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sistema_producao_agricola Em Angola

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este trabalho é um relatório da produção de varias culturas produzidas em Angola por província e que esta na base de muitos desevolvimentos e sobre algumas receitas que pode servir como base sobre o potencial agricola do sector camponês em Angola
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Published by: Domingos Chissapa Watela on Mar 26, 2012
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MINISTERIO DA AGRICULTURA E DO DESENVOLVIMENTO RURAL

ORGANIZAÇão DAS NAÇÕES UNIDAS PARA AGRICULTURA E ALIMENTAÇÃO

REVISÃO DO SECTOR AGRÁRIO E DA ESTRATÉGIA DE SEGURANÇA ALIMENTAR PARA DEFINIÇÃO DE PRIORIDADES DE INVESTIMENTOS (TCP/ANG/2907)

ANGOLA SISTEMAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLAS

DOCUMENTO DE TRABALHO Nº 07 VERSÃO PRELIMINAR PARA COMENTÁRIOS

DEZEMBRO 2003

INDICE
Executive Summary I. Introdução II. Metodologia e Reconhecimento de Dados/Informação III. Agricultura Em Angola 1. Importância 2. Principais Constrangimentos 3. Potencialidades e Oportunidades Identificação dos Sistemas de Produção Predominantes 1. Zona Agroecológica da Orla Baixa Costeira 2. Zona Agroecológica de Baixa Pluviosidade 3. Zona Agroecológica de Baixa Tropical 4. Zona Agroecológica de Planalto 5. Zona Agroecológica Planaltíca Classificação dos Sistemas de Produção Estratégia de Aprimoramento e Expansão de Sistemas de Produção Recomendações para melhoria dos Sistemas de Produção Considerações Adicionais Importantes na Organização dos principais Sistemas de Produção Agrícola 1. Cultura do milho 1.1 O milho e a região 1.2 Manejo e conservação do solo 1.3 Variedades e Praticas culturais 1.4 Colheita, armazenamento e comercialização 2 Cultura do feijão 2.1 O Feijão e a região 2.2 Manejo e conservação do solo 2.3 Variedades e Praticas culturais 2.4 Colheita, armazenamento e comercialização 3 Cultura da mandioca 3.1 A mandioca e a região 3.2 Manejo e conservação do solo 3.3 Variedades e Praticas culturais 3.4 Colheita, armazenamento e comercialização 4 Cultura do Arroz 4.1 O Arroz e a região 4.2 Manejo e conservação do solo 4.3 Variedades e Praticas culturais 4.4 Colheita, armazenamento e comercialização 5 Cultura da Batata doce 5.1 A Batata e a região 5.2 Manejo e conservação do solo 5.3 Variedades e Praticas culturais 5.4 Colheita, armazenamento e comercialização 6 Cultura da Soja 6.1 A Soja e a região 6.2 Manejo e conservação do solo 6.3 Variedades e Praticas culturais 6.4 Colheita, armazenamento e comercialização

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7 Cultura do milheto/Sorgo (massango/massambala) 7.1 As culturas e a região 7.2 Manejo e conservação do solo 7.3 Variedades e Praticas culturais 7.4 Colheita, armazenamento e comercialização 8 Cultura do Trigo 8.1 O Trigo e a região 8.2 Manejo e conservação do solo 8.3 Variedades e Praticas culturais 8.4 Colheita, armazenamento e comercialização 9. Outras Culturas IX. PROPOSTAS DE INVESTIMENTO E ASSISTÊNCIA TÉCNICA X. RESULTADOS POTENCIAIS A SEREM ALCANÇADOS XI. SUSTENTABILIDADE DOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA EM ANGOLA XII. Bibliogarfica Consultada ANEXO I – Area semeada por cultura ANEXO II - Figuras

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RESUMO EXECUTIVO Angola é um país situado na África Austral, na costa do Oceano Atlântico. Possui clima tropical e subtropical, com predominância de altitudes superiores a 1000 m e uma faixa litorânea de baixa altitude. A vegetação original era de florestas densas a savanas e de um pequeno deserto no litoral sul. Os solos variam de arenosos a argilosos e uma grande percentagem apresenta baixa fertilidade. A agricultura é sua principal atividade sócioeconômica, porém, de baixo nível tecnológico. O País está carente de meios para seu desenvolvimento com sustentabilidade, como: infra estrutura física debilitada; investigação agrícola e assistência técnica aquém das necessidades, falta de estrutura creditícia e a oferta de insumos agrícolas está muito abaixo das necessidades. Por isso, esta consultoria teve como objetivo geral levantar os atuais constrangimentos, potencialidades e oportunidades e propor direcionamento e priorização dos investimentos no setor agrário e na segurança alimentar. Buscou-se todas informações pertinentes possíveis, entrevistou-se engenheiros agrônomos e outros técnicos de entidades públicas e privada, e foram realizadas observações in loco. Assim, procedeu-se a avaliação do estado, importância e caracterização da produção agrícola angolana. Foi apresentado um seminário às autoridades do MINADER, da FAO local, outros convidados em Luanda, e realizada uma discussão sobre os caminhos a seguir na melhoria dos sistemas de Produção Agrícola, bem como dos meios de dirimir os obstáculos e dificuldades a serem enfrentados. A reestruturação das instituições de Investigação Agrícola, Assistência Técnica, Promoção Agrícola, a criação do Crédito Rural e a adequação da distribuição de sementes melhoradas em Angola são primordiais no momento. A adaptação de tecnologia de países com agricultura mais desenvolvida e com condições ambientais tropicais e subtropicais devem ser adaptadas e ofertadas aos produtores como forma de ganhar tempo e baixar custos na absorção de tecnologia. Outro aspecto é o logístico, através da recuperação das estradas principais e secundárias, bem como recuperação e construção de novos armazéns e distribuição de energia elétrica no maior número de regiões produtoras possíveis. Foram comparados os constrangimentos atuais com os observados no ARDOR de 1966, onde se considerou a retomada das ações de recuperação e reconstrução dos fatores ligados ao meio rural em 2003/2004. As potencialidades e oportunidades inerentes ao desenvolvimento dos sistemas de Produção Agrícolas praticados e dos tecnificados adaptáveis para Angola foram levantadas e analisadas. Aqui vale ressaltar a importância da incorporação das savanas ao processo produtivo à semelhança dos cerrados brasileiros a partir da década de 1970. Foram identificados os sistemas de produção agrícolas para cada uma das cinco zonas Agroecológicas de Angola, bem como indicadas as restrições e potencialidades locais. De posse de várias informações sobre os sistemas de produção agrícolas, efetuou-se uma classificação dos predominantes, bem como a composição agroecológica dos mesmos. Como estratégias de aprimoramento e expansão dos sistemas de produção foram propostas, de maneira detalhada, várias ações. E com base em tudo que se enfatizou, foi

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feito um elenco das recomendações gerais, específicas e estratégicas para melhoria dos sistemas de produção agrícolas de Angola, tais como: - Estabelecer um programa nacional de recuperação e conservação de solos tomando como base as pequenas bacias hidrográficas como unidade física de planejamento; - Incentivar e instalar indústrias de extração e moagem de calcário, principalmente dolomítico ou magnesiano, extração e moagem de rocha fosfática, extração de gesso agrícola, economicamente viáveis (Anexo II); - Fabricar fertilizantes a partir do petróleo; - Colocar em funcionamento os laboratórios de apoio agrícola existentes; - Promover a aquisição de pequenas máquinas e equipamentos agrícolas; - Criar um sistema de crédito rural; - Ampliar os programas de sementes e mudas para atender as demandas dos principais produtores agrícolas; - Elaborar pacotes tecnológicos com níveis de tecnologia baixo, médio e alto com a participação de agricultores, extensionistas e investigadores; - Organizar grupos de agrônomos, investigadores, professores e empresários agrícolas, para um trabalho de cooperação no desenvolvimento de pacotes tecnológicos de recomendações para os principais sistemas de produção. - Desenvolver um programa racional de informação agropecuária nas savanas para incorporá-las ao processo produtivo angolano; - Desenvolver um programa de fruticultura irrigada nas zonas agroecológicas adequada para frutas tropicais e temperadas; - Praticar rotação de culturas visando a melhoria da produtividade e a conservação dos solo como: amendoim seguido de milho, feijão seguido de milho e outros; - Desenvolvimento da cultura do cajueiro em sequeiro na orla costeira de solos profundos, visando produção econômica em regiões semi áridas; - Proteger a fração orgânica dos solos tropicais com cultivos anuais apropriados para produção de grãos, fibras e óleo (ex.: plantio direto); - Promover a agricultura orgânica para aproveitar a crescente demanda e valorização dos produtos orgânicos a nível mundial. Foram mencionados um conjunto de considerações importantes a serem observados quando da organização sugeridas dos pacotes tecnológicos dos principais sistemas de produção agrícolas. Cerca de quatorze sugestões de propostas de investimento e assistência técnica com justificativas foram enumeradas visando uma discussão ampla e profunda, como possíveis projetos públicos ou privados do país. Para o caso dessas propostas citadas serem transformadas em realidade através de projetos, foi feito um exercício sobre o que poderia acontecer com relação a uma possível evolução dos sistemas de produção em Angola. Estima-se que, assim, os camponeses e pequenos produtores absorverão tecnologia mais simples como carpideiras de tração animal, práticas conservacionistas, calagem, adubação e outras. Por sua vez, os médios produtores poderão absorver tecnologia um pouco mais avançada, como tratores e implementos e os empresários as de custo mais elevado como colheitadeiras, classificadores e armazéns. Com isso, pode-se prever como resultado de um setor agropecuário mais desenvolvido em Angola, maior oferta de produção e de agregação de valor através da agroindustrialização e até exportação de excedentes, melhor qualidade de produtos, mais oferta de empregos, maior sustentabilidade, incremento de renda no setor e geração de mais divisas.

