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Apostila legislação e controle da poluição atmosférica

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Legislação e controle da poluição atmosférica

Elaboração: Profª Patrícia Cavani Martins de Mello

Assis 2011

SUMÁRIO
1. LEGISLAÇÃO 1.1 PADRÕES DE QUALIDADE DO AR 1.1.1 Padrões primários 1.1.2 Padrões secundários 1.2 ÍNDICE DE QUALIDADE DO AR (SISTEMA CETESB) 1.3 PADRÕES OCUPACIONAIS AMBIENTAIS 2. PROCONVE 3. PROÁLCOOL 4. FUMAÇA PRETA 5. INSPEÇÃO / MANUTENÇÃO 6. PROMOT 7. TRANSPORTE SUSTENTÁVEL 8. MONITORAMENTO DE POLUENTES ATMOSFÉRICOS 8.1 MONITORAMENTO DE EMISSÕES 8.2 MONITORAMENTO DAS IMISSÕES OU DA QUALIDADE DO AR 9. METODOLOGIA DE CONTROLE DA POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA 9.1 INTRODUÇÃO 9.1.1 Fases do processo de poluição do ar 9.2 MÉTODOS DE CONTROLE DA POLUIÇÃO DO AR 9.2.1 Medidas Indiretas 9.2.1.1. Mudanças de processos ou operação 9.2.1.2 Diminuir a quantidade de poluentes geradas 9.2.1.3 Diluição através de chaminés elevadas 9.2.1.4 Mascaramento do poluente 9.2.1.5 Localização seletiva Fonte/Receptor (planejamento territorial) 9.2.1.6 Adequada construção (lay-out) e manutenção dos edifícios industriais 9.2.2 Medidas diretas 9.2.2.2 Concentração dos poluentes na fonte para tratamento efetivo antes do lançamento na atmosfera 9.2.2.2 Retenção do poluente após geração através de equipamentos de controle de poluição do ar 9.3 CLASSIFICAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS DE CONTROLE DE POLUIÇÃO DO AR 9.3.1 Equipamentos de controle de material particulado 9.3.1.1 Coletores secos 9.3.1.2 Coletores úmidos 9.3.2 Equipamentos de controle para gases e vapores 9.4 CONCEITOS BÁSICOS PARA OS EQUIPAMENTOS DE CONTROLE DA POLUIÇÃO DO AR 9.4.1 Eficiência dos equipamentos 9.4.2 Eficiência Global de Coleta 9.4.3 Penetração, Fator de Despoluição e Índice de Despoluição 9.4.4 Emissão após controle (Ef) 9.4.5 Quantidade coletada 9.5 EQUIPAMENTOS DE COLETA DE MATERIAL PARTICULADO (AEROSÓIS) 9.5.1 MECANISMOS DE COLETA 9.6 EQUIPAMENTOS PARA REMOÇÃO DE GASES E VAPORES 9.6.1. Absorvedores 9.6.2 Adsorvedores 9.6.2.1 Substâncias adsorventes 9.7 INCINERADORES DE GASES E VAPORES 9.7.1 Incinerador de Chama Direta 9.8 PROCESSO BIOLÓGICO DE TRATAMENTO DE GASES E VAPORES 9.8.1 Tipos de Reatores Biológicos 9.8.1.1 Lavador Biológico 9.8.1.2 Leito Bacteriano 9.8.1.3 Biofiltração REFERÊNCIAS 3 3 3 3 5 6 8 10 10 11 13 14 14 15 16 20 20 20 20 20 20 20 21 21 21 21 22 22 22 22 22 22 22 23 23 23 23 23 24 24 24 25 26 26 27 28 31 31 32 33 33 33 34 36 2

1. LEGISLAÇÃO 1.1 PADRÕES DE QUALIDADE DO AR Os padrões de qualidade do ar definem legalmente o limite máximo para a concentração de um poluente na atmosfera, que garanta a proteção da saúde e do meio ambiente. Os padrões de qualidade do ar são baseados em estudos científicos dos efeitos produzidos por poluentes específicos e são fixados em níveis que possam propiciar uma margem de segurança adequada. Os padrões nacionais foram estabelecidos pelo IBAMA - Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e aprovados pelo CONAMA - Conselho Nacional de Meio Ambiente, por meio da Resolução CONAMA 03/90. São estabelecidos dois tipos de padrões de qualidade do ar: os primários e os secundários. 1.1.1 Padrões primários São padrões primários de qualidade do ar as concentrações de poluentes que, ultrapassadas, poderão afetar a saúde da população. Podem ser entendidos como níveis máximos toleráveis de concentração de poluentes atmosféricos, constituindo-se em metas de curto e médio prazo. 1.1.2 Padrões secundários São padrões secundários de qualidade do ar as concentrações de poluentes atmosféricos abaixo das quais se prevê o mínimo efeito adverso sobre o bem estar da população, assim como o mínimo dano à fauna e à flora, aos materiais e ao meio ambiente em geral. Podem ser entendidos como níveis desejados de concentração de poluentes, constituindo-se em meta de longo prazo. O objetivo do estabelecimento de padrões secundários é criar uma base para uma política de prevenção da degradação da qualidade do ar. Devem ser aplicados às áreas de preservação (por exemplo: parques nacionais, áreas de proteção ambiental, estâncias turísticas, etc.). Não se aplicam, pelo menos em curto prazo, a áreas de desenvolvimento, onde devem ser aplicados os padrões primários. Como prevê a própria Resolução CONAMA n.º 03/90, a aplicação diferenciada de padrões primários e secundários requer que o território nacional seja dividido em classes I, II e III conforme o uso pretendido. A mesma resolução prevê ainda que enquanto não for estabelecida a classificação das áreas os padrões aplicáveis serão os primários. Resolução CONAMA 003/1990: http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res90/res0390.html
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Os parâmetros regulamentados são os seguintes: partículas totais em suspensão, fumaça, partículas inaláveis, dióxido de enxofre, monóxido de carbono, ozônio e dióxido de nitrogênio. Os padrões nacionais de qualidade do ar são apresentados na tabela 3. A mesma resolução estabelece ainda os critérios para episódios agudos de poluição do ar. A declaração dos estados de Atenção, Alerta e Emergência requer, além dos níveis de concentração atingidos, a previsão de condições meteorológicas desfavoráveis à dispersão dos poluentes. Tabela 1- Padrões Nacionais de Qualidade do Ar (Res. CONAMA 03 de 28/06/90) Tempo de Amostragem 24 horas1 MGA
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Padrão µg/m³ 240 80 150 50 150 60 365 80 320 100 40.000 35 ppm 10.000 9 ppm 160

Padrão µg/m³ 150 60 150 50 100 40 100 40 190 100 40.000 35 ppm 10.000 9 ppm 160

Poluente Partículas totais em suspensão Partículas inaláveis

Primário Secundário

Método de Medição Amostrador de grandes volumes Separação inercial/filtração Refletância Pararosanilina Quimiluminescência

24 horas1 MAA3 24 horas1 MAA
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Fumaça Dióxido de enxofre Dióxido de nitrogênio Monóxido de carbono

24 horas1 MAA3 1 hora1 MAA
3

1 hora1 8 horas1 1 hora1

Infravermelho não dispersivo Quimiluminescência

Ozônio

1 - Não deve ser excedido mais que uma vez ao ano. 2 - Média geométrica anual. 3 - Média aritmética anual.

