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OBRAS DO AUTOR:

SILVIO RODRIGUES
Professor Catedrático de Direito Civil da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Doutor Honoris Causa da Faculdade de Direito da Universidade de Paris XII.

Direito Civil, Saraiva, 7 volumes V. 1 V. 2 V. 3 V. 4 V. 5 V. 6 V. 7 Parte geral Parte geral das obrigações Dos contratos e das declarações unilaterais da vontade Responsabilidade civil Direito das coisas Direito de família Direito das sucessões
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Condomínio geral em edifício, 1951 (tese) Das arras, 1955 (tese) Dos defeitos dos atos jurídicos, v. 1, 1959, Max Limonad (tese) (tese) Dos defeitos dos atos jurídicos, v. 2 (Coação), 1963, Max Limonad O divórcio e a lei que o regulamenta, Saraiva, 1978 Dos vícios do consentimento, Saraiva, 3. ed., 1989 Da locação predial, Saraiva, 1979 Direito Direito Direito Direito Direito Direito Direito Direito civil civil civil civil civil civil civil civil aplicado, aplicado, aplicado, aplicado, aplicado, aplicado, aplicado, aplicado, v. 1, v. 2, v. 3, v. 4, v. 5, v. 6, v. 7, v. 8, Saraiva, Saraiva, Saraiva, Saraiva, Saraiva, Saraiva, Saraiva, Saraiva, 1981; 2. ed., 1988 1983 1986 1988 1989 1994 1996 1999

RE,SPONSAlULJDAPE

CIVIL

VOLUME 4
19!! edição, atualizada de acordo com o novo Código Civil (Lei n. 10.406, de 10-1-2002)

2002

ESCRITORI DI:: DVOCACIA ERGIO S BERMUDES f5IBUOTEr.A .'7 l ~ r

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Editora

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Saraiva

consignou a regra geral da responsabilidade aquiliana e registrou algumas excludentes. Responsabilidade objetiva e responsabilidade subjetiva. 1. a responsabilidade civil não havia alcançado. a enorme difusão que passou a desfrutar mais tarde. Plano. Conceito de responsabilidade. paralelamente. v. quer no campo teórico. em dois diversos capítulos. no volume inicial desta obra. quer no prático. nem muita sistematização. Verdade que na ocasião o assunto foi tratado de maneira sucinta. Na Parte Geral. 3.INTRODUÇÃO SUMÁRIO: Considerações gerais. Com efeito. 6. Responsabilidadee seguro . enquanto em muitos países. Responsabilidade e seguro. se é certo que as demandas sobre a responsabilidade civil inundar. Responsabilidade contratual e extracontratual. outros dispositivos sobre o tema. 1). na Parte Especial. sem muita ordem. ao depois compendiou. Isso tudo. 1. data venia. no momento em que se elaborou o projeto e foi ele discutido. Consideraçõesgerais. principalmente na França. Responsabilidade penal e responsabilidade civil. Realmente. entre nós. Sua atitude encontra escusa no fato de que. que a têm analisado com pormenores e minúcias consideráveis. no capítulo em que cuidei dos atos ilícitos (v. e muitos de seus aspectos deixaram de ser ventilados justamente porque era propósito do Autor dedicar um tomo inteiro ao problema do dano e de sua reparação. nao é tão notável. 4.:m os pretórios. tal fato não é tampouco muito antigo e.A matéria relativa à responsabilidade civil já foi objeto de análise. não se pode negar também que esse interesse é relativamente recente. se é inegável que dentro do quadro das letras jurídicas a matéria despertou enorme interesse dos escritores. O legislador de 1916 não deu à questão da responsabilidade civil um disciplinamento sistemático. 2. 5. as questões de responsabilidade civil representam alta . em dois artigos (159 e 160).