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Para tudo isso será fundamental uma firme decisão política governamental, com participação do setor privado e com cooperação técnica e financeira internacional.

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ANGOLA SISTEMAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA I. INTRODUÇÃO Angola se situa no lado ocidental do continente africano, na chamada África Austral, entre os paralelos 4° 22’ e 24° 05’, na costa do Atlântico. O clima é caracterizado como tropical e subtropical - semi-tropical -. Constitui-se predominantemente de planaltos variando de 1000 a 3000 metros de altitude e de uma faixa litorânea de baixa altitude. A precipitação é maior ao Centro, Leste e Norte do país, variando de 1000 a 1500 mm e ocorre de outubro a maio, nas regiões de planaltos. Na faixa litorânea, a precipitação decresce de 800 mm/ano ao Norte (Figura 01, Anexo II). Possui sete grandes bacias e dois grupos de pequenas bacias hidrográficas no litoral (fig. 06). A vegetação era constituída originalmente de florestas densas, florestas abertas, savanas, shanas e um pequeno deserto no litoral sul (Figura 02, Anexo II). Os solos variam de arenoso a argiloso com predominância de solos profundos, e grande percentagem com baixa fertilidade (Figura 03, Anexo II). A atividade agrícola é a base sócio-econômica do país. Cerca de 60-75% da população pratica e depende da atividade agropecuária, com ênfase na produção de alimentos básicos vegetais e em menor escala leite e carne. A população é composta por pessoas com baixo grau de instrução; sendo cerca de 70% analfabetas. O nível tecnológico é muito baixo, agravado pelo longo período em guerra, a qual se encerrou em 2002. Portanto, a economia rural está descapitalizada e sem apoio creditício. As infraestruturas estão danificadas inclusive os perímetros irrigados. E as potencialidades de irrigação para pequeno e médio produtor e empresarial estão subutilizadas. A produção agrícola, embora em recuperação ainda continua muito abaixo do potencial, há carência de tecnologia e sustentabilidade dos seus sistemas de produção. Existe a necessidade do governo implementar política agrícola adequada, apoiar o suprimento de técnicas, dinamizar programas de treinamento, e melhorar a articulação interna e externa dos órgãos públicos com o sistema agrário. Há também falta de estudo do impacto da agricultura no meio ambiente. A produção de alimentos primários que antes da guerra era de quase autosuficiência, hoje, necessita urgentemente de ações da sociedade e órgãos governamentais para sua recuperação. Todavia, essa recuperação exige modelo semelhante ao desenvolvimento atingido por países tropicais de condições naturais semelhantes às de Angola. Esta é a razão da proposição de revisão do projeto TCP/ANG/2907. Esta consultoria teve como objetivo geral levantar junto aos setores público e privado e através de visitas in loco os sistemas de produção agrícola, bem como, seus constrangimentos, potencialidades e oportunidades e propor direcionamento para a definição de prioridades de investimentos no setor agrário e na segurança de alimentos.

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Os objectivos específicos foram: 1- Exercer um papel chave no recolhimento de dados/informações sobre o estado atual da produção agrícola, capacidade de armazenagem, serviços de apoio, tecnologia, suprimento de insumos e outros aspectos relevantes da produção agrícola nas várias zonas agroecológicas de Angola durante as Avaliações Rurais Rápidas; 2- Avaliar a disponibilidade e qualidade de inputs básicos (sementes, fertilizantes, instrumentos de trabalho, mão de obra, água, tração animal etc.) para a produção de alimentos; 3- Identificar os principais constrangimentos que enfrentam os pequenos, médios e grandes agricultores e as possíveis alternativas para se ultrapassarem esses constrangimentos; 4- Identificar sistemas de cultivo com alto potencial para o aumento da produção agrícola, tendo em conta as oportunidades de comercialização; 5- Auxiliar na proposição de estratégias para expansão na produção agrícola, considerando os papéis específicos dos pequenos, médios e grandes agricultores; 6- Preparar, em conjunto com os peritos em pecuária e recursos naturais, perfis/propostas de investimentos e assistência técnica sobre áreas prioritárias para a promoção da produção agrícola, pecuária e florestal. Estes perfis serão utilizados pelo MINADER para angariar fundos junto a instituições nacionais e internacionais; 7- Preparar, em conjunto com os peritos internacionais em pecuária e recursos naturais e o Agrônomo nacional, um relatório sobre estratégias, políticas e opções para aumentar a produção agrícola, pecuária e florestal de uma maneira sustentável e eqüitativa; 8- Realizar qualquer outra atividade para assegurar o êxito na implementação do projeto.

II. METODOLOGIA E RECONHECIMENTO DE DADOS/INFORMAÇÕES No intuito de realizar a missão definida para esta consultoria, procedeu-se a busca e análise de documentos, e publicações pertinentes aos sistemas de produção agrícola de Angola. Efetuou-se entrevistas a engenheiros agrônomos e outros técnicos de entidades públicas e privadas. Procedeu-se visitas a laboratórios e estações de investigação agrícola. Foram realizados também contatos com associações de produtores, organizações agrícolas e privadas, visitas a campos de produção e a produtores. Houve troca de informações e nivelamentos com os consultores de reestruturação da investigação agrícola, sistemas de produção animal, extensão rural e crédito rural. De posse de todas as informações possíveis no prazo estabelecido para a missão, procedeu-se a avaliação da importância e características da produção agrícola angolana 7

(Anexo I). Foi apresentado um Seminário às autoridades do MINADER, da FAO local, e demais convidados, no dia 03 de dezembro de 2003, às 10:00h no auditório do INCER, e foi elaborado o presente relatório. III. AGRICULTURA EM ANGOLA 1- Importância A agricultura tem um papel relevante na sócio-economia angolana uma vez que representa, juntamente com a pecuária, a principal atividade econômica de cerca de mais de 65% da sua população. É dela que vem expressiva quantidade de alimentos consumidos no país, porém em volume insuficiente para o atendimento da demanda -anexo I – Dados de produção e consumo dos principais produtos alimentícios por província -. A baixa produtividade alcançada mostra que o uso de tecnologia na agricultura é inexpressivo, e embora o país apresente grande potencialidade para a mesma, esta não é praticada com tecnologia adequada. Assim, há um grande potencial de produção para os mercados interno e externo e a boa prática da agricultura será determinante de estabilidade social e bom padrão de vida em Angola. O país apresenta muita terra agricultável, grande parte ainda não explorada, boas condições de relevo e clima (Figuras 04 e 05, Anexo II) que facilitam a prática de agricultura dependente de chuvas. As excelentes bacias hidrográficas (Figura 06, Anexo II) representadas por sete grandes bacias e dois grupos menores no litoral - um composto pelos pequenos rios que deságuam no mar ao norte de Luanda e o outro grupo composto por pequenos rios que deságuam próximo de Benguela-, podem proporcionar planos de práticas agrícolas sustentáveis, tanto de sequeiro, quanto irrigado, tomando como base as pequenas bacias hidrográficas como unidade física. Por outro lado, qualquer decisão de governo que tenha por objetivo fixar o homem no campo praticando agricultura sustentável, deverá associar o emprego de tecnologia x educação x utilização das potencialidades oferecidas ambientalmente pelo país. Assim as várias reservas de fontes de insumos como: calcário dolomítico e magnesiano, gesso, fosfato natural (Figura 07, Anexo II) e água (Figura 06, Anexo II) para irrigação, deverão ser explorados e colocados à disposição dos agricultores com o apoio ao atendimento às demandas tecnológicas. A reestruturação das instituições de Investigação Agrícola, Assistência Técnica, Promoção Agrícola, Produção e Distribuição de Sementes e Crédito Rural em Angola, é fundamental como suporte à prática de uma agricultura tecnificada. A adaptação de tecnologia de países com agricultura mais desenvolvida e com condições ambientais semelhantes devem ser adaptadas e absorvidas prioritariamente como forma de ganhar tempo e baixar custos na absorção de tecnologia. Outro aspecto é o logístico, através da recuperação das estradas principais e secundárias, bem como recuperação e construção de novos armazéns e distribuição de energia elétrica no maior número possível de localidades. A criação de um sistema de crédito rural em paralelo aos demais aspectos relevantes já citados abre caminho para o desenvolvimento tecnológico da agricultura. Assim, o conjunto de fatores citados deverá por decisão política, ser desenvolvido harmoniosamente, para se obter o efeito desejado.

