P. 1
Surgimento da sociologia, Positivismo e Émile Durkheim

Surgimento da sociologia, Positivismo e Émile Durkheim

5.0

|Views: 55.329|Likes:
Publicado porIsabela
Toda a teoria sobre: Surgimento da Sociologia, Positivismo, Émile Durkheim, além de questões discursivas para reflexão e questões de vestibulares.
Toda a teoria sobre: Surgimento da Sociologia, Positivismo, Émile Durkheim, além de questões discursivas para reflexão e questões de vestibulares.

More info:

Published by: Isabela on Mar 28, 2012
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

04/12/2015

pdf

text

original

O SURGIMENTO DA SOCIOLOGIA O POSITIVISMO A SOCIOLOGIA DE ÉMILE DURKHEIM Nome:_____________________________________Turma:__________

2

Unidade I
O SURGIMENTO DA SOCIOLOGIA
A Sociologia no século XIX surgiu num momento de desagregação da sociedade feudal e consolidação da sociedade capitalista. O que propiciou o seu nascimento foram as transformações econômicas políticas e culturais que ocorreram no século XVIII, como conseqüência das Revoluções Francesa e Industrial, que iniciaram e possibilitaram a formação de um processo de instalação definitiva da sociedade moderna. O seu surgimento aconteceu a partir da necessidade de se realizar uma reflexão sobre as transformações, crises e antagonismos de classes, experimentados pela nascente sociedade industrial.

Fatores responsáveis pelo o surgimento de uma ciência da Sociedade:
1- Fatores Intelectuais
Transformações surgiram nas formas de pensamento. A Reforma Protestante foi um acontecimento religioso decisivo para tais transformações. A razão passou a ser o principal elemento para conhecer, explicar a natureza e a sociedade. A contribuição de alguns pensadores, a partir do século XVI, foi fundamental para o surgimento da Sociologia e das ciências sociais. Houve um florescimento de utopias, descrições pormenorizadas de sociedades ideais: Thomas Morus (1478 -1535) - A Utopia; Jean Bodin (1530 -1596) – A República; Francis Bacon (1561 -1626) – Nova Atlantis; Campanella (1568 -1634) – A cidade do Sol. Todos estes pensadores apresentaram seus projetos de uma nova sociedade. Houve o emprego sistemático da razão com: Maquiavel (1469 -1527); Hobbes (1588 -1679); Descartes (1596 -1650). A contribuição do pensamento francês nos séculos XVII e XVIII foi extraordinária. Afirmavam que à luz da razão (Iluminismo) é possível modificar a estrutura da velha sociedade feudal: Condorcet (1742 -1794) – queria aplicar os métodos matemáticos no estudo dos fenômenos sociais; Montesquieu (1689 -1755) em O Espírito das leis, afirmava que os fenômenos políticos estavam sujeitos às leis naturais, invariáveis e necessários tanto quanto os fenômenos físicos; Rousseau (1712 -1778) teve uma influência decisiva na formação da democracia burguesa e, conseqüentemente, na mudança das instituições sociais. Vários aspectos do Iluminismo prepararam o surgimento das ciências sociais no século XIX. O primeiro deles foi a sistematização do pensamento científico. Os efeitos de novos inventos, como o pára-raios e as vacinas, o desenvolvimento da mecânica, da química e da farmácia, eram amplamente verificáveis e pareciam coroar de êxitos as atividades científicas. Claro está que a sociedade européia da época não se dava conta das nefastas conseqüências que a Revolução Industrial do século XVIII traria para o mundo tradicional agrário e manufatureiro. Aos olhos dos homens da época, eram vitoriosas as conquistas do conhecimento humano, no sentido de abrir caminho para o controle sobre as leis da natureza. As idéias de progresso, racionalismo e cientificismo exerceram todo um encanto sobre a mentalidade da época. A vida parecia submeter-se aos ditames do homem esclarecido. Preparava-se o caminho para o amplo progresso científico que aflorou no final do século XIX. Se esse pensamento racional e cientifico parecia válido para explicar a natureza, intervir sobre ela e transformá-la, ele poderia também explicar a sociedade vista como um elemento da natureza. E a sociedade, da mesma forma que a natureza, poderia ser conhecida e transformada.

2- Fatores Sócio-Culturais

3
Transformações ocorridas na vida política e econômica da Europa: A expansão marítima, as grandes navegações, a descoberta do mundo novo, o comércio ultramarino, as reformas protestantes, a formação dos Estados nacionais modernos, as revoluções burguesas, a ascensão da burguesia, bem como o desenvolvimento cientifico e tecnológico, são o pano de fundo para compreender esses fatores sócio-culturais que iriam alterar profundamente as formas de explicar a natureza e a sociedade. Os fatores sócio-culturais trouxeram: 1-Transformações na ordem tecnológica – Novo modo de produção com o uso da máquina. 2- Transformações na ordem econômica – Pela concentração de capitais de grandes empresas provocando a acumulação de riquezas. 3-Transformações na ordem social – Pela intensificação do êxodo rural e conseqüente processo de urbanização, desintegração de costumes e instituições, novas formas de organização da vida social, a emergência e a formação de um proletariado de massas, o trabalho assalariado, secularização (atitude alheia às coisas sagradas – difusão de um espírito crítico e de objetividade diante dos fenômenos sociais).

3-Fatores Sociais
A Revolução francesa trouxe o poder político à burguesia, destruiu os fundamentos da sociedade feudal e promoveu profundas inovações na vida social. A Revolução Industrial trouxe crises e desordens na organização da sociedade, o que levou alguns pensadores a concentrar suas reflexões sobre as suas conseqüências. Toda essa nova mentalidade, reforçando a crença na materialidade da vida e no poder da ciência, orientou a formação da primeira escola científica do pensamento sociológico, o positivismo.

A crise das explicações religiosas e o triunfo da ciência
O anticlericalismo
Um aspecto de especial importância no pensamento desse período, sobretudo aquele de origem francesa, foi o anticlericalismo. Entre os filósofos e os literatos que se insurgiram contra a religião, em particular contra a Igreja Católica, destaca-se Voltaire, que, não se atendo somente à propagação de idéias anticlericais, também moveu processos judiciais contra a Igreja Católica, a fim de rever antigas condenações da Inquisição. Voltaire chegou a comprovar a injustiça de alguns veredictos eclesiais e a obter indenizações para as famílias dos condenados. Dessa forma, a Igreja foi questionada como fonte de poder secular, político e econômico, na medida em que se imiscuía em questões civis e de Estado. Tal questionamento levou a uma descrença na doutrina e na infalibilidade eclesiásticas, assim como ao repúdio à secular atuação do clero. Esse processo denominado por alguns historiadores “laicização da sociedade”, por outros, “descristianização”, atingiu seu apogeu no século XIX. Nesse período desenvolveram-se filosofias materialistas e o próprio estudo da religião como instituição social, em suas origens e funções.

A Igreja como objeto de pesquisa
A existência da Igreja como instituição social foi discutida por alguns pensadores e sociólogos do século XIX. Emile Durkheim a considerava um meio de integrar os homens em torno de idéias comuns. Karl Marx a julgava responsável por uma falsa imagem dos problemas humanos, ligada à acomodação e à submissão pregadas por sua doutrina. Defendida por uns, repudiada por outros, a Igreja perdia, de qualquer maneira, o importante papel de explicar o mundo dos homens; passava, ao contrário, a ser explicada por eles. A religião começou a ser encarada como um dos aspectos da cultura humana, como algo criado pelos homens com finalidades práticas relativas à vida terrena, e não apenas à vida futura. Assim, a Igreja e sua doutrina sofreram um processo de dessacralização, em que se eliminou muito de seu aspecto sobrenatural e transcendente. Toda religião — em especial o catolicismo — era agora vista de maneira favorável ou desfavorável, conforme sua inserção na vida concreta e material dos homens, como promotora de valores sociais importantes para a orientação da conduta humana. Na filosofia, grandes pensadores sistematizaram o pensamento laico e anticlerical. Feuerbach, filósofo alemão, atacou a concepção segundo a qual o homem havia sido criado por Deus, invertendo a situação ao afirmar que o homem criara Deus à sua

4
imagem e semelhança. Nietzsche chegou a anunciar a morte de Deus e a necessidade de o homem assumir a plena responsabilidade sobre sua existência no mundo. A nova maneira de encarar a doutrina religiosa auxiliou o desenvolvimento das ciências humanas, em particular das ciências sociais, na medida em que a própria sociedade perdeu a sacralidade, isto é, deixou de ser vista como obra de Deus. Para o pensamento cientificista do século XIX, são os homens que criam os deuses e não o contrário. A vida humana em sociedade deixa de ser mero estágio para a vida após a morte e passa agora a buscar explicações para a existência das crenças religiosas na própria sociedade. O pensamento laico-científico permitiu pensar a sociedade como obra humana e não divina.