c' est que I' assurance n'est pas obligatoire. Uma decisão severa.4 DIREITO CIVIL RESPONSABILIDADE CIVIL 5 porcentagem dos feitos ajuizados. pois. o que me parece inegável é que o problema da responsabilidade civil não atingiu. Isso se deve. In lex Aquilia et levissima culpa venit (D. ainda que levíssima. caso o seguro seja obrigatório ou se encontre extremamente difundido. sans faire de lui une autre victime". os proprietários dos veículos conseguem obter a reparação de suas viaturas sem qualquer desembols02. en effet. embora numerosas. 2. ed. frag. são os juízes menos afoitos no condenar o réu à reparação de um dano por ele causado. Prefiro.. não raro arruinariam a pessoa que involuntariamente o causou. e. pune-se o delinqüente. Da responsabilidade civil. Poder-se-ia dizer que. porque.. Assim. n. acredito. o livro de AGUIAR DIAS3. o anseio de obrigar o agente causador do dano a repará10 se inspira nos mais estritos princípios de justiça. nesse sentido. pelos nossos escritores de direito. Os escritores franceses apontam uma orientação corrente nos julgados daquele país. RIPERT. ou seja. lI. desde que haja culpa. pois. o dever de indenizar recairá indiretamente sobre toda a sociedade. e. isto é. do seguro de responsabilidade. o encargo de reparar o dano recai diretamente sobre os ombros dos segurados.. senão a única maneira de se corrigir esse inconveniente. note-se que a obraprima sobre o assunto publicada no Brasil. que creio mais de acordo com a realidade. 1. 3). ao menor desenvolvimento. entre nós. transfere-se para a comunidade o ônus de indenizar.. a meu ver. nos casos de colisão de veículos. como bem aponta SAVATIER. entre outras. no Brasil. em condenar cada um dos motoristas a indenizar os d~mos causados ao outro. É possível. Rio de Janeiro. Através do contrato de seguro. isso talvez se dê. por serem menos numerosas e menos severas as condenações à reparação do dano. principalmente. De modo que. apenas transferiria para um o prejuízo experimentado pelo outro. A muitos pode parecer injusta tal solução. por maior que seja o prejuízo. o dever de inque denizar faça do responsável uma outra vítima1. Paris. 1951. já o disse. entre outras razões. Cf. é possível que se venha a arruinar o agente causador do dano. entre outros. De acordo com o princípio tradicional. JosÉ DEAGUIARDIAS. d'amortir sur Ia collectivité des dommages qui ne pourraient être mis à Ia charge privée d'un individu responsable. É o modo de espalhar pela comunidade o prejuízo experimentado por um de seus membros. 2. consistente em uma indenização que incluirá. Traité de Ia responsabilité civile en droit jrançais. como quem deverá reparar tais prejuízos é o segurador. encontra-se no seguro. sendo pouco difundido o seguro de responsabilidade. pelo menos em parte. Cf.. se o fizessem. sobre a mutualidade dos segurados. ncontra suas raízes mais na literatura estrangeira do que no e ambiente brasileiro. não são aparentemente tão numerosos os casos judiciais em que se discute questão de responsabilidade civil. . em vez de resolver o problema. Les tribunaux le savent si bien qui au cas de colision de véhicules ils condamnent chaque automobiliste à réparer le dommage souffert par I' autre afin que personne n' ait à supporter son propre dommage.". De fato. ed. de culpa levíssima. a obrigação de fornecer pensão alimentícia a todos aqueles a quem o defunto sustentava. a despeito do grau insignificante da culpa. De qualquer modo. Tal procedimento consiste. tal asserção é justificável. A ela caberá. a pessoa que por ligeira distração atropela um chefe de numerosa família pode ser condenada a reparar o dano causado. v. a questão se apresenta diversa se o dano resultou de mera culpa do agente. corre-se o risco de arruinar o outro. 2. entretanto. absorver o prejuízo sofrido pela vítima (v. 1950. Aliás. principalmente quando o prejuízo foi causado intencionalmente. 44). e que bem demonstra como. menor é o recurso ao seguro de responsabilidade. Cf. não atingem cifras tão elevadas. Liv. o menor relevo atribuído à matéria. Assim se consegue evitar. Et si tout cela ne marche pas tres bien. 3. talvez encontre na pouca difusão do seguro a explicação natural. através do mecanismo do seguro.. Nesse caso. RENÉSAVATIER. a importância alcançada noutros países. para se remediar a situação de um. Realmente. A indenização pode ser imensa. Contudo. a primeira afirmação. além de amparar-se a vítima. entretanto. Entre nós.no prefácio ao citado livro de SAVATlER: "COest I' assureur qui paie. Para se obter a indenização integral da vítima. Tít. Tal indenização deve ser integral e completa. 2 bis: "Elle (l'assurance) permet. entre nós. em virtude de sua extrema severidade. deve o agente indenizar integralmente a vítima. IX. A melhor. através do seguro. que a recíproca é que seja verdadeira. que nenhum dos dois está em condições de suportar.

