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Necessidade básica humana e instrumentos básicos de enfermagem

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Published by: Ana Cláudia Dos Santos on Mar 28, 2012
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Necessidade básica humana e instrumentos básicos de enfermagem

Comunicação no currículo integrado do curso de graduação de enfermagem da Universidade Estadual Londrina

Communication in the integrated curriculum of the nursing graduation course at the State University of Londrina

Maria Cristina F. Fontes; Iwa Keiko Aida Utyama; Ines Gimenes Rodrigues Docentes do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina, Mestrandas na Área Fundamental da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/USP

RESUMO A comunicação é a essência da vida e inerente ao ser humano. O enfermeiro na sua praxis estabelece as relações humanas através dos meios de comunicação. Desta forma, enquanto docentes de uma Instituição do ensino superior, valorizando este instrumento básico de enfermagem, vimos a necessidade de consultar os atores envolvidos no Currículo Integrado do Curso de Graduação de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina e avaliar os tipos e a importância da comunicação utilizados nas disciplinas modulares, nos anos de 2000 e 2001. Observou-se que através da Pedagogia da Problematização os alunos têm utilizado a comunicação como um instrumento de humanização no cuidar. Palavras-chave: comunicação, ensino, enfermagem

ABSTRACT

receba ou envie informações. dê ou receba ordens. ou seja. e assim afetam reciprocamente suas vidas e a de outros. by means of Problematization Pedagogy. O enfermeiro comunica-se com o paciente e este com ele. It was observed that. with a view to evaluating the types and the importance of the communication that has been used in the subject matters in 2000 and 2001. being lecturers in a higher education institution who value this basic nursing instruments. O processo de comunicação é composto de emissor. aceita.Communication is essential to life and inherent in the human being. tratando-se assim de um processo recíproco. é também uma necessidade humana básica. education. sem a qual a existência do ser humano seria impossível (SILVA. sentimentos e idéias aos outros. ensine e aprenda. visitantes da instituição. desde que é através dela que os seres humanos trocam suas mensagens ou não. nursing 1. Para que se inicie o processo comunicativo. Ela. 1996). a comunicação. entender a outra. Mas. Podemos argumentar que os problemas sociais mais prementes dizem respeito às relações entre pessoas e que estas. O atendimento da área específica da assistência só pode ser efetuado por meio da comunicação. O receptor. o emissor envia uma mensagem. Through communication. são uma parte essencial e central natureza humana. recebe a mensagem e decifra-a com o objetivo de entendê-la. we felt the need to consult the people involved in the Integrated Curriculum of the Nursing Graduation Course at the State University of Londrina. nurses establish human relations. . Desse modo o enfermeiro deverá conhecer o processo de comunicação. com os membros da equipe e outros funcionários e ainda com inúmeras outras pessoas durante o correr do dia. receptor e mensagem. Key words: communication. A comunicação é processo pelo qual uma pessoa transmite pensamentos. the students have used communication as a care humanization instrument. Introdução Talvez não seja exagero afirmar-se que a comunicação seja a própria essência do relacionamento humano. A comunicação é um ato intrínseco ao existir do ser humano. Bittes e Matheus (1997) chegam a afirmar que o existir no mundo só é possível quando nos comunicamos. Relaciona-se com os amigos e família do paciente. por sua vez. Hence. Mesmo antes de nascer já estamos transmitindo e recebendo mensagens do mundo. que aceite. É um instrumento que permite a uma pessoa.

