RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO
1ª Edição Outubro de 2005 Direitos autorais reservados.

Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / ML para Coleta de Sangue Venoso, 1ª.ed. / elaborado pelo Comitê de Coleta de Sangue da SBPC/ML e BD Diagnostics - Preanalytical Systems. São Paulo, 2005 76 p. 1. Sangue. 2. Técnicas de Laboratório Clínico. 3. Técnicas e Procedimentos de Laboratório. I. SBPC/ML. II. BD Diagnostics - Preanalytical Systems. III. Título

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL COMISSÃO DE COLETA DE SANGUE VENOSO
PRESIDENTE: Dr. Nairo Massakazu Sumita Professor Assistente Doutor da Disciplina de Patologia Clínica da Faculdade de Medicina – Universidade de São Paulo (FMUSP), Diretor do Serviço de Bioquímica Clínica da Divisão de Laboratório Central – HCFMUSP Coorde, nador do Serviço de Química Clínica – Departamento de Patologia Clínica do Hospital Israelita Albert Einstein.

VICE-PRESIDENTE: Dr. Ismar Barbosa Médico Patologista Clínico, Gerente Técnico do Programa para Acreditação de Laboratórios Clínicos (PALC) da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML).

PARTICIPANTES: Dr. Adagmar Andriolo Professor Livre-Docente de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial da Escola Paulista de Medicina – UNIFESP , Assessor Médico do Fleury – Centro de Medicina Diagnóstica. Dra. Áurea Lacerda Cançado Médica Patologista Clínica do Laboratório Central do Hospital das Clínicas – Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG). Dra. Luisane Maria Falci Vieira Médica Patologista Clínica, Diretora Científica da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial. Dra. Maria Elizabete Mendes Doutora em Patologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo Médica Patologista Clínica, Chefe da Seção Técnica de Bioquímica de Sangue da Divisão de Laboratório Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Dra. Patrícia Romano Biomédica, Pós-Graduada em Saúde Pública, Especialista em Aplicação de Produtos da área de BD Diagnostics - Preanalytical Systems. Dra. Rita de Cássia Castro Médica Clínica Geral e Endocrinologista, Pós-Gradução (nível mestrado) em Neuroendocrinologia, executiva com experiência nas áreas de Diagnóstico, Indústria Farmacêutica, Consumo, Comunicação e Relacionamento com Clientes, Gerente de Assuntos Médicos BD – Região América Latina Sul. Dr. Ulysses Moraes Oliveira Diretor Científico do Laboratório Franceschi. Presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/ Medicina Laboratorial, Biênio 2004/2005.

pessoas que dedicaram tempo e energia a este tema de trabalho. em parceira com experientes profissionais da BD (Becton. analisar e selecionar procedimentos que abrangessem. estiveram reunidas por seis meses consecutivos. itens importantes para a coleta de sangue venoso. no desejo de que ele não se encerre em si mesmo. Estas recomendações envolvem as referências normativas complementadas por bibliografia recomendada pelo grupo de trabalho. Boa leitura! São Paulo. e nos aspectos do relacionamento humano durante o ato da coleta de sangue venoso. baseados na prática. de forma clara e objetiva. com o propósito de coletar. Orgulhosamente. outubro de 2005. O esforço resultou neste Documento. estruturado em aspectos técnicos. Dickinson and Company). mas que sirva de estímulo para discussões e para a busca de novos desafios. profundamente analisados. então. . na moderna literatura científica nacional e internacional. Neste projeto. Representa o resultado do esforço de profissionais reunidos. apresentamos este texto. A força-tarefa constituiu-se de professores associados da SBPC/ML.PREFÁCIO Este documento propõe recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) para a coleta de sangue venoso.

.................. 11 1...3 Procedimento para Antissepsia e Higienização das Mãos em Coleta de Sangue Venoso .......... 16 3................ 13 2................................................................................. 10 1...1 Variação Cronobiológica .........................................14 Lipemia ....... Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial para Coleta de Sangue Venoso............................ ........ 14 3........................................................................ 30 Seqüência de coleta para tubos de vidro de coleta de sangue ...............................8.....................................................................................2 Posição do Paciente ........................... 17 4................ Procedimento de Coleta de Sangue Venoso ............... 24 4.............. 9 1.............................................8..................2 Considerações sobre coleta de sangue venoso com seringa e agulha ............ 9 1............... 25 Boas práticas pós-coleta para evitar hemólise ..............................................2 Gênero ...1 Considerações sobre coleta de sangue venoso a vácuo .... 22 4................................................... 13 2... 11 1.......2 Para pacientes internados ............10 Procedimentos Diagnósticos e/ou Terapêuticos ............. ........................... 11 1...............................................................................................................5 Atividade Física ..9 Aplicação do Torniquete .......................................................................................................1 Locais de Escolha para Venopunção ....................................................... 20 4.................................4....................................................................................................................................................................................................4 Critérios para a Escolha da Técnica da Coleta de Sangue Venoso a Vácuo ou por Seringa e Agulha ...................................................................... 13 3.................1..............7 Dieta ............1 4......................................................................2 4.......................................................... 25 Recomendações para Tempo de Retração do Coágulo .....................5 Considerações Importantes sobre Hemólise .................................... Causas Pré-Analíticas de Variações dos Resultados de Exames Laboratoriais ............................................................................... 14 3.... 12 1............................................................................................................... 26 Recomendação da Seqüência dos Tubos a Vácuo na Coleta de Sangue Venoso de Acordo com a NCCLS ................................1 4............ 13 2...............................................................1....................................................................................................................................................................................2 Seqüência de coleta para tubos de plástico de coleta de sangue ................. ou inconscientes ou com algum tipo de dificuldade de comunicação ...............................................................................................................................................5..................................... 10 1.......... 11 1............. 18 4........................................................6 4......................................... 14 3................................ 23 4.3 Infra-Estrutura ...................................................................................................11 Infusão de Fármacos ........................................4 Posição .............. 26 Centrifugação dos Tubos de Coleta .........................................5 Conservação e Limpeza das Instalações ....................7 4..................2 Definição de Estabilidade da Amostra ..................................... 12 1.............................................2 Área Física da Cabine de Coleta ... 10 1................................................. 13 2......4............................................13 Hemólise ......................12 Gel Separador ..... 29 4.........................................................................................................................3 Transporte de Amostra como Fator de Interferência Pré-Analítica .... 14 3....1........................ 18 4....... 20 4..................................................................................................6 Jejum .8 Boas práticas pré-coleta para evitar hemólise ............................................ 9 1................................. 14 3.......................................3 Para pacientes muito jovens.............ÍNDICE INTRODUÇÃO.............3 Idade ......................................................1 Procedimentos Básicos para Minimizar Ocorrências de Erro ...............................4 Equipamentos e Acessórios . 12 2............ 8 I..........................8 Uso de Fármacos e Drogas de Abuso .................................................................. 22 4.............. 10 1.................................................................. 30 ...........................................................................................................1 Para um paciente adulto e consciente ..........................................................................5....................... Fase Pré-Analítica para Exames de Sangue ............................... 13 2................... 9 1.........1 Recepção e Sala de Espera ............... 9 1............ Instalações e Infra-Estrutura Física do Local de Coleta ........

..........................................................3 Escalpes para coleta múltipla de sangue a vácuo ................................3 Manejo dos RSS (Resíduos de Serviços de Saúde) ............................................................................................................................................ 43 Coleta de Sangue em Pediatria e Geriatria ..............................................................................................2 Coleta de sangue via cateter de infusão com heparina ...............................5 Anemia Iatrogênica ................................................13..7 Lesão Nervosa .......................2...................... .....................15 4.... 53 6............ 57 6.................13 Descarte Seguro de Resíduos ..14 4.......................................... 53 6.................................................................................12......................................... 52 5................................................................12........ Aspectos Humanísticos da Coleta de Sangue..............2 Riscos e Complicações da Coleta ................. 38 4........................................9 Procedimento de Coleta de Sangue a Vácuo ...... 61 Seqüência de Coleta dos Tubos para Coleta de Sangue a Vácuo......... 47 5.................. 56 6...... 54 6.........................................................................13.............. 39 4................................................................................................... Garantia da Qualidade .............................................. 55 6............ 36 4.............2...............................12 Cuidados na Sala de Coleta .....................................13.......... 33 4................. 47 5......................................................................11 Equipamentos de Proteção Individual .....................................2 Adaptadores para coleta de sangue a vácuo ..................................................................................................1 Informações que o tubo a vácuo deve conter descritas no rótulo ou mesmo no tubo ............................................... 51 Documentação ........... 54 6............... Aspectos de Segurança na Fase de Coleta ...............1 Coleta de sangue via cateter de infusão .......... 55 6.................................................... 46 5.................... 59 Referências Bibliográficas Consultadas e Recomendadas................................................................................................................................................. 48 5............................................................................................................. 41 Coleta de Sangue para Provas Funcionais .......................................1 Segurança do Paciente ..................... 54 6...........3 Fístula artério-venosa .. .........................4 Fluídos intravenosos ....................................................13...................2.. 46 5..................6 5.......................................................................8.................3 5.......... 46 5..............................................16 4.......... 54 6.....3.........3 Homogeneização para tubos de coleta de sangue ....3 Formação de Hematoma .......................................................................... 53 6................... 44 Coleta de Sangue em Queimados ........5 Armazenamento dos resíduos sólidos de saúde ......................... 55 6. 53 6.....................10 Boas Práticas Individuais .... 51 Identificação e Rastreabilidade ............. 63 II..................... 41 4........................................................................ 48 Comentários sobre a ISO 6710.....................11 Cuidados para uma Punção Bem Sucedida ....................................................................................................................1 Classificação dos resíduos de saúde ....10 Procedimento de Coleta de Sangue com Seringa e Agulha.............................................12.............. 45 5........................................................................................2 .... 41 4....... 31 4...........2 Especificação dos Materiais para Coleta de Sangue a Vácuo ..........................13......................................................................................... 58 6...............8 Dor ......... 50 5....4 Punção Acidental de uma Artéria ................ ...............................17 Hemocultura ................................................................................... 30 4...........................................13 4......................................2 Identificação dos resíduos ............................................. 38 4..................................................4 Tubos para coleta de sangue a vácuo ... 55 6.........................Single-use Containers for Human Venous Blood Specimen Collection .....................................................9 Segurança do Flebotomista .....................................1 Qualificação dos Fornecedores e Materiais ....4 Transporte interno de RSS ... .. 53 6..4..................... 52 Capacitação e Treinamento do Pessoal ...5 5........................12.........................12 Coletas em Condições Particulares .............................. 57 6.................................7 6........................ 46 5..........................................................................................4 5...2................6 Infecção ....................................................................................................................................................................... 50 Requisição de Exames ............... 58 Referências Normativas Consultadas........... 45 Gasometria ...................1 Agulhas para coleta múltipla .................................................................................................................................................. 54 6...................................... 64 ......................3......................................................2 Concentração e volume dos anticoagulantes ...............

objetivando orientar e educar. futuras contribuições. Esperamos que este Documento permita ao leitor aprimorar seus conhecimentos. -8- . Ser atendido com excelência também é um desejo de todos. promovendo mudanças que resultem em melhorias na atenção ao paciente. mas abre uma discussão focada e atualizada. Este Documento não pretende esgotar todos os aspectos sobre os assuntos abordados. Todos os laboratórios querem atender melhor e encantar o cliente. vitais para a conduta médica e. principalmente. revisões e complementações. conseqüentemente. sendo parte da sua proposta.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO INTRODUÇÃO A melhoria da qualidade na prestação de serviços de saúde tem sido uma busca constante e cada vez mais crescente no país. para o bem-estar do paciente. às condições de coleta de sangue venoso. e aplicá-los no dia-a-dia. pacientes e a população em geral. A Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial e a BD criaram este Documento de Recomendação de Coleta de Sangue Venoso que representa uma verdadeira prestação de serviços para os profissionais de saúde. em última instância. A qualidade dos resultados dos exames laboratoriais está intimamente relacionada à fase pré-analítica e. Inúmeras variáveis podem interferir no desempenho da fase analítica e. A difusão do conhecimento é a premissa básica para se alcançar estes objetivos. na exatidão e precisão dos resultados dos exames.

Esta dependência é resultante de diversos fatores. O ciclo de variação pode ser diário. cirurgias. em decorrência das diferenças metabólicas e da massa muscular. outras condições devem ser consideradas. embora não exista contra-indicação formal de coleta no período da tarde. Em situações específicas. Alguns aspectos do tubo de coleta. Em geral. como hemólise e lipemia. Causas Pré-Analíticas de Variações dos Resultados de Exames Laboratoriais Uma das principais finalidades dos resultados dos exames laboratoriais é reduzir as dúvidas que a história clínica e o exame físico fazem surgir no raciocínio médico. evitar algumas variáveis que possam interferir com a exatidão dos resultados. mensal. interferem nos resultados dos exames realizados em indivíduos idosos. Por exemplo. alguns outros parâmetros sangüíneos e urinários se apresentam em concentrações significativamente distintas entre homens e mulheres. até os intervalos de referência devem considerar essas diferenças. nas concentrações do ferro e do cortisol no soro. 1. os intervalos de referência para estes parâmetros são específicos para cada gênero. controlar e. quando comparadas às obtidas pela manhã. É importante lembrar que as mesmas causas de variações pré-analíticas. Variação circadiana acontece. Em dias quentes. As alterações hormonais típicas do ciclo menstrual também podem ser acompanhadas de variações em outras substâncias. gênero. idade. em razão de alterações do meio ambiente. jejum. a melhor condição para coleta de sangue para realização de exames de rotina é o período da manhã. a coleta. conteúdo hídrico e massa corporal. a concentração de aldosterona é cerca de 100% mais elevada na fase pré-ovulatória do que na fase folicular. evitando interpretação equivocada do resultado. são referidas como condições pré-analíticas variação cronobiológica. que afetam os resultados laboratoriais em indivíduos jovens. É recomendável que exista uma indicação no laudo. Além das variações circadianas. sazonal. como maturidade funcional dos órgãos e sistemas. como o uso de gel separador. em razão da hemoconcentração. A coleta de sangue para realização de exames de rotina pode ser efetuada no período da tarde? Classicamente. por exemplo. atividade física. etc. anual. por exemplo.1 Variação Cronobiológica: corresponde às alterações cíclicas da concentração de um determinado parâmetro em função do tempo. a concentração sérica das proteínas é significativamente mais elevada em amostras colhidas à tarde. 1. RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 1.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO I. posição. também podem ser causa de variação dos resultados. Classicamente. anticoagulantes e conservantes e características da amostra.3 . Para que o laboratório clínico possa atender. propriamente ditas. como procedimentos terapêuticos ou diagnósticos. Idade: alguns parâmetros bioquímicos possuem concentração sérica dependente da idade do indivíduo. Numa abordagem mais ampla. há que se considerar variações nas concentrações de algumas substâncias. transfusão de sangue e infusão de soluções. Antes da coleta de sangue para a realização de exames laboratoriais. adequadamente. a este propósito. TSH. o transporte e a manipulação dos materiais a serem examinados obedeçam a determinadas regras.2 Gênero: além das diferenças hormonais específicas e características de cada sexo. mas a intensidade da variação -9- 1. é indispensável que o preparo do paciente. é importante conhecer. se possível.). e a aplicação de torniquete. dieta. salvo aqueles parâmetros que sofrem modificações significativas no decorrer do dia (exemplo: cortisol. entre outros fatores. uso de drogas para fins terapêuticos ou não. etc. onde as coletas realizadas à tarde fornecem resultados até 50% mais baixos do que os obtidos nas amostras coletadas pela manhã. do horário em que foi realizada a coleta.

4 Posição: mudança rápida na postura corporal pode causar variações na concentração de alguns componentes séricos. pode interferir na concentração de alguns componentes. como as estatinas. O período de jejum habitual para a coleta de sangue de rotina é de 8 horas. na dependência das características orgânicas do próprio paciente. Os estados pós-prandiais. causam variações importantes na concentração de alguns parâmetros sangüíneos. Esse aumento pode persistir por 12 a 24 horas após a realização de um exercício. acima de 16 horas. com conseqüente elevação da glicose no sangue. podem ser superestimados. em geral. 1. hematócrito. Além disto pode elevar a atividade da renina plasmática e a concentração de catecolaminas. ainda que as próprias variações biológicas e ambientais não devam ser subestimadas. Substâncias não filtráveis. das variações nas necessidades energéticas do metabolismo e da eventual modificação fisiológica que a própria atividade física condiciona. por exemplo. O uso concomitante de alguns medicamentos. triglicérides. A ingestão de alimento é necessária para encerrar o estado de jejum. ocorre um afluxo de água e substâncias filtráveis do espaço intravascular para o intersticial. Alterações significativas no grau de atividade física. por exemplo. para a maioria dos exames e. Alterações bruscas na dieta. exigem certo tempo para que alguns parâmetros retornem aos níveis basais. Nas populações pediátrica e de idosos. em geral. nos primeiros dias de uma internação hospitalar. A cafeína pode induzir a liberação de epinefrina. hemoglobina. Esta é a razão pela qual se prefere a coleta de amostras com o paciente em condições basais. Este aumento pode ser de 8 a 10% da concentração inicial. tais como as proteínas de alto peso molecular e os elementos celulares terão sua concentração relativa elevada até que o equilíbrio hídrico se restabeleça. como a creatinoquinase. 1. ou a critério e orientação médica. tratando-se de crianças na primeira infância ou lactentes.5 Após uma coleta de sangue de rotina. Atividade Física: o efeito da atividade física sobre alguns componentes sangüíneos. pode potencializar estas alterações.10 - . Devem ser evitadas coletas de sangue após períodos muito prolongados de jejum. a aldolase e a aspartato aminotransferase. nos primeiros dias de uma internação hospitalar ou de imobilização. antes da prática esportiva. níveis de albumina. mais facilmente reprodutíveis e padronizáveis. O esforço físico pode causar aumento da atividade sérica de algumas enzimas. 1. é transitório e decorre da mobilização de água e outras substâncias entre os diferentes compartimentos corporais. pode ser de 1 ou 2 horas apenas. ficando a decisão final para o próprio paciente. como ocorrem. em situações especiais. é preconizado um período de jejum para a coleta de sangue para exames laboratoriais.6 Jejum: habitualmente. em geral. o que pode interferir em algumas metodologias. causam turbidez do soro. Quando o indivíduo se move da posição supina para a posição ereta. Por essa razão. o tempo de jejum deve guardar relação com os intervalos de alimentação. pelo aumento da liberação celular. de drogas que se ligam às proteínas e o número de leucócitos. colesterol. por exemplo. Doenças sub-clínicas também são mais comuns nos idosos e precisam ser consideradas na avaliação da variabilidade dos resultados. qual o intervalo de tempo recomendado para iniciar a prática de um exercício físico ou retorno às atividades habituais? A coleta de sangue não é procedimento impeditivo ou limitante para a prática de exercício físico. 1. que estimula a neoglicogênese. .PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO tende a ser maior neste grupo etário. podendo ser reduzido a 4 horas. mesmo respeitado o período regulamentar de jejum. como ocorrem. A ingestão de café é permitida antes da coleta? Não.7 Dieta: a dieta a que o indivíduo está submetido. sob o risco de hipoglicemia durante esta atividade. Importante ressaltar que cada caso deve ser avaliado individualmente.

de eletroneuromiografia) e alguns procedimentos terapêuticos. 1. facilitando a saída de líquido e de moléculas pequenas para o espaço intersticial. O fumo pode elevar a concentração dos ácidos graxos.11 - Digoxina Creatinina Hemoglobina glicada Bilirrubina . Ambos podem causar variações nos resultados de exames laboratoriais. se possível. O uso crônico é responsável pela elevação da atividade da gama glutamiltransferase. do glicerol livre. ocorre aumento da pressão intravascular no território venoso. devem ser lembrados alguns procedimentos diagnósticos (a administração de contrastes para exames radiológicos ou tomográficos.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 1. de ácido láctico e de triglicérides. 1. 1. aldosterona.11 Infusão de Fármacos: é importante lembrar que a coleta de sangue deve ser realizada sempre em local distante da instalação do cateter. tais como glicólise anaeróbica elevem a concentração de lactato. cirurgias. seja pelo próprio efeito fisiológico in vivo ou por interferência analítica. transfusão sangüínea e infusão de fármacos. do cortisol. com redução do pH. a realização de toque retal. QUADRO 1: EXEMPLOS DE INTERFERÊNCIAS LABORATORIAIS GERADAS POR ALGUNS FÁRMACOS MECANISMO Indução enzimática Inibição enzimática Inibição enzimática Competição FÁRMACO Fenitoína Alopurinol Ciclofosfamida Novobiocina PARÂMETRO Gama-GT Ácido úrico Colinesterase Bilirrubina indireta EFEITO Eleva Reduz Reduz Eleva Eleva Elevação aparente Elevação aparente Elevação aparente Elevação aparente Aumento do transportador Anticoncepcional oral Ceruloplasmina cobre Reação cruzada Reação química Hemoglobina atípica Metabolismo Espironolactona Cefalotina Salicilato 4-OH. in vitro. por exemplo. Dos efeitos analíticos são importantes a possibilidade de ligação preferencial às proteínas e eventuais reações cruzadas. a estase venosa fará com que alterações metabólicas. deve-se aguardar pelo menos uma hora após o final da infusão para a realização da coleta. a competição metabólica e a ação farmacológica. entre outros. O fumo é permitido antes da coleta? Não.8 Uso de Fármacos e Drogas de Abuso: este é um item amplo e inclui tanto a administração de substâncias com finalidades terapêuticas como as utilizadas para fins recreacionais. resultando em hemoconcentração relativa. entre outras alterações. Dentre os efeitos fisiológicos devem ser citados a indução e a inibição enzimáticas. Mesmo realizando a coleta noutro local. como: hemodiálise. no número de leucócitos e de hemácias e no volume corpuscular médio. O tabagismo é causa de elevação na concentração de hemoglobina. Mesmo o consumo esporádico de etanol pode causar alterações significativas e quase imediatas na concentração plasmática de glicose. redução na concentração de HDL-colesterol e elevação de outras substâncias como adrenalina.10 Procedimentos Diagnósticos e/ou Terapêuticos: como outras causas de variações dos resultados dos exames laboratoriais.propranolol . da adrenalina. diálise peritoneal. Alguns exemplos são mostrados no quadro 1.9 Aplicação do Torniquete: ao se aplicar o torniquete por um tempo de 1 a 2 minutos. vale referir o álcool e o fumo. antígeno carcinoembriônico e cortisol. Se o torniquete permanecer por mais tempo. da aldosterona. Pela freqüência.

liberar partículas que interferem com eletrodos seletivos e membranas de diálise.040 contendo um acelerador da coagulação e pode.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 1. Diferentes graus de Lipemia 2 . fosfatase alcalina. dentre outros. a observação de turbidez tem relevância clínica e deve ser avaliada e relatada pelo laboratório. Este gel é um polímero com densidade específica de 1. Uma vez que amostras normais colhidas dentro das especificações de jejum apresentam-se sem turvação. de límpido para algum grau variado de turbidez. eventualmente. o sangue é colhido em tubos contendo uma substância gelatinosa com a finalidade de funcionar como barreira física entre as hemácias e o plasma ou soro. A hemólise pode ser responsável por resultados falsamente reduzidos de insulina. magnésio e fosfato. 1. ou de ambos.12 Gel Separador: algumas vezes.13 Hemólise: hemólise leve tem pouco efeito sobre a maioria dos exames. A elevação significativa dos níveis de triglicérides pode ocorrer apenas no período pós-prandial ou de forma contínua. é recomendável consultar o fabricante sobre a existência de estudos bem conduzidos demonstrando ou excluindo possíveis limitações e interferências. aspartato aminotransferase.12 - . Ela pode ser resultado da presença de hipertrigliceridemia. como aldolase. nas lipoproteínas (VLDL. pode causar variação no volume da amostra e interferir em determinadas dosagens. podendo chegar a ser leitoso.colesterol). desidrogenase láctica e nas dosagens de potássio. Em alguns casos. mas se for de intensidade significativa causa aumento na atividade plasmática de algumas enzimas. Considerando que a composição deste gel varia entre os diferentes fornecedores. nos pacientes portadores de algumas dislipidemias e faz com que o aspecto do soro ou do plasma se altere. após a centrifugação. ou do aumento nos quilomícrons. Diferentes graus de Hemólise 1 1.14 Lipemia: também pode interferir na realização de exames que usam metodologias colorimétricas ou turbidimétricas.

