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QUAL É O OBJETIVO DE UM CONTO DE TERROR?

Os contos de terror têm por objetivo despertar no leitor sensações e horror diante da morte, da loucura e do mal que se escondem na mente humana. Para atingir esse objetivo, alguns contos apresentam ao leitor elementos sobre os quais não se deixa dúvida: são sobrenaturais. Assim, as personagens são assombradas por fantasmas e monstros e vivem experiências extraordinárias. Em outros, a causa do terror se encontra na mente humana.

(Para viver juntos: Português, 8° ano: Ensino Fundamental / Ana Elisa de A. Penteado. Edições SM, 2009)

TEXTO I O retrato oval (Edgar Allan Poe)

O castelo em que meu criado se aventurara a forçar entrada, em lugar de deixar-me passar uma noite ao relento, gravemente ferido como eu estava, era um daqueles edifícios mesclados de soturnidade e grandeza que por muito tempo carranquearam entre os Apeninos, tanto na realidade quanto na imaginação da Sra. Radcliffe. Ao que tudo indicava, fora abandonado havia pouco e temporariamente. Acomodamo-nos num dos quartos menores e menos suntuosamente mobiliados, que ficava num remoto torreão do edifício. Sua decoração era rica, porém esfarrapada e antiga. As paredes estavam forradas com tapeçarias e ornadas com diversos e multiformes troféus heráldicos, juntamente com um número inusual de espirituosas pinturas modernas em molduras de ricos arabescos dourados. Por essas pinturas, que pendiam das paredes não só de suas principais superfícies, mas de muitos recessos que a arquitetura bizarra do castelo fez necessários, por essas pinturas meu delírio incipiente, talvez, fizera-me tomar interesse profundo; de modo que ordenei a Pedro fechar os pesados postigos do quarto - visto que já era noite -, acender um alto candelabro que se encontrava à cabeceira de minha cama e abrir amplamente as cortinas franjadas de veludo negro que a envolviam. Desejei que tudo isso fosse feito para que pudesse abandonar-me, ao menos alternativamente, se não adormecesse, à contemplação das pinturas e à leitura atenta de um pequeno volume encontrado sobre o travesseiro que se propunha a criticá-las e descrevê-las. Por longo, longo tempo li, e com devoção e dedicação contemplei-as. Rápidas e gloriosas, as horas voavam e a meia-noite profunda veio. A posição do candelabro desagradava-me, e estendendo a mão com dificuldade, em vez de perturbar meu criado adormecido, ajeitei-o a fim de lançar seus raios de luz mais em cheio sobre o livro. Mas a ação produziu um efeito completamente imprevisto. Os raios das numerosas velas (pois eram muitas) agora caíam num nicho do quarto que até o momento estivera mergulhado em profunda sombra por uma das colunas da cama. Assim, vi sob a luz vívida um quadro não notado antes. Era o retrato de uma jovem, quase mulher feita. Olhei a pintura apressadamente e fechei os olhos. Não foi a princípio claro para minha própria percepção

por que fiz isso. Todavia, enquanto minhas pálpebras permaneciam dessa forma fechadas, revi na mente a reação de fechá-las. Foi um movimento impulsivo para ganhar tempo para pensar - para certificar-me de que minha vista não me enganara -, para acalmar e dominar minha fantasia para uma observação mais calma e segura. Em poucos momentos, novamente

olhei fixamente a pintura. O que agora via, certamente não podia e não queria duvidar, pois

o primeiro clarão das velas sobre a tela dissipara o estupor de sonho que me roubava os

sentidos, despertando-me imediatamente à realidade. O retrato, já o disse, era o de uma jovem. Uma mera cabeça e ombros, feitos à maneira denominada tecnicamente de vinheta, muito ao estilo das cabeças favoritas de Sully. Os braços, o busto e as pontas dos radiantes cabelos dissolviam-se imperceptivelmente na vaga mas profunda sombra que formava o fundo do conjunto. A moldura era oval, ricamente dourada e filigranada à mourisca. Como objeto artístico, nada poderia ser mais admirável do que aquela pintura em si. Mas não seria a elaboração da obra nem a beleza imortal daquela face o que tão repentinamente e com veemência comovera- me. Tampouco teria minha fantasia, sacudida de seu meio-sono, tomado a cabeça pela de uma pessoa viva. Vi logo que as peculiaridades do desenho, do vinhetado e da moldura devem ter dissipado instantaneamente tal ideia - e até mesmo evitado sua cogitação momentânea. Pensando seriamente acerca desses pontos, permaneci, talvez uma hora, meio sentado, meio reclinado, com minha vista pregada ao retrato. Enfim, satisfeito com o verdadeiro segredo de seu efeito, caí de costas na cama. Descobrira o feitiço do quadro

