou regional. informação. Podem se estender verticalmente e horizontalmente na cadeia produtiva. 1999). Schmitz & Nadvi (1999) têm a definição mais simples para clusters: são concentrações espacial e setorial de firmas. As alternativas implementadas dentro de um setor levam ao aumento da produtividade. Cooperação produtiva e ou tecnológica são estimuladas a partir de um processo de interação local que viabiliza o aumento da eficiência produtiva. fornecedores de matéria-prima. 1990. produtos e serviços mais qualitativos e até inovados. A importância de um cluster está em viabilizar ações que permitam enfrentar e criar alternativas para as empresas face à concorrência desenfreada que a globalização de mercado impõe aos diversos setores da economia. as economias externas. técnico ou humano). Isso ocorre em razão da pulverização não só dos recursos financeiros. do final do século XIX. instituições de pesquisa. Adiconalmente às economias externas incidentais. de forma significativa. através da integração das empresas. especialmente. na acepção marshalliana. gerando um ambiente propício à elevação da competitividade dos agentes. com base em diversas pesquisas. 1991). v. horizontais e verticais. vantagens de redução dos custos de coordenação que melhoram a eficiência e a inovação. 1998. equipamento. é uma referência padrão nesta nova literatura (Schmitz & Nadvi. A integração de uma cadeia produtiva passa a ser vista não só pela dependência entre as partes. o alcance de matéria-prima. criticam a literatura específica de clusters que considera que a centralização de atividades em uma região surge somente em conseqüência da globalização e devido às vantagens das empresas que estão localizadas nos clusters. Todos os conceitos de cluster apresentados referem-se à emergência de uma concentração geográfica e setorial de empresas. em diversas ciências sociais. especificamente. instituições públicas e privadas de suporte fundamental. não são suficientes para explicar o desenvolvimento de um cluster.o trabalho de Marshall. Assim. 1. mas pela visão sistêmica de que o todo é mais que a soma das partes. mão-de-obra. Assim. Humphrey & Schmitz. Um cluster se desenvolve para criar capacidades produtivas especializadas dentro de uma região e como conseqüência promove o seu desenvolvimento econômico social e ambiental. 1998). integradas ao espaço e as vantagens de proximidade das empresas. Gestão de Negócios (Porter. e geralmente incluem: empresas de produção especializada. Haddad (1999) caracteriza cluster como indústrias e instituições que apresentam conexões entre si. surge o conceito de eficiência coletiva. Ciências Regionais (Scott. derivado de economias externas (efeitos incidentais) e da ação coletiva (efeitos deliberativos). maquinários. a partir da qual são geradas externalidades produtivas e tecnológicas. Esses estudos caracterizam-se por um enfoque nas empresas como entidades em interação e por uma ênfase nos fatores locais para a competitividade em mercados globais. O processo de formação de cluster Steinle & Schiele (2002). publicados na década de 1990 (Brusco. definido como a vantagem competitiva. Cooke & Morgan. serviços e instituições voltadas para o setor. 2009 . A ação coletiva é apresentada em diversos relatórios de pesquisas sobre clusters industriais em países avançados e em desenvolvimento. componentes. O autor destaca que toda análise de cluster focaliza-se nos insumos críticos que as empresas necessitam para serem dinamicamente competitivas. empresas fornecedoras. Porter (1999) define cluster como concentrações geográficas de companhias e instituições num setor específico que englobam uma gama de empresas e outras entidades importantes para a competição. Os clusters são pesquisados. pois possibilita. Podem ser citadas. incluindo. 1998). 1997. Tendler & Amorim. 1996). Entretanto. Essa visão contemplada pelo cluster traz a valorização da importância da sinergia entre as indústrias. o que permite explorar diversas economias de aglomeração. empresas prestadoras de serviços.. Os autores argumentam que existem outras abordagens que complementam e explicam algumas características particulares do fenômeno e. os conceitos de cluster evidenciam a concentração espacial de empresas em ativa conexão. Rabellotti. máquinas. 1996) e Inovação Tecnológica (Braczyk et al. A ação conjunta e a integração dos agentes econômicos aos arranjos produtivos permitem a emergência das vantagens competitivas no nível industrial para uma região. por exemplo. ainda. existe uma força de ação coletiva na tomada de decisões. que é preciso verificar as 280 Tópicos em Ciências Agrárias. visto que ao desenvolver ações em conjunto os resultados obtidos superam o que individualmente seria inviável em seus múltiplos aspectos (financeiro. em algumas linhas de pesquisa da Economia Regional (Krugman. UFRB.