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2- Principais constrangimentos Os constrangimentos observados, no contexto do ARDOR em 1996, comparados com os constrangimentos atuais são apresentados a seguir. CONSTRANGIMENTOS
2003 Econômicos Economia rural descapitalizada, nenhuma Economia rural continua descapitalizada e com instalação bancária ou de crédito rural fora de poucas instalações bancárias nas províncias. Luanda. Infra-estrutural Infra-estruturas rurais destruídas e utilização do Infra-estruturas rurais em recuperação. potencial de irrigação de pequena escala. Sub-utilização das estruturas e potencialidades de irrigação para pequeno e médio produtor e empresarial. Técnico Produção agrícola muito abaixo do potencial Produção agrícola muito abaixo do potencial, com rendimentos agrícolas em declínio. Solos porém já em início de recuperação. frágeis e fertilidade dos solos em declínio. Solos frágeis e fertilidade do solo ainda por Carência de tecnologia e sistemas de produção recuperar. mais intensivos e sustentáveis. Colapso dos Carência de tecnologia e de sistemas de serviços de investigação, extensão e de produção mais intensivos e sustentáveis. veterinária. Há retomada dos serviços de investigação agrícola, extensão e ensino embora ainda carente de recursos. Necessidade de comparar os sistemas tradicionais com outros alternativos usados por distintos tipos de produtores. Governo Funcionamento do MINADER enfraquecido e Quantidade de técnicos ainda insuficiente. ineficaz, sobreposições institucionais, Necessidade de programas de treinamento em ambigüidade na política agrícola e falta de quantidade e qualidade. recursos humanos bem qualificados. Necessidade de implementação de política Falta de informação setorial e fraca comunicação agrícola adequada. com o setor agrário. Informação setorial insuficiente. Legislação e capacidade institucional Necessidade de maior articulação interna e inadaptadas para gerir e proteger os recursos externa dos órgãos e destes com o sistema naturais. agrário. Necessidade de legislação e capacidade insuficiente para gerir os recursos naturais. Necessidade de avançar a recuperação do perímetro de irrigação. Social Potencialidade de conflitos acerca do acesso a Crescente potencialidade de conflitos de terras terra. agrícolas. Agricultura/Ambiente Elevado percentual dos solos com limitações Falta de estudo do impacto da agricultura no relacionadas a acidez alta carência nutricional, meio ambiente. perímetro salinizados e baixo teor de matéria Pouca avaliação/aproveitamento dos recursos orgânica. naturais do país (flora, fauna, microbiota). Necessidade de estudos básicos da biodiversidade. Uso não sustentável dos recursos naturais - Desmatamento indiscriminado - Baixo nível de fertilidade natural da maioria dos solos; - Nível de acidez inadequado ao bom desenvolvimento das plantas. 1996

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3- Potencialidades e Oportunidades As potencialidades e oportunidades inerentes ao desenvolvimento dos sistemas agrícolas praticados e aos tecnificados com possibilidades de serem utilizadas em futuro próximo, foram levantadas e enumeradas conforme segue. Clima adequado ao desenvolvimento de culturas tropicais e temperadas para cultivos de chuvas e de irrigação. Relevo que beneficia os mais variados tipos de lavoura de chuvas e de irrigação. Aqui vale ressaltar a somatória de aluviões com água a montante, o que reduz custos em projetos de irrigação. Água em grande quantidade e bem distribuída no território através de sete grandes bacias, mais dois grupos de pequenas bacias hidrográficas no litoral (Fig. 06). Presença de jazidas de insumos como: calcário, gesso, rochas fosfáticas (Fig. 07) e petróleo ( a partir do qual é produzida a uréia). Malha rodoviária e ferroviária que após recuperada facilitará o escoamento da produção agrícola de maior porte. Existência de vários laboratórios de solos e outros (Malange, Luanda, Lobito e Huambo), embora por funcionar. Mercado consumidor angolano somado ao dos países vizinhos, representa um grande potencial de demanda para os seguintes produtos: milho, feijão, batata doce, batata rena, café, soja, amendoim, sorgo, milheto, hortifrutícolas e derivados de mandioca, palma e cana de açúcar. Grande contingente jovem no meio rural que após treinado e com apoio creditício pode facilitar e acelerar a adoção de tecnologia. Grandes possibilidades de investimentos em projetos de irrigação desde que haja decisão política para isso. Existência de grandes áreas de savanas e florestas abertas ainda por serem incorporadas ao processo produtivo. Grandes áreas na orla costeira, adequadas ao cultivo de frutíferas de sequeiro, como o cajueiro. As áreas da região agroecológica do Planalto Central, mais elevadas, portanto, com clima mais ameno, são adequadas ao cultivo de fruteiras temperadas como uva, maçã, pêra, ameixa, pêssego e outros.

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IV. IDENTIFICAÇÃO DOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO PREDOMINANTES 1- Zona Agroecológica da Orla Baixa Costeira O milho é o principal produto dessa região. Outras culturas como feijão, batata doce, amendoim, sorgo, milheto são muito cultivadas. As áreas cultivadas, são muito pequenas. Nessa região se utiliza muito as áreas de baixada e de melhor qualidade, e mesmo assim as produtividades são muito baixas porque a precipitação pluviométrica é também baixa e irregular. 10

Pratica-se com bastante freqüência a irrigação com a água, proveniente de poços pouco profundos, de onde é retirada através de baldes, manualmente. A água chega aos pés das plantas em baldes ou por pequenos sulcos feitos também manualmente. Normalmente as famílias mais pobres utilizam áreas menores que 1,5 ha através de mão de obra familiar e instrumentos manuais. Neste caso de pequenas áreas não se pratica rotação de culturas e às vezes se incorpora os restos culturais. As famílias mais ricas cultivam áreas maiores (3 a 5 ha) e se dispõe de instrumentos mais modernos como: motobombas, pequenas máquinas, e insumos modernos como: fertilizantes e produtos fitossanitários. Às vezes, nas situações de pico, se utilizam de mão de obra remunerada. Existem também produtores empresários, que cultivam áreas maiores (5 a 20 ha), em geral produzem hortaliças, banana e /ou mamão. Neste caso as operações são feitas mecanicamente aplicando fertilizantes e produtos fitossanitários. Utilizam com freqüência sistema de irrigação moderno, e a mão de obra é assalariada. A pecuária bovina é pontual, só existe nos bolsões onde há de pastagem e com maior densidade de chuvas, principalmente próximo de Lobito. Não há produção florestal expressiva nessa região. Zona Agroecológica Orla Baixa Costeira Restrições Potencialidades - pluviosidade irregular - bom clima para fruticultura e horticutura irrigada - roubo de gado - proximidade de centros de maior densidade demográfica - carência de sistema de rega - pouca disponibilidade de sementes e propágulos - pragas e doenças nas culturas - doenças e parasitas nos animais - falta de crédito agrícola

2- Zona Agroecológica de Baixa Pluviosidade Nesta zona, a produção se baseia principalmente na pecuária extensiva. A produção de grãos é apenas de subsistência. As chuvas são muito irregulares. E a região por possuir muito solo arenoso e profundo acumula pouca água para liberação no longo período seco. Assim, os rios nessa época seca, têm pouca água, a agricultura irrigada é rara e há a chamada transumância ou seja o deslocamento dos animais de uma região menos adequada para sua sobrevivência, a outra mais adequada. As principais espécies animais são o gado bovino, caprino, suíno, eqüino e aves. As principais culturas são: milheto, sorgo e milho consorciado com feijão vigna, amendoim e vielo e as vezes a consorciação é feita com abóbora e melancia. As necessidades de trabalho são cobertas pela família e às vezes por vizinhos. Não existe assalariado. Nesta região se usa esterco na agricultura graças à maior disponibilidade. A exploração florestal é predatória.

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Zona Agroecológica de Baixa Pluviosidade Restrições Potencialidades - escassez e irregularidade das chuvas - disponibilidade de grandes áreas para empresas - inexistência de rede comercial para venda dos produtos - defesa sanitária animal deficiente - falta de sementes melhoradas de ciclo curto para cereais - falta de crédito agrícola - falta de insumos agrícolas - ausência de estrutura de apoio 3- Zona Agroecológica Baixa Tropical Nessa zona os camponeses e pequenos agricultores cultivam as áreas novas recém desmatadas e queimadas, primeiramente com mandioca; nas lavras de segundo ano se consorcia a mandioca com outras culturas. Ex.: mandioca/milho; mandioca/milho/arroz; milho/feijão, mandioca e amendoim; milho /mandioca. As baixadas são destinadas ao cultivo de hortaliças e arroz. Após o sexto ano de cultivo em consórcio a área é abandonada. O cultivo, em geral, é manual. As famílias, mais abonadas usam alguns instrumentos e insumos modernos. A pecuária é insipiente e serve somente para entesouramento e consumo em ocasiões especiais. A venda de animais só ocorre eventualmente. A exploração florestal é predatória. Zona Agroecológica Baixa Tropical Restrições Potencialidades - insegurança e roubos de culturas e - região relativamente plana e adequada animais para agricultura moderna - falta de insumos agrícolas - grandes áreas de savanas ainda por incorporar a produção agrícola - falta de animais de tração - pouca estrutura de apoio - estradas destruídas - falta sistema creditício 4- Zona Agroecológica de Planalto Trata-se de uma das duas zonas de agricultura mais intensa por apresentar melhor distribuição de chuvas e clima que permite a utilização de maior gama de culturas. Nessa zona a agricultura praticada tradicionalmente utiliza mais intensamente o uso de insumos como adubos, pesticidas, tração animal e mecanizada, moto-mecanização. Essa prática foi reduzida durante a guerra mas há indicativo de que sua retomada será fácil no pós-guerra. As principais culturas são: milho, trigo, arroz, batata, batata doce, feijão, mandioca, arroz, cana de açúcar, amendoim, girassol, gergelim, tabaco e hortifrutícolas. As principais fruteiras cultivadas são: cítricos, abacateiro, pereira, pessegueiro, macieira, bananeira e mangueira. Em pequena escala se cultiva o cafeeiro arabica.

