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caderno07-1 responsabilidade civil na construçao civil

caderno07-1 responsabilidade civil na construçao civil

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cadernos do

CREA-PR
Série de fascículos sobre ética, responsabilidade, legislação, valorização e exercício
das prossões da Engenharia, da Arquitetura, Agronomia e Geociências no Paraná.
n.°7
RESPONSABILIDADE NA
CONSTRUÇÃO CIVIL
Eng. Civil Valmir Luiz Pelacani
Responsabilidade na
Construção Civil
Eng. Civil Valmir Luiz Pelacani
CURITIBA - 2010
5
Gestão 2010
PRESIDENTE: Eng. Agrônomo Álvaro José Cabrini Júnior
1º VICE-PRESIDENTE: Eng. Civil Gilberto Piva
2º VICE-PRESIDENTE: Eng. Civil Hélio Sabino Deitos
1º SECRETÁRIO: Técnico em Edificações Márcio Gamba
2º SECRETÁRIO: Eng. Mecânico Elmar Pessoa Silva
3º SECRETÁRIO: Eng. Agrônomo Paulo Gatti Paiva
1º TESOUREIRO: Eng. Civil Joel Kruger
2º TESOUREIRO: Engenheiro Eletricista Aldino Beal
DIRETOR ADJUNTO: Eng. Agrônomo Carlos Scipioni
[ conteúdo é de responsabilidade do autor ]
Cadernos do CREA-PR
N.° 1 - Ética e Responsabilidade Profissional
N.° 2 - Ética e Direitos Profissionais
N.° 3 - Ética e Organização Profissional
N.° 4 - Acessibilidade: Responsabilidade Profissional
N.° 5 - As Entidades de Classe e a Ética Profissional
N.º 6 - Responsabilidade Social
N.º 7 - Responsabilidade na Construção Civil
CREA-PR - Rua Dr. Zamenhof, 35 - CEP 80.030-320 - Curitiba - PR
Central de Informações: 0800-410067
E-mail: comunicacao@crea-pr.org.br
www.crea-pr.org.br
twitter.com/CREA_PR
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO ..................................................................... 13
INTRODUÇÃO ........................................................................... 14
1 DA ORIGEM DA CONSTRUÇÃO E NECESSIDADE AO SER HUMANO ..........................................................17
2 EVOLUÇÃO DA CONSTRUÇÃO EM HARMONIA AO URBANISMO ................................................................19
3 A INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL E SUAS BASES ................................................................................20
4 CONSTRUIR TRATA-SE DE CIÊNCIA EXATA? .................................................................................................21
Capítulo I - DIREITO DE CONSTRUIR E A HARMONIA NA
VIDA COMUNITÁRIA
1 DIREITO DE PROPRIEDADE: FUNÇÃO E EVOLUÇÃO ...................................................................................23
2 CONSTRUÇÃO OU EDIFICAÇÃO – QUAL A DIFERENÇA? .............................................................................23
3 O SIGNIFICADO DE “PRÉDIO” ..........................................................................................................................24
4 CONSTRUÇÃO E SEU LIMITE AO INICIAR ......................................................................................................25
Capítulo II - RESTRIÇÕES DE VIZINHANÇA À CONSTRUÇÃO
1 VIZINHANÇA E EXTENSÃO DE SEU CONCEITO ............................................................................................27
2 AVANÇAR A CONSTRUÇÃO E INVADIR O VIZINHO? SAIBA COMO NÃO INCORRER NESTE ERRO.........27
Capítulo III - LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS À
CONSTRUÇÃO
1 VINCULAÇÃO DAS RESTRIÇÕES DE VIZINHANÇA ÀS LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS EM PROL DO
BEM-ESTAR DA POPULAÇÃO .................................................................................................................................33
Capítulo IV - LIBERDADE DE USO DA PROPRIEDADE ........ 35
1 NORMALIDADE E ANORMALIDADE DE USO DA PROPRIEDADE .................................................................36
2 DIREITOS DO VIZINHO .....................................................................................................................................36
3 INCÔMODOS AO ATO DE CONSTRUIR: ATÉ ONDE SE CONSIDERA UM ERRO OU FALHA TÉCNICA? ....36
Capítulo V - RESPONSABILIDADES NA CONSTRUÇÃO CIVIL .. 39
1 RESPONSABILIDADE QUE INDEPENDE DE CULPA ......................................................................................40
1.1 RESPONSABILIDADE OBJETIVA ............................................................................................................40
1.2 RESPONSABILIDADE SUBJETIVA ..........................................................................................................41
2 PRIMEIRO PASSO ANTES DE CONSTRUIR: FAÇA UMA VISTORIA PRÉVIA DA VIZINHANÇA ...................41
Responsabilidade na Construção Civil 6 7
3 DAS RESPONSABILIDADES ADVINDAS DO ATO DE CONSTRUIR ...............................................................43
3.1 O FUNDAMENTO DA RESPONSABILIDADE ..........................................................................................44
3.1.1 CULPA E DOLO ............................................................................................................................45
3.2 FONTES DE RESPONSABILIDADES ......................................................................................................45
3.2.1 RESPONSABILIDADE LEGAL .....................................................................................................45
3.2.2 RESPONSABILIDADE CONTRATUAL .........................................................................................45
3.2.3 RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL .............................................................................45
3.3 DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR - CDC - ..........................................................................46
3.4 CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DAS RESPONSABILIDADES ...........................................................47
3.4.1 DA PERFEIÇÃO ...........................................................................................................................48
3.4.1.1 PRAZO PARA A RECLAMAÇÃO: DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO .............................48
3.4.1.2 DOS DEFEITOS ...........................................................................................................49
3.4.1.3 PENALIDADES .............................................................................................................50
3.4.1.4 DOS VÍCIOS OCULTOS OU REDIBITÓRIOS ..............................................................50
3.4.1.5 DOS VÍCIOS APARENTES, IMPERFEIÇÕES OU FALHAS APARENTES ..................52
3.4.1.6 DO NÃO ATENDIMENTO À RECLAMAÇÃO ................................................................52
3.4.2 DA SOLIDEZ E SEGURANÇA ......................................................................................................53
3.4.2.1 PRAZO DE GARANTIA E PRAZO PRESCRICIONAL ..................................................54
3.4.2.2 DO SOLO ......................................................................................................................56
3.4.2.3 SEQUÊNCIA PROFISSIONAL DE RESPONSABILIDADES ........................................56
3.4.3 DOS DANOS A VIZINHOS E TERCEIROS ..................................................................................58
3.4.3.1 CONCEITO E RESPONSABILIDADE DO “CONSTRUTOR” E PROPRIETÁRIO .......58
3.4.3.2 RUÍNA DE CONSTRUÇÃO; NÃO EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE DO
PROPRIETÁRIO ...........................................................................................................59
3.4.3.3 CONSTRUÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ....................................................60
3.4.3.4 MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO DEPOSITADOS ........................................................60
3.4.4 ÉTICO-PROFISSIONAL ...............................................................................................................60
3.4.4.1 FALTAS ÉTICAS ...........................................................................................................61
3.4.4.2 O PLÁGIO DE PROJETO .............................................................................................61
3.4.4.3 A USURPAÇÃO DE PROJETO.....................................................................................61
3.4.4.4 A ALTERAÇÃO DE PROJETO ......................................................................................61
3.4.5 TRABALHISTA E PREVIDENCIÁRIA ...........................................................................................62
3.4.5.1 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA .....................................................................................62
3.4.6 DOS FORNECIMENTOS ..............................................................................................................63
3.4.6.1 CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA ............................................................................63
3.4.6.1.1 EMPREITADA DE LAVOR ................................................................................................. 63
3.4.6.1.2 EMPREITADA DE MATERIAIS .....................................................................................63
3.4.6.1.3 DAIMPORTÂNCIADO REGISTRO DO CONTRATO DE EMPREITADA...........................63
3.4.6.2 CONSTRUÇÃO POR ADMINISTRAÇÃO .....................................................................64
3.4.6.2.1 RESPONSABILIDADE DA COMPRA DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO .................64
3.4.6.2.2 DA IMPORTÂNCIA DO REGISTRO DO CONTRATO DE EMPREITADA ....................64
3.4.6.2.3 RESPONSABILIDADE DO RECEBIMENTO DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO ...65
3.4.6.3 CONSTRUÇÃO POR TAREFA .....................................................................................65
3.4.7 DOS TRIBUTOS ...........................................................................................................................65
3.4.8 ADMINISTRATIVA .........................................................................................................................66
3.4.8.1 DO AUTOR DO PROJETO ...........................................................................................66
3.4.8.2 DAS SANÇÕES ADMINISTRATIVAS ...........................................................................67
3.4.9 DO DESABAMENTO ....................................................................................................................68
3.4.9.1 TRIPLA FINALIDADE DE PUNIÇÃO E REFLEXOS NOS DIFERENTES RAMOS DO
DIREITO ........................................................................................................................68
3.4.9.2 DO CÓDIGO PENAL.....................................................................................................69
3.4.9.2.1 DA ATITUDE DOLOSA ..................................................................................................69
3.4.9.3 CASO PARTICULAR DA IMPLOSÃO DE CONSTRUÇÃO ..........................................69
3.4.9.4 DA QUEDA DE MATERIAL OU FERRAMENTAS DE CONSTRUÇÃO ........................70
3.4.9.4.1 DO PERIGO EVENTUAL ..............................................................................................70
3.4.9.5 DO ESTADO DE RUÍNA DA CONSTRUÇÃO ...............................................................71
3.4.10 DA CONSTRUÇÃO CLANDESTINA .............................................................................................71
3.4.10.1 RESPONSABILIDADE DO CONSTRUTOR OU DO PROPRIETÁRIO ........................72
3.4.10.2 DO PROMISSÁRIO COMPRADOR ..............................................................................72
3.4.10.3 SANÇÕES .....................................................................................................................72
3.4.10.3.1 MULTA ..........................................................................................................................72
3.4.10.3.2 EMBARGO ...................................................................................................................72
3.4.10.3.3 DEMOLIÇÃO ................................................................................................................73
3.4.10.4 DAS ADAPTAÇÕES POSTERIORES ÀS NORMAS ....................................................73
3.4.11 DA FISCALIZAÇÃO MUNICIPAL ..................................................................................................73
Capítulo VI - DA ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE
NA CONSTRUÇÃO
1 EM LEGÍTIMA DEFESA ......................................................................................................................................75
2 EM ESTADO DE NECESSIDADE ......................................................................................................................75
3 EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO RECONHECIDO ..............................................................................75
4 OCORRÊNCIA DE CASO FORTUITO ...............................................................................................................75
5 DE FORÇA MAIOR .............................................................................................................................................75
6 DO FATO NECESSÁRIO À ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE. NÃO CONFUNDIR COM IMPREVISIBILI-
DADE .........................................................................................................................................................................76
6.1 DO DESGASTE NATURAL OU FALTA DE MANUTENÇÃO.....................................................................76
6.2 PROVOCADO POR TERCEIROS ............................................................................................................79
Responsabilidade na Construção Civil 8 9
Capítulo VII - PATOLOGIA DE EDIFICAÇÕES - FALHAS
TÉCNICAS E DEFEITOS - CASOS PRÁTICOS DE
PERÍCIA EM CONSTRUÇÃO .............................. 81
1 PATOLOGIA DAS CONTRUÇÕES .....................................................................................................................82
1.1 ORIGENS..................................................................................................................................................82
1.1.1 EXÓGENA ....................................................................................................................................82
1.1.2 ENDÓGENA ..................................................................................................................................83
1.1.3 NA NATUREZA .............................................................................................................................83
1.2 ESTATÍSTICAS DE INCIDÊNCIA DAS PATOLOGIAS..............................................................................84
2 ESTUDO DE CASOS: .......................................................................................................................................86
2.1 FALHAS TÉCNICAS .................................................................................................................................86
2.2 DESABAMENTOS ....................................................................................................................................94
2.2.1 A IDÉIA DE INSPEÇÃO PREDIAL OBRIGATÓRIA ......................................................................95
2.3 FISSURAS ..............................................................................................................................................101
2.3.1 FISSURAS POR RETRAÇÃO ....................................................................................................103
2.3.2 FISSURAS POR VARIAÇÃO DE TEMPERATURA ....................................................................105
2.3.3 FISSURAS POR ESFORÇOS ....................................................................................................106
2.3.3.1 DE TRAÇÃO ...............................................................................................................106
2.3.3.2 DE COMPRESSÃO OU FLAMBAGEM DE ARMADURAS .........................................107
2.3.3.3 DE FLEXÃO ................................................................................................................108
2.3.3.4 POR FORÇA CORTANTE OU CISALHAMENTO .......................................................109
2.3.3.5 POR TORÇÃO ............................................................................................................ 110
2.3.4 FISSURAS POR CORROSÃO DA ARMADURA EM CONCRETO ARMADO ............................ 110
2.3.5 RECALQUE DE FUNDAÇÕES ................................................................................................... 113
2.3.6 FISSURAS POR MOVIMENTAÇÃO HIGROSCÓPICA .............................................................. 114
2.3.7 FISSURAS POR ASSENTAMENTO PLÁSTICO ........................................................................ 115
2.3.8 FISSURAS POR MOVIMENTAÇÃO DE FORMAS E ESCORAMENTOS .................................. 116
2.4 MOVIMENTO DE TERRAS/BULBO DE PRESSÃO E PERDA DE RESISTÊNCIA DE ESTACAS DE
DIVISA – RECALQUE DIFERENCIAL .................................................................................................... 116
2.5 ALTERAÇÃO DE UMIDADE/SATURAÇÃO DO SOLO ARGILOSO EM TERRENO VIZINHO .. 118
2.5.1 CASO DE AÇÃO JUDICIAL ........................................................................................122
Capítulo VIII - A FALHA OU O ERRO; ASPECTOS
PSICOLÓGICOS ENVOLVENTES .................... 123
1 COMO O SER HUMANO SE COMPORTA COM O PRÓPRIO ERRO OU FALHA? ........................................123
2 ELE ESTÁ PREPARADO PARA ENFRENTAR O PRÓPRIO ERRO OU FALHA? QUAL A CONSEQUÊNCIA
DISTO? ....................................................................................................................................................................124
3 O SER HUMANO TRANSFERE SUAS FALHAS PESSOAIS EM UMA ATIVIDADE OU FUNÇÃO OU PROFIS-
SÃO QUE ELE EXERÇA FUTURAMENTE? COMO E POR QUÊ ISTO ACONTECE? ........................................127
Capítulo IX - NOTAS E CONCLUSÃO DO AUTOR
1 A ARTE DE CONSTRUIR: SITUAÇÃO PARADOXAL .....................................................................................129
2 PERGUNTAS E RESPOSTAS. O QUE É MAIS IMPORTANTE? .....................................................................129
Referência Bibliográca ........................................................ 135
CC = Código Civil Brasileiro;
CDC = Código de Defesa do Consumidor;
CP = Código Penal Brasileiro;
ABNT = Associação Brasileira de Normas Técnicas;
NBR = Normas Técnicas Brasileiras
Responsabilidade na Construção Civil 10 11
Responsabilidade na
Construção Civil
Responsabilidade na Construção Civil 12 13
APRESENTAÇÃO
A presente publicação traz como contribuição aos profissionais da constru-
ção civil informações importantes com relação às responsabilidades no momen-
to do exercício da profissão em obras e serviços. O assunto é extremamente atu-
al e as informações necessárias ao ético exercício profissional. No texto o autor
relata o resultado de um extenso trabalho científico alicerçado no conhecimento
do dia a dia da profissão e na relação com o contratante e o meio relacionado
ao local onde a obra ou serviço está sendo executado. Traça com propriedade
as responsabilidades legal, contratual e extracontratual, suas características e
penalidades impostas ao profissional, passando pelo que diz o Código de Defesa
do Consumidor, as legislações e prazos vigentes com relação a garantia, por
exemplo. Traz ainda inúmeras situações pelas quais muitos profissionais já se
depararam ou ainda virão a vicenciar no exercício das profissões e que contri-
buem sem dúvida para uma conduta ética e responsável.
Que esta leitura subsidie os profissionais que atuam na área da construção
civil e que incentive contribuições para próximas publicações a serem editadas
pelo CREA-PR.
Boa leitura a todos.
Eng. Agr. Álvaro Cabrini Jr
Presidente do CREA-PR
Responsabilidade na Construção Civil 14 15
INTRODUÇÃO
A indústria da construção civil trata essencialmente de atividades que envol-
vem conhecimentos técnicos especializados e conhecimentos jurídicos que se
integram e consequentemente se harmonizam nas características do conjunto
engenharia-legal, engenharia-direito.
Este trabalho visa, além de aspectos jurídicos diretamente relacionados à
atividade de construir, aos cuidados e precauções com a vizinhança que devem
ter os profissionais e proprietários, quando assim exercem esta atividade, acom-
panhando e tratando tecnicamente alguns exemplos de defeitos, anomalias ou
patologias em trabalhos periciais, de experiência do autor ao longo destes mais
de vinte anos, bem como, em análise de resultados/sentenças de ações judiciais
pertinentes, sem contudo, ter a pretensão neste momento, com esta colabora-
ção literária, de esgotar o assunto.
Temos a intenção precípua de que os interessados e detentores do conheci-
mento técnico da atividade de construir, possam se familiarizar, onde por mais
que queiramos não devemos tapar nossa mente e nossa visão – e é aí que pre-
tendemos, modestamente, atingir do leitor, esta precaução e, até servindo de
alerta a determinadas situações que surgem na atividade de construir, que não
somente pelo fato das imprevisões estarem previstas em lei, pois elas aconte-
cem e com bastante frequência, acreditem os senhores leitores ou não.
Responsabilidade na Construção Civil 16 17
1 DA ORIGEM DA CONSTRUÇÃO
E NECESSIDADE AO SER HUMANO
Sabemos que a construção remonta às origens da humanidade. Meirelles
(1996) enfatiza que a intuição do perigo e o instinto de conservação levaram o
homem a procurar abrigo nos recôncavos da natureza. Depois, escavou a rocha
e habitou a caverna; abateu a árvore e fez a choupana; lascou a pedra e cons-
truiu a casa; argamassou a areia e ergueu o palácio; forjou o ferro e levantou o
arranha-céu, num lento e perene aprimoramento da técnica de construir, que
marcou o advento da Engenharia e da Arquitetura.
Construindo a habitação, o homem construiu a cidade. Urbanizou-se. Sur-
giram os problemas de segurança, de higiene e de estética; reclamando uma
arte – o Urbanismo, para ordenar os espaços habitáveis e uma técnica para o
cultivo do campo – a Agronomia.
Na cidade, passou o homem a desenvolver suas funções sociais precípuas –
habitar, trabalhar, circular, recrear, utilizando-se da propriedade particular e dos
bens públicos, num estreitamento, cada vez maior, das relações comunitárias.
Daí adveio a necessidade de normas técnicas reguladoras da construção e de
regras legais normativas do Direito de Construir.
Martins (2001) traduz em sua obra literária, que o consumidor em sua
aquisição de uma habitação na cadeia produtiva tem, de acordo com Cabrita
(1990), vários objetivos de qualidade, e apontado por Gomes (1990), como
sendo o elemento mais fraco da cadeia produtiva, pois na maioria das situa-
ções, ele não intervém na escolha ou decisão sobre o local da construção, rara-
mente influi no projeto, e não lhe é permitido interferir na execução da obra.
Completa ainda que, o conceito da qualidade inverte este papel onde o
consumidor de mero espectador, é transformado em ator principal, e Paladini
(1994) chama a atenção a este respeito, com a seguinte colocação: “a meta de
uma empresa é atender ao consumidor, porque não há outro meio de se manter
no mercado e, sem isso, a sobrevivência da organização está ameaçada. E nes-
ta situação, a empresa depende do consumidor e não o contrário”.
Existe, segundo Ross (1988), a necessidade de estabelecer um elo de liga-
ção entre o consumidor, os projetistas e os empresários construtores. Ocorre em
muitos casos, uma incompatibilidade entre o consumidor e os construtores, que
Responsabilidade na Construção Civil 18 19
pode chegar a um impasse, no que se refere aos objetivos e ao ponto de vista de
cada um em relação à qualidade do produto. Contudo, o consumidor é afetado
pela configuração, pelo custo, bem como por qualquer eventualidade prejudicial
que venha a ocorrer com o produto adquirido.
Conclui ainda que, na atualidade, e cada vez mais no futuro é necessário
tratar a questão da qualidade habitacional não como uma mera questão norma-
lizadora e técnica, mas, sobretudo, como a busca ao atendimento à satisfação
das necessidades sociais do bem-estar e da qualidade de vida do ser humano.
2 EVOLUÇÃO DA CONSTRUÇÃO
EM HARMONIA AO URBANISMO
Meirelles (1996) destaca que a construção, com origens em atividade leiga
e individual, evoluiu para uma atividade técnica e social. O sedentarismo, o
trabalho habitual como meio de subsistência e a invenção da cidade passaram
a exigir habitações duradouras e afeiçoadas às imposições sociais.
A construção civil, como atividade técnica, sucedeu à construção bélica, e
seus profissionais formaram-se, inicialmente, nas escolas de Engenharia Militar,
e para atender à diversidade da construção civil e à perene evolução de sua
técnica, as primitivas escolas de Engenharia Militar se foram transmudando em
escolas mistas – militar e civil. Depois se desmembraram em cursos autônomos
e, afinal, as escolas de Engenharia Civil se transformaram em escolas politécni-
cas, repartindo seus cursos nas várias especializações contemporâneas. Pouco
a pouco, as construções de paz sobrepujaram as obras de guerra, as fortifica-
ções e os engenhos bélicos.
Meirelles (1996) relata que principiou com a edificação urbana, estendeu-
se gradativamente a todos os domínios da atividade pacífica do homem como
fator de progresso e elemento de civilização. Transformou-se em indústria – a
indústria da construção civil, descobriu novos campos, aplicou novas técnicas,
utilizou novos materiais, solicitou novas especializações, ensejando, assim, o
florescer da Engenharia Civil e da Arquitetura e, paralelamente, o alvorecer do
Urbanismo.
Finalmente, a complexidade da vida urbana e a trama das metrópoles con-
verteram a construção numa atividade eminentemente técnica e especializada,
privativa de profissionais habilitados, que porfiam em adaptar a estrutura e a
forma à função social que a construção desempenha em nossos dias.
Responsabilidade na Construção Civil 20 21
3 A INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO
CIVIL E SUAS BASES
A influência que a construção civil – notadamente a habitação (MEIRELLES–
1996), passou a ter na vida do indivíduo e na existência da comunidade exigiu
sujeição dessa atividade às normas técnicas e normas legais que assegurassem
ao proprietário a solidez e a perfeição da obra contratada e pusessem a coleti-
vidade a salvo dos riscos da insegurança das edificações.
Estabeleceram-se, assim, requisitos mínimos de solidez, higiene, funciona-
lidade e estética das obras, a serem atendidas desde a elaboração do projeto
até sua cabal execução, o que exige do Poder Público permanente e atenta
fiscalização, para sua fiel observância.
Além disso, desde que a construção civil se transformou numa atividade,
passou a exigir profissionais habilitados e auxiliares especializados nos vários
elementos e serviços que compõem a edificação particular e a obra pública.
Todos esses aspectos relacionados com a construção civil constituirão objeto
de estudo nos tópicos subsequentes desta obra literária.
4 CONSTRUIR TRATA-SE DE CIÊNCIA EXATA?
Em toda a atividade humana que envolve a utilização de conhecimento,
tratamento manual e observatório do ser humano, onde podemos enumerar na
construção civil a função do mestre de obras, do construtor, do arquiteto, do
engenheiro, do pedreiro, do carpinteiro, advém conjuntamente e comumente
de tudo o que o ser humano traz de bagagem consigo (a contar principalmente
da atitude frente ao seu conhecimento e experiência ou não do conhecimento
e da experiência ética e técnica), em poder observar, reconhecer e transferir na
aplicação ou no desempenho de sua função profissional, em algum momento,
inegavelmente, poderão vir a ocorrer falhas.
“Falhas ou erros da atividade profissional” que trataremos, também, nesta
obra literária, já a nível de parecer psicológico – frente a um parecer de profis-
sional da área, onde avalia que enquanto atividade de construir, transcende a
área da ciência exata.
Em juízo ou opinião sem fundamento preciso, e, pois, raciocinando em ní-
vel aquém do científico, acredito, até como profissional da área de engenharia e
já construir, inclusive para uso próprio, que depois de solucionarmos viavelmen-
te e solidariamente e/ou até a passar a conviver na construção com algumas
situações negativas de mínima ordem, é certo: TEMOS QUE NOS PREPARAR,
NÃO SÓ TECNICAMENTE E JURIDICAMENTE, MAS, E PRINCIPALMENTE,
PSICOLOGICAMENTE PARA CONSTRUIR.
Responsabilidade na Construção Civil 22 23
Capítulo I
DIREITO DE CONSTRUIR E A HARMONIA NA VIDA COMUNITÁRIA
1 DIREITO DE PROPRIEDADE: FUNÇÃO E EVOLUÇÃO
Meirelles (1996) bem inicia sua composição literária, descrevendo que o
direito de propriedade é o que afeta diretamente as coisas corpóreas – móveis
ou imóveis, subordinando-as à vontade do homem. O direito de propriedade é
real, no sentido que incide imediatamente sobre a coisa e a segue em todas as
suas mutações e, o domínio particular se vem socializando ao encontro da afir-
mativa de Léon Duguit
*1
, de que: “a propriedade não é mais o direito subjetivo
do proprietário; é a função social do detentor da riqueza.”
Alves (1999) destaca: “Com efeito, o direito de propriedade é considerado
não-ilimitado e de exercício condicionado. Sempre o fora, mas hoje o elemen-
to social, nele implícito, aflora de modo palmar”.
Inegavelmente, a afirmativa de René Dekkers
*2
, transcrito por Alves (1999),
procede em todo os seus termos, em que os progressos da tecnologia e o êxodo
do campo à cidade densificaram a sociedade moderna, de tal modo que os con-
flitos entre vizinhos se tornaram praticamente inevitáveis, e que, a vizinhança,
como círculo social, organismo social, antecedeu a propriedade imóvel. Essa
surgiu com a intervenção, e apenas aí, operada pelo elemento territorial, causa
mesma de evolução do grupo social.
2 CONSTRUÇÃO OU EDIFICAÇÃO – QUAL A DIFERENÇA?
Inicialmente, impõe-se a fixação de alguns conceitos técnicos da construção ci-
vil:
Construção e edificação são expressões técnicas de sentido diverso, comu-
mente confundidas pelos leigos.
Construção é o gênero, do qual a edificação é a espécie.
Construção, em sentido técnico, oferece-nos o duplo significado de atividade
e de obra.
1
Las Transformaciones Generales del Derecho Privado, ed. Posada, p. 37, 1931
2
Regime Democrático e o Direito Civil Moderno, p.233, 1937
Responsabilidade na Construção Civil 24 25
Como atividade, indica o conjunto de operações empregadas na execução
de um projeto; como obra, significa toda realização material e intencional do
homem, visando adaptar a natureza às suas conveniências. Neste sentido, até
mesmo a demolição se enquadra no conceito de construção, porque objetiva,
em última análise, a preparação do terreno para subsequente e melhor apro-
veitamento.
Edificação é a obra destinada a habitação, trabalho, culto, ensino ou recre-
ação. Nas edificações distingue-se, ainda, o edifício das edículas: edifício é a
obra principal; edículas são as obras complementares (garagem, dependências
de serviços etc).
Alves (1999) trata o termo construção que, a exemplo de edificação, é obra.
Toma-se, com ele, a obra pelo gênero, de que espécie são a edificação, a demo-
lição, a reforma, a reconstrução, a reparação. Se se destina, coberta, a abrigar
atividade humana ou qualquer instalação, equipamento e material, a obra de
construção denomina-se edificação.
3 O SIGNIFICADO DE “PRÉDIO”
Comumente, ouvimos e até tratamos, genericamente, em mais de um termo
o significado de construção: o termo construção propriamente dito, a edificação,
e atribuímos um terceiro termo: “prédio” mais às edificações de médio a grande
porte, principalmente quando possui mais de um pavimento.
Mas, o vocábulo “prédio” em Direito, significa, genericamente, a proprie-
dade fundiária: a terra com suas construções e servidões; mas, na linguagem
comum, o termo “prédio” vem-se tornando privativo da construção, ou mais
propriamente da edificação, onde se encontra com freqüência nas escrituras
de alienação, a referência específica: “terreno e prédio nele construído ...”
(MEIRELLES –1996).
Alves (1999) bem complementa que no conceito de prédio integram-se o
de subsolo, solo e sobressolo. Ainda, o de edificação ou, mais largamente, o de
construção. A ideia de prédio é mais ampla que a de terreno, pedaço da terra,
que está no substrato.
4 CONSTRUÇÃO E SEU LIMITE AO INICIAR
Alves (1999) conceitua, no sentido próprio, que obra é a realização de tra-
balho no bem imóvel do usuário vizinho, desde seu início até a conclusão,
implicando o resultado na alteração do estado físico anterior.
*3
Os materiais
destinados a qualquer construção, quando ainda não utilizados, são tratados e
conservam a qualidade de bens móveis (CC/2002, art.84)).
Sobre este título, bem observa Meirelles (1996) que, essa é a orientação
correta nas construções, principalmente nas edificações urbanas, que consti-
tuem a tessitura*
4
dos bairros, e dela dependem o bem-estar recíproco dos vizi-
nhos e a harmonia na vida comunitária. Daí por que o particular pode exigir de
seu vizinho, o respeito às normas administrativas e urbanísticas da construção,
tão essenciais como às restrições civis de vizinhança*
5.
Como já vimos em capítulo anterior, entende-se por construção toda rea-
lização material e intencional do homem, visando adaptar o imóvel às suas
conveniências.
Tanto é construção a edificação ou a reforma como a demolição, a muração,
onde todo aquele que se ergue rente à linha de divisa destinado à vedação
de suas propriedades/pertencente a quem o constrói (C/C2002, arts.1.297 e
1.327 a 1.330), nunca podendo ser utilizado como elemento de sustentação.
Meirelles (1996) destaca que as paredes divisórias são as que integram a estrutu-
ra do edifício na linha de divisa, com duas possibilidades legais de assentamento:
Parede somente no seu terreno ou até meia espessura no interior do terreno vizi-
nho; no primeiro caso, o vizinho que necessitar utilizá-la para travamento, desde que su-
porte, terá que pagar meio valor da parede e do chão correspondente, e, no segundo caso
terá que pagar metade do valor da parede e, mesmo tratando-se de parede-meia insu-
ficiente para suportar a obra do vizinho, este terá que fazer nova parede, rente a primei-
ra, como também não poderá embutir, sem consentimento do vizinho, armários ou obras
semelhantes correspondendo a outras, do lado oposto – de modo a por em risco a sua se-
gurança – fornos de forja ou fundição, canos de esgoto, fossos, aparelhos higiênicos,
depósito de sal ou de substâncias corrosivas (C/C2002, arts.1.305 a 1.308, sendo mais
prudente a não prática de parede-meia, evitando-se inconvenientes de ordem técnica),
a escavação, o aterro, a pintura e demais trabalhos destinados a beneficiar, tapar (enten-
3
Código de Obras e Edificações do Município de São Paulo, Lei 11228 / 92, Anexo I, 1-1.
4
As Limitações Urbanísticas que são todas as imposições do Poder Público destinadas a organizar os espaços habitáveis (área em
que o homem exerce coletivamente qualquer das seguintes funções sociais: habitação, trabalho, circulação, recreação), de modo
a propiciar ao homem as melhores condições de vida na comunidade.
5
A invenção da cidade regular e a enunciação das primeiras regras de Urbanismo, no século IV a.C., atribuem-se a Hipodamus
de Mileto.
Responsabilidade na Construção Civil 26 27
de-se todo meio de vedação da propriedade urbana e rural, permitido pelas normas ad-
ministrativas, incluindo os muros, cercas, sebes vivas, gradis, valos, tabiques de proteção
aos edifícios em construção e o que mais se destina a separar, vedar ou proteger o imó-
vel ou impedir o devassamento do prédio), desobstruir, conservar ou embelezar o prédio.
Capítulo II
RESTRIÇÕES DE VIZINHANÇA À CONSTRUÇÃO
Faremos menção, que restringiremos, nesta obra literária, nosso estudo aos
aspectos físicos das restrições de vizinhança, não objetivando alcançar, portan-
to, de todos os tipos de ações judiciais cabíveis para cada caso (indenizatória,
demolitória, nunciação de obra nova etc).
1 VIZINHANÇA E EXTENSÃO DE SEU CONCEITO
Para fins de Direito, o conceito de vizinhança abrange, na sistemática do
Código Civil brasileiro, não só os prédios confinantes como os mais afastados,
desde que sujeitos às consequências do uso nocivo das propriedades que os
rodeiam, que nem por isso ficam desprotegidos contra os danos de vizinhança.
Vinculam não só proprietário (titular do domínio) como o possuidor do imóvel
a qualquer título legítimo (compromissário comprador, locatário, comodatário
etc).
2 AVANÇAR A CONSTRUÇÃO E INVADIR O VIZINHO? SAIBA COMO
NÃO INCORRER NESTE ERRO
De invasão em área vizinha, a primeira regra é que não pode avançar a cons-
trução além da meia espessura da parede sobre a linha divisória, tanto quanto
os alicerces são colocados além dos limites do terreno quanto ao avanço dos
pavimentos superiores – balanços.
Meirelles (1996) destaca ainda quanto a possíveis situações de invasão em
vizinhança previstas em lei, a saber:
a) Goteiras oriundas de beiral de telhado não devem ser despejados sobre o prédio vi-
zinho, quando por outro modo não possa evitar a goteira (CC/2002, art.1.300), que
com a utilização de calhas que recolham as goteiras e não as deixem cair na pro-
priedade vizinha, poderá encostar o telhado na linha divisória – não se opondo o vi-
zinho (expressa ou tacitamente*
6
) dentro de um ano e dia do término da construção,
decairá do direito de exigir que se desfaça essa situação (CC/2002, art.1.302)*
7
;
Grandiski (2001) traz sua valiosa colaboração quanto ao prescrito no
art.1.289 do Código Civil, e cita interessante caso ocorrido, onde fora construí-
do prédio de 17 (dezessete) andares, justaposto à divisa da casa vizinha, que na
6
Do termo “tacitamente”, AURÉLIO, página 1346, 4. Tácito, explica: “Que, por não ser expresso, de algum modo se deduz”.
7
GRANDISKI ( 2001 ) colabora em seu valioso trabalho – 2º TACIVIL – Ap. c/ Rev. 538.263 – 7ª Câm. – Rel. Juiz Miguel Cucinelli
– j. 22.09.1998: Direito de vizinhança – Nunciação de obra nova – Construção de beiral que invade terreno vizinho. A existência
de beiral por sobre terreno alheio não traz qualquer direito àquele que construiu, pois violado o direito de propriedade do vizinho
contíguo.
Responsabilidade na Construção Civil 28 29
época a legislação permitia. A calha da casa vizinha estava bem dimensionada
para receber as águas pluviais de seu telhado, mas tornou-se insuficiente com o
aumento da vazão provocado pelas chuvas que incidiam no paredão construído
do prédio, provocando danos na casa. A construtora, que apenas havia provi-
denciado a colocação de rufo, transferindo as águas para a calha vizinha, foi
aconselhada a reconhecer sua falha, criando nova calha acima do telhado do
vizinho, para receber esta nova contribuição de águas pluviais provocada pela
ação do vento, canalizando-a para a rua, conforme esquema abaixo.
fonte: Grandiski (2001) – Caso prático de perícia
judicial de obrigação de canalização de águas,
em direito de vizinhança.
b) Para janela, terraço ou varanda é defeso a construção a menos de metro e meio da
divisa do vizinho (CC/2002, art.1.301 ), entendendo que janela é qualquer abertu-
ra ou vão de mais de 10 centímetros de largura ou de mais de 20 centímetros de com-
primento com qualquer material vedante ou não, desde que permita a passagem de luz*
8

e, que terraço e varanda significam os espaços abertos interna ou externamente nos pré-
dios, envidraçados ou não*
9
; as janelas cuja visão não incida sobre a linha divisó-
ria, bem como as perpendiculares, não poderão ser abertas a menos de 75 centímetros;
c) De árvores que se encontram na linha divisória – presume-se pertencer em comum
aos confrontantes (CC/2002, art.1.282) ou nas suas proximidades e que interferem nas
construções com suas raízes, galhos, folhas – quando avançando sobre o vizinho poderá
cortá-lo no plano vertical divisório (CC/2002, art.1.283) ou frutos – que pertence a am-
bos quando a árvore se achar na linha divisória dos prédios (CC/2002, art.1.284) e, es-
tando fora da linha divisória só pertencerá ao vizinho os que se desprenderem da árvore
e cair em seu lado, pertencendo a quem apanhar quando cair em via ou terreno público;
d) A canalização das águas pelos vizinhos, através de prédios alheios, é permitida pelo
Código de Águas (CC/2002,arts. 1.288 a1.296), desde que sejam indenizados os pro-
prietários prejudicados e o aqueduto (canos, tubos, manilhas etc) não atravesse chácaras
ou sítios murados, quintais, pátios, hortas, jardins, bem como casas de habitação e suas
dependências, sendo justificada quando para atender às primeiras necessidades de vida,
para os serviços da agricultura ou da indústria, escoamento de águas superabundantes ou
para o enxugo e drenagem dos terrenos, e abrange a condução, captação e represamen-
to da água; o proprietário do terreno em nível inferior não pode se escusar de receber as
águas pluviais ou correntes que desçam naturalmente do terreno superior, não podendo o
vizinho achado em nível superior piorar a condição de escoamento, alterando o desagua-
douro, confinando as águas, ou nelas adicionando outras que não as compunham ante-
riormente, pode ser impedida pelo prejudicado que tem direito a exigir que se desfaçam as
obras prejudiciais, se restabeleça a situação anterior de escoamento e se lhe indenizem os
danos consumados (ver exemplo de trabalho pericial deste autor, em capítulo posterior);
Grandiski (2001) complementa que as despesas correrão por conta do dono
do prédio superior, e, se houver possibilidade de encaminhamento de parte das
águas pluviais do prédio superior diretamente à rua para a qual faz frente, o
vizinho inferior não estará obrigado a recebê-las*
10
.
e) A entrada em prédio vizinho para reparações, construções e limpezas (CC/2002, art.
1.313) são permitidas, desde que previamente informado e condicionado à necessidade
das construções (exemplo: reboco externo de parede divisória com execução de andaimes),
reparações em geral, limpeza ou cortes de árvores, eminentemente de caráter temporário.
Alves (1999) complementa, que não se haveria pré-excluir do campo de
incidência da lei o trabalho de demolição*
11
, muita vez pressuposto fático à
reconstrução mesma, ou à reparação, ou quiçá, à limpeza;
f) Em condomínio de apartamentos para quaisquer fins, onde além do já avençado, é regula-
do pela Lei Federal nº 4.591, de 1964 que impedem:
I e II – a manutenção da estrutura e do aspecto original do edifício (alterar a forma, tonalidade
ou cores diversas externa da fachada no conjunto da edificação, ou parte ou em esquadrias
externas ).
8
São permitido frestas para dar passagem à luz nas paredes divisórias nunca maiores de 10 centímetros de largura sobre 20 centíme-
tros de comprimento ( Artigo 1301, parágrafo 2º do Código Civil ) e construídas a mais de dois metros de altura de cada piso.
9
GRANDISKI ( 2001 ) traz em seu trabalho - DJU 06/12/99 – RESP 229164 STJ – Maranhão (99/0080312-4) – Rel. Ministro
Eduardo Ribeiro - ementa: Nunciação de obra nova. Abertura de janela. Não se opondo o proprietário, no prazo de ano e dia, à
abertura de janela sobre seu prédio, ficará impossibilitado de exigir o desfazimento da obra, mas daí não resulta siga obrigado ao
recuo de metro e meio ao edificar nos limites de sua propriedade.
10
GRANDISKI ( 2001 ) colabora em seu trabalho trazendo do 2º TACIVIL – Ap. c/ Rev. 478.751 – 9ª Câm. – Rel. Juiz Ferraz de
Arruda – j. 05.03.1997: Responsabilidade civil – Danos em prédio urbano – Irregular escoamento de água – Culpa do proprietário
do imóvel superior – Indenização – Cabimento. Pela lei civil, o dono do prédio inferior está obrigado a receber as águas naturais
ou artificiais do prédio superior, contudo, o proprietário deste há de cuidar de que o escoamento se faça de maneira a não causar
dano à propriedade inferior.
11
Gabriele Pescatore, Della Proprietá, III, p.204.
CALHA ADICIONAL
NECESSÁRIA
Prédio
construído
Responsabilidade na Construção Civil 30 31
fonte: PELACANI (2006) – Detalhe do beiral da cobertura da
churrasqueira executada após “habite-se” no pavimento superior
do apartamento duplex – 17º andar do edifício. Participei como
assistente técnico, onde originou ação judicial do condomínio
contra o proprietário, alegando “alteração de fachada”. Vista lateral
esquerda, da calçada oposta ao do edifício.
Grandiski (2001) destaca para este tópico ainda que, a alteração de facha-
da é sempre assunto polêmico, a começar pela própria definição do que seja a
fachada, entendida nas perícias como “a superfície mais externa que envolve a
construção”.
Segundo o Prof. Alexandre Albuquerque, seria o “alçado da parte exterior
de um edifício”, sendo o termo “alçado” em tudo o que for visível de um ponto
externo à fachada faria parte dela.
Quando a alteração for de pequena monta, sem comprometer a segurança
do imóvel, não prejudicando alguém ou o aspecto estético da fachada (exemplo:
substituição de esquadria de ferro por outra semelhante, mas em alumínio),
mas preservando vidas humanas, tais como as colocações de redes protetoras.
As cores das esquadrias externas não podem ser alteradas pelo condômino,
quebrando a uniformidade da fachada. Portanto, ao substituir esquadrias de
ferro por outras de mesmo tipo, mas de alumínio, este deverá ser pintado na
cor original. Já o forro da cortina interna não faz parte da fachada, e, portanto,
poderia ser de qualquer cor, embora afetando o aspecto visível externamente.
Neste caso, a convenção poderia especificar previamente a cor do forro das
cortinas, uniformizando esse aspecto externo*
12
*
13
*
14
.
III – preservação da finalidade do prédio, segurança da edificação e o bem-
estar dos condôminos e ocupantes*
15
;
IV – utilização das áreas e equipamentos comuns;
g) Como últimas restrições destacamos as individuais e gerais, onde a primeira serve para
atender a interesses peculiares de vizinhos e, de maneira geral como inibição de incômo-
dos para o confrontante (tipo de construção que possa tirar a vista panorâmica ou causar
sombreamento) e, a segunda, de ordem urbanística, comum e frequentes nos loteamentos,
visando assegurar ao bairro os requisitos urbanísticos convenientes (plano diretor do muni-
cípio – que rege o uso e ocupação do solo individualizados por bairro – classificado em lei
de zoneamento – zonas residencial/comercial /industrial/especial, com suas atividades per-
mitidas, recuos exigidos, taxa de ocupação de solo, coeficiente de aproveitamento, delimi-
tação da zona urbana permitido regido por legislação urbana específica) à sua destinação.
12
TJRJ – Ap.Civ. 4054/94 – Reg. 31/10/94 – 8ª Câm.Cív. – Unân. Des. Laerson Mauro – Julg. 13/09/94: Condomínio – Alteração
de fachada – Inocorrência. Colocação de película de “insufilme”. Alteração de fachada. Inocorrente. Edifício construído em centro
de terreno, com fachada em vidro, inteiramente ao sol, todo o dia. A colocação de película de insufilme, para amenizar os efeitos
incômodos dos raios solares nas unidades autônomas, a princípio não implica em modificação da fachada e estética do prédio, tal
como concluiu a perícia, mas deve-se reconhecer ao Condomínio a faculdade de regulamentar a matéria, visando à uniformização
e padronização da obra.
13
TJESP, Ap. 116.406-2, 16ª Câm.: Alteração de fachada do pavimento térreo do edifício. Admissibilidade. Prova Pericial no sentido
da valorização da fachada, bem como no da inocorrência de comprometimento estético do conjunto. Hipótese, ademais, de exis-
tência de distância suficiente entre a obra em questão e o prédio de apartamentos. Recurso provido.
14
TJSP – 9ª Câm. de Direito Privado; AC n.º 116.497.4/2 – SP; Rel. Des. Ruiter Oliva; j. 28/9/1999.
15
2º TACIVIL – Ap. c/Rev. 488.076 – 6ª Câm. – Rel. Juiz Thales do Amaral – J. 06.08.1997: Responsabilidade Civil – Indenização
– Danos em prédio urbano – Obras realizadas por vizinho. Ação Cominatória. Danos em prédio urbano. Edifício de apartamentos.
Compete ao proprietário do imóvel superior proceder aos reparos para que cessem vazamentos e infiltrações que danificam o imóvel
inferior. Recurso improvido.
Responsabilidade na Construção Civil 32 33
Capítulo III
LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS À CONSTRUÇÃO
1 VINCULAÇÃO DAS RESTRIÇÕES DE VIZINHANÇA ÀS LIMITAÇÕES
ADMINISTRATIVAS EM PROL DO BEM-ESTAR DA POPULAÇÃO
Meirelles (1996) traduz a questão da restrição de vizinhança (abordado no
capítulo anterior), como sequencial às limitações administrativas na atividade
de construir.
Das limitações administrativas, que protegem, genericamente, a coletivida-
de (em benefício do bem-estar da comunidade tendo em vista a função social
da propriedade, onde já tratamos neste trabalho anteriormente), muito bem
afirma, Gustavo Filadelfo Azevedo: “O Direito de Construir está sujeito às res-
trições de caráter regulamentar, destinadas a impedir o uso da propriedade
de forma nociva à saúde, contrária à segurança ou qualquer outro motivo de
interesse público dessa natureza, com liberdade ampla, dentro da órbita re-
clamada pelo bem-estar coletivo e do respeito à substância do próprio direito
de propriedade”.
Por expressa determinação do Código Civil, as normas ou restrições de vizi-
nhança são sempre complementadas pelas limitações administrativas ordena-
doras da construção e asseguradoras da funcionalidade urbana.
Também se inserem as normas para construção nas vizinhanças de aero-
portos e nas margens das rodovias, que requerem tratamento especial quanto
à segurança tanto para edificações e culturas em áreas adjacentes ao pouso de
aeronaves, bem como do espaço aéreo, e, em rodovias fixa-se um recuo obriga-
tório “non aedificandi” – área não permitida à edificação, a fim de evitar sejam
invadidas pela poeira e pela fumaça dos veículos, e não prejudicar a visibilidade
e a segurança do trânsito na via expressa.
Meirelles (1996) declina ainda que os superiores interesses da comunidade
justifiquem as limitações urbanísticas de toda ordem, notadamente as imposi-
ções sobre área edificável, altura e estilo dos edifícios, volume e estrutura das
construções.
Responsabilidade na Construção Civil 34 35
Complementa ainda que em nome do interesse público, a administração
exige alinhamento, nivelamento, afastamento, áreas livres e espaços verdes; im-
põe determinados tipos de material de construção; fixa mínimos de insolação,
iluminação, aeração e cubagem; estabelece zoneamento; prescreve sobre lotea-
mento, arruamento, habitações coletivas e formação de novas povoações; regu-
la o sistema viário e os serviços públicos e de utilidade pública; ordena, enfim,
a cidade e todas as atividades das quais depende o bem-estar da comunidade.
Essa enumeração evidencia, desde logo, que as limitações urbanísticas con-
finam com as normas sanitárias e as regras de trânsito, uma vez que todas elas
confluem para o mesmo objetivo: o bem-estar da população.
Alves (1999) entende e comenta que as limitações de vizinhança, como acen-
tuou Pontes de Miranda, não são intromissões. São diminuições de conteúdo;
portanto, em sentido preciso, limitações*
16.
Acrescenta ainda que, absoluto, o direito de propriedade assim concebido, a
princípio, com o passar dos tempos viu-se na contingência da limitação, para a
possibilidade mesma do fato social da vizinhança, eis que a aniquilação de um
dos termos da relação impediria a sua própria existência.
Fundamenta-se do direito de construir no direito de propriedade e, tratando-
se de propriedade imóvel, existe a necessidade das construções para colher as
vantagens que o terreno – propriedade imóvel, lhe proporciona.
Meirelles (1996) insiste em advertir que o direito de construir não é absolu-
to, porque as relações de vizinhança e o bem-estar coletivo impõem ao proprie-
tário certas limitações a esse direito, visando assegurar a coexistência pacífica
dos indivíduos em sociedade.
Capítulo IV
LIBERDADE DE USO DA PROPRIEDADE
O Código Civil em seu art. 1.299, prescreve que o proprietário pode levantar
em seu terreno as construções que lhe aprouver, salvo o direito dos vizinhos
e os regulamentos administrativos, que no poder de levantar em seu terreno
as construções que entender, está consignado, para o proprietário, a regra da
liberdade de construção; na proibição do mau uso da propriedade está o limite
dessa liberdade, assim comenta Meirelles (1996).
Grandiski (2001) admite que as restrições e limitações ao direito de cons-
truir, correspondem sempre a exceções à regra, exceções estas que podem ser
administrativas (leis federais, estaduais e municipais) ou regras contratuais, tais
como as que regulam os loteamentos, condomínios, etc*
17.
.
Este mau uso da propriedade, está consignado mais especificamente no art.
1.277 do Código Civil, em que o proprietário ou inquilino de um prédio tem o
direito de impedir que o mau uso da propriedade possa prejudicar a segurança,
o sossego e a saúde dos que o habitam.
Desta característica, não se admite o uso de forma anormal do Direito de
Construir em que o direito de propriedade possui limites, onde o interesse social
é o imperativo exigido pelas relações de vizinhança. Em consequência, o homem,
como ser inserido na sociedade, tem o seu direito simplesmente relativo, é o que
adverte Georges Ripert*
18
, onde evoluímos da propriedade-direito para a proprie-
dade-função e, desta função social da propriedade situa-se ainda como princípio
da ordem econômica, ao lado do reconhecimento da propriedade privada*
19
.
16
Tratado de Direito Privado, II, p. 312.
17
TJSP – 9ª Câm. de Direito Privado; Ap. Cível n.º 63745.4/5-Barueri-SP; Rel. Des. Ruiter Oliva; j. 21.10.1997; v.u.; ementa:
Direito de Construir – Demolição – Loteamento – Restrição convencional imposta pelo loteador – Obrigação propter rem – Projeto
aprovado observando tais restrições – Obrigação comum assumida pelo proprietário de executar a obra segundo o projeto apro-
vado – Descumprimento da obrigação – Irrelevância da concessão do “habite-se” pela Prefeitura Municipal, em decorrência de lei
de anistia das construções irregulares – Ato jurídico perfeito e acabado, que está incólume aos efeitos da lei ( Artigo 5º, XXXVI da
Constituição Federal ) – Recurso provido – Segundo o nosso direito, a regra é a liberdade de construir, mas as restrições e limitações
a esse direito formam as exceções, e somente são admitidas quando expressamente previstas em lei, regulamento ou contrato.
Quando previstas em Regulamento do Loteamento, e consignadas do título traslativo da propriedade, constituem obrigação propter
rem, isto é, obrigação daquele que é o titular da propriedade. Daí que a concessão do “habite-se” pela Prefeitura Municipal por
força de lei que concedeu anistia às construções irregulares, não elide a obrigação do devedor, em face da proteção outorgada pela
Carta Magna ao ato jurídico perfeito e acabado ( Artigo 5º, XXXVI ). Não estando a edificação de acordo com as restrições negociais,
e nem com o projeto aprovado segundo a obediência dessas restrições, impõe-se a correção das irregularidades, demolindo-se a
parte da construção em desacordo com tais restrições.
18
TJSP – Tribunal de Justiça de São Paulo, RT 251/256, 265/275 e 673/54
19
TJSP – Tribunal de Justiça de São Paulo, RT 152/639
Responsabilidade na Construção Civil 36 37
1 NORMALIDADE E ANORMALIDADE DE USO DA PROPRIEDADE
Meirelles (1996) destaca que, da Teoria da Normalidade de seu exercício
– Direito Positivo – Princípio do Direito de Propriedade – explica que a norma-
lidade se analisa em cada caso, levando-se em conta a utilização do imóvel,
a destinação do bairro, a natureza da obra ou da atividade, a época, a hora e
demais circunstâncias atendíveis na apreciação do ato molesto ao vizinho.
Anormal é toda a construção ou atividade que lese o vizinho na segurança
do prédio, ou no sossego ou na saúde dos que o habitam, enquadrando-se no
conceito de mau uso da propriedade.
2 DIREITOS DO VIZINHO
Meirelles (1996) registra que o vizinho tem o direito de impedir que os
outros danifiquem a sua propriedade, prejudiquem o seu sossego ou ponham
em risco a sua saúde com obras nocivas, trabalhos perigosos, ruídos intolerá-
veis, emanações molestas, vibrações insuportáveis, odores nauseabundos*
20
e
quaisquer outras atividades ou imissões prejudiciais à vizinhança, sendo permi-
tido aos lesados vedar essa utilização anormal da propriedade vizinha e obter a
reparação dos danos consumados*
21.
3 INCÔMODOS AO ATO DE CONSTRUIR: ATÉ ONDE SE CONSIDERA
UM ERRO OU FALHA TÉCNICA?
Entende-se que nem todos os incômodos não são reprimíveis, mas, então
somente os insuportáveis, mesmo causados sem o intuito de culpa ou dolo do
vizinho.
Meirelles (1996) destaca que, age com culpa todo aquele que, por ação
ou omissão voluntária, viola direito ou causa dano a outrem, por negligência,
imprudência ou imperícia de conduta, embora não desejando o resultado lesivo
( CC/art.186 e CP, art.18,II).
Daí depreendemos que se inclui como culpa o dever de atenção, da cautela,
da habilidade, da prudência, da precaução, da lesão não desejada mas ocorrida
por imprudência, imperícia ou negligência em todos os atos técnicos/humanos
no decorrer da construção.
Nesta categoria incluem-se todos os trabalhos que produzem dano na es-
trutura do prédio, trepidações, abalos e movimentos do solo (como é o caso
de perfuração de solo com o uso de bate-estaca e movimento de máquinas
e caminhões em terrenos vizinhos quando se modifica o nível natural dos
mesmos – ver trabalho pericial em tópico posterior desta obra literária*
22
e
art.1311 CC/2002), infiltrações daninhas (falta de rufos entre edificação
em construção e existentes, bloqueando um possível e incontrolável poten-
cializador de concentração de umidade em solo), explosões violentas, ema-
nações venenosas ou alergênicas, e, tudo o que mais possa prejudicar
fisicamente – consequências destes atos descritos, o prédio ou seus morado-
res.