A sacralização da ciência
A sociologia se desenvolveu no século XIX quando a racionalidade das ciências naturais e de seu método havia obtido o reconhecimento necessário para substituir a religião na explicação da origem, do desenvolvimento e da finalidade do mundo. Nesse momento, a ciência, com sua possibilidade de desvendar as leis naturais do mundo físico e social, por meio de procedimentos adequados e controlados, havia conquistado parte da sacralidade que antes pertencia às explicações religiosas: a de descobrir e apontar aos homens o caminho em direção à verdade. A ciência já não parecia mais uma forma particular de saber, mas a única capaz de explicar a vida, abolir e suplantar as crenças religiosas e até mesmo as discussões éticas. Supunha-se que, utilizando-se adequadamente os métodos de investigação, a verdade se descortinaria diante dos cientistas — os novos “magos” da civilização —, quaisquer que fossem suas opiniões pessoais, seus valores sobre o bem e o mal, o certo e o errado. Com a mesma proposta de isenção de valores com que se descobriria a lei da gravitação dos corpos celestes no universo, julgava-se possível descobrir as leis que regulavam as relações entre os homens na sociedade, leis naturais que existiriam independentemente do credo, da opinião e do julgamento humano. O poder do método científico assim se assemelhava ao poder das antigas práticas mágicas: bem usado, revelaria ao homem a essência da vida e suas formas de controle.

O Positivismo: A primeira corrente de pensamento sociológico

A primeira corrente teórica sistematizada de pensamento sociológico foi o positivismo, a primeira a definir precisamente o objeto, a estabelecer conceitos e uma metodologia de investigação. Além disso, o positivismo, ao definir a especificidade do estudo científico da sociedade, conseguiu distinguir-se de outras ciências estabelecendo um espaço próprio à ciência da sociedade. Seu primeiro representante e principal sistematizador foi o pensador francês Auguste Comte. O termo positivo designa o real; a certeza em oposição à indecisão; o preciso em oposição ao vago. O positivismo derivou do “cientificismo”, isto é, da crença no poder exclusivo e absoluto da razão humana em conhecer a realidade e traduzi-la sob a forma de leis naturais. Essas leis seriam a base da regulamentação da vida do homem, da natureza como um todo e do próprio universo. Seu conhecimento pretendia substituir as explicações teológicas, filosóficas e de senso comum por meio das quais – até então – o homem explicava a realidade.O positivismo reconhecia que os princípios reguladores do mundo físico e do mundo social diferiam quanto à sua essência: os primeiros diziam respeito a acontecimentos exteriores aos homens; os outros, a questões humanas. Entretanto, a crença na origem natural de ambos teve o

5
poder de aproximá-los. Além disso, a rápida evolução dos conhecimentos das ciências naturais – física, química, biologia – e o visível sucesso de suas descobertas no incremento da produção material e no controle das forças da natureza atraíram os primeiros cientistas sociais para o seu método de investigação. Essa tentativa de derivar as ciências sociais das ciências físicas é patente nas obras dos primeiros estudiosos da realidade social. O próprio Comte deu inicialmente o nome de “física social” às suas análises da sociedade, antes de criar o termo sociologia. Essa filosofia social positivista se inspirava no método de investigação das ciências da natureza, assim como procurava identificar na vida social as mesmas relações e princípios com os quais os cientistas explicavam a vida natural. A própria sociedade foi concebida como um organismo constituído de partes integradas e coesas que funcionavam harmonicamente, segundo um modelo físico ou mecânico. Por isso o positivismo foi chamado também de organicismo. Podemos apontar, portanto, como primeiro princípio teórico dessa escola a tentativa de constituir seu objeto, pautar seus métodos e elaborar seus conceitos à luz das ciências naturais, procurando dessa maneira chegar à mesma objetividade e ao mesmo êxito nas formas de controle sobre os fenômenos estudados.

Autores Positivistas

Claude-Henri Saint-Simon (1760- 1825)– Defensor do industrialismo, acreditava ser possível elaborar uma ciência da sociedade que orientasse as elites na busca da ordem, da paz, e do progresso, para conter os ímpetos revolucionários das classes trabalhadoras.

Augusto Comte – Comte, cujo nome completo era Isidore-Auguste-Marie-François-

Xavier Comte, nasceu em 19 de janeiro de 1798, em Montpellier, e faleceu em 5 de setembro de 1857, em Paris.Sistematizou os princípios fundamentais do Positivismo.
Inicialmente denominou a nova ciência de Física Social, antes de criar o termo Sociologia.

6
Partiu de uma lei geral do desenvolvimento das sociedades humanas, afirmando a existência de três estados na história da humanidade: teológico, metafísico e positivo. O conhecimento passaria por esses três estados diferentes: 1 – Estado teológico – A busca humana das causas primeiras e finais de tudo, apresenta os fenômenos como produzidos pela ação direta e contínua de agentes sobrenaturais. É o estado de infância do espírito humano. 2 – Estado metafísico – Os agentes sobrenaturais são substituídos por forças abstratas inerentes aos diversos seres do mundo, capazes de engendrar por elas próprias todos os fenômenos observados. É o estado de adolescência do espírito humano.
O estado metafísico substitui os deuses por princípios abstratos como "o horror ao vazio", por longo tempo atribuído à natureza. A tempestade, por exemplo, será explicada pela "virtude dinâmica"do ar . Este estado é no fundo tão antropomórfico quanto o primeiro. O homem projeta espontaneamente sua própria psicologia sobre a natureza. A explicação dita teológica ou metafísica é uma explicação ingenuamente psicológica. A explicação metafísica tem para Comte uma importância sobretudo histórica como crítica e negação da explicação teológica precedente. Desse modo, os revolucionários de 1789 são "metafísicos" quando evocam os "direitos" do homem - reivindicação crítica contra os deveres teológicos anteriores, mas sem conteúdo real.

3 – Estado positivo – O espírito humano graças ao uso combinado do raciocínio e da observação procura descobrir as leis efetivas dos fenômenos, suas relações invariáveis de sucessão e similitude. É a explicação dos fatos reduzidos a seus termos reais através da ciência. É o estado de maturidade do espírito humano. Neste último estado, a sociedade alcançaria o estado de equilíbrio e a ausência de conflitos, através de um conjunto de crenças comuns capaz de manter a ordem e o progresso. Como SaintSimon, Comte defendia um progresso gradual na ordem social instalada, progresso que seria comandado pelos industriais e pelos cientistas do pensamento positivista.

Características do Positivismo
1 – Cientificismo - Crença na capacidade da ciência em conhecer e traduzir a realidade sob a forma de leis científicas naturais. 2 – Organicismo – A sociedade era concebida como um mecanismo ou ainda como um organismo, constituído por partes integradas e coesas que funcionariam harmonicamente. 3 – Darwinismo Social - A crença que as sociedades mudariam e evoluiriam em um mesmo sentido. Tais transformações representariam a passagem de um estágio inferior para outro superior. O organismo social se mostraria mais evoluído, mais adaptado e mais complexo. Esse tipo de mudança garantiria a sobrevivência dos organismos mais fortes e evoluídos. Serviu de ideologia que justificou a expansão Imperialista no século XX . 4 – Ordem e Progresso – A ordem era entendida por Comte como movimento estático, responsável pela preservação dos elementos permanentes de toda organização social, ou seja, as instituições que mantinham a coesão e garantiam o funcionamento da sociedade : a família, a religião, a propriedade, o direito, etc. O progresso era entendido como movimento dinâmico, que representaria a passagem paras formas mais complexas de existência, como a Industrialização. A relação entre os dois movimentos seria a de privilegiar o estático sobre o dinâmico, a conservação sobre a mudança. Assim, para Comte, o progresso destinava-se a aperfeiçoar a ordem, e não destruí-la.

Atividades
1. A Sociologia como conhecimento científico surgiu em que momento ?

2. O que propiciou o nascimento da Sociologia como ciência?

7

3. A Sociologia surgiu como conseqüência de quais revoluções? 4. O Surgimento da Sociologia aconteceu a partir de qual necessidade?

5. Quais são os fatores responsáveis pelo o surgimento de uma ciência da sociedade? 6. A partir do século XVI qual foi o principal elemento para explicar e conhecer a sociedade? 7. Que acontecimento Religioso no século XVI foi decisivo para uma mudança na forma de pensamento? 8. Que principal aspecto do Iluminismo preparou o surgimento das ciências sociais no século XIX ?

9. Quais foram os principais feitos humanos a coroar de êxito as atividades científicas?

10. Que transformações ocorridas na vida política e econômica da Europa alteraram profundamente as formas de explicar a natureza e a sociedade?

