Organizadores Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Ana Cristina Vello Loyola Dantas Francisco Adriano de Carvalho Pereira Ana

Cristina Fermino Soares José Fernandes Melo Filho Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira

Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Ana Cristina Vello Loyola Dantas Francisco Adriano de Carvalho Pereira Ana Cristina Fermino Soares José Fernandes Melo Filho Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira (Organizadores)

TÓPICOS EM CIÊNCIAS AGRÁRIAS

VOLUME I

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS, AMBIENTAIS E BIOLÓGICAS

CRUZ DAS ALMAS - BAHIA 2009

Copyright 2009

CAPA Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Gráfica e Editora Nova Civilização Ltda.

FOTOS DA CAPA Ana Cristina Vello Loyola Dantas

REVISÃO Ana Cristina Vello Loyola Dantas Sidiney Ferreira Sardinha

DIAGRAMAÇÃO Gráfica e Editora Nova Civilização Ltda.

Ficha Catalográfica preparada pela Seção de Catalogação da Biblioteca da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia T674 Tópicos em Ciências Agrárias / Carlos Alfredo Lopes de Carvalho... [et al.], organizadores. – Cruz das Almas, BA: Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas, 2009. 296p. : v. 1. :il. ISBN 978-85-61346-04-1 1. Ciência animal. I. Carvalho, Carlos Alfredo Lopes de, II. Dantas, Ana Cristina Vello Loyola, III. Pereira, Francisco Adriano de Carvalho, IV. Soares, Ana Cristina Fermino, V. Melo Filho, José Fernandes, VI. Oliveira, Gabriel Jorge Carneiro de. CDD 631 Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias - UFRB Tele/Fax: (75) 3621.3120 E-mail: pgagrarias@ufrb.edu.br Home Page: www.ufrb.edu.br/pgcienciasagrarias

O conteúdo dos Capítulos é de inteira responsabilidade dos autores

É permitida a reprodução parcial ou total desta publicação desde que devidamente citada a fonte.

ORGANIZADORES

Carlos Alfredo Lopes de Carvalho Doutor em Ciências - Entomologia Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Ana Cristina Vello Loyola Dantas Doutor em Agronomia - Genética e Melhoramento de Plantas Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Francisco Adriano de Carvalho Pereira Doutor em Irrigação e Drenagem Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Ana Cristina Fermino Soares Doutor em Produção Vegetal Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia José Fernandes de Melo Filho Doutor em Agronomia - Solos e Nutrição de Plantas Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira Doutor em Zootecnia Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

APRESENTAÇÃO

A grande área das Ciências Agrárias representa parte significante do conhecimento gerado no Brasil com retorno importante para a sociedade, uma vez que técnicas de manejo de culturas, melhoramento animal e vegetal, conservação dos solos, sistemas de irrigação, entre outros, se traduzem em maior produtividade com reflexo direto na produção de alimento. Dada a sua especificidade, notadamente em países com as características do Brasil, a pesquisa agropecuária tem sido ferramenta importante na busca de respostas aos desafios promovidos pela necessidade de aumento da produtividade agropastoril associada com a sustentabilidade ambiental e responsabilidade social. Neste contexto, além das questões inerentes à própria pesquisa, a formação de recursos humanos altamente qualificados tem sido um desafio ainda maior para atender as demandas complexas dos agrosistemas. É neste cenário desafiador que o Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, cuja primeira turma de Mestrado foi iniciada em 1979 e a de Doutorado em 2006, tem contribuído, tanto na formação de recursos humanos qualificados, como na geração de conhecimento técnico-científico. Com mais de 350 dissertações de Mestrado e duas teses de Doutorado defendidas, o Programa da UFRB possui egressos em várias instituições no Brasil e em outros países, desenvolvendo pesquisas importantes na solução dos problemas enfrentados pela agropecuária. Motivados com a importante e necessária divulgação dos resultados obtidos pelos Grupos de Pesquisa que contribuíram ou contribuem na consolidação do lastro de sustentação do Programa ao longo desses anos, docentes pesquisadores e seus orientados reuniram resultados de trabalhos e revisão bibliográfica, lançando o primeiro volume com diferentes temas sobre as Ciências Agrárias. A obra é mais uma contribuição do Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias da UFRB e é composta por diversos tópicos da área de Ciências Agrárias, cujos temas estão distribuídos em Capítulos, de forma que o leitor pode ter acesso, tanto às informações específicas, como a questões mais gerais ao longo dos textos. Neste sentido, ela se constituirá em uma importante fonte de consulta bibliográfica para discentes e docentes pesquisadores, tanto nos trabalhos de formação, como nos projetos de pesquisa.

Paulo Gabriel Soledade Nacif Reitor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

...........................55 Getúlio Augusto Pinto da Cunha CAPÍTULO 6 Produtividade vegetal: principais fatores...15 Simone Alves Silva...37 Clóvis Pereira Peixoto & Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto CAPÍTULO 5 Fisiologia da floração do abacaxizeiro.............................. José Vieira Uzeda Luna...................................................................... Carlos Alfredo Lopes de Carvalho & Gilberto Marcos de Mendonça Santos CAPÍTULO 10 Interface da entomologia aplicada na fruticultura tropical .....105 Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio................................................01 Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa..................... Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa............... Weliton Antônio Bastos de Almeida...... Fernanda Vidigal Duarte Souza.....................................133 Antônio Souza do Nascimento & Tuffi Cerqueira Habibe ................... Simone Alves Silva & Janay Almeida dos SantosSerejo CAPÍTULO 4 Dinâmica do crescimento vegetal: princípios básicos.............................. Claudia Fortes Ferreira & Antonio Augusto Oliveira Fonseca CAPÍTULO 3 Propagação de fruteiras potenciais para o nordeste brasileiro.........................................................77 Elvis Lima Vieira CAPÍTULO 7 Ecofisiologia e floração da mangueira e crescimento do fruto de manga...........................................................................................................CONTEÚDO CAPÍTULO 1 Conservação de fruteiras potenciais para o nordeste brasileiro ......................................................................25 Ana Cristina Vello Loyola Dantas........................119 Oton Meira Marques......91 Manoel Teixeira de Castro Neto & Anna Christina Passos Menezes CAPÍTULO 8 Viabilidade e vigor de sementes de milho híbrido precoce ........... Simone Alves Silva & Ana Cristina Vello Loyola Dantas CAPÍTULO 2 Caracterização de genótipos de fruteiras potenciais para o nordeste brasileiro ............... Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio CAPÍTULO 9 Análises faunísticas em estudos entomológicos............................................................ Milene da Silva Castellen...... Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa........ Ana Cristina Vello Loyola Dantas............................................................................................................... Clóvis Pereira Peixoto...................................................

................147 Antônio Alberto Rocha Oliveira........................................171 Anacleto Ranulfo dos Santos..............................277 Warli Anjos de Souza CAPÍTULO 22 Produtividade....................................... Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio................................257 Leandro Portz CAPÍTULO 20 Alimentação de caprinos leiteiros..197 José Fernandes de Melo Filho & Paulo Leonel Libardi CAPÍTULO 16 Evapotranspiração ........................................................................................................................................CAPÍTULO 11 Interação entre fungos micorrízicos arbusculares e patógenos radiculares de citros ..........219 Francisco Adriano de Carvalho Pereira.................... Cláudia Melo da Paixão & Robélia Tosta Dias Amorim CAPÍTULO 12 Impacto de herbicidas em processos microbiológicos do solo e qualidade fisiológica de sementes em Latossolo Amarelo coeso do Recôncavo Baiano .... Adailde do Carmo Santos & Leandro Gonçalves dos Santos CAPÍTULO 14 Desordens nutricionais em pomares cítricos no Recôncavo Baiano .................... a qualidade do leite e da carne e a produção de alimentos funcionais.......................................................................................... Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Benedito Marques da Costa CAPÍTULO 21 Desenvolvimento regional e a competitividade do agronegócio: estudos de cluster.................................................................................. Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira & Maria do Carmo Martins Marques da Costa CAPÍTULO 18 Efeitos da adição de gordura suplementar à ração de bovinos sobre o metabolismo da glândula mamária................................................................245 Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira CAPÍTULO 19 Carboidratos na nutrição de peixes ....159 Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto.......................... Vital Pedro da Silva Paz & Greice Ximena Santos Oliveira CAPÍTULO 17 Mistura mineral para bovinos em regime de pasto ............................................................................................................ Raul Lomanto Neto.................269 Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira........................ adubação e diagnose nutricional de pastagens no Recôncavo da Bahia .................................. Rozilda Vieira Oliveira Sacramento & Robson Rui Cotrim Duete CAPÍTULO 15 Variabilidade espacial da condutividade hidráulica do solo: conceitos e bases para avaliação........ Aureo Silva de Oliveira.............................................................233 Benedito Marques da Costa.. mudança tecnológica e eficiência na agropecuária do nordeste do Brasil no período 1975/1995..............................289 Carlos Augusto Pereira Filho & Warli Anjos de Souza ................ Clóvis Pereira Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio CAPÍTULO 13 Evolução........................183 Washington Luiz Cotrim Duete.........................

José Vieira Uzeda Luna. Weliton Antônio Bastos de Almeida. Fernanda Vidigal Duarte Souza. Simone Alves Silva & Ana Cristina Vello Loyola Dantas Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 1 CONSERVAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa. Milene da Silva Castellen.

edu. Pesquisador . necessitando de estratégias próprias. tem sido o objetivo de programas de melhoramento genético em todo país. vitaminas e sais minerais. principalmente em relação a espécies de importância econômica atual e potencial. Adicionalmente. Ambientais e Biológicas/UFRB. tem grande responsabilidade sobre essa riqueza. 1998).Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA). variedades de uso tradicional e as variedades melhoradas. José Vieira Uzeda Luna3. são as maiores dificuldades encontradas nos estabelecimentos desses bancos de germoplasma. O Brasil. 1993.. Simone Alves Silva1. como o país mais rico do mundo em recursos biológicos. 2000). uma demanda relevante. o pouco conhecimento que se tem sobre variedades e genótipos de algumas dessas espécies. Com o avanço da erosão genética. seria a estratégia mais segura para resguardar esse recurso. Estação de Fruticultura Tropical. Algumas limitações. incluindo possibilidades de conservação in situ e ex situ. 1. nativas e exóticas. Órgão ou Centro de Estudos que ficará responsável pelo estabelecimento e manutenção da coleção. No Nordeste brasileiro é possível encontrar uma grande variabilidade genética das mais diversas fruteiras. Um aspecto normalmente negligenciado por muitos curadores de Bancos de Germoplasma. no entanto.br 3 INTRODUÇÃO O uso sustentável e continuado da diversidade genética disponível para o cultivo e consumo de espécies vegetais utilizadas na alimentação é de suma importância para o bem estar das gerações atuais e futuras. é a destruição devastadora que está ocorrendo nas áreas de ocorrência natural dessas espécies. de um programa de conservação e manutenção desses recursos genéticos. como sistemas reprodutivo e de cruzamento. Dentre os recursos genéticos vegetais voltados para a alimentação e agricultura. Weliton Antônio Bastos de Almeida1. como coleções-base e/ou ativas de sementes. E-mail: fernanda@cnpmf. A escolha da estratégia de conservação mais adequada para cada espécie é dependente de uma gama de fatores. v. Tópicos em Ciências Agrárias. que vão desde aspectos botânicos. de grande importância para a dieta alimentar. Fernanda Vidigal Duarte Souza2. diante de mudanças ambientais ou aparecimento de novas pragas e doenças. sendo o Brasil. A caracterização e manutenção de recursos genéticos são hoje. sorvetes e geléias entre outras delícias culinárias (Avidos et al. perfeitamente adaptadas e com potencial para a conquista do mercado interno. causada pela destruição dos ecossistemas e pela domesticação dos cultivos pelo homem. E-mail: mapcosta@ufrb. a necessidade de se optar por coleções completas do tipo específico. abrangendo a conservação de variedades silvestres.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. e que deve ser considerado no caso da conservação do germoplasma dessas fruteiras em especial. no mundo. Cruz das Almas-BA. proteínas. A exploração racional de espécies de importância econômica ou de potencial utilização. e mesmo. A evolução econômica e a demanda dos mercados reforçam hoje o interesse dos países latino-americanos para as frutas em geral e as frutas nativas ou exóticas em particular. são evidentes na formação de coleções de germoplasma dessas fruteiras. coleções nucleares e bancos de germoplasma in vitro. a conservação do pool gênico dessas espécies tornou-se prioridade em programas agrícolas de muitos países.br Pesquisador . as fruteiras destacam-se pela grande diversidade e potencial que apresentam. uma caracterização morfológica ainda bastante incipiente. A exploração racional e o uso sustentável desse germoplasma dependem inicialmente. para conservá-la. É preciso considerar que a perda da variabilidade genética supõe uma grande limitação na capacidade de se corresponder a novas necessidades e um incremento da vulnerabilidade dos cultivos dessas fruteiras.. porte da planta. um dos mais importantes centros de diversidade genética de muitas espécies frutíferas tropicais. coleções em campo. para a exportação e para a diversificação agrícola da região (Giacometti & Goes. voltadas para a alimentação.embrapa. o longo período de juvenilidade.CONSERVAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa1. Ana Cristina Vello Loyola Dantas1 1 2 Professor . Conceição do Almeida-BA. Cruz das Almas-BA. Essas frutas apresentam sabores sui generis e elevados teores de açúcares. UFRB. e passa impreterivelmente. O porte alto. D’Eeckenbrugge et al. Milene da Silva Castellen2. Dessa forma. 2009 03 . licores. pela conservação e caracterização do germoplasma disponível. mas principalmente. até condições financeiras da Empresa. não apenas para explorá-la de modo sustentável. podem ser consumidas in natura ou na forma de sucos.Centro de Ciências Agrárias.

podem ser destacadas. Em relação à carambola e ao rambutão foram identificadas quatro matrizes com características horticulturais superiores. produção. (2002). introduções procedentes da Colômbia possibilitaram a identificação e recomendação de materiais de alta qualidade. Os acessos são caracterizados e avaliados tomando-se por base os descritores do IBPGR (1980). oriundos de várias partes do mundo e introduzidos pelo CENARGEN (Tabela 1). 2001). ressaltando-se a distribuição de materiais de propagação para diferentes Instituições. Outra importante coleção de fruteiras tropicais do Estado da Bahia encontra-se no Centro de Ciências Agrárias.. em Cruz das Almas-BA. tendo em vista as condições ecológicas propícias ao desenvolvimento. a necessidade de recursos humanos treinados. Sergipe. como as cultivares Lisa e Morada. o alto custo de implantação. Ceará. recebendo os tratos culturais e fitossanitários de acordo com as exigências de cada espécie. No Nordeste Brasileiro os bancos e coleções de germoplasmas de fruteiras estão distribuídos nos Estados da Bahia. graviola. um acesso de jenipapo sem sementes. Além das extensas áreas. utilizadas principalmente no Sul da Bahia. Ambientais e Biológicas da UFRB. No Banco de Germoplasma de Fruteiras Nativas e Exóticas. O mamão teve o maior número de acessos intercambiados. Dentre essas. contribuindo para o aumento da renda de produtores. as mais solicitadas são: mamão. em Itabuna. praticamente toda a conservação é realizada na forma de coleções de campo. com índice de pegamento de quase 100%. 2009 . com as modificações necessárias. foram distribuídas cerca de 85 mil mudas de fruteiras tropicais nativas exóticas. quanto de espécies exóticas bem adaptadas às condições edafo-climáticas da região. o Centro de Ciências Agrárias. e que de maneira geral utilizam-se três plantas para cada acesso. Essas espécies estão sendo multiplicadas na EBDA e difundidas em pequena escala no Sul da Bahia. Muitas espécies apresentam grande escassez ou mesmo ausência de dados relativos à sua morfologia. Vale ressaltar que nesse BAG encontra-se a única coleção de abacate da Região Nordeste com 33 acessos. a partir de populações de plantas obtidas por meio de sementes. UFRB. As plantas estão mantidas em campo e dispostas em número variável de três a dez plantas por acesso. Outras fruteiras introduzidas recentemente nesse BAG foram o champedaque (Artocarpus integer (Thumb. as principais Instituições responsáveis pela conservação de fruteiras são a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA) em Conceição do Almeida. abiótica e antrópica (Valois et al. (A. para a produção de polpa congelada. o durião (Durio zibethinus Murray). Pernambuco. características fisiológicas e fenologia. Estas informações são importantes para a descrição e caracterização de genótipos. acerola e maracujá. Considerado como um dos mais importantes da América Latina. sendo que. cada planta ocupa uma área em torno de 40 m2. 1. No Estado da Bahia. goiaba. Esses acessos encontram-se em fase de caracterização e avaliação com base nas características morfológicas e agronômicas. Ambientais e Biológicas da UFRB. possibilitando a incorporação de muitas espécies aos sistemas produtivos comerciais. A conservação de espécies de Persea é de extrema importância atualmente. com introdução das 04 Tópicos em Ciências Agrárias. através da incorporação de novas cultivares ao processo produtivo. localizado na EBDA estão catalogados mais de 364 acessos de 60 espécies de clima tropical.) Merr. com 30 espécies e 157 acessos (Tabela 2) coletados nas diversas regiões do País. visto a restrita variabilidade existente nas coleções brasileiras. assim como os riscos de perdas pela ocorrência de catástrofes de ordem biótica. No caso dos bancos de germoplasma de fruteiras nativas do Brasil. esta coleção foi iniciada em 1996. constituindo mais uma alternativa de renda para o produtor. beneficiando quarenta e cinco Instituições e inúmeros produtores de praticamente todos os Estados do Brasil. introduzido através da técnica de produção de mudas por garfagem em fenda cheia. outras limitações em relação à conservação de germoplasma dessas fruteiras em campo. encontra-se igualmente. o BAG de Fruteiras Nativas e Exóticas possibilitou ainda. também originário da Malásia e o canistel (Pouteria campechiana Baehni) da família Sapotaceae e originária da América Central. a recomendação de cultivares de abacate e goiaba para o plantio nas condições do Recôncavo Baiano. condução e manutenção das coleções. Alagoas. Nos últimos 10 anos. Recife e Paraíba. champeden Spreng. Dentre as diferentes espécies mantidas. da família Moraceae e oriunda da Malásia. Considerando-se que a grande maioria dessas frutíferas é arbórea. tanto de espécies nativas. v. No tocante à cultura da graviola. Segundo Carvalho et al. da família Bombacaceae. necessitando ampliação por meio de novas coletas nos locais de origem (Ferreira. a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical.Bancos de Germoplasma da Região Nordeste O Nordeste Brasileiro apresenta diversidade genética considerável. a área ocupada por esses bancos é extensa e de difícil manejo. 1999).). Esse BAG vem sendo utilizado como suporte aos trabalhos de seleção de matrizes e como apoio básico às atividades de produção de mudas. em Cruz das Almas e o Centro de Pesquisa da Lavoura Cacaueira (CEPLAC). Nessa mesma coleção.

como é o caso dos Tabuleiros Costeiros. nas regiões de ocorrência (Iramaia. que estão sendo caracterizados utilizando-se descritores morfológicos pré-estabelecidos para a cultura. Estima-se que a maior parte da variabilidade genética intra e interespecífica do abacaxi esteja aí representada (Cabral et al. do gênero Ananas e outras bromeliáceas. No caso específico da mangabeira avaliações preliminares demonstraram reduzida variabilidade genética entre as populações e presença de variabilidade dentro da população. Recentemente. acerola. Ambientais e Biológicas da UFRB. Dentre as características desejadas. 2000. Esse germoplasma vem sendo caracterizado utilizando-se os descritores morfológicos estabelecidos para a cultura do abacaxi. Desse BAG. O BAG Banana possui 400 acessos. Merrill) foi iniciado no início dos anos 80 e reúne um total de 743 acessos no campo. litoral e caatinga da Bahia. tendo como propósito subsidiar o programa de melhoramento genético da espécie implantado no Centro de Ciências Agrárias. A região Nordeste possui diversas espécies do gênero Passiflora. Atualmente. Eremocitrus e Severinia. e alguns híbridos estão em fase de avaliação. com características agronômicas muito interessantes e resistente à fusariose. já foram identificadas e lançadas duas variedades para mesa. Caracterizações moleculares de pelo menos 60 diplóides foram realizadas por meio de marcadores do tipo RAPD e microssatélites (Paz et al. Tópicos em Ciências Agrárias.. Castellen et al. Esse banco de germoplasma. que vêm sendo caracterizados morfologicamente a partir de uma lista de descritores multiculturais. foram lançadas as variedades Pineapple. a resistência encontrada em materiais diplóides conservados possibilitou o desenvolvimento de novos híbridos resistentes. cor. assumindo um lugar de destaque na floricultura nacional. que vem gradativamente. entre nativas e exóticas. plantas de porte baixo e outras características de interesse para o melhoramento da cultura. UFRB. Fortunella. maracujá. como é o caso do Poncirus. 1998). tamanho e firmeza do fruto. Esses Bancos foram estabelecidos para servirem de suporte aos programas de melhoramento genético da Unidade e encontram-se parcialmente caracterizados. 1. é a base para o programa de melhoramento genético. à gomose de Phytophthora e ao complexo do vírus da tristeza dos citros . porta-enxertos tolerantes à seca e ao alumínio. é o BAG Maracujá. Esse material vem sendo caracterizado quanto a morfologia e características físico-químicas do fruto. No panorama atual. 2004). Outro aspecto que vem sendo explorado nesse banco é o potencial ornamental encerrado em muitos de seus acessos (Souza et al. Além do melhoramento dos porta-enxertos. Foram detectadas fontes de resistência às principais doenças da cultura. A variabilidade existente no BAG agrega uma extensa fonte de cores. as variedades-copa têm sido selecionadas com vistas à sua utilização em ecossistemas característicos. cita 29 espécies do gênero. a partir de coletas realizadas na região do Recôncavo Baiano. Valência Tuxpan e Page. a maior parte dos acessos do gênero Passiflora conservados refere-se à espécie Passiflora edulis (maracujá roxo) e à forma flavicarpa (maracujá amarelo). como resultado desse programa. Salustiana. coloração da pétala. Nunes (2002). e a última um híbrido tipo tangerina. 40% desse banco já está caracterizado morfologicamente. passíveis de serem processadas pela indústria e também serem consumidas in natura. em sua maioria. resistentes à morte súbita dos citros. banana. O BAG Abacaxi (Ananas comosus L. que visa a obtenção de genótipos com características interessantes para o cultivo dos citros. Os descritores mais utilizados referem-se ao porte da planta. de grande interesse ecológico e com potencial econômico. Chapada Diamantina.. Na Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical estão estabelecidos Bancos Ativos de Germoplasma (BAG) de diversas fruteiras. O BAG Passiflora conta atualmente com 44 acessos.. o que possibilitou a identificação de acessos com resistência à fusariose. sinensis). cor da polpa. foi lançado um híbrido. plantas com ausência de espinhos e frutos com altos teores de sólidos solúveis. 2005). uma das mais sérias doenças da bananeira causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis. (no prelo) citam 35 espécies do gênero distribuídas pela região dos Tabuleiros Costeiros. em um levantamento no Estado da Bahia.primeiras mudas. sendo uma das maiores coleções de germoplasma de abacaxi do mundo. conservados em condições de campo. sendo três delas consideradas endêmicas do Estado e prioritárias para conservação. que deverão substituir as variedades suscetíveis. Recentemente. O Banco de Acerola conta hoje com 150 acessos de Malpighia glabra e um acesso de Malpighia coccigera. tamanhos de frutos e coroas e diferentes arquiteturas a serem exploradas (Cunha e Cabral. 2009 05 . o abacaxi `Imperial´. Outro Banco que a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical mantém desde 1997. como é o caso do abacaxi. O BAG Citros possui cerca de 700 acessos. ‘Cablocla’ e ‘Rubra’. a semelhança dos outros existentes nessa Unidade da Embrapa. formas. v.CTV (citrus tristeza virus). das quais apenas 15 encontram-se conservadas em Bancos de Germoplasma. Creste et al.. indicado para consumo de mesa. características desejáveis para o programa de melhoramento genético da cultura. citros. e a cada ano a coleção vem sendo ampliada com a introdução de novos acessos. encontram-se. Microcitrus. as três primeiras são laranjas doces (C. dos quais 60% já estão caracterizados morfologicamente utilizando-se os descritores já estabelecidos para a cultura. 1999) para a identificação de abacaxis ornamentais. visando a identificação de genótipos de interesse e molecular para análise de polimorfismo entre os genótipos. Ouriçangas e Nova Soure) (Cruz.. Atualmente. mamão e manga. com o alastramento da Sigatoka negra. compreendendo diversas espécies e variedades de Citrus e gêneros afins. Novos acessos de mangaba e jenipapo estão sendo introduzidos. 2005b).

Averrhoa carambola L.) Skeels Spondia tuberosa Arruda FAMÍLIA Lauraceae Sapotaceae Clusiaceae Sapotaceae Malpighiaceae Sapindaceae Flacourtiaceae Myrtaceae Myrtaceae Annonaceae Annonaceae Averrheaceae Myrtaceae Malpighiaceae Sapindaceae Anacardiaceae Anacardiaceae Anacardiaceae Myrtaceae Sapotaceae Ebenaceae Averrhoaceae Moraceae Anacardiaceae Arecaceae Bombacaceae Clusiaceae Myrtaceae Annonaceae Euphorbiaceae Myrtaceae Myrtaceae Myrtaceae Moraceae Myrtaceae Myrtaceae Myrtaceae Rubiaceae Anacardiaceae Sapindaceae Sapindaceae Ebenaceae Proteaceae Anarcadiaceae Clusiaceae Cecropiaceae Moraceae Rosaceae Combretaceae Burseraceae Annonaceae Myrtaceae Sapindaceae Sapindaceae Arecaceae Sapindaceae Punicaceae Rutaceae Sapotaceae Sapotaceae Aracaceae Cesalpinaceae Rutaceae Anacardiaceae N° ACESSOS 33 02 01 01 04 01 01 04 01 01 01 01 01 01 02 02 01 05 01 02 03 45 42 01 02 02 01 31 12 01 01 02 03 01 02 01 01 03 01 01 01 01 11 50 01 01 01 01 01 01 05 05 01 01 02 45 02 01 01 04 01 02 01 02 06 Tópicos em Ciências Agrárias. Bunchosia armeniaca AD.C. Spondia púrpura L. Pouteria viridi Pitt. Alston Syzzygium cumini L. 2005. Spondia lútea L. Terminalia kaernbachi Warb. Cocuns nucifera L. Annona squamosa L. Blighia sapida Koenig Flacourtia indica Merr. 1. Garcinia mangostana L. NOME VULGAR Abacate Abiu Abricó Abricó-da-praia Acerola Akee Ameixa-de-madagascar Araçá Araçá-boi Araticum do Brejo Atemóia Bilimbi Cabeludinha Cafezinho Cainito Cajá Cajarana Caju Camu-camu Canistel Caqui Carambola Champedaque Ciriguela Coco Durião Falso mangostão Goiaba Graviola Groselha Grumixama Guabiraba Jabuticaba Jaca Jambo vermelho Jambo rosa Jambolão Jenipapo Kundang Lichia Longon Mabolo Macadâmia Manga Mangostão Mapati Marang Nêspera Noz okari Noz pili Pinha Pitanga Pitomba Pitomba do Norte Pupunha Rambutão Romã Sapota branca Sapota verde Sapoti Tâmata Tamarindo Uampi Umbu NOME CIENTÍFICO Persea americana Mill. Punica granatium L. Eugenia uniflora L. v. & Iex. Merr & Perry Syzzygium jambos L. Tamarindus indica L. Eugenia luschnathiama Klotz Talisia escul enta Radlk Bactris gasipae Kunth Nephelium lappaceum L. Phoenyx daclylifera L.C. Bouea macrophyla Litchi chinensis Sonn Dimocarpus longon (Lour. Mimusops elengi Malpighia emarginata D. Syzzygium malacoense L. Eugenia brasiliensis Lam. Conceição do Almeida . Eugenia tomentosa Gamb. (Mc Vaugh) Pouteria champechiana Baehni Diospyrus kaki L. Anonna cherimola Mill x Annona squamosa L. Relação das espécies existentes no BAG de Fruteiras Nativas Exóticas da Empresa Baiana de Pesquisa Agropecuária (EBDA). Anacardium occidentale L.B. Averhoa bilimbi L. Phyllantus acidus L. Artocarpus odoratissimus Blanco Eriobotrya japonica Lindl.) Merr. Munilkara zapota L. Annona muricata L.BA. UFRB. 2009 . Myciaria dúbia H.K. Clausenta lansium (Lour. Psiduum guajava L. Pouteria caimito Radlk Mammea americana L. Durio zibethinus Murray Garcinia sp. Spondia dulcis Forst.Tabela 1. Compomonesia spp. Casimiroa edulis Llav. Artocarpus interger (Thumb. Chysophylum cainito L. Eugenia stipitata McVangh Annona glabra L. Myrciaria cauliflora Ber. Genipa americana L. Artocarpus heterophylus Lam. Psidium spp.) Steud Diospyrus discolor Willd Macadamia intergrifolia Maiden & Betch Mangifera indica L. Pourouma cecropiaefolia Mart. Canarium ovatum Engl.

Tópicos em Ciências Agrárias. Ambientais e Biológicas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. sendo o maior banco de germoplasma dessa cultura no país.BA. ainda em fase de avaliação. possibilitaram. as quais deram origem a nove híbridos promissores. Desse conjunto. O BAG Manga da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical conta com 115 acessos de Mangifera indica conservados em campo. Auto-fecundações e cruzamentos entre indivíduos estreitamente aparentados. atende ao fornecimento de material vegetativo e embriônico e a pesquisas para obtenção de híbridos com potencial para a indústria de sucos e para o consumo ao natural. Atualmente o BAG Manga. já que a manutenção de um banco de germoplasma é muito cara. até o momento. dentro de famílias. UFRB. passíveis de resultar em novos materiais à disposição dos produtores. os melhoristas têm uma pequena variabilidade genética à sua disposição para uso no melhoramento. Eugenia brasiliensis Myrciaria truncifolia Myrciaria dubia Genipa americana Hymenaea courbaril Xylopia emarginata Eugenia uniflora Talisia esculenta Bactris setosa Eugenia pyriformis Hibiscus sabdariffa N° ACESSOS 04 02 10 10 05 05 02 06 01 10 01 05 06 02 05 03 05 05 05 05 05 10 05 02 06 10 05 02 05 10 O BAG Mamão dessa Instituição conta atualmente com 191 acessos. aproximadamente 50% dos acessos já foram avaliados. Segundo Pinto & Ferreira (2005). 1. 2009 07 . Cruz das Almas. v. embora a mangueira seja a quinta mais importante espécie frutífera do mundo. a sintetização e avaliação de cinco linhagens. além dos objetivos conservacionistas.Tabela 2. onde pesquisas com a cultura também são desenvolvidas. NOME COMUM Abiu Canistel Mamei Açaí Palmito Araticum-do-brejo Araticum Araçá boi Biriba Bilimbi Butiá-vinagre Cabeludinha Café da mata Cagaita Caimito roxo Cajá Cupuaçú Goiaba Guabiroba Grumixama Jaboticaba Camu-camu Jenipapo Jatobá Pindaiba Pitanga Pitomba do Norte Pupunha Uvaia Vinagreira Fonte: Ferreira. 2003 NOME CIENTÍFICO Pouteria caimito Pouteria campechiana Mammea americana Euterpe oleracea Euterpe edulis Annona glabra Annona crassiflora Eugenia stipitata Rollinia mucosa Averrhoa bilimbi Butiá capitata Eugenia tomentosa Myrcia sp Eugenia dysenterica Crhysophyllum cainito Spondia mombim Theobroma grandiflorum Psidium guajava Compomanesia spp. Réplicas desses acessos têm sido mantidos no BAG da Embrapa Semi-Árido. Relação das espécies existentes na coleção de fruteiras nativas e exóticas do Centro de Ciências Agrárias. 2005.

Itambé E. microcarpum existente no Banco de Germoplasma. Itambé E.pdf.E. Serra Talhada N° ACESSOS 12 14 12 110 33 35 3 4 70 11 31 21 250 18 45 22 43 3 143 85 120 10 6 35 270 4 13 13 31 No Estado do Ceará as principais coleções de fruteiras encontram-se no Centro Nacional de Agroindústria Tropical (CNPAT) em Fortaleza. Ibimirim E.Caju.E.E. Iniciada no ano de 1987.E.E. UFRB.gov.E. Itambé Comocim de São Félix E.E. Itambé E. encontra-se o BAG de caju com 440 acessos de Anacardium occidentale.E. Araripina E. Itambé E. de características desejáveis em genótipos da espécie A.E. Itambé E. via retrocruzamento. As Coleções do Estado de Pernambuco encontram-se distribuídas na Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA). Garanhuns E. pinheira e pitanga.E. Itapirema E. a partir de prospecção genética e coleta de germoplasma de diversas fruteiras nativas e exóticas do Estado.E.E.br/port/sbf/chm/doc/cap2i. com 29 espécies.mma.E. Araripina E. A partir de avaliações realizadas ao longo dos anos na Coleção de Germoplasma foi possível recomendar para as diversas regiões do Estado de Pernambuco. Itambé E.E. 2005). Alguns genótipos vêm sendo caracterizados para serem empregados em programas de melhoramento. NOME COMUM Abacaxi Aceloreira Aceloreira Araçá-comum Cajazeiro Cajá-umbú Cajarana Cajueiro Anão Carambola Ciriguela Citros Goiaba Goiaba Graviola Graviola Jaboticabeira Jaqueira Macadâmia Mangabeira Pinheira Pitangueira Pitangueira Pomelo Romã Sapoti Tâmara Tangerina Tangerina Umbu E. Itapirema E.E. Embrapa Semi-Árido e Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). em relação aos tipos comerciais. Ibimitim E. Araripina Comocim de São Félix E. Itambé E. Ibimirim Comocim de São Félix E. (2002) genótipos da espécie A. Segundo Crisóstomo et al.E. genótipos de sapoti. v. microcarpum L. 1997). 1.E.: Estação Experimental LOCAL E. Relação das espécies existentes na coleção de fruteiras tropicais e subtropicais da Empresa IPA.E.. 20 acessos de Anacardium othonianum e 24 acessos de Anacardium spp. Itambé Comocim de São Félix E. Estes genótipos vêm sendo empregados no melhoramento do cajueiro-anão-precoce pela introdução.E.Tabela 3. Ibimirim E. Ibimitim E. a coleção do IPA conta atualmente. 2009 .E. 08 Tópicos em Ciências Agrárias. Além do BAG . destacam-se por apresentarem algumas características contrastantes e positivas.E. sobretudo quanto à adstringência. No CNPAT. cajá e acerola (http://www. Itapirema E. 09 acessos de de Anacardium humile.E. no CNPAT também são encontradas coleções de graviola. acerola.E. Porto de Galinhas E.E. carambola.E. Ibimirim E.E. Garanhuns E. bem como de materiais provenientes de instituições de ensino e pesquisa. Tabela 3 (Bezerra et al.

várias técnicas podem ser citadas no auxílio à caracterização. Tansley & Brown. apesar de que trabalhos para o estabelecimento de um BAG in vitro de maracujá e banana já estão em andamento (Junghans et al. (4) monitorar mudanças na estrutura genética de acessos regenerados. dados moleculares a respeito da diversidade genética podem ser usados para diversos objetivos como: (1) planejar coletas ou estratégias de intercâmbio de germoplasma. a única fruteira que vem sendo conservada na condição in vitro é o abacaxi. STS (Sequence Tagged Sites) e microssatélites. a partir da identificação de populações e locais prioritários para conservação. níveis de endogamia e tamanho efetivo de populações sob extrativismo. 1995. enquanto o outro grupo agrega marcadores baseados na reação da polimerase em cadeia (PCR).SE) é responsável por 19 acessos de coco. 2004. como por exemplo. conservação e utilização do germoplasma em programas de melhoramento genético. 2002. Tópicos em Ciências Agrárias. auxiliando na manutenção e utilização sustentável da biodiversidade. quando bem conduzida. UFRB. Trabalhos utilizando marcadores moleculares têm propiciado informações chaves para conservação tanto in situ (Rosseto et al. AFLP (Amplified Fragment Length Polymorphism). em diferentes organismos (Petit et al. Samal et al.. Acessos de acerola também são mantidos na UFRPE. O desenvolvimento da técnica de PCR permitiu a síntese enzimática in vitro de milhões de cópias de um segmento específico de DNA na presença da enzima DNA polimerase.. Na região Nordeste. A escolha do marcador ideal dependerá da questão a ser respondida e dos equipamentos e recursos financeiros disponíveis. Os marcadores moleculares são usualmente divididos em dois grupos distintos metodologicamente: o primeiro engloba marcadores que utilizam técnicas de hibridização como. 2000) quanto ex situ (Wünsch & Hormaza. complementando as informações geradas por descritores morfológicos ou bioquímicos. 2000). mas como complementares no entendimento da variabilidade disponível. A conservação in situ. de especial interesse em fruteiras sob extrativismo e em parentes silvestres de espécies cultivadas. gerando informações importantes para o esclarecimento de relações filogenéticas. Contribuição da biotecnologia na caracterização e conservação de germoplasma A demanda de recursos genéticos para a alimentação e agricultura tem gerado necessidades cada vez mais dependentes da utilização de novos métodos e processos biotecnológicos (Vilela-Morales & Valois. a Embrapa Tabuleiros Costeiros (em Betume . tem sido beneficiada por esses marcadores que permitem estudar a distribuição da variabilidade genética em populações naturais. fluxo gênico.. 1. Wörheide et al. 2004 e Creste et al. No entanto.. análises de seqüências de mtDNA.A Embrapa Semi-Árido é responsável por oito acessos de goiabeira (Pisidium cattelyanum). eventos de hibridação e confirmação de unidades taxonômicas. (2) selecionar acessos divergentes que abriguem valiosa variabilidade genética para programas de melhoramento a partir de cálculos de distância genética. Adicionalmente. Ortis et al. 2004. (3) identificar acessos duplicados na coleção.. reduz os custos e garante a manutenção da fidelidade genética dos acessos conservados. No tocante à cultura de tecidos. a manutenção de um grande número de acessos num pequeno espaço físico e livre das intempéries e riscos que existem no campo. v. a UFAL (Universidade Federal de Alagoas) mantêm coleções de mangabeira e no Estado de Sergipe. As coleções do Estado da Paraíba encontram-se distribuídas na EMEPA. além de monitorar a longo prazo mudanças na estrutura genética.. facilitando a disponibilidade dos mesmos para o melhoramento genético e o próprio intercâmbio de germoplasma. 2004) de diversas espécies animais e vegetais.. A partir dessa técnica derivaram se inúmeros marcadores como RAPD (Random Amplified Polymorphic DNA). população ou acesso. 2002. deve-se salientar que apesar das técnicas moleculares gerarem grandes possibilidades na conservação de RGV. Os recentes avanços em biologia molecular marcaram o início de uma nova era na conservação de recursos genéticos com o advento de marcadores moleculares que permitem detectar o polimorfismo diretamente no DNA. (6) gerar informações para desenvolvimento de coleções nucleares representativas de toda coleção e ainda (7) determinar a presença de um alelo particular ou sequência de nucleotídeo em um táxon. A conservação in vitro surge como uma alternativa de conservação de germoplasma. RFLP (Restriction Fragment Length Polymorphism) e minissatélites. Kelch & Baldwin. 105 acessos de manga (Mangifera indica). SCAR (Sequence Characterized Amplified Regions). No Estado de Alagoas. estas ferramentas não devem ser vistas como substitutas de estudos morfológicos e bioquímicos. 2003). (5) caracterizar acessos. que deve ser considerada pelas vantagens que apresenta. 42 acessos de acerola (Malpighia glabra) e 70 acessos de umbu (Spondia tuberosa). banco de germoplasma. cpDNA e nDNA também têm auxiliado estratégias conservacionistas. No que tange à conservação ex situ. Esta estratégia. 2009 09 . por exemplo. com 324 acessos de mangabeira e 21 acessos cajá.

no que se refere à importância desse germoplasma e pelas condições sociais da mesma. que devidamente controlados. A expectativa é que a transposição total do banco esteja terminada no final de 2007. Alguns fatores influenciam no crescimento das plântulas. 2009 . além dos riscos de gerar plantas variantes. já que a demanda por sabores diferentes cresce a cada dia no hábito alimentar do consumidor e as frutas representam uma larga fatia desse novo mercado. no que se refere a fruteiras... A grande maioria tem pouco do seu acervo caracterizado e portanto grande parte de seu potencial ainda permanece desconhecido. 1998. Em uma região com uma extensa diversidade biológica. a gestão de modelos em rede otimiza o trabalho em recursos genéticos agregando às atividades com objetivos similares. UFRB. mas ainda apresenta muitas barreiras para sua utilização (Pérez et al. mas também pelo total desconhecimento da população. As coleções mencionadas nesse capítulo. o potencial intelectual e as diversas capacidades institucionais. 10 Tópicos em Ciências Agrárias. portanto.. tanto da preservação do germoplasma existente. auxiliam no prolongamento do tempo entre subcultivos. como temperatura. CONSIDERAÇÕES FINAIS A variabilidade genética das fruteiras nativas e exóticas existente na Região Nordeste. A conservação in situ nessas regiões é difícil. Uma das diretrizes iniciais para formação de uma rede na região Nordeste seria a realização de uma radiografia e um diagnóstico dos bancos de fruteiras existentes na região. tipo de conservação realizada em temperaturas ultra baixas (-154ºC aproximadamente). além de alguns aspectos de ordem técnica. dentro de um enfoque de sustentabilidade. 1.. bem como da infra-estrutura disponível para as atividades de caracterização. O valor do material autóctone. vegetais e de microrganismos. O estímulo à sua utilização. em sua maioria. assim como o aporte racional de recursos humanos e financeiros para o desenvolvimento das ações integradas. biomas altamente diferenciados e enormes variações de sistemas agrícolas. 2004). Desta forma está sendo realizada uma série de trabalhos com a finalidade de prolongar o tempo de conservação do germoplasma de abacaxi in vitro. não apenas pela falta de apoio dos governos locais. as demandas mais urgentes. manutenção e documentação desse germoplasma. com a vantagem de que as fruteiras nativas são adaptadas às nossas condições e o importante papel que o recurso genético autóctone desempenha no intercâmbio internacional por germoplasma exótico em um cenário de crescentes restrições. permitirá o delineamento de estratégias de coleta e conservação in situ e ex situ eficientes e representativas da variabilidade genética regional intra e interespecífica. Outras vantagens do seu estabelecimento são a ordenação da informação e a determinação de atividades e espécies prioritárias. Gonçalves et al. um programa que englobe várias ações integradas entre Instituições de diferentes Estados e que possam culminar no sucesso. Paralelamente. demarca a importância que deve ser dada para o aspecto da conservação desses recursos genéticos na região. o que a torna laboriosa. Ponis & Thint. precisa ser melhor explorado. e o estabelecimento de atividades prioritárias para cada espécie. v. não apresentam uma adequada representação da diversidade genética da espécie em questão e muitas se encontram em situação precária. Souza et al. Na Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical já estão estabelecidos in vitro aproximadamente 100 acessos oriundos do BAG abacaxi em campo. adequando as condições de cultivo e buscando a limitação do crescimento. por meio da Rede Nacional de Recursos Genéticos (RENARGEN) que utiliza esse modelo na gestão de recursos genéticos animais. dessa forma. identificando. Outros aspectos que precisam ser considerados são a possibilidade de diversificação para o agricultor do Nordeste. passa inicialmente pela conservação e utilização racional do germoplasma existente. sendo necessário adequar condições para retardar o crescimento das plântulas. 2001). Esse tipo de conservação já começa a se fazer realidade para alguns cultivos. já que uma das desvantagens desta técnica é a necessidade de subcultivos periódicos. 2005a). A obtenção das plântulas para a conservação é realizada por meio da multiplicação in vitro dos acessos a serem introduzidos. onde o objetivo é a parada total do metabolismo da planta. Entre os materiais conservados encontram-se diferentes acessos do gênero Ananas e espécies afins. pela falta de recursos financeiros e humanos para sua manutenção. Experiências semelhantes têm sido conduzidas no âmbito da Embrapa. 2004. a avaliação do potencial da diversidade genética regional. assim como algumas variedades de abacaxi com potencial ornamental.2002. É preciso. Outra técnica utilizada para a conservação de germoplasma é a criopreservação. quanto de sua utilização. otimizando o processo de conservação (Canto et al. concentração osmótica e reguladores vegetais. A formação de uma rede de recursos genéticos entre os Estados do Nordeste contribuirá não apenas para elaboração de um diagnóstico da situação atual dos recursos genéticos da região como para o estabelecimento de uma cultura de cooperação técnica que trará benefícios para vários segmentos da sociedade. em diferentes instituições e estados do Nordeste. identificando zonas de ocorrência e endemismo de diversas espécies de fruteiras.

717-720. WORKSHOP PARA CURADORES DE BANCOS DE GERMOPLASMA DE ESPÉCIES FRUTÍFERAS (Brasília. CABRAL. Anais. SILVA. BA.M. R. Genetic Resources and crop Evolution..R. BEZERRA. R. Implantação da Cultura.S. B.S. A. v. 723-733. v.Universidade Federal da Bahia. Agropecuaria Brasileira. 24. dos SANTOS. v. TULMAN NETO. F. SOARES FILHO. R.139-167.... permitirão ampliar a oferta de variabilidade genética de fruteiras. UFLA.Iniciativas como essa. 1999.S.S. L de M. SOUZA. E. 190 p. M. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) . M.. Recursos genéticos dos Tabuleiros Costeiros e seus ecossistemas associados Série Fruteiras (no prelo). v. p. L. In: CUNHA. Conservação in vitro de germoplasma de abacaxi tratado com paclobutrazol. LEDO.A. Netherlands.. 39. VENCONVSKY. Banco ativo de germoplasma de abacaxi da Embrapa Mandioca e Fruticultura. de O. W.F.. Revista Brasileira de Fruticultura.E. SILVA JUNIOR.C. FERREIRA. de. para utilização nos programas de melhoramento.1998. 30p. Diversidade e potencial das fruteiras neotropicais. . S. CRESTE.R. G. BARROS. N. Jul. R. Jaboticabal. J. FERREIRA.). REFERÊNCIAS AVIDOS. Documentos. Brasília: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. (EMBRAP-CNPMF. W. J. I... E. Conferências. e de fruteiras nativas. Julho/agosto de 2000. Jaboticabal. Este Mercado Vale Ouro. A. G. 2005. IN: Recursos Genéticos de Espécies Frutíferas no Brasil. AMARAL. J. n. p.S. 2002. da SILVA (org). FREITAS. FERREIRA. M.1. 1. 1998. R. Ano III.. In: Josué Francisco da Silva Júnior..C. 2004. D'EECKENBRUGGE. P. CARVALHO. J. avaliação e conservação de germoplasma regional. S. D. CAVALCANTI. N.. Pesquisa. . XV CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. J. FERREIRA. LEDERMAN.A. E. Conservação de germoplasma de fruteiras tropicais com participação do agricultor. 1997).277 -281. Recursos Genéticos de Fruteiras Tropicais e Subtropicais no Brasil. CASTELLEN. A. E. CARVALHO.L. F. SOUZA. FIGUEIRA. de importância econômica. 70 f.. N 15.24. Biotenologia: Ciência & Desenvolvimento.V D. A.7. 51. 2004.A. caracterização. CABRAL. Genetic diversity of musa diploid and triploid acessions from the brazilian banana breeding program estimated by microsatellites markets.A. DF. A. A. J. F. CUNHA.. P. J.C. CRUZ. Melhoramento do Cajueiro-Anão-Precoce: Avaliação da Qualidade do Pedúnculo e a Heterose dos seus Híbridos. p. F. J. CRISÓSTOMO. D.S.... Frutos do Cerrado: Preservação gera muitos frutos. 80) CANTO. 820p. UFRB. G. C. O gênero Passiflora nos Tabuleiros Costeiros. N. R. de. R. R. n. RITZINGER. IN: Recursos Genéticos de Tópicos em Ciências Agrárias. EMBRAPA-CNPMF. J. O ABACAXIZEIRO: Cultivo.. 2. F. F. 2009 11 . P... T. Cruz das Almas-BA.C. Cruz das Almas.P. Caracterização e seleção de genótipos de mangabeira utilizando marcadores morfológicos e moleculares. . S. SANCHES. Brasília..S. Revista Brasileira de Fruticultura. OLIVEIRA.. Agroindústria e Economia. L.F. (Org. 1999. p. ALVES.. F. Recursos Genéticos de Fruteiras Tropicais e Subtropicais no Brasil.P da.. CABRAL. SOUZA. v. mediante a reestruturação das coleções dos BAG's e a otimização das ações de introdução.A. 2002. n. LIBREROS FERLA. S. COSTA. V. Embrapa. Capítulo 6. CERVI.. J.. G.477-480. M. CABRAL. F.O. MATOS A.

2004. 12. 4. Cardueae Compositae) based on ITS and ETS rDNA sequence data. de. 2004. utilización de marcadores moleculares RAPD para la caracterización del material diploide de banano: In: REUNIÓN DE LA ASOCIACIÓN PARA LA COPERACIÓN EN INVESTIGACIÓNES DE BANANO EN EL CARIBE Y EL AMERICA TROPICAL (ACORBAT). v. DEANS. S. p.. Revista Brasileira de Fruticultura. 2000. NAVARRO.. SHARROCH. Feira de Santana: Universidade Federal de Feira de Santana. J. Florianópolis. IBPGR. 170p. p. A família Passifloraceae no Estado da Bahia.. VILARINHOS. S. 1. Efeito residual do meio de cultivo no desenvolvimento in vitro do maracujazeiro amarelo. A. PONIS. 12 Tópicos em Ciências Agrárias.8.pdf:. (http://www.C. Rome: International Board for Plant Genetic Resource (IBPGR).. 141-151.. D. n. p.G.M.J.tropical and subtropical fruits and tree nuts.embrapa. 51.3. Á.V.M. B. Chloroplast DNA variation in European white oaks: Phylogeography and patterns of diversity based on data from over 2600 populations.D. PAZ. 2002. A. J. Production and cryoconservation of embryogenic cultures of mandarin and mandarin hybrids. p. RODRÍGUEZ.. MUÑOZ. v. JUNGHANS. S.P. MARTÍN.1993.br/port/sbf/chm/doc/cap2i. GIACOMMETI.S.gov.. SILVA. da S. n.. M. Montpellier.. BALDWIN. U. Directory of germoplasm collections: 6 I.O. BETRENCOURT.. 2001. Tissue and Organ Culture. (Ed.5-26. Embrapa Semi-Árido. BORREGO. F.cpatsa..C. KELCH. B.. T. Molecular Ecology. S.P.39-46. L. CHÁVEZ. T. 1980. Forest Ecology and Management. DURÁN-VILA. PÉREZ. BURG.html) Acessado em 25/04/2005. FINESCHI. v... Genetic Resources and Crop Evolution. n. n. 2002.156.. D. GOES.1.. VIDAL. 2000. K. Resumos.G. Recursos Genéticos e Melhoramento de Mangueira no Brasil. 2003. O. ORTIZ. BA. A. THINT. M. 269p..409. N.. Cryoconservatión de matérial genétique de bananier. v. E. I. 1997).. 2002. IN: Recursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro. J. SOUZA. T. Conservação de germoplasma de espécies frutíferas pelo uso da biotecnologia. E. S. 1999. Brasil.. 36.. PETIT. PERRY. v. B.. da S. In: XVII CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA: Os Novos Desafios da Fruticultura Brasileira. FERREIRA.mma. CABELLO.R. Cruz das Almas.br/servicos/catalogo/livrorg/index. T.. 55. v.) Réseu international pour lámelioration de la banane et de la banana plantain. 2009 . HAZEKAMP. M. Belém.. R.. A.. SOUZA. ESCALANT & S. p. COART. Primeiro Relatório Nacional para a Convenção sobre Diversidade Biológica BRASIL http://www. BORDÁCS. G. T. J. S.M. Acesso abril/2005. K. Resumos. San Juán.. UFRB.). J.. 403 . J. M. Plant Cell. France. p. Brasília: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.. VAN DAM. G. F. JUNGHANS. Cultivo in vitro de ápices caulinares de maracujazeiro amarelo em função do meio de cultivo e temperatura. CSAIKL. R. MAS.. GONÇALVES.Q. C. EDS. Anais. Universidad de Puerto Rico/ ACORBAT. PINTO.. In: XVIII CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA.D. 2002. Molecular and morphological characterization of a Vitis gene bank for the establishment of a base collection. Phylogeny and ecological radiation of New World thistles (Cirsium. 2004. N. O.. G. 1998. Guide technique INIBAP 5 (J. 71-74. 45p.. DUMOLIN-LAPÈGUE. COTTRELL. VIDAL. 190 p.. Á.. WORKSHOP PARA CURADORES DE BANCOS DE GERMOPLASMA DE ESPÉCIES FRUTÍFERAS (Brasília.Espécies Frutíferas no Brasil.. NUNES. 1.

RAPD variation in the rare and endangered Leucadendron elimense (Proteaceae): implications for their conservation. SOARES FILHO.. S. A. 2004... L. NAYAK. v. v.. 5. p. PEREIRA. A. IN: 5TH INTERNATIONAL PINEAPPLE SYMPOSIUM. 2009 13 .) Recursos Genéticos e Melhoramento de Plantas. Genetic relatedness in cashew (Anacardium occidentale L..C. 161-166. Port Alfred. Port Alfred. B. 1753-1768. SANTOS-SEREJO.L. CUNHA.D. 2000 (acessado em: http://atlas. 2000. C. J.. Minimum growth conditions for the in vitro conservation of pineapple germplasm. Molecular Ecology.R.11. Genetic Resources and Crop Evolution.. Genetic Resources and Crop Evolution. D.C. NANDA.. 1.C.P.. 635-641. S. Tópicos em Ciências Agrárias.. p.. P. 32 p. BENJAMIN.. S. DANTAS.. 5. VALADARES-INGLIS. G.39-48. (Ed. DIXON. ISHS. Caderno de Ciência e Tecnologia.H.C. 2001. P.321-329. PAIVA. SAMAL. J.V. M..M. p.. v. BROWN.A. de. J. J. p.. M.P....br/cct/CCT).C. Melhoramento de espécies de propagação vegetativa. IN: 5TH INTERNATIONAL PINEAPPLE SYMPOSIUM. Proceedings.L. CABRAL. v. p. n. J. CABRAL. WEAVER. 51.C. WÖRHEIDE. 283-291..C. 2005.95. G. MATOS. REINHARDT. n.4. J.L.47.A. v. SOUZA. LENKA. G.R.. Rodanopólis: Fundação MT. & VALOIS.C.. 2005.R. HOOPER. J. A. 17. VALOIS.R. DEGNAN. n. 6. Biological Conservation. ISHS. VILELA-MORALES. UFRB. M. WÜNSCH. E. Molecular Ecology.M. 9. 2.W.A. Identification and selection of ornamental pineapple plants. I.) cultivars.S.51. J. P.D. S. Port Alfred.. Recursos genéticos vegetais autóctones e seus usos no desenvolvimento sustentável.V. Port Alfred. VALOIS. A.S. 2. SOUZA.ROSSETO. ROUT. 2004. F. HORMAZA.A. R. A. FERREIRA.49. p.N. TANSLEY. 1995. CARDOSO. MELO. A.embrapa.. DAS. Use of RAPD analysis in devising conservation strategies for the rare and endangered Grevillea scapigera (Proteaceae).R.K. Proceedings.I. n. 2005. K.R. F. Phylogeography of western Pacific Leucetta 'chagosensis' (Porifera: Calcarea) from ribosomal DNA sequences: implications for population history and conservation of the Great Barrier Reef World Heritage Area (Australia). W. In: NASS. 2005. D.C. Molecular evaluation of genetic diversity and S-allele composition of local Spanish sweet cherry (Prunus avium L... 2002.sct. P..) germplasm collections as determined by randomly amplified polymorphic DNA. S. v. p.E. v.A.. F.

Ana Cristina Vello Loyola Dantas. Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa. Claudia Fortes Ferreira & Antonio Augusto Oliveira Fonseca Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 2 CARACTERIZAÇÃO DE GENÓTIPOS DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Simone Alves Silva.

edu. o umbu. Em virtude da alta variabilidade genética que comumente está disponível no seu habitat natural e da insuficiência de informações para definição de critérios de seleção. possibilitando o melhor direcionamento dos cruzamentos e desta forma.edu. Caracterizar. distintas culturas. Cruz das Almas-BA. mapcosta@ufrb. a cajá. acloyola@ufrb.embrapa. tornando-os marcadores fenotípicos e que a princípio podem ser expressos em todos os ambientes. já que as espécies ainda não foram domesticadas e vêm sendo exploradas de forma desorganizada. E-mail: sas@ufrb. Ambientais e Biológicas/UFRB.edu. DESCRITORES MORFOLÓGICOS A caracterização morfológica consiste na anotação de descritores botânicos facilmente visíveis ou mensuráveis. a formação de pomares domésticos e comerciais e o plantio em áreas de reflorestamento. As plantas frutíferas englobam grande quantidade de espécies. a pinha. alógamas e predominantemente de propagação sexuada. como por exemplo a mangaba. surgem como potencialmente interessantes para o Nordeste brasileiro. para a exportação e também para a diversificação agrícola.br 2 1 Pesquisador . parques e jardins e em áreas acidentadas. 2009 . identificar e preservar genótipos promissores. São geralmente perenes e lenhosas. avaliação de germoplasma e posterior seleção de genótipos mais promissores para serem utilizados como clones ou para etapas seguintes do melhoramento genético.Centro de Ciências Agrárias. caracterização. a jaca. Claudia Fortes Ferreira2. UFRB. com ampla expectativa de progressos genéticos obtidos por meio do conhecimento da variabilidade genética. a recuperação de áreas desmatadas ou degradadas. Cruz das Almas-BA. é necessário reconhecer a existência de algumas espécies com potencial para a conquista do mercado interno. serão considerados neste capítulo alguns descritores utilizados para atender à caracterização da maioria das fruteiras. Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa1. 17 Tópicos em Ciências Agrárias. A evolução econômica e a demanda dos mercados reforçam hoje o interesse dos países latinoamericanos para as frutas em geral.br. mas também a necessidade de se preservar e conservar espécies nativas ou bem adaptadas à região e que emergem como alternativas para o cultivo sustentável. período juvenil. 1.CARACTERIZAÇÃO DE GENÓTIPOS DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Simone Alves Silva1. Antonio Augusto Oliveira Fonseca¹ Professor . o jenipapo. Geralmente um Programa de Melhoramento de espécies pouco conhecidas inicia-se com a coleta. o enriquecimento da flora das áreas mais pobres. Esta fase é conhecida como Pré-Melhoramento. aumentando a freqüência de combinações alélicas desejáveis na população. além de intensificar o melhoramento das espécies são estratégias necessárias para incluí-las como alternativas viáveis para exploração racional.br. Existem muitas limitações para a exploração comercial de fruteiras potenciais para o Nordeste brasileiro. E-mail: cfferreira@cnpmf. dentre outras. Nesse sentido.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. v. Investir no melhoramento e na conservação destas fruteiras proporciona uma importante alternativa agrícola ecologicamente eficiente e competitiva para o Estado da Bahia.br INTRODUÇÃO Tendo em vista a grande diversidade de fruteiras adaptadas às condições agroecológicas do Nordeste brasileiro. ou pre-breeding. Estes marcadores são bastante acessíveis e variam em função do destino que será dado ao produto final e às diretrizes do programa de melhoramento genético. Não apenas a geração de divisas para o país e a diversificação regional devem ser consideradas. Neste contexto. Ana Cristina Vello Loyola Dantas1. com considerável diversidade quanto ao modo de reprodução. ciclo da planta e aos métodos de propagação. muitos agricultores e chacareiros já estão implantando pomares de frutas nativas e exóticas e os viveiristas estão intensificando a produção de mudas. Dentre as possibilidades atuais de utilização das fruteiras do Nordeste destacam-se: o plantio em áreas de proteção ambiental.

contudo.82 cm).) O jenipapeiro é uma espécie alógama. vitamina c de 2.67%.34º Brix. a jaca apresentou valores médios de 25. rendimento em polpa e diâmetros longitudinal e transversal. boa percentagem de polpa. Quando se trata da distinguibilidade exigida pela Lei de proteção de cultivares.14). Os frutos apresentaram formato ligeiramente alongado. possibilitando um maior rendimento de polpa. massa da semente (495. estudo de caracterização foi realizado por Lordêlo (2001).22% de cinzas e relação SST/ATT de 11. umidade de 73.58. umidade de 73.44% e 19. elevados conteúdos de sólidos solúveis totais e vitamina C (para consumo in natura) e alta acidez total titulável (para industrialização).19 para a relação SST/ATT. 1996).27% de casca e 33. Neste sentido. Hansen (2006).84% de polpa.49%. visando identificar e indicar constituições genéticas úteis para a continuidade do melhoramento e/ou produzir matrizes para serem propagadas vegetativamente. 1. diâmetro do fruto (19. 0. Estes têm tido papel fundamental na divulgação das características agronômicas de novos materiais genéticos e podem influenciar decisivamente na escolha de variedades por parte de agricultores e outros interessados. número total de bagos (120. Foram avaliados 30 genótipos de jaqueira em nove frutos por planta num total de 270 frutos. Jenipapeiro (Genipa americana L. compostos por 60. estes resultados permitiram a identificação de genótipos promissores. a jaca pode representar um potencial econômico.66%. avaliando 100 genótipos do Recôncavo Baiano.75 cm). a exemplo de jenipapeiro. opções de investirem no processamento de doces. sólidos solúveis totais de 17.19%. pois permite indicar cultivares com potencial de uso imediato pelos agricultores. Em culturas de base genética estreita. confirmando o potencial da fruteira tanto para consumo in natura como para industrialização (Santos.40%. O percentual de polpa encontrado foi de 30. pH de 3.01. Quanto aos caracteres químicos.84 mm.27 g) e massa da casca (2. 2001). não redutores e totais.58%. constituindo-se numa alternativa ao incremento da renda familiar além de oferecer aos pequenos e micro industriais. Sendo assim. jaqueira. comprimento do fruto (28. especialmente na distinção de genótipos elites aparentados. v. açúcares totais. observando-se variabilidade para a maioria dos caracteres. sabor e aroma. eles podem muitas vezes não distinguir adequadamente cultivares comerciais (Pecchioni et al. pH de 5. a depender do destino no mercado consumidor (in natura ou industrialização). Jaqueira (Artocarpus heterophyllus Lam.75%. através dos caracteres físicos como massa do fruto (4.76 mg 100 g-1 e acidez total titulável de 1.13 cm). espessura da casca (0.50% do fruto e o bagunço 8. a busca por constituições genéticas que agreguem atributos como maiores massa do fruto. licores etc.90 e 14. Assim. pH e acidez titulável. A análise da polpa revelou um teor médio de 18.69% de glicídios redutores e totais.44 kg). diâmetro longitudunal e transversal de 80. respectivamente.72 kg).37 kg). Ambientais e Biológicas da UFRB. respectivamente.24. proporcionarão um maior progresso. 6. 8. Diversas fruteiras tropicais nativas e adaptadas têm sido caracterizadas em programas desenvolvidos no Centro de Ciências Agrárias. acidez titulável total (ATT) de 0. rendimento de 85. 12. observando-se variabilidade nas plantas de jenipapeiro dentro e entre populações. 5. melhor características organolépticas como cor. entre outros. massa da polpa (1.11% de glicídio redutores. ºBrix elevado e balanceamento organoléptico equilibrado. mais importantes para a seleção de genótipos promissores. massa do bagunço (5. 1.18 ºBrix. acidez total titulável (ATT) de 1. O melhoramento desta espécie está voltado basicamente para a obtenção de frutos com menor cavidade interna.60. bem como identificar acessos que apresentem características interessantes para o melhoramento. Os trabalhos de caracterização morfológica do jenipapeiro iniciaram em 1998. a semente representou 10. número de sementes normais e anormais (105.74%. Foram identificadas plantas com interesse para o processamento e/ou industrialização e para consumo in natura. UFRB. compotas. os descritores morfológicos apresentam limitações. 18 Tópicos em Ciências Agrárias.) Com relação à cultura da jaqueira.A caracterização de genótipos constitui uma das principais etapas dos trabalhos com germoplasma.03% e 15. com massa de 218. Os descritores morfológicos são ainda hoje o “cartão de apresentação” de uma nova variedade. além da composição química do fruto como maior vitamina C.31% de ácido cítrico.96 g.88% de sementes. social e alimentício a ser explorado. Por suas qualidades organolépticas. o conhe-cimento das características físicas e químicas dos frutos pode contribuir para a seleção de tipos promissores e desejáveis ao estabelecimento de cultivares. respectivamente).86% de cinzas e 86. sendo os caracteres massa do fruto e percentagem de polpa.81º Brix. encontrou valores médios de massa do fruto de 261. 2009 . mangabeira e pinheira. com a coleta de 30 genótipos no município de Cruz das Almas.. por apresentar frutos com massa acima de 200 g. inferior ao da casca (50.11 g. cajazeira. com a seleção de genótipos que poderão ser indicados como cultivares comerciais.26%). sucos. detectando-se variabilidade para a maioria dos caracteres.89 cm).

massa da casca. em virtude de partirem duas folhas do mesmo nó. Foi verificada ampla variabilidade genética nas populações estudadas o que propicia a coleta de genótipos para futuros trabalhos de melhoramento e montagem de coleções e/ou bancos de germoplasma. Além disso. Mangabeira (Hancornia speciosa Gomes) Expedições de coletas de 100 genótipos de mangaba em quatro regiões da Bahia. Características morfológicas e agronômicas têm a desvantagem de serem influenciadas pelos fatores do ambiente e podem não representar a real similaridade ou diferença entre os indivíduos. Análise por estatística descritiva e multivariada. 2005). distintos genótipos foram identificados como superiores quanto a características físicas. caracterizado por ápice e bases quase iguais sendo que o primeiro é ligeiramente agudo. vitamina C. sólidos solúveis totais (STT).) A caracterização morfológica de 30 genótipos de cajazeira em 10 frutos por planta foi realizada por Pinto (2002).95 mm) e massa da polpa (33. visando principalmente estabelecer subsídios teóricos de taxonomia. por representar a maior procura tanto no mercado in natura quanto para industrialização. diâmentros transversal (38. açúcares totais. em torno de 113. rendimento da polpa. foram caracterizados 30 genótipos de pinheira provenientes do município de Presidente Dutra (BA). possibilitando a identificação de materiais promissores (Sousa. Foram avaliados caracteres como massa do fruto. 2005). pH. massa do receptáculo.Cajazeira (Spondias lutea L. visando sua adaptabilidade e estabilidade e posterior lançamento de variedades (Cruz. rendimento de polpa e coloração de polpa.76 g). Conde. espessura da casca. 1995). UFRB. massa total do fruto. com a formação de dez grupos de genótipos.. ATT. utilizando-se as técnicas de agrupamento e análise de componentes principais mostraram variabilidade para a maioria dos caracteres. químicas e físico-químicas com alto teor de vitamina C. SST/ATT. massa da casca. MARCADORES MOLECULARES Marcadores moleculares são características de DNA que diferenciam dois ou mais indivíduos e têm base mendeliana. desprovidas de duplicatas desordenadas para o melhor acompanhamento do desempenho desta espécie. flores. O estudo da morfologia foliar. constatou-se que a filotaxia é do tipo oposta dística.82 oBrix). massa da polpa. Tópicos em Ciências Agrárias. Destas análises. diâmetro do fruto. é possível estabelecer coleções biológicas organizadas.84 g). rendimento industrial. independente da distância geográfica. marcadores genéticos representam estritamente a variação genética. como aporte ao programa de melhoramento genético de mangabeira. sendo esta última característica como a mais promissora para um melhor desempenho da mangabeira. com ampla base genética. não sofrendo influência do ambiente (Weising et al. teor de sólidos solúveis totais (15. 2004). sendo a margem do limbo lisa. As nervuras das folhas apresentaram-se de forma penivênias do tipo obliquivênia. cinza. massa da semente. dos cruzamentos controlados e do ajuste ao ambiente avaliado.07 mg. Ouriçangas e Nova Soure. relação (STT/ATT). 1. mostraram comportamento diferenciado entre as plantas dentro da população em relação a caracteres físicos e físico-químicos.) Visando identificar materiais de interesse para utilização em sistemas de cultivo e em programas de melhoramento genético. teor de ácido ascórbico/100g de polpa em frutos maduros (2..21%). em sentidos opostos e no mesmo plano de inserção. percentual de polpa. v. bem como de outras características botânicas serão fundamentais para caracterizar a diversidade de variedades que ocorrem na região estudada (Sousa et al. massa da polpa. acidez total titulável (ATT). açúcares redutores e açúcares não-redutores. Pinheira (Annona squamosa L. umidade. 2009 19 . As plantas apresentaram folhas com limbo foliar de forma lanceolada do tipo oblongolanceolado. incluindo os municípios de Iramaia. frutos e sementes de mangabeira também foram aplicados. Nas distintas regiões avaliadas foi verificada ausência de pressão de seleção dentro das populações o que possibilitou a ocorrência desta variabilidade. Os descritores morfológicos de folhas. de casca e de semente e caracterização físicoquímica e física de frutos como pH. vitamina C. avaliando-se: comprimento do fruto. massa do fruto. São moléculas como DNA ou proteínas que marcam uma região ou regiões do genoma. massa do fruto (35.49 mm) e longitudinal (41. Desta forma. massa da semente. Por outro lado. ligada(s) a alguma característica de interesse agronômico. SST. evidenciando uma alta variabilidade genética entre os genótipos.

e representam regiões instáveis do genoma que estão sob alterações mutacionais a taxas muito maiores do que as observadas na seqüência de cópia única. utiliza primers mais curtos e de seqüência arbitrária. Por exemplo. As diferenças entre indivíduos são notadas quando se visualiza diferentes tamanhos de fragmentos de DNA entre estes. Os microssatélites consistem em seqüências de 1 a 6 nucleotídeos. Ulanovsky et al. 2002). irrigação etc. também. mais demorada que as outras técnicas para obtenção de resultados de custo relativamente alto. A técnica RFLP consiste basicamente no uso de enzimas de restrição que corta o DNA em sítios específicos. 1.. o Polimorfismo de Fragmentos Aleatórios e Amplificados de DNA (RAPD). especialmente em germoplasma aparentado e de baixa variabilidade. A forma como esses fragmentos são obtidos varia com o tipo de metodologia empregada (Hillis et al. em razão da variabilidade relativamente pequena dos mesmos. o que elimina a necessidade do conhecimento prévio da seqüência alvo. minisatelites e os microssatélites (Ferreira & Grattapaglia. 1995). UFRB. Com isso. São marcadores dominantes. Entre esses marcadores. 2009 . variando basicamente o tipo de sonda utilizado. “softwares” têm sido desenvolvidos para distinguir indivíduos homozigotos e heterozigotos (Vos et al. Estes marcadores têm sido utilizados para aplicações de mapeamento genético em inúmeras frutíferas (Kijas et al. Polimorfismos em nível de DNA podem ser detectados por vários métodos. o que a torna uma das melhores opções para uso na caracterização de cultivares. portanto.. O indicador 20 Tópicos em Ciências Agrárias. Esta técnica é elaborada. além de possibilitar a classificação do germoplasma em grupos de interesse para os diferentes programas de melhoramento. essa informação está impressa no DNA desta cultivar.. Marcadores AFLP são utilizados com sucesso para detectar diferenças genéticas e variantes somaclonais em banana (Engelborghs et al. 1991). os genomas das duas cultivares serão diferentes. conforme a espécie. cultivares e clones e análise de diversidade genética (Daly et al. O polimorfismo obtido com esta técnica está baseado em diferenças entre genótipos na distribuição dos sítios de restrição e na amplificação diferencial de fragmentos. 2001). A instabilidade dos microssatélites resulta em marcadores altamente polimórficos. decorrente da variação na distribuição dos sítios de restrição. os RFLPs têm sido utilizados em um grande número de estudos de caracterização de cultivares (Gebhardt et al. produzindo um grande número de fragmentos. com as vantagens e desvantagens já apresentadas para a técnica anterior. O polimorfismo detectado resulta de variações no número destas seqüências. sendo que essa mesma região pode não existir em outro indivíduo. Nessa região. 1998). multialélicos. com a vantagem de se fazer as análises antes do material ir para o campo. capina. Essa técnica é similar a de RFLP. Isso tem sido devido principalmente a sua alta consistência e repetibilidade na obtenção dos resultados. Os minissatélites ou locos VTNR são seqüências repetitivas de DNA. oferecendo novas possibilidades no manejo de uma coleção. diminui-se o volume de material que necessitaria de cuidados como adubação. 1998. Crouch et al.. A técnica de DNA polimórfico amplificado ao acaso (RAPD). O AFLP foi descrita por Vos et al. as isoenzimas e proteínas de semente são menos úteis para escolha de pais em populações geneticamente homogêneas. 1999... Entre as vantagens do uso de marcadores AFLP.. O'Donoughue et al. 1998). O polimorfismo de RAPD tem natureza binária (presença ou ausência). Mesmo assim. Apesar deste marcador ter natureza dominante.. 1989. das sondas utilizadas e do número e tipos das seqüências repetitivas. se um genótipo de maracujazeiro confere resistência a uma bacteriose. (1990). que são extremamente úteis em estudos de genética.. os quatro mais utilizados são Polimorfismo de Comprimentos de Fragmentos de Restrição (RFLP). desta maneira. 1998). Entre os marcadores de DNA. não permitindo a distinção de heterozigotos. e tem revelado um grau de polimorfismo de intermediário a baixo.. A maior vantagem dessa técnica é o elevado polimorfismo revelado. Permite. havendo redução no número de gerações de melhoramento necessárias no desenvolvimento de variedades. estão o alto grau de polimorfismo e o mais alto número de marcadores obtidos por gel analisado. Um outro genótipo que não apresente a resistência. 1994. repetidas lado a lado. 1996). v. 1990).. Cipriani et al. permitindo a comparação entre indivíduos e identificando duplicatas (Engelborhs et al. 2001) e em estudos de diversidade genética em pêssego (Aranzana et al. Como todas as diferenças entre os seres vivos estão presentes no DNA. possuindo. 1995. Autrique et al. um indicador de reação terá sua seqüência complementar a uma determinada região em um indivíduo. (1995). desenvolvida por Williams et al..O uso de marcadores moleculares representa uma ferramenta adicional em programas de melhoramento genético em frutíferas. determinar a presença ou ausência de gene(s) ligado(s) a características específicas para fins de melhoramento. o Polimorfismo de Comprimentos de Fragmentos Amplificados (AFLP)... 1998). 1985). sendo uma técnica que possui grande capacidade para detecção de variabilidade genética e uso em caracterização de cultivares. não trará gravado em seu DNA essa informação. Uma vantagem adicional dos minissatélites é o alto grau de polimorfismo apresentado. Minissatélites têm sido utilizados no melhoramento de frutíferas para a identificação de variedades. adjacentes e em número variável (Jeffreys et al. na identificação e monitoramento de genes de importância em maçã (Wang-Caihong et al.. É uma técnica significativa na detecção de variabilidade genética e não requer mão de obra especializada (Ferreira & Grattapaglia. grande capacidade para detecção de variabilidade genética no nível de DNA..

Com isso diminui o volume de plantas que necessitam de cuidados como adubação. os marcadores moleculares evidenciaram variabilidade pela presença de polimorfismo. sendo que 32 proporcionaram eficiência na amplificação. Jenipapeiro (Genipa americana L. com uma média de 10. dos 119 primers testados. Em trabalho subseqüente foram avaliados 50 primers. dos oito primers amplificados. O uso de marcadores moleculares representa uma ferramenta adicional em programas de melhoramento genético em frutíferas. Além disto. 1998). UFRB. identificação de duplicatas. A utilização de marcadores moleculares como ferramenta de seleções em culturas perenes. 2003). é de grande contribuição para o êxito na seleção de genótipos superiores destas culturas. 2005). havendo redução no número de gerações de seleção necessárias para o desenvolvimento de variedades (Moreira. 2007). com o número de fragmentos produzidos variando de 3 (OPB-19) até 7 (OPH-15). 2009 21 . a qual foi respaldada com similar variabilidade detectada com a caracterização morfológica. em trabalho realizado por Hansen (2006). Pode-se observar padrões de bandas diferentes. encontrar marcadores moleculares aliados às características fenotípicas de maior rendimento do produto final aferidos por dados biométricos. Nesta amplificação foi gerado um total de 407 bandas. As estimativas de distância genética foram aplicadas baseadas na análise direta do DNA como ferramenta adicional na confirmação dos valores morfológicos.32%) e variou de 3. com a vantagem de análises precoces antes dos genótipos irem para o campo. comprovando a formação de grupos dissimilares. permitindo a comparação entre indivíduos. gerando 50 a 100 bandas polimórficas. Desta forma. mas não no segundo. 17 forneceram produtos nítidos de amplificação e boa repetibilidade. 1. Um total de 185 marcadores foram amplificados.) A formação de grupos gerados por mensurações físicas e químicas poderão ser respaldadas ao confirmarem suas informações genéticas diretamente do DNA. indicando a presença de variabilidade genética entre os genótipos avaliados. A perspectiva de tornar mais eficiente a seleção precoce e com isso aumentar o ganho genético por unidade de tempo. com o primer OPH-13. identificados também por marcadores morfológicos. representam importantes ferramentas na seleção antecipada (Ferreira & Grattapaglia. v.amplificará fragmentos no primeiro indivíduo. é uma tecnologia extremamente atraente tendo em vista o tempo necessário para completar uma geração de melhoramento desta espécie. sendo uma técnica viável e uma importante ferramenta na identificação da variabilidade genética em jenipapeiros. Os seis primers responsivos geraram 28 produtos de amplificação (bandas). a fim de identificar o polimorfismo presente nos genótipos avaliados e sua resposta em comparação à caracterização morfológica. irrigação etc. O uso de marcadores moleculares no Centro de Ciências Agrárias tem sido feito com à cultura da mangabeira e está sendo aplicado à cultura do jenipapeiro. Em trabalho pioneiro.. 2003). como a maioria das fruteiras com potencial para o Nordeste brasileiro. dois foram monomórficos e seis polimórficos. Sendo assim. faz com que o melhoramento de espécies frutíferas seja a área onde o uso efetivo desta tecnologia tende a ter as melhores perspectivas de sucesso. a classificação de germoplasma.7 por primer. Mangabeira (Hancornia speciosa Gomes) A caracterização molecular desta fruteira teve como objetivo determinar a distância genética entre os genótipos coletados utilizando a técnica de RAPD. são suficientes para estimar relações genéticas dentro e entre espécies. Estimativas de distância genética baseada na análise direta de DNA eliminam complicações advindas da avaliação do fenótipo. Por esta razão. avaliando os marcadores RAPD em mangaba (Cruz. Neste trabalho. com o primer OPAI-01 à 13. técnicas que permitem identificar marcadores moleculares ligados a genes responsáveis por características de importância agronômica. Tópicos em Ciências Agrárias. os genótipos foram avaliados utilizando técnicas de marcadores moleculares do tipo RAPD. com bandas de padrão de visualização adequada. 10 a 30 primers. (1980). desta forma eles serão separados pelo RAPD (Moreira. O número de bandas polimórficas foi de 148 (81. A utilização desta técnica demonstrou existência de polimorfismo no material em estudo. como influência do ambiente e baixo número de polimorfismo. Segundo Colombo et al. a presença ou ausência de gene ligado a características específicas. oferecendo novas possibilidades no manejo. capina. sendo 257 polimóficas e 150 monomórficas (Capinam.

2009 . characterisation and cross-species amplification in Prunus. 1998. como o pequeno conhecimento sobre a variabilidade destas espécies.38. Genetic diversity in durum wheat based on RFLPs. 65-72. 1. France. n.. melhoria da qualidade e adaptação a determinado ambiente. v. K. v. NACHIT.. Frente a esta preocupação.. J. 99. A. v. 21. São vários e distintos os mecanismos utilizados para obtenção de melhoria para as fruteiras pouco exploradas e de grande potencial econômico e social. CIPRIANI. localização de genes. 735-742. 1. M. tecnologias de marcadores moleculares. Seleção de germoplasma de mangabeira (Hancornia speciosa Gomes) definida por marcadores morfológicos e moleculares. 546.. A presença de ampla variabilidade constitui a primeira etapa para o alcance de tal objetivo. G. UFRB. 1996. Madison. VALLE. p. SECOND.. distribuição do novo material. É onde a seleção pode atuar. P. Cruz das Almas. p. 120 f. p. as informações sobre a variabilidade disponível facilita o estabelecimento dos objetivos de um programa de melhoramento.CONSIDERAÇÕES FINAIS O melhoramento pressupõe a necessidade de modificar a constituição genética do indivíduo. COLOMBO. E. G.et al. S. Crop Science. P. CAPINAN. CROUCH. C. AUTRIQUE. Crop Science. T. AC/GT and AG/CT microsatellite repeats in peach (Prunus persica (L) Batsch): isolation. CHARREIRA. Segregation of microsatellite loci from haploid and diploid gametes in Musa.. v. poderão tornar efetivo o progresso genético destas espécies. M.) Batsch). MONNEVEUX. TANKSLEY. Genetic diversity characterization of cassava cultivars (Manihot esculenta Crantz) with RAPD markers. L. avaliação do comportamento da planta. C. comparação do material melhorado com um padrão existente. Genetic and Molecular Biology. a estratégia para o melhoramento de fruteira deve conter as seguintes fases: identificação das características importantes a serem melhoradas. 22 Tópicos em Ciências Agrárias. Por fim. o reduzido estoque de informações básicas sobre a biologia e a genética do material a ser melhorado (modo de reprodução. n. culturas de tecidos. SORRELLS.D. Theoretical and Applied Genetics. conservados e manipulados através de cruzamentos genéticos ou incorporação de genes promissores por biotecnologia. Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. C.M. et al.211-217. 105-113. que mesmo a médio e longo prazo possam ser estreitados com adição de tecnologias complementares e eficientes. Acta Horticulturae. Todas estas dificuldades serão superadas com pesquisas que agreguem informações e na criação de Programas de Melhoramento destas fruteiras potenciais. Comparison of fruit and leaf dna extracts for AFLP and SSR analysis in peach (Prunus persica (L. 36.. identificando os genótipos distintos e superiores para serem multiplicados.. 297-300. cujas deficiências e qualidades são conhecidas. escolha da metodologia adequada para avaliação do material. REFERÊNCIAS ARANZANA. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias). 1998. Vários fatores têm sido apontados como difíceis de serem superados pelo melhoramento de fruteiras ainda pouco exploradas. p. a necessidade de adaptação das metodologias de melhoramento e técnicas experimentais e a demora na obtenção de novas cultivares decorrente da necessidade de avaliação no ambiente de cultivo. p.E. H. M. seleção em cultivo hidropônico em estádio de plântula e propagação vegetativa de genótipos promissores. 2007. disponibilidade de germoplasma com ampla variabilidade e conhecimento acumulado sobre a biologia da espécie a ser estudada. 2001. M. de. escolha e recombinação dos genitores. Iniciar um programa de melhoramento implica em compromissos a médio e longo prazo. ARUS. v. VICENTE. Berlin. Assim. G. seleção dos segregantes superiores. e tem como objetivo final o aumento da produtividade. morphological traits and coefficient of parentage. 1999. identificação de fontes de variação genética dentro do germoplasma disponível. S. estudo sobre herança etc).

Genome. UFRB. S. In: BURKE.. DEBENER. C. S. In: HILLIS.. PECCHIONI. Infomusa. V. tuberosum) with RFLPfingerprints. 72p. M. D. SOUZA. PINTO. Molecular markers for genotype identification in small grain cereals. GEBHARDT. R.com. 64 p. SCHACHTSCHABEL.. et al. Programa TFPGA (Tools for population genetic analyses): versão 1.edu/mpmbio. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias).. Cruz das Almas. Tópicos em Ciências Agrárias. C. KIJAS. 2001. Molecular systematics. VAN CAMPENHOUT. Cruz das Almas. 1996. 1985. STANCA. E.. W. M.html Consultado em 01/2005. MILLER. Cruz das Almas. GRATTAPAGLIA. M. 50.. D. Caracterização e seleção de genótipos de mangabeira utilizando marcadores morfológicos e moleculares. M. Site: www. E. Nucleic acids III: sequencing. Califórnia: UCC. T. MONETTI. 78:16-22. Universidade Federal da Bahia. Montpellier.. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias). Ottawa.3. 1251-1258. Capacidad del AFLP para detectar diferencias genéticas y variantes somaclonales en Musa spp. HILLIS. 1994.330-341.M... R..usu.) e as necessidades do sistema agroindustrial. V. 76-79. 34. A. p. ENGELBORGHS. MORITZ.E. 1998. SORRELLS. et al. M. S. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias). D. n. THEIN. 1989. C. H.L. da S. BLOMENDAHL. 1. HANSEN. F. p. Nature. Universidade Federal da Bahia. S. T. A. I. 1991. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias). J. ssp.D. 1998. L. v. TANKSLEY. Cruz das Almas. 2.. O'DONOUGHUE.cist. LORDÊLO. Hypervariable 'minisatelite' regions in human DNA. 38. v. THOMAS. N. p. 2002. U. M.. p. M. 77 f. P. 76. p. D. Universidade Federal da Bahia. 2006. Basel: Birkhäser. Sunderland: Sinauer Associates. 3-6. 203-219. The isolation and characterization of plant sequences homologus to human hypervariable minisatellites.318-370. R. 75 p. 349-355. Caracterização de genótipos de cajazeira (Spondias lutea L. Caracterização de jaqueiras (Artocarpus heterophyllus Lam. FOWLER. de O. 1995. C. MOREIRA. S. Disponível: http://bioweb. Marcadores bioquímicos e de DNA: importantes ferramentas no melhoramento genético de fruteiras. Introdução ao uso de marcadores moleculares em análise genética. L. v.220. 1997. p.. DALY. C. An evaluation of sequence tagged microsatellite site markers for genetic analysis within Citrus and related species. JEFFREYS. et al. 316. E. Brasília: EMBRAPA-CENARGEN. RITTER. Journal Genetics Breeding. Relationships among North American oat cultivars based on restriction fragment length polymorphisms. TERZI. FACCIOLI. v. FERREIRA.. v. A. WILSON.E. 1990.. A. Theoretical and Applied Genetics. S.. DNA fingerprinting: approaches and applications. p.CRUZ. 3ª ed. SWENNEN.S. Toda fruta. F. Crop Science.J.) em Cruz das Almas-BA.br Consultado em 09/2003. Identification of 2n breeding lines and 4n varieties of potato (Solanum tuberosum.todafruta. v.. M. Universidade Federal da Bahia.. Marcadores agronômicos e moleculares na caracterização de jenipapeiros do Recôncavo Baiano. p. P. J. 2005. SALAMINI.. 2009 23 .

2002. et al. A. Nucleic Acids Research. Anais.B. da S. G. R. R. R.. Cruz das Almas. ALMEIDA. Journal of Fruit Science. New York: CRC Press. et al. WILLIAMS. VOS. 2009 . Nucleic Acids Research. Alexandria.. 2001. 2004. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA..SANTOS. LIVAK. J.. v. TINGEY. 18. AFLP: a new technique for DNA fingerprinting. 1995. DNA polymorphisms amplified by arbitrary primers are useful genetic markers. SALDANHA. Cultura da pinheira: caracterização de genótipos. 1990. RAFALSKI. 1. 2005. S. KUBELIK. 77p. p. 65 p. 193-195. Universidade Federal da Bahia. et al. Caracterização de jenipapeiros (Genipa americana L. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias).) em Cruz das Almas-BA. Oxford.. p. v. K. Scientia Horticulturae. J. O. Use of molecular markers in detection of synonymies and homonymies in grapevines (Vitis vinifera L.. Cloning an AFLP marker of columnar gene (co) of apple. Universidade Federal da Bahia. 4407-4414. 2001. A. ULANOVSKY. V. germinação e atributos de qualidade requeridos pelo sistema de comercialização no CEASA de Salvador-BA. A. 1995. S. 241-254. SOUSA. 92. C. UFRB. S. Oxford. S. WANG-CAIHONG. DNA fingerprinting in plants and fungi. 322p.. SILVA. K. Amsterdam. Caracterização morfológica de folhas de mangabeira em Nova Soure e Ouriçangas no Estado da Bahia. p. WEISING. SOUSA. 24 Tópicos em Ciências Agrárias. J. B. P. A. Porto Seguro/BA. Cruz das Almas. v. K. v. et al. 18. 23. S.). p. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias).. v. 6531-6535. A..

Simone Alves Silva & Janay Almeida dos Santos-Serejo Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 3 PROPAGAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Ana Cristina Vello Loyola Dantas. Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa.

Janay Almeida dos Santos-Serejo 2 Professor . mergulhia (alporquia). ciência e técnica (Hartmann & Kester. 1. Actinidia deliciosa (Chev. a regeneração de plantas in vitro a partir de explantes meristemáticos tem sido reportada em diversas espécies lenhosas..) Liang & Ferguson (Nachtigal et al. cada vez mais. UFRB. garfagem. Osbeck). incorporadas nos programas de melhoramento genético de plantas (Borém.br. Por outro lado. 1994). em situações mais específicas. 1990). Vitis vinifera L. 1999) e muitas outras. o uso da propagação sexuada tem sido restrita.PROPAGAÇÃO DE FRUTEIRAS POTENCIAIS PARA O NORDESTE BRASILEIRO Ana Cristina Vello Loyola Dantas1.edu. podendo considerar-se que a propagação envolve aspectos de arte. 1995). (2001) em citros (Citrus sinensis L. Algumas espécies produzem estruturas utilizadas para propagação. entre outras. umbu. que requer prática e experiência. Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO A propagação de plantas consiste em realizar sua multiplicação por via sexuada ou assexuada e tem sido uma atividade fundamental para a humanidade desde o início da civilização.. sendo recomendada para obtenção de porta-enxertos e de novas cultivares. A propagação vegetativa utilizando técnicas de cultura de tecido pode ser um valioso instrumento na propagação clonal rápida de fruteiras. Um estudo de propagação de plantas envolve conhecimento dos procedimentos técnicos. A reprodução sexuada é o principal mecanismo de multiplicação das plantas superiores e de praticamente todas as angiospermas e resulta em população com variabilidade genética devido à segregação e à recombinação de genes. são exemplos práticos da utilização de sementes como meio de propagação e formação de mudas para o plantio.Centro de Ciências Agrárias. subtropicais e temperadas. em larga escala. jenipapo. Ambientais e Biológicas/UFRB. A micropropagação de espécies lenhosas vem sendo estudada há várias décadas e tem como objetivo básico o estabelecimento de uma metodologia de multiplicação clonal de indivíduos superiores. 1999). sendo o método mais indicado por possibilitar a obtenção de plantas uniformes. O desenvolvimento de métodos de regeneração de plantas in vitro via organogênese ou embriogênese somática é requisito necessário para utilização de técnicas biotecnológicas como a transformação genética ou hibridação somática (Brasileiro & Dusi. Rodriguez & Wetzstein (1998) em pecan (Carya illinoinensis (Wagenh. a otimização de protocolos eficientes que estimulem a organogênese e/ou embriogênese em plantas lenhosas tem sido muito limitada. encostia). Entretanto. que têm sido. (1992). as fruteiras nativas e exóticas típicas do Nordeste brasileiro ainda são propagadas única e exclusivamente por via seminífera. Embora a utilização das sementes seja mais difundida para a maioria das frutíferas tropicais. Kock). Cruz das Almas-BA. Malus domestica Borkh (Centellas et al. (1998) e Moura et al. Apesar dos grandes avanços das técnicas de cultura de tecidos. Por sua vez. Segundo Lerdeman et al. Dentre os poucos trabalhos. para espécies com dificuldade de multiplicação por outros meios. 2009 27 . para obtenção de clones nucelares e em plantas homozigotas. entre outras vantagens. (1996) em urucum (Bixa orellana L. a cultura de calos visa à regeneração via organogênese ou embriogênese. v. da estrutura e forma de desenvolvimento da planta e da espécie e dos métodos de propagação relacionados.. em virtude da recalcitrância da maioria dessas espécies. mapcosta@ufrb. pode-se mencionar aqueles realizados por Cervera et al. Eucalyptus (Xavier & Comério. a exemplo de rebentos e filhotes. Simone Alves Silva1. Fruteiras como jaca. Uma das grandes vantagens dessa técnica é a manutenção do genótipo e fenótipo de plantas propagadas por esse sistema (Giacometti. (Peixoto & Pasqual. sas@ufrb. A escolha da planta matriz. pitanga. quase todas as espécies podem ser propagadas vegetativamente. enxertia (borbulhia. pinha. 1996). a propagação assexuada das principais espécies frutíferas cultivadas comercialmente já é uma prática amplamente difundida e adotada pelos viveiristas e produtores de frutas tropicais. Esta técnica pode ser feita via gemas pré-existentes ou cultura de calos derivados de diferentes tecidos. mangaba.edu.br 2 1 Pesquisador -Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. Os métodos para propagação assexuada normalmente utilizados em plantas frutíferas são: estaquia. Almeida et al. com início de produção precoce e idêntica à planta-mãe. 1996). Com a demanda crescente do mercado por produtos de alta qualidade e com características agronômicas bem Tópicos em Ciências Agrárias. tais como Persea americana Mill (Barceló-Muñoz et al. dentre outros. 2001).) C. 1999).edu.). Em fruticultura. dos frutos e o preparo e seleção das sementes constituem etapas importantes para a obtenção de plantas vigorosas.br. Maria Angélica Pereira de Carvalho Costa1. E-mail: acloyola@ufrb.

As mudas com cerca de 2 cm de altura devem ser repicadas para vasos (jacás. contra 0. Jenipapo. 2003b). (1998) verificaram que sementes procedentes de frutos maduros colhidos no chão.definidas. enquanto frutos amadurecidos na planta e extração por abrasão em areia resultaram em sementes com maior índice de velocidade de germinação. indicando possibilidade de seleção nas plantas matrizes para esses caracteres. glabro. não havendo influência dos substratos na eficiência dos métodos de enxertia utilizados. A propagação vegetativa tem sido pouco mencionada na literatura. proporcionando uma média de 58 % de emergência de plântulas aos 60 dias de armazenamento. seis a doze meses após a repicagem (Jenipapo. cortando-se as plantas restantes. foi de 100 e 95. 30°C e 35°C. No entanto. 1994. A influência dos substratos no desenvolvimento das plantas só foi observada aos 13 meses quando o substrato composto por solo. no início poucas plântulas. 32 dias após a enxertia. apresentaram os maiores valores de germinação (cerca de 78. os frutos devem ser provenientes de plantas isentas de pragas e doenças e de boa produção. por alporquia e enxertia. Este é um aspecto interessante. onde os melhores resultados foram conseguidos em meio MS com adição de 1. (1994) mostraram haver variabilidade entre 37 progênies de jenipapo quanto à percentagem de germinação e índice de velocidade de emergência.0 mg L-1 de benzilaminopurina (BAP) e/ou sem a utilização de reguladores vegetais.2 m de largura x 0. Em trabalho realizado por Andrade et al. Após secagem à sombra por 48 horas. Souto et al. coletados quando começam a cair. Para isso deve-se utilizar borbulhas de ramo maduro. utilizando-se vermiculita e solo como substrato. não sendo importante a idade do cavalo no ponto de inserção. 1978). Recentes trabalhos desenvolvidos no Laboratório de Cultura de Tecidos de Planta da Centro de Ciências Agrárias. O percentual médio de pegamento do enxerto. (1994). a semeadura é feita preferencialmente em sacos de polietileno com dimensões mínimas de 20 cm de altura e 7 cm de diâmetro ou em sementeiras previamente preparadas (Santos.4 % respectivamente para garfagem no topo em fenda cheia e garfagem em fenda lateral.30 m de altura x 10-20 m de comprimento. Na semeadura em sacos de polietileno. quando 28 Tópicos em Ciências Agrárias. Rocha et al. 1. (1994) indicaram acondicionamento das sementes de jenipapo em geladeira. Silva et al.07 cm) e diâmetro do caule (7. Mudas formadas em sementeira estarão em condições de serem plantadas quando atingirem 20 a 35 cm de altura (Santos. com predominância do uso das sementes. 1978). UFRB. pode-se colocar 3 a 4 sementes a 2 a 3 cm de profundidade. retirando-se as sementes por meio da maceração. laminados. extraídas por fricção em peneira. sacos plásticos 18 x 30 cm) com o mesmo substrato usado nas leiras. a garfagem no topo em fenda cheia apresentou-se mais eficiente. que pode demorar de 15 a 30 dias. Cada metro quadrado deve receber 360 sementes a de 2 a 3 cm de profundidade. entre outros métodos (Carvalho.3 %). depois uma maior concentração e no final novamente poucas . na medida em que possibilitou pegamento médio de 87% aos 8 dias após a enxertia. Cultura do jenipapeiro (Genipa americana) A propagação do jenipapo se dá via sementes e vegetativamente. recomendaram a imersão das sementes em água a 65°C por 5 a 10 minutos por ser um método econômico e proporcionar maior valor para o índice de velocidade de germinação. e com a importância crescente de fruteiras até então pouco exploradas. divulgando resultados da literatura e de pesquisas realizadas no Centro de Ciências Agrárias. após a avaliação da germinação de sementes de jenipapo submetidas a tratamentos prégerminativos. Jenipapo (2003a) recomenda a imersão em água fria por 48 horas para acelerar e uniformizar a germinação. A muda estará pronta para o plantio quando atingir cerca de 20 cm de altura. realizando-se o desbaste quando a planta apresentar 10 cm de altura. Gomes (1989) cita que a enxertia por borbulhia foi usada nas Filipinas com bom resultado. com leito constituído por 3 partes de terriço e 1 a 2 partes de esterco de curral bem curtido. Prado Neto (2006) avaliou a influência de diferentes substratos no desenvolvimento inicial da planta e a eficiência de métodos de enxertia por garfagem em jenipapeiro. buscando desenvolver e adaptar tecnologias de propagação para diversas espécies frutíferas tropicais nativas e exóticas. Ambientais e Biológicas/UFRB vêm demonstrando a capacidade organogenética da cultura a partir de segmentos internodais (Figura 1).71mm). Ambientais e Biológicas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. num tempo médio de 17 dias após o início da germinação. Borges et al. areia e esterco de galinha proporcionou as melhores médias de altura da planta (36. estudos têm sido realizados para maior conhecimento do processo de multiplicação. 2003b). verde-azulado realizando-se cortes de quatro centímetros de comprimento. O objetivo deste trabalho foi reunir informações sobre a propagação de espécies frutíferas com potencial no Nordeste brasileiro. v. Na propagação por sementes. 2009 . além de ser de fácil manuseio. As sementeiras devem ter dimensões de 1.0% para garfagem em fenda lateral. (2000) obteve-se maiores percentagens de germinação de sementes de jenipapo em temperaturas de 25°C. Nascimento & Damião-Filho (1998) verificaram que a germinação ocorre de maneira heterogênea.

Efeito das concentrações da bezilaminopurina (BAP) na frequência de explantes com brotações de jenipapeiro.7 %. sugerindo comportamento recalcitrante. (1987) observaram que sementes de mangaba embaladas em saco de polietileno armazenados à temperatura de 15oC e umidade de 45% mantiveram até os 25 dias. A emergência das plântulas ocorre em média de quinze a trinta dias após semeadura. Cultura da mangabeira (Hancornia pubescens) A mangabeira é uma espécie cujas sementes em condições ambientais apresentam baixa longevidade. um grande entrave na cultura da mangabeira.0 Concentrações de BAP (mg L ) Figura 1. O aspecto morfológico das brotações Tópicos em Ciências Agrárias. visto ser a produção de mudas. 1. E por serem recalcitrantes as sementes perdem rapidamente o poder germinativo logo que retirados dos frutos. Em relação à forma mais apropriada de produzir as mudas desta espécie. várias combinações de reguladores vegetais vêm sendo testadas em meio MS (Murashige & Skoog 1962). v.2 brotos por explantes. bem como uma provável diminuição nos riscos de variação somaclonal. embora indiquem um potencial promissor para a propagação vegetativa in vitro de plântulas de jenipapeiro a baixo custo. constatou que o poder germinativo das sementes cai rapidamente entre o quarto e o oitavo dia após sua retirada dos frutos. Ainda na busca por substratos mais responsivos. e do armazenamento por 72 horas sob condição de refrigeração na germinação e índice de velocidade de emergência. Os resultados observados. Também foi possível verificar que as sementes embebidas em água apresentaram uma maior percentagem de germinação em relação às não embebidas (Capinan. havendo variação na percentagem de acordo com o período de secagem e condições de armazenamento. houve tendência de redução de germinação com o dessecamento e com o armazenamento. Para obtenção das sementes. não só haveria redução de custos pela falta da necessidade de usar reguladores vegetais. até umidade de 18. uma porcentagem de 25% de germinação. Novaes et al. UFRB. e embora sem diferença significativa.1 e 1. (2002).0 1. embriogênese somática.25 mg L-1 (AIA) (Tabela 1). Tavares (1960). 15 Frequencia de brotações (%) 10 5 0 0.0 2.8 %.0 mg L-1 (BAP) + 0. constatou-se bom desempenho das plantas em bagaço de cana e areia lavada na proporção de 1:1. Gonzaga Neto et al. O início da emergência de plântulas ocorreu em média aos 23 dias após a semeadura. proporcionando a continuação das etapas de melhoramento da espécie. quando estes iniciarem a queda espontânea ou recolhê-los no chão. não observaram influência significativa do dessecamento. citado por Ferreira (1973). A percentagem média de germinação foi de 33. já que neste caso. As taxas médias de multiplicação variaram entre 0. Vieira Neto (2001) recomenda colher os frutos diretamente da árvore. 2009 29 . No sentido de desenvolver protocolo eficiente para estimular as repostas in vitro desta cultura a partir de segmentos de epicótilo. destacando-se o meio MS suplementado com 1. obtendo os melhores resultados na utilização de areia lavada adicionada de terra vegetal (proporção 1:1).0 -1 3. Pimentel & Santos (1978) verificaram um decréscimo de 52% na germinação das sementes ao terceiro dia extração dos frutos quando deixados em condições ambientais. sendo necessária rápida semeadura logo que colhidas. Este acentuado decréscimo deve-se provavelmente à rápida desidratação das sementes. 2003). para que possam ser futuramente utilizados em técnicas biotecnológicas como a hibridação somática e/ou transformação genética. servem também como ponto de partida para outros estudos visando inclusive. estudando a germinação de sementes de mangaba.se visa propagação clonal. estudos referentes aos substratos mais eficazes na germinação das sementes recalcitrantes da mangabeira foram realizados.

50 mg L (AIA) CV (%) -1 -1 Explantes intumescidos 0. como o relatado por Pinheiro et al. v. (2001). 2.24 Valores seguidos da mesma letra na vertical não diferem entre si pelo teste de Tukey a 1% de probabilidade. Neste sentido.28 C 25.50 mg L (AIA) -1 -1 2. Apesar dos resultados promissores quanto ao número de brotações. realizados com a fruteira em estudo. Combinações de reguladores vegetais acrescidas no meio de cultura MS (Murashige & Skoog. a partir de segmentos de epicótilo em de cultura MS (Murashige & Skoog.desenvolvidas neste meio de cultura foi satisfatório.13 C 0. dentre outras. segmentos de epicótilo foram numerados de acordo com a proximidade em relação ao ápice. Este fato possivelmente deve-se aos poucos trabalhos.46 Taxa de multiplicação 0.25 mg L-1 (AIA).25 mg L (AIA) -1 -1 2.25 mg L-1 de AIA realmente é aquela que proporciona melhor resposta dos explantes de mangabeira na indução de brotações. 0. banana.0 mg L-1 de BAP e 0.0 mg L (BAP)+ 0.23 C 0. é baixa.25 ou 0. desta natureza.0 mg L (BAP)+ 0.33 C 0.0 mg L (BAP)+ 0. 1. 1. Regeneração in vitro de plantas de mangabeira. 30 Tópicos em Ciências Agrárias. Verificou-se que a combinação de 1. 1962).56 B 0.0 mg L (BAP)+ 0. 2009 .0.0 mg L-1) e AIA (0. 1962) suplementado com BAP (0. As taxas de multiplicação obtidas neste trabalho podem ser consideradas baixas. Cruz das Almas. Geralmente os trabalhos in vitro estão voltados para testes de germinação.63 B 0. citros. conforme se observa na Figura 2.00 mg L (AIA) -1 -1 1.03 D 29. razão pela qual a conversão em planta também é reduzida. não apresentaram raízes. independente da posição do segmento internodal.0 mg L (BAP)+ 0.25 mg L (AIA) -1 -1 1. buscando discriminar a existência de zonas com maior potencial organogênico que favoreça o enraizamento.0 ou 2. no entanto. a capacidade de enraizamento tanto in vitro como ex vitro da mangabeira. UFRB.0 mg L-1 (BAP) + 0.88 A 0. quando comparadas com aquelas fruteiras que já possuem protocolos de regeneração de plantas in vitro definidos.0 cm e 4 a 5 pares de folhas opostas. 0.0.50 mg L-1). sendo considerado internódio 1 aquele mais próximo ao sistema radicular. Número de explantes intumescidos e taxa média de multiplicação (brotos por explantes) de mangabeira. em função do meio de cultura MS (Murashige e Skoog. Tabela 1. 1962) suplementado com 1. onde as mesmas apresentaram comprimento em torno de 5. Figura 2. 3 e 4 aqueles mais próximos ao ápice caulinar. 2003. tais como abacaxi.28 C 1.23 A 0.

Os melhores resultados para a maioria das características avaliadas foram obtidos com a utilização do tubete de polipropileno rígido em substrato Citrus 1. os estudos mostram que o tamanho da semente não tem influência sobre a germinação. água. retenção de umidade e uniformidade. tem como resultado plantas com características diferentes no que diz respeito ao fenótipo e genótipo. refletindo em sua história as dificuldades de acesso dos produtores a mudas enxertadas com materiais apropriados e economicamente viáveis (Cavalcante Júnior & Chaves. no tamanho. devido a desuniformidade das fases de desenvolvimento. Os principais fatores determinantes na formação de uma muda são o substrato e o recipiente. bagaços. observando-se efeito significativo do substrato Citrus 1. o que favorecerá o desempenho futuro da planta. as sementes devem ser coletadas em frutos provenientes de árvores de boa produção e frutos de alta qualidade. pode-se citar o custo. Como a polinização é cruzada. devendo-se considerar os benefícios da sustentabilidade e geração de emprego para indicar a sua utilização. devendo estes proporcionarem um bom desenvolvimento à muda enquanto esta permanecer no viveiro. o que inviabiliza a exploração comercial racional de pomares assim estabelecidos. A produtividade e a qualidade dos frutos produzidos em pomares de “pé-franco” são bastante variáveis. a exemplo de caixas de madeiras. podendo ser de diversas origens. O uso de tubetes artesanais biodegradáveis produzidos a partir de fibra de sisal (Agave sisalana). plástico e fibra. mostrou que substratos existentes no mercado possibilitam a produção de porta-enxertos mais vigorosos. UFRB. 1997). para produção de mudas de cajueiro anão precoce em diferentes substratos (composto do lixo urbano. apresentam em geral baixa qualidade fitossanitária e agronômica. No preparo de mudas para porta-enxerto. sob condição de viveiro telado. além de proporcionar boa agregação das raízes aos substratos e facilidade de retirada das mudas dos tubetes de polipropileno rígido. pois as mesmas perdem gradativamente a viabilidade. 2009 31 . fenômeno que depende de outros fatores. a exemplo da viabilidade da semente. nutrientes e oxigênio. serragem etc. Recomenda-se selecionar as sementes maiores e semeá-las o mais breve possível. recomenda-se utilizar sacos de 0. aeração. O tamanho da semente tem efeito Tópicos em Ciências Agrárias. vermicomposto e substrato comercial Citrus 1) mostrou que a porcentagem de germinação e o índice de velocidade de emergência foram influenciados pelo substrato. xaxim. necessitando aumento do suprimento hídrico e o tubete de palha de banana apresentou maior grau de degradabilidade. (1995) destacaram que os processos de propagação mais utilizados no cajueiro são a alporquia e a enxertia. 1. O substrato atua como se fosse o solo fornecendo à planta sustentação. Nesse tipo de propagação. O tamanho das sementes é um dos fatores que pode influenciar a germinação e o vigor das plântulas. A germinação ocorre dentro de três semanas e quando as mudas apresentarem 30 cm de altura podem ser plantadas definitivamente. isopor etc. forma e qualidade dos frutos. Estes pomares improdutivos estabelecidos com altos custos. esterilidade biológica. da estrutura do viveiro e de uma criteriosa análise de custo. recipientes metálico e sacos de polietileno. Os substratos vermicomposto e composto do lixo urbano proporcionaram menor desenvolvimento das mudas. teor de nutrientes. disponibilidade. Entre as características desejáveis de um substrato. a exemplo de animal (esterco. O tubete de fibra de sisal apresentou problemas de baixa retenção de umidade nos substratos. plástico e metal.Cultura do cajueiro (Anacardium occidentale) A propagação de cajueiro por sementes (pé-franco). experimento realizado por Silva (2002). O custo final médio da muda usando tubete artesanal biodegradável foi superior em 13 %. fibra da folha de taboa (Typha dominquensis) e palha de bananeira (Musa sp). perlita. Os resultados na literatura não são consistentes e muitas vezes conflitantes. mas afeta o vigor da plântula (Carvalho & Nakagawa. as plantas oriundas a partir desse processo apresentam uma grande variação na produtividade. Visando a produção de mudas de cajueiro anão precoce. o de folha de taboa destacou-se pelo seu menor custo de confecção e boa resistência ao manuseio e transporte da muda. Corrêa et al.40 x 0. não satisfazendo portando os interesses dos consumidores de caju. 2001). mineral (vermiculita. Cultura da jaqueira (Arthocarpus integrifolia) A jaqueira tem sido propagada tradicionalmente por sementes. com maior sobrevivência dos enxertos. areia etc. blocos de fibra. bem como no período de colheita (Luna. capacidade de troca catiônica. vasos de barro. As sementes podem ser colocadas para germinar diretamente em sacos de polietileno não reciclado de 30 x 18 cm e 12 m de espessura. porém com características suficientes para atender às exigências mínimas da altura e diâmetro do caule para a enxertia no período de 30 dias após emergência.) e artificial (espuma fenólica.). O uso destes recipientes depende do tipo e do local onde a muda será produzida. húmus etc. independentemente do tubete utilizado.30 m considerando-se a necessidade de permanecerem por maior tempo no viveiro. A manutenção das sementes em água durante 24 horas melhora a germinação e por 48 horas em ácido giberélico resulta em 100% de germinação. vegetal (tortas. v. Entre os tubetes artesanais biodegradáveis. 1980).). Em geral.). Hartmann & Kester (1994) relacionam vários tipos de recipientes que podem ser usados na propagação e cultivo de plantas jovens.