1) 2)
fonte: PELACANI (2009) – 1) Muro de arrimo e aterro de terras em terreno vizinho; 2) abertura e deslocamento
vertical da parede do BWC social da residência – recalque diferencial.
Tratamos mais especificamente também de ato lesivo, a queda de madeira-
mento de construção com dano pessoal, a falta de tapume divisório que permita
a depredação do imóvel vizinho, a falta de muro de arrimo de contenção de terras
que enseja dano ao prédio inferior (ver trabalho pericial em tópico posterior desta
obra literária), a existência de poço em terreno aberto que dá causa à queda de
20
Do termo “nauseabundos”, AURÉLIO, página 965, 2. Fig., explica: “Nojento, (...), repugnante”.
21
Em GRANDISKI ( 2001 ) – TJRJ – 5ª Câm. Cível; AC n.º 13.039/99-RJ; Rel. Des. Carlos Raymundo Cardoso; j. 30/11/1999; v.u.:
Direito de vizinhança – Mau uso da propriedade – Dano material – Comprovação necessária – Sentença ilíquida – Impossibilidade –
Dano moral – Configuração – Arbitramento – Embora comprovada a violação do direito de vizinhança, pelo mau uso da propriedade
por parte do vizinho, pela constante emissão de ruídos e efluentes de odores, fumaça e gordura advindos da maquinaria utilizada
por pizzaria, há necessidade, para que sobrevenha decreto condenatório, da efetiva comprovação do dano material, consubstan-
ciado em alegada depreciação da propriedade imobiliária dos autores. Se esta comprovação não se faz, impossível a prolação de
sentença condenando a ré a reparar o dano, cuja comprovação se remeteu à subseqüente liquidação. Se o pedido é certo e líquido,
não pode o juiz proferir sentença ilíquida, nem, tampouco, sentença condicional, em que a condenação nela estabelecida fique
condicionada à prova do dano que vier a ser feita na fase de liquidação. A perturbação à tranqüilidade, ao sossego e ao repouso
do morador pela constante emissão de ruídos e efluentes de fumaça, gordura e odores, configura dano moral indenizável, face a
violação do direito ao descanso e do recesso do lar. Provimento de ambos os recursos; dos autores, para reconhecer a incidência do
dano moral e determinar sua reparação; dos réus, para excluir a condenação pelo dano material, não comprovado.
22
2º TACS – 9ª Câm. Ap. – Rel. Marcial Hollandi – j. 6.8.1997 – RT 748/290: O proprietário ou possuidor do imóvel no qual foi
realizado aterro causador dos danos em prédio vizinho responde pela respectiva reparação, ainda que não tenha havido prova
segura de que foi o autor direto da obra, por ser obrigação propter rem.
Responsabilidade na Construção Civil 38 39
transeunte, o dano a pessoa resultante de mau funcionamento de elevador, a
emissão de fuligem de indústria, prejudicial aos prédios vizinhos, o rebaixamento
de solo danoso à construção confinante, a pulverização de óleo com impregnação
no mobiliário do prédio vizinho, a falta de fecho que permita a entrada de me-
nores e o consequente acidente em fios de eletricidade, a exploração de pedreira
com dinamite de modo perigoso aos vizinhos, aterro ou desaterro lesivo ao prédio
vizinho (apresentamos estudo de casos, em capítulo posterior desta obra literária,
com apresentação de parte de sentença judicial, como o caso requereu), o rom-
pimento de represa com dano aos prédios inferiores, a alteração do escoamento
natural das águas pluviais com dano para os prédios inferiores.
Fonte: PELACANI ( 2006 ) – Detalhe de corte de terras
em terreno urbano da cidade. Vista de estacas “cortina”
e muro de arrimo executados para a contenção de
terras do terreno vizinho.
Age com dolo todo aquele que almeja o resultado lesivo ou assume o risco de produzi-lo
(CP. art.18,I), depreendendo da lesão que o agente desejou, onde trataremos com maiores
detalhes no capítulo posterior.
Capítulo V
RESPONSABILIDADES NA CONSTRUÇÃO CIVIL
Da atividade de construir, é delegado a função a operários e, isto, por si
só, já é controlado e, presume-se de responsabilidade prática, a elaboração do
serviço delegado, a uma segunda pessoa e, portanto, não estará o profissional
tecnicamente e teoricamente responsável pela atividade, no controle do servi-
ço. Daí, e não poderia ser diferente, a lei trata e se refere não mais a segunda
pessoa – que exerceu a sua função em serviço delegado, e sim a pessoa de cuja
responsabilidade é técnica, ao profissional que delegou a função.
A propósito, Grandiski (2001) destaca em sua obra literária, do acórdão do
TJSP – Tribunal de Justiça de São Paulo, publicado na RT – Revista dos Tribu-
nais, nº 621, p.76, tendo como Relator o Dr. Roque Komatsu:
“( ... ) Assentado que o autor tem ilegitimidade para agir contra o co-réu
M.A.D., engenheiro responsável pela obra e não apenas autor do projeto (fls.
14-15), a sua responsabilidade é inafastável, dela não se eximindo pelo fato
de ter alertado o construtor, que era o dono da obra, a respeito das fundações
e do desvio das instruções do projeto, como afirmado na contestação (fls. 81).
Aliás, o que afirma o co-réu M.A.D. até revela comportamento negligente,
uma vez que quando passou pela primeira vez na obra, as fundações já esta-
vam prontas e as paredes em elevação (fls. 81).
Escreve, a propósito, Pontes de Miranda: “O fato de dar instruções, o em-
preitante não exime o empreiteiro das suas responsabilidades na execução da
obra. O empreiteiro recebe-as, mas é autônomo. As instruções que lhe tiras-
sem a independência seriam infringentes do contrato. (...)”.
Faz alusão, ainda, ao termo “responsabilidade” como um significado ge-
nérico de ressarcimento, recomposição, obrigação de restituir. Na linguagem
coloquial, responsabilidade é a qualidade de quem tem de cumprir obrigações
suas, ou daquele que tem que responder pelos atos seus ou alheios.
Responsabilidade na Construção Civil 40 41
1 RESPONSABILIDADE QUE INDEPENDE DE CULPA
Meirelles (1996) relata bem em capítulo sobre a responsabilidade por danos
a vizinhos e terceiros, que:
“A construção, por sua própria natureza, e mesmo sem culpa de seus executores, comumente
causa danos à vizinhança, por recalques do terreno, vibrações do estaqueamento, queda de
materiais e outros eventos comuns na edificação. Tais danos hão de ser reparados por quem os
causa e por quem aufere os proveitos da construção. É um encargo de vizinhança, expressamen-
te previsto no CC/2002, art.1.299, que, ao garantir ao proprietário a faculdade de levantar em
seu terreno as construções que lhe aprouver, assegurou aos vizinhos a incolumidade de seus
bens e de suas pessoas e condicionou as obras ao atendimento das normas administrativas.
Essa responsabilidade independe da culpa do proprietário ou do construtor, uma vez que se origi-
na da ilicitude do ato de construir, mas, sim, da lesividade do fato da construção. É um caso típico
de responsabilidade sem culpa, consagrado pela lei civil, como exceção defensiva da seguran-
ça, da saúde e do sossego dos vizinhos ( CC/2002, art.1.277), exigindo não mais que a prova
da lesão e do nexo de causalidade entre a construção vizinha e o dano*
23
, surgindo a respon-
sabilidade objetiva e solidária de quem ordenou e de quem executou a obra lesiva ao vizinho.”
Daí a afirmativa de Pontes De Miranda que: “a pretensão à indenização que
nasce da ofensa a direito de vizinhança é independente de culpa.” *
24

Grandiski (2001) complementa que conforme a teoria clássica, a respon-
sabilidade civil se assenta em três pressupostos: que haja um dano, que seja
identificada a culpa do autor do dano, e que haja uma relação de causalidade
entre o fato culposo e o mesmo dano.
Acrescenta ainda que outra forma clássica de classificação de responsabili-
dades distingue a objetiva da subjetiva:
1.1 RESPONSABILIDADE OBJETIVA
Independe da existência de culpa, bastante provar o nexo de causali-
dade entre o evento e o dano para que surja o dever de indenizar, inde-
pendentemente de haver ou não culpa do causador. Conforme esta teoria,
o exercício de uma atividade de risco cria, para o agente causador, uma
responsabilidade objetiva, que independe da existência de culpa, bastando
provar a relação de causa e efeito entre o comportamento do agente e o
dano causado à vítima, para que esta possa exercer o direito de ser inde-
nizada. Neste caso, a existência ou não de culpa do agente é de menor
relevância.
É o conceito básico adotado pelo Código de Defesa do Consumidor, a partir
do dia 11.09.1991, como a TEORIA DO RISCO.
1.2 RESPONSABILIDADE SUBJETIVA
Meirelles (1996) destaca que é indispensável provar antecipadamente a
culpa, para que daí emerga o dever de indenizar, e o causador responda pelas
perdas e danos. Portanto, neste caso, a responsabilidade depende do compor-
tamento do sujeito, e só se materializa se o causador agiu de forma culposa ou
dolosa.
Grandiski (2001) ressalta que não constituem atos ilícitos os praticados em
legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido (CC/2002,
art.188,I), o que implica dizer que ao repelir agressão ocorrida naquele mo-
mento, ou na iminência de ocorrer, a pessoa faz uso moderado dos meios ne-
cessários, que pode causar lesão ao oponente, e exercendo de regular direito
reconhecido em praticando ato previsto em lei, o responsável estará isentado de
culpa, mesmo causando danos a terceiros.
É o conceito básico adotado pelo Código Civil, como a TEORIA DA CULPA,
devendo ser provado através de parecer técnico fundamentado.
2 PRIMEIRO PASSO ANTES DE CONSTRUIR: FAÇA UMA VISTORIA
PRÉVIA DA VIZINHANÇA
Da construção, como realização material e intencional do homem*
25
, po-
dem resultar responsabilidades diversas do construtor para com o proprietário
da obra, e deste para com vizinhos e terceiros que venham a ser prejudicados
pelo só fato da construção ou por ato dos que a executam, como já vimos em
capítulo anterior deste trabalho.
A melhor precaução antes de se iniciar a construir, é a de vistoria da
vizinhança em seu entorno, contratando profissional para realizar uma vis-
toria com relatório técnico fotografado – denominada “Vistoria Cautelar”,
ad perpetuam rei memorian, na figura de Engenheiro Avaliador capacitado,
para não incorrer na seguinte situação: no prédio vizinho já havia fissura
ou fissuras anterior a construção nova, e o seu vizinho pode vir a aproveitar
a oportunidade de “consertar” os seus defeitos através de sua construção
23
STF, RT 614/240; 1º TACivSP, RT 632/13
24
Tratado de Direito Privado, 2ª ed., XIII / 293
25
Sobre o conceito de construção, ver ainda: Capítulo X, I e II – Responsabilidade Decorrente de Construção, Marco Aurélio Viana, Contrato
de Construção e Responsabilidade Civil, São Paulo, Saraiva, 1980; Luiz Rodrigues Wambier, Responsabilidade Civil do Construtor, RT
659/14.
Responsabilidade na Construção Civil 42 43
última, quanto a interferir/contribuir com qualquer modificação do terreno
natural (aterro ou desaterro – corte e retirada de terras) ou até com estacas
com base de pressão – bulbo de pressão, em subsolo que interfere na re-
sistência de atrito lateral das estacas (principalmente de divisas – melhor
detalhado em capítulo posterior desta obra literária) da edificação já exis-
tente, vindo a surgir defeitos/fissuras, rebaixamento de piso, fossas e caixas
de passagens com consequências inclusive em rompimento de tubulações,
potencializadoras de defeitos/patologias, onde o profissional mal informado
técnico-juridicamente, simplesmente “prefere” atribuir, sem antes se preca-
ver, das ocorrências patológicas que a edificação existente possuía, antes do
início da construção nova.
Grandiski (2001) complementa em seu trabalho, que as vistorias em imó-
veis vizinhos à obra que irá se iniciar nas imediações (não há necessidade de
ser vizinho justaposto, no caso de cravação de estacas, por exemplo), corres-
pondem a casos muito comuns de produção antecipada de provas, envolvendo
patologias das construções.
Maia Neto (1993) trata deste assunto, que um exemplo muito comum da
utilização deste expediente, que vem crescendo sem a realização de uma ação
judicial, mas por iniciativa das partes, é a realização de vistorias preliminares
em imóveis vizinhos a um terreno onde irá ser iniciada uma obra, que constitui
uma medida segura para a construtora, que não se responsabilizará por danos
eventualmente já existentes, e para os proprietários dos imóveis, que terão ga-
rantia da integridade de seu patrimônio.
Completa ainda que, ocorrem, não raras vezes, quando a obra está perto
do fim, ou mesmo acabada, surgem reclamações de vizinhos sobre danos cuja
origem é duvidosa, ocorrendo em construções já abaladas ou desgastadas pelo
tempo e uso, causando um impasse entre o construtor e o vizinho, onde o desfe-
cho irá ser resolvido nos tribunais. O caminho correto para evitar tais dissabores
é o procedimento, hoje adotado por muitas construtoras, da realização de uma
vistoria cautelar, contratando profissionais ou empresas habilitadas, preferen-
cialmente engenheiros especializados em perícias judiciais, que procede este
trabalho nos imóveis vizinhos ao terreno onde será iniciada a obra.
Objetivamente, ao construtor, interessa provar a preexistência antes do início
da obra, de trincas, vazamentos, deslocamentos de argamassas e pisos, desa-
linhamento ou inclinações do prédio principal e dos muros divisórios etc., para
que não possa vir a ser responsabilizado como seu causador.
Ao vizinho, por sua vez, interessa provar a inexistência de trincas, vazamen-
tos, telhas quebradas, salpicos em pisos e paredes externas, recalques diferen-
ciais, enfim o estado do imóvel, de forma que se possa presumir a culpa do
construtor no caso de aparecimento de novas anomalias, ou agravamento das
existentes.
Em não tomando esta precaução, consequentemente, advém processo judi-
cial de indenização, combinando com a opinião conclusiva de Meirelles (1996)
quanto a responsabilidade por danos a vizinhos e terceiros:
“A jurisprudência pátria, hesitante a princípio, firmou-se, agora, na res-
ponsabilidade solidária do construtor e do proprietário e na dispensa de prova
de culpa pelo evento danoso ao vizinho, admitindo, porém, a redução da in-
denização quando a obra prejudicada concorreu para o dano, por insegurança
própria, ou defeito de construção.
Tal critério jurisprudencial é razoável e eqüitativo, mas deve ser aplicado
com prudência e restrições. Se a construção vizinha, embora sem a resistên-
cia das edificações modernas, se mantinha firme e intacta na sua estrutura e
veio a ser abalada ou danificada pelas obras das proximidades, não há lugar
para desconto na indenização, porque o dano se deve, tão-só, à construção
superveniente; se, porém, a obra lesada, por sua idade ou vícios de edificação,
já se apresentava abalada, trincada ou desgastada pelo tempo e uso, e tais
efeitos se agravaram com a construção vizinha, a indenização há de se limitar
aos danos agravados.
O que convém fixar é que a idade das edificações vizinhas e a sua maior
ou menor solidez não eximem, desde logo, o proprietário e o construtor de
responsabilidade civil pelo que suas obras venham a produzir ou a agravar a
vizinhança por todas as lesões ocasionadas; por exceção, poder-se-á reduzir
essa responsabilidade, provando-se a concorrência de eventos de ambos os
vizinhos para a lesão em causa.
Sendo o princípio do Direito que quem aufere os cômodos suporta o ônus,
um e outro devem responder pelas lesões decorrentes da construção”.
3 DAS RESPONSABILIDADES ADVINDAS DO ATO DE CONSTRUIR
Meirelles (1996) acrescenta que se uma obra vier a desabar, por imperícia do
construtor, causando danos materiais a terceiros e lesões pessoais em operários,
dará ensejo, simultaneamente, às quatro espécies de responsabilidades, ou seja,
à reparação do dano patrimonial (responsabilidade civil), à punição criminal res-
ponsabilidade penal), à sanção profissional (responsabilidade administrativa) e à
indenização do acidente dos operários (responsabilidade trabalhista).
Responsabilidade na Construção Civil 44 45
O exemplo põe ao vivo a importância do conhecimento das responsabilida-
des decorrentes da construção, e que, em certos casos, podem abranger e soli-
darizar, com o construtor, o autor do projeto (arquitetônico e complementares),
o fiscal da obra e o proprietário que a encomendou.
3.1 O FUNDAMENTO DA RESPONSABILIDADE
O fundamento normal da responsabilidade é a culpa ou o dolo, mas
como observou o Prof. Alvino Lima*
26
: “o legislador brasileiro, consa-
grando a teoria da culpa, nem por isso deixou de abrir exceção ao princí-
pio, admitindo casos de responsabilidade sem culpa”, em que Meirelles
(1996 ) complementa que se exige apenas o nexo causal entre o ato ou a
omissão e o dano, denominada também de responsabilidade objetiva, como
ocorre nos casos de dano de obra vizinha ou de insegurança da construção
no quinquênio de sua conclusão, bastando a constatação do fato danoso, sem
participação da vítima, para ensejar a reparação civil.
Menção a parte, o C.D.C.– Código de Proteção e Defesa do Consumidor
(CC/2002, art.186 e CP, art.18,II) regulando as responsabilidades dos fornece-
dores de bens, produtos e serviços, previu a obrigação destes de indenizarem os
consumidores independentemente de existência de culpa pelos danos causados
por defeitos relativos aos fatos do produto e do serviço, relacionando ao profis-
sional liberal, ser a sua responsabilidade pessoal condicionada à apuração de
culpa, ou seja, subjetivamente (art.14, caput e § 4º).
Como previamente abrangido em capítulo anterior, age com culpa todo aque-
le que, por ação ou omissão voluntária, viola direito ou causa dano a outrem,
por negligência, imprudência ou imperícia de conduta, embora não desejando o
resultado lesivo (Artigo 186 do Código Civil e Artigo 18, II do Código Penal).
Grandiski (2001) adiciona literariamente que dano é toda consequência
provocada por falhas construtivas. Juridicamente falando, atualmente é consi-
derado como qualquer lesão causada a um bem jurídico. ( ... ) Apud Agostinho
Alvim: “aprecia-se o dano tendo em vista a diminuição sofrida no patrimônio.
Logo, a matéria do dano prende-se à da indenização, de modo que só interes-
sa o estudo do dano indenizável”.
3.1.1 CULPA E DOLO
Culpa é a violação de um dever preexistente: dever de atenção, dever de
cautela, dever de habilidade, dever de prudência em todos os atos da conduta
humana.
Meirelles (1996) acrescenta ainda, que a culpa revela-se na lesão não de-
sejada, mas ocorrida por imprudência, imperícia ou negligência na conduta de
quem a causa.
Grandiski (2001) complementa que existem várias modalidades de culpa,
entre as quais aqui são destacadas:
Age com dolo todo aquele que almeja o resultado lesivo ou assume o risco
de produzi-lo (CP, art.18,I), exterioriza-se na lesão desejada pelo agente.
3.2 FONTES DE RESPONSABILIDADES
Meirelles (1996) destaca que existem três fontes de responsabilidades
oriundas da atividade da construção civil:
3.2.1 RESPONSABILIDADE LEGAL
Toda aquela que a lei impõe para determinada conduta, de ordem pública e
por isso mesmo irrenunciável e intransacionável entre as partes, onde tratare-
mos nesta obra literária, com maiores detalhes em capítulo posterior.
3.2.2 RESPONSABILIDADE CONTRATUAL
Aquela que surge do ajuste entre as partes, nos limites em que for conven-
cionada para o cumprimento da obrigação de cada contratante, podendo ser
renunciada e transacionada pelos contratantes a qualquer tempo e em quais-
quer circunstâncias, normalmente estabelecida para garantia da execução do
contrato.
3.2.3 RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL
Aquela que surge do ato ilícito, isto é, contrário ao Direito.
Grandiski (2001) complementa que são as que se originam na legislação
vigente ou nas tradições, usos e costumes do lugar, criando obrigações legais
resultantes do que nelas é disposto, e obrigam todos os agentes envolvidos,
quer sejam assumidas por escrito ou de forma verbal. Fazem parte deste grupo
as responsabilidades decorrentes de atos ilícitos.
26
Da Culpa ao Risco, São Paulo, 1938, p.215.
Responsabilidade na Construção Civil 46 47
3.3 DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR – CDC
Meirelles (1996) resume que a responsabilidade do fornecedor, conforme os
arts.14 e 20 do Código do Consumidor, pode consistir, segundo opção do con-
sumidor, na reexecução dos serviços, inclusive através de terceiros, restituição
das quantias pagas ou abatimento proporcional do preço.
Grandiski (2001) explica que no CDC – Código de Defesa do Consumidor,
art.50, a responsabilidade contratual é complementar à legal e será conferida
mediante termo escrito.
Acrescenta ainda que o Código de Defesa do Consumidor preveja a respon-
sabilidade do construtor nas três fases do empreendimento:
- Na fase de projeto, quando os vícios previsíveis podem ser evitados;
- Na fase de fabricação ou execução, quando outros vícios imprevistos
podem e devem ser contornados;
Fonte: MAIA LIMA & PACHA ( 2005 ), apud
Revista “Téchne”, n. 08, p. 23 – Ninho
de concretagem na viga de concreto,
originalmente encoberto por concreto, que
não penetrou entre a forma de madeira e as
armaduras.
- FALHA DE PROJETO E GRAVE DE
EXECUÇÃO -
Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) – Ninhos de concretagem no encontro do pilar
com a viga/laje, posteriormente preenchido com tijolo cerâmico.
-FALHA GRAVE DE EXECUÇÃO -
- Na fase pós-ocupação, dentro do prazo de garantia, dentro do qual é de
se esperar desempenho da obra correspondente ao prometido, e onde
informações ou instruções adequadas pdem evitar o aparecimento de
novos problemas.
Fonte: CARBONARI ( 2002 ) – Fases que compreendem as responsabilidades na construção civil.
Essas responsabilidades, mostram a abrangência multidisciplinar do CDC,
que inova na criação de um microssistema jurídico, envolvendo as áreas cível,
comercial, administrativa, processual civil e penal e de direito penal, visando a
facilitação da aplicação da justiça aos casos individuais (Procon, Juizados Es-
pecias Cìveis, Promotorias nas cidades do interior ), assim como nos coletivos
( interesses individuais homogêneos de origem comum, ou interesses difusos,
com número indefinido de titulares, como por exemplo nas cláusulas abusivas,
publicidade etc.).
3.4 CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DAS RESPONSABILIDADES
Das responsabilidades decorrentes da construção, Meirelles (1996) declina
que a construção de obra particular ou pública, além das responsabilidades
estabelecidas no contrato, independentes da convenção das partes, pode acar-
retar outras para o construtor, para o autor do projeto (arquitetônico, estrutural,
elétrico, hidráulico etc.), para o fiscal ou consultor e para o proprietário ou
Administração contraente.
Responsabilidade na Construção Civil 48 49
Segue enumerando as seguintes características de responsabilidades, a saber:
3.4.1 DA PERFEIÇÃO
Dever legal de todo profissional ou empresa de Engenharia ou Arquitetura, onde
o Código Civil autoriza quem encomendou a obra a rejeitá-la quando defeituosa, ou
a recebê-la com abatimento no preço, se assim lhe convier (arts. 615 e 616).
Não se exime desta responsabilidade, ainda que tenha seguido instruções do
proprietário ou da Administração (em obra pública), quando aplicar material inade-
quado ou insuficiente, nem relegar a técnica ou norma técnica ou método apropria-
do, ou na falta de cuidados usuais na elaboração do projeto ou na sua execução.
3.4.1.1 PRAZO PARA A RECLAMAÇÃO: DECADÊNCIA E DA PRESCRIÇÃO
Dos defeitos, imperfeições ou vícios aparentes e ocultos, o Código de Defesa
do Consumidor - CDC (art.26) passou a regular a matéria, estabelecendo o pra-
zo de 90 ( noventa ) dias para qualquer reclamação, que é o prazo para decair
do direito, perda, perecimento ou extinção do direito em si, por consequência da
inércia ou negligência no uso de prazo legal ou direito a que estava subordinado
(NBR 13.752/96 – item 3.27), complementa Grandiski (2001).
Salienta ainda que, de acordo com o art. 27 do Código de Defesa do Con-
sumidor, prescreve em 5 (cinco) anos a pretensão à reparação pelos danos
causados por fato do produto ou do serviço prevista na Seção II deste Capítulo
(defeitos – casos que afetam a saúde e segurança do consumidor, melhor deta-
lhado adiante, dessa obra literária ). Ainda, em seu Artigo 47 que: “As cláusulas
contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao consumidor”. E
não há dúvida de que a aplicação do prazo é de 90 (noventa) dias de prescrição
previsto no art.26 do CDC, mesmo considerando que ele deve ocorrer dentro do
prazo de garantia de 5 (cinco) anos.
Acrescenta ainda que, para quaisquer reparos efetuados pela construtora (e
apenas para estes), o prazo de garantia de 5 (cinco) anos recomeça a conta-
gem, até que se completem os 5 (cinco) anos originais de garantia.
Exceção à regra, pode ser o caso de prescrição referente a falhas nas áreas
comuns de prédios em condomínio. Neste caso, a data de eleição do primeiro
síndico e recebimento das partes comuns por ele, que assume a representação
legal do condomínio, substituindo a “Comissão de Representantes”, é conside-
rada como data do início da contagem dos prazos legais. Como esta costuma
ser muito próxima à data da expedição do auto de conclusão (“Habite-se”),
rotineiramente a jurisprudência costuma contar esse prazo de garantia para as
áreas comuns dos condomínios: a partir do “Habite-se”.
Grandiski (2001) melhor esclarece, que de acordo com a teoria já apresen-
tada, a pretensão prescreve e o direito caduca. Em outras palavras, a prescrição
atinge a ação e não o direito de propor a ação. Na interpretação específica
do CDC – Código de Defesa do Consumidor, a decadência afeta o direito de
reclamar – os vícios caducam (decadência citada no CDC, art.26), enquanto
prescreve (CDC, art.27) a pretensão de reclamar em juízo dos danos, ou seja,
dos prejuízos resultantes de um defeito (fato do produto ou serviço).
Diferem da contagem, do início do prazo para a reclamação, dos defeitos, dos
vícios ocultos ou redibitórios e dos vícios aparentes ou imperfeições, a saber:
3.4.1.2 DOS DEFEITOS
Inicia-se com a entrega da obra (CDC, art.26,II, X1º). São aqueles danos
(consequências dos defeitos e vícios do produto ou serviço) que afeta, ou ameaça
afetar, a saúde ou a segurança do consumidor (NBR 13752/96, item: 3.28).
Exemplos que Grandiski (2001) traz à luz em sua obra literária, acrescendo
que defeito é um vício acrescido de uma coisa extrínseca, que causa um dano
maior que simplesmente o mau funcionamento:
a) Percutindo o revestimento do teto de uma cozinha, percebe-se que não
há deslocamento, pois o som emitido não é cavo*
27
. Portanto, as pequenas
fissuras ali investigadas, são simples vícios construtivos. Mas, se o som emitido
for cavo, em ampla área desse teto, fica caracterizado o descolamento do reves-
timento, que pode representar ameaça de queda. Aí, o antigo vício passa a ser
considerado um defeito, pois em sua queda pode afetar a saúde do morador;

Fonte: PELACANI (2009) – Abertura em teto de
sacada de edifício – 13º pavimento; revestimen-
to de pastilhas cerâmica na iminência de queda.
27
Do termo “cavo”, AURÉLIO, página 301, 2., explica: “Oco. Vazio”.
Responsabilidade na Construção Civil 50 51
b) Canos de esgoto mal instalados que contaminam a caixa d’água (po-
dem causar doenças);
c) Os pisos escorregadios; pisos soltos; degraus com alturas não unifor-
mes; falhas construtivas de grande porte, que permitam infiltração de água,
com formação de fungos e mofo, resultando numa edificação inabitável;
d) Vigas altas diminuindo o pé-direito em escadas ou no meio de ambien-
tes, permitindo que pessoas altas batam a cabeça;
e) Construção de caixa d’água enterrada, com sua parede e fundo em
contato direto com a terra: pode haver contaminação da água.
3.4.1.3 PENALIDADES
Pelo fato de envolver risco ou ameaça de risco a saúde e segurança, consti-
tuem crimes, sem prejuízo das cominações legais do disposto no Código Penal e
leis especiais, previstas as penas também no Código de Defesa do Consumidor
– CDC. Do art. 66, para exemplificar: “- Fazer afirmação falsa ou enganosa,
ou omitir informação relevante sobre a natureza, característica, qualidade,
quantidade, segurança, desempenho, durabilidade, preço ou garantia de pro-
dutos ou serviços”, onde podemos concluir que desde a qualidade, quantidade
e segurança estará o profissional responsabilizado, e com a pena estipulada:
“Pena – Detenção de três meses a um ano e multa”.
Grandiski (2001) relata, mais detalhadamente, que estão previstas nos
arts.61 a 80 do CDC, e preveem penas de detenção para cada uma das infra-
ções que venham a ser cometidas, ( ... ). ( ... ) onde as penalidades são mais
“fortes” para os defeitos do que para os vícios, pois trata da saúde e segurança
do consumidor.
3.4.1.4 DOS VÍCIOS OCULTOS OU REDIBITÓRIOS
Inicia-se no momento em que ficar evidenciado o vício (CDC, art.26,II, 3º),
não devendo ser confundidos com os vícios de solidez e segurança da obra, que
veremos a seguir.
Grandiski (2001) define que são anomalias as que afetam o desempenho
de produtos ou serviços, ou os tornam inadequados aos fins a que se desti-
nam, causando transtornos ou prejuízos materiais ao consumidor (afeta mate-
rialmente o consumidor). Podem decorrer de falha de projeto, ou da execução,
ou ainda da informação defeituosa sobre sua utilização ou manutenção (NBR
13.752/96, item 3.75).
Vícios ocultos ou redibitórios são os que diminuem o valor da coisa ou a
tornam imprópria ao uso a que se destina, e que, se fossem do conhecimento
prévio do comprador, ensejariam pedido de abatimento do preço pago, ou invia-
bilizariam a compra (NBR 13.752/96, item 3.76).
Exemplos: I) vazamentos em canalizações de prédios que aparecem dentro
do prazo legal de garantia de 5 anos; II) falhas em instalações elétricas de pré-
dios que aparecem dentro do prazo legal de garantia de 5 anos; III) queda de
revestimentos de tetos e fachadas que aparecem dentro do prazo legal de ga-
rantia de 5 anos; IV) vícios por inadequação de qualidade, surgindo fissuras ou
trincas; V) vícios por inadequação de quantidade, com metragem em desacordo
com as plantas aprovadas; VI) entrega de construção com atraso injustificado;
VII) não aplicação de normas técnicas.

1) 2)
Fonte: PELACANI ( 2009 ) – 1) trinca em fechamento de alvenaria com tijolo do tipo “sikal”; 2) queda de cerâmica
externa de fachada de edifício.
Ainda, podemos citar em região sob ou sobre a abertura de janelas, em
se provando, com relatório técnico devidamente fundamentado, não ter sido
executado elemento estrutural (verga) em concreto armado para resistir a ten-
sões atuantes, causando, fissuras, principalmente em direção no sentido de 45º
(quarenta e cinco graus). Estudo de caso sobre fissuras, está apresentado em
tópico posterior desta obra literária, com suas causas e características princi-
pais em estudo de caso.
Fonte: PELACANI ( 2006 ) – Vista de edicação sem a execução
de elemento estrutural ( vergas ) nas aberturas de janelas.
Responsabilidade na Construção Civil 52 53
Segue ainda, alertando que é importante salientar que no Código de Defesa
do Consumidor – CDC, é indiferente a gravidade do vício para que se responsa-
bilize o fornecedor, pois a própria existência do vício prejudica a expectativa do
consumidor, afetando subjetivamente o valor que este atribui ao bem. Portanto,
na visão dos autores do CDC, não importa se o problema é uma simples fissura
de retração de argamassa ou uma trinca de origem estrutural: o aparecimento
de qualquer uma, pode dar origem à reclamação. Não obstante, a indenização
será orçada, tecnicamente, conforme o seu custo.
3.4.1.5 DOS VÍCIOS APARENTES, IMPERFEIÇÕES OU FALHAS APARENTES
De mesma contagem do prazo de reclamação dos defeitos (título anterior
desta obra literária), a contar da data da entrega do empreendimento, estando
o termo “perfeito” explicitado por De Plácido E Silva (1999): “como sem ví-
cios, ou defeitos ( ... ). E compreendido, assim, como aquilo que se tem com
defeito ou vício, imperfeito quer também dizer irregular, ou falho, isto é, com
falha”. Imperfeito podemos atribuir às falhas como simples fissuras de origem
na aplicação da argamassa (do tipo “mapeamento”), em guarnição de batente
mal encaixados, ou de marcas de infiltração – efeito capilaridade, próximo aos
rodapés.
Fonte: PELACANI ( 2009 ) – Vista de marca de inltração
em parede próximo ao rodapé, por falta de impermeabili-
zação da viga baldrame.
3.4.1.6 DO NÃO ATENDIMENTO À RECLAMAÇÃO
Grandiski (2001) alerta que a reclamação deve ser feita ao construtor por
escrito, tão logo a falha tenha sido constatada, de preferência mediante notifi-
cação através de Cartório de Registro de Títulos e Documentos. O consumidor
deve aguardar o decurso do prazo máximo de 30 ( trinta ) dias após o recebi-
mento da notificação, para que o construtor corrija a falha, ou negue a intenção
de fazê-lo.
Esse tempo, entre a data do recebimento da notificação e a negativa do
construtor, não é contado como tempo decorrido dos 90 (noventa) dias da de-
cadência do direito de reclamar. Ocorrendo esse fato, o consumidor deve acio-
nar judicialmente o construtor dentro do prazo restante para completar os 90
(noventa) dias, apresentando desta vez, outra reclamação, em juízo, que agora
tem novo objetivo.*
28
3.4.2 DA SOLIDEZ E SEGURANÇA
O empreiteiro de materiais e execução, responde sempre e necessariamente
pelos defeitos do material que aplica e pela imperfeição dos serviços que exe-
cuta.
Meirelles (1996) acrescenta que se a obra assim realizada apresentar vícios
de solidez e segurança, já se entende que outro não pode ser o responsável por
esses defeitos, senão o construtor, qualquer que seja a modalidade contratual
da construção; até os erros do projeto enquanto não demonstrar a sua origem,
também o são.

1) 2) 3)
Fonte: PELACANI ( 2009 e 2008 ) DE PATOLOGIAS QUE COMPROMETEM A SEGURANÇA E SOLIDEZ DA
EDIFICAÇÃO – 1) Vista da expansão por corrosão de ferragem – estágio avançado, em pilar do pavimento térreo
de edifício; 2) idem, com vista da ferragem corroída após a abertura do local; 3) vista de inltração avançada –
stalactite, com início de comprometimento da estabilidade estrutural da viga – processo avançado de corrosão.
28
Carlos Roberto Gonçalves. Responsabilidade Civil, SARAIVA, 6ª ed., pág. 283: “ ( ... ) os dias que antecederam a primeira recla-
mação e aqueles que transcorrerem entre a negativa do fornecedor ou o decurso do prazo, legal ou contratual, para que sanasse o
vício, e a nova reclamação, são computados para efeito de contagem do prazo decadencial”.
Responsabilidade na Construção Civil 54 55
3.4.2.1 PRAZO DE GARANTIA E PRAZO PRESCRICIONAL
É uma presunção legal e absoluta de culpa por todo e qualquer defeito de
estabilidade da obra que venha a apresentar dentro de 05 ( cinco ) anos de sua
entrega ao proprietário.
Grandiski (2001) complementa que dentro deste prazo, o reclamante fica
dispensado de provar por que a falha ocorre e qual a sua causa – basta provar
que ela existe.
Meirelles (2001) em continuidade, afirma que o prazo quinquenal é de ga-
rantia e não de prescrição, como erroneamente tem entendido alguns julgados.
Aqui a responsabilidade é objetiva, como já vimos anteriormente, na TEO-
RIA DO RISCO, ou culpa presumida (CC/2002, art.618).
Desde que a falta de solidez ou de segurança da obra apresente-se dentro
de 5 (cinco) anos de seu recebimento, a ação contra o construtor e demais par-
ticipantes do empreendimento subsiste pelo prazo prescricional comum de 10 (
dez) anos, a contar do dia em que surgiu o defeito (CC/2002, art.205).
Grandiski (2001) em sua obra literária, descreve que prescrição é a perda
do direito a uma ação judicial, ou liberação de uma obrigação, por decurso de
tempo, sem que seja exercido por inércia dos interessados (NBR 13.752/96,
item 3.64). Em outras palavras, extinção da responsabilidade do acusado por
ter decorrido prazo legal da punição; perda do direito a uma ação judicial por
inércia do reclamante que deixou de exercê-lo no tempo oportuno, deixando
escoar o prazo legal sem que fosse exercido direito subjetivo; pode ser interrom-
pida por uma citação, por exemplo.
Passa a responsabilidade ser subjetiva, como também já vimos anteriormen-
te, na TEORIA DA CULPA, devendo ser provada a culpa. Como afirma Grandiski
(2001), se este prazo (de 5 anos) for ultrapassado, a responsabilidade do cons-
trutor deveria ser provada (não seria presumida). O ônus da prova, a partir dos
5 (cinco) anos, ficaria por conta do comprador, que ainda assim poderia mover
ação contra o construtor, que prescreveria em 10 (dez) anos.
Aí, cabe a conclusão expressa e inevitável que, em tendo sido constatado o de-
feito, com prazo próximo do final dos primeiros cinco anos de entrega do empreen-
dimento, e, contados os seus dez anos seguintes – “prazo prescricional”, podemos,
com certeza, afirmar que o prazo de garantia se estenderá, neste caso, para até “14
(quatorze) anos mais 11 (onze) meses mais 29 (vinte e nove) dias”.
Conclui ainda, que a reexecução de serviços por parte do construtor inicial, faz com
que recomece, após o seu término, o prazo de garantia relativo a esses serviços.
RESUMO DE PRAZOS DE RECLAMAÇÃO / GARANTIA NA CONSTRUÇÃO CIVIL
C.D.C. - Código
de Defesa do
Consumidor (1990)
/ Teoria do Risco /
Responsabilidade
Objetiva
C.C. - CÓDIGO CIVIL
(2002)
PERFEIÇÃO
DEFEITOS (Saúde e
Segurança do Consumidor).
Ex.: Piso escorregadio;
deslocamento de
revestimento; cano de
esgoto mal instalado / cx.
d’água; viga alta = menor
pé-direito.
5 ANOS (a partir do
conhecimento do
dano) - Art. 26 e 27
VÍCIOS OCULTOS (material /
afeta o bolso do consumidor
/ que não afetam a
segurança e solidez).
Ex.: Mau funcionamento
de instalações elétricas;
diferença na metragem;
atraso; não aplicação
de normas técnicas.
Exceção: desgaste natural e
manutenção.
90 DIAS (dentro do
prazo de 5 anos da
entrega) - Art. 26
e 47
1 ANO (a partir do
conhecimento do
vício) - Art. 445
VÍCIOS APARENTES /
IMPERFEIÇÕES (material/
de fácil constatação visual).
Ex.: guarnição mal fixada;
janelas que não trancam;
pintura respingada.
90 DIAS - Art. 26
Ato da entrega - Art.
615
SEGURANÇA
E SOLIDEZ
10 ANOS (5 primeiros
anos da entrega =
TEORIA DO RISCO /
RESPONSABILIDADE
OBJETIVA; 5 últimos
anos da entrega =
TEORIA DA CULPA /
RESPONSABILIDADE
SUBJETIVA = PROVA
FUNDAMENTADA) -
Art. 618
FONTE: PELACANI ( 2009 ) – TABELA RESUMO DOS PRAZOS DE GARANTIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL -
CÓDIGO CIVIL (CC) E CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR (CDC).
Responsabilidade na Construção Civil 56 57
3.4.2.2 DO SOLO
De defeitos decorrentes da falta de estabilidade/resistência ou firmeza do solo,
mesmo sendo comunicado ao proprietário da obra, ao construtor cabe a responsa-
bilidade (final do prescrito no CC/2002, art.618), ao contrário do que apontava o
antigo Código Civil em caso de comunicado ao proprietário das condições do solo.
Meirelles (1996) acrescenta que aos decorrentes de concepção ou de cálcu-
lo de projeto tornam seus autores responsáveis pelos danos deles resultantes.
Responde o construtor perante o proprietário ou a Administração Pública, mas
com direito a chamamento de quem elaborou o projeto ou efetuou os cálculos (cargas
e resistências), comprovados as origens em falhas desses profissionais ou empresa
especializadas. Ver ainda, parágrafo segundo do início deste capítulo principal.
3.4.2.3 SEQUÊNCIA PROFISSIONAL DE RESPONSABILIDADES
Grandiski (2001) traz, em sua obra literária, interessante acórdão do TJSP
– Tribunal de Justiça de São Paulo, publicado na RT – Revista dos Tribunais,
n.621, p.76, tendo como Rel. Dr. Roque Komatsu: “( ... ) O mais razoável
é admitir tratar-se de responsabilidade legal inspirada em motivo de ordem
pública atinente a atividade regulada em lei, consoante lição de Hely Lopes
Meirelles supracitada, que, ainda, acrescenta:
“Embora o Código Civil não se refira expressamente aos vícios de concepção
de obra, nem por isso ficam liberados de responsabilidade os que a projetaram
e calcularam as cargas e resistências. E nunca se entendeu de outro modo,
pois, se a lei civil é omissa a respeito, tal responsabilidade é imanente
*29
do
exercício profissional e deflui das normas regulamentadoras da Engenharia e
da Arquitetura como atividades técnicas vinculadas à construção, motivo pelo
qual é uma responsabilidade legal, e não contratual, como supõem alguns au-
tores menos familiarizados com as normas administrativas e com os preceitos
ético-profissionais que regem a matéria (arts.17 e 23 da Lei 5194/66 ).
Projetando ou construindo, o arquiteto, o engenheiro ou a empresa ha-
bilitada, cada um é autônomo no desempenho de suas atribuições profis-
sionais e responde técnica e civilmente por seus trabalhos, quer os execute
pessoalmente, quer os faça executar por prepostos ou auxiliares. Em tema de
construção, pode-se dizer que há uma cadeia de responsabilidades, que se
inicia no autor do projeto e termina no seu executor, solidarizando todos os
que participam do empreendimento”.
Se houver, ainda, um fiscal ou consultor da obra, responderá também por
seus defeitos e insegurança. Nem é por outra razão que se confia o acompa-
nhamento dos trabalhos a esses técnicos, para confronto do projeto com a sua
execução.
Grandiski (2001) complementa ainda que existe uma corresponsabilidade
entre o engenheiro titular e o engenheiro residente de uma obra, pela inobser-
vância de normas técnicas*
30.
.
Trata ainda da situação da responsabilidade do engenheiro substituto, que
nos termos do Artigo 18 da Lei 5.194/66 que regula o exercício das profissões
de Engenheiro e Arquiteto, nenhum profissional pode substituir outro colega
habilitado sem seu prévio conhecimento (atenção para a citação: “comprovada
a solicitação”). No entanto, com a sua aquiescência, isso é possível.
O engenheiro que assume a responsabilidade de substituir outro profissional
habilitado na direção técnica da obra, deve providenciar recolhimento de sua
Anotação de Responsabilidade Técnica – A.R.T., vinculada à A.R.T. do respon-
sável anterior, e, como medida cautelar, que deveria ser sempre amigável, pro-
videnciar uma vistoria técnica fartamente documentada por fotos, assinada por
ambos os profissionais, em duas vias, valendo também a filmagem do estado
da obra no momento da transferência, com depoimentos filmados dos dois en-
genheiros, confirmando que a filmagem foi feita no dia tal, ficando o engenheiro
substituído responsável pelas obras até ali executadas, definindo assim a res-
ponsabilidade do novo responsável apenas pelas novas obras.
29
TJRJ – Ac. unân. 3ª Câm. Cív. em 28-4-97 – Ap. 6436/95 – Rel. Des. Ferreira Pinto: Condomínio – Veículo atingido por tinta usada
na pintura de prédio – Culpa concorrente – Cuidando-se de danos sofridos por veículo atingido em sua pintura por tinta empregada
na pintura do prédio, a culpa é da firma que realizava os trabalhos, por estar realizando a pintura sem a necessária proteção às
coisas ou pessoas que estivessem embaixo do local do trabalho, com responsabilidade do condomínio pelos danos perante o dono
do veículo, por ter contratado a firma que realizava o serviço, e culpa concorrente do dono do veículo, que apesar de avisado o
estacionou no local que estava, no momento interditado.
30
RT 731, p. 643, Relator: Tupinambá Pinto de Azevedo - TARS: Homicídio culposo – Desmoronamento – Inexistência de escoramen-
to – Culpa manifesta do engenheiro empregador e do empregado especializado – Aplicação da majorante da inobservância de regra
técnica – Inteligência do Artigo 121, parágrafo 4º do Código Penal. Ementa oficial: Age com manifesta culpa o profissional de enge-
nharia que, em se tratando de estaqueamento, projeta ou executa escavação no solo, resultando talude em ângulo acentuado ( 90º
) com a superfície do terreno, deixando de providenciar em escoras para contenção da terra. Dono da empresa, autor do projeto e de
fiscalização esporádica, que delega a fiscalização direta a empregado especializado, também engenheiro, e que recebe relatos diários
do andamento da obra. Ciência de desmoronamento anterior e ausência de providências. Culpa manifesta. Engenheiro-empregado,
no comando da obra, detém competência para prevenir o desmoronamento. Culpa também manifesta. A majorante da inobservância
de regra técnica diz com a maior reprovabilidade da conduta, não se confundindo com as três modalidades da culpa stricto sensu.
Condenações mantidas. Ementa da Redação: A circunstância majorante do Artigo 121, parágrafo 4º do Código Penal, 1ª parte, não
se confunde com a imprudência, a imperícia ou a negligência. Estas são modalidades da culpa, situadas, na topologia estrutural do
delito, no tipo. Já a inobservância da regra técnica importa em maior reprovabilidade da conduta, seja qual for a modalidade de culpa.
Situa-se, portanto, na culpabilidade ( = reprovabilidade ), juízo de valor que incide sobre o autor. Daí a distinção que os autores esta-
belecem entre imprudência ou imperícia e a inobservância da regra técnica. Seja a culpa decorrente de qualquer das três modalidades
legais, pode a punição do autor ser agravada pelo plus decorrente de especial reprovabilidade no agir sem cautelas.
Responsabilidade na Construção Civil 58 59
Conclui que, além disto, o engenheiro substituto deve exigir a transferência,
para sua guarda, de cópias de todos os ensaios técnicos realizados (concreto,
aço, sondagem do solo etc.), bem como dos projetos devidamente atualizados
até a data da substituição, devidamente rubricados pelo engenheiro substituído,
para ressalva das respectivas responsabilidades.
Ao empreiteiro que só concorre com o serviço, recebendo o material do
proprietário a ser empregado na obra, responderá de maneira absoluta pelo seu
trabalho e de modo relativo pelo material utilizado.
3.4.3 DOS DANOS A VIZINHOS E TERCEIROS
A atividade da construção muitas vezes causa danos a pessoas e bens sem qualquer
situação de vizinhança, ou seja, terceiros em relação ao proprietário e ao construtor.
Aqui não se aplicam as regras de vizinhança, nem se dispensa a prova da
conduta culposa do construtor e do proprietário, para que respondam pelo dano
decorrente da construção.
Tratado em item anterior nesta obra literária, onde esclarece Meirelles
(1996), que não importa para o vizinho a natureza do contrato de construção
firmado entre o proprietário e o construtor, porque tal ajuste, seja ele de em-
preitada ou administração, é ato inerente a terceiros – “res inter alios”, que não
interfere nas relações de vizinhança.
O que solidariza e vincula os responsáveis pela reparação do dano é, objetivamen-
te, a lesão aos bens do vizinho proveniente do fato da construção, fato, este, proveito-
so tanto para o dono da obra como para quem a executa com fim lucrativo.
Completa ainda que ao autor do projeto não responda por danos aos vizinhos,
quando suas responsabilidades são encampadas pelo construtor, podendo chamar
regressivamente à responsabilidade o autor do projeto, provando que o evento da-
noso resultou de defeito de concepção da obra ou erro de cálculo das resistências.
3.4.3.1 CONCEITO E RESPONSABILIDADE DO “CONSTRUTOR” E PROPRIE-
TÁRIO
O construtor – Engenheiro ou Arquiteto “licenciado” ou sociedade autori-
zada a construir – responde sempre pelos atos culposos e lesivos a estranhos
resultantes de atividade própria ou de seus prepostos na construção – mestres
ou encarregados de obra, ou ainda, de seus operários (CC/2002, arts.932,III
e 933).
Se o construtor sub-contratar determinados serviços ou partes da obra com
outra firma ou profissional habilitado e resultar danos ou lesão a terceiros não
vizinhos, a responsabilidade é exclusiva da empresa ou profissional subcontra-
tante que assume autonomia técnica e financeira os trabalhos de sua especia-
lidade (como exemplo: empresa do ramo de granito, que movimenta seus fun-
cionários até o local da construção para o assentamento das placas de granito
ou mármore de seu estoque).
Meirelles (1996) ainda contempla que em princípio, o responsável pelos
danos que a construção causar a terceiros (não vizinhos) é o construtor – pessoa
física ou jurídica legalmente autorizada a construir.
Ao proprietário se solidarizará na responsabilidade se houver confiado a obra
a pessoa inabilitada para os trabalhos de Engenharia e Arquitetura (ver exemplo
nesta obra literária no tópico: “Estudo de Casos”).
Se a execução do projeto está cometida a profissional diplomado ou a socie-
dade legalmente autorizada a construir, fica afastada a presunção de culpa do
proprietário, ainda que o dano decorra de ato culposo do construtor ou de seus
prepostos (CC/2002, arts.932 e 933).
3.4.3.2 RUÍNA DE CONSTRUÇÃO; NÃO EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE
DO PROPRIETÁRIO
Há de se mencionar que a lei (ao contrário do antigo Código Civil) responsa-
biliza o proprietário em caso de danos a vizinhos e terceiros, quando resultante
da ruína de edifício ou construção carente de reparos*
31
, cuja necessidade fosse
manifesta (CC/2002, art.937).
Distingue, entretanto, o dano causado pela ruína da obra do dano causado
por ato do construtor ou de seus prepostos, como exemplo, a queda de um an-
daime, ou de uma ferramenta que atinja um transeunte.
Na primeira hipótese, a responsabilidade é objetiva e exclusiva do proprie-
tário; na segunda, é privativa do construtor, desde que se lhe comprove a culpa
pelo ato ou fato lesivo a terceiro*
32
.
31
Que significa abandono negligente da construção. Responsabilidade Civil decorrente da ruína de edifícios, Revista de Direito da
Prefeitura do Rio de Janeiro I/34.
32
RT, 441:223: Responsabilidade civil – Objeto caído de obra em construção – Dano causado a terceiro. Inobservância das normas
de segurança e proteção – Obrigação do construtor de indenizar – Ação procedente, sem qualquer dependência da prova de culpa
– Inteligência e aplicação do Artigo 1529 do Código Civil. Na actio de effusis et dejectis a responsabilidade é objetiva. Assim,
provado o fato e o dano do mesmo resultante, a obrigação indenizatória surge como normal conseqüência.
Responsabilidade na Construção Civil 60 61
A solidariedade pela composição do dano só ocorre quando se trata de le-
são a vizinhos ( Artigo 1299 do Código Civil ), ou quando o proprietário tenha
concorrido com culpa na escolha do construtor a quem confiou os trabalhos de
reparação ou de demolição da obra ruinosa.
3.4.3.3 CONSTRUÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Meirelles (1996) questiona ainda, quando a obra é executada diretamente pela
Administração Pública centralizada ou descentralizada, a responsabilidade civil fixa-
se na entidade que a realiza, bastando que o lesado demonstre o nexo causal entre
a obra e o dano; mesmo quando a obra é confiada a construtor particular a respon-
sabilidade é inafastável da Administração, e por disposição constitucional (CF/88,
art.37,6º) torna-se dispensável – e até mesmo vedado, o chamamento do construtor
na ação indenizatória do particular contra a Administração, não se negando o direito
regressivo de responsabilizar o construtor particular que, culposamente, causar danos
a vizinhos ou terceiros na execução de obra pública – responde o construtor particular
quando obrar por culpa, podendo ser feita depois de indenizado o particular lesado.
Grandiski (2001) traz à luz que quando o poder público causa prejuízos a
terceiros, pode ser responsabilizado*
33
*
34.
3.4.3.4 MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO DEPOSITADOS
Há ainda o caso quando o dano é causado a vizinhos ou terceiros por ato
culposo do construtor particular, relacionado com a obra, mas não constante do
projeto, nem imposto pelo contrato – como exemplo o transporte e o depósito
de materiais, ou a instalação do canteiro de obras, a vedação ou sinalização
do local, a responsabilidade é originariamente do construtor e subsidiariamente
da Administração, onde o lesionado deve dirigir-se contra o construtor ou em
conjunto com a Administração.
3.4.4 ÉTICO-PROFISSIONAL
Além das responsabilidades contratuais e legais, a construção em geral pode
gerar responsabilidades ético-profissional para o autor do projeto, para seu exe-
cutor, para os fiscais e consultores.
Meirelles (1996) acrescenta que essa responsabilidade deriva de imperati-
vos morais, de preceitos regedores do exercício da profissão e do respeito mútuo
entre profissionais e suas empresas.
O desrespeito aos preceitos éticos consignados no respectivo Código de Ética
Profissional (Resolução CONFEA – Conselho Federal de Engenharia, Arquitetu-
ra, Agronomia e Geociências de 06.11.2002 – Capítulo 7, da Infração Ética,
arts. 13 e 14) é punido com uma das sanções previstas no art.72 da Lei
5.194/66 – que regula o exercício das profissões de Engenheiro, Arquiteto,
Agrônomo e Geotécnicos.
3.4.4.1 FALTAS ÉTICAS
As faltas éticas podem assumir as mais variadas formas, merecendo desta-
que, onde menciona Meirelles (1996):
3.4.4.2 O PLÁGIO DE PROJETO
Que consiste na cópia de concepção de outro profissional com modificações
de detalhes que apenas visam a dissimular a reprodução, nem mesmo com o
intuito de “aprimorar” o projeto poderá outro profissional modificá-lo, sem auto-
rização do autor – Lei de Direitos Autorais – LDA 9.610/98, art 49; art 18 da
Lei 5.194/66 e art 621 do Código Civil.
3.4.4.3 A USURPAÇÃO DE PROJETO
Cópia de concepção de outro profissional reproduzido na íntegra, sem auto-
rização do autor.
3.4.4.4 A ALTERAÇÃO DE PROJETO
Caracterizada pela introdução de modificações na concepção original sem
prévia aquiescência do seu autor, que podem tipificar o crime de violação de di-
reito autoral (CP, art.184 e Lei 9.610/98 – Lei de Direitos Autorais – LDA *
35
.
33
2º TACIVIL – Ap. c/ Rev. 478.655 – 11ª Câm. – Rel. Juiz Clovis Castelo – J. 03.03.1997: Responsabilidade civil – Danos em
prédio urbano. Estouro da rede de água – Infiltração no imóvel – Indenização – Cabimento – Ônus da empresa prestadora de serviço
público ( artigo 37, parágrafo 6º da Constituição Federal ). Demonstrado que em decorrência de estouro de rede de água houve
infiltração no imóvel, provocando recalque das fundações e trincas, compete à empresa que exerce a função pública delegada,
ressarcir os danos causados.
34
Decisão do STF no RE 113587-5-SP, DJU 3.3.92, RT 682/239; v. III, fls. 3 a 6: Desvalorização por ruído de viaduto. É devida
indenização pela desvalorização de imóvel lindeiro ao viaduto Ary Torres, em São Paulo, decorrente de sua construção, situada a
40m de distância, pelo aumento do ruído até devassar a residência do piso mais elevado do viaduto.
35
Revista dos Tribunais 605, p. 194 e reforma de sentença do TJSP, em voto do Ministro Francisco Rezek, transcrito em GRANDISKI
( 2001 ): “Tal como o eminente Relator, dou por configurado o dissídio. Embora os fatos não sejam idênticos no caso concreto e
no paradigma, a questão jurídica nuclear é uma só, num e noutro caso. Cuida-se de saber qual a conseqüência do uso indevido da
produção intelectual ou da produção artística – como quer que se qualifique o projeto arquitetônico. O equívoco do Tribunal de Jus-
tiça, neste caso, consistiu em admitir que um ato ilícito possa ser encarado como mero equívoco praticado em boa-fé, e penalizado
com a simples cobrança de honorários à base da tabela. Ora, os honorários da tabela são aquilo que se paga ao arquiteto quando se
encomenda a ele um projeto e, com lisura e honradez, se recebe dele o projeto contra a remuneração singular de seu trabalho.”
Responsabilidade na Construção Civil 62 63
3.4.5 TRABALHISTA E PREVIDENCIÁRIA
Todas aquelas que resultam das relações de trabalho entre o empregador –
pessoa física ou jurídica, e seus empregados, unicamente pessoas físicas.
Incluem-se os salários e adicionais, os demais direitos do trabalhador (fé-
rias, aviso-prévio, indenizações etc.), como também, os encargos acidentários
e previdenciários, atribuídas legalmente ao construtor (Lei 2959 / 1956 – Con-
trato Individual por obra) e a satisfazê-las no devido tempo.
Meirelles (1996) acrescenta que o engenheiro ou arquiteto, como firma de
Engenharia, de Arquitetura ou de Agronomia que mantém empregados para o
exercício da profissão ou para execução de obra particular ou pública, são em-
presa, com todos os encargos decorrentes dessa situação legal.
Ainda conclui que, se antes o proprietário não era solidariamente responsá-
vel com o construtor pelos encargos salariais, acidentários e previdenciários dos
empregados da obra, agora o é, por força do disposto nos arts 30, VI, VII e VIII
e 33, 4º da Lei 8.212/91 – Lei da Seguridade Social.
Grandiski (2001) reforça que é importante salientar que o engenheiro da
obra não pode transferir sua responsabilidade ao mestre de obra ( ... )*
36
. A pro-
pósito da caracterização da previsibilidade de eventos na construção e possível
acidente com morte que pudesse ser classificada como crime culposo ( ... ), por
não cumprirem normas de segurança*
50
e higiene do trabalho.
3.4.5.1 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Em especial situação, na posição de “empresa construtora” coloca-se a Ad-
ministração Pública quando executa suas obras diretamente por seus órgãos ou
entidades e com seu pessoal, suportando todos os encargos e responsabilidades
que caberiam ao construtor particular.
Quando, porém, contrata a construção com empresa habilitada a construir,
mantém-se na situação de simples dono da obra e só responde pelas obrigações
que lhe são inerentes.
A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos
encargos previdenciários resultantes da execução do contrato (Lei 8.212/91,
art.31- Lei da Seguridade Social), mas não responde pelos encargos trabalhistas
do contratado (Lei 9.032/95, art. 4º, 2º que dispõe sobre o salário-mínimo).
3.4.6 DOS FORNECIMENTOS
Pelo pagamento dos materiais fornecidos para a construção, pode ser de
responsabilidade do construtor ou do dono da obra, ou de ambos, conforme a
modalidade do contrato, melhor detalhado a seguir.
3.4.6.1 CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA
(CC/2002, arts.610 a 626)
Meirelles (1996) acrescenta ainda que na construção por empreitada há que
distinguir, ainda:
3.4.6.1.1 EMPREITADA DE LAVOR
( CC/2002, art.610 )
Em que o construtor/empreiteiro só concorre com seu trabalho, não tendo
qualquer responsabilidade pelo fornecimento dos materiais; e,
3.4.6.1.2 EMPREITADA DE MATERIAIS
(CC/2002, art.611)
Em que o construtor / empreiteiro entra com o trabalho e a matéria-prima,
respondendo integralmente perante o fornecedor, por seu pagamento, e perante
o proprietário, por sua qualidade e adequação à obra.
O art.617 complementa ainda que os materiais que recebe e os inutiliza na
aplicação por imperícia ou negligência, será obrigado a pagar.
3.4.6.1.3 DA IMPORTÂNCIA DO REGISTRO DO CONTRATO DE EMPREITADA
Presume-se legalmente conhecido de todos aqueles que entretêm negócios
com as partes, e, portanto, se sujeitam ao convencionado no ajuste, no que
36
Apelação n.º 646.325/3, julgado 19/12/1991 – 7ª Câm. TACRIM/SP – Relator: Luiz Ambra, RJDTACRIM 13/84: Homicídio
culposo – Construção civil – Responsabilidade exclusiva do mestre de obra – Inocorrência – Entendimento – Inteligência: Art.
121, parágrafo 3º do Código Penal, Art. 13, parágrafo 2º do Código Penal, Art. 121, parágrafo 4º do Código Penal. Inadmissível
atribuir-se ao mestre de obras a responsabilidade por homicídio culposo ocorrido em construção civil, sendo esta pertencente ao
Engenheiro Civil que não providencia itens de segurança, não podendo invocar este que visita a obra uma vez por dia, pois o
“mestre” cumpre determinações do Engenheiro, podendo, em tese ser igualmente co-responsabilizado, não afastando, no entanto,
o responsável primário pela omissão.
50
TASP, RT 209/363, 236/357, 237/555.
Responsabilidade na Construção Civil 64 65
tange ao pagamento dos materiais adquiridos para a obra, quando o contrato
de empreitada seja firmado por escritura pública ou por instrumento particular
devidamente transcrito no Registro de Títulos e Documentos, para prova e vali-
dade perante terceiros (Lei de Registros Públicos 6.015/73, art.127,I).
Caso o contrato de empreitada de materiais não for regularmente registrado
ou constar de escritura pública, subsiste a responsabilidade conjunta e solidária
do proprietário e do construtor pelos materiais adquiridos para a obra, uma vez
que ambos são beneficiários da construção e, nessa qualidade, devem suportar
os encargos econômicos do empreendimento perante aqueles que concorrem
para a sua execução e valorização*
37
.
3.4.6.2 CONSTRUÇÃO POR ADMINISTRAÇÃO
Na construção por administração a responsabilidade pelos materiais for-
necidos à obra é normalmente do proprietário que os adquire*
38
, visto que o
construtor-administrador não assume pelo contrato os encargos econômicos do
empreendimento.
Limita-se a executar a obra, em conformidade com o projeto aprovado e com
a técnica adequada, aplicando os materiais que lhe são entregues pelo dono da
construção, embora por ele escolhidos ou indicados ao proprietário*
39
.
3.4.6.2.1 RESPONSABILIDADE DA COMPRA DE MATERIAIS DE CONSTRU-
ÇÃO
Reforça Meirelles (1996) que, se, ao revés, o construtor-administrador ad-
quiriu pessoalmente os materiais, e assinou notas, faturas ou duplicatas em
nome próprio, solidariza-se com o proprietário pelo pagamento do preço das
mercadorias destinadas à obra.
3.4.6.2.2 DA IMPORTÂNCIA DO REGISTRO DO CONTRATO DE EMPREITADA
Seguindo o mesmo raciocínio e princípio do capítulo anterior, quando da
ausência de registro ou de escritura pública do contrato de construção por ad-
ministração, subsiste a responsabilidade conjunta e solidária do construtor e do
proprietário pelos materiais aplicados na obra.
3.4.6.2.3 RESPONSABILIDADE DO RECEBIMENTO DOS MATERIAIS DE
CONSTRUÇÃO
Recebido o material na obra pelo construtor-administrador ou por seus pre-
postos, surge a obrigação do pagamento do preço, por perfeita e acabada a
compra e venda de efeitos móveis (CC/2002, art.611).
Meirelles (1996) aponta que a razão de ser da responsabilidade solidária
é o benefício conjunto que ambos auferem na construção, e o fundamento da
ação de cobrança do fornecedor é o enriquecimento sem causa, decorrente da
valorização do empreendimento com o emprego do material em débito.
3.4.6.3 CONSTRUÇÃO POR TAREFA
Na construção por tarefa, os materiais podem ficar a cargo do dono da obra
ou do construtor-tarefeiro, e, consequentemente, a responsabilidade pelo seu
fornecimento será daquele ou deste, conforme o ajustado.
Meirelles (1996) acrescenta ainda que, quanto à qualidade e adequação
dos materiais à obra, é de se repetir que o construtor-tarefeiro, como técnico e
profissional da construção, será sempre responsável pelo seu emprego, devendo
recusá-los quando comprometam a perfeição ou a segurança da obra, podendo
pedir judicialmente a rescisão de contrato, por inadimplência do ajustado, com
as perdas e danos que forem devidas.
3.4.7 DOS TRIBUTOS
Meirelles (1996) traduz que os encargos incidentes sobre a atividade da cons-
trução (impostos, taxas e contribuições – ISS Imposto sobre Serviços; PIS Plano
de Integração Social etc) é, em princípio, de responsabilidade do construtor, pes-
soa física ou jurídica, que executa a obra, e subsidiariamente do dono da obra.*
40