11. Quais foram os problemas sociais trazidos pela Revolução Industrial que levaram alguns pensadores a refletir sobre a necessidade de se criar uma ciência da sociedade?

12. De que forma a Igreja como instituição Social foi questionada no século XIX?

13. Como os pensadores Karl Marx e Émile Durkheim julgaram a Igreja?

14. De que modo a Igreja passou a ser encarada no século XIX ?

15. Como a nova maneira de encarar a doutrina religiosa auxiliou o desenvolvimento das

8
ciências humanas, em particular, da Sociologia ?

16. Qual foi a primeira corrente sociológica sistematizada? 17. O que significa o termo “positivo”? 18. Quem foi o primeiro represente e sistematizador do pensamento positivista? 19. Qual foi a primeira denominação dada à ciência da sociedade por Augusto Comte? 20. Em que método de investigação se inspirou a filosofia positivista? 21. Segundo o pensamento de Augusto Comte, quais foram os três estados de desenvolvimento da história da humanidade? 22. Explique o “Estado Positivo” de acordo com o pensamento de Augusto Comte?

23. Quais são as características do Positivismo ?
24. O que era o “cientificismo”?

25. O que era o “organicismo”?

26. O que era o “darwinismo social”?

27. Quais os dois movimentos que Comte distinguia na sociedade? Como ele os relacionava?

28- (UFU/JAN/2004) Na história do surgimento da Sociologia, a primeira corrente teórica consolidada foi o positivismo. Assinale a alternativa INCORRETA sobre essa corrente de pensamento. A) O positivismo tinha uma perspectiva bastante otimista quanto ao desenvolvimento das sociedades humanas e colocava como fundamentos da dinâmica social, das mudanças para estágios superiores, a busca da ordem e do progresso. A) B) No positivismo, reconhecia-se que os princípios reguladores do mundo fisico e da

9
sociedade humana eram diferentes em essência, mas a crença na origem natural de ambos os aproximava e, por isso, deviam ser estudados sob o mesmo método. C) O positivismo concebia a sociedade como um organismo constituído de partes integradas e harmônicas, segundo um modelo fisico e organicista, que levou o próprio Augusto Comte a chamar a Sociologia de “Física Social”, inicialmente. D) No positivismo, os conflitos e a luta de classes observados na sociedade humana eram inerentes à vida social, tal como na desordem da cadeia alimentar de outros animais, pois todos os seres vivos estavam submetidos às mesmas leis da natureza. 29- (UFU/PAIES/2ª ETAPA/99) Assinale verdadeiro (V) ou falso (F) para as afirmativas que se referem aos processos que possibilitaram o surgimento da Sociologia: 1 ( ) O conhecimento das ciências naturais, assentado na observação e na experimentação, minou as bases da concepção religiosa do mundo. 2 ( ) A mentalidade do homem comum tornou-se cada vez mais racional e as explicações religiosas para as questões da vida social passaram a ser contestadas. 3 ( ) Os compromissos feudais entre servos, senhores feudais e burgueses reforçaram a visão teológica do mundo. 4 ( ) O fim das instituições feudais e a emergência de novas instituições dificultaram o desenvolvimento do ponto de vista científico. 5 ( ) Os conflitos sociais que emergiram das relações entre trabalhadores livres e empresários capitalistas suscitaram estudos científicos sobre a sociedade. 30- Selecione as afirmativas que indicam o contexto histórico, social e filosófico que possibilitou a gênese da Sociologia. I – A Sociologia é um produto das revoluções francesa e industrial e foi uma resposta às novas situações colocadas por estas revoluções. II – Com o desenvolvimento do industrialismo, o sistema social passou da produção das coisas úteis, através da organização da ciência e das artes. III – O pensamento filosófico dos séculos XVII e XVIII contribuiu para popularizar os avanços científicos, sendo a teologia a forma norteadora desse pensamento. IV – A formação de uma sociedade, que se industrializava e urbanizava em ritmo crescente, propiciou o fortalecimento da servidão e da família patriarcal. Assinale a alternativa correta: A- III e IV. B- I, II e III. C- II, III e IV. D- I e II. 31- (UFU/2001) – Surgida no momento de consolidação da sociedade capitalista, a Sociologia tinha uma importante tarefa a cumprir na visão de seus fundadores, dentre os quais se destaca Augusto Comte. Assinale a alternativa CORRETA quanto a essa tarefa: A) Desenvolver o puro espírito científico e investigativo, sem maiores preocupações de natureza prática, deixando a solução dos problemas sociais por conta dos homens de ação. B) Incentivar o espírito crítico na sociedade e, dessa forma, colaborar para transformar radicalmente a ordem capitalista, responsável pela exploração dos trabalhadores. C) Contribuir para a solução dos problemas sociais decorrentes da Revolução Industrial, tendo em vista a necessária estabilização da ordem burguesa. D) Tornar realidade o chamado “socialismo utópico”, visto como única alternativa para a superação das lutas de classe em que a sociedade capitalista estava mergulhada. 32- (PAIES/2ªEtapa/2002) Sobre o surgimento da Sociologia no contexto moderno de consolidação das Revoluções Burguesas no século XIX, assinale (V) para cada afirmação verdadeira ou (F) para falsa.

10
1 ( ) A Sociologia buscava elaborar conceitos e métodos para investigar os fatos sociais dotados da mesma objetividade observada nas ciências naturais. 2 ( ) A Sociologia pretendia, por meio do método científico, dar respostas racionais aos inúmeros problemas gerados pelas revoluções da sociedade burguesa. 3 ( ) A Sociologia inventou uma nova forma de investigar e explicar os fatos sociais, que reiterou os princípios da física teológica para os fenômenos culturais e políticos. 4 ( ) A Sociologia pretendia substituir o pensamento teológico na explicação do mundo, mostrando os fatos sociais como produto exclusivo da natureza e da vontade da burguesia. 33– (UFU/2003) Augusto Comte foi quem deu origem ao termo Sociologia, pensada como física social, capaz de pôr fim à anarquia cientifica que vigorava, em sua opinião, ainda no século XIX. A respeito das concepções fundamentais do autor para o surgimento dessa nova ciência, todas as alternativas abaixo são corretas, EXCETO. A) O objetivo era conhecer as leis sociais para se antecipar, racionalmente, aos fenômenos e, com isso, agir com eficácia, na direção de se permitir uma organização racional da sociedade. B) As preocupações de natureza científica, presentes na obra de Comte, não apresentavam relação prática com a desorganização social, moral e de idéias do seu tempo. C) Era necessário aperfeiçoar os métodos de investigação das leis que regem os fenômenos sociais, no sentido de se descobrir a ordem inscrita na história humana. D) Entre ordem e progresso há uma necessidade simultânea, uma vez que a estabilidade (princípio estático) e a atividade (princípio dinâmico) sociais são inseparáveis. 34- (UFU/JUL/2007) Considere a citação. “[...] a sociologia enquanto disciplina desenvolvera-se no decurso da segunda metade do século XIX principalmente a partir da institucionalização e da transformação, dentro das universidades, do trabalho realizado pelas associações para a reforma da sociedade, cujo programa de ação se tinha ocupado primordialmente do mal-estar e dos desequilíbrios vividos pelo número incontável da população operária urbana.”
Fundação Calouste Gulbenkian. Para Abrir as Ciências Sociais. São Paulo: Editora Cortez, 1996, p. 35.

Com relação ao contexto histórico e intelectual da emergência da Sociologia como disciplina científica, assinale a alternativa correta. A) A crise do Iluminismo e a conseqüente descrença no potencial emancipatório e libertário da ciência e das invenções tecnológicas, experimentadas de maneira marcante a partir do século XVIII, impulsionaram o desenvolvimento da Sociologia. B) A Sociologia é herdeira direta das tradicionais concepções de mundo religiosas que tiveram reforçadas a legitimidade e a capacidade explicativa, a partir do século XVI, ocasião em que novas formas de sociabilidade emergiram na esteira do desenvolvimento do Estado Moderno e da economia de mercado. C) A emergência e consolidação institucional da Sociologia ocorreram em um cenário intelectual caracterizado pelo otimismo quanto à capacidade da “Razão” de proporcionar explicações objetivas para os novos padrões de convivência e comportamento social, que floresciam nas sociedades européias modernas. D) A Sociologia constituiu-se como disciplina científica na contra mão dos valores, ideais e formas de sociabilidade tradicionais que ganharam expressão renovada, a partir do século XVIII, com o advento das Revoluções Francesa e Inglesa. 35. (UFU/JUL/2006) Quanto ao contexto do surgimento da Sociologia, marque a alternativa correta. A) A Sociologia nasceu como ciência a partir da consolidação da sociedade burguesa urbanaindustrial no século XV. B) A Sociologia foi uma manifestação do pensamento moderno que surgiu a partir dos acontecimentos desencadeados, exclusivamente, pelas revoluções industrial e inglesa, marcando o declínio da sociedade feudal e da consolidação do capitalismo. C) A Sociologia foi uma manifestação do pensamento moderno que surgiu em função de um conjunto de fatores de ordem econômica-social, cultural e política, no contexto histórico marcado pelo declínio da sociedade feudal e da consolidação do capitalismo.