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A irrigação é praticada a partir de água virada dos mananciais por gravidade de onde os produtores também por gravidade de modo coletivo se utilizam da água para irrigação. Esse sistema também foi muito afetado pela guerra, estando agora em recuperação. O período de rotação das culturas é de 3 anos de cultivo e de 2 de pousio do solo. As cultura são cultivadas em consorciação ou intercaladas de gramíneas e leguminosas. Com a guerra, o efetivo de animais foi fortemente reduzido, resultando na falta de tração animal. E, com a falta de manutenção das máquinas e implementos as lavras do solo caíram drasticamente e em conseqüência a qualidade da agricultura. O associativismo poderá ser retomado na região no pós-guerra. As famílias mais abastadas cultivam mais culturas permanentes que as pobres. Essas culturas permanentes são importantes fontes de receita. As famílias mais ricas diversificam mais os cultivos. Embora as condições de chuvas sejam mais propícias à maioria das culturas, essas apresentam também baixa produtividade. A exploração florestal foi expressiva na época dos Portugueses, porém durante a guerra as florestas foram prejudicadas e hoje esta exploração é predatória. Zona Agroecológica de Planalto Restrições Potencialidades - grande escassez de insumos agrícolas - região adequada para agricultura de sequeiro - falta de animais para tração - importante centro produtor e comercial - pouca investigação agrícola - solos e clima adequado para agricultura - falta de reabilitação da rede de pequenos - grandes extensões de savana ainda por “regadios” (irrigação) incorporar a produção agrícola - escassos recursos florestais - falta sistema creditício 5- Zona Agroecológica Planáltica Nessa zona agroecológica a agricultura de chuvas é realizada com rotações de pousio, em ciclos de 3 a 4 anos. A principal cultura econômica no passado, foi o cafeeiro robusta. Hoje, em virtude da destruição dos cafezais e empobrecimento dos agricultores, planta-se mais culturas de retorno rápido, principalmente milho. Os cafeicultores, lentamente começam a retomar a atividade no pós-guerra. As culturas alimentares mais importantes são: mandioca, feijão, amendoim, milho e hortícolas. A mandioca é quase sempre consorciada com feijão, batata doce, amendoim e milho. Nessa zona o milho é apenas um complemento alimentar, a mandioca é mais importante. Sua produção é mais indicada para comercialização. A pecuária foi quase dizimada na guerra, principalmente por roubos e a exploração florestal é predatória.

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Zona Agroecológica Planáltica Restrições Potencialidades - falta de insumos - solo e clima adequados a agricultura - falta de instrumentos de trabalho - região adequada a produção de culturas rentáveis como o café e a palma. - falta de sistema creditício - escassos recursos animais e florestais - degradação das estradas De um modo geral todas as categorias de produtores se ressentem fortemente da falta de estradas, energia elétrica, capital e sistema creditício, assistência técnica, falta de tecnologia adaptada a cada local, escolas técnicas e infra-estrutura de apoio na disponibilização de insumos. V. CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO De posse das informações sobre sistemas de produção em uso no país, foi feito um exercício de identificação e classificação dos sistemas de produção, sem o qual não seria possível a organização de ações de melhoria nesses sistemas, tanto técnicas como creditícias. Assim, os sistemas de produção predominantes são: Quadro 1- Classes de sistemas de produção predominantes CLASSES Camponês Pequeno Produtor
• Produção com pequçeno excedente • Uso de pouca tecnologia • Instrumentos manuais + tração animal • Sementes com ou sem padrão técnico • Baixa produtividade • Eventualmente utilizam outros insumos

Médio Produtor
• Produção com excedente • Usa várias tecnologias • Uso de tração animal e mecanização • Sementes preferencialmente melhoradas • Densidade do plantio adequada • M.O. familiar + assalariada + eventual • Utilizam outros insumos

Produtor Empresarial
• Produção comercial • Razoável uso de tecnologia • Uso de sementes melhoradas • Densidade de plantio adequada • M.O. assalariada • Utilizam sempre outros insumos • Inovação tecnológica constante

Características • Produção de subsistência
• Sem tecnologia • Instrumentos manuais • Sementes sem padrão técnico • Baixa densidade de plantio • M.O. familiar • Necessitam de ajuda assistencial • Baixíssima produtividade • Não utiliza outros insumos

A produção no pós-guerra está concentrada basicamente nas classes Camponês e Pequeno Produtor. Estima-se que 80% da produção vem delas, mais de 18% do médio produtor e mais ou menos 1% de produtor empresarial.

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Há uma tendência das classes mais pobres utilizarem mais intensamente a consorciação de culturas como: mandioca/milho; mandioca/milho/arroz; milho/feijão/mandioca; amendoim/feijão/mandioca. As classes mais ricas dificilmente utilizam o consórcio de culturas, pois, dificulta a mecanização. Quanto a rotação de culturas e práticas conservacionistas como: plantio em nível, cordão em contorno, controle de erosão, uso de adubos verdes, ocorre o inverso. Os produtores mais ricos praticam essas ações com mais freqüência em todas as regiões agroecológicas onde as chuvas são em quantidade adequada ao cultivo de sequeiro. A aplicação de tecnologia depende muito de investimentos, conhecimentos, adaptação de tecnologia e sistema creditício. Assim, somente os produtores que reúnem maior número desses apoios tem condições de realizar agricultura com maiores produtividades e retorno financeiro. QUADRO 2 – Composição agroecológica dos sistemas de produção predominantes. Classes
Zonas Agroecológicas Planáltica (Planalto do Congo) Planalto Central (região de Bié)

Camponês
café, mandioca, amendoim e feijão

Pequeno Produtor
café, amendoim, milho, feijão e batata doce milho, feijão, mandioca, batata doce, arroz, trigo e hortifrutícolas mandioca, milho, batata doce, amendoim, arroz e feijão milheto, sorgo e hortifrutícolas milho, batata doce, sorgo, hortifrutícolas

Médio Produtor
Café, mandioca, amendoim, milho, feijão e batata doce

Produtor Empresarial

milho, mandioca, feijão e batata doce

Baixa Tropical (região de Moxico) Baixa Pluviosidade (região de Cunene) Orla baixa costeira ( região de Benguela)

mandioca, milho, batata doce, amendoim, feijão milheto, sorgo e milho milho, batata doce, sorgo, milheto, feijão e amendoim

café, hortifrutícolas, milho e feijão Caprinos, ovinos, suínos e aves. Milho, batata doce, milho, feijão, hortifrutícolas, batata rena e batata feijão, soja, arroz, doce amendoim, trigo e batata. mandioca, soja e hortifrutícolas Bovinos e caprinos Milho, milheto, milheto, sorgo, arroz, sorgo, batata milho, arroz, feijão doce, feijão e e hortifrutícolas. hortifrutícolas Bovinos, caprinos e aves. Milheto, sorgo, milheto, sorgo e hortifrutícolas e milho trigo Bovinos, caprinos e aves Milho, banana, milho, feijão, batata e batata doce, sorgo e hortifrutícolas hortifrutícolas. Bovinos, suínos, ovinos e aves

A zona agroecológica com período chuvoso mais bem distribuído e em maior volume, tem maior diversidade de culturas. As altitudes mais elevadas apresentam clima que permite também o cultivo de culturas de clima temperado. Nas regiões mais baixas e litorâneas, portanto, com menos chuvas e com má distribuição das mesmas, a agricultura de sequeiro é arriscada e tende a desenvolver mais a agricultura irrigada, principalmente, hortifrutícolas.

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VI. ESTRATÉGIAS DE APRIMORAMENTO E EXPANSÃO DOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO Na tomada de decisão de um empreendimento rural, a primeira ação é planejar estrategicamente o que fazer. Essa atitude deve ser compatível com os recursos disponíveis como: área agricultável a ser utilizada; culturas a serem cultivadas bem definidas; equipamentos adequados aos procedimentos no uso dos fatores de produção; recursos financeiros de custeio bem calibrados; disponibilidade de sementes em qualidade e quantidade adequadas; secadores e armazéns com capacidade suficiente para atender a demanda esperada. No caso de Angola em virtude das conseqüências da guerra recém terminada, os organismos de apoio deverão ser recuperados com a maior brevidade. Assim o IDA deverá fazer uma efetiva, sustentável e estratégica assistência técnica e extensão em parceria com as ONG´s e instituições internacionais como: FAO, FIDA e outras. O IIA e o IVA deverão realizar uma invetigação intensiva e adaptativa a curto prazo, e geradora, a médio e longo prazos; o SENSE deverá realizar uma forte organização e distribuição de sementes; o MINADER deverá recuperar os laboratórios de solos e de sanidade; o Banco de Fomento fará efetivas ações creditícias de investimentos e custeios agrícolas. Vale a ressalva de que a regularização do uso das terras é estratégica para que haja estímulo a investimentos agrícolas. Em virtude da necessidade de apoio emergencial por que passa a agricultura de Angola, é importante que se criem programas de impacto de fomento e estímulo ao manejo e conservação do solo. Assim, ações de práticas conservacionistas como preparo de solo (aração e gradagem ou cultivo mínimo ou plantio direto), controle de erosão através de cordões em contorno, descompactação de solo e outros, precisam urgentemente ser implementadas para dar sustentabilidade física aos sistemas de produção. Como o país esteve desestruturado durante muito tempo por causa da guerra é de se esperar uma forte necessidade de avaliação da acidez do solo e a conseqüente necessidade de calagem e gessagem dos solos agricultáveis, bem como a disponibilidade nutricional desses solos para as plantas. Nesse caso também cabe um programa de impacto envolvendo inclusive a ativação dos laboratórios para realizar grande volume de análises nessa fase e a distribuição dos insumos recomendados. Outra ação necessária é o repovoamento de animais com matrizes de bovinos, suínos, eqüinos, muares, ovinos, caprinos e aves em virtude da matança durante a guerra. A ampliação na oferta de sementes melhoradas é premente e estratégica. As ações das instituições que atuam diretamente na produção agrícola, como: IDA, IIA, SENSE, ONG´s, FAO e outras, deverão ser relevantes na organização de testes de pacotes tecnológicos, e na observância para que não falte calcário, gesso, fertilizantes, defensivos sanitários - vegetais e animais - e sementes melhoradas. A escolha das sementes em cada classe de produtor deverá ter um forte acompanhamento do IDA, pois o ciclo, a tolerância a veranico - pequeno cacimbo -, tolerância a doenças e pragas, e a demanda de mercado são aspectos muito importantes a serem considerados. A ação do IDA é indispensável na definição do sistema de produção em função da época de plantio, produtividade pretendida e das necessidades e disponibilidades do produtor e também da sustentabilidade agrícola em Angola.

