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Aulas De agricultura geral

Aulas De agricultura geral

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AGRICULTURA GERAL

Tema I
Sumário Introdução: Considerações Preliminares. Definição Agricultura geral. Seu carácter. A Agricultura como industria. Formas de organização. Relações com outras Fitotecnias. Conceito da Disciplina. Finalidade do seu estudo. Relações com outras disciplinas. Esta Disciplina (Agricultura Geral) (Fitotecnia): Tem como objecto fundamental, a integração por parte dos alunos dos conhecimentos adquiridos em todas as ciências básicas e as básicas-especificas, ou seja é uma disciplina muito importante na criação de forma sólida da base técnico-cientifica para um Eng.º Agrónomo. Introdução ao estudo da Fitotecnia: A Fitotecnia Geral faz parte do currículo de Agronomia, como uma disciplina básica na formação de profissionais capazes de estabelecer e aplicar os métodos científicos em que se baseia a produção Agrícola. Como actividade essencial, a sua função especifica consiste em utilizar os conhecimentos aportados pelas ciências auxiliares e sobre elas estabelecer técnicas que nos permitam manejar os complexos factores que intervêm no crescimento e desenvolvimento das plantas. Definição de Agricultura: Do latim Ager= Campo +cultura Como Definição geral e segundo a etimologia da palavra podemos dizer que é a cultivação do campo. Mas a etimologia da palavra não dá um cabal significado do ponto de vista técnico- científico, ou seja o significado resulta incompleto. Sendo assim e como conceito mais abarcador definiremos da seguinte forma: A agricultura: é o conjunto das actividades que se exercem no solo, com técnicas mais avançadas, com o objecto de produzir vegetais e animais. Seu caracter: O seu caracter é enciclopédico, já que para lograr os seus objectivos na pratica, necessita do auxilio de outras ciências puras como as matemáticas que delas emprega os princípios que regem as forças sempre activas da natureza (cálculos, leis, etc.) e das ciências tecnológicas das que utiliza as formas de combinar os princípios das ciências puras para conseguir um determinado fim. Dentro das ciências fundamentais temos: a) Ciências Biológicas (Botânica, Microbiologia, Genética, etc.) b) A Mesologia e a Ecologia. c) A Edafologia.

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d) A Fisiologia Vegetal. e) A Mecanização Agrícola. Do ponto de vista do seu uso, podemos considerar de 3 formas distintas. 1º Como arte para o agricultor que realiza as actividades sem necessidade de muitos conhecimentos prévios; porque predomina a experiência pratica que se manifesta num alto grau de empirismo. 2º Como técnica, para o técnico que supervisiona a execução das operações e para tal possui conhecimentos médios. 3º Como ciência, que orienta a forma de execução das operações e se baseia em métodos científicos, tendo um caracter criador, pois mediante a experimentação, pode apresentar as operações ou criar normas técnicas mais avançadas. Agricultura como industria: Podemos considerar a agricultura como industria porque tal como a esta (a Industria) intervêm factores similares tais como matérias primas constituídas por: água, ar, terra, fertilizantes, etc., funcionando isto como um aparelho elaborador das plantas e animais; e como energia que intervém neste processo, a luz e a temperatura ambiente. Como produto elaborado, as colheitas agrícolas e os produtos de origem animal, e a semelhança do que ocorre na industria, ficam resíduos. Formas de organização na agricultura Ao considerarmos a agricultura como uma industria, podemos aplicar os mesmos métodos de direcção das industrias como: a) O uso de computadores para a programação das actividades. b) A organização territorial (campos, típicos, lotes, etc.). c) Execução do trabalho (por normas, jornas etc.). d) Planificação de vias (escoamentos de e para os mercados). e) Planificação de construções de infra-estruturas, etc. Actualmente já existem formas de produção por complexos agro-industriais, que têm como fundamento integrar a produção do campo com a industrialização dos produtos colhidos. Conceito de fitotecnia: De acordo com a etimologia da palavra, Phyton = Planta e Tecnia = Técnica. A fitotecnia é um ramo da ciência agrícola que tem por objectivo estudar e aplicar técnicas sobre as plantas e o solo com vista a lograr deles, o seu potencial ou o aumento da produtividade. Relação com outras Fitotecnias A fitotecnia se divide em duas partes: - Fitotecnia Geral. - Fitotecnia especial. Fitotecnia Geral: é o estudo dos fundamentos gerais aplicados a todas as culturas. Fitotecnia especial: é o estudo particular e pormenorizado das plantas cultiváveis e especialmente as de maior importância económica, assim como as suas exigências e peculiaridades.

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Ex: Horticultura: cultivo de tomates, cebola, alho, etc. raízes e tubérculos: Mandioca, batata rena, batata doce. Cereais: Milho, arroz, trigo. Citrinos e outras fruteiras: Laranjeira, Toranjeira, Tangerineira, Limoeiro. Culturas industriais: Tabaco, Sisal, Algodão, etc. Relação com outras ciências A fitotecnia tem relação com varias ciências. Ex: Define as formas ou métodos de aplicação dos adubos (agro-química), fitofarmacos (fitopatologia), combate as ervas indesejáveis (daninhas) (protecção de plantas), labores de preparação do solo, para eliminar pragas (entomologia), etc.

Tema II
Tema II: Fundamento da produção Agrícola a) Generalidades. b) A planta como elemento de produção. c) Factores que afectam a produção Agrícola - Factores edáficos • O relevo • Propriedades Físicas do solo • Fertilidade do solo • Biologia do solo - Factores climáticos • Luz • Temperatura • Humidade atmosférica e do solo - Factores biológicos • O homem • Os animais superiores • Os microorganismos • As plantas. d) Factores favoráveis e Factores limitantes. e) Esboço das zonas agrícolas de Angola. Fundamento cientifico da produção agrícola: A tarefa principal da agricultura consiste na produção de produtos de alta qualidade para a satisfação das necessidades cada vez mais crescentes da população, em alimentos e em distintas matérias primas para a indústria. A planta como elemento de produção

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Na solução deste problema, o papel mais importante pertence a produção vegetal, já que as plantas, produto das suas transformações servem não só como alimento para o Homem, como também para o gado. Para cumprir a sua tarefa essencial, e extremamente difícil, a produção vegetal de hoje não pode descansar apenas na experiência popular, como nos tempos remotos. Já há mais de dois séculos que esta se apoia sobre a base cada vez mais sólida de uma ciência, cujo nome é AGRONOMIA. O que é a agronomia? A agronomia é uma ciência complexa que se dedica a elaborar os fundamentos teóricos e os métodos práticos para o aumento da produtividade das plantas cultivadas e do melhoramento da quantidade das colheitas na base do uso racional e o aperfeiçoamento contínuo dos recursos naturais e da diminuição dos custos de produção. A Agronomia leva a cabo as investigações cientificas em três direcções principais que são: - A busca dos métodos de modificação dirigida das plantas; - A selecção das formas e variedades novas das culturas agrícolas mais adaptadas as condições do meio ambiente; - A modificação de factores do meio ambiente, segundo as necessidades das plantas cultivadas. Efectuando estas investigações a Agronomia como uma ciência complexa se divide em uma série de ciências especiais, cada uma das quais ou certos grupos das quais se apoiam não só nas leis universais do desenvolvimento da natureza, como também nas próprias leis fundamentais, descobertas no transcurso do seu próprio desenvolvimento. A fitotecnia geral e a especial, assim como a química agrícola, a protecção de plantas, o melhoramento do solo e outras, pertencem a um grupo de ciências agrícolas tecnológicas, que se dedicam a terceira direcção das investigações da agronomia. Factores que afectam a produção agrícola Factores edaficos, climáticos, Factores biológicos. 1. Factores edáficos a) O Relevo: O relevo influi na distribuição da matéria e a energia pela superfície do solo. Nos diferentes elementos do relevo penetra uma quantidade diferente de humidade, calor e matéria mineral. Tudo isto influi consideravelmente na actividade vital do reino animal e vegetal. b) As propriedades físicas do solo, nomeadamente: - A textura: é o grau de fineza das partículas do solo; Uma das principais classificações dos solos é feita tendo em conta a granulometria ou textura, isto é, na base das dimensões das partículas minerais. Estas conforme o seu tamanho, classificam-se em esqueleto, quando o diâmetro excede os 2 mm e terra fina quando o diâmetro é inferior a 2 mm. No esqueleto destinguimos pedras e cascalho, na terra fina temos areia grossa, areia fina, limo e argila. Argila <0.002mm; Limo de 0.002-0.02mm; Areia de 0.02 - 2mm.

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- A estrutura é a disposição espacial relativa das partículas do solo, isto é, como se dispõem as partículas entre si. Sem estrutura: Solos muito arenosos onde os grãos de areia são livres, não há verdadeira estrutura. Estrutura Grumosa ou granular: Os agregados são relativamente arredondados, em grumos de alguns milímetros; Deixam assim entre eles espaços livres para a água e o ar. É o tipo de estrutura a procurar nos solos cultivados. Estrutura prismática Os agregados têm a forma de prismas e deixam muito menos intervalos entre si. (É a estrutura característica dos solos muito argilosos). - A porosidade: a porosidade total do solo é definida como sendo a porção do seu volume não ocupado por partículas sólidas. Sabemos que as partículas do solo variam em tamanho e forma e o seu ajustamento produz poros que diferem muito entre si pela forma e dimensões. ( As dimensões dos poros estão relacionadas com as dimensões das partículas minerais. No caso da areia, estando esta constituída por partículas grosseiras, também os poros são grosseiros, no caso da argila e limo sendo estas pequenas, os poros são finos. - A coesão: É a propriedade em virtude da qual as partículas constitutivas do solo se aglomeram entre si. Esta propriedade está relacionada com o conteúdo em argila, sendo alta quando há muita argila, baixa quando há pouca. As terras que têm pouca coesão, isto é compostas por partículas independentes, chamam-se terras ligeiras, leves ou soltas. As terras que têm muita coesão, isto é nas quais as partículas se unem e se soldam umas as outras, chamam-se terras pesadas, compactas ou fortes. - A Tenacidade: É a resistência que a terra opõe á penetração das alfaias (charrua, enxada, etc.) e é devida a coesão que têm as partículas aglomeradas. A tenacidade é quanto maior quanto mais finas forem as partículas do solo, sendo portanto máximas nos solos argilosos. A tenacidade depende também do grau de humidade do solo: quando este estiver seco, é alta, e quando estiver muito molhado é baixa. - A adesividade: É a propriedade em virtude da qual as terras aderem (colam) as alfaias mecânicas ou manuais (charrua de aiveca, enxada, etc.), dificultando o trabalho. Tal como a tenacidade, a adesividade, é alta nos solos argilosos e baixa nos arenosos, também pode ser relativamente baixa nos solos argilosos que tenham uma boa estrutura. A adesividade também varia em função da humidade do solo, sendo alta em solos molhados e baixa em solos secos. Devido à tenacidade e adesividade, um solo argiloso é pesado e difícil de trabalhar: - quando está seco, a tenacidade é alta e a adesividade é baixa. - quando está molhado passa-se o contrario. - quando porém tiver um conteúdo médio de humidade, as duas características têm um valor relativamente baixo, permitindo assim fazer um trabalho mais fácil. - Plasticidade: É a possibilidade de, amassando um pouco de solo com água, molhando-o, este conserve a forma que lhe foi dada. Resulta da existência de quantidade suficiente de argila e, por isso, pode ser usada como forma de verificar no campo, a textura do solo.

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O procedimento é o seguinte: apanha-se um pouco de terra, separam-se os materiais grosseiros, detritos vegetais, etc., e humedece-se com um pouco de água amassando-o até formar uma pasta; - Permeabilidade: É a maior ou menor facilidade com que as terras se deixam atravessar pela água e pelo ar. As terras em que essa circulação é fácil dizem-se permeáveis. As que não se deixam atravessar chamam-se impermeáveis. A permeabilidade está relacionada à macroporosidade porque é esta que permite a circulação do ar e da água. - Cor: A cor do solo depende não só do material originário mais também dos Factores que influíram na sua formação. Além da maior ou menor quantidade de matéria orgânica, que tem a cor quase preta. Há a considerar a percentagem de hidróxido de ferro, de cor vermelha ou amarela, assim como os detritos minerais não alterados e muitos outros compostos formados durante a evolução do solo. a) Fertilidade do solo: É a quantidade de nutrientes que existe no solo com o propósito de obter altas produções, incluindo a reacção do solo (pH), macroelementos primários: azoto, fósforo, potássio e os secundários: oxigénio, magnésio, cobre, etc. e os microelementos: zinco, cobre, magnésio, etc b) Biologia do solo: o solo é um ambiente vivo. Todas as classes do reino animal e do reino vegetal estão representados no solo. Os seres vivos do solo são: A fauna e a flora do solo são extremamente ricas: A fauna está nele representada em especial por: - Mamíferos: roedores, (topeiras, ratos) Insectos, que podem existir em diferentes estadios das suas metamorfoses: Larvas, ninfas, adultos. Vermes: Nemátodos e minhocas: desempenham um papel importante. Protozoários A flora: é variada. Os vegetais superiores estão presentes pelas suas raízes e pelas suas sementes. Há mais de 40.000 sementes de ervas daninhas por m2 de terra, em 20cm de espessura. Os líquenes, os musgos e as algas, principalmente abundantes perto da superfície. Os fungos são muito abundantes. Alguns são parasitas (míldio, etc.) outros participam na evolução da matéria orgânica. Existem os associativos, cujos micelios são abundantes nas raízes; As micorrizas intervêm na nutrição das plantas. As bactérias: São muito abundantes no solo (de 1 a 50.000.000 por grama de terra). 2- Factores climáticos Luz: A luz é a fonte de energia que permite a planta sintetizar os açucares: Fotosintese.

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É caracterizada por dois parâmetros : A intensidade luminosa e a duração da iluminação. A intensidade luminosa é conhecida de maneira indirecta pela determinação da duração de insolação. Mede-se com o Heliógrafo de Jordan. A duração de iluminação: Aprecia-se praticamente pela duração do dia. A temperatura: Permite medir o calor que regula o ritmo do desenvolvimento das plantas. A humidade: A importância da água começa a evidenciar-se já na própria origem do solo, pelo simples facto de ser um dos agentes mais activos de destruição e desagregação das rochas e minerais. A água é o principal componente do protoplasma vivo das plantas, havendo casos em que o seu teor chega a ser mais de 99%. A sua presença é obrigatória em todas as reacções de metabolismo, além de funcionar especificamente como meio de transporte dos elementos nutritivos e dos componentes que se formam durante o metabolismo da planta, e entre a planta e o solo. 3- Factores Bióticos: O Homem: Os Animais superiores: Os microorganismos: As plantas: É o elemento mais importante da produção agrícola. Nos últimos anos devido ao trabalho dos genetistas, o aumento da produção devido ás variedades melhoradas foi muito elevado. Factores favoráveis e Factores limitantes. Todos os factores, podem ser favoráveis, sempre e quando estiverem nos seus níveis óptimos ou seja nos mínimos e máximos tolerantes pelas plantas e desfavoráveis sempre que estejam fora dos mínimos e máximos requeridos.

ZONAS AGRÍCOLAS DE ANGOLA

Cabinda, Litoral norte, Cafeícola Dembos-Uige, Subplanalto do Congo, Planalto do Congo, Cuango, Litoral de Luanda, Baixa de Cassange, Nordeste da Lunda, Lunda, Suburbana de Luanda, Planalto de Malange, Litoral Sul do Cuanza, Libolo-Amboim, Transição Centro-Nordeste, Alto Cuanza, Influência do C.F.B-Leste. Anharas do Moxico, Alto Zambeze, Litoral Sul, Transição Centro-Oeste, Planalto Central, Ganguelas, Bundas e Luchazes, Quilengues, Terras Altas da Huíla, Transição Centro-Sul, Cuando Cubango, Gambos, Baixo Cunene, Cuanhama, Baixo Cubango.

TEMA –III

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Tema-III: Adaptação e defesa dos terrenos de cultura. • Adaptação do terreno: - Derruba, arranca, limpeza e arroteia. - Espedrega e ripagem - Caldeamento, enateiramento e colmatagem - Saneamento dos terrenos - Aproveitamento e beneficiação dos solos orgânicos - Aproveitamento e beneficiação dos solos salinos. • Introdução ao problema da conservação do solo - Prevenção e correcção da erosão - Clcassificação dos métodos de conservação • Métodos de controlo da erosão hídrica + Métodos Biológicos e métodos agrícolas. - Distribuição das culturas . - Sementeira em curvas de nível. - Culturas em faixas. - Cobertura viva. - Sebes e compactação. + Métodos mecânicos ou hidráulicos - Métodos de retenção ou absorção. - Terraços e valados de absorção - Implantaçãoe construção de valados. - Distância entre valados • Métodos de controlo da erosão eólica. + Rotação de culturas. + Maneio do solo. + Culturas em faixas. + cortinas quebraventos. • Planeamento de um sistema de conservação do solo. + Recolha de dados + Determinação do método a empregar + Projecto e implementação. + Verificação • Manuntenção das defesas.

