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Panorama Do Novo Test Amen To - Robert H Gundry

Panorama Do Novo Test Amen To - Robert H Gundry

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Perguntas Normativas:

- Quais são os prós e os contras acerca da autoria paulina das epístolas pastorais?
- Em que ponto as epístolas pastorais se encaixam na cronologia da vida de Paulo?
- Quais foram as instruções de Paulo para a vida progressista da Igreja e para a manutenção

das crenças cristãs?

I e II TIMÓTEO, E TITO:

CONSELHOS A PASTORES JOVENS

Tema

I e II Timóteo, e Tito compreendem as chamadas epístolas pastorais, assim denominadas
porque Paulo as escreveu para jovens pastores. Elas contêm instruções concernentes às
responsabilidades administrativas de Timóteo e Tito nas igrejas locais.

Autenticidade

Os eruditos da moderna alta crítica lançam maiores dúvidas sobre a autenticidade dessas
epístolas do que sobre quaisquer outras obras que se declaram de autoria paulina. De consonância
com essa opinião que nega a autoria paulina das epístolas pastorais, o seu autor pseudônimo teria
lançado mão da autoridade do nome de Paulo a fim de combater o gnosticismo incipiente no
segundo século de nossa era. Essa opinião afirma ou que as epístolas pastorais são obras
inteiramente pseudônimas (mas, por quê, então, a presença de itens tão pessoais a respeito de
Paulo, que trazem sinais de autenticidade?) ou, mais freqüentemente, que algum admirador de Paulo
incorporou observações paulinas autênticas em epístolas que escreveu depois de Paulo já ter
falecido.

Teoria dos fragmentos Paulinos

Há certa variedade de opiniões sobre quais seções das epístolas pastorais contêm supostos
fragmentos de material que, na realidade, foram escritos por Paulo. (Os fragmentos comumente tidos como
tais são II Timóteo 1.16-18; 3:10,11; 4 1.2a.5b-22 e Tito 3:12-15.) Em adição, é improvável que meros
fragmentos de genuínas epístolas paulinas houvessem sido preservados, sobretudo porque a maioria
deles é de natureza pessoal, não se revestindo de atrativos teológicos. Ainda é mais improvável que
tenham sido incorporados mais tarde em epístolas pseudepigráficas mais longas, de forma
desordenada, ao acaso. E por que o suposto forjador teria concentrado quase todos esses
fragmentos na segunda epístola a Timóteo, ao invés de distribuí-los de maneira regular pelas três
epístolas pastorais? E, pensando nisso, por que ele teria escrito três epístolas pastorais? O conteúdo
das mesmas não difere de modo suficiente para indicar por qual razão ele teria escrito três epístolas,
em nome de Paulo, ao invés de apenas uma.

Pseudônimo

Em apoio à autoria paulina há a declaração, constante no primeiro versículo de cada epístola
pastoral, no sentido de que Paulo foi o seu autor. Contra tal reivindicação argumenta-se que escrever
com a autoria oculta por um pseudônimo era uma prática literária bem aceita ("contrafação
piedosa") nos tempos antigos e até na Igreja primitiva. Os fatos, todavia, demonstram que usar de
um pseudônimo era prática apenas ocasional, a qual não era praticada pela Igreja primitva. O
apóstolo Paulo adverte contra as falsificações em seu nome (vide II Tessalonicenses 2:2 e 3:17). A
Igreja antiga excluiu um ancião de seu ofício eclesiástico por haver escrito sob um pseudônimo (Vide
Tertuliano, Sobre o Batismo xvii. Quanto a uma completa discussão sobre pseudônimos, vide D. Guthrie, New Testament
lntroduction: Pauline Epistles (Chicago: Inter-Varsity. 1961), apêndice C, "Epistolar, Pseudepigraphy", págs. 282-294.) e
se mostrava intensamente preocupada com questões de autoria, segundo se depreende, por
exemplo, do debate sobre a autoria da epístola aos Hebreus e da hesitação em adotar um livro de
autoria desconhecida na coletânea do Novo Testamento.
Outrossim, é altamente improvável que um admirador do já falecido Paulo tivesse chamado o
apóstolo de "o principal" dentre os pecadores. (Vide I Timóteo 1:15.) As epístolas pastorais são

muito mais semelhantes, em estilo e conteúdo, às demais epístolas de Paulo do que o são os livros
não-canônicos e indubitavelmente pseudônimos, em relação aos escritos autênticos daqueles em
cujos nomes foram forjados. Em acréscimo à reivindicação constante nas próprias epístolas pastorais
de que elas foram escritas por Paulo e à preocupação da Igreja antiga com questões que envolvem a
autoria, temos a fortíssima e antiga tradição que diz que o próprio Paulo escreveu as epístolas
pastorais. Somente Romanos e I Coríntios contam com confirmações mais decisivas.

