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Coleta de Sangue Venoso[1]

Coleta de Sangue Venoso[1]

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  • INTRODUÇÃO
  • 1.Causas Pré-Analíticas de Variações dos Resultados de Exames Laboratoriais
  • 2.4Equipamentos e Acessórios
  • 2.2Área Física da Cabine de Coleta
  • 2.Instalações e Infra-Estrutura Física do Local de Coleta
  • 2.1Recepção e Sala de Espera
  • 2.5Conservação e Limpeza das Instalações
  • 3.1.1 Para um paciente adulto e consciente
  • 3.1.2 Para pacientes internados
  • 3.Fase Pré-Analítica para Exames de Sangue
  • 3.1Procedimentos Básicos para Minimizar Ocorrências de Erro
  • 3.2Definição de Estabilidade da Amostra
  • 3.3Transporte de Amostra como Fator de Interferência Pré-Analítica
  • 4.Procedimento de Coleta de Sangue Venoso
  • 4.1Locais de Escolha para Venopunção
  • 4.2Posição do Paciente
  • 4.4.1 Considerações sobre coleta de sangue venoso a vácuo
  • 4.4.2 Considerações sobre coleta de sangue venoso com seringa e agulha
  • 4.5Considerações Importantes sobre Hemólise
  • 4.7Centrifugação dos Tubos de Coleta
  • 4.8.1 Seqüência de coleta para tubos plásticos de coleta de sangue
  • 4.8.2 Seqüência de coleta para tubos de vidro de coleta de sangue
  • 4.8.3 Homogeneização para tubos de coleta de sangue
  • 4.9Procedimento de Coleta de Sangue a Vácuo
  • 4.10Procedimento de Coleta de Sangue com Seringa e Agulha:
  • 4.11Cuidados para uma Punção Bem Sucedida
  • 4.12.2 Coleta de sangue via cateter de infusão com heparina
  • 4.12.3 Fístula artério-venosa
  • 4.13 Hemocultura
  • 4.14Coleta de Sangue para Provas Funcionais
  • 4.15Coleta de Sangue em Pediatria e Geriatria
  • 4.16Coleta de Sangue em Queimados
  • 4.17Gasometria
  • 5.Garantia da Qualidade
  • 5.1Qualificação dos Fornecedores e Materiais
  • 5.2.1 Agulhas para coleta múltipla
  • 5.2Especificação dos Materiais para Coleta de Sangue a Vácuo
  • 5.2.2 Adaptadores para coleta de sangue a vácuo
  • 5.2.3 Escalpes para coleta múltipla de sangue a vácuo
  • 5.2.4 Tubos para coleta de sangue a vácuo
  • 5.3.2 Concentração e volume dos anticoagulantes
  • 5.4Requisição de Exames
  • 5.5Identificação e Rastreabilidade
  • 5.6Documentação
  • 5. 7 Capacitação e Treinamento do Pessoal
  • 6.3 Formação de Hematoma
  • 6.2Riscos e Complicações da Coleta
  • 6.4Punção Acidental de uma Artéria
  • 6.5Anemia Iatrogênica
  • 6.6Infecção
  • 6.7Lesão Nervosa
  • 6.8Dor
  • 6.9Segurança do Flebotomista
  • 6.10Boas Práticas Individuais
  • 6.11Equipamentos de Proteção Individual (EPI)
  • 6.12 Cuidados na Sala de Coleta
  • 6.13Descarte Seguro de Resíduos
  • 6.13.1Classificação dos resíduos de saúde
  • 6.13.2Identificação dos resíduos
  • 6.13.4 Transporte interno de RSS
  • 6.13.5 Armazenamento dos resíduos sólidos de saúde
  • REFERÊNCIAS NORMATIVAS CONSULTADAS
  • REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CONSULTADAS E RECOMENDADAS
  • SEQÜÊNCIA DE COLETA DOS TUBOS PARA COLETA DE SANGUE A VÁCUO
  • II.ASPECTOS HUMANÍSTICOS DA COLETA DE SANGUE

RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO
1ª Edição Outubro de 2005 Direitos autorais reservados.

Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / ML para Coleta de Sangue Venoso, 1ª.ed. / elaborado pelo Comitê de Coleta de Sangue da SBPC/ML e BD Diagnostics - Preanalytical Systems. São Paulo, 2005 76 p. 1. Sangue. 2. Técnicas de Laboratório Clínico. 3. Técnicas e Procedimentos de Laboratório. I. SBPC/ML. II. BD Diagnostics - Preanalytical Systems. III. Título

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL COMISSÃO DE COLETA DE SANGUE VENOSO
PRESIDENTE: Dr. Nairo Massakazu Sumita Professor Assistente Doutor da Disciplina de Patologia Clínica da Faculdade de Medicina – Universidade de São Paulo (FMUSP), Diretor do Serviço de Bioquímica Clínica da Divisão de Laboratório Central – HCFMUSP Coorde, nador do Serviço de Química Clínica – Departamento de Patologia Clínica do Hospital Israelita Albert Einstein.

VICE-PRESIDENTE: Dr. Ismar Barbosa Médico Patologista Clínico, Gerente Técnico do Programa para Acreditação de Laboratórios Clínicos (PALC) da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML).

PARTICIPANTES: Dr. Adagmar Andriolo Professor Livre-Docente de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial da Escola Paulista de Medicina – UNIFESP , Assessor Médico do Fleury – Centro de Medicina Diagnóstica. Dra. Áurea Lacerda Cançado Médica Patologista Clínica do Laboratório Central do Hospital das Clínicas – Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG). Dra. Luisane Maria Falci Vieira Médica Patologista Clínica, Diretora Científica da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial. Dra. Maria Elizabete Mendes Doutora em Patologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo Médica Patologista Clínica, Chefe da Seção Técnica de Bioquímica de Sangue da Divisão de Laboratório Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Dra. Patrícia Romano Biomédica, Pós-Graduada em Saúde Pública, Especialista em Aplicação de Produtos da área de BD Diagnostics - Preanalytical Systems. Dra. Rita de Cássia Castro Médica Clínica Geral e Endocrinologista, Pós-Gradução (nível mestrado) em Neuroendocrinologia, executiva com experiência nas áreas de Diagnóstico, Indústria Farmacêutica, Consumo, Comunicação e Relacionamento com Clientes, Gerente de Assuntos Médicos BD – Região América Latina Sul. Dr. Ulysses Moraes Oliveira Diretor Científico do Laboratório Franceschi. Presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/ Medicina Laboratorial, Biênio 2004/2005.

estruturado em aspectos técnicos. analisar e selecionar procedimentos que abrangessem. baseados na prática. estiveram reunidas por seis meses consecutivos. no desejo de que ele não se encerre em si mesmo. O esforço resultou neste Documento. Boa leitura! São Paulo. Dickinson and Company). itens importantes para a coleta de sangue venoso. na moderna literatura científica nacional e internacional. outubro de 2005. de forma clara e objetiva.PREFÁCIO Este documento propõe recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) para a coleta de sangue venoso. Representa o resultado do esforço de profissionais reunidos. Orgulhosamente. então. Neste projeto. profundamente analisados. em parceira com experientes profissionais da BD (Becton. pessoas que dedicaram tempo e energia a este tema de trabalho. e nos aspectos do relacionamento humano durante o ato da coleta de sangue venoso. mas que sirva de estímulo para discussões e para a busca de novos desafios. Estas recomendações envolvem as referências normativas complementadas por bibliografia recomendada pelo grupo de trabalho. com o propósito de coletar. apresentamos este texto. A força-tarefa constituiu-se de professores associados da SBPC/ML. .

......................................................... 20 4....................................................................................................... 22 4................................................................... 20 4.......2 Posição do Paciente ........ 30 ....................................................2 Considerações sobre coleta de sangue venoso com seringa e agulha .....13 Hemólise .....................................................................7 4..............................5 Conservação e Limpeza das Instalações .............. 26 Recomendação da Seqüência dos Tubos a Vácuo na Coleta de Sangue Venoso de Acordo com a NCCLS ............................................................................. 11 1..... 30 Seqüência de coleta para tubos de vidro de coleta de sangue ..10 Procedimentos Diagnósticos e/ou Terapêuticos . 22 4..... 9 1............................5 Atividade Física .................................................................................................................. 18 4............ Instalações e Infra-Estrutura Física do Local de Coleta ....................................3 Idade .1 4.......................................................... Causas Pré-Analíticas de Variações dos Resultados de Exames Laboratoriais .. 9 1...................7 Dieta ................................................4..................... 10 1............. 11 1..........2 Seqüência de coleta para tubos de plástico de coleta de sangue ...............................................................3 Procedimento para Antissepsia e Higienização das Mãos em Coleta de Sangue Venoso ...... 11 1.................. 13 2.....6 4......................................................... Procedimento de Coleta de Sangue Venoso ........................1 Para um paciente adulto e consciente ........................................... 25 Recomendações para Tempo de Retração do Coágulo ..................................................................................2 Para pacientes internados ...................................... 17 4. 9 1.................8..............................2 4............................ ou inconscientes ou com algum tipo de dificuldade de comunicação .....................4............................................................................1 4...............3 Infra-Estrutura ..................................5................................................ 16 3........ 14 3......................................6 Jejum .............8 Boas práticas pré-coleta para evitar hemólise ................................................................. 13 3......................................1..... 10 1....................8......................................................................................................................................................................................... 10 1.................................................................................................ÍNDICE INTRODUÇÃO........................................................................... Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial para Coleta de Sangue Venoso......................2 Área Física da Cabine de Coleta .................................. 23 4..............9 Aplicação do Torniquete ...... 18 4.......................... 14 3......2 Definição de Estabilidade da Amostra .......................................................................................................................1 Recepção e Sala de Espera ....................... ................................................ 12 2....... 14 3....8 Uso de Fármacos e Drogas de Abuso ........................................................................................................ 9 1..... 13 2.......................12 Gel Separador .........14 Lipemia ............................................................................. 11 1............... ................................................11 Infusão de Fármacos .. 13 2............ 25 Boas práticas pós-coleta para evitar hemólise .........1 Considerações sobre coleta de sangue venoso a vácuo ...................................................... 14 3.........................1.......................................................1 Locais de Escolha para Venopunção .......................5 Considerações Importantes sobre Hemólise .........................................2 Gênero ....................4 Posição ...........................3 Transporte de Amostra como Fator de Interferência Pré-Analítica ........................................................... 9 1........................................................................................................ 14 3....... 26 Centrifugação dos Tubos de Coleta ............................................................... 13 2.....................................................................4 Equipamentos e Acessórios ..................... Fase Pré-Analítica para Exames de Sangue ........... 24 4................. 10 1........................................................................................................................ 12 1................3 Para pacientes muito jovens................................................4 Critérios para a Escolha da Técnica da Coleta de Sangue Venoso a Vácuo ou por Seringa e Agulha ........ 13 2.......................................1 Variação Cronobiológica ...................5............................................................................................................1 Procedimentos Básicos para Minimizar Ocorrências de Erro .................................................................................................. 12 1..................... 29 4.... 8 I.......................1.............................................

12.......................2 Coleta de sangue via cateter de infusão com heparina .......................... 54 6...................... Aspectos Humanísticos da Coleta de Sangue............................................................. 31 4.................... 54 6..................................................1 Agulhas para coleta múltipla ......4 Tubos para coleta de sangue a vácuo .................2..................3.15 4........................................................................................................... 50 Requisição de Exames ................................. 58 Referências Normativas Consultadas. 54 6.....13............................1 Coleta de sangue via cateter de infusão ..................... 43 Coleta de Sangue em Pediatria e Geriatria ...........................12..... 46 5............................................. 53 6.......................................................... 51 Documentação ..................................... 54 6.............3 Formação de Hematoma ......................................... 38 4........................................................................................................13 4...2.......................11 Cuidados para uma Punção Bem Sucedida ..10 Boas Práticas Individuais ..........13..................................6 5.................. 57 6......................................................................................... 46 5...............................................................................2 Identificação dos resíduos ...............................................................................................8 Dor .. 41 Coleta de Sangue para Provas Funcionais .................................. 30 4.. 64 ....................2 Concentração e volume dos anticoagulantes .. Garantia da Qualidade ............................................................................4 Transporte interno de RSS ...........................................12 Coletas em Condições Particulares .............1 Classificação dos resíduos de saúde ......... 53 6..................... 41 4........................4 Fluídos intravenosos ... 57 6..... 55 6. 55 6.................................................... 54 6.........................3........ ...1 Segurança do Paciente ........... 53 6.................................................................................................................................................................................. ....................................................................................... 52 5............................................................12...............4 Punção Acidental de uma Artéria .............1 Qualificação dos Fornecedores e Materiais ...................................2 Especificação dos Materiais para Coleta de Sangue a Vácuo ................................ 52 Capacitação e Treinamento do Pessoal ..................................................13........................................................................ 51 Identificação e Rastreabilidade .........................3 Homogeneização para tubos de coleta de sangue .................................................................................................4 5.......2 .... 38 4.13................................................................................2................. 39 4........................................................................13................13 Descarte Seguro de Resíduos .8...................................................5 Anemia Iatrogênica .....................................................6 Infecção ............................11 Equipamentos de Proteção Individual ................................................................................................................................ 44 Coleta de Sangue em Queimados .................5 5. 55 6........... 48 5.........................3 Manejo dos RSS (Resíduos de Serviços de Saúde) ......17 Hemocultura ................ 61 Seqüência de Coleta dos Tubos para Coleta de Sangue a Vácuo....................7 6.... 33 4.............7 Lesão Nervosa .............. 50 5...................... 45 Gasometria ......................... ............................ 63 II.............................................................................. 59 Referências Bibliográficas Consultadas e Recomendadas............ 53 6.............................................Single-use Containers for Human Venous Blood Specimen Collection .....................9 Procedimento de Coleta de Sangue a Vácuo ..................1 Informações que o tubo a vácuo deve conter descritas no rótulo ou mesmo no tubo ...............................................................................................................................................4....................................................................................2 Riscos e Complicações da Coleta ........................9 Segurança do Flebotomista ....................................................................................................... 46 5..........................................10 Procedimento de Coleta de Sangue com Seringa e Agulha..............5 Armazenamento dos resíduos sólidos de saúde ..................... 53 6.............................................................................................14 4............................................................ 58 6................ 41 4.......... 45 5......... 46 5........12 Cuidados na Sala de Coleta ................................................... Aspectos de Segurança na Fase de Coleta .................. 47 5............................... 55 6. 48 Comentários sobre a ISO 6710.............................................................................. 36 4..................................... 47 5....................2. .........2 Adaptadores para coleta de sangue a vácuo ..............................................16 4....................................... 56 6.......3 Fístula artério-venosa ..................................12................3 Escalpes para coleta múltipla de sangue a vácuo .......................................................................................................3 5....

Este Documento não pretende esgotar todos os aspectos sobre os assuntos abordados. -8- . às condições de coleta de sangue venoso. promovendo mudanças que resultem em melhorias na atenção ao paciente. em última instância. revisões e complementações. mas abre uma discussão focada e atualizada. A qualidade dos resultados dos exames laboratoriais está intimamente relacionada à fase pré-analítica e. e aplicá-los no dia-a-dia. vitais para a conduta médica e. para o bem-estar do paciente. futuras contribuições. na exatidão e precisão dos resultados dos exames. Esperamos que este Documento permita ao leitor aprimorar seus conhecimentos. A difusão do conhecimento é a premissa básica para se alcançar estes objetivos. sendo parte da sua proposta. A Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial e a BD criaram este Documento de Recomendação de Coleta de Sangue Venoso que representa uma verdadeira prestação de serviços para os profissionais de saúde. objetivando orientar e educar. Ser atendido com excelência também é um desejo de todos. principalmente.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO INTRODUÇÃO A melhoria da qualidade na prestação de serviços de saúde tem sido uma busca constante e cada vez mais crescente no país. Inúmeras variáveis podem interferir no desempenho da fase analítica e. pacientes e a população em geral. conseqüentemente. Todos os laboratórios querem atender melhor e encantar o cliente.

como procedimentos terapêuticos ou diagnósticos. a coleta.3 . também podem ser causa de variação dos resultados. anual.). que afetam os resultados laboratoriais em indivíduos jovens. a melhor condição para coleta de sangue para realização de exames de rotina é o período da manhã. propriamente ditas. As alterações hormonais típicas do ciclo menstrual também podem ser acompanhadas de variações em outras substâncias. é indispensável que o preparo do paciente. idade.2 Gênero: além das diferenças hormonais específicas e características de cada sexo. onde as coletas realizadas à tarde fornecem resultados até 50% mais baixos do que os obtidos nas amostras coletadas pela manhã. a concentração sérica das proteínas é significativamente mais elevada em amostras colhidas à tarde. é importante conhecer. conteúdo hídrico e massa corporal. alguns outros parâmetros sangüíneos e urinários se apresentam em concentrações significativamente distintas entre homens e mulheres. etc. são referidas como condições pré-analíticas variação cronobiológica. se possível. A coleta de sangue para realização de exames de rotina pode ser efetuada no período da tarde? Classicamente. em decorrência das diferenças metabólicas e da massa muscular. dieta. quando comparadas às obtidas pela manhã. Em dias quentes. RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 1. sazonal. os intervalos de referência para estes parâmetros são específicos para cada gênero. controlar e. atividade física. Esta dependência é resultante de diversos fatores. 1. do horário em que foi realizada a coleta. transfusão de sangue e infusão de soluções. É importante lembrar que as mesmas causas de variações pré-analíticas. Em situações específicas. há que se considerar variações nas concentrações de algumas substâncias. a este propósito. O ciclo de variação pode ser diário. interferem nos resultados dos exames realizados em indivíduos idosos. até os intervalos de referência devem considerar essas diferenças. Variação circadiana acontece. nas concentrações do ferro e do cortisol no soro. Classicamente. etc. cirurgias. Causas Pré-Analíticas de Variações dos Resultados de Exames Laboratoriais Uma das principais finalidades dos resultados dos exames laboratoriais é reduzir as dúvidas que a história clínica e o exame físico fazem surgir no raciocínio médico. embora não exista contra-indicação formal de coleta no período da tarde. em razão da hemoconcentração. o transporte e a manipulação dos materiais a serem examinados obedeçam a determinadas regras. por exemplo. Por exemplo. Em geral. Numa abordagem mais ampla. posição. como o uso de gel separador. jejum. Alguns aspectos do tubo de coleta. como hemólise e lipemia. 1. gênero. uso de drogas para fins terapêuticos ou não. Além das variações circadianas. Idade: alguns parâmetros bioquímicos possuem concentração sérica dependente da idade do indivíduo. TSH. É recomendável que exista uma indicação no laudo. outras condições devem ser consideradas. como maturidade funcional dos órgãos e sistemas.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO I. Para que o laboratório clínico possa atender. mensal. entre outros fatores. salvo aqueles parâmetros que sofrem modificações significativas no decorrer do dia (exemplo: cortisol. a concentração de aldosterona é cerca de 100% mais elevada na fase pré-ovulatória do que na fase folicular.1 Variação Cronobiológica: corresponde às alterações cíclicas da concentração de um determinado parâmetro em função do tempo. por exemplo. Antes da coleta de sangue para a realização de exames laboratoriais. anticoagulantes e conservantes e características da amostra. e a aplicação de torniquete. mas a intensidade da variação -9- 1. em razão de alterações do meio ambiente. adequadamente. evitar algumas variáveis que possam interferir com a exatidão dos resultados. evitando interpretação equivocada do resultado.

pode potencializar estas alterações. Atividade Física: o efeito da atividade física sobre alguns componentes sangüíneos. a aldolase e a aspartato aminotransferase. Substâncias não filtráveis. . por exemplo. como ocorrem. hemoglobina. em situações especiais. qual o intervalo de tempo recomendado para iniciar a prática de um exercício físico ou retorno às atividades habituais? A coleta de sangue não é procedimento impeditivo ou limitante para a prática de exercício físico. Importante ressaltar que cada caso deve ser avaliado individualmente. níveis de albumina. é preconizado um período de jejum para a coleta de sangue para exames laboratoriais. O esforço físico pode causar aumento da atividade sérica de algumas enzimas. nos primeiros dias de uma internação hospitalar ou de imobilização. antes da prática esportiva. hematócrito. em geral.10 - . 1. por exemplo. Os estados pós-prandiais. Por essa razão. Devem ser evitadas coletas de sangue após períodos muito prolongados de jejum. Quando o indivíduo se move da posição supina para a posição ereta. sob o risco de hipoglicemia durante esta atividade. ficando a decisão final para o próprio paciente. A ingestão de alimento é necessária para encerrar o estado de jejum. mesmo respeitado o período regulamentar de jejum.6 Jejum: habitualmente.7 Dieta: a dieta a que o indivíduo está submetido. nos primeiros dias de uma internação hospitalar. é transitório e decorre da mobilização de água e outras substâncias entre os diferentes compartimentos corporais. como as estatinas. tratando-se de crianças na primeira infância ou lactentes. colesterol. mais facilmente reprodutíveis e padronizáveis. como ocorrem. causam turbidez do soro. Doenças sub-clínicas também são mais comuns nos idosos e precisam ser consideradas na avaliação da variabilidade dos resultados. A ingestão de café é permitida antes da coleta? Não.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO tende a ser maior neste grupo etário. triglicérides. O uso concomitante de alguns medicamentos. A cafeína pode induzir a liberação de epinefrina. tais como as proteínas de alto peso molecular e os elementos celulares terão sua concentração relativa elevada até que o equilíbrio hídrico se restabeleça. Além disto pode elevar a atividade da renina plasmática e a concentração de catecolaminas. pode ser de 1 ou 2 horas apenas. exigem certo tempo para que alguns parâmetros retornem aos níveis basais. em geral. acima de 16 horas. Alterações bruscas na dieta. Nas populações pediátrica e de idosos. Alterações significativas no grau de atividade física. podendo ser reduzido a 4 horas. em geral. com conseqüente elevação da glicose no sangue. o tempo de jejum deve guardar relação com os intervalos de alimentação. que estimula a neoglicogênese.4 Posição: mudança rápida na postura corporal pode causar variações na concentração de alguns componentes séricos. como a creatinoquinase. de drogas que se ligam às proteínas e o número de leucócitos. 1. ocorre um afluxo de água e substâncias filtráveis do espaço intravascular para o intersticial. 1. Esse aumento pode persistir por 12 a 24 horas após a realização de um exercício. O período de jejum habitual para a coleta de sangue de rotina é de 8 horas. o que pode interferir em algumas metodologias. pode interferir na concentração de alguns componentes. na dependência das características orgânicas do próprio paciente. pelo aumento da liberação celular. causam variações importantes na concentração de alguns parâmetros sangüíneos. 1. Este aumento pode ser de 8 a 10% da concentração inicial. das variações nas necessidades energéticas do metabolismo e da eventual modificação fisiológica que a própria atividade física condiciona. para a maioria dos exames e. por exemplo.5 Após uma coleta de sangue de rotina. ou a critério e orientação médica. Esta é a razão pela qual se prefere a coleta de amostras com o paciente em condições basais. ainda que as próprias variações biológicas e ambientais não devam ser subestimadas. podem ser superestimados.