11
D) A Sociologia surgiu no século XIX, sendo a expressão do pensamento marxista que visava à transformação da sociedade burguesa em sociedade comunista.

UNIDADE II

A Sociologia de Émile Durkheim
Introdução: o que é fato social
Embora Comte seja considerado o pai da sociologia e tenha-lhe dado esse nome, Émile Durkheim (1858-1917) é apontado como um de seus primeiros grandes teóricos. Ele e seus colaboradores se esforçaram por emancipar a sociologia das demais teorias sobre a sociedade e constituí-la como disciplina rigorosamente científica. Em livros e cursos, sua preocupação foi definir com precisão o objeto, o método e as aplicações dessa nova ciência. Em uma de suas obras fundamentais, As regras do método sociológico, publicada em 1895, Durkheim definiu com clareza o objeto da sociologia – os fatos sociais. Distingue três características dos fatos sociais. A primeira delas é a coerção social, ou seja, a força que os fatos exercem sobre os indivíduos, levando-os a conformar-se às regras da sociedade em que vivem, independentemente de sua vontade e escolha. Essa força se manifesta quando o indivíduo adota um determinado idioma, quando se submete a um determinado tipo de formação familiar ou quando está subordinado a determinado código de leis. O grau de coerção dos fatos sociais se torna evidente pelas sanções a que o indivíduo estará sujeito quando tenta se rebelar contra elas. As sanções podem ser legais ou espontâneas. Legais são as sanções prescritas pela sociedade, sob a forma de leis, nas quais se estabelece a infração e a penalidade subseqiiente. Espontâneas seriam as que aflorariam como decorrência de uma conduta não adaptada à estrutura do grupo ou da sociedade à qual o indivíduo pertence. Diz Durkheim, exemplificando este último tipo de sanção: “Se sou industrial, nada me proíbe de trabalhar utilizando processos e técnicas do século passado; mas, se o fizer, terei a ruína como resultado inevitável.” Do mesmo modo, uma ofensa num grupo social pode não ter penalidade prevista por lei, mas o grupo pode espontaneamente reagir penalizando o agressor. A reação negativa a certa forma de comportamento é, muitas vezes, mais intimidadora do que a lei. Jogar lixo no chão ou fumar em espaços particulares – mesmo quando não proibidos por lei nem reprimidos por penalidade explícita – são comportamentos inibidos pela reação espontânea dos grupos que a isso se opuserem. A educação – entendida de forma geral, ou seja, a educação formal e a informal – desempenha, segundo Durkheim, uma importante tarefa nessa conformação dos indivíduos à sociedade em que vivem, a ponto de, após algum tempo, as regras estarem internalizadas e transformadas em hábitos. O uso de uma determinada língua ou o predomínio no uso da mão direita são internalizados no indivíduo que passa a agir assim sem sequer pensar a respeito. A segunda característica dos fatos sociais é que eles existem e atuam sobre os indivíduos independentemente de sua vontade ou de sua adesão consciente, ou seja, são

12
exteriores aos indivíduos. As regras sociais, os costumes, as leis, já existem antes do nascimento das pessoas, são a elas impostos por mecanismos de coerção social, como a educação. Portanto, os fatos sociais são ao mesmo tempo coercitivos e dotados de existência exterior às consciências individuais. A terceira característica apontada por Durkheim é a generalidade. É social todo fato que é geral, que se repete em todos os indivíduos ou, pelo menos, na maioria deles. Por essa generalidade, os fatos sociais manifestam sua natureza coletiva ou um estado comum ao grupo, como as formas de habitação, de comunicação, os sentimentos e a moral.

A objetividade do fato social
Uma vez identificados e caracterizados os fatos sociais, Durkheim procurou definir o método de conhecimento da sociologia. Para ele, como para os positivistas de maneira geral, a explicação científica exige que o pesquisador mantenha certa distância e neutralidade em relação aos fatos, resguardando a objetividade de sua análise. Além disso, é preciso, segundo Durkheim, que o sociólogo deixe de lado suas prenoções, isto é, seus valores e sentimentos pessoais em relação ao acontecimento a ser estudado, pois nada têm de científico e podem distorcer a realidade dos fatos. Essa postura exige o não-envolvimento afetivo ou de qualquer outra espécie entre o cientista e seu objeto. A neutralidade exige também a não-interferência do cientista no fato observado. Assim Durkheim imaginava que, ao estudar, por exemplo, uma briga entre gangues, o cientista não deveria envolver-se nem permitir que seus valores interferissem na objetividade de sua análise. Para ele, o trabalho científico exigia, portanto, a eliminação de quaisquer traços de subjetividade, além de uma atitude de distanciamento. Procurando garantir à sociologia um método tão eficiente quanto o desenvolvido pelas ciências naturais, Durkheim aconselhava o sociólogo a encarar os fatos sociais como coisas, isto é, objetos que, lhe sendo exteriores, deveriam ser medidos, observados e comparados independentemente do que os indivíduos envolvidos pensassem ou declarassem a seu respeito. Tais formulações seriam apenas opiniões, juízos de valor individuais que podem servir de indicadores dos fatos sociais, mas mascaram as leis de organização social, cuja racionalidade só é acessível ao cientista. Imbuído dos princípios positivistas, Durkheim queria com esse rigor, à maneira do método que garantia o sucesso das ciências exatas, definir a sociologia como ciência, rompendo com as idéias e o senso comum – "achismos” – que interpretavam de maneira vulgar a realidade social. Para apoderar-se dos fatos sociais, o cientista deve identificar, dentre os acontecimentos gerais e repetitivos, aqueles que apresentam características exteriores comuns. Assim, por exemplo, o conjunto de atas que suscitam na sociedade reações concretas classificadas como “penalidades” constituem os fatos sociais identificáveis como “crime”. Vemos que os fenômenos devem ser sempre considerados em suas manifestações coletivas, distinguindo-se dos acontecimentos individuais ou acidentais. A generalidade distingue o essencial do fortuito e especifica a natureza sociológica dos fenômenos. O suicídio, amplamente estudado por Durkheim, constituía-se, nesse sentido, em fato social por corresponder a todas essas características: é geral, existindo em todas as sociedades; e, embora sendo fortuito e resultando de razões particulares, apresenta em todas elas certa regularidade, recrudesce ou diminui de intensidade em certas condições históricas, expressando assim sua natureza social. Sociedade: um organismo em adaptação Para Durkheim, a sociologia tinha por finalidade não só explicar a sociedade como também encontrar soluções para a vida social. A sociedade, como todo organismo, apresentaria estados normais e patológicos, isto é, saudáveis e doentios. Durkheim considera um fato social como normal quando se encontra generalizado pela

13
sociedade ou quando desempenha alguma função importante para sua adaptação ou sua evolução. Assim, afirma que o crime, por exemplo, é normal não apenas por ser encontrado em toda e qualquer sociedade e em todos os tempos, mas também por representar um fato social que integra as pessoas em torno de uma conduta valorativa, que pune o comportamento considerado nocivo. A generalidade de um fato social, isto é, sua unanimidade, é garantia de normalidade na medida em que representa o consenso social, a vontade coletiva, ou o acordo de um grupo a respeito de determinada questão. Diz Durkheim: “para saber se o estado econômico atual dos povos europeus, com sua característica ausência de organização, é normal ou não, procurar-se-á no passado o que lhe deu origem. Se estas condições são ainda aquelas em que atualmente se encontra nossa sociedade, é porque a situação é normal, a despeito dos protestos que desencadeia”. Partindo, pois, do princípio de que o objetivo máximo da vida social é promover a harmonia da sociedade consigo mesma e com as demais sociedades, e que essa harmonia é conseguida por meio do consenso social, a “saúde” do organismo social se confunde com a generalidade dos acontecimentos. Quando um fato põe em risco a harmonia, o acordo, o consenso e, portanto, a adaptação e a evolução da sociedade, estamos diante de um acontecimento de caráter mórbido e de uma sociedade doente. Portanto, normal é aquele fato que não extrapola os limites dos acontecimentos mais gerais de uma determinada sociedade e que reflete os valores e as condutas aceitas pela maior parte da população. Patológico é aquele que se encontra fora dos limites permitidos pela ordem social e pela moral vigente. Os fatos patológicos, como as doenças, são considerados transitórios e excepcionais.