99 g) proporcionaram maiores índices de velocidade de emergência. 1999.. 3. Brasília: Embrapa. utilizando-se. Salvador: SBF. et al. Ciência Rural. No entanto. J. et al. G. Trabalho desenvolvido por Dantas et al. v.58.pronunciado sobre o crescimento inicial das plantas.. 1. 32 Tópicos em Ciências Agrárias. NUNES. 2000. como substrato.). P. M. 35.2 a 95. (2000). L. S. médias (8. significativamente superior ao observado para sementes pequenas. Sampaio (1986) obteve 57. ALMEIDA. p.45-49. A. A massa da semente influenciou o índice de velocidade de emergência. In: TORRES. De acordo com Lederman et al.0 a 8.1 a 14. 13. A. Efeito do armazenamento de sementes de jenipapo (Genipa americana L. com enraizamento aos 60 dias.. C. v. REFERÊNCIAS ALMEIDA. 1994. sendo que sementes grandes apresentaram valores superiores em relação às sementes pequenas e médias..5% de pegamento com o método de garfagem em fenda cheia e 67. porém. mar.CNPH. Pesquisa Agropecuária Brasileira. 3. D. não havendo diferença significativa entre as classes de sementes. F.0%. CALDAS. pois o extrativismo dos frutos ocupa um lugar de destaque na composição da renda familiar de pequenos agricultores. faz-se necessário o estudo de métodos de propagação para o seu cultivo. C. Plant Cell. Os frutos são ovóides. Quanto à estaquia. Tissue and Organ Culture. J.0 a 6. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. Micropropagation of adult avocado. conforme citações de Andrade et al. são relatadas experiências bem sucedidas de enraizamento de estacas tratadas com 5. (1994). 1994. L.0 g) mostrou que influência da massa da semente no número de dias para início da germinação. (Ed.. Apresenta porte elevado. matéria orgânica de origem vegetal (húmus) bem decomposta e a aplicação de pasta de lanolina contendo fitohormônio (ácido indolbutírico). (1998) e trabalhos realizados por Machado et al.0 g) e grandes (14. substrato e morfologia do desenvolvimento pós-seminal. Salvador. 2009 .. L. podendo atingir até 20 m de altura.1 a 8. trabalhos realizados por diversos autores com diferentes espécies mostram influência do tamanho da semente tanto no vigor quanto na germinação. C. C. ANDRADE...1 a 20.26. pelos métodos de borbulhia em placa. Resumos. SIMÓN-PÉREZ.000 mg kg-1 de ácido indolbutírico e mantidas sob nebulização. a propagação da jaqueira pelo método da alporquia apresentou 90% de pegamento. BARCELÓ-MUÑOZ. A. Transformação genética de plantas. 1980). UFRB. sementes grandes (7. diminuindo a intensidade à medida que a planta se desenvolve (Carvalho & Nakagawa. No processo de enxertia podem ser utilizados como porta-enxerto a própria jaqueira e também o champedaque (Artocarpus integer) com um ano de idade. E. M. DUSI. Cultura de tecidos e transformação genética de plantas. Os garfos para enxertia são obtidos das jaqueiras selecionadas e após remoção das folhas devem ficar com 10 a 15 cm de comprimento. D. originário da Índia e de algumas ilhas da Malásia pode ser propagado por sementes ou vegetativamente. ENSINA. copa de forma cônica e ramificações abundantes. ALMEIDA. BORGES.Os maiores valores para altura de plantas. com polpa branca.11 17. Indução de brotações em explantes de segmentos de folhas de plântulas de urucueiro em diferentes citocininas. garfagem (fenda lateral) e encostia. BUSO. v.99 g) e médias (5. A. p. 1079-1080. n. Embrapa. mostrou que o tamanho das sementes não influenciou na germinação. utilizados para consumo in natura ou obtenção de doces em compotas ou licores. F. S. vermelhos. 1996. J. M. PLIEGO-ALFARO. Brasília. C. que iniciaram a germinação aos 23º dias. A propagação assexuada da jaqueira pode ser realizada pelos métodos de enxertia e estaquia..5% com a garfagem em inglês simples. F. O trabalho desenvolvido com sementes de diferentes massas: pequenas (2. peso fresco e seco da parte aérea foram observados em sementes grandes. G. A percentagem de germinação variou de 81.) sobre a emergência de plântulas. R.SPI...0 g). BRASILEIRO. Por ser uma planta exótica e pouco explorada comercialmente. v. Cultura do jambeiro (Eugenia malaccensis) O jambeiro vermelho. com sementes grandes germinando aos 16º dia após a semeadura. de A. A. Germinação de sementes de jenipapo: temperatura. (1992). p. v. p. A.

CENTELLAS. A. MULLER... P.br/biblioteca. 1987. Estudo de conservação do poder germinativo de sementes de mangaba (Hancornia speciosa Gomes). L. 2000.. T. 1973. Cajucultura: modernas técnicas de produção. Campinas. FLORES. 216-220.679-735.. 206p. M. Acesso em 01 ago. p. Campinas. 278-281. A. p. Características pomológicas de jaqueiras (Artocarpus heterophyllus Lam.M. S.html/#jenipapo>. Plant propagation: principles and pratices. NAVARRO. In: ______. E. B. CERVERA. J. A. 22-25. LEDERMAN. R. N. Escape gênico e transgênico. Cerrado: v. D. 2001. v. S. PINA.T. CARVALHO. C. Q. L. J.. Germinação e vigor de plantas de jaqueira em função do tamanho da semente. GOTTINARI. 42). PEÑA. 1990. Fortaleza: Embrapa Agroindústria Tropical. F. JENIPAPO. 1994. Brasília: Ministério da Agricultura. 2003b.. Sociedade Brasileira de Fruticultura. L. CANUTO. E. A. mangaba.E. A. p. 55. L. Campinas. LEDERMAN. CAVALCANTI JÚNIOR. Frutas comestíveis do DF (III): Piqui. Fruticultura: agronegócio do terceiro milênio. v. Produção de mudas de cajueiro. O. Espécies florestais brasileiras: recomendações silviculturais. Genetic transformation and regeneration of mature tissue of woody fruit plants bypassing the juvenile stage. JUÁREZ. L.... UFRB.. marolo e mamãozinho. p. 1980. 2009 33 . 34. de. 5. (Documentos.C. v. NETO.. 1994. HARTMANN. Fortaleza: EMBRAPA-SPI. Pesquisa Agropecuária Brasileira. 1987. Transgenic Research. COLOMBO: EMBRAPA/CNPMF. 647p.T. 181-186. T. N. J. Anais. V. 1. V. A. 5. et al. F.. 2001... 1989. 95-127. Resumos.1999. N. 19-25.com.. D. GONZAGA.macropropagação. p. A.2. 1989. SANTOS. BORÉM... JENIPAPO. 51-59. J. Viçosa: Editora UFV. v. DURAN-VILA. G. BRASÍLIA EMBRAPA/SPI. E. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. R. v. Tópicos em Ciências Agrárias. p. C. cap. 1989. . Disponível em <www. GIACOMETTI. C. Resumos. 1998. LORDÊLO. R. L.. K.ba>. Acesso em 01 ago. p. seagri. R.. BECERRA. M. Fortaleza/CE. In: XVI CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. p.. E. CORRÊA. J. Fortaleza. p. S. 20. GOMES. New Jersey: Regents/Prentice Hall. Disponível em <www. BEZERRA. 1995. Impacto atual da cultura de tecidos de plantas In: TORRES. A.. CARVALHO. ) oriundas das áreas de ocorrência espontânea em Pernambuco. KESTER. B. R. CHAVES.. 9. 43p. M.. Propagação vegetativa do cajueiro . NAKAGAWA.A.. 8. L. 326 p. SP. X CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. dos. São Paulo: Nobel.. E. M. Sementes: ciência.. DANTAS. ed. FERREIRA. NAVARRO. Fruticultura brasileira. potencialidades e uso da madeira. G. PEDROSA. SANTOS. ed. P. ZANOL. L. J. R.P. FORTES. 1999. L. 1. 2003a. 2000..floratiete.gov. C. Fundação Cargill. C. 7. tecnologia e produção. Técnicas e aplicações da cultura de tecidos de plantas. H. G. CALDAS. Efeito de auxinas sintéticas no enraizamento in vitro da macieira.

. M. E. 1. D. Resumos. MEDEIROS. M. 23. MENDES. W. A. PASQUAL.BA. 1998. Protoplasma. Cruz das Almas. (comunicado técnico). Preservação do poder germinativo de sementes de mangaba Hancornia speciosa Gom. 2002. p.LEDERMAN. PRADO NETO. v. FORTES. Organogênese in vitro de Citrus em função de concentrações de BAP e secionamento do explante. C. P. 2001. U. ALMEIDA. p. Propagação vegetativa de fruteiras tropicais nativas e exóticas. P. 34 Tópicos em Ciências Agrárias. LUNA. A.. Recife. 1998.. A morphological and histological comparison of the initiation and development of pecan (Carya illinionensis) somatic embryogenic cultures induced with naphthaleneacetic acid or 2. L. em Pernambuco: Técnicas desenvolvidas e adaptadas pela empresa IPA. p 143-147. L. p. PINHEIRO..UFBA. 20. MOURÃO FILHO. Ciência e Agrotecnologia. M. R. 1994. sobre a produção de mudas. 20. 8. V. 1992. FIGUEIREDO. n. p. S.. Revista Brasileira de Fruticulura. R. Influência da origem dos explantes na multiplicação e enraizamento in vitro de portaenxertos de videira. PEIXOTO. P. A. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias). p. dos. M. 13. O. 1191-1192.). NASCIMENTO. 1992. 11-14 Dez. A. Salvador: SBF. de. EBDA. V. 1978. Anais. A. E. 5). SAMPAIO. Produção de mudas de fruteiras tropicais. Propagação por enxertia da goiabeira (Psidium guajava L. V. Revista Brasileira de Fruticultura. MACHADO et al. v. 1.. 45-48. F.. de et al. IN: Simpósio Nacional de Recursos Genéticos de Fruteiras Nativas. Influência do tamanho e da posição da posição de sementes de cupuaçu (Theobroma grandiflorum) no fruto.. P.537. CD Rom. SAMPAIO. 2009 . In: XIII CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA: NEGÓCIO AGRÍCOLA PARA O SÉCULO XXI. C. Ba: EMBRAPA CNPMF. 1996. SANTOS. 240245. F. Revista Brasileira de Sementes. Brasília. PIMENTEL. 2006. Anais. T. Germinação de mangabeira em função da umidade e armazenamento da semente. Cruz das Almas.25. p. NOVAES. S. 6p.4dichlorophenoxyacetic acid. Salvador.. 204.. C. 1986. 1995.. v. Avaliação de progênies de três espécies frutíferas nativas dos cerrados. M. RODRIGUEZ. I. 1994. WETZSTEIN.. Germinação de sementes e enxertia de jenipapeiro. J. v. Salvador . de. do. M. A. W. XXI Seminário Estudantil de Pesquisa . 1. R. M. v.-RUBIACEAE).. Salvador. W. UFRB. BA. Cruz das Almas. Universidade Federal da Bahia. ZECCA. L. n. 71-83. Y.105-107. ROCHA. v. C. H. Ciência Rural. Cruz das Almas. 54p. 23.BA.23-26. H. L. Caracterização morfológica de sementes e plântulas de jenipapeiro (Genipa americana L. J. G. DANTAS. (Circular Técnica.. B. do tamarindeiro (Tamarindus indica L. Germinação in vitro de mangabeira (Hancornia speciosa Gomez) em diferentes meios de cultura. 1997. Salvador. R. B. E. v. O.. Revista Brasileira de Fruticultura. A. MACÊDO. 413-416. 46f. L. J.) e da jaqueira (Artocarpus heterophyllus Lamb.). de. N.. Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária Brasileira. Ba. p. NACHTIGAL. DAMIÃO-FILHO. p.. S. et al. C. B. ALLOUFA. I. C.. 2. 1994. v. A. 301-306. 2001. p. Influência da benzilaminopurina (BAP) na multiplicação in vitro de kiwi (Actinidia deliciosa). n. G. D. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. R. MOURA. Salvador.

SANTOS, J. B. dos. Jenipapo. In: MAGALHÃES, A.; BOLDINI, M. da G. Grande manual globo de agricultura, pecuária e receituário industrial. Porto Alegre: Globo, 1978. v. 3, p. 234-236. SILVA, J. A. G. Produção de mudas de cajueiro anão precoce em tubetes artesanais biodegradáveis com diferentes substratos. 66 f. 2002. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias). Universidade Federal da Bahia, Cruz das Almas. SILVA, L. M. M; MATOS, V. P; LIMA, A. A. Tratamentos pré-germinativos para superar a dormência de sementes de jenipapo (Genipa americana). In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA, 13, 1994, Salvador, SBF. Resumos... Salvador, 1994. p. 1081-1082. SOUTO, A. M. et al. Qualidade fisiológica de sementes de jenipapo (Genipa americana L.) submetidas a diferentes métodos de extração. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA, 15, 1998, Poços de Calda. Resumos... Lavras: UFLA, 1998. p. 430. VIEIRA NETO, R. D. Recomendações técnicas para o cultivo da mangabeira. Aracajú: EMBRAPA EMDAGRO,2001,21p. (circular técnica). XAVIER, A.; COMÉRIO, J. Microestaquia: uma maximização da micropropagação de Eucalyptus. Revista Árvore, v. 20, p. 9-16, 1996.

Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

35

CAPÍTULO 4
DINÂMICA DO CRESCIMENTO VEGETAL: PRINCÍPIOS BÁSICOS

Clóvis Pereira Peixoto & Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto

Tópicos em Ciências Agrárias

DINÂMICA DO CRESCIMENTO VEGETAL: PRINCÍPIOS BÁSICOS

Clóvis Pereira Peixoto1; Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto1
1

Professor - Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas/UFRB, Cruz das Almas-BA. E-mail: cppeixot@ufrb.edu.br

INTRODUÇÃO A dinâmica do crescimento vegetal pode ser acompanhada por meio de fórmulas matemáticas, sendo o primeiro passo utilizado para quantificar a produção vegetal, possibilitando avaliar a contribuição dos diferentes órgãos no crescimento final das plantas. Sua principal vantagem está na obtenção de informações a intervalos regulares, sem a necessidade de laboratórios e/ou equipamentos sofisticados, uma vez que as informações necessárias para levar avante tais análises, são a massa da matéria seca (fitomassa) da planta e a dimensão do aparelho fotossintetizante (área foliar). Nos estudos ecofisiológicos das plantas não se pode prescindir da análise de crescimento, pois, os fatores ambientais como luz, temperatura, concentração de CO2 e a disponibilidade de água e nutrientes, próprios de cada local, afetam sensivelmente a taxa assimilatória líquida, a taxa de crescimento relativo, a razão de área foliar etc., destas plantas. Através do estudo das interações destes parâmetros com cada fator ambiental, em particular, e/ou estádio de desenvolvimento da planta, podem ser conhecidas a eficiência do crescimento e a habilidade de adaptação às condições ambientais em que estas plantas crescem. Portanto, independente das dificuldades inerentes ao conhecimento da complexidade que envolve o crescimento das plantas, a análise quantitativa do crescimento é uma ferramenta e o meio mais acessível e bastante preciso para avaliar o desenvolvimento vegetal e a contribuição de diferentes processos fisiológicos sobre o seu desempenho, nas diferentes condições agroecológicas a que são submetidos. A tecnologia de exploração de plantas envolve a aplicação de diversas ciências. Na Agronomia, a horticultura e a silvicultura, entre outras, são disciplinas que utilizam conhecimentos provindos da Botânica, da Edafologia, da Mecânica, da Zoologia (pragas), da Climatologia e de outros setores do conhecimento, visando a produção agrícola que decorre do crescimento e desenvolvimento das plantas. Um controle da produtividade das plantas só é possível, pois, conhecendo-se os fatores que atuam sobre o crescimento e desenvolvimento nos vegetais. Este trabalho visa atender aos iniciantes no estudo da Fisiologia Vegetal e, em particular, aos alunos dos cursos de Agronomia e áreas afins, sendo esta, uma revisão simplificada sobre a dinâmica do crescimento e desenvolvimento das plantas, permitindo que o leitor tenha uma noção básica geral e, caso queira aprofundar o conhecimento, poderá utilizar-se das bibliografias sugeridas e/ou buscar aquelas mais específicas. CONCEITOS BÁSICOS A análise quantitativa de crescimento tem sido usada por pesquisadores de plantas, na tentativa de explicar diferenças no crescimento, de ordem genética ou resultante de modificações no ambiente. Sua aplicação torna-se apropriada quando são usados conceitos básicos de análise de crescimento e os critérios essenciais para a obtenção dos dados. Crescimento - Aumento irreversível de algum atributo físico, especialmente do material protoplasmático (Reis & Muller, 1979). Pode-se medir a massa, tamanho ou volume, a depender: a) do objetivo do experimentador, b) da disponibilidade do material a ser estudado e c) da disponibilidade do equipamento para efetuar a medida. Muitos autores restringem o termo crescimento aos processos de divisão e alongamento celular. Crescimento, entretanto, nem sempre significa um aumento de tamanho (Felippe, 1985). Assim, alguns organismos utilizam materiais de reservas para produzir novas células, havendo multiplicação celular sem, contudo, aumento em extensão, o qual se dá por vacuolização. Tanto é que, em “déficit hídrico”, o crescimento em extensão é o mais sensível, pois depende da pressão de turgor. Desenvolvimento - Diferentes etapas por que passa o organismo ou o vegetal (germinação, juvenilidade, maturação,
Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

39

reprodução, senescência e morte). O desenvolvimento é caracterizado pelo crescimento e por mudanças na forma da planta, as quais ocorrem por meios de padrões sensíveis de diferenciação e morfogênese. Diferenciação - Aumento em complexidade. Diz respeito a todas as diferenças qualitativas entre células: especialização de células e tecidos para funções particulares durante o desenvolvimento. Os tecidos diferenciam-se em sistemas vasculares (floema e xilema), de reservas, preenchimentos e síntese (parênquimas), entre outros. Através da fenologia (estudo dos fenômenos periódicos da vida em relação às condições ambientais), pode-se observar que o crescimento e o desenvolvimento de um organismo resultam da ação conjunta de três níveis de controle (Lucchesi, 1987): a) Controle Intracelular - Controle genético - envolve as características da planta que ela carrega em sua bagagem genética. A atividade celular depende da ação gênica para a síntese protéica e enzimática. Estes conhecimentos são muito utilizados em programas de Biotecnologia. b) Controle Intercelular - envolve as substâncias reguladoras; os hormônios, compostos orgânicos não nutrientes, de ocorrência natural, produzidos na planta que, em baixas concentrações promovem, retardam ou inibem processos fisiológicos e morfológicos. Os reguladores vegetais possuem as mesmas pro-priedades, sendo, porém exógenos. Suas atuações acontecem ao nível de gene, portanto, são capazes de promover as mais variadas modificações nos vegetais (Castro & Vieira, 2001). As principais classes de hormônios vegetais são as Auxinas, Giberelinas e Citocininas (promotores), o Etileno (ligado a senescência) e o Ácido abscísico (Inibidor). Alguns reguladores sintéticos como a Hidrazina maleica, têm ação inibidora. Enquanto outros, como o Daminozide (SADH) e Chlormequat (CCC), agem como retardadores do crescimento com ação no meristema subapical sobre a síntese de auxína e giberelina, respectivamente. c) Controle Extracelular - É o controle ambiental. Seriam as condições do ambiente onde está inserido o vegetal, pois seu desenvolvimento depende de vários componentes ambientais como: luz, temperatura, água, sais minerais etc. Estão envolvidos fatores do meio físico (climáticos e edáficos) e fatores do meio biológico (pragas, doenças, plantas daninhas, animais e o homem). O ambiente, constituído do Biótopo (lugar onde há vida) e da Biocenose (conjunto dos seres vivos), afeta a morfologia, o crescimento e a reprodução vegetal, através dos fatores climáticos (altitude, latitude, vento, temperatura, luz e água) e edáficos (topografia, propriedades físicas: textura, estrutura, profundidade e permeabilidade e propriedades químicas: fertilidade, pH e matéria orgânica). Como pode-se observar, o desenvolvimento da planta como um todo, é um processo complexo que envolve fatores externos e internos, compreendendo o crescimento e a diferenciação. O crescimento reflete um aumento em tamanho e peso (massa), sendo, por isto, um processo quantitativo. A diferenciação é um processo qualitativo que pode ser observado, mas não medido, constituído por modificações internas e externas na forma e posição relativa de várias partes da planta durante seu ciclo de vida. As técnicas de análise de crescimento foram desenvolvidas no início do século XX, por investigadores britânicos (Blackman, 1919; Briggs et al., 1920; West et al., 1920), que além de apresentarem as fórmulas de análise de crescimento, suas derivações e condições necessárias para seu uso correto, discutem alternativas e métodos que envolvem uma descrição matemática do peso da matéria seca e da área foliar em função do tempo, seguida de cálculos de diferentes parâmetros de crescimento. O fundamento dessa análise é a medida seqüencial da acumulação de matéria orgânica na planta, sendo que a sua determinação é feita, normalmente, considerando a massa da matéria seca ou a sua fitomassa (Magalhães, 1985). Entretanto, devido ao fato deste procedimento ser destrutivo, as plantas tomadas como amostra a cada tempo, devem representar a população em estudo. A medida da massa da matéria seca das diferentes partes da planta é simples e exige poucos equipamentos (réguas graduadas em milímetros, tesouras, paquímetro, estufas de aeração forçada, sacos plásticos, sacos de papel etc.). Isto é, não exige laboratório nem material sofisticado, o que é considerado uma vantagem da análise do crescimento Castro et al. (1984). Estas informações são obtidas a intervalos de tempo regulares, normalmente uma semana ou cada 14 dias para plantas de ciclo curto (Castro et al., 1984; Magalhães, 1985; Peixoto, 1995; Peixoto, 1998; Brandelero, 2001; Brandelero et al., 2002; Peixoto 2002; Benincasa, 2004 e Lima, 2006). A fim de que o crescimento total da planta possa ser estimado, as raízes devem ser consideradas como importantes componentes do vegetal. No entanto, em geral, a recuperação das raízes, principalmente no campo, pode se tornar um trabalho adicional, o que faz com que esta parte da planta seja desconsiderada nos cálculos de análise de crescimento. Por outro lado, em determinados vegetais, onde as raízes são responsáveis pela produção econômica, faz-se necessário que a tomada de suas medidas, seja em massa, volume, diâmetro ou tamanho.

40

Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

A determinação da superfície foliar é muito importante no que diz respeito a inúmeros parâmetros fisiológicos como a taxa de crescimento relativo, a taxa assimilatória líquida e o índice de área foliar, entre outros. A área foliar representa a matéria prima para a fotossíntese e, como tal, é de grande importância para a produção de carboidratos, óleos, proteínas e fibras. Basicamente, os parâmetros utilizados para medir o crescimento vegetal abordam a área foliar (AF ou L) e matéria seca (MS ou W) acumulada pela planta por representarem esses fatores a “fábrica” e o “produto final”, respectivamente (Peixoto, l995). Na prática, as principais medidas de W e L são o peso da matéria seca total (MST) e a área foliar total (AF) da planta. As fases de crescimento de uma planta ou de qualquer outro organismo vivo podem ser resumidas na Figura 1 e representam as modificações no tamanho, na massa ou no volume desse organismo, ou de qualquer órgão dele, em função do tempo. Neste tipo de curva, pode-se distinguir uma fase inicial de crescimento lento, passando posteriormente a uma fase exponencial e, em seguida, a uma de crescimento linear e um novo período de crescimento lento, com a paralisação eventual do processo.

CRESCIMENTO

IDADE DA PLANTA

Figura 1. Curva ilustrativa do crescimento sigmoidal de uma planta (Magalhães, 1985). A interpretação fisiológica dessas diferentes fases do crescimento pode ser compreendida da seguinte forma: a) No início, a planta depende das reservas da semente para a produção dos diferentes órgãos componentes. O espaço ainda não foi ocupado pelas plantas. Cada nova folha que é formada contribui para maior interceptação da luz. Não há sombreamento mútuo ainda e a contribuição das poucas folhas é semelhante. A taxa de crescimento relativa é constante e a cultura é principalmente vegetativa, caracterizando a fase exponencial. b) Após o desenvolvimento do sistema radicular e a expansão das folhas, a planta retira água e nutrientes do substrato em que se desenvolve e inicia os processos anabólicos dependentes da fotossíntese. As folhas serão gradualmente auto-sombreadas, aumenta o índice de área foliar (IAF), passando a uma fase de crescimento linear, com o maior incremento na taxa de matéria seca (MS). Quando água e nutrientes não são limitantes, o IAF poderá facilmente exceder o seu ótimo sem, contudo, significar maior aumento em fitomassa. c) Ao atingir o tamanho definitivo, a planta entra na fase de senescência, diminuindo o IAF, com menor interceptação da energia luminosa, resultando em decréscimo no acúmulo de matéria seca, com a translocação desta para os órgãos de reservas, e conseqüente degeneração do sistema fotossintético. Segundo Lucchesi (1987), um vegetal anual sob condições ecológicas adequadas, ocupa no período de crescimento, em termos de percentagem, 10% para germinar, 6% para emergir, 51% no grande período de crescimento (fase linear), 15% para a reprodução, 8% na maturação e 10% até a colheita. Portanto, durante o seu desenvolvimento, o vegetal ocupa, nas diferentes fases, diferentes períodos de crescimento, naturalmente afetados pelos fatores externos (fenologia) e os inerentes à própria planta. A análise do crescimento constitui uma parte da fisiologia vegetal em que se faz uso de fórmulas e modelos matemáticos para avaliar índices de crescimento das plantas, sendo muito deles relacionados com a atividade fotossintética (Benincasa, 2004). Como o crescimento é avaliado por meio de variações de tamanho de algum aspecto da planta, geralmente morfológico, em função da acumulação de material resultante da fotossíntese líquida, esta passa a ser o aspecto fisiológico de maior importância para a análise de crescimento. Exceções ocorrem como, por exemplo, o alongamento de caules por alta atividade auxínica, sob condições de ausência de luz (estiolamento). A fotossíntese líquida (FL) é definida como a diferença entre a fotossíntese bruta (FB -tudo que é literalmente produzido pela fotossíntese no interior dos cloroplastos) e o que é consumido pela respiração (R). Em algumas plantas, outro processo compete com a fotossíntese bruta: a fotorrespiração (FR). Portanto, FL = FB - (R + FR).
Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

41

resultando em crescimento . 2009 . Fluxo de matéria e energia. Em direção ao nível B. ainda. como proteínas. armazenado secundariamente (8) ou serão utilizados para promover aumento do material estrutural (9). e. UFRB. Na Figura 2 tem-se o fluxo de matéria e energia a partir da fotossíntese. a partir do processo fotossintético (Benincasa. v. esse material armazenado poderá ser utilizado diretamente pela respiração. Em caso de estresses. Fotossíntese A 1 3 Respiração PP 4 2 Armazenamento I 5 6 Síntese de Material Metabólico e Estrutural B 7 Manutenção 9 8 Armazenamento II Crescimento C Figura 2. é de se esperar que. são produzidos os produtos primários (PP). em parte. resultando na liberação de energia armazenada nesses compostos. em termos de aumento de volume. no qual o esquema se apresenta em três níveis. que formarão inicialmente os açucares simples (monossacarídeos como glicose e frutose). No nível A.A respiração é um processo de combustão lenta dos carboidratos produzidos na fotossíntese. isto é. utilizados para a síntese de material metabólico e estrutural (4). O crescimento da planta como um todo. 1. utilizados para manutenção do material já existente (7). promover adições de novos materiais. de massa. na medida em que a planta cresça. Os compostos elaborados no nível B são. ou podem ser armazenados (2) em formas mais complexas (dissacarídeos ou polissacarídeos como a sacarose e o amido). o caminho (5) constitui o fluxo de energia obtida pela respiração que será utilizada na síntese de novo material e (6) é fluxo de material armazenado que. poderá ser mobilizado para as novas sínteses. 2004). de unidades estruturais é função do que a planta armazena (armazenamento I e II) e do que a planta produz em termos de material estrutural (nível B). basicamente carboidratos (1).nível B. Estes carboidratos poderão ser diretamente “queimados” pela respiração (3) e/ou. eventualmente. a fotossíntese bruta terá de ser bem maior para atender às necessidades metabólicas do material existente e. promover o crescimento.nível C. a qual é utilizada para a manutenção do metabolismo vegetal e de todos os processos fisiológicos. lipídeos e demais componentes orgânicos produzidos pela planta . conseqüentemente. ocorra um aumento no processo respiratório. 42 Tópicos em Ciências Agrárias. de dimensões lineares. mediante o processo fotossintético. Portanto.

dão importantes informações sobre as diferenças funcionais entre plantas ou interações destas com o ambiente. Número e distribuição de estômatos. acompanhadas ou não. os órgãos vegetais responsáveis pela fotossíntese. A superfície foliar é determinada diretamente ou estimada por meios indiretos. isto é.Medidor de área foliar. superficiais. Pode-se fazer o contorno da folha.A partir de contornos foliares impressos em papel. (d) disponibilidade de tempo do experimentador ou da equipe. a medida dessa superfície. O crescimento de uma planta pode ser estudado através de medidas de diferentes tipos. o aparelho fotossintetizante é a superfície do caule e ramificações. são as folhas.) Estas medidas de dimensões lineares podem ser feitas em plantas intactas ou não. Dimensões lineares (altura de planta. de forma bastante precisa. de outras medidas destes órgãos. destaca-se: Uso do Planímetro . v. em alguns casos. as causas de variações de crescimento entre plantas geneticamente diferentes ou entre plantas crescendo em ambientes diferentes. componentes de instrumentos eletrônicos. toma-se amostras de discos foliares. Fotocópias . volumétricas. quais sejam: lineares. retângulo etc. Os tipos de medidas a serem realizadas dependem de vários aspectos: (a) objetivos do experimentador. Existem os portáteis e os maiores. através da utilização de células fotoelétricas. Coloca-se uma placa transparente sobre a folha (vidro ou plástico) para facilitar a operação. comprimento e diâmetro de caule. Massa seca de discos foliares . usadas para detectar diferenças entre os tratamentos estabelecidos. raízes e frutos) que podem fornecer informações sobre a fenologia e são.Medidas do crescimento A análise de crescimento permite avaliar o crescimento final da planta como um todo e a contribuição dos diferentes órgãos no crescimento total. Número de unidades estruturais . Por interpolação das massas das figuras de áreas conhecidas e a massa da “impressão” recortada da folha. Do ponto de vista agronômico. São muito úteis e. obtendo-se diretamente a área foliar. UFRB. determina-se a área de uma das faces da folha. Medidas de superfície . através de punções.Comparação da massa de uma área conhecida de papel com a massa dos recortes do perímetro das folhas. estima-se a área foliar. estimar-se. 1. a análise de crescimento atende àqueles pesquisadores que estão interessados em conhecer diferenças funcionais e estruturais entre cultivares de uma mesma espécie. A partir dos dados de crescimento pode-se inferir atividade fisiológica. relacionando a massa seca da área conhecida do disco com a massa seca da folha. (c) disponibilidade de mão-de-obra. são as únicas possíveis. Tópicos em Ciências Agrárias. com raríssimas exceções. número e distribuição de células do parênquima clorofiliano.O crescimento pode ser acompanhado a partir da contagem de unidades estruturais morfológicas ou anatômicas (folhas. Dentre estes métodos.Com um perfurador de área conhecida (de metal). Para isso. definindo-se como área foliar. como algumas cactáceas. 2009 43 . A maioria com alto grau de precisão. comprimento e largura de folhas etc. de forma a subsidiar o processo de seleção de acordo com os objetivos do experimentador. círculo. É mais comum usar-se a “impressão da folha” em um papel e usar o planímetro no contorno destas. incluindo condições de cultivo. são feitas cópias heliográficas das folhas e do mesmo papel são retiradas figuras com formas em que a área pode ser conhecida (quadrado. peso e número de unidades estruturais. (e) disponibilidade de equipamentos para executar as medidas. “de bancadas”. Integra a área de qualquer material opaco.Estas medidas estão relacionadas com a determinação ou estimativa da superfície fotossinteticamente ativa da planta que. flores. em vez de se medir a folha inteira. Em caso de plantas que não apresentem folhas funcionais. que ficam nos laboratórios. (b) disponibilidade de material a ser estudado. muitas vezes. Uso de integradores .). de forma a poder selecionálos para melhor atender aos seus objetivos ou mesmo utilizar a análise de crescimento no estudo do desenvolvimento vegetal sob diferentes condições ambientais. A área foliar é determinada por diferentes métodos.

além do ciclo da planta e do seu hábito de crescimento. os objetivos do trabalho são de maior relevância na definição desses critérios. com um número restrito para amostras.0 cm.É a massa constante de determinada amostra. Exige-se para tal. soja. pois é uma medida bem mais precisa que o peso da matéria fresca. existem exceções como é o caso de embebição de sementes. A desvantagem do uso de massa da matéria fresca (MMF) é conter algumas imprecisões como o tempo entre a colheita e a pesagem. A placa deve ser colocada sobre a folha. por exemplo: perda de água por transpiração (Reis e Muller. 2009 . o que seria um indicativo do “status” de água na planta. Há também destruição do indivíduo. consiste no uso de uma placa de vidro ou papel transparente (material utilizado em radiografias) com pontos distanciados de 1. a partir de medidas lineares como comprimento (C) e largura (L) da lâmina. a fim de evitar erro de paralaxe. relacionando-se o potencial osmótico (Yo). Exemplo: Volume de frutos (imersão dos frutos em água para conhecimento de seu volume). da disponibilidade do material e do rigor científico do trabalho. b) da área total a ser amostrada. Para tanto. desde o local da amostragem até o local de pesagem. aumento na massa seca. Muita das vezes é obtido por deslocamento de água em determinado recipiente graduado (proveta graduada).). além de destruir o indivíduo. a amostra tenderá a ser pequena. 1. além de outros aspectos. procura-se se limitar às plantas disponíveis e as medidas não deverão ser destrutivas. Vai depender. principalmente dependente da umidade relativa do ar. São exemplos. Na observância dos parâmetros que se quer medir (órgão da planta. a duração do ciclo. Cada um destes métodos poderá ser usado em situações específicas. UFRB. Estabelecem-se os modelos matemáticos quando estas dimensões estão altamente correlacionadas. Por outro lado. Apresentam a vantagem de serem métodos relativamente rápidos. sendo essencial que se use pontos pequenos. c) do número de amostragens a ser realizado durante todo o período de observação. calcula-se a razão entre a área foliar (AF) e o produto do comprimento pela largura (C x L) de cada folha medida (R = AF / C x L).É uma medida tridimensional. É muito usado quando se está interessado em produtividade. 1978). principalmente de três aspectos: a) do número de plantas disponíveis. A relação entre massa da matéria fresca e massa da matéria seca pode informar sobre o Teor de Água (TA) ou Teor Relativo de Água (TRA) nos tecidos. Se não houver diferenças estatísticas entre estas razões. determina-se o valor médio das razões que será utilizado como fator de correção (F) para estimativa da área. não exigirem destruição do material e serem de ampla utilização em condições de campo. tamanho. em função do tipo da folha (forma. numa dada temperatura (tecidos vegetais: mais ou menos 65 a 70 graus Celsius). contudo. Volume . de acordo com o tipo de planta usada. Geralmente o crescimento da matéria seca é acompanhado pelo aumento do teor de água nos tecidos da planta.Desenvolvido por Bleasdale (1977). Massa da matéria seca . onde se denota aumento de volume.É a massa do material em equilíbrio com o ambiente. Entretanto. considerado mais preciso (envolve o “peso túrgido”).A partir da área foliar obtida por integrador ou por outro método. O mesmo poderá ser entendido para a área amostrada. 1979).Refere-se ao número de plantas colhidas ou à vegetação que cobre uma determinada área de solo. o matricial (Ym) e o potencial pressão (Yp): Ya = Yo + Ym + Yp. usa-se um modelo para cada folíolo de forma geométrica aproximadamente definida e que apresentem altas correlações com suas dimensões lineares ou peso seco (Reis et al. Em folhas compostas. O teor de água é bastante variável a partir da colheita da planta.. Modelos matemáticos . Tamanho da amostragem . v. Deve-se avaliar dados de comprimento. espessura). usa-se também o potencial de água (Ya) como medida. que as folhas sejam simples. entre outras plantas. mandioca. largura. É muito trabalhoso. leva-se em consideração os seguintes itens: o tamanho da amostragem e o intervalo de amostragem. café. o hábito de crescimento. Se o número de plantas for restrito ou pequeno.Método dos pontos . Massa da matéria fresca . a planta inteira etc. o tipo de plantas a serem analisadas. Critérios de amostragem O tamanho da comunidade ou da área experimental (homogênea ou não) em estudo. cuidando para que a visada seja feita em ângulo reto. Indiscutivelmente. seringueira. pois se deve fazer várias repetições. altura 44 Tópicos em Ciências Agrárias. vão determinar os critérios para a tomada de dados. de um número representativo de folhas. sem.

As medidas de raízes ou do sistema radicular são bastante difíceis de serem feitas.de plantas. Tópicos em Ciências Agrárias. o intervalo não deverá ultrapassar 5 dias. as medidas podem ser feitas normalmente. 2004). a exemplo do rabanete. bem como da área foliar (através das dimensões comprimento (C) x largura (L). Para plantas de até 130 dias.Este aspecto dependerá da disponibilidade de plantas e do tempo do pesquisador. existe toda uma metodologia para fazer estas avaliações. é possível fazer-se uma estimativa a partir de medidas indiretas no campo (estima-se a superfície radicular ou a quantidade de raízes em um determinado volume de solo. o qual é mantido para todas as amostragens feitas). respeitando o ciclo das plantas em estudo. neste caso. mas se tem necessidade de matéria seca. Padrões de crescimento exponencial e sigmóide As células individuais ou órgãos apresentam potencialmente um crescimento ilimitado que obedece a um padrão exponencial. Deve-se tomar cuidado com a seqüência de amostragens para que as plantas a serem retiradas em amostragens seguintes não estejam próximas das plantas que foram retiradas na amostragem anterior. com base na média dessas medidas. a colheita de plantas será feita com base em uma amostragem prévia de plantas marcadas e intactas. Quando se tem uma área cultivada ou coberta por vegetação. massa ou superfície. sendo comum o uso de tubos com altura e diâmetros diferentes e com conexões para permitir estudos de profundidade. 2009 45 .). intervalos de uma semana ou múltiplo da semana são estabelecidos. Muitas vezes não há disponibilidade de plantas ou a área cultivada é pequena. mostram padrão sigmóide quando analisados no decorrer da vida da planta. escolhendo-se o dia mais desejável. que é preferível não executá-las. os produtos estudados como volume. a imprecisão das medidas de raízes no campo é de tal ordem. altura. Quando há um interesse muito grande. número de flores. é importante estabelecer a relação Raíz/Parte Aérea. entretanto. Entretanto. Intervalo de amostragem . uma vez que valores abaixo de 10 podem induzir a erros e acima de 20. a amostragem será com destruição de uma área mínima e representativa da área total e deverão ser respeitados alguns princípios usados para amostragens com destruição de plantas. embora seja melhor aumentar o número de áreas colhidas. Enfim. podendo ser detectadas quase que integralmente. será colhido um número de plantas. cuja soma deverá corresponder a uma fração significativa da área total. para não haver mascaramento. os dois critérios descritos são de difícil aplicação. poderão ser medidas todas as plantas. aconselham para plantas de ciclo curto o intervalo de 14 dias durante o período de crescimento. quaisquer medidas que permitam uma avaliação do crescimento serão válidas. etc. Também os organismos mostram uma conformação sigmóide. 2004). (1984) e Magalhães (1985). UFRB. devido eventuais limitações de espaço e/ou nutrientes ou acúmulo de produto final. Determinação em raízes . Quando se tem uma área suficientemente grande que se possa colher um número maior de plantas ao acaso. o número de plantas colhidas deverá ficar entre o mínimo de 10 e o máximo de 20. principalmente quando se trabalha em condições de campo. o intervalo de uma semana é o mais recomendável (Benincasa. de fruto. Se a amostragem for por área e não por planta. Interações mútuas entre indivíduos impõem limitações ao crescimento e a curva de crescimento sofre uma inflexão. é possível colher-se áreas maiores em menor número. essas medidas tornam-se bastante viáveis. tomando uma conformação sigmóide. Neste caso. a não ser que se tenha mão-de-obra disponível para executar as medidas. No caso de plantas de ciclo curto. número de folhas. Podem ser medidos um ou dois aspectos listados para plantas intactas. em todas as plantas. Caso contrário. O tipo de recipiente pode ser fundamental. Normalmente. 1. Medidas do sistema radicular tornam-se mais importantes quando se trabalha com estresse hídrico e. Castro et al. diâmetro de caule. v. Este tipo de amostragem só é possível quando se colhem plantas individuais. Se o número for pequeno. Quando se trabalha com plantas envasadas. em um número representativo e. para se determinar a gravidade do estresse. no caso de plantas envasadas ou em casa de vegetação ou ripado. No caso de órgãos de armazenamento (raízes e caules subterrâneos). uma vez que as remanescentes crescerão em ambiente diferente daquele previamente estabelecido. não aumentam significativamente a precisão da amostragem (Benincasa. Em déficit hídrico. Normalmente. Considerando-se que a análise de crescimento usa medidas morfológicas ou anatômicas para inferir processos fisiológicos. número de células ou mesmo conteúdo de proteína. Será determinado um número que permita se fazer todas as medidas previstas num mesmo período de observação (meio dia ou o dia todo).

passando posteriormente. 2009 rt . ou ln Wt = ln Wo + r t. enquanto a eficiência fotossintética lhe proporciona a aceleração. a equação (1) acima torna-se uma equação da linha reta: lnWt = lnWo + rt ln e (2) onde: Wo representa o crescimento inicial. 1979). onde: t = intervalo de tempo e r = taxa de crescimento. É semelhante a uma poupança. onde o embrião representa o capital inicial. Durante a fase inicial a planta depende fundamentalmente das substâncias de reservas da semente (período de crescimento lento). 1. v. Parâmetros de análise de crescimento Embora muitas vezes o pesquisador se depare diante de situações difíceis de serem explicadas quanto à complexidade do crescimento vegetal. 46 Tópicos em Ciências Agrárias. o crescimento exponencial é limitado. podendo cessar com o final da senescência. Só que no banco seu dinheiro rende ou vai crescer exponencialmente. O crescimento das células e de órgãos individuais seguiria um modelo exponencial caso não houvesse certas limitações no crescimento. a curva que melhor expressa o crescimento é a sigmoidal. definindo-se como a capacidade da planta adicionar matéria seca a si própria. O crescimento inicial dos organismos inclui uma fase exponencial de crescimento. A B CRESCIMENTO (w) CRESCIMENTO SIGMÓIDE CRESCIMENTO EX PONENCIAL FIM DA FASE DE CRESCIMENTO ESPONENCIAL P/B dw dw . Padrões de crescimento em planta: exponencial (A) e sigmóide (B) (Reis & Muller. a uma fase exponencial (de crescimento rápido. ln = logaritmo natural e e = base dos logaritmos naturais (2. enquanto a eficiência fotossintética determina a taxa de juros (Leopold & Kriedman. indica a “taxa de crescimento”.7182). ele procura utilizar uma “lógica” estabelecida com base em vários parâmetros. Neste caso. 1978). semelhante ao acúmulo de capital através da “taxa de juros compostos”. O crescimento nestas condições segue a seguinte equação: Wt = Wo x e (1) sendo Wt. Assim. dependente da absorção das raízes e da atividade fotossintética. Esta redução do processo pode ser traduzida como uma paralisação na produção de matéria orgânica (Figura 3).Peso seco da planta dt . Em seguida. o crescimento depois de determinado tempo. Com isso. ocorre um período de redução no crescimento. r significa o índice de eficiência ou coeficiente de interesse. enquanto que no caso da planta. o embrião representa a participação inicial. considerando que a análise de crescimento ainda é o meio mais acessível e bastante preciso para avaliar o crescimento e inferir a contribuição dos diferentes processos fisiológicos sobre o comportamento vegetal. ou seja. UFRB. Num gráfico semilogarítmico do peso da matéria seca em função do tempo.tempo (área foliar) dt TEMPO (t) Figura 3. fase linear).O crescimento de plantas superiores está na fase exponencial quando os acúmulos se processam continuamente.

Em trabalhos onde se faz necessário o cálculo dos valores instantâneos. Para valores -1 -1 médios. Indica a variação de crescimento em um determinado intervalo de tempo.. A TCR expressa o incremento na massa de matéria seca. v. É apropriada para avaliação do crescimento vegetal. qualquer variação em um deles. Assim. Taxa de crescimento absoluto (TCA) Para Reis & Muller (1979).lnW1) / (T2 -T1) = g g dia . é mais interessante expressar essa taxa de crescimento segundo uma base comum. expressa-se em cm2 ou dm2 g-1. que é dependente da quantidade de material que está sendo acumulado. 1. que é dependente da quantidade de material acumulado gradativamente. onde ln é o logaritmo neperiano. onde: W = base em que se relaciona a TCA. todo crescimento resultará da produção de material suficiente para atender às necessidades metabólicas do material já existente e. 1920): RAF = L/W ou L1 + L2 / W1 + W2. Razão de área foliar (RAF ou QAF) Representa a relação entre a área foliar (L) e o peso da matéria seca total da planta (W). ainda. 1979). deve-se aplicar a fórmula: R = C t / W t. em função do autossombreamento. que é o próprio peso da planta. por unidade de peso inicial. para armazenar ou construir novo material estrutural. Em valores médios. indica a velocidade de crescimento (g dia-1 ou semana). com a tendência da diminuição da área foliar útil ou fotossinteticamente ativa (responde pela interceptação da radiação luminosa e captação do CO2 na fotossíntese). 2009 47 . descontando a respiração (mais a fotorrespiração nas plantas C3) ou taxa assimilatória líquida (TAL). implicará em alterações na RAF. A TCA pode ser usada para se ter uma idéia da velocidade média de crescimento ao longo do período de observação. Wl e W2 representam a massa da matéria seca nos tempos T1 e T2. trata-se da taxa de crescimento relativo: TCR = dW/(dT x 1/W). como permite avaliar a tendência do crescimento em função dos tratamentos (Benincasa. equações ou programas. conforme mostra a Figura 4. É uma medida que pode ser usada para se ter idéia da velocidade média de crescimento ao longo do período de observação. Tópicos em Ciências Agrárias.lnW1 / T2-T1. Segundo Benincasa (2004). 2004).As medidas obtidas ao longo do ciclo da cultura. É também chamado quociente de área foliar (West et al. A utilização de equações de regressão não só corrige as oscilações normais. pois depende de dois outros fatores do crescimento: a área foliar útil para a fotossíntese ou razão de área foliar (RAF). isto é. Esta medida foi estabelecida por Briggs (1920). a taxa de crescimento relativo poderá ser obtida utilizando-se as equações: TCR = TAL x RAF ou TCR = lnW2 . Portanto. UFRB. são tabeladas de forma que possam ser analisadas por meio de fórmulas matemáticas e/ou graficamente. uma vez que conceitualmente. Neste caso. em plantas intactas ou colhidas. onde: C t = Taxa de produção de matéria seca total e W t = massa da matéria seca total. e da taxa fotossintética bruta. a TCA indica variação ou incremento entre duas amostragens sucessivas. Magalhães (1985) considera a taxa de crescimento relativo como a medida mais apropriada para avaliação do crescimento vegetal. A RAF declina enquanto a planta cresce. tem-se que a TCA = Wt . podem ser utilizadas várias funções. usa-se: TCR = (lnW2 .Wo/T = g dia-1. A TCR varia ao longo do ciclo vegetal. ou nos dois. Onde. Para tanto. a análise de crescimento estabelece que a taxa de crescimento de uma planta é função do tamanho inicial (período em que se inicia a observação). em um intervalo de tempo (Reis & Muller. O quociente de área foliar varia com a Área foliar específica (AFE) e a Razão de massa de folha (RMF). W1 e W2 é a variação da massa da matéria seca em duas amostragens consecutivas tomadas nos tempos T1 e T2. Segundo Benincasa (2004). Taxa de crescimento relativo (TCR) Para os biologistas. para a produção de matéria seca. ou um incremento de matéria seca neste intervalo de tempo. taxa de crescimento absoluto é a variação ou incremento entre duas amostragens ao longo de um determinado período de tempo. As curvas de taxa de crescimento absoluto (TCA) e taxa de crescimento relativo (TCR) são distintas. TCA = (W2-W1)/(T2-T1) = g dia-1 ou semana.

dia-1. Taxas do crescimento absoluto (TCA) e relativo (TCR) no modelo sigmóide (Reis & Muller. serve para estudos de comparação entre espécies e mede a eficiência de uma planta na produção de matéria seca. assumindo que tanto L como W. Taxa de crescimento foliar relativo (TCFR) Avalia o relativo crescimento da planta em termos de matéria seca formada na parte aérea. A superfície é o componente morfológico e a fitomassa é o componente anatômico. Entretanto. 2009 . em determinado intervalo de tempo. Assim. Ou seja.t t Figura 4. a taxa assimilatória líquida deve ser aplicada quando existe uma correlação linear entre a área foliar e a matéria seca total. Outros órgãos fotossintéticos. No entanto.. 1987) e indica a eficiência de uma planta na produção de matéria seca. Considerando que as folhas são o centro de produção de matéria seca através da fotossíntese e. v.T1 Representa o aumento de área foliar em um determinado período de tempo. Depende dos fatores ambientais. com o crescimento da comunidade vegetal. 1979). É também chamada de Taxa de 48 Tópicos em Ciências Agrárias. a produção econômica está sob outros controles e não necessariamente relacionado com a eficiência fotossintética. UFRB. ou seja. 1. principalmente da radiação solar. a TAL reflete a dimensão do sistema assimilador que é envolvida na produção de matéria seca.L1)(T2-T1) Para Benincasa (2004). já que é razão de massa de matéria seca retida nas folhas e massa de matéria seca acumulada na planta (MSF/MSP). 1920). Segundo Magalhães (1985). a RMF expressa a fração de matéria seca não exportada. A área foliar específica relaciona a superfície com a massa da matéria seca da própria folha (AF/MSF). Taxa assimilatória líquida (TAL) Representa a taxa de incremento de massa de matéria seca (W) por unidade de área foliar (L) existente na planta. sendo AL = (W2 . Expressa-se em g. É obtida através da equação: TCFR = LnL2 . Podese minimizar os erros. diminuindo os intervalos de tempo entre as amostragens. relaciona-se com a eficiência fotossintética da planta de modo generalizado.LnL1 / T2 . pois está relacionado com a composição interna formada pelo número e/ou tamanho de células do mesófilo foliar. Avalia a resposta do crescimento da planta às condições ambientais. podem ser levados em consideração para o cálculo da TAL que reflete a capacidade da planta em aumentar sua fitomassa em função de sua superfície assimilatória. A razão de massa da folha se constitui numa componente fisiológica. isto não é rígido.lnL1) / (L2 . para que haja precisão total da fórmula. além das folhas. mesmo na fase de crescimento exponencial das plantas. que o restante da planta depende da exportação dessa fitomassa. aumentam exponencialmente (West et al.W1)(lnL2 . pode-se utilizar a seguinte expressão: RAF = AFE x RMF.dm-2. Portanto. conseqüentemente. é uma estimativa da fotossíntese líquida. Devido ao auto-sombreamento a TAL diminui com o aumento do IAF e. A TAL representa o balanço entre o material produzido pela fotossíntese e aquele perdido pela respiração (Pereira & Machado. mais precisamente nas folhas (área foliar) em função do peso inicial. é necessário que L e W estejam relacionados linearmente.

como pseudocaules. Ele avalia a capacidade ou a velocidade com que as partes aéreas do vegetal (área foliar) ocupam a área de solo ou de um outro substrato disponível àquele vegetal. 1998. Este conceito é básico para análise de crescimento em comunidade de plantas ou na interceptação de luz e. 2009 49 . 2002). 1987. o índice de área foliar (IAF). portanto. Funciona como indicador da superfície disponível para interceptação e absorção de luz.W1) / S / (T2 . deseja-se um IAF ótimo) ou a produtividade biológica (fitomassa total. Um IAF igual a 2. para informar sobre o desempenho de folhas individuais. A cobertura fotossintética em uma comunidade tem sido expressa por um número puro (admensional). ou caso se trate de cultivo hidropônico). por exemplo. Representa a quantidade total de matéria seca acumulada por unidade de área de solo ou outro substrato (vegetação aquática.0 a 5. Assim. outras partes do vegetal devem também ser integradas à área foliar. Mesmo sendo o IAF a simples razão L/S. 1978. sendo. podendo ser expressa apenas como: TCFR = lnL2 . 2001 e Brandelero et al. 1. quando interessa um IAF máximo). Peixoto. A interceptação de luz por uma superfície foliar é influenciada pelo seu tamanho e forma. O IAF pode variar com a população de plantas. Índice de área foliar (IAF) A área foliar de uma planta constitui sua matéria prima para fotossíntese e. Tópicos em Ciências Agrárias. em um determinado tempo. constituindo o somatório das taxas de crescimento dos diversos componentes das plantas (Reis e Muller. v.. Pereira & Machado. O IAF representa a área foliar total por unidade de área do terreno. ângulo de inserção e orientação azimutal. separação vertical e arranjo horizontal e pela absorção por estruturas não foliares.crescimento relativo de folhas (TCRF). A análise de TCFR segue o mesmo raciocínio observado com o parâmetro taxa de crescimento relativo (TCR). diferenciando-se deste. é muito importante para a produção de carboidratos. Expressa-se em g m-2 dia-1 e é obtida através da equação: TPMS = (W2 . pois reduz o auto-sombreamento. que varia geralmente de 2. A taxa de crescimento da cultura ou a taxa de produção de fitomassa de uma comunidade vegetal avalia a produtividade primária líquida. O ângulo foliar é um parâmetro importante na produção. Isto é.0 significa 2 m2 de área foliar (AF) ocupando 2 m2 de solo ou de outro substrato (S): IAF = AF / S. A forma cônica de planta induz um maior potencial produtivo que a globosa. além das folhas. uma medida análoga da taxa de crescimento relativo (TCR). resultante da área foliar (L) e da área do terreno ou substrato (S). ele apresenta interações com a TAL e a produtividade. por que a taxa de crescimento da cultura pode ser obtida por: TCC = TAL x IAF (g m-2 dia-1).T1) onde S. em virtude de relacionar mais a parte aérea e não a planta como um todo. lipídeos e proteínas. folhas eretas são mais eficientes para a fotossíntese máxima. O índice de área foliar é computado em diferentes estádios de crescimento e é muito variável entre plantas e entre épocas de amostragens. Brandelero. pecíolos. se o interesse é a produtividade econômica (produto comercializado. Existe um IAF ótimo para cada cultura.lnL1 ou ainda pode ser empregada a seguinte fórmula: TCFR = TAL x RAF. Em determinadas circunstâncias. especialmente. Os termos da equação possuem o mesmo significado da taxa assimilatória líquida (TAL).0. o crescimento das plantas é fortemente influenciado pelo tempo em que é mantida ativa sua superfície foliar. distribuição de plantas e variedades. como tal. brácteas etc. É a taxa de produção de matéria seca (TPMS) de uma comunidade vegetal. Duração de área foliar (DAF) O aparelho assimilatório das plantas é constituído pelas folhas que definem a produtividade do vegetal. Tal característica é definida pela duração da área foliar: tempo em que é mantida fotossinteticamente ativa a superfície foliar. UFRB. Taxa de crescimento da cultura (TCC) Parâmetro considerado o mais importante em fisiologia da produção e empregado para comunidades vegetais. b) o IAF deve atentar para os objetivos que controlam o cultivo da planta. quando o IAF é grande. Isto por que: a) durante o crescimento da comunidade vegetal o IAF deve ser suficiente para interceptar o máximo de luz. representa a área ocupada pela cultura no substrato disponível.

mesmo apresentando menor IAF ótimo (2.3g). Essas projeções das curvas são características de culturas anuais a exemplo das encontradas por Pedro Júnior et al. Produto comercializado (PE) Sacarose Todos os açúcares Bagaço Vinhaça + cinza Fonte: Lucchesi (1985). Pereira & Machado (1987). Tabela 1.6). Duas linhas foram utilizadas para o estudo da análise de crescimento (amostras destrutivas). Observa-se o incremento da matéria seca (Figura 5) e a variação da superfície foliar (Figura 6).63 1. 1. sendo que cada unidade experimental foi composta de oito linhas de plantio com 5. a sua carga genética.20 0. também a outros fatores intrínsecos de cada cultivar. com temperatura média anual de 24. Pereira & Machado (1987) encontraram correlação positiva entre a produtividade econômica e a DAF na cultura do feijoeiro. segundo a classificação de Köppen. Nota-se que o cultivar Conquista. próximo ao daquele (8. Diferentes produtos comercializados e índices de colheitas na cana-deaçúcar. A densidade de plantio foi de 15 plantas por metro linear. O delineamento foi em blocos casualizados. As culturas apresentam IC diferenciados. em relação ao cultivar Liderança (3. UFRB. Índice de colheita (IC) 0. mas. situado a 12o40'19" de Latitude Sul e 39o06'22" de Longitude Oeste de Greenwich.0 m de comprimento e 0. dependendo do seu uso.224 mm/ano. fruto) e a fitomassa seca total colhida: IC = MSFEP / FSTC ou IC = PE/PB. v. parece lógico supor-se que.5ºC e precipitação pluviométrica de 1. Portanto. A cana-de-açúcar é um bom exemplo (Tabela 1).T1) e a sua unidade em dm2 dia-1. tendo 220 m de altitude. Índice de colheita (IC) Pereira & Machado (1987) fazem referência ao índice de colheita como um quociente freqüentemente usado para medir a eficiência de conversão de produtos sintetizados (PB) em material de importância econômica (PE). Em relação a uma cultura madura. O clima é tropical quente úmido. a DAF nada mais é que a integral do IAF contra o tempo. (2002). descontando-se 0. 2009 .00 Apresentação de dados Como exemplo da utilização prática da análise de crescimento. como por exemplo.50 m entrelinhas. Na Figura 6 encontra-se o desempenho dos cultivares de soja quanto ao índice de área foliar. semelhantes aos relatados por Gazzoni (1974) e Peixoto (1998).2g). 50 Tópicos em Ciências Agrárias. O experimento foi conduzido no campo experimental da Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia. demonstrando que a eficiência fotossintética não fica restrita apenas à superfície foliar. Aw a Am. Peixoto (1998) e Brandelero et al. sendo que estes apresentaram tendência parabólica para todas as curvas. com nove cultivares (tratamentos) e quatro repetições. que foram ajustados no tempo pela função polinomial exponencial. (1985). maior será a produtividade biológica da cultura. localizado nesse município.5).Sendo a fotossíntese o processo responsável pelo fornecimento da energia para o crescimento e desenvolvimento das plantas.50 m de bordadura nas extremidades. conforme o cultivar. obteve o valor de matéria seca total da planta (8.23 0. A duração da área foliar pode ser expressa da seguinte forma: DAF = ½ (L1 + L2) (T2 . quanto mais rápido a cultura atingir o máximo do IAF e quanto mais tempo a área foliar permanecer ativa. O objetivo é obter variedades com alto IC em alta densidade populacional. raiz. o IC define-se como a razão entre a massa da matéria seca da fração econômica produzida (grão. A eficiência de conversão de produtos sintetizados (matéria seca total ou produtividade biológica) em material de importância econômica (produto comercializado ou produtividade econômica) é determinada pelo genótipo e pelo ambiente. são apresentados dados de nove cultivares de soja recomendados para a Região Oeste da Bahia e que foram avaliados nas condições agroecológicas do município de Cruz das Almas-BA. Verifica-se a tendência sigmoidal para as curvas obtidas dos cultivares avaliados (Figura 5).

Variação do índice de área foliar (IAF) dias após a emergência (DAE) dos cultivares de soja introduzidos nas condições agroecológicas de Cruz das Almas . UFRB.BA. Variação da massa da matéria seca dias após a emergência (DAE) dos cultivares de soja introduzidos nas condições agroecológicas de Cruz das Almas . v. 2000.BA.Média 18 15 12 9 6 3 0 0 MATÉRIA SECA (gplanta ) Ajuste 18 15 12 9 6 3 0 Celeste Conquista 18 15 12 9 6 3 0 Curió 15 30 45 60 75 90 105 18 0 15 30 45 60 75 90 105 18 15 12 9 6 3 0 0 15 30 45 60 75 90 105 -1 18 15 12 9 6 3 0 0 18 15 12 9 6 3 0 0 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 Liderança Paiaguás Parecis 15 12 9 6 3 0 0 18 15 30 45 60 75 90 105 0 18 15 12 9 6 3 0 15 30 45 60 75 90 105 Tucano Uirapuru Rio vermelho 15 12 9 6 3 0 0 15 30 45 60 DAE 75 90 105 0 15 30 45 60 75 90 105 Figura 5. Tópicos em Ciências Agrárias. 1. 2000. 2009 51 . 4 Conquista 3 2 1 0 0 4 IA F (dm dm ) 3 2 1 0 0 4 Tucano 3 2 1 0 0 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 4 Curió 3 2 1 0 0 4 3 2 1 0 0 4 Uirapuru 3 2 1 0 0 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 15 30 45 60 75 90 105 4 3 2 1 0 0 4 3 2 1 0 0 4 Celeste 15 30 45 60 75 90 105 Liderança Paiaguás Parecis 2 -2 15 30 45 60 75 90 105 Rio vermelho 3 2 1 0 0 15 30 45 60 75 90 105 Figura 6.

Paulo P. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Cruz das Almas. 1.. M. 7. LIMA. v. Fatores da produção vegetal. McGraw-Hill. A planta em estado vegetativo. H. WEST. M. Turrialba. 1920. 2. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) . Escola de Agronomia. G. C. Índices fisiológicos e rendimento de cultivares de soja no Recôncavo Baiano. v. H... VIEIRA. F. 52 Tópicos em Ciências Agrárias. P. New York.H.. A. p. 35. v. Desenvolvimento. 1919. Jaboticabal. Análise quantitativa do crescimento. MASCARENHAS. A. N. D. Porto Alegre. E. n. In: FERRI. L. MAGALHÃES. C. p. Porto Alegre.REFERÊNCIAS BENINCASA. FUNEP. Fisiologia Vegetal. Yamada (ed. J. Desenvolvimento comparado de três cultivares de caupi (Vigna unguiculata (L.Centro de Ciências Agrárias e Ambientais. P. Índices fisiológicos e rendimento de cultivares de soja no município de Cruz das Almas-BA. Biol. Piracicaba: Associação Brasileira para Pesquisa da Potassa e do Fosfato. In: BLEASDALE. P. Dissertação (Mestrado em Fitotecnia). São Paulo. v. Magistra. BRIGGS. 353-60. The compound interest law and plant growth. Guaiba: Livraria e Editora Agropecuária. São Paulo. 41. 65 -107. C. M. A. v. v. PEDRO JUNIOR. J. 4. Part I. C. T.1974. KRIEDMAN. G.) Merril) sobre a produção e a qualidade do grão. S.. E.363 . O. In: Ecofisiologia da produção agrícola.1. Piracicaba. 60p. 1987.. p. O. Avaliação do efeito de três níveis de desfolhamento aplicado em quatro estádios de crescimento de dois cultivares de soja (Glycine max (L. FELIPPE. Anais da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”. E. E. Appl.C. LEOPOLD. J. Cruz das Almas v. Ann. Bot. G. V. 1-48. R. Universidade Federal da Bahia.40l-428.. 545 p. Fisiologia vegetal. F. 231p. 1984. 2001. Piracicaba. p. L. ANDELOCCI. A. A quantitative analysis of plant growth. M. K. 2004. TISSELI FILHO. EPU. L. E. 1985. A. 1 . BERGAMASHI. A. CASTRO. A. 33. C. 1. Anais da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”. A. alocação de fitomassa e crescimento de mamoeiro em casa de vegetação. P. XLII. Aplicações de reguladores vegetais na agricultura tropical. v. 202-23. São Paulo. A. A. J. n. UFRB. 2001. 77-88. Dissertação (Mestrado) Faculdade de Agronomia. 1985. EPU. 2009 .50. 42p. S. Utilização prática da análise quantitativa do crescimento vegetal. Análise de crescimento em soja. LUCCHESI. 1978. A. p.. P. GAZZONI.327. EPU. MARTINS. Fisiologia vegetal. p. BRANDELERO. Castro. A. 70 p. K. M. 1985.. G. KIDD.. BLEASDALE. et al.. 1977. jul/dez 2002. F. Editôra da Universidade de São Paulo. BLACKMAN. p. Análise de Crescimento de Plantas (noções básicas). Plant Growth and Development. BRANDELERO. Universidade Federal da Bahia.). 323. 14. J.. M. 555-84. A.37. n. R. In: FERRI. SILVEIRA. Ann. Ferreira.) Walp). p.. 2006. 63f. Tamanho ótimo de parcela. p. LUCCHESI. M. p. CASTRO. G. 1985. M.

set.M. 200-207. A. v. v.. Universidade de São Paulo. T. MG. Piracicaba. VIEIRA. 1920. MACHADO. REIS. M.. 1. Análise de crescimento de plantas .. Campinas. G.. 151f.mensuração do crescimento. Campinas. C. W. Methodos and significant relations in the quantitative analysis of planta growth.).. (IAC-Boletim Técnico n. P. C. A. G. Tópicos em Ciências Agrárias. p. 1978. 2.. WEST. M. Revista Ceres. 77. SEDIYAMA. MULLER. C.. S. G. 1987. 550p. F. Piracicaba.R. ANDRADE. 35p.P. E. 19: p. 412-419. n.S. v. S. KIDD. PEIXOTO. New Physiologist. Instituto Agronômico.C. 1998. Comparação de cinco métodos de estimativa da área foliar do feijoeiro (Phaseolus vulgaris L. Lavras.F.. PEIXOTO. PEIXOTO. Anais. BRIGGS.S. CAMARA. p. L... G.134. E.. Análise de crescimento e rendimento de três cultivares de soja em três épocas de semeadura e três densidades de plantas. Revista de Agricultura. 33 p. Efeitos do espaçamento e da densidade de plantio sobre a variedade de soja UFV-1 no Triângulo Mineiro.92. 1977. v. 24. C. 2009 53 . V CONGRESSO BRASILEIRO DE FISIOLOGIA VEGETAL. Efeitos de épocas de semeadura e densidade de plantas sobre o rendimento de cultivares de soja no estado de São Paulo.PEREIRA. MARTINS. 114). REIS. Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”. n. P.. 1995. 200. M. Análise quantitativa do crescimento de vegetais. CPATU. MARCHIORI. Tese (Doutorado em Fitotecnia). C. UFRB. M. Belém.C.

CAPÍTULO 5 FISIOLOGIA DA FLORAÇÃO DO ABACAXIZEIRO Getúlio Augusto Pinto da Cunha Tópicos em Ciências Agrárias .

2001). uma folha na planta. pelo menos. 1993). hormônio vegetal endógeno e gasoso que regula o crescimento e desenvolvimento das plantas em geral. para melhor entendimento dos seus mecanismos e.. 1993. o que sugere a transmissão de alguma mensagem da folha para o ápice. Trata-se de uma planta que requer tratos culturais cuidadosos e freqüentes e apresenta alguns aspectos morfológicos e fisiológicos. haja vista que todos os indivíduos de uma espécie têm de florescer de modo sincronizado para o sucesso do cruzamento e. da família Bromeliaceae. 1981. 1993). O conhecimento desses sinais é da mais 57 Tópicos em Ciências Agrárias. 1. No Brasil. mas que. visando ao entendimento de como essa transição é controlada. O abacaxizeiro foi a primeira planta a ter sua floração controlada artificialmente. a floração natural é estimulada por mudanças sazonais regulares de condições climáticas.. Tais mudanças são captadas por diferentes órgãos da planta: o fotoperíodo pelas folhas maduras. em seguida. a exemplo do fotoperíodo. que tem sido estudado extensivamente. do manejo da cultura. têm sido realizados com várias espécies nas últimas décadas. produzidos por meristemas modificados de ramos. os primórdios florais. Sabe-se que o meristema de uma planta recebe de outras partes da mesma. um conjunto de sinais. Kinet et al. Em geral. apreciado em todo o mundo onde é cultivado em mais de 60 países e à sua rentabilidade. Cruz das Almas-BA. herbácea e perene. para que o estímulo florígeno possa ser captado e repassado para o ápice caulinar.FISIOLOGIA DA FLORAÇÃO DO ABACAXIZEIRO Getúlio Augusto Pinto da Cunha Pesquisador .. que é a atividade fim ou objetivo maior da exploração econômica das fruteiras. Dentre esses. abrangendo da ecofisiologia à biofísica (Bernier et al. que são favoráveis à produção de estruturas. principalmente sobre o envolvimento de algumas substâncias químicas que apresentam atividade reguladora do crescimento vegetativo da planta. de natureza bastante complexa e controle multifatorial. via de conseqüência. ou seja.br INTRODUÇÃO O abacaxizeiro (Ananas comosus var. passa por transformações. porque devem completar sua reprodução sexual sob condições externas favoráveis (Bernier et al. cujo conhecimento facilita o seu manejo e o entendimento dos mecanismos de seu florescimento. NOÇÕES DE FISIOLOGIA DA DIFERENCIAÇÃO FLORAL A floração é um processo unitário e integrado.embrapa. Apesar do fotoperíodo ser captado pelas folhas. pelo ápice caulinar. constituindo-se no estímulo floral ou florígeno. Kinet. que tem também atuação determinante na fisiologia da floração. UFRB. destaca-se o meristema apical. as alterações morfológicas que vão ocasionar a transição para a formação da flor ocorrem no ápice caulinar (Castro & Vieira. A iniciação floral delimita a transição entre o crescimento vegetativo e o estádio reprodutivo das plantas produtoras de sementes. de intensidade variável. um evento marcante na vida dessas plantas. apesar da baixa temperatura ser. A questão central da fisiologia da iniciação floral consiste em entender-se quais fatores atuam na transformação do meristema caulinar em primórdio floral e de que modo eles exercem sua ação. e a disponibilidade hídrica pelas raízes (Bernier et al. portanto. temperatura e disponibilidade hídrica. que sempre se destacou na fruticultura tropical. posteriormente. gerando uma grande quantidade de informações. que dá origem às folhas durante o estádio vegetativo. A passagem do estádio vegetativo para o de floração é de suma importância para as plantas. Muitos reguladores de crescimento. retoma sua atividade vegetativa. Coppens & Leal) é uma planta tropical monocotiledônea. porque o florescimento é o primeiro passo da reprodução sexual. é necessário que exista. 1993). E-mail: getulio@cnpmf. também. provavelmente pelos seus efeitos na síntese e/ou atividade do etileno. O objetivo desse trabalho é discorrer sobre o floração na cultura do abacaxi. a exemplo do semi-árido. permanentemente. As flores nada mais são do que ramos ou folhas modificados. comosus. No caso do abacaxizeiro.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. ora reprodutivas. naturais e sintéticos.. exercem sua ação. a temperatura por todas as partes da planta. Graças às características de seu fruto. Diversos estudos. 2009 . preferencialmente. A maioria das plantas reage a sinais ambientais para regular a transição para o florescimento. apresenta grande demanda e importância econômica. sendo. em escala comercial. originando a inflorescência e. é a quinta fruta tropical mais cultivada e representa uma ótima opção de cultivo em regiões não tradicionais. v. formando a coroa do fruto. resultando na produção de frutos. ora vegetativas.

comprometendo-o. quer seja natural ou artificialmente desencadeada. Os principais fatores ambientais responsáveis pela indução floral são o fotoperíodo (comprimento do dia ou horas de luz) e temperatura (vernalização. Estudos envolvendo enxertia em plantas sensíveis ao fotoperíodo serviram de base para Chailachjan. Na primeira fase. Daí porque o crescimento vegetativo e o desenvolvimento reprodutivo nas plantas são considerados eventos mutuamente exclusivos. principalmente. que varia de 12 a 30 meses até que seja produzido o primeiro fruto. para uma exploração mais racional das culturas. também. apesar de Bernier et al. postular a presença de um hipotético hormônio do florescimento. os quais serão abordados a seguir.alta importância. a depender das condições ambientais e do manejo da cultura. mas todos estão presentes sob condições indutivas. raízes. citado por Min (1995). sendo necessário que as folhas captem os estímulos fotoperiódicos e que o meristema apical esteja o mais sensível possível à vernalização.. relacionado a fatores climáticos. foi bastante estudada. incapaz de retomar o crescimento vegetativo. b) fase reprodutiva (envolvendo a floração e frutificação) . além dos climáticos. baseadas em várias pesquisas realizadas ao longo de décadas. que incluem o conceito do “florígeno/antiflorígeno”. De acordo com esses autores. na floração são observadas duas fases: a iniciação floral e o desenvolvimento floral. 1993). com a iniciação do primórdio floral. Reinhardt & Cunha. muitas questões ainda precisam ser respondidas. No caso de plantas que florescem sob o efeito da vernalização. O florescimento do abacaxizeiro pode ocorrer naturalmente. Algumas teorias foram formuladas para explicar a floração.tem início ainda na fase reprodutiva. mas. podem ser ativadas individualmente. e podem ser sintetizados nas folhas. O processo de florescimento do abacaxizeiro pode ser melhor entendido conhecendo-se seu ciclo cultural. 58 Tópicos em Ciências Agrárias. Isso porque o abacaxizeiro responde muito bem à aplicação de substâncias químicas que têm a capacidade de influenciar seus processos fisiológicos. este último torna-se. a que apresenta menor elasticidade é a reprodutiva. A produção de etileno ocorre por meio de uma ação sequencial das enzimas ACCsintase e ACCoxidase cujo esquema encontra-se no item “Substâncias usadas e modo de atuação”. UFRB. FLORESCIMENTO DO ABACAXIZEIRO A diferenciação floral do abacaxizeiro possui outra particularidade: a de poder ser desencadeada artificialmente. 1966). responsável direto pela diferenciação floral. Algumas evidências demonstram que o florescimento no meristema pode consistir de diversas etapas que. há o envolvimento de fatores internos ou hormônios produzidos pela própria planta. Em geral. por meio de substâncias químicas. o modelo de controle multifatorial. citando-se. em geral reguladores de crescimento vegetal. a exemplo do ácido indolacético (AIA) e do etileno. o processo não tem continuidade. abrangendo aspectos fisiológicos. ápice caulinar e outros locais. denominado de “florígeno”. 1982a. sendo esse o primeiro passo para a formação das flores. cuja relação com o “florígeno” e a floração. proposto por Bernier et al. ou artificialmente. Qualquer explicação sobre o mecanismo de controle fotoperiódico do florescimento deve contar com a presença tanto de promotores quanto de inibidores. do ponto de vista agroeconômico. pela idade ou tamanho da planta. em grande parte. A planta precisa também atingir a maturidade suficiente para ser induzida à floração. efeito do frio). invariavelmente. Se apenas um fator estiver ausente. por meios artificiais. 1961.vai da diferenciação floral à colheita do fruto. c) fase propagativa . mas prolonga-se após a colheita do fruto. é necessário que alguns eventos ocorram no ápice caulinar.. com o uso de produtos químicos. genéticos (relacionados à sensibilidade das plantas aos fatores climáticos) e ambientais. fundamental e prática. 2009 . a nutrição mineral. Uma vez consumada a transformação do meristema caulinar em primórdio floral. a possibilidade de existência de um inibidor floral. que atuaria de modo antagônico ao “florígeno”. 1981). Foi levantada. Vários são os fatores que influem no ciclo da cultura. ainda sem provas definitivas. A cultura do abacaxi é explorada comercialmente em razão de poder-se controlar e uniformizar. relacionados com a diferenciação floral. ou distribuí-la em todos os meses do ano. (1993) terem apresentado resultados que apoiam o controle multifatorial. abrangendo o desenvolvimento (ceva) e colheita das mudas. por sua vez. Dentre as teorias de controle interno da “evocação”. v. o que está de acordo com o modelo de controle da “evocação”. o florescimento das plantas e. Em ambos os casos. (1981). o “antiflorígeno”. porém. A suscetibilidade do abacaxizeiro à floração natural ou à indução artificial é determinada. foi associado outro produto. a hipótese do desvio de nutrientes e sinais elétricos. tipo e peso da muda e época de plantio (Gowing. os fatores não são os mesmos para as diferentes espécies. dominam os dois primeiros. a “vernalina”. assim. concentrar a colheita em épocas oportunas. Esse ciclo pode ser dividido em três etapas: a) fase vegetativa . cujos aspectos apresentam muitos pontos comuns com a floração natural.abrange o período do plantio à diferenciação floral. de modo irreversível. Cunha et al. este último considerado como fator indutor (Burg & Burg. 1. Dessas fases. denominado de “evocação” (Kinet et al.

sérios prejuízos nas regiões produtoras de todo o mundo. naturais e artificiais. 1993. FLORAÇÃO NATURAL DO ABACAXIZEIRO Fatores Envolvidos O desencadeamento da floração do abacaxizeiro depende do porte e estado fisiológico da planta e do comprimento do dia e temperatura (Bartholomew & Malézieux. correspondendo à parada do desenvolvimento da coroa e murchamento do pedúnculo. trímeras. a depender da região. ao desabrochamento das primeiras flores e início de crescimento da coroa. De acordo com esses autores. Nas principais regiões produtoras do mundo.. A primeira ocorre. a depender do seu tamanho. desponta no centro da roseta foliar. Segundo esse autor. têm sido relatadas taxas de ocorrência de floração natural variando de 20% a 80% (Reinhardt et al. apenas acentuar o efeito dos dias curtos. 1948). que é o prolongamento do caule. ainda. entre o final do outono e o início do inverno. mas também a colheita e a comercialização do fruto. onde essas são exploradas. As flores do abacaxizeiro são formadas pelo mesmo meristema que origina as folhas. Inflorescência do Abacaxizeiro . Essas flores não abrem ao mesmo tempo e a floração procede espiralmente. 2000). aproximadamente.A floração natural do abacaxizeiro é um fenômeno que apresenta uma série de inconvenientes. por outro lado. possuindo três sépalas. com um fluxo importante de açúcares para o fruto. também. que diminui à medida que o fotoperíodo aumenta de oito para 16 horas/dia.descrição botânica. no ano subseqüente ao do plantio. ou. 1997. 1997). tem-se observado que mesmo as plantas pequenas têm respondido aos estímulos florais. Esse tipo de floração vem causando. A primeira evidência de mudança morfológica nesse meristema é a expansão do diâmetro do seu disco. devido à cor azul púrpura de suas pétalas e brácteas. abaixo de 15oC. ainda que possa ocorrer em outras estações. Tal fato pode ser observado cerca de uns quatro dias após a diferenciação floral. por meio de um corte longitudinal do ápice caulinar (Py & Silvy. com uma ou mais flores abrindo a cada dia (apenas nas primeiras horas da manhã) durante duas a quatro semanas (Okimoto. com intensidade cada vez maior. cerca de seis semanas após a diferenciação floral. O comprimento e a largura da folha aumentaram entre oito e 12 horas/dia. ainda. a inflorescência avermelhada. da base para o ápice. de acordo com as épocas e regiões produtoras. Os prejuízos tornam-se maiores se a floração ocorre precocemente. acentuando-se sua incidência em áreas de altitude e latitude mais elevadas. seis estames e um ovário ínfero. diferenças na suscetibilidade das mudas e plantas à floração. Barbosa. a floração natural varia de ano para ano. as plantas ainda não apresentam um desenvolvimento ou porte adequado para produzir um fruto com padrão comer-cial. apresentando uma filotaxia 8/21. 1. com a formação inicial do pedúnculo e da primeira flor ocorrendo quando o mesmo exibe seu diâmetro máximo. ocorrendo o inverso Tópicos em Ciências Agrárias. via de regra. ainda em crescimento (Teisson.. no qual passou a operar. pois dificulta não apenas os tratos culturais e fitossanitários. Rabie et al. A diferenciação natural do florescimento dá-se. tornando-se cada vez mais proeminente sobre o pedúnculo. 1994. período de temperaturas mínimas. UFRB. Sendo função também das condições climáticas. Pode-se distinguir duas etapas importantes nos processos de crescimento e desenvolvimento da inflorescência do abacaxizeiro. três pétalas. haja vista que. 1973). dependendo de seu estado fisiológico/nutricional. Quando a planta atinge a maturidade no seu desenvolvimento. crescimento e desenvolvimento A inflorescência do abacaxizeiro é formada por um grupo de flores sésseis soldadas em torno de um eixo. 1954). dispostas em oito espirais. e que plantas submetidas à temperatura constante de 25oC apresentam alta taxa de florescimento. um mínimo de diferença de temperatura dia/noite é necessário para provocar o florescimento natural do abacaxizeiro. com três glândulas nectaríferas separando os lóculos. v. nessa situação. dois meses após a diferenciação e corresponde à parada de crescimento do pedúnculo. A outra etapa acontece 15 dias antes da colheita. cada inflorescência pode conter mais de uma centena de flores individuais (Okimoto. Rebolledo-Martínez et al. 2009 59 . A seca também estimula a diferenciação floral em áreas onde tanto o fotoperíodo quanto a temperatura variam pouco (regiões subtropicais). refletir negativamente no rendimento da primeira e demais safras. as flores são hermafroditas. situado no ápice do caule. podendo. não se associando consistentemente com um determinado fator climático. Esse fato tem sido comprovado tanto em plantações comerciais quanto experimentalmente. Esses autores relataram. então. sendo as maiores mais suscetíveis. Apesar disso. Friend & Lydon (1979) observaram que o crescimento vegetativo do abacaxizeiro 'Smooth Cayenne' aumentou nesse mesmo intervalo de fotoperíodo. notando-se. tricarpelar e trilocular.. geralmente noturnas. 1986. Scott. a ocorrência de floração natural no Havaí entre dezembro e janeiro. o florescimento envolve a transição da diferenciação das estruturas vegetativas para a formação de uma inflorescência no meristema apical do caule. o metabolismo ácido das crassuláceas (CAM). 1948).

de que a baixa temperatura noturna aumenta o nível de auxina livre na planta. mais lenta é a sua resposta aos fatores (naturais e artificiais) que promovem a floração. 1972.. Bartholomew & Kadzimin. 1994). Plantas que haviam formado a inflorescência apresentavam atividade da ACCoxidase nas folhas e no caule bem maior do que nas plantas em estádio vegetativo (Min. mas não obrigatória. v. (1998) observaram 100% de floração natural em abacaxizeiros mantidos a 20 oC por dez a 12 semanas. Na Costa do Marfim. as temperaturas abaixo de 17-15 oC promovem a floração natural (Bartholomew & Malézieux. sendo umas mais e outras menos sensíveis (Van Overbeek & Cruzado. 1993). e às baixas temperaturas observadas. que depende. além disso. A maturidade para a floração está sempre correlacionada com a capacidade da planta em converter o ácido 1aminociclopropano-1-carboxílico (ACC) exógeno em etileno. que envolve ainda. 1994). além de ser influenciado por fatores climáticos. mais exatamente. a época de plantio ou. quando a temperatura mínima média atingiu 14. outros são de opinião que. como a redução na nutrição. situada a 4o N. Cunha et al. está. 2009 . assim. do efeito cumulativo desses dias (Friend & Lydon. 1977). de acordo com Sanewski et al. porém. Mekers & De Proft. Nas pesquisas desenvolvidas para determinar-se quais os fatores ambientais envolvidos na diferenciação floral natural do abacaxizeiro. Baseado no fato de que o florescimento do abacaxizeiro pode ser induzido artificialmente pela aplicação de várias substâncias químicas que estimulam a produção e/ou atividade do etileno. chegou-se ao consenso de que a mesma está relacionada. nos meses de agosto e dezembro-janeiro (Bartholomew & Malézieux. Teisson. quantitativamente. 1977). no comprimento do dia e na radiação solar (Bartholomew & Kadzimin. 1994). principalmente a noturna. Contudo.5 o C. Py. UFRB. Reinhardt et al. qual o efeito direto da baixa temperatura na floração natural. ainda. Na prática. a idade da planta no período favorável à indução floral.com a espessura. por reduzir sua sensibilidade aos estímulos florais (Evans. também. e baixa irradiância devido à nebulosidade (Gowing. assim. 1977). Assim. 1959). o estímulo à floração natural ocorre. Alguns autores são unânimes em afirmar que o período do plantio à colheita de um fruto de um determinado padrão é função do tipo e peso ou tamanho da muda (Teisson. tanto naturais quanto artificiais (Cunha. na temperatura. por favorecerem o crescimento vegetativo das plantas. podem 60 Tópicos em Ciências Agrárias. Segundo esses autores. 1948). do que onde o crescimento é atrasado por falta de nutrientes e água e por temperatura baixa (Bartholomew & Malézieux. Reinhardt et al. Bartholomew & Malézieux. ao encurtamento do dia. Nesse caso. Min & Bartholomew (1997) observaram que a produção do etileno e a atividade da enzima formadora de etileno (ACCoxidase) no caule e em tecidos da folha de plantas de abacaxi cultivadas a 30/30 oC (dia/noite) foram menores do que as das plantas cultivadas a 30/20 oC. a produção de etileno pela folha também foi maior. em resposta à redução nas horas de irradiância (Bartholomew & Kadzimin. sofre os efeitos da taxa de desenvolvimento da planta. (1998). conforme foi observado por Mekers & De Proft (1983) em bromeliáceas ornamentais. 1986). sendo. hipoteticamente pode-se dizer que a floração natural é desencadeada pelo etileno produzido endogenamente ou por mudanças na suscetibilidade e sensibilidade da planta ao mesmo ou ambos (Min & Bartholomew. onde a mudança no comprimento do dia é muito pequena (cerca de 36 minutos apenas). a exigência de dias curtos (Van Overbeek & Cruzado. em geral. Parece que. Apesar de não haver exigência de frio. Esses autores concluíram que a floração na cultura do abacaxi é controlada pelo fotoperíodo. necessário que a mesma atinja um porte adequado ou a maturidade ontogenética. As exigências climáticas do abacaxizeiro são caracterizadas por sua grande sensibilidade às geadas e radiação solar muito intensa. desde que a planta tenha alcançado um tamanho adequado para tornar-se suscetível à indução floral. a adubação nitrogenada e a irrigação. o que estimula o florescimento. em grande parte. (1998) observaram que o teor de ACC (precursor imediato do etileno) aumentou cerca de 40% no inverno. o equilíbrio entre os estádios de vegetação e reprodução (floração) tende para o primeiro. 1968. para responder aos estímulos ambientais (Lacoeuilhe. Assim. bem como à baixa temperatura. 1961. 1972. uma taxa de crescimento vegetativo elevada pode inibir ou retardar o florescimento do abacaxizeiro. no suprimento de água. Existem evidências. com pouca ou nenhuma va-riação estacional de temperatura. 1979. Quanto mais jovem é a planta. E. o efeito direto da baixa temperatura ainda não está bem esclarecido. 1983. relacionada ao processo.. também.. 1995). considera-se o abacaxizeiro uma planta de dias curtos. causando o florescimento e reduzindo. Bartholomew & Kadzimin. 1948. tem-se observado que mesmo as plantas pequenas apresentam capacidade de responder aos estímulos florais. nessa planta. mesmo não se sabendo. 1975. Sanewski et al. 1994). fatores climáticos e tratos culturais que afetam o crescimento vegetativo da planta (Friend & Lydon. Mas. supostamente. pensa-se que esta e o encurtamento dos dias aumentam a produção de etileno no meristema apical e na parte basal aclorofilada da folha. Esse tamanho mínimo é alcançado em períodos mais curtos sob condições favoráveis. 1993). nem todas as variedades respondem igualmente aos estímulos florais. A exemplo do que acontece com outras culturas. não sendo influenciada diretamente pelo peso seco da planta nem pelo metabolismo CAM. 1977). 1989b). os fatores ambientais que a promovem são aqueles que tendem a retardar a taxa de crescimento vegetativo. 1. 1979. O florescimento natural do abacaxizeiro. Sanewski et al. 1986).

1997). maio/junho (88. 1984). ainda. No Havaí. Com relação à ocorrência da floração natural nas diversas regiões produtoras. em outras estações. 1993). onde tal problema é um dos mais importantes. a depender da região. em seguida a um re-envazamento ou transporte. (1986) relataram que a floração natural ocorreu em diferentes épocas do ano e por períodos prolongados. 13 12 11 0 30 25 o c 20 15 0 200 h 150 100 0 200 mm 150 100 50 0 h Comprimento do dia Temperatura média Máxima Média Mínima Insolação Chuva J F M A M J J 1980 A S O N D J F M A M J J 1981 A S O N D J F M A M J J A 1982 S O N D 40 Diferenciação floral natural PLANTIOS Janeiro 80 Abril 80 Novembro 80 Julho 81 30 % 20 10 0 J F M A M J J 1980 A S O N D J F M A M J J 1981 A S O N D J F M A M J J A 1982 S O N D Figura 1. em todos os meses do ano. enquanto que na Austrália.9%) e novembro/dezembro (77. Entretanto. apesar de todas as pesquisas efetuadas. a coroa mais tardia. ocorrendo inesperadamente. passou a ser uma prática comum (Bartholomew. Com relação à irrigação. as variações observadas em relação à floração são decorrentes das diferenças no teor de reservas nutricionais e no estado fisiológico dos vários tipos de mudas: o rebentão é mais precoce. 1983). em alguns anos. 1997). Dados climáticos de 1980 a 1982. atinge níveis de 50% a 70% (Scott. 1996). o florescimento natural é antecipado pelo aumento do tamanho da planta. estudando o efeito da irrigação no ciclo do abacaxizeiro 'Pérola'. Entretanto. 2009 61 . na medida em que a taxa de crescimento das plantas aumenta em resposta ao suprimento de água. Brazil (Fonte: Reinhardt. o florescimento precoce tem-se tornado bastante freqüente em todas as regiões produtoras. entre o final do outono e o início do inverno no ano seguinte ao do plantio. porém. os índices são bastante variáveis.4%). quando as condições ambientais estão mudando (de baixa para alta insolação) ou após um estresse de frio ou. Reinhardt et al. no México. v. tendo os rebentões de 700-800 g emitido as inflorescências bem mais cedo do que os de 300-400 g. No Brasil. não observaram influência alguma da época da última adubação sobre a eficiência da indução artificial da floração. um dos principais problemas não solucionados. 1970). Quanto ao material de plantio. tem sido observada. em áreas onde os períodos de seca são prolongados. A diferenciação natural do florescimento na cultura do abacaxi ocorre. Cruz das Almas. ainda.9%). maior uniformidade na colheita. mesmo em plantações instaladas para se evitar sua ocorrência. também. com tendência para concentração em meados do ano (Figura 1). Giacomelli et al. encurtando o ciclo da cultura em 22 dias. normalmente. permitindo. a indução natural tem-se tornado um problema ocasional desde quando a produção de frutos. a depender das condições climáticas esses índices podem alcançar 20% (Rebolledo-Martínez et al. Resultado semelhante foi observado por Almeida et al. (2000). UFRB. Diferenciação floral natural (%) em abacaxi 'Smooth Cayenne' relacionado a diferentes datas de plantio. Reinhardt & Cunha (1982a). Bahia.contribuir para inibir o florescimento (Py & Guyot. quando lâminas crescentes de água contribuíram para antecipar a floração e a frutificação. Esses aspectos levam à conclusão de que o florescimento natural do abacaxizeiro constitui. ainda. e o filhote tem comportamento intermediário (Reyes. registrando-se índices de até 80% (Barbosa. a floração torna-se imprevisível e irregular (Mekers & De Proft. inversamente. Bartholomew & Malézieux (1994) indicaram que.. observando-se. No Recôncavo Baiano. 1993). com picos nos meses de março/abril (49. entre 5% a 10%. em geral. (1984) observaram que a massa da muda influiu decisivamente no ciclo da planta. Condições ambientais favoráveis podem acelerar a taxa de crescimento dos rebentões ainda na planta-mãe. 1. Tópicos em Ciências Agrárias. 1997). a tal ponto que a incidência de floração natural precoce na safra seguinte pode atingir índices de 50%-70 % (Scott.

de 48. (2000). Outro produto que teve algum efeito inibidor da floração foi a tiouréia. A promoção do florescimento é praticada no abacaxizeiro e outras bromeliáceas. UFRB. o alto custo do único produto que apresentou algum efeito inibidor (o nitrato de prata) e o número de aplicações (até sete) tornam inviável seu uso prático na atualidade. Nesse sentido. resultante da maior competição entre elas. com intervalos de 15 dias. pois. menos suscetíveis à indução natural. d) ou. usando o mesmo ácido (100 mg L-1). o mesmo tendo sido observado em Aechmea victoriana (Mekers & De Proft. O etileno. ao menor ritmo de crescimento das plantas. na dose de dois litros do produto comercial por hectare. O primeiro produto usado na prevenção da floração em culturas comerciais foi a hidrazida maleica em cana de açúcar (cujo florescimento reduz drasticamente o rendimento). 2009 . Millar-Watt (1981) já tinha observado que o nitrato de prata a 1. 1994). a prevenção do florescimento pode ser efetivada de diversos modos: a) interrupção do período noturno com luz. Rebolledo-Martínez et al. c) efetuar um manejo adequado da cultura. 1981). a floração foi de 95%. portanto. 1990. Klee & Romano. (2000) estão produzindo abacaxizeiros transgênicos. na maior. 1983). que induz a floração natural. O mesmo aconteceu quando aplicado poucas horas antes da indução artificial com o etephon (Sanford & Bartholomew. b) aumento de temperatura. Na opinião de Bartholomew (1996). a floração natural precoce pode ser controlada ou ter seus efeitos minimizados adotando-se as seguintes medidas: a) plantar mudas que atinjam um porte adequado à floração antes ou no início da época favorável à diferenciação natural. em três aplicações. Scott (1993) conseguiu reduzir a ocorrência do florescimento precoce.2% para 28. Segundo Rebolledo-Martínez et al. d) corte do suprimento hídrico. talvez por atuar competitivamente. com o uso do ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico (50 mg L-1). aplicado três vezes com intervalos de 30 dias. e) aplicação de produtos químicos. existe a possibilidade de se induzir o florescimento ou de inibí-lo ou. posteriormente. se o mesmo estiver causando uma redução no benefício econômico. 1998). provavelmente.. existem diferenças varietais quanto a essa sensibilidade. pode-se minimizar o florescimento natural dando-se às plantas as melhores condições possíveis de crescimento e plantando-se apenas mudas pequenas e. retardá-lo.. a exemplo do pêssego. ameixa e cereja é benéfico por evitar perdas devido às geadas ocasionais de primavera. a fim de reduzir sua expressão e. Yuri et al. com o paclobutrazol (160 mg L-1). O ANA. com o objetivo de evitar o florescimento natural. enquanto que a inibição ou atraso da iniciação floral é realizada em muitas outras culturas.. reduziu a floração natural para 27%. 1986). amêndoa e algumas plantas floríferas. material contendo ACACS1 com orientação senso para inibir o gene da planta por mecanismos de supressão-senso. então. em altas concentrações e várias aplicações. os resultados não foram totalmente satisfatórios. obtido do meristema apical e ativado por condições ambientais. contra 57% na testemunha. a fim de tornar as plantas menos sensíveis aos fatores naturais. 1. 1994. que carregam cópias senso e antisenso do gene da ACCsintase. De acordo com esses autores. pêra. Em muitas culturas hortícolas. inibiu o florescimento do abacaxizeiro (Millar-Watt. enzima relacionada ao etileno e ao florescimento. v. o monuron. reduzindo o nível da auxina natural no meristema apical (Castro. c) poda de folhas e ramos. A floração natural tem causado muitos problemas à abacaxicultura na Martinica. conforme comentado anteriormente. relataram que a floração precoce foi inibida em 76% e 82% em plantios de abacaxi 'Smooth Cayenne' com 33 e 46 mil plantas ha -1. No caso do abacaxizeiro. Outro meio importante é o uso de plantas menos sensíveis aos estímulos naturais da floração. então.Controle da floração natural Nas culturas em geral.5%. onde essa é passível de ocorrer. Botella et al. as plantas mais jovens são mais sensíveis à inibição da floração. Lanahan et al. realizar o tratamento de indução artificial para antecipar-se aos estímulos dos fatores climáticos. 1994. nos tratamentos testemunhas. dessa forma inibindo a floração natural. e de 82%.000 mg L-1. apenas 5% a 13% de floração (induzida com carbureto de cálcio). O melhor resultado observado na maior densidade deveu-se. nas pesquisas conduzidas visando solucionar tal problema. o diuron e o diquat. Bowler & Chua. tem sido utilizado na cultura da cana de açúcar. dificultando a colheita e prejudicando a segunda safra. Trabalhos realizados com tomateiros transgênicos e mutantes demonstram essa possibilidade (Hamilton et al. Wang (1987) relatou que o atraso na floração em maçã. já foi obtido. tendo o ANA (400 mg L-1) proporcionado o melhor resultado. (1997). com este último conseguiu-se 100% de inibição da floração. o que tem sido conseguido com o uso da aminoetoxivinilglicina (AVG). 1981 e Sampaio et al. Estudos preliminares realizados por Cunha (1989b) mostraram a viabilidade do uso de reguladores vegetais na inibição do florescimento do abacaxizeiro. vindo. e de 55.5% para 8. b) usar mudas que ultrapassem a época de indução natural. inibidor da ACC sintase (envolvida na formação do etileno). suprimir a floração natural precoce. O objetivo desse trabalho é obter plantas que não produzam etileno induzidas por um choque térmico (frio).2%. (2002) clonaram um gene ACCsintase de abacaxi (ACACS1). respectivamente. na menor densidade. sob a forma do ácido 2-cloroetilfosfônico. sem terem atingido um porte suficiente para responder aos estímulos ambientais. 62 Tópicos em Ciências Agrárias. mas apresentou fitotoxidade. assim.

O paclobutrazol. um a dois meses após o tratamento. 1975. além de atrasar o crescimento das plantas. 2002). mas provocou algumas anomalias morfológicas nas plantas (torção da roseta foliar e formação de raízes adventícias nas folhas. com índices variando. o florescimento de abacaxizeiros dos grupos 'Smooth Cayenne' e 'Queen'. 2001. sugerindo a inibição da conversão do ACC a etileno.. Isso porque o abacaxizeiro responde muito bem a esse tipo de prática. De acordo com esses autores. quando tratadas com inibidores de crescimento. concluindo que o mecanismo pelo qual o ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico inibe o florescimento precisa ser mais pesquisado. O ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico demonstrou potencial de inibição. Bartholomew & Min (1996) observaram que o paclobutrazol e o uniconazole atrasaram ou inibiram o florescimento e inibiram a produção de etileno pelo tecido basal aclorofilado da folha. sendo os dois primeiros mais eficientes. (2000) afirmam que produtos à base do ácido 2(3-clorofenoxi) propiônico podem inibir. haja vista que os referidos produtos reduziram o comprimento da folha “D”. O tratamento artificial da floração apresenta vantagens tecnológicas e econômico-sociais. 1970. porém. com reflexos na produtividade de árvores frutíferas. Cunha et al. Min (1995) relacionou o efeito do ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico como inibidor da floração do abacaxizeiro.9% a 94. 2009 . podendo ser um dos fatores responsáveis pelo atraso na floração. Guyot & Py. do ácido 1-aminociclopropano-1-carboxílico (ACC. Taniguchi (1999) observou que o tebuconazole e o propaconazole. como inibidoras da floração. Cooke & Randall. na concentração de 100 mg L-1. A indução artificial do florescimento do abacaxizeiro apresenta as seguintes vantagens: a) maior eficiência no emprego dos fatores de produção. mais do que a uma interferência direta do ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico no processo de diferenciação floral. como uma auxina. (1989) observaram uma redução de 70% na produção de etileno em cevada e Brassica napus. o florescimento natural. permitindo maior eficiência no uso dos fatores de produção inerentes à cultura. Bondad. possivelmente. precursor imediato do etileno) e do ácido 1-(malonilamino) ciclopropano-1-carboxílico (MACC) em tecidos de plantas tratadas com o ácido 2(3-clorofenoxi) propiônico. em concentrações variando de 90 a 240 mg L-1.9% a 78. 63 Tópicos em Ciências Agrárias. com sucesso. com ação fungicida e eficientes no controle da Chalara paradoxa. Esses autores obtiveram inibições do florescimento de até 91%. os produtos uniconazole. 1968. por inibir a oxidação do kaurene a ácido kaurenóico. Scott (1993) atribuiu a inibição da floração do abacaxizeiro 'Smooth Cayenne' à redução da massa vegetal da planta. enquanto a uréia e o cloreto de mepiquat não tiveram efeito inibidor. Onaha et al. é devido à interrupção na síntese de giberelina. Tanto o ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico quanto o paclobutrazol. inibiram a floração natural do abacaxizeiro. Rabie et al. até 82. 1986.4% e de 67. c) fornecimento regular e constante de frutos para a indústria e mercado “in natura”. Sampaio et al. após cinco horas. formação de gemas.. paclobutrazol e o ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico inibiram. o autor observou um aumento da produção de etileno. inibindo. Esses produtos são ativos em baixa concentração e não são fitotóxicos. resulta no fim do crescimento vegetativo. favorecendo a produção de etileno pelo caule da planta. pelo menos em parte. de 90. reguladores de crescimento ou fitorreguladores. quando aplicado em junho. Grossman et al. de modo consistente. 1983).8% da floração em plantas de abacaxi 'Pérola'..Existem evidências de que o papel do paclobutrazol. v. Essa diminuição foi acompanhada pelo aumento ou pela manutenção de níveis constantes de ACC e MACC. 1. a inibição do crescimento vegetativo constituiu um efeito colateral de conseqüências ainda desconhecidas. (1998) observaram que o paclobutrazol foi o único produto a mostrar efeito significativo. inibiram de modo significativo a floração natural do abacaxizeiro 'Pérola'. o que é descrito por diversos autores (Dass et al.).5% (Cunha. Isso porque. à redução do crescimento vegetativo da planta. Estudando os efeitos do meio ambiente sobre o crescimento. Min (1995) é de opinião que o modo de atuação das auxinas. 1973. florescimento e frutificação do abacaxizeiro. Quando pulverizado sobre as folhas. a não ser uma pequena redução no crescimento do rebentão. A queda na taxa de giberelina no meristema sub-apical. Barbosa et al. a partir dos feixes vasculares). a parte mais ativa é a que se deposita na gema apical ou nos tecidos tenros situados logo abaixo da gema. respectivamente. devido. cuja translocação ocorre através do xilema (Lever. contribui para o desenvolvimento reprodutivo. contraditoriamente. ao fato do mesmo atuar. b) uniformização da frutificação e concentração da colheita. com redução de seu custo. produção e crescimento de frutos. inclusive uso racional da terra. há bastante tempo vem sendo amplamente usada. do grupo dos triazoles. via uréia foliar. provocando o desenvolvimento reprodutivo e a floração. analisando os teores de etileno. UFRB. sob condições controladas de cultivo (plantas em vasos). sem apresentar efeitos adversos na planta. (1997) relataram que a adubação nitrogenada complementar. quando aplicadas em altas concentrações. ainda não é conhecido. reduzindo o crescimento vegetativo e o alongamento do caule em várias plantas. não afetou a floração natural do abacaxizeiro. FLORAÇÃO ARTIFICIAL DO ABACAXIZEIRO Histórico e Vantagens A indução floral do abacaxizeiro com substâncias químicas.

Soler. No Brasil. Cooke & Randall (1968) recomendaram o etephon como agente da floração na cultura do abacaxi. 1993). admite-se que a floração do abacaxizeiro está muito relacionada a essa substância. apenas na década de 1920 descobriu-se que o agente da fumaça que provocava o florescimento era o gás etileno (C2H4). Burg & Burg (1966) não observaram etileno em abacaxizeiros cultivados em vasos. acetileno. A partir da década de 30. 2-cloroetilfosfônico (etephon) e. principalmente como estimulador do processo de maturação dos frutos. succínico. Segundo Botella et al. tais como auxinas e compostos similares (Dass et al. danos e deformações nos frutos (muito arredondados ou cônicos). 2009 . devido à maior atividade celular nessa área. o etileno é responsável pela floração natural do abacaxizeiro devido a que as baixas temperaturas estimulam sua biossíntese. apesar de sua eficiência poder ser modificada por alguns fatores externos. betanaftaleno acético (BNA). inicia uma série de reações. que a planta requer para iniciar a diferenciação floral e sua desuniformidade na plantação.. pelo maior número de frutos colhidos. regulada pela enzima ACC sintase. os mais comuns e que podem ser usados comercialmente são os ácidos alfanaftaleno acético (ANA). Randhawa et al. conforme sugerido por Py & Guyot (1970). controlando-se ou regulando-se o nível desse produto nos tecidos pela: 1) adição ou remoção. a produção de etileno é controlada pela concentração do ácido 1-aminociclopropano-1carboxílico (ACC). ao indicarem que a chuva e a temperatura alta podem exercer uma ação negativa sobre o referido produto. ainda. vários reguladores vegetais foram identificados como eficientes no desencadeamento do florescimento do abacaxizeiro. alguns problemas podem ocorrer em função da má aplicação dos indutores florais: frutos pequenos com coroas grandes. de acordo com as exigências do mercado consumidor. 2) pelo estímulo ou inibição da biossíntese do mesmo nos referidos tecidos. Bioquimicamente. Entretanto. Com base nessas descobertas e no reconhecimento do etileno como um importante regulador de crescimento das plantas.sem afetar a qualidade dos mesmos e em épocas mais favoráveis comercialmente. onde a absorção dos produtos é mais rápida. fazendo com que a colheita prolongue-se por até dez a 12 meses.. apenas alguns poucos são usados. pela atividade da enzima formadora de etileno ACCoxidase (Kende. assim. f) aumento do rendimento da cultura. o mais comum é o carbureto de cálcio (precursor do acetileno). e) controle do peso e tamanho do fruto. mas. Todos eles reduzem drasticamente o rendimento e a rentabilidade da cultura. nos Açores. então. mais precisamente na zona meristemática (Burg & Burg. e pela ACCsintase. haja vista o período relativamente dilatado. por sua vez. formando um complexo ativado que. o que torna o ápice caulinar mais sensível aos efeitos da auxina endógena. UFRB. tombamento de frutos. 2. o carbureto de cálcio (CaC2). que é o fator primário que limita a produção do ACC (Min & Bartholomew. 1970. g) melhor distribuição de mão de obra e facilidade na administração da propriedade. as respostas das plantas ao etileno podem ser modificadas. 3) modificando-se a ligação ou a quantidade do receptor com o qual ele interage. Desses.4-D). Desde então. os gases etileno (C2H4) e acetileno (C2H2). alongamento do pedúnculo. Antes de poder exercer sua ação. h) possibilidade de exploração de uma segunda safra ou soca (Cunha et al. com oito meses de idade. o modo de atuação do etileno nesses processos e na floração natural do abacaxizeiro e de outras bromeliáceas ainda não está plenamente conhecido. o que deve ter ocorrido por volta do século XIX (1885). (2000). ocasionando. um hidrocarboneto insaturado (Rodrigues. Nos anos 40. chegando-se à descoberta de diversas outras substâncias com essa capacidade de indução floral. pensa-se que o etileno liga-se a uma molécula receptora. o etileno tem de ser biossintetizado pela planta ou ser suprido exogenamente (Yang. Antecipar e uniformizar o florescimento do abacaxizeiro sempre foi um desafio para reduzir o custo de produção dessa cultura. d) facilidade no controle fitossanitário de determinadas pragas e doenças. 1932). Substâncias usadas e modos de atuação Após muitos anos de pesquisa. bem como o acetileno. a usar o ácido alfanaftaleno acético. Outros processos fisiológicos podem ser também influenciados pelo emprego de reguladores de crescimento. tendo sido uma descoberta casual. talvez por ser mais barato e de fácil manejo. Como em relação a outros hormônios. 1985). 1975. indolbutírico (AIB). 1. o etephon (precursor do etileno) teve seu uso bastante difundido. 1994). Entretanto. 1966). incluindo modificações na expressão de genes. carbureto de cálcio e etephon. passou-se a usar o etileno diretamente na indução floral do abacaxizeiro. Entretanto. Ainda segundo Yang (1987). 64 Tópicos em Ciências Agrárias. Porém. muitos trabalhos têm sido realizados. a partir da década de 1970. demonstrou-se que as auxinas também podiam causar o florescimento do abacaxizeiro.. Acredita-se que os reguladores vegetais atuam promovendo o aumento do teor de etileno no interior da planta. de mais de 15 meses. 1987). e 4) manipulando-se a expressão do gene dependente dele. v. uma ampla variedade de respostas fisiológicas. a exemplo do etileno. a hidroxietilhidrazina (HOH) e a betahidroxietilhidrazina (BOH). apesar de provocar muitas respostas fisiológicas nas plantas. A fumaça foi a primeira substância usada na indução artificial da floração na cultura do abacaxi.4diclorofenóxiacético (2. passando-se. redução do número de mudas por planta. fazendo a floração coincidir com períodos de menor potencial de inóculo. 1993).

CH2 . a alta temperatura ambiente pode ser a causa de falhas parciais ou totais da indução com o etephon. (b) ACCsintase. cujas concentrações requeridas são elevadas.Os passos da biossíntese do etileno são os seguintes: + NH3 ATP PP ii+ P + NH3 5 CH3 – S – 4 CH2– 3CH2 – Metionina 2 CH –1-COO (a) CH3 – +S – CH 2 – Ch2 – CH – COO CH O 2 Ade - OH (b) H 2C C H 2C COO(c) + OH S-Adenosil metionina NH3 CH 2 = CH2 Etileno Ácido 1-aminociclopropano-1-carboxílico [Enzimas envolvidas: (a) AdoMetsintetase. portanto. A absorção desse produto é bastante modificada pela temperatura e umidade relativa ambientais. desde que o pH do meio esteja acima de quatro (faixa alcalina). apesar de ativo. mas também a fatores internos (hormônios produzidos pela própria planta). que se transformou em inflorescência. na concentração e no tempo certos. como se observa em regiões e períodos de alta temperatura. (1993. independente da época de aplicação. Ainda segundo Turnbull et al. O mesmo se observa Tópicos em Ciências Agrárias. Foram observadas. 2009 65 . irradiância). Vê-se. que favorece ou provoca a floração.1995. ácido ascórbico. Cl . nem sempre a resposta à indução floral artificial causada pelo etephon é uniforme (Cunha 1989a).+ H3PO4 etileno + Ca(OH)2 . para que se proceda à indução do florescimento torna-se necessário apenas a aplicação de substâncias que alterem o nível do AIA nesse meristema. Dessa forma. 1. (1983) notaram aumentos no nível de etileno no ápice caulinar. As reações de liberação do etileno pelo ethephon e do acetileno pelo carbureto de cálcio são as seguintes: 1. No entanto. 1. citam-se as auxinas. Ahmed & Bora (1987) relataram que a floração do abacaxizeiro ocorreu em resposta ao aumento sequencial de metabólitos (açúcares. o qual deve permanecer numa determinada faixa durante algum tempo. UFRB. pois ele é estável em solução aquosa com valores baixos de pH (ácido). Turnbull et al.000 a 2. o etephon (ácido 2-cloroetilfosfônico) decompõe-se. Dentre esses. Das Biswas et al. Ao atingir os tecidos internos da planta. v. proteínas. com o uso de indutores da floração. principalmente quando aplicado no verão. Gowing (1961) assumiu que o efeito de auxinas sintéticas baseia-se no deslocamento da auxina endógena (AIA) dos seus locais de atividade no meristema apical da planta. principalmente a noturna (Min. mudanças estruturais no ápice do caule. (c) ACCoxidase]. é impedido de atuar in loco por inibidores fenólicos.CH2 . por determinar uma secagem rápida da solução na superfície das folhas. carbureto acetileno O etileno torna os tecidos do ápice vegetativo mais sensíveis à auxina endógena. principalmente o ácido indolacético (AIA). Segundo eles. O AIA. existe uma concentração ótima do AIA no meristema apical da planta. auxina endógena no abacaxizeiro. 1999). também. o que pode ser causado pela aplicação de alguns fitorreguladores.. ácidos nucléicos) na gema apical. pelo pH da solução indutora e pela superfície onde as gotas dessa solução são depositadas.PO3H2 + OHethephon 2. CaC2 + 2H2O C 2H 2 CH2 = CH2 + Cl. liberando etileno e íons clorato e fosfato. em dias muito quentes. 1999).000 mg L-1. temperatura. Burg & Burg (1966) usaram o abacaxizeiro para esclarecer algumas contradições aparentes da interação “auxina-etileno” como indutores da floração. que a floração do abacaxizeiro não está apenas relacionada a uma série de fatores externos (duração do dia. porém de modo mais pronunciado em junho e decrescendo até janeiro.

defronta-se com fatores que dificultam sua absorção. A maior taxa de liberação do etileno em solução aquosa ocorre na faixa de pH entre 5. Tais obstáculos exercem um papel de grande relevância. arrancando-se uma das folhas centrais da roseta foliar e observando-se a sua base. um intumescimento do meristema apical. Tal fato pode ser confirmado. com aumento do diâmetro da área meristemática. citam-se aqueles que afetam a concentração do produto antes da sua absorção pela planta. A resposta da planta ao uso de indutores florais é muito rápida. que cessa de produzir primórdios foliares. umidade relativa) na absorção. Esse fato foi comprovado num teste de indução precoce de mudas de diversos tamanhos (20 a 47 cm). local de aplicação e condições ambientais (temperatura. tais como o método de aplicação. 1970). Inicialmente. especialmente a barreira física das camadas cuticulares. a liberação do etephon aumenta linearmente até o pH 9. Dependendo das condições ambientais. que arrasta as gotículas antes de serem absorvidas pela planta. o vento. tendo sido observada uma gradação na suscetibilidade à floração. encontrando-se essencialmente nesse estado em pH 9. que estão.. já que o produto é tido como relativamente estável na presença da luz. ao se decompor. O primeiro sinal da transformação do meristema em primórdio floral é o aumento da atividade mitótica das células imediatamente abaixo da zona central ou parte mais apical (distal) do meristema vegetativo. translocação e decomposição do etileno na planta (Turnbull et al. devido ao aumento efêmero da eficiência do etephon. Nota-se. Entrando na corrente citoplasmática. A maior absorção do etileno pelo abacaxizeiro ocorre através da superfície inferior da folha. é sinal de que a floração já foi desencadeada. na fase seguinte. que interfere diretamente na interceptação do produto pela planta. como ocorre no estádio vegetativo.0. a resposta ao tratamento de indução artificial varia de acordo com o ambiente. que dilui ou arrasta a solução depositada sobre as folhas (Py & Guyot. a taxa de liberação quase duplicou com a elevação do valor do pH de 4. 66 Tópicos em Ciências Agrárias. notase o surgimento da inflorescência no centro da roseta foliar. López de Vélez & Cunha (1983) idealizaram uma curva hipotética de ação de coadjuvantes sobre a atuação do etephon. Diversos estudos têm demonstrado efeitos drásticos do pH da solução indutora. 1993). causando a decomposição cinética do produto. Lopez de Vélez & Cunha (1983) esquematizaram a influência desses diversos fatores (Figura 2). formando. com as mudas maiores sendo mais sensíveis (Cunha. seu vigor e taxa de crescimento.0. considerando-se a demanda por produtos oriundos de cultivo orgânico e de produção integrada de frutas. 1936). um maior tempo de contato do produto com a epiderme abaxial perto do ápice caulinar. deve-se considerar a importância que as modificações na sua concentração e a intensidade dos fatores que influenciam sua decomposição exercem sobre a ação indutora desse produto. Em solução. Os rebentões são induzidos à floração mais facilmente que os filhotes e as coroas. A velocidade de decomposição do etephon depende da fração que está na forma de dianion. porque o processo de absorção/diluição através da cutícula é bem mais importante que a penetração pelos ostíolos dos estômatos. Atualmente. cheios com vapor d'água ou gases.0. a temperatura alta. estão sendo procuradas novas alternativas de produtos para o tratamento de indução artificial da floração do abacaxizeiro. daí porque esses autores consideram importante que a aplicação do indutor seja dirigida ao centro da roseta foliar. na referida zona.quando a planta está em fase de crescimento ativo e rápido. na parte basal aclorofilada (Turnbull et al. água gelada e gelo. Pérola. também. apesar de que em menor escala. 1989b). a última fase é caracterizada por uma faixa de concentração em que a eficiência do referido produto quase não se altera com o uso de coadjuvantes (Figura 3). tendo sido demonstrado que aos quatro dias após a aplicação do produto já se pode observar o início da diferenciação. 2009 . os fatores que influenciam a velocidade de decomposição do etephon adquirem grande importância. UFRB.0 (valor máximo testado). Do mesmo modo como acontece no florescimento natural. então. torna-se praticamente dispensável o uso de coadjuvantes.. podem ser citadas a fumaça. assim. a segunda fase corresponde à faixa onde é possível influenciar a ação indutora com a elevação do pH e adição de uréia à solução. dentre os quais destaca-se o pH do citoplasma. a partir de 40-50 dias depois do tratamento de indução. Quando o produto entra em contato com as folhas. a chuva. v. enquanto no tecido.0 e 7. conforme comentado anteriormente. na qual a fase inicial indica concentrações que não conseguem desencadear o processo de diferenciação floral (talvez por serem muito baixas). Se estiver avermelhada. Com essa prática haverá o acúmulo da solução nas axilas das folhas.. 1966). libera etileno (Burg & Burg. celulósicas e cerosas e dos tricomas abundantes. 1. o tipo de muda. Levando-se em conta que a diferenciação floral do abacaxizeiro é uma resposta fisiológica à elevação do teor de etileno no meristema apical e que o etephon. Como exemplos. permitindo. por meio de um corte longitudinal do ápice caulinar. em geral.0 para 6. e a radiação solar. 1993). a inflorescência (Kerns et al. da cv. com perda do etileno.