Se executado por órgão público, responde sobre todos os encargos tributários.
Além desses tributos, os profissionais e empresas de construção civil ficam
sujeitos, como as demais empresas, a todas as imposições fiscais e parafiscais
incidentes sobre o estabelecimento, o material ou trabalho empregado na obra,
independentemente de qualquer cláusula contratual, porque tais responsabili-
dades decorrem da lei, e não do contrato.
37
TJSP, RT 243/185, 249/177, 269/383, 278/586; TASP, RT 250/451, 274/636, 290/358.
38
TJSP, RT 135/360; TASP, RT 230/360.
39
Não devemos confundir contrato de construção por administração com contrato de fiscalização de construção, pois que aquele visa
à execução material da obra e este à prestação de serviços profissionais consistentes na verificação técnica da execução do projeto.
O construtor por administração, em certos casos, como já vimos, responde pelo pagamento dos materiais adquiridos para a obra; o
engenheiro ou arquiteto-fiscal nenhuma responsabilidade tem pelo pagamento dos materiais empregados na construção.
40
TFR, Súmula 126.
Responsabilidade na Construção Civil 66 67
3.4.8 ADMINISTRATIVA
Meirelles (1996) conclui que podem incidir os profissionais e as firmas de projeto,
consultoria ou construção que desatendam às exigências legais do Poder Público, ou
às normas regulamentadoras dessa atividade, expedidas pelo CONFEA – Conselho
Federal de Engenharia, Arquitetura, Agronomia e Geociências, ou pelo CREA – Con-
selho Regional de Engenharia, Arquitetura, Agronomia e Geociências competente.
Enquanto que a responsabilidade civil provém de lesão ao patrimônio de outrem,
a responsabilidade administrativa origina-se simplesmente de atentado ao interesse
público (pagamento das anuidades, à colocação de placa nas obras que projetam
ou executam, ao acobertamento de trabalhos de pessoas inabilitadas, à conduta
técnica e ético-profissional no desempenho de suas atribuições e atividades).
Desde a apresentação do projeto até sua final execução, fica o construtor res-
ponsável perante as autoridades públicas competentes pela adequação da obra às
exigências sanitárias e de segurança, e até mesmo de estética e funcionalidade.
Grandiski (2001) traduz ainda que os profissionais ligados à área de cons-
trução, devem atender às restrições técnico-legais impostas pelas legislações
federais, estaduais e municipais, autarquias e órgãos públicos encarregados de
disciplinar atividades específicas.
Estas exigências implicam no atendimento do disposto nos Códigos de Zo-
neamento, Códigos de Edificações, Códigos Sanitários, Regulamentos Profissio-
nais, Planos Diretores e outros, que impõem condições e criam responsabilida-
des assumidas intrinsecamente pelos profissionais, que podem ser punidos pela
desobediência.
Conforme o Código Civil Brasileiro, o profissional não pode alegar desconhe-
cimento da existência da lei, decreto, regulamentação, norma técnica etc., para
se isentar de sua aplicação.
3.4.8.1 DO AUTOR DO PROJETO
Quanto ao autor do projeto, sua responsabilidade administrativa perante o
Poder Público cessa com a aprovação de seu trabalho, mormente a imposição
de modificações do projeto originário em ajuste às exigências técnicas e legais
da obra projetada, do qual tem a obrigação de realizar as adaptações necessá-
rias à aprovação, sem o que não se considera concluído o projeto e findos os
seus encargos profissionais perante o proprietário da obra, não se admitindo, do
ponto de vista ético, que outro profissional passe a alterar o projeto alheio, sem
a autorização do autor, bem frisa MEIRELLES (1996).*
41
Grandiski (2001) alerta ainda que, em caso dos arquitetos, onde após apro-
vado o projeto, o cliente exige a modificação do tamanho do banheiro, mesmo
alegando que paga os honorários e respectivos custos do refazimento do projeto.
O arquiteto sabe que é possível aprovar essa modificação junto à Prefeitura, mas
essa interferência irá afetar a qualidade do projeto, pois o quarto (área de ocupação
permanente) será diminuído (razão técnica, mas de foro íntimo, pois permitida pelo
Código de Obra do município). A solução do problema fica a critério do arquiteto,
que na aplicação da Lei dos Direitos Autorais – LDA (Lei 9.610/1998), pode optar
pela aplicação do art.24, inc.IV: “( ... ) opondo-se a quaisquer modificações ...”, ou
do art. 26: “( ... ) repudiar a autoria de projeto arquitetônico alterado sem o seu
consentimento durante a execução ou após a conclusão da construção”.
Complementa ainda, que o texto do art.22 da Lei 5.194/66, que regula
o exercício das profissões de Engenheiro, Arquiteto, Engenheiro Agrônomo e
Geotécnicos, deixa claro o direito assegurado aos projetistas, inclusive das es-
truturas, de fiscalizarem a execução de seus projetos, mas sem lhes assegurar
o direito de remuneração por este serviço adicional, que deveria constar como
cláusula adicional nos respectivos contratos de prestação de serviços.
3.4.8.2 DAS SANÇÕES ADMINISTRATIVAS
As sanções administrativas normalmente escalonam-se em:
- Multa;
- Embargo de obra;
- Interdição de atividade;
- Suspensão temporária do exercício prossional;
- Cancelamento denitivo do registro;
- Faltas éticas, com advertência reservada ou censura pública (Lei 5.194/66, arts.71 e 72).
Não tendo natureza penal, podem recair tanto sobre a pessoa física do pro-
fissional da Engenharia ou da Arquitetura, como sobre a pessoa jurídica de
sua empresa, sendo suportadas quer pelo autor da infração, quer por seus
sucessores na obra ou na empresa, mas não se transmitem ao proprietário nem
à Administração contratante, desde que o contrato tenha sido celebrado com
firma ou profissional legalmente habilitado.
41
2 º TACIVIL – Ap. c/ Rev. 538.631 – 11ª Câm. – Rel. Juiz Carlos Russo – J. 28.09.1998: Danos em prédio urbano. Arquiteto con-
tratado apenas para elaborar projeto da obra. Execução da construção, a cargo de terceiro, sob responsabilidade dos proprietários.
Nenhuma participação do autor do projeto na fiscalização e execução da edificação. Prejuízos que não lhe podem ser imputados.
Assinatura na planta, exclusivamente para o efeito de viabilizar a respectiva aprovação. Inexistência da causalidade lesiva, impu-
tável ao projetista. Demanda improcedente. Apelo provido.
Responsabilidade na Construção Civil 68 69
3.4.9 DO DESABAMENTO
É admitido a responsabilidade dos proprietários quanto aos danos causados
por desabamento ou desmoronamento de obra – ver com maior detalhe em
capítulo mais adiante, sob o título: DO CÓDIGO PENAL; ressalvando que o
direito do proprietário de regressar a ação, posteriormente, contra o profissional
responsável técnico pela execução da obra, se este agiu com negligência, impe-
rícia ou dolo*
42
. Ver ainda, em tópico posterior desta obra literária – “ESTUDO
DE CASOS – DESABAMENTO”, com suas principais causas.
3.4.9.1 TRIPLA FINALIDADE DE PUNIÇÃO E REFLEXOS NOS DIFERENTES
RAMOS DO DIREITO
Grandiski (2001) relata que na área de construção civil, podem ser citadas as se-
guintes ocorrências incrimináveis, desde que se caracterize perigo à vida ou à proprie-
dade, sendo irrelevante o fato de ter havido lesão corporal ou dano material: ( ... ).
Meirelles (1996) especifica que é uma responsabilidade penal e resultante
do cometimento de infração definida como crime ou contravenção, sujeitando
o autor e o coautor (todo aquele que, de qualquer modo, concorre para o crime
– CP, art.29) – unicamente pessoas físicas, a sanções de natureza corporal (
reclusão, detenção, prisão simples), pecuniária (multa) ou restritiva de direito,
não se transmitindo aos sucessores e resultando a obrigação de indenizar o
dano causado pelo infrator (CP, art.91,I e CPP, art.63), imposta pelo poder pu-
nitivo do Estado, com a tríplice finalidade intimidativa, retributiva e de defesa
social, diversamente da responsabilidade civil, que é um encargo de ordem
privada, visando tão somente à reparação patrimonial do lesado*
43
, podendo
haver cumulação da responsabilidade penal com a administrativa e com a civil,
mas cada uma independente da outra e apurável em processo autônomo.
3.4.9.2 DO CÓDIGO PENAL
Meirelles (1996) acrescenta que o Código Penal prevê duas modalidades de
crimes de desabamento – por ação dolosa ou culposa, em se tratando de:
a) Queda de construção por desequilíbrio ou ruptura dos elementos de
sustentação
*44
ou desmoronamento – destruição de obra da natureza;
Para que artífices e operários respondam por autoria ou co-autoria no desa-
bamento ou desmoronamento da obra, impõe-se demonstrar que agiram com
culpa na execução dos trabalhos a seu cargo, ou que descumpriram ordens do
profissional que a conduzia.
Fiscal de obra – engenheiro ou arquiteto, responde penalmente pelo des-
moronamento ou desabamento, em coautoria com o construtor, uma vez que a
causa do evento criminoso passou pelo crivo de sua fiscalização.
b) De realização humana, por desagregação ou deformação de suas estru-
turas, como ocorre nos morros e aterros que se esboroam*
45
.
3.4.9.2.1 DA ATITUDE DOLOSA
Meirelles (1996) frisa que agir dolosamente é propiciar, por ação ou omissão intencional, a queda de construção
ou de partes do solo, expondo a perigo direto a vida, a integridade física ou o patrimônio de alguém.
Exemplo são os que executam ou ordenam demolição por meio violentos (com dinamite, solapamento de alicer-
ces, etc.), caracterizando o dolo direto*
46
.
Aquele que realiza trabalhos em outra obra, provocando o desabamento de construção vizinha, em razão de
abalo, recalques, inltrações ou escavações, caracteriza o dolo eventual.
3.4.9.3 CASO PARTICULAR DA IMPLOSÃO DE CONSTRUÇÃO
Meirelles (1996) relata que em caso de adotar-se a técnica da implosão
(modalidade de demolição – não é antijurídica), ou seja, da destruição de edi-
fícios mediante explosões combinadas de seus elementos de sustentação, de
modo a fazer com que a estrutura destruída convirja para o centro e caia sobre
si mesma e que as partes destacadas não ultrapassem uma determinada área.
42
GRANDISKI ( 2001 ) relata sobre a decisão do 2º TACSP – Ap. 497902-00/0 – 11ª Câm. – Rel. José Malerbi – J. 24.11.1997,
RT 751/305: “Os donos da obra, os autores do projeto e os responsáveis pela execução do edifício em construção que desmoro-
nou respondem solidariamente pelos danos que culposamente causaram aos prédios vizinhos, devendo a indenização ser a mais
completa possível, com a reposição dos danos materiais emergentes e inclusive danos morais”.
43
Vicente de Paulo, Vicente de Azevedo, Crime – Dano – Reparação, São Paulo, 1943, p. 250; A.L. Câmara Leal, Dos Efeitos do
Julgamento Criminal, São Paulo, 1930, p.172.
44
TACivRJ – Ac. unân. 6ª Câm. Cív. em 18-6-96 – Ap. 2359 – Rel. Juiz Odilon Gomes Bandeira: Condomínio – Desabamento de
marquise – Responsabilidade – Responde o condomínio, a título de dono do edifício, pelos danos resultantes da sua ruína, parcial
ou total, se esta provier da falta de reparos, cuja necessidade era manifesta. Não se desvincula ele dessa responsabilidade, ainda
que tenha contratado firma especializada em demolições, se esta, ao se desincumbir do encargo, não se cercou das cautelas
devidas para evitar a ocorrência dos danos reclamados. Há, sem dúvida, relação de preposição entre o condomínio e a empresa
contratada, porquanto esta última funcionou ad instar de longa manus daquele, ao executar ato que lhe incumbia fazê-lo. Culpas
in eligendo ac in ommittendo devidamente caracterizadas, a ensejarem o dever de ressarcir.
45
Do termo “esboroam”, AURÉLIO, página 549, 2., explica: “(...). Desmoronar”.
46
GRANDISKI ( 2001 ) descreve em sua obra literária sobre a decisão do STJ - 2ª turma – Relator responsável: Ari Pargendler – J.
20.05.1996. Rep. IOB Jurisprudência. 17/96, p. 296 e RT 734/255.: “O proprietário da obra responde solidariamente com o
empreiteiro pelos danos que a demolição do prédio causa ao imóvel vizinho”.
Responsabilidade na Construção Civil 70 71
Possui sempre o risco de vida ou de dano, mas não caracteriza o crime de
desabamento nem o de explosão.
Responderá, se ocorrer morte ou lesão corporal de alguém, por esses crimes;
se houver danos materiais à propriedade alheia, não haverá crime, por ausência
de dolo, mas o executor e o dono da obra implodida estarão sujeitos à responsa-
bilização civil (indenização).
3.4.9.4 DA QUEDA DE MATERIAL OU FERRAMENTAS DE CONSTRUÇÃO
Meirelles (1996) discorre ainda que, decorrente de queda de material ou
ferramentas da construção, situação penal da lesão culposa ou do homicídio
culposo, a responsabilidade é do artífice ou operário que deu causa ao evento,
e o construtor só responderá por co-autoria se se provar que concorreu com a
culpa na condução da obra, de modo a propiciar o acidente.
Do art.17 do Código de Defesa do Consumidor – CDC, traduz que se equi-
param aos consumidores todas as vítimas do evento, querendo dizer que, inde-
pendentemente de culpa ( responsabilidade objetiva ), deverão ser indenizadas
todas as vítimas que tiverem afetada sua saúde ou segurança, como é o exem-
plo de empregados de subempreiteiras, transeuntes ou vizinhos atingidos por
materiais caídos da obra, como bem relata Grandiski (2001).
FONTE: PELACANI ( 2006 ) – Vista de edifício em
execução com bandejas de segurança instaladas.
3.4.9.4.1 DO PERIGO EVENTUAL
Meirelles (1996) traz à luz a questão da contravenção de desabamento,
distinguindo do crime, bastando a possibilidade de perigo, também denomi-
nado perigo eventual, não se exigindo a comprovação de dolo ou culpa, sendo
suficiente a voluntariedade da ação ou omissão que provocou o evento delituoso
(Lei das Contravenções Penais – Dec– lei 3.688/41, zrt.3º).
Abrange estes princípios de contravenção de desabamento quem provoca a
queda, total ou parcial de construção, ou obra tanto em fase de realização como
já concluída.
Exemplo: se numa rua movimentada, alguém provoca desabamento incon-
trolado, cometerá crime – houve perigo concreto para as pessoas e veículos que
transitavam pelo local; se, porém, provocar esse mesmo desabamento em horas
ermas, incidirá apenas na contravenção – não existiu perigo concreto, dado que
havia sempre a possibilidade de que alguém passasse pelo local na ocasião.
3.4.9.5 DO ESTADO DE RUÍNA DA CONSTRUÇÃO
Meirelles (1996) adverte que além da contravenção de desabamento, já
comentado no tópico anterior, a mesma lei define a contravenção de perigo de
desabamento, configurado pela só omissão das providências – reparos ou de-
molição, exigidas pelo estado ruinoso da obra.
Conceitua-se ruína de uma estrutura, quando se dá a ruptura de um de seus
elementos ou quando estes se deformam além de um certo limite compatível
com a finalidade da estrutura.
Também se pode atingir aquela ruína quando a solicitação da estrutura for
de tal intensidade que à sua forma primitiva deixe de corresponder um equilíbrio
estável, o qual passa a ser instável, dando-se a flambagem*
47
da estrutura ou
de seus elementos*
48
, que presume sempre perigoso, pela potencial possibili-
dade de desabamento ou desmoronamento.
3.4.10 DA CONSTRUÇÃO CLANDESTINA
Assim considerada por Meirelles (1996) a obra realizada sem licença, é uma
atividade ilícita, por contrária à norma edilícia que condiciona a edificação à
licença prévia da Prefeitura.
Quem a executa sem projeto regularmente aprovado, ou dele se afasta na
execução dos trabalhos, se sujeita à sanção administrativa correspondente.
47
Do termo “flambagem”, AURÉLIO, página 633, 2., explica: “Encurvadura a que estão sujeitas peças de uma estrutura ( tais como
colunas e pilares ) que trabalham por compressão e devida a esbeltez das peças”.
48
Van Langendonck, Telêmaco, Curso de Mecânica das Estruturas: Resistência dos Materiais – Tensões, São Paulo, 1956, p.120.
Responsabilidade na Construção Civil 72 73
3.4.10.1 RESPONSABILIDADE DO CONSTRUTOR OU DO PROPRIETÁRIO
Se decorrer prejuízos patrimoniais, responderá, em regra, o proprietário, mas
com ele pode solidarizar-se o construtor que se prestar à execução.
O proprietário responde também pelas obras clandestinas feitas pelo inquilino*
49

e até mesmo por intrusos*
50
,uma vez que lhe incumbe, como dono, velar pelo
prédio locado, desocupado ou baldio; pela atividade ilícita da obra clandestina,
é sempre passível de embargo pelo dono do prédio, pelo Poder Público ou pelos
vizinhos, se lesados em seus direitos individuais ou interesses legítimos.
3.4.10.2 DO PROMISSÁRIO COMPRADOR
Quanto à construção clandestina realizada por promissário comprador, MEI-
RELLES ( 1996 ) entende que não atribui responsabilidade ao promitente ven-
dedor, porque a posse do imóvel, neste caso, é transmitida ao futuro dono,
acompanhada do direito de construir, por sua conta e risco, tanto assim que o
Poder Público aceita projetos assinados pelo promissário comprador e instruí-
dos com o contrato de compromisso de compra e venda*
51
.
3.4.10.3 SANÇÕES
Meirelles (1996) relata que as sanções administrativas contra as obras clan-
destinas distinguem-se em:
3.4.10.3.1 MULTA
A todo aquele que realiza obra sem alvará de construção, quando exigido
para os trabalhos, ainda que executados em plena conformidade com as nor-
mas de edificação, ficando o infrator sujeito à regularização do projeto e ao
pagamento de todos os emolumentos do processo respectivo.
3.4.10.3.2 EMBARGO
Podendo ser feito por via administrativa ou judicial, impedindo, prontamen-
te, as atividades particulares ilícitas e contrárias às normas de ordem pública .
3.4.10.3.3 DEMOLIÇÃO
Quando desconforme com as normas de construção – de localização, de estrutu-
ra, altura, volume, funcionalidade ou estética, podendo estar a obra em fase de anda-
mento ou já concluída, cujas despesas de demolição ao encargo do infrator *
52
.
3.4.10.4 DAS ADAPTAÇÕES POSTERIORES ÀS NORMAS
Podem ser admitidas e Meirelles (1996) acrescenta ainda que, se a constru-
ção clandestina admitir adaptações às exigências legais, deverá ser conservada,
desde que o interessado as satisfaça no prazo concedido e nas condições técni-
cas determinadas pela Administração, ou pela Justiça na ação pertinente *
53
.
3.4.11 DA FISCALIZAÇÃO MUNICIPAL
Grandiski (2001) ressalta que o poder de polícia da Prefeitura se limita
ao exame da adequação do projeto às posturas municipais e verificação da
exatidão de sua execução ao que foi licenciado, não lhe cabendo fiscalizar a
execução material da obra, conforme o que decidiu o Tribunal de Justiça do Rio
de Janeiro*
54
.
49
TJSP, RT 231/296; TASP, RT 200/505.
50
TASP, RT 209/363, 236/357, 237/555.
51
TJSP, RT 132/255.
52
GRANDISKI ( 2001 ) colabora em sua obra literária com: REsp 48001-PE, DJ 7/4/1997, e REsp 37026-PE, DJ 29/4/1996, REsp
111670-PE, Rel. Ministro César Asfor Rocha, J. 14/3/2000: Obra. Demolição. Logradouro público. A construção clandestina em
logradouro público está sujeita à demolição, não tendo o invasor de má-fé direito à retenção, nem à indenização pelo município de
eventuais benfeitorias. Precedentes citados.
53
TJSP, RT 137/614, 189/296 e 690; 1º TACivSP, RT 201/409, 288/691.
54
Processo 2000.001.07017 TJRJ – Responsabilidade civil do município. Exercício do poder de polícia. Fiscalização de cons-
truções. Limites. Muito embora incumba ao município o exercício do poder de polícia pela fiscalização das construções, este se
limita ao exame da adequação do projeto as posturas municipais e da exatidão de sua execução ao que foi licenciado, escapando
a órbita de sua atividade administrativa a fiscalização da execução material da obra, controle que, por estar afeto ao exercício da
profissão de engenharia, cabe aos respectivos conselhos profissionais. Sob este prisma, não tem o município dever de indenizar
danos causados ao morador por interdição provisória da edificação em razão de defeitos verificados em sua construção, questão de
responsabilidade civil que se resolve por aplicação do artigo 1246 do Código civil, prevalecendo a responsabilidade do empreiteiro.
Pretensão indenizatória improcedente. Recurso do município provido para reformar a sentença que o condenara a indenizar os
autores por dano moral.
Responsabilidade na Construção Civil 74 75
Capítulo VI
DA ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE NA CONSTRUÇÃO
Existem causas que retiram a ilicitude da conduta e isentam o autor de
qualquer responsabilidade.
Meirelles (1996) menciona que a lei declara que não constituem atos ilíci-
tos e não geram responsabilidade alguma, liberando o devedor do cumprimento
de suas obrigações, os praticados:
1 EM LEGÍTIMA DEFESA
Usando moderadamente dos meios necessários, causa lesão ao contendor,
no repelir injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem –
CC/2002, art.180, I; CP, arts.23,II e 25;
2 EM ESTADO DE NECESSIDADE
Situação de perigo que obriga alguém a sacrificar bens alheios para evitar
ou livrar-se de um mal maior a fim de remover perigo iminente, caso não tenha
concorrido com culpa para o evento perigoso – CC/2002, arts.188,II e 929; CP,
arts.23,I e 24;
3 EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO RECONHECIDO
Prática normal de faculdade ou atividade concedida por lei, ainda que cause
dano a terceiros, salvo nos casos de responsabilidade objetiva – danos de constru-
ção a prédio vizinho – CC/2002, art.188,I, parte final e CP, art.23, III, parte final;
4 OCORRÊNCIA DE CASO FORTUITO
Em fato da natureza ainda que cause danos a terceiros, por imprevisibili-
dade e inevitabilidade – salvo se a região não é sujeita a fenômenos físicos de
intempéries – causas geológicas ou hídricas (CC/2002, arts. 393 e 625,II);
5 DE FORÇA MAIOR
Em ato humano e fato necessário (CC/2002, arts. 393 e 625,I) que, por sua
imprevisibilidade e inevitabilidade criem impossibilidade para o cumprimento
de obrigações – greve de transportes ou ato governamental que impeçam a
importação de material ou matéria-prima necessários e insubstituíveis na cons-
trução;
Responsabilidade na Construção Civil 76 77
6 DO FATO NECESSÁRIO À ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE. NÃO
CONFUNDIR COM IMPREVISIBILIDADE
Um exemplo clássico, já ocorrido em outras épocas, foi o de determinada
marca de cimento que não mais se encontrava no mercado da cidade e, só
existia uma segunda com preço bem superior ao da primeira, não constitui caso
de força maior.
Meirelles (1996) reforça e alia-se ao fato necessário, onde os efeitos não
foram possíveis serem evitados ou impedidos.
Caracteriza a imprevisibilidade, não devendo ser confundido com a imprevi-
são do fato necessário, que em sendo de efeito contornável, mesmo que mais
onerosos, não constituindo motivo da liberação de obrigações.
Em situação inevitável, mas de efeitos contornáveis, mesmo que mais one-
rosos, também não constitui motivo de força maior.
Como já vimos em tópico anterior, e, bem alertado por Meirelles (1996),
da responsabilidade contratual o construtor só se libera cumprindo fielmente
o contrato ou demonstrando que a sua inexecução total ou parcial, deveu-se a
caso fortuito ou força maior.
Fora dessas hipóteses, sujeitar-se-á à indenização devida*
55
, devendo cobrir
os prejuízos ocasionados à parte inocente – perdas e danos – lucro cessante
– aluguéis e valorização do prédio – multa contratual - correção monetária –
custas judiciais – honorários de Perito e Advogado - CC/2002, arts.402,403 e
404 e CPC, art.20.
6.1 DO DESGASTE NATURAL OU FALTA DE MANUTENÇÃO
Exceção, ainda, de isenção de responsabilidade deve ser mencionada, quan-
do o defeito ou vício construtivo ocorreu devido ao desgaste natural pelo tempo
ou por falta de manutenção do prédio.
Grandiski (2001) destaca conclusão em congresso (Painel 2 – 4º Congresso
Brasileiro de Direito do Consumidor, Gramado, 08 a 11.03.1998), publicadas
na revista “Direito do Consumidor”, n.º 26, abr./jun.1998:
Conclusão 3 – “O prazo de garantia pela segurança da obra não é mais de
apenas 5 ( cinco ) anos, como previsto no art.618 do Código Civil, mas sim por
todo o período de durabilidade razoável da construção. Nesse período, ocor-
rendo o acidente, o incorporador / construtor só afastará o dever de indenizar
se provar que a obra não tinha defeito, ou seja, que o acidente decorreu do
desgaste natural do tempo por falta de conservação do prédio”.
Tratado a definição por Aurélio, p.883 e 368, onde evidencia a distinção
entre manutenção e conservação, respectivamente, a saber:
Manutenção: cuidados técnicos indispensáveis ao funcionamento regular.
Exemplos: troca de lâmpadas, vedantes de torneiras, recolocação de algumas
peças cerâmicas, re-pintura, limpeza inclusive de calhas;
Conservação: cuidados técnicos para resguardar de dano, decadência, dete-
rioração, prejuízo. Exemplos: troca de esquadrias, torneiras, calhas, condutores,
fiação elétrica, disjuntores e repintura total.
Padaratz (2000) completa o assunto, tratando a manutenção como sendo,
a combinação de ações destinadas a manter um edifício ou suas partes em
condições de uso.
Do termo conservação, é tratado por “recuperação” e o subdivide em outros,
a saber, melhor visualizado, sob o aspecto da influência, em gráfico abaixo:
- Preservação: Manter a estrutura nas suas condições atuais e evitar
progresso na sua deterioração – ver ainda nesta obra literária, Capítulo VII, Item
2.1/3;
- Reabilitação: Reparar ou modificar uma estrutura para um fim específico
de utilização;
- Reparo: Substituir ou corrigir materiais, componentes ou elementos dete-
riorados, danificados ou falhos;
- Restauração: Restabelecer os materiais, forma e aparência de uma estru-
tura que existiam na estrutura numa determinada época;
- Reforço: Aumentar a capacidade de carga de uma estrutura ou parte
dela.
55
TJSP, 132:168: Responsabilidade civil – Proprietário de edifício em construção – Materiais empilhados precariamente atirados por
ventania sobre o telhado de residência vizinha – Ininvocabilidade de caso fortuito ou força maior – Inclusão, ademais, das despesas
com móveis que guarnecem a residência, danificados por goteiras – Recurso provido.
Responsabilidade na Construção Civil 78 79
Fonte: PADARATZ (2000) - Inuência da
manutenção e recuperação no desempenho
da construção civil.
Maia Lima & Pacha (2005), em valiosa obra literária, relatam, que em rela-
ção a recuperação dos problemas patológicos, Helene (1992) afirma que: “as
correções serão mais duráveis, mais efetiva, mais fáceis de executar e muito
mais baratas quanto mais cedo forem executadas”.
A demonstração mais expressiva dessa afirmação é a chamada “Lei de Sit-
ter” que mostra os custos crescendo segundo uma progressão geométrica. Di-
vidindo as etapas construtivas e de uso em quatro períodos correspondentes ao
projeto, à execução propriamente dita, à manutenção preventiva efetuada antes
dos primeiros três anos e à manutenção corretiva efetuada após surgimento dos
problemas, a cada uma corresponderá um custo que segue uma progressão
geométrica de razão cinco, conforme indicado na figura 1.
Fonte: MAIALIMA& PACHA(2005), op.cit. SITTER,
apud HELENE ( 1992 ) / g. 1 - Lei de evolução de
custos
Concluem ainda que, toda medida extraprojeto, tomada durante a execu-
ção, incluindo nesse período a obra recém-construída, implica num custo cinco
vezes superior ao custo que teria sido acarretado se esta medida tivesse sido
tomada a nível de projeto, para obter-se o mesmo “grau” de proteção e durabi-
lidade da estrutura.
Um exemplo típico é a decisão em obra de reduzir a relação A/C (água/
cimento) do concreto para aumentar a sua durabilidade e proteção à armadura.
A mesma medida tomada durante o projeto permitiria o redimensionamento
automático da estrutura considerando um concreto de resistência à compressão
mais elevada, de menor módulo de deformação, de menor deformação lenta e
de maiores resistências à baixa idade.
Essas novas características do concreto acarretariam a redução das dimen-
sões dos componentes estruturais, economia de formas, redução de taxa de
armadura, redução de volumes e peso próprio etc. Essa medida tomada a nível
de obra, apesar de eficaz e oportuna do ponto de vista da durabilidade, não
mais pode propiciar alteração para melhoria dos componentes estruturais que
já foram definidos anteriormente no projeto.
6.2 PROVOCADO POR TERCEIROS
Outra situação aventada por Grandiski (2001) é de que se prove que a
origem do problema foi provocada por terceiros (outra obra ao lado, fazendo
rebaixamento de lençol freático, caminhão que derruba pilar de sustentação do
prédio, explosão de artefatos armazenados etc.)*
56
.
Segue, apresentando em sua obra literária, que, se a culpa não for exclusiva do
consumidor, pode-se concluir que teria havido culpa concorrente do fornecedor e, nes-
te caso, mesmo que essa culpa seja por simples omissão de advertência (omissão de
advertência no “Manual do Proprietário”, por exemplo), será considerado culpado.
Exemplo típico desta hipótese, é a do construtor que seria condenado pelos
danos causados ao consumidor pela explosão de aquecedor de acumulação de
água, pelo acionamento de sua resistência elétrica, sem que ele esteja cheio de
água (na ligação inicial, ou logo após a falta de água, ou após eventual refor-
ma). Nesse caso, o ar acumulado no aquecedor se esquenta, aumentando de
volume, como numa panela de pressão. O consumidor deve ter advertido pre-
viamente desta possibilidade no “Manual do Proprietário”; se não constar essa
advertência, haveria culpa concorrente do construtor, que seria condenado.
56
STJ – Agravo 289278/MG ( 2000/0014221-2 ) em 05/05/2000, Ministro Waldemar Zveiter: Ementa: Ação de Indenização.
Responsabilidade objetiva do construtor. Relação de causa e efeito entre o dano e a construção defeituosa. Prova. Imperiosidade.
Imprescindível que se evidencie a relação de causa e efeito entre o defeito de edificação e o dano sofrido pela parte, a teor do art.
12, caput, da Lei n.º 8078/90, sob pena de se afastar a responsabilidade objetiva da construtora, nos termos do parágrafo 3º da
referenciada legislação, principalmente se não se apresentam, no caso concreto, os requisitos necessários a que se estabeleça a
inversão dos ônus da prova, consoante as disposições do art. 6º, VIII, do referenciado texto legal. Recurso adesivo provido, restando
prejudicada a apreciação do apelo.
Responsabilidade na Construção Civil 80 81
Capítulo VII
PATOLOGIA DE EDIFICAÇÕES, FALHAS TÉCNICAS
E DEFEITOS, CASOS PRÁTICOS DE PERÍCIA EM
CONSTRUÇÃO
Grandiski (2001) traz em seu trabalho, que se pode classificar o estudo das
falhas construtivas como uma ciência experimental, que mais recentemente foi
denominada “Patologia das Construções” e envolve profundos conhecimentos
de muitas especialidades, algumas não ensinadas em cursos normais de arqui-
tetura e engenharia. Visto sob este aspecto genérico, o seu estudo é caso de
alta especialização.
Nessa mudança conceitual, os engenheiros perceberam que da mesma for-
ma que um ser vivo, a “saúde” das edificações dependia não só dos cuidados
durante a sua “gestação” (fase do projeto), mas também durante seu “cresci-
mento” (fase da construção), e deveriam permanecer durante o “resto da vida”
(fase de manutenção), sob pena de adquirir “doenças” (manifestações patológi-
cas). A medida que “envelhecem” (fase de degradação), elas podem passar por
enfermidades (processo lento e contínuo de deterioração).
Dessas semelhanças, com os termos usualmente empregados na área da
medicina, nasceu este novo ramo da ciência, designado: “Patologia das Cons-
truções”.
Não obstante, e como em outros ramos da ciência, o engenheiro e arqui-
teto que dominar razoavelmente bem a “Arte de Construir”, poderá prevenir,
entender, diagnosticar e corrigir cerca de 70% (setenta porcento) das “falhas
rotineiras”, que costumam ser repetitivas (...).
Os outros 30% (trinta porcento), podem e devem ser encaminhados aos
especialistas formados nos cursos universitários de pós-graduação, em labora-
tórios, nas empresas especializadas em recuperação de patologias, em alguns
cursos de reciclagem para engenheiros etc.
Responsabilidade na Construção Civil 82 83
1 PATOLOGIA DAS CONTRUÇÕES
“Ciência” que procura, de forma metodizada, estudar os defeitos dos mate-
riais, dos componentes, dos elementos ou da edificação como um todo, diag-
nosticando suas causas e estabelecendo seus mecanismos de evolução, formas
de manifestação, medidas de prevenção e recuperação.*
57
Helene (1988) descreve que os problemas patológicos, salvo raras exce-
ções, apresentam manifestação externa característica, a partir do qual se pode
deduzir qual a natureza, a origem e os mecanismos dos fenômenos envolvidos,
assim como se pode estimar suas prováveis consequências. Esses sintomas,
também denominados de lesões, defeitos ou manifestações patológicas, podem
ser descritos e classificados, orientando um primeiro diagnóstico, a partir de
minuciosas e experientes observações visuais.
Cabe ressaltar, que a identificação da origem do problema permite também
identificar, para fins judiciais, quem cometeu a falha. Assim, se o problema teve
origem na fase de projeto, o projetista falhou; quando a origem está na quali-
dade do material, o fabricante errou; se na etapa de execução, trata-se de falha
de mão de obra e a fiscalização ou a construtora foram omissos; se na etapa de
uso, a falha é da operação e manutenção.
1.1 ORIGENS
1.1.1 EXÓGENA
Grandiski (2001) complementa, que são causas com origem fora da obra
e provocadas por fatores produzidos por terceiros, ou pela natureza, tais
como:
- vibrações provocadas por estaqueamento, percussão de máquinas in-
dustriais, ou tráfego externo;
- escavações de vizinhos (ver ainda estudo de caso no item 2.4 adian-
te);
- rebaixamento de lençol freático;
- influência do bulbo de pressão de fundações diretas de obra de grande
porte em construção ao lado;
- trombadas de veículos e alta velocidade com a edificação;
- explosões, incêndios, acidentes de origem externa (explosões de boti-
jões de gás) etc.;
- variações térmicas, acomodações de camadas profundas, terremotos,
maremotos etc.
1.1.2 ENDÓGENA
Causas com origem em fatores inerentes à própria edificação (ver tam-
bém figura abaixo), e que podem ser subdivididos em:
- falhas de projeto, onde os projetistas deveriam: induzir a utilização de
um único RN (referência de nível) na obra, desde as sondagens, plantas
de arquitetura, estruturais, de instalações etc. prever travamento posi-
tivo no pé das cortinas; não projetar pilares em cantos (impossibilidade
de cravação de estacas); não induzir transições de pilares utilizando as
divisas (possibilidade de alterações no vizinho); prever travamento de
blocos de fundação etc.;
- falhas de gerenciamento e execução (desobediência às normas técni-
cas, ausência ou precariedade de controle tecnológico, utilização de
mão de obra inqualificada);
- falhas de utilização (sobrecargas não previstas no projeto, mudança de
uso);
- deterioração natural de partes da edificação pelo esgotamento da sua
vida útil.
Fonte: HELENE ( 1981 ) - Grá-
co de incidência da origem
dos problemas patológicos
com relação às etapas de pro-
dução e uso das obras civis.
1.1.3 NA NATUREZA
Causas que podem ser falhas previsíveis ou imprevisíveis, evitáveis ou ine-
vitáveis, conforme o caso, e entre as quais se destacam:
57
THOMAZ, Ércio. Trincas em Edificações, PINI, São Paulo.
Responsabilidade na Construção Civil 84 85
- movimentos oscilatórios causados por movimentos sísmicos;
- ação de ventos e chuvas anormais;
- inundações provocadas por chuvas anormais, neve;
- acomodações das camadas adjacentes do solo;
- alteração do nível do lençol freático por estiagem prolongada ou pela
progressiva impermeabilização das áreas adjacentes;
- variações da temperatura ambiente (calor, variações bruscas);
- ventos muito fortes, acima dos previstos em norma técnica.
1.2 ESTATÍSTICAS DE INCIDÊNCIA DAS PATOLOGIAS
Maia Lima & Pacha (2005), traz à luz ainda, a distribuição de incidência das origens das patologias em diver-
sos países, conforme mostra o quadro seguinte:
PAÍS
NÚMERO
DE
CASOS
CAUSAS TIPO DE OBRA
P M E U N R C I H
Inglaterra 510 49 11 29 10 1
Alemanha 1570 40 15 29 9 7
Romênia 432 38 23 20 11 8
Bélgica 3000 49 12 24 8 7
Dinamarca 601 37 25 22 9 7
Iugoslávia 117 34 22 24 12 8
França 10000 37 5 51 7 68 18 14
Espanha 586 41 13 31 11 4 67 20 13
Brasil 527 18 7 52 13 10 29 24 35 12
Fonte: Maia Lima & Pacha, op.cit. CARMONA FILHO & MAREGA e BUENO, apud ARANHA & DAL MOLIN (1994)
- Origem das manifestações patológicas em diversos países.
LEGENDA: causas: P = projeto; M = materiais; E = execução; U = utilização;N= naturais Tipo de obra: R = resi-
dencial; C = comercial; I = industrial; H = hidráulica
Segue comentando, que segundo Aranha & Dal Molin (1994:24): “as fa-
lhas de execução das estruturas podem ser de todo tipo, podendo estar vincu-
ladas à confecção, instalação e remoção das fôrmas e cimbramentos; corte,
dobra e montagem das armaduras e dosagem, mistura, transporte, lançamento,
adensamento e cura do concreto, todas elas relacionadas, principalmente, ao
emprego de mão-de-obra desqualificada ou falta de supervisão técnica”.
Padaratz (2000) trata ainda, das patologias no
Brasil de maior incidência em casas térreas e
apartamentos com idade maior que 8 ( oito ) anos
de construídos e ocupados, a saber:
Fonte: PADARATZ (2000), apud IOSHIMOTO, E. –
I.P.T. – Incidência de manifestações patológicas no
Brasil, de casas térreas com idade maior de 8 (oito)
anos.
Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) - Laje apresentando con-
creto altamente permeável e manchas de umidade em toda
a superfície, com inltração presente nas proximidades dos
ninhos de concretagem, provocando corrosão e expansão da
seção das armaduras.
Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) - Inltração e presença de
limo, causadas pela ssuração e permeabilidade excessiva da
laje de concreto (apud, Paulo Barroso Engenharia Ltda. )
Responsabilidade na Construção Civil 86 87
Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) - Corrosão nas
armaduras próximas as tubulações, que apresentam
inltrações com desprendimento de concreto.
Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) - Laje apresen-
tando inltração, provocando a lixiviação do concreto
desencadeando a corrosão das armaduras.
2 ESTUDO DE CASOS
2.1 FALHAS TÉCNICAS
Em valiosa obra literária, Lima & Jorge (2001), destacou e avaliou os prin-
cipais problemas surgidos na fase de projeto e execução na construção civil, e,
para este caso, em obras públicas, com a finalidade de: “ ( ... ) diminuir gastos
orçamentários, sem diminuir a produtividade e a eficiência, aumentando a
qualidade dos bens e serviços adquiridos ou fornecidos, diminuindo, simulta-
neamente seus custos e seus prazos”.
Discorre ainda, que durante a execução da obra houve a necessidade da
realização de alguns serviços não previstos no projeto, a fim de atender às soli-
citações dos usuários e corrigir falhas de projeto, como também para solucionar
conveniências construtivas.
São apresentados quadros (na seqüência), que mostram as “Falhas Técnicas
na Concepção”, “Falhas Técnicas no Projeto”, “Falhas Técnicas na Execução” e
“Falhas Processuais”, com suas causas e procedimentos que deveriam ter sido
adotados para a sua não ocorrência.
As “Falhas Técnicas” ocorrem durante a construção e tem origem na con-
cepção, no projeto e na execução e são motivadas por falta de conhecimen-
to técnico específico e/ou omissão do profissional, e as “Falhas Processuais”
ocorrem em fase pós-construção, e tem origem devido ao desconhecimento e
descumprimento da legislação em vigor.
MAIA LIMA & PACHA (2005) trazem, também detalhado, os termos da
origem das falhas técnicas, a saber:
1 – CONCEPÇÃO (projeto)
Várias são as falhas possíveis de ocorrer durante a etapa de concepção da
estrutura. Elas podem se originar durante o estudo preliminar (lançamento da
estrutura), na execução do anteprojeto, ou durante a elaboração do projeto de
execução, também chamado de projeto final de engenharia.
Apud Souza & Ripper (1998:24) constataram que os responsáveis, princi-
palmente, pelo encarecimento do processo de construção, ou por transtornos
relacionados à utilização da obra, são as falhas originadas de um estudo preli-
minar deficiente, ou de anteprojetos equivocados, enquanto as falhas geradas
durante a realização do projeto final de engenharia geralmente são as responsá-
veis pela implantação de problemas patológicos sérios e podem ser tão diversas
como:
- Elementos de projeto inadequados (má definição das ações atuantes ou
da combinação mais desfavorável das mesmas, escolha infeliz do modelo
analítico, deficiência no cálculo da estrutura ou avaliação da resistência
do solo etc.);
- Falta de compatibilização entre a estrutura e a arquitetura, bem como
com os demais projetos civis;
- Especificação inadequada de materiais;
- Detalhamento insuficiente ou errado;
- Detalhes construtivos inexequíveis;
- Falta de padronização das representações ( convenções ); e
- Erros de dimensionamento.
Padaratz (2000), também complementa, que o projeto de edificações an-
tigas (até a década de 70), era baseado no método de tensões de serviço.
Como resultado, eram mais robustas e por consequência com menor índice
de esbeltez. As estruturas apresentavam pequena deformabilidade e raramente
perceptível nos casos mais comuns.
Responsabilidade na Construção Civil 88 89
Nas últimas décadas, com a introdução do conceito de estados limites úl-
timos, as estruturas foram ficando cada vez mais esbeltas, e, portanto, mais
sujeitas a estados de deformação anteriormente não percebidos.
O projeto de pavimentos esbeltos (lajes finas, poucas vigas e grandes vãos)
implica em elevada sensibilidade a vibrações. O problema piora em pavimentos
onde estiverem instaladas máquinas. As vibrações podem tornar-se incômodas
e causar prejuízos. A verificação da freqüência natural, pode ser necessária para
a definição de espessuras e dimensões de elementos estruturais.
A cultura brasileira não incorpora, via de regra, a necessidade de analisar os
efeitos reológicos
*58
do concreto e do aço, quando se trata de concreto armado,
principalmente no cálculo de flechas. Esses efeitos crescem de importância nas
estruturas mais esbeltas.
Nas construções convencionais, a retirada do escoramento está comumente
associada à obtenção de uma resistência mínima para o concreto. No entanto,
dependendo da idade, o módulo de deformação pode ser o parâmetro mais
importante para a garantia de obtenção de flechas compatíveis com o funcio-
namento da estrutura.
2 – EXECUÇÃO (construção)
A seqüência lógica do processo de construção civil, indica que a etapa de exe-
cução deva ser iniciada apenas após o término da etapa de concepção, com a con-
clusão de todos os estudos e projetos que lhe são inerentes. Suponha-se, portanto,
que isto tenha ocorrido com sucesso, podendo então ser convenientemente iniciada
a etapa de execução, cuja primeira atividade será o planejamento da obra.
Iniciada a construção, podem ocorrer falhas das mais diversas naturezas,
associadas a causas tão diversas como falta de condições locais de trabalho (
cuidados e motivação ), não capacitação profissional da mãodeobra, inexistên-
cia de controle de qualidade de execução, má qualidade de materiais e compo-
nentes, irresponsabilidade técnica e até mesmo sabotagem.
Nas estruturas, vários problemas patológicos podem surgir. Uma fiscalização
deficiente e um fraco comando de equipes, normalmente relacionados a uma
baixa capacitação profissional do engenheiro e do mestre de obras, podem, com
facilidade, levar a graves erros em determinadas atividades, como a implanta-
ção da obra, escoramento, fôrmas, posicionamento e quantidade de armaduras
e a qualidade do concreto, desde o seu fabrico até a cura.
A ocorrência de problemas patológicos cuja origem está na etapa de execu-
ção é devida, basicamente, ao processo de produção, que é em muito prejudica-
do por refletir, de imediato, os problemas sócioeconômicos, que provocam baixa
qualidade técnica dos trabalhadores menos qualificados, como os serventes e
os meio-oficiais, e mesmo do pessoal com alguma qualificação profissional.
3 – UTILIZAÇÃO (manutenção)
Acabadas as etapas de concepção e de execução, e mesmo quando tais
etapas tenham sido de qualidade adequada, as estruturas podem vir a apresen-
tar problemas patológicos originados da utilização errônea ou da falta de um
programa de manutenção adequado.
Ainda, segundo Souza & Ripper (ibid., p. 27), os problemas patológicos,
ocasionados por uso inadequado, podem ser evitados informando-se aos usu-
ários sobre as possibilidades e as limitações da obra, descritos abaixo, por
exemplo:
- Edifícios em alvenaria estrutural – o usuário ( morador ) deve ser infor-
mado sobre quais são as paredes portantes, de forma que não venha a
fazer obras de demolição ou de aberturas de vãos – portas ou janelas
– nestas paredes, sem a prévia consulta e a assistência executiva de
especialistas, incluindo, preferencialmente, o projetista da estrutura;
- Pontes – a capacidade de carga da ponte deve ser sempre informada,
em local visível e de forma insistente.
Os problemas patológicos ocasionados por manutenção inadequada, ou
mesmo pela ausência total de manutenção, tem sua origem no desconhecimen-
to técnico, na incompetência, no desleixo e em problemas econômicos.
Exemplos típicos, casos em que a manutenção periódica pode evitar pro-
blemas patológicos sérios e, em alguns casos, a própria ruína da obra, são a
limpeza e a impermeabilização das lajes de cobertura, marquises, piscinas ele-
vadas e playgrounds, que, se não forem executadas, possibilitarão a infiltração
prolongada de águas de chuva e o entupimento de drenos, fatores que, além de
implicarem a deterioração da estrutura, podem levá-la à ruína por excesso de
carga ( acumulação de água ).
58
Do termo “reológico”, AURÉLIO, página 1216, “Reologia” significa: “Parte da física que investiga as propriedades e o comporta-
mento mecânico dos corpos deformáveis, que não são nem sólidos nem líquidos”.
Responsabilidade na Construção Civil 90 91
1) 2)

3) 4)
Fonte: PELACANI (2008) – 1) Vista da marquise / laje sobre as sacadas do edifício – lado direito que não caiu; 2)
vista de empoçamento de água e ssuras generalizadas sobre a marquise; 3) vista da fachada – à direita, sacadas
que desmoronaram com a queda inicial da marquise sobre a última sacada; 4) vista dos escombros no dia seguin-
te ao desmoronamento das sacadas.
Segundo Aranha & Dal Molin (1994), os procedimentos inadequados duran-
te a utilização podem ser divididos em dois grupos: ações previsíveis e ações
imprevisíveis ou acidentais.
Nas ações previsíveis, podemos compreender o carregamento excessivo,
devido a ausência de informações no projeto e/ou inexistência de manual de
utilização.
No caso das ações imprevisíveis temos: alteração das condições de expo-
sição da estrutura, incêndios, abalos provocados por obras vizinhas, choques
acidentais etc.
Quadro 1 –Falhas Técnicas na Concepção
Falhas Causas Como evitar
1- Troca do tipo de fundação
inicialmente previsto no escopo
da obra. ( fundação direta para
estacas)
À não execução de sondagem
de reconhecimento do terreno
quando da elaboração dos
estudos preliminares.
Elaboração prévia da
sondagem do terreno, a fim
de definir o tipo adequado de
fundação a ser utilizado.
2- Não previsão de urbanização
e arruamento para acesso de
caminhões aos depósitos.
Falta de um minucioso
levantamento das
necessidades junto aos
usuários.
No levantamento das
necessidades devem ser
previstos todos os aspectos
necessários à realização da
obra.
3- Não identificação no projeto,
das redes existentes para
ligação de água e esgoto do
prédio.
Falta de um levantamento
preliminar das redes
existentes.
Na elaboração dos projetos
devem estar definidos todos
os pontos para execução da
obra.
Responsabilidade na Construção Civil 92 93
Quadro 2 – Falhas Técnicas no Projeto
Falhas Causas Como evitar
1- Não previsão de
armação na laje de piso do
térreo.
Desconhecimento das
características do terreno.
Elaboração prévia da
sondagem do terreno, a fim
de definir a adequada forma
construtiva.
2- Pilares projetados
com altura errada, cintas e
pilares não projetados.
A não compatibilização
dos projetos de estrutura
juntamente com os demais.
Elaboração e
compatibilização de todos os
projetos antes da licitação.
3- Superdimensionamento das
fundações do abrigo dos eqüi-
nos.
A execução das fundações
ficou a cargo da empresa que
elaborou o projeto.
Elaborar o projeto de
fundações antes da licitação,
juntamente com os demais
projetos.
4- Reforço das portas de
alumínio, devido ao tipo de
fechadura especificada.
Materiais especificados não
adequados a sua utilização.
Elaboração de projeto para
produção.
5-Dimensionamento insuficiente
das colunas do barrilete para
atender as válvulas de descarga
e a máquina de lavar.
Erro de execução e falta de re-
visão do projeto de instalações
hidro-sanitárias.
Revisão dos projetos por
outro profissional.
6- Indefinição com relação às
alturas das tomadas e bitola dos
eletrodutos.
Projeto de instalação
executado sem revisão.
Revisão e compatibilização
dos projetos.
Quadro 3 – Falhas Técnicas na Execução
Falhas Causas Como evitar
1-Cravação de estaca que não
constava do projeto.
2-Controle tecnológico
inadequado no início da
concretagem.
3-Deslocamento do eixo da
estaca do bloco BL13.
4-Armação da cinta V17 10x
40 como se fosse a cinta V16
12x40.
5-A cinta V2 e V9 foram
armadas erradas.
6-A cinta V3 foi concretada fora
do eixo do pilar P3.
7-Alguns pilares foram
concretados 15 cm acima da
altura indicada em projeto.
8-Demolição do emboço
executado desnecessariamente
em todo o perímetro das salas e
circulação no local do rodapé de
alta resistência.
9-Execução de contrapiso da sala
de sangria, com nível incorreto.
10-Portas de alumínio executada
3cm menor do que a altura do
vão.
Não existem por parte da firma
contratada procedimentos
para execução, verificação e
inspeção de serviços.
A utilização de
procedimentos técnicos de
execução e de inspeção e
verificação de ser-viços,
pelos técnicos da obra.

Responsabilidade na Construção Civil 94 95
Quadro 4- Falhas Processuais
Falhas Causas Como evitar
1- Atraso na assinatura do
contrato e consequentemente
do início da obra.
A empresa vencedora da
licitação não apresentou
a garantia contra- tual e a
administração não convo- cou,
dentro dos prazos estabele-
cidos por lei, a segunda
colocada.
Agilidade da administração
no cumprimento dos
procedimentos e prazos
estipulados no edital.
2- Acréscimo do prazo
contratual da obra.
Falta de planejamento por
parte da empreiteira e atraso
na liberação dos pagamentos
das faturas.
Planejamento e controle mais
eficaz das etapas dos serviços
e maior agilidade por parte da
administração no pagamento
das faturas.
3- Descontinuidade na
execução dos serviços.
Atraso na liberação dos
pagamentos das faturas.
Maior agilidade por parte da
administração no pagamento
das faturas.
Fonte: LIMA & JORGE ( 2001 ) – Quadros “Falhas Técnicas”
2.2 DESABAMENTOS
Souza (2001) trata em sua obra literária, quanto ao desabamento de edifí-
cios residenciais no Brasil. Tratado como acidentes estruturais, e o que podem
e devem servir de aprendizado, para que novas falhas não fossem cometidas,
para não vermos novo quadro de tragédia com vítimas fatais.
Esclarece ainda, que as rachaduras em lajes representam um risco de baixa or-
dem e é comum, nos apartamentos do último andar, apresentarem estas rachaduras
devido a variação de temperatura. As rachaduras em vigas representam um risco de
ordem intermediária, e geralmente são resultado de esforços de flexão. As rachaduras
em pilares representam os riscos mais graves, uma vez que estes elementos são res-
ponsáveis pela transmissão das cargas de vigas e lajes para a fundação.
Cita os casos de desabamento nas cidades de Santos–SP (1990), Volta
Redonda–RJ (1991), Guaratuba–PR (1995) – Edifício Atlântico, São José do
Rio Preto–SP (1997) –Edifício Itália, Rio de Janeiro–RJ (1998) – Edifício Palace
II e Olinda–PE (1999) – Edifícios Éricka e Enseada de Serrambi.
Finalmente concluiu que, apesar da experiência dos profissionais envolvidos
nestes desabamentos, na faixa de 30 (trinta) anos de profissão, quase sempre
são decorrentes de combinações de falhas técnicas. Foram destacadas, nestes
desabamentos:
- traço inadequado do concreto utilizado;
- materiais de baixa qualidade;
- deficiência de cobrimento das armaduras;
- falta de sondagem adequada no solo para realização das fundações;
- concepção estrutural inadequada;
- detalhamento de elementos estruturais com deficiência;
- construção da obra com materiais mais pesados que os especificados em
projeto;
- construção de outros pavimentos ou outros elementos (piscinas e caixas
d`água) sem consulta prévia do projetista;
- falta de orientação e acompanhamento dos profissionais junto aos encar-
regados da obra.
Saldanha (2001), colabora em sua obra literária, elaborada em razão de
perícia judicial, e, em função da vistoria realizada em sinistro de desabamento
de estrutura de pavilhão pré-moldado de concreto armado, das condições de
suporte do subsolo local, do tipo de fundações executadas –- do tipo Strauss, do
dimensionamento do projeto estrutural executado, e conclui que:
- a estaca não atende as solicitações de carga, uma vez que o esforço de
compressão absovido é menor que o esforço de compressão atuante na
estaca;
- a insuficiência de armaduras nos pilares, ferragem necessária deveria
ser 52% (cinqüenta e dois porcento) superior às existentes nas peças
confeccionadas;
- observou-se, também, que as armaduras indicadas no projeto estrutural,
não conferem com as armaduras de cálculo e nem de execução.
2.2.1 A IDEIA DE INSPEÇÃO PREDIAL OBRIGATÓRIA
Helene (2005) trouxe à tona, em recente artigo publicado, a importância e
a visão de alguns estados brasileiros e de outros países, quanto a assegurar a
segurança das obras civis projetadas e executadas por arquitetos e engenheiros.
Responsabilidade na Construção Civil 96 97
Traduz e conclui da enorme importância que a “Inspeção Predial PERIÓDICA”
de edificações, podendo alertar e provocar que se tomem atitudes, de ordem
efetiva, para a prevenção de verdadeiras catástrofes, como já vimos acontecer
em desabamento de edificações.
Inicia com a seguinte questão:
“A quem cabe assegurar a segurança? Ao sistema CONFEA/CREAs? Às
prefeituras? Às universidades? Aos fabricantes de materiais?”
Professor Titular da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo,
Presidente do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON), especialista em Pato-
logia e Terapia das Estruturas de Concreto, em artigo de sua autoria, produzido
logo após o recente desabamento do Edifício Areia Branca, em Recife (PE), que
continua:
“Afinal – diz ele –, era um edifício de 12 andares, com mais de 20
anos de bons serviços prestados à sociedade. Um edifício desse porte, cons-
truído na década de 1980, faz-nos pressupor que deve ter sido objeto de es-
tudos, de projeto e de construção por empresas e profissionais competentes,
habilitados pelo CREA e pela prefeitura locais”.
Traz, em tom de grande e profunda advertência aos profissionais, outro
questionamento interessante:
“Mas serão só esses os responsáveis indiretos? Sabe-se, ainda, que
no edifício atuava uma empresa de engenharia especializada em reabilitação
de estruturas, ou seja, a engenharia estava presente no local da tragédia!
Por que, então, ainda ocorrem acidentes dessa magnitude? Projetam-se e se
constroem estruturas de edifícios com vida útil prevista para 50 anos; porém,
sempre admitindo manutenção periódica.
Portanto, em todas as obras existentes há a necessidade imediata de
estabelecer rotinas de inspeções periódicas, frequentes, seguidas de reformas
e intervenções corretivas, sempre que o diagnóstico assim o indicar.
Documentos internacionais, como os adotados na Europa pela Federation
Internationale du Béton (FIB) e nos Estados Unidos pelo American Concrete
Institute (ACI), exigem inspeções técnicas de edifícios a cada 10 anos, no
máximo.
No caso de obras de maior importância, a inspeção técnica deve ser reali-
zada a cada 2 anos, podendo esse período chegar a 4 anos.
Em Buenos Aires, há uma lei municipal obrigando vistorias periódicas em
balcões e edifícios.
No campo da habilitação profissional, é indispensável que o sistema CON-
FEA/CREAs institua um processo permanente, no qual o título universitário
qualifique, mas não habilite, pois a habilitação deveria ser temporária e não
vitalícia, como é hoje.
(...) O risco de desabamento de um edifício, como o ocorrido em Recife, é
centenas de vezes menor que o de explosão de um botijão de gás ou de morte
por acidente de carro nos centros urbanos e nas rodovias brasileiras. Ainda
assim, é inadmissível que ocorra sem aviso, e sem tempo suficiente de evacu-
ação segura dos moradores. O correto seria prever essa deficiência estrutural
por meio de inspeções periódicas, feitas por profissionais experientes, que
indicariam, a tempo, a necessidade de um reforço – e o acidente teria sido
evitado.
O primeiro documento regulador do exercício técnico da profissão foi a
norma NB-1, de 1940. Naquela época, o dimensionamento das estruturas era
realizado pelos chamados métodos deterministas e a introdução da segurança
era dada pelo método das tensões admissíveis. A partir de fins da década de
1970, houve a primeira grande revolução no setor e a segurança passou a
ser introduzida com base nos conhecimentos proporcionados pela teoria das
“probabilidades”, bastante mais complexa e abstrata, porém mais exata e
mais segura. Todos os arquitetos e engenheiros civis formados antes de 1980
foram considerados obsoletos e somente aqueles que se reciclassem deveriam
continuar sendo habilitados a projetar e construir obras de porte.
Estamos, agora, em meio à segunda grande revolução. Foram introduzidos
recentemente, ao lado da segurança, os conceitos de durabilidade. Até então,
considerava-se que as estruturas de concreto seriam eternas e não requeriam
manutenções, como ainda era subentendido na década de 1980, época do
projeto e construção do Edifício Areia Branca.
As normas mundiais mudaram e a brasileira também, tendo sido recém–
publicada sua nova versão, a NB-1 de 2004, obrigatória a partir de março
último (de 2005).
Responsabilidade na Construção Civil 98 99
Novamente os profissionais que sempre projetaram e construíram da forma
anterior, que, segundo a visão de hoje, é inadequada ou “insuficiente”, serão,
ou deveriam ser, automaticamente reciclados para incorporarem, efetivamen-
te, os novos conhecimentos. Somente a estrita obediência aos procedimentos
constantes desses documentos oficiais – inclusive referidos no “Código do
Consumidor” como de obediência obrigatória – poderá assegurar durabilidade,
qualidade e segurança às estruturas construídas no País.
Infelizmente muitos profissionais, geralmente mal-informados, desconhe-
cem as consequências de um mau uso ou uso parcial de documentos dessa
importância.
Pressionados por empresários irresponsáveis e avarentos, esses profissio-
nais se submetem a honorários escorchantes e, assim, cortam atividades de
estudo, de controle e de projeto, que têm importância crucial no conjunto das
atividades e procedimentos que conduzem a estruturas estáveis e duráveis.
Felizmente, o número de profissionais competentes ainda é muitas vezes su-
perior ao dos profissionais pouco atualizados e omissos.
Acidentes graves, do porte dos que têm ocorrido no País, demonstram a
importância de uma Engenharia Civil bem praticada e exigem que proprietários,
órgãos públicos, contratantes e usuários em geral, sejam melhor informados de
seus direitos e remunerem adequadamente os profissionais que os atendem,
exigindo deles, no mínimo, a consciente obediência às normas brasileiras.
Estas são elaboradas, como em qualquer país desenvolvido, para assegurar
os direitos dos cidadãos à qualidade mínima de produtos e serviços técni-
cos”.
Pedroso (2005), jornalista e assessor de comunicação do Ibracon–Instituto
Brasileiro do Concreto, colabora em seu artigo, expondo as causas, na visão do
engenheiro-membro da “Comissão de Diagnóstico do Edifício Areia Branca”,
Eng. Romilde de Oliveira, onde relata que: “(...) o colapso do edifício aconteceu
devido ao rompimento de um dos pilares da obra. A escavação de 1,5 metros
na base do pilar, próximo à caixa d’água com trincas, revelou o rompimento do
pilar e a armadura flambada”.
O diagnóstico preliminar constatou estribos e cintas estreitas, pequeno re-
cobrimento da armadura e bolhas com forma de elipses, que revelam que não
houve uma vibração adequada quando da fabricação do pilar.
Conclui, o profissional que:
“Os edifícios construídos antes da década de 80 encontram-se sob sus-
peição e requerem vistorias regulares para a caracterização de seu estado de
uso, pois a Norma Técnica NBR 6118, da década de 1960, mostra-se, hoje,
anacrônica”.
Pedroso (2005) acrescenta ainda, que as “Leis de Inspeções Prediais” existem em alguns municípios brasileiros.
A lei Ordinária 6.323/88, de Porto Alegre, obriga que os proprietários de
edificações com marquises, contratem um técnico para elaboração de laudo
técnico sobre a estabilidade estrutural da marquise, a cada 3 (três) anos. A
inobservância da lei implica penalidades de ordem pecuniária.
A dificuldade é pôr a lei em prática. “Quando da regulamentação da lei, não
havia estrutura na secretaria da prefeitura para examinar os laudos técnicos e,
pior, a inexistência de profissionais treinados para fazerem a inspeção técnica
resultava em laudos técnicos de baixa confiabilidade”, relatou o Eng.Luiz Carlos
Silva Filho, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, aos 160
debatedores presentes em evento.
“O problema da implementação da lei foi revertido com a inauguração de
cursos de especialização, a intensificação da fiscalização e a conscientização
dos usuários sobre os riscos de queda das marquises”, esclareceu Luiz Carlos.
Em Nova Iorque, segundo o Eng.Leonardo Garzón, que atua na América
do Norte, a Lei de Inspeção e Manutenção Preventiva de 1998 prevê a pe-
nalidade do encarceramento para quem não a cumpre. A cidade de Salvador
também possui uma lei de inspeções técnicas, mas de caráter mais geral. A Lei
5.907/01 preconiza a manutenção preventiva e periódica das edificações e
equipamentos públicos e privados, responsabilizando os proprietários e gestores
da edificação pela contratação e guarda dos laudos técnicos, que devem ser
apresentados quando solicitados pelos órgãos fiscalizadores.
Tal como se verificou em outras partes, a lei encontra dificuldade de im-
plementação, devido à escassez de recursos dos condomínios e dos órgãos
públicos, e também à falta de engenheiros de estruturas habilitados para a
inspeção. “A lei possui ainda o inconveniente de tratar igualmente os desiguais,
pois impõe encargos financeiros de igual monta para os pequenos e grandes
proprietários”, observou o Eng.Antônio Carlos Laranjeiras, especialista do setor.
Uma lei de natureza idêntica foi proposta pelo IBAPE-SP ao Vereador Domin-
Responsabilidade na Construção Civil 100 101
gos Dissei (PFL), em 2001, obrigando o proprietário a obter um “Certificado
de Inspeção Predial” com prazo de validade de 5 (cinco) anos. Enquanto a
sociedade civil não decide sobre o assunto, alguns fatos são indiscutíveis, como
exemplificou em sua palestra o Eng.João Carlos de Carvalho, diretor da Escola
de Engenharia D. Pedro II, de São José do Rio Preto: se antes do colapso do
Edifício Itália, naquela cidade, a proporção de vendas de apartamentos era de
um para três casas vendidas, depois do desmoronamento as vendas passaram
para uma unidade a cada vinte casas vendidas.
Buenos Aires tem uma lei semelhante. Ela obriga os proprietários a realiza-
rem inspeções cuja periodicidade depende da idade da edificação: quanto mais
antigo o edifício, menor é o tempo entre uma inspeção e outra.
“As dificuldades de implementação da lei foram parcialmente vencidas com
um convênio entre os órgãos do governo e a Associação de Engenheiros Estru-
turais (AIE), por meio do qual se viabilizou a realização de inspeções visuais das
marquises, o que possibilitou flagrar quem não cumpre a lei”, ressaltou Raúl
Husni, ex-presidente da AIE da Argentina.
Em São Paulo, a Abece–Associação Brasileira de Engenheiros Civis de Estru-
turas elaborou uma minuta de projeto de “Lei sobre Conservação das Marqui-
ses”, recentemente entregue ao Vereador José Aníbal (PSDB).
O projeto estabelece a obrigatoriedade de um parecer técnico para as mar-
quises, feito por engenheiros capacitados e com prazo de validade de 2 ( dois )
anos. “É importante destacar que o engenheiro responsável pelo laudo técnico
deve ser capacitado, e não somente habilitado, para que se evite profissionais e
empresas oportunistas”, lembrou aos debatedores o Eng.Valdir Silva da Cruz.
Algumas empresas construtoras das grandes cidades, e mais recentemente
de Maringá, com a preocupação técnica em antes de se iniciar uma edificação
– no momento somente para edifícios, contratam profissional capacitado para
a realização de vistoria cautelar das edificações vizinhas, onde mormente en-
contramos patologias de ordem de segurança e solidez destas edificações, onde
qualquer alteração de solo – escavação para garagens, pode vir a comprometer
a estabilidade das edificações preexistentes. A responsabilidade do construtor
ao registrar estas patologias preexistentes, passa de longe ao crivo do judiciário
em imputar como sendo o causador das mesmas.
2.3 FISSURAS
Ao longo destes mais de 20 (vinte) anos, na função de Avaliador e Perito
Judicial, evidenciamos que um dos principais problemas patológicos encontra-
do na construção, se refere a “fissuras”, chegando a índices da ordem de 70%
(setenta porcento).
Zatt (2000) em seu estudo, descreve os mecanismos de formação das fis-
suras em concreto, e suas possíveis causas, podendo se manifestar desde a
concretagem até anos após a mesma.
As fissuras podem servir como alerta de um eventual estado perigoso para a
estrutura: geralmente, a iminência de colapso em estruturas de concreto arma-
do é precedida de fissuração. ( ... ). Há, ainda, o constrangimento psicológico
que as fissuras exercem sobre o indivíduo, seja estético, ou de dúvidas quanto
à segurança da edificação.
Maia Lima e Pacha (2005) descreve a manifestação patológica de fissura-
ção, como sendo:
Para Souza e Ripper: “as fissuras podem ser consideradas como a manifes-
tação patológica característica das estruturas de concreto, sendo mesmo o dano
de ocorrência mais comum e aquele que, a par das deformações muito acen-
tuadas, mais chama a atenção dos leigos, proprietários e usuários aí incluídos,
para o fato de que algo de anormal está a acontecer” (op. cit., p. 57).
Na época do ano em que a temperatura ambiente mantém-se elevada, é
frequente o aparecimento de fissuras ou trincas no concreto.
As práticas modernas de construção, com exigências de altas resistências
iniciais, desforma em pequenas idades, concretos bombeados e outras, torna-
ram a trinca ou fissura um assunto mais comum do que era há algum tempo.
Não há dúvida de que ocorriam menos trincas na época em que se usa-
vam concretos com menores consumos de cimento, abatimentos menores e
empregava-se mais tempo no adensamento e acabamento durante uma con-
cretagem.
Responsabilidade na Construção Civil 102 103
É certo que seja quase impossível executar um concreto totalmente livre
de algum tipo de fissura, mas existem medidas para reduzir sua ocorrência ao
mínimo possível.
Conforme Ripper,E. ( apud ): “( ... ). Mesmo quando são usados os mesmos
materiais, proporções, métodos de mistura, manuseio, acabamento e cura, as
trincas podem ocorrer ou não, dependendo apenas das condições do tempo”
(op. cit. p. 42).
Maia Lima e Pacha (2005) relatam ainda, que é interessante observar que, no entanto, a caracterização da ssu-
ração como deciência estrutural dependerá sempre da origem, intensidade e magnitude do quadro de ssuração
existente, posto que o concreto, por ser material com baixa resistência à tração, ssurará por natureza, sempre
que as tensões trativas, que podem ser instaladas pelos mais diversos motivos, superarem a sua resistência
última à tração.
Além do aspecto antiestético e a sensação de pouca estabilidade que apre-
senta uma peça fissurada, os principais perigos decorrem da corrosão da arma-
dura e da penetração de agentes agressivos externos no concreto.
Ao diagnosticar as mesmas, deve levar em conta que podem ser uma com-
binação de causas, e Zatt (2000) completa em sua obra literária, que alguns
aspectos devem ser atentados:
- local da ocorrência das fissuras, se no elemento estrutural ou somente
no revestimento;
- profundidade das fissuras (se são superficiais ou se seccionam o ele-
mento);
- configuração das fissuras, sua direção, quantidade, frequência, ordem
de aparecimento etc.;
- abertura das fissuras (se estão muito acima dos limites dados em nor-
ma ou não);
- se as fissuras abrem e fecham (variam) ao longo do dia ou do ano;
- se a fissuração está evoluindo ou não (quanto ao aumento do comprimento ou
abertura);
- se estiverem surgindo novas fissuras ou não;
- se a construção está sendo utilizada para os fins previstos em projeto;
- se houveram recentemente reformas na construção;
- se foram erigidas recentemente novas construções no entorno da cons-
trução afetada; e,
- se as construções vizinhas sofrem do mesmo problema.
Helene (1988) assegura, que em geral, os problemas patológicos são evolutivos e tendem a se agravar com
o passar do tempo, além de acarretarem outros problemas associados ao inicial. Por exemplo: uma ssura de
momento etor pode dar origem à corrosão de armadura; echas excessivas em vigas e lajes, podem acarretar
ssuras em paredes e deslocamento em pisos rígidos apoiados sobre os elementos etidos. Pode-se armar que
as correções serão mais duráveis, mais fáceis e muito mais baratas quanto mais cedo forem executadas. (vide
gura abaixo).
Fonte: HELENE (1988),
apud HELENE (1981) - Evo-
lução dos custos de
correção dos problemas
patológicos no tempo.
Zatt (2000) apresenta ainda, os principais tipos de ssuras, a saber.