A consciência coletiva
Toda a teoria sociológica de Durkheim pretende demonstrar que os fatos sociais têm existência própria e independem daquilo que pensa e faz cada indivíduo em particular. Embora todos possuam sua “consciência individual”, seu modo próprio de se comportar e interpretar a vida, podem-se notar, no interior de qualquer grupo ou sociedade, formas padronizadas de conduta e pensamento. Essa constatação está na base do que Durkheim chamou de consciência coletiva. A definição de consciência coletiva aparece pela primeira vez na obra Da divisão do trabalho social: trata-se do “conjunto das crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade” que “forma um sistema determinado com vida própria”. A consciência coletiva não se baseia na consciência de indivíduos singulares ou de grupos específicos, mas está espalhada por toda a sociedade. Ela revelaria, segundo Durkheim, o “tipo psíquico da sociedade”, que não seria apenas o produto das consciências individuais, mas algo diferente, que se imporia aos indivíduos e perduraria através das gerações. A consciência coletiva é, em certo sentido, a forma moral vigente na sociedade. Ela aparece como um conjunto de regras fortes e estabelecidas que atribuem valor e delimitam os atos individuais. É a consciência coletiva que define o que, numa sociedade, é considerado “imoral”, “reprovável” ou “criminoso”.

Morfologia social: as espécies sociais
Para Durkheim, a sociologia deveria ter ainda por objetivo comparar as diversas sociedades. Constituiu assim o campo da morfologia social, ou seja, a classificação das espécies sociais numa nítida referência às espécies estudadas em biologia. Essa referência, utilizada também em outros estudos teóricos, tem sido considerada errônea uma vez que todo comportamento humano, por mais diferente que se apresente, resulta da expressão de características universais de uma mesma espécie. Durkheim considerava que todas as sociedades haviam evoluído a partir da horda, a forma social mais simples, igualitária, reduzida a um único segmento onde os indivíduos se

14
assemelhavam aos átomos, isto é, se apresentavam justapostos e iguais. Desse ponto de partida, foi possível uma série de combinações das quais originaram-se outras espécies sociais identificáveis no passado e no presente, tais como os clãs e as tribos. Para Durkheim, o trabalho de classificação das sociedades – como tudo o mais – deveria ser efetuado com base em apurada observação experimental. Guiado por esse procedimento, estabeleceu a passagem da solidariedade mecânica para a solidariedade orgânica como o motor de transformação de toda e qualquer sociedade. Dado o fato de que as sociedades variam de estágio, apresentando formas diferentes de organização social que tornam possível defini-ias como “inferiores” ou “superiores”, como o cientista classifica os fatos normais e os anormais em cada sociedade? Para Durkheim a normalidade só pode ser entendida em função do estágio social da sociedade em questão: “do ponto de vista puramente biológico, o que é normal para o selvagem não o é sempre para o civilizado, e vice-versa”.(As regras do método sociológico, p. 52.) E continua: “Um fato social não pode, pois, ser acoimado de normal para uma espécie social determinada senão em relação com uma fase, igualmente determinada, de seu desenvolvimento”. Solidariedade mecânica, para Durkheim, era aquela que predominava nas sociedades pré-capitalistas, onde os indivíduos se identificavam por meio da família, da religião, da tradição e dos costumes, permanecendo em geral independentes e autônomos em relação à divisão do trabalho social. A consciência coletiva exerce aqui todo seu poder de coerção sobre os indivíduos. Nesse tipo de sociedade existe pouca ou nenhuma divisão do trabalho (na maior parte das vezes encontra-se apenas uma divisão sexual). Aqui, nada existe que obrigue naturalmente os indivíduos a viverem em sociedade, e se os homens não são sociáveis por natureza, o serão por artifício. Para tanto, a consciência coletiva deve ser marcante o suficiente para construir os laços de coesão sem os quais uma sociedade não pode existir. Quando essa forma de solidariedade domina uma sociedade, os indivíduos praticamente não diferem uns dos outros; membros de uma mesma coletividade assemelham-se, pois possuem os mesmos valores, crenças, sentimentos, partilham da mesma cultura, sacralizam os mesmos processos e objeto identificam-se de tal forma com a moral social que dela não se diferenciam, cada indivíduo é o que todos os outros são, na medida em que reproduzem — fidedignamente — a consciência coletiva. Solidariedade orgânica é aquela típica das sociedades capitalistas, onde, pela acelerada divisão do trabalho social, os indivíduos se tornavam interdependentes. Essa interdependência garante a união social, em lugar dos costumes, das tradições ou das relações sociais estreitas. Nas sociedades capitalistas, a consciência coletiva se afrouxa. Assim, ao mesmo tempo que os indivíduos são mutuamente dependentes, cada qual se especializa numa atividade e tende a desenvolver maior autonomia pessoal. Tais sociedades são marcadas por uma intensa divisão do trabalho social, que produz uma intensa especialização das funções, capaz de levar o indivíduo a vincular-se à coletividade-criando coesão e integração social — porque depende das partes que a compõem. Onde reina a solidariedade orgânica assistimos a um enfraquecimento das reações coletivas quanto à violação das proibições, bem como o estabelecimento de uma margem maior na interpretação individual dos imperativos sociais. Aqui a consciência coletiva — que continua a existir — não precisa mais instrumentalizar uma ação tão vigilante; e urna vez que os indivíduos encontram-se suficientemente em contato — graças à especialização e diferenciação de funções provocadas pela divisão do trabalho social —, as instituições sociais podem, enfim, reduzir seu raio de ação.

O ESTUDO DE DURKHEIM SOBRE O SUICÍDIO
Tendo rejeitado os argumentos extra-sociais que teriam alguma influência sobre o suicídio, as disposições orgânico-psíquicas, internas aos indivíduos, tanto normais, como anormais, as características do ambiente físico, e o processo de imitação, Durkheim, por meio da combinação da prova estatística e argumento dialético, vai procurar comprovar as suas hipóteses.

15
Durkheim: “As causas reais dos suicídios são, em suma, forças sociais que variam de sociedade para sociedade, de grupo para grupo e de religião para religião. Emanam do grupo e não dos indivíduos isoladamente”. Durkheim afirma: "Cada sociedade tem, portanto, em cada momento de sua história, uma predisposição definida para o suicídio. Mede-se a intensidade relativa dessa tendência tomando-se a relação entre o número global por mortes voluntárias e a população de todas as idades e de ambos os sexos. Designaremos esse dado numérico por taxa de mortalidadesuicídio peculiar à sociedade considerada. É calculada, em geral, proporcionalmente a um milhão ou a cem mil habitantes" (Durkheim, 1982:19). Para o autor, a taxa de suicídios constitui "uma ordem de fatos una e determinada; é o que sua permanência e variabilidade, simultaneamente, demonstram". Por intermédio dessa taxa expressa-se uma tendência e, seja qual for o juízo sobre o assunto, o fato é que "cada sociedade está predisposta a fornecer um contingente determinado de mortes voluntárias". De forma clara, expõe o objetivo do trabalho: "Nosso intuito não é, pois, o de fazer o rol mais completo possível de todas as condições que possam contar na gênese dos suicídios particulares, mas pesquisar apenas aquelas que virão a constituir o fato determinado que chamamos de taxa social de suicídios". Fixa, então, como irá encarar o assunto: "O fenômeno por explicar só pode ser atribuído a causas extra-sociais de grande generalidade ou a causas propriamente sociais" (Durkheim, 1982:23).

 O Suicídio é um dos estudos sociológicos clássicos para explorar a relação entre o
indivíduo e a sociedade é a análise de Durkheim sobre o suicídio publicado em 1897.  O estudo de Durkheim mostrou que mesmo um ato pessoal como suicídio é influenciado por fatores sociais.  Várias pesquisas tinham sido conduzidas a respeito do suicídio antes do estudo de Durkheim, mas ele foi o primeiro a insistir na explicação sociológica para o suicídio.  Segundo Durkheim, o suicídio é um fato social que poderia ser explicado somente por fatores sociais.  O suicídio era mais do que simplesmente o agregado de atos individuais – era um fenômeno que carregava propriedades padronizadas.  Ao examinar registros oficiais de suicídio na França, Durkheim descobriu que certas categorias de pessoas eram mais predispostas a cometer suicídio do que outras. De acordo com Durkheim, os indivíduos têm um certo nível de integração com os seus grupos, o que ele chama de integração social.  Níveis anormalmente baixos ou altos de integração social poderiam resultar num aumento das taxas de suicídio; níveis baixos porque baixa integração social resulta numa sociedade desorganizada, levando os indivíduos a se voltar para o suicídio como uma última alternativa; níveis altos porque as pessoas preferem destruir a si próprias do que viver sob grande controle da sociedade. Durkheim acreditava que as pessoas que estavam fortemente integradas em grupos sociais, e cujos desejos e aspirações eram regulados por normas sociais, eram menos predispostas a cometer suicídio. Taxas de suicídio  Durkheim concluiu que:  taxas de suicídio são maiores entre os viúvos, solteiros e divorciados do que entre os casados;  que havia mais suicídios entre homens do que entre mulheres;

