Organizadores Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Ana Cristina Vello Loyola Dantas Francisco Adriano de Carvalho Pereira Ana

Cristina Fermino Soares José Fernandes Melo Filho Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira

Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Ana Cristina Vello Loyola Dantas Francisco Adriano de Carvalho Pereira Ana Cristina Fermino Soares José Fernandes Melo Filho Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira (Organizadores)

TÓPICOS EM CIÊNCIAS AGRÁRIAS

VOLUME I

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS, AMBIENTAIS E BIOLÓGICAS

CRUZ DAS ALMAS - BAHIA 2009

Copyright 2009

CAPA Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Gráfica e Editora Nova Civilização Ltda.

FOTOS DA CAPA Ana Cristina Vello Loyola Dantas

REVISÃO Ana Cristina Vello Loyola Dantas Sidiney Ferreira Sardinha

DIAGRAMAÇÃO Gráfica e Editora Nova Civilização Ltda.

Ficha Catalográfica preparada pela Seção de Catalogação da Biblioteca da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia T674 Tópicos em Ciências Agrárias / Carlos Alfredo Lopes de Carvalho... [et al.], organizadores. – Cruz das Almas, BA: Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas, 2009. 296p. : v. 1. :il. ISBN 978-85-61346-04-1 1. Ciência animal. I. Carvalho, Carlos Alfredo Lopes de, II. Dantas, Ana Cristina Vello Loyola, III. Pereira, Francisco Adriano de Carvalho, IV. Soares, Ana Cristina Fermino, V. Melo Filho, José Fernandes, VI. Oliveira, Gabriel Jorge Carneiro de. CDD 631 Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias - UFRB Tele/Fax: (75) 3621.3120 E-mail: pgagrarias@ufrb.edu.br Home Page: www.ufrb.edu.br/pgcienciasagrarias

O conteúdo dos Capítulos é de inteira responsabilidade dos autores

É permitida a reprodução parcial ou total desta publicação desde que devidamente citada a fonte.

ORGANIZADORES

Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Doutor em Ciências - Entomologia Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Ana Cristina Vello Loyola Dantas Doutor em Agronomia - Genética e Melhoramento de Plantas Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Francisco Adriano de Carvalho Pereira Doutor em Irrigação e Drenagem Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Ana Cristina Fermino Soares Doutor em Produção Vegetal Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia José Fernandes de Melo Filho Doutor em Agronomia - Solos e Nutrição de Plantas Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira Doutor em Zootecnia Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

APRESENTAÇÃO

A grande área das Ciências Agrárias representa parte significante do conhecimento gerado no Brasil com retorno importante para a sociedade, uma vez que técnicas de manejo de culturas, melhoramento animal e vegetal, conservação dos solos, sistemas de irrigação, entre outros, se traduzem em maior produtividade com reflexo direto na produção de alimento. Dada a sua especificidade, notadamente em países com as características do Brasil, a pesquisa agropecuária tem sido ferramenta importante na busca de respostas aos desafios promovidos pela necessidade de aumento da produtividade agropastoril associada com a sustentabilidade ambiental e responsabilidade social. Neste contexto, além das questões inerentes à própria pesquisa, a formação de recursos humanos altamente qualificados tem sido um desafio ainda maior para atender as demandas complexas dos agrosistemas. É neste cenário desafiador que o Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, cuja primeira turma de Mestrado foi iniciada em 1979 e a de Doutorado em 2006, tem contribuído, tanto na formação de recursos humanos qualificados, como na geração de conhecimento técnico-científico. Com mais de 350 dissertações de Mestrado e duas teses de Doutorado defendidas, o Programa da UFRB possui egressos em várias instituições no Brasil e em outros países, desenvolvendo pesquisas importantes na solução dos problemas enfrentados pela agropecuária. Motivados com a importante e necessária divulgação dos resultados obtidos pelos Grupos de Pesquisa que contribuíram ou contribuem na consolidação do lastro de sustentação do Programa ao longo desses anos, docentes pesquisadores e seus orientados reuniram resultados de trabalhos e revisão bibliográfica, lançando o primeiro volume com diferentes temas sobre as Ciências Agrárias. A obra é mais uma contribuição do Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias da UFRB e é composta por diversos tópicos da área de Ciências Agrárias, cujos temas estão distribuídos em Capítulos, de forma que o leitor pode ter acesso, tanto às informações específicas, como a questões mais gerais ao longo dos textos. Neste sentido, ela se constituirá em uma importante fonte de consulta bibliográfica para discentes e docentes pesquisadores, tanto nos trabalhos de formação, como nos projetos de pesquisa.

Paulo Gabriel Soledade Nacif Reitor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

....................................55 Getúlio Augusto Pinto da Cunha CAPÍTULO 6 Produtividade vegetal: principais fatores...................................................................................................................... Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa. Claudia Fortes Ferreira & Antonio Augusto Oliveira Fonseca CAPÍTULO 3 Propagação de fruteiras potenciais para o nordeste brasileiro..........................................15 Simone Alves Silva................119 Oton Meira Marques......................................................................................................... Simone Alves Silva & Ana Cristina Vello Loyola Dantas CAPÍTULO 2 Caracterização de genótipos de fruteiras potenciais para o nordeste brasileiro ..........................77 Elvis Lima Vieira CAPÍTULO 7 Ecofisiologia e floração da mangueira e crescimento do fruto de manga...............................................................................................133 Antônio Souza do Nascimento & Tuffi Cerqueira Habibe ................. Milene da Silva Castellen................... Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio CAPÍTULO 9 Análises faunísticas em estudos entomológicos........................ Simone Alves Silva & Janay Almeida dos SantosSerejo CAPÍTULO 4 Dinâmica do crescimento vegetal: princípios básicos.........105 Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio................................................ Carlos Alfredo Lopes de Carvalho & Gilberto Marcos de Mendonça Santos CAPÍTULO 10 Interface da entomologia aplicada na fruticultura tropical ..........01 Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa..................................................................... Weliton Antônio Bastos de Almeida....................CONTEÚDO CAPÍTULO 1 Conservação de fruteiras potenciais para o nordeste brasileiro ..... Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa..................................................................................... Ana Cristina Vello Loyola Dantas.. Clóvis Pereira Peixoto.................................... Fernanda Vidigal Duarte Souza.........91 Manoel Teixeira de Castro Neto & Anna Christina Passos Menezes CAPÍTULO 8 Viabilidade e vigor de sementes de milho híbrido precoce ........37 Clóvis Pereira Peixoto & Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto CAPÍTULO 5 Fisiologia da floração do abacaxizeiro......... José Vieira Uzeda Luna....25 Ana Cristina Vello Loyola Dantas...........................

........171 Anacleto Ranulfo dos Santos...................................................................................................................................233 Benedito Marques da Costa...................................... Clóvis Pereira Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio CAPÍTULO 13 Evolução.................... Rozilda Vieira Oliveira Sacramento & Robson Rui Cotrim Duete CAPÍTULO 15 Variabilidade espacial da condutividade hidráulica do solo: conceitos e bases para avaliação................................................. Cláudia Melo da Paixão & Robélia Tosta Dias Amorim CAPÍTULO 12 Impacto de herbicidas em processos microbiológicos do solo e qualidade fisiológica de sementes em Latossolo Amarelo coeso do Recôncavo Baiano ............ a qualidade do leite e da carne e a produção de alimentos funcionais................................................... Adailde do Carmo Santos & Leandro Gonçalves dos Santos CAPÍTULO 14 Desordens nutricionais em pomares cítricos no Recôncavo Baiano .................................................... Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio.......................................219 Francisco Adriano de Carvalho Pereira...................245 Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira CAPÍTULO 19 Carboidratos na nutrição de peixes ................................... Aureo Silva de Oliveira....................197 José Fernandes de Melo Filho & Paulo Leonel Libardi CAPÍTULO 16 Evapotranspiração .......................................................................... mudança tecnológica e eficiência na agropecuária do nordeste do Brasil no período 1975/1995......................................277 Warli Anjos de Souza CAPÍTULO 22 Produtividade............................... Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira & Maria do Carmo Martins Marques da Costa CAPÍTULO 18 Efeitos da adição de gordura suplementar à ração de bovinos sobre o metabolismo da glândula mamária........................269 Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira............................................................................. Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Benedito Marques da Costa CAPÍTULO 21 Desenvolvimento regional e a competitividade do agronegócio: estudos de cluster..................... Raul Lomanto Neto....................289 Carlos Augusto Pereira Filho & Warli Anjos de Souza ...............................................159 Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto............CAPÍTULO 11 Interação entre fungos micorrízicos arbusculares e patógenos radiculares de citros .... Vital Pedro da Silva Paz & Greice Ximena Santos Oliveira CAPÍTULO 17 Mistura mineral para bovinos em regime de pasto ................................................................183 Washington Luiz Cotrim Duete.......................... adubação e diagnose nutricional de pastagens no Recôncavo da Bahia ........147 Antônio Alberto Rocha Oliveira......257 Leandro Portz CAPÍTULO 20 Alimentação de caprinos leiteiros......................................

Simone Alves Silva & Ana Cristina Vello Loyola Dantas Tópicos em Ciências Agrárias . José Vieira Uzeda Luna. Fernanda Vidigal Duarte Souza. Weliton Antônio Bastos de Almeida. Milene da Silva Castellen.CAPÍTULO 1 CONSERVAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa.

tem sido o objetivo de programas de melhoramento genético em todo país. e mesmo. Órgão ou Centro de Estudos que ficará responsável pelo estabelecimento e manutenção da coleção. para conservá-la. de grande importância para a dieta alimentar. como sistemas reprodutivo e de cruzamento. principalmente em relação a espécies de importância econômica atual e potencial. 1.edu.br Pesquisador . A exploração racional e o uso sustentável desse germoplasma dependem inicialmente. Conceição do Almeida-BA. Dessa forma. no entanto. proteínas. D’Eeckenbrugge et al. O porte alto. de um programa de conservação e manutenção desses recursos genéticos. Adicionalmente. um dos mais importantes centros de diversidade genética de muitas espécies frutíferas tropicais.Centro de Ciências Agrárias. coleções nucleares e bancos de germoplasma in vitro. O Brasil. 1998). a necessidade de se optar por coleções completas do tipo específico. vitaminas e sais minerais. Dentre os recursos genéticos vegetais voltados para a alimentação e agricultura. podem ser consumidas in natura ou na forma de sucos. voltadas para a alimentação. não apenas para explorá-la de modo sustentável. A evolução econômica e a demanda dos mercados reforçam hoje o interesse dos países latino-americanos para as frutas em geral e as frutas nativas ou exóticas em particular. mas principalmente. Pesquisador . perfeitamente adaptadas e com potencial para a conquista do mercado interno. Weliton Antônio Bastos de Almeida1. no mundo. uma demanda relevante.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. causada pela destruição dos ecossistemas e pela domesticação dos cultivos pelo homem. José Vieira Uzeda Luna3. que vão desde aspectos botânicos. Fernanda Vidigal Duarte Souza2. variedades de uso tradicional e as variedades melhoradas. são evidentes na formação de coleções de germoplasma dessas fruteiras. licores.. seria a estratégia mais segura para resguardar esse recurso. é a destruição devastadora que está ocorrendo nas áreas de ocorrência natural dessas espécies. Essas frutas apresentam sabores sui generis e elevados teores de açúcares. necessitando de estratégias próprias. A exploração racional de espécies de importância econômica ou de potencial utilização. Estação de Fruticultura Tropical. uma caracterização morfológica ainda bastante incipiente. nativas e exóticas. como o país mais rico do mundo em recursos biológicos. 1993. Ambientais e Biológicas/UFRB. Cruz das Almas-BA. Um aspecto normalmente negligenciado por muitos curadores de Bancos de Germoplasma. Cruz das Almas-BA. abrangendo a conservação de variedades silvestres. Tópicos em Ciências Agrárias. e passa impreterivelmente. e que deve ser considerado no caso da conservação do germoplasma dessas fruteiras em especial. Ana Cristina Vello Loyola Dantas1 1 2 Professor . Algumas limitações. porte da planta. são as maiores dificuldades encontradas nos estabelecimentos desses bancos de germoplasma. o longo período de juvenilidade.Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA). 2009 03 . Simone Alves Silva1. coleções em campo. as fruteiras destacam-se pela grande diversidade e potencial que apresentam. pela conservação e caracterização do germoplasma disponível.embrapa. E-mail: mapcosta@ufrb. A escolha da estratégia de conservação mais adequada para cada espécie é dependente de uma gama de fatores. UFRB. como coleções-base e/ou ativas de sementes. tem grande responsabilidade sobre essa riqueza. A caracterização e manutenção de recursos genéticos são hoje. v. a conservação do pool gênico dessas espécies tornou-se prioridade em programas agrícolas de muitos países.. para a exportação e para a diversificação agrícola da região (Giacometti & Goes. Com o avanço da erosão genética. sorvetes e geléias entre outras delícias culinárias (Avidos et al. E-mail: fernanda@cnpmf. No Nordeste brasileiro é possível encontrar uma grande variabilidade genética das mais diversas fruteiras. É preciso considerar que a perda da variabilidade genética supõe uma grande limitação na capacidade de se corresponder a novas necessidades e um incremento da vulnerabilidade dos cultivos dessas fruteiras.br 3 INTRODUÇÃO O uso sustentável e continuado da diversidade genética disponível para o cultivo e consumo de espécies vegetais utilizadas na alimentação é de suma importância para o bem estar das gerações atuais e futuras. 2000). sendo o Brasil. diante de mudanças ambientais ou aparecimento de novas pragas e doenças. até condições financeiras da Empresa.CONSERVAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa1. Milene da Silva Castellen2. o pouco conhecimento que se tem sobre variedades e genótipos de algumas dessas espécies. incluindo possibilidades de conservação in situ e ex situ.

a necessidade de recursos humanos treinados.) Merr.). v. a partir de populações de plantas obtidas por meio de sementes. ressaltando-se a distribuição de materiais de propagação para diferentes Instituições. com 30 espécies e 157 acessos (Tabela 2) coletados nas diversas regiões do País. da família Bombacaceae. acerola e maracujá. Sergipe. Alagoas. utilizadas principalmente no Sul da Bahia. sendo que. Ambientais e Biológicas da UFRB. introduções procedentes da Colômbia possibilitaram a identificação e recomendação de materiais de alta qualidade. No tocante à cultura da graviola. (A. com as modificações necessárias. Os acessos são caracterizados e avaliados tomando-se por base os descritores do IBPGR (1980). encontra-se igualmente. Além das extensas áreas. assim como os riscos de perdas pela ocorrência de catástrofes de ordem biótica. para a produção de polpa congelada.. constituindo mais uma alternativa de renda para o produtor. Dentre as diferentes espécies mantidas. contribuindo para o aumento da renda de produtores. um acesso de jenipapo sem sementes. o durião (Durio zibethinus Murray). A conservação de espécies de Persea é de extrema importância atualmente. em Cruz das Almas-BA. as mais solicitadas são: mamão. recebendo os tratos culturais e fitossanitários de acordo com as exigências de cada espécie. possibilitando a incorporação de muitas espécies aos sistemas produtivos comerciais. UFRB. também originário da Malásia e o canistel (Pouteria campechiana Baehni) da família Sapotaceae e originária da América Central. características fisiológicas e fenologia. podem ser destacadas. o Centro de Ciências Agrárias. cada planta ocupa uma área em torno de 40 m2. Essas espécies estão sendo multiplicadas na EBDA e difundidas em pequena escala no Sul da Bahia. em Cruz das Almas e o Centro de Pesquisa da Lavoura Cacaueira (CEPLAC). visto a restrita variabilidade existente nas coleções brasileiras. (2002). 1999). Ambientais e Biológicas da UFRB. No Estado da Bahia. praticamente toda a conservação é realizada na forma de coleções de campo. com índice de pegamento de quase 100%. 2001). as principais Instituições responsáveis pela conservação de fruteiras são a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA) em Conceição do Almeida. Em relação à carambola e ao rambutão foram identificadas quatro matrizes com características horticulturais superiores. localizado na EBDA estão catalogados mais de 364 acessos de 60 espécies de clima tropical. Considerando-se que a grande maioria dessas frutíferas é arbórea. As plantas estão mantidas em campo e dispostas em número variável de três a dez plantas por acesso. como as cultivares Lisa e Morada. através da incorporação de novas cultivares ao processo produtivo. o alto custo de implantação. o BAG de Fruteiras Nativas e Exóticas possibilitou ainda. O mamão teve o maior número de acessos intercambiados. da família Moraceae e oriunda da Malásia. quanto de espécies exóticas bem adaptadas às condições edafo-climáticas da região. Nessa mesma coleção. a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. Vale ressaltar que nesse BAG encontra-se a única coleção de abacate da Região Nordeste com 33 acessos. a área ocupada por esses bancos é extensa e de difícil manejo. esta coleção foi iniciada em 1996. Segundo Carvalho et al. tanto de espécies nativas. No Banco de Germoplasma de Fruteiras Nativas e Exóticas. Muitas espécies apresentam grande escassez ou mesmo ausência de dados relativos à sua morfologia. introduzido através da técnica de produção de mudas por garfagem em fenda cheia. Dentre essas. condução e manutenção das coleções. Estas informações são importantes para a descrição e caracterização de genótipos. em Itabuna. champeden Spreng. Ceará. outras limitações em relação à conservação de germoplasma dessas fruteiras em campo. goiaba.Bancos de Germoplasma da Região Nordeste O Nordeste Brasileiro apresenta diversidade genética considerável. Nos últimos 10 anos. necessitando ampliação por meio de novas coletas nos locais de origem (Ferreira. com introdução das 04 Tópicos em Ciências Agrárias. Recife e Paraíba. Outras fruteiras introduzidas recentemente nesse BAG foram o champedaque (Artocarpus integer (Thumb. a recomendação de cultivares de abacate e goiaba para o plantio nas condições do Recôncavo Baiano. Considerado como um dos mais importantes da América Latina. tendo em vista as condições ecológicas propícias ao desenvolvimento. Outra importante coleção de fruteiras tropicais do Estado da Bahia encontra-se no Centro de Ciências Agrárias. graviola. foram distribuídas cerca de 85 mil mudas de fruteiras tropicais nativas exóticas. No caso dos bancos de germoplasma de fruteiras nativas do Brasil. abiótica e antrópica (Valois et al. Pernambuco. 2009 . No Nordeste Brasileiro os bancos e coleções de germoplasmas de fruteiras estão distribuídos nos Estados da Bahia. e que de maneira geral utilizam-se três plantas para cada acesso. 1. beneficiando quarenta e cinco Instituições e inúmeros produtores de praticamente todos os Estados do Brasil. oriundos de várias partes do mundo e introduzidos pelo CENARGEN (Tabela 1). Esse BAG vem sendo utilizado como suporte aos trabalhos de seleção de matrizes e como apoio básico às atividades de produção de mudas. produção. Esses acessos encontram-se em fase de caracterização e avaliação com base nas características morfológicas e agronômicas.

Fortunella. Nunes (2002). uma das mais sérias doenças da bananeira causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis. encontram-se. como é o caso do Poncirus. acerola. citros. entre nativas e exóticas. O BAG Citros possui cerca de 700 acessos. indicado para consumo de mesa. Tópicos em Ciências Agrárias. banana. que vem gradativamente.. o que possibilitou a identificação de acessos com resistência à fusariose. 2005). 2004). com características agronômicas muito interessantes e resistente à fusariose. como é o caso dos Tabuleiros Costeiros. 1999) para a identificação de abacaxis ornamentais.CTV (citrus tristeza virus). e a cada ano a coleção vem sendo ampliada com a introdução de novos acessos. Atualmente. das quais apenas 15 encontram-se conservadas em Bancos de Germoplasma. Atualmente. Microcitrus. 2000. em um levantamento no Estado da Bahia. Salustiana. litoral e caatinga da Bahia. dos quais 60% já estão caracterizados morfologicamente utilizando-se os descritores já estabelecidos para a cultura. nas regiões de ocorrência (Iramaia. ‘Cablocla’ e ‘Rubra’. 2005b). a maior parte dos acessos do gênero Passiflora conservados refere-se à espécie Passiflora edulis (maracujá roxo) e à forma flavicarpa (maracujá amarelo). com o alastramento da Sigatoka negra. Castellen et al. Desse BAG. A região Nordeste possui diversas espécies do gênero Passiflora. o abacaxi `Imperial´. Ouriçangas e Nova Soure) (Cruz. a partir de coletas realizadas na região do Recôncavo Baiano. tamanho e firmeza do fruto. a resistência encontrada em materiais diplóides conservados possibilitou o desenvolvimento de novos híbridos resistentes.. O BAG Passiflora conta atualmente com 44 acessos. é o BAG Maracujá. Eremocitrus e Severinia. sendo três delas consideradas endêmicas do Estado e prioritárias para conservação. Creste et al. Merrill) foi iniciado no início dos anos 80 e reúne um total de 743 acessos no campo. cita 29 espécies do gênero. características desejáveis para o programa de melhoramento genético da cultura. do gênero Ananas e outras bromeliáceas. Esse germoplasma vem sendo caracterizado utilizando-se os descritores morfológicos estabelecidos para a cultura do abacaxi.. e alguns híbridos estão em fase de avaliação. 2009 05 . conservados em condições de campo. formas. Chapada Diamantina. à gomose de Phytophthora e ao complexo do vírus da tristeza dos citros . No caso específico da mangabeira avaliações preliminares demonstraram reduzida variabilidade genética entre as populações e presença de variabilidade dentro da população. como é o caso do abacaxi. O BAG Banana possui 400 acessos. O BAG Abacaxi (Ananas comosus L. Novos acessos de mangaba e jenipapo estão sendo introduzidos. Estima-se que a maior parte da variabilidade genética intra e interespecífica do abacaxi esteja aí representada (Cabral et al. como resultado desse programa. Na Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical estão estabelecidos Bancos Ativos de Germoplasma (BAG) de diversas fruteiras. Esse banco de germoplasma. as variedades-copa têm sido selecionadas com vistas à sua utilização em ecossistemas característicos. passíveis de serem processadas pela indústria e também serem consumidas in natura. Caracterizações moleculares de pelo menos 60 diplóides foram realizadas por meio de marcadores do tipo RAPD e microssatélites (Paz et al. O Banco de Acerola conta hoje com 150 acessos de Malpighia glabra e um acesso de Malpighia coccigera. de grande interesse ecológico e com potencial econômico. Foram detectadas fontes de resistência às principais doenças da cultura. 1998). foram lançadas as variedades Pineapple. mamão e manga. que vêm sendo caracterizados morfologicamente a partir de uma lista de descritores multiculturais. Esses Bancos foram estabelecidos para servirem de suporte aos programas de melhoramento genético da Unidade e encontram-se parcialmente caracterizados. maracujá. as três primeiras são laranjas doces (C.. No panorama atual. porta-enxertos tolerantes à seca e ao alumínio. em sua maioria. UFRB. resistentes à morte súbita dos citros. cor. Ambientais e Biológicas da UFRB. Recentemente. compreendendo diversas espécies e variedades de Citrus e gêneros afins. plantas com ausência de espinhos e frutos com altos teores de sólidos solúveis. Recentemente. visando a identificação de genótipos de interesse e molecular para análise de polimorfismo entre os genótipos. A variabilidade existente no BAG agrega uma extensa fonte de cores. assumindo um lugar de destaque na floricultura nacional. tendo como propósito subsidiar o programa de melhoramento genético da espécie implantado no Centro de Ciências Agrárias. sendo uma das maiores coleções de germoplasma de abacaxi do mundo. já foram identificadas e lançadas duas variedades para mesa. Outro aspecto que vem sendo explorado nesse banco é o potencial ornamental encerrado em muitos de seus acessos (Souza et al. e a última um híbrido tipo tangerina. Esse material vem sendo caracterizado quanto a morfologia e características físico-químicas do fruto. plantas de porte baixo e outras características de interesse para o melhoramento da cultura. coloração da pétala. Além do melhoramento dos porta-enxertos. 40% desse banco já está caracterizado morfologicamente. (no prelo) citam 35 espécies do gênero distribuídas pela região dos Tabuleiros Costeiros.primeiras mudas.. sinensis). Outro Banco que a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical mantém desde 1997. que visa a obtenção de genótipos com características interessantes para o cultivo dos citros. que estão sendo caracterizados utilizando-se descritores morfológicos pré-estabelecidos para a cultura. tamanhos de frutos e coroas e diferentes arquiteturas a serem exploradas (Cunha e Cabral. cor da polpa. v. foi lançado um híbrido. a semelhança dos outros existentes nessa Unidade da Embrapa. Os descritores mais utilizados referem-se ao porte da planta. é a base para o programa de melhoramento genético. Dentre as características desejadas. 1. Valência Tuxpan e Page. que deverão substituir as variedades suscetíveis.

Spondia lútea L. UFRB. 2009 . Anacardium occidentale L. 2005. NOME VULGAR Abacate Abiu Abricó Abricó-da-praia Acerola Akee Ameixa-de-madagascar Araçá Araçá-boi Araticum do Brejo Atemóia Bilimbi Cabeludinha Cafezinho Cainito Cajá Cajarana Caju Camu-camu Canistel Caqui Carambola Champedaque Ciriguela Coco Durião Falso mangostão Goiaba Graviola Groselha Grumixama Guabiraba Jabuticaba Jaca Jambo vermelho Jambo rosa Jambolão Jenipapo Kundang Lichia Longon Mabolo Macadâmia Manga Mangostão Mapati Marang Nêspera Noz okari Noz pili Pinha Pitanga Pitomba Pitomba do Norte Pupunha Rambutão Romã Sapota branca Sapota verde Sapoti Tâmata Tamarindo Uampi Umbu NOME CIENTÍFICO Persea americana Mill. Casimiroa edulis Llav. Canarium ovatum Engl. Tamarindus indica L. Artocarpus heterophylus Lam. Averhoa bilimbi L.BA. Anonna cherimola Mill x Annona squamosa L. Conceição do Almeida .) Merr. 1. Averrhoa carambola L. Alston Syzzygium cumini L. Durio zibethinus Murray Garcinia sp. Artocarpus odoratissimus Blanco Eriobotrya japonica Lindl. Phyllantus acidus L. Blighia sapida Koenig Flacourtia indica Merr.Tabela 1. Pouteria viridi Pitt. v. Terminalia kaernbachi Warb. Chysophylum cainito L. Compomonesia spp. Punica granatium L. Eugenia brasiliensis Lam. Pourouma cecropiaefolia Mart. Merr & Perry Syzzygium jambos L. Annona muricata L.B. Phoenyx daclylifera L. Psidium spp. Mimusops elengi Malpighia emarginata D.C. (Mc Vaugh) Pouteria champechiana Baehni Diospyrus kaki L. Bunchosia armeniaca AD.C. Clausenta lansium (Lour. Eugenia luschnathiama Klotz Talisia escul enta Radlk Bactris gasipae Kunth Nephelium lappaceum L. Relação das espécies existentes no BAG de Fruteiras Nativas Exóticas da Empresa Baiana de Pesquisa Agropecuária (EBDA).) Skeels Spondia tuberosa Arruda FAMÍLIA Lauraceae Sapotaceae Clusiaceae Sapotaceae Malpighiaceae Sapindaceae Flacourtiaceae Myrtaceae Myrtaceae Annonaceae Annonaceae Averrheaceae Myrtaceae Malpighiaceae Sapindaceae Anacardiaceae Anacardiaceae Anacardiaceae Myrtaceae Sapotaceae Ebenaceae Averrhoaceae Moraceae Anacardiaceae Arecaceae Bombacaceae Clusiaceae Myrtaceae Annonaceae Euphorbiaceae Myrtaceae Myrtaceae Myrtaceae Moraceae Myrtaceae Myrtaceae Myrtaceae Rubiaceae Anacardiaceae Sapindaceae Sapindaceae Ebenaceae Proteaceae Anarcadiaceae Clusiaceae Cecropiaceae Moraceae Rosaceae Combretaceae Burseraceae Annonaceae Myrtaceae Sapindaceae Sapindaceae Arecaceae Sapindaceae Punicaceae Rutaceae Sapotaceae Sapotaceae Aracaceae Cesalpinaceae Rutaceae Anacardiaceae N° ACESSOS 33 02 01 01 04 01 01 04 01 01 01 01 01 01 02 02 01 05 01 02 03 45 42 01 02 02 01 31 12 01 01 02 03 01 02 01 01 03 01 01 01 01 11 50 01 01 01 01 01 01 05 05 01 01 02 45 02 01 01 04 01 02 01 02 06 Tópicos em Ciências Agrárias. Bouea macrophyla Litchi chinensis Sonn Dimocarpus longon (Lour. Artocarpus interger (Thumb. Eugenia tomentosa Gamb.K. Psiduum guajava L. & Iex. Eugenia stipitata McVangh Annona glabra L. Myciaria dúbia H. Eugenia uniflora L.) Steud Diospyrus discolor Willd Macadamia intergrifolia Maiden & Betch Mangifera indica L. Garcinia mangostana L. Munilkara zapota L. Genipa americana L. Cocuns nucifera L. Spondia púrpura L. Spondia dulcis Forst. Pouteria caimito Radlk Mammea americana L. Myrciaria cauliflora Ber. Syzzygium malacoense L. Annona squamosa L.

UFRB. onde pesquisas com a cultura também são desenvolvidas.BA. ainda em fase de avaliação. 2009 07 . Atualmente o BAG Manga. as quais deram origem a nove híbridos promissores. Desse conjunto. 2005. embora a mangueira seja a quinta mais importante espécie frutífera do mundo.Tabela 2. Relação das espécies existentes na coleção de fruteiras nativas e exóticas do Centro de Ciências Agrárias. Eugenia brasiliensis Myrciaria truncifolia Myrciaria dubia Genipa americana Hymenaea courbaril Xylopia emarginata Eugenia uniflora Talisia esculenta Bactris setosa Eugenia pyriformis Hibiscus sabdariffa N° ACESSOS 04 02 10 10 05 05 02 06 01 10 01 05 06 02 05 03 05 05 05 05 05 10 05 02 06 10 05 02 05 10 O BAG Mamão dessa Instituição conta atualmente com 191 acessos. passíveis de resultar em novos materiais à disposição dos produtores. NOME COMUM Abiu Canistel Mamei Açaí Palmito Araticum-do-brejo Araticum Araçá boi Biriba Bilimbi Butiá-vinagre Cabeludinha Café da mata Cagaita Caimito roxo Cajá Cupuaçú Goiaba Guabiroba Grumixama Jaboticaba Camu-camu Jenipapo Jatobá Pindaiba Pitanga Pitomba do Norte Pupunha Uvaia Vinagreira Fonte: Ferreira. até o momento. além dos objetivos conservacionistas. Réplicas desses acessos têm sido mantidos no BAG da Embrapa Semi-Árido. Segundo Pinto & Ferreira (2005). Auto-fecundações e cruzamentos entre indivíduos estreitamente aparentados. sendo o maior banco de germoplasma dessa cultura no país. já que a manutenção de um banco de germoplasma é muito cara. 2003 NOME CIENTÍFICO Pouteria caimito Pouteria campechiana Mammea americana Euterpe oleracea Euterpe edulis Annona glabra Annona crassiflora Eugenia stipitata Rollinia mucosa Averrhoa bilimbi Butiá capitata Eugenia tomentosa Myrcia sp Eugenia dysenterica Crhysophyllum cainito Spondia mombim Theobroma grandiflorum Psidium guajava Compomanesia spp. 1. Cruz das Almas. os melhoristas têm uma pequena variabilidade genética à sua disposição para uso no melhoramento. Tópicos em Ciências Agrárias. v. dentro de famílias. atende ao fornecimento de material vegetativo e embriônico e a pesquisas para obtenção de híbridos com potencial para a indústria de sucos e para o consumo ao natural. possibilitaram. aproximadamente 50% dos acessos já foram avaliados. Ambientais e Biológicas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. O BAG Manga da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical conta com 115 acessos de Mangifera indica conservados em campo. a sintetização e avaliação de cinco linhagens.

de características desejáveis em genótipos da espécie A.E. com 29 espécies.E. (2002) genótipos da espécie A. em relação aos tipos comerciais. microcarpum L. Itapirema E.Caju. Itambé Comocim de São Félix E.gov. Ibimirim E. v. pinheira e pitanga. Ibimitim E. Ibimirim Comocim de São Félix E.E. 2009 . Itambé Comocim de São Félix E. Iniciada no ano de 1987. Itambé E. Itapirema E. Itambé E. Itambé E. UFRB.E. Ibimirim E. destacam-se por apresentarem algumas características contrastantes e positivas. A partir de avaliações realizadas ao longo dos anos na Coleção de Germoplasma foi possível recomendar para as diversas regiões do Estado de Pernambuco.pdf.E. sobretudo quanto à adstringência. 20 acessos de Anacardium othonianum e 24 acessos de Anacardium spp.E. 1997).E.E. Garanhuns E. via retrocruzamento.E. Serra Talhada N° ACESSOS 12 14 12 110 33 35 3 4 70 11 31 21 250 18 45 22 43 3 143 85 120 10 6 35 270 4 13 13 31 No Estado do Ceará as principais coleções de fruteiras encontram-se no Centro Nacional de Agroindústria Tropical (CNPAT) em Fortaleza. Alguns genótipos vêm sendo caracterizados para serem empregados em programas de melhoramento. Embrapa Semi-Árido e Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). As Coleções do Estado de Pernambuco encontram-se distribuídas na Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA). Araripina E. Itambé E. Ibimirim E.Tabela 3.E.br/port/sbf/chm/doc/cap2i. Relação das espécies existentes na coleção de fruteiras tropicais e subtropicais da Empresa IPA.E. Segundo Crisóstomo et al. Porto de Galinhas E.E. Araripina Comocim de São Félix E.E. 2005). Itambé E.E.E. acerola. bem como de materiais provenientes de instituições de ensino e pesquisa. Itambé E. Itambé E.E.E. Tabela 3 (Bezerra et al.mma.E. 08 Tópicos em Ciências Agrárias. carambola.E. cajá e acerola (http://www.E. Itapirema E. a partir de prospecção genética e coleta de germoplasma de diversas fruteiras nativas e exóticas do Estado. 09 acessos de de Anacardium humile. Além do BAG .E.E.E.E. NOME COMUM Abacaxi Aceloreira Aceloreira Araçá-comum Cajazeiro Cajá-umbú Cajarana Cajueiro Anão Carambola Ciriguela Citros Goiaba Goiaba Graviola Graviola Jaboticabeira Jaqueira Macadâmia Mangabeira Pinheira Pitangueira Pitangueira Pomelo Romã Sapoti Tâmara Tangerina Tangerina Umbu E. 1. genótipos de sapoti.E. Araripina E. No CNPAT. encontra-se o BAG de caju com 440 acessos de Anacardium occidentale.. microcarpum existente no Banco de Germoplasma.: Estação Experimental LOCAL E. Estes genótipos vêm sendo empregados no melhoramento do cajueiro-anão-precoce pela introdução. Ibimitim E.E. a coleção do IPA conta atualmente. no CNPAT também são encontradas coleções de graviola. Garanhuns E.

2004. Tópicos em Ciências Agrárias. Kelch & Baldwin. No que tange à conservação ex situ. Wörheide et al. gerando informações importantes para o esclarecimento de relações filogenéticas. estas ferramentas não devem ser vistas como substitutas de estudos morfológicos e bioquímicos.. UFRB. RFLP (Restriction Fragment Length Polymorphism) e minissatélites. O desenvolvimento da técnica de PCR permitiu a síntese enzimática in vitro de milhões de cópias de um segmento específico de DNA na presença da enzima DNA polimerase.A Embrapa Semi-Árido é responsável por oito acessos de goiabeira (Pisidium cattelyanum). v. fluxo gênico. 1. SCAR (Sequence Characterized Amplified Regions). quando bem conduzida.. Contribuição da biotecnologia na caracterização e conservação de germoplasma A demanda de recursos genéticos para a alimentação e agricultura tem gerado necessidades cada vez mais dependentes da utilização de novos métodos e processos biotecnológicos (Vilela-Morales & Valois. (4) monitorar mudanças na estrutura genética de acessos regenerados. No entanto.SE) é responsável por 19 acessos de coco. a manutenção de um grande número de acessos num pequeno espaço físico e livre das intempéries e riscos que existem no campo. As coleções do Estado da Paraíba encontram-se distribuídas na EMEPA. de especial interesse em fruteiras sob extrativismo e em parentes silvestres de espécies cultivadas. A conservação in situ. 2009 09 . análises de seqüências de mtDNA. (2) selecionar acessos divergentes que abriguem valiosa variabilidade genética para programas de melhoramento a partir de cálculos de distância genética. facilitando a disponibilidade dos mesmos para o melhoramento genético e o próprio intercâmbio de germoplasma. população ou acesso. Os marcadores moleculares são usualmente divididos em dois grupos distintos metodologicamente: o primeiro engloba marcadores que utilizam técnicas de hibridização como. (3) identificar acessos duplicados na coleção. Samal et al.. 2003). 2004 e Creste et al. mas como complementares no entendimento da variabilidade disponível. a UFAL (Universidade Federal de Alagoas) mantêm coleções de mangabeira e no Estado de Sergipe. (5) caracterizar acessos.. Acessos de acerola também são mantidos na UFRPE. 1995. em diferentes organismos (Petit et al. A conservação in vitro surge como uma alternativa de conservação de germoplasma. Os recentes avanços em biologia molecular marcaram o início de uma nova era na conservação de recursos genéticos com o advento de marcadores moleculares que permitem detectar o polimorfismo diretamente no DNA. Na região Nordeste. por exemplo. a única fruteira que vem sendo conservada na condição in vitro é o abacaxi. Ortis et al. Trabalhos utilizando marcadores moleculares têm propiciado informações chaves para conservação tanto in situ (Rosseto et al. conservação e utilização do germoplasma em programas de melhoramento genético. AFLP (Amplified Fragment Length Polymorphism). Esta estratégia. cpDNA e nDNA também têm auxiliado estratégias conservacionistas. com 324 acessos de mangabeira e 21 acessos cajá. níveis de endogamia e tamanho efetivo de populações sob extrativismo.. a partir da identificação de populações e locais prioritários para conservação. auxiliando na manutenção e utilização sustentável da biodiversidade. 2000). No Estado de Alagoas. 2000) quanto ex situ (Wünsch & Hormaza. apesar de que trabalhos para o estabelecimento de um BAG in vitro de maracujá e banana já estão em andamento (Junghans et al. várias técnicas podem ser citadas no auxílio à caracterização. STS (Sequence Tagged Sites) e microssatélites. que deve ser considerada pelas vantagens que apresenta. Tansley & Brown. tem sido beneficiada por esses marcadores que permitem estudar a distribuição da variabilidade genética em populações naturais. (6) gerar informações para desenvolvimento de coleções nucleares representativas de toda coleção e ainda (7) determinar a presença de um alelo particular ou sequência de nucleotídeo em um táxon. banco de germoplasma. 105 acessos de manga (Mangifera indica). reduz os custos e garante a manutenção da fidelidade genética dos acessos conservados. a Embrapa Tabuleiros Costeiros (em Betume . 2002. enquanto o outro grupo agrega marcadores baseados na reação da polimerase em cadeia (PCR). deve-se salientar que apesar das técnicas moleculares gerarem grandes possibilidades na conservação de RGV. 2002. como por exemplo. 42 acessos de acerola (Malpighia glabra) e 70 acessos de umbu (Spondia tuberosa). 2004) de diversas espécies animais e vegetais. 2004. além de monitorar a longo prazo mudanças na estrutura genética. No tocante à cultura de tecidos. Adicionalmente. A escolha do marcador ideal dependerá da questão a ser respondida e dos equipamentos e recursos financeiros disponíveis. eventos de hibridação e confirmação de unidades taxonômicas.. A partir dessa técnica derivaram se inúmeros marcadores como RAPD (Random Amplified Polymorphic DNA). complementando as informações geradas por descritores morfológicos ou bioquímicos. dados moleculares a respeito da diversidade genética podem ser usados para diversos objetivos como: (1) planejar coletas ou estratégias de intercâmbio de germoplasma..

. Experiências semelhantes têm sido conduzidas no âmbito da Embrapa. pela falta de recursos financeiros e humanos para sua manutenção. como temperatura. identificando. Gonçalves et al. já que uma das desvantagens desta técnica é a necessidade de subcultivos periódicos. Outras vantagens do seu estabelecimento são a ordenação da informação e a determinação de atividades e espécies prioritárias.. UFRB. a avaliação do potencial da diversidade genética regional. A obtenção das plântulas para a conservação é realizada por meio da multiplicação in vitro dos acessos a serem introduzidos. bem como da infra-estrutura disponível para as atividades de caracterização. biomas altamente diferenciados e enormes variações de sistemas agrícolas. o potencial intelectual e as diversas capacidades institucionais. É preciso. 1998. Em uma região com uma extensa diversidade biológica. sendo necessário adequar condições para retardar o crescimento das plântulas. A formação de uma rede de recursos genéticos entre os Estados do Nordeste contribuirá não apenas para elaboração de um diagnóstico da situação atual dos recursos genéticos da região como para o estabelecimento de uma cultura de cooperação técnica que trará benefícios para vários segmentos da sociedade.. portanto. a gestão de modelos em rede otimiza o trabalho em recursos genéticos agregando às atividades com objetivos similares. 2005a).. 2004. assim como algumas variedades de abacaxi com potencial ornamental. 2009 . mas também pelo total desconhecimento da população. Souza et al. além de alguns aspectos de ordem técnica. as demandas mais urgentes. dentro de um enfoque de sustentabilidade. 1. Uma das diretrizes iniciais para formação de uma rede na região Nordeste seria a realização de uma radiografia e um diagnóstico dos bancos de fruteiras existentes na região. por meio da Rede Nacional de Recursos Genéticos (RENARGEN) que utiliza esse modelo na gestão de recursos genéticos animais. quanto de sua utilização. já que a demanda por sabores diferentes cresce a cada dia no hábito alimentar do consumidor e as frutas representam uma larga fatia desse novo mercado. demarca a importância que deve ser dada para o aspecto da conservação desses recursos genéticos na região. em sua maioria. CONSIDERAÇÕES FINAIS A variabilidade genética das fruteiras nativas e exóticas existente na Região Nordeste. A conservação in situ nessas regiões é difícil. precisa ser melhor explorado. v. concentração osmótica e reguladores vegetais. Esse tipo de conservação já começa a se fazer realidade para alguns cultivos. Entre os materiais conservados encontram-se diferentes acessos do gênero Ananas e espécies afins. no que se refere à importância desse germoplasma e pelas condições sociais da mesma. não apresentam uma adequada representação da diversidade genética da espécie em questão e muitas se encontram em situação precária.2002. o que a torna laboriosa. com a vantagem de que as fruteiras nativas são adaptadas às nossas condições e o importante papel que o recurso genético autóctone desempenha no intercâmbio internacional por germoplasma exótico em um cenário de crescentes restrições. além dos riscos de gerar plantas variantes. As coleções mencionadas nesse capítulo. Ponis & Thint. um programa que englobe várias ações integradas entre Instituições de diferentes Estados e que possam culminar no sucesso. onde o objetivo é a parada total do metabolismo da planta. otimizando o processo de conservação (Canto et al. manutenção e documentação desse germoplasma. 2004). O estímulo à sua utilização. vegetais e de microrganismos. A expectativa é que a transposição total do banco esteja terminada no final de 2007. em diferentes instituições e estados do Nordeste. assim como o aporte racional de recursos humanos e financeiros para o desenvolvimento das ações integradas. adequando as condições de cultivo e buscando a limitação do crescimento. que devidamente controlados. identificando zonas de ocorrência e endemismo de diversas espécies de fruteiras. auxiliam no prolongamento do tempo entre subcultivos. A grande maioria tem pouco do seu acervo caracterizado e portanto grande parte de seu potencial ainda permanece desconhecido. passa inicialmente pela conservação e utilização racional do germoplasma existente. Na Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical já estão estabelecidos in vitro aproximadamente 100 acessos oriundos do BAG abacaxi em campo. 2001). tipo de conservação realizada em temperaturas ultra baixas (-154ºC aproximadamente). permitirá o delineamento de estratégias de coleta e conservação in situ e ex situ eficientes e representativas da variabilidade genética regional intra e interespecífica. Paralelamente. Outra técnica utilizada para a conservação de germoplasma é a criopreservação. dessa forma. Outros aspectos que precisam ser considerados são a possibilidade de diversificação para o agricultor do Nordeste. Alguns fatores influenciam no crescimento das plântulas. não apenas pela falta de apoio dos governos locais. mas ainda apresenta muitas barreiras para sua utilização (Pérez et al. O valor do material autóctone. 10 Tópicos em Ciências Agrárias. e o estabelecimento de atividades prioritárias para cada espécie. Desta forma está sendo realizada uma série de trabalhos com a finalidade de prolongar o tempo de conservação do germoplasma de abacaxi in vitro. tanto da preservação do germoplasma existente. no que se refere a fruteiras.

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CAPÍTULO 2 CARACTERIZAÇÃO DE GENÓTIPOS DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Simone Alves Silva. Claudia Fortes Ferreira & Antonio Augusto Oliveira Fonseca Tópicos em Ciências Agrárias . Ana Cristina Vello Loyola Dantas. Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa.

edu.br INTRODUÇÃO Tendo em vista a grande diversidade de fruteiras adaptadas às condições agroecológicas do Nordeste brasileiro. como por exemplo a mangaba. o umbu.edu. a formação de pomares domésticos e comerciais e o plantio em áreas de reflorestamento. avaliação de germoplasma e posterior seleção de genótipos mais promissores para serem utilizados como clones ou para etapas seguintes do melhoramento genético. Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa1.br. DESCRITORES MORFOLÓGICOS A caracterização morfológica consiste na anotação de descritores botânicos facilmente visíveis ou mensuráveis. 1.CARACTERIZAÇÃO DE GENÓTIPOS DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Simone Alves Silva1. surgem como potencialmente interessantes para o Nordeste brasileiro. além de intensificar o melhoramento das espécies são estratégias necessárias para incluí-las como alternativas viáveis para exploração racional. com ampla expectativa de progressos genéticos obtidos por meio do conhecimento da variabilidade genética. mapcosta@ufrb. com considerável diversidade quanto ao modo de reprodução. Ana Cristina Vello Loyola Dantas1. Caracterizar. já que as espécies ainda não foram domesticadas e vêm sendo exploradas de forma desorganizada. Investir no melhoramento e na conservação destas fruteiras proporciona uma importante alternativa agrícola ecologicamente eficiente e competitiva para o Estado da Bahia. Esta fase é conhecida como Pré-Melhoramento. Cruz das Almas-BA. E-mail: cfferreira@cnpmf. para a exportação e também para a diversificação agrícola. tornando-os marcadores fenotípicos e que a princípio podem ser expressos em todos os ambientes. Em virtude da alta variabilidade genética que comumente está disponível no seu habitat natural e da insuficiência de informações para definição de critérios de seleção. acloyola@ufrb.br. caracterização. a recuperação de áreas desmatadas ou degradadas. Claudia Fortes Ferreira2. Nesse sentido. período juvenil. E-mail: sas@ufrb.edu. Neste contexto. Cruz das Almas-BA. dentre outras. ou pre-breeding.embrapa.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. Não apenas a geração de divisas para o país e a diversificação regional devem ser consideradas.br 2 1 Pesquisador . aumentando a freqüência de combinações alélicas desejáveis na população. o enriquecimento da flora das áreas mais pobres. é necessário reconhecer a existência de algumas espécies com potencial para a conquista do mercado interno. Antonio Augusto Oliveira Fonseca¹ Professor . Existem muitas limitações para a exploração comercial de fruteiras potenciais para o Nordeste brasileiro. serão considerados neste capítulo alguns descritores utilizados para atender à caracterização da maioria das fruteiras. mas também a necessidade de se preservar e conservar espécies nativas ou bem adaptadas à região e que emergem como alternativas para o cultivo sustentável. o jenipapo. 17 Tópicos em Ciências Agrárias. identificar e preservar genótipos promissores. Ambientais e Biológicas/UFRB. A evolução econômica e a demanda dos mercados reforçam hoje o interesse dos países latinoamericanos para as frutas em geral. As plantas frutíferas englobam grande quantidade de espécies. UFRB. Dentre as possibilidades atuais de utilização das fruteiras do Nordeste destacam-se: o plantio em áreas de proteção ambiental. distintas culturas. parques e jardins e em áreas acidentadas. ciclo da planta e aos métodos de propagação.Centro de Ciências Agrárias. alógamas e predominantemente de propagação sexuada. Estes marcadores são bastante acessíveis e variam em função do destino que será dado ao produto final e às diretrizes do programa de melhoramento genético. São geralmente perenes e lenhosas. Geralmente um Programa de Melhoramento de espécies pouco conhecidas inicia-se com a coleta. possibilitando o melhor direcionamento dos cruzamentos e desta forma. a pinha. a cajá. muitos agricultores e chacareiros já estão implantando pomares de frutas nativas e exóticas e os viveiristas estão intensificando a produção de mudas. v. a jaca. 2009 .

constituindo-se numa alternativa ao incremento da renda familiar além de oferecer aos pequenos e micro industriais. não redutores e totais. a exemplo de jenipapeiro. açúcares totais. respectivamente).11 g.50% do fruto e o bagunço 8.13 cm).90 e 14. Foram avaliados 30 genótipos de jaqueira em nove frutos por planta num total de 270 frutos. proporcionarão um maior progresso. massa do bagunço (5. elevados conteúdos de sólidos solúveis totais e vitamina C (para consumo in natura) e alta acidez total titulável (para industrialização). detectando-se variabilidade para a maioria dos caracteres. os descritores morfológicos apresentam limitações. Jaqueira (Artocarpus heterophyllus Lam.86% de cinzas e 86. Os trabalhos de caracterização morfológica do jenipapeiro iniciaram em 1998. compostos por 60. pH de 3. diâmetro longitudunal e transversal de 80.27 g) e massa da casca (2. com a seleção de genótipos que poderão ser indicados como cultivares comerciais. 6.44 kg). 1996). UFRB. através dos caracteres físicos como massa do fruto (4.37 kg).60. sucos. possibilitando um maior rendimento de polpa.34º Brix. a jaca apresentou valores médios de 25. massa da polpa (1.26%). com a coleta de 30 genótipos no município de Cruz das Almas. Por suas qualidades organolépticas. bem como identificar acessos que apresentem características interessantes para o melhoramento.01.24. respectivamente. Ambientais e Biológicas da UFRB.74%. Jenipapeiro (Genipa americana L.75%.18 ºBrix.84 mm. mais importantes para a seleção de genótipos promissores.11% de glicídio redutores.40%.72 kg). 18 Tópicos em Ciências Agrárias. Hansen (2006). estudo de caracterização foi realizado por Lordêlo (2001).A caracterização de genótipos constitui uma das principais etapas dos trabalhos com germoplasma. opções de investirem no processamento de doces.84% de polpa. diâmetro do fruto (19. observando-se variabilidade para a maioria dos caracteres. número de sementes normais e anormais (105.58.19%. compotas. vitamina c de 2. 8. Foram identificadas plantas com interesse para o processamento e/ou industrialização e para consumo in natura. pois permite indicar cultivares com potencial de uso imediato pelos agricultores. Estes têm tido papel fundamental na divulgação das características agronômicas de novos materiais genéticos e podem influenciar decisivamente na escolha de variedades por parte de agricultores e outros interessados. melhor características organolépticas como cor. espessura da casca (0.76 mg 100 g-1 e acidez total titulável de 1. A análise da polpa revelou um teor médio de 18. 0. Neste sentido.69% de glicídios redutores e totais. massa da semente (495. O percentual de polpa encontrado foi de 30.58%.81º Brix. v. observando-se variabilidade nas plantas de jenipapeiro dentro e entre populações.22% de cinzas e relação SST/ATT de 11.14).) Com relação à cultura da jaqueira. Sendo assim. contudo.75 cm). umidade de 73. ºBrix elevado e balanceamento organoléptico equilibrado. 2009 . umidade de 73. número total de bagos (120. mangabeira e pinheira. Quando se trata da distinguibilidade exigida pela Lei de proteção de cultivares. social e alimentício a ser explorado. entre outros. sendo os caracteres massa do fruto e percentagem de polpa. a busca por constituições genéticas que agreguem atributos como maiores massa do fruto. comprimento do fruto (28. cajazeira. jaqueira.66%. Quanto aos caracteres químicos. inferior ao da casca (50. acidez total titulável (ATT) de 1. Os descritores morfológicos são ainda hoje o “cartão de apresentação” de uma nova variedade. sólidos solúveis totais de 17.) O jenipapeiro é uma espécie alógama. a jaca pode representar um potencial econômico. avaliando 100 genótipos do Recôncavo Baiano. por apresentar frutos com massa acima de 200 g.. licores etc. 5.27% de casca e 33. o conhe-cimento das características físicas e químicas dos frutos pode contribuir para a seleção de tipos promissores e desejáveis ao estabelecimento de cultivares. boa percentagem de polpa.49%. eles podem muitas vezes não distinguir adequadamente cultivares comerciais (Pecchioni et al.96 g. Assim. respectivamente. Os frutos apresentaram formato ligeiramente alongado. confirmando o potencial da fruteira tanto para consumo in natura como para industrialização (Santos.03% e 15. especialmente na distinção de genótipos elites aparentados. pH de 5. 12. Diversas fruteiras tropicais nativas e adaptadas têm sido caracterizadas em programas desenvolvidos no Centro de Ciências Agrárias.67%. pH e acidez titulável. 2001). 1.82 cm). estes resultados permitiram a identificação de genótipos promissores.89 cm). rendimento de 85. encontrou valores médios de massa do fruto de 261. acidez titulável total (ATT) de 0. a depender do destino no mercado consumidor (in natura ou industrialização).88% de sementes. Em culturas de base genética estreita. além da composição química do fruto como maior vitamina C. visando identificar e indicar constituições genéticas úteis para a continuidade do melhoramento e/ou produzir matrizes para serem propagadas vegetativamente. O melhoramento desta espécie está voltado basicamente para a obtenção de frutos com menor cavidade interna. com massa de 218. a semente representou 10.19 para a relação SST/ATT.31% de ácido cítrico.44% e 19. sabor e aroma. 1. rendimento em polpa e diâmetros longitudinal e transversal.

São moléculas como DNA ou proteínas que marcam uma região ou regiões do genoma. 1995). massa da casca. sólidos solúveis totais (STT). massa do fruto (35. 2005). por representar a maior procura tanto no mercado in natura quanto para industrialização. rendimento de polpa e coloração de polpa. açúcares totais. desprovidas de duplicatas desordenadas para o melhor acompanhamento do desempenho desta espécie. Análise por estatística descritiva e multivariada. Foram avaliados caracteres como massa do fruto. Pinheira (Annona squamosa L. não sofrendo influência do ambiente (Weising et al. Conde. As nervuras das folhas apresentaram-se de forma penivênias do tipo obliquivênia. frutos e sementes de mangabeira também foram aplicados. teor de ácido ascórbico/100g de polpa em frutos maduros (2. rendimento da polpa.Cajazeira (Spondias lutea L. em virtude de partirem duas folhas do mesmo nó.. v. massa da polpa. massa do fruto. MARCADORES MOLECULARES Marcadores moleculares são características de DNA que diferenciam dois ou mais indivíduos e têm base mendeliana. massa do receptáculo.76 g). 2004). caracterizado por ápice e bases quase iguais sendo que o primeiro é ligeiramente agudo. Nas distintas regiões avaliadas foi verificada ausência de pressão de seleção dentro das populações o que possibilitou a ocorrência desta variabilidade.95 mm) e massa da polpa (33. cinza. mostraram comportamento diferenciado entre as plantas dentro da população em relação a caracteres físicos e físico-químicos.82 oBrix). massa da semente. visando principalmente estabelecer subsídios teóricos de taxonomia. O estudo da morfologia foliar.) Visando identificar materiais de interesse para utilização em sistemas de cultivo e em programas de melhoramento genético. marcadores genéticos representam estritamente a variação genética. como aporte ao programa de melhoramento genético de mangabeira. Os descritores morfológicos de folhas. distintos genótipos foram identificados como superiores quanto a características físicas. diâmentros transversal (38. As plantas apresentaram folhas com limbo foliar de forma lanceolada do tipo oblongolanceolado. de casca e de semente e caracterização físicoquímica e física de frutos como pH.. Ouriçangas e Nova Soure. Além disso. massa da polpa. 1.07 mg. sendo a margem do limbo lisa. constatou-se que a filotaxia é do tipo oposta dística.21%).49 mm) e longitudinal (41. possibilitando a identificação de materiais promissores (Sousa. Desta forma. rendimento industrial. químicas e físico-químicas com alto teor de vitamina C. SST/ATT. sendo esta última característica como a mais promissora para um melhor desempenho da mangabeira. incluindo os municípios de Iramaia. Mangabeira (Hancornia speciosa Gomes) Expedições de coletas de 100 genótipos de mangaba em quatro regiões da Bahia. ligada(s) a alguma característica de interesse agronômico. em sentidos opostos e no mesmo plano de inserção. com ampla base genética. flores. 2009 19 . açúcares redutores e açúcares não-redutores. é possível estabelecer coleções biológicas organizadas. 2005). dos cruzamentos controlados e do ajuste ao ambiente avaliado. percentual de polpa. utilizando-se as técnicas de agrupamento e análise de componentes principais mostraram variabilidade para a maioria dos caracteres. espessura da casca. independente da distância geográfica. pH.) A caracterização morfológica de 30 genótipos de cajazeira em 10 frutos por planta foi realizada por Pinto (2002). em torno de 113. Foi verificada ampla variabilidade genética nas populações estudadas o que propicia a coleta de genótipos para futuros trabalhos de melhoramento e montagem de coleções e/ou bancos de germoplasma. relação (STT/ATT). massa da semente. ATT. Tópicos em Ciências Agrárias. teor de sólidos solúveis totais (15. vitamina C. umidade. UFRB. acidez total titulável (ATT). bem como de outras características botânicas serão fundamentais para caracterizar a diversidade de variedades que ocorrem na região estudada (Sousa et al.84 g). foram caracterizados 30 genótipos de pinheira provenientes do município de Presidente Dutra (BA). SST. massa total do fruto. visando sua adaptabilidade e estabilidade e posterior lançamento de variedades (Cruz. massa da casca. Características morfológicas e agronômicas têm a desvantagem de serem influenciadas pelos fatores do ambiente e podem não representar a real similaridade ou diferença entre os indivíduos. diâmetro do fruto. evidenciando uma alta variabilidade genética entre os genótipos. vitamina C. Destas análises. Por outro lado. com a formação de dez grupos de genótipos. avaliando-se: comprimento do fruto.

v. variando basicamente o tipo de sonda utilizado. em razão da variabilidade relativamente pequena dos mesmos. São marcadores dominantes.. capina. Essa técnica é similar a de RFLP. Marcadores AFLP são utilizados com sucesso para detectar diferenças genéticas e variantes somaclonais em banana (Engelborghs et al. Ulanovsky et al.. “softwares” têm sido desenvolvidos para distinguir indivíduos homozigotos e heterozigotos (Vos et al. 1998).. 2002). Entre esses marcadores. Com isso. especialmente em germoplasma aparentado e de baixa variabilidade. 1998.. com a vantagem de se fazer as análises antes do material ir para o campo. os quatro mais utilizados são Polimorfismo de Comprimentos de Fragmentos de Restrição (RFLP). possuindo. também. Nessa região. os genomas das duas cultivares serão diferentes. Minissatélites têm sido utilizados no melhoramento de frutíferas para a identificação de variedades.. 1998).. 1989. Polimorfismos em nível de DNA podem ser detectados por vários métodos. 1998). (1990). produzindo um grande número de fragmentos. UFRB. Isso tem sido devido principalmente a sua alta consistência e repetibilidade na obtenção dos resultados.. havendo redução no número de gerações de melhoramento necessárias no desenvolvimento de variedades. com as vantagens e desvantagens já apresentadas para a técnica anterior.. e representam regiões instáveis do genoma que estão sob alterações mutacionais a taxas muito maiores do que as observadas na seqüência de cópia única. o Polimorfismo de Comprimentos de Fragmentos Amplificados (AFLP). Por exemplo. 1996). Um outro genótipo que não apresente a resistência. não trará gravado em seu DNA essa informação.. na identificação e monitoramento de genes de importância em maçã (Wang-Caihong et al. das sondas utilizadas e do número e tipos das seqüências repetitivas.. se um genótipo de maracujazeiro confere resistência a uma bacteriose. os RFLPs têm sido utilizados em um grande número de estudos de caracterização de cultivares (Gebhardt et al. Uma vantagem adicional dos minissatélites é o alto grau de polimorfismo apresentado. (1995). 1990). 2009 . O'Donoughue et al. Entre as vantagens do uso de marcadores AFLP. repetidas lado a lado. o que a torna uma das melhores opções para uso na caracterização de cultivares. Estes marcadores têm sido utilizados para aplicações de mapeamento genético em inúmeras frutíferas (Kijas et al. O AFLP foi descrita por Vos et al.. adjacentes e em número variável (Jeffreys et al. 1998). cultivares e clones e análise de diversidade genética (Daly et al. 2001) e em estudos de diversidade genética em pêssego (Aranzana et al. Cipriani et al. 1995. A técnica de DNA polimórfico amplificado ao acaso (RAPD). o que elimina a necessidade do conhecimento prévio da seqüência alvo. além de possibilitar a classificação do germoplasma em grupos de interesse para os diferentes programas de melhoramento. Entre os marcadores de DNA. portanto. 2001). A maior vantagem dessa técnica é o elevado polimorfismo revelado. desenvolvida por Williams et al. É uma técnica significativa na detecção de variabilidade genética e não requer mão de obra especializada (Ferreira & Grattapaglia. minisatelites e os microssatélites (Ferreira & Grattapaglia. Os minissatélites ou locos VTNR são seqüências repetitivas de DNA. A técnica RFLP consiste basicamente no uso de enzimas de restrição que corta o DNA em sítios específicos. diminui-se o volume de material que necessitaria de cuidados como adubação. estão o alto grau de polimorfismo e o mais alto número de marcadores obtidos por gel analisado.. Esta técnica é elaborada. sendo uma técnica que possui grande capacidade para detecção de variabilidade genética e uso em caracterização de cultivares. 1. O polimorfismo detectado resulta de variações no número destas seqüências. decorrente da variação na distribuição dos sítios de restrição.. Os microssatélites consistem em seqüências de 1 a 6 nucleotídeos. O polimorfismo de RAPD tem natureza binária (presença ou ausência). e tem revelado um grau de polimorfismo de intermediário a baixo. não permitindo a distinção de heterozigotos. oferecendo novas possibilidades no manejo de uma coleção.. Apesar deste marcador ter natureza dominante. Autrique et al. o Polimorfismo de Fragmentos Aleatórios e Amplificados de DNA (RAPD). multialélicos.. grande capacidade para detecção de variabilidade genética no nível de DNA. as isoenzimas e proteínas de semente são menos úteis para escolha de pais em populações geneticamente homogêneas. essa informação está impressa no DNA desta cultivar. mais demorada que as outras técnicas para obtenção de resultados de custo relativamente alto. As diferenças entre indivíduos são notadas quando se visualiza diferentes tamanhos de fragmentos de DNA entre estes. permitindo a comparação entre indivíduos e identificando duplicatas (Engelborhs et al. sendo que essa mesma região pode não existir em outro indivíduo. Como todas as diferenças entre os seres vivos estão presentes no DNA. O polimorfismo obtido com esta técnica está baseado em diferenças entre genótipos na distribuição dos sítios de restrição e na amplificação diferencial de fragmentos. 1999. conforme a espécie. determinar a presença ou ausência de gene(s) ligado(s) a características específicas para fins de melhoramento. Crouch et al. A forma como esses fragmentos são obtidos varia com o tipo de metodologia empregada (Hillis et al.O uso de marcadores moleculares representa uma ferramenta adicional em programas de melhoramento genético em frutíferas. Mesmo assim.. O indicador 20 Tópicos em Ciências Agrárias. 1994. que são extremamente úteis em estudos de genética. 1985). irrigação etc. utiliza primers mais curtos e de seqüência arbitrária. 1995). um indicador de reação terá sua seqüência complementar a uma determinada região em um indivíduo. A instabilidade dos microssatélites resulta em marcadores altamente polimórficos. desta maneira. Permite. 1991).

7 por primer. a qual foi respaldada com similar variabilidade detectada com a caracterização morfológica. em trabalho realizado por Hansen (2006). UFRB. sendo uma técnica viável e uma importante ferramenta na identificação da variabilidade genética em jenipapeiros. 17 forneceram produtos nítidos de amplificação e boa repetibilidade. comprovando a formação de grupos dissimilares. irrigação etc. O uso de marcadores moleculares representa uma ferramenta adicional em programas de melhoramento genético em frutíferas. Sendo assim. O uso de marcadores moleculares no Centro de Ciências Agrárias tem sido feito com à cultura da mangabeira e está sendo aplicado à cultura do jenipapeiro. encontrar marcadores moleculares aliados às características fenotípicas de maior rendimento do produto final aferidos por dados biométricos. 2009 21 . mas não no segundo. (1980). oferecendo novas possibilidades no manejo. Desta forma. Um total de 185 marcadores foram amplificados. As estimativas de distância genética foram aplicadas baseadas na análise direta do DNA como ferramenta adicional na confirmação dos valores morfológicos. dois foram monomórficos e seis polimórficos. desta forma eles serão separados pelo RAPD (Moreira. é de grande contribuição para o êxito na seleção de genótipos superiores destas culturas. v. 1. Os seis primers responsivos geraram 28 produtos de amplificação (bandas). Jenipapeiro (Genipa americana L. capina. Segundo Colombo et al. com uma média de 10. com o número de fragmentos produzidos variando de 3 (OPB-19) até 7 (OPH-15). havendo redução no número de gerações de seleção necessárias para o desenvolvimento de variedades (Moreira. A utilização desta técnica demonstrou existência de polimorfismo no material em estudo. sendo 257 polimóficas e 150 monomórficas (Capinam. Estimativas de distância genética baseada na análise direta de DNA eliminam complicações advindas da avaliação do fenótipo.) A formação de grupos gerados por mensurações físicas e químicas poderão ser respaldadas ao confirmarem suas informações genéticas diretamente do DNA. indicando a presença de variabilidade genética entre os genótipos avaliados. Em trabalho subseqüente foram avaliados 50 primers. dos oito primers amplificados. Tópicos em Ciências Agrárias. A utilização de marcadores moleculares como ferramenta de seleções em culturas perenes. como a maioria das fruteiras com potencial para o Nordeste brasileiro. os marcadores moleculares evidenciaram variabilidade pela presença de polimorfismo. faz com que o melhoramento de espécies frutíferas seja a área onde o uso efetivo desta tecnologia tende a ter as melhores perspectivas de sucesso. Mangabeira (Hancornia speciosa Gomes) A caracterização molecular desta fruteira teve como objetivo determinar a distância genética entre os genótipos coletados utilizando a técnica de RAPD. avaliando os marcadores RAPD em mangaba (Cruz. 10 a 30 primers. 2003). Neste trabalho.32%) e variou de 3. Pode-se observar padrões de bandas diferentes. como influência do ambiente e baixo número de polimorfismo. a fim de identificar o polimorfismo presente nos genótipos avaliados e sua resposta em comparação à caracterização morfológica. Por esta razão. os genótipos foram avaliados utilizando técnicas de marcadores moleculares do tipo RAPD. Com isso diminui o volume de plantas que necessitam de cuidados como adubação.amplificará fragmentos no primeiro indivíduo. Em trabalho pioneiro. A perspectiva de tornar mais eficiente a seleção precoce e com isso aumentar o ganho genético por unidade de tempo. a presença ou ausência de gene ligado a características específicas. gerando 50 a 100 bandas polimórficas. com o primer OPH-13. O número de bandas polimórficas foi de 148 (81. com a vantagem de análises precoces antes dos genótipos irem para o campo. dos 119 primers testados. com o primer OPAI-01 à 13. técnicas que permitem identificar marcadores moleculares ligados a genes responsáveis por características de importância agronômica. é uma tecnologia extremamente atraente tendo em vista o tempo necessário para completar uma geração de melhoramento desta espécie. permitindo a comparação entre indivíduos. 1998). são suficientes para estimar relações genéticas dentro e entre espécies. representam importantes ferramentas na seleção antecipada (Ferreira & Grattapaglia. identificados também por marcadores morfológicos. identificação de duplicatas. 2005).. com bandas de padrão de visualização adequada. Nesta amplificação foi gerado um total de 407 bandas. 2003). a classificação de germoplasma. 2007). sendo que 32 proporcionaram eficiência na amplificação. Além disto.

. L. de. v. avaliação do comportamento da planta. 36.211-217. Genetic diversity characterization of cassava cultivars (Manihot esculenta Crantz) with RAPD markers. G. escolha da metodologia adequada para avaliação do material. n. tecnologias de marcadores moleculares. 735-742. culturas de tecidos. 1. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias). identificação de fontes de variação genética dentro do germoplasma disponível. Genetic and Molecular Biology. conservados e manipulados através de cruzamentos genéticos ou incorporação de genes promissores por biotecnologia. 22 Tópicos em Ciências Agrárias. e tem como objetivo final o aumento da produtividade. como o pequeno conhecimento sobre a variabilidade destas espécies. Todas estas dificuldades serão superadas com pesquisas que agreguem informações e na criação de Programas de Melhoramento destas fruteiras potenciais. Frente a esta preocupação. M. Crop Science. M. Por fim. C. P. n. cujas deficiências e qualidades são conhecidas. 2001. 65-72.E.38.. a necessidade de adaptação das metodologias de melhoramento e técnicas experimentais e a demora na obtenção de novas cultivares decorrente da necessidade de avaliação no ambiente de cultivo. VICENTE. Iniciar um programa de melhoramento implica em compromissos a médio e longo prazo. G. poderão tornar efetivo o progresso genético destas espécies. as informações sobre a variabilidade disponível facilita o estabelecimento dos objetivos de um programa de melhoramento. M.. melhoria da qualidade e adaptação a determinado ambiente. 297-300. et al. TANKSLEY. CHARREIRA. 2009 .M. 99. v.. Acta Horticulturae. identificando os genótipos distintos e superiores para serem multiplicados. E. CROUCH. estudo sobre herança etc). MONNEVEUX. UFRB. A presença de ampla variabilidade constitui a primeira etapa para o alcance de tal objetivo. K. Genetic diversity in durum wheat based on RFLPs. morphological traits and coefficient of parentage. CIPRIANI. H. Assim. Berlin.CONSIDERAÇÕES FINAIS O melhoramento pressupõe a necessidade de modificar a constituição genética do indivíduo. VALLE. Comparison of fruit and leaf dna extracts for AFLP and SSR analysis in peach (Prunus persica (L. escolha e recombinação dos genitores. 21. 2007. J. v. 1996. 120 f. REFERÊNCIAS ARANZANA. v. Theoretical and Applied Genetics. Segregation of microsatellite loci from haploid and diploid gametes in Musa. 1999. Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Seleção de germoplasma de mangabeira (Hancornia speciosa Gomes) definida por marcadores morfológicos e moleculares.. Vários fatores têm sido apontados como difíceis de serem superados pelo melhoramento de fruteiras ainda pouco exploradas.et al. NACHIT. C. v. 1998. A.) Batsch). São vários e distintos os mecanismos utilizados para obtenção de melhoria para as fruteiras pouco exploradas e de grande potencial econômico e social. disponibilidade de germoplasma com ampla variabilidade e conhecimento acumulado sobre a biologia da espécie a ser estudada. Cruz das Almas. p.D. SORRELLS. COLOMBO. p. G. S. Madison. S. comparação do material melhorado com um padrão existente. 546.. 1. É onde a seleção pode atuar. p. P. M. que mesmo a médio e longo prazo possam ser estreitados com adição de tecnologias complementares e eficientes. Crop Science. a estratégia para o melhoramento de fruteira deve conter as seguintes fases: identificação das características importantes a serem melhoradas. AC/GT and AG/CT microsatellite repeats in peach (Prunus persica (L) Batsch): isolation. p. AUTRIQUE.. T. 1998. localização de genes. SECOND. characterisation and cross-species amplification in Prunus.. seleção em cultivo hidropônico em estádio de plântula e propagação vegetativa de genótipos promissores. p. distribuição do novo material. seleção dos segregantes superiores. CAPINAN. o reduzido estoque de informações básicas sobre a biologia e a genética do material a ser melhorado (modo de reprodução. C. ARUS. 105-113. France.

2006.. 349-355. V.J. R. SWENNEN. 1996. S. p. 3-6. D. N. FERREIRA.com.. v. v. 1991. MORITZ. SOUZA.... Relationships among North American oat cultivars based on restriction fragment length polymorphisms. Basel: Birkhäser. Nucleic acids III: sequencing.S. TANKSLEY. Califórnia: UCC. 64 p. C. A. Toda fruta. PINTO.. 77 f. The isolation and characterization of plant sequences homologus to human hypervariable minisatellites. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias). 38. S. 78:16-22. Introdução ao uso de marcadores moleculares em análise genética. S.. 1990. p. D. M. Montpellier. ENGELBORGHS. 1994. v.) em Cruz das Almas-BA. Cruz das Almas. R. 1989. VAN CAMPENHOUT. GEBHARDT. 2005. Journal Genetics Breeding. D. F. Disponível: http://bioweb. C. p. 72p. PECCHIONI. et al. STANCA.. R. DNA fingerprinting: approaches and applications. C. Nature.E. FACCIOLI. Universidade Federal da Bahia. M.) e as necessidades do sistema agroindustrial. Sunderland: Sinauer Associates.. J. U. THOMAS. FOWLER.br Consultado em 09/2003.220. 2. M. Caracterização de genótipos de cajazeira (Spondias lutea L.E. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias). 1. DALY. SCHACHTSCHABEL. E.. Caracterização e seleção de genótipos de mangabeira utilizando marcadores morfológicos e moleculares. HANSEN. Tópicos em Ciências Agrárias. et al. n. 34. da S. L.M. 75 p. F.318-370. Marcadores agronômicos e moleculares na caracterização de jenipapeiros do Recôncavo Baiano. 76-79. MONETTI.todafruta. 76. Capacidad del AFLP para detectar diferencias genéticas y variantes somaclonales en Musa spp. v. Caracterização de jaqueiras (Artocarpus heterophyllus Lam. 1998. E.html Consultado em 01/2005. UFRB. KIJAS. C. p.D.usu.. ssp.3. 1995. Identification of 2n breeding lines and 4n varieties of potato (Solanum tuberosum. Infomusa. In: BURKE. 2002. Programa TFPGA (Tools for population genetic analyses): versão 1. S. 1985. p. Cruz das Almas. 203-219. S. de O. Universidade Federal da Bahia.. MILLER.... v. Cruz das Almas. et al. JEFFREYS.cist. 1251-1258. SORRELLS. p. 316. WILSON. 1997. p. Cruz das Almas. Universidade Federal da Bahia. SALAMINI. Site: www. Molecular markers for genotype identification in small grain cereals. v. W.L. Universidade Federal da Bahia. 2001. H. T. Genome. TERZI. A. E. Ottawa. T. MOREIRA. I. 1998. tuberosum) with RFLPfingerprints.. O'DONOUGHUE. Theoretical and Applied Genetics.CRUZ. 2009 23 .edu/mpmbio... 50. M. C. M. P. BLOMENDAHL. M. M. Hypervariable 'minisatelite' regions in human DNA.. Crop Science.330-341. Marcadores bioquímicos e de DNA: importantes ferramentas no melhoramento genético de fruteiras. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias). L. An evaluation of sequence tagged microsatellite site markers for genetic analysis within Citrus and related species. HILLIS. In: HILLIS. V. Molecular systematics. A. A. THEIN. Brasília: EMBRAPA-CENARGEN. p. J. P. RITTER. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias). 3ª ed. DEBENER. GRATTAPAGLIA. S. LORDÊLO. M. D.

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Simone Alves Silva & Janay Almeida dos Santos-Serejo Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 3 PROPAGAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Ana Cristina Vello Loyola Dantas. Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa.

umbu. sendo recomendada para obtenção de porta-enxertos e de novas cultivares.PROPAGAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Ana Cristina Vello Loyola Dantas1. Em fruticultura. UFRB. para espécies com dificuldade de multiplicação por outros meios. dos frutos e o preparo e seleção das sementes constituem etapas importantes para a obtenção de plantas vigorosas. Cruz das Almas-BA..br 2 1 Pesquisador -Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical.edu. tais como Persea americana Mill (Barceló-Muñoz et al.) C. A micropropagação de espécies lenhosas vem sendo estudada há várias décadas e tem como objetivo básico o estabelecimento de uma metodologia de multiplicação clonal de indivíduos superiores. que têm sido. v. são exemplos práticos da utilização de sementes como meio de propagação e formação de mudas para o plantio. (2001) em citros (Citrus sinensis L. Fruteiras como jaca. a exemplo de rebentos e filhotes.. Simone Alves Silva1. pitanga. Janay Almeida dos Santos-Serejo 2 Professor . Vitis vinifera L. Entretanto. incorporadas nos programas de melhoramento genético de plantas (Borém. podendo considerar-se que a propagação envolve aspectos de arte. Malus domestica Borkh (Centellas et al.). as fruteiras nativas e exóticas típicas do Nordeste brasileiro ainda são propagadas única e exclusivamente por via seminífera. Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa1. da estrutura e forma de desenvolvimento da planta e da espécie e dos métodos de propagação relacionados. Kock). A propagação vegetativa utilizando técnicas de cultura de tecido pode ser um valioso instrumento na propagação clonal rápida de fruteiras. a otimização de protocolos eficientes que estimulem a organogênese e/ou embriogênese em plantas lenhosas tem sido muito limitada. mapcosta@ufrb. (1992). a propagação assexuada das principais espécies frutíferas cultivadas comercialmente já é uma prática amplamente difundida e adotada pelos viveiristas e produtores de frutas tropicais. 1999). Actinidia deliciosa (Chev. Uma das grandes vantagens dessa técnica é a manutenção do genótipo e fenótipo de plantas propagadas por esse sistema (Giacometti. Apesar dos grandes avanços das técnicas de cultura de tecidos. 1994). 2001). (1998) e Moura et al. Osbeck). Segundo Lerdeman et al. Eucalyptus (Xavier & Comério. mangaba. (1996) em urucum (Bixa orellana L. que requer prática e experiência. subtropicais e temperadas. sas@ufrb. 1995). entre outras. encostia). Com a demanda crescente do mercado por produtos de alta qualidade e com características agronômicas bem Tópicos em Ciências Agrárias. 1990). 2009 27 . quase todas as espécies podem ser propagadas vegetativamente. (Peixoto & Pasqual. com início de produção precoce e idêntica à planta-mãe. jenipapo. Embora a utilização das sementes seja mais difundida para a maioria das frutíferas tropicais. Os métodos para propagação assexuada normalmente utilizados em plantas frutíferas são: estaquia. 1996). enxertia (borbulhia. Rodriguez & Wetzstein (1998) em pecan (Carya illinoinensis (Wagenh. O desenvolvimento de métodos de regeneração de plantas in vitro via organogênese ou embriogênese somática é requisito necessário para utilização de técnicas biotecnológicas como a transformação genética ou hibridação somática (Brasileiro & Dusi. Almeida et al. cada vez mais. garfagem. Por sua vez. Por outro lado. Ambientais e Biológicas/UFRB. mergulhia (alporquia). pinha. A escolha da planta matriz. 1.br. ciência e técnica (Hartmann & Kester.br. 1996). E-mail: acloyola@ufrb. Um estudo de propagação de plantas envolve conhecimento dos procedimentos técnicos.edu. pode-se mencionar aqueles realizados por Cervera et al. entre outras vantagens. 1999).edu. Algumas espécies produzem estruturas utilizadas para propagação.Centro de Ciências Agrárias. Esta técnica pode ser feita via gemas pré-existentes ou cultura de calos derivados de diferentes tecidos. a regeneração de plantas in vitro a partir de explantes meristemáticos tem sido reportada em diversas espécies lenhosas. em virtude da recalcitrância da maioria dessas espécies. A reprodução sexuada é o principal mecanismo de multiplicação das plantas superiores e de praticamente todas as angiospermas e resulta em população com variabilidade genética devido à segregação e à recombinação de genes. dentre outros. sendo o método mais indicado por possibilitar a obtenção de plantas uniformes.. Dentre os poucos trabalhos. em situações mais específicas.) Liang & Ferguson (Nachtigal et al. a cultura de calos visa à regeneração via organogênese ou embriogênese. em larga escala. 1999) e muitas outras. para obtenção de clones nucelares e em plantas homozigotas. Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO A propagação de plantas consiste em realizar sua multiplicação por via sexuada ou assexuada e tem sido uma atividade fundamental para a humanidade desde o início da civilização. o uso da propagação sexuada tem sido restrita.

recomendaram a imersão das sementes em água a 65°C por 5 a 10 minutos por ser um método econômico e proporcionar maior valor para o índice de velocidade de germinação. entre outros métodos (Carvalho. Rocha et al.07 cm) e diâmetro do caule (7. por alporquia e enxertia. estudos têm sido realizados para maior conhecimento do processo de multiplicação. UFRB. 32 dias após a enxertia. A muda estará pronta para o plantio quando atingir cerca de 20 cm de altura.2 m de largura x 0. 1978). Prado Neto (2006) avaliou a influência de diferentes substratos no desenvolvimento inicial da planta e a eficiência de métodos de enxertia por garfagem em jenipapeiro. na medida em que possibilitou pegamento médio de 87% aos 8 dias após a enxertia. Em trabalho realizado por Andrade et al.3 %). 1978). quando 28 Tópicos em Ciências Agrárias. onde os melhores resultados foram conseguidos em meio MS com adição de 1.4 % respectivamente para garfagem no topo em fenda cheia e garfagem em fenda lateral. No entanto. contra 0. num tempo médio de 17 dias após o início da germinação. 2009 . A propagação vegetativa tem sido pouco mencionada na literatura. Recentes trabalhos desenvolvidos no Laboratório de Cultura de Tecidos de Planta da Centro de Ciências Agrárias. coletados quando começam a cair.0 mg L-1 de benzilaminopurina (BAP) e/ou sem a utilização de reguladores vegetais. Ambientais e Biológicas/UFRB vêm demonstrando a capacidade organogenética da cultura a partir de segmentos internodais (Figura 1). Borges et al.definidas. cortando-se as plantas restantes. a semeadura é feita preferencialmente em sacos de polietileno com dimensões mínimas de 20 cm de altura e 7 cm de diâmetro ou em sementeiras previamente preparadas (Santos. As sementeiras devem ter dimensões de 1. Cultura do jenipapeiro (Genipa americana) A propagação do jenipapo se dá via sementes e vegetativamente. (1998) verificaram que sementes procedentes de frutos maduros colhidos no chão. os frutos devem ser provenientes de plantas isentas de pragas e doenças e de boa produção. sacos plásticos 18 x 30 cm) com o mesmo substrato usado nas leiras. Souto et al. a garfagem no topo em fenda cheia apresentou-se mais eficiente. 1. Nascimento & Damião-Filho (1998) verificaram que a germinação ocorre de maneira heterogênea. Para isso deve-se utilizar borbulhas de ramo maduro. Ambientais e Biológicas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. buscando desenvolver e adaptar tecnologias de propagação para diversas espécies frutíferas tropicais nativas e exóticas. enquanto frutos amadurecidos na planta e extração por abrasão em areia resultaram em sementes com maior índice de velocidade de germinação. foi de 100 e 95. apresentaram os maiores valores de germinação (cerca de 78. Na propagação por sementes. que pode demorar de 15 a 30 dias. divulgando resultados da literatura e de pesquisas realizadas no Centro de Ciências Agrárias. Cada metro quadrado deve receber 360 sementes a de 2 a 3 cm de profundidade.71mm). Mudas formadas em sementeira estarão em condições de serem plantadas quando atingirem 20 a 35 cm de altura (Santos. Gomes (1989) cita que a enxertia por borbulhia foi usada nas Filipinas com bom resultado. areia e esterco de galinha proporcionou as melhores médias de altura da planta (36. no início poucas plântulas. com leito constituído por 3 partes de terriço e 1 a 2 partes de esterco de curral bem curtido. não sendo importante a idade do cavalo no ponto de inserção. laminados. não havendo influência dos substratos na eficiência dos métodos de enxertia utilizados. após a avaliação da germinação de sementes de jenipapo submetidas a tratamentos prégerminativos. 2003b). v. glabro. extraídas por fricção em peneira. Na semeadura em sacos de polietileno. realizando-se o desbaste quando a planta apresentar 10 cm de altura. Jenipapo. A influência dos substratos no desenvolvimento das plantas só foi observada aos 13 meses quando o substrato composto por solo. (2000) obteve-se maiores percentagens de germinação de sementes de jenipapo em temperaturas de 25°C. retirando-se as sementes por meio da maceração. e com a importância crescente de fruteiras até então pouco exploradas. depois uma maior concentração e no final novamente poucas . O objetivo deste trabalho foi reunir informações sobre a propagação de espécies frutíferas com potencial no Nordeste brasileiro. Silva et al. com predominância do uso das sementes. seis a doze meses após a repicagem (Jenipapo. Jenipapo (2003a) recomenda a imersão em água fria por 48 horas para acelerar e uniformizar a germinação. (1994) indicaram acondicionamento das sementes de jenipapo em geladeira. utilizando-se vermiculita e solo como substrato. além de ser de fácil manuseio. indicando possibilidade de seleção nas plantas matrizes para esses caracteres. Este é um aspecto interessante. proporcionando uma média de 58 % de emergência de plântulas aos 60 dias de armazenamento. 1994. (1994) mostraram haver variabilidade entre 37 progênies de jenipapo quanto à percentagem de germinação e índice de velocidade de emergência. O percentual médio de pegamento do enxerto. verde-azulado realizando-se cortes de quatro centímetros de comprimento. (1994). As mudas com cerca de 2 cm de altura devem ser repicadas para vasos (jacás. pode-se colocar 3 a 4 sementes a 2 a 3 cm de profundidade. 30°C e 35°C. Após secagem à sombra por 48 horas. 2003b).30 m de altura x 10-20 m de comprimento.0% para garfagem em fenda lateral.

Os resultados observados. A emergência das plântulas ocorre em média de quinze a trinta dias após semeadura.2 brotos por explantes. 2003). Vieira Neto (2001) recomenda colher os frutos diretamente da árvore. destacando-se o meio MS suplementado com 1. O início da emergência de plântulas ocorreu em média aos 23 dias após a semeadura. Pimentel & Santos (1978) verificaram um decréscimo de 52% na germinação das sementes ao terceiro dia extração dos frutos quando deixados em condições ambientais. várias combinações de reguladores vegetais vêm sendo testadas em meio MS (Murashige & Skoog 1962). bem como uma provável diminuição nos riscos de variação somaclonal. 1. já que neste caso. As taxas médias de multiplicação variaram entre 0.25 mg L-1 (AIA) (Tabela 1). um grande entrave na cultura da mangabeira. constatou que o poder germinativo das sementes cai rapidamente entre o quarto e o oitavo dia após sua retirada dos frutos. obtendo os melhores resultados na utilização de areia lavada adicionada de terra vegetal (proporção 1:1). Efeito das concentrações da bezilaminopurina (BAP) na frequência de explantes com brotações de jenipapeiro. Este acentuado decréscimo deve-se provavelmente à rápida desidratação das sementes. O aspecto morfológico das brotações Tópicos em Ciências Agrárias. havendo variação na percentagem de acordo com o período de secagem e condições de armazenamento. citado por Ferreira (1973). para que possam ser futuramente utilizados em técnicas biotecnológicas como a hibridação somática e/ou transformação genética.0 mg L-1 (BAP) + 0. Também foi possível verificar que as sementes embebidas em água apresentaram uma maior percentagem de germinação em relação às não embebidas (Capinan.1 e 1. A percentagem média de germinação foi de 33. Em relação à forma mais apropriada de produzir as mudas desta espécie. sugerindo comportamento recalcitrante. embora indiquem um potencial promissor para a propagação vegetativa in vitro de plântulas de jenipapeiro a baixo custo. houve tendência de redução de germinação com o dessecamento e com o armazenamento. estudos referentes aos substratos mais eficazes na germinação das sementes recalcitrantes da mangabeira foram realizados. e embora sem diferença significativa. Para obtenção das sementes. até umidade de 18. (1987) observaram que sementes de mangaba embaladas em saco de polietileno armazenados à temperatura de 15oC e umidade de 45% mantiveram até os 25 dias. estudando a germinação de sementes de mangaba. uma porcentagem de 25% de germinação. e do armazenamento por 72 horas sob condição de refrigeração na germinação e índice de velocidade de emergência. (2002). sendo necessária rápida semeadura logo que colhidas. visto ser a produção de mudas. Gonzaga Neto et al. UFRB. Cultura da mangabeira (Hancornia pubescens) A mangabeira é uma espécie cujas sementes em condições ambientais apresentam baixa longevidade. proporcionando a continuação das etapas de melhoramento da espécie.se visa propagação clonal.0 2. servem também como ponto de partida para outros estudos visando inclusive. Novaes et al. 2009 29 . quando estes iniciarem a queda espontânea ou recolhê-los no chão.8 %. v.7 %. não só haveria redução de custos pela falta da necessidade de usar reguladores vegetais.0 -1 3.0 1. No sentido de desenvolver protocolo eficiente para estimular as repostas in vitro desta cultura a partir de segmentos de epicótilo. Tavares (1960).0 Concentrações de BAP (mg L ) Figura 1. embriogênese somática. Ainda na busca por substratos mais responsivos. não observaram influência significativa do dessecamento. 15 Frequencia de brotações (%) 10 5 0 0. constatou-se bom desempenho das plantas em bagaço de cana e areia lavada na proporção de 1:1. E por serem recalcitrantes as sementes perdem rapidamente o poder germinativo logo que retirados dos frutos.

0 mg L (BAP)+ 0.0 ou 2. As taxas de multiplicação obtidas neste trabalho podem ser consideradas baixas.50 mg L (AIA) -1 -1 2. a partir de segmentos de epicótilo em de cultura MS (Murashige & Skoog. citros. conforme se observa na Figura 2. banana.25 mg L-1 de AIA realmente é aquela que proporciona melhor resposta dos explantes de mangabeira na indução de brotações. (2001). Este fato possivelmente deve-se aos poucos trabalhos.28 C 1. dentre outras. segmentos de epicótilo foram numerados de acordo com a proximidade em relação ao ápice. 3 e 4 aqueles mais próximos ao ápice caulinar. Verificou-se que a combinação de 1.56 B 0. v. razão pela qual a conversão em planta também é reduzida.23 C 0. 1962) suplementado com BAP (0. Cruz das Almas.33 C 0. onde as mesmas apresentaram comprimento em torno de 5.13 C 0. 1962) suplementado com 1.0. Tabela 1.25 mg L (AIA) -1 -1 2.25 ou 0. Geralmente os trabalhos in vitro estão voltados para testes de germinação. 2009 .0 mg L (BAP)+ 0. Figura 2. UFRB. buscando discriminar a existência de zonas com maior potencial organogênico que favoreça o enraizamento.00 mg L (AIA) -1 -1 1. não apresentaram raízes.0 mg L-1 (BAP) + 0. é baixa.63 B 0. Número de explantes intumescidos e taxa média de multiplicação (brotos por explantes) de mangabeira.50 mg L-1).0.0 mg L (BAP)+ 0. realizados com a fruteira em estudo.23 A 0.88 A 0.25 mg L-1 (AIA). tais como abacaxi. sendo considerado internódio 1 aquele mais próximo ao sistema radicular. como o relatado por Pinheiro et al.0 mg L-1) e AIA (0. Regeneração in vitro de plantas de mangabeira.0 cm e 4 a 5 pares de folhas opostas.0 mg L (BAP)+ 0. 0.0 mg L-1 de BAP e 0.25 mg L (AIA) -1 -1 1.46 Taxa de multiplicação 0.03 D 29. desta natureza. 30 Tópicos em Ciências Agrárias. Neste sentido. 1962).0 mg L (BAP)+ 0.24 Valores seguidos da mesma letra na vertical não diferem entre si pelo teste de Tukey a 1% de probabilidade. a capacidade de enraizamento tanto in vitro como ex vitro da mangabeira. no entanto. Combinações de reguladores vegetais acrescidas no meio de cultura MS (Murashige & Skoog.28 C 25. 1.desenvolvidas neste meio de cultura foi satisfatório. 0. 1.50 mg L (AIA) CV (%) -1 -1 Explantes intumescidos 0. Apesar dos resultados promissores quanto ao número de brotações. 2. independente da posição do segmento internodal. 2003. em função do meio de cultura MS (Murashige e Skoog. quando comparadas com aquelas fruteiras que já possuem protocolos de regeneração de plantas in vitro definidos.