Não tendo a pretensão de esgotar o assunto, também são abordados algu-
mas patologias, e até causadoras com relação ao surgimento das fissuras, como
é o caso da corrosão das armaduras no concreto armado, recalque de fundações
e movimentação de formas na execução das construções.
2.3.1 FISSURAS POR RETRAÇÃO
Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas por
retração.
Responsabilidade na Construção Civil 104 105
Característica e forma: Provoca a diminuição do volume do concreto em con-
sequência da “retirada” de água da massa de concreto em processo de cura, seja
pela hidratação do cimento (a reação química utiliza água), ou pela secagem
superficial dos elementos (evaporação da água próxima à superfície da peça).

Formato de “malha”, “teia de aranha” ou “escama de peixe”. Quando o elemen-
to é pouco armado, o tamanho da “malha” tende a ser da ordem de 5 a 10 mil ve-
zes a abertura das fissuras, mas não menor que o diâmetro máximo do agregado.

Causas:
a)Quanto mais cimento houver no concreto, maior a retração (o processo
químico consumirá mais água);
b) Quanto maior a relação água/cimento, também maior será a retração
(sobra mais água não utilizada no processo químico, água essa que pode eva-
porar);
c) Processo de cura ineficiente (ambiente muito seco e/ou muito quente) e
peças muito delgadas, também contribuem para agravar o problema;
d) Obstáculos internos (como as armaduras) e os vínculos, tendem a impedir
o concreto de se retrair, surgindo então tensões internas de tração que podem
provocar fissuras nas peças de concreto.
Helene (1988) ainda completa, que são causas a proteção térmica ineficien-
te e excesso de calor de hidratação.
Maia Lima e Pacha (2005) discorrem que, a retração hidráulica, após a
pega, é devida à perda por evaporação de parte da água de amassamento para
o ambiente, de baixa umidade relativa. A retração, após a pega, manifesta-se
muito mais lentamente do que a retração plástica.
A retração hidráulica, tanto no concreto quanto em argamassas ou pastas de
cimento, manifesta-se imediatamente após o adensamento do concreto, se não
forem tomadas providências que assegurem uma perfeita cura, ou seja, se não
for impedida a evaporação da água do concreto.
Principais fatores que influem na retração são os seguintes:
- finura do cimento (a retração é aproximadamente, proporcional a finu-
ra) e dos elementos mais finos do concreto;
- tipo do cimento (a retração pode variar de uma até três vezes, conforme
o tipo de cimento); existe um teor ótimo de gesso para se obter a re-
tração mínima. Os álcalis, os cloretos e, de um modo geral, os aditivos
aceleradores aumentam a retração;
- teor de água: a retração é aproximadamente proporcional ao volume
absoluto da pasta;
- consumo de cimento;
- tipo de granulometria dos agregados: as areias finas aumentam a retra-
ção; quanto maior for o módulo de elasticidade dos agregados, tanto
maior será a reação por eles oposta a retração;
- umidade relativa e período de conservação;
- execução cuidadosa da cura, sem que o concreto fique sujeito a ciclos
de secagem e umedecimento; e,
- concretos dosados com excesso de areia apresentam retração maior do
que misturas semelhantes com teores normais.
Concluindo que, quando a cura do concreto é bem feita, a retração só se
iniciará quando a cura for interrompida, idade em que o concreto terá sua re-
sistência à tração aumentada, e assim, quando surgirem as tensões de tração
devidas à retração, o concreto já poderá apresentar resistência à tração superior
às tensões oriundas da retração, não ocorrendo portanto o fissuramento.
2.3.2 FISSURAS POR VARIAÇÃO DE TEMPERATURA
Fonte: ZATT ( 2000 ) – Fissuras causadas por
variação de temperatura.
Característica e forma: Comum no caso das lajes de cobertura, onde a face
superior pode ficar exposta a uma temperatura maior que a face inferior.
De abertura constante, perpendiculares ao eixo, com configuração a seccio-
nar a peça.
Causas:
a) Efeito das variações dimensionais devido à variação de temperatura; sur-
gem devido ao encurtamento de elementos (diminuição de temperatura) restrin-
gidos por vínculos, podendo ser amenizado com juntas de dilatação;
b) Em materiais com coeficientes de dilatação térmica muito diferente (es-
trutura de concreto armado – barracão fechado em alvenaria de tijolos cerâ-
micos);
Responsabilidade na Construção Civil 106 107
c) Partes da estrutura de mesmo material mas sujeitas a temperaturas dife-
rentes – laje de cobertura, face externa exposta com a face interna;
FONTE: PADARATZ (2000) – Fissura
em canto de alvenaria portante por
dilatação térmica da laje de cobertura.
2.3.3 FISSURAS POR ESFORÇOS
2.3.3.1 DE TRAÇÃO

Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas por esforço de tração.
Característica e forma: De abertura constante, perpendiculares ao eixo, com conguração a seccionar a peça.
Causa: O concreto resiste pouco à tração; elemento estrutural deve ser armado adequadamente, onde o aço
possui característica para melhor resistir a este esforço.
Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) – Espaça-
mento irregular em armaduras de lajes
Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005)– Armadura
negativa da laje fora de posição
2.3.3.2 DE COMPRESSÃO OU FLAMBAGEM DE ARMADURAS (HELENE, 1988)
Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas por esforço de compressão
Característica e forma: São visíveis com esforços inferiores ao de ruptura, e aumentam de forma contínua;
consequência da exão composta causada pela ambagem, e não da compressão propriamente dita; em peças
muito esbeltas e comprimidas, podem aparecer ssuras na parte central da peça – em uma de suas faces.
Paralelas à direção do esforço; em concreto heterogêneo, cortam o elemento
estrutural em ângulos agudos; finas e se apresentam juntas.
Causa: O concreto resiste pouco à tração; o elemento estrutural deve ser
armado adequadamente, onde o aço possui característica para melhor resistir
a este esforço.
Helene (1988) atribui a má colocação ou insuficiência de estribos, carga superior
à prevista, concreto de resistência inadequada e mau adensamento do concreto.
Fonte: MAIA LIMA & PACHA ( 2005 ) – Armadura positiva da laje com espa-
çadores, para garantir o cobrimento da armadura
Responsabilidade na Construção Civil 108 109
2.3.3.3 DE FLEXÃO
Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas
por esforço de exão.
Característica e forma: São as mais frequentes; de maneira geral, irradiada no corpo do elemento estrutural, de
abertura variável – maior na borda tracionada e diminuindo à medida que chega próximo da linha neutra.
Causas: Helene (1988) diagnostica, que se originam de sobrecargas não previstas, armadura insuciente,
ancoragem insuciente e armadura mal posicionada no projeto ou na execução.

Helene (1988) complementa, que em marquises e balcões, as causas são
idênticas. Em fissuras de flexão e escorregamento da armadura, a causas são
da má aderência da armadura ao concreto, concreto de resistência inadequada,
ancoragem insuficiente, sobrecargas não previstas e desforma precoce.
Padaratz (2000), traz em sua obra literária sob o título: “Fissuras em alvena-
rias causadas por deformabilidade excessiva/sobrecargas”, do qual, em análise
por elementos finitos, retrata as tensões existentes próximas às aberturas – pon-
tos fracos na alvenaria, de paredes sob carga unitária uniforme, a saber, onde
em região de maior abertura, maior será a concentração de tensões:
CARGA UNÌTÁRÌA
2.19 2.19
2.19 2.19
2.73 2.73
1.31
1.95 1.95
2.05 2.05
1.56
1.56
1.56
1.56
0.58
Fonte: PADARATZ (2000) – Fatores de
majoração de tensões próximas às
aberturas de paredes (janelas), sob carga
unitária ( análise em elementos nitos)
Fonte: PELACANI (2009) – Vista de ssuras em parede, na região próxima à
abertura da janela, onde não fora executado viga (verga) em concreto armado, para
combater as tensões.
Fonte: PELACANI (2006) – Vista de edifício em construção
com execução de vergas de concreto armado sob as abertu-
ras de janelas
2.3.3.4 POR FORÇA CORTANTE OU CISALHAMENTO (HELENE, 1988)
Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas por
esforço cortante
Característica e forma: Percorrem todo o elemento estrutural; de inclinação
entre 30° a 45°; em região próximas aos apoios – área de maior força cortan-
te.
Causa: De incidência vertical, pode ser combatido com o dimensionamento
e aplicação adequada de ferros de estribo; Helene (1988) complementa, que
advém de sobrecargas não previstas, estribos insuficientes, estribos mal posi-
cionados no projeto ou na execução e concreto de resistência inadequada.
Padaratz (2000), apud Eng.Augusto Carlos de Vasconcelos, adverte: “(...)
Fissuras de cisalhamento nunca abrem excessivamente como as de flexão, e
podem levar uma estrutura ao estado limite último sem aviso prévio”.
Responsabilidade na Construção Civil 110 111
2.3.3.5 POR TORÇÃO

FONTE: ZATT ( 2000 ) – Fissuras
causadas por esforço de torção.
Característica e forma: Geralmente inclinadas a 45°, originando nos cantos do elemento estrutural.
Causa: De incidência a torcer a peça no sentido espiral, pode ser combatido com o dimensionamento e aplicação
adequada da ferragem longitudinal.
HELENE ( 1988 ) acrescenta, podem contribuir as sobrecargas não previstas, desconsideração de
torção de compatibilidade, armadura insuciente e armadura mal posicionada no projeto ou na execução.
2.3.4 FISSURAS POR CORROSÃO DA ARMADURA EM CONCRETO ARMADO
FONTE: ZATT ( 2000 ) – Fissuras causadas por corrosão da armadura em vigas
Característica e forma: Aparecem ao longo da ferragem longitudinal, quando as mesmas encontram-se em
processo de oxidação.
Causa: Zatt (2000) dene que, o aço, ao oxidar-se, produz resíduos de volume muito maior que o do aço ori-
ginal (aproximadamente 10 vezes mais). Como o aço está imerso na massa de concreto, este aumento de volume
causa tensões de tração no mesmo, resultando na ssuração ( ou mesmo no destacamento ) do concreto que
forma o cobrimento. Com isso, o aço ca mais exposto aos gases e umidade do ambiente e se oxida mais rápido,
o que acelera o processo de degeneração da construção.
FONTE: PELACANI ( 2009 ) – Processo de corrosão de ferragem (inltração oriunda de jardim, expansão da
ferragem, queda de concreto de cobrimento) em laje de sub-solo/garagens de edifício.
O emprego de cobrimento adequado e um concreto compacto dificultam o
processo de corrosão das armaduras, e, por conseguinte, amenizam (ou mesmo
impedem) o problema da fissuração causada pela oxidação da armadura.
Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) – Alta densidade de armadura com
cobrimento insuciente em base de pilar, provocando corrosão
generalizada e expansão da seção das armaduras, com posterior
rompimento dos estribos e lascamento do concreto.
Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) - Alta densidade de
armadura na base da viga com cobrimento insuciente, e
inltração pela junta de dilatação provocando corrosão
generalizada, expansão da seção das armaduras e lascamento
do concreto.
Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) - Laje executada
sem o mínimo de cobrimento para proteção da
armadura, que coincidiu com as juntas das formas,
provocando corrosão generalizada, expansão da seção
das armaduras e lascamento do concreto.
Responsabilidade na Construção Civil 112 113
PADARATZ (2000), trata da corrosão, em sua obra literária, onde resumida-
mente, relatamos: “ocorre em presença de umidade; o mecanismo básico en-
volve ionização, mas se os íons forem solúveis no meio envolvente (ex. água), o
metal corrói imediatamente. (...). Produtos da corrosão (óxidos e hidróxidos de
Ferro) ocupam volumes de 3 a 10 vezes superiores que o volume original do aço
da armadura, levando a pressões de expansão (tração) superiores a 15 MPa.
Fatores que inuenciam:
Fatores Endógenos - tipo de cimento (composição química a superfície especíca); tipo de agregrado (forma e
granulometria, composição mineralógica); dosagem (relação água/cimento, teor de cimento, teor de argamassa);
cura (duração, temperatura).
Fatores Ambientais - concentração da solução agressiva; temperatura da solução; constância do uxo de solução
agressiva.
Medidas Preventivas – redução da agressividade do meio: íons agressivos e água disponível; modicação das
características do concreto: cimento com baixo teor de C3A e incorporação de adições; diculdade ao acesso do
agente agressivo: isolamento e impermeabilização”.
Apud Eng.Adriano Silva Fortes – Fortes Engenharia Ltda., traz quadro esquemático sob o título: Por quanto tem-
po resiste a construção, traçando um comparativo entre edicações na praia, cidade e campo, com espessuras de
camadas diferenciadas de cobrimentos em estrutura de concreto armado, a saber, explicitando ainda que: “Quan-
to maior a camada de concreto que cobre a armadura de aço, mais a doença demora em aparecer. Em ambientes
úmidos (como praia) ou poluídos (cidade), as condições pioram”.
Fonte: PADARATZ (2000), apud FORTES, Adriano S. – Tempo de resistência da construção – na horizontal, o
prazo para que apareçam os primeiros problemas em estrutura de concreto armado de construções em praia,
cidade e campo.
Helene (1986) relata à função do cobrimento de concreto: “Uma das grandes vantagens do concreto armado é que
ele pode, por natureza e desde que bem executado, proteger a armadura da corrosão. Essa proteção baseia-se
no impedimento da formação de células eletroquímicas, através de proteção física e proteção química. ( ... ) A
função do cobrimento do concreto é, portanto, proteger essa capa ou película protetora da armadura contra danos
mecânicos e, ao mesmo tempo, manter sua estabilidade”.
2.3.5 RECALQUE DE FUNDAÇÕES

Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas por
recalques das fundações.
Característica e forma: Os recalques de pilares (deslocamento vertical) provocam aberturas variáveis das vigas
unidas aos mesmos, sendo maiores na parte superior das vigas.
Causa: De natureza diversa, desde o cálculo das fundações, umidade excessiva potencializadora na região
(acúmulo indesejado, fossa em ruína, tubulações de água e esgoto rompidos, sobrepeso de fundações vizinhas
– bulbo de pressão inuente etc., e, a mais grave de todas, quando a ferragem não estiver adequadamente dimen-
sionada, aplicada e posicionada nos elementos estruturais. (ver tópico posterior desta obra literária – “Estudo de
Caso”).
Padaratz (2000) traz em sua obra literária, “que no Rio Grande do Sul, 6%
(seis por cento) das fissuras observadas em estruturas de concreto armado, são
devidas a problemas nas fundações (Alta e Média Gravidade); nos E.U.A., US$
2 bi/ano em reparos de edificações danificadas por problemas nas fundações;
custo da sondagem: 0,5% (meio por cento) do custo total da obra; custo da
recuperação: pode ser maior que o custo da obra; levantamento de problemas
em fundações no Rio Grande do Sul (período de 1970 a 1990): 85% (oitenta
e cinco por cento) dos problemas causados por desconhecimento das caracte-
rísticas do subsolo”.
Nota: Ver em tópico posterior desta obra literária, caso prático sobre o as-
sunto.
Responsabilidade na Construção Civil 114 115
2.3.6 FISSURAS POR MOVIMENTAÇÃO HIGROSCÓPICA
Característica e forma: Idêntica às de retração.
Causa: Zatt (2000) conclui que, a variação de umidade do ambiente pode gerar uma variação de volume do
concreto. Quando a umidade aumenta o elemento de concreto tende a expandir-se, e quando aquela diminui,
ocorre também à diminuição de volume do mesmo. Essa variação volumétrica pode causar ssuração.
Em recente participação, nomeado à função de Perito Judicial, deparamos
com a seguinte situação: edifício residencial com fechamento das paredes com-
posto de tijolos celulares do tipo “Siporex”, apresentando fissuras com aberturas
de 0,4 a 1,1 milímetros nos sentidos horizontal, vertical e a 45º, com algumas
paredes já reparadas e que voltaram a apresentar a mesma patologia, em todos
os halls dos apartamentos, em parede de diviso-externa com o poço de ilumi-
nação, em encontro com a laje, sob e sobre aberturas de janelas para este poço
de iluminação e portas, e, em geral, no interior dos apartamentos.
Em vistoria detalhada da estrutura (concreto armado de vigas, lajes e pila-
res), não detectamos nenhum vestígio de fissuramento que levasse a compor
patologia de algum ou alguns elementos estruturais do edifício e, consequen-
temente, passamos a analisar o elemento utilizado para o fechamento das pa-
redes (Siporex), onde trazemos algumas das principais características, onde
Thomaz, nos fornece:

Tijolos ou blocos celulares Tijolos ou blocos celulares
Concreto celular Barro cozido
Módulo de deformação
(kN/mm
2
) = 3 – 8
Módulo de deformação
(kN/mm
2
) = 4 – 26

E, ainda, SELMO (2002):
“I.R.A. – Índice de Retenção de Água (g/200 cm
2
/min):
Cerâmico Bloco Celular
12 70
”.
Portanto, concluímos em Laudo Pericial que, o elemento de fechamento
do tipo “Siporex” é superior, em aproximadamente, 6 (seis) vezes ao elemento
cerâmico em retenção de água, com contração irreversível da ordem média de
0,07% em seu movimento devido à presença de umidade e módulo de defor-
mação, em aproximadamente, 3 (três) vezes inferior ao do elemento barro cozi-
do, com consequente baixa resistência ou suporte à mínima tensão que venha a
sofrer, não devendo, com estas características, ser utilizado como elemento de
fechamento de paredes.

Fonte: PELACANI (2006) – Vista de fechamento de alvenaria com
blocos de tijolos do tipo “siporex”.
2.3.7 FISSURAS POR ASSENTAMENTO PLÁSTICO
Maia Lima & Pacha (2005) discorrem que, Cánovas, adverte que “a união
de pilares a vigas corre riscos se, uma vez concretados os pilares, e não se es-
pera algumas horas antes de concretar as vigas, para permitir que o concreto
fresco dos pilares assente” (op. cit., p. 222).

Fonte: HELENE (1992), op. Cit. – Fissuras de assentamento
plástico.
É importante também considerar que, em termos de durabilidade, ssuras como estas, que acompanham as
armaduras, são as mais nocivas, pois facilitam, bem mais que as ortogonais, o acesso direto dos agentes agres-
sores, facilitando a corrosão das armaduras.
Responsabilidade na Construção Civil 116 117
2.3.8 FISSURAS POR MOVIMENTAÇÃO DE FORMAS E ESCORAMENTOS
Seguem ainda relatando, que os recalques do subleito ou mau escoramento das formas, podem causar
trincas no concreto enquanto na fase plástica.
Tais movimentos podem ser causados por:
- deformação das formas por mau posicionamento, por falta de fixação
inadequada, pela existência de juntas mal vedadas ou de fendas etc.;
- inchamento da madeira devido à umidade ou perda de pregos; e,
- devido ao uso impróprio ou excessivo dos vibradores.
Fonte: RIPPER, E. (1996), apud – Fissura causada por
movimentação da forma.
2.4 MOVIMENTO DE TERRAS/BULBO DE PRESSÃO E PERDA DE RESISTÊN-
CIA DE ESTACAS DE DIVISA – RECALQUE DIFERENCIAL
Bisotto (1999) traz em objetivo de sua obra literária, demonstrar as influên-
cias de uma edificação nova, executada sem os cuidados necessários, ocasio-
nando, assim, abalo da estrutura de uma residência lindeira, já estabilizada ao
longo do tempo sobre o terreno no qual foi construída.
Ensejou ação judicial de autoria do vizinho da construção nova, onde foram
apresentadas as causas:
“Durante a escavação para executar as fundações do imóvel do réu, não foram toma-
das as devidas precauções para proteger as fundações do imóvel dos autores, poden-
do as mesmas terem sofrido diminuição da área de apoio. Tal fato por si só, com o tem-
po, já ocasionaria o recalque das fundações do imóvel dos autores, originando, dessa
forma, rachaduras em pisos e paredes, deslocamento do telhado, etc.
Ao serem executadas as fundações do imóvel do réu, houve escavação do
terreno para poder assentá-las ao lado das fundações do imóvel vizinho, dos
autores. Não havendo os cuidados necessários, as fundações do imóvel dos
autores podem ter perdido parte de sua sustentação, ocasionando recalque e
por conseqüência todos os danos presentes no imóvel, tais como, rachaduras
de pisos, paredes e deslocamento de telhado.”

FONTE: PADARATZ (2000) – Intersecção
dos bulbos de tensões de duas edicações
vizinhas.
LEGENDA: P1 = PRÉDIO EXISTENTE, ESTÁVEL; P2 = PRÉDIO NOVO; CURVA 1 = BULBO DE TENSÕES
DE P1; CURVA 2 = BULBO DE PRESSÕES DE P2; ÁREA 3 = REGIÃO DE INTERSECÇÃO DOS BULBOS DE
TENSÕES DE P1 E P2; CURVA 4 = DEFORMAÇÃO DO PRÉDIO EXISTENTE P1, DEVIDO AO AUMENTO DAS
TENSÕES EFETIVAS NA ÁREA 3.
Mello & Teixeira (1973) tratam da propagação e distribuição das tensões no
solo, em seu Capítulo 4 – Tensões Devidas à Pressão Uniformemente Distribu-
ída: “Teoricamente, as pressões se propagam até grandes profundidades, mas,
para fins práticos, convencionou-se admitir em casos comuns, que o material
significativamente solicitado por uma determinada placa, fica delimitado pela
linha de igual pressão (...). Esse corpo sólido, assim solicitado, é também cha-
mado bulbo de pressão”.
Pedro Maa (1999) traz exemplo, em sua obra literária, de colapso de obra urbana de contenção de encosta,
originando, ação judicial indenizatória, onde, resumidamente, conclui que a causa fora: “(...) QUANTO À EXECU-
ÇÃO DA OBRA:
Responsabilidade na Construção Civil 118 119
“A execução da obra de contenção foi recheada de vícios construtivos, con-
forme anteriormente descritos, que interferiram diretamente nas condições e
premissas de cálculo do projeto executado.
A modificação dessas condições e premissas foram muito expressivas, mor-
mente em período de chuvas intensas e continuadas, a ponto de provocar a
ruína generalizada da obra.
Não há dúvidas para se concluir, que as causas que motivaram a ruína da
obra de contenção, foram oriundas de vícios construtivos”.
2.5 ALTERAÇÃO DE UMIDADE/SATURAÇÃO DO SOLO ARGILOSO EM TERRE-
NO VIZINHO
Padaratz (2000) descreve que a inuência das vibrações causam rearranjo dos grãos dos solos. “Intensidade
= f (tipo de solo, grau de saturação, intensidade e duração da fonte de vibração) – FONTES (f): explosões; esta-
queamento, tráfego, equipamentos industriais, terremotos etc.
Destaca ainda, que dentre os problemas clássicos em fundações, das falhas na etapa de projeto, está a não
consideração do efeito de grupo de estacas e tubulões, onde enumera os problemas devidos a fatores externos:
“Variações no Teor de Umidade do Solo:
- aumento do teor de umidade: rompimento de tubulações, chuvas inten-
sas, inundações;
- diminuição do teor de umidade: árvores próximas, rebaixamento do
nível do lençol freático.
Inuência de Obras Vizinhas:

- escavação em terreno vizinho;
- vibrações próximas;
- carregamento em terreno vizinho.
ATERRO
NOVO CARREGAMENTO
EDÌFÌCAÇÃO
Tempo (anos)
R
e
c
a
lq
u
e

(
c
m
)
C
a
r
g
a

(
k
N
/
m
)
2
FONTE: PADARATZ ( 2000 ) – Efeito de um novo
carregamento sobre um processo de adensamen-
to já iniciado.
Pinto (2000) trata em sua obra literária, quanto às deformações devidas a carregamentos verticais, que:
“Um dos aspectos de maior interesse para a engenharia geotécnica é a de-
terminação das deformações devidas a carregamentos verticais na superfície do
terreno ou em cotas próximas à superfície, ou seja, os recalques das edificações
com fundações superficiais (sapatas ou radiers) ou de aterros construídos sobre
os terrenos.
Estas deformações podem ser de dois tipos: as que ocorrem rapidamente
após a construção e as que se desenvolvem lentamente, após a aplicação das
cargas.
Deformações rápidas são observadas em solos arenosos ou solos argilosos
não saturados, enquanto que nos solos argilosos saturados os recalques são
muito lentos, pois é necessária a saída da água dos vazios do solo.
O comportamento dos solos perante os carregamentos, depende da sua
constituição e do estado em que o solo se encontra, e pode ser expresso por
parâmetros que são obtidos em ensaios ou através de correlações estabelecidas
entre estes parâmetros e as diversas classificações”.
Responsabilidade na Construção Civil 120 121
2.5.1 CASO DE AÇÃO JUDICIAL
Em relatório e sentença judicial proferida, onde participamos como Assisten-
te Técnico da parte Autora, em ação judicial (Ação Cominatória de Reparação de
Danos) movida por vizinhos lindeiros contra o proprietário de terreno urbano
desta cidade, traz um exemplo clássico do avençado anteriormente.
O relatório judicial proferido discorre sobre o caso judicial que:
“Ocorreu que, em meados do ano de 1994, o Requerido, proprietário do
terreno urbano que ainda não havia construção (único e último da quadra),
com caimento em direção aos fundos do mesmo, em aproximadamente, 3 (
três ) metros, onde tencionaram a executar um aterro de terras em sua data,
depositando 100 (cem) caminhões de terra, sem edificar, antes, obras de enge-
nharia para conter o volume de terras e propiciar a drenagem do terreno, o que
decorridas chuvas de primavera/verão de 94/95, ficaram represadas ao longo
das divisas laterais e de fundo do terreno.
Apresentado Laudo Técnico elaborado por Perito Engenheiro (de autoria des-
te Assistente Técnico), que concluiu que a inação do requerido em efetivar as
obras de engenharia, foi preponderante aos danos nas residências dos autores.
(...), tratando-se de direito cristalino diante à responsabilidade objetiva do
Requerido, demonstrada por Laudo Técnico trazido, representando o “fumus
boni iuris”, enquanto o “periculum in mora” resulta factível, assim como foi ale-
gado, pois caso não se providenciasse a imediata construção do muro de arrimo
e obras de drenagem, os danos tornar-se-iam irreversíveis, acharam, então,
demonstrados os requisitos do art. 273 do CPC autorizador de antecipação de
tutela. Acresceram que diante do risco real e iminente e que se agravava, no
caso do Requerido não se acautelassem preventivamente, fossem compelidos a
prestar caução real, com fulcro no Art. 555 do CC/1916, para que efetivamente
sejam ressarcidos de seus prejuízos.
(...) Manifestou-se, o Perito nomeado por este Juízo, às fls. 93 e 94, que
ratificou o Laudo Técnico já apresentado pelos autores, acrescentando que o
imóvel da autora: Sra. .........., não tinha condições de habitação, e que, portan-
to, mudou-se. Salientou ser urgente a execução do muro de arrimo e drenagem
da data do requerido.
Às fls. 95 e verso, deferiu este Juízo, a antecipação da tutela, determinando
o prazo de 15 ( quinze ) dias para a construção das obras de engenharia neces-
sárias, sob pena de multa diária de R$ 500,00 (quinhentos reais).(...)”.
Segue o relatório judicial, onde em contestação do Requerido, afirma:
“(...) que as rachaduras e demais danos apresentados nas edificações dos
Autores, não foram causadas pela terra colocada na data do requerido e nem
mesmo pela falta de muro de arrimo ou sistema de drenagem, pois, alega, foi
observada distância em relação aos muros divisores para colocação de terra,
onde foi feita uma vala para fluência natural e eventual de acúmulo de água”.
Na parte final, na decisão – na sentença judicial, do Juiz, declara:
“(...) Em que pesem as defesas do Requerido, restou demonstrado que os
mesmos não foram diligentes quando aterraram a data n.06, que divisa com
os imóveis dos Autores, pois não executaram as obras necessárias, ou seja, o
indispensável muro de arrimo, que só foi construído por determinação judicial,
como se vê das fotos de fls. 176 a 181.
Embora as construções dos Autores são antigas e seus alicerces plantados
sobre sapatas, ou pedras amarroadas, eram habitáveis, pelo menos em tese,
como são tantas outras construídas na cidade, no mesmo sistema. Não se tem
dúvidas que a causa primária dos trincos e rachaduras de paredes são originá-
rias da cumulação de terra na data n.º 06, do Requerido, devido as infiltrações
das águas pluviais em demasia que caíram nos idos de 1994/1995, mas por
falta de retenção por inexistência do muro de arrimo. A terra ainda não com-
pactada, formou grandes charcos e escoou pelo caminho natural, mais baixo,
causando danos nos prédios lindeiros. Por mais que o requerido menospreze os
laudos periciais, unilateral dos Autores e o do Perito do Juízo, eles demonstra-
ram, de forma lógica e clara que houve negligência e imprudência ao aterrarem
o terreno sem orientação técnica necessária.
A culpa pelos danos recai sobre o Requerido. Não se tenha dúvidas que o
erro imprudente, negligente e inescusável do Requerido causou danos aos auto-
res, de ordem material e de grande intensidade, passíveis de reparação.
Responsabilidade na Construção Civil 122 123
(...) Ante ao exposto, julgo procedente a ação e parcialmente a pretensão
dos Autores, condenando o requerido a indenizá-los pelos danos materiais
perpetrados, ou seja, a FULANO DE TAL (...). De conseqüência, condeno-os,
ainda, nas custas processuais e verba honorária, face a regra do art.20, pará-
grafo 3º do CPC, vigente”.
Capítulo VIII
5 - *A FALHA OU O ERRO: ASPECTOS PSICOLÓGICOS
ENVOLVENTES
_________________________________________
Colaboração técnica exclusiva para esta obra literária, do Psicólogo Dr. Jair Ribeiro dos Santos Junior.

Depois de um bom tempo participando como Perito Judicial em audiências,
mais precisamente em esclarecimentos de perícias frente ao Juiz, Advogados,
Promotores, e às partes envolvidas em litígio, partes estas que invariavelmente
são colegas de profissão envolvidos em ações de indenizações – responsabili-
dades de engenharia, observamos que na sua grande maioria as finalizações
destes litígios poderiam ser resolvidos sem que o desgaste psicológico afetasse
de tal monta, que pudesse vir a desestimular a continuidade destes mesmos
colegas no prosseguimento da profissão.
Assim, nesta procura por entender qual o motivo de não tomar uma atitude
no início do surgimento de uma possível falha na atividade de construir, pro-
curei exatamente e na explicação do desgaste psicológico que esta omissão ou
medo (se assim posso definir como leigo no assunto) poderia vir a afetar tão
largamente na conclusão dos litígios judiciais, além do prejuízo normal que a
questão dispende.
Nesta curiosidade, o trabalho de importante colaboração e explanação a se-
guir, de um profissional da área, Santos Junior, retrata com maior propriedade e
muita profundidade o assunto nas mais variadas fases em que o ser humano se
desvenda, quando defronte ao enfrentamento de seu próprio erro ou falha.
1 COMO O SER HUMANO SE COMPORTA COM O PRÓPRIO ERRO OU FA-
LHA?
Quando as pessoas utilizam a célebre justificativa, que “errar é humano”,
estas pessoas estão certas em afirmarem isso. Elas simplesmente não se aten-
tam para a responsabilidade que se impõe na aceitação da intenção de errar,
incutida na utilização de uma justificativa, assumindo assim a fraqueza humana
perante seus impulsos.
Responsabilidade na Construção Civil 124 125
Pois pensemos, que a recíproca seria verdadeira, pois “acertar também é
humano”, fato este que comprova a intenção positiva perante as situações, a
iniciativa de sempre buscar o melhor, e de fato o ser humano em sua grande
maioria mais acerta do que erra, porque se não fosse dessa maneira, o homem
não evoluiria, e nem construiria.
A iniciativa que muitas pessoas adotam em alegar o fato de ter “tentado
acertar”, caracteriza como se sujeitar a estar errando, aceitando intimamente
às possibilidades de errar.
Outro aspecto importante é que acertar não implica em ter que assumir suas
pulsões, e nem assumir as causas intrínsecas à decisão.
Errar, na maioria das vezes, acaba sendo parte de um processo de aceitação,
de uma condição na qual a própria pessoa se coloca. A pessoa assumiu uma
iniciativa de agir que continha o erro, como possibilidade, sendo capaz de satis-
fazer a uma impulsividade que vai encontrar o fim máximo da responsabilidade
embutida em seus atos.
Pois toda decisão está envolvida de suas responsabilidades finais, onde te-
mos as pessoas que tentam se justificar, tentando se isentar, transferindo de
“si”, alegando ser característica de todos os humanos.
2 ELE ESTÁ PREPARADO PARA ENFRENTAR O PRÓPRIO ERRO OU FALHA?
QUAL A CONSEQUÊNCIA DISTO?
Errar não só é humano, como é do “querer humano”.
O indivíduo que deseja errar, como forma de burlar o preestabelecido, o faz
como uma forma de exigir um gesto de repressão, e no grau máximo, chamar a
atenção para as suas possibilidades de cometer “delitos” pessoais, correndo o
risco assim de ter que se reestruturar, por força da situação, e não por iniciativa
pessoal.
Os primeiros questionamentos surgidos ao mencionarmos a consciência do
erro, no entendimento humano seriam:
De onde provém, no intelecto humano, à predisposição a errar?
E por quais razões este não é evitado?
Partindo do embasamento teórico que Freud fornece, de que nada ocorre
por acaso, que nos processos mentais, tudo tem uma causa atribuída, onde se
identifica uma para cada pensamento, sentimento ou ação, e, principalmente,
as decisões teriam uma origem causal. Tornando assim cada um, responsável
por suas ações e iniciativas, mediante escolhas e decisões que por ventura po-
deriam findar em erro ou em uma consequência inesperada.
Todos os resultados são esperados em consequência de uma decisão, do
contrário seriam variações de resultados, que poderiam ser previstos ou imagi-
nados.
Sendo assim temos, que cada evento mental é causado por uma intenção
consciente ou inconsciente, e esse processo é determinado pelos fatos que pre-
cedem à tomada de decisão.
E de quais aspectos essa iniciativa estaria mais próxima; quando esta di-
ferenciação se apresenta da seguinte forma: onde correspondemos ao termo:
“consciente”, tudo de que estamos cientes em um determinado momento, as-
sim temos que uma decisão ciente das especificidades de seus resultados não
poderia destoar de um erro; seria um risco assumido de forma consciente.
Pois tendo em si todos os parâmetros para uma tomada de iniciativa que
fugisse de determinados resultados, podendo de posse desses parâmetros, bus-
carem uma finalização que gerasse a satisfação, e um resultado positivo e re-
compensador.
Mas nem sempre funciona assim. Pensemos nos aspectos inconscientes das
tomadas de decisão, que podem gerar erros, e que a primeira vista seriam ines-
perados, pois são respostas empíricas de pulsões e instintos desconhecidos, ou
ignorados pelo autor da ação.
Descrevemos o inconsciente, como sendo a premissa inicial de Freud, que
apontava que havia conexões entre todos os eventos mentais, e que por ventura
quando um pensamento ou sentimento não estivesse relacionado aos pensa-
mentos e sentimentos que o antecedessem, as conexões estariam no incons-
ciente. Sendo que estes elos inconscientes seriam descobertos, e assim a apa-
rente descontinuidade dos eventos mentais estaria resolvida.
Freud designa, que um processo psíquico é inconsciente, quando podemos
afirmar que a existência deste, somos obrigados a supor, devido a um motivo tal
que inferimos a partir de seus efeitos, mas que do qual nada sabemos.
Responsabilidade na Construção Civil 126 127
No inconsciente, identificamos elementos instintivos que não são acessíveis
à consciência. O inconsciente é responsável por manter o material que foi ex-
cluído da consciência, censurado ou reprimido. Este material não é esquecido
nem perdido, só não é permitido ser lembrado.
Temos, assim, que a maior parte da consciência é inconsciente. Nela se
encontra os principais determinantes da personalidade, as fontes da energia
psíquica, as pulsões e os instintos.
Esses instintos são pressões que orientam um organismo para determinados ns especícos, e é a maior causa
de toda atividade no indivíduo. Freud aponta os aspectos físicos dos instintos como sendo necessidades; sendo
assim, temos os instintos como forças propulsoras que incitam as pessoas à ação.
Sendo assim, podemos identificar no instinto quatro componentes: uma fon-
te, uma finalidade, uma pressão e um objeto. Sendo a fonte o surgimento de
uma necessidade, podendo ser uma parte ou toda a ação. A finalidade seria
reduzir essa necessidade até que nenhuma ação fosse mais necessária; é dar
ao organismo a satisfação exigida no momento. Já a pressão vem a ser a quan-
tidade de energia ou força que é empenhada para satisfazer o instinto que é de-
terminado pela intensidade ou urgência da necessidade anterior. Identificamos
que o objeto de um instinto pode vir a ser qualquer coisa, ação ou expressão
que permita a satisfação da finalidade imposta na tomada de iniciativa.
O ponto agravante, é que o ser humano pode buscar corresponder aos ins-
tintos de várias maneiras, que diretamente no momento de uma decisão podem
afetar o seu direcionamento a acertar, ou a preferir cumprir com suas tendên-
cias instintivas.
A tomada de decisão se faz com a necessidade mais o desejo, e ambos po-
dem ser ou não conscientes; isso tudo, somado a toda noção, ideias, hábitos e
opções que o influenciam no momento.
Deve-se ir à procura, das causas dos pensamentos e comportamentos, de
modo que se possa lidar de forma mais adequada com uma necessidade que
não esteja sendo satisfeita por um pensamento ou comportamento particular na
hora de se tomar uma decisão.
Então, é possível determinarmos que haja uma pré-intenção consciente ou
inconsciente, no ato de errar; uma aceitação da circunstância a qual almejava
se encontrar futuramente. Processos esses que podem se dar de maneira níti-
da, e consciente, ou imbuída de aspectos inconscientes, “desconhecidas” pelo
autor da ação.
Fato é que se apontarmos uma razão interna, à decisão que faz ser apa-
rentemente aceitável a possibilidade de não se submeter à circunstância que
geraria o erro, torna o fato de errar muito mais responsável, e inerente ao desejo
humano.
3 O SER HUMANO TRANSFERE SUAS FALHAS PESSOAIS EM UMA ATIVI-
DADE OU FUNÇÃO OU PROFISSÃO QUE ELE EXERÇA FUTURAMENTE?
COMO E POR QUÊ ISTO ACONTECE?
Os seres humanos contém dentro de si, os seus questionamentos, e também
as respostas; assim, todos estariam preparados para enfrentar os próprios erros,
mas esta busca é intermediada por detalhes muito mais delicados, como o fato
de admitir que em tal momento cedesse a determinadas pulsões, ou a instintos
específicos.
É que, inevitavelmente, vai tentar evitar assumir a responsabilidade de seus
atos, ou então vai negar, ou ainda, vai projetar essa insuficiência interna, em
outras pessoas, ocasiões, ou possibilidades, as quais não o influenciavam no
momento da decisão.
Mas fica aqui o apontamento, que se faz importante: a pessoa pode até fugir
da consequência dos seus erros, mas a causa primeira, ele sempre vai carregar
com ele.
Estar preparado para construir, não somente algo, como também um futuro,
onde se possam ter nitidamente as causas que o direciona a decidir coeren-
temente, não se deixando levar a uma situação que mereça a autocrítica, é a
forma mais autêntica de construir uma alta imagem que vai ser refletida em
todas as atividades que venha a desenvolver, e isto retornará como realização e
satisfação das vontades primordiais do ser humano.
Responsabilidade na Construção Civil 128 129
Capítulo IX
NOTAS E CONCLUSÃO DO AUTOR
1 A ARTE DE CONSTRUIR: SITUAÇÃO PARADOXAL
Ao se falar em construir, em edificar, ocorre uma situação diferenciada e
diria, até, paradoxal: num primeiro momento, de um modo positivo, um mo-
mento de sonho: o da construção, o da edificação e, por que não dizer, de uma
satisfação futura.
Em segundo momento e ao final da construção, como já descrevemos, sur-
gem complicações (daí o negativismo) e, que, para serem solucionadas depen-
dem de um terceiro envolvido – a pessoa que porta a colher ou o nível de pe-
dreiro ou a serra. Se este terceiro envolvido tiver boa intenção e responder com
ética e profissionalismo, e isto ocorre com certa frequência, por diversas razões
e desculpas, não terminando, invariavelmente, em nada amigável.
Sobrevém atribuição de culpa ou de culpas à ponta hierárquica das res-
ponsabilidades previstas no Código Civil Brasileiro – aos profissionais da enge-
nharia, sem o direito de poder isentar-se ou bradar em prol de que na verdade
real dos fatos, não estava, o profissional da ponta hierárquica, quem detinha o
equipamento braçal para cumprir aquela tarefa, que foi executada em desacor-
do técnico.
2 PERGUNTAS E RESPOSTAS. O QUE É MAIS IMPORTANTE?
Nos deparamos, e até para abrandar o relatado no capítulo anterior, um tes-
temunho de professor universitário (KANITZ, 2005), formado em outra concep-
ção de estudo, fora de nosso país –Harvard, que relata um bom aconselhamen-
to, se assim posso afirmar, para nos preparar para exercer qualquer atividade, e
a cumpri-la dignamente, onde discorre:
“Temos um ensino no Brasil voltado para perguntas prontas, e definido por
uma razão muito simples: é mais fácil para o aluno e também para o profes-
sor.
O professor é visto como um sábio, um intelectual, alguém que tem solução
para tudo. E, os alunos, por comodismo, querem ter as perguntas feitas, como
no vestibular.
Responsabilidade na Construção Civil 130 131
Nossos alunos estão sendo levados a uma falsa consciência, o mito de que
todas as questões do mundo já foram formuladas e solucionadas. O objetivo
das aulas passa a ser apresentá-las, e a obrigação dos alunos é repeti-las na
prova final.
Em seu primeiro dia de trabalho você vai descobrir que seu patrão não lhe
perguntará quem descobriu o Brasil e não lhe pagará um salário por isso no fim
do mês; nem vai lhe pedir para resolver 4/2 = ?.
Em toda a minha vida profissional nunca encontrei um quadrado perfeito,
muito menos uma divisão perfeita; os números da vida sempre terminam com
longas casas decimais.
Seu patrão ou seu cliente vai querer saber de você quais são os problemas
que precisam ser resolvidos em sua área. Bons administradores são aqueles que
fazem as melhores perguntas, e não os que repetem suas melhores aulas.
Não existem mais perguntas a serem feitas depois de Aristóteles e Platão.
Talvez por isso não encontremos solução para os inúmeros problemas brasilei-
ros de hoje.
O maior erro que se pode cometer na vida é procurar soluções certas para
os problemas errados.
Em minha experiência e na da maioria das pessoas que trabalham no dia-a-
dia, uma vez definido qual é o verdadeiro problema, o que não é fácil, a solução
não demora muito a ser encontrada.
Se você pretende ser útil na vida, aprenda a fazer boas perguntas mais do
que sair arrogantemente ditando respostas.
Se você ainda é estudante, lembre-se de que não são as respostas que são
importantes na vida; são as perguntas.”
Neste diapasão, no exato momento que ocorrer qualquer reclamação de erro
ou falha na construção, me vem a mente a seguinte pergunta: quais passos
devem ser seguidos quando se deparar com este tipo de situação?
Acredito que a melhor alternativa, por mais simples que pareça, é não esqui-
var-se da situação de possível erro.
Primeiro indo ao local, por mais difícil que seja a comunicação com o cliente
ou o vizinho reclamante. Apresente a ele, o mais breve possível, um relatório
técnico de acompanhamento das patologias ou dos defeitos que será indicado
ao profissional, mesmo que inicialmente lhe pareça uma prova de sua futura
“culpabilidade”, ou contrate um terceiro profissional especializado na área, im-
parcial, para elaborar este relatório técnico. Isto fatalmente passará pela apro-
vação ou de outro profissional no campo judiciário e, que verificará a sua não
negligência com seu pronto atendimento e, possivelmente, atuação de maneira
menos dispendiosa.
Este relatório poderá conter informações ao seu cliente ou reclamante, das
manutenções ou prevenções corretivas a serem adotadas com suas possíveis
causas, e futura troca de material para um mais apropriado ao ambiente.
Isto trará um conforto profissional ao mínimo da seguinte ordem: continuar
acreditando na sua capacidade, pois sem ela, seu desgaste e sua integridade
psicológica, estará, ao mínimo abalada.
Sobre de quem é a responsabilidade, estará, com este ato, relegado, não
menos importante, em segundo plano.
O que o profissional tem que, finalmente, se preocupar, é de não cometer o
erro da “irresponsabilidade” ao de estar, sempre, disposto e pronto ao atendi-
mento, por mais banal ou simples que lhe pareça a reclamação de um erro ou
de uma falha cometida no exercício de sua profissão.
Grandiski (2001) também traz um alerta em sua valiosa obra literária que:
“Na área ligada à construção civil, o STF – Supremo Tribunal Federal e pos-
teriormente o STJ – Superior Tribunal de Justiça abandonaram o antigo conceito
de que a responsabilidade civil deveria se limitar à reparação do dano, fundada
ou não na culpa do responsável. Sua função deixa de ser apenas ressarcitória,
para servir como indutor da prevenção antecipada para evitar o dano.
Essa nova orientação parte do princípio de que a indenização não pode atin-
gir valores insuportáveis, extrapolando os limites lógicos do nexo de causalidade
entre a ocorrência e sua conseqüência. Mas, por outro lado, essa indenização
deveria servir como advertência aos agentes causadores, impondo-lhes verda-
deiro receio pelas conseqüências de seus atos, elevando seu comportamento
ético ao mesmo e elevado patamar do comportamento profissional.”
Responsabilidade na Construção Civil 132 133
Maia Lima & Pacha (2005) concluem seu valioso trabalho, que:
“Na verdade, existe todo um processo executivo errado, que é uma falha do
controle de qualidade do mesmo, quando existe. O meio técnico, que é respon-
sável pelo controle em geral, se deixa levar pela “acomodação” ou até mesmo
não tem capacidade de decisões claras e corretas, prejudicando o processo
executivo.
Esse mesmo profissional, deve estar presente tanto antes, durante e após o
período de concretagem (execução), para distinguir e eliminar pequenos deta-
lhes. O exemplo, seria o da não observância de elementos prejudiciais na base
dos pilares e, não havendo a limpeza, os mesmos irão colaborar para o início
precoce do mecanismo da corrosão.
Em relação às fissuras, são inevitáveis. Mas, se as mesmas forem vistas
dessa maneira, não mais nos preocuparemos em preveni-las.
Sabendo que elas são caminhos mais fáceis aos agentes agressores, temos
que tomar cuidados em toda a fase de projeto e, sem dúvida, na execução das
estruturas de concreto armado.
Tendo em vista as fissuras, a carbonatação, a corrosão das armaduras, fa-
tores estes que influenciam diretamente na durabilidade das estruturas, não há
dúvidas, que se não obedecermos e nos conscientizarmos em relação à questão
do fator água/cimento, cura do concreto, espessura e qualidade de cobrimen-
to da armadura, estamos certos que, necessariamente em pouco tempo, essa
mesma estrutura precisará ser recuperada.
Todos os processos de deterioração das estruturas podem ser de origem
física, química ou biológica, sendo estes, decorrentes na maioria das vezes do
ambiente em que estão inseridos e, dependentes do não treinamento da mão-
de-obra e a baixa qualificação do corpo técnico.
Para nós, do meio técnico, fica a idéia de que, se não podemos eliminar
totalmente as causas das doenças, podemos reduzir consideravelmente esses
fatores, aumentando a durabilidade das estruturas para que elas venham su-
portar o processo de deterioração e que tenha um período de vida útil mínimo
para o qual foi projetada”.
Para não incorrer nesta situação, o segredo está na precaução técnica? Diria
que aliado à precaução técnica está o comprometimento profissional diário e
a atitude efetivamente tomada, é o que faz de um profissional estar exercendo
sua função perante a sociedade, como prometido fora, no ato do recebimento
de seu diploma.
Responsabilidade na Construção Civil 134 135
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
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tuto de Pesquisas Tecnológicas. São Paulo: PINI,1986.
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18 MELLO, Victor F. B.; TEIXEIRA, Alberto H. Mecânica dos Solos. São Paulo: U.S.P.
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24 _________________. Trabalhos Periciais Judiciais e Extra-Judiciais. Maringá,
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Avaliações e Perícias. Porto Alegre a 1, n. 9, 2001.
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IBAPE/SP Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia. São Paulo, 2002.
28 SOUZA, Rafael Alves de. Ruínas Recentes de Edifícios no Brasil. 2º Encontro Tecno-
lógico da Engenharia Civil e Arquitetura de Maringá – II ENTECA. Maringá: UEM, 2001.
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30 ZATT, Patrícia Juliane Ribeiro; CADAMURO JÚNIOR, Ismael Wilson. Um Estudo sobre
Fissuras em Concreto. 1º Encontro Tecnológico da Engenharia Civil e Arquitetura de
Maringá – I ENTECA. Maringá: UEM, 2000.
Responsabilidade na Construção Civil 138 139
CURRICULO PROFISSIONAL RESUMIDO
VALMIR LUIZ PELACANI
Engenheiro Civil
CREA PR n.º 17.303-D
ENDEREÇO: pelacani@creapr.org.br
FONE: (44) 3034.4613 / 9963.9280 (Maringá / PR)
ESPECIALISTA EM ENGENHARIA DE AVALIAÇÃO DE BENS E PERÍCIAS
ESPECIALIZAÇÕES, CURSOS E PARTICIPAÇÕES TÉCNICAS:
- Pós-Graduação: “Engenharia de Avaliação de Bens e Perícias”
- Ibape / Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia / SP
e PR - Unifil / Universidade Filadélfia – Londrina - UEM / Universidade
Estadual de Maringá – 2001/2003
- Graduação: “Engenheiro Civil”
- UEM – Universidade Estadual de Maringá / 1985
- Membro Titular: “I.B.A.P.E. - Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias
de Engenharia”
- São Paulo / 1997 a 2000, e, Paraná / 2000 a 2006
- Colaborador Técnico: “Revista de Avaliações e Perícias de Avaliações e
Perícias de Engenharia”
- Publicação Técnica Oficial do IBAPE / Entidade Federativa Nacional – In-
formativo Mensal da “S.I.A.E. - SOCIETAS INTERNATIONALIS AESTIMA-
TIONUM (S.A.I. - Sociedade Internacional de Avaliações; S.I.T. – Socie-
dad Internacional de Tasación; S.I.E. – Sociedad Internazionale di Estimo;
S.I.E. – Societê Internacionail da Expertisacione; I.S.A. – International
Society of Appraisal; I.G.E. Internationale Gesellschaft zur Einschatzung)”
- Editora AVALIEN – Porto Alegre - RS / desde 1996
Responsabilidade na Construção Civil 140 141
- “Curso de Atualização em Engenharia de Avaliações e Perícias”
- CREA PR / 1993 E 1997
- Palestrante em Encontro Tecnológico – ENTECA - Departamento de En-
genharia Civil - UEM - MGÁ (PR) / 2002
- Palestrante e Representante Técnico do Ibape-PR / Instituto Brasileiro
de Avaliações e Perícias de Engenharia do Paraná / Semana Paranaense
de Engenharia “Sepec” – UEM / Mgá (PR) / 2005
- Palestrante: “Perícias e Riscos Ambientais” / Curso – Tecnologia do
Meio-Ambiente / UEM – Câmpus Umuarama (PR) /2007
- Palestrante: “Responsabilidade Civil na Construção” / AREARC – Asso-
ciação Regional de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Cianorte
– Cianorte ( PR ) / 2009
- Palestrante: “Responsabilidade Civil na Construção” / Capacitação Pro-
fissional - Training Company / Hotel Golden Tulip Park Plaza – São Paulo
(SP) / 2010
- Palestrante de Curso Cadastrado no Programa Pro-Crea/Pr: “Respon-
sabilidade Civil na Construção e Perícias Judiciais” / Curitiba (PR) /
2009
- Representante Técnico da Assoc. dos Engenheiros e Arquitetos de Ma-
ringá – A.E.A.M. Na “Comissão Especial de Avaliação de Imóveis de
Maringá – Planta de Valores Genéricos” - Secretaria da Fazenda / Munic.
de Maringá ( PR ) / 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009
- Representante Técnico da Assoc. dos Engenheiros e Arquitetos de Ma-
ringá – A.E.A.M. na “Comissão Especial da Defesa Civil / 5º CORE-
DEC – Coordenador Regional de Defesa Civil - Corpo de Bombeiros de
Maringá – Avaliação Técnica de Queda de Palanque / Paiçandu (PR)”
– Novembro / Dezembro de 2009 e Janeiro / Fevereiro de 2010
- Professor da U.E.M. – Universidade Estadual de Maringá / Departamen-
to de Engenharia Civil / 1990
- Diretor da A.E.A.M. - Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Marin-
gá – Biênio: 2009 / 2010
- Autor do Livro 01: “O Perito Judicial e o Assistente Técnico” - Editora JM,
Curitiba (PR) / 2003
EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL:
- Perito Judicial da 6ª, 5ª, 4ª, 3ª, 2ª E 1ª Vara Cível de Maringá – Paraná /
1ª nomeação em 1989
- Perito Judicial da Vara Cível da Marialva – PARANÁ / 1ª nomeação em
2002
- Perito Judicial da Vara Cível de Ubiratã – PARANÁ / 1ª nomeação em
2003
- Perito Judicial da Vara Cível de Ivaiporã – Paraná / 1ª Nomeação em
2009
- Avaliador Junto à Previ - Caixa de Previdência do Banco do Brasil em
Maringá – Paraná / 1985 a 1992
- Avaliador Junto ao Banco Itaú em Maringá – Paraná / 1993
- Consultor Técnico da Sanepar - Cia. de Saneamento do Paraná / Reg. Mgá
– Processos de Ressarcimento de Danos / 1998
- Consultoria Especializada em Avaliações e Pareceres Técnicos Extra-Judi-
ciais a Advogados e Particulares de Maringá e Região
- Assistente Técnico em Várias Ações Judiciais
- Laudos de Avaliações / Resumido:
Novo Aeroporto de Maringá; Edificação e Terrenos do Shopping Center –
Aspen Park; Lojas Americanas; Edificação e Terrenos do Antigo Shopping
da Construção – Rodovia Pr-317; Terrenos da Polícia Federal; Edificação
e Terreno de Condomínios Residenciais, Comerciais e Residenciais (Cotel
– Prefeitura de Paraíso do Norte / PR – Cafeeira e Cerealista Feltrin – Co-
mercial Catarinense - Catarinense S.A.; Monolux Construções Civis – Lote
Responsabilidade na Construção Civil 142
204 / Sarandi (PR); e Demais Particulares); Terrenos Desapropriados de
Rodovias (D.E.R.) e Urbanos / Industriais (Município de Maringá – Copel
– Sanepar – Eletrosul – Ate V Londrina Transmissora de Energia); Demais
Residências e Comércios Particulares;
- Laudos de Inspeção Predial em Patologias de Edificações de Pequeno e
Grande Porte / Resumido:
Edifício Don Gerônimo; Edifício Portal do Sol; Edifício Villagio Difiren-
ze; Edifício Monet; Edifício Açores; Edifício Pantanal; Edifício Versalhes;
Edifício Van Gogh; Edifício Da Galeria Dona Eulália; Edifício Residencial
Dona Eulália; Edifício Residencial Joubert de Carvalho; Edifício Marques
de Sagres; Edifício Continental; Edifício Norte; Condomínio Residencial
Villa Fontana; Edifício Belle Ville Boulevard; Edifício Dona Amélia I e Ii;
Edifício Caravelas; Edifício La Palma; Edifício Néo Alves Martins; Edifício
Narayama; Edifício Vanor Henriques; Edifício El Greco; Edifício Del Arthur;
Edifício Citizen Park; Edifício Hércules; Edifício Lavoisier; Edifício Itália I;
Edifício Vinícius de Moraes; Edifício Maria José; Edifício Central Park;
Edifício Mário Pagani; Edifício Solimões; Hotel Deville; Edifício Maria Te-
reza; Cartório Liana Cláudia; Banco Santander; Imobiliária Theodorado;
Condomínio Residencial Iguaçu I; Condomínio Residencial Iguaçu II; Con-
domínio Residencial Petit Village; Conjuntos Habitacionais de Mandagua-
ri, São João do Ivaí e Barbosa Ferraz (PR); Escolas Estaduais de Maringá
– Ceebja (Zona 07), Flórida e Astorga (PR) – Distrito de Santa Zélia; Motel
Hipnose / Mandaguari (PR); A.S.P.P. – Associação dos Servidores Públicos
do Paraná / Caiobá (PR); Quadras de Esportes – Douradina / Perobal e
Tapira (PR) – Obras do Paranácidade; Clínica Odontológica Dr.ª Dirce M.
Balbinot Cavaletti – Campo Mourão (PR); Demais Residências e Comér-
cios Particulares.
- Relatórios de Vistorias Cautelares de Vizinhança em Edificações de Pe-
queno, Médio e Grande Porte:
Construtora Design; Construtora Vicky; Construtora Cantareiras / Maringá
(PR); Construtora Novo / Cianorte (PR).
0800 41 0067
www.crea-pr.org.br