A abordagem francesa. existem determinantes para sua gênese e processo evolutivo. Estas pesquisas estão dirigidas para clusters desenvolvidos. Se existem vantagens de proximidade. àquelas estritamente domésticas ou àquelas que produzem bens não tradeables. 1999). v. afirma-se que a harmonização de mercados internacionais e a redução dos custos de transporte. Assim aglomerações ao acaso são excluídas da análise. por outro lado. Tópicos em Ciências Agrárias. Isto se torna mais evidente quando se deseja entender as condições para a aglomeração. é preciso verificar as condições necessárias e suficientes para a clusterização. Condições para clusterização As seis condições focalizadas por Steinle & Schiele (2002) aplicam-se à indústria em geral. redes de negócios cooperativos. alguns trabalhos. De fato.. paradoxalmente. as diversas abordagens expostas aqui. Mas é preciso considerar que o fenômeno de formação de um cluster é um processo de desenvolvimento de sistemas que criam valor local. 2009 281 . 1991. 1992. Um cluster inovativo. uma vez que eles oferecem explicações sobre como os membros de sistemas multiorganizacionais ajustam seus comportamentos aos dos outros. Nesse sentido.condições necessárias e suficientes para a clusterização. 1995). Em outras palavras. A globalização acelerou. Beccattini. mas. empresas similares tendem a agruparem-se em nações específicas ou mesmo regiões (Patel & Pavitt. tornam claro. apresentam num nível interindustrial. antes de tudo. devido à interação como um clube. tem dado mais ênfase. provavelmente. Ou seja. os clusters oferecem vantagens competitivas. Sobre a influência da abordagem de analyse de filière. Amendoa et al. seus membros não mostram qualquer interação entre eles. também. De diferentes perspectivas. o desenvolvimento de um agricluster requer também o estabelecimento de algumas condições. clusters inovativos não são simples concentração de agentes econômicos independentes. estudos da teoria da inovação tecnológica levaram a uma volta à teoria de sistemas de manufatura e inovação genuinamente nacional (Lundvall. apenas a literatura com uma referência explícita em clusters não é suficiente para entender o fenômeno. 1990) é o conceito que tende a dominar a discussão sobre competitividade induzida pela inovação. 1997). Outro caso específico é o das pesquisas que aprofundam o entendimento da interação dentro de sistemas que criam valores. para os autores. que nem todas as indústrias são igualmente afetadas pelo processo de formação de um cluster. Diversos estudos apontam que a maior eficiência dessas aglomerações deve-se à flexibilidade da especialização (Brusco 1982. ou seja. Vantagens das empresas localizadas nos clusters A redução dos custos de coordenação do sistema traduz-se em vantagens para as empresas promovendo a eficiência e a inovação. têm confirmado a suposição que a globalização freqüentemente significa centralização. mostram produtos que resistem à globalização da produção (Hopkins & Wallerstien. 1992. Em outra direção. Ao invés de espalhar-se pelo globo. UFRB. que têm se dedicado à analise das cadeias internacionais de commodity. 1994). o melhor potencial de formação de um agricluster. Archibugi & Pianta. não se desenvolve de forma automática. Para Steinle & Schiele (2002). a velocidade deste processo. Assim. requer uma abordagem integrativa. por meio de negócios eletrônicos. Steinle & Schiele (2002) explicam porque as empresas obtêm vantagens de se localizarem próximas das outras. 1998. 1999). Em síntese. 1991). A crítica a este modelo é que ele não se ajusta às industrias centradas em matérias primas. Patel & Vega. estudos com robusto suporte estatístico. não à eficiência na redução do custo. 1. 1992. elas podem indicar. Isaksen. Furtado. 1997. Capello. como aquelas centradas exclusivamente nas matérias primas e como tal. como fator central para o sucesso de uma indústria. o modelo do diamante da vantagem competitiva (Porter. como o fenômeno de formação de um cluster é um fenômeno multidimensional. Freeman. têm aumentado a importância do ambiente próximo das empresas (Gertler. 1995. Centralização como uma conseqüência da globalização Em indústrias sujeitas ao processo de formação de cluster. e sim ao poder de inovação tecnológica das regiões (Aydalot & Keeble. Os clusters surgem como aglomerações setoriais localizadas de organizações sinérgicas que podem permitir um desempenho superior das empresas.

1982. 1998). Genet. Enquanto o poder amplo da inovação é usualmente atribuído aos clusters (Baptista & Swann. Por razões de natureza técnica. É preciso distinguir o produto final de seus componentes. isto conduz a uma forma integrada de organização. formas alternativas de coordenação precisam ser evidenciadas (Brusco. Pesquisa e desenvolvimento em grandes centros: Especialistas reunidos em departamentos distintos promovem as 282 Tópicos em Ciências Agrárias. a fragmentação do processo de produção. há complementaridade de competências. mais desafios para uma única empresa liderar a todos. Inventor inovador: Ator predominante no século XIX. Ou seja. freqüentemente comercializado pelo próprio inventor inovador que é um empreendedor. 1995. 2ª. mais sua competitividade depende da complementaridade dos atores e mais importante torna-se a organização do seu ambiente. Se o produto não pode ser deslocado. verifica-se agora. Como conseqüência. c) Inovação em rede As inovações em rede são vistas como um motor para a aglomeração. Em conseqüência. Quanto mais especializada uma organização. o desafio da coordenação é acentuado. A presença de complementaridade mais o conhecimento dissimilar em um sistema de criação de valor. b) Diversidade de competências O aspecto principal desta condição é que embora seja múltipla e dissimilar. mais a eficiência da sua cooperação torna-se um fator de sucesso. as quatro condições suficientes que estão relacionadas com a coordenação flexível dos seus distintos e diversos atores. em conseqüência.Condições necessárias Compreendem duas condições relacionadas à divisibilidade do processo de produção e à possibilidade de transporte do produto. Uma invenção leva a um produto radicalmente novo. a evolução do processo de inovação pode ser distinguida em três fases: 1ª. a necessidade de proximidade durante a fase de produção aumenta. diversos produtos intermedários surgem simultaneamente. não existe consenso sobre o tipo de inovação que particularmente promove o processo de formação de cluster. enquanto o produto final pode ser facilmente exportado. cada um focalizado em diferentes competências. É a possibilidade de dividir o processo de produção em diversas etapas distintas que permite a especialização. Outra razão para a segmentação da cadeia de valor reside nas diferenças de lucratividade dos seus segmentos. pode ser considerado como outra condição suficiente para o processo de formação de um cluster. Lazerson. Independente de inovações radicais ou incrementais estarem presentes. Richardson (1972) refere-se à similaridade entre essas atividades: quanto mais distinta as competências em uma cadeia de valor. 1995). 1. Quanto mais a complementaridade entre os atores contribuir para o processo de inovação e quanto menor for o tempo disponível para sua coordenação. 1997). as chances para o processo de formação de cluster se acentuam. entretanto. Se os suprimentos são difíceis de transportar. 2009 . a) Cadeia de valor longa Esta condição diz respeito à coordenação dos múltiplos componentes que irão formar um produto final. ou se a indústria está em formação ou na sua maturidade. depende de sua divisibilidade técnica (Piore & Sabel. Os produtos do cluster têm que ser transportáveis (Lazerson. inovações de laboratório e inovações em rede é útil para entender a propensão ao processo de formação de cluster devido a inovação induzida por uma indústria. Tal situação é típica de um sistema que cria valor muito fragmentado em consequência. As duas primeiras condições suficientes delineadas por Richardson (1972) distinguem atividades complementares (cadeia de valor) de atividades similares (competências similares). O número de interfaces aumenta. UFRB. a localização de seus fornecedores é determinada pelo local de seus consumidores. a distinção entre inovações do próprio inventor. v. e. 1984). Com base em Freeman (1995). Condições suficientes Estabelecidas as duas condições necessárias para emergência de um cluster. surge o problema de coordenação dos diversos parceiros.