Mesmo realizando a coleta noutro local.11 Infusão de Fármacos: é importante lembrar que a coleta de sangue deve ser realizada sempre em local distante da instalação do cateter.11 - Digoxina Creatinina Hemoglobina glicada Bilirrubina . de ácido láctico e de triglicérides. O tabagismo é causa de elevação na concentração de hemoglobina. no número de leucócitos e de hemácias e no volume corpuscular médio. 1. QUADRO 1: EXEMPLOS DE INTERFERÊNCIAS LABORATORIAIS GERADAS POR ALGUNS FÁRMACOS MECANISMO Indução enzimática Inibição enzimática Inibição enzimática Competição FÁRMACO Fenitoína Alopurinol Ciclofosfamida Novobiocina PARÂMETRO Gama-GT Ácido úrico Colinesterase Bilirrubina indireta EFEITO Eleva Reduz Reduz Eleva Eleva Elevação aparente Elevação aparente Elevação aparente Elevação aparente Aumento do transportador Anticoncepcional oral Ceruloplasmina cobre Reação cruzada Reação química Hemoglobina atípica Metabolismo Espironolactona Cefalotina Salicilato 4-OH.10 Procedimentos Diagnósticos e/ou Terapêuticos: como outras causas de variações dos resultados dos exames laboratoriais. Pela freqüência. O uso crônico é responsável pela elevação da atividade da gama glutamiltransferase. de eletroneuromiografia) e alguns procedimentos terapêuticos.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 1. Se o torniquete permanecer por mais tempo.propranolol . aldosterona. 1. O fumo é permitido antes da coleta? Não. deve-se aguardar pelo menos uma hora após o final da infusão para a realização da coleta. devem ser lembrados alguns procedimentos diagnósticos (a administração de contrastes para exames radiológicos ou tomográficos. entre outros. como: hemodiálise. 1. Alguns exemplos são mostrados no quadro 1. a realização de toque retal. entre outras alterações. Mesmo o consumo esporádico de etanol pode causar alterações significativas e quase imediatas na concentração plasmática de glicose. redução na concentração de HDL-colesterol e elevação de outras substâncias como adrenalina. a competição metabólica e a ação farmacológica.8 Uso de Fármacos e Drogas de Abuso: este é um item amplo e inclui tanto a administração de substâncias com finalidades terapêuticas como as utilizadas para fins recreacionais.9 Aplicação do Torniquete: ao se aplicar o torniquete por um tempo de 1 a 2 minutos. Ambos podem causar variações nos resultados de exames laboratoriais. da aldosterona. seja pelo próprio efeito fisiológico in vivo ou por interferência analítica. O fumo pode elevar a concentração dos ácidos graxos. Dentre os efeitos fisiológicos devem ser citados a indução e a inibição enzimáticas. por exemplo. in vitro. com redução do pH. transfusão sangüínea e infusão de fármacos. ocorre aumento da pressão intravascular no território venoso. do glicerol livre. vale referir o álcool e o fumo. diálise peritoneal. do cortisol. antígeno carcinoembriônico e cortisol. da adrenalina. Dos efeitos analíticos são importantes a possibilidade de ligação preferencial às proteínas e eventuais reações cruzadas. resultando em hemoconcentração relativa. facilitando a saída de líquido e de moléculas pequenas para o espaço intersticial. cirurgias. se possível. a estase venosa fará com que alterações metabólicas. tais como glicólise anaeróbica elevem a concentração de lactato.

podendo chegar a ser leitoso. Considerando que a composição deste gel varia entre os diferentes fornecedores.colesterol). nos pacientes portadores de algumas dislipidemias e faz com que o aspecto do soro ou do plasma se altere.040 contendo um acelerador da coagulação e pode.12 - . é recomendável consultar o fabricante sobre a existência de estudos bem conduzidos demonstrando ou excluindo possíveis limitações e interferências. a observação de turbidez tem relevância clínica e deve ser avaliada e relatada pelo laboratório. A hemólise pode ser responsável por resultados falsamente reduzidos de insulina. após a centrifugação.13 Hemólise: hemólise leve tem pouco efeito sobre a maioria dos exames. pode causar variação no volume da amostra e interferir em determinadas dosagens. nas lipoproteínas (VLDL.14 Lipemia: também pode interferir na realização de exames que usam metodologias colorimétricas ou turbidimétricas. Ela pode ser resultado da presença de hipertrigliceridemia. A elevação significativa dos níveis de triglicérides pode ocorrer apenas no período pós-prandial ou de forma contínua. eventualmente. como aldolase. desidrogenase láctica e nas dosagens de potássio. o sangue é colhido em tubos contendo uma substância gelatinosa com a finalidade de funcionar como barreira física entre as hemácias e o plasma ou soro. fosfatase alcalina. dentre outros. Em alguns casos. magnésio e fosfato. Diferentes graus de Hemólise 1 1. Diferentes graus de Lipemia 2 .12 Gel Separador: algumas vezes. Uma vez que amostras normais colhidas dentro das especificações de jejum apresentam-se sem turvação. mas se for de intensidade significativa causa aumento na atividade plasmática de algumas enzimas. de límpido para algum grau variado de turbidez.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 1. ou de ambos. Este gel é um polímero com densidade específica de 1. ou do aumento nos quilomícrons. aspartato aminotransferase. 1. liberar partículas que interferem com eletrodos seletivos e membranas de diálise.

naturais ou artificiais. macas e o livre trânsito dos portadores de necessidades especiais. Eventualmente. caso estas cumpram a função de propiciar a aeração ambiental. Os procedimentos intervencionistas de emergência. É fundamental uma consulta à legislação local aplicável para o cumprimento das exigências previstas pela vigilância sanitária local. todos os requisitos legais exigidos pelos órgãos competentes de sua cidade ou estado. evitando o desconforto do flebotomista. Esta área pode ser compartilhada com as outras unidades diagnósticas. duráveis. pelo menos. As dimensões da cabine de coleta necessitam garantir a livre movimentação do paciente e do flebotomista. Instalações e Infra-Estrutura Física do Local de Coleta As recomendações aqui descritas têm por finalidade caracterizar os requisitos mínimos de instalação e infra-estrutura. as descrições podem não contemplar na íntegra. quando aplicável.2 Área Física da Cabine de Coleta A cabine de coleta adequada.5 Conservação e Limpeza das Instalações Recomendam-se que as rotinas de limpeza e higienização das instalações sejam orientadas por profissional capacitado para esta atividade ou por uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar. • Iluminação que propicie a perfeita visualização e manuseio seguro dos dispositivos de coleta. • Paredes lisas e resistentes ou divisórias constituídas de materiais lisos. o manuseio de equipamentos médico-hospitalares e o uso de medicamentos. É recomendável ter um local com uma maca disponível. laváveis e resistentes às soluções desinfetantes. laváveis e resistentes às soluções desinfetantes. sendo necessária a instalação de sanitários para clientes e acompanhantes. que permita a regulagem da altura do braço. • Dispositivos de ventilação ambiental eficazes. .1 Recepção e Sala de Espera É recomendável que o laboratório clínico possua. lavatório ou similares) internamente ou próximo à cabine.13 - . um local para armazenamento dos materiais de coleta e um dispositivo para a higienização das mãos (álcool gel. também denominada “box de coleta”. 2. possibilitando um bom atendimento. É recomendável disponibilizar equipamentos e medicamentos para eventuais situações de emergência.4 Equipamentos e Acessórios Recomenda-se que o paciente seja acomodado numa cadeira ou poltrona confortável. para caso de necessidade. visando a garantia do conforto e segurança dos clientes e da equipe do laboratório. impermeáveis. necessariamente devem ser realizados por profissional devidamente habilitado. 2. • Portas e corredores com dimensões que permitam a passagem de cadeiras de rodas. 2. necessita de espaço suficiente para instalação de uma cadeira ou poltrona. de modo a garantir conforto ao paciente e ao flebotomista.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 2. Armários fixos ou móveis são úteis para organizar o armazenamento dos materiais de coleta e facilitar o acesso. 2. É indispensável que sejam tomadas medidas preventivas para eliminação de insetos e roedores. • Janelas com telas milimétricas. uma sala de espera para pacientes e acompanhantes.3 Infra-Estrutura Recomendam-se alguns itens referentes à infra-estrutura da cabine de coleta: • Pisos impermeáveis. 2.

como por exemplo. antes de efetuar a coleta.2 Para pacientes internados . os hospitais disponibilizam etiquetas pré-impressas com os dados de identificação necessários. e que o laudo contenha esta informação. 3. é necessário apenas um curto período de tempo em jejum. Nos sistemas manuais. Para isto.1. uma vez que muitos dos equipamentos analíticos atualmente disponíveis conseguem identificar o paciente e reconhecer quais exames devem ser realizados naquela amostra.1 Para um paciente adulto e consciente pedir que forneça nome completo. a necessidade de repouso por. Fase Pré-Analítica para Exames de Sangue A fase imediatamente anterior à coleta de sangue para exames laboratoriais deve ser objeto de atenção por parte de todas as pessoas envolvidas no atendimento dos pacientes. . 3. para outro laboratório ou para armazenamento. quando disponível. O número do leito nunca deve ser utilizado como critério de identificação. de acordo com a quantidade e tipo de exame a serem realizados. 3. nos tubos de coleta. comparar estas informações com as constantes na requisição de exames.14 - . com a finalidade de se prevenir a ocorrência de enganos ou a introdução de variáveis não controladas que poderão comprometer a exatidão dos resultados. Recomenda-se que materiais não colhidos no laboratório sejam identificados como “amostra enviada ao laboratório”. de 3 a 4 horas. Serviços mais complexos fazem uso de etiquetas com código de barras que vinculam. condições peculiares. O sistema de identificação adotado deve contemplar a possibilidade de geração de etiquetas adicionais. Este número deve constar em todos os documentos. Deve-se buscar uma forma de estabelecer um vínculo seguro e indissociável entre o paciente e o material colhido para que. Outros requerem cuidados específicos quanto a dietas especiais. relatórios e laudo final. . é muito importante a identificação positiva do paciente e dos tubos nos quais será colocado o sangue.em geral.1 Procedimentos Básicos para Minimizar Ocorrências de Erro O flebotomista deve se assegurar de que a amostra será colhida do paciente especificado na requisição de exames. 30 minutos antes da coleta de sangue para a dosagem de prolactina ou de catecolaminas plasmáticas. inconscientes ou com algum tipo de dificuldade de comunicação o flebotomista deve valer-se de informações de algum acompanhante ou da enfermagem. O material colhido deve ser identificado na presença do paciente.1. de forma segura. para os casos em que seja necessário aliquotar a amostra original para ser enviada a diferentes áreas do laboratório. pelo menos. documento de identidade.1.3 Para pacientes muito jovens. É importante verificar se o paciente está em condições adequadas para a coleta. Existem processos informatizados simples que geram um número pré-determinado de etiquetas. a amostra em todas as fases do processo. ou data de nascimento. ao final. a data da coleta e o número seqüencial de atendimento. Para a maioria dos exames de sangue.pacientes atendidos no pronto-socorro ou em salas de emergência podem ser identificados pelo seu nome e número de entrada no cadastro da unidade de emergência. amostras. de etiquetas com o nome do paciente.relatar ao supervisor do laboratório qualquer discrepância de informação. recomendam-se: 3. mapas de trabalho. especialmente no que se refere ao jejum e ao uso de eventuais medicações. seja garantida a rastreabilidade de todo o processo. isto pode ser feito pela colocação. . o flebotomista deve verificar a identificação no bracelete ou a identificação postada na entrada do quarto. É indispensável que a identificação possa ser rastreada a qualquer instante do processo. Quaisquer que sejam os exames a serem realizados. Mesmo assim.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 3.

não quebra o jejum. o paciente não deve ser considerado como agente passivo do processo. 2nd edition. evitando ultrapassar o horário programado para a próxima tomada. H. Para a obtenção de soro. ingerindo-o após a coleta de sangue.2 + 38 + 22 PRINCIPAL CAUSA DA DIFERENÇA NO SORO/PLASMA Lise das células Liberação de elementos celulares Efeito do fibrinogênio Trombocitólises. são utilizados anticoagulantes específicos. W. et al – Samples: from the patient to the laboratory. pág 32. Objetivando evitar desconforto desnecessário. o registro do uso contínuo de alguma medicação. anticoagulado pela adição de ácido etilenodiaminotetracético .. exceto em exames muito específicos.. dentre outros. De uma forma ideal. Para alguns exames. Darmstadt. A ingestão de água quebra o jejum? Não. Git Verlag.5. 2001. como mostrado no quadro 2. Algumas substâncias podem ser dosadas tanto no soro quanto no plasma. para permitir a adequada interpretação dos resultados.2 + 10. convém sempre informar ao paciente que a ingestão de água não interfere. ainda que existam diferenças entre os resultados obtidos. para o hemograma. Após este tempo. A suspensão de medicamentos somente pode ser autorizada pelo médico do paciente.EDTA. algumas informações referentes aos procedimentos da coleta de sangue. O plasma é obtido pela centrifugação do sangue total anticoagulado. por exemplo. mas um dos integrantes da equipe. à temperatura ambiente. Assim. a necessidade de abstenção de fumo e/ou álcool. G. ou seja.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Nos exames de monitoração de drogas terapêuticas. pode ser necessária a adição de um conservante. é separada. Quando for necessário o uso de sangue total ou plasma. estas informações e instruções devem ser fornecidas por escrito e o paciente deve ter a oportunidade de esclarecer suas eventuais dúvidas. em geral. A ingestão de pequena quantidade de água.7 . ao exame que será realizado e das condições nas quais ele deve se apresentar ao laboratório. Quando o tubo contiver gel separador. QUADRO 2: SUBSTÂNCIA % DE VARIAÇÃO EM COMPARAÇÃO À SUA MEDIDA NO PLASMA + 6. É conveniente orientar o paciente para que traga consigo o medicamento em uso. a dosagem de glicose é realizada no plasma obtido pela adição de EDTA e fluoreto de sódio e. Para que possa desempenhar adequadamente esta função. a realização de algum procedimento diagnóstico ou terapêutico prévio. hidrólises Liberação de elementos celulares Potássio Fosfato inorgânico Proteínas totais Amônia Lactato Guder. . não “quebra” o jejum. o tempo de jejum. com ativador da coagulação. é utilizado sangue total. Na monitorização de drogas terapêuticas é importante o laboratório anotar o horário da última dose e registrar esta informação no laudo. Wisser. O paciente deve suspender os medicamentos antes da coleta de sangue? Não. o sangue é colhido em tubo sem anticoagulante e deixado coagular por um período de 30 a 60 minutos. como os horários da última tomada de medicação e da coleta do sangue. São aspectos relevantes.15 - . soro. ele deve receber. antes da coleta. para a dosagem de creatinina utiliza-se. a espera pode ser de 30 a 45 minutos. previamente. Dessa forma. Narayanan. o tubo é centrifugado e a parte líquida. além do anticoagulante. algumas informações mais específicas devem ser obtidas. S. a dosagem e via de administração do medicamento. correspondente ao soro. Cada uma destas frações do sangue se constitui na matriz ideal para a realização de exames específicos. dependendo do exame a ser realizado.

o quociente 1.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO As vantagens da utilização de plasma sobre o soro incluem: redução do tempo de espera para a coagulação.2 mmol/L para 4. Assim. As plaquetas permanecem intactas. Os resultados são mais representativos do estudo in vivo.6 mmol/L.16 - . em geral. como alterar a eletroforese das proteínas. o plasma apresenta algumas desvantagens. Por exemplo. podendo mascarar ou simular um componente monoclonal. Envolver o pote em dois gelos recicláveis no momento do transporte). Na prática. que se revela como um componente na região das gama-globulinas. 3. Em geral. refrigeradas de 2 a 8o C e congeladas. que podem ser recebidas à temperatura ambiente. É importante lembrar que a recomendação do “transporte picolé” somente se aplica em regiões onde a utilização do gelo seco não está disponível e para transporte entre pequenas distâncias (postos de coleta. abaixo de 20o C negativos.2 Definição de Estabilidade da Amostra As amostras.4 mmol/L. este poderá ser deslocado para postos ou outras unidades em caixa de isopor com gelo reciclável. utiliza-se a regra de que quando não houver especificação de tratamento especial para o acondicionamento ou transporte do material. está em mais baixa concentração no plasma do que no soro. quando comparados aos do soro. transporte e eventual armazenagem. Há menor risco de interferência por hemólise. para serem representativas. Por outro lado. . O Conselho Médico Federal da Alemanha definiu que a instabilidade máxima permitida equivale geralmente a 1/12 do intervalo de referência biológico. sendo este o fator que causa maior impacto. devem ter sua composição e integridade mantidas durante as fases pré-analíticas de coleta. a medida da instabilidade pode ser definida como sendo a diferença absoluta (variação dos valores inicial e final. visto que a hemoglobina livre. Portanto. O tempo máximo de estabilidade de uma amostra deveria ser o que permite 95% de estabilidade de seus componentes. como pode ocorrer no soro. A estabilidade de uma amostra sangüínea é definida pela capacidade de seus elementos se manterem nos valores iniciais. a concentração do potássio variar de 4. etc. A condição de congelamento recomenda o uso de gelo seco no transporte ou o chamado “transporte picolé” (congelar previamente o soro. levar ao freezer por 24 horas. uma vez que contém fibrinogênio. colocar água em um frasco plástico. A estabilidade pré-analítica depende de vários fatores. apoiado por flocos de isopor ou papel jornal. cátioninterferência quando sais de heparina são usados. expressa na unidade em que o determinado parâmetro é medido). não proporcionando pseudo-hipercalemia.) não sendo aplicável no transporte aéreo. por um determinado período de tempo. por fim. obtenção de maior volume de plasma em relação ao soro e da não interferência advinda do processo de coagulação. regiões circunvizinhas. os tempos referidos de armazenagem das amostras primárias consideram os seguintes limites para a temperatura: ambiente de 18 a 22o C.5%. potencial interferência método-dependente por serem os anticoagulantes agentes complexantes e inibidores enzimáticos e. manuseio. por exemplo. dentro de limites aceitáveis de variação. A estabilidade de uma amostra pode ser muito afetada na presença de distúrbios específicos. ou ainda como uma porcentagem de desvio. se durante o transporte de uma amostra de sangue por 3 a 4 horas. como um quociente (razão entre o valor obtido após um determinado tempo e o valor obtido no momento em que a amostra foi coletada). carga mecânica e tempo. incluindo-se temperatura. conserva-se mais a temperatura das amostras.095 e o desvio será igual a + 9. em temperatura ambiente. a diferença absoluta será 0. interferindo em alguns dos métodos de dosagem de lítio e amônia. colocar o tubo congelado dentro desse frasco.

enquanto o mesmo volume de sangue total possui apenas 81% de água. bem como atividades metabólicas celulares que continuam a ocorrer. vale lembrar a existência de regras e diretrizes da terceirização. Plasma. os constituintes do sangue podem sofrer alterações que incluem adsorção no vidro ou tubo plástico. . Congelamentos lentos também causam a degradação de alguns componentes. de 20 de maio de 1997. centrifugação e póscentrifugação. uma condição importante a ser considerada. Esse transporte deve seguir as recomendações da Organização das Nações Unidas – ONU. Outro ponto importante é a logística de transporte do material biológico objetivando que as amostras se mantenham viáveis até o momento do processo analítico. nas quais o exame será realizado em sangue total. Assim. publicada em 2004. a amostra deverá ser encaminhada para o setor de processamento. Congelar e descongelar amostras é. de 3 de janeiro de 1974.019. editadas em 1991 e revisadas em 2004. entre unidades diferentes na mesma cidade ou até mesmo para o exterior. amostras de plasma ou soro congeladas e descongeladas têm rupturas de algumas estruturas moleculares. As metodologias mais recentes exigem volumes cada vez menores de amostra. amostras colhidas com anticoagulante. as amostras devem ser processadas até o ponto em que possam aguardar as dosagens. Há diversas maneiras de transportar amostras entre unidades de um mesmo laboratório. e 7. soro e sangue total podem ser usados para a realização de alguns exames. o transporte de substâncias infecciosas é considerado como transporte de produtos perigosos. desde que as amostras sejam acondicionadas em maletas que ofereçam garantias de biossegurança no transporte. documento “Transporte de Substâncias Infecciosas”. particularmente. de 20 de julho de 1983. Quando os exames não forem realizados logo após a coleta.17 - .PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Durante o processo de estocagem. o tempo de transporte é curto quando o laboratório está próximo e não apresenta grandes dificuldades.3 Transporte de Amostra como Fator de Interferência Pré-Analítica Uma vez coletada e identificada adequadamente. Mesmo amostras congeladas são passíveis de alterações em certos constituintes metabólicos ou celulares. definidas nas leis federais 6. embora os constituintes estejam distribuídos em concentrações diferentes entre estas matrizes. Em geral. sobretudo as moléculas de grandes proteínas. que poderá estar na mesma estrutura física onde foi realizada a coleta. ou afastado a distâncias variadas. Assim. No Brasil. devem ser mantidas refrigeradas até o procedimento. 3. O processamento inicial da amostra inclui etapas que vão desde a coleta até a realização do exame. em condições para que não haja interferência significativa em seus constituintes. do Ministério dos Transportes. e que corresponde à 7ª Edição das Recomendações da Organização Mundial de Saúde–OMS. O tempo entre a coleta e centrifugação do sangue não deve exceder uma hora.102. em temperatura de 2 a 8o C. um determinado volume de plasma ou de soro contém 93% de água. resultados no sangue total são diferentes daqueles obtidos no plasma ou soro. Qual o volume máximo recomendado de sangue a ser coletado numa punção venosa? Recomenda-se que cada laboratório estabeleça critérios visando coletar o mínimo de sangue necessário para a execução dos parâmetros solicitados pelo médico. compreendendo em três fases distintas: pré-centrifugação. em função da distribuição de água nas hemácias. desde que se enquadrem na Portaria nº 204. Com relação ao envio de amostras entre laboratórios. em sua 13ª revisão. desnaturação da proteína.