0 g planta-1) em períodos chuvosos. 1. como em pulverização total da planta. Fatores que influenciam a absorção Floração Tricomas Cerosidade Cutícula Estômatos Perdas III. 2009 67 . 1974). Modos de aplicação dos indutores florais Os indutores florais diferem quanto ao modo de aplicação e eficiência. o que se observa com o tratamento de indução artificial em geral. Tópicos em Ciências Agrárias. 1983). enquanto que o ethephon. de uma solução preparada com base em uma mistura de 350-400 g de CaC2 por 100 litros de água fria e limpa) em épocas secas. Fatores que influenciam a decomposição pH Enzimas Temp. sendo que o carbureto de cálcio. 0. o CaC2 pode alcançar uma eficiência de 100 % (Singh & Rameshwar. o etileno e o BNA em pulverização sobre as plantas. ou líquida (30-50 mL planta-1. o ANA e o BOH tanto podem ser aplicados no centro da roseta foliar.5-1. o acetileno e o 2. Representação esquemática de fatores que influenciam a eficiência do ethephon como indutor floral do abacaxizeiro (Fonte: López de Vélez & Cunha. Das. O carbureto de cálcio (precursor do acetileno) pode ser aplicado sob a forma sólida (granulado ou pó. 1964). O ANA é mais eficiente quando aplicado próximo do período de diferenciação natural (Gowing. Fatores que influenciam a concentração Chuva Temperatura Vento Perdas Ethephon II. v. UFRB. 1961.I. Quando aplicado adequadamente. Ação do etileno Etileno Íon cloreto Decomposição Figura 2.4-D são aplicados no centro da roseta foliar.

Cunha & Reinhardt.5%0 a 1. 1986). Para facilitar a difusão desse gás na água e. 1981. viável apenas em plantios mecanizados. sob pressão. sendo preferido em plantios mecanizados por apresentar eficiência comprovada e pelos seus efeitos benéficos sobre a inflorescência.. o que resulta em mais de 90 % de eficiência na indução da floração. A maior eficiência observada nas aplicações noturnas pode ser o resultado de uma maior concentração do etileno nos tecidos da planta nessas condições e/ou melhor absorção do produto aplicado. assim. Modelo hipotético da ação de produtos coadjuvantes na performance do ethephon. pela assimilação de CO2 e abertura estomática predominantemente noturnas.000 litros) e a distribuição homogênea sobre as plantas muito importantes.0. o que corresponde a concentrações de até 4. qualidade do fruto e produção de mudas (Py & Silvy. É importante que os estômatos permaneçam abertos por um período de quatro a seis horas após a aplicação do indutor 68 Tópicos em Ciências Agrárias.000 Figura 3. O gás etileno também pode ser aplicado diretamente para induzir a floração do abacaxizeiro. sua eficiência.0%0) ou bentonita (1. 1982). a exemplo do CaCO3 (carbonato de cálcio). elevando o pH para 10. podendo ser carvão ativado (0. Na2(CO3) (carbonato de sódio) e Ca(OH)2 (hidróxido de cálcio). 2-3 kg 100-1 litros da solução. v. seu uso é restrito. recomenda-se adicionar um coadjuvante à solução.000 mgL-1. A diminuição da acidez da solução indutora para um pH 8. A quantidade de etileno indicada por Dericke (1974) é de 800 g ha-1 por aplicação. A adição de uréia (2%-3%). possibilitando o uso de menor quantidade do produto. sendo. do etileno proveniente de um cilindro apropriado.04 %) + uréia (2%) aumentou a porcentagem de florescimento e reduziu o tempo de emersão da inflorescência e de maturação do fruto do abacaxizeiro 'Kew'.100 Faixa de ação dos coadjuvantes Percentagem de indução floral 80 60 40 20 0 10 50 Concentração do ethephon (ppm) 4. o metabolismo ácido das crassuláceas (CAM).0 aumenta bastante sua eficiência. Abutiate.. para o que podem ser usadas algumas substâncias alcalinizantes. 1977. Porém. do qual o ethefon é precursor. Com relação ao ethephon. portanto. 1954). 1975. a concentração realmente recomendada é a de um a quatro litros do produto comercial para 1000 litros de água. 1983). obtida pela injeção. O ethephon a 25 mg L-1 + CaCO3 (0. 1975. Reinhardt & Cunha. A hora de aplicação do regulador vegetal é muito importante. portanto. caracterizado. UFRB. 1. Cunha (1989a) obteve ótimos resultados adicionando 35 g de Ca(OH)2 a 100 litros da solução. sendo o volume de água (6. 1983). pois. por tratar-se de uma substância gasosa e necessitar de equipamento específico para aplicação. em dias nublados (Aldrich & Nakasone. torna-se facilitada em meio alcalino (Dass et al. levandose em conta que o abacaxizeiro é uma planta que apresenta.000 a 8. Nesse caso. a liberação do etileno. aumenta ainda mais a eficiência da indução artificial (Fahl et al. a concentração recomendada pode ser reduzida para 25 a 100 mg L-1. ou então. como já foi visto. em um tanque contendo água fria. aplicando-se de 30 a 50 mL da solução por planta.0%). Essa operação consiste na pulverização total das plantas com uma solução saturada desse gás. das 20:00 às 05:00 horas da manhã. no processo de diferenciação floral do abacaxizeiro (Fonte: López de Vélez & Cunha. 2009 . alternativamente.0 ou 10. devendo ser efetuada preferentemente à noite. López de Vélez & Cunha.

a não ser ao encurtamento dos dias. Considerando que essas substâncias. após um prolongado período de seca ou durante uma fase de crescimento ativo da planta ou de altas temperaturas. o tratamento de indução floral pode ser efetuado quando o abacaxizeiro atingir sete a 15 meses após o plantio. a escolha do fitorregulador (indutor) e do método de aplicação. uma falha de aplicação ou uma irregularidade na resposta das plantas ao tratamento. Havendo. O tratamento de indução da floração do abacaxizeiro é. diz-se que após um determinado período do seu ciclo vegetativo. em trabalhos de melhoramento genético deve-se atentar para as progênies que tenham a capacidade de produzir frutos de valor comercial mesmo com uma pequena massa vegetal. Todavia. ou após um período muito seco alternado com um chuvoso. a não ser naqueles casos cuja finalidade é a uniformização do florescimento já iniciado e que. daí porque a maior eficiência quando a aplicação é feita na roseta foliar. do estado nutricional e estádio de crescimento alcançado pela planta quando da diferenciação floral. Por outro lado. 1979). apesar de Burg & Burg (1966) não terem encontrado correlação entre a produção de etileno e o tamanho da planta. geralmente com cinco a dez meses de antecedência. assim. o abacaxizeiro não responde de modo satisfatório à aplicação dos produtos florígenos. que é um possante inibidor do etileno. não dependem apenas da sua economicidade e praticidade. contribuindo. a depender da região ecológica (Cunha et al. Nessas situações pode-se usar os indutores com menores concentrações. 2009 69 . a não ser que chova até seis horas após sua aplicação. parece que a suscetibilidade do abacaxizeiro à indução floral está relacionada à condição fisiológica da planta e não apenas à sua idade cronológica ou tamanho (Min. sem o domínio dessa técnica cultural. a fim de que não ocorram alterações fisiológicas na planta ou prejudiquem a qualidade do fruto. A penetração dos produtos é mais rápida. CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE A FLORAÇÃO DO ABACAXIZEIRO Conforme se depreende pelo que foi apresentado. recomenda-se a repetição da indução individual das plantas que Tópicos em Ciências Agrárias. No entanto. mas também da sua eficiência. o mesmo valendo para o carbureto de cálcio. Sabendo-se que existe uma correlação positiva (linear) entre o tamanho/peso da planta e o peso do fruto para uma determinada região (Chan & Lee. que paralisa o crescimento da planta. Por outro lado. mas não têm efeito sobre a duração da fase reprodutiva. isso é. a segunda produção. também. UFRB. Segundo Chan & Lee (2000). essa repetição é desnecessária. assim. Dentre outros fatores. devido à pequena área foliar. caso pretenda-se explorar a soca. Turnbull et al. uma prática cultural imprescindível. Assim é que. 1995). a fim de obter-se uma maior eficiência. Afirma-se inclusive que. pois uma irregularidade na mesma pode trazer conseqüências danosas ao seu cultivo. quanto ao etephon. evitando-se dias quentes para se reduzir falhas na floração artificial. Isso porque. o que geralmente é feito dois a três dias subseqüentes à primeira aplicação. Geralmente. como é o caso do etileno e do ANA. devido à retomada de crescimento da planta (Bartholomew & Kadzimin. 1977). a exemplo de um estresse hídrico severo. especialmente. não devendo ser superior a 26-28 oC. a floração na cultura do abacaxi assume aspecto relevante. quando usadas como indutoras. muitos dos quais determinam o sucesso da indução artificial. por algum motivo. a depender da cultivar. 2000). a partir do final da tarde. ocorreu de modo irregular. apenas iniciam o processo de floração. o que prejudicará. 1. Porém. a indução floral artificial deve ser realizada antes da época provável ou favorável à floração natural. a alta temperatura diurna provoca uma descarboxilação intensa. Esses casos podem requerer uma maior dosagem dos produtos. próximo do ápice caulinar. Segundo Glennie (1979). Alguns produtos requerem a repetição da aplicação. (1993) recomendaram que as pulverizações com os indutores florais sejam feitas com alto volume. seria difícil pensar-se na exploração econômica dessa frutífera e que devido a esse fato é que os agricultores a cultivam. devido à sua maior atividade celular. Logicamente. do manejo da cultura e da região. 1994). também. pequenos frutos serão produzidos.(Glennie. muito importante. dificilmente o abacaxizeiro responderá aos estímulos do meio ambiente. elevando bastante o nível de CO2. a sua aplicação deve ser planejada de acordo com a época que se deseja efetuar a colheita.. sendo que do seu êxito depende a rentabilidade dessa cultura. v. Foi abordado o envolvimento de diversos fatores na floração do abacaxizeiro. para inibir a floração ou reduzir a eficiência da indução artificial. A temperatura ambiente durante a aplicação dos produtos é. sabe-se que uma planta em fase de crescimento ativo não responde satisfatoriamente ao tratamento de indução artificial. deve-se evitar o uso de doses muito elevadas dos reguladores vegetais. o mesmo ocorrendo quando as condições ambientais são adversas à floração. Outrossim. no entanto. o peso do fruto do abacaxizeiro depende. a indução de plantas pequenas ou imaturas pode reduzir consideravelmente o rendimento da cultura.

H.. 2.L.B. p. L. sendo citados o ANA e o ácido succínico.. Vol. da S. v. 273-278. 410-415. KADZIMIN. Baltimore. D. até uns dois meses após a primeira aplicação. In: SCHAEFFER.. X. J.. C. F. 1977... 2009 . NAKASONE. n. N.. Boca Ratoon: CRC Press. v. Boca Ratoon: CRC Press. REFERÊNCIAS ABUTIATE. Pineapple News. v... 5. de T. necessários. O tratamento da indução floral será mais eficiente se as aplicações forem efetuadas à noite. D. Merr. Honolulu. 70 Tópicos em Ciências Agrárias. BARTHOLOMEW. Sub-tropical and tropical crops. 1.P.. causando sérios prejuízos à cultura. v. Estudos nessa área estão se tornando. 21-23. como inibidores do florescimento do abacaxizeiro.M. p. In: ALVIM. Cultivar Smooth Cayenne in Ghana. v.I. Controle da floração natural do abacaxizeiro 'Pérola' com uréia e reguladores de crescimento. Honolulu. H. único. v.M. LEJEUNE. 2000. Effects of environment on the growth. n. BARTHOLOMEW. B. 1. E..113-156. ALMEIDA. p. no Recôncavo Baiano.S.P. S. 359-366. 1. The initiation of flowers. quando aplicados em concentrações altas. Fortaleza. BARTHOLOMEW.W. também. 1981a.M. 3. BARROS. Universidade Federal da Bahia. 1975. Environmental physiology of fruit crops. 243-291. haja vista o aumento freqüente da floração natural precoce nas diversas regiões produtoras de abacaxi no mundo. 1993. v.P.F. n. KOZLOWSKI. R. BORA. MIN. Revista Brasileira de Fruticultura. BARBOSA. 59 p.C. p. Cruz das Almas. The physiology of flowering. bem como o ácido 2-(3-clorofenoxi) propiônico e o paclobutrazol. Efeito de fitorreguladores e da adubação nitrogenada no controle do florescimento natural precoce do abacaxizeiro.. Indian Journal of Plant Physiology.. The Plant Cell. G. The effects of concentration and periods of day application of calcium carbide on the flower induction of Ananas comosus (L.C. ANDERSON. p.D. dez. Embrapa Agroindústria Tropical. Physico-chemical changes during flower bud differentiation in pineapple (Ananas comosus. 20. 1996. Pineapple.. T. Cruz das Almas. p. Day versus night application of calcium carbide for flower induction in pineapple. AHMED. p. 100. CALDAS.. G. de A. SACHS. L. REINHARDT. A. REINHARDT.). II. 1998. out. R. Holanda.não emitiram a inflorescência.. 1994. n.. alguns fitorreguladores atuam. cada vez mais. Fortaleza. . 14. BARBOSA. Chapter 9. HOUSSA. G.P.. 1987. W. BARTHOLOMEW. Resumos. 189-193. mar. O. 53.P..T. P. 4. da. Dissertação (Mestrado em Agronomia/Fitotecnia). Pineapple News. D. n. Influência da irrigação no ciclo do abacaxizeiro 'Pérola' em área de Tabuleiro Costeiro. PETITJEAN. N. 1977. 1996.L.. mar.G. 1997. P. D. jul.-M. BERNIER. New York: Academic Press. BERNIER. ALDRICH. p. A. 1-2. p. 30. 1147-1155. Vol. flowering. CUNHA. H. D. Natural flowering. Journal of American Society for Horticultural Science. and fruiting of pineapple.A. 16.) Merr. Acta Horticulturae. No entanto. P. W. MALÉZIEUX. UFRB. HAVELANGE. I. v. Physiological signals that induce flowering.Y. 2000. 2. 2. KINET. Ecophysiology of Tropical Crops. p. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. Pineapple. do mesmo modo que agem como estimulantes florais. P. SOUZA. n. P.

1. Cruz das Almas. 2005. Guaíba: Agropecuária. 59-62.C. BOWLER.. H. Efeito da época de plantio. p. 1994. CUNHA.S. D.R. de. G. CUNHA. Holanda. REINHARDT. 15. COSTA. n.A. SANCHES. mai. v. 3. na floração do abacaxi.A. C.I. da. Acta Horticulturae. 1994. Reguladores de crescimento na inibição da floração do abacaxizeiro cv.P. 97-105.L. A. mai.A. Tese (Doutorado em Agronomia/Fitotecnia).R. Acta Horticulturae.P. 2000. v. In: REUNIÃO TÉCNICA DE FISIOLOGISTAS DO SISTEMA COOPERATIVO DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. CUNHA. 1986. CASTRO.H.A.P. v. Holanda. yield. Y. N. 529.R. Brasília: Embrapa/SPI. leaf mass. Fitorreguladores. CUNHA. 120 p. p. fruiting and slip production of 'Smooth Cayenne' pineapple. D.P. 2000. Effect of ethephon on flowering.P. 1. v. R. 1966.H. 2. n. 1989b. D. ago. CALDAS. Cruz das Almas. G. REINHARDT. A.. P. dez. N. Eficiência do ethephon. CUNHA. CAZZONELLI. p. CHAN. 2001. 666. CABRAL. A. MAGISTRA. da.T. G.. jan. slip production and harvesting of 'Pérola' pineapple. .. VIEIRA. 2002. v. 14.R. 1986. J. 51-54.. n. 3. Embrapa-CNPMF. BURG. 1. Londres. Breeding for early fruiting in pineapple. 149-160. G.C.P. Nature. The Plant Cell. v.. mai. p.P.K. (Série Publicações Técnicas FRUPEX. 2009 71 . LEE. produção de mudas.A. N. CUNHA. n. 1973. Science. v. 132 p.BONDAD. Aplicações de reguladores vegetais na agricultura tropical. 11. 6.R. D. P. 152. Bélgica.C. p. 1968. Manila.R.F..R. da. CUNHA. G.A.. 1986.A. n. Revista Brasileira de Fruticultura. Cruz das Almas.139-143.A. 1529-1541.K. Philippines Geographic Journal. v. p. Hora de aplicação de fitorreguladores para a indução da floração do abacaxi. Alterações na massa foliar. 1993. REINHARDT. Fortaleza. n. jun..P. E. Teste preliminar sobre o controle da floração natural do abacaxizeiro. 3726. J. MATOS.R.H.P.H.A. p. 1989a. da S. COOKE. C. G. da. BURG. da. 529. 2001. 2-haloethanephosphonic acids as ethylene releasing agents for the induction of flowering in pineapples.P. Cruz das Almas. p. Emerging themes of plant signal transduction.A. 1. CASTRO. p. Abacaxi para exportação: aspectos técnicos da produção. & RANDALL. 43-50. G.H. CUNHA. 1269. UFC. G. S. BOTELLA. Acta Horticulturae. F. Pérola. Towards the production of transgenic pineapple to control flowering and ripening.. UFRB. 974-975. SOUZA. 218. CAVALLARO. L. 37-40. Revista Brasileira de Fisiologia Vegetal. em mistura com hidróxido de cálcio e uréia.C. rendimento e colheita do abacaxizeiro ‘Pérola’ causadas por reguladores de crescimento. v. n. 41 p.R. tamanho da muda e idade da planta na indução floral sobre o rendimento do abacaxizeiro 'Pérola' na Bahia. 8. Auxin-induced ethylene formation and its relation to flowering in the pineapple. REINHARDT. 11). p.S. da. E. Tópicos em Ciências Agrárias. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. 5145. CHUA. Brasília. 17. 1. Relationship among growth regulators and flowering. p.C. n. 12 p.C. p. D. Revista Brasileira de Fruticultura. 1-10.D. v. J. 115-120. da. n. 1986.I.

231-242. J. J. C. 1964. 3. Estudo sobre o ciclo natural do abacaxizeiro 'Cayenne' no planalto paulista.I. COLLINS.. Influência de ethephon com e sem uréia no florescimento de plantas de abacaxi (Ananas comosus. K. 6. FRIEND. H. Origin and growth of leaves and inflorescence. K. 1974. Campinas. LYCETT.S. O. v. American Journal of Botany. p. L. Fruits. jun. 49-52. a new growth regulator. GLENNIE. LYDON. KENDE. Queensland Journal of Agricultural and Animal Sciences. H. p. 1981. JUNG. EVANS. 483-493. G. The influence of growth-promoting substances on pineapples.. 134. p. 4. BOSE.P.L. SAUERBREY. 280-283. Paris. E. NEGI. n. v. Induction florale par l'éthylène chez l'ananas. 26. I. p. v. n. GROSSMANN.. Merril).. 284-287. jul. 1989.) Merr. A.. KIM.P. Acta Horticulturae.L. v. Investigation of pineapple fertilizing methods and flower induction. 283-307. 25. Campinas. v. GOWING. 3. Tropical Agriculture. Nature. C. A. n. D. Australian Horticultural Research Newsletter. 72 Tópicos em Ciências Agrárias. 2. UFRB. p. 1984. 346. n. Flower induction of pineapples. T. n..W. Journal of Plant Physiology. 3-8. Palo Alto. p. 35. n. Pretoria. R. Ethylene biosynthesis. Experiments on the photoperiodic response in pineapple. MITRA. v. v. 5. GIACOMELLI. p. 629-642. 1936.. D. v. Studies on the action of ANA on the flowering and fruiting of pineapple. p.. The effect of temperature on the flower induction of pineapples with ethephon. Botanical Gazette. Scientia Horticulturae. 2009 . p. SCHMITD. v. S. DHUA. Amsterdam.D. 6... 341347. H.DALLDORF. v. J. H. 231-38. 1979. DASS. L. mai.F. Effects of daylength on flowering. Flowering in pineapple as influenced by ethephon and its combinations with urea and calcium carbonate. PY. 137. Controlled flowering of pineapple with ethrel. dez. Fruits. Hamburgo.J. P.R. DAS BISWAS. Developmental studies of the pineapple Ananas comosus (L. 1969. 108-117. FRITSCH. H.. n..J. 1961.K.C. J. Paris. N.. 1970. 3. Bragantia. 36.C. 538-543.L. 43. C. 29.R.. J. n. 44. K. Journal of Indian Botanical Society. p. Physiological studies on flowering of pineapple in response to chemicals and environment. 140. v. M. HAUSER. CARELLI.. v. RANDHAWA. S. LOSSOIS. S. GUYOT. H. 1990. J. 50.. J. PY. C. DERICKE. p. 1. n. D. 3. v.C.. Farming in South Africa.. 34. n. 1993. 83-86. 1975.. p. 305-317. 2. p. Planta Daninha. Plant growth retardants as inhibitors of ethylene production..38-45.R. D.S. growth. 1979. J. 1959. JORGENSEN.. KERNS.B. 1979. 16-21. p.K. p. 1983. Merril) 'Cayenne'. 48. and CAM of pineapple (Ananas comosus.. 457-60. v. Antisense gene that inhibits synthesis of the hormone ethylene in transgenic plants. p. Annual Review of Plant Physiology and Plant Molecular Biology. FRANCO. FAHL. DAS. GRIERSON. n. New Phytologist. HAMILTON. p.

1970. BERNIER. 1994. Physiological effects of environmental factors and growth regulators on floral initiation and development of pineapple [Ananas comosus (L. Temperature affects ethylene metabolism and fruit initiation and size of pineapple. NORMAN. p. 13. 1968. ROMANO. 30. Tópicos em Ciências Agrárias. M. Boca Ratoon: CRC Press. X. 253-262.]. X. MIN. 3129-338. 111 p. nov. UFRB.P.. 49. Pesquisa Agropecuária Brasileira. p. n. Influência do pH e da uréia na ação do ácido 2-cloroetilfosfônico na indução floral do abacaxi. 1199-1205. Acta Horticulturae. Martinica. KINET.) Merr. 1983. Holanda. The ‘Never Ripe’ mutation blocks ethylene perception in tomato. MIN. da. Control of natural flowering in Smooth Cayenne pineapple. KLEE. v. Holanda. ONAHA. G. GUYOT. 25. 425. and genetic control of flowering.P.C. Fruits. p. 1997. La floraison contrôlée de l'ananas par l'éthrel. p.) Merr. F.) in Ghana. The Plant Cell. Effects of growth regulators on ethylene production and floral initiation of pineapple. p. The roles of phytohomones in development as studies in transgenic plants. Influence de la nature de rejet planté sur la floraison naturelle de l'ananas en Côte d'Ivoire. 217-224. D. 311-324. 1993. v.M. v.C.. mai. PY.. n.23. 1948. n.M. SACHS..A. 1975.J. p. p. Vol. Botanical Gazette. J. University of Hawaii. n. 217231. R. 15. III. YEN. MILLAR-WATT. v. M. v. 1983. DE PROFT. 6. X. Honolulu. n. Prevention of unwanted flowering of ornamental Bromeliaceae by growth regulating chemicals. Ananas comosus (L. BARTHOLOMEW. Brasília. 1986.. p. NAKASONE. H. Hamburgo. 1. Journal of Japanese Horticultural Science. p..P. MEKERS. G. Fruits. M. A. J. 1981.M. D. D. n. J.. abr. IKEMIYA. p 279-333. Acta Horticulturae.J. v. p. Critical Reviews in Plant Sciences. 2. The development of flowers.8. O.KINET. A. 1981.. B.J. 4. 110. nouveau régulateur de croissance. Anatomy and histology of the pineapple inflorescence and fruit. Tese (Doctor of Philosophy in Agronomy and Soil Science). A. C. J. Paris. Acta Horticulturae. n. Paris. chemical.) Merr. 459-466. 5. 1975. LEVER. 2009 73 . 280-285. Acta Horticulturae. Environmental.. p. OKIMOTO. MIN. CUNHA. Fruits. n. jul. 3. 334. Honolulu.P. Horticultural Reviews. H. 11. n. Subtropica. 17-19. p. out. The influence of flowering compounds on 'Sugarloaf' pineapple (Ananas comosus (L. KLEE. GIOVANNONI. LOPÉZ DE VÉLEZ. 137. 1983. 1993. C. 521-530. 101-112. H.J.J. Cultar A technical overview. LANAHAN.. LACOEUILHE. PY. p. 179. v. Acta Horticulturae. n.G. v. 2. BARTHOLOMEW. 1995.J. n. C. 52. The physiology of flowering.. J. v.403-413. v. 1994. dez. 18. Induction of flowering with oil-coated calcium carbide in pineapple.. 157-165. Contribution à l'étude du cycle de l'ananas.. p. H.J. n.M. 307-312.

A. 31-41. A. Influência da época de plantio.H.H.R.. p. da. 101-123. Effect of ethrel..P.A. 1982b.H. R.A. Efeitos do ethephon combinado com uréia na indução floral do abacaxizeiro. v. Merr. 379-395. D.A. 1932. REINHARDT. Indução floral do abacaxi cv.L. 529. Influência da época de plantio. 1971. tamanho da muda e idade da planta para a indução floral do abacaxi 'Smooth Cayenne' no Recôncavo Baiano. v. CHACKO. v. de N.. M.P. D. Universidade Federal do Ceará. G. 1984. K.C. 2000. RABIE. URIZA-AVILA. p. Journal of Agriculture University of Puerto Rico. C. Revista Brasileira de Fruticultura. E. 1982. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE AMERICANA DE CIÊNCIAS HORTÍCOLAS. dez. Acción de algunas hormonas sobre la floración y frutificación de la piña (Ananas comosus.R.. 4. A.P.A. 20. Cruz das Almas. D. G. H. n. Cv. Martinica. n.529. 175-184. v. L. Região Tropical. V.. Paris.C. 77p. DANILO-RIOS. 185-190. AGUIRRE-GUTIÉRREZ. L. Acta Horticulturae. p. n. v. TUSTIN..S. RAUL-SALAZAR. n. Holanda. REINHARDT. 2. produção de mudas e florescimento natural.R. 425. mai. REINHARDT. Revista Brasileira de Fruticultura. Cruz das Almas. n. Inhibition of natural flowering occurring during the winter months in 'Queen' pineapple in Kwazulu Natal. Traitements hormones sur ananas. Martinica. 19.C. v. Influência do nitrogênio e de épocas de plantio sobre o crescimento vegetativo e diferenciação floral natural do pineapple cv. tamanho da muda e idade da planta para a indução floral no abacaxi ‘Smooth Cayenne’ no Recôncavo Baiano. Fortaleza. E. Dissertação (Mestrado em Agronomia/Fitotecnia). n.C. WESSON. Revista Brasileira de Fruticultura. p. Méthodes pratiques pour diriger la production. p. 9. SAMPAIO. South Africa. A. REBOLLEDO-MARTÍNEZ.A. Revista ICA. A. C. p. Cayena Lisa. L. Floración prematura en piña Ananas comosus (L. 2000. REBOLLEDO-MARTÍNEZ.C.) Merr. 1970.) Current Science. COSTA . 1998. en dos tipos de material vegetativo en cinco fechas de plantación. 1. REBOLLEDO..C. D. 1954. 6. 41. 29-34. v. CUNHA. Ácido alfanaftaleno acético (ANA) no controle da diferenciação floral natural do abacaxizeiro cv. HERNANDES.E.J.H. UFRB.A. NAA and NAD on the induction of flowering in pineapple (Ananas comosus. 1997. p... p. F.G.. 1982a. CUNHA. da. 254-258. Smooth Cayenne. mar. A. REINHARDT. 7-14. n. 16. Fruits.. 4.K. URIZA-ÁVILA. 74 Tópicos em Ciências Agrárias. Fruits. Acta Horticulturae. SILVY. 5-6. Inhibición de la floración de la piña con diferentes dosis de Fruitone CPA a dos densidades de siembra. G. p. 3. n. p. Acta Horticulturae. DASS. Campinas. 39. en Loma Bonita. n. RANDHAWA. único. mai. D.T. Holanda. dez. CUNHA. SAMPAIO. p. 2009 ... n.T. Smooth Cayenne. Smoke and ethylene and pineapple flowering. Acta Horticulturae. A. G.R.C. ago.C.R. FUMIS. 530-531. Crescimento vegetativo... J.PY. H. Bogotá.. Paris. 425. C. 1997. 23. p.. RODRIGUES. p. Cruz das Almas. 1986. v. Pérola em função da época da última adubação. 25. I.).P. 347-354. REYES. de T. Rates of Fruitone CPA in different applications number during day versus night to flowering inhibition in pineapple. v. jan. 353-358. 169-177. dez. CUNHA. 1. D. v. 29.. CUNHA. 1997. da. J. n. Oaxaca.J. 3.

PAUL. 201. 53-59. p. Abstracts.. ANDERSON. 1945. BARTHOLOMEW.. n. CRUZADO. G.N. Indian Journal of Horticulture. C. LANHAM. Routes of ethephon uptake in pineapple (Ananas comosus) and reasons for failure of flower induction. C.. nov. DAHLER.L. In: FOURTH INTERNATIONAL PINEAPPLE SYMPOSIUM. Maryland. 145-152. p. D. v. 1999. Thailand. abr.G. 281-285.Y. VAN OVERBEECK. 334. Ethephon and causes of flowering failure in pineapple. 40. 28. n. Regulation of biosynthesis and action of ethylene. 2002. Fruits. 18. 442.. Tópicos em Ciências Agrárias.J. O.. SHORTER..P. J. fev. p. 699-704. 1993. p. UFRB. n.. 31. T. p. H. v. 621. p. jun.G. J. único. out. Induction florale de l'ananas par voie solide: le clathrate d'éthyléne. 1973.J. 201.P..334. E. A... A. M. p. n. v. 27. 1. n. 1987.N. Cayenne lisse). v. W.SANEWSKI. 1981. Développement et croissance de l'inflorescence d'Ananas comosus (Cv. Science. HortScience.J. SINCLAIR. S. SOLER. 2009 75 . A. Paris. E. p. Note on flower formation in the pineapple induced by low night temperatures. SINGH. Holanda. out. Honolulu. único. n. ISHS/INIFAP. n. p. SINCLAIR. SANFORD. RAMESHWAR. p. Veracruz. 433-439. 11.. G. JOBIN-DECOR. v. out. 1985. 157-159. YURI. Acta Horticulturae.L. v. 1998. p.R. 5. 72. New York. E. 83-88. 2002. 57. p. T. TURNBULL. Holanda. The effect of two plant growth regulators on the inhibition of precocius fruting in pineapple. 6. 1993.H. 187-194. mai.. Acta Horticulturae.4-D and naphtaleneacetic.G. Studies into the effects of temperature on natural flowering of Smooth Cayenne pineapple in Southeast Queensland. 2. In: THIRD INTERNATIONAL PINEAPPLE SYMPOSIUM. SCOTT. A.R. Fruits. SINCLAIR.M.. Paris. Thailand.J. 10. abr. TEISSON.. Pineapple News. J. 1948. Étude sur la floraison naturelle de l'ananas en Côte d'Ivoire. Flower formation in the pineapple plant as controlled by 2. G. NISSEN.. v. v. Honolulu. TEISSON. 1974. Effects of silver and cobalt ions on floral induction of pineapple by ethephon. Efficacy of calcium carbide in inducing flowering in pineapple in Malnad area of South India. p. SHORTER. p.F. K. p. 1998. 77-82. Use of ethylene biosynthesis inhibitors in horticulture. v. Effet of tebuconazole on natural flower induction. v. 23. H. YANG. Plant Physiology. Acta Horticulturae. VAN OVERBEECK. ANDERSON. 1987. R.J. ISHS. 6.. Acta Horticulturae. Honolulu. R. C. Paris. 102.E. EBE... F. K.. 321-325. n. n. México. TANIGUCHI. 16... BOTELLA. 1972.. C. Veracruz.. Fruits. Control of flowering in pineapple via genetic engineering. NEAL. Journal of Plant Growth Regulation. TURNBULL. 1999. n.. G. Abstracts. NISSEN. C.. C. WANG.

CAPÍTULO 6 PRODUTIVIDADE VEGETAL: PRINCIPAIS FATORES Elvis Lima Vieira Tópicos em Ciências Agrárias .

1995). sendo expressa com referência à área de solo coberta. ou um ano. a produção primária líquida menos o consumo heterotrófico) durante o período em consideração. Larcher (1995) apresenta uma relação entre a fotossíntese (Fs) e a transpiração (Tr) de uma planta. geralmente a estação de crescimento. Pode variar com a população de plantas. 1920). incluindo a matéria orgânica usada na respiração durante o período de medição. o IAF descreve a dimensão do sistema assimilador de uma comunidade vegetal. Segundo Ferri (1985). é a taxa global de fotossíntese. Define-se como produtividade secundária. Produtividade primária de um sistema ecológico é definida como a taxa na qual a energia radiante é convertida. convertendo-os em diversos tecidos (Odum. A taxa de armazenamento de matéria orgânica nos tecidos vegetais.0 (Larcher. é a quantidade de matéria seca formada pela vegetação em uma dada área. distribuição de plantas e variedades. como a taxa de assimilação líquida (TAL). de uma comunidade ou de qualquer parte deles. durante sua passagem através do dossel de folhas. que relaciona a massa da matéria seca da fração econômica de uma cultura (grãos. O termo produtividade refere-se ao incremento em biomassa. mantendo um balanço positivo de trocas gasosas. A produtividade primária bruta. A TAL representa a taxa de incremento de massa de matéria seca (W) por unidade de área foliar (L) existente em uma planta. O IAF funciona como indicador da superfície disponível para interceptação e absorção de luz. Esta eficiência de conversão é determinada pelo genótipo e pelo ambiente (Pereira & Machado. também chamada de “fotossíntese total” ou “assimilação total”. 1. plantas verdes). e quanto mais longo for o período de assimilação. Ambientais e Biológicas/UFRB. expresso relativamente ao uso respiratório pelas plantas durante o período de medição. e geralmente encontra-se entre os valores 2. e representa a capacidade que a planta ou comunidade vegetal tem em explorar o espaço disponível (Pereira & Machado. as taxas de armazenamento energético em níveis de consumidores.br INTRODUÇÃO A fotossíntese é o processo responsável pelo fornecimento da energia necessária ao crescimento e desenvolvimento da planta. 2000). Esta depende diretamente do índice de área foliar (IAF). organismo ou população (Hopkins. pela atividade fotossintética e quimiossintética de organismos produtores (na maior parte. O IAF é ótimo para a produção quando a radiação fotossinteticamente ativa (RFA: 400 a 700 nm) é absorvida. seja de um sistema ecológico. Estes só utilizam materiais alimentares já produzidos. de magnitude menor. que designa de uso eficiente da água de fotossíntese (UEAFS). 2009 . o qual difere do usual ou econômico. frutos). Cruz das Almas-BA. que é a matéria seca contida em um órgão. sendo o principal fator a determinar a produtividade de uma cultura. em toneladas de matéria orgânica seca por hectare (t ha-1) ou (g m-2). em substâncias orgânicas. e pode ser representada da seguinte forma: UEAFS = Fs / Tr ( m mol CO2 m-2 s-1 / mmol H2O m-2 s-1) 79 Tópicos em Ciências Agrárias. O balanço entre o material produzido pela fotossíntese e aquele perdido pela respiração é definido por Pereira & Machado (1987). A TAL é um indicador da eficiência de uma planta na produção de matéria seca. UFRB. 1988). aumentam exponencialmente (Briggs et al. E-mail: elvieira@ufrb. 1987). quanto mais completa for a absorção de luz.edu. PP é maior quanto mais altas as taxas de assimilação das espécies que compõem a comunidade. Segundo Hall & Coombs (1989). designada também de “fotossíntese aparente” ou “assimilação líquida”. assumindo que tanto L como W.0 e 8. o produto fotossintético total produzido pode ser chamado de rendimento biológico verdadeiro. O rendimento pode ser definido como a relação da quantidade de material produzido pelas plantas num determinado intervalo de tempo (geralmente um ano de colheita) por área de terreno utilizado..PRODUTIVIDADE VEGETAL: PRINCIPAIS FATORES Elvis Lima Vieira Professor . tão completamente quanto possível. A eficiência de conversão de produtos sintetizados em material de importância econômica pode ser avaliada através do IC . raízes. v. A fração utilizada é conhecida como índice de colheita (IC). 1987). que foi definido por Watson (1952). com a fitomassa seca total colhida. como a área foliar por unidade de área de terreno. Para Larcher (1986). A produtividade líquida da comunidade é a taxa de armazenamento de matéria orgânica não utilizada pelos heterótrofos (ou seja.Centro de Ciências Agrárias. é definida como produtividade primária líquida. a produção da comunidade ou produção primária (PP).

através da regulação do processo fotossintético. Segundo Hopkins (1995). v. a concentração de CO2 do ar é bastante constante e relativamente baixa (0. até chegar e ser reduzido no interior do cloroplasto. reduzindo a taxa de fotorrespiração. No campo. Pelo contrário. podendo ser representada da seguinte forma: UERFS = energia química estocada x 100 energia radiante absorvida As taxas fotossintéticas não são amplificadas somente por aumentos nos níveis de irradiância. exercendo também influência direta sobre o crescimento. 1. De maneira geral. Este aspecto é bem mais importante para as plantas C3 do que para as plantas C4. Segundo Larcher (1995) e Larcher (2000) a eficiência da conversão de energia radiante solar em energia química. produzem grandes quantidades de matéria seca e são mais vigorosas. Suas folhas possuem várias camadas de células no mesófilo paliçadico e as células apresentam abundantes cloroplastos. maior eficácia na síntese de proteínas e baixa taxa respiratória e de intercâmbio hídrico. temperatura. Apresenta outra relação. água. 2) fotocibernéticos (fotoestimulantes ou fotoinibidores de rotas metabólicas. Em condições naturais. disponibilidade de CO2. mas também por maiores concentrações de CO2. Além disso alcançam maiores valores de fotossíntese líquida em comparação às plantas C3. Em termos ecológicos. as plantas de sombra exibem uma menor produção de matéria seca. causando fotooxidações de pigmentos do cloroplasto e radiações ultravioletas alterando os ácidos nucléicos. como por exemplo no fenômeno do estiolamento de plantas e nos fototropismos. fornece mais informações do que as taxas instantâneas de trocas gasosas. e o consumo de água refere-se à evapotranspiração total. é definida como o uso eficiente de radiação pela fotossíntese (UERFS). 1995). Existe uma interação entre os níveis de CO2 do ambiente e a luz. a produção de matéria seca orgânica refere-se a área do estande. neste ponto a fotossíntese líquida (FL) é nula [FL = FB (R + FR)]. na concentração de CO2 atmosférico. 1995). Geralmente as plantas C4 não apresentam o processo de fotorrespiração mensurável e não sofrem saturação lumínica. a energia absorvida na forma de fótons pelos vegetais pode produzir basicamente três efeitos: 1) fotoenergéticos (fotossíntese. enzimas. Em plantas C3. O CO2 atmosférico tem que cruzar um longo e complicado caminho. pela fotossíntese. quando em condição de máxima irradiância solar (Martinez. das condições ambientais e das características funcionais e estruturais das plantas. Segundo Martinez (1995). fototropismos. Esta relação depende principalmente dos gradientes de concentração de CO2 e vapor d'água. os vegetais expostos a maiores níveis de irradiância desenvolvem um eficaz sistema axial para condução da água. incrementos na taxa fotossintética são conseguidos por aumentos nos níveis de CO2 por dois motivos: incremento na quantidade de substrato para a carboxilação pela enzima rubisco e.O UEAFS expressa qualitativamente e instantaneamente as trocas gasosas (CO2 e vapor d'água) que ocorrem na folha . definida pela razão entre a produção de matéria orgânica seca e o consumo de água: UEAP = produção de matéria orgânica seca consumo de água (g MS kg-1 H2O) A produção de matéria seca e a quantidade de água consumida podem ter como referência uma única planta ou um estande de plantas. Salisbury & Ross (1994) definem como ponto de saturação lumínica. Para valores de irradiância acima deste ponto. etc.) e 3) fotodestrutivos (altas irradiâncias da RFA). que indica a percentagem de energia radiante absorvida. fotoconversões e fotooxidações). agricultural e florestal. fixada na forma de ligações químicas. O ponto de compensação de CO2 é atingido quando.035% em volume ou 350 mL L-1). O ponto de compensação lumínico se incrementa à medida que se aumenta a concentração de CO2. Larcher (1995) propõe que a relação entre a produção de matéria seca e o consumo de água. que apresentam este processo e normalmente se saturam com a luz natural (500 a 1000 mol m-2 s-1). ao longo do qual se encontra com distintas resistências. o nível de irradiância no qual a fotossíntese bruta (FB) está em equilíbrio com a respiração (R) e com a fotorrespiração (FR). a fixação fotossintética bruta está equilibrada com a 80 Tópicos em Ciências Agrárias. UFRB. os principais fatores que afetam a produtividade das plantas são: a variedade genética e os fatores ambientais (luz. em determinado período de crescimento de um vegetal. fotomorfogêneses etc. chamada de o uso eficiente da água de produtividade (UEAP). pela conversão de dióxido de carbono em compostos orgânicos. a fotossíntese líquida será sempre positiva. proteínas. 2009 . que possuem um mecanismo interno de concentração de CO2 em união ao fenômeno de insaturação lumínica. Neste último caso (uso eficiente da água de produtividade).). através da competição com o oxigênio. o UEAFS também é afetado pelas condições climáticas. em especial quando os estômatos estão parcialmente fechados (Hopkins. A luz interfere sobre o processo de crescimento de forma indireta. nutrientes e a estrutura do dossel).

perda de CO2 através da respiração e da fotorrespiração. Neste ponto, a fotossíntese líquida é aparentemente igual a zero. Logo, o processo fotossintético não poderá se beneficiar de incrementos nos níveis de CO2 se não superar este limite (ponto de compensação). De maneira geral, as plantas C3 possuem um ponto de compensação de CO2 mais alto (35 a 45 mmol mol-1) do que as plantas C4 (0 a 5 mmol mol-1) (Taiz & Zeiger, 2004). Hopkins (1995) apresenta um modelo que descreve a limitação da taxa fotossintética em função da concentração de CO2. Em baixas concentrações de CO2, a fotossíntese é limitada pela baixa capacidade de carboxilação de enzima rubisco. Em altas concentrações de CO2, as taxas fotossintéticas são limitadas pela taxa de regeneração do aceptor molecular, a ribulose-1,5-difosfato. Tradicionalmente, a produtividade das plantas tem sido avaliada pelas mudanças no seu peso, medido pela colheita de amostras a intervalos de dias, semanas ou meses. No entanto, a medição da taxa de troca de CO2 nos permite uma avaliação instantânea da produtividade minuto a minuto, caso seja requerido (Hall & Coombs, 1989). O crescimento vegetal é estimulado pela temperatura até certo limite, a partir do qual começa a atuar como fator de inibição. O papel regulador da temperatura sobre o crescimento se realiza através da regulação de enzimas que catalisam as reações que direta ou indiretamente interferem em todos os processos metabólicos e fisiológicos (germinação, respiração, transpiração, fotossíntese, fotorrespiração, translocação, absorção de água e nutrientes, floração, frutificação e senescência). Hopkins (1995) relata que a temperatura pode ser caracterizada por três pontos: o de mínimo (Tmin), o de máximo (Tmax) e o ótimo (Tótima) onde as reações se processam. A temperatura afeta fundamentalmente os processos químicos, mais que os físicos. A fotossíntese, a respiração e a fotorrespiração são afetadas de maneiras diferentes pela temperatura, pois as temperaturas ótimas diurnas afetam a produção (fotossíntese, fotorrespiração e respiração) e as temperaturas noturnas influenciam somente na respiração. De maneira geral, não existem taxas apreciáveis de fotossíntese à 0º C, a não ser aqueles detectados abaixo desta temperatura, em alguns liquens , plantas alpinas, espécies de tundra etc., porém não é um fenômeno habitual. A atividade das enzimas de carboxilação das plantas C4 (PEPcarboxilase) e da plantas C3 (Rubisco), apresentam pontos ótimos de atividade diferentes, 30º C e 25º C, respectivamente. Outro efeito marcante da temperatura ocorre sobre o processo transpiratório das plantas, que está relacionado diretamente com a fotossíntese (trocas gasosas), a temperatura foliar e com o estabelecimento de uma tensão hídrica na planta (Martinez, 1995). A água participa diretamente do processo de crescimento das plantas de diversas formas, como por exemplo: é o principal constituinte do protoplasma, participa diretamente de numerosas reações químicas (fotossíntese e respiração), praticamente todos os compostos orgânicos são solúveis em água, favorece o transporte de nutrientes e fotoassimilados dentro da planta, responsável pela turgescência celular, sem a qual não ocorrem as trocas gasosas e, é responsável pela estabilidade térmica do material vivo celular, favorecendo a manutenção das atividades bioquímicas do vegetal (Sutcliffe, 1980). Qualquer redução no potencial hídrico da planta afeta instantaneamente a abertura estomática, podendo induzir o fechamento estomático, causando diminuição das trocas gasosas e, consequentemente, reduzindo a fotossíntese. A taxa fossintética declina sob condições de estresse hídrico, e em caso de severo estresse hídrico, esta pode ser completamente anulada. De maneira geral, em condição de estresse hídrico, a redução na produtividade das plantas C3 é maior do que nas plantas C4. As plantas C4 apresentam algumas vantagens sobre as plantas C3, com relação à fotossíntese e estresse hídrico, por que elas são mais eficientes no uso da água. As plantas C3, C4 e MAC (metabolismo Ácido das Crassuláceas), apresentam diferentes aspectos em relação à fisiologia, bioquímica, botânica e ecologia, que afetam significativamente a capacidade produtiva destas plantas (Tabela 1). Os nutrientes minerais possuem uma extraordinária importância no crescimento e no desenvolvimento dos vegetais, desempenhando diversas funções como por exemplo: estrutural, constituinte de enzimas, ativador enzimático, regulador do pH citossólico, regulador da permeabilidade celular e na manutenção da neutralidade eletrostática intracelular (Malavolta et al., 1997). A nutrição mineral manifesta determinadas influências sobre a fotossíntese e interfere sobre todos os níveis de nitrogênio, cuja deficiência determina uma diminuição evidente nas taxas de fotossíntese, ou seja, na produtividade primária, devido à redução nas taxas de síntese protéica, particularmente da rubisco e dos elementos transportadores das cadeias eletrônicas (Hopkins, 1995). O potássio também interfere decisivamente na assimilação de CO2, afetando o mecanismo de abertura e fechamento estomático, a atividade de muitas enzimas e, em particular, a mobilização de proteínas e carboidratos. O cloro é indispensável para a fotólise da água e o sódio é essencial para a fotossíntese de algumas plantas C4. O ferro é necessário ao metabolismo das clorofilas e das proteínas férricas do transporte eletrônico. O magnésio afeta a síntese de clorofilas, a ativação de numerosas enzimas fotossintéticas e participa também da fotólise da água no fotosistema II (Martinez, 1995). A máxima possibilidade fotossintética conseguida por uma folha é conhecida de capacidade fotossintética foliar, sendo determinada através da taxa de fotossíntese por unidade de área foliar sob condições de saturação de luz incidente, concentrações normais de CO2 (0,003%) e O2 (21%), ótimo de temperatura e alta umidade relativa. A
Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

81

capacidade fotossintética foliar é altíssima em plantas adaptadas a ambientes rico em recursos onde luz, água e nutrientes são abundantes. A redução da fotossíntese é uma conseqüência de deficiência de praticamente todos os elementos essenciais, mas a capacidade fotossintética foliar é particularmente sensível ao suprimento de nitrogênio. Como constituinte básico da molécula de clorofila, participante de reações de redox no transporte de elétrons e envolvido com todas as enzimas do metabolismo do carbono, o nitrogênio assume um papel crítico na produtividade primária dos vegetais (Hopkins, 1995). De maneira geral, ótimas taxas fotossintéticas são coincidentes com uma nutrição mineral equilibrada e de concentrações ótimas. A produtividade primária líquida de um estande de plantas é notadamente influenciada pela estrutura do dossel. Esta estrutura é alterada pela idade, morfologia, pelo ângulo e espaçamento individual entre folhas. A capacidade fotossintética de uma folha declina com a senescência. Esta deterioração progressiva da folha é caracterizada, em parte, pela redução de clorofilas e da atividade das enzimas ligadas ao processo fotossintético. Muitas plantas herbáceas apresentam uma seqüência na senescência foliar. Quando as folhas mais velhas do dossel estão senescentes, as folhas novas estão em formação no topo do dossel. A arquitetura do dossel é muito importante quando se considera a produção agrícola e os ecossistemas naturais, pois esta determina como a luz será eficientemente absorvida. Altas produtividades dependem em parte da extensão de área de solo que é coberta com superfície fotossintetizante, porque a luz solar exposta ao solo não contribui para a produtividade. Estas relações são avaliadas através do IAF (Hopkins, 1995). Hall & Combs (1989) apresentam de forma resumida (Figura 1) a seqüência lógica a ser observada para resolução dos problemas referentes às etapas limitantes da eficiência do processo energético luminoso na conversão de um determinado cultivo em biomassa. No entanto, alertam que, mesmo antes de buscar tais respostas, deve-se primeiro verificar se é possível definir as melhores condições ambientais e de produtividade das plantas. Tabela 1. Comparação entre plantas C3, C4 e MAC quanto aos aspectos que influenciam na produtividade vegetal.
CLASSES DE PLANTAS

C3
PARÂMETROS

C4 Mesófilo Foliar, presença de Bainha Vascular (BV), com cloroplasto (Anatomia Kranz) Mesófilo granal e Bainha Vascular granal ou agranal Cerca de 4 : 1 1:5:2

MAC Mesófilo foliar, ausência de Bainha Vascular, células com grandes vacúlos. Granal <3:1 Na luz 1 : 3 : 2 No escuro 1 : 5 : 2 Nas intensidades intermediárias e altas. Inferior às plantas C4 Assimilação de CO2 noturna Na luz: RuDP No escuro: PEP PGA à luz Malato no escuro Rubisco na luz PEPcase: no escuro
Rubisco: luz PEPcase: escuro Rubisco/cloroplasto PEPcase/citoplasma continua...

01

ANATOMIA FOLIAR

Mesófilo Foliar (MF), ausência de Bainha Vascular, com cloroplasto - Parenquimático Granal Cerca de 3 : 1 1:3:2

02 03 04

CLOROPLASTOS CLOROFILA a / b RELAÇÃO CO2 : ATP : NADPH+ SATURAÇÃO DE LUZ DA FOTOSSÍNTESE

05

Há intensidade intermediárias ~1/3 Não satura a altas intensidades (50 - 150 Wm-2) (+ 500 Wm-2) (500 - 1000 m mol m2 s-1) -1 (2000 mmol quanta m-2 s-1) -2 (600 a 800 m mol quanta m s ) 30°C : 18,9 20°C : 15,4 20 ou 30°C gramíneas = 15,9 dicotiledôneas = 17,5 Fosfoenolpiruvato (PEP) Ácidos C4 - (AOA) (Malato ou Aspartato) PEP carboxilase (PEPcase)

06

EFICIÊNCIA QUÂNTICA (mol quanta/mol CO2

07 ACEPTOR PRIMÁRIO DE CO2 atm. 08 PRIMEIRO PRODUTO ESTÁVEL DA FOTOSSÍNTESE ENZIMA PRIMÁRIA DE CARBOXILAÇÃO
Km DA ENZIMA DE CARBOXILAÇÃO LOCALIZAÇÃO DA ENZIMA DE CARBOXILAÇÃO

Ribulose 1,5 difosfato (RuDP) Ácidos C3 Ácido 3 - fosfoglicérico (PGA) RuDP carbosilase/oxigenase Rubisco* Carboxidismutase
Rubisco (@20 m MCO2) 20mM CO2 Rubisco - cloroplasto (MF)

09

10

PEPcase (@5 m MCO2) 100 a 160 mM HCO-3 PEPcase: - citoplasma (MF) Rubisco - cloroplasto (BV)

11

82

Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

... continuação
CLASSES DE PLANTAS

C3
PARÂMETROS

C4

MAC CO2: luz HCO 3: escuro Sem referência

12 13

SUBSTRATO DA CARBOXILAÇÃO TEMPERATURA ÓTIMA/ENZIMA TEMPERATURA ÓTIMA PARA FOTOSSÍNTESE ABERTURA ESTOMÁTICA NA PRESENÇA DA LUZ

CO2 Rubisco: 20 - 25°C

HCO 3 PEPcase: 30 - 35°C

-

14

20 - 35°C Grande (fotoativas) Forte inibição na presença da luz Aumento do processo fotorrespiratório 3 a 5 vezes MAIS que a respiração no escuro

30 - 45°C Pequena a média (fotoativas)

30 - 45°C Pequena ou nula (não fotoativas) Forte inibição na presença da luz Não há aumento Difícil de determinar Não mensurável, difícil determinar Na luz: 0 - 200 ppm No escuro: < 5 ppm

15

EFEITO DEPRESSIVO 16 DO OXIGÊNIO (21%) NA FOTOSSÍNTESE 17 EFEITO DE ALTAS TEMPERATURAS

Sem efeito

Não há aumento 10 vezes MENOR que a respiração no escuro

VELOCIDADE RELATIVA 18 DA FOTORRESPIRAÇÃO

LIBERAÇÃO DE CO2 NA Sim; presente em torno de 25 19 LUZ (FOTORRESPIRAÇÃO a 30% do valor da fotossíntese APARENTE) 20 PONTO DE COMPENSAÇÃO DE CO2 50 - 150 ppm (ALTO) 30 - 70 mmol CO2 mol 20 - 100 mLCO2L-1

Não mensurável 0 - 10 ppm (BAIXO) 0 - mmol CO2 mol 0 - 5 mLCO2L-1

PONTO DE COMPENSAÇÃO LUMÍNICO (RFA) 21 20°C - 340 ppmCO2 CONSUMO DE H2O PARA PRODUÇÃO DE MATÉRIA SECA EFICIÊNCIA NO USO DE ÁGUA (E.U.A) N NA FOLHA PARA ATINGIR FOTOSSÍNTESE MÁXIMA REQUERIMENTO DE Na COMO MICRONUTRIENTE EFICIÊNCIA NO USO DE NITROGÊNIO (E.U.N.) VELOCIDADE MÁXIMA DE CRESCIMENTO gms dm-2 dia-1
+

6 - 10 mmol m s

-2

-1

4 - 8 mmol m-2 s-1

Sem referência

22

450 - 1000 moles de H2O transpirada/mol de CO2 assimilado 1a3g -1 CO2 Kg H2O 6,5 - 7,5% peso seco Não

200 - 350 moles de H2O transpirada/mol de CO2 assimilado 2a5g -1 CO2 Kg H2O 2,0 - 4,5% peso seco Sim

18 a 125 moles de H2O transpirada/mol de CO2 assimilado 1a4g -1 CO2Kg H2O

23

24 25

Sem referência Sim

26

Rubisco > 50%

Rubisco: 25% PEPcase: 10% 4,0 - 5,0

Rubisco: 25% PEPcase: 10% 0,015 - 0,02
Na luz leve No escuro média 2,5 - 7,6 mmol CO2 m-2s-1

27

0,5 - 2,0

CAPACIDADE 28 FOTOSSINTÉTICA LIQUIDA FL = [FB - (FR+R)] REDISTRIBUIÇÃO DOS PRODUTOS DE ASSIMILAÇÃO PRODUÇÃO DE MATÉRIA SECA

Leve e alta 15 - 40 mg CO2 dm-2 h-1 15 - 25 mmol CO2m2 s-1

Alta e muito alta 60 - 100 mg CO2dm-2h-1 25 - 40 mmol CO2m-2s-1

29

Lenta (MF) 22 + 3,3 ton ha-1 ano-1 (média) 0,2 a 0,4 ton ha-1 dia-1 (leguminosas

Rápida (BV) 38 + 16,9 ton ha-1 ano -1 (alta) 0,5 ton ha -1 dia -1 (cereais)

Variável Pouco conhecida, menos que C3 (baixa)

30

continua...

Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

83

... continuação
CLASSES DE PLANTAS

C3
PARÂMETROS

C4

MAC Desértico, semi-árido. Crassuláceae, Cactáceae, bromeliaceae, Agavacecae, Liliaceae, Euphorbiaceae e Orchidacecace. Abacaxi e Sisal.

31

OCORRÊNCIA (CLIMA)

Temperado, equatorial e tropical. Tropical, subtropical, semi-árido e desértico. Milho, sorgo, Arroz, trigo, cebola, leguminosas, cana-de-açúcar e Atriplex. avena e tabaco. Todas Maioria das monocotiledônias gimnospermas angiospermas (gramínease ciperáceas) (285.000 espécies), e 300 espécies de briófitas e algas. cotiledônias).

Decréscimo na produção medido pela queda na taxa de crescimento absoluto (planta) e na taxa de crescimento da colheita (plantações)

Análise do crescimento das plantas

Decréscimo na taxa líquida de assimilação

ou

Decréscimo na área da folha ou copas
Estudos de trocas Gasosas

Decréscimo na taxa de fotossíntese das folhas

ou

Aumento no total das perdas de respiração
Medição da resistência difusiva

Aumento das limitações dentro do mesófilo

ou

Aumento das limitações impostas pelos estômatos Estudos biofísicos e bioquímicos

Efeitos na fotoquímica e fotossíntese do transporte de elétrons

ou

Efeitos no metabolismo fotossintético do carbono

Figura 1. Análise redutora dos fatores que limitam a produtividade. Fonte: Adaptado de Hall & Combs, 1989.

Mayer (1975) apresenta uma relação de aspectos a serem pesquisados, com relação à produtividade agrícola, designados por ele de pesquisas imperativas: a) Com relação ao fornecimento de carbono: - Identificar os aspectos da fotossíntese os quais limitam a fixação de CO2 nos ambientes naturais; - Elucidar as relações entre o desenvolvimento das plantas e o processo fotossintético; - Suprir as plantas de novos procedimentos para seleção, em relação à produção. b) Com relação a nutrição nitrogenada:
84
Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

- Minimizar a energia e custos na fabricação dos fertilizantes nitrogenados; - Desenvolver a nutrição nitrogenada de auto-suficiência para as plantas; - Maximizar a eficiência do uso do nitrogênio do solo e do fertilizante nitrogenado; - Aperfeiçoar as características nutricionais dos produtos agrícolas. c) Com relação à interação água - solo - minerais: - Administrar a relação entre a produção água - solo; - Tornar viável o controle da erosão e desenvolver novas tecnologias, especialmente para se cultivar em terras marginais; - Estudar e conhecer como a planta se relaciona com a célula, em relação à água e como esta relação afeta a produtividade agrícola, e desenvolver métodos para a manipulação destas relações; - Relacionar a água e o solo administrando o sistema para prevenir a salinização; - Desenvolver sistemas de produção agrícola compatível com o interesse da comunidade e com o ambiente; - Adaptar o solo administrando práticas para cultivos de subsistência para países em desenvolvimento; - Desenvolver tecnologias de solos para a produção agrícola em solos problemáticos (ex: oxisolos, ultisolos); - Evoluir métodos de administração de solos para aperfeiçoar as características dos solos, assegurando a germinação de sementes; - Caracterizar e quantificar os problemas de estresse em solos, relatando os resultados para que se possa realizar pesquisas nas áreas de genética, fisiologia e cultural; - Identificar a aumentar o uso de fontes baratas para o melhoramento do solo e nutrição de plantas, incluindo lixo e resíduos de culturas; - Estimular a absorção e crescimento de plantas, pelo uso de micorrízas selecionadas e/ou bactérias da rizosfera; - Esclarecer a absorção de nutrientes minerais de culturas em meio salino, ambiente com íon tóxico e em solos altamente férteis, pela utilização de culturas selecionadas através de melhoramento genético; - Quantificar quimicamente, fisicamente e biologicamente as propriedades da interface raiz-solo e seus papéis na nutrição mineral e absorção de água; - Investigar a distribuição radicular e as características de absorção de componentes de produtos múltiplos, os quais maximizam o uso dos recursos do solo; - Elucidar o controle metabólico e a integração do transporte iônico do solo para dentro dos pêlos absorventes e da planta; d) Com relação ao estresse ambiental: - Manipulação dos produtos agrícolas ou do seu ambiente, o que poderá evitar ou reduzir as injúrias causadas pelo estresse e aumentar a produtividade; - Explorar o potencial genético para desenvolver novas variedades resistentes ao estresse; - Elucidar os princípios básicos das injúrias provocadas pelo estresse e da resistência, avaliar a oportunidade e natureza dos danos do estresse. e) Com relação aos processos de desenvolvimento das plantas: - Utilizar técnicas de culturas de células e tecidos, para acelerar geneticamente a produção de plantas; - Identificar e avaliar os mecanismos de controle para o desenvolvimento de uma planta; - Determinar as bases fisiológicas e genéticas com relação aos estresses ambientais; - Preservar as fontes e explorar as possibilidades da variabilidade genética; - Combinar as disciplinas de genética e fisiologia de plantas para projetar plantas; - Continuar e encorajar as pesquisas básicas em desenvolvimento de plantas.
Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

85

1. 1978). Em condições ótimas registra-se eficiência de 3 a 4% nas plantas C3 e de 5 a 6% em plantas C4. 1978). A produtividade de uma planta é resultado de processos e diversas reações complexas. . É estimado que a produtividade potencial possa chegar a 12%.Treinamentos para se desenvolver resistência estável de doenças em plantas. A baixa eficiência é considerada o primeiro fator limitante da produtividade. que ocorrem na ontogênese sob influência das condições externas (Nasyrov.Aumentar o entendimento dos fundamentos biológicos das doenças.f) Com relação à proteção de plantas: . 2009 . b) quantidade de energia interceptada e absorvida. . a eficiência fotossintética das plantas é baixa. . d) quantidade de energia transportada para as partes úteis da planta (partição de assimilados) e e) metabolismo nas partes úteis da planta (eficiência na utilização). não atingindo 1% na maioria das espécies. v. 86 Tópicos em Ciências Agrárias. . Vários são os componentes que englobam este complexo mecanismo da expressão fenotípica da produtividade (Figura 2). Esquema da expressão fenotípica da produtividade (Nasyrov. Segundo Bernardes (1987). . Assim sendo.Inovação de abordagens para proteção de plantas.Expandir as pesquisas para que no futuro se desenvolva o controle biológico de plantas.Desenvolver e implementar modelos para a prática de proteção de plantas. Figura 2.Melhorar os pesticidas e o seu uso. c) quantidade de energia convertida (fixação de CO2). a produtividade final da cultura depende de: a) quantidade de energia incidente (excitação eletrônica). . UFRB.Necessidade de pesquisas para o desenvolvimento e administração de sistemas integrados para combinar proteção estável para os vários estilos de agricultura.

produção de vagens. ou mudanças na concentração. existem evidências de que os hormônios vegetais controlam a atividade gênica. 1994 . A ação interna dos hormônios depende do estádio de desenvolvimento da planta. Os vegetais estão condicionados pela sua constituição genética. e estão em constante interação com os fatores ambientais. favorecem um melhor desempenho dos processos fisiológicos vitais. mais sim uma reação normal frente às ações dos fatores ambientais. e sincronizam o desenvolvimento da planta com as mudanças estacionais do ambiente. índice de colheita (IC). tem apresentado resultados significativos. essas substâncias. como catalisadores. Os fatores endógenos são ativos não somente em níveis molecular e celular. 2001. os hormônios vegetais iniciam processos de crescimento e diferenciação. 1994). é necessário que as características em questão apresentem diferenças facilmente observadas e herdabilidade suficiente para se obter diferenças nas progênies. crescimento e desenvolvimento radicular. e corresponde às últimas etapas do desenvolvimento da planta. Adicionalmente.Laborde & Garcia. eles regulam a intensidade e a direção do crescimento. Seus resultados. de um ou mais hormônios. fixação de nitrogênio atmosférico e seu aproveitamento. vigor das plântulas. Os fatores do meio biológico (biocenose) são os organismos que podem afetar o crescimento e o desenvolvimento do vegetal (microorganismos. A aplicação de biorreguladores e de estimulantes vegetais. controle intercelular ou hormonal e o controle extracelular ou ambiental). 1. Além disso. Esta fase é denominada exponencial ou logarítmica (fase I). sendo portanto capazes de promoverem as mais variadas alterações morfológicas e fisiológicas nos vegetais. pode afetar a morfologia e a reprodução do vegetal. armazenamento e mobilização de substâncias nutritivas. O controle ambiental. O fenótipo não é uma mera tradução do genótipo.Segundo Lucchesi (1987). função da disponibilidade de água e nutrientes do substrato e da capacidade fotossintética (fixação de CO2) da planta. ocorre uma fase em que a taxa de crescimento vai sofrendo decréscimos cada vez maiores na acumulação de matéria seca. atividade metabólica. topografia e o material de origem do solo que influencia nas propriedades físicas e químicas. latitude. visando aprimorar os padrões de produção e produtividade. sendo esta. regulando o crescimento e o desenvolvimento vegetal (Castro & Vieira. Tópicos em Ciências Agrárias. No entanto. 1989). Os hormônios vegetais agem em diminutas concentrações. Segundo Casillas et al. Segundo Salisbury & Ross (1994). Esta fase se denomina fase de envelhecimento ou de senescência (fase III). Finalmente. da manipulação da arquitetura foliar do aumento da eficiência de conversão da RFA em matéria seca através da manipulação das taxas de fotossíntese bruta. O controle genético envolve as características da planta que ela carrega em sua bagagem genética herdada. número e massa seca de grãos por planta (Vieira & Castro. Vieira & Monteiro. água. São as condições do ambiente onde está inserido o vegetal (Lucchesi. respondendo e percebendo os estímulos ambientais. 2004). com expectativas de boas produtividades. Os fatores físicos (biótopo) podem ser classificados como climáticos (altitude. e o teor de matéria orgânica. Os hormônios atuam em nível de genes. respiração e fotorrespiração (Hay & Walker. onde estão envolvidas a floração e a maturação do fruto (Martinez . transporte. Após a germinação e o estabelecimento de uma plântula . As reações provocadas podem se sinergéticas ou antagônicas. 2009 87 . v. Vários processos têm sido investigados com o objetivo de se elevar a produção vegetal: eficiência fotossintética. os hormônios vegetais também possuem um papel de coordenação dentro do organismo. afetando os processos metabólicos através da transcrição e tradução. também conhecido como de concorrência. da natureza do estímulo externo e do tempo de ação. 2002). Todas as partes da planta são informadas também através da síntese. A utilização dessas substâncias pode influenciar positivamente a germinação de sementes. O crescimento de um vegetal é lento no início e depende das reservas (cotilédones ou endosperma) contidas nas sementes. para se obter eficiência no melhoramento genético. quando aplicadas em baixas concentrações em sementes ou na parte aérea das plantas. 1987). gases atmosféricos. certamente. (1986). serão bem mais expressivos e significativos em cultivos onde o sistema de produção já apresenta níveis elevados de tecnologia. 1984). influenciando positivamente na produção e produtividade das culturas. dependendo do órgão envolvido e da predisposição da planta. moléstias. 1985). Magalhães. UFRB. O aumento da fotossíntese pode ser alcançado através de: aumento da interceptação e melhoria da distribuição da radiação fotossinteticamente ativa (RFA) no dossel da planta. temperatura e energia radiante) e edáficos (posição geográfica. as demais características (aquelas que não sejam objeto do melhoramento) devem se manter relativamente uniformes (Snyder & Carlson. pragas. eficiência de uso de minerais pela planta. os principais fatores envolvidos na produção vegetal são: a) cinética do crescimento vegetal e b) controle do crescimento e do desenvolvimento vegetal (controle intracelular ou genético. Junto com os fatores externos. Segundo Larcher (1995). redução do ciclo produtivo (permitindo mais safras) e tolerância à condições de estresse (York. outras plantas. onde existe uma relação linear entre o logaritmo do crescimento e o tempo. após a planta ter atingido o tamanho definitivo. vento. nebulosidade. É um período de crescimento vegetativo (fase II). O significado ecológico dos hormônios vegetais reside no seu papel como substâncias tradutoras. outros animais e o próprio homem). ocorre uma fase central de rápido aumento de tamanho designada fase de crescimento ou fase linear.

HITZ. C. Carlos Henrique Britto de Assis Prado.A. W. Técnicas de bioprodutividade e fotossíntese. por exemplo. n. Fisiologia vegetal 1..L. T. 2000. 7. a manipulação do período de enchimento de grãos parece ser a característica mais promissora em termos de aumento de produtividade. In: CASTRO.C. G. 1995. R. no entanto. 36.). Analisis cuantitativo de la aplicacion de cuatro bioestimulantes en el cultivo en el cultivo del rabano (Raphanus sativus L. 362p. p.M. têm se procurado avaliar o efeito de possíveis alterações genéticas na planta sobre seu potencial produtivo através de modelos de simulação. KIDD. não tem sido possível aumentar a produção através de manipulação genética ou química do sistema fotossintético em níveis inferiores ao de desenvolvimento da área foliar.M. Aplicações de reguladores vegetais na agricultura tropical. part I. p. 1986. É importante lembrar.J.. W. Biol. Science.E. Trad. v. Biol. R. 319p.. A quantitative analysis of plant growth. I.225.E..). . 1986.T.. FERREIRA.C. E. p. Nova York. Appl... COOMBS.O. 1984). 132p. New York: John Wiley & Sons. 4664. CASILLAS.801-808.K. INC. Ann. BRIGGS.. Ecofisiologia vegetal.A. provavelmente devido a mecanismos de auto regulação da planta (Gifford et al. de Antonio de Pádua e Hildegard T. Fotossíntese no dossel das plantas cultivadas.L. Ultimamente. Part I. 2009 . 292p. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária Ltda. 103-123.7. R. J. HOPKINS. UFRB.O. W. 1.H.G. Ecofisiologia da produção agrícola.J. v.. M. BUITRAGO G. cap. Acta Agronomica. BRIGGS.. Modelling genetic yield potential. Guaíba: Livraria e Editora Agropecuária. D. CASTRO. GIFFORD. V. 13-48. v. K. Piracicaba: POTAFOS. P. M. 1920. 1920. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária Ltda. Boote & Tollenaar (1994). Introduction to plant physiology.J. . que qualquer alteração genética nas plantas deve vir acompanhada de mudanças nas técnicas agronômicas a fim de que realmente haja um incremento da produção em nível de campo. Trad.G. C.. HAY. An introduction to the physiology of crop yield. A.A. 2.C. F. p. v.H.Apesar de ser possível elevar a produção aumentando a taxa fotossintética através de alterações no meio ambiente (nível de CO2 ou luminosidade).R. Longman Scientific and Technical. THORNE. respectivamente. Ann. 1987. (Eds.. W. WEST.. J. utilizaram os modelos SOYGRO e MAIS para estimar o efeito de algumas estratégias de manipulação genética sobre o aumento de produção em soja e milho. 1984. VIEIRA. YAMADA. HALL. .A. F.A. K. LONDOÑO. A quantitative analysis of plant growth. REFERÊNCIAS BERNARDES. Crop productivity and photoassimilate partitioning. p. G. LARCHER. 531p. 185195. Fortaleza: Edições Universidade Federal do Ceará. WEST. n. In: BOOTE. Buckup. 1989. 2001.. 88 Tópicos em Ciências Agrárias. P. BOOTER. TOLLENAAR.D. GIAQUINTA. S..S. 1985. São Carlos: RiMa Artes e Textos. WALKER. Ecofisiologia vegetal. Segundo esses autores. v.. M. LARCHER.103-123... 464p. 1989. Appl.. GUERRERO A.J. KIDD.. 2.R.J. 290p. FERRI.

Introducion a la Fisiologia Vegetal. VITTI. R. E.C. F. p.J. 1995. G.. G. MARTINEZ. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária Ltda. 29. 1984. OLIVIEIRA. 73p. CARLSON. 1987. p333-350. 2. R.. F.C.B. 1975. SENA.A. Porto Alegre: Artmed. 1994. BENETT. ODUM.. 2004. Fisiologia vegetal. (Ed. J.114). E. 1985. 2002. L. American Society of Agronomy.. M. .LARCHER. J.J. F. CASTRO. E.) Physiology and determination of crop yield. de Virgilio González Velázquez. New York: Springer Verlag. Cap. MALAVOLTA. Crop productivity research imperatives. Yamada.L. .ed. E. .8. v. PEREIRA. W. 1952. Global perspectives on international agricultural research.1. In: Castro. p. As plantas e a água.R. Physiological plant ecology. Madrid: Ediciones Mundi Prensa.79-104. MARTINEZ LABORDE. Annual Review of Plant Physiology. VIEIRA. MAYER. S. KLUGE. SUTCLIFFE. Trad. K. VIEIRA.M. Tópicos em Ciências Agrárias.. LUCCHESI. The physiological basic of variation in yield.E. 1987.101-104.. YORK JR.A.G.C. SALISBURY. Palo Alto. TAIZ.M. MACHADO. . Genetic control of photosynthesis and improving of crop productivity. GARCIA. Fatores da produção vegetal.C. A. 47-72. 759p. Madrid: Ediciones Mundi-Prensa. Crop Science Society of America. C. T. 3. 1980.N. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária Ltda.A. SINCLAIR. (IAC-Boletim Técnico n. Ecologia. P.R. 1994. In: CASTRO.S. p. In: BOOTE. SNYDER.R. 506p. Análise quantitativa do crescimento. (Eds. Soil Science Society of America. In: FERRI.G. 719p.1-10.ed. 281p. 2009 89 . NASYROV. 1995. 319p. Campinas: Instituto Agronômico. Ferreira. Agricultural Experiment Station. P.... Madison. 20. J. México: Grupo Rditorial Iberoamérica. E. J. Cap.). Elementos de fisiologia vegetal. Ohio: State University. UFRB. Fisiologia Vegetal 1.O. ROSS. Third edition. Fisiologia vegetal.A. Ecofisiologia da Produção Agrícola. E. PAULSEN. 1978. E.O. C.) Merrill). 33p. Piracicaba: Associação Brasileira para Pesquisa da Potassa e do Fosfato. 1. E.C.L. cap. Introdução à fisiologia do desenvolvimento vegetal.A. 399p. D. Maringá: Eduem.B. 126p. Advances in Agronomy.P. Piracicaba: POTAFOS. 1147p.R. p. p. v. S.. WATSON. T.1-17. 1988. 1994. v. 434p.. 2004.T. F. p. .A. A..W.4. MONTEIRO. Rio de Janeiro: Editora Guanabara S. Santarém. Cosmópolis: Stoller do Brasil..P. MAGALHÃES. v. 215-37. A.R.W. 37. Avaliação do estado nutricional das plantas princípios e aplicações. 1997. G.C. Ação de bioestimulante na cultura da soja (Glycine max (l. P. Selecting for partitioning of photosynthetic products in crops. ZEIGER. J.. Hormônios vegetais. Trad. Advances in Agronomy. Y. Análise Quantitativa do Crescimento de Vegetais.

CAPÍTULO 7 ECOFISIOLOGIA E FLORAÇÃO DA MANGUEIRA E CRESCIMENTO DO FRUTO DE MANGA Manoel Teixeira de Castro Neto & Anna Christina Passos Menezes Tópicos em Ciências Agrárias .

é importante que haja a paralisação do crescimento da planta e um período anterior de dormência. uma vez que determinam a colheita final (Doni.1% das flores hermafroditas chegam efetivamente a frutificar (Silva. sendo essa diferenciação.Centro de Ciências Agrárias. Ambientais e Biológicas/UFRB. com características muito variáveis quanto ao tamanho. podendo ser compacta ou aberta. Para o florescimento da mangueira. considerada uma frutífera tropical. umidade e produção de carbohidratos.Faculdade de Agronomia do Médio São Francisco/UNEB. em grande parte influenciada pelas condições ambientais e tratos culturais (Singh. Sendo assim. que é coriácea. Ecofisiologia da mangueira A mangueira. em alguns casos os frutos desenvolvem-se partenocarpicamente. É conhecida pela sua alternância de produção ou produção irregular. é cultivada nas mais diversas regiões equatoriais e mesmo nas subtropicais. o processo de indução do florescimento é o que tem chamado mais a atenção dos pesquisadores e produtores. v. 1960). FLORESCIMENTO E FRUTIFICAÇÃO A mangueira (Mangifera indica L. Dentre destes aspectos. uma vez que ramos entre 4 a 18 meses de idade poderão emitir inflorescências (Silva. INTRODUÇÃO A cultura da mangueira se destaca na pauta de exportação das frutas brasileira e portanto.1995). Para Popenoe (1917). 1974). Em nenhum momento os pontos discutidos aqui são conclusivos e há muito o que saber antes de se ter uma posição definitiva sobre a ecofisiologia da mangueira. em muitos casos fatores climáticos limitantes ao seu desenvolvimento. muitos trabalhos têm sido conduzidos focando-se diferentes aspectos da cultura.ECOFISIOLOGIA E FLORAÇÃO DA MANGUEIRA E CRESCIMENTO DO FRUTO DE MANGA Manoel Teixeira de Castro Neto1. contudo. a variação no nível de inibidores/promotores de crescimento nas folhas e/ou ramos afetam o padrão de crescimento da planta (Castro Neto. HÁBITOS DE VEGETAÇÃO. distribuídos do final de inverno. pois. Anna Christina Passos Menezes2 1 2 Professor . primavera e verão. é necessário o conhecimento dos aspectos ecofisiológicos da cultura para que se possa desenvolver um manejo sustentável e produtivo. coloração da casca. A principal finalidade desta publicação é mostrar o conhecimento atual sobre o assunto e onde são necessárias informações para elucidar os fatores que limitam a produtividade da cultura. UFRB. 1. Além destes fatores. e neste capítulo são colocados alguns resultados obtidos. queda de flores e frutos. No estudo da frutificação da mangueira. 1997). que tem como causa o florescimento irregular. que apresentam. 1997). dependendo das condições climáticas de cada região. As folhas são lanceoladas.) se caracteriza por possuir porte médio a alto (10 a 30m). com a copa variando da forma arredondada globosa à piramidal. muitos desses caem ao atingirem 2. as sementes variam também em termos de forma e tamanho. Como não poderia deixar de ser. considerandose que em torno de 0. 2009 93 . forma. A iniciação e desenvolvimento de novos ramos dependem da disponibilidade de nitrogênio. e a polpa com vários tons de amarelo. 1995). florescimento e Tópicos em Ciências Agrárias. a queda indica a necessidade de polinização das flores. BOTÂNICA. peso. 1997). A mangueira se caracteriza por apresentar baixa eficiência em termos de frutificação. Estes surtos estão correlacionados com os futuros florescimentos e conseqüente frutificação. a fixação e a queda dos frutos adquirem uma importância fundamental. Juazeiro-BA. com pedúnculo curto (Silva.com Professor . Pode apresentar vários surtos vegetativos por ano. coriáceas. apresentando um crescimento vegetativo caracterizado por desenvolvimento ativo e dormências periódicas (Castro Neto. diversos trabalhos foram conduzidos no programa de pós-graduação da então Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia. Cruz das Almas-BA E-mail: mtcastroneto@gmail. As variedades apresentam fruto tipo drupa.4 cm de diâmetro.

A relação entre a atividade fotossintética das folhas e o florescimento da planta não foi investigada pelos autores. O conceito de unidades térmicas relaciona a taxa de desenvolvimento da planta com a temperatura acumulada acima da temperatura mínima basal (Monteith. em Pakchong nordeste da Tailândia. umidade do ar e do solo. requer uma combinação de temperatura diurna/noturna de 19/13oC ou 25/19oC por um período de duas ou mais semanas para alcançar uma floração de 60 a 80% (Shu & Sheen. o que aumentaria a transpiração e perda de água.5 a 27oC é considerada como ideal para o cultivo e. (1992) encontraram 109 a 94 Tópicos em Ciências Agrárias. O crescimento de uma planta é diferente de acordo com a quantidade de calor a qual ela é submetida durante toda a sua vida. sugerem existir uma "temperatura-base" abaixo da qual as plantas não se desenvolvem e que cada planta tem a sua "temperatura-base". para Maranca (1975).9°C. Sendo assim. medido em graus-dia. 1995). a mangueira poderá florescer à sombra porém. 1987). consequentemente. 1. O ambiente possui uma influência profunda no crescimento e florescimento da mangueira (Whiley et al. para a cultivar Nang Klangwan. a experiência tem demonstrado que durante o ciclo de uma cultura. Crescimento e graus-dia O conceito de graus-dia data de 200 anos atrás. e essa quantidade de calor é expressa em grausdia (Mota. 1988). Muitas pesquisas evidenciaram este fenômeno. baseado na acumulação de 1000 unidades de calor usando como temperatura-base 17. foi sugerida uma diferença entre a atividade fotossintética das folhas diretamente expostas ao sol quando comparadas com as folhas sombreadas da parte interna da copa (Schaffer & Gaye. 1966). os mais importantes que afetam o desenvolvimento da mangueira. A mangueira Haden. por exemplo. o que causaria injúrias nas estruturas reprodutivas (Sturrock. De maneira semelhante. desde que não ocorram outros fatores limitantes como. por exemplo. 1980). que pode provocar a queda total das flores e frutos jovens (Costa. O acúmulo de graus-dia também tem sido usado para calcular a melhor época de colheita da manga. o somatório das unidades térmicas. Ketsa et al. 1997). influindo na vegetação. v. Segundo Piza Jr. 2009 . deficiência hídrica. florescimento e frutificação (Donadio. posição que favorece a insolação sobre as mesmas. Luminosidade Existem poucas informações sobre os efeitos da luz nas trocas gasosas da folha da mangueira. 1989).. et al. 1971). 1997). na época do florescimento. A maioria das panículas emitidas se situam na periferia da copa.). Qualquer deficiência ou excesso resulta em alterações no seu metabolismo e. (1995). Além disso. sendo os fatores: luminosidade. Temperatura Todos os seres vivos apresentam limites de temperatura bem definidos. em seu desenvolvimento normal (Mandelli. 1987). só irá frutificar bem com luz solar direta e abundante. perturbando o balanço hídrico (Castro Neto. independentemente da época de plantio e local onde é feito o cultivo. Alguns autores estudaram a correlação entre a luminosidade e a atividade fotossintética e apesar dos resultados dos estudos não terem sido conclusivos. Mota (1987) cita que Abbe (1905) e Holmes & Robertson (1959). Para estes autores. 1981). é relativamente constante. Para a cultivar Carabao. Bugante citado por Lizada (1991) estabeleceu um período de 110 -130 dias para o fruto atingir a maturação. A faixa de temperatura entre 19. contudo. 1984). a determinação da época de colheita pode ser feita com base na quantidade de calor que a planta acumula acima de 9°C. a menos que venham acompanhadas de baixa umidade e ventos fortes. Uma das causas da baixa produtividade da mangueira é a ocorrência de baixas temperaturas.frutificação (Silva. A mangueira responde claramente a uma determinada combinação de temperatura diurna e noturna. A temperatura base para a qual a mangueira não apresenta crescimento e desenvolvimento tem sido 9°C (Davenport. zero de vegetação é a temperatura abaixo da qual não ocorre desenvolvimento vegetativo. A temperatura é um dos elementos climáticos mais importantes para a mangueira (Simão. 1989). UFRB. temperatura diurna e noturna. a ocorrência de baixas temperaturas propiciaria condições favoráveis ao desenvolvimento de oídio (Oidium mangifera B. temperaturas altas até 45oC não são prejudiciais à mangueira durante as diferentes fases de crescimento da planta. auxiliando a abertura de flores e reduzindo o ataque de fungos.

2009 95 . Flórida. podendo. a amplificação do efeito hormonal por mensageiros secundários (trifosfato de inositol. tais como tipo de solo. pois com seu emprego é possível modificar diferentes processos fisiológicos levados a cabo em forma natural pelas plantas. v.. quando utilizados sob a forma de pulverização. o uso de reguladores de crescimento vegetal tem adquirido grande importância. é a causa de sua influência na resposta (Castro et al. Os inibidores do desenvolvimento atuam impedindo o desenvolvimento do fruto. este resultado depende tanto da biossíntese. Em certas ocasiões. de diversos hormônios.1971). sendo que o calor acumulado oscilou de 991 a 1006 graus-dia. Assim. 1. em detrimento de florescimento e frutificação (Simão. São Paulo. capazes de romper e refazer ligações entre microfibrilas da parede ou provocar a quebra de seus polissacarídeos. controle de plantas invasoras. portanto. proteína quinase C. como Índia. isso se traduz em regulação do desenvolvimento (reguladores de desenvolvimento).1976). polinização e fixação dos frutos (Silva. Nordeste do Brasil. provocando sua abscisão.. A exigência mínima da mangueira em termos de precipitação seria 1. 1997). retardar a queda de Tópicos em Ciências Agrárias. a resposta aos reguladores vegetais. em decorrência da diminuição do ataque de fungos e do favorecimento da floração. Os pioneiros neste campo demonstraram que alguns reguladores de crescimento. promovendo ativação de enzimas (endo-trans-glicosilase ou bglucam sintetase). fertilização. irrigação. isto é. No caso dos frutos. sendo cultivada entretanto. sua ação se estende à interação com os promotores. no desenvolvimento dos órgãos. responsável pela síntese de novas enzimas que podem atuar na morfogênese (Castro.. poderiam inibir a abscisão e então. Ca2+-calmodulina). O modo de ação dos promotores de crescimento envolve a ligação do hormônio a um receptor na membrana plasmática (proteína G). existir também fatores que a modificam quantitativamente. induzem a mangueira a um crescimento vegetativo intenso. com isso. como do seu transporte para ele ou da exportação a outras partes da planta. com temperaturas elevadas e precipitações freqüentes. efetivamente. a interação com fatores ambientais deve ser conhecida. de modo que esse equilíbrio entre ambos os grupos de reguladores de desenvolvimento é que determina o crescimento e desenvolvimento posterior do fruto (Takahashi et al. UFRB. em pequenas quantidades promove. a ativação de um carregador de H+ (ATPase). Áreas tropicais úmidas. que provoca a acidificação em compartimentos da parede celular. diacilglicerol. e de sua inativação através de sua conjugação com outros compostos ou de seu catabolismo (Agustí.500 mm/ano. 1984).1992). Umidade relativa do ar Produção satisfatória de manga pode ser obtida em áreas tropicais e subtropicais de alta ou baixa umidade (Campbell. Em todos os locais nos quais a mangueira tem importância comercial ocorre um período seco na época de florescimento. Israel e Austrália. Como sua presença é em geral em todos os frutos com semente e sem semente. As condições de cultivo. todavia. comumente empregada para induzir a formação de raízes adventícias em podas e reduzir a queda de frutos nas colheitas de âmbito comercial (Bartel. outras inibindo.1975) Auxinas O ácido naftalenacético (ANA) é uma auxina sintética. estado fitossanitário das árvores etc. 1997). umas promovendo processos. A atividade hormonal tem sido explicada através da ação que exercem algumas substâncias (hormônios) sobre a expressão da informação genética. A ocorrência de um período mais seco durante quatro a cinco meses proporciona à mangueira condições de atingir altas produções. REGULADORES DE CRESCIMENTO Em fruticultura. inibe ou modifica de alguma maneira os processo fisiológicos vegetais (Weaver. provocam múltiplas interações capazes de alterar o resultado. 1999).000 mm/ano. Um regulador de crescimento vegetal é um composto orgânico diferente dos nutrientes que. 1996). em regiões que apresentam de 500 a 2. a influência que tais fatores exercem sobre a síntese e a acumulação dos reguladores vegetais e. Provavelmente. pelo fruto. As condições do meio podem alterar o metabolismo da planta e. a resposta aos reguladores vegetais pode ser pequena ou não se produz. da atividade enzimática e a função das membranas.118 dias da fixação do fruto à maturação. em concentrações diluídas. liberando oligossacarinas que podem estar relacionadas com um sistema regulador gênico que leva à transcrição de novo RNAm. O resultado final é conseqüência da interação entre todos elas.

Em alguns casos não é o número insuficiente de flores que limita a colheita. é apenas representado pela ação da giberelina e de outros hormônios. a fixação destas. embora provoquem o florescimento da planta. e Abbott nos anos 50 conseguiu demonstrar que a eliminação das sementes promovia a abscisão dos frutos e que elas poderiam ser substituídas em sua ação pela adição de auxinas. 1991). v. Das dez substâncias por eles testadas. Explicação para esse fato pode ser devida a uma inibição dos mecanismos responsáveis pela resposta do KNO3 induzida pelas temperaturas mais amenas dos climas subtropicais.maçãs na pré-colheita. sim. antes de se tornar efetivo (Childers. com o tamanho final do fruto. Sendo assim. que pode estar comprometida quando o número de flores formado por planta é excessivo.. Também. portanto. 1943).. Na região do pólo irrigado Juazeiro/Petrolina.1978). variando segundo a cultivar e a temperatura subsequente à aplicação. Muitas vezes são estudos que testam deferentes substâncias para o florescimento. indicam que a folhagem é a principal responsável pela geração do estímulo do ANA.1969). o forte estímulo floral gerado em climas subtropicais pode mascarar completamente o efeito do KNO3. as sementes em desenvolvimento constituem fontes de auxina (Raven et al. muitas substâncias.. umidade do ar e precipitação sobre a indução do florescimento da mangueira. embora a frutificação esteja correlacionada ao florescimento somente quando este é escasso ou demasiado (Becerra & Guardiola. 2009 . a maior parte deles desconhecidos (Agustí. como temperatura. Ambos os fatores. UFRB. Martinez-Zaporta. O entendimento dos vários fatores externos e internos que envolvem a indução do florescimento em mangueira é crucial para o desenvolvimento de uma prática de cultivo satisfatória e o alcance de rendimentos regulares (Singh. Diversos modelos de floração (Figuras 1 e 2) têm sido proposto por diferentes pesquisadores (Davenport. 1984). Luckwill. Floração A floração das plantas é conseqüência de um conjunto de fatores promotores e inibidores. 1997 e Chacko. floração e fixação. O processo de floração ainda possui muitas respostas para serem respondidas antes que se possa controlá-lo completamente. 1. os fatores fisiológicos. Resultados obtidos por Batjer (1948). o naftaleno acetamida e os sais do ANA se destacaram por sua efetividade. sem o qual a formação do fruto é impossível.1999). Os modelos de floração da mangueira são fundamentais para a determinação de métodos de indução do florescimento e do manejo adequado para a cultura. que nas condições tropicais semi-áridas do Nordeste Brasileiro promove uma aceleração na floração da mangueira e nenhum efeito nas regiões subtropicais da Flórida. ou que procuram investigar o papel de possível regulador/inibidor no processo de florescimento. Aparentemente. O período de efetividade do ANA é relativamente curto (10 a 28 dias). mas. Nesses modelos pode-se ver o efeito dos fatores ambientais. a produção das plantas frutíferas depende. No entanto. no que se refere ao retardamento da queda de frutos. os pesquisadores e produtores têm sugerido diversos métodos de indução do florescimento da mangueira. 1964 e Overholser et al. da floração. aliando a uma série de outros elementos químicos que ainda não existe confirmação científica da sua eficiência. Seu conhecimento fica plenamente justificado quando se quer melhorar a produção (Castro et al. O florescimento é a fase crítica na determinação da produtividade. o ácido naftalenoácetico (ANA).1969. sobretudo.1960). sendo esta uma das limitações deste regulador de crescimento (Childers. 96 Tópicos em Ciências Agrárias. nos anos 40. 1996). a indução do florescimento (Figura 3) é feita com a utilização do paclobutrazol. Neste sentido. demonstrou a presença de auxinas em sementes de maçãs durante seu desenvolvimento inicial. observação visual da intensidade de floração tem revelado a eficiência dos agroquímicos utilizados. Contudo. que requer carência de 3 dias. determinam. como o etileno e as auxinas que influenciam o florescimento da mangueira. Baseado nos modelos de florescimento. a colheita. como o controle hormonal da floração. ainda falta uma explicação para o seu papel na indução. Para Agustí & Almela (1991). Uma dessas substâncias é o Nitrato de Potássio (KNO3).

UFRB. 2009 97 . PARADA DO CRESCIMENTO Alto teor de Sacarose Elo Perdido Aplicação externa de Geberelinas Aumento de assimilados para a gema meristemática Açúcares Divergência de assimilados das regiôes meristemáticas apicas dos ramos Estimulação do crescimento pelos altos teores do giberelinas Temperaturas Altas Umidades Altas Alta Umidade do Solo Alto teor de Nitrogênio Teor alto de substâncias de reservas Partição eficiente do assimilados Baixas Substâncias de reservas Mais formação de madeira Cultivares precoces e anãs Cultivares muito vigorosas Frequêntes fluxos de raízes e ramos Altos níveis de Giberelinas HEREDITARIEDADE JUVENILIDADE Figura 1. 1. Outros fatores? GA3 GAX Ramo Vegetativo Ramo Misto Ramo Reprodutivo Poda Desfoha KNO 3 Etileno INICIAÇÃO DO CRESCIMENTO Baixas Temperaturas INICIAÇÃO RADICULAR Anelamento ESTRESSE HÍDRICO ARMAZENAMENTO DE CARBOIDRATOS Citocininas RAÍZES Figura 2. Modelo de floração segundo Davenport 1997. Relação entre os diversos fatores fisiológicos e ambientais sobre a floração da mangueira (Adaptado de Chacko. Tópicos em Ciências Agrárias. 1991). Linhas duplas indicam fatores que inibem a floração. v. Auxinas Fotoassimilados Frutificação Giberelinas Auxinas Giberelinas GA3 GA1 GAX Crescimento Vegetativo Freqüêntes INDUÇÃO DO FLORESCIMENTO Promotor nas Folhas Baixas temp. Linhas simples indicam fatores promotores da floração.INDUÇÃO FLORAL KNO3 (Específico para cultivar e local) INIBIÇÃO FLORAL ESTRESSE HÍDRICO BAIXAS TEMPERATURAS ALTO VPD INUNDAÇÃO ANELAMENTO PODA DE RAÍZES MODERADA FOME DE NITROGÊNIO TERARDANTES E INIBIDORES DECRES.

significando que o crescimento é lento no início. cuja curva sofre inflexões. 1978). Contribuição adicional. Todavia. O desenvolvimento dos frutos. particularmente os frutos carnosos.a. o tamanho aumenta exponencialmente com o tempo. UFRB. 1967. respectivamente. Isto significa que. sofra limitações pela fonte. Os frutos em desenvolvimento constituem um dos reservatórios da planta para onde se translocam muitas substâncias. Frutos e sementes em crescimento constituem drenos com alta capacidade mobilizadora de assimilados. resulta da divisão celular após a antese e de um aumento na concentração de solutos.4 %) – Ramos com 110 dias Floração – Ramos com 120 dias Figura 3. a distribuição de assimilados para partes de importância econômica pode ser limitada por fatores externos. (Adaptado de Castro Neto. Esquema mostrando o manejo de floração da mangueira sob irrigação e em clima tropical semi-árido. o aumento de volume e a diferenciação celular (Meyer et al. mas aumenta continuamente.. Em geral. 1990). maturidade e senescência (Salisbury & Ross. que fazem com que a força do dreno passe a ser limitante (Watson. porém menor. nesses drenos. isto é. É possível que em muitos casos o seu acúmulo. na segunda. linear e senescente do crescimento sigmóide. vindo a seguir um período de aceleração e. O acúmulo de matéria seca é determinado pelos mesmos fatores e o aumento do volume do fruto deve-se tanto ao incremento do número como ao tamanho das células (Coombe. é fisiologicamente muito semelhante ao crescimento vegetativo. com a expansão máxima do órgão ou organismo.1971). o crescimento por divisão celular é de curta duração. A taxa de translocação de assimilados para um dreno específico pode ser estimada pela taxa de acúmulo de matéria seca desse dreno (Almeida & Valle. enquanto que a expansão celular pode continuar até a maturidade (Chitarra & Chitarra. A formação das partes que compõem um fruto engloba as mesmas três fases verificadas no desenvolvimento dos órgãos vegetativos. a divisão. Potencialmente. mas seguem um padrão. Na primeira. A modificação da distribuição de fotoassimilados em benefício de partes de interesse econômico pelo melhoramento genético. 2009 floração . A área foliar disponível por fruto é muitas vezes insuficiente para manter um crescimento adequado. A divisão celular anterior à antese e a expansão celular após a antese. superfície. As interações mútuas entre indivíduos. pela utilização de reguladores químicos ou por intermédio de práticas de manejo constitui. 1. Estas fases correspondem. A iniciação de estruturas reprodutivas é um evento fenológico em que a distribuição de assimilados é redirecionada.100% da necessidade de água da cultura Ramo maduro apto Brotar Brotação Vegetativa Ramo . parecem ser os principais determinantes do aumento do peso da matéria fresca dos frutos carnosos. 1985). em condições de campo. peso. Drenos vegetativos sofrem restrições ou mesmo paralisação no crescimento. Num mesmo fruto as quantidades destas diversas substâncias que se deslocam para cada uma das 98 Tópicos em Ciências Agrárias. impõem limitações. no entanto. o rendimento econômico resulta do crescimento ou armazenamento de reservas em partes de valor comercial. tomando a conformação sigmóide. 2004) Crescimento dos frutos Nas culturas. 1976). ocorre o crescimento em taxas máximas e a terceira caracteriza-se pela redução da taxa de crescimento. 1973). Reis & Muller. altura. v. às fases logarítmicas. o crescimento é relativamente lento. maneiras de se aumentar a produtividade agrícola. conteúdo de proteínas mostram padrão sigmóide quando analisados no decorrer da vida da planta (Miller. Fruto Início das aplicações de nitrato de potássio (3% ./m de diâmetro de copa –Ramos com 30 dias Amadurecimento do Ramo Aplicação de etileno intercalado com sulfato de potássio KNO3 Frutificação e Amadurecimento do Colheita – 110 dias da . as células e órgãos apresentam crescimento diferenciado. 1978). a princípio. expansão máxima. uma fase em que o crescimento diminui até cessar. 1995). A eficiência do crescimento das plantas e de seus órgãos varia sensivelmente em função da idade e das condições ambientais (Reis & Muller. potencialmente. Novo Aplicação de PBZ (1 g i. Parâmetros como volume.

O fundamento da análise de crescimento é a medida seqüencial da acumulação da matéria orgânica e a sua determinação é feita normalmente considerando o peso da matéria fresca e/ou seca (Calbo et al. o potencial de crescimento dos frutos. ataque de pragas e doenças. plantas de primeira floração. ação dos ventos. A média de 0. Dentre as fases do desenvolvimento de frutos. Numa maior floração ocorre uma menor fixação. provavelmente os frutos chegarão à maturação. bem como fornecer informações que podem ser repassadas. o número de flores formadas e sua disposição. De acordo com Castro Neto et al.várias regiões meristemáticas diferem consideravelmente e quando qualquer uma destas substâncias torna-se deficiente num fruto. disfunção decorrente.1959). de acordo com as condições climáticas e do manejo em cada região. O período de desenvolvimento do fruto da mangueira. basicamente em decorrência da competição por nutrientes. aos agricultores (Fonseca & Cruz. Essa frutífera realiza um "desbaste" natural. a curto prazo. entre outros: falta ou excesso de umidade. a abscisão é regulada por um balanço entre fatores de juvenilidade (presumivelmente auxinas) que estão diretamente relacionados com o desprendimento das folhas e frutos e com a presença de enzimas que degradam a parede celular. (1971). A variedade Haden apresenta: 0. determinam o pegamento de frutos.3% de frutos por panícula e 50 frutos maduros por árvore. considerandose que dos frutos formados. Mais de 99% são abortados (Castro Neto. O terceiro estádio evidencia o processo de maturação. segundo Gortner et al. em oito variedades estudadas por Jawanda & Singh Tópicos em Ciências Agrárias. Krezdorn (1986) definiu fixação como o estádio de desenvolvimento em que. fatores hereditários. água e outros metabólitos. (1967). excluído posteriores abscisões causadas por estresse fisiológico. 1994).67 a 0. tendo maior possibilidade de fixação. (2004).4 frutos por panícula foi fixada até a colheita. 1971). restando ao final apenas 0. que se estende até o 40°dia. sendo. 1989). 1984).. 60 a 90% caem nos primeiros 30 dias. dentre outros fatores. Os frutos. as flores que estejam em melhor disposição na planta (flores companheiras e aquelas que se encontram em brotações com folhas). menos que 1% dos frutos atingem o estádio de maturação (Simão.1999). a que tem despertado maior interesse é o amadurecimento.0% em relação às flores inicialmente formadas. a reposição de nutrientes em função da demanda da planta. 1976). danos mecânicos ou devido a injúrias de pragas ou patógenos. entretanto. menos 0. em condições normais de cultivo da mangueira. da competição dos frutos em desenvolvimento por carboidratos. a partir deste. havendo redução dos mesmos de acordo com a posição ocupada na panícula (Singh et al. 2009 99 . a sua taxa de crescimento diminui (Meyer et al.1% dos frutos de flores hermafroditas se desenvolvem em frutos maduros. A primeira fase. O percentual de pegamento de frutos. Barnell (1939).0025% de frutos como porcentagem do número total de flores.70% dos frutos inicialmente fixados. dificilmente supera o valor de 5. isto é. dependendo da espécie. Segundo Abeles et al. Aborto de Frutos O tipo de floração. 1. da floração à colheita (Silva. 0. a fixação ocorre após a queda fisiológica. 1973). v. o crescimento do fruto da mangueira pode ser representado por uma curva sigmóide. inicia-se com a fertilização da flor e se estende por três semanas. O segundo estádio. Apenas 25% das panículas mantêm de um a três frutos até a maturação. 3. O quarto estádio caracteriza-se pela senescência do fruto (Salunke & Desai. 1995). 94 a 99% aos 60 dias. apresentam curvas de crescimento caracterizadas como sigmóide-simples. Na Índia. são inúmeros os fatores determinantes da queda dos frutos e das flores das árvores frutíferas. caracteriza-se pelo contínuo crescimento do fruto. a queda de frutos. O conhecimento de aspectos relacionados ao crescimento do fruto e a sua associação com o ponto de maturidade fisiógica é de considerável importância por subsidiar o planejamento de novos projetos de pesquisa. 1997) e está dividido em quatro estádios. Normalmente. 1977). com o fruto apresentando profundas transformações químicas e físico-químicas e se extende até o 77° dia. provavelmente. O tamanho é uma das características do fruto mais enfatizada pela indústria. o fruto atinge a máxima qualidade comestível.010% de frutos como porcentagem de flores perfeitas. UFRB. cargas excessivas. solos impróprios.. Esta curva pode adquirir características diversas segundo a cultivar. A mangueira é sujeita à pesada e continuada queda de frutos. mudanças bruscas das condições climáticas. já que nesta fase... Para Simão (1958). 1967). duplo-sigmóide ou triplo-sigmóide (Coombe. denominada estádio juvenil. um processo intimamente regulado pelo balanço hormonal da planta (Powell & Krezdorn. Wolfenbarger (1957) e Simão (1958) verificaram que de centenas de frutos existentes inicialmente na panícula. dada a influência que tem no rendimento industrial e no custo de produção da conserva (Sachs & Rheingantz. a época e as condições ambientais em geral (Albuquerque et al. falta de afinidade da enxertia e ausência de luz . caracterizando-se por um rápido crescimento celular. é de 120 a 150 dias. normalmente um só e excepcionalmente dois frutos chegam ao final do ciclo. falta de polinização.

que diminuem com o advento do processo de maturação. A . SP. 1989. 1986).E. Floración y frutificación de los citricos. In: CRC Handbook of Tropical Food Crops.74-80.. A . Tropical fruits and nuts. A redução da acidez durante o amadurecimento influencia o balanço ácido: açúcar e. v. J. REFERÊNCIAS ABELES. AGUSTÍ... málico.L.G.. F. HortScience. MOUCO.B. 1971. The transmission of effect of naphthaleneacetic acid on apple drop as determined by localized application. et al .C. Inter-relationship between flowering and fruiting in sweet orange. BATJER. v.1995. Studies in tropical fruits.1999. 1991. 1997. 1. cultivar navelina. S.67. v. Botucatu: FAPESP. ALBUQUERQUE. p.C. p. n. UFRB.371-76. BARNELL. MEDINA. et al. 240p. conseqüentemente.. v. Botucatu. A-A. Os ácidos cítricos. S. CASTRO. Flórida. O teor de umidade é relativamente baixo (70%) nos estádios iniciais do desenvolvimento do fruto. Proceedings of the International Society of Citriculture. p.A. 22-33.1984. 1939.30.C. V. Barcelona: Aedos. M. AGUSTÍ.R. CALBO. M.P. de. Proceding American Society Horticulturae Science. L. 2009 .4. 48. Piracicaba. A.1. Ação auxínica.. BECERRA. v. Petrolina. SILVA.(1961).77-89. v. 1992. W. n. 261p.3. 51-66. Abscission: Regulation of senescence. Pesquisa Agropecuária Brasileira. 1984. n. R. PE: EMBRAPA Semi-Árido/VALEXPORT..7. G.161-185. Ajuste de funções não lineares de crescimento. o fruto apresenta altos teores de ácidos orgânicos. P. Transformações fisico-químicas no fruto A manga sofre diversas transformações físico-químicas e químicas durante o desenvolvimento e amadurecimento. 1999. CAMPBELL. 57. p. de. ALMEIDA.6.. o sabor e aroma dos frutos quando maduros (Lakshminarayana.R. Revista Brasileira de Fisiologia Vegetal. 1. CRC Press. p. v. Durante os estádios iniciais de desenvolvimento. 1980 e Medlicott et al.1. protein synthesis. p. ALMELA. Annals of Botany. LEATHER. Inc. seguidos pelo tartárico. n. TORRES. p. alcança um máximo na sexta semana após a fecundação (86%) e então declina lentamente até a colheita. Annual Review of Plant Physiology and Plant Molecular Biology. C. BARTEL. 1975). F. V. p. E. FORRENCE. Produção e qualidade de frutos cítricos: anais. 77p.9-17. Análise de crescimento do fruto e das sementes de sete genótipos de Theobroma cacao L. M.2.L. Ed. Michigan. Martin. 1999. o processo se acentua com a senescência (Subramanyam & Krishnamurthy.W. O cultivo da mangueira irrigada no semiárido brasileiro. v. 100 Tópicos em Ciências Agrárias.. 1. Após a colheita. p. L. and enzyme by athylene. Aplicación de fitorreguladores em citricultura.. Revista Agricola. B. VALLE. W. do C. Auxin Biosynthesis.R. v. F. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE FRUTICULTURA. 190-194. 1948. J. jul.909-916. GUARDIOLA. oxálico e o glicólico são os mais comuns em mangas.D. Brasília.