melhoraram os processo existentes. Num segundo momento. 3ª. As vantagens da coordenação. Nem todas as indústrias estão presentes de forma simultânea. Segundo Haddad (1999). no processo de formação de um cluster em uma região ou país. melhorando um produto existente ou processo ou mesmo criando um novo. Num terceiro momento. transformam-se em vantagens competitivas. devido à proximidade dos atores na cadeia de valor. como a primeira etapa para delimitar um sistema produtivo regional. com maior acuidade. a desenvolver um cluster. a sobrevivência de atividades econômicas. num primeiro momento. particularmente os aduaneiros. Tais vantagens baseiam-se exclusivamente em incentivos fiscais e financeiros recorrentes. no longo prazo. cada vez mais declinantes. de um lado. As vantagens competitivas espúrias apresentam como característica principal a insustentabilidade. 2002). em seus laboratórios. Cluster. Haddad (1999) também identifica as vantagens competitivas dinâmicas da agroindústria de uma região. os municípios e localidades de uma região com custos de transportes e impostos. específicas de cada região. pela pressão da concorrência interregional. por esta razão. na utilização dos recursos naturais do ecossistema de forma predatória. por outro lado. é a condição essencial para desencadear o processo de desenvolvimento de uma região. mas. Diferente de um bem organizado centro de pesquisa e desenvolvimento. a meta industrial. no caso do fenômeno aplicar-se a um conjunto de indústrias. e por diversos trabalhos empíricos (Steinle & Schiele. os pesquisadores. Por exemplo. Isto se explica. para Haddad (1999). uma inovação em rede pode acontecer sem o planejamento. espera-se que em tal indústria este fenômeno favoreça a formação de um cluster. Isto ocorre porque a empresa passa a monitorar como o cluster vem se estabelecendo e como ela poderia lucrar a partir desta evolução. Se todas ou a maioria destas características aplicam-se a uma indústria. 1. em determinado período de tempo. 2009 283 . mas requer a cooperação de diversas organizações. se a velocidade da reação dos agentes é grande. é preciso distinguir as vantagens econômicas espúrias das vantagens competitivas dinâmicas. modificações da economia alteram a composição e a dimensão do estoque. em termos de preço e qualidade. A inovação em rede ocorre quando atores diferentes. A sensibilidade ao tempo em um determinado mercado promove uma redução no controle dos produtores em reação à demanda e ajuda. pela crescente integração global. com competências distintas. com os determinantes da demanda final. na sobre-exploração da mão-de-obra ou na informalidade e na clandestinidade de suas operações. o estoque dos recursos naturais são requeridos pela economia nacional para atender às demandas interna e externa. as condições para o surgimento do cluster permitem planejar uma política industrial e regional para pré-selecionar.invenções de laboratório. de qualquer natureza e em qualquer escala produtiva. A inovação em rede não é uma nova invenção radical para um uso prático. Tópicos em Ciências Agrárias. De forma mais sistemática que a fase anterior. precisam apresentar vantagens competitivas para poder desencadear o processo de desenvolvimento. combinam suas habilidades. num horizonte de longo prazo. Nem tão pouco se trata de um aperfeiçoamento das competências existentes. os recursos naturais de uma região mudam com a dinâmica do crescimento econômico. O mercado requer reações rápidas às imprevisíveis mudanças na demanda dos consumidores (volatilidade de mercado). Em oposição. medidas de uma rede regional ou outras formas de desenvolvimento de cluster. como aquelas capazes de resistirem aos processos de globalização e de integração da economia nacional. agroindústria e desenvolvimento regional Delimitar um sistema agroindustrial regional competitivo e dinâmico. Neste ponto. num contexto de comércio exterior desregulamentado. seus atores teriam conhecimento da sua existência. como no caso de um empreendedor inventor. ou seja. v. Adicionalmente. UFRB. se assentam sobre os recursos naturais de uma região e de sua posição relativa a outras regiões do país e do exterior. d) Volatilidade de mercado Condição entendida como a recompensa aos atores do sistema pela adaptação flexível. Estas vantagens. no médio prazo. Finalmente. que amplia o espaço da concorrência internacional. uma empresa em particular tornar-se um membro do cluster. A necessidade de uma coordenação eficiente torna-se vital. como no caso de um laboratório ou centro de pesquisa tradicional. numa região que não disponha dessa competitividade dinâmica é muito pequena ou inviável. a dedução das seis condições para clusterização permite o teste de sua precisão pela avaliação transversal destas condições com estudos de casos. Se o desenvolvimento de uma indústria é dirigido por inovações em rede. Isto é. Inovação em rede: Trata-se de um novo modelo que tem a possibilidade de se tornar predominante. no caso de mercados voláteis.

vincula-se à demanda. Em síntese. assim. aos custos de produção e de transporte. da organização do sistema produtivo e do sistema político. UFRB. 284 Tópicos em Ciências Agrárias. quanto mais bem distribuída a renda de uma região. O mercado interno de uma região apresenta três determinantes fundamentais: a população regional. fluxos migratórios entre outros. construir formas de cooperação público-privado. esta metodologia é adequada porque alcança os setores mais dinâmicos. v. o autor mostra que os serviços de suporte empresarial (contabilidade de custos. Especial atenção é dirigida àquelas regiões cuja atividade econômica preponderante seja a agroindústria. valor adicionado. impactos ambientais e impactos sociais. Somam-se ao problema ambiental as questões de natureza fundiária que podem conduzir a produtividade do setor agrícola para valores muito diminutos. torna-se necessário. pesquisa e desenvolvimento. O frágil sistema produtivo pode apresentar problemas de degradação ambiental que podem conduzir a uma queda intensa da capacidade produtiva dos recursos naturais. Os impactos sociais são avaliados por oportunidades de emprego para grupos sociais de baixa renda. manutenção técnica etc) requeridos pelas empresas. Para Haddad (1999). o enfoque é dado na sua compreensão em nível mais aprofundado. Quanto maior a população. crescimento. desenvolver os fornecedores. pois seu principal objetivo é contextualizar e aprofundar o estudo do problema. Neste sentido. efetividade do controle ambiental. suprimento e de suporte fundamental. 2009 . ambos os fatores definem o conceito de cluster (aglomerados ou complexos produtivos) em atividades-chave orientadas para exportações. O ponto crítico refere-se aos custos relativos. a concepção do desenvolvimento integrado do agricluster. Não se busca determinar a incidência de um dado fenômeno no seu universo. à medida que a exploração da base de recursos naturais da região permite o crescimento do seu mercado interno. devido a uma melhor oportunidade do que em outra localidade ou região. o desempenho econômico é avaliado pela aglomeração. potencial poluição ambiental. a produtividade dos fatores e a concentração da renda e riqueza. avalia ineficiências em cada segmento da cadeia agroindustrial. quanto maior o nível de produtividade. No estudo específico de agricluster. estabelecer as etapas de seu desenvolvimento que. METODOLOGIA PARA ANÁLISE DA COMPETITIVIDADE DO AGRONEGÓCIO Entre as diversas abordagens analíticas para o estudo da competitividade local das principais cadeias agroindustriais de uma região e suas implicações para o desenvolvimento regional. antes de tudo. ao contrário. é preciso estimar as oportunidades de investimento que surgem. Nesta seqüência. mas.com as condições tecnológicas de produção. oferta de serviços comunitários. de acordo com ICF KAISER (1997). especialização. para suprimento e para suporte fundamental. incorporar custos de oportunidade e de concorrência são fundamentais nos estudos que permitem compreender o conceito de competitividade interregional. geram economias de aglomeração e externalidades e. a metodologia alternativa apresentada é a análise de cluster na forma de estudos de caso. Devido às argumentações já discutidas na seção anterior. Estes três aspectos definem a orientação das atividades-chave do cluster para as exportações. reinvestimento entre outros. o conceito de potencialidade não é físico e sim econômico. às inovações tecnológicas adotadas no processo de comercialização e outros. social e ambiental. Os impactos ambientais são avaliados pela emissão de resíduos tóxicos. Assim. de acordo com IFC KAISER (1997). testes de qualidade. devido a proximidade espacial. Finalmente. Estudo de caso Este método de pesquisa tem um caráter mais qualitativo. porque considera todos esses elementos conceituais de forma sistêmica. o papel da força de trabalho rural. 1. a análise de clusters apresenta uma grande vantagem para estudar os problemas de competitividade dinâmica do agronegócio no contexto do desenvolvimento econômico. no caso específico da definição de cluster para análise da competitividade das agroindústrias. revela os sistemas de coordenação existentes e aponta os insumos críticos para a criação de capacidades produtivas especializadas numa tríplice leitura: econômica. é preciso identificar uma oportunidade favorável em alguma localidade ou região que possa ser explorada. Para definir quais são as potencialidades de crescimento econômico de uma região. certificado ISO 14000 entre outros. permitem verificar o desempenho econômico regional: identificar as atividades produtivas do agricluster. Isto significa que o valor de um recurso natural não é inerente ao material. apresenta uma tríplice leitura: desempenho econômico. maior será a dimensão do seu mercado interno. exportações. Assim. a partir de seus recursos naturais. e é particularmente útil neste enfoque. identificar necessidades de suporte fundamental.