O tubete de fibra de sisal apresentou problemas de baixa retenção de umidade nos substratos. a exemplo da viabilidade da semente. água. retenção de umidade e uniformidade. a exemplo de caixas de madeiras. O tamanho da semente tem efeito Tópicos em Ciências Agrárias. xaxim. devendo estes proporcionarem um bom desenvolvimento à muda enquanto esta permanecer no viveiro. da estrutura do viveiro e de uma criteriosa análise de custo. UFRB. Os resultados na literatura não são consistentes e muitas vezes conflitantes. para produção de mudas de cajueiro anão precoce em diferentes substratos (composto do lixo urbano. Corrêa et al. O uso de tubetes artesanais biodegradáveis produzidos a partir de fibra de sisal (Agave sisalana). no tamanho. 2009 31 .) e artificial (espuma fenólica. aeração. Entre as características desejáveis de um substrato. apresentam em geral baixa qualidade fitossanitária e agronômica. refletindo em sua história as dificuldades de acesso dos produtores a mudas enxertadas com materiais apropriados e economicamente viáveis (Cavalcante Júnior & Chaves. observando-se efeito significativo do substrato Citrus 1. O substrato atua como se fosse o solo fornecendo à planta sustentação. disponibilidade. sob condição de viveiro telado. areia etc. húmus etc. mas afeta o vigor da plântula (Carvalho & Nakagawa. Os principais fatores determinantes na formação de uma muda são o substrato e o recipiente. O tamanho das sementes é um dos fatores que pode influenciar a germinação e o vigor das plântulas. bagaços. As sementes podem ser colocadas para germinar diretamente em sacos de polietileno não reciclado de 30 x 18 cm e 12 m de espessura. Visando a produção de mudas de cajueiro anão precoce. podendo ser de diversas origens.Cultura do cajueiro (Anacardium occidentale) A propagação de cajueiro por sementes (pé-franco). além de proporcionar boa agregação das raízes aos substratos e facilidade de retirada das mudas dos tubetes de polipropileno rígido.). Entre os tubetes artesanais biodegradáveis. mostrou que substratos existentes no mercado possibilitam a produção de porta-enxertos mais vigorosos. Cultura da jaqueira (Arthocarpus integrifolia) A jaqueira tem sido propagada tradicionalmente por sementes. mineral (vermiculita. não satisfazendo portando os interesses dos consumidores de caju. as plantas oriundas a partir desse processo apresentam uma grande variação na produtividade. plástico e fibra. Os substratos vermicomposto e composto do lixo urbano proporcionaram menor desenvolvimento das mudas. serragem etc. o que inviabiliza a exploração comercial racional de pomares assim estabelecidos. A produtividade e a qualidade dos frutos produzidos em pomares de “pé-franco” são bastante variáveis. o que favorecerá o desempenho futuro da planta. O uso destes recipientes depende do tipo e do local onde a muda será produzida. 1. os estudos mostram que o tamanho da semente não tem influência sobre a germinação. recipientes metálico e sacos de polietileno. 1997). devido a desuniformidade das fases de desenvolvimento. teor de nutrientes. o de folha de taboa destacou-se pelo seu menor custo de confecção e boa resistência ao manuseio e transporte da muda. capacidade de troca catiônica. necessitando aumento do suprimento hídrico e o tubete de palha de banana apresentou maior grau de degradabilidade. Recomenda-se selecionar as sementes maiores e semeá-las o mais breve possível. pois as mesmas perdem gradativamente a viabilidade. vasos de barro. recomenda-se utilizar sacos de 0. bem como no período de colheita (Luna. Nesse tipo de propagação. Como a polinização é cruzada. A manutenção das sementes em água durante 24 horas melhora a germinação e por 48 horas em ácido giberélico resulta em 100% de germinação. v. nutrientes e oxigênio. plástico e metal. (1995) destacaram que os processos de propagação mais utilizados no cajueiro são a alporquia e a enxertia. Os melhores resultados para a maioria das características avaliadas foram obtidos com a utilização do tubete de polipropileno rígido em substrato Citrus 1. com maior sobrevivência dos enxertos. 1980). pode-se citar o custo. vermicomposto e substrato comercial Citrus 1) mostrou que a porcentagem de germinação e o índice de velocidade de emergência foram influenciados pelo substrato.). Estes pomares improdutivos estabelecidos com altos custos.40 x 0. porém com características suficientes para atender às exigências mínimas da altura e diâmetro do caule para a enxertia no período de 30 dias após emergência. Em geral. isopor etc.). O custo final médio da muda usando tubete artesanal biodegradável foi superior em 13 %. perlita. No preparo de mudas para porta-enxerto. fibra da folha de taboa (Typha dominquensis) e palha de bananeira (Musa sp). independentemente do tubete utilizado. forma e qualidade dos frutos. as sementes devem ser coletadas em frutos provenientes de árvores de boa produção e frutos de alta qualidade. blocos de fibra. fenômeno que depende de outros fatores. esterilidade biológica. tem como resultado plantas com características diferentes no que diz respeito ao fenótipo e genótipo. experimento realizado por Silva (2002). vegetal (tortas. A germinação ocorre dentro de três semanas e quando as mudas apresentarem 30 cm de altura podem ser plantadas definitivamente.30 m considerando-se a necessidade de permanecerem por maior tempo no viveiro. Hartmann & Kester (1994) relacionam vários tipos de recipientes que podem ser usados na propagação e cultivo de plantas jovens. 2001). devendo-se considerar os benefícios da sustentabilidade e geração de emprego para indicar a sua utilização. a exemplo de animal (esterco.

pelos métodos de borbulhia em placa. A percentagem de germinação variou de 81. copa de forma cônica e ramificações abundantes.). J.11 17. 13. garfagem (fenda lateral) e encostia. 1999. p. Germinação de sementes de jenipapo: temperatura. 32 Tópicos em Ciências Agrárias. significativamente superior ao observado para sementes pequenas.. M. ENSINA. NUNES. (2000). O trabalho desenvolvido com sementes de diferentes massas: pequenas (2. (1998) e trabalhos realizados por Machado et al. J. M.) sobre a emergência de plântulas. C. pois o extrativismo dos frutos ocupa um lugar de destaque na composição da renda familiar de pequenos agricultores.000 mg kg-1 de ácido indolbutírico e mantidas sob nebulização. Apresenta porte elevado. A. C. Os garfos para enxertia são obtidos das jaqueiras selecionadas e após remoção das folhas devem ficar com 10 a 15 cm de comprimento. 1079-1080.0%.pronunciado sobre o crescimento inicial das plantas. 1994. Embrapa. originário da Índia e de algumas ilhas da Malásia pode ser propagado por sementes ou vegetativamente. G.Os maiores valores para altura de plantas.0 g).. F. C. L. F. (Ed. Brasília. não havendo diferença significativa entre as classes de sementes..0 g) e grandes (14. ALMEIDA. C. S.. Cultura de tecidos e transformação genética de plantas. Quanto à estaquia. p. Salvador. v. et al. Efeito do armazenamento de sementes de jenipapo (Genipa americana L. Transformação genética de plantas. Tissue and Organ Culture.0 a 8. diminuindo a intensidade à medida que a planta se desenvolve (Carvalho & Nakagawa. BUSO. 35. P.CNPH.. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. A. 1980). BORGES. 3. De acordo com Lederman et al. SIMÓN-PÉREZ. Plant Cell. 1996.5% com a garfagem em inglês simples. BRASILEIRO. Pesquisa Agropecuária Brasileira. 1. PLIEGO-ALFARO. a propagação da jaqueira pelo método da alporquia apresentou 90% de pegamento. como substrato. REFERÊNCIAS ALMEIDA. substrato e morfologia do desenvolvimento pós-seminal. utilizando-se. UFRB. porém. A. peso fresco e seco da parte aérea foram observados em sementes grandes. M.2 a 95. médias (8. A massa da semente influenciou o índice de velocidade de emergência. G. R. 1994. Cultura do jambeiro (Eugenia malaccensis) O jambeiro vermelho. Salvador: SBF. v. utilizados para consumo in natura ou obtenção de doces em compotas ou licores. n. A propagação assexuada da jaqueira pode ser realizada pelos métodos de enxertia e estaquia.1 a 14. 2009 . BARCELÓ-MUÑOZ.1 a 20. E. 2000. são relatadas experiências bem sucedidas de enraizamento de estacas tratadas com 5. F. D. p. In: TORRES. ALMEIDA. conforme citações de Andrade et al. L. C. Os frutos são ovóides. CALDAS.99 g) proporcionaram maiores índices de velocidade de emergência. (1992).. vermelhos. sendo que sementes grandes apresentaram valores superiores em relação às sementes pequenas e médias.99 g) e médias (5. de A. et al. podendo atingir até 20 m de altura.1 a 8. L. S.0 a 6. Micropropagation of adult avocado. que iniciaram a germinação aos 23º dias... com polpa branca. Ciência Rural. No processo de enxertia podem ser utilizados como porta-enxerto a própria jaqueira e também o champedaque (Artocarpus integer) com um ano de idade. Resumos.45-49. trabalhos realizados por diversos autores com diferentes espécies mostram influência do tamanho da semente tanto no vigor quanto na germinação. com enraizamento aos 60 dias. J. v. Brasília: Embrapa. v. v. ANDRADE. No entanto.58. mostrou que o tamanho das sementes não influenciou na germinação. 3. A. Trabalho desenvolvido por Dantas et al.0 g) mostrou que influência da massa da semente no número de dias para início da germinação.5% de pegamento com o método de garfagem em fenda cheia e 67. D. mar. Por ser uma planta exótica e pouco explorada comercialmente.. A. matéria orgânica de origem vegetal (húmus) bem decomposta e a aplicação de pasta de lanolina contendo fitohormônio (ácido indolbutírico).SPI. Indução de brotações em explantes de segmentos de folhas de plântulas de urucueiro em diferentes citocininas. sementes grandes (7. faz-se necessário o estudo de métodos de propagação para o seu cultivo. Sampaio (1986) obteve 57. (1994).26. com sementes grandes germinando aos 16º dia após a semeadura. p.. DUSI. A..

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Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

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CAPÍTULO 4
DINÂMICA DO CRESCIMENTO VEGETAL: PRINCÍPIOS BÁSICOS

Clóvis Pereira Peixoto & Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto

Tópicos em Ciências Agrárias

DINÂMICA DO CRESCIMENTO VEGETAL: PRINCÍPIOS BÁSICOS

Clóvis Pereira Peixoto1; Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto1
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Professor - Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas/UFRB, Cruz das Almas-BA. E-mail: cppeixot@ufrb.edu.br

INTRODUÇÃO A dinâmica do crescimento vegetal pode ser acompanhada por meio de fórmulas matemáticas, sendo o primeiro passo utilizado para quantificar a produção vegetal, possibilitando avaliar a contribuição dos diferentes órgãos no crescimento final das plantas. Sua principal vantagem está na obtenção de informações a intervalos regulares, sem a necessidade de laboratórios e/ou equipamentos sofisticados, uma vez que as informações necessárias para levar avante tais análises, são a massa da matéria seca (fitomassa) da planta e a dimensão do aparelho fotossintetizante (área foliar). Nos estudos ecofisiológicos das plantas não se pode prescindir da análise de crescimento, pois, os fatores ambientais como luz, temperatura, concentração de CO2 e a disponibilidade de água e nutrientes, próprios de cada local, afetam sensivelmente a taxa assimilatória líquida, a taxa de crescimento relativo, a razão de área foliar etc., destas plantas. Através do estudo das interações destes parâmetros com cada fator ambiental, em particular, e/ou estádio de desenvolvimento da planta, podem ser conhecidas a eficiência do crescimento e a habilidade de adaptação às condições ambientais em que estas plantas crescem. Portanto, independente das dificuldades inerentes ao conhecimento da complexidade que envolve o crescimento das plantas, a análise quantitativa do crescimento é uma ferramenta e o meio mais acessível e bastante preciso para avaliar o desenvolvimento vegetal e a contribuição de diferentes processos fisiológicos sobre o seu desempenho, nas diferentes condições agroecológicas a que são submetidos. A tecnologia de exploração de plantas envolve a aplicação de diversas ciências. Na Agronomia, a horticultura e a silvicultura, entre outras, são disciplinas que utilizam conhecimentos provindos da Botânica, da Edafologia, da Mecânica, da Zoologia (pragas), da Climatologia e de outros setores do conhecimento, visando a produção agrícola que decorre do crescimento e desenvolvimento das plantas. Um controle da produtividade das plantas só é possível, pois, conhecendo-se os fatores que atuam sobre o crescimento e desenvolvimento nos vegetais. Este trabalho visa atender aos iniciantes no estudo da Fisiologia Vegetal e, em particular, aos alunos dos cursos de Agronomia e áreas afins, sendo esta, uma revisão simplificada sobre a dinâmica do crescimento e desenvolvimento das plantas, permitindo que o leitor tenha uma noção básica geral e, caso queira aprofundar o conhecimento, poderá utilizar-se das bibliografias sugeridas e/ou buscar aquelas mais específicas. CONCEITOS BÁSICOS A análise quantitativa de crescimento tem sido usada por pesquisadores de plantas, na tentativa de explicar diferenças no crescimento, de ordem genética ou resultante de modificações no ambiente. Sua aplicação torna-se apropriada quando são usados conceitos básicos de análise de crescimento e os critérios essenciais para a obtenção dos dados. Crescimento - Aumento irreversível de algum atributo físico, especialmente do material protoplasmático (Reis & Muller, 1979). Pode-se medir a massa, tamanho ou volume, a depender: a) do objetivo do experimentador, b) da disponibilidade do material a ser estudado e c) da disponibilidade do equipamento para efetuar a medida. Muitos autores restringem o termo crescimento aos processos de divisão e alongamento celular. Crescimento, entretanto, nem sempre significa um aumento de tamanho (Felippe, 1985). Assim, alguns organismos utilizam materiais de reservas para produzir novas células, havendo multiplicação celular sem, contudo, aumento em extensão, o qual se dá por vacuolização. Tanto é que, em “déficit hídrico”, o crescimento em extensão é o mais sensível, pois depende da pressão de turgor. Desenvolvimento - Diferentes etapas por que passa o organismo ou o vegetal (germinação, juvenilidade, maturação,
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reprodução, senescência e morte). O desenvolvimento é caracterizado pelo crescimento e por mudanças na forma da planta, as quais ocorrem por meios de padrões sensíveis de diferenciação e morfogênese. Diferenciação - Aumento em complexidade. Diz respeito a todas as diferenças qualitativas entre células: especialização de células e tecidos para funções particulares durante o desenvolvimento. Os tecidos diferenciam-se em sistemas vasculares (floema e xilema), de reservas, preenchimentos e síntese (parênquimas), entre outros. Através da fenologia (estudo dos fenômenos periódicos da vida em relação às condições ambientais), pode-se observar que o crescimento e o desenvolvimento de um organismo resultam da ação conjunta de três níveis de controle (Lucchesi, 1987): a) Controle Intracelular - Controle genético - envolve as características da planta que ela carrega em sua bagagem genética. A atividade celular depende da ação gênica para a síntese protéica e enzimática. Estes conhecimentos são muito utilizados em programas de Biotecnologia. b) Controle Intercelular - envolve as substâncias reguladoras; os hormônios, compostos orgânicos não nutrientes, de ocorrência natural, produzidos na planta que, em baixas concentrações promovem, retardam ou inibem processos fisiológicos e morfológicos. Os reguladores vegetais possuem as mesmas pro-priedades, sendo, porém exógenos. Suas atuações acontecem ao nível de gene, portanto, são capazes de promover as mais variadas modificações nos vegetais (Castro & Vieira, 2001). As principais classes de hormônios vegetais são as Auxinas, Giberelinas e Citocininas (promotores), o Etileno (ligado a senescência) e o Ácido abscísico (Inibidor). Alguns reguladores sintéticos como a Hidrazina maleica, têm ação inibidora. Enquanto outros, como o Daminozide (SADH) e Chlormequat (CCC), agem como retardadores do crescimento com ação no meristema subapical sobre a síntese de auxína e giberelina, respectivamente. c) Controle Extracelular - É o controle ambiental. Seriam as condições do ambiente onde está inserido o vegetal, pois seu desenvolvimento depende de vários componentes ambientais como: luz, temperatura, água, sais minerais etc. Estão envolvidos fatores do meio físico (climáticos e edáficos) e fatores do meio biológico (pragas, doenças, plantas daninhas, animais e o homem). O ambiente, constituído do Biótopo (lugar onde há vida) e da Biocenose (conjunto dos seres vivos), afeta a morfologia, o crescimento e a reprodução vegetal, através dos fatores climáticos (altitude, latitude, vento, temperatura, luz e água) e edáficos (topografia, propriedades físicas: textura, estrutura, profundidade e permeabilidade e propriedades químicas: fertilidade, pH e matéria orgânica). Como pode-se observar, o desenvolvimento da planta como um todo, é um processo complexo que envolve fatores externos e internos, compreendendo o crescimento e a diferenciação. O crescimento reflete um aumento em tamanho e peso (massa), sendo, por isto, um processo quantitativo. A diferenciação é um processo qualitativo que pode ser observado, mas não medido, constituído por modificações internas e externas na forma e posição relativa de várias partes da planta durante seu ciclo de vida. As técnicas de análise de crescimento foram desenvolvidas no início do século XX, por investigadores britânicos (Blackman, 1919; Briggs et al., 1920; West et al., 1920), que além de apresentarem as fórmulas de análise de crescimento, suas derivações e condições necessárias para seu uso correto, discutem alternativas e métodos que envolvem uma descrição matemática do peso da matéria seca e da área foliar em função do tempo, seguida de cálculos de diferentes parâmetros de crescimento. O fundamento dessa análise é a medida seqüencial da acumulação de matéria orgânica na planta, sendo que a sua determinação é feita, normalmente, considerando a massa da matéria seca ou a sua fitomassa (Magalhães, 1985). Entretanto, devido ao fato deste procedimento ser destrutivo, as plantas tomadas como amostra a cada tempo, devem representar a população em estudo. A medida da massa da matéria seca das diferentes partes da planta é simples e exige poucos equipamentos (réguas graduadas em milímetros, tesouras, paquímetro, estufas de aeração forçada, sacos plásticos, sacos de papel etc.). Isto é, não exige laboratório nem material sofisticado, o que é considerado uma vantagem da análise do crescimento Castro et al. (1984). Estas informações são obtidas a intervalos de tempo regulares, normalmente uma semana ou cada 14 dias para plantas de ciclo curto (Castro et al., 1984; Magalhães, 1985; Peixoto, 1995; Peixoto, 1998; Brandelero, 2001; Brandelero et al., 2002; Peixoto 2002; Benincasa, 2004 e Lima, 2006). A fim de que o crescimento total da planta possa ser estimado, as raízes devem ser consideradas como importantes componentes do vegetal. No entanto, em geral, a recuperação das raízes, principalmente no campo, pode se tornar um trabalho adicional, o que faz com que esta parte da planta seja desconsiderada nos cálculos de análise de crescimento. Por outro lado, em determinados vegetais, onde as raízes são responsáveis pela produção econômica, faz-se necessário que a tomada de suas medidas, seja em massa, volume, diâmetro ou tamanho.

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A determinação da superfície foliar é muito importante no que diz respeito a inúmeros parâmetros fisiológicos como a taxa de crescimento relativo, a taxa assimilatória líquida e o índice de área foliar, entre outros. A área foliar representa a matéria prima para a fotossíntese e, como tal, é de grande importância para a produção de carboidratos, óleos, proteínas e fibras. Basicamente, os parâmetros utilizados para medir o crescimento vegetal abordam a área foliar (AF ou L) e matéria seca (MS ou W) acumulada pela planta por representarem esses fatores a “fábrica” e o “produto final”, respectivamente (Peixoto, l995). Na prática, as principais medidas de W e L são o peso da matéria seca total (MST) e a área foliar total (AF) da planta. As fases de crescimento de uma planta ou de qualquer outro organismo vivo podem ser resumidas na Figura 1 e representam as modificações no tamanho, na massa ou no volume desse organismo, ou de qualquer órgão dele, em função do tempo. Neste tipo de curva, pode-se distinguir uma fase inicial de crescimento lento, passando posteriormente a uma fase exponencial e, em seguida, a uma de crescimento linear e um novo período de crescimento lento, com a paralisação eventual do processo.

CRESCIMENTO

IDADE DA PLANTA

Figura 1. Curva ilustrativa do crescimento sigmoidal de uma planta (Magalhães, 1985). A interpretação fisiológica dessas diferentes fases do crescimento pode ser compreendida da seguinte forma: a) No início, a planta depende das reservas da semente para a produção dos diferentes órgãos componentes. O espaço ainda não foi ocupado pelas plantas. Cada nova folha que é formada contribui para maior interceptação da luz. Não há sombreamento mútuo ainda e a contribuição das poucas folhas é semelhante. A taxa de crescimento relativa é constante e a cultura é principalmente vegetativa, caracterizando a fase exponencial. b) Após o desenvolvimento do sistema radicular e a expansão das folhas, a planta retira água e nutrientes do substrato em que se desenvolve e inicia os processos anabólicos dependentes da fotossíntese. As folhas serão gradualmente auto-sombreadas, aumenta o índice de área foliar (IAF), passando a uma fase de crescimento linear, com o maior incremento na taxa de matéria seca (MS). Quando água e nutrientes não são limitantes, o IAF poderá facilmente exceder o seu ótimo sem, contudo, significar maior aumento em fitomassa. c) Ao atingir o tamanho definitivo, a planta entra na fase de senescência, diminuindo o IAF, com menor interceptação da energia luminosa, resultando em decréscimo no acúmulo de matéria seca, com a translocação desta para os órgãos de reservas, e conseqüente degeneração do sistema fotossintético. Segundo Lucchesi (1987), um vegetal anual sob condições ecológicas adequadas, ocupa no período de crescimento, em termos de percentagem, 10% para germinar, 6% para emergir, 51% no grande período de crescimento (fase linear), 15% para a reprodução, 8% na maturação e 10% até a colheita. Portanto, durante o seu desenvolvimento, o vegetal ocupa, nas diferentes fases, diferentes períodos de crescimento, naturalmente afetados pelos fatores externos (fenologia) e os inerentes à própria planta. A análise do crescimento constitui uma parte da fisiologia vegetal em que se faz uso de fórmulas e modelos matemáticos para avaliar índices de crescimento das plantas, sendo muito deles relacionados com a atividade fotossintética (Benincasa, 2004). Como o crescimento é avaliado por meio de variações de tamanho de algum aspecto da planta, geralmente morfológico, em função da acumulação de material resultante da fotossíntese líquida, esta passa a ser o aspecto fisiológico de maior importância para a análise de crescimento. Exceções ocorrem como, por exemplo, o alongamento de caules por alta atividade auxínica, sob condições de ausência de luz (estiolamento). A fotossíntese líquida (FL) é definida como a diferença entre a fotossíntese bruta (FB -tudo que é literalmente produzido pela fotossíntese no interior dos cloroplastos) e o que é consumido pela respiração (R). Em algumas plantas, outro processo compete com a fotossíntese bruta: a fotorrespiração (FR). Portanto, FL = FB - (R + FR).
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ainda. utilizados para manutenção do material já existente (7). no qual o esquema se apresenta em três níveis. eventualmente. que formarão inicialmente os açucares simples (monossacarídeos como glicose e frutose). conseqüentemente. o caminho (5) constitui o fluxo de energia obtida pela respiração que será utilizada na síntese de novo material e (6) é fluxo de material armazenado que. de dimensões lineares. utilizados para a síntese de material metabólico e estrutural (4). ou podem ser armazenados (2) em formas mais complexas (dissacarídeos ou polissacarídeos como a sacarose e o amido). v. poderá ser mobilizado para as novas sínteses. 2009 .nível B. 2004). armazenado secundariamente (8) ou serão utilizados para promover aumento do material estrutural (9). promover o crescimento. em termos de aumento de volume. 1. Portanto. Os compostos elaborados no nível B são. ocorra um aumento no processo respiratório. Fotossíntese A 1 3 Respiração PP 4 2 Armazenamento I 5 6 Síntese de Material Metabólico e Estrutural B 7 Manutenção 9 8 Armazenamento II Crescimento C Figura 2. Em caso de estresses. são produzidos os produtos primários (PP). isto é. resultando na liberação de energia armazenada nesses compostos. é de se esperar que. Em direção ao nível B. Fluxo de matéria e energia. a qual é utilizada para a manutenção do metabolismo vegetal e de todos os processos fisiológicos. como proteínas. na medida em que a planta cresça. de unidades estruturais é função do que a planta armazena (armazenamento I e II) e do que a planta produz em termos de material estrutural (nível B). UFRB. a fotossíntese bruta terá de ser bem maior para atender às necessidades metabólicas do material existente e. em parte. mediante o processo fotossintético.nível C. Estes carboidratos poderão ser diretamente “queimados” pela respiração (3) e/ou. Na Figura 2 tem-se o fluxo de matéria e energia a partir da fotossíntese. e. a partir do processo fotossintético (Benincasa. esse material armazenado poderá ser utilizado diretamente pela respiração. 42 Tópicos em Ciências Agrárias. de massa. basicamente carboidratos (1). O crescimento da planta como um todo.A respiração é um processo de combustão lenta dos carboidratos produzidos na fotossíntese. No nível A. resultando em crescimento . promover adições de novos materiais. lipídeos e demais componentes orgânicos produzidos pela planta .

Tópicos em Ciências Agrárias. de forma a subsidiar o processo de seleção de acordo com os objetivos do experimentador. Número e distribuição de estômatos. com raríssimas exceções. A área foliar é determinada por diferentes métodos.). 1. A superfície foliar é determinada diretamente ou estimada por meios indiretos. Por interpolação das massas das figuras de áreas conhecidas e a massa da “impressão” recortada da folha. flores. volumétricas. Os tipos de medidas a serem realizadas dependem de vários aspectos: (a) objetivos do experimentador. retângulo etc. toma-se amostras de discos foliares.O crescimento pode ser acompanhado a partir da contagem de unidades estruturais morfológicas ou anatômicas (folhas. estima-se a área foliar. relacionando a massa seca da área conhecida do disco com a massa seca da folha. acompanhadas ou não. peso e número de unidades estruturais. incluindo condições de cultivo. Dentre estes métodos. definindo-se como área foliar. isto é. UFRB. Número de unidades estruturais . de forma a poder selecionálos para melhor atender aos seus objetivos ou mesmo utilizar a análise de crescimento no estudo do desenvolvimento vegetal sob diferentes condições ambientais. (b) disponibilidade de material a ser estudado. quais sejam: lineares. A partir dos dados de crescimento pode-se inferir atividade fisiológica.) Estas medidas de dimensões lineares podem ser feitas em plantas intactas ou não.Comparação da massa de uma área conhecida de papel com a massa dos recortes do perímetro das folhas. muitas vezes. Integra a área de qualquer material opaco. através de punções.Com um perfurador de área conhecida (de metal). (e) disponibilidade de equipamentos para executar as medidas. Coloca-se uma placa transparente sobre a folha (vidro ou plástico) para facilitar a operação. 2009 43 . a medida dessa superfície. são as folhas. Medidas de superfície . círculo. É mais comum usar-se a “impressão da folha” em um papel e usar o planímetro no contorno destas. O crescimento de uma planta pode ser estudado através de medidas de diferentes tipos. estimar-se. número e distribuição de células do parênquima clorofiliano.A partir de contornos foliares impressos em papel. o aparelho fotossintetizante é a superfície do caule e ramificações. através da utilização de células fotoelétricas. (d) disponibilidade de tempo do experimentador ou da equipe. obtendo-se diretamente a área foliar. usadas para detectar diferenças entre os tratamentos estabelecidos. como algumas cactáceas. destaca-se: Uso do Planímetro . A maioria com alto grau de precisão. de forma bastante precisa. dão importantes informações sobre as diferenças funcionais entre plantas ou interações destas com o ambiente. Massa seca de discos foliares . são as únicas possíveis. “de bancadas”.Estas medidas estão relacionadas com a determinação ou estimativa da superfície fotossinteticamente ativa da planta que. em alguns casos. Uso de integradores . são feitas cópias heliográficas das folhas e do mesmo papel são retiradas figuras com formas em que a área pode ser conhecida (quadrado. de outras medidas destes órgãos. que ficam nos laboratórios. (c) disponibilidade de mão-de-obra. São muito úteis e. Do ponto de vista agronômico. os órgãos vegetais responsáveis pela fotossíntese.Medidas do crescimento A análise de crescimento permite avaliar o crescimento final da planta como um todo e a contribuição dos diferentes órgãos no crescimento total. v.Medidor de área foliar. Fotocópias . Para isso. Dimensões lineares (altura de planta. em vez de se medir a folha inteira. a análise de crescimento atende àqueles pesquisadores que estão interessados em conhecer diferenças funcionais e estruturais entre cultivares de uma mesma espécie. Pode-se fazer o contorno da folha. raízes e frutos) que podem fornecer informações sobre a fenologia e são. as causas de variações de crescimento entre plantas geneticamente diferentes ou entre plantas crescendo em ambientes diferentes. componentes de instrumentos eletrônicos. determina-se a área de uma das faces da folha. comprimento e largura de folhas etc. Em caso de plantas que não apresentem folhas funcionais. Existem os portáteis e os maiores. superficiais. comprimento e diâmetro de caule.

Desenvolvido por Bleasdale (1977). usa-se também o potencial de água (Ya) como medida. altura 44 Tópicos em Ciências Agrárias. sendo essencial que se use pontos pequenos. Deve-se avaliar dados de comprimento. a planta inteira etc.É uma medida tridimensional. 1978). Modelos matemáticos .A partir da área foliar obtida por integrador ou por outro método. o que seria um indicativo do “status” de água na planta. São exemplos. não exigirem destruição do material e serem de ampla utilização em condições de campo. Massa da matéria fresca . leva-se em consideração os seguintes itens: o tamanho da amostragem e o intervalo de amostragem. vão determinar os critérios para a tomada de dados. o matricial (Ym) e o potencial pressão (Yp): Ya = Yo + Ym + Yp. Exige-se para tal. Vai depender. pois é uma medida bem mais precisa que o peso da matéria fresca. além de outros aspectos. UFRB. a duração do ciclo. usa-se um modelo para cada folíolo de forma geométrica aproximadamente definida e que apresentem altas correlações com suas dimensões lineares ou peso seco (Reis et al. Massa da matéria seca . cuidando para que a visada seja feita em ângulo reto. Há também destruição do indivíduo. além do ciclo da planta e do seu hábito de crescimento. Geralmente o crescimento da matéria seca é acompanhado pelo aumento do teor de água nos tecidos da planta. É muito trabalhoso. calcula-se a razão entre a área foliar (AF) e o produto do comprimento pela largura (C x L) de cada folha medida (R = AF / C x L). os objetivos do trabalho são de maior relevância na definição desses critérios. numa dada temperatura (tecidos vegetais: mais ou menos 65 a 70 graus Celsius). em função do tipo da folha (forma. O mesmo poderá ser entendido para a área amostrada. mandioca. Se não houver diferenças estatísticas entre estas razões. Na observância dos parâmetros que se quer medir (órgão da planta. É muito usado quando se está interessado em produtividade.É a massa do material em equilíbrio com o ambiente. v. c) do número de amostragens a ser realizado durante todo o período de observação. principalmente dependente da umidade relativa do ar.). determina-se o valor médio das razões que será utilizado como fator de correção (F) para estimativa da área. o hábito de crescimento. aumento na massa seca. Cada um destes métodos poderá ser usado em situações específicas. seringueira. de acordo com o tipo de planta usada. Indiscutivelmente. Se o número de plantas for restrito ou pequeno. Para tanto. Tamanho da amostragem . principalmente de três aspectos: a) do número de plantas disponíveis. Volume . além de destruir o indivíduo. soja. existem exceções como é o caso de embebição de sementes.É a massa constante de determinada amostra. Por outro lado. desde o local da amostragem até o local de pesagem. 2009 .Método dos pontos . b) da área total a ser amostrada. entre outras plantas. A desvantagem do uso de massa da matéria fresca (MMF) é conter algumas imprecisões como o tempo entre a colheita e a pesagem. procura-se se limitar às plantas disponíveis e as medidas não deverão ser destrutivas. Estabelecem-se os modelos matemáticos quando estas dimensões estão altamente correlacionadas. espessura). de um número representativo de folhas. 1979). considerado mais preciso (envolve o “peso túrgido”). Apresentam a vantagem de serem métodos relativamente rápidos. O teor de água é bastante variável a partir da colheita da planta. consiste no uso de uma placa de vidro ou papel transparente (material utilizado em radiografias) com pontos distanciados de 1..0 cm. tamanho. café. Em folhas compostas. sem. A relação entre massa da matéria fresca e massa da matéria seca pode informar sobre o Teor de Água (TA) ou Teor Relativo de Água (TRA) nos tecidos.Refere-se ao número de plantas colhidas ou à vegetação que cobre uma determinada área de solo. contudo. Entretanto. que as folhas sejam simples. o tipo de plantas a serem analisadas. a amostra tenderá a ser pequena. A placa deve ser colocada sobre a folha. relacionando-se o potencial osmótico (Yo). com um número restrito para amostras. por exemplo: perda de água por transpiração (Reis e Muller. Exemplo: Volume de frutos (imersão dos frutos em água para conhecimento de seu volume). onde se denota aumento de volume. largura. a fim de evitar erro de paralaxe. 1. Muita das vezes é obtido por deslocamento de água em determinado recipiente graduado (proveta graduada). pois se deve fazer várias repetições. a partir de medidas lineares como comprimento (C) e largura (L) da lâmina. da disponibilidade do material e do rigor científico do trabalho. Critérios de amostragem O tamanho da comunidade ou da área experimental (homogênea ou não) em estudo.

número de folhas. Em déficit hídrico. Interações mútuas entre indivíduos impõem limitações ao crescimento e a curva de crescimento sofre uma inflexão. No caso de plantas de ciclo curto. para se determinar a gravidade do estresse.).Este aspecto dependerá da disponibilidade de plantas e do tempo do pesquisador. 2004). Enfim. com base na média dessas medidas. bem como da área foliar (através das dimensões comprimento (C) x largura (L).de plantas. Normalmente. (1984) e Magalhães (1985). existe toda uma metodologia para fazer estas avaliações. 1. essas medidas tornam-se bastante viáveis. O tipo de recipiente pode ser fundamental. etc. Neste caso. uma vez que valores abaixo de 10 podem induzir a erros e acima de 20. mostram padrão sigmóide quando analisados no decorrer da vida da planta. que é preferível não executá-las. Deve-se tomar cuidado com a seqüência de amostragens para que as plantas a serem retiradas em amostragens seguintes não estejam próximas das plantas que foram retiradas na amostragem anterior. em todas as plantas. UFRB. neste caso. Entretanto. Se o número for pequeno. Para plantas de até 130 dias. será colhido um número de plantas. Podem ser medidos um ou dois aspectos listados para plantas intactas. número de flores. 2009 45 . quaisquer medidas que permitam uma avaliação do crescimento serão válidas. embora seja melhor aumentar o número de áreas colhidas. Quando se tem uma área suficientemente grande que se possa colher um número maior de plantas ao acaso. a amostragem será com destruição de uma área mínima e representativa da área total e deverão ser respeitados alguns princípios usados para amostragens com destruição de plantas. respeitando o ciclo das plantas em estudo. Medidas do sistema radicular tornam-se mais importantes quando se trabalha com estresse hídrico e. a imprecisão das medidas de raízes no campo é de tal ordem. os produtos estudados como volume. o intervalo de uma semana é o mais recomendável (Benincasa. Castro et al. no caso de plantas envasadas ou em casa de vegetação ou ripado. Caso contrário. a exemplo do rabanete. podendo ser detectadas quase que integralmente. Intervalo de amostragem . 2004). No caso de órgãos de armazenamento (raízes e caules subterrâneos). a não ser que se tenha mão-de-obra disponível para executar as medidas. em um número representativo e. Normalmente. Quando se trabalha com plantas envasadas. as medidas podem ser feitas normalmente. Se a amostragem for por área e não por planta. o qual é mantido para todas as amostragens feitas). aconselham para plantas de ciclo curto o intervalo de 14 dias durante o período de crescimento. de fruto. poderão ser medidas todas as plantas. entretanto. v. a colheita de plantas será feita com base em uma amostragem prévia de plantas marcadas e intactas. mas se tem necessidade de matéria seca. os dois critérios descritos são de difícil aplicação. diâmetro de caule. Também os organismos mostram uma conformação sigmóide. tomando uma conformação sigmóide. massa ou superfície. Quando se tem uma área cultivada ou coberta por vegetação. o intervalo não deverá ultrapassar 5 dias. altura. devido eventuais limitações de espaço e/ou nutrientes ou acúmulo de produto final. intervalos de uma semana ou múltiplo da semana são estabelecidos. cuja soma deverá corresponder a uma fração significativa da área total. é importante estabelecer a relação Raíz/Parte Aérea. Muitas vezes não há disponibilidade de plantas ou a área cultivada é pequena. escolhendo-se o dia mais desejável. uma vez que as remanescentes crescerão em ambiente diferente daquele previamente estabelecido. para não haver mascaramento. Este tipo de amostragem só é possível quando se colhem plantas individuais. é possível colher-se áreas maiores em menor número. Considerando-se que a análise de crescimento usa medidas morfológicas ou anatômicas para inferir processos fisiológicos. sendo comum o uso de tubos com altura e diâmetros diferentes e com conexões para permitir estudos de profundidade. Será determinado um número que permita se fazer todas as medidas previstas num mesmo período de observação (meio dia ou o dia todo). Tópicos em Ciências Agrárias. o número de plantas colhidas deverá ficar entre o mínimo de 10 e o máximo de 20.As medidas de raízes ou do sistema radicular são bastante difíceis de serem feitas. é possível fazer-se uma estimativa a partir de medidas indiretas no campo (estima-se a superfície radicular ou a quantidade de raízes em um determinado volume de solo. número de células ou mesmo conteúdo de proteína. Quando há um interesse muito grande. Determinação em raízes . principalmente quando se trabalha em condições de campo. Padrões de crescimento exponencial e sigmóide As células individuais ou órgãos apresentam potencialmente um crescimento ilimitado que obedece a um padrão exponencial. não aumentam significativamente a precisão da amostragem (Benincasa.

enquanto a eficiência fotossintética lhe proporciona a aceleração.Peso seco da planta dt . É semelhante a uma poupança. v. O crescimento inicial dos organismos inclui uma fase exponencial de crescimento. definindo-se como a capacidade da planta adicionar matéria seca a si própria. Padrões de crescimento em planta: exponencial (A) e sigmóide (B) (Reis & Muller. O crescimento nestas condições segue a seguinte equação: Wt = Wo x e (1) sendo Wt. enquanto a eficiência fotossintética determina a taxa de juros (Leopold & Kriedman. passando posteriormente. r significa o índice de eficiência ou coeficiente de interesse. 2009 rt . indica a “taxa de crescimento”. A B CRESCIMENTO (w) CRESCIMENTO SIGMÓIDE CRESCIMENTO EX PONENCIAL FIM DA FASE DE CRESCIMENTO ESPONENCIAL P/B dw dw . Durante a fase inicial a planta depende fundamentalmente das substâncias de reservas da semente (período de crescimento lento). ocorre um período de redução no crescimento. a uma fase exponencial (de crescimento rápido. 1979). 1978). Neste caso. 1. semelhante ao acúmulo de capital através da “taxa de juros compostos”. Esta redução do processo pode ser traduzida como uma paralisação na produção de matéria orgânica (Figura 3). Só que no banco seu dinheiro rende ou vai crescer exponencialmente. considerando que a análise de crescimento ainda é o meio mais acessível e bastante preciso para avaliar o crescimento e inferir a contribuição dos diferentes processos fisiológicos sobre o comportamento vegetal. o crescimento depois de determinado tempo. a curva que melhor expressa o crescimento é a sigmoidal. ln = logaritmo natural e e = base dos logaritmos naturais (2. O crescimento das células e de órgãos individuais seguiria um modelo exponencial caso não houvesse certas limitações no crescimento. podendo cessar com o final da senescência. dependente da absorção das raízes e da atividade fotossintética.tempo (área foliar) dt TEMPO (t) Figura 3. UFRB. ou ln Wt = ln Wo + r t. o crescimento exponencial é limitado. ou seja.7182). Assim.O crescimento de plantas superiores está na fase exponencial quando os acúmulos se processam continuamente. fase linear). enquanto que no caso da planta. a equação (1) acima torna-se uma equação da linha reta: lnWt = lnWo + rt ln e (2) onde: Wo representa o crescimento inicial. onde: t = intervalo de tempo e r = taxa de crescimento. Parâmetros de análise de crescimento Embora muitas vezes o pesquisador se depare diante de situações difíceis de serem explicadas quanto à complexidade do crescimento vegetal. Num gráfico semilogarítmico do peso da matéria seca em função do tempo. o embrião representa a participação inicial. 46 Tópicos em Ciências Agrárias. Em seguida. onde o embrião representa o capital inicial. Com isso. ele procura utilizar uma “lógica” estabelecida com base em vários parâmetros.

Para tanto. Magalhães (1985) considera a taxa de crescimento relativo como a medida mais apropriada para avaliação do crescimento vegetal. Neste caso. Indica a variação de crescimento em um determinado intervalo de tempo. são tabeladas de forma que possam ser analisadas por meio de fórmulas matemáticas e/ou graficamente. qualquer variação em um deles. pois depende de dois outros fatores do crescimento: a área foliar útil para a fotossíntese ou razão de área foliar (RAF). implicará em alterações na RAF. em um intervalo de tempo (Reis & Muller. para a produção de matéria seca. Taxa de crescimento absoluto (TCA) Para Reis & Muller (1979). a análise de crescimento estabelece que a taxa de crescimento de uma planta é função do tamanho inicial (período em que se inicia a observação). É uma medida que pode ser usada para se ter idéia da velocidade média de crescimento ao longo do período de observação. A TCR expressa o incremento na massa de matéria seca.lnW1 / T2-T1. Taxa de crescimento relativo (TCR) Para os biologistas. que é dependente da quantidade de material que está sendo acumulado. W1 e W2 é a variação da massa da matéria seca em duas amostragens consecutivas tomadas nos tempos T1 e T2. ainda. indica a velocidade de crescimento (g dia-1 ou semana). para armazenar ou construir novo material estrutural. Tópicos em Ciências Agrárias. 1920): RAF = L/W ou L1 + L2 / W1 + W2. 1. A TCR varia ao longo do ciclo vegetal. podem ser utilizadas várias funções. usa-se: TCR = (lnW2 . a TCA indica variação ou incremento entre duas amostragens sucessivas. todo crescimento resultará da produção de material suficiente para atender às necessidades metabólicas do material já existente e. Esta medida foi estabelecida por Briggs (1920). uma vez que conceitualmente. isto é. Para valores -1 -1 médios. expressa-se em cm2 ou dm2 g-1. deve-se aplicar a fórmula: R = C t / W t. A TCA pode ser usada para se ter uma idéia da velocidade média de crescimento ao longo do período de observação. Segundo Benincasa (2004). Onde. É apropriada para avaliação do crescimento vegetal. que é o próprio peso da planta. onde: W = base em que se relaciona a TCA. 1979). As curvas de taxa de crescimento absoluto (TCA) e taxa de crescimento relativo (TCR) são distintas. 2009 47 . Em valores médios. como permite avaliar a tendência do crescimento em função dos tratamentos (Benincasa. por unidade de peso inicial. equações ou programas. v. trata-se da taxa de crescimento relativo: TCR = dW/(dT x 1/W).As medidas obtidas ao longo do ciclo da cultura. O quociente de área foliar varia com a Área foliar específica (AFE) e a Razão de massa de folha (RMF). UFRB. Wl e W2 representam a massa da matéria seca nos tempos T1 e T2. descontando a respiração (mais a fotorrespiração nas plantas C3) ou taxa assimilatória líquida (TAL). ou nos dois. é mais interessante expressar essa taxa de crescimento segundo uma base comum. É também chamado quociente de área foliar (West et al. Segundo Benincasa (2004). Assim.Wo/T = g dia-1. onde: C t = Taxa de produção de matéria seca total e W t = massa da matéria seca total. com a tendência da diminuição da área foliar útil ou fotossinteticamente ativa (responde pela interceptação da radiação luminosa e captação do CO2 na fotossíntese). 2004). que é dependente da quantidade de material acumulado gradativamente. tem-se que a TCA = Wt . Razão de área foliar (RAF ou QAF) Representa a relação entre a área foliar (L) e o peso da matéria seca total da planta (W). em plantas intactas ou colhidas. TCA = (W2-W1)/(T2-T1) = g dia-1 ou semana. a taxa de crescimento relativo poderá ser obtida utilizando-se as equações: TCR = TAL x RAF ou TCR = lnW2 . A utilização de equações de regressão não só corrige as oscilações normais.. Em trabalhos onde se faz necessário o cálculo dos valores instantâneos. onde ln é o logaritmo neperiano.lnW1) / (T2 -T1) = g g dia . ou um incremento de matéria seca neste intervalo de tempo. Portanto. em função do autossombreamento. conforme mostra a Figura 4. A RAF declina enquanto a planta cresce. e da taxa fotossintética bruta. taxa de crescimento absoluto é a variação ou incremento entre duas amostragens ao longo de um determinado período de tempo.

1. que o restante da planta depende da exportação dessa fitomassa. principalmente da radiação solar. é uma estimativa da fotossíntese líquida. é necessário que L e W estejam relacionados linearmente. No entanto. Taxa assimilatória líquida (TAL) Representa a taxa de incremento de massa de matéria seca (W) por unidade de área foliar (L) existente na planta. É também chamada de Taxa de 48 Tópicos em Ciências Agrárias. em determinado intervalo de tempo.LnL1 / T2 . Assim. além das folhas. 1987) e indica a eficiência de uma planta na produção de matéria seca. ou seja. Portanto. serve para estudos de comparação entre espécies e mede a eficiência de uma planta na produção de matéria seca. 1920). a taxa assimilatória líquida deve ser aplicada quando existe uma correlação linear entre a área foliar e a matéria seca total. a produção econômica está sob outros controles e não necessariamente relacionado com a eficiência fotossintética. UFRB. mesmo na fase de crescimento exponencial das plantas. isto não é rígido.dia-1.W1)(lnL2 . Expressa-se em g.L1)(T2-T1) Para Benincasa (2004).T1 Representa o aumento de área foliar em um determinado período de tempo. Taxa de crescimento foliar relativo (TCFR) Avalia o relativo crescimento da planta em termos de matéria seca formada na parte aérea. diminuindo os intervalos de tempo entre as amostragens. Avalia a resposta do crescimento da planta às condições ambientais. com o crescimento da comunidade vegetal. 2009 . Taxas do crescimento absoluto (TCA) e relativo (TCR) no modelo sigmóide (Reis & Muller.lnL1) / (L2 . para que haja precisão total da fórmula. podem ser levados em consideração para o cálculo da TAL que reflete a capacidade da planta em aumentar sua fitomassa em função de sua superfície assimilatória. pode-se utilizar a seguinte expressão: RAF = AFE x RMF. Ou seja. Devido ao auto-sombreamento a TAL diminui com o aumento do IAF e.dm-2. aumentam exponencialmente (West et al. v. A TAL representa o balanço entre o material produzido pela fotossíntese e aquele perdido pela respiração (Pereira & Machado. já que é razão de massa de matéria seca retida nas folhas e massa de matéria seca acumulada na planta (MSF/MSP). relaciona-se com a eficiência fotossintética da planta de modo generalizado. É obtida através da equação: TCFR = LnL2 . Entretanto. a RMF expressa a fração de matéria seca não exportada. sendo AL = (W2 . mais precisamente nas folhas (área foliar) em função do peso inicial. A superfície é o componente morfológico e a fitomassa é o componente anatômico.. Depende dos fatores ambientais. pois está relacionado com a composição interna formada pelo número e/ou tamanho de células do mesófilo foliar. a TAL reflete a dimensão do sistema assimilador que é envolvida na produção de matéria seca. Podese minimizar os erros. A razão de massa da folha se constitui numa componente fisiológica. 1979). conseqüentemente. Considerando que as folhas são o centro de produção de matéria seca através da fotossíntese e. Segundo Magalhães (1985). A área foliar específica relaciona a superfície com a massa da matéria seca da própria folha (AF/MSF). Outros órgãos fotossintéticos. assumindo que tanto L como W.t t Figura 4.

Mesmo sendo o IAF a simples razão L/S. deseja-se um IAF ótimo) ou a produtividade biológica (fitomassa total. Pereira & Machado. portanto. O índice de área foliar é computado em diferentes estádios de crescimento e é muito variável entre plantas e entre épocas de amostragens. b) o IAF deve atentar para os objetivos que controlam o cultivo da planta. O IAF representa a área foliar total por unidade de área do terreno.crescimento relativo de folhas (TCRF). Isto por que: a) durante o crescimento da comunidade vegetal o IAF deve ser suficiente para interceptar o máximo de luz. A cobertura fotossintética em uma comunidade tem sido expressa por um número puro (admensional).0 a 5. pecíolos. v. Taxa de crescimento da cultura (TCC) Parâmetro considerado o mais importante em fisiologia da produção e empregado para comunidades vegetais. Em determinadas circunstâncias. 2009 49 . Expressa-se em g m-2 dia-1 e é obtida através da equação: TPMS = (W2 . folhas eretas são mais eficientes para a fotossíntese máxima.T1) onde S.lnL1 ou ainda pode ser empregada a seguinte fórmula: TCFR = TAL x RAF. é muito importante para a produção de carboidratos. Isto é. o crescimento das plantas é fortemente influenciado pelo tempo em que é mantida ativa sua superfície foliar. ângulo de inserção e orientação azimutal. podendo ser expressa apenas como: TCFR = lnL2 . Existe um IAF ótimo para cada cultura. lipídeos e proteínas. constituindo o somatório das taxas de crescimento dos diversos componentes das plantas (Reis e Muller.0. A forma cônica de planta induz um maior potencial produtivo que a globosa. Assim. pois reduz o auto-sombreamento. resultante da área foliar (L) e da área do terreno ou substrato (S). 1. É a taxa de produção de matéria seca (TPMS) de uma comunidade vegetal. como tal. A interceptação de luz por uma superfície foliar é influenciada pelo seu tamanho e forma.W1) / S / (T2 . 1998. uma medida análoga da taxa de crescimento relativo (TCR). quando interessa um IAF máximo). que varia geralmente de 2. Peixoto. para informar sobre o desempenho de folhas individuais. Brandelero. brácteas etc. 1987. O ângulo foliar é um parâmetro importante na produção. o índice de área foliar (IAF). sendo. Índice de área foliar (IAF) A área foliar de uma planta constitui sua matéria prima para fotossíntese e. além das folhas. Este conceito é básico para análise de crescimento em comunidade de plantas ou na interceptação de luz e. outras partes do vegetal devem também ser integradas à área foliar. se o interesse é a produtividade econômica (produto comercializado. 2002). diferenciando-se deste. A análise de TCFR segue o mesmo raciocínio observado com o parâmetro taxa de crescimento relativo (TCR). ou caso se trate de cultivo hidropônico). distribuição de plantas e variedades. UFRB.0 significa 2 m2 de área foliar (AF) ocupando 2 m2 de solo ou de outro substrato (S): IAF = AF / S. Um IAF igual a 2. 2001 e Brandelero et al. O IAF pode variar com a população de plantas. especialmente. Representa a quantidade total de matéria seca acumulada por unidade de área de solo ou outro substrato (vegetação aquática. como pseudocaules.. em virtude de relacionar mais a parte aérea e não a planta como um todo. Tal característica é definida pela duração da área foliar: tempo em que é mantida fotossinteticamente ativa a superfície foliar. Ele avalia a capacidade ou a velocidade com que as partes aéreas do vegetal (área foliar) ocupam a área de solo ou de um outro substrato disponível àquele vegetal. Duração de área foliar (DAF) O aparelho assimilatório das plantas é constituído pelas folhas que definem a produtividade do vegetal. Funciona como indicador da superfície disponível para interceptação e absorção de luz. Os termos da equação possuem o mesmo significado da taxa assimilatória líquida (TAL). por exemplo. representa a área ocupada pela cultura no substrato disponível. A taxa de crescimento da cultura ou a taxa de produção de fitomassa de uma comunidade vegetal avalia a produtividade primária líquida. em um determinado tempo. separação vertical e arranjo horizontal e pela absorção por estruturas não foliares. por que a taxa de crescimento da cultura pode ser obtida por: TCC = TAL x IAF (g m-2 dia-1). quando o IAF é grande. Tópicos em Ciências Agrárias. 1978. ele apresenta interações com a TAL e a produtividade.

v. A eficiência de conversão de produtos sintetizados (matéria seca total ou produtividade biológica) em material de importância econômica (produto comercializado ou produtividade econômica) é determinada pelo genótipo e pelo ambiente. O objetivo é obter variedades com alto IC em alta densidade populacional. segundo a classificação de Köppen. Verifica-se a tendência sigmoidal para as curvas obtidas dos cultivares avaliados (Figura 5). Pereira & Machado (1987) encontraram correlação positiva entre a produtividade econômica e a DAF na cultura do feijoeiro.Sendo a fotossíntese o processo responsável pelo fornecimento da energia para o crescimento e desenvolvimento das plantas. As culturas apresentam IC diferenciados. conforme o cultivar. A duração da área foliar pode ser expressa da seguinte forma: DAF = ½ (L1 + L2) (T2 .23 0. como por exemplo.50 m entrelinhas. 1. sendo que cada unidade experimental foi composta de oito linhas de plantio com 5. Portanto.6). Tabela 1. Produto comercializado (PE) Sacarose Todos os açúcares Bagaço Vinhaça + cinza Fonte: Lucchesi (1985). Diferentes produtos comercializados e índices de colheitas na cana-deaçúcar. raiz. UFRB. Aw a Am. são apresentados dados de nove cultivares de soja recomendados para a Região Oeste da Bahia e que foram avaliados nas condições agroecológicas do município de Cruz das Almas-BA. mas. Nota-se que o cultivar Conquista. com temperatura média anual de 24. O experimento foi conduzido no campo experimental da Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia. mesmo apresentando menor IAF ótimo (2.T1) e a sua unidade em dm2 dia-1. Pereira & Machado (1987). Peixoto (1998) e Brandelero et al. quanto mais rápido a cultura atingir o máximo do IAF e quanto mais tempo a área foliar permanecer ativa. o IC define-se como a razão entre a massa da matéria seca da fração econômica produzida (grão. Essas projeções das curvas são características de culturas anuais a exemplo das encontradas por Pedro Júnior et al.50 m de bordadura nas extremidades. (2002). demonstrando que a eficiência fotossintética não fica restrita apenas à superfície foliar. A densidade de plantio foi de 15 plantas por metro linear. tendo 220 m de altitude. a sua carga genética.5).3g). Índice de colheita (IC) Pereira & Machado (1987) fazem referência ao índice de colheita como um quociente freqüentemente usado para medir a eficiência de conversão de produtos sintetizados (PB) em material de importância econômica (PE). Duas linhas foram utilizadas para o estudo da análise de crescimento (amostras destrutivas).00 Apresentação de dados Como exemplo da utilização prática da análise de crescimento. próximo ao daquele (8.224 mm/ano.2g). em relação ao cultivar Liderança (3. maior será a produtividade biológica da cultura. 50 Tópicos em Ciências Agrárias.0 m de comprimento e 0.5ºC e precipitação pluviométrica de 1. A cana-de-açúcar é um bom exemplo (Tabela 1). O clima é tropical quente úmido. com nove cultivares (tratamentos) e quatro repetições. obteve o valor de matéria seca total da planta (8.20 0. dependendo do seu uso. também a outros fatores intrínsecos de cada cultivar. (1985).63 1. que foram ajustados no tempo pela função polinomial exponencial. O delineamento foi em blocos casualizados. parece lógico supor-se que. 2009 . Observa-se o incremento da matéria seca (Figura 5) e a variação da superfície foliar (Figura 6). Índice de colheita (IC) 0. fruto) e a fitomassa seca total colhida: IC = MSFEP / FSTC ou IC = PE/PB. Em relação a uma cultura madura. situado a 12o40'19" de Latitude Sul e 39o06'22" de Longitude Oeste de Greenwich. localizado nesse município. semelhantes aos relatados por Gazzoni (1974) e Peixoto (1998). descontando-se 0. a DAF nada mais é que a integral do IAF contra o tempo. sendo que estes apresentaram tendência parabólica para todas as curvas. Na Figura 6 encontra-se o desempenho dos cultivares de soja quanto ao índice de área foliar.

Variação do índice de área foliar (IAF) dias após a emergência (DAE) dos cultivares de soja introduzidos nas condições agroecológicas de Cruz das Almas . 4 Conquista 3 2 1 0 0 4 IA F (dm dm ) 3 2 1 0 0 4 Tucano 3 2 1 0 0 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 4 Curió 3 2 1 0 0 4 3 2 1 0 0 4 Uirapuru 3 2 1 0 0 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 4 3 2 1 0 0 4 3 2 1 0 0 4 Celeste 15 30 45 60 75 90 105 Liderança Paiaguás Parecis 2 -2 15 30 45 60 75 90 105 Rio vermelho 3 2 1 0 0 15 30 45 60 75 90 105 Figura 6. UFRB. v. 1.Média 18 15 12 9 6 3 0 0 MATÉRIA SECA (gplanta ) Ajuste 18 15 12 9 6 3 0 Celeste Conquista 18 15 12 9 6 3 0 Curió 15 30 45 60 75 90 105 18 0 15 30 45 60 75 90 105 18 15 12 9 6 3 0 0 15 30 45 60 75 90 105 -1 18 15 12 9 6 3 0 0 18 15 12 9 6 3 0 0 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 Liderança Paiaguás Parecis 15 12 9 6 3 0 0 18 15 30 45 60 75 90 105 0 18 15 12 9 6 3 0 15 30 45 60 75 90 105 Tucano Uirapuru Rio vermelho 15 12 9 6 3 0 0 15 30 45 60 DAE 75 90 105 0 15 30 45 60 75 90 105 Figura 5.BA. 2009 51 . Tópicos em Ciências Agrárias.BA. 2000. 2000. Variação da massa da matéria seca dias após a emergência (DAE) dos cultivares de soja introduzidos nas condições agroecológicas de Cruz das Almas .

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CAPÍTULO 5 FISIOLOGIA DA FLORAÇÃO DO ABACAXIZEIRO Getúlio Augusto Pinto da Cunha Tópicos em Ciências Agrárias .

naturais e sintéticos. Trata-se de uma planta que requer tratos culturais cuidadosos e freqüentes e apresenta alguns aspectos morfológicos e fisiológicos. um evento marcante na vida dessas plantas. da família Bromeliaceae. passa por transformações. permanentemente. via de conseqüência. porque o florescimento é o primeiro passo da reprodução sexual. herbácea e perene. uma folha na planta. Coppens & Leal) é uma planta tropical monocotiledônea. 1981. a exemplo do fotoperíodo. destaca-se o meristema apical. mas que. A passagem do estádio vegetativo para o de floração é de suma importância para as plantas. resultando na produção de frutos. Kinet et al. 1993). ora reprodutivas. apesar da baixa temperatura ser. comosus. 1993. em seguida. v. pelo menos.. No caso do abacaxizeiro. a temperatura por todas as partes da planta. Diversos estudos. que são favoráveis à produção de estruturas. um conjunto de sinais. preferencialmente. apreciado em todo o mundo onde é cultivado em mais de 60 países e à sua rentabilidade. 1993).embrapa. para que o estímulo florígeno possa ser captado e repassado para o ápice caulinar. têm sido realizados com várias espécies nas últimas décadas. originando a inflorescência e.FISIOLOGIA DA FLORAÇÃO DO ABACAXIZEIRO Getúlio Augusto Pinto da Cunha Pesquisador . 2001).Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. a floração natural é estimulada por mudanças sazonais regulares de condições climáticas. O objetivo desse trabalho é discorrer sobre o floração na cultura do abacaxi. O conhecimento desses sinais é da mais 57 Tópicos em Ciências Agrárias. ou seja. Kinet. o que sugere a transmissão de alguma mensagem da folha para o ápice. A questão central da fisiologia da iniciação floral consiste em entender-se quais fatores atuam na transformação do meristema caulinar em primórdio floral e de que modo eles exercem sua ação. Sabe-se que o meristema de uma planta recebe de outras partes da mesma. que dá origem às folhas durante o estádio vegetativo. provavelmente pelos seus efeitos na síntese e/ou atividade do etileno.. 1. hormônio vegetal endógeno e gasoso que regula o crescimento e desenvolvimento das plantas em geral. formando a coroa do fruto. sendo. que é a atividade fim ou objetivo maior da exploração econômica das fruteiras. UFRB. os primórdios florais. exercem sua ação. 2009 . a exemplo do semi-árido. que tem também atuação determinante na fisiologia da floração. NOÇÕES DE FISIOLOGIA DA DIFERENCIAÇÃO FLORAL A floração é um processo unitário e integrado. temperatura e disponibilidade hídrica. ora vegetativas. de natureza bastante complexa e controle multifatorial. que tem sido estudado extensivamente. visando ao entendimento de como essa transição é controlada. E-mail: getulio@cnpmf..br INTRODUÇÃO O abacaxizeiro (Ananas comosus var. cujo conhecimento facilita o seu manejo e o entendimento dos mecanismos de seu florescimento. Tais mudanças são captadas por diferentes órgãos da planta: o fotoperíodo pelas folhas maduras. em escala comercial. O abacaxizeiro foi a primeira planta a ter sua floração controlada artificialmente. e a disponibilidade hídrica pelas raízes (Bernier et al. portanto. porque devem completar sua reprodução sexual sob condições externas favoráveis (Bernier et al. que sempre se destacou na fruticultura tropical. abrangendo da ecofisiologia à biofísica (Bernier et al. A maioria das plantas reage a sinais ambientais para regular a transição para o florescimento. para melhor entendimento dos seus mecanismos e. as alterações morfológicas que vão ocasionar a transição para a formação da flor ocorrem no ápice caulinar (Castro & Vieira. Graças às características de seu fruto. retoma sua atividade vegetativa. produzidos por meristemas modificados de ramos. pelo ápice caulinar. de intensidade variável. Cruz das Almas-BA. Muitos reguladores de crescimento. constituindo-se no estímulo floral ou florígeno. 1993).. Apesar do fotoperíodo ser captado pelas folhas. posteriormente. Dentre esses. apresenta grande demanda e importância econômica. também. do manejo da cultura. haja vista que todos os indivíduos de uma espécie têm de florescer de modo sincronizado para o sucesso do cruzamento e. No Brasil. é a quinta fruta tropical mais cultivada e representa uma ótima opção de cultivo em regiões não tradicionais. As flores nada mais são do que ramos ou folhas modificados. Em geral. é necessário que exista. A iniciação floral delimita a transição entre o crescimento vegetativo e o estádio reprodutivo das plantas produtoras de sementes. principalmente sobre o envolvimento de algumas substâncias químicas que apresentam atividade reguladora do crescimento vegetativo da planta. gerando uma grande quantidade de informações.

Algumas evidências demonstram que o florescimento no meristema pode consistir de diversas etapas que. foi bastante estudada. invariavelmente. o modelo de controle multifatorial. 1. também. o “antiflorígeno”. a depender das condições ambientais e do manejo da cultura. podem ser ativadas individualmente. apesar de Bernier et al. em geral reguladores de crescimento vegetal. Foi levantada. que atuaria de modo antagônico ao “florígeno”. mas. proposto por Bernier et al. é necessário que alguns eventos ocorram no ápice caulinar. raízes. Uma vez consumada a transformação do meristema caulinar em primórdio floral. Isso porque o abacaxizeiro responde muito bem à aplicação de substâncias químicas que têm a capacidade de influenciar seus processos fisiológicos. 1993). ápice caulinar e outros locais. que varia de 12 a 30 meses até que seja produzido o primeiro fruto. 1966). 1981). de modo irreversível. abrangendo o desenvolvimento (ceva) e colheita das mudas. citando-se. ainda sem provas definitivas. b) fase reprodutiva (envolvendo a floração e frutificação) . mas prolonga-se após a colheita do fruto. relacionados com a diferenciação floral. Dessas fases.. em grande parte. A suscetibilidade do abacaxizeiro à floração natural ou à indução artificial é determinada. Em ambos os casos. Na primeira fase. sendo esse o primeiro passo para a formação das flores. efeito do frio). postular a presença de um hipotético hormônio do florescimento. abrangendo aspectos fisiológicos. quer seja natural ou artificialmente desencadeada. No caso de plantas que florescem sob o efeito da vernalização. por sua vez. Reinhardt & Cunha. assim. comprometendo-o. Qualquer explicação sobre o mecanismo de controle fotoperiódico do florescimento deve contar com a presença tanto de promotores quanto de inibidores. tipo e peso da muda e época de plantio (Gowing.vai da diferenciação floral à colheita do fruto. muitas questões ainda precisam ser respondidas. responsável direto pela diferenciação floral. a hipótese do desvio de nutrientes e sinais elétricos. para uma exploração mais racional das culturas. denominado de “evocação” (Kinet et al. dominam os dois primeiros. genéticos (relacionados à sensibilidade das plantas aos fatores climáticos) e ambientais. denominado de “florígeno”. a que apresenta menor elasticidade é a reprodutiva. a nutrição mineral.tem início ainda na fase reprodutiva. foi associado outro produto. 2009 . UFRB. que incluem o conceito do “florígeno/antiflorígeno”. o florescimento das plantas e. ou distribuí-la em todos os meses do ano. com a iniciação do primórdio floral. baseadas em várias pesquisas realizadas ao longo de décadas. por meio de substâncias químicas. este último torna-se. por meios artificiais. na floração são observadas duas fases: a iniciação floral e o desenvolvimento floral. sendo necessário que as folhas captem os estímulos fotoperiódicos e que o meristema apical esteja o mais sensível possível à vernalização. este último considerado como fator indutor (Burg & Burg. o que está de acordo com o modelo de controle da “evocação”. Estudos envolvendo enxertia em plantas sensíveis ao fotoperíodo serviram de base para Chailachjan. A cultura do abacaxi é explorada comercialmente em razão de poder-se controlar e uniformizar. e podem ser sintetizados nas folhas. a exemplo do ácido indolacético (AIA) e do etileno. principalmente. os fatores não são os mesmos para as diferentes espécies. ou artificialmente. Vários são os fatores que influem no ciclo da cultura. Cunha et al. o processo não tem continuidade. O florescimento do abacaxizeiro pode ocorrer naturalmente. concentrar a colheita em épocas oportunas. além dos climáticos.alta importância.abrange o período do plantio à diferenciação floral. v. a possibilidade de existência de um inibidor floral. FLORESCIMENTO DO ABACAXIZEIRO A diferenciação floral do abacaxizeiro possui outra particularidade: a de poder ser desencadeada artificialmente. fundamental e prática. Daí porque o crescimento vegetativo e o desenvolvimento reprodutivo nas plantas são considerados eventos mutuamente exclusivos. O processo de florescimento do abacaxizeiro pode ser melhor entendido conhecendo-se seu ciclo cultural. Se apenas um fator estiver ausente. cujos aspectos apresentam muitos pontos comuns com a floração natural. (1981). 1961. pela idade ou tamanho da planta. Os principais fatores ambientais responsáveis pela indução floral são o fotoperíodo (comprimento do dia ou horas de luz) e temperatura (vernalização. Em geral. Dentre as teorias de controle interno da “evocação”. a “vernalina”. De acordo com esses autores. c) fase propagativa . A planta precisa também atingir a maturidade suficiente para ser induzida à floração. (1993) terem apresentado resultados que apoiam o controle multifatorial. relacionado a fatores climáticos. porém. mas todos estão presentes sob condições indutivas. há o envolvimento de fatores internos ou hormônios produzidos pela própria planta. Algumas teorias foram formuladas para explicar a floração. os quais serão abordados a seguir. citado por Min (1995). A produção de etileno ocorre por meio de uma ação sequencial das enzimas ACCsintase e ACCoxidase cujo esquema encontra-se no item “Substâncias usadas e modo de atuação”. do ponto de vista agroeconômico. incapaz de retomar o crescimento vegetativo. cuja relação com o “florígeno” e a floração. Esse ciclo pode ser dividido em três etapas: a) fase vegetativa . com o uso de produtos químicos. 58 Tópicos em Ciências Agrárias. 1982a..

Os prejuízos tornam-se maiores se a floração ocorre precocemente. que diminui à medida que o fotoperíodo aumenta de oito para 16 horas/dia. A primeira evidência de mudança morfológica nesse meristema é a expansão do diâmetro do seu disco. 1948). onde essas são exploradas. também. haja vista que. via de regra. As flores do abacaxizeiro são formadas pelo mesmo meristema que origina as folhas. possuindo três sépalas. entre o final do outono e o início do inverno. devido à cor azul púrpura de suas pétalas e brácteas. 1973). com intensidade cada vez maior. naturais e artificiais. tricarpelar e trilocular. da base para o ápice. refletir negativamente no rendimento da primeira e demais safras. tem-se observado que mesmo as plantas pequenas têm respondido aos estímulos florais. sérios prejuízos nas regiões produtoras de todo o mundo. A outra etapa acontece 15 dias antes da colheita. Barbosa. Tal fato pode ser observado cerca de uns quatro dias após a diferenciação floral. o metabolismo ácido das crassuláceas (CAM). Inflorescência do Abacaxizeiro . o florescimento envolve a transição da diferenciação das estruturas vegetativas para a formação de uma inflorescência no meristema apical do caule. Nas principais regiões produtoras do mundo. e que plantas submetidas à temperatura constante de 25oC apresentam alta taxa de florescimento. 2009 59 . Esse tipo de floração vem causando. a depender da região. 1986. 1993. um mínimo de diferença de temperatura dia/noite é necessário para provocar o florescimento natural do abacaxizeiro. acentuando-se sua incidência em áreas de altitude e latitude mais elevadas. ao desabrochamento das primeiras flores e início de crescimento da coroa. dois meses após a diferenciação e corresponde à parada de crescimento do pedúnculo. 1997. apresentando uma filotaxia 8/21. abaixo de 15oC. a floração natural varia de ano para ano. Rabie et al. período de temperaturas mínimas. 2000). O comprimento e a largura da folha aumentaram entre oito e 12 horas/dia. situado no ápice do caule. crescimento e desenvolvimento A inflorescência do abacaxizeiro é formada por um grupo de flores sésseis soldadas em torno de um eixo. Segundo esse autor. com a formação inicial do pedúnculo e da primeira flor ocorrendo quando o mesmo exibe seu diâmetro máximo. cerca de seis semanas após a diferenciação floral. ainda. 1948). que é o prolongamento do caule. a ocorrência de floração natural no Havaí entre dezembro e janeiro. podendo. desponta no centro da roseta foliar. Sendo função também das condições climáticas. 1954). a depender do seu tamanho. Apesar disso. sendo as maiores mais suscetíveis. trímeras. Essas flores não abrem ao mesmo tempo e a floração procede espiralmente. aproximadamente. ainda que possa ocorrer em outras estações. com um fluxo importante de açúcares para o fruto. no ano subseqüente ao do plantio. 1997). com três glândulas nectaríferas separando os lóculos. no qual passou a operar. notando-se. geralmente noturnas. dependendo de seu estado fisiológico/nutricional. UFRB. tornando-se cada vez mais proeminente sobre o pedúnculo. 1994. cada inflorescência pode conter mais de uma centena de flores individuais (Okimoto. dispostas em oito espirais. pois dificulta não apenas os tratos culturais e fitossanitários. diferenças na suscetibilidade das mudas e plantas à floração. Scott. v.. Friend & Lydon (1979) observaram que o crescimento vegetativo do abacaxizeiro 'Smooth Cayenne' aumentou nesse mesmo intervalo de fotoperíodo. a inflorescência avermelhada.A floração natural do abacaxizeiro é um fenômeno que apresenta uma série de inconvenientes. Esse fato tem sido comprovado tanto em plantações comerciais quanto experimentalmente.. A seca também estimula a diferenciação floral em áreas onde tanto o fotoperíodo quanto a temperatura variam pouco (regiões subtropicais). apenas acentuar o efeito dos dias curtos. Quando a planta atinge a maturidade no seu desenvolvimento.descrição botânica. não se associando consistentemente com um determinado fator climático. de acordo com as épocas e regiões produtoras. 1. por meio de um corte longitudinal do ápice caulinar (Py & Silvy.. nessa situação. três pétalas. FLORAÇÃO NATURAL DO ABACAXIZEIRO Fatores Envolvidos O desencadeamento da floração do abacaxizeiro depende do porte e estado fisiológico da planta e do comprimento do dia e temperatura (Bartholomew & Malézieux. Rebolledo-Martínez et al. A primeira ocorre. correspondendo à parada do desenvolvimento da coroa e murchamento do pedúnculo. com uma ou mais flores abrindo a cada dia (apenas nas primeiras horas da manhã) durante duas a quatro semanas (Okimoto. as plantas ainda não apresentam um desenvolvimento ou porte adequado para produzir um fruto com padrão comer-cial. De acordo com esses autores. têm sido relatadas taxas de ocorrência de floração natural variando de 20% a 80% (Reinhardt et al. Pode-se distinguir duas etapas importantes nos processos de crescimento e desenvolvimento da inflorescência do abacaxizeiro. ainda em crescimento (Teisson. ainda. Esses autores relataram. seis estames e um ovário ínfero. então. mas também a colheita e a comercialização do fruto. ou. por outro lado. A diferenciação natural do florescimento dá-se. ocorrendo o inverso Tópicos em Ciências Agrárias. as flores são hermafroditas.

desde que a planta tenha alcançado um tamanho adequado para tornar-se suscetível à indução floral. 1977). Bartholomew & Malézieux. 1948). nos meses de agosto e dezembro-janeiro (Bartholomew & Malézieux. uma taxa de crescimento vegetativo elevada pode inibir ou retardar o florescimento do abacaxizeiro. mas não obrigatória. assim. está. 1993). também. Contudo. mais exatamente. As exigências climáticas do abacaxizeiro são caracterizadas por sua grande sensibilidade às geadas e radiação solar muito intensa. 1948. como a redução na nutrição. Teisson. por reduzir sua sensibilidade aos estímulos florais (Evans. na temperatura. ainda. e baixa irradiância devido à nebulosidade (Gowing. 1977). quando a temperatura mínima média atingiu 14. Plantas que haviam formado a inflorescência apresentavam atividade da ACCoxidase nas folhas e no caule bem maior do que nas plantas em estádio vegetativo (Min. tem-se observado que mesmo as plantas pequenas apresentam capacidade de responder aos estímulos florais. 1989b). Reinhardt et al. considera-se o abacaxizeiro uma planta de dias curtos. necessário que a mesma atinja um porte adequado ou a maturidade ontogenética. Nas pesquisas desenvolvidas para determinar-se quais os fatores ambientais envolvidos na diferenciação floral natural do abacaxizeiro. bem como à baixa temperatura. supostamente. Parece que. 1995). sendo. 1983. que depende. Na prática. fatores climáticos e tratos culturais que afetam o crescimento vegetativo da planta (Friend & Lydon. Cunha et al. onde a mudança no comprimento do dia é muito pequena (cerca de 36 minutos apenas). do efeito cumulativo desses dias (Friend & Lydon. podem 60 Tópicos em Ciências Agrárias. (1998). A maturidade para a floração está sempre correlacionada com a capacidade da planta em converter o ácido 1aminociclopropano-1-carboxílico (ACC) exógeno em etileno. Segundo esses autores. as temperaturas abaixo de 17-15 oC promovem a floração natural (Bartholomew & Malézieux. em grande parte. 1959). Baseado no fato de que o florescimento do abacaxizeiro pode ser induzido artificialmente pela aplicação de várias substâncias químicas que estimulam a produção e/ou atividade do etileno. assim.5 o C. o estímulo à floração natural ocorre. Bartholomew & Kadzimin. principalmente a noturna. (1998) observaram que o teor de ACC (precursor imediato do etileno) aumentou cerca de 40% no inverno. tanto naturais quanto artificiais (Cunha. os fatores ambientais que a promovem são aqueles que tendem a retardar a taxa de crescimento vegetativo. (1998) observaram 100% de floração natural em abacaxizeiros mantidos a 20 oC por dez a 12 semanas. 1. 1961. Sanewski et al. Reinhardt et al. a produção de etileno pela folha também foi maior. mais lenta é a sua resposta aos fatores (naturais e artificiais) que promovem a floração. 1975.com a espessura. relacionada ao processo. nessa planta. Bartholomew & Kadzimin. para responder aos estímulos ambientais (Lacoeuilhe. 1986). em geral. de que a baixa temperatura noturna aumenta o nível de auxina livre na planta. 1972. do que onde o crescimento é atrasado por falta de nutrientes e água e por temperatura baixa (Bartholomew & Malézieux. sofre os efeitos da taxa de desenvolvimento da planta. em resposta à redução nas horas de irradiância (Bartholomew & Kadzimin. e às baixas temperaturas observadas. 1979. 1977).. qual o efeito direto da baixa temperatura na floração natural. 2009 . Sanewski et al. Esses autores concluíram que a floração na cultura do abacaxi é controlada pelo fotoperíodo. no comprimento do dia e na radiação solar (Bartholomew & Kadzimin. por favorecerem o crescimento vegetativo das plantas. pensa-se que esta e o encurtamento dos dias aumentam a produção de etileno no meristema apical e na parte basal aclorofilada da folha. Assim. o efeito direto da baixa temperatura ainda não está bem esclarecido. 1977). chegou-se ao consenso de que a mesma está relacionada. com pouca ou nenhuma va-riação estacional de temperatura. ao encurtamento do dia. E. v. A exemplo do que acontece com outras culturas. Apesar de não haver exigência de frio. que envolve ainda. Existem evidências. o que estimula o florescimento. 1968. porém. no suprimento de água. 1979. além disso. 1986). Alguns autores são unânimes em afirmar que o período do plantio à colheita de um fruto de um determinado padrão é função do tipo e peso ou tamanho da muda (Teisson. Mas. 1994). 1994). O florescimento natural do abacaxizeiro. situada a 4o N. não sendo influenciada diretamente pelo peso seco da planta nem pelo metabolismo CAM. quantitativamente. conforme foi observado por Mekers & De Proft (1983) em bromeliáceas ornamentais. a exigência de dias curtos (Van Overbeek & Cruzado.. Mekers & De Proft. outros são de opinião que. mesmo não se sabendo. 1994). Min & Bartholomew (1997) observaram que a produção do etileno e a atividade da enzima formadora de etileno (ACCoxidase) no caule e em tecidos da folha de plantas de abacaxi cultivadas a 30/30 oC (dia/noite) foram menores do que as das plantas cultivadas a 30/20 oC. 1994). causando o florescimento e reduzindo. a adubação nitrogenada e a irrigação. também. Nesse caso. Na Costa do Marfim. hipoteticamente pode-se dizer que a floração natural é desencadeada pelo etileno produzido endogenamente ou por mudanças na suscetibilidade e sensibilidade da planta ao mesmo ou ambos (Min & Bartholomew. Assim. UFRB. Py. nem todas as variedades respondem igualmente aos estímulos florais.. de acordo com Sanewski et al. sendo umas mais e outras menos sensíveis (Van Overbeek & Cruzado. a idade da planta no período favorável à indução floral. 1993). o equilíbrio entre os estádios de vegetação e reprodução (floração) tende para o primeiro. a época de plantio ou. 1972. Esse tamanho mínimo é alcançado em períodos mais curtos sob condições favoráveis. Quanto mais jovem é a planta. além de ser influenciado por fatores climáticos.

1984). e o filhote tem comportamento intermediário (Reyes. o florescimento natural é antecipado pelo aumento do tamanho da planta. ainda. estudando o efeito da irrigação no ciclo do abacaxizeiro 'Pérola'. a depender das condições climáticas esses índices podem alcançar 20% (Rebolledo-Martínez et al. também. Bartholomew & Malézieux (1994) indicaram que.4%). Reinhardt & Cunha (1982a). apesar de todas as pesquisas efetuadas. (2000). Diferenciação floral natural (%) em abacaxi 'Smooth Cayenne' relacionado a diferentes datas de plantio. 1997). Brazil (Fonte: Reinhardt. a depender da região. no México. observando-se. Com relação à irrigação. Giacomelli et al. 1. em outras estações. (1986) relataram que a floração natural ocorreu em diferentes épocas do ano e por períodos prolongados. maior uniformidade na colheita. as variações observadas em relação à floração são decorrentes das diferenças no teor de reservas nutricionais e no estado fisiológico dos vários tipos de mudas: o rebentão é mais precoce. tendo os rebentões de 700-800 g emitido as inflorescências bem mais cedo do que os de 300-400 g. 2009 61 . Entretanto. em seguida a um re-envazamento ou transporte. No Brasil. 1993). Esses aspectos levam à conclusão de que o florescimento natural do abacaxizeiro constitui. Cruz das Almas. quando lâminas crescentes de água contribuíram para antecipar a floração e a frutificação. tem sido observada. 1993). Tópicos em Ciências Agrárias. ainda. ainda. 1997). normalmente. em geral. em áreas onde os períodos de seca são prolongados. inversamente. enquanto que na Austrália. ocorrendo inesperadamente. Resultado semelhante foi observado por Almeida et al. registrando-se índices de até 80% (Barbosa. mesmo em plantações instaladas para se evitar sua ocorrência. 1996). Dados climáticos de 1980 a 1982.9%). entre 5% a 10%. atinge níveis de 50% a 70% (Scott. o florescimento precoce tem-se tornado bastante freqüente em todas as regiões produtoras. em alguns anos. 1983). um dos principais problemas não solucionados. com picos nos meses de março/abril (49. em todos os meses do ano. No Havaí. A diferenciação natural do florescimento na cultura do abacaxi ocorre. Quanto ao material de plantio. Entretanto. porém. onde tal problema é um dos mais importantes. 13 12 11 0 30 25 o c 20 15 0 200 h 150 100 0 200 mm 150 100 50 0 h Comprimento do dia Temperatura média Máxima Média Mínima Insolação Chuva J F M A M J J 1980 A S O N D J F M A M J J 1981 A S O N D J F M A M J J A 1982 S O N D 40 Diferenciação floral natural PLANTIOS Janeiro 80 Abril 80 Novembro 80 Julho 81 30 % 20 10 0 J F M A M J J 1980 A S O N D J F M A M J J 1981 A S O N D J F M A M J J A 1982 S O N D Figura 1. maio/junho (88. com tendência para concentração em meados do ano (Figura 1). passou a ser uma prática comum (Bartholomew.contribuir para inibir o florescimento (Py & Guyot. 1997). não observaram influência alguma da época da última adubação sobre a eficiência da indução artificial da floração. Condições ambientais favoráveis podem acelerar a taxa de crescimento dos rebentões ainda na planta-mãe. quando as condições ambientais estão mudando (de baixa para alta insolação) ou após um estresse de frio ou.. os índices são bastante variáveis. a floração torna-se imprevisível e irregular (Mekers & De Proft. a tal ponto que a incidência de floração natural precoce na safra seguinte pode atingir índices de 50%-70 % (Scott. entre o final do outono e o início do inverno no ano seguinte ao do plantio. a indução natural tem-se tornado um problema ocasional desde quando a produção de frutos.9%) e novembro/dezembro (77. encurtando o ciclo da cultura em 22 dias. Bahia. permitindo. 1970). No Recôncavo Baiano. a coroa mais tardia. UFRB. (1984) observaram que a massa da muda influiu decisivamente no ciclo da planta. Reinhardt et al. Com relação à ocorrência da floração natural nas diversas regiões produtoras. v. na medida em que a taxa de crescimento das plantas aumenta em resposta ao suprimento de água.

(2000). conforme comentado anteriormente. Klee & Romano. inibidor da ACC sintase (envolvida na formação do etileno). talvez por atuar competitivamente. obtido do meristema apical e ativado por condições ambientais. Wang (1987) relatou que o atraso na floração em maçã. Outro produto que teve algum efeito inibidor da floração foi a tiouréia. dessa forma inibindo a floração natural.2% para 28. relataram que a floração precoce foi inibida em 76% e 82% em plantios de abacaxi 'Smooth Cayenne' com 33 e 46 mil plantas ha -1. sob a forma do ácido 2-cloroetilfosfônico. a fim de tornar as plantas menos sensíveis aos fatores naturais. provavelmente. A floração natural tem causado muitos problemas à abacaxicultura na Martinica. a prevenção do florescimento pode ser efetivada de diversos modos: a) interrupção do período noturno com luz. contra 57% na testemunha. Nesse sentido. sem terem atingido um porte suficiente para responder aos estímulos ambientais. pêra. (2000) estão produzindo abacaxizeiros transgênicos. se o mesmo estiver causando uma redução no benefício econômico. então. de 48. menos suscetíveis à indução natural. com o uso do ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico (50 mg L-1). já foi obtido. Segundo Rebolledo-Martínez et al. d) corte do suprimento hídrico. a fim de reduzir sua expressão e. O mesmo aconteceu quando aplicado poucas horas antes da indução artificial com o etephon (Sanford & Bartholomew. Scott (1993) conseguiu reduzir a ocorrência do florescimento precoce. o que tem sido conseguido com o uso da aminoetoxivinilglicina (AVG). vindo. em altas concentrações e várias aplicações. o monuron. Botella et al. e) aplicação de produtos químicos. O primeiro produto usado na prevenção da floração em culturas comerciais foi a hidrazida maleica em cana de açúcar (cujo florescimento reduz drasticamente o rendimento). com este último conseguiu-se 100% de inibição da floração. onde essa é passível de ocorrer.Controle da floração natural Nas culturas em geral. inibiu o florescimento do abacaxizeiro (Millar-Watt. Em muitas culturas hortícolas. retardá-lo. os resultados não foram totalmente satisfatórios.. que induz a floração natural. 1983). na menor densidade. O objetivo desse trabalho é obter plantas que não produzam etileno induzidas por um choque térmico (frio). Estudos preliminares realizados por Cunha (1989b) mostraram a viabilidade do uso de reguladores vegetais na inibição do florescimento do abacaxizeiro. aplicado três vezes com intervalos de 30 dias. a floração natural precoce pode ser controlada ou ter seus efeitos minimizados adotando-se as seguintes medidas: a) plantar mudas que atinjam um porte adequado à floração antes ou no início da época favorável à diferenciação natural. tendo o ANA (400 mg L-1) proporcionado o melhor resultado. Na opinião de Bartholomew (1996). 1981). posteriormente. O etileno. UFRB. Lanahan et al. ao menor ritmo de crescimento das plantas.5%. mas apresentou fitotoxidade.. 1994. respectivamente. pode-se minimizar o florescimento natural dando-se às plantas as melhores condições possíveis de crescimento e plantando-se apenas mudas pequenas e. usando o mesmo ácido (100 mg L-1). com o objetivo de evitar o florescimento natural. c) poda de folhas e ramos. 1994. dificultando a colheita e prejudicando a segunda safra. com intervalos de 15 dias. Millar-Watt (1981) já tinha observado que o nitrato de prata a 1. 2009 . 1. c) efetuar um manejo adequado da cultura. A promoção do florescimento é praticada no abacaxizeiro e outras bromeliáceas. enzima relacionada ao etileno e ao florescimento. O ANA. e de 55. tem sido utilizado na cultura da cana de açúcar. O melhor resultado observado na maior densidade deveu-se. resultante da maior competição entre elas. portanto. amêndoa e algumas plantas floríferas.5% para 8. Rebolledo-Martínez et al. Outro meio importante é o uso de plantas menos sensíveis aos estímulos naturais da floração. assim. a floração foi de 95%. existem diferenças varietais quanto a essa sensibilidade. material contendo ACACS1 com orientação senso para inibir o gene da planta por mecanismos de supressão-senso. reduzindo o nível da auxina natural no meristema apical (Castro. na maior. nas pesquisas conduzidas visando solucionar tal problema. 1986). 1994). que carregam cópias senso e antisenso do gene da ACCsintase. 62 Tópicos em Ciências Agrárias. reduziu a floração natural para 27%. as plantas mais jovens são mais sensíveis à inibição da floração.000 mg L-1.2%. v. (1997). Trabalhos realizados com tomateiros transgênicos e mutantes demonstram essa possibilidade (Hamilton et al. ameixa e cereja é benéfico por evitar perdas devido às geadas ocasionais de primavera.. nos tratamentos testemunhas. De acordo com esses autores. 1981 e Sampaio et al. suprimir a floração natural precoce. e de 82%. (2002) clonaram um gene ACCsintase de abacaxi (ACACS1). a exemplo do pêssego. existe a possibilidade de se induzir o florescimento ou de inibí-lo ou. d) ou. pois. com o paclobutrazol (160 mg L-1). enquanto que a inibição ou atraso da iniciação floral é realizada em muitas outras culturas. 1990. Yuri et al. o diuron e o diquat. o alto custo do único produto que apresentou algum efeito inibidor (o nitrato de prata) e o número de aplicações (até sete) tornam inviável seu uso prático na atualidade. No caso do abacaxizeiro. b) usar mudas que ultrapassem a época de indução natural. apenas 5% a 13% de floração (induzida com carbureto de cálcio). o mesmo tendo sido observado em Aechmea victoriana (Mekers & De Proft. em três aplicações. Bowler & Chua. b) aumento de temperatura. então. 1998). realizar o tratamento de indução artificial para antecipar-se aos estímulos dos fatores climáticos. na dose de dois litros do produto comercial por hectare.

como uma auxina. favorecendo a produção de etileno pelo caule da planta. de modo consistente. com redução de seu custo. sugerindo a inibição da conversão do ACC a etileno. 1970. Scott (1993) atribuiu a inibição da floração do abacaxizeiro 'Smooth Cayenne' à redução da massa vegetal da planta. pelo menos em parte. quando aplicado em junho. (1989) observaram uma redução de 70% na produção de etileno em cevada e Brassica napus.. com índices variando. Bondad. possivelmente. o autor observou um aumento da produção de etileno. A indução artificial do florescimento do abacaxizeiro apresenta as seguintes vantagens: a) maior eficiência no emprego dos fatores de produção. é devido à interrupção na síntese de giberelina. Tanto o ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico quanto o paclobutrazol. 1. O tratamento artificial da floração apresenta vantagens tecnológicas e econômico-sociais. devido. v. Isso porque. (1997) relataram que a adubação nitrogenada complementar. do grupo dos triazoles. de 90. enquanto a uréia e o cloreto de mepiquat não tiveram efeito inibidor.Existem evidências de que o papel do paclobutrazol. quando aplicadas em altas concentrações. 1973. FLORAÇÃO ARTIFICIAL DO ABACAXIZEIRO Histórico e Vantagens A indução floral do abacaxizeiro com substâncias químicas. os produtos uniconazole. O ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico demonstrou potencial de inibição. produção e crescimento de frutos. ainda não é conhecido. 2009 . Cooke & Randall. (2000) afirmam que produtos à base do ácido 2(3-clorofenoxi) propiônico podem inibir. c) fornecimento regular e constante de frutos para a indústria e mercado “in natura”. sem apresentar efeitos adversos na planta. 1975. resulta no fim do crescimento vegetativo. a parte mais ativa é a que se deposita na gema apical ou nos tecidos tenros situados logo abaixo da gema. além de atrasar o crescimento das plantas. a não ser uma pequena redução no crescimento do rebentão. Isso porque o abacaxizeiro responde muito bem a esse tipo de prática. Grossman et al.9% a 78. sendo os dois primeiros mais eficientes. florescimento e frutificação do abacaxizeiro. o florescimento natural. 1983). inibindo. Quando pulverizado sobre as folhas. cuja translocação ocorre através do xilema (Lever. com sucesso. mais do que a uma interferência direta do ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico no processo de diferenciação floral. respectivamente. Esses autores obtiveram inibições do florescimento de até 91%. haja vista que os referidos produtos reduziram o comprimento da folha “D”.). na concentração de 100 mg L-1. Estudando os efeitos do meio ambiente sobre o crescimento. podendo ser um dos fatores responsáveis pelo atraso na floração. 2002). Guyot & Py. como inibidoras da floração. Min (1995) é de opinião que o modo de atuação das auxinas. ao fato do mesmo atuar. 1968.9% a 94. em concentrações variando de 90 a 240 mg L-1. paclobutrazol e o ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico inibiram. à redução do crescimento vegetativo da planta. quando tratadas com inibidores de crescimento. permitindo maior eficiência no uso dos fatores de produção inerentes à cultura. Taniguchi (1999) observou que o tebuconazole e o propaconazole. Onaha et al.4% e de 67. um a dois meses após o tratamento. após cinco horas. provocando o desenvolvimento reprodutivo e a floração. com ação fungicida e eficientes no controle da Chalara paradoxa. analisando os teores de etileno. contraditoriamente. a inibição do crescimento vegetativo constituiu um efeito colateral de conseqüências ainda desconhecidas. não afetou a floração natural do abacaxizeiro. sob condições controladas de cultivo (plantas em vasos). Cunha et al. até 82. De acordo com esses autores. porém. (1998) observaram que o paclobutrazol foi o único produto a mostrar efeito significativo. com reflexos na produtividade de árvores frutíferas. 63 Tópicos em Ciências Agrárias. Bartholomew & Min (1996) observaram que o paclobutrazol e o uniconazole atrasaram ou inibiram o florescimento e inibiram a produção de etileno pelo tecido basal aclorofilado da folha. UFRB. Essa diminuição foi acompanhada pelo aumento ou pela manutenção de níveis constantes de ACC e MACC. mas provocou algumas anomalias morfológicas nas plantas (torção da roseta foliar e formação de raízes adventícias nas folhas. precursor imediato do etileno) e do ácido 1-(malonilamino) ciclopropano-1-carboxílico (MACC) em tecidos de plantas tratadas com o ácido 2(3-clorofenoxi) propiônico. reguladores de crescimento ou fitorreguladores. formação de gemas. contribui para o desenvolvimento reprodutivo. 2001. Rabie et al. O paclobutrazol. por inibir a oxidação do kaurene a ácido kaurenóico. há bastante tempo vem sendo amplamente usada. Min (1995) relacionou o efeito do ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico como inibidor da floração do abacaxizeiro. 1986. Barbosa et al.. inclusive uso racional da terra. do ácido 1-aminociclopropano-1-carboxílico (ACC. Sampaio et al. Esses produtos são ativos em baixa concentração e não são fitotóxicos. inibiram de modo significativo a floração natural do abacaxizeiro 'Pérola'. o florescimento de abacaxizeiros dos grupos 'Smooth Cayenne' e 'Queen'. a partir dos feixes vasculares). o que é descrito por diversos autores (Dass et al. inibiram a floração natural do abacaxizeiro.. via uréia foliar. reduzindo o crescimento vegetativo e o alongamento do caule em várias plantas.8% da floração em plantas de abacaxi 'Pérola'. b) uniformização da frutificação e concentração da colheita. concluindo que o mecanismo pelo qual o ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico inibe o florescimento precisa ser mais pesquisado.5% (Cunha. A queda na taxa de giberelina no meristema sub-apical.