16
mais entre ricos do que entre pobres; são maiores entre pessoas que não têm filhos; são maiores entre protestantes que entre católicos. Durkheim também notou que as taxas de suicídio tendiam a ser menores durante os tempos de guerra e maiores durante tempos de mudança econômica ou instabilidade. As razões para estas diferenças entre as taxas de razão: a interpretação da morte.  Porque o suicídio é um pecado mortal entre os católicos e protestantes.  De acordo com Durkheim, o meio social católico tem níveis de integração sociais normais, enquanto o meio protestante tem níveis baixos.  Durkheim então definiu o suicídio como o ato de muitas relações sociais e concluiu que o suicídio pode ser causado por vínculos sociais fracos.  Durkheim acreditava que o vínculo social era composto de dois fatores: a integração social (ligação a outros indivíduos dentro da sociedade) e a regulação social (ligação com as normas da sociedade).  Ele acreditava também que taxas de suicídio podem aumentar em extremos de ambos os fatores. Tipos de suicídio  Suicídio egoísta  O egoísmo é um estado onde os laços entre o indivíduo e os outros na sociedade são fracos. Os suicídios egoísticos são marcados pela baixa integração social na sociedade e ocorre quando um indivíduo está isolado ou quando seus laços com um grupo são enfraquecidos ou rompidos.  Uma vez que o indivíduo está fracamente ligado à sociedade, terminar sua vida terá pouco impacto no resto da sociedade.  Em outras palavras, existem poucos laços sociais para impedir que o indivíduo se mate. Esta foi a causa vista por Durkheim entre divorciados. O casamento protege contra o suicídio ao integrar o indivíduo a um relacionamento social estável, enquanto pessoas solteiras ficam mais isoladas na sociedade.  A taxa menor de suicídio durante os tempos de guerra, de acordo com Durkheim, pode ser vista como um sinal de integração social. Suicídio altruísta O altruísmo e o oposto do egoísmo, onde um indivíduo está extremamente ligado à sociedade, de forma que não tem vida própria.  Em outras palavras, quando um indivíduo está tão fortemente ligado à sociedade, ele cometerá suicídio independentemente de sua própria hesitação se as normas da sociedade o levarem a tal.  Durkheim viu isto ocorrer de duas formas diferentes:1ª- Onde indivíduos se vêem sem importância ou oprimidos pela sociedade e preferem cometer suicídio. Ele viu isto acontecer em sociedades "primitivas" ou "antigas", mas também em regimentos militares muito tradicionais, como guardas imperiais ou de elite, na sociedade contemporânea;  2ª - Onde indivíduos vêem o mundo social sem importância e sacrificariam a si próprios por um grande ideal. Durkheim viu isto acontecer em religiões orientais, como Hinduísmo e o Islamismo.  Sociólogos contemporâneos têm usado esta análise para explicar os pilotos japoneses kamikazes e os homens-bomba islâmicos. Suicídio por anomia  A anomia é um estado onde existe uma fraca regulação social entre as normas da sociedade e o indivíduo, mais freqüentemente trazidas por mudanças dramáticas nas circunstâncias econômicas e/ou sociais.  Este tipo de suicídio acontece quando as normas sociais e leis que governam a sociedade não correspondem com os objetivos de vida do indivíduo.    

17
 Uma vez que o indivíduo não se identifica com as normas da sociedade, o suicídio passa a ser uma alternativa de escape. Durkheim viu esta explicação para os suicidas protestantes. As taxas de suicídio  As taxas de suicídio variam entre as sociedades, mas exibem padrões regulares dentro das sociedades através do tempo.  Durkheim tomou isso como uma evidência de que há forças sociais consistentes que influenciaram as taxas de suicídio.  Um exame das taxas de suicídio revela como padrões sociais gerais podem ser detectados dentro de ações individuais.  Com o auxílio de estatísticas, Durkheim mostrou que o suicídio é com certeza um fato social na medida em que, em todos os países, a taxa de suicídios se mantém constante de um ano para o outro.  A longo prazo, ainda por cima, a evolução dos suicídios se inscreve em curvas que têm formas similares para todos os países da Europa. Os desvios entre regiões e países são igualmente constantes.  Durkheim estudou profundamente o suicídio, utilizando nesse trabalho a metodologia defendida e propagada por ele. Considerou-o fato social por sua presença universal em toda e qualquer sociedade e por suas características exteriores e mensuráveis, completamente independentes das razões que levam cada suicida a acabar com a própria vida.  Assim, apesar de uma conduta marcada pela vontade individual, o suicídio interessa ao sociólogo por aquilo que tem de comum e coletivo e que, certamente, escapa às consciências individuais dos envolvidos – do suicida e dos que o cercam.  Para Durkheim, a prova de que o suicídio depende de leis sociais e não da vontade dos sujeitos, estava na regularidade com que variavam as taxas de suicídio de acordo com as alternâncias das condições históricas.  Ele verificou, por exemplo, que as taxas de suicídio aumentavam nas sociedades em que havia a aceitação profunda de uma fé religiosa que prometesse a felicidade após a morte.  É sobre fatos assim concretos e objetivos, gerais e coletivos, cuja natureza social se evidencia, que o sociólogo deve se debruçar.

O ESTADO COMO CÉREBRO SOCIAL
Durkheim atribuiu à sociedade a virtude de produzir planos que a organizam desta ou daquela forma. São os planos dos quais resulta esta ou aquela ordenação da sociedade, a sua forma política, diferentes maneiras consolidadas de agir. Os planos são o produto da ação de algum grupo a que a divisão do trabalho social deu origem. Esse grupo é o Estado, que algumas vezes é chamado por Durkheim de “cérebro social”, como se lê na Divisão do Trabalho Social de 1893 e também se encontra nas últimas aulas ministradas por Durkheim em Sorbonne e publicadas sob o título de Lições de Sociologia. O Estado é um “poder diretor” que não é mais uma função social mais ou menos importante; é o tipo coletivo encarnado. Esse “poder diretor” é um tipo coletivo que exerce uma força sobre as consciências individuais. É um fator autônomo da vida social, capaz de produzir espontaneamente movimentos próprios que não são determinados por qualquer impulsão externa, precisamente por causa da supremacia que essa força conquistou. O Estado é um grupo diferenciado e autônomo em relação à sociedade por não sofrer nenhuma impulsão externa é um grupo social diferenciado com legalidade própria. O Estado é um órgão por excelência da disciplina moral:

18
“O Estado tem um ‘dever fundamental’, que é o de chamar o indivíduo à existência moral... Não sendo destinado a tornar-se nem, como pretendem os economistas, um simples espectador da vida social em cujo jogo ele só interviria negativamente, nem, como pretendem os socialistas, uma simples engrenagem da máquina econômica, o Estado é antes de tudo um órgão por excelência da disciplina moral. Ele desempenha esse papel hoje como outrora, embora a disciplina tenha mudado. Erro dos socialistas”. (DURKHEIM, Lições de Sociologia) O Estado, diz Durkheim é o órgão do pensamento social. Isso não quer dizer que todo o pensamento social emana do Estado. O Estado é um órgão especial encarregado de elaborar certas representações que valem para a coletividade. Essas representações distinguem-se das outras representações coletivas por seu maior grau de consciência e de reflexão. Segundo Durkheim, a sociedade se organiza com base em uma espontânea comunhão de idéias e sentimentos, cabendo ao Estado mantê-los e torná-los mais conscientes aos indivíduos. Dessa forma, o Estado exerceria a sua função institucional de julgar os casos e fazer prevalecer as normas.