de outro. 7. I. Considera precipuamente o dano. ter eficácia em bases muito mais amplas. A decisão proferida só atinge o patrimônio do responsável. pois. porque acarreta prejuízo a terceiro. . É natural que assim aconteça. na hipótese. por fato próprio. com a aprovação do Código 5. in RT. julgado em 15 de agosto de 1979. entretanto. Realmente. possibilitando. La responsabilité civile au contraire organisée dans l'intérêt des particuliers victimes des dornrnages a pour but Ia réparation de ce préjudice au profit de Ia personne lesée". aresto do F Tribunal de Alçada de São Paulo.INDEPENDÊNCIA DE ILÍCITO PENAL. porque a sanção penal atinge a liberdade e a honra do indivíduo. é o privado. não há necessidade de se apresentar o elemento criminal em um fato para que se possa admitir como ilícito civil aquela circunstância. no Congresso o que mais tarde se tornou lei. constituindo crime ou contravenção. Todavia. 1939. "O Direito Penal exige. n. só tem efeito confirrnador. O direito à reparação é conseqüência imediata e direta da verificação do dano". cumpre indagar em que condições e de que maneira será tal prejuízo reparado. Traité de Ia responsabilité civile. 347/172: "O direito civil é mais exigente que o penal.v. em título autônomo. n. Cf. no mesmo passo que protege a vítima. como a matéria é de interesse apenas do prejudicado. Esse é o campo que a teoria da responsabilidade civil procura cobrir. No caso do crime. o causador do dano deve repará-I06. se encontra Civil de 2002. Não quer isso dizer que o patrimônio não seja digno de proteção. a superveniência de eventos que causam prejuízos a uns. pois. e. o delinqüente infringe uma norma de direito público e seu comportamento perturba a ordem social. "Elle (Ia distinction) a abouti à une opposition classique qui peut-être résumée de Ia façon suivante: Ia répression pénale organisée par I'État dans un intérêt social a pour but Ia punition des actes répréhensibles par le prononcé d'une peine. A reação da sociedade é representada pela pena. No caso de ilícito civil. embora não se escravize à maneira como o Código Civil e o Projeto de Código Civil ordenaram o assunto. seu ato provoca uma reação do ordenamento jurídico. a integração de condições mais rigorosas. Conceito de responsabilidade . Cf. e aquele estado de espírito apriorístico se volta em favor da vítima do prejuízo. 1 (Les obligations). Em outros termos.A responsabilidade civil vem definida por SAVATIER5 a obrigação que pode incumbir uma pescomo soa a reparar o prejuízo causado a outra. Se a resposta for afirmativa. A reação da sociedade é representada pela indenização a ser exigida pela vítima do agente causador do dano. que ser um fato previsto corno crime é apenas confirmação de sua ilicitude. O ato do agente pode não ter infringido norma de ordem pública. repercuta tanto na ordem civil como na penal. de modo absoluto. O que faz certo é que o direito não lhe atribui tanto apreço corno o que concede à liberdade. essa reparação só pode ser alcançada ampla e adequadamente através do seguro da responsabilidade. compreendidas em padrões taxativos . igualmente.6 DIREITO CIVIL T I I1 RESPONSABILIDADE CML 7 É óbvio que a menor amplitude na indenização do dano constitui um inconveniente para o interesse da sociedade. ao contrário. Daí merecer aplauso a solução adotada pelos dois esquemas de reforma da legislação civil. discutirá cada um dos dispositivos vigentes e dos projetados4. O Direito Civil já parte de pressupostos diversos. Num e noutro caso encontra-se. Paris. que. robustecedor. à vida e à honra. como seu procedimento causou dano a alguma pessoa. objetiva a necessidade do ressarcimento e do equilíbrio". É preciso observar. Ora.De início convém distinguir a responsabilidade civil da responsabilidade penal. no que interessa à reparação do dano. É possível. disciplinaram sistematicamente a matéria. 1. 259. acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo. De um lado porque ele infringe norma de direito público. Nesse I 6. aquele dirige sua atenção para o dano causado. dado o princípio de presumi-Io inocente. por conseguinte. não obstante. podendo. basicamente. na apelação n. com a seguinte ementa: RESPONSABILIDADE CIVIL . é indiferente para a sociedade a existência ou não de prejuízo experimentado pela vítima. o interesse diretamente lesado. a solução é propiciar meios para a sua reparação. o exercício da ação penal. 3. enquanto este cada vez mais focaliza a pessoa do delinqüente. ou por fato de pessoas ou coisas que dela dependam. tanto o Projeto de Código de Obrigações de 1965 como o Anteprojeto de Código Civil de 1972 dedicaram um título à responsabilidade civil. 2. Este livro. 359: O " II 4. tal orientação hoje não mais se justifica. que o ato ilícito.nul/a poena sine lege.com parti pris pelo acusado. que não pode se compadecer com uma atitude individual dessa ordem. Realmente o problema em foco é o de saber se o prejuízo experimentado pela vítima deve ou não ser reparado por quem o causou. 11. v. além disso.837. Note-se que. pela sua gravidade e suas conseqüências. depois disso. roit civil. se este se resignar a sofrer o prejuízo e se mantiver inerte. nenhuma conseqüência advirá para o agente causador do dan07. t. Responsabilidade penal e responsabilidadecivil .. na ocasião da 18~ edição desta obra. já que não se pode evitar. infração a um dever por parte do agente. Se a maneira defeituosa como o legislador de 1916 tratou da responsabilidade civil se explica pelas razões históricas e locais já apontadas. 1962. para aplicar suas sanções. em vez de ser o interesse público. São essas condições examinadas com maior prudência e até . MARTYe RAYNAUD. O Projeto referido no texto é o que. Cf.por que não dizê-Io? . Paris. ao lado da ação civil.