BA: SBF. n. S. maturation. Fruit growth. SUBHADRABANDHUS... Cab International. p. 51p. production and uses.R.. Acta Horticulturae. p. Relationship Between Fruit Growth Parameter of ‘Haden’ Mango. v. LEDO. 1974. (In) Richard E. H.) Citrus flowering. 2. Laranja.CASTRO. Piracicaba. 1986. 4. BA. DULL. Univ. SP: Livroceres. 1980. Roma. Informações técnicas sobre a cultura da manga no semi-árido brasileiro. 2004. 1967. Citrus flowering and fruit set. de. Aspectos fisiológicos da mangueira sob condições irrigadas. FAO.faostat. 1..27. Anais. São Caetano do Sul. J.. 645. KETSA. KREZDORN. v. and maturity indices of Nang klangwan mango. REINHARDT. ed.17. A . JAIPET. n. CASTRO NETO.. The mango: botany. CHILDERS. p. CASTRO NETO.L. A. biochemical changes. T. Indian Journal of Agriculture Science. p. B. 173p. Hortscience.) Tópicos em Ciências Agrárias. CRUZ. W. v. 463-468. COOMBE. L. p. Universidade de São Paulo. 13.. URL: http://www.4.. CHITARRA.141-44.. CHITARRA. M. INTERNATIONAL MANGO SYMPOSIUM. DONADIO. Crescimento e maturação pós-colheita do fruto de duas variedades de manga. Produção de manga. M. Introdução do florescimento da mangueira. 291. New Delhi.C.. de. J. S. fruit set and development. p. Annual Review of Plants Physiology.E. ripening. B. n. GORTNER. 4. As moléstias mais importantes da manga. 2. Toda Fruta. Modern fruit science. G.L. Piracicaba. NY. 2004. 1976.21. T. A. Salvador. PACHECO.Still an enigma!. New Brunswick: Somerset Press. 203-207.. FONSECA. A . L. S..J. 4. n. A . CHACKO. T. p. SINGH. Florida. Lavras: ESAL/FAEP. Gainesville:University of Flórida. L.C. Pós-colheita de frutos e hortaliças: fisiologia e manuseio. M. COSTA. M. J. 1994. Mango Flowering . Núñez-Elisea. T.). Dissertação (Mestrado em Fitotecnia) . Cordeirópolis.SPI. 2009 101 . Floral biology and fruit drop in some mango varieties of Punjab.. Potencialidade para a utilização de reguladores vegetais na citricultura brasileira. JAWANDA. 12-21. de. DAVENPORT.S. 1990.F. In.2. K. and senescence: a biochemical basis for horticultural termimology. P. (Fruits Crops Development. 1994.81-91. Palo Alto. Abstracts. 1988.744-745. v. MEDINA. E. 1992. variedade Haden. Brasília: EMBRAPA . 1999. p. Instrução Técnica. 31. J. C. New York. Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. Mango. The development of flesh fruits. Acta Horticulturae. CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA.1995. L. Salvador. v. C. p. 1997.H.I. Florescimento e frutificação da mangueira (Mangifera indica. K. N. 38. p. v. R. 1991. Chapter 4. Cultura da mangueira...1. M. KRAUSS. C. In: FERGUSON.. Litz. 69146. N. developmente. A .1-14. Miami Beach. 207-28.109-121. 1961. v. B. Fruit development. H. 320p. CASTROS NETO. 1969.G.41-43. P.Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. D. 1996..G.. (Ed. p.K. DONI. UFRB. Reproductive Physiology. 67p.

H. 1987. RHEINGANTZ. 2. MARTINEZ-ZAPORTA. São Paulo:Nobel..291. Journal of the American Society for Horticultural Science.. 125p. The pollination of the mango. 1991. O. 102. F.. 1967. 1973.749-774.W. 102 Tópicos em Ciências Agrárias. para a região de Bento Gonçalves. S. Introdução à fisiologia vegetal. p. 1967. Crescimiento y desarrolo. H. 225). REIS. SENTELHAS. 1975. California: Wadsworth. Tommy Atkins.L.B.W.. 1985. p. Madrid: Instituto Nacional de Investigaciones Agronomicas. 724p. Departmente of Agriculture. São Paulo: Nobel. Rio de Janeiro: Guanabara Dois. E.. 1995. 2: p. SALISBURY. POPENOE. Influence of fruit-setting treatment on translocation of 14C-metabolites in citrus during flowering.G. 1984.. S. MILLER. 170p. 1917. ANDERSON..S. 1978. Journal of Science and Food Agriculture. MOTA. D. R. L. Mango. R. MARANCA. St Joseph. Proceedings American Society Horticulturae Science. Postharvest physiology the mango . LIZADA. A. 1964. v. 1978.(Boletim Técnico. 1980. H. 1. v. MONTEITH. MEDLICOTT. Quartely Journal of the Royal Meteorological Society. AVI.437-453. Acta Horticulturae. O . C.C. (Bulletin.. Effects of temperature on the ripening of mango fruit (Mangifera indica L.. Campinas: CATI. REYNOLDS. Meteorologia Agrícola. p. Climatic variation and growth of crops.C. Dissertação (Mestrado em Agrometeorologia) Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. 367p. Análise de crescimento de plantas-mensuração do crescimento. 542). ) cv. 45p. D. S. p. F. Fruticultura comercial: manga e abacate. A. 185-257.. A influência do tamanho do pêssego no rendimento.P.B. Fruticultura. 540p. MANDELLI. v. Michigan. Belmont. Three-year study of preharvest sprays in Washingtons. UFRB. M.V. Plant physiology. na mão-de-obra de enlatamento.107..188-204. Tropical and Sub Tropical Fruits Composition Properties and uses. ALLMENDIGER. S.. da. R. P. P. Comportamento fenológico das principais cultivares de Vitis vinifera L.zonas climáticas de maturação. 35p.1981.. E. Belém: EMBRAPACPATU. CURTIS. Pesquisa Agropecuária Brasileira. Abacate . W.L.LAKSHMINARAYANA.: Uteha. no custo de produção e na qualidade de compota.211-219. In: Fisiologia Vegetal. A . Westport.A review. ed.37. SOARES. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. THOMPSON. CT. RAVEN. M. POWELL. 1977. 20p. Piracicaba. In: NAGY.. & SHAWP.437-40. London. F. A. p. 100p. 42: p.. E.L. México. 1943. N. A. OVERLEY. R.B. PIZA JR.S.. EVERT.B. 1986. BOHNING. Washington. n. P.. Tradução de Sara Amâncio e outros. D. et al. F. MULLER. G. OVERHOLSER. 2009 . p. v. 7 ed. USP. G. MEYER. J. 180-243. 709-714. Biologia vegetal.F. F. ROSS.f. F. 3 ed.K. SACHS.469-474. KREZDORN.

Physiology and biochemistry of mango fruit. 1997. Advances in Food Reserach. B. p. 1957. dry matter production and starch accumulation in the mango (Mangifera indica L. Z.K. 1976. K...O . p. 2. SHEEN. 1975. Delan. 95. B. UFRB. Tópicos em Ciências Agrárias. Net gas exchange and chlorophyll and nitrogen content of mango leaves as influenced by development light environment.1101-1111. and activity of productive system of crops. Reguladores del crecimiento de las plantas en la agricultura. A. In: WAREING. 1959. Piracicaba. T. v.J. B.J. Floral induction in axilary buds of mango (Mangifera indica) as affected by temperature. v. Manual de fruticultura. de R. v. SUBRAMANYAM. 1971.. 1971. Piracicaba: Ceres. Boca Raton. G.). T. e. SCHAFFER. YAMAGUCHI. 1984. et al. 1. p. 38-47. New Delhi. Fruticultura tropical. H. v.. D. 622p. 1987. 33-34. Journal Horticultural Science. 64. SAVANATH.H. 56p.SALUNKE. Effect of some plant regulators on fruit drop in mango.. n. S.. I. R.16.. Universidade de São Paulo. L.) cultivars.L. HortScience. (Eds. n.366369. CHADHA. 16.F. SINGH. p. 24. Proceedings of Florida State Horticultural Society.. Size.21. v.F. P. K. KONO. 86-91. Dissertação (Mestrado em Fitotecnia) . 507. Characterization of plant growth substances in Citrus unshiu and their change in fruit development. p. P. R.Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz . A case study. RASMUSSEN. Amsterdam-Netherlands. STURROCK. DESAI. SIMÃO. 1960. Insects in relation to fruitest of mango.T. 2009 103 . SINGH. México: Trilhas. p. p. The mango inflorescence. 1976. TAKAHASHI.O. p. S. KRISHNAMURTHY. Postharvest biotechnology of fruits. n. WEAVER. C. Horticulture Advance. 1. GAYE. Coopercotia. n. D. B. 6.76-88.K.. p.W.753-765. v. 4. n. p.11-13. London: Heinemann Educational Books. SIMÃO. 81. Causas que determinam a queda dos frutos. T. D. J.). Proceedings of the Florida. ZARATE. v. SINGH. SILVA.B.L. Scientia Horticulturae. Effect of temperature on growth. CRC Press. Potential crop productivity. 1989.79. Florida. New York..P.. p. n. 1989. 1966. S. N. 31. J.223-235. Hábitos de florescimento da mangueira (Mangifera indica L. G. The Indian Journal of Horticulture. SHU. WHILEY. COOPER. 1975. J.. 1958. 378 p. Plant Cell Physiology. B. Lavras:UFLA/FAEPE. 530p. p. 77-93.C.. WATSON. Further studies on biennial bearing in mango as related to the chemical composition of shoots. cultivares Haden e Extrema. WOLFENBARGER.

CAPÍTULO 8 VIABILIDADE E VIGOR DE SEMENTES DE MILHO HÍBRIDO PRECOCE Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio. Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio Tópicos em Ciências Agrárias . Clóvis Pereira Peixoto.

procurando-se identificar as diferentes espécies de sementes e os materiais inertes geralmente presentes em uma amostra. Na análise. Para sementes ortodoxas. fisiológica e sanitária da semente.br INTRODUÇÃO A utilização de sementes de qualidade é um fator importantíssimo para o sucesso de culturas de importância econômica. com uma casa decimal.05 deve ser mencionada na ficha de análise a palavra "traço". outras sementes (de plantas cultivadas e de plantas silvestres) e material inerte. sem a presença de outras sementes ou de material inerte. E-mail: cppeixot@ufrb. maior o período de Tópicos em Ciências Agrárias. 1. algumas sementes aparentando infecção (lote 2) e as demais sementes com aparência física normal (lote 3). mediante os quais possam ser obtidos resultados uniformes e comparáveis entre diferentes laboratórios. estendendo-se até as etapas de distribuição e comercialização. Os vários testes aplicados foram divididos preliminarmente em de viabilidade e de vigor. Dessa forma. 2009 107 . período e intensidade). separados apenas por uma classificação didática. pois possibilita a obtenção de uma boa emegência no campo e de plantas vigorosas e uniformes com reflexos na produtividade. materiais inertes e total de impurezas devem ser expressos em porcentagem por peso. 1992). a análise de pureza é efetuada em laboratórios.VIABILIDADE E VIGOR DE SEMENTES DE MILHO HÍBRIDO PRECOCE Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio1. Determinação do teor de água O teor de água exerce grande influência sobre o comportamento da semente quando submetida a diferentes situações. especificando-se os nomes das espécies e cultivares presentes. reveste-se de importância estudá-lo. Desta forma. Portanto. no controle da secagem (temperatura.Centro de Ciências Agrárias. Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto1. verficou-se apenas duas sementes com dano mecânico visível (lote l). Clóvis Pereira Peixoto1. Sabe-se que a qualidade das sementes é avaliada com segurança. sendo que alguns deles pode estar em uma e outra classe de testes. A análise de sementes pode ser utilizada para o monitoramento da qualidade desde o início da condução do campo.S. bem como determinar a quantidade e a proporção desses constituintes (Marcos Filho et al. v. É de fundamental importância que métodos padronizados forneçam dados confiáveis. Cruz das Almas-BA. os resultados referentes às sementes puras. Para tanto. Quando estas porcentagens são inferiores a 0.edu. De acordo com as Regras para Análise de Sementes (R. mas sua importância é mais destacada a partir da maturação. como também a escolha dos métodos. a amostra é examinada cuidadosamente e separada em três constituintes: sementes puras. armazenados em câmara seca. através da sua análise e da interpretação correta dos resultados. provenientes de três lotes da safra 1993/94.) (Brasil. UFRB. principalmente se for mecanizada (influenciando na regulagem da máquina). quanto menor o teor de água e menor a temperatura. no beneficiamento (trincamentos ou amassamento) e na manutenção da qualidade física. Os resultados das outras sementes são expressos em número por peso da amostra de trabalho ou por unidade de peso.. Ambientais e Biológicas/UFRB. 1987). uma vez que poderá influenciar no momento da colheita. a análise de pureza física pode ser considerada com 100% de pureza . Para um melhor entendimento desses aspectos será abordado a aplicação de diferentes testes em sementes de milho híbrido precoce. DETERMINAÇÕES PRELIMINARES Análise de pureza A pureza física é uma característica que reflete a composição física ou mecânica de um lote de sementes. Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio1 1 Professor .A.

armazenamento. AG 510. rápida e completa da maioria das amostras de sementes de uma determinada espécie. como as de seringueira. Se qualquer destes valores for igual a zero.70 Teor de Água ( % ) 11. Tabela 1. dada a variação das condições ambientais. Os testes de germinação em substratos artificiais permitem uma fácil avaliação das plântulas. Somente plântulas absolutamente normais são removidas e contadas. têm sido estudados e desenvolvidos de maneira a permitir uma germinação mais regular. todas as plântulas são avaliadas. a semeadura de lotes com baixo poder germinativo pode acarretar prejuízos consideráveis ao agricultor (Marcos Filho et al. geralmente. sementes recalcitrantes. pois. Na contagem final. A Tabela 1 mostra os resultados médios do teor de água de sementes de milho híbrido precoce. As plântulas são avaliadas normalmente em duas ocasiões durante o transcorrer do teste. efetuados sob condições controladas de alguns ou de todos os fatores externos.23 21. evidentemente.5 11. Cv. As porcentagens de plântulas normais. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) Peso Úmido ( g ) 24. O estádio de desenvolvimento das estruturas essenciais das plântulas deve ser suficiente para permitir uma avaliação correta das mesmas. Métodos de análise em laboratório.5. Os resultados dos lotes de milho híbrido. utilizando-se quatro amostras para cada lote.6 11.. O prazo de germinação da maioria da espécies é entre uma a duas semanas. satisfatória.84 25. algumas determinações exigem conhecimento do teor de água (peso volumétrico.5. Tabela 2. necessitam de alta umidade para manter a viabilidade. Este teste visa a obtenção de informações que permitam determinar o valor das sementes para a semeadura e a comparação do valor de diferentes lotes. como também as sementes duras e mortas. para menos quando é igual ou inferior a 0. teste de vigor e peso de 1000 sementes). A realização destes testes em condições de campo não é. e estas estão especificadas nas Regras para Análises de Sementes. sementes mortas. AG 510. fazendo-se aproximação para mais se a fração for superior a 0. Cv. e anotadas.7 TESTES DE VIABILIDADE Teste de germinação Em tecnologia de sementes. Dados médios da porcentagem de germinação em três lotes de sementes de milho híbrido precoce. 1. 1992). 1987).95 22. Estas condições consideradas ótimas são padronizadas. As sementes não germinadas são avaliadas e classificadas.60 Peso Seco ( g ) 21. sendo classificadas como normais ou anormais. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) 108 R1 96 94 92 R2 98 88 96 R3 100 98 94 R4 94 92 98 Tópicos em Ciências Agrárias. Obviamente. manifestanto sua capacidade para dar origem a uma plântula normal. a germinação é definida como a emergência e o desenvolvimento das estruturas essenciais do embrião. determinado em estufa a 105°C por 24 horas. anormais. e. Por outro lado. encontram-se na Tabela 2 indicando o poder germinativo das amostras testadas através da média das porcentagens de plântulas normais presentes nas quatro repetições dos lotes estudados. Em laboratório de análise de sementes. em quatro amostras de 100 sementes. deve ser indicado com a palavra zero.14 24. Uma “primeira” contagem é feita para diminuir o número de plântulas no substrato. para que os resultados dos testes de germinação possam ser reproduzidos e comparados dentro de limites tolerados pelas Regras para Análise de Sementes (Brasil. os resultados nem sempre podem ser fielmente reproduzidos. v. Cv. UFRB. Dados médios do teor de água (%) de sementes de milho híbrido precoce. e a diferenciação entre as plântulas normais e anormais. 2009 . sob condições ambientais favoráveis. AG 510. sementes duras e sementes dormentes são expressas em números inteiros.

com uma variação dentro da amplitude normal da amostra. a região central do escutelo. 1. armazenamento ou descarte de lotes. Diferenças na coloração dos tecidos pode não significar baixa viabilidade e sim alterações na sua permeabilidade. O desenvolvimento do conceito de vigor em sementes data de períodos coincidentes com os primórdios da humanidade. tem procurado aprimorar os testes de germinação e vigor com o objetivo de que os resultados expressem a real qualidade fisiológica de um determinado lote de sementes. quando muito recentes. em amostras de 100 sementes. Verifica-se na Tabela 3 os resultados com os dados médios de viabilidade por lote de milho híbrido precoce. em geral. UFRB. enquanto o teste de tetrazólio pode informar a viabilidade das sementes em algumas horas. demonstrando que a solução teve dificuldade de penetrar nos tecidos devido à integridade das membranas celulares. as áreas vitais são: plúmula. informando a viabilidade e o vigor. Tabela 3. Dados médios de viabilidade (em porcentagem) por lote de milho híbrido precoce. Dentro deste contexto. Cv. independentemente do período de permanência no tetrazólio. pois. a tecnologia de sementes. As sementes vigorosas colorem-se vagarosamente. beneficiamento. muitas vezes. fato esse que ocorre com frequência. como também. tem grande importância para o setor de sementes. Cv. colorem-se mais rápida e profundamente e apresentam coloração vermelho-grená. Nas sementes de milho. v. Trata-se de um fator Tópicos em Ciências Agrárias. para a avaliação do teste é necessário conhecer com segurança a estrutura das sementes. assume grande importância. O teste de tetrazólio baseia-se principalmente na distribuição dos tecidos vivos e mortos no embrião.Teste de tetrazólio As empresas que comercializam sementes. 2009 109 . ausência de fraturas em regiões vitais. AG 510. Por isso. não são identificados os microorganismos que infectam as plântulas e. danos causados por insetos e formação morfológica das sementes. os danos químicos causados por produtos utilizados no tratamento de sementes. Como essa avaliação é feita sem a germinação. apresentando um tom rosa brilhante bem superficial. Para sementes de milho. coleóptilo. Testes de germinação paralelos aos de tetrazólio devem ser realizados para aferir a interpretação. ao aumento de produtividade associado a um incremento na qualidade. os estudos relativos aos testes de vigor. deterioradas ou danificadas. o que visa. Portanto. e a região situada entre a plúmula e a radícula. agilizando decisões de compra. venda. Por isso. os agricultores e os pecuaristas frequentemente se defrontam com problemas para escolha de lotes de sementes que pretendem adquirir. na maioria das espécies cultivadas necessitam de 7 a 30 dias para obtenção dos resultados. nos últimos anos. a radícula. basicamente. como um segmento do processo de produção. o desenvolvimento de métodos para a determinação da viabilidade de sementes em um período de tempo relativamente curto. no momento em que o homem passou a conviver e entender os outros seres vivos. que estima a viabilidade das sementes com base na alteração da coloração de tecidos vivos. destacam-se. Sementes mais velhas. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 92 91 94 R2 96 92 95 Média 94 92 95 Compararando-se a porcentagem de germinação com a de viabilidade. bem como as causas da perda da qualidade. nem sempre é possível identificar danos mecânicos. em presença de uma solução de sal de tetrazólio Os testes de germinação. verifica-se que os resultados são bastante próximos. não podem protelar sua decisão. O teste de tetrazólio é um método rápido. em amostras de 100 sementes. sempre admitindo diferenças em torno de 5% entre seus resultados. são observadas a turgescência dos tecidos. AG 510. Assim. tem levado as empresas a buscarem um aprimoramento técnico de suas atividades. TESTES DE VIGOR EM SEMENTES O aumento da atividade produtora de sementes no Brasil. onde se encontram as raízes seminais. o teste de tetrazólio permite a obtenção dos resultados em menos de 24 horas. Além da coloração. que é de 3 a 5%. em particular.

ou seja. Envelhecimento acelerado Este teste. Estudo que se baseava em informações obtidas por Croker e Groves. como em uma amostra de sementes postas a germinar. O objetivo básico dos testes de vigor é a identificação precisa de “diferenças importantes” na qualidade fisiológica dos lotes comercializáveis. Os dados apresentados na Tabela 4 permitem verificar que os valores absolutos obtidos no teste de envelhecimento. geralmente estresses. dentre os quais se destacam a seleção de lotes para semeadura (com base no potencial de emergência das plântulas em campo). com segurança. no entanto. havendo também. conduzidos após a exposição relativamente rápida de sementes secas à temperaturas elevadas (50-100ºC). envelhecimento precoce. não permitindo “predizer” a futura porcentagem de emergência de plântulas em campo nem estimar o período de conservação da qualidade das sementes durante o armazenamento. a capacidade de apresentar desempenho adequado quando expostas a diferentes condições de ambiente. o auxílio à seleção de genótipos durante o melhoramento de plantas e o embasamento de programas de controle de qualidade de sementes. lotes com maior ou menor probabilidade de apresentar bom desempenho após a semeadura e/ou durante o armazenamento. poderiam ser úteis para predizer a longevidade. em 1915. Diante desta situação. AG 510 de milho híbrido precoce obtidos no teste de germinação após o envelhecimento artificial. Tratamentos 2 3 68 60 12 32 52 40 Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) 1 64 32 18 4 8 14 40 Médias 50 23 38 110 Tópicos em Ciências Agrárias. talvez o mais popular é o teste de “envelhecimento acelerado. O teste de envelhecimento artificial tem sido conduzido com diferentes objetivos. (1987). Os testes de vigor oferecem apenas comparação entre o potencial fisiológico das amostras avaliadas. sugerindo que o “envelhecimento rápido ou acelerado” poderia ser muito útil para avaliar o potencial relativo de armazenamento das sementes. 2009 . em poucos dias. envelhecimento rápido ou envelhecimento artificial”. Estes pesquisadores sugeriram que testes de germinação. O vigor de sementes é o reflexo de um conjunto de características ou propriedades que determinam o seu “potencial fisiológico”. após alguns dias de exposição à alta temperatura e umidade e verificaram alta relação com o vigor de sementes e emergência de plântulas em campo. podem identificar as melhores e as piores amostras. UFRB. Esta sugestão foi considerada por vários pesquisadores e o teste de envelhecimento passou a ser incluído em inúmeros projetos de pesquisa e. rapidamente divulgados pelos tecnologistas de sementes. foi desenvolvido por Delouche (1965). pretende-se distinguir. citado por Marcos Filho et al. procurando predizer o potencial relativo de armazenamento de lotes de trevo e de festuca.biológico que se evidencia facilmente aos olhos a partir de uma observação. opções dirigidas à obtenção da “resposta” de sementes quando submetidas a condições específicas de ambiente. Dentre estes. Para tanto. Helmer. seus resultados. em geral. segundo as quais a morte de sementes durante o armazenamento era causada pela coagulação de proteínas e que o aquecimento “acelerava” este processo. que avalia a resposta de sementes à temperatura e umidade elevadas. v. através da determinação de parâmetros associados ao vigor. resultando plântulas com diferenças marcantes quanto à característica que se pretende observar. não se aproximaram da porcentagem de emergência das plântulas. Delouche e Lienhard estudaram a resposta de sementes de trevo à germinação. vários métodos têm sido desenvolvidos para avaliá-lo com segurança. pode-se ter uma idéia do potencial de armazenamento dos lotes processados. Em outras palavras. Em 1962. Valores médios (%) para os lotes do Cv. Atualmente. o teste é utilizado para avaliar o vigor de diversas espécies e incluído em programas de controle de qualidade por empresas produtoras de sementes pois. Tabela 4. a avaliação do potencial de armazenamento. há disponibilidade de testes que procuram avaliar “o estado atual de sementes”. 1. principalmente dos que possuem poder germinativo semelhante.

mais do que valores absolutos para germinação. Foi desenvolvido. principalmente se esses são constituídos de genótipos diferentes. a possibilidade de comparações entre lotes. possibilitam ainda a comparação do vigor relativo entre os lotes em estudo. como o mais promissor para germinar sobre amplas variações das condições de água e temperatura do solo. para avaliar o vigor de sementes de milho e. No caso de milho. torna-se muito difícil a sua padronização. os resultados do teste de frio proporcionam. procurandose simular condições desfavoráveis que ocorrem com frequência durante a época de semeadura (excesso de água no solo e baixas temperaturas) na área denominada Cinturão do Milho nos Estados Unidos. assume grande importância no que concerne à identificação das potencialidades dos lotes estudados. Como este teste envolve o uso de solo. Teste de frio com solo O teste de frio é provavelmente o método mais utilizado para avaliar o vigor de semente. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) Tratamentos 2 3 94 96 84 78 88 94 Médias 96 83 88 1 92 88 86 4 100 80 84 Por outro lado. no mínimo. assim. considerando aquelas com o comprimento maior ou igual a 2. de híbridos duplos. adaptado para outras espécies. alguns dos testes podem sofrer diminuição da sua sensibilidade face ao efeito das condições climáticas desfavoráveis. devese ter muito cuidado quando se faz comparação entre lotes. 1994 ). pois assim obtem-se resultados diretamente aproveitáveis para a implantação da cultura ou tem-se um bom indicativo da potencialidade dos lotes em fase inicial de desenvolvimento no campo. com relação à tolerância aos diferentes estresses que as sementes possam vir a submeter-se. diferenciando portanto o lote 1. equanto decresce esta potencialidade nos lotes 3 e 2. Desse modo. posteriormente. porém. encontra-se dentro do padrão estipulado por Grabe (1976) citado por Cicero (1992) e em Vieira et al.Embora um único teste de vigor não seja capaz de caracterizar todas as interações possíveis entre as sementes e as condições ambientais predominantes antes. como de maior potencial de emergência em campo. 1989). é também um teste adequado para avaliar a eficiência de fungicidas (Cícero et al.. de preferência na época recomendada para a semeadura da espécie em avaliação. reduzindo a velocidade de emergência e favorecendo o desenvolvimento de microganismos patogênicos. Os resultados do teste de frio são geralmente expressos em porcentagem de plântulas normais. observou-se melhor germinação sob condições de baixa temperatura e alta umidade. Entretanto. após a semeadura. Quando realizados fora de época recomendada. (1994). 1. no qual lotes de boa qualidade devem apresentar. uma vez que apresentou menor porcentagem de emergência de plântulas normais. Porcentagem de emergência de plântulas no campo De acordo com Nakagawa (1994). Assim. 1983). o teste de frio não é empregado apenas para espécies sujeitas a essa situação. Atualmente. pois essas condições podem afetar as sementes. a princípio. o que explica a obtenção de resultados desuniformes entre laboratórios. verifica-se um comportamento intermediário do lote 2. o qual apresenta alta variabilidade física e biológica. após a semeadura. durante e após a colheita. seguidos pelos simples e linhagens (Cicero & Vieira. a combinação de baixas temperaturas e excesso de água no solo é utilizada para permitir apenas a sobrevivência de sementes vigorosas.5 cm acima do nível do substrato (AOSA. 70 a 85 % de plântulas normais. não possibilitando a diferenciação de vigor entre os lotes. Tópicos em Ciências Agrárias. bem como as verificadas por ocasião da semeadura. Nos resultados da Tabela 5 observa-se um padrão de germinação entre os lotes que permite distinguir o lote 2 como mais sensível ao estresse provocado pela baixa temperatura e umidade elevada. v. destacando-se o lote 1. No entanto. Valores médios (%) obtidos no teste de germinação para os lotes do Cv. Tabela 5. AG 510 de milho híbrido precoce após o teste de frio com solo. 2009 111 . pois considera-se que as sementes resistentes às condições desfavoráveis são mais vigorosas. UFRB. os testes de campo são conduzidos em condições naturais de ambiente. inicialmente.

Baseia-se no princípio de que é tanto mais vigoroso um lote de sementes quanto mais rápida for a emergência das plântulas no campo. entretanto. enquanto os realizados em campo.Estes testes apresentam o incoveniente da dificuldade de padronização face às diferenças das condições de campo. indicando nítida diferenciação de vigor entre eles. AG 510 de milho híbrido precoce em campo. Este último. 1. Tratamentos 3 92 72 81 Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) 1 90 84 80 2 88 77 83 4 85 82 80 Médias 89 79 81 Velocidade de emergência de plântulas Este teste tem como objetivo. dos testes de vigor é de verificar o potencial de emergência no campo em condições as mais amplas possíveis (favoráveis e desfavoráveis). de uma região para outra (diferenças edáficas. de população e atividades da microflora e microfauna). se não o principal. para que possa ser um bom indicativo da potencialidade dos lotes em sua fase inicial de desenvolvimento no campo. Este teste possibilita a comparação do vigor dos lotes semeados em uma mesma época. Quando realizadas fora da época recomendada. Os testes de vigor que se baseiam na avaliação de plântulas são realizados em laboratórios sob condições controladas ou em condições de campo (Nakagawa. também denominados por alguns autores como de população inicial ou estande inicial. sofrerem perda da sensibilidade. 8 e 9. v. de preferência na época de semeadura recomendada para a cultura. nos estudos de teste de vigor ou nos trabalhos de avaliação de qualidade das sementes. Enquanto os testes de laboratório exigem instalações especiais e condições padronizadas de acordo com as Regras para Análise de Sementes (Brasil. alguns testes. todavia não afetará o vigor relativo entre os lotes. 2009 . visa determinar o vigor relativo do lote de sementes avaliando a porcentagem de emergência de plântulas em condições de campo. Os resultados dos testes são expressos em porcentagem e representam a média das repetições empregadas para cada lote em estudo. Tendo em vista. UFRB. que um dos objetivos. dormência). em testes fisiológicos. portanto. O que não será sempre possível é a comparação entre os lotes obtidos em testes instalados em épocas distintas. haverá influência marcante da temperatura do meio sobre a velocidade de emergência. é sempre interessante e recomendável a utilização destes em condição do campo. inserem-se dentro dos métodos diretos. sendo o lote 2. de preferência na época recomendada para semeadura da espécie em avaliação. maior vigor. dificultando a diferenciação de vigor entre os lotes. deve-se ser bastante cuidadoso com sua interpretação. Os que são conduzidos em laboratórios são classificados como métodos indiretos. 1992). Nas Tabelas 7. Dados médios da porcentagem de emergência de plântulas em lotes do Cv. determinar o vigor relativo do lote de sementes avaliando a velocidade de emergência de plântulas em condições de campo. de população e atividades de microflora e microfauna) e de épocas do ano em uma mesma região (diferenças climáticas. os mais empregados são o de velocidade de emergência e o de porcentagem de emergência de plântulas. climáticas. com destaque para o lote 1. A Tabela 6 mostra as porcentagens médias de emergência dos lotes estudados. como o de menor potencialidade de emergência em um campo de produção. 112 Tópicos em Ciências Agrárias. Tabela 6. Em geral. Caso o teste seja feito em época distinta à recomendada para a cultura. O lote cuja média foi maior é o que levou menos dias para a emergência das plântulas no solo. podendo. os de campo são conduzidos em condições naturais de ambiente. climáticas. empregando-se o IVE para cálculo. 1994). verifica-se o resultado do teste de velocidade de emergência de plântulas. possibilitam ainda a comparação relativa do vigor entre os lotes estudados. o que apresentou maior velocidade de emergência e conseqüentemente. Calculou-se o número de plântulas emergidas nas quatro repetições para obter o valor do índice de velocidade de emergência (IVE) para cada lote. principalmente pela inexistência de valores referenciais. Como estes testes apresentam o inconveniente da dificuldade de padronização face às diferenças das condições de campo (edáficas. para cada lote estudado. população e atividade de microorganismos) e da própria semente (tamanho. com base na repetição com 100 sementes no sulco ou linha.

IVE médio = 5. e realizando uma comparação da porcentagem de emergência de plântulas naquele dia. IVE=Índice de velocidade de emergência. 35 35/15 32 32/16 1 1/17 16 16/18 84 5. 15 16 17 18 TOTAL R1 NPN IVE 0 . indicando que suas sementes. 47 32 1 12 92 R3 IVE . IVE = Índice de velocidade de emergência. UFRB. 48 28 2 7 85 R4 IVE . . DAS 1 .71 NPN 0 . observando todos os lotes. teria sucesso em germinar e produzir plântulas normais em solo e ambiente climático. não totalmente favoráveis à espécie para o processo de germinação. 45 37 6 2 90 IVE . v. que em condições não controladas de campo. DAS 1 . .73 NPN 0 .25 DAS= Dias após semeadura. 41 41/15 23 23/16 4 4/17 9 9/18 77 4. 67 12 0 2 81 R3 IVE . Teste de velocidade de emergência de 100 sementes do Cv.67 Tabela 8. 2009 113 .90 R3 NPN IVE 0 . Teste de velocidade de emergência de 100 sementes do Cv. . 47/15 32/16 1/17 12/18 5. apresentaram maior rapidez de emergência. IVE=Índice de velocidade de emergência. Através desse procedimento pode-se evitar algumas interferências ou mascaramentos de resultados de velocidade de emergência de plântulas que as fórmulas possam trazer. O lote que apresentar a maior porcentagem média neste dia definido será o mais vigoroso. NPN = Nº de plântulas normais.15 Outra possibilidade para a determinação do vigor relativo entre os lotes.42 NPN 0 . considerando a média de repetições para cada lote. Tópicos em Ciências Agrárias. 61 20 0 2 83 R2 IVE .77 NPN 0 . DAS 1 . 58 24 5 1 88 R2 IVE .61 R4 NPN IVE 0 . caracterizando que suas sementes são mais vigorosas e possibilitando inferir.85 NPN 0 . 34 34/15 33 33/16 2 2/17 3 3/18 72 4. 67/15 12/16 0/17 2/18 5.AG 510 de milho híbrido precoce referente ao lote 3. IVE médio = 4. 62 17 0 1 80 R4 IVE . 45 45/15 20 20/16 7 7/17 10 10/18 82 5. Teste de velocidade de emergência de 100 sementes do Cv. 60/15 10/16 8/17 2/18 4. 61/15 20/16 0/17 2/18 5. 62/15 17/16 0/17 1/18 5. 45/15 37/16 6/17 2/18 5. é a de eleger determinado(s) dia(s) logo no início da emergência das plântulas. NPN= Nº de plântulas normais. 15 16 17 18 TOTAL R1 NPN 0 . verifica-se neste experimento.21 NPN 0 . por serem mais vigorosas. 1. às vezes. Cuidados especiais necessitam ser tomados no controle de pragas que possam prejudicar a emergência ou a manutenção das plântulas durante o teste.99 Tabela 9. NPN= Nº de plântulas normais.2 DAS= Dias após semeadura.Tabela 7. 15 16 17 18 TOTAL R1 NPN 0 . em comparação com os demais. IVE médio = 5. 58/15 24/16 5/17 1/18 5.28 R2 NPN IVE 0 .AG 510 de milho híbrido precoce referente ao lote 1. 60 10 8 2 80 IVE .35 DAS= Dias após semeadura. baseada na velocidade de emergência de plântulas sem o emprego de fórmulas. 48/15 28/16 2/16 5/18 5. À semelhança de resultados anteriores.AG 510 de milho híbrido precoce referente ao lote 2. . que o lote 1 destaca-se como mais promissor.

proposto como teste de vigor para sementes de ervilha na Inglaterra. Embora sua utilização tenha sido intensificada a partir da década de 60. como outros testes.70 mmhos/cm/g têm sido consideradas como de alto vigor. AG 510 de milho híbrido precoce por repetição. caracterizando o lote 1 como mais vigoroso. feijão e soja. Lotes 1 2 3 R1 6.80 mmhos/cm/g já são valores com tendência para médio vigor. 28 ou 35 dias. uma vez que liberou menor quantidade de eletrólitos. por sua vez. com rara exceção. milho.46 10.22 12. considera-se que. não é possível.31 10. Tabela 10. No caso particular do teste de condutividade elétrica. os padrões já são outros. o teste tem sido extensivamente usado para avaliar o vigor de sementes de ervilha na Inglaterra. já que.75 13. após vários estudos. A partir destes estudos. já havia sido utilizado na década de 20 para estimar a viabilidade de sementes de capim timóteo. v. com bastante sucesso. correspondem a lotes que se situam em categorias consideradas de alto a baixo vigor. um dos grandes problemas que se tem com relação aos testes de vigor. não possibilitando estimativas sobre o comportamento de lotes sob condições de campo. 2009 .26 7. devido à necessidade de submetê-las a um tratamento ou à desuniformidade ou menor velocidade de germinação. para a interpretação dos resultados. ervilha. Por outro lado.47 10. Geralmente são efetuadas duas contagens: a primeira contagem é necessária para a diminuição do número de plântulas infeccionadas que podem comprometer a sanidade do teste e para reduzir a possibilidade de entrelaçamento entre plântulas. verifica-se que os lotes podem ser separados em diferentes níveis. geralmente 21. 1. Austrália e Nova Zelândia.. As gramíneas forrageiras requerem períodos mais longos. temperatura de embebição e teor de água inicial de sementes) que podem causar variações nos resultados. considerando que o mesmo apresentou maior taxa de lixiviados na solução. valores variando entre 4 e 30 mmhos/cm/g para sementes de milho. para sementes do Cv. e sementes com condutividade elétrica até 60 . deve-se ter em mente os vários fatores (característica de sementes. Muitos resultados de pesquisa têm indicado. não se dispõe de parâmetros de comparação. Porém. e também com sementes de milho. Sendo mais tarde utilizado para medir viabilidade de sementes de algodão (1958) e. a medida da condutividade elétrica passou a ser estudada como um teste de vigor para várias espécies. verifica-se que um grande volume de informações tem sido produzido. Nos EUA.68 13. dentre as quais. os resultados de teste de condutividade elétrica só permitem comparações do potencial fisiológico dos lotes avaliados.84 14. O lote 2. uma gramínea. classifica-se como de pior desempenho. não só de armazenamento como também de semeadura. condutividade de sementes de soja superior a 150 mmhos/cm/g é um indicativo de sementes de baixo vigor (AOSA. fornecidas pelo teste de condutividade elétrica (Tabela 10). como sobre o potencial de armazenamento. diz respeito à dificuldade na interpretação dos resultados. o período pode ser ampliado. 1983).37 Média 7.28 R3 9.57 R2 6. 1994).Teste de condutividade elétrica O teste de condutividade elétrica apresenta-se como um dos mais utilizados em testes de vigor. Dentre esses aspectos é importante ressaltar as diferenças de condutividade elétrica observadas em sementes de diferentes espécies (Vieira et al. tempo de embebição. sendo principalmente estudado em sementes de ervilha. UFRB. em cada lote estudado. algodão. Dentre estas. Sem dúvida alguma. para a maioria das especies cultivadas. com apenas esses resultados. Primeira contagem de germinação O teste de germinação. trevo vermelho.63 9. principalmente com sementes de leguminosas graúdas. Entretanto. 114 Tópicos em Ciências Agrárias.78 Embora as informações obtidas através do teste de condutividade elétrica sejam importantes. Quando a semente apresenta dormência.28 14. que o teste pode ser utilizado para semente de soja. feijão. no caso de soja. como ervilha. Logo. Média dos resultados de condutividade elétrica (mmhos/cm/g). enquanto 70 . Com relação às informações sobre o vigor das sementes. prever o comportamento de lotes de sementes sob uma ampla faixa de condições. também. soja. tem duração de 7 a 14 dias. bem como de sementes de ervilha e de trigo. as Regras para Análise de Sementes estabelecem um limite de tempo para a duração do teste. Assim.38 R4 8.

Tabela 12. Como determinações adicionais são designadas aquelas análises que contribuem com outras informações sobre a qualidade do lote. Os dados obtidos através deste teste são muito importantes para espécies como o feijão. nas condições em que se procedeu o teste. Tabela 11. ou em outras palavras.0 R2 1. uma vez que com o atraso. feita no quinto dia após a semeadura.0 0. 2009 . pupa e inseto adulto.0 0. conservando-se no substrato as plântulas anormais e as sementes não germinadas ou em início de germinação. Foi conduzido conjuntamente com o teste de germinação.0 0. para os três lotes estudados. AG 510 de milho híbrido precoce. AG 510. consistindo do registro das porcentagens de plântulas normais encontradas na primeira contagem do referido teste. além de sementes que contêm ovo. esse teste objetiva determinar o vigor relativo do lote. confirmando a tendência observada em outros testes. prevalecendo uma relativa superioridade do lote 1 sobre o 3 e este sobre o 2. frequentemente atacadas por aqueles insetos. são consideradas.. Os resultados foram expressos em porcentagem média de plântulas normais. sementes mortas e plântulas infeccionadas. avaliando a porcentagem de plântulas normais que são obtidas por ocasião da primeira contagem do teste de germinação. as que apresentaram maior velocidade de germinação. A infestação pode ocorrer ainda no campo. Os resultados obtidos através da média das sementes infestadas encontradas nas duas subamostras é expresso em porcentagem com uma casa decimal e encontra-se na Tabela 12. por lote. Assim. caso necessário.Portanto. devido ao atraso na colheita das sementes. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 1. UFRB. realiza-se apenas uma contagem. AGR 510 de milho híbrido precoce em quatro repetições de 100 sementes. o desenvolvimento excessivo de plântulas dificulta a interpretação. por repetição. larva. estudados nas condições detalhadas no teste de germinação correspondente. é preferível a antecipação. v. milho. Cv. Exame de sementes infestadas Tem por objetivo determinar a porcentagem de um lote que se encontre danificado por insetos (gorgulho. Quando se utiliza areia ou solo como substrato. 1.0 0. quer tenham sido essas sementes danificadas por uma única espécie de insetos ou por várias. sorgo etc. Serve para indicar a necessidade de expurgo de um lote de sementes. Na Tabela 11 encontram-se resultados com dados médios em porcentagem do teste de primeira contagem de germinação (PCG) dos lotes do Cv. após o exame de sementes infestadas. todas as demais que apresentam orifício de saída do inseto. Dados médios de primeira contagem de germinação (%) em três lotes do Cv. Para efeito desse exame.0 Média 1. ou durante o período de armazenamento.0 0. Lotes 1 2 3 R1 96 92 88 R2 96 86 96 R3 98 96 92 R4 94 86 92 Média 96 90 92 Examinando os resultados obtidos e considerando que não houve dúvidas quanto à normalidade das plantas. traças e carunchos). DETERMINAÇÕES ADICIONAIS A qualidade de sementes é avaliada por um conjunto de índices determinados por análises. A data dessa contagem pode ser antecipada ou retardada de 1 a 3 dias. observou-se pequeno porcentual de sementes consideradas como anormais e/ou mortas. Dados médios de três lotes de sementes (%) de milho híbrido precoce. de que as sementes do lote 1 são as mais vigorosas.0 0.0 115 Tópicos em Ciências Agrárias. na primeira contagem são removidas as plântulas normais.

000 sementes (g) de milho híbrido precoce. assim como do seu estado de maturidade e sanidade. lagarta. utilizando-se as oito subamostras.8 116 Tópicos em Ciências Agrárias. danos nas sementes de milho entre 30 e 50% devem ser preocupantes ao produtor.000 sementes.0 16.1 283. AG 510.0 8.6 7. As sementes com trincas foram identificadas pela formação da coloração azul. Em contato com a solução de iodo.0 R2 8.6 305.000 sementes é em geral utilizado para calcular a densidade de semeadura e o peso da amostra de trabalho. resultante da reação entre o iodo e o amido espermático. somou-se as porcentagens de sementes danificadas por repetição e calculou-se a porcentagem média por amostra.0 Média 6. É uma informação que dá idéia da qualidade de sementes.5 20. o peso médio de 100 sementes. Tabela 13. 2009 . tem grande importância na qualidade da semente bem como na sua comercialização. Cv.5 De acordo com Everson (l985) citado por Dias & Barros (l995). pode ser empregado o teste do verde rápido (Fast Green FCF). Como o coeficiente de variação não excedeu a 4%. após o teste de injúrias mecânicas. 1. Seguiu-se os critérios das Regras para Análise de Sementes para o cálculo do peso de 1. O peso de mil sementes é influenciado pelo teor de água. Peso médio de 1. prejudicam a qualidade das mesmas. v. Pode-se empregar também a tintura de iodo. inseto adulto e o orifício de saída do inseto. Tabela 14.0 10. Dados médios (%) de três lotes de sementes de milho híbrido precoce. Teste para identificar injúrias mecânicas Para a identificação de danos mecânicos de sementes de milho.39 28. bem como a extensão desses danos. que é relativamente simples. principalmente. a presença de danos mecânicos é constatada pela formação da coloração azul. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 5.29 30. Acima de 50% o produtor deve tomar medidas necessárias para reduzir os danos mecânicos durante a debulha e processamento das sementes.0 24. pois os danos severos.66 R8 32. Além de fornecer informações para o cálculo de semeadura e regulagens de máquinas semeadeiras. obtido do peso médio (g) de oito subamostras de 100 sementes (R1 a R8) da porção semente pura. Lotes 1 (LM-20) 2 (LM-18) 3 (LM-21) R1 33.000 sementes O peso de 1. UFRB.50 Média 328. devido a influência do teor de água.43 30. Peso de 1.23 28. são utilizadas sementes puras provenientes da análise de pureza. para análise de pureza. Após a interpretação. podendo ser usado para o milho e outros cereais. que pode ser adquirido em frascos de 10 ou 25 gramas em casa de produtos químicos. AG 510.Foram consideradas atacadas as sementes onde se constatou a presença do ovo. Para realizar esta determinação. Cv. com a determinação da Variância. Os resultados encontram-se na Tabela 13. sendo x média. o resultado da determinação foi calculado multiplicando-se por 10 o peso médio obtido das subamostras de 100 sementes. do Desvio padrão e do Coeficiente de variação dos valores obtidos nas pesagens.

. de L.Testes de Vigor baseados na avaliação das plântulas. 1992.D.M. Avaliação da qualidade fisiológica de sementes de milho.S. do R. 1994. p. Seed vigor testing handbook . FCAV/UNESP/JABOTICABAL. 1995. IAPAR. DIAS. Divisão de Sementes e Mudas. R. S. M. 1994. N. W. (Handbook on seed testing. Ministério da Agricultura. NAKAGAWA. C. In: Testes de vigor em sementes. M. BRASIL. 95 p. VIEIRA. 363p. Piracicaba. coord. MARCOS FILHO.REFERÊNCIAS ASSOCIATION OF OFFICIAL SEED ANALYSIS.. FCAV/UNESP/JABOTICABAL.L. CARVALHO.R. Testes de vigor e suas possibilidades de uso. S.. W. ed.1989..S.p. v.L. 95 p. J. 207-23 CICERO. R. Tópicos em Ciências Agrárias. Circular no 88. 1987. M. 32 ). J.230 p.. SADER. 43 p. FEALQ. Regras para Análise de Sementes. 1992. In: Testes de vigor em sementes FCAV/UNESP/JABOTICABAL. 1983. In: Testes de vigor em sementes. . CICERO. SILVA.. Fundação Cargill. UFRB. A.SILVA. 2009 117 . 1. R. BARROS. MARCOS FILHO. S. S. CICERO. 95 p. Campinas. Avaliação da qualidade das sementes. 88p. J. Atualização em produção de sementes.. M. Teste de Frio.

Carlos Alfredo Lopes de Carvalho & Gilberto Marcos de Mendonça Santos Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 9 ANÁLISES FAUNÍSTICAS EM ESTUDOS ENTOMOLÓGICOS Oton Meira Marques.

A fórmula e programa de computador para análise das variâncias encontram-se em Ludwig & Reynolds (1988). a organização da vida terá sempre que ser descrita e aferida por uma série de definições e medidas diversas (Gaston. gerando uma gama de dados analisáveis.diversidade entre espécies. explicam a complexidade das interações entre os componentes das diversas comunidades. 2000. caracterizados por sua dinâmica. E-mail: gmms@uefs. Bolsista CNPq Professor . Tópicos em Ciências Agrárias. E-mail: calfredo@ufrb.edu.84 a 2. 1. é tratada como correlacionada com a diversidade de fisionomias de vegetação ao nível da paisagem ou de bioma (Lewinsohn & Prado. A diversidade faunística é fator primordial para o equilíbrio. nem pode existir. uma definição e uma medida unificada para biodiversidade e por ser um fenômeno intrinsecamente complexo.diversidade dentro de espécies. Ambientais e Biológicas/UFRB. corresponde à diversidade de espécies (espécies presentes em um ambiente ou região definida). de comportamento. que consiste em traçar um transecto subdividido em n quadrados de tamanho padrão e contar o número de representantes da espécie em cada quadrante (Figura 1).edu. são. Os primeiros estudos voltados a elucidar a relação entre as características estruturais dos habitats e a diversidade faunística foram realizados por Mac Arthur & Mac Arthur (1961).57 milhões (Hodkinson & Casson. v. Ambientais e Biológicas/UFRB.6 milhões (Stork & Gaston. 2 .Departamento de Ciências Biológicas. abrange toda a variação entre indivíduos de uma população. o padrão de distribuição de uma espécie é importante para o entendimento da importância relativa da espécie em termos locais. sem ater-se estritamente à base genética de tais diferenças). ecossistemas são essencialmente sistemas funcionais.9 a 6. Feira de Santana-BA. UFRB. 1990) ou 1. na maioria dos casos. Outra estimativa sobre o total de espécies de insetos na Terra foi apresentada por Erwin (1982) e chegou ao extraordinário número de 30 milhões de espécies. bem como entre populações espacialmente distintas da mesma espécie e tem sido tratada como equivalente à diversidade genética (embora possa incluir diversidade morfológica. Dentre os diversos processos utilizados para analisar a fauna de um dado ambiente. Posteriormente. Padrões de distribuição Apesar de não constar dos índices faunísticos clássicos. E-mail: oton@ufrb. surgiram outras estimativas fornecendo números mais modestos: 4. Universidade Estadual de Feira de Santana. regionais e até globais. Mas. As variâncias apresentadas na presença de indivíduos nos quadrantes são plotalas em gráficos. entre outras. indicando o tipo de padrão de distribuição apresentado pela população estudada (Figura 2).br INTRODUÇÃO Os fenômenos de síntese realizada pela vegetação e o consumo dessas substâncias pelos animais são dois processos vitais que. 2009 121 .Centro de Ciências Agrárias. inventariar ou monitorar a diversidade de ecossistemas. os índices faunísticos figuram entre os mais aceitos. Estes números são apresentados na literatura especializada ou não como a biodiversidade ou diversidade biológica ou diversidade de insetos na face da Terra. fluxo e/ou ciclagem de energia e matéria nos ecossistemas. Carlos Alfredo Lopes de Carvalho2. desprovidos de unidade.ANÁLISES FAUNÍSTICAS EM ESTUDOS ENTOMOLÓGICOS Oton Meira Marques1. além de serem facilmente calculados. Cruz das Almas-BA. não existe. por definição.. 1996).br. 1991). 2002). A diversidade biológica inclui três tipos de diversidade: 1 . 3 diversidade de ecossistemas. 2002). A vantagem da utilização dos índices é que. Porém. podendo este número representar apenas metade do total existente no planeta (Arnet Jr. Cruz das Almas-BA. permitindo comparações entre comunidades amostradas de modo não padronizado. Delimitar e caracterizar a fauna de um determinado ambiente é fundamental para o bom entendimento do ambiente. Os insetos constituem o grupo de seres vivos com o maior número de espécies na Terra e estima-se que existam 950.Centro de Ciências Agrárias. Gilberto Marcos de Mendonça Santos3 1 2 3 Professor . é pouco praticável (embora não impossível) e.br Professor . usar a dinâmica como base para avaliar. em termos práticos. é mais ambígua que as outras duas categorias. Esse padrão pode ser avaliado pelo método da variância dos quadrados contíguos.000 espécies descritas. Lewinsohn & Prado. Southwood & van Emden (1967) e Janzen & Schoener (1968) realizaram trabalhos pioneiros de análise faunística de entomofaunas.

se 90% dos indivíduos pertencem a uma só espécie e.aleatório agregado uniforme Figura 1. Uma análise faunística. estão distribuídos entre as outras nove espécies. fornece conhecimentos básicos sobre as populações presentes e os níveis de importância quantitativa das mesmas. os mais amplamente utilizados neste tipo de estudo.g. v. Diversidade Existem diversos padrões de diversidade. mas não apresentam necessariamente mais indivíduos por unidade de área (Lewis & Taylor. a eqüitabilidade é considerada baixa. agregado ou uniforme (adaptado de Ludwig & Reynolds. isto é. 1989). 1988). baseada no número de táxons (e. Posicionamento de quadrados contíguos ao longo de transectos em três ambientes onde os padrões de distribuição são aleatório (ou randômico). 2009 . a eqüitabilidade é considerada máxima.a combinação do número total e a eqüitabilidade (abundância relativa) de espécies. podendo ser feita por meio dos índices faunísticos descritos a seguir. 1988. o conceito de diversidade de espécies inclui o número de espécies na comunidade (abundância ou riqueza de espécies) e a uniformidade (eqüitabilidade) com a qual os indivíduos são distribuídos entre as espécies (Krebs. Considerando uma comunidade composta por dez espécies. Plotagem típica de variâncias encontradas em quadrados contíguos cujas populações apresentavam os padrões de distribuição: aleatório. Diferentes índices têm sido propostos para caracterizar isoladamente a abundância de espécies e a 122 Tópicos em Ciências Agrárias. Dois parâmetros devem ser considerados ao avaliar a diversidade biológica de um ambiente: 1 . se cada uma das dez espécies contribui com 10% do total de indivíduos. regularidades na variação do número de espécies no espaço e no tempo. 1988). a última indica como o total de indivíduos encontra-se distribuído entre as espécies. 5 4 Variança 3 2 1 0 0 1 2 3 4 5 Espaço 6 7 8 9 10 Aleatório Uniforme Agregado Figura 2. uma revisão sobre este assunto é encontrada em Carneiro et al. (1998). 1. 1976). A combinação do número total de espécies e a eqüitabilidade é considerada a abundância relativa das espécies (Ludwig & Reynolds.: espécies. gêneros. Odum. enquanto que. 1988).número total de espécies em uma comunidade (freqüentemente denominado abundância de espécies) e 2 . Algumas comunidades são mais ricas do que outras no número de espécies. famílias) de insetos coletados em um ambiente. uniforme e agregado (baseado em Ludwig & Reynolds. os restantes 10%. Assim. UFRB.

explorando de forma diferente os componentes da diversidade. 2009 123 . S = número total de espécies. apresentando elevado número de espécies. ln = logaritmo neperiano. N = número total de indivíduos. UFRB. Disperso (d) = n entre os limites inferiores dos IC1% e IC5%. Por outro lado. As espécies podem ser distribuídas em classes de abundância baseadas no Intervalo de Confiança (IC) do número de indivíduos (n) ao nível de 5% e 1% de significância (Bicelli et al. b) Índice de abundância A comparação dos dados de abundância obtidos em diferentes pesquisas é possível através da utilização de índices como. Outros tipos de índices combinam as duas características em um só valor e são conhecidos como índices de diversidade. Abundante (a) = n situado entre os limites superiores dos IC5% e IC1%. Os limites de classes mais comumente utilizados são: Raro (r) = n menor que o limite inferior do IC1%. a) Abundância O número total das espécies amostradas em um determinado estudo é considerado a abundância (S) dessas no ambiente (Ludwig & Reynolds. por exemplo. constância e abundância e os valores do teste F na determinação da dominância podem ser calculados por meio das funções estatísticas de planilhas eletrônicas computacionais. 1976).eqüitabilidade de uma comunidade. v. Os Intervalos de Confiança para as classes de freqüência. Alguns destes índices são expostos a seguir: Índice H' (Shannon-Wiener): H' = . 2) eqüitabilidade e 3) homogeneidade e o tamanho da área amostrada. significando que o local é mais específico. Esse índice é baixo nos locais onde ocorre competição interespecífica. O índice a mede a relação existente entre o número de espécies e o número de indivíduos de uma comunidade. o Alfa (a) proposto por Margalef (1951): a = (S . Muito abundante (m) = n maior que o limite superior do IC1%. Estes índices podem apresentar a desvantagem de confundir variáveis que caracterizam a estrutura de uma comunidade: 1) número de espécies.1) ln(N) onde.. c) Índices de diversidade Diferentes índices expressam a diversidade de uma área ou região. 1988). independente do processo de levantamento e do tamanho da amostra (Silveira Neto et al. há indicação de que o local é bastante diversificado. 1988). a utilização desses índices pode permitir a comparação entre comunidades. embora com menor número de indivíduos (Odum. 1. Quando o valor obtido é alto. 1989)..S pi (ln pi) Tópicos em Ciências Agrárias. em que o número de espécie tende a diminuir e o número de indivíduos das espécies dominantes tende a aumentar. Comum (c) = n situado dentro do IC5%.

baseandose na abundância relativa de espécies e no grau de sua dominância. H' H' max O índice proposto por Pielou (1977) e denominado J´ é. o índice de Simpson dá maior peso para as espécies mais comuns na comunidade. então a diversidade na comunidade amostrada é baixa (Ludwig & Reynolds. pi = freqüência relativa da espécie i dada por ni/N. ni = número de indivíduos da espécie i. abundância e eqüitabilidade. caso não haja interesse em separar os dois componentes da diversidade. H' = componente de “riqueza” de espécies. N = número total de indivíduos. ln = logaritmo neperiano. o que permite a comparação entre comunidades ainda que as amostragens em cada ambiente tenham sido realizadas com tamanhos diferentes (Odum. diversidade (H' e l) e eqüitabilidade (J') podem ser facilmente obtidos por meio da montagem de uma planilha de cálculo. v. De acordo com Odum (1988). Os índices de abundância (a). atingindo o valor máximo quando todas as espécies apresentam a mesma freqüência relativa (Odum. H' = componente da “riqueza” de espécies. O índice J' varia de 0 a 1.onde. 1988). Ludwig & Reynolds. Se a probabilidade for alta. H'max = ln S. å ç N ( N . o índice de eqüitabilidade mais usado em estudos ecológicos. S = número total de espécies. o índice de diversidade H' varia com o número de espécie. maior será a dominância por uma ou poucas espécies. 124 Tópicos em Ciências Agrárias. N = número total de indivíduos. Índice J' (Pielou. 1988). O índice H´ é um dos melhores índices para uso em comparações de comunidades. provavelmente. 1988. 1988). 1. De acordo com Washington (1984). ni = número de indivíduos da espécie i. UFRB. Índice l (Simpson. sendo que em comunidades biológicas não ultrapassa o valor 5. 2009 . 1977) J’ = onde. ln = logaritmo neperiano. 1949): s l= onde. quanto maior o valor obtido. sendo que.1) ÷ ç ÷ i =1 æ n i (n i . expressando a uniformidade em número de indivíduos que as espécies possuem ou não.1) ö è ø Esse índice varia de 0 a 1. Esse índice apresenta a vantagem de ser relativamente independente do tamanho da amostra. dando a probabilidade de dois indivíduos coletados casualmente na população pertencerem à mesma espécie.

cujo esforço amostral foi de 1000 indivíduos. Ludwig & Reynolds (1988) defendem esse tipo de análise como o mais eficiente para comparar a riqueza de comunidades cujas intensidades de esforço amostral foram diferentes. abundância e outros). a curva mostra que o ambiente não foi suficientemente amostrado e. constância.Modelo de distribuição e estimativa da abundância de espécies O método da Curva de Rarefação ou Curva do Coletor (Richness rarefraction method) indica o número de espécies esperadas em um dado tamanho de amostra (Hurlbert. biomassa. a distribuição do número de indivíduos e de espécies por coleta indicou que o número de coletas realizadas foi suficiente para amostrar a abundância de espécies da área estudada. Observa-se que ocorreu uma estabilização a partir da 23a coleta. 35 Curva de Rarefação 30 Número de Espécies 25 20 15 10 5 0 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 comunidade 1 comunidade 2 Número de Indivíduos Figura 3. observa-se duas comunidades hipotéticas: na comunidade 1. Só pode ser considerado suficientemente amostrado aquele ambiente cuja curva encontrada apresente tendência à estabilização. 1994). v. neste caso. A validação estatística para o modelo encontrado pode ser obtida por meio da análise de regressão. A fórmula e um programa para obtenção da Curva de Rarefação estão disponíveis em Ludwig & Reynolds (1988). quando se atingiu o total de 80 espécies. enquanto que uma curva que mostre tendência de crescimento indica que novas espécies podem ser encontradas com um pequeno aumento no esforço amostral. o método da análise da riqueza baseado na Curva de Rarefação fornece informação sobre a suficiência amostral do estudo. quaisquer análises de comunidade baseada em índices faunísticos (freqüência. a curva mostra que a riqueza foi baixa e que o esforço amostral foi suficiente para caracterizar a comunidade. Como o gráfico da curva de rarefação permite avaliar a intercessão dos eixos onde são plotados. além de servir como indicativo da efetividade da amostragem das populações que compõem uma comunidade. na qual o esforço amostral foi de apenas 500 indivíduos. Curva de rarefação de duas comunidades hipotéticas. evitando a sub amostragem. 1948). Na Figura 3. valor da abundância de espécies (S). James & Rathburn. número de horas amostradas. número de armadilhas) e a variação do número de espécies encontradas em função deste esforço. 1981) e mede a eficiência do número de coletas na representatividade das espécies que ocorrem em uma determinada área (Colwell & Coddington. calculados sobre os 1000 indivíduos encontrados levariam a erro na caracterização. pode-se fazer inferências sobre o esforço necessário para atingir um número determinado de espécies em comunidades distintas. No exemplo da Figura 4. é preciso aumentar muito o esforço amostral. 2009 125 . a variação do esforço amostral (número de indivíduos. 1. 1971. para aumentar o número de espécies encontradas. Um estudo que se propõe a caracterizar uma comunidade baseado em seus índices faunísticos precisa se certificar que o ambiente foi suficientemente amostrado. Uma curva que tenda a se estabilizar indica que. Magurran (1988) e Krebs (1989). Um modelo de distribuição de abundância pode ser baseado na distribuição das espécies e indivíduos em oitavas (Preston. UFRB. Tópicos em Ciências Agrárias. discutido por Ludwig & Reynolds (1988). na comunidade 2.

42 R2 = 0. R = logaritmo na base 2 da abundância de espécie de uma determinada classe de oitava dividido pela abundância de espécie na oitava modal.po ( xo . 2009 . zo: variável normal estandartizada Þ zo = S 1 .28x + 25. O procedimento para avaliar o modelo da distribuição lognormal truncada é encontrado em Magurran (1988). Curva do Coletor para amostras de abelhas (Apoidea) coletadas no vale do rio Paraguaçu.01) Coletas Figura 4. onde o número estimado de espécie na comunidade é obtido pela equação: S* = onde. xo = log10(0. UFRB. S* = número estimado de espécies. (1961) para lognormal truncada. q = parâmetro obtido através de l e da tabela de Cohen Jr. m: estimativa da média Þ m = x . S å 126 Tópicos em Ciências Agrárias. entre janeiro de 1994 e fevereiro de 1995 (Carvalho. Município de Castro Alves-BA. S(R) = número de espécies na R-ésima oitava (= classes). S = número total de espécies. 1984). po = probabilidade da curva normal para zo (proporção da curva normal de acordo com Zar. So = estimativa do número de espécies na oitava modal. 1999). R = 0 na oitava modal.5). a = medida de amplitude inversa da distribuição.90 espécies Número acumulado de es écies 80 70 60 50 40 30 20 10 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 y = 2. 1.96 (p > 0. x: média do número de indivíduo em log 10 Þ x = åx S .xo). a distribuição lognormal é representada por: S(R) = So e(-a²R²) onde. l = s2/(x-xo)2. v.x) 2 2 s : variância Þ s = .q (x . De acordo com Ludwig e Reynolds (1988).m ) vx . 2 ( x .

1990). sendo a abundância estimada (S*) igual a 86 espécies.0% do número estimado de espécies presentes na área não foi coletado. aproximadamente. v. Apesar dessas limitações. requerendo uma quantidade maior de amostras. Constância Calculada por meio da percentagem de ocorrência das espécies no levantamento (Silveira Neto et al. Os estudos sobre a composição faunística de áreas restritas apresentam limitações quanto à possibilidade de se fazer extrapolações para áreas maiores. 1976). sendo necessário o estudo de outras áreas. a estimativa do número de espécie na comunidade não possui um sistema para avaliar a sua precisão e deve ser analisada com precauções. Entretanto. 1. N = número total de indivíduos. Frequência A freqüência (f) das espécies é determinada pela participação percentual do número de indivíduos de cada espécie. No exemplo da Figura 1. 7. esse tipo de resultado permite apenas uma abordagem descritiva da comunidade e não deve ser considerado conclusivo. ni = número de indivíduo da espécie i vx: estimativa da variância = s2 + q (x-xo)2 As oitavas são formadas por intervalos do número de indivíduos e número de espécies. b) Freqüente (F) = f situado dentro do IC5%. 1976): f = ç onde. 1967). sendo cada classe representada pelo dobro da abundância de espécie acrescido de 0. UFRB. em relação ao total coletado (Silveira Neto et al. como também. O teste do Qui-quadrado (X2) aplicado e o valor obtido é comparado com o tabelado ao nível de 5% de significância. conforme Ludwig & Reynolds (1988) e Magurran (1988). ni = número de indivíduos da espécie i. com o número de graus de liberdade igual ao número de oitavas menos três (Magurran. utilizando-se a fórmula: C= ç æ ci ö ÷ x 100 è Nc ø Tópicos em Ciências Agrárias. a coleta de dados deve ser por vários anos (Martins. 2009 127 ... æ ni ö ÷ x 100 èN ø De acordo com os resultados obtidos são estabelecidas classes de freqüência para cada espécie. provavelmente resultaria na amostragem de outras espécies consideradas raras (com poucos indivíduos). 1988). um total de 80 espécies foi coletado (S). Neste estudo. Isso significa que. uma vez que o método de amostragem pode ter contribuído para a ausência de algumas espécies nas coletas.x: número de indivíduo em log10 x = log10 ni. c) Muito Freqüente (MF) = f > o limite superior (LS) do Ic5%. a amostragem de insetos em áreas restritas fornece uma estimativa considerável da abundância relativa das espécies e famílias dentro da comunidade (Sakagami & Matsumura. por meio de Intervalos de Confiança (IC) a 5% de probabilidade: a) Pouco Freqüente (PF) = f < o limite inferior (LI) do IC5%. Segundo Krebs (1989).5. o modelo de distribuição das espécies observadas e esperadas pode ser estatisticamente avaliado pelo teste do Qui-quadrado. Por outro lado. o incremento no número de horas de coletas em diferentes épocas do ano.

k'2 = 2 (ni + 1). utilizando as equações: Ls = ç ç æ (k1 xFo ) ö ÷ x 100 k2 + (k1 xFo ) ÷ è ø (k '1 xFo ) ö ÷ x 100 k ' 2 +(k '1 xFo ) ÷ ø e. em seu benefício. k'1 = 2 (N ni + 1). (1989). k1 = 2 (ni + 1). as espécies podem ser separadas em categorias. de acordo com Sakagami e Matsumura (1967). (1982). o impacto recebido do ambiente. ni = número de indivíduos da espécie i. Uma determinada espécie será considerada como dominante quando o seu limite inferior (Li) for maior que o inverso do número total de espécies multiplicado por 100 (LD). S = número total de espécies.. Bicelli et al. c) Espécies acidentais (Z): C < o limite inferior (LI) do IC5%. k2 = 2 (N ni + 1). Laroca et al. Dominância A dominância consiste na capacidade ou não da espécie em modificar. (1983). podendo assim causar o aparecimento ou desaparecimento de outros organismos. Este método foi utilizado por diversos pesquisadores como. LD = limite da dominância. É uma característica difícil de ser avaliada quantitativamente. Bueno e Souza (1993). 1976). pois depende da atividade desempenhada pela espécie na comunidade (Silveira Neto et al. Li = ç1 ç æ è onde: Ls = limite superior. LD = ç onde.. segundo a classificação de Bodenheimer (citado por Silveira Neto et al.onde: C = percentagem de constância. 1.. Rossi (1989). referido por Laroca & Mielke (1975). 1976) e o IC a 5%em: a) Espécies constantes (W): C > limite superior (LS) do IC5%. k1' e k2'. por exemplo. A dominância ou não das espécies pode ser obtida pelo método de Kato et al. 2009 æ1ö ÷ x 100 èSø . UFRB. Li = limite inferior. 128 Tópicos em Ciências Agrárias. b) Espécies acessórias (Y): C entre os limites (LI e LS) do IC5%. Fo= valor obtido da tabela de distribuição de F ao nível de 5% de significância para graus de liberdades obtidos em k1 e k2 e. De acordo com os percentuais obtidos. Nc = número total de coletas efetuadas. N = número total de indivíduos. ci = número de coletas contendo a espécie i. v. Um outro procedimento para considerar a dominância de uma espécie é quando o Limite Inferior for maior que o Limite Superior para K = 0. Nascimento et al.

+ n) onde: %S= Porcentagem de Similaridade a = Menor porcentagem da espécie "a" observada no confronto entre os dois agroecossistemas b = Menor porcentagem da espécie "b" observada no confronto entre os dois agroecossistemas n = Menor porcentagem da espécie "n" observada no confronto entre os dois agroecossistemas Tópicos em Ciências Agrárias. bN = número coletado de indivíduos da espécie de abelha b. calculada pela soma dos menores valores da porcentagem do total de indivíduos das espécies comuns às duas comunidades comparadas: %S = Somatório (a + b + . 2009 129 . aN = número coletado de indivíduos da espécie de abelha a. [( da + db ) ´ ( aN ´ bN )] Im-h = Índice de Morisita-Horn entre as espécies de abelhas a e b. Neste caso. da = å an aN 2 2 . isto é. bni = número coletado de indivíduos da espécie de abelha b na espécie vegetal i.Similaridade entre comunidades de insetos A similaridade entre duas comunidades quanto à composição de espécies. 1989).. não depende do tamanho da amostra e é um dos melhores índices para medir a similaridade em estudos ecológicos (Wolda. a similaridade entre as espécies de abelhas quanto às espécies de plantas visitadas pode ser calculada da forma a seguir: 2 ( an i ´ bn i ) Im-h = onde. ou ainda entre espécies quanto a hospedeiros ou recursos tróficos pode ser obtida pelo Índice de Morisita-Horn (Im-h). 2 db = å bn bN 2 . Outro modo de avaliar a similaridade entre comunidades de insetos é o Coeficiente de Similaridade de Sfrensen.. de acordo com Magurran (1988). ani = número coletado de indivíduos da espécie de abelha a na espécie vegetal i. Por exemplo. UFRB. v. a abordagem é qualitativa. A fórmula a seguir representa o Coeficiente de Sfrensen: CS = 2j / (2j + a + b) onde: a = número de espécies no agroecossistema I b = número de espécies no agroecossistema II j = número de espécies encontradas em ambos os agroecossistemas O coeficiente de Similaridade de Jaccard (1912) também pode ser utilizado para indicar a semelhança entre duas comunidades quanto à composição de espécies e pode ser obtido por meio da fórmula a seguir. presença ou ausência. 1. O índice de Morisita-Horn varia de zero (nenhuma similaridade) a 1 (completa similaridade) (Krebs. 1981). onde se avalia a semelhança na composição das espécies entre duas áreas. utilizando as mesmas variáveis do Coeficiente de Sfrensen: CJ = j / (j + a + b) Outro índice conhecido é a Porcentagem de Similaridade.

In: GASTON. 39-47. W. diversidade de Shannon-Wiener. UFRB. Fitopatologia e Zoologia Agrícola da Esalq/USP (Moraes et al. P. K.. 1991. HODKINSON. 26-32. também pode ser representada graficamente por meio de um dendograma construído através do diagrama de treliça (Silveira Neto et al. J. MENDES. 101-110. ESALQ/USP. Ecology. 1912. (Tese de Doutorado). 1. 74-75. 1994. Diversidade de abelhas (Hymenoptera. M. JANZEN. COHEN Jr. F. p. v. relative abundance. BICELLI. J.. K. 535-541. A. K. 785800. Piracicaba. 11. Apoidea) e plantas visitadas no município de Castro Alves-BA. SOUZA.. I. 36. B. 1976). Ocorrência e diversidade de insetos predadores e parasitóides na cultura de couve Brassica oleracea var. Biodiversity: a biology of numbers and difference.L. 1996. Technometrics. 3. p. JACCARD. and diversity of avian communities. ERWIN. dominância. similaridade e outros podem ser obtidos com o programa ANAFAU. 1. p. SILVEIRA-NETO. 1981. de. v. p. freqüência. C. v. ed.). A.. Tropical forests: their richness in Coleoptera and other arthropod species. Dinâmica populacional de insetos coletados em cultura de cacau na região de Altamira. p. Biological Journal of the Linnean Society. Philosophical Transactions Royal Society of London (B). H. 1003 p. R. de. n. L. 1-9. 37-50. acephala em Lavras MG. 1. HURLBERT. B. C. p. p. v. D. CASSON. D. desenvolvido no Departamento de Entomologia. 577586. 1993.. The distribution of the flora in the alpine zone. CODDINGTON. SCHOENER. De SOUZA.A. p. 52. 43. D. CARVALHO. C. Brasil. A diversidade padronizada. H. v. JAMES. Agrotrópica. 2003). 1989. V. Anais da Sociedade Entomológica do Brasil. T.. constância.. C. (Ed. equitabilidade. Rarefraction. Oxford: Blackwell Science. 104p. 1982. A.. C. v. S. p. v. Pará. RATHBUR. The Coleopterists Bulletin. 518. p. Boca Raton: CRC Press. What is biodiversity?. 1961. Os índices: dominância. O. FERNANDES.. Nerophytal. C. Tables for maximum likelihood estimates: singly truncated and singly censored samples. 1998. BUENO. LARA. v. 2000. H. abundância. v. 2009 . A lesser predilection for bugs: Hemiptera (Insecta) diversity in tropical rain forests. 2ª.A similaridade entre as comunidades de insetos. R...A handbook of insects of America north of Mexico. análise faunística. A. 1. v. 101-118. GASTON. P. Estimating terrestrial biodiversity through extrapolation. M. ix+396p. 98. S. The non-concept of species diversity: a critique and alternative parameters. Ciência Hoje. Auk. G. n.. 22. L. 24. F. R. A. 1999. COLWELL. 345.. Differences in insect abundance and between wetter and drier sites during a tropical 130 Tópicos em Ciências Agrárias. American Insects . REFERÊNCIA ARNETT Jr. CARNEIRO. p. v. S. 1971. H. II. J. T. H. A.

Revista Brasileira de Biologia. Apoidea) Japanese Journal of Ecology. p.. 3. 1961. 2002. F. BARBIN. 337 p. São Pedro: 2003. p. TAYLOR. LUDWIG. J. W. 1951. 1968. E. E. 401 p. M. Paraná. VILLA NOVA. I. T. Apoidea) na caatinga (Casa Nova. SILVEIRA NETO. Apoidea) de uma área restrita no interior da cidade de Curitiba (Brasil): uma abordagem biocenótica. 3. Síntese do estado atual do conhecimento. Ecology. D. 176p. v. Resumos. n. F. On bird species diversity. J. 6. (Tese de Mestrado). 1988. 1989. Publicaciones del Instituto de Biologia Aplicada. MARTINS. M. p. 1967. Manual de ecologia dos insetos. 254-283. Software para análise faunística. In: SIMPÓSIO DE CONTROLE BIOLÓGICO. 8. Ecology.. Mac ARTHUR. p. New York: Harper Collins Publishers. v. São Pedro. p. n. N. ZUCCHI. MAGURRAN. Durham. LEWIS. New York: John Wiley. SP. R. W. UFRB. 434 p.195. 2003. S. Lavras-MG... n.. R. MIELKE. HADDAD. 654 p. v. Durham.. Biodiversidade brasileira. 179 p. S. KREBS. MARGALEF. BORTOLI. The commonness and rarity of species. 1982. III. Ecologia. 52-72. A. ESAL.. n. SILVEIRA NETO. P. E.1. BA) e na Chapada Diamantina (Lençóis. R. v. v. Mathematical ecology. 42. Princeton: Princeton University Press. 1948. de. v. T. Mac ARTHUR. A. Ecological diversity and its measurement. 1976. 1990.. 88p. S.. 385 p. R. E.. 319-328. REYES. n. O. ODUM. 2009 131 . 237-250. 1988. Relative abundance. PRESTON. Dusenia. REYNOLDS J. H. São Paulo. phenology and flower preference of andrenid bees in Sapporo.BA). B. C. A. 3. SILVEIRA NETO.dry season. O. 1977. v. NASCIMENTO. 594-598. L. Introduction to experimental ecology: a student guide to fieldwork and analysis. LEWINSOHN. M. p. C. J. Análise faunística.1989.F. Barcelona. H. S. LAROCA. A. Ecology. R. ROSSI. P. n. 1. v. Pesquisa Agropecuária Brasileira. London: Academic Press.. LAROCA. C. 96-110. T. J. north Japan (Hymenoptera. R. 1975. p. R. A. 18. 1983. 1. Estrutura da comunidade de abelhas (Hymenoptera. v. C. 6. CURE. Ecological methodology.. p.. MORAES. São Paulo: Contexto. A. 139 p. H. Dinâmica populacional das moscas-das-frutas no Recôncavo Baiano. Ensaios sobre ecologia de comunidade em Sphingidae da Serra do Mar. L. n. 1-19. C. p. S. S. NAKANO. Diversidade de espécies en las comunidades naturales.. 17.. 93-117. PRADO. L. PIELOU. SAKAGAMI. (Tese de Doutorado) IB/USP. MATSUMURA.. 29. 49. flutuação populacional e efeitos climáticos sobre algumas espécies de pulgões (Homoptera: Aphididae) em Lavras-MG. Análise faunística. Statistical ecology: a primer on methods and computing. F. 17. Piracicaba: Tópicos em Ciências Agrárias. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 4. 35. 1988. do. New York: John Wiley. A associação de abelhas silvestres (Hymenoptera. S. Brasil (Lepidoptera).

p. 1949. K. New Scientist. Hamburg. Water Research. 1. WASHINGTON. 296-302. G. T. F. 688. p. v. 1976. Nature. R. 50. 1967. p. v. SOUTHWOOD. A. H. 60. 419 p. J. 18. Zeitschrift fuer Angewanote Entomologie. sample size and diversity. Counting species one by one. 1984. 1729. n. Similarity indices. H. E. Biostatistical analysis. Measurement of diversity. biotic and similarity indices: a review with special reference to aquatic ecosystems. 163. 1984. N. A comparison of the fauna of cut and uncut grasslands. WOLDA. 718 p. ZAR. v. Inglewood Cliffs: Prentice-Hall. van EMDEN. GASTON. v. p. STORK. E. 1990. 2009 . Oecologia. 43-47. 653-694. p. 132 Tópicos em Ciências Agrárias. 1981.. Diversity. 188-198.. G. H.Ceres. SIMPSON. H. E. n. UFRB. H.

CAPÍTULO 10 INTERFACE DA ENTOMOLOGIA APLICADA NA FRUTICULTURA TROPICAL Antônio Souza do Nascimento & Tuffi Cerqueira Habibe Tópicos em Ciências Agrárias .

os estudos com parasitóides de moscas-das-frutas são recentes. (1999) mencionaram a presença de moscas-dasfrutas (Anastrepha spp. 2001). Em frutos menores. pertencem aos gêneros Anastrepha e Ceratitis. não foi relatada a presença de moscas-dasfrutas nesta cultura em Cruz das Almas (Sá. aumentando o mercado interno e propiciando a conquista de novos mercados internacionais (Lima et al. reduzindo a produtividade. no período de outubro a dezembro e alerta ao produtor a ter atenção especial com ela.INTERFACE DA ENTOMOLOGIA APLICADA NA FRUTICULTURA TROPICAL Antônio Souza do Nascimento1. com polpa e casca fina. verificou-se que Doryctobracon aerolatus. v. UFRB. gerando mais de cinco milhões de empregos diretos (FAO. E-mail: tuffihabibe@yahoo. Cruz das Almas-BA. foi a espécie mais comum encontrada. as pragas e doenças assumem papel de grande relevância para essa atividade. em Tópicos em Ciências Agrárias. 2009 135 . Os eucoilíneos conhecidos são generalistas. O trabalho foi desenvolvido na área experimental da sede da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical.br INTRODUÇÃO Atualmente. que ocorre da Argentina até o sul dos EEUU. patógenos. (1999) realizaram a descrição. capitata danifica o fruto. A fruticultura tem apresentado grande avanço nos últimos anos. Devido à associação com os tefritídeos. com uma percentagem de 70 % do total de braconídeos coletados e ocorrendo em 81 % dos frutos amostrados.. com uma produção de 38 milhões de toneladas/ano. isto é.embrapa. Parasitóides Dentre os organismos que efetuam o controle biológico de moscas-das-frutas. o parasitismo em moscas-das-frutas depende do tamanho do fruto. Os estudos sobre os eucoilíneos para o controle biológico de moscas-das-frutas demostram o potencial desses parasitóides em programas de manejo de pragas. Num posterior levantamento de insetos associados à cultura da acerola.com. Nascimento et al. Malavasi et al. ainda assim. por se constituírem em fatores limitantes à produção. E-mail: nascimento@cnpmf. nematóides. parasitando tanto as espécies da família Tephritidae quanto as da família Lonchaeidae. capitata. mas destaca que ainda sendo uma praga potencialmente importante. caracterização e dano dos Insetos-Praga em acerola em Cruz das Almas e relataram que a larva de C. devido principalmente à disponibilização de novas tecnologias. Segundo Carvalho et al. 2003). causando danos econômicos em alguns fruteiras. somente Ceratitis capitata é considerada praga de importância econômica. pela facilidade que o parasitóide encontra em localizar as larvas da mosca no interior do fruto. esses parasitóides desempenham função importante como inimigos naturais de moscas-das-frutas. Didonet et al. que cai precocemente. Este trabalho visou: a)Identificar as espécies de moscas-das-frutas que utilizam a acerola como hospedeiro.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. favorecendo o aumento da área de cultivo. 1.) como praga de aceroleira. não existe suficiente informação sobre o comportamento de insetos limitantes a sua produção. os últimos parecem ser os mais efetivos. A acerola (Malpighia punicifolia L. As espécies de moscas-das-frutas assinaladas no Brasil.. (1980) realizaram o levantamento de tefritídeos no Brasil amostrando 55 espécies de hospedeiros dos quais 25 estavam atacados por C. Outro importante grupo de parasitóides é representado pela família Figitidae (Eucoilinae). o índice de parasitismo é maior. Cruz das Almas-BA. o Brasil ocupa a terceira posição entre os países produtores de frutas. Esses autores relataram que a mosca do mediterrâneo era mais freqüente nas fruteiras introduzidas enquanto que as espécies de Anastrepha preferem os hospedeiros nativos. b) Conhecer o nível de infestação nos frutos. predadores. bactérias e parasitóides. Tuffi Cerqueira Habibe 2 1 2 Pesquisador . 1762) como hospedeira de moscas-das-frutas (Diptera: Tephritidae) no Recôncavo da Bahia O Brasil é o principal produtor de acerola (Malpighia punicifolia) no mundo. 1999).br Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. c) Conhecer a incidência de inimigos naturais parasitóides nativos. (2000). Em 1995. num levantamento no país. No Brasil. Nesse contexto. o incremento do parque industrial e a elevação de sua capacidade produtiva e de exportação.

05 0.00 0.04 0. e segundo Zucoloto (1993).00 0. BA.36%) (Tabelas 1 e 2).05 66 37 2 3 0 0 0 3 14 0 0 3 24 2 4 0 158 0 1 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 2 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 4 66. enquanto as espécies de Anastrepha infestam preferencialmente hospedeiros nativos.00 0.04 0. v.00 0. sendo que os indivíduos do gênero Ceratitis foram contados. capitata.00 0. capitata ser a única espécie representante do gênero ocorrendo no Brasil.) por moscas-das-frutas dos gêneros Anastrepha e Ceratitis na Área 1 do Banco de Germoplasma em Cruz das Almas-BA. Estas proporções diferem da encontrada por Nascimento & Zucchi (1981) no Recôncavo Baiano que de um total de 17.42 136 Tópicos em Ciências Agrárias. obliqua. Efetuou-se a coleta sistemática de frutos maduros ou em início de maturação em diferentes alturas da copa das árvores.02 0.00 23. Durante o período de estudo. mamão (Carica papaya). mandioca (Manihot esculenta). Total fruto Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto TOTAL 590 1060 480 110 0 1040 180 440 290 0 0 1010 620 110 430 250 6610 Número Infestação Número Número Número Viabilidade Índice de pupas pupas/frutos Ceratitis Anastrepha Parasitóides Pupal Parasitismo 102 121 8 4 0 4 0 19 20 0 0 13 39 6 7 0 343 0. abacaxi (Ananas comosus). capitata foi dominante comparada com A.01 0. O levantamento populacional foi iniciado em abril de 2000 até agosto 2001. banana (Musa spp.1 2.00 0.17 0. UFRB.343 pupas das quais emergiram 661 espécimes. obliqua (1.23 50. 2001. distribuídas no centro e na periferia das culturas.08 61. 2009 . manga (Mangifera indica).29 % a Anastrepha spp.14 0. afirmações feitas pelos autores naquela época em relação à adaptação de C. As amostras foram levadas ao laboratório de Entomologia da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical e acondicionadas em bandejas plásticas contendo uma camada de vermiculita com aproximadamente 3 cm de espessura.00 0.877 indivíduos coletados.67 32.00 0. viabilidade pupal e índice de parasitismo em acerola (Malpighia punicifolia L. pelo fato de C.79 70.00 0. cajá (Spondias lutea) e vegetação nativa.00 0. Tabela 1.701 frutos que deram 1.07 0.00 57. 652 pertenceram à espécie C. mas possuem estratégias diferentes em relação à utilização de nutrientes. em duas áreas do Banco de Germoplasma BAG de Acerola.00 0.00 0. cítros (Citrus sp.56 0.00 48.00 0. (1980). separados por sexo e descartados após sua verificação. têm sido confirmadas neste trabalho. Monitorou-se semanalmente.) e vegetação nativa.00 0.33 0. Os espécimens de Tephritidae foram separados por sexo e identificados.00 75.00 0.94 2. corrobora com as observações feitas por Malavasi et al.71 % correspondeu a C.11 0.00 0. distantes entre si aproximadamente 500 m e separadas por vegetação nativa em direção nordeste. capitata às condições do recôncavo.00 0.. utilizando atrativo alimentar hidrolizado de proteína (“Tephritide”) a 5% com armadilhas tipo Valenciano modificada. A área 2.06 0. Neste estudo.).64%) e 9 espécimes de A. foram coletados nas duas áreas 14. que os frutos introduzidos são mais susceptíveis a infestações por C.00 0.00 0. A área 1 teve como cultivos vizinhos.Cruz das Almas. capitata e 99. 1. para permitir a empupação. 0. sendo acerola um cultivo introduzido.00 2. Infestação de frutos.02 0. capitata (98.00 0. estas duas espécies ocupam nichos alimentares semelhantes.00 0. a presença de C.00 33.00 15. Por outro lado.00 0.64 50.

00 0.17 56.00 0.00 0.00 0.05 0. são relatas as épocas de ocorrência dos principais insetos-praga para a cultura. A Tabela 3 apresenta a relação de espécies com a Ordem.2 1.45 0.00 0. ganhou grande expressão a partir da década de 80. onde pode-se constatar um número reduzido de espécies consideradas pragas da cultura.os inimigos naturais das pragas. Cruz das Almas.00 0.00 31.07 0. surge um elevado número de insetos associados às plantas cultivadas.00 0.93 0.00 0.00 0. Infestação de frutos.00 37. Na cultura da acerola.) por moscas-das-frutas dos gêneros Anastrepha e Ceratitis na Área 2 do Banco Germoplasma em Cruz das Almas-BA. O A. BA.79 Insetos associados à cultura da acerola Malphigia punicifolia (L. BA.00 0. com o aumento da demanda pelo mercado externo e visando principalmente ao aproveitamento de seu teor de vitamina C.17 0.00 55. ataca os botões florais da acerola. 1762) na região de Cruz das Almas.Tabela 2.01 0.42 0.09 68. com base em estudos desenvolvidos na região do Recôncavo da Bahia: 1 .00 0.00 0.00 0. Tópicos em Ciências Agrárias.00 1. 1914) Hemiptera: Aphididae Os maiores picos populacionais ocorrem no período de agosto a outubro. A seguir. espécie descrita pelo material coletado em Nova Soure. v.46 0.00 0. no Brasil.00 0. e a intensidade dos danos varia de região para região.00 0.00 0. Total fruto Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto TOTAL 950 490 940 281 0 0 1180 580 770 460 0 0 1140 950 100 250 0 8091 Número pupas 160 208 69 13 0 0 68 8 22 25 0 0 77 245 18 0 0 913 Infestação pupas/frutos 0.BAG.Pulgão . Em todo agroecossistema.07 0.26 0. Família e hábito alimentar.50 59. 2001. seu período de maior ocorrência.Aphis spiraecola (Patch.92 66. O experimento foi conduzido na sede da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical.88 51.00 0. bem como danos e sintomas causados entre junho de 1996 e dezembro de 1997.00 0.00 0.05 0.06 0. área agrícola onde se explora uma cultura de expressão econômica.03 0. Objetivou-se identificar os principais insetos associados à acerola.00 0. num grupo de 55 plantas em genótipos identificados como “promissores” de um universo de 275 plantas.01 0.00 0.18 0. o número de espécies que provoca danos é relativamente baixo. e um número razoável de espécies benéficas.44 0. no Banco Ativo de Germoplasma de acerola . podendo ser prejudiciais àquela cultura ou mesmo benéficos . 2009 137 . UFRB.. BA O cultivo da acerola Malphigia punicifolia L. viabilidade pupal e índice de parasitismo em acerola (Malpighia punicifolia L. acerolae identificado por Clark (1998).00 0. quinzenalmente. 1.11 Número Ceratitis 98 107 45 5 0 0 34 3 13 17 0 0 24 136 12 0 0 494 Número Número Viabilidade Índice de Anastrepha Parasitóides Pupal Parasitismo 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 5 0 0 6 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 0 0 0 4 61. As avaliações foram efetuadas no período de junho de 1996 a dezembro de 1997.67 38.00 50.33 94.

1997.. chegando a 100% em janeiro de 1997 e 56. acerolae e em C. 1891) Hemiptera: Ortheziidae Época de ocorrência: De outubro a março. 1801) Hemiptera: Membracidae Durante os meses de março a setembro. 3 .) blandus Ceratites capitata Chilocorus sp.. 4 . Pulgão (Aphis spiraecola). Percevejo vermelho (Crinocerus sanctus). Relação de espécies de insetos associados à cultura da acerola. Tabela 3. Machtima crucigere Orthezia praelonga Physocoryna scabra Solenopsis (S.6% em dezembro de 1996.Anthonomus acerolae (Clark.) saevissima Trachideres thoracicus Fonte: Ampliado de Oliveira et al. 1988) Coleoptera: Curculionidae Os adultos ocorrem no período de setembro a abril.Bicudo do botão floral . com pico populacional no período de agosto a fevereiro. UFRB. 1998 Ordem Coleoptera Hemiptera Coleoptera Hemiptera Hymenoptera Diptera Coleoptera Hymenoptera Hemiptera Coleoptera Coleoptera Hymenoptera Hymenoptera Hemiptera Hymenoptera Hemiptera Hymenoptera Hemiptera Coleoptera Hemiptera Hemiptera Coleoptera Hymenoptera Coleoptera Família Curculionidae Aphididae Coccinelidae Membracidae Formicidae Tephtidae Coccinelidae Formicidae Coreidae Coccinelidae Curculionidae Formicidae Braconidae Pentatomidae Formicidae Pentatomidae Elasmidae Membracidae Coccinelidae Coreidae Ortheziidae Chrysomelidae Formicidae Cerambicidae Hábito Fitófago Fitófago Predador Fitófago Trofobionte Fitófago Predador Trofobionte Fitófago Predador Fitófago Trofobionte Parasitóide Fitófago Trofobionte Fitófago Parasitóide Fitófago Predador Fitófago Fitófago Fitófago Trofobionte Fitófago 138 Tópicos em Ciências Agrárias. Crematogaster (E.Orthezia praelonga (Douglas. Cigarrinha (Bolbonata tuberculata). 1999). com pico populacional entre dezembro e fevereiro (Sá.Bolbonata tuberculata .Moscas-das-frutas Ceratitis capitata (Wied. Espécie Anthonomus acerolae Aphis spiraecola Azya imitator Bolbonata tuberculata Camponotus (M. 1824) e Anastrepha spp. 2009 .(Coqueberg. sanctus uma vez que ambos têm como alvo de ataque o fruto.Crinocerus sanctus (Fabr.Cigarrinha . a espécie ocorre praticamente em todos os meses do ano.2 . 1775) Hemiptera: Coreidae Durante todo o ano. Os resultados demonstram a grande diversidade de espécies associadas à cultura da acerola. BA. Exoplectra sp. Os insetos estudados apresentaram uma queda na população entre abril e junho. período mais seco do ano.) acuta Crinocerus sanctus Cycloneda sanguinea Cyphopsis clathratus Dorymyrmex sp. 6 . v. sanctus (inseto adulto). provavelmente pela falta do alimento. 1. devido ao período de chuvas. As plantas apresentaram-se mais atacadas pelo A.. Malpighia punicifolia. Deve-se ampliar os estudos em A. Doryctobracon areolatus E. acerolae e o C. rufomarginata Ectatoma brunneum Edessa meditabunda Elasmus sp. Diptera: Tephritidae Havendo frutificação. Dentre as 25 espécies identificadas.Percevejo vermelho . Ortézia dos citros (Orthezia praelonga). seis merecem destaque pela alta freqüência na região estudada: Bicudo do botão floral (Anthonomus acerolae). Enchenopa sp. 5 . Cruz das Almas.

O fato de fêmeas virgens terem sido mais longevas do que as acasaladas talvez possa ser explicado pela economia da energia que seria dispendida nos acasalamentos. exposta em bandagens de nylon. têm sido estabelecidas numerosas barreiras fitossanitárias entre países e regiões. com predominância dos braconídeos. com tela nas laterais e parte superior.) (Hymenoptera: Braconidae) criado em larvas de Ceratitis capitata (Wiedemann. UFRB. As outras 20 fêmeas permaneceram virgens para aferição da capacidade reprodutiva sem acasalamento. de acordo com a metodologia vigente no laboratório. o início. Já as fêmeas acasaladas. embora a atividade de oviposição estivesse presente durante toda a fase adulta das fêmeas não acasaladas. cultural e comportamental (Técnica do Inseto Estéril .TIE). Dentre estes. fim e picos de oviposição destas fêmeas. o número diário e total de descendentes produzidos por fêmea acasalada e não acasalada e a razão sexual da descendência. A cada fêmea foram oferecidas. 1. com uma média em torno de 32. nipagin. Período de oviposição Constatou-se que. 1984). capitata foi adaptada de Diaz (1992). Os insetos foram criados em dieta artificial. Devido aos inúmeros prejuízos que causam. 1824) (Diptera: Tephritidae). v. Programas de controle biológico bem sucedidos têm sido reportados na literatura. Os machos ocasionalmente mortos antes das fêmeas foram substituídos. e receberam água em pequenos frascos cobertos com chumaços de algodão. As larvas ficaram assim expostas ao parasitismo pelo período de 24 h. sendo 8 e 40 dias as longevidades mínima e máxima. As larvas foram submetidas ao parasitismo em “unidades de exposição” confeccionadas a partir de um pequeno pedaço de tecido fino amarrado à maneira de um saco e dependurado na parte interior e superior da gaiola. 1824). BA. atingem o nível de dano econômico em densidades populacionais baixas.Longevidade e reprodução de Diachasmimorpha longicaudata (Ashm. e têm custo muito elevado para governos e organizações internacionais. com volume aproximado de 2. Vinte dessas fêmeas receberam. Doryctobracon areolatus (Szèpligeti. dentre estes. Tópicos em Ciências Agrárias. em condições controladas de temperatura (25º C).1911) é a espécie mais abundante na maioria das regiões estudadas (Nascimento et al. Após esse tempo. umidade (60 . longicaudata apresentaram longevidade máxima de 59 dias e mínima de 10 dias. o fruto. Estudos da ocorrência e distribuição geográfica de parasitóides de moscas-das frutas no Brasil demonstram uma grande diversidade de espécies. possibilitando mensurar a longevidade dos parasitóides adultos fêmeas. capitata em 3º estádio. merecendo cuidados especiais durante o período de frutificação (Carvalho. (1998). e podem contribuir para o manejo integrado das moscas-das-frutas. respectivamente. foram transferidas para pequenos recipientes contendo vermiculita. Moscas-das-frutas são insetos que causam dano direto ao produto final. com sede em Cruz das Almas. 1905) tem sido a espécie mais utilizada em nível mundial.. Diachasmimorpha longicaudata (Ashmead. tendo como principal ferramenta o uso de inimigos naturais. a companhia permanente de um macho. os limites máximos de sobrevivência encontrados muito se aproximam daqueles citados por Diaz (1992): 57 dias para fêmeas não acasaladas e 48 dias para fêmeas com reprodução sexual. Os métodos de controle utilizados são principalmente químico. para garantir a fecundação. Este procedimento foi adotado durante todo o período de vida das fêmeas. e média de 25. 1988). e organizadas continuamente campanhas multimilionárias de erradicação.5 dias de vida. A metodologia de criação de C. estes picos se mantiveram até mais ou menos a metade do seu ciclo de vida (também próximo ao 20º dia). houve uma concentração de picos de oviposição no terço inicial deste período (até o 20º dia).000 cm3. Em ambos os casos. como tal. diariamente.8 dias. 2009 139 . cerca de 100 larvas de C. especialmente em pomares orientados para o mercado externo. cada uma. No caso das fêmeas acasaladas.80%) e 12 horas de fotofase. agar e água. Visando a utilização desse parasitóide no manejo de moscas-das-frutas em programas de manejo integrado. Longevidade de fêmeas adultas As fêmeas não acasaladas de D. sendo classificados como pragas-chave das fruteiras e. ácido ascórbico. buscando-se otimizar sua criação em laboratório. Quarenta fêmeas recém emergidas foram individualizadas em gaiolas cilíndricas de plástico transparente. Os insetos foram alimentados com dieta artificial composta de mel de abelha. A maioria desses programas empregam parasitóides da família Braconidae e. conforme Carvalho et al. o estudo teve como objetivo conhecer sua performance reprodutiva sobre larvas de Ceratitis capitata (Wiedemann. para puparem. exibiram uma menor amplitude entre os limites de idade. Os trabalhos foram conduzidos no laboratório de Entomologia da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical.

Razão sexual da descendência: Fêmeas não acasaladas de D. A mosca-branca atualmente se constitui em um grave problema fitossanitário. com o objetivo de identificar insetos-vetores do PSDV. Observou-se que todas as fêmeas acasaladas originaram prole.A. 3. Compositae. A progênie das fêmeas acasaladas mostraram uma razão sexual média da ordem de 0. Convolvulaceae e Cucurbitaceae. 52% dos seus descendentes foram fêmeas. Costa. O experimento foi desenvolvido nos Laboratórios de Entomologia e Fitovirologia.Quantificação da progênie As fêmeas não acasaladas produziram. com aproximadamente dois meses de idade. indica que o agente causal da meleira é o "Papaya sticky disease virus". Esta suposta esterilidade pode estar relacionada à ausência de machos.O número médio de descendentes/fêmea é praticamente igual para fêmeas virgens e acasaladas: em torno de 170 parasitóides/fêmea. evidencia-se a concentração da descendência (em torno de 90%) nos intervalos de idade que compõem a primeira metade da vida das fêmeas.5x1.. Euphorbiaceae. permanecendo por um período de 1 hora 140 Tópicos em Ciências Agrárias. Barbosa et al. cigarrinhas e mosca-branca.) Os insetos foram coletados com o auxílio de um pincel (afídeos) e um aspirador bucal (cigarrinha e moscabranca).. colonizando mais de 500 espécies vegetais.15 descendentes/fêmea. Em ambos os casos.25% mais que as acasaladas. colocados em um recipiente de vidro (15 cm de diâmetro x 10 cm de altura) com tampa de tela. são apresentados os dados reprodutivos do parasitóide D. longicaudata quando não acasaladas vivem.52. Malvaceae. em média.Fêmeas adultas de D. PSDV e que o padrão de disseminação inicial sugere a existência de um vetor que traz o vírus de fora para dentro da plantação.Fêmeas não acasaladas exibem o fenômeno da partenogênese arrenótoca. foram inoculadas mecanicamente (ferimento com agulha) com látex de frutos de plantas infectadas por meleira. 22. demonstrando uma participação equilibrada de ambos os sexos na descendência. v. Quatro mudas de mamão cv. sendo na sua maioria dicotiledôneas (Salgueiro.1989.1998).16 parasitóides/fêmea. atribuindo-se a estes a capacidade de estimular as fêmeas para a reprodução. Este trabalho teve com o objetivo identificar insetos-vetores do vírus da meleira do mamoeiro. localizada no município de Cruz das Almas-BA. em média. um número médio de 173. A média diária foi de 5.A progênie de fêmeas acasaladas exibe uma razão sexual média de 0. sendo separados em grupos de 10 e 20 indivíduos adultos e/ou ninfas e posteriormente. estas exibiram um mínimo de 3. 1998). longicaudata produziram apenas descendentes machos. um máximo de 312 e uma média para o ciclo de vida de 171. pertencentes principalmente às famílias Fabaceae. contendo três mudas sadias de mamão. A média diária ficou em 7. A meleira é atualmente o maior problema fitossanitário da cultura do mamoeiro. evidenciando a relação hospedeiro-vírus-vetor (Yuki et al. 1998. 2. 5.72 descendentes/fêmea. As seguintes espécies foram utilizadas nos testes de transmissão: pulgão (Toxoptera citricidus e Myzus persicae). Quanto às fêmeas acasaladas. 2009 .A. 1993). sendo relatada também nos estados de Pernambuco e Ceará (Rodrigues et al. Kitajima (1999). enquanto dois espécimes da amostra de fêmeas virgens não produziram descendente algum.. A seguir. durante o seu ciclo. ainda que em número insignificante (3 e 4 descendentes). O perfil de oviposição das fêmeas é dado importante para a criação massal da espécie e definição do período ótimo de atividade dos parasitóides. sendo colocados separadamente em gaiolas de campo. Transmissão do vírus da meleira do mamoeiro por insetos Inúmeros são os estudos de transmissão de viroses por insetos vetores.5 m) com tela antiafídica até a realização dos testes. sendo o mínimo de 0 e máximo de 371 parasitóides/fêmea. longicaudata 1. Solo. praticamente 1:1. embora os picos de oviposição concentrem-se nos primeiros 20 dias de idade.O período de oviposição de fêmeas acasaladas e não acasaladas coincide com a duração de seus estágios adultos. 4. cigarrinha (Empoasca bordia) e mosca-branca (Bemisia tabaci Biótipo B). dentre eles destacando-se os relacionados com afídeos. ou seja. obedecendo as seguintes etapas: Período de aquisição (P. UFRB. mantidas em gaiola de campo (2x1.52. Solanaceae.75 descendentes. sendo responsável por perdas de 30 a 100% na produção dos pomares afetados no sul e nordeste da Bahia e norte do Espírito Santo. 1. em gaiolas de campo e telado na sede da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical.

Nove meses após a infestação. coletou-se amostras de folhas novas de todas as plantas utilizadas nos testes. não transmitiram o vírus da meleira do mamoeiro. Testes com Bemisia tabaci biótipo B Três meses após a infestação.A.A. como também nas plantas controle.A. os insetos foram transferidos para uma gaiola de campo contendo planta com meleira. as quais foram processadas e avaliadas de acordo com o protocolo de Morris & Dodds (1979) modificado por Habibe et al. não foi capaz de transmitir o vírus da meleira do mamoeiro (PSDV). por um período de nove meses quanto ao aparecimento dos sintomas da meleira. e observação de sintomas da doença. cinco foram infectadas pelo vírus da meleira. Estes resultados corroboram com Vital et al.. Testes com Toxoptera citricidus e Myzus persicae A análise eletroforética não revelou a presença do dsRNA do PSDV nas plantas testadas. que neste caso foi realizado em planta sadia. Habibe et al. Após o jejum. grupos de 10 e 20 espécimens de cada espécie foram transferidos para uma gaiola telada (50 x 25 x 25 cm) contendo uma planta de mamão sadia (planta-teste) com três meses de idade. mediante inoculação com macerado de Bemisia tabaci GENN biótipo B. Testes com Empoasca bordia Não foi detectado dsRNA do PSDV nas plantas infestadas pelos insetos submetido ao P. Aos três e nove meses após o P. confirma a hipótese do envolvimento de uma causa biótica na transmissão e disseminação da doença. exceto o P.A. Para cada tratamento.I. Das seis plantas infestadas por B.sem alimentação (jejum).I.I. com uma percentagem de transmissão de 83%. v. (1998) na Índia. insetos provenientes das mesmas colônias. (2005).A. O índice de infeção observado aos três e nove meses após a infestação. b) a mosca-branca. tabaci biótipo B. demonstra alta eficiência do inseto como vetor (Tabela 4). A análise estatística foi realizada testando-se as proporções via aproximação normal pelo teste Z em nível de 5% de probabilidade. a ocorrência de mosca-branca em mamão foi relatada por Vieira & Correa (2001).. Apesar dos afídeos serem o grupo de vetores mais importante e eficiente na transmissão de mais de 275 fitoviroses (Nault 1997). apresentaram dsRNA do vírus da meleira..A. sendo transplantadas posteriormente para gaiolas de campo (duas plantas por gaiola). onde permaneceram por um período de 24 e 72 horas.A. submetidos aos mesmos procedimentos acima descritos.A.. coletadas em mamoeiros infectados pela doença. onde Bemisia tabaci é responsável pela transmissão de um Geminivírus para mamão. quando demonstraram que Empoasca sp. todas as plantas infestadas por Bemisia tabaci biótipo B. foram utilizados como controle.) Após o P.A. os pulgões Toxoptera citricidus e Myzus persicae. sendo submetidas a análises para detecção do dsRNA do PSDV. No Brasil. e Bemisia tabaci biótipo B. tabaci como vetor. indicando o potencial de B. (2001) transmitiram o PSDV para mamoeiros sadios. Após o transplante para as gaiolas de campo.A. Concluiu-se que: a) a cigarrinha Empoasca bordia. UFRB. submetidas ao (P. colonizando e se alimentando em mamoeiros protegidos em telado. Bemisia tabaci Biótipo B transmitiu o vírus da meleira do mamoeiro. as plantas foram avaliadas mensalmente. (1999). para alimentação.I. 1. 2009 141 . onde permaneceram por períodos de 48 h e 30 min. Tópicos em Ciências Agrárias. as plantas foram mantidas em um telado por um período de trinta dias. c) A identificação de Bemisia tabaci Biótipo B como vetor do vírus da meleira do mamoeiro. não foram capazes de transmitir o vírus da meleira. não sendo detectado em nenhuma das plantas controle (Figura 1B).).A. 2. onde permaneceram por um período de nove meses ou até a frutificação. constatou-se a presença de dsRNA com migrações semelhantes ao de plantas naturalmente infectadas pela meleira (Figura 1A). submetidas ao P. inclusive para mamão. Após o P. A capacidade da mosca-branca em transmitir virose para o mamoeiro foi relatada por Sangeeta et al. Período de acesso e inoculação (P. que encontraram Trialeurodes sp.A.

UFRB. B) Nove meses após infestação Tabela 4 . Cruz das Almas-BA.1994. atingindo diversas áreas de cultivos comerciais no país. 7-8/10-11: controle negativo.2%. 1. quanto à sua suscetibilidade ao PSDV. 16 genótipos de mamoeiro. Contribuindo com cerca de 25% da produção mundial. como os localizados no sul da Bahia.000 t/ano (FAO. principalmente nos plantios irrigados. o que implica em vulnerabilidade às pragas. Espírito Santo. 12: Marcador de DNA 1Kb. A disseminação do vírus ocorre de fora para dentro da plantação. neste trabalho. 2002). Nº de plantas 1ª avaliação infestadas 90 dias Bemisia tabaci biótipo B 6 83%* Empoasca bordia 0% NS 6 Toxoptera citricidus 6 0% NS Myzus persicae 6 0% NS * = Significativo em nível de 5% de probabilidade pelo teste de Z.1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 A B Figura 1. destacando-se nesse contexto a meleira do mamoeiro (Habibe et al. Além do problema inerente a esta estreita base genética. Rio Grande do Norte. Gel de agarose a 1. v. 9: meleira. Solo e Formosa.. após infestação por insetos (Cruz das Almas-Bahia. contendo extrações de dsRNA de amostras de látex e folhas de mamoeiro. A disseminação dessa virose vem se dando de forma crescente. 9:Látex de planta naturalmente infectada pela meleira. Dantas.. 2009 . Nas linhas de plantio. a disseminação do vírus também ocorre durante as operações de eliminação das folhas quando não é feita a desinfecção das ferramentas utilizadas.5000. O mamoeiro é altamente suscetível às doenças fúngicas e viróticas. obtidos no Banco Ativo de Germoplasma (BAG-Mamão) da Embrapa Mandioca e Fruticultura. pelo inseto vetor. A) 1: Marcador de DNA 1Kb . 1991). 142 Tópicos em Ciências Agrárias. A ocorrência da meleira vem ocasionando grandes prejuízos à produção da fruta. Apesar dessa posição de destaque. doenças e variações edafoclimáticas. 2001). Paraíba. 2003). o elevado preço e a dificuldade de obtenção de sementes do híbrido F1 comercial do grupo Formosa. Nos últimos anos. Ceará e Pólos Frutícolas de Juazeiro-BA e Petrolina-PE. tem-se observado um elevado número de plantios atacados pelo PSDV na região do vale Sub-Médio São Francisco. NS = não significativo ESPÉCIE 2ª avaliação 270 dias 100%* 0% NS 0% NS 0% NS A meleira do mamoeiro no trópico semi-árido O mamoeiro é uma das fruteiras mais cultivadas e consumidas nas regiões tropicais e subtropicais do mundo (Chen et al. Os acessos foram introduzidos em duas áreas distintas. o Brasil desponta como líder do “ranking” dos países produtores de mamão com uma produção de 1. 1999). 2-6: Amostras de plantas infestadas por Bemisia tabaci biótipo B. a totalidade de sua área está implantada basicamente sobre três cultivares pertencentes a dois grupos. 8: Marcador de DNA 1Kb. B) 1-6: Amostras de plantas infestadas por Bemisia tabaci biótipo B. tendo como agravante a essa situação a ação de um complexo de fungos atacando a cultura. Avaliou-se. Percentagem de plantas infectadas pelo vírus da meleira.lote de produtor de mamão. a mosca-branca (Bemisia tabaci GENN biótipo B). 7 controle negativo. ambas localizadas em Petrolina-PE: área 1. O objetivo do presente trabalho foi gerar informações sobre o comportamento varietal de mamoeiros ao PSDV. sob condições de trópico semi-árido. A) Três meses após infestação. também constituem fatores limitantes à expansão da cultura (Oliveira.

Foram considerados de baixa suscetibilidade ao vírus o Tainung Nº 1 e os acessos CMF 018. que indicaram ser a mosca-branca vetor da meleira. tabaci (GENN). Nesta área. além de ser observada alta colonização destas plantas por mosca-branca. lote do produtor. Na área 1. Petrolina PE. 2009 143 . área sem histórico da doença. observou-se que a velocidade de disseminação do vírus na área 1 foi superior à apresentada na área 2. observou-se um grande número de plantas infectadas pelo PSDV. v. sob orientação do Dr. Os autores dessa compilação agradecem aos Mestres: Noemi Elizabeth Castro Portilla. assim como uma elevada colonização de mosca-branca Bemisia tabaci (GENN). comparativamente à área 2 (Embrapa Semi-Àrido). área 2. Entretanto. avaliados sob condições de trópico semi-árido em área de produtor área 1 e Campo experimental da Embrapa Semi-Arido área 2.Estação Experimental da Embrapa Semi-Árido. (2000). as duas áreas apresentaram o mesmo percentual de infecção pelo PSDV. verificou-se uma baixa ocorrência de mosca-branca. 1. inicialmente foi mais rápida na área 1 (Produtor). pode ser explicada pela presença de grande número de mamoeiros infectados pelo PSDV. fonte de informações para estabelecimento de estratégias de controle para a meleira. Os acessos CMF 023. para obtenção da fonte de inóculo. biótipo b. 2002. desenvolvidas no “Curso de Mestrado em Ciências Agrárias da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia”. Campo experimental da Embrapa Semi-Árido. Avanço da infecção pelo PSDV em 16 acessos de mamoeiro. As plantas foram monitoradas durante o período entre janeiro de 2001 a outubro de 2002. Antonio Souza do Nascimento. sem a presença do vírus. A disseminação da infecção pelo PSDV. Na medida em que houve um aumento populacional deste inseto na área 2. Sérgio Wally Pereira Bispo e Carlos Augusto Vidal. lote de produtor de mamão. havendo um maior número de plantas infectadas em um menor espaço de tempo (Figura 2). inversamente ao que foi observado na área 2. quanto a presença dos sintomas e dsRNA característicos da doença. Além disso. A disseminação mais rápida do vírus na área 1. as bordaduras foram inoculadas mecanicamente com meleira. CMF 054. Walkyria Maria Sampaio Sá. Tópicos em Ciências Agrárias. Figura 2. Estes resultados corroboram com os obtidos por Vidal et al. ao final das avaliações. mediante a transmissão experimental do PSDV para mamoeiro por mosca-branca B. nas áreas avaliadas.apresentando alto índice de infecção pela meleira. na área 2. Os resultados obtidos poderão servir de subsídio aos programas de melhoramento genético do mamoeiro. AGRADECIMENTOS O texto acima é uma compilação das Dissertações de Mestrado. assim como. foi observada a elevação no número de acessos infectados. biótipo B nos mamoeiros presentes na área. CMF 012 e CMF 008 mostraram-se altamente suscetíveis ao PSDV. Entretanto. UFRB.