É recomendável ter um local com uma maca disponível. lavatório ou similares) internamente ou próximo à cabine. sendo necessária a instalação de sanitários para clientes e acompanhantes. o manuseio de equipamentos médico-hospitalares e o uso de medicamentos. 2.2 Área Física da Cabine de Coleta A cabine de coleta adequada.5 Conservação e Limpeza das Instalações Recomendam-se que as rotinas de limpeza e higienização das instalações sejam orientadas por profissional capacitado para esta atividade ou por uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar. possibilitando um bom atendimento. laváveis e resistentes às soluções desinfetantes. • Janelas com telas milimétricas. Armários fixos ou móveis são úteis para organizar o armazenamento dos materiais de coleta e facilitar o acesso. também denominada “box de coleta”. impermeáveis. caso estas cumpram a função de propiciar a aeração ambiental. • Portas e corredores com dimensões que permitam a passagem de cadeiras de rodas. evitando o desconforto do flebotomista. que permita a regulagem da altura do braço. Eventualmente. É recomendável disponibilizar equipamentos e medicamentos para eventuais situações de emergência. para caso de necessidade. necessita de espaço suficiente para instalação de uma cadeira ou poltrona. naturais ou artificiais. um local para armazenamento dos materiais de coleta e um dispositivo para a higienização das mãos (álcool gel.1 Recepção e Sala de Espera É recomendável que o laboratório clínico possua. visando a garantia do conforto e segurança dos clientes e da equipe do laboratório.13 - . • Dispositivos de ventilação ambiental eficazes. pelo menos. 2. laváveis e resistentes às soluções desinfetantes. de modo a garantir conforto ao paciente e ao flebotomista. Os procedimentos intervencionistas de emergência. macas e o livre trânsito dos portadores de necessidades especiais. • Iluminação que propicie a perfeita visualização e manuseio seguro dos dispositivos de coleta. 2. É indispensável que sejam tomadas medidas preventivas para eliminação de insetos e roedores. uma sala de espera para pacientes e acompanhantes.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 2. As dimensões da cabine de coleta necessitam garantir a livre movimentação do paciente e do flebotomista. É fundamental uma consulta à legislação local aplicável para o cumprimento das exigências previstas pela vigilância sanitária local. . • Paredes lisas e resistentes ou divisórias constituídas de materiais lisos.3 Infra-Estrutura Recomendam-se alguns itens referentes à infra-estrutura da cabine de coleta: • Pisos impermeáveis. 2. 2. todos os requisitos legais exigidos pelos órgãos competentes de sua cidade ou estado. duráveis.4 Equipamentos e Acessórios Recomenda-se que o paciente seja acomodado numa cadeira ou poltrona confortável. Esta área pode ser compartilhada com as outras unidades diagnósticas. quando aplicável. as descrições podem não contemplar na íntegra. Instalações e Infra-Estrutura Física do Local de Coleta As recomendações aqui descritas têm por finalidade caracterizar os requisitos mínimos de instalação e infra-estrutura. necessariamente devem ser realizados por profissional devidamente habilitado.

de etiquetas com o nome do paciente.1 Procedimentos Básicos para Minimizar Ocorrências de Erro O flebotomista deve se assegurar de que a amostra será colhida do paciente especificado na requisição de exames. e que o laudo contenha esta informação. amostras. quando disponível. a necessidade de repouso por. de forma segura.3 Para pacientes muito jovens. Outros requerem cuidados específicos quanto a dietas especiais. é necessário apenas um curto período de tempo em jejum. inconscientes ou com algum tipo de dificuldade de comunicação o flebotomista deve valer-se de informações de algum acompanhante ou da enfermagem. O número do leito nunca deve ser utilizado como critério de identificação. É importante verificar se o paciente está em condições adequadas para a coleta. de 3 a 4 horas. condições peculiares. uma vez que muitos dos equipamentos analíticos atualmente disponíveis conseguem identificar o paciente e reconhecer quais exames devem ser realizados naquela amostra. ou data de nascimento. como por exemplo. 3.relatar ao supervisor do laboratório qualquer discrepância de informação. para outro laboratório ou para armazenamento. É indispensável que a identificação possa ser rastreada a qualquer instante do processo. os hospitais disponibilizam etiquetas pré-impressas com os dados de identificação necessários. 3. de acordo com a quantidade e tipo de exame a serem realizados. nos tubos de coleta.1 Para um paciente adulto e consciente pedir que forneça nome completo. especialmente no que se refere ao jejum e ao uso de eventuais medicações. ao final. seja garantida a rastreabilidade de todo o processo. . Quaisquer que sejam os exames a serem realizados.pacientes atendidos no pronto-socorro ou em salas de emergência podem ser identificados pelo seu nome e número de entrada no cadastro da unidade de emergência. pelo menos. comparar estas informações com as constantes na requisição de exames. Deve-se buscar uma forma de estabelecer um vínculo seguro e indissociável entre o paciente e o material colhido para que.2 Para pacientes internados . Recomenda-se que materiais não colhidos no laboratório sejam identificados como “amostra enviada ao laboratório”.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 3. antes de efetuar a coleta.14 - . relatórios e laudo final. O sistema de identificação adotado deve contemplar a possibilidade de geração de etiquetas adicionais. Para a maioria dos exames de sangue. Serviços mais complexos fazem uso de etiquetas com código de barras que vinculam. Para isto. 3. a amostra em todas as fases do processo.1. 30 minutos antes da coleta de sangue para a dosagem de prolactina ou de catecolaminas plasmáticas. . documento de identidade. mapas de trabalho. recomendam-se: 3. isto pode ser feito pela colocação. é muito importante a identificação positiva do paciente e dos tubos nos quais será colocado o sangue. Existem processos informatizados simples que geram um número pré-determinado de etiquetas. para os casos em que seja necessário aliquotar a amostra original para ser enviada a diferentes áreas do laboratório.em geral. o flebotomista deve verificar a identificação no bracelete ou a identificação postada na entrada do quarto.1. . Mesmo assim. a data da coleta e o número seqüencial de atendimento. Este número deve constar em todos os documentos. Nos sistemas manuais.1. O material colhido deve ser identificado na presença do paciente. com a finalidade de se prevenir a ocorrência de enganos ou a introdução de variáveis não controladas que poderão comprometer a exatidão dos resultados. Fase Pré-Analítica para Exames de Sangue A fase imediatamente anterior à coleta de sangue para exames laboratoriais deve ser objeto de atenção por parte de todas as pessoas envolvidas no atendimento dos pacientes.

. é utilizado sangue total. É conveniente orientar o paciente para que traga consigo o medicamento em uso. algumas informações referentes aos procedimentos da coleta de sangue. a necessidade de abstenção de fumo e/ou álcool.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Nos exames de monitoração de drogas terapêuticas. evitando ultrapassar o horário programado para a próxima tomada. soro. antes da coleta. Quando o tubo contiver gel separador. mas um dos integrantes da equipe.7 .15 - . De uma forma ideal.EDTA. o registro do uso contínuo de alguma medicação. A ingestão de pequena quantidade de água. . S.5. ou seja. a realização de algum procedimento diagnóstico ou terapêutico prévio. são utilizados anticoagulantes específicos. A ingestão de água quebra o jejum? Não. anticoagulado pela adição de ácido etilenodiaminotetracético . Objetivando evitar desconforto desnecessário. H.2 + 38 + 22 PRINCIPAL CAUSA DA DIFERENÇA NO SORO/PLASMA Lise das células Liberação de elementos celulares Efeito do fibrinogênio Trombocitólises. hidrólises Liberação de elementos celulares Potássio Fosfato inorgânico Proteínas totais Amônia Lactato Guder. A suspensão de medicamentos somente pode ser autorizada pelo médico do paciente. QUADRO 2: SUBSTÂNCIA % DE VARIAÇÃO EM COMPARAÇÃO À SUA MEDIDA NO PLASMA + 6. convém sempre informar ao paciente que a ingestão de água não interfere. ele deve receber. Dessa forma. pág 32. o tempo de jejum. Para que possa desempenhar adequadamente esta função. estas informações e instruções devem ser fornecidas por escrito e o paciente deve ter a oportunidade de esclarecer suas eventuais dúvidas. ainda que existam diferenças entre os resultados obtidos. correspondente ao soro. é separada. Quando for necessário o uso de sangue total ou plasma. como os horários da última tomada de medicação e da coleta do sangue.. dependendo do exame a ser realizado. Assim. à temperatura ambiente. ao exame que será realizado e das condições nas quais ele deve se apresentar ao laboratório. em geral. como mostrado no quadro 2.2 + 10. o paciente não deve ser considerado como agente passivo do processo. exceto em exames muito específicos. ingerindo-o após a coleta de sangue. et al – Samples: from the patient to the laboratory. não quebra o jejum. a espera pode ser de 30 a 45 minutos. para permitir a adequada interpretação dos resultados. 2nd edition. Darmstadt. algumas informações mais específicas devem ser obtidas. o sangue é colhido em tubo sem anticoagulante e deixado coagular por um período de 30 a 60 minutos. G. O paciente deve suspender os medicamentos antes da coleta de sangue? Não. a dosagem e via de administração do medicamento. Git Verlag. além do anticoagulante. 2001. previamente. Narayanan. W. São aspectos relevantes. por exemplo. Na monitorização de drogas terapêuticas é importante o laboratório anotar o horário da última dose e registrar esta informação no laudo. Algumas substâncias podem ser dosadas tanto no soro quanto no plasma. não “quebra” o jejum. O plasma é obtido pela centrifugação do sangue total anticoagulado. com ativador da coagulação. Para a obtenção de soro. para o hemograma. Após este tempo. Wisser. dentre outros. o tubo é centrifugado e a parte líquida. para a dosagem de creatinina utiliza-se. Para alguns exames. a dosagem de glicose é realizada no plasma obtido pela adição de EDTA e fluoreto de sódio e. pode ser necessária a adição de um conservante. Cada uma destas frações do sangue se constitui na matriz ideal para a realização de exames específicos.

Os resultados são mais representativos do estudo in vivo. o plasma apresenta algumas desvantagens. Na prática. dentro de limites aceitáveis de variação. que se revela como um componente na região das gama-globulinas. por exemplo. está em mais baixa concentração no plasma do que no soro.4 mmol/L. As plaquetas permanecem intactas. O Conselho Médico Federal da Alemanha definiu que a instabilidade máxima permitida equivale geralmente a 1/12 do intervalo de referência biológico. os tempos referidos de armazenagem das amostras primárias consideram os seguintes limites para a temperatura: ambiente de 18 a 22o C. É importante lembrar que a recomendação do “transporte picolé” somente se aplica em regiões onde a utilização do gelo seco não está disponível e para transporte entre pequenas distâncias (postos de coleta. interferindo em alguns dos métodos de dosagem de lítio e amônia. este poderá ser deslocado para postos ou outras unidades em caixa de isopor com gelo reciclável. por fim. Há menor risco de interferência por hemólise. obtenção de maior volume de plasma em relação ao soro e da não interferência advinda do processo de coagulação. transporte e eventual armazenagem.) não sendo aplicável no transporte aéreo. Por exemplo. sendo este o fator que causa maior impacto. para serem representativas.2 mmol/L para 4. cátioninterferência quando sais de heparina são usados. . como alterar a eletroforese das proteínas.16 - . A estabilidade de uma amostra sangüínea é definida pela capacidade de seus elementos se manterem nos valores iniciais. visto que a hemoglobina livre. A estabilidade de uma amostra pode ser muito afetada na presença de distúrbios específicos. A condição de congelamento recomenda o uso de gelo seco no transporte ou o chamado “transporte picolé” (congelar previamente o soro. conserva-se mais a temperatura das amostras. Em geral. Por outro lado. o quociente 1.5%. refrigeradas de 2 a 8o C e congeladas.2 Definição de Estabilidade da Amostra As amostras. colocar água em um frasco plástico. devem ter sua composição e integridade mantidas durante as fases pré-analíticas de coleta. 3. a diferença absoluta será 0. Envolver o pote em dois gelos recicláveis no momento do transporte). A estabilidade pré-analítica depende de vários fatores. a concentração do potássio variar de 4. uma vez que contém fibrinogênio. regiões circunvizinhas. como um quociente (razão entre o valor obtido após um determinado tempo e o valor obtido no momento em que a amostra foi coletada). expressa na unidade em que o determinado parâmetro é medido). apoiado por flocos de isopor ou papel jornal. etc. carga mecânica e tempo. podendo mascarar ou simular um componente monoclonal. ou ainda como uma porcentagem de desvio. como pode ocorrer no soro. manuseio. O tempo máximo de estabilidade de uma amostra deveria ser o que permite 95% de estabilidade de seus componentes. se durante o transporte de uma amostra de sangue por 3 a 4 horas. em geral. a medida da instabilidade pode ser definida como sendo a diferença absoluta (variação dos valores inicial e final. incluindo-se temperatura. quando comparados aos do soro. utiliza-se a regra de que quando não houver especificação de tratamento especial para o acondicionamento ou transporte do material.095 e o desvio será igual a + 9. em temperatura ambiente. potencial interferência método-dependente por serem os anticoagulantes agentes complexantes e inibidores enzimáticos e.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO As vantagens da utilização de plasma sobre o soro incluem: redução do tempo de espera para a coagulação. abaixo de 20o C negativos. Assim. colocar o tubo congelado dentro desse frasco. Portanto. por um determinado período de tempo. que podem ser recebidas à temperatura ambiente. levar ao freezer por 24 horas. não proporcionando pseudo-hipercalemia.6 mmol/L.

uma condição importante a ser considerada. a amostra deverá ser encaminhada para o setor de processamento. vale lembrar a existência de regras e diretrizes da terceirização. Qual o volume máximo recomendado de sangue a ser coletado numa punção venosa? Recomenda-se que cada laboratório estabeleça critérios visando coletar o mínimo de sangue necessário para a execução dos parâmetros solicitados pelo médico. publicada em 2004. o tempo de transporte é curto quando o laboratório está próximo e não apresenta grandes dificuldades. o transporte de substâncias infecciosas é considerado como transporte de produtos perigosos. entre unidades diferentes na mesma cidade ou até mesmo para o exterior. enquanto o mesmo volume de sangue total possui apenas 81% de água. Congelamentos lentos também causam a degradação de alguns componentes. Congelar e descongelar amostras é. 3. definidas nas leis federais 6.3 Transporte de Amostra como Fator de Interferência Pré-Analítica Uma vez coletada e identificada adequadamente. Em geral. do Ministério dos Transportes. documento “Transporte de Substâncias Infecciosas”. ou afastado a distâncias variadas. editadas em 1991 e revisadas em 2004. de 3 de janeiro de 1974. Mesmo amostras congeladas são passíveis de alterações em certos constituintes metabólicos ou celulares. e 7. de 20 de maio de 1997. em sua 13ª revisão. um determinado volume de plasma ou de soro contém 93% de água. Assim. que poderá estar na mesma estrutura física onde foi realizada a coleta.17 - . Outro ponto importante é a logística de transporte do material biológico objetivando que as amostras se mantenham viáveis até o momento do processo analítico. No Brasil. as amostras devem ser processadas até o ponto em que possam aguardar as dosagens. Há diversas maneiras de transportar amostras entre unidades de um mesmo laboratório. embora os constituintes estejam distribuídos em concentrações diferentes entre estas matrizes. Esse transporte deve seguir as recomendações da Organização das Nações Unidas – ONU. As metodologias mais recentes exigem volumes cada vez menores de amostra. particularmente. Quando os exames não forem realizados logo após a coleta. resultados no sangue total são diferentes daqueles obtidos no plasma ou soro.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Durante o processo de estocagem. soro e sangue total podem ser usados para a realização de alguns exames. em temperatura de 2 a 8o C. nas quais o exame será realizado em sangue total. Assim. desde que as amostras sejam acondicionadas em maletas que ofereçam garantias de biossegurança no transporte. amostras de plasma ou soro congeladas e descongeladas têm rupturas de algumas estruturas moleculares.102. Com relação ao envio de amostras entre laboratórios. amostras colhidas com anticoagulante. Plasma.019. O processamento inicial da amostra inclui etapas que vão desde a coleta até a realização do exame. O tempo entre a coleta e centrifugação do sangue não deve exceder uma hora. bem como atividades metabólicas celulares que continuam a ocorrer. em função da distribuição de água nas hemácias. e que corresponde à 7ª Edição das Recomendações da Organização Mundial de Saúde–OMS. centrifugação e póscentrifugação. desde que se enquadrem na Portaria nº 204. devem ser mantidas refrigeradas até o procedimento. desnaturação da proteína. sobretudo as moléculas de grandes proteínas. de 20 de julho de 1983. . compreendendo em três fases distintas: pré-centrifugação. em condições para que não haja interferência significativa em seus constituintes. os constituintes do sangue podem sofrer alterações que incluem adsorção no vidro ou tubo plástico.

Áreas com hematomas. bem como na experiência dos autores. qual o número de punções que se poderia realizar no mesmo ponto? Recomenda-se que o número de punções no mesmo sítio limite-se ao mínimo necessário.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4.1 Locais de Escolha para Venopunção A escolha do local de punção representa uma parte vital do diagnóstico. diretrizes de boas práticas de manufatura de produtos. análises laboratoriais. Áreas a evitar: • • • • Áreas com terapia ou hidratação intravenosa de qualquer espécie. biossegurança laboratorial e médica. Sugere-se. Existem diversos locais que podem ser escolhidos para a venopunção. 4. o arco venoso dorsal é o mais recomendado por ser mais calibroso. Veia do dorso da mão 4 Nas situações em que o paciente necessita de coletas venosas repetidas. equipamentos para diagnóstico. nestas situações. Por ser ainda usualmente chamada de NCCLS. Cabe à equipe médica e ao pessoal do laboratório a responsabilidade de racionalizar este tipo de coleta. porém a veia dorsal do metacarpo também poderá ser puncionada. Embora qualquer veia do membro superior que apresente condições para coleta possa ser puncionada. A veia basílica mediana costuma ser a melhor opção. O CLSI (Clinical and Laboratory Standards Institute) . as veias basílica mediana e cefálica são as mais freqüentemente utilizadas. reconhecida mundialmente por promover o desenvolvimento e o uso de padrões e diretrizes dentro da comunidade de clínica médica. a manutenção de uma veia cateterizada (exemplo: uso de escalpe). pois a cefálica é mais propensa à formação de hematomas.18 - . esta será a abreviação usada neste texto quando fizermos referência às normas desta instituição. mundialmente.é uma instituição sem fins lucrativos. Procedimento de Coleta de Sangue Venoso As recomendações adotadas a seguir baseiam-se nas normas da NCCLS (National Committee for Clinical Laboratory Standards). A instituição fornece. apontados abaixo nas figuras 3 e 4. atualmente denominada CLSI. procedimentos técnicos laboratoriais e médicos que envolvem estes produtos. Membro superior próximo ao local onde foi realizada mastectomia. cateterismo ou qualquer outro procedimento cirúrgico. Locais com cicatrizes de queimadura. . Veia do membro superior 3 Já no dorso da mão.