o segurador que dolosamente se furta de pagar a indenização devida ao segurado. bem como na prestação de alimentos às pessoas a quem o defunto os devia (CC. 389 do mesmo Código cuida dos efeitos resultantes da responsabilidade contratual. Muitos entendem que as duas responsabilidades são de igual natureza. o proveito que o empresário razoavelmente poderia ter tido. e sua responsabilidade é extracontratual. em caso de homicídio. no desastre. ou seja. nos seguintes argumentos: 8. A indenização abrangerá o prejuízo efetivo. que desde início se impõe. Note-se que essa indenização não é a devolução do braço perdido. no segundo. perde um braço. HENRI e LÉoN MAZEAUD. um vínculo jurídico derivado da convenção.. Paris. ed. seu funeral e luto da família. as conseqüências derivadas da responsabilidade aquiliana. a obra prometida e já anunciada. 4. 121 do Código Penal. A todos eles o art. ficando obrigado a repará-Io. I. Na responsabilidade contratual a indenização. O agente causador desse dano fica obrigado a repará-Io. t. Mas a cifra arbitrada em dinheiro. a publicidade feita. que será paga pelo artista inadimplente. o art. portanto. 186 do Código Civil disciplina. diversa da responsabilidade extracontratual. contratado para uma série de apresentações. o escritor que por mera negligência se omite de entregar ao editor. O assassino no campo penal será condenado à pena corporal constante do art. Alguém atropela um homem que. O comodatário que por sua culpa permite o perecimento e por isso deixa de entregar o objeto emprestado. Traité théorique et contractuelle. 948). não é a prestação prometida. Quando um artista. 927. entre outros. Responsabilidadecontratual e extracontratual . No primeiro caso. mas apenas um sucedâneo dela. de fato. comete ato ilícito. apenas substitui. tais o aluguel do teatro. no do comodatário. impondo a pena ao delinqüente. aquilo que aproximadamente se calcula tenha sido o prejuízo da vítima do ato ilícito. responsabilidade derivada do ilícito extracontratual. dispõe o art. é. enquanto o art. Os que participam dessa opinião sustentam-na baseados. ou seja. fica ele sujeito a reparar as perdas e danos experimentados pelo empresário. Com efeito. no prazo fixado por contrato. De modo que. portanto. que causam prejuízo a seus credores. 389 do Código Civil impõe a responsabilidade de reparar as perdas e danos experimentados pelo credor. 1934. responsabilidade aquiliana. do segurador. Numa e noutra mister se faz a existência do dano. recusa-se a dar um ou mais dos recitais combinados. como manda o art. agindo dolosa ou culposamente. entre o inadimplente e seu co-contratante. do escritor. tanto na configuração da responsabilidade contratual como na da aquiliana vários pressupostos são comuns. por igual. trata-se de responsabilidade derivada do contrato. n. genericamente. 186 do Código Civil que todo aquele que causa dano a outrem. Por outro lado. 2. A indenização consistirá no pagamento do correspondente às despesas de tratamento da vítima. E. na hipótese da responsabilidade aquiliana. 98. antes de a obrigação de indenizar emergir. um substitutivo da prestação contratada. a impressão das entradas etc. também chamada aquiliana. ao menos aparentemente. Na hipótese de responsabilidade contratual. por exemplo. em muitos casos se não em todos. e na órbita civil poderá ser condenado a reparar o prejuízo experimentado pela família da vítima. a culpa do agente e a relação de causalidade entre o comportamento do agente e o dano experimentado pela vítima ou pelo outro contratante. não havendo por que discipliná-Ias separadamente. Poder-se-ia dizer que.. art. bem como o lucro cessante.8 DIREITO CIVIL RESPONSABILIDADE CIVIL 9 caso haverá uma dupla reação do ordenamento jurídico. é a da distinção entre responsabilidade contratual e extracontratual. e ainda no dever de fornecer uma pensão correspondente à diminuição de sua capacidade laborativa. Assim. responsabilidade contratual. existe uma responsabilidade contratual. por cifra em dinheiro. que consistirá no pagamento das despesas com o tratamento daquela. nenhum liame jurídico existe entre o agente causador do dano e a vítima até que o ato daquele ponha em ação os princípios geradores de sua obrigação de indenizar8. lucros cessantes até o fim da convalescença (CC. todos esses são devedores inadimplentes. e acolhendo o pedido de indenização formulado pela vítima. et pratique de Ia responsabilité civile délictuelle . 949). Cf. existe. art. pois uma pessoa pode causar prejuízo a outra tanto por descumprir uma obrigação contratual como por praticar outra espécie de ato ilícito.Uma outra questão de alta relevância.