1 Locais de Escolha para Venopunção A escolha do local de punção representa uma parte vital do diagnóstico. Existem diversos locais que podem ser escolhidos para a venopunção. . 4. nestas situações. Procedimento de Coleta de Sangue Venoso As recomendações adotadas a seguir baseiam-se nas normas da NCCLS (National Committee for Clinical Laboratory Standards). apontados abaixo nas figuras 3 e 4. A instituição fornece. Veia do membro superior 3 Já no dorso da mão. Membro superior próximo ao local onde foi realizada mastectomia. equipamentos para diagnóstico. reconhecida mundialmente por promover o desenvolvimento e o uso de padrões e diretrizes dentro da comunidade de clínica médica. Cabe à equipe médica e ao pessoal do laboratório a responsabilidade de racionalizar este tipo de coleta. a manutenção de uma veia cateterizada (exemplo: uso de escalpe). Embora qualquer veia do membro superior que apresente condições para coleta possa ser puncionada. pois a cefálica é mais propensa à formação de hematomas. Sugere-se. análises laboratoriais. porém a veia dorsal do metacarpo também poderá ser puncionada. biossegurança laboratorial e médica. esta será a abreviação usada neste texto quando fizermos referência às normas desta instituição. A veia basílica mediana costuma ser a melhor opção.é uma instituição sem fins lucrativos. Locais com cicatrizes de queimadura. diretrizes de boas práticas de manufatura de produtos. o arco venoso dorsal é o mais recomendado por ser mais calibroso. Por ser ainda usualmente chamada de NCCLS. atualmente denominada CLSI. as veias basílica mediana e cefálica são as mais freqüentemente utilizadas. procedimentos técnicos laboratoriais e médicos que envolvem estes produtos. qual o número de punções que se poderia realizar no mesmo ponto? Recomenda-se que o número de punções no mesmo sítio limite-se ao mínimo necessário. mundialmente.18 - . cateterismo ou qualquer outro procedimento cirúrgico. Áreas com hematomas. bem como na experiência dos autores.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4. Veia do dorso da mão 4 Nas situações em que o paciente necessita de coletas venosas repetidas. O CLSI (Clinical and Laboratory Standards Institute) . Áreas a evitar: • • • • Áreas com terapia ou hidratação intravenosa de qualquer espécie.

• • 8 cm 7 Posicionamento correto do torniquete • • • Não usar o torniquete continuamente por mais de 1 minuto. Técnicas para evidenciação da veia: • • • • Pedir para o paciente abaixar o braço e fazer movimentos suaves de abrir e fechar a mão. Se o torniquete for usado para seleção preliminar da veia. fazê-lo apenas por um breve momento. pedir ao paciente que feche a mão para evidenciar a veia. no momento de seleção venosa. Posicionar o torniquete com o laço para cima. inclinado-o para baixo a partir da altura do ombro. Massagear delicadamente o braço do paciente (do punho para o cotovelo). afrouxar o torniquete. Não aplicar o procedimento de “bater na veia com dois dedos”. que pode elevar o nível de potássio. a fim de evitar a contaminação da área de punção. alterações na dosagem de cálcio. Localizar a veia e. pedindo ao paciente para abrir e fechar a mão. altera o resultado de certos analitos. Uso adequado do torniquete: É importante que se utilize adequadamente o torniquete. Veias que já sofreram trombose porque são pouco elásticas. Este tipo de procedimento provoca hemólise capilar e portanto. . evitando-se situações que induzam ao erro diagnóstico (como hemólise. Ao garrotear. Equipamentos ou dispositivos que facilitam a visualização de veias ainda não são de uso rotineiro e são pouco difundidos. recomenda-se: Aplicação do toniquete 5 6 • • • • Posicionar o braço do paciente. Fixação das veias com os dedos nos casos de flacidez. O torniquete não é recomendado para alguns testes como lactato ou cálcio. por exemplo). hemoconcentração.19 - . para evitar alteração do resultado. bem como complicações de coleta (hematomas. Não apertar intensamente o torniquete. Esperar 2 minutos para usá-lo novamente. podem parecer um cordão e têm paredes endurecidas. em seguida.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO • • Fístulas artério-venosas. O pulso deve permanecer palpável. Portanto. Aplicar o torniquete cerca de 8 cm acima do local da punção para evitar a contaminação do local. parestesias). pois o fluxo arterial não deve ser interrompido. já que poderia levar à hemoconcentração e falsos resultados em certos analitos.

O álcool apresenta um amplo espectro de ação envolvendo micobactérias. Durante o tempo usual de aplicação para antissepsia das mãos. agregado à ansiedade podem levar à liberação indevida de alguns analitos na corrente sangüínea. O laboratório pode questionar o paciente se ele é portador de alguma moléstia que tenha risco de contágio ao coletador? Do ponto de vista técnico.3 Procedimento para Antissepsia e Higienização das Mãos em Coleta de Sangue Venoso Algumas considerações são importantes sobre o uso de soluções de álcool. ele não apresenta ação esporicida. formando uma linha direta do ombro para o pulso. são indicadas e comentadas a seguir.2 Posição do Paciente A posição do paciente pode também acarretar erros em resultados. com menor atividade sobre os vírus hidrofílicos não envelopados. tanto na antissepsia do local da punção. a fricção de álcool apresentou os melhores resultados tanto na ação imediata. Caso esteja em posição supina e seja necessário um apoio adicional. Caso esteja em posição semi-sentado. não se deve usar este material para o garroteamento. como na higienização das mãos. quando se compara a eficácia dos vários métodos de higiene das mãos na redução da flora permanente.20 - . Algumas recomendações que permitem facilitar a coleta de sangue e promovem um perfeito atendimento ao paciente. neste momento. caso o paciente venha a perder a consciência. Em concentrações apropriadas. o posicionamento do braço para coleta torna-se relativamente mais fácil. O desconforto do paciente. afirmando que o álcool a 70% era o que possuía. . particularmente os enterovírus. nem protegem pacientes nestes casos. dentre outras concentrações. Recomenda-se que a posição do braço do paciente no descanso da cadeira. coloque um travesseiro debaixo do braço do qual será coletada a amostra. Cadeiras sem braços não fornecem o apoio adequado para o braço. Quanto maior o peso molecular do álcool. Caso o paciente seja alérgico ao látex. os álcoois possuem rápida e maior redução nas contagens microbianas. - Procedimento com o paciente sentado: Pedir ao paciente que se sente confortavelmente numa cadeira própria para coleta de sangue. Recomenda-se que a cadeira tenha apoio para os braços e evite quedas. formando uma linha direta do ombro para o pulso. O braço deve estar apoiado firmemente pelo descanso e o cotovelo não deve estar dobrado. 4. a maior eficácia germicida in vitro. maior ação bactericida. Dados da literatura orientam que as soluções alcoólicas fossem preparadas com base no peso molecular e não no volume a ser aplicado. Posicione o braço do paciente inclinando levemente para baixo e estendido. - Procedimento para paciente acomodado em leito: Solicitar ao paciente que se coloque em posição confortável. fungos e vírus. todo paciente necessita ser considerado como potencial portador de doença. Segundo Rotter. 4. Uma leve curva pode ser importante para evitar hiperextensão do braço. Caso o torniquete tenha látex em sua composição. seja inclinado levemente para baixo e estendido. quanto na manutenção da eficácia após três horas da aplicação.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO • • Trocar o torniquete sempre que houver suspeita de contaminação. reforçando assim a necessidade dos cuidados universais de proteção. deve-se perguntar ao paciente se ele tem alergia a este componente.

usada para prevenir a contaminação direta do paciente e da amostra. 8 Colocando as luvas As luvas devem ser calçadas com cuidado para que não rasguem. Higienização das mãos: As mãos devem ser higienizadas após o contato com cada paciente. é citado o odor que fica nas mãos e a inflamabilidade. Calçando as luvas 9 10 Antissepsia do local da punção: • • Recomenda-se usar uma gaze com solução de álcool isopropílico ou etílico 70%. Esta higienização pode ser feita com água e sabão como o procedimento ilustrado abaixo. Nesta diluição.21 - . ter ação rápida. ou usando álcool gel. Limpar o local com um movimento circular do centro para a periferia. aumentando a preferência por esta ação básica de controle. preserva sua ação antisséptica.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Com relação à antissepsia da pele no local da punção. evitando assim contaminação cruzada. que é observada apenas com as soluções de etanol acima de 70%. devido a sua inflamabilidade. Os álcoois etílico e isopropílico são os que possuem efeito antisséptico na concentração de 70%. o antisséptico escolhido deve ser eficaz. comercialmente preparado. 1 2 3 4 5 6 7 8 A higienização das mãos deve ser feita após o contato com cada paciente. nesta composição. além de ter menor custo. A fricção com álcool reduz em 1/3 o tempo despendido pelos profissionais de saúde para a higiene das mãos. alguns países da América do Norte aboliram o uso de álcool etílico. boa atividade contra Mycobacterium tuberculosis. tem excelente atividade contra bactérias Gram-positivas e Gramnegativas. ser de baixa causticidade e hipoalergência na pele e mucosa. e devem ficar bem aderidas à pele para que o flebotomista não perca a sensibilidade na hora da punção. A ilustração mostra o procedimento feito por meio da lavagem das mãos com água e sabão. Quanto às desvantagens. . Hoje. contudo o etanol é o mais usado pois. e diminui a inflamabilidade. fungos e vírus. utilizando o álcool isopropílico nos laboratórios e hospitais.

Não tocar novamente na região após a antissepsia. devendo-se observar a finalidade do procedimento. e também a sensação de ardência quando o braço do paciente for puncionado. 4.4 Critérios para Escolha da Técnica de Coleta de Sangue Venoso a Vácuo ou por Seringa e Agulha Recomenda-se que o hospital e laboratório estabeleçam uma política institucional para a escolha da técnica de coleta de sangue. sabão). 4. Alguns pontos relevantes na escolha da técnica e do material de coleta de sangue são apontados a seguir.4.22 - . O flebotomista desempenha um papel importante na garantia da qualidade neste processo. Conforme recomendação do documento NCCLS T/DM6 . o tipo de clientela.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO • • • Permitir a secagem da área por 30 segundos. . um antisséptico isento de álcool em sua formulação deve ser usado no local da punção (por exemplo.1 Considerações sobre coleta de sangue venoso a vácuo Sistema para coleta de sangue a vácuo 13 Aspectos históricos Em 1943 a Cruz Vermelha Americana fez um pedido a uma empresa de materiais hospitalares para que desenvolvesse um jogo descartável e estéril para coleta de sangue. para evitar hemólise da amostra.Blood Alcohol Testing in the Clinical Laboratory. Estes critérios de escolha da metodologia a ser utilizada na coleta de sangue vão além do custo do material. Não assoprar. Deveria ser esterilizado e embalado para manter a esterilidade de modo a ser usado em campo. não abanar e não colocar nada no local. nas áreas de emergência e nas guerras. as habilidades dos flebotomistas e as características da instituição. Abrindo a embalagem de álcool swab 11 12 Antissepsia do centro para fora Nota: Quando houver solicitação de dosagem de álcool no sangue.

o sangue flui diretamente para o tubo de coleta a vácuo. constituindo o sistema para coleta de sangue a vácuo. pois existem produtos que facilitam tais coletas (escalpes para coleta múltipla de sangue a vácuo em diversos calibres de agulha e tubos para coleta de sangue a vácuo com menores volumes de aspiração).PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Foi desenvolvido. então. Quais os principais fatores que levam o laboratório a optar pela técnica de coleta de sangue a vácuo? Facilidade na coleta. É a técnica mais . pacientes com acessos venosos difíceis. pois o mesmo produto é usado para infundir medicamentos. é usada mundialmente e em boa parte dos laboratórios brasileiros.entre outros. ao final da coleta. como a diferença do acesso venoso de um paciente para outro. o que significa que. rapidamente. A quantidade de anticoagulante/ativador de coágulo proporcional ao volume de sangue a ser coletado. colher vários tubos. o flebotomista terá a certeza de que o volume de sangue correto foi colhido. pois não há necessidade do manuseio da amostra de sangue. quimioterápicos etc. um dispositivo que aspirava o sangue diretamente da veia por meio de vácuo. ao puncionar a veia do paciente. quando o sangue parar de fluir para dentro do tubo. quantidade de vácuo calibrado proporcional ao volume de sangue em sua etiqueta externa. Por estes e outros fatores. fator este relevante e primordial em um laboratório. que hoje requerem um menor volume de amostra do paciente. Outro ponto relevante a ser observado é o avanço da tecnologia em equipamentos para diagnóstico e kits com maior especificidade e sensibilidade. pois o tubo para coleta de sangue a vácuo tem. segurança do profissional de saúde e do paciente. segurança do paciente e do profissional de saúde. em seu interior. proporção correta sangue/ aditivo elevando a qualidade da amostra. Isto proporciona ao flebotomista maior segurança. também são beneficiados. coletas em pacientes com acessos venosos difíceis. uma amostra de qualidade para ser processada ou analisada.2 Considerações sobre coleta de sangue venoso com seringa e agulha Seringa e Agulha estéreis 14 A coleta de sangue com seringa e agulha é usada há muitos anos e enraizou-se em algumas áreas de saúde. numa única punção pode-se colher vários tubos. qualidade nos resultados dos exames. crianças. tecnologias e inovações foram aprimorando estes dispositivos para tornar este sistema para coleta de sangue mais seguro. pois com uma única punção venosa pode-se. garantia da qualidade nos resultados dos exames. Desde então. uma vez que a coleta a vácuo é um sistema fechado de coleta de sangue. o conforto ao paciente é essencial. recomendamos que sejam observados alguns pontos relevantes para uma coleta adequada. • • • • 4. abrangendo todos os exames solicitados pelo médico. prático e que proporcione maior qualidade da amostra a ser analisada. Coleta de Sangue Venoso a Vácuo A coleta de sangue a vácuo é a técnica de coleta de sangue venoso recomendada pelas normas NCCLS atualmente. pacientes em terapia medicamentosa. por uma agulha de duas pontas para um tubo de análise. pois proporciona ao usuário inúmeras vantagens: • a facilidade no manuseio é um destes pontos. proporcionando.4.23 - .

A coleta com seringa e agulha é ainda muito usada. bem como de procedimentos que evitem riscos biológicos. por exemplo. seja pelo menor custo do produto. mas não em temperatura de congelamento. após a centrifugação ou sedimentação. causando situações incômodas. poderá trazer impacto em maior escala na qualidade da amostra obtida. quando o sangue é armazenado em baixa temperatura. Desse modo. ocasionando transtornos na reconvocação ao paciente e para os profissionais do laboratório. e por existir a etapa de transferência do sangue para os tubos acima ou abaixo da capacidade dos mesmos. Além disso causa um aumento de custo em todo o processo. estes componentes podem interferir nos resultados das dosagens de alguns analitos. seja por sua disponibilidade. que altera a proporção correta de sangue/aditivo. ainda hoje.24 - . em algumas regiões do mundo. • Custos desnecessários para os setores administrativos e técnicos do laboratório. . que provocam resultados incompatíveis com o real estado do paciente. fatores interferentes podem também ser originados da lise de plaquetas e granulócitos. formação de microcoágulos e fibrina. quando ocorre a ruptura das células do sangue. Diferentes graus de hemólise 15 No entanto.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO antiga desenvolvida para coleta de sangue venoso. bem como nos riscos de acidente com materiais perfurocortantes. • Possibilidade de problemas nos equipamentos dos setores técnicos. (entupimento da probe). que pode ocorrer. o laboratório deve se certificar da utilização de meios que preservem a qualidade final da amostra a ser analisada. a interferência pode ocorrer mesmo em baixas concentrações de hemoglobina liberada (invisíveis a olho nu). 4. este procedimento é bastante utilizado em laboratórios clínicos e hospitais. Em função deste sistema de coleta ser aberto. a hemólise nem sempre se refere à ruptura de hemácias. Embora não seja mais o procedimento recomendado pelas normas NCCLS. No caso do uso desta técnica. Ela é geralmente reconhecida pela aparência avermelhada do soro ou plasma. • Utilização desnecessária de materiais de coleta e reagentes. como descritos a seguir: • Novas coletas. Porém. pois uma amostra comprometida leva o laboratório ao reprocessamento de amostras. uma vez que seringas e agulhas hipodérmicas são materiais essenciais para o funcionamento de uma instituição de saúde. a qualidade da amostra pode ser comprometida pela ocorrência de hemólise. O que significa manter a proporção sangue/anticoagulante? Para que o sangue fique totalmente anticoagulado dentro do tubo é necessário que se mantenha a proporção correta de anticoagulante correspondente ao volume de sangue colhido do paciente. causada pela hemoglobina liberada quando da ruptura dos eritrócitos. envolvendo custos para o setor. • Gasto de tempo desnecessário para o flebotomista e laboratório. assim evita-se a formação de microcoágulos e resultados inexatos.5 Considerações Importantes sobre Hemólise Hemólise tem sido definida como a liberação dos constituintes intracelulares para o plasma ou soro.

. a separação do soro deve ser efetuada dentro de. Este procedimento visa prevenir o choque direto do sangue na parede do tubo. alteram a proporção correta de sangue/aditivo. para transferência do sangue da seringa para o tubo. No momento da coleta. esta brusca interrupção pode provocar hemólise. Perfurar a veia com a agulha em um ângulo oblíquo de inserção de 30 graus ou menos. aguardar que o sangue pare de fluir para dentro do tubo. um tubo primário e evitar a transferência de um tubo para outro. Verificar as recomendações do fabricante dos insumos para a realização do teste. não chacoalhar o tubo.1 Boas práticas pré-coleta para prevenção da hemólise • Antes de iniciar a punção. antes de trocá-lo por outro. 2 horas após a coleta. 4. aguardar o sangue parar de fluir para dentro do tubo. usar este tipo de material somente quando a veia do paciente for fina. podendo levar à ruptura celular. • Não deixar o sangue em contato direto com gelo.8. antes de fazer os exames. • Usar. no máximo. • Evitar usar agulhas de menor calibre. verificar se a agulha está bem adaptada à seringa para evitar a formação de espuma. o que provoca. que pode hemolisar a amostra. portanto o sangue flui lentamente para dentro dele. • Em coletas com seringa e agulha. • Recomenda-se. • Não deixar o sangue armazenado por muito tempo refrigerado. em coletas de sangue a vácuo. descartar a agulha. podendo levar a hemólise e resultados incorretos. de preferência. ou em casos especiais. • Quando utilizar um tubo primário (com gel separador). além da hemólise. deixar o álcool usado na antissepsia secar.3). Boas práticas . para evitar hemólise e/ou degradação. tubos com menor volume de aspiração (pediátricos). assim. cuidando para que não haja contaminação do bico da seringa com o anticoagulante ou ativador de coágulo contido no tubo. • Em coletas a vácuo.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4. • Não centrifugar a amostra de sangue em tubo. • Embalar e transportar o material de acordo com a Vigilância Sanitária local. quando o analito a ser dosado necessitar desta conservação. o deslocamento da rolha do tubo. evitando–se. • Tubos com volume insuficiente ou com excesso de sangue. levando à quebra da probe de equipamentos na área analítica.lembrete Tubos com menor volume de aspiração (pediátricos). e também evita o refluxo do sangue do tubo para a veia do paciente.5. no mínimo. • Não puxar o êmbolo da seringa com muita força. passar o sangue deslizando cuidadosamente pela parede do tubo.5. • Não executar o procedimento de espetar a agulha no tubo. resultados incorretos. têm menor quantidade de vácuo. • O material coletado não deve ficar exposto a temperaturas muito elevadas ou mesmo exposição direta à luz. instruções de uso do fabricante de tubos e do fabricante do teste diagnóstico a ser analisado.2 Boas práticas pós-coleta para prevenção da hemólise • Homogeneizar a amostra suavemente por inversão de 5 a 10 vezes (veja item 4. Observar que. 30 minutos e. portanto o sangue flui lentamente para dentro deste tubo. assegurando a devida proporção sangue/ anticoagulante.25 - . • Não usar o freio da centrífuga com o intuito de interromper subitamente a centrifugação dos tubos. pois a formação do coágulo ainda não está completa. para retirá-lo da agulha e inserir o segundo tubo. porque pode ocorrer a criação de uma pressão positiva. têm menor quantidade de vácuo. antes do término da retração do coágulo. para obtenção de soro. • Ainda em coletas com seringa. • Evitar colher sangue de área com hematoma ou equimose. puncionar a veia do paciente com o bisel voltado para cima.