sazonalidade. nível de informatização dos setores que compõem o cluster. Evita-se.Logística de transporte. segurança. produtividade e qualidade do bem ou serviço para a região.Manejo de dejetos produzidos. d) Serviços de suporte empresarial . UFRB.Para cada cluster deve ser elaborado um diagrama que mostre a estrutura do complexo produtivo. infraestrutura especializada. é preciso evitar que a subjetividade do pesquisador predomine no relatório. com base em critérios específicos de agregação e classificação dos agentes. outros. o desenho da cadeia agroindustrial.Nível de qualificação do empresariado. conforme Haddad (1999). do já citado baixo rigor. fortes vieses. controle de qualidade. Assim o pesquisador pode ser conduzido a realizar generalizações que não são verdadeiras. percentagem do emprego gerado pelo cluster no total da região. em conseqüência. a delimitação é realizada com base no critério de regionalização. Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). fontes de terceirização e subcontratação.Contabilidade de custos. Para isto. agências regulatórias. como também devem ser registradas as fontes de dados. b) Indicadores de desempenho setorial . telecomunicações. rotatividade. avaliando-se os resultados gerados em termos de desempenho produtivo e tecnológico do setor investigado (Britto & Albuquerque. centros de pesquisa e universidades. Uma forma de contornar este problema é realizar as generalizações analíticas com fortes bases estatísticas e dados com fontes fidedignas. f) Indicadores de desenvolvimento social da região do cluster . 2009 285 . assistência técnica nos diversos segmentos do cluster. e) Suporte fundamental . marketing rural e internacional.Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU. Tópicos em Ciências Agrárias. Esta limitação é crítica numa situação em que o pesquisador não dispõe da capacitação suficiente e desejável para evitar os vieses potenciais que emergem. econômica e social. qualidade dos serviços. compactação do solo por sobre-pastejo na pecuária. adoção de técnicas de planejamento estratégico.Para cada cluster. sistema educacional: qualidade e acesso.Relacionados com a produção. com o uso de dados qualitativos e com a profundidade das análises. empregos gerados pelo cluster. onde o corpo teórico é insuficiente para estabelecer relações causais e onde o fenômeno pode ser estudado fora do seu contexto sem perda de utilidade da pesquisa (Bonoma. Ou seja. sistemas de financiamento. manutenção técnica. A principal limitação do método de estudo de caso em pesquisa é o seu baixo rigor metodológico. c) Aglomerados ou complexos produtivos . 1985). ISO 14000 (número de certificados). h) Desenvolvimento de cultura organizacional . indicadores de qualidade do emprego: salário médio real. entrepostos de comercialização. índice de condições de Vida (ICV). Tais indicadores devem ser comparados com regiões concorrentes no país e no exterior. este método encaixa-se bem na situação onde o fenômeno é abrangente e complexo. pressupõe: a) Delimitação da área geográfica . Por se tratar de uma análise interdisciplinar. é detalhar a conformação institucional desses arranjos. Roteiro metodológico para análise de cluster O roteiro metodológico do estudo de caso sugerido para medir a competitividade do agronegócio. o que se procura. adoção de técnicas de gestão. 2002).O método de estudo de caso por ser mais qualitativo pressupõe que os arranjos produtivos locais podem ser associados a uma estrutura referenciada a um setor específico ou a uma região geográfica delimitada. ISO9000 (número de certificados). Neste caso. g) Indicadores ambientais . Os indicadores devem ser preparados por municípios relevantes. Cada indicador deve ser definido tecnicamente. para garantir a confiabilidade da pesquisa. v. formas de controle e reciclagem de resíduos. 1. um espaço caracterizado pela homogeneidade física.