numa absoluta naturalidade de expressão, a qual primeiro espantou-me e por fim

confundiu-me, dominou-me e aterrorizou-me. Com profundo e reverente temor, recoloquei

o candelabro em sua posição anterior. Sendo a causa de minha profunda agitação colocada

assim fora de vista, busquei avidamente o volume que tratava das pinturas e suas histórias. Dirigindo- me ao número que designava o retrato oval, li as vagas e singulares palavras que se seguem: "Era uma donzela de raríssima beleza, não mais encantadora do que cheia de alegria. Má foi a hora em que viu, amou e desposou o pintor. Ele, apaixonado, estudioso, austero, e tendo já na sua Arte uma esposa; ela, uma donzela de raríssima beleza, não mais encantadora do que cheia de alegria; toda luz e sorrisos, e travessa como uma corça nova; amando e acarinhando todas as coisas; odiando apenas a Arte, sua rival; temendo só a paleta, os pincéis e outros desfavoráveis instrumentos que a privavam do rosto de seu amado. Era, portanto, uma coisa terrível para essa dama ouvir o pintor falar de seu desejo de retratar justo sua jovem esposa. No entanto, ela era humilde e obediente, e posou submissa por muitas semanas na escura e alta câmara do torreão, onde a luz caía somente do teto sobre a pálida tela. Mas ele, o pintor, glorificava-se com sua obra, que continuava de hora a hora, dia a dia. E era um homem apaixonado, impetuoso e taciturno, que se perdia em devaneios; de maneira que não queria ver que a luz espectral que caía naquele torreão

isolado debilitava a saúde e a vivacidade de sua esposa, que definhava visivelmente para todos, exceto para ele. Contudo, ela continuava a sorrir imóvel, docilmente, porque viu que

o pintor (que tinha grande renome) adquiriu um fervoroso e ardente prazer em sua tarefa,

e trabalhava dia e noite para pintar a que tanto o amava, aquela que a cada dia ficava mais desalentada e fraca. E, em verdade, alguns que viam o retrato falavam, em voz baixa, de sua semelhança como de uma poderosa maravilha, e uma prova não só da força do pintor como de seu profundo amor pela qual ele pintava tão insuperavelmente bem. Finalmente,

como o trabalho aproximava-se de sua conclusão, ninguém mais foi admitido no torreão, pois o pintor enlouquecera com o ardor de sua obra, raramente desviando os olhos da tela, mesmo para olhar o rosto de sua esposa. Não queria ver que as tintas que espalhava na tela eram tiradas das faces da que posava junto a ele. E quando muitas semanas nocivas passaram e pouco restava a fazer, salvo uma pincelada na boca e um tom nos olhos, o espírito da dama novamente bruxuleou como a chama de uma lanterna. Então, a pincelada foi dada e o tom aplicado, e, por um momento, o pintor deteve- se extasiado diante da obra em que trabalhara. Porém, em seguida, enquanto ainda contemplava-a, ficou trêmulo, muito pálido e espantado, exclamando em voz alta: 'Isto é de fato a própria Vida!' Voltou-se repentinamente para olhar sua amada: estava morta! "O retrato oval (Edgar Allan Poe)

ATIVIDADE DE FIXAÇÃO OBSERVAÇÃO:

Esta proposta de atividade foi executada e corrigida em sala de aula com os alunos dos 8° anos

O texto "O retrato oval", de Edgar Allan Poe, foi lido e discutido em sala de aula. Com base nessa leitura e discussão, faça o que se pede abaixo:

1) O texto "O retrato oval" pode ser dividido em duas partes: na primeira, um homem ferido que se hospeda em um castelo; na segunda, uma bela jovem casa-se com um pintor. Pergunta-se:

a) Qual o foco narrativo da primeira parte?

b) Qual o foco narrativo da segunda parte?

2)Podemos deduzir que o narrador na primeira parte do texto "O retrato oval" é um homem rico. Comprove essa afirmativa com uma passagem do texto.

3)Na narrativa ocorre um fato inusitado. Pergunta-se:

a. Que fato é esse?

b. Por que esse fato pode ser considerado inusitado?