In: CURSO INTERNACIONAL SOBRE MOSCAS DE LA FRUTA. Bahia Agrícola. p. Transmissão da meleira para mamoeiros inoculados com macerado de mosca-branca Bemisia tabaci GENN. 144 Tópicos em Ciências Agrárias. MATRANGOLO. p.. 1988. J.25. J. BARBOSA.. CHEN. Circular técnica. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FITOPATOLOGIA. C. atraentes. VIDAL. T. J. 67. MEISSNER FILHO. 1992..L.. p. T C. HABIBE. Viroses de fruteiras tropicais. R. 6. NASCIMENTO. R. A. 1999. CHEN.L. (EMBRAPA CNPMF. 2003. de. 79.R. DANTAS.N. Acesso em: 26 jun.H. Review of the Anthonomus alboscutellatus species group. agosto. J. R. 69.. CARVALHO.L. UFRB.. 16 p. n.. Metodologia de criação do parasitóide exótico Diachasmimorpha longicaudata (Hymenoptera: Braconidae). C. GONÇALVES. J. 2001.. v. v.L.. 2009 . (eds.1. W. A.. 27. Kanass. A meleira do mamoeiro.L. 1913-1918. Lawrence. C. SANTOS FILHO. 1999. 379-386. p. E. n. H.. Canadian Journal of Botany. 1999.L. In: SOUZA.. Vetores de vírus de plantas 1. p. DIAZ. COSTA.Org/waicent/agricult.9..M. Fitopatologia Brasileira. S. FAOSTAT. R. KITAJIMA. L. CHEN.. p. v. O cultivo do mamão. 21. Somatic embryogenesis and plant regeneration from immature embryos of Carica papaya x Carica cauliflora cultured in vitro. 2. Fitopatologia Brasileira..). 42 .526. R. NASCIMENTO. v. Complexo fúngico e meleira do mamoeiro: prejuízos à cultura no Vale Sub-Médio São Francisco.J. resistência varietal e controle biológico.. de J. 34. HABIBE. Moscas-das-frutas no Brasil. Insetos associados à aceroleira (Malpighia spp. W.C.C. Moscas-das-frutas de importância econômica no Brasil: Conhecimento básico e aplicado Ribeirão Preto: Holos 2000. In: Sanches. HABIBE. São Pedro.L. 30).. 1998. Allen Press. 1998. A.REFERÊNCIAS BARBOSA. 2002. C.. 2. H. 21. CLARK. Cultivares. WANG. F. p.A. 57.. biótipo B. E. Controle biológico. 34-41. Jaboticabal SP. J. Chiapas.. with description of a new species (Coleoptera: Curculionidae). Cria de Diachasmimorpha longicaudata parasitoide de moscas de la fruta: fundamentos y procedimientos. M. jan. C. v. P. DA S.F. 39-49. p. Brasília: Sociedade Brasileira de Fitopatologia. p. Revista Brasileira de Fruticultura. S.. Campinas: Fundação Cargill. p. W. 1. Embrapa Mandioca e Fruticultura. A.) no município de Gurupí -TO.E. N.J. 1999. Botucatu. p. 1991. 1988. 2001.L. 212-215. DANTAS. FAO.S. W.P. A.L. p. H. Cruz das Almas: EMBRAPA-CNPMF. Resumos. Agriculture Statistics Database. Disponível em: <http://www. Dantas. n. 1999. v. 86-107. São Paulo: UNESP.C. 103-177. HABIBE. 4. In: Revisão Anual de Patologia de Plantas. S. In: MALAVASI. ZUCCHI. v. Alternativas de controle: métodos culturais. T. NASCIMENTO.. São Paulo: UNESP. T. MATRANGOLO.118. 1998. NASCIMENTO. Metodologia simplificada para a detecção de formas replicativas de vírus em mamoeiros afetados pela meleira.113-117.C. et al.S. A. Resumos. The Coleopterists Bulletim. In: CONGRESSO PAULISTA DE FITOPATOLOGIA. Insetos. CARVALHO. C. n. D. (Editores). 1998. p. Anais. Brasília.P.. Suplemento. DIDONET J..C.fao. 1988. CARVALHO.htm> .inc.

J. A.. Entomofauna associadas à cultura da acerola (Malpighia punicifolia) em Cruz das Almas. A. NASCIMENTO. C.. (Pesquisa em andamento. Anais.26. 6 p. et al.S. In: 18º INTERNATIONAL CONGRESS OF ENTOMOLOGY. Cruz das Almas-BA.. UFRB. p. Foz do Iguaçu. SÁ. v. A. Tephritidae) by Doryctobracon areolatus (Szépligeti. et al. n. H. 689-702.C. D. A.M. Annals of the Entomological Society of America. 1994.A. na região de Cruz das Almas. dez. C. NAULT. SANGEETA. Brasília. 1984. Experimental transmission of "Sticky disease" of papaya by Bemisia argentifolli Bellows & Perring. 4. 69. BA. et al. 1997. Etiologia e estratégias de controle de viroses do mamoeiro no Brasil. 1993. ZUCCHI. VIDAL. et al. 1989. R. 1911) (Hymenoptera. 8. n. 854-858. 1992. fevereiro. Braconidae) in citrus and tropical fruits. BA. OLIVEIRA.LIMA. Bahia. Brasília. C. RODRIGUES. A. 1979. Memória: Las moscas blancas (Homoptera: Aleyrodidae) en America Central y el Caribe. 16. Arthropod transmission of plant viruses: a new syntesis. Dissertação (Mestrado em Fitotecnia). 118. (Mamão em foco. MALAVASI. 1998. A.. M. S. 521-541. p. 17.. 2009 145 . n. de S. 1998. 819.) no estado do Espírito Santo.S. do. A.de J. Isolation and analysis of double-stranded RNA from virus-infected plant and fungal tissue. (abstract book II). NASCIMENTO. Tópicos em Ciências Agrárias.. NASCIMENTO. Como produzir mudas de mamoeiro. Turrialba. p. Paul. A. O..4. n. Transmissão do vírus da meleira do mamoeiro (“papaya sticy disease virus”) por insetos. v. 101-106.A. T.. IV JAPANBRASIL SYMPOSIUM ON SCIENCE AND TECNOLOGY. V. S. A. p. S. pp.. 9-16. L. BA: EMBRAPA . Fitopatologia Brasileira. 1. OLIVEIRA. 2 p. HABIBE. de A. T. A. 126. G. 2000. 205). v. Turrialba: CATIE. 90. v. de S... ZUCCHI. R. 2001. C./ago. Universidade Federal da Bahia. M. Insetos associados à cultura da acerola (Malpighia punicifolia L).CNPMF. Cruz das Almas. Plant disease. PR. Cruz das Almas. Rio de Janeiro. Magistra. C. Cruz das Almas. MORRIS. (Diptera.. 1989. 2005. p. R. 1). L. 57). 40. v. v. 6. Parasitism of pupae of Anastrepha spp. 239-246. 1999. S. 1980.. Anais. Perspectivas para el manejo del complejo mosca-blanca-virosis. p. 2. 82. 1999. ZUCCHI. jan. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FITOPATOLOGIA. Rio de janeiro. n. Leaf curl disease of Carica papaya from India may be caused by bipartite geminivirus. Biologia de moscas-das-frutas (Díptera:Tephritidae) I: Lista de hospedeiros e ocorrência Revista Brasileira de Biologia. VIDAL. A. ALVES. Sociedade Brasileira de Fitopatologia. 3 p. J. L. Minesota. MARQUES. 2. DODDS. Cruz das Almas-BA: EMBRAPA Mandioca e Fruticultura. p. 1981 NASCIMENTO. p. 1. Insetos pragas associados a cultura da acerola.. v.. Phytopathology. MESQUITA. Rio de Janeiro. 20-26 (CATIE Informe Técnico. Costa Rica. A. Ocorrência e sintomas da meleira do mamoeiro (Carica papaia L. NASCIMENTO. Dinâmica populacional de moscas-das-frutas (Díptera: Tephritidae) no Recôncavo Baiano. 22. n. 48 f. n. T. F.. Pesquisa Agropecuária Brasileira. HABIBE. Taller del CentroAmericano y del Caribe sobre moscas blancas. v. v. mai. BARBOSA. L . S.. NASCIMENTO.S. C. SALGUEIRO. 1. A. Junho. RESUMOS. p. St. W. MARIN. p. Cruz das Almas BA: EMBRAPA CNPMF. Ago. MORGANTE.. M. 763-767. J.

p. 675-678. R.VIEIRA. Entomologia Experimentalis Applicata. mar. M. Dordecht. Anais da Sociedade Entomológica do Brasil. Adaptation of a Ceratitis capitata population to an animal protein based diet. 27. Neotropical Entomology. V. v. v. dez. p. 1.) sob cultivo em ambiente protegido. UFRB. Londrina. 146 Tópicos em Ciências Agrárias.. 171-173. v. Transmissão experimental do vírus do mosaico dourado do feijoeiro por Bemisia argentifolii Bellwos e Perring. YUKI. F. 1. 119-127. A. L. Londrina. 4. 1998. 2001. 1993. ZUCOLOTO.gennaio. S. CORREA. v. n. 2009 . p. Ocorrência de moscas-brancas (Hemíptera: Aleyrodidae) e do predador Delphastus pusilus (LeCont) (Coleóptera: Coccinelidae) em mamoeiro (Carica papaya L. et al. S. 67.

1. UFRB. v. 2009 . Cláudia Melo da Paixão & Robélia Tosta Dias Amorim Tópicos em Ciências Agrárias.CAPÍTULO 11 INTERAÇÃO ENTRE FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES E PATÓGENOS RADICULARES DE CITROS Antônio Alberto Rocha Oliveira.

em solos fertilizados com 6 g de P/g de solo. Agr. principalmente em solos com baixo nível de fósforo disponível na solução. a retirada de elementos minerais pouco móveis. de crescimento rápido. 1992). 1996). Este resultado sugere que FMAs podem colonizar e proteger plantas de tomate de “damping-off”. atacando partes subterrâneas das plantas ou partes destas que se desenvolveram próximas ao solo. depende de quais organismos se estabelecem primeiro no tecido das raízes (Siqueira. Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO A produtividade de um pomar de citros depende em grande parte da qualidade da muda usada na sua implantação. o gênero Pythium destaca-se como patógeno de grande importância. sendo responsáveis pela maior absorção de água e nutrientes do solo pelas plantas (Zambolim & Siqueira.. principalmente. aphanidermatum. Quando Glomus foi inoculado simultaneamente ou duas semanas antes do fitopatógeno.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. notadamente o uso de fungos micorrízicos arbusculares (FMA) para o controle de diversas fitomoléstias (Zambolim. dentre eles. causando diferentes tipos de doenças. observaram que os FMAs foram favoráveis ao crescimento das plantas reduzindo a percentagem de infecção por P. A inoculação conjunta dos dois microrganismos fez reduzir o número de propágulos do patógeno e aumentou rapidamente o mecanismo de resistência à doença. probabilidade de desenvolvimento de resistência e potencial de risco ao ambiente (Rossetti. das quais.) protegeu a planta de Pythium ultimun. A aplicação de fungicidas sistêmicos pode provocar boa supressão da doença. no uso de porta-enxertos resistentes. 1. uso de práticas culturais que minimizem a exposição da suscetibilidade do tecido do enxerto ao fungo e na fumigação do solo antes do plantio. Nos anos recentes. 1992. mas nem sempre é desejável devido ao alto custo. o grande número de doenças que incide sobre a cultura. em relação aos fitopatógenos. aumentando. (1993) citam que Glomus mosseae inoculado em cravo de defunto (Tagets erecta L. podridão de raízes e podridão mole de órgãos suculentos. em relação à inoculação micorrízica duas semanas depois do fitopatógeno. Dentre os fungos que afetam a cultura dos citros. 1994). Efeitos benéficos foram observados em plantas de tomate cultivar “Pusa Ruby”. Davis & Menge (1980) demonstraram que. permite melhor distribuição das raízes no solo. Robélia Tosta Dias Amorim3 1 2 3 Pesquisador . este efeito deve começar durante a fase inicial de desenvolvimento do vegetal e continuar durante todo ciclo da cultura (Silveira. 1991). as plantas cítricas foram identificadas como as mais dependentes dos FMAs e que também redundaram em melhores respostas. quando inoculado com Glomus fasciculatum. v. Das frutíferas estudadas nos últimos anos. 1994). Cruz das Almas-BA Eng. quando a mesma ainda não está infectada por P. estudando gengibre. Guillemin et al. o total de Tópicos em Ciências Agrárias. o que caracteriza os principais solos brasileiros utilizados para a citricultura (Hoffmann et al. mais de 52 são atribuídas a fungos e bactérias. 1984). sendo que a pré-colonização da raiz pelo fungo micorrízico garante uma proteção mais eficiente. como o fósforo. estiolamento de pré e pós-emergência. à formação de micélio externo à raiz que.. com isso. sendo de interesse dos viveiristas e técnicos a obtenção de mudas sadias. Esse fungo é amplamente distribuído no mundo. em termos de redução de danos causados por Pythium aphanidermatum. Assim. Esses fungos formam associações mutualísticas com as raízes das plantas e ocorrem na maioria das espécies em condições naturais. tais como: podridão de sementes. bem como portadoras de uma rizomassa desenvolvida. Eyer & Sundaraju (1993). Escola de Agronomia/UFBA. O efeito protetor ocorre quando ambos os microrganismos estão simultaneamente presentes na rizosfera ou na raiz da planta. Assim. O efeito benéfico é devido. vem se multiplicando o número de pesquisas que fazem uso do método de controle biológico. intraradices com Pythium ultimum não afetou a biomassa de Tagets patula e em plantas jovens não afetou a colonização das raízes por Glomus. aphanidermatum (Hedge & Rai. Cruz das Almas-BA Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. O efeito de FMAs. vigorosas. Estratégias de manejo consistem. 2009 149 . havendo aumento de biomassa vegetal. 1985). UFRB. Diversos fatores podem influenciar o desenvolvimento das mudas e. 1991. Em outro trabalho.INTERAÇÃO ENTRE FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES E PATÓGENOS RADICULARES DE CITROS Antonio Alberto Rocha Oliveira1. Fontes. constituindo uma superfície adicional. a incidência de “damping-off” foi reduzida e o peso da raiz aumentada. a muda cítrica é considerada o insumo mais importante na formação de um pomar. dentre outras. St-Arnaud (1994) observou que a inoculação de G. Cláudia Melo da Paixão2. Calvet et al.

micélio e raízes infectadas. Em cada abertura foi colocada uma semente para obtenção dos porta-enxertos. procedente da coleção de FMAs do Laboratório de Nematologia e Microbiologia do Solo da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical.) foram retiradas de frutos maduros originados de uma única planta apropriada para matriz.037 mm de abertura) com a finalidade de reter propágulos de FMAs e deixar passar os outros microrganismos presentes na microbiota desse substrato. aphanidermatum foi retirado uma amostra de 1 mL para contagem em hemacitômetro de Rosenthal estimando-se. Visando fornecer aos tratamentos não inoculados com G.peso seco de citros micorrizados com Glomus fasciculatum foi maior que na condição não inoculada. cultivada no pomar da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. em liquidificador. localizada no município de Cruz das Almas. um contato íntimo. então. sementeiras de isopor que foram preenchidas com areia previamente autoclavada. UFRB. a microbiota entre os tratamentos. Fez-se um orifício central no substrato. uniformizando. empregando-se como recipientes. Como substrato foi utilizado uma mistura de latossolo amarelo distrófico. assim. Entretanto. a partir desta. a 1200C. Estado da Bahia. buscou-se com o presente trabalho avaliar o efeito de FMAs nativos e/ou Gigaspora margarita e de Pythium aphanidermatum no desenvolvimento e nutrição de mudas cítricas. numa proporção de 1:1:1 (v:v:v). a um menor custo de produção por reduzir gastos com defensivos agrícolas e fertilizantes. Esse estudo sugere que plantas cítricas micorrizadas são eficientes no controle de Phytophthora em condições de baixa fertilidade. sob condições de casa de vegetação. margarita a população de outros microrganismos existentes no inóculo utilizado no experimento com este fungo usado. Os tratamentos constaram de solo natural. em condições controlada de casa de vegetação. para que fosse garantida a presença de espécies nativas de fungos micorrízicos bem como a microbiota natural do substrato e de solo autoclavado. coletado na área experimental da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. Sementes de limão 'Cravo' (Citrus limonia Osbeck CV) e tangerina 'Cleópatra' (Citrus reshni Hort. De forma semelhante à descrita na inoculação com FMAs. foi realizada a inoculação com o FMA. foi multiplicada. simulando plantio de mudas em cova e no fundo deste orifício. A esterilização foi feita em autoclave durante uma hora à pressão de uma atmosfera. com maior desenvolvimento. ao mesmo tempo em que se distribuiu o restante do inóculo ao redor e sobre as raízes da mesma. desta forma. no período abril a setembro de 1999. em vasos contendo uma mistura de solo de baixa fertilidade: areia grossa lavada: turfa (1:1:1 v:v:v) autoclavada. então.4x105 esporângios mL-1 e. v. Colocou-se. O inóculo foi constituído por 20 g da mistura de solo que foi pesada de forma a fornecer aproximadamente 900 esporos por vaso. margarita receberam 10 mL de um filtrado do inóculo isento de propágulos de FMAs. procedeu-se à inoculação com o filtrado usado nos tratamentos sem FMAs. a literatura nacional e internacional sobre interação entre estes fungos simbióticos e aqueles patogênicos é muito escassa em resultados de pesquisa. 2009 . durante dois minutos. durante cinco meses. Duas semanas pósgerminação. numa pressão de 1 atmosfera por 1 hora a 120 ºC. Ensaio O experimento foi conduzido na Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. mais tolerantes à fitopatógenos e ao estresse do transplantio e do ambiente. na cultura dos citros. o emprego de plantas cítricas micorrizadas oferece grandes possibilidades de exploração. as plântulas foram selecionadas de acordo com a altura e o número de folhas. a muda. A partir das lesões nas mudas selecionadas. A semeadura foi realizada em casa de vegetação. utilizando-se sorgo (Sorgum vulgare) como planta multiplicadora. em substrato natural e autoclavado. a densidade de 3. Esse filtrado foi obtido a partir de 20 g do substrato dos "vasos de cultivo" usado na multiplicação dos FMAs em 1 litro de água deionizada e peneiramento úmido em peneira de 400 "mesh" (0. distribuiu-se um pouco do inóculo. dois a três pares definitivos. Assim. No ato do transplantio das mudas para os vasos. sendo. No preparo do inóculo. Do preparado de P. ex Tan. pois pode resultar em mudas mais precoces. A espécie de fungo micorrízico arbuscular utilizada. permitindo-se. 1. bem como obter informações complementares sobre a viabilidade da utilização de porta-enxerto tangerina 'Cleópatra' como alternativa ao limão 'Cravo'. Gigaspora margarita. a concentração da suspensão a ser utilizada foi ajustada para 104 esporângios mL-1. assim. aumentando-se gradativamente a velocidade até o máximo. todos os vasos não inoculados com G. 150 Tópicos em Ciências Agrárias. Amostras de mudas de limão 'Cravo' com sintomas semelhantes àqueles causados por “damping off” foram coletadas e trazidas para o laboratório de Fitopatologia. obtiveram-se diferentes isolamentos. com um solo arenoso coletado no campo da Central de Tratamentos de Efluentes (CETREL) e uma parte de areia grossa lavada coletada em rio. Dessa forma. triturou-se o conteúdo das placas (cultura pura com fungos com 18 dias de idade) acrescido de 200 mL de água deionizada. contribuindo desta forma para a biodiversidade e sustentabilidade agrícola. transplantadas para os vasos que já continham o substrato.

A inoculação de P. aphanidermatum foi realizada juntamente com a de G. margarita, simultaneamente ao transplantio das mudas, através da aplicação de 50 ml de uma suspensão contendo hifas, zoósporos e esporângios distribuídos uniformemente sobre as raízes na superfície do substrato ao redor das plantas. Para as testemunhas, sem fitopatógenos, triturou-se meio de cultura sem fungos, e obedecendo procedimento idêntico ao do tratamento com inoculação do fungo, inoculou-se o preparado no mesmo volume da suspensão. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos inteiramente casualizados em esquema fatorial 2x2x2x2 com quatro repetições, perfazendo um total de 64 vasos. Cada unidade experimental foi constituída por um vaso plástico contendo uma muda. O experimento foi conduzido durante, aproximadamente, cinco meses, sendo avaliados: altura das plantas, diâmetro do caule, número de folhas, área foliar, peso da matéria seca da parte aérea e das raízes, comprimento de raiz, densidade de esporos e colonização micorrízica. Para determinação da colonização micorrízica, usaram-se apenas as radicelas, que foram lavadas em água destilada e cortadas em segmentos de aproximadamente 1cm. O descoramento e a coloração das raízes foram realizados a partir da metodologia de Phillips & Hayman (1970) que foi modificada empregando-se KOH 10 % em banho-maria a 90 0C durante 40 minutos, água alcalina durante 15 minutos, HCl 3 % em 5 minutos, 12 horas em azul-de-trípano a 0,05 %. A percentagem de segmentos colonizados foi determinada pela visualização sob microscópio estereoscópio de 50 segmentos radiculares de aproximadamente 1 cm de comprimento dispostos em lâminas de vidro contendo glicerina e cobertas com lamínulas, com base em metodologia proposta por Giovannetti & Mosse (1980). O comprimento total das raízes foi determinado pelo método da intersecção linear em placa quadriculada, de acordo com Newman (1966). Para esta determinação, foram utilizadas radicelas e raízes mais grossas também cortadas em aproximadamente 1cm de comprimento. Os esporos foram extraídos em 50 g de substrato úmido através de peneiramento e centrifugação em solução de sacarose 50 % por 5 e 1 minuto, respectivamente (Gerdemann & Nicolson, 1963; Pacioni, 1992). Em seguida foram colocadas em placas de Petri quadriculadas e através de lupa estimou-se a densidade total de esporos (Giovannetti & Mosse, 1980). Sub-amostras pesando 50 g de substrato úmido foram colocadas em estufa a 60 0C, durante 2 dias, para obtenção de peso da matéria seca e, por regra de três, obteve-se o número de esporos por grama de substrato seco. Todos os dados foram submetidos à análise de variância e teste de Tukey a 5%, para comparação das médias conforme o delineamento experimental utilizado, através do programa estatístico SAEG (Ribeiro Junior, 2001). Densidade de esporos de FMAs e colonização micorrízica Ocorreram diferenças significativas em relação a todos os tratamentos isoladamente. Na Figura 1, são apresentados os dados sobre densidade de esporos micorrízicos na rizosfera e taxa de colonização micorrízica dos porta-enxertos, aos 150 dias pós-semeadura. A pequena quantidade de esporos observada no tratamento testemunha, substrato autoclavado e não inoculado, pode ser predominantemente refugo da esterilização, estando inviável, já que a colonização micorrízica foi praticamente ausente neste tratamento. Nos tratamentos com G. margarita, observou-se tendência de maior esporulação em substrato natural, o que, possivelmente, deve ser devido à presença de fungos nativos já adaptados ao substrato mais a introdução de G. margarita, que, também, apresentou boa adaptação. Além disso, como os esporos de Gigaspora são grandes, a quantidade produzida é menor em comparação com a de outras espécies, justificando-se a menor densidade de esporos dos tratamentos autoclavados. Nas plantas sem Pythium, a densidade de esporos foi maior para o limão 'Cravo', entretanto, na presença deste patógeno, verificou-se menores valores em praticamente todos os tratamentos. Pelos dados de colonização apresentados por G. margarita em substrato autoclavado, para os dois portaenxertos, acima de 98 e 48%, na ausência e presença de patógenos, respectivamente, evidencia-se que os propágulos deste fungo eram viáveis e estavam em quantidades suficientes para garantir a colonização das radicelas e resposta da planta. Os fungos nativos apresentaram colonização acima de 45 e 40% na ausência e presença do patógeno, respectivamente, evidenciando, também, estabelecimento no substrato e boa capacidade de colonização das raízes dos porta-enxertos cítricos. G. margarita promoveu maior colonização micorrízica em substrato autoclavado ou em substrato natural, comparada aos fungos nativos isoladamente. Entretanto, os maiores valores de colonização foram observados em substrato autoclavado, podendo-se inferir que os FMAs nativos reduziram os efeitos proporcionados por G. margarita, visto que, na ausência destes fungos, a resposta à inoculação foi significativamente maior para as
Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

151

duas variedades. Segundo Brundrett & Juniper (1995), fatores como emissão múltipla de tubos germinativos e o grande tamanho dos esporos favorecem a viabilidade e capacidade de colonização das espécies de Gigaspora.

S0 M0

S0 M1

S1 M0

S1 M1

Limão 'Cravo'
12

Tangerina 'Cleópatra'
12
Esporos g de substrato

Esporos g de substrato

10 8 6 4 2 0

aA aA aA aA bA
Sem patógeno

10 8 6 4 2 0

aA aA aA aA bA
Sem patógeno

aA

aA aA

-1

bA
P. aphanidermatum

-1

aA

bA
P. aphanidermatum

Limão 'Cravo'
% de segmentos colonizados % de segmentos colonizados 120 100 80 60 40 20 0

Tangerina 'Cleópatra'
120 100 80 60 40 20 0

aA bA cA aB aB aB

aA

bA bA

aB aA aA

dA
Sem patógeno

bA
P. aphanidermatum

cA
Sem patógeno

bA
P. aphanidermatum

Figura 1. Efeito da inoculação com Pythium aphanidermatum sobre a densidade de esporos micorrízicos na rizosfera e taxa de colonização micorrízica dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra' inoculados ou não com Gigaspora margarita, em substrato natural ou autoclavado. Substrato: S0=natural, S1=autoclavado. FMAs: M0=não inoculado, M1= Gigaspora margarita. Barras seguidas pelas mesmas letras maiúsculas comparam os tratamentos patogênicos com ou sem inoculação de FMAs e minúsculas comparam os tratamentos micorrízicos na presença ou ausência do patógeno (Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Cruz das Almas - BA, 1999).

Foi verificada influência da variedade na colonização por FMAs, sendo estes valores maiores no limão 'Cravo'. Smith & Gianinazzi-Pearson (1988) observaram que diferentes espécies e isolados de uma mesma espécie de FMAs podem exibir benefícios diferenciados às plantas hospedeiras em função das condições edafoclimáticas e aspectos da relação fungo-planta. Observou-se que P. aphanidermatum reduziu a colonização micorrízica dos FMAs nativos e do introduzido e, que na presença deste patógeno, não houve efeito significativo de G. margarita em relação aos fungos nativos, o que foi observado na sua ausência. Provavelmente, ocorre competição entre os diferentes fungos por espaço e fotossintatos das plantas, reduzindo a colonização. Pereira (1994), estudando a colonização de cafeeiro por G. margarita e Rhizoctonia, comentou que os danos causados pelo patógeno no sistema vascular e vasos condutores de seiva, com desestruturação dos tecidos, limitando, consequentemente, o crescimento do fungo micorrízico, também pode ocasionar menor colonização. A redução da colonização micorrízica ocorreu nas duas variedades, mas com diferença significativa apenas no limão 'Cravo'. Desta forma, trabalhando-se com FMAs, se for constatada a presença de Pythium no substrato, seria mais adequado trabalhar com a tangerina 'Cleópatra' do que com o limão 'Cravo' que sofre mais danos quando infectado por este patógeno.

152

Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

Características de crescimento das plantas Os valores médios de altura, número de folhas, diâmetro do caule e área foliar do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', em função dos tratamentos fúngicos e das épocas de avaliações, encontram-se na Tabela 1. Verifica-se que, mesmo na ausência do patógeno, os valores de todas as características em substrato autoclavado sem FMAs foram muito baixos. De maneira geral, independentemente do tratamento dado ao substrato, os valores de todas as características analisadas foram significativamente superiores em plantas micorrizadas. Observa-se que os FMAs nativos promoveram aumentos de 48,57 e 31,95% na altura do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', respectivamente, sendo que, em relação à área foliar, estes valores foram superiores 608,33% para o limão 'Cravo' e 190,77% para a tangerina 'Cleópatra'. Já a inoculação de G. margarita promoveu aumento acima de 140% na altura dos dois portaenxertos estudados e de 1004,17 e 318,46% na área foliar de limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', respectivamente, comprovando que as plantas cítricas são bastantes micotróficas e que a presença de FMAs no substrato contribui significativamente para o desenvolvimento dessas plantas. Este resultado vem sendo mencionado em diversos trabalhos com associações micorrízicas em citros (Kleinschmidt & Gerdemann, 1972; Cardoso et al. 1986; Camargo, 1989; Weber et al., 1990; Fonseca et al., 1994).

Tabela 1. Influência da inoculação com Pythium aphanidermatum e/ou Gigaspora margarita sobre o crescimento vegetativo dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', em substrato natural ou autoclavado (Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Cruz das Almas - BA, 1999).

Tratamentos Variedades Gm * Solo** A NI NA ‘Cravo' A I NA

Altura das plantas (cm) NI 6,65 aB 9,88 aA I 6,05 aB 7,23 bA

Número de folhas

Diâmetro do caule (cm)
*

Área foliar 2 (cm ) NI 6,00 aB I 4,00 aB

Pythium aphanidermatum NI I NI 6,00 aB 9,50 aA 4,00 bB 7,50 bA 0,21 aB 0,30 aA

I

0,18 bB 0,23 bA

42,50 aA 39,00 aA

17,23 aA 12,83 aB

10,90 bA 10,08 bB

13,25 aA 12,25 aA

10,67 bA 0,36 aA 9,40 bB

0,30 bA

66,25 aA 47,00 bA 53,50 aA 50,67 aA

0,33 aB 0,28 bA

A NI ‘Cleópatra’ I NA

8,45 aB 11,15 aA

6,13 bB 9,65 bA

8,50 aB

7,00 bB

0,24 aB 0,31 aA

0,20 bB 0,30 aA

16,25 aB 11,50 aB 47,25 aA 45,25 aA

14,00 aA 11,75 bA

A NA

20,50 aA 16,38 aB

12,20 bA 11,33 bB

18,75 aA 13,75 bB 15,50 aB 15,25 aA 7,21

0,39 aA

0,29 bA

68,00 aA 50,00 aA 62,00 aA 48,25 aA 31,93

0,36 aB 0,30 bA 5,53

CV (%)

4,76

Médias seguidas pela mesma letra maiúscula nas colunas e minúscula nas linhas não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. *Gm = Gigaspora margarita. NI - Não inoculado; I - Inoculado. **A - Autoclavado; NA - Natural.

Observou-se que os benefícios promovidos por G. margarita foram maiores em substrato autoclavado do que no natural. Como o aumento proporcionado por G. margarita em substrato natural foi superior ao obtido com os fungos nativos, infere-se que, também nesta condição, houve bom estabelecimento de G. margarita, que apresentou poder competitivo diante dos endófitos nativos. Manjunath et al. (1983) e Oliveira & Jesus (1987) também observaram que a inoculação micorrízica de citros pode ser benéfica, mesmo em alguns solos não esterilizados. Os maiores valores de altura e diâmetro do caule do limão 'Cravo' (17,23 cm e 3,6 mm, respectivamente) observados no tratamento autoclavado e inoculado com G. margarita, na ausência de Pythium, foram maiores do que
Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

153

aqueles verificados por Fontanezzi (1989), trabalhando com este mesmo porta-enxerto na presença de Glomus clarum em solo esterilizado e adubado com 1280g de P2O5 m-3, 17,20 cm e 3,33 mm, respectivamente, aos 135 dias póssemeadura. Em relação à tangerina 'Cleópatra', verificou-se que a maior altura e diâmetro do caule, respectivamente, 20,50 cm e 3,90 mm, no tratamento inoculado em substrato autoclavado sem patógeno, também foram superiores aos obtidos por este autor, 11,82 cm de altura e 2,61 mm de diâmetro do caule, nas condições citadas anteriormente, só que com adubação de 640 g de P2O5 m-3. Como o substrato deste experimento não recebeu adubação fosfatada e tinha um teor de P em torno de 8 mg dm-3, considera-se que os resultados aqui encontrados foram satisfatórios. Pode-se inferir que a inoculação com G. margarita conferiu desenvolvimento à planta, reduzindo a exigência externa de adubação e que o fungo introduzido teve boa adaptação às condições do experimento. O efeito negativo do patógeno sobre o crescimento vegetativo foi observado nos dois porta-enxertos, constatando-se diferenças significativas em quase todos os parâmetros avaliados. A percentagem de perdas das duas variedades, quando estava presente apenas Pythium, em relação à testemunha sem fungo micorrízico arbuscular e sem patógeno, foi de 9,02% na altura do limão 'Cravo', sendo mais expressiva em tangerina 'Cleópatra', 27,46%. Em relação ao número de folhas, observa-se que o limão 'Cravo' sofreu mais a ação do patógeno, apresentando perda de 33,33%, em comparação com 17,65% da tangerina 'Cleópatra'. Houve perda de 14,29 e 16,67 % em relação ao diâmetro e, em torno de 33,33 e 29,23%, na área foliar de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente. Na presença de Pythium, a altura média das mudas colonizadas por fungos nativos foi superior às das não micorrizadas, sendo este efeito maior quando se inoculou G. margarita. Em substrato autoclavado, também observouse que plantas inoculadas com G. margarita apresentaram maior desenvolvimento. Assim, a micorrização não controlou o patógeno, mas reduziu sua severidade amenizando os efeitos nocivos, visto que, mesmo na presença de Pythium, as plantas micorrizadas apresentaram maior desenvolvimento do que as não micorrizadas, porém menor do que na ausência do mesmo. O aumento médio da altura do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', na presença de P. aphanidermatum e de fungos nativos, em relação àquelas não micorrizadas, mas com presença de patógeno foram, respectivamente, 19,50 e 57,42%. Quando, além de P. aphanidermatum inoculou-se G. margarita, em substrato natural, houve aumento de 66,61 e 84,83%. Já em substrato autoclavado, a inoculação simultânea de G. margarita e P. aphanidermatum proporcionou incremento de 80,17 e 99,02%, em relação ao tratamento sem FMAs. Quanto à área foliar, comparando-se ao tratamento em que apenas P. aphanidermatum estava presente, observou-se acréscimo de 875 e 293,48% em limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra' respectivamente, quando Pythium foi inoculado em substrato natural; de 1167 e 319,57% quando ao substrato natural foi inoculado G. margarita e de 1075 e 339,57% quando G. margarita foi inoculada em substrato autoclavado. Dessa forma, é possível observar que os porta-enxertos inoculados com P. aphanidermatum, apresentaram desenvolvimento reduzido, mas quando os FMAs estavam presentes, a expressão total dos efeitos do patógeno foi menor, ocorrendo tendência de proteção pelas micorrizas que promoveram maior desenvolvimento em todas as características. Considerar estas respostas é muito importante na produção de mudas, visto que, a redução do número de folhas e da área foliar, pode influenciar negativamente a capacidade fotossinteticamente ativa das plantas. Com exceção do diâmetro do caule em substrato autoclavado e inoculado com G. margarita e Pythium, e da área foliar em substrato natural também, na presença destes dois fungos, os valores da tangerina 'Cleópatra' foram maiores do que os do limão 'Cravo', mesmo em solo sem FMAs. Provavelmente esse efeito ocorreu porque a tangerina 'Cleópatra' apresenta maior taxa de crescimento, ou por esta variedade ter apresentado maior adaptação às condições do experimento. Entretanto, em termos de benefício da micorrização, nota-se tendência do limão 'Cravo' obter maiores rendimentos percentuais na presença e mais perdas na ausência deste simbionte, assim, aparentemente, os FMAs foram mais eficiente para esse porta-enxerto. Peso da matéria seca e comprimento radicular As médias referentes à produção de matéria seca da planta e comprimento de raiz do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra', aos 150 dias pós-semeadura, encontram-se na Tabela 2. A fumigação do substrato influenciou os resultados. Na ausência de FMAs nativos e do patógeno ocorreu redução em torno de 60 e 44 % no peso da matéria seca da parte aérea de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente; 36,67 e 20,34% no peso da matéria seca das raízes e de 33,95 e 22,62% no comprimento radicular. Maiores danos foram observados quando inoculou-se o patógeno em substrato sem micorriza, sendo em torno de 100 e 165% no peso da matéria seca da parte aérea de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente; 160 e 83% no peso da matéria seca das raízes e de 248 e 118% no comprimento radicular. Observou-se que, com a
154

Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

eliminação dos fungos nativos e ausência de G. margarita, são reduzidos os organismos antagônicos ao patógeno presentes no substrato, havendo menor produção de matéria seca e comprimento radicular. Nos tratamentos sem patógeno e sem FMAs nativos, o fungo G. margarita promoveu aumentos de 217,19 e 329 % no peso da matéria seca total de limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', respectivamente; 500 e 476,19 % no peso da parte aérea; 150 e 108,51 % no peso seco da raiz e 103,93 e 35,36 % no comprimento das raízes. Na presença do patógeno, verificou-se aumentos de 173,33 e 112,50%, no peso da matéria seca da planta para o limão 'Cravo' e a tangerina 'Cleópatra', respectivamente, cultivados em substrato natural sem G. margarita; de 236,67 e 157,50% quando estavam presentes P. aphanidermatum e G. margarita em substrato natural e de 303,33 e 297,50% quando se inocularam esses fungos em substrato autoclavado. Quando não se realizou esterilização ou quando G. margarita foi introduzido ao substrato, o efeito do patógeno foi reduzido e a muda apresentou melhor desenvolvimento. Diante desses resultados, pode-se inferir que embora o patógeno tenha afetado negativamente o desenvolvimento das plantas nota-se que os FMAs compensaram os efeitos deletérios do patógeno, resultando em maior desenvolvimento das plantas. Este efeito pode ser devido ao aumento da área de absorção radicular pelo micélio externo do fungo micorrízico. Baath & Hayman (1983), trabalhando com tomateiros inoculados com Verticillium albo atrum, observaram reduzida colonização micorrízica nas raízes e que os danos causados pelo patógeno diminui a eficiência fotossintética, reduzindo, assim, o transporte de fotoassimilados para as raízes, ocasionando menor crescimento das plantas inoculadas com FMAs. As reduções na parte aérea de plantas infectadas por P. aphanidermatum podem ser consequências das alterações no sistema radicular, que apresentaram menor capacidade exploratória, diminuindo a absorção e a translocação de nutrientes. Tabela 2. Influência da inoculação com Pythium aphanidermatum e/ou Gigaspora margarita sobre o peso da matéria seca e comprimento radicular dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra', em substrato natural ou autoclavado (Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Cruz das Almas - BA, 1999).

Tratamentos Variedades Gm* Solo** NI A NI ‘Cravo’ I NA A NI NA A I NA CV (%) 2,03 aB 1,03 bB 1,68 aB 1,01 bA 0,79 aB 1,34 aA 3,39 aA 0,40 bB 0,85 bA 1,59 bA NA A 0,64 aB 1,05 aA 2,03 aA Total I 0,30 bB 0,82 aA 1,21 bA

Peso da matéria seca (g) Parte aérea NI
0,18 aB 0,45 aA 1,08 aA 0,82 aB 0,42 aB 0,75 aA 2,42 aA 1,15 aB

Raiz

Comprimento radicular (cm) NI 212,28 aA I 82,29 aB

Pythium aphanidermatum I NI I 0,15 aA 0,30 bA 0,40 bA 0,40 bA 0,17 bB 0,45 bA 0,85 bA 0,47 bB 0,38 aA 0,60 aA 0,95 aA 0,86 aA 0,47 aA 0,59 aA 0,98 aA 0,88 aA 0,15 aA 0,39 aA 0,74 aA 0,56 bA 0,29 aA 0,53 aA 0,81 aA 0,61 bA

321,41 aA 286,22 aA 432,91 aA 352,61 aA 411,05 aA 323,79 aA 254,24 aA 132,50 aB 328,56 aA 288,41 aA 435,90 aA 378,98 aA 386,00 aA 328,96 aA 31,93

‘Cleópatra’

18,33

15,97

34,75

Médias seguidas pela mesma letra maiúscula nas colunas e minúscula nas linhas não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. *Gm = Gigaspora margarita. NI - Não inoculado; I - Inoculado. **A - Autoclavado; NA - Natural.

Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

155

Limão 'Cravo' sofreu perda de 60. Entretanto. porém os aumentos percentuais decorrentes da micorrização foram maiores no limão 'Cravo'. CALVET. BRUNDRETT. Interactions with Verticillium wilt on tomato plants. Trichoderma aureoviride and Pythium ultimum in a peat-perlite mixture. A presença do fungo fitopatogênico Pythium aphanidermatum. C. Plant and Soil. aphanidermatum do que o da tangerina 'Cleópatra'.A. outros fatores que determinam a infectividade e efetividade dos fungos micorrízicos podem estar envolvidos. HAMEL C.30 e 47. respectivamente. que observou maior dependência do limão 'Cravo'. S. 2009 . n. 419-426.. E. o substrato empregado na semeadura do limão 'Cravo' e da tangerina 'Cleópatra' deverá conter FMAs ou deve-se proceder à inoculação das mudas com estes fungos. CONCLUSÕES 1. seja nas formas de radicelas ou micorrizas. Oxford. 1-6. Vários autores já observaram que diferentes porta-enxertos variam na sua dependência micorrízica (Kleinschmidt & Gerdemann. M. Growth response of marigold (Tagetes erecta L. HAYMAN. Portanto.. v.. 1.. REFERÊNCIAS ST-ARNAUD M.27. demonstrando ser adequada para diversificação de porta-enxerto como alternativa ao limão 'Cravo'. verifica-se também nesta condição tendência das mudas em apresentarem redução no crescimento da parte aérea e raízes. n. Inhibition of Pythium ultimum in roots and growth substrate of mycorrhiza Tagetes patula colonized with Glomus intraradices. Menge et al. Non-destructive assessment of spore germination of VAM fungi and production of pot cultures from single spores. Os dois porta-enxertos de citros foram dependentes das micorrizas para crescimento. com isso.Segundo Pereira (1994). 1978). 1972..85-91. M. v. o efeito das micorrizas sobre diferentes espécies de citros pode variar com as condições de fertilidade do substrato. como também observado por Garcia (1988) e Garcia & Carvalho et al. Os fungos micorrízicos arbusculares (FMAs) nativos e Gigaspora margarita promoveram benefícios acentuados para o desenvolvimento dos porta-enxertos limão 'Cravo' e tangerina 'Cleópatra'. e. 95. compensando parcialmente os efeitos deletérios deste fungo. S. 1995. no peso da matéria seca e comprimento de raízes. J. p. A micorrização não impediu.16.. Soil Biology and Biochemistry. 1994. New Phytologist. Plant growth responses to vesicular-arbuscular mycorrhiza XVI. 4. (1978). 156 Tópicos em Ciências Agrárias. Para Tinker (1978). n. D. podendo-se dizer que o sistema radicular do limão 'Cravo' foi mais afetado por P. reduzindo o uso de adubos e pesticidas químicos.187-194. BAREA. 3.3. 2. Limão 'Cravo' foi o porta-enxerto mais suscetível ao patógeno. J. nos quais a tangerina 'Cleópatra' mostrou-se mais dependente da micorriza do que o limão 'Cravo' e estão de acordo com aqueles encontrados por Nemec (1978). UFRB. reduziu o desenvolvimento das mudas cítricas. (1988)..88%. mas reduziu a ação de P. Observou-se que o patógeno influenciou as variedades.. em presença do patógeno. Oxford. A tangerina 'Cleópatra' apresentou maior resposta em quase todas as características analisadas. BAATH. o que poderá resultar em plantas com sistema radicular mais desenvolvido. na presença ou ausência do patógeno e do simbionte. p. maior eficiência na absorção de água e nutrientes. p.24 %. aphanidermatum. Canadian Journal of Plant Pathology. maior tolerância ao estresse de transplantio e a patógenos. mesmo em condições de pós-emergência. FORTIN J. CARON M. 1993. 1.53 e 61. v.) to inoculation with Glomus mosseae. 1983. Segundo Menge et al. v. respectivamente. v. PERA. Ottawa. JUNIPER. enquanto que em tangerina 'Cleópatra'. o menor crescimento das plantas não micorrizadas pode dificultar a detecção do efeito do patógeno. estas perdas foram de 38. 148. Estes dados contradizem os resultados obtidos por Fontanezzi (1989). p.1.

Controle biológico: um desafio para o País. FONTANEZZI. p. E. SUNDARAJU. B. Influence of Glomus fasciculatus and soil phosphorus on Phytophthora root rot of citrus. Influence of Glomus fasciculatum on damping-off of tomato. PASQUAL. St. p. GUILLEMIN. H.235-244. n. UFRB.30-34. 2729-2732.29. Lavras: UFLA/FAEPE. Efeitos de doses. v. Comportamento de três cultivares porta-enxerto de citros em relação a Rhizoctonia solani e Pythium spp. Dissertação (Mestrado) ESAL. H.CAMARGO. Brasília. J.. GIOVANNETTI. 1988. 1994.241-251. Pesquisa Agropecuária Brasileira.. Transactions of British Mycological Society. N. S. SILVEIRA. P.2. MENGE. 1989. 62. 1980.. India. London.12. PLATT. 1992. Efeitos de micorriza vesicular arbuscular e de superfosfato simples no crescimento e nutrição de porta enxertos de citros. v.. 17-19. J.1. da. W. A. HOFFMANN.1-4. J. G. J. BAGYARAJ. Colonização de radicelas de cultivares cítricos porta-enxerto por Rhizoctonia solani e Pythium spp. T. 1972. FONSECA. R. v. p. p. Cruz das Almas. G. D.1...2530. Middletown. v. J. S. 1984. G. CHALFUN. 1994. FONTES.21. Phytopathology.588-589. 3. GERDEMANN. 61. I. MANJUNATH. Revista Brasileira de Fruticultura. 1983. R. GARCIA. A. ESAL. n. P. v. I. J. Paul. 318p. ANTUNES.1447-1453. V. B. J. CARVALHO. Mycorrhizal dependency of several citrus cultivars under three nutrient Tópicos em Ciências Agrárias. p.12. R. B. GERDEMANN. A.. N. M.3. v. Paul. 1988. EYER. p. B. MOSSE. E. 10. n. 1. de. 104f. C.. P. New Phytologist. A. ANTUNES. v. Agricultural Science in Finland. W. SILVA. p. 1996. Current science. 1989.. Dissertação (Mestrado)... 105f. 10. J. J.447-452. D. G. J. OLIVEIRA. Contribution of arbuscular mycorrhizas to biological protection of micropropagated pineapple (Ananas comosus (L. An evaluation of techniques for measuring vesicular-arbuscular mycorrhizal infection in roots.1889-1896. p. 1993. 1963. Eficiência de fungos micorrízicos vesículoarbusculares em porta-enxertos de citros. M. MOHAN.27. Lavras. V. de. V. n.. M.. G. fontes de fósforo e de fungos micorrízicos sobre o limoeiro 'Cravo' até a repicagem. Pesquisa Agropecuária Brasileira. R. R. GIANINAZZI. p. n. CARVALHO. RAMOS.. Efeitos do fósforo e um fungo MVA na nutrição de dois porta-enxertos de citros. A. GARCIA. v. Lavras. St.5. Campinas. M. v. E. n.) Merr) against Phytophthora cinnamomi Rands.). 1986. p.. A. R. p. NICOLSON. n.. 1980. Journal of Plantation-Crops. 10. J. Ottawa. Stunting of citrus seedlings in fumigated nursery soils related to the absence of endomycorrhizae... S.46. MARSHAL. L. V. P. MENGE. 10.70. Revista Brasileira de Ciência do Solo. D. N.. E. de. J.. JOHNSON. de.. Response of citrus to vesicular-arbuscular mycorrhizal inoculation in unsterile soils. 2009 157 . 21-24. P.489-500. mycorriza with Meloidogyne incognita and Pythium aphanidermatum affecting ginger (Zingiber officinale Rosc. Interactions of VA.84. CARVALHO. SOUZA. Canadian Journal of Botany. CARDOSO. Propagação de plantas frutíferas. Oxford. J. L. O. C. A. KLEINSCHMIDT.. v. v. HEDGE. Revista Brasileira de Fruticultura. RAI. n. D. n. Brasília v. v. V. Phytopathology. M. E.53. p. Spores of mycorrhizal Endogone species extracted from soil by wet sieving and decanting. p. OLIVEIRA. GIANINAZZI-PEARSON. Cruz das Almas. 3. M. (Edição especial). E.. J. DAVIS. v.

MAGALHÃES. 1970. p. J. 1991.. I.) na presença de Gigaspora margarita Becker & Hall e Rhizoctonia solani. v. Campinas. Response of six citrus rootstocks to three species of Glomus. O. M. A. K. 36 p. TINKER. Improved procedures for clearing roots and staining parasitic and vesicular-arbuscular mycorrhizal fungi for rapid assessment of infection. Effects of vesicular-arbuscular mycorrhizas on plant nutrition and plant growth. Micorrizas.. W. 1978. Desenvolvimento de mudas de cafeeiro (Coffea arabica L. O. 1988. Importância e potencial das associações micorrízicas para a agricultura. D. p.4.. In: BETTIOL. v. p. London: Academic Press. PHILLIPS. 61f. Physiologie vegetale. Brasília: EMBRAPA/CNPAF. p.. 1985. Potencial dos fungos micorrízicos vesículo-arbuscular no controle de fitopatógenos e implicação com a nutrição fosfatada. 257-282.317322. Annual Review of Plant Physiology Plant Molecular Biology. L.743-751.. S. 1987. GIANINAZZI-PEARSON. v. Paris. E.. Micorrizas arbusculares. 55. A. NEWMAN. S.91. V. n.139-145. 1966. Physiological interactions between symbionts in vesicular-arbuscular mycorrhizal plants. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA. N. A. 1.158-161. 14. R. v. L. S.). 321-326. Adubação orgânica e inoculação com Glomus etunicatum em porta-enxertos de citros. p. (Documentos. 1. v. (Ed. L. 44).. SIQUEIRA. 668-714. 1992. O. a mycorrhizal fungus. 15). Wet-sieving and decanting technique for the extraction of spores of vesicular-arbuscular fungi. 2. Campinas.553-559. 1987. V. p. Oxford. (Documento. P. New Phytologist. ROSSETTI. 1994. B. F. p. J.319-325. Dissertação (Mestrado) UFLA. 9. de J. OLIVEIRA. SILVEIRA. Microorganismos de importância agrícola.81. In: ARAÚJO. (Eds. p. M. A. v.) Controle biológico de doenças de plantas.A. J. A. E.151-194. ZAMBOLIM. E. SMITH. Belo Horizonte: EPAMIG.). J. Efeito da infecção por fungos micorrízicos vesicular-arbusculares sobre o desenvolvimento de porta-enxertos de citros. (Documento. B. 2009 . L. 1978. O. Microbiologia do solo.. VARMA. UFRB. Viçosa: UFV. In: NORRIS. C. v. PEREIRA. PACIONI. 2. D.. M.. R. B. 221-244. M.. A. S.4. TSAI. p. Campinas: SBF. Jaguariúna: Embrapa/CNPDA. OLIVEIRA. Delan. READ. 1994. 158 Tópicos em Ciências Agrárias. NEMEC. Campinas: Fundação Cargill. 3. JESUS. I. ZAMBOLIM.. A. 1990. NEVES.16. 3. 26). Proceedings of the Florida State Horticultural Society. Campinas: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. HAYMAN. RODRIGUEZ.. A. Análises estatísticas no SAEG. S. Palo alto.. 1978.. Revista Brasileira de Ciência do Solo. J. v. v. Lavras. A method of estimating the total length of root in a sample.(Eds. In: CARDOSO.) Methods in microbiology. J. 1.. Anais. R. G. 1991. J. J. n. 39.regimes. p. POMPEU JÚNIOR. Kuhn. O. D. n. A. p. RIBEIRO JÚNIOR. R. HUNGRIA. Transactions of the British Mycological Society. P. p. AMARO. 2001. n. London. Oxford. n. 1992. A. SIQUEIRA. F. 301 p. VIÉGAS. WEBER. Journal of Applied Ecology. Citricultura brasileira.. v. (Eds. 87-120. I. Doenças de citros. S.10-14. p.

Clóvis Pereira Peixoto & Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio Tópicos em Ciências Agrárias . Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio.CAPÍTULO 12 IMPACTO DE HERBICIDAS EM PROCESSOS MICROBIOLÓGICOS DO SOLO E QUALIDADE FISIOLÓGICA DE SEMENTES EM LATOSSOLO AMARELO COESO DO RECÔNCAVO BAIANO Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto.

A produção agrícola tem na ocorrência de pragas. Tópicos em Ciências Agrárias. Da mesma forma.edu. herbicidas.8 kg p. processos que ocorrem no solo como as associações entre bactérias do gênero Rhizobium e plantas leguminosas. 2002).). não é tipicamente sulista. inseticidas. Atualmente. milho (23. massa dos frutos. permitem uma avaliação sistemática do manejo adotado e a obtenção de índices de aferição da sustentabilidade. bem como. são aspectos importantes quando se considera esta questão. alcançando hoje vendas anuais que superam US$ 2. que o Brasil utiliza grandes quantidades de herbicidas na agricultura. onde se misturam atividades agrícolas intensivas e tradicionais. destacando-se a soja (39. No Brasil. Esses parâmetros fazem parte dos estudos de ciclagem de nutrientes. bem como a comparação entre a eficiência do rizóbio introduzido em relação aqueles nativos. tem sido crescente. despertou nas últimas décadas a preocupação com a qualidade do solo e a sustentabilidade da exploração agrícola. cana-de-açúcar (12. tendo como enfoque a sua contribuição na decomposição e mineralização da matéria orgânica e. A avaliação da qualidade do solo é feita através de indicadores que podem ser atributos físicos. N total. Heraldo Soares de Vasconcelos Sampaio1 1 Professor . O consumo desses produtos difere nas várias regiões do país.9% e 22. representando mais de 81 mil toneladas quando expresso em ingrediente ativo (i. doenças e plantas daninhas um dos principais fatores limitantes ao seu desempenho. quando associados aos valores de pH. peso volumétrico. 38. 1. influencia a produtividade e a qualidade fisiológica de sementes (Osman et al. na fertilidade do solo. o consumo de herbicidas foi cerca de 174 mil toneladas de produtos formulados (comerciais) em 2000. 2004). O consumo de agrotóxicos no país tais como. UFRB. Esses produtos são aplicados basicamente de duas maneiras: diretamente sobre o solo em pré-emergência ou em pósemergência das plantas daninhas. Cruz das Almas-BA. O segundo produto de maior consumo de agrotóxicos. químicos e biológicos.7% do total nacional) está na raiz de vários problemas de contaminação de águas constatados até hoje. teores de C orgânico. eficiência e efeitos prolongados dos herbicidas. mas a concentração de seus 330 mil ha cultivados nas usinas do Norte do Paraná (apenas 6. 81. Ao longo das últimas décadas. Os diferentes tratos culturais afetam a produtividade e a qualidade de sementes (que pode ser avaliada através do índice de velocidade de emergência. Centro-Oeste e Sudeste representam. Clóvis Pereira Peixoto1. porcentagem de emergência. A intensidade da fixação biológica do nitrogênio.8 mil toneladas.c.5 bilhões (Assis.2% do total consumido com pesticidas. a cana-de-açúcar. 29.br INTRODUÇÃO A rápida degradação do solo sob exploração agrícola no mundo. ao aumento da área cultivada com culturas de grande expressão econômica e à ação rápida. a.). umidade e argila do solo. Verifica-se desta forma. esses dados. Além disso. a utilização de agrotóxicos no Brasil tem sido a base técnica através da qual o setor agrícola normalmente vem enfrentando a questão. uma maioria de pesquisadores considera que algumas medidas práticas para avaliar o “status biológico” do solo sejam o monitoramento da população e atividade microbiana do solo. Quanto ao consumo de herbicidas por unidade de área cultivada. fungicidas. em 2000 e em termos de ingredientes ativos no mesmo ano.8%).7%) (Spadotto. Na região Nordeste este valor é de 6. Nesse sentido. parâmetros relacionados com a produção de sementes. terceiro produto na lista dos que mais consomem agrotóxicos. a média geral no Brasil foi de 3. respectivamente.3%. O milho. v. 2009 161 . especialmente nos países tropicais em desenvolvimento. Ambientais e Biológicas/UFRB. 1983).9%. Essa intensificação no uso de herbicidas entre os agricultores deve-se entre outros fatores. conseqüentemente. o grande desafio da ciência do solo é demonstrar a relação entre os níveis de atividade biológica do solo e o funcionamento sustentável do ecossistema. a avaliação da fixação biológica do nitrogênio através do número e massa seca de nódulos. Luciano Soares de Vasconcelos Sampaio1. entre outros./ha. tem cerca de um terço de sua área total no Sul do País.9%) e arroz irrigado (3. por exemplo.. que também é reflexo do manejo. É na soja que se concentra a maior parte dos gastos dos agricultores brasileiros com agrotóxicos: nada menos que 35% do total. E-mail: fpeixoto@ufrb. peso de 1000 sementes etc.IMPACTO DE HERBICIDAS EM PROCESSOS MICROBIOLÓGICOS DO SOLO E QUALIDADE FISIOLÓGICA DE SEMENTES EM LATOSSOLO AMARELO COESO DO RECÔNCAVO BAIANO Maria de Fátima da Silva Pinto Peixoto1. Nas regiões Sul.5%).Centro de Ciências Agrárias.

Stolp & Shea. no Estado de São Paulo (Rezende. nos últimos anos. uma maior preocupação em se conhecer o comportamento e destino dos pesticidas nos diversos ecossistemas.. A pluviosidade varia de 1000 a 2000 mm e temperatura média anual em torno de 24 0 C. 1997. O termo coeso. desde o Estado do Amapá até o Rio de Janeiro.503 km2 apenas na região Nordeste. O RECÔNCAVO BAIANO O Recôncavo Baiano possui uma área de 17340 km2 e uma população de 500 mil habitantes. da família Leguminosae. há de se considerar que existe uma variação com relação à resistência à decomposição dos herbicidas em função de fatores do solo. temporariamente. tais como o alachlor. com significado de tenaz. mas sua multiplicação e recuperação é rápida e os relatos onde indicam toxidez ocorrem quando as dosagens empregadas são consideravelmente superiores às recomendadas (ABEAS. podendo alguns desses serem afetados. pouco se sabe sobre o que ocorre com os herbicidas no solo após sua aplicação. aparecem geralmente. a região Sul entrou com quase a metade. Dos 160 mil hectares cultivados com batatinha no Brasil. os herbicidas do grupo das cloroacetanilidas. implica na necessidade de se determinar o efeito das mesmas no sistema produtivo. batata doce. feijão. produto também com alto uso de agrotóxicos. Em função desse uso intensivo de produtos químicos na agricultura moderna e a formação de grandes quantidades de resíduos. ocupando uma área de 98. Em solos cultivados. da estrutura química do composto. aplicando-se logo depois da semeadura com o terreno em boas condições de umidade e em cobertura total. irrigação e épocas de plantio em diferentes estações do ano. O Latossolo Amarelo coeso é um solo representativo desta região. estendendo-se até o vale do rio Paraíba do Sul. 1995. entretanto. os quais têm importância destacada no equilíbrio social da região (Rezende et al. muito duros ou até extremamente duros quando secos e friáveis quando úmidos. em decorrência da erosão. porque podem ser perigosos tanto para a vida humana e animal. tem sido usado para destacar a capacidade natural (adensamento) de horizontes subsuperficiais associada a diferentes graus de coesão. No caso do alachlor. O uso de controle químico para as ervas daninhas na cultura do amendoim iniciou-se a partir de 1950 com herbicidas seletivos tais como o dinoseb. 1. v. 162 Tópicos em Ciências Agrárias. de baixa fertilidade. 1998). citros e os cultivos de subsistência como mandioca. sendo que a espécie Arachis hypogaea L. fumo.1997.. o arroz irrigado. 1979). após os primeiros 10 a 20 centímetros. 2004). apresentando-se duros. 1984). no prazo máximo de 3 dias após a última gradagem. sofre a concorrência competitiva das ervas daninhas que prejudicam a sua produção (Sader et al. Herbicida e atributos microbiológicos do solo Embora os pesticidas sejam de grande benefício para o homem. Esta região está inserida na zona dos Tabuleiros Costeiros que são formações terciárias que se distribuem por quase toda a faixa costeira do Brasil. vem basicamente do Rio Grande do Sul. Caracteriza-se por apresentar uma agricultura bastante diversificada. abril. milho. maio e junho). Vários trabalhos têm demonstrado que aplicações de herbicidas em doses recomendadas não alteram de forma considerável o número total de microrganismos do solo. inoculação com bactérias do gênero Rhizobium. A ação dos microrganismos do solo sobre os herbicidas constitui-se num mecanismo de maior importância quando se depara com a questão ambiental. 2009 .Outro produto que aparece com destaque na lista de uso de agrotóxicos. UFRB. inhame. tem havido. indicado para a cultura do amendoim. devem ser cuidadosamente usados e monitorados. como também para o ambiente... 2002). Diversos trabalhos têm relatado sua degradação e persistência (Monteiro. adensamento de plantas dentro das linhas. Mais recentemente. em uma ou duas capinas. amendoim etc. O amendoim é uma planta dicotiledônea. tem sido acrescentados ao arsenal dos herbicidas disponíveis para o uso em cultivo de amendoim (Bridges et al. plantio mecânico em linhas.. ajudando no aumento da produção de alimentos e controlando as pragas das plantas e animais. deve-se aplicar em pré-emergência das ervas. A mudança de tecnologia prevendo a utilização de herbicidas. da característica fisiológica do microrganismo (tipo de enzima) e da dose e época de aplicação. esses horizontes situam-se a profundidade variáveis. A terra deve estar bem preparada e livre de torrões e restos de cultura. O controle de ervas daninhas é também feito com a enxada. normalmente coincidindo com os horizontes AB e ou BA. predominando os plantios de cana-de-açúcar. O plantio é normalmente realizado com enxadas em covas espaçadas irregularmente (30 cm) e coincide com o período mais chuvoso do ano (março. bem como o seu efeito em processos microbiológicos do solo e na qualidade fisiológica de sementes. A maior parte dos solos da região é do grupo Latossolo e Podzólico. no entanto.1983) De maneira geral. Vanderheyden et al. sendo absorvido pelo coleóptilo das gramíneas e epicótilo das dicotiledôneas (Rodrigues & Almeida. Na década de 60 com o desenvolvimento dos herbicidas dinitroanilinas surgiu a trifluralina. Nos Latossolos Amarelos e Argissolos Amarelos sob floresta primária.

boa aeração. no período de setembro de 2001 a janeiro de 2002. capina sem inoculação (CSI).0 dB 1. nos diferentes tratamentos. Porém. podem inibir a atividade microbiana.0 aA 2.1990.0 dB 3. Outro parâmetro que deve ser monitorado é a população dos principais grupos de microrganismos do solo que participam da biodegradação dessas moléculas no ambiente (bactérias. Existe. a partir do momento em que um pesticida atinge o solo.1977). Tabela 1.0 aB TRATAMENTOS Capina inoculado Capina s/ inoculação Herbicida inoculado Herbicida s/ inoculação Vagem Lisa Bactéria 6. 1980). não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. CI CSI HI HSI 45 mg C-C02/100 g solo 40 35 30 25 20 15 10 5 0 0 14 28 42 56 70 84 Tempo (dias) Figura 1. utilizando-se sementes inoculadas e não inoculadas de dois genótipos de amendoim (Vagem Lisa e Tatuí). em caso de solos tratados com prévias aplicações de pesticidas. População de bactérias e fungos (no.0 aB 1.0 bA 5. 1976). 1. porém menos freqüentemente que em altas. Barriuso & Koskinen.0 bB 5. uma fase de adaptação desta população. diversos cientistas obtiveram resultados do efeito dos herbicidas no desprendimento de CO2 e absorção de O2 em doses normais de aplicação (Grossbard. Segundo Grossbard & Davis (1976). avaliou-se o efeito do herbicida alachlor na população de bactérias e fungos do solo (Tabela 1) e atividade microbiana do solo (Figuras 1 e 2)..0 bA 4.0 aB Médias seguidas pela mesma letra minúscula na vertical e maiúscula na horizontal. no município de Cruz das Almas. herbicida inoculado (HI) e herbicida sem inoculação (HSI) para o genótipo Vagem Lisa. é mais provável que esse efeito ocorra em doses elevadas. O desprendimento de CO2 e absorção de O2 no solo flutuam grandemente num determinado período de tempo.0 dA Tatuí Fungo 2.. 2009 163 . v. No entanto. Wais et al. temperatura entre 25-35oC. poderá utilizá-la como fonte de energia e nutrientes. 1998) . algumas moléculas de herbicidas. esta fase não tem sido observada. Tópicos em Ciências Agrárias.0 bB 4.0 cA 9. 1997.0 cA 2.. 1996) e biodisponibilidade para as plantas (Khan & Behki. Fatores do solo que aumentam a atividade microbiana incluem: umidade em torno de 70-100% da capacidade de campo. Atividade microbiana do solo (mg C-C02/100 g solo) nos tratamentos: capina inoculado (CI). sabe-se que. UFRB. Em trabalho realizado no Campo Experimental da então Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia.5 dA 4. ele pode vir a favorecer determinadas populações microbianas e inibir outras.. g solo-1) x 104. 1986 e Lichtenstein. entretanto. 1995. desta forma. fungos e actinomicetos) e que também atuam na ciclagem de nutrientes no ecossistema. Mas. GENÓTIPOS Tatuí Vagem Lisa Bactéria Fungo 7.Yassir et al.5 e substrato energético (Lewis et al.5 cB 3. Kloskowsky et al. potencial para formação de resíduos (Queiroz. mesmo em baixas concentrações. dentro de cada genótipo. Segundo alguns estudos.0 cB 8. Se a população adaptar-se metabolicamente para degradar a molécula do pesticida ou parte dela. um herbicida deverá exercer um efeito muito pronunciado na microflora. pH em torno de 6.

2009 . neste último caso porém. Subdivide-se em três subfamílias: Caesalpinioideae. as simbioses de rizóbio com leguminosas certamente se destacam por sua importância econômica. Ressalta-se que tanto os fatores bióticos quanto abióticos podem atuar sobre a bactéria e/ou sobre o hospedeiro afetando a simbiose. nas formas combinadas orgânicas ou inorgânicas existentes nos ecossistemas aquáticos e terrestres (Roswall. 2002). além de colonizar abundantemente a rizosfera. Existe uma relação direta entre o aumento da população de bactérias no tratamento herbicida com inoculação (para os dois genótipos) e a atividade microbiana do solo. Estimase que a família Leguminosae possua entre 16. Esses organismos são chamados de fixadores de N2 ou diazotróficos e o processo que mediam .CI CSI HI HSI 40 mg C-C02/100 g solo 35 30 25 20 15 10 5 0 0 14 28 42 56 70 84 Tempo (dias) Figura 2.700 espécies e entre 640 a 680 gêneros.8%) está na crosta terrestre. Atividade microbiana do solo (mg C-C02/100 g solo) nos tratamentos: capina inoculado (CI). invadir o córtex e colonizar tecidos internos em diversas espécies vegetais. assim como a capacidade de formar simbiose com rizóbio. Os 6. Dentre as simbioses de fixadores de N2 com plantas.500 a 19. que pode então se tornar disponível para as plantas e outros organismos. O número e massa seca de nódulos são parâmetros indiretos que podem avaliar esses efeitos no processo de fixação biológica do nitrogênio. Nesta.96% do nitrogênio está na forma de N2 na atmosfera e os restantes 0. químicos e biológicos afetam o processo de fixação biológica.1979). que está relacionada não só à ampla distribuição geográfica e utilização dos hospedeiros. das propriedades físico-químicas do herbicida e da própria sensibilidade da estirpe de rizóbio utilizada.Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN) é representado pela seguinte equação: Nitrogenase N2 + 8H + 16 ATP + 8 e ____________ + - 2 NH3 + H2 + 16 ADP + 16Pi (CNTP) Algumas espécies de diazotróficos podem. As respostas variam em função do tipo de solo. herbicida inoculado (HI) e herbicida sem inoculação (HSI) para o genótipo Tatuí. 1.04%. raramente (Moreira & Siqueira. O efeito pode ser prejudicial. que diferem bastante com relação ao hábito de crescimento de suas espécies. ou seja. quando se utilizou a combinação herbicida e inoculação nos genótipos Vagem Lisa e Tatuí. como também à maior eficiência do processo decorrente de uma parceria vegetal e microbiana mais evoluída. capina sem inoculação (CSI). entre outros (Moreira & Siqueira. Mimosoideae e Papilionoideae. UFRB. Herbicida e fixação biológica do nitrogênio A maior parte do nitrogênio do planeta terra (93. Dentre esses fatores destaca-se os herbicidas. Houve uma maior atividade microbiana do solo em todo período. Diversos fatores físicos. v. ocorrer endofiticamente. que reflete a maior capacidade do rizóbio introduzido em degradar a molécula de alachlor. 2002).2% restantes estão na ecosfera. Apenas uma parcela relativamente pequena das espécies de procariotos possuem a enzima nitrogenase que é capaz de reduzir o N2 para a forma inorgânica combinada NH3. 99. 164 Tópicos em Ciências Agrárias. não exercer nenhum efeito ou até mesmo ter efeito benéfico sobre o rizóbio e suas simbioses. Inúmeros trabalhos nacionais e internacionais demonstram que não é possível fazer generalizações.

Já Rezende et al.95 + 0. que empregaram doses elevadas de trifluralina e chloramben na cultura da soja.00 aA 265. Massa seca dos nódulos (MSN .00 aA Herbicida 151.00 aA 246. Tabela 2.50 aA 257.50 aA 194. Tópicos em Ciências Agrárias. concluiram que o herbicida alachlor não afetou o número de nódulos aos 42 e 56 dias após o plantio (Tabela 2). Genótipos BR1 BR151 L7 Vagem Lisa Película Havana 42 dias Capina 242. Peixoto et al.8a 8.75 aA 182. em experimento conduzido na Fazenda Capivari no Município de Muritiba .75 aA 272.91 kg ha-1). principalmente quando causas adversas possam compro-meter a germinação de sementes e posterior desenvolvimento das plantas. submetidas a diferentes tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al.. mais especificamente no município de Cruz das Almas-BA. Concluíram que de maneira geral esses herbicidas estimulam a nodulação inicial das plantas de amendoim (Figura 3).g planta-1) e número de nódulos (NN no planta-1) de plantas de amendoim aos trinta dias após a emergência.75 aA 182.37 kg ha-1). pois este processo representa economia nos custos de produção.50 aA 199. aos 42 e 56 dias após o plantio nos ratamentos capina e herbicida.45 + 0.No caso de plantas leguminosas. v.50 aA 182. (2002a) avaliaram o efeito de diferentes herbicidas (alachlor.00 bA Médias seguidas da mesma letra minúscula na horizontal e maiúscula na vertical. Esses mesmos autores. chloramben (1. Utilizaram como substrato o solo Latossolo Amarelo coeso do município de Cruz das Almas-BA. nodulação e qualidade fisiológica de sementes de soja concluíram que a nodulação não foi influenciada pelos herbicidas testados. não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade Herbicida e qualidade fisiológica das sementes A determinação da qualidade fisiológica de sementes através de testes de germinação e principalmente de vigor é de fundamental importância na agricultura moderna.2a 7. trifluralin (0. 2009 165 . Número de nódulos (g planta-1). 2002a).75 aA Herbicida 273. 1.00 aA 56 dias Capina 230. em estudo realizado para avaliar a influência da aplicação de herbicidas fluorodifen (0. Trifluralina Pendimethalin Alachlor Testemunha 25a 25 20 15 10 5 0 11. representativo dos Tabuleiros Costeiros da região do Recôncavo. pendimethalin (0.25 aA 323. Na região do Recôncavo Baiano. fluordifen + pendimethalin (0.66 kg ha-1) no rendimento de grãos.9 kg ha-1). tanto em casa de vegetação quanto em campo. UFRB.97 kg ha-1). chloramben + alachlor (0. (1985). já existem pesquisas desenvolvidas quanto ao efeito de herbicidas sobre o processo de fixação biológica do nitrogênio em plantas de amendoim. em condições de casa de vegetação.75 kg ha-1).50 aA 209. pendimethalin e trifluralina) nas doses indicadas pelo fabricante para a cultura do amendoim. dentro de cada período.6b MSN NN Figura 3.Bahia. O uso do contrôle químico pode causar problemas na nodulação conforme salientam Krust & Struckmeyer (1971) e Olambre (1969).75 aA 130.7b 22a 24a 16b 11. o estudo da influência de herbicidas no processo de fixação biológica do nitrogênio é de extrema importância. com o mesmo tipo de solo e quatro genótipos de amendoim.

hídricas. observa-se a degeneração das membranas lipo-proteicas. tornando a germinação mais lenta e a semente mais vulnerável às variações do meio (térmicas. 1995 ). normalidade das plântulas.2b 7. 2009 . 166 Tópicos em Ciências Agrárias. submetidas a diversos tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al. Constatou-se que os herbicidas testados. uma redução sensível das atividades respiratórias e biossintéticas.1c 7. como também. Altura da planta (AP). À medida que as sementes perdem qualidade fisiológica. crescimento das plantas e produtividade final (Copeland & McDonald. Os fatores ambientais que permanentemente influenciam a germinação são a água. 2002a). 1. Trifluralina Altura e comprimento (cm) e IVE 16 14 12 10 8 6 4 2 0 Pendimethalin Alachlor Testemunha 15..8b 10. temperatura. 1985). químicas.2b AP CR IVE Figura 5. a germinação de sementes pode ser afetada por produtos químicos inorgânicos e orgânicos (Bewley & Black. utilizando-se como substrato o Latossolo Amarelo coeso. microbianas etc. Entretanto. estrutura do solo e microorganismos. reduzem a porcentagem de emergência.9a 7. em condições de casa de vegetação. respectivamente).O processo de deterioração implica em uma série de mudanças fisio-bioquímicas que podem levar a uma ação mais efetiva de agentes externos. UFRB. os herbicidas. como.8a 7. 5 e 6. v. Peixoto et al.8a 8.2a 10. (2002a) avaliaram o efeito dos herbicidas alachlor. representativo do Recôncavo Baiano. 2002a). oxigênio.). pendimethalin e trifluralina na nodulação e crescimento inicial de plantas de amendoim. Trifluralina Pendimethalin Alachlor Testemunha 70 60 Porcentagem (%) 62a 55b 55a 47b 30d 32c 34a 15c 21b 8d 11d 30c 50 40 30 20 10 0 PE PA SM Figura 4. o uso de sementes vigorosas é de fundamental importância. Porcentagem de emergência (PE)..2bc 3.1ab 4. luz.5a 6. comprimento da raiz (CR) e índice de velocidade de emergência (IVE) de amendoim aos trinta dias após a emergência. no sentido de minimizar os efeitos de agentes externos na velocidade e porcentagem de emergência. de plântulas anormais (PA) e de sementes mortas (SM) de amendoim em diferentes tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al. com perda significativa da permeabilidade. altura das plantas e massa seca da parte aérea (Figuras 4. Assim sendo.5a 6. especificamente.

Trifluralina Pendimethalin 2. só afetou a porcentagem de emergência quando se utilizou as doses de 2. 2002b) Tópicos em Ciências Agrárias. 1. Um exemplo desta afirmação pode ser constatado em outro trabalho realizado por Peixoto et al.46c MSPA MSR Figura 6.00 1.4677x2 .23c 0.00 1.0 e 4.. representativo do Recôncavo Baiano.0 L ha-1 (Figura 8). submetidas a vários tratamentos com herbicidas (FONTE: Peixoto et al. Índice de velocidade de emergência de sementes de soja submetidas a diferentes doses de trifluralina (FONTE: Peixoto et al. não permitindo portanto generalizações. v. permitindo maior concentração na solução do solo e favorecendo assim a absorção.8375 Observado Estimado Polinômio (Observado) 3 4 Figura 7. 2009 167 .755 R2 = 0. Segundo esses autores.0 L ha-1) na qualidade fisiológica de plantas de soja em condições de casa de vegetação.. Verificou-se que o aumento da dose promoveu decréscimo no índice de velocidade de emergência (Figura 7). 2. sendo o solo utilizado de textura média e baixa CTC. Os efeitos dos herbicidas sobre a qualidade fisiológica de sementes variam.00 0. Índice de velocidade de emergência 30 25 20 15 10 5 0 0 1 2 Doses y = -0. principalmente. No entanto. o comportamento da molécula depende. (2002b). Massa da matéria seca acumulada na parte aérea (MSPA) e raiz (MSR) de plantas de amendoim aos trinta dias após a emergência. Avaliou-se o efeito de diferentes doses de trifluralina (zero. com as propriedades físico-químicas das moléculas e o tipo de solo em questão.96a Alachlor Testemunha Massa da matéria seca (g planta -1) 3. para as condições estudadas.0 e 4. Desta forma. 2002a). os efeitos na porcentagem de emergência foram resultado da baixa adsorção das moléculas pelo solo em questão.13a 1. provavelmente.03b 2.00 2.36bc 1. dentre outros fatores.16a 0. 1.5.207x + 27. também utilizando como substrato o Latossolo Amarelo coeso. das suas propriedades físicoquímicas e também do ambiente.76b 1.2. UFRB.

crea-rj. 445p. MARTIN.147-152. 140-162. Plant availability of bound anilazine residues in a degraded loess soil. v. E. J. STRUCKMEYER. 1995. GROSSBARD. In: Defensivos Agrícola Módulo 2-Herbicidas. biochemistry. p. ASSIS. 168 Tópicos em Ciências Agrárias. FÜHR. Comportamento dos Herbicidas no Solo.R.. 1983. BARRIUSO. Seeds: Physiology of Development and Germination. L. F.32. p. ed. 1995.9521 2 Observado Estimado Polinômio (Observado) Doses Figura 8. Journal of Agricultural and Food Chemistry. A. L. M. submetidas a diferentes doses de trifluralina.60. N.. A.Porcentagem de emergência (%) 100 80 60 40 20 0 0 1 2 3 4 y = -2.. J. 150-157.br/crea/divulgaçao/publicaçoes/cartilhas/da/.. Soil Science Society of America Journal. Herbicides physiology. Specifc microbial responses to hebicides on the soil microflora. Effects of trifluralin on growth nodulation and anatomy of soybeans. B.584-591.38.. 1971. v. J.6. n. C. DAVIS. D. v. Weed Research . p. BEHKI. Effects of Pseudomonas species on the release of bound 14C residues from soil treated with [14] atrazine. Disponível em: <http://www. v. AUDUS. Efficiency of chemical and mechanical methods for controlling weeds in peanuts (Arachis hipogea). 1990. Porcentagem de emergência de sementes de soja. C. 2. McGUIRE. E. Incorporating nonextractable atrazine residues into soil size fractions as a function of time.2090-2093. C. . KRUST. p. 1996. BRIDGES. 1984. O.. 1976. KOSKINEN. GROSSBARD . 2004. In. New York: Plenum Press. London: Academic Press. 2002b) REFERÊNCIAS ABEAS (Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior). n.9894x + 84. KHAN. (FONTE: Peixoto et al. 1. New York: Chapman & Hall. Journal of Environmental Science and Healt v. ecology. R. D. W. 2004. Defensivos alternativos: ferramenta para uma agricultura ecológica não poluente. B. UFRB. Effect on the soil microflora.16.99-147. p-163-9. Seed Science and Thecnology. U.. v.. 1976.. p. J. E. B21.395 R2 = 0. v. BEWLEY. 2v. produtora de alimentos sadios.7506x + 3. M. H. Acesso em: 23 ago. p. MITTELSTAEDT. 19. 487-505. p. E. W. M. Weed Science. S. Weed Science. 2009 . A. KLOSKOWSKI . COPELAND. 409p.. 1986. McDONALD.org.R. BLACK. C.

MAGALHÃES. pendimethalin e trifluralina na nodulação e crescimento inicial de plantas de amendoim.G. n. 107-124. Nitrogen loss from terrestrial ecosystems: global. Microbiologia ambiental. Londrina: 1998. 3.S. p. SPADOTTO.S.. UFRB. 2004. Salvador: SEAGRI/SPA. 2002b. v. 17. presente e futuro..C. Recôncavo Baiano.. Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas.1.J. E.G. 5. v. PEIXOTO. 1.N. ABREU. 2002 (Série Estudos Agrícolas. p.N. v. 10. Tópicos em Ciências Agrárias. 1980. 10.M.76.V. ELKAN. MENESES.A. CARVALHO. de V. C. 1979. 648 p. v.embrapa. A.. Proceedings… 1979. p. T. v. Bound residues in soils and transfer of soil residues in crops. H. JESUS.1. I. F. T.W. v.P.P. Cap.S. SIQUEIRA. v. P. 1997. SAMPAIO. MONTEIRO. Piracicaba. Salvador: P&A. BRANDÃO. SHIBATA. NETO.O. 2004. QUEIROZ. Microbiologia e bioquímica do solo. N. In: MELO. J. A.T. Effect of leaf removal on symbiotic nitrogen in peanut. C.J.147-153.R. 1.T. 1985... M. Comitê de meio ambiente. p.. p. Efeito de diferentes doses de trifluralina (treflan) no poder germinativo e produção de sementes de amendoim.. ALCÃNTARA. M.. n. AZEVEDO. 9-17. de. Influência da aplicação de herbicidas no rendimento de grãos.ed. K. de V. 1983. REZENDE. In: INTERNATIONAL MEET GLOBAL IMPACTS OF APPLIED MICROBIOLOGY BANKOK. F.. Pesquisa Agropecuária Brasileira.. 1997. J. nodulação e qualidade fisiológica de sementes de soja.F..C. Disponível em: http://www. SAMPAIO.J. Peanut Science.H. Uso de herbicidas no Brasil. n.C. 264-265. Degradação de pesticidas.. de V. p.M.. Weed Science.G. SILVA.L.S.C. Guia de herbicidas.A.. 1969. T. G. M. 97p. FERNANDES. PAPAVIZAS. F. E.. 194p. n. OSMAN. berço da Universidade Federal segunda da Bahia: passado. REZENDE. J. 1.. B. J. 4. MOREIRA. T.N. R. WYNNE.P.59-63. p.S.M.O. VIEIRA.. Organic matter-amibem interaction on nodulation and growth of soybean.C. J. J. Dissertação (Mestrado em Agronomia) Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo.G..107-110. Acesso em: 25 ago. Herbicidas alachlor.F. de V.C. 95f. C.. PEIXOTO. 4.S. LICHTENSTEIN.P.O.S. L. 626p. Lavras: UFLA. Residue Reviews. 2/3.P. v.. PEIXOTO. n.K. H.F. G. L. R. Citricultura nos solos coesos dos tabuleiros costeiros: análise e sugestões. 2. RODRIGUES..S. 2009 169 . Doses de trifluralina na nodulação e qualidade fisiológica de plantas de soja.17-26. 3). J.M. 2002a.. SAMPAIO.K.L.. Revista Brasileira de Sementes.139-144. R. regional and local considerations.LEWIS. 2002. S. REZENDE.. ROSWALL. Biochemistry. O. p. CAMARGO. Magistra. p. J. v. Revista Brasileira de Herbicidas. 1979.S. HORA. SADER. PEIXOTO. J.cnpma. ROCHA.P.. p 137-141. ALMEIDA. E. Soil Biol. R. 1977.. J.J.) Jaguariúna: EMBRAPA. OLAMBRE... REZENDE. Biodegradação de 14C-atrazina em condições semi controladas.SCHNEEWEIS.S.M. (Ed. A. C.14.25-30.S. 21..CNPDIA. SOUZA. V.br/herbicidas. S. SAMPAIO.S. Effect of some herbicides on microbial activity in soil. M. 2002.de.

A. 1998. Accelerated degradation and mineralization of atrazine in surface and subsurface soil materials. 2009 . RIEU.359-370. p.1. v. G.B. M. VANDERHEYDEN. 1995. L. Soil Science.J. Alachlor and atrazine degradation in Nebraska soil and underlying sediments.. UFRB. Pesticide Science. HAIDER. K. GRAAF...54.5. v. YASSIR. A. p. SHEA. SOULAS. n.STOLP.237-242. 170 Tópicos em Ciências Agrárias. PUSSEMIER. 1. p.. V.. P. Pesticide Science. F. SPITELLER.49.160.. 1995. B22. DEBONGNIE. Journal Environmental Science and Health. p. P. A.75-82. Microbial N-dealkylation of atrazine: effect of exogeneaus organic substrates and behaviour of the soil microflora. N. n.. C.. v..1-25.. A. WAIS. P. FÜHR. v. BURAUEL. Using 13C-NMR spectroscopy to evaluate the binding mechanism of bound pesticide residues in soils. 1997.

Raul Lomanto Neto. Adailde do Carmo Santos & Leandro Gonçalves dos Santos Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 13 EVOLUÇÃO. ADUBAÇÃO E DIAGNOSE NUTRICIONAL DE PASTAGENS NO RECÔNCAVO DA BAHIA Anacleto Ranulfo dos Santos.

sendo paulatinamente substituída pelas atividades econômicas. feijão. com significativa redução na área plantada e na produtividade dos pomares. E-mail: anacleto@ufrb. Solos do Recôncavo De acordo com Ribeiro (1998).EVOLUÇÃO. mandioca. pela alta densidade demográfica dessa região. o Recôncavo foi a primeira região de exploração agrícola para exportação que foi a cana-deaçúcar. com ênfase aos municípios de Cruz das Almas até Santo Antônio de Jesus.Centro de Ciências Agrárias. fez-se necessário o desenvolvimento de uma agricultura mais intensiva com exploração de diversas culturas de subsistências.EVOLUÇÃO AGRÍCOLA A economia do Recôncavo. como base fornecedora de produtos alimentícios para a capital do Estado. café. No Recôncavo as maiores extensões são os solos dos grupos Tópicos em Ciências Agrárias. e os subseqüentes ciclos de cultivos de algodão. Mais recentemente foi dividido nas regiões econômicas: Litoral Norte e Recôncavo Sul. Cruz das Almas-BA. Amargosa-BA Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. A expansão da pecuária é posterior aos ciclos de exploração iniciais. inhame e a presença significativa de áreas de pastagens. proteção e estímulos governamentais. cacauicultura. a citricultura entrou em declínio nas últimas décadas. exploração de madeira.º Agrônomo/UFBA. tais como milho. Nos terrenos impróprios à cana-de-açúcar. Cruz das Almas-BA. E-mail: adacsantos@zipmail. v. Porém. que também foi um dos produtos de exportação nos meados do século XVI. com predomínio do gênero Brachiaria. como os demais ciclos de cultivos. os Tabuleiros Costeiros são formações Terciárias que ocupam grandes extensões de áreas na Bahia e no Nordeste Brasileiro. pois contava com preços compensadores. especialmente a mandioca. Leandro Gonçalves dos Santos4 1 2 3 4 Professor . Dessa forma. Raul Lomanto Neto2. sofreu grandes oscilações em seus quatro séculos de existência. para as partes mais altas do Recôncavo Sul.edu. que esteve fundamentalmente vinculada à lavoura açucareira desde o período colonial. No século XVIII a cultura do café foi introduzida a partir de Maragogipe. sendo que sua produção jamais se igualou à da cana-de-açúcar por causa das contingências do mercado internacional (Rezende. foi implantada a cultura do fumo que despontava como segunda alternativa de cultivo econômico e ao lado destas lavouras desenvolveram-se culturas de subsistência. Adailde do Carmo Santos3. onde não havia proibição para criação de gado. Essa região foi destacadamente o grande pólo de desenvolvimento da agricultura baiana desde o período Colonial até décadas recentes. cedendo espaço para a cana. café. no decorrer dos anos. cultivada em sub-bosque sendo determinante para a ocupação de Amargosa e dos municípios vizinhos do vale do Jiquiriçá. fumo. 2009 173 . ADUBAÇÃO E DIAGNOSE NUTRICIONAL DE PASTAGENS NO RECÔNCAVO DA BAHIA Anacleto Ranulfo dos Santos1. Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO O Grande Recôncavo Baiano com 78 municípios se caracteriza pela predominância de pequenas glebas e mãode-obra familiar como base de sua produção agropecuária. como base importante da alimentação dos povos da região. Reconhecido como berço da agricultura brasileira. No início a cultura da cana-de-açúcar era próspera e gerava grandes lucros aos exportadores. Além disso. liberdade de produção e facilidade de transporte. surgiu um novo modelo agrícola que foi a citricultura. à exceção dos municípios próximos a Castro Alves. fumo e da citricultura. citricultura. principalmente nos Tabuleiros Costeiros. UFRB. cujo modelo de ocupação da terra é resultado da política do Brasil Colonial. a vegetação original de quase toda a região foi.com.br Eng. o dendê e as culturas de subsistência. Ambientais e Biológicas/UFRB. gerando instabilidade econômica e desconfiança dos produtores pela continuidade dessa atividade. Com o declínio da cultura do fumo. Outra cultura de destaque no ciclo de desenvolvimento do Recôncavo foi o algodão. 2004). RECÔNCAVO SUL .br Pesquisador da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA). 1.

LATOSSOLO E ARGISSOLO. Os LATOSSOLOS AMARELOS predominam em todo Recôncavo e se caracterizam pela baixa fertilidade natural quanto à disponibilidade de nutrientes e com limitações físicas para o desenvolvimento natural das plantas, principalmente pela presença de uma camada coesa no seu perfil, logo abaixo do horizonte A podendo chegar a 1,0 metro de espessura, condição que reduz a permeabilidade para o ar e água, dificultando o fluxo de nutrientes e impedindo o aprofundamento das raízes. Naturalmente são distróficos ou álicos, com acidez acentuada e baixa capacidade de troca de cátions (Rezende, 2000). Esse fenômeno é conseqüência da compacidade natural (adensamento) cuja característica se acentua em períodos de prolongado estresse hídrico e quando associado ao manejo inadequado desses solos. Em ambiente sob floresta esses solos apresentam o efeito coeso nos horizontes AB e ou BA, porém, se submetidos a cultivos constantes essa coesão surge nas camadas mais próximas da superfície, em função da ação erosiva nesse ambiente. Na região, dentre os cultivos mais atingidos por essa camada endurecida no perfil do solo, sem dúvida é a citricultura. Segundo Souza et al. (2000), um adequado suplemento de água ao longo do tempo com o solo friável esse impedimento físico ao crescimento radicular seria não limitante. De acordo com os resultados analíticos de amostras dos diversos municípios da região do Recôncavo Sul, esses solos apresentam significativa variabilidade química natural (Tabela 1), o que influencia diretamente no rendimento das culturas implantadas. Nessas condições de fertilidade, resultados de pesquisas demonstram potencialidade desses ambientes que, uma vez manejados adequadamente, destacando a correção do solo e adubação, podem aumentar a produtividade das culturas de forma expressiva. Assim, as áreas de pastagens em sua maioria degradadas, com baixas produções de forragens, podem ser recuperadas num curto prazo com aplicação de tecnologias simples de manejo da gramínea observando o seu estado nutricional, manejo do solo quanto à composição química e física, e o manejo animal, destacando a sua potencialidade genética para o tipo de exploração desejada, quando interagidas essas ações. Tabela 1. Caracterização química de LATOSSOLO AMARELO coletado na camada 0,20 m sob diferentes cultivos, em municípios do Recôncavo Sul da Bahia.
pH (H20) (5) (5) (1) (2) (3) (6) (4) (6) (6) 4,9 5,8 5,6 5,0 4,5 5,2 4,8 4,2 5,4 P -1 (mg kg ) 2,0 3,0 4,0 3,0 3,0 1,0 5,0 1,0 1,0 K Ca Mg Al H -3 .......................... cmol c dm ……................ 0,07 0,10 0,07 0,20 0,10 0,20 0,23 0,10 0,12 0,7 1,2 8,1 2,8 0,5 0,4 0,8 0,3 0,5 0,5 1,1 1,0 0,9 0,4 0,2 0,6 0,3 0,6 0,5 0,0 0,3 0,2 0,4 0,0 0,1 0,7 0,2 2,4 2,2 7,0 2,6 1,6 1,8 2,8 5,0 2,7 M0 -3 (g dm ) 14,6 8,2 78,8 12,5 6,0 22,9 18,0 16,0 14,5

Municípios C. Almas Sapeaçú Amargosa Amargosa C. Almas Muritiba Muritiba S.A. Jesus D.M. Costa

(1) área de pastejo rotacionado; (2) Latossolo sob Mata Atlântica; (3, 4) área de citricultura; (5) área de mandioca; (6) área de pastejo extensivo.

Histórico das pastagens no Recôncavo Sul O Recôncavo Sul é composto por 33 municípios, ocupa uma área de 10.839,5 km2 e uma população estimada em 2003 de 701.675 habitantes, portanto, uma das mais densas das regiões da Bahia com 64,7 habitantes/km2. Está localizada entre 120 23' e 130 24' de latitude sul e 380 38' e 400 10' de longitude Oeste, com homogeneidade de clima, solo, relevo e regime pluviométrico. A vegetação original na maior parte do Recôncavo Baiano até a sua descoberta se caracterizava pelas formações florestais, de diferentes tipos, equatorial, tropical, subtropical e em seis municípios localizados no semi-árido tem-se formação de caatinga. A derrubada da mata visava o preparo da terra para cultivos anuais e perenes. Como conseqüência do inadequado manejo dessas áreas de florestas, a utilização dos campos nativos e das pastagens implantadas, surgiram como alternativa econômica na região, pois imaginava-se que as gramíneas forrageiras seriam produtivas nos diversos ambientes, o suficiente para sustentar a evolução dos rebanhos. O estabelecimento das pastagens nas áreas florestais foi destacado no começo do século passado e se intensificou a partir das décadas de 30 e 40. Os capins que predominaram neste sistema foram o capim-gordura (Melinis minutiflora), capim-angola (Brachiaria mutica) e o capim colonião (Panicum maximun) restrito às áreas mais subtropicais. Estas forrageiras, após alguns anos sob pastejo, apresentavam uma queda na produção e iniciava-se o processo de degradação. Com esta situação os produtores buscavam alternativa e passou-se à procura da “forrageira milagrosa” e dessa forma chegou-se ao que foi denominado de ciclo dos capins. Essa nova forrageira deveria ir bem em terras fracas e fornecer algum verde na seca. O capim Brachiaria decumbens, popularmente capim-braquiária, adaptou-se perfeitamente às condições de
174
Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

solos ácidos e de baixa fertilidade do Recôncavo, proporcionando na época, aumentos na taxa de lotação de 5 a 10 vezes maiores que as pastagens existentes nessas áreas. O aumento da produção das pastagens e dos rebanhos foi expressivo e possibilitou que os produtores passassem a integrar as atividades de cria, recria e engorda. A utilização das gramíneas do gênero Brachiaria nas pastagens tem sido vinculada à agressividade na formação da área, à dispensa de seguidos cultivos na época de reformas de pastagens velhas e à menor exigência em fertilidade que as demais gramíneas. A realidade existente no Recôncavo Sul é a mesma em todo o Brasil, visto que a quase totalidade dos pastos é de gramíneas do gênero Brachiaria, predominando o Brachiaria decumbens. Como conseqüência da falta de adoção de práticas conservacionista ao longo dos anos, essas pastagens apresentam-se atualmente elevado grau de degradação, tendo como principal característica o baixo rendimento de forragem. O fator de manejo mais relevante para a persistência das pastagens é a pressão de pastejo. Impressionado com as elevadas produções forrageiras dos primeiros anos, principalmente nos períodos mais chuvosos na região que vai de março a agosto, o produtor passou a elevar a carga animal muito acima da capacidade de suporte da pastagem (geralmente estimada em unidade animal por hectare). Esse modelo de criação é mais degradativo nos períodos mais seco do ano, pois diminui a produção de forragem e os animais pastejam quase rente ao solo, fato que dificulta a rebrota da gramínea. Spain & Graldron (1991) citam que os fatores que mais contribuem para a degradação das pastagens são: o super pastejo com altura de corte muito rente ao solo prejudica a rebrota das plantas; o sub pastejo que favorece o acúmulo de material maçegado, logo maior incidência de pragas e doenças; invasão de plantas indesejáveis; falta de adaptação das espécies implantadas; perda da fertilidade do solo; falta de adubação de reposição e manutenção da fertilidade do solo e incompatibilidade entre as espécies associadas. Importância econômica das pastagens O modelo de criação bovina extensiva a pasto é a forma mais econômica de fornecer alimentação abundante e de qualidade aos animais. Para tanto, é preciso que o solo tenha alta fertilidade e condições de fornecer os nutrientes para as plantas. No Recôncavo, a exploração dos rebanhos leiteiros e produção de carne está apoiada na criação a pasto, fato que destaca a importância de estudos nesses ecossistemas para adoção de manejo adequado nessas pastagens. O estado da Bahia possui um rebanho bovino de 9.170.680 cabeças, compondo com 5,57 % do total de bovinos do país. A área de pastagem do estado é de 14.489.768 hectares, ocupando cerca de 48,55% da área total de 29.842.900 hectares de agropecuária. O Recôncavo Sul baiano possui um rebanho bovino de aproximadamente 436.070 cabeças, compondo com 4,75% do total de bovinos do estado da Bahia (Censo, 2000). A área ocupada com a atividade agropecuária nos municípios do Recôncavo Sul é superior a 815.908 hectares, sendo com pastagens, aproximadamente 622.872 hectares, dos quais mais de 60% é ocupado com a Brachiaria decumbens. Dentre os municípios do Recôncavo Sul, Amargosa destaca-se como detentor do maior rebanho bovino e conseqüentemente maior produtor de carne e leite, condição que justifica ser a região de maior aplicação de índices tecnológicos e resultados de produção acima da média do Estado. Em grande parte do Recôncavo Sul o sistema de criação mais usado é o extensivo, onde a adoção de tecnologia é muito pequena, tem maior atenção nas ações profiláticas, o manejo dos pastos depende do índice pluviométrico e a média da capacidade de suporte chega a ser inferior a 0,3 UA ha-1. Em menor proporção encontra-se o sistema de exploração racional com adoção do pastejo rotacionado, adubação das pastagens, programa sanitário para o rebanho, inseminação artificial e utilização de transferência de embrião, com índices zootécnicos acima da média do estado da Bahia e com capacidade de suporte maior que 1,5 UA ha-1. Degradação de pastagens no Recôncavo Sul A perda de fertilidade natural do solo tem levado os pecuaristas em todo Recôncavo Sul a uma cíclica substituição de espécies forrageiras sempre no sentido das menos exigentes como, por conseguinte, de menor valor nutritivo. Assim, o capim-colonião (Panicum maximum Jacq.) foi substituído em muitas áreas pelo pangola e posteriormente pelas braquiárias. As pastagens são consideradas em degradação quando a produção da forragem é insuficiente para manter determinado número de animais no pasto e por certo tempo. Entretanto, quando a produção de matéria seca diminui sensivelmente a ponto de ser notada através de lotação animal, a planta forrageira já reduziu drasticamente o sistema radicular, o perfilhamento a expansão de folhas novas e os níveis de reservas de carboidratos nas raízes e base das hastes. A degradação, na verdade, dificilmente pode ser devida a uma causa isolada. É necessária uma noção de
Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

175

conjunto e de funcionamento dos ecossistemas de pastagens. Em geral observa-se que, uma vez estabelecida a pastagem, com exceção dos problemas causados por pragas e doenças, o início da degradação tem origem nos problemas de manejo do rebanho e na não adoção de práticas conservacionistas. Além disso, fatores como sazonalidade da produção forrageira e superestimação das taxas de lotação contribuem diretamente para a degradação desses ecossistemas. No Recôncavo Sul como nas demais regiões de pastagens do Brasil, o que determina o nível da exploração é a produção de forragem na estação seca do ano. Considerando que áreas de pastagem são mantidas durante todo o ano com a mesma taxa de lotação, gera-se aí situação clássica de excesso de forragem na estação chuvosa e falta na estação seca. Poucos produtores adotam um planejamento para ter na propriedade uma área destinada à reserva estratégica (capineira, milho, cana, sorgo, palma, mandioca, leguminosas, feno e construção de silo etc.). Associados à taxa de lotação, estão os problemas relacionados aos hábitos de locomoção dos animais. Em todo o Recôncavo Sul, observa-se a formação de trilhas preferências no sentido morro abaixo nas pastagens, preferencialmente, próximo a cochos de sais ou bebedouros. Em muitas pastagens localizadas em áreas amorradas, pode-se observar alguns trechos do terreno sem vegetação, que apresentam sulcos de erosão. Estes sulcos, geralmente, têm como causa a movimentação constante de animais pela mesma área, no sentido do declive. No entanto, vários outros autores, inclusive alguns mencionados anterior-mente (Dematte, 1988; Sampaio, 1998), são conclusivos em dizer que a prática da queimada, se mal conduzida ou mesmo efetuada continuamente, pode trazer con-seqüências negativas tanto para a pastagem quanto para o solo que a sustenta. Adubação de pastagens Para o bom desenvolvimento das pastagens, assim como de qualquer cultura, há necessidade que esteja disponível e, em quantidade adequada no ambiente, todos os elementos considerados essenciais, classificados como orgânicos: carbono (C), oxigênio (0) e hidrogênio(H) e inorgânicos como os macronutrientes: nitrogênio (N), fósforo(P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S), e micronutrientes: boro (B), cloro (Cl), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn) (Epstein, 1975). É evidente que o solo é o principal componente fornecedor de elementos químicos para as plantas, não apenas os considerados essenciais como também aqueles classificados como benéficos como o sódio, silício, selênio, cobalto e os elementos tóxicos como o alumínio, mercúrio, cromo, chumbo etc. Certamente, a prática de reposição de nutrientes através da adubação é fundamental para elevação e manutenção da quantidade e qualidade da forragem a pasto. Há evidências nas pastagens do Recôncavo Sul, da utilização planejada de adubos como uréia, superfosfato simples e cloreto de potássio como fonte de N, P e K, respectivamente, assim como de pastagens consorciadas com leguminosas, dentre elas o calopogônio, crotalária juncea, crotalária vistosa, estilosantes, mucuna, feijão de porco etc., e cultivos isolados dessas culturas servindo de bancos de proteínas para os animais. Segundo Werner (1986), o uso de pastagens consorciadas é uma opção para reconstituir a fertilidade do solo quanto à matéria orgânica, devido à capacidade da leguminosa em fixar nitrogênio do ar. Para tanto, é preciso que essa leguminosa esteja bem nutrida com os demais elementos essenciais e que não haja fatores adversos, como exemplo, elevados teores de alumínio no solo. Calagem: a aplicação de calcário em áreas de pastagens, principalmente o dolomítico é fundamental para redução da acidez que se constata na maioria dos solos do Recôncavo (Tabela 1) e por fornecer em proporções mais adequadas os nutrientes cálcio e magnésio para as plantas. A calagem é uma prática que também diminui os efeitos danosos do alumínio, manganês e ferro, os quais podem estar em quantidades excessivas quando o solo apresenta pH baixo, prejudicando diretamente as plantas, assim como, bactérias importantes (Rhizobium) para as leguminosas. É importante destacar que dependendo da espécie as plantas são mais ou menos responsivas à calagem. As braquiárias são classificadas como plantas de tolerância relativa à acidez do solo, atributo importante para a sua persistência e produtividade nas mais diversificadas condições de solo. Nitrogênio (N): é um dos nutrientes mais exigidos pela maioria das plantas cultivadas, sendo absorvido preferencialmente nas formas iônicas N03-, NH4+ e N2. Esse elemento tem função estrutural e faz parte de molécula de aminoácidos, proteínas, é constituinte de bases nitrogenadas e ácidos nucléicos, clorofila e alcalóides, bem como de muitos hormônios, enzimas e vitaminas. Além disso, influencia nos processos de absorção iônica, respiração, fotossíntese, diferenciação celular etc. (Malavolta, 1980). A deficiência de N influencia de imediato no crescimento da planta com coloração verde clara ao amarelecimento inicial das folhas mais velhas em função de sua alta mobilidade interna na planta. O excesso provoca redução de floração, frutificação e acamamento.

176

Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

Fósforo (P): elemento constituinte das moléculas de ATP, ADP, ácidos nucléicos e dos fosfolipídeos das membranas celulares, sendo importante na liberação de energia para o processo ativo de absorção iônica. As formas iônicas H2P04e HP04-2 são as preferencialmente absorvidas, formando compostos orgânicos como hexoses fosfatadas, ésteres de carboidratos, fosfolipídeos e outros, como também, compostos inorgânicos como ortofosfatos e pirofosfatos (Mengel & Kirkby (1987). Segundo Werner (1986), depois do nitrogênio, o fósforo é o elemento mais importante, tendo grande influência no crescimento das raízes e no perfilhamento das plantas forrageiras. Por isso esse elemento é fundamental no processo de recuperação de pastagens degradadas. O excesso de fósforo gera deficiência de cobre, ferro, manganês e zinco. Grant et al. (2001) citam que deficiência de fósforo no início do ciclo vegetativo da planta pode resultar em restrições no crescimento, das quais a planta não se recupera mesmo fornecendo fósforo posteriormente. Potássio (K): é absorvido na forma iônica (K+) e atua como ativador de algumas enzimas na síntese de amido e ácidos graxos. Participa da fotossíntese e respiração e da síntese de clorofila, sendo importante nos movimentos de abertura e fechamento dos estômatos e no transporte de carboidratos (Marschner, 1995). Os capins deficientes em potássio apresentam colmos finos, raquíticos e pouco resistentes ao tombamento. As leguminosas deficientes em potássio têm seu crescimento limitado, há redução na nodulação, afetando a fixação de nitrogênio. Em excesso, o potássio causa deficiência de cálcio e ou maganésio. Cálcio (Ca): absorvido na forma iônica (Ca2+) esse elemento tem função estrutural, fazendo parte da parede celular como pectato de cálcio, estando ligado à formação e funcionamento das membranas celulares. É ativador enzimático (ATPase e fosfolipase) e faz parte da amilase. A deficiência de cálcio pode ser induzida por excesso de Na, K, NH4+ e ou Mg que limitam a sua absorção. O cálcio é importante para manter a estrutura e o funcionamento normal das membranas da célula e em baixas concentrações, estimula a absorção de outros íons. Sintoma de deficiência em folhas novas, deformação das folhas, morte dos pontos de crescimento e clorose nas pontas. O excesso provoca deficiência de potássio e ou magnésio. Magnésio (Mg): é elemento estrutural da molécula de clorofila, pectina e fitina, participa da fotossíntese, ativador enzimático e funciona como carregador de fósforo. Absorvido na forma iônica (Mg2+), é móvel no floema celular, por isso apresenta sintomas de deficiência primeiramente nas folhas velhas, assim como o nitrogênio, fósforo e potássio. Em condição de deficiência ocorre clorose internerval e a nervura da folha permanece verde. O excesso de magnésio promove indução de deficiência de potássio e/ou cálcio. Enxofre (S): absorvido na forma iônica SO42-, é constituinte dos aminoácidos cistina e metionina, de proteínas, clorofila, vitaminas e importante para fixação de nitrogênio. Esse elemento é pouco móvel na planta, por isso o sintoma de deficiência aparece primeiro nas folhas novas. A deficiência de enxofre nas pastagens do Recôncavo ainda não é preocupante, entretanto, a forte aplicação de adubos nitrogenados nessas áreas pode favorecer o desequilíbrio nitrogênio e enxofre afetando o crescimento da forrageira. Micronutrientes: nas condições edafo-climáticas da região do Recôncavo não se têm encontrado resultados satisfatórios do uso de micronutrientes nas pastagens. Dentre esses elementos (boro, cloro, cobre, ferro, manganês, molibdênio e zinco), o zinco é o micronutriente mais utilizado na maioria das culturas, além de sua forte interação com o fósforo no solo (Mengel & Kirkby, 1987). Estudos com micronutrientes são importantes para obter o máximo de eficiência produtiva e qualidade da forragem em pasto. RESULTADOS DE PESQUISAS COM FORRAGEIRAS NO RECÔNCAVO Na região do Recôncavo da Bahia ainda são incipientes os trabalhos de pesquisas direcionados para avaliação do estado nutricional de plantas forrageiras. Mais recentemente, como apoio do Mestrado em Ciências Agrárias, e com a formação do grupo de pesquisa em “Nutrição Mineral de Plantas e Pós-Colheita” da UFRB, estudos com macronutrientes isolados e em interações vêm sendo desenvolvidos com capins do gênero Brachiaria, principalmente o Brachiaria decumbens, que é o mais cultivado na região. Estudos com aplicação de calcário em pastagens de braquiária estabelecida em LATOSSOLO AMARELO foram desenvolvidos nos anos de 1998 e 1999 na então Escola de Agronomia da UFBA. Os resultados da Tabela 2
Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

177

demonstram que no primeiro ciclo da braquiária a elevação da saturação de bases (V%=60) incrementou o rendimento de massa seca em 95% e que saturação acima deste valor apresentou aumentos inferiores a este, quando comparados com a fertilidade natural do solo (V%=33). No segundo ciclo vegetativo, sem reposição da calagem, observou-se aumento linear, com 84% quando V%=80. Nos dois cortes não houve efeito significativo da calagem sobre a concentração de nitrogênio, assim como para os valores de proteína bruta na forrageira. Entretanto, o acúmulo de nitrogênio foi mais acentuado quando V%=70. Esses resultados indicam efeito positivo do aumento da disponibilidade de cálcio e magnésio no solo na qualidade da forrageira. Neste estudo, quando se fez a substituição de 25% do CaO do calcário por gesso agrícola, verificou-se apenas aumento de 27% e 14% no rendimento de massa seca da braquiária no primeiro e segundo cortes, respectivamente, quando o V%=50. Também não foi observada influência da presença do gesso agrícola nos teores de nitrogênio na planta, entretanto, a extração de nitrogênio do solo foi menor com o aumento da saturação por bases. Tabela 2. Rendimento em massa seca, teor, acúmulo de nitrogênio e proteína bruta do primeiro e segundo cortes da parte aérea do capim-braquiária, em função da saturação por bases (V%). Os valores são médios de quatro repetições.
------------------------------33 50 4628 5330 1812 2550 10,6 8,9 15,3 16,9 49,01 47,54 31,67 43,18 66,1 55,6 95,9 105,5 (V %) ------------------------------60 70 80 9040 8450 8230 2662 2975 3337 8,3 10,4 9,3 16,9 15,3 15,3 75,37 88,34 76,95 44,00 67,90 53,55 56,8 65,2 55,9 105,5 107,2 95,9

VARIÁVEIS Massa seda (kg ha ) Teor de N (g kg )
Acúmulo de N (kg ha )
-1

CORTE
-1

-1

Proteína bruta (g kg )

-1

I II I II I II I II

Trabalho não publicado. Resultados em Relatório de Pesquisa PIBIC (Silva & Santos, 1999a).