A report to the EEC on International Science and Techonology Activities. KEEBLE. seus efeitos sobre o agricluster regional. Para orientar trabalhos pesquisa sobre a competitividade local dos arranjos produtivos e análise de desenvolvimento regional. a crise fiscal e financeira do setor público e suas repercussões sobre a oferta de infra-estrutura econômica. estabilização da renda agrícola e a competitividade do agricluster regional. desenvolvimento de técnicas específicas para diversos ecossistemas brasileiros.Valorização e desvalorização do Real.. G. P. sistemas de classificação. M. a eficiência da política cambial. comportamento das taxas de juros e câmbio e o desempenho do setor. D. isto por que a pesquisa pode revelar se a metodologia se aplica no todo ou em parte. Impactos fiscais . In: AYDALOT. 2. impactos distributivos da política de rendas. 4. P. estoques reguladores e a renda do setor agrícola. 3. . e isto depende prioritariamente das cadeias se identificarem como agriclusters potenciais (cadeia de produção agroindustrial). a política de crédito e de financiamento das atividades do agricluster regional. Boston. que os dois esquemas metodológicos sugeridos acima. P. 1992. centros de pesquisa e laboratórios especializados. 1. New York.. GUERRIERI.). ARCHIBUGI. A decisão do pesquisador deverá estar em conformidade com o estágio atual do arranjo produtivo local. garantia de preços. v. sistemas de informação para o cluster (decisões empresariais e planejamento estratégico).C. KEEBLE. de pesquisa e de ciência e tecnologia no cluster Desenvolvimento de recursos humanos especializados. Ainda é preciso referir-se na metodologia aos efeitos das políticas macroeconômicas sobre o agricluster.O processo de equilíbrio fiscal e financeiro do setor público e sua relação com a política monetária vigente. outros. AYDALOT. Journal of International and Comparative Economics. PIANTA. os impactos dos processos de privatização e de concessões sobre a competitividade do agricluster no médio e longo prazo. É preciso considerar. podem ou não ser aplicados integralmente nas análises dos estudos de casos das cadeias produtivas de uma região. 1988. efetivos (em plena maturidade) ou incipientes (cadeias produtivas decadentes ou em estágio inicial). (Eds. regularidade da oferta de tradeables face à expansão da demanda.173-197. 1. REFERÊNCIAS AMENDOA. as propostas alternativas de novo sistema tributário e sua adequação à competitividade do agricluster regional. D. International patterns of technological accumalation and trade. Impactos de política cambial . High Technology Industry an Innovative Environments: The Europeean Experience. High-technology and innovative environments in Europe: an overview. outros. 1992. v. efeitos da política cambial sobre a competitividade do agricluster. P. os custos financeiros como obstáculos ao desenvolvimento e expansão do agricluster.o sistema tributário atual e suas influências sobre o desenvolvimento do agricluster regional. Impacto de política de rendas .Programas institucionais de treinamento. UFRB. um roteiro metodológico básico é apresentado a seguir: 1. p. apoio à organização de infra-estrutura especializada de ensino e pesquisa. The techonological specialisation of advanced countries. 286 Tópicos em Ciências Agrárias. D. j) Mecanismos de inserção da Embrapa e do CNPq (formas de cooperação público-privada) . combate a enfermidades que causam prejuízos diretos e indiretos ao cluster.administração e controle de preços. Impactos de política monetária ... programas institucionais de pesquisas. difusão de incentivos fiscais para promoção de desenvolvimento científico e tecnológico. inspirados nas proposições de Haddad (1999). 2009 . com base em Haddad (1999).i) Demanda e necessidade de insumos de conhecimento. preços relativos dos tradeables. por fim. PADOAN.

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MUDANÇA TECNOLÓGICA E EFICIÊNCIA NA AGROPECUÁRIA DO NORDESTE DO BRASIL NO PERÍODO 1975/1995 Carlos Augusto Pereira Filho & Warli Anjos de Souza Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 22 PRODUTIVIDADE.

2001. Warli Anjos de Souza1 1 Professor . METODOLOGIA O conceito de produtividade está relacionado a dois componentes: produtividade parcial dos fatores e produtividade total. warli@ufrb. nas últimas duas décadas. Na maioria destes estudos os resultados indicam que.br. Pereira et al. etc). ao longo do tempo. Seja Y o produto e xi um insumo utilizado na produção. de acordo com os métodos utilizados para estimar a função de produção.br INTRODUÇÃO Vários trabalhos sobre a agricultura brasileira têm sido elaborados enfocando o crescimento da produtividade decorrente do ganho de eficiência técnica e do deslocamento da fronteira tecnológica (Ávila & Evenson. no que se refere ao comportamento da produtividade e da mudança técnica. fora do controle da unidade de decisão. em duas abordagens: paramétrica e não-paramétrica. parte-se da construção de uma fronteira tecnológica utilizando-se dados de produção e uso de fatores nas regiões brasileiras. E-mail: capfilho@ufrb. Nos modelos estocásticos.edu. UFRB. o qual permite decompor a produtividade total dos fatores nos seus componentes de eficiência técnica e mudança tecnológica. Cruz das Almas-BA. Na abordagem paramétrica a função de fronteira é considerada uma função paramétrica dos insumos (CobbDouglas. 1. Os estudos visando analisar a eficiência a partir de fronteiras de produção podem ser agrupados. a região. pouco se pode inferir sobre as mudanças intra-regionais na produtividade dos fatores e na tecnologia agropecuária. Ambientais e Biológicas/UFRB. Neste enfoque.edu. pressupõe-se que o termo de erro tem dois componentes: um ruído branco que representa os efeitos aleatórios sobre a produção e. e um componente assimétrico que mede a ineficiência técnica pela distância em que se situa em Tópicos em Ciências Agrárias.. A produtividade parcial é definida pela razão produto/insumo (produtividade média) e mede a contribuição de um fator de produção particular para a eficiência técnica. tem se distanciado da fronteira de produção da agropecuária brasileira. CES. a região nordeste vem apresentando ineficiência na produtividade total dos fatores e deslocando regressivamente a fronteira tecnológica.PRODUTIVIDADE. 2009 (2) 291 . Gomes & Dias. v. a PTF é dada pela seguinte expressão: PTF = Y / X = Y / Saixi Onde ai é o peso do insumo xi. Em geral. 2001). 1995. Sendo X o índice de todos os insumos. ignorando o efeito dos demais fatores. MUDANÇA TECNOLÓGICA E EFICIÊNCIA NA AGROPECUÁRIA DO NORDESTE DO BRASIL NO PERÍODO 1975/1995 Carlos Augusto Pereira Filho1. Nos modelos determinísticos a eficiência técnica é dada pelo termo de erro e podem ser estimados por programação linear ou técnicas econométricas. Dias & Bacha. Utilizou-se uma abordagem não-paramétrica baseada no modelo DEA (Data Envelopment Analysis) para a construção dos índices de Malmquist. de modo que as regiões que se situarem na fronteira são consideradas eficientes em relação às que se posicionam abaixo da fronteira. Considerando-se o nível de agregação dos dados utilizados nestas análises. ou seja. portanto. distinguem-se os modelos determinísticos e as fronteiras estocásticas.Centro de Ciências Agrárias. a produtividade parcial do insumo xi (PPF) é dada pela seguinte expressão: PPF = Y / xi (1) Define-se a produtividade total dos fatores (PTF) como o produto médio de todos os fatores de produção os quais são expressos como um índice. O presente trabalho enfoca as transformações ocorridas na agropecuária da região Nordeste do Brasil. 1998. translog.