MARTY RAYNAUD. será novamente demonstrado abaixo. Assim. Plano . ou outra excludente da responsabilidade capaz de eximi-Io do dever de indenizar. persiste na afirmativa da diversa natureza de tais espécies de responsabilidade. lI. não há nenhum motivo para distinguir entre a violação da obrigação oriunda de um contrato e a da obrigação derivada de qualquer outra fonte. como as idéias que envolvem. da reparação do "La faute est un manquement à une obligation préexistante dont Ia loi ordonne Ia réparation quand il a causé un dommage à autrui" (Traité élémentairede droit civil. consiste na infração de uma obrigação preexistente9. 363 e 364. Por outro lado. não raro tais expressões. em mais de um passo. tais. enquanto. Eles serão tratados à medida que forem surgindo. o primeiro cuidando da obrigaçãode indenizar e o segundo. b) as perdas e danos. através de sua atividade. resultantes do contrato. cumpre-lhe reparar o prejuízo sempre. na responsabilidade aquiliana. . 5. Responsabilidadeobjetiva e responsabilidadesubjetiva . v. por exemplo. 389 e s. o menor púbere só se vincula contratualmente assistido por seu representante legal e. desde que exista relação de causalidade entre o dano experimentado pela vítima e o ato do agente. De modo que neste livro. que terá que evidenciar a inexistência de culpa de sua parte. 156). embora não se ponha ênfase excessiva na importância da distinção entre responsabilidade contratual e extracontratual. e. serão utilizadas para aproveitar as diferenças conceituais apontadas. Na responsabilidade objetiva a atitude culposa ou dolosa do agente causador do dano é de menor relevância. se for aquiliana a responsabilidade. apresentam considerável interesse num volume que se dedica ao problema do dano e de sua reparação. entre outros.O presente volume é dividido em dois livros. muitos casos de responsabilidade civil. pois. pois se equipara ao maior quanto às obrigações resultantes de atos ilícitos em que for culpado (CC de 1916. o onus probandise transfere para o devedor inadimplente. art. cuidam da responsabilidade contratual. 6. é subjetiva.). pois depende do comportamento do sujeito. 180 trata da responsabilidade aquiliana. dentro da concepção tradicional a responsabilidade do agente causador do dano só se configura se agiu culposa ou dolosamente. 180). 9. a dos transportadores e a derivada do exercício profissional. surge o dever de indenizar. ainda que sua atividade e o seu comportamento sejam isentos de culpa. caberá à vítima o encargo de demonstrar a culpa do agente causador do dano.Em rigor não se pode afirmar serem espécies diversas de responsabilidade. Segundo essa teoria. pois sob alguns ângulos práticos ela se justifica amplamente. Em matéria de prova. a que fica sujeito o contratante inadimplente.no conceito de PLANIOL. art. hoje extremamente combatida. pois. entretanto.. e Oroit civil. Em matéria de capacidade também diversas são as posições. Examina-se a situação. A teoria do risco é a da responsabilidade objetiva. ed. demonstrado pelo credor que a prestação foi descumrrida. 2 desta obra. n. cria um risco de dano para terceiros deve ser obrigado a repará-Io. excepcionalmente sem ele. a relação de causa e efeito entre o comportamento do agente e o dano experimentado pela vítima. mas a reparação do prejuízo de fluente da inexecução. I). Dentro do sistema do Código brasileiro a distinção deve ser mantida. são coisas inteiramente diversas da prestação inadimplida. quer tenha este último agido ou não culposamente. 10. só pode ser responsabilizado por seu inadimplemento nesses casos.10 DIREITO CIVIL r RESPONSABILIDADE CIVIL 11 a) se a responsabilidade se funda na culpa e esta. Paris. Conforme já foi visto anteriormente (v. PLANIOL: As regras gerais sobre a responsabilidade contratual em rigor já foram estudadas no v. a indenização não é o equivalente da obrigação descumprida. A tese clássica. 160 e s. portanto. 1915. n. no caso. parece-me conveniente manter a distinção. mas sim maneiras diferentes de encarar a obrigação de reparar o dano. objetivamente. no capítulo sobre a conseqüência da inexecução das obrigações (n. A meu ver.. v. 7. e como. e objetiva quando esteada na teoria do risco. na realidade. enquanto os seus arts. De modo que a prova da culpa do agente causador do dano é indispensável para que surja o dever de indenizar. se maliciosamente declarou-se maior (CC. Realmente se diz ser subjetiva a responsabilidade quando se inspira na idéia de culpa.. seu art. 863). cit. A responsabilidade. se for verificada. aquele que. esta tem direito de ser indenizada por aquele. na responsabilidade contratuaI. ou a presença de força maior. E nisso a responsabilidade contratual identifica-se profundamente com a responsabilidade delituallO. ao menos para efeito didático e de melhor entendimento. pois.