Vocabulário e estilo

As dúvidas a respeito da autoria paulina se originam primariamente de diferenças de
vocabulário e do estilo gramatical que figuram nas epístolas pastorias, quando postas em confronto
com outras epístolas paulinas. O cotejo consiste de tabelas estatísticas, algumas vezes traçadas com
o auxílio de computadores. No entanto, essa objeção "científica" à autoria paulina não leva em conta
as diferenças de vocabulário e estilo causadas pelas diferenças de assuntos e de pessoas
endereçadas, além das alterações causadas no estilo de um escritor por considerações como meio
ambiente, mais idade, maior experiência e a mera passagem do tempo. Talvez ainda mais
significativa seja a possibilidade que as divergências de estilo se tenham originado dos diferentes
amanuenses, ou do fato que Paulo deu maior ou menor liberdade a seus amanuenses para usarem
um fraseado de acordo com seus pensamentos, no que algumas vezes se mostrou mais exigente do
que em outras. A explicação que leva em conta os amanuenses é, ocasionalmente, desprezada,
porquanto supostamente seria explicação fácil demais. No entanto, é uma explicação realista, porque
sabemos positivamente que Paulo costumava ditar as suas epístolas.
Além disso, as epístolas geralmente aceitas sem contestação como paulinas, ou passagens mais ou
menos longas nelas existentes, exibem as mesmas formas de variedade estilística que servem, nas
mãos de alguns, para disprovar a autoria paulina das epístolas pastorais. E a maioria dos vocábulos
que ocorrem somente nas epístolas pastorais, entre aquelas que são de autoria paulina, também
figuram na Setuaginta e na literatura grega extra-bíblica do primeiro século cristão, pelo que tais
palavras sem dúvida faziam parte do vocabulário de Paulo e dos seus amanuenses.

A omissão de Márciom

Aqueles que duvidam da autoria paulina também afirmam que o herege gnóstico Márciom
também omitiu as epístolas paulinas de seu "cânon" do Novo Testamento porque elas não seriam da
autoria de Paulo. Todavia, Márciom tinha a tendência de rejeitar porções do Novo Testamento
aceitas pelos cristãos ortodoxos. Por exemplo, ele repelia os evangelhos de Mateus, Marcos e João, e
retirava porções do evangelho de Lucas. A assertiva de que "a lei é boa" (1 Timóteo 1:8) deve ter
ofendido a Márciom, que rejeitava radicalmente o Antigo Testamento, e a referência depreciativa
àquilo que Paulo intitula de "as contradições do saber [no grego gnosis], como falsamente lhe
chamam" (I Timóteo 6:20) deve ter antagonizado a Márciom, o qual chamava o seu próprio sistema
doutrinário de gnosis - tudo o que serviria de amplas razões para Márciom haver omitido as epístolas
pastorais de seu cânon, sem que isso desse a entender que elas são obras pseudônimas.

Gnosticismo

Por igual modo, alguns asseveram que as epístolas pastorais atacam certa variedade de
gnosticismo que só surgiu após o período da vida de Paulo. Para dizermos a verdade, o ascetismo
criticado no trecho de 1 Timóteo 4:3 ("que proíbem o casamento e exigem abstinência de
alimentos") se parece bastante com o gnosticismo de período posterior. Não obstante, o
proeminente elemento judaico que havia nas falsas doutrinas combatidas - “especialmente os da
circuncisão”, "fábulas judaicas" e "debates sobre a lei" (rito 1:10,14 e 3:9, respectivamente) -
comprova que as epístolas pastorais não atacavam, necessariamente, o gnosticismo posterior; pois
característicos judaicos, apesar de terem passado até ao segundo século, caracterizavam melhor a
fase inicial do movimento. As epístolas pastorais, bem pelo contrário, atiram-se contra o tipo misto
de heresia que já fora combatido antes na epístola aos Colossenses, o que, conforme se sabe
hodiernamente, teve origem em um judaísmo sincretista da variedade gnóstica pré-cristã. Por
conseguinte, é preferível pensarmos numa data mais antiga para as epístolas pastorais; e uma data

mais remota favorece a autoria paulina, porquanto um falsificador piedoso não teria ousado utilizar-
se do nome do apóstolo numa época ainda bem próxima da vida de Paulo.