Responsabilidade na Construção Civil

Eng. Civil Valmir Luiz Pelacani

CURITIBA - 2010

SUMÁRIO APRESENTAÇÃO .....................................................................13 INTRODUÇÃO ...........................................................................14
1 DA ORIGEM DA CONSTRUÇÃO E NECESSIDADE AO SER HUMANO ..........................................................17 EVOLUÇÃO DA CONSTRUÇÃO EM HARMONIA AO URBANISMO ................................................................19 A INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL E SUAS BASES ................................................................................20 CONSTRUIR TRATA-SE DE CIÊNCIA EXATA? .................................................................................................21

Gestão 2010
PRESIDENTE: Eng. Agrônomo Álvaro José Cabrini Júnior 1º VICE-PRESIDENTE: Eng. Civil Gilberto Piva 2º VICE-PRESIDENTE: Eng. Civil Hélio Sabino Deitos 1º SECRETÁRIO:  Técnico  em  Edificações  Márcio  Gamba 2º SECRETÁRIO: Eng.  Mecânico  Elmar  Pessoa  Silva   3º SECRETÁRIO: Eng. Agrônomo Paulo Gatti Paiva 1º TESOUREIRO: Eng. Civil Joel Kruger 2º TESOUREIRO: Engenheiro Eletricista Aldino Beal DIRETOR ADJUNTO: Eng. Agrônomo Carlos Scipioni

2 3 4

Capítulo I - DIREITO DE CONSTRUIR E A HARMONIA NA VIDA COMUNITÁRIA
1 2 3 4 DIREITO DE PROPRIEDADE: FUNÇÃO E EVOLUÇÃO ...................................................................................23 CONSTRUÇÃO OU EDIFICAÇÃO – QUAL A DIFERENÇA?.............................................................................23 O SIGNIFICADO DE “PRÉDIO”..........................................................................................................................24 CONSTRUÇÃO E SEU LIMITE AO INICIAR ......................................................................................................25

[ conteúdo é de responsabilidade do autor ]

Capítulo II - RESTRIÇÕES DE VIZINHANÇA À CONSTRUÇÃO
1 VIZINHANÇA E EXTENSÃO DE SEU CONCEITO ............................................................................................27 AVANÇAR A CONSTRUÇÃO E INVADIR O VIZINHO? SAIBA COMO NÃO INCORRER NESTE ERRO.........27 2

Cadernos do CREA-PR N.° 1  -­  Ética  e  Responsabilidade  Profissional N.° 2  -­  Ética  e  Direitos  Profissionais N.° 3  -­  Ética  e  Organização  Profissional N.° 4  -­  Acessibilidade:  Responsabilidade  Profissional N.° 5  -­  As  Entidades  de  Classe  e  a  Ética  Profissional N.º 6 - Responsabilidade Social N.º 7 -­  Responsabilidade  na  Construção  Civil

Capítulo III - LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS À CONSTRUÇÃO
1 VINCULAÇÃO DAS RESTRIÇÕES DE VIZINHANÇA ÀS LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS EM PROL DO BEM-ESTAR DA POPULAÇÃO.................................................................................................................................33

Capítulo IV - LIBERDADE DE USO DA PROPRIEDADE ........35
1 2 3 NORMALIDADE E ANORMALIDADE DE USO DA PROPRIEDADE .................................................................36 DIREITOS DO VIZINHO .....................................................................................................................................36 INCÔMODOS AO ATO DE CONSTRUIR: ATÉ ONDE SE CONSIDERA UM ERRO OU FALHA TÉCNICA? ....36

Capítulo V - RESPONSABILIDADES NA CONSTRUÇÃO CIVIL.. 39
CREA-PR - Rua Dr. Zamenhof, 35 - CEP 80.030-320 - Curitiba - PR Central  de  Informações:  0800-­410067   E-mail: comunicacao@crea-pr.org.br www.crea-pr.org.br twitter.com/CREA_PR

1

RESPONSABILIDADE QUE INDEPENDE DE CULPA ......................................................................................40 1.1 RESPONSABILIDADE OBJETIVA............................................................................................................40 1.2 RESPONSABILIDADE SUBJETIVA..........................................................................................................41

2

PRIMEIRO PASSO ANTES DE CONSTRUIR: FAÇA UMA VISTORIA PRÉVIA DA VIZINHANÇA ...................41

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......................4...............5 DO AUTOR DO PROJETO .................4.....4....................................................................2...................................4 3..............1 DA ATITUDE DOLOSA....63 3..2 CONSTRUÇÃO POR ADMINISTRAÇÃO .........................................................2 FONTES DE RESPONSABILIDADES .........................46 3...................................4 3.........................................69 CASO PARTICULAR DA IMPLOSÃO DE CONSTRUÇÃO ................................................9 DO DESABAMENTO .........1 RESPONSABILIDADE LEGAL ..1..................1 3.1 PRAZO PARA A RECLAMAÇÃO: DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO ........53 3....................................................9......................................................................................4................3 RESPONSABILIDADE DO RECEBIMENTO DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO................................3......................................................4...4...........................................4..................48 DOS DEFEITOS .............................64 3......................................................3 DA IMPORTÂNCIA DO REGISTRO DO CONTRATO DE EMPREITADA .........................2...................................................4..............62 CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA.........................................4........................50 DOS VÍCIOS APARENTES...4.................6......4.....................4..........1....4.....45 3..................................................4..9...................................2 RESPONSABILIDADE CONTRATUAL.1 MULTA ..............4..............................1 CONSTRUÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.........................61 A ALTERAÇÃO DE PROJETO ..................................................4..................4........................................................................52 PRAZO DE GARANTIA E PRAZO PRESCRICIONAL...................................................................4.............................6...4........................................................9.........3 DAS RESPONSABILIDADES ADVINDAS DO ATO DE CONSTRUIR ..........6................................2................4.....................................................................................1 3..................................8 ADMINISTRATIVA.....................2........................................50 DOS VÍCIOS OCULTOS OU REDIBITÓRIOS ......64 6 DO FATO NECESSÁRIO À ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE.........................4....1.................................48 3.......1............................10..........................................66 DAS SANÇÕES ADMINISTRATIVAS .........................................63 3..........75 EM ESTADO DE NECESSIDADE ...........................6.................................10....3 3..4.........2 DA SOLIDEZ E SEGURANÇA.....................10..73 3...................................................................4.............................................................................................6 DOS FORNECIMENTOS ............1.......4.....................75 3......3 CONSTRUÇÃO POR TAREFA ...........2 RUÍNA DE CONSTRUÇÃO...........4....4..................................75 EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO RECONHECIDO ............................................................................75 OCORRÊNCIA DE CASO FORTUITO ...........4.........................................................7 DOS TRIBUTOS ...........4....................73 3......................9...............................65 3.........................4...........3 DEMOLIÇÃO ...............4....1 3.............4............................................................................................4.....1............72 3.............71 3...................2.... NÃO CONFUNDIR COM IMPREVISIBILIDADE........4.........6..................70 DO ESTADO DE RUÍNA DA CONSTRUÇÃO .................56 SEQUÊNCIA PROFISSIONAL DE RESPONSABILIDADES ..........................1.2 DO PROMISSÁRIO COMPRADOR..........................9..1 DA PERFEIÇÃO ....4......................................................4............58 3.....................................8.49 PENALIDADES ....................................................4...........3 SANÇÕES........3 RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL.... NÃO EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE DO PROPRIETÁRIO ....4.................................72 3...........3 3.........................................................2............................3..................................4...................11 DA FISCALIZAÇÃO MUNICIPAL .............58 3..................................72 3...........................................4.................4...1 DO PERIGO EVENTUAL ...................................6.......................................4........................................................1 3.....61 A USURPAÇÃO DE PROJETO.........................................45 3.........................................3 3....4..........................63 3.......................3 DOS DANOS A VIZINHOS E TERCEIROS ..........10..1.................1...10.........................................................68 DO CÓDIGO PENAL.........8..4............................ IMPERFEIÇÕES OU FALHAS APARENTES ........................4.............................3 3........................................4.......................6..........................10...................................................................................................68 3................................................4..................................2..........................4..................................79 6 Responsabilidade na Construção Civil 7 .....3.....................4...............71 3...................1.........................1 3.........4.................................4...................................................45 3.............54 DO SOLO ............................................................................1 RESPONSABILIDADE DA COMPRA DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO ......2 3...............2 3......................2 PROVOCADO POR TERCEIROS .................4........................9................................................4 3.....3.................................................6 3.............................45 3............................6...............1 O FUNDAMENTO DA RESPONSABILIDADE .................4..........................4 CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DAS RESPONSABILIDADES ................................5........................59 3..........56 CONCEITO E RESPONSABILIDADE DO “CONSTRUTOR” E PROPRIETÁRIO ..10 DA CONSTRUÇÃO CLANDESTINA..............................44 3..............61 O PLÁGIO DE PROJETO ...63 3........64 3..........75 DE FORÇA MAIOR ..........................................................................................................................................................................2............................73 3................................67 TRIPLA FINALIDADE DE PUNIÇÃO E REFLEXOS NOS DIFERENTES RAMOS DO DIREITO........................52 DO NÃO ATENDIMENTO À RECLAMAÇÃO ..........4........4...............3.....4 DAS ADAPTAÇÕES POSTERIORES ÀS NORMAS ............2....3 DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR ...............................................................................4.............................72 3.....................5 TRABALHISTA E PREVIDENCIÁRIA .............................60 MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO DEPOSITADOS .........................................................................................................................61 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ...............2 DA IMPORTÂNCIA DO REGISTRO DO CONTRATO DE EMPREITADA ...............................................9........6.................69 3.....45 3.................1 RESPONSABILIDADE DO CONSTRUTOR OU DO PROPRIETÁRIO ..............................10............76 6....72 3.....2 3................................1 3.........47 3............................................63 3.........................60 FALTAS ÉTICAS ..4 ÉTICO-PROFISSIONAL ......43 3....................4............................................2...................2 3.60 Capítulo VI ...........65 3........DA ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE NA CONSTRUÇÃO 1 2 3 4 5 EM LEGÍTIMA DEFESA............4 3.............62 3..................4................2 EMPREITADA DE MATERIAIS .1 EMPREITADA DE LAVOR ....................................3.............4.....................................5 3....69 DA QUEDA DE MATERIAL OU FERRAMENTAS DE CONSTRUÇÃO ....................76 6......................3 3......CDC .66 3.4....65 3........70 3.............................................1 CULPA E DOLO .................................3..................2 EMBARGO ..............1 DO DESGASTE NATURAL OU FALTA DE MANUTENÇÃO....2 3..............................................

...........113 2...............124 3 O SER HUMANO TRANSFERE SUAS FALHAS PESSOAIS EM UMA ATIVIDADE OU FUNÇÃO OU PROFISSÃO QUE ELE EXERÇA FUTURAMENTE? COMO E POR QUÊ ISTO ACONTECE? .............3...................................................................................... O QUE É MAIS IMPORTANTE? ...................3.................95 2...............................4 FISSURAS POR CORROSÃO DA ARMADURA EM CONCRETO ARMADO ....................................................................116 2.....................................................3...............1 FALHAS TÉCNICAS .....................8 FISSURAS POR MOVIMENTAÇÃO DE FORMAS E ESCORAMENTOS ....84 2 ESTUDO DE CASOS: ................ CP = Código Penal Brasileiro............123 1 COMO O SER HUMANO SE COMPORTA COM O PRÓPRIO ERRO OU FALHA?...................................3.............................................................1 ORIGENS.........1...................CASOS PRÁTICOS DE PERÍCIA EM CONSTRUÇÃO .........................................................................................................................6 FISSURAS POR MOVIMENTAÇÃO HIGROSCÓPICA ........1 2.........................................................................................81 1 PATOLOGIA DAS CONTRUÇÕES ....3...................................................................................................................................FALHAS TÉCNICAS E DEFEITOS .......................5 DE TRAÇÃO ..118 2.......................................3..............83 1................................. NBR = Normas Técnicas Brasileiras 2....A FALHA OU O ERRO....108 POR FORÇA CORTANTE OU CISALHAMENTO ..3.............................135 CC = Código Civil Brasileiro................................3 NA NATUREZA .......................129 PERGUNTAS E RESPOSTAS...3...................................3....................2 ENDÓGENA............................106 2......................110 Capítulo VIII ...............................................................114 2..........3 FISSURAS POR ESFORÇOS ............. ABNT = Associação Brasileira de Normas Técnicas....................................3.......................................................................................................................................Capítulo VII ...........3.....................3....2..............................................................2 2........86 2.......................1.................................................. ASPECTOS PSICOLÓGICOS ENVOLVENTES ..4 MOVIMENTO DE TERRAS/BULBO DE PRESSÃO E PERDA DE RESISTÊNCIA DE ESTACAS DE DIVISA – RECALQUE DIFERENCIAL .....................................................1 A IDÉIA DE INSPEÇÃO PREDIAL OBRIGATÓRIA ......................1 EXÓGENA ......1 FISSURAS POR RETRAÇÃO .................................5 ALTERAÇÃO DE UMIDADE/SATURAÇÃO DO SOLO ARGILOSO EM TERRENO VIZINHO .........3....................4 2.........127 Capítulo IX ................................3.2 FISSURAS POR VARIAÇÃO DE TEMPERATURA .......2 ESTATÍSTICAS DE INCIDÊNCIA DAS PATOLOGIAS......................................................................94 2.........110 2..............................................................................................................3 2.............................3......106 DE COMPRESSÃO OU FLAMBAGEM DE ARMADURAS..........86 2......................................................................82 1.......................1...............................3........................................................................116 2..................................................................................................129 Referência Bibliográfica ..........103 2..........................................NOTAS E CONCLUSÃO DO AUTOR 1 2 A ARTE DE CONSTRUIR: SITUAÇÃO PARADOXAL ..............5...5 RECALQUE DE FUNDAÇÕES ....................................7 FISSURAS POR ASSENTAMENTO PLÁSTICO .................................................101 2...............................................................122 8 Responsabilidade na Construção Civil 9 .................................. CDC = Código de Defesa do Consumidor.............................83 1.................................2 DESABAMENTOS .................................................................................115 2......1 CASO DE AÇÃO JUDICIAL ........................3 FISSURAS ................................PATOLOGIA DE EDIFICAÇÕES ..................123 2 ELE ESTÁ PREPARADO PARA ENFRENTAR O PRÓPRIO ERRO OU FALHA? QUAL A CONSEQUÊNCIA DISTO?..................109 POR TORÇÃO ....................................................................82 1..........................................82 1........3..................................3.................105 2.......................................107 DE FLEXÃO ...................................................

Responsabilidade na Construção Civil 10 Responsabilidade na Construção Civil 11 .

Traça com propriedade as responsabilidades legal. as legislações e prazos vigentes com relação a garantia. O assunto é extremamente atual e as informações necessárias ao ético exercício profissional. Eng.APRESENTAÇÃO A presente publicação traz como contribuição aos profissionais da construção civil informações importantes com relação às responsabilidades no momento do exercício da profissão em obras e serviços. Traz ainda inúmeras situações pelas quais muitos profissionais já se depararam ou ainda virão a vicenciar no exercício das profissões e que contribuem sem dúvida para uma conduta ética e responsável. Boa leitura a todos. por exemplo. suas características e penalidades impostas ao profissional. contratual e extracontratual. Agr. passando pelo que diz o Código de Defesa do Consumidor. No texto o autor relata o resultado de um extenso trabalho científico alicerçado no conhecimento do dia a dia da profissão e na relação com o contratante e o meio relacionado ao local onde a obra ou serviço está sendo executado. Que esta leitura subsidie os profissionais que atuam na área da construção civil e que incentive contribuições para próximas publicações a serem editadas pelo CREA-PR. Álvaro Cabrini Jr Presidente do CREA-PR 12 Responsabilidade na Construção Civil 13 .

anomalias ou patologias em trabalhos periciais. aos cuidados e precauções com a vizinhança que devem ter os profissionais e proprietários. atingir do leitor. sem contudo. Temos a intenção precípua de que os interessados e detentores do conhecimento técnico da atividade de construir. esta precaução e. possam se familiarizar. de esgotar o assunto. em análise de resultados/sentenças de ações judiciais pertinentes. onde por mais que queiramos não devemos tapar nossa mente e nossa visão – e é aí que pretendemos. com esta colaboração literária. além de aspectos jurídicos diretamente relacionados à atividade de construir. quando assim exercem esta atividade. de experiência do autor ao longo destes mais de vinte anos. engenharia-direito. até servindo de alerta a determinadas situações que surgem na atividade de construir.INTRODUÇÃO A indústria da construção civil trata essencialmente de atividades que envolvem conhecimentos técnicos especializados e conhecimentos jurídicos que se integram e consequentemente se harmonizam nas características do conjunto engenharia-legal. acompanhando e tratando tecnicamente alguns exemplos de defeitos. que não somente pelo fato das imprevisões estarem previstas em lei. Este trabalho visa. modestamente. bem como. acreditem os senhores leitores ou não. 14 Responsabilidade na Construção Civil 15 . ter a pretensão neste momento. pois elas acontecem e com bastante frequência.

de acordo com Cabrita (1990). cada vez maior. Construindo a habitação. e não lhe é permitido interferir na execução da obra. reclamando uma arte – o Urbanismo. circular. Meirelles (1996) enfatiza que a intuição do perigo e o instinto de conservação levaram o homem a procurar abrigo nos recôncavos da natureza. de higiene e de estética. segundo Ross (1988). Martins (2001) traduz em sua obra literária. Urbanizou-se. utilizando-se da propriedade particular e dos bens públicos. recrear. é transformado em ator principal. que marcou o advento da Engenharia e da Arquitetura. escavou a rocha e habitou a caverna. para ordenar os espaços habitáveis e uma técnica para o cultivo do campo – a Agronomia. o conceito da qualidade inverte este papel onde o consumidor de mero espectador. os projetistas e os empresários construtores. trabalhar. lascou a pedra e construiu a casa. Daí adveio a necessidade de normas técnicas reguladoras da construção e de regras legais normativas do Direito de Construir. Existe. forjou o ferro e levantou o arranha-céu. com a seguinte colocação: “a meta de uma empresa é atender ao consumidor. a necessidade de estabelecer um elo de ligação entre o consumidor. o homem construiu a cidade.1 DA ORIGEM DA CONSTRUÇÃO E NECESSIDADE AO SER HUMANO Sabemos que a construção remonta às origens da humanidade. como sendo o elemento mais fraco da cadeia produtiva. Ocorre em muitos casos. e Paladini (1994) chama a atenção a este respeito. a empresa depende do consumidor e não o contrário”. Completa ainda que. abateu a árvore e fez a choupana. raramente influi no projeto. vários objetivos de qualidade. e apontado por Gomes (1990). num lento e perene aprimoramento da técnica de construir. passou o homem a desenvolver suas funções sociais precípuas – habitar. uma incompatibilidade entre o consumidor e os construtores. ele não intervém na escolha ou decisão sobre o local da construção. a sobrevivência da organização está ameaçada. argamassou a areia e ergueu o palácio. num estreitamento. Depois. Na cidade. pois na maioria das situações. sem isso. que o consumidor em sua aquisição de uma habitação na cadeia produtiva tem. E nesta situação. que 16 Responsabilidade na Construção Civil 17 . porque não há outro meio de se manter no mercado e. Surgiram os problemas de segurança. das relações comunitárias.

as escolas de Engenharia Civil se transformaram em escolas politécnicas. e seus profissionais formaram-se. mas. nas escolas de Engenharia Militar. na atualidade. que porfiam em adaptar a estrutura e a forma à função social que a construção desempenha em nossos dias. o trabalho habitual como meio de subsistência e a invenção da cidade passaram a exigir habitações duradouras e afeiçoadas às imposições sociais. ensejando. as construções de paz sobrepujaram as obras de guerra. o alvorecer do Urbanismo.pode chegar a um impasse. O sedentarismo. A construção civil. a complexidade da vida urbana e a trama das metrópoles converteram a construção numa atividade eminentemente técnica e especializada. 2 EVOLUÇÃO DA CONSTRUÇÃO EM HARMONIA AO URBANISMO Meirelles (1996) destaca que a construção. evoluiu para uma atividade técnica e social. privativa de profissionais habilitados. pelo custo. 18 Responsabilidade na Construção Civil 19 . Finalmente. Conclui ainda que. sucedeu à construção bélica. aplicou novas técnicas. Transformou-se em indústria – a indústria da construção civil. as fortificações e os engenhos bélicos. no que se refere aos objetivos e ao ponto de vista de cada um em relação à qualidade do produto. Contudo. Depois se desmembraram em cursos autônomos e. assim. Meirelles (1996) relata que principiou com a edificação urbana. inicialmente. como atividade técnica. sobretudo. solicitou novas especializações. utilizou novos materiais. o florescer da Engenharia Civil e da Arquitetura e. repartindo seus cursos nas várias especializações contemporâneas. bem como por qualquer eventualidade prejudicial que venha a ocorrer com o produto adquirido. as primitivas escolas de Engenharia Militar se foram transmudando em escolas mistas – militar e civil. e para atender à diversidade da construção civil e à perene evolução de sua técnica. estendeuse gradativamente a todos os domínios da atividade pacífica do homem como fator de progresso e elemento de civilização. o consumidor é afetado pela configuração. como a busca ao atendimento à satisfação das necessidades sociais do bem-estar e da qualidade de vida do ser humano. paralelamente. Pouco a pouco. afinal. e cada vez mais no futuro é necessário tratar a questão da qualidade habitacional não como uma mera questão normalizadora e técnica. com origens em atividade leiga e individual. descobriu novos campos.

“Falhas ou erros da atividade profissional” que trataremos. reconhecer e transferir na aplicação ou no desempenho de sua função profissional. que depois de solucionarmos viavelmente e solidariamente e/ou até a passar a conviver na construção com algumas situações negativas de mínima ordem. Todos esses aspectos relacionados com a construção civil constituirão objeto de estudo nos tópicos subsequentes desta obra literária. funcionalidade e estética das obras. E PRINCIPALMENTE. higiene. também. passou a exigir profissionais habilitados e auxiliares especializados nos vários elementos e serviços que compõem a edificação particular e a obra pública. transcende a área da ciência exata. em poder observar. do engenheiro. e. em algum momento. pois. onde avalia que enquanto atividade de construir. Em juízo ou opinião sem fundamento preciso. NÃO SÓ TECNICAMENTE E JURIDICAMENTE. a serem atendidas desde a elaboração do projeto até sua cabal execução. do carpinteiro. já a nível de parecer psicológico – frente a um parecer de profissional da área. até como profissional da área de engenharia e já construir.3 A INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL E SUAS BASES A influência que a construção civil – notadamente a habitação (MEIRELLES– 1996). inclusive para uso próprio. do pedreiro. onde podemos enumerar na construção civil a função do mestre de obras. raciocinando em nível aquém do científico. tratamento manual e observatório do ser humano. poderão vir a ocorrer falhas. MAS. passou a ter na vida do indivíduo e na existência da comunidade exigiu sujeição dessa atividade às normas técnicas e normas legais que assegurassem ao proprietário a solidez e a perfeição da obra contratada e pusessem a coletividade a salvo dos riscos da insegurança das edificações. para sua fiel observância. assim. desde que a construção civil se transformou numa atividade. Além disso. requisitos mínimos de solidez. nesta obra literária. do arquiteto. PSICOLOGICAMENTE PARA CONSTRUIR. inegavelmente. 4 CONSTRUIR TRATA-SE DE CIÊNCIA EXATA? Em toda a atividade humana que envolve a utilização de conhecimento. o que exige do Poder Público permanente e atenta fiscalização. Estabeleceram-se. 20 Responsabilidade na Construção Civil 21 . acredito. do construtor. é certo: TEMOS QUE NOS PREPARAR. advém conjuntamente e comumente de tudo o que o ser humano traz de bagagem consigo (a contar principalmente da atitude frente ao seu conhecimento e experiência ou não do conhecimento e da experiência ética e técnica).

Construção. p. no sentido que incide imediatamente sobre a coisa e a segue em todas as suas mutações e. aflora de modo palmar”. 2 CONSTRUÇÃO OU EDIFICAÇÃO – QUAL A DIFERENÇA? Inicialmente. subordinando-as à vontade do homem. 1931 Regime Democrático e o Direito Civil Moderno. ed. 1937 22 Responsabilidade na Construção Civil 2 23 . de tal modo que os conflitos entre vizinhos se tornaram praticamente inevitáveis. do qual a edificação é a espécie. 1 Las Transformaciones Generales del Derecho Privado.233. Inegavelmente. procede em todo os seus termos. transcrito por Alves (1999). é a função social do detentor da riqueza. e que. causa mesma de evolução do grupo social. o domínio particular se vem socializando ao encontro da afirmativa de Léon Duguit*1. organismo social. nele implícito.” Alves (1999) destaca: “Com efeito. p. em sentido técnico. em que os progressos da tecnologia e o êxodo do campo à cidade densificaram a sociedade moderna. comumente confundidas pelos leigos. O direito de propriedade é real. de que: “a propriedade não é mais o direito subjetivo do proprietário.Capítulo I DIREITO DE CONSTRUIR E A HARMONIA NA VIDA COMUNITÁRIA 1 DIREITO DE PROPRIEDADE: FUNÇÃO E EVOLUÇÃO Meirelles (1996) bem inicia sua composição literária. e apenas aí. o direito de propriedade é considerado não-ilimitado e de exercício condicionado. antecedeu a propriedade imóvel. operada pelo elemento territorial. Sempre o fora. Posada. Essa surgiu com a intervenção. como círculo social. a afirmativa de René Dekkers*2 . 37. mas hoje o elemento social. descrevendo que o direito de propriedade é o que afeta diretamente as coisas corpóreas – móveis ou imóveis. oferece-nos o duplo significado de atividade e de obra. Construção é o gênero. a vizinhança. impõe-se a fixação de alguns conceitos técnicos da construção civil: Construção e edificação são expressões técnicas de sentido diverso.

a exemplo de edificação. As Limitações Urbanísticas que são todas as imposições do Poder Público destinadas a organizar os espaços habitáveis (área em que o homem exerce coletivamente qualquer das seguintes funções sociais: habitação.C. visando adaptar o imóvel às suas conveniências. como também não poderá embutir. o de construção. 4 CONSTRUÇÃO E SEU LIMITE AO INICIAR Alves (1999) conceitua. trabalho. circulação. o termo “prédio” vem-se tornando privativo da construção. Meirelles (1996) destaca que as paredes divisórias são as que integram a estrutura do edifício na linha de divisa. porque objetiva. no segundo caso terá que pagar metade do valor da parede e.330). Sobre este título. o vizinho que necessitar utilizá-la para travamento. ouvimos e até tratamos. como obra. fossos. ensino ou recreação. principalmente nas edificações urbanas. Alves (1999) trata o termo construção que. Nas edificações distingue-se. trabalho. a reforma. Neste sentido. é obra. a muração. do lado oposto – de modo a por em risco a sua segurança – fornos de forja ou fundição. principalmente quando possui mais de um pavimento. indica o conjunto de operações empregadas na execução de um projeto. 3 Código de Obras e Edificações do Município de São Paulo. depósito de sal ou de substâncias corrosivas (C/C2002. bem observa Meirelles (1996) que. a demolição. dependências de serviços etc). tapar (enten- 3 O SIGNIFICADO DE “PRÉDIO” Comumente. equipamento e material. visando adaptar a natureza às suas conveniências. em última análise. a preparação do terreno para subsequente e melhor aproveitamento. genericamente. o aterro. 1-1. a referência específica: “terreno e prédio nele construído . o edifício das edículas: edifício é a obra principal. edículas são as obras complementares (garagem. são tratados e conservam a qualidade de bens móveis (CC/2002.. implicando o resultado na alteração do estado físico anterior. a obra de construção denomina-se edificação. de modo a propiciar ao homem as melhores condições de vida na comunidade. que obra é a realização de trabalho no bem imóvel do usuário vizinho. o de edificação ou. o respeito às normas administrativas e urbanísticas da construção. que constituem a tessitura*4 dos bairros. de que espécie são a edificação. art. até mesmo a demolição se enquadra no conceito de construção. Alves (1999) bem complementa que no conceito de prédio integram-se o de subsolo. e atribuímos um terceiro termo: “prédio” mais às edificações de médio a grande porte. pedaço da terra. rente a primeira. nunca podendo ser utilizado como elemento de sustentação. a reconstrução. A ideia de prédio é mais ampla que a de terreno. e. e dela dependem o bem-estar recíproco dos vizinhos e a harmonia na vida comunitária. solo e sobressolo. Mas. ou mais propriamente da edificação. Lei 11228 / 92. este terá que fazer nova parede. terá que pagar meio valor da parede e do chão correspondente. arts. Ainda. tão essenciais como às restrições civis de vizinhança*5. em mais de um termo o significado de construção: o termo construção propriamente dito. o vocábulo “prédio” em Direito.” (MEIRELLES –1996). ainda. mesmo tratando-se de parede-meia insuficiente para suportar a obra do vizinho. onde todo aquele que se ergue rente à linha de divisa destinado à vedação de suas propriedades/pertencente a quem o constrói (C/C2002..297 e 1.308. arts.84)). a obra pelo gênero. Como já vimos em capítulo anterior. coberta. Toma-se. atribuem-se a Hipodamus de Mileto. na linguagem comum. a abrigar atividade humana ou qualquer instalação. desde seu início até a conclusão. Tanto é construção a edificação ou a reforma como a demolição.Como atividade. Daí por que o particular pode exigir de seu vizinho. evitando-se inconvenientes de ordem técnica). sendo mais prudente a não prática de parede-meia. canos de esgoto. a escavação. a pintura e demais trabalhos destinados a beneficiar. no sentido próprio. onde se encontra com freqüência nas escrituras de alienação. que está no substrato. Se se destina. culto. no primeiro caso. genericamente.1. a edificação.*3 Os materiais destinados a qualquer construção. aparelhos higiênicos.305 a 1. 4 5 24 Responsabilidade na Construção Civil 25 . armários ou obras semelhantes correspondendo a outras. significa toda realização material e intencional do homem. com duas possibilidades legais de assentamento: Parede somente no seu terreno ou até meia espessura no interior do terreno vizinho. desde que suporte. sem consentimento do vizinho. quando ainda não utilizados.. significa. a reparação.327 a 1. A invenção da cidade regular e a enunciação das primeiras regras de Urbanismo. mais largamente. essa é a orientação correta nas construções. no século IV a. com ele. mas. entende-se por construção toda realização material e intencional do homem.1. recreação). a propriedade fundiária: a terra com suas construções e servidões. Anexo I. Edificação é a obra destinada a habitação.

o conceito de vizinhança abrange. GRANDISKI ( 2001 ) colabora em seu valioso trabalho – 2º TACIVIL – Ap. Grandiski (2001) traz sua valiosa colaboração quanto ao prescrito no art. tanto quanto os alicerces são colocados além dos limites do terreno quanto ao avanço dos pavimentos superiores – balanços. que restringiremos. a saber: a) Goteiras oriundas de beiral de telhado não devem ser despejados sobre o prédio vizinho. AURÉLIO. 538.300). onde fora construído prédio de 17 (dezessete) andares. desde que sujeitos às consequências do uso nocivo das propriedades que os rodeiam. poderá encostar o telhado na linha divisória – não se opondo o vizinho (expressa ou tacitamente*6) dentro de um ano e dia do término da construção.de-se todo meio de vedação da propriedade urbana e rural. não objetivando alcançar. 1 VIZINHANÇA E EXTENSÃO DE SEU CONCEITO Para fins de Direito. Meirelles (1996) destaca ainda quanto a possíveis situações de invasão em vizinhança previstas em lei. nosso estudo aos aspectos físicos das restrições de vizinhança. 22.1. cercas. – Rel. Vinculam não só proprietário (titular do domínio) como o possuidor do imóvel a qualquer título legítimo (compromissário comprador. valos. gradis.263 – 7ª Câm.1. não só os prédios confinantes como os mais afastados. c/ Rev. a primeira regra é que não pode avançar a construção além da meia espessura da parede sobre a linha divisória. conservar ou embelezar o prédio. página 1346. nesta obra literária. tabiques de proteção aos edifícios em construção e o que mais se destina a separar. vedar ou proteger o imóvel ou impedir o devassamento do prédio). Tácito.1998: Direito de vizinhança – Nunciação de obra nova – Construção de beiral que invade terreno vizinho. portanto. sebes vivas. nunciação de obra nova etc). justaposto à divisa da casa vizinha. demolitória. que na 6 Do termo “tacitamente”. permitido pelas normas administrativas. 2 AVANÇAR A CONSTRUÇÃO E INVADIR O VIZINHO? SAIBA COMO NÃO INCORRER NESTE ERRO De invasão em área vizinha. explica: “Que.1. por não ser expresso. que nem por isso ficam desprotegidos contra os danos de vizinhança. na sistemática do Código Civil brasileiro. pois violado o direito de propriedade do vizinho contíguo. de algum modo se deduz”. 4. comodatário etc). locatário. art.302)*7. A existência de beiral por sobre terreno alheio não traz qualquer direito àquele que construiu. de todos os tipos de ações judiciais cabíveis para cada caso (indenizatória. 7 26 Responsabilidade na Construção Civil 27 . Capítulo II RESTRIÇÕES DE VIZINHANÇA À CONSTRUÇÃO Faremos menção. quando por outro modo não possa evitar a goteira (CC/2002. art. incluindo os muros. Juiz Miguel Cucinelli – j.09.289 do Código Civil. e cita interessante caso ocorrido. desobstruir. decairá do direito de exigir que se desfaça essa situação (CC/2002. que com a utilização de calhas que recolham as goteiras e não as deixem cair na propriedade vizinha.

478. parágrafo 2º do Código Civil ) e construídas a mais de dois metros de altura de cada piso. 05. as janelas cuja visão não incida sobre a linha divisória.313) são permitidas. bem como casas de habitação e suas dependências. o proprietário deste há de cuidar de que o escoamento se faça de maneira a não causar dano à propriedade inferior. art. tonalidade ou cores diversas externa da fachada no conjunto da edificação. ou nelas adicionando outras que não as compunham anteriormente. que terraço e varanda significam os espaços abertos interna ou externamente nos prédios. em direito de vizinhança. de 1964 que impedem: c) De árvores que se encontram na linha divisória – presume-se pertencer em comum aos confrontantes (CC/2002. III.época a legislação permitia. contudo. criando nova calha acima do telhado do vizinho. o dono do prédio inferior está obrigado a receber as águas naturais ou artificiais do prédio superior.1997: Responsabilidade civil – Danos em prédio urbano – Irregular escoamento de água – Culpa do proprietário do imóvel superior – Indenização – Cabimento.283) ou frutos – que pertence a ambos quando a árvore se achar na linha divisória dos prédios (CC/2002. desde que permita a passagem de luz*8 e. art. e. galhos.282) ou nas suas proximidades e que interferem nas construções com suas raízes. confinando as águas.1. c/ Rev.03. 1. Grandiski (2001) complementa que as despesas correrão por conta do dono do prédio superior. no prazo de ano e dia. reparações em geral. para receber esta nova contribuição de águas pluviais provocada pela ação do vento. Gabriele Pescatore. jardins. captação e represamento da água.1. desde que previamente informado e condicionado à necessidade das construções (exemplo: reboco externo de parede divisória com execução de andaimes). tubos. não poderão ser abertas a menos de 75 centímetros. conforme esquema abaixo. ou à reparação. muita vez pressuposto fático à reconstrução mesma. quintais. limpeza ou cortes de árvores. art.301 ). o proprietário do terreno em nível inferior não pode se escusar de receber as águas pluviais ou correntes que desçam naturalmente do terreno superior. A construtora.ementa: Nunciação de obra nova. pertencendo a quem apanhar quando cair em via ou terreno público.284) e. onde além do já avençado. A calha da casa vizinha estava bem dimensionada para receber as águas pluviais de seu telhado. e abrange a condução. se restabeleça a situação anterior de escoamento e se lhe indenizem os danos consumados (ver exemplo de trabalho pericial deste autor.1. alterando o desaguadouro. mas daí não resulta siga obrigado ao recuo de metro e meio ao edificar nos limites de sua propriedade. provocando danos na casa. foi aconselhada a reconhecer sua falha. ou parte ou em esquadrias externas ).296). escoamento de águas superabundantes ou para o enxugo e drenagem dos terrenos. à abertura de janela sobre seu prédio. através de prédios alheios. Juiz Ferraz de Arruda – j. manilhas etc) não atravesse chácaras ou sítios murados. o vizinho inferior não estará obrigado a recebê-las*10. 8 São permitido frestas para dar passagem à luz nas paredes divisórias nunca maiores de 10 centímetros de largura sobre 20 centímetros de comprimento ( Artigo 1301. entendendo que janela é qualquer abertura ou vão de mais de 10 centímetros de largura ou de mais de 20 centímetros de comprimento com qualquer material vedante ou não. Não se opondo o proprietário. 11 28 Responsabilidade na Construção Civil 29 . pode ser impedida pelo prejudicado que tem direito a exigir que se desfaçam as obras prejudiciais.204. é regulado pela Lei Federal nº 4. Prédio construído d) A canalização das águas pelos vizinhos. CALHA ADICIONAL NECESSÁRIA fonte: Grandiski (2001) – Caso prático de perícia judicial de obrigação de canalização de águas. à limpeza. canalizando-a para a rua. envidraçados ou não*9. é permitida pelo Código de Águas (CC/2002. para os serviços da agricultura ou da indústria. sendo justificada quando para atender às primeiras necessidades de vida. desde que sejam indenizados os proprietários prejudicados e o aqueduto (canos. – Rel.288 a1.591. 1. Della Proprietá. Ministro Eduardo Ribeiro . que não se haveria pré-excluir do campo de incidência da lei o trabalho de demolição*11. folhas – quando avançando sobre o vizinho poderá cortá-lo no plano vertical divisório (CC/2002. construções e limpezas (CC/2002. pátios. art. transferindo as águas para a calha vizinha. Pela lei civil. art. hortas. ficará impossibilitado de exigir o desfazimento da obra. em capítulo posterior). não podendo o vizinho achado em nível superior piorar a condição de escoamento. I e II – a manutenção da estrutura e do aspecto original do edifício (alterar a forma. bem como as perpendiculares. f) Em condomínio de apartamentos para quaisquer fins. eminentemente de caráter temporário.1. e) A entrada em prédio vizinho para reparações.arts. p. terraço ou varanda é defeso a construção a menos de metro e meio da divisa do vizinho (CC/2002. 10 9 GRANDISKI ( 2001 ) colabora em seu trabalho trazendo do 2º TACIVIL – Ap. ou quiçá. b) Para janela. que apenas havia providenciado a colocação de rufo. se houver possibilidade de encaminhamento de parte das águas pluviais do prédio superior diretamente à rua para a qual faz frente. Abertura de janela. Alves (1999) complementa. mas tornou-se insuficiente com o aumento da vazão provocado pelas chuvas que incidiam no paredão construído do prédio.751 – 9ª Câm. GRANDISKI ( 2001 ) traz em seu trabalho .DJU 06/12/99 – RESP 229164 STJ – Maranhão (99/0080312-4) – Rel. estando fora da linha divisória só pertencerá ao vizinho os que se desprenderem da árvore e cair em seu lado.

inteiramente ao sol. g) Como últimas restrições destacamos as individuais e gerais.º 116. Segundo o Prof. comum e frequentes nos loteamentos. 4054/94 – Reg. Compete ao proprietário do imóvel superior proceder aos reparos para que cessem vazamentos e infiltrações que danificam o imóvel inferior. Recurso improvido. mas de alumínio.406-2. da calçada oposta ao do edifício. IV – utilização das áreas e equipamentos comuns. Prova Pericial no sentido . fonte: PELACANI (2006) – Detalhe do beiral da cobertura da churrasqueira executada após “habite-se” no pavimento superior do apartamento duplex – 17º andar do edifício. a alteração de fachada é sempre assunto polêmico. 13 14 15 30 Responsabilidade na Construção Civil 31 . Hipótese.poderia ser de qualquer cor.08. quebrando a uniformidade da fachada. e. mas preservando vidas humanas. todo o dia. com suas atividades permitidas. 28/9/1999. segurança da edificação e o bemestar dos condôminos e ocupantes*15. Neste caso.497. taxa de ocupação de solo. ademais. – Rel. a começar pela própria definição do que seja a fachada. Rel.: Alteração de fachada do pavimento térreo do edifício.Civ. 2º TACIVIL – Ap. de Direito Privado.4/2 – SP. Edifício de apartamentos. tais como as colocações de redes protetoras. ao substituir esquadrias de ferro por outras de mesmo tipo. recuos exigidos. Colocação de película de “insufilme”. 488. da valorização da fachada. c/Rev. III – preservação da finalidade do prédio. a princípio não implica em modificação da fachada e estética do prédio. Laerson Mauro – Julg. As cores das esquadrias externas não podem ser alteradas pelo condômino. Ruiter Oliva. Já o forro da cortina interna não faz parte da fachada. sem comprometer a segurança do imóvel. Admissibilidade. – Unân. AC n. onde a primeira serve para atender a interesses peculiares de vizinhos e. mas deve-se reconhecer ao Condomínio a faculdade de regulamentar a matéria. onde originou ação judicial do condomínio contra o proprietário. Portanto. Participei como assistente técnico. sendo o termo “alçado” em tudo o que for visível de um ponto externo à fachada faria parte dela. TJESP Ap. visando assegurar ao bairro os requisitos urbanísticos convenientes (plano diretor do município – que rege o uso e ocupação do solo individualizados por bairro – classificado em lei de zoneamento – zonas residencial/comercial /industrial/especial. bem como no da inocorrência de comprometimento estético do conjunto. Alteração de fachada. de maneira geral como inibição de incômodos para o confrontante (tipo de construção que possa tirar a vista panorâmica ou causar sombreamento) e. não prejudicando alguém ou o aspecto estético da fachada (exemplo: substituição de esquadria de ferro por outra semelhante. Quando a alteração for de pequena monta.076 – 6ª Câm. de ordem urbanística. a segunda. 06. Des.Cív. Des. este deverá ser pintado na cor original. Edifício construído em centro de terreno. 13/09/94: Condomínio – Alteração de fachada – Inocorrência. com fachada em vidro. delimitação da zona urbana permitido regido por legislação urbana específica) à sua destinação. entendida nas perícias como “a superfície mais externa que envolve a construção”. para amenizar os efeitos incômodos dos raios solares nas unidades autônomas. 16ª Câm. Recurso provido. Inocorrente. a convenção poderia especificar previamente a cor do forro das cortinas. embora afetando o aspecto visível externamente. A colocação de película de insufilme. alegando “alteração de fachada”.1997: Responsabilidade Civil – Indenização – Danos em prédio urbano – Obras realizadas por vizinho. coeficiente de aproveitamento. mas em alumínio). visando à uniformização e padronização da obra. 12 TJRJ – Ap. Ação Cominatória. Alexandre Albuquerque. 116. j. 31/10/94 – 8ª Câm. Grandiski (2001) destaca para este tópico ainda que. Vista lateral esquerda. Danos em prédio urbano. uniformizando esse aspecto externo*12*13*14. tal como concluiu a perícia. portanto. TJSP – 9ª Câm. seria o “alçado da parte exterior de um edifício”. Juiz Thales do Amaral – J. de existência de distância suficiente entre a obra em questão e o prédio de apartamentos.

contrária à segurança ou qualquer outro motivo de interesse público dessa natureza. as normas ou restrições de vizinhança são sempre complementadas pelas limitações administrativas ordenadoras da construção e asseguradoras da funcionalidade urbana. bem como do espaço aéreo. dentro da órbita reclamada pelo bem-estar coletivo e do respeito à substância do próprio direito de propriedade”. Também se inserem as normas para construção nas vizinhanças de aeroportos e nas margens das rodovias. onde já tratamos neste trabalho anteriormente). que requerem tratamento especial quanto à segurança tanto para edificações e culturas em áreas adjacentes ao pouso de aeronaves. a fim de evitar sejam invadidas pela poeira e pela fumaça dos veículos. como sequencial às limitações administrativas na atividade de construir. em rodovias fixa-se um recuo obrigatório “non aedificandi” – área não permitida à edificação.Capítulo III LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS À CONSTRUÇÃO 1 VINCULAÇÃO DAS RESTRIÇÕES DE VIZINHANÇA ÀS LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS EM PROL DO BEM-ESTAR DA POPULAÇÃO Meirelles (1996) traduz a questão da restrição de vizinhança (abordado no capítulo anterior). muito bem afirma. genericamente. Gustavo Filadelfo Azevedo: “O Direito de Construir está sujeito às restrições de caráter regulamentar. destinadas a impedir o uso da propriedade de forma nociva à saúde. Das limitações administrativas. que protegem. e. e não prejudicar a visibilidade e a segurança do trânsito na via expressa. Por expressa determinação do Código Civil. notadamente as imposições sobre área edificável. com liberdade ampla. altura e estilo dos edifícios. volume e estrutura das construções. a coletividade (em benefício do bem-estar da comunidade tendo em vista a função social da propriedade. Meirelles (1996) declina ainda que os superiores interesses da comunidade justifiquem as limitações urbanísticas de toda ordem. 32 Responsabilidade na Construção Civil 33 .

Cível n. não são intromissões. é o que adverte Georges Ripert*18. Ap. enfim. que as limitações urbanísticas confinam com as normas sanitárias e as regras de trânsito. tem o seu direito simplesmente relativo. Rel. Quando previstas em Regulamento do Loteamento. a regra é a liberdade de construir. condomínios.1997. que está incólume aos efeitos da lei ( Artigo 5º. mas as restrições e limitações a esse direito formam as exceções. e nem com o projeto aprovado segundo a obediência dessas restrições. não elide a obrigação do devedor. áreas livres e espaços verdes. ordena. Acrescenta ainda que. 17 TJSP – 9ª Câm. em sentido preciso.º 63745. Alves (1999) entende e comenta que as limitações de vizinhança. onde o interesse social é o imperativo exigido pelas relações de vizinhança. absoluto. XXXVI da Constituição Federal ) – Recurso provido – Segundo o nosso direito. v. Ruiter Oliva. desta função social da propriedade situa-se ainda como princípio da ordem econômica. estaduais e municipais) ou regras contratuais. o homem. e somente são admitidas quando expressamente previstas em lei. existe a necessidade das construções para colher as vantagens que o terreno – propriedade imóvel. constituem obrigação propter rem.Complementa ainda que em nome do interesse público.. que no poder de levantar em seu terreno as construções que entender. com o passar dos tempos viu-se na contingência da limitação. está consignado mais especificamente no art. a cidade e todas as atividades das quais depende o bem-estar da comunidade. tais como as que regulam os loteamentos.10. a administração exige alinhamento. Des. XXXVI ). em face da proteção outorgada pela Carta Magna ao ato jurídico perfeito e acabado ( Artigo 5º. fixa mínimos de insolação. correspondem sempre a exceções à regra. eis que a aniquilação de um dos termos da relação impediria a sua própria existência. TJSP – Tribunal de Justiça de São Paulo. 265/275 e 673/54 TJSP – Tribunal de Justiça de São Paulo. impõe determinados tipos de material de construção. está consignado. obrigação daquele que é o titular da propriedade. 1. isto é.u. exceções estas que podem ser administrativas (leis federais. II. a princípio. 1. Capítulo IV LIBERDADE DE USO DA PROPRIEDADE O Código Civil em seu art. 21. assim comenta Meirelles (1996). Desta característica. Grandiski (2001) admite que as restrições e limitações ao direito de construir. Este mau uso da propriedade. estabelece zoneamento. Essa enumeração evidencia. Não estando a edificação de acordo com as restrições negociais. ementa: Direito de Construir – Demolição – Loteamento – Restrição convencional imposta pelo loteador – Obrigação propter rem – Projeto aprovado observando tais restrições – Obrigação comum assumida pelo proprietário de executar a obra segundo o projeto aprovado – Descumprimento da obrigação – Irrelevância da concessão do “habite-se” pela Prefeitura Municipal. nivelamento. na proibição do mau uso da propriedade está o limite dessa liberdade. salvo o direito dos vizinhos e os regulamentos administrativos. 19 34 Responsabilidade na Construção Civil 35 . portanto. uma vez que todas elas confluem para o mesmo objetivo: o bem-estar da população. aeração e cubagem. p. afastamento. como ser inserido na sociedade. Meirelles (1996) insiste em advertir que o direito de construir não é absoluto. para o proprietário. ao lado do reconhecimento da propriedade privada*19 . de Direito Privado. 312. em decorrência de lei de anistia das construções irregulares – Ato jurídico perfeito e acabado. a regra da liberdade de construção. como acentuou Pontes de Miranda. iluminação.4/5-Barueri-SP. regula o sistema viário e os serviços públicos e de utilidade pública. lhe proporciona. Fundamenta-se do direito de construir no direito de propriedade e. para a possibilidade mesma do fato social da vizinhança. não se admite o uso de forma anormal do Direito de Construir em que o direito de propriedade possui limites. o sossego e a saúde dos que o habitam. prescreve que o proprietário pode levantar em seu terreno as construções que lhe aprouver.299.277 do Código Civil. Em consequência. habitações coletivas e formação de novas povoações. em que o proprietário ou inquilino de um prédio tem o direito de impedir que o mau uso da propriedade possa prejudicar a segurança. RT 251/256. e consignadas do título traslativo da propriedade. tratandose de propriedade imóvel. limitações*16.. j. regulamento ou contrato. prescreve sobre loteamento. porque as relações de vizinhança e o bem-estar coletivo impõem ao proprietário certas limitações a esse direito. arruamento. etc*17. visando assegurar a coexistência pacífica dos indivíduos em sociedade. o direito de propriedade assim concebido. onde evoluímos da propriedade-direito para a propriedade-função e. Daí que a concessão do “habite-se” pela Prefeitura Municipal por força de lei que concedeu anistia às construções irregulares. São diminuições de conteúdo. impõe-se a correção das irregularidades. desde logo. RT 152/639 18 16 Tratado de Direito Privado. demolindo-se a parte da construção em desacordo com tais restrições.

trepidações.. Em GRANDISKI ( 2001 ) – TJRJ – 5ª Câm. há necessidade.u. v. pelo mau uso da propriedade por parte do vizinho. o prédio ou seus moradores.. da precaução. ruídos intoleráveis. 6.. da habilidade. AC n.8. por negligência. A perturbação à tranqüilidade. e. 20 1) 2) fonte: PELACANI (2009) – 1) Muro de arrimo e aterro de terras em terreno vizinho. odores nauseabundos*20 e quaisquer outras atividades ou imissões prejudiciais à vizinhança.: Direito de vizinhança – Mau uso da propriedade – Dano material – Comprovação necessária – Sentença ilíquida – Impossibilidade – Dano moral – Configuração – Arbitramento – Embora comprovada a violação do direito de vizinhança. sentença condicional. a natureza da obra ou da atividade. face a violação do direito ao descanso e do recesso do lar. para excluir a condenação pelo dano material. ainda que não tenha havido prova segura de que foi o autor direto da obra. Do termo “nauseabundos”. impossível a prolação de sentença condenando a ré a reparar o dano. Carlos Raymundo Cardoso.039/99-RJ. cuja comprovação se remeteu à subseqüente liquidação. da lesão não desejada mas ocorrida por imprudência. bloqueando um possível e incontrolável potencializador de concentração de umidade em solo). a destinação do bairro. a época. ao sossego e ao repouso do morador pela constante emissão de ruídos e efluentes de fumaça. emanações molestas. Fig. Daí depreendemos que se inclui como culpa o dever de atenção. a falta de muro de arrimo de contenção de terras que enseja dano ao prédio inferior (ver trabalho pericial em tópico posterior desta obra literária). a falta de tapume divisório que permita a depredação do imóvel vizinho. então somente os insuportáveis. 2.1 NORMALIDADE E ANORMALIDADE DE USO DA PROPRIEDADE Meirelles (1996) destaca que. repugnante”. Marcial Hollandi – j. emanações venenosas ou alergênicas. nem. – Rel. 30/11/1999. da cautela. da Teoria da Normalidade de seu exercício – Direito Positivo – Princípio do Direito de Propriedade – explica que a normalidade se analisa em cada caso.1311 CC/2002). j. 2 DIREITOS DO VIZINHO Meirelles (1996) registra que o vizinho tem o direito de impedir que os outros danifiquem a sua propriedade. Se o pedido é certo e líquido. Anormal é toda a construção ou atividade que lese o vizinho na segurança do prédio. enquadrando-se no conceito de mau uso da propriedade. Se esta comprovação não se faz. 3 INCÔMODOS AO ATO DE CONSTRUIR: ATÉ ONDE SE CONSIDERA UM ERRO OU FALHA TÉCNICA? Entende-se que nem todos os incômodos não são reprimíveis. por ser obrigação propter rem.II). Rel. prejudiquem o seu sossego ou ponham em risco a sua saúde com obras nocivas. dos réus. pela constante emissão de ruídos e efluentes de odores. 2) abertura e deslocamento vertical da parede do BWC social da residência – recalque diferencial. Ap. ou no sossego ou na saúde dos que o habitam. em que a condenação nela estabelecida fique condicionada à prova do dano que vier a ser feita na fase de liquidação.º 13. mesmo causados sem o intuito de culpa ou dolo do vizinho. mas. explica: “Nojento. tudo o que mais possa prejudicar fisicamente – consequências destes atos descritos. tampouco.18. vibrações insuportáveis. página 965. para que sobrevenha decreto condenatório. imperícia ou negligência em todos os atos técnicos/humanos no decorrer da construção. (. explosões violentas. a existência de poço em terreno aberto que dá causa à queda de 22 2º TACS – 9ª Câm. a hora e demais circunstâncias atendíveis na apreciação do ato molesto ao vizinho. dos autores. Cível. levando-se em conta a utilização do imóvel. sendo permitido aos lesados vedar essa utilização anormal da propriedade vizinha e obter a reparação dos danos consumados*21. abalos e movimentos do solo (como é o caso de perfuração de solo com o uso de bate-estaca e movimento de máquinas e caminhões em terrenos vizinhos quando se modifica o nível natural dos mesmos – ver trabalho pericial em tópico posterior desta obra literária*22 e art. 36 Responsabilidade na Construção Civil 37 . da efetiva comprovação do dano material. 21 Tratamos mais especificamente também de ato lesivo. trabalhos perigosos. age com culpa todo aquele que. Meirelles (1996) destaca que. não comprovado.). configura dano moral indenizável. imprudência ou imperícia de conduta. por ação ou omissão voluntária. embora não desejando o resultado lesivo ( CC/art. para reconhecer a incidência do dano moral e determinar sua reparação.1997 – RT 748/290: O proprietário ou possuidor do imóvel no qual foi realizado aterro causador dos danos em prédio vizinho responde pela respectiva reparação. da prudência. consubstanciado em alegada depreciação da propriedade imobiliária dos autores. Nesta categoria incluem-se todos os trabalhos que produzem dano na estrutura do prédio.186 e CP art. infiltrações daninhas (falta de rufos entre edificação em construção e existentes. viola direito ou causa dano a outrem. fumaça e gordura advindos da maquinaria utilizada por pizzaria. Des. a queda de madeiramento de construção com dano pessoal. gordura e odores. . Provimento de ambos os recursos. não pode o juiz proferir sentença ilíquida. AURÉLIO.