Técnicas para evidenciação da veia: • • • • Pedir para o paciente abaixar o braço e fazer movimentos suaves de abrir e fechar a mão. Aplicar o torniquete cerca de 8 cm acima do local da punção para evitar a contaminação do local. Uso adequado do torniquete: É importante que se utilize adequadamente o torniquete. pois o fluxo arterial não deve ser interrompido. Equipamentos ou dispositivos que facilitam a visualização de veias ainda não são de uso rotineiro e são pouco difundidos. Massagear delicadamente o braço do paciente (do punho para o cotovelo). hemoconcentração. pedir ao paciente que feche a mão para evidenciar a veia. . O torniquete não é recomendado para alguns testes como lactato ou cálcio. evitando-se situações que induzam ao erro diagnóstico (como hemólise. • • 8 cm 7 Posicionamento correto do torniquete • • • Não usar o torniquete continuamente por mais de 1 minuto. para evitar alteração do resultado.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO • • Fístulas artério-venosas. O pulso deve permanecer palpável. por exemplo). Localizar a veia e. alterações na dosagem de cálcio. Não aplicar o procedimento de “bater na veia com dois dedos”. Portanto. pedindo ao paciente para abrir e fechar a mão. Fixação das veias com os dedos nos casos de flacidez. podem parecer um cordão e têm paredes endurecidas. a fim de evitar a contaminação da área de punção. Esperar 2 minutos para usá-lo novamente. Não apertar intensamente o torniquete. recomenda-se: Aplicação do toniquete 5 6 • • • • Posicionar o braço do paciente. inclinado-o para baixo a partir da altura do ombro. fazê-lo apenas por um breve momento. em seguida. Ao garrotear. Veias que já sofreram trombose porque são pouco elásticas. Se o torniquete for usado para seleção preliminar da veia. já que poderia levar à hemoconcentração e falsos resultados em certos analitos. altera o resultado de certos analitos.19 - . Este tipo de procedimento provoca hemólise capilar e portanto. bem como complicações de coleta (hematomas. Posicionar o torniquete com o laço para cima. que pode elevar o nível de potássio. parestesias). no momento de seleção venosa. afrouxar o torniquete.

agregado à ansiedade podem levar à liberação indevida de alguns analitos na corrente sangüínea. tanto na antissepsia do local da punção. reforçando assim a necessidade dos cuidados universais de proteção. - Procedimento para paciente acomodado em leito: Solicitar ao paciente que se coloque em posição confortável. formando uma linha direta do ombro para o pulso. formando uma linha direta do ombro para o pulso. coloque um travesseiro debaixo do braço do qual será coletada a amostra. Uma leve curva pode ser importante para evitar hiperextensão do braço. seja inclinado levemente para baixo e estendido. . afirmando que o álcool a 70% era o que possuía.3 Procedimento para Antissepsia e Higienização das Mãos em Coleta de Sangue Venoso Algumas considerações são importantes sobre o uso de soluções de álcool. deve-se perguntar ao paciente se ele tem alergia a este componente. com menor atividade sobre os vírus hidrofílicos não envelopados. Recomenda-se que a cadeira tenha apoio para os braços e evite quedas. Quanto maior o peso molecular do álcool. como na higienização das mãos. Posicione o braço do paciente inclinando levemente para baixo e estendido. Cadeiras sem braços não fornecem o apoio adequado para o braço. Algumas recomendações que permitem facilitar a coleta de sangue e promovem um perfeito atendimento ao paciente. Segundo Rotter. O braço deve estar apoiado firmemente pelo descanso e o cotovelo não deve estar dobrado. O laboratório pode questionar o paciente se ele é portador de alguma moléstia que tenha risco de contágio ao coletador? Do ponto de vista técnico. Caso esteja em posição supina e seja necessário um apoio adicional. ele não apresenta ação esporicida. Recomenda-se que a posição do braço do paciente no descanso da cadeira. particularmente os enterovírus. Caso o torniquete tenha látex em sua composição. - Procedimento com o paciente sentado: Pedir ao paciente que se sente confortavelmente numa cadeira própria para coleta de sangue. maior ação bactericida. todo paciente necessita ser considerado como potencial portador de doença. nem protegem pacientes nestes casos. o posicionamento do braço para coleta torna-se relativamente mais fácil. Dados da literatura orientam que as soluções alcoólicas fossem preparadas com base no peso molecular e não no volume a ser aplicado. Em concentrações apropriadas. Caso o paciente seja alérgico ao látex. 4. não se deve usar este material para o garroteamento. caso o paciente venha a perder a consciência. fungos e vírus.20 - . dentre outras concentrações. quando se compara a eficácia dos vários métodos de higiene das mãos na redução da flora permanente. a maior eficácia germicida in vitro.2 Posição do Paciente A posição do paciente pode também acarretar erros em resultados. O desconforto do paciente. são indicadas e comentadas a seguir. O álcool apresenta um amplo espectro de ação envolvendo micobactérias.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO • • Trocar o torniquete sempre que houver suspeita de contaminação. neste momento. os álcoois possuem rápida e maior redução nas contagens microbianas. Caso esteja em posição semi-sentado. Durante o tempo usual de aplicação para antissepsia das mãos. quanto na manutenção da eficácia após três horas da aplicação. 4. a fricção de álcool apresentou os melhores resultados tanto na ação imediata.

que é observada apenas com as soluções de etanol acima de 70%. devido a sua inflamabilidade. . fungos e vírus. o antisséptico escolhido deve ser eficaz. utilizando o álcool isopropílico nos laboratórios e hospitais. Hoje. ter ação rápida. A ilustração mostra o procedimento feito por meio da lavagem das mãos com água e sabão. evitando assim contaminação cruzada. Os álcoois etílico e isopropílico são os que possuem efeito antisséptico na concentração de 70%. boa atividade contra Mycobacterium tuberculosis. Calçando as luvas 9 10 Antissepsia do local da punção: • • Recomenda-se usar uma gaze com solução de álcool isopropílico ou etílico 70%. 1 2 3 4 5 6 7 8 A higienização das mãos deve ser feita após o contato com cada paciente. ser de baixa causticidade e hipoalergência na pele e mucosa. e devem ficar bem aderidas à pele para que o flebotomista não perca a sensibilidade na hora da punção. usada para prevenir a contaminação direta do paciente e da amostra.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Com relação à antissepsia da pele no local da punção.21 - . A fricção com álcool reduz em 1/3 o tempo despendido pelos profissionais de saúde para a higiene das mãos. tem excelente atividade contra bactérias Gram-positivas e Gramnegativas. e diminui a inflamabilidade. 8 Colocando as luvas As luvas devem ser calçadas com cuidado para que não rasguem. contudo o etanol é o mais usado pois. Nesta diluição. Higienização das mãos: As mãos devem ser higienizadas após o contato com cada paciente. ou usando álcool gel. é citado o odor que fica nas mãos e a inflamabilidade. Limpar o local com um movimento circular do centro para a periferia. além de ter menor custo. Esta higienização pode ser feita com água e sabão como o procedimento ilustrado abaixo. preserva sua ação antisséptica. nesta composição. Quanto às desvantagens. comercialmente preparado. alguns países da América do Norte aboliram o uso de álcool etílico. aumentando a preferência por esta ação básica de controle.

4. o tipo de clientela.22 - . para evitar hemólise da amostra. as habilidades dos flebotomistas e as características da instituição. Deveria ser esterilizado e embalado para manter a esterilidade de modo a ser usado em campo.1 Considerações sobre coleta de sangue venoso a vácuo Sistema para coleta de sangue a vácuo 13 Aspectos históricos Em 1943 a Cruz Vermelha Americana fez um pedido a uma empresa de materiais hospitalares para que desenvolvesse um jogo descartável e estéril para coleta de sangue. um antisséptico isento de álcool em sua formulação deve ser usado no local da punção (por exemplo. Não tocar novamente na região após a antissepsia. nas áreas de emergência e nas guerras. Abrindo a embalagem de álcool swab 11 12 Antissepsia do centro para fora Nota: Quando houver solicitação de dosagem de álcool no sangue. Estes critérios de escolha da metodologia a ser utilizada na coleta de sangue vão além do custo do material. . 4. devendo-se observar a finalidade do procedimento. 4. sabão).4 Critérios para Escolha da Técnica de Coleta de Sangue Venoso a Vácuo ou por Seringa e Agulha Recomenda-se que o hospital e laboratório estabeleçam uma política institucional para a escolha da técnica de coleta de sangue. e também a sensação de ardência quando o braço do paciente for puncionado. Não assoprar. O flebotomista desempenha um papel importante na garantia da qualidade neste processo.Blood Alcohol Testing in the Clinical Laboratory. Alguns pontos relevantes na escolha da técnica e do material de coleta de sangue são apontados a seguir. não abanar e não colocar nada no local.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO • • • Permitir a secagem da área por 30 segundos. Conforme recomendação do documento NCCLS T/DM6 .

como a diferença do acesso venoso de um paciente para outro. uma amostra de qualidade para ser processada ou analisada. crianças. abrangendo todos os exames solicitados pelo médico. prático e que proporcione maior qualidade da amostra a ser analisada. coletas em pacientes com acessos venosos difíceis.entre outros. o flebotomista terá a certeza de que o volume de sangue correto foi colhido. Desde então. Por estes e outros fatores. por uma agulha de duas pontas para um tubo de análise. quimioterápicos etc. constituindo o sistema para coleta de sangue a vácuo. • • • • 4. garantia da qualidade nos resultados dos exames. ao final da coleta. colher vários tubos. proporção correta sangue/ aditivo elevando a qualidade da amostra.4. também são beneficiados. Coleta de Sangue Venoso a Vácuo A coleta de sangue a vácuo é a técnica de coleta de sangue venoso recomendada pelas normas NCCLS atualmente. quantidade de vácuo calibrado proporcional ao volume de sangue em sua etiqueta externa. pacientes em terapia medicamentosa. pois com uma única punção venosa pode-se. É a técnica mais . Isto proporciona ao flebotomista maior segurança. numa única punção pode-se colher vários tubos. pois o tubo para coleta de sangue a vácuo tem. Outro ponto relevante a ser observado é o avanço da tecnologia em equipamentos para diagnóstico e kits com maior especificidade e sensibilidade. ao puncionar a veia do paciente. segurança do profissional de saúde e do paciente. o sangue flui diretamente para o tubo de coleta a vácuo. pacientes com acessos venosos difíceis. pois o mesmo produto é usado para infundir medicamentos. é usada mundialmente e em boa parte dos laboratórios brasileiros. A quantidade de anticoagulante/ativador de coágulo proporcional ao volume de sangue a ser coletado.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Foi desenvolvido. pois não há necessidade do manuseio da amostra de sangue. que hoje requerem um menor volume de amostra do paciente. recomendamos que sejam observados alguns pontos relevantes para uma coleta adequada. segurança do paciente e do profissional de saúde. o conforto ao paciente é essencial. em seu interior. pois existem produtos que facilitam tais coletas (escalpes para coleta múltipla de sangue a vácuo em diversos calibres de agulha e tubos para coleta de sangue a vácuo com menores volumes de aspiração). tecnologias e inovações foram aprimorando estes dispositivos para tornar este sistema para coleta de sangue mais seguro. uma vez que a coleta a vácuo é um sistema fechado de coleta de sangue. o que significa que. proporcionando. um dispositivo que aspirava o sangue diretamente da veia por meio de vácuo.23 - . pois proporciona ao usuário inúmeras vantagens: • a facilidade no manuseio é um destes pontos. rapidamente. quando o sangue parar de fluir para dentro do tubo. Quais os principais fatores que levam o laboratório a optar pela técnica de coleta de sangue a vácuo? Facilidade na coleta.2 Considerações sobre coleta de sangue venoso com seringa e agulha Seringa e Agulha estéreis 14 A coleta de sangue com seringa e agulha é usada há muitos anos e enraizou-se em algumas áreas de saúde. qualidade nos resultados dos exames. então. fator este relevante e primordial em um laboratório.

Em função deste sistema de coleta ser aberto. que altera a proporção correta de sangue/aditivo.24 - . • Utilização desnecessária de materiais de coleta e reagentes. (entupimento da probe). O que significa manter a proporção sangue/anticoagulante? Para que o sangue fique totalmente anticoagulado dentro do tubo é necessário que se mantenha a proporção correta de anticoagulante correspondente ao volume de sangue colhido do paciente. 4. fatores interferentes podem também ser originados da lise de plaquetas e granulócitos. a qualidade da amostra pode ser comprometida pela ocorrência de hemólise. seja pelo menor custo do produto. Porém. uma vez que seringas e agulhas hipodérmicas são materiais essenciais para o funcionamento de uma instituição de saúde. poderá trazer impacto em maior escala na qualidade da amostra obtida. e por existir a etapa de transferência do sangue para os tubos acima ou abaixo da capacidade dos mesmos. quando o sangue é armazenado em baixa temperatura. como descritos a seguir: • Novas coletas. a interferência pode ocorrer mesmo em baixas concentrações de hemoglobina liberada (invisíveis a olho nu). • Custos desnecessários para os setores administrativos e técnicos do laboratório. ocasionando transtornos na reconvocação ao paciente e para os profissionais do laboratório. Desse modo. envolvendo custos para o setor. • Gasto de tempo desnecessário para o flebotomista e laboratório. No caso do uso desta técnica. que provocam resultados incompatíveis com o real estado do paciente. bem como de procedimentos que evitem riscos biológicos. este procedimento é bastante utilizado em laboratórios clínicos e hospitais. bem como nos riscos de acidente com materiais perfurocortantes. Ela é geralmente reconhecida pela aparência avermelhada do soro ou plasma. quando ocorre a ruptura das células do sangue. causando situações incômodas. estes componentes podem interferir nos resultados das dosagens de alguns analitos. pois uma amostra comprometida leva o laboratório ao reprocessamento de amostras. . formação de microcoágulos e fibrina. seja por sua disponibilidade. que pode ocorrer. por exemplo. após a centrifugação ou sedimentação. Além disso causa um aumento de custo em todo o processo. Embora não seja mais o procedimento recomendado pelas normas NCCLS. A coleta com seringa e agulha é ainda muito usada. a hemólise nem sempre se refere à ruptura de hemácias. ainda hoje. assim evita-se a formação de microcoágulos e resultados inexatos. o laboratório deve se certificar da utilização de meios que preservem a qualidade final da amostra a ser analisada. mas não em temperatura de congelamento. em algumas regiões do mundo.5 Considerações Importantes sobre Hemólise Hemólise tem sido definida como a liberação dos constituintes intracelulares para o plasma ou soro.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO antiga desenvolvida para coleta de sangue venoso. Diferentes graus de hemólise 15 No entanto. • Possibilidade de problemas nos equipamentos dos setores técnicos. causada pela hemoglobina liberada quando da ruptura dos eritrócitos.

Observar que. Verificar as recomendações do fabricante dos insumos para a realização do teste. . antes de fazer os exames. 2 horas após a coleta. para retirá-lo da agulha e inserir o segundo tubo. puncionar a veia do paciente com o bisel voltado para cima. assim. • Não centrifugar a amostra de sangue em tubo. pois a formação do coágulo ainda não está completa. para transferência do sangue da seringa para o tubo. antes do término da retração do coágulo. em coletas de sangue a vácuo. Este procedimento visa prevenir o choque direto do sangue na parede do tubo. • Embalar e transportar o material de acordo com a Vigilância Sanitária local. • Não deixar o sangue armazenado por muito tempo refrigerado. 30 minutos e. • Quando utilizar um tubo primário (com gel separador).1 Boas práticas pré-coleta para prevenção da hemólise • Antes de iniciar a punção. tubos com menor volume de aspiração (pediátricos).lembrete Tubos com menor volume de aspiração (pediátricos). podendo levar à ruptura celular. assegurando a devida proporção sangue/ anticoagulante. usar este tipo de material somente quando a veia do paciente for fina. • Em coletas com seringa e agulha. cuidando para que não haja contaminação do bico da seringa com o anticoagulante ou ativador de coágulo contido no tubo.5. • Evitar usar agulhas de menor calibre. resultados incorretos. o deslocamento da rolha do tubo. ou em casos especiais. • Não executar o procedimento de espetar a agulha no tubo. não chacoalhar o tubo. aguardar que o sangue pare de fluir para dentro do tubo. passar o sangue deslizando cuidadosamente pela parede do tubo.3). • O material coletado não deve ficar exposto a temperaturas muito elevadas ou mesmo exposição direta à luz. instruções de uso do fabricante de tubos e do fabricante do teste diagnóstico a ser analisado. deixar o álcool usado na antissepsia secar. um tubo primário e evitar a transferência de um tubo para outro. Boas práticas . antes de trocá-lo por outro.2 Boas práticas pós-coleta para prevenção da hemólise • Homogeneizar a amostra suavemente por inversão de 5 a 10 vezes (veja item 4.8. no mínimo. quando o analito a ser dosado necessitar desta conservação. que pode hemolisar a amostra. para evitar hemólise e/ou degradação. têm menor quantidade de vácuo. • Evitar colher sangue de área com hematoma ou equimose. portanto o sangue flui lentamente para dentro deste tubo. podendo levar a hemólise e resultados incorretos. porque pode ocorrer a criação de uma pressão positiva. • Ainda em coletas com seringa. • Usar. • Tubos com volume insuficiente ou com excesso de sangue. alteram a proporção correta de sangue/aditivo. aguardar o sangue parar de fluir para dentro do tubo.25 - . • Não puxar o êmbolo da seringa com muita força. e também evita o refluxo do sangue do tubo para a veia do paciente. • Não usar o freio da centrífuga com o intuito de interromper subitamente a centrifugação dos tubos. de preferência. além da hemólise. levando à quebra da probe de equipamentos na área analítica. portanto o sangue flui lentamente para dentro dele. a separação do soro deve ser efetuada dentro de. • Em coletas a vácuo. • Não deixar o sangue em contato direto com gelo. o que provoca. descartar a agulha. evitando–se. esta brusca interrupção pode provocar hemólise. 4. no máximo. têm menor quantidade de vácuo. • Recomenda-se. para obtenção de soro.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4.5. No momento da coleta. verificar se a agulha está bem adaptada à seringa para evitar a formação de espuma. Perfurar a veia com a agulha em um ângulo oblíquo de inserção de 30 graus ou menos.

tubos com o mesmo tipo de tampa ou rolha de proteção. expressa em cm. é a distância radial do centro do rotor da centrífuga à base do tubo (raio). Pacientes portadores de coagulopatias ou submetidos à terapia com anticoagulantes requerem um tempo maior para esta etapa da fase pré-analítica.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4. A RCF (Força Centrífuga Relativa) refere-se à regulagem da aceleração da centrífuga (rpm). tubos de tamanhos iguais. Utilizar sempre caçambas ou cubetas apropriadas.26 - . Certificar-se de que os tubos estejam corretamente encaixados na caçamba da centrífuga.7 Centrifugação dos Tubos de Coleta Recomenda-se que as centrífugas do laboratório sejam submetidas periodicamente à manutenção preventiva.12 x r Onde “r”. tubos de vidro com tubos de vidro. para evitar a potencial formação de fibrina. • • Tubos coletados com volume de sangue inferior ao preconizado alteram a relação sangue/ativador de coágulo. usando-se qualquer uma das seguintes equações: rpm = RCF x 105 1.2 Os tempos recomendados baseiam-se em processos normais de coagulação. levando à má separação da amostra. por exemplo: tubos com o mesmo volume de aspiração. Tubo contendo fibrina 16 4. Para tubos de coleta a vácuo. recomenda-se o uso de centrífugas balanceadas de ângulo móvel (tipo swing-bucket). tubos com gel com outros do mesmo tipo. resultando na formação de fibrina. Tubos de vidro ou plástico acima da caçamba podem chocar-se com a cabeça da centrífuga e quebrar-se. e tubos de plástico com tubos de plástico.6 Recomendação para os Tempos de Retração do Coágulo QUADRO 3: TEMPOS MÍNIMOS DE RETRAÇÃO DE COÁGULO RECOMENDADOS ANTES DA CENTRIFUGAÇÃO TIPOS (Tubos para obtenção de soro) Sem ativador de coágulo (tampa vermelha*) Com ativador de coágulo (tampa vermelha*) Com gel separador e ativador de coágulo (tampa amarela) TEMPO DE COAGULAÇÃO (minutos) 60 30 30 * Cores de tampas dos tubos de coleta a vácuo conforme ISO 6710. Os tubos devem ser agrupados de acordo com o tipo. Um encaixe incompleto pode fazer com que a tampa de proteção do tubo se desprenda. O quadro 4 fornece a velocidade e tempo de centrifugação recomendados: . Cubetas muito grandes ou muito pequenas podem causar a quebra ou o deslocamento dos tubos. Balancear os tubos para minimizar o risco de quebra. O intervalo necessário para a retração do coágulo deve ser respeitado antes da centrifugação. com calibração e verificação das condições metrológicas para garantir seu correto funcionamento. As caçambas e cubetas da centrífuga devem ser do tamanho específico para os tubos usados. ou que a parte superior do tubo fique fora da caçamba.