A aplicação de N, como fonte uréia, em pastagem implantada com braquiária demonstrou que houve incremento linear de 174% no rendimento da massa seca da forrageira (2300 para 6300 kg ha-1), na dose de N= 600 kg ha-1 no primeiro crescimento da cultura. No segundo crescimento houve efeito quadrático de resposta, com maior aumento de 104% (1710 para 3480 kg ha-1) na dose N=300 kg ha-1. O teor de N nas folhas aumentou significativamente na ordem de 424% e 32% no primeiro e segundo cortes da planta na dose de N= 600 kg ha-1, respectivamente. Nas hastes da planta esse aumento foi de 800% no primeiro e 24% no segundo corte. Nessa dosagem de N no solo, obteve-se aumento de N acumulado na planta superior a 800% (13,7 para 134,8 kg de N ha-1) no primeiro corte, e de 156% (27,41 para 62,78 kg de N ha-1) no segundo corte da forrageira, quando comparado com o tratamento sem aplicação de uréia (Silva & Santos, 1999b). Estudo desenvolvido por Carvalho (2000), avaliando o comportamento de algumas gramíneas e leguminosas em LATOSSOLO AMARELO no município de Cruz das Almas-BA, demonstrou que a Crotalária juncea e a mucuna apresentaram rápido crescimento no período inicial, precocidade na produção de massa, boa cobertura do solo e bom volume de raízes em profundidade. Por isso, essas plantas apresentam potencial para serem usadas como adubo verde e na recuperação de solos fisicamente degradados. Por outro lado, o autor constatou que o calopogônio apresentou menor velocidade de crescimento no período inicial, sendo mais tardia para cobertura total do solo. Nesse estudo, o capim cameroon e a braquiária humidícola apresentaram grande velocidade de crescimento no período inicial do ciclo vegetativo, podendo assim, serem competitivas com a vegetação nativa. A produção de massa seca do cameroon foi superior às demais espécies estudadas, confirmando ser uma excelente opção como forrageira de corte na região. Esses resultados indicam a importância da diversificação de espécies num ambiente de pastagem, condição que favorece o melhor aproveitamento de água, nutriente e adequação às variações climáticas. Estudos com resíduos orgânicos e adubação mineral com NPK no capim-braquiária demonstraram que a produção de massa seca aumentou de forma mais significativa com a adubação NPK, que em relação às adubações com esterco bovino curtido e compostos de lixo selecionado e não selecionado. O rendimento de forragem e o número de perfilhos não foram influenciados com adição dos compostos orgânicos, sendo o esterco bovino o mais eficiente no rendimento de forragem (Rodrigues, 2001). Santos & Santos (2002), estudando a interação N:S em capim-braquiária, observaram no primeiro corte que houve efeito significativo para as doses de nitrogênio e para a interação, entretanto, não foi observada significância do enxofre isoladamente. O maior rendimento em massa seca foi obtido com a dose de N=300 kg ha-1, correspondendo a
178
Tópicos em Ciências Agrárias, v. 1, UFRB, 2009

Os resultados apresentados demonstram a significativa influência da adubação mineral nas pastagens do Recôncavo da Bahia. 95) 5p.uma concentração em N de 18. TOMASIEWICZ. apresentaram respostas significativas com a aplicação desses elementos.br/ibge/estatística/economia/agropecuária/censoagro/default. http://www. (Informações Agronômicas. Com isso.5 g kg-1 no limbo foliar e na haste da forrageira. Lomanto Neto (2002) observou que numa pastagem degradada de capim-braquiária a produção de massa seca das folhas. enquanto que a interação com as doses 100:40 apresentou um aumento de cinco vezes no rendimento em relação ao tratamento controle. D. Esses resultados foram semelhantes aos obtidos por Guss (1988) e Rao et al. 1988. espera-se que as pesquisas com plantas forrageiras possam continuar de forma ainda mais intensiva. 2009 179 .L. do solo e do excesso de animais por área e do tipo de criação. vez que estes normalmente apresentam baixas concentrações desse elemento. D. Dissertação (Mestrado em Agronomia) Universidade Federal de Viçosa. J. Cruz das Almas. Nutrição mineral de plantas: princípios e perspectivas. (1996) em relação à concentração de P na planta. GUSS.. caracterização e cinética do crescimento de leguminosas e gramíneas com alto poder relativo de penetração de raízes em solo coeso dos tabuleiros costeiros do recôncavo baiano.gov. 215p. Em presença de altas concentrações de P (200 kg P2O5 ha-¹) o maior acréscimo no rendimento de massa seca foi obtido com a dose 50 kg K2O ha-¹. SHEPPARD. quando em omissão de P. assim como.ibge.L. e que os conhecimentos gerados possam melhorar a produtividade e qualidade das pastagens da região. UFRB. Segundo Santos et al. respectivamente. A adubação de pastagens através da interação P:K também vem sendo avaliada na região.R. e altas concentrações de P no solo apresentou melhor desempenho da forrageira quando a dose de magnésio foi de 40 kg ha-1. N. 74f. Exigências de fósforo para o estabelecimento de gramíneas e leguminosas forrageiras tropicais em solos com diferentes características físicas e químicas. C. EPSTEIN.8 g kg-1 e 14. 1988. A. Mg e N nos dois ciclos de crescimento do capim-braquiária. Em estudo de interação P:Mg. São Paulo: USP. (2004). 2000. 1975. No segundo crescimento não houve significância para S e nem para a interação N:S. J. Manejo de solos ácidos dos trópicos úmidos: região Amazônica. GRANT. 2001. Disponível em: DEMATTÊ. Rio de Janeiro: IBGE. 115f. S. 2000. v. C.I. CENSO Agropecuário 2000. 2003). 1. FLANT. respectivamente. resultante de vários fatores de manejo da forrageira.. o rendimento de massa seca da braquiária foi influenciado pela adubação fosfatada e magnesiana. o aumento das doses de P num LATOSSOLO AMARELO favoreceu maior concentração e acúmulo de P. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) Escola de Agronomia. Identificação. A importância do fósforo no desenvolvimento inicial da planta. S. No primeiro crescimento a interação N:P nas doses 200:160 (kg ha-1) promoveu um aumento de 14 vezes em massa seca. apresentando 121% quando comparado a omissão de P e K (Santos & Santos. das hastes e parte aérea. a concentração e o acúmulo do N e P. Viçosa. Tópicos em Ciências Agrárias. de. Avaliando a interação N:P num LATOSSOLO na região de Amargosa. com características de degradação com baixa produção de massa seca. A adubação fosfatada é imprescindível no estabelecimento de pastagens nos solos da região do Recôncavo. As doses de K2O 50 e 100 kg ha-¹ promoveram um incremento de massa seca de 40 e 60%. Piracicaba: Associação Brasileira para Pesquisa de Potassa e do Fosfato. principalmente nas áreas de capins do gênero Brachiaria. 341p. De acordo com Santos (2003).. Campinas: Fundação Cargill. Universidade Federal da Bahia. A. a eficiência da adubação fosfatada aumenta com a disponibilidade de Mg no solo.shtm. REFERÊNCIAS CARVALHO. E.

180 Tópicos em Ciências Agrárias. 2003. O. de O. SAMPAIO. n. dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) Escola de Agronomia.9-18. J. L. E. SILVA..M. 20f. MARCSHNER.. Cruz das Almas.53-71. 2. A. RODRIGUES. Resposta do capim-braquiária submetido a doses de calcário e gesso agrícola em um Latossolo amarelo coeso. Relatório de Pesquisa. dos. A. v. B. A. de O. berço da Universidade Federal segunda da Bahia: passado. Relatório de Pesquisa. 1998. R. R.teor e acúmulo de nitrogênio do capim-braquiária (Brachiaria decumbens Stapf. 98P. PIBIC. REZENDE. Nutritional requiriments of Brachiaria and adaptation to acid soil.A. KIRKBY. J. Cruz das Almas. à interação N:P na região de Amargosa-BA. MALAVOLTA. R. G..) num Latossolo Amarelo. submetida à adubação com resíduos orgânicos compostados em Latossolo Amarelo coeso. 2000. 1995. p. MAASS. presente e futuro / Joelito de Oliveira Rezende. 1998. M. dos.C. A.) Brachiaria: Biology. P.. (Agronomy.L. RIBEIRO. 2003. Solos Coesos dos Tabuleiros Costeiros: limitações agrícolas e menejo. J. Bern: International Potash Institute. S. Salvador-BA: SEAGRI/SPA. Cruz das Almas-BA. R. Magistra. A. Cruz das Almas-BA. VALLE. R. Os Latossolos Amarelos do Recôncavo Baiano: gênese.16. In: MILES. Principles of plants nutrition. MACEDO. 78f. Rendimento de matéria seca e avaliação nutricional da Brachiaria decumbens Stapf. L. em função da aplicação de diferentes doses de nitrogênio e enxofre num Latossolo Amarelo coeso do Recôncavo da Bahia. Elementos de nutrição mineral de plantas. Cali: CIAT. H.. 1999b. 22f.P. Interação fósforo:potássio no rendimento.do (Ed. Cruz das Almas-BA. C. 10f.. SANTOS. Caracterização da degradação e resposta de pastagens com Brachiaria decumbens Stapf. A. Balanço de nutriente em sistema de agricultura migratória no município de Ji-Paraná-RO. A.W. 1999. 687p. I.C. Recôncavo Baiano. SANTOS. Universidade Federal da Bahia. 2002. do C.M. 1987. KERRIDGE. 131 f.. dos. Rendimento da Brachiaria decumbens Stapf. em função da interação fósforo e magnésio em um Latossolo Amarelo do Recôncavo da Bahia. SANTOS. SANTOS. SANTOS. G. 1999a. SANTOS. Viçosa. R.. dos. L. M. 1). Cruz das Almas-BA. R. 2009 . REZENDE. L. 1996. submetido a doses de nitrogênio em solos dos Tabuleiros costeiros no Recôncavo da Bahia. Relatório de Pesquisa.. RAO. 1.ed. L. São Paulo: Agronômica Cerres. 117p... Salvador. G.LOMANTO NETO. MENGEL. P. da. SANTOS.. do C Rendimento e estado nutricional do capim-braquiária. 2001.1. il. 2002. 98f. 194p. Cruz das Almas. 25f. 2004. PIBIC. Universidade Federal da Bahia. J. Mineral nutrition of higher plants. dos. 1999. Salvador: P&A. 2003. Resposta do capim Brachiaria decumbens Stapf. dos. 251p. PIBIC. EMBRAPA. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) Escola de Agronomia. E. dos. 1980. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) Escola de Agronomia. Universidade Federal da Bahia.. BA: SEPLANTEC/CADCT. G. A. F. dos. Teores de nutrientes em pastagens com braquiária em função da interação fósforo e magnésio em um Latossolo Amarelo. SANTOS. and Improvement). Cruz das Almas. SANTOS. E. evolução e degradação. London: Academic Press. 889p. Relatório de Pesquisa. v. 119f. SANTOS. SILVA. 2004. (Série Estudos Agrícolas.B.. Dissertação (Mestrado em Solos e Nutrição de Plantas) Universidade Federal de Viçosa.. UFRB.

1991.SOUZA L. In: REUNIÃO BRASILEIRA DE MANEJO E CONSERVAÇÃO DO SOLO E DA ÁGUA.. C. 49p.C. Nova Odessa: Instituto de Zootecnia. 1. Tópicos em Ciências Agrárias. SPAIN.. UFRB. SBCS.M.. GUALDRON. 2000. In: LASCANO. J. et al. Perspectivas de uso dos solos dos tabuleiros costeiros. Cali: CIAT. Anais. Ilhéus. (IZ. BA. 1986. Boletim Técnico. 2009 181 . J. 57p. Adubação de pastagens. da S. J. 13. R. 18). v. (Eds). Establecimiento y renovación de pastures.M.. Degradación e reabilitación de pastures.. WERNER. SPAIN.

CAPÍTULO 14 DESORDENS NUTRICIONAIS EM POMARES CÍTRICOS NO RECÔNCAVO BAIANO Washington Luiz Cotrim Duete. Rozilda Vieira Oliveira Sacramento & Robson Rui Cotrim Duete Tópicos em Ciências Agrárias .

Desta forma. para 3. identificando as desordens nutricionais . E-mail: wlcduete@ufrb. o estado nutricional dos pomares de laranjeiras nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira situados no Recôncavo Baiano. Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. Considerando as condições climáticas da região. estando o N em nível adequado a alto na planta. Cabaceiras do Paraguaçu.deficiências. Considerando os altos valores encontrados convém relembrar que. Cruz das Almas-BA. um contingente superior a 20 mil pessoas.4 bilhões em 2000. conforme relatos de Legaz et al. participando com 26. com rendimento médio de 68. será avaliado neste capítulo.Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA).edu. excessos e desequilíbrios responsáveis pela baixa produtividade dos pomares. Ambientais e Biológicas/UFRB. UFRB. A despeito dos baixos teores de matéria orgânica encontrados neste solo. Muritiba. resultando em plantas de baixo vigor. v.edu. Cruz das Almas-BA INTRODUÇÃO O Brasil destaca-se no cenário mundial como maior produtor de laranjas. possivelmente. estando a Bahia em 2º lugar participando com apenas 4. A produção nacional é liderada pelo Estado de São Paulo o qual responde por 79.842 frutos ha-1 (SEI-BA. com predominância do Latossolo Amarelo distrófico. segundo Obreza (1996). que é realizado nas entrelinhas dos pomares. passando de 4. obtendo-se maiores rendimentos a baixas doses.br Pesquisador . de textura média. Nesta região a citricultura desenvolve-se em solos de Tabuleiros Costeiros. ocupando ainda a posição de maior exportador de suco concentrado.Centro de Ciências Agrárias. pela capacidade desta armazená-lo nas folhas para redistribuição nos períodos de florescimento e frutificação. a partir da diagnose foliar e das condições de fertilidade apresentada pelo solo. 2009 185 .65 % dessa produção. Quaggio et al. 2004). Entretanto. Robson Rui Cotrim Duete 3 1 2 3 Professor . pois emprega. E-mail: rozilda@ufrb. Sapeaçu. Rozilda Vieira Oliveira Sacramento2. Tópicos em Ciências Agrárias. Conceição do Almeida.61% da produção mundial segundo dados da FAO (2004). com destaque para os municípios de Cruz das Almas. além da torta de mamona utilizada quando da aplicação da fórmula 10-10-10 fornecidas aos agricultores para o cultivo do fumo.98% no ranking nacional. caracterizando-se pela baixa capacidade de retenção de água. suprindo 80% da demanda mundial e gerando divisas de US$ 1 bilhão/ano. segundo classificação de Malavolta & Prates (1994) (Tabela 1). Na Bahia. Desta produção o Recôncavo Baiano responde com 15. o N segue a lei dos incrementos decrescentes. apresentando ainda 41% dos pomares com altas concentrações.1988). Aliado a estes fatores acrescenta-se ainda a adubação insuficiente. a atividade citrícola no Estado sofreu decréscimo na produção de laranja de 21%. o suprimento adequado e alto de N nas plantas pode ser explicado pelas freqüentes adubações orgânicas com esterco de animal. é intenso o processo de mineralização da matéria orgânica.3 bilhões de frutos em 1999. entre 27 a 30 g kg-1.20 cm quanto de 20 a 40 cm. Castro Alves e Governador Mangabeira. Uma das melhores técnicas para avaliar o estado nutricional dos pomares e orientar programas de adubação consiste na análise foliar aliada aos conhecimentos da fertilidade do solo e das influências de outros fatores (Rodriguez. apresentaram-se na faixa de muito baixo a baixo. acidez natural e presença de camadas adensadas limitando a infiltração e o aprofundamento do sistema radicular. Cruz das Almas-BA. ausência de controle fitossanitário e o manejo inadequado. 1. Com a mesma preocupação. comprometendo a produção e a longevidade dos pomares. a citricultura tem grande importância social. Nitrogênio Na região em estudo os teores foliares de N apresentaram-se adequados em 59% dos pomares na faixa de 24 26 g kg-1 de N.55%.br.DESORDENS NUTRICIONAIS EM POMARES CÍTRICOS DO RECÔNCAVO BAIANO Washington Luiz Cotrim Duete1. (1998) observaram decréscimo de rendimento com teores foliares de N igual a 28 g kg-1. (1995). conforme visualiza-se na Tabela 2. a cada safra. É importante chamar atenção que os teores de matéria orgânica do solo tanto nas camadas de 0 . razão pela qual seus teores no solo são sempre baixos.

7 20....8 17.2 MO 20 – 40 0 – 20 P 20 – 40 0 – 20 K 20 – 40 0 – 20 Ca 20 – 40 0 – 20 Mg 20 – 40 0 – 20 S 20 – 40 Acidez efetiva (1) pH(CaCl2) (1) 0 – 20 20 – 40 A interpretação desta característica deve ser alta e muito alta em lugar de bom e muito bom.5 88.5 8.6 73...6 58..1 0 0 0 0 0 50... 2009 .....8 0 0 29.8 0 14......8 0 0 97..... UFRB............8 64.............9 2.0 Tabela 2... nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA.................8 0 8. % .0 17.......5 11.. Freqüência de amostras observadas por classe de teores foliares de macronutrientes em pomares de laranjeira 'Pêra'. 3.7 2.0 8.6 14...0 11..6 8.6 26..5 26..8 0 0 0 17..3 17.8 0 91..0 88.9 44.5 2.......8 8.... Freqüência de amostras observadas por classe de teores de matéria orgânica..0 0 38...2 0 26........9 14......9 0 11....6 2...... N P K S Ca Mg 0 0 0 0 0 0 0 11.6 88.2 20.. Parâmetros químicos Classe de teores Profundidade ...0 0 44....7 0 2...2 0 59..8 2..0 88.9 41.0 41... 186 Tópicos em Ciências Agrárias...6 73........ v..9 41....1 11...8 17....9 20. 1. 2003.2 59.. nas duas profundidades... Classe de teores Elementos Deficiente Baixo Adequado Alto Excessivo ..9 5... 2003.9 0 5........... em pomares de laranjeira 'Pêra' nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA...7 26.........6 35. % ...Tabela 1..8 5. 0 – 20 Muito Baixo Médio Bom Muito bom baixo .......3 23...............6 0 0 0 14....7 0 23.6 61..5 50..2 53. cm .9 0 2.. macronutrientes e propriedades do solo..8 2..6 20...9 11..

pode-se observar que os pomares localizados em áreas com teores de P no solo classificados como muito baixo.2 .40 cm 88.8 e 38.2% dos teores foliares adequados.Vale também ressaltar que a ciclagem de N em ambiente de pomar cítrico é complexa e tem sido objeto de estudo por vários pesquisadores. comprovaram que esses resíduos podem contribuir com até 153 kg ha-1 ano-1. Em contradição.20 cm entre as faixas.1.8% e 97. quantidade que corresponde de 1/3 à metade da recomendação anual de N para árvores adultas de citros.16. Dou et al. respectivamente. que é um fator limitante ao desenvolvimento do sistema radicular. respectivamente.3% dos pomares com baixo teor de Ca apresentaram altos teores de N. apresentando valor médio de 1. Uma das razões para explicar tal situação deve-se Tópicos em Ciências Agrárias. até certo ponto por um maior crescimento vegetativo e baixa mobilidade do mesmo na planta. Apesar dos baixos teores de K no solo. Segundo Obreza (1996). consideradas ideais por Malavolta et al. 1983).40 cm. possivelmente em razão dos altos teores de K encontrados em 38.5% dos pomares amostrados apresentaram relação N/K abaixo do limite de 2. As reduções dos teores foliares de Ca são devidas possivelmente. Koo (1985) afirma que as inter-relações são os fatores predominantes sobre os teores de nutrientes nas folhas. acredita-se ser a justificativa dos três autores acima citados a mais aplicada às condições locais. Os teores de K no solo distribuíram-se na camada de 0 . 2003. Pesquisas têm demonstrado uma maior correlação no estudo entre as relações dos nutrientes com a produtividade que considerando os teores isolados dos elementos. Assim. a fertilização com o elemento P está mais relacionada com a melhoria do crescimento vegetativo que com respostas positivas quanto ao rendimento (Malavolta. num pomar cítrico a reciclagem da matéria orgânica fornece a maior parte do N necessário para formar novas folhas e galhos.2% dos pomares apresentaram classe de teores baixo e alto. (1991) como ideal para atingir uma produção superior a 800 cx ha-1. apresentaram teores foliares adequados.88. mas sim que as plantas cítricas são mais eficientes na absorção de P no solo devido à extensão do sistema radicular e maior tempo para absorção. a análise da fertilidade do solo não possibilita estimar a disponibilidade de N devido à dinâmica deste elemento no processo de decomposição e mineralização da matéria orgânica. 53 e 38. Apesar dos 88.9 . 35. 1. v. na camada de 20 . respectivamente.20 e 20 . Estes resultados estão de acordo com as afirmações de Malavolta (1983). com percentual de 26. Nesta região.2% dos pomares apresentarem teores foliares de P adequados. Koo.9 % muito bom (Tabela 2).2% dos pomares apresentaram teores foliares de K na faixa de adequada e alta.40 cm. para 55. baixo e médio.2% dos pomares. baixo. sendo que 76. do que com as exigências da plantas ou a capacidade das raízes para absorver P. diluindo sua concentração nas folhas. 23. justificando que as altas doses de P usadas nos pomares cítricos estão mais relacionadas com a diminuição na disponibilidade do elemento por fixação e com o pequeno sistema radicular.3.2% dos pomares e baixos em 11. Já na camada de 20 . para o qual a laranjeira pode produzir satisfatoriamente num solo pobre em P enquanto que uma cultura anual poderia mostrar sintomas de fome. (1997). Além disso.1% dos pomares.5 e 14. em estudo sobre a contribuição de N provenientes da mineralização de resíduos de folhas e galhos secos que retornam ao solo. nas camadas de 0 . médio. Verifica-se também uma associação negativa entre as concentrações de N e Ca nas folhas uma vez que 61. Convém destacar que 76. Fósforo Os teores foliares de P apresentaram-se adequados na faixa de 1. sendo assim pequena fertilização de N supri essa função. UFRB.85. (1991) e o Grupo Paulista de Adubação e Calagem para Citros (1994). contrastando com os 88.5. 2009 187 .1 g kg-1 (Tabela 1). bom e muito bom.47% dos pomares apresentaram relação acima de 19 e 17. respectivamente (Tabela 2).7%.8% em classe de teores considerados bom e 2. 1983.7 g kg-1 em 88. Quaggio (1996) afirma que os citros não são menos exigente em P que as culturais anuais. Considerando as condições físico-químicas dos solos estudados e a presença da camada coesa encontrada nos Latossolos dos Tabuleiros Costeiros.2 proposto por Malavolta et al. Obreza. a relação média N/P foi de 20. Neste sentido.3% dos pomares apresentaram teores abaixo do adequado com apenas 8.1. 8. no solo a distribuição desses teores em faixas de classificação apresentaram-se abaixo da adequada. Com o cruzamento dos mapas temáticos de P no solo (20-40 cm) e P foliar visualizado na Figura 1. respectivamente. Potássio A distribuição em classes de teores mostra na Tabela 1 que 53% dos pomares estão na faixa adequada com os teores variando de 10 a 14 g kg-1 de acordo com os limites estabelecidos por Malavolta & Prates (1994).8% na faixa de 0.

Entretanto. estão com teores de Ca no solo abaixo do nível crítico razão pela qual 91. Como também Weir (1969) observou que o K era o nutriente mais fortemente antagônico das bases estudadas. 2009 . 0. os valores da relação K/Ca foi maior e K/Mg a menor de todas as demais citadas. No solo na profundidade de 0 . respectivamente (Tabela 1).5 e 29. onde predomina argila do tipo 1:1 e óxidos hidratados de Fe e Al podendo ainda estes óxidos obstruírem as camadas das argilas 2:1 caso elas estejam presentes nestes solos.24 e 4.31 e 3.2% dos pomares segundo as classes de interpretação para os teores foliares propostas por Malavolta & Prates (1994). respectivamente. Os valores ótimos para as relações K/Ca e K/Mg nas folhas de citros em estudos realizados no Estado de São Paulo segundo Sanchez (1979). o limite superior da classe média correspondente a 24 mmolc dm-3 para o Ca. Cálcio Os teores foliares de Ca apresentaram-se baixos na faixa de 20-34 g kg-1 em 91.9% considerados bons (Tabela 2). Uma possível razão para explicar as baixas concentrações de S encontradas em ambas as camadas. enquanto que na profundidade de 20-40 cm. indica o nível crítico deste elemento no solo.2% dos pomares encontram-se na faixa adequada a alta para K enquanto que a mesma percentagem de pomares apresentam teores baixos de Ca e 94. Observando a Tabela 1 percebe-se que 91. favorecendo ainda mais a lixiviação. demonstrando altas concentrações de K. Neste levantamento as relações médias de K/Ca e K/Mg foram 0. Observa-se na Figura 3 que os teores foliares de Ca variaram em função dos teores de K no solo na profundidade de 0 . respectivamente. Na camada de 0-20 cm 47. 88. podem ser justificados pelas perdas por lixiviação comum nos solos tropicais e com alto grau de intemperismo. combinada com os baixos teores de Ca e Mg no solo favorecem uma alta absorção de K pelas plantas segundo Malavolta (1980) e Boyer (1985). uma vez que não existe nenhuma comprovação experimental que o nível de 35 g kg-1 proposto por Malavolta & Prates (1994) seja realmente o mínimo necessário às necessidades metabólicas da planta.20 cm. chamando também atenção que este antagonismo foi mais forte entre K e o Ca. uma vez que.2. 2. Enxofre Os teores foliares de S para 41 e 59% dos pomares apresentaram-se na faixa adequada e alta.inicialmente às altas adubações realizadas nos pomares utilizando a fórmula 10-10-10 que. Malavolta et al. Quanto aos baixos teores de K no solo.85. 73. (1991) e Grupo Paulista de Adubação e Calagem para Citros .1% dos pomares encontra-se na classe de teores baixa a muito baixo. deve-se ressaltar que pesquisas realizadas em solos arenosos de baixa fertilidade tem obtido produção máxima e nível crítico com teores foliares de Ca no valor de 28.8% adequados (Tabela 1).2% do mesmo apresentaram baixos teores de Ca nas folhas. baixa concentração de Ca e elevada concentrações de Mg foliar nestes pomares. Já na profundidade de 20-40 cm 85.9% médios e 50% de bom a muito bom.6% dos pomares apresentaram teores médios (Tabela 2). percebendo que as áreas onde os teores de K foram classificados como bom e muito bom apresentaram menores teores de Ca foliar.3% dos pomares estão baixo a muito baixo. UFRB. Além disso.20 cm. 0. pode ser atribuída aos baixos teores de matéria orgânica encontrados nas duas profundidades nestes solos uma vez que. enquanto que as áreas que apresentaram teores de K nos solos de baixo a 188 Tópicos em Ciências Agrárias. estejam adequados para suprir as necessidades das plantas cítricas (Figura 2). Outra hipótese para explicar tal situação. do que entre o K e o Mg. ressaltando-se também que não se observou na área de estudo relevante problemas de deficiência de Ca. 1. constante na tabela de interpretação de fertilidade do solo. esta constitui uma das principais fontes fornecedoras de S à planta.49 e 2. (1975) e Embleton et al.72g kg-1.2 e 100% dos pomares nas duas profun-didades respectivamente. 11% médio e apenas 2.GPACC (1994) são: 0.3 e 3. com apenas 8. sendo assim 91.3% dos pomares foram classificados como baixos segundo tabela de classificação.82 respectivamente. percebendo significativa redução dos teores com o aumento da profundidade. v. Conforme Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais (1999). a região apresenta clima subúmido a úmido e os solos têm grande possibilidade de serem deficiente em S por causa do rápido processo de mineralização da matéria orgânica. leva-se em conta que os teores considerados baixo pela tabela de interpretação de fertilidade do solo proposta pela CFSEMG (1999).0.1% alto a excessivo para Mg. A discrepância desses dados indica a necessidade de reavaliação da faixa de teores considerados adequados para a cultura na região. (1978) já haviam demonstrado que os aumentos nos teores foliares de K levaram à redução nos teores de Ca. Nagai et al.

2% dos pomares apresentaram teores foliares baixo de Ca associado a 94. Esse efeito sinérgico.médio registraram maiores teores de Ca nos pomares. observou que com o aumento nas doses de N houve elevação dos teores de N e Mg foliar. Cruzamento entre os mapas de P no solo na profundidade de 20-40 cm e P foliar.500 m 39°9'0"W 39°3'36"W 38°58'12"W Figura 1. Entretanto. 2003.250 2.. Uma outra possível razão para explicar os elevados teores de Mg foliar pode estar relacionada com as freqüentes adubações nitrogenadas realizadas na região utilizando as fórmulas 10-10-10. Vale ressaltar que a baixa relação encontrada nos pomares da região se justifica em razão dos baixos teores de Ca e alto a excessivo teores de Mg. A despeito dos elevados teores foliares de Mg encontrados na região. Já a relação Ca/Mg no solo apresentou na profundidade de 0 . usando os atuais critérios de diagnose foliar.0 g kg-1. não há na literatura indicação de efeitos depressivos do excesso de Mg em condições normais de cultivo. devido aos baixos teores de Mg neste solo. 44. considerada como baixa segundo Guardiola (citado por Vitti et al. 2009 12°39'36"S P solo x P foliar 12°36'0"S GOVERNADOR MANGABEIRA 189 .5 . Esta observação torna-se importante pois. sendo que. em Alfenas . maior que 10. 1. o que induziria à necessidade do uso de calcário calcítico. 39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S 12°36'0"S MURITIBA 12°39'36"S Muito baixo Muito baixo Baixo Baixo Médio Bom Muito bom Baixo Adequado Baixo Adequado Adequado Adequado Adequado 0 1. sugerindo assim a reavaliação das faixas de teores foliares para esse nutriente. deve-se à participação do Mg no metabolismo do N. na faixa de 2. na região em estudo. 91. alta 7 a 10 e muito alta.MG. Tópicos em Ciências Agrárias.3. convém ressaltar que. 20-08-20 e torta de mamona pois. 1996) o qual apresenta ainda como normal a relação entre 4 a 6.1 e 50% dos pomares foram classificados em altos e excessivos.20 cm. A relação média Ca/Mg foliar encontrada nos pomares estudados foi de 5.68 bem inferior ao valor 10 proposto por Sanchez (1979) para pomares de São Paulo e 18 encontrado por Malavolta et al. nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA. valor médio correspondente a 2. analisando resposta da adubação N e K em citros em quatro experimentos. apenas 5. UFRB.9% apresentaram teores de Mg adequados. de acordo com Baumgartner (1996). uma vez que o Mg atua na síntese de proteína. sendo comum no estado de São Paulo teores foliares de Mg acima de 5.1% dos pomares com teores altos a excessivo de Mg. Magnésio Dos pomares amostrados. segundo Koo (1983).0 g kg-1 não relacionando a efeitos prejudiciais na planta. v. (1991) após avaliar a composição mineral das folhas de laranjeira por um período de 10 anos. segundo Malavolta (1980). respectivamente (Tabela 1). torna-se arriscado tal recomendação.3.

7.9.9% dos mesmos (Tabela 3). bom e muito bom. 39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S 12°36'0"S MURITIBA K solo 12°39'36"S x K foliar Baixo Adequado Baixo Adequado Alto Adequado Alto Alto Alto 39°9'0"W 39°3'36"W 12°39'36"S 0 1. enquanto que na profundidade de 20 .40 cm.40 cm 2. os quais não observaram teores baixos ou deficientes desse nutriente para os pomares do Estado da Bahia. respectivamente.8 e 5. pela baixa mobilidade deste elemento no solo favorecendo seu acúmulo na superfície. 1. Resultados semelhantes foram encontrados por Coelho & Matos (1991). estabelecido por Quaggio (1992) e a Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais (1994) conclui-se que. 82. a despeito dos altos a excessivos teores foliares de Mg. 20.9% dos mesmos foram classificados como muito baixo. 2003. para a profundidade de 20 . Esta diminuição de disponibilidade do Cu na camada de 20 . respectivamente. v.9% dos pomares estudados foram classificados como baixo.40 cm respectivamente.1% dos pomares e baixo em apenas 5.3% e 8. nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA. médio.4% em altos e excessivos. Cobre Os teores foliares de Cu apresentaram-se adequados em 94.0 mmolc dm-3 para o teor de Mg no solo. baixo. médio e muito bom. Pela Tabela 4 observa-se que os solos de 88.6 e 2.20 e 20 . Cruzamento entre os mapas de K no solo na profundidade de 20-40 cm e K foliar. respectivamente (Tabela 2). 190 Tópicos em Ciências Agrárias.250 2.40 cm pode ser explicada.Os teores de Mg nos solos em 17.3 e 97. 64. Considerando o nível crítico de 9.500 m Muito baixo Muito Baixo Baixo Baixo Baixo Médio Médio Bom Muito bom 38°58'12"W Figura 1. segundo Karim et al. (1976).1% dos pomares amostrados estão com teor de Mg no solo inferior ao nível crítico citado.20 cm. UFRB. para a profundidade de 0-20 cm.3% dos pomares amostrados exibem teores médios para a profundidade de 0 . apresentam proporcionalmente teores baixos e médios. 2009 12°36'0"S GOVERNADOR MANGABEIRA .6. 76.6. encontrando 53% dos pomares com teores ótimos e 38. 11. também Valadares (1975) constatou essa diferença encontrando alta correlação entre o teor de Cu e de argila em alguns perfis. para as camadas de 0 .

....... nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA..... o que é uma característica dos Latossolos onde predominam sesquióxidos de Fe e Al e principalmente as argilas do tipo 1:1 (caulinita). 2003....7 64... Classe de teores Nutrientes Deficiente 0 2.54 Bom Muito Bom " 34...3 Adequado 94. segundo Malavolta & Prates (1994)... Estes resultados não estão de acordo com os encontrados por Coelho & Matos (1991) em levantamento de pomares cítricos na Bahia...34.9 64.... Considerando a classificação do GPACC (1994)........... Freqüência de amostras observadas por classe de teores foliares de micronutrientes em pomares de laranjeira 'Pêra'.2% dos pomares Tópicos em Ciências Agrárias... que classificaram 86.39 .1 5.. a distribuição dos pomares em classe de suficiência mudaria... UFRB..2 26.... respectivamente......... a classificação encontrada na Tabela 3. Coelho & Matos (1991) classificaram segundo Rodriguez (1979)..... alto.250 2....... mostra que 91.23....9 e 5.38 0 1.. apenas 2.9 91.. no entanto. Tabela 3.39.4% como adequado.90 39°9'0"W 39°3'36"W Ca foliar X 21. v. Distribuição em classes dos teores de K no solo na profundidade de 0-20 cm e Ca foliar (g kg-1) nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA. Cu Fe Mn Zn Ferro Percebe-se na Tabela 3 que 91.9% foram classificados como deficientes e adequados.....55 . 2009 12°39'36"S 12°36'0"S ! !X # ! 191 .13 .... reavaliar tais tabelas.....500 m 38°58'12"W Figura 3..7%. Observa-se na Tabela 4 que os teores de Fe no solo apresentaram-se altos em 100% dos pomares nas duas profundidades.9% baixo e 14..8 0 Alto 0 0 0 0 Excessivo 0 0 0 0 ..2% dos pomares apresentaram teores baixos de Fe e apenas 2...27.81 .. sendo necessário portanto...... atingindo 82.. 1..5 35.. 2003.12 Médio # 27.9 8....39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S ## # # ! ! # " ! # " ! ! # # ! " GOVERNADOR MANGABEIRA 12°36'0"S # ! X ! ! X ! ! ! ! ! ! MURITIBA 12°39'36"S K solo Baixo ! 23.. Estas discordâncias possivelmente podem ser explicadas em razão do uso de diferentes tabelas de interpretação uma vez que.6% dos pomares como altos. % ...7 Baixo 5..

UFRB. (1997)...0 0 0 0 67. Observa-se na Figura 4. apresentou 64. Freqüência de amostras observadas por classe de teores de micronu-trientes no solo. não se observou nenhum sintoma de deficiência visual de Fe nos pomares...6 8.. respectivamente.4% encontram-se na classe de teores baixo e médio...5% e 8.. Percebe-se com isto que os 64. Visualiza-se na Tabela 4. estando portanto..0 0 0 94. 78. seria o limite superior da classe média correspondente a 5 mg dm-3. (1969).8 Médio 88... Tabela 3...8 8.. relação antagônica entre os teores de Mn no solo e Mg foliar onde dos 94. daí a possibilidade da absorção de Mg ter sido favorecida pela baixa concentração de Mn e também pela baixa concentração de Ca.4 32. Coelho & Matos (1991) relataram teor médio de 30. Cu Fe Mn Zn 0 – 20 20 – 40 0 – 20 20 – 40 0 – 20 20 – 40 0 – 20 20 – 40 Zinco Observando a Tabela 3 percebe-se que 64..8 50. respectivamente..3% dos pomares foram classificados como deficiente e baixo respectivamente...7% e 35.. raio iônio e grau de hidratação semelhantes. originados predominantemente de rochas ácidas. enquanto que para a profundidade de 20-40 cm... o nível crítico de Mn no solo.3 50... % ...7% dos pomares cítrico do Recôncavo Baiano foram classificados como deficiente enquanto que. este antagonismo se fez presente considerando baixa concentração de Mn no solo e alta concentração de Mg nas folhas.7% dos pomares deficientes. possivelmente.... Entretanto. o que explica os 64.6% dos pomares foram classificados como deficiente.. 192 Tópicos em Ciências Agrárias..6% dos pomares do levantamento do Estado foram considerados na faixa de ótimo..27 mg dm-3) apresentados em ambas as profundidades nos pomares da região.. Manganês A distribuição dos pomares em classes de teores foliares...8% na faixa de deficiente. Contrastando com os resultados encontrados neste trabalho.. Considerando que o solo da região em estudo apresenta acidez efetiva alta a muito alta.7%. 76.4 Alto 2. 26..9 0 100 100 5.8 .6% e 32.... Tabela 4..8 61.. Segundo Raij et al.... Classe de teores Baixo 8... Parâmetros químicos Profundidade .1% dos pomares com teores foliares de Mg alto a excessivo..1 32...... muito abaixo do nível crítico sugerido pela referida Tabela.....7%... 2009 .. baixo e ótimo..1% dos pomares foram classificados como médio.4 29.. A similaridade existente entre esses dois íons deve-se possivelmente por apresentarem valências iguais.. apresentado na tabela de interpretação dos teores. cm .12% estão localizados em área com baixos teores de Mn no solo. Esta relação antagônica é comumente encontrada na literatura considerando altas concentrações de Mn que.. os teores médios (2. que os teores de Mn na profundidade de 0-20 cm dos solos de 94... v. 2003. a pobreza natural destes solos... Além disso. 67......5 mg kg-1 e 6... baixo e adequado..94 mg dm-3 e 1. 1. pode diminuir a absorção de Mg principalmente em solos ácidos e com baixo teor de Ca. 16... respectivamente.. a razão para os baixos teores encontrados é... o que favoreceria a alta disponibilidade de Mn no solo.....7% e 76.. Tal constatação reforça o que foi exposto acima quanto à necessidade de rever as faixas de classificação dos teores foliares de Fe para citros...apresentaram baixos teores foliares de Fe. em pomares de laranjeira 'Pêra' nos municípios de Muritiba e Governador Mangabeira-BA..9 0 58.. segundo Mass et al. nas duas profundidades...

Pela Tabela 4.4% e 58. 32.8%. Vale ressaltar. melhorar os tratos culturais e manejar adequadamente os solos. com a experimentação local. UFRB.8% dos pomares estão classificados como baixo.250 2. Aliado a esses fatores soma-se ainda a capacidade diferenciada na absorção de Zn pelas plantas. médio e alto nas classes de teores de Zn para as camadas de 0-20 cm. 29.3% em nível baixo. v. 2003. que apesar dos teores de Zn no solo na camada de 0-20 cm apresentarem 91.7% deficiente e 35. a adsorção é um fator importante no controle da concentração do elemento na solução do solo. 64. tendo como conseqüência imediata a revitalização da cultura na região. 1. uma vez que. Entretanto. Enquanto que. não correlacionando com os teores no solo para a profundidade de 0-20 cm.8% como baixo. constituindo uma base para elaboração de programas que possibilitem. Os resultados encontrados fornecem um diagnóstico da citricultura regional. 2009 193 .8%. Tópicos em Ciências Agrárias. médio e alto.8% foram classificados como baixo. Distribuição em classes dos teores de Mn na profundidade de 20-40 e Mg foliar nos pomares amostrados em Muritiba e Governador Mangabeira-BA. contribuindo com isto para o aumento da produtividade. os teores na folha permitiram classificar os pomares em. que segundo Malavolta (1980) os citros está classificado como pouco eficiente. como no solo em estudo predomina óxido de Fe e Al a capacidade de adsorção é alta diminuindo sua disponibilidade. na profundidade de 20-40 cm 61. a definição de curvas de calibração de análise de solo para calagem e adubação com macro e micronutrientes. mostrando com isto maior relação com os teores foliares.500 m 38°58'12"W Figura 4. Uma outra possível razão para explicar a deficiência e os baixos teores de Zn nos pomares em estudo pode ser a sua capacidade de adsorção no solo. respectivamente. 39°9'0"W 12°32'24"S 39°3'36"W 38°58'12"W 12°32'24"S "" " " " " " " # ! " # 12°36'0"S 12°36'0"S " " " # " ## # " " " # GOVERNADOR MANGABEIRA # # # " # # ! MURITIBA # # # 12°39'36"S 12°39'36"S Mn solo Mg foliar Baixo ! Adequado Médio # Alto " Excessivo 39°9'0"W 39°3'36"W 0 1. para a profundidade de 20-40 cm observou-se uma distribuição de 61. percebe-se que 8.2% dos pomares classificados como nível médio a alto.4% e 8.

205-210. Levantamento nutricional dos pomares cítricos na Bahia.. Communications in Soil Science and Plant Analysis. Informações Agronômicas. Pesquisa Agropecuária Brasileira.). BOYER. 1978. v. (ed. Nutrição e adubação dos citros. Cordeirópolis.. In: INTERNATIONAL CITRUS CONGRESS.K. PICCIN.12. 1991.. Nutrição mineral e adubação citros.. 194 Tópicos em Ciências Agrárias. (ed. Elementos de nutrição mineral de plantas. 1996. Nitrogen mineralization from citrus trees residues under different production conditions. PRIMO-MILLO.). 99. R. 1226-1232. MATOS. p. S.. B. SERNA. 1077-1086. SEDBERRY Jr. D. 61-76. G. S. KHAKURAL. v. Frutos cítricos. KOO. Plant and Soil. J. 1983. Laranja.. E. C. W.437-452. M. MILLER. R. p. D. Madison: SSSA. 1978. 1985. MALAVOLTA. E. 13-71. Brasília. Sidney. R. 4). Piracicaba: Institutos da Potassa. Campinas: Fundação Cargill. 2004. v. 2009 .122.7. Bebedouro. C. In: YAMADA. J. 1996.345-356. 280-285. C. 1. 1994. A. Disponível em: http://www. Recomendações para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais. 1976. New York. estadísticas anuales.2.. 1980. ed. p. p. n. Potassium nutrition of citrus. 311p.. In: MUNSON. Proceedings. Laranja. R. Salvador: Instituto de Geociências da UFBA. Nutrição mineral e adubação dos citros. 1991. T. C. E. n. H. p. COMISSÃO DE FERTILIDADE DO SOLO DO ESTADO DE MINAS GERAIS CFSEMG. Piracicaba. Piracicaba.. J. (ed. MALAVOLTA. Effects of fertilization of citrus on fruit quality and graund water nitrate-pollution potencial. UFRB.org Acesso em: 16 abr. ALVA. R. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE CITROS.. E. 65 mar. MALAVOLTA. n. Dinâmica dos elementos químicos e fertilidade dos solos. Soil Science Society of America Journal.173. H. H. Mobilization of the reserve N in citrus. 1997. FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS -FAO. v. Edição Especial. p. 4. 1999. EMBLETON. mar. Recomendações de adubação e calagem para citros no Estado de São Paulo. 1995. LEGAZ. 61. E. Cordeirópolis. p. T. Nutrição mineral e adubação de citros.. Viçosa. J. J. 1983. 1985.. p. São Paulo: Editora Agronômica Ceres. 27 p. Diagnose foliar na citricultura brasileira. B. 1994. frescos y elaborados. Anais. v. 335-340. Nota sobre a interpretação dos teores de macro e micronutrientes nas folhas de diversas variedades de laranjeira. J. Seja doutor de seu citros. 251p. p. v. et al. ed. 359 p. DOU.. p.).fao. Potassium in agriculture. R. In: YAMADA.GPACC. Y. (Arquivo Agronômico. F. H.. The profile distribution of total and DTPA-extractable copper in selected soils in Louisiana. Piracicaba: Instituto da Potassa. KARIM.REFERÊNCIAS BAUMGARTNER. 2003. 16 p. 4. MALAVOLTA. Sidney: International Society of Citriculture. GRUPO PAULISTA DE ADUBAÇÃO E CALAGEM PARA CITROS . E. CASALE. 26. L. T. 3 ed. 5ª aproximação. KOO. 3. Madison. COELHO. PRATES. 4.

1979 p. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE CITROS. p. T. 1996. (Boletim técnico 100).. EUA Uma visão Geral. Técnicas de utilização de calcário e gesso na cultura dos citros. C. UFRB.sei... 4.. I Cobre total.C.ifas. 2009 195 . Nutrient Cycling in Agroecosystems. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE CITROS. MASON. Haren. v. RODRIGUEZ. Produtividade de citrus. Plant Physiology. 15-21. 1996. 73-87 (Boletim técnico. Nutrição mineral e adubação dos citros. 23-27. Campinas. Disponível em: http://www. Estudo comparativo das relações entre nutrientes dosados em folhas de café. Bebedouro.. 5). V.br Acesso em 16 abr. RODRIGUEZ. C. S. L. Influence of calcium and magnesium on manganese absorption. Disponível em: http://www.. CANTARELLA. Jaboticabal: FUNEP. v. In: DONADIO. 1. C. 1969. RAIJ. 1988. A. Conceitos modernos sobre calagem e adubação para citros no Estado de São Paulo. (Boletim técnico. Anais. T. 44. 1998. WEIR. p. Laranja. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE CITROS. 285 p. R. V. S. Nutrient element balance in citrus nutrition. F.. 1996. 796-800. 89-97. T.. 2 ed. 2004 VALADARES. 5). O. Plant and Soil. 34. et al. A. 67-74. QUAGGIO. 1996.. (ed. 52. Piracicaba: Instituto da Potassa & Fosfato. Análise de solo para citros: métodos e critérios para interpretação de resultados.125-132. VITTI. p. Adubação dos citros: situação dos pomares paulistas. SUPERINTENDÊNCIA DE ESTUDOS ECONÔMICOS E SOCIAIS DA BAHIA. Bragantia: Boletim científico do Instituto Agronômico do Estado de São Paulo. Bebedouro. Cobre em solos do estado de São Paulo. J. p.ufl. Campinas. 2003. Bragantia: boletim científico do Instituto Agronômico do Estado de São Paulo. Adubação de pomar cítrico de grande porte. 1996. van.. 95-113. Adubação de plantas cítricas na Flórida. 1997. 13. p.. B. Produtividade de citrus. OBREZA. G. p. Anais. A. 4. citros e milho. Phosphorus and potassium soil test and nitrogen leaf analysis as a base for citrus fertilization. 2000. n. In: YAMADA. 1975. v. p. 1992.ba. 131-160.. p. A. p. Nutrição mineral e adubação de citros. MOORE. In: MOREIRA. 2. Piracicaba: Instituto da Potassa. Bebedouro. Fundação Cargill. IGUE. Anais.. Managing phosphorus fertilization of citrus using soil testing. A.edis. M. QUAGGIO. C. 1979. 1969. QUAGGIO.gov. HIROCE.34. D. OBREZA. Informações Municipais. SANCHEZ. 457-488.edu/body_ss332 Acesso em 04 jun. J. M. Campinas: Fundação Cargill. H. Campinas: Fundação Cargill.). Recomendações de adubação e calagem para o Estado de São Paulo. 405-414. (Coord. E.. Campinas. C. 4. p.). v. RAIJ B van. et al. ed. NAGAI. J. O.MASS.. Tópicos em Ciências Agrárias. v. 1975. A. 27-39. J. 1996. Campinas: Instituto Agronômico & Fundação IAC. 30. p. A. T. v. J.

CAPÍTULO 15 VARIABILIDADE ESPACIAL DA CONDUTIVIDADE HIDRÁULICA DO SOLO: CONCEITOS E BASES PARA AVALIAÇÃO José Fernandes de Melo Filho & Paulo Leonel Libardi Tópicos em Ciências Agrárias .

Jong van Lier & Libardi.VARIABILIDADE ESPACIAL DA CONDUTIVIDADE HIDRÁULICA DO SOLO: CONCEITOS E BASES PARA AVALIAÇÃO José Fernandes de Melo Filho1. 2000). Libardi. é a não saturação. 1994. pode ser escrita. nutrição de plantas. E-mail: jfmelo@ufrb. conforme Libardi (2000). 2000. a constante K é um índice que expressa a facilidade com que um meio poroso transporta a água através dos seus poros. proposta por Buckingham. E-mail: pllibard@esalq. reescrevendo a equação do movimento da solução no solo como: q = . No entanto. como a constante de proporcionalidade (K) das relações matemáticas resultantes de seus experimentos de movimento vertical de água em colunas de areia. Em outras palavras. rebaixamento de lençol freático. Cruz das Almas-BA. A equação de Buckingham (1907) apresenta a limitação de ser válida apenas para o movimento da solução no solo na direção horizontal. controle de erosão e poluição da água (Jones & Wagenet. q = . Atento a esta realidade. o solo.Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”/Universidade de São Paulo. Piracicaba-SP. 1997.Centro de Ciências Agrárias. Ambientais e Biológicas/UFRB. uma unidade de área de uma amostra de uma unidade de comprimento de um meio poroso (solo) sob uma diferença unitária de potencial total. tais como. K(q) a função condutividade hidráulica. UFRB. completamente saturadas. para a filtragem e purificação de água para abastecimento urbano da cidade de Dijon. Atualmente é um dos principais parâmetros utilizados para estudos agrícolas e do ambiente que envolvem o fluxo de água no solo. planejamento de sistemas de irrigação e drenagem. Quando se substitui a equação de Darcy-Buckingham (3) na equação da continuidade (4). movimento de água no interior do perfil do solo. como a soma do potencial mátrico fm (“potencial capilar” de Buckingham) e o potencial gravitacional fz. 2009 199 . a equação de Darcy foi desenvolvida e aplicase para quantificar o movimento de um líquido em condições de saturação. Buckingham (1907) teorizou a quantificação do movimento da solução no solo não saturado e a equação. Freeze. com base na equação (3). fm(q) a função potencial mátrico e q a umidade volumétrica do solo.K (q) grad ft a qual é denominada atualmente de equação de Darcy-Buckingham. 1997. empiricamente.K grad f t (1) em que q é o vetor densidade de fluxo para qualquer direção no espaço e grad f t o vetor gradiente de potencial total ft de mesma direção mas sentido oposto ao do vetor . como. numericamente. Bolsista do CNPq. tanto é que na equação (1).. 1999. Filizola et al. Tópicos em Ciências Agrárias. ft = fg + fp. igual ao volume de água ou solução que atravessa. segundo Libardi (2000): para um meio poroso isotóprico com relação a K. na França. (3) A função condutividade hidráulica do solo. Foi Richards (1928) quem definiu um potencial total.K (q)grad f m (q) (2) sendo q a densidade de fluxo da solução. Em conseqüência das condições experimentais de seu trabalho.edu. ft. a condição mais comum no meio poroso de nosso interesse. v.br CONDUTIVIDADE HIDRÁULICA DA ÁGUA NO SOLO A condutividade hidráulica do solo foi definida. tem a seguinte forma: q = . Paulo Leonel Libardi2 1 2 Professor . é. também atualizada (Libardi 2000). 1984. considerando a notação vetorial. numa unidade de tempo. Radcliffe & Rasmussen.usp.br.. 1. A equação de Darcy. Professor . sendo fg o potencial gravitacional e fp o potencial de pressão. por Henry Darcy em 1856. K(q). Queiroz et al.

¶t (4) gera-se a equação diferencial geral que rege o movimento da solução em solos isotrópicos com relação a K(q) e conhecida pelo nome de equação de Richards. interrompe-se a infiltração e cobre-se a superfície do solo com uma lona plástica para evitar a evaporação e a entrada de água através da superfície. t ³ 0. 1986. Atingida a condição de saturação. t o tempo (horas) e z a coordenada vertical de posição (metros). isto é. Para aplicação do método do perfil instantâneo. experiência e conhecimento do pesquisador. tipo de amostra disponível. É um método que foi inicialmente desenvolvido e testado para condições de laboratório em estudos de drenagem em colunas homogêneas de solo. Van Genuchten. 1996. Klute. Gardner. nas condições de campo. A água contida no perfil redistribui-se pelo processo de drenagem interna e. Richards e Weeks (1953) foram. Shouse et al. as medidas são feitas em condições naturais e com perturbação mínima do solo. 1986. qual seja a eliminação do fluxo na superfície do solo com a colocação de uma lona plástica. 2009 . (1956) em condições de campo.¶q = -div q . Green et al. Com este procedimento experimental. medidas periódicas de umidade e de potencial mátrico são feitas (Green et al. Amoozegar & Warrick. infiltrômetro de tensão. uma parcela deve ser delimitada no campo e inundada até a saturação. Existem também os métodos indiretos que tentam quantificar a condutividade hidráulica a partir de outras propriedades do meio poroso cuja determinação seja mais fácil. integrando-se esta equação com relação à profundidade Z. método do furo do trado e método do perfil instantâneo. Quantificação da condutividade hidráulica A determinação da condutividade hidráulica do solo pode ser feita por métodos de laboratório e de campo. A escolha do método depende de alguns fatores como disponibilidade de equipamentos. Um novo aperfeiçoamento ao método. Ogata & Richards. 1986.. Radcliffe & Rasmussen. permeâmetro de carga decrescente. o mais utilizado é o método do perfil instantâneo. que tem como principal dificuldade a exigência de uma delimitação bem apurada da parcela experimental a fim de que não haja movimento lateral de água. No laboratório é possível atingir um grau de precisão e refinamento muito superior ao campo. De forma geral.. Libardi. t > 0. 1969. 1980. 1980. 1992. 1984. enquanto que Watson (1966) melhorou a técnica para obtenção dos dados tornando o método mais preciso. Jones & Wagenet. desde que o lençol freático seja ausente ou esteja bem profundo.. Prevedello. Por outro lado. sendo também aplicável para determinar a condutividade hidráulica de solos não saturados in situ. Reichardt et al. 1972. não obstante o grau de complexidade. 1986. método das condições transientes. 1962. cuja expressão para o fluxo na direção vertical (Libardi. 1953. 1. deve ser convenientemente instrumentada para medida da umidade do solo e do potencial mátrico a diversas profundidades do perfil. natureza do solo. Libardi. 2000) é: ¶f ¶q ¶ æ çK( ) t = q ¶t ¶ zç ¶z è ö ÷ ÷ ø (5) sendo q a umidade (m3 m-3). 1972. 1956. foi determinado por Ogata e Richards (1957). provavelmente. procura-se uma solução para a equação de Richards (1928) na direção vertical (equação 5). método das colunas pequenas.. podem-se citar os seguintes métodos para determinação da condutividade hidráulica dos solos: permeâmetro de carga constante.. 1975. 2000). UFRB. suficientemente grande para que os processos em seu centro não sejam afetados pelos seus limites. v. Klute & Dirksen. 1957. Childs. 2000. entre os limites Z = 0 e Z = Z com as seguintes condições de contorno: Z = 0. faixa de tensão a ser estudada e objetivo das determinações (Richards & Weeks. Hillel et al. mesmo para perfis heterogêneos.. à medida que este ocorre. 2000). Esta área. É um método prático que não necessita de equipamentos sofisticados para sua aplicação. os primeiros pesquisadores a utilizarem a técnica do perfil instantâneo em experimentos de laboratório com utilização de colunas de solo e Richards et al. Dentre os métodos de campo. K (q) ¶f t =0 ¶z ¶f t >0 ¶z Z = Z. Libardi et al. devido ao elevado grau de controle das condições experimentais. método das colunas grandes. Posteriormente foi aperfeiçoado por contribuições de vários autores. K (q) 200 Tópicos em Ciências Agrárias. Também assume-se que as condições internas sejam isotérmicas durante o processo. Gardner & Miklich.

como por exemplo. A primeira para determinação da densidade de fluxo de água no solo nas diversas profundidades e para diversos tempos a partir da integral da equação (7) com relação a profundidade do solo. rearranjando ¶f ¶q dZ = K (q ) t ¶t ¶z 0 Z (6) Z -ò K (q ) Z = ¶h ¶q dZ . Para a medida da umidade. 2000). respectivamente. então. para cálculo da condutividade hidráulica em cada profundidade e para diferentes umidades. muito embora tentativas tenham sido feitas para automatizá-lo. (1972) simplificaram bastante esta metodologia. ao longo do perfil é recomendável a utilização de equipamentos não destrutivos. determina-se a variação de armazenagem hz com o tempo t e o gradiente de qt ao longo de Z que aparecem na equação (7) e. em ln K o = ln K q = 0 + bq o Subtraindo a equação (9) da equação (8) tem-se: (9) ln K .Z ¶t Z ¶t 0 = ¶f t ¶f t ¶z Z ¶z Z (7) sendo hz (m3 m-2) a armazenagem de água no solo entre a superfície (Z = 0) e a profundidade Z. Nesse sentido. v. A segunda tabela. 2000). o valor de ln K para q = 0.bq o ou (10) æ K lnç çK è O pelo que ö ÷ = b ( -q O ) q ÷ ø (11) K = e b (q -q O ) KO e. sob condições de campo (Or & Wraith. como já esclarecido. os valores de K(q) apresentam uma relação exponencial com a umidade (Hillel et al. o tipo tradicional com manômetro de mercúrio ainda é o mais adequado e utilizado para estudos da função K(q). aproximada para um somatório e ¶q/¶t medida graficamente em pontos particulares no tempo em curvas de q em função de t. Para o tempo zero de redistribuição. a sonda de nêutrons (Greacen.. 2000) e. Tópicos em Ciências Agrárias. o tensiômetro é um equipamento consagrado de medida da tensão ou potencial mátrico da água no solo. evidentemente. um gráfico de ln K em função de q dá uma linha reta: ln K = ln K q = 0 + bq (8) sendo b o coeficiente angular da reta e ln Kq = 0 seu coeficiente linear. Estes autores sugerem um roteiro simples para a determinação da função K(q) com base na elaboração de duas tabelas. 1972. a equação (8) transforma-se. com o tempo. 1981) e o TDR (Smith & Mullins. (12) K = Ko e b (q -q o ) (13) sendo. Hillel et al. b o coeficiente angular da reta ln K em função de q e qo e Ko a umidade e a condutividade hidráulica. o valor de K(q). Por meio de medidas simultâneas de umidade e de potencial total ao longo do perfil de solo durante a redistribuição da água.obtém-se: Z -ò ou. portanto. Libardi. Igualmente o mesmo deve ser considerado para determinação do potencial total. ou seja. Normalmente. 2009 201 . 1. 1991).ln K o = bq . para o tempo zero de redistribuição da água. isto é. UFRB. dividindo-se os fluxos q da primeira tabela pelos gradientes de potencial também obtidos graficamente a partir dos perfis de potencial total para os diversos tempos (Libardi. soma dos potenciais mátrico e gravitacional.

1958. 1995. conferindo-lhe variabilidade espacial elevada. Libardi. observaram uma acentuada queda nos valores. Silva (1988). a qualidade das argilas e a matéria orgânica exercem influência sobre a condutividade hidráulica. Carvalho et al. clima. Outro fator importante que afeta a condutividade hidráulica é a umidade do solo (q). 2000). 1907. Esta heterogeneidade natural. certamente relacionada com a diminuição do espaço poroso que foi constatada. estando implícito nesta relação que K(q) é função direta de q e apresenta. concluiu. Borges et al. Em ambos os casos verificaram que a compactação alterou a porosidade e a condutividade hidráulica do solo saturado.. Gardner. Silva et al. 1999. eles concluíram que há um decréscimo significativo na condutividade hidráulica do solo saturado com a profundidade e atribuem este fato à estratificação dos horizontes. conseqüentemente. Baseando-se no exame de amostras micromorfológicas. De outra forma. UFRB. Variabilidade espacial do solo O solo é um corpo natural e complexo. Souza et al. (1989) sugerem efeitos do processo de gênese na heterogeneidade e conseqüente variabilidade dos parâmetros hídricos do solo. as características químicas. tendo como base teórica a estatística clássica. fundamental para a sustentação das diversas formas de vida no planeta. 2009 . Assim. Dentre as propriedades do solo.Uma alternativa na técnica do perfil instantâneo é a de se considerar o gradiente de potencial total como unitário. diminuição do teor de matéria orgânica e alterações da estrutura do solo. é também acentuada pelas técnicas de manejo do solo decorrentes de seu uso agrícola (Alvarenga & Sousa. manejo e erosão.. pequenas alterações em propriedades como a densidade do solo. 1999. que interferem nas propriedades físicas do solo. Por esta razão esta é uma das proposições mais utilizadas nos estudos relacionados com a condutividade hidráulica. 1997. o processo de desenvolvimento do perfil influencia no padrão de porosidade.. que propriedades do solo como areia. pela remoção da camada superficial. Dechen & Vieira (1997) apresentam resultados diferentes das conclusões de Carvalho et al. a condutividade hidráulica é influenciada por todas as propriedades que afetam a distribuição. a densidade. Com esta proposição Libardi et al. (1995) determinaram a condutividade hidráulica de um Latossolo Roxo distrófico (Latosssolo Vermelho (EMBRAPA (1999)) pelo método do perfil instantâneo. da ordem de 1 a 2%. normalmente. resultante da interação dos seus fatores de formação (material de origem. Na medida em que ocorre no espaço livre do solo. Hillel et al. portanto.. densidade do solo e porosidade. 1985. Quanto ao tamanho dos poros. Comegna et al. Libardi et al. Outros fatores como sistemas de uso. Bouma et al. a condutividade hidráulica. o tamanho e a forma dos poros. (1998) a relação entre K e q é tão sensível que alterações muito pequenas. afetando a condutividade hidráulica do solo saturado. nos teores de água podem gerar coeficientes de variação superiores a 170% no valor da condutividade hidráulica do solo não saturado. Mata. Eles concluíram que a função K = K(q) possui uma clara tendência de aumentar com a profundidade em conseqüência do efeito do preparo periódico. ao passo que quando o processo resulta em poros de grãos simples e fissurais ocorre exatamente o contrário. Para estes autores. Quanto à condutividade hidráulica. Os processos de formação determinam. da infiltração e da condutividade hidráulica em relação à condição natural (Centurion & Demattê. propriedades do solo como a textura. estudando a variabilidade espacial de alguns atributos físicos de um Latossolo Roxo. Silva et al. Desta forma. 1. Oliveira et al. 1997a. seguramente. Porém. (1995). (1986) verificaram a influência do aumento da densidade nas propriedades físicas de dois Latossolos. 1999). apresentaram pequeno coeficiente de variação. 1972. 1992. físicas e biológicas do solo.. Neste caso. geralmente ocorre um aumento na densidade do solo e redução da porosidade total. o autor faz uma importante consideração quando afirma que para os parâmetros físicos do solo influenciados pelas alterações na estrutura a sensibilidade é muito grande. Utilizando amostras compactadas artificialmente. observaram que o aumento da densidade elevou a percentagem de microporos com conseqüente redução dos macroporos. 1986. De acordo com Falleiros et al. organismos. Corrêa. Nestes casos. (1980) simplificaram mais ainda o procedimento para se determinar a função K(q) a partir de medidas de umidade apenas durante o processo de redistribuição. relevo e tempo) que o torna um sistema dinâmico e variável. quando analisam o impacto de erosão induzida. v. a estrutura. argila. eles concluíram que o desenvolvimento de microestrutura massiva resulta em baixos valores de Ko. podem acarretar grandes 202 Tópicos em Ciências Agrárias. a condutividade hidráulica está entre aquelas que apresentam maior índice de variabilidade. a forma exponencial da equação (13) para valores de q não muito baixos (Buckingham... 1985. Alvarenga & Davide. 1980. também afetam as suas propriedades hídricas e. em atributos físicos e químicos do solo. 2000). reconhecida desde o início do século vinte. Souza.

calibração e equipamentos). introduzindo erros. v.modificações em parâmetros que dela dependam. determinados por métodos de laboratório e campo. em relação à textura. Informam também que os erros originados da leitura dos tensiômetros são mais importantes que outros e ocorrem no início do proces-so de drenagem. podendo alcançar valores de até 420% de variação. que não encontraram diferenças significativas quanto ao procedimento de cálculo da condutividade hidráulica do solo saturado. Prevedello et al. pelo grau de desenvolvimento e estabilidade da estrutura do solo no campo. a magnitude e a estrutura da variabilidade da condutividade hidráulica do solo saturado foram controlados. resultados experimentais publicadas por Tópicos em Ciências Agrárias. da variância e na distribuição deste parâmetro hídrico para um mesmo solo. O autor sugere. o alcance. Neste caso. Ko. (1995). Nos três casos analisados a condutividade hidráulica foi maior no horizonte Ap. umidade volumétrica antecedente. Seus dados mostram que a condutividade hidráulica do solo saturado pode apresentar até 190% de variação.. Estudando a propagação desses erros na determinação da condutividade hidráulica pelo método do perfil instantâneo. logicamente em função da maior macroporosidade apresentada por este horizonte. b) caracterizar a distribuição das medidas de Ko e sua relação com a variabilidade espacial da textura. 1996) mesmo quando a variabilidade é simplificada em função da aplicação de técnicas e conceitos como o “scaling” (Mallants et al. Complementando. (1997b) verificaram a influência conjunta da gradagem e matéria orgânica na distribuição de poros de um horizonte Ap para três diferentes solos e seus reflexos na condutividade hidráulica em relação aos horizontes mais profundos. (1976) incluem como fatores de variação da condutividade hidráulica do solo não saturado. cuja magnitude de variação foi dez vezes maior do que no método de campo. podendo tanto subestimar quanto superestimar os valores da função K(q) (Bacchi & Reichardt. pode ser vantajoso. Warrick & Nielsen (1980) apresentam uma tabela em que registram os níveis de variação de algumas propriedades físicas do solo. Associados aos métodos. quando o gradiente hidráulico é menor que 0. 1988. conteúdo de matéria orgânica e superfície topográfica. deve-se ressaltar que esta não é uma regra geral. então. 1997). de acordo com Libardi (1978). que o método de determinação pode ser fator de variação da condutividade hidráulica para um mesmo solo. Importante registrar também. devido a alterações nas amostras e ocorrência de fluxo preferencial durante o processo de medida. examinando seus efeitos na estimativa da média. em relação a medidas de campo. Maheshwari (1997) constatou diferenças entre valores de Ko em estudo de comparação das inter-relações entre parâmetros físicos e hidráulicos do solo. O resultado da influência de todo este conjunto de fatores e suas relações é tornar a condutividade hidráulica do solo uma das suas propriedades com maior índice de variabilidade espacial e temporal. enquanto que os erros de medida da umidade são dominantes durante o processo de secagem do solo. aqui entendida como condutividade hidráulica. Este autor comparou valores de Ko. Os resultados destes autores sugerem também que. De acordo com estes autores a condutividade hidráulica é uma propriedade que apresenta alta variabilidade. Comegna et al. Seus resultados mostram que as determinações de laboratório podem superestimar os valores de Ko. observou-se que os erros na condutividade hidráulica são crescentes com a diminuição da umidade e podem subestimá-la em valores compreendidos entre 12 até 73%. tendo em vista os resultados de Queiroz et al. De forma semelhante. (1997). Souza et al.3 mbar cm-1. as características estatísticas diferiram significativamente e não houve correlação entre os resultados de campo e laboratório. Neste caso. sob condições de campo. medida pelo método do furo do trado. Flühler et al. os erros decorrentes e associados aos métodos experimentais (erros de leitura. 1. Os métodos resultaram em estimativas equivalentes para Ko. quando se adota o uso de simplificações metodológicas como o gradiente de potencial total unitário. sistemáticos. (1994) analisaram a magnitude dos erros envolvidos no cálculo da condutividade hidráulica em função da umidade. o uso de simplificações para o cálculo da função K(q). conteúdo de matéria orgânica e superfície topográfica de um solo de textura argilosa. As conclusões de Maheshwari (1997) são confirmadas por Banton (1993). como mostram os resultados de Calvache et al. Reynolds & Zebchuk (1996) realizaram um experimento com os objetivos de: a) comparar um grande número de medidas de condutividade hidráulica calculada pelos métodos do permeâmetro de Guelph e furo de trado. Porém. que medidas de laboratório não podem ser usadas como estimativa de valores de campo para o parâmetro condutividade hidráulica do solo saturado. primariamente. UFRB. enquanto que para a condutividade hidráulica do solo não saturado são bem mais significativos. 2009 203 . pois permite a substituição de métodos mais precisos por outros mais simples e que possibilitem a obtenção de um maior número de medidas. experimentais. Porém. estes autores informam que na faixa úmida os mesmos são responsáveis por 20 a 30% da variação dos valores de K. os diversos procedimentos de cálculo também devem ser registrados como importantes fontes de variação da condutividade hidráulica. quando a drenagem é muito lenta. Comprovando esta realidade. tipo distribuição de poros e retenção e movimentação de água. tendo em vista o fenômeno da variabilidade espacial. Neste sentido.

Para o g. (1973) e Cadima et al. quando determinada pelo método do perfil instantâneo. a variabilidade espacial da condutividade hidráulica de um Latossolo Vermelho-Amarelo (Latossolo Vermelho (EMBRAPA (1999)). evidenciando que os problemas na determinação da função K(q) e suas aplicações em estudos hidrológicos devem considerar essa característica. 1. v. Por sua vez.5 metros e. Também constataram que a variabilidade temporal é muito significativa nas camadas superiores do perfil. 2009 . textura média. afirmam que a relação entre K versus q. (1994) indicam que a dependência espacial da função K(q) pode alcançar valores acima de 30 metros.Anderson & Cassel (1986) indicam que a condutividade hidráulica do solo pode variar de 130 até 3. segundo Grossi Sad (1986) estabeleceu-se que a quantificação da variabilidade de um certo atributo medido neste corpo geológico deve ser feita por meio de técnicas estatísticas. resultados de vários estudos apresentados por Iwata et al. diminuindo significativamente em profundidade. o conceito de homogeneidade para os solos e suas características tem uma aplicação relativa e depende. 1998). Ao contrário de Jong van Lier & Libardi (1999) e Anderson & Cassel (1986). resultando em valores de K(q) com até 100% de variabilidade. indicando o número mais representativo de amostras. de uma Terra Roxa Estruturada Latossólica (Nitossolo (EMBRAPA (1999)). conseqüentemente. Utilizando o método do perfil instantâneo em cinco parcelas distribuídas em uma área de 10. quando for necessária a obtenção de amostras independentes para investigar propriedades físicas do solo. atingindo valores extremamente baixos aos quarenta dias de experimento. sob condições de campo. não representa uma área muito maior do que àquela onde o método foi aplicado. afirmam que “a variabilidade dos parâmetros físicos do solo pode ser integrada para responder às crescentes questões sobre problemas específicos que permitam escolher os melhores sistemas de manejo”. uma vez que ela afeta as amostragens para fins de avaliações químicas. Jong van Lier & Libardi (1999). a partir de grupos multidisciplinares e com o uso da expressiva base de dados já existente. para este parâmetro hidráulico em suas aplicações agrícolas. resultantes de observações experimentais de campo em estudos de dinâmica da água no solo. cujos resultados poderão ser utilizados com grande confiança. para o levantamento e a classificação. gerando informações científicas mais claras e precisamente analisadas. Resultados de Jong van Lier & Libardi (1999) também mostram que o valor da condutividade hidráulica do solo saturado. Uma análise mais apurada permite identificar nos resultados de Cadima et al. Finalizando. principalmente para as camadas superficiais. o conhecimento da variabilidade espacial das características do solo tem importância significativa para o correto uso deste recurso natural. Eles concluíram que a variabilidade é mais acentuada nas camadas superficiais. (1980) outras informações interessantes sobre a variabilidade da condutividade hidráulica do solo não saturado. Estes níveis de variação indicam que a utilização e extrapolação de valores médios. o planejamento da amostragem deve considerar este fato. relativos à condutividade hidráulica. UFRB. pode-se alcançar a solução dos problemas contemporâneos. com equilíbrio entre o econômico e o técnico. a variação foi da ordem de 200 a 6000 em uma mesma profundidade. utilizando o método do perfil instantâneo. com doze pontos de observação. Verificaram também uma variação muito maior dos valores de g nas camadas superficiais. Warrick & Nielsen (1980) sugerem que os estudos e avaliações sobre a variabilidade dos solos devem contemplar os padrões e freqüências de distribuição e estrutura da variabilidade. Sugerem a comparação entre solos. Anderson & Cassel (1986) indicam que somente existe autocorrelação para propriedades como a condutividade hidráulica em distâncias menores que 2. Neste experimento os valores de g (correspondente ao b da equação 13) e Ko mostraram-se muito variáveis.000 m2. locais e métodos de análise para todos os parâmetros possíveis. (1995) compararam dois procedimentos para determinação das relações K(q). Estes autores conduziram um experimento para medir a variabilidade dos parâmetros da equação exponencial que relaciona a condutividade hidráulica com a umidade do solo. Os mesmos autores. Avaliação da variabilidade espacial De acordo com Berg & Klamt (1997). como a condutividade hidráulica. é a principal causa de variabilidade nas relações matemáticas entre K e q. portanto. Por isso. enquanto o Ko variou de 10-8 m2 h-1 kPa-1 a 102 m2 h-1 kPa-1. da escala de observação (Seyfried. 204 Tópicos em Ciências Agrárias. geram erros cuja ordem de grandeza são significativamente elevadas. físicas e biológicas.000 m2 de um Typic Haplustoll eles concluíram que o ponto crítico das estimativas de K estão nos valores de Ko. Ko. Estes autores analisaram.300%. em uma área de 1. em nove profundidades. (1980). Neste caso. Como se trata de um meio naturalmente descontínuo. afirmam Nielsen et al. cuja variação pode chegar a 150%. Complementando esta última informação. os valores de condutividade hidráulica diminuíram bruscamente nas primeiras vinte e quatro horas após a interrupção da infiltração. o mapeamento e aplicação de técnicas para o manejo e a recuperação dos solos. Calvache et al. Assim.

dependem do elemento de volume ou tamanho da amostra. Para tanto. v. usam-se fotografias aéreas ou imagens de satélite. Raice & Bowman. que representa a distância na qual determinado parâmetro está correlacionado com seu par e. para efeito de classificação e mapeamento. a aplicação de técnicas mais refinadas para quantificar precisamente algumas de suas propriedades no campo. matematicamente. Portanto. esses autores também indicam que é difícil atribuir uma escala mais precisa para estudos de variabilidade de parâmetros físicos do solo. que descreve a dependência e a variabilidade espacial de uma variável a partir de correlogramas e semivariogramas. 1983. variam em resposta a variações regionais de clima e material de origem. Couto & Klamt.. quanto aquela que ocorre em pequenas distâncias têm sido extensivamente descritas e classificadas. Não raro. conteúdo de água. 1. 1997. (1981) estudaram a dependência e a estrutura espacial para onze propriedades físicas de um Typic Torrifluvent no Arizona e verificaram que foi difícil realizar generalizações. Rodrigues & Zimback. (1985).. Uma revisão importante sobre o tema variabilidade espacial de solos foi feita por Reichardt et al. (1983). Considerando que a estrutura da variabilidade espacial das propriedades hídricas do solo é caracterizada por uma escala integral. Como exemplo desta técnica. A obtenção dos materiais de solo para quantificação da variabilidade pode ser feita utilizando amostras contínuas ou discretas. UFRB. No processo de amostragem contínuo. Ao nível de série. sua descrição estatística deve considerar a estrutura da variabilidade espacial. evidentemente. Neste caso o procedimento de amostragem não precisa de planejamento prévio e elimina a interpolação entre as medidas. 1999. No campo. Vieira (2000). a variabilidade das propriedades do solo é causada por pequenas mudanças na topografia que. pois. obtidas pelas técnicas de sensoriamento remoto. Vieira (1997). Russo & Bresler (1981) afirmam que as propriedades hídricas do solo não variam aleatoriamente no campo e que. o qual preferimos suprimir neste trabalho. (1997). por exemplo. Gonçalves et al. O processo de amostragem discreto requer a coleta de amostras em locais predeterminados e usa técnicas invasivas de obtenção. 1989. pois. Em escala macro. podendo ser representada por funções numéricas ordinárias que assumem um valor definido em cada ponto e descreve.Miyazaki (1993) também considera que a heterogeneidade do solo é função de uma escala. 2009 205 . o qual deve apresentar um pequeno desvio padrão. 2000). os autores relatam que cada parâmetro hídrico pode ser caracterizado estatisticamente por uma função de probabilidade independentemente da sua posição espacial e por uma função de autocorrelação que depende somente do valor da distância que separa dois pontos no campo.. Wendroth et al. um valor considerado representativo para toda uma região no espaço. potencial mátrico. influenciando significativamente o desenvolvimento do solo. Porém. mesmo os mapeamentos mais detalhados não são suficientes para expressar e descrever. No entanto. 1996b. 1997. Neste trabalho os autores mostram que as técnicas da estatística tradicional e da geoestatística são complementares e que a Tópicos em Ciências Agrárias. Vieira et al. existem levantamentos de solos com escala suficiente para identificar até dez unidades de mapeamento por propriedade rural. Das técnicas estatísticas aplicadas ao estudo da variabilidade dos solos. aspectos e requerimentos para o cálculo das diversas funções da geoestatística e suas aplicações no estudo da variabilidade das propriedades físicas do solo exigiriam o desenvolvimento de um formulário muito extenso neste ponto. (1986). é indispensável ao estudo e pode ser encontrado.. visto que medidas de propriedades como densidade do solo.1988. afetam o transporte e o armazenamento de água no perfil. o espaço para o qual cada valor é representativo. Mulla & McBratney (2000) citam a determinação da condutividade elétrica do solo com o uso do sensor de indução eletromagnética “Geonics EM38”. mas que. A variável regionalizada possui. dentre as quais a condutividade hidráulica (Cogels. a medida de uma determinada propriedade do solo é feita em toda abrangência da área de interesse no campo. retratar a estrutura da variabilidade espacial e ser adequado para a operacionalização do método de medida. 1994. conferindo-lhes características diagnósticas que possibilitam a sua individualização como corpos naturais homogêneos ao nível de ordem. a geoestatística é uma ferramenta de análise de amostragem regionalizada. Mulla & McBratney. em minúcias. bem como o alcance de cada amostragem. em Nielsen et al. Desta maneira somente uma parte da população é observada e as suas características são inferidas por meio de técnicas estatísticas. muito embora a zona de influência das propriedades físicas tenha sido fortemente dependente da distância entre as amostras. conseqüentemente. 1988).. Lauren et al. Este conceito possibilitou a interpretação precisa de resultados experimentais relativos a muitas propriedades químicas e físicas do solo (Cambardella et al. Discordando de Russo & Bresler (1981). Gajem et al. Sousa et al. tanto a variação em grande escala. sendo necessário. por sua vez. as propriedades do solo na paisagem. em muitos locais do planeta. a definição de uniformidade e heterogeneidade do solo depende de um Volume Elementar Representativo (VER). tal o patamar de detalhamento alcançado. os padrões de variação das propriedades do solo ao nível de parcela no campo (Mulla & McBratney. como nos EUA. Detalhamentos dos princípios básicos. (1973). que explicitam o nível de dependência espacial. textura e temperatura. portanto. Trangmar et al. Bouma et al. um fenômeno natural qualquer. Warrick & Nielsen (1980). Vários trabalhos foram realizados com o objetivo de determinar o VER para as diversas propriedades físicas do solo. 2000).

Mata (1997) afirma que a geoestatística o permitiu chegar a conclusões que passariam despercebidas caso fosse utilizada somente as ferramentas “tradicionais” ou estatística clássica. o desvio padrão. o desvio padrão tem a vantagem de apresentar a variabilidade dos dados na unidade de medida original. Tais estimativas são mais confiáveis à medida que se aumenta o número de observações. 1999). freqüentemente referida como estatística clássica. Reichardt et al. Segundo Libardi et al. textura. A mediana é o valor do meio ou a média aritmética dos dois valores centrais. Como não conseguiu. Silva (1988) realizou um experimento com o objetivo de comparar a estatística clássica com a geoestatística em relação à quantificação da variabilidade dos atributos físicos do solo.X ) N . que é a raiz quadrada da variância (s2). (1986). recomendável como estatística de avaliação da variabilidade. Neste caso a amostragem é feita de forma inteiramente casualizada e sem considerar a posição relativa de cada variável no espaço. (1996). Mais crítico e considerando que os métodos estatísticos diferem basicamente na forma de avaliar a variabilidade dos dados. (1986). este autor considera que a geoestatística não encerra todas as dificuldades para estudos de variabilidade espacial. uma maneira sofisticada. sendo. Gomes (1987). a média representa apenas uma estimativa do valor correto da amostra. Levine et al. a distribuição da freqüência dos dados. Outros autores discutem diretamente a aplicação destes conhecimentos ao estudo da variabilidade dos solos. 2009 . O desvio padrão indica a heterogeneidade do conjunto de dados em estudo. Gomes (1987b). Para tanto. A média fornece uma idéia do conjunto de dados porém não permite avaliar a sua dispersão. a curtose e os intervalos de confiança para as estimativas dos dados. dentre outras. nas condições de seu experimento.geoestatística possibilita a obtenção de respostas que os métodos tradicionais não conseguem fornecer. 1999). Souza (1992). é a estimativa do desvio padrão (s). (1998). a assimetria. a estatística não espacial. muito embora seja uma importante ferramenta auxiliar. também é muito usada para examinar aspectos de variabilidade espacial dos parâmetros físicos do solo. Também assume-se que as amostras são completamente independentes entre si. Banzato & Kronka (1995). Estes métodos estatísticos foram desenvolvidos a partir do ano de 1919. A média e o desvio padrão são duas características chaves para a análise inicial da variabilidade de uma população. UFRB. Ao contrário. visto que as unidades de medida também são diferentes. quando Ronald A. textura e densidade de uma Terra Roxa Estruturada (Nitossolo (EMBRAPA. desvios pequenos indicam mais homogeneidade dos dados e conseqüentemente pequena dispersão. A moda é o valor que ocorre com a maior freqüência. Não obstante a reconhecida eficiência da geoestatística como ferramenta para análises relacionadas com a variabilidade espacial. a variância. dentre os quais podem ser citados Warrick & Nielsen (1980). 206 Tópicos em Ciências Agrárias. desta forma. identificar a estrutura da variabilidade. a mediana. v. confirmando as conclusões de Reichardt et al. No entanto. Nos estudos de variabilidade os parâmetros estatísticos considerados pela estatística clássica são a média. a moda. densidade do solo e curva de retenção de água em um Latossolo Roxo (Latossolo Vermelho (EMBRAPA. em uma seqüência ordenada de dados. Desvios grandes indicam dados heterogêneos e com elevada dispersão de seus elementos.1 i =1 s= (15) Na prática. (1986) quando aplicaram as funções da teoria das variáveis regionalizadas para avaliar a magnitude da variabilidade espacial da umidade. Neste caso torna-se necessário uma medida relativa da variabilidade. 1. o coeficiente de variação. A base teórica e detalhamento dos métodos estatísticos clássicos estão amplamente descritos em Spiegel (1968). densidade dos sólidos. Miyazaki (1993) e Mulla & McBratney (2000). mas de tratamento matemático muito simples e de propriedades sempre convincentes. Porém a utilização do desvio padrão para comparação de duas variáveis diferentes é inadequada. A média é considerada uma medida de posição ou medida de tendência central e sua estimativa é dada pela seguinte expressão matemática: X= 1 N å Xi N i =1 (14) sendo N o número de medidas consideradas e Xi o valor de cada medida em análise. tal qual o coeficiente de variação. Fischer assumiu a direção do Departamento de Estatística da Estação Experimental de Rothampstead em Londres e passou a buscar métodos matemáticos que lhe possibilitasse obter conclusões sobre vários fenômenos experimentais. O modelo matemático para calcular o desvio padrão é: 2 1 N å (X i . conforme verificaram Libardi et al.

De acordo com os autores muitas propriedades do solo. Reynolds & Zebchuk (1996). como realizar este processo? Esta etapa do estudo da variabilidade deve começar a partir de um planejamento de amostragem capaz de fornecer as bases para uma precisa identificação dos padrões da variabilidade espacial da propriedade em estudo. Existem diversos métodos para identificar qual o tipo de distribuição de um conjunto de dados.15%. A curva de distribuição de freqüência para uma população com alta variabilidade apresenta-se relativamente larga e ampla. Propriedades do solo com CV elevado são mais variáveis que aquelas com baixo valor de CV. isto é feito calculando-se o logaritmo natural do dado observado. Considerando que a distribuição normal é uma exigência básica para análise de dados pelos métodos da estatística clássica. Quando isto ocorre o valor da mediana é maior que a moda e menor que a média. Mulla & McBratney (2000) citam outro esquema de classificação bem mais rigoroso. em três níveis: Baixa variação (CV < 12%). 1996). para o coeficiente de variação. na prática. no qual valores de 0 . Schaap & Leij (1998) e Comegna et al. Segundo Reichardt et al. média e alta variabilidade. Para medidas de dispersão normalizadas em torno de uma média o CV é estimado pela expressão: æ sö CV = ç ÷ 100 èXø (16) O CV é. foram Nielsen et al. como a condutividade hidráulica. sendo simétrica ou assimétrica em relação à média. respectivamente. (2000). 1993. apresentam uma distribuição normal. média (12% < CV < 80%) e alta (CV > 80%). O Tópicos em Ciências Agrárias. Logsdon & Jaynes. Podem ter distribuição normal ou não. Estes padrões de distribuição também foram encontrados por vários pesquisadores.O coeficiente de variação é um número que representa o desvio padrão em percentagem da média. Quando a freqüência de distribuição é normal. um número abstrato e relativo. Informações complementares aos momentos estatísticos já descritos podem ser obtidas pela caracterização da freqüência de distribuição dos parâmetros medidos. No caso da distribuição lognormal. Nos outros casos são diferentes.35% e > 36%. a média. as distribuições de freqüências assimétricas devem ser normalizadas. 1997). de tempo e praticidade. Moraes (1991) e Beiguelman (1994) detalham o método dos momentos estatísticos. (1986). indicam pequena. A freqüência de distribuição corresponde a um arranjo tabular dos dados por classes. que indica a precisão dos dados e possibilita a comparação racional entre valores diferentes. UFRB. Por exemplo Warrick & Nielsen (1980) classificaram a variabilidade das propriedades do solo. As curvas de freqüência aparecem. recomendando desde dezenas até milhares de amostras. v. sob diversas formas características.. 2009 207 . se a população varia pouco. (1996) demonstram as verificações da normalidade para os métodos do gráfico de Henry. juntamente com as freqüências correspondentes. Jones (1969) propõe a utilização de tabelas relacionando os valores de assimetria e curtose para testar a normalidade de um conjunto de dados com base na teoria estatística dos testes de hipótese. Warrick & Nielsen (1980) sugerem um método gráfico como sendo uma das maneiras mais fáceis. geralmente log-normal. Em estudos de variabilidade uma pergunta a ser respondida é: quantas amostras devem ser obtidas para representar adequadamente uma propriedade ou característica do solo diante de sua inerente variabilidade espacial? Os estudos disponíveis apresentam as mais diversas proposições. 16 . Banton. A média (m) e a variância (s2) da distribuição do logaritmo transformado podem ser usadas para estimar a média aritmética dos dados não transformados usando a seguinte expressão: X = exp(m + 0. expressa pelo coeficiente de variação. Guerra (1988) cita os testes não paramétricos de KolmogorovSmirnov e Chi-Quadrado.. a curva tem aspecto estreito e muitos dos seus valores estarão bem próximos da média e mediana. contribuindo para definir de maneira mais completa a sua variabilidade. 1. condutividade hidráulica (Libardi et al. dispersões e a probabilidade de um dado valor ocorrer entre limites especificados.5s 2 ) (17) A dispersão de uma distribuição de freqüência normal em torno da média é uma importante medida da variabilidade da população amostrada. enquanto outras. Neste caso. Por outro lado. como teores de areia e argila. Esta função permite calcular médias. a mediana e a moda são iguais. (1973) provavelmente os primeiros autores a verificarem que as propriedades do solo obedecem a diferentes padrões de distribuição. Exemplos de aplicações em que o logaritmo é usado para normalizar a distribuição dos dados aparecem em estudos das propriedades hídricas do solo realizados por Sisson & Wierenga (1981). Uma distribuição assimétrica muito comum é a log-normal. seguem distribuição assimétrica. 1980. informando que é um dos mais utilizados para este propósito e Libardi et al. “box-plot” e ramos e folhas. areia e argila (Vieira. Diante das questões econômicas. ao contrário. pois. existe até proposições de uma classificação para identificar a extensão da variabilidade das propriedades do solo com base no seu coeficiente de variação.

na qual o denominador refere-se ao número equivalente de amostras independentes. no método do perfil instantâneo para determinação da condutividade hidráulica. possibilita identificar. durante o tempo de redistribuição da água. Na prática. Com base em estudos de conteúdo de água no solo esses autores introduziram o conceito de estabilidade temporal. em qualquer tempo. Neste caso. posições que representam as médias dessas variáveis em qualquer tempo e que as posições identificadas como estáveis no tempo podem ser usadas para estimativa de q e fm com razoável precisão e representatividade. mas não identifica os locais em que as medidas possam ser feitas para representar a média da variável em estudo para qualquer tempo e valor. Normalmente o número de amostras que resulta da aplicação das metodologias tradicionais é muito grande. Para o caso de parâmetros cujas amostras são independentes e apresentam distribuição normal. Sendo assim. Gonçalves et al. desde que N não é conhecido. do intervalo de confiança da média populacional. A primeira técnica é o teste de correlação de Spearman (Campos. (1985) sugerem o cálculo das diferenças relativas e seus respectivos desvios padrões. Na teoria. Este incremento do número de amostras necessárias é estimado calculando-se o número de observações independentes para a população. o que nem sempre é correto. Para analisar a estabilidade temporal Vachaud et al. o verdadeiro número de amostras para estimar a média é dado pela relação N2 / N*. Em alguns casos. 1983). para um determinado tempo. t 2 x s2 N= d2 (18) em que t é o valor tabulado de Student para o nível de confiança estabelecido. Percebendo esta dificuldade prática para a obtenção de médias representativas. na medida em que o teor de água em um local mais úmido no solo tende a se manter assim em qualquer tempo. que é utilizado como uma ferramenta estatística para indicar o grau de concordância da variabilidade espacial obtida em diferentes tempos. A primeira condição requer. Os mesmos Mulla & McBratney (2000) afirmam que o modelo matemático para calcular o número de amostras de populações para as quais a variabilidade espacial é considerada. Existem na literatura proposições que permitem estimar o verdadeiro valor de N a partir do cálculo interativo de valores estimados do próprio N e seus correspondentes graus de liberdade para t. sendo aconselhável a identificação de mais de um local de medida para ampliar a representatividade da amostragem. possibilitando a análise dos 208 Tópicos em Ciências Agrárias. notadamente para os casos de propriedades do solo com grande variabilidade.número ótimo de amostras a ser coletado depende da variabilidade da população. Em seu trabalho os autores constataram a persistência das distribuições espaciais da umidade e a possibilidade de identificar locais de amostragem cujos valores permitam estimar a média geral da umidade em uma área. v. do custo das análises e disponibilidade dos equipamentos de laboratório. no campo. 1986). como para a condutividade hidráulica do solo saturado. Para tanto. 1. Para aplicação do conceito de estabilidade temporal a um conjunto de dados é necessário que duas condições sejam atendidas. com a precisão desejada. um número suficiente de observações para obtenção de seus parâmetros estatísticos clássicos.000 amostras para estimativa da média com razoável precisão (Anderson & Cassel. do nível de precisão desejado para estimar a média da população. a seguinte fórmula é muito utilizada para estimar o número (N) de pontos amostrais necessários para calcular. é necessário um grande número de amostras para estimar a média. (1985) propuseram uma metodologia capaz de reduzir o número de observações requeridas para caracterizar uma propriedade física do solo. esse número pode alcançar valores impraticáveis de até 26. No entanto. Na segunda condição deve ser possível associar a cada posição ou local o seu valor estatístico de densidade de probabilidade de distribuição normal. Vachaud et al. UFRB. s é uma estimativa preliminar do desvio padrão da população. d é o desvio padrão desejado da população em relação à média. Tal conceito pode ser definido como resultante da associação invariável no tempo entre a localização espacial e as medidas estatísticas que caracterizam uma dada propriedade do solo. o valor da sua média. o número de graus de liberdade necessários para a estimativa de t também não é. 2000). (1988). (1985) propõem duas técnicas. Melo Filho (2002) também aplicou a técnica da estabilidade temporal em medidas do teor de água (q) e potencial mátrico da água no solo (fm) e verificou que a existência da estabilidade temporal para teor e potencial mátrico da água no solo. (1985) quando estudaram a estabilidade temporal da distribuição espacial da umidade no solo em uma área irrigada. Para o autor isso representa um avanço em relação às outras metodologias tradicionais. Para a umidade do solo este conceito foi comprovado. sempre assume-se que o tamanho da amostra (N) é suficiente para tal objetivo (Mulla & McBratney. 2009 . difere da equação (18). conforme bem explicitaram Wesenbeeck et al. quando a correlação espacial existe. Vachaud et al. o coeficiente de correlação de Spearman (r) possibilita verificar a existência da estabilidade temporal. (1999a) comprovaram o conceito de Vachaud et al. na medida em que possibilita a redução do número de amostras necessárias para estimar uma média representativa com elevada precisão e reduzido esforço amostral.

(1985). Chung et al. Este processo pode ser feito com ou sem reposição. (1986) e Hendrickx & Wierenga (1990). v. Venkovsky et al. desenvolvida para realizar inferências estatísticas de uma amostra populacional. Uma das formas para se obter amostras representativas é a reamostragem aleatória. 2009 209 . úmido. 2000). o tipo de equipamento usado para coleta. 1993. Várias estratégias para determinar a distribuição espacial dos pontos a serem amostrados foram desenvolvidas. possibilitam identificar os pontos cujos valores sempre estejam próximos da média e possam ser utilizados como referência amostral. No primeiro caso. (1985) o cálculo das diferenças relativas pode ser feito utilizando-se a seguinte equação: DR(% ) = c ij . biologia e agronomia. compactado). a composição e o volume da amostra. estratificada sistemática. ecologia. incluindo física de solos (Efron & Tibshirani. Concluíram que as estimativas de amostragem utilizando o “bootstrap” difere do método convencional e como a mesma independe da distribuição dos dados e não é afetada pela presença de “outliers” pode ser utilizada para estimar tamanho de amostras com precisão e eficiência. O “bootstrap” é uma técnica computacional. o “bootstrap” foi importante ferramenta de apoio para o desenvolvimento de um sistema de modelagem para calcular propriedades Tópicos em Ciências Agrárias. O “bootstrap” é uma delas. Para superar esta limitação técnica. entre as quais pode-se citar amostragem dirigida.. O método de reamostragem com reposição é mais vantajoso porque torna a população teoricamente infinita. Na realidade o “bootstrap” é um procedimento computacional intensivo de reamostragem. recente. estratificada ao acaso. Amador et al. (1985). Igualdades ou pequenas variações da diferença relativa entre posições ao longo do tempo indicam estabilidade temporal. O uso do termo “bootstrap” tem origem na frase 'to pull oneself up by one's bootstrap'. uma observação pode ser escolhida mais de uma vez. quando ordenadas e plotadas em um gráfico. Segundo seus resultados. cj a determinação média para todas as posições. cij a determinação no local i no tempo j. como teor de água e condutividade hidráulica do solo. (2003) aplicaram e técnica “bootstrap” em um conjunto de dados de umidade e potencial mátrico da água no solo para o desenvolvimento de um método capaz de determinar o número mínimo de amostras necessárias para estimar a média de uma população a partir de um determinado grau de precisão. a profundidade é dependente de muitos outros fatores como o tipo de propriedade a ser medida. tipo e profundidade de cultivo e principalmente das condições de solo (seco. Do mesmo modo Melo Filho et al. O tempo ou período de amostragem é particularmente importante quando se medem variáveis temporais. enquanto que no método sem reposição a observação só pode ser escolhida uma vez em cada reamostragem. Concluíram que a armazenagem de água em um determinado local resulta da ocorrência de um conjunto de processos hidrológicos que operam em diferentes escalas espaciais e então. genética. Estes pesquisadores utilizaram o “bootstrap” em associação com funções do tipo “neural networks” para desenvolver esquemas de modelagem para o cálculo e estimativas da curva de retenção e condutividade hidráulica em condições de saturação e não saturação.. 1996. demonstraram que análises de coerência espacial poderiam ser usadas para examinar a estabilidade temporal como uma função da escala espacial de qualquer variável do solo.desvios entre os valores observados individualmente e a média deles. Outro exemplo da aplicação da técnica “bootstrap” para estudo de propriedades hídricas do solo é o trabalho de Schaap & Leij (1998). Outras considerações adicionais ao número de amostras incluem a profundidade. em que cada observação de uma população tem a mesma probabilidade de ser incluída na amostra. Resumindo. UFRB. foram desenvolvidas poderosas metodologias de amostragem com base em programas de computador. na medida em que se pode obter um número muito grande de amostras. De acordo com Vachaud et al. o tempo. para evitar erros de amostragem é necessário um rigoroso planejamento estatístico juntamente com a aplicação de técnicas adequadas. medidos espacialmente. Jhun & Jeong. 1. que possibilita a estimativa da distribuição amostral de estatísticas de interesse. 2000. Utilizando-se esta técnica é possível realizar comparações estatísticas em áreas diversas do conhecimento científico. no momento j. tendo como base dados de uma amostra ou população.. no livro sobre suas aventuras. Suas conclusões significaram um avanço e ao mesmo tempo simplificaram a proposta de Vachaud et al. As mesmas. atribuída ao Barão de Munchausen. escrito por Rudolph Erich Raspe no século dezoito.c j cj 100 (19) sendo: DR (%) a diferença relativa entre uma determinação individual para um local e tempo e a estimativa da média. 1997. ao acaso. Aplicações da técnica “bootstrap” ao estudo da variabilidade de parâmetros hídricos do solo são encontradas nos trabalhos de Dane et al. em faixas e amostragem geoestatística (Mulla & McBratney. Kachanoski & De Jong (1988) aplicaram o conceito de estabilidade temporal como definido por Vachaud et al. Por outro lado. sistemática. Sua desvantagem é ser um processo trabalhoso e complexo. baseado na técnica da substituição. 2000). como economia.

Soil Science Society of America Journal.C. L. A. BUCKINGHAM. 1989. Análise da semivariância e da variância. 2009 . n. 1988. Studies on the movement of soil moisture.217-223. n. WARRICK.1096-1104. Rhode Island. (Bulletin.L. 1995. Curso prático de bioestatística. BORGES. p. 1995. B. pode-se afirmar que. STEIN. A. J. 1999. é possível definir. M. p.4. BANZATTO.. Concluindo. Revista Brasileira de Ciência do Solo. D. 1.K.83-94.21.3. BERG.I. Y. J. (Ed. v.S.4. Experimentação agrícola. S. K. GÖRRES. Variabilidade espacial de características de solos na região do planalto médio.. KIEHL. PEEK. DAVIDE. Pt.1019-1025. p.. Field and laboratory determined hydraulic conductivities considering anisotropy and core surface area. D. Escalonamento de propriedades hídricas na avaliação de métodos de determinação da condutividade hidráulica de solos.23. G.. KLAMT. 735-770.. v. M.N.H.. CADIMA Z.G.) Methods of soil analysis.S. KRONKA. 1986.23. BEIGUELMAN. Alteração de propriedades físicas e atividade microbiana de um latossolo amarelo álico após o cultivo com fruteiras perenes e mandioca. Lavras: ESAL. 38). SOUSA. Madison: SSSA.I. Bureau of Soils. v. Geoderma.. E.A. van den. K. p. SAVIN. ANDERSON. J. SOUZA. Soil Science Society of America Journal. n. A. II.W.29.. WANG. A. 1994. A.. 1993. Statistical and autoregressive analysis of physical properties of Portsmouth sandy loam.401-408.933-942.ed. FAEAP. v. In: KLUTE. a partir do número de amostras necessário para se ter um coeficiente de variação aceitável e do conhecimento da dependência espacial do fator em estudo. M.. S. 2000.A. 1999. ALVARENGA. Revista Brasileira de Ciência do Solo. Geoderma. Characterizing spatial variable hydraulic properties of a boulder clay deposit in the Netherlands. Atributos do solo e o impacto ambiental.45. 1: Physical and mineralogical methods. p. A. padrões de análise para realizar um estudo confiável e preciso de determinada característica do solo. p.ed.N.N. JONGMANS.98. A.10-15. 1997. REICHARDT. JH. LIBARDI. O. Características físicas e químicas de um latossolo vermelho-escuro e a sustentabilidade de agroecossistemas. 3. REICHARDT. Revista Brasileira de Ciência do Solo. REFERÊNCIAS ALVARENGA.hídricas do solo. v. Jaboticabal: FUNEP. O. 50. Washington: USDA. associando-se os princípios da estatística clássica aos da geoestatística e aplicando-se as novas técnicas computacionais de reamostragem intensiva. BOUMA. A. Revista Brasileira de Ciência do Solo. v. 244p. 61p. Variabilidade espacial da condutividade hidráulica em um latossolo 210 Tópicos em Ciências Agrárias.C. Fine-scale spatial variability of physical and biological soil properties in Kingston. p.57. Ribeirão Preto: Sociedade Brasileira de Genética. CASSEL. UFRB.. E. Hydraulic conductivity of saturated soils: Field methods. BACCHI. como o “bootstrap”.A.19-29.C. 3.O.. p. AMOOZEGAR. 247p. 1907. 1986.. BANTON. RS. P. v. 140p. p. v. AMADOR..L.. M. v. J.12. cap.

S. v.A. em atributos físicos e químicos do solo (compact disc). 493p. CAMPOS. C. 25. DAMIANI. v. L. Heterogeneity and representativity of sampling in the study of soil microstructure by the mercury intrusion method.. DANE. Anais. 4.11. 1997.G. v. REICHARDT. KOO. UFV. Condutividade hidráulica de um solo Typic Haplustoll em condições de campo. v.58. 1995.20. p. K. SOMMELLA. TURCO. A. J. p. SAMPAIO. UFV. P. Journal of the Royal Statistical Society. P.C. 2000.... Viçosa.A. D... CD-ROM. Geoderma. COGELS.L. Anais. p. 2009 211 . 1997..231-244.26. O. VIEIRA. MOORMAN. S.F. London: A Wiley-Interscience.50... Resumos expandidos. H.. 1986. CHUNG. S. Tópicos em Ciências Agrárias.. J.. 25.2. KONOPKA. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO. Viçosa. 1983.E.. CNPS. John Wiley. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO.. M. DECHEN. COMEGNA. Viçosa: SBCS.283-287. A. Impacto de erosão induzida pela remoção da camada superficial.B. Rio de Janeiro: SBCS. 1996. Efeitos de sistemas de preparo nas propriedades físicas de um solo sob cerrado cultivado com soja.M.F. Soil Science Society of America Journal. NOVAK. SILVA... CORRÊA. CAMBARDELLA. D'ANNA. Rio de Janeiro: SBCS. 26. Estimating soil parameters and sample size bybootstapping. R. Piracicaba: ESALQ/FEALQ. T. 1995. p. DEMATTÊ.35-41. p. Soil & Tillage Research. PARKIN. V. PORTEZAN FILHO.G. v. KARLEN. 1985.73. p. CALVACHE. Resumos expandidos. In: CONGESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO. CENTURION. Soil Science Society of America Journal. J. 1969. 54. LEE. Revista Brasileira de Ciência do Solo.54.6.B. O. SILVA.R.C. E. E. EFRON. HOPMANS.W.63-66. v. KLAMT. 1992. E.. CARVALHO.63.. COMEGNA. p.B... UFRB. CHILDS. v. Determinação da condutividade hidráulica “in situ” de um latossolo roxo distrófico. Comparison of different field methods for determining the hydraulic conductivity curve of a volcanic vesuvian soil.I. H. 1985. CNPS. RUGGIERO..H. J. 1983. v. v. Variabilidade espacial de propriedades químicas do solo afetadas pelo uso agrícola em solo sob pivô central no sul do estado de Mato Grosso. Revista Brasileira de Ciência do Solo. 1980.. 1994.1317-1322.35. J. p.C. COUTO.L.9. Pesquisa Agropecuária Brasileira. p.263-266.G. R. J. v. An introduction to the physical basis of soil water phenomena.. Agricultural and Water Management. DAMIANI. Scaling the saturated hydraulic conductivity of a vertic ustorthens soil under conventional and minimum tillage. Statistics & Probability Letters. J.F.M.C. 1995..vermelho-amarelo textura média. B.ed. 349p.. 83-127. 1996. 1997.. 1. v. p... F. Rio de Janeiro. A note on bootstrap model selection criterion. 26.4. n. C. Field-scale variability of soil properties in Central Iowa soils. 1995. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO.C. Rio de Janeiro. A.1-9. T. 1997. no campo.203-211. K. Jacknife-after-Bootstrap standard errors and influence functions. p. REED. p. Efeito de métodos de cultivo em algumas propriedades físicas de um latossolo amarelo muito argiloso do estado do Amazonas. Estatística experimental não-paramétrica.15011511. V. n. Viçosa: SBCS. J.

1976. p. 3. 1997... 1986. STOLZY. GOMES.R. GARDNER. F.40..A. 162p. 1956. v.228-232. Victoria: CSIRO. Parâmetros hídricos do solo como auxiliares na avaliação da poluição da água superficial e subsuperficial (compact disc).23-30.. 141p. Pt. FALLEIROS. FERRACINI. A. 1997. 13. 1999.. F.K. Anais.. A. diffusivity and sorptivity of unsaturated soils: field methods. GARDNER. H. AHUJA. Revista Brasileira de Ciência do Solo. 212 Tópicos em Ciências Agrárias. 1994. SILVA. 1. GONÇALVES. (Ed.A. 140p. 1981. CPRM. M.. Madison: Soil Science Society of America. GROSSI SAD. 2009 .1. D.ed.F. Soil Science Society of America Journal.S.830-836. Piracicaba: SBCS. v. 1: Physical and mineralogical methods. S. p.M. Centro Nacional de Pesquisa de Solos.C.J. 1987.J.C. CNPS.P. An introduction to the bootstrap. R.M. H. v. UFRB. p. GEOSOL.E. 412 p. p.. Rio de Janeiro. Hydraulic conductivity. V. W. MIKLICH. R. Spatial and temporal variability of soil hydraulic conductivity in relation to soil water distribution. W.45. p.20. Unsaturated conductivity and diffusivity measurements by a constant flux method.R. GAJEM. 1986. REICHARDT. R..W.P. Brasília. 1993. n. Fundamentos sobre a variabilidade dos depósitos minerais.317-320. J. EMBRAPA. v. SANS. A. MYERS. CHONG.A.) Methods of soil analysis. Spatial dependence of physical properties of a typic torrifluvent soil. Águas de Lindóia.C. Retenção de água no solo em área irrigada por pivô-central (compact disc). Rio de Janeiro: DNPM.S.. v. L.P.85. using an exponential model.. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO. FOLEGATTI.C. FREEZE. Some steady-state solutions of the unsaturated moisture flow equation with apllication to evaporation from a water table. L.23. Soil water assessment by neutron method.709-715. Ground Water. FLÜHLER.93. Henry Darcy and the fountains of Dijon. A.. 1996. TIBSHIRANI. GREACEN.EFRON. O.A. 1998.. 26. Soil Science.. v. FILIZOLA. GONÇALVES.45. Soil Science Society of America Proceedings. Calculation of capillary conductivity from pressure plate outflow data. v. BACCHI. Piracicaba: POTAFOS. PORTEZAN. SILVA. Estabilidade temporal da distribuição espacial da umidade do solo em área irrigada por pivô central. L. p.E.H.30. p. Soil Science. OLIVEIRA. J. M. Y. W. A.. FOLEGATTI. Rio de Janeiro: SBCS. 771-798.. p..L. B. 1962. v. 436p. ARDAKANI. London: Chapman and Hall. GARDNER. In: CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE CIÊNCIA DO SOLO. 1981.1.A.L. Soil Science Society of America Journal. In: KLUTE. n. p.M. Curso de estatística experimental.. cap. M. R..A. K. SLCS. 1958.271-275. Solosuelo 96: trabalhos. M. R.279-285.. Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. 1996b.H. 1999a. WARRICK. A. E.32. O. Error propagation in determining hydraulic conductivities from successive water content and pressure head profiles. Soil Technology.155-164. v. GREEN.O.

A.) Methods of soil analysis. HENDRICKX.J... Piracicaba. KRENTOS. p.. Libardi.. R. Computational Statistics & Data Analysis.4. LIBARDI..J. Madison: Soil Science Society of America. BOUMA. C. LIBARDI. 1969. D. 1972. 1999. Revista Brasileira de Ciência do solo. STEPHAN.G.. n. WAGENET.1-12. R.L.L.G. A. STYLIANOU. v.. 2000. 2. v. Variability of saturated hydrulic conductivity in a Glassaquic Hapludalf with macropores. Soil water interactions: mechanisms and applications.M. v. Trad. v.M. Hydraulic conductivity and diffusivity: Laboratory methods.J. p. Universidade de São Paulo. p. 2009 213 . In situ estimation of hydraulic conductivity using simplified methods. P. S. 113p. 1994. de T. JONG VAN LIER.C. Variability of soil water tension in a trickle irrigated Chile pepper field.1620-1626.83-91.. LIBARDI.35. 1972. v. Q.. n.1322-1627. JHUN. In: KLUTE. 812p. H. S. LEVINE..D. S.. BERENSON. JEONG. P.1005-1014.O. cap. P.264-276. Applications of bootstrap methods for categorical data analysis. TUON.395-400. P.ed. Soil Science. TABUCHI. D.O. Variabilidade da umidade gravimétrica de um solo hidromórfico. WOSTEN. p. Rio de Janeiro: LTC.39. C. Dinâmica da água no solo.GUERRA.. v. LIBARDI..20. p. 1984. v. v.A. Scale dependence and the temporal persistence of spatial patterns of soil water storage. 2. p. Variabilidade dos parâmetros da relação entre condutividade hidráulica e umidade do solo determinada pelo método do perfil instantâneo.. 1988.H..A. 1. J.A. p. 1988. P. D. 1990.6.L. P.23-30. MANFRON. Soil Science. JONES. Soil Science.28.4. de Souza. The determination of the hydraulic conductivity and diffusivity of unsaturated soils. MORAES.P.H.J.. p. Variabilidade espacial da umidade. KACHANOSKI. E. Piracicaba: P.L. T.697-734. IWATA. T. Brasília: Ministério das Minas e Energia. p. PREVEDELLO. KLUTE. WIERENGA. Tese (Doutorado) Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”.. Condutividade hidráulica do solo em condições de campo. LIBARDI. Estatística: teoria e aplicações. n. Geoestatística operacional. Water Resources Research.A. textura e Tópicos em Ciências Agrárias. Procedure and test of an internal drainage method for measuring soil hydraulic characteristics in situ. Irrigation Science... p. n. UFRB. v.L. 1: Physical and mineralogical methods. P. P. Skewnessand kurtosis as criteria of normality in observed frequency distributions.G. v.ed. 1986. Pt.M. DIRKSEN. WARKENTIN.20-28. E. Water Resources Research. v. J. R.23.L. 1996. JONES.11. New York: Marcel Dekker. J. 2000.1. M. HILLEL. p. R. 145p. V. 509p. PAULETTO. MORAES. A.145. J.24. p. LAUREN. P. Journal of Sedimentary Petrology. DE JONG. (Ed.333-353: Heterogeneity of hydraulic conductivity in soil.114. Revista Brasileira de Ciência do Solo.113.L. 1988. A.85-91.20.. Y. L.11. 1978. KLUTE. 2000. B. cap. WAGNENT. M.