2) pelo estímulo ou inibição da biossíntese do mesmo nos referidos tecidos. Como em relação a outros hormônios. o modo de atuação do etileno nesses processos e na floração natural do abacaxizeiro e de outras bromeliáceas ainda não está plenamente conhecido. o carbureto de cálcio (CaC2). inicia uma série de reações. UFRB.. Soler. Acredita-se que os reguladores vegetais atuam promovendo o aumento do teor de etileno no interior da planta. o etileno tem de ser biossintetizado pela planta ou ser suprido exogenamente (Yang. 2. Segundo Botella et al. talvez por ser mais barato e de fácil manejo. vários reguladores vegetais foram identificados como eficientes no desencadeamento do florescimento do abacaxizeiro. haja vista o período relativamente dilatado. Substâncias usadas e modos de atuação Após muitos anos de pesquisa. apenas alguns poucos são usados. g) melhor distribuição de mão de obra e facilidade na administração da propriedade. demonstrou-se que as auxinas também podiam causar o florescimento do abacaxizeiro.4-D). 1970. Desses. f) aumento do rendimento da cultura. o etileno é responsável pela floração natural do abacaxizeiro devido a que as baixas temperaturas estimulam sua biossíntese. Desde então. acetileno. Randhawa et al. Outros processos fisiológicos podem ser também influenciados pelo emprego de reguladores de crescimento. apesar de provocar muitas respostas fisiológicas nas plantas. 3) modificando-se a ligação ou a quantidade do receptor com o qual ele interage. Antecipar e uniformizar o florescimento do abacaxizeiro sempre foi um desafio para reduzir o custo de produção dessa cultura. incluindo modificações na expressão de genes. que a planta requer para iniciar a diferenciação floral e sua desuniformidade na plantação. com oito meses de idade. assim. e 4) manipulando-se a expressão do gene dependente dele. Todos eles reduzem drasticamente o rendimento e a rentabilidade da cultura. 2-cloroetilfosfônico (etephon) e. pensa-se que o etileno liga-se a uma molécula receptora. Nos anos 40. principalmente como estimulador do processo de maturação dos frutos. devido à maior atividade celular nessa área. o que torna o ápice caulinar mais sensível aos efeitos da auxina endógena. chegando-se à descoberta de diversas outras substâncias com essa capacidade de indução floral. indolbutírico (AIB). a exemplo do etileno. nos Açores. Entretanto. os mais comuns e que podem ser usados comercialmente são os ácidos alfanaftaleno acético (ANA). carbureto de cálcio e etephon. os gases etileno (C2H4) e acetileno (C2H2). 1975. 1993). 64 Tópicos em Ciências Agrárias. 1993). conforme sugerido por Py & Guyot (1970). Entretanto. ocasionando. 1985). por sua vez. Burg & Burg (1966) não observaram etileno em abacaxizeiros cultivados em vasos. que é o fator primário que limita a produção do ACC (Min & Bartholomew. uma ampla variedade de respostas fisiológicas. as respostas das plantas ao etileno podem ser modificadas. admite-se que a floração do abacaxizeiro está muito relacionada a essa substância. pelo maior número de frutos colhidos. alongamento do pedúnculo. tendo sido uma descoberta casual. 1994). 1932). então. Cooke & Randall (1968) recomendaram o etephon como agente da floração na cultura do abacaxi. 2009 . danos e deformações nos frutos (muito arredondados ou cônicos). betanaftaleno acético (BNA). ainda. apenas na década de 1920 descobriu-se que o agente da fumaça que provocava o florescimento era o gás etileno (C2H4). regulada pela enzima ACC sintase. alguns problemas podem ocorrer em função da má aplicação dos indutores florais: frutos pequenos com coroas grandes. a hidroxietilhidrazina (HOH) e a betahidroxietilhidrazina (BOH). fazendo a floração coincidir com períodos de menor potencial de inóculo. formando um complexo ativado que. Ainda segundo Yang (1987). e) controle do peso e tamanho do fruto.sem afetar a qualidade dos mesmos e em épocas mais favoráveis comercialmente.. ao indicarem que a chuva e a temperatura alta podem exercer uma ação negativa sobre o referido produto. a usar o ácido alfanaftaleno acético.4diclorofenóxiacético (2. No Brasil. redução do número de mudas por planta. o mais comum é o carbureto de cálcio (precursor do acetileno). v. pela atividade da enzima formadora de etileno ACCoxidase (Kende. passando-se. succínico. Com base nessas descobertas e no reconhecimento do etileno como um importante regulador de crescimento das plantas. 1987). Porém. (2000). Entretanto. a produção de etileno é controlada pela concentração do ácido 1-aminociclopropano-1carboxílico (ACC). 1. controlando-se ou regulando-se o nível desse produto nos tecidos pela: 1) adição ou remoção.. h) possibilidade de exploração de uma segunda safra ou soca (Cunha et al. de mais de 15 meses. passou-se a usar o etileno diretamente na indução floral do abacaxizeiro. apesar de sua eficiência poder ser modificada por alguns fatores externos. onde a absorção dos produtos é mais rápida. A fumaça foi a primeira substância usada na indução artificial da floração na cultura do abacaxi. muitos trabalhos têm sido realizados. a partir da década de 1970. Antes de poder exercer sua ação. e pela ACCsintase. d) facilidade no controle fitossanitário de determinadas pragas e doenças. mas. o que deve ter ocorrido por volta do século XIX (1885). Bioquimicamente. tombamento de frutos. de acordo com as exigências do mercado consumidor. fazendo com que a colheita prolongue-se por até dez a 12 meses. mais precisamente na zona meristemática (Burg & Burg. A partir da década de 30. o etephon (precursor do etileno) teve seu uso bastante difundido. um hidrocarboneto insaturado (Rodrigues. tais como auxinas e compostos similares (Dass et al. 1966). bem como o acetileno.

que se transformou em inflorescência. Ao atingir os tecidos internos da planta. O AIA. Ahmed & Bora (1987) relataram que a floração do abacaxizeiro ocorreu em resposta ao aumento sequencial de metabólitos (açúcares. Gowing (1961) assumiu que o efeito de auxinas sintéticas baseia-se no deslocamento da auxina endógena (AIA) dos seus locais de atividade no meristema apical da planta. existe uma concentração ótima do AIA no meristema apical da planta. para que se proceda à indução do florescimento torna-se necessário apenas a aplicação de substâncias que alterem o nível do AIA nesse meristema. 2009 65 . O mesmo se observa Tópicos em Ciências Agrárias. 1. portanto. principalmente o ácido indolacético (AIA). (1993. temperatura. As reações de liberação do etileno pelo ethephon e do acetileno pelo carbureto de cálcio são as seguintes: 1.+ H3PO4 etileno + Ca(OH)2 .CH2 . 1. proteínas.000 a 2. porém de modo mais pronunciado em junho e decrescendo até janeiro. mas também a fatores internos (hormônios produzidos pela própria planta). carbureto acetileno O etileno torna os tecidos do ápice vegetativo mais sensíveis à auxina endógena. Turnbull et al. v. Dentre esses. o que pode ser causado pela aplicação de alguns fitorreguladores. pois ele é estável em solução aquosa com valores baixos de pH (ácido). o etephon (ácido 2-cloroetilfosfônico) decompõe-se. Dessa forma. o qual deve permanecer numa determinada faixa durante algum tempo. apesar de ativo. Vê-se. nem sempre a resposta à indução floral artificial causada pelo etephon é uniforme (Cunha 1989a). como se observa em regiões e períodos de alta temperatura. desde que o pH do meio esteja acima de quatro (faixa alcalina). ácido ascórbico. (c) ACCoxidase]. (b) ACCsintase.PO3H2 + OHethephon 2. pelo pH da solução indutora e pela superfície onde as gotas dessa solução são depositadas. que favorece ou provoca a floração. também. Ainda segundo Turnbull et al. independente da época de aplicação. irradiância). Segundo eles. Burg & Burg (1966) usaram o abacaxizeiro para esclarecer algumas contradições aparentes da interação “auxina-etileno” como indutores da floração.. No entanto. principalmente a noturna (Min. por determinar uma secagem rápida da solução na superfície das folhas. (1983) notaram aumentos no nível de etileno no ápice caulinar. a alta temperatura ambiente pode ser a causa de falhas parciais ou totais da indução com o etephon.CH2 . mudanças estruturais no ápice do caule. 1999). Das Biswas et al. CaC2 + 2H2O C 2H 2 CH2 = CH2 + Cl. que a floração do abacaxizeiro não está apenas relacionada a uma série de fatores externos (duração do dia. ácidos nucléicos) na gema apical. auxina endógena no abacaxizeiro. liberando etileno e íons clorato e fosfato.Os passos da biossíntese do etileno são os seguintes: + NH3 ATP PP ii+ P + NH3 5 CH3 – S – 4 CH2– 3CH2 – Metionina 2 CH –1-COO (a) CH3 – +S – CH 2 – Ch2 – CH – COO CH O 2 Ade - OH (b) H 2C C H 2C COO(c) + OH S-Adenosil metionina NH3 CH 2 = CH2 Etileno Ácido 1-aminociclopropano-1-carboxílico [Enzimas envolvidas: (a) AdoMetsintetase.000 mg L-1. principalmente quando aplicado no verão. em dias muito quentes. A absorção desse produto é bastante modificada pela temperatura e umidade relativa ambientais. com o uso de indutores da floração. cujas concentrações requeridas são elevadas. 1999).1995. na concentração e no tempo certos. citam-se as auxinas. Foram observadas. UFRB. Cl . é impedido de atuar in loco por inibidores fenólicos.

formando. e a radiação solar. Os rebentões são induzidos à floração mais facilmente que os filhotes e as coroas. encontrando-se essencialmente nesse estado em pH 9. que cessa de produzir primórdios foliares.0. a inflorescência (Kerns et al. Com essa prática haverá o acúmulo da solução nas axilas das folhas. na fase seguinte. o vento. permitindo. Atualmente. A maior taxa de liberação do etileno em solução aquosa ocorre na faixa de pH entre 5. podem ser citadas a fumaça. seu vigor e taxa de crescimento. estão sendo procuradas novas alternativas de produtos para o tratamento de indução artificial da floração do abacaxizeiro. causando a decomposição cinética do produto. López de Vélez & Cunha (1983) idealizaram uma curva hipotética de ação de coadjuvantes sobre a atuação do etephon. também. Tais obstáculos exercem um papel de grande relevância. 66 Tópicos em Ciências Agrárias. Diversos estudos têm demonstrado efeitos drásticos do pH da solução indutora. deve-se considerar a importância que as modificações na sua concentração e a intensidade dos fatores que influenciam sua decomposição exercem sobre a ação indutora desse produto. O primeiro sinal da transformação do meristema em primórdio floral é o aumento da atividade mitótica das células imediatamente abaixo da zona central ou parte mais apical (distal) do meristema vegetativo. na qual a fase inicial indica concentrações que não conseguem desencadear o processo de diferenciação floral (talvez por serem muito baixas). tendo sido demonstrado que aos quatro dias após a aplicação do produto já se pode observar o início da diferenciação. como ocorre no estádio vegetativo. que arrasta as gotículas antes de serem absorvidas pela planta. devido ao aumento efêmero da eficiência do etephon. umidade relativa) na absorção. Como exemplos. que interfere diretamente na interceptação do produto pela planta. na referida zona. porque o processo de absorção/diluição através da cutícula é bem mais importante que a penetração pelos ostíolos dos estômatos. Dependendo das condições ambientais. um maior tempo de contato do produto com a epiderme abaxial perto do ápice caulinar. a partir de 40-50 dias depois do tratamento de indução. Inicialmente. os fatores que influenciam a velocidade de decomposição do etephon adquirem grande importância. 1936). com aumento do diâmetro da área meristemática. notase o surgimento da inflorescência no centro da roseta foliar. celulósicas e cerosas e dos tricomas abundantes. assim. da cv. Entrando na corrente citoplasmática. a última fase é caracterizada por uma faixa de concentração em que a eficiência do referido produto quase não se altera com o uso de coadjuvantes (Figura 3). considerando-se a demanda por produtos oriundos de cultivo orgânico e de produção integrada de frutas. com perda do etileno. translocação e decomposição do etileno na planta (Turnbull et al. água gelada e gelo. arrancando-se uma das folhas centrais da roseta foliar e observando-se a sua base. local de aplicação e condições ambientais (temperatura. A velocidade de decomposição do etephon depende da fração que está na forma de dianion. a chuva. 1993). Do mesmo modo como acontece no florescimento natural. por meio de um corte longitudinal do ápice caulinar. que dilui ou arrasta a solução depositada sobre as folhas (Py & Guyot.. Nota-se. Pérola. na parte basal aclorofilada (Turnbull et al. tendo sido observada uma gradação na suscetibilidade à floração.quando a planta está em fase de crescimento ativo e rápido. a taxa de liberação quase duplicou com a elevação do valor do pH de 4. 1. defronta-se com fatores que dificultam sua absorção. 2009 . conforme comentado anteriormente. torna-se praticamente dispensável o uso de coadjuvantes.0. cheios com vapor d'água ou gases.0 e 7. a liberação do etephon aumenta linearmente até o pH 9.0 para 6. enquanto no tecido. v. 1966). daí porque esses autores consideram importante que a aplicação do indutor seja dirigida ao centro da roseta foliar. Levando-se em conta que a diferenciação floral do abacaxizeiro é uma resposta fisiológica à elevação do teor de etileno no meristema apical e que o etephon. um intumescimento do meristema apical. com as mudas maiores sendo mais sensíveis (Cunha. A resposta da planta ao uso de indutores florais é muito rápida. 1993). apesar de que em menor escala. é sinal de que a floração já foi desencadeada. UFRB.0. libera etileno (Burg & Burg. ao se decompor. a temperatura alta. 1970).0 (valor máximo testado). Esse fato foi comprovado num teste de indução precoce de mudas de diversos tamanhos (20 a 47 cm). dentre os quais destaca-se o pH do citoplasma. já que o produto é tido como relativamente estável na presença da luz. Lopez de Vélez & Cunha (1983) esquematizaram a influência desses diversos fatores (Figura 2). 1989b). que estão. a segunda fase corresponde à faixa onde é possível influenciar a ação indutora com a elevação do pH e adição de uréia à solução. o tipo de muda. então. Em solução. Tal fato pode ser confirmado. a resposta ao tratamento de indução artificial varia de acordo com o ambiente. A maior absorção do etileno pelo abacaxizeiro ocorre através da superfície inferior da folha. Quando o produto entra em contato com as folhas. Se estiver avermelhada. especialmente a barreira física das camadas cuticulares. citam-se aqueles que afetam a concentração do produto antes da sua absorção pela planta.. tais como o método de aplicação.. em geral.

0. enquanto que o ethephon. sendo que o carbureto de cálcio.0 g planta-1) em períodos chuvosos. o que se observa com o tratamento de indução artificial em geral. Das. o CaC2 pode alcançar uma eficiência de 100 % (Singh & Rameshwar. Representação esquemática de fatores que influenciam a eficiência do ethephon como indutor floral do abacaxizeiro (Fonte: López de Vélez & Cunha. como em pulverização total da planta. Ação do etileno Etileno Íon cloreto Decomposição Figura 2.4-D são aplicados no centro da roseta foliar. v. 1961. o acetileno e o 2. 1964). O carbureto de cálcio (precursor do acetileno) pode ser aplicado sob a forma sólida (granulado ou pó. Fatores que influenciam a concentração Chuva Temperatura Vento Perdas Ethephon II. Fatores que influenciam a absorção Floração Tricomas Cerosidade Cutícula Estômatos Perdas III. ou líquida (30-50 mL planta-1. O ANA é mais eficiente quando aplicado próximo do período de diferenciação natural (Gowing. o ANA e o BOH tanto podem ser aplicados no centro da roseta foliar. de uma solução preparada com base em uma mistura de 350-400 g de CaC2 por 100 litros de água fria e limpa) em épocas secas. Fatores que influenciam a decomposição pH Enzimas Temp. 1. 1974). Modos de aplicação dos indutores florais Os indutores florais diferem quanto ao modo de aplicação e eficiência. UFRB. 1983). Tópicos em Ciências Agrárias. 2009 67 . Quando aplicado adequadamente. o etileno e o BNA em pulverização sobre as plantas.I.5-1.

caracterizado. ou então.000 Figura 3. Cunha (1989a) obteve ótimos resultados adicionando 35 g de Ca(OH)2 a 100 litros da solução.0. Nesse caso. possibilitando o uso de menor quantidade do produto. assim. Abutiate.000 litros) e a distribuição homogênea sobre as plantas muito importantes. 1983). a concentração realmente recomendada é a de um a quatro litros do produto comercial para 1000 litros de água. 1983). Reinhardt & Cunha. elevando o pH para 10. por tratar-se de uma substância gasosa e necessitar de equipamento específico para aplicação. sua eficiência. Cunha & Reinhardt. Porém. UFRB. 1982).0%0) ou bentonita (1. no processo de diferenciação floral do abacaxizeiro (Fonte: López de Vélez & Cunha. do qual o ethefon é precursor. 1977. É importante que os estômatos permaneçam abertos por um período de quatro a seis horas após a aplicação do indutor 68 Tópicos em Ciências Agrárias. portanto. 1981. 1954). levandose em conta que o abacaxizeiro é uma planta que apresenta. 1975.100 Faixa de ação dos coadjuvantes Percentagem de indução floral 80 60 40 20 0 10 50 Concentração do ethephon (ppm) 4. viável apenas em plantios mecanizados. A quantidade de etileno indicada por Dericke (1974) é de 800 g ha-1 por aplicação. 1986). o metabolismo ácido das crassuláceas (CAM). pois. A hora de aplicação do regulador vegetal é muito importante. o que resulta em mais de 90 % de eficiência na indução da floração. a liberação do etileno. como já foi visto. torna-se facilitada em meio alcalino (Dass et al. sendo preferido em plantios mecanizados por apresentar eficiência comprovada e pelos seus efeitos benéficos sobre a inflorescência. sendo. 2-3 kg 100-1 litros da solução. O gás etileno também pode ser aplicado diretamente para induzir a floração do abacaxizeiro. sob pressão. para o que podem ser usadas algumas substâncias alcalinizantes. A adição de uréia (2%-3%). A maior eficiência observada nas aplicações noturnas pode ser o resultado de uma maior concentração do etileno nos tecidos da planta nessas condições e/ou melhor absorção do produto aplicado. Essa operação consiste na pulverização total das plantas com uma solução saturada desse gás.0%). v. qualidade do fruto e produção de mudas (Py & Silvy. obtida pela injeção. seu uso é restrito.. em dias nublados (Aldrich & Nakasone. a concentração recomendada pode ser reduzida para 25 a 100 mg L-1.0 aumenta bastante sua eficiência.. Com relação ao ethephon.0 ou 10. a exemplo do CaCO3 (carbonato de cálcio). pela assimilação de CO2 e abertura estomática predominantemente noturnas.000 mgL-1. A diminuição da acidez da solução indutora para um pH 8. das 20:00 às 05:00 horas da manhã. do etileno proveniente de um cilindro apropriado. 2009 . 1. o que corresponde a concentrações de até 4. aumenta ainda mais a eficiência da indução artificial (Fahl et al. O ethephon a 25 mg L-1 + CaCO3 (0. podendo ser carvão ativado (0. Modelo hipotético da ação de produtos coadjuvantes na performance do ethephon. López de Vélez & Cunha. recomenda-se adicionar um coadjuvante à solução. devendo ser efetuada preferentemente à noite. sendo o volume de água (6. aplicando-se de 30 a 50 mL da solução por planta.5%0 a 1. Para facilitar a difusão desse gás na água e. alternativamente. Na2(CO3) (carbonato de sódio) e Ca(OH)2 (hidróxido de cálcio). em um tanque contendo água fria.000 a 8. 1975. portanto.04 %) + uréia (2%) aumentou a porcentagem de florescimento e reduziu o tempo de emersão da inflorescência e de maturação do fruto do abacaxizeiro 'Kew'.

ou após um período muito seco alternado com um chuvoso. quando usadas como indutoras. a sua aplicação deve ser planejada de acordo com a época que se deseja efetuar a colheita. que paralisa o crescimento da planta. a floração na cultura do abacaxi assume aspecto relevante. geralmente com cinco a dez meses de antecedência. A penetração dos produtos é mais rápida. para inibir a floração ou reduzir a eficiência da indução artificial. Geralmente. A temperatura ambiente durante a aplicação dos produtos é. próximo do ápice caulinar.(Glennie. Turnbull et al. a indução floral artificial deve ser realizada antes da época provável ou favorável à floração natural. pois uma irregularidade na mesma pode trazer conseqüências danosas ao seu cultivo. devido à retomada de crescimento da planta (Bartholomew & Kadzimin. a não ser naqueles casos cuja finalidade é a uniformização do florescimento já iniciado e que. ocorreu de modo irregular. essa repetição é desnecessária. não devendo ser superior a 26-28 oC. o tratamento de indução floral pode ser efetuado quando o abacaxizeiro atingir sete a 15 meses após o plantio. 2000). muito importante. Considerando que essas substâncias. o que prejudicará. elevando bastante o nível de CO2. 2009 69 . apesar de Burg & Burg (1966) não terem encontrado correlação entre a produção de etileno e o tamanho da planta. por algum motivo. deve-se evitar o uso de doses muito elevadas dos reguladores vegetais. apenas iniciam o processo de floração. Nessas situações pode-se usar os indutores com menores concentrações. também. a não ser ao encurtamento dos dias. evitando-se dias quentes para se reduzir falhas na floração artificial. a depender da cultivar. que é um possante inibidor do etileno. após um prolongado período de seca ou durante uma fase de crescimento ativo da planta ou de altas temperaturas. UFRB. não dependem apenas da sua economicidade e praticidade. Sabendo-se que existe uma correlação positiva (linear) entre o tamanho/peso da planta e o peso do fruto para uma determinada região (Chan & Lee. o mesmo valendo para o carbureto de cálcio. também. Logicamente. a fim de obter-se uma maior eficiência. diz-se que após um determinado período do seu ciclo vegetativo. dificilmente o abacaxizeiro responderá aos estímulos do meio ambiente. Foi abordado o envolvimento de diversos fatores na floração do abacaxizeiro. muitos dos quais determinam o sucesso da indução artificial. devido à pequena área foliar. sabe-se que uma planta em fase de crescimento ativo não responde satisfatoriamente ao tratamento de indução artificial. a escolha do fitorregulador (indutor) e do método de aplicação. o que geralmente é feito dois a três dias subseqüentes à primeira aplicação. Por outro lado. Isso porque. isso é. do estado nutricional e estádio de crescimento alcançado pela planta quando da diferenciação floral. Porém. Dentre outros fatores. a partir do final da tarde. a alta temperatura diurna provoca uma descarboxilação intensa. quanto ao etephon. Afirma-se inclusive que. Segundo Chan & Lee (2000). em trabalhos de melhoramento genético deve-se atentar para as progênies que tenham a capacidade de produzir frutos de valor comercial mesmo com uma pequena massa vegetal. uma prática cultural imprescindível. a exemplo de um estresse hídrico severo. CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE A FLORAÇÃO DO ABACAXIZEIRO Conforme se depreende pelo que foi apresentado. caso pretenda-se explorar a soca. assim. o mesmo ocorrendo quando as condições ambientais são adversas à floração. (1993) recomendaram que as pulverizações com os indutores florais sejam feitas com alto volume. assim. 1994). a fim de que não ocorram alterações fisiológicas na planta ou prejudiquem a qualidade do fruto. devido à sua maior atividade celular. mas não têm efeito sobre a duração da fase reprodutiva. sendo que do seu êxito depende a rentabilidade dessa cultura. 1977). Esses casos podem requerer uma maior dosagem dos produtos. Assim é que. especialmente. Havendo. no entanto. contribuindo. do manejo da cultura e da região. mas também da sua eficiência. 1995). O tratamento de indução da floração do abacaxizeiro é. Outrossim. 1979). Todavia. como é o caso do etileno e do ANA. seria difícil pensar-se na exploração econômica dessa frutífera e que devido a esse fato é que os agricultores a cultivam. a depender da região ecológica (Cunha et al. sem o domínio dessa técnica cultural. Segundo Glennie (1979). No entanto. parece que a suscetibilidade do abacaxizeiro à indução floral está relacionada à condição fisiológica da planta e não apenas à sua idade cronológica ou tamanho (Min. Por outro lado. o peso do fruto do abacaxizeiro depende. a não ser que chova até seis horas após sua aplicação. a segunda produção. uma falha de aplicação ou uma irregularidade na resposta das plantas ao tratamento. o abacaxizeiro não responde de modo satisfatório à aplicação dos produtos florígenos. 1. recomenda-se a repetição da indução individual das plantas que Tópicos em Ciências Agrárias.. pequenos frutos serão produzidos. v. Alguns produtos requerem a repetição da aplicação. a indução de plantas pequenas ou imaturas pode reduzir consideravelmente o rendimento da cultura. daí porque a maior eficiência quando a aplicação é feita na roseta foliar.

quando aplicados em concentrações altas. R. G. II..não emitiram a inflorescência. 1996.W. HOUSSA. p. p. v.M. Boca Ratoon: CRC Press. n. BARTHOLOMEW. BARTHOLOMEW. AHMED. 14. BERNIER. BARROS. cada vez mais. Cruz das Almas. ALDRICH.P. A. 21-23. P.. Natural flowering. n.. BARBOSA. da S. KOZLOWSKI. 1981a. No entanto. D. BARTHOLOMEW. J. 20. 1996. ALMEIDA. Pineapple News. In: SCHAEFFER. Honolulu. CUNHA. 3. Sub-tropical and tropical crops. alguns fitorreguladores atuam. 2000. Merr. D. D. Holanda. N. 1975. de T. ANDERSON. 2000.. BERNIER. Environmental physiology of fruit crops. P. BARBOSA. até uns dois meses após a primeira aplicação. Embrapa Agroindústria Tropical. Day versus night application of calcium carbide for flower induction in pineapple. BORA. p. Ecophysiology of Tropical Crops. 1977. NAKASONE. Baltimore. jul. The Plant Cell. A. D. p.L. 1997. SACHS. Controle da floração natural do abacaxizeiro 'Pérola' com uréia e reguladores de crescimento. BARTHOLOMEW. 1147-1155. B. W. no Recôncavo Baiano. R. F. 70 Tópicos em Ciências Agrárias. P. Physico-chemical changes during flower bud differentiation in pineapple (Ananas comosus.B. n. flowering.. Indian Journal of Plant Physiology. 53. Estudos nessa área estão se tornando. Pineapple.. p. haja vista o aumento freqüente da floração natural precoce nas diversas regiões produtoras de abacaxi no mundo. 5. Revista Brasileira de Fruticultura.. C. p. 2009 .I.. 1. 410-415. mar..H. KADZIMIN. New York: Academic Press. n. causando sérios prejuízos à cultura. 16. v. MALÉZIEUX. G. out..113-156. CALDAS.. S. LEJEUNE. Chapter 9. Physiological signals that induce flowering. L. 1993.. 273-278. H. E. 2.M. O tratamento da indução floral será mais eficiente se as aplicações forem efetuadas à noite. The physiology of flowering. 59 p.L.P. Fortaleza. 2.C. HAVELANGE.-M.. Dissertação (Mestrado em Agronomia/Fitotecnia). dez. Universidade Federal da Bahia. da. 100. do mesmo modo que agem como estimulantes florais.A. n. In: ALVIM. W. v.. n. L.Y. p. Influência da irrigação no ciclo do abacaxizeiro 'Pérola' em área de Tabuleiro Costeiro.P. v. G. 30. v. v.. 2. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. 1-2. p. and fruiting of pineapple. 4. necessários.G. v. Acta Horticulturae. Cruz das Almas.. único.C. Boca Ratoon: CRC Press. 243-291.T. sendo citados o ANA e o ácido succínico. 1.).. Efeito de fitorreguladores e da adubação nitrogenada no controle do florescimento natural precoce do abacaxizeiro. Honolulu. Pineapple News.D. N. Cultivar Smooth Cayenne in Ghana. v. PETITJEAN. de A. P. mar.M. REFERÊNCIAS ABUTIATE. REINHARDT. p. H. Resumos.S. Vol. T. SOUZA. Effects of environment on the growth. The effects of concentration and periods of day application of calcium carbide on the flower induction of Ananas comosus (L. P. 1998. . I. KINET. também. UFRB. bem como o ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico e o paclobutrazol.P..F. 1. O. Vol. The initiation of flowers. 1987. 1994. 1977.P.) Merr. MIN.. Journal of American Society for Horticultural Science. p. REINHARDT. 359-366. D.. Pineapple. 189-193. como inibidores do florescimento do abacaxizeiro. Fortaleza. X.

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CAPÍTULO 6 PRODUTIVIDADE VEGETAL: PRINCIPAIS FATORES Elvis Lima Vieira Tópicos em Ciências Agrárias .

o IAF descreve a dimensão do sistema assimilador de uma comunidade vegetal. é a taxa global de fotossíntese. O IAF é ótimo para a produção quando a radiação fotossinteticamente ativa (RFA: 400 a 700 nm) é absorvida. Esta depende diretamente do índice de área foliar (IAF). Produtividade primária de um sistema ecológico é definida como a taxa na qual a energia radiante é convertida. frutos). mantendo um balanço positivo de trocas gasosas. O rendimento pode ser definido como a relação da quantidade de material produzido pelas plantas num determinado intervalo de tempo (geralmente um ano de colheita) por área de terreno utilizado. E-mail: elvieira@ufrb. o produto fotossintético total produzido pode ser chamado de rendimento biológico verdadeiro. de magnitude menor. O termo produtividade refere-se ao incremento em biomassa. e geralmente encontra-se entre os valores 2. é a quantidade de matéria seca formada pela vegetação em uma dada área. 2009 . raízes. 2000). designada também de “fotossíntese aparente” ou “assimilação líquida”.0 (Larcher. A TAL representa a taxa de incremento de massa de matéria seca (W) por unidade de área foliar (L) existente em uma planta. com a fitomassa seca total colhida. como a taxa de assimilação líquida (TAL). Segundo Ferri (1985). incluindo a matéria orgânica usada na respiração durante o período de medição. v. o qual difere do usual ou econômico. sendo expressa com referência à área de solo coberta. A eficiência de conversão de produtos sintetizados em material de importância econômica pode ser avaliada através do IC .br INTRODUÇÃO A fotossíntese é o processo responsável pelo fornecimento da energia necessária ao crescimento e desenvolvimento da planta. A produtividade primária bruta.. 1988). O IAF funciona como indicador da superfície disponível para interceptação e absorção de luz. Pode variar com a população de plantas. assumindo que tanto L como W. Estes só utilizam materiais alimentares já produzidos. 1920). A TAL é um indicador da eficiência de uma planta na produção de matéria seca. em substâncias orgânicas. Esta eficiência de conversão é determinada pelo genótipo e pelo ambiente (Pereira & Machado. pela atividade fotossintética e quimiossintética de organismos produtores (na maior parte. Segundo Hall & Coombs (1989).Centro de Ciências Agrárias. Define-se como produtividade secundária. organismo ou população (Hopkins. quanto mais completa for a absorção de luz. tão completamente quanto possível. UFRB. aumentam exponencialmente (Briggs et al. seja de um sistema ecológico. e pode ser representada da seguinte forma: UEAFS = Fs / Tr ( m mol CO2 m-2 s-1 / mmol H2O m-2 s-1) 79 Tópicos em Ciências Agrárias. plantas verdes). Ambientais e Biológicas/UFRB. em toneladas de matéria orgânica seca por hectare (t ha-1) ou (g m-2). ou um ano. e quanto mais longo for o período de assimilação. 1987).edu. de uma comunidade ou de qualquer parte deles. 1995). PP é maior quanto mais altas as taxas de assimilação das espécies que compõem a comunidade. e representa a capacidade que a planta ou comunidade vegetal tem em explorar o espaço disponível (Pereira & Machado. 1987). geralmente a estação de crescimento. Para Larcher (1986). que foi definido por Watson (1952). Cruz das Almas-BA. que relaciona a massa da matéria seca da fração econômica de uma cultura (grãos. é definida como produtividade primária líquida. também chamada de “fotossíntese total” ou “assimilação total”. sendo o principal fator a determinar a produtividade de uma cultura. 1. A taxa de armazenamento de matéria orgânica nos tecidos vegetais.0 e 8. que é a matéria seca contida em um órgão.PRODUTIVIDADE VEGETAL: PRINCIPAIS FATORES Elvis Lima Vieira Professor . A produtividade líquida da comunidade é a taxa de armazenamento de matéria orgânica não utilizada pelos heterótrofos (ou seja. que designa de uso eficiente da água de fotossíntese (UEAFS). A fração utilizada é conhecida como índice de colheita (IC). durante sua passagem através do dossel de folhas. as taxas de armazenamento energético em níveis de consumidores. expresso relativamente ao uso respiratório pelas plantas durante o período de medição. Larcher (1995) apresenta uma relação entre a fotossíntese (Fs) e a transpiração (Tr) de uma planta. O balanço entre o material produzido pela fotossíntese e aquele perdido pela respiração é definido por Pereira & Machado (1987). a produção da comunidade ou produção primária (PP). a produção primária líquida menos o consumo heterotrófico) durante o período em consideração. distribuição de plantas e variedades. convertendo-os em diversos tecidos (Odum. como a área foliar por unidade de área de terreno.

) e 3) fotodestrutivos (altas irradiâncias da RFA). que indica a percentagem de energia radiante absorvida. a produção de matéria seca orgânica refere-se a área do estande. em especial quando os estômatos estão parcialmente fechados (Hopkins. enzimas. mas também por maiores concentrações de CO2. 1. neste ponto a fotossíntese líquida (FL) é nula [FL = FB (R + FR)]. o nível de irradiância no qual a fotossíntese bruta (FB) está em equilíbrio com a respiração (R) e com a fotorrespiração (FR). Existe uma interação entre os níveis de CO2 do ambiente e a luz. causando fotooxidações de pigmentos do cloroplasto e radiações ultravioletas alterando os ácidos nucléicos. 2) fotocibernéticos (fotoestimulantes ou fotoinibidores de rotas metabólicas. Geralmente as plantas C4 não apresentam o processo de fotorrespiração mensurável e não sofrem saturação lumínica. exercendo também influência direta sobre o crescimento. Segundo Hopkins (1995). Larcher (1995) propõe que a relação entre a produção de matéria seca e o consumo de água. 2009 . em determinado período de crescimento de um vegetal. Neste último caso (uso eficiente da água de produtividade). água. pela conversão de dióxido de carbono em compostos orgânicos. que apresentam este processo e normalmente se saturam com a luz natural (500 a 1000 mol m-2 s-1). Apresenta outra relação.). através da competição com o oxigênio. é definida como o uso eficiente de radiação pela fotossíntese (UERFS). a energia absorvida na forma de fótons pelos vegetais pode produzir basicamente três efeitos: 1) fotoenergéticos (fotossíntese. a fotossíntese líquida será sempre positiva. definida pela razão entre a produção de matéria orgânica seca e o consumo de água: UEAP = produção de matéria orgânica seca consumo de água (g MS kg-1 H2O) A produção de matéria seca e a quantidade de água consumida podem ter como referência uma única planta ou um estande de plantas. Em plantas C3. quando em condição de máxima irradiância solar (Martinez. Pelo contrário. De maneira geral. Além disso alcançam maiores valores de fotossíntese líquida em comparação às plantas C3.035% em volume ou 350 mL L-1). ao longo do qual se encontra com distintas resistências. o UEAFS também é afetado pelas condições climáticas. até chegar e ser reduzido no interior do cloroplasto. No campo. O CO2 atmosférico tem que cruzar um longo e complicado caminho. v. incrementos na taxa fotossintética são conseguidos por aumentos nos níveis de CO2 por dois motivos: incremento na quantidade de substrato para a carboxilação pela enzima rubisco e. Em condições naturais. 1995). que possuem um mecanismo interno de concentração de CO2 em união ao fenômeno de insaturação lumínica. proteínas. agricultural e florestal. etc. A luz interfere sobre o processo de crescimento de forma indireta. Segundo Larcher (1995) e Larcher (2000) a eficiência da conversão de energia radiante solar em energia química.O UEAFS expressa qualitativamente e instantaneamente as trocas gasosas (CO2 e vapor d'água) que ocorrem na folha . na concentração de CO2 atmosférico. Em termos ecológicos. pela fotossíntese. disponibilidade de CO2. as plantas de sombra exibem uma menor produção de matéria seca. 1995). UFRB. os vegetais expostos a maiores níveis de irradiância desenvolvem um eficaz sistema axial para condução da água. a concentração de CO2 do ar é bastante constante e relativamente baixa (0. temperatura. a fixação fotossintética bruta está equilibrada com a 80 Tópicos em Ciências Agrárias. chamada de o uso eficiente da água de produtividade (UEAP). nutrientes e a estrutura do dossel). os principais fatores que afetam a produtividade das plantas são: a variedade genética e os fatores ambientais (luz. fornece mais informações do que as taxas instantâneas de trocas gasosas. fotoconversões e fotooxidações). Suas folhas possuem várias camadas de células no mesófilo paliçadico e as células apresentam abundantes cloroplastos. O ponto de compensação lumínico se incrementa à medida que se aumenta a concentração de CO2. maior eficácia na síntese de proteínas e baixa taxa respiratória e de intercâmbio hídrico. das condições ambientais e das características funcionais e estruturais das plantas. podendo ser representada da seguinte forma: UERFS = energia química estocada x 100 energia radiante absorvida As taxas fotossintéticas não são amplificadas somente por aumentos nos níveis de irradiância. fixada na forma de ligações químicas. Salisbury & Ross (1994) definem como ponto de saturação lumínica. e o consumo de água refere-se à evapotranspiração total. O ponto de compensação de CO2 é atingido quando. através da regulação do processo fotossintético. Este aspecto é bem mais importante para as plantas C3 do que para as plantas C4. Segundo Martinez (1995). Para valores de irradiância acima deste ponto. como por exemplo no fenômeno do estiolamento de plantas e nos fototropismos. fototropismos. Esta relação depende principalmente dos gradientes de concentração de CO2 e vapor d'água. reduzindo a taxa de fotorrespiração. produzem grandes quantidades de matéria seca e são mais vigorosas. fotomorfogêneses etc.

perda de CO2 através da respiração e da fotorrespiração. Neste ponto, a fotossíntese líquida é aparentemente igual a zero. Logo, o processo fotossintético não poderá se beneficiar de incrementos nos níveis de CO2 se não superar este limite (ponto de compensação). De maneira geral, as plantas C3 possuem um ponto de compensação de CO2 mais alto (35 a 45 mmol mol-1) do que as plantas C4 (0 a 5 mmol mol-1) (Taiz & Zeiger, 2004). Hopkins (1995) apresenta um modelo que descreve a limitação da taxa fotossintética em função da concentração de CO2. Em baixas concentrações de CO2, a fotossíntese é limitada pela baixa capacidade de carboxilação de enzima rubisco. Em altas concentrações de CO2, as taxas fotossintéticas são limitadas pela taxa de regeneração do aceptor molecular, a ribulose-1,5-difosfato. Tradicionalmente, a produtividade das plantas tem sido avaliada pelas mudanças no seu peso, medido pela colheita de amostras a intervalos de dias, semanas ou meses. No entanto, a medição da taxa de troca de CO2 nos permite uma avaliação instantânea da produtividade minuto a minuto, caso seja requerido (Hall & Coombs, 1989). O crescimento vegetal é estimulado pela temperatura até certo limite, a partir do qual começa a atuar como fator de inibição. O papel regulador da temperatura sobre o crescimento se realiza através da regulação de enzimas que catalisam as reações que direta ou indiretamente interferem em todos os processos metabólicos e fisiológicos (germinação, respiração, transpiração, fotossíntese, fotorrespiração, translocação, absorção de água e nutrientes, floração, frutificação e senescência). Hopkins (1995) relata que a temperatura pode ser caracterizada por três pontos: o de mínimo (Tmin), o de máximo (Tmax) e o ótimo (Tótima) onde as reações se processam. A temperatura afeta fundamentalmente os processos químicos, mais que os físicos. A fotossíntese, a respiração e a fotorrespiração são afetadas de maneiras diferentes pela temperatura, pois as temperaturas ótimas diurnas afetam a produção (fotossíntese, fotorrespiração e respiração) e as temperaturas noturnas influenciam somente na respiração. De maneira geral, não existem taxas apreciáveis de fotossíntese à 0º C, a não ser aqueles detectados abaixo desta temperatura, em alguns liquens , plantas alpinas, espécies de tundra etc., porém não é um fenômeno habitual. A atividade das enzimas de carboxilação das plantas C4 (PEPcarboxilase) e da plantas C3 (Rubisco), apresentam pontos ótimos de atividade diferentes, 30º C e 25º C, respectivamente. Outro efeito marcante da temperatura ocorre sobre o processo transpiratório das plantas, que está relacionado diretamente com a fotossíntese (trocas gasosas), a temperatura foliar e com o estabelecimento de uma tensão hídrica na planta (Martinez, 1995). A água participa diretamente do processo de crescimento das plantas de diversas formas, como por exemplo: é o principal constituinte do protoplasma, participa diretamente de numerosas reações químicas (fotossíntese e respiração), praticamente todos os compostos orgânicos são solúveis em água, favorece o transporte de nutrientes e fotoassimilados dentro da planta, responsável pela turgescência celular, sem a qual não ocorrem as trocas gasosas e, é responsável pela estabilidade térmica do material vivo celular, favorecendo a manutenção das atividades bioquímicas do vegetal (Sutcliffe, 1980). Qualquer redução no potencial hídrico da planta afeta instantaneamente a abertura estomática, podendo induzir o fechamento estomático, causando diminuição das trocas gasosas e, consequentemente, reduzindo a fotossíntese. A taxa fossintética declina sob condições de estresse hídrico, e em caso de severo estresse hídrico, esta pode ser completamente anulada. De maneira geral, em condição de estresse hídrico, a redução na produtividade das plantas C3 é maior do que nas plantas C4. As plantas C4 apresentam algumas vantagens sobre as plantas C3, com relação à fotossíntese e estresse hídrico, por que elas são mais eficientes no uso da água. As plantas C3, C4 e MAC (metabolismo Ácido das Crassuláceas), apresentam diferentes aspectos em relação à fisiologia, bioquímica, botânica e ecologia, que afetam significativamente a capacidade produtiva destas plantas (Tabela 1). Os nutrientes minerais possuem uma extraordinária importância no crescimento e no desenvolvimento dos vegetais, desempenhando diversas funções como por exemplo: estrutural, constituinte de enzimas, ativador enzimático, regulador do pH citossólico, regulador da permeabilidade celular e na manutenção da neutralidade eletrostática intracelular (Malavolta et al., 1997). A nutrição mineral manifesta determinadas influências sobre a fotossíntese e interfere sobre todos os níveis de nitrogênio, cuja deficiência determina uma diminuição evidente nas taxas de fotossíntese, ou seja, na produtividade primária, devido à redução nas taxas de síntese protéica, particularmente da rubisco e dos elementos transportadores das cadeias eletrônicas (Hopkins, 1995). O potássio também interfere decisivamente na assimilação de CO2, afetando o mecanismo de abertura e fechamento estomático, a atividade de muitas enzimas e, em particular, a mobilização de proteínas e carboidratos. O cloro é indispensável para a fotólise da água e o sódio é essencial para a fotossíntese de algumas plantas C4. O ferro é necessário ao metabolismo das clorofilas e das proteínas férricas do transporte eletrônico. O magnésio afeta a síntese de clorofilas, a ativação de numerosas enzimas fotossintéticas e participa também da fotólise da água no fotosistema II (Martinez, 1995). A máxima possibilidade fotossintética conseguida por uma folha é conhecida de capacidade fotossintética foliar, sendo determinada através da taxa de fotossíntese por unidade de área foliar sob condições de saturação de luz incidente, concentrações normais de CO2 (0,003%) e O2 (21%), ótimo de temperatura e alta umidade relativa. A
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capacidade fotossintética foliar é altíssima em plantas adaptadas a ambientes rico em recursos onde luz, água e nutrientes são abundantes. A redução da fotossíntese é uma conseqüência de deficiência de praticamente todos os elementos essenciais, mas a capacidade fotossintética foliar é particularmente sensível ao suprimento de nitrogênio. Como constituinte básico da molécula de clorofila, participante de reações de redox no transporte de elétrons e envolvido com todas as enzimas do metabolismo do carbono, o nitrogênio assume um papel crítico na produtividade primária dos vegetais (Hopkins, 1995). De maneira geral, ótimas taxas fotossintéticas são coincidentes com uma nutrição mineral equilibrada e de concentrações ótimas. A produtividade primária líquida de um estande de plantas é notadamente influenciada pela estrutura do dossel. Esta estrutura é alterada pela idade, morfologia, pelo ângulo e espaçamento individual entre folhas. A capacidade fotossintética de uma folha declina com a senescência. Esta deterioração progressiva da folha é caracterizada, em parte, pela redução de clorofilas e da atividade das enzimas ligadas ao processo fotossintético. Muitas plantas herbáceas apresentam uma seqüência na senescência foliar. Quando as folhas mais velhas do dossel estão senescentes, as folhas novas estão em formação no topo do dossel. A arquitetura do dossel é muito importante quando se considera a produção agrícola e os ecossistemas naturais, pois esta determina como a luz será eficientemente absorvida. Altas produtividades dependem em parte da extensão de área de solo que é coberta com superfície fotossintetizante, porque a luz solar exposta ao solo não contribui para a produtividade. Estas relações são avaliadas através do IAF (Hopkins, 1995). Hall & Combs (1989) apresentam de forma resumida (Figura 1) a seqüência lógica a ser observada para resolução dos problemas referentes às etapas limitantes da eficiência do processo energético luminoso na conversão de um determinado cultivo em biomassa. No entanto, alertam que, mesmo antes de buscar tais respostas, deve-se primeiro verificar se é possível definir as melhores condições ambientais e de produtividade das plantas. Tabela 1. Comparação entre plantas C3, C4 e MAC quanto aos aspectos que influenciam na produtividade vegetal.
CLASSES DE PLANTAS

C3
PARÂMETROS

C4 Mesófilo Foliar, presença de Bainha Vascular (BV), com cloroplasto (Anatomia Kranz) Mesófilo granal e Bainha Vascular granal ou agranal Cerca de 4 : 1 1:5:2

MAC Mesófilo foliar, ausência de Bainha Vascular, células com grandes vacúlos. Granal <3:1 Na luz 1 : 3 : 2 No escuro 1 : 5 : 2 Nas intensidades intermediárias e altas. Inferior às plantas C4 Assimilação de CO2 noturna Na luz: RuDP No escuro: PEP PGA à luz Malato no escuro Rubisco na luz PEPcase: no escuro
Rubisco: luz PEPcase: escuro Rubisco/cloroplasto PEPcase/citoplasma continua...

01

ANATOMIA FOLIAR

Mesófilo Foliar (MF), ausência de Bainha Vascular, com cloroplasto - Parenquimático Granal Cerca de 3 : 1 1:3:2

02 03 04

CLOROPLASTOS CLOROFILA a / b RELAÇÃO CO2 : ATP : NADPH+ SATURAÇÃO DE LUZ DA FOTOSSÍNTESE

05

Há intensidade intermediárias ~1/3 Não satura a altas intensidades (50 - 150 Wm-2) (+ 500 Wm-2) (500 - 1000 m mol m2 s-1) -1 (2000 mmol quanta m-2 s-1) -2 (600 a 800 m mol quanta m s ) 30°C : 18,9 20°C : 15,4 20 ou 30°C gramíneas = 15,9 dicotiledôneas = 17,5 Fosfoenolpiruvato (PEP) Ácidos C4 - (AOA) (Malato ou Aspartato) PEP carboxilase (PEPcase)

06

EFICIÊNCIA QUÂNTICA (mol quanta/mol CO2

07 ACEPTOR PRIMÁRIO DE CO2 atm. 08 PRIMEIRO PRODUTO ESTÁVEL DA FOTOSSÍNTESE ENZIMA PRIMÁRIA DE CARBOXILAÇÃO
Km DA ENZIMA DE CARBOXILAÇÃO LOCALIZAÇÃO DA ENZIMA DE CARBOXILAÇÃO

Ribulose 1,5 difosfato (RuDP) Ácidos C3 Ácido 3 - fosfoglicérico (PGA) RuDP carbosilase/oxigenase Rubisco* Carboxidismutase
Rubisco (@20 m MCO2) 20mM CO2 Rubisco - cloroplasto (MF)

09

10

PEPcase (@5 m MCO2) 100 a 160 mM HCO-3 PEPcase: - citoplasma (MF) Rubisco - cloroplasto (BV)

11

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... continuação
CLASSES DE PLANTAS

C3
PARÂMETROS

C4

MAC CO2: luz HCO 3: escuro Sem referência

12 13

SUBSTRATO DA CARBOXILAÇÃO TEMPERATURA ÓTIMA/ENZIMA TEMPERATURA ÓTIMA PARA FOTOSSÍNTESE ABERTURA ESTOMÁTICA NA PRESENÇA DA LUZ

CO2 Rubisco: 20 - 25°C

HCO 3 PEPcase: 30 - 35°C

-

14

20 - 35°C Grande (fotoativas) Forte inibição na presença da luz Aumento do processo fotorrespiratório 3 a 5 vezes MAIS que a respiração no escuro

30 - 45°C Pequena a média (fotoativas)

30 - 45°C Pequena ou nula (não fotoativas) Forte inibição na presença da luz Não há aumento Difícil de determinar Não mensurável, difícil determinar Na luz: 0 - 200 ppm No escuro: < 5 ppm

15

EFEITO DEPRESSIVO 16 DO OXIGÊNIO (21%) NA FOTOSSÍNTESE 17 EFEITO DE ALTAS TEMPERATURAS

Sem efeito

Não há aumento 10 vezes MENOR que a respiração no escuro

VELOCIDADE RELATIVA 18 DA FOTORRESPIRAÇÃO

LIBERAÇÃO DE CO2 NA Sim; presente em torno de 25 19 LUZ (FOTORRESPIRAÇÃO a 30% do valor da fotossíntese APARENTE) 20 PONTO DE COMPENSAÇÃO DE CO2 50 - 150 ppm (ALTO) 30 - 70 mmol CO2 mol 20 - 100 mLCO2L-1

Não mensurável 0 - 10 ppm (BAIXO) 0 - mmol CO2 mol 0 - 5 mLCO2L-1

PONTO DE COMPENSAÇÃO LUMÍNICO (RFA) 21 20°C - 340 ppmCO2 CONSUMO DE H2O PARA PRODUÇÃO DE MATÉRIA SECA EFICIÊNCIA NO USO DE ÁGUA (E.U.A) N NA FOLHA PARA ATINGIR FOTOSSÍNTESE MÁXIMA REQUERIMENTO DE Na COMO MICRONUTRIENTE EFICIÊNCIA NO USO DE NITROGÊNIO (E.U.N.) VELOCIDADE MÁXIMA DE CRESCIMENTO gms dm-2 dia-1
+

6 - 10 mmol m s

-2

-1

4 - 8 mmol m-2 s-1

Sem referência

22

450 - 1000 moles de H2O transpirada/mol de CO2 assimilado 1a3g -1 CO2 Kg H2O 6,5 - 7,5% peso seco Não

200 - 350 moles de H2O transpirada/mol de CO2 assimilado 2a5g -1 CO2 Kg H2O 2,0 - 4,5% peso seco Sim

18 a 125 moles de H2O transpirada/mol de CO2 assimilado 1a4g -1 CO2Kg H2O

23

24 25

Sem referência Sim

26

Rubisco > 50%

Rubisco: 25% PEPcase: 10% 4,0 - 5,0

Rubisco: 25% PEPcase: 10% 0,015 - 0,02
Na luz leve No escuro média 2,5 - 7,6 mmol CO2 m-2s-1

27

0,5 - 2,0

CAPACIDADE 28 FOTOSSINTÉTICA LIQUIDA FL = [FB - (FR+R)] REDISTRIBUIÇÃO DOS PRODUTOS DE ASSIMILAÇÃO PRODUÇÃO DE MATÉRIA SECA

Leve e alta 15 - 40 mg CO2 dm-2 h-1 15 - 25 mmol CO2m2 s-1

Alta e muito alta 60 - 100 mg CO2dm-2h-1 25 - 40 mmol CO2m-2s-1

29

Lenta (MF) 22 + 3,3 ton ha-1 ano-1 (média) 0,2 a 0,4 ton ha-1 dia-1 (leguminosas

Rápida (BV) 38 + 16,9 ton ha-1 ano -1 (alta) 0,5 ton ha -1 dia -1 (cereais)

Variável Pouco conhecida, menos que C3 (baixa)

30

continua...

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... continuação
CLASSES DE PLANTAS

C3
PARÂMETROS

C4

MAC Desértico, semi-árido. Crassuláceae, Cactáceae, bromeliaceae, Agavacecae, Liliaceae, Euphorbiaceae e Orchidacecace. Abacaxi e Sisal.

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OCORRÊNCIA (CLIMA)

Temperado, equatorial e tropical. Tropical, subtropical, semi-árido e desértico. Milho, sorgo, Arroz, trigo, cebola, leguminosas, cana-de-açúcar e Atriplex. avena e tabaco. Todas Maioria das monocotiledônias gimnospermas angiospermas (gramínease ciperáceas) (285.000 espécies), e 300 espécies de briófitas e algas. cotiledônias).

Decréscimo na produção medido pela queda na taxa de crescimento absoluto (planta) e na taxa de crescimento da colheita (plantações)

Análise do crescimento das plantas

Decréscimo na taxa líquida de assimilação

ou

Decréscimo na área da folha ou copas
Estudos de trocas Gasosas

Decréscimo na taxa de fotossíntese das folhas

ou

Aumento no total das perdas de respiração
Medição da resistência difusiva

Aumento das limitações dentro do mesófilo

ou

Aumento das limitações impostas pelos estômatos Estudos biofísicos e bioquímicos

Efeitos na fotoquímica e fotossíntese do transporte de elétrons

ou

Efeitos no metabolismo fotossintético do carbono

Figura 1. Análise redutora dos fatores que limitam a produtividade. Fonte: Adaptado de Hall & Combs, 1989.

Mayer (1975) apresenta uma relação de aspectos a serem pesquisados, com relação à produtividade agrícola, designados por ele de pesquisas imperativas: a) Com relação ao fornecimento de carbono: - Identificar os aspectos da fotossíntese os quais limitam a fixação de CO2 nos ambientes naturais; - Elucidar as relações entre o desenvolvimento das plantas e o processo fotossintético; - Suprir as plantas de novos procedimentos para seleção, em relação à produção. b) Com relação a nutrição nitrogenada:
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Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

- Minimizar a energia e custos na fabricação dos fertilizantes nitrogenados; - Desenvolver a nutrição nitrogenada de auto-suficiência para as plantas; - Maximizar a eficiência do uso do nitrogênio do solo e do fertilizante nitrogenado; - Aperfeiçoar as características nutricionais dos produtos agrícolas. c) Com relação à interação água - solo - minerais: - Administrar a relação entre a produção água - solo; - Tornar viável o controle da erosão e desenvolver novas tecnologias, especialmente para se cultivar em terras marginais; - Estudar e conhecer como a planta se relaciona com a célula, em relação à água e como esta relação afeta a produtividade agrícola, e desenvolver métodos para a manipulação destas relações; - Relacionar a água e o solo administrando o sistema para prevenir a salinização; - Desenvolver sistemas de produção agrícola compatível com o interesse da comunidade e com o ambiente; - Adaptar o solo administrando práticas para cultivos de subsistência para países em desenvolvimento; - Desenvolver tecnologias de solos para a produção agrícola em solos problemáticos (ex: oxisolos, ultisolos); - Evoluir métodos de administração de solos para aperfeiçoar as características dos solos, assegurando a germinação de sementes; - Caracterizar e quantificar os problemas de estresse em solos, relatando os resultados para que se possa realizar pesquisas nas áreas de genética, fisiologia e cultural; - Identificar a aumentar o uso de fontes baratas para o melhoramento do solo e nutrição de plantas, incluindo lixo e resíduos de culturas; - Estimular a absorção e crescimento de plantas, pelo uso de micorrízas selecionadas e/ou bactérias da rizosfera; - Esclarecer a absorção de nutrientes minerais de culturas em meio salino, ambiente com íon tóxico e em solos altamente férteis, pela utilização de culturas selecionadas através de melhoramento genético; - Quantificar quimicamente, fisicamente e biologicamente as propriedades da interface raiz-solo e seus papéis na nutrição mineral e absorção de água; - Investigar a distribuição radicular e as características de absorção de componentes de produtos múltiplos, os quais maximizam o uso dos recursos do solo; - Elucidar o controle metabólico e a integração do transporte iônico do solo para dentro dos pêlos absorventes e da planta; d) Com relação ao estresse ambiental: - Manipulação dos produtos agrícolas ou do seu ambiente, o que poderá evitar ou reduzir as injúrias causadas pelo estresse e aumentar a produtividade; - Explorar o potencial genético para desenvolver novas variedades resistentes ao estresse; - Elucidar os princípios básicos das injúrias provocadas pelo estresse e da resistência, avaliar a oportunidade e natureza dos danos do estresse. e) Com relação aos processos de desenvolvimento das plantas: - Utilizar técnicas de culturas de células e tecidos, para acelerar geneticamente a produção de plantas; - Identificar e avaliar os mecanismos de controle para o desenvolvimento de uma planta; - Determinar as bases fisiológicas e genéticas com relação aos estresses ambientais; - Preservar as fontes e explorar as possibilidades da variabilidade genética; - Combinar as disciplinas de genética e fisiologia de plantas para projetar plantas; - Continuar e encorajar as pesquisas básicas em desenvolvimento de plantas.
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. Em condições ótimas registra-se eficiência de 3 a 4% nas plantas C3 e de 5 a 6% em plantas C4. Assim sendo. 1978). . 86 Tópicos em Ciências Agrárias. c) quantidade de energia convertida (fixação de CO2).Desenvolver e implementar modelos para a prática de proteção de plantas. d) quantidade de energia transportada para as partes úteis da planta (partição de assimilados) e e) metabolismo nas partes úteis da planta (eficiência na utilização). Vários são os componentes que englobam este complexo mecanismo da expressão fenotípica da produtividade (Figura 2). A baixa eficiência é considerada o primeiro fator limitante da produtividade. Figura 2.Expandir as pesquisas para que no futuro se desenvolva o controle biológico de plantas.Treinamentos para se desenvolver resistência estável de doenças em plantas. .Necessidade de pesquisas para o desenvolvimento e administração de sistemas integrados para combinar proteção estável para os vários estilos de agricultura. Esquema da expressão fenotípica da produtividade (Nasyrov. 1. Segundo Bernardes (1987).Melhorar os pesticidas e o seu uso.f) Com relação à proteção de plantas: . 1978).Inovação de abordagens para proteção de plantas. .Aumentar o entendimento dos fundamentos biológicos das doenças. . a produtividade final da cultura depende de: a) quantidade de energia incidente (excitação eletrônica). . que ocorrem na ontogênese sob influência das condições externas (Nasyrov. É estimado que a produtividade potencial possa chegar a 12%. 2009 . b) quantidade de energia interceptada e absorvida. a eficiência fotossintética das plantas é baixa. A produtividade de uma planta é resultado de processos e diversas reações complexas. v. UFRB. não atingindo 1% na maioria das espécies.

respondendo e percebendo os estímulos ambientais. afetando os processos metabólicos através da transcrição e tradução. UFRB. Adicionalmente. visando aprimorar os padrões de produção e produtividade. O significado ecológico dos hormônios vegetais reside no seu papel como substâncias tradutoras. Os fatores físicos (biótopo) podem ser classificados como climáticos (altitude. os principais fatores envolvidos na produção vegetal são: a) cinética do crescimento vegetal e b) controle do crescimento e do desenvolvimento vegetal (controle intracelular ou genético. 2009 87 . A ação interna dos hormônios depende do estádio de desenvolvimento da planta. vento. sendo esta. Vieira & Monteiro. para se obter eficiência no melhoramento genético. serão bem mais expressivos e significativos em cultivos onde o sistema de produção já apresenta níveis elevados de tecnologia. transporte. redução do ciclo produtivo (permitindo mais safras) e tolerância à condições de estresse (York. certamente. dependendo do órgão envolvido e da predisposição da planta. O controle ambiental. ocorre uma fase central de rápido aumento de tamanho designada fase de crescimento ou fase linear. regulando o crescimento e o desenvolvimento vegetal (Castro & Vieira. com expectativas de boas produtividades. eficiência de uso de minerais pela planta. as demais características (aquelas que não sejam objeto do melhoramento) devem se manter relativamente uniformes (Snyder & Carlson. tem apresentado resultados significativos. função da disponibilidade de água e nutrientes do substrato e da capacidade fotossintética (fixação de CO2) da planta. influenciando positivamente na produção e produtividade das culturas. vigor das plântulas. 2004). nebulosidade. da manipulação da arquitetura foliar do aumento da eficiência de conversão da RFA em matéria seca através da manipulação das taxas de fotossíntese bruta. 1984). outras plantas. pode afetar a morfologia e a reprodução do vegetal. quando aplicadas em baixas concentrações em sementes ou na parte aérea das plantas. e estão em constante interação com os fatores ambientais. ou mudanças na concentração. e sincronizam o desenvolvimento da planta com as mudanças estacionais do ambiente. eles regulam a intensidade e a direção do crescimento. Vários processos têm sido investigados com o objetivo de se elevar a produção vegetal: eficiência fotossintética. índice de colheita (IC). Os fatores endógenos são ativos não somente em níveis molecular e celular. os hormônios vegetais também possuem um papel de coordenação dentro do organismo. pragas. como catalisadores. Segundo Salisbury & Ross (1994). Magalhães. crescimento e desenvolvimento radicular. A aplicação de biorreguladores e de estimulantes vegetais. produção de vagens. Os hormônios atuam em nível de genes. O controle genético envolve as características da planta que ela carrega em sua bagagem genética herdada. Segundo Larcher (1995). O aumento da fotossíntese pode ser alcançado através de: aumento da interceptação e melhoria da distribuição da radiação fotossinteticamente ativa (RFA) no dossel da planta. essas substâncias. (1986). Os vegetais estão condicionados pela sua constituição genética. No entanto. topografia e o material de origem do solo que influencia nas propriedades físicas e químicas. onde estão envolvidas a floração e a maturação do fruto (Martinez . moléstias. após a planta ter atingido o tamanho definitivo. Após a germinação e o estabelecimento de uma plântula . também conhecido como de concorrência. Os fatores do meio biológico (biocenose) são os organismos que podem afetar o crescimento e o desenvolvimento do vegetal (microorganismos. e o teor de matéria orgânica. 1985). O crescimento de um vegetal é lento no início e depende das reservas (cotilédones ou endosperma) contidas nas sementes. 1987). fixação de nitrogênio atmosférico e seu aproveitamento. e corresponde às últimas etapas do desenvolvimento da planta. Além disso. Esta fase é denominada exponencial ou logarítmica (fase I). outros animais e o próprio homem). Junto com os fatores externos. A utilização dessas substâncias pode influenciar positivamente a germinação de sementes. gases atmosféricos. existem evidências de que os hormônios vegetais controlam a atividade gênica. Segundo Casillas et al. É um período de crescimento vegetativo (fase II). Seus resultados. latitude. Tópicos em Ciências Agrárias. temperatura e energia radiante) e edáficos (posição geográfica. os hormônios vegetais iniciam processos de crescimento e diferenciação. São as condições do ambiente onde está inserido o vegetal (Lucchesi. número e massa seca de grãos por planta (Vieira & Castro. 1989). O fenótipo não é uma mera tradução do genótipo. respiração e fotorrespiração (Hay & Walker. Todas as partes da planta são informadas também através da síntese. ocorre uma fase em que a taxa de crescimento vai sofrendo decréscimos cada vez maiores na acumulação de matéria seca. 1994). onde existe uma relação linear entre o logaritmo do crescimento e o tempo. 2002). armazenamento e mobilização de substâncias nutritivas. atividade metabólica. Esta fase se denomina fase de envelhecimento ou de senescência (fase III).Segundo Lucchesi (1987). 2001. água. 1. mais sim uma reação normal frente às ações dos fatores ambientais. controle intercelular ou hormonal e o controle extracelular ou ambiental). v. Os hormônios vegetais agem em diminutas concentrações. Finalmente. sendo portanto capazes de promoverem as mais variadas alterações morfológicas e fisiológicas nos vegetais. é necessário que as características em questão apresentem diferenças facilmente observadas e herdabilidade suficiente para se obter diferenças nas progênies. favorecem um melhor desempenho dos processos fisiológicos vitais. da natureza do estímulo externo e do tempo de ação. As reações provocadas podem se sinergéticas ou antagônicas.Laborde & Garcia. de um ou mais hormônios. 1994 .

V. R. Fortaleza: Edições Universidade Federal do Ceará. 88 Tópicos em Ciências Agrárias. v.Apesar de ser possível elevar a produção aumentando a taxa fotossintética através de alterações no meio ambiente (nível de CO2 ou luminosidade).A. Analisis cuantitativo de la aplicacion de cuatro bioestimulantes en el cultivo en el cultivo del rabano (Raphanus sativus L. n. WEST. 2. D. LONDOÑO. INC. 2001. 1995. BRIGGS. Ecofisiologia da produção agrícola.7. Buckup. REFERÊNCIAS BERNARDES.D. Boote & Tollenaar (1994).. M. de Antonio de Pádua e Hildegard T. a manipulação do período de enchimento de grãos parece ser a característica mais promissora em termos de aumento de produtividade.L. Ultimamente. E. p..M. FERREIRA.A. São Carlos: RiMa Artes e Textos. J. 1986. 7. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária Ltda.A.J. HALL. p. por exemplo. 464p.R.. In: CASTRO. que qualquer alteração genética nas plantas deve vir acompanhada de mudanças nas técnicas agronômicas a fim de que realmente haja um incremento da produção em nível de campo. 103-123. TOLLENAAR. Appl. FERRI.103-123. K.O. An introduction to the physiology of crop yield. .T. Ecofisiologia vegetal. v. P. provavelmente devido a mecanismos de auto regulação da planta (Gifford et al. v. 292p. YAMADA. New York: John Wiley & Sons. VIEIRA. KIDD.J. Carlos Henrique Britto de Assis Prado. Ann.O. KIDD. Fisiologia vegetal 1. COOMBS. 531p. W. Ecofisiologia vegetal. v.J. Crop productivity and photoassimilate partitioning. 1986.801-808. HITZ..J. K.H. LARCHER. 1920.. 2. 36.. F. 1989.E.H. têm se procurado avaliar o efeito de possíveis alterações genéticas na planta sobre seu potencial produtivo através de modelos de simulação. CASTRO. WALKER. n. Introduction to plant physiology. Modelling genetic yield potential.. C. Biol. G. não tem sido possível aumentar a produção através de manipulação genética ou química do sistema fotossintético em níveis inferiores ao de desenvolvimento da área foliar. R. Appl... C. 319p. 1985.. . W. no entanto.A. J.L.C. 1987.. 1989.J.. cap. GIFFORD. W. S. respectivamente. BUITRAGO G. LARCHER.).. THORNE. G. 132p.E. p.R. part I. Part I. Trad. F. 4664. p. Técnicas de bioprodutividade e fotossíntese. BRIGGS. 2009 . 1. Trad.G. Longman Scientific and Technical. utilizaram os modelos SOYGRO e MAIS para estimar o efeito de algumas estratégias de manipulação genética sobre o aumento de produção em soja e milho. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária Ltda. Segundo esses autores.. .M. Fotossíntese no dossel das plantas cultivadas.G. Acta Agronomica. CASILLAS. Nova York. Piracicaba: POTAFOS. 2000. 1920. R. 290p. UFRB. A quantitative analysis of plant growth..C. HOPKINS.).. GUERRERO A..S. v. I. P.A. (Eds. M.K. Science.225. p. Aplicações de reguladores vegetais na agricultura tropical. M. GIAQUINTA. A. 1984. T... Guaíba: Livraria e Editora Agropecuária.C. A quantitative analysis of plant growth. HAY. WEST. In: BOOTE. 1984). 13-48. Biol.. 362p. W. 185195. Ann. É importante lembrar. BOOTER.

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CAPÍTULO 7 ECOFISIOLOGIA E FLORAÇÃO DA MANGUEIRA E CRESCIMENTO DO FRUTO DE MANGA Manoel Teixeira de Castro Neto & Anna Christina Passos Menezes Tópicos em Ciências Agrárias .

Sendo assim. e neste capítulo são colocados alguns resultados obtidos. Dentre destes aspectos. muitos desses caem ao atingirem 2. umidade e produção de carbohidratos. Em nenhum momento os pontos discutidos aqui são conclusivos e há muito o que saber antes de se ter uma posição definitiva sobre a ecofisiologia da mangueira.1995). v. É conhecida pela sua alternância de produção ou produção irregular. dependendo das condições climáticas de cada região. uma vez que ramos entre 4 a 18 meses de idade poderão emitir inflorescências (Silva. peso. 1960). diversos trabalhos foram conduzidos no programa de pós-graduação da então Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia. podendo ser compacta ou aberta.ECOFISIOLOGIA E FLORAÇÃO DA MANGUEIRA E CRESCIMENTO DO FRUTO DE MANGA Manoel Teixeira de Castro Neto1. A iniciação e desenvolvimento de novos ramos dependem da disponibilidade de nitrogênio. 1974). com pedúnculo curto (Silva. As variedades apresentam fruto tipo drupa. apresentando um crescimento vegetativo caracterizado por desenvolvimento ativo e dormências periódicas (Castro Neto. A principal finalidade desta publicação é mostrar o conhecimento atual sobre o assunto e onde são necessárias informações para elucidar os fatores que limitam a produtividade da cultura. FLORESCIMENTO E FRUTIFICAÇÃO A mangueira (Mangifera indica L. 1. considerada uma frutífera tropical. BOTÂNICA. INTRODUÇÃO A cultura da mangueira se destaca na pauta de exportação das frutas brasileira e portanto. que apresentam. UFRB. Estes surtos estão correlacionados com os futuros florescimentos e conseqüente frutificação.) se caracteriza por possuir porte médio a alto (10 a 30m). HÁBITOS DE VEGETAÇÃO.com Professor . A mangueira se caracteriza por apresentar baixa eficiência em termos de frutificação. forma.4 cm de diâmetro. considerandose que em torno de 0. Cruz das Almas-BA E-mail: mtcastroneto@gmail. a fixação e a queda dos frutos adquirem uma importância fundamental. em grande parte influenciada pelas condições ambientais e tratos culturais (Singh. Pode apresentar vários surtos vegetativos por ano. coriáceas. é necessário o conhecimento dos aspectos ecofisiológicos da cultura para que se possa desenvolver um manejo sustentável e produtivo. queda de flores e frutos. primavera e verão. o processo de indução do florescimento é o que tem chamado mais a atenção dos pesquisadores e produtores. Como não poderia deixar de ser.Centro de Ciências Agrárias. florescimento e Tópicos em Ciências Agrárias. com características muito variáveis quanto ao tamanho.Faculdade de Agronomia do Médio São Francisco/UNEB. 1997). em alguns casos os frutos desenvolvem-se partenocarpicamente.1% das flores hermafroditas chegam efetivamente a frutificar (Silva. No estudo da frutificação da mangueira. Anna Christina Passos Menezes2 1 2 Professor . contudo. em muitos casos fatores climáticos limitantes ao seu desenvolvimento. Para o florescimento da mangueira. que é coriácea. 2009 93 . Para Popenoe (1917). que tem como causa o florescimento irregular. 1997). a queda indica a necessidade de polinização das flores. coloração da casca. As folhas são lanceoladas. as sementes variam também em termos de forma e tamanho. pois. Ecofisiologia da mangueira A mangueira. é cultivada nas mais diversas regiões equatoriais e mesmo nas subtropicais. distribuídos do final de inverno. Ambientais e Biológicas/UFRB. com a copa variando da forma arredondada globosa à piramidal. Juazeiro-BA. Além destes fatores. a variação no nível de inibidores/promotores de crescimento nas folhas e/ou ramos afetam o padrão de crescimento da planta (Castro Neto. é importante que haja a paralisação do crescimento da planta e um período anterior de dormência. uma vez que determinam a colheita final (Doni. 1995). sendo essa diferenciação. e a polpa com vários tons de amarelo. muitos trabalhos têm sido conduzidos focando-se diferentes aspectos da cultura. 1997).

por exemplo. Muitas pesquisas evidenciaram este fenômeno. 1995). A maioria das panículas emitidas se situam na periferia da copa. (1995). desde que não ocorram outros fatores limitantes como. Sendo assim. a experiência tem demonstrado que durante o ciclo de uma cultura. O ambiente possui uma influência profunda no crescimento e florescimento da mangueira (Whiley et al. os mais importantes que afetam o desenvolvimento da mangueira. independentemente da época de plantio e local onde é feito o cultivo. sendo os fatores: luminosidade. a mangueira poderá florescer à sombra porém. De maneira semelhante. temperaturas altas até 45oC não são prejudiciais à mangueira durante as diferentes fases de crescimento da planta. na época do florescimento.9°C. O conceito de unidades térmicas relaciona a taxa de desenvolvimento da planta com a temperatura acumulada acima da temperatura mínima basal (Monteith. 1. 1989). só irá frutificar bem com luz solar direta e abundante. perturbando o balanço hídrico (Castro Neto. zero de vegetação é a temperatura abaixo da qual não ocorre desenvolvimento vegetativo. para Maranca (1975). 1987). a determinação da época de colheita pode ser feita com base na quantidade de calor que a planta acumula acima de 9°C. por exemplo. (1992) encontraram 109 a 94 Tópicos em Ciências Agrárias. em Pakchong nordeste da Tailândia. Bugante citado por Lizada (1991) estabeleceu um período de 110 -130 dias para o fruto atingir a maturação. é relativamente constante. A mangueira Haden.). A mangueira responde claramente a uma determinada combinação de temperatura diurna e noturna. 1988). Luminosidade Existem poucas informações sobre os efeitos da luz nas trocas gasosas da folha da mangueira. posição que favorece a insolação sobre as mesmas. temperatura diurna e noturna. Temperatura Todos os seres vivos apresentam limites de temperatura bem definidos. Alguns autores estudaram a correlação entre a luminosidade e a atividade fotossintética e apesar dos resultados dos estudos não terem sido conclusivos. a ocorrência de baixas temperaturas propiciaria condições favoráveis ao desenvolvimento de oídio (Oidium mangifera B.5 a 27oC é considerada como ideal para o cultivo e. florescimento e frutificação (Donadio. 1987). 1989). 1971). Segundo Piza Jr. et al. A relação entre a atividade fotossintética das folhas e o florescimento da planta não foi investigada pelos autores. contudo. 2009 . A temperatura é um dos elementos climáticos mais importantes para a mangueira (Simão. 1997). Mota (1987) cita que Abbe (1905) e Holmes & Robertson (1959). para a cultivar Nang Klangwan. o que causaria injúrias nas estruturas reprodutivas (Sturrock.. a menos que venham acompanhadas de baixa umidade e ventos fortes. 1966). A temperatura base para a qual a mangueira não apresenta crescimento e desenvolvimento tem sido 9°C (Davenport. 1981). deficiência hídrica. o somatório das unidades térmicas. o que aumentaria a transpiração e perda de água. requer uma combinação de temperatura diurna/noturna de 19/13oC ou 25/19oC por um período de duas ou mais semanas para alcançar uma floração de 60 a 80% (Shu & Sheen. A faixa de temperatura entre 19. em seu desenvolvimento normal (Mandelli. medido em graus-dia. 1984). Para estes autores. Ketsa et al. e essa quantidade de calor é expressa em grausdia (Mota. Crescimento e graus-dia O conceito de graus-dia data de 200 anos atrás. UFRB. Qualquer deficiência ou excesso resulta em alterações no seu metabolismo e.frutificação (Silva. v. foi sugerida uma diferença entre a atividade fotossintética das folhas diretamente expostas ao sol quando comparadas com as folhas sombreadas da parte interna da copa (Schaffer & Gaye. 1997). auxiliando a abertura de flores e reduzindo o ataque de fungos. influindo na vegetação. consequentemente. 1980). que pode provocar a queda total das flores e frutos jovens (Costa. umidade do ar e do solo. baseado na acumulação de 1000 unidades de calor usando como temperatura-base 17. sugerem existir uma "temperatura-base" abaixo da qual as plantas não se desenvolvem e que cada planta tem a sua "temperatura-base". O crescimento de uma planta é diferente de acordo com a quantidade de calor a qual ela é submetida durante toda a sua vida. Uma das causas da baixa produtividade da mangueira é a ocorrência de baixas temperaturas. O acúmulo de graus-dia também tem sido usado para calcular a melhor época de colheita da manga. Além disso. Para a cultivar Carabao.

outras inibindo. a ativação de um carregador de H+ (ATPase). em pequenas quantidades promove. a resposta aos reguladores vegetais. provocam múltiplas interações capazes de alterar o resultado. REGULADORES DE CRESCIMENTO Em fruticultura. efetivamente. liberando oligossacarinas que podem estar relacionadas com um sistema regulador gênico que leva à transcrição de novo RNAm. a amplificação do efeito hormonal por mensageiros secundários (trifosfato de inositol. Um regulador de crescimento vegetal é um composto orgânico diferente dos nutrientes que.000 mm/ano. estado fitossanitário das árvores etc. comumente empregada para induzir a formação de raízes adventícias em podas e reduzir a queda de frutos nas colheitas de âmbito comercial (Bartel. Em certas ocasiões. em regiões que apresentam de 500 a 2. pelo fruto. A exigência mínima da mangueira em termos de precipitação seria 1. O modo de ação dos promotores de crescimento envolve a ligação do hormônio a um receptor na membrana plasmática (proteína G). com isso. A ocorrência de um período mais seco durante quatro a cinco meses proporciona à mangueira condições de atingir altas produções. como Índia. como do seu transporte para ele ou da exportação a outras partes da planta. o uso de reguladores de crescimento vegetal tem adquirido grande importância. Nordeste do Brasil. responsável pela síntese de novas enzimas que podem atuar na morfogênese (Castro. Provavelmente. existir também fatores que a modificam quantitativamente.1976). diacilglicerol. Os inibidores do desenvolvimento atuam impedindo o desenvolvimento do fruto. inibe ou modifica de alguma maneira os processo fisiológicos vegetais (Weaver. que provoca a acidificação em compartimentos da parede celular. 1999). portanto. Ca2+-calmodulina). proteína quinase C. isso se traduz em regulação do desenvolvimento (reguladores de desenvolvimento). 1996).. v. tais como tipo de solo. Os pioneiros neste campo demonstraram que alguns reguladores de crescimento. e de sua inativação através de sua conjugação com outros compostos ou de seu catabolismo (Agustí. podendo. As condições de cultivo.1992). pois com seu emprego é possível modificar diferentes processos fisiológicos levados a cabo em forma natural pelas plantas. umas promovendo processos.118 dias da fixação do fruto à maturação. poderiam inibir a abscisão e então. sendo cultivada entretanto. 1984). em detrimento de florescimento e frutificação (Simão.1971). Em todos os locais nos quais a mangueira tem importância comercial ocorre um período seco na época de florescimento. polinização e fixação dos frutos (Silva. induzem a mangueira a um crescimento vegetativo intenso. A atividade hormonal tem sido explicada através da ação que exercem algumas substâncias (hormônios) sobre a expressão da informação genética.. retardar a queda de Tópicos em Ciências Agrárias. todavia. de modo que esse equilíbrio entre ambos os grupos de reguladores de desenvolvimento é que determina o crescimento e desenvolvimento posterior do fruto (Takahashi et al. 1997). em decorrência da diminuição do ataque de fungos e do favorecimento da floração. sendo que o calor acumulado oscilou de 991 a 1006 graus-dia. O resultado final é conseqüência da interação entre todos elas. é a causa de sua influência na resposta (Castro et al. da atividade enzimática e a função das membranas.500 mm/ano. com temperaturas elevadas e precipitações freqüentes. isto é. Áreas tropicais úmidas. 1.1975) Auxinas O ácido naftalenacético (ANA) é uma auxina sintética. fertilização. Como sua presença é em geral em todos os frutos com semente e sem semente. a resposta aos reguladores vegetais pode ser pequena ou não se produz. UFRB. de diversos hormônios. As condições do meio podem alterar o metabolismo da planta e. Flórida. controle de plantas invasoras. a interação com fatores ambientais deve ser conhecida. São Paulo. em concentrações diluídas. este resultado depende tanto da biossíntese. 2009 95 . Israel e Austrália. sua ação se estende à interação com os promotores. a influência que tais fatores exercem sobre a síntese e a acumulação dos reguladores vegetais e. Umidade relativa do ar Produção satisfatória de manga pode ser obtida em áreas tropicais e subtropicais de alta ou baixa umidade (Campbell. quando utilizados sob a forma de pulverização. irrigação. Assim. no desenvolvimento dos órgãos.. provocando sua abscisão. 1997). No caso dos frutos. capazes de romper e refazer ligações entre microfibrilas da parede ou provocar a quebra de seus polissacarídeos. promovendo ativação de enzimas (endo-trans-glicosilase ou bglucam sintetase).

o ácido naftalenoácetico (ANA). a maior parte deles desconhecidos (Agustí. que pode estar comprometida quando o número de flores formado por planta é excessivo. Sendo assim. Luckwill. O entendimento dos vários fatores externos e internos que envolvem a indução do florescimento em mangueira é crucial para o desenvolvimento de uma prática de cultivo satisfatória e o alcance de rendimentos regulares (Singh. Em alguns casos não é o número insuficiente de flores que limita a colheita. e Abbott nos anos 50 conseguiu demonstrar que a eliminação das sementes promovia a abscisão dos frutos e que elas poderiam ser substituídas em sua ação pela adição de auxinas.. variando segundo a cultivar e a temperatura subsequente à aplicação. o forte estímulo floral gerado em climas subtropicais pode mascarar completamente o efeito do KNO3. 1964 e Overholser et al. Resultados obtidos por Batjer (1948). 1943). como o etileno e as auxinas que influenciam o florescimento da mangueira. observação visual da intensidade de floração tem revelado a eficiência dos agroquímicos utilizados. ainda falta uma explicação para o seu papel na indução. determinam. muitas substâncias. 1. nos anos 40. embora a frutificação esteja correlacionada ao florescimento somente quando este é escasso ou demasiado (Becerra & Guardiola. é apenas representado pela ação da giberelina e de outros hormônios. Ambos os fatores. com o tamanho final do fruto. ou que procuram investigar o papel de possível regulador/inibidor no processo de florescimento. Neste sentido. Das dez substâncias por eles testadas.maçãs na pré-colheita. floração e fixação. demonstrou a presença de auxinas em sementes de maçãs durante seu desenvolvimento inicial. no que se refere ao retardamento da queda de frutos. 1991). sobretudo. sendo esta uma das limitações deste regulador de crescimento (Childers. v. Baseado nos modelos de florescimento. Os modelos de floração da mangueira são fundamentais para a determinação de métodos de indução do florescimento e do manejo adequado para a cultura... embora provoquem o florescimento da planta. 96 Tópicos em Ciências Agrárias. que nas condições tropicais semi-áridas do Nordeste Brasileiro promove uma aceleração na floração da mangueira e nenhum efeito nas regiões subtropicais da Flórida. Uma dessas substâncias é o Nitrato de Potássio (KNO3).1969). O processo de floração ainda possui muitas respostas para serem respondidas antes que se possa controlá-lo completamente. Também. Nesses modelos pode-se ver o efeito dos fatores ambientais.1999). 1984). Contudo. No entanto. indicam que a folhagem é a principal responsável pela geração do estímulo do ANA.1960). como o controle hormonal da floração.1978). mas. a colheita. Diversos modelos de floração (Figuras 1 e 2) têm sido proposto por diferentes pesquisadores (Davenport. Muitas vezes são estudos que testam deferentes substâncias para o florescimento. sem o qual a formação do fruto é impossível. Martinez-Zaporta. 1997 e Chacko. O período de efetividade do ANA é relativamente curto (10 a 28 dias). o naftaleno acetamida e os sais do ANA se destacaram por sua efetividade. a produção das plantas frutíferas depende. sim. como temperatura. a indução do florescimento (Figura 3) é feita com a utilização do paclobutrazol. aliando a uma série de outros elementos químicos que ainda não existe confirmação científica da sua eficiência. portanto. 2009 . a fixação destas. Seu conhecimento fica plenamente justificado quando se quer melhorar a produção (Castro et al. Na região do pólo irrigado Juazeiro/Petrolina. os fatores fisiológicos.1969. Para Agustí & Almela (1991). as sementes em desenvolvimento constituem fontes de auxina (Raven et al. que requer carência de 3 dias. O florescimento é a fase crítica na determinação da produtividade. Explicação para esse fato pode ser devida a uma inibição dos mecanismos responsáveis pela resposta do KNO3 induzida pelas temperaturas mais amenas dos climas subtropicais. antes de se tornar efetivo (Childers. 1996). Floração A floração das plantas é conseqüência de um conjunto de fatores promotores e inibidores. UFRB. Aparentemente. da floração. os pesquisadores e produtores têm sugerido diversos métodos de indução do florescimento da mangueira. umidade do ar e precipitação sobre a indução do florescimento da mangueira.

UFRB. Relação entre os diversos fatores fisiológicos e ambientais sobre a floração da mangueira (Adaptado de Chacko. v.INDUÇÃO FLORAL KNO3 (Específico para cultivar e local) INIBIÇÃO FLORAL ESTRESSE HÍDRICO BAIXAS TEMPERATURAS ALTO VPD INUNDAÇÃO ANELAMENTO PODA DE RAÍZES MODERADA FOME DE NITROGÊNIO TERARDANTES E INIBIDORES DECRES. Auxinas Fotoassimilados Frutificação Giberelinas Auxinas Giberelinas GA3 GA1 GAX Crescimento Vegetativo Freqüêntes INDUÇÃO DO FLORESCIMENTO Promotor nas Folhas Baixas temp. Linhas simples indicam fatores promotores da floração. 1. Modelo de floração segundo Davenport 1997. PARADA DO CRESCIMENTO Alto teor de Sacarose Elo Perdido Aplicação externa de Geberelinas Aumento de assimilados para a gema meristemática Açúcares Divergência de assimilados das regiôes meristemáticas apicas dos ramos Estimulação do crescimento pelos altos teores do giberelinas Temperaturas Altas Umidades Altas Alta Umidade do Solo Alto teor de Nitrogênio Teor alto de substâncias de reservas Partição eficiente do assimilados Baixas Substâncias de reservas Mais formação de madeira Cultivares precoces e anãs Cultivares muito vigorosas Frequêntes fluxos de raízes e ramos Altos níveis de Giberelinas HEREDITARIEDADE JUVENILIDADE Figura 1. Tópicos em Ciências Agrárias. 1991). Outros fatores? GA3 GAX Ramo Vegetativo Ramo Misto Ramo Reprodutivo Poda Desfoha KNO 3 Etileno INICIAÇÃO DO CRESCIMENTO Baixas Temperaturas INICIAÇÃO RADICULAR Anelamento ESTRESSE HÍDRICO ARMAZENAMENTO DE CARBOIDRATOS Citocininas RAÍZES Figura 2. 2009 97 . Linhas duplas indicam fatores que inibem a floração.

parecem ser os principais determinantes do aumento do peso da matéria fresca dos frutos carnosos. Todavia. na segunda. O acúmulo de matéria seca é determinado pelos mesmos fatores e o aumento do volume do fruto deve-se tanto ao incremento do número como ao tamanho das células (Coombe. particularmente os frutos carnosos. Frutos e sementes em crescimento constituem drenos com alta capacidade mobilizadora de assimilados. tomando a conformação sigmóide. peso. linear e senescente do crescimento sigmóide. cuja curva sofre inflexões. Reis & Muller. em condições de campo. 1978). 2004) Crescimento dos frutos Nas culturas. a distribuição de assimilados para partes de importância econômica pode ser limitada por fatores externos. 1978). que fazem com que a força do dreno passe a ser limitante (Watson. ocorre o crescimento em taxas máximas e a terceira caracteriza-se pela redução da taxa de crescimento. Contribuição adicional. A eficiência do crescimento das plantas e de seus órgãos varia sensivelmente em função da idade e das condições ambientais (Reis & Muller. maneiras de se aumentar a produtividade agrícola. o crescimento por divisão celular é de curta duração. 1976). Parâmetros como volume. o rendimento econômico resulta do crescimento ou armazenamento de reservas em partes de valor comercial. Potencialmente. nesses drenos. enquanto que a expansão celular pode continuar até a maturidade (Chitarra & Chitarra. Os frutos em desenvolvimento constituem um dos reservatórios da planta para onde se translocam muitas substâncias. Na primeira. sofra limitações pela fonte. conteúdo de proteínas mostram padrão sigmóide quando analisados no decorrer da vida da planta (Miller. mas seguem um padrão. com a expansão máxima do órgão ou organismo. Num mesmo fruto as quantidades destas diversas substâncias que se deslocam para cada uma das 98 Tópicos em Ciências Agrárias. altura.1971). A área foliar disponível por fruto é muitas vezes insuficiente para manter um crescimento adequado. 1967. Drenos vegetativos sofrem restrições ou mesmo paralisação no crescimento. A divisão celular anterior à antese e a expansão celular após a antese. isto é. significando que o crescimento é lento no início. Estas fases correspondem. no entanto. (Adaptado de Castro Neto.. a princípio. impõem limitações. pela utilização de reguladores químicos ou por intermédio de práticas de manejo constitui. Isto significa que. às fases logarítmicas. 1985). Esquema mostrando o manejo de floração da mangueira sob irrigação e em clima tropical semi-árido. 1973). o crescimento é relativamente lento. a divisão. mas aumenta continuamente. 1990).a. É possível que em muitos casos o seu acúmulo. Fruto Início das aplicações de nitrato de potássio (3% . Novo Aplicação de PBZ (1 g i. o tamanho aumenta exponencialmente com o tempo.4 %) – Ramos com 110 dias Floração – Ramos com 120 dias Figura 3. A formação das partes que compõem um fruto engloba as mesmas três fases verificadas no desenvolvimento dos órgãos vegetativos. é fisiologicamente muito semelhante ao crescimento vegetativo. vindo a seguir um período de aceleração e. 1. o aumento de volume e a diferenciação celular (Meyer et al. as células e órgãos apresentam crescimento diferenciado. expansão máxima. v. UFRB. O desenvolvimento dos frutos.100% da necessidade de água da cultura Ramo maduro apto Brotar Brotação Vegetativa Ramo . Em geral. A taxa de translocação de assimilados para um dreno específico pode ser estimada pela taxa de acúmulo de matéria seca desse dreno (Almeida & Valle./m de diâmetro de copa –Ramos com 30 dias Amadurecimento do Ramo Aplicação de etileno intercalado com sulfato de potássio KNO3 Frutificação e Amadurecimento do Colheita – 110 dias da . A iniciação de estruturas reprodutivas é um evento fenológico em que a distribuição de assimilados é redirecionada. A modificação da distribuição de fotoassimilados em benefício de partes de interesse econômico pelo melhoramento genético. 1995). porém menor. maturidade e senescência (Salisbury & Ross. As interações mútuas entre indivíduos. superfície. uma fase em que o crescimento diminui até cessar. resulta da divisão celular após a antese e de um aumento na concentração de solutos. 2009 floração . potencialmente. respectivamente.

determinam o pegamento de frutos. a fixação ocorre após a queda fisiológica. é de 120 a 150 dias. dentre outros fatores. 3. basicamente em decorrência da competição por nutrientes. a época e as condições ambientais em geral (Albuquerque et al. Essa frutífera realiza um "desbaste" natural. denominada estádio juvenil. segundo Gortner et al. O conhecimento de aspectos relacionados ao crescimento do fruto e a sua associação com o ponto de maturidade fisiógica é de considerável importância por subsidiar o planejamento de novos projetos de pesquisa. de acordo com as condições climáticas e do manejo em cada região. cargas excessivas. com o fruto apresentando profundas transformações químicas e físico-químicas e se extende até o 77° dia.70% dos frutos inicialmente fixados. a reposição de nutrientes em função da demanda da planta. Segundo Abeles et al. falta de afinidade da enxertia e ausência de luz . Para Simão (1958). UFRB. ataque de pragas e doenças. que se estende até o 40°dia.4 frutos por panícula foi fixada até a colheita. A média de 0. o potencial de crescimento dos frutos. 94 a 99% aos 60 dias. menos que 1% dos frutos atingem o estádio de maturação (Simão. Barnell (1939). 1977). 1995). 1971). isto é. menos 0. v. as flores que estejam em melhor disposição na planta (flores companheiras e aquelas que se encontram em brotações com folhas). da competição dos frutos em desenvolvimento por carboidratos. A variedade Haden apresenta: 0. A mangueira é sujeita à pesada e continuada queda de frutos.0% em relação às flores inicialmente formadas. 1994). O fundamento da análise de crescimento é a medida seqüencial da acumulação da matéria orgânica e a sua determinação é feita normalmente considerando o peso da matéria fresca e/ou seca (Calbo et al. plantas de primeira floração. Aborto de Frutos O tipo de floração. O segundo estádio. a abscisão é regulada por um balanço entre fatores de juvenilidade (presumivelmente auxinas) que estão diretamente relacionados com o desprendimento das folhas e frutos e com a presença de enzimas que degradam a parede celular. (1967). a sua taxa de crescimento diminui (Meyer et al. Normalmente. caracterizando-se por um rápido crescimento celular.1959). em condições normais de cultivo da mangueira.67 a 0.3% de frutos por panícula e 50 frutos maduros por árvore. Apenas 25% das panículas mantêm de um a três frutos até a maturação. Numa maior floração ocorre uma menor fixação. provavelmente os frutos chegarão à maturação. excluído posteriores abscisões causadas por estresse fisiológico. 1997) e está dividido em quatro estádios. disfunção decorrente. Esta curva pode adquirir características diversas segundo a cultivar. inicia-se com a fertilização da flor e se estende por três semanas. (1971). a queda de frutos. entre outros: falta ou excesso de umidade. em oito variedades estudadas por Jawanda & Singh Tópicos em Ciências Agrárias. Wolfenbarger (1957) e Simão (1958) verificaram que de centenas de frutos existentes inicialmente na panícula. duplo-sigmóide ou triplo-sigmóide (Coombe. Os frutos. Krezdorn (1986) definiu fixação como o estádio de desenvolvimento em que. entretanto. dada a influência que tem no rendimento industrial e no custo de produção da conserva (Sachs & Rheingantz.. sendo. solos impróprios. considerandose que dos frutos formados. são inúmeros os fatores determinantes da queda dos frutos e das flores das árvores frutíferas. O terceiro estádio evidencia o processo de maturação. o crescimento do fruto da mangueira pode ser representado por uma curva sigmóide.0025% de frutos como porcentagem do número total de flores. o fruto atinge a máxima qualidade comestível. a partir deste.. 1. normalmente um só e excepcionalmente dois frutos chegam ao final do ciclo. (2004). da floração à colheita (Silva. 60 a 90% caem nos primeiros 30 dias. aos agricultores (Fonseca & Cruz. 1973). De acordo com Castro Neto et al. O percentual de pegamento de frutos. fatores hereditários. Mais de 99% são abortados (Castro Neto. falta de polinização.1% dos frutos de flores hermafroditas se desenvolvem em frutos maduros. apresentam curvas de crescimento caracterizadas como sigmóide-simples. O tamanho é uma das características do fruto mais enfatizada pela indústria.1999). provavelmente.várias regiões meristemáticas diferem consideravelmente e quando qualquer uma destas substâncias torna-se deficiente num fruto. O período de desenvolvimento do fruto da mangueira.. tendo maior possibilidade de fixação. a que tem despertado maior interesse é o amadurecimento. 1976). 1989).. já que nesta fase. A primeira fase. 0. 2009 99 . mudanças bruscas das condições climáticas. caracteriza-se pelo contínuo crescimento do fruto. 1967). O quarto estádio caracteriza-se pela senescência do fruto (Salunke & Desai. restando ao final apenas 0. o número de flores formadas e sua disposição. Dentre as fases do desenvolvimento de frutos. 1984).010% de frutos como porcentagem de flores perfeitas. um processo intimamente regulado pelo balanço hormonal da planta (Powell & Krezdorn. bem como fornecer informações que podem ser repassadas. dificilmente supera o valor de 5. água e outros metabólitos. havendo redução dos mesmos de acordo com a posição ocupada na panícula (Singh et al. a curto prazo. danos mecânicos ou devido a injúrias de pragas ou patógenos. dependendo da espécie. Na Índia. ação dos ventos.