yt) < 1 a produção no período t está no interior da fronteira e não é tecnicamente eficiente. v. O índice de produtividade total dos fatores (FTP) é uma média geométrica de dois índices de produtividade de Malmquist calculados a partir de quatro funções de distância com orientação produto. yt+1) = inf [q: (xt+1. necessário para aumentar o produto yt de modo que yt/ q Î St (ou seja. a transformação dos insumos (xt Î Rn+) em produtos (yt Î R ) é definida do seguinte modo: m + St = {(xt. yt) = inf [q: (xt. Neste estudo utilizou-se o índice generalizado de Malmquist. desenvolvido por Färe et al. yt/ q) Î St] = {sup[q: (xt.. yt): xt pode produzir yt} Define-se a função de distância com orientação produto no período t como: Dot(xt. a função de distância com orientação produto é definida da seguinte forma: Dot(xt+1.. Sendo St a fronteira de produção no período t (t = 1. resultando em erros de estimativa (Lambert & Shonkwiler.. A principal restrição ao emprego dos modelos paramétricos se deve à imposição de uma forma funcional explícita aos dados que podem não corresponder à verdadeira estrutura da tecnologia de produção. 1995). Para dois períodos diferentes (t. é definida como em (4). (3) (4) A função de distância é definida como a recíproca do máximo q. a eficiência é medida como a distância de cada firma em relação a uma fronteira de produção não-paramétrica. Se Dot(xt. yt) estiver na fronteira tecnológica e a produção é tecnicamente eficiente. De forma semelhante. Utilizando técnicas de programação linear.relação ao ótimo (fronteira) e que. qyt) Î St]}-1 onde o sub-índice o indica orientação produto. yt) como a máxima mudança proporcional no produto yt em relação à tecnologia no período t+1. desenvolvida mais recentemente. propuseram a decomposição do crescimento da produtividade em dois componentes mutuamente exclusivos: mudança relativa na eficiência técnica e deslocamento da fronteira de produção (mudança técnica) no decorrer do tempo. define-se Dot+1(xt. distinguem-se os modelos conhecidos na literatura como Data Envelopment Analysis (DEA) que utilizam dados de quantidade de insumos e produtos para obter a fronteira de produção. substituindose t por t+1. o que inviabilizaria a sua aplicação em casos em que o número de graus de liberdade é reduzido. podem ocorrer disparidades entre várias estimativas dependendo da forma funcional especificada. O índice de produtividade de Malmquist foi proposto por Caves et al. A abordagem não-paramétrica. surgiu da necessidade de não se especificar uma forma funcional particular à função de produção. Nesta abordagem. (1982) com base nas funções de distância desenvolvidas por Malmquist (1953). Dot(xt. seja resultante de fatores comportamentais que estão sob o controle da unidade de decisão.T). (1994). a partir do desenvolvimento de uma abordagem não-paramétrica (Data Envelopment Analysis) para o cálculo do índice de Malmquist. que permitem melhorar as propriedades de aproximação da verdadeira função. para medir as contribuições do progresso tecnológico e da eficiência técnica ao crescimento da produtividade da agricultura do Nordeste do Brasil. 2009 . assume-se. a recíproca da medida de eficiência técnica relativa de Farrell). yt+1). dado xt. 1. Mesmo com a utilização de formas funcionais flexíveis. t+1). construída como uma combinação convexa de insumos-produtos observados. yt+1/ q) St] (5) A função (5) mede a máxima mudança proporcional no produto yt+1 dados os insumos xt+1. De acordo com Färe et al. (1994). Färe et al. UFRB. Dot+1(xt+1. o índice de mudança da produtividade de Malmquist orientado para produto é dado por: 292 Tópicos em Ciências Agrárias. sob a tecnologia no período t. (1994).. Uma segunda restrição aos modelos estocásticos está relacionada ao número de observações disponíveis para as variáveis. yt) = 1 apenas se (xt. A função de distância com orientação produto no período t+1.

x t . Fonte e descrição dos dados Os dados utilizados neste trabalho foram obtidos dos Censos Agropecuários de 1975.T períodos. o índice de produtividade de Malmquist entre os períodos t e t+1 é obtido a partir de quatro funções de distância: Dot(xt. y t +1 ) Do ( x t .. y ) (6) A expressão (6) pode ser decomposta em duas partes de modo que: t t t Do+1 ( x t +1 . y t +1 ) 1 ][ ]} 2 t t t t +1 t t Do ( x .. yt). y t +1 .... de quatro problemas de programação linear. x t .. yt+1. v. então. y t ) Do ( x . Comparando-se cada estado da região Nordeste com a fronteira tecnológica tem-se uma medida da eficiência em relação à fronteira e uma medida da mudança da fronteira (inovação ou tecnologia).. substituindo-se t por t+1.n ål k =1 t k t t 1 x k . isto implica na solução. torna-se necessário estimar os índices de eficiência técnica sob retornos variáveis à escala (RVE). y t =1 ) Do ( x t +1 . y t =1 . y t =1 . yt+1) e Dot+1(xt+1. yt) são similares a (8) e (9). x t .m £ å ltk y k .M 0 ( x t +1 . 1. y ) Do ( x . y ) Do ( x . terras em descanso e terra produtivas não utilizadas). Dot+1(xt. yt+1) e Dot+1(xt. x t . sob retornos constantes à escala (RCE). y t ) = (7) M 0 ( x t +1 . y t +1 ) Do+1 ( x t +1 . t = 1. as seguintes funções de distância são calculadas..n £ x k+n . yt) é o índice de mudança tecnológica (inovação) entre os períodos t e t+1. Definindo k = 1. x t. y t ) 1 {[ t +1 t +1 t +1 ][ t +1 t t ]} 2 t Do ( x t . y t =1. y k )]-1 = max q k (8) t t t [ Do ( x k+1 . para a construção do índice de Malmquist. pela razão entre os índices de eficiência técnica calculados sob RCE e RVE. y k+1 )]-1 = max q k (9) sujeito a K t t q k y k . yt) é o índice de mudança relativa na eficiência e T(xt+1.. yt+1).. mão-de-obra (pessoal ocupado total) e capital (número de tratores de 50 a menos de 100 cv) RESULTADOS E DISCUSSÃO Na Tabela 1 são apresentadas as funções de distância calculadas. 2009 293 .. xt. As seguintes variáveis foram usadas: valor total da produção agropecuária (em Reais de 1994). y t ). Visando uma análise mais detalhada das causas de variação da produtividade. Dot(xt+1. yt).N insumos.m k =1 K sujeito a: K t 1 t q k y k+m £ å ltk y k .. respectivamente. y t ) = {[ t t Do ( x t +1 . y t ) onde E(xt+1. k =1 K ål k =1 t k t t x k .. pressupondo-se retornos constantes à escala (RCE): t t t [ Do ( x k .K estados. Neste estudo. y t ) = E ( x t +1 .T ( x t +1 . para cada estado k. Tópicos em Ciências Agrárias.. o índice de eficiência técnica pode ser decomposto em dois componentes: índice de eficiência técnica pura e índice de eficiência de escala... utilizou-se o modelo DEA para construir as fronteiras de produção para cada período e para cada tipo de tecnologia. Para tanto. Isto é feito acrescentando-se aos problemas (8) e (9) a restrição Slk=1. UFRB. Para cada Estado. O índice de eficiência de escala é dado.M produtos e n = 1. m = 1.m . y t +1 . yt+1. 1985 e 1995/96. y ) M 0 ( x t +1. Utilizando a abordagem não-paramétrica. xt. terra (área total exceto matas naturais.n £ x k . ltk ³ 0 ltk ³ 0 Os cálculos de Dot(xt+1.