Adaptação e defesa dos terrenos de cultura 3.1 Adaptação do terreno 3.1.1- A derruba: É o acto de abater grandes árvores para aproveitar o terreno para a instalação de culturas. 8

- Limpeza: é o acto de recolher os restos de vegetação, etc. - Arranca: é o acto ou efeito de arrancar as touças ou toiças. - Arroteia ou arroteamento: é a terra desbravada para ser cultivada. 3.1.2- Espedrega e Ripagem: a presença de pedras é um obstáculo á cultivação porque limitam na superfície as plantas cultivadas, dificultam o uso das alfaias agrícolas e das máquinas e ainda a normal execução das operações de cultivo. A espedrega pode ser feita de forma manual ou por meio de máquinas apropriadas. Quando as pedras se encontram a uma profundidade de 30-40cm, inicialmente se utilizam os Rippers, que as trazem a superficie depois são afastadas por meio de ancinhos despedradores, constituidos por uma série de robustos dentes côncavos. 3.1.3- Caldeamento: É uma operação que consiste em deitar água na areia (terreno). - Enateiramento: (nateiro) É o conjunto de particulas muito finas de argila, misturadas com areia, matéria orgânica, etc. Camada de lodo formada por poeira e por detritos orgânicos misturados com a água que alagou o terreno e o fecundou. Logo depois faz-se o saneamento ( limpeza) das ervas que germinaram. - A colmatagem: Acto de colmatar (tapar brechas; terraplanar). 3.1.4- Aproveitamento e beneficiação dos solos orgânicos: Os solos orgânicos na sua maioria estão formados por um alto conteúdo de matéria orgânica que pode variar entre 20-90%. Se possuem mais de 50% chamam-se Turfosos. Estes solos são conhecidos como solos de pântanos, se originam em condições especiais de humidade excessiva e de elevada evaporação. Nos solos Turfosos a água se estanca permanentemente e inibe a actividade microbiana, fazendo com que os restos orgânicos se acumulem todos os anos sem sofrer muitas alterações. Estes restos são utilizados nos viveiros de café, citrinos, etc. Os solos minerais: Estes solos são os de maior extensão, os mais conhecidos e os de maior importância agrícola. Apresentam em geral de 1-6% de matéria orgânica. As partículas que o constituem se unem em agregados de diversos tamanhos e formas ao misturar-se com a matéria orgânica. Existem solos minerais com boas proporções de matéria orgânica, entre 7-17%. Os solos salinos: São solos que sofreram um processo de salinização, que se caracteriza pela acumulação de sais tóxicos no perfil do solo, que podem afectar as propriedades físicas e químicas deste e causar danos as plantas. As condições para o desenvolvimento deste processo é um clima onde predomina a evaporação sobre as precipitações, com uma alta temperatura e que o manto freático esteja muito proximo da superficie ( menos de 3m de profundidade) e contaminado com sais. • As vias de acumulação de sais são as seguintes: • Via continental: produz-se pelo intemperismo das rochas ricas em sais, de onde o solo herda. • Via marinha: produto da penetração do mar, pela terra.

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Vía da empulverização ou seja é o arraste das gotinhas de água do mar que se produz durante a sequência das ondas, provocada pelo vento, do mar para a terra. • Vía antropogénica: quando o homem utiliza água de má qualidade que contenha mais de 1g/l de sais, estes se vão acumulando paulatinamente no solo e produzem uma salinização secundária. O aproveitamento e beneficiação dos solos salinos, é feita através do processo de dessalinização: Para que ocorra este processo é necessário que o complexo coloidal do solo esteja saturado de sódio ou seja que haja ocorrido um processo de salinização. Se aplica CaCO3 ou HCO3. Portanto este Na+ se substitui pelo CaCO3 ou HCO3 ou seja o Na+ sai do complexo e forma Na2CO3. Este por sua vez se hidroliza facilmente e forma NaOH+H2O. O NaCO3 é uma base forte, portanto o pH aumenta de 9 à 11. 3.2- Introdução ao problema da conservação do solo 3.2.1- Prevenção e correcção da erosão: Os processos de degradação dos solos actualmente merecem uma especial atenção. Estes processos alteram a estrutura do solo e a sua capacidade produtiva. Cabe destacar os seguintes processos: - Erosão hídrica: É um processo de remoção e arraste do solo pela acção da água. Há uma serie de factores que facilitam a ocorrência deste fenómeno erosivo como: As caracteristicas das precipitações (chuvas), a erosionabilidade do solo, a topografia do terreno, etc. - Erosão eólica: É um processo de remoção e arraste das partículas do solo pela acção do vento. As condições propícias para que isto ocorra são fundamentalmente as seguintes: A existência de um solo seco, solto e fino, pouca ou nenhuma cobertura vegetal, uma superficie de terreno plana ou levemente ondulada e um vento de velocidade suficiente, e de pouca chuva. Se podem prevenir e corrigir a erosão, através de uma estratégia agroecológica de protecção de solos. Dentro desta estratégia, estão as praticas culturais e agronómicas e as praticas mecânicas. Práticas culturais e Agronómicas de conservação do solo: Classificação dos métodos de conservação de solos: • Métodos de controlo da erosão hídrica: são os métodos biológicos e métodos agrícolas por um lado e por outro os métodos mecânicos ou hidráulicos.

- Métodos biológicos e agrícolas: + Distribuição das culturas: A forma como vamos armar o terreno. + Sementera em curvas de nível: Quando existe uma pendente e na encosta de uma montanha. + Culturas em faixas: Consiste na disposição das culturas em faixas de distância variável, de modos que em cada ano se alternem plantas que ofereçam pouca 10

protecção ao solo com outras de crescimento denso. É uma prática complexa, onde se combinam as sementeiras em contorno, com rotação, plantas de cobertura e também em muitos casos com terraços. + Cobertura viva: São filas de plantas perenes e de crescimento denso dispostas com determinado distanciamento horizontal e semeadas atráves da pendente, quase sempre em contorno ou em curvas de nivel. O principal propósito destas barreiras é reduzir a velocidade da água que escorre. + Sebes e compartimentação: Vedação feita de ramos ou varas entrelaçadas para defender o terreno. Também podem ser obstáculos formados por estacas cravadas no solo e ligados por arame farpado. Métodos mecânicos ou hidráulicos +Métodos de retenção ou absorção • As fossas e covas • Terraços e valados de absorção + Distância entre valados. - Métodos de controlo da erosão eólica - Rotação de culturas: É a sucessão mais ou menos regular de diferentes culturas na mesma unidade agroecologica. É uma prática antiga, que utilizada apropriadamente contribui de modo eficaz no controlo da erosão e a manter a produtividade do solo. Uma boa rotação sempre deve incluir-se leguminosas e pastos por um período longo. - Manejo do solo - Culturas em faixas - Cortinas quebraventos.

Planeamento de um sistema de conserva ção do solo. 1- Recolha de dados: devem existir estações próximas e fazerem-se registos periódicos. 2- Determinação dos métodos a empregar 3- Projecto e implementação 4- Verificação Manutenção das defesas Com trabalhos periódicos de manutenção e melhoria. Deve haver financiamento e equipamentos.

TEMA: IV

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ROTAÇÃO E AFOLHAMENTO. CONSORCIAÇÕES. 4.1- Rotação e afolhamento. 4.1.1- Definições. 4.1.2- Razões que justificam tais práticas. 4.1.3- Sua posição especial no problema da consorciação do solo. 4.2- Necessidade das rotações. 4.2.1- Para a limitação do desenvolvimento das ervas daninhas. 4.2.2- Para os tipos de sistemas radiculares. 4.2.3- Para a facilidade de controlo sanitário. 4.3- Sistemas de rotação. 4.3.1- Escolha das culturas. 4.3.2- Rotação livre. 4.3.3- Rotação anual e rotação plurianual. 4.4- Esquema de rotação. 4.4.1- Espécies integrantes. 4.4.2- Vigência de cada espécie. 4.4.3- Data de entrada de cada espécie. 4.4.4- Tempo de preparação do solo entre cada espécie. 4.5- Culturas principais e secundárias. 4.5.1- Que se adaptam as condições do solo e do clima. 4.5.2- Que o total das espécies escolhidas seja uma cultura económica. 4.5.3- Que os produtos tenham mercado e satisfaçam o mercado. 4.6- Planificação das rotações. 4.7- Calendário de sementeira e plantação. Ciclo de algumas espécies cultivadas em Angola. 4.8- Estudo sobre a monocultura. 4.9- Afolhamentos. 4.9.1- A divisão do campo em parcelas. Aspecto a ter em conta. 4.9.2- Número e divisão das parcelas. 4.9.3- Formas especiais com vista à defesa e conservação do solo. 4.10- Consorciações. 4.10.1- Definições. 4.10.2- Interacção de plantas cultivadas conjuntamente. 4.10.3- Escolha das culturas. 4.10.4- Culturas de cobertura e protecção. 4.10.5- Culturas tradicionais consorciadas em Angola.

ROTAÇÃO E AFOLHAMENTO. CONSORCIAÇÃO.

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ROTAÇÃO: a rotação é a sucessão, numa ordem pré-estabelecida, de diversas culturas no mesmo terreno, durante um período de anos determinados, no fim do qual se retoma a mesma sucessão de plantas e na mesma ordem. Podemos considerar como um tipo de rotação o sistema de cultivo móvel, comum na agricultura tradicional africana, que consiste em cortar e queimar uma parcela da floresta, cultivar 2-3 anos em solos raramente muito férteis (pode-se chegar aos 10 anos) e depois deixar novamente a floresta crescer por 20-30 anos. Este período de repouso devolve ao terreno a fertilidade esgotada pelas culturas. O aumento da pressão da população levou à diminuição do período de repouso a menos anos, às vezes insuficiente para uma verdadeira restituição da fertilidade. MONOCULTURA: a sucessão contínua duma mesma cultura no mesmo terreno, provoca uma diminuição de rendimento mais ou menos considerável. Exemplo: a batata é uma das culturas que não deve suceder-se a si própria, se não com intervalos de 3-6 anos. INFLUÊNCIA DA CULTURA ANTERIOR: as diversas plantas cultivadas deixam, após a sua colheita, o solo mais ou menos profundamente modificado do ponto de vista físico (estrutura, destorroamento), químico (grau de esgotamento, reservas orgânicas, etc.) e biológico (flora e fauna, parasitas eventuais, etc.). Apesar da utilização das técnicas mais apropriadas de trabalho, de fertilização ou tratamento, não é sempre possível restabelecer o meio mais favorável a uma determinada cultura. Não é conveniente repetir todos os anos a mesma cultura. PORQUE É NECESSÁRIA A ALTERNÂNCIA DAS CULTURAS? FACTORES FÍSICOS: os prados deixam o terreno em óptimas condições de estrutura e permeabilidade, devido a desagregação dos torrões feita pelas raízes, a quantidade de resíduos orgânicos que deixam e a abundância de microrganismos, favoráveis aos processos biológicos do terreno. As culturas que têm raízes aprumadas profundas, ou que requerem uma lavoura profunda (milho), modificam bastante o valor da permeabilidade e da porosidade, melhorando as características físicas do solo, o que leva a cultura seguinte a ter melhores condições. Pelo contrário, as culturas que requerem muitas passagens de máquinas, de trabalhadores ou camponeses, regas repetidas, ou que deixam muito tempo o solo nu, ficando assim exposto a acção da chuva, podem provocar uma compactação do terreno que nem sempre, com as mobilizações, se consegue eliminar completamente, reflectindo-se assim na cultura seguinte. FACTORES BIOLÓGICOS: as plantas, através de excreções radiculares, podem modificar as condições existentes no terreno, quer no que diz respeito

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as condições microbianas, quer a possibilidade de desenvolvimento de algumas plantas. O mais conhecido é o efeito das culturas sobre as infestações das ervas daninhas. Algumas culturas, quer porque são sachadas (milho, tomate, girassol, etc.) quer porque naturalmente abafantes (prados naturais), permitem limpar o terreno das infestantes; outras, pelo contrário, deixam espaço as ervas, permitindo assim o seu desenvolvimento que, muitas vezes, não é controlável nem com os herbicidas. Neste caso, só a rotação restabelece um controlo da infestação. A repetição da mesma cultura, além das ervas, provoca a multiplicação de doenças e pragas que, também se forem tratadas com pesticidas, são dificilmente controláveis e com custos elevados. Por exemplo: não se pode repetir a cultura do tomate, quando esta for atacada por nemátodos, ou a cultura da batata, quando aparecer a rizoctonia, doença que pode prejudicar a cultura, ou os cereais, quando forem atacados pela doença do pé, etc. FACTORES QUIMICOS: as acções deste tipo estão relacionadas com o esgotamento ou enriquecimento de alguns elementos nutritivos ou de constituintes importantes do solo, nomeadamente o húmus. Umas culturas esgotam o solo de elementos (por exemplo: as crucíferas absorvem muito enxofre, as gramíneas muito azoto, as leguminosas muito cálcio, as quenopodiáceas muito potássio), outras enriquecem-no: (as leguminosas fixam azoto e, em parte deixam-no no terreno). Em relação à substância orgânica, existem culturas que não devolvem ao terreno a quantidade de húmus mineralizado durante o seu ciclo, porque deixam poucos resíduos chamando-se por isso “esgotantes” (em relação á substância orgânica), outras deixam muitos resíduos e portanto, enriquecemno, chamando-se por isso, “melhoradoras”. Entre as melhoradoras incluímos também as culturas que recebem estrume como fertilizante, porque uma parte deste vai ficar no terreno para as culturas seguintes. CANSAÇO: os efeitos da repetição da mesma cultura num terreno poderá levar à diminuição da produtividade, sem que seja possível encontrar a causa nos factores físicos, químicos ou biológicos. Neste caso fala-se de “cansaço” do terreno.. Algumas culturas são muito sensíveis à sua repetição, e outras ainda, não podem ser cultivadas, no mesmo talhão, por dois anos seguidos. Entre elas, temos: a cenoura, a couve-flor, o tomate, pimento, girassol, alface, ervilha, feijão, fava, luzerna, beterraba, etc. PRINCÍPIOS BÁSICOS DA ROTAÇÃO DAS CULTURAS: O objectivo da rotação é o de manter o terreno em bom estado de fertilidade visto que a sucessão das culturas tem influência sobre as suas propriedades

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físicas, químicas e biológicas. Numa rotação, dever-se-a alternar culturas esgotantes com melhoradoras. O melhoramento da fertilidade pode ser devido a: 1- Lavoura profunda que a cultura requer, e que aumenta a porosidade do terreno também nas camadas mais profundas, com melhoramento das propriedades físicas do solo. 2- Um aumento de substâncias úteis à nutrição das plantas, como no caso do húmus, nas culturas melhoradoras, ou do azoto, nas leguminosas; neste caso melhoram as propriedades químicas. 3- Tanto a lavoura profunda como o aumento de substâncias úteis, melhoram o solo quer fisicamente, quer quimicamente. CULTURAS MELHORADORAS: Cabeças da rotação ou melhoradoras de renovação (renovam o terreno pois são culturas para abrir a rotação), são culturas exigentes, tanto na preparação como na fertilização. MELHORADORAS FORRAGEIRAS: São os prados para a produção de forragem; estes aumentam muito o conteúdo de substâncias orgânicas do terreno e, através das suas raízes fasciculadas ou profundas, melhoram a estrutura e a porosidade do solo. O seu efeito é tanto mais apreciável quanto maior for a duração do prado do terreno.

MELHORADORAS LEGUMINOSAS: São as leguminosas para a produção de grãos; estas deixam o terreno limpo de ervas daninhas, devido as sachas que requerem e aumentam um pouco o conteúdo em azoto do terreno. Pelo contrário, uma cultura esgotante é menos exigente, em relação às condições do solo, exigindo menos trabalhos, porque aproveita a melhoria das condições que a cultura anterior, melhoradora, provocou. Geralmente é um cereal, como o massango, trigo, arroz de sequeiro, etc. ESQUEMA DE UMA ROTAÇÃO: A regra geral para uma rotação é sempre alternar culturas melhoradoras com as esgotantes. Temos assim, numa agricultura com poucos meios, a rotação bienal feijãomilho. Neste caso o milho não recebendo todos os cuidados necessários, considera-se esgotante, aproveitando os resíduos do feijão, cultura melhoradora, para uma maior produção. Uma rotação mais complexa, própria para fazendas que tenham gado, poderia ser: 15

1- Cultura cabeça de rotação ou leguminosa _____ 1º ano. 2- Cultura esgotante ________________________ 2º ano. 3- Cultura melhoradora ______________________ 3º ano. 4- Cultura esgotante _________________________4º ano, 5º, 6º etc. NOTAS IMPORTANTES: Algumas forrageiras, tal como a luzerna, ocupam o terreno por mais de 1 ano e portanto a rotação terá, nestes casos, uma duração de 5, 6, 7 ou mais anos. A alternância das culturas pode ser feita sem uma ordem estabelecida, isto é, cada ano podemos escolher entre culturas do mesmo género por exemplo: entre culturas esgotantes, onde a precedente cultura foi uma melhoradora; e teremos assim uma rotação livre ou aberta. Ou então pode ser feita com uma ordem pré-estabelecida, durante um certo número de anos, depois dos quais o ciclo de rotação repete-se, e em cada ano planta-se uma cultura já determinada antecipadamente, sendo esta uma rotação fechada. ROTAÇÃO ABERTA é mais difícil de aplicar correctamente, porque a escolha das culturas deve ter em conta o objectivo desta técnica, que é o de manter a fertilidade, mas permite ter uma elasticidade notável em relação ao que o mercado requer. As culturas que entram na rotação são chamadas principais, enquanto que as outras, eventualmente praticadas entre duas destas, são chamadas intercalares ou furtivas. Para estas culturas muitas vezes são úteis as técnicas de preparação rápida do terreno (mobilização mínima, não mobilização etc.). As rotações são contínuas quando não há interrupções, ou descontinuas se o terreno permanece, a turno, improdutivo (alqueive). A duração de uma rotação calcula-se com os anos que passam entre uma cultura e o regresso da mesma no mesmo terreno: pode haver rotações breves (2-3 anos), médias (4-6 anos) e longas (mais de 6 anos). A escolha das espécies a introduzir na rotação está ligada a vários factores (clima, disponibilidade de água, tipo de terreno, etc.), sendo as vezes necessário escolher rotações diferentes nas várias partes duma fazenda, quando estas apresentarem condições diferentes. PLANIFICAÇÃO DAS ROTAÇÕES: Uma vez estabelecida uma rotação, poderíamos em todo o terreno duma exploração agrícola, fazer num ano batata, no outro massango e no terceiro uma cultura forrageira. Na prática, porém, isso nunca se faz, por razões de ordem económica. Por um lado, nem todas as culturas dão o mesmo 16

rendimento e por isso, teríamos anos com menores receitas que outros. Por outro lado, no caso de uma praga, seca, ou outro acidente que afectasse a cultura, o prejuízo seria total. Por ultimo, se existe só uma cultura no terreno, haverá períodos em que se concentrarão os trabalhos de lavoura, sementeira, colheita, etc. e períodos vagos, em que não haveria operações para executar, tendo-se assim um mau aproveitamento de mão-de-obra e máquinas. O modo de evitar isto consiste em fazer todas as culturas da rotação ao mesmo tempo, em parcelas diferentes, resultantes da divisão da área da exploração. Deste modo, os rendimentos são idênticos todos os anos e o falhanço de uma cultura não determina um prejuízo para as outras. Como as culturas mudam de parcela todos os anos, rodando entre elas, daí o nome de rotação. ESQUEMA DE UMA ROTAÇÃO: 1 A 3 D 2 B 4 C 1 B 3 A 2 C 4 D

1 C 3 B

2 D 4 A

1 D 3 C

2 A 4 B

1-2-3-4: Parcelas. A-C: Culturas melhoradas. B-D: Culturas esgotantes. A rotação, portanto, determina uma organização das culturas nos vários anos e também, uma organização das várias culturas em cada ano. Para distribuir as culturas que fazem parte da rotação no terreno, teremos que dividi-lo em partes, isto é fazer o afolhamento. AFOLHAMENTO: é a repartição, na exploração, das superfícies dedicadas as diferentes produções vegetais. A superfície reservada no decorrer da campanha agrícola a uma cultura tem o nome de folha. O afolhamento é estabelecido antes de cada ano cultural: é uma repartição das culturas no espaço. CALENDÁRIO DE SEMENTEIRA E PLANTAÇÃO: 1- As hortaliças são feitas fundamentalmente no período de inverno. 2- Os cereais no Verão. 3- Há as chamadas hortaliças de verão: cucurbitáceas (melão, melancia, pepino), quiabos etc.