. ao termo “responsabilidade” como um significado genérico de ressarcimento. a elaboração do serviço delegado. onde trataremos com maiores . Age com dolo todo aquele que almeja o resultado lesivo ou assume o risco de produzi-lo (CP art. até revela comportamento negligente.. como afirmado na contestação (fls.. as fundações já estavam prontas e as paredes em elevação (fls. Fonte: PELACANI ( 2006 ) – Detalhe de corte de terras em terreno urbano da cidade. recomposição. do acórdão do TJSP – Tribunal de Justiça de São Paulo. a lei trata e se refere não mais a segunda pessoa – que exerceu a sua função em serviço delegado.D. a alteração do escoamento natural das águas pluviais com dano para os prédios inferiores. engenheiro responsável pela obra e não apenas autor do projeto (fls. é delegado a função a operários e. a respeito das fundações e do desvio das instruções do projeto. no controle do serviço.A. ao profissional que delegou a função. Na linguagem coloquial. o rebaixamento de solo danoso à construção confinante. ainda. O empreiteiro recebe-as. a sua responsabilidade é inafastável.76. tendo como Relator o Dr. a exploração de pedreira com dinamite de modo perigoso aos vizinhos. em capítulo posterior desta obra literária. Pontes de Miranda: “O fato de dar instruções. mas é autônomo. já é controlado e. As instruções que lhe tirassem a independência seriam infringentes do contrato. e sim a pessoa de cuja responsabilidade é técnica. Aliás. o rompimento de represa com dano aos prédios inferiores. a emissão de fuligem de indústria.I). por si só. como o caso requereu). o que afirma o co-réu M. Escreve. Vista de estacas “cortina” e muro de arrimo executados para a contenção de terras do terreno vizinho. 38 Responsabilidade na Construção Civil 39 . Capítulo V RESPONSABILIDADES NA CONSTRUÇÃO CIVIL Da atividade de construir. Daí. e não poderia ser diferente.. o empreitante não exime o empreiteiro das suas responsabilidades na execução da obra.. o dano a pessoa resultante de mau funcionamento de elevador. a propósito. a falta de fecho que permita a entrada de menores e o consequente acidente em fios de eletricidade. isto. que era o dono da obra. responsabilidade é a qualidade de quem tem de cumprir obrigações suas. com apresentação de parte de sentença judicial. 81). A propósito. Grandiski (2001) destaca em sua obra literária.transeunte. 81). dela não se eximindo pelo fato de ter alertado o construtor.18. não estará o profissional tecnicamente e teoricamente responsável pela atividade. portanto. Roque Komatsu: “( . (. p. 14-15). Faz alusão.)”. a pulverização de óleo com impregnação no mobiliário do prédio vizinho. depreendendo da lesão que o agente desejou. aterro ou desaterro lesivo ao prédio vizinho (apresentamos estudo de casos. ou daquele que tem que responder pelos atos seus ou alheios. publicado na RT – Revista dos Tribunais. nº 621. uma vez que quando passou pela primeira vez na obra. ) Assentado que o autor tem ilegitimidade para agir contra o co-réu M. obrigação de restituir.A. presume-se de responsabilidade prática. prejudicial aos prédios vizinhos. detalhes no capítulo posterior.D. a uma segunda pessoa e.

Responsabilidade Civil do Construtor. mas. para que esta possa exercer o direito de ser indenizada. Saraiva.1991. Marco Aurélio Viana. uma vez que se origina da ilicitude do ato de construir. como já vimos em capítulo anterior deste trabalho.2 RESPONSABILIDADE SUBJETIVA Meirelles (1996) destaca que é indispensável provar antecipadamente a culpa. consagrado pela lei civil.1 RESPONSABILIDADE OBJETIVA Independe da existência de culpa. a responsabilidade depende do comportamento do sujeito. art. neste caso. e mesmo sem culpa de seus executores. Conforme esta teoria. é a de vistoria da vizinhança em seu entorno. mesmo causando danos a terceiros. I e II – Responsabilidade Decorrente de Construção. Neste caso. Luiz Rodrigues Wambier. da saúde e do sossego dos vizinhos ( CC/2002. que. que seja identificada a culpa do autor do dano. comumente causa danos à vizinhança. É um encargo de vizinhança. que pode causar lesão ao oponente. É o conceito básico adotado pelo Código Civil. Portanto. A melhor precaução antes de se iniciar a construir.I). para que daí emerga o dever de indenizar. É um caso típico de responsabilidade sem culpa. XIII / 293 24 Sobre o conceito de construção. e que haja uma relação de causalidade entre o fato culposo e o mesmo dano. da lesividade do fato da construção. art. e o causador responda pelas perdas e danos. e exercendo de regular direito reconhecido em praticando ato previsto em lei. 2ª ed. para não incorrer na seguinte situação: no prédio vizinho já havia fissura ou fissuras anterior a construção nova. para o agente causador. e deste para com vizinhos e terceiros que venham a ser prejudicados pelo só fato da construção ou por ato dos que a executam.09.1. a partir do dia 11. devendo ser provado através de parecer técnico fundamentado. RT 614/240. ou na iminência de ocorrer. surgindo a responsabilidade objetiva e solidária de quem ordenou e de quem executou a obra lesiva ao vizinho. contratando profissional para realizar uma vistoria com relatório técnico fotografado – denominada “Vistoria Cautelar”. Tais danos hão de ser reparados por quem os causa e por quem aufere os proveitos da construção. Contrato de Construção e Responsabilidade Civil. como a TEORIA DA CULPA. que: “A construção.” É o conceito básico adotado pelo Código de Defesa do Consumidor. podem resultar responsabilidades diversas do construtor para com o proprietário da obra. o responsável estará isentado de culpa. 1980. que independe da existência de culpa. ad perpetuam rei memorian. exigindo não mais que a prova da lesão e do nexo de causalidade entre a construção vizinha e o dano*23. Tratado de Direito Privado. Acrescenta ainda que outra forma clássica de classificação de responsabilidades distingue a objetiva da subjetiva: 2 PRIMEIRO PASSO ANTES DE CONSTRUIR: FAÇA UMA VISTORIA PRÉVIA DA VIZINHANÇA Da construção. por recalques do terreno. o que implica dizer que ao repelir agressão ocorrida naquele momento. a responsabilidade civil se assenta em três pressupostos: que haja um dano. como a TEORIA DO RISCO. como exceção defensiva da segurança. Essa responsabilidade independe da culpa do proprietário ou do construtor. assegurou aos vizinhos a incolumidade de seus bens e de suas pessoas e condicionou as obras ao atendimento das normas administrativas. uma responsabilidade objetiva. 40 Responsabilidade na Construção Civil 41 .” *24 Grandiski (2001) complementa que conforme a teoria clássica. RT 659/14. bastante provar o nexo de causalidade entre o evento e o dano para que surja o dever de indenizar. como realização material e intencional do homem*25. art. por sua própria natureza. o exercício de uma atividade de risco cria. 1. Grandiski (2001) ressalta que não constituem atos ilícitos os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido (CC/2002. queda de materiais e outros eventos comuns na edificação. São Paulo. expressamente previsto no CC/2002.1 RESPONSABILIDADE QUE INDEPENDE DE CULPA Meirelles (1996) relata bem em capítulo sobre a responsabilidade por danos a vizinhos e terceiros. vibrações do estaqueamento. bastando provar a relação de causa e efeito entre o comportamento do agente e o dano causado à vítima. a pessoa faz uso moderado dos meios necessários. na figura de Engenheiro Avaliador capacitado. 23 STF. independentemente de haver ou não culpa do causador. ver ainda: Capítulo X. 1º TACivSP RT 632/13 . ao garantir ao proprietário a faculdade de levantar em seu terreno as construções que lhe aprouver..1.188. e o seu vizinho pode vir a aproveitar a oportunidade de “consertar” os seus defeitos através de sua construção 25 1. sim.277).299. Daí a afirmativa de Pontes De Miranda que: “a pretensão à indenização que nasce da ofensa a direito de vizinhança é independente de culpa. e só se materializa se o causador agiu de forma culposa ou dolosa. a existência ou não de culpa do agente é de menor relevância.

interessa provar a preexistência antes do início da obra. envolvendo patologias das construções. firmou-se. de forma que se possa presumir a culpa do construtor no caso de aparecimento de novas anomalias. em subsolo que interfere na resistência de atrito lateral das estacas (principalmente de divisas – melhor detalhado em capítulo posterior desta obra literária) da edificação já existente. quanto a interferir/contribuir com qualquer modificação do terreno natural (aterro ou desaterro – corte e retirada de terras) ou até com estacas com base de pressão – bulbo de pressão. desde logo. ou mesmo acabada. da realização de uma vistoria cautelar. advém processo judicial de indenização. poder-se-á reduzir essa responsabilidade. vazamentos. já se apresentava abalada. mas deve ser aplicado com prudência e restrições. Grandiski (2001) complementa em seu trabalho. por exemplo). Tal critério jurisprudencial é razoável e eqüitativo. interessa provar a inexistência de trincas. desalinhamento ou inclinações do prédio principal e dos muros divisórios etc. simplesmente “prefere” atribuir. onde o desfecho irá ser resolvido nos tribunais. antes do início da construção nova. Objetivamente. das ocorrências patológicas que a edificação existente possuía. que não se responsabilizará por danos eventualmente já existentes. combinando com a opinião conclusiva de Meirelles (1996) quanto a responsabilidade por danos a vizinhos e terceiros: “A jurisprudência pátria. a redução da indenização quando a obra prejudicada concorreu para o dano. um e outro devem responder pelas lesões decorrentes da construção”. por sua vez. dará ensejo. que procede este trabalho nos imóveis vizinhos ao terreno onde será iniciada a obra. Sendo o princípio do Direito que quem aufere os cômodos suporta o ônus. surgem reclamações de vizinhos sobre danos cuja origem é duvidosa. deslocamentos de argamassas e pisos. trincada ou desgastada pelo tempo e uso. às quatro espécies de responsabilidades. preferencialmente engenheiros especializados em perícias judiciais. provando-se a concorrência de eventos de ambos os vizinhos para a lesão em causa. telhas quebradas. quando a obra está perto do fim. o proprietário e o construtor de responsabilidade civil pelo que suas obras venham a produzir ou a agravar a vizinhança por todas as lesões ocasionadas. que terão garantia da integridade de seu patrimônio. para que não possa vir a ser responsabilizado como seu causador. consequentemente.última. no caso de cravação de estacas. Se a construção vizinha. porém. Maia Neto (1993) trata deste assunto. que as vistorias em imóveis vizinhos à obra que irá se iniciar nas imediações (não há necessidade de ser vizinho justaposto. 42 Responsabilidade na Construção Civil Ao vizinho. Completa ainda que. admitindo. rebaixamento de piso. correspondem a casos muito comuns de produção antecipada de provas. na responsabilidade solidária do construtor e do proprietário e na dispensa de prova de culpa pelo evento danoso ao vizinho. salpicos em pisos e paredes externas. à reparação do dano patrimonial (responsabilidade civil). ou seja. vindo a surgir defeitos/fissuras. de trincas. que constitui uma medida segura para a construtora. e para os proprietários dos imóveis. causando um impasse entre o construtor e o vizinho. ocorrem. causando danos materiais a terceiros e lesões pessoais em operários. a obra lesada. contratando profissionais ou empresas habilitadas. recalques diferenciais. mas por iniciativa das partes. a indenização há de se limitar aos danos agravados. se. se mantinha firme e intacta na sua estrutura e veio a ser abalada ou danificada pelas obras das proximidades. enfim o estado do imóvel. vazamentos. tão-só. porque o dano se deve. que um exemplo muito comum da utilização deste expediente. não há lugar para desconto na indenização. que vem crescendo sem a realização de uma ação judicial. por imperícia do construtor. porém. embora sem a resistência das edificações modernas. 43 . hoje adotado por muitas construtoras. O caminho correto para evitar tais dissabores é o procedimento. e tais efeitos se agravaram com a construção vizinha. fossas e caixas de passagens com consequências inclusive em rompimento de tubulações. 3 DAS RESPONSABILIDADES ADVINDAS DO ATO DE CONSTRUIR Meirelles (1996) acrescenta que se uma obra vier a desabar. onde o profissional mal informado técnico-juridicamente. sem antes se precaver. ocorrendo em construções já abaladas ou desgastadas pelo tempo e uso.. ou agravamento das existentes. é a realização de vistorias preliminares em imóveis vizinhos a um terreno onde irá ser iniciada uma obra. à punição criminal responsabilidade penal). O que convém fixar é que a idade das edificações vizinhas e a sua maior ou menor solidez não eximem. à sanção profissional (responsabilidade administrativa) e à indenização do acidente dos operários (responsabilidade trabalhista). por exceção. à construção superveniente. agora. hesitante a princípio. simultaneamente. por insegurança própria. ou defeito de construção. ao construtor. não raras vezes. por sua idade ou vícios de edificação. potencializadoras de defeitos/patologias. Em não tomando esta precaução.

Fazem parte deste grupo as responsabilidades decorrentes de atos ilícitos. dever de habilidade.2. Como previamente abrangido em capítulo anterior.3 RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL Aquela que surge do ato ilícito. subjetivamente (art. Juridicamente falando. como ocorre nos casos de dano de obra vizinha ou de insegurança da construção no quinquênio de sua conclusão.D.– Código de Proteção e Defesa do Consumidor (CC/2002.18. que a culpa revela-se na lesão não desejada.II) regulando as responsabilidades dos fornece. dever de prudência em todos os atos da conduta humana. mas como observou o Prof. 3. São Paulo. nos limites em que for convencionada para o cumprimento da obrigação de cada contratante. imperícia ou negligência na conduta de quem a causa. 1938. a matéria do dano prende-se à da indenização.. exterioriza-se na lesão desejada pelo agente. viola direito ou causa dano a outrem. Grandiski (2001) complementa que são as que se originam na legislação vigente ou nas tradições. e que. em que Meirelles (1996 ) complementa que se exige apenas o nexo causal entre o ato ou a omissão e o dano. II do Código Penal). art. com maiores detalhes em capítulo posterior. previu a obrigação destes de indenizarem os consumidores independentemente de existência de culpa pelos danos causados por defeitos relativos aos fatos do produto e do serviço.1. ser a sua responsabilidade pessoal condicionada à apuração de culpa. 3. atualmente é considerado como qualquer lesão causada a um bem jurídico.I).14. podem abranger e solidarizar. dever de cautela. age com culpa todo aquele que. 3. caput e § 4º). Logo.2.O exemplo põe ao vivo a importância do conhecimento das responsabilidades decorrentes da construção. ( . embora não desejando o resultado lesivo (Artigo 186 do Código Civil e Artigo 18. 3. isto é. normalmente estabelecida para garantia da execução do contrato. mas ocorrida por imprudência. bastando a constatação do fato danoso. imprudência ou imperícia de conduta. dores de bens. o autor do projeto (arquitetônico e complementares). em certos casos.1 O FUNDAMENTO DA RESPONSABILIDADE O fundamento normal da responsabilidade é a culpa ou o dolo. p. o fiscal da obra e o proprietário que a encomendou. para ensejar a reparação civil. criando obrigações legais resultantes do que nelas é disposto.1 RESPONSABILIDADE LEGAL Toda aquela que a lei impõe para determinada conduta. Alvino Lima*26: “o legislador brasileiro. por ação ou omissão voluntária.2. relacionando ao profissional liberal. ) Apud Agostinho Alvim: “aprecia-se o dano tendo em vista a diminuição sofrida no patrimônio. com o construtor. Grandiski (2001) complementa que existem várias modalidades de culpa.2 RESPONSABILIDADE CONTRATUAL Aquela que surge do ajuste entre as partes. usos e costumes do lugar. admitindo casos de responsabilidade sem culpa”. quer sejam assumidas por escrito ou de forma verbal. Grandiski (2001) adiciona literariamente que dano é toda consequência provocada por falhas construtivas. sem participação da vítima.18. de ordem pública e por isso mesmo irrenunciável e intransacionável entre as partes. de modo que só interessa o estudo do dano indenizável”. podendo ser renunciada e transacionada pelos contratantes a qualquer tempo e em quaisquer circunstâncias. 3.186 e CP art. Menção a parte.2 FONTES DE RESPONSABILIDADES Meirelles (1996) destaca que existem três fontes de responsabilidades oriundas da atividade da construção civil: 3. o C. e obrigam todos os agentes envolvidos..C. por negligência. nem por isso deixou de abrir exceção ao princípio. produtos e serviços.215. . onde trataremos nesta obra literária. 45 26 Da Culpa ao Risco.1 CULPA E DOLO Culpa é a violação de um dever preexistente: dever de atenção. 44 Responsabilidade na Construção Civil . consagrando a teoria da culpa. Meirelles (1996) acrescenta ainda. contrário ao Direito. ou seja. denominada também de responsabilidade objetiva. entre as quais aqui são destacadas: Age com dolo todo aquele que almeja o resultado lesivo ou assume o risco de produzi-lo (CP art.

envolvendo as áreas cível. quando outros vícios imprevistos podem e devem ser contornados. independentes da convenção das partes. -FALHA GRAVE DE EXECUÇÃO - 46 Responsabilidade na Construção Civil 47 . art. que inova na criação de um microssistema jurídico. para o fiscal ou consultor e para o proprietário ou Administração contraente. quando os vícios previsíveis podem ser evitados. que não penetrou entre a forma de madeira e as armaduras.). com número indefinido de titulares. Fonte: MAIA LIMA & PACHA ( 2005 ). p. Na fase de fabricação ou execução. . n. Meirelles (1996) declina que a construção de obra particular ou pública. restituição das quantias pagas ou abatimento proporcional do preço. posteriormente preenchido com tijolo cerâmico. mostram a abrangência multidisciplinar do CDC. publicidade etc. dentro do prazo de garantia. Promotorias nas cidades do interior ). pode acarretar outras para o construtor.Na fase pós-ocupação. processual civil e penal e de direito penal. visando a facilitação da aplicação da justiça aos casos individuais (Procon. segundo opção do consumidor. Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) – Ninhos de concretagem no encontro do pilar com a viga/laje. ou interesses difusos.3. além das responsabilidades estabelecidas no contrato. estrutural.50. . na reexecução dos serviços. 3.). 23 – Ninho de concretagem na viga de concreto. hidráulico etc. originalmente encoberto por concreto. Acrescenta ainda que o Código de Defesa do Consumidor preveja a responsabilidade do construtor nas três fases do empreendimento: Na fase de projeto. pode consistir.3 DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR – CDC Meirelles (1996) resume que a responsabilidade do fornecedor. a responsabilidade contratual é complementar à legal e será conferida mediante termo escrito. como por exemplo nas cláusulas abusivas. dentro do qual é de se esperar desempenho da obra correspondente ao prometido.14 e 20 do Código do Consumidor. Fonte: CARBONARI ( 2002 ) – Fases que compreendem as responsabilidades na construção civil. Grandiski (2001) explica que no CDC – Código de Defesa do Consumidor. elétrico. administrativa. Juizados Especias Cìveis. conforme os arts. para o autor do projeto (arquitetônico. e onde informações ou instruções adequadas pdem evitar o aparecimento de novos problemas.FALHA DE PROJETO E GRAVE DE EXECUÇÃO - Essas responsabilidades. comercial. apud Revista “Téchne”. inclusive através de terceiros. assim como nos coletivos ( interesses individuais homogêneos de origem comum.4 CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DAS RESPONSABILIDADES Das responsabilidades decorrentes da construção. 08.

as pequenas fissuras ali investigadas.1.27). onde o Código Civil autoriza quem encomendou a obra a rejeitá-la quando defeituosa.4. perecimento ou extinção do direito em si.28). dos defeitos.1 DA PERFEIÇÃO Dever legal de todo profissional ou empresa de Engenharia ou Arquitetura.1. substituindo a “Comissão de Representantes”. imperfeições ou vícios aparentes e ocultos. a decadência afeta o direito de reclamar – os vícios caducam (decadência citada no CDC.26). ou seja. Ainda. é considerada como data do início da contagem dos prazos legais. que pode representar ameaça de queda. por consequência da inércia ou negligência no uso de prazo legal ou direito a que estava subordinado (NBR 13. estabelecendo o prazo de 90 ( noventa ) dias para qualquer reclamação. ou na falta de cuidados usuais na elaboração do projeto ou na sua execução. em seu Artigo 47 que: “As cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao consumidor”.27) a pretensão de reclamar em juízo dos danos. dos vícios ocultos ou redibitórios e dos vícios aparentes ou imperfeições. Grandiski (2001) melhor esclarece. Vazio”. Fonte: PELACANI (2009) – Abertura em teto de sacada de edifício – 13º pavimento. são simples vícios construtivos.4. a data de eleição do primeiro síndico e recebimento das partes comuns por ele..1 PRAZO PARA A RECLAMAÇÃO: DECADÊNCIA E DA PRESCRIÇÃO Dos defeitos. Mas. nem relegar a técnica ou norma técnica ou método apropriado. Em outras palavras. complementa Grandiski (2001). rotineiramente a jurisprudência costuma contar esse prazo de garantia para as áreas comuns dos condomínios: a partir do “Habite-se”. a prescrição atinge a ação e não o direito de propor a ação. Aí. pois em sua queda pode afetar a saúde do morador. ainda que tenha seguido instruções do proprietário ou da Administração (em obra pública). dos prejuízos resultantes de um defeito (fato do produto ou serviço). de acordo com o art. ou a recebê-la com abatimento no preço. art. enquanto prescreve (CDC.CDC (art. o Código de Defesa do Consumidor . quando aplicar material inadequado ou insuficiente. Como esta costuma ser muito próxima à data da expedição do auto de conclusão (“Habite-se”). Exceção à regra. o prazo de garantia de 5 (cinco) anos recomeça a contagem. a saúde ou a segurança do consumidor (NBR 13752/96.752/96 – item 3.26 do CDC. AURÉLIO. acrescendo que defeito é um vício acrescido de uma coisa extrínseca. Portanto. Na interpretação específica do CDC – Código de Defesa do Consumidor. São aqueles danos (consequências dos defeitos e vícios do produto ou serviço) que afeta. dessa obra literária ). que assume a representação legal do condomínio. em ampla área desse teto. o antigo vício passa a ser considerado um defeito. que causa um dano maior que simplesmente o mau funcionamento: a) Percutindo o revestimento do teto de uma cozinha. Neste caso. explica: “Oco. prescreve em 5 (cinco) anos a pretensão à reparação pelos danos causados por fato do produto ou do serviço prevista na Seção II deste Capítulo (defeitos – casos que afetam a saúde e segurança do consumidor. ou ameaça afetar. item: 3. percebe-se que não há deslocamento. para quaisquer reparos efetuados pela construtora (e apenas para estes). a pretensão prescreve e o direito caduca. fica caracterizado o descolamento do revestimento. se o som emitido for cavo. melhor detalhado adiante. revestimento de pastilhas cerâmica na iminência de queda.26. Não se exime desta responsabilidade. art. que de acordo com a teoria já apresentada. do início do prazo para a reclamação.26) passou a regular a matéria.2 DOS DEFEITOS Inicia-se com a entrega da obra (CDC. Acrescenta ainda que. 49 . 27 Do termo “cavo”. 27 do Código de Defesa do Consumidor. se assim lhe convier (arts.4. Diferem da contagem. que é o prazo para decair do direito. pois o som emitido não é cavo*27. perda. E não há dúvida de que a aplicação do prazo é de 90 (noventa) dias de prescrição previsto no art. até que se completem os 5 (cinco) anos originais de garantia. Salienta ainda que. art.II. pode ser o caso de prescrição referente a falhas nas áreas comuns de prédios em condomínio. mesmo considerando que ele deve ocorrer dentro do prazo de garantia de 5 (cinco) anos. a saber: 3. 48 Responsabilidade na Construção Civil 3. a saber: 3. Exemplos que Grandiski (2001) traz à luz em sua obra literária. 2. X1º). página 301. 615 e 616).Segue enumerando as seguintes características de responsabilidades.

b) Canos de esgoto mal instalados que contaminam a caixa d’água (podem causar doenças); c) Os pisos escorregadios; pisos soltos; degraus com alturas não uniformes; falhas construtivas de grande porte, que permitam infiltração de água, com formação de fungos e mofo, resultando numa edificação inabitável; d) Vigas altas diminuindo o pé-direito em escadas ou no meio de ambientes, permitindo que pessoas altas batam a cabeça; e) Construção de caixa d’água enterrada, com sua parede e fundo em contato direto com a terra: pode haver contaminação da água.

Vícios ocultos ou redibitórios são os que diminuem o valor da coisa ou a tornam imprópria ao uso a que se destina, e que, se fossem do conhecimento prévio do comprador, ensejariam pedido de abatimento do preço pago, ou inviabilizariam a compra (NBR 13.752/96, item 3.76). Exemplos: I) vazamentos em canalizações de prédios que aparecem dentro do prazo legal de garantia de 5 anos; II) falhas em instalações elétricas de prédios que aparecem dentro do prazo legal de garantia de 5 anos; III) queda de revestimentos de tetos e fachadas que aparecem dentro do prazo legal de garantia de 5 anos; IV) vícios por inadequação de qualidade, surgindo fissuras ou trincas; V) vícios por inadequação de quantidade, com metragem em desacordo com as plantas aprovadas; VI) entrega de construção com atraso injustificado; VII) não aplicação de normas técnicas.

3.4.1.3 PENALIDADES
Pelo fato de envolver risco ou ameaça de risco a saúde e segurança, constituem crimes, sem prejuízo das cominações legais do disposto no Código Penal e leis especiais, previstas as penas também no Código de Defesa do Consumidor – CDC. Do art. 66, para exemplificar: “- Fazer afirmação falsa ou enganosa, ou omitir informação relevante sobre a natureza, característica, qualidade, quantidade, segurança, desempenho, durabilidade, preço ou garantia de produtos ou serviços”, onde podemos concluir que desde a qualidade, quantidade e segurança estará o profissional responsabilizado, e com a pena estipulada: “Pena – Detenção de três meses a um ano e multa”. Grandiski (2001) relata, mais detalhadamente, que estão previstas nos arts.61 a 80 do CDC, e preveem penas de detenção para cada uma das infrações que venham a ser cometidas, ( ... ). ( ... ) onde as penalidades são mais “fortes” para os defeitos do que para os vícios, pois trata da saúde e segurança do consumidor.

1) 2) Fonte: PELACANI ( 2009 ) – 1) trinca em fechamento de alvenaria com tijolo do tipo “sikal”; 2) queda de cerâmica externa de fachada de edifício.

3.4.1.4 DOS VÍCIOS OCULTOS OU REDIBITÓRIOS
Inicia-se no momento em que ficar evidenciado o vício (CDC, art.26,II, 3º), não devendo ser confundidos com os vícios de solidez e segurança da obra, que veremos a seguir. Grandiski (2001) define que são anomalias as que afetam o desempenho de produtos ou serviços, ou os tornam inadequados aos fins a que se destinam, causando transtornos ou prejuízos materiais ao consumidor (afeta materialmente o consumidor). Podem decorrer de falha de projeto, ou da execução, ou ainda da informação defeituosa sobre sua utilização ou manutenção (NBR 13.752/96, item 3.75).

Ainda, podemos citar em região sob ou sobre a abertura de janelas, em se provando, com relatório técnico devidamente fundamentado, não ter sido executado elemento estrutural (verga) em concreto armado para resistir a tensões atuantes, causando, fissuras, principalmente em direção no sentido de 45º (quarenta e cinco graus). Estudo de caso sobre fissuras, está apresentado em tópico posterior desta obra literária, com suas causas e características principais em estudo de caso.

Fonte:  PELACANI  (  2006  )  –  Vista  de  edificação  sem  a  execução   de elemento estrutural ( vergas ) nas aberturas de janelas.

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Segue ainda, alertando que é importante salientar que no Código de Defesa do Consumidor – CDC, é indiferente a gravidade do vício para que se responsabilize o fornecedor, pois a própria existência do vício prejudica a expectativa do consumidor, afetando subjetivamente o valor que este atribui ao bem. Portanto, na visão dos autores do CDC, não importa se o problema é uma simples fissura de retração de argamassa ou uma trinca de origem estrutural: o aparecimento de qualquer uma, pode dar origem à reclamação. Não obstante, a indenização será orçada, tecnicamente, conforme o seu custo.

Esse tempo, entre a data do recebimento da notificação e a negativa do construtor, não é contado como tempo decorrido dos 90 (noventa) dias da decadência do direito de reclamar. Ocorrendo esse fato, o consumidor deve acionar judicialmente o construtor dentro do prazo restante para completar os 90 (noventa) dias, apresentando desta vez, outra reclamação, em juízo, que agora tem novo objetivo.*28

3.4.2 DA SOLIDEZ E SEGURANÇA
O empreiteiro de materiais e execução, responde sempre e necessariamente pelos defeitos do material que aplica e pela imperfeição dos serviços que executa. Meirelles (1996) acrescenta que se a obra assim realizada apresentar vícios de solidez e segurança, já se entende que outro não pode ser o responsável por esses defeitos, senão o construtor, qualquer que seja a modalidade contratual da construção; até os erros do projeto enquanto não demonstrar a sua origem, também o são.

3.4.1.5 DOS VÍCIOS APARENTES, IMPERFEIÇÕES OU FALHAS APARENTES
De mesma contagem do prazo de reclamação dos defeitos (título anterior desta obra literária), a contar da data da entrega do empreendimento, estando o termo “perfeito” explicitado por De Plácido E Silva (1999): “como sem vícios, ou defeitos ( ... ). E compreendido, assim, como aquilo que se tem com defeito ou vício, imperfeito quer também dizer irregular, ou falho, isto é, com falha”. Imperfeito podemos atribuir às falhas como simples fissuras de origem na aplicação da argamassa (do tipo “mapeamento”), em guarnição de batente mal encaixados, ou de marcas de infiltração – efeito capilaridade, próximo aos rodapés.

Fonte:  PELACANI  (  2009  )  –  Vista  de  marca  de  infiltração   em parede próximo ao rodapé, por falta de impermeabilização da viga baldrame. 1) 2) 3)

3.4.1.6 DO NÃO ATENDIMENTO À RECLAMAÇÃO
Grandiski (2001) alerta que a reclamação deve ser feita ao construtor por escrito, tão logo a falha tenha sido constatada, de preferência mediante notificação através de Cartório de Registro de Títulos e Documentos. O consumidor deve aguardar o decurso do prazo máximo de 30 ( trinta ) dias após o recebimento da notificação, para que o construtor corrija a falha, ou negue a intenção de fazê-lo.

Fonte: PELACANI ( 2009 e 2008 ) DE PATOLOGIAS QUE COMPROMETEM A SEGURANÇA E SOLIDEZ DA EDIFICAÇÃO – 1) Vista da expansão por corrosão de ferragem – estágio avançado, em pilar do pavimento térreo de edifício; 2) idem,  com  vista  da  ferragem  corroída  após  a  abertura  do  local;;  3)  vista  de  infiltração  avançada  –   stalactite, com início de comprometimento da estabilidade estrutural da viga – processo avançado de corrosão.

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Carlos Roberto Gonçalves. Responsabilidade Civil, SARAIVA, 6ª ed., pág. 283: “ ( ... ) os dias que antecederam a primeira reclamação e aqueles que transcorrerem entre a negativa do fornecedor ou o decurso do prazo, legal ou contratual, para que sanasse o vício, e a nova reclamação, são computados para efeito de contagem do prazo decadencial”.

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3.4.2.1 PRAZO DE GARANTIA E PRAZO PRESCRICIONAL
É uma presunção legal e absoluta de culpa por todo e qualquer defeito de estabilidade da obra que venha a apresentar dentro de 05 ( cinco ) anos de sua entrega ao proprietário. Grandiski (2001) complementa que dentro deste prazo, o reclamante fica dispensado de provar por que a falha ocorre e qual a sua causa – basta provar que ela existe. Meirelles (2001) em continuidade, afirma que o prazo quinquenal é de garantia e não de prescrição, como erroneamente tem entendido alguns julgados. Aqui a responsabilidade é objetiva, como já vimos anteriormente, na TEORIA DO RISCO, ou culpa presumida (CC/2002, art.618). Desde que a falta de solidez ou de segurança da obra apresente-se dentro de 5 (cinco) anos de seu recebimento, a ação contra o construtor e demais participantes do empreendimento subsiste pelo prazo prescricional comum de 10 ( dez) anos, a contar do dia em que surgiu o defeito (CC/2002, art.205). Grandiski (2001) em sua obra literária, descreve que prescrição é a perda do direito a uma ação judicial, ou liberação de uma obrigação, por decurso de tempo, sem que seja exercido por inércia dos interessados (NBR 13.752/96, item 3.64). Em outras palavras, extinção da responsabilidade do acusado por ter decorrido prazo legal da punição; perda do direito a uma ação judicial por inércia do reclamante que deixou de exercê-lo no tempo oportuno, deixando escoar o prazo legal sem que fosse exercido direito subjetivo; pode ser interrompida por uma citação, por exemplo. Passa a responsabilidade ser subjetiva, como também já vimos anteriormente, na TEORIA DA CULPA, devendo ser provada a culpa. Como afirma Grandiski (2001), se este prazo (de 5 anos) for ultrapassado, a responsabilidade do construtor deveria ser provada (não seria presumida). O ônus da prova, a partir dos 5 (cinco) anos, ficaria por conta do comprador, que ainda assim poderia mover ação contra o construtor, que prescreveria em 10 (dez) anos. Aí, cabe a conclusão expressa e inevitável que, em tendo sido constatado o defeito, com prazo próximo do final dos primeiros cinco anos de entrega do empreendimento, e, contados os seus dez anos seguintes – “prazo prescricional”, podemos, com certeza, afirmar que o prazo de garantia se estenderá, neste caso, para até “14 (quatorze) anos mais 11 (onze) meses mais 29 (vinte e nove) dias”.
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Conclui ainda, que a reexecução de serviços por parte do construtor inicial, faz com que recomece, após o seu término, o prazo de garantia relativo a esses serviços.
RESUMO DE PRAZOS DE RECLAMAÇÃO / GARANTIA NA CONSTRUÇÃO CIVIL
C.D.C. - Código de Defesa do Consumidor (1990) / Teoria do Risco / Responsabilidade Objetiva DEFEITOS (Saúde e Segurança do Consumidor). Ex.: Piso escorregadio; deslocamento de revestimento; cano de esgoto mal instalado / cx. d’água; viga alta = menor pé-direito. VÍCIOS OCULTOS (material / afeta o bolso do consumidor / que não afetam a segurança e solidez). Ex.: Mau funcionamento de instalações elétricas; diferença na metragem; atraso; não aplicação de normas técnicas. Exceção: desgaste natural e manutenção. VÍCIOS APARENTES / IMPERFEIÇÕES (material/ de fácil constatação visual). Ex.: guarnição mal fixada; janelas que não trancam; pintura respingada.

C.C. - CÓDIGO CIVIL (2002)

5 ANOS (a partir do conhecimento do dano) - Art. 26 e 27

PERFEIÇÃO

90 DIAS (dentro do prazo de 5 anos da entrega) - Art. 26 e 47

1 ANO (a partir do conhecimento do vício) - Art. 445

90 DIAS - Art. 26

Ato da entrega - Art. 615

SEGURANÇA E SOLIDEZ

10 ANOS (5 primeiros anos da entrega = TEORIA DO RISCO / RESPONSABILIDADE OBJETIVA; 5 últimos anos da entrega = TEORIA DA CULPA / RESPONSABILIDADE SUBJETIVA = PROVA FUNDAMENTADA) Art. 618

FONTE: PELACANI ( 2009 ) – TABELA RESUMO DOS PRAZOS DE GARANTIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL CÓDIGO CIVIL (CC) E CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR (CDC).

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RT 731. parágrafo segundo do início deste capítulo principal. deve providenciar recolhimento de sua Anotação de Responsabilidade Técnica – A. Dono da empresa. o engenheiro ou a empresa habilitada.621. não se confunde com a imprudência. ainda. do responsável anterior. solidarizando todos os que participam do empreendimento”. a imperícia ou a negligência. em sua obra literária. como supõem alguns autores menos familiarizados com as normas administrativas e com os preceitos ético-profissionais que regem a matéria (arts. O engenheiro que assume a responsabilidade de substituir outro profissional habilitado na direção técnica da obra. em duas vias. 6436/95 – Rel. n. não se confundindo com as três modalidades da culpa stricto sensu. providenciar uma vistoria técnica fartamente documentada por fotos. e que recebe relatos diários do andamento da obra. A majorante da inobservância de regra técnica diz com a maior reprovabilidade da conduta. Ementa oficial: Age com manifesta culpa o profissional de engenharia que. Ferreira Pinto: Condomínio – Veículo atingido por tinta usada na pintura de prédio – Culpa concorrente – Cuidando-se de danos sofridos por veículo atingido em sua pintura por tinta empregada na pintura do prédio. Nem é por outra razão que se confia o acompanhamento dos trabalhos a esses técnicos. que. confirmando que a filmagem foi feita no dia tal. p. responderá também por seus defeitos e insegurança. Em tema de construção. pessoalmente. valendo também a filmagem do estado da obra no momento da transferência. juízo de valor que incide sobre o autor. por estar realizando a pintura sem a necessária proteção às coisas ou pessoas que estivessem embaixo do local do trabalho. Seja a culpa decorrente de qualquer das três modalidades legais. Ciência de desmoronamento anterior e ausência de providências. Ver ainda. publicado na RT – Revista dos Tribunais.T. quer os execute 29 TJRJ – Ac.2. detém competência para prevenir o desmoronamento. com responsabilidade do condomínio pelos danos perante o dono do veículo. que apesar de avisado o estacionou no local que estava. por ter contratado a firma que realizava o serviço. Engenheiro-empregado.TARS: Homicídio culposo – Desmoronamento – Inexistência de escoramento – Culpa manifesta do engenheiro empregador e do empregado especializado – Aplicação da majorante da inobservância de regra técnica – Inteligência do Artigo 121.2.618). 56 Responsabilidade na Construção Civil 57 . também engenheiro.4. cada um é autônomo no desempenho de suas atribuições profissionais e responde técnica e civilmente por seus trabalhos. ) O mais razoável é admitir tratar-se de responsabilidade legal inspirada em motivo de ordem pública atinente a atividade regulada em lei. como medida cautelar. deixando de providenciar em escoras para contenção da terra.. em 28-4-97 – Ap. Grandiski (2001) complementa ainda que existe uma corresponsabilidade entre o engenheiro titular e o engenheiro residente de uma obra. na topologia estrutural do delito. parágrafo 4º do Código Penal. Projetando ou construindo. e não contratual. mas com direito a chamamento de quem elaborou o projeto ou efetuou os cálculos (cargas e resistências). Condenações mantidas. no momento interditado.. Meirelles (1996) acrescenta que aos decorrentes de concepção ou de cálculo de projeto tornam seus autores responsáveis pelos danos deles resultantes. E nunca se entendeu de outro modo. quer os faça executar por prepostos ou auxiliares.R. tendo como Rel. tal responsabilidade é imanente*29 do exercício profissional e deflui das normas regulamentadoras da Engenharia e da Arquitetura como atividades técnicas vinculadas à construção.3. no comando da obra. 3ª Câm. Se houver. e culpa concorrente do dono do veículo.. isso é possível. com depoimentos filmados dos dois engenheiros. mesmo sendo comunicado ao proprietário da obra. pode a punição do autor ser agravada pelo plus decorrente de especial reprovabilidade no agir sem cautelas. acrescenta: “Embora o Código Civil não se refira expressamente aos vícios de concepção de obra.194/66 que regula o exercício das profissões de Engenheiro e Arquiteto. Roque Komatsu: “( . assinada por ambos os profissionais. o arquiteto. pois. ficando o engenheiro substituído responsável pelas obras até ali executadas. a culpa é da firma que realizava os trabalhos.. 643. interessante acórdão do TJSP – Tribunal de Justiça de São Paulo. Dr. unân. 30 3. em se tratando de estaqueamento.2 DO SOLO De defeitos decorrentes da falta de estabilidade/resistência ou firmeza do solo.3 SEQUÊNCIA PROFISSIONAL DE RESPONSABILIDADES Grandiski (2001) traz. seja qual for a modalidade de culpa.4. que se inicia no autor do projeto e termina no seu executor. projeta ou executa escavação no solo. ao construtor cabe a responsabilidade (final do prescrito no CC/2002. motivo pelo qual é uma responsabilidade legal. ainda. portanto. art.R. pode-se dizer que há uma cadeia de responsabilidades. Ementa da Redação: A circunstância majorante do Artigo 121.17 e 23 da Lei 5194/66 ). pela inobservância de normas técnicas*30. autor do projeto e de fiscalização esporádica. nenhum profissional pode substituir outro colega habilitado sem seu prévio conhecimento (atenção para a citação: “comprovada a solicitação”). resultando talude em ângulo acentuado ( 90º ) com a superfície do terreno. que deveria ser sempre amigável. Relator: Tupinambá Pinto de Azevedo . Daí a distinção que os autores estabelecem entre imprudência ou imperícia e a inobservância da regra técnica. se a lei civil é omissa a respeito. p. ao contrário do que apontava o antigo Código Civil em caso de comunicado ao proprietário das condições do solo. Já a inobservância da regra técnica importa em maior reprovabilidade da conduta. comprovados as origens em falhas desses profissionais ou empresa especializadas. No entanto. vinculada à A. 1ª parte. no tipo. Cív. com a sua aquiescência. Estas são modalidades da culpa. para confronto do projeto com a sua execução. definindo assim a responsabilidade do novo responsável apenas pelas novas obras. nem por isso ficam liberados de responsabilidade os que a projetaram e calcularam as cargas e resistências. Responde o construtor perante o proprietário ou a Administração Pública. situadas. Trata ainda da situação da responsabilidade do engenheiro substituto.76. e. Des. que delega a fiscalização direta a empregado especializado. que nos termos do Artigo 18 da Lei 5.T. um fiscal ou consultor da obra. Culpa também manifesta. na culpabilidade ( = reprovabilidade ). Culpa manifesta. Situa-se. parágrafo 4º do Código Penal. consoante lição de Hely Lopes Meirelles supracitada.

fato. Se o construtor sub-contratar determinados serviços ou partes da obra com outra firma ou profissional habilitado e resultar danos ou lesão a terceiros não vizinhos. é ato inerente a terceiros – “res inter alios”. 32 59 . Na actio de effusis et dejectis a responsabilidade é objetiva. seja ele de empreitada ou administração. Responsabilidade Civil decorrente da ruína de edifícios. art. de seus operários (CC/2002. é privativa do construtor. ou de uma ferramenta que atinja um transeunte. além disto. a lesão aos bens do vizinho proveniente do fato da construção. que não importa para o vizinho a natureza do contrato de construção firmado entre o proprietário e o construtor.). RT.3 DOS DANOS A VIZINHOS E TERCEIROS A atividade da construção muitas vezes causa danos a pessoas e bens sem qualquer situação de vizinhança. quando suas responsabilidades são encampadas pelo construtor. provado o fato e o dano do mesmo resultante. a queda de um andaime.932. que não interfere nas relações de vizinhança. 31 3. terceiros em relação ao proprietário e ao construtor.4. 58 Responsabilidade na Construção Civil Que significa abandono negligente da construção. proveitoso tanto para o dono da obra como para quem a executa com fim lucrativo. Distingue. arts. este.4. Na primeira hipótese. NÃO EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE DO PROPRIETÁRIO Há de se mencionar que a lei (ao contrário do antigo Código Civil) responsabiliza o proprietário em caso de danos a vizinhos e terceiros. sem qualquer dependência da prova de culpa – Inteligência e aplicação do Artigo 1529 do Código Civil.3. para ressalva das respectivas responsabilidades. o engenheiro substituto deve exigir a transferência. arts. Ao empreiteiro que só concorre com o serviço. desde que se lhe comprove a culpa pelo ato ou fato lesivo a terceiro*32 . 3. para que respondam pelo dano decorrente da construção. como exemplo. Inobservância das normas de segurança e proteção – Obrigação do construtor de indenizar – Ação procedente. recebendo o material do proprietário a ser empregado na obra. objetivamente. entretanto.Conclui que. aço. devidamente rubricados pelo engenheiro substituído. que movimenta seus funcionários até o local da construção para o assentamento das placas de granito ou mármore de seu estoque). ou seja. onde esclarece Meirelles (1996). Assim. a obrigação indenizatória surge como normal conseqüência. nem se dispensa a prova da conduta culposa do construtor e do proprietário. provando que o evento danoso resultou de defeito de concepção da obra ou erro de cálculo das resistências.1 CONCEITO E RESPONSABILIDADE DO “CONSTRUTOR” E PROPRIETÁRIO O construtor – Engenheiro ou Arquiteto “licenciado” ou sociedade autorizada a construir – responde sempre pelos atos culposos e lesivos a estranhos resultantes de atividade própria ou de seus prepostos na construção – mestres ou encarregados de obra. quando resultante da ruína de edifício ou construção carente de reparos*31.2 RUÍNA DE CONSTRUÇÃO. porque tal ajuste. ou ainda.932 e 933). a responsabilidade é exclusiva da empresa ou profissional subcontratante que assume autonomia técnica e financeira os trabalhos de sua especialidade (como exemplo: empresa do ramo de granito. podendo chamar regressivamente à responsabilidade o autor do projeto. a responsabilidade é objetiva e exclusiva do proprietário. sondagem do solo etc. o dano causado pela ruína da obra do dano causado por ato do construtor ou de seus prepostos. 441:223: Responsabilidade civil – Objeto caído de obra em construção – Dano causado a terceiro. de cópias de todos os ensaios técnicos realizados (concreto. na segunda. 3. Tratado em item anterior nesta obra literária. Se a execução do projeto está cometida a profissional diplomado ou a sociedade legalmente autorizada a construir. Completa ainda que ao autor do projeto não responda por danos aos vizinhos.937).3. bem como dos projetos devidamente atualizados até a data da substituição.4. o responsável pelos danos que a construção causar a terceiros (não vizinhos) é o construtor – pessoa física ou jurídica legalmente autorizada a construir. Aqui não se aplicam as regras de vizinhança.III e 933). Meirelles (1996) ainda contempla que em princípio. fica afastada a presunção de culpa do proprietário. O que solidariza e vincula os responsáveis pela reparação do dano é. para sua guarda. cuja necessidade fosse manifesta (CC/2002. ainda que o dano decorra de ato culposo do construtor ou de seus prepostos (CC/2002. Revista de Direito da Prefeitura do Rio de Janeiro I/34. Ao proprietário se solidarizará na responsabilidade se houver confiado a obra a pessoa inabilitada para os trabalhos de Engenharia e Arquitetura (ver exemplo nesta obra literária no tópico: “Estudo de Casos”). responderá de maneira absoluta pelo seu trabalho e de modo relativo pelo material utilizado.

art 18 da Lei 5. a responsabilidade civil fixase na entidade que a realiza.4 MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO DEPOSITADOS Há ainda o caso quando o dano é causado a vizinhos ou terceiros por ato culposo do construtor particular. v.194/66 e art 621 do Código Civil.4. 194 e reforma de sentença do TJSP em voto do Ministro Francisco Rezek. Cuida-se de saber qual a conseqüência do uso indevido da produção intelectual ou da produção artística – como quer que se qualifique o projeto arquitetônico.3 A USURPAÇÃO DE PROJETO Cópia de concepção de outro profissional reproduzido na íntegra. Agronomia e Geociências de 06.194/66 – que regula o exercício das profissões de Engenheiro. 3. num e noutro caso.3 CONSTRUÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Meirelles (1996) questiona ainda. O equívoco do Tribunal de Justiça.4. RT 682/239. . para seu executor. decorrente de sua construção. Estouro da rede de água – Infiltração no imóvel – Indenização – Cabimento – Ônus da empresa prestadora de serviço público ( artigo 37.92. onde o lesionado deve dirigir-se contra o construtor ou em conjunto com a Administração.03. com lisura e honradez. Agrônomo e Geotécnicos. fls. em São Paulo. 33 3.4 ÉTICO-PROFISSIONAL Além das responsabilidades contratuais e legais. nem mesmo com o intuito de “aprimorar” o projeto poderá outro profissional modificá-lo. Arquitetura. art 49. 13 e 14) é punido com uma das sanções previstas no art. parágrafo 6º da Constituição Federal ).3.4. 3. Ora. mas não constante do projeto. os honorários da tabela são aquilo que se paga ao arquiteto quando se encomenda a ele um projeto e. dou por configurado o dissídio.655 – 11ª Câm.4.4 A ALTERAÇÃO DE PROJETO Caracterizada pela introdução de modificações na concepção original sem prévia aquiescência do seu autor. Demonstrado que em decorrência de estouro de rede de água houve infiltração no imóvel.4. a questão jurídica nuclear é uma só. pode ser responsabilizado*33*34.37. Grandiski (2001) traz à luz que quando o poder público causa prejuízos a terceiros. c/ Rev. e penalizado com a simples cobrança de honorários à base da tabela. 03. culposamente. – Rel. ( 2001 ): “Tal como o eminente Relator. onde menciona Meirelles (1996): 3. se recebe dele o projeto contra a remuneração singular de seu trabalho. neste caso. art. a responsabilidade é originariamente do construtor e subsidiariamente da Administração. provocando recalque das fundações e trincas. pelo aumento do ruído até devassar a residência do piso mais elevado do viaduto. ou a instalação do canteiro de obras. ou quando o proprietário tenha concorrido com culpa na escolha do construtor a quem confiou os trabalhos de reparação ou de demolição da obra ruinosa.4. quando a obra é executada diretamente pela Administração Pública centralizada ou descentralizada.1997: Responsabilidade civil – Danos em prédio urbano.2 O PLÁGIO DE PROJETO Que consiste na cópia de concepção de outro profissional com modificações de detalhes que apenas visam a dissimular a reprodução. É devida .4.1 FALTAS ÉTICAS As faltas éticas podem assumir as mais variadas formas. 35 2º TACIVIL – Ap. 3. III.184 e Lei 9. sem autorização do autor – Lei de Direitos Autorais – LDA 9. transcrito em GRANDISKI .A solidariedade pela composição do dano só ocorre quando se trata de lesão a vizinhos ( Artigo 1299 do Código Civil ). 3.4. não se negando o direito regressivo de responsabilizar o construtor particular que. situada a 40m de distância. compete à empresa que exerce a função pública delegada. ressarcir os danos causados.610/98 – Lei de Direitos Autorais – LDA *35. 3 a 6: Desvalorização por ruído de viaduto.4.2002 – Capítulo 7. mesmo quando a obra é confiada a construtor particular a responsabilidade é inafastável da Administração. a construção em geral pode gerar responsabilidades ético-profissional para o autor do projeto. Embora os fatos não sejam idênticos no caso concreto e no paradigma. merecendo destaque. p. o chamamento do construtor na ação indenizatória do particular contra a Administração. consistiu em admitir que um ato ilícito possa ser encarado como mero equívoco praticado em boa-fé.” 60 Responsabilidade na Construção Civil 61 . podendo ser feita depois de indenizado o particular lesado. para os fiscais e consultores. 34 Revista dos Tribunais 605. de preceitos regedores do exercício da profissão e do respeito mútuo entre profissionais e suas empresas. O desrespeito aos preceitos éticos consignados no respectivo Código de Ética Profissional (Resolução CONFEA – Conselho Federal de Engenharia. sem autorização do autor. relacionado com a obra. 478. bastando que o lesado demonstre o nexo causal entre a obra e o dano.11. 3. Arquiteto. Juiz Clovis Castelo – J. indenização pela desvalorização de imóvel lindeiro ao viaduto Ary Torres.3. Meirelles (1996) acrescenta que essa responsabilidade deriva de imperativos morais.72 da Lei 5. e por disposição constitucional (CF/88. da Infração Ética.610/98.6º) torna-se dispensável – e até mesmo vedado. nem imposto pelo contrato – como exemplo o transporte e o depósito de materiais.4. que podem tipificar o crime de violação de direito autoral (CP art. a vedação ou sinalização do local. causar danos a vizinhos ou terceiros na execução de obra pública – responde o construtor particular quando obrar por culpa.3.4. arts. Decisão do STF no RE 113587-5-SP DJU 3.

acidentários e previdenciários dos empregados da obra. ainda: 3.4. parágrafo 3º do Código Penal. Art. por seu pagamento.. se sujeitam ao convencionado no ajuste.610 ) 3. conforme a modalidade do contrato. Em que o construtor/empreiteiro só concorre com seu trabalho. parágrafo 4º do Código Penal. Grandiski (2001) reforça que é importante salientar que o engenheiro da obra não pode transferir sua responsabilidade ao mestre de obra ( . 236/357.6.. julgado 19/12/1991 – 7ª Câm. será obrigado a pagar. Inadmissível atribuir-se ao mestre de obras a responsabilidade por homicídio culposo ocorrido em construção civil. no que 63 50 62 Responsabilidade na Construção Civil . são empresa. Incluem-se os salários e adicionais. mas não responde pelos encargos trabalhistas do contratado (Lei 9. não tendo qualquer responsabilidade pelo fornecimento dos materiais. 121. melhor detalhado a seguir.5. pois o “mestre” cumpre determinações do Engenheiro. suportando todos os encargos e responsabilidades que caberiam ao construtor particular. VI. e.3 DA IMPORTÂNCIA DO REGISTRO DO CONTRATO DE EMPREITADA Presume-se legalmente conhecido de todos aqueles que entretêm negócios com as partes. A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato (Lei 8. com todos os encargos decorrentes dessa situação legal. art. de Arquitetura ou de Agronomia que mantém empregados para o exercício da profissão ou para execução de obra particular ou pública.6. na posição de “empresa construtora” coloca-se a Administração Pública quando executa suas obras diretamente por seus órgãos ou entidades e com seu pessoal. por não cumprirem normas de segurança*50 e higiene do trabalho. aviso-prévio.212/91.610 a 626) Meirelles (1996) acrescenta ainda que na construção por empreitada há que distinguir. RJDTACRIM 13/84: Homicídio culposo – Construção civil – Responsabilidade exclusiva do mestre de obra – Inocorrência – Entendimento – Inteligência: Art.Lei da Seguridade Social). A propósito da caracterização da previsibilidade de eventos na construção e possível acidente com morte que pudesse ser classificada como crime culposo ( . não podendo invocar este que visita a obra uma vez por dia.3. contrata a construção com empresa habilitada a construir. pode ser de responsabilidade do construtor ou do dono da obra. agora o é. respondendo integralmente perante o fornecedor.5 TRABALHISTA E PREVIDENCIÁRIA Todas aquelas que resultam das relações de trabalho entre o empregador – pessoa física ou jurídica. VII e VIII e 33.. porém.6. e seus empregados. atribuídas legalmente ao construtor (Lei 2959 / 1956 – Contrato Individual por obra) e a satisfazê-las no devido tempo. não afastando.). 13.1. 3. 3. . e perante o proprietário.611) Em que o construtor / empreiteiro entra com o trabalho e a matéria-prima. unicamente pessoas físicas. por força do disposto nos arts 30. Ainda conclui que. ). TASP RT 209/363.4.1 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Em especial situação. 3. O art. )*36. ou de ambos. os demais direitos do trabalhador (férias. 4º da Lei 8. art. portanto.212/91 – Lei da Seguridade Social. se antes o proprietário não era solidariamente responsável com o construtor pelos encargos salariais.31. mantém-se na situação de simples dono da obra e só responde pelas obrigações que lhe são inerentes.. sendo esta pertencente ao Engenheiro Civil que não providencia itens de segurança. os encargos acidentários e previdenciários.1. o responsável primário pela omissão. no entanto. 3.4.4. como firma de Engenharia.º 646.1 EMPREITADA DE LAVOR ( CC/2002.325/3.6 DOS FORNECIMENTOS Pelo pagamento dos materiais fornecidos para a construção. Meirelles (1996) acrescenta que o engenheiro ou arquiteto. Art. indenizações etc.617 complementa ainda que os materiais que recebe e os inutiliza na aplicação por imperícia ou negligência. 4º. em tese ser igualmente co-responsabilizado.2 EMPREITADA DE MATERIAIS (CC/2002.4.032/95. 237/555.1 CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA (CC/2002.1. parágrafo 2º do Código Penal. art. arts. como também.4.4. art. TACRIM/SP – Relator: Luiz Ambra. 2º que dispõe sobre o salário-mínimo). podendo. 36 Apelação n. Quando. 121. por sua qualidade e adequação à obra. e.6.