A Legislação Estadual (DE 8468 de 08/09/76) também estabelece padrões de qualidade do ar e critérios para episódios agudos de poluição do ar, mas abrange um número menor de parâmetros. Os parâmetros fumaça, partículas inaláveis e dióxido de nitrogênio não têm padrões e critérios estabelecidos na Legislação Estadual. Os parâmetros comuns às legislações federal e estadual têm os mesmos padrões e critérios, com exceção dos critérios de episódio para ozônio. Neste caso a Legislação Estadual é mais rigorosa para o nível de atenção (200µg/m3).
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Tabela 2 - Critérios para episódios agudos de poluição do ar (Resolução CONAMA 03 de 28/06/90 Parâmetros Partículas totais em suspensão (µg/m ) - 24h Partículas inaláveis (µg/m3) - 24h Fumaça (µg/m3) - 24h Dióxido de enxofre (µg/m3) - 24h SO2 x PTS (µg/m3)(µg/m3) - 24h Dióxido de nitrogênio (µg/m ) - 1h Monóxido de carbono (ppm) - 8h Ozônio (µg/m ) – 1h
3 3 3

Atenção Alerta Emergência 375 250 250 800 625 420 420 1.600 875 500 500 2.100 393.000 3.000 40 1.000

65.000 261.000 1.130 15 400* 2.260 30 800

* O nível de atenção é declarado pela CETESB com base na Legislação Estadual que é mais restritiva (200 µg/m3).

1.2 ÍNDICE DE QUALIDADE DO AR (SISTEMA CETESB) O índice de qualidade do ar é uma ferramenta matemática desenvolvida para simplificar o processo de divulgação da qualidade do ar. Esse índice é utilizado desde 1981, e foi criado usando como base uma longa experiência desenvolvida no Canadá e EUA. Os parâmetros contemplados pela estrutura do índice da CETESB são: - dióxido de enxofre (SO2) - partículas totais em suspensão (PTS) - partículas inaláveis (MP10) - fumaça (FMC) - monóxido de carbono (CO) - ozônio (O3) - dióxido de nitrogênio (NO2) Para cada poluente medido é calculado um índice. Através do índice obtido ar recebe uma qualificação, que é uma espécie de nota, feita conforme apresentado na tabela abaixo:

Tabela 3: Índice de qualidade do ar conforme concentração de poluentes
Qualidade Boa Regular Inadequada Má Péssima Índice 0 – 50 51 - 100 101 - 199 200 - 299 >299 MP10 (µg/m3) 0 - 50 50 - 150 150 - 250 250 - 420 >420 O3 (µg/m3) 0 - 80 80 - 160 160 - 200 200 - 800 >800 CO (ppm) 0 - 4,5 4,5 - 9 9 - 15 15 - 30 >30 NO2 (µg/m3) 0 - 100 100 - 320 320 - 1130 1130 - 2260 >2260 SO2 (µg/m3) 0 - 80 80 - 365 365 - 800 800 - 1600 >1600
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Para efeito de divulgação utiliza-se o índice mais elevado, isto é, a qualidade do ar de uma estação é determinada pelo pior caso. Esta qualificação do ar está associada com efeitos sobre à saúde, independentemente do poluente em questão, conforme tabela abaixo:

Tabela 4: Qualidade do ar e efeitos sobre a saúde da população. Significado Praticamente não há riscos à saúde. Pessoas de grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas), podem apresentar Regular 51 - 100 sintomas como tosse seca e cansaço. A população, em geral, não é afetada. Toda a população pode apresentar sintomas como tosse seca, cansaço, ardor nos olhos, nariz e garganta. Pessoas Inadequada 101 - 199 de grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas), podem apresentar efeitos mais sérios na saúde. Toda a população pode apresentar agravamento dos sintomas como tosse seca, cansaço, ardor nos olhos, nariz e garganta e ainda apresentar falta de ar e respiração Má 200 - 299 ofegante. Efeitos ainda mais graves à saúde de grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas). Toda a população pode apresentar sérios riscos de manifestações de doenças respiratórias e Péssima >299 cardiovasculares. Aumento de mortes prematuras em pessoas de grupos sensíveis. Não há legislação a nível federal, estadual ou municipal, que fixe limites para emissão de poluentes para fontes fixas. O Paraná, através da Resolução-SEMA - 06/92, estabelece que a eficiência de redução dos poluentes deve ser de no mínimo 85%. Para as atividades de risco, como a incineração de resíduos, são exigidos 99,99% de eficiência de redução, como previsto em Norma Nacional. Está em processo de desenvolvimento, trabalho para o estabelecimento de: - Padrões máximos de emissão de poluentes do ar para fontes fixas de poluição; - Classificação das áreas do Estado de acordo com os usos pretendidos; 1.3 PADRÕES OCUPACIONAIS AMBIENTAIS Embora ainda não haja uma conscientização por parte da população da importância da qualidade do ar de interiores – QAI (ambientes não industriais), o governo está ficando alerta para o fato. Qualidade Boa Índice 0 - 50

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Em meados de 1996, o Governo Federal Brasileiro proibiu o fumo em locais fechados de uso coletivo, demonstrando os primeiros sinais de importância da QAI. Também preocupado com o bem-estar dos passageiros, o Departamento de Aviação Civil (DAC) proibiu o fumo em todas as aeronaves brasileiras, independente do tempo de vôo. A fim de minimizar os efeitos à saúde, o Ministério da Saúde publicou a Portaria 3.523 de 28 de agosto de 1998 (Brasil, 1998) contendo Regulamento Técnico, cujo objetivo é “promover o estabelecimento de medidas referentes à limpeza dos sistemas de climatização e medidas específicas de padrões da qualidade do ar identificando poluentes de natureza física, química e biológica com suas respectivas fontes, visando a prevenção de riscos à saúde dos ocupantes desses ambientes”.

Portaria MS 3.523 de 28/08/1998: http://www.anvisa.gov.br/legis/portarias/3523_98.htm

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), em decorrência da Portaria 3.523 (Brasil, 1998), publicou a Resolução 176 de 24 de outubro de 2000 (Brasil, 2000; atualmente em revisão) com algumas orientações técnicas sobre “Padrões Referenciais da Qualidade do Ar de Interiores em Ambientes Climatizados Artificialmente de Uso Público e Coletivo”. Essa Resolução é revolucionária, pois define os parâmetros mínimos para uma boa qualidade do ar de interiores, como a concentração de CO2 e material particulado, temperatura, umidade relativa e velocidade do ar.

Resolução - RE n º 176, de 24/10/2000: http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/176_00re.htm

Parâmetros mais complexos como COV’s e aldeídos necessitam ser mais bem estudados para que sua influência sobre os ocupantes possa ser quantificada e padrões estabelecidos. Aquino Neto & Brickus (1999) sugeriram valores máximos para contaminantes físico-químicos presentes em ar de ambientes internos. Esses valores foram baseados em recomendações de organismos internacionais e nacionais adaptados à realidade brasileira. Nesse aspecto, características climáticas, sócio-econômicas, estruturais e geográficas do Brasil foram consideradas, bem como a matriz energética do País, nossa arquitetura, decoração e costumes. Nessa mesma linha de raciocínio, Kulcsar Neto & Siqueira (2001) sugerem padrões referenciais para avaliar a qualidade do ar em interiores com base em parâmetros microbiológicos. Regulamentações de saúde ocupacional relativa às atividades industriais continuam a ser uma atividade do Ministério do Trabalho, através do Decreto-Lei 5.452 de 1943, estabelecidas na NR-15 (Brasil, 1977). Esse Ministério tem baseado suas regulamentações nos valores de limite de tolerância publicados pela American Conference of Governamental Industrial Hygienists – ACGIH (Estados Unidos) (Frumkin & Câmara, 1991). Os limites de exposição em mg/m3 são baseados em 48h/semana no Brasil e 40h/semana nos
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Estados Unidos. O modo como a NR-15 foi estabelecida gera alguns questionamentos sobre sua abrangência. Primeiro, com relação à equivalência de muitos padrões. O Brasil permite altas exposições a certas substâncias através de padrões permissíveis ou completa ausência de padrões. Esses padrões, embora sigam a ACGIH, não são atualizados como esta; com exceção do benzeno, os demais permanecem com os mesmos valores desde a criação da norma. Além disso, vários compostos carcinogênicos não são regulamentados no Brasil (Frumkin & Câmara, 1991). Como ainda nem todos os compostos foram submetidos a todos os testes de toxidez necessários, é possível que, tanto no setor industrial, quanto em ambientes interiores, estejamos expostos a uma carga mais elevada de poluentes do que seria recomendável (Aquino Neto & Brickus, 1999). Os parâmetros de saúde ocupacional em ambientes industriais não definidos pela NR-15 seguem outros padrões nacionais ambientais, como o Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA (Brasil, 1990). Apenas com fins comparativos, são utilizados parâmetros internacionais de saúde ocupacional, como os do NIOSH (1998), OSHA (1990) e OMS (WHO, 2000), e ambientais, como os da U.S. Environmental Protection Agency (USEPA, 1990). O mesmo é válido para avaliação do ar em ambientes não industriais.