Estrutura eclesiástica

Também se tem dito que as epístolas pastorais refletem uma estrutura eclesiástica mais bem
organizada do que aquela que já se desenvolvera durante a vida de Paulo. Entretanto, as epístolas
pastorais mencionam somente os anciãos (ou bispos), os diáconos e as viúvas, todas as quais
classes já figuravam desde antes no Novo Testamento. Vide, por exemplo, os trechos de Atos 6:1;
9:39,41 ; I Coríntios 7:8 e Filipenses 1:1. Outrossim, os Papiros do Mar Morto, que pertencem a dias
anteriores ao cristianismo, descrevem um oficial da comunidade de Qumran que se assemelha de
forma notável aos bispos que são mencionados nas epístolas pastorais. As instruções dadas a
Timóteo e a Tito (vide I Timóteo 5:22 e Tito 1:5), a respeito da nomeação de anciãos, não se devem
a um governo eclesiástico hierarquicamente evoluído, mas ao fato que novas igrejas locais foram
iniciadas sob condições missionárias, tal e qual Paulo e Barnabé, logo desde o início de sua missão
fizeram nomear anciãos para as novas igrejas do sul da Galácia (vide Atos 14:23).

Ortodoxia

Por igual modo, argumentam alguns, a ênfase posta sobre a ortodoxia doutrinária, nas
epístolas pastorais, implica em um estágio pós-paulino do desenvolvimento teológico, quando a
doutrina cristã já era considerada como completa, e, quando, por conseguinte, era mister defendê-la
da corrupção, ao invés de ampliá-la em seu escopo. Entretanto, a defesa à tradicional ortodoxia
cristã caracteriza as epístolas de Paulo desde os primórdios de suas atividades. Exemplos disso são a
epístola aos Gálatas como um todo e o décimo quinto capítulo da primeira epístola aos Coríntios.

Informes cintilantes

Finalmente, alguns afiançam que as epístolas pastorais fornecem informes históricos e
geográficos que não se coadunam com a carreira de Paulo, conforme ela ficou registrada no livro de
Atos e nas suas outras epístolas. Supostamente, esse teria sido o erro crasso de algum falsificador
piedoso. Os informes conflitantes são que Paulo deixara Timóteo em Éfeso, quando viajou para a
Macedônia (vide I Timóteo 1:3 - contrastar com Atos 20:4-6), que Demas abandonara a Paulo (vide
II Timóteo 4:10 - Demas continuava em companhia do apóstolo, em Filemom 24), e que Paulo
deixara Tito em Creta (vide Tito 1:5) e fora para Nicópolis (vide Tito 3:12), ao mesmo tempo que
Tito continuara jornada até a Dalmácia (vide II Timóteo 4:10 - ao passo que, no livro de Atos. Paulo
não visitara nem Creta e nem Nicópolis).

Dois aprisionamentos em Roma

A resposta a esse argumento é a hipótese que Paulo fora declarado inocente e fora solto de
seu primeiro período de aprisionamento em Roma, que então ele usufruiu de certo período de
liberdade, durante o qual se encaixam os informes dados pelas epístolas pastorais acerca de seus
passos, e que, algum tempo depois, foi novamente detido e condenado à morte, como mártir da fé
cristã, a qual, nesse ínterim, fora declarada religião ilícita. Assim, pois, os informes históricos e
geográficos das epístolas pastorais não entram em conflito com o livro de Atos, mas aludem a
eventos que tiveram lugar após o encerramento do livro de Atos. As próprias epístolas pastorais
constituem uma evidência em favor da hipótese de dois períodos separados de aprisionamento em
Roma. Outro tanto sucede no caso da expectação de Paulo de que seria libertado, em Filipenses
1:19,25 e 2:24, epístola essa escrita durante seu primeiro aprisionamento em Roma, em contraste
com o fato que Paulo não entretinha a menor esperança de ser solto, consoante se lê em II Timóteo
4:6-8 epístola essa escrita durante o seu suposto período de novo aprisionamento em Roma.