Naquele se estudam os conceitos de culpa e de risco.Princípio geral de direito. ao cuidar da obrigação de indenizar. os casos de adoção de responsabilidade objetiva em nosso direito vigente e a esboçada orientação constante do Projeto de Código Civil de 1975 e que foi adotada pelo Código de 2002. B) culpa do agente. Procurou-se tratar da matéria o mais possível dentro da moldura brasileira. No Livro lI. à Ia répareru. no exemplo acima apontado. são analisados. da jurisprudência nacional. os casos de responsabilidade por ato próprio e por fato de terceiro. entre nós. No respeitante ao liame de causalidade são postas em evidência as excludentes da responsabilidade. É verdade que o argumento prova demais. 7. o Código Civil. como no caso de acidente do trabalho. os efeitos derivados. como roteiro. Usou. C) relação de causalidade. qui cause à autrui un dommage. Isso porque há hipóteses em que a lei ordena a reparação do prejuízo experimentado pela vítima ainda quando o comportamento da pessoa obrigada a repará-Io não envolve a violação da lei. Naquele se analisam os pressupostos da responsabilidade e neste. o caso fortuito ou de força maior e a cláusula de não indenizar. depois de considerações gerais sobre o prejuízo e a indenização. Pressupos7. pois hipóteses há em que o dever de reparar emerge ainda quando o agente causador do dano tenha procedido sem culpa. Seria preferível que o preceito não usasse a expressão violar direito. . ou v por açãoou omissãovoluntária. por igual. o quanto pôde. desse modo. socorrendo-se o Autor. tos da responsabilidade civil: A) ação ou omissão do agente. o que se dá. comete ato ilícito. onde o legislador brasileiro certamente se inspiroull. De fato. ainda que exclusivamente moral. bem como os de responsabilidade do guarda da coisa inanimada. Regra geral da responsabilidadecivil.12 DIREITO CIVIL dano causado. sobre a reparação de dano. inclusive o da correção monetária. e seguisse. informador de toda a teoria da responsabilidade.382 do Código Napoleônico: UTout fait quelconque de l'homme. 11. quando oportuno. sendo igualmente válido no que respeita ao requisito culpa. Dispõe o art. bem corno os problemas atuais impostos pela evolução econômica. em muitos passos. são estudados os principais casos em que a lei estabelece a maneira de reparar. mais de perto. 1. Aí se diz: aquele que. 1. por igual. 186 do Código Civil. Depois são examinados os elementos culpa e relaçãode causalidade. em primeiro lugar. oblige celui par Ia faute duquel il est arrivé. fazendo. a regra do art. ou seja. no art. iolardireitoe causar dano a outrem.negligência imprudência. o cotejo entre a legislação vigente e o Projeto de Código Civil de 1975 do qual resultou o novo Código. D) dano experimentado pela vítima. encontradiço no ordenamento jurídico de todos os povos civilizados e sem o qual a vida social é quase inconcebível. CAPíTULO I GENERALIDADES SUMÁRIO: Regra geral da responsabilidade civil. Tal princípio se encontra registrado. ou do guarda do animal. 8. a culpa da vítima. é aquele que impõe a quem causa dano a outrem o dever de o reparar.382 do Código Civil francês.

violar direito ou causardano. verificamos que ele envolve algumas idéias que implicam a existência de alguns pressupostos. por sua 11 12. mas é óbvio que não pode contemplar todos. ) danoexperimentndo D pela vítima . 9. ordinariamente necessários. estalajadeiros e outras pessoas em situação igual pelas mlSSlVO ou omlSSlVO. de 1867. Este livro examinará alguns. portanto ato praticado contra direito. Porto. São atos praticados com abuso de direito. E se muitos códigos. consagrada pela lei e aperfeiçoada pela jurisprudência. tais o ato praticado contra a honra da mulher. fica a vítima com a possibilidade de pleitear a indenização a ela devida tanto de um como de outro daquelas pessoas e.C) relaçãodecausalidade. ad edictum". como o português. certamente. foge da finalidade social a que ela se destina. de um modo ou de outro. segundo direito. direta ou indiretamente se referem a ato praticado contra a lei. injuriam hic damnum accipiemus culpa datum etiam ab es. Digesto. como é o caso da responsabilidade dos hoteleiros. 1915: D Nova "Art. § 1": "Quod non fare factum est. É verdade que a expressão apresenta raízes antigas. Inicialmente a lei se refere a alguém que por ação ou omissão causa dano a outrem. surge a menção a um. infringindo dever legal ou social. para que a responsabilidade civil emerja. Deverá ele ser obrigado a responder por prejuízo causado por uma das suas tresloucadas atitudes? A lei ainda cuida. . o patrão responde pelos atos de seus empregados. e. anteriores ao nosso. mas com o fim social por ela almejado. a obrigação de reparar. Liv. . revisto em 1911.frag. Essa responsabilidade por fato de terceiro. pode extravasar os quadros da responsabilidade aquiliana e se apresentar dentro de relações contratuais. . Realmente atos há que não colidem diretamente com a norma jurídica. Tít. fui nocere moluit . A regra do art. é curial que deva reparar esse prejuízo. um problema que apresenta alguma relevância é o da eventual responsabilidade do psicopata. infringência a um dever legal.Pressupostos daresponsabilidade A) ação omissão oagente. prejudica terceiro. CARLOS ECARVALHO. O ato do agente causador do dano impõe-lhe o dever de reparar não só quando há. outros. apresenta-se inescondível. e ainda de danos causados por coisas que estejam sob a guarda deste.639). 13.Desdobrando-se o art. ou seja. afastando-se ligeiramente do dispositivo vigente no direito anterior e coligido por CARLOS E D CARVALHO13. de algumas hipóteses em que aparece o dever de indenizar por ato próprio. está em melhores condições de solvabilidade do que seu serviçal. À obrigação de indenizar o dano fica sujeito o autor ou causador. pois se alguém. se o comportamento abusivo do agente causa dano a outrem. pode haver violação de direito sem que daí resulte pre- juízo. ordinariamente. como também quando seu ato. 5. sob a sujeição daquele. Como o texto usa a disjuntiva. 186 do Código Civil (159 do Código de 1916) se encontra em termos parecidos no Projeto Coelho Rodrigues (art. acima transcrito. culpa ou falta que constitua. e o suíço. e já em ULPIANO encontramos a referência a fato sem direito. Cf. embora sem infringir a lei. 1. a injúria. provandose que houve de sua parte negligência. o pai responde pelos atos dos filhos menores que estiverem em seu poder ou em sua companhia. de ato de terceiro que esteja sob a responsabilidade do agente. e assim por diante. agente que causa dano a outrem através de ato co. especificamente. no propósito de proteger a vítima. não se socorrem da expressão. 268) e no Projeto Clóvis Beviláqua (art. hoc est contra jus. Criando uma responsabilidade solidária entre o patrão e o empregado que diretamente causou o dano. mas por ato de alguém que está. que emerge da lei. Consolidaçãodas Leis Civis. ato contra direito12. ação pessoal. A responsabilidade por fato de terceiros. 186 do Código Civil. inspira-se em um anseio de segurança. uma vez que este. portanto.poder-se-ia ver defeito na redação ao admitir-se a obrigação de reparar um dano não ocorrido. A responsabilidade por ato próprio se justifica no próprio princípio informador da teoria da reparação. 1. proporá ação competente contra o amo. Aqui. a calúnia. XVIII. de sua parte. Assim. Dentro do quadro da responsabilidade por ato próprio. A responsabilidade por ato de terceiro ocorre quando uma pessoa fica sujeita a responder por dano causado a outrem não por ato próprio. 11. civil: ou d B) culpado agente. quase delito" .14 DIREITO CIVIL RESPONSABILIDADE CIVIL 15 Ademais. 8. A) Açãoouomissão doagente A responsabilidade do agente pode defluir de ato próprio.014. imposta àquele.Ulpianus L.