Utilizar sempre caçambas ou cubetas apropriadas. recomenda-se o uso de centrífugas balanceadas de ângulo móvel (tipo swing-bucket).PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4. tubos com o mesmo tipo de tampa ou rolha de proteção.26 - . Tubo contendo fibrina 16 4. Tubos de vidro ou plástico acima da caçamba podem chocar-se com a cabeça da centrífuga e quebrar-se. A RCF (Força Centrífuga Relativa) refere-se à regulagem da aceleração da centrífuga (rpm). tubos de vidro com tubos de vidro. O quadro 4 fornece a velocidade e tempo de centrifugação recomendados: . tubos de tamanhos iguais. tubos com gel com outros do mesmo tipo. por exemplo: tubos com o mesmo volume de aspiração.7 Centrifugação dos Tubos de Coleta Recomenda-se que as centrífugas do laboratório sejam submetidas periodicamente à manutenção preventiva. Para tubos de coleta a vácuo. resultando na formação de fibrina. é a distância radial do centro do rotor da centrífuga à base do tubo (raio). O intervalo necessário para a retração do coágulo deve ser respeitado antes da centrifugação. Balancear os tubos para minimizar o risco de quebra. • • Tubos coletados com volume de sangue inferior ao preconizado alteram a relação sangue/ativador de coágulo. para evitar a potencial formação de fibrina. Cubetas muito grandes ou muito pequenas podem causar a quebra ou o deslocamento dos tubos. e tubos de plástico com tubos de plástico. expressa em cm. levando à má separação da amostra. Pacientes portadores de coagulopatias ou submetidos à terapia com anticoagulantes requerem um tempo maior para esta etapa da fase pré-analítica. Os tubos devem ser agrupados de acordo com o tipo. ou que a parte superior do tubo fique fora da caçamba. Um encaixe incompleto pode fazer com que a tampa de proteção do tubo se desprenda. com calibração e verificação das condições metrológicas para garantir seu correto funcionamento.6 Recomendação para os Tempos de Retração do Coágulo QUADRO 3: TEMPOS MÍNIMOS DE RETRAÇÃO DE COÁGULO RECOMENDADOS ANTES DA CENTRIFUGAÇÃO TIPOS (Tubos para obtenção de soro) Sem ativador de coágulo (tampa vermelha*) Com ativador de coágulo (tampa vermelha*) Com gel separador e ativador de coágulo (tampa amarela) TEMPO DE COAGULAÇÃO (minutos) 60 30 30 * Cores de tampas dos tubos de coleta a vácuo conforme ISO 6710.2 Os tempos recomendados baseiam-se em processos normais de coagulação. Certificar-se de que os tubos estejam corretamente encaixados na caçamba da centrífuga. usando-se qualquer uma das seguintes equações: rpm = RCF x 105 1. As caçambas e cubetas da centrífuga devem ser do tamanho específico para os tubos usados.12 x r Onde “r”.

PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Tempo e Rotação para Centrifugação da Amostra QUADRO 4: ACELERAÇÃO E TEMPO DE CENTRIFUGAÇÃO * TUBOS Tubos de vidro com gel separador e ativador de coágulo Tubos de plástico com gel separador e ativador de coágulo Tubos com gel separador e anticoagulante Todos os tubos sem gel Tubos de citrato ** RCF (g) 1000-1300 1300-2000 2000-3000 1000-1300 < 1300 1500 TEMPO(min) 10 10 4a5 10 10 15 * Valores referentes aos tubos BD Vacutainer® RCF = Força Centrífuga Relativa . Recomenda-se aguardar sempre até que a centrífuga pare completamente.000/mL) de acordo com normas do NCCLS A relação velocidade/tempo pode variar de um fornecedor para outro. As barreiras têm maior estabilidade quando os tubos são centrifugados em centrífugas horizontais (caçamba de ângulo móvel) não refrigeradas. do que em centrífugas de ângulo fixo. antes de tentar retirar os tubos.2). O laboratório deve consultar seu fornecedor sobre as recomendações de centrifugação. por exemplo. beta-caroteno. ou o soro/plasma pode ser pipetado para uma cubeta do equipamento. . Alguns equipamentos pipetam a amostra diretamente do tubo primário.27 - . vitamina B12. tais como: amônia. aumentando a produtividade e otimizando a rotina laboratorial. Outros necessitam de proteção contra a ação da luz (bilirrubina. Não usar o freio da centrífuga com o intuito de interromper a centrifugação dos tubos. Os tubos não devem ser re-centrifugados após a formação da barreira. O soro ou plasma separado está pronto para ser usado. O plasma e o soro dos tubos sem gel devem ser removidos da camada celular em até 2 horas após a coleta da amostra. catecolaminas.5. Recomenda-se que cada serviço estabeleça sua política de armazenamento de materiais biológicos. Observar as instruções do fabricante do equipamento. Os tubos podem ser colocados diretamente na bandeja (rack) do equipamento. esta brusca interrupção. paratormônio. aproximadamente 4 a 5 minutos. alguns tubos com gel separador podem ser centrifugados em tempos reduzidos. ácido láctico. Armazenando amostras 17 Alguns parâmetros necessitam ser transportados e centrifugados sob refrigeração para a manutenção da estabilidade. além de hemólise (veja item 4. pode deslocar o gel separador. ácido fólico). g = gravidade ** Tubos de citrato devem ser centrifugados a uma velocidade e tempo para consistentemente produzir o plasma pobre em plaquetas (contagem de plaquetas < 10.

lembrete A coleta em tubos com anticoagulante citrato requer aspiração correta do volume de sangue. Ex.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Diferentes graus de Icterícia 18 Atenção: Tubos com gel separador não podem ser centrifugados em baixas temperaturas. Este fenômeno resulta da ativação plaquetária induzida pelo volume maior do “espaço morto” formado entre o sangue e a tampa que veda o tubo . O quadro 5 relaciona os raios do braço da centrífuga (em centímetros) com a velocidade necessária. sendo R: distância em cm. Para otimizar o fluxo e evitar aquecimento. usando-se uma régua comum. para se obter a força “g” adequada : QUADRO 5: CÁCULO DE RPM Tubos com gel separador de 1300 a 2000g* RAIO ( cm) rcf (g) 900 950 1000 1050 1100 1150 1200 1250 1300 1350 1400 1500 1600 1700 1800 1900 2000 2100 2200 2300 2400 2500 2600 2700 2800 2900 7 3391 3484 3575 3663 3749 3833 3916 3997 4076 4153 4230 4378 4522 4661 4796 4927 5055 5160 5302 5421 5538 5652 5764 5874 5981 6087 8 3172 3259 3344 3426 3507 3586 3663 3738 3812 3885 3958 4095 4230 4360 4486 4609 4729 4646 4960 5071 5180 5267 5392 5494 5595 5694 9 2991 3073 3153 3230 3306 3381 3453 3525 3594 3663 3730 3861 3988 4110 4230 4345 4458 4568 4676 4781 4884 4965 5083 5180 5275 5369 10 2837 2915 2991 3065 3137 3207 3276 3344 3410 3475 3539 3663 3783 3899 4013 4122 4230 4334 4436 4536 4633 4729 4822 4914 5004 5093 11 2705 2779 2852 2922 2991 3058 3124 3188 3251 3313 3374 3492 3607 3718 3826 3931 4033 4132 4230 4325 4418 4509 4598 4686 4772 4856 12 2590 2661 2730 2798 2663 2926 2991 3052 3113 3172 3230 3344 3453 3560 3663 3763 3861 3956 4049 4140 4230 4317 4402 4486 4568 4649 13 2488 2557 2623 2688 2751 2813 2873 2933 2991 3048 3104 3213 3318 3420 3519 3616 3710 3601 3891 3978 4064 4147 4230 4310 4389 4467 14 2398 2464 2528 2590 2651 2711 2769 2826 2882 2937 2991 3096 3197 3296 3391 3484 3675 3663 3749 3883 3916 3997 4076 4153 4230 4304 15 2317 2380 2442 2502 2561 2619 2675 2730 2794 2837 2889 2991 3089 3184 3276 3366 3453 3539 3622 3703 3783 3661 3937 4013 4086 4158 16 2243 2305 2364 2423 2480 2536 2590 2643 2696 2747 2798 2896 2991 3083 3172 3259 3344 3426 3502 3586 3663 3738 3812 3885 3956 4026 17 2176 2236 2294 2350 2406 2460 2513 2565 2615 2665 2714 2809 2901 2991 3077 3162 3244 3324 3402 3479 3554 3627 3699 3769 3838 3906 18 2115 2173 2229 2284 2338 2391 2442 2492 2542 2590 2638 2730 2820 2906 2991 3073 3153 3230 3306 3381 3453 3525 3594 3663 3730 3796 19 2058 2115 2170 2223 2276 2327 2377 2426 2474 2521 2567 3657 2744 2829 2911 2991 3068 3144 3218 3291 3361 3431 3499 3565 3631 3695 20 2006 2061 2115 2167 2218 2268 2317 2364 2411 2457 2502 2590 2675 2757 2837 2915 2991 3065 3137 3207 3276 3344 3410 3475 3539 3601 21 1958 2012 2064 2115 2165 2213 2261 2307 2353 2398 2442 2528 2811 2691 2769 2845 2919 2991 3061 3130 3197 3263 3328 3391 3453 3515 22 1913 1965 2016 2066 2118 2162 2209 2254 2299 2343 2386 2470 2551 2629 2705 2779 2852 2912 2991 3058 3124 3168 3251 3313 3374 3434 23 1871 1922 1972 2021 2068 2115 2160 2205 2248 2291 2333 2415 2494 2571 2646 2718 2789 2656 2925 2991 3055 3116 3180 3240 3300 3358 24 1831 1882 1931 1978 2025 2070 2115 2158 2201 2243 2284 2364 2442 2517 2590 2661 2730 2796 2863 2928 2991 3052 3113 3172 3230 3288 25 1794 1844 1892 1938 1964 2028 2072 2115 2157 2196 2238 2317 2393 2466 2538 2607 2675 2741 2806 2869 2930 2991 3050 3108 3165 3221 Rcf= 1.118 x 10-5. O raio é medido em centímetros. A formação da barreira de gel pode ser comprometida caso o tubo seja resfriado antes ou durante a centrifugação.300 g. uma vez que as propriedades de fluxo do gel relacionam-se com a temperatura. A aspiração parcial pode induzir uma falsa trombocitopenia. Como usar o quadro acima: Exemplo de como usar o quadro acima: Suponha que o fabricante dos produtos para coleta de sangue a vácuo recomende que a centrifugação do tubo seja feita a 1. do ponto central da centrífuga de ângulo móvel até o fundo do tubo (base da caçapa). O valor em “rpm” é o ponto de intersecção das duas medidas (g e raio) no quadro acima. Para transformar “g” em “rpm” devemos medir o raio da centrífuga usada pelo laboratório.28 - . Esta medida se dá. raio da centrífuga = 15 cm Velocidade de centrifugação = 1300 g = 2794 rpm Boas práticas . ajustar as centrífugas refrigeradas a 25o C ( 77o F). N: RPM *Consulte o fornecedor sobre as recomendações de centrifugação.

O tubo de descarte deve ser um tubo sem nenhum aditivo. tubos para soro (tampa vermelha) podem ser colhidos normalmente. podendo contaminar a agulha distal. no momento da coleta de sangue. Isto ocorreu porque os tubos plásticos para soro (tampa vermelha ou amarela com gel separador) contêm ativador de coágulo em seu interior. Foto sobre contaminação do bico da seringa no momento da transferência do sangue para o tubo 20 Em dezembro de 2003. a ordem de coleta da NCCLS foi reformulada contemplando também a coleta em tubos plásticos.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4. durante a troca de tubos. pois não possuem ativador de coágulo.8 Recomendação da Seqüência dos Tubos a Vácuo na Coleta de Sangue Venoso de Acordo com a NCCLS Existe uma possibilidade pequena de contaminação com aditivos de um tubo para outro. Esta contaminação pode ocorrer numa coleta de sangue venoso quando: • Na coleta de sangue a vácuo. pelo contato da ponta da seringa com o anticoagulante ou ativador de coágulo na parede do tubo. Por isso. quando a mesma penetra a rolha do tubo. que interfere em testes específicos de coagulação. foi estabelecida pela NCCLS uma ordem de coleta.29 - . (recoberta pela manga de borracha da agulha de coleta múltipla de sangue a vácuo). e o paciente necessitar testes específicos de coagulação. . o sangue do paciente entra no tubo e se mistura ao ativador de coágulo ou anticoagulante. Devido a este componente estes tubos devem ser colhidos depois do tubo para coagulação (tampa azul). e o primeiro tubo a ser colhido for o tubo de citrato ou um tubo de menor volume de aspiração. Nota: Nos casos em que a coleta for feita com escalpe. como veremos abaixo. este tubo será usado para descartar o primeiro volume de sangue da coleta. onde está presente o fator de coagulação tromboplastina tecidual. deve-se primeiro colher um tubo de descarte. antes dos tubos para coagulação (tampa azul). ou seja. O tubo de descarte deve ser usado para preencher o espaço morto do tubo vinílico do escalpe com sangue. Em casos de usar somente tubos plásticos. para evitar a contaminação destes testes específicos pela tromboplastina tecidual. o que pode alterar os resultados dos testes de coagulação. No caso de coleta com tubos de vidro. Ilustração sobre contaminação da agulha de coleta múltipla no momento da coleta 19 • Na coleta com seringa e agulha. quando da dispensação do sangue dentro do tubo. assegurando a manutenção da proporção sangue/anticoagulante no tubo e também o volume exato de sangue que foi colhido dentro do tubo. coletar primeiro um tubo de vidro para soro (tampa vermelha) ou um tubo de descarte sem nenhum aditivo (que não serão utilizados para análise).

8. 4 Tubos com Heparina com ou sem Gel Separador de plasma (tampa verde). pág. Citrato. 63)..30 - . 6 Tubos com fluoreto (tampa cinza). consulte o fornecedor de tubos sobre recomendações para homogeneização Tubos Elemento de Traço EDTA ou heparina Com ativador de coágulo para obtenção de soro . 3 Tubos para soro com Ativador de Coágulo. (ver Seqüência de Coleta dos Tubos para Coleta de Sangue a Vácuo no final destas Recomendações. como Elementos de Traço. 3 Tubos com citrato (tampa azul claro). 2 Tubos para soro vidro siliconizados (tampa vermelha). 7 Tubos com fluoreto (tampa cinza). com ou sem Gel Separador (tampa vermelha ou amarela). conforme exemplificado nesta imagem QUADRO 6: 21 QUADRO REPRESENTATIVO DO NÚMERO DE INVERSÕES DOS TUBOS APÓS A COLETA GRUPO DE ANTICOAGULANTES/ADITIVOS Tubos com Gel Separador Tubos com gel e ativador de coágulo Tubos com gel e heparina Tubos sem Aditivos Tubos siliconizados Tubos com Aditivos para Obtenção de Soro Partículas ativadoras de coágulo tampa vermelha ou amarela Tubos Sangue Total/Plasma EDTA K2 ou EDTA K3 Citrato (coagulação) Citrato (VHS) Fluoreto de sódio/EDTA Na2 (glicose) Heparina Ácido cítrico. 6 Tubos com EDTA (tampa roxa).8. Para coletas de tubos especiais. EDTA com gel separador para exames de biologia molecular. 4. 5 Tubos com Heparina com ou sem Gel Separador de plasma (tampa verde).3 Homogeneização para tubos de coleta de sangue A homogeneização deve ser feita por inversão conforme ilustrado a seguir: Uma inversão é contada após virar o tubo para baixo e retorná-lo à posição inicial. tubo para VHS etc. 5 Tubos com EDTA (tampa roxa).8. 4 Tubos para soro com Ativador de Coágulo com Gel Separador (tampa amarela).1 Seqüência de coleta para tubos plásticos de coleta de sangue 1 Frascos para hemocultura. 4. Dextrose (ACD) NÚMERO DE INVERSÕES 5 a 8 vezes 8 a 10 vezes não é necessário homogeneizar 5 a 8 vezes 8 a 10 vezes 5 a 8 vezes 5 a 8 vezes 8 a 10 vezes 8 a 10 vezes 8 a 10 vezes 8 a 10 vezes 5 a 8 vezes O número de inversões pode variar de um fabricante para outro.2 Seqüência de coleta para tubos de vidro de coleta de sangue 1 Frascos para hemocultura. 2 Tubos com citrato (tampa azul claro).PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4.

PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO • Não se deve homogeneizar tubos de citrato vigorosamente. gaze. Calçar as luvas (ver item 4.Material de coleta separado adequadamente 1b 2 Solicitar ao paciente que diga seu nome completo para confirmação do pedido médico e etiquetas. inclinado-o para baixo na altura do ombro. Conferir e ordenar todo material a ser usado no paciente. uma falsa trombocitopenia pode ser observada. Abrir o lacre da agulha de coleta múltipla de sangue a vácuo em frente ao paciente. A falha na homogeneização adequada do sangue em tubo com anticoagulante precipita a formação de microcoágulos.Local de coleta de sangue guarnecido adequadamente .3). sob o risco de ativação plaquetária e interferência nos testes de coagulação. etc). Posicionar o braço do paciente. 9 . 3 4 5 Rosquear a agulha no adaptador do sistema a vácuo. 6 7 8 Higienizar as mãos (ver item 4.9 . Quando utilizar tubos de citrato para coleta de sangue a vácuo com aspiração parcial. Esta identificação dos tubos deve ser feita na frente do paciente. de acordo com o pedido médico (tubos. Este fenômeno pode ocorrer pela ativação plaquetária causada pelo “espaço morto” entre o sangue coletado e a rolha destes tubos.3). 1a . torniquete.Sistema para coleta de sangue a vácuo 22 1 Verificar se a cabine da coleta está limpa e guarnecida para iniciar as coletas. Procedimento de Coleta de Sangue a Vácuo • 4.31 - . Informá-lo sobre o procedimento.

Fazer a antissepsia (ver item 4. Fazer a punção numa angulação oblíqua de 30o. Homogeneizar imediatamente após a retirada de cada tubo.3). 22 . pedir para que o paciente abra e feche a mão. em recipiente para materiais perfurocortantes Fazer curativo oclusivo no local da punção. Se necessário. esticar a pele com a outra mão (longe do local onde foi feita a antissepsia). afrouxá-lo e esperar 2 minutos para usá-lo novamente. para melhor visualizar a veia. com algodão ou gaze secos. em geral de 1 a 2 minutos.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 10 11 12 Se o torniquete for usado para seleção preliminar da veia.8). remover a agulha e fazer a compressão no local da punção. Garrotear o braço do paciente (ver item 4. 15 16 Quando o sangue começar a fluir para dentro do tubo.8.1). 18 19 Após a retirada do último tubo. 20 Exercer pressão no local. Se o paciente estiver em condições de fazê-lo. evitando assim a formação de hematomas e sangramentos. desgarrotear o braço do paciente e pedir para que abra a mão 17 Realizar a troca dos tubos sucessivamente (ver item 4. 14 Inserir o primeiro tubo a vácuo (ver item 4.3). 21 Descartar a agulha imediatamente após sua remoção do braço do paciente. com o bisel da agulha voltado para cima.8). 13 Retirar a proteção que recobre a agulha de coleta múltipla de sangue a vácuo.32 - . invertendo-o suavemente de 5 a 10 vezes (ver item 4. orientá-lo adequadamente para que faça a pressão até que o orifício da punção pare de sangrar.

por ex.10 Procedimento de Coleta de Sangue com Seringa e Agulha: Seringa e Agulha estéreis 23 1 Verificar se a cabine da coleta está limpa e guarnecida para iniciar as coletas. 1a . torniquete. e não mantenha manga dobrada. entregar o comprovante para retirada do resultado. este tubo será usado para descartar o primeiro volume de sangue da coleta. não carregue peso ou bolsa a tiracolo no mesmo lado da punção por. 24 25 26 O que é um tubo de descarte? O tubo de descarte deve ser um tubo sem nenhum aditivo.Material de coleta separado adequadamente 1b 2 3 Solicitar ao paciente que diga seu nome completo para confirmação de pedido médico e etiquetas. perguntando se está em condições de se locomover sozinho.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 23 Orientar o paciente para que não dobre o braço.Local de coleta de sangue guarnecido adequadamente . . Verificar se há alguma pendência. que pode funcionar como torniquete. onde está presente o fator de coagulação tromboplastina tecidual que interfere em testes de coagulação específicos. e liberá-lo. fornecendo orientações adicionais ao paciente. se for necessário. no mínimo 1 hora.33 - . gaze.) de acordo com o procedimento operacional do laboratório. etc) esta identificação dos tubos deve ser feita na frente do paciente. Conferir e ordenar todo material a ser usado no paciente. 4. ou seja. Certificar-se das condições gerais do paciente. de acordo com o pedido médico (tubos. Colocar as amostras em local adequado ou encaminhá-las imediatamente para processamento em casos indicados (como materias que necessitem ser mantidos em gelo.

se necessário. Retirar a proteção da agulha hipodérmica. e com agilidade. inclinado-o para baixo na altura do ombro. pedir para que o paciente abra e feche a mão. 5 6 7 Higienizar as mãos (ver item 4. afrouxá-lo e esperar 2 minutos para usá-lo novamente. . com o bisel da agulha voltado para cima. Fazer a antissepsia (ver item 4. Se o paciente estiver em condições de fazê-lo. oriente-o para que faça a pressão até que o orifício da punção pare de sangrar.34 - Retirar a agulha da veia do paciente. Aspirar o sangue evitando bolhas e espuma.Desgarrotear o braço do paciente assim que o sangue começar a fluir dentro da seringa. Posicionar o braço do paciente. Exercer pressão no local. Garrotear o braço do paciente (ver item 4. Calçar as luvas (ver item 4. para melhor visualizar a veia. 8 9 10 11 Se o torniquete for usado para seleção preliminar da veia. pois o processo de coagulação do organismo do paciente já foi ativado no momento da punção.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4 Informá-lo sobre o procedimento.3). 16 17 . Aspirar devagar o volume necessário de acordo com a quantidade de sangue requerida na etiqueta dos tubos a serem utilizados (respeitar ao máximo a exigência da proporção sangue/aditivo). Abrir a seringa na frente do paciente. 14 15 . esticar a pele com a outra mão (longe do local onde foi feita a antissepsia).3).1). em geral de 1 a 2 minutos. evitando assim a formação de hematomas e sangramentos. 12 13 Fazer a punção numa angulação oblíqua de 30o.3).

PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO

18

Tenha cuidado com a agulha para evitar acidentes perfurocortantes.

19

Descartar a agulha imediatamente após sua remoção do braço do paciente, em recipiente adequado, sem a utilização das mãos (de acordo com a normatização nacional – não desconectar a agulha não reencapar). 21

20

Abrir a tampa do 1° tubo, deixar que o sangue escorra pela sua parede devagar para evitar hemólise (ver item 4.5.1).

Fechar o tubo e homogeneizar, invertendo-o suavemente de 5 a 10 vezes de acordo com o tubo utilizado.
Boas práticas - lembrete Recomenda-se que o processo de homogenização do sangue ao anticoagulante citrato ocorra num intervalo inferior a 1 minuto, após a finalização da coleta (NCCLS).