NR-15 Atividades e operações insalubres (115.000-6): http://www.mte.gov.br/legislacao/normas_regulamentadoras/nr_15.pdf

2. PROCONVE

O Brasil, como todo país em desenvolvimento, apresenta um crescimento explosivo de suas regiões metropolitanas. O Estado de São Paulo enfrenta uma situação particularmente preocupante por deter cerca de 40% da frota automotiva do país. Segundo dados da PRODESP, a frota motorizada no Estado de São Paulo, em dezembro de 2004, é de aproximadamente 15,1 milhões de veículos. A frota da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) representa cerca de 7,8 milhões de veículos. A frota de veículos do ciclo Diesel (caminhões, ônibus, microônibus, caminhonetes e vans), no Estado de São Paulo, é composta por 1.057 mil veículos e na RMSP por 452,6 mil veículos. Nas áreas metropolitanas, o problema da poluição do ar tem-se constituído numa das mais graves ameaças à qualidade de vida de seus habitantes. As emissões causadas por veículos carregam diversas substâncias tóxicas que, em contato com o sistema respiratório, podem produzir vários efeitos negativos sobre a saúde. Essa emissão é composta de gases como: monóxido de carbono (CO), óxidos de nitrogênio (NOx), hidrocarbonetos (HC), óxidos de enxofre (SOx), material particulado (MP), etc.
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O monóxido de carbono (CO) é uma substância inodora, insípida e incolor - atua no sangue reduzindo sua oxigenação. Os óxidos de nitrogênio (NOx) são uma combinação de nitrogênio e oxigênio que se formam em razão da alta temperatura na câmara de combustão - participa na formação de dióxido de nitrogênio e na formação do "smog" fotoquímico. Os hidrocarbonetos (HC) são combustíveis não queimados ou parcialmente queimados que é expelido pelo motor - alguns tipos de hidrocarbonetos reagem na atmosfera promovendo a formação do "smog" fotoquímico. A fuligem (partículas sólidas e líquidas), sob a denominação geral de material particulado (MP), devido ao seu pequeno tamanho, mantém-se suspensa na atmosfera e pode penetrar nas defesas do organismo, atingir os alvéolos pulmonares e ocasionar: • mal estar; • irritação dos olhos, garganta, pele etc.; • dor de cabeça, enjôo; • bronquite; • asma; • câncer de pulmão.

Outro fator a ser considerado é que essas emissões causam grande incômodo aos pedestres próximos às vias de tráfego. No caso da fuligem (fumaça preta), a coloração intensa e o profundo mau cheiro desta emissão causa de imediato uma atitude de repulsa e pode ainda ocasionar diminuição da segurança e aumento de acidentes de trânsito pela redução da visibilidade. A CETESB é o órgão técnico conveniado pelo IBAMA para assuntos de homologação de veículos em âmbito nacional, tendo também a responsabilidade pela implantação e operacionalização do Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores - PROCONVE. As metodologias internacionais foram adaptadas às necessidades brasileiras e se desenvolveram fundamentos técnicos para combater a poluição gerada pelos veículos automotores, que serviu de base para que o CONAMA criasse o Programa. Assim, todos os novos modelos de veículos e motores nacionais e importados são submetidos obrigatoriamente à homologação quanto à emissão de poluentes. Para tal, são analisados os parâmetros de engenharia do motor e do veículo relevantes à emissão de poluentes, sendo também submetidos a rígidos ensaios de laboratório, onde as emissões de escapamento são quantificadas e comparadas aos limites máximos em vigor.Desde que foi implantado, em 1986, o Programa reduziu a emissão de poluentes de veículos novos em cerca de 97%, por meio da limitação progressiva da emissão de poluentes, através da

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introdução de tecnologias como catalisadores, injeção eletrônica de combustível e melhorias nos combustíveis automotivos. 3. PROALCOOL Em 1979, iniciou-se o Programa Nacional do Álcool - PROALCOOL e a partir de então, ocorreram novas e importantes modificações na composição dos combustíveis utilizados pelos veículos automotores. Neste mesmo ano, foi iniciado o fornecimento da mistura da gasolina com o álcool anidro, com 15% de etanol, chegando-se a 22% nos anos seguintes e, ainda, iniciada a produção de veículos movidos a etanol. A porcentagem de 22% de etanol em volume de gasolina foi adotada pelo CONAMA em 1990, por recomendação do setor energético. Em 1998, o Governo Federal, com a Medida Provisória nº 1662-3, de 25 de agosto, elevou o teor de álcool etílico anidro na gasolina para 24% em volume. Essa elevação, com relação aos 22% anteriores, não acarreta alterações sensíveis no perfil de emissão dos veículos em circulação, uma vez que os veículos fabricados nestes últimos anos, com tecnologia mais avançada, como injeção eletrônica e sensores de.oxigênio, são dotados de sistema de auto compensação da relação ar/combustível para variações dessa ordem de etanol. Os novos limites de emissão estabelecidos na Resolução CONAMA 315/02 a serem cumpridos pelas montadoras/importadoras exigem adequação dos combustíveis, por essa razão, se discute atualmente com a ANP - Agencia Nacional do Petróleo, os refinadores de petróleo e as montadoras de veículos, as especificações mínimas necessárias ao atendimento dos requisitos ambientais. O cronograma de implantação das especificações dos combustíveis está incluído na nova fase do PROCONVE e do ‘PROMOT, de forma a permitir o uso de tecnologias capazes de atender às exigências ambientais, com melhora significativa na emissão de material particulado por camionetas, caminhões e ônibus com motores do ciclo Diesel. Nesse segmento, houve uma ação altamente positiva da PETROBRÁS, como introduzir o óleo diesel S500 (com 500 ppm de enxofre - Resolução ANP 12/2005) nas principais regiões metropolitanas do país, substituindo o diesel metropolitano com 2000 ppm de enxofre, reduzindo, portanto, 75% do teor de enxofre contido no óleo diesel e propiciando um efeito de redução de emissão de fumaça preta em toda a frota de veículos à diesel. 4. FUMAÇA PRETA Rotineiramente é feita a fiscalização da emissão excessiva de fumaça preta (partículas de carbono elementar), oriundas dos veículos automotores a óleo diesel. Durante os meses de inverno (maio à
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setembro), devido à dificuldade de dispersão de poluentes na atmosfera, essa fiscalização é intensificada numa operação denominada Caça-Fumaça. Os infratores são multados. O valor da multa funciona como elemento para convencer os proprietários de veículos a diesel de que a melhor opção é manter os motores bem regulados, conforme as especificações dos fabricantes. Além do controle repressivo, são desenvolvidos outros trabalhos de caráter preventivo, como por exemplo: campanhas de educação, orientação e conscientização de frotistas. Deste conjunto de ações feitas pela CETESB, obteve-se significativa melhora na frota em circulação, com o índice de veículos regulados que era da ordem de 65% (1995) subindo para 93% (agosto/2001). Existem muitos equipamentos e técnicas para monitoramento das emissões, como por exemplo a Escala de Ringelmann e o Coletor Isocinético. A Escala de Ringelmann (figura 9) é uma escala gráfica para avaliação colorimétrica de densidade de fumaça, constituída de seis padrões com variações uniformes de tonalidade entre o branco e o preto.