Durkheim e a sociologia cientifica
Durkheim se distingue dos demais positivistas porque suas idéias ultrapassaram a reflexão filosófica e chegaram a constituir um todo organizado e sistemático de pressupostos teóricos e metodológicos sobre a sociedade. O empirismo positivista, que pusera os filósofos diante de uma realidade social a ser especulada, transformou-se, em Durkheim, numa rigorosa postura empírica, centrada na verificação dos fatos que poderiam ser observados, mensurados e relacionados através de dados coletados diretamente pelo cientista. Encontramos em seus estudos um inovador e fecundo uso da matemática estatística e uma integrada utilização das análises qualitativa e quantitativa. Observação, mensuração e interpretação eram aspectos complementares do método durkheimiano. Para isso, Durkheim procurou estabelecer os limites e as diferenças entre a particularidade e a natureza dos acontecimentos filosóficos, históricos, psicológicos e sociológicos. Elaborou um conjunto coordenado de conceitos e de técnicas de pesquisa que, embora norteado por princípios das ciências naturais, guiava o cientista para o discernimento de um objeto de estudo próprio e dos meios adequados para interpretá-lo. Ainda que preocupado com as leis gerais capazes de explicar a evolução das sociedades humanas, Durkheim ateve-se também às particularidades da sociedade em que vivia, aos mecanismos de coesão dos pequenos grupos e à formação de sentimentos comuns resultantes da convivência social. Distinguiu diferentes instâncias da vida social e seu papel na organização social, como a educação, a família e a religião. Pode-se dizer que já se delineava uma apreensão da sociologia em que se relacionavam harmonicamente o geral e o particular. Havia busca, ainda que não expressa, da noção de totalidade. Essa noção foi desenvolvida particularmente por seu sobrinho e colaborador Marcel Mauss, em seus estudos antropológicos. Em vista de todos esses aspectos tão relevantes e inéditos, os limites antes impostos pela filosofia positivista perderam sua importância, fazendo dos estudos de Durkheim um constante objeto de interesse da sociologia contemporânea.

ATIVIDADES
1- Qual a contribuição de Durkheim para a Sociologia?

2- Segundo Durkheim, qual é o objeto de estudo da Sociologia?

19

3- Quais são as características do Fato Social? Explique cada uma delas. 4- Quais são as sanções que o indivíduo sofre quando tenta se rebelar contra as normas e regras sociais? Explique e exemplifique cada uma delas.

5- A escola é um fato social? Justifique sua resposta.

6- O que é o fato social normal e patológico? Dê exemplo para cada um deles.

7- Segundo Durkheim quais são os procedimentos que o pesquisador deve ter para realizar uma pesquisa com objetividade científica?

8- Por que o suicídio é considerado um fato social e não um fato individual?

9- Segundo Durkheim qual é a finalidade da sociologia?

10- O que é a consciência coletiva?

11- Durkheim pode ser considerado um evolucionista? Justifique sua resposta.

12- O que é solidariedade mecânica e solidariedade orgânica?

20

13- Por que Durkheim se distingue dos outros positivistas?

14- Defendendo a imparcialidade e a objetividade da ciência, Durkheim afirma: “O sentimento é objeto da ciência, não é critério de verdade científica”. (p.31) Para Durkheim, a verdadeira ciência deve se guiar pelos sentimentos pessoais do cientista? Por quê?

15- (UFU/PAIES/2ª ETAPA/2003) Assinale as afirmativas verdadeiras (V) e as falsas (F) que correspondem às formulações teóricas de Émile Durkheim sobre a divisão social do trabalho. 1 ( ) Para Durkheim, a concentração da população nas cidades, a expansão da produção e da concorrência econômica, a expansão das comunicações, enfim, o desenvolvimento da divisão social do trabalho acarretou a diminuição da solidariedade orgânica. 2 ( ) A condensação da sociedade, ao multiplicar as relações intersociais, leva ao progresso da divisão do trabalho que, quanto mais acentuada, mais reduz a solidariedade mecânica e aumenta a solidariedade orgânica e os processos de individualização. 3 ( ) Segundo Durkheim, os indivíduos na sociedade moderna só existem porque participam de uma divisão social do trabalho altamente diferenciada por funções especializadas, na qual a consciência coletiva reduz-se em face da consciência individual. 4 ( ) Na sociedade moderna, os indivíduos tornam-se solidários na medida em que cumprem uma tarefa ou uma função especializada, que guarda interdependência com outras tarefas ou funções, decorrendo, disso, a integração e a unidade do corpo social. 16- De acordo com a definição de Fato Social formulada por Durkheim, assinale a alternativa INCORRETA: a) A escola é um fato social e – como instituição – cumpre um relevante papel na formatação do comportamento individual em consonância com as regras e valores presentes na consciência coletiva. b) O ato de adoecer é um fato social, pois possuindo motivações biológicas podem ser percebidos como exteriores aos indivíduos; excetuando-se as doenças psicossomáticas e influenciadas por fatores sociais. c) A arquitetura de nossas casas constitui um fato social, na medida em que seguimos padrões e obedecemos a um senso estético exterior às nossas consciências individuais. d) O sistema eleitoral é um fato social, porque pertence à esfera da vida política. 17- Sobre a Sociologia de Durkheim assinale com (V) as afirmativas verdadeiras e com (F) as falsas. a) ( ) O objeto de estudo da Sociologia segundo Durkheim é a ação social. b) ( ) O casamento, a educação, a escola, a religião, o crime, são exemplos de fato social. c) ( ) Durkheim se esforçou para emancipar a Sociologia das demais teorias da sociedade. d) ( ) Segundo Durkheim, a sociologia tinha por finalidade não só explicar a sociedade como também encontrar soluções para vida social. e) ( ) O objetivo máximo da vida social, de acordo com Durkheim é promover a harmonia da sociedade consigo mesma e com as demais sociedades. f) ( ) O crime não pode ser considerado um fato social normal.

21
g) ( ) A sociedade apresenta como todo organismo, estados normais e patológicos. h) ( ) Sanções espontâneas são aquelas prescritas pela sociedade em forma de leis nas quais se estabelece a infração e a penalidade subseqüente. i) ( ) Sanções legais são aquelas que surgem como decorrência de uma conduta não adaptada à estrutura do grupo ou da sociedade à qual o indivíduo pertence. j) ( ) Segundo Durkheim, o aborto e o suicídio não podem ser considerados fatos sociais, pois são atos individuais. 18- Para Émile Durkheim, o fato social constitui o objeto de estudo da Sociologia. Em sua obra As Regras do Método Sociológico ele formula com clareza os passos da construção desse objeto. A respeito deste conceito e de outros elaborados por Durkheim, analise as proposições abaixo. Posteriormente, assinale a alternativa que contenha as proposições ERRADAS: I- Segundo Durkheim, os indivíduos possuem uma constante compulsão para subverter as regras sociais ou o acordo coletivo, sendo necessário, por isso, a atuação de órgãos de repressão como a polícia, para garantir a ordem e o respeito às hierarquias. II- Segundo Durkheim, a intensa divisão do trabalho social que caracteriza a sociedade industrial moderna, leva, inevitavelmente, à predominância de uma solidariedade orgânica, uma vez que é no dia-a-dia que a interdependência entre os indivíduos pode ser observada, garantindo a coesão social, e comprovando o maior avanço social da sociedade industrial comparado à sociedade primitiva. III- Uma vez identificados e caracterizados os fatos sociais, a preocupação de Durkheim dirigiuse à conduta necessária ao cientista social. Para Durkheim, é necessário que o pesquisador afaste as suas prenoções e sentimentos pessoais para garantir a objetividade do conhecimento. IV- Para Durkheim, o fato social pode ser normal ou patológico. O fato patológico é aquele não extrapola os limites dos acontecimentos mais gerais de uma determinada sociedade e que reflete os valores e as condutas aceitas pela maior parte da população. V- Segundo Durkheim, o trabalho de classificação das sociedades, deveria ser efetuado com base em apurada observação experimental. Guiado por esse procedimento, estabeleceu a passagem da solidariedade orgânica para a solidariedade mecânica como o motor de transformação de toda e qualquer sociedade. A) I, II e V. B) I e II. C) II, III e V. D) IV e V. E) I e IV. 19- “O homicídio constitui um ato odioso em tempos normais e não o é em tempos de guerra, porque não há neste caso um preceito que o proíba. Isto é, um ato, intrinsecamente o mesmo, que pode ser condenado hoje por um país europeu, pode não sê-lo na Grécia, simplesmente porque não violava, pois, na Grécia nenhuma norma preestabelecida.” DURKHEIM, Émile. Sociologia y Filosofia, p. 160, Buenos Aires. Kraft, 1951. Após a leitura do trecho acima reproduzido e de seus conhecimentos, analise as assertivas abaixo julgando-as como VERDADEIRAS ou FALSAS: A ( ) A noção de normalidade ou patologia só pode viabilizar-se ao considerarmos que cada sociedade possui uma consciência coletiva singular, e portanto, diferentes padrões de comportamento. B ( ) O organismo social não é o mesmo em dois momentos distintos, da mesma forma que muitos organismos vivos mudam sua morfologia ao longo de sua vida. Por isso, o que é normal hoje, pode não sê-lo amanhã. C ( ) É patológico o fato social que extrapola os limites permitidos pela ordem social desafiando a moral vigente. D ( ) É normal apenas o fato social que é geral, ou seja, faz parte do regulamento social de todas as sociedades simultaneamente. E ( ) Constitui-se um fato social patológico aquele que tem conotações diferenciadas em cada sociedade.