22

Abrir a tampa do 2º tubo, e assim sucessivamente até o último tubo, de acordo com o pedido médico do paciente. Não esquecer de fazer o processo tubo a tubo, para evitar a troca de tampa dos tubos (causando erro de diagnóstico).

Boas práticas - lembrete A seqüência a ser preconizada na transferência do sangue para os tubos, ao utilizar seringa e agulha, deve ser aquela recomendada pela NCCLS. Este procedimento visa prevenir riscos de contaminação das amostras.

23

Ao final, descartar a seringa em descartador apropriado para materiais contaminantes.

Fazer curativo oclusivo no local da punção. 24

25

Orientar o paciente para que não dobre o braço, não carregue peso ou bolsa a tiracolo no mesmo lado da punção por, no mínimo, 1 hora e não mantenha manga dobrada, que pode funcionar como torniquete. Verificar se há alguma pendência, dando orientações adicionais ao paciente, se for necessário. Certificar-se das condições gerais do paciente perguntando se está em condições de se locomover sozinho, entregar o comprovante para retirada do resultado, e liberá-lo. Colocar as amostras em local adequado ou encaminhá-las imediatamente para processamento em casos indicados (como materias que necessitem ser mantidos em gelo por ex.) de acordo com o procedimento do laboratório.
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4.11 Cuidados para uma Punção Bem Sucedida O ideal é que o paciente seja puncionado uma única vez, proporcionando assim conforto e segurança ao paciente. Para se obter uma punção de sucesso, vários fatores devem ser observados, antes de iniciar o procedimento. Ao observar o acesso venoso do paciente, escolher materiais compatíveis, por exemplo, paciente com acesso venoso difícil, valer-se do uso de agulhas de menor calibre ou escalpes e tubos de menor volume. • Sempre puncionar a veia do paciente com o bisel voltado para cima. • Respeitar a proporção sangue/aditivo no tubo. • Introduzir a agulha mais ou menos 1 cm no braço. • Respeitar a angulação de 30o (ângulo oblíquo), em relação ao braço do paciente.

Correta angulação na coleta / 30o 24 25

Incorreta angulação na coleta

Figura A. Punção venosa adequada

O ângulo oblíquo de 30° da agulha em relação ao braço do paciente foi respeitado, agulha penetrou centralmente na veia e o bisel da agulha foi inserido voltado para cima. Deve-se tomar cuidado quando o sangue não for obtido logo na primeira punção, para evitar complicações.


Fluxo Sangüíneo A

As figuras a seguir exemplificam alguns problemas que podem ocorrer nas situações em que a punção venosa não foi feita adequadamente e como resolvê-los.

Figura B. Interrupção do fluxo sangüíneo
• •
Fluxo Sangüíneo B

O bisel está encostado na parede superior da veia. O ideal é inclinar um pouco para cima e avançar um pouco com a agulha, permitindo a passagem do fluxo sangüíneo para dentro da agulha.

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Figura C. Interrupção do fluxo sangüíneo
• •
Fluxo Sangüíneo C

Neste caso a parte posterior da agulha está encostada na parede da veia. Deve-se então retroceder um pouco com a agulha e girar sutilmente o adaptador ou seringa para permitir a retomada do fluxo sangüíneo.

Figura D. A agulha transfixou a veia
• Neste caso deve-se retroceder um pouco a agulha, observando a retomada do fluxo.

Fluxo Sangüíneo D

Figura E. O bisel da agulha penetrou parcialmente a veia do paciente.

É eminente a formação de hematoma neste caso. Vemos o extravasamento de sangue abaixo da pele. Para evitar que seja feita uma segunda punção, deve-se introduzir um pouco mais a agulha no braço do paciente, tranqüilizá-lo e, após o término da coleta, fazer compressa com gelo.


Fluxo Sangüíneo E

Figura F. Processo de estenose venosa.

• • •

Retirar ou afrouxar o torniquete para permitir o restabelecimento da circulação. Retroceder um pouco a agulha para permitir que o fluxo sangüíneo desobstrua. Utilizar a marca guia do adaptador de coleta de sangue a vácuo. Ela serve como orientação, quando no meio de uma punção sem fluxo, como demonstrado acima, e o tubo já inserido no sistema de coleta a vácuo, o flebotomista necessite desobstruir a veia colabada, retrocedendo um pouco o tubo. O tubo perderá o vácuo, caso este retrocesso seja após a marca guia.

Fluxo Sangüíneo F

• Se durante o ato da coleta, for percebido uma suspeita de colabamento da veia puncionada, recomenda-se virar lenta e cuidadosamente o adaptador de coleta de sangue a vácuo para que o bisel seja desobstruído, permitindo a recomposição da luz da veia e liberação do fluxo sangüíneo. • Caso ocorra a perda do vácuo, substituir o tubo. • Evitar movimentos de busca aleatória da veia. Este procedimento induz hemólise da amostra e resulta na formação de hematoma. Em muitos casos é aconselhável realizar nova punção em outro sítio. • Punção acidental de artéria: O fluxo arterial é muito mais rápido que o venoso. O sangue arterial tende a uma cor avermelhada, mais “viva”, devido a maior oxigenação da hemoglobina. Ao puncionar acidentalmente uma artéria, recomenda-se retirar rapidamente a agulha, seguida de compressão vigorosa no local da punção, até a parada do sangramento. O supervisor necessita ser notificado. - 37 -

plasma TENDÊNCIA ↓ ↓ COMENTÁRIO. método dependente (turvação.12.1 Coleta de sangue via cateter de infusão A coleta de sangue em cateteres de infusão não é recomendada. Wisser. há necessidade de cuidados expeciais e o procedimento deve ser realizado por profissional experiente e habilitado. et al – Samples: from the patient to the laboratory.12 Coletas em Condições Particulares 4. .38 - .. 2001. coloração esverdeada) Uréia.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4. Potássio. retardo ↑ Biureto. Sódio. Bilirrubina Frutose Citrato (transfusão sangüínea) Soro fisiológico 0. Ilustração de coleta de sangue a vácuo em acesso de cateter 26 O quadro abaixo demonstra algumas substâncias afetadas por coletas em cateter de infusão: QUADRO 7: INFUSÕES/TRANSFUSÕES COMO FATOR DE INTERFERÊNCIA E/OU CONTAMINAÇÃO DOS EXAMES LABORATORIAIS PARA DIAGNÓSTICOS INFUSÃO/TRANSFUSÃO Dextran SUBSTÂNCIAS AFETADAS Tempo de coagulação resposta do fator von Willebrand Proteína sérica total. soro Grupo sangüineo Gamaglobulina Eletrólitos Glicose Glicose Sorologia Potássio. pág 16. Darmstadt. Narayanan. Git Verlag. portanto. W.10 seg. Na situações em que este tipo de coleta for imprescindível. G.9% Ácido úrico pH do sangue teste de coagulação Íons Hemodiluição ↓ pseudoaglutinação Falso-positivo ↑ ↑ ↓ Contaminação Contaminação Insulina Acima de 15%. a composição da amostra pode ser profundamente afetada pelos fluidos infundidos e. MECANISMO 5 . especialmente em recém-nascidos Efeito metabólico Inibição Contaminação ↑ ↑ ↓ ↑↓ ↑ ↓ Guder. H. floculação. S. podem ser obtidos resultados incorretos dos exames laboratoriais realizados. Além disto. Amilase.. Magnésio Glicose Fosfato inorgânico. 2nd edition.

. fibrinogênio segundo Clauss. Wisser. devido à importante interferência nos resultados dos exames que este tipo de coleta pode reproduzir. (tempo de trombina. et al – Samples: from the patient to the laboratory. é recomendado descartar 5. este tipo de coleta deve ser evitado. Anti Trombina III.). S. Darmstadt. As hemoculturas não devem ser colhidas via cateter.. 2nd edition. Git Verlag. no resultado obtido. tais como: • • • Obter o consentimento do médico assistente. antes da coleta. e tempo de coagulação. H. sempre é bom lembrar que: • Uma possível contaminação com heparina deve ser sempre considerada nos casos de exames da coagulação. ou seis vezes o volume do cateter. pois os organismos que colonizam as paredes do cateter podem contaminar a amostra. etc. Tudo isto porque. sempre que possível. como o tempo de trombocitoplastina parcial ativada. Planejar a hora da coleta de acordo com cada tipo de infusão conforme o quadro 8: QUADRO 8: RECOMENDAÇÕES PARA PLANEJAR AS INFUSÕES E AS AMOSTRAGENS DE SANGUE INFUSÃO INÍCIO DA COLETA DE SANGUE EM HORAS. O primeiro sangue coletado após este procedimento deve ser usado para pesquisa não hemostasiológica (em tubo para soro). G. Devido a estes problemas. É importante rapidez na coleta do cateter para evitar coagulação. DEPOIS DA SESSÃO DE INFUSÃO 8 1 1 1 Guder. monômero de fibrina. W. 2001..0 mL de sangue. que são extremamente sensíveis à sua interferência. O flebotomista deve ser minuciosamente treinado e deve respeitar rigorosamente as normas padronizadas pela instituição. Narayanan. deve-se tomar alguns cuidados. medicamentos.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Nos casos em que for imprescindível esta forma de coleta. Caso contrário.12. Comunicar ao laboratório que foi feita uma coleta através de um cateter de infusão e anotar no pedido a substância que está sendo infundida (soro fisiológico. deve ser colhido um segundo tubo de citrato. pág 17.2 Coleta de sangue via cateter de infusão com heparina Uma consideração importante deve ser feita quanto à coleta de sangue para testes de coagulação. glicose. Tempo de Tromboplastina Parcial Ativado). usado apenas para determinar substâncias insensíveis à heparina: Tempo de Protrombina. Em qualquer situação. é possível haver influência do local da coleta sobre a composição do plasma/soro e. conseqüentemente.39 - • . onde um cateter preservado com heparina é utilizado. Para métodos heparino-dependentes. e o sangue subseqüente obtido (em tubo de citrato). dextran. Emulsão de gordura Solução rica em carboidrato Aminoácidos e proteínas hidrolisadas Eletrólitos 4.

Enxaguar a cânula com solução salina isotônica com volume proporcional ao tamanho do cateter (fig. podendo ser realizada em situações de difícil acesso venoso. Fazer antissepsia rigorosa (fig. Fazer a antissepsia rigorosa do cateter onde foi conectado o adaptador ou seringa (fig. Deve ser documentado qual braço. 3) Este procedimento deve ser feito somente por pessoal capacitado e.0 mL de sangue devem ser descartados antes que a amostra de sangue seja coletada (ver coleta com infusão de heparina para testes de coagulação pag. (fig. 4 5 6 7 8 9 10 Boas práticas .lembrete A coleta de sangue via cateter de infusão não é recomendada. 5.40 - . 1). 6). 4). Coletar o sangue (fig. 2). proximal ou distal do local de infusão. 9).PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Passo a passo para coleta de sangue por cateter de infusão: Ao iniciar o procedimento de coleta de cateter com infusão intravenoso: 1 2 3 Deve-se tomar todo cuidado para assegurar que o fluxo de infusão foi completamente descontinuado. Procedimentos para reinício de infusão no paciente devem ser realizados por profissional habilitado (fig. 7). em ambiente hospitalar com prévio consentimento do médico assistente. e onde foi feita a coleta. 8). Conectar o adaptador de coleta a vácuo ou a seringa ao cateter e proceder a coleta (fig. Os primeiros 5. PASSO A PASSO PARA COLETA DE SANGUE POR CATETER DE INFUSÃO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 . de preferência. 41). Retirar o adaptador ou a seringa (fig.

De uma maneira geral deve-se colher 20. uma hemocultura de adulto requer 8 a 10 mL/frasco aeróbio e 8 a 10 mL/frasco anaeróbio e. pois o volume de sangue requerido pode variar consideravelmente. Em recém-nascidos recomenda-se coletar 0. não se recomenda colher sangue desta veia. É usada para hemodiálise de pacientes com insuficiência renal. quanto para a agilidade dos resultados. 2 ou 3 amostras de hemocultura. A coleta não deve ser realizada no descendente da curva térmica. Deve ser tomado todo cuidado ao manipular uma fístula.12. Em pacientes adultos. pois se aquele acesso estiver contaminado a probabilidade do médico tratar indevidamente o paciente aumenta muito. 4. tanto para a positividade dos frascos. é importante que se colha o maior volume permitido pelo frasco.3 Fístula artério-venosa Fístula é uma conexão de desvio artificial feita por um procedimento cirúrgico para comunicar uma veia com uma artéria. Cada mililitro de sangue a mais coletado aumenta a positividade em média 3%. que tem indicações restritas). O hospital deve estabelecer uma política institucional para estes tipos de coleta. amostras devem ser coletadas do braço oposto. sendo a partir de punções de locais diferentes. 4. ou seja. salvo casos específicos.5 a 1 mL de sangue por punção venosa e inocular em frasco pediátrico. seria o número ideal. contendo meios de cultura próprios para o crescimento de microrganismos aeróbios e/ou anaeróbios.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Coleta de Sangue em Outros Tipos de Acessos: 4. Não se recomenda coletar sangue de um braço com fístula. há chance de se obter maior número de bactérias ou fungos.12. pois os resultados dos testes laboratoriais poderão ser errôneos. 2 amostras de hemocultura. e em crianças. do que no pico febril.4 Fluidos intravenosos Uma coleta capilar é recomendada quando o acesso venoso não está prontamente disponível. Nota: Quando forem solicitadas pelo médico mais de uma amostra de hemocultura (ex: hemocultura 3 amostras) estas não devem ser colhidas simultaneamente da mesma punção (a não ser que se trate de um frasco aeróbico e outro anaeróbico. A qualidade da coleta de sangue é fator limitante. . hemocultura de criança (1 até 6 anos) requer 1 a 3 mL/frasco. pois é um acesso permanente. Portanto. Quando um fluido intravenoso (incluindo transfusão de sangue) é administrado ao paciente.0 mL de sangue por hemocultura. de acordo com recomendações dos fabricantes. Quantidade de frascos. Importante: Não utilize o mesmo acesso venoso para mais de um frasco (a não ser que se colha 1 frasco anaeróbio e outro aeróbio). Quando possível. Não respeitar esta recomendação pode comprometer seriamente a especificidade do exame.41 - . Ao se coletar na ascensão da temperatura.13 Hemocultura Para a realização de hemocultura faz-se a coleta e a transferência de sangue para frascos específicos. O volume coletado é diretamente proporcional à probabilidade de o laboratório isolar a bactéria ou o fungo. volume de sangue e intervalo entre as coletas: O número de frascos e o intervalo entre as coletas são fundamentalmente determinados pela clínica do paciente e não pelo laboratório (Consenso Brasileiro de Sepse).

Remover os selos da tampa dos frascos de hemocultura já identificados com nome do paciente. Não assoprar. Retirar o torniquete. Ilustração de coleta de hemocultura com escalpe para coleta de sangue a vácuo 27 Passo a passo para a coleta de hemocultura: 1 2 3 4 Lavar e secar as mãos cuidadosamente. . Atualmente. Em pacientes alérgicos ao iodo. com uma solução 1 a 10% de iodo-povidine. para que o antisséptico tenha efeito local. Esperar o local secar. está contra-indicada a troca de agulha após a punção do paciente. não abanar e não colocar nada no local. em substituição ao álcool iodado. com gaze ou algodão (estéreis) em movimento circular. Remover o iodo ou clorexidina da pele com gaze ou algodão (estéreis) com álcool 70%. não mais tocar o local. pode ser utilizado somente o álcool 70% ou clorexidina. portanto devemos cumprir alguns passos para obter a amostra de sangue sem contaminar a amostra. Pode-se.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Antissepsia: Não existe antisséptico instantâneo. também usar PVPi (Solução Tópica de Iodopovidona a 10 %) como antisséptico.42 - 5 6 7 8 9 10 . A coleta de hemocultura. não há aumento da contaminação dos frascos. com álcool 70%. Pode-se trabalhar com a seguinte metodologia: • iniciar com álcool iodado 1% • deixar secar • retirar o excesso de iodo com álcool 70% • deixar secar • executar a punção como veremos a seguir. A necessidade de esperar secar o local da punção baseia-se no fato de que as bactérias são mortas por desidratação. Depois limpar. A coleta deve também ser realizada em ambiente fechado. usando escalpe e adaptador para coleta de sangue a vácuo. Colocar o torniquete e selecionar o local da punção. Nunca assoprar ou abanar o local da punção para agilizar o processo. Aguardar de 30 segundos a 2 minutos. data e hora da coleta e número da amostra. sem corrente de ar. Fazer uma antissepsia prévia nas tampas.5%). A mesma rotina deve ser realizada na tampa do frasco contendo meio de cultura. Depois de limpar. torna este procedimento seguro e contribui para a redução da contaminação da amostra.1 a 1% de iodo) ou clorexidina alcoólica (0. Permitir a secagem da área. do centro para a periferia. (0. Limpar centralmente o local de punção com gaze ou algodão e álcool 70% (etílico ou isopropílico). pois se a antissepsia for correta.

0 mL. antes da coleta do exame. 14 15 16 Em caso de punção difícil.4. transferir o sangue imediatamente para o frasco de hemocultura. o frasco deve ser encaminhado imediatamente para o laboratório. ou cateter. permitindo assim uma coleta fechada. de alguma forma. permanecendo por um período em repouso. 4. Puncionar a veia do braço do paciente.43 - . na maioria das vezes. até mesmo. Recomenda-se que estes testes tenham acompanhamento médico e que o laboratório disponha de um local separado para sua realização. observar a quantidade de sangue que está fluindo para dentro do frasco de hemocultura. Após a coleta. Isto pode ser feito por meio da injeção de uma solução de heparina ou salina no escalpe. Em caso de coleta com escalpe para coleta de sangue a vácuo. Materiais Utilizados: • • • • • • • Seringa descartável de 10. e tenha que fazer nova punção. Escalpe para coleta múltipla de sangue a vácuo. . sem necessidade de manuseio e minimizando os riscos de contaminação da amostra (ver item 4. é necessário manter o acesso venoso do paciente viável para as coletas seriadas. em que o flebotomista perca a veia. Devido à particularidade de se fazer coleta seriada de sangue para as provas funcionais. por meio de exercícios ou. Solução Fisiológica (ampola de 10. ou mantido a 37°C.0 mL.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 11 12 13 Calçar luvas estéreis. em geral. o ideal é puncionar uma só vez este paciente. Tubos específicos para as provas a serem testadas.0 mL). tampa vermelha. conforme protocolo do hospital ou laboratório.14 Coleta de Sangue para Provas Funcionais Provas funcionais são aquelas em que o organismo do paciente é estimulado ou suprimido. por administração endovenosa ou ingestão de medicamento ou substância. recomenda-se que todo o procedimento de antissepsia seja refeito. Em caso de coleta com seringa e agulha. ou um tubo de descarte (ver item 4.8). Técnica de utilização do escalpe para provas funcionais: 28 Escalpe para coleta de sangue a vácuo com tubo fluoreto – sistema para coleta múltipla de glicose. Bandagem oclusiva. Em coletas de provas funcionais. Heparina (conforme protocolo do laboratório ou hospital). Tubo para coleta de sangue a vácuo. siliconizado de 10.1). para evitar a formação de coágulos no tubo vinílico do escalpe. o uso de escalpe é o mais indicado e. Exercer pressão no local até cessar o sangramento. deixando sempre o frasco na posição vertical e abaixo do local da punção. 29 Escalpe para coleta de sangue a vácuo com tubo gel separador – sistema para coleta múltipla de provas funcionais.