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4- As leguminosas fazem-se no verão. Em algumas províncias podemos fazer, hortaliças e leguminosas todo o ano. A CONSORCIAÇÃO: é a cultivação contemporânea, num mesmo talhão de duas ou mais espécies com uma disposição de formas a que todas possam aproveitar dos mesmos amanhos culturais (adubações, regas, mobilizações, etc.) O consorciamento, em certos casos, fornece produções que pela quantidade, qualidade ou valor, são superiores as que se conseguem em cultura estreme (é a cultivação, num talhão, de plantas de uma só espécie). A razão pela qual as plantas consorciadas não fazem uma grande concorrência entre si pode ser devida a vários factores, que se podem verificar: a) Trata-se de espécies com aparelho radicular diferente; umas com raízes profundas, aprumadas, outras com raízes superficiais, fasciculadas, o que permite um melhor aproveitamento da água e dos elementos minerais do terreno, pois cada uma explora um volume diferente de terreno. b) Trata-se de espécies com hábitos diferentes de crescimento; plantas com vegetação baixa, rastejante ou trepadoras; outras de caule erecto, comprido, o que permite um melhor aproveitamento da luz e do espaço. c) Trata-se de espécies que produzem substâncias nutritivas utilizáveis pela planta consorciada, exemplo: as leguminosas, que não utilizam todo azoto fixado, mas deixam uma parte no terreno. (O feijão enriquece o solo beneficiando o milho). A interacção de duas plantas cultivadas conjuntamente pode reconhecer vários tipos de relações: Positivas: simbiose, quando as duas plantas aproveitam da vizinhança uma da outra e se desenvolvem melhor, ou quando só uma das duas é favorecida enquanto a outra não sofre nenhum efeito. Neutra: quando as duas plantas não se influenciam. Negativas: antibiose, quando uma das espécies não se desenvolve devido a vizinhança da outra, que porém não aproveita esse contacto. Parasitismo: quando uma das espécies se desenvolve a custa da outra, que fica prejudicada. Competição: quando ambas as espécies são prejudicadas pelo contacto entre elas. Nota: o consorciamento é vantajoso na agricultura só quando a relação que existe entre as plantas cultivadas juntas for positiva.

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O consorciamento é uma técnica que permite aumentar as produções com poucas despesas: por exemplo o consorciamento milho-feijão, milhoamendoim, sorgo-amendoim. Apresenta produções superiores às das culturas estremes em proporções que variam de 20 à 85%.

TEMA V:

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PREPARAÇÃO DO SOLO 5.1. Conceito de trabalho do solo 5.2. Finalidade dos trabalhos 5.2.1. Criar uma cama adequada para o crescimento e desenvolvimento das plantas 5.2.2. Modificar a estrutura do solo 5.2.3. Modificar o conteúdo de água e de ar do solo 5.2.4. Incorporação de restos vegetais 5.2.5. Criar condições para a posterior mecanização 5.2.6. Controlar as pragas do solo 5.2.7. Tornar assimiláveis os nutrientes do solo para as plantas. 5.3. Tipos de trabalho. Características. Sua acção no solo. 5.3.1. Atendendo ao equipamento usado 5.3.1.1. Lavoura 5.3.1.1.1.Definição 5.3.1.1.2. Classificação das lavouras *De acordo com a profundidade - Lavouras superficiais ou ligeiras - Lavouras médias - Lavouras profundas - Surribas * Em terrenos planos as lavouras podem ser: - Lavoura à raza - Lavoura em leira ou à colmando - Lavoura a descolmando 5.3.1.1.3. Acção da charrua no solo. Diferença entre charrua de discos e charrua de aivecas. 5.3.1.2. Gradagem 5.3.1.2.1. Definição 5.3.1.2.2. Acção no solo 5.3.1.2.3. Profundidade da gradagem 5.3.1.3. Subsolagem 5.3.1.3.1. Definição 5.3.1.3.2 Acção no solo 5.3.1.3.3. Profundidade e largura da subsolagem 5.3.1.4. Escarificação 5.3.1.4.1.Definição 5.3.1.4.2.Acção no solo 5.3.1.4.3. Comparação com a gradagem. 5.3.1.5. Fresagem 5.3.1.5.1. Definição

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5.3.1.5.2. Acção no solo 5.3.1.6.Alisamento 5.3.1.6.1. Definição 5.3.1.6.2. Acção no solo 5.3.1.7. Sulcagem 5.3.1.7.1. Definição 5.3.1.7.2. Acção no solo. 5.3.1.8. Abertura de valas para a rega 5.3.1.8.1. Definição 5.3.1.8.2. Acção no solo 5.3.1.9. Operações combinadas ou conjugadas e o encadeamento das operações 5.3.2. Planificação dos trabalhos 5.3.2.1 Momento oportuno para realizá-los 5.3.2.2.1.Atendendo à espécie a plantar 5.3.3.2.2. Dependendo das características e objectivos dos trabalhos anteriores 5.3.3.2.3. Atendendo a vegetação existente 5.3.3.2.4. Atendendo as características físicas do solo. 5.3.3.2.5. Atendendo a sua humidade óptima (sazão). 0 trabalho do solo È um conjunto de operações indispensáveis para criar um meio favorável ao desenvolvimento das plantas. Finalidade do trabalho do solo: O conjunto das operações do trabalho do solo permite: • O melhoramento das propriedades físicas do solo: a regeneração da estrutura e restabelecimento de uma porosidade satisfatória favorecem a infiltração da água no solo depois da ressecagem deste último. O equilíbrio entre a água e o ar é melhor e o solo reaquece-se mais facilmente. Por consequência a actividade biológica do solo é mais intensa. • A preparação da “cama para a semente”: o trabalho do solo bem conduzido permite colocar as sementes nas melhores condições de germinação. • A incorporação no solo de correctivos, dos adubos e de certos produtos fitossanitários (insecticidas contra as larvas do solo, herbicidas de prégerminação). • Criar condições para uma melhor assimilação dos nutrientes do solo pelas plantas. • A destruição das infestantes, antes da sementeira ou plantação de uma cultura ou durante o seu desenvolvimento. Os tipos de trabalhos: O esquema clássico de preparação de um terreno compreende: - Uma lavoura ( precedida de uma incorporação superficial do restolho, depois de um cereal, leguminosa, etc.); - Uma ou várias passagens de instrumentos de pseudo-lavoura (fresadora, cultivador, etc.); 21

- Formas superficiais ( gradagens e rolagens). Estes trabalhos exigem um esforço de tracção muito importante. Por exemplo, para a lavoura, este esforço de tracção pode ser avaliado em 40kg/dm2 à 80kg/dm2 de secção trabalhada, segundo a natureza do solo. Tem-se tendência para utilizar materiais cada vez mais potentes, mas também sempre mais pesados: O calcamento do solo pode ser mais nocivo do que com a tracção animal. A roda que passa no sulco pode provocar a formação de um calo de lavoura; a que passa a superfície forma torrões muito duros que são difíceis de quebrar. O trabalho do solo é antes de mais função da natureza do solo: As terras leves não se preparam da mesma maneira que as terras argilosas ou as terras argilo-calcárias. A lavoura: Consiste em cortar a terra revolvê-la, para que as camadas inferiores venham para a superfície, destacando-se uma leiva que vai receber a acção dos agentes naturais, respectivamente o ar, água e luz, ao passo que as camadas superiores já beneficiadas pela acção destes agentes irão ocupar o lugar das outras deslocadas. Finalidade: A lavoura permite alcançar uma parte dos objectivos do trabalho do solo nomeadamente: - O melhoramento da circulação da água e do ar: A lavoura aumenta o volume do solo em consequência do aumento dos espaços lacunares, mas deixa grandes torrões e terras ocas: Facilita a acção dos agentes climáticos ( Alternância de humidade e de secagem) e dos outros instrumentos de cultura; - Enterramento das infestantes, dos resíduos da colheita dos correctivos e dos adubos fosfatados e potássicos. Em contrapartida, a lavoura não permite obter uma cama para as sementes suficientemente esmiuçada ( salvo casos particulares: plantam-se por vezes batatas em terra leve, directamente no rego da lavoura): deve ser completado por outras formas de trabalho. Acção da charrua no solo Diferença entre charrua de disco e charrua de aiveca Para lavrar um terreno utiliza-se a charrua, que pode ser de aiveca ou de discos. Num terreno lavrado com charrua de aiveca podem-se reconhecer os seguintes elementos: - Parede vertical, cortada pela sega (faca); - Leiva: O torrão em forma de prisma, revirado - Sulco: Zona vazia determinada pelo reviramento da leiva - Calo do rego, correspondente ao fundo do sulco, onde a charrua exerceu considerável pressão. Neste tipo de lavoura, o reviramento da leiva é completo enquanto que a mistura do terreno é fraca. Na lavoura com charrua de discos, a leiva não sofre um verdadeiro reviramento, mas sim uma mistura e fragmentação de terra. O fundo do sulco não é plano, justamente porque, cortado pelos discos, apresenta-se ondulado, sendo este um inconveniente em solos argilosos, porque impede um bom escoamento das águas profundas.

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A profundidade máxima quando se utiliza uma charrua de disco é de 30-35 cm porque as dimensões dos discos seriam excessivas para atingir profundidades maiores. Além disso, porque essa charrua trabalha em profundidade por causa do próprio peso, este deve ser sempre muito elevado. A potência necessária para a lavoura a igual profundidade, é mais ou menos igual, tanto tratando-se de charrua de disco como de aiveca, apresentando a primeira um peso maior e uma resistência à tracção menor, e a segunda, um peso menor mas uma resistência a tracção maior. A charrua de disco efectua um bom trabalho: - Nos terrenos que se apresentam com muitos resíduos superficiais, porque consegue em parte triturá-los e misturá-los com o terreno; - Nos terrenos de textura arenosa ou média, sendo porém pouco prática nos argilosos: - Nos terrenos pedregosos ou com raízes grandes, porque os discos conseguem, rodando em cima destes, ultrapassar facilmente os obstáculos. Pelo contrário não deve ser utilizada: - Em solos muito húmidos, ainda que sejam de textura média, porque provocam um amassamento do terreno que, quando seco, fica muito duro; - Quando se quer um bom reviramento; - Quando se deseja uma maior quantidade de torrões que favorecem a infiltração da água em profundidade e diminuem o escoamento superficial e a erosão; - Quando se deseja uma maior regularidade da lavoura. Classificação das lavouras Forma superficial das lavouras A lavoura nos terrenos planos pode ser realizada de três formas principais: - Lavoura à raza; - Lavoura em leira (ou à colmando); - Lavoura à descolmando. Lavoura à raza: é a mais praticada, compreende um reviramento unilateral da leiva; é feita a partir de um lado do talhão, revirando a leiva sempre do mesmo lado, o que conserva a superfície do terreno no perfil original. A lavoura à raza realiza-se com a charrua normal e neste caso a viragem de volta é feita sem lavrar, ou com uma charrua de apo rotativo que pode trabalhar nos dois sentidos, utilizando alternativamente os dois órgãos de trabalho (charrua reversível). Lavoura em leira (ou à colmando): é feita a partir da linha central do talhão, continuando do lado deste primeiro sulco aberto, de modo que as leivas ficam reviradas todas em direcção ao centro do talhão; por conseguinte, no fim da lavoura ficam abertos dois sulcos nos dois lados do talhão; com sucessivas lavouras deste tipo aumenta a convexidade do talhão que se diz abaulado, visto que a terra é deslocada em direcção ao centro. O abaulamento serve para favorecer a eliminação da água em excesso, que encharcaria o terreno, favorecendo o escoamento, é mais indicada para os terrenos pesados e onde a queda pluviométrica é alta. Lavoura à descolmando: pelo contrário, é feita a partir dos lados do talhão, procede em direcção ao centro, onde no fim da lavoura fica aberto um duplo sulco. Este tipo de

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lavoura, em geral é pouco utilizada, pode servir alternado com o sistema a colmando, para manter um justo nível de abaulamento do terreno. A escolha entre estes três tipos de lavouras depende, principalmente, da natureza e posição do terreno, da sua sistematização e da quantidade de chuvas. Num terreno em declive, a lavoura pode ser feita de duas maneiras: - No sentido do declive, isto é, segundo as linhas de máxima pendência; - Transversal ao declive, isto é, seguindo as curvas de nível. A lavoura no sentido do declive é feita lavrando só na descida, sendo impossível lavrar na subida. Este sistema apresenta o grave inconveniente de favorecer o escoamento superficial das águas ao longo dos sulcos, facilitando assim a erosão. A lavoura em curva de nível tem a grande vantagem de provocar menores problemas de erosão, mas apresenta os inconvenientes de ser de difícil execução quando a inclinação do terreno for muito acentuada, podendo provocar o capotamento do tractor. A escolha entre estes dois métodos de lavoura depende do declive, da chuva e da natureza do terreno. De acordo com a profundidade a lavoura pode ser: - Lavoura ligeira ou superficial_____10-15cm - Lavoura média________________ 15-30cm - Lavoura profunda______________ 30-50cm A profundidade mais conveniente está relacionada a muitos factores: Tipo de cultura, tipo de terreno, condições climáticas. De facto as raízes das plantas penetram com maior facilidade e portanto a lavoura deverá ter uma profundidade maior quando serve para uma cultura de sistema radical profundo e menor em caso de cultura de sistema radical superficial. - A surriba: É um tipo especial de lavoura, que é uma lavoura feita para a implantação de culturas arbóreas com profundidade entre 60-100cm aproximadamente. A surriba pode ser total quando feita em toda a superfície do talhão interessado ou parcial, quando limitado . - Subsolagem : Esta operação aumenta a espessura da camada de terra desagregada, rasgando e remexendo o solo a uma profundidade maior do que a atingida pela lavoura, porém sem revirar a leiva. Pode ser feita ao mesmo tempo que a lavoura, com charrua e subsolador acoplado, ou depois desta, tendo-se neste caso o inconveniente de se fazer duas passagens de máquinas no terreno. A escarificação e extirpação: Devem ser realizadas com o escarificador ou com um cultivador, que são aparelhos de lavoura idênticos as grades diferindo apenas no comprimento e configuração dos dentes. Com o escarificador, podemos atingir o dobro ou o triplo da profundidade conseguida com a grade. Emprega-se na conservação do terreno mantendo-o em bom estado de mobilização, chegando a uma profundidade apreciável; na limpeza da vegetação espontânea, em terreno igualmente já lavrado e onde as ervas tenham já crescido mais de 3 cm, o escarificador que nesse caso se chama extirpador, exerce uma acção notável porque os dentes, devido á sua adequada configuração limpam

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o terreno, o que seria impossível com a grade, pois esta possui dentes curtos para poder romper o solo a grandes profundidades. Também se usa o escarificador na preparação do terreno, desde que não haja necessidade de voltar a leiva, isto é, quando se dispensa o trabalho da charrua. Esta operação deve ser evitada nos terrenos argilosos molhados para não estragar a estrutura do solo, obtido com a lavoura e a acção dos agentes atmosféricos. A fresagem: A enxada rotativa, ou fraisa mecânica, pode ser utilizada tanto para substituir completamente a lavoura, como para completá-la. Esta alfaia prepara muito bem o terreno para a sementeira, com terra bem esmiuçada, chegando as vezes até à pulverização, pela destruição dos agregados, o que constitui um problema, porque quando chove ou se faz uma rega, forma-se uma camada superficial lodosa que quando seca, tranforma-se em crusta. A pulverização dos agregados é fácil em solos secos, devendo-se neste caso ter-se muito cuidado ao se trabalhar com esta alfaia, deminuíndo-lhe a velocidade de rotação para não prejudicar o solo. Se o solo estiver molhado, o trabalho da enxada rotativa leva a um completo empapamento do terreno, resultando assim contraproducente. Alisamento: esta operação consiste na eliminação das pequenas irregularidade que surgem com as mobilizações anteriores e que poderiam dificultar os trabalhos sucessivos. O alisamento deve sempre ser feito, tanto nos terrenos normais como nos submersos (arrozais) e realiza-se manualmente ou com alfaias niveladoras. Sulcagem: Se realiza com o sulcador e tem como objectivo, abrir sulcos para a irrigação ou para a drenagem das águas, bem como também podem ser utilizados para semear. Abertura de valas para a rega: São valas abertas já seja pelo sulcador de maior dimensão ou por um subsolador. São canais ou valas para a irrigação. Operações combinadas ou conjugadas e o encadeamento das operações Algumas operações são feitas de maneira combinada, com o objectivo de aproveitar o escasso tempo que existe entre a colheita de uma cultura a preparação e sementeira da cultura sucessiva e um melhor aproveitamento das alfaias, etc. Exemplo: - Os semeadores combinam com enxadas rotativas: os grãos semeados por lançamento com o semeador são enterrados sob os pequenos torrões e o mulch de resíduos vegetais projectados pela enxada rotativa; esta forma permite por exemplo semear rapidamente o trigo depois de um milho colhido tarde, quando as condições são pouco favoráveis a uma preparação clássica. - As atrelagens entre máquinas (atrelado de duas alfaias de trabalho de solo ou de um instrumento de trabalho do solo e de um semeador) permite utilizar a potência dos tractores, limitando o número de passagens. A parte onde vão ser plantadas as árvores. A surriba parcial, por sua vez pode ser por valas quando realizadas em sulcos de 50 à 100cm de profundidade, em correspondência as fileiras das árvores, ou por couvas quando limitadas a pequenas áreas no centro das quais será plantada a árvore. A época de execução da lavoura:

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A lavoura é feita no intervalo entre a colheita de uma cultura e a sementeira da sucessiva. Quando este intervalo for grande, é necessário escolher o momento melhor para efectuála. Por isso, deve-se considerar sobretudo o tipo de terreno, o objectivo principal da lavoura, as condições do terreno à lavrar. Quanto ao tipo de terreno, nos pesados a lavoura, deve ser feita com maior antecedência em relação aos ligeiros, visto que os terrenos pesados necessitam de mais tempo para chegar ao estado estrutural, pois exigem a acção dos agentes atmosféricos. Nos terrenos ligeiros, muito arejados, onde a substância orgânica está sujeita a uma elevada mineralização que diminui a eficácia dos fertilizantes orgânicos, a lavoura deverá ser feita pouco antes da sementeira. Quanto as condições apresentadas pelo terreno, a melhor situação verifica-se quando este se encontra no estado de sazão, isto é, quando o conteúdo em água é tal que minimiza a tenacidade e a adesividade do terreno, de tal forma que a lavoura resulte num óptimo esmiuçamento com mínimo de esforço. Uma lavoura feita num terreno excessivamente molhado é muito mais prejudicial do que uma feita em terreno muito seco. Os inconvenientes da lavoura A lavoura, embora fundamental para conseguir importantes objectivos agronómicos, apresenta inconvenientes, que são os seguintes: - Formação de torrões excessivamente grandes: Isto acontece principalmente quando se trata de terrenos argilosos e secos e constitui um inconveniente quando se quer semear logo depois da lavoura. Este problema não se apresenta quando a lavoura é feita com tracção animal porque a profundidade neste caso, é muito reduzida. - Formação do calo do rego no fundo do sulco: este é provocado pela acção da relha que comprime a terra no fundo do sulco compactando-á e limitando assim a penetração da água, do ar e das raízes nas camadas inferiores. - Inversão das camadas do terreno: este fenómeno favorável por muitas razões ( reconstituição da estrutura, enterro dos adubos, etc.), tem também aspectos negativos, sobretudo com o aumento da profundidade da lavoura, porque transporta para a superfície camadas diversas ou de composição pobre e transporta em profundidade, onde não tem condições de vida, a flora microbiana superficial útil para o terreno. - Enterro irregular dos adubos: A charrua não permite sempre a mistura regular do adubo mas determina a sua localização no fundo do sulco, o que pode constituir uma vantagem para os adubos minerais, dado que se criam zonas de máxima concentração que diminuem o efeito de fixação e insolubilização dos mesmos por parte do terreno, mas é um inconveniente quando se trata de substâncias orgânicas que, se não forem bem decompostas, podem criar um ambiente asfixiante para as raízes ou impedir a sua expansão e o seu aprofundamento . Na maior parte das vezes, a lavoura não deixa o terreno preparado e pronto para a sementeira; as operações complementares feitas depois desta, tentam atingir este objectivo.

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Gradagem: Esta operação tem como objectivo diminuir as dimensões dos torrões e nivelálos de maneira a completar o trabalho iniciado pela charrua. Serve também para a erradicação e enterro das ervas daninhas, adubos, cobertura da semente, etc. O terreno, para a execução da gradagem não deve estar nem muito seco, porque neste caso será difícil o trabalho de fragmentação dos torrões, nem muito molhado, para não provocar compactação. A profundidade da gradagem é geralmente de 15-20 cm; uma maior profundidade obtémse utilizando grades de discos que realizam também a fragmentação dos torrões secos. A gradagem com grade de armação rígida pode atingir uma profundidade de cerca de 5-15 cm e realiza-se um óptimo nivelamento. Muitas vezes para se obter os resultados desejados convém utilizar-se mais do que um tipo de grade. Planificação dos trabalhos Momento oportuno para realizar: está em dependência de: - Da espécie a plantar - Das características e objectivos dos trabalhos anteriores - Atendendo à sua humidade óptima (sazão).

AGRICULTURA GERAL

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TEMA: VI
PROPAGAÇÃO DE PLANTAS.

6.1 Conceitos e generalidades. 6.2 Formas de propagação: Natural e artificial. 6.3 Elementos de propagação. 6.4 Vias de propagação. Conceito. 6.4.1 Via gâmica. Importância. Factores que intervêm neste tipo de reprodução. 6.4.2 Semente. Conceito. Partes que a compõem. 6.4.2.1 Características de diferentes tipos de sementes. 6.4.2.2 Qualidades das sementes. Características externas e internas. 6.4.2.3 Período de repouso e lactência. 6.4.2.4 Estado de maturação da semente. 6.4.2.5 Longevidade da semente. 6.4.3 Via agâmica. Importância. Factores que intervêm neste tipo de reprodução. 6.4.4 Sementes agâmicas. Suas características. Tipos. 6.4.4.1 Propagação por estacas. Sua importância. 6.4.4.1.1 Vantagens e desvantagens. 6.4.4.1.2 Factores que intervêm na formação de raízes e de ramos. 6.4.4.1.3 Substâncias químicas estimulantes do desenvolvimento das raízes. 6.4.4.1.4 Corte de estacas. 6.4.4.1.5 Tipos de estacas. 6.4.4.2 Propagação por mergulhia. Sua importância. 6.4.4.2.1 Factores que afectam este tipo de propagação. 6.4.4.2.2 Vantagens e desvantagens 6.4.4.2.3 Formas de realizá-la. 6.4.4.2.4 Classificação das mergulhias. Suas características. 6.4.4.3 Propagação por enxertia. Sua importância. 6.4.4.3.1 Afinidade entre as plantas. 6.4.4.3.2 Influência entre enxerto e porta – enxerto. 6.4.4.3.3 Vantagens e desvantagens da enxertia. 6.4.4.3.4 Selecção do porta enxerto e gema. 6.4.4.3.5 Classificação dos enxertos. 6.4.4.4 Outras formas de propagação. Definição e importância. Estolho. Rizoma. Tubérculo. Raiz tuberosa. Bolbo. Bolbinho.

PROPAGAÇÃO DE PLANTAS.

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A propagação das plantas: é a reprodução (ou perpetuação) das plantas controladas pelo homem, para perpetuar indivíduos ou grupos de plantas que têm para ele um valor específico. FORMAS DE PROPAGAÇÃO: Natural e artificial. NATURAL: a própria natureza, sem intervenção do homem realiza a disseminação da semente mediante agentes naturais: ar (anemócora), água (hidrócora), animais (zoócora). ARTIFICIAL: se realiza mediante o concurso do homem, constituindo então a sementeira e plantação. ELEMENTOS DE PROPAGAÇÃO: os elementos de propagação respondem directamente cada um deles a fisiologia da espécie a que representa. Assim temos espécies que só podem propagar-se através das suas sementes botânicas (que é o óvulo fecundado desenvolvido e maduro), já que não têm outro elemento, dada a sua fisiologia; como o caso de certas gramíneas que não se podem propagar nem por estacas nem por enxertos, como exemplo disso temos o milho. Outras espécies, os elementos que aportam para propagar-se são maiores e variados uns com respeitos a outros. Assim temos a cana-de-açúcar (Saccharum officinarum), que se pode propagar por sementes e por estacas. Outras espécies como por exemplo a mandioca (Manihot esculenta) se propagam por estacas. A cultura da batata-doce (Hipomeia batata) se propaga por estaca, semente e tubérculo. ALGUNS ELEMENTOS DE PROPAGAÇÃO. Propágulos: - Estacas. - Gemas ou embriões. - Bolbos. - Estolhos. - Enxertos. - Raízes tuberosas. - Tubérculos. - Mergulhia. - Bolbinhos. VIAS DE PROPAGAÇÃO: as vias de propagação são duas: a gâmica ou sexual e agâmica ou assexual. CARACTERISTICAS QUE DISTINGUEM AS DUAS VIAS DE PROPAGAÇÃO: Na propagação gâmica ou sexual, duas células especializadas (gâmetas ou células reprodutoras) procedentes de partes distintas de um mesmo pé de planta ou de pés de plantas diferentes, se unem “protoplasma à protoplasma”, “núcleo à núcleo”, susceptível de desenvolver-se numa mesma planta.

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Ao contrário a propagação agâmica ou assexual está caracterizada pela ausência no ponto de partida, de uma conjugação de células ou mais exactamente de núcleos. Na reprodução sexual se produz um novo indivíduo a partir de dois elementos (masculino e feminino), e que o ovo resulta da sua união, recomeça um novo ciclo vital similar ao que ocorrera com os progenitores. É pois uma reprodução (ocorre meiose). Ao contrário, na propagação vegetativa não se apresenta nada que não seja o crescimento normal das diferentes partes de um mesmo indivíduo. Acontece que uma dessas partes se isola (separa) mais ou menos completamente, desenvolvendo-se um novo indivíduo que vem sendo na realidade um pedaço ou uma porção daquele onde procede. Não há portanto problema de reprodução porque é o mesmo indivíduo desde a sua origem, é por conseguinte um caso de crescimento acompanhado de uma separação, ou seja existe continuidade da maternidade (ocorre mitose). IMPORTÂNCIA DA VIA GÂMICA OU SEXUAL: Ela implica a união de células sexuais masculinas e femininas na formação das sementes e a criação de novos indivíduos; a divisão celular que produzem as células sexuais (meiose) compreende a divisão reduzindo os cromossomas a metade. O número original de cromossomas é restaurado durante a fecundação, resultando novos indivíduos que contêm cromossomas dos progenitores masculino e feminino. (Em consequência, pode parecer-se a um dos dois ou a nenhum deles. Este fenómeno é de grande importância, já que devido a essa variabilidade genética representada pelos indivíduos surgidos se obtêm muitos com características desejáveis. Os melhores indivíduos são seleccionados para serem empregues na agricultura, e desta forma obtêm-se altas colheitas. Também surgem indivíduos indesejáveis aos quais se seleccionam e se separam, devido a que se degeneram grandemente. Por outro lado podem surgir indivíduos com características intermédias que podem ou não ser seleccionados. A SEMENTE: É o ovulo fecundado desenvolvido e maduro. A semente é constituída pelo embrião e pelos materiais de reserva. PARTES DA SEMENTE: episperma; endosperma plúmula. embrião cotiledones, radícula,

CARACTERISTICAS DOS DIVERSOS TIPOS DE SEMENTES: De acordo com a protecção que tenham recebido no seu desenvolvimento, as sementes se podem classificar em dois tipos diferentes; que são: - Sementes nuas: são as que se originam de óvulos nus ou seja óvulos que se desenvolvem fora de uma cavidade protectora; se desenvolvem assim devido a que estes géneros de plantas não desenvolvem ovários nem flores nem frutos. Essas características são típicas de plantas gimnospermas como por exemplo: os pinos. - Sementes cobertas: este tipo de sementes é característico de plantas angiospermas. Esta se origina a partir de óvulos cobertos por uma cavidade protectora chamada ovário; este

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tipo de semente geralmente está protegido por duas envolturas protectoras; apesar de haver casos em que são três. A mais externa é seca e endurecida; esta capa unida as outras impedem que as sementes possam absorver a água retardando a germinação das mesmas até que existam as condições favoráveis para a germinação. Isto constitui a forma natural que possuem as sementes de diferentes espécies de plantas de protegerem-se das condições adversas do meio, pelo que se torna necessário aplicar métodos artificiais como as escarificações para tratar de eliminar a demora da germinação. QUALIDADE DAS SEMENTES As qualidades das sementes estão representadas pelas suas características agronómicas; estas podem ser externas ou internas. CARACTERISTICAS EXTERNAS: Forma: as sementes têm uma infinidade de formas; estas dependem da variedade ou da espécie que se trate. As formas mais comuns são: a esférica, em forma de lágrima, oval e outras variações da forma esférica. Algumas sementes que têm essas formas curvas se achatam ou se alargam. Estas variedades de forma que apresentam as sementes nos permitem eleger convenientemente os órgãos nos semeadores no momento de efectuar a sementeira. Pureza física: é a percentagem de semente numa mostra perfeitamente formada e desenvolvida, contida na mesma amostra incluindo sementes partidas quando a fracção atinge um tamanho maior que a metade da semente inteira e esta fragmentação não interessa ao embrião da mesma. Tamanho: o tamanho da semente é variável, está em dependência, tal como a forma, da variedade ou da espécie que se trate. Ademais, o tamanho da semente também depende das condições ambientais de onde se desenvolveu a planta mãe onde se desenvolveu ou não todo o seu vigor vegetativo, factor muito importante, por quanto tem repercussão no tamanho da semente. De acordo com o seu tamanho, a semente poderá acumular maior ou menor energia, ao qual determinaria decisivamente na sua viabilidade. O tamanho é uma qualidade de suma importância já que nos permite determinar a profundidade à qual deve ser colocada a semente a ser colocada. Geralmente se toma o parâmetro de cinco a oito vezes o tamanho médio da semente para a profundidade da sementeira. Cor: a cor da semente pode variar desde a branca (neve) até a negra. Pode ter uma só cor ou uma combinação de duas cores ou mais cores distribuídas aleatoriamente. Avermelhada, cor-de-rosa, amarela, verde, com matrizes cor de marfim, cor de café, azul e negro. As cores podem formar os desenhos e normas que caracterizam as espécies e variedades. CARACTERISTICAS INTERNAS:

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Pureza genética: entende-se por pureza genética de uma semente o grau de omozigose que a mesma apresenta e se estima pela percentagem de segregações que experimenta ao ser semeada. Humidade: o conteúdo de humidade influi na retenção da viabilidade e a aparência geral da semente. Esta determina as condições para o armazenamento. Poder germinativo ou viabilidade: é a percentagem de sementes que germinam numa amostra, ao serem colocadas em condições óptimas para a germinação. Energia germinativa ou vitalidade: é a propriedade que tem a semente de germinar num tempo breve e com vigorosidade. Esta depende do poder germinativo (viabilidade) da semente, assim como o grau de latência que ainda esteje presente na mesma. Também a energia germinativa da semente pode ser afectada pelas condições ambientais desfavoráveis. QUALIDADES GERAIS DA SEMENTE: Valor real ou agrícola: serve para determinar a verdadeira viabilidade da amostra de semente ou a sua representação. Consiste em estimar as perdas totais ocorridas na amostra, tanto pela perda de germinação como pela presença de impurezas que a mesma possa conter e refere-se a percentagem (%) do peso total da mesma. Disto se depreende que o valor agrícola e a quantidade de semente em peso, que germina numa unidade de superfície geralmente por kg/ha. Se determina pela seguinte formula: V.A= Pg*Pm/100 Onde: V.A= valor agrícola. Pg= poder germinativo. Pm = valor da amostra. Período de repouso ou latência: é o estado de actividade reduzida em que a semente se encontra devido a factores internos ou externos que bloqueiam a sua germinação; a falha na germinação pode dever-se a ausência de uma ou mais condições ambientais requerida: humidade, temperatura favorável, luz ou oxigénio. A esta se lhe chama latência externa por ser ocasionada por condições fora da semente. Certos aspectos da semente também podem impedir a germinação ainda que todos os factores externos sejam favoráveis. Estes factores podem resultar de: a) Condições existentes dentro do embrião (latência embrionária). b) Da influência de algumas coberturas da semente sobre o embrião (latência das coberturas da semente) que inibem a absorção de água, restringem o movimento dos gases ou opõem resistência a expansão do embrião.

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c) Também pode ocorrer em alguns casos uma inibição química provocada por substâncias específicas de alguma parte da semente ou do fruto (latência causada por um inibidor). O uso do termo latência na sua relação com as sementes, está restringido por alguns técnicos de sementes, a falta de germinação causada unicamente por factores internos. Neste sentido uma semente latente é aquela que não germina devido a que uma condição interna de alguma parte dela impede a sua germinação ainda que os factores ambientais externos sejam favoráveis. (a esta condição se lhe chama as vezes repouso). A necessidade de se aplicar tratamentos pré-germinativos específicos para induzir a germinação tais como: escarificação, pôr a semente de molho (em água), a estratificação, etc. ou se as condições ambientais exigidas mudarem com a idade das sementes, indicam latência interna. Nas plantas cultivadas a latência tem uma certa desvantagem. Mas um certo grau de latência é benéfico nas sementes recém colhidas, porque impedem a germinação prematura que pode ocorrer na planta ou na colheita. ESTADO DE MATURAÇÃO DA SEMENTE: A madurez pode ser fisiológica ou técnica. Madurez fisiológica: é quando o embrião da semente está completamente desenvolvido e pode começar o seu crescimento, se as condições do meio lhes são favoráveis (temperatura, humidade, luz e oxigénio), pode não existir concordância entre a madurez do fruto e a semente. Madurez técnica: é aquela em que o embrião está completamente formado sem que existam causas que impeçam a sua germinação. Esta é importante para determinar a época da sementeira. Longevidade da semente: é o período de tempo que pode permanecer uma semente armazenada sem perder a sua viabilidade (poder germinativo). A longevidade de uma semente podemos classificar em três períodos: - Longevidade curta (macrobióticas): “sementes de vida curta.” São aquelas que perdem com rapidez a sua viabilidade, que pode suceder em alguns dias, dias, meses ou quanto mais em três anos. - longevidade média (mesobióticas): são aquelas sementes que ficam viáveis por um período de 3 até 15 anos, dependendo das condições de armazenamento. Nesta categoria se incluem a maioria das sementes comercialmente cultivadas de hortaliças, flores e cereais. - Longevidade longa (macrobióticas): incluem-se aquelas sementes que mantêm a sua vitalidade por um longo período, de uns 15 anos ou mais. Geralmente essas sementes têm a sua cobertura dura, o que fazem com que se tornem impermeáveis a água e aos gases.