ERH. P. Spatial variability of field measured soil water properties. n.. Cap. D. Water flow in soils. 1997. p. Journal of Agricultural Engineering Research. Gradiente unitário do 214 Tópicos em Ciências Agrárias. VAN GENUCHTEN. J. SCHEFFER. Universidade de São Paulo. BIGGAR.4. CORRENTE. K. 3. Soil spatial variability.Th. J. Journal of Hydrology. NIELSEN.E.. Prevedello.F.215-259. n. Universidade de São Paulo. n.783-789. Curitiba: C. PREVEDELLO. LIBARDI. J. J. MELO.. Simplified field methods for estimating the unsaturated hydraulic conductivity. 446p. D. MORAES.L. LOGSDON. Revista Brasileira de Ciência do Solo. 145p.44. Soil Science Society of America Journal. BIGGAR. OLIVEIRA. v.F. QUEIROZ. (Ed.2. Piracicaba. p. 2000. D.355-356.. CORDEIRO. MATA..G. Water content changes following irrigation of bare-field soil that is protected from evaporation. PREVEDELLO. J. McBRARNEY. Hilgardia. Soil Science Society of America Proceedings.L.F. UFRB. sob dois sistemas de preparo..V.M. 1973. In: SUMNER. K.. 9. p... p. OR.E. 2009 . M. p. P. 2002.. Piracicaba. Método convencional e “bootstrap” para estimar o número de observações na determinação dos parâmetros da função K(q).9.297-309. Interrelations among physical and hydraulic parameters of non-cracking soils. p.L. REICHARDT.. B. 1999.R.H. L.B. J. G.. v. OGATA. 73p.E.J. p. 1993. 1. S. v.. FEYEN. Soil Science Society of America Journal. 1986.. Heterogeneidade hidráulica de uma terra roxa estruturada. MIYAZAKI. 1997.199.) irrigado. J. 1980. CHAVES..21. L. Revista Brasileira de Ciência do Solo..D. L. J.210.60. C. TSENG.W.895-903. J.L. 1996.densidade de partículas ao longo de uma transeção.O. C. New York: Marcel Dekker. v. 2002. Comparison of three hydraulic property mesurement methods.42.L. p. p. de J. JACQUES D.D. P. G. 1996. LUNA. JAYNES. 1997. Tese (Doutorado) Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”.85-90. 141p.T. D. E. New York: CRC Press.23.) Handbook of soil science.255-283: Heterogeneity of Soils in Fields. cultivada com feijão (Phaseolus vulgaris L. RICHARDS. Variabilidade dos parâmetros da equação da condutividade hidráulica em função da umidade de um latossolo sob condições de campo.53-85. v.R.3-6. Tese (Doutorado) Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”. MELO FILHO.. K. WRAITH.Q. In: SUMNER.A. T. J. p. MALLANTS.25.321-352. Cap.703-709.. A.J. v. M. Q.W. v.R. 1991. v.295-318. MAHESHWARI. S. n. NIELSEN. n. p.. 2000. REICHARDT.B. New York: CRC Press. v.4. de. M.. D. VAN LIER. Tese (Doutorado) Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”. cap. Universidade de São Paulo..7. D. v. MELO FILHO. Física do solo com problemas resolvidos.. Variabilidade espacial de propriedades químicas em um solo salino-sódico.G. Handbook of soil science.E. Soil Water content and Water potential Relationships.68. Revista Brasileira de Ciência do Solo. MULLA. da. J.. Variabilidade espacial de indicadores da compactação de terra roxa estruturada. LIBARDI. M.4. p. Spatial variability of hydraulic conductivity in a cultivated field at different times. D. Piracicaba. 1957.

2. I. SILVA..A. J.. RICHARDS.R.. v.A.45.10. NIELSEN. GARDNER. Soil Science. 4.S. n. SHOUSE. Soil Science Society of America Journal. LEIJ. n. R. F. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental. D. SEYFRIED.231-254.17.. Variabilidade espacial de atributos físicos do solo..D. New York: CRC Press. 2000. J.108-112. v. Revista Brasileira de Ciência do Solo.R.1673-1679.C. p. Variabilidade espacial de solos e experimentação de campo. 1928.R. Effect of sample size on parameter estimations in solute transport experiments. 1956.L. 1998. 1997.3.87-127.G. J.1. BOWMAN. M. W.J. MENDONÇA. RASMUSSEN.potencial hidráulico como fonte de erro na obtenção da condutividade hidráulica em solo saturado. K..719-742. Soil & Tillage Research. Rio de Janeiro: SBCS.C.V.37. J.37-42. Unsaturated hydraulic conductivity determination by a scaling technique. 1988. Cap. Hydraulic conductivity in a clay soil: Two measurement techniques and spatial characterization. C. p. R. 2009 215 . 1996. n. SCHAAP. JOBES.146.20. 1981. n. p. Pesquisa Agropecuária Brasileira.E. VIEIRA. P. Piracicaba.J. Piracicaba: ESALQ. p. v.113-115.. W.. p.29.B.J. RODRIGUES.B.. S. M. 56.P. v. Handbook of soil science. The usefulness of capillary potential to soil moisture and plant investigators.275-280.1. p.. RAICE.A. v. An analysis of field spatial variability. 1953. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO. RICHARDS. R. 1998. Tese (Doutorado) Escola Tópicos em Ciências Agrárias.165-168. v. P. v. I. T. 1996... BRESLER. 505p. Using neural networks to predict soil water retention and soil conductivity. Variabilidade espacial da densidade do solo em latossolo roxo álico Botucatu SP (compact disc). ZIMBACK. v. v.R.. 1986. Rio de Janeiro. S. 2. QUEIROZ. L. Um estudo comparativo entre dois procedimentos de cálculo da condutividade hidráulica. T. de. RICHARDS. 1.. p. REICHARDT.206-208.C. LIBARDI. LIBARDI.. L.682-687.. In: SUMNER.. p. Soil Science Society of America Proceedings.310-314. D.E. v. M. 26.2. Soil Science Society of America Proceedings. 1992. Dinâmica da matéria e da energia em ecossistemas. K. REICHARDT. WEEKS.R. p. Soil Science. Estimating in situ unsaturated hydraulic properties of vertically heterogeneous soils. p. REICHARDT. E. Capillary conductivity values from moisture yield and tension measurements on soil columns. W.60. L.. ZEBCHUK. OGATA. RUSSO. Journal of Agricultural Research.47. Geoderma.T. UFRB. P. v. 1988. 1994. Spatial variability constraints to modeling soil water at different scales. v.L. Soil Science Society of America Journal. Soil hydraulic as stochastic processes. 1997. REYNOLDS. v. A.1679-1685. p.ed. CNPS. D.1-6.E. K. Anais.. v.160.V. Physical processes determining water loss from soil. ELLSWORTH. 1997. Soil Science Society of America Journal. 105p. SANTOS.. p. p. 1975.85. Soil water movement.D. G. SISSON. RADCLIFFE. p.L.

PIEDADE. A. Piracicaba: ESALQ. Rio de Janeiro. Anais. Cosentino. v. MULLINS. SOUZA. Reamostragem por “bootstrap” na estimação de parâmetros baseados em marcadores genéticos. O. J. p. NIELSEN. DIAS. RIBEIRO. p. 1997. N.M. Orlando: Academic Press. Anais.R (Ed. Soil analysisphysical methods. S. VIEIRA.44..R. M. p. YOST. D. VACHAUD. Soil Science Society of America Journal. 1985. Cap. Trad.. S. Temporal stability of spatially measured soil water probability density function. 162p.L. R. C. p.10. Tese (Doutorado) Universidade Federal do Rio Grande do Sul. v.21. 1985. v.B.E. v.TH.R. In: BRADY.R.R.. Porosidade e condutividade hidráulica saturada em solos dos tabuleiros costeiros (compact disc). n. Estatística: resumo da teoria. R. VENKOVSKY. Bragantia. P. R. Piracicaba. v. Piracicaba SILVA. p. Geoestatística em estudos de variabilidade espacial do solo.Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”. COGO. SMITH.A.S. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO. L. 14. p. SOUSA. KACHANOSKI. p. LIBARDI.91-95. 1997a.G. & ROLSTON. n. VAN GENUCHTEN. Universidade de São Paulo.M.. Soil Science Society of America Journal. VIEIRA. PASSERAT DE SILANS. 1997b.. Geoestatistical theory and application to variability of 216 Tópicos em Ciências Agrárias.. 26. Influência da compactação nas propriedades físicas de dois latossolos. COSTA. Soil Science Society of America Journal. G. S. J. S. L. J.140-144. New York: s.HATFIELD. Spatial variability of steady-state infiltration rates as a stochastic process...822-827. C. n. 1968.. SISSON. SPIEGEL. PAIVA. VIEIRA.Q.S. D. J. H..) Tópicos em ciência do solo. In: ENCONTRO SOBRE TEMAS DE GENÉTICA E MELHORAMENTO. TRANGMAR.G. Variabilidade especial de argila. 580p.A.L. P. I. v.T.C. v.W. 1991. 1992. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico.3. WIERENGA. L..S.. M.181-190.. J. da... 2009 .P. 620p.367-372.J.892-898. CAMARGO.. silte e atributos químicos em uma parcela experimental de um latossolo roxo de Campinas (SP).B. 1999. BIGGAR.F. p. M..R. A.. Soil Science Society of America Journal. 1988. R. SCHAEFER. Revista Brasileira de Ciência do Solo. S. Temporal persistence of spatial patterns of soil water content in the tilled layer under a corn crop. UFRB.B.R. & VAUCLIN. 1980.A. SOUZA.49.S.. G. K.B. 1. Variabilidade espacial do solo em sistemas de manejo. QUEIROZ... L.. 1. N.. v. GHEYI.. v. p. A. de P.59-72..3..52. VIEIRA. 1986. Porto Alegre. 1997. E... P..45-93.1. C. LEANDRO. Variabilidade de propriedades físicas e químicas do solo em um pomar cítrico.2.R. R.S.P.S. C. SOUZA.699-704.C. BALABANIS. M. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental. A closed-form equation for predicting the hydraulic conductivity of unsaturated soils. VAN WESENBEECK. B.R. A. UEHARA. ALVAREZ.G.ed.1-54.E. Application of geostatistics to spatial studies of soil properties. Revista Brasileira de Ciência do Solo. SANTANA.E.J... In: NOVAIS. Advances in agronomy. Variabilidade especial de características físico-hídricas e de água disponível em um solo aluvial no semi-árido paraibano. 1981. Rio de Janeiro: SBCS/CNPS.934-941. Viçosa: SBCS.45. 1997. DEMÉTRIO. p. 1997.56. 2000. p.

WATSON.K. Temporal persistence of spatial patterns of soil water content in the tilled layer under a corn crop. cap..some agronomical properties. 1980. R. Statistical approaches to the analysis of soil quality data. 934-941. 73p. I. (Ed. REICHARDT. An instantaneous profile method for determining the hydraulic conductivity of unsaturated porous materials.. p. 1997. UFRB. M. v.319-344.3. p.) Applications of soil physics. v. WARRICK. WESENBEECK. 52. v.E. CARTER.D. E. p. 1983.G.. WENDROTH. (Ed. v.247-276.. Soil Science Society of American Journal. In: HILLEL.R. D. WIRT. ROLSTON.R..R.709-715. S. S. p. 11. Spatial variability of soil physical properties in the field.) Soil quality: for crop production and ecosystem health. NIELSEN. New York: Academic Press. K. Water Resources Research. A. K. D. REYNOLDS. D. In: GREGORICH. n.51. 1966. 13. Cap.G. VIEIRA. Tópicos em Ciências Agrárias. 1.2. Amsterdam: Eselvier... W. 2009 217 . O.J. KACAANOSKI. 1988.. Hilgardia.W.

Vital Pedro da Silva Paz & Greice Ximena Santos de Oliveira Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 16 EVAPOTRANSPIRAÇÃO Francisco Adriano de Carvalho Pereira. Áureo Silva de Oliveira.

Posteriormente. muitas dificuldades têm surgido entre os técnicos para a compreensão deste importante fenômeno de transformação física. sob condições ótimas de umidade do solo. participa de importantes processos metabólicos essenciais à vida vegetal. Devido à grande diversidade de termos existentes na literatura. faz-se necessário um conhecimento claro a respeito de certas definições. com área tampão de 100 m aproximadamente. principalmente. numa dada condição climática. em crescimento ativo. Durante o seu ciclo de desenvolvimento as plantas consomem um grande volume de água. A evapotranspiração real é aquela que ocorre numa superfície vegetada. diferenciando-se unicamente quanto ao tipo de superfície evaporante. com altura de 0. sendo a grama tomada como padrão. 2009 221 . Cruz das Almas-BA. com altura fixa de 0. em virtude da sua utilização como cobertura dos postos meteorológicos. Ambientais e Biológicas/UFRB. com altura de 0. Smith (1991) apresentou uma conceituação da ETo como aquela que ocorre em uma cultura hipotética.br Mestre em Ciências Agrárias/UFBA. à utilização do modelo de Penman-Monteith. Essa proposição coincide com a evapotranspiração de uma superfície coberta com grama. Penman (1956) estabeleceu que o tipo de vegetação a ser tomada como referência. em crescimento ativo e cobrindo totalmente a superfície do terreno.15 m. utilizados na definição do processo da evapotranspiração. o consumo de água pelas plantas normalmente se refere à água transferida para a atmosfera pelos processos de evaporação da superfície do solo e pela transpiração das plantas.5 m.Centro de Ciências Agrárias. definindo-a como a água utilizada por uma extensa área vegetada. Desta maneira.edu.3 a 0. 1. (1971). entretanto. Em essência. Aureo Silva de Oliveira1. Buscando apresentar uma padronização para a definição da evapotranspiração de referência e visando. Desta maneira. E-mail: fadriano@ufrb. introduziram o termo evapotranspiração de referência (ETo). na forma de vapor. cobrindo totalmente a superfície do solo e sem restrições hídricas. pode-se verificar que a definição de evapotranspiração de referência coincide com a evapotranspiração potencial (ETP). deveria ser baixa e de altura uniforme. devido às diferenças de rugosidade e albedo das suas superfícies. UFRB. Vale ressaltar.EVAPOTRANSPIRAÇÃO Francisco Adriano de Carvalho Pereira1. Vital Pedro da Silva Paz1. através do sistema solo-planta para a atmosfera. No protoplasma.12 m. quando se trata da quantificação da evapotranspiração e do requerimento de água das culturas. INTRODUÇÃO A água é um elemento essencial ao desenvolvimento vegetal. sem imposição de qualquer condição Tópicos em Ciências Agrárias. a evapotranspiração (ET) constitui a transferência de água. poder refletor (albedo) de 23% e resistência do dossel ao transporte de vapor d'água de 69 sm-1. participando como constituinte do protoplasma celular em proporções que podem alcançar 95% do seu peso total. como a fotossíntese e a fosforilação oxidativa. que os valores obtidos com a utilização da cultura da alfafa podem diferir substancialmente dos encontrados com a grama. Jansen et al.). utilizando os conceitos propostos por Thornthwaite aplicando-os à cultura da alfafa (Mendicago sativa L. através da evaporação direta da superfície do solo e da água perdida pelas plantas através da transpiração. v. argumentou-se que o seu porte seria mais representativo das condições aerodinâmicas de outras culturas do que a grama com o seu porte rasteiro. os processos da evaporação e da transpiração são muito parecidos. Greice Ximena Santos de Oliveira2 1 2 Professor . DEFINIÇÕES A evapotranspiração pode ser definida como a soma da quantidade de água perdida por uma superfície coberta com vegetação. em crescimento ativo e sem restrições de água no solo. sendo que deste total. viabilizando o intercâmbio de trabalhos realizados sob condições diferentes. Cruz das Almas-BA. Do ponto de vista físico.08 a 0. Desta maneira. Entretanto. como aquela que ocorre em uma extensa superfície gramada. Doorenbos & Pruitt (1977) apresentaram um definição para evapotranspiração de referência. O termo evapotranspiração potencial (ETp) foi introduzido na literatura especializada por Thornthwaite (1948). as plantas transferem aproximadamente 98% da água retirada do solo para a atmosfera. Entre as razões apresentadas para a escolha da alfafa como planta de referência. no qual a água passa da fase líquida para a fase de vapor.

Em média. Por isso. 1 kg de água corresponde a 1 litro e.48 MJ kg-1. da planta e do manejo do solo. Por exemplo. que nada mais é do que a relação entre a ETc e a ETo. vários são os fatores que afetam a evapotranspiração: climáticos. Portanto. portanto. pode-se observar que kc varia ao longo do ciclo de uma cultura de acordo com o IAF. tem-se verificado a ocorrência de valores exagerados de evapotranspiração. que por sua vez é variável com os períodos fenológicos. por isso. 2009 .000 litros de água por hectare.001 m). adota-se o valor de = 2. que nessas condições recebe a denominação de evapotranspiração de oásis (ETo). a evapotranspiração é expressa em mm (milímetros) por unidade de tempo.1 cm = 1 mm Para uma superfície de 1 ha (10. = 2.45 MJ kg-1. irá corresponder a um volume de água de: 0. da sua área de bordadura e das condições de disponibilidade de água no solo. a evapotranspiração é a perda de determinado volume de água em uma determinada área. A ETc é uma variável dependente das condições meteorológicas e da área foliar da cultura (AF).000 cm2 = 0. também denominada de máxima (ETm). tais como. enquanto que a 5ºC. que na prática é chamada de evapotranspiração da cultura (ETc). Em locais onde existe uma pequena área irrigada em torno de uma grande área seca ou quando a área de bordadura não é suficiente para eliminar os efeitos advectivos do calor sensível.000 m2 V = 10 m3 (1) ou seja. Sendo a densidade da água igual a uma unidade. Através dessa relação. UFRB. as diferenças na anatomia da folha. tem-se que: ET = 1 litro / 1 m2 = 1.001 m = V / 10. da sua superfície evapotranspirante.de contorno.45 MJ m-2. entende-se a importância da evapotranspiração no dimensionamento e manejo adequado da irrigação pois cada 1 mm aplicado. ou seja. nas características dos estômatos. ou seja. Outra forma de se expressar a evapotranspiração é em termos da energia requerida para o processo. FATORES QUE AFETAM A EVAPOTRANSPIRAÇÃO De acordo com as condições adotadas. a ETc é muito importante para um bom dimensionamento de projetos de irrigação. Durante os diferentes estágios fenológicos das culturas e sua ocupação na área disponível ocorre a evapotranspiração real. nas propriedades aerodinâmicas (altura das plantas) e no albedo fazem com que a ETc seja substancialmente diferente da ETo. v. uma ET = 1 mm (0. uma determina altura ou lâmina de água. para evaporar 1 mm são necessários 2.000 m2). Outros fatores. 1 mm dia-1 corresponde a 10 m3ha-1dia-1. 1. o que significa que são necessários 2. Apesar de sua determinação ser difícil e muitas vezes inexata. 222 Tópicos em Ciências Agrárias. Essa energia é denominada de calor latente de eva-poração.45 MJ kg-1. Considerando a perda de 1 litro de água de uma superfície com área igual a 1 m2. até sob as mesmas condições climáticas e de mesma área foliar. que é expressa pelo coeficiente de cultura (kc). a ETc pode ser estimada por: Etc = kc ETo UNIDADES Como foi demonstrado.45 MJ para evaporar 1 kg de água. normalmente. a (ETR) independe do porte da vegetação. = 2. Assim. visto que esta representa a quantidade de água que deve ser reposta ao solo para manter o crescimento e a produção da cultura em condições ideais.000 cm3 / 10. pode corresponder a 10. a 20ºC.

maior consumo de água por área. portanto.15 m2 e é instalado sobre a superfície em um estrado de madeira. 2009 223 . 1. É o outro componente do poder evaporante do ar. A medida da evaporação pode ser obtida com leitura manual. possui área circular. essas medidas têm sido utilizadas para estimativas dessas variáveis. Plantas mais altas interagem mais com a atmosfera em movimento. determinando o déficit de saturação do ar.Coeficiente de reflexão (albedo): afeta o saldo de radiação. a capacidade de atender as exigências hídricas da cultura por mais tempo. extraindo mais energia do ar.Disponibilidade de água no solo: afeta diretamente a evapotranspiração pois a reduz quando o armazenamento cai além do limite crítico. . Através da utilização de tanques de evaporação. Quanto menor o espaçamento. a facilidade de acesso de animais e ao fato da evaporação ocorrer também durante o período noturno. utilizando-se o parafuso micrométrico em tanque tranquilizador ou automática. Fatores de manejo do solo . objetivando o suprimento de água à planta. à resistência ao transporte de vapor no estômato e a outros aspectos morfológicos que interferem diretamente na evapotranspiração.Umidade Relativa (UR): atua junto com a temperatura.Plantio direto: reduz a evapotranspiração.Vento (U): responsável pela remoção do ar saturado junto à superfície das folhas e pelo transporte de calor de áreas mais secas (advecção de calor sensível). pois a cobertura morta sobre o solo diminui a perda de água por evaporação. Foi desenvolvido nos Estados Unidos e é amplamente utilizado no Brasil.Área foliar: relacionada ao tamanho da superfície foliar disponível para o processo de transpiração.Saldo de Radiação (Rn): principal fonte de energia para o processo evapotranspirativo. . Apesar da simplicidade de seu manuseio. .Fatores climáticos . O Tanque tipo Classe A (Figura 1) é o mais utilizado para esta finalidade. Quanto maior a área foliar maior a exigência hídrica da planta. .Altura da planta: interfere na interação planta-atmosfera. Devido à relação positiva entre a evaporação observada em tanques e aquela que ocorre de um lago ou de uma superfície vegetada. limitam o crescimento do sistema radicular da cultura.Temperatura do ar (T): o calor sensível contribui com parte da energia necessária ao processo de evapotranspiração e a temperatura também está diretamente ligada à umidade relativa e ao déficit de saturação do ar. .Profundidade do sistema radicular: relacionado ao volume de solo explorado pelas raízes. v. . MEDIDAS DA EVAPOTRANSPIRAÇÃO A medida da evaporação é feita de forma simples e é muito utilizada no manejo da irrigação e no gerenciamento dos recursos hídricos. o que dificulta a sua utilização quando o objetivo é a Tópicos em Ciências Agrárias. mais indivíduos. utilizando-se sensores eletrônicos. Depende da radiação solar incidente e do albedo da vegetação. . .Impedimentos físicos / químicos: reduzindo o volume de água disponível para o uso pelas plantas pois. . Fatores da planta . principalmente à radiação solar e à velocidade do vento.Tipo de solo: solos argilosos têm maior capacidade de armazenamento de água do que os arenosos e.Espaçamento / Densidade de plantio: determina o nível de competição entre os indivíduos da mesma espécie. UFRB. um dos componentes do poder evaporante do ar. principal fonte de energia para o processo de evapotranspiração. obtém-se o total de água evaporada em um dado intervalo de tempo pela diferença das alturas dos níveis da água em dias consecutivos. com 1. .Espécie: relacionado à arquitetura foliar. . apresenta algumas desvantagens como a superexposição às condições ambientais.

enterrado e com área evaporante de 20 m2) e o Colorado (quadrado. entre os quais o GGI3000 (circular. Tanques evaporimétrico tipo Classe A. outros tanques podem ser utilizados para a medida da evaporação. Tanques evaporimétricos Classe A (1). 224 Tópicos em Ciências Agrárias. como mostra a Figura 1. 20 m2 (2). 1. Na tentativa de diluir estes erros. 2009 . GGI3000 (3) e Colorado (4).estimativa da evapotranspiração de referência.84 m2). com suas dimensões. é aconselhável que o tanque Classe A seja utilizado com repetições. v. dada a grande variabilidade encontrada entre os valores de evaporação. UFRB. enterrado e com área evaporante de 0. A Figura 2 apresenta os tipos de tanque com suas dimensões. enterrado e com área evaporante de 0. Fonte: INMET Além do tanque Classe A. Figura 1.30 m2). (1) (2) (3) (4) Figura 2. o de 20 m2 (circular.

não podendo ser obtidos para curtos períodos de tempo.H . 2009 225 . a evapotranspiração pode ser obtida. consiste no balanço entre as entradas e saídas de água em um volume de solo conhecido. a irrigação (I). por diferença. enquanto que as saídas são: a evapotranspiração (ET). os que apresentam coeficientes (kp) para converter a medida de evaporação em evapotranspiração de referência são os do tipo Classe A e Colorado. (1998). pela seguinte expressão: DARM = P + I + Ri + O + DLi + AC – (ET + Ro + DLo + DP ) (3) Segundo Allen et al. Os micrometeorológicos são aqueles que utilizam o princípio do balanço de energia em que o fluxo de calor latente (lET). o escoamento subsuperficial (DLo) e a drenagem profunda (DP). o método de balanço de água no solo e os lisímetros. Além disso. é dado por: lET = Rn . que representa a evapotranspiração. AC e DP. o lET também pode ser determinado pelo método de transferência de massa. o balanço de água no solo pode ser representado pelo esquema da Figura 3. o orvalho (O). Tópicos em Ciências Agrárias. o escoamento subsuperficial (DLi) e a ascenção capilar (AC). método micrometeorológico que requer medidas precisas de temperatura do ar. em que as entradas são: a chuva (P). especialmente DL. v.Apesar da existência dos diversos tipos de tanque. assim os métodos utilizados para tal medida demandam equipamentos sofisticados e não são apropriados para medidas rotineiras. De forma geral. o escoamento superficial (Ri). Figura 3. O resultado desse balanço é a variação do armazenamento de água no solo (DARM). justificando seu emprego apenas em condições experimentais. pressão atual de vapor e velocidade do vento a diferentes níveis acima da superfície. para o período analisado. em um dado período de tempo. O método de balanço de água no solo. Representação gráfica do balanço de água no solo. tem os métodos micrometeorológicos.G (2) sendo Rn e G medidos e H estimado a partir de medidas precisas do gradiente térmico sobre a vegetação. UFRB. o escoamento superficial (Ro). A medida da evapotranspiração é difícil e onerosa. Nessas condições. o que limita a utilização deste método a períodos com mais de cinco dias. Entre os métodos utilizados para a determinação direta da evapotranspiração. 1. alguns desses componentes são de difícil medida.

porém. lençol freático constante e de pesagem com células de carga.O uso de lisímetros tem sido a forma mais empregada para a obtenção direta da ET. por meio de um tubo (T). dependendo basicamente das condições climáticas regionais. 2009 . Dentre os diversos tipos de lisímetros. tem como incoveniente a necessidade de drenagem da água armazenada em sua parte inferior. que utiliza um sistema automático de alimentação (reservatório intermediário . UFRB. de modo a manter o nível do lençol freático (LF) constante. baseado no princípio de conservação de massa e que funciona adequadamente em períodos longos de observação (acima de 5 dias). Neste último.RI e reservatório de alimentação . Ilustração esquemática dos lisímetros de drenagem. a vegetação no interior do lisímetro deve apresentar as mesmas condições (altura e área foliar) da área tampão. Figura 4. e o de pesagem que utiliza medida automatizada com células de carga (CC) instaladas sob uma caixa impermeável e ligadas a um sistema de aquisição de dados (SAD) (Figura 5). a ET pode ser obtida com uma grande acurácia e para períodos muito curtos de tempo (1 hora).L2). v. o de lençol freático constante. É uma estrutura cujo objetivo é isolar um certo volume de solo de modo a se controlar todas as entradas e saídas de água desse sistema (Figura 4). Bateria com cinco lisímetros de pesagem. Para medidas acuradas da ET. os mais comuns são o de drenagem. os resultados experimentais mostram que o tamanho da área tampão é bastante variável. (1997). A ET é dada pela diferença de peso (P1 P2) em um dado intervalo de tempo.RA) e registro da água reposta (L1 . usando células de carga. sendo necessário apenas algumas dezenas de metros em condições de clima úmido e entre 100 a 300 m em condições de clima seco. Figura 5. 1. 226 Tópicos em Ciências Agrárias.. cujo tamanho deve ser suficientemente grande para anular os efeitos da advecção. Segundo Pereira et al.

Dentre os métodos mais empregados. outros. nos Estados Unidos. Priestley-Taylor e PermanMonteith.5 C º em que: ETp é a evapotranspiração padronizada para um mês de 30 dias e para um fotoperíodo (N) igual a 12h. visto que é difícil obter rotineiramente medidas precisas.Tmin) em que: Tmax é a temperatura máxima do ar. Método de Thornthwaite Um dos primeiros métodos desenvolvidos para estimar ETo (Thornthwaite. que serão descritos a seguir.. Camargo.0. 2009 (11) 227 . o qual propõe um ajuste para tais condições. Tm é a temperatura média do mês. integrando todos os elementos que condicionam o processo de ET. corrigindo a temperatura utilizada. contudo a maior desvantagem do método é a dependência de dados meteorológicos.71 10 em que: Tn é a temperatura média normal do mês i (i = 1 a 12). 1. esta deve ser corrigida em função do número de dias (ND) e do fotoperíodo médio (Tabela 1) do mês em questão. v. 2001): ETp = 16 (10 Tm/I)a para 0 < Tm < 26.24 Tm . tanque Classe A. para condições de clima super-úmido e semiárido. Entre estes.43 Tm p/ T > 26. e Penman (1948). destaca-se o método proposto por Thornthwaite (1948).85 + 32.7912 10 I . sendo universais.36 (3 Tmax . apresentam uma base física mais sólida.514 -5 2 -7 3 (6) (7) + 6. ambas em ºC. em ºC. a qual expressa a energia disponível no ambiente. em ºC. por não levar em consideração o poder evaporante do ar. Por ser um método desenvolvido e testado em condições de clima úmido. Ta a temperatura média anual normal (média histórica). obtidos a partir dos dados normais da região e determinados pelas seguintes expressões: I = S(0. ETo em mm/mês.49239 + 1. basta se determinar ETp com a temperatura média do dia e utilizar a seguinte formulação : ETo = (ETp / 30) (N/12) (10) Segundo resultados experimentais de Camargo (1962) e Camargo & Sentelhas (1997) este método apresentou boas estimativas de ETo para condições de clima úmido no Brasil mas.2 Ta) -2 1.2 Tni)1. porém. pois só são válidos para condições climáticas específicas. na Inglaterra. "I" e "a" índices de calor. nem sempre disponíveis para a localidade em estudo. dada por: Tef = 0.5ºC 2 (4) (5) ETp = -415. e Tmin a temperatura mínima do ar. como mostrou o trabalho de Camargo & Sentelhas (1997). A ETo é obtida em mm mês-1 pela seguinte formulação (Pereira et al. que passa a ser denominada de temperatura efetiva (Tef).75 10 I (8) a = 0.Outros métodos restringem sua aplicação. Baseia-se na relação empírica existente entre a ETo e a temperatura do ar. Hargreaves-Samani. sua eficácia é discutível. 1948). através da utilização de dados meteorológicos foram criados para estimar a evapotranspiração de referência. Assim. apresenta subestimativas em condições de clima seco. destacam-se os de Thornthwaite.7. Tópicos em Ciências Agrárias.514 I = 12 (0. quer seja pela sua simplicidade ou pelo seu grau de confiabilidade. Após a determinação de ETp. UFRB. é dada por : ETo = ETp (ND/30) (N/12) (9) No caso da determinação da ETo em mm dia-1. pois desenvolvidos exclusivamente para se estimar a ETo. em ºC .COMO ESTIMAR A EVAPOTRANSPIRAÇÃO Inúmeros métodos empíricos e semi-empíricos.

8 11.2 12. Tmed é temperatura média do período considerado.1 12.1 12.2 12.6 12.4 13.9 10.6 13.5 13.4 12.1 12.6 12.5 11.3 12.1 12.2 14.0 OBS: Pode-se também calcular o valor da duração máxima da insolação diária (N).0 14.6 11.1 12.8 10.3 10.8 10.6 12.0 10.3 13.9 11.6 11.0 9. Método de Hargreaves e Samani Apesar de ter sido desenvolvido para as condições de clima semi-árido da Califórnia.2 12.1 12.0 12.0 12.0 12.4 10.1 12.9 13.6 11.4 11.9 11.3 11.1 12.8 12. 2009 .3 11.9 12. Duração máxima de insolação diária (N).9 11.1 12. Contudo.3 12.7 Fev 11..6 14.9 10.9 11.0 12. e ND o número de dias do período considerado.9 13.3 10.2 11.0 11.6 11.2 12.5 12.6 11.6 13.1 11.4 11.3 Jul 12.1 12. Assim.7 13.5 11.8 15.4 13.4 11.8 11.1 12.9 1.3 12.2 11.3 12.2 12.2 10.6 12. 1.7 11.7 12.3 12.3 12.7 11.2 14. faz uso apenas da temperatura média do ar e não leva em consideração o poder evaporante do ar.2 12.2 11. em hora.7 11.6 10.80 9.0 12.3 11.0 12.5 10.9 11.3 11.2 11.2 12.8 10.2 13.6 11.0 11.8 13.4 11.7 12.8 13.1 12.9 12.1 12.4 12.9 12.1 12.1 12.0 12. de acordo com método original.9 12. 1998) como uma opção para a estimativa de ETo.1 12.6 10.7 10.4 12.4 12.6 Ago 12.9 Jun 12.8 11.5 14.9 10.8 11.1 14. o método criado por Hargreaves e Samani (1985).0 10.2 12.8 12.0 14. 228 Tópicos em Ciências Agrárias.3 14.8 11.4 12.7 12. v.5 11.6 11.1 12.1 12.4 12.3 Dez 11.7 10.8 11.8 Out 11.2 13.0 12.2 12.3 13.1 12.9 10.Tabela 1.9 11.8 12.5 12.1 13.5 9.2 12.3 12.9 11.3 12.1 12.4 12.2 12.7 11.0 13. é recomendado pela FAO (Allen et al.3 12.9 12.3 13.3 12.7 11.3 12.8 12.1 11.5 12.1 12.5 11.4 12.80)ù a = 23.2 11.1 13. A ETo é estimada diretamente a partir da seguinte fórmula : Eto = 0.1 12.9 14.4 12.2 12.3 12. Método de Camargo O método proposto por Camargo (1971) é uma simplificação do método de Thornthwaite (1948).7 12.5 11.3 12.9 12.4 11.1 12.8 9.2 14.7 12.9 11.2 12.5 12.7 13.5 11. m: latitude (-) se localizado no hemisfério Sul.tg a tg m ] é 360 (DJ .7 10.9 11.6 12.0 11. correspondente ao 15º dia de cada mês Latitude 10º N 8º N 6º N 4º N 2º N Equador 2º S 4º S 6º S 8º S 10º S 12º S 14º S 16º S 18º S 20º S 22º S 24º S 26º S 28º S 30º S 32º S 34º S 36º S 38º S 40º S Jan 11.9 10.0 12.0 12.3 11.7 12.4 10.0 14.5 12.2 12.2 12.7 11.0 12.1 10.2 13.9 11.4 Abr 12.0 12.1 Nov 11.5 12.1 10.3 12.0 13.6 10.2 12.9 12.70 9.1 10.1 Mai 12.5 12. em relação ao apresentado anteriormente.5 12.0 13.5 13.4 12.9 11.0 12.8 12.5 13.9 11.1 12.1 12.0 13.6 13.4 12. UFRB.6 11.9 11.0 12.1 12.6 12. é que não há necessidade do uso de dados normais de temperatura do ar.2 12.2 11.2 13.0 11.4 14.7 12.5 11.6 12.6 12.0 11.7 11.1 13.0 12.9 14.5 12.9 11.2 12.1 13. expressa em mm de evaporação equivalente.2 12.3 12.9 13.7 11.8 11. DJ: Dia Juliano.8 11.3 12.1 12.1 12.6 12.45 sen ê ú 365 ë û N= Sendo: a:declinação solar.1 12.1 12. trouxe uma vantagem adicional.5 10.1 12.1 12. por meio das seguintes equações: 2 H 15 H = ar cos [.1 12. nos meses e latitude de 10º N a 40º S.6 11.0 12.2 10.9 13.4 12.7 11.4 11.5 Set 12.1 11.0 12.6 Mar 12.2 12.4 12.7 11.7 10.4 12.2 13.8 11.2 12.5 13.0 12.0 11.01 Qo Tmed ND (12) em que: Qo é a irradiância solar extraterrestre.2 12.1 9.2 12. em ºC.0 9.5 11.

4 U2m) (16) em que: U2m é a velocidade média do vento a 2 m de altura. Allen et al. o kp pode ser obtido pelas seguintes equações apresentadas por Allen et al. em ºC. O método de Penman.0106 ln(86. devido às diferenças entre a superfície de água livre e a superfície de uma cultura e entre os mecanismos de resistência ao transporte de água e vapor que atuam nesses dois meios. Sua fórmula para a estimativa diária de ETo é a seguinte: ETo = 0.00063 [ln(B)]2 ln(URmed) (15) para bordadura sem vegetação kp = 0. Tmed a temperatura média do ar.8 ) (13) em que: Tmax é a temperatura máxima do ar.4 U2m) ln(B) + 0.108 . 2001). em que o segundo termo da equação. para facilitar a interpolação e o uso de sistemas informatizados. (1998): para bordadura vegetada kp = 0.00000959 U2m B + 0.0286 U2m + 0. expressa em mm de evaporação equivalente. em m s-1. menor o valor de kp. que converte a evaporação obtida no tanque Classe A (ECA) em evapotranspiração. Uma alternativa no caso de não se dispor de dados de URmed e de U2m é o de se adotar um kp fixo. No entanto. deve ser calibrado para outras condições climáticas.00341 URmed .0. 1998 e Pereira et al.0023 Qo (Tmax . em %. caso contrário pode provocar superestimativas em condições de clima úmido (Sentelhas e Camargo. que é a de se adotar valores médios de URmed e U2m para a região estudada. Método do tanque Classe A Este método é baseado na proporcionalidade existente entre a evaporação do tanque Classe A e a ETo.1434 ln(URmed) .quando há somente disponibilidade de dados de temperatura do ar local.00063 [ln(B)]2 ln(86.0. Deve-se atentar para os limites das equações 25 e 26. 1994.0. os quais são: U2m entre 1 e 8 m s-1. A FAO sugere outra opção. considera que: Eto = ENERG + AERO (16) Tópicos em Ciências Agrárias. 1998). em ºC.Tmin)0. não é de aplicação universal e. sempre menor do que 1. Método de Priestley-Taylor É uma simplificação do método original de Penman (1948). a quantidade de água que é transferida para a atmosfera pelos processos de evaporação e evapotranspiração difere significativamente. em ºC. denominado aerodinâmico (AERO).0.. B entre 1 e 1000 m e URmed entre 30 e 84%.. nessas condições. em m. havendo a necessidade de um coeficiente de proporcionalidade. UFRB. denominado energético (ENERG). 1998). Os valores de kp são normalmente apresentados na forma de tabelas (Doorembos e Kassam. v. representativo da região.00289 U2m ln(86. é função da velocidade do vento.0. portanto. Quanto maior a velocidade do vento. da umidade relativa e do tamanho e do tipo da bordadura circunvizinha ao tanque Classe A.61 + 0. e Qo a irradiância solar extraterrestre. proposta pelo boletim 56 (Allen et al. Logicamente.4 U2m) . denominado de coeficiente de tanque (kp). em relação ao aumento de ETo. Allen et al. 1. 2009 229 . é substituído por uma fração que este representa do primeiro termo. B é a extensão da bordadura. e URmed a umidade relativa média diária. como mostra a equação a seguir: ETo = ECA kp (14) O valor de kp. Isso se dá devido ao aumento excessivo da ECA.00327 U2m ln(B) . Assim como os métodos de Camargo e de Thornthwaite.0422 ln(B) + 0.. Tmin a temperatura mínima do ar. . menor a umidade relativa e menor a bordadura.000162 U2m URmed .5 (Tmed + 17. 1996.0.

01 T (0 < T < 16ºC) (16. em MJm-2d-1. obtidos em estações meteorológicas. o método de Priestley-Taylor fica com a seguinte formulação: ETo = 1. G fluxo de calor no solo.3)2 (22) 230 Tópicos em Ciências Agrárias.34 U2m)] (21) em que : Rn é o saldo de radiação. temperatura. umidade e velocidade do vento. em m s-1. podendo ser determinado pelas seguintes expressões: W = 0.0145 T W 0. e s a declividade da curva de pressão de vapor na temperatura do ar. igual a 2. ou. 2001): G = 0.G) (17) em que: Rn é o saldo de radiação.G) + g ?[900/(T + 273)] U2m (es . v. e W um fator de ponderação dependente da temperatura (T) e do coeficiente psicrométrico. Sendo o termo energético igual a W (Rn . Esse método foi denominado de combinado e ao longo do tempo foi adaptado para a superfície vegetada. Essas resistências foram genericamente denominadas de resistência da cobertura (rc).45 MJ/kg a 20ºC. l é o calor latente de evaporação. por meio da introdução de fatores de resistência da planta.063 kPaºC-1. portanto. do solo e da vegetação. estimado a partir da seguinte expressão (Pereira et al. sendo atualmente recomendada como padrão da FAO com a seguinte parametrização: Eto = {0. es-ea o déficit de pressão de saturação do ar.408 s (Rn . sendo dependente.26. g a constante psicrométrica. em MJ m-2d-1.ea)}/ [s + g (1 + 0. 1. da velocidade do vento. Método de Penman-Monteith (FAO) Em 1948. em MJm-2d-1.G). em kPa ºC-1. enquanto que ra representa a resistência ao transporte de vapor exercida pelo fluxo de ar.1 < T < 32 C) º (18) (19) Não se dispondo de medidas de G. (1998) para a estimativa da evapotranspiração de referência na escala diária. A rc atua em série com a resistência do ar (ra). esse valor poderá ser desprezado para a escala diária. T a temperatura média do ar. U2m a velocidade do vento a 2m. que representanda todo o conjunto de resistências da superfície que atua no processo. a partir de dados de insolação. em kPa.. pela cutícula e pelo solo. ainda.26 W (Rn . tem-se que: ETo / ENERG = ENERG / ENERG + AERO / ENERG ETo / ENERG = 1 + AERO / ENERG Nessa situação. tendo o valor de 1. sendo que a rc descreve as resistências ao fluxo de vapor exercidas pelos estômatos. Penman combinou o balanço de energia com o método do transporte de massa e derivou uma equação para descrever a evaporação de superfícies de água livre. ambas em ºC.T-3d) (20) sendo Td a temperatura média do dia em questão e T-3d a temperatura média do ar dos três dias anteriores. UFRB.Dividindo-se todos os termos da equação pelo termo ENERG. igual a 0. em MJ m-2d-1. em ºC. As equações recomendadas para a obtenção das variáveis acima são: s = (4098 es) / (T + 237.407 + 0. como mostra a Figura 6. podendo ser medido ou estimado.38 (Td . G o fluxo de calor no solo.483 + 0. (1 + AERO / ENERG) é denominado de Parâmetro de Priestley-Taylor. 2009 . A equação com esse novo conceito de resistência da superfície foi apresentada por Monteith (1965) e adaptada por Allen et al.

O primeiro deles é a disponibilidade de dados meteorológicos. Normalmente. Finalmente. Por outro lado. provocando subestimativas de ETo em climas semi-áridos. o terceiro fator envolve a adaptabilidade dos métodos empíricos à região de estudo.6108. URmax a umidade relativa máxima. O segundo fator é a escala de tempo requerida. Esquema da resistência do ar e da cobertura ao fluxo de vapor. 2009 231 . pois esses não são de aplicação universal. apresentando excelentes resultados (Allen et al. Os procedimentos de medida e estimativa de Rn são apresentados no item 3 deste capítulo. métodos empíricos como os de Thornthwaite e de Camargo apresentam melhores estimativas em escalas de tempo maiores. Tmin a temperatura mínima do ar.3 + Tmin)] es = 0. a escolha de um método de estimativa de ETo depende de uma série de fatores. os métodos de Priestley-Taylor e Penman-Monteith não poderão ser empregados onde há apenas dados de temperatura do ar.27. 1. CRITÉRIOS PARA A ESCOLHA DE MÉTODO DE ESTIMATIVA DA ETo De acordo com Pereira et al. v. No Brasil. URmin a umidade relativa mínima. (2001). Figura 6.es = (esTmax + esTmin) / 2 es Tmax Tmin (23) (24) (25) (26) (27) (28) = 0. em %. em %. Em geral.3 + Tmax)] [(17. em ºC. UFRB. os métodos de Thornthwaite e Camargo apresentam melhores estimativas de ETo em condições de clima úmido. (1998). como visto no item anterior. enquanto que a estimativa de G é dada pela equação 20. requerendo ajustes locais. exigem grande número de variáveis. como por exemplo no semi-árido nordestino. Desse modo.Tmin) / (237. Adaptado de Allen et al. pois os métodos mais complexos. 1998).e ea = (URmed es) / 100 URmed = (URmax + URmin) / 2 T = (Tmax + Tmin) / 2 sendo Tmax a temperatura máxima do ar. o método de Hargreaves-Samani produz melhores resultados em condições de clima árido e semi-árido. Quando aplicado em condições de clima úmido este método superestima a ETo. sendo o único problema a falta dos dados necessários ao seu emprego em algumas localidades.Tmax) / (237. Tópicos em Ciências Agrárias. Este método vem sendo largamente empregado em todo o mundo. seu emprego já é bastante difundido..27. enquanto que aqueles que utilizam o balanço de energia podem ser empregados até mesmo na escala horária.6108 e [(17. em ºC.

fundamentos e aplicações práticas. Report on the expert consultation on revision of FAO methodologies for crop water requirements. R. Geografical Review. Estimating soil moisture depletion from climate... R. (FAO: Irrigation and Drainage Paper.. Proc. p. An approch toward a rational classification of climate. (Paper 85-2517) 1985. THORNTHWAITE. A. 45 p. Trans. Symp.. n. 1977. 183 p. v. 1965. n. Santa Maria. (Boletim. v.. v. 1. 1. Revista Brasileira de Agrometeorologia. M. 55-94. G. 205-234. Piracicaba. baseada no método de Hargreaves . A. P. 1. 24p. 1. PEREIRA. J. 193. 954-959. Z. P. 1962. 77-81.... P..REFERÊNCIAS ALLEN R. 1948. Contribuição para determinação da evapotranspiração potencial no Estado de São Paulo. M. Eng. Irrigação e Drenagem 33) Tradução Gheyi. p. Campinas: Instituto Agronômico. C. HARGREAVES. G. Agric. Soc. A. SAMANI. CAMARGO.L. C.. 5.ed. J.. ed. M. H. W.. R. Crop evapotranspiration: guidelines for computing crop water requirements. v. P. 2001. v. p. 1971. J. PEREIRA. RS: Livraria e Editora Agropecuária Ltda. A.. 1971.. P. DOOREMBOS. Campina Grande. L. New York. DOOREMBOS. 2009 . O Efeito da água no rendimento das culturas. Biol. UFRB. J. Revista Brasileira de Agrometeorologia. PENMAN. MONTEITH. 1. L. SEDIYAMA. CAMARGO. 120-146. R. v. SENTELHAS. O.. Avaliação do desempenho de diferentes métodos de estimativa da evapotranspiração potencial no Estado de São Paulo. H. Meeting. 14. Balanço hídrico no Estado de São Paulo. 89-97. 1991. 5. 1. Rome: FAO. 116) CAMARGO.. C. E. Soc Expl. ed. SMITH. Agrometeorologia . CAMARGO. PEREIRA. FAO Irrigation and Drainage Paper. Guaíba. n. Guidlines for predicting Crop water requirements. p. KASSAM. 1996. L. L. p. Rome. Rome FAO. 478 p. P. 179pp. 3. A. JANSEN. 4. 56). A. e outros. 1. Santa Maria. 21.A. 1997.R.. G. J. V. 1997. London.J. N. 24 2nd ed. 38. 19. PRATT. v. B. ANGELOCCI. H. p. D. 1994.. Reference crop evapotranspiration from ambient air temperature. C. C. p. NOVA. A. of the ASAE. Universidade Federal da Paraíba. FAO 306p. SENTELHAS.. Chicago. Evaporation and environment. Soc. Equação para a estimativa da evapotranspiração potencial no Estado de São Paulo.1974. 1948. v. v. 1. 232 Tópicos em Ciências Agrárias. SENTELHAS. SP: Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz. WRIGHT. Amer. 1998. crop and soil data. P. SMITH. bare soil and grass. v. n. A. RAES. Bragantia.. PRUITT. Evapo(Transpi)Ração. H. Natural evaporation from open water. 163-213.. (Estudos FAO.

Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira & Maria do Carmo Martins Marques da Costa Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 17 MISTURA MINERAL PARA BOVINOS EM REGIME DE PASTO Benedito Marques da Costa.

. era de se esperar um efeito deletério da ingestão de solo sobre a disponibilidade de fósforo ao animal.. iodo. RJ. 1968. (1974). Rosa et al. Contudo. Sousa et al. em condições normais e práticas. (1986) observaram deficiências de cálcio e fósforo em forrageiras e níveis próximo ao limite da deficiência. citados por Possenti et al. no metabolismo do manganês. lactação. vez que o nível deste elemento mostrou-se deficiente no fígado. Em algumas regiões de Mato Grosso. Segundo Underwood et al. 1971.com INTRODUÇÃO Em épocas e condições favoráveis de crescimento das plantas forrageiras (calor e umidade).. 1. nas cinzas ósseas.MISTURA MINERAL PARA BOVINOS EM REGIME DE PASTO Benedito Marques da Costa1. em diferentes períodos do ano. 1985). Segundo levantamentos realizados por Andreasi et al. se os animais possuírem apenas a forragem como única fonte desses nutrientes. os teores de magnésio encontrados nas forragens são suficientes para atender às necessidades dos animais em diferentes fases de produção. Sousa & Darsie. Santos et al. as deficiências minerais mais comuns são as de cálcio. proteína e vitaminas. também. (1982) constataram a interferência do ferro e alumínio ingeridos via solo sobre a utilização de fósforo Tópicos em Ciências Agrárias. Gallo et al.... os quais podem ter exercido um efeito tóxico em nível de absorção ou de metabolismo do manganês. em regime de pasto. Sousa et al. 1960..Centro de Ciências Agrárias. MG e Barra Mansa. tais como: cálcio. UFRB. Ambientais e Biológicas/UFRB. Segundo Haddad & Platzeck (1985). fósforo. SP. a nutrição mineral do ruminante é dada pelo somatório da ingestão de minerais via água de beber. em pastagens. vários autores detectaram níveis deficientes de cobre no solo. ela não é considerada quando do cálculo de uma mistura mineral para bovinos em regime de pasto (Haddad & Platzeck.. Lopes et al. a nutrição mineral desses animais é freqüentemente desbalanceada. 1966. Gallo et al. Também. Por isso. cobalto. somente 10% do rebanho bovino nacional possui uma correta nutrição mineral e 70% ou mais do efetivo recebe somente sal grosso ou mesmo nenhuma forma de suplemento mineral na dieta. No Brasil. Em regime de pasto. cobalto. (1985). a sua ingestão causa uma diminuição no consumo de minerais em nível de cocho (Shirley & Carvalho. Em algumas regiões de Roraima. Como o fósforo é o elemento mais carente em ambiente tropical e considerando que os solos dessa região apresentam baixos níveis de fósforo e altos de ferro e alumínio. quando os animais bebem água com salinidade excessiva. Possenti et al. Níveis excessivos de ferro e manganês foram observados em todos os períodos estudados. gestação e engorda. v. teores elevados de ferro na dieta interferem na absorção do manganês. zinco e selênio. 2009 235 .. cobre e zinco. Em Nova Odessa. Teixeira et al. 1980 e Santiago et al. crescimento. Pereira et al. porém inadequados para vacas em lactação. Contudo. Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira1. Contudo. 1970. nas forrageiras e nos tecidos de animais (Tokarnia et al. Tokarnia et al. Tokarnia et al. 1971.. E-mail: beneditomc@hotmail. Sousa et al.. foram encontrados níveis abaixo do normal para manganês e concentrações normais para os demais elementos. (1981) observaram níveis elevados de ferro nas forragens. outros minerais em excesso podem interferir. 1985. Cruz das Almas-BA. ÁGUA E SOLO COMO FONTE DE MINERAIS A água de beber não se constitui em fonte adequada de minerais. Lopes et al.. cobre. ingestão de solo. (1992) detectaram deficiências minerais nas plantas forrageiras. plantas e tecidos de animais (Santiago et al. para fósforo. 1974. (1987) encontraram deficiência de magnésio nos solos. Sob condições tropicais. Esse consumo se torna maior em solos desagregados ou em áreas onde a lotação é alta (Haddad & Platzeck. sódio. forragem da pastagem e eventual suplementação mineral no cocho. Agostini & Kaminski (1976) e Sousa et al. foram verificadas deficiências de zinco nos solos. 1986. (1966/67). 1980). os animais em regime de pasto podem ter atendidas suas exigências de energia. Maria do Carmo Martins Marques da Costa1 1 Professor . entretanto observaram níveis nas forragens considerados adequados para bovinos de corte em crescimento e acabamento. (1992). apresentam um grande consumo de solo. No fígado. Em Roraima. Caielli (1974) informa que foram encontrados níveis de cálcio abaixo do limite. magnésio e potássio. na região de Calciolândia. 1986). 1976). 1985). Bovinos e ovinos.

Fertilização das pastagens . também. a aplicação endovenosa de 3 a 40 mg de EDTA-cobre ou glicinato de cobre foi eficaz na correção da deficiência e manutenção de altos níveis séricos de cobre. isto é. água de beber (e solo) não satisfizer as suas necessidades específicas. se a ingestão dos elementos minerais via forragem. do tipo de solo (estrutura. Suplementação artificial . (1984). Camarão et al.O uso direto de elementos minerais na ração consiste em misturar os elementos minerais no concentrado fornecido diariamente aos animais..Injeções específicas de elementos minerais são aplicáveis quando se necessita. Segundo Sousa (1995). (1983) sugerem os seguintes métodos para suprir minerais para ruminantes: a) uso direto na ração. 1985). cristais de óxido de cobre etc.A utilização de minerais na água de beber não é recomendável porque existem fatores responsáveis por grande variação no consumo de água pelos ruminantes. Essa é a melhor forma de mineralizar o rebanho porque existe controle da quantidade ingerida de minerais pelos animais. por um determinado espaço de tempo (Haddad & Platzeck. É o caso da suplementação oral de magnésio. Assim. sob regime de pasto. 1992). em confinamento ou semiconfinamento...A fertilização das pastagens pode melhorar a produção e composição mineral da forragem. Cavalheiro & Trindade.A suplementação artificial por via oral é aplicável quando o consumo de alguns elementos minerais ao nível de cocho for inviável ou difícil de ser atendida. o efeito da ingestão de solo sobre a utilização de fósforo é função dos níveis de ferro e alumínio solúveis do solo ingerido e. Recomenda-se ao gado bovino leiteiro. 1. Injeções específicas de elementos minerais . também. Minerais na água de beber . 1976. e) minerais contidos na água de beber. balas ou pellets de cobalto. Estes dados devem conter. forma física da dieta.. o conhecimento de sua composição mineral é de fundamental importância no cálculo de um suplemento mineral. edáficas e climáticas são favoráveis. local e data de amostragem etc. b) fertilização das pastagens. 1992 e Possenti et al. tais como categoria animal. Desse modo. a resolução de um problema carencial e/ou manutenção de níveis adequados de um elemento mineral no organismo. quanto maior for a percentagem de cloreto de sódio. McDowell et al. umidade relativa etc.A suplementação de minerais no cocho. o cloreto de sódio (sal comum) é o ingrediente que mais limita o consumo de uma mistura mineral. A composição mineral das plantas forrageiras da pastagem afeta de algum modo o consumo de um suplemento mineral pelo animal. COMPOSIÇÃO MINERAL DA FORRAGEIRA As espécies forrageiras das pastagens apresentam uma grande variabilidade na concentração dos elementos minerais. UFRB. menor será o consumo da mistura mineral pelos bovinos. Segundo Haddad (1980). é a forma de fornecimento mais recomendável. para se regionalizar a mineralização é necessário que se obtenha um grande número de dados da composição mineral de amostras de forragem colhidas na pastagem. em ovinos. c) suplementação artificial. temperatura ambiente. 1976. em curto prazo. não é aconselhável porque os animais ingerem na pastagem uma grande parte de minerais para atender às suas necessidades. selênio. Essa variação tem sido observada em relação à idade das plantas (Gomide. informações sobre a espécie forrageira. Seu uso em bovino de corte. Sousa et al. 1986. Para bovinos as dosagens utilizadas. por até 4 meses. Contudo. Nascimento Júnior et al. origem) considerado. Para Ammerman et al. f) suplementação no cocho (à vontade). 236 Tópicos em Ciências Agrárias. o cloreto de sódio (NaCl) é usado no cálculo da mistura mineral como ingrediente regulador do consumo da mistura.. 2009 . 120240 mg de EDTA-cobre. Uso direto na ração . sendo aplicável quando as condições econômicas. o estádio de maturação da planta colhida. atentando que esse efeito poderia ser prejudicial quando os animais apresentavam carência de fósforo. 1988) e em relação à estação ou ao período do ano (Silva et al. v. d) injeções específicas de elementos minerais. Suplementação de minerais no cocho . mostraram-se efetivas por três meses. condição fisiológica.da dieta. à vontade. MÉTODOS DE SUPLEMENTAÇÃO MINERAL A suplementação mineral é a forma mais racional de se complementar a nutrição dos ruminantes. 1982.

selênio 0. cobalto e manganês estavam abaixo dos teores considerados adequados.As exigências nutricionais de minerais para bovinos de corte. Contudo. 1. Tópicos em Ciências Agrárias. segundo informações de Sousa (1995). . nos cálculos práticos de misturas minerais.09% .= 10. Assim. iodo 0. fósforo. Na presente formulação.000. Verificou-se.000 g ------------. como a mistura será fornecida à vontade (ad libitum). Sousa (1995) recomenda considerar as exigências de sódio do NRC (1970).000. As análises das forrageiras de uma fazenda de bovinos de corte indicaram os seguintes resultados: fósforo 0.000. Unidades Utilizadas .1 % (1000 ppm) de sódio na matéria seca da dieta. cobre. tornando-se necessária a transformação para ppm. que é uma reprodução do NRC . magnésio 0.09 %. basta multiplicar por 10. encontram-se na Tabela 1. se uma forrageira apresentar 0.000 ppm 100 g .4 ppm de cobalto. zinco 5 ppm. para o cobalto. 2009 237 . manganês 60 ppm.085 %. demonstra-se que 1% de um elemento é equivalente a 10.CÁLCULO DE UMA MISTURA MINERAL Exemplo do cálculo de uma mistura mineral para bovinos de corte. para transformar ppm em percentagem.000 g x 1 g x = ------------------------. que os níveis hepáticos de zinco. na prática de formulação de misturas minerais são geralmente usados níveis mais elevados de suplementação do que o indicado pelo NRC (1984). Sousa (1995) recomenda 0. são expressos em percentagem. através de biópsias de fígado feitas em vacas em lactação e em animais de sobreano. Portanto.09% de fósforo. ferro 350 ppm. Exigências Nutricionais .900 g de P 100 g da amostra x = 0. UFRB.000 g ou 10. fósforo e magnésio na cinza óssea confirmaram níveis deficientes nestes minerais. serão usados os níveis recomendados pelo NRC (1984). cobalto 0. cobre 2 ppm. magnésio e enxofre segue as exigências mínimas do NRC (1984). quando o consumo de sódio é feito ad libitum.000 g -----------------. enxofre 0.09 g de P 1.01 ppm.02 ppm.000: 1. indicando uma mineralização óssea deficiente.000. que são de 0.1 g 1.x 1. As análises de biópsias de ossos revelaram baixa percentagem de cinza. Com relação aos microelementos ferro e manganês. 100 g da amostra ------------. cálcio 0. Os macroelementos. Entretanto. esse valor equivale a 900 ppm desse elemento. basta dividir o valor em ppm por 10.A unidade utilizada no cálculo das fórmulas minerais é sempre o ppm (partes por milhão).13 %. 100 g -----------------.000. Os resultados das análises de cálcio. sódio 0. para se transformar percentagem em ppm.005 %.0. v.National Research Council de 1984. geralmente. os animais podem consumir mais de 800 ppm de sódio na matéria seca da dieta.x 0. potássio 0.000 ppm deste elemento. Assim. no caso do sódio. a suplementação de cálcio.92 %. Por exemplo.01 ppm.x x = 900 g ou 900 ppm de P Por outro lado.09 g ou -----------------------.20 %. ainda.000 g da amostra ------------------------.

800 . Cálculo da Mistura Mineral . Assim.18% ou 1.17-0. 1) Cálculo de fósforo: Exigência = 0. também. ppm Manganês. Este animal padrão é denominado de uma unidade animal (1 U.1.10 50 30 8 40 0.). Elementos minerais Macroelementos: Cálcio.13% ou 1.0 kg recomenda-se 0. sendo representado por uma vaca seca.40 1000 500 115 1000 50 5 2 6 20-100 Fonte: NRC (1984).300 = 500 ppm de P na MS da dieta.V. ppm Cobre. UFRB. ppm Zinco.00 0. ppm Flúor. 5 g de fósforo/U. expressas na matéria seca do alimento. ª Para animais de 450 kg de peso vivo com ganhos diários de 0. temos que: 500 ppm de P = 500 mg de P/kg de MS da dieta 500 ppm de P = 5000 mg de P/10 kg de MS da dieta Considerando que um animal de 450 kg de peso vivo consome cerca de poderá ser representada da seguinte maneira: 5000 mg de P/animal de 450 kg de peso vivo ou.65 0. que o consumo de um bovino é proporcional ao seu peso vivo. ppm Iodo. tomar-se-á como padrão um animal de 450 kg de peso vivo (P.) e que consuma 10 kg de matéria seca/dia. 238 Tópicos em Ciências Agrárias. ppm Selênio. sabe-se que as vacas de corte das raças nacionais. Exigências nutricionais de minerais para bovinos de corte. esta quantidade .1. % Sódio. quando se calcula uma mistura mineral para 1 U.5 .5 g de P x = 27. % Magnésio. ppm Nível sugerido 0. 2009 10 kg de MS/dia.00 0.778 g de fosfato bicálcico (Tabela 3). Como ppm = mg/kg. % Potássio. % Microelementos: Ferro.300 ppm de P Nível de suplementação = 1.10 0.00 1.Tabela 1. Sabe-se. geralmente.18 % de fósforo./dia Fonte de fósforo: fosfato bicálcico = 18% de fósforo (Tabela 2).48ª 0. v.50 0. ppm Molibdênio.08 0. % Enxofre. 1.40 3.A.21 % de cálcio e 0. respectivamente.No cálculo da mistura mineral.17-0.A.V.A.18 g de P x --------------------------. sendo os consumos estimados de acordo com o peso vivo médio dos animais em questão. 100 g de fosfato bicálcico --------------------------. ppm Cobalto. e nem sempre consomem 10 kg de matéria seca por dia.800 ppm de P (Tabela 1) Análise da forrageira = 0. % Fósforo. a mistura mineral poderá ser fornecida aos bovinos de todas as categorias.28ª 0.20 --------Nível tóxico 2. pesam menos de 450 kg de P. Contudo.10 0..00 10.

10 % ou 1000 ppm de Mg (Tabela 1) Análise da forrageira = 0. 2009 239 . 3) Cálculo do magnésio Exigência = 0. Análise da forrageira = 5 ppm de Zn Nível de suplementação = 30 . O fosfato bicálcico possui 23.3 g de Mg x -------------------------x = 2.A. 100 g de óxido de magnésio -------------------------.3 % de cálcio.23. 4) Cálculo do zinco Exigência = 30 ppm de Zn (Tabela 1)./dia Fonte de cálcio: fosfato bicálcico = 23.3 g de Ca 27.085 % ou 850 ppm de Mg Nível de suplementação = 1000 .5 = 25 ppm de Zn na MS da dieta Nível de suplementação =25 ppm de Zn = 25 mg de Zn/kg de MS da dieta = 250 mg de Zn/10 kg de MS da dieta = 250 mg de Zn/animal de 450 kg de peso vivo = 0. 1.3 % de Ca (Tabela 2).3 % de magnésio (Tabela 2).850 = 150 ppm de Mg na MS da dieta.25 g de Zn//U.2) Cálculo do cálcio: Exigência = 0.2000 = 100 ppm de Ca 100 ppm de Ca = 100 mg de Ca/kg de MS da dieta = 1000 mg de Ca/10 kg de MS da dieta = 1./dia 1. v./dia Fonte de magnésio: óxido de magnésio = 60.60.778 g de fosfato bicálcico. 150 ppm de Mg = 150 mg de Mg/kg de MS da dieta = 1500 mg de Mg/10 kg de MS da dieta = 1500 mg de Mg/animal de 450 kg de peso vivo = 1.A. não será necessário suplementar com mais outra fonte de cálcio.20 % de Ca ou 2000 ppm de Ca Nível de suplementação = 2100 . a contribuição do fosfato bicálcico em cálcio foi: 100 g de fosfato bicálcico -------------------------.488 g de óxido de magnésio (Tabela 3).5 g de Mg/U.472 g de cálcio Assim.778 g de fosfato bicálcico -------------------------. A. tendo em vista que o fosfato bicálcico já contribui com uma quantidade de cálcio que satisfaz as necessidades dos animais.0 g de Ca/U.21 % ou 2100 ppm de Ca Análise da forragem = 0. Desse modo.x x = 6.5 g de Mg Tópicos em Ciências Agrárias. A quantidade calculada para fornecimento de fósforo foi de 27. UFRB.

0.25 g de Zn x = 0.002 g de Se/U.08 % ou 800 ppm (Tabela 1). Usando-se do mesmo raciocínio pode-se chegar também aos valores de sulfato de cobre.311 g de óxido de zinco (Tabela 3).4 ppm de cobalto na matéria seca da dieta.4 ppm na MS da dieta.2 ppm (Tabela 1). são geralmente usados níveis mais elevados de suplementação./dia Fonte de cobalto: sulfato de cobalto = 24. Análise da forrageira = 0.8 g de Co x --------------------------.004 g de Co x = 0.0.3 g de Zn x ---------------------. 100 g de selenito de sódio ---------------------------.002 g de selênio x = 0. 100 g de sulfato de cobalto --------------------------. iodo e enxofre (Tabela 3). Análise da forrageira = 0.80.45 g de Selênio x ---------------------------.2 mg de Se/kg de MS da dieta = 2.3% de zinco (Tabela 2).005% ou 50 ppm Nível de suplementação = 1000 ppm 240 Tópicos em Ciências Agrárias. conforme recomendação de Sousa (1995). 0.0 mg de Se/animal de 450 kg de peso vivo = 0.01 ppm de Co Nível de suplementação = 0.A.016 g sulfato de cobalto//U. tomou-se um nível de suplementação de 0.Fonte de zinco: óxido de zinco = 80. 2009 .10 ppm de Co (Tabela 1).004 g de selenito de sódio (Tabela 3).01 ppm Nível de suplementação = 0.8% de Cobalto (Tabela 2).0 mg de Se/10 kg de MS da dieta = 2. v. segundo recomendação de Sousa (1995). No caso do cobalto.4 mg de Co/kg de MS da dieta = 4./dia Fonte de selênio: selenito de sódio = 45 % de selênio (Tabela 2).24. 5) Cálculo do cobalto Exigência = 0.4 ppm de Co = 0. 7) Cálculo do Sódio Exigência de sódio = 0. UFRB.0 mg de Co/10 kg de MS da dieta = 4. 6) Cálculo do Selênio Exigência = 0.A. Por isso. Análise da forrageira = 0.0 mg de Co/animal de 450 kg de peso vivo = 0.2 ppm de selênio = 0. 100 g de óxido de zinco ---------------------. iodato de potássio e enxofre em pó. 1. na prática de formulação de misturas minerais.0./dia (Tabela 3). A.2 ppm 0. correspondentes a cobre.004 g de Co//U.

H2O CuCl2. quando o sódio é fornecido à vontade. 2 H2O Cu O CuSO4.5 22. UFRB.9 96 Se 45 Cristais brancos Cristais vermelhos Cristais vermelho escuro Cristais vermelhos Cristais brancos Cristais brancos Pó avermelhado Cristais avermelhados Cristais vermelhos Pó preto Cristais azuis Pó solúvel Pó ligeiramente solúvel Cristais brancos Pó branco Pó branco Cristais brancos Pó amarelo Cristais brancos Iodo Iodato de cálcio Iodato de potássio Carbonato manganês Manganês Sulfato de manganês Cobre Cloreto de cobre Óxido de cobre Sulfato de cobre Sulfato ferroso anidro Carbonato ferroso Zinco Sulfato de zinco Óxido de zinco Óxido de magnésio Sulfato de magnésio Enxofre em pó Selenito de sódio Ferro Magnésio Enxofre Selênio Fonte: Campos (1980) Tópicos em Ciências Agrárias.0 59.A.2H2O Ca3(PO4)2.2 40. 7 H2O Sº Na2 SeO3 Cl 60 Na 37 Co 49.08 % (800 ppm) na matéria seca da dieta.0 25. 7 H2O Ca (IO3)2 KI O3 de Mn CO3 MnSO4.O NRC (1984) recomenda para o sódio 0.8 32.5 Fe 36.2 30. v.CaX CaCO3 CaCO3 CaCO3.7 41.7 Zn 22.3 Forma Física do Produto Cristais brancos Farinha Pó ligeiramente solúvel Pó branco Pó insolúvel Pó insolúvel Granulada Cristais brancos Cloro e sódio Cobalto NaCl CoCO3 CoCl2. considerou-se o nível de suplementação de 1000 ppm de sódio.2 80. 6H2O CoSO4. 5 H2O Fe SO4 Fe CO3.1% (1000 ppm) de sódio na matéria seca da dieta.5 14. Nos cálculos práticos de misturas minerais.. 2009 241 .7 24. Fontes de minerais para bovinos. 1.3 18. Assim. que são de 0.8 I 62. os animais podem consumir mais sódio do que 800 ppm na matéria seca da dieta. 1000 ppm de sódio = 1000 mg de Na/kg de MS da dieta = 10000 mg de Na/10 kg de MS da dieta = 10000 mg de Na/animal de 450 kg de peso vivo = 10 g de Na/U. Sousa (1995) recomenda considerar as exigências de sódio do NRC (1970).3 38.5 Cu 37.CaX % Elemento Ca P 23. 7 H2O Zn O Mg O MgSO4.0 38.0 23. quando o consumo de sódio é feito ad libitum.3 Mg 60.5 24.7 80.1 29. H2O Zn O4. Entretanto.3 9.0 Mn 47.5 13.CaX Ca3(PO4)2./dia Tabela 2.Mg CO3 CaCO3. Elemento Cálcio e Fósforo Nome do produto Fosfato bicálcico Farinha de ossos autoclavada Fosfato de rocha desfluorado Carbonato de cálcio Calcário calcítico Calcário dolomítico Farinha de ostras Fosfato dibásico de amônio Cloreto de sódio Carbonato de cobalto Cloreto de cobalto Sulfato de cobalto Fórmula CaHPO4.

016 0. R. Journal of Animal Science.778 g de fosfato bicálcico -------------------------. 1984.. 583-604.769 0.223 0. MATOS. Assim.. 1. 1974. fósforo e magnésio. J. A. J. Desse modo.008 1.879 100.235 0. um bovino ao ingerir 58.. n.027 g de cloreto de sódio (Tabela 3). v. ANDREASI.014 1. V. Effect of sand or soil as a dietary component on phosphorus utilization by sheep. I. ROSA. o provável consumo /unidade animal/dia e a percentagem de cada ingrediente na mistura mineral. n. p.154 g ou 47.. Revista da Faculdade de Medicina Veterinária. n. I. v. et al. Fonte Fosfato bicálcico Óxido de magnésio Óxido de zinco Sulfato de cobre Sulfato de cobalto Iodato de potássio Enxofre em pó Selenito de sódio Cloreto de sódio Total Consumo em g/U.58.027 0. 100 g de cloreto de sódio --------------------------.909 g da mistura x -------------------------. Alimentação. Revista Centro de Ciências Rurais. 1966/67. RS. 2009 .10 g de sódio x = 27. Nova Odessa. UFRB..909 Composição em % 47. Nova Odessa. Mistura Mineral em Percentagem .488 0. de O. consumo por unidade animal/dia e percentagem dos ingredientes na mistura mineral. v. 1974. 6. P.528 0. A. 4. transforma-se os valores de consumo das fontes de minerais/unidade animal/dia para percentagem (Tabela 3).A fim de facilitar o preparo da mistura.778 2. Exemplo do cálculo: 27.154 4. a fim de que o consumo seja semelhante ou aproximadamente o mesmo do previamente calculado. SP: Instituto de Zootecnia. Teores de minerais de capim canarana-erecta-lisa (Echinochloa 242 Tópicos em Ciências Agrárias. A. é importante que todos os ingredientes da mistura mineral sejam bem homogeneizados com o cloreto de sódio.027 58. /dia 27. v. Fontes de minerais.4. H. S. 2 CAMARÃO. São Paulo.399 0. Santa Maria. BATISTA. Tabela 3. In: ENCONTRO DE ATUALIZAÇÃO EM PASTAGENS.. J.59. G. L. A. KAMINSKI. 3.004 27. p. Estudo preliminar das concentrações de nutrientes minerais de solos e pastagens naturais ocorrentes em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. X.007 45. CAIELLI. VALDIVIA.. Cálcio. Levantamentos dos elementos minerais em plantas forrageiras de áreas delimitadas do Estado de São Paulo.000 REFERÊNCIAS AGOSTINI. 385-406. et al.042 0. Anais. H. B. AMMERMAN.37 g de sódio x --------------------------.. VEIGA. C.Fonte Sódio: cloreto de sódio = 37% de sódio (Tabela 2).909 g da mistura consome aproximadamente 27 g de cloreto de sódio (10 g de sódio) e geralmente perde o apetite pela mistura mineral. E.311 0. M.. F.154 % de fosfato bicálcico A Tabela 3 mostra as fontes de minerais usadas.100 g da mistura x = 47. 1092-1099. 1. 1976.. C. A. v. 7. MENDONÇA JÙNIOR.

et al. PINHEIRO. R. LOBÃO. v. AMMERMAN.. 131-144. p. Determinações minerais em forragens e tecidos de bovinos. NRC . n. (Circular Técnica. 1985. GALLO. 1980. n. R. HIROCE. 1980. v. CONRAD.. Subcommittee on beef cattle Nutrition.. PA: EMBRAPA/CPATU. A. 49. V. et al.12. MG. . E. I. S. A. B. Anais. D. C. 4th ed. Piracicaba. A. MG. Estudos de elementos minerais de interesse para a bovinocultura de corte. D. UFV. C. Anais. Composição química inorgânica de forrageiras do Estado de São Paulo. FURLANI. em áreas da região Centro . M.67-86. D. P.pyramidalis) em três idades. Experientiae. 12 p. n. 54) CAMPOS. O. L.National Research Council... cobre e cobalto em algumas pastagens de Teófilo Otoni.55. ROSA. Viçosa.. H. 1982.. 1974. J. 151-159. Revista Brasileira de Zootecnia. sódio e potássio em pastagens nativas do Rio Grande do Sul. Piracicaba: FEALQ. 1976. 55 p. 1976.. 21. Piracicaba: ESALQ/CATI. v. São Paulo. v. Gainsville: University of Florida.. BATAGLIA. Arquivos do Instituto Biológico. J. n. 61 p. F. 1983. HADDAD. Administração e consumo de um suplemento mineral. S.. O. 1. Subcommittee on beef cattle nutrition.: National Academy of Science. R. SP. magnésio. Nutrients requirements of beef cattle. P.A. J... 2009 243 . ELLIS. 1992. C. 31.. CAMARGO. São Paulo.. S. p. R. Piracicaba. A. C. R. et al.1240. 56 p. Interrelationship of dietary phosphorus. S. 1 / 4. McDOWELL. Carências minerais: aspectos relacionados com a deficiência de cobre no organismo animal. 6. v. 2.. Anais. Washington. C. Teores de cobre e zinco em amostras de tecido animal. p. p.1231. Boletim de Indústria Animal. 6th ed. MINERAIS PARA RUMINANTES. POSSENTI. C. UFRB. Tabelas para cálculo de rações. A. 6. p. 20-33. A. H. Washington. J. 1. v. M.. V. C.. J. p. nos solos. J. J. Boletim de Indústria Animal. C et al. H. v. NAZARIO.. Minerals for grazing ruminants in tropical regions. 53. Teores de alguns minerais no capim-jaraguá em várias idades de corte. In: SIMPÓSIO LATINO-AMERICANO SOBRE NUTRIÇÃO MINERAL DE RUMINANTES EM PASTAGENS. et al.. SANTIAGO. M. GOMIDE.1980. Arquivo da Escola de Veterinária. Nutrients requirements of beef cattle. S. C. SILVA. J. 48-55. forrageiras e tecidos animais. 80. n. HENRY. 2. PLATZECK. Composição mineral de gramíneas e leguminosas. M. D. PEREIRA. 32. et al.Oeste do Brasil. EPAMIG. Belém.. 1986. CAVALHEIRO. SILVA. n. Journal of Animal Science. p. v. J. 3. p. 1988. A. C. Nova Odessa.. HADDAD. Teores de fósforo.. 155-188. NRC .. L. p. W. 1971. LOPES. JARDIM. FICHTNER. 1985.National Research Council. W. 87p.: National Academy of Science. 1984. 1992. Viçosa: Universidade Federal de Viçosa. R. p. 5. v. 3. 1980. 1. 1970. ESAL.. aluminium and iron on perfomance and tissue mineral composition in lambs. Tópicos em Ciências Agrárias. n. 1-14. Belo Horizonte. W. Concentrações de cálcio. 115-138. In: SIMPÓSIO SOBRE NUTRIÇÃO DE BOVINOS. de O. p. TRINDADE. NASCIMENTO JÚNIOR. 418-428. O. Revista Brasileira de Zootecnia. C. Belo Horizonte: UFMG. BRAGA. D. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA PASTAGEM. RIBEIRO.

Magnésio. DARSIE. UFRB. 163-167. no solo. 1980. N. SHIRLEY. MENDES. v. C. Brasília. Brasil. M. 1. 473-489 (FEALQ.. Experientiae. Goiás.1995. 1976. 63-87. Suplementação mineral de novilhos de corte em pastagens adubadas de capim-colonião. R. 15. 1971. et al. 1. P. n. SAMPAIO. FREIRE. H. J. H. 244 Tópicos em Ciências Agrárias. 1327-1336.. Pesquisa Agropecuária Brasileira. H. FERNANDES. p. 1. J. BLUE. C. 375-382. A. sódio e potássio. T. UFV. J. CAMPOS. C..... Brasília... Pesquisa Agropecuária Brasileira. M. In: SIMPÓSIO LATINO AMERICANO SOBRE PESQUISA EM NUTRIÇÃO MINERAL DE RUMINANTES EM PASTAGENS. IV. Revista Brasileira de Zootecnia. TOKARNIA. C. L. R. v. 20. J. H. 2009 . C. 3. et al. p. n. 5. CANELLA. n. p. E . 22. C. C. Deficiência de cobre em bovinos no delta do Rio Parnaíba. 2. v. v. ferro e cobalto. Manganês. Cálcio e fósforo.. Pesquisa Agropecuária Brasileira. W. C. 259-269. p. F. H. M. SOUSA. CANELLA. Brasília. J. Ataxia enzootica em cordeiros na costa do Piauí. 2.. Brasil. GOMES. BRAGA. C. C. 3. p. 12. J. F. J. v.. Zinco e cobalto. M. et al. G. J. 7). et al. 37. J. GUIMARÃES. III.ed. G. Brasília. 5. Deficiências minerais em bovinos de Roraima. Deficiências minerais em bovinos de Roraima. GONÇALVES. SILVA.. v. Cobre e molibdênio. Pesquisa Agropecuária Brasileira. E. et al. VIANA. de Formulação de misturas minerais para bovinos. n. v. p. 1309-1316. 1976. 3. W. et al. v. n. EPAMIG. Piracicaba: FEALQ. Pesquisa Agropecuária Brasileira. H. CONRAD. SOUSA. 1981. Determinação do teor de cobre.. 21. n. Interrelações entre minerais. BLUE. 1985. Arquivos do Instituto Biológico. SOUSA. 335-341. J. Pesquisa Agropecuária Brasileira. 1985. CANELLA. da.. C. Série Atualização em Zootecnia. p. Brasil. v.. de Água como fonte de minerais. Editado por Aristeu Mendes Peixoto e outros. L. 1986. C. Arquivos do Instituto Biológico. et al. SILVA. C. Deficiência de fósforo. M. São Paulo.. DOBEREINER. SOUSA. A. p. C. SOUSA. Pesquisa Agropecuária Brasileira. TOKARNIA. p. cobalto e vitamina B12 em fígado de bovinos e capim de algumas regiões do Estado de São Paulo. 16. ESAL. v. Viçosa. DOBEREINER. C. 739-746. v. C. 1966. v. 1968. n. I. SOUSA. C. p. M. S. C. n. J. CARVALHO. Deficiências de cobre e cobalto em bovinos e ovinos no Nordeste e Norte do Brasil.. TOKARNIA. 1960. R. 1987. v.. SOUSA. ESALQ. Anais. Rio de Janeiro. In: Nutrição de bovinos: conceitos básicos e aplicados.. 351-360. Interrelações entre minerais no solo. J. J. C. 3..SANTOS. J. 89-98.. 34-50. VIANA. G. 20. 3. Brasília. p. p. n. p. M. J. 1982. 11. 1. A. J. 12. N. Pesquisa Agropecuária Brasileira. de O. TEIXEIRA. plantas forrageiras e tecido animal. 1970. 3. Deficiências minerais em bovinos de Roraima. F. plantas forrageiras e tecido animal. p.. MG. F. J. R.. Brasília. C. CONRAD. Teores de alguns nutrientes minerais em três gramíneas forrageiras.. J.. GONÇALVES. 11. nos Estados do Piauí e Maranhão. 25-32. et al.151-167. Belo Horizonte: UFMG. cobre e cobalto em pastagens do município de Morrinhos.

A QUALIDADE DO LEITE E DA CARNE E A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS FUNCIONAIS Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 18 EFEITOS DA ADIÇÃO DE GORDURA SUPLEMENTAR À RAÇÃO DE BOVINOS SOBRE O METABOLISMO DA GLÂNDULA MAMÁRIA.

1994). Recomenda-se que a suplementação lipídica para vacas de leite seja feita no início do pós-parto. A principal peculiaridade do leite de ruminantes consiste na presença de ácidos graxos de cadeia curta (produzidos na síntese lipídica da glândula mamária). na tentativa de aumentar a densidade energética da dieta. tanto para gado de corte em confinamento. a qualidade do leite e da carne. Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira¹ 1 Professor .br. glândula mamária e tecido adiposo. quanto no grau de saturação. 50% provêm da gordura (Van Soest.e. v. Entretanto. portanto.edu. O desenvolvimento de pesquisas utilizando uma ampla variedade de fontes dietéticas de gordura tem buscado. bem como os efeitos do metabolismo ruminal dos ácidos graxos e a síntese destes ácidos no intestino. que apesar de menos estudados.br INTRODUÇÃO A adição de gordura suplementar à ração de bovinos é uma estratégia alimentar que vem sendo bastante utilizada como alternativa economicamente viável. apresentando. além dos efeitos sobre a fermentação ruminal e a composição do perfil de ácidos graxos do leite e da carne. 2009 247 . gajocaol@ufrb. Cruz das Almas-BA. 1. (1993) e é apresentado na Tabela 1. A QUALIDADE DO LEITE E DA CARNE E A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS FUNCIONAIS Soraya Maria Palma Luz Jaeger¹. principalmente: a) minimizar os efeitos negativos dos lipídios sobre a fermentação ruminal. melhorando a saúde humana). alimentos que contém compostos que agem como farmacêuticos. a recomendação da adição de gordura é feita para as dietas de terminação. apresentam perfis de ácidos graxos também variáveis.Centro de Ciências Agrárias. O perfil médio de ácidos graxos do leite de bovinos foi descrito por Palmquist et al. 1985). A glândula mamária é dependente do suprimento sanguíneo que fornece substâncias. proporcionando maior ganho de peso em níveis mais baixos de consumo. óleo de sementes. Efeitos da suplementação lipídica sobre o metabolismo da glândula mamária A glândula mamária é o maior sítio de triglicerídeos dos ruminantes. c) produzir os chamados alimentos funcionais (i. também devem ser considerados quando se recomenda a suplementação lipídica. neste caso. A disponibilidade destas substâncias é definida como o produto de sua concentração no sangue e do fluxo sanguíneo no úbere (Davis & Collier. como para vacas de leite de alta produção. As fontes lipídicas fornecidas aos bovinos. o fornecimento de gordura adicional pode influenciar outros aspectos fisiológicos dos ruminantes. Neste capítulo será feita uma avaliação das perspectivas do uso de fontes lipídicas em dietas de ruminantes e sua influência sobre o metabolismo da glândula mamária. que por sua vez.EFEITOS DA ADIÇÃO DE GORDURA SUPLEMENTAR À RAÇÃO DE BOVINOS SOBRE O METABOLISMO DA GLÂNDULA MAMÁRIA. óleo de farinha de peixe. sebo. visando corrigir o déficit energético ocasionado pelo baixo consumo de alimentos e o aumento da demanda de energia para a lactação. composição totalmente diversa daquela encontrada nas reservas corporais ou no leite de não ruminantes (Kinght et al. Ambientais e Biológicas/UFRB. bem como a importância desta prática na produção dos alimentos funcionais.. podendo conter misturas de gordura vegetal e animal. em proporções adequadas. são variadas. E-mail: sljaeger@ufrb. Já no caso do gado de corte. para sustentar a síntese láctea. característicos deste período. sendo consideradas. ruminalmente inertes. Do total de calorias do leite destes animais. podendo estar complexadas com o cálcio.edu. 1994) que é composta por cerca de 95% de triglicerídeos. Tópicos em Ciências Agrárias. tanto no comprimento de cadeia. UFRB. A composição de ácidos graxos do leite dos ruminantes reflete a natureza dos lipídios da dieta. ao contrário do que é observado na maioria dos leites das outras espécies. b) reduzir os teores de gordura saturada da carne e do leite.

Assim. conseqüentemente. procedimento comum na alimentação de vacas leiteiras de alta produção no início da lactação. Segundo estes autores duas teorias podem estar efetivamente envolvidas na redução do teor de gordura do leite pela suplementação com lipídios. síntese.19 2. butírico) C6:0 (caproico) C8:0 (caprílico) C10:0 (cáprico) C12:0 (laurico) C14:0 (mirístico) C14:1(miristoleico) C16:0 (palmítico) C16:1 (palmitoleico) C18:0 (esteárico) C18:1 (oleico) C18:2 (linoleico) Teor (g 100 g-1 de gordura) 3. Os ácidos graxos saturados que são captados pela glândula mamária são então dessaturados pela ação da enzima dessaturase. no alongamento da cadeia (Palmiquist et al. 1985).. principalmente a partir do acetato e do butirato.81 3. limitando. observada no tratamento TRANS. UFRB. sendo sua concentração dependente da ação da enzima lipoprotéica lipase no endotélio capilar mamário (Davis & Collier. 248 Tópicos em Ciências Agrárias. Ao que tudo indica. haveria efeito negativo da presença do trans-C18:1 sobre o processo de síntese lipídica na glândula mamária. resultante do efeito tóxico dos lipídios sobre as bactérias fibrolíticas tem sido.63 29. relacionada aos ácidos graxos trans-C18:1. os quais. Gaynor et al. oxidação e excreção. e não da síntese local. que durante muito tempo foi associada a limitações no nível de substrato (acetato e b-hidroxibutirato) para a síntese de ácidos graxos na glândula mamária. pode indicar redução do requerimento de NADPH para a síntese de ácidos graxos (redução da ação da isocitrato desidrogenase). Fornecendo diferentes fontes de gordura suplementar a vacas em lactação. e observaram redução no teor de gordura do leite de vacas submetidas ao tratamento TRANS (Tabela 2). Wonsil et al. leva a efeitos depressivos sobre o teor de gordura do leite.38 (60. 1. Os ácidos graxos de cadeia longa. 1993). a maior concentração de citrato no leite.39 11.53 3. mais recentemente..41 2. 2009 .Tabela 1.78 (40. 1999). por sua vez. (1994) infundiram no abomaso de vacas holandesas misturas de ácidos graxos ricas em isômeros cis-C18:1 (tratamento CIS) ou trans-C18:1 (tratamento TRANS). Composição padrão de ácidos graxos da gordura do leite de vaca (Adaptado de Palmiquist et al. embora estes mecanismos ainda não estejam bem elucidados. ao passo que o acetato responde principalmente pela formação de ácidos graxos de cadeia mediana (10-14 carbonos) por intermédio da formação do primer preferencial malonil-CoA e posterior ação da enzima ácido graxo sintase. a ação inibitória do trans-C18:1 sobre a enzima acil-transferase (que atua na esterificação de ácidos graxos) na glândula mamária e. Ao estabelecerem regressão entre o fluxo duodenal e concentração de trans-C18:1 no leite com a percentagem de gordura no leite. foi observada relação negativa em ambos os casos. provavelmente exercem influência sobre a síntese de novo e/ou a esterificação de ácidos graxos na glândula mamária.84 27. são de origem sanguínea. Em primeiro lugar.32 2. O b-hidroxibutirato parece responder mais pela síntese de ácidos graxos de cadeia curta. em segundo lugar. observaram redução no teor de gordura do leite e aumento do fluxo de trans-C18:1 para o duodeno. são sintetizados na própria glândula mamária. a intensidade de ocorrência do ciclo de Krebs na glândula mamária. sugerindo que a quantidade de trans-C18:1 que chega à glândula e é incorporada ao leite.0%) 9. ditaria a extensão da depressão no teor de gordura. Tem sido relatado que a suplementação lipídica. v. (1994). Essa redução. o processo de produção de leite engloba inter-relações complexas entre eventos de absorção. o que resulta num valor mais baixo da proporção C18:0/C18:1 em comparação à digesta duodenal.0%) A grande maioria dos ácidos graxos de até 16 carbonos presentes no leite de ruminantes. Ácido graxo C4:0 (ac. este mecanismo encontrado em todos os ruminantes tem a função de preservar a fluidez do leite (Demeyer & Doreau. Em suma. 1993).34 1.39 2.

Na comparação entre os diversos resultados. Variável Fluxo trans-C18:1 (g dia ) -1 Leite (kg dia ) -1 Gordura (kg dia ) Gordura (%) 1 trans-C18:1 no sangue -1 Citrato no leite (mmol l ) 1 -1 -1 Controle 2 47.6 9.. 3% de gordura na MS).10 a 0. embora o trans-11-C18:1 (ácido vacínico) seja na maioria das vezes apontado como mais influente na ocorrência da síndrome do baixo teor de gordura do leite. a caseína é a mais susceptível à depressão associada ao fornecimento de dietas ricas em lipídios (Chow et al.211 2. (1997) e Griinari et al. deva estar associada a uma inadequação dos aminoácidos essenciais disponíveis para a síntese de proteína do leite na glândula mamária. 1994). (1994). gordura dietética acima das recomendações Diluição da proteína pelo aumento da produção de leite - o Tópicos em Ciências Agrárias. em vacas holandesas.99 Dados em g 100 g de ésteres de ácidos graxos. também têm sido associadas a reduções entre 0. pela adição de gordura suplementar à dieta. sebo protegido. sumarizados por Wu & Huber (1994). Fonte: adaptado de Gaynor et al. Tabela 3. 1990.512 3.27 0.Tabela 2. Como a caseína é sintetizada de novo na glândula mamária. Dietas ricas em lipídios (ruminalmente inertes ou não). sebo. UFRB. Nesta comparação concluiu-se que a diminuição da concentração da proteína do leite durante a suplementação lipídica. Para determinar as causas da redução da porcentagem de proteína do leite. comparadas a dietas controle (contendo. Wu & Huber (1994) resumiram as comparações entre mudanças na produção e teor de proteína do leite para dietas com gordura suplementar em experimentos individuais (Tabela 3). Cant et al. 1. avaliando a influência da suplementação lipídica com diferentes fontes (óleos e gordura animal. gordura e trans-C18:1.0 1.. sugerindo que a depressão da proteína do leite ocorre independente do tipo de gordura suplementar. 1992).3 1. resida no tecido mamário.4 7. em média. mas leite aumentou Proteína e leite diminuíram Aumento proteína < aumento do leite Nenhuma mudança Total 11 15 45 2 83 Consumo da MS diminuído.7 8. 1990.83 Tratamentos CIS 2 46. 2009 249 . sobre o consumo de matéria seca e porcentagem e produção de proteína do leite. à medida que a produção (volume) de leite é estimulada pela suplementação. concentração de citrato no leite e fluxo duodenal de trans-C18:1. caroço de algodão. Mudanças relativas na produção de leite e na proteína do leite de vacas recebendo dietas com gordura suplementar comparadas a dietas controle (adaptado de Wu & Huber. (1998) afirmaram que. outros isômeros trans-C18:1 podem ser formados e dúvidas se erguem se outra forma isomérica possa ter ação mais potente sobre o metabolismo da glândula mamária. acredita-se que o mecanismo causador da depressão da proteína do leite. Polan & Fisher.59 2. Dados de 83 experimentos de diversos autores. Os mesmos autores acrescentam que manipulações dietéticas para aumentar a absorção de aminoácidos limitantes ou para incrementar a síntese protéica microbiana ruminal seriam indicadas para amenizar este problema. DePeters & Cant. sais de cálcio de ácidos graxos.605 3.68 TANS 308 47. também relatam reduções dentro da faixa citada. 1993). não foram observadas interações relacionadas à fonte de lipídio suplementar. Dentre as frações da proteína do leite. Kalscheur et al. Produção diária de leite. Mudanças relativas na produção de leite N de Razões aparentes para mudanças e proteína do leite comparações Aumento proteína > aumento do leite 10 O consumo de matéria seca foi mantido Proteína diminuiu.15 unidades percentuais na proteína do leite (Canale et al. 1991.0 1.45 0.. gordura dietética acima das recomendações Início da lactação. sendo a magnitude da depressão similar para as diversas fontes. soja integral e gordura amarela) com teor de gordura variando entre 5 a 8% da MS (e algumas exceções com 17% da MS). v.

quando são fornecidas dietas contendo óleo de peixe. inibindo a incorporação e/ou a síntese de novo. o que pode trazer sérias limitações a este tipo de proteção. levando à redução de 70-90% do teor de ácidos graxos polinsaturados (AGPI) da digesta. e na contribuição dos lipídios para a síntese de gordura do leite. Entretanto. ou seja. Pesquisas recentes nessa área têm aperfeiçoado o conhecimento da influência das lipoproteínas na partição dos lipídios entre a musculatura esquelética. incrementar a absorção dos mesmos. a biohidrogenação ruminal. portanto. Um exemplo de proteção química que vem sendo bastante empregada é a complexação das gorduras com cálcio. físicas e químicas. o conhecimento das particularidades da digestão. o fígado e o tecido adiposo. UFRB. o enriquecimento do leite com ácido linolênico só seria possível com o fornecimento de gordura (p. bem como da manipulação do perfil de ácidos graxos nos tecidos dos ruminantes. Inúmeras técnicas. Kennelly (1996) afirma que a única maneira de aumentar o teor de ácido linoléico no leite seria a suplementação de lipídios protegidos com proteína. do leite e seus derivados. 1993). transformando-os em ácidos graxos saturados (principalmente o ácido esteárico) ou isômeros trans de ácidos graxos monoinsaturados (Chilliard. Da mesma maneira. qualidade do leite e da carne A qualidade dos produtos de origem animal tem sido freqüentemente associada à natureza da fração lipídica neles contida. Tem-se encontrado altos níveis de trans-C18:1 no leite. Desde que o elevado consumo de gordura saturada passou a ser apontado por médicos e nutricionistas como principal causa de doenças cardiovasculares em humanos. Como já foi comentada anteriormente. Ao que parece. Van Nevel & Demeyer (1996) afirmaram que quanto mais baixo o pH ruminal (i. aumentar o fluxo de AGI para o intestino delgado. O mecanismo pelo qual os ácidos graxos insaturados diminuem os níveis de LDL-colesterol tem sido investigado intensamente. Tem-se observado que os ácidos graxos poliinsaturados presentes na carne e no leite de ruminantes. a suplementação lipídica. os chamados “sais de cálcio” são considerados ruminalmente inertes. o aumento do fornecimento de gordura insaturada na dieta tem efeito limitado sobre o conteúdo de ácidos graxos insaturados (AGI) nos tecidos ou no leite de ruminantes. não interferindo negativamente sobre a digestibilidade da fibra. A influência positiva dos AGPI w-3 nas doenças cardiovasculares em humanos sugere que seria benéfico aumentar os teores de tais ácidos no leite. incremento da função do receptor de LDL e redução da secreção de lipoproteína-colesterol pelo fígado (Stipanuk. v. sementes oleaginosas e sais de cálcio não resultam em conteúdo de ácido linoléico maior que 5mg/100mg do total de ácidos graxos do leite. pode alterar o teor de gordura e a composição de ácidos graxos do leite. deve-se lembrar que a composição química e a taxa de secreção das lipoproteínas estão entre os principais fatores que controlam a utilização de lipídios pelos tecidos e. A redução do LDL-colesterol ocasionada pelos AGPI não é somente pela substituição dos ácidos graxos saturados. mas também devido a alguma atividade daqueles. 1989). Esta técnica parece ser bastante eficiente quando se deseja incrementar a absorção intestinal de ácidos graxos polinsaturados. Porém. Gordura não protegida. é um dos principais fatores relacionados à baixa proporção de ácidos graxos polinsaturados na gordura destes animais. em diversos países. absorção. (1981). conseqüentemente. O mecanismo de redução do LDL-colesterol pelo consumo de dietas ricas em ácidos graxos poliinsaturados é o oposto ao demonstrado pelos ácidos graxos saturados. nos animais de corte. ex.Suplementação lipídica vs. Entretanto. A proteção dos lipídios com proteínas tratadas com formaldeído é uma delas.18:1. Ainda que se consiga aumentar o fluxo duodenal de ácidos graxos insaturados e. óleo de linhaça) protegida contra a biohidrogenação. as características qualitativas e quantitativas da produção de carne e leite. óleos ricos em ácido linoléico e óleos parcialmente hidrogenados contendo diferentes isômeros trans. quando as dietas são ricas em concentrado) ou quanto maior for o teor de ácidos graxos insaturados da gordura complexadada. têm sido sugeridas para tentar proteger a gordura suplementar fornecida aos ruminantes contra a biohidrogenação e. maior será a dissociação dos sais de cálcio. estratégia freqüentemente usada para atingir os requisitos de energia das vacas de alta produção no período do pós-parto. os AGPI w-3 são mais potentes em reduzir o colesterol que os AGPI w-6. que ocorre por ação microbiana. Além de proteger os ácidos graxos insaturados contra a biohidrogenação. Há ainda estudos que diferenciam os efeitos dos AGPI de acordo com a posição da dupla ligação (w-3 ou w-6). Ao contrário do que ocorre nos monogástricos.e. transporte e metabolismo dos lipídios. 2009 . conseqüentemente. 1. reduções do colesterol propiciadas por dietas ricas em AGPI ocorrem associadas à redução de HDL-colesterol (Mensik & Katan. Acredita250 Tópicos em Ciências Agrárias. possuem propriedades que reduzem a concentração plasmática de colesterol em humanos. o uso da proteção com formaldeído é proibido devido ao suposto efeito cancerígeno deste tratamento. Segundo Connor et al. 2000). passaram a ser objeto de inúmeras pesquisas visando a melhoria das qualidades nutricionais da carne.

(1994). (2002). rins e fígado. Estes efeitos têm sido menos pronunciados nos lipídios intramusculares em comparação aos da gordura subcutânea. músculos. depreciando o seu valor. Um incremento na proporção de AGPI w-3: w-6 em animais magros.se que uma combinação entre altos níveis de concentrado e uma suplementação com óleos de peixe ou óleos ricos em ácido linoléico poderiam aumentar a produção de trans-18:1. 2000) e. a suplementação com gordura insaturada tem provocado um decréscimo nos teores de ácidos graxos de cadeia curta e média. e. em razão disso pesquisadores têm buscado elevar os teores de CLA nestes alimentos. Desses isômeros. que pode promover alterações benéficas na composição de ácidos graxos da carne. mas também com a produção dos chamados alimentos funcionais. C18:1. melhoria do sistema imune. (1994). o cis-9 trans-11 parece ser a forma mais comum que apresenta atividade biológica. pois o tratamento térmico das sementes de oleaginosas parece proteger os ácidos graxos C18:2 da biohidrogenação. Rule et al. O incremento do teor de triacilgliceróis enriquecidos com AGPI na gordura intramuscular. v. tem sido sugerido. (1992) os lipídios intramusculares em carneiros retêm muito mais AGPI w-3 que o leite. Entretanto a maior susceptibilidade à oxidação e aos defeitos de aroma e sabor da carne e derivados enriquecidos com AGPI também devem ser considerados. sem a presença do Carbono metilênico entre as duas duplas ligações. Ultimamente tem-se relatado que o ácido linoléico conjugado (CLA). e aumento dos teores de C18:0. muito embora esta atividade também tenha sido Tópicos em Ciências Agrárias. a produção de carne não é limitada pelo consumo de energia. aumento da massa magra e propriedades antidiabéticas (Pariza. encontrado em altas concentrações na gordura de animais. 1999). Assim como tem sido observado no leite. analisando o perfil de ácidos graxos da carne de novilhos precoces alimentados com fonte suplementar de gordura protegida (5% da MS).octadecenóico (ácido trans-vacinico) e. Existem nove diferentes isômeros do CLA de ocorrência natural em alimentos. devido a menores taxas de hidrogenação no rúmen (Demeyer & Doreau. 2009 251 . pode conferir à carne e ao leite. forneceram a bovinos suplementação lipídica a base de canola extrusada e observaram alterações na composição de ácidos graxos do tecido adiposo. caracterizada por decréscimo nos teores de C16:0. Suplementação lipídica influenciando a produção de alimentos funcionais As estratégias de alimentação de ruminantes que visam a manipulação do perfil de ácidos graxos da carne e do leite. mais tarde. observaram aumentos de até 100% nos teores de AGPI intramuscular (gordura de marmoreio) destes animais. quando gordura protegida a base de óleo de peixe é adicionada à dieta destes animais.. Bessa et al. então hidrogenado ao ácido esteárico. quando se almeja manipular o perfil de ácidos graxos destes produtos. Em uma segunda etapa o dieno conjugado é hidrogenado ao ácido trans-11. como primeiro intermediário da biohidrogenação de ácido linoléico da dieta. Pires et al. citados por Gaynor et al. Parodi. O CLA é produzido no rúmen. ainda são escassas as pesquisas desenvolvidas nesta área. bem como diversos AGPI de cadeia longa. promoção do crescimento. (1991) relatam que a suplementação com óleo de linhaça na dieta de bovinos elevou o teor de C18:3 w-3 no tecido adiposo. não têm se preocupado apenas com a melhoria das qualidades nutricionais destes alimentos. através de manipulações da dieta passou então a ser o alvo das pesquisas. pela enzima ácido linoléico isomerase produzida pela bactéria Butyrivibrio fibrisolvens. que são aqueles que contém compostos com propriedades farmacêuticas.1997. Durante algum tempo. propriedades benéficas à saúde humana. Contudo. e um aumento nos teores de ácidos graxos de cadeia longa (principalmente C18:1) da carne. O CLA se refere a uma mistura de isômeros (geométricos e de posição) do ácido linoléico (C18:2 w-6) com uma dupla ligação conjugada. De maneira diversa à produção de leite. e quando a fonte de gordura é composta de sementes oleaginosas tratadas pelo calor ao invés de óleos (não protegidos). bem como aos seus subprodutos. 1994. Entretanto é sabido que baixos níveis de gordura intramuscular (cerca de 10g kg-1) podem prejudicar as propriedades organolépticas da carne. tais como: efeito anti-carcinogênico. ao que parece. Clinquart et al. UFRB. podendo agir em benefício da saúde humana. 1. isto é. a adição de gordura é uma alternativa viável para baratear a formulação de dietas. Segundo Ashes et al. acreditou-se que o melhoramento genético visando obter animais mais magros com baixo teor de gordura intramuscular seria a melhor solução para se obter carne bovina de melhor qualidade. funcionando como incentivo adicional ao uso da suplementação lipídica para o gado de corte.

(1999) 3. pela inclusão de gramíneas na dieta e pela proporção forragem:concentrado na dieta. o isômero trans 10 cis12 CLA diminui o LDL-colesterol. o cis 9 trans 11 CLA não apresenta efeito significativo em lipídios plasmáticos de hamsteres. Porém. French et al. relataram que o aumento na proporção de gramínea na dieta ocasionou um aumento linear na concentração de CLA na carne. as concentrações atualmente encontradas na carne e no leite de 252 Tópicos em Ciências Agrárias. UFRB. e relataram que bovinos suplementados com fontes de AGPI apresentaram um aumento de duas a três vezes na concentração de CLA. 11% e 61%.4 Tsuneishi et al.2 – 12. em humanos.9 – 4. (1997) 2. Concentração de ácido linoléico conjugado em carne bovina crua (Maloney et al.0. ao longo do ano. especialmente o trans-10 cis-12. (3) Os aumentos nos teores de CLA promovidos pela suplementação com fontes ricas em ácido linolênico são mais discretos que aqueles ocasionados por fontes ricas em ácido linoléico. Dados de diversos autores compilados por Demeyer & Doreau (1999).33 g dia-1) resultou em aumento da concentração de CLA nos tecidos da carcaça. ou sais destes ácidos. 2001).7 -10. HDLcolesterol e aumenta o VLDL-colesterol em 18%.2 – 8. As concentrações de CLA na gordura do leite são primariamente influenciadas pelo suprimento de ácido linoléico no rúmen. (1998) 2.1995).3 – 12. (1999). (2000) 3.3 Chin et al. revelaram que: (1) gorduras saturadas e monossaturadas não promovem o aumento do CLA. Maloney et al.7 – 5. (2001) sumarizaram dados de diversos autores relatando as concentrações de CLA na carne bovina (Tabela 4). v.9 McGuire et al. (1999) estudaram a concentração de CLA na carcaça de bovinos da raça Charolês recebendo suplementação com diferentes tipos de gordura: (a) saturada. 1. (1996) encontraram uma relação positiva entre trans.. (1994) 5. Segundo Mir et al. (2000). (b) óleo de linhaça (rico em C18:3).5 Foferly et al. silagem de gramíneas ou concentrado sobre a concentração intramuscular de CLA em bovinos de corte. em relação à carne produzida no reino unido.7 – 1. Dieta Desconhecida Cevada (800g/kg dieta) Silagem de gramíneas e concentrado Milho (820 g/kg dieta) Desconhecido Desconhecido Grãos Concentrado Gramínea Gramínea Gramínea Desconhecida País Canadá Canadá Reino Unido USA USA USA USA Japão USA Austrália Irlanda Alemanha Concentração (mg/g gordura) 1. ao fato do gado consumir maior quantidade de forragens ricas em AGPI nestes países. Lin et al.8 Referências Ma et al. ainda que esta denominação não tenha sido amplamente aceita pela comunidade científica. Este achado pode explicar porque o efeito do trans-C18:1 não é sempre associado à maior incidência de doenças cardiovasculares (Wolff.0 1. (1999) 7. (2) Os maiores aumentos dos teores de CLA são obtidos quando a fonte da suplementação lipídica é composta por óleos ricos em ácido linoléico. (1992) 1. Alguns autores utilizam o nome ácido rumênico para o isômero encontrado em maiores concentrações na mistura CLA.relatada para outros isômeros. (1995) e Jiang et al.9 – 4. (2000).4 Shanta et al.5 Shanta et al. (1988) 3. estudando o efeito de dietas baseadas em pastejo (gramíneas).0 Enser et al.C18:1 e o CLA.1 Shanta et al. Segundo Deckere et al. Embora os pesquisadores venham obtendo sucesso na busca para elevar os teores do ácido linoléico conjugado nos alimentos de origem animal. respectivamente. relacionando os efeitos da fonte de gordura suplementar da dieta de vacas sobre o teor de CLA no leite. Enser et al. comparados aos que foram suplementados com fontes de ácidos graxos saturados. (2000) 1. (1997) 3.. (1999) Mir et al. (c) óleo de peixe (rico em C20:5 e C20:3). Tabela 4. a suplementação de CLA para ovinos em confinamento com uma fonte de ácido linoéico (óleo de girassol .8 French et al.0 Fritsche e Steinhart (1998) Os autores atribuíram a alta concentração deste ácido nas carnes irlandesas e australianas.2 – 3. 2009 . e óleos ricos em C20:5 e C20:6.

D. DUFRASNE.76. A. Dietary fat and adipose tissue metabolism in ruminants. v. 1. G. BALDWIN.P. D. DePETERS. B. DAVIS. UFRB. 3897-931.M. 2009 253 . capaz de proporcionar proteção contra câncer em humanos. v. E. CHOW.. Effect of rumen-protected methionine and lysine on casein in milk when diets high in fat or concentrate are fed. L. p. CANT. HARRIS.D. n.J.R.J. Arteriosclerosis. AMELSVOORT. R. Lipids. MULLER..M.1051-1061. n. COLLIER. Effects of conjugated linoleic acid (CLA) isomers on lipid levels and peroxisome proliferation in the hamster. S. 1990. 1993. Vale lembrar que. 363-378. L. Proceedings of the Nutrition Society. 315-320. p.4. C. v. a dose mínima diária deste ácido. 27. Targets and procedures for altering ruminant meat and milk lipids (Review). 12. p. lipoproteins. 2000. 63. Mammary blood flow and regulation of substrates supply for milk synthesis (Review). LIN. Reticulum-rumen biohydrogenation and the enrichment of ruminant edible products with oleic acid conjugated isomers. 1999. v.E.4. n..R. n. et al. S. J.B. and rodents: A review.J.J.L. v.1. n. J. 8. v.ruminantes (principais fontes de CLA na nutrição humana). v. R. CANALE. constituem-se em vasto campo de pesquisa que só tem a contribuir para o aperfeiçoamento de tecnologias relacionadas à produção e manejo destes animais.M.. considera-se que o aprofundamento dos conhecimentos ligados aos eventos físicoquímicos que regulam a digestão absorção e transporte de lipídios em ruminantes. n.P. I.. Journal Lipid Research. Journal Dairy Science.. n.. com certeza.R. W. apesar das intensivas pesquisas relacionadas às propriedades do CLA. n. E. 58. J. 1991 CONNOR.A. 82. p. Livestock Production Science.. DePETERS.4. 308-317. Y... 68.1031-1038. 1985. Journal Dairy Science. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante desta avaliação. p.M. Animal Production.M. 1041-1058. 1.. British Journal Nutrition.. Journal Dairy Science.L. A comparison of dietary polyunsaturated n-6 fatty acids in humans: Effects on plasma lipids. R. p.. 1992. v. e.73. 629-631. 1981.S. D. Journal Dairy Science. p. RIBEIRO. v. J. DECKERE.. R. n.. 201-211.J. p. BURGESS. p. bem como aos efeitos da adição de gordura à dieta de bovinos sobre a produção de carne e leite. GULATI. M. Tópicos em Ciências Agrárias. 211-219. BESSA. ainda não foi suficientemente esclarecida. SANTOS-SILVA.4.. pigs. Calcium salts of fatty acids in diets that differ in neutral detergent fibber: effect of lactation performance and nutrient digestibility.L. et al.593-607.74. 73. REFERÊNCIAS ASHES. ainda são considerados insuficientes para lhes conferir propriedades farmacêuticas. 1991.53. SIEBERT.K.3. ISTASSE.. J. W. Effects on animal performance and fat composition of two fat concentrates in diets for growing-fattening bulls. Incorporation of n-3 fatty acids of fish oil into tissue and serum lipids of ruminants. P. J. p. DOREAU.. McNEIL. 1999. v. BALDWIN. DEMEYER. and sterol balance. p. sua determinação seria um dos pontos de partida na produção de alimentos funcionais derivados da carne e do leite. E. Journal Dairy Science. Effect of dietary fat and postruminal casein administration on milk composition of lactating dairy cows.B. v. v. CHILLIARD. 1990. et al. et al. 1991. CLINQUART.