0 mL de sangue. Desgarrotear o braço do paciente. o êxito de uma coleta nestes pacientes requer agulhas de menor calibre. Administrar a medicação ou substância específica à prova do paciente e marcar o tempo. Higienizar as mãos (ver item 4. Tanto a seringa quanto o tubo siliconizado (ou de descarte). Se o torniquete for usado para seleção preliminar da veia. para melhor visualizar a veia. repouso de 30 minutos antes da coleta basal e da administração de medicamento de esímulo ou supressão (início do teste funcional). com a finalidade de limpar a extensão do escalpe. Desconectar e reservar a seringa. Inserir o tubo para a 2ª amostra da prova.15 Coleta de Sangue em Pediatria e Geriatria Como o acesso venoso em pacientes pediátricos e geriátricos pode ser difícil. Posicionar o braço do paciente. na altura do ombro. inclinado-o para baixo. Garrotear o braço do paciente (ver item 4.3).44 - . escalpes e tubos de menor volume. esticar a pele com a outra mão (longe do local onde foi feita a antissepsia). Informá-lo sobre o procedimento. tomar cuidado para não injetar a solução na veia do paciente. Conectar a seringa de 10.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Passo a passo da coleta : 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Conferir o material a ser usado no paciente. Colocar um esparadrapo ou similar para prender o “butterfly” no braço do paciente. Estes materiais serão descartados ao final da prova.0 mL no adaptador. se necessário. Escalpe para coleta de sangue a vácuo com dispositivo de segurança 30 . pois os mesmos possuem veias menos calibrosas. 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 4.1).0 mL a 2. Fazer a antissepsia (ver item 4. Calçar as luvas (ver item 4. Na próxima coleta. de forma que o bico da seringa empurre a borracha da agulha. ver item 4. afrouxá-lo e esperar 2 minutos para usá-lo novamente. introduzir o tubo siliconizado (ou tubo de descarte. Em geral.0 mL). injetar cuidadosamente a solução preparada até que a extensão do escalpe se apresente limpa (1 a 2. Novamente. proceder assim até o final da prova.8) e aspirar de 1.0 mL). injetar cuidadosamente a solução preparada para manutenção da veia (quando for o caso) até que a extensão do escalpe se apresente limpa (1 a 2. devem ser identificados e colocados numa cuba ou similar. pedir para que o paciente abra e feche a mão. tomar cuidado para não injetar a solução na veia do paciente.3). Fazer a punção com o bisel da agulha voltado para cima.3). Retirar o escalpe para coleta múltipla de sangue a vácuo da embalagem e rosqueá-lo no adaptador. Inserir o tubo para a 1ª amostra da prova e colher os exames basais.

além de eliminarem o risco de diluição da amostra. utilizando heparina de sódio líquida também é aceitável. A heparina líquida. sendo em geral necessária quando a amostra venosa não permite a medição adequada dos parâmetros desejados pelo médico. nas seringas destinadas especificamente para coleta de gasometria e eletrólitos. compressa ou similar. rolando-a entre as mãos. O resfriamento do material em gelo auxilia sobremaneira na diminuição da atividade metabólica dos leucócitos. resultando em valores falsamente mais baixos do que o real. pode ainda causar diluição da amostra.16 Coleta de Sangue em Queimados Dependendo das condições do paciente queimado. escalpes e tubos de menor volume. e homogeneiza-se suavemente. pois existe a possibilidade da heparina ligar-se quimicamente ao cálcio. porém não assegura uma inibição completa. esgota-se o ar residual. Os locais usuais para a realização da punção arterial são as artérias radial. Seringa de gasometria vedada e pronta para ser enviada ao laboratório 31 . deve-se manter uma via de acesso preservada para infusão. asseguram a proporção exata entre volume de sangue e anticoagulante. braquial ou femural. Deve-se evitar o contato direto da seringa com o gelo. de preparação “caseira”. resultando valores incompatíveis com a situação clínica do paciente. bem como obstruir os equipamentos analisadores de gases sangüíneos. O uso de seringa. na conservação da amostra e transporte imediato ao laboratório. fato que inviabilizaria sua análise. Em situações especiais. visando prevenir o congelamento da amostra. A melhor opção está na utilização de seringa previamente preparada com heparina de lítio jateada na parede. em excesso. porém aumenta a possibilidade de interferência na dosagem de cálcio iônico. idealmente não excedendo o prazo de 15 minutos. Após a obtenção da amostra arterial ou venosa despreza-se a agulha. 4. isolando-a com papel.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4. evitando assim a formação de micro-coágulos que podem produzir resultados errôneos. A introdução do cálcio em concentração “balanceada”. pode-se optar pelas artérias do couro cabeludo ou as artérias umbilicais durante as primeiras 24 a 48 horas de vida. As seringas específicas para a análise de gases sangüíneos.45 - . Coleta de gasometria: A análise dos gases no sangue arterial é fundamental no tratamento de pacientes críticos. como por exemplo nos recém-natos. veda-se a ponta da seringa com o dispositivo oclusor. No caso de coleta de sangue. O material necessita ser encaminhado de imediato ao laboratório. com lancetas e microtubos. Esta coleta também requer agulhas de menor calibre. Este tipo de material é facilmente obtido no mercado e apresenta uma relação custo/eficiência satisfatória. pode-se colher sangue por punção capilar. Em alguns casos. tem por finalidade minimizar os efeitos da queda deste íon na amostra. com “balanceamento” de cálcio. recomenda-se procurar uma veia cujo acesso esteja íntegro e facilitado.17 Gasometria A coleta de sangue arterial ou venoso para análise dos gases sangüíneos requer cuidados na escolha do material adequado a ser utilizado na coleta.

• 25 x 8 mm (21 G1). de uma flebotomia adequada. Não há necessidade de testes locais exaustivos. Igualmente. de forma a padronizar o uso de materiais que não venham a contribuir com interferentes para as análises a serem realizadas. Ao laboratório recomenda-se avaliar criticamente. Isso pode ser feito mediante uma combinação de estratégias. em geral. qualifique os fornecedores de material em função dos produtos especificados e de outras características importantes para a organização. em geral. os materiais de coleta. com a qual se obtêm amostras de qualidade. em grande parte. onde será rosqueado o adaptador para coleta de sangue a vácuo.1 Qualificação dos Fornecedores e Materiais Uma das características básicas de todos os sistemas de gestão da qualidade é a recomendação de que a organização: 1 2 3 especifique para aquisição os insumos e materiais. uma vez que materiais usados na sua fabricação podem levar a resultados errôneos. tais como: testagem direta. que permitem uma coleta segura ao flebotomista. de preferência antes da sua aquisição. Algumas agulhas são siliconizadas e têm o bisel em corte trifacetado a laser com o intuito de facilitar e tornar menos dolorosa a punção.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 5. 5. comprovando a funcionalidade de seus produtos) e fornecedores. contudo é bom que se saiba que não há como garantir que os recipientes de coleta e de transferência dos mais variados fabricantes se comportarão de forma absolutamente inerte. revisão da literatura e avaliação das informações obtidas dos fabricantes (trabalhos científicos desenvolvidos pelo fabricante em instituições médicas de referência nacional e mundial.2 Especificação dos Materiais para Coleta de Sangue a Vácuo Agulhas de coleta múltipla de sangue a vácuo As agulhas para coleta de sangue a vácuo têm duas pontas: uma maior (proximal) que será inserida no braço do paciente e outra menor (distal).1 Agulhas para coleta múltipla • 25 x 7 mm (22 G1). verde: Usualmente indicada para pacientes com bom acesso venoso.2. monitore continuamente a qualidade dos insumos e materiais e dos respectivos fornecedores. principalmente os recipientes. 5. Algumas também possuem dispositivos de segurança. preta: Usualmente indicada para pacientes geriátricos. Estas recomendações para garantia da qualidade na fase pré-analítica fundamentam-se nos programas de acreditação de laboratórios clínicos da SBPC/ML (Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial) e CAP (Colégio Americano de Patologistas). que perfura o tubo a vácuo no momento da coleta. . As diversas variáveis pré-analíticas devem ser controladas de forma a preservar a representatividade e a integridade das amostras. recoberta por um manguito de borracha. o preenchimento excessivo ou insuficiente de tubos de coleta a vácuo pode levar a erros. Garantia da Qualidade Laudos de testes laboratoriais acurados (exatos e precisos) dependem. pediátricos e com acesso venoso difícil. inclusive com conseqüências médicas. No meio da agulha há uma parte plástica com rosca. em função de suas características de impacto sobre a qualidade pretendida. é a agulha de coleta múltipla de sangue a vácuo mais utilizada.46 - . 5.

47 - . Escalpes para coleta de sangue a vácuo. Alguns escalpes possuem dispositivos de segurança que.2 Adaptadores para coleta de sangue a vácuo Adaptadores para coleta de sangue a vácuo 33 O adaptador é uma peça plástica que. 5.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 32 Figura ilustrando os diversos tipos de agulhas de coleta múltipla de sangue a vácuo: verde – 21 G1. ao término da punção.3 Escalpes para coleta múltipla de sangue a vácuo Escalpe para coleta de sangue a vácuo 34 Os escalpes para coleta de sangue a vácuo são similares aos escalpes de infusão. porção final do tubo vinílico.2. recobrem a agulha protegendo o flebotomista de uma contaminação por acidente com perfurocortante. 25G (calibre 5). Cada fabricante produz o adaptador adequado ao seu sistema de coleta de sangue a vácuo (adaptador. 23G (calibre 6). azul claro: Usualmente é o mais utilizado em pacientes geriátricos. amarela – 20 G1 ½. agulha. onde o adaptador é rosqueado. possibilita ao flebotomista uma melhor empunhadura e segurança na hora da coleta venosa.2. preta – 22 G1 e. azul escuro: Usualmente utilizado para o mesmo perfil de pacientes acima descritos. . • O flebotomisma deve escolher o produto que melhor se adeqüe ao acesso venoso de seu paciente. em geral. com os seguintes calibres: • • 21G (calibre 8). na parte inferior. em geral. agulhas com dispositivo de segurança 5. em geral. em geral pacientes com acesso venoso difícil. com uma agulha recoberta por uma manga de borracha. neonatos e pacientes em tratamentos com quimioterápicos. porém com acessos venosos ainda mais difíceis. para obter as facilidades do sistema a vácuo e evitar perda de materiais por incompatibilidade entre eles. pediátricos. Cabe ao laboratório especificar em sua compra o adaptador compatível com os tubos a vácuo e agulhas para coleta múltipla que utiliza. verde: Usualmente utilizado para pacientes com bom acesso venoso. isto é. tubo a vácuo). existe uma peça acoplada. a diferença é que no luer. uma vez rosqueada à agulha de coleta múltipla de sangue a vácuo.

Os fabricantes devem basear-se nestas especificações para a fabricação de seus tubos para coleta de sangue a vácuo e não-vácuo. Citrato e Dextrose). possuem vácuo calibrado e volume/quantidade de anticoagulante proporcional ao volume de sangue a ser aspirado especificado em sua estiqueta. Tubos que contenham anticoagulantes.Ácido Cítrico. o nível máximo de contaminação interior deste tubo com esta substância. Se o tubo for recomendado para análises específicas de certas substâncias.2. a vácuo e não-vácuo. A norma especifica que o tubo deve ser fabricado com um material que permita uma clara visão do conteúdo quando submetido a uma inspeção visual.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 5. NCCLS. citrato e ACD . existir a possibilidade do contato direto entre o interior do tubo e o fluxo sangüíneo do paciente.2. recomendando-se consultas ao fabricante a respeito de potenciais interferentes. Importante também é verificar se o fabricante comprova a funcionalidade dos tubos. Para tubos com aditivos.4 Tubos para coleta de sangue a vácuo Tubos para coleta de sangue a vácuo 35 Os tubos para coleta de sangue a vácuo são de uso único e devem ter seu interior estéril. para determinações de alta sensibilidade analítica (ex: fluorimetria). preferencialmente através de documentação científica. para uso principalmente pelos fabricantes.2 é uma padronização internacional que especifica requisitos e metodologias para testes de tubos de uso único para coleta de sangue. na sua etiqueta ou embalagem.Single-use Containers for Human Venous Blood Specimen Collection (ISO – Internacional Organization for Standardization.3 Comentários sobre a ISO 6710. Os tubos também devem ser projetados para que apresentem apenas uma variação de aspiração do volume nominal de ± 10%. e seu método analítico aplicado. Quando da mudança de fornecedor. Recomenda também que a superfície interna dos tubos de vidro para testes de coagulação evite a ativação do coágulo. FDA (Food and Drug Administration). 5. a formulação do material da rolha deve ser tal que não interfira nos resultados destas análises. que sabidamente podem atuar como potenciais meios de cultura (ex. Outro ponto relevante é a compatibilidade destes tubos com os equipamentos usados no laboratório. é importante solicitar estas informações ao fabricante. devem ser estéreis. A Norma ISO 6710. Para determinações de metais e outras substâncias específicas. É importante atentar ao fato de que. O que deve ser verificado é se o produto está devidamente registrado na ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e é fabricado de acordo com as Boas Práticas de Fabricação estabelecidas pela ANVISA e ou por outros padrões internacionais ISO 6710. Temos no mercado tubos de diversos volumes de aspiração e características físicas. contudo. .48 - . requisitos para agulhas e adaptadores para coleta de sangue. portanto o fabricante deve assegurar que o interior de seus tubos seja estéril. os limites de interferência usualmente testados podem não estar adequados. durante a coleta de sangue.2 . há especificação de espaço suficiente para que possa ser efetivada uma homogeneização mecânica ou manual. A norma especifica também os aspectos relativos à capacidade dos tubos e os testes previstos para a avaliação da variação de capacidade permitida. A esterilidade é obrigatória também quando. CE (Comunidade Européia). Ela não especifica. devem estar contidos na literatura que o acompanha.

A tampa do tubo também deve possuir um desenho que permita sua remoção manual ou por métodos mecânicos. . de forma a assegurar um interior estéril. Citrato Trissódico 9:12 Citrato Trissódico 4:12 Fluoreto/Oxalato Fluoreto/ EDTA Fluoreto/Heparina Heparina de Lítio 9NC 4NC FX FE FH LH Heparina de Sódio Citrato Fosfato Dextrose Adenina Siliconizado3 Ativador de coágulo e gel separador NH CPDA Z Ativador de coágulo Verde Amarela Vermelha Amarela * Quadro adaptado relacionando as áreas onde serão utilizados os tubos. e que evite contaminação do usuário pela amostra (protegendo-o do efeito aerosol). 9 partes de sangue para 1 parte de anticoagulante citrato de sódio). gasometria (somente em seringa préheparinizada) Exames bioquímicos em geral Preservação de células Exames sorológicos e bioquímicos em geral Exames sorológicos. QUADRO 9: CÓDIGOS ALFA E CÓDIGOS DE CORES RECOMENDADOS PARA IDENTIFICAÇÃO DOS ADITIVOS * ADITIVOS CÓDIGO ALFA CÓDIGO DE CORES EXAMES MAIS COMUNS EDTA 1 sal dipotássico sal tripotássico sal dissódico EDTA sal dipotássico com gel separador K2 E K3 E N2 E K2 E Lilás Lilás Lilás Branca translúcida Azul claro Preta Cinza Cinza Verde Verde Hemograma Plaquetas Biologia molecular Testes de Coagulação Velocidade de Hemossedimentação Glicose Glicose Glicose Exames bioquímicos em geral.lembrete Tubos que contenham anticoagulantes considerados potenciais meios de cultura.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Além disso. assim como a descrição do reagente. devem ser projetados e validados pelo fabricante .49 - . de forma que não seja desprendida durante a homogeneização. havendo um teste de vazamento recomendado para garantir a vedação. drogas terapêuticas e hormônios. Há métodos especificados para testar a resistência do tubo que contém amostra.000 g num eixo longitudinal. a norma especifica a tampa do tubo. bioquímicos em geral. Boas práticas . 3 É recomendado que tubos que não contenham ativador de coágulo sejam codificados com a letra Z e tenham a cor vermelha. que deve resistir a uma aceleração de 3. como citrato e ACD. 1 EDTA é a abreviação para ácido etilenodiaminotetracético 2 Demonstra o raio entre o volume de sangue pretendido e o volume de anticoagulante (ex.

• Se for usado glicerol na fabricação do produto. pelo método Westergreen. • volume nominal.2H2O) As concentrações de solução de citrato trissódico devem estar dentro do intervalo de 0. isto deve estar descrito no rótulo e na embalagem. ou seja. para evitar a agregação plaquetária ativada pelo espaço livre no tubo.50 - .International Council for Standardization in Haematology. por exemplo: • EDTA K2 é o anticoagulante recomendado para hematologia por preservar melhor a integridade das células sangüíneas.2 recomenda que as etiquetas não devem circundar completamente os tubos e a cola usada deve fornecer uma aderência adequada às condições de temperatura e umidade de uso do tubo.2 especifica as concentrações dos anticoagulantes. Alguns estudos revelam que o tubo de citrato não deve ter volume de aspiração parcial. quando necessário (para tubos sem vácuo).2%) numa proporção de 9:1. • A norma ISO 6710. 5. ajudando a evitar a possibilidade de erros pré-analíticos na coleta laboratorial. molaridade e proporção em relação à quantidade de sangue aspirada pelos tubos. • número do lote.136 mol/L. O tubo para VHS (Velocidade de Hemossedimentação). com uma tolerância permitida de ± 10%.0 mL de sangue.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO As normas NCCLS recomendam o uso de alguns tipos anticoagulantes que preservam melhor a qualidade das amostras. é o anticoagulante recomendado para os testes de coagulação. • a palavra “estéril” se o fabricante garantir que o interior do tubo. é estéril. mas a maioria dos fabricantes segue uma padronização de cores de tampas. Até o presente momento não existe um acordo internacional de codificação por cores. • linha de preenchimento. O tubo de citrato deve ser produzido para que aspire uma solução de 9:1. Citrato de Sódio tamponado a 0.1 Informações que o tubo a vácuo deve conter descritas no rótulo ou mesmo no tubo: • marca do fabricante ou fornecedor ou marca registrada. • As palavras “produto de uso-único” ou um símbolo gráfico de acordo com a ISO 7000-1051. • código do aditivo ou descrição do conteúdo.1 mol/L a 0. 9 partes de sangue para 1 parte de citrato. Este anticoagulante também é recomendado pelo ICSH . antes de ser aberto.3.0 mg de EDTA anidro por 1. • data de validade. • Citrato trissódico (Na3C6H5 O 7. tripotássico e dissódico devem estar dentro do intervalo de 1. durante um tempo adequado.2 mg a 2. 5. . • Sais ácidos etilenodiaminotetracéticos (EDTA) [CH2N(CH2COOH2)]2 As concentrações dos sais dipotássico.109 mol/ L (3. 9 partes de sangue adicionadas a 1 parte de solução de citrato. deve aspirar 4 partes de sangue adicionadas a 1 parte de citrato trissódico. ou seja. O fabricante é responsável por informar as condições de resistência da etiqueta.2 Concentração e volume dos anticoagulantes A norma ISO 6710.3.

........ Boas práticas ............... • Citrato (C)/ Fosfatase (P)/Dextrose (D) /Adenosina (A) . consistente para a correta identificação das amostras dos pacientes.... existir a possibilidade do contato direto entre o interior do tubo e o fluxo sangüíneo do paciente........0 mg de fluoreto de sódio por mL de sangue........... crucial........ 2..... • Fluoreto/EDTA As concentrações de EDTA devem estar dentro do intervalo de 1.... e de 2.................... 5................................2 a 2..9 g Adenina [C5H5N5] .. deve-se buscar uma forma de estabelecer um vínculo seguro e indissociável entre o paciente..... especificamente para o EDTA.......0 a 4... solução de spray seco.............(CPDA) A formulação deste aditivo deve ser: Ácido cítrico anidro .3 g Fosfato de sódio monobásico (mono-hidratado) [NaH2PO4H2O] ................. A partir deste momento....0 mg a 3. passando por todas as fases e etapas dos processos analíticos...0 mg.. 1.....0 mg de EDTA.. portanto o fabricante deve garantir que o interior de seus tubos é estéril............ seja garantida a rastreabilidade..0 mg de fluoreto de sódio por mL de sangue........ durante a coleta de sangue......................... 26...............................000 mL Devem ser adicionadas 6 partes de sangue para 1 parte de CPDA............ 2.............. com uma tolerância de ± 10%...... e de 2.... Os intervalos de concentração permitem diferentes raios de solubilidade e difusão destas várias formas.0 mg de fluoreto de sódio por mL de sangue. Nota: Os aditivos podem apresentar-se fisicamente em várias formas como: solução....... portanto..........99 g Citrato trissódico (dehidratado) .. 31..0 a 4......... amostra colhida.... 0.275 g Água em quantidade suficiente para formar .... 5...... • Heparina de Sódio e Heparina de Lítio As concentrações dos anticoagulantes acima devem estar dentro de um intervalo de 12 a 30 UI (Unidade Internacional) por mL de sangue.............. flebotomista e materiais para que.......22 g Dextrose (mono-hidratada) .. Cada paciente deve ser cadastrado de forma a ser identificado de maneira única.............lembrete A esterilidade é obrigatória quando............... liofilizado ou pó........4 Requisição de Exames Todas as amostras devem ser acompanhadas de requisição formal adequada......... e de 2.. Esta etapa é............ .........51 - .... • Fluoreto/Heparina As concentrações de heparina devem estar dentro do intervalo de 12 a 30 UI (Unidade Internacional) de heparina..... em consonância com uma política de identificação e registro consistentemente aplicável..5 Identificação e Rastreabilidade A identificação da amostra começa na identificação do paciente hospitalar ou ambulatorial..... Cada laboratório tem autonomia para estabelecer sua própria sistemática... no final do processo..0 mg a 4... desde o local de coleta até o seu descarte..PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO • Fluoreto/Oxalato As concentrações de oxalato de potássio mono-hidratado devem estar dentro do intervalo de 1........

Boas práticas . atualizadas e fiéis. tipos e quantidades de anticoagulantes e/ou conservantes. Recomenda-se uma sistemática que permita que os coletadores recebam informações sobre a qualidade das amostras coletadas por eles. O manual de coleta/processamento de amostras precisa ser revisto quando necessário ou periodicamente. quando necessárias (ex: triagem materno-fetal de defeito de tubo neural. antes da sua efetiva implantação. Para amostras que serão enviadas para laboratórios de apoio ou de referência. . Todas as alterações devem ser analisadas criticamente antes de sua implementação. como conteúdo mínimo do manual de coleta.52 - . de forma a garantir a atualidade de seu conteúdo. identificação e rotulagem adequadas da amostra. necessidade de cronometragem especial para a coleta (ex: clearance de creatinina). de forma a garantir a atualidade do seu conteúdo.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 5. e é preciso haver registros correspondentes a essas atividades. Todas as emissões. de forma a garantir que o conteúdo corresponda às práticas reais e atuais. mas essas funções podem ser formalmente delegadas a uma pessoa habilitada. etc. O responsável técnico pelo laboratório é quem responde pela documentação e por sua revisão. Recomenda-se. alterações e revisões do manual de coleta/processamento das amostras devem ser aprovadas.). os seguintes ítens: • • • • • • • informações clínicas. monitorização de drogas terapêuticas).lembrete Os procedimentos de coleta necessitam de revisão periódica para garantir a atualização do seu conteúdo. permanentemente. Boas práticas . instruções para o preparo do paciente. 7 Capacitação e Treinamento do Pessoal Todo o pessoal que realiza coleta de sangue. registrando-se essa atividade. devem estar disponíveis as instruções pré-analíticas provenientes dos respectivos laboratórios. Os novos conhecimentos devem ser informados aos colaboradores e praticados durante os programas de treinamentos. tipo de recipiente de coleta e quantidade de amostra a ser coletada (mínima e ideal). inclusive aquele que atua à distância do laboratório central. 5. entrega imediata. condições especiais para o manuseio da amostra.6 Documentação Recomendam-se a disponibilização de instruções escritas para coleta de sangue venoso e que as mesmas estejam disponíveis para os flebotomistas em todos os locais necessários. desde a coleta até o seu recebimento na área técnica respectiva (ex: refrigeração. deve ser treinado nas técnicas de coleta e na seleção e uso dos equipamentos e materiais adequados.lembrete O manual de coleta/processamento de amostras precisa ser revisto quando necessário ou periodicamente.

sentado ou deitado. Não existe um procedimento eficiente que facilite uma coleta infantil. O uso de curativos estampados com figuras e temas infantis auxilia a fixar uma impressão positiva da coleta de sangue. O uso de compressas frias pode auxiliar na atenuação da dor local. Aspectos de Segurança na Fase de Coleta 6. Recomenda-se que a coleta seja realizada com o paciente acomodado confortavelmente.3 Formação de Hematoma A formação de hematoma é a complicação mais comum da venopunção. Diversas tentativas de punção sem sucesso. artifícios relativamente simples podem auxiliar. e eventualmente. não penetrando por completo. sendo visualizado na forma de uma protuberância. Caso a formação do hematoma seja identificada durante a punção. explicando-se que a sensação dolorosa produzirá um leve desconforto. por exemplo. orientando-se o paciente sobre a importância da manutenção do membro superior imóvel durante todo o ato da coleta. O hematoma origina-se do extravasamento do sangue para o tecido. deste modo. 6. gaze ou o curativo adesivo.53 - . deve-se retirar imediatamente o torniquete e a agulha. As situações que podem precipitar a formação de um hematoma são: • • • • • • Veia frágil ou muito pequena. A escolha adequada do local da punção é primordial para evitar este tipo de acidente. Este tipo de ocorrência está associado à tentativa de uma punção venosa profunda e mais freqüentemente quando . recomenda-se que esta orientação seja ministrada também para os acompanhantes. 6. em relação ao calibre da agulha. Se o paciente estiver preocupado com a intensidade da dor decorrente do procedimento. porém de curta duração. para que esta seja realizada com sucesso. A dor é o sintoma de maior desconforto ao paciente. segurando o algodão. É necessária uma compressão local durante pelo menos dois minutos.2 Riscos e Complicações da Coleta Recomenda-se que a equipe de coleta do laboratório institua medidas de segurança para que os riscos e as complicações decorrentes desta atividade sejam mínimos para os pacientes. convidando-as a participar ativamente do processo da coleta. 6.1 Segurança do Paciente Cabe ao funcionário tranqüilizar o paciente antes da coleta. Ao lidar com crianças pode-se solicitar sua colaboração. sobremaneira. deve-se agir com honestidade. Nas coletas infantis e em casos de portadores de condições especiais.4 Punção Acidental de uma Artéria A probabilidade de puncionar acidentalmente uma artéria é um fato relativamente raro. neste tipo de coleta. A agulha é removida sem antes remover o torniquete. Qual o fator que precipita a formação de hematoma mesmo após uma coleta de sangue bem sucedida? O procedimento de dobrar o braço após a retirada da agulha e/ou carregar objetos relativamente pesados logo após a coleta. A agulha perfura parcialmente a veia. o serviço seja reconhecido como seguro e confiável. a padronização de condutas e os treinamentos freqüentes dos funcionários envolvidos contribuem para que a meta de redução de riscos e complicações seja alcançada e. pode ocorrer a compressão de algum ramo nervoso. Porém. Certamente. A agulha ultrapassa a parede posterior da veia puncionada. durante ou após a punção. contribuem sobremaneira para a formação do hematoma.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 6. Pressão inadequada aplicada no local da punção.