TJSP RT 135/360. com as perdas e danos que forem devidas. 290/358.6. os profissionais e empresas de construção civil ficam sujeitos.2. subsiste a responsabilidade conjunta e solidária do construtor e do proprietário pelos materiais aplicados na obra. 37 TJSP RT 243/185. como já vimos. e o fundamento da ação de cobrança do fornecedor é o enriquecimento sem causa. em princípio.127. TASP RT 250/451. a responsabilidade pelo seu fornecimento será daquele ou deste. pessoa física ou jurídica.7 DOS TRIBUTOS Meirelles (1996) traduz que os encargos incidentes sobre a atividade da construção (impostos. de responsabilidade do construtor. 274/636.3 RESPONSABILIDADE DO RECEBIMENTO DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO Recebido o material na obra pelo construtor-administrador ou por seus prepostos. que executa a obra. ao revés. responde pelo pagamento dos materiais adquiridos para a obra. o engenheiro ou arquiteto-fiscal nenhuma responsabilidade tem pelo pagamento dos materiais empregados na construção. como técnico e profissional da construção. e. como as demais empresas. pois que aquele visa à execução material da obra e este à prestação de serviços profissionais consistentes na verificação técnica da execução do projeto.6. art. 278/586. PIS Plano de Integração Social etc) é. devem suportar os encargos econômicos do empreendimento perante aqueles que concorrem para a sua execução e valorização*37. 38 39 40 TFR.6. em conformidade com o projeto aprovado e com a técnica adequada. 269/383. o material ou trabalho empregado na obra. embora por ele escolhidos ou indicados ao proprietário*39. Além desses tributos. .*40 Se executado por órgão público.2. nessa qualidade. Não devemos confundir contrato de construção por administração com contrato de fiscalização de construção. 3. e não do contrato. visto que o construtor-administrador não assume pelo contrato os encargos econômicos do empreendimento.4. 64 Responsabilidade na Construção Civil 65 . e subsidiariamente do dono da obra. . 3. . taxas e contribuições – ISS Imposto sobre Serviços.I).3 CONSTRUÇÃO POR TAREFA Na construção por tarefa. Caso o contrato de empreitada de materiais não for regularmente registrado ou constar de escritura pública. a todas as imposições fiscais e parafiscais incidentes sobre o estabelecimento. Súmula 126. . surge a obrigação do pagamento do preço. responde sobre todos os encargos tributários. O construtor por administração.6. decorrente da valorização do empreendimento com o emprego do material em débito. 249/177.611). para prova e validade perante terceiros (Lei de Registros Públicos 6. quando da ausência de registro ou de escritura pública do contrato de construção por administração. podendo pedir judicialmente a rescisão de contrato. faturas ou duplicatas em nome próprio.4. consequentemente. é de se repetir que o construtor-tarefeiro. quanto à qualidade e adequação dos materiais à obra. 3.4. independentemente de qualquer cláusula contratual. aplicando os materiais que lhe são entregues pelo dono da construção. por perfeita e acabada a compra e venda de efeitos móveis (CC/2002. por inadimplência do ajustado. 3. uma vez que ambos são beneficiários da construção e. Meirelles (1996) aponta que a razão de ser da responsabilidade solidária é o benefício conjunto que ambos auferem na construção.4. Limita-se a executar a obra. 3. os materiais podem ficar a cargo do dono da obra ou do construtor-tarefeiro. será sempre responsável pelo seu emprego. quando o contrato de empreitada seja firmado por escritura pública ou por instrumento particular devidamente transcrito no Registro de Títulos e Documentos.4. art. devendo recusá-los quando comprometam a perfeição ou a segurança da obra.2 CONSTRUÇÃO POR ADMINISTRAÇÃO Na construção por administração a responsabilidade pelos materiais fornecidos à obra é normalmente do proprietário que os adquire*38. em certos casos. subsiste a responsabilidade conjunta e solidária do proprietário e do construtor pelos materiais adquiridos para a obra.6.4.2 DA IMPORTÂNCIA DO REGISTRO DO CONTRATO DE EMPREITADA Seguindo o mesmo raciocínio e princípio do capítulo anterior.tange ao pagamento dos materiais adquiridos para a obra. TASP RT 230/360. e assinou notas. 3.2.015/73. o construtor-administrador adquiriu pessoalmente os materiais. conforme o ajustado. porque tais responsabilidades decorrem da lei. se.1 RESPONSABILIDADE DA COMPRA DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO Reforça Meirelles (1996) que. Meirelles (1996) acrescenta ainda que. solidariza-se com o proprietário pelo pagamento do preço das mercadorias destinadas à obra.

imputável ao projetista. Inexistência da causalidade lesiva. Regulamentos Profissionais. com advertência reservada ou censura pública (Lei 5. inc. do ponto de vista ético. mas essa interferência irá afetar a qualidade do projeto. à conduta técnica e ético-profissional no desempenho de suas atribuições e atividades). Arquiteto contratado apenas para elaborar projeto da obra. pois permitida pelo Código de Obra do município).71 e 72). ou do art. pode optar pela aplicação do art. Arquitetura.8. e até mesmo de estética e funcionalidade. mormente a imposição de modificações do projeto originário em ajuste às exigências técnicas e legais da obra projetada. A solução do problema fica a critério do arquiteto.. ) repudiar a autoria de projeto arquitetônico alterado sem o seu consentimento durante a execução ou após a conclusão da construção”. sua responsabilidade administrativa perante o Poder Público cessa com a aprovação de seu trabalho. devem atender às restrições técnico-legais impostas pelas legislações federais. que regula o exercício das profissões de Engenheiro. a cargo de terceiro. Enquanto que a responsabilidade civil provém de lesão ao patrimônio de outrem.4. desde que o contrato tenha sido celebrado com firma ou profissional legalmente habilitado. sendo suportadas quer pelo autor da infração. As sanções administrativas normalmente escalonam-se em: 3. em caso dos arquitetos. Códigos Sanitários. Desde a apresentação do projeto até sua final execução. Arquitetura. Suspensão  temporária  do  exercício  profissional.*41 Grandiski (2001) alerta ainda que. o cliente exige a modificação do tamanho do banheiro. Nenhuma participação do autor do projeto na fiscalização e execução da edificação. que na aplicação da Lei dos Direitos Autorais – LDA (Lei 9. estaduais e municipais. 538. sem o que não se considera concluído o projeto e findos os Não tendo natureza penal.610/1998).8. Agronomia e Geociências. seus encargos profissionais perante o proprietário da obra. decreto. quer por seus sucessores na obra ou na empresa. para se isentar de sua aplicação. onde após aprovado o projeto.1998: Danos em prédio urbano. o profissional não pode alegar desconhecimento da existência da lei. bem frisa MEIRELLES (1996). Interdição de atividade. arts. Estas exigências implicam no atendimento do disposto nos Códigos de Zoneamento. que deveria constar como cláusula adicional nos respectivos contratos de prestação de serviços. exclusivamente para o efeito de viabilizar a respectiva aprovação. não se admitindo.631 – 11ª Câm. ) opondo-se a quaisquer modificações .. ou às normas regulamentadoras dessa atividade. mas não se transmitem ao proprietário nem à Administração contratante.; Cancelamento  definitivo  do  registro. regulamentação. mas de foro íntimo. inclusive das estruturas. consultoria ou construção que desatendam às exigências legais do Poder Público.09. Embargo de obra. Planos Diretores e outros.8 ADMINISTRATIVA Meirelles (1996) conclui que podem incidir os profissionais e as firmas de projeto.194/66. que outro profissional passe a alterar o projeto alheio. de fiscalizarem a execução de seus projetos. norma técnica etc.”. Demanda improcedente. c/ Rev. Prejuízos que não lhe podem ser imputados. 66 Responsabilidade na Construção Civil 67 . Juiz Carlos Russo – J. que o texto do art. ou pelo CREA – Conselho Regional de Engenharia.IV: “( .2 DAS SANÇÕES ADMINISTRATIVAS -­   -­   Multa.. Assinatura na planta. podem recair tanto sobre a pessoa física do profissional da Engenharia ou da Arquitetura.. fica o construtor responsável perante as autoridades públicas competentes pela adequação da obra às exigências sanitárias e de segurança. deixa claro o direito assegurado aos projetistas. Arquiteto. Engenheiro Agrônomo e Geotécnicos. mesmo alegando que paga os honorários e respectivos custos do refazimento do projeto. sem a autorização do autor. autarquias e órgãos públicos encarregados de disciplinar atividades específicas. como sobre a pessoa jurídica de sua empresa. Códigos de Edificações. 28. que podem ser punidos pela desobediência. sob responsabilidade dos proprietários. Conforme o Código Civil Brasileiro. mas sem lhes assegurar o direito de remuneração por este serviço adicional. Apelo provido.. Complementa ainda.24. a responsabilidade administrativa origina-se simplesmente de atentado ao interesse público (pagamento das anuidades.1 DO AUTOR DO PROJETO Quanto ao autor do projeto. que impõem condições e criam responsabilidades assumidas intrinsecamente pelos profissionais.; Faltas éticas. expedidas pelo CONFEA – Conselho Federal de Engenharia.4. pois o quarto (área de ocupação permanente) será diminuído (razão técnica. Execução da construção. à colocação de placa nas obras que projetam ou executam. 26: “( . – Rel. 3. Agronomia e Geociências competente. do qual tem a obrigação de realizar as adaptações necessárias à aprovação..3.194/66. Grandiski (2001) traduz ainda que os profissionais ligados à área de construção. 41 2 º TACIVIL – Ap. O arquiteto sabe que é possível aprovar essa modificação junto à Prefeitura.22 da Lei 5. ao acobertamento de trabalhos de pessoas inabilitadas.4..

ao se desincumbir do encargo. em coautoria com o construtor.9 DO DESABAMENTO É admitido a responsabilidade dos proprietários quanto aos danos causados por desabamento ou desmoronamento de obra – ver com maior detalhe em capítulo mais adiante. 296 e RT 734/255. Aquele que realiza trabalhos em outra obra. os autores do projeto e os responsáveis pela execução do edifício em construção que desmoronou respondem solidariamente pelos danos que culposamente causaram aos prédios vizinhos. sujeitando o autor e o coautor (todo aquele que.L. Para que artífices e operários respondam por autoria ou co-autoria no desabamento ou desmoronamento da obra.4.29) – unicamente pessoas físicas. podem ser citadas as seguintes ocorrências incrimináveis. Não se desvincula ele dessa responsabilidade. reclusão. responde penalmente pelo desmoronamento ou desabamento. 17/96. detenção.91. 44 42 GRANDISKI ( 2001 ) relata sobre a decisão do 2º TACSP – Ap.3 CASO PARTICULAR DA IMPLOSÃO DE CONSTRUÇÃO Meirelles (1996) relata que em caso de adotar-se a técnica da implosão (modalidade de demolição – não é antijurídica). p. pelos danos resultantes da sua ruína. Exemplo são os que executam ou ordenam demolição por meio violentos (com dinamite.   3. prisão simples). p. GRANDISKI ( 2001 ) descreve em sua obra literária sobre a decisão do STJ . b) De realização humana.2 DO CÓDIGO PENAL Meirelles (1996) acrescenta que o Código Penal prevê duas modalidades de crimes de desabamento – por ação dolosa ou culposa.). São Paulo.4. Vicente de Paulo. imperícia ou dolo*42.2.1 DA ATITUDE DOLOSA Meirelles (1996) frisa que agir dolosamente é propiciar. impõe-se demonstrar que agiram com culpa na execução dos trabalhos a seu cargo. pecuniária (multa) ou restritiva de direito. imposta pelo poder pu. 1930. 45 43 46 68 Responsabilidade na Construção Civil 69 .).63). 3.1 TRIPLA FINALIDADE DE PUNIÇÃO E REFLEXOS NOS DIFERENTES RAMOS DO DIREITO Grandiski (2001) relata que na área de construção civil. não se cercou das cautelas devidas para evitar a ocorrência dos danos reclamados. ao executar ato que lhe incumbia fazê-lo. como ocorre nos morros e aterros que se esboroam*45. RT 751/305: “Os donos da obra. Ver ainda.. ressalvando que o direito do proprietário de regressar a ação. São Paulo.I e CPP art.172.11. diversamente da responsabilidade civil. sob o título: DO CÓDIGO PENAL. . de modo a fazer com que a estrutura destruída convirja para o centro e caia sobre si mesma e que as partes destacadas não ultrapassem uma determinada área. que é um encargo de ordem privada. Do termo “esboroam”. parcial ou total.9. expondo a perigo direto a vida.4. ainda que tenha contratado firma especializada em demolições. A. TACivRJ – Ac. desde que se caracterize perigo à vida ou à propriedade. mas cada uma independente da outra e apurável em processo autônomo. Meirelles (1996) especifica que é uma responsabilidade penal e resultante do cometimento de infração definida como crime ou contravenção.9.4. página 549.  caracteriza  o  dolo  eventual. se esta provier da falta de reparos. 3. em 18-6-96 – Ap. Desmoronar”. caracterizando o dolo direto*46. José Malerbi – J.2ª turma – Relator responsável: Ari Pargendler – J.  infiltrações  ou  escavações. devendo a indenização ser a mais completa possível. visando tão somente à reparação patrimonial do lesado*43. IOB Jurisprudência. Dos Efeitos do Julgamento Criminal. 2. a queda de construção ou de partes do solo. 1943.  recalques.1996. nitivo do Estado. a ensejarem o dever de ressarcir. Culpas in eligendo ac in ommittendo devidamente caracterizadas. relação de preposição entre o condomínio e a empresa contratada. por ação ou omissão intencional. 6ª Câm. 3. posteriormente. ). porquanto esta última funcionou ad instar de longa manus daquele. Cív. podendo haver cumulação da responsabilidade penal com a administrativa e com a civil. em tópico posterior desta obra literária – “ESTUDO DE CASOS – DESABAMENTO”. Rep. de qualquer modo. 250. em se tratando de: a) Queda de construção por desequilíbrio ou ruptura dos elementos de sustentação*44 ou desmoronamento – destruição de obra da natureza. com a reposição dos danos materiais emergentes e inclusive danos morais”.9... não se transmitindo aos sucessores e resultando a obrigação de indenizar o dano causado pelo infrator (CP art. Fiscal de obra – engenheiro ou arquiteto. sendo irrelevante o fato de ter havido lesão corporal ou dano material: ( . etc... Juiz Odilon Gomes Bandeira: Condomínio – Desabamento de marquise – Responsabilidade – Responde o condomínio. 20. em razão de abalo. a título de dono do edifício. Câmara Leal. a sanções de natureza corporal ( . Crime – Dano – Reparação. provocando o desabamento de construção vizinha. p. cuja necessidade era manifesta. 24.3. 497902-00/0 – 11ª Câm.: “O proprietário da obra responde solidariamente com o empreiteiro pelos danos que a demolição do prédio causa ao imóvel vizinho”. por desagregação ou deformação de suas estruturas. da destruição de edifícios mediante explosões combinadas de seus elementos de sustentação. – Rel. ou que descumpriram ordens do profissional que a conduzia.1997. se esta. retributiva e de defesa social. concorre para o crime – CP art. explica: “(. AURÉLIO. contra o profissional responsável técnico pela execução da obra. solapamento de alicerces. com a tríplice finalidade intimidativa. se este agiu com negligência. uma vez que a causa do evento criminoso passou pelo crivo de sua fiscalização. com suas principais causas. 2359 – Rel. sem dúvida. a integridade física ou o patrimônio de alguém. Há. Vicente de Azevedo.9. ou seja.05. unân.4.

é uma atividade ilícita. página 633. como bem relata Grandiski (2001). 70 Responsabilidade na Construção Civil 47 Do termo “flambagem”. e o construtor só responderá por co-autoria se se provar que concorreu com a culpa na condução da obra.10 DA CONSTRUÇÃO CLANDESTINA Assim considerada por Meirelles (1996) a obra realizada sem licença. mas não caracteriza o crime de desabamento nem o de explosão.688/41. a mesma lei define a contravenção de perigo de desabamento. Também se pode atingir aquela ruína quando a solicitação da estrutura for de tal intensidade que à sua forma primitiva deixe de corresponder um equilíbrio estável. Telêmaco.5 DO ESTADO DE RUÍNA DA CONSTRUÇÃO Meirelles (1996) adverte que além da contravenção de desabamento. se ocorrer morte ou lesão corporal de alguém. p. AURÉLIO. transeuntes ou vizinhos atingidos por materiais caídos da obra. ou dele se afasta na execução dos trabalhos. 3. sendo suficiente a voluntariedade da ação ou omissão que provocou o evento delituoso (Lei das Contravenções Penais – Dec– lei 3. bastando a possibilidade de perigo. zrt. por contrária à norma edilícia que condiciona a edificação à licença prévia da Prefeitura. de modo a propiciar o acidente. não haverá crime.4.9.9. quando se dá a ruptura de um de seus elementos ou quando estes se deformam além de um certo limite compatível com a finalidade da estrutura. por esses crimes. incidirá apenas na contravenção – não existiu perigo concreto. querendo dizer que. alguém provoca desabamento incontrolado. dado que havia sempre a possibilidade de que alguém passasse pelo local na ocasião.4. Conceitua-se ruína de uma estrutura. distinguindo do crime. por ausência de dolo. Quem a executa sem projeto regularmente aprovado. como é o exemplo de empregados de subempreiteiras. total ou parcial de construção. 3.120.4. não se exigindo a comprovação de dolo ou culpa.4. situação penal da lesão culposa ou do homicídio culposo. Van Langendonck.4. dando-se a flambagem*47 da estrutura ou de seus elementos*48. São Paulo. 2. mas o executor e o dono da obra implodida estarão sujeitos à responsabilização civil (indenização).1 DO PERIGO EVENTUAL Meirelles (1996) traz à luz a questão da contravenção de desabamento. exigidas pelo estado ruinoso da obra. Abrange estes princípios de contravenção de desabamento quem provoca a queda. se.9.3º).. já comentado no tópico anterior. ou obra tanto em fase de realização como já concluída. 3. se sujeita à sanção administrativa correspondente. FONTE: PELACANI ( 2006 ) – Vista de edifício em execução com bandejas de segurança instaladas. Exemplo: se numa rua movimentada. 1956. explica: “Encurvadura a que estão sujeitas peças de uma estrutura ( tais como colunas e pilares ) que trabalham por compressão e devida a esbeltez das peças”. o qual passa a ser instável. Responderá. que presume sempre perigoso.4 DA QUEDA DE MATERIAL OU FERRAMENTAS DE CONSTRUÇÃO Meirelles (1996) discorre ainda que. deverão ser indenizadas todas as vítimas que tiverem afetada sua saúde ou segurança. se houver danos materiais à propriedade alheia. independentemente de culpa ( responsabilidade objetiva ). decorrente de queda de material ou ferramentas da construção. cometerá crime – houve perigo concreto para as pessoas e veículos que transitavam pelo local. 3. a responsabilidade é do artífice ou operário que deu causa ao evento.17 do Código de Defesa do Consumidor – CDC. pela potencial possibilidade de desabamento ou desmoronamento. 48 71 . Curso de Mecânica das Estruturas: Resistência dos Materiais – Tensões. também denominado perigo eventual. traduz que se equiparam aos consumidores todas as vítimas do evento. porém. Do art. provocar esse mesmo desabamento em horas ermas. configurado pela só omissão das providências – reparos ou demolição.Possui sempre o risco de vida ou de dano.

Ministro César Asfor Rocha.11 DA FISCALIZAÇÃO MUNICIPAL Grandiski (2001) ressalta que o poder de polícia da Prefeitura se limita ao exame da adequação do projeto às posturas municipais e verificação da exatidão de sua execução ao que foi licenciado. de estrutura. 236/357.10. deverá ser conservada.3 DEMOLIÇÃO Quando desconforme com as normas de construção – de localização. 50 51 72 Responsabilidade na Construção Civil 73 . . ainda que executados em plena conformidade com as normas de edificação.1 MULTA A todo aquele que realiza obra sem alvará de construção. 53 54 49 TJSP RT 231/296. volume. não tendo o invasor de má-fé direito à retenção.10. impedindo.07017 TJRJ – Responsabilidade civil do município. se lesados em seus direitos individuais ou interesses legítimos.4. controle que. 3.1 RESPONSABILIDADE DO CONSTRUTOR OU DO PROPRIETÁRIO Se decorrer prejuízos patrimoniais. é transmitida ao futuro dono. TASP RT 209/363. . 3. responderá. acompanhada do direito de construir. nem à indenização pelo município de eventuais benfeitorias. O proprietário responde também pelas obras clandestinas feitas pelo inquilino*49 e até mesmo por intrusos*50. funcionalidade ou estética.3. por estar afeto ao exercício da profissão de engenharia. altura. não lhe cabendo fiscalizar a execução material da obra. TASP RT 200/505.10. Sob este prisma. A construção clandestina em logradouro público está sujeita à demolição. não tem o município dever de indenizar danos causados ao morador por interdição provisória da edificação em razão de defeitos verificados em sua construção. Recurso do município provido para reformar a sentença que o condenara a indenizar os autores por dano moral. este se limita ao exame da adequação do projeto as posturas municipais e da exatidão de sua execução ao que foi licenciado. neste caso. 237/555.10. prontamente. quando exigido para os trabalhos. como dono. . prevalecendo a responsabilidade do empreiteiro. as atividades particulares ilícitas e contrárias às normas de ordem pública . Logradouro público.uma vez que lhe incumbe. . questão de responsabilidade civil que se resolve por aplicação do artigo 1246 do Código civil. em regra. ficando o infrator sujeito à regularização do projeto e ao pagamento de todos os emolumentos do processo respectivo.001. . Processo 2000. 52 GRANDISKI ( 2001 ) colabora em sua obra literária com: REsp 48001-PE. Demolição. Muito embora incumba ao município o exercício do poder de polícia pela fiscalização das construções. REsp 111670-PE. Pretensão indenizatória improcedente.3. 3.4. cujas despesas de demolição ao encargo do infrator * 52 . Precedentes citados. Exercício do poder de polícia.3 SANÇÕES Meirelles (1996) relata que as sanções administrativas contra as obras clandestinas distinguem-se em: 3. tanto assim que o Poder Público aceita projetos assinados pelo promissário comprador e instruídos com o contrato de compromisso de compra e venda* 51. o proprietário. 3. escapando a órbita de sua atividade administrativa a fiscalização da execução material da obra. desocupado ou baldio. podendo estar a obra em fase de andamento ou já concluída.3. porque a posse do imóvel. Fiscalização de construções. se a construção clandestina admitir adaptações às exigências legais.4. ou pela Justiça na ação pertinente *53.4. cabe aos respectivos conselhos profissionais. J. desde que o interessado as satisfaça no prazo concedido e nas condições técnicas determinadas pela Administração. .4 DAS ADAPTAÇÕES POSTERIORES ÀS NORMAS Podem ser admitidas e Meirelles (1996) acrescenta ainda que. MEIRELLES ( 1996 ) entende que não atribui responsabilidade ao promitente vendedor.4. é sempre passível de embargo pelo dono do prédio.10. TJSP RT 132/255. pelo Poder Público ou pelos vizinhos.4. velar pelo prédio locado. DJ 7/4/1997. DJ 29/4/1996.4. 1º TACivSP RT 201/409. 3. 189/296 e 690. e REsp 37026-PE. mas com ele pode solidarizar-se o construtor que se prestar à execução. 14/3/2000: Obra. conforme o que decidiu o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro*54. Rel.10. Limites. por sua conta e risco.2 EMBARGO Podendo ser feito por via administrativa ou judicial. TJSP RT 137/614. 288/691. 3.4.10.3.2 DO PROMISSÁRIO COMPRADOR Quanto à construção clandestina realizada por promissário comprador. pela atividade ilícita da obra clandestina.

arts. 4 OCORRÊNCIA DE CASO FORTUITO Em fato da natureza ainda que cause danos a terceiros. por sua imprevisibilidade e inevitabilidade criem impossibilidade para o cumprimento de obrigações – greve de transportes ou ato governamental que impeçam a importação de material ou matéria-prima necessários e insubstituíveis na construção. por imprevisibilidade e inevitabilidade – salvo se a região não é sujeita a fenômenos físicos de intempéries – causas geológicas ou hídricas (CC/2002. 393 e 625.I. caso não tenha concorrido com culpa para o evento perigoso – CC/2002. CP . causa lesão ao contendor. art.I) que. 74 Responsabilidade na Construção Civil 75 . III. parte final. arts. 3 EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO RECONHECIDO Prática normal de faculdade ou atividade concedida por lei. . Meirelles (1996) menciona que a lei declara que não constituem atos ilícitos e não geram responsabilidade alguma.188.Capítulo VI DA ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE NA CONSTRUÇÃO Existem causas que retiram a ilicitude da conduta e isentam o autor de qualquer responsabilidade.188.II e 929. 393 e 625.23.23. 5 DE FORÇA MAIOR Em ato humano e fato necessário (CC/2002. a direito seu ou de outrem – CC/2002.II). parte final e CP art. os praticados: 1 EM LEGÍTIMA DEFESA Usando moderadamente dos meios necessários.I e 24.23. liberando o devedor do cumprimento de suas obrigações. salvo nos casos de responsabilidade objetiva – danos de construção a prédio vizinho – CC/2002.II e 25.180. ainda que cause dano a terceiros. atual ou iminente. . no repelir injusta agressão. art. arts. arts. I. 2 EM ESTADO DE NECESSIDADE Situação de perigo que obriga alguém a sacrificar bens alheios para evitar ou livrar-se de um mal maior a fim de remover perigo iminente. CP arts.

sob o aspecto da influência. ainda. Padaratz (2000) completa o assunto. arts. publicadas na revista “Direito do Consumidor”.1 DO DESGASTE NATURAL OU FALTA DE MANUTENÇÃO Exceção.1998: 55 TJSP 132:168: Responsabilidade civil – Proprietário de edifício em construção – Materiais empilhados precariamente atirados por . . o incorporador / construtor só afastará o dever de indenizar se provar que a obra não tinha defeito. de isenção de responsabilidade deve ser mencionada. Conservação: cuidados técnicos para resguardar de dano. mesmo que mais onerosos.º 26. ventania sobre o telhado de residência vizinha – Ininvocabilidade de caso fortuito ou força maior – Inclusão. . mas de efeitos contornáveis. Em situação inevitável. Tratado a definição por Aurélio. Meirelles (1996) reforça e alia-se ao fato necessário. melhor visualizado.403 e 404 e CPC. que em sendo de efeito contornável. NÃO CONFUNDIR COM IMPREVISIBILIDADE Um exemplo clássico. art. onde evidencia a distinção entre manutenção e conservação. decadência.402.correção monetária – custas judiciais – honorários de Perito e Advogado . forma e aparência de uma estrutura que existiam na estrutura numa determinada época. e. respectivamente. prejuízo. a saber. Gramado. recolocação de algumas peças cerâmicas. disjuntores e repintura total.03. fiação elétrica. deveu-se a caso fortuito ou força maior. tratando a manutenção como sendo. Exemplos: troca de lâmpadas.1/3. calhas. torneiras. não constitui caso de força maior. danificados por goteiras – Recurso provido. .883 e 368. já ocorrido em outras épocas.Reforço: Aumentar a capacidade de carga de uma estrutura ou parte dela.CC/2002. deterioração. como previsto no art. vedantes de torneiras. re-pintura. Fora dessas hipóteses. danificados ou falhos. devendo cobrir os prejuízos ocasionados à parte inocente – perdas e danos – lucro cessante – aluguéis e valorização do prédio – multa contratual . ou seja. Caracteriza a imprevisibilidade. Do termo conservação./jun. Nesse período. quando o defeito ou vício construtivo ocorreu devido ao desgaste natural pelo tempo ou por falta de manutenção do prédio. 6. mas sim por todo o período de durabilidade razoável da construção.20. só existia uma segunda com preço bem superior ao da primeira. também não constitui motivo de força maior. ademais.Reparo: Substituir ou corrigir materiais. componentes ou elementos deteriorados.Reabilitação: Reparar ou modificar uma estrutura para um fim específico de utilização. a saber: Manutenção: cuidados técnicos indispensáveis ao funcionamento regular.Restauração: Restabelecer os materiais. Exemplos: troca de esquadrias. 76 Responsabilidade na Construção Civil 77 . em gráfico abaixo: Preservação: Manter a estrutura nas suas condições atuais e evitar progresso na sua deterioração – ver ainda nesta obra literária. condutores. . da responsabilidade contratual o construtor só se libera cumprindo fielmente o contrato ou demonstrando que a sua inexecução total ou parcial. das despesas com móveis que guarnecem a residência. Conclusão 3 – “O prazo de garantia pela segurança da obra não é mais de apenas 5 ( cinco ) anos. abr. ocorrendo o acidente. mesmo que mais onerosos.1998). limpeza inclusive de calhas. a combinação de ações destinadas a manter um edifício ou suas partes em condições de uso. Como já vimos em tópico anterior. p. Grandiski (2001) destaca conclusão em congresso (Painel 2 – 4º Congresso Brasileiro de Direito do Consumidor.6 DO FATO NECESSÁRIO À ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE. Item 2. bem alertado por Meirelles (1996). que o acidente decorreu do desgaste natural do tempo por falta de conservação do prédio”. 08 a 11. foi o de determinada marca de cimento que não mais se encontrava no mercado da cidade e.618 do Código Civil. n. é tratado por “recuperação” e o subdivide em outros. sujeitar-se-á à indenização devida*55. onde os efeitos não foram possíveis serem evitados ou impedidos. não constituindo motivo da liberação de obrigações. Capítulo VII. não devendo ser confundido com a imprevisão do fato necessário.

relatam. aumentando de volume. mais fáceis de executar e muito mais baratas quanto mais cedo forem executadas”. à execução propriamente dita. A mesma medida tomada durante o projeto permitiria o redimensionamento automático da estrutura considerando um concreto de resistência à compressão mais elevada. do referenciado texto legal. a teor do art. de menor módulo de deformação.  1  -­  Lei  de  evolução  de   custos Concluem ainda que. os requisitos necessários a que se estabeleça a inversão dos ônus da prova. principalmente se não se apresentam. pode-se concluir que teria havido culpa concorrente do fornecedor e. que seria condenado. apresentando em sua obra literária. neste caso. O consumidor deve ter advertido previamente desta possibilidade no “Manual do Proprietário”. Imperiosidade. economia de formas. 78 Responsabilidade na Construção Civil STJ – Agravo 289278/MG ( 2000/0014221-2 ) em 05/05/2000. VIII. Exemplo típico desta hipótese.º 8078/90. restando prejudicada a apreciação do apelo. nos termos do parágrafo 3º da referenciada legislação. se a culpa não for exclusiva do consumidor. é a do construtor que seria condenado pelos danos causados ao consumidor pela explosão de aquecedor de acumulação de água. que em relação a recuperação dos problemas patológicos.Fonte:  PADARATZ  (2000)  -­  Influência  da   manutenção e recuperação no desempenho da construção civil. por exemplo). Relação de causa e efeito entre o dano e a construção defeituosa. SITTER. Imprescindível que se evidencie a relação de causa e efeito entre o defeito de edificação e o dano sofrido pela parte. explosão de artefatos armazenados etc. caput. 6º. Dividindo as etapas construtivas e de uso em quatro períodos correspondentes ao projeto. à manutenção preventiva efetuada antes dos primeiros três anos e à manutenção corretiva efetuada após surgimento dos problemas. conforme indicado na figura 1. ou após eventual reforma). implica num custo cinco vezes superior ao custo que teria sido acarretado se esta medida tivesse sido tomada a nível de projeto. Segue. toda medida extraprojeto. se não constar essa advertência. 56 Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005). não mais pode propiciar alteração para melhoria dos componentes estruturais que já foram definidos anteriormente no projeto. a cada uma corresponderá um custo que segue uma progressão geométrica de razão cinco. sem que ele esteja cheio de água (na ligação inicial. fazendo rebaixamento de lençol freático. para obter-se o mesmo “grau” de proteção e durabilidade da estrutura. o ar acumulado no aquecedor se esquenta. incluindo nesse período a obra recém-construída. mais efetiva. em valiosa obra literária. ou logo após a falta de água. 12. mesmo que essa culpa seja por simples omissão de advertência (omissão de advertência no “Manual do Proprietário”. Recurso adesivo provido. que. Um exemplo típico é a decisão em obra de reduzir a relação A/C (água/ cimento) do concreto para aumentar a sua durabilidade e proteção à armadura. Essa medida tomada a nível de obra. Maia Lima & Pacha (2005). apud HELENE  (  1992  )  /  fig.cit. Helene (1992) afirma que: “as correções serão mais duráveis. apesar de eficaz e oportuna do ponto de vista da durabilidade. Responsabilidade objetiva do construtor.)* 56. Ministro Waldemar Zveiter: Ementa: Ação de Indenização. 6. sob pena de se afastar a responsabilidade objetiva da construtora.2 PROVOCADO POR TERCEIROS Outra situação aventada por Grandiski (2001) é de que se prove que a origem do problema foi provocada por terceiros (outra obra ao lado. A demonstração mais expressiva dessa afirmação é a chamada “Lei de Sitter” que mostra os custos crescendo segundo uma progressão geométrica. haveria culpa concorrente do construtor. op. como numa panela de pressão. caminhão que derruba pilar de sustentação do prédio. de menor deformação lenta e de maiores resistências à baixa idade. no caso concreto. será considerado culpado. pelo acionamento de sua resistência elétrica. Essas novas características do concreto acarretariam a redução das dimensões dos componentes estruturais. da Lei n. 79 . Nesse caso. consoante as disposições do art. redução de taxa de armadura. Prova. tomada durante a execução. redução de volumes e peso próprio etc.

algumas não ensinadas em cursos normais de arquitetura e engenharia. e como em outros ramos da ciência. designado: “Patologia das Construções”. mas também durante seu “crescimento” (fase da construção). o engenheiro e arquiteto que dominar razoavelmente bem a “Arte de Construir”. que se pode classificar o estudo das falhas construtivas como uma ciência experimental. Não obstante. os engenheiros perceberam que da mesma forma que um ser vivo. Os outros 30% (trinta porcento). Visto sob este aspecto genérico. em laboratórios. a “saúde” das edificações dependia não só dos cuidados durante a sua “gestação” (fase do projeto). com os termos usualmente empregados na área da medicina. podem e devem ser encaminhados aos especialistas formados nos cursos universitários de pós-graduação. em alguns cursos de reciclagem para engenheiros etc. sob pena de adquirir “doenças” (manifestações patológicas). e deveriam permanecer durante o “resto da vida” (fase de manutenção). nasceu este novo ramo da ciência. CASOS PRÁTICOS DE PERÍCIA EM CONSTRUÇÃO Grandiski (2001) traz em seu trabalho. 80 Responsabilidade na Construção Civil 81 . Nessa mudança conceitual. Dessas semelhanças. FALHAS TÉCNICAS E DEFEITOS. entender. nas empresas especializadas em recuperação de patologias. que mais recentemente foi denominada “Patologia das Construções” e envolve profundos conhecimentos de muitas especialidades. elas podem passar por enfermidades (processo lento e contínuo de deterioração). diagnosticar e corrigir cerca de 70% (setenta porcento) das “falhas rotineiras”.. que costumam ser repetitivas (. o seu estudo é caso de alta especialização..). poderá prevenir.Capítulo VII PATOLOGIA DE EDIFICAÇÕES. A medida que “envelhecem” (fase de degradação).

Trincas em Edificações. PINI.influência do bulbo de pressão de fundações diretas de obra de grande porte em construção ao lado. e entre as quais se destacam: 83 THOMAZ. a partir de minuciosas e experientes observações visuais. . salvo raras exceções. . .falhas de gerenciamento e execução (desobediência às normas técnicas. mudança de uso). de instalações etc. . estudar os defeitos dos materiais. acidentes de origem externa (explosões de botijões de gás) etc.trombadas de veículos e alta velocidade com a edificação. podem ser descritos e classificados. quem cometeu a falha. ausência ou precariedade de controle tecnológico. 1.1 ORIGENS 1. maremotos etc.. assim como se pode estimar suas prováveis consequências.1. tais como: .  e  que  podem  ser  subdivididos  em: . .1. orientando um primeiro diagnóstico.falhas de utilização (sobrecargas não previstas no projeto. .variações térmicas. se o problema teve origem na fase de projeto. que a identificação da origem do problema permite também identificar. se na etapa de uso.escavações de vizinhos (ver ainda estudo de caso no item 2.2 ENDÓGENA Causas  com  origem  em  fatores  inerentes  à  própria  edificação  (ver  também  figura  abaixo). formas de manifestação. defeitos ou manifestações patológicas. se na etapa de execução. Esses sintomas.vibrações provocadas por estaqueamento. Ércio.Gráfico  de  incidência  da  origem   dos problemas patológicos com relação às etapas de produção e uso das obras civis. dos componentes. 1. terremotos. quando a origem está na qualidade do material.falhas de projeto. 82 Responsabilidade na Construção Civil . utilização de mão de obra inqualificada).. o fabricante errou. desde as sondagens. . acomodações de camadas profundas. não projetar pilares em cantos (impossibilidade de cravação de estacas).* 57 Helene (1988) descreve que os problemas patológicos. evitáveis ou inevitáveis. diagnosticando suas causas e estabelecendo seus mecanismos de evolução.4 adiante). 57 Fonte: HELENE ( 1981 ) . o projetista falhou. . onde os projetistas deveriam: induzir a utilização de um único RN (referência de nível) na obra.1 EXÓGENA Grandiski  (2001)  complementa.  que  são  causas  com  origem  fora  da  obra   e provocadas por fatores produzidos por terceiros. para fins judiciais. a origem e os mecanismos dos fenômenos envolvidos. prever travamento de blocos de fundação etc. a falha é da operação e manutenção. não induzir transições de pilares utilizando as divisas (possibilidade de alterações no vizinho).deterioração natural de partes da edificação pelo esgotamento da sua vida útil. conforme o caso.rebaixamento de lençol freático. Assim. medidas de prevenção e recuperação. . de forma metodizada. plantas de arquitetura.3 NA NATUREZA Causas que podem ser falhas previsíveis ou imprevisíveis. estruturais. trata-se de falha de mão de obra e a fiscalização ou a construtora foram omissos. ou pela natureza. também denominados de lesões. Cabe ressaltar. São Paulo. ou tráfego externo. prever travamento positivo no pé das cortinas. apresentam manifestação externa característica. a partir do qual se pode deduzir qual a natureza.1. 1.1 PATOLOGIA DAS CONTRUÇÕES “Ciência” que procura. incêndios. dos elementos ou da edificação como um todo.explosões. percussão de máquinas industriais.

  –   Incidência   de   manifestações   patológicas   no   Brasil. transporte. LEGENDA: causas: P = projeto. op. dobra e montagem das armaduras e dosagem. lançamento. I = industrial. inundações provocadas por chuvas anormais.  causadas  pela  fissuração  e  permeabilidade  excessiva  da   laje de concreto (apud. – I.   com   infiltração   presente   nas   proximidades   dos   ninhos de concretagem.- movimentos oscilatórios causados por movimentos sísmicos. ao emprego de mão-de-obra desqualificada ou falta de supervisão técnica”. neve. Fonte:  MAIA  LIMA  &  PACHA  (2005)  -­  Infiltração  e  presença  de   limo. principalmente. acima dos previstos em norma técnica. das patologias no Brasil  de  maior  incidência  em  casas  térreas  e   apartamentos com idade maior que 8 ( oito ) anos de construídos e ocupados. a saber: 1. apud IOSHIMOTO.cit. apud ARANHA & DAL MOLIN (1994) -­  Origem  das  manifestações  patológicas  em  diversos  países.N= naturais Tipo de obra: R = residencial.P.2 ESTATÍSTICAS DE INCIDÊNCIA DAS PATOLOGIAS Maia Lima & Pacha (2005). 68 67 29 18 20 24 14 13 35 12 Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) . C = comercial. conforme mostra o quadro seguinte: PAÍS Inglaterra Alemanha Romênia Bélgica Dinamarca Iugoslávia França Espanha Brasil NÚMERO DE CASOS 510 1570 432 3000 601 117 10000 586 527 CAUSAS P 49 40 38 49 37 34 37 41 18 M 11 15 23 12 25 22 5 13 7 E 29 29 20 24 22 24 51 31 52 U 10 9 11 8 9 12 7 11 13 4 10 N 1 7 8 7 7 8 TIPO DE OBRA R C I H Fonte: PADARATZ (2000). variações bruscas). instalação e remoção das fôrmas e cimbramentos. mistura. alteração do nível do lençol freático por estiagem prolongada ou pela progressiva impermeabilização das áreas adjacentes. Fonte: Maia Lima & Pacha. traz à luz ainda. acomodações das camadas adjacentes do solo. Paulo Barroso Engenharia Ltda. E = execução. M = materiais. todas elas relacionadas. . CARMONA FILHO & MAREGA e BUENO.Laje apresentando concreto altamente permeável e manchas de umidade em toda a   superfície. . ) 84 Responsabilidade na Construção Civil 85 . de casas térreas com idade maior de 8 (oito) anos. E. podendo estar vinculadas à confecção.variações da temperatura ambiente (calor.ventos muito fortes. U = utilização. a distribuição de incidência das origens das patologias em diversos países.T. provocando corrosão e expansão da seção das armaduras. H = hidráulica Segue comentando. corte. que segundo Aranha & Dal Molin (1994:24): “as falhas de execução das estruturas podem ser de todo tipo. Padaratz (2000) trata ainda. ação de ventos e chuvas anormais. adensamento e cura do concreto.

principalmente. As “Falhas Técnicas” ocorrem durante a construção e tem origem na concepção. era baseado no método de tensões de serviço. pelo encarecimento do processo de construção. aumentando a qualidade dos bens e serviços adquiridos ou fornecidos. com a finalidade de: “ ( . “Falhas Técnicas no Projeto”.Erros de dimensionamento. Padaratz (2000). MAIA LIMA & PACHA (2005) trazem. As estruturas apresentavam pequena deformabilidade e raramente perceptível nos casos mais comuns.Especificação inadequada de materiais. . que o projeto de edificações antigas (até a década de 70). que durante a execução da obra houve a necessidade da realização de alguns serviços não previstos no projeto.. São apresentados quadros (na seqüência). enquanto as falhas geradas durante a realização do projeto final de engenharia geralmente são as responsáveis pela implantação de problemas patológicos sérios e podem ser tão diversas como: . ) diminuir gastos orçamentários. ou de anteprojetos equivocados. Lima & Jorge (2001). e .).Detalhamento insuficiente ou errado. ou por transtornos relacionados à utilização da obra. também complementa. escolha infeliz do modelo analítico.Corrosão nas armaduras  próximas  as  tubulações. diminuindo.. para este caso.  provocando  a  lixiviação  do  concreto   desencadeando a corrosão das armaduras. . eram mais robustas e por consequência com menor índice de esbeltez. e as “Falhas Processuais” ocorrem em fase pós-construção. a saber: 1 – CONCEPÇÃO (projeto) Várias são as falhas possíveis de ocorrer durante a etapa de concepção da estrutura. como também para solucionar conveniências construtivas. também chamado de projeto final de engenharia.1 FALHAS TÉCNICAS Em valiosa obra literária. Apud Souza & Ripper (1998:24) constataram que os responsáveis.Falta de padronização das representações ( convenções ). e tem origem devido ao desconhecimento e descumprimento da legislação em vigor. sem diminuir a produtividade e a eficiência. também detalhado. os termos da origem das falhas técnicas.  que  apresentam   infiltrações  com  desprendimento  de  concreto. simultaneamente seus custos e seus prazos”. . e. em obras públicas. destacou e avaliou os principais problemas surgidos na fase de projeto e execução na construção civil. com suas causas e procedimentos que deveriam ter sido adotados para a sua não ocorrência.Detalhes construtivos inexequíveis.Elementos de projeto inadequados (má definição das ações atuantes ou da combinação mais desfavorável das mesmas. Elas podem se originar durante o estudo preliminar (lançamento da estrutura).Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) . Discorre ainda. no projeto e na execução e são motivadas por falta de conhecimento técnico específico e/ou omissão do profissional. a fim de atender às solicitações dos usuários e corrigir falhas de projeto. . deficiência no cálculo da estrutura ou avaliação da resistência do solo etc. bem como com os demais projetos civis. são as falhas originadas de um estudo preliminar deficiente. “Falhas Técnicas na Execução” e “Falhas Processuais”. 2 ESTUDO DE CASOS 2. que mostram as “Falhas Técnicas na Concepção”. ou durante a elaboração do projeto de execução.Falta de compatibilização entre a estrutura e a arquitetura. 87 Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) . na execução do anteprojeto. Como resultado. 86 Responsabilidade na Construção Civil .Laje apresentando  infiltração. .

Ainda.Edifícios em alvenaria estrutural – o usuário ( morador ) deve ser informado sobre quais são as paredes portantes. não capacitação profissional da mãodeobra. e mesmo do pessoal com alguma qualificação profissional. . são a limpeza e a impermeabilização das lajes de cobertura. “Reologia” significa: “Parte da física que investiga as propriedades e o comportamento mecânico dos corpos deformáveis. inexistência de controle de qualidade de execução. portanto. com a introdução do conceito de estados limites últimos. que. 27). desde o seu fabrico até a cura. em alguns casos. irresponsabilidade técnica e até mesmo sabotagem. segundo Souza & Ripper (ibid. preferencialmente. p. má qualidade de materiais e componentes. podem ocorrer falhas das mais diversas naturezas. podem levá-la à ruína por excesso de carga ( acumulação de água ). tem sua origem no desconhecimento técnico. descritos abaixo. A cultura brasileira não incorpora. As vibrações podem tornar-se incômodas e causar prejuízos. podem ser evitados informando-se aos usuários sobre as possibilidades e as limitações da obra. os problemas sócioeconômicos. com a conclusão de todos os estudos e projetos que lhe são inerentes. de forma que não venha a fazer obras de demolição ou de aberturas de vãos – portas ou janelas – nestas paredes. Uma fiscalização deficiente e um fraco comando de equipes. Exemplos típicos. pode ser necessária para a definição de espessuras e dimensões de elementos estruturais. de imediato. podem. A ocorrência de problemas patológicos cuja origem está na etapa de execução é devida. O projeto de pavimentos esbeltos (lajes finas. que isto tenha ocorrido com sucesso.Pontes – a capacidade de carga da ponte deve ser sempre informada. e. mais sujeitas a estados de deformação anteriormente não percebidos.Nas últimas décadas. AURÉLIO. marquises. O problema piora em pavimentos onde estiverem instaladas máquinas. Suponha-se. Nas estruturas. normalmente relacionados a uma baixa capacitação profissional do engenheiro e do mestre de obras. os problemas patológicos. cuja primeira atividade será o planejamento da obra. via de regra. que é em muito prejudicado por refletir. basicamente. como os serventes e os meio-oficiais. por exemplo: . que não são nem sólidos nem líquidos”. No entanto. ou mesmo pela ausência total de manutenção. na incompetência. a retirada do escoramento está comumente associada à obtenção de uma resistência mínima para o concreto. Os problemas patológicos ocasionados por manutenção inadequada. poucas vigas e grandes vãos) implica em elevada sensibilidade a vibrações. posicionamento e quantidade de armaduras e a qualidade do concreto. além de implicarem a deterioração da estrutura. dependendo da idade. 89 2 – EXECUÇÃO (construção) A seqüência lógica do processo de construção civil. no desleixo e em problemas econômicos. ção da obra. portanto. as estruturas foram ficando cada vez mais esbeltas. Esses efeitos crescem de importância nas estruturas mais esbeltas. ao processo de produção. se não forem executadas. 88 Responsabilidade na Construção Civil . indica que a etapa de execução deva ser iniciada apenas após o término da etapa de concepção. vários problemas patológicos podem surgir. o módulo de deformação pode ser o parâmetro mais importante para a garantia de obtenção de flechas compatíveis com o funcionamento da estrutura. casos em que a manutenção periódica pode evitar problemas patológicos sérios e. Iniciada a construção. fôrmas. principalmente no cálculo de flechas. o projetista da estrutura. sem a prévia consulta e a assistência executiva de especialistas.. possibilitarão a infiltração prolongada de águas de chuva e o entupimento de drenos. a necessidade de analisar os efeitos reológicos*58 do concreto e do aço. quando se trata de concreto armado. que provocam baixa qualidade técnica dos trabalhadores menos qualificados. escoramento. ocasionados por uso inadequado. 3 – UTILIZAÇÃO (manutenção) Acabadas as etapas de concepção e de execução. levar a graves erros em determinadas atividades. página 1216. a própria ruína da obra. em local visível e de forma insistente. com facilidade. piscinas elevadas e playgrounds. Nas construções convencionais. associadas a causas tão diversas como falta de condições locais de trabalho ( cuidados e motivação ). incluindo. podendo então ser convenientemente iniciada a etapa de execução. A verificação da freqüência natural. e mesmo quando tais etapas tenham sido de qualidade adequada. as estruturas podem vir a apresentar problemas patológicos originados da utilização errônea ou da falta de um programa de manutenção adequado. como a implanta58 Do termo “reológico”. fatores que.

Falta de um levantamento das redes existentes para preliminar das redes ligação de água e esgoto do existentes.Não previsão de urbanização Falta de um minucioso e arruamento para acesso de levantamento das caminhões aos depósitos. abalos provocados por obras vizinhas. No levantamento das necessidades devem ser previstos todos os aspectos necessários à realização da obra. necessidades junto aos usuários. podemos compreender o carregamento excessivo. prédio. 1) 2) 2.Quadro 1 –Falhas Técnicas na Concepção Falhas 1. 4) vista dos escombros no dia seguinte ao desmoronamento das sacadas. No caso das ações imprevisíveis temos: alteração das condições de exposição da estrutura. a fim de definir o tipo adequado de fundação a ser utilizado. devido a ausência de informações no projeto e/ou inexistência de manual de utilização.  sacadas   que desmoronaram com a queda inicial da marquise sobre a última sacada. incêndios.Não identificação no projeto. Segundo Aranha & Dal Molin (1994). os procedimentos inadequados durante a utilização podem ser divididos em dois grupos: ações previsíveis e ações imprevisíveis ou acidentais. 2) vista  de  empoçamento  de  água  e  fissuras  generalizadas  sobre  a  marquise. Na elaboração dos projetos devem estar definidos todos os pontos para execução da obra. ( fundação direta para estacas) Causas À não execução de sondagem de reconhecimento do terreno quando da elaboração dos estudos preliminares. 3.Troca do tipo de fundação inicialmente previsto no escopo da obra. Nas ações previsíveis. choques acidentais etc.;  3)  vista  da  fachada  –  à  direita. 3) 4) Fonte: PELACANI (2008) – 1) Vista da marquise / laje sobre as sacadas do edifício – lado direito que não caiu. 90 Responsabilidade na Construção Civil 91 . Como evitar Elaboração prévia da sondagem do terreno.

Elaboração e compatibilização de todos os projetos antes da licitação. verificação e inspeção de serviços.Pilares projetados com altura errada. Causas Desconhecimento das características do terreno. 2. Projeto de instalação executado sem revisão. Materiais especificados não adequados a sua utilização. a fim de definir a adequada forma construtiva.Não previsão de armação na laje de piso do térreo. juntamente com os demais projetos. devido ao tipo de fechadura especificada. 9-Execução de contrapiso da sala de sangria.Superdimensionamento das fundações do abrigo dos eqüinos. 6-A cinta V3 foi concretada fora do eixo do pilar P3. Elaboração de projeto para produção.Reforço das portas de alumínio. A execução das fundações ficou a cargo da empresa que elaborou o projeto. Erro de execução e falta de re. com nível incorreto. Causas Não existem por parte da firma contratada procedimentos para execução. 10-Portas de alumínio executada 3cm menor do que a altura do vão. 4. Elaborar o projeto de fundações antes da licitação. cintas e pilares não projetados. A não compatibilização dos projetos de estrutura juntamente com os demais.Revisão dos projetos por visão do projeto de instalações outro profissional. pelos técnicos da obra. 5-A cinta V2 e V9 foram armadas erradas. 8-Demolição do emboço executado desnecessariamente em todo o perímetro das salas e circulação no local do rodapé de alta resistência. 92 Responsabilidade na Construção Civil 93 .Indefinição com relação às alturas das tomadas e bitola dos eletrodutos. 6. 5-Dimensionamento insuficiente das colunas do barrilete para atender as válvulas de descarga e a máquina de lavar. Como evitar A utilização de procedimentos técnicos de execução e de inspeção e verificação de ser-viços. 7-Alguns pilares foram concretados 15 cm acima da altura indicada em projeto. 3-Deslocamento do eixo da estaca do bloco BL13. Revisão e compatibilização dos projetos. Quadro 3 – Falhas Técnicas na Execução Como evitar Elaboração prévia da sondagem do terreno. 2-Controle tecnológico inadequado no início da concretagem. hidro-sanitárias.Quadro 2 – Falhas Técnicas no Projeto Falhas 1. Falhas 1-Cravação de estaca que não constava do projeto. 4-Armação da cinta V17 10x 40 como se fosse a cinta V16 12x40. 3.

Tratado como acidentes estruturais. São José do Rio Preto–SP (1997) –Edifício Itália. nos apartamentos do último andar. a importância e a visão de alguns estados brasileiros e de outros países. . Causas A empresa vencedora da licitação não apresentou a garantia contra.concepção estrutural inadequada. 2. e. e conclui que: . uma vez que estes elementos são responsáveis pela transmissão das cargas de vigas e lajes para a fundação. .Quadro 4. As rachaduras em vigas representam um risco de ordem intermediária. Guaratuba–PR (1995) – Edifício Atlântico. do tipo de fundações executadas –.Descontinuidade na execução dos serviços. .observou-se. Maior agilidade por parte da administração no pagamento das faturas.falta de orientação e acompanhamento dos profissionais junto aos encarregados da obra. . elaborada em razão de perícia judicial. na faixa de 30 (trinta) anos de profissão.Acréscimo do prazo contratual da obra. a segunda colocada. ferragem necessária deveria ser 52% (cinqüenta e dois porcento) superior às existentes nas peças confeccionadas. e o que podem e devem servir de aprendizado. Saldanha (2001).2. apresentarem estas rachaduras devido a variação de temperatura.construção da obra com materiais mais pesados que os especificados em projeto. uma vez que o esforço de compressão absovido é menor que o esforço de compressão atuante na estaca.construção de outros pavimentos ou outros elementos (piscinas e caixas d`água) sem consulta prévia do projetista. 2.materiais de baixa qualidade.traço inadequado do concreto utilizado. quase sempre são decorrentes de combinações de falhas técnicas.a estaca não atende as solicitações de carga. quanto a assegurar a segurança das obras civis projetadas e executadas por arquitetos e engenheiros.Falhas Processuais Falhas 1. 94 Responsabilidade na Construção Civil 2. Planejamento e controle mais eficaz das etapas dos serviços e maior agilidade por parte da administração no pagamento das faturas. . .detalhamento de elementos estruturais com deficiência.tual e a administração não convo.falta de sondagem adequada no solo para realização das fundações.Atraso na assinatura do contrato e consequentemente do início da obra. Foram destacadas. 3.2 DESABAMENTOS Souza (2001) trata em sua obra literária. . Fonte: LIMA & JORGE ( 2001 ) – Quadros “Falhas Técnicas” Finalmente concluiu que. Falta de planejamento por parte da empreiteira e atraso na liberação dos pagamentos das faturas. colabora em sua obra literária. do dimensionamento do projeto estrutural executado. apesar da experiência dos profissionais envolvidos nestes desabamentos.cou. Cita os casos de desabamento nas cidades de Santos–SP (1990). nestes desabamentos: .do tipo Strauss. dentro dos prazos estabelecidos por lei.a insuficiência de armaduras nos pilares. e geralmente são resultado de esforços de flexão.deficiência de cobrimento das armaduras. . também. quanto ao desabamento de edifícios residenciais no Brasil. que as armaduras indicadas no projeto estrutural. . em recente artigo publicado. que as rachaduras em lajes representam um risco de baixa ordem e é comum. não conferem com as armaduras de cálculo e nem de execução. As rachaduras em pilares representam os riscos mais graves. 95 . Como evitar Agilidade da administração no cumprimento dos procedimentos e prazos estipulados no edital. das condições de suporte do subsolo local. Volta Redonda–RJ (1991). Esclarece ainda. para não vermos novo quadro de tragédia com vítimas fatais. Rio de Janeiro–RJ (1998) – Edifício Palace II e Olinda–PE (1999) – Edifícios Éricka e Enseada de Serrambi. Atraso na liberação dos pagamentos das faturas. .1 A IDEIA DE INSPEÇÃO PREDIAL OBRIGATÓRIA Helene (2005) trouxe à tona. para que novas falhas não fossem cometidas. em função da vistoria realizada em sinistro de desabamento de estrutura de pavilhão pré-moldado de concreto armado.

época do projeto e construção do Edifício Areia Branca. é centenas de vezes menor que o de explosão de um botijão de gás ou de morte por acidente de carro nos centros urbanos e nas rodovias brasileiras.. o dimensionamento das estruturas era realizado pelos chamados métodos deterministas e a introdução da segurança era dada pelo método das tensões admissíveis. outro questionamento interessante: “Mas serão só esses os responsáveis indiretos? Sabe-se. feitas por profissionais experientes. há uma lei municipal obrigando vistorias periódicas em balcões e edifícios. que continua: “Afinal – diz ele –. com mais de 20 anos de bons serviços prestados à sociedade. O correto seria prever essa deficiência estrutural por meio de inspeções periódicas.) O risco de desabamento de um edifício. No caso de obras de maior importância.. Naquela época. construído na década de 1980. os conceitos de durabilidade. bastante mais complexa e abstrata. No campo da habilitação profissional. especialista em Patologia e Terapia das Estruturas de Concreto. ou seja. que indicariam. agora. no máximo. Todos os arquitetos e engenheiros civis formados antes de 1980 foram considerados obsoletos e somente aqueles que se reciclassem deveriam continuar sendo habilitados a projetar e construir obras de porte. a NB-1 de 2004. como já vimos acontecer em desabamento de edificações. a necessidade de um reforço – e o acidente teria sido evitado. a engenharia estava presente no local da tragédia! Por que. de 1940. exigem inspeções técnicas de edifícios a cada 10 anos. e sem tempo suficiente de evacuação segura dos moradores. As normas mundiais mudaram e a brasileira também. sempre admitindo manutenção periódica.Traduz e conclui da enorme importância que a “Inspeção Predial PERIÓDICA” de edificações. que no edifício atuava uma empresa de engenharia especializada em reabilitação de estruturas. sempre que o diagnóstico assim o indicar. faz-nos pressupor que deve ter sido objeto de estudos. como os adotados na Europa pela Federation Internationale du Béton (FIB) e nos Estados Unidos pelo American Concrete Institute (ACI). Um edifício desse porte. Em Buenos Aires. era um edifício de 12 andares. habilitados pelo CREA e pela prefeitura locais”. pois a habilitação deveria ser temporária e não vitalícia. de projeto e de construção por empresas e profissionais competentes. (. a inspeção técnica deve ser realizada a cada 2 anos. obrigatória a partir de março último (de 2005). O primeiro documento regulador do exercício técnico da profissão foi a norma NB-1. Documentos internacionais. para a prevenção de verdadeiras catástrofes. como ainda era subentendido na década de 1980. houve a primeira grande revolução no setor e a segurança passou a ser introduzida com base nos conhecimentos proporcionados pela teoria das “probabilidades”. Foram introduzidos recentemente. porém mais exata e mais segura. ao lado da segurança. ainda. é indispensável que o sistema CONFEA/CREAs institua um processo permanente. em tom de grande e profunda advertência aos profissionais. mas não habilite. Ainda assim. Inicia com a seguinte questão: “A quem cabe assegurar a segurança? Ao sistema CONFEA/CREAs? Às prefeituras? Às universidades? Aos fabricantes de materiais?” Professor Titular da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. ainda ocorrem acidentes dessa magnitude? Projetam-se e se constroem estruturas de edifícios com vida útil prevista para 50 anos. em Recife (PE). em artigo de sua autoria. de ordem efetiva. Portanto. a tempo. em meio à segunda grande revolução. como é hoje. podendo alertar e provocar que se tomem atitudes. produzido logo após o recente desabamento do Edifício Areia Branca. A partir de fins da década de 1970. em todas as obras existentes há a necessidade imediata de estabelecer rotinas de inspeções periódicas. seguidas de reformas e intervenções corretivas. tendo sido recém– publicada sua nova versão. considerava-se que as estruturas de concreto seriam eternas e não requeriam manutenções. então. Até então. Traz. podendo esse período chegar a 4 anos. é inadmissível que ocorra sem aviso. porém. Estamos. 96 Responsabilidade na Construção Civil 97 . Presidente do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON). no qual o título universitário qualifique. frequentes. como o ocorrido em Recife.

revelou o rompimento do pilar e a armadura flambada”. o profissional que: “Os edifícios construídos antes da década de 80 encontram-se sob suspeição e requerem vistorias regulares para a caracterização de seu estado de uso. contratem um técnico para elaboração de laudo técnico sobre a estabilidade estrutural da marquise. como em qualquer país desenvolvido.) o colapso do edifício aconteceu devido ao rompimento de um dos pilares da obra. Infelizmente muitos profissionais. não havia estrutura na secretaria da prefeitura para examinar os laudos técnicos e. esses profissionais se submetem a honorários escorchantes e. assim. de Porto Alegre. hoje. automaticamente reciclados para incorporarem. é inadequada ou “insuficiente”. mostra-se. O diagnóstico preliminar constatou estribos e cintas estreitas. A escavação de 1. contratantes e usuários em geral.Novamente os profissionais que sempre projetaram e construíram da forma anterior.Antônio Carlos Laranjeiras.323/88. geralmente mal-informados. Em Nova Iorque.  que  as  “Leis  de  Inspeções  Prediais”  existem  em  alguns  municípios  brasileiros. Somente a estrita obediência aos procedimentos constantes desses documentos oficiais – inclusive referidos no “Código do Consumidor” como de obediência obrigatória – poderá assegurar durabilidade. Felizmente. Pedroso  (2005)  acrescenta  ainda. pois a Norma Técnica NBR 6118. pois impõe encargos financeiros de igual monta para os pequenos e grandes proprietários”. órgãos públicos. a inexistência de profissionais treinados para fazerem a inspeção técnica resultava em laudos técnicos de baixa confiabilidade”. Estas são elaboradas.Leonardo Garzón. segundo o Eng. que atua na América do Norte. mas de caráter mais geral. da década de 1960. no mínimo. do porte dos que têm ocorrido no País. relatou o Eng. “O problema da implementação da lei foi revertido com a inauguração de cursos de especialização. A cidade de Salvador também possui uma lei de inspeções técnicas. e também à falta de engenheiros de estruturas habilitados para a inspeção. que. devido à escassez de recursos dos condomínios e dos órgãos públicos..Luiz Carlos Silva Filho. colabora em seu artigo. serão. qualidade e segurança às estruturas construídas no País. próximo à caixa d’água com trincas. que devem ser apresentados quando solicitados pelos órgãos fiscalizadores. para assegurar os direitos dos cidadãos à qualidade mínima de produtos e serviços técnicos”. professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. responsabilizando os proprietários e gestores da edificação pela contratação e guarda dos laudos técnicos. Tal como se verificou em outras partes. anacrônica”. a consciente obediência às normas brasileiras.5 metros na base do pilar. pior. Romilde de Oliveira. obriga que os proprietários de edificações com marquises..   A lei Ordinária 6. A Lei 5. a lei encontra dificuldade de implementação. pequeno recobrimento da armadura e bolhas com forma de elipses. ou deveriam ser. jornalista e assessor de comunicação do Ibracon–Instituto Brasileiro do Concreto. desconhecem as consequências de um mau uso ou uso parcial de documentos dessa importância. A dificuldade é pôr a lei em prática. os novos conhecimentos. onde relata que: “(. esclareceu Luiz Carlos. o número de profissionais competentes ainda é muitas vezes superior ao dos profissionais pouco atualizados e omissos. Pressionados por empresários irresponsáveis e avarentos. efetivamente. expondo as causas. Uma lei de natureza idêntica foi proposta pelo IBAPE-SP ao Vereador Domin99 . Acidentes graves.907/01 preconiza a manutenção preventiva e periódica das edificações e equipamentos públicos e privados. que têm importância crucial no conjunto das atividades e procedimentos que conduzem a estruturas estáveis e duráveis. na visão do engenheiro-membro da “Comissão de Diagnóstico do Edifício Areia Branca”. “A lei possui ainda o inconveniente de tratar igualmente os desiguais. Pedroso (2005). sejam melhor informados de seus direitos e remunerem adequadamente os profissionais que os atendem. Eng. observou o Eng. demonstram a importância de uma Engenharia Civil bem praticada e exigem que proprietários. aos 160 debatedores presentes em evento. especialista do setor. a Lei de Inspeção e Manutenção Preventiva de 1998 prevê a penalidade do encarceramento para quem não a cumpre. que revelam que não houve uma vibração adequada quando da fabricação do pilar. segundo a visão de hoje. de controle e de projeto. A inobservância da lei implica penalidades de ordem pecuniária. cortam atividades de estudo. 98 Responsabilidade na Construção Civil Conclui. a cada 3 (três) anos. “Quando da regulamentação da lei. a intensificação da fiscalização e a conscientização dos usuários sobre os riscos de queda das marquises”. exigindo deles.