373 0.000 0. Pernambuco e Alagoas.y ) D (x .451 0.000 0.000 1.947 1.776 1.000 1.000 1.910 1. Funções de distância calculadas.y3) sob a condição de retornos variáveis à escala.639 0.771 0.G.691 1.923 D (x .830 0.418 0.870 0.320 1.678 0. Médio (*) D (x .433 7.493 0.y1) < 1] e a fronteira tecnológica foi determinada pelos estados do Maranhão. 1985 e 1995. considerando que não houve variações nos índices de eficiência técnica1. a fronteira tecnológica foi determinada pelos estados do Maranhão.697 0.613 0.000 1.000 0. sob retornos constantes à escala. mudança tecnológica e mudança de escala são apresentados nas Tabelas 3 e 4. médio (*) D (x .y1).084 1.y ) 1.564 1. Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind.655 1. decorreu da ineficiente escala de operação.875 1. 2 e 3 indicam os anos de 1975.871 0. 1 1 1 rve 2 2 2 rve 3 3 3 rve Estado Maranhão Piauí Ceará R.y ) D (x .000 1. Estas funções são apresentadas na Tabela 2. 1985 e 1995. Funções de distância calculadas sob retornos constantes à escala para os estados da região Nordeste do Brasil.433 1.000 0.744 0.000 1.562 0.000 1. 1985 e 1995 (*).000 0. Alagoas e Sergipe apresentaram ganhos de produtividade total dos fatores os quais. no ano de 1975.750 0. apenas os estados de Pernambuco.417 0. A perda de eficiência técnica no estado da Bahia. respectivamente.694 Os sobre-índices 1.366 0.379 1.926 D (x .775 1.000 1.522 0. Nos demais períodos (1985 e 1995) o estado da Bahia apresentou ineficiência técnica [D1(x1.523 0.000 1.246 0. Tabela 2. Para se decompor os índices de eficiência técnica.y ) 1.y ) 1.000 0.903 0.y ) 1.500 0. respectivamente. Para os demais estados. nos componentes eficiência técnica pura e eficiência de escala. 1985 e 1995*.000 0.y ) D (x .009 3. No período 1975/85 (Tabela 3).536 0.000 0.772 1.000 1.y1) = 1].416 0. para os períodos de 1975/85 e 1985/95.000 0.969 Os sobre índices 1.y ) D (x . Os três primeiros índices (colunas 2 a 4) da Tabela 1 permitem avaliar. períodos de 1975.000 0.773 1. D2(x2.174 0.621 0.Tabela 1. períodos de 1975. 294 Tópicos em Ciências Agrárias.y2) e D3(x3.y ) D (x . a eficiência técnica de cada estado em relação à fronteira tecnológica regional.915 0. Pode-se observar que. sob RCE.547 1.000 0.713 1.965 1.197 0.608 0.341 0.000 1.531 2. 2009 .841 1.460 0. 2 e 3 indicam os anos de 1975.y ) D (x .225 0.021 0. foram decorrentes de mudança tecnológica.G.538 1.645 1. 1. Alagoas e Bahia [D1(x1.000 1. para cada ano considerado.000 1.000 1. para os estados da região Nordeste do Brasil.618 1.892 1. Os índices de Malmquist e sua decomposição em mudança de eficiência técnica.157 2.482 0. Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind.000 0.000 1. UFRB. como pode ser observado pela comparação dos índices de eficiência técnica calculados sobre RCE e RVE.557 1.000 0. 1 1 1 2 2 2 3 3 3 1 2 2 2 1 1 2 3 3 3 2 2 Estado Maranhão Piauí Ceará R.346 0.590 0.661 0. torna-se necessário o cálculo das funções de distância D1(x1.963 0. v.883 0. Pernambuco.000 0.000 1. respectivamente. a produtividade total dos fatores decresceu 1 Exceto para o estado de Sergipe que apresentou uma pequena perda de eficiência de escala.