6. caso tenha sido utilizado o álcool na antissepsia. Caso não se obtenha sucesso na primeira tentativa de punção. que se localiza muito próxima à artéria braquial. O local da punção deve estar seco. etc. Tranqüilizar o paciente antes da coleta auxilia sobremaneira no seu relaxamento. embora rara. 6. Neste requisito. recomendando-se a utilização de dispositivos específicos para coletas infantis disponíveis no mercado. indicam comprometimento nervoso e requerem medidas específicas já citadas. 6. A integração entre corpo clínico (médicos e a equipe de enfermagem) com o laboratório é fundamental para que haja a prevenção da perda de sangue iatrogênica. 6. Nos laboratórios hospitalares há necessidade de adequar-se o volume de sangue. O intervalo entre a remoção do protetor da agulha e o ato da venopunção deve ser o mínimo possível.9 Segurança do Flebotomista A principal forma de transmissão de agentes infecciosos na coleta se dá por contato. disponíveis comercialmente.) ou indireto (contato da pele com superfícies contaminadas. para a realização das análises laboratoriais. recomenda-se evitar a inserção muito rápida ou profunda da agulha.8 Dor A dor no ato e após a punção é de baixa intensidade e suportável. é importante realizar uma pressão local por. . A punção de uma veia por meio de múltiplas tentativas de redirecionamento da agulha. pelo menos. já inserida. álcool iodado ou antissépticos à base de iodo. preferencialmente noutro local. não deve ser desprezada. A dor intensa. A outra forma de transmissão possível é a inalação de aerossóis. padronização e otimização nas atividades de boas práticas. contato da mão contaminada com mucosas ou pele que não esteja intacta). ou pelo ritmo pulsátil do sangue para o interior do tubo. Dentre as medidas preconizadas e recomendadas estão: o uso de algodão hidrófilo embebido em álcool etílico comercial. não produz qualquer tipo de prejuízo ao organismo.54 - . irradiação da dor pelo braço. principalmente nos pacientes com algum grau de anemia. de forma aleatória. Medidas de antissepsia também devem ser objeto de discussão. parestesias. A antissepsia do ponto de punção deve ser bem executada e a área preparada para a punção não deve ser tocada após este processo.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO se tenta puncionar a veia basílica.6 Infecção A possibilidade do desenvolvimento de um processo infeccioso no local da venopunção. Uma boa prática no laboratório clínico é o estabelecimento do volume mínimo necessário para a realização dos parâmetros laboratoriais. O contato pode ser direto (respingos de materiais biológicos que atingem pele e mucosa. tornando o ato da punção menos doloroso.7 Lesão Nervosa Para evitar eventual risco de lesão de algum ramo nervoso. 6.5 Anemia Iatrogênica O volume de sangue normalmente coletado de pacientes hígidos. especial atenção deve ser dispensada às coletas pediátricas. além de uma oclusão mais eficiente do local da punção. apresentadas durante ou após a venopunção. fato que diminui a sensação dolorosa. O curativo adesivo deve ser aberto somente no momento da aplicação na pele do paciente e mantido por pelo menos 15 minutos após a coleta. O paciente deve ser orientado a não realizar movimentos bruscos durante o ato da coleta. A punção acidental de uma artéria pode ser identificada pelo vermelho vivo do sangue e pela drenagem do sangue em jato. A formação de aerossóis também pode ocorrer durante a preparação das amostras. não deve ser realizada. a agulha deve ser retirada e uma segunda punção deve ser realizada. evitando-se redundâncias de exames e recoletas indevidas. 5 minutos. acidentes perfurocortantes. Caso ocorra a punção inadvertida de uma artéria.

10 Boas Práticas Individuais • É proibido comer. • Visando-se evitar acidentes. • Não descartar as luvas nas lixeiras de uso administrativo. As boas práticas de segurança recomendam que este avental deve sempre ser retirado ao sair da área de coleta do laboratório. estes sejam de cor clara. sendo que o paciente e o flebotomista são as únicas pessoas que deverão permanecer no local. cobrindo adequadamente todas as partes do corpo. • As unhas precisam ser limpas. outros calçados abertos. • Recomenda-se sempre a utilização de luvas pelo flebotomista durante o ato da coleta. As trocas necessitam ser efetuadas quando houver qualquer contaminação com material biológico. 6. 6. gavetas.13 Descarte Seguro de Resíduos O gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde (RSS). onde se inserem os gerados nos laboratórios. se constitui num conjunto de procedimentos de gestão. Na ausência de um uniforme padrão seria recomendável sobrepor à vestimenta um avental de tecido lavável ou descartável. maçanetas. copos. • Deve ser evitado o uso de correntes compridas no pescoço. 6. • Lavar as mãos freqüentemente. longo e de mangas compridas. sobretudo nas áreas de coletas infantis. os cabelos compridos devem permanecer presos durante o período de trabalho. xícaras. Exceções a esta regra são as situações onde houver necessidade de um acompanhante para auxiliar na execução do procedimento. • Não fazer a aplicação de cosméticos e maquiagens na área de coleta. que alcance o nível do joelho. • Não levar à boca canetas e lápis e demais objetos empregados no ambiente de trabalho. Na área de coleta não se recomenda o uso de sandálias. materiais e insumos para coleta. amostras biológicas.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Recomenda-se que os funcionários da coleta sejam imunizados com vacinação contra hepatite B além do esquema regular de vacinações definido pela Secretaria de Saúde dos Estados. Lavar as mãos sempre que for necessário trocar de luvas. • Evitar o manuseio de lentes de contato na área de coleta do laboratório. • Não se recomenda o uso dos equipamentos de proteção individual fora do perímetro onde seu uso está indicado. • Comunicar ao superior imediato os acidentes com material infectante. fumar ou mastigar gomas de mascar (chicletes) no laboratório.12 Cuidados na Sala de Coleta • Desinfetar imediatamente as áreas contaminadas. • Nunca armazenar alimentos ou bebidas nos armários. ao utilizar-se de esmaltes. aparadas e recomenda-se que. não sendo correto seu uso nas áreas de alimentação e descanso.55 - .11 Equipamentos de Proteção Individual (EPI) • Utilizar o uniforme recomendado pelo empregador. etc. • A sala de coleta é exclusiva para este fim. chinelos. beber. para que se minimizem os riscos de acidentes. grandes brincos pendentes na orelha ou braceletes soltos. • Utilizar sapatos confortáveis com solado antiderrapante e de saltos não muito altos. na área de coleta. refrigeradores e freezers utilizados para o armazenamento de reagentes. • A utilização de máscaras é recomendada quando o ato da coleta do material biológico sugerir risco de contaminação pela formação de gotículas ou aerossóis. planejados e implementados . 6. • Não manusear objetos de uso comum (telefone.) usando luvas.

É recomendável que o laboratório atenda às orientações e regulamentações estaduais. lâminas de bisturi. químico ou radiológico à saúde ou ao meio ambiente. podendo ser equiparados aos resíduos domiciliares. e todos os utensílios de vidro quebrados no laboratório (pipetas. visando a proteção dos trabalhadores.13. 6. lancetas. GRUPO E: Materiais perfurocortantes ou escarificantes. normativas e legais. GRUPO C: Quaisquer materiais resultantes de atividades humanas que contenham radionuclídeos em quantidades superiores aos limites de isenção especificados nas normas do CNEN (Conselho Nacional de Energia Nuclear) e para os quais a reutilização é imprópria ou não prevista. dos recursos naturais e do meio ambiente. pois o documento também contempla as ações a serem adotadas em situações de emergência (incêndio. A RDC ANVISA nº 306/2004 indica que os serviços com sistema próprio de tratamento de RSS necessitam registrar as informações relativas ao monitoramento do RSS. classifica os resíduos de saúde conforme segue: GRUPO A: GRUPO B: Resíduos com possível presença de agentes biológicos que. no que diz respeito ao gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. mas quando a sua formação profissional não abranger os conhecimentos necessários. O responsável técnico pelo laboratório pode ser o coordenador de sua elaboração e implantação. em documento próprio. O setor de coleta do laboratório pode gerar resíduos classificados nos 4 grupos descritos. micropipetas. O percentual médio da composição dos resíduos gerados nos estabelecimentos de saúde para os grupos A. transporte e disposição final dos resíduos gerados nos serviços de saúde. tais como: lâminas de barbear. agulhas. O PGRSS obedece a critérios técnicos. falta de energia) e em casos de acidentes (por exemplo: por perfurocortantes). B e C varia de 10% a 25% e. tubos capilares.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO a partir de bases científicas e técnicas. tubos de coleta sanguínea e placas de Petri) e outros similares. com o objetivo de minimizar a produção de resíduos e proporcionar o descarte seguro e eficiente. . por suas características. ampolas de vidro. É importante divulgar e capacitar a equipe de coleta neste documento que é exigido por lei. estabelecidas pelos órgãos locais responsáveis por estas etapas. escalpes. devendo ser compatível com as normas locais relativas à coleta. arquivado em local seguro durante cinco anos. de 75% a 90% para o grupo D. pontas diamantadas. dependendo de suas características de inflamabilidade. a preservação da saúde pública. municipais ou federais. A gestão deve abranger todas as etapas de planejamento dos recursos físicos. podem apresentar risco de infecção.56 - . limas endodônticas. tais como firmas de conservação e limpeza. assim como os prestadores de serviço. materiais e da capacitação dos recursos humanos envolvidos no manejo dos RSS (Resíduos de Serviço de Saúde). corrosividade. Os laboratórios clínicos necessitam elaborar um PGRSS (Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde) .1 Classificação dos resíduos de saúde A RDC (Resolução de Diretoria Colegiada) ANVISA nº 306 de 07/12/2004 em seu apêndice I. este poderá ser assessorado por equipe de trabalho que detenha estas qualificações correspondentes. brocas. estabelecendo as diretrizes de manejo dos RSS. lâminas e lamínulas. espátulas. Resíduos contendo substâncias químicas que podem apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente.baseado nas características dos resíduos gerados e na sua classificação. legislação ambiental. reatividade e toxicidade. GRUPO D: Resíduos que não apresentem riscos biológico.

não existe exigência para a padronização de cor destes recipientes.2 Identificação dos resíduos Recomenda-se identificar os sacos de acondicionamento. quanto ao material e à identificação. usando código de cores e suas correspondentes nomeações. resistentes à perfuração. A categoria A (resíduos com risco biológico) com resquícios de amostras de laboratório contendo sangue ou líquidos corpóreos. etc. 6. imediatamente após o uso em recipientes rígidos. baseadas na Resolução CONAMA ( Conselho Nacional do Meio Ambiente) nº. Caso não exista processo de segregação para reciclagem. sendo expressamente proibido o seu reaproveitamento. Para os resíduos do Grupo D. glutaraldeído).13. 2000.vermelho . Meios químicos: gases (óxido de etileno e formaldeído) ou líquidos microbicidas (tais como. Ao final. . contendo sangue ou líquidos corpóreos na forma livre. devidamente identificados. Devem ser submetidos a tratamento antes da disposição final. os recipientes de coleta interna e externa.RESÍDUOS ORGÂNICOS. IV . ou seja. lâminas de vidro. que envolve os materiais perfurocortantes. destinados à reciclagem ou reutilização. desde a geração até a disposição final. Estes materiais estão disponíveis comercialmente e são produzidos segundo as especificações técnicas da ANVISA. estes devem ser descartados separadamente.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 6. os resíduos perfurocortantes (agulhas. e os locais de armazenamento. recipientes e materiais resultantes do processo de assistência à saúde.amarelo – METAIS. de forma a garantir o transporte seguro até a unidade de tratamento. com tampa e devidamente identificados (norma NBR 13853/97 da ABNT). Utilizando-se processo físico ou outros processos que sejam validados para a obtenção de redução ou eliminação da carga microbiana. e identificados. Após o procedimento de coleta. O uso de adesivos é permitido. O acondicionamento para transporte deve ser em recipiente rígido. 1 vez a cada 24 horas.) devem ser imediatamente desprezados em recipientes conhecidos como caixas ou recipientes plásticos para descarte de perfurocortantes. lancetas. As agulhas descartáveis não devem ser novamente encapadas. eles devem ser acondicionados em saco branco leitoso. com tampa provida de controle de fechamento e devidamente identificado.azul . Segundo a RDC ANVISA nº 306/2004 para o grupo E. e símbolos de tipo de material reciclável: I . O tratamento do resíduo pelo próprio laboratório pode ser realizado empregando-se os seguintes processos de esterilização: • • Meios físicos: calor e radiações ionizantes. desde que seja garantida a resistência destes aos processos normais de manuseio dos sacos e recipientes. 275/2001. A identificação deve ser clara e de fácil visualização conforme NBR 7. podem ser acondicionados como resíduos do Grupo D (resíduo comum) de acordo com as orientações dos serviços locais de limpeza urbana. ruptura e vazamento. para os demais resíduos do Grupo D deve ser utilizada a cor cinza nos recipientes.marrom . que devem ser substituídos quando atingirem 2/3 de sua capacidade ou. a identificação deve ser feita nos recipientes e nos abrigos de guarda de recipientes. III .verde – VIDROS. ruptura e vazamento. os recipientes de transporte interno e externo.PAPÉIS . além de atender às exigências relacionadas à identificação de conteúdo e ao risco específico de cada grupo de resíduos. em equipamento compatível.57 - . pelo menos.500 . utilizando-se sacos impermeáveis. contidos em recipientes.V .ABNT. resistente a perfuração. Havendo descaracterização física das estruturas. II .PLÁSTICOS. se não houver descaracterização física.3 Manejo dos RSS (resíduos de seringa de saúde) O manejo dos RSS é entendido como a ação de gerenciar os resíduos em seus aspectos internos e externos do laboratório. manutenção das estruturas dos resíduos tratados.13.

cantos e bordas arredondados. água e energia elétrica podem ser instalados de acordo com as conveniências e necessidades do abrigo. um ambiente separado para armazenamento de recipientes contendo resíduos do Grupo A (resíduo com risco biológico) juntamente com o Grupo E (material perfurocortante). deve permitir livre passagem dos recipientes coletores de resíduos. impermeável. Pontos de iluminação.RDC ANVISA nº306/2004 o armazenamento externo dos resíduos sólidos de saúde. um vigésimo da área do piso.58 - . 6. e identificados com o símbolo correspondente ao risco do resíduo neles contidos. lavável e de fácil higienização.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO O volume dos recipientes de acondicionamento deve ser compatível com a geração diária deste tipo de resíduo. O escoamento da água deve ser direcionado para a rede de esgoto do estabelecimento. 50/2002 Boas práticas . de dimensão equivalente a. . Devem estar identificados com símbolo internacional de risco biológico. Há necessidade de aberturas para ventilação. sendo descartados quando o preenchimento atingir dois terços de sua capacidade ou o nível de preenchimento ficar a 5 cm de distância da boca do recipiente. Os recipientes para transporte interno devem ser constituídos de material rígido.4 Transporte interno de RSS Consiste no traslado dos resíduos dos pontos de geração até local destinado ao armazenamento temporário ou armazenamento externo com a finalidade de apresentação para a coleta externa. no mínimo. As informações acerca da inclinação e as características desta rampa podem ser obtidas na RDC ANVISA nº. O plano necessita definir as características dos resíduos gerados e as diretrizes para o manuseio correto conforme a classificação destes RSS. possuindo. possuir piso com revestimento resistente à abrasão.lembrete Os laboratórios clínicos necessitam elaborar um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS). quando necessária. além de um ambiente para o Grupo D (resíduos comuns).5 Armazenamento dos resíduos sólidos de saúde De acordo com a Resolução da Diretoria Colegiada . O ralo sifonado deve possuir uma tampa que permita vedação. antiderrapante e uma rampa. O transporte interno de resíduos deve ser realizado atendendo roteiro previamente definido e em horários não coincidentes com o maior fluxo de pessoas ou de atividades. A porta ou a tampa do abrigo necessita apresentar largura compatível com as dimensões dos recipientes de coleta. O piso deve ser revestido de material liso. com superfície plana e regular. e tela de proteção contra insetos. provido de tampa articulada ao próprio corpo do equipamento. ter fácil acesso para os recipientes de transporte e para os veículos coletores. o abrigo de resíduos deve ser dimensionado de acordo com o volume de resíduos gerados. dando-se preferência a locais de fácil acesso à coleta externa e próxima às áreas de guarda de material de limpeza ou expurgo. Ainda de acordo com esta norma. O trajeto para o transporte de resíduos. desde sua geração até o armazenamento externo. É recomendável que a localização seja tal que não abra diretamente para a área de permanência de pessoas e circulação de público. lavável. impermeável. O abrigo deve ser identificado e de acesso restrito aos funcionários responsáveis pela manipulação de resíduos. no mínimo. necessita ser construído em ambiente exclusivo e segregado. denominado de abrigo de resíduos. Os recipientes de transporte interno não podem transitar pela via pública externa à edificação.13.13. acrescido da inscrição “PERFUROCORTANTE”. 6. com capacidade de armazenamento compatível com a periodicidade de coleta do sistema de coleta local.

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. 8. VOL. N°32.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO ANEXO 1: SEQÜÊNCIA DE COLETA DOS TUBOS PARA COLETA DE SANGUE A VÁCUO NCCLS H3-A5.10.63 - .23.

Luisane Maria Falci Vieira “. Como bem nos lembra Nilton Bonder: “A empregabilidade humana se fará em áreas nas quais temos excelência e competimos em desigualdade com as máquinas: as áreas da dúvida e da incerteza. ASPECTOS HUMANÍSTICOS DA COLETA DE SANGUE Dra. A forma como viemos trabalhando na fase pré-analítica serviu-nos no passado. indissoluvelmente às suas benesses.Minguilim este feixinho está muito pesado para você ? Tio Terêz está não. a existência de profissionais capacitados em todas as fases de um sistema que se tornará cada vez mais complexo e incerto. mas esta tecnologia não pode nos garantir que a amostra analisada seja representativa do processo que atua no paciente.” (1).PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO II. para solucionarmos apropriadamente os desafios da fase pré-analítica. o aumento da iatrogenia. Para tanto.64 - . no futuro. serão desafios como este que justificarão. quando nosso conhecimento era mais limitado e o avanço tecnológico não trazia misturado. . e ninguém não gritar com a gente para ir depressa demais. Portanto. Quem se encontra com o paciente no laboratório deve ter uma atuação fundamental para uma verdadeira integração dos resultados com a realidade do paciente. Se a gente puder ir devagarinho como precisa. Capaz de ser adaptativo em tempo real. Atualmente temos à nossa disposição uma tecnologia capaz de fornecer resultados exatos e precisos. deverá desenvolver um conhecimento mais global e crítico.Áurea Lacerda Cançado Dra. precisamos de uma nova perspectiva capaz de ampliar nossa percepção e de nos levar a um novo domínio. então eu acho que nunca que é pesado!” Guimarães Rosa Estas recomendações surgem a partir da constatação inequívoca de que.

optamos por pensar nestas características como vértices de um triângulo. propomos uma reflexão sobre as características básicas desta fase para melhorarmos nosso desempenho. assim. o preparo do paciente. que só podem ser observadas de forma holística” (2). é a etapa do exame que inclui a sua solicitação. 85% dos problemas que ocorrem num sistema devem-se ao próprio sistema e. não-linear. Por isto. executor do exame. . sucessivamente. por que nela. pois o sistema perde suas características. somente. dinâmico. as seguintes características: FIGURA 1: FASE DA COMPLEXIBILIDADE FASE DO ENCONTRO FASE DA INCERTEZA Segundo Morin: “O estudo de sistemas dinâmicos complexos não pode ser feito de forma reducionista. Desta forma. Sua missão essencial é garantir a representatividade da amostra analisada. podemos afirmar que esta fase se comporta como um sistema complexo. a coleta. o transporte e o preparo da amostra até o momento em que o exame é realizado. Assim. Mas antes. Utilizando conceitos da física moderna. etc.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO CARACTERÍSTICAS FUNDAMENTAIS DA FASE PRÉ-ANALÍTICA A fase pré-analítica responsável por 70% do total de erros cometidos pelos laboratórios com um sistema de qualidade bem estabelecido. médico assistente.) interagem ativamente. essencialmente.65 - . pretendemos ressaltar a profunda inter-relação existente entre cada elemento: Não se pode falar de um triângulo referindo-se somente a um de seus vértices. FASE DA COMPLEXIDADE: A fase pré-analítica não é considerada complexa porque exige um conhecimento sofisticado ou de difícil assimilação. a preservação. 15% às pessoas. vários agentes independentes (paciente. A partir desta premissa. Segundo Deming. a fase pré-analítica apresenta. flebotomista. Quando falamos da complexidade da fase préanalítica estamos falando também da incerteza e do encontro e.