Não usar o freio da centrífuga com o intuito de interromper a centrifugação dos tubos.27 - . esta brusca interrupção. além de hemólise (veja item 4. O plasma e o soro dos tubos sem gel devem ser removidos da camada celular em até 2 horas após a coleta da amostra. O soro ou plasma separado está pronto para ser usado. Os tubos não devem ser re-centrifugados após a formação da barreira. tais como: amônia. g = gravidade ** Tubos de citrato devem ser centrifugados a uma velocidade e tempo para consistentemente produzir o plasma pobre em plaquetas (contagem de plaquetas < 10. antes de tentar retirar os tubos. do que em centrífugas de ângulo fixo. Recomenda-se que cada serviço estabeleça sua política de armazenamento de materiais biológicos. aproximadamente 4 a 5 minutos. Alguns equipamentos pipetam a amostra diretamente do tubo primário. alguns tubos com gel separador podem ser centrifugados em tempos reduzidos. Os tubos podem ser colocados diretamente na bandeja (rack) do equipamento. Outros necessitam de proteção contra a ação da luz (bilirrubina. pode deslocar o gel separador.2). ácido láctico. O laboratório deve consultar seu fornecedor sobre as recomendações de centrifugação. por exemplo. As barreiras têm maior estabilidade quando os tubos são centrifugados em centrífugas horizontais (caçamba de ângulo móvel) não refrigeradas. paratormônio. aumentando a produtividade e otimizando a rotina laboratorial.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Tempo e Rotação para Centrifugação da Amostra QUADRO 4: ACELERAÇÃO E TEMPO DE CENTRIFUGAÇÃO * TUBOS Tubos de vidro com gel separador e ativador de coágulo Tubos de plástico com gel separador e ativador de coágulo Tubos com gel separador e anticoagulante Todos os tubos sem gel Tubos de citrato ** RCF (g) 1000-1300 1300-2000 2000-3000 1000-1300 < 1300 1500 TEMPO(min) 10 10 4a5 10 10 15 * Valores referentes aos tubos BD Vacutainer® RCF = Força Centrífuga Relativa . ou o soro/plasma pode ser pipetado para uma cubeta do equipamento. ácido fólico). Recomenda-se aguardar sempre até que a centrífuga pare completamente. beta-caroteno.000/mL) de acordo com normas do NCCLS A relação velocidade/tempo pode variar de um fornecedor para outro. Observar as instruções do fabricante do equipamento. vitamina B12. catecolaminas.5. . Armazenando amostras 17 Alguns parâmetros necessitam ser transportados e centrifugados sob refrigeração para a manutenção da estabilidade.

Ex. O quadro 5 relaciona os raios do braço da centrífuga (em centímetros) com a velocidade necessária. O valor em “rpm” é o ponto de intersecção das duas medidas (g e raio) no quadro acima. Esta medida se dá.28 - . A formação da barreira de gel pode ser comprometida caso o tubo seja resfriado antes ou durante a centrifugação. N: RPM *Consulte o fornecedor sobre as recomendações de centrifugação. uma vez que as propriedades de fluxo do gel relacionam-se com a temperatura. sendo R: distância em cm. Como usar o quadro acima: Exemplo de como usar o quadro acima: Suponha que o fabricante dos produtos para coleta de sangue a vácuo recomende que a centrifugação do tubo seja feita a 1.300 g. Este fenômeno resulta da ativação plaquetária induzida pelo volume maior do “espaço morto” formado entre o sangue e a tampa que veda o tubo . Para otimizar o fluxo e evitar aquecimento. raio da centrífuga = 15 cm Velocidade de centrifugação = 1300 g = 2794 rpm Boas práticas .118 x 10-5.lembrete A coleta em tubos com anticoagulante citrato requer aspiração correta do volume de sangue. usando-se uma régua comum.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Diferentes graus de Icterícia 18 Atenção: Tubos com gel separador não podem ser centrifugados em baixas temperaturas. para se obter a força “g” adequada : QUADRO 5: CÁCULO DE RPM Tubos com gel separador de 1300 a 2000g* RAIO ( cm) rcf (g) 900 950 1000 1050 1100 1150 1200 1250 1300 1350 1400 1500 1600 1700 1800 1900 2000 2100 2200 2300 2400 2500 2600 2700 2800 2900 7 3391 3484 3575 3663 3749 3833 3916 3997 4076 4153 4230 4378 4522 4661 4796 4927 5055 5160 5302 5421 5538 5652 5764 5874 5981 6087 8 3172 3259 3344 3426 3507 3586 3663 3738 3812 3885 3958 4095 4230 4360 4486 4609 4729 4646 4960 5071 5180 5267 5392 5494 5595 5694 9 2991 3073 3153 3230 3306 3381 3453 3525 3594 3663 3730 3861 3988 4110 4230 4345 4458 4568 4676 4781 4884 4965 5083 5180 5275 5369 10 2837 2915 2991 3065 3137 3207 3276 3344 3410 3475 3539 3663 3783 3899 4013 4122 4230 4334 4436 4536 4633 4729 4822 4914 5004 5093 11 2705 2779 2852 2922 2991 3058 3124 3188 3251 3313 3374 3492 3607 3718 3826 3931 4033 4132 4230 4325 4418 4509 4598 4686 4772 4856 12 2590 2661 2730 2798 2663 2926 2991 3052 3113 3172 3230 3344 3453 3560 3663 3763 3861 3956 4049 4140 4230 4317 4402 4486 4568 4649 13 2488 2557 2623 2688 2751 2813 2873 2933 2991 3048 3104 3213 3318 3420 3519 3616 3710 3601 3891 3978 4064 4147 4230 4310 4389 4467 14 2398 2464 2528 2590 2651 2711 2769 2826 2882 2937 2991 3096 3197 3296 3391 3484 3675 3663 3749 3883 3916 3997 4076 4153 4230 4304 15 2317 2380 2442 2502 2561 2619 2675 2730 2794 2837 2889 2991 3089 3184 3276 3366 3453 3539 3622 3703 3783 3661 3937 4013 4086 4158 16 2243 2305 2364 2423 2480 2536 2590 2643 2696 2747 2798 2896 2991 3083 3172 3259 3344 3426 3502 3586 3663 3738 3812 3885 3956 4026 17 2176 2236 2294 2350 2406 2460 2513 2565 2615 2665 2714 2809 2901 2991 3077 3162 3244 3324 3402 3479 3554 3627 3699 3769 3838 3906 18 2115 2173 2229 2284 2338 2391 2442 2492 2542 2590 2638 2730 2820 2906 2991 3073 3153 3230 3306 3381 3453 3525 3594 3663 3730 3796 19 2058 2115 2170 2223 2276 2327 2377 2426 2474 2521 2567 3657 2744 2829 2911 2991 3068 3144 3218 3291 3361 3431 3499 3565 3631 3695 20 2006 2061 2115 2167 2218 2268 2317 2364 2411 2457 2502 2590 2675 2757 2837 2915 2991 3065 3137 3207 3276 3344 3410 3475 3539 3601 21 1958 2012 2064 2115 2165 2213 2261 2307 2353 2398 2442 2528 2811 2691 2769 2845 2919 2991 3061 3130 3197 3263 3328 3391 3453 3515 22 1913 1965 2016 2066 2118 2162 2209 2254 2299 2343 2386 2470 2551 2629 2705 2779 2852 2912 2991 3058 3124 3168 3251 3313 3374 3434 23 1871 1922 1972 2021 2068 2115 2160 2205 2248 2291 2333 2415 2494 2571 2646 2718 2789 2656 2925 2991 3055 3116 3180 3240 3300 3358 24 1831 1882 1931 1978 2025 2070 2115 2158 2201 2243 2284 2364 2442 2517 2590 2661 2730 2796 2863 2928 2991 3052 3113 3172 3230 3288 25 1794 1844 1892 1938 1964 2028 2072 2115 2157 2196 2238 2317 2393 2466 2538 2607 2675 2741 2806 2869 2930 2991 3050 3108 3165 3221 Rcf= 1. do ponto central da centrífuga de ângulo móvel até o fundo do tubo (base da caçapa). ajustar as centrífugas refrigeradas a 25o C ( 77o F). O raio é medido em centímetros. Para transformar “g” em “rpm” devemos medir o raio da centrífuga usada pelo laboratório. A aspiração parcial pode induzir uma falsa trombocitopenia.

29 - . o que pode alterar os resultados dos testes de coagulação. Nota: Nos casos em que a coleta for feita com escalpe. O tubo de descarte deve ser usado para preencher o espaço morto do tubo vinílico do escalpe com sangue. (recoberta pela manga de borracha da agulha de coleta múltipla de sangue a vácuo). No caso de coleta com tubos de vidro. O tubo de descarte deve ser um tubo sem nenhum aditivo. assegurando a manutenção da proporção sangue/anticoagulante no tubo e também o volume exato de sangue que foi colhido dentro do tubo. quando a mesma penetra a rolha do tubo.8 Recomendação da Seqüência dos Tubos a Vácuo na Coleta de Sangue Venoso de Acordo com a NCCLS Existe uma possibilidade pequena de contaminação com aditivos de um tubo para outro. ou seja. coletar primeiro um tubo de vidro para soro (tampa vermelha) ou um tubo de descarte sem nenhum aditivo (que não serão utilizados para análise). durante a troca de tubos. que interfere em testes específicos de coagulação. pelo contato da ponta da seringa com o anticoagulante ou ativador de coágulo na parede do tubo. para evitar a contaminação destes testes específicos pela tromboplastina tecidual. e o primeiro tubo a ser colhido for o tubo de citrato ou um tubo de menor volume de aspiração. deve-se primeiro colher um tubo de descarte. Isto ocorreu porque os tubos plásticos para soro (tampa vermelha ou amarela com gel separador) contêm ativador de coágulo em seu interior. o sangue do paciente entra no tubo e se mistura ao ativador de coágulo ou anticoagulante. pois não possuem ativador de coágulo. Por isso. tubos para soro (tampa vermelha) podem ser colhidos normalmente.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4. no momento da coleta de sangue. foi estabelecida pela NCCLS uma ordem de coleta. Em casos de usar somente tubos plásticos. onde está presente o fator de coagulação tromboplastina tecidual. quando da dispensação do sangue dentro do tubo. . podendo contaminar a agulha distal. Devido a este componente estes tubos devem ser colhidos depois do tubo para coagulação (tampa azul). como veremos abaixo. a ordem de coleta da NCCLS foi reformulada contemplando também a coleta em tubos plásticos. e o paciente necessitar testes específicos de coagulação. Foto sobre contaminação do bico da seringa no momento da transferência do sangue para o tubo 20 Em dezembro de 2003. Ilustração sobre contaminação da agulha de coleta múltipla no momento da coleta 19 • Na coleta com seringa e agulha. antes dos tubos para coagulação (tampa azul). Esta contaminação pode ocorrer numa coleta de sangue venoso quando: • Na coleta de sangue a vácuo. este tubo será usado para descartar o primeiro volume de sangue da coleta.

(ver Seqüência de Coleta dos Tubos para Coleta de Sangue a Vácuo no final destas Recomendações. Citrato.. consulte o fornecedor de tubos sobre recomendações para homogeneização Tubos Elemento de Traço EDTA ou heparina Com ativador de coágulo para obtenção de soro . tubo para VHS etc. 6 Tubos com EDTA (tampa roxa). 2 Tubos com citrato (tampa azul claro). EDTA com gel separador para exames de biologia molecular. 4 Tubos para soro com Ativador de Coágulo com Gel Separador (tampa amarela). 3 Tubos para soro com Ativador de Coágulo.8. 4 Tubos com Heparina com ou sem Gel Separador de plasma (tampa verde). com ou sem Gel Separador (tampa vermelha ou amarela). pág.2 Seqüência de coleta para tubos de vidro de coleta de sangue 1 Frascos para hemocultura. 4. Para coletas de tubos especiais. 5 Tubos com Heparina com ou sem Gel Separador de plasma (tampa verde). 2 Tubos para soro vidro siliconizados (tampa vermelha).8. Dextrose (ACD) NÚMERO DE INVERSÕES 5 a 8 vezes 8 a 10 vezes não é necessário homogeneizar 5 a 8 vezes 8 a 10 vezes 5 a 8 vezes 5 a 8 vezes 8 a 10 vezes 8 a 10 vezes 8 a 10 vezes 8 a 10 vezes 5 a 8 vezes O número de inversões pode variar de um fabricante para outro. 63). 4.8. 6 Tubos com fluoreto (tampa cinza). 7 Tubos com fluoreto (tampa cinza). conforme exemplificado nesta imagem QUADRO 6: 21 QUADRO REPRESENTATIVO DO NÚMERO DE INVERSÕES DOS TUBOS APÓS A COLETA GRUPO DE ANTICOAGULANTES/ADITIVOS Tubos com Gel Separador Tubos com gel e ativador de coágulo Tubos com gel e heparina Tubos sem Aditivos Tubos siliconizados Tubos com Aditivos para Obtenção de Soro Partículas ativadoras de coágulo tampa vermelha ou amarela Tubos Sangue Total/Plasma EDTA K2 ou EDTA K3 Citrato (coagulação) Citrato (VHS) Fluoreto de sódio/EDTA Na2 (glicose) Heparina Ácido cítrico.1 Seqüência de coleta para tubos plásticos de coleta de sangue 1 Frascos para hemocultura. 3 Tubos com citrato (tampa azul claro). 5 Tubos com EDTA (tampa roxa).PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4.3 Homogeneização para tubos de coleta de sangue A homogeneização deve ser feita por inversão conforme ilustrado a seguir: Uma inversão é contada após virar o tubo para baixo e retorná-lo à posição inicial.30 - . como Elementos de Traço.

9 . 6 7 8 Higienizar as mãos (ver item 4. gaze. Conferir e ordenar todo material a ser usado no paciente.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO • Não se deve homogeneizar tubos de citrato vigorosamente. Informá-lo sobre o procedimento. Este fenômeno pode ocorrer pela ativação plaquetária causada pelo “espaço morto” entre o sangue coletado e a rolha destes tubos. Quando utilizar tubos de citrato para coleta de sangue a vácuo com aspiração parcial. Abrir o lacre da agulha de coleta múltipla de sangue a vácuo em frente ao paciente. 1a .Material de coleta separado adequadamente 1b 2 Solicitar ao paciente que diga seu nome completo para confirmação do pedido médico e etiquetas. Posicionar o braço do paciente.3). inclinado-o para baixo na altura do ombro. Esta identificação dos tubos deve ser feita na frente do paciente.3). uma falsa trombocitopenia pode ser observada. sob o risco de ativação plaquetária e interferência nos testes de coagulação. Procedimento de Coleta de Sangue a Vácuo • 4. de acordo com o pedido médico (tubos. 3 4 5 Rosquear a agulha no adaptador do sistema a vácuo.Sistema para coleta de sangue a vácuo 22 1 Verificar se a cabine da coleta está limpa e guarnecida para iniciar as coletas. Calçar as luvas (ver item 4.31 - . 9 . torniquete.Local de coleta de sangue guarnecido adequadamente . etc). A falha na homogeneização adequada do sangue em tubo com anticoagulante precipita a formação de microcoágulos.

com o bisel da agulha voltado para cima.1). 15 16 Quando o sangue começar a fluir para dentro do tubo.8. com algodão ou gaze secos. esticar a pele com a outra mão (longe do local onde foi feita a antissepsia). Fazer a punção numa angulação oblíqua de 30o. 13 Retirar a proteção que recobre a agulha de coleta múltipla de sangue a vácuo.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 10 11 12 Se o torniquete for usado para seleção preliminar da veia. desgarrotear o braço do paciente e pedir para que abra a mão 17 Realizar a troca dos tubos sucessivamente (ver item 4.3). evitando assim a formação de hematomas e sangramentos. 21 Descartar a agulha imediatamente após sua remoção do braço do paciente. em recipiente para materiais perfurocortantes Fazer curativo oclusivo no local da punção. afrouxá-lo e esperar 2 minutos para usá-lo novamente. Se necessário. 22 .32 - . orientá-lo adequadamente para que faça a pressão até que o orifício da punção pare de sangrar.8). Fazer a antissepsia (ver item 4. 18 19 Após a retirada do último tubo.3). Homogeneizar imediatamente após a retirada de cada tubo. para melhor visualizar a veia. em geral de 1 a 2 minutos. 20 Exercer pressão no local. pedir para que o paciente abra e feche a mão. Garrotear o braço do paciente (ver item 4. remover a agulha e fazer a compressão no local da punção. 14 Inserir o primeiro tubo a vácuo (ver item 4. invertendo-o suavemente de 5 a 10 vezes (ver item 4. Se o paciente estiver em condições de fazê-lo.8).

não carregue peso ou bolsa a tiracolo no mesmo lado da punção por. 4. onde está presente o fator de coagulação tromboplastina tecidual que interfere em testes de coagulação específicos.10 Procedimento de Coleta de Sangue com Seringa e Agulha: Seringa e Agulha estéreis 23 1 Verificar se a cabine da coleta está limpa e guarnecida para iniciar as coletas.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 23 Orientar o paciente para que não dobre o braço. de acordo com o pedido médico (tubos. se for necessário. Conferir e ordenar todo material a ser usado no paciente.) de acordo com o procedimento operacional do laboratório. etc) esta identificação dos tubos deve ser feita na frente do paciente. 1a . perguntando se está em condições de se locomover sozinho. Verificar se há alguma pendência. entregar o comprovante para retirada do resultado. gaze. e não mantenha manga dobrada. 24 25 26 O que é um tubo de descarte? O tubo de descarte deve ser um tubo sem nenhum aditivo. e liberá-lo.Material de coleta separado adequadamente 1b 2 3 Solicitar ao paciente que diga seu nome completo para confirmação de pedido médico e etiquetas.33 - . torniquete.Local de coleta de sangue guarnecido adequadamente . Certificar-se das condições gerais do paciente. que pode funcionar como torniquete. . ou seja. este tubo será usado para descartar o primeiro volume de sangue da coleta. Colocar as amostras em local adequado ou encaminhá-las imediatamente para processamento em casos indicados (como materias que necessitem ser mantidos em gelo. fornecendo orientações adicionais ao paciente. por ex. no mínimo 1 hora.

3). em geral de 1 a 2 minutos. para melhor visualizar a veia. evitando assim a formação de hematomas e sangramentos. pois o processo de coagulação do organismo do paciente já foi ativado no momento da punção. 14 15 . Posicionar o braço do paciente. Fazer a antissepsia (ver item 4. Abrir a seringa na frente do paciente. pedir para que o paciente abra e feche a mão. inclinado-o para baixo na altura do ombro.3).3). se necessário. com o bisel da agulha voltado para cima. . Aspirar o sangue evitando bolhas e espuma. 16 17 . e com agilidade. oriente-o para que faça a pressão até que o orifício da punção pare de sangrar. Exercer pressão no local. 8 9 10 11 Se o torniquete for usado para seleção preliminar da veia. Retirar a proteção da agulha hipodérmica.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4 Informá-lo sobre o procedimento.1). afrouxá-lo e esperar 2 minutos para usá-lo novamente. Se o paciente estiver em condições de fazê-lo. esticar a pele com a outra mão (longe do local onde foi feita a antissepsia). 5 6 7 Higienizar as mãos (ver item 4. 12 13 Fazer a punção numa angulação oblíqua de 30o. Garrotear o braço do paciente (ver item 4.34 - Retirar a agulha da veia do paciente. Aspirar devagar o volume necessário de acordo com a quantidade de sangue requerida na etiqueta dos tubos a serem utilizados (respeitar ao máximo a exigência da proporção sangue/aditivo).Desgarrotear o braço do paciente assim que o sangue começar a fluir dentro da seringa. Calçar as luvas (ver item 4.

PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO

18

Tenha cuidado com a agulha para evitar acidentes perfurocortantes.

19

Descartar a agulha imediatamente após sua remoção do braço do paciente, em recipiente adequado, sem a utilização das mãos (de acordo com a normatização nacional – não desconectar a agulha não reencapar). 21

20

Abrir a tampa do 1° tubo, deixar que o sangue escorra pela sua parede devagar para evitar hemólise (ver item 4.5.1).

Fechar o tubo e homogeneizar, invertendo-o suavemente de 5 a 10 vezes de acordo com o tubo utilizado.
Boas práticas - lembrete Recomenda-se que o processo de homogenização do sangue ao anticoagulante citrato ocorra num intervalo inferior a 1 minuto, após a finalização da coleta (NCCLS).

22

Abrir a tampa do 2º tubo, e assim sucessivamente até o último tubo, de acordo com o pedido médico do paciente. Não esquecer de fazer o processo tubo a tubo, para evitar a troca de tampa dos tubos (causando erro de diagnóstico).

Boas práticas - lembrete A seqüência a ser preconizada na transferência do sangue para os tubos, ao utilizar seringa e agulha, deve ser aquela recomendada pela NCCLS. Este procedimento visa prevenir riscos de contaminação das amostras.

23

Ao final, descartar a seringa em descartador apropriado para materiais contaminantes.

Fazer curativo oclusivo no local da punção. 24

25

Orientar o paciente para que não dobre o braço, não carregue peso ou bolsa a tiracolo no mesmo lado da punção por, no mínimo, 1 hora e não mantenha manga dobrada, que pode funcionar como torniquete. Verificar se há alguma pendência, dando orientações adicionais ao paciente, se for necessário. Certificar-se das condições gerais do paciente perguntando se está em condições de se locomover sozinho, entregar o comprovante para retirada do resultado, e liberá-lo. Colocar as amostras em local adequado ou encaminhá-las imediatamente para processamento em casos indicados (como materias que necessitem ser mantidos em gelo por ex.) de acordo com o procedimento do laboratório.
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26 27

28

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4.11 Cuidados para uma Punção Bem Sucedida O ideal é que o paciente seja puncionado uma única vez, proporcionando assim conforto e segurança ao paciente. Para se obter uma punção de sucesso, vários fatores devem ser observados, antes de iniciar o procedimento. Ao observar o acesso venoso do paciente, escolher materiais compatíveis, por exemplo, paciente com acesso venoso difícil, valer-se do uso de agulhas de menor calibre ou escalpes e tubos de menor volume. • Sempre puncionar a veia do paciente com o bisel voltado para cima. • Respeitar a proporção sangue/aditivo no tubo. • Introduzir a agulha mais ou menos 1 cm no braço. • Respeitar a angulação de 30o (ângulo oblíquo), em relação ao braço do paciente.