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Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 8 VIABILIDADE E VIGOR DE SEMENTES DE MILHO HÍBRIDO PRECOCE Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio. Clóvis Pereira Peixoto.

a amostra é examinada cuidadosamente e separada em três constituintes: sementes puras. DETERMINAÇÕES PRELIMINARES Análise de pureza A pureza física é uma característica que reflete a composição física ou mecânica de um lote de sementes. A análise de sementes pode ser utilizada para o monitoramento da qualidade desde o início da condução do campo. Na análise. mediante os quais possam ser obtidos resultados uniformes e comparáveis entre diferentes laboratórios.edu.) (Brasil. estendendo-se até as etapas de distribuição e comercialização. os resultados referentes às sementes puras. quanto menor o teor de água e menor a temperatura. algumas sementes aparentando infecção (lote 2) e as demais sementes com aparência física normal (lote 3). principalmente se for mecanizada (influenciando na regulagem da máquina).Centro de Ciências Agrárias.VIABILIDADE E VIGOR DE SEMENTES DE MILHO HÍBRIDO PRECOCE Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio1. De acordo com as Regras para Análise de Sementes (R. especificando-se os nomes das espécies e cultivares presentes. procurando-se identificar as diferentes espécies de sementes e os materiais inertes geralmente presentes em uma amostra. outras sementes (de plantas cultivadas e de plantas silvestres) e material inerte. pois possibilita a obtenção de uma boa emegência no campo e de plantas vigorosas e uniformes com reflexos na produtividade. 1. v. separados apenas por uma classificação didática. armazenados em câmara seca. através da sua análise e da interpretação correta dos resultados. maior o período de Tópicos em Ciências Agrárias. Os vários testes aplicados foram divididos preliminarmente em de viabilidade e de vigor. Cruz das Almas-BA. E-mail: cppeixot@ufrb. Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio1 1 Professor .br INTRODUÇÃO A utilização de sementes de qualidade é um fator importantíssimo para o sucesso de culturas de importância econômica. Os resultados das outras sementes são expressos em número por peso da amostra de trabalho ou por unidade de peso. uma vez que poderá influenciar no momento da colheita.05 deve ser mencionada na ficha de análise a palavra "traço".A. Para sementes ortodoxas. como também a escolha dos métodos. 2009 107 . reveste-se de importância estudá-lo. fisiológica e sanitária da semente. Quando estas porcentagens são inferiores a 0. período e intensidade). bem como determinar a quantidade e a proporção desses constituintes (Marcos Filho et al.. Para tanto. 1992). materiais inertes e total de impurezas devem ser expressos em porcentagem por peso.S. Portanto. É de fundamental importância que métodos padronizados forneçam dados confiáveis. mas sua importância é mais destacada a partir da maturação. 1987). sendo que alguns deles pode estar em uma e outra classe de testes. Desta forma. verficou-se apenas duas sementes com dano mecânico visível (lote l). no controle da secagem (temperatura. a análise de pureza é efetuada em laboratórios. Sabe-se que a qualidade das sementes é avaliada com segurança. provenientes de três lotes da safra 1993/94. Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto1. Dessa forma. Ambientais e Biológicas/UFRB. Para um melhor entendimento desses aspectos será abordado a aplicação de diferentes testes em sementes de milho híbrido precoce. Clóvis Pereira Peixoto1. sem a presença de outras sementes ou de material inerte. UFRB. com uma casa decimal. Determinação do teor de água O teor de água exerce grande influência sobre o comportamento da semente quando submetida a diferentes situações. a análise de pureza física pode ser considerada com 100% de pureza . no beneficiamento (trincamentos ou amassamento) e na manutenção da qualidade física.

Cv. Métodos de análise em laboratório. sementes duras e sementes dormentes são expressas em números inteiros. e estas estão especificadas nas Regras para Análises de Sementes. Este teste visa a obtenção de informações que permitam determinar o valor das sementes para a semeadura e a comparação do valor de diferentes lotes.7 TESTES DE VIABILIDADE Teste de germinação Em tecnologia de sementes. evidentemente. 2009 . Dados médios da porcentagem de germinação em três lotes de sementes de milho híbrido precoce. os resultados nem sempre podem ser fielmente reproduzidos. têm sido estudados e desenvolvidos de maneira a permitir uma germinação mais regular. As sementes não germinadas são avaliadas e classificadas. Estas condições consideradas ótimas são padronizadas. teste de vigor e peso de 1000 sementes). e a diferenciação entre as plântulas normais e anormais. Em laboratório de análise de sementes.14 24. pois. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) Peso Úmido ( g ) 24. anormais.23 21. geralmente. sementes recalcitrantes.84 25. UFRB. efetuados sob condições controladas de alguns ou de todos os fatores externos. rápida e completa da maioria das amostras de sementes de uma determinada espécie. Se qualquer destes valores for igual a zero. Os testes de germinação em substratos artificiais permitem uma fácil avaliação das plântulas. e anotadas. para menos quando é igual ou inferior a 0. manifestanto sua capacidade para dar origem a uma plântula normal. a semeadura de lotes com baixo poder germinativo pode acarretar prejuízos consideráveis ao agricultor (Marcos Filho et al. Por outro lado. encontram-se na Tabela 2 indicando o poder germinativo das amostras testadas através da média das porcentagens de plântulas normais presentes nas quatro repetições dos lotes estudados. Somente plântulas absolutamente normais são removidas e contadas. sementes mortas. utilizando-se quatro amostras para cada lote. Obviamente. necessitam de alta umidade para manter a viabilidade. dada a variação das condições ambientais. 1. em quatro amostras de 100 sementes. Os resultados dos lotes de milho híbrido.70 Teor de Água ( % ) 11. e. todas as plântulas são avaliadas. determinado em estufa a 105°C por 24 horas. O estádio de desenvolvimento das estruturas essenciais das plântulas deve ser suficiente para permitir uma avaliação correta das mesmas.5 11. Na contagem final. algumas determinações exigem conhecimento do teor de água (peso volumétrico. As porcentagens de plântulas normais. como também as sementes duras e mortas. sendo classificadas como normais ou anormais. As plântulas são avaliadas normalmente em duas ocasiões durante o transcorrer do teste. AG 510. AG 510. satisfatória. 1992). 1987). fazendo-se aproximação para mais se a fração for superior a 0.6 11. Tabela 2. Tabela 1. como as de seringueira. Dados médios do teor de água (%) de sementes de milho híbrido precoce. para que os resultados dos testes de germinação possam ser reproduzidos e comparados dentro de limites tolerados pelas Regras para Análise de Sementes (Brasil.5.5.armazenamento. Cv. Uma “primeira” contagem é feita para diminuir o número de plântulas no substrato.. v. AG 510. sob condições ambientais favoráveis. Cv. O prazo de germinação da maioria da espécies é entre uma a duas semanas.60 Peso Seco ( g ) 21.95 22. A realização destes testes em condições de campo não é. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) 108 R1 96 94 92 R2 98 88 96 R3 100 98 94 R4 94 92 98 Tópicos em Ciências Agrárias. deve ser indicado com a palavra zero. a germinação é definida como a emergência e o desenvolvimento das estruturas essenciais do embrião. A Tabela 1 mostra os resultados médios do teor de água de sementes de milho híbrido precoce.

Testes de germinação paralelos aos de tetrazólio devem ser realizados para aferir a interpretação. o desenvolvimento de métodos para a determinação da viabilidade de sementes em um período de tempo relativamente curto. destacam-se. beneficiamento. TESTES DE VIGOR EM SEMENTES O aumento da atividade produtora de sementes no Brasil. em presença de uma solução de sal de tetrazólio Os testes de germinação. o que visa. os danos químicos causados por produtos utilizados no tratamento de sementes. O teste de tetrazólio é um método rápido.Teste de tetrazólio As empresas que comercializam sementes. muitas vezes. deterioradas ou danificadas. basicamente. Além da coloração. v. O desenvolvimento do conceito de vigor em sementes data de períodos coincidentes com os primórdios da humanidade. nem sempre é possível identificar danos mecânicos. apresentando um tom rosa brilhante bem superficial. Dentro deste contexto. na maioria das espécies cultivadas necessitam de 7 a 30 dias para obtenção dos resultados. Cv. 1. para a avaliação do teste é necessário conhecer com segurança a estrutura das sementes. informando a viabilidade e o vigor. AG 510. não podem protelar sua decisão. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 92 91 94 R2 96 92 95 Média 94 92 95 Compararando-se a porcentagem de germinação com a de viabilidade. ausência de fraturas em regiões vitais. Trata-se de um fator Tópicos em Ciências Agrárias. independentemente do período de permanência no tetrazólio. Tabela 3. danos causados por insetos e formação morfológica das sementes. Para sementes de milho. são observadas a turgescência dos tecidos. Como essa avaliação é feita sem a germinação. em geral. em amostras de 100 sementes. Cv. demonstrando que a solução teve dificuldade de penetrar nos tecidos devido à integridade das membranas celulares. a tecnologia de sementes. em amostras de 100 sementes. tem levado as empresas a buscarem um aprimoramento técnico de suas atividades. em particular. onde se encontram as raízes seminais. As sementes vigorosas colorem-se vagarosamente. enquanto o teste de tetrazólio pode informar a viabilidade das sementes em algumas horas. assume grande importância. agilizando decisões de compra. como também. Sementes mais velhas. a região central do escutelo. o teste de tetrazólio permite a obtenção dos resultados em menos de 24 horas. Verifica-se na Tabela 3 os resultados com os dados médios de viabilidade por lote de milho híbrido precoce. Diferenças na coloração dos tecidos pode não significar baixa viabilidade e sim alterações na sua permeabilidade. UFRB. Assim. pois. Nas sementes de milho. fato esse que ocorre com frequência. ao aumento de produtividade associado a um incremento na qualidade. armazenamento ou descarte de lotes. verifica-se que os resultados são bastante próximos. venda. e a região situada entre a plúmula e a radícula. os estudos relativos aos testes de vigor. Portanto. coleóptilo. Dados médios de viabilidade (em porcentagem) por lote de milho híbrido precoce. tem grande importância para o setor de sementes. as áreas vitais são: plúmula. como um segmento do processo de produção. Por isso. nos últimos anos. 2009 109 . tem procurado aprimorar os testes de germinação e vigor com o objetivo de que os resultados expressem a real qualidade fisiológica de um determinado lote de sementes. colorem-se mais rápida e profundamente e apresentam coloração vermelho-grená. os agricultores e os pecuaristas frequentemente se defrontam com problemas para escolha de lotes de sementes que pretendem adquirir. O teste de tetrazólio baseia-se principalmente na distribuição dos tecidos vivos e mortos no embrião. sempre admitindo diferenças em torno de 5% entre seus resultados. Por isso. no momento em que o homem passou a conviver e entender os outros seres vivos. com uma variação dentro da amplitude normal da amostra. quando muito recentes. que é de 3 a 5%. bem como as causas da perda da qualidade. AG 510. que estima a viabilidade das sementes com base na alteração da coloração de tecidos vivos. não são identificados os microorganismos que infectam as plântulas e. a radícula.

seus resultados.biológico que se evidencia facilmente aos olhos a partir de uma observação. Envelhecimento acelerado Este teste. Estes pesquisadores sugeriram que testes de germinação. Os testes de vigor oferecem apenas comparação entre o potencial fisiológico das amostras avaliadas. O vigor de sementes é o reflexo de um conjunto de características ou propriedades que determinam o seu “potencial fisiológico”. ou seja. (1987). O objetivo básico dos testes de vigor é a identificação precisa de “diferenças importantes” na qualidade fisiológica dos lotes comercializáveis. pretende-se distinguir. com segurança. como em uma amostra de sementes postas a germinar. vários métodos têm sido desenvolvidos para avaliá-lo com segurança. segundo as quais a morte de sementes durante o armazenamento era causada pela coagulação de proteínas e que o aquecimento “acelerava” este processo. 2009 . lotes com maior ou menor probabilidade de apresentar bom desempenho após a semeadura e/ou durante o armazenamento. sugerindo que o “envelhecimento rápido ou acelerado” poderia ser muito útil para avaliar o potencial relativo de armazenamento das sementes. Atualmente. 1. envelhecimento rápido ou envelhecimento artificial”. em geral. em 1915. geralmente estresses. AG 510 de milho híbrido precoce obtidos no teste de germinação após o envelhecimento artificial. Estudo que se baseava em informações obtidas por Croker e Groves. UFRB. procurando predizer o potencial relativo de armazenamento de lotes de trevo e de festuca. Diante desta situação. não permitindo “predizer” a futura porcentagem de emergência de plântulas em campo nem estimar o período de conservação da qualidade das sementes durante o armazenamento. rapidamente divulgados pelos tecnologistas de sementes. Esta sugestão foi considerada por vários pesquisadores e o teste de envelhecimento passou a ser incluído em inúmeros projetos de pesquisa e. resultando plântulas com diferenças marcantes quanto à característica que se pretende observar. Em 1962. a capacidade de apresentar desempenho adequado quando expostas a diferentes condições de ambiente. Tabela 4. v. envelhecimento precoce. após alguns dias de exposição à alta temperatura e umidade e verificaram alta relação com o vigor de sementes e emergência de plântulas em campo. foi desenvolvido por Delouche (1965). que avalia a resposta de sementes à temperatura e umidade elevadas. podem identificar as melhores e as piores amostras. Os dados apresentados na Tabela 4 permitem verificar que os valores absolutos obtidos no teste de envelhecimento. o teste é utilizado para avaliar o vigor de diversas espécies e incluído em programas de controle de qualidade por empresas produtoras de sementes pois. Dentre estes. opções dirigidas à obtenção da “resposta” de sementes quando submetidas a condições específicas de ambiente. poderiam ser úteis para predizer a longevidade. principalmente dos que possuem poder germinativo semelhante. o auxílio à seleção de genótipos durante o melhoramento de plantas e o embasamento de programas de controle de qualidade de sementes. há disponibilidade de testes que procuram avaliar “o estado atual de sementes”. no entanto. Em outras palavras. pode-se ter uma idéia do potencial de armazenamento dos lotes processados. a avaliação do potencial de armazenamento. Tratamentos 2 3 68 60 12 32 52 40 Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) 1 64 32 18 4 8 14 40 Médias 50 23 38 110 Tópicos em Ciências Agrárias. talvez o mais popular é o teste de “envelhecimento acelerado. Valores médios (%) para os lotes do Cv. em poucos dias. através da determinação de parâmetros associados ao vigor. não se aproximaram da porcentagem de emergência das plântulas. Para tanto. havendo também. O teste de envelhecimento artificial tem sido conduzido com diferentes objetivos. dentre os quais se destacam a seleção de lotes para semeadura (com base no potencial de emergência das plântulas em campo). citado por Marcos Filho et al. conduzidos após a exposição relativamente rápida de sementes secas à temperaturas elevadas (50-100ºC). Helmer. Delouche e Lienhard estudaram a resposta de sementes de trevo à germinação.

. 2009 111 . (1994). Entretanto. Valores médios (%) obtidos no teste de germinação para os lotes do Cv. Tópicos em Ciências Agrárias. a combinação de baixas temperaturas e excesso de água no solo é utilizada para permitir apenas a sobrevivência de sementes vigorosas. devese ter muito cuidado quando se faz comparação entre lotes. Teste de frio com solo O teste de frio é provavelmente o método mais utilizado para avaliar o vigor de semente. como o mais promissor para germinar sobre amplas variações das condições de água e temperatura do solo. 1989). porém. o que explica a obtenção de resultados desuniformes entre laboratórios. é também um teste adequado para avaliar a eficiência de fungicidas (Cícero et al. durante e após a colheita. encontra-se dentro do padrão estipulado por Grabe (1976) citado por Cicero (1992) e em Vieira et al. adaptado para outras espécies. verifica-se um comportamento intermediário do lote 2. não possibilitando a diferenciação de vigor entre os lotes. para avaliar o vigor de sementes de milho e.Embora um único teste de vigor não seja capaz de caracterizar todas as interações possíveis entre as sementes e as condições ambientais predominantes antes. os testes de campo são conduzidos em condições naturais de ambiente. principalmente se esses são constituídos de genótipos diferentes. a possibilidade de comparações entre lotes. seguidos pelos simples e linhagens (Cicero & Vieira. Como este teste envolve o uso de solo. após a semeadura. o qual apresenta alta variabilidade física e biológica. UFRB. procurandose simular condições desfavoráveis que ocorrem com frequência durante a época de semeadura (excesso de água no solo e baixas temperaturas) na área denominada Cinturão do Milho nos Estados Unidos. 1994 ). uma vez que apresentou menor porcentagem de emergência de plântulas normais. de híbridos duplos. Desse modo. inicialmente. Foi desenvolvido. posteriormente. Os resultados do teste de frio são geralmente expressos em porcentagem de plântulas normais. bem como as verificadas por ocasião da semeadura. assim. AG 510 de milho híbrido precoce após o teste de frio com solo. como de maior potencial de emergência em campo. No caso de milho. considerando aquelas com o comprimento maior ou igual a 2. diferenciando portanto o lote 1. no qual lotes de boa qualidade devem apresentar.5 cm acima do nível do substrato (AOSA. após a semeadura. com relação à tolerância aos diferentes estresses que as sementes possam vir a submeter-se. no mínimo. Quando realizados fora de época recomendada. 1. o teste de frio não é empregado apenas para espécies sujeitas a essa situação. torna-se muito difícil a sua padronização. a princípio. v. de preferência na época recomendada para a semeadura da espécie em avaliação. possibilitam ainda a comparação do vigor relativo entre os lotes em estudo. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) Tratamentos 2 3 94 96 84 78 88 94 Médias 96 83 88 1 92 88 86 4 100 80 84 Por outro lado. equanto decresce esta potencialidade nos lotes 3 e 2. pois considera-se que as sementes resistentes às condições desfavoráveis são mais vigorosas. Nos resultados da Tabela 5 observa-se um padrão de germinação entre os lotes que permite distinguir o lote 2 como mais sensível ao estresse provocado pela baixa temperatura e umidade elevada. mais do que valores absolutos para germinação. os resultados do teste de frio proporcionam. observou-se melhor germinação sob condições de baixa temperatura e alta umidade. pois essas condições podem afetar as sementes. Atualmente. 1983). No entanto. Porcentagem de emergência de plântulas no campo De acordo com Nakagawa (1994). alguns dos testes podem sofrer diminuição da sua sensibilidade face ao efeito das condições climáticas desfavoráveis. reduzindo a velocidade de emergência e favorecendo o desenvolvimento de microganismos patogênicos. 70 a 85 % de plântulas normais. destacando-se o lote 1. pois assim obtem-se resultados diretamente aproveitáveis para a implantação da cultura ou tem-se um bom indicativo da potencialidade dos lotes em fase inicial de desenvolvimento no campo. Tabela 5. assume grande importância no que concerne à identificação das potencialidades dos lotes estudados. Assim.

AG 510 de milho híbrido precoce em campo. que um dos objetivos. Tendo em vista. em testes fisiológicos. A Tabela 6 mostra as porcentagens médias de emergência dos lotes estudados. dificultando a diferenciação de vigor entre os lotes. Os que são conduzidos em laboratórios são classificados como métodos indiretos. determinar o vigor relativo do lote de sementes avaliando a velocidade de emergência de plântulas em condições de campo. 1. Este último. se não o principal. portanto. verifica-se o resultado do teste de velocidade de emergência de plântulas. indicando nítida diferenciação de vigor entre eles. principalmente pela inexistência de valores referenciais. Como estes testes apresentam o inconveniente da dificuldade de padronização face às diferenças das condições de campo (edáficas. todavia não afetará o vigor relativo entre os lotes. UFRB. 8 e 9. O lote cuja média foi maior é o que levou menos dias para a emergência das plântulas no solo. sendo o lote 2.Estes testes apresentam o incoveniente da dificuldade de padronização face às diferenças das condições de campo. nos estudos de teste de vigor ou nos trabalhos de avaliação de qualidade das sementes. entretanto. o que apresentou maior velocidade de emergência e conseqüentemente. 2009 . população e atividade de microorganismos) e da própria semente (tamanho. os mais empregados são o de velocidade de emergência e o de porcentagem de emergência de plântulas. é sempre interessante e recomendável a utilização destes em condição do campo. para que possa ser um bom indicativo da potencialidade dos lotes em sua fase inicial de desenvolvimento no campo. Os testes de vigor que se baseiam na avaliação de plântulas são realizados em laboratórios sob condições controladas ou em condições de campo (Nakagawa. podendo. inserem-se dentro dos métodos diretos. enquanto os realizados em campo. dormência). Este teste possibilita a comparação do vigor dos lotes semeados em uma mesma época. também denominados por alguns autores como de população inicial ou estande inicial. para cada lote estudado. empregando-se o IVE para cálculo. maior vigor. como o de menor potencialidade de emergência em um campo de produção. de preferência na época de semeadura recomendada para a cultura. deve-se ser bastante cuidadoso com sua interpretação. os de campo são conduzidos em condições naturais de ambiente. Os resultados dos testes são expressos em porcentagem e representam a média das repetições empregadas para cada lote em estudo. possibilitam ainda a comparação relativa do vigor entre os lotes estudados. Enquanto os testes de laboratório exigem instalações especiais e condições padronizadas de acordo com as Regras para Análise de Sementes (Brasil. climáticas. de população e atividades da microflora e microfauna). sofrerem perda da sensibilidade. alguns testes. dos testes de vigor é de verificar o potencial de emergência no campo em condições as mais amplas possíveis (favoráveis e desfavoráveis). O que não será sempre possível é a comparação entre os lotes obtidos em testes instalados em épocas distintas. haverá influência marcante da temperatura do meio sobre a velocidade de emergência. Tratamentos 3 92 72 81 Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) 1 90 84 80 2 88 77 83 4 85 82 80 Médias 89 79 81 Velocidade de emergência de plântulas Este teste tem como objetivo. de uma região para outra (diferenças edáficas. 112 Tópicos em Ciências Agrárias. 1992). Nas Tabelas 7. Baseia-se no princípio de que é tanto mais vigoroso um lote de sementes quanto mais rápida for a emergência das plântulas no campo. Calculou-se o número de plântulas emergidas nas quatro repetições para obter o valor do índice de velocidade de emergência (IVE) para cada lote. com base na repetição com 100 sementes no sulco ou linha. climáticas. de preferência na época recomendada para semeadura da espécie em avaliação. visa determinar o vigor relativo do lote de sementes avaliando a porcentagem de emergência de plântulas em condições de campo. Caso o teste seja feito em época distinta à recomendada para a cultura. Dados médios da porcentagem de emergência de plântulas em lotes do Cv. Em geral. v. 1994). com destaque para o lote 1. Quando realizadas fora da época recomendada. Tabela 6. de população e atividades de microflora e microfauna) e de épocas do ano em uma mesma região (diferenças climáticas.

45/15 37/16 6/17 2/18 5.Tabela 7. e realizando uma comparação da porcentagem de emergência de plântulas naquele dia. . que o lote 1 destaca-se como mais promissor. 47/15 32/16 1/17 12/18 5. Através desse procedimento pode-se evitar algumas interferências ou mascaramentos de resultados de velocidade de emergência de plântulas que as fórmulas possam trazer. apresentaram maior rapidez de emergência. 2009 113 . 61/15 20/16 0/17 2/18 5. UFRB. 58 24 5 1 88 R2 IVE . considerando a média de repetições para cada lote. DAS 1 . às vezes. 15 16 17 18 TOTAL R1 NPN 0 . IVE=Índice de velocidade de emergência. DAS 1 . IVE = Índice de velocidade de emergência.85 NPN 0 . 60 10 8 2 80 IVE .42 NPN 0 . 58/15 24/16 5/17 1/18 5. 45 45/15 20 20/16 7 7/17 10 10/18 82 5.2 DAS= Dias após semeadura. não totalmente favoráveis à espécie para o processo de germinação. NPN = Nº de plântulas normais. O lote que apresentar a maior porcentagem média neste dia definido será o mais vigoroso.AG 510 de milho híbrido precoce referente ao lote 3. DAS 1 . IVE médio = 4.AG 510 de milho híbrido precoce referente ao lote 1. por serem mais vigorosas. . 15 16 17 18 TOTAL R1 NPN 0 . Tópicos em Ciências Agrárias.73 NPN 0 . 47 32 1 12 92 R3 IVE . 34 34/15 33 33/16 2 2/17 3 3/18 72 4. indicando que suas sementes. 15 16 17 18 TOTAL R1 NPN IVE 0 . IVE médio = 5. caracterizando que suas sementes são mais vigorosas e possibilitando inferir. 62 17 0 1 80 R4 IVE .90 R3 NPN IVE 0 .61 R4 NPN IVE 0 . IVE=Índice de velocidade de emergência. em comparação com os demais. NPN= Nº de plântulas normais. 48 28 2 7 85 R4 IVE . 62/15 17/16 0/17 1/18 5. baseada na velocidade de emergência de plântulas sem o emprego de fórmulas. . é a de eleger determinado(s) dia(s) logo no início da emergência das plântulas. 45 37 6 2 90 IVE .21 NPN 0 . 67/15 12/16 0/17 2/18 5. verifica-se neste experimento.28 R2 NPN IVE 0 .AG 510 de milho híbrido precoce referente ao lote 2. que em condições não controladas de campo. NPN= Nº de plântulas normais.77 NPN 0 . IVE médio = 5. 48/15 28/16 2/16 5/18 5.25 DAS= Dias após semeadura.99 Tabela 9. 1. 67 12 0 2 81 R3 IVE . Teste de velocidade de emergência de 100 sementes do Cv.67 Tabela 8. 35 35/15 32 32/16 1 1/17 16 16/18 84 5. À semelhança de resultados anteriores.15 Outra possibilidade para a determinação do vigor relativo entre os lotes. v. Teste de velocidade de emergência de 100 sementes do Cv. 61 20 0 2 83 R2 IVE .71 NPN 0 . observando todos os lotes. 41 41/15 23 23/16 4 4/17 9 9/18 77 4. 60/15 10/16 8/17 2/18 4.35 DAS= Dias após semeadura. . teria sucesso em germinar e produzir plântulas normais em solo e ambiente climático. Teste de velocidade de emergência de 100 sementes do Cv. Cuidados especiais necessitam ser tomados no controle de pragas que possam prejudicar a emergência ou a manutenção das plântulas durante o teste.

31 10.70 mmhos/cm/g têm sido consideradas como de alto vigor. Tabela 10. temperatura de embebição e teor de água inicial de sementes) que podem causar variações nos resultados. tem duração de 7 a 14 dias. correspondem a lotes que se situam em categorias consideradas de alto a baixo vigor.. feijão.Teste de condutividade elétrica O teste de condutividade elétrica apresenta-se como um dos mais utilizados em testes de vigor. considerando que o mesmo apresentou maior taxa de lixiviados na solução. milho. O lote 2. o teste tem sido extensivamente usado para avaliar o vigor de sementes de ervilha na Inglaterra. geralmente 21. Porém. valores variando entre 4 e 30 mmhos/cm/g para sementes de milho. para a maioria das especies cultivadas. verifica-se que um grande volume de informações tem sido produzido. após vários estudos. por sua vez. em cada lote estudado.46 10. deve-se ter em mente os vários fatores (característica de sementes. Sem dúvida alguma. com bastante sucesso. Por outro lado. as Regras para Análise de Sementes estabelecem um limite de tempo para a duração do teste. já havia sido utilizado na década de 20 para estimar a viabilidade de sementes de capim timóteo. trevo vermelho. 28 ou 35 dias. considera-se que. no caso de soja.26 7.28 R3 9. devido à necessidade de submetê-las a um tratamento ou à desuniformidade ou menor velocidade de germinação. A partir destes estudos. Entretanto. os resultados de teste de condutividade elétrica só permitem comparações do potencial fisiológico dos lotes avaliados.22 12. Geralmente são efetuadas duas contagens: a primeira contagem é necessária para a diminuição do número de plântulas infeccionadas que podem comprometer a sanidade do teste e para reduzir a possibilidade de entrelaçamento entre plântulas. algodão. principalmente com sementes de leguminosas graúdas. AG 510 de milho híbrido precoce por repetição. No caso particular do teste de condutividade elétrica. Dentre esses aspectos é importante ressaltar as diferenças de condutividade elétrica observadas em sementes de diferentes espécies (Vieira et al. uma gramínea. Quando a semente apresenta dormência. 1. feijão e soja.37 Média 7. tempo de embebição. UFRB. o período pode ser ampliado. com rara exceção. verifica-se que os lotes podem ser separados em diferentes níveis. Embora sua utilização tenha sido intensificada a partir da década de 60. fornecidas pelo teste de condutividade elétrica (Tabela 10). condutividade de sementes de soja superior a 150 mmhos/cm/g é um indicativo de sementes de baixo vigor (AOSA. classifica-se como de pior desempenho.84 14. 1983). soja. para sementes do Cv. Logo.80 mmhos/cm/g já são valores com tendência para médio vigor. Muitos resultados de pesquisa têm indicado. Lotes 1 2 3 R1 6. Média dos resultados de condutividade elétrica (mmhos/cm/g). não se dispõe de parâmetros de comparação. para a interpretação dos resultados. que o teste pode ser utilizado para semente de soja. não só de armazenamento como também de semeadura. com apenas esses resultados. a medida da condutividade elétrica passou a ser estudada como um teste de vigor para várias espécies. já que. Sendo mais tarde utilizado para medir viabilidade de sementes de algodão (1958) e. como ervilha. Primeira contagem de germinação O teste de germinação. enquanto 70 . Nos EUA. e também com sementes de milho. sendo principalmente estudado em sementes de ervilha.38 R4 8. dentre as quais. Austrália e Nova Zelândia. um dos grandes problemas que se tem com relação aos testes de vigor. diz respeito à dificuldade na interpretação dos resultados. como sobre o potencial de armazenamento. Assim. prever o comportamento de lotes de sementes sob uma ampla faixa de condições. não é possível.28 14.47 10. os padrões já são outros. As gramíneas forrageiras requerem períodos mais longos. caracterizando o lote 1 como mais vigoroso.68 13. 114 Tópicos em Ciências Agrárias. Com relação às informações sobre o vigor das sementes. 1994).75 13. proposto como teste de vigor para sementes de ervilha na Inglaterra. v. também.78 Embora as informações obtidas através do teste de condutividade elétrica sejam importantes. Dentre estas. bem como de sementes de ervilha e de trigo.57 R2 6. ervilha. e sementes com condutividade elétrica até 60 . como outros testes. uma vez que liberou menor quantidade de eletrólitos. não possibilitando estimativas sobre o comportamento de lotes sob condições de campo.63 9. 2009 .

uma vez que com o atraso. AGR 510 de milho híbrido precoce em quatro repetições de 100 sementes. para os três lotes estudados. prevalecendo uma relativa superioridade do lote 1 sobre o 3 e este sobre o 2. todas as demais que apresentam orifício de saída do inseto. por lote. nas condições em que se procedeu o teste. UFRB.0 0. realiza-se apenas uma contagem. são consideradas. as que apresentaram maior velocidade de germinação. ou durante o período de armazenamento. AG 510. consistindo do registro das porcentagens de plântulas normais encontradas na primeira contagem do referido teste. caso necessário. Como determinações adicionais são designadas aquelas análises que contribuem com outras informações sobre a qualidade do lote. Os resultados foram expressos em porcentagem média de plântulas normais. Dados médios de três lotes de sementes (%) de milho híbrido precoce. Na Tabela 11 encontram-se resultados com dados médios em porcentagem do teste de primeira contagem de germinação (PCG) dos lotes do Cv. Os dados obtidos através deste teste são muito importantes para espécies como o feijão. Dados médios de primeira contagem de germinação (%) em três lotes do Cv. estudados nas condições detalhadas no teste de germinação correspondente. além de sementes que contêm ovo. conservando-se no substrato as plântulas anormais e as sementes não germinadas ou em início de germinação. larva. esse teste objetiva determinar o vigor relativo do lote. confirmando a tendência observada em outros testes. de que as sementes do lote 1 são as mais vigorosas. feita no quinto dia após a semeadura. v. Lotes 1 2 3 R1 96 92 88 R2 96 86 96 R3 98 96 92 R4 94 86 92 Média 96 90 92 Examinando os resultados obtidos e considerando que não houve dúvidas quanto à normalidade das plantas.Portanto. por repetição.0 0. Assim. o desenvolvimento excessivo de plântulas dificulta a interpretação. 1. observou-se pequeno porcentual de sementes consideradas como anormais e/ou mortas. milho. Tabela 12. Serve para indicar a necessidade de expurgo de um lote de sementes. ou em outras palavras.0 0. Foi conduzido conjuntamente com o teste de germinação. Tabela 11. frequentemente atacadas por aqueles insetos.0 115 Tópicos em Ciências Agrárias. na primeira contagem são removidas as plântulas normais. Cv. DETERMINAÇÕES ADICIONAIS A qualidade de sementes é avaliada por um conjunto de índices determinados por análises.0 0. Quando se utiliza areia ou solo como substrato. avaliando a porcentagem de plântulas normais que são obtidas por ocasião da primeira contagem do teste de germinação. sementes mortas e plântulas infeccionadas. A data dessa contagem pode ser antecipada ou retardada de 1 a 3 dias.0 0. Para efeito desse exame.0 R2 1.0 0. sorgo etc. é preferível a antecipação. traças e carunchos). quer tenham sido essas sementes danificadas por uma única espécie de insetos ou por várias.. A infestação pode ocorrer ainda no campo.0 Média 1. 2009 . AG 510 de milho híbrido precoce. devido ao atraso na colheita das sementes. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 1. após o exame de sementes infestadas. pupa e inseto adulto. Os resultados obtidos através da média das sementes infestadas encontradas nas duas subamostras é expresso em porcentagem com uma casa decimal e encontra-se na Tabela 12. Exame de sementes infestadas Tem por objetivo determinar a porcentagem de um lote que se encontre danificado por insetos (gorgulho.

5 20. lagarta.000 sementes O peso de 1. para análise de pureza. v. são utilizadas sementes puras provenientes da análise de pureza. Como o coeficiente de variação não excedeu a 4%. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 5.0 8. bem como a extensão desses danos. Cv. Peso médio de 1. principalmente.5 De acordo com Everson (l985) citado por Dias & Barros (l995). somou-se as porcentagens de sementes danificadas por repetição e calculou-se a porcentagem média por amostra.29 30.50 Média 328.66 R8 32. Após a interpretação. inseto adulto e o orifício de saída do inseto. Dados médios (%) de três lotes de sementes de milho híbrido precoce. Acima de 50% o produtor deve tomar medidas necessárias para reduzir os danos mecânicos durante a debulha e processamento das sementes. após o teste de injúrias mecânicas.6 305.1 283.000 sementes é em geral utilizado para calcular a densidade de semeadura e o peso da amostra de trabalho. o resultado da determinação foi calculado multiplicando-se por 10 o peso médio obtido das subamostras de 100 sementes. AG 510.000 sementes. AG 510. Teste para identificar injúrias mecânicas Para a identificação de danos mecânicos de sementes de milho. que é relativamente simples. É uma informação que dá idéia da qualidade de sementes.0 16. UFRB. Além de fornecer informações para o cálculo de semeadura e regulagens de máquinas semeadeiras. Tabela 14.0 24. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 33. danos nas sementes de milho entre 30 e 50% devem ser preocupantes ao produtor.0 Média 6. 1. O peso de mil sementes é influenciado pelo teor de água.39 28.000 sementes (g) de milho híbrido precoce. Os resultados encontram-se na Tabela 13. utilizando-se as oito subamostras.43 30. sendo x média. assim como do seu estado de maturidade e sanidade. Seguiu-se os critérios das Regras para Análise de Sementes para o cálculo do peso de 1. obtido do peso médio (g) de oito subamostras de 100 sementes (R1 a R8) da porção semente pura. que pode ser adquirido em frascos de 10 ou 25 gramas em casa de produtos químicos. Pode-se empregar também a tintura de iodo. do Desvio padrão e do Coeficiente de variação dos valores obtidos nas pesagens. a presença de danos mecânicos é constatada pela formação da coloração azul. As sementes com trincas foram identificadas pela formação da coloração azul. Peso de 1. pode ser empregado o teste do verde rápido (Fast Green FCF).0 10. com a determinação da Variância. podendo ser usado para o milho e outros cereais. Tabela 13.0 R2 8. Para realizar esta determinação. prejudicam a qualidade das mesmas. 2009 . resultante da reação entre o iodo e o amido espermático.8 116 Tópicos em Ciências Agrárias. o peso médio de 100 sementes. devido a influência do teor de água. Cv. Em contato com a solução de iodo.23 28.Foram consideradas atacadas as sementes onde se constatou a presença do ovo.6 7. tem grande importância na qualidade da semente bem como na sua comercialização. pois os danos severos.

SILVA. FCAV/UNESP/JABOTICABAL. CARVALHO. DIAS. R.M. 1992. . 88p. Fundação Cargill. Atualização em produção de sementes.REFERÊNCIAS ASSOCIATION OF OFFICIAL SEED ANALYSIS. Campinas. de L. 1994. Ministério da Agricultura.Testes de Vigor baseados na avaliação das plântulas. R.. M. 207-23 CICERO. 2009 117 . S. 95 p. M. CICERO. 1992. C. MARCOS FILHO.. Regras para Análise de Sementes..R.230 p. Teste de Frio.SILVA. 1.S. BARROS. In: Testes de vigor em sementes FCAV/UNESP/JABOTICABAL. Seed vigor testing handbook .L. S. A. VIEIRA. 1987. FCAV/UNESP/JABOTICABAL. J. Tópicos em Ciências Agrárias.D. IAPAR. 95 p.. J. 95 p. 1983. 32 ). S. v. In: Testes de vigor em sementes.S. R. W. N. do R. CICERO. p. Testes de vigor e suas possibilidades de uso. ed. Divisão de Sementes e Mudas. coord. BRASIL.. 363p. Avaliação da qualidade das sementes. NAKAGAWA. M. 1995.p. 1994. M. W. (Handbook on seed testing.1989. J. MARCOS FILHO. SADER. FEALQ.. In: Testes de vigor em sementes.. 43 p.L. Circular no 88. UFRB. Avaliação da qualidade fisiológica de sementes de milho. S. Piracicaba.

Carlos Alfredo Lopes de Carvalho & Gilberto Marcos de Mendonça Santos Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 9 ANÁLISES FAUNÍSTICAS EM ESTUDOS ENTOMOLÓGICOS Oton Meira Marques.

E-mail: calfredo@ufrb. v. Os insetos constituem o grupo de seres vivos com o maior número de espécies na Terra e estima-se que existam 950. Estes números são apresentados na literatura especializada ou não como a biodiversidade ou diversidade biológica ou diversidade de insetos na face da Terra. usar a dinâmica como base para avaliar.br INTRODUÇÃO Os fenômenos de síntese realizada pela vegetação e o consumo dessas substâncias pelos animais são dois processos vitais que. Ambientais e Biológicas/UFRB. 2009 121 . são. sem ater-se estritamente à base genética de tais diferenças). uma definição e uma medida unificada para biodiversidade e por ser um fenômeno intrinsecamente complexo. E-mail: oton@ufrb. além de serem facilmente calculados. UFRB. 2002). 1990) ou 1. nem pode existir.57 milhões (Hodkinson & Casson. Dentre os diversos processos utilizados para analisar a fauna de um dado ambiente. em termos práticos.84 a 2.Centro de Ciências Agrárias. não existe.Centro de Ciências Agrárias. Mas. A diversidade biológica inclui três tipos de diversidade: 1 . E-mail: gmms@uefs. Feira de Santana-BA. Southwood & van Emden (1967) e Janzen & Schoener (1968) realizaram trabalhos pioneiros de análise faunística de entomofaunas.br Professor . 1. indicando o tipo de padrão de distribuição apresentado pela população estudada (Figura 2). Delimitar e caracterizar a fauna de um determinado ambiente é fundamental para o bom entendimento do ambiente. é tratada como correlacionada com a diversidade de fisionomias de vegetação ao nível da paisagem ou de bioma (Lewinsohn & Prado.edu.. o padrão de distribuição de uma espécie é importante para o entendimento da importância relativa da espécie em termos locais. 3 diversidade de ecossistemas. abrange toda a variação entre indivíduos de uma população. Cruz das Almas-BA. permitindo comparações entre comunidades amostradas de modo não padronizado.diversidade entre espécies. Posteriormente. Outra estimativa sobre o total de espécies de insetos na Terra foi apresentada por Erwin (1982) e chegou ao extraordinário número de 30 milhões de espécies. desprovidos de unidade. ecossistemas são essencialmente sistemas funcionais. gerando uma gama de dados analisáveis. 1991).edu. 2 .ANÁLISES FAUNÍSTICAS EM ESTUDOS ENTOMOLÓGICOS Oton Meira Marques1. na maioria dos casos. explicam a complexidade das interações entre os componentes das diversas comunidades. Bolsista CNPq Professor . Cruz das Almas-BA. Lewinsohn & Prado. Ambientais e Biológicas/UFRB.Departamento de Ciências Biológicas. regionais e até globais.9 a 6. Tópicos em Ciências Agrárias. 2000. é pouco praticável (embora não impossível) e. Os primeiros estudos voltados a elucidar a relação entre as características estruturais dos habitats e a diversidade faunística foram realizados por Mac Arthur & Mac Arthur (1961). podendo este número representar apenas metade do total existente no planeta (Arnet Jr.6 milhões (Stork & Gaston. a organização da vida terá sempre que ser descrita e aferida por uma série de definições e medidas diversas (Gaston. que consiste em traçar um transecto subdividido em n quadrados de tamanho padrão e contar o número de representantes da espécie em cada quadrante (Figura 1). de comportamento. A fórmula e programa de computador para análise das variâncias encontram-se em Ludwig & Reynolds (1988). fluxo e/ou ciclagem de energia e matéria nos ecossistemas. entre outras. os índices faunísticos figuram entre os mais aceitos. Gilberto Marcos de Mendonça Santos3 1 2 3 Professor . Esse padrão pode ser avaliado pelo método da variância dos quadrados contíguos. 2002).br. caracterizados por sua dinâmica. é mais ambígua que as outras duas categorias.000 espécies descritas. surgiram outras estimativas fornecendo números mais modestos: 4. 1996). Universidade Estadual de Feira de Santana.diversidade dentro de espécies. por definição. inventariar ou monitorar a diversidade de ecossistemas. corresponde à diversidade de espécies (espécies presentes em um ambiente ou região definida). As variâncias apresentadas na presença de indivíduos nos quadrantes são plotalas em gráficos. A diversidade faunística é fator primordial para o equilíbrio. Padrões de distribuição Apesar de não constar dos índices faunísticos clássicos. A vantagem da utilização dos índices é que. Porém. Carlos Alfredo Lopes de Carvalho2. bem como entre populações espacialmente distintas da mesma espécie e tem sido tratada como equivalente à diversidade genética (embora possa incluir diversidade morfológica.

Plotagem típica de variâncias encontradas em quadrados contíguos cujas populações apresentavam os padrões de distribuição: aleatório. enquanto que.a combinação do número total e a eqüitabilidade (abundância relativa) de espécies. 1988). baseada no número de táxons (e. uma revisão sobre este assunto é encontrada em Carneiro et al.número total de espécies em uma comunidade (freqüentemente denominado abundância de espécies) e 2 . regularidades na variação do número de espécies no espaço e no tempo. se 90% dos indivíduos pertencem a uma só espécie e. a última indica como o total de indivíduos encontra-se distribuído entre as espécies. 1988). A combinação do número total de espécies e a eqüitabilidade é considerada a abundância relativa das espécies (Ludwig & Reynolds. agregado ou uniforme (adaptado de Ludwig & Reynolds. o conceito de diversidade de espécies inclui o número de espécies na comunidade (abundância ou riqueza de espécies) e a uniformidade (eqüitabilidade) com a qual os indivíduos são distribuídos entre as espécies (Krebs. famílias) de insetos coletados em um ambiente. Diferentes índices têm sido propostos para caracterizar isoladamente a abundância de espécies e a 122 Tópicos em Ciências Agrárias.g. 1988). v. Uma análise faunística. Dois parâmetros devem ser considerados ao avaliar a diversidade biológica de um ambiente: 1 . (1998). 5 4 Variança 3 2 1 0 0 1 2 3 4 5 Espaço 6 7 8 9 10 Aleatório Uniforme Agregado Figura 2. 1976). 1. a eqüitabilidade é considerada máxima.: espécies. Posicionamento de quadrados contíguos ao longo de transectos em três ambientes onde os padrões de distribuição são aleatório (ou randômico). Considerando uma comunidade composta por dez espécies. fornece conhecimentos básicos sobre as populações presentes e os níveis de importância quantitativa das mesmas. uniforme e agregado (baseado em Ludwig & Reynolds. Odum. UFRB. os restantes 10%. 2009 . Assim. Diversidade Existem diversos padrões de diversidade.aleatório agregado uniforme Figura 1. 1988. se cada uma das dez espécies contribui com 10% do total de indivíduos. Algumas comunidades são mais ricas do que outras no número de espécies. gêneros. isto é. os mais amplamente utilizados neste tipo de estudo. a eqüitabilidade é considerada baixa. estão distribuídos entre as outras nove espécies. mas não apresentam necessariamente mais indivíduos por unidade de área (Lewis & Taylor. 1989). podendo ser feita por meio dos índices faunísticos descritos a seguir.

Esse índice é baixo nos locais onde ocorre competição interespecífica. Comum (c) = n situado dentro do IC5%. 1988). explorando de forma diferente os componentes da diversidade. 1989). Outros tipos de índices combinam as duas características em um só valor e são conhecidos como índices de diversidade. independente do processo de levantamento e do tamanho da amostra (Silveira Neto et al. o Alfa (a) proposto por Margalef (1951): a = (S . O índice a mede a relação existente entre o número de espécies e o número de indivíduos de uma comunidade. ln = logaritmo neperiano. Os Intervalos de Confiança para as classes de freqüência. significando que o local é mais específico. Por outro lado. UFRB. As espécies podem ser distribuídas em classes de abundância baseadas no Intervalo de Confiança (IC) do número de indivíduos (n) ao nível de 5% e 1% de significância (Bicelli et al. S = número total de espécies. Estes índices podem apresentar a desvantagem de confundir variáveis que caracterizam a estrutura de uma comunidade: 1) número de espécies. apresentando elevado número de espécies. Abundante (a) = n situado entre os limites superiores dos IC5% e IC1%. 2009 123 . 1976).S pi (ln pi) Tópicos em Ciências Agrárias. v. 1. a utilização desses índices pode permitir a comparação entre comunidades. N = número total de indivíduos. em que o número de espécie tende a diminuir e o número de indivíduos das espécies dominantes tende a aumentar.. Os limites de classes mais comumente utilizados são: Raro (r) = n menor que o limite inferior do IC1%. Alguns destes índices são expostos a seguir: Índice H' (Shannon-Wiener): H' = . c) Índices de diversidade Diferentes índices expressam a diversidade de uma área ou região. Disperso (d) = n entre os limites inferiores dos IC1% e IC5%..1) ln(N) onde. 1988). Muito abundante (m) = n maior que o limite superior do IC1%. constância e abundância e os valores do teste F na determinação da dominância podem ser calculados por meio das funções estatísticas de planilhas eletrônicas computacionais.eqüitabilidade de uma comunidade. a) Abundância O número total das espécies amostradas em um determinado estudo é considerado a abundância (S) dessas no ambiente (Ludwig & Reynolds. por exemplo. b) Índice de abundância A comparação dos dados de abundância obtidos em diferentes pesquisas é possível através da utilização de índices como. embora com menor número de indivíduos (Odum. há indicação de que o local é bastante diversificado. 2) eqüitabilidade e 3) homogeneidade e o tamanho da área amostrada. Quando o valor obtido é alto.

pi = freqüência relativa da espécie i dada por ni/N. 1977) J’ = onde. dando a probabilidade de dois indivíduos coletados casualmente na população pertencerem à mesma espécie. N = número total de indivíduos. Os índices de abundância (a). maior será a dominância por uma ou poucas espécies. 2009 . Índice l (Simpson.onde. 1988). expressando a uniformidade em número de indivíduos que as espécies possuem ou não. H' = componente da “riqueza” de espécies. o índice de eqüitabilidade mais usado em estudos ecológicos. H' H' max O índice proposto por Pielou (1977) e denominado J´ é. UFRB. 124 Tópicos em Ciências Agrárias. sendo que em comunidades biológicas não ultrapassa o valor 5. 1988). diversidade (H' e l) e eqüitabilidade (J') podem ser facilmente obtidos por meio da montagem de uma planilha de cálculo.1) ö è ø Esse índice varia de 0 a 1. H' = componente de “riqueza” de espécies. atingindo o valor máximo quando todas as espécies apresentam a mesma freqüência relativa (Odum. S = número total de espécies. ln = logaritmo neperiano. v. 1. o índice de diversidade H' varia com o número de espécie. O índice J' varia de 0 a 1. baseandose na abundância relativa de espécies e no grau de sua dominância. 1988. 1949): s l= onde. Esse índice apresenta a vantagem de ser relativamente independente do tamanho da amostra. O índice H´ é um dos melhores índices para uso em comparações de comunidades. o índice de Simpson dá maior peso para as espécies mais comuns na comunidade. então a diversidade na comunidade amostrada é baixa (Ludwig & Reynolds. abundância e eqüitabilidade. caso não haja interesse em separar os dois componentes da diversidade. 1988). De acordo com Washington (1984). Índice J' (Pielou. ln = logaritmo neperiano. H'max = ln S. ni = número de indivíduos da espécie i. å ç N ( N . provavelmente. o que permite a comparação entre comunidades ainda que as amostragens em cada ambiente tenham sido realizadas com tamanhos diferentes (Odum. sendo que. ni = número de indivíduos da espécie i. Ludwig & Reynolds. De acordo com Odum (1988).1) ÷ ç ÷ i =1 æ n i (n i . quanto maior o valor obtido. Se a probabilidade for alta. N = número total de indivíduos.

Na Figura 3. 1948). a curva mostra que a riqueza foi baixa e que o esforço amostral foi suficiente para caracterizar a comunidade. pode-se fazer inferências sobre o esforço necessário para atingir um número determinado de espécies em comunidades distintas. é preciso aumentar muito o esforço amostral. evitando a sub amostragem. A validação estatística para o modelo encontrado pode ser obtida por meio da análise de regressão. 1981) e mede a eficiência do número de coletas na representatividade das espécies que ocorrem em uma determinada área (Colwell & Coddington.Modelo de distribuição e estimativa da abundância de espécies O método da Curva de Rarefação ou Curva do Coletor (Richness rarefraction method) indica o número de espécies esperadas em um dado tamanho de amostra (Hurlbert. Observa-se que ocorreu uma estabilização a partir da 23a coleta. Ludwig & Reynolds (1988) defendem esse tipo de análise como o mais eficiente para comparar a riqueza de comunidades cujas intensidades de esforço amostral foram diferentes. na comunidade 2. Só pode ser considerado suficientemente amostrado aquele ambiente cuja curva encontrada apresente tendência à estabilização. constância. UFRB. biomassa. v. Magurran (1988) e Krebs (1989). No exemplo da Figura 4. quaisquer análises de comunidade baseada em índices faunísticos (freqüência. neste caso. abundância e outros). para aumentar o número de espécies encontradas. observa-se duas comunidades hipotéticas: na comunidade 1. a distribuição do número de indivíduos e de espécies por coleta indicou que o número de coletas realizadas foi suficiente para amostrar a abundância de espécies da área estudada. 1. 1994). Uma curva que tenda a se estabilizar indica que. Como o gráfico da curva de rarefação permite avaliar a intercessão dos eixos onde são plotados. Curva de rarefação de duas comunidades hipotéticas. A fórmula e um programa para obtenção da Curva de Rarefação estão disponíveis em Ludwig & Reynolds (1988). Um estudo que se propõe a caracterizar uma comunidade baseado em seus índices faunísticos precisa se certificar que o ambiente foi suficientemente amostrado. número de horas amostradas. 35 Curva de Rarefação 30 Número de Espécies 25 20 15 10 5 0 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 comunidade 1 comunidade 2 Número de Indivíduos Figura 3. a curva mostra que o ambiente não foi suficientemente amostrado e. quando se atingiu o total de 80 espécies. 2009 125 . cujo esforço amostral foi de 1000 indivíduos. enquanto que uma curva que mostre tendência de crescimento indica que novas espécies podem ser encontradas com um pequeno aumento no esforço amostral. na qual o esforço amostral foi de apenas 500 indivíduos. Tópicos em Ciências Agrárias. a variação do esforço amostral (número de indivíduos. o método da análise da riqueza baseado na Curva de Rarefação fornece informação sobre a suficiência amostral do estudo. James & Rathburn. além de servir como indicativo da efetividade da amostragem das populações que compõem uma comunidade. calculados sobre os 1000 indivíduos encontrados levariam a erro na caracterização. número de armadilhas) e a variação do número de espécies encontradas em função deste esforço. discutido por Ludwig & Reynolds (1988). Um modelo de distribuição de abundância pode ser baseado na distribuição das espécies e indivíduos em oitavas (Preston. 1971. valor da abundância de espécies (S).

S å 126 Tópicos em Ciências Agrárias. 2009 . S* = número estimado de espécies.xo). a distribuição lognormal é representada por: S(R) = So e(-a²R²) onde. onde o número estimado de espécie na comunidade é obtido pela equação: S* = onde. O procedimento para avaliar o modelo da distribuição lognormal truncada é encontrado em Magurran (1988). S = número total de espécies.96 (p > 0. R = 0 na oitava modal.x) 2 2 s : variância Þ s = .5). 1984). 2 ( x . 1. zo: variável normal estandartizada Þ zo = S 1 . UFRB.42 R2 = 0. x: média do número de indivíduo em log 10 Þ x = åx S . v. xo = log10(0.28x + 25. entre janeiro de 1994 e fevereiro de 1995 (Carvalho. So = estimativa do número de espécies na oitava modal.q (x .01) Coletas Figura 4. q = parâmetro obtido através de l e da tabela de Cohen Jr. S(R) = número de espécies na R-ésima oitava (= classes). (1961) para lognormal truncada. Município de Castro Alves-BA. R = logaritmo na base 2 da abundância de espécie de uma determinada classe de oitava dividido pela abundância de espécie na oitava modal. a = medida de amplitude inversa da distribuição. 1999). De acordo com Ludwig e Reynolds (1988).m ) vx . m: estimativa da média Þ m = x . po = probabilidade da curva normal para zo (proporção da curva normal de acordo com Zar.90 espécies Número acumulado de es écies 80 70 60 50 40 30 20 10 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 y = 2. l = s2/(x-xo)2.po ( xo . Curva do Coletor para amostras de abelhas (Apoidea) coletadas no vale do rio Paraguaçu.

com o número de graus de liberdade igual ao número de oitavas menos três (Magurran. sendo necessário o estudo de outras áreas. 1. O teste do Qui-quadrado (X2) aplicado e o valor obtido é comparado com o tabelado ao nível de 5% de significância. Segundo Krebs (1989). em relação ao total coletado (Silveira Neto et al. esse tipo de resultado permite apenas uma abordagem descritiva da comunidade e não deve ser considerado conclusivo. Isso significa que. provavelmente resultaria na amostragem de outras espécies consideradas raras (com poucos indivíduos).5. Neste estudo. uma vez que o método de amostragem pode ter contribuído para a ausência de algumas espécies nas coletas. Por outro lado. por meio de Intervalos de Confiança (IC) a 5% de probabilidade: a) Pouco Freqüente (PF) = f < o limite inferior (LI) do IC5%. Frequência A freqüência (f) das espécies é determinada pela participação percentual do número de indivíduos de cada espécie..0% do número estimado de espécies presentes na área não foi coletado. sendo a abundância estimada (S*) igual a 86 espécies. a amostragem de insetos em áreas restritas fornece uma estimativa considerável da abundância relativa das espécies e famílias dentro da comunidade (Sakagami & Matsumura. 1967). UFRB. o incremento no número de horas de coletas em diferentes épocas do ano. æ ni ö ÷ x 100 èN ø De acordo com os resultados obtidos são estabelecidas classes de freqüência para cada espécie.. um total de 80 espécies foi coletado (S). como também. v. requerendo uma quantidade maior de amostras. No exemplo da Figura 1. Constância Calculada por meio da percentagem de ocorrência das espécies no levantamento (Silveira Neto et al. b) Freqüente (F) = f situado dentro do IC5%. ni = número de indivíduo da espécie i vx: estimativa da variância = s2 + q (x-xo)2 As oitavas são formadas por intervalos do número de indivíduos e número de espécies. 2009 127 . 1988). N = número total de indivíduos. ni = número de indivíduos da espécie i. a estimativa do número de espécie na comunidade não possui um sistema para avaliar a sua precisão e deve ser analisada com precauções. 7. conforme Ludwig & Reynolds (1988) e Magurran (1988). aproximadamente. Os estudos sobre a composição faunística de áreas restritas apresentam limitações quanto à possibilidade de se fazer extrapolações para áreas maiores. 1990). a coleta de dados deve ser por vários anos (Martins. Entretanto. 1976): f = ç onde. c) Muito Freqüente (MF) = f > o limite superior (LS) do Ic5%. 1976).x: número de indivíduo em log10 x = log10 ni. o modelo de distribuição das espécies observadas e esperadas pode ser estatisticamente avaliado pelo teste do Qui-quadrado. sendo cada classe representada pelo dobro da abundância de espécie acrescido de 0. Apesar dessas limitações. utilizando-se a fórmula: C= ç æ ci ö ÷ x 100 è Nc ø Tópicos em Ciências Agrárias.

pois depende da atividade desempenhada pela espécie na comunidade (Silveira Neto et al. ni = número de indivíduos da espécie i. A dominância ou não das espécies pode ser obtida pelo método de Kato et al. k'1 = 2 (N ni + 1).. N = número total de indivíduos. Um outro procedimento para considerar a dominância de uma espécie é quando o Limite Inferior for maior que o Limite Superior para K = 0. de acordo com Sakagami e Matsumura (1967). S = número total de espécies. 2009 æ1ö ÷ x 100 èSø .. Bicelli et al. Li = ç1 ç æ è onde: Ls = limite superior. Uma determinada espécie será considerada como dominante quando o seu limite inferior (Li) for maior que o inverso do número total de espécies multiplicado por 100 (LD). segundo a classificação de Bodenheimer (citado por Silveira Neto et al. k'2 = 2 (ni + 1). 1. 128 Tópicos em Ciências Agrárias.onde: C = percentagem de constância. (1982). 1976). em seu benefício. Nc = número total de coletas efetuadas. Rossi (1989). podendo assim causar o aparecimento ou desaparecimento de outros organismos. Nascimento et al.. k1 = 2 (ni + 1). referido por Laroca & Mielke (1975). o impacto recebido do ambiente. as espécies podem ser separadas em categorias. k2 = 2 (N ni + 1). v. Fo= valor obtido da tabela de distribuição de F ao nível de 5% de significância para graus de liberdades obtidos em k1 e k2 e. por exemplo. k1' e k2'. LD = ç onde. (1983). c) Espécies acidentais (Z): C < o limite inferior (LI) do IC5%. LD = limite da dominância. Este método foi utilizado por diversos pesquisadores como. Laroca et al. b) Espécies acessórias (Y): C entre os limites (LI e LS) do IC5%. (1989). Bueno e Souza (1993). É uma característica difícil de ser avaliada quantitativamente. UFRB. Li = limite inferior. Dominância A dominância consiste na capacidade ou não da espécie em modificar. ci = número de coletas contendo a espécie i. 1976) e o IC a 5%em: a) Espécies constantes (W): C > limite superior (LS) do IC5%. utilizando as equações: Ls = ç ç æ (k1 xFo ) ö ÷ x 100 k2 + (k1 xFo ) ÷ è ø (k '1 xFo ) ö ÷ x 100 k ' 2 +(k '1 xFo ) ÷ ø e. De acordo com os percentuais obtidos.

isto é. v.. de acordo com Magurran (1988). 1981). 2 db = å bn bN 2 . bni = número coletado de indivíduos da espécie de abelha b na espécie vegetal i. Outro modo de avaliar a similaridade entre comunidades de insetos é o Coeficiente de Similaridade de Sfrensen.+ n) onde: %S= Porcentagem de Similaridade a = Menor porcentagem da espécie "a" observada no confronto entre os dois agroecossistemas b = Menor porcentagem da espécie "b" observada no confronto entre os dois agroecossistemas n = Menor porcentagem da espécie "n" observada no confronto entre os dois agroecossistemas Tópicos em Ciências Agrárias. da = å an aN 2 2 . 1.. [( da + db ) ´ ( aN ´ bN )] Im-h = Índice de Morisita-Horn entre as espécies de abelhas a e b. Neste caso. onde se avalia a semelhança na composição das espécies entre duas áreas. O índice de Morisita-Horn varia de zero (nenhuma similaridade) a 1 (completa similaridade) (Krebs.Similaridade entre comunidades de insetos A similaridade entre duas comunidades quanto à composição de espécies. ou ainda entre espécies quanto a hospedeiros ou recursos tróficos pode ser obtida pelo Índice de Morisita-Horn (Im-h). a similaridade entre as espécies de abelhas quanto às espécies de plantas visitadas pode ser calculada da forma a seguir: 2 ( an i ´ bn i ) Im-h = onde. utilizando as mesmas variáveis do Coeficiente de Sfrensen: CJ = j / (j + a + b) Outro índice conhecido é a Porcentagem de Similaridade. não depende do tamanho da amostra e é um dos melhores índices para medir a similaridade em estudos ecológicos (Wolda. calculada pela soma dos menores valores da porcentagem do total de indivíduos das espécies comuns às duas comunidades comparadas: %S = Somatório (a + b + . 2009 129 . Por exemplo. UFRB. 1989). presença ou ausência. bN = número coletado de indivíduos da espécie de abelha b. ani = número coletado de indivíduos da espécie de abelha a na espécie vegetal i. a abordagem é qualitativa. aN = número coletado de indivíduos da espécie de abelha a. A fórmula a seguir representa o Coeficiente de Sfrensen: CS = 2j / (2j + a + b) onde: a = número de espécies no agroecossistema I b = número de espécies no agroecossistema II j = número de espécies encontradas em ambos os agroecossistemas O coeficiente de Similaridade de Jaccard (1912) também pode ser utilizado para indicar a semelhança entre duas comunidades quanto à composição de espécies e pode ser obtido por meio da fórmula a seguir.

. Pará. P. 22. 98. p. 577586. 43. 1971. (Tese de Doutorado). Boca Raton: CRC Press. Technometrics. p. BUENO. B. H. Nerophytal. também pode ser representada graficamente por meio de um dendograma construído através do diagrama de treliça (Silveira Neto et al. Philosophical Transactions Royal Society of London (B).A handbook of insects of America north of Mexico. 11. 2ª. equitabilidade. R. H. Ciência Hoje. What is biodiversity?. 74-75. 1982. Anais da Sociedade Entomológica do Brasil. p. HURLBERT. 52. M. 39-47. ESALQ/USP. p. v. 785800. C. 36. v. v. T. The Coleopterists Bulletin. I. ERWIN. 1999. 1961. 1994. A. COHEN Jr. S. M.. Fitopatologia e Zoologia Agrícola da Esalq/USP (Moraes et al. S. v. 1912. D. LARA. De SOUZA. G. A diversidade padronizada.. v. 2003). v. constância. SILVEIRA-NETO. 1. R. 101-118. Dinâmica populacional de insetos coletados em cultura de cacau na região de Altamira. SOUZA. JAMES. J. v. CARVALHO. Ocorrência e diversidade de insetos predadores e parasitóides na cultura de couve Brassica oleracea var. Auk. T. p. H. A. JANZEN. v. C. K. 2009 . freqüência. L. Os índices: dominância. C. CARNEIRO.. F. ed. acephala em Lavras MG. Rarefraction. 101-110. D.. Piracicaba. análise faunística. K. Diversidade de abelhas (Hymenoptera.. p. 345. C. RATHBUR.A similaridade entre as comunidades de insetos. 1003 p. FERNANDES.). H. de. Agrotrópica. 26-32. similaridade e outros podem ser obtidos com o programa ANAFAU.. L. Oxford: Blackwell Science. Estimating terrestrial biodiversity through extrapolation. F. D. A. 1. p. 2000. de. p. V.. COLWELL. Ecology. HODKINSON. 1998.. American Insects . abundância. B. J. Differences in insect abundance and between wetter and drier sites during a tropical 130 Tópicos em Ciências Agrárias. 1-9. p. Tables for maximum likelihood estimates: singly truncated and singly censored samples. 535-541. K. 1989. desenvolvido no Departamento de Entomologia. A lesser predilection for bugs: Hemiptera (Insecta) diversity in tropical rain forests. diversidade de Shannon-Wiener. GASTON.A. JACCARD. J. 1976). The distribution of the flora in the alpine zone. S. 1. p. A. UFRB. CODDINGTON. 37-50.. v. 24. (Ed. 1991. ix+396p.. 518. A. Tropical forests: their richness in Coleoptera and other arthropod species. Apoidea) e plantas visitadas no município de Castro Alves-BA. and diversity of avian communities. REFERÊNCIA ARNETT Jr. n. H. C. p. MENDES. C. SCHOENER. relative abundance. v. dominância. In: GASTON. 1996.L. Biodiversity: a biology of numbers and difference. R. O. 1993. CASSON.. W. Brasil. 3. v. 104p. 1. n. The non-concept of species diversity: a critique and alternative parameters. A. P.. BICELLI. Biological Journal of the Linnean Society. 1981. II.

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CAPÍTULO 10 INTERFACE DA ENTOMOLOGIA APLICADA NA FRUTICULTURA TROPICAL Antônio Souza do Nascimento & Tuffi Cerqueira Habibe Tópicos em Ciências Agrárias .

Segundo Carvalho et al. O trabalho foi desenvolvido na área experimental da sede da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. que cai precocemente. o Brasil ocupa a terceira posição entre os países produtores de frutas. predadores. num levantamento no país. reduzindo a produtividade. em Tópicos em Ciências Agrárias. verificou-se que Doryctobracon aerolatus. Num posterior levantamento de insetos associados à cultura da acerola. Outro importante grupo de parasitóides é representado pela família Figitidae (Eucoilinae).INTERFACE DA ENTOMOLOGIA APLICADA NA FRUTICULTURA TROPICAL Antônio Souza do Nascimento1. foi a espécie mais comum encontrada. No Brasil. (1999) realizaram a descrição. Cruz das Almas-BA. o parasitismo em moscas-das-frutas depende do tamanho do fruto. os estudos com parasitóides de moscas-das-frutas são recentes.com. Malavasi et al. c) Conhecer a incidência de inimigos naturais parasitóides nativos. As espécies de moscas-das-frutas assinaladas no Brasil. v. E-mail: nascimento@cnpmf. as pragas e doenças assumem papel de grande relevância para essa atividade. Os estudos sobre os eucoilíneos para o controle biológico de moscas-das-frutas demostram o potencial desses parasitóides em programas de manejo de pragas. 1999). gerando mais de cinco milhões de empregos diretos (FAO. (1980) realizaram o levantamento de tefritídeos no Brasil amostrando 55 espécies de hospedeiros dos quais 25 estavam atacados por C. E-mail: tuffihabibe@yahoo. somente Ceratitis capitata é considerada praga de importância econômica. Didonet et al. pertencem aos gêneros Anastrepha e Ceratitis.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. ainda assim. aumentando o mercado interno e propiciando a conquista de novos mercados internacionais (Lima et al. não foi relatada a presença de moscas-dasfrutas nesta cultura em Cruz das Almas (Sá. o índice de parasitismo é maior.br Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. mas destaca que ainda sendo uma praga potencialmente importante. 1. causando danos econômicos em alguns fruteiras. Este trabalho visou: a)Identificar as espécies de moscas-das-frutas que utilizam a acerola como hospedeiro.br INTRODUÇÃO Atualmente. 2009 135 . Esses autores relataram que a mosca do mediterrâneo era mais freqüente nas fruteiras introduzidas enquanto que as espécies de Anastrepha preferem os hospedeiros nativos. esses parasitóides desempenham função importante como inimigos naturais de moscas-das-frutas. no período de outubro a dezembro e alerta ao produtor a ter atenção especial com ela. Nascimento et al. A acerola (Malpighia punicifolia L. não existe suficiente informação sobre o comportamento de insetos limitantes a sua produção. 2001). com uma produção de 38 milhões de toneladas/ano. (1999) mencionaram a presença de moscas-dasfrutas (Anastrepha spp. devido principalmente à disponibilização de novas tecnologias. Devido à associação com os tefritídeos. capitata danifica o fruto. UFRB. (2000). parasitando tanto as espécies da família Tephritidae quanto as da família Lonchaeidae. 1762) como hospedeira de moscas-das-frutas (Diptera: Tephritidae) no Recôncavo da Bahia O Brasil é o principal produtor de acerola (Malpighia punicifolia) no mundo. Parasitóides Dentre os organismos que efetuam o controle biológico de moscas-das-frutas. que ocorre da Argentina até o sul dos EEUU. com uma percentagem de 70 % do total de braconídeos coletados e ocorrendo em 81 % dos frutos amostrados..embrapa. favorecendo o aumento da área de cultivo. nematóides. isto é. por se constituírem em fatores limitantes à produção. 2003). Em 1995. A fruticultura tem apresentado grande avanço nos últimos anos. pela facilidade que o parasitóide encontra em localizar as larvas da mosca no interior do fruto. o incremento do parque industrial e a elevação de sua capacidade produtiva e de exportação. Os eucoilíneos conhecidos são generalistas. Em frutos menores. caracterização e dano dos Insetos-Praga em acerola em Cruz das Almas e relataram que a larva de C. capitata.) como praga de aceroleira. b) Conhecer o nível de infestação nos frutos.. Nesse contexto. com polpa e casca fina. Cruz das Almas-BA. patógenos. Tuffi Cerqueira Habibe 2 1 2 Pesquisador . bactérias e parasitóides. os últimos parecem ser os mais efetivos.

71 % correspondeu a C. v.00 15.00 0.08 61. mamão (Carica papaya). banana (Musa spp. Neste estudo. mandioca (Manihot esculenta). foram coletados nas duas áreas 14. cítros (Citrus sp.67 32.00 75.56 0.36%) (Tabelas 1 e 2). 0.1 2.00 0.64%) e 9 espécimes de A. Total fruto Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto TOTAL 590 1060 480 110 0 1040 180 440 290 0 0 1010 620 110 430 250 6610 Número Infestação Número Número Número Viabilidade Índice de pupas pupas/frutos Ceratitis Anastrepha Parasitóides Pupal Parasitismo 102 121 8 4 0 4 0 19 20 0 0 13 39 6 7 0 343 0. manga (Mangifera indica). Durante o período de estudo..29 % a Anastrepha spp. distribuídas no centro e na periferia das culturas. viabilidade pupal e índice de parasitismo em acerola (Malpighia punicifolia L. obliqua.00 0. Infestação de frutos.00 0.00 0. 2009 . corrobora com as observações feitas por Malavasi et al.94 2.00 2.05 66 37 2 3 0 0 0 3 14 0 0 3 24 2 4 0 158 0 1 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 2 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 4 66. capitata às condições do recôncavo. 652 pertenceram à espécie C. 2001. sendo acerola um cultivo introduzido.00 0. que os frutos introduzidos são mais susceptíveis a infestações por C.00 0. estas duas espécies ocupam nichos alimentares semelhantes.).23 50.05 0.Cruz das Almas.877 indivíduos coletados. Estas proporções diferem da encontrada por Nascimento & Zucchi (1981) no Recôncavo Baiano que de um total de 17.00 48. utilizando atrativo alimentar hidrolizado de proteína (“Tephritide”) a 5% com armadilhas tipo Valenciano modificada. capitata ser a única espécie representante do gênero ocorrendo no Brasil.) e vegetação nativa. Por outro lado. obliqua (1. pelo fato de C.00 57.701 frutos que deram 1. e segundo Zucoloto (1993). capitata e 99. Tabela 1.02 0. para permitir a empupação.00 0.06 0. separados por sexo e descartados após sua verificação.) por moscas-das-frutas dos gêneros Anastrepha e Ceratitis na Área 1 do Banco de Germoplasma em Cruz das Almas-BA.79 70. A área 2.00 33.33 0.00 0. enquanto as espécies de Anastrepha infestam preferencialmente hospedeiros nativos. UFRB. em duas áreas do Banco de Germoplasma BAG de Acerola. capitata foi dominante comparada com A. Monitorou-se semanalmente. (1980).00 0.01 0.00 0. capitata (98.02 0. afirmações feitas pelos autores naquela época em relação à adaptação de C.00 0. distantes entre si aproximadamente 500 m e separadas por vegetação nativa em direção nordeste.00 0.00 23. capitata.00 0.00 0.00 0.343 pupas das quais emergiram 661 espécimes.00 0.07 0. têm sido confirmadas neste trabalho.00 0.17 0.04 0. Os espécimens de Tephritidae foram separados por sexo e identificados.42 136 Tópicos em Ciências Agrárias.00 0.00 0.11 0. Efetuou-se a coleta sistemática de frutos maduros ou em início de maturação em diferentes alturas da copa das árvores. cajá (Spondias lutea) e vegetação nativa.04 0. As amostras foram levadas ao laboratório de Entomologia da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical e acondicionadas em bandejas plásticas contendo uma camada de vermiculita com aproximadamente 3 cm de espessura. A área 1 teve como cultivos vizinhos.64 50. BA. abacaxi (Ananas comosus). a presença de C. mas possuem estratégias diferentes em relação à utilização de nutrientes. sendo que os indivíduos do gênero Ceratitis foram contados. O levantamento populacional foi iniciado em abril de 2000 até agosto 2001. 1.00 0.00 0.14 0.

A seguir.93 0.00 37.00 0.00 0. 1914) Hemiptera: Aphididae Os maiores picos populacionais ocorrem no período de agosto a outubro.Aphis spiraecola (Patch. UFRB. com o aumento da demanda pelo mercado externo e visando principalmente ao aproveitamento de seu teor de vitamina C.00 0.2 1.00 0. o número de espécies que provoca danos é relativamente baixo. 2001.00 0. Em todo agroecossistema.26 0.79 Insetos associados à cultura da acerola Malphigia punicifolia (L. com base em estudos desenvolvidos na região do Recôncavo da Bahia: 1 .01 0.09 68. viabilidade pupal e índice de parasitismo em acerola (Malpighia punicifolia L. 1762) na região de Cruz das Almas. no Brasil.50 59. e um número razoável de espécies benéficas..) por moscas-das-frutas dos gêneros Anastrepha e Ceratitis na Área 2 do Banco Germoplasma em Cruz das Almas-BA. num grupo de 55 plantas em genótipos identificados como “promissores” de um universo de 275 plantas.05 0. seu período de maior ocorrência.67 38. v. BA.Tabela 2. Na cultura da acerola. A Tabela 3 apresenta a relação de espécies com a Ordem.46 0. no Banco Ativo de Germoplasma de acerola .17 56.00 0. quinzenalmente. As avaliações foram efetuadas no período de junho de 1996 a dezembro de 1997. surge um elevado número de insetos associados às plantas cultivadas.18 0.00 0. 1.00 0. BA O cultivo da acerola Malphigia punicifolia L.01 0.00 1.45 0.00 0.00 31.00 0. O A.00 0. acerolae identificado por Clark (1998). são relatas as épocas de ocorrência dos principais insetos-praga para a cultura.06 0.00 0. O experimento foi conduzido na sede da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical.11 Número Ceratitis 98 107 45 5 0 0 34 3 13 17 0 0 24 136 12 0 0 494 Número Número Viabilidade Índice de Anastrepha Parasitóides Pupal Parasitismo 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 5 0 0 6 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 0 0 0 4 61.00 0.00 0.00 0.07 0.Pulgão .00 55. bem como danos e sintomas causados entre junho de 1996 e dezembro de 1997.00 0. Objetivou-se identificar os principais insetos associados à acerola.00 0. Tópicos em Ciências Agrárias. espécie descrita pelo material coletado em Nova Soure. Cruz das Almas. e a intensidade dos danos varia de região para região.92 66.44 0. Infestação de frutos.00 0. Família e hábito alimentar.33 94.42 0. área agrícola onde se explora uma cultura de expressão econômica.17 0.BAG. ataca os botões florais da acerola.00 0.00 0.00 0. Total fruto Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto TOTAL 950 490 940 281 0 0 1180 580 770 460 0 0 1140 950 100 250 0 8091 Número pupas 160 208 69 13 0 0 68 8 22 25 0 0 77 245 18 0 0 913 Infestação pupas/frutos 0.05 0. ganhou grande expressão a partir da década de 80.00 0.03 0.88 51. podendo ser prejudiciais àquela cultura ou mesmo benéficos . onde pode-se constatar um número reduzido de espécies consideradas pragas da cultura. BA.00 0. 2009 137 .os inimigos naturais das pragas.07 0.00 50.

Cigarrinha . devido ao período de chuvas. Percevejo vermelho (Crinocerus sanctus). Ortézia dos citros (Orthezia praelonga).) acuta Crinocerus sanctus Cycloneda sanguinea Cyphopsis clathratus Dorymyrmex sp. acerolae e o C. Diptera: Tephritidae Havendo frutificação.Percevejo vermelho . Os resultados demonstram a grande diversidade de espécies associadas à cultura da acerola. Exoplectra sp. 3 . rufomarginata Ectatoma brunneum Edessa meditabunda Elasmus sp. Crematogaster (E. 1988) Coleoptera: Curculionidae Os adultos ocorrem no período de setembro a abril. 1824) e Anastrepha spp. 1997.(Coqueberg. Enchenopa sp. Pulgão (Aphis spiraecola). Os insetos estudados apresentaram uma queda na população entre abril e junho.) saevissima Trachideres thoracicus Fonte: Ampliado de Oliveira et al. 1891) Hemiptera: Ortheziidae Época de ocorrência: De outubro a março. a espécie ocorre praticamente em todos os meses do ano. Relação de espécies de insetos associados à cultura da acerola. As plantas apresentaram-se mais atacadas pelo A. período mais seco do ano. sanctus (inseto adulto). BA. 6 . v.) blandus Ceratites capitata Chilocorus sp. 1801) Hemiptera: Membracidae Durante os meses de março a setembro.2 .Bicudo do botão floral . Tabela 3.. Deve-se ampliar os estudos em A.Anthonomus acerolae (Clark. Cruz das Almas.. UFRB.Bolbonata tuberculata .Crinocerus sanctus (Fabr. 4 . Machtima crucigere Orthezia praelonga Physocoryna scabra Solenopsis (S. sanctus uma vez que ambos têm como alvo de ataque o fruto.Moscas-das-frutas Ceratitis capitata (Wied. 1. seis merecem destaque pela alta freqüência na região estudada: Bicudo do botão floral (Anthonomus acerolae).Orthezia praelonga (Douglas. 1998 Ordem Coleoptera Hemiptera Coleoptera Hemiptera Hymenoptera Diptera Coleoptera Hymenoptera Hemiptera Coleoptera Coleoptera Hymenoptera Hymenoptera Hemiptera Hymenoptera Hemiptera Hymenoptera Hemiptera Coleoptera Hemiptera Hemiptera Coleoptera Hymenoptera Coleoptera Família Curculionidae Aphididae Coccinelidae Membracidae Formicidae Tephtidae Coccinelidae Formicidae Coreidae Coccinelidae Curculionidae Formicidae Braconidae Pentatomidae Formicidae Pentatomidae Elasmidae Membracidae Coccinelidae Coreidae Ortheziidae Chrysomelidae Formicidae Cerambicidae Hábito Fitófago Fitófago Predador Fitófago Trofobionte Fitófago Predador Trofobionte Fitófago Predador Fitófago Trofobionte Parasitóide Fitófago Trofobionte Fitófago Parasitóide Fitófago Predador Fitófago Fitófago Fitófago Trofobionte Fitófago 138 Tópicos em Ciências Agrárias. Cigarrinha (Bolbonata tuberculata).6% em dezembro de 1996. 1775) Hemiptera: Coreidae Durante todo o ano. chegando a 100% em janeiro de 1997 e 56. Dentre as 25 espécies identificadas. Espécie Anthonomus acerolae Aphis spiraecola Azya imitator Bolbonata tuberculata Camponotus (M. 5 . acerolae e em C. Doryctobracon areolatus E. com pico populacional entre dezembro e fevereiro (Sá. Malpighia punicifolia. 1999). com pico populacional no período de agosto a fevereiro. 2009 . provavelmente pela falta do alimento..

o número diário e total de descendentes produzidos por fêmea acasalada e não acasalada e a razão sexual da descendência. Os trabalhos foram conduzidos no laboratório de Entomologia da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. Tópicos em Ciências Agrárias. (1998). Programas de controle biológico bem sucedidos têm sido reportados na literatura. houve uma concentração de picos de oviposição no terço inicial deste período (até o 20º dia).. sendo classificados como pragas-chave das fruteiras e. Já as fêmeas acasaladas. Dentre estes. 2009 139 . nipagin. Devido aos inúmeros prejuízos que causam. fim e picos de oviposição destas fêmeas. capitata foi adaptada de Diaz (1992). A metodologia de criação de C. para puparem. 1984). exposta em bandagens de nylon.8 dias. tendo como principal ferramenta o uso de inimigos naturais. Doryctobracon areolatus (Szèpligeti. 1824) (Diptera: Tephritidae). merecendo cuidados especiais durante o período de frutificação (Carvalho.) (Hymenoptera: Braconidae) criado em larvas de Ceratitis capitata (Wiedemann. e podem contribuir para o manejo integrado das moscas-das-frutas. de acordo com a metodologia vigente no laboratório. com tela nas laterais e parte superior. e organizadas continuamente campanhas multimilionárias de erradicação. Este procedimento foi adotado durante todo o período de vida das fêmeas. No caso das fêmeas acasaladas. umidade (60 .80%) e 12 horas de fotofase. A cada fêmea foram oferecidas. agar e água. Estudos da ocorrência e distribuição geográfica de parasitóides de moscas-das frutas no Brasil demonstram uma grande diversidade de espécies. buscando-se otimizar sua criação em laboratório. respectivamente. As outras 20 fêmeas permaneceram virgens para aferição da capacidade reprodutiva sem acasalamento. Diachasmimorpha longicaudata (Ashmead. Vinte dessas fêmeas receberam. ácido ascórbico. cerca de 100 larvas de C. capitata em 3º estádio. como tal. Os insetos foram alimentados com dieta artificial composta de mel de abelha. v. longicaudata apresentaram longevidade máxima de 59 dias e mínima de 10 dias. cultural e comportamental (Técnica do Inseto Estéril . A maioria desses programas empregam parasitóides da família Braconidae e. BA. em condições controladas de temperatura (25º C). Moscas-das-frutas são insetos que causam dano direto ao produto final. com sede em Cruz das Almas. Após esse tempo.TIE). Os machos ocasionalmente mortos antes das fêmeas foram substituídos. Longevidade de fêmeas adultas As fêmeas não acasaladas de D. especialmente em pomares orientados para o mercado externo.Longevidade e reprodução de Diachasmimorpha longicaudata (Ashm. conforme Carvalho et al.5 dias de vida. Quarenta fêmeas recém emergidas foram individualizadas em gaiolas cilíndricas de plástico transparente. As larvas ficaram assim expostas ao parasitismo pelo período de 24 h. 1905) tem sido a espécie mais utilizada em nível mundial. cada uma. e média de 25. a companhia permanente de um macho. estes picos se mantiveram até mais ou menos a metade do seu ciclo de vida (também próximo ao 20º dia). O fato de fêmeas virgens terem sido mais longevas do que as acasaladas talvez possa ser explicado pela economia da energia que seria dispendida nos acasalamentos. embora a atividade de oviposição estivesse presente durante toda a fase adulta das fêmeas não acasaladas. Em ambos os casos.000 cm3. foram transferidas para pequenos recipientes contendo vermiculita. diariamente. 1988). Período de oviposição Constatou-se que. o início. atingem o nível de dano econômico em densidades populacionais baixas. com predominância dos braconídeos. Visando a utilização desse parasitóide no manejo de moscas-das-frutas em programas de manejo integrado. sendo 8 e 40 dias as longevidades mínima e máxima. exibiram uma menor amplitude entre os limites de idade. possibilitando mensurar a longevidade dos parasitóides adultos fêmeas. e receberam água em pequenos frascos cobertos com chumaços de algodão. UFRB. o fruto. 1824). o estudo teve como objetivo conhecer sua performance reprodutiva sobre larvas de Ceratitis capitata (Wiedemann. dentre estes. com uma média em torno de 32. têm sido estabelecidas numerosas barreiras fitossanitárias entre países e regiões. para garantir a fecundação. Os insetos foram criados em dieta artificial.1911) é a espécie mais abundante na maioria das regiões estudadas (Nascimento et al. e têm custo muito elevado para governos e organizações internacionais. Os métodos de controle utilizados são principalmente químico. As larvas foram submetidas ao parasitismo em “unidades de exposição” confeccionadas a partir de um pequeno pedaço de tecido fino amarrado à maneira de um saco e dependurado na parte interior e superior da gaiola. os limites máximos de sobrevivência encontrados muito se aproximam daqueles citados por Diaz (1992): 57 dias para fêmeas não acasaladas e 48 dias para fêmeas com reprodução sexual. com volume aproximado de 2. 1.

Euphorbiaceae. colocados em um recipiente de vidro (15 cm de diâmetro x 10 cm de altura) com tampa de tela. A seguir. em média. evidencia-se a concentração da descendência (em torno de 90%) nos intervalos de idade que compõem a primeira metade da vida das fêmeas.15 descendentes/fêmea. v. com o objetivo de identificar insetos-vetores do PSDV. mantidas em gaiola de campo (2x1.1989.O período de oviposição de fêmeas acasaladas e não acasaladas coincide com a duração de seus estágios adultos. longicaudata 1. sendo relatada também nos estados de Pernambuco e Ceará (Rodrigues et al. sendo responsável por perdas de 30 a 100% na produção dos pomares afetados no sul e nordeste da Bahia e norte do Espírito Santo. Razão sexual da descendência: Fêmeas não acasaladas de D. 52% dos seus descendentes foram fêmeas. ainda que em número insignificante (3 e 4 descendentes). 1.5 m) com tela antiafídica até a realização dos testes. Esta suposta esterilidade pode estar relacionada à ausência de machos. Transmissão do vírus da meleira do mamoeiro por insetos Inúmeros são os estudos de transmissão de viroses por insetos vetores.Fêmeas não acasaladas exibem o fenômeno da partenogênese arrenótoca.. localizada no município de Cruz das Almas-BA. UFRB. Barbosa et al.) Os insetos foram coletados com o auxílio de um pincel (afídeos) e um aspirador bucal (cigarrinha e moscabranca). Observou-se que todas as fêmeas acasaladas originaram prole. O experimento foi desenvolvido nos Laboratórios de Entomologia e Fitovirologia. embora os picos de oviposição concentrem-se nos primeiros 20 dias de idade. 1993). As seguintes espécies foram utilizadas nos testes de transmissão: pulgão (Toxoptera citricidus e Myzus persicae). Em ambos os casos. 3. Malvaceae. longicaudata produziram apenas descendentes machos. estas exibiram um mínimo de 3. um número médio de 173.75 descendentes. PSDV e que o padrão de disseminação inicial sugere a existência de um vetor que traz o vírus de fora para dentro da plantação. 1998). 2009 . longicaudata quando não acasaladas vivem.Quantificação da progênie As fêmeas não acasaladas produziram.52.A. foram inoculadas mecanicamente (ferimento com agulha) com látex de frutos de plantas infectadas por meleira. evidenciando a relação hospedeiro-vírus-vetor (Yuki et al.25% mais que as acasaladas. com aproximadamente dois meses de idade. 5. 22. A progênie das fêmeas acasaladas mostraram uma razão sexual média da ordem de 0. ou seja.16 parasitóides/fêmea. em gaiolas de campo e telado na sede da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. Quanto às fêmeas acasaladas.O número médio de descendentes/fêmea é praticamente igual para fêmeas virgens e acasaladas: em torno de 170 parasitóides/fêmea. Solo.72 descendentes/fêmea. permanecendo por um período de 1 hora 140 Tópicos em Ciências Agrárias. pertencentes principalmente às famílias Fabaceae. 1998. sendo o mínimo de 0 e máximo de 371 parasitóides/fêmea.1998). enquanto dois espécimes da amostra de fêmeas virgens não produziram descendente algum.Fêmeas adultas de D. O perfil de oviposição das fêmeas é dado importante para a criação massal da espécie e definição do período ótimo de atividade dos parasitóides. dentre eles destacando-se os relacionados com afídeos. praticamente 1:1. atribuindo-se a estes a capacidade de estimular as fêmeas para a reprodução. cigarrinha (Empoasca bordia) e mosca-branca (Bemisia tabaci Biótipo B). A média diária ficou em 7. Quatro mudas de mamão cv. 4. contendo três mudas sadias de mamão. A mosca-branca atualmente se constitui em um grave problema fitossanitário. indica que o agente causal da meleira é o "Papaya sticky disease virus". um máximo de 312 e uma média para o ciclo de vida de 171. Este trabalho teve com o objetivo identificar insetos-vetores do vírus da meleira do mamoeiro. demonstrando uma participação equilibrada de ambos os sexos na descendência.A. Compositae. Convolvulaceae e Cucurbitaceae. sendo separados em grupos de 10 e 20 indivíduos adultos e/ou ninfas e posteriormente. Kitajima (1999). sendo na sua maioria dicotiledôneas (Salgueiro. A meleira é atualmente o maior problema fitossanitário da cultura do mamoeiro. cigarrinhas e mosca-branca. em média. obedecendo as seguintes etapas: Período de aquisição (P.52..5x1. 2. colonizando mais de 500 espécies vegetais. Costa. são apresentados os dados reprodutivos do parasitóide D. Solanaceae..A progênie de fêmeas acasaladas exibe uma razão sexual média de 0. durante o seu ciclo. A média diária foi de 5. sendo colocados separadamente em gaiolas de campo.

apresentaram dsRNA do vírus da meleira. confirma a hipótese do envolvimento de uma causa biótica na transmissão e disseminação da doença.A.A. Habibe et al.I.A. b) a mosca-branca.A. Após o P. coletou-se amostras de folhas novas de todas as plantas utilizadas nos testes.A. Período de acesso e inoculação (P.A. não transmitiram o vírus da meleira do mamoeiro. Bemisia tabaci Biótipo B transmitiu o vírus da meleira do mamoeiro. sendo transplantadas posteriormente para gaiolas de campo (duas plantas por gaiola). e observação de sintomas da doença.A. as quais foram processadas e avaliadas de acordo com o protocolo de Morris & Dodds (1979) modificado por Habibe et al. 2009 141 . Concluiu-se que: a) a cigarrinha Empoasca bordia. A capacidade da mosca-branca em transmitir virose para o mamoeiro foi relatada por Sangeeta et al. colonizando e se alimentando em mamoeiros protegidos em telado. que neste caso foi realizado em planta sadia. Nove meses após a infestação. submetidas ao (P. A análise estatística foi realizada testando-se as proporções via aproximação normal pelo teste Z em nível de 5% de probabilidade. com uma percentagem de transmissão de 83%. submetidos aos mesmos procedimentos acima descritos. (1998) na Índia. os insetos foram transferidos para uma gaiola de campo contendo planta com meleira.A. onde permaneceram por um período de 24 e 72 horas.I. Testes com Empoasca bordia Não foi detectado dsRNA do PSDV nas plantas infestadas pelos insetos submetido ao P. as plantas foram avaliadas mensalmente. todas as plantas infestadas por Bemisia tabaci biótipo B. Testes com Bemisia tabaci biótipo B Três meses após a infestação.). v. (2005). para alimentação. os pulgões Toxoptera citricidus e Myzus persicae. tabaci biótipo B. não sendo detectado em nenhuma das plantas controle (Figura 1B). onde permaneceram por um período de nove meses ou até a frutificação. c) A identificação de Bemisia tabaci Biótipo B como vetor do vírus da meleira do mamoeiro. Após o jejum. que encontraram Trialeurodes sp. por um período de nove meses quanto ao aparecimento dos sintomas da meleira.A.. Apesar dos afídeos serem o grupo de vetores mais importante e eficiente na transmissão de mais de 275 fitoviroses (Nault 1997). (1999). não foram capazes de transmitir o vírus da meleira. inclusive para mamão. tabaci como vetor. Das seis plantas infestadas por B. 2. foram utilizados como controle. 1. (2001) transmitiram o PSDV para mamoeiros sadios. mediante inoculação com macerado de Bemisia tabaci GENN biótipo B.A. coletadas em mamoeiros infectados pela doença. quando demonstraram que Empoasca sp. Após o transplante para as gaiolas de campo. O índice de infeção observado aos três e nove meses após a infestação. onde permaneceram por períodos de 48 h e 30 min.. demonstra alta eficiência do inseto como vetor (Tabela 4). as plantas foram mantidas em um telado por um período de trinta dias. como também nas plantas controle. Aos três e nove meses após o P. sendo submetidas a análises para detecção do dsRNA do PSDV.. submetidas ao P. Testes com Toxoptera citricidus e Myzus persicae A análise eletroforética não revelou a presença do dsRNA do PSDV nas plantas testadas. Para cada tratamento. UFRB. onde Bemisia tabaci é responsável pela transmissão de um Geminivírus para mamão. Estes resultados corroboram com Vital et al. grupos de 10 e 20 espécimens de cada espécie foram transferidos para uma gaiola telada (50 x 25 x 25 cm) contendo uma planta de mamão sadia (planta-teste) com três meses de idade. indicando o potencial de B. a ocorrência de mosca-branca em mamão foi relatada por Vieira & Correa (2001).) Após o P. No Brasil. Tópicos em Ciências Agrárias. e Bemisia tabaci biótipo B.. insetos provenientes das mesmas colônias.A.I. constatou-se a presença de dsRNA com migrações semelhantes ao de plantas naturalmente infectadas pela meleira (Figura 1A). não foi capaz de transmitir o vírus da meleira do mamoeiro (PSDV).I. exceto o P.sem alimentação (jejum). cinco foram infectadas pelo vírus da meleira.A.

tem-se observado um elevado número de plantios atacados pelo PSDV na região do vale Sub-Médio São Francisco. a disseminação do vírus também ocorre durante as operações de eliminação das folhas quando não é feita a desinfecção das ferramentas utilizadas. Avaliou-se. Além do problema inerente a esta estreita base genética. Nº de plantas 1ª avaliação infestadas 90 dias Bemisia tabaci biótipo B 6 83%* Empoasca bordia 0% NS 6 Toxoptera citricidus 6 0% NS Myzus persicae 6 0% NS * = Significativo em nível de 5% de probabilidade pelo teste de Z. 7 controle negativo. A ocorrência da meleira vem ocasionando grandes prejuízos à produção da fruta. 142 Tópicos em Ciências Agrárias. destacando-se nesse contexto a meleira do mamoeiro (Habibe et al. Paraíba. 1.lote de produtor de mamão. o elevado preço e a dificuldade de obtenção de sementes do híbrido F1 comercial do grupo Formosa. 12: Marcador de DNA 1Kb. B) Nove meses após infestação Tabela 4 . obtidos no Banco Ativo de Germoplasma (BAG-Mamão) da Embrapa Mandioca e Fruticultura.000 t/ano (FAO. Rio Grande do Norte. Os acessos foram introduzidos em duas áreas distintas. NS = não significativo ESPÉCIE 2ª avaliação 270 dias 100%* 0% NS 0% NS 0% NS A meleira do mamoeiro no trópico semi-árido O mamoeiro é uma das fruteiras mais cultivadas e consumidas nas regiões tropicais e subtropicais do mundo (Chen et al. O mamoeiro é altamente suscetível às doenças fúngicas e viróticas. quanto à sua suscetibilidade ao PSDV. Dantas. Cruz das Almas-BA. 2003). principalmente nos plantios irrigados. o que implica em vulnerabilidade às pragas. contendo extrações de dsRNA de amostras de látex e folhas de mamoeiro. 1999). O objetivo do presente trabalho foi gerar informações sobre o comportamento varietal de mamoeiros ao PSDV. Nos últimos anos. Gel de agarose a 1. tendo como agravante a essa situação a ação de um complexo de fungos atacando a cultura. 2002). 2001). A disseminação do vírus ocorre de fora para dentro da plantação. neste trabalho.1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 A B Figura 1. a mosca-branca (Bemisia tabaci GENN biótipo B). A disseminação dessa virose vem se dando de forma crescente.. UFRB. Apesar dessa posição de destaque. sob condições de trópico semi-árido. a totalidade de sua área está implantada basicamente sobre três cultivares pertencentes a dois grupos. 9:Látex de planta naturalmente infectada pela meleira. 2009 . 16 genótipos de mamoeiro. 1991). Contribuindo com cerca de 25% da produção mundial. A) Três meses após infestação. 7-8/10-11: controle negativo.1994. 9: meleira. doenças e variações edafoclimáticas. 8: Marcador de DNA 1Kb. Espírito Santo.. Nas linhas de plantio. A) 1: Marcador de DNA 1Kb . v. B) 1-6: Amostras de plantas infestadas por Bemisia tabaci biótipo B. Ceará e Pólos Frutícolas de Juazeiro-BA e Petrolina-PE. o Brasil desponta como líder do “ranking” dos países produtores de mamão com uma produção de 1. ambas localizadas em Petrolina-PE: área 1. Percentagem de plantas infectadas pelo vírus da meleira. Solo e Formosa. 2-6: Amostras de plantas infestadas por Bemisia tabaci biótipo B. pelo inseto vetor. atingindo diversas áreas de cultivos comerciais no país. também constituem fatores limitantes à expansão da cultura (Oliveira.2%.5000. após infestação por insetos (Cruz das Almas-Bahia. como os localizados no sul da Bahia.