Figura 1 - Escala de Ringelmann Para descobrir se o veículo ou a chaminé está emitindo fumaça acima do permitido, utiliza-se a Escala de Ringelmann e compara-se com padrões estabelecidos pela legislação ambiental. A exemplo o CONAMA 08/90 para áreas Classe II e III define: “ b) Densidade Colorimétrica: máximo de 20% (vinte por cento), equivalente a Escala de Ringelmann nº 01, exceto na operação de ramonagem e na partida do equipamento.” 5. INSPEÇÃO / MANUTENÇÃO A redução dos níveis de emissão dos veículos novos é fator fundamental, mas não garante, por si só, a melhoria da qualidade do ar. É necessário garantir também que os veículos sejam mantidos ao longo de
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sua vida útil conforme as especificações do fabricante. Dessa forma, o PROCONVE prevê a implantação de programas de inspeção ambiental e manutenção de veículos em uso, regulamentados em 1993 pela Resolução CONAMA n.º 07/93, complementada pelas Resoluções CONAMA n.º 18/95, 251, 252 e 256/99. Com a publicação das Resoluções do CONAMA, originadas de propostas técnicas elaboradas pela CETESB, criaram-se as condições para o estabelecimento dos Programas de Inspeção Veicular Ambiental (PIV) pelos Estados da Federação – à exceção do Município de São Paulo, que, em razão da Lei Federal 10203/01, pode realizar seu próprio programa de inspeção ambiental. De acordo com a experiência internacional, espera-se que o PIV reduza as emissões totais médias da frota circulante em até 20% para Monóxido de Carbono (CO) e Hidrocarbonetos (HC) e 30% para o Material Particulado (MP), o que dependerá da abrangência e das características técnicas de implementação a serem adotadas no Programa. O PIV também reduzirá as emissões excessivas de ruído, originadas pela adulteração e/ou deterioração dos escapamentos de veículos leves, pesados e motocicletas, abrangidos pelo Programa. Além dos benefícios ambientais, o PIV contribuirá para a redução global do consumo de combustível da frota em até 5%, dos congestionamentos causados por panes mecânicas e para a melhoria da segurança rodoviária, com a possibilidade de integração com os programas de inspeção de segurança (mais de 200 itens relacionados com freios, pneus, suspensão, luzes etc.). Esses últimos já são previstos no novo Código de Trânsito Brasileiro (Lei federal 9503/97), entretanto, aguardam desde 1997 a regulamentação pelo CONTRAN. O PIV será uma valiosa fonte de informações sobre os defeitos mais freqüentes encontrados em cada modelo produzido, oferecendo aos consumidores precisos subsídios para a decisão de escolha dos veículos. Essas informações também ajudarão os fabricantes a efetivamente melhorarem seus produtos. Além da geração de milhares de empregos, o PIV também contribuirá para identificação de veículos irregulares e roubados. Graças ao pioneiro Programa de Capacitação de Oficinas, ao Programa de Melhoria da Manutenção de Veículos a Diesel e ao Convênio da CETESB com o SENAI e o SINDIREPA para treinamento do setor de assistência técnica, a rede de oficinas do Estado de São Paulo conta, desde meados da década de noventa, com bases sólidas para o início da inspeção veicular, que depende essencialmente da qualidade dos serviços de reparação para seu pleno sucesso. Até o presente, o SENAI já treinou cerca de 1000 técnicos no curso de Emissões de Poluentes Veiculares e criou, também com suporte da CETESB, a infra-estrutura didática para oferecer cursos de treinamento e certificação de inspetores veiculares. Visando a evitar possível constrangimento à população - que de outra forma, teria que levar seus veículos em dois locais para realização das inspeções de emissões e segurança, com o pagamento de duas tarifas de inspeção - o Governo do Estado aguarda a regulamentação pelo CONTRAN da inspeção de
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segurança veicular, para, em parceria com o DETRAN-SP, iniciar o PIV integrado de emissões e segurança, atendendo assim as necessidades sociais e ambientais da comunidade. Não obstante, os especialistas da CETESB seguem estudando o aperfeiçoamento das normas e regulamentos para exercer vigorosa auditoria nas futuras estações de inspeção, de modo a assegurar e maximizar os benefícios do PIV. 6. PROMOT A ação das diretrizes do PROCONVE sobre a frota de veículos de quatro rodas que circula na RMSP, tem propiciado ganhos ambientais notáveis nesta região de interesse pois, embora a frota de automóveis, ônibus e caminhões tenha crescido de forma surpreendente nos últimos anos, a qualidade do ar não tem sido prejudicada e os períodos de inverno mais recentes passaram sem a ocorrência de episódios críticos de poluição do ar causados por fontes móveis. Vencido este primeiro desafio, a atenção está voltada ao segmento emergente das motocicletas e veículos similares, cuja frota na RMSP vem crescendo de forma notável nos últimos anos e seu perfil de utilização, predominante no segmento econômico de prestação de serviços de entregas em regiões urbanas. Sendo assim, tornou-se necessário o estabelecimento de um programa específico para o controle das emissões desses veículos, tendo em vista os elevados fatores de emissão dos mesmos em relação aos dos automóveis novos. Assim, a CETESB elaborou, juntamente com as montadoras, uma proposta para o controle otimizado dessa categoria de fontes móveis, com o estabelecimento de um Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares - PROMOT, com datas e metas pré-estabelecidas. Esta proposta foi baseada nas legislações vigentes na Europa, principalmente na Diretiva das Comunidades Européias nº 97/24/EC, sendo os primeiros limites de emissão propostos para vigorar a partir de 01 de janeiro de 2003, (limites EURO I) considerando que o atual estágio tecnológico da indústria nacional possibilita o atendimento desta meta de controle. A proposta culminou na Resolução CONAMA nº 297 de 26/02/2002, que concede um período de tempo suficiente para o aprimoramento tecnológico desses veículos, dada a necessidade de transferir sistemas de controle utilizados no exterior, para os veículos nacionais e prevê a partir de janeiro de 2006, uma redução significativa nas emissões (limites EURO II). Em seguida foram estabelecidas a Instrução Normativa IBAMA n° 17/2002 e a Resolução CONAMA 342/2003, complementando a 297/2002, estabelecendo limites EURO III para os motociclos em 2009. Após o estabelecimento desta infra-estrutura de regulamentação, onde o Brasil está apenas uma fase de controle atrás da Europa, o segmento de fabricantes e importadores de motociclos responderam
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positivamente às exigências do PROMOT, já em 2003. Isso resultou na redução em 2/3 da emissão de monóxido de carbono em relação aos modelos anteriores sem controle de emissão.

Tabela 5: Índices de emissão de poluentes por motocicletas após instalação do PROMOT. Ano Jan/03 Jan/05/064 Jan/09 Motor (cm3) todos < 150 >= 150 < 150 >= 150 CO HC NOx (g/km) (g/km) (g/km) 13,0 3,0 0,3 5,5 1,2 0,3 5,5 1,0 0,3 2,0 0,8 0,15 2,0 0,3 0,15 CO-ML (g/km) 6,02 ou 4,53 não especificado não especificado não especificado não especificado

1. Conforme Resolução CONAMA n° 297/02. Medições conforme a Diretiva da Comunidade Européia n° 97/24/EC, anexo II; 2. Para deslocamento volumétrico ≤ 250 centímetros cúbicos; 3. Para deslocamento volumétrico > 250 centímetros cúbicos; 4. Para veículos derivados de três ou quatro rodas há limites específicos nesta fase, a saber: (CO = 7,0 g/km; HC = 1,5 g/km e NOx = 0,4 g/km).