consignadora. o gesto do agente não visava causar prejuízo à vítima. ordinariamen- 14. Se a vítima experimentar um dano. fica obrigado a reparar. Daí ser neste passo que devem ser estudadas as excludentes da responsabilidade. imposto à vítima. como. n. Com efeito. deverá provar entre outras coisas que o agente causador do dano agiu culposamente. é um tema de desmedida repercussão na doutrina e de considerável importância na jurisprudência. provar que o motorista do automóvel que atropelou seu pai e de cujo acidente lhe resultou a morte. a pessoa que se propõe a realizar uma tarefa que requer conhecimentos especializados ou alguma ha- bilitação e a executa sem ter aqueles ou esta. talvez. . O dolo ou resultado danoso. para que a responsabilidade se caracterize. Se o automobilista atropelou e matou uma pessoa. principalmente dos veículos a motor. Elas serão examinadas logo mais. bem como a regra contida no parágrafo único do art. ou mesmo a responsabilidade objetiva de seu guarda. ou de culpa irrefragavelmente presumida. a crescente responsabilidade. tal a dificuldade de produzir essa evidência. De modo que. para o herdeiro. Todavia. de sua imprudência ou imperícia resultou um dano para ela. Vimos. também. Mas pode.1 . Ordinariamente. mas com importantes restrições. na idéia de negligência se inclui a de imprudência.014 de sua Consolidação das Leis Civis. inclusive por furtos e roubos que perpetrarem terceiros. representada pela adoção da teoria do risco. Em caso de culpa. nos termos da lei. Ao ver de muitos escritores. implica a existência do elemento culpa para que o mister de reparar possa surgir. por outro lado. mister se faz a prova de existência de uma relação de causalidade entre a ação ou omissão culposa do agente e o dano experimentado pela vítima. 1. igualmente. ou da adoção da responsabilidade objetiva (v. ou por dano derivado de coisas que tombem de sua morada. se alguém causou prejuízo a outrem por meio de ação ou omissão' voluntária. bem como a de imperícia14.16 DIREITO CIVIL RESPONSABILIDADE CIVIL 17 bagagens dos hóspedes. e em hipóteses específicas. obviamente negligenciou em obedecer às regras de sua profissão e arte. em virtude do brutal desenvolvimento do maquinário. Se o acidente ocorreu não por culpa do agente causador do dano. C) Relação de causalidade . empregados ou não. 427 do novo Código Civil. 5. n. mas por culpa da vítima. pois aquele que age com imprudência. exigir que a vítima prove a culpa do agente causador do dano é a mesma coisa que deixá-Ia irressarcida. § 2" A imperícia na arte ou profissão equivale à neglígência". supra).O segundo elemento. de uma tendência aparentemente audaz. v. 1 e 2 do art. vinha dirigindo com imprudência. D nos fornece elementos para a conclusão de que conceito de negligência abrange os de imprudência ou imperícia: "§ 1" A falta de diligência ou a neglígência consiste em deixar de empregar as precauções praticadas em circunstâncias idênticas por pessoa diligente e acautelada. afinal alcançado. responsabilidade sem culpa e informada da idéia de risco. não é fácil. B) Culpa do agente . para que a vítima obtenha a indenização. Ele desejava causar dano e seu comportamento realmente o causou. excepcionalmente. mister se faz a prova de que o comportamento do agente causador do dano tenha sido doloso ou pelo menos culposo. até a medida extrema. nosso direito positivo admite alguns casos de responsabilidade sem culpa. CARLOS ECARVALHO. mas de sua atitude negligente.Para que surja a obrigação de reparar. no sentido de admitir em caráter genérico. o pedido de indenização formulado por aquela deverá ser julgado improcedente. que a responsabilidade do agente pode advir de ato próprio ou de ato de terceiro. todos agiram culposamente. mas não se evidenciar que este resultou do comportamento ou da atitude do réu. diria. O encargo de provar a culpa. às vezes se apresenta tão difícil que a pretensão daquela de ser indenizada na prática se toma inatingível. é manifesto que faltou o liame de causalidade entre o ato daquele e o dano por esta experimentado. o segundo pressuposto para caracterizar a responsabilidade pela reparação do dano é a culpa ou dolo do agente que causou o prejuízo. que tiverem acesso ao estabelecimento. I). Em rigor. foi deliberadamente procurado pelo agente. consagrada em nosso Código Civil. Nesse campo. negligencia em tomar as medidas de precaução aconselhadas para a situação em foco. Daí o recurso a muitos procedimentos para atenuar os ônus probatórios (v. negligênciaou imprudência. assim. Já vimos que a regra básica da responsabilidade civil. ser ele obrigado a reparar o dano causado por coisa ou animal que estava sob sua guarda. A lei declara que.