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VII. RECOMENDAÇÕES PARA MELHORIA DOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO 1- Gerais Estabelecer um programa nacional de recuperação e conservação de solos tomando como base as pequenas bacias hidrográficas como unidade física de planejamento. Incentivar e instalar indústrias de extração e moagem de calcário, principalmente dolomítico ou magnesiano, extração e moagem de rocha fosfática, extração de gesso agrícola, economicamente viáveis (Anexo II). Fabricar fertilizantes a partir do petróleo. Colocar em funcionamento os laboratórios de apoio agrícola existentes. Promover a aquisição de pequenas máquinas e equipamentos agrícolas. Criar um sistema de crédito rural. Ampliar os programas de sementes e mudas para atender as demandas dos principais produtores agrícolas Elaborar pacotes tecnológicos com níveis de tecnologia baixo, médio e alto com a participação de agricultores, extensionistas e investigadores; Selecionar propriedades pilotos para aplicação de pacotes tecnológicos. Organizar concursos de produtividade, bem como, dias de campo e vitrines tecnológicas. Ampliar a distribuição de plantadeiras, adubadeiras manuais e insumos aos pequenos produtores. Ampliar a disponibilização de tratores equipados para agricultura às associações de produtores e agricultores comerciais. Implementação de um forte programa de transferência de tecnologia integrado à investigação ou ensino e à extensão. Desenvolver um programa racional de informação agropecuária nas savanas para incorporá-las ao processo produtivo angolano Desenvolver um programa de fruticultura irrigada nas zonas agroecológicas adequada para frutas tropicais e temperadas. Estruturar um completo sistema de crédito rural, diferenciado para pequenos produtores agrícolas e empresários rurais.

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2- Específicas As práticas culturais como: capinas, roçadas ou aplicação de desfolhantes, deverão ser realizadas para evitar competição entre plantas e ataque de pragas e doenças que possam reduzir a produção das culturas;

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Praticar rotação de culturas visando a melhoria da produtividade e a conservação dos solo como: amendoim seguido de milho, feijão seguido de milho e muitos outros. Promover o uso de irrigação aproveitando águas altas em várias províncias angolanas, reduzindo assim o uso de energia na irrigação e barateando, por conseguinte, o custo de produção. Sempre que possível, a irrigação deverá ser tecnificada para ser economicamente viável, pois, se a irrigação é bem equilibrada, o consumo da água é melhor aproveitado e o rendimento da planta é maximizado pelo uso mais adequado da água, o que proporcionará melhor custo/benefício. Promover melhorias através do melhor preparo do solo, correção e adubação.nos cultivos de subsistência em curto prazo e também nos cultivos comerciais a médio e longo prazo; Desenvolvimento da cultura do cajueiro em sequeiro na orla costeira de solos profundos, visando produção econômica em regiões semi áridas. Proteger a fração orgânica dos solos tropicais com cultivos anuais apropriados para produção de grãos, fibras e óleo (ex.: plantio direto).

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3- Recomendações estratégicas como base na organização das ações de aprimoramento: Organizar grupos de agrônomos, investigadores, professores e empresários agrícolas, para um trabalho de cooperação no desenvolvimento de pacotes tecnológicos de recomendações para os principais sistemas de produção; Validar e ajustar os pacotes tecnológicos localmente, com ensaios em estações experimentais e em campos demonstrativos; Planejar ações agrícolas com base em bacias hidrográficas. Exemplo: na região de Toledo – PR, no Brasil, na década de 1970, todos os produtores de cada bacia se uniram no sentido de manejar a agropecuária sem erosão, de modo total. Em conseqüência disso, hoje praticam uma das atividades agrícolas mais sustentáveis do país. Essa união serviu de base para várias ações associativas daquelas pessoas como : organização de cooperativa, organizações de desenvolvimento comunitário e outros. Promover a agricultura orgânica para aproveitar a crescente demanda e valorização dos produtos orgânicos a nível mundial; Desenvolver um planejamento estratégico para a exploração racional das savanas angolanas a médio e longo prazo. Exemplo: na década de 1970, os Cerrados (savanas) brasileiros não estavam incorporados ao processo produtivo do país. Houve então a decisão política de incorporá-la. A partir daí o governo criou dispositivos de incentivos em todos os aspectos pertinentes a produção agrícola na região como no workshop apresentado no MINADER, em Luanda, onde foram detalhados os vários detalhes de um programa de desenvolvimento de savanas para Angola.

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Implantar cultivos de frutíferas de baixo custo operacional como o cajueiro anão de sequeiro em solos profundos da orla costeira, como opção econômica na região. As demais fruteiras deverão ser sempre irrigadas. Implementar programas de investigação agropecuária a curto, médio e longo prazo principalmente para as Savanas angolanas como: • inventário de recursos naturais; • manejo e conservação de solos e água; • uso da terra e desenvolvimento sustentável; • sistemas de cultivos anuais e perenes; • sistemas pecuários integrados com agricultura. Implementar programa de investimentos e produção de insumos agropecuários a médio e longo prazo, inclusive para Savanas angolanas: • investimentos em extração, moagem e distribuição de calcário, fosfato natural e gesso agrícola; • investimentos em produção de sementes fiscalizadas de cereais e forrageiras; • investimentos em indústrias de fertilizantes químicos (NPK e micronutrientes) para atendimento dos pequenos e médios produtores e empresariais; • investimentos em agroindústria para beneficiar milho, arroz, óleo de palma, fabrico de farinha de milho e mandioca e outras.

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VIII. CONSIDERAÇÕES ADICIONAIS IMPORTANTES NA ORGANIZAÇÃO DOS PRINCIPAIS SISTEMAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. As recomendações técnicas mais completas deverão resultar da aplicação de metodologia indicada para elaboração dos pacotes técnicos e incorporar recomendações específicas de outras consultorias. Entretanto, recomenda-se atenção especial aos itens e aspectos seguintes, por culturas predominantes. 1- Cultura do milho1 1.1- O milho e a região O milho é o principal produto a compor a alimentação dos angolanos. É produzido em todas as regiões agroecológicas tropicais de Angola com precipitação superior a aproximadamente 1000 mm/ano, e onde ocorre precipitação inferior tem sido produzido com o auxílio de irrigação. A produtividade média obtida é inferior a 1000 kg/ha. Porém, comparando com outras regiões no mundo de condições agroecológicas semelhantes, sabe-se que é possível produzir nessas mesmas condições, médias superiores a 5000 kg/ha. Essa produtividade pode ser expressivamente aumentada com apoio creditício, assistência técnica, disponibilidade de boa semente, correção e adubação do solo corretamente recomendadas e executadas.

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Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Recomendações técnicas para o cultivo do milho. 2ª. Ed. Brasília, EMBRAPA-SPI, 1996. 204p.

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1.2- Manejo e conservação do solo A escolha do terreno para seu cultivo é fundamental pois trata-se de cultura que não deve ser submetida a estresse hídrico pronunciado, daí a razão de não ser cultivado. em solos arenosos e em locais que normalmente apresentam longos períodos de seca, principalmente nos seus períodos de maior exigência de água no solo. A lavoura nunca deve se desenvolver em ambiente com muitas ervas daninhas concorrentes, pois isso pode resultar em fortes perdas de produtividade. O solo deve estar protegido de erosão. Faz-se necessário previamente ao plantio, um bom preparo do solo e se acercar de todas práticas conservacionistas cabíveis. Ainda antes do plantio o camponês, o agricultor ou o empresário, deve se munir da informação de que seu solo está sem acidez nociva e com fertilidade adequada, através da análise do solo e de sua interpretação de correção e/ou adubação. 1.3- Variedades e práticas culturais As variedades devem ser as que mais se adaptam a cada região agroecológica voltadas para resistência a doenças, boa produtividade e atendimento das preferências dos consumidores. Os métodos de plantio devem ser os que proporcionem mais baixos custos. Naturalmente que os pequenos produtores, por não terem grandes máquinas devem utilizar aquelas que estiverem ao seu alcance. A consorciação e a rotação de cultura são extremamente importante neste caso. Os espaçamentos devem ser ajustados à densidade de 50-80 mil plantas/ha, dependendo do porte, o controle de ervas daninhas também se faz necessário. O controle das pragas e das doenças deverá obedecer a orientação dos assistentes técnicos encarregados de monitorar e avaliar os ataques de insetos e microrganismos. 1.4- Colheita, armazenamento e comercialização A colheita deverá ser realizada quando os grãos apresentem umidade mais próxima possível de 13%. O armazenamento se dará após a secagem dos grãos. No caso de colheita para consumo verde, esta deve ser feita com os grãos ainda no estágio leitoso. Usualmente o camponês não comercializa excedentes, o agricultor e os demais comercializam parte ou a totalidade de seu produtos em mercados locais e regionais. Na falta de armazéns adequados para milho, o produto deve ser comercilizado antes que seja atacado por carunchos (gorgulhos).