7. TRANSPORTE SUSTENTÁVEL As seguintes diretrizes de Transporte Sustentável são recomendadas pela Comissão de Meio Ambiente da ANTP - na qual a SMA e a CETESB são membros integrantes - para orientar as políticas públicas relacionadas com o sistema de transportes e o uso do solo, de modo a racionalizar os deslocamentos, ampliar a mobilidade urbana e reduzir os impactos sobre o meio ambiente e a qualidade de vida:
− − − − −

Incentivar a utilização do transporte público e do transporte não-motorizado Promover a utilização de veículos de baixo impacto poluidor Desincentivar a utilização do transporte individual Promover o adensamento das áreas centrais e controlar a dispersão urbana Promover a gestão ambiental urbana

8. MONITORAMENTO DE POLUENTES ATMOSFÉRICOS Atualmente em função da crescente preocupação com o meio ambiente, cresce também a necessidade de avaliar os impactos reais e potenciais gerados a partir da poluição ambiental. Relacionado a este tema destaca-se o requisito 4.5.1 Monitoramento e Medição da NBR-ISO-14001:1996 que descreve:
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“A organização deve estabelecer e manter procedimentos documentados para monitorar e medir, periodicamente, as características principais de suas operações e atividades que possam ter um impacto significativo sobre o meio ambiente.” da mesma forma a recente Lei do Estado do Paraná nº13806 de 30/09/2002 - que Dispõe sobre as atividades pertinentes ao controle da poluição atmosférica, padrões e gestão da qualidade do ar, conforme especifica e adota outras providências, destaca: Art. 38. Os empreendimentos e atividades públicos ou privados, que abriguem fontes efetiva ou potencialmente poluidoras do ar, deverão adotar o automonitoramento ambiental, através de ações e mecanismos que evitem, minimizem, controlem e monitorem tais emissões e adotem práticas que visem à melhoria contínua de seu desempenho ambiental. Os monitoramentos podem ser realizados no processo de emissão e imissão de poluentes, ou melhor dizendo, pode ser realizada a quantificação dos poluentes lançados na atmosfera e a quantificação dos poluentes que estão dispersos no ar. 8.1 MONITORAMENTO DE EMISSÕES Entre objetivos do monitoramento das emissões destacam-se: • controle do processo poluidor (Ex. Combustão); • controle dos padrões de emissão; • controle da eficiência de um equipamento; • comparação de métodos diferentes de medição; • calcular fatores de emissão; • testar a conseqüência causada pela mudança de um processo; • avaliar a formação de poluentes dentro do processo. Existem muitos equipamentos e técnicas para monitoramento das emissões, como por exemplo a Escala de Ringelmann e o Coletor Isocinético. Para descobrir se o veículo ou a chaminé está emitindo fumaça acima do permitido, utiliza-se a Escala de Ringelmann (figura 10) e compara-se com padrões estabelecidos pela legislação ambiental.

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Figura 2 – Uso da Escala de Ringelmann para Avaliação da Emissão Veicular O Coletor Isocinético de Poluentes Atmosféricos (figura 11), ou amostrador isocinético, amostra uma quantidade de material particulado suspenso em uma corrente gasosa, sem a separação mecânica do material particulado. Este tipo de equipamento pode realizar a amostragem de outros poluentes como o Dióxido de Enxofre.

Figura 3 - Coletor Isocinético Para planejamento deste tipo de amostragens são necessárias várias informações, como: • onde deve ser executado a medição; • onde será localizado os orifícios na seção transversal da chaminé para introdução da sonda; • onde construir uma plataforma com cobertura, eletricidade e segurança no ponto de medição; • quantos pontos de coleta serão necessários na seção transversal selecionada. 8.2 MONITORAMENTO DAS IMISSÕES1 OU DA QUALIDADE DO AR Entre objetivos do monitoramento das imissões destacam-se:
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Poluentes do ar são denominadas emissões ao sair das instalações, e imissões no lugar de seu efeito. 16

• calcular a trajetória dos poluentes na atmosfera; • estudar a formação e degradação de poluentes na atmosfera; • calcular o fluxo dos componentes; • determinar a exposição aos poluentes; • determinar a instalação de alarmes para determinados poluentes; • determinar a deposição de poluentes na flora e fauna; • gerar relatórios sobre a qualidade do ar; • estudar o impacto de novas fontes de emissão. Como exemplos de equipamentos para monitoramento das imissões tem-se o Hi-Vol e as estações de monitoramento. O Hi-Vol ou Amostrador de Alto Volume (figura 12) coleta partículas através de um filtro após longos períodos de coleta.

Figura 4 - Amostrador de Alto Volume As Estações de monitoramento da qualidade do ar (figura 13) contemplam um conjunto de equipamentos para monitoramento de diferentes poluentes (ex. material particulado, CO, NOx, SOx, HC, O3) assim como sensores para monitoramento de condições atmosféricas (ex. velocidade do vento, radiação solar).

Figura 5 - Estação fixa e Unidade Móvel de Monitoramento de Qualidade do Ar
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9. METODOLOGIA DE CONTROLE DA POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA 9.1 INTRODUÇÃO 9.1.1 Fases do processo de poluição do ar

Figura 6: Fases do processo de poluição do ar

9.2. MÉTODOS DE CONTROLE DA POLUIÇÃO DO AR 9.2.1. Medidas Indiretas São medidas que visam impedir à geração do poluente, tais como: substituição de matérias primas e reagentes: enxofre por soda na produção de celulose, eliminação da adição de chumbo tetraetila na gasolina, uso de resina sintética ao invés de borracha na fabricação de escovas de pintura.

9.2.1.1. Mudanças de processos ou operação Utilização de operações contínuas automáticas; Uso de sistemas completamente fechados; Condensação e reutilização de vapores (indústria petrolífera); Processo úmido ao invés de processo seco; Processo soda ou termoquímico ao invés de processo KRAFT na produção de celulose (soda reduz emissão de gás sulfídrico); 9.2.1.2 Diminuir a quantidade de poluentes geradas Operar os equipamentos dentro da capacidade nominal; Boa operação e manutenção de equipamentos produtivos; Adequado armazenamento de materiais pulverulentos;
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-

Mudança de processos, equipamentos e operações: fornos à óleo por fornos elétricos de indução (fundições), umidificação (pedreiras), controle da temperatura de fusão de metais;

-

Operação de equipamentos com pessoal treinado, redução da oxidação de SO2 à SO3 pela redução do excesso de ar (menor que 1%) quando da queima de óleos combustíveis;

-

Mudança de combustíveis: combustível com menor teor de enxofre (óleo BPF por BTE); Combustível líquido por combustível gasoso, combustível sólido por combustível líquido ou gasoso, substituição de combustíveis fósseis por energia elétrica.

9.2.1.3 Diluição através de chaminés elevadas Fatores a serem considerados Relacionados com o processo: quantidade emitida, temperatura de emissão, estado dos poluentes, concentração, distrib. de tamanho das partíc., propr. químicas e toxicológicas dos poluentes; Relacionados com a fonte: altura e diâmetro da chaminé, velocidade dos gases na chaminé Relação da chaminé com as demais; meteorológicas: direção e velocidade dos ventos, temperatura, estabilidade atmosférica aspectos topográficos.