Antonio Souza do Nascimento. mediante a transmissão experimental do PSDV para mamoeiro por mosca-branca B. assim como uma elevada colonização de mosca-branca Bemisia tabaci (GENN). inversamente ao que foi observado na área 2. as duas áreas apresentaram o mesmo percentual de infecção pelo PSDV. 2009 143 . Foram considerados de baixa suscetibilidade ao vírus o Tainung Nº 1 e os acessos CMF 018. área 2. assim como. na área 2. que indicaram ser a mosca-branca vetor da meleira. observou-se um grande número de plantas infectadas pelo PSDV. observou-se que a velocidade de disseminação do vírus na área 1 foi superior à apresentada na área 2. Na área 1. A disseminação mais rápida do vírus na área 1.apresentando alto índice de infecção pela meleira. Os acessos CMF 023. nas áreas avaliadas. inicialmente foi mais rápida na área 1 (Produtor). área sem histórico da doença. fonte de informações para estabelecimento de estratégias de controle para a meleira. A disseminação da infecção pelo PSDV.Estação Experimental da Embrapa Semi-Árido. 2002. sob orientação do Dr. avaliados sob condições de trópico semi-árido em área de produtor área 1 e Campo experimental da Embrapa Semi-Arido área 2. 1. Nesta área. verificou-se uma baixa ocorrência de mosca-branca. pode ser explicada pela presença de grande número de mamoeiros infectados pelo PSDV. Na medida em que houve um aumento populacional deste inseto na área 2. ao final das avaliações. lote de produtor de mamão. Entretanto. Walkyria Maria Sampaio Sá. As plantas foram monitoradas durante o período entre janeiro de 2001 a outubro de 2002. Entretanto. tabaci (GENN). comparativamente à área 2 (Embrapa Semi-Àrido). quanto a presença dos sintomas e dsRNA característicos da doença. Sérgio Wally Pereira Bispo e Carlos Augusto Vidal. Os autores dessa compilação agradecem aos Mestres: Noemi Elizabeth Castro Portilla. Tópicos em Ciências Agrárias. UFRB. biótipo b. Além disso. para obtenção da fonte de inóculo. além de ser observada alta colonização destas plantas por mosca-branca. desenvolvidas no “Curso de Mestrado em Ciências Agrárias da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia”. sem a presença do vírus. AGRADECIMENTOS O texto acima é uma compilação das Dissertações de Mestrado. lote do produtor. Figura 2. CMF 054. foi observada a elevação no número de acessos infectados. Petrolina PE. (2000). CMF 012 e CMF 008 mostraram-se altamente suscetíveis ao PSDV. Os resultados obtidos poderão servir de subsídio aos programas de melhoramento genético do mamoeiro. as bordaduras foram inoculadas mecanicamente com meleira. v. havendo um maior número de plantas infectadas em um menor espaço de tempo (Figura 2). Estes resultados corroboram com os obtidos por Vidal et al. Campo experimental da Embrapa Semi-Árido. biótipo B nos mamoeiros presentes na área. Avanço da infecção pelo PSDV em 16 acessos de mamoeiro.

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CAPÍTULO 11 INTERAÇÃO ENTRE FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES E PATÓGENOS RADICULARES DE CITROS Antônio Alberto Rocha Oliveira. 1. 2009 . UFRB. v. Cláudia Melo da Paixão & Robélia Tosta Dias Amorim Tópicos em Ciências Agrárias.

tais como: podridão de sementes. Agr. aphanidermatum. principalmente. v. A aplicação de fungicidas sistêmicos pode provocar boa supressão da doença. Das frutíferas estudadas nos últimos anos. Esse fungo é amplamente distribuído no mundo. Davis & Menge (1980) demonstraram que. Escola de Agronomia/UFBA. 1984). Efeitos benéficos foram observados em plantas de tomate cultivar “Pusa Ruby”. das quais. depende de quais organismos se estabelecem primeiro no tecido das raízes (Siqueira. uso de práticas culturais que minimizem a exposição da suscetibilidade do tecido do enxerto ao fungo e na fumigação do solo antes do plantio.INTERAÇÃO ENTRE FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES E PATÓGENOS RADICULARES DE CITROS Antonio Alberto Rocha Oliveira1. 1992. probabilidade de desenvolvimento de resistência e potencial de risco ao ambiente (Rossetti. aphanidermatum (Hedge & Rai. as plantas cítricas foram identificadas como as mais dependentes dos FMAs e que também redundaram em melhores respostas. 1994). podridão de raízes e podridão mole de órgãos suculentos. permite melhor distribuição das raízes no solo. à formação de micélio externo à raiz que. como o fósforo. notadamente o uso de fungos micorrízicos arbusculares (FMA) para o controle de diversas fitomoléstias (Zambolim. Estratégias de manejo consistem. UFRB. Em outro trabalho. o gênero Pythium destaca-se como patógeno de grande importância. observaram que os FMAs foram favoráveis ao crescimento das plantas reduzindo a percentagem de infecção por P. a muda cítrica é considerada o insumo mais importante na formação de um pomar. 1991). 1992). 1994). Este resultado sugere que FMAs podem colonizar e proteger plantas de tomate de “damping-off”. quando a mesma ainda não está infectada por P. Calvet et al. sendo de interesse dos viveiristas e técnicos a obtenção de mudas sadias. (1993) citam que Glomus mosseae inoculado em cravo de defunto (Tagets erecta L. em relação à inoculação micorrízica duas semanas depois do fitopatógeno. este efeito deve começar durante a fase inicial de desenvolvimento do vegetal e continuar durante todo ciclo da cultura (Silveira. sendo responsáveis pela maior absorção de água e nutrientes do solo pelas plantas (Zambolim & Siqueira. vigorosas. Eyer & Sundaraju (1993).) protegeu a planta de Pythium ultimun. Diversos fatores podem influenciar o desenvolvimento das mudas e. Esses fungos formam associações mutualísticas com as raízes das plantas e ocorrem na maioria das espécies em condições naturais. o total de Tópicos em Ciências Agrárias. atacando partes subterrâneas das plantas ou partes destas que se desenvolveram próximas ao solo. dentre eles. mas nem sempre é desejável devido ao alto custo.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. com isso. principalmente em solos com baixo nível de fósforo disponível na solução. no uso de porta-enxertos resistentes. quando inoculado com Glomus fasciculatum. em solos fertilizados com 6 g de P/g de solo. 1996). 1991. mais de 52 são atribuídas a fungos e bactérias. O efeito de FMAs. sendo que a pré-colonização da raiz pelo fungo micorrízico garante uma proteção mais eficiente. havendo aumento de biomassa vegetal. bem como portadoras de uma rizomassa desenvolvida. em termos de redução de danos causados por Pythium aphanidermatum. causando diferentes tipos de doenças. a retirada de elementos minerais pouco móveis. Robélia Tosta Dias Amorim3 1 2 3 Pesquisador . estiolamento de pré e pós-emergência. a incidência de “damping-off” foi reduzida e o peso da raiz aumentada. Assim. dentre outras. estudando gengibre. Cláudia Melo da Paixão2. o que caracteriza os principais solos brasileiros utilizados para a citricultura (Hoffmann et al. vem se multiplicando o número de pesquisas que fazem uso do método de controle biológico. de crescimento rápido. em relação aos fitopatógenos. 1985). aumentando.. Nos anos recentes. constituindo uma superfície adicional. Quando Glomus foi inoculado simultaneamente ou duas semanas antes do fitopatógeno. St-Arnaud (1994) observou que a inoculação de G. A inoculação conjunta dos dois microrganismos fez reduzir o número de propágulos do patógeno e aumentou rapidamente o mecanismo de resistência à doença. Fontes. Cruz das Almas-BA Eng. Assim. Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO A produtividade de um pomar de citros depende em grande parte da qualidade da muda usada na sua implantação. o grande número de doenças que incide sobre a cultura. 1. O efeito benéfico é devido. Guillemin et al. Cruz das Almas-BA Mestre em Ciências Agrárias/UFBA.. intraradices com Pythium ultimum não afetou a biomassa de Tagets patula e em plantas jovens não afetou a colonização das raízes por Glomus. O efeito protetor ocorre quando ambos os microrganismos estão simultaneamente presentes na rizosfera ou na raiz da planta. Dentre os fungos que afetam a cultura dos citros. 2009 149 .

bem como obter informações complementares sobre a viabilidade da utilização de porta-enxerto tangerina 'Cleópatra' como alternativa ao limão 'Cravo'. então. Esse estudo sugere que plantas cítricas micorrizadas são eficientes no controle de Phytophthora em condições de baixa fertilidade. empregando-se como recipientes. simulando plantio de mudas em cova e no fundo deste orifício. Do preparado de P. foi realizada a inoculação com o FMA. foi multiplicada. triturou-se o conteúdo das placas (cultura pura com fungos com 18 dias de idade) acrescido de 200 mL de água deionizada. UFRB. permitindo-se. localizada no município de Cruz das Almas. Em cada abertura foi colocada uma semente para obtenção dos porta-enxertos. utilizando-se sorgo (Sorgum vulgare) como planta multiplicadora. a literatura nacional e internacional sobre interação entre estes fungos simbióticos e aqueles patogênicos é muito escassa em resultados de pesquisa. Gigaspora margarita. buscou-se com o presente trabalho avaliar o efeito de FMAs nativos e/ou Gigaspora margarita e de Pythium aphanidermatum no desenvolvimento e nutrição de mudas cítricas. procedente da coleção de FMAs do Laboratório de Nematologia e Microbiologia do Solo da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. um contato íntimo. margarita receberam 10 mL de um filtrado do inóculo isento de propágulos de FMAs. Ensaio O experimento foi conduzido na Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. as plântulas foram selecionadas de acordo com a altura e o número de folhas. Assim. No preparo do inóculo. aumentando-se gradativamente a velocidade até o máximo. durante dois minutos. ao mesmo tempo em que se distribuiu o restante do inóculo ao redor e sobre as raízes da mesma. numa pressão de 1 atmosfera por 1 hora a 120 ºC. em liquidificador. Entretanto. contribuindo desta forma para a biodiversidade e sustentabilidade agrícola. a um menor custo de produção por reduzir gastos com defensivos agrícolas e fertilizantes. a concentração da suspensão a ser utilizada foi ajustada para 104 esporângios mL-1. durante cinco meses. sob condições de casa de vegetação. a muda. Fez-se um orifício central no substrato. uniformizando. com maior desenvolvimento. Os tratamentos constaram de solo natural. em vasos contendo uma mistura de solo de baixa fertilidade: areia grossa lavada: turfa (1:1:1 v:v:v) autoclavada. procedeu-se à inoculação com o filtrado usado nos tratamentos sem FMAs. numa proporção de 1:1:1 (v:v:v). todos os vasos não inoculados com G. sementeiras de isopor que foram preenchidas com areia previamente autoclavada. distribuiu-se um pouco do inóculo. No ato do transplantio das mudas para os vasos. micélio e raízes infectadas. v. Visando fornecer aos tratamentos não inoculados com G. Colocou-se. transplantadas para os vasos que já continham o substrato.037 mm de abertura) com a finalidade de reter propágulos de FMAs e deixar passar os outros microrganismos presentes na microbiota desse substrato. cultivada no pomar da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. Duas semanas pósgerminação.4x105 esporângios mL-1 e. assim. O inóculo foi constituído por 20 g da mistura de solo que foi pesada de forma a fornecer aproximadamente 900 esporos por vaso. Como substrato foi utilizado uma mistura de latossolo amarelo distrófico. sendo.peso seco de citros micorrizados com Glomus fasciculatum foi maior que na condição não inoculada. Esse filtrado foi obtido a partir de 20 g do substrato dos "vasos de cultivo" usado na multiplicação dos FMAs em 1 litro de água deionizada e peneiramento úmido em peneira de 400 "mesh" (0. Dessa forma. assim. a microbiota entre os tratamentos. então. o emprego de plantas cítricas micorrizadas oferece grandes possibilidades de exploração. Sementes de limão 'Cravo' (Citrus limonia Osbeck CV) e tangerina 'Cleópatra' (Citrus reshni Hort. no período abril a setembro de 1999. a 1200C. obtiveram-se diferentes isolamentos. A espécie de fungo micorrízico arbuscular utilizada. em condições controlada de casa de vegetação. na cultura dos citros. 150 Tópicos em Ciências Agrárias. mais tolerantes à fitopatógenos e ao estresse do transplantio e do ambiente. Estado da Bahia. aphanidermatum foi retirado uma amostra de 1 mL para contagem em hemacitômetro de Rosenthal estimando-se. dois a três pares definitivos. A esterilização foi feita em autoclave durante uma hora à pressão de uma atmosfera. margarita a população de outros microrganismos existentes no inóculo utilizado no experimento com este fungo usado. para que fosse garantida a presença de espécies nativas de fungos micorrízicos bem como a microbiota natural do substrato e de solo autoclavado. desta forma. pois pode resultar em mudas mais precoces. coletado na área experimental da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. a partir desta. ex Tan. a densidade de 3. Amostras de mudas de limão 'Cravo' com sintomas semelhantes àqueles causados por “damping off” foram coletadas e trazidas para o laboratório de Fitopatologia. em substrato natural e autoclavado. com um solo arenoso coletado no campo da Central de Tratamentos de Efluentes (CETREL) e uma parte de areia grossa lavada coletada em rio. De forma semelhante à descrita na inoculação com FMAs. 1. A partir das lesões nas mudas selecionadas.) foram retiradas de frutos maduros originados de uma única planta apropriada para matriz. 2009 . A semeadura foi realizada em casa de vegetação.

A inoculação de P. aphanidermatum foi realizada juntamente com a de G. margarita, simultaneamente ao transplantio das mudas, através da aplicação de 50 ml de uma suspensão contendo hifas, zoósporos e esporângios distribuídos uniformemente sobre as raízes na superfície do substrato ao redor das plantas. Para as testemunhas, sem fitopatógenos, triturou-se meio de cultura sem fungos, e obedecendo procedimento idêntico ao do tratamento com inoculação do fungo, inoculou-se o preparado no mesmo volume da suspensão. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos inteiramente casualizados em esquema fatorial 2x2x2x2 com quatro repetições, perfazendo um total de 64 vasos. Cada unidade experimental foi constituída por um vaso plástico contendo uma muda. O experimento foi conduzido durante, aproximadamente, cinco meses, sendo avaliados: altura das plantas, diâmetro do caule, número de folhas, área foliar, peso da matéria seca da parte aérea e das raízes, comprimento de raiz, densidade de esporos e colonização micorrízica. Para determinação da colonização micorrízica, usaram-se apenas as radicelas, que foram lavadas em água destilada e cortadas em segmentos de aproximadamente 1cm. O descoramento e a coloração das raízes foram realizados a partir da metodologia de Phillips & Hayman (1970) que foi modificada empregando-se KOH 10 % em banho-maria a 90 0C durante 40 minutos, água alcalina durante 15 minutos, HCl 3 % em 5 minutos, 12 horas em azul-de-trípano a 0,05 %. A percentagem de segmentos colonizados foi determinada pela visualização sob microscópio estereoscópio de 50 segmentos radiculares de aproximadamente 1 cm de comprimento dispostos em lâminas de vidro contendo glicerina e cobertas com lamínulas, com base em metodologia proposta por Giovannetti & Mosse (1980). O comprimento total das raízes foi determinado pelo método da intersecção linear em placa quadriculada, de acordo com Newman (1966). Para esta determinação, foram utilizadas radicelas e raízes mais grossas também cortadas em aproximadamente 1cm de comprimento. Os esporos foram extraídos em 50 g de substrato úmido através de peneiramento e centrifugação em solução de sacarose 50 % por 5 e 1 minuto, respectivamente (Gerdemann & Nicolson, 1963; Pacioni, 1992). Em seguida foram colocadas em placas de Petri quadriculadas e através de lupa estimou-se a densidade total de esporos (Giovannetti & Mosse, 1980). Sub-amostras pesando 50 g de substrato úmido foram colocadas em estufa a 60 0C, durante 2 dias, para obtenção de peso da matéria seca e, por regra de três, obteve-se o número de esporos por grama de substrato seco. Todos os dados foram submetidos à análise de variância e teste de Tukey a 5%, para comparação das médias conforme o delineamento experimental utilizado, através do programa estatístico SAEG (Ribeiro Junior, 2001). Densidade de esporos de FMAs e colonização micorrízica Ocorreram diferenças significativas em relação a todos os tratamentos isoladamente. Na Figura 1, são apresentados os dados sobre densidade de esporos micorrízicos na rizosfera e taxa de colonização micorrízica dos porta-enxertos, aos 150 dias pós-semeadura. A pequena quantidade de esporos observada no tratamento testemunha, substrato autoclavado e não inoculado, pode ser predominantemente refugo da esterilização, estando inviável, já que a colonização micorrízica foi praticamente ausente neste tratamento. Nos tratamentos com G. margarita, observou-se tendência de maior esporulação em substrato natural, o que, possivelmente, deve ser devido à presença de fungos nativos já adaptados ao substrato mais a introdução de G. margarita, que, também, apresentou boa adaptação. Além disso, como os esporos de Gigaspora são grandes, a quantidade produzida é menor em comparação com a de outras espécies, justificando-se a menor densidade de esporos dos tratamentos autoclavados. Nas plantas sem Pythium, a densidade de esporos foi maior para o limão 'Cravo', entretanto, na presença deste patógeno, verificou-se menores valores em praticamente todos os tratamentos. Pelos dados de colonização apresentados por G. margarita em substrato autoclavado, para os dois portaenxertos, acima de 98 e 48%, na ausência e presença de patógenos, respectivamente, evidencia-se que os propágulos deste fungo eram viáveis e estavam em quantidades suficientes para garantir a colonização das radicelas e resposta da planta. Os fungos nativos apresentaram colonização acima de 45 e 40% na ausência e presença do patógeno, respectivamente, evidenciando, também, estabelecimento no substrato e boa capacidade de colonização das raízes dos porta-enxertos cítricos. G. margarita promoveu maior colonização micorrízica em substrato autoclavado ou em substrato natural, comparada aos fungos nativos isoladamente. Entretanto, os maiores valores de colonização foram observados em substrato autoclavado, podendo-se inferir que os FMAs nativos reduziram os efeitos proporcionados por G. margarita, visto que, na ausência destes fungos, a resposta à inoculação foi significativamente maior para as
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duas variedades. Segundo Brundrett & Juniper (1995), fatores como emissão múltipla de tubos germinativos e o grande tamanho dos esporos favorecem a viabilidade e capacidade de colonização das espécies de Gigaspora.

S0 M0

S0 M1

S1 M0

S1 M1

Limão 'Cravo'
12

Tangerina 'Cleópatra'
12
Esporos g de substrato

Esporos g de substrato

10 8 6 4 2 0

aA aA aA aA bA
Sem patógeno

10 8 6 4 2 0

aA aA aA aA bA
Sem patógeno

aA

aA aA

-1

bA
P. aphanidermatum

-1

aA

bA
P. aphanidermatum

Limão 'Cravo'
% de segmentos colonizados % de segmentos colonizados 120 100 80 60 40 20 0

Tangerina 'Cleópatra'
120 100 80 60 40 20 0

aA bA cA aB aB aB

aA

bA bA

aB aA aA

dA
Sem patógeno

bA
P. aphanidermatum

cA
Sem patógeno

bA
P. aphanidermatum

Figura 1. Efeito da inoculação com Pythium aphanidermatum sobre a densidade de esporos micorrízicos na rizosfera e taxa de colonização micorrízica dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra' inoculados ou não com Gigaspora margarita, em substrato natural ou autoclavado. Substrato: S0=natural, S1=autoclavado. FMAs: M0=não inoculado, M1= Gigaspora margarita. Barras seguidas pelas mesmas letras maiúsculas comparam os tratamentos patogênicos com ou sem inoculação de FMAs e minúsculas comparam os tratamentos micorrízicos na presença ou ausência do patógeno (Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Cruz das Almas - BA, 1999).

Foi verificada influência da variedade na colonização por FMAs, sendo estes valores maiores no limão 'Cravo'. Smith & Gianinazzi-Pearson (1988) observaram que diferentes espécies e isolados de uma mesma espécie de FMAs podem exibir benefícios diferenciados às plantas hospedeiras em função das condições edafoclimáticas e aspectos da relação fungo-planta. Observou-se que P. aphanidermatum reduziu a colonização micorrízica dos FMAs nativos e do introduzido e, que na presença deste patógeno, não houve efeito significativo de G. margarita em relação aos fungos nativos, o que foi observado na sua ausência. Provavelmente, ocorre competição entre os diferentes fungos por espaço e fotossintatos das plantas, reduzindo a colonização. Pereira (1994), estudando a colonização de cafeeiro por G. margarita e Rhizoctonia, comentou que os danos causados pelo patógeno no sistema vascular e vasos condutores de seiva, com desestruturação dos tecidos, limitando, consequentemente, o crescimento do fungo micorrízico, também pode ocasionar menor colonização. A redução da colonização micorrízica ocorreu nas duas variedades, mas com diferença significativa apenas no limão 'Cravo'. Desta forma, trabalhando-se com FMAs, se for constatada a presença de Pythium no substrato, seria mais adequado trabalhar com a tangerina 'Cleópatra' do que com o limão 'Cravo' que sofre mais danos quando infectado por este patógeno.

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Características de crescimento das plantas Os valores médios de altura, número de folhas, diâmetro do caule e área foliar do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', em função dos tratamentos fúngicos e das épocas de avaliações, encontram-se na Tabela 1. Verifica-se que, mesmo na ausência do patógeno, os valores de todas as características em substrato autoclavado sem FMAs foram muito baixos. De maneira geral, independentemente do tratamento dado ao substrato, os valores de todas as características analisadas foram significativamente superiores em plantas micorrizadas. Observa-se que os FMAs nativos promoveram aumentos de 48,57 e 31,95% na altura do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', respectivamente, sendo que, em relação à área foliar, estes valores foram superiores 608,33% para o limão 'Cravo' e 190,77% para a tangerina 'Cleópatra'. Já a inoculação de G. margarita promoveu aumento acima de 140% na altura dos dois portaenxertos estudados e de 1004,17 e 318,46% na área foliar de limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', respectivamente, comprovando que as plantas cítricas são bastantes micotróficas e que a presença de FMAs no substrato contribui significativamente para o desenvolvimento dessas plantas. Este resultado vem sendo mencionado em diversos trabalhos com associações micorrízicas em citros (Kleinschmidt & Gerdemann, 1972; Cardoso et al. 1986; Camargo, 1989; Weber et al., 1990; Fonseca et al., 1994).

Tabela 1. Influência da inoculação com Pythium aphanidermatum e/ou Gigaspora margarita sobre o crescimento vegetativo dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', em substrato natural ou autoclavado (Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Cruz das Almas - BA, 1999).

Tratamentos Variedades Gm * Solo** A NI NA ‘Cravo' A I NA

Altura das plantas (cm) NI 6,65 aB 9,88 aA I 6,05 aB 7,23 bA

Número de folhas

Diâmetro do caule (cm)
*

Área foliar 2 (cm ) NI 6,00 aB I 4,00 aB

Pythium aphanidermatum NI I NI 6,00 aB 9,50 aA 4,00 bB 7,50 bA 0,21 aB 0,30 aA

I

0,18 bB 0,23 bA

42,50 aA 39,00 aA

17,23 aA 12,83 aB

10,90 bA 10,08 bB

13,25 aA 12,25 aA

10,67 bA 0,36 aA 9,40 bB

0,30 bA

66,25 aA 47,00 bA 53,50 aA 50,67 aA

0,33 aB 0,28 bA

A NI ‘Cleópatra’ I NA

8,45 aB 11,15 aA

6,13 bB 9,65 bA

8,50 aB

7,00 bB

0,24 aB 0,31 aA

0,20 bB 0,30 aA

16,25 aB 11,50 aB 47,25 aA 45,25 aA

14,00 aA 11,75 bA

A NA

20,50 aA 16,38 aB

12,20 bA 11,33 bB

18,75 aA 13,75 bB 15,50 aB 15,25 aA 7,21

0,39 aA

0,29 bA

68,00 aA 50,00 aA 62,00 aA 48,25 aA 31,93

0,36 aB 0,30 bA 5,53

CV (%)

4,76

Médias seguidas pela mesma letra maiúscula nas colunas e minúscula nas linhas não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. *Gm = Gigaspora margarita. NI - Não inoculado; I - Inoculado. **A - Autoclavado; NA - Natural.

Observou-se que os benefícios promovidos por G. margarita foram maiores em substrato autoclavado do que no natural. Como o aumento proporcionado por G. margarita em substrato natural foi superior ao obtido com os fungos nativos, infere-se que, também nesta condição, houve bom estabelecimento de G. margarita, que apresentou poder competitivo diante dos endófitos nativos. Manjunath et al. (1983) e Oliveira & Jesus (1987) também observaram que a inoculação micorrízica de citros pode ser benéfica, mesmo em alguns solos não esterilizados. Os maiores valores de altura e diâmetro do caule do limão 'Cravo' (17,23 cm e 3,6 mm, respectivamente) observados no tratamento autoclavado e inoculado com G. margarita, na ausência de Pythium, foram maiores do que
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aqueles verificados por Fontanezzi (1989), trabalhando com este mesmo porta-enxerto na presença de Glomus clarum em solo esterilizado e adubado com 1280g de P2O5 m-3, 17,20 cm e 3,33 mm, respectivamente, aos 135 dias póssemeadura. Em relação à tangerina 'Cleópatra', verificou-se que a maior altura e diâmetro do caule, respectivamente, 20,50 cm e 3,90 mm, no tratamento inoculado em substrato autoclavado sem patógeno, também foram superiores aos obtidos por este autor, 11,82 cm de altura e 2,61 mm de diâmetro do caule, nas condições citadas anteriormente, só que com adubação de 640 g de P2O5 m-3. Como o substrato deste experimento não recebeu adubação fosfatada e tinha um teor de P em torno de 8 mg dm-3, considera-se que os resultados aqui encontrados foram satisfatórios. Pode-se inferir que a inoculação com G. margarita conferiu desenvolvimento à planta, reduzindo a exigência externa de adubação e que o fungo introduzido teve boa adaptação às condições do experimento. O efeito negativo do patógeno sobre o crescimento vegetativo foi observado nos dois porta-enxertos, constatando-se diferenças significativas em quase todos os parâmetros avaliados. A percentagem de perdas das duas variedades, quando estava presente apenas Pythium, em relação à testemunha sem fungo micorrízico arbuscular e sem patógeno, foi de 9,02% na altura do limão 'Cravo', sendo mais expressiva em tangerina 'Cleópatra', 27,46%. Em relação ao número de folhas, observa-se que o limão 'Cravo' sofreu mais a ação do patógeno, apresentando perda de 33,33%, em comparação com 17,65% da tangerina 'Cleópatra'. Houve perda de 14,29 e 16,67 % em relação ao diâmetro e, em torno de 33,33 e 29,23%, na área foliar de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente. Na presença de Pythium, a altura média das mudas colonizadas por fungos nativos foi superior às das não micorrizadas, sendo este efeito maior quando se inoculou G. margarita. Em substrato autoclavado, também observouse que plantas inoculadas com G. margarita apresentaram maior desenvolvimento. Assim, a micorrização não controlou o patógeno, mas reduziu sua severidade amenizando os efeitos nocivos, visto que, mesmo na presença de Pythium, as plantas micorrizadas apresentaram maior desenvolvimento do que as não micorrizadas, porém menor do que na ausência do mesmo. O aumento médio da altura do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', na presença de P. aphanidermatum e de fungos nativos, em relação àquelas não micorrizadas, mas com presença de patógeno foram, respectivamente, 19,50 e 57,42%. Quando, além de P. aphanidermatum inoculou-se G. margarita, em substrato natural, houve aumento de 66,61 e 84,83%. Já em substrato autoclavado, a inoculação simultânea de G. margarita e P. aphanidermatum proporcionou incremento de 80,17 e 99,02%, em relação ao tratamento sem FMAs. Quanto à área foliar, comparando-se ao tratamento em que apenas P. aphanidermatum estava presente, observou-se acréscimo de 875 e 293,48% em limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra' respectivamente, quando Pythium foi inoculado em substrato natural; de 1167 e 319,57% quando ao substrato natural foi inoculado G. margarita e de 1075 e 339,57% quando G. margarita foi inoculada em substrato autoclavado. Dessa forma, é possível observar que os porta-enxertos inoculados com P. aphanidermatum, apresentaram desenvolvimento reduzido, mas quando os FMAs estavam presentes, a expressão total dos efeitos do patógeno foi menor, ocorrendo tendência de proteção pelas micorrizas que promoveram maior desenvolvimento em todas as características. Considerar estas respostas é muito importante na produção de mudas, visto que, a redução do número de folhas e da área foliar, pode influenciar negativamente a capacidade fotossinteticamente ativa das plantas. Com exceção do diâmetro do caule em substrato autoclavado e inoculado com G. margarita e Pythium, e da área foliar em substrato natural também, na presença destes dois fungos, os valores da tangerina 'Cleópatra' foram maiores do que os do limão 'Cravo', mesmo em solo sem FMAs. Provavelmente esse efeito ocorreu porque a tangerina 'Cleópatra' apresenta maior taxa de crescimento, ou por esta variedade ter apresentado maior adaptação às condições do experimento. Entretanto, em termos de benefício da micorrização, nota-se tendência do limão 'Cravo' obter maiores rendimentos percentuais na presença e mais perdas na ausência deste simbionte, assim, aparentemente, os FMAs foram mais eficiente para esse porta-enxerto. Peso da matéria seca e comprimento radicular As médias referentes à produção de matéria seca da planta e comprimento de raiz do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', aos 150 dias pós-semeadura, encontram-se na Tabela 2. A fumigação do substrato influenciou os resultados. Na ausência de FMAs nativos e do patógeno ocorreu redução em torno de 60 e 44 % no peso da matéria seca da parte aérea de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente; 36,67 e 20,34% no peso da matéria seca das raízes e de 33,95 e 22,62% no comprimento radicular. Maiores danos foram observados quando inoculou-se o patógeno em substrato sem micorriza, sendo em torno de 100 e 165% no peso da matéria seca da parte aérea de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente; 160 e 83% no peso da matéria seca das raízes e de 248 e 118% no comprimento radicular. Observou-se que, com a
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eliminação dos fungos nativos e ausência de G. margarita, são reduzidos os organismos antagônicos ao patógeno presentes no substrato, havendo menor produção de matéria seca e comprimento radicular. Nos tratamentos sem patógeno e sem FMAs nativos, o fungo G. margarita promoveu aumentos de 217,19 e 329 % no peso da matéria seca total de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente; 500 e 476,19 % no peso da parte aérea; 150 e 108,51 % no peso seco da raiz e 103,93 e 35,36 % no comprimento das raízes. Na presença do patógeno, verificou-se aumentos de 173,33 e 112,50%, no peso da matéria seca da planta para o limão 'Cravo' e a tangerina 'Cleópatra', respectivamente, cultivados em substrato natural sem G. margarita; de 236,67 e 157,50% quando estavam presentes P. aphanidermatum e G. margarita em substrato natural e de 303,33 e 297,50% quando se inocularam esses fungos em substrato autoclavado. Quando não se realizou esterilização ou quando G. margarita foi introduzido ao substrato, o efeito do patógeno foi reduzido e a muda apresentou melhor desenvolvimento. Diante desses resultados, pode-se inferir que embora o patógeno tenha afetado negativamente o desenvolvimento das plantas nota-se que os FMAs compensaram os efeitos deletérios do patógeno, resultando em maior desenvolvimento das plantas. Este efeito pode ser devido ao aumento da área de absorção radicular pelo micélio externo do fungo micorrízico. Baath & Hayman (1983), trabalhando com tomateiros inoculados com Verticillium albo atrum, observaram reduzida colonização micorrízica nas raízes e que os danos causados pelo patógeno diminui a eficiência fotossintética, reduzindo, assim, o transporte de fotoassimilados para as raízes, ocasionando menor crescimento das plantas inoculadas com FMAs. As reduções na parte aérea de plantas infectadas por P. aphanidermatum podem ser consequências das alterações no sistema radicular, que apresentaram menor capacidade exploratória, diminuindo a absorção e a translocação de nutrientes. Tabela 2. Influência da inoculação com Pythium aphanidermatum e/ou Gigaspora margarita sobre o peso da matéria seca e comprimento radicular dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', em substrato natural ou autoclavado (Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Cruz das Almas - BA, 1999).

Tratamentos Variedades Gm* Solo** NI A NI ‘Cravo’ I NA A NI NA A I NA CV (%) 2,03 aB 1,03 bB 1,68 aB 1,01 bA 0,79 aB 1,34 aA 3,39 aA 0,40 bB 0,85 bA 1,59 bA NA A 0,64 aB 1,05 aA 2,03 aA Total I 0,30 bB 0,82 aA 1,21 bA

Peso da matéria seca (g) Parte aérea NI
0,18 aB 0,45 aA 1,08 aA 0,82 aB 0,42 aB 0,75 aA 2,42 aA 1,15 aB

Raiz

Comprimento radicular (cm) NI 212,28 aA I 82,29 aB

Pythium aphanidermatum I NI I 0,15 aA 0,30 bA 0,40 bA 0,40 bA 0,17 bB 0,45 bA 0,85 bA 0,47 bB 0,38 aA 0,60 aA 0,95 aA 0,86 aA 0,47 aA 0,59 aA 0,98 aA 0,88 aA 0,15 aA 0,39 aA 0,74 aA 0,56 bA 0,29 aA 0,53 aA 0,81 aA 0,61 bA

321,41 aA 286,22 aA 432,91 aA 352,61 aA 411,05 aA 323,79 aA 254,24 aA 132,50 aB 328,56 aA 288,41 aA 435,90 aA 378,98 aA 386,00 aA 328,96 aA 31,93

‘Cleópatra’

18,33

15,97

34,75

Médias seguidas pela mesma letra maiúscula nas colunas e minúscula nas linhas não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. *Gm = Gigaspora margarita. NI - Não inoculado; I - Inoculado. **A - Autoclavado; NA - Natural.

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v. C. Soil Biology and Biochemistry. Entretanto. respectivamente.. aphanidermatum. BRUNDRETT. A micorrização não impediu. na presença ou ausência do patógeno e do simbionte. Segundo Menge et al. M. maior tolerância ao estresse de transplantio e a patógenos. verifica-se também nesta condição tendência das mudas em apresentarem redução no crescimento da parte aérea e raízes. enquanto que em tangerina 'Cleópatra'. (1978).187-194. p. aphanidermatum do que o da tangerina 'Cleópatra'. podendo-se dizer que o sistema radicular do limão 'Cravo' foi mais afetado por P. E. Portanto.3. 1. J. S. 1978). v. n. 1995. 1-6. JUNIPER.16. A tangerina 'Cleópatra' apresentou maior resposta em quase todas as características analisadas.30 e 47. Plant growth responses to vesicular-arbuscular mycorrhiza XVI. nos quais a tangerina 'Cleópatra' mostrou-se mais dependente da micorriza do que o limão 'Cravo' e estão de acordo com aqueles encontrados por Nemec (1978). v. Estes dados contradizem os resultados obtidos por Fontanezzi (1989).1. 1994.Segundo Pereira (1994). 148. CALVET. porém os aumentos percentuais decorrentes da micorrização foram maiores no limão 'Cravo'. reduzindo o uso de adubos e pesticidas químicos. Limão 'Cravo' sofreu perda de 60.24 %. estas perdas foram de 38. seja nas formas de radicelas ou micorrizas. 156 Tópicos em Ciências Agrárias. BAATH. n. com isso. FORTIN J. 419-426.53 e 61. J. v. que observou maior dependência do limão 'Cravo'. Observou-se que o patógeno influenciou as variedades. 3. BAREA. CARON M. Os fungos micorrízicos arbusculares (FMAs) nativos e Gigaspora margarita promoveram benefícios acentuados para o desenvolvimento dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra'. p. 2009 . HAMEL C. 1972. como também observado por Garcia (1988) e Garcia & Carvalho et al. Canadian Journal of Plant Pathology. A presença do fungo fitopatogênico Pythium aphanidermatum. UFRB. o menor crescimento das plantas não micorrizadas pode dificultar a detecção do efeito do patógeno. e.85-91. mesmo em condições de pós-emergência. reduziu o desenvolvimento das mudas cítricas. o substrato empregado na semeadura do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra' deverá conter FMAs ou deve-se proceder à inoculação das mudas com estes fungos. Oxford. em presença do patógeno. Ottawa. Plant and Soil. S. compensando parcialmente os efeitos deletérios deste fungo.. outros fatores que determinam a infectividade e efetividade dos fungos micorrízicos podem estar envolvidos. respectivamente. v.) to inoculation with Glomus mosseae. demonstrando ser adequada para diversificação de porta-enxerto como alternativa ao limão 'Cravo'. 4. M. Os dois porta-enxertos de citros foram dependentes das micorrizas para crescimento. 2.88%.. Menge et al. 95.. Inhibition of Pythium ultimum in roots and growth substrate of mycorrhiza Tagetes patula colonized with Glomus intraradices. p.. HAYMAN. Growth response of marigold (Tagetes erecta L. mas reduziu a ação de P. PERA. Para Tinker (1978). 1993. New Phytologist. o efeito das micorrizas sobre diferentes espécies de citros pode variar com as condições de fertilidade do substrato.A. (1988). D.27. maior eficiência na absorção de água e nutrientes. REFERÊNCIAS ST-ARNAUD M. Interactions with Verticillium wilt on tomato plants. n. Vários autores já observaram que diferentes porta-enxertos variam na sua dependência micorrízica (Kleinschmidt & Gerdemann.. Non-destructive assessment of spore germination of VAM fungi and production of pot cultures from single spores.. o que poderá resultar em plantas com sistema radicular mais desenvolvido. CONCLUSÕES 1. 1983. Limão 'Cravo' foi o porta-enxerto mais suscetível ao patógeno. Oxford. 1.. no peso da matéria seca e comprimento de raízes. p. Trichoderma aureoviride and Pythium ultimum in a peat-perlite mixture.

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Clóvis Pereira Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio Tópicos em Ciências Agrárias . Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio.CAPÍTULO 12 IMPACTO DE HERBICIDAS EM PROCESSOS MICROBIOLÓGICOS DO SOLO E QUALIDADE FISIOLÓGICA DE SEMENTES EM LATOSSOLO AMARELO COESO DO RECÔNCAVO BAIANO Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto.

peso de 1000 sementes etc. são aspectos importantes quando se considera esta questão. químicos e biológicos. Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio1 1 Professor . Quanto ao consumo de herbicidas por unidade de área cultivada. Essa intensificação no uso de herbicidas entre os agricultores deve-se entre outros fatores.).5 bilhões (Assis. permitem uma avaliação sistemática do manejo adotado e a obtenção de índices de aferição da sustentabilidade. na fertilidade do solo.3%. tem cerca de um terço de sua área total no Sul do País. UFRB. No Brasil. 2004). Clóvis Pereira Peixoto1. 1. 1983). Atualmente. quando associados aos valores de pH. A avaliação da qualidade do solo é feita através de indicadores que podem ser atributos físicos.2% do total consumido com pesticidas. Da mesma forma. parâmetros relacionados com a produção de sementes. que o Brasil utiliza grandes quantidades de herbicidas na agricultura. ao aumento da área cultivada com culturas de grande expressão econômica e à ação rápida. Ao longo das últimas décadas.9%.7% do total nacional) está na raiz de vários problemas de contaminação de águas constatados até hoje. uma maioria de pesquisadores considera que algumas medidas práticas para avaliar o “status biológico” do solo sejam o monitoramento da população e atividade microbiana do solo. N total. Centro-Oeste e Sudeste representam. O consumo desses produtos difere nas várias regiões do país. cana-de-açúcar (12. esses dados. Verifica-se desta forma. O consumo de agrotóxicos no país tais como. Esses parâmetros fazem parte dos estudos de ciclagem de nutrientes. Além disso. entre outros. doenças e plantas daninhas um dos principais fatores limitantes ao seu desempenho. representando mais de 81 mil toneladas quando expresso em ingrediente ativo (i. não é tipicamente sulista.8 kg p. E-mail: fpeixoto@ufrb. bem como.Centro de Ciências Agrárias. eficiência e efeitos prolongados dos herbicidas. 29. influencia a produtividade e a qualidade fisiológica de sementes (Osman et al. É na soja que se concentra a maior parte dos gastos dos agricultores brasileiros com agrotóxicos: nada menos que 35% do total. onde se misturam atividades agrícolas intensivas e tradicionais. Ambientais e Biológicas/UFRB. a avaliação da fixação biológica do nitrogênio através do número e massa seca de nódulos. Tópicos em Ciências Agrárias.IMPACTO DE HERBICIDAS EM PROCESSOS MICROBIOLÓGICOS DO SOLO E QUALIDADE FISIOLÓGICA DE SEMENTES EM LATOSSOLO AMARELO COESO DO RECÔNCAVO BAIANO Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto1.8 mil toneladas.9% e 22. massa dos frutos.7%) (Spadotto. que também é reflexo do manejo. Os diferentes tratos culturais afetam a produtividade e a qualidade de sementes (que pode ser avaliada através do índice de velocidade de emergência. umidade e argila do solo. v. tendo como enfoque a sua contribuição na decomposição e mineralização da matéria orgânica e. O segundo produto de maior consumo de agrotóxicos.5%). peso volumétrico. A intensidade da fixação biológica do nitrogênio. por exemplo. O milho. terceiro produto na lista dos que mais consomem agrotóxicos. 2009 161 . inseticidas. a média geral no Brasil foi de 3. a. milho (23. a utilização de agrotóxicos no Brasil tem sido a base técnica através da qual o setor agrícola normalmente vem enfrentando a questão. porcentagem de emergência.c. tem sido crescente.edu.). 2002). especialmente nos países tropicais em desenvolvimento. herbicidas. processos que ocorrem no solo como as associações entre bactérias do gênero Rhizobium e plantas leguminosas. despertou nas últimas décadas a preocupação com a qualidade do solo e a sustentabilidade da exploração agrícola. alcançando hoje vendas anuais que superam US$ 2. conseqüentemente. a cana-de-açúcar. destacando-se a soja (39. fungicidas. o grande desafio da ciência do solo é demonstrar a relação entre os níveis de atividade biológica do solo e o funcionamento sustentável do ecossistema. Nesse sentido. em 2000 e em termos de ingredientes ativos no mesmo ano. respectivamente.. Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio1. Nas regiões Sul. bem como a comparação entre a eficiência do rizóbio introduzido em relação aqueles nativos. Esses produtos são aplicados basicamente de duas maneiras: diretamente sobre o solo em pré-emergência ou em pósemergência das plantas daninhas.9%) e arroz irrigado (3./ha. A produção agrícola tem na ocorrência de pragas. 38. teores de C orgânico. mas a concentração de seus 330 mil ha cultivados nas usinas do Norte do Paraná (apenas 6. o consumo de herbicidas foi cerca de 174 mil toneladas de produtos formulados (comerciais) em 2000.br INTRODUÇÃO A rápida degradação do solo sob exploração agrícola no mundo.8%). 81. Na região Nordeste este valor é de 6. Cruz das Almas-BA.

1. indicado para a cultura do amendoim. da característica fisiológica do microrganismo (tipo de enzima) e da dose e época de aplicação. aplicando-se logo depois da semeadura com o terreno em boas condições de umidade e em cobertura total. citros e os cultivos de subsistência como mandioca.503 km2 apenas na região Nordeste. v. feijão. os herbicidas do grupo das cloroacetanilidas. em uma ou duas capinas. pouco se sabe sobre o que ocorre com os herbicidas no solo após sua aplicação. há de se considerar que existe uma variação com relação à resistência à decomposição dos herbicidas em função de fatores do solo. Em função desse uso intensivo de produtos químicos na agricultura moderna e a formação de grandes quantidades de resíduos. milho. no prazo máximo de 3 dias após a última gradagem. apresentando-se duros. O amendoim é uma planta dicotiledônea. tem sido usado para destacar a capacidade natural (adensamento) de horizontes subsuperficiais associada a diferentes graus de coesão. da estrutura química do composto. no entanto. 2009 .. adensamento de plantas dentro das linhas.. O plantio é normalmente realizado com enxadas em covas espaçadas irregularmente (30 cm) e coincide com o período mais chuvoso do ano (março. O Latossolo Amarelo coeso é um solo representativo desta região. 1995. 1984). A ação dos microrganismos do solo sobre os herbicidas constitui-se num mecanismo de maior importância quando se depara com a questão ambiental. a região Sul entrou com quase a metade. UFRB. após os primeiros 10 a 20 centímetros. Caracteriza-se por apresentar uma agricultura bastante diversificada. com significado de tenaz. de baixa fertilidade. muito duros ou até extremamente duros quando secos e friáveis quando úmidos. no Estado de São Paulo (Rezende. Mais recentemente. batata doce. 2004). bem como o seu efeito em processos microbiológicos do solo e na qualidade fisiológica de sementes. os quais têm importância destacada no equilíbrio social da região (Rezende et al.1997. fumo. aparecem geralmente. Vanderheyden et al. tem sido acrescentados ao arsenal dos herbicidas disponíveis para o uso em cultivo de amendoim (Bridges et al. nos últimos anos. temporariamente. abril. entretanto. estendendo-se até o vale do rio Paraíba do Sul... ocupando uma área de 98. deve-se aplicar em pré-emergência das ervas. maio e junho). produto também com alto uso de agrotóxicos. tais como o alachlor. 2002). em decorrência da erosão. A pluviosidade varia de 1000 a 2000 mm e temperatura média anual em torno de 24 0 C. o arroz irrigado.1983) De maneira geral.. Dos 160 mil hectares cultivados com batatinha no Brasil.Outro produto que aparece com destaque na lista de uso de agrotóxicos. 1979). desde o Estado do Amapá até o Rio de Janeiro. sendo que a espécie Arachis hypogaea L. irrigação e épocas de plantio em diferentes estações do ano. O controle de ervas daninhas é também feito com a enxada. A mudança de tecnologia prevendo a utilização de herbicidas. sofre a concorrência competitiva das ervas daninhas que prejudicam a sua produção (Sader et al. tem havido. inoculação com bactérias do gênero Rhizobium. implica na necessidade de se determinar o efeito das mesmas no sistema produtivo. No caso do alachlor. plantio mecânico em linhas. devem ser cuidadosamente usados e monitorados. normalmente coincidindo com os horizontes AB e ou BA. O RECÔNCAVO BAIANO O Recôncavo Baiano possui uma área de 17340 km2 e uma população de 500 mil habitantes. Esta região está inserida na zona dos Tabuleiros Costeiros que são formações terciárias que se distribuem por quase toda a faixa costeira do Brasil. Em solos cultivados. A terra deve estar bem preparada e livre de torrões e restos de cultura. predominando os plantios de cana-de-açúcar. Stolp & Shea. Na década de 60 com o desenvolvimento dos herbicidas dinitroanilinas surgiu a trifluralina. porque podem ser perigosos tanto para a vida humana e animal. Nos Latossolos Amarelos e Argissolos Amarelos sob floresta primária. 1998). esses horizontes situam-se a profundidade variáveis. Vários trabalhos têm demonstrado que aplicações de herbicidas em doses recomendadas não alteram de forma considerável o número total de microrganismos do solo. da família Leguminosae. mas sua multiplicação e recuperação é rápida e os relatos onde indicam toxidez ocorrem quando as dosagens empregadas são consideravelmente superiores às recomendadas (ABEAS. Herbicida e atributos microbiológicos do solo Embora os pesticidas sejam de grande benefício para o homem. 1997. sendo absorvido pelo coleóptilo das gramíneas e epicótilo das dicotiledôneas (Rodrigues & Almeida. podendo alguns desses serem afetados. ajudando no aumento da produção de alimentos e controlando as pragas das plantas e animais. vem basicamente do Rio Grande do Sul. O uso de controle químico para as ervas daninhas na cultura do amendoim iniciou-se a partir de 1950 com herbicidas seletivos tais como o dinoseb. inhame. amendoim etc. Diversos trabalhos têm relatado sua degradação e persistência (Monteiro. 162 Tópicos em Ciências Agrárias. A maior parte dos solos da região é do grupo Latossolo e Podzólico. como também para o ambiente. uma maior preocupação em se conhecer o comportamento e destino dos pesticidas nos diversos ecossistemas. O termo coeso.

Tabela 1. ele pode vir a favorecer determinadas populações microbianas e inibir outras. Fatores do solo que aumentam a atividade microbiana incluem: umidade em torno de 70-100% da capacidade de campo. esta fase não tem sido observada. uma fase de adaptação desta população.1990. g solo-1) x 104. 1980). Se a população adaptar-se metabolicamente para degradar a molécula do pesticida ou parte dela. Mas. diversos cientistas obtiveram resultados do efeito dos herbicidas no desprendimento de CO2 e absorção de O2 em doses normais de aplicação (Grossbard.. CI CSI HI HSI 45 mg C-C02/100 g solo 40 35 30 25 20 15 10 5 0 0 14 28 42 56 70 84 Tempo (dias) Figura 1.0 bB 5. desta forma.0 dB 3.. sabe-se que. boa aeração. herbicida inoculado (HI) e herbicida sem inoculação (HSI) para o genótipo Vagem Lisa. 1986 e Lichtenstein. utilizando-se sementes inoculadas e não inoculadas de dois genótipos de amendoim (Vagem Lisa e Tatuí).0 bA 5. poderá utilizá-la como fonte de energia e nutrientes. podem inibir a atividade microbiana.0 dB 1. 1976).0 bA 4.0 cA 2. 1997. Existe. algumas moléculas de herbicidas. População de bactérias e fungos (no. nos diferentes tratamentos. pH em torno de 6. 2009 163 .5 e substrato energético (Lewis et al.1977).5 cB 3.0 aB TRATAMENTOS Capina inoculado Capina s/ inoculação Herbicida inoculado Herbicida s/ inoculação Vagem Lisa Bactéria 6. Atividade microbiana do solo (mg C-C02/100 g solo) nos tratamentos: capina inoculado (CI).. no município de Cruz das Almas. um herbicida deverá exercer um efeito muito pronunciado na microflora. UFRB. a partir do momento em que um pesticida atinge o solo. em caso de solos tratados com prévias aplicações de pesticidas. não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Porém. porém menos freqüentemente que em altas. Em trabalho realizado no Campo Experimental da então Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia. 1996) e biodisponibilidade para as plantas (Khan & Behki.0 cA 9. capina sem inoculação (CSI). 1995. No entanto. mesmo em baixas concentrações. Kloskowsky et al. Segundo Grossbard & Davis (1976). no período de setembro de 2001 a janeiro de 2002. é mais provável que esse efeito ocorra em doses elevadas. 1. avaliou-se o efeito do herbicida alachlor na população de bactérias e fungos do solo (Tabela 1) e atividade microbiana do solo (Figuras 1 e 2).0 aB Médias seguidas pela mesma letra minúscula na vertical e maiúscula na horizontal. v.0 aB 1.. GENÓTIPOS Tatuí Vagem Lisa Bactéria Fungo 7. entretanto. temperatura entre 25-35oC. potencial para formação de resíduos (Queiroz. Outro parâmetro que deve ser monitorado é a população dos principais grupos de microrganismos do solo que participam da biodegradação dessas moléculas no ambiente (bactérias. Tópicos em Ciências Agrárias. Barriuso & Koskinen.5 dA 4. Segundo alguns estudos.0 bB 4. O desprendimento de CO2 e absorção de O2 no solo flutuam grandemente num determinado período de tempo.0 cB 8. dentro de cada genótipo.Yassir et al.0 dA Tatuí Fungo 2.0 aA 2. Wais et al. 1998) . fungos e actinomicetos) e que também atuam na ciclagem de nutrientes no ecossistema.

04%. ou seja. Houve uma maior atividade microbiana do solo em todo período.96% do nitrogênio está na forma de N2 na atmosfera e os restantes 0. UFRB. nas formas combinadas orgânicas ou inorgânicas existentes nos ecossistemas aquáticos e terrestres (Roswall. as simbioses de rizóbio com leguminosas certamente se destacam por sua importância econômica. químicos e biológicos afetam o processo de fixação biológica. além de colonizar abundantemente a rizosfera.500 a 19. que está relacionada não só à ampla distribuição geográfica e utilização dos hospedeiros. Dentre esses fatores destaca-se os herbicidas. não exercer nenhum efeito ou até mesmo ter efeito benéfico sobre o rizóbio e suas simbioses. As respostas variam em função do tipo de solo. capina sem inoculação (CSI).CI CSI HI HSI 40 mg C-C02/100 g solo 35 30 25 20 15 10 5 0 0 14 28 42 56 70 84 Tempo (dias) Figura 2. como também à maior eficiência do processo decorrente de uma parceria vegetal e microbiana mais evoluída. Os 6. 99. 164 Tópicos em Ciências Agrárias.2% restantes estão na ecosfera. Esses organismos são chamados de fixadores de N2 ou diazotróficos e o processo que mediam . Existe uma relação direta entre o aumento da população de bactérias no tratamento herbicida com inoculação (para os dois genótipos) e a atividade microbiana do solo. Diversos fatores físicos. invadir o córtex e colonizar tecidos internos em diversas espécies vegetais. neste último caso porém. que diferem bastante com relação ao hábito de crescimento de suas espécies. das propriedades físico-químicas do herbicida e da própria sensibilidade da estirpe de rizóbio utilizada. v.8%) está na crosta terrestre. Mimosoideae e Papilionoideae. raramente (Moreira & Siqueira.1979). que reflete a maior capacidade do rizóbio introduzido em degradar a molécula de alachlor.Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN) é representado pela seguinte equação: Nitrogenase N2 + 8H + 16 ATP + 8 e ____________ + - 2 NH3 + H2 + 16 ADP + 16Pi (CNTP) Algumas espécies de diazotróficos podem. Subdivide-se em três subfamílias: Caesalpinioideae. Nesta. 2002). Inúmeros trabalhos nacionais e internacionais demonstram que não é possível fazer generalizações.700 espécies e entre 640 a 680 gêneros. que pode então se tornar disponível para as plantas e outros organismos. 2009 . ocorrer endofiticamente. assim como a capacidade de formar simbiose com rizóbio. herbicida inoculado (HI) e herbicida sem inoculação (HSI) para o genótipo Tatuí. 2002). Herbicida e fixação biológica do nitrogênio A maior parte do nitrogênio do planeta terra (93. O número e massa seca de nódulos são parâmetros indiretos que podem avaliar esses efeitos no processo de fixação biológica do nitrogênio. entre outros (Moreira & Siqueira. 1. Atividade microbiana do solo (mg C-C02/100 g solo) nos tratamentos: capina inoculado (CI). Dentre as simbioses de fixadores de N2 com plantas. Ressalta-se que tanto os fatores bióticos quanto abióticos podem atuar sobre a bactéria e/ou sobre o hospedeiro afetando a simbiose. Estimase que a família Leguminosae possua entre 16. quando se utilizou a combinação herbicida e inoculação nos genótipos Vagem Lisa e Tatuí. O efeito pode ser prejudicial. Apenas uma parcela relativamente pequena das espécies de procariotos possuem a enzima nitrogenase que é capaz de reduzir o N2 para a forma inorgânica combinada NH3.

o estudo da influência de herbicidas no processo de fixação biológica do nitrogênio é de extrema importância.37 kg ha-1).66 kg ha-1) no rendimento de grãos.50 aA 209.No caso de plantas leguminosas.75 aA 272. UFRB.75 kg ha-1). Trifluralina Pendimethalin Alachlor Testemunha 25a 25 20 15 10 5 0 11. 1.7b 22a 24a 16b 11.95 + 0. dentro de cada período. nodulação e qualidade fisiológica de sementes de soja concluíram que a nodulação não foi influenciada pelos herbicidas testados.50 aA 199. Peixoto et al. pendimethalin e trifluralina) nas doses indicadas pelo fabricante para a cultura do amendoim.00 aA Herbicida 151. Esses mesmos autores.2a 7.45 + 0.75 aA 182. Já Rezende et al. O uso do contrôle químico pode causar problemas na nodulação conforme salientam Krust & Struckmeyer (1971) e Olambre (1969).75 aA Herbicida 273. mais especificamente no município de Cruz das Almas-BA.50 aA 194. Utilizaram como substrato o solo Latossolo Amarelo coeso do município de Cruz das Almas-BA. pendimethalin (0. v. (1985). em condições de casa de vegetação.00 bA Médias seguidas da mesma letra minúscula na horizontal e maiúscula na vertical. já existem pesquisas desenvolvidas quanto ao efeito de herbicidas sobre o processo de fixação biológica do nitrogênio em plantas de amendoim. aos 42 e 56 dias após o plantio nos ratamentos capina e herbicida.00 aA 265. em estudo realizado para avaliar a influência da aplicação de herbicidas fluorodifen (0.9 kg ha-1). em experimento conduzido na Fazenda Capivari no Município de Muritiba .g planta-1) e número de nódulos (NN no planta-1) de plantas de amendoim aos trinta dias após a emergência. Genótipos BR1 BR151 L7 Vagem Lisa Película Havana 42 dias Capina 242.50 aA 257. Tabela 2.50 aA 182. Na região do Recôncavo Baiano. que empregaram doses elevadas de trifluralina e chloramben na cultura da soja. Número de nódulos (g planta-1). tanto em casa de vegetação quanto em campo. pois este processo representa economia nos custos de produção.00 aA 246..6b MSN NN Figura 3. 2009 165 .97 kg ha-1). representativo dos Tabuleiros Costeiros da região do Recôncavo.Bahia. Concluíram que de maneira geral esses herbicidas estimulam a nodulação inicial das plantas de amendoim (Figura 3). 2002a). com o mesmo tipo de solo e quatro genótipos de amendoim.25 aA 323.91 kg ha-1). concluiram que o herbicida alachlor não afetou o número de nódulos aos 42 e 56 dias após o plantio (Tabela 2). chloramben (1.75 aA 182. fluordifen + pendimethalin (0. Massa seca dos nódulos (MSN . (2002a) avaliaram o efeito de diferentes herbicidas (alachlor. chloramben + alachlor (0. submetidas a diferentes tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al. principalmente quando causas adversas possam compro-meter a germinação de sementes e posterior desenvolvimento das plantas. Tópicos em Ciências Agrárias. trifluralin (0.00 aA 56 dias Capina 230.8a 8.75 aA 130. não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade Herbicida e qualidade fisiológica das sementes A determinação da qualidade fisiológica de sementes através de testes de germinação e principalmente de vigor é de fundamental importância na agricultura moderna.

2a 10. o uso de sementes vigorosas é de fundamental importância. respectivamente). Constatou-se que os herbicidas testados. no sentido de minimizar os efeitos de agentes externos na velocidade e porcentagem de emergência.8a 8.8a 7. Peixoto et al. À medida que as sementes perdem qualidade fisiológica. altura das plantas e massa seca da parte aérea (Figuras 4. com perda significativa da permeabilidade. crescimento das plantas e produtividade final (Copeland & McDonald.1ab 4. UFRB.8b 10. normalidade das plântulas. oxigênio. submetidas a diversos tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al. v. pendimethalin e trifluralina na nodulação e crescimento inicial de plantas de amendoim. Altura da planta (AP). em condições de casa de vegetação.). Os fatores ambientais que permanentemente influenciam a germinação são a água. representativo do Recôncavo Baiano. químicas.1c 7. Trifluralina Altura e comprimento (cm) e IVE 16 14 12 10 8 6 4 2 0 Pendimethalin Alachlor Testemunha 15. (2002a) avaliaram o efeito dos herbicidas alachlor. Assim sendo. tornando a germinação mais lenta e a semente mais vulnerável às variações do meio (térmicas. como também.9a 7. os herbicidas.2bc 3. uma redução sensível das atividades respiratórias e biossintéticas. comprimento da raiz (CR) e índice de velocidade de emergência (IVE) de amendoim aos trinta dias após a emergência. reduzem a porcentagem de emergência. a germinação de sementes pode ser afetada por produtos químicos inorgânicos e orgânicos (Bewley & Black. Porcentagem de emergência (PE). 1995 ). 2002a). luz. estrutura do solo e microorganismos.5a 6.5a 6. de plântulas anormais (PA) e de sementes mortas (SM) de amendoim em diferentes tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al. 2009 . microbianas etc. 1985).. observa-se a degeneração das membranas lipo-proteicas.2b AP CR IVE Figura 5. Trifluralina Pendimethalin Alachlor Testemunha 70 60 Porcentagem (%) 62a 55b 55a 47b 30d 32c 34a 15c 21b 8d 11d 30c 50 40 30 20 10 0 PE PA SM Figura 4. 5 e 6. 2002a). hídricas. especificamente.. 1. 166 Tópicos em Ciências Agrárias. utilizando-se como substrato o Latossolo Amarelo coeso.2b 7. temperatura. Entretanto. como.O processo de deterioração implica em uma série de mudanças fisio-bioquímicas que podem levar a uma ação mais efetiva de agentes externos.

Segundo esses autores. 2002a). das suas propriedades físicoquímicas e também do ambiente. provavelmente.36bc 1.. permitindo maior concentração na solução do solo e favorecendo assim a absorção.03b 2. Um exemplo desta afirmação pode ser constatado em outro trabalho realizado por Peixoto et al. sendo o solo utilizado de textura média e baixa CTC. 1.23c 0.755 R2 = 0.46c MSPA MSR Figura 6. Os efeitos dos herbicidas sobre a qualidade fisiológica de sementes variam.16a 0.Trifluralina Pendimethalin 2. não permitindo portanto generalizações.. Desta forma.00 0.96a Alachlor Testemunha Massa da matéria seca (g planta -1) 3. Verificou-se que o aumento da dose promoveu decréscimo no índice de velocidade de emergência (Figura 7). com as propriedades físico-químicas das moléculas e o tipo de solo em questão. representativo do Recôncavo Baiano.0 L ha-1 (Figura 8). Avaliou-se o efeito de diferentes doses de trifluralina (zero.13a 1. 1. também utilizando como substrato o Latossolo Amarelo coeso. UFRB.0 L ha-1) na qualidade fisiológica de plantas de soja em condições de casa de vegetação.00 2. 2009 167 . Índice de velocidade de emergência de sementes de soja submetidas a diferentes doses de trifluralina (FONTE: Peixoto et al. principalmente. No entanto. 2002b) Tópicos em Ciências Agrárias.76b 1.4677x2 .5. só afetou a porcentagem de emergência quando se utilizou as doses de 2.00 1.0 e 4. (2002b).207x + 27. Massa da matéria seca acumulada na parte aérea (MSPA) e raiz (MSR) de plantas de amendoim aos trinta dias após a emergência.0 e 4. os efeitos na porcentagem de emergência foram resultado da baixa adsorção das moléculas pelo solo em questão. Índice de velocidade de emergência 30 25 20 15 10 5 0 0 1 2 Doses y = -0. v. 2. submetidas a vários tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al.2. para as condições estudadas.8375 Observado Estimado Polinômio (Observado) 3 4 Figura 7. o comportamento da molécula depende.00 1. dentre outros fatores.

.9894x + 84. Seed Science and Thecnology. B. 487-505. Defensivos alternativos: ferramenta para uma agricultura ecológica não poluente. Effects of Pseudomonas species on the release of bound 14C residues from soil treated with [14] atrazine. submetidas a diferentes doses de trifluralina.. produtora de alimentos sadios.Porcentagem de emergência (%) 100 80 60 40 20 0 0 1 2 3 4 y = -2. 2002b) REFERÊNCIAS ABEAS (Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior). J. KOSKINEN. Weed Science. L.147-152. A. Incorporating nonextractable atrazine residues into soil size fractions as a function of time. 2009 . L. Porcentagem de emergência de sementes de soja.2090-2093. v. Efficiency of chemical and mechanical methods for controlling weeds in peanuts (Arachis hipogea). E. ASSIS. n. v. Herbicides physiology. p. BLACK. W. GROSSBARD . Journal of Environmental Science and Healt v. 1976. p. 1995. MITTELSTAEDT. 1976. C.org.60. Effect on the soil microflora. Weed Research .9521 2 Observado Estimado Polinômio (Observado) Doses Figura 8. B. Seeds: Physiology of Development and Germination.7506x + 3. 1995. In: Defensivos Agrícola Módulo 2-Herbicidas. 2. J. McGUIRE... Plant availability of bound anilazine residues in a degraded loess soil. v. BEWLEY. 2v. 1. D. 1984.R. 1983.br/crea/divulgaçao/publicaçoes/cartilhas/da/. BEHKI. M. N. UFRB.. 409p. p. Specifc microbial responses to hebicides on the soil microflora. In. R.395 R2 = 0. 168 Tópicos em Ciências Agrárias. S. BRIDGES. 140-162. Weed Science. KRUST. 2004. biochemistry. p.38.99-147. KHAN. 1990. W. London: Academic Press. B21. Comportamento dos Herbicidas no Solo. 150-157. 2004. 1996. STRUCKMEYER. M. C. v. Effects of trifluralin on growth nodulation and anatomy of soybeans. C. J. O. COPELAND.16. E. p. C. 445p.584-591. Soil Science Society of America Journal. p. GROSSBARD. Acesso em: 23 ago. BARRIUSO. 1986.6. v.. E. U. F. FÜHR.R. n. v. p. DAVIS. p-163-9. A.crea-rj. New York: Plenum Press. E.. 19. ecology. M. D. KLOSKOWSKI . AUDUS. Journal of Agricultural and Food Chemistry. H. . (FONTE: Peixoto et al. Disponível em: <http://www. ed. A. MARTIN. 1971. McDONALD.. J.32.. New York: Chapman & Hall..

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ADUBAÇÃO E DIAGNOSE NUTRICIONAL DE PASTAGENS NO RECÔNCAVO DA BAHIA Anacleto Ranulfo dos Santos. Raul Lomanto Neto. Adailde do Carmo Santos & Leandro Gonçalves dos Santos Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 13 EVOLUÇÃO.

UFRB.edu. Com o declínio da cultura do fumo. Cruz das Almas-BA. A expansão da pecuária é posterior aos ciclos de exploração iniciais.br Pesquisador da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA). Ambientais e Biológicas/UFRB. Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO O Grande Recôncavo Baiano com 78 municípios se caracteriza pela predominância de pequenas glebas e mãode-obra familiar como base de sua produção agropecuária. com predomínio do gênero Brachiaria. E-mail: adacsantos@zipmail. como os demais ciclos de cultivos. à exceção dos municípios próximos a Castro Alves. gerando instabilidade econômica e desconfiança dos produtores pela continuidade dessa atividade. café.EVOLUÇÃO.Centro de Ciências Agrárias. no decorrer dos anos. No início a cultura da cana-de-açúcar era próspera e gerava grandes lucros aos exportadores. inhame e a presença significativa de áreas de pastagens. Cruz das Almas-BA. Essa região foi destacadamente o grande pólo de desenvolvimento da agricultura baiana desde o período Colonial até décadas recentes. especialmente a mandioca. ADUBAÇÃO E DIAGNOSE NUTRICIONAL DE PASTAGENS NO RECÔNCAVO DA BAHIA Anacleto Ranulfo dos Santos1. 1. sofreu grandes oscilações em seus quatro séculos de existência. Adailde do Carmo Santos3.EVOLUÇÃO AGRÍCOLA A economia do Recôncavo. café. sendo que sua produção jamais se igualou à da cana-de-açúcar por causa das contingências do mercado internacional (Rezende. Porém. com significativa redução na área plantada e na produtividade dos pomares. Além disso. os Tabuleiros Costeiros são formações Terciárias que ocupam grandes extensões de áreas na Bahia e no Nordeste Brasileiro. como base importante da alimentação dos povos da região. RECÔNCAVO SUL . 2004). Mais recentemente foi dividido nas regiões econômicas: Litoral Norte e Recôncavo Sul. citricultura. mandioca. Dessa forma. Amargosa-BA Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. onde não havia proibição para criação de gado. Nos terrenos impróprios à cana-de-açúcar. 2009 173 . a citricultura entrou em declínio nas últimas décadas. feijão. cacauicultura. pois contava com preços compensadores. que também foi um dos produtos de exportação nos meados do século XVI. exploração de madeira.com. fez-se necessário o desenvolvimento de uma agricultura mais intensiva com exploração de diversas culturas de subsistências. com ênfase aos municípios de Cruz das Almas até Santo Antônio de Jesus. foi implantada a cultura do fumo que despontava como segunda alternativa de cultivo econômico e ao lado destas lavouras desenvolveram-se culturas de subsistência. a vegetação original de quase toda a região foi. fumo. v. Raul Lomanto Neto2.º Agrônomo/UFBA. liberdade de produção e facilidade de transporte. como base fornecedora de produtos alimentícios para a capital do Estado. No século XVIII a cultura do café foi introduzida a partir de Maragogipe. Leandro Gonçalves dos Santos4 1 2 3 4 Professor . tais como milho. o Recôncavo foi a primeira região de exploração agrícola para exportação que foi a cana-deaçúcar. No Recôncavo as maiores extensões são os solos dos grupos Tópicos em Ciências Agrárias. o dendê e as culturas de subsistência. Solos do Recôncavo De acordo com Ribeiro (1998). cultivada em sub-bosque sendo determinante para a ocupação de Amargosa e dos municípios vizinhos do vale do Jiquiriçá. que esteve fundamentalmente vinculada à lavoura açucareira desde o período colonial. e os subseqüentes ciclos de cultivos de algodão. para as partes mais altas do Recôncavo Sul. proteção e estímulos governamentais. pela alta densidade demográfica dessa região.br Eng. Outra cultura de destaque no ciclo de desenvolvimento do Recôncavo foi o algodão. principalmente nos Tabuleiros Costeiros. Reconhecido como berço da agricultura brasileira. fumo e da citricultura. E-mail: anacleto@ufrb. cujo modelo de ocupação da terra é resultado da política do Brasil Colonial. surgiu um novo modelo agrícola que foi a citricultura. cedendo espaço para a cana. sendo paulatinamente substituída pelas atividades econômicas.

LATOSSOLO E ARGISSOLO. Os LATOSSOLOS AMARELOS predominam em todo Recôncavo e se caracterizam pela baixa fertilidade natural quanto à disponibilidade de nutrientes e com limitações físicas para o desenvolvimento natural das plantas, principalmente pela presença de uma camada coesa no seu perfil, logo abaixo do horizonte A podendo chegar a 1,0 metro de espessura, condição que reduz a permeabilidade para o ar e água, dificultando o fluxo de nutrientes e impedindo o aprofundamento das raízes. Naturalmente são distróficos ou álicos, com acidez acentuada e baixa capacidade de troca de cátions (Rezende, 2000). Esse fenômeno é conseqüência da compacidade natural (adensamento) cuja característica se acentua em períodos de prolongado estresse hídrico e quando associado ao manejo inadequado desses solos. Em ambiente sob floresta esses solos apresentam o efeito coeso nos horizontes AB e ou BA, porém, se submetidos a cultivos constantes essa coesão surge nas camadas mais próximas da superfície, em função da ação erosiva nesse ambiente. Na região, dentre os cultivos mais atingidos por essa camada endurecida no perfil do solo, sem dúvida é a citricultura. Segundo Souza et al. (2000), um adequado suplemento de água ao longo do tempo com o solo friável esse impedimento físico ao crescimento radicular seria não limitante. De acordo com os resultados analíticos de amostras dos diversos municípios da região do Recôncavo Sul, esses solos apresentam significativa variabilidade química natural (Tabela 1), o que influencia diretamente no rendimento das culturas implantadas. Nessas condições de fertilidade, resultados de pesquisas demonstram potencialidade desses ambientes que, uma vez manejados adequadamente, destacando a correção do solo e adubação, podem aumentar a produtividade das culturas de forma expressiva. Assim, as áreas de pastagens em sua maioria degradadas, com baixas produções de forragens, podem ser recuperadas num curto prazo com aplicação de tecnologias simples de manejo da gramínea observando o seu estado nutricional, manejo do solo quanto à composição química e física, e o manejo animal, destacando a sua potencialidade genética para o tipo de exploração desejada, quando interagidas essas ações. Tabela 1. Caracterização química de LATOSSOLO AMARELO coletado na camada 0,20 m sob diferentes cultivos, em municípios do Recôncavo Sul da Bahia.
pH (H20) (5) (5) (1) (2) (3) (6) (4) (6) (6) 4,9 5,8 5,6 5,0 4,5 5,2 4,8 4,2 5,4 P -1 (mg kg ) 2,0 3,0 4,0 3,0 3,0 1,0 5,0 1,0 1,0 K Ca Mg Al H -3 .......................... cmol c dm ……................ 0,07 0,10 0,07 0,20 0,10 0,20 0,23 0,10 0,12 0,7 1,2 8,1 2,8 0,5 0,4 0,8 0,3 0,5 0,5 1,1 1,0 0,9 0,4 0,2 0,6 0,3 0,6 0,5 0,0 0,3 0,2 0,4 0,0 0,1 0,7 0,2 2,4 2,2 7,0 2,6 1,6 1,8 2,8 5,0 2,7 M0 -3 (g dm ) 14,6 8,2 78,8 12,5 6,0 22,9 18,0 16,0 14,5

Municípios C. Almas Sapeaçú Amargosa Amargosa C. Almas Muritiba Muritiba S.A. Jesus D.M. Costa

(1) área de pastejo rotacionado; (2) Latossolo sob Mata Atlântica; (3, 4) área de citricultura; (5) área de mandioca; (6) área de pastejo extensivo.

Histórico das pastagens no Recôncavo Sul O Recôncavo Sul é composto por 33 municípios, ocupa uma área de 10.839,5 km2 e uma população estimada em 2003 de 701.675 habitantes, portanto, uma das mais densas das regiões da Bahia com 64,7 habitantes/km2. Está localizada entre 120 23' e 130 24' de latitude sul e 380 38' e 400 10' de longitude Oeste, com homogeneidade de clima, solo, relevo e regime pluviométrico. A vegetação original na maior parte do Recôncavo Baiano até a sua descoberta se caracterizava pelas formações florestais, de diferentes tipos, equatorial, tropical, subtropical e em seis municípios localizados no semi-árido tem-se formação de caatinga. A derrubada da mata visava o preparo da terra para cultivos anuais e perenes. Como conseqüência do inadequado manejo dessas áreas de florestas, a utilização dos campos nativos e das pastagens implantadas, surgiram como alternativa econômica na região, pois imaginava-se que as gramíneas forrageiras seriam produtivas nos diversos ambientes, o suficiente para sustentar a evolução dos rebanhos. O estabelecimento das pastagens nas áreas florestais foi destacado no começo do século passado e se intensificou a partir das décadas de 30 e 40. Os capins que predominaram neste sistema foram o capim-gordura (Melinis minutiflora), capim-angola (Brachiaria mutica) e o capim colonião (Panicum maximun) restrito às áreas mais subtropicais. Estas forrageiras, após alguns anos sob pastejo, apresentavam uma queda na produção e iniciava-se o processo de degradação. Com esta situação os produtores buscavam alternativa e passou-se à procura da “forrageira milagrosa” e dessa forma chegou-se ao que foi denominado de ciclo dos capins. Essa nova forrageira deveria ir bem em terras fracas e fornecer algum verde na seca. O capim Brachiaria decumbens, popularmente capim-braquiária, adaptou-se perfeitamente às condições de
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solos ácidos e de baixa fertilidade do Recôncavo, proporcionando na época, aumentos na taxa de lotação de 5 a 10 vezes maiores que as pastagens existentes nessas áreas. O aumento da produção das pastagens e dos rebanhos foi expressivo e possibilitou que os produtores passassem a integrar as atividades de cria, recria e engorda. A utilização das gramíneas do gênero Brachiaria nas pastagens tem sido vinculada à agressividade na formação da área, à dispensa de seguidos cultivos na época de reformas de pastagens velhas e à menor exigência em fertilidade que as demais gramíneas. A realidade existente no Recôncavo Sul é a mesma em todo o Brasil, visto que a quase totalidade dos pastos é de gramíneas do gênero Brachiaria, predominando o Brachiaria decumbens. Como conseqüência da falta de adoção de práticas conservacionista ao longo dos anos, essas pastagens apresentam-se atualmente elevado grau de degradação, tendo como principal característica o baixo rendimento de forragem. O fator de manejo mais relevante para a persistência das pastagens é a pressão de pastejo. Impressionado com as elevadas produções forrageiras dos primeiros anos, principalmente nos períodos mais chuvosos na região que vai de março a agosto, o produtor passou a elevar a carga animal muito acima da capacidade de suporte da pastagem (geralmente estimada em unidade animal por hectare). Esse modelo de criação é mais degradativo nos períodos mais seco do ano, pois diminui a produção de forragem e os animais pastejam quase rente ao solo, fato que dificulta a rebrota da gramínea. Spain & Graldron (1991) citam que os fatores que mais contribuem para a degradação das pastagens são: o super pastejo com altura de corte muito rente ao solo prejudica a rebrota das plantas; o sub pastejo que favorece o acúmulo de material maçegado, logo maior incidência de pragas e doenças; invasão de plantas indesejáveis; falta de adaptação das espécies implantadas; perda da fertilidade do solo; falta de adubação de reposição e manutenção da fertilidade do solo e incompatibilidade entre as espécies associadas. Importância econômica das pastagens O modelo de criação bovina extensiva a pasto é a forma mais econômica de fornecer alimentação abundante e de qualidade aos animais. Para tanto, é preciso que o solo tenha alta fertilidade e condições de fornecer os nutrientes para as plantas. No Recôncavo, a exploração dos rebanhos leiteiros e produção de carne está apoiada na criação a pasto, fato que destaca a importância de estudos nesses ecossistemas para adoção de manejo adequado nessas pastagens. O estado da Bahia possui um rebanho bovino de 9.170.680 cabeças, compondo com 5,57 % do total de bovinos do país. A área de pastagem do estado é de 14.489.768 hectares, ocupando cerca de 48,55% da área total de 29.842.900 hectares de agropecuária. O Recôncavo Sul baiano possui um rebanho bovino de aproximadamente 436.070 cabeças, compondo com 4,75% do total de bovinos do estado da Bahia (Censo, 2000). A área ocupada com a atividade agropecuária nos municípios do Recôncavo Sul é superior a 815.908 hectares, sendo com pastagens, aproximadamente 622.872 hectares, dos quais mais de 60% é ocupado com a Brachiaria decumbens. Dentre os municípios do Recôncavo Sul, Amargosa destaca-se como detentor do maior rebanho bovino e conseqüentemente maior produtor de carne e leite, condição que justifica ser a região de maior aplicação de índices tecnológicos e resultados de produção acima da média do Estado. Em grande parte do Recôncavo Sul o sistema de criação mais usado é o extensivo, onde a adoção de tecnologia é muito pequena, tem maior atenção nas ações profiláticas, o manejo dos pastos depende do índice pluviométrico e a média da capacidade de suporte chega a ser inferior a 0,3 UA ha-1. Em menor proporção encontra-se o sistema de exploração racional com adoção do pastejo rotacionado, adubação das pastagens, programa sanitário para o rebanho, inseminação artificial e utilização de transferência de embrião, com índices zootécnicos acima da média do estado da Bahia e com capacidade de suporte maior que 1,5 UA ha-1. Degradação de pastagens no Recôncavo Sul A perda de fertilidade natural do solo tem levado os pecuaristas em todo Recôncavo Sul a uma cíclica substituição de espécies forrageiras sempre no sentido das menos exigentes como, por conseguinte, de menor valor nutritivo. Assim, o capim-colonião (Panicum maximum Jacq.) foi substituído em muitas áreas pelo pangola e posteriormente pelas braquiárias. As pastagens são consideradas em degradação quando a produção da forragem é insuficiente para manter determinado número de animais no pasto e por certo tempo. Entretanto, quando a produção de matéria seca diminui sensivelmente a ponto de ser notada através de lotação animal, a planta forrageira já reduziu drasticamente o sistema radicular, o perfilhamento a expansão de folhas novas e os níveis de reservas de carboidratos nas raízes e base das hastes. A degradação, na verdade, dificilmente pode ser devida a uma causa isolada. É necessária uma noção de
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conjunto e de funcionamento dos ecossistemas de pastagens. Em geral observa-se que, uma vez estabelecida a pastagem, com exceção dos problemas causados por pragas e doenças, o início da degradação tem origem nos problemas de manejo do rebanho e na não adoção de práticas conservacionistas. Além disso, fatores como sazonalidade da produção forrageira e superestimação das taxas de lotação contribuem diretamente para a degradação desses ecossistemas. No Recôncavo Sul como nas demais regiões de pastagens do Brasil, o que determina o nível da exploração é a produção de forragem na estação seca do ano. Considerando que áreas de pastagem são mantidas durante todo o ano com a mesma taxa de lotação, gera-se aí situação clássica de excesso de forragem na estação chuvosa e falta na estação seca. Poucos produtores adotam um planejamento para ter na propriedade uma área destinada à reserva estratégica (capineira, milho, cana, sorgo, palma, mandioca, leguminosas, feno e construção de silo etc.). Associados à taxa de lotação, estão os problemas relacionados aos hábitos de locomoção dos animais. Em todo o Recôncavo Sul, observa-se a formação de trilhas preferências no sentido morro abaixo nas pastagens, preferencialmente, próximo a cochos de sais ou bebedouros. Em muitas pastagens localizadas em áreas amorradas, pode-se observar alguns trechos do terreno sem vegetação, que apresentam sulcos de erosão. Estes sulcos, geralmente, têm como causa a movimentação constante de animais pela mesma área, no sentido do declive. No entanto, vários outros autores, inclusive alguns mencionados anterior-mente (Dematte, 1988; Sampaio, 1998), são conclusivos em dizer que a prática da queimada, se mal conduzida ou mesmo efetuada continuamente, pode trazer con-seqüências negativas tanto para a pastagem quanto para o solo que a sustenta. Adubação de pastagens Para o bom desenvolvimento das pastagens, assim como de qualquer cultura, há necessidade que esteja disponível e, em quantidade adequada no ambiente, todos os elementos considerados essenciais, classificados como orgânicos: carbono (C), oxigênio (0) e hidrogênio(H) e inorgânicos como os macronutrientes: nitrogênio (N), fósforo(P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S), e micronutrientes: boro (B), cloro (Cl), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn) (Epstein, 1975). É evidente que o solo é o principal componente fornecedor de elementos químicos para as plantas, não apenas os considerados essenciais como também aqueles classificados como benéficos como o sódio, silício, selênio, cobalto e os elementos tóxicos como o alumínio, mercúrio, cromo, chumbo etc. Certamente, a prática de reposição de nutrientes através da adubação é fundamental para elevação e manutenção da quantidade e qualidade da forragem a pasto. Há evidências nas pastagens do Recôncavo Sul, da utilização planejada de adubos como uréia, superfosfato simples e cloreto de potássio como fonte de N, P e K, respectivamente, assim como de pastagens consorciadas com leguminosas, dentre elas o calopogônio, crotalária juncea, crotalária vistosa, estilosantes, mucuna, feijão de porco etc., e cultivos isolados dessas culturas servindo de bancos de proteínas para os animais. Segundo Werner (1986), o uso de pastagens consorciadas é uma opção para reconstituir a fertilidade do solo quanto à matéria orgânica, devido à capacidade da leguminosa em fixar nitrogênio do ar. Para tanto, é preciso que essa leguminosa esteja bem nutrida com os demais elementos essenciais e que não haja fatores adversos, como exemplo, elevados teores de alumínio no solo. Calagem: a aplicação de calcário em áreas de pastagens, principalmente o dolomítico é fundamental para redução da acidez que se constata na maioria dos solos do Recôncavo (Tabela 1) e por fornecer em proporções mais adequadas os nutrientes cálcio e magnésio para as plantas. A calagem é uma prática que também diminui os efeitos danosos do alumínio, manganês e ferro, os quais podem estar em quantidades excessivas quando o solo apresenta pH baixo, prejudicando diretamente as plantas, assim como, bactérias importantes (Rhizobium) para as leguminosas. É importante destacar que dependendo da espécie as plantas são mais ou menos responsivas à calagem. As braquiárias são classificadas como plantas de tolerância relativa à acidez do solo, atributo importante para a sua persistência e produtividade nas mais diversificadas condições de solo. Nitrogênio (N): é um dos nutrientes mais exigidos pela maioria das plantas cultivadas, sendo absorvido preferencialmente nas formas iônicas N03-, NH4+ e N2. Esse elemento tem função estrutural e faz parte de molécula de aminoácidos, proteínas, é constituinte de bases nitrogenadas e ácidos nucléicos, clorofila e alcalóides, bem como de muitos hormônios, enzimas e vitaminas. Além disso, influencia nos processos de absorção iônica, respiração, fotossíntese, diferenciação celular etc. (Malavolta, 1980). A deficiência de N influencia de imediato no crescimento da planta com coloração verde clara ao amarelecimento inicial das folhas mais velhas em função de sua alta mobilidade interna na planta. O excesso provoca redução de floração, frutificação e acamamento.

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Fósforo (P): elemento constituinte das moléculas de ATP, ADP, ácidos nucléicos e dos fosfolipídeos das membranas celulares, sendo importante na liberação de energia para o processo ativo de absorção iônica. As formas iônicas H2P04e HP04-2 são as preferencialmente absorvidas, formando compostos orgânicos como hexoses fosfatadas, ésteres de carboidratos, fosfolipídeos e outros, como também, compostos inorgânicos como ortofosfatos e pirofosfatos (Mengel & Kirkby (1987). Segundo Werner (1986), depois do nitrogênio, o fósforo é o elemento mais importante, tendo grande influência no crescimento das raízes e no perfilhamento das plantas forrageiras. Por isso esse elemento é fundamental no processo de recuperação de pastagens degradadas. O excesso de fósforo gera deficiência de cobre, ferro, manganês e zinco. Grant et al. (2001) citam que deficiência de fósforo no início do ciclo vegetativo da planta pode resultar em restrições no crescimento, das quais a planta não se recupera mesmo fornecendo fósforo posteriormente. Potássio (K): é absorvido na forma iônica (K+) e atua como ativador de algumas enzimas na síntese de amido e ácidos graxos. Participa da fotossíntese e respiração e da síntese de clorofila, sendo importante nos movimentos de abertura e fechamento dos estômatos e no transporte de carboidratos (Marschner, 1995). Os capins deficientes em potássio apresentam colmos finos, raquíticos e pouco resistentes ao tombamento. As leguminosas deficientes em potássio têm seu crescimento limitado, há redução na nodulação, afetando a fixação de nitrogênio. Em excesso, o potássio causa deficiência de cálcio e ou maganésio. Cálcio (Ca): absorvido na forma iônica (Ca2+) esse elemento tem função estrutural, fazendo parte da parede celular como pectato de cálcio, estando ligado à formação e funcionamento das membranas celulares. É ativador enzimático (ATPase e fosfolipase) e faz parte da amilase. A deficiência de cálcio pode ser induzida por excesso de Na, K, NH4+ e ou Mg que limitam a sua absorção. O cálcio é importante para manter a estrutura e o funcionamento normal das membranas da célula e em baixas concentrações, estimula a absorção de outros íons. Sintoma de deficiência em folhas novas, deformação das folhas, morte dos pontos de crescimento e clorose nas pontas. O excesso provoca deficiência de potássio e ou magnésio. Magnésio (Mg): é elemento estrutural da molécula de clorofila, pectina e fitina, participa da fotossíntese, ativador enzimático e funciona como carregador de fósforo. Absorvido na forma iônica (Mg2+), é móvel no floema celular, por isso apresenta sintomas de deficiência primeiramente nas folhas velhas, assim como o nitrogênio, fósforo e potássio. Em condição de deficiência ocorre clorose internerval e a nervura da folha permanece verde. O excesso de magnésio promove indução de deficiência de potássio e/ou cálcio. Enxofre (S): absorvido na forma iônica SO42-, é constituinte dos aminoácidos cistina e metionina, de proteínas, clorofila, vitaminas e importante para fixação de nitrogênio. Esse elemento é pouco móvel na planta, por isso o sintoma de deficiência aparece primeiro nas folhas novas. A deficiência de enxofre nas pastagens do Recôncavo ainda não é preocupante, entretanto, a forte aplicação de adubos nitrogenados nessas áreas pode favorecer o desequilíbrio nitrogênio e enxofre afetando o crescimento da forrageira. Micronutrientes: nas condições edafo-climáticas da região do Recôncavo não se têm encontrado resultados satisfatórios do uso de micronutrientes nas pastagens. Dentre esses elementos (boro, cloro, cobre, ferro, manganês, molibdênio e zinco), o zinco é o micronutriente mais utilizado na maioria das culturas, além de sua forte interação com o fósforo no solo (Mengel & Kirkby, 1987). Estudos com micronutrientes são importantes para obter o máximo de eficiência produtiva e qualidade da forragem em pasto. RESULTADOS DE PESQUISAS COM FORRAGEIRAS NO RECÔNCAVO Na região do Recôncavo da Bahia ainda são incipientes os trabalhos de pesquisas direcionados para avaliação do estado nutricional de plantas forrageiras. Mais recentemente, como apoio do Mestrado em Ciências Agrárias, e com a formação do grupo de pesquisa em “Nutrição Mineral de Plantas e Pós-Colheita” da UFRB, estudos com macronutrientes isolados e em interações vêm sendo desenvolvidos com capins do gênero Brachiaria, principalmente o Brachiaria decumbens, que é o mais cultivado na região. Estudos com aplicação de calcário em pastagens de braquiária estabelecida em LATOSSOLO AMARELO foram desenvolvidos nos anos de 1998 e 1999 na então Escola de Agronomia da UFBA. Os resultados da Tabela 2
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demonstram que no primeiro ciclo da braquiária a elevação da saturação de bases (V%=60) incrementou o rendimento de massa seca em 95% e que saturação acima deste valor apresentou aumentos inferiores a este, quando comparados com a fertilidade natural do solo (V%=33). No segundo ciclo vegetativo, sem reposição da calagem, observou-se aumento linear, com 84% quando V%=80. Nos dois cortes não houve efeito significativo da calagem sobre a concentração de nitrogênio, assim como para os valores de proteína bruta na forrageira. Entretanto, o acúmulo de nitrogênio foi mais acentuado quando V%=70. Esses resultados indicam efeito positivo do aumento da disponibilidade de cálcio e magnésio no solo na qualidade da forrageira. Neste estudo, quando se fez a substituição de 25% do CaO do calcário por gesso agrícola, verificou-se apenas aumento de 27% e 14% no rendimento de massa seca da braquiária no primeiro e segundo cortes, respectivamente, quando o V%=50. Também não foi observada influência da presença do gesso agrícola nos teores de nitrogênio na planta, entretanto, a extração de nitrogênio do solo foi menor com o aumento da saturação por bases. Tabela 2. Rendimento em massa seca, teor, acúmulo de nitrogênio e proteína bruta do primeiro e segundo cortes da parte aérea do capim-braquiária, em função da saturação por bases (V%). Os valores são médios de quatro repetições.
------------------------------33 50 4628 5330 1812 2550 10,6 8,9 15,3 16,9 49,01 47,54 31,67 43,18 66,1 55,6 95,9 105,5 (V %) ------------------------------60 70 80 9040 8450 8230 2662 2975 3337 8,3 10,4 9,3 16,9 15,3 15,3 75,37 88,34 76,95 44,00 67,90 53,55 56,8 65,2 55,9 105,5 107,2 95,9

VARIÁVEIS Massa seda (kg ha ) Teor de N (g kg )
Acúmulo de N (kg ha )
-1

CORTE
-1

-1

Proteína bruta (g kg )

-1

I II I II I II I II

Trabalho não publicado. Resultados em Relatório de Pesquisa PIBIC (Silva & Santos, 1999a).