VIA AGÂMICA:

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Importância da via de reprodução agâmica ou assexual: é a via de propagação que se efectua sem a intervenção de sexos, efectuando-se mediante diferentes partes vegetativas da planta tais como: raízes, ramos ou folhas, chamados Propágulos. Isto é possível em muitas plantas devido a que as partes vegetativas separadas têm a capacidade de regenerar, seja um novo sistema radicular, um novo sistema de ramos ou ambos ou até podem ou seja têm capacidade para unir-se com outra parte da planta. Por exemplo: as estacas do caule (partes de ramos que têm pelo menos uma gema) têm a capacidade de formar raízes adventícias enquanto que as gemas existentes retomam o seu crescimento. As estacas de raiz regeneram um novo sistema de vastagos. Uma gema pode formar uma conexão vascular quando se incerta em forma apropriada em outra planta. A propagação assexual não implica mudança na constituição genética da nova planta (com excepção de alguns casos produzidos por mutações) já que não há união de gâmetas com a seguinte recombinação de genes. Só estão compreendidas as células somáticas ou vegetativas e por isso mesmo as novas plantas têm o mesmo conteúdo genético que as células das plantas progenitoras, quer dizer, todas as características da planta mãe se apresentam na nova planta. Não obstante isso, os factores ambientais, tais como o clima, tipo de solo ou as doenças, podem modificar a aparência da planta, das flores ou dos frutos produzidos de modo que apareçam com diferenças ainda que não haja ocorrido mudanças genéticas. Por exemplo: num mesmo campo uma árvore que cresce numa parte de solo pobre não terá a aparência exuberante e vigorosa de uma árvore da mesma variedade que cresce numa parte fértil. SEMENTES AGÂMICAS. SUAS CARACTERISTICAS. TIPOS. Os elementos de propagação agâmica ou Propágulos são muitos e de características variadas dependendo estas do material e espécies utilizadas como meio de propagação; estes podem ser: Estacas, mergulhias, gemas ou embriões, enxertos, tubérculos, rizomas, raízes tuberosas, bolbos etc. Estacas: em fitotecnia, chama-se estaca a qualquer parte de uma planta que cortada e colocada num meio favorável seja capaz de emitir raízes e ramos, ou seja, restituir os órgãos que lhe faltem e dar lugar a uma planta ao qual na maioria dos casos é idêntica a planta original. As estacas podem ser de distintas naturezas segundo as espécies de plantas de onde procederam e as partes do vegetal que vão ser utilizados. Os ramos, as raízes, as folhas, os troncos carnudos, são susceptíveis de converter-se em plantas, regenerando todos os seus órgãos, sempre que se tratem devidamente, aplicandolhes a técnica adequada em cada caso. Importância da propagação por estacas: este é o método mais importante de propagação de arbustos ornamentais. As estacas também se usam amplamente na propagação comercial de estufas de muitos cultivos de flores e o seu uso é comum na propagação de muitas espécies de fruteiras. VANTAGENS DA PROPAGAÇÃO POR ESTACAS:

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Para as espécies que podem facilmente ser propagadas por estacas, este método tem numerosas vantagens: 1. Num espaço limitado se podem iniciar numerosas plantas novas partindo de umas quantas plantas progenitoras. 2. É económico, rápido, simples e não exige as técnicas especiais necessárias como as outras formas de propagação orgânica. 3. Não há problema de incompatibilidade com os padrões ou más uniões de enxertos. 4. Obtém-se maior uniformidade devido a ausência de variação que as vezes se apresenta pela variabilidade dos padrões das plantas enxertadas. Geralmente a planta progenitora é reproduzida sem mudanças genéticas. Não obstante a isso, nem sempre é aconselhável reproduzir plantas por estacas ainda que haja possibilidades de o fazer. É vantajoso e necessário sempre usar um padrão resistente a alguma doença, ou alguma condição adversa do solo. DESVANTAGENS DA PROPAGAÇÃO POR ESTACAS: 1 – As plantas propagadas por estacas têm um sistema radicular superficial, por esta razão se mantêm expostas aos efeitos da seca e dos ventos fortes. 2 – Contra as estacas se alega também um esgotamento prematuro que mostram muitas plantas assim propagadas durante várias gerações. Esta velhice precoce se nota com maior frequência nas plantas herbáceas. Nas árvores lenhosas esse envelhecimento faz-se sentir menos, pois se cultivam ainda variedades muito antigas de árvores fruteiras ou de ornamentação que não perderam quase nada da sua força ou vigor primitivo. FACTORES QUE INTERVÊM NA FORMAÇÃO DE RAIZES E RAMOS NAS ESTACAS. 1 – Selecção do material: a nutrição da planta original exerce uma forte influência sobre o desenvolvimento das raízes e ramos das estacas tomadas de tais plantas. É por isso que ao seleccionar o material para as estacas devem utilizar-se partes da planta que estejam em estado nutritivo desejado. Por exemplo: devem tomar-se os brotos laterais que tenham diminuído o crescimento e onde se tenham acumulado os carbohidratos e não aqueles brotos terminais suculentos que estão em crescimento rápido. As plantas que apresentam um alto conteúdo de carbohidratos e um baixo nível de nitrogénio em muitos casos favorecem o enraizamento das estacas tomadas delas. Um método empregue frequentemente para determinar o conteúdo de carbohidratos na planta, é aquele que se tem em conta a firmeza do caule. Têm baixo conteúdo em carbohidratos aqueles caules que são suaves e flexíveis enquanto que os mais ricos são firmes se partem ao dobrar. Este método tem o inconveniente de confundir-se com a firmeza devido a maturação dos tecidos causada pelo engrossamento e lignificação das membranas celulares. Existe um método muito mais preciso para escolher o material para estacas que tenham um alto conteúdo de amido desejado; este consiste na prova do iodo. Os extremos recém cortados de umas estacas se submergem numa solução de iodo a 0,2 % em forma de iodato de potássio por 1 minuto. As estacas que se tingirem em cor mais intensa, essas são as que têm maior conteúdo de amido.

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2 – Idade da planta progenitora: nas plantas que se propagam facilmente por estacas, a idade ou a condição da planta mãe, tem pouca importância, mais nas plantas que enraízam com dificuldade, isto é um factor importante a considerar. Geralmente as estacas tomadas de plantas jovens enraízam mais facilmente que aquelas tomadas de plantas mais velhas e maduras. A isto se lhe chama factor de juventude. Muitas espécies mostram que em uma grande variedade de plantas a produção decresce com o aumento da idade da planta procedente de uma semente. 3 – Tipo de madeira que se selecciona para estacas: Existem muitas alternativas para escolher o material a usar na propagação por estaca; este varia nas plantas perenes lenhosas desde os brotes terminais muito suculentos em desenvolvimento até as grandes estacas de madeira dura de vários anos de idade. É possível estabelecer um tipo de estaca que seja melhor para todas as plantas, mas devemos ter presente que o que pode ser ideal para uma planta será um fracasso em outra. Por outro lado o que se encontrou válido para algumas espécies, com frequência pode fazer-se extensivo a outras espécies. 4 – Época do ano em que tomam as estacas: As estacas podem cortar-se em qualquer época do ano mais é preferível fazê-lo na época de Inverno. A época mais conveniente para cortar as estacas é aquela em que as gemas axilares estejam em estado de repouso, de maneira que as raízes se desenvolvem antes que as gemas brotem. CONDIÇÕES AMBIENTAIS QUE AFECTAM O ENRAIZAMENTO: a) O meio: as estacas de muitas plantas enraízam com facilidade independentemente do meio que se use. Um dos meios mais usados para o enraizamento é a areia. Se se usa areia do mar, é conveniente lava-la previamente para tirar-lhe o excesso de cloreto que contém. É preferível o uso da areia do rio. Se a areia contém torrões de argila, pedras ou matéria orgânica, deve-se passar pela peneira. Deve evitar-se o uso de areia que contenha matéria orgânica, pois esta pode provocar o desenvolvimento de fungos e bactérias que ao atacar a estaca antes que enraíze provocaria a sua morte. As vantagens da areia como meio de enraizamento são: boa drenagem e a facilidade que tem de aquecer e deixar passar o ar. b) Temperatura: O calor é um elemento essencial para o enraizamento das estacas; a temperatura óptima oscila entre 21.1 à 26.7ºC diurnas e 15.6 à 21.1ºC nocturnas. É importante destacar que a exposição directa aos efeitos dos sol bem como do ar é perigosa e prejudicial as estacas, já que ambas as coisas activam a dessecação do solo e a desidratação dos tecidos. c) Humidade: deve-se manter uma humidade a mais alta possível no canteiro ou na caixa de propagação, para impedir a dessecação ou a morte da estaca antes que esta tenha a oportunidade de enraizar; mas se a humidade for excessiva a estaca apodrece antes da formação das raízes. d) Luz: o efeito da luz sobre a formação das raízes nas estacas, varia de acordo com o tipo de estaca que está enraizando. É sabido que a ausência de luz nos tecidos do caule em algumas plantas conduz a formação de primórdios radicais. Por outro lado as estacas requerem a exposição das folhas a luz, para que ocorra a formação de raízes.

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SUBSTANCIAS QUIMICAS ESTIMULANTES NO DESENVOLVIMENTO DAS RAIZES: Já se utilizaram muitas substâncias químicas para provocar a formação de raiz naquelas espécies que são difíceis de propagar, ou para aumentar o número e desenvolvimento das raízes noutras espécies ao qual o enraizamento é muito lento. Já se obtiveram bons resultados utilizando o permanganato de potássio que se aplica numa solução de 7,9g/L, e se aplica 2 L por pé quadrado; deixa-se passar 24 horas e se insertam as estacas. O permanganato actua como oxidante, estimulando a respiração das células, evitando ao mesmo tempo o desenvolvimento de substâncias tóxicas. Nos últimos anos despertou um grande interesse, o uso dos hormónios para provocar e estimular o desenvolvimento das raízes nas estacas. Os chamados hormónios no comércio não são propriamente corpos orgânicos elaborados pelas plantas; são substâncias químicas sintéticas cujas propriedades são parecidas aos hormónios naturais. A composição química dessas substâncias responde a dos ácidos orgânicos indol-acético, indol-butirico e o fenil-acético. São fontes de produção destas substâncias certos produtos animais e vegetais, como a urina, a lanolina ou óleo da lã de ovelha, a malte, o óleo da ginguba, girassol, casca de arroz, etc. Estas substâncias utilizam-se em forma de soluções aquosas muito diluídas, onde se submergem as estacas por várias horas segundo a espécie a propagar e a concentração da solução. Os resultados obtidos com estas substâncias têm sido muito satisfatórios. VANTAGENS DA UTILIZAÇÃO DE HORMÓNIOS: - Obtêm-se plantas que não se poderiam obter por estacas. - O tempo de enraizamento é mais curto que nos casos não tratados. CORTE DAS ESTACAS. O corte das estacas devem praticar-se nos pontos definidos, com o fim de alcançar maior êxito na formação das raízes. O corte basal (corte que se faz debaixo da terra) deve praticar-se imediatamente por baixo de um nó ou gema se possui, sem afectá-la. Este corte deve dar-se normal ao eixo. O corte apical, que se pratica na parte superior da estaca se fará a 1cm. Sobre o nó ou gema; este corte deve ser inclinado porque cicatriza melhor e a água não se deposita. MANEJO DAS ESTACAS DEPOIS DE ENRAIZADAS: Terminando o processo de enraizamento e germinação das estacas devem transplantar-se no viveiro ou ser levadas ao seu local definitivo, procurando fazer esta operação antes que os brotes cresçam demasiado, se não este trabalho seria laborioso e ao mesmo tempo perigoso para a vida dessas estacas, já que as suas raízes já penetraram com grande profundidade. É recomendável ao praticar o transporte, podar as raízes que tenham sofrido lesões, assim como os ramos e as folhas que estejam a mais. CLASSIFICAÇÃO DAS ESTACAS (TIPOS DE ESTACAS). A classificação das estacas é longa e variada. Segundo a sua natureza e estrutura estas podem ser:

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Estacas de ramo: estas podem ser lenhosas, herbáceas ou semi-lenhosas. Estas simples lenhosas: é uma porção de ramo duro de um a dois anos de idade a sua longitude está subordinada ao menor número de gemas que pode fazer em menor tramo. Estas não podem ter nunca menos de duas ou três gemas. A grossura das estacas pode variar de uns milímetros até 10 cm. Isto esta relacionado com a espécie e com o fim que perseguem. De forma geral a grossura média para todas as estacas deve flutuar entre 1 á 3 cm. Estas estacas não requerem tanto cuidado como as herbáceas ou as semi-lenhosas mais sempre é conveniente evitar a seca excessiva. O meio em que se encontram deve estar sempre húmido. Se plantam em meios apropriados enterrando 2/3 da sua longitude colocando-as de maneira que formem um certo ângulo com o terreno. Estacas simples herbáceas ou semi-lenhosas: são aquelas que se cortam formando pedaços de ramos tenros ou seja ainda não lignificados. Preferem-se aquelas das pontas ou terminais, principalmente aquelas que ainda conservam a sua cor verde. Requerem muitos cuidados no que se refere a temperatura e humidade, pois facilmente se secam e morrem. Em condições favoráveis enraízam relativamente bem e em pouco tempo. Exemplo de plantas que se podem propagar por estacas: tomate, batata-doce, etc. As estacas semi-lenhosas cortam-se dos brotes desenvolvidos, na estação em que se estejam a cortar estacas, geralmente estão constituídas pelas pontas dos ramos que têm um crescimento activo e que acabam de completar o seu desenvolvimento. Os tecidos das estacas semi-lenhosas são geralmente tenros e suculentos, se estas estacas não fossem cortadas, os tecidos se converteriam em lenhosos, podendo então a planta multiplicar-se por estacas lenhosas. Nas estacas herbáceas ou semi-lenhosas não se lhes deve suprimir todas as folhas pois elas activam todo o enraizamento, já que não se detém o processo fisiológico da nutrição. Quando as folhas são muito grandes, o recomendável é reduzi-las a metade. Estas estacas a semelhança das lenhosas podem se pôr em camas de terras, de misturas, ou de areia. Estaca de caule: este tipo de estaca leva aderida a base uma porção do ramo mais velho de onde procede. A sua longitude está sujeita as mesmas considerações da estaca simple. Estacas de raiz: quando se utilizam troços de raiz de 5 a 10 cm de longitude. Estas estacas se utilizam para multiplicar certas plantas que não respondem bem a outro meio de propagação. Tal como no caso das estacas lenhosas, estas podem colocar-se em leitos de terra, procurando deixá-las expostas à luz, isto é os seus extremos grossos fora da terra para incitá-las a formar gemas. Estaca de folhas: este processo de multiplicação se baseia na propriedade que tem o pecíolo e as folhas de certas espécies tropicais de desenvolver gemas adventícias que dão origem a um sistema radical e a um desenvolvimento foliar. Estas plantas geralmente têm folhas carnudas. As estacas de folhas podem ser de limbo ou de pecíolo. A MERGULHIA.

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A mergulhia é a operação que se realiza nos ramos ou raízes de certas plantas, mediante a qual se estimula ou se propicia a emissão de raízes, sem separa-las da planta. Uma vez enraizadas devidamente, se podem cortar e plantar de modo independente para que constituam plantas com vida autónoma. A mergulhia difere da estaca no facto de que a mergulhia utiliza os elementos nutritivos da planta original e emite raízes, enquanto que as estacas se vêem obrigadas a viver das suas próprias reservas até o desenvolvimento do sistema radicular necessário para tomar os alimentos do terreno. FACTORES QUE AFECTAM A PROPAGAÇÃO DE PLANTAS POR MERGULHIA. A formação de raízes durante a mergulhia é estimulada por vários tratamentos do caule que causam uma interrupção na transladação para baixo, de materiais orgânicos (carbohidratos, auxinas e outros factores de crescimento) procedentes das folhas e pontos dos ramos em desenvolvimento. Estes materiais se acumulam próximo do ponto de tratamento e o enraizamento ocorre nesta área, em geral, quando o caule está ainda unido a planta progenitora. Este mesmo fenómeno acontece também com as estacas, à diferença de que neste último caso, o ramo desprendido tem que utilizar as suas próprias reservas. Esta é uma razão importante do porquê que em muitas plantas a mergulhia tem mais êxito que a propagação por estacas. A formação de raízes na mergulhia depende de que zona de enraizamento tenha humidade contínua, bom arejamento e temperatura moderada. Uma prolongada seca e solos compactos e pesados impedem o desenvolvimento de raízes, principalmente nas etapas iniciais do enraizamento. A aplicação de substancias estimuladoras do enraizamento durante a mergulhia as vezes pode ser benéfica, tal como é nas estacas, não obstante, os métodos de aplicação podem ser diferentes. VANTAGENS DA MERGULHIA. - Quase todas as plantas podem multiplicar-se por mergulhia principalmente aquelas de consistência lenhosa ou semi-lenhosa. - Este método é muito simples e requer poucos conhecimentos e pratica para a sua aplicação; qualquer pessoa inexperiente pode utiliza-lo propagando muitas espécies que requerem grande habilidade para multiplica-las por outros procedimentos. - Em pequena escala se usa com grande vantagens sobre a estaca pois não requer como esta uma atenção tão esmerada quanto a rega, humidade e temperatura. - É o único método possível para propagar aquelas plantas que tardam muito em formar um sistema de raízes próprias e que não podem multiplicar- se por estacas. - Do ponto de vista económico este sistema oferece a vantagem de que num tempo mais curto que outro propagulo podem obter-se exemplares muito maiores e de boa forma. DESVANTAGENS. - O número de mergulhias que se pode fazer numa planta é muito pouca, portanto para obter uma quantidade de mergulhia é necessário dispor de muitos pés de plantas, ademais

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a zona radical que correspondendo com esse ramo, vê-se sensivelmente afectado por não poder merecer substâncias elaboradas. - Este método de propagação tende a ser caro e não se presta para as técnicas mecanizadas de propagação em grande escala usadas nos viveiros modernos. - As raízes das mergulhias são superiores, expostas as variações extremas do meio: seca e humidade. Este sistema radical superficial faz a mergulhia pouco resistente a acção dos ventos fortes. ÉPOCA DO ANO EM QUE SE EFECTUAM AS MERGULHIAS. As mergulhias se podem praticar em qualquer época do ano, mas é preferível realizar esta operação quando caiem as primeira chuvas ou seja durante o verão, por neste momento as plantas onde vamos fazer a mergulhia estarem em plena actividade e em pleno desenvolvimento. Neste momento a humidade subministrada pelas chuvas, mais o calor próprio da estação, fazem com que a seiva circule com maior rapidez, facilitando isso o desenvolvimento das raízes adventícias, no ponto onde o ramo foi mergulhado. FORMAS DE REALIZÁ-LA. O diâmetro dos ramos ou raízes que se deseja fazer a mergulhia deve ter desde 1cm até vários cm. Temos por exemplo: o caso de várias espécies do género ficus ao qual algumas vezes fazem-se mergulhias em ramos desde 10 à 15 cm de diâmetro. A longitude pode flutuar entre 30 cm e 3 metros segundo a espécie e a finalidade a que se destinam. CLASSIFICAÇÃO DAS MERGULHIAS. As mergulhias são praticáveis em ramos ou raízes. Os de ramos podem fazer-se em terra quando seja possível levá-los ao solo e aéreos quando se encontram muito altos ou porque a sua grossura e dureza não o permitem baixar. Quando se executam em terra podem ser simples ou compostas e cada um por sua vez pode ser duplo ou simples. Também pode ser de tipo especial de cepa, que é notável pela sua natureza. TIPOS DE MERGULHIA.