9.2.1.4 Mascaramento do poluente Eliminação da percepção nasal humana de um odor pela superposição de outro odor. 9.2.1.5. Localização seletiva Fonte/Receptor (planejamento territorial) 9.2.1.6. Adequada construção (lay-out) e manutenção dos edifícios industriais
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-

armazenamento de produtos; adequada disposição de resíduos sólidos e líquidos.

9.2.2 Medidas diretas 9.2.2.1. Concentração dos poluentes na fonte para tratamento efetivo antes do lançamento na atmosfera (sistemas de ventilação local exaustora) 9.2.2.2. Retenção do poluente após geração através de equipamentos de controle de poluição do ar (ECP) 9.3 Classificação dos equipamentos de controle de poluição do ar Os equipamentos de controle são classificados primeiramente em função do estado físico do poluente a ser considerado. Em seguida a classificação envolve diversos parâmetros como mecanismo de controle, uso ou não de água ou outro líquido, etc. 9.3.1. Equipamentos de controle de material particulado 9.3.1.1. Coletores secos Coletores mecânicos inerciais e gravitacionais; Coletores mecânicos centrífugos (ex.: ciclones); Precipitadores dinâmicos secos; Filtro de tecido (ex.: o filtro-manga); Precipitador eletrostático seco.

9.3.1.2. Coletores úmidos Torre de “spray” (pulverizadores); Lavadores com enchimento; Lavador ciclônico; Lavador venturi; Lavadores de leito móvel.
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9.3.2. Equipamentos de controle para gases e vapores Absorvedores; Adsorvedores; Incineração de gás com chama direta; Incineradores de gás catalíticos.

9.4 CONCEITOS BÁSICOS PARA OS EQUIPAMENTOS DE CONTROLE DA POLUIÇÃO DO AR 9.4.1. Eficiência dos equipamentos

onde, A = carga de entrada (concentração) e B = carga de saída. 9.4.2. Eficiência Global de Coleta Na prática existem muitos casos de utilização de equipamentos de controle em série, como por exemplo, um ciclone seguido de um lavador. Nesse caso define-se a Eficiência Global de Coleta.

9.4.3. Penetração, Fator de Despoluição e Índice de Despoluição Usada para coletores com eficiência extremamente alta

Onde, P = penetração.
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9.4.4. Emissão após controle (Ef)

9.4.5. Quantidade coletada

Exemplo: Determinar a eficiência global de coleta, a penetração e a quantidade encontrada após controle, para um sistema de controle de poluição do ar composto de 3 equipamentos em série, numa fonte de material particulado. Dados: . quantidade inicial de material particulado presente no efluente: 10.000 kg/h . eficiência de controle do equip. 1: 40% . eficiência de controle do equip. 2: 60% . eficiência de controle do equip. 3: 90% 9.5 EQUIPAMENTOS DE COLETA DE MATERIAL PARTICULADO (AEROSÓIS) A retenção de partículas, originado de gases residuais, é um dos problemas de maior importância dentro do contexto da limitação da emissão de contaminantes gasosos. Esses são responsáveis por elevado número de fenômenos que depende da concentração e tempo de exposição. Do ponto de vista da meteorologia se comportam como núcleos de condensação favorecendo a formação de neblinas que modificam, nas zonas altamente contaminadas, o microclima. Do ponto de vista sanitário, as partículas em suspensão representam um grave perigo para pessoas afetadas por enfermidades bronquíticas crônicas. Por outra parte, é grande a influência na vegetação, que uma vez depositado, obstruem estômatos e folhas dificultando o normal desenvolvimento de muitas das atividades biológicas (fotossíntese). A retenção das partículas é um problema bastante complicado que carece de uma solução única. Junto com o aspecto da da separação em si, se encontram fenômenos tais como: perda de carga, esfriamento da corrente gasosa e outros que obrigam estudar cada caso particular elegendo o sistema mais adequado em cada circunstância.

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9.5.1. MECANISMOS DE COLETA A coleta de partículas envolve a aplicação de um ou mais dos seguintes mecanismos: • Sedimentação gravitacional: mecanismo de deposição importante somente para partículas grandes (maiores que 20 micra). A eficiência de coleta de partículas através de sedimentação gravitacional é função da velocidade terminal da partícula. A sedimentação gravitacional é diretamente proporcional à densidade e diâmetro da partícula; • Força centrífuga: a Força Centrífuga age sobre partículas que estejam em movimento numa trajetória circular, fazendo com que a partícula se afaste do centro do círculo e no caso de ciclones, se dirija às paredes do mesmo. a coleta através do mecanismo da força centrífuga será tanto maior quanto maiores forem o diâmetro da partícula e sua velocidade tangencial e quanto menor o diâmetro do coletor. A coleta por força centrífuga na prática é limitada a fontes de poluição do ar que emitem quantidades razoáveis de partículas maiores que 5 a 10 micra. Em geral os coletores centrífugos (ciclones) são utilizados como pré coletores. • Impactação: representa a "batida" da partícula contra um obstáculo que faz com que a partícula que estava em movimento diminua a sua energia e se separe do fluxo gasoso que a transportava;

Figura 7 - Representação do processo de impactação inercial.

O controle de partículas por impactação é geralmente conseguido através de pequenos obstáculos secos ou úmidos. O obstáculo úmido, em geral, são as gotas do líquido de lavagem. Os obstáculos secos são de várias formas, como por exemplo, cilíndricos, esféricos, chatos, elipsóidicos, etc. A impactação inercial é um importante mecanismo de coleta, mas se restringe a partículas maiores que 1 µm (em diâmetro). •Intercepção: a intercepção é um mecanismo de coleta que pode ser considerado como um caso limite da impactação, pois representa o mecanismo de coleta para as partículas que

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ao atingir o coletor (obstáculo) estejam a uma distância igual ao seu diâmetro, ou seja, aquelas partículas que "raspam" o coletor;

Figura 8 - Representação do mecanismo de intercepção. • difusão: o mecanismo de difusão torna-se mais importante a medida que o tamanho das partículas diminui. Esse mecanismo de coleta não apresenta importância para as partículas maiores que 1 µ em diâmetro. As partículas menores, em função da sua energia térmica, estão em constante movimento, similarmente ao que ocorre com as moléculas de um gás, fenômeno este chamado de Browniano; • força eletrostática: é um mecanismo de coleta predominante em precipitadores eletrostáticos. No entanto apresenta importância em outros tipos de equipamentos de controle de poluição do ar, como os filtros de tecidos, uma vez que as partículas podem ter, na ausência de campo elétrico, cargas elétricas positivas ou negativas. O carregamento elétrico de partículas ocorre não só por ação do campo elétrico, o qual é importante para partículas de tamanhos maiores que 0,5 µ em diâmetro, mas também por difusão, o qual age mais intensamente em partículas pequenas ( menores que 0,2 µ). Para as partículas com diâmetro entre 0,2 µ e 0,5 µ o carregamento elétrico ocorre tanto por ação do campo elétrico como por difusão. 9. 6. EQUIPAMENTOS PARA REMOÇÃO DE GASES E VAPORES 9.6.1. ABSORVEDORES Os absorvedores são equipamentos utilizados para a absorção de gases. A absorção é uma transferência de massa de fase uma fase gasosa para uma fase líquida. Os gases efluentes passam através de absorvedores (lavadores) que contém líquidos absorvedores que removem,
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tratam ou modificam os poluentes. Seus usos típicos englobam a absorção de enxofre (SO2), sulfeto de hidrogênio (H2S), gás clorídrico (HCl), amônia (NH3), gás fluorídrico (HF) e hidrocarbonetos leves. O projeto de absorvedores envolve os seguintes passos: o o

Seleção do Solvente O absorvente ideal deve obedecer aos seguintes requisitos: O gás deve ser prontamente solúvel no mesmo ou deve ser altamente reativo para se ter altas taxas de transferência de massa de forma a diminuir a quantidade de líquido absorvente;
o

O absorvente deve ser não volátil para evitar emissões secundárias e aumento no consumo do absorvente; Deve ser não corrosivo, para reduzir custo com materiais de construção especiais; Deve ser barato e facilmente disponível; Obtenção de dados de equilíbrio e de reação; Seleção do tipo de absorvedor: inicialmente deve ser escolhido aquele que

o o o

-

propicie a maior área de transferência de massa, de funcionamento simples e de menor custo. Os enchimentos em torres de enchimento são utilizados para aumentar a orla disponível para transferência de massa; no entanto podem ser também um foco de ocorrência encrustações e entupimento; Determinação da vazão de líquido; Dimensionamento do absorvedor; Escolha de materiais de construção.