Ordem de escrita

Concluímos que Paulo escreveu I Timóteo e Tito entre esses dois períodos de aprisionamento,
ao passo que II Timóteo foi escrita durante seu segundo aprisionamento, pouco antes do seu
martírio. Permanecerá para sempre desconhecido se Paulo jamais chegou à Espanha, conforme ele

planejara e registrara em Romanos 15:24 e 28. Clemente de Roma, pai da Igreja primitiva, escreveu
que Paulo "atingiu os limites do Ocidente" (I Clemente 5:7), declaração essa que pode ser
interpretada como alusão ou a Roma ou à Espanha, no extremo ocidental da bacia do Mediterrâneo.

Propósitos secundários

Em acréscimo às instruções atinentes às responsabilidades administrativas de Timóteo e Tito
nas igrejas, Paulo convocou a Tito para que viesse reunir-se a ele em Nicópolis, na costa ocidental da
Grécia. Vide o mapa à pág. 252. E, em II Timóteo, Paulo, rememorando sua carreira passada e
aguardando a sua execução para breve, solicita a Timóteo que viesse ter com ele em Roma, antes
da chegada do inverno (vide 4:6-9,21 e 1:17). Paulo temia que, doutra sorte, jamais veria
novamente a Timóteo, porquanto a navegação sofria solução de continuidade durante o inverno e a
sua execução poderia ocorrer antes disso.

I TIMÓTEO

Ortodoxia

Após a saudação, a primeira epístola a Timóteo começa com uma advertência a respeito dos
mestres falsos, que manipulavam erroneamente a lei. Em seguida Paulo relembra a sua própria
experiência de conversão e a sua remissão ao apostolado e exorta a Timóteo para que se aferre
tenazmente à fé cristã ortodoxa. Timóteo precisava usar de cautela no caso de dois mestres falsos,
que Paulo excluíra da Igreja, para que ficassem, no mundo, que é território de Satanás ("os quais
entreguei a Satanás, para serem castigados, a fim de não mais blasfemarem", 1:20). Ler I Timóteo
1. A cláusula. "Fiel é a palavra e digna de toda aceitação", que conduz à assertiva, "Cristo Jesus veio
ao mundo para salvar os pecadores" (versículo 15), é uma fórmula que introduzia antigas confissões,
motos e hinos cristãos (o que também se vê em I Timóteo 3:1; 4:9,10: II Timóteo 2:11-13 e Tito
3:5-8a).

Oração e modéstia

O segundo capítulo começa com uma exortação a que se façam orações públicas em favor de
todos os homens, mormente as autoridades governamentais. Seguem-se instruções que ensinam às
mulheres cristãs a se vestirem com modéstia, sem extravagâncias, bem como a não ocuparem
posições em que ensinem oficialmente a homens. A declaração, "será preservada através de sua
missão de mãe" (2:15), provavelmente significa que, apesar das dores sofridas durante o parto, um
resultado restante da maldição original contra o pecado humano (vide Gênesis 3:16), a mulher
crente será salva do juízo eterno de Deus contra o pecado. Noutras palavras, o doloroso do parto
não contradiz a salvação das mulheres cristãs. Segundo esse ponto de vista, "através de" significa
"em meio à", e não "por meio de (sua missão de mãe) "(Outras interpretações são: (1) as mulheres crentes
são salvas mediante o parto supremo, o de Cristo: (2) elas realizam sua própria salvação dando à luz e criando filhos
piedosamente: e (3) Paulo não promete aqui salvação espiritual, mas isenção dos perigos físicos do parto (conforme
aparentemente dá a entender a New American Standard Bible).)

Bispos e diáconos

Em prosseguimento, Paulo alista as qualificações necessárias aos bispos e diáconos. "Bispo
(episecopos) "significa "supervisor, superintendente", referindo-se ao ofício preenchido por homens
também chamados "anciãos (presbuteroi)". Portanto, embora "bispo" e "ancião" retrocedam a
diferentes vocábulos gregos, são termos sinônimos. "Diácono", por sua parte, quer dizer "servo,
ajudador", aludindo aos assessores dos bispos, os quais cuidavam das questões seculares da vida
eclesiástica, particularmente a distribuição de caridades. A lista das qualificações para as "mulheres",
em 3:11, pode simplesmente subentender a ordem feminina das diaconisas, ou então aludem às
esposas dos diáconos, das quais se esperava que ajudassem a seus esposos na distribuição de
caridades. A seção se encerra com a citação de um antigo hino ou credo cristão, o qual traça. a
carreira de Cristo desde a encarnação à ascensão ("Aquele que foi manifestado na carne... recebido
na glória" 3:16) Ler 1 Timóteo 2 e 3.