A aplicação de N, como fonte uréia, em pastagem implantada com braquiária demonstrou que houve incremento linear de 174% no rendimento da massa seca da forrageira (2300 para 6300 kg ha-1), na dose de N= 600 kg ha-1 no primeiro crescimento da cultura. No segundo crescimento houve efeito quadrático de resposta, com maior aumento de 104% (1710 para 3480 kg ha-1) na dose N=300 kg ha-1. O teor de N nas folhas aumentou significativamente na ordem de 424% e 32% no primeiro e segundo cortes da planta na dose de N= 600 kg ha-1, respectivamente. Nas hastes da planta esse aumento foi de 800% no primeiro e 24% no segundo corte. Nessa dosagem de N no solo, obteve-se aumento de N acumulado na planta superior a 800% (13,7 para 134,8 kg de N ha-1) no primeiro corte, e de 156% (27,41 para 62,78 kg de N ha-1) no segundo corte da forrageira, quando comparado com o tratamento sem aplicação de uréia (Silva & Santos, 1999b). Estudo desenvolvido por Carvalho (2000), avaliando o comportamento de algumas gramíneas e leguminosas em LATOSSOLO AMARELO no município de Cruz das Almas-BA, demonstrou que a Crotalária juncea e a mucuna apresentaram rápido crescimento no período inicial, precocidade na produção de massa, boa cobertura do solo e bom volume de raízes em profundidade. Por isso, essas plantas apresentam potencial para serem usadas como adubo verde e na recuperação de solos fisicamente degradados. Por outro lado, o autor constatou que o calopogônio apresentou menor velocidade de crescimento no período inicial, sendo mais tardia para cobertura total do solo. Nesse estudo, o capim cameroon e a braquiária humidícola apresentaram grande velocidade de crescimento no período inicial do ciclo vegetativo, podendo assim, serem competitivas com a vegetação nativa. A produção de massa seca do cameroon foi superior às demais espécies estudadas, confirmando ser uma excelente opção como forrageira de corte na região. Esses resultados indicam a importância da diversificação de espécies num ambiente de pastagem, condição que favorece o melhor aproveitamento de água, nutriente e adequação às variações climáticas. Estudos com resíduos orgânicos e adubação mineral com NPK no capim-braquiária demonstraram que a produção de massa seca aumentou de forma mais significativa com a adubação NPK, que em relação às adubações com esterco bovino curtido e compostos de lixo selecionado e não selecionado. O rendimento de forragem e o número de perfilhos não foram influenciados com adição dos compostos orgânicos, sendo o esterco bovino o mais eficiente no rendimento de forragem (Rodrigues, 2001). Santos & Santos (2002), estudando a interação N:S em capim-braquiária, observaram no primeiro corte que houve efeito significativo para as doses de nitrogênio e para a interação, entretanto, não foi observada significância do enxofre isoladamente. O maior rendimento em massa seca foi obtido com a dose de N=300 kg ha-1, correspondendo a
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o rendimento de massa seca da braquiária foi influenciado pela adubação fosfatada e magnesiana. com características de degradação com baixa produção de massa seca. Em presença de altas concentrações de P (200 kg P2O5 ha-¹) o maior acréscimo no rendimento de massa seca foi obtido com a dose 50 kg K2O ha-¹. Segundo Santos et al. Os resultados apresentados demonstram a significativa influência da adubação mineral nas pastagens do Recôncavo da Bahia. C.I. FLANT.shtm. Manejo de solos ácidos dos trópicos úmidos: região Amazônica. 95) 5p. respectivamente. A importância do fósforo no desenvolvimento inicial da planta.. Piracicaba: Associação Brasileira para Pesquisa de Potassa e do Fosfato. A adubação de pastagens através da interação P:K também vem sendo avaliada na região. Universidade Federal da Bahia.R. vez que estes normalmente apresentam baixas concentrações desse elemento. 215p.br/ibge/estatística/economia/agropecuária/censoagro/default. Exigências de fósforo para o estabelecimento de gramíneas e leguminosas forrageiras tropicais em solos com diferentes características físicas e químicas. C. SHEPPARD. GUSS. CENSO Agropecuário 2000. 2001. Lomanto Neto (2002) observou que numa pastagem degradada de capim-braquiária a produção de massa seca das folhas.5 g kg-1 no limbo foliar e na haste da forrageira. Em estudo de interação P:Mg.L. D. As doses de K2O 50 e 100 kg ha-¹ promoveram um incremento de massa seca de 40 e 60%. Esses resultados foram semelhantes aos obtidos por Guss (1988) e Rao et al. e que os conhecimentos gerados possam melhorar a produtividade e qualidade das pastagens da região. v. resultante de vários fatores de manejo da forrageira.gov. a concentração e o acúmulo do N e P. enquanto que a interação com as doses 100:40 apresentou um aumento de cinco vezes no rendimento em relação ao tratamento controle. quando em omissão de P. Nutrição mineral de plantas: princípios e perspectivas. Mg e N nos dois ciclos de crescimento do capim-braquiária. A adubação fosfatada é imprescindível no estabelecimento de pastagens nos solos da região do Recôncavo. 1988. das hastes e parte aérea. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) Escola de Agronomia. 1975. No segundo crescimento não houve significância para S e nem para a interação N:S. São Paulo: USP. Tópicos em Ciências Agrárias. apresentando 121% quando comparado a omissão de P e K (Santos & Santos. N. http://www. 2000. J. A. (Informações Agronômicas.8 g kg-1 e 14. do solo e do excesso de animais por área e do tipo de criação. 1. e altas concentrações de P no solo apresentou melhor desempenho da forrageira quando a dose de magnésio foi de 40 kg ha-1. TOMASIEWICZ. Cruz das Almas. Avaliando a interação N:P num LATOSSOLO na região de Amargosa.. UFRB. apresentaram respostas significativas com a aplicação desses elementos.. principalmente nas áreas de capins do gênero Brachiaria. respectivamente. S. No primeiro crescimento a interação N:P nas doses 200:160 (kg ha-1) promoveu um aumento de 14 vezes em massa seca. De acordo com Santos (2003). a eficiência da adubação fosfatada aumenta com a disponibilidade de Mg no solo. 115f. Dissertação (Mestrado em Agronomia) Universidade Federal de Viçosa.uma concentração em N de 18.ibge. S. 341p. A. (2004). E. REFERÊNCIAS CARVALHO. caracterização e cinética do crescimento de leguminosas e gramíneas com alto poder relativo de penetração de raízes em solo coeso dos tabuleiros costeiros do recôncavo baiano. 1988. J. (1996) em relação à concentração de P na planta. 74f. Identificação. Com isso. o aumento das doses de P num LATOSSOLO AMARELO favoreceu maior concentração e acúmulo de P. de. espera-se que as pesquisas com plantas forrageiras possam continuar de forma ainda mais intensiva. 2003). Rio de Janeiro: IBGE. GRANT. assim como.L. Viçosa. D. EPSTEIN. 2000. 2009 179 . Disponível em: DEMATTÊ. Campinas: Fundação Cargill.

Rendimento de matéria seca e avaliação nutricional da Brachiaria decumbens Stapf. Cruz das Almas-BA. 1). il. VALLE. 2009 . submetido a doses de nitrogênio em solos dos Tabuleiros costeiros no Recôncavo da Bahia. 1998. Relatório de Pesquisa. 1999.16. Universidade Federal da Bahia. dos. A. evolução e degradação. 20f. em função da aplicação de diferentes doses de nitrogênio e enxofre num Latossolo Amarelo coeso do Recôncavo da Bahia. 180 Tópicos em Ciências Agrárias. 2003.LOMANTO NETO. da. C. Salvador-BA: SEAGRI/SPA. MENGEL. MACEDO.M. London: Academic Press. L. 1999. SILVA. dos. SANTOS. R. SANTOS. MARCSHNER. Viçosa. à interação N:P na região de Amargosa-BA. I. 251p.9-18. berço da Universidade Federal segunda da Bahia: passado. Bern: International Potash Institute. Cruz das Almas. 2003. dos..do (Ed. 22f. KERRIDGE. 1998. B. Nutritional requiriments of Brachiaria and adaptation to acid soil. 2004. SANTOS. A. Solos Coesos dos Tabuleiros Costeiros: limitações agrícolas e menejo. Balanço de nutriente em sistema de agricultura migratória no município de Ji-Paraná-RO. Cruz das Almas-BA. J. Cruz das Almas.. Principles of plants nutrition.. SANTOS. 1987. MALAVOLTA. Rendimento da Brachiaria decumbens Stapf. 98f. R. 1980. G. L. F. Cruz das Almas-BA. PIBIC. J. EMBRAPA.) Brachiaria: Biology. E. P. R. SANTOS. P.. Cali: CIAT. MAASS. 2. 194p.. v. em função da interação fósforo e magnésio em um Latossolo Amarelo do Recôncavo da Bahia. 98P. do C. A. (Agronomy. dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) Escola de Agronomia... Relatório de Pesquisa. Resposta do capim Brachiaria decumbens Stapf. 25f.. R. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) Escola de Agronomia. R. Resposta do capim-braquiária submetido a doses de calcário e gesso agrícola em um Latossolo amarelo coeso. do C Rendimento e estado nutricional do capim-braquiária. São Paulo: Agronômica Cerres. 117p. E. Salvador. submetida à adubação com resíduos orgânicos compostados em Latossolo Amarelo coeso. dos. REZENDE. A. SAMPAIO. L. In: MILES.A.ed. Elementos de nutrição mineral de plantas.. 2002. dos. BA: SEPLANTEC/CADCT. Relatório de Pesquisa.. 1. Cruz das Almas. Mineral nutrition of higher plants. Os Latossolos Amarelos do Recôncavo Baiano: gênese. RODRIGUES. n. Cruz das Almas-BA...P. 889p. 2003.B. L.53-71. PIBIC. PIBIC. Relatório de Pesquisa. 2002. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) Escola de Agronomia. SANTOS. 2001. Caracterização da degradação e resposta de pastagens com Brachiaria decumbens Stapf.C. Interação fósforo:potássio no rendimento. M. 1996. R. Universidade Federal da Bahia.C. A. Salvador: P&A. Cruz das Almas. 687p. 1999b. A. A. REZENDE. presente e futuro / Joelito de Oliveira Rezende. E. A. SANTOS. O. 10f. SANTOS. 2004. R. G. Magistra. 1999a. J. SANTOS. dos. 131 f. de O.L. (Série Estudos Agrícolas. L.1. G. J.. Universidade Federal da Bahia.W. v. and Improvement). SANTOS..teor e acúmulo de nitrogênio do capim-braquiária (Brachiaria decumbens Stapf. 2000..) num Latossolo Amarelo. 78f. Teores de nutrientes em pastagens com braquiária em função da interação fósforo e magnésio em um Latossolo Amarelo.M. 119f. SILVA. KIRKBY. Recôncavo Baiano. M. UFRB. dos. H. S. 1995. Dissertação (Mestrado em Solos e Nutrição de Plantas) Universidade Federal de Viçosa. dos. RIBEIRO. de O. G. RAO. p.

C. (Eds). Cali: CIAT. Tópicos em Ciências Agrárias. Adubação de pastagens. 2009 181 . J. 1991.. da S. Boletim Técnico. SPAIN. In: REUNIÃO BRASILEIRA DE MANEJO E CONSERVAÇÃO DO SOLO E DA ÁGUA. 1986. J. Degradación e reabilitación de pastures.. 18). 49p. 2000. J. C. Anais. GUALDRON.M. Nova Odessa: Instituto de Zootecnia. (IZ. In: LASCANO. WERNER.M.SOUZA L. et al. 1. v. UFRB. Perspectivas de uso dos solos dos tabuleiros costeiros. 57p. Ilhéus. R.. SBCS.. BA. SPAIN. 13. Establecimiento y renovación de pastures..

CAPÍTULO 14 DESORDENS NUTRICIONAIS EM POMARES CÍTRICOS NO RECÔNCAVO BAIANO Washington Luiz Cotrim Duete. Rozilda Vieira Oliveira Sacramento & Robson Rui Cotrim Duete Tópicos em Ciências Agrárias .

Desta forma. identificando as desordens nutricionais . (1995). obtendo-se maiores rendimentos a baixas doses. ausência de controle fitossanitário e o manejo inadequado. Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO O Brasil destaca-se no cenário mundial como maior produtor de laranjas. Desta produção o Recôncavo Baiano responde com 15. resultando em plantas de baixo vigor. E-mail: rozilda@ufrb. excessos e desequilíbrios responsáveis pela baixa produtividade dos pomares. 2004).65 % dessa produção. com destaque para os municípios de Cruz das Almas. Na Bahia. segundo classificação de Malavolta & Prates (1994) (Tabela 1). Uma das melhores técnicas para avaliar o estado nutricional dos pomares e orientar programas de adubação consiste na análise foliar aliada aos conhecimentos da fertilidade do solo e das influências de outros fatores (Rodriguez. além da torta de mamona utilizada quando da aplicação da fórmula 10-10-10 fornecidas aos agricultores para o cultivo do fumo. É importante chamar atenção que os teores de matéria orgânica do solo tanto nas camadas de 0 . pela capacidade desta armazená-lo nas folhas para redistribuição nos períodos de florescimento e frutificação. E-mail: wlcduete@ufrb. razão pela qual seus teores no solo são sempre baixos. Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. Com a mesma preocupação.4 bilhões em 2000. a citricultura tem grande importância social. apresentaram-se na faixa de muito baixo a baixo.Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA).20 cm quanto de 20 a 40 cm.deficiências. participando com 26. conforme visualiza-se na Tabela 2. v.3 bilhões de frutos em 1999. Cruz das Almas-BA. A despeito dos baixos teores de matéria orgânica encontrados neste solo. entre 27 a 30 g kg-1. Ambientais e Biológicas/UFRB. segundo Obreza (1996). estando a Bahia em 2º lugar participando com apenas 4. possivelmente. Rozilda Vieira Oliveira Sacramento2. Considerando as condições climáticas da região. estando o N em nível adequado a alto na planta. UFRB. apresentando ainda 41% dos pomares com altas concentrações. Sapeaçu. Nesta região a citricultura desenvolve-se em solos de Tabuleiros Costeiros. a atividade citrícola no Estado sofreu decréscimo na produção de laranja de 21%. o estado nutricional dos pomares de laranjeiras nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira situados no Recôncavo Baiano.DESORDENS NUTRICIONAIS EM POMARES CÍTRICOS DO RECÔNCAVO BAIANO Washington Luiz Cotrim Duete1. acidez natural e presença de camadas adensadas limitando a infiltração e o aprofundamento do sistema radicular. a cada safra.br Pesquisador . é intenso o processo de mineralização da matéria orgânica.98% no ranking nacional. Quaggio et al. conforme relatos de Legaz et al. para 3.842 frutos ha-1 (SEI-BA. comprometendo a produção e a longevidade dos pomares. o suprimento adequado e alto de N nas plantas pode ser explicado pelas freqüentes adubações orgânicas com esterco de animal.edu. Cruz das Almas-BA. será avaliado neste capítulo. Tópicos em Ciências Agrárias. um contingente superior a 20 mil pessoas. com rendimento médio de 68. suprindo 80% da demanda mundial e gerando divisas de US$ 1 bilhão/ano. 1.1988). o N segue a lei dos incrementos decrescentes. Castro Alves e Governador Mangabeira. Nitrogênio Na região em estudo os teores foliares de N apresentaram-se adequados em 59% dos pomares na faixa de 24 26 g kg-1 de N. Cabaceiras do Paraguaçu.61% da produção mundial segundo dados da FAO (2004). Muritiba.Centro de Ciências Agrárias.55%. Robson Rui Cotrim Duete 3 1 2 3 Professor .br. ocupando ainda a posição de maior exportador de suco concentrado. caracterizando-se pela baixa capacidade de retenção de água. de textura média. Considerando os altos valores encontrados convém relembrar que.edu. passando de 4. Aliado a estes fatores acrescenta-se ainda a adubação insuficiente. que é realizado nas entrelinhas dos pomares. Conceição do Almeida. A produção nacional é liderada pelo Estado de São Paulo o qual responde por 79. Entretanto. 2009 185 . pois emprega. com predominância do Latossolo Amarelo distrófico. a partir da diagnose foliar e das condições de fertilidade apresentada pelo solo. (1998) observaram decréscimo de rendimento com teores foliares de N igual a 28 g kg-1.

.....6 26.....6 73.3 23. nas duas profundidades..2 MO 20 – 40 0 – 20 P 20 – 40 0 – 20 K 20 – 40 0 – 20 Ca 20 – 40 0 – 20 Mg 20 – 40 0 – 20 S 20 – 40 Acidez efetiva (1) pH(CaCl2) (1) 0 – 20 20 – 40 A interpretação desta característica deve ser alta e muito alta em lugar de bom e muito bom..7 0 2.. v..2 0 26...............8 17....8 0 91.. 2009 ... 2003.0 17..5 8................9 0 2. macronutrientes e propriedades do solo.9 2.......8 64.Tabela 1.8 0 14......9 5......0 Tabela 2....7 20.6 58...6 8.6 2..0 88.... Freqüência de amostras observadas por classe de teores foliares de macronutrientes em pomares de laranjeira 'Pêra'.....8 8. 2003.. em pomares de laranjeira 'Pêra' nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA..8 17. 186 Tópicos em Ciências Agrárias...9 0 5...5 26.9 41.......1 0 0 0 0 0 50...6 61.. Classe de teores Elementos Deficiente Baixo Adequado Alto Excessivo . 1. Parâmetros químicos Classe de teores Profundidade ...3 17...7 26.. Freqüência de amostras observadas por classe de teores de matéria orgânica....6 88..7 0 23.0 11...........7 2..0 88. nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA....9 14.....2 20. cm ........6 73..6 35.9 41.... UFRB.8 0 0 0 17.8 2..8 0 0 97.9 11.....8 5.. % .0 0 44....6 14.............0 8.....8 0 0 29.....2 0 59.....9 0 11. 0 – 20 Muito Baixo Médio Bom Muito bom baixo ...2 59....8 2.6 0 0 0 14.9 20... % .1 11..5 50.......2 53.9 44.5 88... N P K S Ca Mg 0 0 0 0 0 0 0 11...0 41.... 3.5 2.....6 20.8 0 8........5 11...0 0 38.

Considerando as condições físico-químicas dos solos estudados e a presença da camada coesa encontrada nos Latossolos dos Tabuleiros Costeiros.40 cm 88.40 cm. Potássio A distribuição em classes de teores mostra na Tabela 1 que 53% dos pomares estão na faixa adequada com os teores variando de 10 a 14 g kg-1 de acordo com os limites estabelecidos por Malavolta & Prates (1994). no solo a distribuição desses teores em faixas de classificação apresentaram-se abaixo da adequada. 1983). As reduções dos teores foliares de Ca são devidas possivelmente. mas sim que as plantas cítricas são mais eficientes na absorção de P no solo devido à extensão do sistema radicular e maior tempo para absorção. Com o cruzamento dos mapas temáticos de P no solo (20-40 cm) e P foliar visualizado na Figura 1.2 .20 cm entre as faixas. acredita-se ser a justificativa dos três autores acima citados a mais aplicada às condições locais. 53 e 38. comprovaram que esses resíduos podem contribuir com até 153 kg ha-1 ano-1. para o qual a laranjeira pode produzir satisfatoriamente num solo pobre em P enquanto que uma cultura anual poderia mostrar sintomas de fome. Já na camada de 20 . 23. (1997). 35. Além disso.5% dos pomares amostrados apresentaram relação N/K abaixo do limite de 2. Uma das razões para explicar tal situação deve-se Tópicos em Ciências Agrárias. quantidade que corresponde de 1/3 à metade da recomendação anual de N para árvores adultas de citros. respectivamente. Dou et al.Vale também ressaltar que a ciclagem de N em ambiente de pomar cítrico é complexa e tem sido objeto de estudo por vários pesquisadores.7 g kg-1 em 88.3. justificando que as altas doses de P usadas nos pomares cítricos estão mais relacionadas com a diminuição na disponibilidade do elemento por fixação e com o pequeno sistema radicular. Nesta região. consideradas ideais por Malavolta et al. possivelmente em razão dos altos teores de K encontrados em 38.2% dos pomares. bom e muito bom. 2009 187 .5 e 14.85. 8. respectivamente.3% dos pomares com baixo teor de Ca apresentaram altos teores de N. Pesquisas têm demonstrado uma maior correlação no estudo entre as relações dos nutrientes com a produtividade que considerando os teores isolados dos elementos. a análise da fertilidade do solo não possibilita estimar a disponibilidade de N devido à dinâmica deste elemento no processo de decomposição e mineralização da matéria orgânica. baixo. Estes resultados estão de acordo com as afirmações de Malavolta (1983). respectivamente. Koo (1985) afirma que as inter-relações são os fatores predominantes sobre os teores de nutrientes nas folhas. Koo. pode-se observar que os pomares localizados em áreas com teores de P no solo classificados como muito baixo. (1991) e o Grupo Paulista de Adubação e Calagem para Citros (1994). (1991) como ideal para atingir uma produção superior a 800 cx ha-1. sendo assim pequena fertilização de N supri essa função.2% dos pomares e baixos em 11.8% em classe de teores considerados bom e 2. até certo ponto por um maior crescimento vegetativo e baixa mobilidade do mesmo na planta. 2003.2% dos pomares apresentaram teores foliares de K na faixa de adequada e alta. Assim. diluindo sua concentração nas folhas.1.47% dos pomares apresentaram relação acima de 19 e 17. Quaggio (1996) afirma que os citros não são menos exigente em P que as culturais anuais. Neste sentido. Em contradição. em estudo sobre a contribuição de N provenientes da mineralização de resíduos de folhas e galhos secos que retornam ao solo. médio.16. Apesar dos 88.8% na faixa de 0.8 e 38. 1983.9 % muito bom (Tabela 2). 1.1 g kg-1 (Tabela 1). do que com as exigências da plantas ou a capacidade das raízes para absorver P. Convém destacar que 76.8% e 97. UFRB.9 . Verifica-se também uma associação negativa entre as concentrações de N e Ca nas folhas uma vez que 61. Obreza.1. contrastando com os 88. nas camadas de 0 .20 e 20 . respectivamente (Tabela 2).40 cm. com percentual de 26. Fósforo Os teores foliares de P apresentaram-se adequados na faixa de 1.5. a fertilização com o elemento P está mais relacionada com a melhoria do crescimento vegetativo que com respostas positivas quanto ao rendimento (Malavolta. Apesar dos baixos teores de K no solo. apresentando valor médio de 1. a relação média N/P foi de 20.1% dos pomares. num pomar cítrico a reciclagem da matéria orgânica fornece a maior parte do N necessário para formar novas folhas e galhos. v.2% dos pomares apresentaram classe de teores baixo e alto. apresentaram teores foliares adequados. para 55.3% dos pomares apresentaram teores abaixo do adequado com apenas 8. Segundo Obreza (1996).7%.88. Os teores de K no solo distribuíram-se na camada de 0 .2% dos pomares apresentarem teores foliares de P adequados. respectivamente. que é um fator limitante ao desenvolvimento do sistema radicular. sendo que 76. na camada de 20 .2 proposto por Malavolta et al.2% dos teores foliares adequados. baixo e médio.

enquanto que as áreas que apresentaram teores de K nos solos de baixo a 188 Tópicos em Ciências Agrárias. Quanto aos baixos teores de K no solo. (1975) e Embleton et al. respectivamente (Tabela 1).24 e 4. Nagai et al. Os valores ótimos para as relações K/Ca e K/Mg nas folhas de citros em estudos realizados no Estado de São Paulo segundo Sanchez (1979).72g kg-1.9% médios e 50% de bom a muito bom.1% alto a excessivo para Mg. UFRB. com apenas 8. do que entre o K e o Mg. favorecendo ainda mais a lixiviação. Como também Weir (1969) observou que o K era o nutriente mais fortemente antagônico das bases estudadas. uma vez que não existe nenhuma comprovação experimental que o nível de 35 g kg-1 proposto por Malavolta & Prates (1994) seja realmente o mínimo necessário às necessidades metabólicas da planta.85.9% considerados bons (Tabela 2).20 cm. constante na tabela de interpretação de fertilidade do solo.8% adequados (Tabela 1). (1978) já haviam demonstrado que os aumentos nos teores foliares de K levaram à redução nos teores de Ca. respectivamente. a região apresenta clima subúmido a úmido e os solos têm grande possibilidade de serem deficiente em S por causa do rápido processo de mineralização da matéria orgânica.1% dos pomares encontra-se na classe de teores baixa a muito baixo. A discrepância desses dados indica a necessidade de reavaliação da faixa de teores considerados adequados para a cultura na região.3 e 3. demonstrando altas concentrações de K. (1991) e Grupo Paulista de Adubação e Calagem para Citros . sendo assim 91. Conforme Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais (1999). 0. podem ser justificados pelas perdas por lixiviação comum nos solos tropicais e com alto grau de intemperismo.inicialmente às altas adubações realizadas nos pomares utilizando a fórmula 10-10-10 que.6% dos pomares apresentaram teores médios (Tabela 2).2% dos pomares segundo as classes de interpretação para os teores foliares propostas por Malavolta & Prates (1994). v. Observando a Tabela 1 percebe-se que 91.0.49 e 2. estejam adequados para suprir as necessidades das plantas cítricas (Figura 2). 2. Na camada de 0-20 cm 47. Observa-se na Figura 3 que os teores foliares de Ca variaram em função dos teores de K no solo na profundidade de 0 . indica o nível crítico deste elemento no solo.20 cm. Uma possível razão para explicar as baixas concentrações de S encontradas em ambas as camadas. enquanto que na profundidade de 20-40 cm. combinada com os baixos teores de Ca e Mg no solo favorecem uma alta absorção de K pelas plantas segundo Malavolta (1980) e Boyer (1985). ressaltando-se também que não se observou na área de estudo relevante problemas de deficiência de Ca. Cálcio Os teores foliares de Ca apresentaram-se baixos na faixa de 20-34 g kg-1 em 91. Já na profundidade de 20-40 cm 85. os valores da relação K/Ca foi maior e K/Mg a menor de todas as demais citadas. respectivamente.31 e 3. 1. Neste levantamento as relações médias de K/Ca e K/Mg foram 0. leva-se em conta que os teores considerados baixo pela tabela de interpretação de fertilidade do solo proposta pela CFSEMG (1999).2. uma vez que. chamando também atenção que este antagonismo foi mais forte entre K e o Ca.2% dos pomares encontram-se na faixa adequada a alta para K enquanto que a mesma percentagem de pomares apresentam teores baixos de Ca e 94. percebendo que as áreas onde os teores de K foram classificados como bom e muito bom apresentaram menores teores de Ca foliar. o limite superior da classe média correspondente a 24 mmolc dm-3 para o Ca. percebendo significativa redução dos teores com o aumento da profundidade. esta constitui uma das principais fontes fornecedoras de S à planta. 88.2 e 100% dos pomares nas duas profun-didades respectivamente. 73.2% do mesmo apresentaram baixos teores de Ca nas folhas. baixa concentração de Ca e elevada concentrações de Mg foliar nestes pomares. No solo na profundidade de 0 . 0. Além disso.GPACC (1994) são: 0. deve-se ressaltar que pesquisas realizadas em solos arenosos de baixa fertilidade tem obtido produção máxima e nível crítico com teores foliares de Ca no valor de 28.82 respectivamente. 2009 . Malavolta et al.5 e 29. Outra hipótese para explicar tal situação. onde predomina argila do tipo 1:1 e óxidos hidratados de Fe e Al podendo ainda estes óxidos obstruírem as camadas das argilas 2:1 caso elas estejam presentes nestes solos.3% dos pomares foram classificados como baixos segundo tabela de classificação. pode ser atribuída aos baixos teores de matéria orgânica encontrados nas duas profundidades nestes solos uma vez que. Entretanto. Enxofre Os teores foliares de S para 41 e 59% dos pomares apresentaram-se na faixa adequada e alta. estão com teores de Ca no solo abaixo do nível crítico razão pela qual 91.3% dos pomares estão baixo a muito baixo. 11% médio e apenas 2.

A relação média Ca/Mg foliar encontrada nos pomares estudados foi de 5. na região em estudo. deve-se à participação do Mg no metabolismo do N..2% dos pomares apresentaram teores foliares baixo de Ca associado a 94.3. usando os atuais critérios de diagnose foliar. nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA. 44. valor médio correspondente a 2. 2009 12°39'36"S P solo x P foliar 12°36'0"S GOVERNADOR MANGABEIRA 189 . convém ressaltar que. Cruzamento entre os mapas de P no solo na profundidade de 20-40 cm e P foliar. respectivamente (Tabela 1).0 g kg-1. sendo que. observou que com o aumento nas doses de N houve elevação dos teores de N e Mg foliar. Esse efeito sinérgico.médio registraram maiores teores de Ca nos pomares.500 m 39°9'0"W 39°3'36"W 38°58'12"W Figura 1. de acordo com Baumgartner (1996).20 cm. apenas 5. 2003. Já a relação Ca/Mg no solo apresentou na profundidade de 0 . Uma outra possível razão para explicar os elevados teores de Mg foliar pode estar relacionada com as freqüentes adubações nitrogenadas realizadas na região utilizando as fórmulas 10-10-10. devido aos baixos teores de Mg neste solo. uma vez que o Mg atua na síntese de proteína.68 bem inferior ao valor 10 proposto por Sanchez (1979) para pomares de São Paulo e 18 encontrado por Malavolta et al. não há na literatura indicação de efeitos depressivos do excesso de Mg em condições normais de cultivo. considerada como baixa segundo Guardiola (citado por Vitti et al.1 e 50% dos pomares foram classificados em altos e excessivos. alta 7 a 10 e muito alta. em Alfenas . Vale ressaltar que a baixa relação encontrada nos pomares da região se justifica em razão dos baixos teores de Ca e alto a excessivo teores de Mg. torna-se arriscado tal recomendação. o que induziria à necessidade do uso de calcário calcítico. Magnésio Dos pomares amostrados.9% apresentaram teores de Mg adequados. Entretanto. 1. maior que 10. sugerindo assim a reavaliação das faixas de teores foliares para esse nutriente. Esta observação torna-se importante pois. (1991) após avaliar a composição mineral das folhas de laranjeira por um período de 10 anos. UFRB. v.0 g kg-1 não relacionando a efeitos prejudiciais na planta.250 2.5 . 1996) o qual apresenta ainda como normal a relação entre 4 a 6.MG. sendo comum no estado de São Paulo teores foliares de Mg acima de 5. segundo Malavolta (1980). analisando resposta da adubação N e K em citros em quatro experimentos. 39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S 12°36'0"S MURITIBA 12°39'36"S Muito baixo Muito baixo Baixo Baixo Médio Bom Muito bom Baixo Adequado Baixo Adequado Adequado Adequado Adequado 0 1.1% dos pomares com teores altos a excessivo de Mg. Tópicos em Ciências Agrárias. segundo Koo (1983). 20-08-20 e torta de mamona pois.3. na faixa de 2. A despeito dos elevados teores foliares de Mg encontrados na região. 91.

3% e 8. encontrando 53% dos pomares com teores ótimos e 38.6. 2003. Esta diminuição de disponibilidade do Cu na camada de 20 . apresentam proporcionalmente teores baixos e médios. Considerando o nível crítico de 9. também Valadares (1975) constatou essa diferença encontrando alta correlação entre o teor de Cu e de argila em alguns perfis.500 m Muito baixo Muito Baixo Baixo Baixo Baixo Médio Médio Bom Muito bom 38°58'12"W Figura 1.9% dos mesmos foram classificados como muito baixo.0 mmolc dm-3 para o teor de Mg no solo. 20.1% dos pomares e baixo em apenas 5. v. pela baixa mobilidade deste elemento no solo favorecendo seu acúmulo na superfície.40 cm 2.9% dos pomares estudados foram classificados como baixo. 190 Tópicos em Ciências Agrárias. 76. os quais não observaram teores baixos ou deficientes desse nutriente para os pomares do Estado da Bahia.4% em altos e excessivos.9% dos mesmos (Tabela 3).3% dos pomares amostrados exibem teores médios para a profundidade de 0 .20 e 20 .Os teores de Mg nos solos em 17. estabelecido por Quaggio (1992) e a Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais (1994) conclui-se que. a despeito dos altos a excessivos teores foliares de Mg.40 cm. 64.7. enquanto que na profundidade de 20 . 82. 1.9.6 e 2.1% dos pomares amostrados estão com teor de Mg no solo inferior ao nível crítico citado. para a profundidade de 0-20 cm. 11.40 cm respectivamente.250 2.6. respectivamente (Tabela 2). baixo. 39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S 12°36'0"S MURITIBA K solo 12°39'36"S x K foliar Baixo Adequado Baixo Adequado Alto Adequado Alto Alto Alto 39°9'0"W 39°3'36"W 12°39'36"S 0 1. UFRB.3 e 97. nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA. para a profundidade de 20 . respectivamente. Resultados semelhantes foram encontrados por Coelho & Matos (1991). bom e muito bom.40 cm pode ser explicada. médio. Cobre Os teores foliares de Cu apresentaram-se adequados em 94.20 cm. respectivamente. segundo Karim et al. (1976). 2009 12°36'0"S GOVERNADOR MANGABEIRA . Pela Tabela 4 observa-se que os solos de 88.8 e 5. médio e muito bom. Cruzamento entre os mapas de K no solo na profundidade de 20-40 cm e K foliar. para as camadas de 0 .

. % ... apenas 2...2% dos pomares apresentaram teores baixos de Fe e apenas 2. Classe de teores Nutrientes Deficiente 0 2.. Cu Fe Mn Zn Ferro Percebe-se na Tabela 3 que 91........... 1. Coelho & Matos (1991) classificaram segundo Rodriguez (1979)..... o que é uma característica dos Latossolos onde predominam sesquióxidos de Fe e Al e principalmente as argilas do tipo 1:1 (caulinita).... Considerando a classificação do GPACC (1994). no entanto.39 ..23..13 .. sendo necessário portanto. respectivamente. 2009 12°39'36"S 12°36'0"S ! !X # ! 191 .. mostra que 91..1 5....81 .250 2.9% baixo e 14... v....... a distribuição dos pomares em classe de suficiência mudaria.. Tabela 3. Estas discordâncias possivelmente podem ser explicadas em razão do uso de diferentes tabelas de interpretação uma vez que..7%..6% dos pomares como altos....7 Baixo 5. a classificação encontrada na Tabela 3.. UFRB.34..7 64.......39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S ## # # ! ! # " ! # " ! ! # # ! " GOVERNADOR MANGABEIRA 12°36'0"S # ! X ! ! X ! ! ! ! ! ! MURITIBA 12°39'36"S K solo Baixo ! 23. reavaliar tais tabelas.. 2003..12 Médio # 27.. segundo Malavolta & Prates (1994)....5 35.90 39°9'0"W 39°3'36"W Ca foliar X 21.9 e 5....8 0 Alto 0 0 0 0 Excessivo 0 0 0 0 .4% como adequado.. alto.. Estes resultados não estão de acordo com os encontrados por Coelho & Matos (1991) em levantamento de pomares cítricos na Bahia.....9 91...9 8...38 0 1..9% foram classificados como deficientes e adequados.3 Adequado 94..2% dos pomares Tópicos em Ciências Agrárias..2 26.. nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA....55 .. Observa-se na Tabela 4 que os teores de Fe no solo apresentaram-se altos em 100% dos pomares nas duas profundidades. Freqüência de amostras observadas por classe de teores foliares de micronutrientes em pomares de laranjeira 'Pêra'..27.54 Bom Muito Bom " 34..39..9 64... Distribuição em classes dos teores de K no solo na profundidade de 0-20 cm e Ca foliar (g kg-1) nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA.. que classificaram 86. atingindo 82.500 m 38°58'12"W Figura 3.. 2003.............

.... UFRB. Segundo Raij et al. que os teores de Mn na profundidade de 0-20 cm dos solos de 94.7%.. 192 Tópicos em Ciências Agrárias.. Além disso. possivelmente.7%....8% na faixa de deficiente.... seria o limite superior da classe média correspondente a 5 mg dm-3. Visualiza-se na Tabela 4.1% dos pomares foram classificados como médio.. este antagonismo se fez presente considerando baixa concentração de Mn no solo e alta concentração de Mg nas folhas.. Manganês A distribuição dos pomares em classes de teores foliares...7% dos pomares deficientes. 16.6% e 32. respectivamente..... pode diminuir a absorção de Mg principalmente em solos ácidos e com baixo teor de Ca...4% encontram-se na classe de teores baixo e médio... o que favoreceria a alta disponibilidade de Mn no solo. % . nas duas profundidades.. 2009 ... Considerando que o solo da região em estudo apresenta acidez efetiva alta a muito alta.. Tabela 4... cm ....9 0 100 100 5.6% dos pomares foram classificados como deficiente......8 Médio 88.4 29.. Parâmetros químicos Profundidade ..3% dos pomares foram classificados como deficiente e baixo respectivamente... Entretanto.0 0 0 0 67..4 32....5% e 8. Contrastando com os resultados encontrados neste trabalho.7% e 76.... Tabela 3.. respectivamente.94 mg dm-3 e 1. não se observou nenhum sintoma de deficiência visual de Fe nos pomares....6 8.7% e 35. a pobreza natural destes solos........ Tal constatação reforça o que foi exposto acima quanto à necessidade de rever as faixas de classificação dos teores foliares de Fe para citros.. Freqüência de amostras observadas por classe de teores de micronu-trientes no solo.0 0 0 94.. relação antagônica entre os teores de Mn no solo e Mg foliar onde dos 94. apresentou 64. Coelho & Matos (1991) relataram teor médio de 30. A similaridade existente entre esses dois íons deve-se possivelmente por apresentarem valências iguais. em pomares de laranjeira 'Pêra' nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA. (1997).. originados predominantemente de rochas ácidas. Esta relação antagônica é comumente encontrada na literatura considerando altas concentrações de Mn que..... segundo Mass et al..8 50. raio iônio e grau de hidratação semelhantes. apresentado na tabela de interpretação dos teores.8 ... Cu Fe Mn Zn 0 – 20 20 – 40 0 – 20 20 – 40 0 – 20 20 – 40 0 – 20 20 – 40 Zinco Observando a Tabela 3 percebe-se que 64. baixo e ótimo. muito abaixo do nível crítico sugerido pela referida Tabela. v. a razão para os baixos teores encontrados é..1% dos pomares com teores foliares de Mg alto a excessivo.3 50. o que explica os 64.. 1.5 mg kg-1 e 6.8 8.. daí a possibilidade da absorção de Mg ter sido favorecida pela baixa concentração de Mn e também pela baixa concentração de Ca.. o nível crítico de Mn no solo... 26. (1969).6% dos pomares do levantamento do Estado foram considerados na faixa de ótimo. baixo e adequado...7% dos pomares cítrico do Recôncavo Baiano foram classificados como deficiente enquanto que..... Observa-se na Figura 4. respectivamente.9 0 58... 76.. 2003..apresentaram baixos teores foliares de Fe. enquanto que para a profundidade de 20-40 cm.. estando portanto. os teores médios (2. Classe de teores Baixo 8.12% estão localizados em área com baixos teores de Mn no solo.27 mg dm-3) apresentados em ambas as profundidades nos pomares da região.1 32. 78. 67.. Percebe-se com isto que os 64...8 61..4 Alto 2.

7% deficiente e 35. 32. v. Tópicos em Ciências Agrárias.8% dos pomares estão classificados como baixo. respectivamente. uma vez que. Uma outra possível razão para explicar a deficiência e os baixos teores de Zn nos pomares em estudo pode ser a sua capacidade de adsorção no solo. que apesar dos teores de Zn no solo na camada de 0-20 cm apresentarem 91. a definição de curvas de calibração de análise de solo para calagem e adubação com macro e micronutrientes.4% e 8. Entretanto. contribuindo com isto para o aumento da produtividade. não correlacionando com os teores no solo para a profundidade de 0-20 cm. mostrando com isto maior relação com os teores foliares.250 2.8% foram classificados como baixo. 64. médio e alto nas classes de teores de Zn para as camadas de 0-20 cm. como no solo em estudo predomina óxido de Fe e Al a capacidade de adsorção é alta diminuindo sua disponibilidade. médio e alto. com a experimentação local. Distribuição em classes dos teores de Mn na profundidade de 20-40 e Mg foliar nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA. tendo como conseqüência imediata a revitalização da cultura na região. para a profundidade de 20-40 cm observou-se uma distribuição de 61. 2009 193 . percebe-se que 8.Pela Tabela 4. Aliado a esses fatores soma-se ainda a capacidade diferenciada na absorção de Zn pelas plantas. melhorar os tratos culturais e manejar adequadamente os solos. 1. 2003. Vale ressaltar.3% em nível baixo.4% e 58. que segundo Malavolta (1980) os citros está classificado como pouco eficiente.2% dos pomares classificados como nível médio a alto. na profundidade de 20-40 cm 61. constituindo uma base para elaboração de programas que possibilitem.8% como baixo.500 m 38°58'12"W Figura 4. Os resultados encontrados fornecem um diagnóstico da citricultura regional. 39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S "" " " " " " " # ! " # 12°36'0"S 12°36'0"S " " " # " ## # " " " # GOVERNADOR MANGABEIRA # # # " # # ! MURITIBA # # # 12°39'36"S 12°39'36"S Mn solo Mg foliar Baixo ! Adequado Médio # Alto " Excessivo 39°9'0"W 39°3'36"W 0 1.8%. a adsorção é um fator importante no controle da concentração do elemento na solução do solo. UFRB. os teores na folha permitiram classificar os pomares em.8%. 29. Enquanto que.

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CAPÍTULO 15 VARIABILIDADE ESPACIAL DA CONDUTIVIDADE HIDRÁULICA DO SOLO: CONCEITOS E BASES PARA AVALIAÇÃO José Fernandes de Melo Filho & Paulo Leonel Libardi Tópicos em Ciências Agrárias .

com base na equação (3). Em outras palavras. 1. Piracicaba-SP.K (q)grad f m (q) (2) sendo q a densidade de fluxo da solução.. Filizola et al. Libardi. ft. tanto é que na equação (1). a constante K é um índice que expressa a facilidade com que um meio poroso transporta a água através dos seus poros. E-mail: pllibard@esalq. rebaixamento de lençol freático. ft = fg + fp. Foi Richards (1928) quem definiu um potencial total.br CONDUTIVIDADE HIDRÁULICA DA ÁGUA NO SOLO A condutividade hidráulica do solo foi definida.usp.K (q) grad ft a qual é denominada atualmente de equação de Darcy-Buckingham. para a filtragem e purificação de água para abastecimento urbano da cidade de Dijon. como a constante de proporcionalidade (K) das relações matemáticas resultantes de seus experimentos de movimento vertical de água em colunas de areia. como a soma do potencial mátrico fm (“potencial capilar” de Buckingham) e o potencial gravitacional fz.VARIABILIDADE ESPACIAL DA CONDUTIVIDADE HIDRÁULICA DO SOLO: CONCEITOS E BASES PARA AVALIAÇÃO José Fernandes de Melo Filho1. considerando a notação vetorial. é. pode ser escrita.br. 2009 199 . 1994. (3) A função condutividade hidráulica do solo. 1984. Ambientais e Biológicas/UFRB. K(q). Atento a esta realidade. Freeze.Centro de Ciências Agrárias. a condição mais comum no meio poroso de nosso interesse. 2000). proposta por Buckingham. segundo Libardi (2000): para um meio poroso isotóprico com relação a K. UFRB. numa unidade de tempo. tais como. K(q) a função condutividade hidráulica. Quando se substitui a equação de Darcy-Buckingham (3) na equação da continuidade (4). completamente saturadas. reescrevendo a equação do movimento da solução no solo como: q = . numericamente. A equação de Darcy. fm(q) a função potencial mátrico e q a umidade volumétrica do solo.. como. igual ao volume de água ou solução que atravessa. 1999. controle de erosão e poluição da água (Jones & Wagenet. Tópicos em Ciências Agrárias. movimento de água no interior do perfil do solo. Em conseqüência das condições experimentais de seu trabalho.K grad f t (1) em que q é o vetor densidade de fluxo para qualquer direção no espaço e grad f t o vetor gradiente de potencial total ft de mesma direção mas sentido oposto ao do vetor .edu. Buckingham (1907) teorizou a quantificação do movimento da solução no solo não saturado e a equação. o solo. Jong van Lier & Libardi. 1997. Professor . empiricamente. sendo fg o potencial gravitacional e fp o potencial de pressão. conforme Libardi (2000). a equação de Darcy foi desenvolvida e aplicase para quantificar o movimento de um líquido em condições de saturação. Bolsista do CNPq.Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”/Universidade de São Paulo. q = . E-mail: jfmelo@ufrb. Queiroz et al. uma unidade de área de uma amostra de uma unidade de comprimento de um meio poroso (solo) sob uma diferença unitária de potencial total. No entanto. A equação de Buckingham (1907) apresenta a limitação de ser válida apenas para o movimento da solução no solo na direção horizontal. 1997. Atualmente é um dos principais parâmetros utilizados para estudos agrícolas e do ambiente que envolvem o fluxo de água no solo. 2000. planejamento de sistemas de irrigação e drenagem. também atualizada (Libardi 2000). é a não saturação. por Henry Darcy em 1856. Radcliffe & Rasmussen. Paulo Leonel Libardi2 1 2 Professor . Cruz das Almas-BA. na França. tem a seguinte forma: q = . nutrição de plantas. v.

Ogata & Richards. Gardner. Também assume-se que as condições internas sejam isotérmicas durante o processo. 1996. uma parcela deve ser delimitada no campo e inundada até a saturação. Atingida a condição de saturação. 1969. método do furo do trado e método do perfil instantâneo. 1962. infiltrômetro de tensão. Gardner & Miklich.¶q = -div q . nas condições de campo. Green et al. Libardi. foi determinado por Ogata e Richards (1957). faixa de tensão a ser estudada e objetivo das determinações (Richards & Weeks. UFRB. o mais utilizado é o método do perfil instantâneo. Richards e Weeks (1953) foram. deve ser convenientemente instrumentada para medida da umidade do solo e do potencial mátrico a diversas profundidades do perfil. 1980. 2000) é: ¶f ¶q ¶ æ çK( ) t = q ¶t ¶ zç ¶z è ö ÷ ÷ ø (5) sendo q a umidade (m3 m-3). (1956) em condições de campo.. 1980. Klute & Dirksen. A água contida no perfil redistribui-se pelo processo de drenagem interna e. desde que o lençol freático seja ausente ou esteja bem profundo. ¶t (4) gera-se a equação diferencial geral que rege o movimento da solução em solos isotrópicos com relação a K(q) e conhecida pelo nome de equação de Richards. método das colunas pequenas. Reichardt et al. à medida que este ocorre. É um método que foi inicialmente desenvolvido e testado para condições de laboratório em estudos de drenagem em colunas homogêneas de solo. sendo também aplicável para determinar a condutividade hidráulica de solos não saturados in situ.. integrando-se esta equação com relação à profundidade Z. 2000). 1957. que tem como principal dificuldade a exigência de uma delimitação bem apurada da parcela experimental a fim de que não haja movimento lateral de água. permeâmetro de carga decrescente. De forma geral. devido ao elevado grau de controle das condições experimentais. 2000. Hillel et al. Shouse et al.. Childs. método das condições transientes. entre os limites Z = 0 e Z = Z com as seguintes condições de contorno: Z = 0. procura-se uma solução para a equação de Richards (1928) na direção vertical (equação 5). interrompe-se a infiltração e cobre-se a superfície do solo com uma lona plástica para evitar a evaporação e a entrada de água através da superfície. as medidas são feitas em condições naturais e com perturbação mínima do solo. Um novo aperfeiçoamento ao método. tipo de amostra disponível. Por outro lado. Libardi. Radcliffe & Rasmussen. 2000)... Klute. Libardi et al. 1. experiência e conhecimento do pesquisador. Com este procedimento experimental. provavelmente. Prevedello. t ³ 0. É um método prático que não necessita de equipamentos sofisticados para sua aplicação. qual seja a eliminação do fluxo na superfície do solo com a colocação de uma lona plástica. 1992. suficientemente grande para que os processos em seu centro não sejam afetados pelos seus limites. podem-se citar os seguintes métodos para determinação da condutividade hidráulica dos solos: permeâmetro de carga constante. v. método das colunas grandes. enquanto que Watson (1966) melhorou a técnica para obtenção dos dados tornando o método mais preciso. 1986. 1986. No laboratório é possível atingir um grau de precisão e refinamento muito superior ao campo. Amoozegar & Warrick. Jones & Wagenet. mesmo para perfis heterogêneos. 1986. 1972. Para aplicação do método do perfil instantâneo. t o tempo (horas) e z a coordenada vertical de posição (metros).. Dentre os métodos de campo. K (q) ¶f t =0 ¶z ¶f t >0 ¶z Z = Z. cuja expressão para o fluxo na direção vertical (Libardi. natureza do solo. 1953. t > 0. medidas periódicas de umidade e de potencial mátrico são feitas (Green et al. não obstante o grau de complexidade. 1984. isto é. 1975. Posteriormente foi aperfeiçoado por contribuições de vários autores. 1986. Van Genuchten. 1972. 1956. Existem também os métodos indiretos que tentam quantificar a condutividade hidráulica a partir de outras propriedades do meio poroso cuja determinação seja mais fácil. A escolha do método depende de alguns fatores como disponibilidade de equipamentos. Quantificação da condutividade hidráulica A determinação da condutividade hidráulica do solo pode ser feita por métodos de laboratório e de campo. 2009 . os primeiros pesquisadores a utilizarem a técnica do perfil instantâneo em experimentos de laboratório com utilização de colunas de solo e Richards et al. Esta área. K (q) 200 Tópicos em Ciências Agrárias.

o valor de K(q). o tensiômetro é um equipamento consagrado de medida da tensão ou potencial mátrico da água no solo. em ln K o = ln K q = 0 + bq o Subtraindo a equação (9) da equação (8) tem-se: (9) ln K . Para a medida da umidade. para cálculo da condutividade hidráulica em cada profundidade e para diferentes umidades. evidentemente. isto é. Tópicos em Ciências Agrárias. Para o tempo zero de redistribuição.obtém-se: Z -ò ou. para o tempo zero de redistribuição da água. 1972. como por exemplo. Por meio de medidas simultâneas de umidade e de potencial total ao longo do perfil de solo durante a redistribuição da água. 2000).Z ¶t Z ¶t 0 = ¶f t ¶f t ¶z Z ¶z Z (7) sendo hz (m3 m-2) a armazenagem de água no solo entre a superfície (Z = 0) e a profundidade Z. b o coeficiente angular da reta ln K em função de q e qo e Ko a umidade e a condutividade hidráulica. muito embora tentativas tenham sido feitas para automatizá-lo. UFRB. aproximada para um somatório e ¶q/¶t medida graficamente em pontos particulares no tempo em curvas de q em função de t. ou seja. rearranjando ¶f ¶q dZ = K (q ) t ¶t ¶z 0 Z (6) Z -ò K (q ) Z = ¶h ¶q dZ . 1. Igualmente o mesmo deve ser considerado para determinação do potencial total. Hillel et al.bq o ou (10) æ K lnç çK è O pelo que ö ÷ = b ( -q O ) q ÷ ø (11) K = e b (q -q O ) KO e. como já esclarecido. Estes autores sugerem um roteiro simples para a determinação da função K(q) com base na elaboração de duas tabelas. Libardi. respectivamente. 2000).. A primeira para determinação da densidade de fluxo de água no solo nas diversas profundidades e para diversos tempos a partir da integral da equação (7) com relação a profundidade do solo. a equação (8) transforma-se. sob condições de campo (Or & Wraith. com o tempo. 1981) e o TDR (Smith & Mullins. os valores de K(q) apresentam uma relação exponencial com a umidade (Hillel et al. A segunda tabela. a sonda de nêutrons (Greacen. portanto. 2009 201 . dividindo-se os fluxos q da primeira tabela pelos gradientes de potencial também obtidos graficamente a partir dos perfis de potencial total para os diversos tempos (Libardi. 1991). soma dos potenciais mátrico e gravitacional. determina-se a variação de armazenagem hz com o tempo t e o gradiente de qt ao longo de Z que aparecem na equação (7) e. o tipo tradicional com manômetro de mercúrio ainda é o mais adequado e utilizado para estudos da função K(q). (12) K = Ko e b (q -q o ) (13) sendo. ao longo do perfil é recomendável a utilização de equipamentos não destrutivos. Nesse sentido. então. um gráfico de ln K em função de q dá uma linha reta: ln K = ln K q = 0 + bq (8) sendo b o coeficiente angular da reta e ln Kq = 0 seu coeficiente linear. (1972) simplificaram bastante esta metodologia. Normalmente. 2000) e.ln K o = bq . v. o valor de ln K para q = 0.

estudando a variabilidade espacial de alguns atributos físicos de um Latossolo Roxo. Assim. observaram uma acentuada queda nos valores. Carvalho et al. reconhecida desde o início do século vinte. 1985. UFRB. geralmente ocorre um aumento na densidade do solo e redução da porosidade total. De outra forma. (1986) verificaram a influência do aumento da densidade nas propriedades físicas de dois Latossolos. Desta forma. Neste caso. Silva et al. conseqüentemente. Alvarenga & Davide. estando implícito nesta relação que K(q) é função direta de q e apresenta. 1986. Quanto ao tamanho dos poros. é também acentuada pelas técnicas de manejo do solo decorrentes de seu uso agrícola (Alvarenga & Sousa. Nestes casos. Comegna et al. tendo como base teórica a estatística clássica. Souza et al. Quanto à condutividade hidráulica. 2009 . Silva et al. 1999.. Baseando-se no exame de amostras micromorfológicas. Silva (1988). Libardi. De acordo com Falleiros et al..... Borges et al. (1995). 1972. seguramente. 1997. observaram que o aumento da densidade elevou a percentagem de microporos com conseqüente redução dos macroporos. a condutividade hidráulica é influenciada por todas as propriedades que afetam a distribuição. a qualidade das argilas e a matéria orgânica exercem influência sobre a condutividade hidráulica. portanto. Outros fatores como sistemas de uso. 1997a. Outro fator importante que afeta a condutividade hidráulica é a umidade do solo (q). Na medida em que ocorre no espaço livre do solo. que propriedades do solo como areia. Mata. Eles concluíram que a função K = K(q) possui uma clara tendência de aumentar com a profundidade em conseqüência do efeito do preparo periódico. manejo e erosão. Por esta razão esta é uma das proposições mais utilizadas nos estudos relacionados com a condutividade hidráulica. 1995.. certamente relacionada com a diminuição do espaço poroso que foi constatada. Utilizando amostras compactadas artificialmente. diminuição do teor de matéria orgânica e alterações da estrutura do solo. Dentre as propriedades do solo. a densidade. 1999. também afetam as suas propriedades hídricas e. Oliveira et al. Corrêa. Libardi et al. a condutividade hidráulica. organismos. conferindo-lhe variabilidade espacial elevada. eles concluíram que o desenvolvimento de microestrutura massiva resulta em baixos valores de Ko. (1989) sugerem efeitos do processo de gênese na heterogeneidade e conseqüente variabilidade dos parâmetros hídricos do solo. relevo e tempo) que o torna um sistema dinâmico e variável. Com esta proposição Libardi et al. Variabilidade espacial do solo O solo é um corpo natural e complexo. 1958. 1999). da infiltração e da condutividade hidráulica em relação à condição natural (Centurion & Demattê. Gardner. 1985. argila. afetando a condutividade hidráulica do solo saturado. da ordem de 1 a 2%. Esta heterogeneidade natural.Uma alternativa na técnica do perfil instantâneo é a de se considerar o gradiente de potencial total como unitário. 1907. o tamanho e a forma dos poros.. que interferem nas propriedades físicas do solo. Em ambos os casos verificaram que a compactação alterou a porosidade e a condutividade hidráulica do solo saturado. 1. nos teores de água podem gerar coeficientes de variação superiores a 170% no valor da condutividade hidráulica do solo não saturado. o processo de desenvolvimento do perfil influencia no padrão de porosidade. propriedades do solo como a textura. Souza. densidade do solo e porosidade. eles concluíram que há um decréscimo significativo na condutividade hidráulica do solo saturado com a profundidade e atribuem este fato à estratificação dos horizontes. concluiu. a estrutura. 1992. (1980) simplificaram mais ainda o procedimento para se determinar a função K(q) a partir de medidas de umidade apenas durante o processo de redistribuição. pela remoção da camada superficial. físicas e biológicas do solo. 1980. normalmente. podem acarretar grandes 202 Tópicos em Ciências Agrárias. 2000). Dechen & Vieira (1997) apresentam resultados diferentes das conclusões de Carvalho et al. Porém. as características químicas. (1995) determinaram a condutividade hidráulica de um Latossolo Roxo distrófico (Latosssolo Vermelho (EMBRAPA (1999)) pelo método do perfil instantâneo. Os processos de formação determinam. ao passo que quando o processo resulta em poros de grãos simples e fissurais ocorre exatamente o contrário. apresentaram pequeno coeficiente de variação. (1998) a relação entre K e q é tão sensível que alterações muito pequenas. a condutividade hidráulica está entre aquelas que apresentam maior índice de variabilidade. Bouma et al. Para estes autores. quando analisam o impacto de erosão induzida. Hillel et al. a forma exponencial da equação (13) para valores de q não muito baixos (Buckingham. o autor faz uma importante consideração quando afirma que para os parâmetros físicos do solo influenciados pelas alterações na estrutura a sensibilidade é muito grande. v. pequenas alterações em propriedades como a densidade do solo. 2000). resultante da interação dos seus fatores de formação (material de origem. em atributos físicos e químicos do solo. clima. fundamental para a sustentação das diversas formas de vida no planeta.

observou-se que os erros na condutividade hidráulica são crescentes com a diminuição da umidade e podem subestimá-la em valores compreendidos entre 12 até 73%. sob condições de campo. que não encontraram diferenças significativas quanto ao procedimento de cálculo da condutividade hidráulica do solo saturado. Importante registrar também. em relação a medidas de campo. umidade volumétrica antecedente. Comprovando esta realidade. Souza et al. Porém. b) caracterizar a distribuição das medidas de Ko e sua relação com a variabilidade espacial da textura. podendo tanto subestimar quanto superestimar os valores da função K(q) (Bacchi & Reichardt. quando a drenagem é muito lenta. calibração e equipamentos). primariamente. Ko. quando o gradiente hidráulico é menor que 0. resultados experimentais publicadas por Tópicos em Ciências Agrárias. podendo alcançar valores de até 420% de variação. que medidas de laboratório não podem ser usadas como estimativa de valores de campo para o parâmetro condutividade hidráulica do solo saturado. aqui entendida como condutividade hidráulica. Prevedello et al. Flühler et al.modificações em parâmetros que dela dependam. 1997). Complementando. examinando seus efeitos na estimativa da média. estes autores informam que na faixa úmida os mesmos são responsáveis por 20 a 30% da variação dos valores de K. O autor sugere. 2009 203 . os erros decorrentes e associados aos métodos experimentais (erros de leitura. Neste caso. Reynolds & Zebchuk (1996) realizaram um experimento com os objetivos de: a) comparar um grande número de medidas de condutividade hidráulica calculada pelos métodos do permeâmetro de Guelph e furo de trado. 1988. Neste sentido. as características estatísticas diferiram significativamente e não houve correlação entre os resultados de campo e laboratório. 1. (1994) analisaram a magnitude dos erros envolvidos no cálculo da condutividade hidráulica em função da umidade. como mostram os resultados de Calvache et al. tendo em vista o fenômeno da variabilidade espacial. Os resultados destes autores sugerem também que. De acordo com estes autores a condutividade hidráulica é uma propriedade que apresenta alta variabilidade. enquanto que para a condutividade hidráulica do solo não saturado são bem mais significativos. v. introduzindo erros. Os métodos resultaram em estimativas equivalentes para Ko. o alcance. de acordo com Libardi (1978). devido a alterações nas amostras e ocorrência de fluxo preferencial durante o processo de medida. Warrick & Nielsen (1980) apresentam uma tabela em que registram os níveis de variação de algumas propriedades físicas do solo.. (1976) incluem como fatores de variação da condutividade hidráulica do solo não saturado. Comegna et al. os diversos procedimentos de cálculo também devem ser registrados como importantes fontes de variação da condutividade hidráulica. Neste caso. a magnitude e a estrutura da variabilidade da condutividade hidráulica do solo saturado foram controlados.3 mbar cm-1. enquanto que os erros de medida da umidade são dominantes durante o processo de secagem do solo. Seus resultados mostram que as determinações de laboratório podem superestimar os valores de Ko. da variância e na distribuição deste parâmetro hídrico para um mesmo solo. De forma semelhante. Porém. o uso de simplificações para o cálculo da função K(q). Maheshwari (1997) constatou diferenças entre valores de Ko em estudo de comparação das inter-relações entre parâmetros físicos e hidráulicos do solo. 1996) mesmo quando a variabilidade é simplificada em função da aplicação de técnicas e conceitos como o “scaling” (Mallants et al. então. pode ser vantajoso. logicamente em função da maior macroporosidade apresentada por este horizonte. tipo distribuição de poros e retenção e movimentação de água. pois permite a substituição de métodos mais precisos por outros mais simples e que possibilitem a obtenção de um maior número de medidas. que o método de determinação pode ser fator de variação da condutividade hidráulica para um mesmo solo. experimentais. Informam também que os erros originados da leitura dos tensiômetros são mais importantes que outros e ocorrem no início do proces-so de drenagem. Associados aos métodos. Este autor comparou valores de Ko. Estudando a propagação desses erros na determinação da condutividade hidráulica pelo método do perfil instantâneo. em relação à textura. UFRB. conteúdo de matéria orgânica e superfície topográfica de um solo de textura argilosa. Seus dados mostram que a condutividade hidráulica do solo saturado pode apresentar até 190% de variação. sistemáticos. deve-se ressaltar que esta não é uma regra geral. O resultado da influência de todo este conjunto de fatores e suas relações é tornar a condutividade hidráulica do solo uma das suas propriedades com maior índice de variabilidade espacial e temporal. As conclusões de Maheshwari (1997) são confirmadas por Banton (1993). (1995). quando se adota o uso de simplificações metodológicas como o gradiente de potencial total unitário. Nos três casos analisados a condutividade hidráulica foi maior no horizonte Ap. (1997b) verificaram a influência conjunta da gradagem e matéria orgânica na distribuição de poros de um horizonte Ap para três diferentes solos e seus reflexos na condutividade hidráulica em relação aos horizontes mais profundos. medida pelo método do furo do trado. pelo grau de desenvolvimento e estabilidade da estrutura do solo no campo. conteúdo de matéria orgânica e superfície topográfica. tendo em vista os resultados de Queiroz et al. (1997). cuja magnitude de variação foi dez vezes maior do que no método de campo. determinados por métodos de laboratório e campo.

a variabilidade espacial da condutividade hidráulica de um Latossolo Vermelho-Amarelo (Latossolo Vermelho (EMBRAPA (1999)). o conhecimento da variabilidade espacial das características do solo tem importância significativa para o correto uso deste recurso natural. Warrick & Nielsen (1980) sugerem que os estudos e avaliações sobre a variabilidade dos solos devem contemplar os padrões e freqüências de distribuição e estrutura da variabilidade. Ao contrário de Jong van Lier & Libardi (1999) e Anderson & Cassel (1986).Anderson & Cassel (1986) indicam que a condutividade hidráulica do solo pode variar de 130 até 3. Assim. Estes níveis de variação indicam que a utilização e extrapolação de valores médios. Resultados de Jong van Lier & Libardi (1999) também mostram que o valor da condutividade hidráulica do solo saturado. Os mesmos autores.000 m2. cujos resultados poderão ser utilizados com grande confiança. como a condutividade hidráulica. (1995) compararam dois procedimentos para determinação das relações K(q). Calvache et al. Sugerem a comparação entre solos. afirmam que a relação entre K versus q. relativos à condutividade hidráulica. uma vez que ela afeta as amostragens para fins de avaliações químicas. da escala de observação (Seyfried. locais e métodos de análise para todos os parâmetros possíveis. textura média. a partir de grupos multidisciplinares e com o uso da expressiva base de dados já existente. Utilizando o método do perfil instantâneo em cinco parcelas distribuídas em uma área de 10. Complementando esta última informação. pode-se alcançar a solução dos problemas contemporâneos. diminuindo significativamente em profundidade. para este parâmetro hidráulico em suas aplicações agrícolas. em uma área de 1. afirmam que “a variabilidade dos parâmetros físicos do solo pode ser integrada para responder às crescentes questões sobre problemas específicos que permitam escolher os melhores sistemas de manejo”.000 m2 de um Typic Haplustoll eles concluíram que o ponto crítico das estimativas de K estão nos valores de Ko. Neste experimento os valores de g (correspondente ao b da equação 13) e Ko mostraram-se muito variáveis. (1980) outras informações interessantes sobre a variabilidade da condutividade hidráulica do solo não saturado. afirmam Nielsen et al. cuja variação pode chegar a 150%. 2009 . portanto. (1973) e Cadima et al. Estes autores conduziram um experimento para medir a variabilidade dos parâmetros da equação exponencial que relaciona a condutividade hidráulica com a umidade do solo.300%. enquanto o Ko variou de 10-8 m2 h-1 kPa-1 a 102 m2 h-1 kPa-1. Eles concluíram que a variabilidade é mais acentuada nas camadas superficiais. (1980). geram erros cuja ordem de grandeza são significativamente elevadas. com equilíbrio entre o econômico e o técnico. principalmente para as camadas superficiais. 1998). Finalizando. com doze pontos de observação. Uma análise mais apurada permite identificar nos resultados de Cadima et al. atingindo valores extremamente baixos aos quarenta dias de experimento. (1994) indicam que a dependência espacial da função K(q) pode alcançar valores acima de 30 metros. Ko. Neste caso. 1. resultantes de observações experimentais de campo em estudos de dinâmica da água no solo. evidenciando que os problemas na determinação da função K(q) e suas aplicações em estudos hidrológicos devem considerar essa característica. gerando informações científicas mais claras e precisamente analisadas. v. os valores de condutividade hidráulica diminuíram bruscamente nas primeiras vinte e quatro horas após a interrupção da infiltração. físicas e biológicas. Anderson & Cassel (1986) indicam que somente existe autocorrelação para propriedades como a condutividade hidráulica em distâncias menores que 2. Também constataram que a variabilidade temporal é muito significativa nas camadas superiores do perfil. UFRB. é a principal causa de variabilidade nas relações matemáticas entre K e q. Por isso. Avaliação da variabilidade espacial De acordo com Berg & Klamt (1997). em nove profundidades. conseqüentemente. Estes autores analisaram. para o levantamento e a classificação. quando determinada pelo método do perfil instantâneo. Verificaram também uma variação muito maior dos valores de g nas camadas superficiais. Para o g. de uma Terra Roxa Estruturada Latossólica (Nitossolo (EMBRAPA (1999)). Por sua vez. não representa uma área muito maior do que àquela onde o método foi aplicado. utilizando o método do perfil instantâneo. o mapeamento e aplicação de técnicas para o manejo e a recuperação dos solos. Como se trata de um meio naturalmente descontínuo. o planejamento da amostragem deve considerar este fato. resultados de vários estudos apresentados por Iwata et al. resultando em valores de K(q) com até 100% de variabilidade. indicando o número mais representativo de amostras.5 metros e. segundo Grossi Sad (1986) estabeleceu-se que a quantificação da variabilidade de um certo atributo medido neste corpo geológico deve ser feita por meio de técnicas estatísticas. sob condições de campo. Jong van Lier & Libardi (1999). 204 Tópicos em Ciências Agrárias. quando for necessária a obtenção de amostras independentes para investigar propriedades físicas do solo. a variação foi da ordem de 200 a 6000 em uma mesma profundidade. o conceito de homogeneidade para os solos e suas características tem uma aplicação relativa e depende.

bem como o alcance de cada amostragem. 1996b. o qual deve apresentar um pequeno desvio padrão. (1986). Considerando que a estrutura da variabilidade espacial das propriedades hídricas do solo é caracterizada por uma escala integral. influenciando significativamente o desenvolvimento do solo. a definição de uniformidade e heterogeneidade do solo depende de um Volume Elementar Representativo (VER). obtidas pelas técnicas de sensoriamento remoto. por sua vez. mas que. a aplicação de técnicas mais refinadas para quantificar precisamente algumas de suas propriedades no campo. existem levantamentos de solos com escala suficiente para identificar até dez unidades de mapeamento por propriedade rural. é indispensável ao estudo e pode ser encontrado. (1973). Raice & Bowman... Vieira et al. O processo de amostragem discreto requer a coleta de amostras em locais predeterminados e usa técnicas invasivas de obtenção. quanto aquela que ocorre em pequenas distâncias têm sido extensivamente descritas e classificadas. dentre as quais a condutividade hidráulica (Cogels. esses autores também indicam que é difícil atribuir uma escala mais precisa para estudos de variabilidade de parâmetros físicos do solo. como nos EUA. Como exemplo desta técnica.. portanto. 1988). retratar a estrutura da variabilidade espacial e ser adequado para a operacionalização do método de medida.1988. pois. Vários trabalhos foram realizados com o objetivo de determinar o VER para as diversas propriedades físicas do solo. Bouma et al. tal o patamar de detalhamento alcançado. conseqüentemente. para efeito de classificação e mapeamento. Vieira (2000). sua descrição estatística deve considerar a estrutura da variabilidade espacial.. evidentemente. UFRB. Para tanto. a geoestatística é uma ferramenta de análise de amostragem regionalizada. 2000). tanto a variação em grande escala. em minúcias. 1989. Detalhamentos dos princípios básicos. por exemplo. v. em Nielsen et al. um valor considerado representativo para toda uma região no espaço. os autores relatam que cada parâmetro hídrico pode ser caracterizado estatisticamente por uma função de probabilidade independentemente da sua posição espacial e por uma função de autocorrelação que depende somente do valor da distância que separa dois pontos no campo. 1997. podendo ser representada por funções numéricas ordinárias que assumem um valor definido em cada ponto e descreve. Desta maneira somente uma parte da população é observada e as suas características são inferidas por meio de técnicas estatísticas. 1999. mesmo os mapeamentos mais detalhados não são suficientes para expressar e descrever. um fenômeno natural qualquer. (1997). a medida de uma determinada propriedade do solo é feita em toda abrangência da área de interesse no campo. muito embora a zona de influência das propriedades físicas tenha sido fortemente dependente da distância entre as amostras. Portanto. (1985). Não raro. o espaço para o qual cada valor é representativo. 1983. Lauren et al. A obtenção dos materiais de solo para quantificação da variabilidade pode ser feita utilizando amostras contínuas ou discretas..Miyazaki (1993) também considera que a heterogeneidade do solo é função de uma escala. No processo de amostragem contínuo. textura e temperatura. variam em resposta a variações regionais de clima e material de origem. Wendroth et al. Neste trabalho os autores mostram que as técnicas da estatística tradicional e da geoestatística são complementares e que a Tópicos em Ciências Agrárias. Sousa et al. (1983). Em escala macro. A variável regionalizada possui. Russo & Bresler (1981) afirmam que as propriedades hídricas do solo não variam aleatoriamente no campo e que. o qual preferimos suprimir neste trabalho. matematicamente. 1. os padrões de variação das propriedades do solo ao nível de parcela no campo (Mulla & McBratney. que explicitam o nível de dependência espacial. Couto & Klamt. afetam o transporte e o armazenamento de água no perfil. que descreve a dependência e a variabilidade espacial de uma variável a partir de correlogramas e semivariogramas. a variabilidade das propriedades do solo é causada por pequenas mudanças na topografia que. 2009 205 . Mulla & McBratney. Trangmar et al. No entanto. Uma revisão importante sobre o tema variabilidade espacial de solos foi feita por Reichardt et al. Mulla & McBratney (2000) citam a determinação da condutividade elétrica do solo com o uso do sensor de indução eletromagnética “Geonics EM38”. Warrick & Nielsen (1980). Rodrigues & Zimback. Gajem et al. No campo. 2000). (1981) estudaram a dependência e a estrutura espacial para onze propriedades físicas de um Typic Torrifluvent no Arizona e verificaram que foi difícil realizar generalizações. usam-se fotografias aéreas ou imagens de satélite. conteúdo de água. visto que medidas de propriedades como densidade do solo. as propriedades do solo na paisagem. Vieira (1997). dependem do elemento de volume ou tamanho da amostra. Este conceito possibilitou a interpretação precisa de resultados experimentais relativos a muitas propriedades químicas e físicas do solo (Cambardella et al. Gonçalves et al. que representa a distância na qual determinado parâmetro está correlacionado com seu par e. 1994. Neste caso o procedimento de amostragem não precisa de planejamento prévio e elimina a interpolação entre as medidas. Das técnicas estatísticas aplicadas ao estudo da variabilidade dos solos. Porém. Ao nível de série. em muitos locais do planeta. potencial mátrico. pois. aspectos e requerimentos para o cálculo das diversas funções da geoestatística e suas aplicações no estudo da variabilidade das propriedades físicas do solo exigiriam o desenvolvimento de um formulário muito extenso neste ponto. 1997. conferindo-lhes características diagnósticas que possibilitam a sua individualização como corpos naturais homogêneos ao nível de ordem. Discordando de Russo & Bresler (1981). sendo necessário.

Gomes (1987). Silva (1988) realizou um experimento com o objetivo de comparar a estatística clássica com a geoestatística em relação à quantificação da variabilidade dos atributos físicos do solo. Miyazaki (1993) e Mulla & McBratney (2000).geoestatística possibilita a obtenção de respostas que os métodos tradicionais não conseguem fornecer. A mediana é o valor do meio ou a média aritmética dos dois valores centrais. que é a raiz quadrada da variância (s2). Neste caso a amostragem é feita de forma inteiramente casualizada e sem considerar a posição relativa de cada variável no espaço. nas condições de seu experimento. Nos estudos de variabilidade os parâmetros estatísticos considerados pela estatística clássica são a média. Mata (1997) afirma que a geoestatística o permitiu chegar a conclusões que passariam despercebidas caso fosse utilizada somente as ferramentas “tradicionais” ou estatística clássica. O desvio padrão indica a heterogeneidade do conjunto de dados em estudo. o desvio padrão tem a vantagem de apresentar a variabilidade dos dados na unidade de medida original. Ao contrário. 1. a distribuição da freqüência dos dados. (1998). a variância. Também assume-se que as amostras são completamente independentes entre si. Desvios grandes indicam dados heterogêneos e com elevada dispersão de seus elementos. 1999). dentre outras. A moda é o valor que ocorre com a maior freqüência. 1999). também é muito usada para examinar aspectos de variabilidade espacial dos parâmetros físicos do solo. Estes métodos estatísticos foram desenvolvidos a partir do ano de 1919. a mediana. Banzato & Kronka (1995). Porém a utilização do desvio padrão para comparação de duas variáveis diferentes é inadequada. o desvio padrão. Segundo Libardi et al. Como não conseguiu. Neste caso torna-se necessário uma medida relativa da variabilidade. quando Ronald A. este autor considera que a geoestatística não encerra todas as dificuldades para estudos de variabilidade espacial. confirmando as conclusões de Reichardt et al. a média representa apenas uma estimativa do valor correto da amostra. textura e densidade de uma Terra Roxa Estruturada (Nitossolo (EMBRAPA. A média e o desvio padrão são duas características chaves para a análise inicial da variabilidade de uma população. Outros autores discutem diretamente a aplicação destes conhecimentos ao estudo da variabilidade dos solos. Levine et al. Fischer assumiu a direção do Departamento de Estatística da Estação Experimental de Rothampstead em Londres e passou a buscar métodos matemáticos que lhe possibilitasse obter conclusões sobre vários fenômenos experimentais. Não obstante a reconhecida eficiência da geoestatística como ferramenta para análises relacionadas com a variabilidade espacial. freqüentemente referida como estatística clássica.1 i =1 s= (15) Na prática. A média é considerada uma medida de posição ou medida de tendência central e sua estimativa é dada pela seguinte expressão matemática: X= 1 N å Xi N i =1 (14) sendo N o número de medidas consideradas e Xi o valor de cada medida em análise. desvios pequenos indicam mais homogeneidade dos dados e conseqüentemente pequena dispersão. identificar a estrutura da variabilidade. muito embora seja uma importante ferramenta auxiliar. O modelo matemático para calcular o desvio padrão é: 2 1 N å (X i . a moda. Gomes (1987b). Reichardt et al. (1986) quando aplicaram as funções da teoria das variáveis regionalizadas para avaliar a magnitude da variabilidade espacial da umidade. Souza (1992). A média fornece uma idéia do conjunto de dados porém não permite avaliar a sua dispersão. uma maneira sofisticada. tal qual o coeficiente de variação. recomendável como estatística de avaliação da variabilidade. visto que as unidades de medida também são diferentes. a estatística não espacial. Tais estimativas são mais confiáveis à medida que se aumenta o número de observações. A base teórica e detalhamento dos métodos estatísticos clássicos estão amplamente descritos em Spiegel (1968). No entanto. Mais crítico e considerando que os métodos estatísticos diferem basicamente na forma de avaliar a variabilidade dos dados. densidade do solo e curva de retenção de água em um Latossolo Roxo (Latossolo Vermelho (EMBRAPA. (1986). dentre os quais podem ser citados Warrick & Nielsen (1980). (1996). 206 Tópicos em Ciências Agrárias. sendo. textura. Para tanto. UFRB. é a estimativa do desvio padrão (s). v. (1986). a assimetria. densidade dos sólidos. conforme verificaram Libardi et al. a curtose e os intervalos de confiança para as estimativas dos dados. mas de tratamento matemático muito simples e de propriedades sempre convincentes.X ) N . 2009 . desta forma. em uma seqüência ordenada de dados. o coeficiente de variação.

15%. Para medidas de dispersão normalizadas em torno de uma média o CV é estimado pela expressão: æ sö CV = ç ÷ 100 èXø (16) O CV é. Por exemplo Warrick & Nielsen (1980) classificaram a variabilidade das propriedades do solo.5s 2 ) (17) A dispersão de uma distribuição de freqüência normal em torno da média é uma importante medida da variabilidade da população amostrada. Existem diversos métodos para identificar qual o tipo de distribuição de um conjunto de dados. No caso da distribuição lognormal. 1993. Neste caso. em três níveis: Baixa variação (CV < 12%).35% e > 36%. as distribuições de freqüências assimétricas devem ser normalizadas. no qual valores de 0 . Banton. Moraes (1991) e Beiguelman (1994) detalham o método dos momentos estatísticos. 1980. condutividade hidráulica (Libardi et al. informando que é um dos mais utilizados para este propósito e Libardi et al. v. um número abstrato e relativo. como teores de areia e argila. Uma distribuição assimétrica muito comum é a log-normal. se a população varia pouco. geralmente log-normal. areia e argila (Vieira. A freqüência de distribuição corresponde a um arranjo tabular dos dados por classes. As curvas de freqüência aparecem. Schaap & Leij (1998) e Comegna et al. para o coeficiente de variação. expressa pelo coeficiente de variação. Diante das questões econômicas. Podem ter distribuição normal ou não. ao contrário. Guerra (1988) cita os testes não paramétricos de KolmogorovSmirnov e Chi-Quadrado. contribuindo para definir de maneira mais completa a sua variabilidade. A curva de distribuição de freqüência para uma população com alta variabilidade apresenta-se relativamente larga e ampla. dispersões e a probabilidade de um dado valor ocorrer entre limites especificados. 1. (2000). Estes padrões de distribuição também foram encontrados por vários pesquisadores. recomendando desde dezenas até milhares de amostras.. Reynolds & Zebchuk (1996). enquanto outras. Propriedades do solo com CV elevado são mais variáveis que aquelas com baixo valor de CV. sob diversas formas características. Quando a freqüência de distribuição é normal. juntamente com as freqüências correspondentes. Mulla & McBratney (2000) citam outro esquema de classificação bem mais rigoroso. 16 . Considerando que a distribuição normal é uma exigência básica para análise de dados pelos métodos da estatística clássica.O coeficiente de variação é um número que representa o desvio padrão em percentagem da média. indicam pequena. “box-plot” e ramos e folhas. (1986). média (12% < CV < 80%) e alta (CV > 80%). como realizar este processo? Esta etapa do estudo da variabilidade deve começar a partir de um planejamento de amostragem capaz de fornecer as bases para uma precisa identificação dos padrões da variabilidade espacial da propriedade em estudo. sendo simétrica ou assimétrica em relação à média. O Tópicos em Ciências Agrárias. Esta função permite calcular médias. 1996). (1973) provavelmente os primeiros autores a verificarem que as propriedades do solo obedecem a diferentes padrões de distribuição. Warrick & Nielsen (1980) sugerem um método gráfico como sendo uma das maneiras mais fáceis. média e alta variabilidade. existe até proposições de uma classificação para identificar a extensão da variabilidade das propriedades do solo com base no seu coeficiente de variação. UFRB. a mediana e a moda são iguais. 2009 207 . respectivamente. seguem distribuição assimétrica. apresentam uma distribuição normal. Segundo Reichardt et al. na prática. Logsdon & Jaynes. Informações complementares aos momentos estatísticos já descritos podem ser obtidas pela caracterização da freqüência de distribuição dos parâmetros medidos. de tempo e praticidade. a curva tem aspecto estreito e muitos dos seus valores estarão bem próximos da média e mediana. a média. Em estudos de variabilidade uma pergunta a ser respondida é: quantas amostras devem ser obtidas para representar adequadamente uma propriedade ou característica do solo diante de sua inerente variabilidade espacial? Os estudos disponíveis apresentam as mais diversas proposições. 1997). pois. isto é feito calculando-se o logaritmo natural do dado observado. Por outro lado. como a condutividade hidráulica. que indica a precisão dos dados e possibilita a comparação racional entre valores diferentes. Jones (1969) propõe a utilização de tabelas relacionando os valores de assimetria e curtose para testar a normalidade de um conjunto de dados com base na teoria estatística dos testes de hipótese. Quando isto ocorre o valor da mediana é maior que a moda e menor que a média. Nos outros casos são diferentes. (1996) demonstram as verificações da normalidade para os métodos do gráfico de Henry. Exemplos de aplicações em que o logaritmo é usado para normalizar a distribuição dos dados aparecem em estudos das propriedades hídricas do solo realizados por Sisson & Wierenga (1981). De acordo com os autores muitas propriedades do solo. A média (m) e a variância (s2) da distribuição do logaritmo transformado podem ser usadas para estimar a média aritmética dos dados não transformados usando a seguinte expressão: X = exp(m + 0.. foram Nielsen et al.

Para tanto. Para aplicação do conceito de estabilidade temporal a um conjunto de dados é necessário que duas condições sejam atendidas. Para o autor isso representa um avanço em relação às outras metodologias tradicionais. posições que representam as médias dessas variáveis em qualquer tempo e que as posições identificadas como estáveis no tempo podem ser usadas para estimativa de q e fm com razoável precisão e representatividade. Para o caso de parâmetros cujas amostras são independentes e apresentam distribuição normal. No entanto. Melo Filho (2002) também aplicou a técnica da estabilidade temporal em medidas do teor de água (q) e potencial mátrico da água no solo (fm) e verificou que a existência da estabilidade temporal para teor e potencial mátrico da água no solo. esse número pode alcançar valores impraticáveis de até 26. desde que N não é conhecido. possibilita identificar. conforme bem explicitaram Wesenbeeck et al. em qualquer tempo. com a precisão desejada. Com base em estudos de conteúdo de água no solo esses autores introduziram o conceito de estabilidade temporal. na medida em que o teor de água em um local mais úmido no solo tende a se manter assim em qualquer tempo. Este incremento do número de amostras necessárias é estimado calculando-se o número de observações independentes para a população. no método do perfil instantâneo para determinação da condutividade hidráulica. Em seu trabalho os autores constataram a persistência das distribuições espaciais da umidade e a possibilidade de identificar locais de amostragem cujos valores permitam estimar a média geral da umidade em uma área. que é utilizado como uma ferramenta estatística para indicar o grau de concordância da variabilidade espacial obtida em diferentes tempos. 1986).000 amostras para estimativa da média com razoável precisão (Anderson & Cassel. Sendo assim. s é uma estimativa preliminar do desvio padrão da população. d é o desvio padrão desejado da população em relação à média. v. A primeira técnica é o teste de correlação de Spearman (Campos. no campo. para um determinado tempo. a seguinte fórmula é muito utilizada para estimar o número (N) de pontos amostrais necessários para calcular. 2000). A primeira condição requer. Normalmente o número de amostras que resulta da aplicação das metodologias tradicionais é muito grande. Percebendo esta dificuldade prática para a obtenção de médias representativas. 2009 . 1983). (1988). Neste caso. Para analisar a estabilidade temporal Vachaud et al. um número suficiente de observações para obtenção de seus parâmetros estatísticos clássicos. o coeficiente de correlação de Spearman (r) possibilita verificar a existência da estabilidade temporal. o número de graus de liberdade necessários para a estimativa de t também não é.número ótimo de amostras a ser coletado depende da variabilidade da população. durante o tempo de redistribuição da água. do custo das análises e disponibilidade dos equipamentos de laboratório. é necessário um grande número de amostras para estimar a média. sempre assume-se que o tamanho da amostra (N) é suficiente para tal objetivo (Mulla & McBratney. Vachaud et al. na qual o denominador refere-se ao número equivalente de amostras independentes. UFRB. Na segunda condição deve ser possível associar a cada posição ou local o seu valor estatístico de densidade de probabilidade de distribuição normal. quando a correlação espacial existe. o valor da sua média. Gonçalves et al. Os mesmos Mulla & McBratney (2000) afirmam que o modelo matemático para calcular o número de amostras de populações para as quais a variabilidade espacial é considerada. possibilitando a análise dos 208 Tópicos em Ciências Agrárias. do intervalo de confiança da média populacional. (1985) sugerem o cálculo das diferenças relativas e seus respectivos desvios padrões. o que nem sempre é correto. o verdadeiro número de amostras para estimar a média é dado pela relação N2 / N*. 1. difere da equação (18). Vachaud et al. (1985) propõem duas técnicas. como para a condutividade hidráulica do solo saturado. (1985) quando estudaram a estabilidade temporal da distribuição espacial da umidade no solo em uma área irrigada. (1985) propuseram uma metodologia capaz de reduzir o número de observações requeridas para caracterizar uma propriedade física do solo. t 2 x s2 N= d2 (18) em que t é o valor tabulado de Student para o nível de confiança estabelecido. Tal conceito pode ser definido como resultante da associação invariável no tempo entre a localização espacial e as medidas estatísticas que caracterizam uma dada propriedade do solo. Na prática. Na teoria. Existem na literatura proposições que permitem estimar o verdadeiro valor de N a partir do cálculo interativo de valores estimados do próprio N e seus correspondentes graus de liberdade para t. Para a umidade do solo este conceito foi comprovado. Em alguns casos. na medida em que possibilita a redução do número de amostras necessárias para estimar uma média representativa com elevada precisão e reduzido esforço amostral. do nível de precisão desejado para estimar a média da população. notadamente para os casos de propriedades do solo com grande variabilidade. (1999a) comprovaram o conceito de Vachaud et al. sendo aconselhável a identificação de mais de um local de medida para ampliar a representatividade da amostragem. mas não identifica os locais em que as medidas possam ser feitas para representar a média da variável em estudo para qualquer tempo e valor.

que possibilita a estimativa da distribuição amostral de estatísticas de interesse. Aplicações da técnica “bootstrap” ao estudo da variabilidade de parâmetros hídricos do solo são encontradas nos trabalhos de Dane et al. em que cada observação de uma população tem a mesma probabilidade de ser incluída na amostra. Resumindo. cj a determinação média para todas as posições. uma observação pode ser escolhida mais de uma vez. o “bootstrap” foi importante ferramenta de apoio para o desenvolvimento de um sistema de modelagem para calcular propriedades Tópicos em Ciências Agrárias. recente. O “bootstrap” é uma delas. Concluíram que a armazenagem de água em um determinado local resulta da ocorrência de um conjunto de processos hidrológicos que operam em diferentes escalas espaciais e então. 2000). em faixas e amostragem geoestatística (Mulla & McBratney.. Sua desvantagem é ser um processo trabalhoso e complexo. ecologia. desenvolvida para realizar inferências estatísticas de uma amostra populacional. para evitar erros de amostragem é necessário um rigoroso planejamento estatístico juntamente com a aplicação de técnicas adequadas. Do mesmo modo Melo Filho et al. 2000. (1986) e Hendrickx & Wierenga (1990). tendo como base dados de uma amostra ou população. De acordo com Vachaud et al. 1993. estratificada ao acaso. Concluíram que as estimativas de amostragem utilizando o “bootstrap” difere do método convencional e como a mesma independe da distribuição dos dados e não é afetada pela presença de “outliers” pode ser utilizada para estimar tamanho de amostras com precisão e eficiência. a composição e o volume da amostra. genética. enquanto que no método sem reposição a observação só pode ser escolhida uma vez em cada reamostragem.c j cj 100 (19) sendo: DR (%) a diferença relativa entre uma determinação individual para um local e tempo e a estimativa da média. (1985) o cálculo das diferenças relativas pode ser feito utilizando-se a seguinte equação: DR(% ) = c ij . escrito por Rudolph Erich Raspe no século dezoito. incluindo física de solos (Efron & Tibshirani. tipo e profundidade de cultivo e principalmente das condições de solo (seco. baseado na técnica da substituição. Venkovsky et al. úmido. ao acaso. 1. v. como economia. atribuída ao Barão de Munchausen.. cij a determinação no local i no tempo j. No primeiro caso. Este processo pode ser feito com ou sem reposição. Igualdades ou pequenas variações da diferença relativa entre posições ao longo do tempo indicam estabilidade temporal. As mesmas. (1985). Utilizando-se esta técnica é possível realizar comparações estatísticas em áreas diversas do conhecimento científico. Várias estratégias para determinar a distribuição espacial dos pontos a serem amostrados foram desenvolvidas. (1985). Outras considerações adicionais ao número de amostras incluem a profundidade. Uma das formas para se obter amostras representativas é a reamostragem aleatória. o tipo de equipamento usado para coleta. Estes pesquisadores utilizaram o “bootstrap” em associação com funções do tipo “neural networks” para desenvolver esquemas de modelagem para o cálculo e estimativas da curva de retenção e condutividade hidráulica em condições de saturação e não saturação. Kachanoski & De Jong (1988) aplicaram o conceito de estabilidade temporal como definido por Vachaud et al. Na realidade o “bootstrap” é um procedimento computacional intensivo de reamostragem. Para superar esta limitação técnica. Segundo seus resultados. na medida em que se pode obter um número muito grande de amostras. Chung et al. demonstraram que análises de coerência espacial poderiam ser usadas para examinar a estabilidade temporal como uma função da escala espacial de qualquer variável do solo. a profundidade é dependente de muitos outros fatores como o tipo de propriedade a ser medida. Suas conclusões significaram um avanço e ao mesmo tempo simplificaram a proposta de Vachaud et al. O tempo ou período de amostragem é particularmente importante quando se medem variáveis temporais. 2000). no momento j. sistemática. Amador et al. Outro exemplo da aplicação da técnica “bootstrap” para estudo de propriedades hídricas do solo é o trabalho de Schaap & Leij (1998). quando ordenadas e plotadas em um gráfico. O método de reamostragem com reposição é mais vantajoso porque torna a população teoricamente infinita. possibilitam identificar os pontos cujos valores sempre estejam próximos da média e possam ser utilizados como referência amostral. 1997.desvios entre os valores observados individualmente e a média deles. 1996. Jhun & Jeong. como teor de água e condutividade hidráulica do solo. compactado). O “bootstrap” é uma técnica computacional.. Por outro lado. biologia e agronomia. UFRB. medidos espacialmente. no livro sobre suas aventuras. (2003) aplicaram e técnica “bootstrap” em um conjunto de dados de umidade e potencial mátrico da água no solo para o desenvolvimento de um método capaz de determinar o número mínimo de amostras necessárias para estimar a média de uma população a partir de um determinado grau de precisão. O uso do termo “bootstrap” tem origem na frase 'to pull oneself up by one's bootstrap'. estratificada sistemática. foram desenvolvidas poderosas metodologias de amostragem com base em programas de computador. o tempo. 2009 209 . entre as quais pode-se citar amostragem dirigida.

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CAPÍTULO 16 EVAPOTRANSPIRAÇÃO Francisco Adriano de Carvalho Pereira. Vital Pedro da Silva Paz & Greice Ximena Santos de Oliveira Tópicos em Ciências Agrárias . Áureo Silva de Oliveira.

principalmente. deveria ser baixa e de altura uniforme. Devido à grande diversidade de termos existentes na literatura. E-mail: fadriano@ufrb. Desta maneira. como a fotossíntese e a fosforilação oxidativa. pode-se verificar que a definição de evapotranspiração de referência coincide com a evapotranspiração potencial (ETP). Posteriormente. sendo a grama tomada como padrão. sem imposição de qualquer condição Tópicos em Ciências Agrárias. participando como constituinte do protoplasma celular em proporções que podem alcançar 95% do seu peso total. na forma de vapor. No protoplasma. com área tampão de 100 m aproximadamente. as plantas transferem aproximadamente 98% da água retirada do solo para a atmosfera. O termo evapotranspiração potencial (ETp) foi introduzido na literatura especializada por Thornthwaite (1948). o consumo de água pelas plantas normalmente se refere à água transferida para a atmosfera pelos processos de evaporação da superfície do solo e pela transpiração das plantas. poder refletor (albedo) de 23% e resistência do dossel ao transporte de vapor d'água de 69 sm-1.12 m. que os valores obtidos com a utilização da cultura da alfafa podem diferir substancialmente dos encontrados com a grama. diferenciando-se unicamente quanto ao tipo de superfície evaporante.edu. em crescimento ativo. os processos da evaporação e da transpiração são muito parecidos. no qual a água passa da fase líquida para a fase de vapor. em crescimento ativo e cobrindo totalmente a superfície do terreno. com altura de 0. utilizando os conceitos propostos por Thornthwaite aplicando-os à cultura da alfafa (Mendicago sativa L. Essa proposição coincide com a evapotranspiração de uma superfície coberta com grama. faz-se necessário um conhecimento claro a respeito de certas definições. Durante o seu ciclo de desenvolvimento as plantas consomem um grande volume de água. Aureo Silva de Oliveira1. sob condições ótimas de umidade do solo. Desta maneira. Ambientais e Biológicas/UFRB.). argumentou-se que o seu porte seria mais representativo das condições aerodinâmicas de outras culturas do que a grama com o seu porte rasteiro. através da evaporação direta da superfície do solo e da água perdida pelas plantas através da transpiração.15 m. INTRODUÇÃO A água é um elemento essencial ao desenvolvimento vegetal. v. DEFINIÇÕES A evapotranspiração pode ser definida como a soma da quantidade de água perdida por uma superfície coberta com vegetação. Desta maneira. numa dada condição climática. 2009 221 .EVAPOTRANSPIRAÇÃO Francisco Adriano de Carvalho Pereira1. Smith (1991) apresentou uma conceituação da ETo como aquela que ocorre em uma cultura hipotética. (1971). UFRB.08 a 0.5 m. Cruz das Almas-BA. Jansen et al. sendo que deste total. A evapotranspiração real é aquela que ocorre numa superfície vegetada. cobrindo totalmente a superfície do solo e sem restrições hídricas. à utilização do modelo de Penman-Monteith. Do ponto de vista físico. participa de importantes processos metabólicos essenciais à vida vegetal. devido às diferenças de rugosidade e albedo das suas superfícies. em crescimento ativo e sem restrições de água no solo. Em essência. como aquela que ocorre em uma extensa superfície gramada.br Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. quando se trata da quantificação da evapotranspiração e do requerimento de água das culturas. Penman (1956) estabeleceu que o tipo de vegetação a ser tomada como referência. Cruz das Almas-BA. com altura fixa de 0. Entre as razões apresentadas para a escolha da alfafa como planta de referência. definindo-a como a água utilizada por uma extensa área vegetada. Greice Ximena Santos de Oliveira2 1 2 Professor . através do sistema solo-planta para a atmosfera. Entretanto. introduziram o termo evapotranspiração de referência (ETo). viabilizando o intercâmbio de trabalhos realizados sob condições diferentes. entretanto. 1.3 a 0. Buscando apresentar uma padronização para a definição da evapotranspiração de referência e visando. muitas dificuldades têm surgido entre os técnicos para a compreensão deste importante fenômeno de transformação física. Vale ressaltar. com altura de 0. Vital Pedro da Silva Paz1. em virtude da sua utilização como cobertura dos postos meteorológicos. Doorenbos & Pruitt (1977) apresentaram um definição para evapotranspiração de referência.Centro de Ciências Agrárias. a evapotranspiração (ET) constitui a transferência de água. utilizados na definição do processo da evapotranspiração.

que por sua vez é variável com os períodos fenológicos. irá corresponder a um volume de água de: 0. portanto.1 cm = 1 mm Para uma superfície de 1 ha (10. a ETc é muito importante para um bom dimensionamento de projetos de irrigação. Outra forma de se expressar a evapotranspiração é em termos da energia requerida para o processo.000 m2). a evapotranspiração é expressa em mm (milímetros) por unidade de tempo. pode-se observar que kc varia ao longo do ciclo de uma cultura de acordo com o IAF. Por exemplo. ou seja. entende-se a importância da evapotranspiração no dimensionamento e manejo adequado da irrigação pois cada 1 mm aplicado. enquanto que a 5ºC. Durante os diferentes estágios fenológicos das culturas e sua ocupação na área disponível ocorre a evapotranspiração real. a (ETR) independe do porte da vegetação. uma ET = 1 mm (0. tem-se que: ET = 1 litro / 1 m2 = 1. tem-se verificado a ocorrência de valores exagerados de evapotranspiração. que nada mais é do que a relação entre a ETc e a ETo. vários são os fatores que afetam a evapotranspiração: climáticos. pode corresponder a 10. uma determina altura ou lâmina de água.45 MJ para evaporar 1 kg de água. visto que esta representa a quantidade de água que deve ser reposta ao solo para manter o crescimento e a produção da cultura em condições ideais. Em média. Através dessa relação. da sua superfície evapotranspirante. UFRB. Por isso. Considerando a perda de 1 litro de água de uma superfície com área igual a 1 m2. para evaporar 1 mm são necessários 2. Outros fatores. Sendo a densidade da água igual a uma unidade. a 20ºC. Portanto. = 2.000 cm2 = 0. da planta e do manejo do solo. por isso.000 m2 V = 10 m3 (1) ou seja. as diferenças na anatomia da folha. nas propriedades aerodinâmicas (altura das plantas) e no albedo fazem com que a ETc seja substancialmente diferente da ETo. até sob as mesmas condições climáticas e de mesma área foliar. tais como. v. da sua área de bordadura e das condições de disponibilidade de água no solo. também denominada de máxima (ETm). que é expressa pelo coeficiente de cultura (kc). normalmente. o que significa que são necessários 2. FATORES QUE AFETAM A EVAPOTRANSPIRAÇÃO De acordo com as condições adotadas. A ETc é uma variável dependente das condições meteorológicas e da área foliar da cultura (AF). ou seja. que na prática é chamada de evapotranspiração da cultura (ETc).45 MJ kg-1.48 MJ kg-1.45 MJ m-2. 1. 222 Tópicos em Ciências Agrárias. a evapotranspiração é a perda de determinado volume de água em uma determinada área. 1 kg de água corresponde a 1 litro e. a ETc pode ser estimada por: Etc = kc ETo UNIDADES Como foi demonstrado.000 litros de água por hectare. Assim. 1 mm dia-1 corresponde a 10 m3ha-1dia-1. nas características dos estômatos. Essa energia é denominada de calor latente de eva-poração. Em locais onde existe uma pequena área irrigada em torno de uma grande área seca ou quando a área de bordadura não é suficiente para eliminar os efeitos advectivos do calor sensível. Apesar de sua determinação ser difícil e muitas vezes inexata. adota-se o valor de = 2. 2009 . = 2.001 m = V / 10.000 cm3 / 10. que nessas condições recebe a denominação de evapotranspiração de oásis (ETo).de contorno.45 MJ kg-1.001 m).