Correta angulação na coleta / 30o 24 25

Incorreta angulação na coleta

Figura A. Punção venosa adequada

O ângulo oblíquo de 30° da agulha em relação ao braço do paciente foi respeitado, agulha penetrou centralmente na veia e o bisel da agulha foi inserido voltado para cima. Deve-se tomar cuidado quando o sangue não for obtido logo na primeira punção, para evitar complicações.


Fluxo Sangüíneo A

As figuras a seguir exemplificam alguns problemas que podem ocorrer nas situações em que a punção venosa não foi feita adequadamente e como resolvê-los.

Figura B. Interrupção do fluxo sangüíneo
• •
Fluxo Sangüíneo B

O bisel está encostado na parede superior da veia. O ideal é inclinar um pouco para cima e avançar um pouco com a agulha, permitindo a passagem do fluxo sangüíneo para dentro da agulha.

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PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO

Figura C. Interrupção do fluxo sangüíneo
• •
Fluxo Sangüíneo C

Neste caso a parte posterior da agulha está encostada na parede da veia. Deve-se então retroceder um pouco com a agulha e girar sutilmente o adaptador ou seringa para permitir a retomada do fluxo sangüíneo.

Figura D. A agulha transfixou a veia
• Neste caso deve-se retroceder um pouco a agulha, observando a retomada do fluxo.

Fluxo Sangüíneo D

Figura E. O bisel da agulha penetrou parcialmente a veia do paciente.

É eminente a formação de hematoma neste caso. Vemos o extravasamento de sangue abaixo da pele. Para evitar que seja feita uma segunda punção, deve-se introduzir um pouco mais a agulha no braço do paciente, tranqüilizá-lo e, após o término da coleta, fazer compressa com gelo.


Fluxo Sangüíneo E

Figura F. Processo de estenose venosa.

• • •

Retirar ou afrouxar o torniquete para permitir o restabelecimento da circulação. Retroceder um pouco a agulha para permitir que o fluxo sangüíneo desobstrua. Utilizar a marca guia do adaptador de coleta de sangue a vácuo. Ela serve como orientação, quando no meio de uma punção sem fluxo, como demonstrado acima, e o tubo já inserido no sistema de coleta a vácuo, o flebotomista necessite desobstruir a veia colabada, retrocedendo um pouco o tubo. O tubo perderá o vácuo, caso este retrocesso seja após a marca guia.

Fluxo Sangüíneo F

• Se durante o ato da coleta, for percebido uma suspeita de colabamento da veia puncionada, recomenda-se virar lenta e cuidadosamente o adaptador de coleta de sangue a vácuo para que o bisel seja desobstruído, permitindo a recomposição da luz da veia e liberação do fluxo sangüíneo. • Caso ocorra a perda do vácuo, substituir o tubo. • Evitar movimentos de busca aleatória da veia. Este procedimento induz hemólise da amostra e resulta na formação de hematoma. Em muitos casos é aconselhável realizar nova punção em outro sítio. • Punção acidental de artéria: O fluxo arterial é muito mais rápido que o venoso. O sangue arterial tende a uma cor avermelhada, mais “viva”, devido a maior oxigenação da hemoglobina. Ao puncionar acidentalmente uma artéria, recomenda-se retirar rapidamente a agulha, seguida de compressão vigorosa no local da punção, até a parada do sangramento. O supervisor necessita ser notificado. - 37 -

Magnésio Glicose Fosfato inorgânico. podem ser obtidos resultados incorretos dos exames laboratoriais realizados. método dependente (turvação. W. coloração esverdeada) Uréia. Git Verlag.12.1 Coleta de sangue via cateter de infusão A coleta de sangue em cateteres de infusão não é recomendada. Sódio. plasma TENDÊNCIA ↓ ↓ COMENTÁRIO. S. Ilustração de coleta de sangue a vácuo em acesso de cateter 26 O quadro abaixo demonstra algumas substâncias afetadas por coletas em cateter de infusão: QUADRO 7: INFUSÕES/TRANSFUSÕES COMO FATOR DE INTERFERÊNCIA E/OU CONTAMINAÇÃO DOS EXAMES LABORATORIAIS PARA DIAGNÓSTICOS INFUSÃO/TRANSFUSÃO Dextran SUBSTÂNCIAS AFETADAS Tempo de coagulação resposta do fator von Willebrand Proteína sérica total.12 Coletas em Condições Particulares 4. Darmstadt. H. Além disto.. Na situações em que este tipo de coleta for imprescindível. há necessidade de cuidados expeciais e o procedimento deve ser realizado por profissional experiente e habilitado. . 2nd edition. 2001.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4. retardo ↑ Biureto. G. Potássio. MECANISMO 5 . especialmente em recém-nascidos Efeito metabólico Inibição Contaminação ↑ ↑ ↓ ↑↓ ↑ ↓ Guder. Bilirrubina Frutose Citrato (transfusão sangüínea) Soro fisiológico 0. a composição da amostra pode ser profundamente afetada pelos fluidos infundidos e. Narayanan. Wisser.10 seg. portanto. et al – Samples: from the patient to the laboratory.9% Ácido úrico pH do sangue teste de coagulação Íons Hemodiluição ↓ pseudoaglutinação Falso-positivo ↑ ↑ ↓ Contaminação Contaminação Insulina Acima de 15%. soro Grupo sangüineo Gamaglobulina Eletrólitos Glicose Glicose Sorologia Potássio.38 - .. pág 16. Amilase. floculação.

S. Git Verlag. O primeiro sangue coletado após este procedimento deve ser usado para pesquisa não hemostasiológica (em tubo para soro). dextran. Comunicar ao laboratório que foi feita uma coleta através de um cateter de infusão e anotar no pedido a substância que está sendo infundida (soro fisiológico. etc. antes da coleta. Caso contrário. Tempo de Tromboplastina Parcial Ativado). Darmstadt.0 mL de sangue.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Nos casos em que for imprescindível esta forma de coleta. Tudo isto porque. no resultado obtido. Para métodos heparino-dependentes. W. sempre que possível. et al – Samples: from the patient to the laboratory. sempre é bom lembrar que: • Uma possível contaminação com heparina deve ser sempre considerada nos casos de exames da coagulação. pág 17. O flebotomista deve ser minuciosamente treinado e deve respeitar rigorosamente as normas padronizadas pela instituição. 2nd edition. e o sangue subseqüente obtido (em tubo de citrato). Wisser. usado apenas para determinar substâncias insensíveis à heparina: Tempo de Protrombina. . devido à importante interferência nos resultados dos exames que este tipo de coleta pode reproduzir. H. tais como: • • • Obter o consentimento do médico assistente. pois os organismos que colonizam as paredes do cateter podem contaminar a amostra.. Planejar a hora da coleta de acordo com cada tipo de infusão conforme o quadro 8: QUADRO 8: RECOMENDAÇÕES PARA PLANEJAR AS INFUSÕES E AS AMOSTRAGENS DE SANGUE INFUSÃO INÍCIO DA COLETA DE SANGUE EM HORAS. como o tempo de trombocitoplastina parcial ativada. este tipo de coleta deve ser evitado. Emulsão de gordura Solução rica em carboidrato Aminoácidos e proteínas hidrolisadas Eletrólitos 4. conseqüentemente. DEPOIS DA SESSÃO DE INFUSÃO 8 1 1 1 Guder.39 - • . G. ou seis vezes o volume do cateter. onde um cateter preservado com heparina é utilizado. deve-se tomar alguns cuidados.2 Coleta de sangue via cateter de infusão com heparina Uma consideração importante deve ser feita quanto à coleta de sangue para testes de coagulação. deve ser colhido um segundo tubo de citrato. Anti Trombina III. é possível haver influência do local da coleta sobre a composição do plasma/soro e. que são extremamente sensíveis à sua interferência. Devido a estes problemas. monômero de fibrina.. e tempo de coagulação.). fibrinogênio segundo Clauss. As hemoculturas não devem ser colhidas via cateter. Em qualquer situação. 2001.12. (tempo de trombina. Narayanan. medicamentos. É importante rapidez na coleta do cateter para evitar coagulação. glicose. é recomendado descartar 5.

40 - . 6). Enxaguar a cânula com solução salina isotônica com volume proporcional ao tamanho do cateter (fig. e onde foi feita a coleta. de preferência. 4). podendo ser realizada em situações de difícil acesso venoso. Fazer antissepsia rigorosa (fig. Os primeiros 5. (fig. Retirar o adaptador ou a seringa (fig. 41).PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Passo a passo para coleta de sangue por cateter de infusão: Ao iniciar o procedimento de coleta de cateter com infusão intravenoso: 1 2 3 Deve-se tomar todo cuidado para assegurar que o fluxo de infusão foi completamente descontinuado. 1). 2). 5. 9).lembrete A coleta de sangue via cateter de infusão não é recomendada. 3) Este procedimento deve ser feito somente por pessoal capacitado e. Conectar o adaptador de coleta a vácuo ou a seringa ao cateter e proceder a coleta (fig. 4 5 6 7 8 9 10 Boas práticas . Deve ser documentado qual braço.0 mL de sangue devem ser descartados antes que a amostra de sangue seja coletada (ver coleta com infusão de heparina para testes de coagulação pag. PASSO A PASSO PARA COLETA DE SANGUE POR CATETER DE INFUSÃO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 . em ambiente hospitalar com prévio consentimento do médico assistente. proximal ou distal do local de infusão. Fazer a antissepsia rigorosa do cateter onde foi conectado o adaptador ou seringa (fig. Coletar o sangue (fig. 7). 8). Procedimentos para reinício de infusão no paciente devem ser realizados por profissional habilitado (fig.

não se recomenda colher sangue desta veia. 2 ou 3 amostras de hemocultura. amostras devem ser coletadas do braço oposto. Deve ser tomado todo cuidado ao manipular uma fístula.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Coleta de Sangue em Outros Tipos de Acessos: 4. de acordo com recomendações dos fabricantes. Em recém-nascidos recomenda-se coletar 0. pois se aquele acesso estiver contaminado a probabilidade do médico tratar indevidamente o paciente aumenta muito. salvo casos específicos. tanto para a positividade dos frascos. sendo a partir de punções de locais diferentes. quanto para a agilidade dos resultados.5 a 1 mL de sangue por punção venosa e inocular em frasco pediátrico. 4.41 - .12. contendo meios de cultura próprios para o crescimento de microrganismos aeróbios e/ou anaeróbios. uma hemocultura de adulto requer 8 a 10 mL/frasco aeróbio e 8 a 10 mL/frasco anaeróbio e. Portanto.0 mL de sangue por hemocultura. O volume coletado é diretamente proporcional à probabilidade de o laboratório isolar a bactéria ou o fungo. do que no pico febril. hemocultura de criança (1 até 6 anos) requer 1 a 3 mL/frasco. pois os resultados dos testes laboratoriais poderão ser errôneos. De uma maneira geral deve-se colher 20. volume de sangue e intervalo entre as coletas: O número de frascos e o intervalo entre as coletas são fundamentalmente determinados pela clínica do paciente e não pelo laboratório (Consenso Brasileiro de Sepse). É usada para hemodiálise de pacientes com insuficiência renal. O hospital deve estabelecer uma política institucional para estes tipos de coleta. A coleta não deve ser realizada no descendente da curva térmica. pois o volume de sangue requerido pode variar consideravelmente.12. Cada mililitro de sangue a mais coletado aumenta a positividade em média 3%. e em crianças. Quantidade de frascos. há chance de se obter maior número de bactérias ou fungos. pois é um acesso permanente. 2 amostras de hemocultura. Não respeitar esta recomendação pode comprometer seriamente a especificidade do exame. seria o número ideal. Quando possível. é importante que se colha o maior volume permitido pelo frasco. Ao se coletar na ascensão da temperatura. Quando um fluido intravenoso (incluindo transfusão de sangue) é administrado ao paciente. ou seja. que tem indicações restritas). A qualidade da coleta de sangue é fator limitante. 4. .3 Fístula artério-venosa Fístula é uma conexão de desvio artificial feita por um procedimento cirúrgico para comunicar uma veia com uma artéria. Nota: Quando forem solicitadas pelo médico mais de uma amostra de hemocultura (ex: hemocultura 3 amostras) estas não devem ser colhidas simultaneamente da mesma punção (a não ser que se trate de um frasco aeróbico e outro anaeróbico. Importante: Não utilize o mesmo acesso venoso para mais de um frasco (a não ser que se colha 1 frasco anaeróbio e outro aeróbio).13 Hemocultura Para a realização de hemocultura faz-se a coleta e a transferência de sangue para frascos específicos. Em pacientes adultos.4 Fluidos intravenosos Uma coleta capilar é recomendada quando o acesso venoso não está prontamente disponível. Não se recomenda coletar sangue de um braço com fístula.

também usar PVPi (Solução Tópica de Iodopovidona a 10 %) como antisséptico. torna este procedimento seguro e contribui para a redução da contaminação da amostra. Permitir a secagem da área. Depois de limpar.5%). não há aumento da contaminação dos frascos. A mesma rotina deve ser realizada na tampa do frasco contendo meio de cultura.42 - 5 6 7 8 9 10 . Remover o iodo ou clorexidina da pele com gaze ou algodão (estéreis) com álcool 70%. Colocar o torniquete e selecionar o local da punção. para que o antisséptico tenha efeito local. Esperar o local secar. Remover os selos da tampa dos frascos de hemocultura já identificados com nome do paciente. (0. não mais tocar o local. A necessidade de esperar secar o local da punção baseia-se no fato de que as bactérias são mortas por desidratação. . Fazer uma antissepsia prévia nas tampas. com gaze ou algodão (estéreis) em movimento circular. data e hora da coleta e número da amostra. Nunca assoprar ou abanar o local da punção para agilizar o processo. em substituição ao álcool iodado. Atualmente. Limpar centralmente o local de punção com gaze ou algodão e álcool 70% (etílico ou isopropílico). Não assoprar. Pode-se. do centro para a periferia. está contra-indicada a troca de agulha após a punção do paciente. com álcool 70%.1 a 1% de iodo) ou clorexidina alcoólica (0. Depois limpar. Pode-se trabalhar com a seguinte metodologia: • iniciar com álcool iodado 1% • deixar secar • retirar o excesso de iodo com álcool 70% • deixar secar • executar a punção como veremos a seguir. A coleta deve também ser realizada em ambiente fechado. portanto devemos cumprir alguns passos para obter a amostra de sangue sem contaminar a amostra.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Antissepsia: Não existe antisséptico instantâneo. usando escalpe e adaptador para coleta de sangue a vácuo. Em pacientes alérgicos ao iodo. Retirar o torniquete. pode ser utilizado somente o álcool 70% ou clorexidina. não abanar e não colocar nada no local. sem corrente de ar. Aguardar de 30 segundos a 2 minutos. Ilustração de coleta de hemocultura com escalpe para coleta de sangue a vácuo 27 Passo a passo para a coleta de hemocultura: 1 2 3 4 Lavar e secar as mãos cuidadosamente. A coleta de hemocultura. com uma solução 1 a 10% de iodo-povidine. pois se a antissepsia for correta.

Após a coleta. Tubos específicos para as provas a serem testadas. 14 15 16 Em caso de punção difícil. o frasco deve ser encaminhado imediatamente para o laboratório. Isto pode ser feito por meio da injeção de uma solução de heparina ou salina no escalpe. antes da coleta do exame. de alguma forma. permitindo assim uma coleta fechada.0 mL. Puncionar a veia do braço do paciente. Em caso de coleta com seringa e agulha.1). na maioria das vezes. Exercer pressão no local até cessar o sangramento.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 11 12 13 Calçar luvas estéreis. siliconizado de 10. ou cateter.43 - .14 Coleta de Sangue para Provas Funcionais Provas funcionais são aquelas em que o organismo do paciente é estimulado ou suprimido. . permanecendo por um período em repouso. 29 Escalpe para coleta de sangue a vácuo com tubo gel separador – sistema para coleta múltipla de provas funcionais. Materiais Utilizados: • • • • • • • Seringa descartável de 10. Técnica de utilização do escalpe para provas funcionais: 28 Escalpe para coleta de sangue a vácuo com tubo fluoreto – sistema para coleta múltipla de glicose. é necessário manter o acesso venoso do paciente viável para as coletas seriadas. recomenda-se que todo o procedimento de antissepsia seja refeito. transferir o sangue imediatamente para o frasco de hemocultura. Bandagem oclusiva.0 mL). sem necessidade de manuseio e minimizando os riscos de contaminação da amostra (ver item 4. Em coletas de provas funcionais. 4.4. e tenha que fazer nova punção.8). deixando sempre o frasco na posição vertical e abaixo do local da punção. o ideal é puncionar uma só vez este paciente. observar a quantidade de sangue que está fluindo para dentro do frasco de hemocultura. por meio de exercícios ou. tampa vermelha. o uso de escalpe é o mais indicado e. em geral. conforme protocolo do hospital ou laboratório. ou mantido a 37°C. em que o flebotomista perca a veia. Em caso de coleta com escalpe para coleta de sangue a vácuo. por administração endovenosa ou ingestão de medicamento ou substância. para evitar a formação de coágulos no tubo vinílico do escalpe. Recomenda-se que estes testes tenham acompanhamento médico e que o laboratório disponha de um local separado para sua realização.0 mL. Solução Fisiológica (ampola de 10. Devido à particularidade de se fazer coleta seriada de sangue para as provas funcionais. Escalpe para coleta múltipla de sangue a vácuo. até mesmo. ou um tubo de descarte (ver item 4. Heparina (conforme protocolo do laboratório ou hospital). Tubo para coleta de sangue a vácuo.

pois os mesmos possuem veias menos calibrosas. Garrotear o braço do paciente (ver item 4. repouso de 30 minutos antes da coleta basal e da administração de medicamento de esímulo ou supressão (início do teste funcional).PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Passo a passo da coleta : 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Conferir o material a ser usado no paciente. Desgarrotear o braço do paciente.44 - .0 mL). introduzir o tubo siliconizado (ou tubo de descarte. Administrar a medicação ou substância específica à prova do paciente e marcar o tempo. proceder assim até o final da prova. 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 4. Conectar a seringa de 10. Fazer a antissepsia (ver item 4.3). injetar cuidadosamente a solução preparada para manutenção da veia (quando for o caso) até que a extensão do escalpe se apresente limpa (1 a 2.0 mL a 2. Estes materiais serão descartados ao final da prova.8) e aspirar de 1.1). Inserir o tubo para a 2ª amostra da prova. Informá-lo sobre o procedimento. de forma que o bico da seringa empurre a borracha da agulha. escalpes e tubos de menor volume. inclinado-o para baixo. Retirar o escalpe para coleta múltipla de sangue a vácuo da embalagem e rosqueá-lo no adaptador. afrouxá-lo e esperar 2 minutos para usá-lo novamente. Fazer a punção com o bisel da agulha voltado para cima. Posicionar o braço do paciente. Em geral. Desconectar e reservar a seringa. esticar a pele com a outra mão (longe do local onde foi feita a antissepsia). tomar cuidado para não injetar a solução na veia do paciente. ver item 4. injetar cuidadosamente a solução preparada até que a extensão do escalpe se apresente limpa (1 a 2. na altura do ombro. Inserir o tubo para a 1ª amostra da prova e colher os exames basais.3). Higienizar as mãos (ver item 4. Calçar as luvas (ver item 4. Tanto a seringa quanto o tubo siliconizado (ou de descarte). para melhor visualizar a veia. o êxito de uma coleta nestes pacientes requer agulhas de menor calibre. se necessário. com a finalidade de limpar a extensão do escalpe.0 mL de sangue. Na próxima coleta. tomar cuidado para não injetar a solução na veia do paciente. Escalpe para coleta de sangue a vácuo com dispositivo de segurança 30 . Novamente. Se o torniquete for usado para seleção preliminar da veia.0 mL). Colocar um esparadrapo ou similar para prender o “butterfly” no braço do paciente.15 Coleta de Sangue em Pediatria e Geriatria Como o acesso venoso em pacientes pediátricos e geriátricos pode ser difícil. devem ser identificados e colocados numa cuba ou similar. pedir para que o paciente abra e feche a mão.0 mL no adaptador.3).

pode-se optar pelas artérias do couro cabeludo ou as artérias umbilicais durante as primeiras 24 a 48 horas de vida.45 - . idealmente não excedendo o prazo de 15 minutos. Os locais usuais para a realização da punção arterial são as artérias radial. tem por finalidade minimizar os efeitos da queda deste íon na amostra. rolando-a entre as mãos. bem como obstruir os equipamentos analisadores de gases sangüíneos. e homogeneiza-se suavemente. fato que inviabilizaria sua análise. utilizando heparina de sódio líquida também é aceitável. Coleta de gasometria: A análise dos gases no sangue arterial é fundamental no tratamento de pacientes críticos. O uso de seringa. Esta coleta também requer agulhas de menor calibre. de preparação “caseira”. na conservação da amostra e transporte imediato ao laboratório. em excesso. nas seringas destinadas especificamente para coleta de gasometria e eletrólitos. com “balanceamento” de cálcio. asseguram a proporção exata entre volume de sangue e anticoagulante. recomenda-se procurar uma veia cujo acesso esteja íntegro e facilitado. pois existe a possibilidade da heparina ligar-se quimicamente ao cálcio. A heparina líquida. porém não assegura uma inibição completa. isolando-a com papel. porém aumenta a possibilidade de interferência na dosagem de cálcio iônico. pode ainda causar diluição da amostra. compressa ou similar. veda-se a ponta da seringa com o dispositivo oclusor. A melhor opção está na utilização de seringa previamente preparada com heparina de lítio jateada na parede. sendo em geral necessária quando a amostra venosa não permite a medição adequada dos parâmetros desejados pelo médico. A introdução do cálcio em concentração “balanceada”.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4. No caso de coleta de sangue. resultando em valores falsamente mais baixos do que o real. como por exemplo nos recém-natos. pode-se colher sangue por punção capilar. Em situações especiais. com lancetas e microtubos. Deve-se evitar o contato direto da seringa com o gelo. As seringas específicas para a análise de gases sangüíneos.17 Gasometria A coleta de sangue arterial ou venoso para análise dos gases sangüíneos requer cuidados na escolha do material adequado a ser utilizado na coleta. evitando assim a formação de micro-coágulos que podem produzir resultados errôneos. Seringa de gasometria vedada e pronta para ser enviada ao laboratório 31 . braquial ou femural. O resfriamento do material em gelo auxilia sobremaneira na diminuição da atividade metabólica dos leucócitos. Após a obtenção da amostra arterial ou venosa despreza-se a agulha. deve-se manter uma via de acesso preservada para infusão. esgota-se o ar residual. O material necessita ser encaminhado de imediato ao laboratório. Em alguns casos. além de eliminarem o risco de diluição da amostra. Este tipo de material é facilmente obtido no mercado e apresenta uma relação custo/eficiência satisfatória.16 Coleta de Sangue em Queimados Dependendo das condições do paciente queimado. resultando valores incompatíveis com a situação clínica do paciente. visando prevenir o congelamento da amostra. escalpes e tubos de menor volume. 4.