Propriedade

Um outro aviso concernente às doutrinas falsas (no quarto capítulo) é seguido, no capítulo
cinco, por observações acerca do relacionamento apropriado entre Timóteo e diferentes faixas
etárias na igreja, acerca da posição ocupada pelas viúvas e acerca do tratamento que se deve dar
aos anciãos. Sendo ainda jovem, Timóteo deveria tratar com outros jovens como irmãos seus, com
homens de mais idade como se fossem seus pais, com mulheres idosas como a mães, e com as
donzelas como se fossem suas próprias irmãs.

As viúvas

As viúvas deveriam ser sustentadas por seus próprios familiares. Porém, viúvas que vivessem
piedosamente e tivessem sessenta anos de idade ou mais, se não contassem com a ajuda financeira
de parentes, deveriam receber assistência econômica por parte da igreja. As viúvas mais jovens
deveriam contrair novo matrimônio, para não caírem na tentação de apelar para uma vida imoral,
como meio de sustento.

Os anciãos

Os anciãos fiéis, em especial aqueles que pregam e ensinam, merecem sustento financeiro.
Não devem ser impugnados os pastores, exceto se houver duas ou três testemunhas de acusação;
mas aqueles cujos erros fossem comprovados deveriam ser publicamente repreendidos. Timóteo não
deveria consagrar (“impor as mãos”) a nenhum homem ao ofício ministerial apressadamente, mas
antes deveria provar o caráter de tal homem, e isso por um período de certo tempo (a menos que a
referência seja à restauração de membros disciplinados da igreja). Esta epístola se fecha no sexto
capítulo, com instruções miscelâneas a respeito de escravos cristãos, de falsos mestres, de crentes
abastados e das responsabilidades espirituais do próprio Timóteo. Ler 1 Timóteo 4-6.

ESBOÇO SUMÁRIO DE I TIMÓTEO

Tema: organização e administração de igreias locais por parte de Timóteo.
INTRODUÇÃO: Saudação (1:1,2)
I. AVISO CONTRA A HERESIA, COM REMINISCÊNCIAS PESSOAIS (1:3-20)
II. ORGANIZAÇÃO DA IGREJA POR TIMÓTEO (2:1 - 3:13)
A. Orações públicas (2:1-8)
B. A modéstia e a subordinação das mulheres (2:9-15)
C. As qualificações dos bispos (3:1-7)
D. As qualificações dos diáconos (3:8-13)
III. ADMINISTRAÇÃO DA IGREJA POR TIMÓTEO (3:14. 6:19)
A. Preservação da Igreja como baluarte da ortodoxia e contra a heterodoxia (3:14 - 4:16) (Assim como
ortodoxia significa "crença correta", ortopraxia significa "conduta correta".)
B. Como pastorear os membros da igreja (5:1 - 6:26)
1. Homens e mulheres, jovens e velhos (5:1,2)
2. Viúvas (5:3-16)
3. Anciãos, com um reparo acerca do próprio Timóteo (5:17-25)
4. Escravos (6:1-2b)
C. Como ensinar e exortar os crentes ao dever (6:2c-10)
D. Como servir de exemplo (6:11-16)
E. Como advertir aos ricos (6:17-19)
CONCLUSÃO: incumbência final a Timóteo e bênção (6:2(1,21)

TITO

Paulo escreveu esta epístola quando estava em Nicópolis, na costa ocidental da Grécia.
Endereçou-a a Tito, a quem deixara na ilha de Creta, a fim de organizar a igreja local dali. Tal como

o faz em I Timóteo, o apóstolo adverte no tocante aos mestres falsos e baixa instruções acerca da
conduta conveniente de várias classes de cristãos. A base doutrinária de tais instruções é a graça de
Deus, a qual confere a salvação, conduz à vida piedosa e oferece a "bendita esperança" da volta de
Jesus (vide 2:11-14). A base experimental dessas instruções é a regeneração operada pelo Espírito
Santo (vide 3:3-7). Ler Tito 1 - 3.