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2- Cultura do feijão 2 2.1- O feijão e a região O feijoeiro pode ser cultivado nas regiões tropicais não muito úmidas e nas subtropicais. Trata-se de cultura que não se adapta a regiões muito úmidas e quentes, e não tolera excesso de chuvas, pois nessas condições se torna extremamente susceptível a doenças. O país apresenta vastas regiões adequadas ao cultivo do feijoeiro. 2.2- Manejo e conservação do solo Ao escolher o terreno para seu cultivo, deve-se observar a boa porosidade e profundidade do solo. As práticas conservacionistas devem ser rigorosamente seguidas e o preparo do solo adequado ao seu cultivo. Após retiradas as amostras do solo, deve ser feita a análise, e a assistência técnica recomendará correção e adubação do mesmo, com base nesses resultados. 2.3- Variedades e práticas culturais As variedades de feijão devem ser as mais recomendadas para cada região. De acordo com sua época de plantio. As sementes a serem utilizadas devem ser isentas de doenças por se tratar de cultura muito suscetível a estas. O feijoeiro pode ser cultivado solteiro ou em consórcio com outras culturas como o milho, o cafeeiro, a mandioca e outros. A época de plantio pode variar desde o início do período chuvoso até o final de fevereiro. O espaçamento e a densidade devem ser ajustados a 200.000 plantas/ha. Os controles devem ser muito rigorosos. Pois um mal controle nessa cultura pode levá-la a perdas totais. Para cada praga e cada doença existem controles específicos. A prática da rotação de cultura é muito importante neste caso. 2.4- Colheita, armazenamento e comercialização A colheita deve ser realizada quando as vagens estiverem maduras e secas, e antes de ocorrer deiscência. O feijão quando armazenado por longo período tem sua qualidade de cozimento prejudicada. A comercialização deve acontecer num período máximo de 90-100 dias.

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Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Recomendações técnicas CNPF (V Série). Goiânia, GO, Brasil, 2002. 83p.

VIEIRA, C. O feijão em cultivos consorciados. Viçosa, UFV, 1989. 134p. 21

3- Cultura da mandioca3 3.1- A mandioca e a região A mandioca pode ser produzida economicamente em quase todas as regiões agroecológicas de Angola com exceção da região semi-árida e do deserto da Namíbia. 3.2- Manejo e conservação do solo A escolha do terreno é fundamental no cultivo da mandioca. Em solos muito argilosos, seu arejamento é muito importante no desenvolvimento das raízes. As práticas conservacionistas são importantes e devem ser seguidas conforme recomendado. Deve-se proceder a amostragem do solo para análise química e posterior recomendação de calagem e adubação. Em seguida preparar adequadamente o solo e efetuar a adubação. 3.3- Variedades e práticas culturais Obter manivas ou estacas de variedades apropriadas para o fim a que se destina a produção, seja consumo direto, fécula e outros. Deve-se ter cuidado com a disseminação de pragas e doenças, principalmente bacterioses e viroses através das manivas ao plantio. Seu plantio pode ser efetuado em qualquer mês de chuva. A densidade deve ser 1,0 X 0,50 metros, ou seja, 20.000 estacas/ha. O controle de ervas daninhas deve ser feito através de capinas, roçadas ou herbicidas, de acordo com o caso. Exemplos de consorciação de cultura são evidentes em Angola, principalmente no estrato camponês, onde encontra-se com freqüência o cultivo conjunto de milho + mandioca + feijão e às vezes amendoim, condição esta que exige ação intensiva da assistência técnica para sua melhoria. Todas as ações de controle de pragas e doenças deverão ser realizadas. Evitar a disseminação de bacterioses e viroses através do manejo cultural.

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CARVALHO, J.L.H. de. A mandioca, raiz e parte aérea na alimentação animal. EMBRAPA/CPAC. Agosto/ 1983, Circular Técnica no. 17,44p. CAVALCANTE, J. Raspas de mandioca para alimentação animal na região semiárida do Nordeste brasileiro . EMBRAPA/Semi-árido, Junho/ 1994, Circular Técnica no. 32 ,25p. MATTOS, P.P. de. Desenvolvimento tecnológico par produção de mandioca . o Documentos CNPMF n . 51 ,Outubro de 1993, 45p. RAMOS, J.G. & PERIN, S. Cultura da mandioca: recomendações técnicas par Goiás. ENGOPA, 1986, Circular Técnica no. 10 , 40p. 22

3.4- Colheita, armazenamento e comercialização A colheita deverá ser de acordo com a demanda após os 10 meses de idade do mandiocal. Seu armazenamento ao natural ocorre por curtíssimo prazo, máximo de 03 (três) dias por ser perecível. Pode ser amplamente prolongado sob certas condições, ex.: descascar e congelar. No caso dos camponeses, se faz a colheita conforme a necessidade de consumo. Nas condições deles é uma boa prática. A comercialização se dá de várias maneiras: ao natural, descascada e acondicionada a vácuo, pré cozida e industrializada na forma de farinha ou fécula e outros. 4- Cultura do arroz4 4.1- O arroz e a região Trata-se de cultura de razoável e crescente interesse econômico em Angola. Sua produção ocorre principalmente nas várzeas, periodicamente inundadas do médio Kuanza, nas áreas férteis recém desmatadas (kaposes) e nas baixadas próximas dos riachos (nacas ou ganlojas). 4.2- Manejo e conservação do solo A rizicultura de sequeiro exige solos com teores de argila mais elevados por ser exigente em água e, portanto extremamente sensível ao pequeno cacimbo. O solo deve ser amostrado e analisado previamente. A correção de acidez e adubação deve ser feita pela assistência técnica para cada tipo de solo em cada local. 4.3- Variedades e práticas culturais Existem variedades específicas para cultivos de sequeiro e para irrigação. As sementes a serem utilizadas devem ser das variedades testadas e recomendadas para cada região agroecológica produtora de arroz. Devem ser isentas de doenças e com elevado vigor vegetativo. A planta de arroz é muito suscetível à competição de ervas daninhas ou outros cultivos principalmente por falta de água, prejudicando seu perfilhamento. Em geral se trabalha com variedades com resistência às principais doenças de cada região.

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BREZEGHELLO, F. & STONE, F.L. Tecnologia para arroz de Terras Altas. EMBRAPA/Arroz e Feijão. 1998. 161 p.

FERREIRA, M. E.; YAMADA, T.; MALAVOLTA, E. Cultura do Arroz de Sequeiro – fatores afetando a produtividade – Anais do Simpósio de Arroz, realizado em Jaboticabal – SP de 25 a 27/05/1983, 422p. 23

4.4- Colheita, armazenamento e comercialização O arroz é colhido quando as panículas se encontram em maturação e secadas a 13% de umidade. O arroz em casca suporta armazenamento por período prolongado desde que protegido de umidade inadequada e insetos indesejáveis. Depois de descascado sua comercialização deve ocorrer a curto prazo para evitar danos por pragas de armazenamento. 5- Cultura da batata doce5 5.1- A batata doce e a região Por ser uma cultura originária da África, tem forte tradição de produção e de consumo tanto da parte subterrânea como da parte aéra, ou seja, folhas e ramas, na alimentação humana e na animal como forragem verde. 5.2- Manejo e conservação do solo É cultivada em solos não muito argilosos, em camalhões e montículos. O excesso de nitrogênio no solo faz desenvolver muita rama e folhas e produzir poucos tubérculos. O excesso de água também prejudica seu desenvolvimento e produção. 5.3- Variedades e práticas culturais As partes de segmentos das ramas, com 3-4 rebentos, a serem plantadas devem ser desinfetadas e livres de viroses e bactérias. As variedades devem ser testadas em cada região e as melhores multiplicadas e indicadas pela assistência técnica. A densidade mais praticada em Angola é de 30.000 plantas/há. Trata-se de planta de ciclo curto a longo (5 a 8 meses) e de poucos tratos culturais. As necessidades de água pela cultura são elevadas durante o ciclo, chegando a 600 mm por 120-210 dias. Deve-se evitar solos infestados de brocas e nematóides, pois estes prejudicam a qualidade, produtividade e o aspecto comercial do produto após colhido. 5.4- Colheita, armazenamento e comercialização A colheita da batata deve ser realizada no início da maturação sempre que as folhas e ramas começarem a amarelecer, evitando-se assim o apodrecimento, a germinação no campo e até ataque deste por insetos. O rendimento médio tradicional em Angola é de 3-10 t/ha. Porém, quando tecnificada a lavoura de batata doce pode atingir 40 toneladas/ha.

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Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. A cultura da batata doce. Brasília, EMBRAPA/SPI. 1995.94p (coleção plantar 30).