S.80. Effect of dietary supplementation with either conjugated linoleic acid (CLA) or linoleic rich oil on the CLA content of lamb tissues. p.78. PARODI. et al. v.J.11.36. L. PARIZA. GAYNOR. SCOLLAN. et al.E.J. 1251-1261. Nutritional factors influencing the nitrogen composition of bovine milk: a review. FRENCH. D. MIR. 2115-2126. D.81. v. 2009 . 1992.1.F. v. J. 254 Tópicos em Ciências Agrárias. n. p. D.P. p. M.P. CANT.77. Trans-octaddecenoic acids and milk fat depression in lactating dairy cows. D. n. p. E. n. n. Small Ruminant Research. TETER. P. Journal Animal Science.D. Livestock Production Science. FRANCE.A et al. v.221-229. Feed and animal factors influencing milk fat composition.1. Animal Science.. A. p. Journal Dairy Science. OLIVEIRA. a newly recognized nutrient. 2002. p. 1997.S. v. KENNELLY. n. Conjugated linoleic acid: an anticarcinogenic fatty acid present in milk fat.p. 12.1. 137-152.P.. 1999. n..DePETERS. P. H. J. v. KINGHT. 8. F. grass silage. TETER. v. 1995. GRIINARI. M.76. n. including conjugated linoleic acid. UFRB. et al. BEAULIEU. p. Proceeding Nutrition Society. N. n.. STANTON. KALSCHEUR. 1989. BEEVER.S. C.438-445. I.T. K. 2849-2855. PALMIQUIST. CHOI..M.1753-1771... 2000.M. et al. 2043-2070. M. R. Journal Dairy Science. R. v. H. 49.5. Effect of fat source on duodenal flow of trans-C18:1 fatty acids and milk production in dairy cows. D. D. et al. v.79. Journal Dairy Science.L. FONDÉN. p. Conjugated linoleic acid. Milk fat yield and composition during abomasal infusion of cis or trans octadecenoates in Holstein cows. Occurrence of conjugated cis-9. Australian Journal of Dairy Technology. PIRES. M.. p. KATAN. C. J. 321. BJOERCK. Producing tender and flavour some beef with enhanced nutritional characteristics. 69.B.25-31. of intramuscular fat from steers offered grazed grass. P.11.. MALONEY. p. ENSER. Nutrient metabolism in mammary gland..A.. 1994. et al. n.J.M. Chemical Industry.J. 1996. p.. BOYLSTON. Z. JAEGER.157-165..60. 3. R.. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE NUTRIÇÃO. S. v.. J. Journal Dairy Science. M. DWYER.L. 436 441. 1993. 17. 1996.39. L. et al. v. M. McGUIRE.2358-2365. ERDMAN. R. 9. Survey of the conjugated linoleic acid contents of dairy products. p. v. 93-97. KERRY. or concentrate-based diets. n. Fatty acid composition. B. N.6...P. Journal Dairy Science.. Composição centesimal e perfil de ácidos graxos da carne de novilhos precoces alimentados com lipídios protegidos.P. 2000.. LAWLESS. MENSIK. Journal Dairy Science. Effect of a diet enriched with monounsaturated or polyunsaturated fatty acids on levels of low-density and high-density lipoprotein cholesterol in healthy women and man. J..60.. et al. MONNEY. LIN.B. A. Effect of dietary lipid on the content of conjugated linoleic acid in beef muscle. 464-466. New England Journal Medicine. Animal Feed Science and Technology. Journal Dairy Science. 143-146.75. v. trans-11-octadecadienoic acid in bovine milk: effects of feed and dietary regimen. 2001. p. 1994. 1998. v. CHANG. 1997. p. v.J.A. 129-137.78.1. PIPEROVA. JIANG. BARBANO. v.B. W. et al. J. The fatty acid composition of milk fat as influenced by feeding oil seeds. v. n.p.. B. 1994. C. 1.

141-155. WU.556-565. v. 1995. v. WONSIL B.124. 2 ed. 2009 255 .J.T. VAN NEVEL. P. Dietary and ruminally derived trans-18:1 fatty acids alter bovine milk lipids. R. UFRB.1996. n.2.H. 2. Anais. et al. C.259-272.. Biochemical and physiological aspects of human nutrition. M.4. Nutrition can affect concentration of milk protein. Nutritional ecology of the ruminant. C.Porto Alegre. Effect of pH on biohydrogenation of polyunsaturated fatty acids and their Ca-salts by rumen microorganisms in vitro.. SBNC. DEMEYER. Archives of Animal Nutrition. 1994. Livestock Production Science. STIPANUK. p. 1993. n. R. Relation ship between dietary fat supplementation and milk protein concentration in lactation cows: a review. Feedstuffs. Porto Alegre. FISHER.15-21. v. 153. 1.65. p. 2002..39. WOLFF. p. p. Ithaca: Cornell University Press. 476p. J. 1994.E. VAN SOEST. n.J. p.L. p. 2000.72. Their importance in European diets and their effect on human milk. Content and distribution of trans-18:1 acids in ruminant milk and meat fats. Z. v. 1994. v. POLAN.J.49.J. Journal Nutrition. 151-157. HUBER. D. 1007p. v.. Journal of American Oil Chemists Society. Tópicos em Ciências Agrárias.

CAPÍTULO 19 CARBOIDRATOS NA NUTRIÇÃO DE PEIXES Leandro Portz Tópicos em Ciências Agrárias .

v. os carboidratos não são eficientemente utilizados pelos peixes (NRC. possa concentrar cerca de 6% a mais glicogênio que o fígado. 1989). Os peixes em seu habitat natural consomem pouco carboidrato através do alimento natural. aminoácidos. Os polissacarídeos são encontrados em todas as células dos animais e mais abundantemente no fígado.CARBOIDRATOS NA NUTRIÇÃO DE PEIXES Leandro Portz Professor . crescimento e reprodução. Isto mostra que estes peixes iniciam a utilização das reservas de glicogênio do corpo a partir do glicogênio tecidual hepático. onde são metabolizados. a glicose. Cruz das Almas-BA. A utilização dos carboidratos está diretamente relacionada à sua concentração na dieta. oligo e polissacarídeos) são digeridos através de ação enzimática. De modo geral. 1961). podendo ser utilizados diretamente como fonte de energia ou levados até o fígado. UFRB. podem resultar tanto em aumento como em diminuição do estoque de glicogênio (Moraes et al.edu. O ciclo do glicogênio hepático no catabolismo mostra que esta forma de reserva orgânica é muito mais importante como suprimento de intermediários metabólicos para processos biossintéticos do que como fonte de energia (Christiansen & Klungsoyr. Pode-se citar como carboidratos mais importantes no metabolismo de peixes: o glicogênio. pois não gastam energia para manutenção da temperatura corporal e excreção dos compostos nitrogenados. lipídios e aminoácidos. alcançando normalmente 7% do peso seco do tecido (Stryer. como a truta arco-íris (Oncorhynchus mykiss). sendo encontrado em grande quantidade nos tecidos do fígado e músculo destes animais. 1987). Os carboidratos são componentes essenciais a quase todos os seres vivos. tendo como função primordial o estoque de energia que pode ser utilizada pelos animais. No processo de digestão dos peixes. 1971). Hilton & Atkinson (1982) constataram que dietas contendo amido de milho extrusado ou simplesmente milho extrusado à truta arco-íris (Oncorhynchus mykiss). As vias bioquímicas mais importantes envolvendo estes carboidratos são: a glicólise (oxidação anaeróbica da molécula de glicose). O glicogênio é uma das muitas formas de armazenamento da energia consumida como alimento pelo peixe. da salinidade. O glicogênio é um nutriente muito utilizado em adaptações bioquímicas em várias situações de estresse ambiental. assim como os mamíferos e animais terrestres. Erfanullah & Jafri.. períodos de grande esforço físico e mudanças de dietas. 1993). glicogênese (síntese de glicogênio) e glicogenólise (degradação do glicogênio para disponibilização de glicose). Normalmente esta energia é obtida através do metabolismo dos carboidratos. Do ponto de vista de utilização da energia. necessitam de energia para a manutenção do metabolismo básico. a gliconeogênese (síntese de uma nova molécula de glicose ou frutose utilizando um intermediário não glicídico . embora estes peixes tenham mostrado uma redução de 75% na reserva de glicogênio tecidual hepático após 100 dias de restrição alimentar. 1999). 2009 259 . os carboidratos (di. sem serem convertidos em monossacarídeos. sendo restabelecidas somente 24 horas após terem sido consumidas. glicerol). Como conseqüência de uma intensa atividade física ou jejum. 1995). E-mail: lportz@ufrb. O Tópicos em Ciências Agrárias. Variações do pH.Centro de Ciências Agrárias. as reservas de glicogênio no músculo e fígado dos peixes podem diminuir em poucos minutos. Nagai & Ikeda (1971) mostraram que períodos de restrição alimentar superiores a 164 dias não resultam em uma queda significativa na reserva de glicogênio muscular da carpa comum (Cyprinus carpio).br INTRODUÇÃO Os peixes. o lactato e o piruvato (Black et al. os peixes são considerados muito mais eficientes do que mamíferos e aves.. as quantidades totais de glicogênio muscular ou hepático podem ser consideradas iguais (Steffens. 1. 1996. dos níveis de oxigênio dissolvido na água. compostos estes presentes na dieta. onde são absorvidos por transporte passivo (difusão simples) ou por transporte ativo (potencial de membrana ou gasto direto de ATP) na parede do trato digestivo e assim transportados via sistema porta. tipo e forma do carboidrato e principalmente à espécie e seu hábito alimentar (Hilton & Atkinson.lactato.. Ambientais e Biológicas/UFRB. porém quando criados confinados em tanques e viveiros a alimentação artificial proporciona a disponibilização destes carboidratos pela composição vegetal de suas dietas. apresentaram um desempenho melhor do que em dietas contendo amido cru. As fontes de carboidratos são melhores utilizadas pelos peixes quando sofrem um processo térmico. 1987). 1982. Embora o tecido muscular de peixes carnívoros. Soengas et al. O glicogênio hepático é considerado um estoque emergencial de energia prontamente utilizável nos primeiros momentos de situações críticas de estresse (Christiansen & Klungsoyr. obtendo suas reservas energéticas através da proteína.

mas não necessariamente em todas as espécies que são utilizadas em estudos de pesquisas relacionadas à nutrição. com atividades específicas. acelulose (C). Segundo Steffens (1989). celulose. 40% C) D (20% FM. maltose. necessária para hidrólise da fibra. diferem de espécie para espécie e são descritas na literatura de acordo com os hábitos alimentares dos peixes. assim A (80% FM. Assim poderíamos concluir que para este bagre onívoro a utilização de carboidratos complexos é mais eficiente. 20% C) C (40% FM. 15% PS) 4500 4000 Atividade Total 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 B (60% FM. outros carboidratos. 15% PS. na maioria das espécies. Pezzato (1997) explica que a baixa utilização se deve ao fato destas espécies não possuírem a enzima celulase. principalmente da amilase.mesmo foi observado em experimentos com esturjão siberiano (Acipenser baeri) utilizando-se o amido extrusado ou pré-gelatinizado e o milho extrusado em comparação com o amido cru. o pâncreas é o maior produtor das enzimas que degradam os carboidratos. 1987). Porém trabalhos feitos com peixes onívoros como o bagre do canal (Ictalurus punctatus). Bergot & Breque (1983) constataram que a celulose é um carboidrato muito utilizado em experimentos com dietas purificadas mas que não pode ser utilizada como fonte de energia mas sim como fibra. Normalmente a atividade das enzimas. UFRB. também poderão ser encontradas no suco pancreático e estômago. Em relação aos níveis de amido na dieta. Atividade da amilase em trutas arco-íris (Oncorhynchus mykiss) em resposta a diferentes dietas: farinha de peixe (FM). indicaram que dietas contendo dextrina e amido de milho proporcionaram melhores índices de desempenho do que dietas que continham glucose. Similarmente. 260 Tópicos em Ciências Agrárias. Digestão dos carboidratos em peixes Nos peixes podemos encontrar diversos tipos de enzimas digestivas (carboidrases). ao aumento na temperatura ou salinidade da água. 60% C) 0 10 20 30 40 Figura 1. a atividade da enzima amilase em trutas arco-íris pode aumentar em resposta ao tipo de alimento fornecido. 15% PS. amido de batata (PS). em experimentos conduzidos com a tilápia mossambica (Oreochromis mossambicus). v. Porém. Em experimentos com truta arco-íris. 15% PS. Ainda este mesmo autor afirma que somente algumas bactérias presentes no intestino de peixes herbívoros e de alguns onívoros poderiam talvez apresentar tal enzima. Estas enzimas. sendo esta considerada uma fonte de energia não disponível para os peixes. a carpa comum (peixe onívoro) responde de modo oposto ao da truta arco-íris (Figura 2). As enzimas possuem uma ampla faixa de tolerância à variações térmicas (20-40oC) e suas atividades ótimas ocorrem entre pH 6-8 (Hilton & Atkinson 1982). que normalmente estão presentes na membrana do intestino. este mesmo autor comprovou uma alta atividade da amilase quando este onívoro foi alimentado com dietas ricas em energia. assim como as lipases. Por outro lado. sacarose e frutose (Wilson & Poe. 1. O aumento do nível da farinha de peixe na dieta reflete no aumento dos níveis de proteína na dieta (Adaptado de Steffens 1989). ou quando é fornecida ao peixe uma dieta rica em proteína (Figura 1). 2009 .

(1997) para o “European sea bass” (Paralabrax humeralis) que. 1. alimentado com dietas extrusadas com diferentes níveis protéicos e níveis de lipídios variando entre 12 e 14% e níveis de carboidratos de até 30%. Isto mostra que rações contendo altos níveis de proteína. (2000). Atividade relativa (máx. 40% PS) C (40% FM. 90% PS) Atividade amilase 4000 3000 2000 1000 0 7 23 43 69 80 Duração da alimentação (dias) Figura 2. Digestibilidade dos carboidratos em peixes Tabela 1. v. Os autores observaram que os valores da relação hepato-somática encontrados eram inversamente proporcionais aos níveis de proteína e diretamente proporcionais aos níveis de carboidratos digestíveis dietéticos. 1989. a-glucosidase e b-ga-lactosidase no trato digestivo de diferentes espécies. na alimentação de juvenis de “sunshine bass” (Lepomis gibossus) e utilizaram a relação hepato-somática (RHS) como uma medida relativa de estoque energético. Tópicos em Ciências Agrárias. Adaptado de Steffens. não apresentaram queda de desempenho. amido de batata (PS) (Adaptado de Steffens. P= Ceco pilórico. observaram níveis mais altos de glicogênio tecidual hepático (GTH) e nos valores da relação hepato-somática (RHS) quando o carnívoro “black bass” (Micropterus salmoides) era alimentado com dietas contendo 42% de PB. 2009 261 . 1989). Resultados semelhantes também foram mostrados por Millikin (1982) para o “striped bass” (Morone saxatilis). 60% PS) D (10% FM. maior a utilização de carboidratos e a deposição de glicogênio no fígado.A (90% FM. Efeito da composição da dieta na atividade da amilase em carpa comum (Cyprinus carpio). próximos a 42%. Farinha de peixe (FM). o que mostra que quanto menor o nível de proteína dietética. Cyrino et al. UFRB. Resultados semelhantes foram relatados por Pérez et al. com incremento de 5%. como também atividades de outras enzimas que digerem carboidratos são descritas pela diferenciação na nutrição entre espécies (Tabela 1). Brown et al. estudando rações que continham farinha de trigo como fonte de carboidrato. S= Estômago. condicionam um maior acúmulo de reservas energéticas prontamente utilizáveis na forma de glicogênio. Estes mesmos autores ainda concluem que o “black bass” pode utilizar eficientemente dietas artificiais desde que os níveis de carboidratos sejam inferiores a 30% e as rações sejam adequadamente processadas (extrusadas).=100) de amilase. Espécies Carassius carrassius Ctenopharyngodon idella Oreochromis niloticus Cyprinus carpio Salmo gairdneri Anguilla japonica Seriola quinqueradiata I 100 84 44 35 8 1 1 Amilase P S a-Glucosidase I S 100 b-Galactosidase I S 34 61 59 8 31 <1 <1 <1 16 15 <1 2 20 22 <1 11 6 I= Intestino. 10% PS) 5000 B (60% FM. (1992) testaram níveis de proteína dietética variando de 25 a 55%.

Além do hábito alimentar.4 45.24 10 . Juvenis de Oncorhyncus tshawytscha (truta da califónia) pesando menos de 1g mostraram menores taxas de crescimento em água à 10o C.7 50 99.2 97. e os autores sugerem que estes carboidratos podem atuar como economizadores de proteína. observouse uma alta taxa no ganho de peso e melhores taxas na conversão alimentar da truta arco-íris (Tabela 4). Shiau (1997) foi capaz de mostrar que o amido de milho após sofrer um tratamento térmico (gelatinização) era melhor utilizado pelo peixe do que o amido de milho em estado natural. v. “Brook trout” (%) 99 92 73 60 57 38 - Truta arco-íris (%) 79 . com níveis de glucose de 20% na dieta. os carboidratos geralmente estão ausentes na dieta natural. Para os salmonídeos. Por se tratar de espécies carnívoras.5 26. 1.2 69.Amido de batata Fonte: Singh & Nose (1987).14 Tabela 3. à existência de uma variabilidade entre as diversas espécies de peixes quanto a digestibilidade dos carboidratos se deve.celulose Fonte: NRC 1973.90 77 .2 30 99.2 50. contudo nas dietas artificiais os carboidratos estão presentes e pode ser observado que estes carnívoros podem ser capazes de digerir carboidratos.0 98.5o C e 15o C e também pelas dietas que continham acima de 25% deste carboidrato. foi de 96% .3 40 99.5 98. à diferenciação anato-fisiológicas do trato digestivo destas espécies. dextrina e amido de batata (Figura 3). o coeficiente de digestibilidade para glucose em trutas arco-íris.3 99.4 77.2 60 99. também.6 99. não sendo este coeficiente influenciado pela temperatura da água.8 96.5 94. Digestibilidade (%) de diferentes carboidratos em vária proporções na dieta de truta arco-íris com 10-25 g de peso vivo e uma temperatura de água à 16o C.1 97. observa-se que os coeficientes de digestibilidade dos carboidratos diminuem com o aumento de sua proporção na dieta (Tabela 3).0 52.4 60. Chiou & Slinger (1979) demonstraram os coeficientes de digestibilidade de diferentes carboidratos utilizados em rações para truta que receberam processos térmicos diferentes (Tabela 5).0 99.1 38.3 74. A digestibilidade dos polissacarídeos é dependente da magnitude de sua contribuição na dieta. Quando o amido de milho hidrolisado era empregado em uma composição básica de ração. Tabela 2. Na maioria das pesquisas realizadas para avaliação da digestibilidade de carboidratos em peixes.8 65.8 95. 2009 . Carboidratos Glucose Maltose Sacarose Lactose Dextrina Amido cozido Amido cru a . (1981). que foram também substituídas por maltose. que variou entre 11. embora em proporções menores em relação às proteínas (Tabela 2). existe um interesse particular centralizado no que diz respeito à digestibilidade do amido e da dextrina. Digestibilidade de diferentes carboidratos da “brook trout” (Salvelinus fontinalis) e truta arco-íris.80 52 . Em testes realizados por Hilton et al.1 Carboidratos Glucose Sacarose Lactose Dextrina a . 262 Tópicos em Ciências Agrárias. A capacidade de digestão dos carboidratos pelos salmonídeos tem sido freqüentemente detalhada e pesquisada em estudos referente à nutrição. Nível de Carboidrato na Dieta (%) 20 99.70 20 .99%. UFRB.

64 4 32 29 66 112 2.73 1. Digestibilidade aparente de amido e açúcar para truta arco-íris. Amido g/kg Digestibilidade da dieta (%) 807 100 780 0 772 541 391 418 75 168 0 0 62 27 54 62 Açúcar g/kg Digestibilidade da dieta (%) 843 100 19 40 41 101 88 57 87 100 263 Tópicos em Ciências Agrárias. 1. Crescimento de juvenis de Oncorhynchus tshawytcha em resposta a diferentes tipos de carboidratos (com nível de 20%) na dieta.30 1.5 D 1. a . B = maltose.A B C Ganho de Peso 1. 2009 . à 250 C) Farelo de soja (49% de proteína bruta) Farinha de glúten de milho (60% de PB) Fonte: Adaptado de Steffens (1989). Diferenças no ganho e utilização de alimento em alevinos de truta arco-íris em resposta à administração de dietas similares.5 20 40 60 80 Dias Figura 3.74 h 1. Fonte: Adaptado de Steffens.55 2 42 13 107 121 1. UFRB. Tabela 4. à o 112 C) tostada o (10 min. 1989.62 3 42 13 67 115 2. contendo cada uma amido de milho em estado natural (n) ou amido de milho hidrolisado (h).glucose Dextrina (amido hidrol. C = dextrina.0 0. Dietas 1 Proteína (%) 42 Amido (%) 15 Ganho de Peso (g) n 80 h 92 Taxa de Conversão Alimentar (kg/kg ganho) n 1. D = amido de batata. A = glucose.34 1.) Amido crú (milho) Amido autoclavado o (10min. à 112 C) Farinha de trigo crua autoclavada (10 min. v.67 Tabela 5.

1 22.4 14. não nitrogenado) .6 34. (1986) obtiveram os valores em resposta à digestibilidade da glucose e do amido de batata cozido. A digestibilidade de carboidratos em carpas é extremamente dependente do nível de fibra bruta contida na dieta (Tabela 7) conforme demonstrado em experimentos feitos por Kirchgessner et al. um tunídeo de águas tropicais muito criado no Japão.0 Digestibilidade (%) 91 56 38 14 Fonte: Kirchgessner et al.7 12. Tabela 6.8 14.7 8. Digestibilidade de diferentes carboidratos em carpas com dois anos de idade. Alimentos Cevada Aveia Centeio Trigo Ervilha Lúpulo Semente de girassol tostada Farinha de amendoin Farinha de soja Componenetes da dieta Fonte: Adaptado de Steffens (1989). UFRB. onde os peixes estavam condicionados a temperaturas variando entre 10o C . 2009 .A digestão de carboidratos em carpa foi descrita por Furuichi & Yone (1982) (Tabela 6). A digestibilidade de carboidratos provenientes de sementes de leguminosas aparentemente são mais pobres do que a dos cereais. o melhor ganho de peso percentual era descrito em resposta ao amido contido na dieta e não à glicose. 10 84 20 80 30 79 40 60 50 38 60 35 O peixe Seriola quinqueradiata. a digestibilidade do farelo de soja foi de 63% e para a farinha de milho 88%. uma espécie que se alimenta essencialmente de vegetais.0 25. 264 Tópicos em Ciências Agrárias.8 43. surgia uma relação negativa entre os coeficientes de digestibilidade e a concentração de dextrina na dieta (Tabela 8).3 46. Digestibilidade da Dextrina em várias concentrações em substituição no alimento. ambos com 30% de inclusão na dieta (Steffens.6 15.0 37. (1986). Carboidrato (% do peso seco) 55. Digestibilidade de carboidratos (trigo) de uma carpa de 1200 g de peso vivo condicionada a uma temperatura de 24oC. v. Quando foi testada a digestibilidade da dextrina como fonte de carboidrato.% 71 59 56 52 Fibra Bruta (%) 2. 1.1 5. não digere carboidratos com tanta eficiência quanto as carpas.22o C. o grupo que recebeu 20% de glucose na dieta demonstrou resultados piores em relação aos outros grupos (Tabela 9). Com relação ao ganho de peso e taxa de conversão alimentar da dieta. Furuichi et al. Tabela 8. (1986). Embora a digestibilidade do a-amido tenha sido significativamente menor em comparação à glucose. 1989). Dextrina contida na dieta (%) Digestibilidade (%) Fonte: Steffens (1989). Para a carpa-capim (Ctenopharygodon idella).5 Digestibilidade (%) 74 75 84 58 45 56 55 65 51 46 75 Tabela 7. Alimento Farinha de trigo Pó de trigo Grãos de trigo Farelo de trigo ENN (extrat. Chiou & Ogino em 1975 já haviam concluído que a fração de carboidratos da semente de lúpulo e da soja apresentavam baixo desempenho quando utilizadas em dietas para peixes.8 30.

41 20 94 60 2. Os autores supracitados observaram que este fator reflete no aumento do nível de açúcar sangüíneo após duas horas de alimentação. apesar de serem altamente e rapidamente absorvidos antes do aumento das atividades enzimáticas. Glucose 10 92 84 1. taxa de conversão alimentar. 1. O amido cru na dieta pode aumentar a taxa de transito do conteúdo intestinal. em ambos os tratamentos com 10% e 20% de glucose contida na dieta. Spannonhof & Plantikow (1983) descreveram que a atividade da amilase em trutas arco-íris é reduzida em cerca de 80% quando o trigo é utilizado em sua forma natural sem nenhum processamento térmico Tópicos em Ciências Agrárias. Este fato foi comprovado quando os autores detectaram o aparecimento de glucose na urina (Glicosúria).Tabela 9. (1986) também observaram em carpas e no atum (Seriola quinqueradiata). pode ser excretada sem ser utilizada. Ganho. (1986). Outro fator importante a ser levado em consideração quanto às fontes de carboidratos é que o trigo contém albuminas as quais agem como inibidores de amilases. digestibilidade da glucose e amido de batata em várias concentrações na dieta do peixe Seriola quinqueradiata com 70-150 g de peso vivo. (1986). Nível de Carboidrato na Dieta (%) Digestibilidade (%) Ganho (%) Taxa de Conversão Alimentar (kg/kg) Fonte: Furuichi et al. 100 80 60 40 20 S 20 S 10 G 20 G 10 Absorção (%) 1 2 3 4 5 6 Horas Figura 4. De acordo com Spannonhof & Plantikow (1983). Taxa de absorção de glucose (G) e a-amido de batata (S) em quantidades de 10% e 20% na dieta de Seriola quinqueradiata.11 Amido de Batata 20 56 95 1. Os autores concluíram que a maior parte dos carboidratos oriundos da absorção de glucose na forma livre. níveis elevados de amido na dieta de truta arco-íris produzem um aumento no volume de suco gástrico. UFRB. A atividade da amilase era reduzida pela presença de amido cru e aumentada pela inclusão de amido hidrolisado. Fonte: Furuichi et al. o qual também contribui para perdas na digestibilidade de nutrientes. isto poderia demonstrar uma importante descoberta no metabolismo pós-absortivo de peixes. 2009 265 . que a glucose na forma livre é mais rapidamente absorvida que a glucose contida na forma de a-amido (Figura 4).43 Furuichi et al. Porém. durante 30 dias de alimentação. pelo fato do nível de insulina do plasma sangüíneo somente alcançar o seu nível máximo após duas horas da ingestão do alimento e a atividade das enzimas glicolíticas hepáticas e gluconeogênicas relacionadas ao metabolismo de carboidratos somente mostrar aumento após duas a três horas da administração do alimento. v.

Aquaculture. p.). 1992. c.30.CONSIDERAÇÕES FINAIS Sobre a utilização de fontes de carboidratos para peixes. p. 213-222.. BLACK.43-49. KLUNGSOYR. p. v. Heteropneustes fossilis (Bloch). JAFRI...88b. PORTZ. R. 1987. v. HILTON. In: Martin. 41. J. 1982. p.M. A. L. S. Y. 1961. Y.47. D. O estudo das diferentes fontes de carboidratos e suas diferentes formas de processamento podem auxiliar no aumento da capacidade das espécies em utilizarem carboidratos como fonte de energia. p. Bulletin of the japanese society of sientific fisheries. 465-566. PARKER. ROBERTSON. 25. 1987.. J. v. J. REFERÊNCIAS BERGOT. 4. BREQUE.: Apparent digestibility measurement in feedstuffs for rainbow trout. Hamburg 20-23 June. J. principalmente em se tratando de espécies onívoras. A. FURUICHI. Growth. World Symp. S. YONE. 1981.239-247. J. GATLIN. v. British Journal of Nutrition. L.. 89124. n. Digestibility of starch by rainbow trout: effects of the physical state of starch and of the intake level. CHO. Univ. 1979. H. v.K. J.597-607. J. CHIOU. SLINGER.. Aquaculture Research. Effect of extrusion processing and steam pelleting diets on pellet durability. p. R. UFRB.. J.. 1999. Bulletin of the japanese society of sientific fisheries. pellet water absorption. Availability of carbohydrate in nutrition of Yellowtail. 266 Tópicos em Ciências Agrárias. Washington Press.R. BROWN.C. v. C. p. 1975. p. The Progressive of Fish Culturist.P. CHIOU. Dietary protein requirement of juvenile sunshine bass at different salinities.. A. C. YONE Y. ocorrendo uma diferenciação entre as espécies de peixes estudadas de acordo com seus diferentes tipos de hábitos alimentares. 57. ATKINSON.L. n. body composition and nutrient retention efficiencies in fingerling catfish. Some aspects of carbohydrate metabolism in fish.. E. 34.1.L. W. C. and the physiological response of rainbow trout (Salmo gairdneri R. p. n.. Aquaculture. C. Berlim. v. 1983. Vol II.E. Bulletin of the japanese society of sientific fisheries. In: Comparative Physiology of Carbohydrate Metabolism in Heterothermic Animals. C. Response of rainbow trout (Salmo gairdneri) to increased levels of available carbohydrate in practical trout diets. ERFANULLAH.945-948. MARTINO.. fed different sources of dietary carbohydrate.W. F.: Digestibility of starch in carp. 1. FURUICHI. Metabolic utilization of nutrients and the effects of insulin in fish. feed conversion. 54.Y.3.701-711. v.51. v. G.185-194.. SLINGER. podemos concluir que as espécies de peixes possuem uma capacidade limitada na digestão destes compostos na forma in natura (crus). Comparative Biochemistry Physiology. R.. HILTON. 2009 . 2000. NEMATIPOUR.99-102. CHRISTIANSEN. M. OGINO.47 p.. 148-156. Proc. M. p.J. Y.W.: Availability of carbohydrate in nutrition of carp and red sea bream.609-616. Scientia Agrícola. on Finfish Nutrition and Fishfeed Technology. 1982. M. 1986. v. TAIRA. p. Retenção de proteína e energia em juvenis de “black bass” Micropterus salmoides. CYRINO.

151. Piracicaba. v. 1971. v. Tópicos em Ciências Agrárias. p. p.371-386. feed efficiency. lipid and carbohydrate. Oreochromis niloticus x O. p. n. L.185-194.. Bulletin of the japanese society of sientific fisheries. H.111. p. p. v. FERNÁNDEZ CARMONA.. Aquaculture. MILLIKIN. 1967. 1995. L. S. M. 1982.E. 1997. 1971. 1989.404-409. v.E. M. J.R. Metabolismo do glicogênio.45-62. ANDRÉS.2. UFRB.184-208. I.. 1. Digestibility of carbohydrate in young rainbown trout. PEZZATO. SPANNOHOF. L. STEFFENS. Apparent inability of channel catfish to utilize dietary mono and disaccharides as energy sources. RATIN.95-108.C. p. F. 1993. Aquaculture. Principles of fish nutrition.21-25. 156. 2009 267 . WILSON R. p.. OLIVEIRA. F.. 1997.KIRCHGESSNER. L. Transactions of the American Fisheries Society. T.). Chichester. 1997. England. M.35. P. Bioquímica. S...117.280-285. The metabolic pattern changes of Hoplias malabaricus from normoxia to hypoxia conditions.. 105p. PÉREZ. Bulletin of The Japanese Society of Scientific Fisheries. J.466-478.. Utilization of carbohydrates in warmwater fish-with particular reference to tilapia. 1987. UK: Ellis Harwood Ltd. SHIAU. KÜRZINGER. v. 1983.56. 1986.373-378.19.47.. W. M. JOVER. Studies on carbohydrate digestion in rainbow trout. v. 1. J. M. H. p.. Effects of dietary protein concentration on growth. STRYER..79-96. Digestibility of crude nutrients in different feeds and estimation of their energy content for carp (Cyprinus carpio L. Carbohydrate metabolism in fish.191-196. Effects of starvation and dietary composition on the blood glucose level and hepatopancreatic glycogen and lipid contents in carp. v. SINGH. M. MORAES. p. Aquaculture. Growth of European sea bass fingerlings (Dicentrarchus labrax) fed extruded diets containing varying levels of protein.. NAGAI.183-193. NATIONAL RESEARCH COUNCIL Nutrient requirement of fish. 1997.R. Washington: National Academy of Science Press. Revista Brasileira de Biologia. Journal of nutrition.30.. ALBEGUNDE. In: STRYER. G. M. Gradual transfer to sea water of rainbow trout: Effects on liver carbohydrate metabolism. p. SCHWARZ. p. H. SOENGAS. 58. p. L. Piracicaba: CBNA. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO E NUTRIÇÃO DE PEIXES. 1996. v.17.. aureus. v. PLANTIKOW. cap.Y.D. n. Aquaculture.3.. O estabelecimento das exigências nutricionais das espécies de peixes cultivadas. Anais. Rio de Janeiro: Guanabara. IKEDA. v. Journal of Fish Biology.L. R. POE. p. and body composition of age-0 striped bass. W. GONZALES.T. AND NOSE. v.

Soraya Maria Palma Luz Jaeger & Benedito Marques da Costa Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 20 ALIMENTAÇÃO DE CAPRINOS LEITEIROS Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira.

podendo receber uma suplementação de volumosos na forma de capins de corte. embora não seja econômica. Ambientais e Biológicas/UFRB. devido ao elevado preço do leite de cabra. isoladas do rebanho nos primeiros cinco dias após o parto. após o parto. A partir de oito dias de idade. em regime de semi-confinamento ou em confinamento total. Em regime de confinamento total. deve-se fornecer alimento volumoso rico. duas ou três vezes ao dia. embora retarde o consumo de concentrados e volumosos pelos cabritos. e reduza a produção de leite do rebanho. sljaeger@ufrb. Este método exige maior mão-de-obra que o anterior. Quando ocorre acidente com a matriz.Centro de Ciências Agrárias. Levando-se em conta o seu aspecto econômico.Existem dois esquemas de aleitamento para recém-nascidos: a) Aleitamento natural . é aconselhável administrar à dieta vitamina D. receber suplementação de ração concentrada. destacam-se a alimentação de cabritos nas fases de aleitamento e crescimento e de cabras em gestação e lactação. Esquema de aleitamento .br. E-mail: gajocaol@ufrb. Fornecimento de colostro . recebendo o colostro e leite inicialmente em mamadeira ou caixa de aleitamento e depois no balde. Este procedimento exige menos mão-de-obra. após a ordenha. Soraya Maria Palma Luz Jaeger1. Considerando-se o aspecto social. Animais em regime de confinamento total. Podem. Nesse programa. CABRITOS EM ALEITAMENTO A partir dos três dias de idade. UFRB. objetivando a absorção de anticorpos que se verifica mais nesse período inicial.ALIMENTAÇÃO DE CAPRINOS LEITEIROS Gabriel Jorge Carneiro Oliveira1.O cabrito é separado da mãe desde o primeiro dia. preferencialmente feno de leguminosa. v. fornecer pelo menos no primeiro dia. silagem ou fenos de capins ou de leguminosas). beneditomc@hotmail. as cabras são mantidas em capril.É uma forma de aleitamento prática. devido ao seu valor nutritivo e ao fato de ser um leite que pode ser consumido por crianças e adultos que apresentam intolerância a outro tipo de leite. Quando não se dispõe de quantidade suficiente. mistura mineral e ração concentrada. de fenos de capins ou de leguminosas.edu. 1.O fornecimento de colostro é feito nas primeiras horas de vida.br. durante os primeiros 3 dias de vida. através de premix vitamínico. 2009 271 . b) Aleitamento artificial .com INTRODUÇÃO A criação de cabras com objetivo de produção de leite é uma atividade produtiva bastante importante pelos aspectos econômico e social. onde são alimentadas diariamente com alimentos volumosos (capins de corte. e mistura mineral. deixam os cabritos com a mãe. Benedito Marques da Costa1 ¹ Professor . sem receber sol. voltando a apartá-los à tarde. alcançando preços por litro mais elevados do que o de leite de vacas. poderá ser utilizado o colostro proveniente de outras matrizes. Tópicos em Ciências Agrárias. em pequenas áreas. as cabras são mantidas em pastagens. Em regime de semi-confinamento. pequenos produtores podem criar cabras para a subsistência de sua família. Deve ser fornecido 500 ml do colostro.edu. também. parcelado em quatro ou cinco vezes ao dia. a produção de leite de cabras pode ser rentável. Neste esquema as cabras e as crias permanecem juntas. em seguida o cabrito é apartado e levado para aleitamento. recomenda-se o fornecimento de alimento concentrado com 12 a 18 % de proteína bruta e mistura mineral completa à vontade. Cruz das Almas-BA. além do alimento concentrado e da mistura mineral completa. A seguir é apresentado um programa de alimentação de caprinos com objetivo de produção de leite. conforme a sua produção de leite. Existem criações que.

devido à demanda de nutrientes da mãe somados àqueles para formação do feto (Tabela 2). provocada pelo aumento do volume do útero. Tabela 1. 1993).0 a 2. em uma ingestão diária de matéria seca que varia de 2.1981).47 NDT (g) 275 426 561 PB (g) 51 67 79 Ca (g) 2. 272 Tópicos em Ciências Agrárias. 9º ao 11º dia: 50 % de leite de cabra e 50 % de leite de vaca. Entre os produtos utilizados no aleitamento artificial. Se for oferecido antes do 28º dia pode causar sérios problemas de distúrbios digestivos. durante o primeiro mês. destacam-se o leite de vaca e o de soja.Considerando o estado fisiológico do cabrito e os objetivos da criação.88 2. sendo o primeiro o mais indicado para substituir o leite de cabra. Com estes cuidados evitam-se distúrbios digestivos. quando o animal já estiver ruminando. CABRAS EM FINAL DE GESTAÇÃO No terço final da prenhez ocorre uma redução de 20% no consumo de matéria seca. nutrientes digestíveis totais (NDT). A desmama tardia é realizada a partir dos 90 dias de idade. 1990. energia digestiva (ED). a dieta possa atingir até 22 % de proteína bruta. a desmama pode ser realizada a partir de três semanas de idade. 12º dia: leite de vaca.10 Mcal = Megacalorias. levando o animal à morte. Quando se usa leite de soja ou produtos comerciais contendo soja. proteína bruta (PB).32 2. é importante o fornecimento de volumosos de boa qualidade com o intuito de proporcionar aos animais condições de adquirirem o peso de reprodução ou de abate mais precocemente. neste período as exigências nutricionais são maiores. da gestação e do estágio da gestação (NRC. A Tabela 1 serve de orientação para o cálculo da ração visando um ganho de peso diário de 100 gramas. a depender do peso vivo da matriz. ANIMAIS EM CRESCIMENTO Nesta fase. O leite ou “sucedâneo” deve ser fornecido com temperatura de 35 a 37º C.5:1. Desmama . sem receber sol. INRA.79 1.21 1. Exigências de matéria seca (MS).6 % do peso vivo.09 ED (Mcal) 1.49 P (g) 1.45 0. do número de fetos.41 2.43 3. passando gradativamente a ser oferecido à temperatura ambiente no segundo mês. Os animais criados em confinamento. 1. de forma que. cálcio (Ca) e fósforo (P) para um ganho de peso diário de 100 g. O peso vivo dos animais a serem arraçoados. A relação cálcio/fósforo deve ficar ajustada entre 2:1 e 1. para caprinos em crescimento (adaptado do NRC. O fornecimento de uma mistura mineral pode ser necessário para complementar as exigências de cálcio e fósforo e demais elementos minerais. que comprime o rúmen. Por outro lado. Ao utilizar leite de vaca a substituição deve ser gradual seguindo as seguintes proporções: 6º ao 11º dia: duas partes de leite de cabra / uma parte de leite de vaca. 1 Peso vivo (kg) 10 20 30 1 MS (kg) 0. AFRC. deve-se ter cuidado de fornecer somente a partir do 28º dia. o ganho de peso diário objetivado.43 1. Recomenda-se o fornecimento de volumoso de boa qualidade juntamente com alimento concentrado rico em proteína bruta. 1981. UFRB. 2009 . v.A higiene do material deve ser rigorosa. o nível de nutrientes requeridos e o consumo de matéria seca devem ser levados em consideração no cálculo da dieta a ser fornecida. devem receber a vitamina D através da adição de premix vitamínico na ração concentrada.

90 6.0 13.07 0.5 a 2. As equações podem considerar diversos fatores.60 1. energia digestiva (ED).4 2. UFRB. do peso vivo e da produção de leite da cabra.42 6.4 1. v. PV = Peso Vivo (kg).0 3.33 1. pelo menos 1/3 da IMS deve ser de feno não picado ou forragem verde. proteína bruta (PB). cálcio (Ca) e fósforo (P) para cabras gestando dois fetos. até 5 % para animais de alta produção.75 + 0.46 ED (Mcal)¹ 3.5 4.0 8.52 6. nos dois últimos meses de prenhez.0 P (g) 1.5 7. 1.20 1.5 % de gordura Para animais de alta produção.21 1. IMS = Ingestão de MS (g dia-1).5 3. Tópicos em Ciências Agrárias.Tabela 2. o cálculo da IMS deve ser feito a partir da seguinte equação: IMS = 0.0 10. devese atentar para o consumo de fibra em detergente neutro (FDN) fisicamente efetiva.58 4. de forma direta. Fonte: adaptado do NRC (1981). Peso vivo (kg) 40 Gestação (mês) 4° 5° 4° 5° 4° 5° 4° 5° 4° 5° MS(kg) 1. Segundo o AFRC (1993).09 1.02 4.98 2. existem equações que permitem calcular o provável consumo de matéria seca (MS) para situações específicas. Segundo o INRA (1990) a demanda de nutrientes para produção de leite deve obedecer à regra apresentada na Tabela 4.34 1. Exigências de nutrientes para mantença. A IMS varia de 1. Para atender às exigências de FDN fisicamente efetiva.0 6. nutrientes digestíveis totais (NDT).97 1. 2009 273 .4 5.1 3. 1981).0 P (g) 2. PL = Produção de leite (kg dia-1) com 3. CABRAS EM LACTAÇÃO Apesar da ingestão de matéria seca (IMS) poder variar a cada dia.59 1. As Tabelas 3 e 4 possibilitam estimar as quantidades de alimentos e de nutrientes a serem fornecidos para produção de leite.0 % do peso vivo (PV) em animais de baixa exigência.40 6.0 4.47 1. dentre os quais se destacam o peso metabólico ou apenas o peso vivo e o nível de produção de leite. com relatos de consumo que chegam a atingir 8 % do PV.0 7.7 3. A demanda de nutrientes para produção de leite depende. que necessitam ingerir grandes quantidades de alimentos concentrados.4 2.10 5.0 3.00 4.0 3.62 3.1 2.62 NDT(g) 816 1141 932 1268 1027 1363 1114 1454 1458 1504 PB(g) 159 215 173 235 187 253 200 273 212 293 Ca (g) 5.8 4. incluindo os requerimentos de mantença (adaptado do NRC.1 2.0 6.5 9.305 PL onde. Tabela 3.3 5.0 8. Peso vivo (kg) 30 40 50 60 70 1 ED (Mcal)¹ 1.0 2.062 PV 0. com a ração total contendo no mínimo 28 % de FDN. Exigências de matéria seca (MS).8 Mcal = megacalorias.0 50 60 70 80 1 Mcal = megacalorias.59 5.01 NDT (g) 362 448 530 608 682 PB (g) 51 63 75 86 96 Ca (g) 2.0 11.

6 A Tabela 6 exemplifica. De acordo com a composição em nutrientes. Tabela 5. citado por Azevedo (s. Quando se utiliza este tipo de volumoso. Produção de leite (kg dia-1) 2 3 4 5 6 7 Múltiplo da exigência de mantença 2. em lactação e cabritos em crescimento.5 PREFERÊNCIA ALIMENTAR E USO DE VOLUMOSOS Com relação à preferência alimentar. manifestando suas preferências. É recomendável que a alimentação seja individual. 1990).A Tabela 4 demonstra que as cabras devem ser alimentadas segundo sua produção.7 34. como também foi constatada por Araújo Filho et al. Para o tipo de volumoso pobre é necessária a suplementação com ração concentrada para todas as categorias de animais. O tipo rico é aquele constituído de pasto verde em crescimento. essas preferências variam conforme a época do ano (Tabela 5). feno de boa qualidade.8 22. com algumas leguminosas. Tipo de forragem Gramíneas (%) Dicotiledôneas herbáceas Brotos e folhas Fonte: Pfister. quando aumentaram a acessibilidade e a produção de forragem pelo corte da vegetação arbustiva.3 59. b) médio. silagem ou feno de gramíneas pobres com teor de proteína bruta de 5 a 10 % na matéria seca. d. Fevereiro 37.). Ao utilizar este tipo de volumoso. com elevada percentagem de leguminosas. para que possam se alimentar adequadamente.8 Junho 1. mostrando preferências por espécies forrageiras e por determinadas partes das plantas. conseguiram uma melhora do ganho de peso diário de caprinos.6 26. e Zertuche. Contudo.1 24. 2009 . 274 Tópicos em Ciências Agrárias.5 4. Eles consomem mais brotos e folhas de árvores e arbustos e dicotiledôneas herbáceas do que gramíneas. os caprinos são pastejadores seletivos. citados por Huss (1972). Contudo.1 28. A alimentação de cabras leiteiras deve seguir um programa baseado na qualidade dos alimentos volumosos disponíveis. Tabela 4.2 Dezembro 1. Demanda de nutrientes para produção de leite em função das exigências de mantença (adaptado de INRA. Huss et al.3 68. é necessário que a forragem dessas espécies esteja ao alcance dos animais.0 4.0 2. c) pobre e d) muito pobre. as principais espécies lenhosas que compõem a vegetação da caatinga e os seus graus de aceitabilidade por caprinos (Oliveira. que determinam o teor dos nutrientes e a quantidade de concentrados a serem oferecidos de conformidade com as necessidades de mantença e produção dos animais. Embrater (1984) classifica os volumosos em quatro tipos: a) rico.3 Outubro 2. Contudo. silagem ou feno de boa qualidade.0 3. pode ser fornecida em cochos coletivos desde que haja disponibilidade de canzis para contenção dos animais. deve-se suplementar ração concentrada para cabras em final de gestação. Variações da composição botânica nas dietas de caprinos. O volumoso pobre é formado por pasto em início de maturação. (1996). 1990). apresentando teor de proteína bruta na matéria seca acima de 14 %. apresentando teor de proteína bruta de 10 a 14 % na matéria seca. O volumoso do tipo médio é formado por pasto maduro. 1.4 67. somente cabras em lactação e cabritos em crescimento recebem suplementação de ração concentrada. UFRB. em diferentes meses do ano. v.5 3.

produção de forragem e utilização do guandu (Cajanus cajan) e leucena (Leucaena leucocephala). O tipo de volumoso muito pobre é formado por pasto maduro. com teor de proteína bruta inferior a 5 % na matéria seca. de baixa qualidade. Seu uso na alimentação de caprinos. a uréia é recomendada para caprinos adultos ao nível de até 30 % do nitrogênio total da dieta. contudo. 1989). cana picada. ou plantios em faixas nas pastagens de gramíneas. 1. essa prática ainda está muito reduzida. na proporção de 5 % da mistura. como pasto para ruminantes. em mistura com melaço. Tópicos em Ciências Agrárias. A uréia pode ser fornecida. neste caso. +++ = alta. Com relação ao concentrado. UFRB. conhecidos por “bancos de proteínas” ou “legumineiras”. tanto herbáceas como arbustivas. Importantes informações sobre o valor nutritivo. PASTAGEM DE LEGUMINOSAS As leguminosas se constituem em importante fonte de proteínas para os ruminantes. Algumas das leguminosas recomendadas são apreciadas pelos caprinos (Tabela 6). Nome vulgar Sabiá Marmeleiro Mofumbo Jurema preta Jurema branca Pau branco Catingueira Juazeiro Pereiro Pau mocó Aroeira Imburana Melosa Mororó Jucazeiro Nome científico Mimosa caesalpiniaefolia Croton hemiagyreus Cobretum leprosum Mimosa nigra Pithecolobium dumosum Auxema onconcalyz Caesalpinia pyramidalis Ziziphus joazeiro Aspidosperma pririfolium Luetzelburgia auriculata Astromium urundeuva Bursera leptophloeos Ruelia asperula Bauhinia forficata Caesalpinia ferrea Aceitabilidade +++ + + ++ ++ + ++ +++ + ++ + + +++ +++ ++ Legenda: + = baixa. A fim de se evitar intoxicação dos animais. Costa et al. apresentando uma orientação geral de manejo. entretanto o consumo deve ser limitado. USO DA URÉIA A utilização da uréia em mistura com alimentos para caprinos deve ser feita observando-se as mesmas normas preconizadas para os bovinos e respeitando-se sempre o nível máximo de uréia na mistura. pode ser usada em até 3 % deste ou até 1 % da matéria seca total da ração. São realizados plantios de áreas exclusivamente com leguminosas. No caso dos caprinos é recomendável a utilização de espécies perenes. melaço ou mandioca para se obter bons resultados. Informações sobre a produção de leite em caprinos alimentados com níveis crescentes de uréia foram apresentadas por Santos & Bose (1985). Outra forma de uso da uréia é em mistura com o sal. provavelmente devido à dificuldade de acesso às informações provenientes da pesquisa. Fonte: adaptado de Oliveira (1990). 40 g 100 kg-1 de peso vivo/animal/dia (Teixeira. silagem ou feno. ++ = média. Com este tipo de volumoso. Contudo. foram apresentadas por Garcia (1986). também.Tabela 6. a suplementação concentrada é necessária até para manter o peso vivo dos animais. (1989) recomendam algumas espécies de leguminosas nativas e exóticas para formação de pastagens. deve-se incorporar à mistura fontes de carboidratos como o milho. falta de sementes idôneas para o plantio das leguminosas recomendadas e a outros fatores. 2009 275 . requer que se faça uma adaptação gradativa para prevenir intoxicação e para que haja um bom aproveitamento (Tabela 7). v. ou seja. Principais espécies lenhosas da caatinga e graus de aceitabilidade por caprinos.

Período 1ª semana 2ª semana 3ª semana 4ª semana Fonte: adaptado de Azevedo (s. 1986. BOSE. INRA . 8.. Manejo alimentar de caprinos e ovinos. de. Boletim de Indústria Animal. GADELHA. A. Forrageiras arbóreas e suculentas para formação de pastagens. Brasília: EMBRATER. G. Piracicaba. A. 1971. Alimentación de bovinos.5 40 -1 REFERÊNCIAS AFRC . R. Proceedings. 91p. B.0 1. (Coleção mossoroense série B. Goat response to use of shrubs as forage. 1989. Wallingford: CAB International.Tabela 7. Viçosa. 1993. 243 p. da. A. 1989. NRC . 27 p. ARAÚJO FILHO. In: SIMPÓSIO NORDESTINO DE ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES. 1990. M..5 20 a 25 30 a 37. CALAZANS. R. 1985.. AN INTERNATIONAL SYMPOSIUM. 276 Tópicos em Ciências Agrárias. 599). [s.Agricultural and Food Research Council. 321p. Composição botânica e química da dieta de ovinos e caprinos em pastoreio combinado na região dos Inhamuns.) 10 a 12. 2009 . A. v.V. Quantidade no concentrado (%) 0. Anais. GARCIA.National Research Council. 3. jan-jun.. In: Wildland shrubs their biology and utilization. D. d. Logan.. maio/junho. 1986. ed. v. Madrid: MundiPrensa. TEIXEIRA. de. p. de. A. 3. 383-395. S. UFRB. 25.0 Quantidade (g 100 kg de P. 24 p. L.1996. Energy and protein requirements of ruminants.. Nutrição de caprinos e ovinos no Nordeste do Brasil. MENDONÇA. Produção de leite em caprinos alimentados com níveis crescentes de uréia.].. EMBRATER. Washington: National Academy Press. n. d. E. 1990. 1981.. dairy and meat goats in temperate and tropical countries. M. LEITE. J. 1984. E. João Pessoa. AZEVEDO. 94-107. 1. 331-338. Alimentos e Alimentação. L. Revista da Sociedade Brasileira de Zootecnia. Banco de proteína. Mossoró: Escola Superior de Agricultura de Mossoró. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE PASTAGENS. e SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DA PASTAGEM. Pró Reitoria de Extensão. SANTOS. J. Nutrient requirements of goats: angora.. V. J.5 1. 1. dos.79-99. Criação de cabras leiteiras. 1990. R.. n.5 2. João Pessoa: Sociedade Nordestina de Produção Animal. 11-30. et al. Anais . 2ª. ovinos y caprinos. 42. C. Ceará. R. p. p. 159p. Piracicaba: FEALQ. v. M. Esquema de adaptação de caprinos à uréia. OLIVEIRA. HUSS. Nova Odessa. Ogden: USDA Forest Service.). 1972. L. Brasília: Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior.Institut National de la Recherche Agronomique. 432p. p. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará. p. COSTA. E. 1986. A.

CAPÍTULO 21 DESENVOLVIMENTO REGIONAL E A COMPETITIVIDADE DO AGRONEGÓCIO: ESTUDOS DE CLUSTER Warli Anjos de Souza Tópicos em Ciências Agrárias .

Cruz das Almas-BA. busca identificar aquelas atividades que orientam o cluster para exportação. que definem as atividades-chave do cluster. na integração de diferentes atores e atividades. Ambientais e Biológicas/UFRB. Neste sentido. Isto é. DESENVOLVIMENTO REGIONAL. Os estudos de cluster têm revelado as premissas para atingir o melhor equilíbrio no desenvolvimento interno. os impactos ambientais e sociais da aglomeração.Centro de Ciências Agrárias. a competirem. UFRB. são apresentadas também as condições necessárias e suficientes que complementam a explicação para o surgimento de um cluster ou agricluster numa região ou país. suprimentos ou suporte fundamental. E-mail: warli@ufrb. expressas na redução dos custos de coordenação e na melhoria da eficiência e da inovação tecnológica da agroindústria. o que se busca com o desenvolvimento regional é a competitividade dinâmica de empresas e regiões. através da concentração geográfica de indústrias pertencentes à mesma cadeia produtiva e da participação em ações conjuntas de interesses comuns. envolvidas em atividades similares e relacionadas. 2009 279 . que surgiu para denominar alguns setores bem sucedidos da economia mundial. Essas vantagens incluíam um grupo de trabalhadores especializados. nesta abordagem.DESENVOLVIMENTO REGIONAL E A COMPETITIVIDADE DO AGRONEGÓCIO: ESTUDOS DE CLUSTER Warli Anjos de Souza1 1 Professor . que alcançaram um dinamismo competitivo e tecnológico. econômica e ambiental. pois o fenômeno envolve aspectos macroeconômicos. Compreendido o fenômeno local. a competitividade é abordada a partir de uma leitura multidisciplinar.edu. esta abordagem utiliza o conceito de cluster para a análise de problemas de desenvolvimento dirigidos à agroindústria regional. A ênfase é dada às investigações das questões associadas à competitividade local. Um roteiro metodológico é sugerido para conduzir pesquisas de arranjos produtivos locais na forma de estudos de caso de cadeias agroindustriais selecionadas em determinada região. microeconômicos. diminuindo os custos de produtores. isto é. fácil acesso aos fornecedores de insumos e serviços especializados e a rápida disseminação de novos conhecimentos (tecnologias). institucionais e ambientais. 1. As economias externas explicam o crescimento dos clusters industriais contemporâneos e é por isso que Tópicos em Ciências Agrárias. as condições necessárias ao desenvolvimento configuram-se na construção de redes (networks). nas suas três dimensões: social. em decorrência da abertura da economia brasileira para uma integração competitiva em escala global. Marshall (1920) já havia demonstrado. em Princípios de Economia. Evidencia-se nesta exposição que o processo de aglomeração não é apenas uma conseqüência da globalização e das vantagens das empresas localizadas nos clusters. A metodologia busca analisar a competitividade da agroindústria regional numa concepção de desenvolvimento integrado do cluster. porque um agrupamento de empresas poderia auxiliá-las. políticos. Marshall notou que a aglomeração de firmas. gerava economias externas. O Conceito de Cluster Cluster é um termo recente na literatura das ciências sociais.br INTRODUÇÃO Este capítulo consiste em apresentar os aspectos conceituais relacionados ao termo cluster e sua conexão com desenvolvimento regional e a competitividade local do agronegócio. os pólos de desenvolvimento localizados. especialmente as pequenas empresas. v. Assim. formando grandes aglomerados interativos. sociais. O texto está dividido em duas seções: uma fundamentação teórica sobre cluster e uma metodologia alternativa para a pesquisa. a elaboração de um plano de desenvolvimento local tem como roteiro inicial identificar as questões que devem orientar a prática da construção da competitividade com base nessa multiplicidade de fatores. COMPETITIVIDADE LOCAL E CLUSTERS A competitividade local é a base onde se assenta a interiorização do desenvolvimento e requer uma compreensão multidisciplinar. que procura medir o desempenho econômico. Em conformidade com Haddad (1999). Portanto. Embora o termo seja recente. A delimitação conceitual do termo cluster permite compreender o seu significado para o estabelecimento da competitividade local. Adicionalmente.

fornecedores de matéria-prima.. na acepção marshalliana. 1998. Adiconalmente às economias externas incidentais. mão-de-obra. mas dos riscos e da não necessidade de multiplicidade de esforços por parte das indústrias do setor. O conceito de cluster remete as pesquisas a identificarem atividades produtivas e inovadoras. A integração de uma cadeia produtiva passa a ser vista não só pela dependência entre as partes. o alcance de matéria-prima. 1997. maquinários. instituições de pesquisa. Tendler & Amorim. ainda. Haddad (1999) caracteriza cluster como indústrias e instituições que apresentam conexões entre si. visto que ao desenvolver ações em conjunto os resultados obtidos superam o que individualmente seria inviável em seus múltiplos aspectos (financeiro. do final do século XIX. derivado de economias externas (efeitos incidentais) e da ação coletiva (efeitos deliberativos). componentes. que é preciso verificar as 280 Tópicos em Ciências Agrárias. Schmitz & Nadvi (1999) têm a definição mais simples para clusters: são concentrações espacial e setorial de firmas. instituições públicas e privadas de suporte fundamental. as economias externas. Rabellotti. Os clusters são pesquisados. 1996) e Inovação Tecnológica (Braczyk et al. serviços e instituições voltadas para o setor. 1. 1998). integradas ao espaço e as vantagens de proximidade das empresas. e geralmente incluem: empresas de produção especializada. publicados na década de 1990 (Brusco. Podem se estender verticalmente e horizontalmente na cadeia produtiva. Os autores argumentam que existem outras abordagens que complementam e explicam algumas características particulares do fenômeno e. vantagens de redução dos custos de coordenação que melhoram a eficiência e a inovação. existe uma força de ação coletiva na tomada de decisões. os conceitos de cluster evidenciam a concentração espacial de empresas em ativa conexão. 1998). em algumas linhas de pesquisa da Economia Regional (Krugman. máquinas. em diversas ciências sociais. a partir da qual são geradas externalidades produtivas e tecnológicas. 1991). empresas fornecedoras. técnico ou humano). UFRB. v. Ciências Regionais (Scott. A ação coletiva é apresentada em diversos relatórios de pesquisas sobre clusters industriais em países avançados e em desenvolvimento. equipamento. A importância de um cluster está em viabilizar ações que permitam enfrentar e criar alternativas para as empresas face à concorrência desenfreada que a globalização de mercado impõe aos diversos setores da economia. através da integração das empresas. o que permite explorar diversas economias de aglomeração. por exemplo. 2009 . definido como a vantagem competitiva. A ação conjunta e a integração dos agentes econômicos aos arranjos produtivos permitem a emergência das vantagens competitivas no nível industrial para uma região. Assim. 1990. informação. criticam a literatura específica de clusters que considera que a centralização de atividades em uma região surge somente em conseqüência da globalização e devido às vantagens das empresas que estão localizadas nos clusters. Um cluster se desenvolve para criar capacidades produtivas especializadas dentro de uma região e como conseqüência promove o seu desenvolvimento econômico social e ambiental.o trabalho de Marshall. As alternativas implementadas dentro de um setor levam ao aumento da produtividade. Isso ocorre em razão da pulverização não só dos recursos financeiros. Cooperação produtiva e ou tecnológica são estimuladas a partir de um processo de interação local que viabiliza o aumento da eficiência produtiva. gerando um ambiente propício à elevação da competitividade dos agentes. O autor destaca que toda análise de cluster focaliza-se nos insumos críticos que as empresas necessitam para serem dinamicamente competitivas. surge o conceito de eficiência coletiva. não são suficientes para explicar o desenvolvimento de um cluster. especialmente. especificamente. produtos e serviços mais qualitativos e até inovados. é uma referência padrão nesta nova literatura (Schmitz & Nadvi. Podem ser citadas. Entretanto. Humphrey & Schmitz. Essa visão contemplada pelo cluster traz a valorização da importância da sinergia entre as indústrias. O processo de formação de cluster Steinle & Schiele (2002). Cooke & Morgan. Todos os conceitos de cluster apresentados referem-se à emergência de uma concentração geográfica e setorial de empresas. O recorte analítico baseado no conceito de cluster ressalta também os impactos das articulações entre agentes em termos de geração de efeitos de aprendizado e da dinamização do processo inovador em escala local ou regional. com base em diversas pesquisas. incluindo. empresas prestadoras de serviços. 1999). de forma significativa. Esses estudos caracterizam-se por um enfoque nas empresas como entidades em interação e por uma ênfase nos fatores locais para a competitividade em mercados globais. mas pela visão sistêmica de que o todo é mais que a soma das partes. 1998. Gestão de Negócios (Porter. pois possibilita. Assim. Porter (1999) define cluster como concentrações geográficas de companhias e instituições num setor específico que englobam uma gama de empresas e outras entidades importantes para a competição. 1996). horizontais e verticais.

1997). Amendoa et al. é preciso verificar as condições necessárias e suficientes para a clusterização. Ao invés de espalhar-se pelo globo. Diversos estudos apontam que a maior eficiência dessas aglomerações deve-se à flexibilidade da especialização (Brusco 1982. A crítica a este modelo é que ele não se ajusta às industrias centradas em matérias primas. o desenvolvimento de um agricluster requer também o estabelecimento de algumas condições. A abordagem francesa. apresentam num nível interindustrial. De fato. alguns trabalhos. Isto se torna mais evidente quando se deseja entender as condições para a aglomeração. 1995. como o fenômeno de formação de um cluster é um fenômeno multidimensional. estudos com robusto suporte estatístico. Um cluster inovativo. o melhor potencial de formação de um agricluster. os clusters oferecem vantagens competitivas. 1992. seus membros não mostram qualquer interação entre eles. 1995). devido à interação como um clube. Outro caso específico é o das pesquisas que aprofundam o entendimento da interação dentro de sistemas que criam valores. Tópicos em Ciências Agrárias. 1999). redes de negócios cooperativos. Centralização como uma conseqüência da globalização Em indústrias sujeitas ao processo de formação de cluster. por meio de negócios eletrônicos. Para Steinle & Schiele (2002). 1999). 1997. Em outras palavras. tornam claro. têm confirmado a suposição que a globalização freqüentemente significa centralização. também. afirma-se que a harmonização de mercados internacionais e a redução dos custos de transporte. Se existem vantagens de proximidade. Estas pesquisas estão dirigidas para clusters desenvolvidos. existem determinantes para sua gênese e processo evolutivo. Em outra direção. Freeman. paradoxalmente. Os clusters surgem como aglomerações setoriais localizadas de organizações sinérgicas que podem permitir um desempenho superior das empresas. empresas similares tendem a agruparem-se em nações específicas ou mesmo regiões (Patel & Pavitt. 1991). 1990) é o conceito que tende a dominar a discussão sobre competitividade induzida pela inovação. 1992. Nesse sentido. requer uma abordagem integrativa. elas podem indicar. De diferentes perspectivas. que têm se dedicado à analise das cadeias internacionais de commodity. Furtado. mas. tem dado mais ênfase.. 1998. Condições para clusterização As seis condições focalizadas por Steinle & Schiele (2002) aplicam-se à indústria em geral. Archibugi & Pianta. Patel & Vega. 1992. a velocidade deste processo. Vantagens das empresas localizadas nos clusters A redução dos custos de coordenação do sistema traduz-se em vantagens para as empresas promovendo a eficiência e a inovação. têm aumentado a importância do ambiente próximo das empresas (Gertler. A globalização acelerou. Capello. o modelo do diamante da vantagem competitiva (Porter. não se desenvolve de forma automática. Beccattini. não à eficiência na redução do custo. Mas é preciso considerar que o fenômeno de formação de um cluster é um processo de desenvolvimento de sistemas que criam valor local. Em síntese. clusters inovativos não são simples concentração de agentes econômicos independentes. Assim aglomerações ao acaso são excluídas da análise. Ou seja. apenas a literatura com uma referência explícita em clusters não é suficiente para entender o fenômeno. 1. Isaksen. mostram produtos que resistem à globalização da produção (Hopkins & Wallerstien. v. 1991. Steinle & Schiele (2002) explicam porque as empresas obtêm vantagens de se localizarem próximas das outras. 2009 281 . que nem todas as indústrias são igualmente afetadas pelo processo de formação de um cluster. como aquelas centradas exclusivamente nas matérias primas e como tal. como fator central para o sucesso de uma indústria. provavelmente. uma vez que eles oferecem explicações sobre como os membros de sistemas multiorganizacionais ajustam seus comportamentos aos dos outros. por outro lado. 1994). para os autores. antes de tudo. estudos da teoria da inovação tecnológica levaram a uma volta à teoria de sistemas de manufatura e inovação genuinamente nacional (Lundvall. ou seja. Sobre a influência da abordagem de analyse de filière.condições necessárias e suficientes para a clusterização. UFRB. Assim. e sim ao poder de inovação tecnológica das regiões (Aydalot & Keeble. àquelas estritamente domésticas ou àquelas que produzem bens não tradeables. as diversas abordagens expostas aqui.

Richardson (1972) refere-se à similaridade entre essas atividades: quanto mais distinta as competências em uma cadeia de valor. Tal situação é típica de um sistema que cria valor muito fragmentado em consequência. É preciso distinguir o produto final de seus componentes. Lazerson. Outra razão para a segmentação da cadeia de valor reside nas diferenças de lucratividade dos seus segmentos. Com base em Freeman (1995). c) Inovação em rede As inovações em rede são vistas como um motor para a aglomeração. mais sua competitividade depende da complementaridade dos atores e mais importante torna-se a organização do seu ambiente. as quatro condições suficientes que estão relacionadas com a coordenação flexível dos seus distintos e diversos atores. UFRB. As duas primeiras condições suficientes delineadas por Richardson (1972) distinguem atividades complementares (cadeia de valor) de atividades similares (competências similares). É a possibilidade de dividir o processo de produção em diversas etapas distintas que permite a especialização. inovações de laboratório e inovações em rede é útil para entender a propensão ao processo de formação de cluster devido a inovação induzida por uma indústria. o desafio da coordenação é acentuado. formas alternativas de coordenação precisam ser evidenciadas (Brusco. Por razões de natureza técnica. a evolução do processo de inovação pode ser distinguida em três fases: 1ª. diversos produtos intermedários surgem simultaneamente. A presença de complementaridade mais o conhecimento dissimilar em um sistema de criação de valor. Quanto mais a complementaridade entre os atores contribuir para o processo de inovação e quanto menor for o tempo disponível para sua coordenação. Condições suficientes Estabelecidas as duas condições necessárias para emergência de um cluster. enquanto o produto final pode ser facilmente exportado. O número de interfaces aumenta. Se os suprimentos são difíceis de transportar. depende de sua divisibilidade técnica (Piore & Sabel.Condições necessárias Compreendem duas condições relacionadas à divisibilidade do processo de produção e à possibilidade de transporte do produto. verifica-se agora. ou se a indústria está em formação ou na sua maturidade. Inventor inovador: Ator predominante no século XIX. 1982. Genet. Quanto mais especializada uma organização. v. isto conduz a uma forma integrada de organização. mais desafios para uma única empresa liderar a todos. surge o problema de coordenação dos diversos parceiros. Enquanto o poder amplo da inovação é usualmente atribuído aos clusters (Baptista & Swann. 1. freqüentemente comercializado pelo próprio inventor inovador que é um empreendedor. a) Cadeia de valor longa Esta condição diz respeito à coordenação dos múltiplos componentes que irão formar um produto final. a distinção entre inovações do próprio inventor. Os produtos do cluster têm que ser transportáveis (Lazerson. 1995). entretanto. a localização de seus fornecedores é determinada pelo local de seus consumidores. b) Diversidade de competências O aspecto principal desta condição é que embora seja múltipla e dissimilar. a fragmentação do processo de produção. 1998). pode ser considerado como outra condição suficiente para o processo de formação de um cluster. 2009 . e. as chances para o processo de formação de cluster se acentuam. cada um focalizado em diferentes competências. mais a eficiência da sua cooperação torna-se um fator de sucesso. Ou seja. Uma invenção leva a um produto radicalmente novo. Se o produto não pode ser deslocado. 1995. Como conseqüência. a necessidade de proximidade durante a fase de produção aumenta. há complementaridade de competências. em conseqüência. 1997). 2ª. 1984). Em conseqüência. Independente de inovações radicais ou incrementais estarem presentes. não existe consenso sobre o tipo de inovação que particularmente promove o processo de formação de cluster. Pesquisa e desenvolvimento em grandes centros: Especialistas reunidos em departamentos distintos promovem as 282 Tópicos em Ciências Agrárias.

uma empresa em particular tornar-se um membro do cluster. Tais vantagens baseiam-se exclusivamente em incentivos fiscais e financeiros recorrentes. no processo de formação de um cluster em uma região ou país. no caso do fenômeno aplicar-se a um conjunto de indústrias. Cluster. as condições para o surgimento do cluster permitem planejar uma política industrial e regional para pré-selecionar. ou seja. com os determinantes da demanda final. mas. Diferente de um bem organizado centro de pesquisa e desenvolvimento. a dedução das seis condições para clusterização permite o teste de sua precisão pela avaliação transversal destas condições com estudos de casos. Isto se explica. Num terceiro momento. num horizonte de longo prazo. como a primeira etapa para delimitar um sistema produtivo regional. com competências distintas. Nem todas as indústrias estão presentes de forma simultânea. particularmente os aduaneiros. 1. de qualquer natureza e em qualquer escala produtiva. melhoraram os processo existentes. numa região que não disponha dessa competitividade dinâmica é muito pequena ou inviável. a desenvolver um cluster. modificações da economia alteram a composição e a dimensão do estoque. como aquelas capazes de resistirem aos processos de globalização e de integração da economia nacional. UFRB. 2009 283 .invenções de laboratório. medidas de uma rede regional ou outras formas de desenvolvimento de cluster. os pesquisadores. 3ª. combinam suas habilidades. num primeiro momento. Em oposição. na sobre-exploração da mão-de-obra ou na informalidade e na clandestinidade de suas operações. A necessidade de uma coordenação eficiente torna-se vital. os recursos naturais de uma região mudam com a dinâmica do crescimento econômico. pela pressão da concorrência interregional. a sobrevivência de atividades econômicas. Isto ocorre porque a empresa passa a monitorar como o cluster vem se estabelecendo e como ela poderia lucrar a partir desta evolução. Inovação em rede: Trata-se de um novo modelo que tem a possibilidade de se tornar predominante. De forma mais sistemática que a fase anterior. de um lado. Se todas ou a maioria destas características aplicam-se a uma indústria. como no caso de um empreendedor inventor. específicas de cada região. seus atores teriam conhecimento da sua existência. Nem tão pouco se trata de um aperfeiçoamento das competências existentes. que amplia o espaço da concorrência internacional. A inovação em rede ocorre quando atores diferentes. As vantagens competitivas espúrias apresentam como característica principal a insustentabilidade. como no caso de um laboratório ou centro de pesquisa tradicional. na utilização dos recursos naturais do ecossistema de forma predatória. os municípios e localidades de uma região com custos de transportes e impostos. num contexto de comércio exterior desregulamentado. Tópicos em Ciências Agrárias. uma inovação em rede pode acontecer sem o planejamento. cada vez mais declinantes. Segundo Haddad (1999). para Haddad (1999). o estoque dos recursos naturais são requeridos pela economia nacional para atender às demandas interna e externa. A sensibilidade ao tempo em um determinado mercado promove uma redução no controle dos produtores em reação à demanda e ajuda. Por exemplo. As vantagens da coordenação. 2002). devido à proximidade dos atores na cadeia de valor. é preciso distinguir as vantagens econômicas espúrias das vantagens competitivas dinâmicas. e por diversos trabalhos empíricos (Steinle & Schiele. por outro lado. espera-se que em tal indústria este fenômeno favoreça a formação de um cluster. se a velocidade da reação dos agentes é grande. é a condição essencial para desencadear o processo de desenvolvimento de uma região. d) Volatilidade de mercado Condição entendida como a recompensa aos atores do sistema pela adaptação flexível. melhorando um produto existente ou processo ou mesmo criando um novo. Estas vantagens. no caso de mercados voláteis. com maior acuidade. Neste ponto. a meta industrial. agroindústria e desenvolvimento regional Delimitar um sistema agroindustrial regional competitivo e dinâmico. Isto é. Se o desenvolvimento de uma indústria é dirigido por inovações em rede. pela crescente integração global. em determinado período de tempo. A inovação em rede não é uma nova invenção radical para um uso prático. se assentam sobre os recursos naturais de uma região e de sua posição relativa a outras regiões do país e do exterior. Finalmente. v. Adicionalmente. O mercado requer reações rápidas às imprevisíveis mudanças na demanda dos consumidores (volatilidade de mercado). mas requer a cooperação de diversas organizações. precisam apresentar vantagens competitivas para poder desencadear o processo de desenvolvimento. Haddad (1999) também identifica as vantagens competitivas dinâmicas da agroindústria de uma região. em seus laboratórios. no longo prazo. no médio prazo. em termos de preço e qualidade. Num segundo momento. transformam-se em vantagens competitivas. por esta razão.

esta metodologia é adequada porque alcança os setores mais dinâmicos. a produtividade dos fatores e a concentração da renda e riqueza. desenvolver os fornecedores. Assim. manutenção técnica etc) requeridos pelas empresas. a concepção do desenvolvimento integrado do agricluster. pois seu principal objetivo é contextualizar e aprofundar o estudo do problema. no caso específico da definição de cluster para análise da competitividade das agroindústrias. construir formas de cooperação público-privado. Especial atenção é dirigida àquelas regiões cuja atividade econômica preponderante seja a agroindústria. METODOLOGIA PARA ANÁLISE DA COMPETITIVIDADE DO AGRONEGÓCIO Entre as diversas abordagens analíticas para o estudo da competitividade local das principais cadeias agroindustriais de uma região e suas implicações para o desenvolvimento regional. O frágil sistema produtivo pode apresentar problemas de degradação ambiental que podem conduzir a uma queda intensa da capacidade produtiva dos recursos naturais. Somam-se ao problema ambiental as questões de natureza fundiária que podem conduzir a produtividade do setor agrícola para valores muito diminutos. torna-se necessário. efetividade do controle ambiental. de acordo com IFC KAISER (1997). Assim. crescimento. ambos os fatores definem o conceito de cluster (aglomerados ou complexos produtivos) em atividades-chave orientadas para exportações. mas. à medida que a exploração da base de recursos naturais da região permite o crescimento do seu mercado interno. 284 Tópicos em Ciências Agrárias. é preciso estimar as oportunidades de investimento que surgem. assim. é preciso identificar uma oportunidade favorável em alguma localidade ou região que possa ser explorada. Não se busca determinar a incidência de um dado fenômeno no seu universo. o conceito de potencialidade não é físico e sim econômico. de acordo com ICF KAISER (1997). avalia ineficiências em cada segmento da cadeia agroindustrial. oferta de serviços comunitários. Os impactos sociais são avaliados por oportunidades de emprego para grupos sociais de baixa renda. ao contrário. Neste sentido. O ponto crítico refere-se aos custos relativos. o enfoque é dado na sua compreensão em nível mais aprofundado. quanto maior o nível de produtividade. devido a uma melhor oportunidade do que em outra localidade ou região. o autor mostra que os serviços de suporte empresarial (contabilidade de custos. da organização do sistema produtivo e do sistema político. exportações. Os impactos ambientais são avaliados pela emissão de resíduos tóxicos. reinvestimento entre outros. testes de qualidade. a análise de clusters apresenta uma grande vantagem para estudar os problemas de competitividade dinâmica do agronegócio no contexto do desenvolvimento econômico. identificar necessidades de suporte fundamental. Quanto maior a população. Isto significa que o valor de um recurso natural não é inerente ao material. social e ambiental. suprimento e de suporte fundamental. maior será a dimensão do seu mercado interno. a partir de seus recursos naturais. antes de tudo. certificado ISO 14000 entre outros. impactos ambientais e impactos sociais. e é particularmente útil neste enfoque. para suprimento e para suporte fundamental. aos custos de produção e de transporte. pesquisa e desenvolvimento. estabelecer as etapas de seu desenvolvimento que. 1. fluxos migratórios entre outros. às inovações tecnológicas adotadas no processo de comercialização e outros. No estudo específico de agricluster. potencial poluição ambiental. UFRB. 2009 . Nesta seqüência. incorporar custos de oportunidade e de concorrência são fundamentais nos estudos que permitem compreender o conceito de competitividade interregional. Estudo de caso Este método de pesquisa tem um caráter mais qualitativo. Estes três aspectos definem a orientação das atividades-chave do cluster para as exportações. porque considera todos esses elementos conceituais de forma sistêmica. vincula-se à demanda. Finalmente. Para definir quais são as potencialidades de crescimento econômico de uma região. valor adicionado. Em síntese. o papel da força de trabalho rural. apresenta uma tríplice leitura: desempenho econômico. Devido às argumentações já discutidas na seção anterior. permitem verificar o desempenho econômico regional: identificar as atividades produtivas do agricluster.com as condições tecnológicas de produção. quanto mais bem distribuída a renda de uma região. O mercado interno de uma região apresenta três determinantes fundamentais: a população regional. o desempenho econômico é avaliado pela aglomeração. geram economias de aglomeração e externalidades e. revela os sistemas de coordenação existentes e aponta os insumos críticos para a criação de capacidades produtivas especializadas numa tríplice leitura: econômica. devido a proximidade espacial. a metodologia alternativa apresentada é a análise de cluster na forma de estudos de caso. Para Haddad (1999). v. especialização.

pressupõe: a) Delimitação da área geográfica . f) Indicadores de desenvolvimento social da região do cluster . e) Suporte fundamental . fontes de terceirização e subcontratação. Por se tratar de uma análise interdisciplinar. Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). empregos gerados pelo cluster. qualidade dos serviços. assistência técnica nos diversos segmentos do cluster. fortes vieses. b) Indicadores de desempenho setorial . é preciso evitar que a subjetividade do pesquisador predomine no relatório. agências regulatórias. manutenção técnica. para garantir a confiabilidade da pesquisa. centros de pesquisa e universidades. este método encaixa-se bem na situação onde o fenômeno é abrangente e complexo. d) Serviços de suporte empresarial .O método de estudo de caso por ser mais qualitativo pressupõe que os arranjos produtivos locais podem ser associados a uma estrutura referenciada a um setor específico ou a uma região geográfica delimitada. Tópicos em Ciências Agrárias.Para cada cluster deve ser elaborado um diagrama que mostre a estrutura do complexo produtivo. Esta limitação é crítica numa situação em que o pesquisador não dispõe da capacitação suficiente e desejável para evitar os vieses potenciais que emergem. do já citado baixo rigor. Os indicadores devem ser preparados por municípios relevantes.Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU. percentagem do emprego gerado pelo cluster no total da região. adoção de técnicas de planejamento estratégico. Roteiro metodológico para análise de cluster O roteiro metodológico do estudo de caso sugerido para medir a competitividade do agronegócio. Para isto. UFRB. Ou seja. segurança. produtividade e qualidade do bem ou serviço para a região.Nível de qualificação do empresariado. onde o corpo teórico é insuficiente para estabelecer relações causais e onde o fenômeno pode ser estudado fora do seu contexto sem perda de utilidade da pesquisa (Bonoma. marketing rural e internacional.Contabilidade de custos. Neste caso. compactação do solo por sobre-pastejo na pecuária. Tais indicadores devem ser comparados com regiões concorrentes no país e no exterior. telecomunicações. nível de informatização dos setores que compõem o cluster. entrepostos de comercialização. v. rotatividade. controle de qualidade. com base em critérios específicos de agregação e classificação dos agentes.Para cada cluster. conforme Haddad (1999). indicadores de qualidade do emprego: salário médio real. sistemas de financiamento. g) Indicadores ambientais .Relacionados com a produção. outros. 2002).Manejo de dejetos produzidos. ISO 14000 (número de certificados). c) Aglomerados ou complexos produtivos . índice de condições de Vida (ICV).Logística de transporte. sazonalidade. formas de controle e reciclagem de resíduos. h) Desenvolvimento de cultura organizacional . o que se procura. é detalhar a conformação institucional desses arranjos. com o uso de dados qualitativos e com a profundidade das análises. Assim o pesquisador pode ser conduzido a realizar generalizações que não são verdadeiras. Evita-se. 1. a delimitação é realizada com base no critério de regionalização. A principal limitação do método de estudo de caso em pesquisa é o seu baixo rigor metodológico. como também devem ser registradas as fontes de dados. Cada indicador deve ser definido tecnicamente. Uma forma de contornar este problema é realizar as generalizações analíticas com fortes bases estatísticas e dados com fontes fidedignas. infraestrutura especializada. sistema educacional: qualidade e acesso. um espaço caracterizado pela homogeneidade física. 2009 285 . econômica e social. em conseqüência. avaliando-se os resultados gerados em termos de desempenho produtivo e tecnológico do setor investigado (Britto & Albuquerque. o desenho da cadeia agroindustrial. ISO9000 (número de certificados). 1985). adoção de técnicas de gestão.

173-197. .C. 4. P. ARCHIBUGI. a crise fiscal e financeira do setor público e suas repercussões sobre a oferta de infra-estrutura econômica. M. regularidade da oferta de tradeables face à expansão da demanda. P. efeitos da política cambial sobre a competitividade do agricluster. podem ou não ser aplicados integralmente nas análises dos estudos de casos das cadeias produtivas de uma região. High Technology Industry an Innovative Environments: The Europeean Experience. Ainda é preciso referir-se na metodologia aos efeitos das políticas macroeconômicas sobre o agricluster.. com base em Haddad (1999). High-technology and innovative environments in Europe: an overview. um roteiro metodológico básico é apresentado a seguir: 1.. programas institucionais de pesquisas. os impactos dos processos de privatização e de concessões sobre a competitividade do agricluster no médio e longo prazo. Journal of International and Comparative Economics. 2009 . UFRB. impactos distributivos da política de rendas. efetivos (em plena maturidade) ou incipientes (cadeias produtivas decadentes ou em estágio inicial).). por fim. os custos financeiros como obstáculos ao desenvolvimento e expansão do agricluster. PADOAN. as propostas alternativas de novo sistema tributário e sua adequação à competitividade do agricluster regional. A report to the EEC on International Science and Techonology Activities. desenvolvimento de técnicas específicas para diversos ecossistemas brasileiros. apoio à organização de infra-estrutura especializada de ensino e pesquisa. The techonological specialisation of advanced countries. D. v. a política de crédito e de financiamento das atividades do agricluster regional. p. New York. 2. e isto depende prioritariamente das cadeias se identificarem como agriclusters potenciais (cadeia de produção agroindustrial). de pesquisa e de ciência e tecnologia no cluster Desenvolvimento de recursos humanos especializados. que os dois esquemas metodológicos sugeridos acima. Impactos de política monetária . International patterns of technological accumalation and trade. Impactos fiscais . preços relativos dos tradeables.O processo de equilíbrio fiscal e financeiro do setor público e sua relação com a política monetária vigente. G. centros de pesquisa e laboratórios especializados. D. 1992.administração e controle de preços. REFERÊNCIAS AMENDOA. difusão de incentivos fiscais para promoção de desenvolvimento científico e tecnológico. sistemas de classificação. outros. sistemas de informação para o cluster (decisões empresariais e planejamento estratégico).Programas institucionais de treinamento..Valorização e desvalorização do Real. GUERRIERI. KEEBLE. P.i) Demanda e necessidade de insumos de conhecimento. 1. Boston. Impactos de política cambial . PIANTA. estoques reguladores e a renda do setor agrícola. 1992. j) Mecanismos de inserção da Embrapa e do CNPq (formas de cooperação público-privada) . É preciso considerar. v. KEEBLE. garantia de preços. combate a enfermidades que causam prejuízos diretos e indiretos ao cluster. A decisão do pesquisador deverá estar em conformidade com o estágio atual do arranjo produtivo local. Para orientar trabalhos pesquisa sobre a competitividade local dos arranjos produtivos e análise de desenvolvimento regional. inspirados nas proposições de Haddad (1999). isto por que a pesquisa pode revelar se a metodologia se aplica no todo ou em parte. D. Impacto de política de rendas . (Eds. P. 1. 1988. 286 Tópicos em Ciências Agrárias. seus efeitos sobre o agricluster regional.. a eficiência da política cambial. AYDALOT. 3. outros.o sistema tributário atual e suas influências sobre o desenvolvimento do agricluster regional. In: AYDALOT. estabilização da renda agrícola e a competitividade do agricluster regional. comportamento das taxas de juros e câmbio e o desempenho do setor.

MORGAN. p. v. 1995. GERTLER. International Studies fo Management & Organization. S. GENET.. CAPELLO. regions and inovation. p.. Economic Geograhy. The french system of innovation in the oil industry: some lessons about the role of public policies and sectoral patterns of technological chnage in innovation networking. 27. HADDAD. p. Pyke. Tópicos em Ciências Agrárias. HUMPHREY. 4. R. UFRB. Spatial transfer of knowledge in high technology milieux: learning versus collective learning processes.19. J. 1998.71-102. Conclusion about commodity chains.. 2009 287 . V. F. ALBURQUEQUE. San Francisco: ICF Kaiser. Oxford: University Press. Clusters industriais na economia brasileira: uma análise exploratória a partir dos dados do RAIS. T. p. 22. 1995. C. Being there: proximity.BAPTISTA. KONZENIEWICZ. v. H. 83-90. Journal of Development Studies. The ideia of the industrial district: its genesis. J.K. 1997. p.. M. A competitividade do agronegócio e o desenvolvimento regional no Brasil: estudo de clusters. FURTADO. Case research in marketing: opportunities. M. 1997. BECCATTINI. (Eds. 1998. S. v. 199-208.405-424. Italian industrial districts: problems and perspectives.. Geneva: International Institute for Labour Studies.525-540. HOPKINS T. Quelles conditions pour la formation des biotechnopoles: Une analyse dynamique. Italian industrial districts: problems and perespectives. v. p. A. p. p. WALLERSTIEN. 1997. v.. v. Regional Studies. v. 1-26. 1990.. COOKE.. BRITTO. 1994. P. L. The Associational economy: firms.32.525-540. ed. In Industrial Districts and Inter-firm Cooperation in Italy. E. 1999.33.. P. Estudos Econômicos. 2002. and a proces. Regional Innovation Systems. n. and culture in the development and adoption of avanced manufacturing technologies. G. p. problems. 34. SWANN. n. Journal of Marketing Research. HEIDEREICH. K.R. Do firms in clusters innovate more? Research Policy. Commodity Chains and Global Capitalism. R. Cambridge Journal of Economics. 21. J. COOKE. 1. H.. FREEMAN.. eds.10-19.5-24. P. International Studies of Management & Organization. 1985. Becattini. p. v.v. 1998. 1998. 353-365.1243-1259. 21. 32-61. Research Policy. C. I. organization. The next generation in developement: using cluster anlysis as a tool to achieve economic development and broader social and environmental concerns. London: Wesport.. BRUSCO. 1999. BONOMA. ICF KAISER. P. p. London: UCL Press. v.). BECATTINI. The 'national system of innovation' in historical perspective. BRACZYK. G. M. SCHMITZ.71.1. G. 1991. Trust and interfirm relations in developing and transition economies. G. Revue d'Economie Régionale et Urbane. W. 1991.25. Sengenberger. In GEREFFI.M. Brasília: CNPq/Embrapa.

p. 288 Tópicos em Ciências Agrárias. v. J. Regional clusters and competitiviness: the Norwegian case. MARSHALL. 1972. 1996. R.. B. PORTER. RABELLOTTI. n. World Development. 2002. 9..77-90. Principles of Economics. M.34-59. NADVI.31. Futures. v. Geography and trade. 1984..407426. M. Clustering and industrialization: Introduction. 1997. p.145-155. v. v. P. Large firms in the production of world's technology: an important case of non-globalisation. 1996. 1995.24. A. p. PATEL. RICHARDSON. STENLE. p.65-76. n. 1920. Clusters and the new economics of competition. K. World Development. PAVITT.5. PIORE. European Planning Studies. LUNDVALL. Patterns of internationalisation of corporate techonology: location vs. UFRB. SCHMITZ. p.40. v. 1. 1997. 1999. B. SCHIELE. London: Macmillan..5. M. 1992. K. M. v.82. A new Phoenix? Modern putting-out in modena knitwear industry.883-896. v. A. v. Adminstrative Science Quarterly. p. When do industries cluster? A proposal on how to asses na industry's propensity to concentrate at a single region or nation. External economies and cooperation in industrial districts: a comparison of Italy and Mexico. AMORIM. G. p. VEGA. Research Policy. PATEL. 1991. The competitive advantage of nations. M. The Economic Journal. A. London: Macmillan.76. PORTER. The organisation of industry. KRUGMAN. 1991. P. Regional motors of global economy.1-40. 2009 . 1999.. TENDLER. v. H. v. SUBEL. New York: Basic Books. London: Macmillan.22. London: Pinter. National innovation systems towards a theory of innovation and interactive learning. M. Cambridge: MIT Press. p.28.ISAKSEN. 3.28.27. The second industrial divide: possibilities for prosperity. LAZERSON.391-411. n. 1998. v.1503-1514. Harvard Business Review. Home coutry advantages. P.8449-858. C. Small firms and their helpers: lessons on demand. SCOTT. Research Policy. p.). p. 1990. (ed.. H. C. Journal of International Business Studies.

MUDANÇA TECNOLÓGICA E EFICIÊNCIA NA AGROPECUÁRIA DO NORDESTE DO BRASIL NO PERÍODO 1975/1995 Carlos Augusto Pereira Filho & Warli Anjos de Souza Tópicos em Ciências Agrárias .CAPÍTULO 22 PRODUTIVIDADE.

em duas abordagens: paramétrica e não-paramétrica. METODOLOGIA O conceito de produtividade está relacionado a dois componentes: produtividade parcial dos fatores e produtividade total. parte-se da construção de uma fronteira tecnológica utilizando-se dados de produção e uso de fatores nas regiões brasileiras. Neste enfoque. translog. e um componente assimétrico que mede a ineficiência técnica pela distância em que se situa em Tópicos em Ciências Agrárias. Os estudos visando analisar a eficiência a partir de fronteiras de produção podem ser agrupados. a região nordeste vem apresentando ineficiência na produtividade total dos fatores e deslocando regressivamente a fronteira tecnológica.PRODUTIVIDADE. Warli Anjos de Souza1 1 Professor . de acordo com os métodos utilizados para estimar a função de produção. no que se refere ao comportamento da produtividade e da mudança técnica. a produtividade parcial do insumo xi (PPF) é dada pela seguinte expressão: PPF = Y / xi (1) Define-se a produtividade total dos fatores (PTF) como o produto médio de todos os fatores de produção os quais são expressos como um índice. 2009 (2) 291 . warli@ufrb. distinguem-se os modelos determinísticos e as fronteiras estocásticas. nas últimas duas décadas. O presente trabalho enfoca as transformações ocorridas na agropecuária da região Nordeste do Brasil.. Nos modelos determinísticos a eficiência técnica é dada pelo termo de erro e podem ser estimados por programação linear ou técnicas econométricas. 1. Gomes & Dias. 2001. v.edu. 1995. Utilizou-se uma abordagem não-paramétrica baseada no modelo DEA (Data Envelopment Analysis) para a construção dos índices de Malmquist. de modo que as regiões que se situarem na fronteira são consideradas eficientes em relação às que se posicionam abaixo da fronteira. Seja Y o produto e xi um insumo utilizado na produção. ou seja. UFRB. Cruz das Almas-BA. MUDANÇA TECNOLÓGICA E EFICIÊNCIA NA AGROPECUÁRIA DO NORDESTE DO BRASIL NO PERÍODO 1975/1995 Carlos Augusto Pereira Filho1. Nos modelos estocásticos. A produtividade parcial é definida pela razão produto/insumo (produtividade média) e mede a contribuição de um fator de produção particular para a eficiência técnica. tem se distanciado da fronteira de produção da agropecuária brasileira. ignorando o efeito dos demais fatores. a PTF é dada pela seguinte expressão: PTF = Y / X = Y / Saixi Onde ai é o peso do insumo xi. E-mail: capfilho@ufrb. fora do controle da unidade de decisão. Dias & Bacha. ao longo do tempo. pouco se pode inferir sobre as mudanças intra-regionais na produtividade dos fatores e na tecnologia agropecuária.edu. a região. Na maioria destes estudos os resultados indicam que. Pereira et al. 2001).Centro de Ciências Agrárias. etc).br.br INTRODUÇÃO Vários trabalhos sobre a agricultura brasileira têm sido elaborados enfocando o crescimento da produtividade decorrente do ganho de eficiência técnica e do deslocamento da fronteira tecnológica (Ávila & Evenson. 1998. Considerando-se o nível de agregação dos dados utilizados nestas análises. o qual permite decompor a produtividade total dos fatores nos seus componentes de eficiência técnica e mudança tecnológica. Na abordagem paramétrica a função de fronteira é considerada uma função paramétrica dos insumos (CobbDouglas. Em geral. CES. Ambientais e Biológicas/UFRB. Sendo X o índice de todos os insumos. pressupõe-se que o termo de erro tem dois componentes: um ruído branco que representa os efeitos aleatórios sobre a produção e. portanto.

o que inviabilizaria a sua aplicação em casos em que o número de graus de liberdade é reduzido. necessário para aumentar o produto yt de modo que yt/ q Î St (ou seja. Dot+1(xt+1. podem ocorrer disparidades entre várias estimativas dependendo da forma funcional especificada. o índice de mudança da produtividade de Malmquist orientado para produto é dado por: 292 Tópicos em Ciências Agrárias. yt) como a máxima mudança proporcional no produto yt em relação à tecnologia no período t+1... Utilizando técnicas de programação linear. Sendo St a fronteira de produção no período t (t = 1. (1982) com base nas funções de distância desenvolvidas por Malmquist (1953). a recíproca da medida de eficiência técnica relativa de Farrell). yt+1/ q) St] (5) A função (5) mede a máxima mudança proporcional no produto yt+1 dados os insumos xt+1. Nesta abordagem. 1. yt) < 1 a produção no período t está no interior da fronteira e não é tecnicamente eficiente. De forma semelhante. A função de distância com orientação produto no período t+1. O índice de produtividade total dos fatores (FTP) é uma média geométrica de dois índices de produtividade de Malmquist calculados a partir de quatro funções de distância com orientação produto. yt): xt pode produzir yt} Define-se a função de distância com orientação produto no período t como: Dot(xt. para medir as contribuições do progresso tecnológico e da eficiência técnica ao crescimento da produtividade da agricultura do Nordeste do Brasil. 2009 . propuseram a decomposição do crescimento da produtividade em dois componentes mutuamente exclusivos: mudança relativa na eficiência técnica e deslocamento da fronteira de produção (mudança técnica) no decorrer do tempo. Se Dot(xt. Neste estudo utilizou-se o índice generalizado de Malmquist. sob a tecnologia no período t. Färe et al. Mesmo com a utilização de formas funcionais flexíveis. a eficiência é medida como a distância de cada firma em relação a uma fronteira de produção não-paramétrica. assume-se. yt) = 1 apenas se (xt. a transformação dos insumos (xt Î Rn+) em produtos (yt Î R ) é definida do seguinte modo: m + St = {(xt. seja resultante de fatores comportamentais que estão sob o controle da unidade de decisão. (1994). construída como uma combinação convexa de insumos-produtos observados. surgiu da necessidade de não se especificar uma forma funcional particular à função de produção. (1994). yt/ q) Î St] = {sup[q: (xt. A abordagem não-paramétrica. distinguem-se os modelos conhecidos na literatura como Data Envelopment Analysis (DEA) que utilizam dados de quantidade de insumos e produtos para obter a fronteira de produção. qyt) Î St]}-1 onde o sub-índice o indica orientação produto. yt) estiver na fronteira tecnológica e a produção é tecnicamente eficiente. desenvolvida mais recentemente.T). (3) (4) A função de distância é definida como a recíproca do máximo q. substituindose t por t+1. a função de distância com orientação produto é definida da seguinte forma: Dot(xt+1. Dot(xt. O índice de produtividade de Malmquist foi proposto por Caves et al. A principal restrição ao emprego dos modelos paramétricos se deve à imposição de uma forma funcional explícita aos dados que podem não corresponder à verdadeira estrutura da tecnologia de produção. é definida como em (4). yt) = inf [q: (xt. yt+1) = inf [q: (xt+1. Uma segunda restrição aos modelos estocásticos está relacionada ao número de observações disponíveis para as variáveis.. (1994). v. De acordo com Färe et al. define-se Dot+1(xt. t+1). UFRB.relação ao ótimo (fronteira) e que. que permitem melhorar as propriedades de aproximação da verdadeira função. Para dois períodos diferentes (t.. 1995). yt+1). resultando em erros de estimativa (Lambert & Shonkwiler. dado xt. desenvolvido por Färe et al. a partir do desenvolvimento de uma abordagem não-paramétrica (Data Envelopment Analysis) para o cálculo do índice de Malmquist.

y t ) 1 {[ t +1 t +1 t +1 ][ t +1 t t ]} 2 t Do ( x t . as seguintes funções de distância são calculadas. Dot(xt+1.. substituindo-se t por t+1. yt). Comparando-se cada estado da região Nordeste com a fronteira tecnológica tem-se uma medida da eficiência em relação à fronteira e uma medida da mudança da fronteira (inovação ou tecnologia). y ) Do ( x . yt) é o índice de mudança relativa na eficiência e T(xt+1. mão-de-obra (pessoal ocupado total) e capital (número de tratores de 50 a menos de 100 cv) RESULTADOS E DISCUSSÃO Na Tabela 1 são apresentadas as funções de distância calculadas..m k =1 K sujeito a: K t 1 t q k y k+m £ å ltk y k . y t ) = (7) M 0 ( x t +1 . x t . y t ) = {[ t t Do ( x t +1 .. y t +1 ) Do ( x t . Para tanto.. As seguintes variáveis foram usadas: valor total da produção agropecuária (em Reais de 1994). y k )]-1 = max q k (8) t t t [ Do ( x k+1 . yt) são similares a (8) e (9). para cada estado k. y t +1 ) 1 ][ ]} 2 t t t t +1 t t Do ( x . k =1 K ål k =1 t k t t x k . yt) é o índice de mudança tecnológica (inovação) entre os períodos t e t+1. Dot+1(xt. utilizou-se o modelo DEA para construir as fronteiras de produção para cada período e para cada tipo de tecnologia.. Para cada Estado. de quatro problemas de programação linear. y t ) = E ( x t +1 . y ) (6) A expressão (6) pode ser decomposta em duas partes de modo que: t t t Do+1 ( x t +1 . yt+1).. yt+1) e Dot+1(xt. y t =1 ) Do ( x t +1 . o índice de produtividade de Malmquist entre os períodos t e t+1 é obtido a partir de quatro funções de distância: Dot(xt.n £ x k .m . Tópicos em Ciências Agrárias. xt. xt. y t =1. y t +1 . Neste estudo.. O índice de eficiência de escala é dado. 1985 e 1995/96. x t . y ) Do ( x .T períodos..K estados. yt+1) e Dot+1(xt+1. yt+1. yt+1. pela razão entre os índices de eficiência técnica calculados sob RCE e RVE. terra (área total exceto matas naturais. y t =1 . terras em descanso e terra produtivas não utilizadas).n £ x k+n . Isto é feito acrescentando-se aos problemas (8) e (9) a restrição Slk=1. o índice de eficiência técnica pode ser decomposto em dois componentes: índice de eficiência técnica pura e índice de eficiência de escala. Definindo k = 1. ltk ³ 0 ltk ³ 0 Os cálculos de Dot(xt+1. então. x t . para a construção do índice de Malmquist.N insumos. Visando uma análise mais detalhada das causas de variação da produtividade. y k+1 )]-1 = max q k (9) sujeito a K t t q k y k . sob retornos constantes à escala (RCE). y ) M 0 ( x t +1. Utilizando a abordagem não-paramétrica. yt).T ( x t +1 . respectivamente.. x t .. y t =1 .n ål k =1 t k t t 1 x k . Fonte e descrição dos dados Os dados utilizados neste trabalho foram obtidos dos Censos Agropecuários de 1975.. t = 1. UFRB. v. pressupondo-se retornos constantes à escala (RCE): t t t [ Do ( x k . isto implica na solução. 2009 293 .. y t +1 ... torna-se necessário estimar os índices de eficiência técnica sob retornos variáveis à escala (RVE). x t. m = 1.. y t ) Do ( x . 1..m £ å ltk y k . y t +1 ) Do+1 ( x t +1 . y t ).M 0 ( x t +1 . y t ) onde E(xt+1.M produtos e n = 1.

197 0.522 0.000 0.639 0.000 0. 1 1 1 rve 2 2 2 rve 3 3 3 rve Estado Maranhão Piauí Ceará R.y3) sob a condição de retornos variáveis à escala.536 0.418 0. 2009 .000 1. considerando que não houve variações nos índices de eficiência técnica1.y ) 1.y1). respectivamente.750 0. a produtividade total dos fatores decresceu 1 Exceto para o estado de Sergipe que apresentou uma pequena perda de eficiência de escala.000 1. UFRB.883 0. v.000 1.926 D (x . torna-se necessário o cálculo das funções de distância D1(x1.379 1.341 0.493 0.531 2.645 1.590 0. foram decorrentes de mudança tecnológica.y ) D (x .947 1.562 0.482 0. Os três primeiros índices (colunas 2 a 4) da Tabela 1 permitem avaliar.713 1. Estas funções são apresentadas na Tabela 2.000 1. Para se decompor os índices de eficiência técnica.000 1. No período 1975/85 (Tabela 3).000 0.772 1. Funções de distância calculadas sob retornos constantes à escala para os estados da região Nordeste do Brasil.451 0.000 0.523 0. Nos demais períodos (1985 e 1995) o estado da Bahia apresentou ineficiência técnica [D1(x1. 1 1 1 2 2 2 3 3 3 1 2 2 2 1 1 2 3 3 3 2 2 Estado Maranhão Piauí Ceará R.225 0.621 0.000 1.373 0.694 Os sobre-índices 1. a eficiência técnica de cada estado em relação à fronteira tecnológica regional.613 0.771 0.y2) e D3(x3.y ) 1.Tabela 1. A perda de eficiência técnica no estado da Bahia. 1985 e 1995.433 7. Alagoas e Bahia [D1(x1.871 0.564 1.557 1.G.000 1.830 0.320 1.000 0. 294 Tópicos em Ciências Agrárias. Os índices de Malmquist e sua decomposição em mudança de eficiência técnica. D2(x2. 1985 e 1995. Para os demais estados. como pode ser observado pela comparação dos índices de eficiência técnica calculados sobre RCE e RVE. mudança tecnológica e mudança de escala são apresentados nas Tabelas 3 e 4. Funções de distância calculadas.000 1.000 1. sob RCE.y ) D (x .000 1.y ) D (x .661 0. para os períodos de 1975/85 e 1985/95.608 0.500 0.000 1.775 1.157 2.697 0.000 0. apenas os estados de Pernambuco. períodos de 1975.021 0.y ) 1.y1) = 1]. nos componentes eficiência técnica pura e eficiência de escala.744 0.969 Os sobre índices 1. para cada ano considerado. Pode-se observar que.923 D (x . decorreu da ineficiente escala de operação.346 0. Tabela 2. 2 e 3 indicam os anos de 1975. Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind.000 0.910 1.433 1.875 1. sob retornos constantes à escala. Médio (*) D (x .y1) < 1] e a fronteira tecnológica foi determinada pelos estados do Maranhão.009 3.892 1.000 0. Pernambuco. respectivamente. 1985 e 1995 (*).000 1.y ) D (x .691 1. períodos de 1975. médio (*) D (x .000 1.246 0.000 0.000 1.618 1.084 1.841 1.000 0. respectivamente. Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind.655 1. 1.870 0.773 1.G.000 1.000 0.000 0.y ) D (x . no ano de 1975.416 0.000 1.y ) D (x .y ) 1.776 1.417 0.965 1. 2 e 3 indicam os anos de 1975.000 0. a fronteira tecnológica foi determinada pelos estados do Maranhão.538 1.174 0.678 0. Alagoas e Sergipe apresentaram ganhos de produtividade total dos fatores os quais. 1985 e 1995*.547 1.915 0.460 0.903 0.963 0. para os estados da região Nordeste do Brasil.000 0.366 0. Pernambuco e Alagoas.

UFRB. Tabela 3.326 1.512 0.920 1.000 1.757 1.927 Índice de mudança na fronteira tecnológica 0.154 0.544 0.056 1.207 1.000 1.000 0.000 1.678 0. na fronteira tecnológica.8%).000 0.678 0.047 0.000 1.470 0. para os estado do Nordeste do Brasil. Índice de mudança na PTF 2.933 0. Índices de mudanças relativas na eficiência técnica. havendo deslocamento da fronteira.028 1. evidencia progresso técnico). causada pela insuficiente escala de operação a qual foi compensada pela expansão da fronteira tecnológica. 1.225 1.774 0. médio No período 1985/95 (Tabela 4).063 0.000 1.000 0.841 1. Para o primeiro período (1975/85) os resultados não indicam qualquer Estado que fosse responsável pelo deslocamento da fronteira técnica. Índice de mudança na PTF 0.devido à perda de eficiência técnica. no entanto. Este ganhos de eficiência técnica. v.897 Índice de mudança na eficiência técnica pura 1.212 1. regressão da fronteira de produção ou de ambas.000 1.929 0.188 1. na fronteira tecnológica e na produtividade total dos fatores foram todos maiores do que 1. não se refletiu em ganhos na produtividade total dos fatores (PTF) já que ocorreu uma regressão da fronteira tecnológica.188 1. os estados de Pernambuco e Alagoas destacam-se como deslocadores da fronteira tecnológica. é preciso que três condições se verifiquem: a) que o índice de mudança tecnológica entre o período t e t+1 seja maior do que 1 (evidência de mudança tecnológica).453 0.000 1.957 0.031 Estado Maranhão Piauí Ceará R.220 1. na escala e na produtividade total dos fatores. Buscando-se evidências de quais Estados podem estar deslocando a fronteira tecnológica.000 1. para os estado do Nordeste do Brasil. como pode ser observado nas duas últimas colunas da Tabela 3.326 1.512 0.000 1. Para o período 1985/95.000 1.326 1. Tabela 4.G. período 1975/85.000 0.908 0.094 0.098 Índice de mudança na fronteira tecnológica 2. utilizando-se os insumos do período t+1 (o produto potencial em t+1 maior que o máximo produto em t.963 0. período 1985/95.191 1.561 1.000 1.831 Índice de mudança na eficiência técnica total 1.000 1.816 1.4%.000 1.978 1.000 1.251 0.000 1.986 0.119 1.104 1.283 1. Os estados do Maranhão.9%) e à mudança na eficiência técnica (9.000 1.104 1.799 1.996 1.223 1.236 1.802 0. com destaque para os estados do Maranhão e da Bahia que apresentaram taxas crescimento da ordem de 145.000 1.025 1.993 Índice de mudança na eficiência de escala 1. Neste período. Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind. apenas o estado do Piauí apresentou ganhos de eficiência técnica.185 1. Os índices médios regionais de mudança na eficiência técnica. da ordem de 15.000 1. na escala e na produtividade total dos fatores.392 1. dadas as condições supra mencionadas.750 1.239 Índice de mudança na eficiência técnica pura 1. Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Ind.431 1.330 1. decorrente de ganhos de escala.934 Estado Maranhão Piauí Ceará R.223 1. respectivamente.154 0. b) que a eficiência técnica de cada Estado no período t+1 seja igual a 1 (ou seja.000 1.177 1. Pernambuco e Alagoas apresentaram ganhos na produtividade total dos fatores decorrentes exclusivamente de expansão da fronteira de produção já que os índices de mudança na eficiência técnica foram iguais a 1.392 1.065 Índice de mudança na eficiência de escala 1. Índices de mudanças relativas na eficiência técnica.236 1.964 0. indicando que o ganho de produtividade no período deveu-se à expansão da fronteira técnica (23. todos os estados nordestino apresentaram crescimento da produtividade total dos fatores.794 0.360 Índice de mudança na eficiência técnica 1. O estado do Rio Grande do Norte foi o único estado que apresentou perda de eficiência técnica.3% e 75%. c) que o produto da região em t+1 seja maior do que o máximo obtido no período t. na fronteira tecnológica. médio Tópicos em Ciências Agrárias.083 1.000 1.453 1.957 0.G. os Estados que o fazem devem estar situadas sobre ela).855 1.024 1. 2009 295 .024 1.543 0.

Econometrica. C. 3.J. 296 Tópicos em Ciências Agrárias.. American Journal of Agricultural Economics. C. ZHANG. v. 37.. v. output. O comportamento da agropecuária brasileira no período de 1987 a 1996. considerando-se que existe uma defasagem entre investimentos e produção e que. p. BACHA. 84. Total factor productivity growth in the brazilian agriculture and the role of agricultural research. Recife. D. 1994. technical progress.. ALVES. R. Pode-se argumentar que. J. p. S. 2001. Curitiba.. D. UFRB. T. Brasília: SOBER.. embora seja possível estabelecer algumas relações com a política agrícola vigente no período. 1393-1414. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL. p. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL.F. 4. reflexos dos investimentos realizados no primeiro período.. C. v. M. S. Contudo.. 1998. CD-ROM 2001. podem ter contribuído para o desempenho da agricultura nordestina neste período. F. É provável que os resultados referentes ao segundo período analisado (1985/95). DIAS. K. M. SHONKWILER. Recife.CONCLUSÕES Os resultados obtidos permitem inferir que. v. Z. A. and productivity. n. PARRÉ. FÄRE. 33. 2009 .. v. p. dentre outros fatores. NORRIS. Outros fatores. p-631-657. GOMES. A. houve um declínio na produtividade do setor agropecuário da região Nordeste do Brasil determinado. 1. p. 66-83. L.. J. M. no período 1975/85. S.. principalmente. Economia & Tecnologia. favoreceu a elevação dos investimentos no setor agropecuário. T. REFERÊNCIAS ÁVILA. 1. S. a política de crédito vigente no período.D. como a melhoria das relações de preços agropecuário/industrial e recebidos/pagos pelo setor agropecuário. Os resultados obtidos neste estudo devem ser observados com parcimônia pois alguns aspectos podem estar contribuindo para os índices calculados como erros na medição das variáveis. Produtividade e progresso tecnológico na agricultura brasileira. contudo. 1982. EVENSON.. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL. Anais. MALMQUIST. Anais. entre outros. CD-ROM 2001. R. v. 2001. CAVES. F. BACHA. Estes resultados. 1995. P. LAMBERT.. por força do modelo utilizado. 50. L.. p. os índices de eficiência calculados possivelmente estejam subestimados. J. Factor bias stochastic technical change. CHRISTENSEN. American Economic Review. R. não permitem conclusões sobre os determinantes deste comportamento. and efficiency change in industrialized countries.. J. o valor da produção é função dos investimentos realizados no mesmo período. Index numbers and indifference curves. GROSSKOPF.. sejam. S. DIAS. SILVEIRA. conforme assinalam Gomes & Dias (2001). 1998. ROCHA. 35-59.. Productivity growth. S. 1995.. fatores não controlados pelos produtores como clima e preços agrícolas. v. 36. A. 1995. Brasília: SOBER. PEREIRA. Medidas de produtividade na agropecuária brasileira: 1985-1995. por perda de eficiência técnica e deslocamento regressivo da fronteira tecnológica. E.C. The economic theory of index numbers and the measurement of input.578-90. dentre outras. assinalados por Bacha & Rocha (1998). Trabajos de Estatistica. R. Anais.. Mensuração da eficiência técnica na agropecuária brasileira através da estimação econométrica de fronteiras de produção. 4-11. Brasília: SOBER. Revista Brasileira de Economia e Sociologia Rural.. 1953. DIEWERT.209-242. 1. n. E.

ISBN 978-85-61346-04-1 .

Master your semester with Scribd & The New York Times

Special offer for students: Only $4.99/month.

Master your semester with Scribd & The New York Times

Cancel anytime.