ESBOÇO SUMÁRIO DE TITO

Tema: organização e administração das igrejas locais de Creta, por parte de Tito
INTRODUÇÃO: Saudação (1:1-4)
I. NOMEAÇÃO E QUALIFICAÇÃO DOS BISPOS (1:5-9)
II. SUPRESSÃO DOS FALSOS MESTRES (1:10-16)
III. ENSINANDO A BOA CONDUTA (2:1 - 3:8a)
CONCLUSÃO: (3:8b-15)
A. Sumário (3:8b-11)
B. Solicitação a Tito para vir a Nicópolis, e outras instruções (3:12-14)
C. Saudações e bênção (3:15)

II TIMÓTEO

Reminiscências e exortação

A última epístola de Paulo tem início com reminiscências da chamada divina de Timóteo e de
Paulo, entremeadas com exortações e uma observação lateral acerca de alguns que haviam deixado
Paulo desamparado na prisão, e acerca de outros, que se tinham colocado a seu lado. As demais
instruções dadas a Timóteo extraem comparações com o trabalho árduo e a autodisciplina requeridos
da parte de soldados, atletas e agricultores. Em contraposição ao ensino herético, Paulo frisa que
"Toda Escritura é inspirada por Deus e útil..." (3:16). Uma incumbência final, a de pregar a Palavra
de Deus, uma declaração sobre a disposição de ir até à morte, notícias pessoais e solicitações
concluem a despedida constante nesta epístola de Paulo. Ler II Timóteo 1 - 4.
Janes e Jambres (vide 3:8) eram dois mágicos de Faraó, que se opuseram a Moisés, de
conformidade com o Targum de Jônatan, sobre Êxodo 7:11, e primitiva literatura cristã fora do Novo
Testamento. Os pergaminhos que Paulo rogou fossem trazidos por Timóteo (vide 4:13) por certo
tinham um conteúdo importante, pois o pergaminho era material dispendioso. Talvez fossem os
documentos legais de Paulo, como o seu certificado de cidadania romana, ou cópias de Escrituras do
Antigo Testamento, ou registros da vida e dos ensinamentos de Jesus.
Provavelmente cumpre-nos compreender o livramento de Paulo "da boca do leão" de forma
figurada, e não literal, pois usava-se a figura do leão como metáfora indicativa de extremo perigo
(vide 4:17; comparar com Salmo 22:21). Mais especificamente, o leão tem sido empregado como
símbolo do diabo, conforme se vê em I Pedro 5:8, ou do imperador Nero.

ESBOÇO SUMÁRIO DE II TIMÓTEO

Tema: a comissão de Timóteo para levar avante a obra realizada por Paulo.
INTRODUÇÃO: Saudação (1:1,2)
I. EXORTAÇÃO À INTENSIDADE NO MINISTÉRIO, EM CONTRAPOSIÇÃO AO PENDOR À TIMIDEZ,
QUE TIMÓTEO REVELAVA (1:3 - 2:7)
II. EXORTAÇÃO À ORTODOXIA, EM CONTRAPOSIÇÃO A ENSINOS E PRÁTICAS FALSOS (2:8 - 4:8)
CONCLUSÃO (4:9-22)
A. Pedido sobre a vinda imediata de Timóteo (4:9-13)
B. Notícias sobre o julgamento de Paulo (4:14-18)
C.Saudações, com outro apelo sobre a vinda de Timóteo e uma bênção (4:19-22)

Para discussão porterior:

- Quais diferenças se percebem entre a estrutura das modernas igrejas locais e a da Igreja
primitiva, segundo se reflete nas epístolas pastorais? Como você justifica essas diferenças?
- Até que ponto a Igreja moderna está na obrigação de moldar-se segundo a estrutura
eclesiástica e o estilo de funcionamento da Igreja primitiva? Por outro lado, as circunstâncias
modificadas e a cultura diferente permitem à Igreja a liberdade de operação e de inovação? e, nesse
caso, dentro de quais limites, se porventura há limites?
- Avalie o acerto da acusação de que a preocupação de Paulo com a ortodoxia, nas epístolas
pastorais, soa mais como algo negativo e exageradamente defensivo.