9.6.2. ADSORVEDORES A adsorção é um processo seletivo e bastante apropriado para a remoção de gases presentes em baixas concentrações, principalmente substâncias causadoras de odor. No entanto a adsorção também é empregada para a recuperação de solventes, como no caso de limpeza de roupas a seco. Leva significativa vantagem em relação aos incineradores de gás pela não necessidade de uso de combustível auxiliar além de possibilitar a recuperação de solventes quando se utiliza o processo regenerativo. A presença de material particulado no fluxo de gás a ser tratado prejudica o material absorvente encurtando o seu tempo de vida. O mesmo pode ocorrer com a condensação de líquidos. O processo de adsorção envolve a remoção de um ou mais componentes gasosos do fluxo de gás através de aderência dos
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mesmos na superfície de um sólido. As moléculas de gás removidas denominam-se ADSORBATO, e o sólido que retém, ADSORVENTE.

Figura 9 - Representação do mecanismo de absorção.

Figura 10 - Representação do processo de adsorção.

9.6.2.1. Substâncias adsorventes O adsorvente apresenta a característica de ser um material sólido, poroso e de grande área superficial específica. Como exemplo pode-se citar que a área ativa de muitos adsorventes atinge a 107 cm2/g de adsorvente (aproximadamente 1000 m2 em cada grama de adsorvente). Os principais adsorventes utilizados em poluição do ar são: carvão ativado alumina ativada peneiras moleculares sílica gel

Os três primeiros são substâncias amorfas enquanto as peneiras moleculares são substâncias cristalinas constituídas basicamente de alumino-silicato de metais (potássio, magnésio, sódio ou cálcio). As peneiras moleculares são relativamente novas, tendo o seu uso comercial se iniciado por volta de 1954. Possuem a vantagem de poderem ser feitas sob medida para uma aplicação específica. O carvão ativado (Figura 6) é produzido pelo aquecimento de sólidos orgânicos (carvão, madeira dura, côco, etc.) a aproximadamente 900°C em atmosferas redutoras. Esse adsorvente é um dos mais antigos e é muito utilizado face à sua versatilidade, disponibilidade e custo. A densidade está na faixa de 0,08 a 0,5 g/cm3.

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Figura 11 - Carvão ativado.

Os adsorventes em geral tem tamanhos na faixa de 4 a 20 mesh (4,76 mm a 841 µm) e são descritos como "pellets" ou "beads". Outra característica importante de um adsorvente é a sua alta temperatura de oxidação para prevenir oxidação e adequada resistência de forma a manter-se estruturalmente estável. A Tabela 6 apresenta algumas características do carvão ativado, silica-gel e alumina ativada assim como das terras diatomáceas e fuller para fins de comparação. A impregnação do carvão ativado com substâncias químicas adequadamente escolhidas pode aumentar a afinidade adsortiva para certas substâncias. Um exemplo é o uso de carvão ativado impregnado com acetato de chumbo para a adsorção de gás sulfídrico. Nesse caso ocorre uma reação química resultando na formação de sulfeto de chumbo o qual não pode ser recuperado sem a destruição do adsorvente que deve e então ser descartado.

Tabela 6 – Características dos Adsorventes.

ADSORVENTE Carvão ativado Alumina ativada Terras Fuller Diatomáceas e

ÁREA ATIVA m2/g 500 a 1500 200 a 600 4,2

VOLUME DOS POROS cm /g 0,6 a 0,8 0,4 1,14
3

DIÂMETRO MÉDIO DOS POROS (Å) 20 a 40 30 a 200 22000

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Tabela7 – Capacidade de adsorção relativa do carvão ativado para várias substâncias orgânicas.

Poluente Acetaldeído Ácido acético Acetona Acroleina Aminas Amônia Anestésicos Odores animais Benzeno Odores corporais Butano Álcool butílico Ácido butírico Odor de câncer Ácido caprílico Agentes mascaradores Ozona Suor Propano Frutas amadurecidas Solventes Tolueno

Índice2 2 4 3 3 2 2 3 3 4 4 2 4 4 4 4 4 4 4 2 4 3 4

Poluente Gás carbônico Monóxido de carbono Tetracoreto de carbono Cloro Fumaça de cigarro Cresol Fumaça de óleo diesel Desinfetantes Acetato de etila Etileno Óleos essenciais Formaldeído Gasolina Odores hospitalares Cheiro caseiro Mercaptanas Perfumes e cosméticos Fenol Ppiridina Smog Abafado (lugar) Turpentina (terebintina)

Índice 1 1 4 3 4 4 3 4 4 1 4 2 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4

Tabela8 – Capacidade de adsorção e retentividade de carvão ativado para algumas substâncias orgânicas.

Substâncias Tetracloreto de carbono Gasolina Benzeno Metanol Etanol Isopropanol Acetato de etila Acetona Ácido acético

Capacidade de adsorção % peso 180 – 110 10 – 20 45 – 55 50 50 50 57,5 51 70

Retenção após remoção % peso 27 – 30 2–3 5,9 1,2 1,05 1,15 4,87 3,0 2,5

Os adsorvedores podem operar com sistema de regeneração ou o material adsorvente pode ser descartado após a exaustão. A regeneração é conseguida em geral pela passagem em fluxo contrário de vapor a baixa pressão, o qual será condensado, juntamente com o adsorbato (substância adsorvida) num sistema de condensação adequado. Caso o adsorbato não seja de fácil condensação o
2 Significado do índice 4. alta capacidade para todos os materiais desta categoria. Uma libra absorve 20 a 50% de seu próprio peso (média 33%). Essa categoria engloba quase todos os odores. 3. Capacidade satisfatória. Adsorve entre 10 e 25% do peso (média 16,7%). 2. razoável em função das condições de operação, requerendo estudos específicos. 1. Baixa capacidade de adsorção por carvão ativo, não sendo recomendado seu uso.