A responsabilidade dos amentais. comissivo. o dever de praticar o ato omitido". mas de seu comportamento omissivo. legal ou social. 486 do vigente Código Civil português: "As simples omissões dão lugar à obrigação de reparar os danos. Calúnia. De modo que. AÇÃO OU OMISSÃO DO AGENTE SUMÁRIO: 9. D) Dano experimentado pela vítima . se resultar provado que a vítima. Reparação do dano causado por ato praticado em estado de necessidade. parece fora de dúvida que o acidente derivou de sua culpa exclusiva e desse modo faltou a relação de causalidade entre o comportamento do agente e o dano experimentado pela vítima. a saber. ao ruir. A responsabilidade individual por omissão é mais freqüente.Introdução A indenização pode derivar de uma ação ou omissão individual do agente. por força da lei ou de negócio jurídico. O proprietário de um pré~ dio que. de um evento externo que mãos humanas não poderiam evitar. Já decidiu o Supremo Tribunal Federal: "A concessionária do serviço de fornecimento de energia elétrica que descurou do dever de fiscalização é solidariamente responsável pela eletrocussão de pessoa. Responsabilidade pelo rompimento do noivado. havendo o dano resultado não de comportamento culposo do agente que o causou. Como já vimos.Finalmente. propôs-se analisar a matéria da responsabilidade civil em dois livros: o Livro I cuidando dos três primeiros pressupostos da responsabilidade. não há relação de causalidade entre os dois eventos. seguindo uma linha traçada pelo atual Código Civil. 12. infringe um dever contratual. 15.452/245). se vier a ser provado que a morte da vítima resultou da falta de socorro que o motorista deveria prestar mas não prestou. que deixa de tomar uma atitude que devia tomarI5. embriagada. 15. o prejuízo defluiu de caso fortuito. por igual.18 DIREITO CIVIL r CAPíTULO II te deverá indenizar seus sucessores. 3. A responsabilidade resulta de fato próprio. são excludentes da responsabilidade. supra). Ato praticado contra a honra da mulher. sempre que. Da mesma maneira no caso fortuito ou de força maior. e o Livro II tratando do dano. a sua responsabilidade defluirá não de seu ato comissivo. na forma do art. O motorista que atropela um pedestre imprudente poderá ser exonerado do dever de reparar o dano se conseguir demonstrar que a culpa foi exclusiva do atropelado. que. 948 do Código Civil. esta obra. 11. parece-me. 13. havia. 9. a ação ou omissão do agente. independentemente de outros requisitos legais. De modo que o agente não deve indenização às pessoas que experimentaram dano pela morte do imprudente pedestre. n. sua culpa e a relação de causalidade. não surgindo a obrigação de indenizar. despenca sobre outro inferior ordinariamente deve reparar o prejuízo causado ao dono deste. a questão da responsabilidade não se propõe se não houver dano (v. 14. difamação e injúria. Mas. quando. mas do fortuito. ou seja. Todavia. Introdução. tentou atravessar à noite uma auto-estrada. como foi visto. agindo ou se omitindo. pois o ato ilícito só repercute na órbita do direito civil se causar prejuízo a alguém. Demanda de pagamento de dívida vincenda ou já paga. A título de ilustração transcrevo o art. se ficar demonstrado que a ruína do prédio superior derivou de um terremoto ocorrido no local. causada por defeito em linha particular de transmissão" (RT. Entretanto. . 10. no campo contratual. ou de uma abstenção do agente.

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