naquela cidade.. de São José do Rio Preto: se antes do colapso do Edifício Itália. lembrou aos debatedores o Eng.. a Abece–Associação Brasileira de Engenheiros Civis de Estruturas elaborou uma minuta de projeto de “Lei sobre Conservação das Marquises”. o que possibilitou flagrar quem não cumpre a lei”. chegando a índices da ordem de 70% (setenta porcento). As práticas modernas de construção. Pedro II. contratam profissional capacitado para a realização de vistoria cautelar das edificações vizinhas. recentemente entregue ao Vereador José Aníbal (PSDB). evidenciamos que um dos principais problemas patológicos encontrado na construção. Zatt (2000) em seu estudo. menor é o tempo entre uma inspeção e outra. onde mormente encontramos patologias de ordem de segurança e solidez destas edificações. Não há dúvida de que ocorriam menos trincas na época em que se usavam concretos com menores consumos de cimento. como sendo: Para Souza e Ripper: “as fissuras podem ser consideradas como a manifestação patológica característica das estruturas de concreto. para o fato de que algo de anormal está a acontecer” (op. na função de Avaliador e Perito Judicial. 100 Responsabilidade na Construção Civil 101 . O projeto estabelece a obrigatoriedade de um parecer técnico para as marquises. 57). por meio do qual se viabilizou a realização de inspeções visuais das marquises. seja estético.3 FISSURAS Ao longo destes mais de 20 (vinte) anos. com a preocupação técnica em antes de se iniciar uma edificação – no momento somente para edifícios. Na época do ano em que a temperatura ambiente mantém-se elevada. para que se evite profissionais e empresas oportunistas”. A responsabilidade do construtor ao registrar estas patologias preexistentes. em 2001. proprietários e usuários aí incluídos. e não somente habilitado. e mais recentemente de Maringá. passa de longe ao crivo do judiciário em imputar como sendo o causador das mesmas.João Carlos de Carvalho. descreve os mecanismos de formação das fissuras em concreto. a par das deformações muito acentuadas. p. onde qualquer alteração de solo – escavação para garagens. o constrangimento psicológico que as fissuras exercem sobre o indivíduo. e suas possíveis causas. Ela obriga os proprietários a realizarem inspeções cuja periodicidade depende da idade da edificação: quanto mais antigo o edifício. podendo se manifestar desde a concretagem até anos após a mesma. se refere a “fissuras”. feito por engenheiros capacitados e com prazo de validade de 2 ( dois ) anos.gos Dissei (PFL). concretos bombeados e outras. ainda. tornaram a trinca ou fissura um assunto mais comum do que era há algum tempo. ). alguns fatos são indiscutíveis. Enquanto a sociedade civil não decide sobre o assunto. obrigando o proprietário a obter um “Certificado de Inspeção Predial” com prazo de validade de 5 (cinco) anos. diretor da Escola de Engenharia D. depois do desmoronamento as vendas passaram para uma unidade a cada vinte casas vendidas. como exemplificou em sua palestra o Eng. sendo mesmo o dano de ocorrência mais comum e aquele que. a iminência de colapso em estruturas de concreto armado é precedida de fissuração.. “As dificuldades de implementação da lei foram parcialmente vencidas com um convênio entre os órgãos do governo e a Associação de Engenheiros Estruturais (AIE). As fissuras podem servir como alerta de um eventual estado perigoso para a estrutura: geralmente. com exigências de altas resistências iniciais. é frequente o aparecimento de fissuras ou trincas no concreto. 2. mais chama a atenção dos leigos. pode vir a comprometer a estabilidade das edificações preexistentes. Buenos Aires tem uma lei semelhante. Algumas empresas construtoras das grandes cidades. abatimentos menores e empregava-se mais tempo no adensamento e acabamento durante uma concretagem. cit. ressaltou Raúl Husni. Há. ou de dúvidas quanto à segurança da edificação. Em São Paulo. “É importante destacar que o engenheiro responsável pelo laudo técnico deve ser capacitado.Valdir Silva da Cruz. ( . ex-presidente da AIE da Argentina. desforma em pequenas idades. a proporção de vendas de apartamentos era de um para três casas vendidas. Maia Lima e Pacha (2005) descreve a manifestação patológica de fissuração.

se as construções vizinhas sofrem do mesmo problema.  podem  acarretar   fissuras  em  paredes  e  deslocamento  em  pisos  rígidos  apoiados  sobre  os  elementos  fletidos.. os principais perigos decorrem da corrosão da armadura e da penetração de agentes agressivos externos no concreto.. Zatt  (2000)  apresenta  ainda. deve levar em conta que podem ser uma combinação de causas. também são abordados algumas patologias. mas existem medidas para reduzir sua ocorrência ao mínimo possível. que alguns aspectos devem ser atentados: .  fissurará  por  natureza.  a  saber. ordem de aparecimento etc. . . como é o caso da corrosão das armaduras no concreto armado. acabamento e cura.  sempre   que  as  tensões  trativas. cit.se as fissuras abrem e fecham (variam) ao longo do dia ou do ano.  que  é  interessante  observar  que.;  flechas  excessivas  em  vigas  e  lajes. .  Pode-­se  afirmar  que   as  correções  serão  mais  duráveis.  a  caracterização  da  fissuração  como  deficiência  estrutural  dependerá  sempre  da  origem. métodos de mistura. Helene (1988) assegura. sua direção. 102 Responsabilidade na Construção Civil 103 ..  que  podem  ser  instaladas  pelos  mais  diversos  motivos.abertura das fissuras (se estão muito acima dos limites dados em norma ou não).   Fonte: HELENE (1988).se foram erigidas recentemente novas construções no entorno da construção afetada. os problemas patológicos são evolutivos e tendem a se agravar com o  passar  do  tempo. ( apud ): “( .  posto  que  o  concreto.  superarem  a  sua  resistência   última à tração. proporções.Evolução dos custos de correção dos problemas patológicos no tempo. frequência. .  por  ser  material  com  baixa  resistência  à  tração.  no  entanto. Além do aspecto antiestético e a sensação de pouca estabilidade que apresenta uma peça fissurada.se estiverem surgindo novas fissuras ou não.profundidade das fissuras (se são superficiais ou se seccionam o elemento). . 2. . ).configuração das fissuras.3. e.  intensidade  e  magnitude  do  quadro  de  fissuração   existente. .1 FISSURAS POR RETRAÇÃO Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas por retração.  Por  exemplo:  uma  fissura  de   momento  fletor  pode  dar  origem  à  corrosão  de  armadura. e Zatt (2000) completa em sua obra literária. manuseio. as trincas podem ocorrer ou não. Mesmo quando são usados os mesmos materiais.se a fissuração está evoluindo ou não (quanto ao aumento do comprimento ou abertura). dependendo apenas das condições do tempo” (op. 42). Ao diagnosticar as mesmas.local da ocorrência das fissuras. se no elemento estrutural ou somente no revestimento. . que em geral. Maia  Lima  e  Pacha  (2005)  relatam  ainda.se a construção está sendo utilizada para os fins previstos em projeto. . . e até causadoras com relação ao surgimento das fissuras. recalque de fundações e movimentação de formas na execução das construções.  além  de  acarretarem  outros  problemas  associados  ao  inicial. apud HELENE (1981) . p.se houveram recentemente reformas na construção.  (vide figura  abaixo). quantidade. Não tendo a pretensão de esgotar o assunto.  os  principais  tipos  de  fissuras.  mais  fáceis  e  muito  mais  baratas  quanto  mais  cedo  forem  executadas.É certo que seja quase impossível executar um concreto totalmente livre de algum tipo de fissura.E. Conforme Ripper.

d) Obstáculos internos (como as armaduras) e os vínculos. o concreto já poderá apresentar resistência à tração superior às tensões oriundas da retração.consumo de cimento. os cloretos e. onde a face superior pode ficar exposta a uma temperatura maior que a face inferior. Concluindo que. água essa que pode evaporar). e. ou pela secagem superficial dos elementos (evaporação da água próxima à superfície da peça).tipo do cimento (a retração pode variar de uma até três vezes. quando a cura do concreto é bem feita. de um modo geral. . conforme o tipo de cimento). Causas: a)Quanto mais cimento houver no concreto.teor de água: a retração é aproximadamente proporcional ao volume absoluto da pasta.concretos dosados com excesso de areia apresentam retração maior do que misturas semelhantes com teores normais. Causas: a) Efeito das variações dimensionais devido à variação de temperatura. b) Em materiais com coeficientes de dilatação térmica muito diferente (estrutura de concreto armado – barracão fechado em alvenaria de tijolos cerâmicos). não ocorrendo portanto o fissuramento. maior a retração (o processo químico consumirá mais água). . tanto no concreto quanto em argamassas ou pastas de cimento. quando surgirem as tensões de tração devidas à retração.umidade relativa e período de conservação. Quando o elemento é pouco armado. . se não for impedida a evaporação da água do concreto. a retração só se iniciará quando a cura for interrompida. Maia Lima e Pacha (2005) discorrem que. sem que o concreto fique sujeito a ciclos de secagem e umedecimento. seja pela hidratação do cimento (a reação química utiliza água). De abertura constante. também maior será a retração (sobra mais água não utilizada no processo químico. a retração hidráulica. o tamanho da “malha” tende a ser da ordem de 5 a 10 mil vezes a abertura das fissuras. quanto maior for o módulo de elasticidade dos agregados. Principais fatores que influem na retração são os seguintes: . existe um teor ótimo de gesso para se obter a retração mínima. podendo ser amenizado com juntas de dilatação. tanto maior será a reação por eles oposta a retração. surgindo então tensões internas de tração que podem provocar fissuras nas peças de concreto. . Os álcalis.3. manifesta-se muito mais lentamente do que a retração plástica. Característica e forma: Comum no caso das lajes de cobertura. os aditivos 104 Responsabilidade na Construção Civil aceleradores aumentam a retração. 105 . e assim. mas não menor que o diâmetro máximo do agregado. tendem a impedir o concreto de se retrair.Característica e forma: Provoca a diminuição do volume do concreto em consequência da “retirada” de água da massa de concreto em processo de cura.2 FISSURAS POR VARIAÇÃO DE TEMPERATURA Fonte: ZATT ( 2000 ) – Fissuras causadas por variação de temperatura. idade em que o concreto terá sua resistência à tração aumentada. . . c) Processo de cura ineficiente (ambiente muito seco e/ou muito quente) e peças muito delgadas. é devida à perda por evaporação de parte da água de amassamento para o ambiente. que são causas a proteção térmica ineficiente e excesso de calor de hidratação. A retração. Formato de “malha”. Helene (1988) ainda completa. A retração hidráulica. b) Quanto maior a relação água/cimento. perpendiculares ao eixo. de baixa umidade relativa. “teia de aranha” ou “escama de peixe”. . com configuração a seccionar a peça. 2. manifesta-se imediatamente após o adensamento do concreto. se não forem tomadas providências que assegurem uma perfeita cura.execução cuidadosa da cura. surgem devido ao encurtamento de elementos (diminuição de temperatura) restringidos por vínculos. após a pega. também contribuem para agravar o problema. proporcional a finura) e dos elementos mais finos do concreto. ou seja.finura do cimento (a retração é aproximadamente.tipo de granulometria dos agregados: as areias finas aumentam a retração. após a pega.

2 DE COMPRESSÃO OU FLAMBAGEM DE ARMADURAS (HELENE.3. onde o aço possui característica para melhor resistir a este esforço. 2. Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005)– Armadura negativa da laje fora de posição FONTE: PADARATZ (2000) – Fissura em canto de alvenaria portante por dilatação  térmica  da  laje  de  cobertura. Característica  e  forma:  De  abertura  constante. Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas por esforço de tração.3. face externa exposta com a face interna.3.3 FISSURAS POR ESFORÇOS Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas por esforço de compressão Característica e forma: São visíveis com esforços inferiores ao de ruptura.3. consequência  da  flexão  composta  causada  pela  flambagem. o elemento estrutural deve ser armado adequadamente.  podem  aparecer  fissuras  na  parte  central  da  peça – em uma de suas faces. elemento estrutural deve ser armado adequadamente. Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) – Espaçamento irregular em armaduras de lajes Fonte: MAIA LIMA & PACHA ( 2005 ) – Armadura positiva da laje com espaçadores. e aumentam de forma contínua.  perpendiculares  ao  eixo. finas e se apresentam juntas. concreto de resistência inadequada e mau adensamento do concreto.  e  não  da  compressão  propriamente  dita.;  em  peças   muito  esbeltas  e  comprimidas. cortam o elemento estrutural em ângulos agudos. 2. Helene (1988) atribui a má colocação ou insuficiência de estribos.1 DE TRAÇÃO Paralelas à direção do esforço. para garantir o cobrimento da armadura 106 Responsabilidade na Construção Civil 107 . Causa: O concreto resiste pouco à tração.  com  configuração  a  seccionar  a  peça. onde o aço possui característica para melhor resistir a este esforço.c) Partes da estrutura de mesmo material mas sujeitas a temperaturas diferentes – laje de cobertura. Causa: O concreto resiste pouco à tração.3. em concreto heterogêneo. 1988) 2. carga superior à prevista.

Fonte: PADARATZ (2000) – Fatores de majoração  de  tensões  próximas  às   aberturas de paredes (janelas). onde em região de maior abertura. adverte: “(. em região próximas aos apoios – área de maior força cortante. a causas são da má aderência da armadura ao concreto. que em marquises e balcões.3. traz em sua obra literária sob o título: “Fissuras em alvenarias causadas por deformabilidade excessiva/sobrecargas”.) Fissuras de cisalhamento nunca abrem excessivamente como as de flexão.3. estribos insuficientes. concreto de resistência inadequada. sobrecargas não previstas e desforma precoce. de paredes sob carga unitária uniforme.3.. onde não fora executado viga (verga) em concreto armado.3 DE FLEXÃO Fonte:  PELACANI  (2009)  –  Vista  de  fissuras  em  parede. que advém de sobrecargas não previstas. do qual.  armadura  insuficiente. em análise por elementos finitos.3. estribos mal posicionados no projeto ou na execução e concreto de resistência inadequada.  na  região  próxima  à   abertura da janela. de abertura variável – maior na borda tracionada e diminuindo à medida que chega próximo da linha neutra. de maneira geral.Augusto Carlos de Vasconcelos. irradiada no corpo do elemento estrutural. Padaratz (2000).. retrata as tensões existentes próximas às aberturas – pontos fracos na alvenaria. e podem levar uma estrutura ao estado limite último sem aviso prévio”. Em fissuras de flexão e escorregamento da armadura. Característica e forma: São as mais frequentes. para combater  as  tensões. Padaratz (2000). sob carga unitária  (  análise  em  elementos  finitos) Causa: De incidência vertical.  que  se  originam  de  sobrecargas  não  previstas. apud Eng. as causas são idênticas.4 POR FORÇA CORTANTE OU CISALHAMENTO (HELENE. Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas por    esforço  de  flexão.   Helene (1988) complementa. 1988) Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas por esforço cortante Característica e forma: Percorrem todo o elemento estrutural. Helene (1988) complementa. Causas:   Helene  (1988)  diagnostica. pode ser combatido com o dimensionamento e aplicação adequada de ferros de estribo. de inclinação entre 30° a 45°.2. ancoragem insuficiente. a saber.   ancoragem  insuficiente  e  armadura  mal  posicionada  no  projeto  ou  na  execução. 108 Responsabilidade na Construção Civil 109 . maior será a concentração de tensões: Fonte: PELACANI (2006) – Vista de edifício em construção com execução de vergas de concreto armado sob as aberturas de janelas 2.

 o  aço  fica  mais  exposto  aos  gases  e  umidade  do  ambiente  e  se  oxida  mais  rápido.  expansão  da   ferragem. HELENE ( 1988 ) acrescenta. com posterior rompimento dos estribos e lascamento do concreto.  ao  oxidar-­se. Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) – Alta densidade de armadura com cobrimento  insuficiente  em  base  de  pilar.3. quando as mesmas encontram-se em processo de oxidação. amenizam (ou mesmo impedem) o problema da fissuração causada pela oxidação da armadura. Causa:   Zatt  (2000)  define  que. FONTE:  PELACANI  (  2009  )  –  Processo  de  corrosão  de  ferragem    (infiltração  oriunda  de  jardim.2.   o que acelera o processo de degeneração da construção. 2. Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) .Alta densidade de armadura  na  base  da  viga  com  cobrimento  insuficiente.Laje executada sem o mínimo de cobrimento para proteção da armadura.  Com  isso. Como o aço está imerso na massa de concreto. originando nos cantos do elemento estrutural. desconsideração de torção  de  compatibilidade. FONTE: ZATT ( 2000 ) – Fissuras causadas por esforço de torção. podem contribuir as sobrecargas não previstas.  e   infiltração  pela  junta  de  dilatação  provocando  corrosão   generalizada. e. por conseguinte. que coincidiu com as juntas das formas.3. Causa: De incidência a torcer a peça no sentido espiral.  resultando  na  fissuração  (  ou  mesmo  no  destacamento  )  do  concreto  que   forma  o  cobrimento. este aumento de volume causa  tensões  de  tração  no  mesmo. expansão da seção das armaduras e lascamento do concreto.  o  aço. Fonte: MAIA LIMA & PACHA (2005) .4 FISSURAS POR CORROSÃO DA ARMADURA EM CONCRETO ARMADO FONTE: ZATT ( 2000 ) – Fissuras causadas por corrosão da armadura em vigas Característica e forma: Aparecem ao longo da ferragem longitudinal. pode ser combatido com o dimensionamento e aplicação adequada da ferragem longitudinal. Característica e forma: Geralmente inclinadas a 45°.  provocando  corrosão   generalizada e expansão da seção das armaduras. queda de concreto de cobrimento) em laje de sub-solo/garagens de edifício.  produz  resíduos  de  volume  muito  maior  que  o  do  aço  original (aproximadamente 10 vezes mais).5 POR TORÇÃO O emprego de cobrimento adequado e um concreto compacto dificultam o processo de corrosão das armaduras. 110 Responsabilidade na Construção Civil 111 . provocando corrosão generalizada.3. expansão da seção das armaduras e lascamento do concreto.  armadura  insuficiente  e  armadura  mal  posicionada  no  projeto  ou  na  execução.

Medidas  Preventivas  –  redução  da  agressividade  do  meio:  íons  agressivos  e  água  disponível. temperatura).  traçando  um  comparativo  entre  edificações  na  praia. Produtos da corrosão (óxidos e hidróxidos de Ferro) ocupam volumes de 3 a 10 vezes superiores que o volume original do aço da armadura.5 RECALQUE DE FUNDAÇÕES Fonte: ZATT (2000) – Fissuras causadas por recalques das fundações. o mecanismo básico envolve ionização.). (. “que no Rio Grande do Sul.  o   prazo para que apareçam os primeiros problemas em estrutura de concreto armado de construções em praia.;  temperatura  da  solução. manter sua estabilidade”.  –  Tempo  de  resistência  da  construção  –  na  horizontal.  Adriano  S. Característica e forma: Os recalques de pilares (deslocamento vertical) provocam aberturas variáveis das vigas unidas aos mesmos.Adriano Silva Fortes – Fortes Engenharia Ltda. teor de argamassa).5% (meio por cento) do custo total da obra.  sobrepeso  de  fundações  vizinhas   –  bulbo  de  pressão  influente  etc..  com  espessuras  de   camadas diferenciadas de cobrimentos em estrutura de concreto armado. (ver tópico posterior desta obra literária – “Estudo de Caso”). 6% (seis por cento) das fissuras observadas em estruturas de concreto armado. 113 112 Responsabilidade na Construção Civil .  umidade  excessiva  potencializadora  na  região   (acúmulo  indesejado. cura (duração.PADARATZ (2000). proteger a armadura da corrosão. Causa:   De  natureza  diversa. composição mineralógica). nos E.A.;  dificuldade  ao  acesso  do   agente agressivo: isolamento e impermeabilização”. a saber... ao mesmo tempo.3. cidade e campo. custo da recuperação: pode ser maior que o custo da obra.  e. portanto. em sua obra literária. o metal corrói imediatamente. traz quadro esquemático sob o título: Por quanto tempo  resiste  a  construção. Padaratz (2000) traz em sua obra literária. Helene (1986) relata à função do cobrimento de concreto: “Uma das grandes vantagens do concreto armado é que ele pode.. Fatores  Ambientais    -­  concentração  da  solução  agressiva. trata da corrosão. explicitando ainda que: “Quanto maior a camada de concreto que cobre a armadura de aço. dosagem (relação água/cimento.  desde  o  cálculo  das  fundações.  fossa  em  ruína. ) A função do cobrimento do concreto é.  tubulações  de  água  e  esgoto  rompidos.  apud  FORTES. levando a pressões de expansão (tração) superiores a 15 MPa. levantamento de problemas em fundações no Rio Grande do Sul (período de 1970 a 1990): 85% (oitenta e cinco por cento) dos problemas causados por desconhecimento das características do subsolo”. Nota: Ver em tópico posterior desta obra literária. Fonte:  PADARATZ  (2000). são devidas a problemas nas fundações (Alta e Média Gravidade). por natureza e desde que bem executado.  as  condições  pioram”.;  tipo  de  agregrado  (forma  e   granulometria. água).. ( . custo da sondagem: 0. onde resumidamente. Em ambientes úmidos  (como  praia)  ou  poluídos  (cidade). aplicada e posicionada nos elementos estruturais.  cidade  e  campo.  a  mais  grave  de  todas. caso prático sobre o assunto. relatamos: “ocorre em presença de umidade.  quando  a  ferragem  não  estiver  adequadamente  dimensionada. US$ 2 bi/ano em reparos de edificações danificadas por problemas nas fundações.;  constância  do  fluxo  de  solução   agressiva. Apud Eng. mais a doença demora em aparecer. Essa proteção baseia-se no impedimento da formação de células eletroquímicas. através de proteção física e proteção química.U. teor de cimento. mas se os íons forem solúveis no meio envolvente (ex... proteger essa capa ou película protetora da armadura contra danos mecânicos e. Fatores  que  influenciam:   Fatores  Endógenos  -­  tipo  de  cimento  (composição  química  a  superfície  específica). sendo maiores na parte superior das vigas. 2.;  modificação  das   características  do  concreto:  cimento  com  baixo  teor  de  C3A  e  incorporação  de  adições.

Quando a umidade aumenta o elemento de concreto tende a expandir-se. não devendo. – Fissuras de assentamento plástico. consequentemente. não detectamos nenhum vestígio de fissuramento que levasse a compor patologia de algum ou alguns elementos estruturais do edifício e. e quando aquela diminui. nomeado à função de Perito Judicial. no interior dos apartamentos. ainda. e.  fissuras  como  estas. 2. 3 (três) vezes inferior ao do elemento barro cozido. mação. passamos a analisar o elemento utilizado para o fechamento das paredes (Siporex). em geral. ” E. concluímos em Laudo Pericial que. em aproximadamente.  Essa  variação  volumétrica  pode  causar  fissuração.3. ocorre  também  à  diminuição  de  volume  do  mesmo. nos fornece: “ Tijolos ou blocos celulares Concreto celular Módulo de deformação (kN/mm2) = 3 – 8 Tijolos ou blocos celulares Barro cozido Módulo de deformação (kN/mm2) = 4 – 26 Fonte: PELACANI (2006) – Vista de fechamento de alvenaria com blocos de tijolos do tipo “siporex”. op. 6 (seis) vezes ao elemento cerâmico em retenção de água.1 milímetros nos sentidos horizontal.  que  acompanham  as   armaduras.A. 222). o acesso direto dos agentes agressores. e não se espera algumas horas antes de concretar as vigas. em aproximadamente.07% em seu movimento devido à presença de umidade e módulo de defor114 Responsabilidade na Construção Civil É  importante  também  considerar  que. em todos os halls dos apartamentos. pois facilitam. Cánovas. Fonte: HELENE (1992).7 FISSURAS POR ASSENTAMENTO PLÁSTICO Maia Lima & Pacha (2005) discorrem que.R.6 FISSURAS POR MOVIMENTAÇÃO HIGROSCÓPICA Característica e forma: Idêntica às de retração..  em  termos  de  durabilidade.4 a 1. com estas características. lajes e pilares). ser utilizado como elemento de fechamento de paredes. adverte que “a união de pilares a vigas corre riscos se. Causa: Zatt (2000) conclui que.2. a variação de umidade do ambiente pode gerar uma variação de volume do concreto. vertical e a 45º. deparamos com a seguinte situação: edifício residencial com fechamento das paredes composto de tijolos celulares do tipo “Siporex”. Cit. facilitando a corrosão das armaduras. em parede de diviso-externa com o poço de iluminação. com algumas paredes já reparadas e que voltaram a apresentar a mesma patologia. o elemento de fechamento do tipo “Siporex” é superior. – Índice de Retenção de Água (g/200 cm2/min): Cerâmico 12 Bloco Celular 70 ”. apresentando fissuras com aberturas de 0. para permitir que o concreto fresco dos pilares assente” (op. Portanto.3. onde Thomaz. SELMO (2002): “I. cit. onde trazemos algumas das principais características. com consequente baixa resistência ou suporte à mínima tensão que venha a sofrer. Em recente participação. Em vistoria detalhada da estrutura (concreto armado de vigas. bem mais que as ortogonais. são as mais nocivas. com contração irreversível da ordem média de 0. em encontro com a laje. uma vez concretados os pilares. 115 . sob e sobre aberturas de janelas para este poço de iluminação e portas. p.

. FONTE: PADARATZ (2000) – Intersecção dos  bulbos  de  tensões  de  duas  edificações   vizinhas. Pedro Maa (1999) traz exemplo.. deslocamento do telhado. que o material significativamente solicitado por uma determinada placa.) QUANTO À EXECUÇÃO DA OBRA: 116 Responsabilidade na Construção Civil 117 . P2 = PRÉDIO NOVO. dos autores. para fins práticos. com o tem- LEGENDA: P1 = PRÉDIO EXISTENTE. ocasionando recalque e por conseqüência todos os danos presentes no imóvel. é também chamado bulbo de pressão”. originando.deformação das formas por mau posicionamento.4 MOVIMENTO DE TERRAS/BULBO DE PRESSÃO E PERDA DE RESISTÊNCIA DE ESTACAS DE DIVISA – RECALQUE DIFERENCIAL Bisotto (1999) traz em objetivo de sua obra literária.inchamento da madeira devido à umidade ou perda de pregos. Ao serem executadas as fundações do imóvel do réu. Tal fato por si só. mas. etc. Não havendo os cuidados necessários. rachaduras em pisos e paredes.. ocasionando. houve escavação do terreno para poder assentá-las ao lado das fundações do imóvel vizinho. CURVA 2 = BULBO DE PRESSÕES DE P2. pela existência de juntas mal vedadas ou de fendas etc. as fundações do imóvel dos autores podem ter perdido parte de sua sustentação. onde. já estabilizada ao longo do tempo sobre o terreno no qual foi construída. dessa forma. e. paredes e deslocamento de telhado.2. de colapso de obra urbana de contenção de encosta. executada sem os cuidados necessários. ÁREA 3 = REGIÃO DE INTERSECÇÃO DOS BULBOS DE TENSÕES DE P1 E P2. Ensejou ação judicial de autoria do vizinho da construção nova. (1996). rachaduras de pisos. resumidamente. por falta de fixação inadequada. onde foram apresentadas as causas: “Durante a escavação para executar as fundações do imóvel do réu. assim. ação judicial indenizatória. fica delimitado pela linha de igual pressão (.3. não foram tomadas as devidas precauções para proteger as fundações do imóvel dos autores. Mello & Teixeira (1973) tratam da propagação e distribuição das tensões no solo. E. já ocasionaria o recalque das fundações do imóvel dos autores. .). que os recalques do subleito ou mau escoramento das formas. CURVA 1 = BULBO DE TENSÕES DE P1. conclui que a causa fora: “(. ESTÁVEL.devido ao uso impróprio ou excessivo dos vibradores. convencionou-se admitir em casos comuns. 2..” Fonte: RIPPER. abalo da estrutura de uma residência lindeira. em sua obra literária. tais como.8 FISSURAS POR MOVIMENTAÇÃO DE FORMAS E ESCORAMENTOS Seguem ainda relatando.. apud – Fissura causada por movimentação da forma. podendo as mesmas terem sofrido diminuição da área de apoio. Esse corpo sólido.. as pressões se propagam até grandes profundidades. assim solicitado. demonstrar as influências de uma edificação nova. . Tais movimentos podem ser causados por: po. podem causar trincas no concreto enquanto na fase plástica. DEVIDO AO AUMENTO DAS TENSÕES EFETIVAS NA ÁREA 3. originando. em seu Capítulo 4 – Tensões Devidas à Pressão Uniformemente Distribuída: “Teoricamente. CURVA 4 = DEFORMAÇÃO DO PRÉDIO EXISTENTE P1.

tráfego.  das  falhas  na  etapa  de  projeto.   Destaca  ainda. enquanto que nos solos argilosos saturados os recalques são muito lentos. inundações. A modificação dessas condições e premissas foram muito expressivas.“A execução da obra de contenção foi recheada de vícios construtivos.  quanto  às  deformações  devidas  a  carregamentos  verticais. . os recalques das edificações com fundações superficiais (sapatas ou radiers) ou de aterros construídos sobre os terrenos. Não há dúvidas para se concluir.  onde  enumera  os  problemas  devidos  a  fatores  externos:   “Variações  no  Teor  de  Umidade  do  Solo: Pinto  (2000)    trata  em  sua  obra  literária. . após a aplicação das cargas. FONTE: PADARATZ ( 2000 ) – Efeito de um novo carregamento sobre um processo de adensamento já iniciado. . mormente em período de chuvas intensas e continuadas. depende da sua constituição e do estado em que o solo se encontra. equipamentos industriais.carregamento em terreno vizinho.  intensidade  e  duração  da  fonte  de  vibração)  –  FONTES  (f):  explosões.  grau  de  saturação. Estas deformações podem ser de dois tipos: as que ocorrem rapidamente após a construção e as que se desenvolvem lentamente.  que  dentre  os  problemas  clássicos  em  fundações. a ponto de provocar a ruína generalizada da obra. que interferiram diretamente nas condições e premissas de cálculo do projeto executado.  que:   “Um dos aspectos de maior interesse para a engenharia geotécnica é a determinação das deformações devidas a carregamentos verticais na superfície do terreno ou em cotas próximas à superfície. . .;  estaqueamento. 2.escavação em terreno vizinho. O comportamento dos solos perante os carregamentos.  está  a  não   consideração  do  efeito  de  grupo  de  estacas  e  tubulões.vibrações próximas. foram oriundas de vícios construtivos”. Influência  de  Obras  Vizinhas: 118 Responsabilidade na Construção Civil 119 . terremotos etc. rebaixamento do nível do lençol freático. chuvas intensas.aumento do teor de umidade: rompimento de tubulações. pois é necessária a saída da água dos vazios do solo. que as causas que motivaram a ruína da obra de contenção.diminuição do teor de umidade: árvores próximas. conforme anteriormente descritos.5 ALTERAÇÃO DE UMIDADE/SATURAÇÃO DO SOLO ARGILOSO EM TERRENO VIZINHO   Padaratz  (2000)  descreve  que  a  influência  das  vibrações  causam  rearranjo  dos  grãos  dos  solos. ou seja. e pode ser expresso por parâmetros que são obtidos em ensaios ou através de correlações estabelecidas entre estes parâmetros e as diversas classificações”. Deformações rápidas são observadas em solos arenosos ou solos argilosos não saturados.  “Intensidade   =  f  (tipo  de  solo.

Salientou ser urgente a execução do muro de arrimo e drenagem da data do requerido. com caimento em direção aos fundos do mesmo. como são tantas outras construídas na cidade.. o Requerido.)”. que ratificou o Laudo Técnico já apresentado pelos autores. deferiu este Juízo. devido as infiltrações das águas pluviais em demasia que caíram nos idos de 1994/1995... 3 ( três ) metros. (. mais baixo. Na parte final. do Juiz. formou grandes charcos e escoou pelo caminho natural. no mesmo sistema. negligente e inescusável do Requerido causou danos aos autores. para que efetivamente sejam ressarcidos de seus prejuízos. em ação judicial (Ação Cominatória de Reparação de Danos) movida por vizinhos lindeiros contra o proprietário de terreno urbano desta cidade..(. 555 do CC/1916.. eram habitáveis. (... Apresentado Laudo Técnico elaborado por Perito Engenheiro (de autoria deste Assistente Técnico). obras de engenharia para conter o volume de terras e propiciar a drenagem do terreno.. ficaram represadas ao longo das divisas laterais e de fundo do terreno. mudou-se.. que só foi construído por determinação judicial. pois não executaram as obras necessárias.. afirma: “(. do Requerido. ou pedras amarroadas. antes.1 CASO DE AÇÃO JUDICIAL Em relatório e sentença judicial proferida. demonstrados os requisitos do art. enquanto o “periculum in mora” resulta factível.. representando o “fumus boni iuris”. Não se tem dúvidas que a causa primária dos trincos e rachaduras de paredes são originárias da cumulação de terra na data n. unilateral dos Autores e o do Perito do Juízo. onde participamos como Assistente Técnico da parte Autora. causando danos nos prédios lindeiros.5. com fulcro no Art. a antecipação da tutela. restou demonstrado que os mesmos não foram diligentes quando aterraram a data n. 120 Responsabilidade na Construção Civil 121 . pelo menos em tese.. demonstrada por Laudo Técnico trazido.). onde foi feita uma vala para fluência natural e eventual de acúmulo de água”. que concluiu que a inação do requerido em efetivar as obras de engenharia. portanto. Por mais que o requerido menospreze os laudos periciais. sob pena de multa diária de R$ 500. proprietário do terreno urbano que ainda não havia construção (único e último da quadra). às fls. .) Em que pesem as defesas do Requerido. o que decorridas chuvas de primavera/verão de 94/95. fossem compelidos a prestar caução real. em aproximadamente. tratando-se de direito cristalino diante à responsabilidade objetiva do Requerido. no caso do Requerido não se acautelassem preventivamente. acharam. não tinha condições de habitação.00 (quinhentos reais). traz um exemplo clássico do avençado anteriormente. não foram causadas pela terra colocada na data do requerido e nem mesmo pela falta de muro de arrimo ou sistema de drenagem.06. então. Acresceram que diante do risco real e iminente e que se agravava. foi preponderante aos danos nas residências dos autores.. declara: “(. o Perito nomeado por este Juízo.) Manifestou-se... onde em contestação do Requerido. acrescentando que o imóvel da autora: Sra. e que. ou seja. na decisão – na sentença judicial. 93 e 94. foi observada distância em relação aos muros divisores para colocação de terra. passíveis de reparação. 95 e verso.2. que divisa com os imóveis dos Autores. 273 do CPC autorizador de antecipação de tutela. mas por falta de retenção por inexistência do muro de arrimo. O relatório judicial proferido discorre sobre o caso judicial que: “Ocorreu que. assim como foi alegado. Segue o relatório judicial. em meados do ano de 1994. de forma lógica e clara que houve negligência e imprudência ao aterrarem o terreno sem orientação técnica necessária.. A culpa pelos danos recai sobre o Requerido. onde tencionaram a executar um aterro de terras em sua data... os danos tornar-se-iam irreversíveis.. alega. depositando 100 (cem) caminhões de terra.º 06.. determinando o prazo de 15 ( quinze ) dias para a construção das obras de engenharia necessárias. o indispensável muro de arrimo. como se vê das fotos de fls.) que as rachaduras e demais danos apresentados nas edificações dos Autores. sem edificar. eles demonstraram. Embora as construções dos Autores são antigas e seus alicerces plantados sobre sapatas. A terra ainda não compactada. pois. Às fls. de ordem material e de grande intensidade. 176 a 181. pois caso não se providenciasse a imediata construção do muro de arrimo e obras de drenagem. Não se tenha dúvidas que o erro imprudente.

) Ante ao exposto. Santos Junior. retrata com maior propriedade e muita profundidade o assunto nas mais variadas fases em que o ser humano se desvenda. além do prejuízo normal que a questão dispende.). Assim. Jair Ribeiro dos Santos Junior. ainda. que pudesse vir a desestimular a continuidade destes mesmos colegas no prosseguimento da profissão.. estas pessoas estão certas em afirmarem isso. a FULANO DE TAL (. observamos que na sua grande maioria as finalizações destes litígios poderiam ser resolvidos sem que o desgaste psicológico afetasse de tal monta. vigente”. o trabalho de importante colaboração e explanação a seguir. Advogados. parágrafo 3º do CPC. nas custas processuais e verba honorária. partes estas que invariavelmente são colegas de profissão envolvidos em ações de indenizações – responsabilidades de engenharia. 1 COMO O SER HUMANO SE COMPORTA COM O PRÓPRIO ERRO OU FALHA? Quando as pessoas utilizam a célebre justificativa.*A FALHA OU O ERRO: ASPECTOS PSICOLÓGICOS ENVOLVENTES _________________________________________ Colaboração técnica exclusiva para esta obra literária. Elas simplesmente não se atentam para a responsabilidade que se impõe na aceitação da intenção de errar.(. procurei exatamente e na explicação do desgaste psicológico que esta omissão ou medo (se assim posso definir como leigo no assunto) poderia vir a afetar tão largamente na conclusão dos litígios judiciais. De conseqüência. ou seja. Depois de um bom tempo participando como Perito Judicial em audiências. Nesta curiosidade..20. condenando o requerido a indenizá-los pelos danos materiais perpetrados. 122 Responsabilidade na Construção Civil 123 . de um profissional da área.. mais precisamente em esclarecimentos de perícias frente ao Juiz. face a regra do art. Capítulo VIII 5 . que “errar é humano”. quando defronte ao enfrentamento de seu próprio erro ou falha. assumindo assim a fraqueza humana perante seus impulsos. do Psicólogo Dr. incutida na utilização de uma justificativa. julgo procedente a ação e parcialmente a pretensão dos Autores.. nesta procura por entender qual o motivo de não tomar uma atitude no início do surgimento de uma possível falha na atividade de construir. condeno-os. e às partes envolvidas em litígio. Promotores.

chamar a atenção para as suas possibilidades de cometer “delitos” pessoais. e no grau máximo. pois “acertar também é humano”. Sendo assim temos. fato este que comprova a intenção positiva perante as situações. Tornando assim cada um. que a recíproca seria verdadeira. na maioria das vezes. e não por iniciativa pessoal. devido a um motivo tal que inferimos a partir de seus efeitos. no intelecto humano. porque se não fosse dessa maneira. quando podemos afirmar que a existência deste.Pois pensemos. Freud designa. E de quais aspectos essa iniciativa estaria mais próxima. a iniciativa de sempre buscar o melhor. e que a primeira vista seriam inesperados. e que por ventura quando um pensamento ou sentimento não estivesse relacionado aos pensamentos e sentimentos que o antecedessem. tudo de que estamos cientes em um determinado momento. como sendo a premissa inicial de Freud. de que nada ocorre por acaso. A iniciativa que muitas pessoas adotam em alegar o fato de ter “tentado acertar”. principalmente. pois são respostas empíricas de pulsões e instintos desconhecidos. somos obrigados a supor. responsável por suas ações e iniciativas. por força da situação. transferindo de “si”. e um resultado positivo e recompensador. tentando se isentar. mas que do qual nada sabemos. mediante escolhas e decisões que por ventura poderiam findar em erro ou em uma consequência inesperada. Pois tendo em si todos os parâmetros para uma tomada de iniciativa que fugisse de determinados resultados. Descrevemos o inconsciente. buscarem uma finalização que gerasse a satisfação. as conexões estariam no inconsciente. caracteriza como se sujeitar a estar errando. como é do “querer humano”. o homem não evoluiria. como forma de burlar o preestabelecido. do contrário seriam variações de resultados. e nem construiria. de uma condição na qual a própria pessoa se coloca. Pois toda decisão está envolvida de suas responsabilidades finais. Errar. correndo o risco assim de ter que se reestruturar. que nos processos mentais. acaba sendo parte de um processo de aceitação. que um processo psíquico é inconsciente. quando esta diferenciação se apresenta da seguinte forma: onde correspondemos ao termo: “consciente”. Mas nem sempre funciona assim. assim temos que uma decisão ciente das especificidades de seus resultados não poderia destoar de um erro. o faz como uma forma de exigir um gesto de repressão. Os primeiros questionamentos surgidos ao mencionarmos a consciência do erro. como possibilidade. que poderiam ser previstos ou imaginados. tudo tem uma causa atribuída. sendo capaz de satisfazer a uma impulsividade que vai encontrar o fim máximo da responsabilidade embutida em seus atos. seria um risco assumido de forma consciente. sentimento ou ação. que cada evento mental é causado por uma intenção consciente ou inconsciente. que apontava que havia conexões entre todos os eventos mentais. 125 2 ELE ESTÁ PREPARADO PARA ENFRENTAR O PRÓPRIO ERRO OU FALHA? QUAL A CONSEQUÊNCIA DISTO? Errar não só é humano. Partindo do embasamento teórico que Freud fornece. ou ignorados pelo autor da ação. à predisposição a errar? E por quais razões este não é evitado? 124 Responsabilidade na Construção Civil . e nem assumir as causas intrínsecas à decisão. A pessoa assumiu uma iniciativa de agir que continha o erro. que podem gerar erros. O indivíduo que deseja errar. e esse processo é determinado pelos fatos que precedem à tomada de decisão. alegando ser característica de todos os humanos. Todos os resultados são esperados em consequência de uma decisão. onde temos as pessoas que tentam se justificar. e. e de fato o ser humano em sua grande maioria mais acerta do que erra. aceitando intimamente às possibilidades de errar. e assim a aparente descontinuidade dos eventos mentais estaria resolvida. Sendo que estes elos inconscientes seriam descobertos. Pensemos nos aspectos inconscientes das tomadas de decisão. Outro aspecto importante é que acertar não implica em ter que assumir suas pulsões. podendo de posse desses parâmetros. onde se identifica uma para cada pensamento. as decisões teriam uma origem causal. no entendimento humano seriam: De onde provém.

no ato de errar. é que o ser humano pode buscar corresponder aos instintos de várias maneiras. inevitavelmente. as pulsões e os instintos. ou possibilidades.No inconsciente. não se deixando levar a uma situação que mereça a autocrítica. que a maior parte da consciência é inconsciente. e consciente. “desconhecidas” pelo autor da ação. podemos identificar no instinto quatro componentes: uma fonte. Freud aponta os aspectos físicos dos instintos como sendo necessidades. vai tentar evitar assumir a responsabilidade de seus atos.  e  é  a  maior  causa   de toda atividade no indivíduo. Estar preparado para construir. ou a instintos específicos. de modo que se possa lidar de forma mais adequada com uma necessidade que não esteja sendo satisfeita por um pensamento ou comportamento particular na hora de se tomar uma decisão. Temos. que diretamente no momento de uma decisão podem afetar o seu direcionamento a acertar. é dar ao organismo a satisfação exigida no momento. Já a pressão vem a ser a quantidade de energia ou força que é empenhada para satisfazer o instinto que é determinado pela intensidade ou urgência da necessidade anterior. ou então vai negar. em outras pessoas. e ambos podem ser ou não conscientes. ou ainda. assim. os seus questionamentos. 3 O SER HUMANO TRANSFERE SUAS FALHAS PESSOAIS EM UMA ATIVIDADE OU FUNÇÃO OU PROFISSÃO QUE ELE EXERÇA FUTURAMENTE? COMO E POR QUÊ ISTO ACONTECE? Os seres humanos contém dentro de si. onde se possam ter nitidamente as causas que o direciona a decidir coerentemente. ação ou expressão que permita a satisfação da finalidade imposta na tomada de iniciativa. Esses  instintos  são  pressões  que  orientam  um  organismo  para  determinados  fins  específicos. não somente algo. como também um futuro. torna o fato de errar muito mais responsável. Deve-se ir à procura. ideias. é possível determinarmos que haja uma pré-intenção consciente ou inconsciente. só não é permitido ser lembrado. das causas dos pensamentos e comportamentos. ele sempre vai carregar com ele. O inconsciente é responsável por manter o material que foi excluído da consciência. isso tudo. A finalidade seria reduzir essa necessidade até que nenhuma ação fosse mais necessária. da. uma pressão e um objeto. como o fato de admitir que em tal momento cedesse a determinadas pulsões. Nela se encontra os principais determinantes da personalidade. Processos esses que podem se dar de maneira nítiResponsabilidade na Construção Civil 126 127 . e também as respostas. Sendo a fonte o surgimento de uma necessidade. e isto retornará como realização e satisfação das vontades primordiais do ser humano. é a forma mais autêntica de construir uma alta imagem que vai ser refletida em todas as atividades que venha a desenvolver. podendo ser uma parte ou toda a ação. É que. à decisão que faz ser aparentemente aceitável a possibilidade de não se submeter à circunstância que geraria o erro. ou imbuída de aspectos inconscientes. Identificamos que o objeto de um instinto pode vir a ser qualquer coisa. e inerente ao desejo humano. assim. que se faz importante: a pessoa pode até fugir da consequência dos seus erros. ou a preferir cumprir com suas tendências instintivas. identificamos elementos instintivos que não são acessíveis à consciência. mas esta busca é intermediada por detalhes muito mais delicados. todos estariam preparados para enfrentar os próprios erros. uma aceitação da circunstância a qual almejava se encontrar futuramente. temos os instintos como forças propulsoras que incitam as pessoas à ação. O ponto agravante. vai projetar essa insuficiência interna. Sendo assim. as quais não o influenciavam no momento da decisão. Fato é que se apontarmos uma razão interna. Mas fica aqui o apontamento. Este material não é esquecido nem perdido. as fontes da energia psíquica. somado a toda noção. Então. mas a causa primeira. ocasiões. uma finalidade. censurado ou reprimido. A tomada de decisão se faz com a necessidade mais o desejo. hábitos e opções que o influenciam no momento. sendo assim.

como já descrevemos. paradoxal: num primeiro momento. quem detinha o equipamento braçal para cumprir aquela tarefa. O QUE É MAIS IMPORTANTE? Nos deparamos. o da edificação e. Se este terceiro envolvido tiver boa intenção e responder com ética e profissionalismo. os alunos. um momento de sonho: o da construção. que. alguém que tem solução para tudo. Sobrevém atribuição de culpa ou de culpas à ponta hierárquica das responsabilidades previstas no Código Civil Brasileiro – aos profissionais da engenharia. sem o direito de poder isentar-se ou bradar em prol de que na verdade real dos fatos. até. de um modo positivo. se assim posso afirmar. em nada amigável. 2 PERGUNTAS E RESPOSTAS. e a cumpri-la dignamente. E. para serem solucionadas dependem de um terceiro envolvido – a pessoa que porta a colher ou o nível de pedreiro ou a serra. O professor é visto como um sábio. 2005). que foi executada em desacordo técnico. por diversas razões e desculpas. de uma satisfação futura. 128 Responsabilidade na Construção Civil 129 . por que não dizer. onde discorre: “Temos um ensino no Brasil voltado para perguntas prontas. em edificar. um testemunho de professor universitário (KANITZ. um intelectual. para nos preparar para exercer qualquer atividade. surgem complicações (daí o negativismo) e. formado em outra concepção de estudo. e definido por uma razão muito simples: é mais fácil para o aluno e também para o professor. invariavelmente. não terminando. e até para abrandar o relatado no capítulo anterior. querem ter as perguntas feitas. por comodismo. que relata um bom aconselhamento.Capítulo IX NOTAS E CONCLUSÃO DO AUTOR 1 A ARTE DE CONSTRUIR: SITUAÇÃO PARADOXAL Ao se falar em construir. fora de nosso país –Harvard. ocorre uma situação diferenciada e diria. Em segundo momento e ao final da construção. o profissional da ponta hierárquica. não estava. e isto ocorre com certa frequência. como no vestibular.

Primeiro indo ao local. Bons administradores são aqueles que fazem as melhores perguntas. O maior erro que se pode cometer na vida é procurar soluções certas para os problemas errados. relegado. fundada ou não na culpa do responsável. uma vez definido qual é o verdadeiro problema. seu desgaste e sua integridade psicológica. a solução não demora muito a ser encontrada. são as perguntas. não menos importante. sempre. estará. Se você pretende ser útil na vida. é de não cometer o erro da “irresponsabilidade” ao de estar. estará.” 130 Responsabilidade na Construção Civil 131 . que verificará a sua não negligência com seu pronto atendimento e.” Neste diapasão. Isto fatalmente passará pela aprovação ou de outro profissional no campo judiciário e. finalmente. no exato momento que ocorrer qualquer reclamação de erro ou falha na construção. Em minha experiência e na da maioria das pessoas que trabalham no dia-adia. o STF – Supremo Tribunal Federal e posteriormente o STJ – Superior Tribunal de Justiça abandonaram o antigo conceito de que a responsabilidade civil deveria se limitar à reparação do dano. os números da vida sempre terminam com longas casas decimais. para elaborar este relatório técnico. O que o profissional tem que. O objetivo das aulas passa a ser apresentá-las. Sobre de quem é a responsabilidade. ou contrate um terceiro profissional especializado na área. imparcial. essa indenização deveria servir como advertência aos agentes causadores.Nossos alunos estão sendo levados a uma falsa consciência. elevando seu comportamento ético ao mesmo e elevado patamar do comportamento profissional. Isto trará um conforto profissional ao mínimo da seguinte ordem: continuar acreditando na sua capacidade. Talvez por isso não encontremos solução para os inúmeros problemas brasileiros de hoje. Grandiski (2001) também traz um alerta em sua valiosa obra literária que: “Na área ligada à construção civil. Se você ainda é estudante. Em toda a minha vida profissional nunca encontrei um quadrado perfeito. o que não é fácil. Apresente a ele. atuação de maneira menos dispendiosa. aprenda a fazer boas perguntas mais do que sair arrogantemente ditando respostas. mesmo que inicialmente lhe pareça uma prova de sua futura “culpabilidade”. Não existem mais perguntas a serem feitas depois de Aristóteles e Platão. para servir como indutor da prevenção antecipada para evitar o dano. e não os que repetem suas melhores aulas. e a obrigação dos alunos é repeti-las na prova final. ao mínimo abalada. por mais banal ou simples que lhe pareça a reclamação de um erro ou de uma falha cometida no exercício de sua profissão. muito menos uma divisão perfeita. pois sem ela. Seu patrão ou seu cliente vai querer saber de você quais são os problemas que precisam ser resolvidos em sua área. me vem a mente a seguinte pergunta: quais passos devem ser seguidos quando se deparar com este tipo de situação? Acredito que a melhor alternativa. e futura troca de material para um mais apropriado ao ambiente. Mas. das manutenções ou prevenções corretivas a serem adotadas com suas possíveis causas. nem vai lhe pedir para resolver 4/2 = ?. com este ato. se preocupar. um relatório técnico de acompanhamento das patologias ou dos defeitos que será indicado ao profissional. o mais breve possível. em segundo plano. extrapolando os limites lógicos do nexo de causalidade entre a ocorrência e sua conseqüência. possivelmente. é não esquivar-se da situação de possível erro. lembre-se de que não são as respostas que são importantes na vida. Sua função deixa de ser apenas ressarcitória. o mito de que todas as questões do mundo já foram formuladas e solucionadas. Este relatório poderá conter informações ao seu cliente ou reclamante. Essa nova orientação parte do princípio de que a indenização não pode atingir valores insuportáveis. por mais difícil que seja a comunicação com o cliente ou o vizinho reclamante. por mais simples que pareça. por outro lado. disposto e pronto ao atendimento. Em seu primeiro dia de trabalho você vai descobrir que seu patrão não lhe perguntará quem descobriu o Brasil e não lhe pagará um salário por isso no fim do mês. impondo-lhes verdadeiro receio pelas conseqüências de seus atos.

existe todo um processo executivo errado. aumentando a durabilidade das estruturas para que elas venham suportar o processo de deterioração e que tenha um período de vida útil mínimo para o qual foi projetada”. do meio técnico. é o que faz de um profissional estar exercendo sua função perante a sociedade. podemos reduzir consideravelmente esses fatores. no ato do recebimento de seu diploma. dependentes do não treinamento da mãode-obra e a baixa qualificação do corpo técnico. O meio técnico. não havendo a limpeza. não mais nos preocuparemos em preveni-las. a carbonatação. se deixa levar pela “acomodação” ou até mesmo não tem capacidade de decisões claras e corretas. que é uma falha do controle de qualidade do mesmo. Para nós. que se não obedecermos e nos conscientizarmos em relação à questão do fator água/cimento. como prometido fora. cura do concreto. na execução das estruturas de concreto armado. não há dúvidas. os mesmos irão colaborar para o início precoce do mecanismo da corrosão. essa mesma estrutura precisará ser recuperada. sendo estes. sem dúvida. química ou biológica. temos que tomar cuidados em toda a fase de projeto e. Tendo em vista as fissuras. necessariamente em pouco tempo. fica a idéia de que. durante e após o período de concretagem (execução). espessura e qualidade de cobrimento da armadura. estamos certos que. Mas. que: “Na verdade. para distinguir e eliminar pequenos detalhes. O exemplo. se não podemos eliminar totalmente as causas das doenças. deve estar presente tanto antes. Em relação às fissuras. 132 Responsabilidade na Construção Civil 133 .Maia Lima & Pacha (2005) concluem seu valioso trabalho. a corrosão das armaduras. o segredo está na precaução técnica? Diria que aliado à precaução técnica está o comprometimento profissional diário e a atitude efetivamente tomada. são inevitáveis. Sabendo que elas são caminhos mais fáceis aos agentes agressores. que é responsável pelo controle em geral. Para não incorrer nesta situação. fatores estes que influenciam diretamente na durabilidade das estruturas. Todos os processos de deterioração das estruturas podem ser de origem física. decorrentes na maioria das vezes do ambiente em que estão inseridos e. se as mesmas forem vistas dessa maneira. prejudicando o processo executivo. Esse mesmo profissional. seria o da não observância de elementos prejudiciais na base dos pilares e. quando existe.

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T.E.A. Paraná / 2000 a 2006 .303-D ENDEREÇO: pelacani@creapr.Colaborador Técnico: “Revista de Avaliações e Perícias de Avaliações e Perícias de Engenharia” .P .A.br FONE: (44) 3034. CURSOS E PARTICIPAÇÕES TÉCNICAS: .E.UEM – Universidade Estadual de Maringá / 1985 .A.E.E.Ibape / Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia / SP e PR .9280 (Maringá / PR) ESPECIALISTA EM ENGENHARIA DE AVALIAÇÃO DE BENS E PERÍCIAS ESPECIALIZAÇÕES. S.org.S.Sociedade Internacional de Avaliações. I. .4613 / 9963. I. de Engenharia” .Pós-Graduação: “Engenharia de Avaliação de Bens e Perícias” . S.Membro Titular: “I.I.B.UEM / Universidade Estadual de Maringá – 2001/2003 .RS / desde 1996 138 Responsabilidade na Construção Civil 139 .Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias .Graduação: “Engenheiro Civil” .I.I. – International Society of Appraisal. – Sociedad Internazionale di Estimo.I.G.Editora AVALIEN – Porto Alegre .Publicação Técnica Oficial do IBAPE / Entidade Federativa Nacional – Informativo Mensal da “S. S.São Paulo / 1997 a 2000.CURRICULO PROFISSIONAL RESUMIDO VALMIR LUIZ PELACANI Engenheiro Civil CREA PR n.º 17.SOCIETAS INTERNATIONALIS AESTIMATIONUM (S. – Sociedad Internacional de Tasación.E.A. e.I.Unifil / Universidade Filadélfia – Londrina . – Societê Internacionail da Expertisacione. Internationale Gesellschaft zur Einschatzung)” . .

Terrenos da Polícia Federal. 2006.Perito Judicial da 6ª.A. – Universidade Estadual de Maringá / Departamento de Engenharia Civil / 1990 .Departamento de Engenharia Civil .Palestrante: “Responsabilidade Civil na Construção” / Capacitação Profissional . de Saneamento do Paraná / Reg.Editora JM. .Perito Judicial da Vara Cível da Marialva – PARANÁ / 1ª nomeação em 2002 .Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Maringá – Biênio: 2009 / 2010 .A.Diretor da A. Lojas Americanas.E. dos Engenheiros e Arquitetos de Maringá – A. de Maringá ( PR ) / 2005.Palestrante: “Responsabilidade Civil na Construção” / AREARC – Associação Regional de Engenheiros.Autor do Livro 01: “O Perito Judicial e o Assistente Técnico” .Representante Técnico da Assoc.Perito Judicial da Vara Cível de Ivaiporã – Paraná / 1ª Nomeação em 2009 .Corpo de Bombeiros de Maringá – Avaliação Técnica de Queda de Palanque / Paiçandu (PR)” – Novembro / Dezembro de 2009 e Janeiro / Fevereiro de 2010 .Laudos de Avaliações / Resumido: Novo Aeroporto de Maringá.Palestrante de Curso Cadastrado no Programa Pro-Crea/Pr: “Responsabilidade Civil na Construção e Perícias Judiciais” / Curitiba (PR) / 2009 .Professor da U.Palestrante e Representante Técnico do Ibape-PR / Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia do Paraná / Semana Paranaense de Engenharia “Sepec” – UEM / Mgá (PR) / 2005 .Secretaria da Fazenda / Munic. na “Comissão Especial da Defesa Civil / 5º COREDEC – Coordenador Regional de Defesa Civil .M.Assistente Técnico em Várias Ações Judiciais .CREA PR / 1993 E 1997 .Representante Técnico da Assoc.Avaliador Junto ao Banco Itaú em Maringá – Paraná / 1993 .Training Company / Hotel Golden Tulip Park Plaza – São Paulo (SP) / 2010 .E.M.MGÁ (PR) / 2002 .Catarinense S. 2007.Consultor Técnico da Sanepar . 4ª. 2ª E 1ª Vara Cível de Maringá – Paraná / 1ª nomeação em 1989 . Edificação e Terrenos do Shopping Center – Aspen Park.A..“Curso de Atualização em Engenharia de Avaliações e Perícias” . 3ª.Palestrante em Encontro Tecnológico – ENTECA .E. Arquitetos e Agrônomos de Cianorte – Cianorte ( PR ) / 2009 . dos Engenheiros e Arquitetos de Maringá – A.Palestrante: “Perícias e Riscos Ambientais” / Curso – Tecnologia do Meio-Ambiente / UEM – Câmpus Umuarama (PR) /2007 .Cia.M.Avaliador Junto à Previ .E.Caixa de Previdência do Banco do Brasil em Maringá – Paraná / 1985 a 1992 ..A. Curitiba (PR) / 2003 EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL: .UEM . 2008 e 2009 . Na “Comissão Especial de Avaliação de Imóveis de Maringá – Planta de Valores Genéricos” . Edificação e Terrenos do Antigo Shopping da Construção – Rodovia Pr-317. 5ª.M.Consultoria Especializada em Avaliações e Pareceres Técnicos Extra-Judiciais a Advogados e Particulares de Maringá e Região .Perito Judicial da Vara Cível de Ubiratã – PARANÁ / 1ª nomeação em 2003 . Comerciais e Residenciais (Cotel – Prefeitura de Paraíso do Norte / PR – Cafeeira e Cerealista Feltrin – Comercial Catarinense . Monolux Construções Civis – Lote 141 140 Responsabilidade na Construção Civil . Mgá – Processos de Ressarcimento de Danos / 1998 . Edificação e Terreno de Condomínios Residenciais.

Condomínio Residencial Iguaçu I. Edifício Vanor Henriques. Edifício El Greco. Edifício Residencial Dona Eulália. Edifício Residencial Joubert de Carvalho. Flórida e Astorga (PR) – Distrito de Santa Zélia. 142 Responsabilidade na Construção Civil . Edifício Norte. Edifício Continental. Edifício Da Galeria Dona Eulália. Clínica Odontológica Dr. Demais Residências e Comércios Particulares. Edifício La Palma. Edifício Belle Ville Boulevard. Edifício Lavoisier. . Motel Hipnose / Mandaguari (PR). Construtora Vicky. Condomínio Residencial Iguaçu II. Construtora Cantareiras / Maringá (PR). Edifício Villagio Difirenze. e Demais Particulares).204 / Sarandi (PR). Condomínio Residencial Villa Fontana. Banco Santander. Edifício Versalhes. Edifício Néo Alves Martins. Edifício Solimões. Edifício Citizen Park.ª Dirce M. Cartório Liana Cláudia. Escolas Estaduais de Maringá – Ceebja (Zona 07).P . – Associação dos Servidores Públicos . Quadras de Esportes – Douradina / Perobal e Tapira (PR) – Obras do Paranácidade. Demais Residências e Comércios Particulares.R. Conjuntos Habitacionais de Mandaguari. São João do Ivaí e Barbosa Ferraz (PR). . Edifício Maria Tereza. Edifício Del Arthur.S. Edifício Itália I. Edifício Pantanal. Edifício Central Park. Edifício Van Gogh. Médio e Grande Porte: Construtora Design. Edifício Dona Amélia I e Ii. Imobiliária Theodorado. Edifício Açores. Edifício Marques de Sagres. A.Laudos de Inspeção Predial em Patologias de Edificações de Pequeno e Grande Porte / Resumido: Edifício Don Gerônimo. Condomínio Residencial Petit Village. Edifício Mário Pagani. Edifício Maria José. Balbinot Cavaletti – Campo Mourão (PR). Edifício Vinícius de Moraes. Terrenos Desapropriados de Rodovias (D. Construtora Novo / Cianorte (PR). Edifício Hércules. Hotel Deville. Edifício Monet. Edifício Narayama.Relatórios de Vistorias Cautelares de Vizinhança em Edificações de Pequeno.) e Urbanos / Industriais (Município de Maringá – Copel – Sanepar – Eletrosul – Ate V Londrina Transmissora de Energia).E. Edifício Portal do Sol.P do Paraná / Caiobá (PR). Edifício Caravelas.

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