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A velocidade da comercialização depende muito da qualidade do produto na colheita e na pós-colheita. Se as batatas forem colhidas no ponto certo, sem injúrias, a comercialização e o consumo podem ser prolongados. 6- Cultura da soja6 6.1- A cultura da soja e a região Trata-se de uma leguminosa cujo grão é protéico e portanto, de interesse alimentar humano e animal; é também importante por ser planta condicionadora do solo. O interesse dos agricultores angolanos pela soja vem aumentando ano a ano, por se adaptar bem nas regiões de maior precipitação e compor adequadamente os sistemas de rotação de culturas. Angola tem grande potencial para a produção de soja e poderá usar tecnologia desenvolvida para ambientes tropicais e subtropicais. 6.2- Manejo e conservação do solo A soja exige solo fértil e corrigido e dispensa adubação nitrogenada quando inoculada com Rhizobium no plantio. Seu cultivo aumenta a população de micorriza no solo e condiciona o solo para as culturas subsequentes. Esta cultura se ajusta bem ao sistema de plantio direto. 6.3- Variedades e práticas culturais As variedades devem ser bem testadas a cada local, pois podem ser muito sensíveis ao fotoperíodo. A densidade de plantio é de 200.000 a 450.000 plantas/ha. A soja pode ser semeada do início das chuvas a janeiro, conforme o ciclo que pode ser curto a longo. As definições em relação a essas recomendações dependerão da estruturação dos pacotes tecnológicos para cada local. Por ser planta de porte relativamente baixo (<100cm) tem que ser mantida no limpo para evitar sombreamento e competição dentro do período de chuvas. O controle das principais pragas da soja normalmente é feito nas regiões de agricultura mais desenvolvidas, baseado nos princípios do “manejo de pragas”. Toma-se decisão de controle com base no nível de ataque, no número e tamanho dos insetos e/ou pragas e no estágio de desenvolvimento da soja. Existe toda uma sistemática de monitoramento para esse manejo. Quanto às doenças, o controle através da resistência genética é a forma mais eficaz e econômica. Entretanto, para várias delas não existem cultivares resistentes. Neste caso a convivência econômica depende de vários fatores de um sistema integrado de manejo da cultura. Assim, como se trata de cultura com alto desenvolvimento no manejo de pragas e doenças, para se obter sucesso é necessário treinamento de técnicos com alta

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Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Sistemas com produção/tecnologias de produção de soja – Região Central do Brasil – 2003 – Londrina. EMBRAPA Soja/Cerrados. 199p. 25

especialização para assistir os produtores. Se isso não acontecer, a produtividade será sempre baixa em Angola. 6.4- Colheita, armazenamento e comercialização Existem máquinas pequenas e grandes com excelente desempenho na colheita de soja. Seu armazenamento é simples e rústico após o ajuste da umidade do grão. A sua comercialização é fácil em virtude de seu multiuso. E é crescente a nível mundial. 7- Cultura do milheto/sorgo (massango/massambala)7 7.1- As culturas e a região Trata-se de culturas de gramíneas de ciclo curto apropriadas para regiões onde as precipitação não é suficiente para a cultura do milho. São culturas exigentes em fertilidade, porém com pouca chuva bem distribuída durante os seus curtos ciclos, produzem bem. São substitutivos energéticos do milho amplamente produzidos nas regiões com precipitação inferior a 1000 mm, em Angola. 7.2- Manejo e conservação do solo Ao selecionar o terreno a ser cultivado com qualquer uma das duas culturas, deve-se observar a existência de boa porosidade e profundidade do dolo. Deve-se seguir rigorosamente as práticas conservacionistas e o preparo do solo adequado aos seus cultivos. Após a amostragem do solo, analisá-lo, e um agrônomo, com base nos resultados, efetuar a recomendação da correção da acidez se for o caso, e a adubação adequada. 7.3- Variedades e práticas culturais As variedades são as já testadas e tidas como as melhores para cada região agroecológica ou locais. Existem variedades apropriadas para produção de grãos e forragem. As sementes devem ser melhoradas e isentas de doenças. Manter as culturas livres de concorrência e efetuar a semeadura nas densidades indicadas. Seguir as recomendações técnicas indicadas para cada região agroecológica. 7.4- Colheita, armazenamento e comercialização Segue os mesmos critérios do milho, pois se trata de cereais muito suscetíveis a pragas na pós-colheita. Portanto, o armazenamento tem que ser muito criterioso quanto a umidade do grão e cuidados quanto ao ataque de pragas. A comercialização ou o processamento deve ser rápido enquanto não houver uma rede de armazéns adequada a esses cereais.
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Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. EMBRAPA/Milho e Sorgo. Sistema de Produção de Milheto no Brasil Central – safra 2002. 26

8- Cultura do trigo8 8.1- A cultura do trigo e a região O trigo é produzido nas regiões com altitude superior a 800 metros. Já é uma cultura tradicional nas regiões mais altas, embora em pequena escala. Pode ser muito ampliada no futuro nas regiões agroecológicas planálticas de Angola. 8.2- Manejo e conservação do solo Antes do preparo do solo, efetuar a amostragem do solo, efetuar a análise e com base no resultado, fazer a recomendação da adubação. As práticas conservacionistas são fundamentais nesta cultura por ser de ciclo curto e oferecer pouca proteção contra chuvas torrenciais. 8.3- Variedades e práticas culturais São as testadas e recomendadas para cada região agroecológica. As de porte mais elevado são semeadas com densidade menor que as de porte mais baixo. Utilizar sementes tratadas. O ciclo do trigo é curto e produz bem em condições de poucas chuvas bem distribuídas no período de crescimento. Utilizar variedades resistentes ou tolerantes a pragas e doenças. 8.4- Colheita , armazenamento e comercialização Assim que os grãos estiverem endurecidos, realizar a colheita. Por ser um cereal, seu armazenamento merece cuidados especiais. A comercialização também neste caso, deve ser rápida, enquanto não houver uma rede de armazéns adequada a esse cereal. 9- Outras culturas 9 Amendoim, batata rena, vielo, hortifrutícolas, café, cana de açúcar e dendê, são importantes componentes de sistemas de produção no país e por isso também poderão ser objetos de composição de pacotes tecnológicos.

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Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. EMBRAPA/ Trigo. Sistema de Produção de Trigo no Brasil Central – safra 2002.

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MATIELLO, J. B. O café: do cultivo ao consumo. São Paulo: Globo, 1991. 320 p.

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. EMBRAPA hortaliças - A cultura da batata, EMBRAPA/SPI, Brasília, 1999, 184p. (Coleção Plantar, 42). 27

IX. PROPOSTAS DE INVESTIMENTO E ASSISTÊNCIA TÉCNICA 1- Elaboração de projetos e implantação de indústrias de moagem de calcário a curto prazo, nos locais distintos onde se encontram jazidas. Angola apresenta extensa área de solos com características ácidas que para serem tecnicamente utilizados necessitariam ser calcariados, periodicamente. O próprio esgotamento dos solos naturalmente eutróficos pode conduzir a acidificação e a conseqüente necessidade de correção da acidez através de calagem. O país é pródigo em jazidas de calcário. Trata-se de indústria praticamente sem rejeitos industriais. À medida que a agricultura de Angola evoluir, o consumo de calcário deverá ser rotina de quase todos os produtores. 2- Elaboração de projetos e implantação de indústrias de moagem de rochas de fosfato natural. O fosfato é vital ao crescimento e desenvolvimento das plantas. Seu suprimento em cultivos tecnificados se dá através da aplicação de rocha finamente moída em cultivos orgânicos e culturas perenes. Todavia, sua maior utilização se dá através de sais quimicamente processados obtidos pela industrialização dos fosfatos naturais. Normalmente trata-se de indústria de muito maior porte que a de moagem de calcário. 3- Elaboração de projetos e implantação de indústrias de produção de fertilizantes minerais e organo-minerais. O Estado angolano tem o privilégio de possuir jazidas de matéria-prima de vários fertilizantes minerais e organo-minerais como: petróleo, calcário, fosfatos, gesso e compostos orgânicos. Vale ressaltar que nenhuma agricultura tecnificada prescinde também de fertilizantes sejam eles minerais, orgânicos ou organo-minerais. É importante também lembrar que todo produto agrícola ao ser colhido e retirado da área de produção leva consigo minerais que precisam ser repostos ao solo, para que este continue sendo sustentável. A adubação de manutenção de todas as culturas anuais deve ter fósforo , seja na forma de Super Simples, Super Triplo, MAP, DAP e no caso de perenes como pastagem, pode-se utilizar fosfato natural. 4- Elaboração de projetos e implantação de indústria de extração de gesso agrícola. O gesso associado ao calcário em proporções tecnicamente indicadas é amplamente utilizado para corrigir alumínio tóxico em subsuperfícies de solos ácidos, melhorando assim as condições de aprofundamento das raízes das plantas, principalmente nos plantios de chuvas onde há veranicos (ou pequenos cacimbos). Nessas condições as plantas podem melhor se defenderem dos estresses hídricos. O gesso é um componente que se presta a correção do alumínio tóxico na subsuperfície de alguns solos ácidos.