Para investigação posterior:

Guthrie, D. The Pastoral Epistles and the Mind of Paul. Londres: Tyndale, 1956.
-- The Pastoral Epistles. Grand Rapids: Eerdmans, 1957.
Kelly, J.N.D. I e II Timóteo e Tito. São Paulo: Edições Vida Nova, 1983

EXCURSO: RESUMO DA TEOLOGIA PAULINA

Origens

Visto que a teologia de Paulo acha-se distribuída por certo número de epístolas, escritas sob
circunstâncias tipicamente missionárias, a nós resta a tarefa de sumariar seu pensamento.
Antigamente, alguns eruditos chegaram a pensar que Paulo tivesse feito profundos empréstimos dos
conceitos gregos e das religiões misteriosas, quanto ao conteúdo e à forma de sua teologia.
Atualmente, entretanto, o consenso geral assevera que a sua dívida ao Antigo Testamento e ao
judaísmo rabínico em muito excede à sua dívida a fontes gregas e misteriosas. Aqueles mesmos
eruditos igualmente criam que Paulo fora um notável inovador, que transformara Jesus daquilo que
Ele realmente era, um rabino e mártir carismático, em um Salvador cósmico, revestido de atributos
divinos. Porém, um estudo mais acurado da literatura paulina tem demonstrado que Paulo se
estribou pesadamente sobre a primitiva tradição cristã - hinos, credos, confissões batismais e
instruções catequéticas - sobre a conduta cristã, além de haver-se respaldado nas tradições orais e
escritas acerca da vida e dos ensinamentos de Jesus, antes dos evangelhos terem sido registrados. O
estudo dos evangelhos, do livro de Atos e das epístolas paulinas conduz à mesma conclusão: Paulo
desenvolveu uma teologia cristã já existente, que se originara com Jesus e que crescera baseada
sobre as Escrituras do Antigo Testamento, reputadas como plenamente autoritativas.

Deus e a criação

Do judaísmo e do Antigo Testamento é que procede o conceito paulino de um só verdadeiro
Deus, o qual é onipotente, santo e gracioso. Esse Deus é uma pessoa. Aqueles que chegam a
conhecê-Lo por intermédio de Cristo, podem dirigir-se a Ele afetuosamente, tratando-o de Pai
("Aba"). Porém, há multiplicidade dentro da personalidade do Deus único: razão por que Paulo
escreve nos termos trinitarianos de Pai, Filho e Espírito Santo. Deus Pai criou o universo e todos os
seres nele existentes, através de Seu Filho e para Ele. Por conseguinte, o universo material é
inerentemente bom; o pecado é que é um intruso. Todos os homens pecaram em Adão, e o pecado
mantém um domínio de tal modo imperioso sobre os homens que a boa lei de Deus provoca-os à
transgressão, e não à obediência. E disso resulta a morte, tanto a física quanto a espiritual. Fazendo
parte da criação material, o corpo humano é inerentemente bom; mas, visto que o pecado se
manifesta através do corpo, Paulo intitula o impulso pecaminoso de "a carne".(“Carne” nem sempre alude
à propensão ao pecado. Outros sentidos incluem o corpo de carne, a humanidade, a descendência humana natural ou
algum relacionamento humano natural, e a natureza humana como tal (fraca, pecaminosa ou não).)
Jesus, o eternamente preexistente Filho de Deus, veio dos céus a fim de redimir os homens
da servidão ao pecado e de suas conseqüências. Para tanto, Ele se fez um ser humano e entregou-se

à morte, a fim de satisfazer tanto a ira divina contra o pecado como para satisfazer o amor divino
pelos pecadores. Deus ressuscitou a Jesus dentre os mortos e O exaltou como Senhor (palavra essa
que traduz "Javé" ou "Jeová"), nos céus, a fim de demonstrar a Sua plena satisfação. Agora, pois, o
"chamamento" de Deus é feito àquelas pessoas que por Ele foram escolhidas previamente. Não
obstante, a eleição divina de algumas pessoas não contradiz o convite sincero à salvação, estendido
a todos os seres humanos. Os homens acatam esse convite através de uma sincera tristeza ante o
pecado (arrependimento) e a fé em Jesus Cristo; e essa fé envolve assentimento mental ao que o
cristianismo diz sobre a identidade de Jesus, confiança exclusiva em Sua morte e ressurreição com
vistas à remissão (ou remoção) de pecados, e submissão moral ao tipo de vida que Ele requer daí
por diante. O crente penitente imediatamente passa a estar "em Cristo", em razão do que o seu
pecado é transferido a Cristo e a retidão de Cristo é transferida a ele. A solidariedade com Cristo,
pois, substitui a solidariedade com Adão. Dessa maneira, Deus pode tratar amorosamente ao crente
como pessoa reta (justificação), ao mesmo tempo que conserva Seu próprio padrão de justiça. Como
Senhor, Jesus "redime" aos crentes, ou seja, Ele os libera da servidão ao pecado, mediante o
pagamento de certo preço, tal e qual Javé redimiu a nação de Israel da servidão egípcia, por ocasião
do êxodo. Deus e o crente são reconciliados entre si; a comunhão entre Deus e o homem é
restaurada. Ora, tudo isso ocorre devido à graça divina, ao favor de Deus para com homens
desmerecedores, sem qualquer boa obra meritória de sua parte.