na fronteira tecnológica.031 Estado Maranhão Piauí Ceará R. da ordem de 15.3% e 75%.154 0. Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind. havendo deslocamento da fronteira.G.831 Índice de mudança na eficiência técnica total 1.774 0.251 0.024 1.392 1. Índices de mudanças relativas na eficiência técnica. decorrente de ganhos de escala.223 1. médio Tópicos em Ciências Agrárias. b) que a eficiência técnica de cada Estado no período t+1 seja igual a 1 (ou seja.360 Índice de mudança na eficiência técnica 1.000 1.794 0.207 1. 1.964 0.000 1.283 1.094 0.957 0.963 0. Os índices médios regionais de mudança na eficiência técnica.908 0.104 1.000 0.802 0. não se refletiu em ganhos na produtividade total dos fatores (PTF) já que ocorreu uma regressão da fronteira tecnológica.855 1. dadas as condições supra mencionadas. UFRB.000 1.212 1.188 1.154 0. na escala e na produtividade total dos fatores.028 1.000 1.512 0. na fronteira tecnológica. como pode ser observado nas duas últimas colunas da Tabela 3.000 1.544 0. é preciso que três condições se verifiquem: a) que o índice de mudança tecnológica entre o período t e t+1 seja maior do que 1 (evidência de mudança tecnológica).678 0.000 1.024 1. Neste período.326 1.083 1.185 1. respectivamente. para os estado do Nordeste do Brasil.000 1.978 1.927 Índice de mudança na fronteira tecnológica 0.750 1. Índice de mudança na PTF 0. utilizando-se os insumos do período t+1 (o produto potencial em t+1 maior que o máximo produto em t.000 1.326 1.239 Índice de mudança na eficiência técnica pura 1. com destaque para os estados do Maranhão e da Bahia que apresentaram taxas crescimento da ordem de 145.000 1.986 0. regressão da fronteira de produção ou de ambas. período 1975/85. Para o período 1985/95.devido à perda de eficiência técnica. os estados de Pernambuco e Alagoas destacam-se como deslocadores da fronteira tecnológica.929 0.065 Índice de mudança na eficiência de escala 1.799 1. período 1985/95.236 1. Buscando-se evidências de quais Estados podem estar deslocando a fronteira tecnológica.119 1.000 1.000 1. Tabela 3.933 0.920 1.223 1. médio No período 1985/95 (Tabela 4).000 1.000 1.512 0.047 0. causada pela insuficiente escala de operação a qual foi compensada pela expansão da fronteira tecnológica.025 1.000 1. Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind.000 1.000 1.841 1. para os estado do Nordeste do Brasil.098 Índice de mudança na fronteira tecnológica 2.4%.431 1. O estado do Rio Grande do Norte foi o único estado que apresentou perda de eficiência técnica.225 1.000 1. Tabela 4.000 1.063 0.816 1.000 1. na fronteira tecnológica e na produtividade total dos fatores foram todos maiores do que 1. indicando que o ganho de produtividade no período deveu-se à expansão da fronteira técnica (23.897 Índice de mudança na eficiência técnica pura 1.8%). v. Para o primeiro período (1975/85) os resultados não indicam qualquer Estado que fosse responsável pelo deslocamento da fronteira técnica. apenas o estado do Piauí apresentou ganhos de eficiência técnica.392 1. 2009 295 . na escala e na produtividade total dos fatores.326 1.G.678 0.9%) e à mudança na eficiência técnica (9.000 0.453 0.996 1. Índice de mudança na PTF 2.993 Índice de mudança na eficiência de escala 1. Pernambuco e Alagoas apresentaram ganhos na produtividade total dos fatores decorrentes exclusivamente de expansão da fronteira de produção já que os índices de mudança na eficiência técnica foram iguais a 1.000 0.000 0. no entanto. evidencia progresso técnico).561 1.220 1.453 1.236 1. Os estados do Maranhão. os Estados que o fazem devem estar situadas sobre ela).957 0.330 1.191 1.177 1.104 1.056 1.543 0.188 1.470 0. Índices de mudanças relativas na eficiência técnica.757 1.000 1. c) que o produto da região em t+1 seja maior do que o máximo obtido no período t.934 Estado Maranhão Piauí Ceará R. todos os estados nordestino apresentaram crescimento da produtividade total dos fatores. Este ganhos de eficiência técnica.

. o valor da produção é função dos investimentos realizados no mesmo período.. EVENSON. v. 4-11. Anais. 2001. v. reflexos dos investimentos realizados no primeiro período. 3. Total factor productivity growth in the brazilian agriculture and the role of agricultural research. MALMQUIST. Economia & Tecnologia. 1982. GROSSKOPF. T. C. C. dentre outros fatores.. no período 1975/85. ZHANG. A. Medidas de produtividade na agropecuária brasileira: 1985-1995.. PEREIRA.. F. E. American Economic Review. Anais. Contudo. 1953. BACHA. 1995. 1. T.209-242. CAVES. P. v. O comportamento da agropecuária brasileira no período de 1987 a 1996. p. Produtividade e progresso tecnológico na agricultura brasileira. American Journal of Agricultural Economics. C.. R.. 4. v. 1. D. BACHA. 2001. p. Trabajos de Estatistica. p. ALVES. DIAS.D. considerando-se que existe uma defasagem entre investimentos e produção e que. and productivity. S. Estes resultados. S. 37. technical progress. n. p.F. 296 Tópicos em Ciências Agrárias. R. J. LAMBERT.. NORRIS. UFRB. DIEWERT. L. p. 33. L. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL.. output.. Curitiba.. p. K..C. PARRÉ. ROCHA. Brasília: SOBER. J. M. D. J. v. Recife. por perda de eficiência técnica e deslocamento regressivo da fronteira tecnológica. Factor bias stochastic technical change. embora seja possível estabelecer algumas relações com a política agrícola vigente no período. GOMES. favoreceu a elevação dos investimentos no setor agropecuário. 1998. S. 66-83. and efficiency change in industrialized countries. SILVEIRA. 36. É provável que os resultados referentes ao segundo período analisado (1985/95). A. n. FÄRE. assinalados por Bacha & Rocha (1998). F. M. Productivity growth. não permitem conclusões sobre os determinantes deste comportamento. Os resultados obtidos neste estudo devem ser observados com parcimônia pois alguns aspectos podem estar contribuindo para os índices calculados como erros na medição das variáveis. conforme assinalam Gomes & Dias (2001). Recife. principalmente. 1994. J. REFERÊNCIAS ÁVILA. Revista Brasileira de Economia e Sociologia Rural. E.578-90. podem ter contribuído para o desempenho da agricultura nordestina neste período. Z. 84. Mensuração da eficiência técnica na agropecuária brasileira através da estimação econométrica de fronteiras de produção. 50. Anais. dentre outras. Brasília: SOBER. S.. por força do modelo utilizado.. 1393-1414. 1995. CD-ROM 2001. S. M. Pode-se argumentar que. 1995. houve um declínio na produtividade do setor agropecuário da região Nordeste do Brasil determinado.J. R. fatores não controlados pelos produtores como clima e preços agrícolas. Econometrica. 1. R. Outros fatores. DIAS. v. a política de crédito vigente no período. 35-59. v... CD-ROM 2001. os índices de eficiência calculados possivelmente estejam subestimados.CONCLUSÕES Os resultados obtidos permitem inferir que. A.. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL. entre outros. Brasília: SOBER. CHRISTENSEN. como a melhoria das relações de preços agropecuário/industrial e recebidos/pagos pelo setor agropecuário. SHONKWILER. sejam. S. contudo. Index numbers and indifference curves. 1998. p-631-657. 2009 .. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL.. The economic theory of index numbers and the measurement of input.

ISBN 978-85-61346-04-1 .

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