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mesmo deverá ser incinerado ou controlado por outro meio. A regeneração é importante para reduzir os custos do sistema quando o produto tem valor comercial e está presente em concentrações razoáveis, de preferência em altas concentrações. Os adsorvedores são extremamente efetivos na remoção de poluentes gasosos. Mesmo à baixa concentrações, os mesmos podem ser projetados e operados a eficiências próximas a 100%. 9.7 INCINERADORES DE GASES E VAPORES A incineração é um método bastante eficaz para a eliminação de gases e vapores de origem orgânica. A combustão, que é o processo utilizado na incineração, transforma os contaminantes combustíveis em dióxido de carbono e vapor d'água. A incineração também pode ser utilizada para a oxidação de compostos inorgânicos como o gás sulfídrico (H2S) que é um gás de odor bastante desagradável, transformando-o em dióxido de enxofre e vapor d'água. Neste último caso temos a transformação de um gás poluente em outro também poluente porém, dependendo da quantidade de dióxido de enxofre que será formada, é melhor que se tenha este último do que o odor desagradável do gás sulfídrico. Para se ter uma idéia da importância do controle de compostos orgânicos combustíveis é bastante citar que milhares de diferentes tipos destes compostos são emitidos para a atmosfera os quais são provenientes de diferentes operações em diversos tipos de indústrias. Muitas emissões industriais tem sido controladas com sucesso pelo uso da incineração, especialmente quando poluentes orgânicos estão envolvidos seja como gás, vapor ou aerosol. Algumas dessas operações são: secadores de sangue animal, digestores utilizados na produção de farinha de carne, farinha de osso, farinha de penas e farinha de peixe; torrefações de café, secagem de pintura de veículos e outros artefatos; secagem de chapas envernizadas, defumação de carne, etc. A combustão também está sendo utilizada na redução das emissões de monóxido de carbono e hidrocarbonetos por fontes móveis (veículos). 9.7.1. Incinerador de Chama Direta A figura 6 mostra p incinerador de chama direta . Seus parâmetros de funcionamento e aplicações são: - temperatura : 400 a 870°C
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- tempo médio de retenção: 0,3 a 0,5 segundos - eficiência: > 98% - indústria de tintas e vernizes, torrefação de café, refinarias, indústrias de aproveitamento de resíduos animais, oxidação do asfalto. O funcionamento do incinerador de chama direta depende do contato da chama e de temperatura relativamente altas para queimar os contaminantes. Em princípio qualquer tipo de combustível pode ser utilizado como combustível auxiliar, contudo, para propósitos de controle de poluição do ar o combustível mais indicado é gasoso, sendo que o combustível líquido também tem sido usado.

Figura 12 - Incinerador de Chama Direta.

9. 8. PROCESSO BIOLÓGICO DE TRATAMENTO DE GASES E VAPORES O princípio do tratamento biológico data da década de 20, sendo a primeira patente em 1941. A primeira realização em escala industrial data de 1953. Logo depois, a biodesodorização teve um grande desenvolvimento devido às preocupações quanto aos crescentes problemas de poluição e seus incômodos. A biodesodorização de gás mal odorante implica no contato da biomassa e do substrato a ser tratado. Os tratamentos biológicos dos compostos gasosos são realizados através de microrganismos e enzimas para oxidar a matéria orgânica, parcialmente ou totalmente até a produção e água e gás carbono.
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A biodegradação exige a presença de matéria carbonácea, oxigênio, derivados de nitrogênio, enxofre e de fósforo. Os compostos para degradar são, geralmente, pouco concentrados e são moderadamente hidrossolúveis-e-adsorvidos. 9.8.1. Tipos de Reatores Biológicos 9.8.1.1. Lavador Biológico A lavagem biológica do gás é análoga ao princípio de lavagem química. Independente das variantes operacionais os dois processos utilizam os mesmos parâmetros clássicos: solubilidade, coeficiente de partição, temperatura, pH, tempo de contato, etc. A lavagem do gás seguida de uma biodepuração conduz ao processo dito de biolavagem. Neste processo, os gases são extraídos com água que os transporta aos microorganismos, adaptados ao meio líquido. A eficiência do lavador biológico é limitada, quando a solubilidade na água, dos constituintes do ar a serem absorvidos diminui. Uma solução recente consiste em adicionar na mistura água/lodo ativado, um solvente orgânico ou mineral (óleos siliconados e hidrocarbonetos superiores) no ponto de ebulição, permitindo melhorar a transferência de massa gás-liquido graças à capacidade de absorção dos poluentes superiores a essa fase aquosa. Os lavadores biológicos são pouco utilizados a nível industrial, porém, as razões que levam a escolha desta técnica são as baixas perdas de carga, a capacidade de absorção, as flutuações de vazão ou a concentração dos compostos hidrossolúveis e a faci1idade do controle dos parâmetros tais quais o pH e a densidade celular. 9.8.1.2. Leito Bacteriano O leito bacteriano (ou filtros percoladores) utilizados no tratamento de águas ou gás consiste em utilizar a propriedade de inúmeros microorganismos a serem adsorvidos, fixos sobre os elementos de preenchimento (anéis de Raschig) ou sobre os suportes estruturados (placas onduladas) - constituídas de materiais inertes (vidros, plásticos, cerâmicos). Após a semeadura, o biofilme se desenvolve na superficie do suporte no decorrer do funcionamento do leito, podendo formar vários milímetros de densidade.
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A escolha do material suporte é influenciada pelas preocupações em otimizar a depuração, reduzir a manutenção e o consumo energético. A escolha está em função da natureza, estrutura, tempo de vida, porosidade, área específica, estabilidade química e capacidade de reter água. No material suporte é semeada a cepa dos microorganismos específica. As partículas dos materiais são, neste caso, revestidas de uma colcha biológica úmida de vários micrômetros de densidade, dito "biofilme". Entretanto, o crescimento do biofilme ocorre de acordo com a natureza da microfauna e das moléculas a serem tratadas, correndo-se o risco de colmatagem. Esse risco é contornado através de uma simples decantação da biomassa, que é em parte arrastada pela fase líquida na recircu1ação, regulando o pH e a temperatura para o aquecimento se necessário. O leito bacteriano tem como vantagem oferecer uma grande facilidade no controle do pH, temperatura e na eliminação contínua dos produtos de neutralização que podem inibir a formação do biofilme. As aplicações industriais do leito bacteriano no tratamento dos efluentes gasosos não são ainda muito utilizados. Entretanto, os estudos em escala piloto já realizados ou que ainda estão em andamento, mostram resultados interessantes quanto às aplicações. 9.8.1.3. Biofiltração O primeiro biofiltro foi instalado na Genebra-Villete em 1964 com a finalidade de tratar os gases de usina de compostagem. O material filtrante utilizado foi o solo, seguindo o modelo utilizado em um experimento nos Estados Unidos na remoção de H2S e mercaptanas. Em 1966 uma usina de compostagem em Duisburg usou o composto como material filtrante pela primeira vez. A utilização do biofiltro no setor agrícola teve um ótimo desenvolvimento, principalmente, nos setores de armazenagem, indústrias agroalimentares e as indústrias de tabaco. Geralmente, o processo da biofiltração consiste em fazer passar os efluentes gasosos a serem tratados através de um suporte sólido de origem natural no meio do qual os compostos mal odorantes são absorvidos e servem de substrato ao crescimento de uma microflora especializada. Os biofiltros podem ser constituídos de material orgânico seminatural (turfa, composto orgânico, polystirenos, lodo desidratado de estações de tratamento de efluentes) ou inorgânico
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(pozolana, argila, zeolita). O meio filtrante deve ser úmido (50 - 80%) e possuir condições de funcionar como suporte bacteriano. Um biofiltro consiste de um recipiente de material orgânico, povoado de microorganismos, através dos quais os gases odoríferos são passados, geralmente através de um fluxo descendente. O efluente gasoso pode ser pré-umidificado, mantendo a mistura adequada no leito orgânico. Alternativamente ou, além disso, a água pode ser borricada em cima da superfície do leito. Esta água pode conter nutriente necessário ao crescimento dos microorganismos. Os contaminantes odoríferos são transferidos do meio gasoso para o meio aquoso, onde uma biocamada (biofilme) cerca as partículas orgânicas no leito. Os contaminantes são, então aerobicamente degradados em vários produtos finais ou incorporados na biomassa. O produto final dependerá da natureza dos contaminantes. A biofiltração aumenta o processo natural de biorremediação, onde os contaminantes na atmosfera são degradados pelos microorganismos nos solos, após uma difusão nos poros dos solos. Um biofiltro bem projetado provê um contato melhorado entre as partículas orgânicas e o ar contendo os contaminantes. A distinção entre a cobertura orgânica e o filme aquoso é ainda obscuro, porem, eles são freqüentemente e coletivamente chamados de biofilme.

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