Totalidade que já sofreu a interferência de quem solicitou o exame e sofrerá a nossa própria interferência que. pode determinar valores muito diferentes dos que atuam no paciente. Ocultação de dados relevantes por julgá-los dispensáveis. Portanto. nos mantermos aptos para intervir quando observarmos a existência de uma interferência que possa. como nos alerta o estudioso francês Matthieu Ricard: “Contentar-se com conhecimentos teóricos corre o risco de nos tornar um desses seres que não se enganam sobre nada. em última instância. a do conjunto das características biopsicossociais do paciente. pela atenção à comunicação não-verbal. comprometer a qualidade de nosso desempenho. num ambiente ativo. Nosso foco deve ser servir ao cliente (seja ele o médico assistente ou o paciente) através do apoio a um diagnóstico compatível. Na verdade. uma verdadeira integração entre o especialista que executa o exame e o responsável pela obtenção da amostra poderá evitar muitos desvios. a conservação. o material utilizado. . por si só. da coleta. a existência de tantas interações dinâmicas se traduz pela impossibilidade de falarmos em controle. facilmente. o transporte e o preparo das amostras) e. o aumento crescente da complexidade gerou várias subespecializações dentro da Medicina Laboratorial.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Em outras palavras: Subtraímos a amostra de uma totalidade muito ampla. só podemos almejar o controle de nós mesmos. rigorosamente. devemos controlar. Desconhecimento de fatores interferentes. Não devemos nos iludir imaginando que nos distinguiremos focando um “resultado perfeito. mas corremos o risco de perder a visão do todo. já que a ciência não pode nos oferecer o senso ético. propriamente. alcançável com o mínimo de prejuízo para as partes envolvidas. pelo investimento em nosso amadurecimento emocional. Além disto. Não nos cabe. Neste cenário. controlar o paciente. das habilidades técnicas do flebotomista e das condições em que a coleta se realizou. salvo sobre o essencial. mas antes. só poderemos falar em controle. potencialmente. conservação. a rigor. Ocultação voluntária de dados relevantes.” Realizar exames com qualidade e correção não deve ser a finalidade de nosso trabalho. quando este universo de alta complexidade se restringir à passividade da amostra coletada. Além da impossibilidade de controle. o que é passível de ser controlado (alguns aspectos da coleta. por intermédio de vários mecanismos: • • • • • • Liberação de hormônios devido ao estresse na hora da punção. Sob este aspecto.” Precisamos contatar o essencial para estabelecermos parâmetros éticos compatíveis com a atual realidade. dependerão de o paciente estar bem informado e aderir aos procedimentos apropriados. conseguimos absorver melhor as informações. armazenamento e transporte da amostra que. Incapacidade de aderir às recomendações prescritas pelo laboratório.66 - . Devemos estabelecer normas de segurança para nossa proteção e podemos aprimorar nossa percepção. o armazenamento. por exemplo. solidariamente. O indivíduo superespecializado pode. o meio de nos inserirmos. por seu turno. imaginar que a ciência/tecnologia solucionará o problema do paciente. pelas freqüentes reflexões sobre os conflitos éticos que ocorrem durante o encontro com o paciente e por treinamentos constantes. Na prática. No entanto. etc. pois este não é o escopo de sua atuação. Pois. a validação do resultado também dependerá do preparo. Sabemos que o paciente pode ser o responsável por um “erro” de forma voluntária ou não. no tumultuado universo médico. Incompreensão das recomendações prescritas pelo laboratório. aprofundando nossos conhecimentos.

um tratamento matemático bastante satisfatório. mas emocional e espiritualmente presentes. Segundo Nilton Bonder: “Aqueles que estão não apenas intelectualmente presentes. e nunca criticando diretamente o ser.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO FASE DA INCERTEZA: Antes de qualquer análise. que existe um grave impedimento na consolidação do conhecimento e do ser na fase pré-analítica. paradoxalmente. É freqüente o pensamento de que o trabalho. inegavelmente. na atual etapa de evolução de nossa especialidade. sobre suas ações. mas. preparo para o encontro com o paciente. (6) Sendo solidários. um fator complicador na tomada de decisão. “Potencializando o fazer. Quando buscamos uma forma adequada para nos encontrarmos com o paciente. o ser e o fazer estão profundamente imbricados. estaremos contribuindo para o desenvolvimento da auto-estima e autoconfiança destes profissionais. Hoje está bem estabelecido que a conectividade é uma condição básica para construção. dizendo-lhe que é incapaz de compreender. podemos considerar. Desta forma. porque a dúvida é um retrato mais fiel da realidade”. frente às condições de trabalho de grande parte dos Laboratórios Clínicos. A obtenção de uma amostra representativa do que atua no paciente exige do profissional não apenas preparo técnico. potencializando o ser”. onde as pessoas conseguem se desenvolver harmoniosamente. precisamos considerar que a incerteza permeia todas as fases do processo. já que insegurança é uma característica de quem decide e não do fato a ser decidido. Porém. (1) FASE DO ENCONTRO: Dentre as atividades técnicas exercidas no laboratório. ela é elegantemente equacionada na fase analítica tendo.67 - . se tornam mais aptos e capazes de atuar na realidade”. inclusive. A incerteza é. mantendo uma postura impecável. quando o paciente tem uma necessidade diferenciada. A necessidade de simplificar o complexo exige a projeção dos achados universalmente estabelecidos pelas pesquisas científicas para aquele paciente singular. Em espaços acolhedores. maduramente. o laboratório pode não estar preparado para extrapolar as informações padronizadas no manual de coleta e atendê-lo convenientemente. se restringe a uma simples aplicação do que foi solicitado no pedido médico. mas ao ser compreendida em um nível mais profundo. não apenas do conhecimento. devemos estar atentos para não robotizarmos os funcionários que atuam na coleta. Nas palavras de Nilton Bonder: “Ter dúvidas é muito mais eficiente do que ter certezas. ajudando aos que trabalham na fase pré-analítica a refletir. ao exigirmos das pessoas que colaborem com o marketing do laboratório. de difícil interpretação. entretanto. percebemos que aprender a administrá-la não precisa ser considerada uma tarefa angustiante. simultaneamente. é freqüente que os que atuam na coleta se sintam inseguros e com baixa auto-estima. mas também do sujeito. Pois. Na fase pós-analítica. a incerteza tende a ser negada. (1) . também. nesta fase. tiramos de nós mesmos o nosso maior diferencial para competir. que não tem competência. a incerteza nos distingüe: Nada como um profissional competente frente a um resultado discrepante. Neste cenário. muitas vezes. Assim. Os que assim pensam esquecem-se de que a ciência não dispõe de recursos para cuidar das variações individuais. Na fase pré-analítica. Para Humberto Maturana. muitas vezes. as que mais requerem habilidades interpessoais são as da fase pré-analítica. a incerteza não se associa à insegurança. estaremos.

uma visão aberta e um estar na mesma freqüência do outro. atropelos.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Bonder nos alerta: “Quanto maior o controle. Há risos. angústias. os da fase pré-analítica. compilamos as informações que a ciência estabeleceu. dedicação e entrega. o investimento no amadurecimento emocional e ético. afeto. (5). chegando na outra margem.. lança mão. principalmente. coloca a balsa na cabeça e segue. torna-se. trazem em seu bojo a possibilidade de transformação e enriquecimento pessoal para aqueles que se dispuserem a dar um passo além do automatismo de nossas engrenagens. agora. os problemas da fase analítica. Indicadores de tempo. grande entendedor dos encontros humanos. afirma: “Há sempre beleza e encantamento quando abrimos espaço para o universo amplo do encontro humano. Mas. satisfeito. menor a presença.1.2. refletimos. O que antes foi precioso veículo. (5) Estabelecer um sistema de qualidade sólido é imprescindível para atravessarmos o caudaloso rio que nos levará ao futuro. se a escuta é competente e se o coração estiver presente. assim como a busca permanente de uma forma de comunicação eficiente são os meios mais seguros de nos posicionarmos convenientemente nos nossos encontros. Isto ocorre.3. o que só é possível com a graça do silêncio interior”. Indicadores de desempenho. ao abrir a porta do laboratório. Entretanto. confrontos. adequadamente. apenas parcialmente. é uma conquista que exige confiança. Porém. e. de uma balsa que se encontra no local. FERRAMENTAS IMPORTANTES: Para lidarmos satisfatoriamente com os aspectos fundamentais da fase pré-analítica precisamos utilizar as ferramentas sumarizadas abaixo: 1 Qualidade: A qualidade na fase pré-analítica se baseia nos seguintes pilares: a b c Padronização dos procedimentos (Manual de Coleta). (1) Portanto. hostilidade. precisamos entender que estudamos. Roberto Crema. que solucionam. dificultando os passos e impossibilitando a dança do seguir adiante”. Para prosseguir. c. Possuímos normas de qualidade bem estabelecidas. luz e sombra.Quanto mais nos preparamos. Indicadores de custo. o seu caminho. enquanto que a dinâmica da fase pré-analítica é a de um sistema complexo. quanto menos espontâneos pela elaboração de estratégias e expectativas. no entanto. c. Atravessa o rio e. múltiplos. porque a dinâmica da fase analítica pode ser comparada à dinâmica de um sistema complicado (como é a construção de um avião). grato e apegado ao instrumento de travessia. c.68 - . inusitados que. e escrevemos nossos manuais de coleta. será sempre melodia vibrante a oferecer a cada um o dom de ser o que é”. conforme já assinalado. menor será a nossa capacidade de nos relacionarmos com dado momento”. Indicadores de qualidade. mesmo sendo fugazes.. (5) Sob este aspecto. entretanto. é na fase pré-analítica que podemos desfrutar do privilégio de encontros desafiadores. Treinamento dos funcionários. Exige uma escuta inclusiva. Para estes. .. pesada e arduamente. Roberto Crema conta uma estória ilustrativa do perigo que se corre quando se trabalha enfatizando excessivamente uma única ferramenta: “Um caminhante depara-se com um caudaloso rio que cruza o seu trajeto. extenuante carga.. oferecemos as sábias recomendações de Crema: “A arte-ciência do encontro.

Trabalhar limitando-se a aplicar automaticamente os procedimentos descritos no manual de coleta é. É claro que esta forma de atuar é insatisfatória. Vários analitos são estáveis e. conscientes de que ainda precisamos entender com maior clareza e definir mais objetivamente o que chamamos de erros pré-analíticos. . tornar-se um mero repetidor de fórmulas. podemos pensar no erro como uma etapa da construção do conhecimento. (6) Obviamente. o paciente está adequadamente preparado para a coleta. Algo muito maior do que qualquer manual de coleta pode abarcar. teoricamente. por exemplo) ou na técnica de punção (garroteamento prolongado. Assim. todos devem saber que o máximo que poderemos alcançar é uma padronização satisfatória. Portanto. sobretudo quando são discretas”. determinando em algumas situações. Porém. como lidamos com vida. Finalmente. Porém. principalmente contra os considerados críticos. A partir de uma visão não-linear. 2 Fundamentos: “Estudos demonstram que os conhecimentos teóricos e a experiência prática do observador exercem influência marcante na percepção de anormalidades. Mas. complexa. em várias situações. incapaz de responder a novas situações. já que muitos destes erros que passam despercebidos pelo sistema de qualidade podem ser prontamente detectados pelo médico assistente e. determinando um largo intervalo de referência. normalmente. A variação biológica intragrupo pode ser muito ampla.69 - . algumas vezes. permitindo um aprendizado mais pertinente e. é provável que ocorra uma redução da respeitabilidade do laboratório. pelo próprio paciente. esta forma de abordagem não contrapõe a necessidade de criarmos mecanismos de proteção contra os erros pré-analíticos. cientes de que o conhecimento só é realmente adquirido quando podemos pensar usando o que foi transmitido. O analito a ser dosado tem características que recomendam a validação do resultado obtido (como no caso do perfil lipídico). uma realidade até então desapercebida. mudanças consideráveis e rápidas nos valores de determinado paciente. a evolução. (3) Do mesmo modo. as conseqüências negativas que poderão advir tendem a ser mascaradas pela ocorrência de fatores como: • • • • • • Na grande maioria das vezes. Todavia. É vital que padronizemos nossos procedimentos. por exemplo). A variação biológica intra-individual pode ser muito ampla. Nossos sistemas de qualidade não enxergam vários erros no preparo do paciente (inobservância do jejum. em última instância. é primordial que invistamos no estabelecimento de indicadores da qualidade. é freqüente que dados relevantes sejam negligenciados devido ao seu despreparo. é importante que mantenhamos treinamentos regulares. Mas.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO recebemos uma realidade que se compõe de arranjos e possibilidades infinitas. Entretanto. portanto. jamais conseguiremos padronizar soluções apropriadas para os problemas. “O grande perigo das padronizações é simplificar equivocadamente situações complexas”. o próprio erro nos revelará. (3) Assim. não sofrem muitas interferências. se este comportamento persistir. é esperado que o profissional que atua na coleta esteja mais apto a reconhecer possíveis interferentes que possam comprometer a qualidade do resultado.

se mostra extremamente gratificante.70 - . mas. aceitas sem questionamentos. etc. Além disto. no dia-a-dia. para sua contextualização”. um aumento da consciência crítica em relação aos problemas desta fase. A permissão de se colher o sangue sem o jejum preconizado em uma série de circunstâncias. Para tal. tendo como parâmetros as características que a coleta deverá estar atenta. Claude Bastien nota que “a evolução cognitiva não caminha para o estabelecimento de conhecimentos cada vez mais abstratos. com graves dilemas éticos. 3 Evidência: Os que vivem o dia-a-dia de uma coleta são.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Portanto. Bastien acrescenta que “a contextualização é condição essencial da eficácia (do funcionamento cognitivo)”. . é comum que estes profissionais façam uma série de inferências ao decidir se determinada amostra está adequada para a análise ou se o paciente está apto para a coleta. anatômicos.a qual determina as condições de sua inserção e os limites de sua validade. as tarefas da coleta. solicitados a integrar o que não é quantificável. precisamos mostrar-lhes o que fundamenta todas as regras. como por exemplo: O uso de garrafas plásticas de água mineral para coleta de urina de 24 horas. Por enquanto. contextualizando. No entanto. o que não é mensurável. quando empreendido com seriedade. buscar os conceitos médicos. também. ao contrário. Trabalho que. o conhecimento necessário não é sofisticado e está ao alcance de todos. já que propicia a todos não apenas uma compreensão mais abrangente. cuidados simples como o agrupamento dos exames. defrontamos. estas decisões podem se dar a partir de premissas erradas. fisiológicos e laboratoriais que fundamentam os atos e decisões. seja porque é ignorado algum aspecto importante da questão ou porque existem dados relevantes que ainda não foram esclarecidos. constantemente. porém. 4 Ética: Associados aos avanços tecnológicos. Potencialmente. A Medicina Laboratorial Baseada em Evidências prestaria uma contribuição relevante para a fase préanalítica se gerasse informações consistentes referentes a situações como estas. Desta maneira. é comum ocorrerem conflitos que não derivam de novas tecnologias. A permissão de se colher a amostra de urina ou de sangue dentro de um prazo máximo de 3 dias um do outro. geralmente. essencialmente. O que ocorre é que este conhecimento dificilmente é estruturado sob a ótica de quem precisa utilizá-lo. quem recebe o paciente no laboratório precisa reconhecer seus atos como parte de uma grande rede (pensar globalmente e agir localmente). mas de formas inadequadas de atuação humana. ao reconhecer os componentes que impedem que se colha uma amostra da forma recomendada é importante que se defina como a qualidade do resultado poderá ser comprometida e que se registrem os fatos para a avaliação de quem executará o exame e do médico assistente. nosso trabalho é. Algumas vezes. hoje. Algumas destas inferências são consagradas pelo uso sendo. (4) Assim. quando se vai realizar o clearence de creatinina. para um desempenho eficaz na fase pré-analítica. Constantes reflexões sobre ética ampliam a visão e possibilitam uma atuação mais adequada nestes momentos. mas. o que é nebuloso. podem ser valiosos para contextualizar e fundamentar várias condutas.

E é essa mesma circunstância que nos oferece uma oportunidade de intervenção. Como bem nos lembra Maturana: “ O fenômeno da comunicação não depende do transmitido. mas estão gravados na pedra genômica e são tão firmes quanto é firme a biologia. o medo. Sabemos que elas podem ser fundamentais para a resolução de conflitos quando. até bizarra. se estivermos atentos às nossas emoções. (6) Desta forma. Enquanto o amor.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 5. Também é comum o profissional se manter na defensiva quando se sente ameaçado. ao ampliar a aceitação de si mesmo e do outro. Emoção: As emoções oferecem informações importantíssimas sobre nós mesmos ou sobre o paciente. mas também pela contribuição do próximo. conseguimos criar uma empatia verdadeira entendendo a perspectiva do paciente. potencializa a possibilidade de um comportamento inteligente. professor e chefe do Departamento de Neurologia da Universidade de Iowa. formamos um sistema de interação e reação. uma série de tentativas apostadas no melhoramento da condição humana. Portanto comunicar é vital! Estudos mostram que a comunicação ineficiente é o principal fator que leva o paciente ao litígio. Mas os mais recentes nada mais são do que um trabalho incompleto. É uma negociação entre duas pessoas. 6.” (7) o grande neurologista e neurocientista António Damásio. o excesso de trabalho. através delas. que nem sempre obtêm o resultado desejável. como é o caso dos apetites e das emoções. sobretudo os sistemas de justiça e de organização sociopolítica. é interessante solicitar-lhe que as repita para ser checado o entendimento. Como disse. existem há uns escassos milhares de anos. a insegurança. Não se pode medi-la só pelo entendimento preciso daquilo que digo. não conseguindo ver o ponto de vista do paciente.(8) A arrogância. por exemplo. Outra situação freqüente é nos surpreendermos com o paciente que afirma ter sido orientado pelo laboratório de forma. mas daquilo que ocorre com a pessoa que recebe o transmitido”. a oportunidade de contribuir para a melhoria do destino humano”. pelo menos quando as recomendações dadas ao paciente forem muito extensas. um ato criativo. propõe: “Os novos conhecimentos sobre a emoção e o sentimento são pertinentes para a sociedade. integrado com harmonia”. Portanto. Conforme assinalado por Damásio: “Os dispositivos mais antigos não necessitam de nenhum aperfeiçoamento. podemos. Os dispositivos mais antigos não necessitam de nenhum aperfeiçoamento: não são propriamente imutáveis. às vezes. “A comunicação”. (9) . alguns dos dispositivos da regulação da homeostasia do nosso organismo vêm sendo aperfeiçoados ao longo de milhões de anos de evolução biológica. para aumentarmos nossa chance de sermos bem sucedidos ou aliviarmos o sofrimento do paciente. a negligência são alguns dos fatores que podem comprometer a comunicação. “não é como um aparelho emissor e um receptor. nos acalmar nos momentos difíceis. Desta forma. O que pode não ser apropriado é o nosso comportamento. o que impossibilita qualquer troca real. a raiva. Em seu fascinante livro “Em busca de Espinosa: prazer e dor na ciência dos sentimentos. Comunicação: Por maior que seja o conhecimento de quem atende na coleta. a ansiedade podem induzir uma conduta insatisfatória. O que ocorre é que as emoções condicionam a mente a enxergar as ocorrências de determinada maneira. Mas outros dispositivos. resume Birdwhistell.71 - . ele jamais conhecerá o paciente e suas circunstâncias como o próprio paciente. E quando nós nos comunicamos de verdade. pela mudança em nós dois. não deveriam ser ignoradas. A relação entre a homeostasia e o governo da vida social é a chave dessa pertinência. Assim.” Isto significa que nossas emoções são sempre adequadas.

a Ciência e a Cultura): “ Neste mundo de crescente complexidade além de aprender a conhecer e fazer. redesenhando o triângulo original. devemos aprender a conviver e a ser”.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO CONCLUSÃO: Concluímos.72 - . como também. FIGURA 2: . educador da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação. inserindo nele não apenas as ferramentas propostas. as recomendações de Jacques Dellor.

1995. 2003. Em busca de Espinosa: prazer e dor na ciência dos sentimentos. 1979. Cortez-UNESCO. 1994. Rio de Janeiro. 1999. Revinter. Rio de Janeiro. Arch Inter Med. Edgar. António. 2004. LÓPEZ.73 - . . 2001. (8) BECKMAN HB et al. A ontologia da realidade.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) BONDER. Comunicação não-verbal. Saúde e plenitude: um caminho para o ser. Fronteiras da inteligência. MORIN. 154:1365-1370 (9) DAVIS. CREMA. Edgar. Summus. São Paulo. Humberto. Nilton. 1996. MATURANA. DAMÁSIO. Rio de Janeiro. MORIN. São Paulo. Companhia das Letras. São Paulo. Ciência com consciência. 2001. Mario. Bertrand. Os sete saberes necessários à educação do futuro. UFMG. O processo diagnóstico nas decisões clínicas. Belo Horizonte. The doctor patient relationship and malpractice. Roberto. Campus. São Paulo. Flora. Summus.

Preanalytical Systems Capa: SBPC/ML Fotos: Milton Nespatti Projeto Gráfico e Diagramação: Alvo Propaganda & Marketing Revisão: Sérgio Cides .APOIO BD Diagnostics .

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