MERGULHIAS: 1. De ramo: a). Aéreo: - Com terra. - Com outros meios. b). Em terra:

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- Simple: duplo, simple - Composto: duplo, simple. - De cepa, etc 2. De raiz. PROPAGAÇÃO POR ENXERTIA. Podemos definir o enxerto como o processo mediante o qual parte de uma planta se une a outra, vivendo e desenvolvendo-se a expensas dos elementos nutritivos que as raízes desta ultima tomam do terreno. Desta definição infere, que a operação de enxertar consiste em pôr em contacto intimo mediante uma grande superfície de tecidos viventes, duas plantas ou parte de uma planta, com outra, com a qual tenha afinidade, para que se possa produzir por união um sistema de tecido celular que garanta a vida de ambas as parte como se tratasse de uma só. O ser ou indivíduo que se obtém chama-se enxerto. TERMINOLOGIA. O vocábulo enxerto dá a entender uma integração das duas partes muito definidas: o sujeito e o objecto. O sujeito: chamado em fitotecnia “pé”, “porta-enxerto” ou “ patrão” é aquela parte que vai constituir a base da planta, na qual se encontram as raízes que ademais de fixá-las no solo têm a seu cargo a função fisiológica de tomar os elementos minerais dissolvidos em água que lhes é indispensável para nutrir o organismo dos membros de cada espécie, para que desenvolvam e vivam com saúde e vigor. A água enrriquecida com elementos minerais chama-se seiva bruta e tem um movimento ou percurso ascendente. O objecto: denominado fitotecnicamente gema é o que constitui o enxerto propriamente dito. É a parte que enxerta num ponto determinado do patrão para que solde, brote e constitua a capa ou a ramagem da nova planta. Essa capa ou ramagem toma imediatamente do ar (com o auxilio das suas folhas e ramos verdes), o oxigénio e outros elementos importantes para a vida das plantas, ao que ao combinar-se com os elementos dissolvidos em água que tomam todos do solo pelas raízes, passam a formar uma substancia alimentícia que vai nutrir o vegetal e a enriquecer a sua economia em forma de novos tecidos e reservas. Essa substância alimentícia, já assimilável, se denomina seiva elaborada, e tem um percurso descendente. A operação bioquímica que activa essa função chama-se fotossíntese ou função clorofilina, já que produz unicamente sob o efeito da luz natural, ou artificial, mas necessita que seja de marcada intensidade. AFINIDADE. Nos enxertos definem-se a afinidade como a capacidade que têm as plantas para soldar-se entre si, continuando ambos o seu desenvolvimento, uma como patrão e a outra como enxerto. O êxito do enxerto depende não só da capacidade do enxertador e da sua

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habilidade, mas também do maior ou menor grau de afinidade entre as plantas que se tentem enxertar. AS AFINIDADES PRINCIPAIS SÃO: Afinidade botânica: em 1793 Adanson expôs como principio geral que para enxertar com êxito duas plantas era necessário que fossem da mesma espécie ou pelo menos do mesmo género. Isto não é completamente certo, pois existem numerosos casos de enxertos entre plantas que pertencem a géneros distintos de uma mesma família; Beladona (planta solanáncea venenosa e medicinal, com frutos venenosos parecidos a cereja) sobre tomate, plantas que pertencem a géneros diferentes da família das solanáceas. Já se lograram enxertos entre plantas de diferentes famílias como é o caso de uma gema de limão lograda sobre um pé de pêra. O que se pode assegurar que quanto mais próximo for o parentesco maior serão as possibilidades de êxito nesta pratica. Não existem regras exactas de afinidade botânicas. As mencionadas no parágrafo anterior apresentam excepções em todos os sentidos. Há géneros que têm afinidade com outros géneros mas no sentido inverso não funciona a enxertia. Pelos factos expostos chegamos a conclusão de que não existem caracteres botânicos que possam por si mesmo indicarnos quais são as plantas que podem enxertar-se e quais as que não. Até ao presente momento só pela experiência podemos determinar a afinidade botânica desde o ponto de vista do enxerto. AFINIDADE FISIOLOGICA E ANATOMICA. O movimento da seiva na planta tem importância no êxito dos enxertos. Ao realiza esta operação devem escolher-se indivíduos cuja seiva esteja em movimento nessa época do ano. É difícil ou quase impossível enxertar uma planta herbácea sobre uma lenhosa; um enxerto herbáceo se realizará sobre um ramo ou planta também herbáceas. Os enxertos lenhosos se enxertarão sobre ramos ou caules cujos tecidos também se encontram feitos. INFLUÊNCIA RECIPROCA ENTRE O ENXERTO E O PATRÃO. A prior pode assegurar-se que o enxerto deve alterar a vida, tanto da gema quanto do patrão já que as condições de existência são súbitas e violentamente alteradas por essa pratica. Estudaremos a continuação algumas dessas modificações.

EFEITOS DO PATRÃO SOBRE A FRUTIFICAÇÃO PRECOCE. O tecido com calo que se forma na soldadura dificulta até certo ponto a passagem dos sucos; dos estudos realizados, parece que a seiva bruta que procede das raízes do patrão passa mais facilmente através do tecido mencionado o que dá como resultado que a quantidade de elementos nutritivos de que dispõe este ultimo é maior que a de uma arvore franco de pé; a consequência disso é que a sua frutificação tem lugar mais cedo e é maior do que uma planta não enxertada. È verdade que desde um certo ponto de vista isto é uma vantagem, ao contrário, esta frutificação tão precoce faz com que o enxerto se esgote e

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envelheça mais rapidamente que uma árvore franca de pé. Logo, a vida do enxerto é menor que a de uma planta não enxertada. EFEITO DO PATRÃO SOBRE O TAMANHO, QUALIDADE, COR E MADUREZ DO FRUTO. Entre as espécies de plantas há uma variação considerável com respeito ao efeito do patrão sobre as características dos frutos do enxerto. Por exemplo; nos citrinos se observam efeitos extraordinários do patrão sobre os frutos do enxerto. Os patrões de laranja doce produzem frutos sumarentos, de casca fina de alta qualidade. Os citrinos enxertados sobretudo a toranja são geralmente de excelente tamanho, classe e qualidade se se fertilizar com abundância. Mais quando se usa como patrão o limão rugoso os frutos são com frequência de casca grossa, algo grandes, inferiores em qualidade e baixo também açúcar como em tecido. EFEITOS DO ENXERTO SOBRE O VIGOR DO PATRÃO. Este parece a principal influência do enxerto sobre o patrão. Se sobre um patrão débil se enxertar uma variedade de desenvolvimento vigoroso, o crescimento do patrão será estimulado, de modo que se torne maior que se tivesse deixado sem enxertar. De forma recíproca se sobre um patrão vigoroso se enxertar uma variedade de desenvolvimento débil o desenvolvimento do patrão será maior que a que poderia ser se deixasse de ser enxertado. Nos citrinos por exemplo, quando a variedade que se enxerta é de menor vigor que a que serve de patrão; é a gema mais que o patrão a que determina a razão do crescimento e o tamanho final da árvore. VANTAGENS DAS ENXERTIAS. São muitos os problemas que a enxertia resolve ao fruticultor. Citaremos os mais importantes: 1 – Mediante a enxertia pode-se multiplicar uma variedade. Cada gema dá origem a uma planta igual aquela de onde procede e como uma árvore tem centenas de gemas, enxertando outros tantos patrões, multiplicaremos rapidamente e com baixos custos. 2 – A enxertia permite fixar uma variedade. Por regra geral as plantas resultado da união de duas células sexuais, nem sempre apresentam as mesmas características daquelas de onde procedem; fenómeno corrente nas variedades novas que ainda não foram fixadas. Enxertando, teremos a segurança de reproduzir aqueles caracteres que resultam de interesse cientifico ou pratico. 3 – Com esta pratica se pode transformar uma variedade de uma espécie em outra. Um exemplo disso foi na Itália, onde a meado do século passado foi necessário transformar os laranjais, cujo cultivo já não resultava económico em limonais. 4 – As vezes resulta difícil ou impossível cultivar uma espécie ou variedade devido a pragas ou doenças que atacam as suas raízes ou pé de caules; este sério inconveniente se resolve enxertando um patrão resistente e imune a essas pragas ou doenças. Exemplo: a

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laranja doce que é atacada pela gomose do pé se enxerto sobre a laranja agri-doce que é muito resistente. 5 – Quando uma árvore perde a sua simetria ou alguns dos seus ramos não florescem ou frutificam, é possível enxertando sanar o defeito ou provocar o desenvolvimento de ramos que floresçam e frutifiquem. 6 – A enxertia permite adaptar uma espécie ao meio em que esta se vai desenvolver. Por exemplo um rosal fêmea que se enxerta sobre um rosal masculino, que é mais resistente as condições favoráveis do meio. DESVANTAGEM DAS ENXERTIAS. Ao estudar a influencia recíproca entre o enxerto e o patrão expressamos que o enxerto frutificava muito rápido se bem que é verdade que pode constituir uma vantagem sobre as plantas obtidas de semente, é também certo que constitui um inconveniente pois a enxertia se esgota e envelhece cedo. Outro inconveniente que se atribui ao enxerto é a pouca resistência que apresenta uma rotura no ponto de união; portanto este ponto é o ponto mais débil dos primeiros tecidos; mais uma vez desenvolvido o enxerto se a união foi bem feita e teve êxitos, a experiência demonstra que ela pode considerar-se como um dos pontos mais fortes da planta. As observações correntes demonstram que essa região do enxerto está mais ou menos volumosa pela formação de tecidos lenhosos. Quando se corta um enxerto no sentido do eixo vertical e os tecidos se secam, eles racham-se menos no ponto de união que nas zonas situadas na planta inferior ou superior a ela. Geralmente nos arbustos ou arvores as roturas dos ramos se realizam fora das zonas onde existe a soldadura da enxertia. VANTAGENS DA ENXERTIA SOBRE A ESTACA E A MERGULHIA. A enxertia antecipa muito mais o desenvolvimento e a frutificação dos ramos que se querem propagar do que a estaca e a mergulhia. Como o patrão tem um sistema radicular aprumado e maior do que a estaca ou mergulhia, agarra-se melhor ao terreno, sofre menos acção do vento e resistentes mais as condições adversas do meio. CONDIÇÕES NECESSÁRIAS PARA A ENXERTIA. Para que qualquer operação de enxertia tenha êxitos é necessário ter em conta os seguintes factores: 1- É necessário que entre ambas as partes a enxertar exista afinidade. 2- As superfícies cortadas devem manter-se estreitamente unidas: envolvendo-as e cravando-as. É importante que a união do enxerto cicatrize com rapidez para que as gemas do objecto (do enxerto) possam obter do patrão, água e nutrientes necessários para o seu desenvolvimento. 3- A enxertia deve fazer-se na época adequada do ano em que a seiva do patrão pode ser absolvida pelo enxerto e vão possam pôr-se em contacto com as zonas por

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onde correm a seiva. O enxerto deve ter pelo menos uma gema que ao desenvolver-se origina uma planta. 4- O material operatório: lâminas, tesouras e serras pequenas, devem ser da melhor qualidade e bem afiados. Os amarres ou a vedação se executam com aqueles materiais que se exigem em cada caso em particular. 5- Deve dar-se as enxertias um cuidado apropriado por algum tempo, depois da sua execução. Os brotes que saem as vezes do patrão, debaixo do enxerto, com frequência afogam o desenvolvimento desejado do enxerto. Em alguns casos os ramos do enxerto se desenvolvem em forma tão vigorosa que partem, ao menos que se sustenha ou até que se corte.

ONDE DEVE PRATICAR-SE O ENXERTO. A enxertia oferece a vantagem de que se pode executar praticamente em qualquer lugar do patrão segundo a natureza das espécies que se vaiam a enxertar, as enxertias tomam uma nomenclatura especial. Por exemplo: 1- Enxerto de meio caule: quando a gema se encontra no patrão desde um ponto mais acima da base do caule até um ponto médio da altura do caule; ou seja entre 20 e 50 cm do solo. Esse enxerto se utiliza quando o desenvolvimento de ambas espécies é igual, tal como nos citrinos, abacateiro ou mangueira. 2- Enxerto sobre cabeça: quando é enxertado bem em cima do caule, deixando bastante caule a baixo no patrão. Isso faz-se especialmente em certas roseiras arbustivas. 3- Enxerto sobre o pé: quando o enxerto se pratica na parte mais baixa da toiça do patrão. Este tipo de enxertia é adequada para quando existe diferença entre o desenvolvimento do diâmetro das espécies que se enxertam. 4- Enxerto sobre ramos: quando se fazem sobre os ramos primários nas plantas adultas, também se fazem nos ramos secundários. QUANDO SE DEVE PRATICAR O ENXERTO. Os enxertos nos países tropicais podem praticar-se durante todo ano, sempre que os patrões (porta-enxertos) e as plantas subministradoras de gemas estejam em plena actividade vegetativa, a ascepção das anonáceas. A época mais conveniente em Angola para executar com efectividade os enxertos, são os meses de seca, desde Maio a Agosto, por ser os meses de mais baixas temperaturas.

SELECÇÃO DO PATRÃO E DAS GEMAS. Patrão ou porta-enxerto: O patrão como base forçada da nova planta que se forma com ele e a gema que se enxerta, deve reunir várias condições que garantam o futuro desenvolvimento normal da planta. Estas condições podem ser:

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O patrão deve ser filho de mão vigorosa prolífera entre as da sua espécie. Que manifeste uma possível resistência a doenças e pragas. Que seja resistente aos períodos prolongados de seca. Deve possuir um forte e amplo sistema de raízes.

Em resumo deve-se preferir toda aquela planta que se destaque no viveiro pelo seu desenvolvimento, que possua um caule recto, corteza lisa e com um brilho natural que indique saúde, que apresente uma copa robusta e folhas perfeitas. Gemas: a gema é o elemento que vai constituir o corpo aéreo e portanto o produtor da planta; é ai onde radica o maior interesse económico da operação e por conseguinte é na sua selecção onde devemos ter um especial cuidado e esmero. ESTAS DEVEM REUNIR AS SEGUINTES CARCTERISTICAS GERAIS: 1- Devemos nos assegurar que correspondam a espécie ou forma que nos interessa. 2- Se deve procurar que procedam de plantas fortes e saudáveis. Que frutifiquem normal e abundantemente cada ano, assim como que o seu fruto ou a sua flor sejam de tamanho e qualidade apetecível pelos consumidores. 3- As gemas devem ser provenientes de plantas resistentes a pragas e doenças habituais da sua espécie. 4- Preferem-se aquelas gemas que procedem de plantas baixas mais bem formadas e muito especialmente de ramos laterais quando se trata de fruteiras. UTENCILIOS NECESSARIOS PARA ENXERTAR. Navalha comum, navalha de enxertar (lâmina) de corte convexo para fazerem-se incisões no patrão e com uma unha de marfim ou osso para levantar a corteza, serra pequena (curvas e retas), tesouras, cordas de lã ou de materiais flexíveis vegetais (ráfia) para fazer as ligaduras, betumes para tapar as feridas, devendo ser misturas que não se quebram com o fio e nem se fundem pelo calor, como serra sebo, resina. Também se protegem os enxertos com tecidos encerados. CLASSIFICAÇÃO DOS ENXERTOS. São muitas as formas de enxertia que se empregam, passam de cem. Não importa o tipo de incisão que se faça no patrão, a forma do corte na gema, ou estaca, todas as classes de enxertos descansam no mesmo principio: contacto íntimo entre os tecidos de cambium do enxerto e do patrão. Em geral, os enxertos, atendendo a parte que se inserta podem agrupar-se em três classes principais: 1- Enxerto de corteza. 2- Enxerto de púa. 3- Enxerto de aproximação. Enxerto de corteza: chama-se assim porque o enxerto, está constituído por uma pequena porção de corteza que leva uma gema. Neste tipo de enxerto está: o enxerto de escudete.