Isso pode ser feito mediante uma combinação de estratégias. principalmente os recipientes.2 Especificação dos Materiais para Coleta de Sangue a Vácuo Agulhas de coleta múltipla de sangue a vácuo As agulhas para coleta de sangue a vácuo têm duas pontas: uma maior (proximal) que será inserida no braço do paciente e outra menor (distal). comprovando a funcionalidade de seus produtos) e fornecedores. verde: Usualmente indicada para pacientes com bom acesso venoso. é a agulha de coleta múltipla de sangue a vácuo mais utilizada. em geral. com a qual se obtêm amostras de qualidade. em geral. 5. . tais como: testagem direta. que permitem uma coleta segura ao flebotomista. Ao laboratório recomenda-se avaliar criticamente. qualifique os fornecedores de material em função dos produtos especificados e de outras características importantes para a organização. 5. o preenchimento excessivo ou insuficiente de tubos de coleta a vácuo pode levar a erros. 5. uma vez que materiais usados na sua fabricação podem levar a resultados errôneos. As diversas variáveis pré-analíticas devem ser controladas de forma a preservar a representatividade e a integridade das amostras.46 - . Igualmente. de forma a padronizar o uso de materiais que não venham a contribuir com interferentes para as análises a serem realizadas.2. monitore continuamente a qualidade dos insumos e materiais e dos respectivos fornecedores. de uma flebotomia adequada. os materiais de coleta. onde será rosqueado o adaptador para coleta de sangue a vácuo. recoberta por um manguito de borracha. Garantia da Qualidade Laudos de testes laboratoriais acurados (exatos e precisos) dependem. contudo é bom que se saiba que não há como garantir que os recipientes de coleta e de transferência dos mais variados fabricantes se comportarão de forma absolutamente inerte. • 25 x 8 mm (21 G1). revisão da literatura e avaliação das informações obtidas dos fabricantes (trabalhos científicos desenvolvidos pelo fabricante em instituições médicas de referência nacional e mundial. No meio da agulha há uma parte plástica com rosca.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 5. de preferência antes da sua aquisição. pediátricos e com acesso venoso difícil.1 Agulhas para coleta múltipla • 25 x 7 mm (22 G1). Algumas agulhas são siliconizadas e têm o bisel em corte trifacetado a laser com o intuito de facilitar e tornar menos dolorosa a punção. Não há necessidade de testes locais exaustivos. que perfura o tubo a vácuo no momento da coleta. em função de suas características de impacto sobre a qualidade pretendida. preta: Usualmente indicada para pacientes geriátricos. Estas recomendações para garantia da qualidade na fase pré-analítica fundamentam-se nos programas de acreditação de laboratórios clínicos da SBPC/ML (Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial) e CAP (Colégio Americano de Patologistas). em grande parte. Algumas também possuem dispositivos de segurança.1 Qualificação dos Fornecedores e Materiais Uma das características básicas de todos os sistemas de gestão da qualidade é a recomendação de que a organização: 1 2 3 especifique para aquisição os insumos e materiais. inclusive com conseqüências médicas.

em geral pacientes com acesso venoso difícil. uma vez rosqueada à agulha de coleta múltipla de sangue a vácuo. ao término da punção.2. verde: Usualmente utilizado para pacientes com bom acesso venoso. em geral.47 - . agulhas com dispositivo de segurança 5. porção final do tubo vinílico. azul claro: Usualmente é o mais utilizado em pacientes geriátricos. isto é. com uma agulha recoberta por uma manga de borracha.2. para obter as facilidades do sistema a vácuo e evitar perda de materiais por incompatibilidade entre eles. Alguns escalpes possuem dispositivos de segurança que. preta – 22 G1 e. em geral. Cabe ao laboratório especificar em sua compra o adaptador compatível com os tubos a vácuo e agulhas para coleta múltipla que utiliza. onde o adaptador é rosqueado. 25G (calibre 5).3 Escalpes para coleta múltipla de sangue a vácuo Escalpe para coleta de sangue a vácuo 34 Os escalpes para coleta de sangue a vácuo são similares aos escalpes de infusão.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 32 Figura ilustrando os diversos tipos de agulhas de coleta múltipla de sangue a vácuo: verde – 21 G1. existe uma peça acoplada. a diferença é que no luer. . azul escuro: Usualmente utilizado para o mesmo perfil de pacientes acima descritos. tubo a vácuo). recobrem a agulha protegendo o flebotomista de uma contaminação por acidente com perfurocortante. porém com acessos venosos ainda mais difíceis. 23G (calibre 6). • O flebotomisma deve escolher o produto que melhor se adeqüe ao acesso venoso de seu paciente. 5.2 Adaptadores para coleta de sangue a vácuo Adaptadores para coleta de sangue a vácuo 33 O adaptador é uma peça plástica que. na parte inferior. em geral. Escalpes para coleta de sangue a vácuo. com os seguintes calibres: • • 21G (calibre 8). possibilita ao flebotomista uma melhor empunhadura e segurança na hora da coleta venosa. Cada fabricante produz o adaptador adequado ao seu sistema de coleta de sangue a vácuo (adaptador. amarela – 20 G1 ½. neonatos e pacientes em tratamentos com quimioterápicos. agulha. pediátricos.

a vácuo e não-vácuo. portanto o fabricante deve assegurar que o interior de seus tubos seja estéril. Recomenda também que a superfície interna dos tubos de vidro para testes de coagulação evite a ativação do coágulo. durante a coleta de sangue. o nível máximo de contaminação interior deste tubo com esta substância.Ácido Cítrico. A Norma ISO 6710.48 - .2. Temos no mercado tubos de diversos volumes de aspiração e características físicas. devem estar contidos na literatura que o acompanha. Tubos que contenham anticoagulantes. existir a possibilidade do contato direto entre o interior do tubo e o fluxo sangüíneo do paciente. citrato e ACD . requisitos para agulhas e adaptadores para coleta de sangue.2 . A esterilidade é obrigatória também quando. É importante atentar ao fato de que.3 Comentários sobre a ISO 6710. A norma especifica que o tubo deve ser fabricado com um material que permita uma clara visão do conteúdo quando submetido a uma inspeção visual. CE (Comunidade Européia). recomendando-se consultas ao fabricante a respeito de potenciais interferentes.2 é uma padronização internacional que especifica requisitos e metodologias para testes de tubos de uso único para coleta de sangue. Se o tubo for recomendado para análises específicas de certas substâncias. os limites de interferência usualmente testados podem não estar adequados. para uso principalmente pelos fabricantes.4 Tubos para coleta de sangue a vácuo Tubos para coleta de sangue a vácuo 35 Os tubos para coleta de sangue a vácuo são de uso único e devem ter seu interior estéril. contudo. O que deve ser verificado é se o produto está devidamente registrado na ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e é fabricado de acordo com as Boas Práticas de Fabricação estabelecidas pela ANVISA e ou por outros padrões internacionais ISO 6710. FDA (Food and Drug Administration). Os tubos também devem ser projetados para que apresentem apenas uma variação de aspiração do volume nominal de ± 10%. NCCLS. Ela não especifica. 5. que sabidamente podem atuar como potenciais meios de cultura (ex. A norma especifica também os aspectos relativos à capacidade dos tubos e os testes previstos para a avaliação da variação de capacidade permitida. para determinações de alta sensibilidade analítica (ex: fluorimetria). Citrato e Dextrose).2.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 5. é importante solicitar estas informações ao fabricante. devem ser estéreis. e seu método analítico aplicado. Quando da mudança de fornecedor. . a formulação do material da rolha deve ser tal que não interfira nos resultados destas análises. Os fabricantes devem basear-se nestas especificações para a fabricação de seus tubos para coleta de sangue a vácuo e não-vácuo.Single-use Containers for Human Venous Blood Specimen Collection (ISO – Internacional Organization for Standardization. na sua etiqueta ou embalagem. Outro ponto relevante é a compatibilidade destes tubos com os equipamentos usados no laboratório. Para tubos com aditivos. possuem vácuo calibrado e volume/quantidade de anticoagulante proporcional ao volume de sangue a ser aspirado especificado em sua estiqueta. Para determinações de metais e outras substâncias específicas. preferencialmente através de documentação científica. há especificação de espaço suficiente para que possa ser efetivada uma homogeneização mecânica ou manual. Importante também é verificar se o fabricante comprova a funcionalidade dos tubos.

gasometria (somente em seringa préheparinizada) Exames bioquímicos em geral Preservação de células Exames sorológicos e bioquímicos em geral Exames sorológicos.49 - . a norma especifica a tampa do tubo. bioquímicos em geral. . 3 É recomendado que tubos que não contenham ativador de coágulo sejam codificados com a letra Z e tenham a cor vermelha. devem ser projetados e validados pelo fabricante .000 g num eixo longitudinal. 1 EDTA é a abreviação para ácido etilenodiaminotetracético 2 Demonstra o raio entre o volume de sangue pretendido e o volume de anticoagulante (ex. e que evite contaminação do usuário pela amostra (protegendo-o do efeito aerosol). havendo um teste de vazamento recomendado para garantir a vedação. de forma que não seja desprendida durante a homogeneização.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Além disso. assim como a descrição do reagente. Citrato Trissódico 9:12 Citrato Trissódico 4:12 Fluoreto/Oxalato Fluoreto/ EDTA Fluoreto/Heparina Heparina de Lítio 9NC 4NC FX FE FH LH Heparina de Sódio Citrato Fosfato Dextrose Adenina Siliconizado3 Ativador de coágulo e gel separador NH CPDA Z Ativador de coágulo Verde Amarela Vermelha Amarela * Quadro adaptado relacionando as áreas onde serão utilizados os tubos. que deve resistir a uma aceleração de 3. QUADRO 9: CÓDIGOS ALFA E CÓDIGOS DE CORES RECOMENDADOS PARA IDENTIFICAÇÃO DOS ADITIVOS * ADITIVOS CÓDIGO ALFA CÓDIGO DE CORES EXAMES MAIS COMUNS EDTA 1 sal dipotássico sal tripotássico sal dissódico EDTA sal dipotássico com gel separador K2 E K3 E N2 E K2 E Lilás Lilás Lilás Branca translúcida Azul claro Preta Cinza Cinza Verde Verde Hemograma Plaquetas Biologia molecular Testes de Coagulação Velocidade de Hemossedimentação Glicose Glicose Glicose Exames bioquímicos em geral. como citrato e ACD. drogas terapêuticas e hormônios. 9 partes de sangue para 1 parte de anticoagulante citrato de sódio). Boas práticas . de forma a assegurar um interior estéril.lembrete Tubos que contenham anticoagulantes considerados potenciais meios de cultura. A tampa do tubo também deve possuir um desenho que permita sua remoção manual ou por métodos mecânicos. Há métodos especificados para testar a resistência do tubo que contém amostra.

isto deve estar descrito no rótulo e na embalagem.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO As normas NCCLS recomendam o uso de alguns tipos anticoagulantes que preservam melhor a qualidade das amostras.2 especifica as concentrações dos anticoagulantes. O tubo para VHS (Velocidade de Hemossedimentação). Este anticoagulante também é recomendado pelo ICSH . Até o presente momento não existe um acordo internacional de codificação por cores. deve aspirar 4 partes de sangue adicionadas a 1 parte de citrato trissódico.1 Informações que o tubo a vácuo deve conter descritas no rótulo ou mesmo no tubo: • marca do fabricante ou fornecedor ou marca registrada. por exemplo: • EDTA K2 é o anticoagulante recomendado para hematologia por preservar melhor a integridade das células sangüíneas.2 Concentração e volume dos anticoagulantes A norma ISO 6710. é estéril. • As palavras “produto de uso-único” ou um símbolo gráfico de acordo com a ISO 7000-1051.2%) numa proporção de 9:1.1 mol/L a 0.3.3. • Sais ácidos etilenodiaminotetracéticos (EDTA) [CH2N(CH2COOH2)]2 As concentrações dos sais dipotássico.0 mL de sangue.109 mol/ L (3.136 mol/L. O tubo de citrato deve ser produzido para que aspire uma solução de 9:1. quando necessário (para tubos sem vácuo). é o anticoagulante recomendado para os testes de coagulação. Alguns estudos revelam que o tubo de citrato não deve ter volume de aspiração parcial. • data de validade. mas a maioria dos fabricantes segue uma padronização de cores de tampas. • A norma ISO 6710. ou seja.50 - . antes de ser aberto.2 recomenda que as etiquetas não devem circundar completamente os tubos e a cola usada deve fornecer uma aderência adequada às condições de temperatura e umidade de uso do tubo.International Council for Standardization in Haematology. 5.2H2O) As concentrações de solução de citrato trissódico devem estar dentro do intervalo de 0. com uma tolerância permitida de ± 10%.2 mg a 2. molaridade e proporção em relação à quantidade de sangue aspirada pelos tubos. • Se for usado glicerol na fabricação do produto. • Citrato trissódico (Na3C6H5 O 7. para evitar a agregação plaquetária ativada pelo espaço livre no tubo. • volume nominal. 5. • número do lote. 9 partes de sangue adicionadas a 1 parte de solução de citrato. . 9 partes de sangue para 1 parte de citrato. Citrato de Sódio tamponado a 0. durante um tempo adequado. ou seja. pelo método Westergreen. • código do aditivo ou descrição do conteúdo. • linha de preenchimento. tripotássico e dissódico devem estar dentro do intervalo de 1. O fabricante é responsável por informar as condições de resistência da etiqueta. • a palavra “estéril” se o fabricante garantir que o interior do tubo. ajudando a evitar a possibilidade de erros pré-analíticos na coleta laboratorial.0 mg de EDTA anidro por 1.

..9 g Adenina [C5H5N5] ......... • Fluoreto/EDTA As concentrações de EDTA devem estar dentro do intervalo de 1.. 5.0 mg de EDTA.. liofilizado ou pó.5 Identificação e Rastreabilidade A identificação da amostra começa na identificação do paciente hospitalar ou ambulatorial...................99 g Citrato trissódico (dehidratado) .............2 a 2........... solução de spray seco.0 mg de fluoreto de sódio por mL de sangue............ A partir deste momento..... 31....0 mg a 3..... durante a coleta de sangue.....0 mg de fluoreto de sódio por mL de sangue.0 mg.... Cada laboratório tem autonomia para estabelecer sua própria sistemática.......... .. flebotomista e materiais para que........ existir a possibilidade do contato direto entre o interior do tubo e o fluxo sangüíneo do paciente....... portanto o fabricante deve garantir que o interior de seus tubos é estéril.........000 mL Devem ser adicionadas 6 partes de sangue para 1 parte de CPDA.....(CPDA) A formulação deste aditivo deve ser: Ácido cítrico anidro ............ Nota: Os aditivos podem apresentar-se fisicamente em várias formas como: solução...... deve-se buscar uma forma de estabelecer um vínculo seguro e indissociável entre o paciente.... • Heparina de Sódio e Heparina de Lítio As concentrações dos anticoagulantes acima devem estar dentro de um intervalo de 12 a 30 UI (Unidade Internacional) por mL de sangue.3 g Fosfato de sódio monobásico (mono-hidratado) [NaH2PO4H2O] ........ 1.............. seja garantida a rastreabilidade.............. Boas práticas ..................... com uma tolerância de ± 10%.............22 g Dextrose (mono-hidratada) ... no final do processo. 0.. • Fluoreto/Heparina As concentrações de heparina devem estar dentro do intervalo de 12 a 30 UI (Unidade Internacional) de heparina............... Cada paciente deve ser cadastrado de forma a ser identificado de maneira única................0 mg de fluoreto de sódio por mL de sangue.. 2...........0 a 4....275 g Água em quantidade suficiente para formar ..... Esta etapa é.............. passando por todas as fases e etapas dos processos analíticos...............PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO • Fluoreto/Oxalato As concentrações de oxalato de potássio mono-hidratado devem estar dentro do intervalo de 1........ e de 2..........lembrete A esterilidade é obrigatória quando............. e de 2...................0 a 4......0 mg a 4.. em consonância com uma política de identificação e registro consistentemente aplicável..... 5.......... amostra colhida.4 Requisição de Exames Todas as amostras devem ser acompanhadas de requisição formal adequada.......... Os intervalos de concentração permitem diferentes raios de solubilidade e difusão destas várias formas....... desde o local de coleta até o seu descarte.........51 - ..................... especificamente para o EDTA. 2... • Citrato (C)/ Fosfatase (P)/Dextrose (D) /Adenosina (A) ....... crucial... 26.... consistente para a correta identificação das amostras dos pacientes.... e de 2...... portanto.

). Boas práticas . Para amostras que serão enviadas para laboratórios de apoio ou de referência. permanentemente. de forma a garantir que o conteúdo corresponda às práticas reais e atuais. 5.lembrete O manual de coleta/processamento de amostras precisa ser revisto quando necessário ou periodicamente. etc. entrega imediata. Todas as alterações devem ser analisadas criticamente antes de sua implementação. O responsável técnico pelo laboratório é quem responde pela documentação e por sua revisão. desde a coleta até o seu recebimento na área técnica respectiva (ex: refrigeração. antes da sua efetiva implantação. tipos e quantidades de anticoagulantes e/ou conservantes.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 5. atualizadas e fiéis. identificação e rotulagem adequadas da amostra. O manual de coleta/processamento de amostras precisa ser revisto quando necessário ou periodicamente. Todas as emissões. mas essas funções podem ser formalmente delegadas a uma pessoa habilitada. e é preciso haver registros correspondentes a essas atividades. condições especiais para o manuseio da amostra. de forma a garantir a atualidade do seu conteúdo. Boas práticas . de forma a garantir a atualidade de seu conteúdo. tipo de recipiente de coleta e quantidade de amostra a ser coletada (mínima e ideal). instruções para o preparo do paciente. devem estar disponíveis as instruções pré-analíticas provenientes dos respectivos laboratórios. registrando-se essa atividade.52 - . deve ser treinado nas técnicas de coleta e na seleção e uso dos equipamentos e materiais adequados.6 Documentação Recomendam-se a disponibilização de instruções escritas para coleta de sangue venoso e que as mesmas estejam disponíveis para os flebotomistas em todos os locais necessários. 7 Capacitação e Treinamento do Pessoal Todo o pessoal que realiza coleta de sangue.lembrete Os procedimentos de coleta necessitam de revisão periódica para garantir a atualização do seu conteúdo. . Recomenda-se uma sistemática que permita que os coletadores recebam informações sobre a qualidade das amostras coletadas por eles. os seguintes ítens: • • • • • • • informações clínicas. como conteúdo mínimo do manual de coleta. inclusive aquele que atua à distância do laboratório central. Os novos conhecimentos devem ser informados aos colaboradores e praticados durante os programas de treinamentos. Recomenda-se. quando necessárias (ex: triagem materno-fetal de defeito de tubo neural. monitorização de drogas terapêuticas). necessidade de cronometragem especial para a coleta (ex: clearance de creatinina). alterações e revisões do manual de coleta/processamento das amostras devem ser aprovadas.