tem como origem a própria linguagem. influência de mecanismos inconscientes e limitação do emissor/receptor. Stefanelli (1993) acredita que a troca de mensagens entre o emissor e o receptor pode ser alterada ou influenciada dependendo do contexto em que eles estejam vivendo. para a coordenação das atividades grupais e para efetivação do processo de liderança. É bem provável que todos nós já tenhamos passado por esta experiência. e não apenas uma comunicação entre emissor e receptor. e se refere à linguagem falada ou escrita. Portanto. A comunicação é um processo interpessoal que envolve trocas verbais e não verbais de informações e idéias. se não estivermos atentos a todos os aspectos da comunicação. Para Trevizan (1998). Desta forma pode-se perceber que. 1997). porém ter um significado diferente para cada um deles (CIANCIARULLO. e grande parte das confusões e incomunicações que ocorrem entre as pessoas. Frases mal construídas.para que ocorra o processo comunicativo o receptor deve emitir uma resposta ao emissor (CIANCIARULLO. o contexto é um dos componentes da comunicação. a pressuposição do entendimento. ausência de significado comum. no âmago da liderança está a capacidade de comunicar. PERRY. O mesmo acontece quando escrevemos algo. a comunicação engloba todas as formas que uma pessoa utiliza para afetar o outro: verbal (falada e escrita) e não verbal (cinésia. ou será ineficiente. A estes aspectos Cianciarullo (1996) dá o nome de barreiras da comunicação. . as incomunicações também podem ocorrer em certas situações onde a palavra pode até ser do conhecimento do emissor e do receptor. Para desempenhar este papel vários autores como Galvão (1995). Mendes (1994) e Silva (1996) falam da importância da liderança e da comunicação. ou o uso de termos próprios de uma área de conhecimentos. mas também aos sentimentos e emoções que as pessoas podem transmitir em um relacionamento. Trevizan (1998). uso de palavras que podem dar múltiplos sentidos. Um dos principais requisitos do enfermeiro é o gerenciamento da assistência de enfermagem. A linguagem é fortemente influenciada pela cultura. se houver humanização. 1996). Comunicação não se refere somente ao conteúdo. A comunicação é fundamental para o exercício da influência. Entretanto.1996). podem dificultar o entendimento de um texto. o processo comunicativo não ocorrerá. A forma de transmitir uma mensagem sobre a qual temos consciência é a verbal ou lingüistica. Mendes (1994) afirma que só haverá real interação entre a equipe de enfermagem e o paciente. Segundo a autora estas são: falta de capacidade de concentração. causando frustração aos interlocutores. toque e territorialidade) e paraverbal. A comunicação é um dos mais importantes fatores usados para estabelecer um relacionamento terapêutico enfermeiro-paciente (POTTER. sendo assim.

comunicação. O presente estudo tem como objetivo apresentar como é desenvolvido o aspecto de comunicação nas disciplinas modulares vivenciadas pelos alunos e professores do Curso de graduação de enfermagem da UEL. foram consultados docentes e alunos sobre os meios e métodos de comunicação utilizados nas disciplinas modulares. não os percebendo nas suas interações com o paciente. consigo mesmo e com os outros. durante a construção coletiva do Currículo Integrado de Enfermagem em 1999. o enfermeiro pode aprimorar sua capacidade de comunicar (SILVA. Dentre os conceitos chaves deste Currículo. a relação das emoções e sentimentos. pode-se citar as habilidade afetivas. criatividade. com esforço e estudos. discussões e reflexões coletivas envolvendo docentes e alunos do Curso de Enfermagem da UEL e enfermeiros dos serviços de saúde do município de Londrina. enfermeiros assistenciais. alunos e docentes do Curso de graduação de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Entretanto para o alcance desta meta. capaz de desempenhar o papel de líder da equipe de trabalho norteando a comunicação como um instrumento crucial no processo de liderança. através de um estudo retrospectivo desenvolvido nos anos de 2000 e 2001. crítico e reflexivo. o Projeto Político Pedagógico do Currículo Integrado tem-se delineado como um dos papéis do aluno a participar ativamente do diálogo entre professores e seus pares com o objetivo de transformarse e transformar a realidade. limitações e possibilidades. 2. discernimento e outros. trabalho em equipe. Para implementação das disciplinas modulares foram delineados os conceitos chaves de comunicação em cada módulo contemplando o papel do enfermeiro na gerência do uso dos vários meios de comunicação. Desenvolvimento A) Apresentando o Currículo Integrado do Curso de Enfermagem da UEL O Currículo Integrado foi implantado no ano 2000. Compartilhando e refletindo sobre as idéias dos autores citados. após 2 anos de estudos. 1996). Todavia.O ensino e o desenvolvimento da habilidade de comunicação mostra que o enfermeiro possui pouco conhecimento sobre o assunto.. equilíbrio emocional. Para análise deste tema. Implica em autoconhecimento e conhecimento do outro. . E. dos módulos I à VI. habilidades de comunicação no relacionamento interpessoal e identificação dos meios de comunicação como instrumento de gerência. respeito mútuo. como um comportamento apreendido na relação do sujeito. como desempenhos. sentiram a necessidade de formar um profissional.