22

20- (UFU/JAN/2004) Em Émile Durkheim, a Sociologia aparece como conhecimento científico, como uma espécie de autoconsciência da sociedade. Assinale as alternativas corretas com (V) que corroboram esse princípio, nos termos de suas formulações teóricas e as falsas com (F). A ( ) Os fatos sociais instalam-se nos indivíduos de maneira irrefletida, não permitem que os sujeitos se tornem conscientes de sua coerção, como acontece na educação, porque se assim o fosse haveria crítica à sua generalidade e exterioridade e, também, uma revolução permanente contra as representações coletivas. B ( ) Os conceitos constituem modos como as sociedades, em certas épocas, representam a natureza, os sentimentos, os objetos e a as idéias; as categorias do conhecimento são conceitos que expressam coisas sociais. Ambos são representações coletivas, irredutíveis aos preceitos individuais, sendo o conceito de religião um exemplo. C ( ) Os fatos sociais são genéricos, exteriores aos indivíduos e coercitivos, mas possuem certos limites que permitem a alguns sujeitos, individualmente, construir novos fatos sociais, como se observa em inúmeros exemplos de fundadores de religiões, de partidos políticos e de outras instituições sociais que refletem a consciência humana. D ( ) A ciência e a moral são fenômenos propriamente humanos, constituídos por representações coletivas, ao contrário da religião, cuja fonte é de inspiração divina e de humano apenas guarda o fato de manifestar-se em um profeta, como se vê nas grandes religiões monoteístas, que formaram a consciência humana no mundo. 21- Sobre a Consciência Coletiva, um dos principais conceitos sociológicos de Durkheim, assinale (V) para as alternativas verdadeiras e (F) para as falsas: A ( ) Toda teoria sociológica de Durkheim pretende demonstrar que os fatos sociais não têm existência própria, já que dependem daquilo que pensa e faz cada indivíduo em particular. B ( ) Durkheim afirma categoricamente que no interior de qualquer grupo ou sociedade, podem ser observadas formas padronizadas de conduta e pensamento. Isto significa que não existe a consciência individual. C ( ) A consciência coletiva não se baseia na consciência de indivíduos singulares ou de grupos específicos, mas está espalhada por toda a sociedade. D ( ) A consciência coletiva aparece como um conjunto de regras fortes e estabelecidas que atribuem valor e delimitam os atos individuais e a consciência individual define o que, numa sociedade, é considerado “imoral”, “reprovável” ou “criminoso”. 22- Sobre as formulações teóricas de Durkheim, assinale (V) para as afirmativas verdadeiras e (F) para as falsas: A ( ) Durkheim considerava que todas as sociedades haviam evoluído a partir da horda, a forma social mais simples, igualitária, reduzida a um único segmento onde os indivíduos se assemelhavam aos átomos, isto é, se apresentavam justapostos e iguais. B ( ) Segundo Durkheim através do processo evolutivo, foi possível uma série de combinações das quais originaram-se outras espécies sociais identificáveis no passado e no presente, tais como os clãs e as tribos. C ( ) Segundo Durkheim, a sociologia não tem o objetivo de comparar as diversas sociedades pelo fato de que todo comportamento humano, por mais diferente que se apresente, resulta da expressão de características universais de uma mesma espécie. D ( ) Para Durkheim a normalidade do fato social só pode ser entendida em função do estágio social da sociedade em questão, pois do ponto de vista puramente biológico, o que é normal para o selvagem não o é sempre para o civilizado, e vice-versa.

23. (UFU/JUL/2007) Segundo Durkheim, em Educação e Sociedade (1975, p.45), “todo o
sistema de representação que mantém em nós a idéia e sentimento da lei, da disciplina interna ou externa, é instituído pela sociedade.” Conforme a teoria desse autor, assinale a alternativa correta. A) Apesar de sua natureza social, o fim da educação é individual.

23
B) A educação não possui natureza social, antagonizando indivíduo e sociedade. C) Cabe à educação constituir no homem a capacidade de vida moral e social. D) A educação tem por objetivo suscitar o individualismo a fim de conservar a ordem. 24. (UFU/FEV/2007)Sobre o significado de consciência coletiva na teoria durkheimiana, marque a alternativa correta. A) Representa um conjunto de regras e valores sociais que se coloca acima das consciências individuais, estabelecendo uma coesão social fundada nas diferenças entre os membros da sociedade. B) Representa o conjunto de crenças, hábitos e sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade, agindo sobre as consciências individuais e estabelecendo um padrão de comportamento. C) Está intimamente relacionada à sociedade de grande divisão social do trabalho, sendo predominante no tipo de solidariedade orgânica, uma vez que estabelece um alto grau de conformidade e semelhanças a esse tipo de organização social. D) Define um tipo de coesão social, particularmente aquele no qual se estabelece uma rede de funções interdependentes, ao mesmo tempo em que os indivíduos são diferentes uns dos outros. 25. (UFU/FEV/2007) Acerca da divisão social do trabalho em Émile Durkheim, marque a alternativa INCORRETA. A) A solidariedade do tipo mecânica é marcada por uma relação de justaposição entre os indivíduos e de forte presença da consciência coletiva em relação às consciências individuais. B) A divisão social do trabalho, mais acentuada na solidariedade do tipo orgânica, pode levar a sociedade a um estado de anomia, isto é. enfraquecimento da coesão social. C) A solidariedade do tipo orgânica caracteriza-se por uma acentuada divisão do trabalho, resultando em alto grau de especialização e, ao mesmo tempo, interdependência entre os indivíduos. D) A partir da divisão social do trabalho, Durkheim estabelece dois tipos de solidariedade social, a mecânica e a orgânica, sendo a primeira definida pela predominância das consciências individuais sobre a consciência coletiva. 26. (UFU/FEV/2007) Sobre a concepção de fato social para Émile Durkheim, marque a alternativa correta. A) O fato social é um tipo ideal que o sociólogo constrói, sem possibilidade de descobrir leis e tendências gerais. B) Os fenômenos sociais decorrem das escolhas racionais que os indivíduos fazem, motivados estes por tradições, estados afetivos ou objetivos e valores desejados. C) O método sociológico não deve se fundamentar na observação empírica, pois esta se restringe às ciências naturais. D) O sociólogo deve olhar para os fenômenos sociais como coisas, controlando suas prenoções e se pautando pela objetividade comum a outros ramos da ciência. 27. (UFU/JUL/2006) Sobre a divisão social do trabalho, de acordo com a formulação de Émile Durkheim,marque a alternativa correta. A) Quanto maior for a divisão social do trabalho, maior a solidariedade mecânica. B) Os serviços econômicos que ela pode prestar são sua real e mais importante função. C) Não apresenta nenhuma relação com a coesão social. D) Seu mais notável efeito é o de tornar solidárias as funções divididas. 28. Um dos estudos sociológicos clássicos para explorar a relação entre o indivíduo e a sociedade é a análise de Durkheim sobre o suicídio publicado em 1897. O estudo de Durkheim mostrou que mesmo um ato pessoal como suicídio é influenciado por fatores sociais. Sobre o suícidio como fato social, de acordo com a análise durkheimiana, podemos afirmar.

24
I. Suicídio egoísta acontece quando um indivíduo está fortemente ligado à sociedade, por essa razão, ele cometerá suicídio independentemente de sua própria hesitação se as normas da sociedade o levarem a tal. II. Suicídio por anomia é aquele onde existe uma fraca regulação social entre as normas da sociedade e o indivíduo, mais freqüentemente trazidas por mudanças dramáticas nas circunstâncias econômicas e/ou sociais. III. Suicídio altruísta ocorre quando os laços entre o indivíduo e os outros na sociedade são fracos. Em outras palavras, existem poucos laços sociais para impedir que o indivíduo se mate. A) Todas as afirmativas estão corretas. B) Somente I está correta. C) Somente II está correta. D) Somente III está correta. E) Somente II e III estão corretas. 29. (UFU/JAN/2010) Em seu estudo sobre o suicídio, Émile Durkheim procurou chamar a

atenção para a dimensão sociológica deste fato. Assim, “considerando que o suicídio é um ato da pessoa e que só a ela atinge, tudo indica que deva depender exclusivamente de fatores individuais e que sua explicação, por conseguinte, caiba tão somente à psicologia. De fato, não é pelo temperamento do suicida, por seu caráter, por seus antecedentes, pelos fatores de sua história privada que em geral se explica a sua decisão.[...]”. E complementa: “o suicídio varia na razão inversa do grau de integração dos grupos sociais de que faz parte o indivíduo.” (O Suicídio. Estudo de sociologia. São Paulo: Martins Fontes,
2000.).

A) Explique os tipos de suicídio definidos por Durkheim.

B) Discorra a respeito da relação estabelecida por Durkheim entre os tipos de suicídio e os tipos de solidariedade por ele definidos.

25

26

27

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->