O Espírito, os cristãos e a Igreja

Deus confere o Seu Espírito ao crente, como garantia de uma glória futura e eterna, mas
também para ser poderosa ajuda ao viver individual e coletivo dos crentes. O Espírito Santo capacita
os crentes a dominarem o impulso pecaminoso ("a carne"), a viverem virtuosamente, a orarem e a
ministrarem a outros. O corpo, antes dominado pela carne, torna-se santuário sagrado do divino
Espírito, fica destinado à ressurreição para a vida eterna. Além disso, tal como o corpo do cristão
individual é templo do Espírito Santo, assim também o é a Igreja como um todo. Na verdade, o
corpo com suas diversas porções é a grande metáfora usada por Paulo para doutrinar sobre a Igreja
em sua unidade orgânica, na diversidade de suas funções e na sua subordinação a Cristo, o seu
cabeça. E as igrejas locais (palavra derivada do termo grego ecclesia) não são os templos de
alvenaria, mas são as assembléias de remidos que se reúnem em um dado local, aqueles cuja
cidadania superior pertence ao reino de Deus. Esses são também os "santos", os "irmãos", em cujos
corações rebrilham os segredos revelados ("mistérios") do evangelho do reino. Esses confessam a
sua unificação com Cristo, em Sua morte, sepultamento e ressurreição, através da Ceia do Senhor, a
qual também lança vistas ao futuro banquete messiânico, que terá lugar quando da parousia ou
segunda vinda de Cristo.

Escatologia

As forças do mal - Satanás, espíritos demoníacos e seres humanos por eles dominados -
controlam a era presente. Mas isso não prosseguirá nessas condições para sempre; aproxima-se
célere a vinda do Senhor. E então Ele assumirá o controle de tudo. Quando o homem do pecado (o
anticristo) tiver encabeçado uma grande revolta contra Deus, Cristo, o Senhor, haverá de retornar a
fim de julgar aos ímpios, vindicar aos piedosos e restaurar a nação de Israel. Aos crentes cabe o
dever de manterem-se vigilantes quanto a esse grande acontecimento. Trata-se de sua "esperança"
confiante, uma possibilidade franqueada a cada geração de remidos. Após o dia do Senhor, terá
começo a era vindoura, uma sucessão interminável de eras, chamadas de eternidade, na qual Deus
se comprazerá em Seu povo, e eles no seu Deus - para sempre. (Paulo tomou por empréstimo essas três
expressões, "esta época (presente)", "o dia do Senhor" e "aquela era (ou era vindoura)", do Vocabulário rabínico,
injetando nelas pensamentos cristãos.)

Para discussão posterior:

- Por que Paulo e outros primitivos autores cristãos não escreveram obras teológicas, em
forma sistemática, ao invés de epístolas e tratados ocasionais?

- Quais aspectos particulares de sua teologia impediram a Paulo de tornar-se um teólogo de
escrivaninha, mas antes, compeliram-no a viajar por muitos lugares, em meio a grandes sacrifícios
pessoais, por amor ao evangelismo?

Para investigação posterior:

Machen, J. G. The Origin of Paul's Religion. Grand Rapids: Eerdmans, 1925.
Bouttier, M. Christianity According to Paul. Traduzido por F. Clarke. Londres: SCM, 1966.
Scott, C. A. A. Christianity According to St. Paul. Cambridge University Press, 1961.
Barclay, W. The Mind of St. Paul. Nova Iorque: Harper & Row, 1958.
Hunter, A M. Paul and His Predecessors. Filadélfia: Westminster, 1961.
------, The Gospel According to St. Paul. Filadélfia: Westminster, 1967.
Whiteley, D.E. H. The Theology of St. Paul. Filadélfia: Fortress, 1964.
Stewart, J. S. A Man in Christ. Nova Iorque: Harper & Row, n. d.
Longenecker, R. N. Paul, Apostle of Liberty. Nova Iorque: Harper & Row, 1964.
Davies, W. D. Paul and Rabbinic Judaism. Londres: S.P.C.K., 1962.Para um estudo mais avançado.

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