.15 m2 e é instalado sobre a superfície em um estrado de madeira. . A medida da evaporação pode ser obtida com leitura manual.Umidade Relativa (UR): atua junto com a temperatura.Plantio direto: reduz a evapotranspiração. O Tanque tipo Classe A (Figura 1) é o mais utilizado para esta finalidade. UFRB. um dos componentes do poder evaporante do ar.Área foliar: relacionada ao tamanho da superfície foliar disponível para o processo de transpiração. principal fonte de energia para o processo de evapotranspiração. Plantas mais altas interagem mais com a atmosfera em movimento. Fatores de manejo do solo .Impedimentos físicos / químicos: reduzindo o volume de água disponível para o uso pelas plantas pois. a capacidade de atender as exigências hídricas da cultura por mais tempo. pois a cobertura morta sobre o solo diminui a perda de água por evaporação. . o que dificulta a sua utilização quando o objetivo é a Tópicos em Ciências Agrárias. determinando o déficit de saturação do ar. apresenta algumas desvantagens como a superexposição às condições ambientais. É o outro componente do poder evaporante do ar. a facilidade de acesso de animais e ao fato da evaporação ocorrer também durante o período noturno. Devido à relação positiva entre a evaporação observada em tanques e aquela que ocorre de um lago ou de uma superfície vegetada. . utilizando-se o parafuso micrométrico em tanque tranquilizador ou automática. 1. . Foi desenvolvido nos Estados Unidos e é amplamente utilizado no Brasil. mais indivíduos.Temperatura do ar (T): o calor sensível contribui com parte da energia necessária ao processo de evapotranspiração e a temperatura também está diretamente ligada à umidade relativa e ao déficit de saturação do ar. . Fatores da planta . objetivando o suprimento de água à planta.Saldo de Radiação (Rn): principal fonte de energia para o processo evapotranspirativo.Profundidade do sistema radicular: relacionado ao volume de solo explorado pelas raízes. .Espécie: relacionado à arquitetura foliar. .Tipo de solo: solos argilosos têm maior capacidade de armazenamento de água do que os arenosos e.Espaçamento / Densidade de plantio: determina o nível de competição entre os indivíduos da mesma espécie. limitam o crescimento do sistema radicular da cultura.Vento (U): responsável pela remoção do ar saturado junto à superfície das folhas e pelo transporte de calor de áreas mais secas (advecção de calor sensível). extraindo mais energia do ar. Através da utilização de tanques de evaporação. .Coeficiente de reflexão (albedo): afeta o saldo de radiação. com 1. Quanto maior a área foliar maior a exigência hídrica da planta. MEDIDAS DA EVAPOTRANSPIRAÇÃO A medida da evaporação é feita de forma simples e é muito utilizada no manejo da irrigação e no gerenciamento dos recursos hídricos. v. à resistência ao transporte de vapor no estômato e a outros aspectos morfológicos que interferem diretamente na evapotranspiração. essas medidas têm sido utilizadas para estimativas dessas variáveis. Apesar da simplicidade de seu manuseio. utilizando-se sensores eletrônicos. . portanto. principalmente à radiação solar e à velocidade do vento. 2009 223 . maior consumo de água por área. obtém-se o total de água evaporada em um dado intervalo de tempo pela diferença das alturas dos níveis da água em dias consecutivos.Disponibilidade de água no solo: afeta diretamente a evapotranspiração pois a reduz quando o armazenamento cai além do limite crítico. possui área circular. Depende da radiação solar incidente e do albedo da vegetação. Quanto menor o espaçamento.Fatores climáticos . .Altura da planta: interfere na interação planta-atmosfera.

Tanques evaporimétricos Classe A (1). enterrado e com área evaporante de 20 m2) e o Colorado (quadrado. 20 m2 (2). UFRB. 1. dada a grande variabilidade encontrada entre os valores de evaporação.estimativa da evapotranspiração de referência. GGI3000 (3) e Colorado (4).84 m2). (1) (2) (3) (4) Figura 2.30 m2). A Figura 2 apresenta os tipos de tanque com suas dimensões. como mostra a Figura 1. outros tanques podem ser utilizados para a medida da evaporação. v. o de 20 m2 (circular. Tanques evaporimétrico tipo Classe A. Fonte: INMET Além do tanque Classe A. 224 Tópicos em Ciências Agrárias. entre os quais o GGI3000 (circular. 2009 . Na tentativa de diluir estes erros. Figura 1. enterrado e com área evaporante de 0. é aconselhável que o tanque Classe A seja utilizado com repetições. com suas dimensões. enterrado e com área evaporante de 0.

que representa a evapotranspiração. o método de balanço de água no solo e os lisímetros. Além disso. A medida da evapotranspiração é difícil e onerosa. alguns desses componentes são de difícil medida.H . consiste no balanço entre as entradas e saídas de água em um volume de solo conhecido.Apesar da existência dos diversos tipos de tanque. os que apresentam coeficientes (kp) para converter a medida de evaporação em evapotranspiração de referência são os do tipo Classe A e Colorado. enquanto que as saídas são: a evapotranspiração (ET). UFRB. (1998). O resultado desse balanço é a variação do armazenamento de água no solo (DARM). especialmente DL. método micrometeorológico que requer medidas precisas de temperatura do ar. o lET também pode ser determinado pelo método de transferência de massa. Nessas condições. em um dado período de tempo. pela seguinte expressão: DARM = P + I + Ri + O + DLi + AC – (ET + Ro + DLo + DP ) (3) Segundo Allen et al. o escoamento subsuperficial (DLo) e a drenagem profunda (DP). Entre os métodos utilizados para a determinação direta da evapotranspiração. é dado por: lET = Rn . Tópicos em Ciências Agrárias. em que as entradas são: a chuva (P). 1.G (2) sendo Rn e G medidos e H estimado a partir de medidas precisas do gradiente térmico sobre a vegetação. a evapotranspiração pode ser obtida. v. a irrigação (I). tem os métodos micrometeorológicos. Representação gráfica do balanço de água no solo. Os micrometeorológicos são aqueles que utilizam o princípio do balanço de energia em que o fluxo de calor latente (lET). AC e DP. justificando seu emprego apenas em condições experimentais. o orvalho (O). O método de balanço de água no solo. para o período analisado. o que limita a utilização deste método a períodos com mais de cinco dias. o escoamento superficial (Ri). Figura 3. pressão atual de vapor e velocidade do vento a diferentes níveis acima da superfície. De forma geral. não podendo ser obtidos para curtos períodos de tempo. por diferença. o escoamento subsuperficial (DLi) e a ascenção capilar (AC). 2009 225 . assim os métodos utilizados para tal medida demandam equipamentos sofisticados e não são apropriados para medidas rotineiras. o balanço de água no solo pode ser representado pelo esquema da Figura 3. o escoamento superficial (Ro).

sendo necessário apenas algumas dezenas de metros em condições de clima úmido e entre 100 a 300 m em condições de clima seco.. É uma estrutura cujo objetivo é isolar um certo volume de solo de modo a se controlar todas as entradas e saídas de água desse sistema (Figura 4). e o de pesagem que utiliza medida automatizada com células de carga (CC) instaladas sob uma caixa impermeável e ligadas a um sistema de aquisição de dados (SAD) (Figura 5). tem como incoveniente a necessidade de drenagem da água armazenada em sua parte inferior.O uso de lisímetros tem sido a forma mais empregada para a obtenção direta da ET. que utiliza um sistema automático de alimentação (reservatório intermediário .RI e reservatório de alimentação . os resultados experimentais mostram que o tamanho da área tampão é bastante variável. Neste último. usando células de carga. Segundo Pereira et al. a ET pode ser obtida com uma grande acurácia e para períodos muito curtos de tempo (1 hora). Ilustração esquemática dos lisímetros de drenagem.RA) e registro da água reposta (L1 . baseado no princípio de conservação de massa e que funciona adequadamente em períodos longos de observação (acima de 5 dias). v. lençol freático constante e de pesagem com células de carga. 226 Tópicos em Ciências Agrárias. Figura 4. por meio de um tubo (T). 1. A ET é dada pela diferença de peso (P1 P2) em um dado intervalo de tempo. Para medidas acuradas da ET.L2). o de lençol freático constante. os mais comuns são o de drenagem. de modo a manter o nível do lençol freático (LF) constante. 2009 . (1997). Bateria com cinco lisímetros de pesagem. Figura 5. Dentre os diversos tipos de lisímetros. cujo tamanho deve ser suficientemente grande para anular os efeitos da advecção. a vegetação no interior do lisímetro deve apresentar as mesmas condições (altura e área foliar) da área tampão. UFRB. porém. dependendo basicamente das condições climáticas regionais.

na Inglaterra. sendo universais. que passa a ser denominada de temperatura efetiva (Tef).75 10 I (8) a = 0. em ºC. Ta a temperatura média anual normal (média histórica). ambas em ºC. o qual propõe um ajuste para tais condições. Após a determinação de ETp. visto que é difícil obter rotineiramente medidas precisas.2 Tni)1. para condições de clima super-úmido e semiárido. obtidos a partir dos dados normais da região e determinados pelas seguintes expressões: I = S(0. 1. v. Tópicos em Ciências Agrárias. UFRB. quer seja pela sua simplicidade ou pelo seu grau de confiabilidade. corrigindo a temperatura utilizada. contudo a maior desvantagem do método é a dependência de dados meteorológicos. basta se determinar ETp com a temperatura média do dia e utilizar a seguinte formulação : ETo = (ETp / 30) (N/12) (10) Segundo resultados experimentais de Camargo (1962) e Camargo & Sentelhas (1997) este método apresentou boas estimativas de ETo para condições de clima úmido no Brasil mas.24 Tm . 2009 (11) 227 .514 -5 2 -7 3 (6) (7) + 6. ETo em mm/mês. porém. pois só são válidos para condições climáticas específicas.43 Tm p/ T > 26. a qual expressa a energia disponível no ambiente. através da utilização de dados meteorológicos foram criados para estimar a evapotranspiração de referência. sua eficácia é discutível. Camargo. Entre estes.49239 + 1.5ºC 2 (4) (5) ETp = -415. Tm é a temperatura média do mês. por não levar em consideração o poder evaporante do ar. em ºC . que serão descritos a seguir.Tmin) em que: Tmax é a temperatura máxima do ar. integrando todos os elementos que condicionam o processo de ET. Hargreaves-Samani. destacam-se os de Thornthwaite. dada por: Tef = 0. Por ser um método desenvolvido e testado em condições de clima úmido. apresenta subestimativas em condições de clima seco.Outros métodos restringem sua aplicação.71 10 em que: Tn é a temperatura média normal do mês i (i = 1 a 12). 1948)..7. Assim.2 Ta) -2 1. como mostrou o trabalho de Camargo & Sentelhas (1997).5 C º em que: ETp é a evapotranspiração padronizada para um mês de 30 dias e para um fotoperíodo (N) igual a 12h. destaca-se o método proposto por Thornthwaite (1948). outros. e Tmin a temperatura mínima do ar. nos Estados Unidos. A ETo é obtida em mm mês-1 pela seguinte formulação (Pereira et al. Método de Thornthwaite Um dos primeiros métodos desenvolvidos para estimar ETo (Thornthwaite.36 (3 Tmax . esta deve ser corrigida em função do número de dias (ND) e do fotoperíodo médio (Tabela 1) do mês em questão. é dada por : ETo = ETp (ND/30) (N/12) (9) No caso da determinação da ETo em mm dia-1. tanque Classe A. Dentre os métodos mais empregados.COMO ESTIMAR A EVAPOTRANSPIRAÇÃO Inúmeros métodos empíricos e semi-empíricos.7912 10 I . Baseia-se na relação empírica existente entre a ETo e a temperatura do ar. apresentam uma base física mais sólida. em ºC.514 I = 12 (0.85 + 32.0. "I" e "a" índices de calor. 2001): ETp = 16 (10 Tm/I)a para 0 < Tm < 26. pois desenvolvidos exclusivamente para se estimar a ETo. e Penman (1948). nem sempre disponíveis para a localidade em estudo. Priestley-Taylor e PermanMonteith.

5 11.8 11.1 10.3 12.1 12.2 12.0 14.1 12.9 12.6 12. em relação ao apresentado anteriormente.6 11.0 11.2 12.8 11.8 10.9 13.4 12.4 12.1 13.2 10.7 12.0 12.0 9.9 14.0 12.9 13.9 10.1 11.6 13.5 11.5 12.7 11.1 10.6 11.2 11.1 12.80)ù a = 23.9 11.5 11.3 12.3 12.6 10.45 sen ê ú 365 ë û N= Sendo: a:declinação solar.6 Mar 12.1 12.5 12.2 13.9 10. m: latitude (-) se localizado no hemisfério Sul.0 12. Tmed é temperatura média do período considerado.0 12.70 9.3 12.0 12.1 12.0 11.7 12.3 12.1 12.1 12.5 13.8 11.7 10.7 11.1 12.5 11.2 12.1 12.3 13.1 9.4 11.7 13.1 12.5 12.0 10.7 Fev 11.1 12.0 12.9 11.1 12. faz uso apenas da temperatura média do ar e não leva em consideração o poder evaporante do ar.2 12.0 12. Método de Camargo O método proposto por Camargo (1971) é uma simplificação do método de Thornthwaite (1948).4 12.1 12.3 11.7 11.3 12.8 12.9 11.2 11.7 11.6 11.3 12.1 Nov 11.1 12.4 13.6 13.0 13.1 12.4 12.2 12.7 11.7 11.2 13.5 10. 1998) como uma opção para a estimativa de ETo.7 12.1 12.0 14.9 12.4 11.2 12.3 12.4 12. Contudo.5 13.1 12.2 12.8 11.0 10.9 11.8 Out 11.1 12.1 Mai 12. correspondente ao 15º dia de cada mês Latitude 10º N 8º N 6º N 4º N 2º N Equador 2º S 4º S 6º S 8º S 10º S 12º S 14º S 16º S 18º S 20º S 22º S 24º S 26º S 28º S 30º S 32º S 34º S 36º S 38º S 40º S Jan 11.tg a tg m ] é 360 (DJ .2 12.1 11. 228 Tópicos em Ciências Agrárias.7 12.3 11.8 12.2 12.1 12.3 12.0 12.6 12.Tabela 1.3 Dez 11.3 13.1 12.6 11. Assim.8 9.9 11.7 11.2 12. por meio das seguintes equações: 2 H 15 H = ar cos [.9 10.5 12.8 12.2 12.3 12.9 11. é que não há necessidade do uso de dados normais de temperatura do ar.9 12.5 12.5 10.2 12.6 12. trouxe uma vantagem adicional.1 12.9 11.1 12.1 10.01 Qo Tmed ND (12) em que: Qo é a irradiância solar extraterrestre.2 12.4 11.1 13. 2009 .6 12.9 12.0 11. A ETo é estimada diretamente a partir da seguinte fórmula : Eto = 0.3 12.4 12.4 10.8 11.6 10.2 11.5 11.0 11.3 12.3 10.6 12.3 Jul 12.1 14.6 12.2 12.1 12.8 15.6 11.8 12.2 11.3 12.2 14.7 10.2 12.2 13.0 OBS: Pode-se também calcular o valor da duração máxima da insolação diária (N).4 11.6 11.1 12.5 9.9 11. e ND o número de dias do período considerado.4 12.9 12.6 13.9 11.5 12.4 14.5 12.9 10.9 14.6 10.6 11.6 11.8 11.2 12.2 14. em ºC. é recomendado pela FAO (Allen et al.1 12.0 12.1 12.5 13.9 1. 1.9 13.2 12.9 11.0 11.4 Abr 12.0 14.2 12.8 12.1 12.1 12.2 13. em hora.2 12.5 12.9 13. expressa em mm de evaporação equivalente.3 11.9 Jun 12.0 12.7 13.4 12.0 11.5 11..0 12. Duração máxima de insolação diária (N).6 12.1 13.9 11.7 12. o método criado por Hargreaves e Samani (1985). v.6 Ago 12.1 12.7 12.3 11. DJ: Dia Juliano.5 12.8 10.0 12.0 13.5 Set 12.3 12.5 13.7 11.3 13.4 12.1 12.2 12.9 11.3 10.7 11.3 11.1 12.6 12.0 12.4 12.8 13.2 13.6 12.7 10.8 11.2 12.8 11.4 12.7 12.4 11. Método de Hargreaves e Samani Apesar de ter sido desenvolvido para as condições de clima semi-árido da Califórnia.2 12.2 11.0 9.2 11.4 12. nos meses e latitude de 10º N a 40º S.4 12.9 11.5 11.7 10.4 11.6 11.2 12.2 10.2 14.3 12.1 11.8 11.1 12.80 9.0 12.4 10.8 13.7 11.9 12.5 11.1 13.4 12.3 14. UFRB.1 12.0 12.3 12.0 12.8 10.0 13. de acordo com método original.9 12.0 12.0 13.4 13.0 12.6 14.9 10.9 11.5 14.

sempre menor do que 1.0422 ln(B) + 0. que é a de se adotar valores médios de URmed e U2m para a região estudada. os quais são: U2m entre 1 e 8 m s-1.4 U2m) .quando há somente disponibilidade de dados de temperatura do ar local. para facilitar a interpolação e o uso de sistemas informatizados.0.8 ) (13) em que: Tmax é a temperatura máxima do ar. em relação ao aumento de ETo. representativo da região. B é a extensão da bordadura.00327 U2m ln(B) . 1998).00289 U2m ln(86. O método de Penman.0. Método de Priestley-Taylor É uma simplificação do método original de Penman (1948). 1998 e Pereira et al. 2001). v. havendo a necessidade de um coeficiente de proporcionalidade. caso contrário pode provocar superestimativas em condições de clima úmido (Sentelhas e Camargo. 1994. denominado de coeficiente de tanque (kp). 1.00063 [ln(B)]2 ln(86. em m. Deve-se atentar para os limites das equações 25 e 26. em %. 2009 229 . é função da velocidade do vento.00341 URmed . em ºC.0. Tmed a temperatura média do ar. menor o valor de kp. Allen et al. Uma alternativa no caso de não se dispor de dados de URmed e de U2m é o de se adotar um kp fixo. expressa em mm de evaporação equivalente.61 + 0. menor a umidade relativa e menor a bordadura.4 U2m) ln(B) + 0. em ºC.00000959 U2m B + 0. No entanto. B entre 1 e 1000 m e URmed entre 30 e 84%. que converte a evaporação obtida no tanque Classe A (ECA) em evapotranspiração. Assim como os métodos de Camargo e de Thornthwaite.. Logicamente. deve ser calibrado para outras condições climáticas. Os valores de kp são normalmente apresentados na forma de tabelas (Doorembos e Kassam. denominado aerodinâmico (AERO). Isso se dá devido ao aumento excessivo da ECA. proposta pelo boletim 56 (Allen et al.. a quantidade de água que é transferida para a atmosfera pelos processos de evaporação e evapotranspiração difere significativamente.Tmin)0. Quanto maior a velocidade do vento. denominado energético (ENERG). A FAO sugere outra opção.0286 U2m + 0. nessas condições.108 . em ºC. devido às diferenças entre a superfície de água livre e a superfície de uma cultura e entre os mecanismos de resistência ao transporte de água e vapor que atuam nesses dois meios. o kp pode ser obtido pelas seguintes equações apresentadas por Allen et al. em m s-1. (1998): para bordadura vegetada kp = 0.0106 ln(86.0023 Qo (Tmax . e URmed a umidade relativa média diária. UFRB. Sua fórmula para a estimativa diária de ETo é a seguinte: ETo = 0.4 U2m) (16) em que: U2m é a velocidade média do vento a 2 m de altura.0. Tmin a temperatura mínima do ar.. e Qo a irradiância solar extraterrestre. em que o segundo termo da equação.0. 1996. .0.000162 U2m URmed . não é de aplicação universal e.00063 [ln(B)]2 ln(URmed) (15) para bordadura sem vegetação kp = 0. portanto. é substituído por uma fração que este representa do primeiro termo. 1998).5 (Tmed + 17. Allen et al. da umidade relativa e do tamanho e do tipo da bordadura circunvizinha ao tanque Classe A. como mostra a equação a seguir: ETo = ECA kp (14) O valor de kp. Método do tanque Classe A Este método é baseado na proporcionalidade existente entre a evaporação do tanque Classe A e a ETo. considera que: Eto = ENERG + AERO (16) Tópicos em Ciências Agrárias.1434 ln(URmed) .

estimado a partir da seguinte expressão (Pereira et al. pela cutícula e pelo solo. temperatura. podendo ser determinado pelas seguintes expressões: W = 0. ambas em ºC. As equações recomendadas para a obtenção das variáveis acima são: s = (4098 es) / (T + 237.Dividindo-se todos os termos da equação pelo termo ENERG. igual a 0.1 < T < 32 C) º (18) (19) Não se dispondo de medidas de G. igual a 2.26.38 (Td . em MJ m-2d-1. enquanto que ra representa a resistência ao transporte de vapor exercida pelo fluxo de ar.407 + 0. U2m a velocidade do vento a 2m. G o fluxo de calor no solo. e s a declividade da curva de pressão de vapor na temperatura do ar. em MJm-2d-1. e W um fator de ponderação dependente da temperatura (T) e do coeficiente psicrométrico.G) + g ?[900/(T + 273)] U2m (es . sendo que a rc descreve as resistências ao fluxo de vapor exercidas pelos estômatos.ea)}/ [s + g (1 + 0. esse valor poderá ser desprezado para a escala diária.063 kPaºC-1. ainda.01 T (0 < T < 16ºC) (16. em MJm-2d-1. da velocidade do vento. em m s-1. obtidos em estações meteorológicas.483 + 0. por meio da introdução de fatores de resistência da planta.T-3d) (20) sendo Td a temperatura média do dia em questão e T-3d a temperatura média do ar dos três dias anteriores. Método de Penman-Monteith (FAO) Em 1948.0145 T W 0.34 U2m)] (21) em que : Rn é o saldo de radiação. 1. (1 + AERO / ENERG) é denominado de Parâmetro de Priestley-Taylor. em kPa. sendo dependente. (1998) para a estimativa da evapotranspiração de referência na escala diária. do solo e da vegetação. es-ea o déficit de pressão de saturação do ar. Sendo o termo energético igual a W (Rn . Essas resistências foram genericamente denominadas de resistência da cobertura (rc).G) (17) em que: Rn é o saldo de radiação. tem-se que: ETo / ENERG = ENERG / ENERG + AERO / ENERG ETo / ENERG = 1 + AERO / ENERG Nessa situação. T a temperatura média do ar. A rc atua em série com a resistência do ar (ra). como mostra a Figura 6. podendo ser medido ou estimado. em MJ m-2d-1.408 s (Rn . tendo o valor de 1. UFRB. que representanda todo o conjunto de resistências da superfície que atua no processo. portanto.45 MJ/kg a 20ºC. A equação com esse novo conceito de resistência da superfície foi apresentada por Monteith (1965) e adaptada por Allen et al.G). g a constante psicrométrica. a partir de dados de insolação. sendo atualmente recomendada como padrão da FAO com a seguinte parametrização: Eto = {0.26 W (Rn . 2001): G = 0. Penman combinou o balanço de energia com o método do transporte de massa e derivou uma equação para descrever a evaporação de superfícies de água livre.. v. ou. G fluxo de calor no solo. umidade e velocidade do vento.3)2 (22) 230 Tópicos em Ciências Agrárias. em ºC. em kPa ºC-1. o método de Priestley-Taylor fica com a seguinte formulação: ETo = 1. Esse método foi denominado de combinado e ao longo do tempo foi adaptado para a superfície vegetada. 2009 . l é o calor latente de evaporação.

seu emprego já é bastante difundido.6108.Tmax) / (237.27. No Brasil. exigem grande número de variáveis. sendo o único problema a falta dos dados necessários ao seu emprego em algumas localidades. a escolha de um método de estimativa de ETo depende de uma série de fatores. pois os métodos mais complexos.e ea = (URmed es) / 100 URmed = (URmax + URmin) / 2 T = (Tmax + Tmin) / 2 sendo Tmax a temperatura máxima do ar. como visto no item anterior. Esquema da resistência do ar e da cobertura ao fluxo de vapor. Desse modo. em ºC. URmax a umidade relativa máxima. Os procedimentos de medida e estimativa de Rn são apresentados no item 3 deste capítulo. 1998). (1998). métodos empíricos como os de Thornthwaite e de Camargo apresentam melhores estimativas em escalas de tempo maiores.3 + Tmin)] es = 0. Normalmente. 1. enquanto que aqueles que utilizam o balanço de energia podem ser empregados até mesmo na escala horária. Tmin a temperatura mínima do ar.. UFRB. O primeiro deles é a disponibilidade de dados meteorológicos. Quando aplicado em condições de clima úmido este método superestima a ETo. Por outro lado. Tópicos em Ciências Agrárias. pois esses não são de aplicação universal. Este método vem sendo largamente empregado em todo o mundo.3 + Tmax)] [(17. Em geral. provocando subestimativas de ETo em climas semi-áridos. o terceiro fator envolve a adaptabilidade dos métodos empíricos à região de estudo. o método de Hargreaves-Samani produz melhores resultados em condições de clima árido e semi-árido.Tmin) / (237. os métodos de Thornthwaite e Camargo apresentam melhores estimativas de ETo em condições de clima úmido. URmin a umidade relativa mínima. os métodos de Priestley-Taylor e Penman-Monteith não poderão ser empregados onde há apenas dados de temperatura do ar. apresentando excelentes resultados (Allen et al. em ºC. 2009 231 . como por exemplo no semi-árido nordestino. Adaptado de Allen et al.es = (esTmax + esTmin) / 2 es Tmax Tmin (23) (24) (25) (26) (27) (28) = 0. enquanto que a estimativa de G é dada pela equação 20. v. requerendo ajustes locais.27. CRITÉRIOS PARA A ESCOLHA DE MÉTODO DE ESTIMATIVA DA ETo De acordo com Pereira et al. em %.6108 e [(17. Finalmente. em %. Figura 6. O segundo fator é a escala de tempo requerida. (2001).

p. 193. M. 116) CAMARGO. ANGELOCCI. PEREIRA.. v. 120-146. 1. Guidlines for predicting Crop water requirements.. PEREIRA. P. Soc. 24p. crop and soil data. P. An approch toward a rational classification of climate. Report on the expert consultation on revision of FAO methodologies for crop water requirements. R. P.. 1991.. MONTEITH. PRATT. E.. (Paper 85-2517) 1985. Soc Expl. L. PRUITT. 4. 1948. (FAO: Irrigation and Drainage Paper. Revista Brasileira de Agrometeorologia. p.J. DOOREMBOS.. Santa Maria.. RS: Livraria e Editora Agropecuária Ltda. 163-213. 3.. Guaíba. Eng.. v. Z. 45 p. 1994. (Boletim. 77-81. 1. 478 p.. p. Rome FAO. C. 1965. PEREIRA. Revista Brasileira de Agrometeorologia. 1. NOVA. 1948.REFERÊNCIAS ALLEN R. 5. L. SENTELHAS.. 1. SMITH. Piracicaba.A. G. 19. H. 1996. L. Irrigação e Drenagem 33) Tradução Gheyi. 1997. WRIGHT. ed. M. Trans. p. O Efeito da água no rendimento das culturas. SENTELHAS. KASSAM. ed. Equação para a estimativa da evapotranspiração potencial no Estado de São Paulo. 24 2nd ed. A. n. Geografical Review. (Estudos FAO. Amer. London. Agrometeorologia . e outros. Avaliação do desempenho de diferentes métodos de estimativa da evapotranspiração potencial no Estado de São Paulo.1974. v. 954-959. W. 2009 .. RAES. 1997. A. Evaporation and environment. 232 Tópicos em Ciências Agrárias. 1. Contribuição para determinação da evapotranspiração potencial no Estado de São Paulo. p.. J. G. bare soil and grass. 179pp. P. SENTELHAS. HARGREAVES. P. Universidade Federal da Paraíba. P. 1. Campina Grande.. 2001. FAO Irrigation and Drainage Paper.. n. Campinas: Instituto Agronômico. New York. 1962. v. v. 1971. v. Evapo(Transpi)Ração. H. 1971. N.ed. 1998. 56). 1977. v. Bragantia. 89-97.. n. CAMARGO.fundamentos e aplicações práticas. C. THORNTHWAITE. J. SMITH. Estimating soil moisture depletion from climate. Rome. 14. UFRB. 205-234. Reference crop evapotranspiration from ambient air temperature. Proc. A. L. A. 1. v. J. Soc. H. 183 p.R. baseada no método de Hargreaves . R. A. 1.L. p.. A.. n.. G. 21. 5. SEDIYAMA. O. SP: Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz. C.. Crop evapotranspiration: guidelines for computing crop water requirements.. p. Balanço hídrico no Estado de São Paulo. Rome: FAO. A. V. Santa Maria. Biol. H. P. J. PENMAN. C. Chicago. B. D. v. 38. R. A. FAO 306p. R. CAMARGO. SAMANI. Symp. v. CAMARGO. DOOREMBOS. Meeting. of the ASAE. J. Natural evaporation from open water. C. Agric. 55-94. M. JANSEN.

CAPÍTULO 17 MISTURA MINERAL PARA BOVINOS EM REGIME DE PASTO Benedito Marques da Costa. Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira & Maria do Carmo Martins Marques da Costa Tópicos em Ciências Agrárias .

foram verificadas deficiências de zinco nos solos. No fígado.. teores elevados de ferro na dieta interferem na absorção do manganês. Contudo. (1987) encontraram deficiência de magnésio nos solos. v. 1968. na região de Calciolândia. Esse consumo se torna maior em solos desagregados ou em áreas onde a lotação é alta (Haddad & Platzeck. iodo. Segundo levantamentos realizados por Andreasi et al. Em algumas regiões de Roraima. Agostini & Kaminski (1976) e Sousa et al. Também. em pastagens. Lopes et al. 1. apresentam um grande consumo de solo. tais como: cálcio.. Segundo Underwood et al. (1981) observaram níveis elevados de ferro nas forragens. Pereira et al. (1982) constataram a interferência do ferro e alumínio ingeridos via solo sobre a utilização de fósforo Tópicos em Ciências Agrárias.. entretanto observaram níveis nas forragens considerados adequados para bovinos de corte em crescimento e acabamento. quando os animais bebem água com salinidade excessiva. em diferentes períodos do ano. Tokarnia et al. Sob condições tropicais. a sua ingestão causa uma diminuição no consumo de minerais em nível de cocho (Shirley & Carvalho. outros minerais em excesso podem interferir. Sousa et al. Como o fósforo é o elemento mais carente em ambiente tropical e considerando que os solos dessa região apresentam baixos níveis de fósforo e altos de ferro e alumínio. magnésio e potássio. 1985). 1986). (1974). 1980 e Santiago et al. no metabolismo do manganês. a nutrição mineral desses animais é freqüentemente desbalanceada. 1971.. (1992). crescimento. 1985. 1970. Santos et al. plantas e tecidos de animais (Santiago et al.. 1980). Gallo et al. Em algumas regiões de Mato Grosso. Cruz das Almas-BA. cobre.. (1985). 2009 235 . Por isso. Gallo et al. foram encontrados níveis abaixo do normal para manganês e concentrações normais para os demais elementos. a nutrição mineral do ruminante é dada pelo somatório da ingestão de minerais via água de beber.. Rosa et al.. 1986. ingestão de solo. era de se esperar um efeito deletério da ingestão de solo sobre a disponibilidade de fósforo ao animal. Sousa et al. (1966/67). cobre e zinco.. os teores de magnésio encontrados nas forragens são suficientes para atender às necessidades dos animais em diferentes fases de produção. cobalto. ÁGUA E SOLO COMO FONTE DE MINERAIS A água de beber não se constitui em fonte adequada de minerais. E-mail: beneditomc@hotmail. Contudo. forragem da pastagem e eventual suplementação mineral no cocho. cobalto.com INTRODUÇÃO Em épocas e condições favoráveis de crescimento das plantas forrageiras (calor e umidade). Lopes et al. vez que o nível deste elemento mostrou-se deficiente no fígado. 1976). vários autores detectaram níveis deficientes de cobre no solo. fósforo.. para fósforo. 1985). Bovinos e ovinos. Contudo. os quais podem ter exercido um efeito tóxico em nível de absorção ou de metabolismo do manganês. os animais em regime de pasto podem ter atendidas suas exigências de energia. zinco e selênio. Sousa & Darsie. Em Nova Odessa. UFRB. citados por Possenti et al. Sousa et al. sódio. Possenti et al. Em Roraima. porém inadequados para vacas em lactação. 1960. (1986) observaram deficiências de cálcio e fósforo em forrageiras e níveis próximo ao limite da deficiência. proteína e vitaminas. somente 10% do rebanho bovino nacional possui uma correta nutrição mineral e 70% ou mais do efetivo recebe somente sal grosso ou mesmo nenhuma forma de suplemento mineral na dieta. Ambientais e Biológicas/UFRB..Centro de Ciências Agrárias.MISTURA MINERAL PARA BOVINOS EM REGIME DE PASTO Benedito Marques da Costa1. também. 1974. Em regime de pasto. SP. Tokarnia et al. Teixeira et al. em condições normais e práticas. (1992) detectaram deficiências minerais nas plantas forrageiras. Maria do Carmo Martins Marques da Costa1 1 Professor . ela não é considerada quando do cálculo de uma mistura mineral para bovinos em regime de pasto (Haddad & Platzeck. nas cinzas ósseas. nas forrageiras e nos tecidos de animais (Tokarnia et al. lactação. as deficiências minerais mais comuns são as de cálcio. Caielli (1974) informa que foram encontrados níveis de cálcio abaixo do limite. 1966. Níveis excessivos de ferro e manganês foram observados em todos os períodos estudados. Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira1. Segundo Haddad & Platzeck (1985). se os animais possuírem apenas a forragem como única fonte desses nutrientes. 1971. em regime de pasto. RJ. MG e Barra Mansa. gestação e engorda. No Brasil..

. isto é. 2009 . Cavalheiro & Trindade. (1984). Desse modo. é a forma de fornecimento mais recomendável. 1976. edáficas e climáticas são favoráveis. a aplicação endovenosa de 3 a 40 mg de EDTA-cobre ou glicinato de cobre foi eficaz na correção da deficiência e manutenção de altos níveis séricos de cobre. tais como categoria animal. Uso direto na ração . em ovinos. 1986. 1988) e em relação à estação ou ao período do ano (Silva et al. UFRB. b) fertilização das pastagens. 120240 mg de EDTA-cobre. Essa é a melhor forma de mineralizar o rebanho porque existe controle da quantidade ingerida de minerais pelos animais. também. mostraram-se efetivas por três meses. em curto prazo. selênio. origem) considerado.A suplementação de minerais no cocho.. Para bovinos as dosagens utilizadas.A fertilização das pastagens pode melhorar a produção e composição mineral da forragem. d) injeções específicas de elementos minerais. c) suplementação artificial.Injeções específicas de elementos minerais são aplicáveis quando se necessita. 1985). sob regime de pasto. Essa variação tem sido observada em relação à idade das plantas (Gomide. condição fisiológica. o conhecimento de sua composição mineral é de fundamental importância no cálculo de um suplemento mineral. 236 Tópicos em Ciências Agrárias. Camarão et al.da dieta. 1. quanto maior for a percentagem de cloreto de sódio. à vontade. sendo aplicável quando as condições econômicas..A suplementação artificial por via oral é aplicável quando o consumo de alguns elementos minerais ao nível de cocho for inviável ou difícil de ser atendida. água de beber (e solo) não satisfizer as suas necessidades específicas.. Assim. balas ou pellets de cobalto. f) suplementação no cocho (à vontade). menor será o consumo da mistura mineral pelos bovinos. v. não é aconselhável porque os animais ingerem na pastagem uma grande parte de minerais para atender às suas necessidades. Fertilização das pastagens . 1992 e Possenti et al. Sousa et al. A composição mineral das plantas forrageiras da pastagem afeta de algum modo o consumo de um suplemento mineral pelo animal. Suplementação de minerais no cocho . temperatura ambiente. COMPOSIÇÃO MINERAL DA FORRAGEIRA As espécies forrageiras das pastagens apresentam uma grande variabilidade na concentração dos elementos minerais. É o caso da suplementação oral de magnésio. MÉTODOS DE SUPLEMENTAÇÃO MINERAL A suplementação mineral é a forma mais racional de se complementar a nutrição dos ruminantes. Minerais na água de beber .A utilização de minerais na água de beber não é recomendável porque existem fatores responsáveis por grande variação no consumo de água pelos ruminantes. 1982. se a ingestão dos elementos minerais via forragem. (1983) sugerem os seguintes métodos para suprir minerais para ruminantes: a) uso direto na ração. também. o cloreto de sódio (sal comum) é o ingrediente que mais limita o consumo de uma mistura mineral. a resolução de um problema carencial e/ou manutenção de níveis adequados de um elemento mineral no organismo. por um determinado espaço de tempo (Haddad & Platzeck. Injeções específicas de elementos minerais . 1992). Para Ammerman et al. Estes dados devem conter. do tipo de solo (estrutura. Suplementação artificial . Segundo Haddad (1980). o efeito da ingestão de solo sobre a utilização de fósforo é função dos níveis de ferro e alumínio solúveis do solo ingerido e. Seu uso em bovino de corte. em confinamento ou semiconfinamento.O uso direto de elementos minerais na ração consiste em misturar os elementos minerais no concentrado fornecido diariamente aos animais. Nascimento Júnior et al. Contudo. McDowell et al. local e data de amostragem etc. Segundo Sousa (1995).. forma física da dieta. 1976. informações sobre a espécie forrageira. o estádio de maturação da planta colhida. Recomenda-se ao gado bovino leiteiro. por até 4 meses. para se regionalizar a mineralização é necessário que se obtenha um grande número de dados da composição mineral de amostras de forragem colhidas na pastagem. umidade relativa etc. atentando que esse efeito poderia ser prejudicial quando os animais apresentavam carência de fósforo. cristais de óxido de cobre etc. o cloreto de sódio (NaCl) é usado no cálculo da mistura mineral como ingrediente regulador do consumo da mistura. e) minerais contidos na água de beber.

iodo 0. magnésio 0.= 10.000.000.01 ppm. manganês 60 ppm. a suplementação de cálcio. se uma forrageira apresentar 0. através de biópsias de fígado feitas em vacas em lactação e em animais de sobreano. 100 g -----------------.x 1. sódio 0.09 g ou -----------------------. encontram-se na Tabela 1. Tópicos em Ciências Agrárias.02 ppm.As exigências nutricionais de minerais para bovinos de corte.20 %. ferro 350 ppm. Na presente formulação. Os resultados das análises de cálcio.000 ppm deste elemento.000 g ------------. são expressos em percentagem. que é uma reprodução do NRC . v.005 %.000 g da amostra ------------------------. enxofre 0.x 0.000 ppm 100 g . potássio 0. os animais podem consumir mais de 800 ppm de sódio na matéria seca da dieta. que os níveis hepáticos de zinco. Por exemplo.000 g x 1 g x = ------------------------. Contudo. que são de 0.x x = 900 g ou 900 ppm de P Por outro lado. fósforo e magnésio na cinza óssea confirmaram níveis deficientes nestes minerais.01 ppm.1 g 1.000.National Research Council de 1984. Assim. 1. Portanto. como a mistura será fornecida à vontade (ad libitum). Sousa (1995) recomenda considerar as exigências de sódio do NRC (1970). para o cobalto. Assim.A unidade utilizada no cálculo das fórmulas minerais é sempre o ppm (partes por milhão). Entretanto. serão usados os níveis recomendados pelo NRC (1984). para transformar ppm em percentagem. quando o consumo de sódio é feito ad libitum. indicando uma mineralização óssea deficiente. basta multiplicar por 10.000. esse valor equivale a 900 ppm desse elemento. UFRB.13 %.000 g -----------------. zinco 5 ppm.900 g de P 100 g da amostra x = 0. 2009 237 . basta dividir o valor em ppm por 10. Sousa (1995) recomenda 0.09 g de P 1. segundo informações de Sousa (1995).000: 1. cálcio 0. magnésio e enxofre segue as exigências mínimas do NRC (1984). para se transformar percentagem em ppm. Unidades Utilizadas . . ainda.09 %. Exigências Nutricionais . Com relação aos microelementos ferro e manganês.0.1 % (1000 ppm) de sódio na matéria seca da dieta. cobre 2 ppm.09% de fósforo.000 g ou 10. 100 g da amostra ------------.085 %. nos cálculos práticos de misturas minerais. fósforo. Verificou-se.4 ppm de cobalto. no caso do sódio. selênio 0. Os macroelementos. na prática de formulação de misturas minerais são geralmente usados níveis mais elevados de suplementação do que o indicado pelo NRC (1984). As análises das forrageiras de uma fazenda de bovinos de corte indicaram os seguintes resultados: fósforo 0. demonstra-se que 1% de um elemento é equivalente a 10. cobalto 0. tornando-se necessária a transformação para ppm.92 %.000. As análises de biópsias de ossos revelaram baixa percentagem de cinza. cobalto e manganês estavam abaixo dos teores considerados adequados. geralmente.CÁLCULO DE UMA MISTURA MINERAL Exemplo do cálculo de uma mistura mineral para bovinos de corte.09% . cobre.

1) Cálculo de fósforo: Exigência = 0.300 ppm de P Nível de suplementação = 1. 2009 10 kg de MS/dia.V.10 0.No cálculo da mistura mineral. ppm Cobre. sendo os consumos estimados de acordo com o peso vivo médio dos animais em questão.) e que consuma 10 kg de matéria seca/dia. Como ppm = mg/kg. tomar-se-á como padrão um animal de 450 kg de peso vivo (P. ppm Selênio.1. Este animal padrão é denominado de uma unidade animal (1 U. % Sódio. e nem sempre consomem 10 kg de matéria seca por dia. % Fósforo.A. Sabe-se. geralmente. ppm Manganês. que o consumo de um bovino é proporcional ao seu peso vivo.778 g de fosfato bicálcico (Tabela 3).A.08 0. 100 g de fosfato bicálcico --------------------------. ª Para animais de 450 kg de peso vivo com ganhos diários de 0./dia Fonte de fósforo: fosfato bicálcico = 18% de fósforo (Tabela 2).Tabela 1.21 % de cálcio e 0.10 50 30 8 40 0. ppm Flúor.10 0.A. v. Cálculo da Mistura Mineral . % Microelementos: Ferro. ppm Molibdênio. ppm Cobalto..17-0. quando se calcula uma mistura mineral para 1 U.48ª 0.00 0. 1.50 0. a mistura mineral poderá ser fornecida aos bovinos de todas as categorias.65 0.00 1.18 g de P x --------------------------.800 ppm de P (Tabela 1) Análise da forrageira = 0. sendo representado por uma vaca seca. expressas na matéria seca do alimento.1. ppm Iodo.13% ou 1. ppm Zinco.28ª 0.800 . Exigências nutricionais de minerais para bovinos de corte. 238 Tópicos em Ciências Agrárias. % Enxofre. respectivamente.40 1000 500 115 1000 50 5 2 6 20-100 Fonte: NRC (1984). UFRB. temos que: 500 ppm de P = 500 mg de P/kg de MS da dieta 500 ppm de P = 5000 mg de P/10 kg de MS da dieta Considerando que um animal de 450 kg de peso vivo consome cerca de poderá ser representada da seguinte maneira: 5000 mg de P/animal de 450 kg de peso vivo ou.18 % de fósforo.20 --------Nível tóxico 2. % Magnésio.300 = 500 ppm de P na MS da dieta. Contudo. 5 g de fósforo/U. pesam menos de 450 kg de P. também.V.0 kg recomenda-se 0.18% ou 1.00 0. Elementos minerais Macroelementos: Cálcio.40 3.).00 10. % Potássio. sabe-se que as vacas de corte das raças nacionais.5 .17-0.5 g de P x = 27. esta quantidade . Assim. ppm Nível sugerido 0.

4) Cálculo do zinco Exigência = 30 ppm de Zn (Tabela 1). Análise da forrageira = 5 ppm de Zn Nível de suplementação = 30 .472 g de cálcio Assim./dia Fonte de magnésio: óxido de magnésio = 60. tendo em vista que o fosfato bicálcico já contribui com uma quantidade de cálcio que satisfaz as necessidades dos animais.20 % de Ca ou 2000 ppm de Ca Nível de suplementação = 2100 .3 % de cálcio.5 = 25 ppm de Zn na MS da dieta Nível de suplementação =25 ppm de Zn = 25 mg de Zn/kg de MS da dieta = 250 mg de Zn/10 kg de MS da dieta = 250 mg de Zn/animal de 450 kg de peso vivo = 0. v. 1.5 g de Mg Tópicos em Ciências Agrárias.21 % ou 2100 ppm de Ca Análise da forragem = 0.x x = 6.A.488 g de óxido de magnésio (Tabela 3). 3) Cálculo do magnésio Exigência = 0.60.2) Cálculo do cálcio: Exigência = 0.23.10 % ou 1000 ppm de Mg (Tabela 1) Análise da forrageira = 0.3 % de Ca (Tabela 2). Desse modo. não será necessário suplementar com mais outra fonte de cálcio.3 g de Ca 27. O fosfato bicálcico possui 23. A quantidade calculada para fornecimento de fósforo foi de 27.3 % de magnésio (Tabela 2). A.778 g de fosfato bicálcico.085 % ou 850 ppm de Mg Nível de suplementação = 1000 .5 g de Mg/U.A.3 g de Mg x -------------------------x = 2.25 g de Zn//U. a contribuição do fosfato bicálcico em cálcio foi: 100 g de fosfato bicálcico -------------------------. UFRB.0 g de Ca/U./dia Fonte de cálcio: fosfato bicálcico = 23. 2009 239 .850 = 150 ppm de Mg na MS da dieta. 150 ppm de Mg = 150 mg de Mg/kg de MS da dieta = 1500 mg de Mg/10 kg de MS da dieta = 1500 mg de Mg/animal de 450 kg de peso vivo = 1.778 g de fosfato bicálcico -------------------------. 100 g de óxido de magnésio -------------------------./dia 1.2000 = 100 ppm de Ca 100 ppm de Ca = 100 mg de Ca/kg de MS da dieta = 1000 mg de Ca/10 kg de MS da dieta = 1.

45 g de Selênio x ---------------------------. são geralmente usados níveis mais elevados de suplementação.2 ppm de selênio = 0.8% de Cobalto (Tabela 2).0. Usando-se do mesmo raciocínio pode-se chegar também aos valores de sulfato de cobre.10 ppm de Co (Tabela 1).8 g de Co x --------------------------. Por isso.0 mg de Se/animal de 450 kg de peso vivo = 0. 6) Cálculo do Selênio Exigência = 0.311 g de óxido de zinco (Tabela 3). No caso do cobalto.3% de zinco (Tabela 2). correspondentes a cobre.A./dia Fonte de selênio: selenito de sódio = 45 % de selênio (Tabela 2). A. iodato de potássio e enxofre em pó.4 mg de Co/kg de MS da dieta = 4. tomou-se um nível de suplementação de 0.0.80.25 g de Zn x = 0.002 g de selênio x = 0./dia (Tabela 3).01 ppm de Co Nível de suplementação = 0.24.0 mg de Co/animal de 450 kg de peso vivo = 0.01 ppm Nível de suplementação = 0. 2009 ./dia Fonte de cobalto: sulfato de cobalto = 24.A.Fonte de zinco: óxido de zinco = 80.0 mg de Co/10 kg de MS da dieta = 4. UFRB.08 % ou 800 ppm (Tabela 1). segundo recomendação de Sousa (1995). conforme recomendação de Sousa (1995).002 g de Se/U.2 ppm 0. Análise da forrageira = 0.004 g de selenito de sódio (Tabela 3). na prática de formulação de misturas minerais. 1. 0.2 mg de Se/kg de MS da dieta = 2.4 ppm na MS da dieta.4 ppm de Co = 0. 100 g de óxido de zinco ---------------------. v.005% ou 50 ppm Nível de suplementação = 1000 ppm 240 Tópicos em Ciências Agrárias. Análise da forrageira = 0.0 mg de Se/10 kg de MS da dieta = 2.4 ppm de cobalto na matéria seca da dieta.0.3 g de Zn x ---------------------.2 ppm (Tabela 1).004 g de Co//U. 100 g de sulfato de cobalto --------------------------.004 g de Co x = 0.016 g sulfato de cobalto//U. iodo e enxofre (Tabela 3). 5) Cálculo do cobalto Exigência = 0. 7) Cálculo do Sódio Exigência de sódio = 0. Análise da forrageira = 0. 100 g de selenito de sódio ---------------------------.

.0 23. H2O Zn O4. Entretanto.5 Fe 36. 5 H2O Fe SO4 Fe CO3. H2O CuCl2.A.7 41. os animais podem consumir mais sódio do que 800 ppm na matéria seca da dieta. 1000 ppm de sódio = 1000 mg de Na/kg de MS da dieta = 10000 mg de Na/10 kg de MS da dieta = 10000 mg de Na/animal de 450 kg de peso vivo = 10 g de Na/U.CaX % Elemento Ca P 23. Sousa (1995) recomenda considerar as exigências de sódio do NRC (1970).CaX Ca3(PO4)2.5 13. Elemento Cálcio e Fósforo Nome do produto Fosfato bicálcico Farinha de ossos autoclavada Fosfato de rocha desfluorado Carbonato de cálcio Calcário calcítico Calcário dolomítico Farinha de ostras Fosfato dibásico de amônio Cloreto de sódio Carbonato de cobalto Cloreto de cobalto Sulfato de cobalto Fórmula CaHPO4. quando o sódio é fornecido à vontade. 2009 241 .1% (1000 ppm) de sódio na matéria seca da dieta.5 14.Mg CO3 CaCO3.08 % (800 ppm) na matéria seca da dieta. 7 H2O Sº Na2 SeO3 Cl 60 Na 37 Co 49.3 Mg 60.2 40. 7 H2O Ca (IO3)2 KI O3 de Mn CO3 MnSO4.3 Forma Física do Produto Cristais brancos Farinha Pó ligeiramente solúvel Pó branco Pó insolúvel Pó insolúvel Granulada Cristais brancos Cloro e sódio Cobalto NaCl CoCO3 CoCl2. considerou-se o nível de suplementação de 1000 ppm de sódio. 6H2O CoSO4. UFRB.1 29.9 96 Se 45 Cristais brancos Cristais vermelhos Cristais vermelho escuro Cristais vermelhos Cristais brancos Cristais brancos Pó avermelhado Cristais avermelhados Cristais vermelhos Pó preto Cristais azuis Pó solúvel Pó ligeiramente solúvel Cristais brancos Pó branco Pó branco Cristais brancos Pó amarelo Cristais brancos Iodo Iodato de cálcio Iodato de potássio Carbonato manganês Manganês Sulfato de manganês Cobre Cloreto de cobre Óxido de cobre Sulfato de cobre Sulfato ferroso anidro Carbonato ferroso Zinco Sulfato de zinco Óxido de zinco Óxido de magnésio Sulfato de magnésio Enxofre em pó Selenito de sódio Ferro Magnésio Enxofre Selênio Fonte: Campos (1980) Tópicos em Ciências Agrárias. quando o consumo de sódio é feito ad libitum. 2 H2O Cu O CuSO4.0 25.5 Cu 37.0 38.2 30. Fontes de minerais para bovinos.CaX CaCO3 CaCO3 CaCO3. v.2H2O Ca3(PO4)2.3 9. 1.5 24.3 38.8 I 62.7 80.O NRC (1984) recomenda para o sódio 0. Assim. Nos cálculos práticos de misturas minerais.7 24.8 32. 7 H2O Zn O Mg O MgSO4.0 Mn 47.2 80.0 59. que são de 0.3 18./dia Tabela 2.7 Zn 22.5 22.

027 g de cloreto de sódio (Tabela 3). Teores de minerais de capim canarana-erecta-lisa (Echinochloa 242 Tópicos em Ciências Agrárias.235 0.59. BATISTA. 7.. Revista da Faculdade de Medicina Veterinária..000 REFERÊNCIAS AGOSTINI.154 g ou 47.100 g da mistura x = 47. Desse modo. F. Tabela 3.008 1. CAIELLI. 1092-1099.778 2. Mistura Mineral em Percentagem . n.223 0. 6. Nova Odessa. 4. Fonte Fosfato bicálcico Óxido de magnésio Óxido de zinco Sulfato de cobre Sulfato de cobalto Iodato de potássio Enxofre em pó Selenito de sódio Cloreto de sódio Total Consumo em g/U. Fontes de minerais. E.. Revista Centro de Ciências Rurais. transforma-se os valores de consumo das fontes de minerais/unidade animal/dia para percentagem (Tabela 3). Nova Odessa. A. 1976. 1974. 1. H. n.488 0. consumo por unidade animal/dia e percentagem dos ingredientes na mistura mineral. X.. a fim de que o consumo seja semelhante ou aproximadamente o mesmo do previamente calculado.. o provável consumo /unidade animal/dia e a percentagem de cada ingrediente na mistura mineral. um bovino ao ingerir 58.879 100. Santa Maria.042 0.016 0.014 1.004 27. 583-604. A.154 % de fosfato bicálcico A Tabela 3 mostra as fontes de minerais usadas.A fim de facilitar o preparo da mistura. A.528 0. et al. v. v.769 0. Effect of sand or soil as a dietary component on phosphorus utilization by sheep. p. 1984..027 58. C. 2 CAMARÃO.37 g de sódio x --------------------------. 100 g de cloreto de sódio --------------------------. AMMERMAN. G. MATOS. V. C.10 g de sódio x = 27. v. São Paulo. Levantamentos dos elementos minerais em plantas forrageiras de áreas delimitadas do Estado de São Paulo.909 g da mistura x -------------------------.58. 385-406. R. UFRB. 1974. KAMINSKI. S. MENDONÇA JÙNIOR. Journal of Animal Science. VALDIVIA. Anais. v.778 g de fosfato bicálcico -------------------------.. I.399 0.311 0. J.Fonte Sódio: cloreto de sódio = 37% de sódio (Tabela 2). I. 1966/67. et al.154 4. SP: Instituto de Zootecnia. 1. M.. A. fósforo e magnésio. n. é importante que todos os ingredientes da mistura mineral sejam bem homogeneizados com o cloreto de sódio. Estudo preliminar das concentrações de nutrientes minerais de solos e pastagens naturais ocorrentes em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. RS. Cálcio.909 Composição em % 47. 2009 .. P. p. B. ROSA. J. de O. v. 3. J.909 g da mistura consome aproximadamente 27 g de cloreto de sódio (10 g de sódio) e geralmente perde o apetite pela mistura mineral. Exemplo do cálculo: 27. H.027 0.4. A.007 45.. L. ANDREASI. In: ENCONTRO DE ATUALIZAÇÃO EM PASTAGENS. VEIGA. Assim. Alimentação. /dia 27.

Washington. PA: EMBRAPA/CPATU. S. 1980.. de O. Composição mineral de gramíneas e leguminosas. LOBÃO. v. 5. 31. Estudos de elementos minerais de interesse para a bovinocultura de corte. FICHTNER. Nova Odessa. NAZARIO. CAVALHEIRO. HADDAD. 80. Determinações minerais em forragens e tecidos de bovinos. J.: National Academy of Science.67-86. v. J. SILVA. p. 54) CAMPOS. HADDAD. M. Subcommittee on beef cattle Nutrition. Revista Brasileira de Zootecnia. J. D. P. UFRB. Gainsville: University of Florida. A. P. p. EPAMIG. p. J. 1992. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA PASTAGEM. M.Oeste do Brasil. 1988. Piracicaba: FEALQ. Nutrients requirements of beef cattle. C. Piracicaba. 1974. n. 1976. In: SIMPÓSIO LATINO-AMERICANO SOBRE NUTRIÇÃO MINERAL DE RUMINANTES EM PASTAGENS. 55 p. 32. B. Nutrients requirements of beef cattle. I. 131-144. C. Boletim de Indústria Animal. 87p. v.. J. C. p. S. O. 115-138. Tabelas para cálculo de rações. C.: National Academy of Science.A. Administração e consumo de um suplemento mineral. C. A.12. 1984. J. CAMARGO. ROSA. 1985.. V. Viçosa... MINERAIS PARA RUMINANTES. FURLANI. Interrelationship of dietary phosphorus. 12 p. 1. 2. Anais. M. F. MG. 1992. v. cobre e cobalto em algumas pastagens de Teófilo Otoni. S.. D. W. J.pyramidalis) em três idades. In: SIMPÓSIO SOBRE NUTRIÇÃO DE BOVINOS. Journal of Animal Science. p.1240.. et al.. W.1980. Boletim de Indústria Animal.. NRC . et al. TRINDADE. RIBEIRO. R. A. A. 1-14. R. 1982.National Research Council. BRAGA. C. em áreas da região Centro . 20-33. NRC . Washington. MG. O. R. GOMIDE. Revista Brasileira de Zootecnia. 2. SILVA. R. 1986. et al. 1. Piracicaba: ESALQ/CATI. v. ELLIS. p. 1980. UFV.. v. Tópicos em Ciências Agrárias. v. BATAGLIA. 1. W. n. 4th ed. J. 21. PLATZECK. 1971. C.. L. São Paulo. D.. 418-428. HENRY.. Teores de cobre e zinco em amostras de tecido animal.. Experientiae.. H. D.1231. v. 3. LOPES. v. São Paulo. sódio e potássio em pastagens nativas do Rio Grande do Sul. Belo Horizonte. O. 6. Teores de alguns minerais no capim-jaraguá em várias idades de corte. Anais. nos solos. Viçosa: Universidade Federal de Viçosa. 1985. n. p. PINHEIRO. 1980. 155-188.. POSSENTI. S. C et al. 49. 1970. Concentrações de cálcio. H. AMMERMAN.. NASCIMENTO JÚNIOR. Composição química inorgânica de forrageiras do Estado de São Paulo. R. n. Belo Horizonte: UFMG. forrageiras e tecidos animais. J. E. Anais. Belém. GALLO... ESAL.. Arquivo da Escola de Veterinária. n. 61 p. SP. M. A. S. Subcommittee on beef cattle nutrition. H. 1976. 3. p. D. R. Arquivos do Instituto Biológico. SANTIAGO. 56 p.National Research Council. p. (Circular Técnica. CONRAD. et al. Teores de fósforo. p. 48-55. . Carências minerais: aspectos relacionados com a deficiência de cobre no organismo animal.. Minerals for grazing ruminants in tropical regions. V. 6.55. et al. 1 / 4. Piracicaba. McDOWELL. 2009 243 . magnésio. C. 6th ed.. C. p. HIROCE. 1983. PEREIRA. C. n. 151-159. n. A. 53. A. aluminium and iron on perfomance and tissue mineral composition in lambs. JARDIM.. L..

SOUSA. 3.. Pesquisa Agropecuária Brasileira. 1970. p. 7). F. 12. G. C.. et al. SILVA. SOUSA. C. UFRB... C. v. S. nos Estados do Piauí e Maranhão. v. p. UFV. J. 63-87. Deficiências de cobre e cobalto em bovinos e ovinos no Nordeste e Norte do Brasil. v. W. São Paulo. 1981. G. Rio de Janeiro.. 1971. 21. v. 1. M. Deficiência de fósforo. N. et al. v. TOKARNIA. v. H. SHIRLEY. et al. Experientiae. p. C. CAMPOS. A. ferro e cobalto. Viçosa. T. H. et al.. Pesquisa Agropecuária Brasileira. R.. J. 3. ESALQ.. 3. I. SOUSA. N. J. CONRAD. n. Editado por Aristeu Mendes Peixoto e outros. 25-32. 2009 . Manganês. 739-746. plantas forrageiras e tecido animal. Interrelações entre minerais no solo. Belo Horizonte: UFMG. Interrelações entre minerais. R. J. 1. 1968. Pesquisa Agropecuária Brasileira. R. Brasília.. C. J. de O. P. n. v. J. Pesquisa Agropecuária Brasileira. A. MENDES. R.. Brasília. H. 3. M. 1976. 3.. Brasília. sódio e potássio.151-167. M. CANELLA. 1986. G. 259-269. 1980. Suplementação mineral de novilhos de corte em pastagens adubadas de capim-colonião. n. C.. 11. J. 34-50. 1327-1336. J. et al.. F... n. p. Piracicaba: FEALQ. 1985. C. Goiás. Zinco e cobalto. C... F.1995. GONÇALVES. 1966. BLUE. EPAMIG. J. cobre e cobalto em pastagens do município de Morrinhos. 1976. CARVALHO.. 11. GONÇALVES. 1309-1316. VIANA. Deficiência de cobre em bovinos no delta do Rio Parnaíba.. no solo. v. p. C.. In: SIMPÓSIO LATINO AMERICANO SOBRE PESQUISA EM NUTRIÇÃO MINERAL DE RUMINANTES EM PASTAGENS. et al. Arquivos do Instituto Biológico. Pesquisa Agropecuária Brasileira. C. J. 1960. 89-98. BLUE. Anais. SILVA. TOKARNIA. GOMES. p. 20. de Formulação de misturas minerais para bovinos. M. n. p. TEIXEIRA. 244 Tópicos em Ciências Agrárias. p. da. Deficiências minerais em bovinos de Roraima. J. Brasília. Série Atualização em Zootecnia. BRAGA. 20. v. 5. 15. C. CANELLA. n. Brasil. C. J. CANELLA. C. J. Ataxia enzootica em cordeiros na costa do Piauí. Determinação do teor de cobre. C. v. SOUSA. C.ed. Pesquisa Agropecuária Brasileira. J. 2. C. IV. J. M. 2. 1982. M. 335-341.. Brasil. CONRAD. p. p. Pesquisa Agropecuária Brasileira. Pesquisa Agropecuária Brasileira. 37. F.. et al. A. L. n. SAMPAIO. cobalto e vitamina B12 em fígado de bovinos e capim de algumas regiões do Estado de São Paulo. Arquivos do Instituto Biológico. 1. FERNANDES. 1985. W. J.. p. TOKARNIA. 163-167. C. VIANA. C. C. 473-489 (FEALQ. E . GUIMARÃES. v. Cobre e molibdênio. III. 1987. 3. p. H. M. C. 5. 16. 12. 1. In: Nutrição de bovinos: conceitos básicos e aplicados. DARSIE. J. Deficiências minerais em bovinos de Roraima. Teores de alguns nutrientes minerais em três gramíneas forrageiras. J. 22. Cálcio e fósforo. et al. 375-382. SOUSA. Brasil. n. Brasília. SOUSA. E. Magnésio. v. MG. ESAL. p.. de Água como fonte de minerais. 351-360. SOUSA. H.. n. plantas forrageiras e tecido animal. L.SANTOS. DOBEREINER. Revista Brasileira de Zootecnia. FREIRE. DOBEREINER. Brasília. v. H. Deficiências minerais em bovinos de Roraima. p.

A QUALIDADE DO LEITE E DA CARNE E A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS FUNCIONAIS Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 18 EFEITOS DA ADIÇÃO DE GORDURA SUPLEMENTAR À RAÇÃO DE BOVINOS SOBRE O METABOLISMO DA GLÂNDULA MAMÁRIA.

que apesar de menos estudados. A principal peculiaridade do leite de ruminantes consiste na presença de ácidos graxos de cadeia curta (produzidos na síntese lipídica da glândula mamária). característicos deste período.edu. E-mail: sljaeger@ufrb. 1. podendo conter misturas de gordura vegetal e animal. Ambientais e Biológicas/UFRB. na tentativa de aumentar a densidade energética da dieta. O desenvolvimento de pesquisas utilizando uma ampla variedade de fontes dietéticas de gordura tem buscado. em proporções adequadas. bem como a importância desta prática na produção dos alimentos funcionais. composição totalmente diversa daquela encontrada nas reservas corporais ou no leite de não ruminantes (Kinght et al. o fornecimento de gordura adicional pode influenciar outros aspectos fisiológicos dos ruminantes. glândula mamária e tecido adiposo. melhorando a saúde humana). ao contrário do que é observado na maioria dos leites das outras espécies. alimentos que contém compostos que agem como farmacêuticos. ruminalmente inertes. óleo de sementes. 2009 247 . apresentam perfis de ácidos graxos também variáveis. além dos efeitos sobre a fermentação ruminal e a composição do perfil de ácidos graxos do leite e da carne. a qualidade do leite e da carne. podendo estar complexadas com o cálcio. como para vacas de leite de alta produção. A QUALIDADE DO LEITE E DA CARNE E A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS FUNCIONAIS Soraya Maria Palma Luz Jaeger¹. proporcionando maior ganho de peso em níveis mais baixos de consumo. 1994). apresentando. As fontes lipídicas fornecidas aos bovinos. gajocaol@ufrb. visando corrigir o déficit energético ocasionado pelo baixo consumo de alimentos e o aumento da demanda de energia para a lactação. para sustentar a síntese láctea. sebo.Centro de Ciências Agrárias. Entretanto.. sendo consideradas. b) reduzir os teores de gordura saturada da carne e do leite. A composição de ácidos graxos do leite dos ruminantes reflete a natureza dos lipídios da dieta. que por sua vez. quanto no grau de saturação. c) produzir os chamados alimentos funcionais (i. Cruz das Almas-BA. 1985). Tópicos em Ciências Agrárias. 50% provêm da gordura (Van Soest.EFEITOS DA ADIÇÃO DE GORDURA SUPLEMENTAR À RAÇÃO DE BOVINOS SOBRE O METABOLISMO DA GLÂNDULA MAMÁRIA. principalmente: a) minimizar os efeitos negativos dos lipídios sobre a fermentação ruminal.edu.e. Já no caso do gado de corte. Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira¹ 1 Professor . tanto no comprimento de cadeia. A glândula mamária é dependente do suprimento sanguíneo que fornece substâncias. também devem ser considerados quando se recomenda a suplementação lipídica. O perfil médio de ácidos graxos do leite de bovinos foi descrito por Palmquist et al. A disponibilidade destas substâncias é definida como o produto de sua concentração no sangue e do fluxo sanguíneo no úbere (Davis & Collier. portanto. Recomenda-se que a suplementação lipídica para vacas de leite seja feita no início do pós-parto.br. UFRB. Neste capítulo será feita uma avaliação das perspectivas do uso de fontes lipídicas em dietas de ruminantes e sua influência sobre o metabolismo da glândula mamária. tanto para gado de corte em confinamento. a recomendação da adição de gordura é feita para as dietas de terminação. bem como os efeitos do metabolismo ruminal dos ácidos graxos e a síntese destes ácidos no intestino. (1993) e é apresentado na Tabela 1. v. neste caso.br INTRODUÇÃO A adição de gordura suplementar à ração de bovinos é uma estratégia alimentar que vem sendo bastante utilizada como alternativa economicamente viável. Do total de calorias do leite destes animais. 1994) que é composta por cerca de 95% de triglicerídeos. são variadas. Efeitos da suplementação lipídica sobre o metabolismo da glândula mamária A glândula mamária é o maior sítio de triglicerídeos dos ruminantes. óleo de farinha de peixe.

são de origem sanguínea. o processo de produção de leite engloba inter-relações complexas entre eventos de absorção. foi observada relação negativa em ambos os casos. a maior concentração de citrato no leite. a intensidade de ocorrência do ciclo de Krebs na glândula mamária. UFRB. O b-hidroxibutirato parece responder mais pela síntese de ácidos graxos de cadeia curta. Em primeiro lugar.Tabela 1. v. Os ácidos graxos de cadeia longa.41 2. Composição padrão de ácidos graxos da gordura do leite de vaca (Adaptado de Palmiquist et al.39 2. Os ácidos graxos saturados que são captados pela glândula mamária são então dessaturados pela ação da enzima dessaturase. observada no tratamento TRANS. 1985). 1. e não da síntese local. ditaria a extensão da depressão no teor de gordura. que durante muito tempo foi associada a limitações no nível de substrato (acetato e b-hidroxibutirato) para a síntese de ácidos graxos na glândula mamária. e observaram redução no teor de gordura do leite de vacas submetidas ao tratamento TRANS (Tabela 2). Em suma. por sua vez. pode indicar redução do requerimento de NADPH para a síntese de ácidos graxos (redução da ação da isocitrato desidrogenase).0%) A grande maioria dos ácidos graxos de até 16 carbonos presentes no leite de ruminantes. conseqüentemente. em segundo lugar. a ação inibitória do trans-C18:1 sobre a enzima acil-transferase (que atua na esterificação de ácidos graxos) na glândula mamária e. o que resulta num valor mais baixo da proporção C18:0/C18:1 em comparação à digesta duodenal. haveria efeito negativo da presença do trans-C18:1 sobre o processo de síntese lipídica na glândula mamária. síntese.81 3. Segundo estes autores duas teorias podem estar efetivamente envolvidas na redução do teor de gordura do leite pela suplementação com lipídios.19 2. resultante do efeito tóxico dos lipídios sobre as bactérias fibrolíticas tem sido. Ao que tudo indica.38 (60. mais recentemente. são sintetizados na própria glândula mamária.. sugerindo que a quantidade de trans-C18:1 que chega à glândula e é incorporada ao leite. provavelmente exercem influência sobre a síntese de novo e/ou a esterificação de ácidos graxos na glândula mamária. este mecanismo encontrado em todos os ruminantes tem a função de preservar a fluidez do leite (Demeyer & Doreau. 1993). procedimento comum na alimentação de vacas leiteiras de alta produção no início da lactação. embora estes mecanismos ainda não estejam bem elucidados. observaram redução no teor de gordura do leite e aumento do fluxo de trans-C18:1 para o duodeno. butírico) C6:0 (caproico) C8:0 (caprílico) C10:0 (cáprico) C12:0 (laurico) C14:0 (mirístico) C14:1(miristoleico) C16:0 (palmítico) C16:1 (palmitoleico) C18:0 (esteárico) C18:1 (oleico) C18:2 (linoleico) Teor (g 100 g-1 de gordura) 3. 1993). Wonsil et al.34 1. principalmente a partir do acetato e do butirato.32 2. (1994). leva a efeitos depressivos sobre o teor de gordura do leite. sendo sua concentração dependente da ação da enzima lipoprotéica lipase no endotélio capilar mamário (Davis & Collier. no alongamento da cadeia (Palmiquist et al. Gaynor et al. Ao estabelecerem regressão entre o fluxo duodenal e concentração de trans-C18:1 no leite com a percentagem de gordura no leite. Essa redução.63 29.. os quais. limitando. 1999).39 11.53 3.84 27. Tem sido relatado que a suplementação lipídica. Fornecendo diferentes fontes de gordura suplementar a vacas em lactação. 2009 . relacionada aos ácidos graxos trans-C18:1. ao passo que o acetato responde principalmente pela formação de ácidos graxos de cadeia mediana (10-14 carbonos) por intermédio da formação do primer preferencial malonil-CoA e posterior ação da enzima ácido graxo sintase.78 (40. Ácido graxo C4:0 (ac. (1994) infundiram no abomaso de vacas holandesas misturas de ácidos graxos ricas em isômeros cis-C18:1 (tratamento CIS) ou trans-C18:1 (tratamento TRANS). oxidação e excreção. Assim.0%) 9. 248 Tópicos em Ciências Agrárias.

0 1. em média. resida no tecido mamário. Na comparação entre os diversos resultados. sebo protegido.15 unidades percentuais na proteína do leite (Canale et al. à medida que a produção (volume) de leite é estimulada pela suplementação.83 Tratamentos CIS 2 46. gordura dietética acima das recomendações Diluição da proteína pelo aumento da produção de leite - o Tópicos em Ciências Agrárias.59 2. 3% de gordura na MS). Cant et al. sumarizados por Wu & Huber (1994). UFRB. gordura e trans-C18:1. Polan & Fisher. Para determinar as causas da redução da porcentagem de proteína do leite. (1997) e Griinari et al.4 7.27 0.Tabela 2. sais de cálcio de ácidos graxos. soja integral e gordura amarela) com teor de gordura variando entre 5 a 8% da MS (e algumas exceções com 17% da MS)..6 9. acredita-se que o mecanismo causador da depressão da proteína do leite.45 0. a caseína é a mais susceptível à depressão associada ao fornecimento de dietas ricas em lipídios (Chow et al.10 a 0. Os mesmos autores acrescentam que manipulações dietéticas para aumentar a absorção de aminoácidos limitantes ou para incrementar a síntese protéica microbiana ruminal seriam indicadas para amenizar este problema. sugerindo que a depressão da proteína do leite ocorre independente do tipo de gordura suplementar.99 Dados em g 100 g de ésteres de ácidos graxos. Wu & Huber (1994) resumiram as comparações entre mudanças na produção e teor de proteína do leite para dietas com gordura suplementar em experimentos individuais (Tabela 3). embora o trans-11-C18:1 (ácido vacínico) seja na maioria das vezes apontado como mais influente na ocorrência da síndrome do baixo teor de gordura do leite. também têm sido associadas a reduções entre 0. deva estar associada a uma inadequação dos aminoácidos essenciais disponíveis para a síntese de proteína do leite na glândula mamária. Dados de 83 experimentos de diversos autores. concentração de citrato no leite e fluxo duodenal de trans-C18:1.7 8.3 1. 1991.512 3. Produção diária de leite. não foram observadas interações relacionadas à fonte de lipídio suplementar. DePeters & Cant. 1992). outros isômeros trans-C18:1 podem ser formados e dúvidas se erguem se outra forma isomérica possa ter ação mais potente sobre o metabolismo da glândula mamária.68 TANS 308 47.0 1. sebo. 1990. mas leite aumentou Proteína e leite diminuíram Aumento proteína < aumento do leite Nenhuma mudança Total 11 15 45 2 83 Consumo da MS diminuído. avaliando a influência da suplementação lipídica com diferentes fontes (óleos e gordura animal. sendo a magnitude da depressão similar para as diversas fontes. Nesta comparação concluiu-se que a diminuição da concentração da proteína do leite durante a suplementação lipídica. Fonte: adaptado de Gaynor et al. 2009 249 . Tabela 3. sobre o consumo de matéria seca e porcentagem e produção de proteína do leite. também relatam reduções dentro da faixa citada.. Mudanças relativas na produção de leite N de Razões aparentes para mudanças e proteína do leite comparações Aumento proteína > aumento do leite 10 O consumo de matéria seca foi mantido Proteína diminuiu. Dentre as frações da proteína do leite. caroço de algodão. Kalscheur et al. em vacas holandesas.. Como a caseína é sintetizada de novo na glândula mamária. Variável Fluxo trans-C18:1 (g dia ) -1 Leite (kg dia ) -1 Gordura (kg dia ) Gordura (%) 1 trans-C18:1 no sangue -1 Citrato no leite (mmol l ) 1 -1 -1 Controle 2 47. 1993). (1994). (1998) afirmaram que. Mudanças relativas na produção de leite e na proteína do leite de vacas recebendo dietas com gordura suplementar comparadas a dietas controle (adaptado de Wu & Huber.605 3. v. 1994). 1990. gordura dietética acima das recomendações Início da lactação. pela adição de gordura suplementar à dieta.211 2. comparadas a dietas controle (contendo. Dietas ricas em lipídios (ruminalmente inertes ou não). 1.

incremento da função do receptor de LDL e redução da secreção de lipoproteína-colesterol pelo fígado (Stipanuk. Gordura não protegida. que ocorre por ação microbiana. UFRB. passaram a ser objeto de inúmeras pesquisas visando a melhoria das qualidades nutricionais da carne. Acredita250 Tópicos em Ciências Agrárias. (1981). Pesquisas recentes nessa área têm aperfeiçoado o conhecimento da influência das lipoproteínas na partição dos lipídios entre a musculatura esquelética. o aumento do fornecimento de gordura insaturada na dieta tem efeito limitado sobre o conteúdo de ácidos graxos insaturados (AGI) nos tecidos ou no leite de ruminantes. têm sido sugeridas para tentar proteger a gordura suplementar fornecida aos ruminantes contra a biohidrogenação e. Porém. as características qualitativas e quantitativas da produção de carne e leite. A influência positiva dos AGPI w-3 nas doenças cardiovasculares em humanos sugere que seria benéfico aumentar os teores de tais ácidos no leite. ou seja. conseqüentemente. o uso da proteção com formaldeído é proibido devido ao suposto efeito cancerígeno deste tratamento. do leite e seus derivados.18:1.Suplementação lipídica vs. quando as dietas são ricas em concentrado) ou quanto maior for o teor de ácidos graxos insaturados da gordura complexadada. 1993).e. não interferindo negativamente sobre a digestibilidade da fibra. A proteção dos lipídios com proteínas tratadas com formaldeído é uma delas. Segundo Connor et al. Além de proteger os ácidos graxos insaturados contra a biohidrogenação. Entretanto. transporte e metabolismo dos lipídios. o que pode trazer sérias limitações a este tipo de proteção. qualidade do leite e da carne A qualidade dos produtos de origem animal tem sido freqüentemente associada à natureza da fração lipídica neles contida. Inúmeras técnicas. quando são fornecidas dietas contendo óleo de peixe. aumentar o fluxo de AGI para o intestino delgado. o fígado e o tecido adiposo. óleos ricos em ácido linoléico e óleos parcialmente hidrogenados contendo diferentes isômeros trans. maior será a dissociação dos sais de cálcio. A redução do LDL-colesterol ocasionada pelos AGPI não é somente pela substituição dos ácidos graxos saturados. O mecanismo pelo qual os ácidos graxos insaturados diminuem os níveis de LDL-colesterol tem sido investigado intensamente. transformando-os em ácidos graxos saturados (principalmente o ácido esteárico) ou isômeros trans de ácidos graxos monoinsaturados (Chilliard. físicas e químicas. bem como da manipulação do perfil de ácidos graxos nos tecidos dos ruminantes. Van Nevel & Demeyer (1996) afirmaram que quanto mais baixo o pH ruminal (i. deve-se lembrar que a composição química e a taxa de secreção das lipoproteínas estão entre os principais fatores que controlam a utilização de lipídios pelos tecidos e. Como já foi comentada anteriormente. o enriquecimento do leite com ácido linolênico só seria possível com o fornecimento de gordura (p. possuem propriedades que reduzem a concentração plasmática de colesterol em humanos. é um dos principais fatores relacionados à baixa proporção de ácidos graxos polinsaturados na gordura destes animais. Há ainda estudos que diferenciam os efeitos dos AGPI de acordo com a posição da dupla ligação (w-3 ou w-6). Kennelly (1996) afirma que a única maneira de aumentar o teor de ácido linoléico no leite seria a suplementação de lipídios protegidos com proteína. Tem-se encontrado altos níveis de trans-C18:1 no leite. Ainda que se consiga aumentar o fluxo duodenal de ácidos graxos insaturados e. o conhecimento das particularidades da digestão. ex. sementes oleaginosas e sais de cálcio não resultam em conteúdo de ácido linoléico maior que 5mg/100mg do total de ácidos graxos do leite. conseqüentemente. nos animais de corte. Desde que o elevado consumo de gordura saturada passou a ser apontado por médicos e nutricionistas como principal causa de doenças cardiovasculares em humanos. inibindo a incorporação e/ou a síntese de novo. v. óleo de linhaça) protegida contra a biohidrogenação. 1989). a suplementação lipídica. e na contribuição dos lipídios para a síntese de gordura do leite. 2009 . Tem-se observado que os ácidos graxos poliinsaturados presentes na carne e no leite de ruminantes. a biohidrogenação ruminal. absorção. mas também devido a alguma atividade daqueles. 1. estratégia freqüentemente usada para atingir os requisitos de energia das vacas de alta produção no período do pós-parto. portanto. levando à redução de 70-90% do teor de ácidos graxos polinsaturados (AGPI) da digesta. em diversos países. Ao que parece. Um exemplo de proteção química que vem sendo bastante empregada é a complexação das gorduras com cálcio. Da mesma maneira. pode alterar o teor de gordura e a composição de ácidos graxos do leite. 2000). Entretanto. incrementar a absorção dos mesmos. os chamados “sais de cálcio” são considerados ruminalmente inertes. os AGPI w-3 são mais potentes em reduzir o colesterol que os AGPI w-6. reduções do colesterol propiciadas por dietas ricas em AGPI ocorrem associadas à redução de HDL-colesterol (Mensik & Katan. Esta técnica parece ser bastante eficiente quando se deseja incrementar a absorção intestinal de ácidos graxos polinsaturados. O mecanismo de redução do LDL-colesterol pelo consumo de dietas ricas em ácidos graxos poliinsaturados é o oposto ao demonstrado pelos ácidos graxos saturados. Ao contrário do que ocorre nos monogástricos.

e. v. Rule et al. pela enzima ácido linoléico isomerase produzida pela bactéria Butyrivibrio fibrisolvens. rins e fígado.octadecenóico (ácido trans-vacinico) e. funcionando como incentivo adicional ao uso da suplementação lipídica para o gado de corte. ainda são escassas as pesquisas desenvolvidas nesta área. observaram aumentos de até 100% nos teores de AGPI intramuscular (gordura de marmoreio) destes animais. depreciando o seu valor. a adição de gordura é uma alternativa viável para baratear a formulação de dietas.se que uma combinação entre altos níveis de concentrado e uma suplementação com óleos de peixe ou óleos ricos em ácido linoléico poderiam aumentar a produção de trans-18:1. Em uma segunda etapa o dieno conjugado é hidrogenado ao ácido trans-11. (1991) relatam que a suplementação com óleo de linhaça na dieta de bovinos elevou o teor de C18:3 w-3 no tecido adiposo. pode conferir à carne e ao leite. a produção de carne não é limitada pelo consumo de energia. pois o tratamento térmico das sementes de oleaginosas parece proteger os ácidos graxos C18:2 da biohidrogenação. Desses isômeros. bem como aos seus subprodutos. Parodi. e quando a fonte de gordura é composta de sementes oleaginosas tratadas pelo calor ao invés de óleos (não protegidos). propriedades benéficas à saúde humana. devido a menores taxas de hidrogenação no rúmen (Demeyer & Doreau. não têm se preocupado apenas com a melhoria das qualidades nutricionais destes alimentos. aumento da massa magra e propriedades antidiabéticas (Pariza. quando se almeja manipular o perfil de ácidos graxos destes produtos. analisando o perfil de ácidos graxos da carne de novilhos precoces alimentados com fonte suplementar de gordura protegida (5% da MS). bem como diversos AGPI de cadeia longa. isto é. citados por Gaynor et al. músculos. quando gordura protegida a base de óleo de peixe é adicionada à dieta destes animais. (1994). Bessa et al. podendo agir em benefício da saúde humana. Ultimamente tem-se relatado que o ácido linoléico conjugado (CLA). 2000) e. caracterizada por decréscimo nos teores de C16:0. tem sido sugerido. promoção do crescimento. como primeiro intermediário da biohidrogenação de ácido linoléico da dieta. muito embora esta atividade também tenha sido Tópicos em Ciências Agrárias. e aumento dos teores de C18:0. Clinquart et al. encontrado em altas concentrações na gordura de animais. Durante algum tempo. Pires et al. melhoria do sistema imune. (1994). De maneira diversa à produção de leite. 1999). Segundo Ashes et al. UFRB. em razão disso pesquisadores têm buscado elevar os teores de CLA nestes alimentos. C18:1. Existem nove diferentes isômeros do CLA de ocorrência natural em alimentos. através de manipulações da dieta passou então a ser o alvo das pesquisas.. acreditou-se que o melhoramento genético visando obter animais mais magros com baixo teor de gordura intramuscular seria a melhor solução para se obter carne bovina de melhor qualidade. mais tarde. Contudo. 2009 251 . então hidrogenado ao ácido esteárico. que são aqueles que contém compostos com propriedades farmacêuticas. mas também com a produção dos chamados alimentos funcionais. a suplementação com gordura insaturada tem provocado um decréscimo nos teores de ácidos graxos de cadeia curta e média. O CLA se refere a uma mistura de isômeros (geométricos e de posição) do ácido linoléico (C18:2 w-6) com uma dupla ligação conjugada. Assim como tem sido observado no leite. (1992) os lipídios intramusculares em carneiros retêm muito mais AGPI w-3 que o leite. e um aumento nos teores de ácidos graxos de cadeia longa (principalmente C18:1) da carne. Entretanto a maior susceptibilidade à oxidação e aos defeitos de aroma e sabor da carne e derivados enriquecidos com AGPI também devem ser considerados. Um incremento na proporção de AGPI w-3: w-6 em animais magros. (2002). ao que parece. que pode promover alterações benéficas na composição de ácidos graxos da carne. Suplementação lipídica influenciando a produção de alimentos funcionais As estratégias de alimentação de ruminantes que visam a manipulação do perfil de ácidos graxos da carne e do leite. o cis-9 trans-11 parece ser a forma mais comum que apresenta atividade biológica. 1. forneceram a bovinos suplementação lipídica a base de canola extrusada e observaram alterações na composição de ácidos graxos do tecido adiposo. O CLA é produzido no rúmen. tais como: efeito anti-carcinogênico. 1994. sem a presença do Carbono metilênico entre as duas duplas ligações. Entretanto é sabido que baixos níveis de gordura intramuscular (cerca de 10g kg-1) podem prejudicar as propriedades organolépticas da carne. O incremento do teor de triacilgliceróis enriquecidos com AGPI na gordura intramuscular. Estes efeitos têm sido menos pronunciados nos lipídios intramusculares em comparação aos da gordura subcutânea.1997.

2001). e óleos ricos em C20:5 e C20:6. estudando o efeito de dietas baseadas em pastejo (gramíneas).relatada para outros isômeros. (1994) 5.0 Enser et al. 2009 .2 – 8. (2000) 1. relataram que o aumento na proporção de gramínea na dieta ocasionou um aumento linear na concentração de CLA na carne.. pela inclusão de gramíneas na dieta e pela proporção forragem:concentrado na dieta.2 – 12. revelaram que: (1) gorduras saturadas e monossaturadas não promovem o aumento do CLA.8 French et al. Porém. (1999) Mir et al. (b) óleo de linhaça (rico em C18:3).7 -10. As concentrações de CLA na gordura do leite são primariamente influenciadas pelo suprimento de ácido linoléico no rúmen. (2000).5 Foferly et al. (1997) 3.1995). (1999) 7.8 Referências Ma et al. ao fato do gado consumir maior quantidade de forragens ricas em AGPI nestes países. relacionando os efeitos da fonte de gordura suplementar da dieta de vacas sobre o teor de CLA no leite.1 Shanta et al. French et al. (1999) estudaram a concentração de CLA na carcaça de bovinos da raça Charolês recebendo suplementação com diferentes tipos de gordura: (a) saturada. Tabela 4. Embora os pesquisadores venham obtendo sucesso na busca para elevar os teores do ácido linoléico conjugado nos alimentos de origem animal.0 1. e relataram que bovinos suplementados com fontes de AGPI apresentaram um aumento de duas a três vezes na concentração de CLA. ou sais destes ácidos. Alguns autores utilizam o nome ácido rumênico para o isômero encontrado em maiores concentrações na mistura CLA. Concentração de ácido linoléico conjugado em carne bovina crua (Maloney et al. especialmente o trans-10 cis-12.33 g dia-1) resultou em aumento da concentração de CLA nos tecidos da carcaça. v. (2000).2 – 3.9 – 4. 1.3 – 12.9 – 4. ainda que esta denominação não tenha sido amplamente aceita pela comunidade científica. UFRB.3 Chin et al.4 Tsuneishi et al. comparados aos que foram suplementados com fontes de ácidos graxos saturados. Maloney et al. o isômero trans 10 cis12 CLA diminui o LDL-colesterol.4 Shanta et al. a suplementação de CLA para ovinos em confinamento com uma fonte de ácido linoéico (óleo de girassol . Segundo Deckere et al. HDLcolesterol e aumenta o VLDL-colesterol em 18%. (2000) 3.7 – 5. Segundo Mir et al.9 McGuire et al. Enser et al. (1996) encontraram uma relação positiva entre trans. respectivamente. o cis 9 trans 11 CLA não apresenta efeito significativo em lipídios plasmáticos de hamsteres.. (2001) sumarizaram dados de diversos autores relatando as concentrações de CLA na carne bovina (Tabela 4). (c) óleo de peixe (rico em C20:5 e C20:3). (2) Os maiores aumentos dos teores de CLA são obtidos quando a fonte da suplementação lipídica é composta por óleos ricos em ácido linoléico. ao longo do ano. silagem de gramíneas ou concentrado sobre a concentração intramuscular de CLA em bovinos de corte. Lin et al.0.7 – 1. 11% e 61%. as concentrações atualmente encontradas na carne e no leite de 252 Tópicos em Ciências Agrárias. em humanos. (1999). em relação à carne produzida no reino unido.5 Shanta et al. Dieta Desconhecida Cevada (800g/kg dieta) Silagem de gramíneas e concentrado Milho (820 g/kg dieta) Desconhecido Desconhecido Grãos Concentrado Gramínea Gramínea Gramínea Desconhecida País Canadá Canadá Reino Unido USA USA USA USA Japão USA Austrália Irlanda Alemanha Concentração (mg/g gordura) 1. (3) Os aumentos nos teores de CLA promovidos pela suplementação com fontes ricas em ácido linolênico são mais discretos que aqueles ocasionados por fontes ricas em ácido linoléico. (1997) 2. (1992) 1. (1995) e Jiang et al. (1999) 3. Dados de diversos autores compilados por Demeyer & Doreau (1999). (1988) 3.0 Fritsche e Steinhart (1998) Os autores atribuíram a alta concentração deste ácido nas carnes irlandesas e australianas. Este achado pode explicar porque o efeito do trans-C18:1 não é sempre associado à maior incidência de doenças cardiovasculares (Wolff. (1998) 2.C18:1 e o CLA.

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CAPÍTULO 19 CARBOIDRATOS NA NUTRIÇÃO DE PEIXES Leandro Portz Tópicos em Ciências Agrárias .