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5- Estabelecer projetos ou programa de produção de sementes básicas junto ao IIA/SENSE que atenda a demanda de produção de semente em escala compatível às necessidades de uma agricultura tecnificada. A oferta de sementes testadas e adaptadas em cada região agroecológica é fundamental para o atendimento da demanda de uma agricultura e pecuária tecnificada. O consultor em investigação agrícola apresenta uma proposta bem detalhada e discriminada para Angola e a FAO – Angola tem experiência válida no setor. 6- Organizar sistemas de produção e pacotes tecnológicos que após testados servirão de suporte para a IDA apoiar aos produtores. Em cada região agroecológica os técnicos da Extensão Rural, pesquisadores e produtores se reunirão o número de vezes necessárias para elaboração de quantos sistemas de produção ou pacotes forem importantes para compor um sistema de planejamento de assistência técnica nacional. 7- Estabelecer um projeto de rede de validação de pacotes tecnológicos nas regiões agroecológicas de agricultura e pecuária. A organização de rede de teste de pacotes tecnológicos se prende a necessidade de se testar pacotes elaborados de acordo a vocação agroecológica de cada região produtora. 8- Desenvolver e implementar linhas de crédito para custeio e investimento rural. O crédito rural deverá atender os diferentes sistemas de produção e categorias de produtos extensivos a agroindústrias nas principais regiões agroecológicas do país. O sistema de juros e incentivos deverá privilegiar os grupos mais descapitalizados. Aqui vale ressaltar que nenhuma das demais ações sugeridas para a modernização da agricultura em Angola será válida se não houver um forte sistema de crédito rural. 9- Elaborar e implementar projetos pilotos tomando como base pequenas bacias hidrográficas como unidade física de planejamento. Este tipo de planejamento agrícola permite a organização das comunidades em torno da proteção ao meio ambiente, a execução de uma agricultura sustentável, a melhor distribuição dos recurso comuns, e habituar os condomínios ao convívio harmônico. 10- Desenhar projetos de rotação de culturas. Tal sistema é extremamente importante em solos tropicais e subtropicais, onde a ação climática beneficia a destruição da matéria orgânica do solo nos cultivos anuais. Nessas regiões a proteção da fração orgânica do solo tem uma importância maior, pois sua ação na disponibilidade dos nutrientes é muito grande em relação às ações das argilas que tendem a ser muito mais mineralizadas que nas regiões de clima frio ou temperado. As rotações de cultivos minimizam a perda e até recuperam a matéria orgânica do solo. Pequenos projetos deverão ser de responsabilidade do IIA e grandes projetos demonstrativos poderiam ser de responsabilidade do IDA, ou conjunto com o 29

IIA. Esses se diferenciam dos oriundos pacotes por serem mais importantes como base educativa do produtor para o uso de rotação através de dias de campo. 11- Elaborar projetos pilotos de validação de cajueiros anões nas savanas de baixa altitude e precipitação pluviométrica acima de 500 mm/ano. O cajueiro é uma das frutíferas tropicais que mesmo em condições de sequeiro (não irrigado) produz razoavelmente bem. Sua castanha lhe proporciona economicidade por ter elevado valor econômico no mercado internacional. A cultura merece destaque por ser de baixo custo e simples execução e poderia gerar renda e emprego nas áreas de solo profundo da região agroecológica da baixa costeira de Angola. Essa idéia merece destaque por ser técnica e educativa. 12- Elaborar projetos de recuperação dos perímetros irrigados e de novos projetos principalmente nas várzeas, nas várzeas com água a montante. O plantio conduzido com irrigação, em geral dá maior retorno econômico, alta produtividade e proporciona muitos empregos. O Estado de Angola possui um grande número de grandes e pequenos perímetros de irrigação que devem ser recuperados. 13- Elaborar um ou mais projetos pilotos de Savanas com solos originalmente ácidos e profundos com toda tecnologia disponível para elevada produtividade. Mostrar a viabilidade dessas áreas para agricultura e pecuária com alta produtividade, inclusive com o uso do plantio direto para milho, soja, feijão, sorgo, trigo e outros. No caso do cultivo de cafeeiro, mostrar sistemas de cultivo com alta densidade e mecanização. 14- Elaborar e financiar a recuperação, reconstrução e construção de armazéns de sementes e grãos alimentares em regiões produtoras estratégicas no país. A estrutura de armazéns permite a manutenção estratégica desses produtos durante o ano todo, evita desperdício e proporciona segurança alimentar na pós-colheita. Sem essa estrutura, fica difícil e dispendiosa a organização de estoques reguladores.

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X. RESULTADOS POTENCIAIS A SEREM ALCANÇADOS No caso de todos os aspectos assentados neste documento a respeito dos sistemas de produção em Angola serem considerados, a agricultura angolana deverá evoluir conforme esperado no quadro 3. Quadro 3 - Evolução de mudança de classe esperado no sistema de produção em Angola.* Mudança de classe Camponês → pequeno produtor peq. produtor → médio produtor Médio produtor → empresário rural Possibilidade de evolução no tempo Curto prazo Médio prazo Longo prazo (até 2005) (2005 a 2010) (2010 a 2015) baixa mediana alta mediana alta alta alta quase totalidade quase totalidade

* No caso de haver decisão política de aceitar as propostas anteriormente indicadas.

Os camponeses e pequenos produtores deverão absorver tecnologia mais simples como carpideiras de tração animal e outras. Por sua vez, os médios produtores absorverão tecnologia um pouco mais avançada e os empresários as de custo mais elevado. O resultado de um setor agropecuário desenvolvido será a maior oferta de produção e melhor qualidade de produtos, mais oferta de empregos, incremento de renda no setor e geração de mais divisas para Angola. XI. SUSTENTABILIDADE DOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA EM ANGOLA A sustentabilidade da agricultura é o resultado harmônico da convivência do Homem com a biosfera. Em síntese a agricultura sustentável é um sistema de produção integrado de práticas produtivas com vegetais e animais, adaptadas às condições específicas de cada local. Assim, o Homem ao definir e conduzir os sistemas de produção agrícola, deve se pautar em elementos de sustentabilidade como: manter ou melhorar a qualidade ambiental, melhorar sua própria qualidade de vida em função da atividade praticada; satisfazer suas necessidades alimentares e praticar a melhoria dos recursos naturais dos quais depende a economia agrosilvopastoril. No caso de Angola, a curto prazo, a atividade agrícola deverá se desenvolver no sentido da sustentabilidade sem contudo atingi-la, uma vez que isso só será possível a médio e a longo prazo. Considerando a tradição, a tecnologia disponível, o nível de consumo no país, dos seguintes produtos: cereais, feijão, amendoim, mandioca, batata rena e batata doce; considerando a retomada da produção pelos agricultores no pós-guerra; levando em conta a ocorrência de bons anos agrícolas de 2003/04 a 2005/06; Angola deverá ser auto suficiente em milho, milheto/sorgo (massango/massambala), amendoim, mandioca, batata rena e batata doce, dentro dos próximos 2 a 3 anos. Mesmo com a baixa produtividade obtida hoje, não resta aos agricultores outra alternativa para melhorá-la a curto prazo, nem para melhorar sua renda e dar maior sustentabilidade à agricultura, 31

senão a de utilizar tecnologias geradas pela investigação agrícola do país ou tecnologias adaptadas das já existentes em países de condições ambientais semelhantes. Sabe-se que um sistema não sustentável deve ser transformado gradativamente em sustentável mediante um processo de aproximação. O uso de tecnologia gerada e/ou adaptada para agroecossitemas deverá ser cada vez mais intensificado racionalmente, de modo que a médio ou a longo prazo, atinja a sustentabilidade. Reitera-se então, que o alcance da sustentabilidade da agricultura angolana a médio e longo prazo, passa por profundas ações de conservação do solo, proteção da fração orgânica do solo, uso disciplinado das microbacias hidrográficas, uso racional de insumos agrícolas e até de plantio direto onde houver possibilidade. Para isso, será fundamental uma forte decisão política governamental de apoio creditício, técnico, infra-estrutural, social, ambiental, e de agregação de valor através da agroindustrialização e até exportação da produção excedente. XII. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA Agência de Cooperação Internacional do Japão/ JICA. Pesquisa sobre o auxílio para o aumento de produção alimentar. Relatório inicial da pesquisa “in loco” em Angola, Luanda, 1997 (02/97). 07p. ATLAS GEOGRÁFICO. Ministério da Educação de Angola, 1982, 49p. Carta Generalizada dos Solos de Angola (3ª Aproximação). Lisboa, 1968. 275p. Cooperação Ministério da Educação de Angola x Ministério dos Negócios Estrangeiros da Itália. Agropecuária (1ª Série) – Horticultura. 1996. 116p. DINIZ, A.C. Angola – o meio físico e potencialidades agrárias. Cooperação Portuguesa, 1996.176 p. DINIZ, A.C. Recursos em terras com aptidão para o regadio – Grandes Bacias Hidrográficas de Angola – 2002 (11/2002). 65 p. DINIZ, A.C. & AGUIAR, F. de B. Zonagem agroecológica da Angola. Aptidão agrária das terras. Instituto de Cooperação Portuguesa. 1994. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Relatório final da Missão EMBRAPA em Angola – 2002 (08/2002). Governo da Província de Huambo – Programa de estabilização de produção agrícola no Huambo – PEDAH, 2001/2004, Huambo, 2001. 95p. MELO, J.A.S.C. Dissolução de fosforites em solos ácidos. FAO/ IIA. Projeto ANG/80/038,1988.65p. Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural – MINADER. Instituto de Investigação Agronômica. Relatório Anual – 2001 (26/06/2002). Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural. I conselho Técnico. Intensificação da produção agro-alimentar. IV Técnicas Agronômicas a adaptar em culturas regadas. Luanda, 1993 (18-20/11), 62p. Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural – Monitoria da campanha agrícola 2002/2003. Luanda, Abril de 2003. NOGUEIRA, M.D. A Carta de solos do Centro de Estudos da Chianga – IIA, 1970. Huambo, Angola. 65p. 32

Projecto: TCP/ANG/2907. Working Papers – 01 a 07 e outros. WETZEL, C.T. Missão Angola – Dossiê I. Documentos referentes ao projeto “Culturas Alimentares na Zona Norte de Angola” (PRODECA), Brasília, 04/2002.

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ANEXO I

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