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Enxerto de púa: Este tipo de enxerto que inclui numerosas formas, se caracteriza por o enxerto ser um ramo ou uma porção de um ramo que se inserta sobre o patrão. Neste tipo de enxerto estão os enxertos de coroa, enxerto de púa, de incrustação lateral na corteza. Enxerto de aproximação: se diferencia dos outros tipos de enxerto por o ramo que se vai propagar não se separar da planta mãe. Há grande analogia entre este tipo de enxerto e a mergulhia. É o que se utiliza em plantas que tardam muito em soldar-se. OUTRAS FORMAS DE PROPAGAÇÃO. ESTOLHO: O estolho é um ramo anual que nasce da base do caule de uma planta herbácea, a qual pode ser rasteira. No 1º caso é foliado, e no 2º é escamoso. É geralmente longa e estreita e durante o período do seu crescimento vai emitindo nós por tramos que por sua vez emitem raízes e brotes foliares, com o qual vai multiplicando a planta de onde procede. Esses nós já enraizados e coroados por brotes carregados de folhas estão em condições de fazer vida independente, pelo que podem ser separados para construir novas plantas iguais as de sua procedência. Um grande número de espécies de gramíneas muitas do género fragaria (fragaria sp) entre as fruteiras, são plantas estolhoníferas. Os estolhos, como material de propagação oferecem a vantagem da sua grande resistência física. RIZOMAS: Os rizomas não são mais do que caules subterrâneos que possuem folhas escamosas, gemas e raízes. Estes rizomas, atendendo a sua forma, podem ser definidos ou determinados quando a sua gema terminal sai da terra e se desenvolve a céu aberto para formar a sua planta, enquanto que a sua parte subterrânea se alarga para o desenvolvimento das suas gemas laterais, ou indefinidas ou indeterminadas. Quando a sua gema terminal se desenvolve de forma prolongada indefinidamente por via subterrânea, sendo os brotes secundários nascidos nas gemas laterais, os que se desenvolvem de forma aérea tal como o caso do sorghum halepense. O que caracteriza os rizomas é o facto que enquanto se estendem (se tornam compridas) no seu processo de crescimento para um lado, vão morrendo do outro lado desaparecendo a sua parte velha. Podemos dizer que a planta tende a transladar-se de lugar, como sucede com a bananeira (musa sp) que apresenta um rizoma vertical que recebe o nome de colmo. Para manipular os rizomas estes se arrancarão quando as suas plantas terminarem o ciclo vegetativo, já que pouco depois deste momento se iniciará novamente o seguinte ciclo. Esse rizoma se arrancará cuidadosamente e se dividirão em troncos que possuam gemas, aproveitando preferivelmente aqueles mais jovens e melhores formados, botando os velhos e esgotados. Tais troncos, se quiser podem ser armazenados em sítios frescos mais, com pouca ventilação onde permanecerão por várias semanas, ou se podem plantar de seguida. Em ambos os casos as gemas se desenvolverão e produzirão plantas vigorosas. TUBÉRCULOS:

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Denomina-se tubérculo a um órgão da planta que vive e se situa no subterrâneo, se engrossa, produto da acumulação de substâncias de reservas, principalmente carbohidratos. RAIZES TUBEROSAS: São raízes tuberosas aquelas que estão compostas por vários eixos primários e divergentes, fusiforme e hipertrofiados pela acumulação abundante de fécula, aos quais constituem as matérias alimentícias e de reserva com as que se nutrirão os próximos brotes no seu primeiro período vegetativo e por seu lado em algumas espécies constituem também o motivo económico da sua exploração, como na mandioca (manhiot esculenta). Como as raízes tuberosas não têm tal como em outros casos a faculdade de formar gemas adventícias no seu corpo, é imperativo ao tratar de propagar plantas por este meio escolher as raízes que levem a sua parte superior um pedaço da base do caule da planta de onde formavam parte, já que é aí onde há gemas naturais, isto é não adventícias. Este sistema pode considerar-se como misto entre os de estacas e de ramos e estacas de raiz pois, participa em ambos. Se propagam por este meio especialmente certas dálias valiosas. Outras raízes tuberosas como sucede com muitas hortícolas se podem utilizar com vantagens para propagar vegetativamente algumas espécies como a salsa (carum petroselium benth y hook), Acelga (Beta vulgares Lin e outras), já que essas raízes no seu colo, levam muitas gemas acessórias cujo desenvolvimento pode provocar-se facilmente. TUBÉRCULO CAULINAR. É um caule subterrâneo de curta duração inchado extraordinariamente pela acumulação de matérias feculentas e água de vegetação, sem raízes e com gemas. Um exemplo de tubérculo caulinar é a batata (solanum tuberosum). Os tubérculos caulinares como os demais meios de propagação vegetativa, oferecem a descendência os caracteres da espécie e do clone, e ao agricultor lhe oferecem com o tempo uma grande dose de economia. A batateira que é a planta que mais se propaga por este meio, requer que se utilize para a sua sementeira aqueles tubérculos maiores, de formas regulares, provistas de grossas e abundantes gemas, que estão no início do seu processo de brotação. BOLBOS: é um caule curto e inchado, já subterrâneo ou simplesmente sobre o solo, ao qual está sempre provista na sua parte inferior de mais ou menos abundante cabeleira radical. O bolbo está constituído por um caule muito curto, o que por sua vez está circundado por um grande número de folhas modificadas em forma de grandes escamas, de tal maneira que se cobrem umas as outras. No interior do bolbo e precisamente na parte superior da base se encontra a gema apical, a qual não é mais que uma potencial planta; essa planta ao desenvolver-se produzirá folhas normais e também flores em alguns casos. Os bolbos possuem tanto no caule como nas escamas ou catafilos acumulação de amido e outros elementos nutritivos e isso faz com que possam viver por algum tempo fora do terreno e separados da planta mãe, fazendo vida latente, e entrarão novamente em actividade logo que se lhe ponha em terra outra vez e sob condições favoráveis. Atendendo a sua estrutura existem diversas formas de bolbos: Bolbo escamoso, bolbo tunicado, e bolbo sólido.

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O bolbo é escamoso quando as folhas modificadas que as recobrem não são envolventes senão embricadas (sobrepostas umas as outras como as telhas) ou seja que afectam a forma em que estão dispostas as telhas dos telhados. Essas escamas podem ser ovais, alargadas, ou lancioladas. Todas as espécies do género lilium produzem este tipo de bolbo. O bolbo é tunicado quando as suas escamas são largas e envolventes e dispostas de modo tal que as interiores fiquem perfeitamente cobertas pelas interiores. Como exemplo deste bolbo temos a cebola (alium cepa L). O bolbo é sólido quando o seu caule curto muito engrossado constitui quase todo o seu corpo enquanto que as escamas em pequeno número envolvem a este e são de consistência delgada, membranosa e fibrosa de fácil desprendimento. Deste tipo de bolbo temos o gladiolo (gladiolus communis L) a este bolbo se lhe chama colmo. BOLBINHOS. Não são mais que determinadas gemas que no momento oportuno se desprendem da planta mãe e vão ao solo, ao qual se fixam mediante raízes adventícias dando origem a novas plantas. É a forma típica da apomixis vegetativa, no sisal (agave furcroide).

TEMA: VII ALFOBRE E VIVEIRO. 7.1- Alfobre. Definição e importância. 7.1.1- Classificação. 7.1.2- Alfobres tradicionais.

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7.1.2.1- Requisitos de lugar. 7.1.2.2- Traçado e implantação. Dimensões. 7.1.2.3- Construção dos canteiros. 7.1.2.4- Desinfecção. 7.1.2.5- Fertilização. 7.1.2.6- Rega da semente. Densidade da sementeira. 7.1.2.7- Cuidados culturais. Cobertura, rega, rompimento de crostas, controlo sanitário, desbaste, controlo de infestantes, fertilização adicional. 7.1.2.8- Arranque e manuseamento das plantulas. 7.1.3- Alfobres tecnificados. 7.1.3.1- Tipos. Importância. 7.1.3.2- Preparação de canteiros. Dimensões. 7.1.3.3- Cuidados culturais. 7.2- Viveiro. Definição e importância. 7.2.1- Requisitos do lugar. 7.2.2 Tipos. 7.2.3- Viveiros tradicionais. Construção e sementeira. 7.2.4- Viveiros moveis ou em recipientes. 7.2.4.1- Implantação. 7.2.4.2- Terra e matéria orgânica. Drenagem e mistura. 7.2.4.3- Enchimento dos recipientes. 7.2.4.4- Traçado e colocação. 7.2.4.5- Fertilização dos recipientes. Enchimento dos mesmos. 7.2.4.6- Sementeira. 7.2.4.7- Cuidados culturais. 7.2.4.8- Arranque. 7.2.4.9- Manuseamento e transporte das plantas.

ALFOBRE: é o lugar ocupado pelas sementes no seu primeiro estádio, quando se dá inicio a multiplicação das plantas mediante a sementeira. IMPORTÂNCIA: os alfobres são estabelecidos com o objectivo de dar as sementes condições óptimas para a sua germinação, o que não se pode lograr mediante a sementeira directa. Quando se trata de grandes extensões. A permanência das novas plantas nos alfobres é breve, não obstante isso, a sua duração está determinada pela espécie, chegando a diferentes durações, desde 25 à 180 dias; como exemplo temos: o tomate, a couve, a cebola, o alho etc.

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CLASSIFICAÇÃO: os alfobres segundo a forma de construção dimensões e objectivos podem ser: alfobres tradicionais e alfobres tecnificados. ALFOBRES TRADICIONAIS: este tipo de alfobres são os que se realizam de forma mais comum no mundo, para se obterem as posturas. Fazem-se em terrenos seleccionados onde se aplicam pequenas quantidades de matéria orgânica e pequenas quantidades de fertilizantes. Usam-se para tomate, repolho, pimento, tabaco de sol etc. ESCOLHA DO LOCAL PARA OS ALFOBRES: o local para instalar o alfobre, deve reunir parálem das condições do terreno: ser solto, alto, de boa drenagem interna, boa pendente superficial, e com poucas ervas daninhas, devem possuir também as seguintes condições, para evitar deterioração das posturas pela transportação a longas distancias. a) O local onde se realizam os alfobres deve estar o mais próximo possível do local de transplante. b) Deve estar o mais próximo do local onde começou o trabalho, por causa das observações e das demais observações. c) Deve haver água suficiente para rega com regularidade; quer dizer deve estar próximo da fonte de água. d) Deve – se procurar um local onde o manto freático esteja ao redor de 1,5 m da superfície, pois a menor altura resulta perigosa para os alfobres. e) Nos locais onde já tenhamos cultivado a cultura em questão, só se voltara seleccionar para o alfobre, se já se passaram três anos e a cultura que ai esteve não sofreu nenhuma doença considerável; coso contrario, devera esperar – se até nove anos. f) No caso de que se trate de cultura da mesma espécie ou afins, deve – se com o acima do escolhido, fazendo –a extensiva uma distancia de 1,5 à 2 km de raio, tomando como centro, a área do alfobre que queiramos estabelecer. FORMA DE CONSTRUÇÃO DOS ALFOBRES: são duas formas gerais de construção dos alfobres; os tecnificados constroem – se manualmente, e os tradicionais podem ser feitos tanto manualmente como de forma mecanicanizada. CONSTRUÇÃO DOS ALFOBRES TARDICIONAIS A construção dos alfobres tradicionais podem realizar – se manualmente quando se trata de pequenas áreas de experiências ou multiplicação de variedades. Neste caso, levanta se o canteiro mediante estaca que limitam superfícies de 1,20 m de largura e 18 m de comprimento, separados 40 ou 60 cm um dos outros; o espaço que se encontra no meio entre os alfobres, usa – se como passeio e parte da sua terra movediça é incorporada em partes iguais aos alfobres que o enceram. Quando antecipamos a preparação do solo ao momento ideal de realizar –mos os alfobres, com os objectivos de proporcionar uma melhor meteorização, por um lado e evitar a erosão o endurecimento do solo, deve recolher – se toda terra que forma a altura do alfobre (a pequena montanha) para a parte central do mesmo até que chegue o momento de o fazer.

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DIMMENÕES DOS ALFOBRES. a) Alfobres tradicionais: 18 m de comprimento, 1,20 m de altura e 35 cm de altura. b) Alfobres tecnificados: 30 m de comprimento, 3 m de largura e 40 cm de altura. c) Alfobres tradicionais à maquina: 1 m de largura, 18 m de comprimento, e 20 ou 25 cm de altura. As dimensões de 1,20 m nos alfobres tradicionais deve – se há que, uma pessoa deve chegar ao centro do canteiro e esticando o braço, porque uma pessoa ao estender pode esticar – los e com isso todas as operações que pretender fazer (rega, sacha, mondas etc) o realiza sem dificuldades. A distancia de 18 m de longitude, é devido a rega por aspersão em que os tubos têm uma longitude de 60 m cada um, sendo a altura de 25 cm devido a que esta unido as profundidades de preparação do solo, a espessura do terreno, que deve ser suficiente para o desenvolvimento do sistema de raízes das plantas do alfobre, e aquelas que ultrapassam estas profundidades são eliminadas no momento da extracção, ou no momento da transplantação. DESINFECÇÃO: a desinfecção nos terrenos para os alfobres, é necessária, porque a semente pode ser atacada, tal como as plantas jovens, pelos insectos e as doenças. Para isso se comprovou que o uso de aldrim a 18 % ou chlordamo a 80% E.C. a razão de 0,5 galões em 100 l de água e aplicar esta solução meio-dia antes da data da rega da semente, a razão de 19/m3. A esterificação das sementes pode levar – se a cabo, mediante a utilização de vapor e procedimento. Um dos produtos químicos que se pode usa é o formol e o VAPAM (TMTD). FERTILIZAÇÃO: a forma de aplicação do fertilizante ao alfobre varia segundo a espécie, o tipo de solo, o tipo de alfobre, a época e as condições existentes, mas de forma geral toma – se como base a extensão do alfobre e o tipo; dai que as formas são: 1- Quando se tratam de grandes extensões, depois de preparado o terreno se lhe passa uma grade ligeira uns dias antes de fazer o alfobre, ou no momento da sua construção. 2- Em algumas regiões produtoras se aplicam fertilizantes depois de formado o alfobre. 3- A casos em que se aplica o fertilizante depois de realizada a sementeira ou a rega da semente. Quando se trata de pequenas áreas, geralmente onde se constroem manualmente, se realizam as fertilizações, momento antes da rega da semente, i se mistura com a terra. No nosso país se aconselha dadas as características dos solos que se aplica o fósforo e o potássio uma semana antes de realizar arega da semente, e o nitrogénio no momento da rega. O adubo é representado pela aplicação da matéria orgânica nos alfobres acepção dos tecnificados. Esta aplicação de matéria orgânica, deve estar de acordo com a fonte, que deve estar próxima.

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REGA DA SEMENTE: uma vez com os alfobres prontos para receber a semente, deve regar – se. Deve conhecer – se a variedade, percentagem de germinação, pureza e todo o seu historial, devemos ter em conta que o tipo de alfobre vamos regar. Se a rega vai realizar – se a maquina esta se calibra para o comprimento da norma de sementeira e se realiza a rega ou sementeira, no sentido longitudinal do alfobre, com separação de 10 – 15 cm entre filas (linhas), dando – lhe uma profundidade adequada. ATENÇÕES CULTURAIS: Da – se o nome de atenções culturais ou cuidados culturais a todas as operações que se realizam tanto sobre o solo ou sobre a planta até ao momento que as posturas estejam prontas para o transplante. Se resumem em: a) Cobertura. b) Rega. c) Rompimento de crostas. d) Controlo sanitário. e) Desbaste. f) Controlo de infestante. g) Fertilização adicional. COBERTURA: a cobertura da semente se efectua quando a sementeira se realiza de forma destapada ou a lanço. É necessário saber que quando realizamos uma sementeira a maquina ou a mão é indispensável realizar o retoque de posição da semente que consiste em lograr que toda a superfície da mesma esteja em intimo contacto com as partículas do solo que a rodeiam, o que se logra que todas as sementes que têm viabilidade, germinem perfeitamente. FERTILIZAÇÕES ADICIONAIS: de acordo com a permanência da planta no alfobre, tipo de planta, tipo de solo, tipo de rega e época de sementeira é necessário em algumas ocasiões fazer aplicações adicionais de fertilizantes, simples ou compostos dado o carácter de distribuição ou o carência que a planta manifesta. O controlo da vegetação estranha nos alfobres pode fazer – se mediante a aplicação de herbicidas específicos, mas dadas as nossas condições podemos obter melhores resultados, com uma boa preparação do solo, um uso adequado da norma de sementeira um bom aproveitamento da época óptima de sacha etc. O controlo do crescimento das posturas se efectua mediante o sub ministro de água. O momento da rega da semente nos alfobres, esta em dependência da época óptima de transplantação, e da permanência da postura no alfobre, para o qual toma – se como índice superior a época de transplante diminuindo deste o equivalente de permanência da postura em dia; assim se a época de transplantação for no dia 30 de Outubro e a postura permanecer no alfobre 30 dias teremos necessidade de fazer a rega dia 30 de Setembro. VIVEIRO: Geralmente o viveiro é um; não interessa a sua estrutura e localização e podemos defini-lo como ciclo de transito ou a segunda fase de propagação de certas plantas onde se colocam geralmente plântulas (semente recém germinadas), para serem criadas, formadas e educadas de onde serão levadas oportunamente, ao local definitivo onde vão crescer, desenvolver – se, reproduzir – se (dar fruto) e morrer.

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TIPOS DE VIVEIROS: os viveiros podem ser tradicionais e viveiros móveis em recipiente. O período que medeia entre o momento de pôr a semente a germinar, até a extracção das posturas, chama – se ciclo. O viveiro móvel pode ser permanente e o tradicional pode ser transitório. IMPLANTAÇÃO: O estabelecimento do viveiro já seja tradicional ou móvel requerem uma série de factores: localização, água, protecção contra ventos fortes, protecção contra os inimigos, topografia do terreno, substrato, recursos humanos, e exposição aos agentes físicos. LOCALIZAÇÃO: o viveiro móvel, deve ser localizado em locais de grande acessibilidade, que disponham de eficazes dias de comunicação como caminhos ou vias ferrias que favoreçam a passagens dos equipamentos e alfaias, fertilizantes, pesticidas, sementes, viveres, recipientes, etc. e sobretudo que permitam transportar sem obstáculo, as plantas nele produzidas até as áreas de plantações. ÁGUA: é inegavelmente um dos factores de maior importância, para os viveiros. Deve existir em quantidades suficientes e em níveis razoáveis que garantam a quantidade de rega necessárias para cada ciclo do viveiro. EXPOSIÇÃO AOS AGENTES FISICOS: A exposição é de vital importância para os viveiros donde se criam e educam plantas que terão que viver â céu aberto. A luz e o ar são factores vigorizantes. Só em condições de livre arejamento e ampla iluminação, se alcançam as maiores possibilidades de lograr promoções de plantas de alta qualidade com tudo isto, se interesse que ao viveiro se lhe deve dar sol e ar durante todo o dia. PROTECÇÃO CONTRA OS VENTOS FORTES: nem sempre é possível achar condições naturais como colinas (pequenas montanhas), montanhas, etc, que permitem situar o viveiro dentro das melhores condições de segurança; não obstante podemos encontrar zonas boscosas e de vegetação mais ou menos densa que proporcionem certa protecção. Em ultima instancia aos viveiros se lhes podem proteger com barreiras artificiais transitórias; o importante é quebrar o impacto do vento, sem priva-lo da circulação do ar. PROTECÇÃO CONTRA OS INIMIGOS: as doenças produzidas por bactérias, fungos e vírus, assim como as pragas e outros animais prejudiciais. Provocam aos cultivos económicos sérios transtornos, particularmente nos viveiros. Se evitar-mos situar os viveiros em zonas contaminadas, evitando lugares onde hajam velhas plantações das espécies em promoção, situando-os em locais limpos e livres de quaisquer espécies de doenças e pragas, a protecção será inigualavelmente maior. TOPOGRAFIA DO TERRENO: não é fácil manipular viveiros em condições de solo acidentado. Em caso de necessidade podem usar-se terraços. As melhores condições para instalar os viveiros se encontram em terrenos planos, com ligeiras pendentes que permitam uma drenagem eficaz, que nunca sejam capazes de favorecer a erosão. O SUBSTRATO: é o factor determinante. Deve-se dispor de certas condições físicas como: uma ampla zona de penetração radical, ausência de pedras ou outros materiais que possam interferir nos trabalhos de preparação. Deve possuir uma textura em que os elementos argila, limo, areia, estejam em percentagem adequada. Um bom arejamento,

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boa capacidade de drenar, e uma adequada retenção de humidade que permita a normal actividade das raízes e suas simbioses. Por outro lado o solo deve ser plano e quimicamente bem dotado de muita fertilidade natural e de ter pH que flutue entre 5,5 à 7,5. PREPARAÇÃO DO SOLO: o solo deve merecer uma boa preparação, tanto para preparar viveiros para fruteiras (ou plantas arbóreas), como para hortícolas. Deve-se eliminar as ervas daninhas, extrair-se as cepas e raízes das plantas.