1995).CARBOIDRATOS NA NUTRIÇÃO DE PEIXES Leandro Portz Professor . Embora o tecido muscular de peixes carnívoros. E-mail: lportz@ufrb. Os peixes em seu habitat natural consomem pouco carboidrato através do alimento natural. porém quando criados confinados em tanques e viveiros a alimentação artificial proporciona a disponibilização destes carboidratos pela composição vegetal de suas dietas. como a truta arco-íris (Oncorhynchus mykiss). lipídios e aminoácidos. Ambientais e Biológicas/UFRB. podem resultar tanto em aumento como em diminuição do estoque de glicogênio (Moraes et al.. O glicogênio é um nutriente muito utilizado em adaptações bioquímicas em várias situações de estresse ambiental. oligo e polissacarídeos) são digeridos através de ação enzimática. obtendo suas reservas energéticas através da proteína. Hilton & Atkinson (1982) constataram que dietas contendo amido de milho extrusado ou simplesmente milho extrusado à truta arco-íris (Oncorhynchus mykiss).. As fontes de carboidratos são melhores utilizadas pelos peixes quando sofrem um processo térmico. Os carboidratos são componentes essenciais a quase todos os seres vivos. sendo restabelecidas somente 24 horas após terem sido consumidas. 1. O ciclo do glicogênio hepático no catabolismo mostra que esta forma de reserva orgânica é muito mais importante como suprimento de intermediários metabólicos para processos biossintéticos do que como fonte de energia (Christiansen & Klungsoyr. Nagai & Ikeda (1971) mostraram que períodos de restrição alimentar superiores a 164 dias não resultam em uma queda significativa na reserva de glicogênio muscular da carpa comum (Cyprinus carpio). A utilização dos carboidratos está diretamente relacionada à sua concentração na dieta. De modo geral. pois não gastam energia para manutenção da temperatura corporal e excreção dos compostos nitrogenados. as quantidades totais de glicogênio muscular ou hepático podem ser consideradas iguais (Steffens. 1987). UFRB. Soengas et al. Os polissacarídeos são encontrados em todas as células dos animais e mais abundantemente no fígado. tendo como função primordial o estoque de energia que pode ser utilizada pelos animais. o lactato e o piruvato (Black et al. 1999). Erfanullah & Jafri. Variações do pH. necessitam de energia para a manutenção do metabolismo básico. as reservas de glicogênio no músculo e fígado dos peixes podem diminuir em poucos minutos. 2009 259 . 1987). assim como os mamíferos e animais terrestres. a glicose. podendo ser utilizados diretamente como fonte de energia ou levados até o fígado. v. Cruz das Almas-BA. onde são metabolizados. tipo e forma do carboidrato e principalmente à espécie e seu hábito alimentar (Hilton & Atkinson. O glicogênio hepático é considerado um estoque emergencial de energia prontamente utilizável nos primeiros momentos de situações críticas de estresse (Christiansen & Klungsoyr. os carboidratos não são eficientemente utilizados pelos peixes (NRC. Do ponto de vista de utilização da energia. da salinidade. onde são absorvidos por transporte passivo (difusão simples) ou por transporte ativo (potencial de membrana ou gasto direto de ATP) na parede do trato digestivo e assim transportados via sistema porta. alcançando normalmente 7% do peso seco do tecido (Stryer. 1961). os peixes são considerados muito mais eficientes do que mamíferos e aves.lactato. 1993).edu. Pode-se citar como carboidratos mais importantes no metabolismo de peixes: o glicogênio.br INTRODUÇÃO Os peixes. compostos estes presentes na dieta. períodos de grande esforço físico e mudanças de dietas. aminoácidos. apresentaram um desempenho melhor do que em dietas contendo amido cru. 1982. 1989). Isto mostra que estes peixes iniciam a utilização das reservas de glicogênio do corpo a partir do glicogênio tecidual hepático. 1996. Como conseqüência de uma intensa atividade física ou jejum. O Tópicos em Ciências Agrárias. dos níveis de oxigênio dissolvido na água. glicogênese (síntese de glicogênio) e glicogenólise (degradação do glicogênio para disponibilização de glicose). embora estes peixes tenham mostrado uma redução de 75% na reserva de glicogênio tecidual hepático após 100 dias de restrição alimentar. a gliconeogênese (síntese de uma nova molécula de glicose ou frutose utilizando um intermediário não glicídico .Centro de Ciências Agrárias. glicerol). No processo de digestão dos peixes. possa concentrar cerca de 6% a mais glicogênio que o fígado.. 1971). sendo encontrado em grande quantidade nos tecidos do fígado e músculo destes animais. crescimento e reprodução. As vias bioquímicas mais importantes envolvendo estes carboidratos são: a glicólise (oxidação anaeróbica da molécula de glicose). Normalmente esta energia é obtida através do metabolismo dos carboidratos. sem serem convertidos em monossacarídeos. os carboidratos (di. O glicogênio é uma das muitas formas de armazenamento da energia consumida como alimento pelo peixe.

acelulose (C). O aumento do nível da farinha de peixe na dieta reflete no aumento dos níveis de proteína na dieta (Adaptado de Steffens 1989). indicaram que dietas contendo dextrina e amido de milho proporcionaram melhores índices de desempenho do que dietas que continham glucose. com atividades específicas. necessária para hidrólise da fibra. este mesmo autor comprovou uma alta atividade da amilase quando este onívoro foi alimentado com dietas ricas em energia. mas não necessariamente em todas as espécies que são utilizadas em estudos de pesquisas relacionadas à nutrição. diferem de espécie para espécie e são descritas na literatura de acordo com os hábitos alimentares dos peixes. Por outro lado. Atividade da amilase em trutas arco-íris (Oncorhynchus mykiss) em resposta a diferentes dietas: farinha de peixe (FM). em experimentos conduzidos com a tilápia mossambica (Oreochromis mossambicus). amido de batata (PS). 2009 . 1987). 15% PS. 1. v. Normalmente a atividade das enzimas. assim como as lipases. Porém. celulose. 40% C) D (20% FM. na maioria das espécies. principalmente da amilase. 20% C) C (40% FM. Em relação aos níveis de amido na dieta. assim A (80% FM. 15% PS. As enzimas possuem uma ampla faixa de tolerância à variações térmicas (20-40oC) e suas atividades ótimas ocorrem entre pH 6-8 (Hilton & Atkinson 1982). Assim poderíamos concluir que para este bagre onívoro a utilização de carboidratos complexos é mais eficiente. que normalmente estão presentes na membrana do intestino. Ainda este mesmo autor afirma que somente algumas bactérias presentes no intestino de peixes herbívoros e de alguns onívoros poderiam talvez apresentar tal enzima. a atividade da enzima amilase em trutas arco-íris pode aumentar em resposta ao tipo de alimento fornecido. sacarose e frutose (Wilson & Poe. Similarmente. Estas enzimas. também poderão ser encontradas no suco pancreático e estômago. ou quando é fornecida ao peixe uma dieta rica em proteína (Figura 1).mesmo foi observado em experimentos com esturjão siberiano (Acipenser baeri) utilizando-se o amido extrusado ou pré-gelatinizado e o milho extrusado em comparação com o amido cru. outros carboidratos. sendo esta considerada uma fonte de energia não disponível para os peixes. ao aumento na temperatura ou salinidade da água. 15% PS) 4500 4000 Atividade Total 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 B (60% FM. UFRB. Em experimentos com truta arco-íris. Pezzato (1997) explica que a baixa utilização se deve ao fato destas espécies não possuírem a enzima celulase. 15% PS. o pâncreas é o maior produtor das enzimas que degradam os carboidratos. 60% C) 0 10 20 30 40 Figura 1. Segundo Steffens (1989). maltose. a carpa comum (peixe onívoro) responde de modo oposto ao da truta arco-íris (Figura 2). Digestão dos carboidratos em peixes Nos peixes podemos encontrar diversos tipos de enzimas digestivas (carboidrases). Porém trabalhos feitos com peixes onívoros como o bagre do canal (Ictalurus punctatus). 260 Tópicos em Ciências Agrárias. Bergot & Breque (1983) constataram que a celulose é um carboidrato muito utilizado em experimentos com dietas purificadas mas que não pode ser utilizada como fonte de energia mas sim como fibra.

Cyrino et al. 40% PS) C (40% FM. alimentado com dietas extrusadas com diferentes níveis protéicos e níveis de lipídios variando entre 12 e 14% e níveis de carboidratos de até 30%. Espécies Carassius carrassius Ctenopharyngodon idella Oreochromis niloticus Cyprinus carpio Salmo gairdneri Anguilla japonica Seriola quinqueradiata I 100 84 44 35 8 1 1 Amilase P S a-Glucosidase I S 100 b-Galactosidase I S 34 61 59 8 31 <1 <1 <1 16 15 <1 2 20 22 <1 11 6 I= Intestino. 90% PS) Atividade amilase 4000 3000 2000 1000 0 7 23 43 69 80 Duração da alimentação (dias) Figura 2. (1997) para o “European sea bass” (Paralabrax humeralis) que. na alimentação de juvenis de “sunshine bass” (Lepomis gibossus) e utilizaram a relação hepato-somática (RHS) como uma medida relativa de estoque energético. Efeito da composição da dieta na atividade da amilase em carpa comum (Cyprinus carpio). (1992) testaram níveis de proteína dietética variando de 25 a 55%. a-glucosidase e b-ga-lactosidase no trato digestivo de diferentes espécies. (2000). Atividade relativa (máx. Adaptado de Steffens. 10% PS) 5000 B (60% FM. o que mostra que quanto menor o nível de proteína dietética. 2009 261 . Brown et al.=100) de amilase. Tópicos em Ciências Agrárias. Farinha de peixe (FM). maior a utilização de carboidratos e a deposição de glicogênio no fígado. Resultados semelhantes foram relatados por Pérez et al. 60% PS) D (10% FM. estudando rações que continham farinha de trigo como fonte de carboidrato. 1989). Digestibilidade dos carboidratos em peixes Tabela 1. Os autores observaram que os valores da relação hepato-somática encontrados eram inversamente proporcionais aos níveis de proteína e diretamente proporcionais aos níveis de carboidratos digestíveis dietéticos. P= Ceco pilórico. Estes mesmos autores ainda concluem que o “black bass” pode utilizar eficientemente dietas artificiais desde que os níveis de carboidratos sejam inferiores a 30% e as rações sejam adequadamente processadas (extrusadas). 1989. S= Estômago. Resultados semelhantes também foram mostrados por Millikin (1982) para o “striped bass” (Morone saxatilis). condicionam um maior acúmulo de reservas energéticas prontamente utilizáveis na forma de glicogênio. v. observaram níveis mais altos de glicogênio tecidual hepático (GTH) e nos valores da relação hepato-somática (RHS) quando o carnívoro “black bass” (Micropterus salmoides) era alimentado com dietas contendo 42% de PB. UFRB. como também atividades de outras enzimas que digerem carboidratos são descritas pela diferenciação na nutrição entre espécies (Tabela 1).A (90% FM. com incremento de 5%. próximos a 42%. Isto mostra que rações contendo altos níveis de proteína. amido de batata (PS) (Adaptado de Steffens. não apresentaram queda de desempenho. 1.

v.1 38. 1.0 98.4 60.5o C e 15o C e também pelas dietas que continham acima de 25% deste carboidrato. Carboidratos Glucose Maltose Sacarose Lactose Dextrina Amido cozido Amido cru a . Para os salmonídeos. Digestibilidade de diferentes carboidratos da “brook trout” (Salvelinus fontinalis) e truta arco-íris.6 99. Chiou & Slinger (1979) demonstraram os coeficientes de digestibilidade de diferentes carboidratos utilizados em rações para truta que receberam processos térmicos diferentes (Tabela 5).5 26. 262 Tópicos em Ciências Agrárias. não sendo este coeficiente influenciado pela temperatura da água. A capacidade de digestão dos carboidratos pelos salmonídeos tem sido freqüentemente detalhada e pesquisada em estudos referente à nutrição. contudo nas dietas artificiais os carboidratos estão presentes e pode ser observado que estes carnívoros podem ser capazes de digerir carboidratos. observouse uma alta taxa no ganho de peso e melhores taxas na conversão alimentar da truta arco-íris (Tabela 4). A digestibilidade dos polissacarídeos é dependente da magnitude de sua contribuição na dieta.8 65. que variou entre 11. “Brook trout” (%) 99 92 73 60 57 38 - Truta arco-íris (%) 79 .0 52. Digestibilidade (%) de diferentes carboidratos em vária proporções na dieta de truta arco-íris com 10-25 g de peso vivo e uma temperatura de água à 16o C. com níveis de glucose de 20% na dieta.2 97.Amido de batata Fonte: Singh & Nose (1987).2 30 99.4 45.Além do hábito alimentar. Shiau (1997) foi capaz de mostrar que o amido de milho após sofrer um tratamento térmico (gelatinização) era melhor utilizado pelo peixe do que o amido de milho em estado natural.2 50.8 95.3 99. existe um interesse particular centralizado no que diz respeito à digestibilidade do amido e da dextrina. 2009 .4 77. Quando o amido de milho hidrolisado era empregado em uma composição básica de ração.celulose Fonte: NRC 1973. UFRB. Em testes realizados por Hilton et al. observa-se que os coeficientes de digestibilidade dos carboidratos diminuem com o aumento de sua proporção na dieta (Tabela 3). à existência de uma variabilidade entre as diversas espécies de peixes quanto a digestibilidade dos carboidratos se deve.80 52 . à diferenciação anato-fisiológicas do trato digestivo destas espécies.90 77 . os carboidratos geralmente estão ausentes na dieta natural.0 99. embora em proporções menores em relação às proteínas (Tabela 2).3 40 99.8 96. (1981).3 74.1 Carboidratos Glucose Sacarose Lactose Dextrina a .1 97.14 Tabela 3.24 10 . Por se tratar de espécies carnívoras.99%. dextrina e amido de batata (Figura 3).70 20 .5 94.2 60 99. Na maioria das pesquisas realizadas para avaliação da digestibilidade de carboidratos em peixes. Nível de Carboidrato na Dieta (%) 20 99. e os autores sugerem que estes carboidratos podem atuar como economizadores de proteína.5 98. que foram também substituídas por maltose. Tabela 2.2 69. também. o coeficiente de digestibilidade para glucose em trutas arco-íris. foi de 96% . Juvenis de Oncorhyncus tshawytscha (truta da califónia) pesando menos de 1g mostraram menores taxas de crescimento em água à 10o C.7 50 99.

à o 112 C) tostada o (10 min. à 112 C) Farinha de trigo crua autoclavada (10 min.55 2 42 13 107 121 1. a . 1.73 1. contendo cada uma amido de milho em estado natural (n) ou amido de milho hidrolisado (h). 2009 . v. Fonte: Adaptado de Steffens.A B C Ganho de Peso 1. Tabela 4.62 3 42 13 67 115 2. Diferenças no ganho e utilização de alimento em alevinos de truta arco-íris em resposta à administração de dietas similares.30 1. Amido g/kg Digestibilidade da dieta (%) 807 100 780 0 772 541 391 418 75 168 0 0 62 27 54 62 Açúcar g/kg Digestibilidade da dieta (%) 843 100 19 40 41 101 88 57 87 100 263 Tópicos em Ciências Agrárias. A = glucose.34 1.0 0.64 4 32 29 66 112 2. 1989. D = amido de batata. Digestibilidade aparente de amido e açúcar para truta arco-íris.glucose Dextrina (amido hidrol.74 h 1.) Amido crú (milho) Amido autoclavado o (10min. UFRB. C = dextrina.67 Tabela 5. Crescimento de juvenis de Oncorhynchus tshawytcha em resposta a diferentes tipos de carboidratos (com nível de 20%) na dieta.5 20 40 60 80 Dias Figura 3. Dietas 1 Proteína (%) 42 Amido (%) 15 Ganho de Peso (g) n 80 h 92 Taxa de Conversão Alimentar (kg/kg ganho) n 1. B = maltose. à 250 C) Farelo de soja (49% de proteína bruta) Farinha de glúten de milho (60% de PB) Fonte: Adaptado de Steffens (1989).5 D 1.

6 34. não digere carboidratos com tanta eficiência quanto as carpas.4 14. Para a carpa-capim (Ctenopharygodon idella). 10 84 20 80 30 79 40 60 50 38 60 35 O peixe Seriola quinqueradiata.22o C. Com relação ao ganho de peso e taxa de conversão alimentar da dieta. ambos com 30% de inclusão na dieta (Steffens.8 14.% 71 59 56 52 Fibra Bruta (%) 2. Furuichi et al. (1986) obtiveram os valores em resposta à digestibilidade da glucose e do amido de batata cozido. Digestibilidade da Dextrina em várias concentrações em substituição no alimento.8 43.0 Digestibilidade (%) 91 56 38 14 Fonte: Kirchgessner et al.0 25.3 46. Quando foi testada a digestibilidade da dextrina como fonte de carboidrato. v. onde os peixes estavam condicionados a temperaturas variando entre 10o C . Dextrina contida na dieta (%) Digestibilidade (%) Fonte: Steffens (1989). Alimento Farinha de trigo Pó de trigo Grãos de trigo Farelo de trigo ENN (extrat. Embora a digestibilidade do a-amido tenha sido significativamente menor em comparação à glucose.1 5. A digestibilidade de carboidratos em carpas é extremamente dependente do nível de fibra bruta contida na dieta (Tabela 7) conforme demonstrado em experimentos feitos por Kirchgessner et al. Tabela 6.8 30. 264 Tópicos em Ciências Agrárias. um tunídeo de águas tropicais muito criado no Japão. (1986).7 12.5 Digestibilidade (%) 74 75 84 58 45 56 55 65 51 46 75 Tabela 7. o grupo que recebeu 20% de glucose na dieta demonstrou resultados piores em relação aos outros grupos (Tabela 9). A digestibilidade de carboidratos provenientes de sementes de leguminosas aparentemente são mais pobres do que a dos cereais.6 15.7 8. a digestibilidade do farelo de soja foi de 63% e para a farinha de milho 88%. Digestibilidade de carboidratos (trigo) de uma carpa de 1200 g de peso vivo condicionada a uma temperatura de 24oC. UFRB.A digestão de carboidratos em carpa foi descrita por Furuichi & Yone (1982) (Tabela 6). uma espécie que se alimenta essencialmente de vegetais. 1.1 22. Chiou & Ogino em 1975 já haviam concluído que a fração de carboidratos da semente de lúpulo e da soja apresentavam baixo desempenho quando utilizadas em dietas para peixes. 1989). Carboidrato (% do peso seco) 55. o melhor ganho de peso percentual era descrito em resposta ao amido contido na dieta e não à glicose. 2009 .0 37. Alimentos Cevada Aveia Centeio Trigo Ervilha Lúpulo Semente de girassol tostada Farinha de amendoin Farinha de soja Componenetes da dieta Fonte: Adaptado de Steffens (1989). surgia uma relação negativa entre os coeficientes de digestibilidade e a concentração de dextrina na dieta (Tabela 8). (1986). Digestibilidade de diferentes carboidratos em carpas com dois anos de idade. não nitrogenado) . Tabela 8.

Este fato foi comprovado quando os autores detectaram o aparecimento de glucose na urina (Glicosúria). pode ser excretada sem ser utilizada. isto poderia demonstrar uma importante descoberta no metabolismo pós-absortivo de peixes. Fonte: Furuichi et al. o qual também contribui para perdas na digestibilidade de nutrientes. 100 80 60 40 20 S 20 S 10 G 20 G 10 Absorção (%) 1 2 3 4 5 6 Horas Figura 4. (1986) também observaram em carpas e no atum (Seriola quinqueradiata). A atividade da amilase era reduzida pela presença de amido cru e aumentada pela inclusão de amido hidrolisado. que a glucose na forma livre é mais rapidamente absorvida que a glucose contida na forma de a-amido (Figura 4). pelo fato do nível de insulina do plasma sangüíneo somente alcançar o seu nível máximo após duas horas da ingestão do alimento e a atividade das enzimas glicolíticas hepáticas e gluconeogênicas relacionadas ao metabolismo de carboidratos somente mostrar aumento após duas a três horas da administração do alimento.Tabela 9.41 20 94 60 2. digestibilidade da glucose e amido de batata em várias concentrações na dieta do peixe Seriola quinqueradiata com 70-150 g de peso vivo. Spannonhof & Plantikow (1983) descreveram que a atividade da amilase em trutas arco-íris é reduzida em cerca de 80% quando o trigo é utilizado em sua forma natural sem nenhum processamento térmico Tópicos em Ciências Agrárias.11 Amido de Batata 20 56 95 1. Os autores concluíram que a maior parte dos carboidratos oriundos da absorção de glucose na forma livre. (1986). Nível de Carboidrato na Dieta (%) Digestibilidade (%) Ganho (%) Taxa de Conversão Alimentar (kg/kg) Fonte: Furuichi et al. taxa de conversão alimentar. Os autores supracitados observaram que este fator reflete no aumento do nível de açúcar sangüíneo após duas horas de alimentação. Porém. durante 30 dias de alimentação. UFRB. 2009 265 . níveis elevados de amido na dieta de truta arco-íris produzem um aumento no volume de suco gástrico. em ambos os tratamentos com 10% e 20% de glucose contida na dieta. 1. Ganho. Glucose 10 92 84 1.43 Furuichi et al. Outro fator importante a ser levado em consideração quanto às fontes de carboidratos é que o trigo contém albuminas as quais agem como inibidores de amilases. Taxa de absorção de glucose (G) e a-amido de batata (S) em quantidades de 10% e 20% na dieta de Seriola quinqueradiata. De acordo com Spannonhof & Plantikow (1983). O amido cru na dieta pode aumentar a taxa de transito do conteúdo intestinal. (1986). v. apesar de serem altamente e rapidamente absorvidos antes do aumento das atividades enzimáticas.

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Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Benedito Marques da Costa Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 20 ALIMENTAÇÃO DE CAPRINOS LEITEIROS Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira.

O fornecimento de colostro é feito nas primeiras horas de vida. silagem ou fenos de capins ou de leguminosas). sem receber sol. Considerando-se o aspecto social. as cabras são mantidas em pastagens. Existem criações que. CABRITOS EM ALEITAMENTO A partir dos três dias de idade. durante os primeiros 3 dias de vida. Em regime de confinamento total.edu. A seguir é apresentado um programa de alimentação de caprinos com objetivo de produção de leite. Em regime de semi-confinamento. Animais em regime de confinamento total. destacam-se a alimentação de cabritos nas fases de aleitamento e crescimento e de cabras em gestação e lactação. de fenos de capins ou de leguminosas.O cabrito é separado da mãe desde o primeiro dia. v. Este procedimento exige menos mão-de-obra.Existem dois esquemas de aleitamento para recém-nascidos: a) Aleitamento natural . A partir de oito dias de idade. devido ao elevado preço do leite de cabra. após o parto. Fornecimento de colostro . Nesse programa.É uma forma de aleitamento prática. em pequenas áreas.br. UFRB. em regime de semi-confinamento ou em confinamento total. devido ao seu valor nutritivo e ao fato de ser um leite que pode ser consumido por crianças e adultos que apresentam intolerância a outro tipo de leite. sljaeger@ufrb. Quando ocorre acidente com a matriz. Deve ser fornecido 500 ml do colostro. podendo receber uma suplementação de volumosos na forma de capins de corte. onde são alimentadas diariamente com alimentos volumosos (capins de corte. receber suplementação de ração concentrada.com INTRODUÇÃO A criação de cabras com objetivo de produção de leite é uma atividade produtiva bastante importante pelos aspectos econômico e social. também. a produção de leite de cabras pode ser rentável. Cruz das Almas-BA. beneditomc@hotmail. deve-se fornecer alimento volumoso rico. preferencialmente feno de leguminosa. Quando não se dispõe de quantidade suficiente. e reduza a produção de leite do rebanho. embora retarde o consumo de concentrados e volumosos pelos cabritos. E-mail: gajocaol@ufrb. Este método exige maior mão-de-obra que o anterior. Tópicos em Ciências Agrárias. além do alimento concentrado e da mistura mineral completa. Esquema de aleitamento . recomenda-se o fornecimento de alimento concentrado com 12 a 18 % de proteína bruta e mistura mineral completa à vontade.Centro de Ciências Agrárias.br. recebendo o colostro e leite inicialmente em mamadeira ou caixa de aleitamento e depois no balde. conforme a sua produção de leite. embora não seja econômica. Levando-se em conta o seu aspecto econômico. mistura mineral e ração concentrada. isoladas do rebanho nos primeiros cinco dias após o parto. pequenos produtores podem criar cabras para a subsistência de sua família. fornecer pelo menos no primeiro dia. voltando a apartá-los à tarde. Neste esquema as cabras e as crias permanecem juntas. objetivando a absorção de anticorpos que se verifica mais nesse período inicial. b) Aleitamento artificial . parcelado em quatro ou cinco vezes ao dia. duas ou três vezes ao dia.ALIMENTAÇÃO DE CAPRINOS LEITEIROS Gabriel Jorge Carneiro Oliveira1. deixam os cabritos com a mãe. alcançando preços por litro mais elevados do que o de leite de vacas. Podem.edu. e mistura mineral. através de premix vitamínico. é aconselhável administrar à dieta vitamina D. após a ordenha. poderá ser utilizado o colostro proveniente de outras matrizes. em seguida o cabrito é apartado e levado para aleitamento. Benedito Marques da Costa1 ¹ Professor . Soraya Maria Palma Luz Jaeger1. as cabras são mantidas em capril. 1. Ambientais e Biológicas/UFRB. 2009 271 .

o ganho de peso diário objetivado. O leite ou “sucedâneo” deve ser fornecido com temperatura de 35 a 37º C. da gestação e do estágio da gestação (NRC. é importante o fornecimento de volumosos de boa qualidade com o intuito de proporcionar aos animais condições de adquirirem o peso de reprodução ou de abate mais precocemente. nutrientes digestíveis totais (NDT). Desmama . ANIMAIS EM CRESCIMENTO Nesta fase. sem receber sol. 9º ao 11º dia: 50 % de leite de cabra e 50 % de leite de vaca. 1.6 % do peso vivo.88 2. Por outro lado. 12º dia: leite de vaca. durante o primeiro mês. Ao utilizar leite de vaca a substituição deve ser gradual seguindo as seguintes proporções: 6º ao 11º dia: duas partes de leite de cabra / uma parte de leite de vaca. para caprinos em crescimento (adaptado do NRC. A desmama tardia é realizada a partir dos 90 dias de idade.79 1. Entre os produtos utilizados no aleitamento artificial.21 1. sendo o primeiro o mais indicado para substituir o leite de cabra.41 2.43 1. cálcio (Ca) e fósforo (P) para um ganho de peso diário de 100 g. passando gradativamente a ser oferecido à temperatura ambiente no segundo mês. 272 Tópicos em Ciências Agrárias. devem receber a vitamina D através da adição de premix vitamínico na ração concentrada.47 NDT (g) 275 426 561 PB (g) 51 67 79 Ca (g) 2. 1981. 1 Peso vivo (kg) 10 20 30 1 MS (kg) 0. que comprime o rúmen. AFRC. O fornecimento de uma mistura mineral pode ser necessário para complementar as exigências de cálcio e fósforo e demais elementos minerais. quando o animal já estiver ruminando.45 0. Quando se usa leite de soja ou produtos comerciais contendo soja.0 a 2. em uma ingestão diária de matéria seca que varia de 2. 2009 . a desmama pode ser realizada a partir de três semanas de idade.Considerando o estado fisiológico do cabrito e os objetivos da criação. A Tabela 1 serve de orientação para o cálculo da ração visando um ganho de peso diário de 100 gramas. Os animais criados em confinamento. de forma que. 1990. A relação cálcio/fósforo deve ficar ajustada entre 2:1 e 1.5:1. levando o animal à morte.10 Mcal = Megacalorias.09 ED (Mcal) 1.32 2.1981). destacam-se o leite de vaca e o de soja. Exigências de matéria seca (MS). INRA. O peso vivo dos animais a serem arraçoados. provocada pelo aumento do volume do útero.A higiene do material deve ser rigorosa. v. a depender do peso vivo da matriz. 1993). Tabela 1. deve-se ter cuidado de fornecer somente a partir do 28º dia. energia digestiva (ED). Se for oferecido antes do 28º dia pode causar sérios problemas de distúrbios digestivos. CABRAS EM FINAL DE GESTAÇÃO No terço final da prenhez ocorre uma redução de 20% no consumo de matéria seca. UFRB. o nível de nutrientes requeridos e o consumo de matéria seca devem ser levados em consideração no cálculo da dieta a ser fornecida. devido à demanda de nutrientes da mãe somados àqueles para formação do feto (Tabela 2).49 P (g) 1.43 3. do número de fetos. neste período as exigências nutricionais são maiores. Com estes cuidados evitam-se distúrbios digestivos. proteína bruta (PB). Recomenda-se o fornecimento de volumoso de boa qualidade juntamente com alimento concentrado rico em proteína bruta. a dieta possa atingir até 22 % de proteína bruta.

20 1.5 4.97 1. Segundo o INRA (1990) a demanda de nutrientes para produção de leite deve obedecer à regra apresentada na Tabela 4.07 0. incluindo os requerimentos de mantença (adaptado do NRC.40 6.47 1.52 6. nutrientes digestíveis totais (NDT). Exigências de nutrientes para mantença. energia digestiva (ED).4 2.0 10.Tabela 2.4 1. devese atentar para o consumo de fibra em detergente neutro (FDN) fisicamente efetiva. UFRB.5 % de gordura Para animais de alta produção. o cálculo da IMS deve ser feito a partir da seguinte equação: IMS = 0.1 3. 1981).34 1. As Tabelas 3 e 4 possibilitam estimar as quantidades de alimentos e de nutrientes a serem fornecidos para produção de leite.02 4. IMS = Ingestão de MS (g dia-1). Exigências de matéria seca (MS).60 1. de forma direta. Segundo o AFRC (1993).0 8.0 50 60 70 80 1 Mcal = megacalorias. 1.59 1.10 5.0 13.5 7. até 5 % para animais de alta produção.58 4.0 % do peso vivo (PV) em animais de baixa exigência.59 5. pelo menos 1/3 da IMS deve ser de feno não picado ou forragem verde.5 3. PL = Produção de leite (kg dia-1) com 3.0 4. Tabela 3. que necessitam ingerir grandes quantidades de alimentos concentrados.0 P (g) 1. Peso vivo (kg) 30 40 50 60 70 1 ED (Mcal)¹ 1. v.62 3.0 7.0 3.21 1.8 Mcal = megacalorias.62 NDT(g) 816 1141 932 1268 1027 1363 1114 1454 1458 1504 PB(g) 159 215 173 235 187 253 200 273 212 293 Ca (g) 5.305 PL onde. proteína bruta (PB). CABRAS EM LACTAÇÃO Apesar da ingestão de matéria seca (IMS) poder variar a cada dia.0 6.33 1.3 5.00 4. PV = Peso Vivo (kg).5 a 2. A IMS varia de 1. com a ração total contendo no mínimo 28 % de FDN.0 8. com relatos de consumo que chegam a atingir 8 % do PV. cálcio (Ca) e fósforo (P) para cabras gestando dois fetos.4 5.90 6.46 ED (Mcal)¹ 3.062 PV 0.0 P (g) 2.1 2. 2009 273 .0 6. do peso vivo e da produção de leite da cabra.09 1. Tópicos em Ciências Agrárias.75 + 0. dentre os quais se destacam o peso metabólico ou apenas o peso vivo e o nível de produção de leite.0 3. A demanda de nutrientes para produção de leite depende.0 3.4 2. Para atender às exigências de FDN fisicamente efetiva.0 11. Fonte: adaptado do NRC (1981).98 2.42 6.7 3. As equações podem considerar diversos fatores.8 4. existem equações que permitem calcular o provável consumo de matéria seca (MS) para situações específicas.1 2.01 NDT (g) 362 448 530 608 682 PB (g) 51 63 75 86 96 Ca (g) 2.5 9. nos dois últimos meses de prenhez. Peso vivo (kg) 40 Gestação (mês) 4° 5° 4° 5° 4° 5° 4° 5° 4° 5° MS(kg) 1.0 2.

v. d.3 68. Eles consomem mais brotos e folhas de árvores e arbustos e dicotiledôneas herbáceas do que gramíneas. 2009 . Tipo de forragem Gramíneas (%) Dicotiledôneas herbáceas Brotos e folhas Fonte: Pfister. apresentando teor de proteína bruta de 10 a 14 % na matéria seca. citado por Azevedo (s.8 Junho 1. Embrater (1984) classifica os volumosos em quatro tipos: a) rico. essas preferências variam conforme a época do ano (Tabela 5). A alimentação de cabras leiteiras deve seguir um programa baseado na qualidade dos alimentos volumosos disponíveis. manifestando suas preferências. os caprinos são pastejadores seletivos. Quando se utiliza este tipo de volumoso.5 4.1 24. 1. UFRB. Contudo. que determinam o teor dos nutrientes e a quantidade de concentrados a serem oferecidos de conformidade com as necessidades de mantença e produção dos animais. O volumoso pobre é formado por pasto em início de maturação. É recomendável que a alimentação seja individual. 1990).1 28.). O tipo rico é aquele constituído de pasto verde em crescimento. silagem ou feno de gramíneas pobres com teor de proteína bruta de 5 a 10 % na matéria seca. (1996). em lactação e cabritos em crescimento. em diferentes meses do ano. 274 Tópicos em Ciências Agrárias. Contudo. as principais espécies lenhosas que compõem a vegetação da caatinga e os seus graus de aceitabilidade por caprinos (Oliveira.6 A Tabela 6 exemplifica.5 3.0 3. como também foi constatada por Araújo Filho et al. somente cabras em lactação e cabritos em crescimento recebem suplementação de ração concentrada. silagem ou feno de boa qualidade. Fevereiro 37. c) pobre e d) muito pobre. para que possam se alimentar adequadamente. Demanda de nutrientes para produção de leite em função das exigências de mantença (adaptado de INRA. apresentando teor de proteína bruta na matéria seca acima de 14 %. é necessário que a forragem dessas espécies esteja ao alcance dos animais. deve-se suplementar ração concentrada para cabras em final de gestação. Tabela 4.5 PREFERÊNCIA ALIMENTAR E USO DE VOLUMOSOS Com relação à preferência alimentar. feno de boa qualidade. Produção de leite (kg dia-1) 2 3 4 5 6 7 Múltiplo da exigência de mantença 2.8 22.0 2.7 34. com algumas leguminosas.4 67. Ao utilizar este tipo de volumoso.0 4. conseguiram uma melhora do ganho de peso diário de caprinos. mostrando preferências por espécies forrageiras e por determinadas partes das plantas. 1990). Para o tipo de volumoso pobre é necessária a suplementação com ração concentrada para todas as categorias de animais. De acordo com a composição em nutrientes. quando aumentaram a acessibilidade e a produção de forragem pelo corte da vegetação arbustiva. citados por Huss (1972). Contudo. b) médio. e Zertuche.2 Dezembro 1. pode ser fornecida em cochos coletivos desde que haja disponibilidade de canzis para contenção dos animais. Huss et al. com elevada percentagem de leguminosas. Tabela 5.6 26.A Tabela 4 demonstra que as cabras devem ser alimentadas segundo sua produção. Variações da composição botânica nas dietas de caprinos.3 59.3 Outubro 2. O volumoso do tipo médio é formado por pasto maduro.

entretanto o consumo deve ser limitado. v. Outra forma de uso da uréia é em mistura com o sal. Algumas das leguminosas recomendadas são apreciadas pelos caprinos (Tabela 6). Com este tipo de volumoso. deve-se incorporar à mistura fontes de carboidratos como o milho. UFRB. Seu uso na alimentação de caprinos. PASTAGEM DE LEGUMINOSAS As leguminosas se constituem em importante fonte de proteínas para os ruminantes. neste caso. A fim de se evitar intoxicação dos animais. 2009 275 . também. requer que se faça uma adaptação gradativa para prevenir intoxicação e para que haja um bom aproveitamento (Tabela 7). silagem ou feno. Tópicos em Ciências Agrárias. produção de forragem e utilização do guandu (Cajanus cajan) e leucena (Leucaena leucocephala). ou plantios em faixas nas pastagens de gramíneas. cana picada. 1. 40 g 100 kg-1 de peso vivo/animal/dia (Teixeira. falta de sementes idôneas para o plantio das leguminosas recomendadas e a outros fatores. Informações sobre a produção de leite em caprinos alimentados com níveis crescentes de uréia foram apresentadas por Santos & Bose (1985). a suplementação concentrada é necessária até para manter o peso vivo dos animais.Tabela 6. conhecidos por “bancos de proteínas” ou “legumineiras”. foram apresentadas por Garcia (1986). melaço ou mandioca para se obter bons resultados. em mistura com melaço. ou seja. Importantes informações sobre o valor nutritivo. provavelmente devido à dificuldade de acesso às informações provenientes da pesquisa. Costa et al. a uréia é recomendada para caprinos adultos ao nível de até 30 % do nitrogênio total da dieta. Nome vulgar Sabiá Marmeleiro Mofumbo Jurema preta Jurema branca Pau branco Catingueira Juazeiro Pereiro Pau mocó Aroeira Imburana Melosa Mororó Jucazeiro Nome científico Mimosa caesalpiniaefolia Croton hemiagyreus Cobretum leprosum Mimosa nigra Pithecolobium dumosum Auxema onconcalyz Caesalpinia pyramidalis Ziziphus joazeiro Aspidosperma pririfolium Luetzelburgia auriculata Astromium urundeuva Bursera leptophloeos Ruelia asperula Bauhinia forficata Caesalpinia ferrea Aceitabilidade +++ + + ++ ++ + ++ +++ + ++ + + +++ +++ ++ Legenda: + = baixa. Com relação ao concentrado. apresentando uma orientação geral de manejo. A uréia pode ser fornecida. pode ser usada em até 3 % deste ou até 1 % da matéria seca total da ração. Principais espécies lenhosas da caatinga e graus de aceitabilidade por caprinos. como pasto para ruminantes. de baixa qualidade. essa prática ainda está muito reduzida. O tipo de volumoso muito pobre é formado por pasto maduro. USO DA URÉIA A utilização da uréia em mistura com alimentos para caprinos deve ser feita observando-se as mesmas normas preconizadas para os bovinos e respeitando-se sempre o nível máximo de uréia na mistura. São realizados plantios de áreas exclusivamente com leguminosas. 1989). Fonte: adaptado de Oliveira (1990). (1989) recomendam algumas espécies de leguminosas nativas e exóticas para formação de pastagens. na proporção de 5 % da mistura. tanto herbáceas como arbustivas. +++ = alta. com teor de proteína bruta inferior a 5 % na matéria seca. ++ = média. No caso dos caprinos é recomendável a utilização de espécies perenes. Contudo. contudo.

Logan.. Energy and protein requirements of ruminants. M. ovinos y caprinos. L.. p. M. Boletim de Indústria Animal. 1989. J. n. Anais. V. Anais . 8..V. AN INTERNATIONAL SYMPOSIUM.0 1. 243 p. 1989. e SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA PASTAGEM. MENDONÇA. 1986. 25.Agricultural and Food Research Council. dairy and meat goats in temperate and tropical countries.). LEITE. Revista da Sociedade Brasileira de Zootecnia. E. [s. v. v. 42. 1971. 599). UFRB. ARAÚJO FILHO. Viçosa. de.5 20 a 25 30 a 37.79-99. 1. Produção de leite em caprinos alimentados com níveis crescentes de uréia. Mossoró: Escola Superior de Agricultura de Mossoró. J. Brasília: EMBRATER. R. p. ed. Nova Odessa. 2ª. SANTOS. In: Wildland shrubs their biology and utilization. B. p. 331-338. Goat response to use of shrubs as forage. Composição botânica e química da dieta de ovinos e caprinos em pastoreio combinado na região dos Inhamuns. A. Brasília: Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior. João Pessoa.1996. Pró Reitoria de Extensão. 1986. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE PASTAGENS. Alimentación de bovinos. d. A. p. 1990. 2009 .. A. Piracicaba. L. R. R.. M. A. n. S. 1990. 159p. A. 3. TEIXEIRA. 91p. v. Madrid: MundiPrensa. 1985. In: SIMPÓSIO NORDESTINO DE ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES.5 40 -1 REFERÊNCIAS AFRC . Criação de cabras leiteiras.5 2. Banco de proteína. COSTA. C.. 27 p. R. INRA . CALAZANS. 94-107. João Pessoa: Sociedade Nordestina de Produção Animal. Manejo alimentar de caprinos e ovinos. et al. d. 1986. D. GARCIA.. OLIVEIRA.Tabela 7. EMBRATER. Forrageiras arbóreas e suculentas para formação de pastagens.. p. Quantidade no concentrado (%) 0. 24 p.. A. Nutrient requirements of goats: angora. de. de. GADELHA.]. Alimentos e Alimentação. NRC . 1990. 11-30. BOSE. E. Proceedings. 276 Tópicos em Ciências Agrárias. 1. Piracicaba: FEALQ. Ceará. G. 1972. 1984. Esquema de adaptação de caprinos à uréia. 383-395.5 1. AZEVEDO. 432p. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará. Wallingford: CAB International. maio/junho. jan-jun. J. Ogden: USDA Forest Service.National Research Council. dos. da. Período 1ª semana 2ª semana 3ª semana 4ª semana Fonte: adaptado de Azevedo (s. L.Institut National de la Recherche Agronomique. E.) 10 a 12. (Coleção mossoroense série B. 1981. 3.. 321p.0 Quantidade (g 100 kg de P. HUSS. Washington: National Academy Press. 1993. Nutrição de caprinos e ovinos no Nordeste do Brasil.

CAPÍTULO 21 DESENVOLVIMENTO REGIONAL E A COMPETITIVIDADE DO AGRONEGÓCIO: ESTUDOS DE CLUSTER Warli Anjos de Souza Tópicos em Ciências Agrárias .

na integração de diferentes atores e atividades. Evidencia-se nesta exposição que o processo de aglomeração não é apenas uma conseqüência da globalização e das vantagens das empresas localizadas nos clusters. expressas na redução dos custos de coordenação e na melhoria da eficiência e da inovação tecnológica da agroindústria.Centro de Ciências Agrárias. a elaboração de um plano de desenvolvimento local tem como roteiro inicial identificar as questões que devem orientar a prática da construção da competitividade com base nessa multiplicidade de fatores. diminuindo os custos de produtores. isto é. As economias externas explicam o crescimento dos clusters industriais contemporâneos e é por isso que Tópicos em Ciências Agrárias. Embora o termo seja recente. a competirem. envolvidas em atividades similares e relacionadas. que procura medir o desempenho econômico. Compreendido o fenômeno local. Marshall notou que a aglomeração de firmas. a competitividade é abordada a partir de uma leitura multidisciplinar. UFRB. O texto está dividido em duas seções: uma fundamentação teórica sobre cluster e uma metodologia alternativa para a pesquisa. O Conceito de Cluster Cluster é um termo recente na literatura das ciências sociais. Isto é. através da concentração geográfica de indústrias pertencentes à mesma cadeia produtiva e da participação em ações conjuntas de interesses comuns. são apresentadas também as condições necessárias e suficientes que complementam a explicação para o surgimento de um cluster ou agricluster numa região ou país. os pólos de desenvolvimento localizados. Portanto. microeconômicos. Adicionalmente. que alcançaram um dinamismo competitivo e tecnológico. nesta abordagem. A ênfase é dada às investigações das questões associadas à competitividade local. as condições necessárias ao desenvolvimento configuram-se na construção de redes (networks). nas suas três dimensões: social. gerava economias externas. os impactos ambientais e sociais da aglomeração. Em conformidade com Haddad (1999).edu. Um roteiro metodológico é sugerido para conduzir pesquisas de arranjos produtivos locais na forma de estudos de caso de cadeias agroindustriais selecionadas em determinada região. em decorrência da abertura da economia brasileira para uma integração competitiva em escala global. Os estudos de cluster têm revelado as premissas para atingir o melhor equilíbrio no desenvolvimento interno. sociais.br INTRODUÇÃO Este capítulo consiste em apresentar os aspectos conceituais relacionados ao termo cluster e sua conexão com desenvolvimento regional e a competitividade local do agronegócio. fácil acesso aos fornecedores de insumos e serviços especializados e a rápida disseminação de novos conhecimentos (tecnologias). especialmente as pequenas empresas. Neste sentido. v. o que se busca com o desenvolvimento regional é a competitividade dinâmica de empresas e regiões. Essas vantagens incluíam um grupo de trabalhadores especializados. E-mail: warli@ufrb. busca identificar aquelas atividades que orientam o cluster para exportação. A metodologia busca analisar a competitividade da agroindústria regional numa concepção de desenvolvimento integrado do cluster. A delimitação conceitual do termo cluster permite compreender o seu significado para o estabelecimento da competitividade local. Marshall (1920) já havia demonstrado. políticos. COMPETITIVIDADE LOCAL E CLUSTERS A competitividade local é a base onde se assenta a interiorização do desenvolvimento e requer uma compreensão multidisciplinar. suprimentos ou suporte fundamental. 1. 2009 279 . em Princípios de Economia. que surgiu para denominar alguns setores bem sucedidos da economia mundial. econômica e ambiental. porque um agrupamento de empresas poderia auxiliá-las. esta abordagem utiliza o conceito de cluster para a análise de problemas de desenvolvimento dirigidos à agroindústria regional. formando grandes aglomerados interativos. institucionais e ambientais.DESENVOLVIMENTO REGIONAL E A COMPETITIVIDADE DO AGRONEGÓCIO: ESTUDOS DE CLUSTER Warli Anjos de Souza1 1 Professor . DESENVOLVIMENTO REGIONAL. que definem as atividades-chave do cluster. Cruz das Almas-BA. Assim. pois o fenômeno envolve aspectos macroeconômicos. Ambientais e Biológicas/UFRB.

A ação coletiva é apresentada em diversos relatórios de pesquisas sobre clusters industriais em países avançados e em desenvolvimento. gerando um ambiente propício à elevação da competitividade dos agentes. definido como a vantagem competitiva. Adiconalmente às economias externas incidentais. o que permite explorar diversas economias de aglomeração. maquinários. Um cluster se desenvolve para criar capacidades produtivas especializadas dentro de uma região e como conseqüência promove o seu desenvolvimento econômico social e ambiental. instituições públicas e privadas de suporte fundamental. a partir da qual são geradas externalidades produtivas e tecnológicas. mas pela visão sistêmica de que o todo é mais que a soma das partes. publicados na década de 1990 (Brusco. 2009 . técnico ou humano). não são suficientes para explicar o desenvolvimento de um cluster. por exemplo. 1990. Podem ser citadas. Assim. especificamente. o alcance de matéria-prima. Assim. 1998). e geralmente incluem: empresas de produção especializada. Rabellotti. surge o conceito de eficiência coletiva. máquinas. 1998. 1999). 1. informação. Tendler & Amorim. que é preciso verificar as 280 Tópicos em Ciências Agrárias. especialmente. Porter (1999) define cluster como concentrações geográficas de companhias e instituições num setor específico que englobam uma gama de empresas e outras entidades importantes para a competição. serviços e instituições voltadas para o setor. produtos e serviços mais qualitativos e até inovados. Entretanto. derivado de economias externas (efeitos incidentais) e da ação coletiva (efeitos deliberativos). O conceito de cluster remete as pesquisas a identificarem atividades produtivas e inovadoras. do final do século XIX. Esses estudos caracterizam-se por um enfoque nas empresas como entidades em interação e por uma ênfase nos fatores locais para a competitividade em mercados globais. O processo de formação de cluster Steinle & Schiele (2002). Cooperação produtiva e ou tecnológica são estimuladas a partir de um processo de interação local que viabiliza o aumento da eficiência produtiva. através da integração das empresas. As alternativas implementadas dentro de um setor levam ao aumento da produtividade. fornecedores de matéria-prima. empresas fornecedoras.. em diversas ciências sociais. UFRB. Isso ocorre em razão da pulverização não só dos recursos financeiros. A importância de um cluster está em viabilizar ações que permitam enfrentar e criar alternativas para as empresas face à concorrência desenfreada que a globalização de mercado impõe aos diversos setores da economia. Schmitz & Nadvi (1999) têm a definição mais simples para clusters: são concentrações espacial e setorial de firmas. Os clusters são pesquisados. existe uma força de ação coletiva na tomada de decisões. vantagens de redução dos custos de coordenação que melhoram a eficiência e a inovação. Os autores argumentam que existem outras abordagens que complementam e explicam algumas características particulares do fenômeno e. Haddad (1999) caracteriza cluster como indústrias e instituições que apresentam conexões entre si. com base em diversas pesquisas. Ciências Regionais (Scott. empresas prestadoras de serviços. Todos os conceitos de cluster apresentados referem-se à emergência de uma concentração geográfica e setorial de empresas. instituições de pesquisa. na acepção marshalliana. v. 1991). de forma significativa. os conceitos de cluster evidenciam a concentração espacial de empresas em ativa conexão.o trabalho de Marshall. horizontais e verticais. mão-de-obra. é uma referência padrão nesta nova literatura (Schmitz & Nadvi. 1998. 1996). A ação conjunta e a integração dos agentes econômicos aos arranjos produtivos permitem a emergência das vantagens competitivas no nível industrial para uma região. Podem se estender verticalmente e horizontalmente na cadeia produtiva. 1997. integradas ao espaço e as vantagens de proximidade das empresas. em algumas linhas de pesquisa da Economia Regional (Krugman. equipamento. O recorte analítico baseado no conceito de cluster ressalta também os impactos das articulações entre agentes em termos de geração de efeitos de aprendizado e da dinamização do processo inovador em escala local ou regional. criticam a literatura específica de clusters que considera que a centralização de atividades em uma região surge somente em conseqüência da globalização e devido às vantagens das empresas que estão localizadas nos clusters. Cooke & Morgan. Essa visão contemplada pelo cluster traz a valorização da importância da sinergia entre as indústrias. visto que ao desenvolver ações em conjunto os resultados obtidos superam o que individualmente seria inviável em seus múltiplos aspectos (financeiro. A integração de uma cadeia produtiva passa a ser vista não só pela dependência entre as partes. incluindo. as economias externas. ainda. Humphrey & Schmitz. componentes. pois possibilita. O autor destaca que toda análise de cluster focaliza-se nos insumos críticos que as empresas necessitam para serem dinamicamente competitivas. Gestão de Negócios (Porter. mas dos riscos e da não necessidade de multiplicidade de esforços por parte das indústrias do setor. 1998). 1996) e Inovação Tecnológica (Braczyk et al.

clusters inovativos não são simples concentração de agentes econômicos independentes. Condições para clusterização As seis condições focalizadas por Steinle & Schiele (2002) aplicam-se à indústria em geral. tornam claro. alguns trabalhos. Freeman. De diferentes perspectivas. mas. mostram produtos que resistem à globalização da produção (Hopkins & Wallerstien. A crítica a este modelo é que ele não se ajusta às industrias centradas em matérias primas. Nesse sentido. elas podem indicar. Outro caso específico é o das pesquisas que aprofundam o entendimento da interação dentro de sistemas que criam valores. a velocidade deste processo. para os autores. Em outra direção. existem determinantes para sua gênese e processo evolutivo. que têm se dedicado à analise das cadeias internacionais de commodity. Archibugi & Pianta. 1995. por outro lado. Os clusters surgem como aglomerações setoriais localizadas de organizações sinérgicas que podem permitir um desempenho superior das empresas. Ao invés de espalhar-se pelo globo. Em outras palavras. 1990) é o conceito que tende a dominar a discussão sobre competitividade induzida pela inovação. Isaksen. têm aumentado a importância do ambiente próximo das empresas (Gertler. 1992. v. 1997. De fato. paradoxalmente. que nem todas as indústrias são igualmente afetadas pelo processo de formação de um cluster. Furtado. antes de tudo. Capello. têm confirmado a suposição que a globalização freqüentemente significa centralização. 1. seus membros não mostram qualquer interação entre eles.condições necessárias e suficientes para a clusterização. não à eficiência na redução do custo. Vantagens das empresas localizadas nos clusters A redução dos custos de coordenação do sistema traduz-se em vantagens para as empresas promovendo a eficiência e a inovação. as diversas abordagens expostas aqui. Ou seja. A globalização acelerou. devido à interação como um clube. Patel & Vega. Estas pesquisas estão dirigidas para clusters desenvolvidos. por meio de negócios eletrônicos. 1992. o modelo do diamante da vantagem competitiva (Porter. Centralização como uma conseqüência da globalização Em indústrias sujeitas ao processo de formação de cluster. e sim ao poder de inovação tecnológica das regiões (Aydalot & Keeble. Isto se torna mais evidente quando se deseja entender as condições para a aglomeração. redes de negócios cooperativos. 1997). estudos da teoria da inovação tecnológica levaram a uma volta à teoria de sistemas de manufatura e inovação genuinamente nacional (Lundvall. Beccattini. Em síntese. como fator central para o sucesso de uma indústria. Assim aglomerações ao acaso são excluídas da análise. os clusters oferecem vantagens competitivas. 1998. tem dado mais ênfase. apresentam num nível interindustrial. Amendoa et al. A abordagem francesa. provavelmente. Sobre a influência da abordagem de analyse de filière. uma vez que eles oferecem explicações sobre como os membros de sistemas multiorganizacionais ajustam seus comportamentos aos dos outros. afirma-se que a harmonização de mercados internacionais e a redução dos custos de transporte. não se desenvolve de forma automática. Se existem vantagens de proximidade. àquelas estritamente domésticas ou àquelas que produzem bens não tradeables. como aquelas centradas exclusivamente nas matérias primas e como tal. Assim. 1995). Diversos estudos apontam que a maior eficiência dessas aglomerações deve-se à flexibilidade da especialização (Brusco 1982. ou seja. 1999). Para Steinle & Schiele (2002). Um cluster inovativo. o melhor potencial de formação de um agricluster. estudos com robusto suporte estatístico. 1991). 1992. 1994). requer uma abordagem integrativa. é preciso verificar as condições necessárias e suficientes para a clusterização.. 1991. 2009 281 . empresas similares tendem a agruparem-se em nações específicas ou mesmo regiões (Patel & Pavitt. Tópicos em Ciências Agrárias. Steinle & Schiele (2002) explicam porque as empresas obtêm vantagens de se localizarem próximas das outras. 1999). apenas a literatura com uma referência explícita em clusters não é suficiente para entender o fenômeno. como o fenômeno de formação de um cluster é um fenômeno multidimensional. também. o desenvolvimento de um agricluster requer também o estabelecimento de algumas condições. UFRB. Mas é preciso considerar que o fenômeno de formação de um cluster é um processo de desenvolvimento de sistemas que criam valor local.

v. Inventor inovador: Ator predominante no século XIX. Enquanto o poder amplo da inovação é usualmente atribuído aos clusters (Baptista & Swann. não existe consenso sobre o tipo de inovação que particularmente promove o processo de formação de cluster. b) Diversidade de competências O aspecto principal desta condição é que embora seja múltipla e dissimilar. a evolução do processo de inovação pode ser distinguida em três fases: 1ª. a) Cadeia de valor longa Esta condição diz respeito à coordenação dos múltiplos componentes que irão formar um produto final. há complementaridade de competências. diversos produtos intermedários surgem simultaneamente. a localização de seus fornecedores é determinada pelo local de seus consumidores. a necessidade de proximidade durante a fase de produção aumenta. enquanto o produto final pode ser facilmente exportado. O número de interfaces aumenta. Quanto mais especializada uma organização. ou se a indústria está em formação ou na sua maturidade. a distinção entre inovações do próprio inventor. 1998). 2ª. Com base em Freeman (1995). Em conseqüência. isto conduz a uma forma integrada de organização. 1984). Uma invenção leva a um produto radicalmente novo. Pesquisa e desenvolvimento em grandes centros: Especialistas reunidos em departamentos distintos promovem as 282 Tópicos em Ciências Agrárias. mais a eficiência da sua cooperação torna-se um fator de sucesso. as quatro condições suficientes que estão relacionadas com a coordenação flexível dos seus distintos e diversos atores. Condições suficientes Estabelecidas as duas condições necessárias para emergência de um cluster. a fragmentação do processo de produção. verifica-se agora. Tal situação é típica de um sistema que cria valor muito fragmentado em consequência. mais sua competitividade depende da complementaridade dos atores e mais importante torna-se a organização do seu ambiente. 1982. 1995. Ou seja. Por razões de natureza técnica. 2009 .Condições necessárias Compreendem duas condições relacionadas à divisibilidade do processo de produção e à possibilidade de transporte do produto. Se os suprimentos são difíceis de transportar. UFRB. A presença de complementaridade mais o conhecimento dissimilar em um sistema de criação de valor. Richardson (1972) refere-se à similaridade entre essas atividades: quanto mais distinta as competências em uma cadeia de valor. mais desafios para uma única empresa liderar a todos. entretanto. cada um focalizado em diferentes competências. É preciso distinguir o produto final de seus componentes. 1995). Genet. c) Inovação em rede As inovações em rede são vistas como um motor para a aglomeração. Quanto mais a complementaridade entre os atores contribuir para o processo de inovação e quanto menor for o tempo disponível para sua coordenação. pode ser considerado como outra condição suficiente para o processo de formação de um cluster. Como conseqüência. As duas primeiras condições suficientes delineadas por Richardson (1972) distinguem atividades complementares (cadeia de valor) de atividades similares (competências similares). 1997). Os produtos do cluster têm que ser transportáveis (Lazerson. Se o produto não pode ser deslocado. freqüentemente comercializado pelo próprio inventor inovador que é um empreendedor. e. em conseqüência. É a possibilidade de dividir o processo de produção em diversas etapas distintas que permite a especialização. depende de sua divisibilidade técnica (Piore & Sabel. surge o problema de coordenação dos diversos parceiros. as chances para o processo de formação de cluster se acentuam. Lazerson. Independente de inovações radicais ou incrementais estarem presentes. inovações de laboratório e inovações em rede é útil para entender a propensão ao processo de formação de cluster devido a inovação induzida por uma indústria. formas alternativas de coordenação precisam ser evidenciadas (Brusco. Outra razão para a segmentação da cadeia de valor reside nas diferenças de lucratividade dos seus segmentos. 1. o desafio da coordenação é acentuado.

com os determinantes da demanda final. As vantagens da coordenação. Num segundo momento. por outro lado. no longo prazo. para Haddad (1999). Por exemplo. As vantagens competitivas espúrias apresentam como característica principal a insustentabilidade. Adicionalmente. modificações da economia alteram a composição e a dimensão do estoque. seus atores teriam conhecimento da sua existência.invenções de laboratório. Cluster. transformam-se em vantagens competitivas. Tópicos em Ciências Agrárias. Isto ocorre porque a empresa passa a monitorar como o cluster vem se estabelecendo e como ela poderia lucrar a partir desta evolução. o estoque dos recursos naturais são requeridos pela economia nacional para atender às demandas interna e externa. numa região que não disponha dessa competitividade dinâmica é muito pequena ou inviável. 2009 283 . devido à proximidade dos atores na cadeia de valor. específicas de cada região. em determinado período de tempo. em termos de preço e qualidade. a meta industrial. melhorando um produto existente ou processo ou mesmo criando um novo. mas. como a primeira etapa para delimitar um sistema produtivo regional. Neste ponto. UFRB. Segundo Haddad (1999). Finalmente. é preciso distinguir as vantagens econômicas espúrias das vantagens competitivas dinâmicas. mas requer a cooperação de diversas organizações. na utilização dos recursos naturais do ecossistema de forma predatória. 1. 3ª. a desenvolver um cluster. 2002). Nem todas as indústrias estão presentes de forma simultânea. d) Volatilidade de mercado Condição entendida como a recompensa aos atores do sistema pela adaptação flexível. como no caso de um empreendedor inventor. Isto é. Se o desenvolvimento de uma indústria é dirigido por inovações em rede. Tais vantagens baseiam-se exclusivamente em incentivos fiscais e financeiros recorrentes. no caso do fenômeno aplicar-se a um conjunto de indústrias. num horizonte de longo prazo. cada vez mais declinantes. ou seja. Haddad (1999) também identifica as vantagens competitivas dinâmicas da agroindústria de uma região. Inovação em rede: Trata-se de um novo modelo que tem a possibilidade de se tornar predominante. por esta razão. particularmente os aduaneiros. e por diversos trabalhos empíricos (Steinle & Schiele. se a velocidade da reação dos agentes é grande. v. A inovação em rede não é uma nova invenção radical para um uso prático. num contexto de comércio exterior desregulamentado. espera-se que em tal indústria este fenômeno favoreça a formação de um cluster. os recursos naturais de uma região mudam com a dinâmica do crescimento econômico. a dedução das seis condições para clusterização permite o teste de sua precisão pela avaliação transversal destas condições com estudos de casos. os pesquisadores. A necessidade de uma coordenação eficiente torna-se vital. Em oposição. medidas de uma rede regional ou outras formas de desenvolvimento de cluster. que amplia o espaço da concorrência internacional. O mercado requer reações rápidas às imprevisíveis mudanças na demanda dos consumidores (volatilidade de mercado). pela pressão da concorrência interregional. se assentam sobre os recursos naturais de uma região e de sua posição relativa a outras regiões do país e do exterior. Nem tão pouco se trata de um aperfeiçoamento das competências existentes. A inovação em rede ocorre quando atores diferentes. no médio prazo. combinam suas habilidades. Se todas ou a maioria destas características aplicam-se a uma indústria. com competências distintas. agroindústria e desenvolvimento regional Delimitar um sistema agroindustrial regional competitivo e dinâmico. A sensibilidade ao tempo em um determinado mercado promove uma redução no controle dos produtores em reação à demanda e ajuda. no caso de mercados voláteis. com maior acuidade. de um lado. é a condição essencial para desencadear o processo de desenvolvimento de uma região. como no caso de um laboratório ou centro de pesquisa tradicional. Isto se explica. a sobrevivência de atividades econômicas. os municípios e localidades de uma região com custos de transportes e impostos. na sobre-exploração da mão-de-obra ou na informalidade e na clandestinidade de suas operações. De forma mais sistemática que a fase anterior. Diferente de um bem organizado centro de pesquisa e desenvolvimento. uma empresa em particular tornar-se um membro do cluster. melhoraram os processo existentes. as condições para o surgimento do cluster permitem planejar uma política industrial e regional para pré-selecionar. de qualquer natureza e em qualquer escala produtiva. Num terceiro momento. no processo de formação de um cluster em uma região ou país. precisam apresentar vantagens competitivas para poder desencadear o processo de desenvolvimento. em seus laboratórios. num primeiro momento. como aquelas capazes de resistirem aos processos de globalização e de integração da economia nacional. uma inovação em rede pode acontecer sem o planejamento. Estas vantagens. pela crescente integração global.

UFRB. vincula-se à demanda. Somam-se ao problema ambiental as questões de natureza fundiária que podem conduzir a produtividade do setor agrícola para valores muito diminutos. O mercado interno de uma região apresenta três determinantes fundamentais: a população regional. e é particularmente útil neste enfoque. avalia ineficiências em cada segmento da cadeia agroindustrial. o autor mostra que os serviços de suporte empresarial (contabilidade de custos. incorporar custos de oportunidade e de concorrência são fundamentais nos estudos que permitem compreender o conceito de competitividade interregional. Os impactos sociais são avaliados por oportunidades de emprego para grupos sociais de baixa renda. mas. ao contrário. pesquisa e desenvolvimento. revela os sistemas de coordenação existentes e aponta os insumos críticos para a criação de capacidades produtivas especializadas numa tríplice leitura: econômica. reinvestimento entre outros. Finalmente. v. quanto mais bem distribuída a renda de uma região. o papel da força de trabalho rural.com as condições tecnológicas de produção. Estes três aspectos definem a orientação das atividades-chave do cluster para as exportações. Estudo de caso Este método de pesquisa tem um caráter mais qualitativo. à medida que a exploração da base de recursos naturais da região permite o crescimento do seu mercado interno. devido a uma melhor oportunidade do que em outra localidade ou região. certificado ISO 14000 entre outros. é preciso identificar uma oportunidade favorável em alguma localidade ou região que possa ser explorada. a produtividade dos fatores e a concentração da renda e riqueza. 2009 . Devido às argumentações já discutidas na seção anterior. Nesta seqüência. Isto significa que o valor de um recurso natural não é inerente ao material. Para definir quais são as potencialidades de crescimento econômico de uma região. apresenta uma tríplice leitura: desempenho econômico. Os impactos ambientais são avaliados pela emissão de resíduos tóxicos. para suprimento e para suporte fundamental. METODOLOGIA PARA ANÁLISE DA COMPETITIVIDADE DO AGRONEGÓCIO Entre as diversas abordagens analíticas para o estudo da competitividade local das principais cadeias agroindustriais de uma região e suas implicações para o desenvolvimento regional. Não se busca determinar a incidência de um dado fenômeno no seu universo. Em síntese. Para Haddad (1999). de acordo com IFC KAISER (1997). desenvolver os fornecedores. fluxos migratórios entre outros. geram economias de aglomeração e externalidades e. antes de tudo. impactos ambientais e impactos sociais. manutenção técnica etc) requeridos pelas empresas. permitem verificar o desempenho econômico regional: identificar as atividades produtivas do agricluster. especialização. social e ambiental. quanto maior o nível de produtividade. estabelecer as etapas de seu desenvolvimento que. a partir de seus recursos naturais. o desempenho econômico é avaliado pela aglomeração. a concepção do desenvolvimento integrado do agricluster. Quanto maior a população. Especial atenção é dirigida àquelas regiões cuja atividade econômica preponderante seja a agroindústria. da organização do sistema produtivo e do sistema político. ambos os fatores definem o conceito de cluster (aglomerados ou complexos produtivos) em atividades-chave orientadas para exportações. crescimento. oferta de serviços comunitários. No estudo específico de agricluster. Neste sentido. o enfoque é dado na sua compreensão em nível mais aprofundado. a análise de clusters apresenta uma grande vantagem para estudar os problemas de competitividade dinâmica do agronegócio no contexto do desenvolvimento econômico. devido a proximidade espacial. às inovações tecnológicas adotadas no processo de comercialização e outros. O frágil sistema produtivo pode apresentar problemas de degradação ambiental que podem conduzir a uma queda intensa da capacidade produtiva dos recursos naturais. torna-se necessário. construir formas de cooperação público-privado. pois seu principal objetivo é contextualizar e aprofundar o estudo do problema. Assim. assim. no caso específico da definição de cluster para análise da competitividade das agroindústrias. identificar necessidades de suporte fundamental. esta metodologia é adequada porque alcança os setores mais dinâmicos. efetividade do controle ambiental. 1. aos custos de produção e de transporte. suprimento e de suporte fundamental. Assim. de acordo com ICF KAISER (1997). potencial poluição ambiental. valor adicionado. exportações. testes de qualidade. O ponto crítico refere-se aos custos relativos. 284 Tópicos em Ciências Agrárias. maior será a dimensão do seu mercado interno. a metodologia alternativa apresentada é a análise de cluster na forma de estudos de caso. é preciso estimar as oportunidades de investimento que surgem. porque considera todos esses elementos conceituais de forma sistêmica. o conceito de potencialidade não é físico e sim econômico.

ISO9000 (número de certificados). 1985). Esta limitação é crítica numa situação em que o pesquisador não dispõe da capacitação suficiente e desejável para evitar os vieses potenciais que emergem. 1. pressupõe: a) Delimitação da área geográfica . c) Aglomerados ou complexos produtivos . segurança.Nível de qualificação do empresariado. g) Indicadores ambientais . produtividade e qualidade do bem ou serviço para a região. Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). b) Indicadores de desempenho setorial . o que se procura. centros de pesquisa e universidades. em conseqüência. ISO 14000 (número de certificados). Tópicos em Ciências Agrárias. formas de controle e reciclagem de resíduos. Os indicadores devem ser preparados por municípios relevantes. d) Serviços de suporte empresarial . empregos gerados pelo cluster. índice de condições de Vida (ICV). 2002). marketing rural e internacional. é detalhar a conformação institucional desses arranjos. nível de informatização dos setores que compõem o cluster. um espaço caracterizado pela homogeneidade física. adoção de técnicas de gestão. qualidade dos serviços. com o uso de dados qualitativos e com a profundidade das análises. infraestrutura especializada. econômica e social. percentagem do emprego gerado pelo cluster no total da região. Ou seja. este método encaixa-se bem na situação onde o fenômeno é abrangente e complexo. adoção de técnicas de planejamento estratégico. Assim o pesquisador pode ser conduzido a realizar generalizações que não são verdadeiras.Relacionados com a produção. outros. rotatividade. Cada indicador deve ser definido tecnicamente. A principal limitação do método de estudo de caso em pesquisa é o seu baixo rigor metodológico. v.O método de estudo de caso por ser mais qualitativo pressupõe que os arranjos produtivos locais podem ser associados a uma estrutura referenciada a um setor específico ou a uma região geográfica delimitada. onde o corpo teórico é insuficiente para estabelecer relações causais e onde o fenômeno pode ser estudado fora do seu contexto sem perda de utilidade da pesquisa (Bonoma. UFRB. fortes vieses. sistemas de financiamento. Tais indicadores devem ser comparados com regiões concorrentes no país e no exterior. Roteiro metodológico para análise de cluster O roteiro metodológico do estudo de caso sugerido para medir a competitividade do agronegócio. manutenção técnica. para garantir a confiabilidade da pesquisa. avaliando-se os resultados gerados em termos de desempenho produtivo e tecnológico do setor investigado (Britto & Albuquerque. 2009 285 . Por se tratar de uma análise interdisciplinar. telecomunicações. e) Suporte fundamental . a delimitação é realizada com base no critério de regionalização. controle de qualidade. com base em critérios específicos de agregação e classificação dos agentes. indicadores de qualidade do emprego: salário médio real.Para cada cluster deve ser elaborado um diagrama que mostre a estrutura do complexo produtivo.Para cada cluster.Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU. Para isto. o desenho da cadeia agroindustrial. sazonalidade. entrepostos de comercialização. h) Desenvolvimento de cultura organizacional .Contabilidade de custos. como também devem ser registradas as fontes de dados. agências regulatórias. Neste caso. do já citado baixo rigor.Manejo de dejetos produzidos. fontes de terceirização e subcontratação. Evita-se. f) Indicadores de desenvolvimento social da região do cluster . sistema educacional: qualidade e acesso. é preciso evitar que a subjetividade do pesquisador predomine no relatório. conforme Haddad (1999).Logística de transporte. compactação do solo por sobre-pastejo na pecuária. Uma forma de contornar este problema é realizar as generalizações analíticas com fortes bases estatísticas e dados com fontes fidedignas. assistência técnica nos diversos segmentos do cluster.

Ainda é preciso referir-se na metodologia aos efeitos das políticas macroeconômicas sobre o agricluster. Boston. Para orientar trabalhos pesquisa sobre a competitividade local dos arranjos produtivos e análise de desenvolvimento regional. efetivos (em plena maturidade) ou incipientes (cadeias produtivas decadentes ou em estágio inicial). KEEBLE. estabilização da renda agrícola e a competitividade do agricluster regional. M. programas institucionais de pesquisas.o sistema tributário atual e suas influências sobre o desenvolvimento do agricluster regional. seus efeitos sobre o agricluster regional. P.. PADOAN.administração e controle de preços. G. New York.. High Technology Industry an Innovative Environments: The Europeean Experience. difusão de incentivos fiscais para promoção de desenvolvimento científico e tecnológico. regularidade da oferta de tradeables face à expansão da demanda. P. comportamento das taxas de juros e câmbio e o desempenho do setor. (Eds. UFRB. os custos financeiros como obstáculos ao desenvolvimento e expansão do agricluster. a eficiência da política cambial. estoques reguladores e a renda do setor agrícola. p. Impacto de política de rendas . A report to the EEC on International Science and Techonology Activities. 1.Valorização e desvalorização do Real. AYDALOT.173-197. 1988. podem ou não ser aplicados integralmente nas análises dos estudos de casos das cadeias produtivas de uma região. P. In: AYDALOT. 2009 . The techonological specialisation of advanced countries. 3. inspirados nas proposições de Haddad (1999). 2. com base em Haddad (1999).. 1. KEEBLE. desenvolvimento de técnicas específicas para diversos ecossistemas brasileiros. REFERÊNCIAS AMENDOA. High-technology and innovative environments in Europe: an overview. D. International patterns of technological accumalation and trade. os impactos dos processos de privatização e de concessões sobre a competitividade do agricluster no médio e longo prazo. . D. e isto depende prioritariamente das cadeias se identificarem como agriclusters potenciais (cadeia de produção agroindustrial). sistemas de informação para o cluster (decisões empresariais e planejamento estratégico). efeitos da política cambial sobre a competitividade do agricluster. um roteiro metodológico básico é apresentado a seguir: 1. 286 Tópicos em Ciências Agrárias. impactos distributivos da política de rendas.).C.Programas institucionais de treinamento. outros. Impactos de política monetária . P. isto por que a pesquisa pode revelar se a metodologia se aplica no todo ou em parte. É preciso considerar. PIANTA. centros de pesquisa e laboratórios especializados. que os dois esquemas metodológicos sugeridos acima. Impactos de política cambial . sistemas de classificação. apoio à organização de infra-estrutura especializada de ensino e pesquisa. A decisão do pesquisador deverá estar em conformidade com o estágio atual do arranjo produtivo local. v. garantia de preços. Impactos fiscais . v. combate a enfermidades que causam prejuízos diretos e indiretos ao cluster. GUERRIERI. 4. a crise fiscal e financeira do setor público e suas repercussões sobre a oferta de infra-estrutura econômica. preços relativos dos tradeables. 1992. de pesquisa e de ciência e tecnologia no cluster Desenvolvimento de recursos humanos especializados.O processo de equilíbrio fiscal e financeiro do setor público e sua relação com a política monetária vigente. a política de crédito e de financiamento das atividades do agricluster regional. por fim. as propostas alternativas de novo sistema tributário e sua adequação à competitividade do agricluster regional.i) Demanda e necessidade de insumos de conhecimento. j) Mecanismos de inserção da Embrapa e do CNPq (formas de cooperação público-privada) .. 1992. ARCHIBUGI. outros. D. Journal of International and Comparative Economics.

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MUDANÇA TECNOLÓGICA E EFICIÊNCIA NA AGROPECUÁRIA DO NORDESTE DO BRASIL NO PERÍODO 1975/1995 Carlos Augusto Pereira Filho & Warli Anjos de Souza Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 22 PRODUTIVIDADE.

portanto. Pereira et al. Nos modelos estocásticos. MUDANÇA TECNOLÓGICA E EFICIÊNCIA NA AGROPECUÁRIA DO NORDESTE DO BRASIL NO PERÍODO 1975/1995 Carlos Augusto Pereira Filho1. a região. Em geral.br INTRODUÇÃO Vários trabalhos sobre a agricultura brasileira têm sido elaborados enfocando o crescimento da produtividade decorrente do ganho de eficiência técnica e do deslocamento da fronteira tecnológica (Ávila & Evenson. translog.edu. pressupõe-se que o termo de erro tem dois componentes: um ruído branco que representa os efeitos aleatórios sobre a produção e. Sendo X o índice de todos os insumos. Utilizou-se uma abordagem não-paramétrica baseada no modelo DEA (Data Envelopment Analysis) para a construção dos índices de Malmquist. a região nordeste vem apresentando ineficiência na produtividade total dos fatores e deslocando regressivamente a fronteira tecnológica. distinguem-se os modelos determinísticos e as fronteiras estocásticas. Cruz das Almas-BA. UFRB. 2001. Warli Anjos de Souza1 1 Professor . Gomes & Dias. tem se distanciado da fronteira de produção da agropecuária brasileira.PRODUTIVIDADE. v. Seja Y o produto e xi um insumo utilizado na produção. Na maioria destes estudos os resultados indicam que. no que se refere ao comportamento da produtividade e da mudança técnica. 2001).. Considerando-se o nível de agregação dos dados utilizados nestas análises.br. 2009 (2) 291 . em duas abordagens: paramétrica e não-paramétrica. nas últimas duas décadas. fora do controle da unidade de decisão. CES. warli@ufrb. Neste enfoque. parte-se da construção de uma fronteira tecnológica utilizando-se dados de produção e uso de fatores nas regiões brasileiras. ao longo do tempo. e um componente assimétrico que mede a ineficiência técnica pela distância em que se situa em Tópicos em Ciências Agrárias. ou seja. 1998.edu. METODOLOGIA O conceito de produtividade está relacionado a dois componentes: produtividade parcial dos fatores e produtividade total.Centro de Ciências Agrárias. A produtividade parcial é definida pela razão produto/insumo (produtividade média) e mede a contribuição de um fator de produção particular para a eficiência técnica. Nos modelos determinísticos a eficiência técnica é dada pelo termo de erro e podem ser estimados por programação linear ou técnicas econométricas. etc). E-mail: capfilho@ufrb. de acordo com os métodos utilizados para estimar a função de produção. pouco se pode inferir sobre as mudanças intra-regionais na produtividade dos fatores e na tecnologia agropecuária. ignorando o efeito dos demais fatores. Na abordagem paramétrica a função de fronteira é considerada uma função paramétrica dos insumos (CobbDouglas. Ambientais e Biológicas/UFRB. a produtividade parcial do insumo xi (PPF) é dada pela seguinte expressão: PPF = Y / xi (1) Define-se a produtividade total dos fatores (PTF) como o produto médio de todos os fatores de produção os quais são expressos como um índice. o qual permite decompor a produtividade total dos fatores nos seus componentes de eficiência técnica e mudança tecnológica. 1995. a PTF é dada pela seguinte expressão: PTF = Y / X = Y / Saixi Onde ai é o peso do insumo xi. O presente trabalho enfoca as transformações ocorridas na agropecuária da região Nordeste do Brasil. Dias & Bacha. 1. de modo que as regiões que se situarem na fronteira são consideradas eficientes em relação às que se posicionam abaixo da fronteira. Os estudos visando analisar a eficiência a partir de fronteiras de produção podem ser agrupados.

para medir as contribuições do progresso tecnológico e da eficiência técnica ao crescimento da produtividade da agricultura do Nordeste do Brasil. 2009 . dado xt. assume-se. yt+1) = inf [q: (xt+1. Sendo St a fronteira de produção no período t (t = 1. 1. yt+1/ q) St] (5) A função (5) mede a máxima mudança proporcional no produto yt+1 dados os insumos xt+1. (3) (4) A função de distância é definida como a recíproca do máximo q. yt/ q) Î St] = {sup[q: (xt. UFRB. O índice de produtividade de Malmquist foi proposto por Caves et al. Dot+1(xt+1. Utilizando técnicas de programação linear. substituindose t por t+1. De acordo com Färe et al. 1995).relação ao ótimo (fronteira) e que. (1994). yt) = inf [q: (xt. yt) como a máxima mudança proporcional no produto yt em relação à tecnologia no período t+1.T).. define-se Dot+1(xt. necessário para aumentar o produto yt de modo que yt/ q Î St (ou seja. propuseram a decomposição do crescimento da produtividade em dois componentes mutuamente exclusivos: mudança relativa na eficiência técnica e deslocamento da fronteira de produção (mudança técnica) no decorrer do tempo. podem ocorrer disparidades entre várias estimativas dependendo da forma funcional especificada. Dot(xt. O índice de produtividade total dos fatores (FTP) é uma média geométrica de dois índices de produtividade de Malmquist calculados a partir de quatro funções de distância com orientação produto. Mesmo com a utilização de formas funcionais flexíveis. o que inviabilizaria a sua aplicação em casos em que o número de graus de liberdade é reduzido. A função de distância com orientação produto no período t+1. que permitem melhorar as propriedades de aproximação da verdadeira função. sob a tecnologia no período t. De forma semelhante. t+1). surgiu da necessidade de não se especificar uma forma funcional particular à função de produção. Se Dot(xt. construída como uma combinação convexa de insumos-produtos observados. desenvolvido por Färe et al. é definida como em (4). qyt) Î St]}-1 onde o sub-índice o indica orientação produto. yt) < 1 a produção no período t está no interior da fronteira e não é tecnicamente eficiente. Para dois períodos diferentes (t. desenvolvida mais recentemente.. a transformação dos insumos (xt Î Rn+) em produtos (yt Î R ) é definida do seguinte modo: m + St = {(xt. yt): xt pode produzir yt} Define-se a função de distância com orientação produto no período t como: Dot(xt. seja resultante de fatores comportamentais que estão sob o controle da unidade de decisão. A abordagem não-paramétrica. Nesta abordagem. distinguem-se os modelos conhecidos na literatura como Data Envelopment Analysis (DEA) que utilizam dados de quantidade de insumos e produtos para obter a fronteira de produção. yt) estiver na fronteira tecnológica e a produção é tecnicamente eficiente. v. a partir do desenvolvimento de uma abordagem não-paramétrica (Data Envelopment Analysis) para o cálculo do índice de Malmquist. Uma segunda restrição aos modelos estocásticos está relacionada ao número de observações disponíveis para as variáveis. Färe et al. yt) = 1 apenas se (xt. o índice de mudança da produtividade de Malmquist orientado para produto é dado por: 292 Tópicos em Ciências Agrárias.. resultando em erros de estimativa (Lambert & Shonkwiler. (1994). (1982) com base nas funções de distância desenvolvidas por Malmquist (1953). Neste estudo utilizou-se o índice generalizado de Malmquist. yt+1).. (1994). A principal restrição ao emprego dos modelos paramétricos se deve à imposição de uma forma funcional explícita aos dados que podem não corresponder à verdadeira estrutura da tecnologia de produção. a recíproca da medida de eficiência técnica relativa de Farrell). a eficiência é medida como a distância de cada firma em relação a uma fronteira de produção não-paramétrica. a função de distância com orientação produto é definida da seguinte forma: Dot(xt+1.

isto implica na solução.M 0 ( x t +1 . x t . y k+1 )]-1 = max q k (9) sujeito a K t t q k y k . y ) M 0 ( x t +1. Para tanto. utilizou-se o modelo DEA para construir as fronteiras de produção para cada período e para cada tipo de tecnologia. y t =1 . yt) é o índice de mudança relativa na eficiência e T(xt+1...n ål k =1 t k t t 1 x k . y t ) Do ( x . 1985 e 1995/96. ltk ³ 0 ltk ³ 0 Os cálculos de Dot(xt+1.N insumos. Para cada Estado. y ) Do ( x . para cada estado k. yt+1) e Dot+1(xt. para a construção do índice de Malmquist. Isto é feito acrescentando-se aos problemas (8) e (9) a restrição Slk=1..n £ x k .K estados. y ) Do ( x . y k )]-1 = max q k (8) t t t [ Do ( x k+1 . pressupondo-se retornos constantes à escala (RCE): t t t [ Do ( x k . Definindo k = 1.. terra (área total exceto matas naturais.m £ å ltk y k . yt) é o índice de mudança tecnológica (inovação) entre os períodos t e t+1. As seguintes variáveis foram usadas: valor total da produção agropecuária (em Reais de 1994). yt+1. UFRB.m . y t =1 ) Do ( x t +1 . Comparando-se cada estado da região Nordeste com a fronteira tecnológica tem-se uma medida da eficiência em relação à fronteira e uma medida da mudança da fronteira (inovação ou tecnologia). yt+1) e Dot+1(xt+1. 2009 293 . x t . yt+1). y t +1 ) 1 ][ ]} 2 t t t t +1 t t Do ( x . respectivamente.. y t +1 ) Do+1 ( x t +1 ..T ( x t +1 . o índice de produtividade de Malmquist entre os períodos t e t+1 é obtido a partir de quatro funções de distância: Dot(xt. y t +1 ... x t .M produtos e n = 1. o índice de eficiência técnica pode ser decomposto em dois componentes: índice de eficiência técnica pura e índice de eficiência de escala. Neste estudo. v. de quatro problemas de programação linear.. sob retornos constantes à escala (RCE). pela razão entre os índices de eficiência técnica calculados sob RCE e RVE. y t ) = {[ t t Do ( x t +1 . y t ) = (7) M 0 ( x t +1 . torna-se necessário estimar os índices de eficiência técnica sob retornos variáveis à escala (RVE). Visando uma análise mais detalhada das causas de variação da produtividade. yt). y t +1 ) Do ( x t . y t ). m = 1. yt) são similares a (8) e (9). Dot+1(xt. y t ) onde E(xt+1. 1. x t. t = 1. yt). Dot(xt+1. y t ) = E ( x t +1 . y t =1. mão-de-obra (pessoal ocupado total) e capital (número de tratores de 50 a menos de 100 cv) RESULTADOS E DISCUSSÃO Na Tabela 1 são apresentadas as funções de distância calculadas. yt+1. y t =1 . k =1 K ål k =1 t k t t x k . as seguintes funções de distância são calculadas.. Tópicos em Ciências Agrárias.. Utilizando a abordagem não-paramétrica.T períodos.. substituindo-se t por t+1. xt. O índice de eficiência de escala é dado.n £ x k+n . então. Fonte e descrição dos dados Os dados utilizados neste trabalho foram obtidos dos Censos Agropecuários de 1975. xt.. y ) (6) A expressão (6) pode ser decomposta em duas partes de modo que: t t t Do+1 ( x t +1 . x t .m k =1 K sujeito a: K t 1 t q k y k+m £ å ltk y k . y t +1 ... terras em descanso e terra produtivas não utilizadas). y t ) 1 {[ t +1 t +1 t +1 ][ t +1 t t ]} 2 t Do ( x t ..

482 0.965 1.246 0.416 0.000 1.021 0.174 0.903 0. Tabela 2.830 0. 1 1 1 rve 2 2 2 rve 3 3 3 rve Estado Maranhão Piauí Ceará R.523 0.750 0. para os estados da região Nordeste do Brasil. decorreu da ineficiente escala de operação.772 1. Médio (*) D (x .y ) 1. Nos demais períodos (1985 e 1995) o estado da Bahia apresentou ineficiência técnica [D1(x1. Estas funções são apresentadas na Tabela 2.y1).963 0. 1.841 1.341 0. 1985 e 1995 (*). 1985 e 1995. para os períodos de 1975/85 e 1985/95.536 0. Para os demais estados.y ) D (x . apenas os estados de Pernambuco. 1985 e 1995*.y ) D (x .084 1.y1) = 1].000 1.000 0.694 Os sobre-índices 1.493 0.000 1. 2 e 3 indicam os anos de 1975.969 Os sobre índices 1. a fronteira tecnológica foi determinada pelos estados do Maranhão. 2 e 3 indicam os anos de 1975.691 1.562 0. Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind. 1 1 1 2 2 2 3 3 3 1 2 2 2 1 1 2 3 3 3 2 2 Estado Maranhão Piauí Ceará R. Pernambuco e Alagoas. UFRB.000 1. considerando que não houve variações nos índices de eficiência técnica1.883 0.871 0.460 0.379 1.661 0.G.776 1. sob RCE.000 1.000 1.531 2. como pode ser observado pela comparação dos índices de eficiência técnica calculados sobre RCE e RVE.547 1. Alagoas e Sergipe apresentaram ganhos de produtividade total dos fatores os quais.608 0.000 1.y ) 1.y1) < 1] e a fronteira tecnológica foi determinada pelos estados do Maranhão. sob retornos constantes à escala.000 1.433 1.y ) D (x . nos componentes eficiência técnica pura e eficiência de escala. para cada ano considerado.000 0. períodos de 1975.000 0. Funções de distância calculadas.418 0. No período 1975/85 (Tabela 3).000 0.417 0.926 D (x . médio (*) D (x . Para se decompor os índices de eficiência técnica. mudança tecnológica e mudança de escala são apresentados nas Tabelas 3 e 4. Funções de distância calculadas sob retornos constantes à escala para os estados da região Nordeste do Brasil.713 1.y ) D (x .000 0. a eficiência técnica de cada estado em relação à fronteira tecnológica regional.613 0.G. Os três primeiros índices (colunas 2 a 4) da Tabela 1 permitem avaliar. foram decorrentes de mudança tecnológica.000 0.621 0.639 0.892 1.915 0.771 0.000 1.875 1.645 1.009 3.500 0.947 1.655 1.697 0. 1985 e 1995.000 0.775 1.y ) D (x .773 1.618 1.373 0.000 1. Pode-se observar que. respectivamente.000 1.346 0.000 0. Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind. no ano de 1975.564 1.y2) e D3(x3.y ) 1.197 0.678 0.y ) D (x .225 0.870 0.000 1.590 0.000 0.000 0.Tabela 1. D2(x2. 2009 .433 7.000 0. respectivamente.366 0. respectivamente. Alagoas e Bahia [D1(x1.538 1.y3) sob a condição de retornos variáveis à escala. Os índices de Malmquist e sua decomposição em mudança de eficiência técnica.320 1.910 1.157 2.000 1. 294 Tópicos em Ciências Agrárias. A perda de eficiência técnica no estado da Bahia. períodos de 1975.923 D (x .451 0.522 0. torna-se necessário o cálculo das funções de distância D1(x1.557 1.000 1.y ) 1.744 0. a produtividade total dos fatores decresceu 1 Exceto para o estado de Sergipe que apresentou uma pequena perda de eficiência de escala.000 0.000 0.000 0.000 1. v. Pernambuco.000 1.

431 1.964 0. no entanto. 2009 295 .000 1.927 Índice de mudança na fronteira tecnológica 0.000 1. indicando que o ganho de produtividade no período deveu-se à expansão da fronteira técnica (23.028 1.392 1. Os índices médios regionais de mudança na eficiência técnica.802 0.000 1. período 1975/85. Os estados do Maranhão.000 0.561 1. Para o primeiro período (1975/85) os resultados não indicam qualquer Estado que fosse responsável pelo deslocamento da fronteira técnica.000 1.9%) e à mudança na eficiência técnica (9.799 1.841 1. Buscando-se evidências de quais Estados podem estar deslocando a fronteira tecnológica. causada pela insuficiente escala de operação a qual foi compensada pela expansão da fronteira tecnológica.3% e 75%.063 0.544 0.326 1. como pode ser observado nas duas últimas colunas da Tabela 3.929 0. 1.8%).104 1.207 1.000 1. respectivamente.392 1.543 0.757 1.188 1.191 1. Índices de mudanças relativas na eficiência técnica.223 1.239 Índice de mudança na eficiência técnica pura 1. médio Tópicos em Ciências Agrárias. Tabela 3. evidencia progresso técnico). na escala e na produtividade total dos fatores.236 1.897 Índice de mudança na eficiência técnica pura 1.047 0.963 0.000 1. na fronteira tecnológica.000 0.094 0. regressão da fronteira de produção ou de ambas.000 1. Índice de mudança na PTF 2.678 0. UFRB.774 0.326 1. decorrente de ganhos de escala.154 0.024 1.000 1.000 1.678 0.000 1.G. para os estado do Nordeste do Brasil.G.000 1. para os estado do Nordeste do Brasil.000 1.816 1.326 1.283 1.024 1. da ordem de 15. Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind.453 0. na escala e na produtividade total dos fatores.251 0.470 0.119 1. todos os estados nordestino apresentaram crescimento da produtividade total dos fatores. os estados de Pernambuco e Alagoas destacam-se como deslocadores da fronteira tecnológica. c) que o produto da região em t+1 seja maior do que o máximo obtido no período t.4%. apenas o estado do Piauí apresentou ganhos de eficiência técnica.908 0. na fronteira tecnológica e na produtividade total dos fatores foram todos maiores do que 1.750 1.512 0.220 1. utilizando-se os insumos do período t+1 (o produto potencial em t+1 maior que o máximo produto em t.000 0. Índices de mudanças relativas na eficiência técnica. Pernambuco e Alagoas apresentaram ganhos na produtividade total dos fatores decorrentes exclusivamente de expansão da fronteira de produção já que os índices de mudança na eficiência técnica foram iguais a 1.000 1.000 1. Tabela 4.236 1. dadas as condições supra mencionadas.330 1. os Estados que o fazem devem estar situadas sobre ela).104 1.188 1.000 1.996 1. b) que a eficiência técnica de cada Estado no período t+1 seja igual a 1 (ou seja.000 1.223 1.933 0.098 Índice de mudança na fronteira tecnológica 2.957 0.031 Estado Maranhão Piauí Ceará R. não se refletiu em ganhos na produtividade total dos fatores (PTF) já que ocorreu uma regressão da fronteira tecnológica.993 Índice de mudança na eficiência de escala 1.000 0.212 1.083 1.986 0.978 1. Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind. período 1985/95.000 1. na fronteira tecnológica.000 1. Este ganhos de eficiência técnica.devido à perda de eficiência técnica. médio No período 1985/95 (Tabela 4). O estado do Rio Grande do Norte foi o único estado que apresentou perda de eficiência técnica.957 0.154 0.000 1. v.453 1.177 1.855 1.185 1. Para o período 1985/95.056 1.831 Índice de mudança na eficiência técnica total 1.512 0.794 0.000 1.360 Índice de mudança na eficiência técnica 1.025 1.065 Índice de mudança na eficiência de escala 1. havendo deslocamento da fronteira.920 1. Neste período. é preciso que três condições se verifiquem: a) que o índice de mudança tecnológica entre o período t e t+1 seja maior do que 1 (evidência de mudança tecnológica). Índice de mudança na PTF 0.225 1. com destaque para os estados do Maranhão e da Bahia que apresentaram taxas crescimento da ordem de 145.934 Estado Maranhão Piauí Ceará R.

BACHA. D... SILVEIRA. Total factor productivity growth in the brazilian agriculture and the role of agricultural research.. NORRIS. 2001.. R. v. 36. EVENSON. C. A. S. E. American Journal of Agricultural Economics. Brasília: SOBER. American Economic Review. BACHA. Contudo. GROSSKOPF. Anais.. 2001. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL. n.. v. FÄRE. Brasília: SOBER. UFRB. favoreceu a elevação dos investimentos no setor agropecuário. M. p-631-657.CONCLUSÕES Os resultados obtidos permitem inferir que. reflexos dos investimentos realizados no primeiro período. 1995. E. Revista Brasileira de Economia e Sociologia Rural. 1982. A. PEREIRA. conforme assinalam Gomes & Dias (2001). Outros fatores. S. contudo. 3. D. T. J. 35-59. R. C. M. embora seja possível estabelecer algumas relações com a política agrícola vigente no período. 1994. 4-11. 1393-1414.. R. C.. 1998. como a melhoria das relações de preços agropecuário/industrial e recebidos/pagos pelo setor agropecuário. no período 1975/85.. não permitem conclusões sobre os determinantes deste comportamento. Recife. P. F. MALMQUIST. p. J. Trabajos de Estatistica. J. S. O comportamento da agropecuária brasileira no período de 1987 a 1996. os índices de eficiência calculados possivelmente estejam subestimados.F. CD-ROM 2001. 296 Tópicos em Ciências Agrárias. 50. por força do modelo utilizado. 66-83. p. K. The economic theory of index numbers and the measurement of input. L. ALVES. considerando-se que existe uma defasagem entre investimentos e produção e que. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL. 1. p. ROCHA. 1995. v. É provável que os resultados referentes ao segundo período analisado (1985/95). Medidas de produtividade na agropecuária brasileira: 1985-1995. S. fatores não controlados pelos produtores como clima e preços agrícolas. sejam. technical progress. v. p. Productivity growth. Pode-se argumentar que. and efficiency change in industrialized countries. M. CD-ROM 2001.. DIAS. p. Z. 37. v. Index numbers and indifference curves. REFERÊNCIAS ÁVILA. Recife.J. 1995. a política de crédito vigente no período. LAMBERT. Os resultados obtidos neste estudo devem ser observados com parcimônia pois alguns aspectos podem estar contribuindo para os índices calculados como erros na medição das variáveis. 1998. Anais.. SHONKWILER. Curitiba. entre outros.. DIAS. PARRÉ. J. R. houve um declínio na produtividade do setor agropecuário da região Nordeste do Brasil determinado. dentre outros fatores. 84. CHRISTENSEN. o valor da produção é função dos investimentos realizados no mesmo período. por perda de eficiência técnica e deslocamento regressivo da fronteira tecnológica. 2009 . ZHANG. assinalados por Bacha & Rocha (1998). n. v. L. p. v. dentre outras. 1. Estes resultados. GOMES. Mensuração da eficiência técnica na agropecuária brasileira através da estimação econométrica de fronteiras de produção... In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL. T. CAVES. 1... 1953. Brasília: SOBER..C.578-90.209-242. Produtividade e progresso tecnológico na agricultura brasileira. Factor bias stochastic technical change. Econometrica.D. podem ter contribuído para o desempenho da agricultura nordestina neste período.. principalmente. Anais. 4. and productivity.. 33. output. F. DIEWERT. A. S. Economia & Tecnologia. S.

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