Destes. 1999). e abordagem de temas transversais como ética . Estas relações são efetivadas através da comunicação escrita. 1984). 1999). MARTINS. O conteúdo tem como principal função contemplar os conhecimentos. possibilitando o acompanhamento individualizado. as atitudes e habilidades nos domínios cognitivos. o papel do professor é o de orientador da aprendizagem. Módulo V: Introdução à Saúde do Adulto.Doença. afetivo e psicomotor (UTYAMA. O papel do aluno é a busca pela sua aprendizagem. A comunicação não se caracteriza apenas na palavra verbalizada. estudos mostram que apenas 7 % dos pensamentos são transmitidos por palavras. exercendo a função de orientador do processo. Neste Currículo. MARTINS. Módulo IV: Avaliação do Estado de Saúde do Indivíduo. sinais corporais. Módulo III: Processo Saúde Doença a partir do núcleo familiar. a qual permite ao professor identificar as diferenças individuais entre os alunos. Módulo II: Processo Saúde . 1979) no exercício de suas atividades a enfermagem estabelece relações humanas com o paciente e equipe multidisciplinar. através de sucessivas aproximações. este novo currículo articula. desencadeando um processo de ação-refleçãoação (DAVINI. A pedagogia adotada é a problematização. através da integração de conteúdos. O Currículo é composto por treze módulos. serviço e comunidade. Consequentemente modifica a prática. ensino. B) Desenvolvimento da comunicação nos Módulos I à VI Como a enfermagem é gente que cuida de gente (HORTA. organizando sistematicamente uma série gradual e encadeada de situações observadas numa realidade. A Pedagogia da Problematização permite também que o aluno desenvolva conhecimento partindo da observação da realidade. Módulo VI: Saúde do Adulto I. seis já foram construídos e implementados e são assim denominados: Módulo I: A Universidade e o Curso de Enfermagem. entre o teórico e o prático. audição e tato. prática e teoria. comunicação e trabalhos em equipe (UTYAMA. 38% por sinais .Dentro da flexibilização curricular proposta pela nova LDB. falada. propiciando uma relação harmônica entre o saber e o fazer. de forma dinâmica o ciclo básico e clínico.

apresentações orais. dialogar e prepara para formar um aluno bastante crítico das suas ações. teorização e aplicação. Em cada atividade programada há uma intencionalidade para que o aluno desenvolva as operações mentais de representação. São Paulo: Editora Atheneu. decifrar e perceber o significado que o outro emite. I. não governamentais e núcleos familiares. visitas as organizações governamentais. e nas relações de ajuda e nas relações de trabalho multiprofissional.paralinguisticos/entonação de voz e 55% pelos sinais do corpo (fisionomia tensa. para intervir adequadamente na solução de problemas. estudos de caso. perceber. . relação e ação. caminha para formação de um profissional que valorize o cuidar humanizado. Partindo do senso comum. Portanto o profissional de enfermagem precisa ter a sensibilidade de decodificar. Estas atividades são exercitadas pelos alunos por meio de relatórios escritos. com sucessivas aproximações com objeto tem possibilitado uma aprendizagem significativa da comunicação verbal. família e comunidade. de saber ouvir. não verbal e paraverbal. a comunicação desenvolvida através da pedagogia da problematização. resumos de livros e artigos de enfermagem. Esta metodologia de ensino tem oportunizado aos alunos a utilização da comunicação como um instrumento de humanização no cuidar vindo a corroborar com as reflexões de Mendes (1994). 3.1996). tocar. atividades lúdicas. transformando a si mesmo e ser um agente transformador do cuidar. olhar triste) (SILVA. Referências bibliográficas CIANCIARULLO. que desencadeou a ação-reflexão-ação. Instrumentos básicos para cuidar – Um desafio para a qualidade de assistência. e no cuidar do indivíduo. Nos módulos de I à VI. T. a comunicação verbal e não verbal são trabalhadas de uma forma dinâmica entre docentes e discente. 4. Valorizando este instrumento básico de enfermagem. 1996. Considerações finais Na avaliação dos docentes e alunos que vivenciaram os módulos. no Currículo Integrado a comunicação permeia em todos os módulos. O Currículo Integrado da UEL.

São Paulo: Robe Editorial.1999 © 2012 Escola de Enfermagem de Riberão Preto . M. W. São Paulo. LDB e diretrizes curriculares: aplicação no Currículo integrado do Curso de Enfermagem da UEL. Capacitação pedagógica para instrutor/supervisor ..DAVINI. Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. MARTINS.SP . 1996 STEFANELLI. POTTER. M.ed.5. A.G. T.USP Avenida Bandeirantes. K. Processo de enfermagem. J.área de saúde. 1994. SILVA. A. M. J. P. P. São Paulo: EPU.20. p.C. Do processo de aprender ao ensinar. São Paulo: Editora Gente. Comunicação com o paciente: teoria e ensino. C. 3900 14040-902 Ribeirão Preto . v. n. 2.EDUSP. M. A.ed. 1997 . Construção e validação de um programa sobre comunicação não verbal para enfermeiros. M. 1979 MENDES. Fundamentos de enfermagem – Conceitos. P. 4. out. 1993. 1984. UTYAMA. I. I. São Paulo: Sarvier. São Paulo: Guanabara Koogan. Brasília: Ministério da Saúde. processos e Prática. Comunicação tem remédio – A comunicação nas relações interpessoais em saúde. Olho Mágico. 2 ed. J. Enfoque humanístico à comunicação em enfermagem. Tese (Doutorado). A. 1993. SILVA. PERRY. 27-58 HORTA..

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