A escolha adequada do local da punção é primordial para evitar este tipo de acidente. Recomenda-se que a coleta seja realizada com o paciente acomodado confortavelmente. contribuem sobremaneira para a formação do hematoma.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 6. Aspectos de Segurança na Fase de Coleta 6. e eventualmente. segurando o algodão. O uso de compressas frias pode auxiliar na atenuação da dor local. Não existe um procedimento eficiente que facilite uma coleta infantil. orientando-se o paciente sobre a importância da manutenção do membro superior imóvel durante todo o ato da coleta. 6. A agulha perfura parcialmente a veia. Ao lidar com crianças pode-se solicitar sua colaboração. convidando-as a participar ativamente do processo da coleta. Se o paciente estiver preocupado com a intensidade da dor decorrente do procedimento.1 Segurança do Paciente Cabe ao funcionário tranqüilizar o paciente antes da coleta. sobremaneira. deste modo. durante ou após a punção. por exemplo. o serviço seja reconhecido como seguro e confiável. pode ocorrer a compressão de algum ramo nervoso. deve-se agir com honestidade. Qual o fator que precipita a formação de hematoma mesmo após uma coleta de sangue bem sucedida? O procedimento de dobrar o braço após a retirada da agulha e/ou carregar objetos relativamente pesados logo após a coleta. a padronização de condutas e os treinamentos freqüentes dos funcionários envolvidos contribuem para que a meta de redução de riscos e complicações seja alcançada e. recomenda-se que esta orientação seja ministrada também para os acompanhantes. As situações que podem precipitar a formação de um hematoma são: • • • • • • Veia frágil ou muito pequena. É necessária uma compressão local durante pelo menos dois minutos. Pressão inadequada aplicada no local da punção. O hematoma origina-se do extravasamento do sangue para o tecido. porém de curta duração. para que esta seja realizada com sucesso. Este tipo de ocorrência está associado à tentativa de uma punção venosa profunda e mais freqüentemente quando .53 - . 6. sentado ou deitado. A agulha é removida sem antes remover o torniquete. sendo visualizado na forma de uma protuberância. O uso de curativos estampados com figuras e temas infantis auxilia a fixar uma impressão positiva da coleta de sangue. Certamente. neste tipo de coleta. artifícios relativamente simples podem auxiliar. em relação ao calibre da agulha. Porém. deve-se retirar imediatamente o torniquete e a agulha. Caso a formação do hematoma seja identificada durante a punção. Diversas tentativas de punção sem sucesso.2 Riscos e Complicações da Coleta Recomenda-se que a equipe de coleta do laboratório institua medidas de segurança para que os riscos e as complicações decorrentes desta atividade sejam mínimos para os pacientes. A dor é o sintoma de maior desconforto ao paciente. A agulha ultrapassa a parede posterior da veia puncionada. não penetrando por completo. Nas coletas infantis e em casos de portadores de condições especiais.3 Formação de Hematoma A formação de hematoma é a complicação mais comum da venopunção. explicando-se que a sensação dolorosa produzirá um leve desconforto. 6. gaze ou o curativo adesivo.4 Punção Acidental de uma Artéria A probabilidade de puncionar acidentalmente uma artéria é um fato relativamente raro.

caso tenha sido utilizado o álcool na antissepsia. disponíveis comercialmente. 6.) ou indireto (contato da pele com superfícies contaminadas.8 Dor A dor no ato e após a punção é de baixa intensidade e suportável.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO se tenta puncionar a veia basílica.9 Segurança do Flebotomista A principal forma de transmissão de agentes infecciosos na coleta se dá por contato. tornando o ato da punção menos doloroso. 6. O contato pode ser direto (respingos de materiais biológicos que atingem pele e mucosa. pelo menos. álcool iodado ou antissépticos à base de iodo. fato que diminui a sensação dolorosa. 6. não deve ser desprezada. acidentes perfurocortantes. 5 minutos. que se localiza muito próxima à artéria braquial. recomenda-se evitar a inserção muito rápida ou profunda da agulha. a agulha deve ser retirada e uma segunda punção deve ser realizada. etc. padronização e otimização nas atividades de boas práticas. Uma boa prática no laboratório clínico é o estabelecimento do volume mínimo necessário para a realização dos parâmetros laboratoriais. contato da mão contaminada com mucosas ou pele que não esteja intacta). é importante realizar uma pressão local por. A outra forma de transmissão possível é a inalação de aerossóis. O local da punção deve estar seco. já inserida. O paciente deve ser orientado a não realizar movimentos bruscos durante o ato da coleta. Tranqüilizar o paciente antes da coleta auxilia sobremaneira no seu relaxamento.54 - . recomendando-se a utilização de dispositivos específicos para coletas infantis disponíveis no mercado. 6. A integração entre corpo clínico (médicos e a equipe de enfermagem) com o laboratório é fundamental para que haja a prevenção da perda de sangue iatrogênica. O intervalo entre a remoção do protetor da agulha e o ato da venopunção deve ser o mínimo possível. evitando-se redundâncias de exames e recoletas indevidas. Nos laboratórios hospitalares há necessidade de adequar-se o volume de sangue. indicam comprometimento nervoso e requerem medidas específicas já citadas. principalmente nos pacientes com algum grau de anemia. além de uma oclusão mais eficiente do local da punção. A antissepsia do ponto de punção deve ser bem executada e a área preparada para a punção não deve ser tocada após este processo. A dor intensa.7 Lesão Nervosa Para evitar eventual risco de lesão de algum ramo nervoso. O curativo adesivo deve ser aberto somente no momento da aplicação na pele do paciente e mantido por pelo menos 15 minutos após a coleta. irradiação da dor pelo braço. não produz qualquer tipo de prejuízo ao organismo. embora rara.6 Infecção A possibilidade do desenvolvimento de um processo infeccioso no local da venopunção. Dentre as medidas preconizadas e recomendadas estão: o uso de algodão hidrófilo embebido em álcool etílico comercial. não deve ser realizada. Caso ocorra a punção inadvertida de uma artéria. Caso não se obtenha sucesso na primeira tentativa de punção. para a realização das análises laboratoriais. A punção acidental de uma artéria pode ser identificada pelo vermelho vivo do sangue e pela drenagem do sangue em jato. apresentadas durante ou após a venopunção. Medidas de antissepsia também devem ser objeto de discussão. ou pelo ritmo pulsátil do sangue para o interior do tubo. de forma aleatória. preferencialmente noutro local. A punção de uma veia por meio de múltiplas tentativas de redirecionamento da agulha. Neste requisito. 6. parestesias. . A formação de aerossóis também pode ocorrer durante a preparação das amostras.5 Anemia Iatrogênica O volume de sangue normalmente coletado de pacientes hígidos. especial atenção deve ser dispensada às coletas pediátricas.

• Visando-se evitar acidentes. cobrindo adequadamente todas as partes do corpo. xícaras. se constitui num conjunto de procedimentos de gestão. 6. • Não manusear objetos de uso comum (telefone.) usando luvas. • Não levar à boca canetas e lápis e demais objetos empregados no ambiente de trabalho. • Não fazer a aplicação de cosméticos e maquiagens na área de coleta. • Comunicar ao superior imediato os acidentes com material infectante. ao utilizar-se de esmaltes. beber. longo e de mangas compridas. • Lavar as mãos freqüentemente. na área de coleta. não sendo correto seu uso nas áreas de alimentação e descanso.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Recomenda-se que os funcionários da coleta sejam imunizados com vacinação contra hepatite B além do esquema regular de vacinações definido pela Secretaria de Saúde dos Estados. refrigeradores e freezers utilizados para o armazenamento de reagentes. maçanetas. planejados e implementados . • Recomenda-se sempre a utilização de luvas pelo flebotomista durante o ato da coleta. sendo que o paciente e o flebotomista são as únicas pessoas que deverão permanecer no local.10 Boas Práticas Individuais • É proibido comer.12 Cuidados na Sala de Coleta • Desinfetar imediatamente as áreas contaminadas. outros calçados abertos. chinelos. para que se minimizem os riscos de acidentes. Exceções a esta regra são as situações onde houver necessidade de um acompanhante para auxiliar na execução do procedimento. • Nunca armazenar alimentos ou bebidas nos armários. 6. • Evitar o manuseio de lentes de contato na área de coleta do laboratório. sobretudo nas áreas de coletas infantis. fumar ou mastigar gomas de mascar (chicletes) no laboratório. aparadas e recomenda-se que. 6. etc. Na ausência de um uniforme padrão seria recomendável sobrepor à vestimenta um avental de tecido lavável ou descartável. os cabelos compridos devem permanecer presos durante o período de trabalho. Na área de coleta não se recomenda o uso de sandálias. Lavar as mãos sempre que for necessário trocar de luvas. onde se inserem os gerados nos laboratórios. que alcance o nível do joelho. grandes brincos pendentes na orelha ou braceletes soltos. • Utilizar sapatos confortáveis com solado antiderrapante e de saltos não muito altos. • As unhas precisam ser limpas.11 Equipamentos de Proteção Individual (EPI) • Utilizar o uniforme recomendado pelo empregador. • Não se recomenda o uso dos equipamentos de proteção individual fora do perímetro onde seu uso está indicado. materiais e insumos para coleta. • A utilização de máscaras é recomendada quando o ato da coleta do material biológico sugerir risco de contaminação pela formação de gotículas ou aerossóis.55 - . As trocas necessitam ser efetuadas quando houver qualquer contaminação com material biológico. gavetas. estes sejam de cor clara. amostras biológicas. 6. As boas práticas de segurança recomendam que este avental deve sempre ser retirado ao sair da área de coleta do laboratório. • A sala de coleta é exclusiva para este fim. • Não descartar as luvas nas lixeiras de uso administrativo.13 Descarte Seguro de Resíduos O gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde (RSS). • Deve ser evitado o uso de correntes compridas no pescoço. copos.

GRUPO D: Resíduos que não apresentem riscos biológico. O PGRSS obedece a critérios técnicos. O percentual médio da composição dos resíduos gerados nos estabelecimentos de saúde para os grupos A. espátulas. tubos de coleta sanguínea e placas de Petri) e outros similares. devendo ser compatível com as normas locais relativas à coleta. agulhas. limas endodônticas. escalpes.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO a partir de bases científicas e técnicas. visando a proteção dos trabalhadores. lâminas de bisturi. podendo ser equiparados aos resíduos domiciliares. arquivado em local seguro durante cinco anos. estabelecidas pelos órgãos locais responsáveis por estas etapas. a preservação da saúde pública. este poderá ser assessorado por equipe de trabalho que detenha estas qualificações correspondentes. lancetas. 6. municipais ou federais. no que diz respeito ao gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. Os laboratórios clínicos necessitam elaborar um PGRSS (Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde) . tubos capilares. O setor de coleta do laboratório pode gerar resíduos classificados nos 4 grupos descritos.1 Classificação dos resíduos de saúde A RDC (Resolução de Diretoria Colegiada) ANVISA nº 306 de 07/12/2004 em seu apêndice I. pois o documento também contempla as ações a serem adotadas em situações de emergência (incêndio. brocas.baseado nas características dos resíduos gerados e na sua classificação. tais como firmas de conservação e limpeza. com o objetivo de minimizar a produção de resíduos e proporcionar o descarte seguro e eficiente. GRUPO C: Quaisquer materiais resultantes de atividades humanas que contenham radionuclídeos em quantidades superiores aos limites de isenção especificados nas normas do CNEN (Conselho Nacional de Energia Nuclear) e para os quais a reutilização é imprópria ou não prevista. É recomendável que o laboratório atenda às orientações e regulamentações estaduais. assim como os prestadores de serviço. ampolas de vidro. classifica os resíduos de saúde conforme segue: GRUPO A: GRUPO B: Resíduos com possível presença de agentes biológicos que. corrosividade. A RDC ANVISA nº 306/2004 indica que os serviços com sistema próprio de tratamento de RSS necessitam registrar as informações relativas ao monitoramento do RSS.56 - . de 75% a 90% para o grupo D. Resíduos contendo substâncias químicas que podem apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente. GRUPO E: Materiais perfurocortantes ou escarificantes. tais como: lâminas de barbear. e todos os utensílios de vidro quebrados no laboratório (pipetas. legislação ambiental. podem apresentar risco de infecção. materiais e da capacitação dos recursos humanos envolvidos no manejo dos RSS (Resíduos de Serviço de Saúde). transporte e disposição final dos resíduos gerados nos serviços de saúde. A gestão deve abranger todas as etapas de planejamento dos recursos físicos. micropipetas. B e C varia de 10% a 25% e. dependendo de suas características de inflamabilidade. falta de energia) e em casos de acidentes (por exemplo: por perfurocortantes). dos recursos naturais e do meio ambiente. químico ou radiológico à saúde ou ao meio ambiente. estabelecendo as diretrizes de manejo dos RSS. O responsável técnico pelo laboratório pode ser o coordenador de sua elaboração e implantação. É importante divulgar e capacitar a equipe de coleta neste documento que é exigido por lei. normativas e legais. . mas quando a sua formação profissional não abranger os conhecimentos necessários. pontas diamantadas.13. lâminas e lamínulas. por suas características. em documento próprio. reatividade e toxicidade.

II . que devem ser substituídos quando atingirem 2/3 de sua capacidade ou. Meios químicos: gases (óxido de etileno e formaldeído) ou líquidos microbicidas (tais como. Para os resíduos do Grupo D. A categoria A (resíduos com risco biológico) com resquícios de amostras de laboratório contendo sangue ou líquidos corpóreos.marrom . A identificação deve ser clara e de fácil visualização conforme NBR 7.RESÍDUOS ORGÂNICOS. .PLÁSTICOS. estes devem ser descartados separadamente. em equipamento compatível.3 Manejo dos RSS (resíduos de seringa de saúde) O manejo dos RSS é entendido como a ação de gerenciar os resíduos em seus aspectos internos e externos do laboratório. Havendo descaracterização física das estruturas. 2000. resistente a perfuração.57 - . os resíduos perfurocortantes (agulhas.vermelho . imediatamente após o uso em recipientes rígidos. a identificação deve ser feita nos recipientes e nos abrigos de guarda de recipientes. glutaraldeído). recipientes e materiais resultantes do processo de assistência à saúde.13. lancetas. resistentes à perfuração. eles devem ser acondicionados em saco branco leitoso.azul .PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 6. quanto ao material e à identificação.2 Identificação dos resíduos Recomenda-se identificar os sacos de acondicionamento. ou seja. usando código de cores e suas correspondentes nomeações. para os demais resíduos do Grupo D deve ser utilizada a cor cinza nos recipientes. 275/2001. Segundo a RDC ANVISA nº 306/2004 para o grupo E. sendo expressamente proibido o seu reaproveitamento. os recipientes de coleta interna e externa. e os locais de armazenamento. pelo menos. e identificados. contendo sangue ou líquidos corpóreos na forma livre. O tratamento do resíduo pelo próprio laboratório pode ser realizado empregando-se os seguintes processos de esterilização: • • Meios físicos: calor e radiações ionizantes. podem ser acondicionados como resíduos do Grupo D (resíduo comum) de acordo com as orientações dos serviços locais de limpeza urbana. Utilizando-se processo físico ou outros processos que sejam validados para a obtenção de redução ou eliminação da carga microbiana. O uso de adesivos é permitido. destinados à reciclagem ou reutilização. Após o procedimento de coleta. contidos em recipientes. com tampa e devidamente identificados (norma NBR 13853/97 da ABNT). se não houver descaracterização física.13.V . IV . Estes materiais estão disponíveis comercialmente e são produzidos segundo as especificações técnicas da ANVISA. os recipientes de transporte interno e externo.verde – VIDROS. ruptura e vazamento. manutenção das estruturas dos resíduos tratados.) devem ser imediatamente desprezados em recipientes conhecidos como caixas ou recipientes plásticos para descarte de perfurocortantes. As agulhas descartáveis não devem ser novamente encapadas. desde que seja garantida a resistência destes aos processos normais de manuseio dos sacos e recipientes. que envolve os materiais perfurocortantes.ABNT. 6. de forma a garantir o transporte seguro até a unidade de tratamento. utilizando-se sacos impermeáveis. com tampa provida de controle de fechamento e devidamente identificado. desde a geração até a disposição final. Devem ser submetidos a tratamento antes da disposição final. devidamente identificados. lâminas de vidro. III . etc. baseadas na Resolução CONAMA ( Conselho Nacional do Meio Ambiente) nº. O acondicionamento para transporte deve ser em recipiente rígido. e símbolos de tipo de material reciclável: I . ruptura e vazamento.500 .PAPÉIS .amarelo – METAIS. Caso não exista processo de segregação para reciclagem. além de atender às exigências relacionadas à identificação de conteúdo e ao risco específico de cada grupo de resíduos. Ao final. 1 vez a cada 24 horas. não existe exigência para a padronização de cor destes recipientes.

antiderrapante e uma rampa.4 Transporte interno de RSS Consiste no traslado dos resíduos dos pontos de geração até local destinado ao armazenamento temporário ou armazenamento externo com a finalidade de apresentação para a coleta externa. Devem estar identificados com símbolo internacional de risco biológico. dando-se preferência a locais de fácil acesso à coleta externa e próxima às áreas de guarda de material de limpeza ou expurgo. provido de tampa articulada ao próprio corpo do equipamento. As informações acerca da inclinação e as características desta rampa podem ser obtidas na RDC ANVISA nº. com superfície plana e regular. acrescido da inscrição “PERFUROCORTANTE”. água e energia elétrica podem ser instalados de acordo com as conveniências e necessidades do abrigo. um ambiente separado para armazenamento de recipientes contendo resíduos do Grupo A (resíduo com risco biológico) juntamente com o Grupo E (material perfurocortante). ter fácil acesso para os recipientes de transporte e para os veículos coletores.RDC ANVISA nº306/2004 o armazenamento externo dos resíduos sólidos de saúde. Os recipientes de transporte interno não podem transitar pela via pública externa à edificação.lembrete Os laboratórios clínicos necessitam elaborar um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS). O escoamento da água deve ser direcionado para a rede de esgoto do estabelecimento. Pontos de iluminação. um vigésimo da área do piso. 6. o abrigo de resíduos deve ser dimensionado de acordo com o volume de resíduos gerados. O transporte interno de resíduos deve ser realizado atendendo roteiro previamente definido e em horários não coincidentes com o maior fluxo de pessoas ou de atividades. impermeável. no mínimo. A porta ou a tampa do abrigo necessita apresentar largura compatível com as dimensões dos recipientes de coleta. lavável.58 - . Ainda de acordo com esta norma. O plano necessita definir as características dos resíduos gerados e as diretrizes para o manuseio correto conforme a classificação destes RSS. com capacidade de armazenamento compatível com a periodicidade de coleta do sistema de coleta local. no mínimo. denominado de abrigo de resíduos. necessita ser construído em ambiente exclusivo e segregado. possuir piso com revestimento resistente à abrasão. e identificados com o símbolo correspondente ao risco do resíduo neles contidos. desde sua geração até o armazenamento externo. O abrigo deve ser identificado e de acesso restrito aos funcionários responsáveis pela manipulação de resíduos. Há necessidade de aberturas para ventilação.13. cantos e bordas arredondados. de dimensão equivalente a. deve permitir livre passagem dos recipientes coletores de resíduos. O piso deve ser revestido de material liso. lavável e de fácil higienização. além de um ambiente para o Grupo D (resíduos comuns). sendo descartados quando o preenchimento atingir dois terços de sua capacidade ou o nível de preenchimento ficar a 5 cm de distância da boca do recipiente. quando necessária. 6.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO O volume dos recipientes de acondicionamento deve ser compatível com a geração diária deste tipo de resíduo.13. É recomendável que a localização seja tal que não abra diretamente para a área de permanência de pessoas e circulação de público. e tela de proteção contra insetos. 50/2002 Boas práticas . O ralo sifonado deve possuir uma tampa que permita vedação. possuindo. . O trajeto para o transporte de resíduos.5 Armazenamento dos resíduos sólidos de saúde De acordo com a Resolução da Diretoria Colegiada . impermeável. Os recipientes para transporte interno devem ser constituídos de material rígido.

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VOL.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO ANEXO 1: SEQÜÊNCIA DE COLETA DOS TUBOS PARA COLETA DE SANGUE A VÁCUO NCCLS H3-A5.23. . 8.63 - .10. N°32.

e ninguém não gritar com a gente para ir depressa demais. serão desafios como este que justificarão. Quem se encontra com o paciente no laboratório deve ter uma atuação fundamental para uma verdadeira integração dos resultados com a realidade do paciente. deverá desenvolver um conhecimento mais global e crítico. indissoluvelmente às suas benesses. precisamos de uma nova perspectiva capaz de ampliar nossa percepção e de nos levar a um novo domínio. A forma como viemos trabalhando na fase pré-analítica serviu-nos no passado. a existência de profissionais capacitados em todas as fases de um sistema que se tornará cada vez mais complexo e incerto. Para tanto.Áurea Lacerda Cançado Dra. no futuro. Luisane Maria Falci Vieira “.” (1). Capaz de ser adaptativo em tempo real.Minguilim este feixinho está muito pesado para você ? Tio Terêz está não. Como bem nos lembra Nilton Bonder: “A empregabilidade humana se fará em áreas nas quais temos excelência e competimos em desigualdade com as máquinas: as áreas da dúvida e da incerteza. ASPECTOS HUMANÍSTICOS DA COLETA DE SANGUE Dra. Portanto. o aumento da iatrogenia. . então eu acho que nunca que é pesado!” Guimarães Rosa Estas recomendações surgem a partir da constatação inequívoca de que. Atualmente temos à nossa disposição uma tecnologia capaz de fornecer resultados exatos e precisos. para solucionarmos apropriadamente os desafios da fase pré-analítica. quando nosso conhecimento era mais limitado e o avanço tecnológico não trazia misturado.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO II.64 - . Se a gente puder ir devagarinho como precisa. mas esta tecnologia não pode nos garantir que a amostra analisada seja representativa do processo que atua no paciente.

essencialmente. Assim.) interagem ativamente. Sua missão essencial é garantir a representatividade da amostra analisada. assim. as seguintes características: FIGURA 1: FASE DA COMPLEXIBILIDADE FASE DO ENCONTRO FASE DA INCERTEZA Segundo Morin: “O estudo de sistemas dinâmicos complexos não pode ser feito de forma reducionista. não-linear. a preservação. optamos por pensar nestas características como vértices de um triângulo. a coleta. 15% às pessoas.65 - . Por isto. Quando falamos da complexidade da fase préanalítica estamos falando também da incerteza e do encontro e. que só podem ser observadas de forma holística” (2). . etc. é a etapa do exame que inclui a sua solicitação. pretendemos ressaltar a profunda inter-relação existente entre cada elemento: Não se pode falar de um triângulo referindo-se somente a um de seus vértices. médico assistente. Segundo Deming. o transporte e o preparo da amostra até o momento em que o exame é realizado. por que nela. Desta forma. pois o sistema perde suas características. Utilizando conceitos da física moderna. FASE DA COMPLEXIDADE: A fase pré-analítica não é considerada complexa porque exige um conhecimento sofisticado ou de difícil assimilação. propomos uma reflexão sobre as características básicas desta fase para melhorarmos nosso desempenho. somente. podemos afirmar que esta fase se comporta como um sistema complexo. Mas antes. A partir desta premissa. a fase pré-analítica apresenta. 85% dos problemas que ocorrem num sistema devem-se ao próprio sistema e.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO CARACTERÍSTICAS FUNDAMENTAIS DA FASE PRÉ-ANALÍTICA A fase pré-analítica responsável por 70% do total de erros cometidos pelos laboratórios com um sistema de qualidade bem estabelecido. sucessivamente. o preparo do paciente. dinâmico. vários agentes independentes (paciente. flebotomista. executor do exame.