TEMA: VIII SEMENTEIRA, PLANTAÇÃO E TRNSPLANTAÇÃO. 8.1- Definições. 8.2- Factores que interferem na sementeira e na plantação. 8.3- Orientação. Factores que a determinam.

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8.4- Época e período da sementeira e da plantação. 8.5- Preparação e tratamento das sementes. 8.6- Métodos de sementeira e plantação. 8.6.1- Atendendo à distribuição da semente. Em linha e a lanço. 8.6.2- Atendendo a posição da semente em relação à superfície do solo. Superfície plana, em camalhão, sistema lister. 8.6.3- Atendendo a distancia entre linhas e entre plantas. Em rectângulo, em quadrado, em triangulo, em quincônio. 8.6.4- Atendendo a distribuição das linhas. Standard, linhas duplas, múltiplas ou bandas. 8.7- Sistemas de sementeira e plantação. Manual e mecanizado. 8.8- Factores a ter em conta para uma sementeira e plantação correctas. 9.1- A transplantação.

A SEMENTERA: é a operação agrícola pela qual se distribuem convenientemente as sementes botânicas no solo para que germinem. A sementeira pode ser directa ou em alfobre. E também pode ser manual e mecanizada. É DIRECTA: quando as plantas vão viver no mesmo loca onde germinam as sementes. NO ALFOBRE: se as plantas vão ser transplantadas para que prossigam o seu desenvolvimento num outro local.

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MANUAL: quando se faz pelas próprias mãos do homem. MECANIZADA: quando utilizamos semeadores. PLANTAÇÃO: é a colocação de plantas ou partes delas (Propágulos) no local onde vão vegetar definitivamente. As plantações devem verificar –se com todas as precauções necessárias, desta forma as perdas são nulas ou mínimas; isto é devido a que no solo se colocam partes do vegetal que apresentam um certo desenvolvimento como são as gemas (características das sementes agrícolas) que se podem afectar. FACTORES QUE INTERFEREM NA SEMENTEIRA E PLANTAÇÃO: Na prática da sementeira há que ter presente vários factores: a) A escolha conveniente da semente: as sementes mais adequadas para a sementeira são as procedentes das espécies cultivadas que rendem produto de melhor qualidade, e as que reúnem em maior grau as condições intrínsecas necessárias para a germinação. Em caso se duvida deve ensaiar-se o poder germinativo. O melhor procedimento para se obter uma boa semente é uma inteligente selecção. Se se tem que adquirir, deve-se entender na sua selecção a sua identidade botânica, procedência, grau de pureza genética e física, humidade, o volume e desenvolvimento do embrião. b) Preparação: geralmente semeiam-se as sementes sem preparação prévia mas é uma prática reprovável. Na maioria dos casos é necessário prepara-la bem para acelerar a germinação e para destruir as possíveis doenças que podem ir aderidas as suas coberturas, com este fim se submetem as sementes a distintos tratamentos. Têm-se obtido bons resultados quando se tratam as sementes com fito hormonas antes de semeá-las. Nos países desenvolvidos usam-se coberturas nas sementes de ingredientes inertes com o objectivo de aumentar o seu tamanho, estes ingredientes contêm fertilizantes, hormonas, fungicidas, insecticidas, e substâncias repelentes aos pássaros e roedores. Estes materiais se mantêm unidas as sementes pela acção de um material plástico, solúvel em água, não tóxico que se dissolve ao entrar em contacto com a humidade do solo. O objectivo e vantagem desta preparação é que as sementes mais pequenas, uma vez revestidas são perfeitamente manuseáveis. c) Que a sementeira se faça na época e períodos oportunos; para que as sementes encontrem as condições mais idóneas que favoreçam a sua germinação; isto se vê influenciado de forma mais aguda por um limite de temperatura determinado, e também por condições de humidade, ademais de um adequado arejamento que se logra com uma boa preparação do solo. d) Que se empregue a quantidade de sementes convenientes: a quantidade de semente por unidade de superfície, depende do clima, da fertilidade do solo, da preparação do solo, do momento da sementeira e da profundidade a que se deposite a semente. e) Profundidade adequada e uniforme; um grão está colocado nas condições mais favoráveis para que germine, quando está coberto, mas com uma capa de terra não superior a 8 vezes o seu diâmetro médio, colocadas muito superficialmente lhes falta água e não germinam. Demasiado profundo, lhes faltara ar e pode suceder também que as reservas nutritivas dos cotiledones sejam esgotadas antes do caule

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chegam a luz; neste caso, a planta morre ao não poder realizar a fotossíntese. A uniformidade da sementeira é necessário para obter uma alta colheita; se os grãos não estão colocados a uma profundidade igual, os mais superficiais germinam primeiro, se desenvolvem rapidamente e dificultam a saída os outros. ORIENTAÇÃO. Nos países de marcada diferença na longitude dos dias e naqueles onde exista uma grande nebulosidade, é importante ter-se em conta, isto para estabelecer-se as linhas onde se executarão a sementeira e a plantação. Nos países tropicais, onde a luminosidade é mais uniforme e há uma maior intensidade de radiação solar, a orientação com respeito a luz não resulta de muita importância e se deve ter em conta a topografia do terreno, devido a que a pluviosidade é alta e intensa e como uma correcta orientação evitamos, em grande medida, a erosão do solo, onde a pendente é maior de 3% permitindo a drenagem naqueles solos onde a pendente é mínima e as argilas naqueles solos muito plásticas e, facilitamos a rega buscando a maior pendente que não erosione, ou seja que a água tenha a velocidade mínima requerida. ÉPOCA E PERIODO DE SEMENTEIRA E PLANTAÇÃO. A época de sementeira e plantação, depende em parte, do clima e por outro, de factores económicos e da fisiologia das plantas. Entre os factores climáticos que intervêm directamente na época de sementeira e plantação, se encontram: a temperatura, a humidade relativa e pluviosidade. Isto é, devido a que as plantas, requerem para sua (germinação) crescimento e desenvolvimento limites adequados destes factores, que não se comportam igual em todas as plantas nem em todo o seu ciclo de vida. Em geral, época, é a estação do ano em que se pode semear e plantar uma cultura dada. Mas o período de sementeira e plantação é o lapso de tempo compreendido dentro da época em que devemos semear e plantar para lograr uma colheita económica. FACTORES QUE SEMENTEIRA. INTEVÊM NA DETERMINAÇÃO DO PERIODO DA

FACTORES CLIMATICOS: dentro dele estão a temperatura, a humidade, luz, etc. QUE AS PLANTAS POSSAM CUMPRIR O SEU CICLO VEGETATIVO. FACTORES BIOTICOS, com a incidência de pragas e doenças.

1- DENSIDADE DA SEMENTEIRA E PLANTAÇÃO: toda a planta requer uma superfície determinada para que ela possa crescer e desenvolver – se normalmente. É uma superfície para poder render o máximo de colheita com uma qualidade óptima. A primeira se denomina superfície ou área mínima vital e segunda, é a óptima para a obtenção de um fruto agrícola determinado. Uma e outra superfície podem ou não coincidir.

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METODOS DE SEMENTAIRA E PLANTAÇÃO. Atendendo a distribuição da semente podem ser: em linha e a lanço. EM LINHA: é aquela em que as sementes se vão depositando formando linhas paralelas entre si, a qual estas se distribuem uniformemente. A LANÇO: é quando as sementes se espalham pelo campo tratando como estas fiquem repartidas com maior uniformidade possível mas de forma irregular. AS VANTAGENS DA SEMENTEIRA EM LINHA COM RELAÇÃO A SEMENTEIRA A LANÇO, SÃO: a) Maior economia da semente. b) Maior distribuição de espaço disponível para cada planta. c) Profundidade mais uniforme. d) As plantas dispõem de maior quantidade de luz. e) São menos acentuados os ataques de doenças. d) Permite e geralmente exige trabalhos de cultivo para o controle das ervas daninhas e mover a capa superficial do solo. ATENDENDO A POSIÇÃO DA SEMENTE EM RELAÇÃO Á SUPERFICIE DO SOLO PODE SER: sementeira em superfície plana, em camalhões e sistema lister. a) Em superfície plana: É a operação da sementeira que se efectua de acordo com as próprias características do relevo do solo; quer dizer que nos solos não se fazem elevações (camalhões), nem aberturas (sulcos) para executar a sementeira ou plantação. Este tipo de sementeira ou plantação, se realizam nos solos de boa drenagem interna e ou superficial com excepção da cultura do arroz, que se semeia por este método em terrenos de estas características, e onde não predominam fortes ventos secos. Ademais, que a época do ano o permite, de acordo com o regime pulviometrico; exemplo disto podemos ver a sementeira do arroz tanto a lanço como em linha; que também é muito usado nas sementeiras de milho nos solos ferraliticos. A densidade de sementeira neste sistema é vista em terrenos de kg de semente por ha. b) Sistema lister: esse sistema é muito útil em sementeira de sequeiro. Nos EUA é muito usado na época seca, sobretudo nos solos ligeiros. Quando se fazem sulcos de 10-15 cm de profundidade e se deposita a semente no fundo, os sulcos devem ser feitos em ângulos rectos com relação aos ventos dominantes, ou caso exista pendentes, as linhas devem seguir as curvas de nível para evitar que as águas das chuvas corram pelo fundo dos sulcos e desta maneira aumenta a penetração. Esse sistema de sementeira tem a vantagem de permitir a semente estar em contacto com a capa do solo de maior humidade e quando esta é semeada pelo sistema de superfície plana ou em camalhão. Esse sistema permite as operações de cultivo.

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Este método se utiliza nas zonas onde a chuva é escassa; solos permeáveis e donde sopram ventos secos e fortes. Se utiliza muito na sementeira de algodão tanto no norte como no sul da América. Mas pouco usado nos climas tropicais na época das chuvas. c) Sementeira em camalhão: é a sementeira que se faz em cima de uma elevação que se constrói sobre o terreno preparado. São feitos em solos onde a excessiva humidade pode prejudicar ou cobrir a sementeira ou plantação. Este método se utiliza na batata, onde o excesso de humidade trás como consequência um ataque de doenças fungosas. É muito utilizado nas plantações de batata-doce, mandioca, e outros tubérculos em solos pouco permeáveis para protege-las contra o excesso de humidade. Também é muito usado na sementeira do milho, devido ao excesso de chuva nesta época. Sementeira em camalhões planos: este sistema facilita a rega por sulco depois da sementeira pois fica um sulco aberto a cada lado do camalhão. Se usa em sementeira em solos ferraliticos com milho e feijão. ATENDENDO A DISTANCIA ENTRE LINHAS E ENTRE PLANTAS. DISTÂNCIA ENTRE CAMALHÕES: é a distancia que à entre linhas ou sulcos num cultivo dado, medido de centro a centro de linha de forma perpendicular.

DISTÂNCIA ENTRE PLANTAS: é a distância que vai de uma planta à outra, ao longo da linha ou sulco. a) Em rectângulo: esta forma de disposição das plantas no campo, tem a característica de que existe distancia entre camalhões e entre plantas determinável e prefixada; ambas se comportam da seguinte forma: a distancia de camalhões e plantas nunca resultam iguais, sendo sempre maior a distancia de camalhões com relação as plantas, ou seja as plantas se dispõem formando filas ou ruas, de tal modo que, a distancia plantas, seja menor que a medida da distancia entre linhas, cada 4 plantas, formam um rectângulo.

Para calcular o número de plantas por área, se usa uma relação matemática que envolva a área total e a área usada em cada planta que fica representada pelo produto da distância entre camalhões pela distância entre plantas. Nº de plantas = área total / dist. Camalhão * dist. Planta. Este método é muito usado nas plantações de frutíferas, citrinos, goiaba, plantações de bananeira, etc. b) Em triangulo: a disposição das plantas no campo é triangular ou seja forma um triângulo equilátero. Cada planta fica no vértice de um triângulo, com um engulo

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de 60º neste sistema, há um aproveitamento máximo de área, pelo que comparado com os outros sistemas, temos que a igual área por planta usada cabe até 15% mais plantas por área; o que é obstáculo a mecanização. Neste método, para calcular o nº de plantas por área se 1º a área total; 2º a distancia entre plantas; 3º calcular a distancia entre camalhões que não se calcula da mesma forma que os métodos anteriores; isto é devido a que, as plantas nas linhas, ficam dispersas umas com respeito a outras, pelo que esta distancia se calcula trigonometricamente, já que representa a altura do triângulo que se forma. Nº de plantas = área total /d. plantas * d. camalhões. c) Em quadrado: a disposição das plantas no campo é num sistema quadrado ou seja a distancia entre camalhões (linhas) e entre plantas são pré fixadas e ademais têm a particularidade de serem iguais quer isso dizer que entre cada 2 plantas de uma linha têm igual distancia, cada 4 plantas (arvores) formam um quadrado esta é uma variação da forma rectangular que têm a vantagem de poder utilizar-se os campos em todas as direcções ou seja, em longitude, largura e pelas diagonais. Neste tipo de sementeira e plantação para calcular o nº de plantas por áreas, utiliza-se um procedimento igual ao da forma rectangular; só que como a distancia entre linhas e entre plantas são iguais, ao representa-lo na fórmula aparecerá um dos dois elevados ao quadrado ou seja: nº de plantas = área total / distancia entre camalhões2 Este tipo de fórmula com este marco é empregue nas plantações de mangueira, abacateiro, na sementeira de abóbora, melão etc. d) Em quincônios: é um plantio de árvores em grupo de cinco (quatro em quadrado e uma no meio). ATENDENDO A DISTRIBUIÇÃO DAS LINHAS. a) Standard: esta forma é a que comummente se estabelece, onde as linhas ficam dispostas equidistante mente em todo o campo. b) Linha dupla: as plantas ficam dispostas em duas fileiras por cada camalhão pelo que existe duas distâncias de camalhões (menor que é a que existe entre duas filas que compõem um camalhão e uma distancia maior do camalhão, que é a que existe entre dois pares de fileiras); a distância entre plantas é só uma e igual para todas as linhas. Para calcular o nº de plantas para uma área determinada, se envolve as duas distâncias de camalhões, já que interferem e ficam afectadas na formula para sua semi-soma e isso multiplicado pela distancia entre plantas que resulta constante. Nº de plantas = área total / camalhões gdes + camalhões pqnos * d. entre plantas. 2 Este método é empregue em culturas como ananás, bananeira, etc., tendo a característica de que cabe maior densidade de plantas por área.

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c) Linhas multiplicadas ou bandas: é aquele em que se semeiam ou plantam vários sulcos de forma standard que formam uma banda, deixando-se entre bandas um camalhão mais longo, dependendo do tipo de cultura que se vai empregar para facilitar o trabalho desta, e evitar com ele os danos de culturas.

Sulcos múltiplos ou bandas.

Isto podemos ver no cultivo do tomate, ao qual a largura das bandas, esta determinado pela longitude que alcança o aspersor para os tratamentos fisiosanitários etc. A TRANSPLANTAÇÃO: A transplantação é a operação que consiste em tirar-mos uma planta de um meio onde tenha estabelecido as suas raízes e voltar-mos a plantar num ponto diferente. A transplantação deve efectuar-se quando as condições atmosféricas e vegetativas façam com que a transpiração seja menor. Durante o processo de extracção são arrancadas as raízes jovens com os seus pelos absorventes e selecciona a raiz principal como consequência se formam muitas raízes novas. Estes não são tão compridas como as anteriores, mas formam uma massa radicular mais compacta ao redor da base da planta. Assim, não obstante o sistema radicular de uma planta transplantada ser em geral extensa do que de uma não alterada, ao ser levada ao campo a planta transplantada leva com ela mais raízes e, em consequência se restabelece mais facilmente. Os horticultores descobriram que ao transplantar plantas de repolho, couve, tomate etc. que enquanto se desenvolver nos alfobres, resultam altamente beneficiosos, ajudando-lhes assim a resistir ao transplante final num terreno aberto. A plantas muito deficeis de se transplantar com êxito ainda que sejam de idade jovem: milho, feijão, melão, etc. ao arrancar a planta deve procurar-se conservar o maior nº de raízes possíveis e que resultam com poucas lesões, pelo que se deve regar algum tempo antes de efectuar o arranque. Para compensar as pecas das raízes que podem experimentar cortam-se os ramos necessários, finalmente, as plantas devem estar fora do solo o menor tempo possível. Quando se tratam de raízes de plantas que vão se transplantando com soluções fito hormonais antes de efectuar o transplante formam-se mais raízes laterais, dando logo plantas que se desenvolvem com maior rapidez e que prometem uma melhor colheita.

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