No entanto. solidariamente. armazenamento e transporte da amostra que. pelas freqüentes reflexões sobre os conflitos éticos que ocorrem durante o encontro com o paciente e por treinamentos constantes. pela atenção à comunicação não-verbal. por exemplo. só poderemos falar em controle. pelo investimento em nosso amadurecimento emocional. das habilidades técnicas do flebotomista e das condições em que a coleta se realizou. da coleta. Não devemos nos iludir imaginando que nos distinguiremos focando um “resultado perfeito. etc. o que é passível de ser controlado (alguns aspectos da coleta. propriamente. Incompreensão das recomendações prescritas pelo laboratório. Pois. Totalidade que já sofreu a interferência de quem solicitou o exame e sofrerá a nossa própria interferência que. potencialmente. Na verdade. como nos alerta o estudioso francês Matthieu Ricard: “Contentar-se com conhecimentos teóricos corre o risco de nos tornar um desses seres que não se enganam sobre nada. só podemos almejar o controle de nós mesmos. conservação. Além da impossibilidade de controle. comprometer a qualidade de nosso desempenho.” Realizar exames com qualidade e correção não deve ser a finalidade de nosso trabalho. pois este não é o escopo de sua atuação. por si só. nos mantermos aptos para intervir quando observarmos a existência de uma interferência que possa. uma verdadeira integração entre o especialista que executa o exame e o responsável pela obtenção da amostra poderá evitar muitos desvios. o aumento crescente da complexidade gerou várias subespecializações dentro da Medicina Laboratorial. já que a ciência não pode nos oferecer o senso ético. por seu turno. Nosso foco deve ser servir ao cliente (seja ele o médico assistente ou o paciente) através do apoio a um diagnóstico compatível. alcançável com o mínimo de prejuízo para as partes envolvidas.66 - . facilmente. em última instância.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Em outras palavras: Subtraímos a amostra de uma totalidade muito ampla. a validação do resultado também dependerá do preparo. no tumultuado universo médico. Ocultação voluntária de dados relevantes. pode determinar valores muito diferentes dos que atuam no paciente. num ambiente ativo. . Não nos cabe. quando este universo de alta complexidade se restringir à passividade da amostra coletada. por intermédio de vários mecanismos: • • • • • • Liberação de hormônios devido ao estresse na hora da punção. dependerão de o paciente estar bem informado e aderir aos procedimentos apropriados. a conservação. conseguimos absorver melhor as informações. a existência de tantas interações dinâmicas se traduz pela impossibilidade de falarmos em controle. o material utilizado. a rigor. salvo sobre o essencial. Além disto. Sabemos que o paciente pode ser o responsável por um “erro” de forma voluntária ou não. Incapacidade de aderir às recomendações prescritas pelo laboratório. devemos controlar. Portanto. mas corremos o risco de perder a visão do todo. o armazenamento. imaginar que a ciência/tecnologia solucionará o problema do paciente. Neste cenário. Na prática. controlar o paciente. Desconhecimento de fatores interferentes. a do conjunto das características biopsicossociais do paciente. o transporte e o preparo das amostras) e. aprofundando nossos conhecimentos. Devemos estabelecer normas de segurança para nossa proteção e podemos aprimorar nossa percepção.” Precisamos contatar o essencial para estabelecermos parâmetros éticos compatíveis com a atual realidade. mas antes. Sob este aspecto. O indivíduo superespecializado pode. Ocultação de dados relevantes por julgá-los dispensáveis. rigorosamente. o meio de nos inserirmos.

é freqüente que os que atuam na coleta se sintam inseguros e com baixa auto-estima. sobre suas ações. dizendo-lhe que é incapaz de compreender. estaremos. o laboratório pode não estar preparado para extrapolar as informações padronizadas no manual de coleta e atendê-lo convenientemente. e nunca criticando diretamente o ser. Segundo Nilton Bonder: “Aqueles que estão não apenas intelectualmente presentes. as que mais requerem habilidades interpessoais são as da fase pré-analítica. mas. mas emocional e espiritualmente presentes.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO FASE DA INCERTEZA: Antes de qualquer análise. simultaneamente. Neste cenário. se restringe a uma simples aplicação do que foi solicitado no pedido médico. de difícil interpretação. Quando buscamos uma forma adequada para nos encontrarmos com o paciente. muitas vezes. inclusive. mantendo uma postura impecável. Em espaços acolhedores. onde as pessoas conseguem se desenvolver harmoniosamente. preparo para o encontro com o paciente. precisamos considerar que a incerteza permeia todas as fases do processo. (6) Sendo solidários. “Potencializando o fazer. É freqüente o pensamento de que o trabalho. frente às condições de trabalho de grande parte dos Laboratórios Clínicos. entretanto. estaremos contribuindo para o desenvolvimento da auto-estima e autoconfiança destes profissionais. porque a dúvida é um retrato mais fiel da realidade”. Desta forma. não apenas do conhecimento. Nas palavras de Nilton Bonder: “Ter dúvidas é muito mais eficiente do que ter certezas. podemos considerar. a incerteza não se associa à insegurança. quando o paciente tem uma necessidade diferenciada. Na fase pré-analítica. ao exigirmos das pessoas que colaborem com o marketing do laboratório. mas também do sujeito. um tratamento matemático bastante satisfatório. nesta fase. maduramente. que não tem competência. se tornam mais aptos e capazes de atuar na realidade”. A necessidade de simplificar o complexo exige a projeção dos achados universalmente estabelecidos pelas pesquisas científicas para aquele paciente singular. Os que assim pensam esquecem-se de que a ciência não dispõe de recursos para cuidar das variações individuais. tiramos de nós mesmos o nosso maior diferencial para competir. (1) FASE DO ENCONTRO: Dentre as atividades técnicas exercidas no laboratório. Porém. potencializando o ser”. paradoxalmente. Assim. a incerteza nos distingüe: Nada como um profissional competente frente a um resultado discrepante. ela é elegantemente equacionada na fase analítica tendo. Hoje está bem estabelecido que a conectividade é uma condição básica para construção. já que insegurança é uma característica de quem decide e não do fato a ser decidido. A obtenção de uma amostra representativa do que atua no paciente exige do profissional não apenas preparo técnico. A incerteza é. (1) . muitas vezes. o ser e o fazer estão profundamente imbricados. na atual etapa de evolução de nossa especialidade. percebemos que aprender a administrá-la não precisa ser considerada uma tarefa angustiante. devemos estar atentos para não robotizarmos os funcionários que atuam na coleta. inegavelmente.67 - . um fator complicador na tomada de decisão. Pois. também. mas ao ser compreendida em um nível mais profundo. que existe um grave impedimento na consolidação do conhecimento e do ser na fase pré-analítica. ajudando aos que trabalham na fase pré-analítica a refletir. a incerteza tende a ser negada. Na fase pós-analítica. Para Humberto Maturana.

é uma conquista que exige confiança.. extenuante carga. compilamos as informações que a ciência estabeleceu. dedicação e entrega. será sempre melodia vibrante a oferecer a cada um o dom de ser o que é”.. O que antes foi precioso veículo. Possuímos normas de qualidade bem estabelecidas. Há risos.. Treinamento dos funcionários. dificultando os passos e impossibilitando a dança do seguir adiante”. quanto menos espontâneos pela elaboração de estratégias e expectativas.. conforme já assinalado. atropelos. Mas. . satisfeito. o seu caminho. Isto ocorre. (5). grato e apegado ao instrumento de travessia. Indicadores de tempo. Atravessa o rio e. hostilidade. ao abrir a porta do laboratório. e escrevemos nossos manuais de coleta. trazem em seu bojo a possibilidade de transformação e enriquecimento pessoal para aqueles que se dispuserem a dar um passo além do automatismo de nossas engrenagens. pesada e arduamente. uma visão aberta e um estar na mesma freqüência do outro. Porém. menor a presença. agora. luz e sombra. inusitados que. c. Roberto Crema conta uma estória ilustrativa do perigo que se corre quando se trabalha enfatizando excessivamente uma única ferramenta: “Um caminhante depara-se com um caudaloso rio que cruza o seu trajeto. (1) Portanto. precisamos entender que estudamos. entretanto. angústias. os da fase pré-analítica. Indicadores de desempenho. Exige uma escuta inclusiva. Para estes. menor será a nossa capacidade de nos relacionarmos com dado momento”. c. oferecemos as sábias recomendações de Crema: “A arte-ciência do encontro. enquanto que a dinâmica da fase pré-analítica é a de um sistema complexo. coloca a balsa na cabeça e segue. Roberto Crema. c. (5) Sob este aspecto. Entretanto. Indicadores de qualidade. mesmo sendo fugazes.Quanto mais nos preparamos. refletimos. assim como a busca permanente de uma forma de comunicação eficiente são os meios mais seguros de nos posicionarmos convenientemente nos nossos encontros. principalmente.3. o que só é possível com a graça do silêncio interior”. que solucionam. grande entendedor dos encontros humanos. e. porque a dinâmica da fase analítica pode ser comparada à dinâmica de um sistema complicado (como é a construção de um avião).1. lança mão. torna-se. no entanto. os problemas da fase analítica. é na fase pré-analítica que podemos desfrutar do privilégio de encontros desafiadores. adequadamente. apenas parcialmente. afirma: “Há sempre beleza e encantamento quando abrimos espaço para o universo amplo do encontro humano.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Bonder nos alerta: “Quanto maior o controle. FERRAMENTAS IMPORTANTES: Para lidarmos satisfatoriamente com os aspectos fundamentais da fase pré-analítica precisamos utilizar as ferramentas sumarizadas abaixo: 1 Qualidade: A qualidade na fase pré-analítica se baseia nos seguintes pilares: a b c Padronização dos procedimentos (Manual de Coleta). Indicadores de custo. o investimento no amadurecimento emocional e ético. se a escuta é competente e se o coração estiver presente.68 - . confrontos. Para prosseguir. afeto. de uma balsa que se encontra no local. chegando na outra margem. (5) Estabelecer um sistema de qualidade sólido é imprescindível para atravessarmos o caudaloso rio que nos levará ao futuro. múltiplos.2.

A variação biológica intragrupo pode ser muito ampla. Mas. normalmente. uma realidade até então desapercebida. conscientes de que ainda precisamos entender com maior clareza e definir mais objetivamente o que chamamos de erros pré-analíticos. é freqüente que dados relevantes sejam negligenciados devido ao seu despreparo. podemos pensar no erro como uma etapa da construção do conhecimento. todos devem saber que o máximo que poderemos alcançar é uma padronização satisfatória. Entretanto. Mas. determinando um largo intervalo de referência. determinando em algumas situações. é esperado que o profissional que atua na coleta esteja mais apto a reconhecer possíveis interferentes que possam comprometer a qualidade do resultado. . algumas vezes. principalmente contra os considerados críticos. permitindo um aprendizado mais pertinente e. Porém. é importante que mantenhamos treinamentos regulares. teoricamente. Vários analitos são estáveis e. A partir de uma visão não-linear. Algo muito maior do que qualquer manual de coleta pode abarcar. não sofrem muitas interferências.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO recebemos uma realidade que se compõe de arranjos e possibilidades infinitas. em última instância. Nossos sistemas de qualidade não enxergam vários erros no preparo do paciente (inobservância do jejum. esta forma de abordagem não contrapõe a necessidade de criarmos mecanismos de proteção contra os erros pré-analíticos. sobretudo quando são discretas”. a evolução. é primordial que invistamos no estabelecimento de indicadores da qualidade. Todavia. por exemplo). complexa. pelo próprio paciente.69 - . já que muitos destes erros que passam despercebidos pelo sistema de qualidade podem ser prontamente detectados pelo médico assistente e. (3) Assim. em várias situações. o paciente está adequadamente preparado para a coleta. O analito a ser dosado tem características que recomendam a validação do resultado obtido (como no caso do perfil lipídico). “O grande perigo das padronizações é simplificar equivocadamente situações complexas”. Portanto. Finalmente. mudanças consideráveis e rápidas nos valores de determinado paciente. é provável que ocorra uma redução da respeitabilidade do laboratório. A variação biológica intra-individual pode ser muito ampla. É claro que esta forma de atuar é insatisfatória. como lidamos com vida. jamais conseguiremos padronizar soluções apropriadas para os problemas. É vital que padronizemos nossos procedimentos. portanto. Assim. Porém. incapaz de responder a novas situações. tornar-se um mero repetidor de fórmulas. o próprio erro nos revelará. as conseqüências negativas que poderão advir tendem a ser mascaradas pela ocorrência de fatores como: • • • • • • Na grande maioria das vezes. se este comportamento persistir. por exemplo) ou na técnica de punção (garroteamento prolongado. Trabalhar limitando-se a aplicar automaticamente os procedimentos descritos no manual de coleta é. (3) Do mesmo modo. 2 Fundamentos: “Estudos demonstram que os conhecimentos teóricos e a experiência prática do observador exercem influência marcante na percepção de anormalidades. cientes de que o conhecimento só é realmente adquirido quando podemos pensar usando o que foi transmitido. (6) Obviamente.

ao reconhecer os componentes que impedem que se colha uma amostra da forma recomendada é importante que se defina como a qualidade do resultado poderá ser comprometida e que se registrem os fatos para a avaliação de quem executará o exame e do médico assistente.70 - . quem recebe o paciente no laboratório precisa reconhecer seus atos como parte de uma grande rede (pensar globalmente e agir localmente). essencialmente. fisiológicos e laboratoriais que fundamentam os atos e decisões. O que ocorre é que este conhecimento dificilmente é estruturado sob a ótica de quem precisa utilizá-lo. contextualizando. seja porque é ignorado algum aspecto importante da questão ou porque existem dados relevantes que ainda não foram esclarecidos. cuidados simples como o agrupamento dos exames. como por exemplo: O uso de garrafas plásticas de água mineral para coleta de urina de 24 horas. com graves dilemas éticos. defrontamos. estas decisões podem se dar a partir de premissas erradas. quando empreendido com seriedade. é comum que estes profissionais façam uma série de inferências ao decidir se determinada amostra está adequada para a análise ou se o paciente está apto para a coleta. A permissão de se colher o sangue sem o jejum preconizado em uma série de circunstâncias. ao contrário. já que propicia a todos não apenas uma compreensão mais abrangente. buscar os conceitos médicos. para sua contextualização”. para um desempenho eficaz na fase pré-analítica. . quando se vai realizar o clearence de creatinina. mas. precisamos mostrar-lhes o que fundamenta todas as regras. Algumas vezes. Potencialmente. as tarefas da coleta. Algumas destas inferências são consagradas pelo uso sendo. A Medicina Laboratorial Baseada em Evidências prestaria uma contribuição relevante para a fase préanalítica se gerasse informações consistentes referentes a situações como estas. Além disto. A permissão de se colher a amostra de urina ou de sangue dentro de um prazo máximo de 3 dias um do outro. Claude Bastien nota que “a evolução cognitiva não caminha para o estabelecimento de conhecimentos cada vez mais abstratos. podem ser valiosos para contextualizar e fundamentar várias condutas. tendo como parâmetros as características que a coleta deverá estar atenta. anatômicos. também. o que é nebuloso. um aumento da consciência crítica em relação aos problemas desta fase.a qual determina as condições de sua inserção e os limites de sua validade. Constantes reflexões sobre ética ampliam a visão e possibilitam uma atuação mais adequada nestes momentos. etc. aceitas sem questionamentos. Bastien acrescenta que “a contextualização é condição essencial da eficácia (do funcionamento cognitivo)”. No entanto. solicitados a integrar o que não é quantificável. mas de formas inadequadas de atuação humana. nosso trabalho é. geralmente. o conhecimento necessário não é sofisticado e está ao alcance de todos. Para tal. mas. porém.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Portanto. Por enquanto. 3 Evidência: Os que vivem o dia-a-dia de uma coleta são. é comum ocorrerem conflitos que não derivam de novas tecnologias. Trabalho que. se mostra extremamente gratificante. o que não é mensurável. (4) Assim. 4 Ética: Associados aos avanços tecnológicos. constantemente. no dia-a-dia. Desta maneira. hoje.

Mas os mais recentes nada mais são do que um trabalho incompleto. O que ocorre é que as emoções condicionam a mente a enxergar as ocorrências de determinada maneira. Assim. “A comunicação”. E quando nós nos comunicamos de verdade. o que impossibilita qualquer troca real. pela mudança em nós dois. por exemplo. integrado com harmonia”. Como bem nos lembra Maturana: “ O fenômeno da comunicação não depende do transmitido. uma série de tentativas apostadas no melhoramento da condição humana. conseguimos criar uma empatia verdadeira entendendo a perspectiva do paciente. o medo. Portanto. mas estão gravados na pedra genômica e são tão firmes quanto é firme a biologia. É uma negociação entre duas pessoas.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 5. até bizarra. ele jamais conhecerá o paciente e suas circunstâncias como o próprio paciente. é interessante solicitar-lhe que as repita para ser checado o entendimento. a insegurança. “não é como um aparelho emissor e um receptor. E é essa mesma circunstância que nos oferece uma oportunidade de intervenção. não conseguindo ver o ponto de vista do paciente. mas também pela contribuição do próximo. 6. Portanto comunicar é vital! Estudos mostram que a comunicação ineficiente é o principal fator que leva o paciente ao litígio. a raiva. Conforme assinalado por Damásio: “Os dispositivos mais antigos não necessitam de nenhum aperfeiçoamento. para aumentarmos nossa chance de sermos bem sucedidos ou aliviarmos o sofrimento do paciente. Emoção: As emoções oferecem informações importantíssimas sobre nós mesmos ou sobre o paciente. como é o caso dos apetites e das emoções. ao ampliar a aceitação de si mesmo e do outro. alguns dos dispositivos da regulação da homeostasia do nosso organismo vêm sendo aperfeiçoados ao longo de milhões de anos de evolução biológica. (9) . a negligência são alguns dos fatores que podem comprometer a comunicação. Sabemos que elas podem ser fundamentais para a resolução de conflitos quando. a ansiedade podem induzir uma conduta insatisfatória. que nem sempre obtêm o resultado desejável.” Isto significa que nossas emoções são sempre adequadas.71 - . às vezes. (6) Desta forma. um ato criativo. Desta forma. sobretudo os sistemas de justiça e de organização sociopolítica. através delas. Enquanto o amor. propõe: “Os novos conhecimentos sobre a emoção e o sentimento são pertinentes para a sociedade. professor e chefe do Departamento de Neurologia da Universidade de Iowa. Os dispositivos mais antigos não necessitam de nenhum aperfeiçoamento: não são propriamente imutáveis. pelo menos quando as recomendações dadas ao paciente forem muito extensas. Comunicação: Por maior que seja o conhecimento de quem atende na coleta. mas daquilo que ocorre com a pessoa que recebe o transmitido”. o excesso de trabalho. O que pode não ser apropriado é o nosso comportamento. Mas outros dispositivos. podemos. Em seu fascinante livro “Em busca de Espinosa: prazer e dor na ciência dos sentimentos. A relação entre a homeostasia e o governo da vida social é a chave dessa pertinência. resume Birdwhistell. Outra situação freqüente é nos surpreendermos com o paciente que afirma ter sido orientado pelo laboratório de forma. potencializa a possibilidade de um comportamento inteligente. nos acalmar nos momentos difíceis. existem há uns escassos milhares de anos. Também é comum o profissional se manter na defensiva quando se sente ameaçado. não deveriam ser ignoradas. Não se pode medi-la só pelo entendimento preciso daquilo que digo. a oportunidade de contribuir para a melhoria do destino humano”.” (7) o grande neurologista e neurocientista António Damásio. formamos um sistema de interação e reação. Como disse. se estivermos atentos às nossas emoções.(8) A arrogância.

inserindo nele não apenas as ferramentas propostas. devemos aprender a conviver e a ser”. FIGURA 2: . redesenhando o triângulo original.72 - . educador da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação. as recomendações de Jacques Dellor.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO CONCLUSÃO: Concluímos. a Ciência e a Cultura): “ Neste mundo de crescente complexidade além de aprender a conhecer e fazer. como também.

MORIN. Summus. O processo diagnóstico nas decisões clínicas. Fronteiras da inteligência. São Paulo. São Paulo. (8) BECKMAN HB et al. Rio de Janeiro. 2004. São Paulo. 1995.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) BONDER. António. Nilton. UFMG. 154:1365-1370 (9) DAVIS. . Em busca de Espinosa: prazer e dor na ciência dos sentimentos. LÓPEZ. Bertrand. DAMÁSIO. 2001. CREMA. MATURANA. Mario. Campus. Ciência com consciência. MORIN. 1994. Belo Horizonte. 2001. 1996. Arch Inter Med. Revinter. Saúde e plenitude: um caminho para o ser. Summus. Roberto. Flora. A ontologia da realidade. São Paulo. Cortez-UNESCO. Comunicação não-verbal. The doctor patient relationship and malpractice. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 1999. Companhia das Letras. 1979. Humberto.73 - . Edgar. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Edgar. 2003.

Preanalytical Systems Capa: SBPC/ML Fotos: Milton Nespatti Projeto Gráfico e Diagramação: Alvo Propaganda & Marketing Revisão: Sérgio Cides .APOIO BD Diagnostics .

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