4)Em "O retrato oval", uma combinação de fatores cria o suspense, elemento fundamental em seu enredo. Um desses fatores é a forma de apresentar o espaço ao leitor.

a. Com base nas palavras do narrador, indique as características do castelo.

b. Como eram as paredes desse castelo?

c. Como eram os quadros?

d. Como era a iluminação do castelo?

e. Como era a cama?

5)O autor do texto "O retrato oval" usou a palavra "soturnidade" que é sinônimo de "lúgubre" com a finalidade de caracterizar o ambiente onde a história se passa. Pergunta-se:

a)

Qual o significado de lúgubre?

6)

Copie o segundo parágrafo do texto "O retrato oval" e, em seguida, responda as questões

abaixo:

a) Quantos verbos esse parágrafo tem? (destaque-os)

b) De quantas orações é formado esse parágrafo?

c) Qual é o adjetivo usado para caracterizar a "meia-noite"?

d) Como se classifica o sujeito dos verbos "li" e "contemplei-as"?

e) Em "

do verbo "veio"?

as

horas voavam e a meia-noite profunda veio", qual é o sujeito do verbo "voavam" e

TEXTO II

O quadro do palhaço (Fernando Ferric)

Festa de aniversário na casa de André. Ele estava completando oito anos e, entre vários presentes, um recebeu atenção especial: um quadro com a gravura de um palhaço. Ele usava um chapéu amassado com uma flor morta e tinha uma fisionomia triste.

André não tinha mais tranquilidade para brincar no seu quarto, se sentia vigiado pelo estranho quadro pendurado na cabeceira da cama. Ele tinha a impressão que o palhaço se mexia enquanto ele brincava.

O pior era quando anoitecia. Na hora de dormir, ele ouvia estranhos ruídos que

pareciam vir do quadro; levantava, ligava a luz e lá estava o palhaço com o semblante triste, mas ao mesmo tempo um sorriso cínico. O medo era tão grande que um dia ele teve um terrível pesadelo com o palhaço, acordou no meio da noite e foi correndo para o quarto da sua mãe. Acordou disposto a dar fim naquele medo. Pegou o quadro e colocou no chão e ficou observando aquela gravura. Era como se o palhaço tivesse vida. André pegou uma faca e começou a raspar os olhos do temível palhaço, pois sem os olhos ele não parecia tão terrível assim. Quando sua mãe chegou e viu o que ele tinha feito com o quadro, ficou muito nervosa, deu-lhe uma surra, e o pior, deixou André de castigo trancado no quarto. Ele não sabia o que fazer. Sentia a presença do palhaço no quarto. Se apagava a luz, ficava vendo coisas; se acendia, lá estava a gravura, agora sem os olhos e com um ar

de vingança. Pegou o quadro e colocou embaixo da cama, deitou e pensou que tinha achado uma boa solução, mas começo a ouvir uma risada, bem baixinha, como se estivesse provocando.

- Lá, lá, lá, lá, lá. Não estou ouvindo nada! - começo a cantar com as mãos tampando os ouvidos. André sentiu um forte puxão em seus braços.

- Agora você vai ouvir! - disse o palhaço em cima de sua cama.

O garoto não podia acreditar que o palhaço estava na sua frente, não era uma

gravura, era real. Seu rosto era sombrio, sua maquiagem estava desbotada, usava uma roupa rasgada, fétida. Era um circo de horrores.

- Me larga, seu palhaço horroroso! Me larga! - gritou André se debatendo.

O palhaço continuou a segurá-lo com muita força, e dava gargalhadas. De seus

olhos escorriam um líquido negro. O palhaço ergueu a mão e enfiou com toda força no peito de André. Ele sentiu o amargo sabor da morte em seus lábios; não podia se deixar sua vida escapar. De repente um clarão, e uma forte sacudida em seus ombros.

- Acorda, filho! Acorda! Calma

Foi apenas um pesadelo. - disse sua mãe.

A mãe de André o deixou dormir no quarto dela. Mas ele sabia que seria só naquela noite, e teria que enfrentar o quadro novamente. Na escola, ao contar o que aconteceu, seus amigos lhe deram a ideia de queimar o quadro. Com um saco de lixo, eles entraram no quarto sem que a empregada percebesse, pegaram o quadro e botaram dentro do saco.

- Onde vamos queimar? - perguntou André aos seus colegas.

- Na minha garagem! Vamos botar fogo nesse palhaço! - respondeu Fernando. Jogaram muito álcool, pularam em cima do quadro, chutaram a gravura do palhaço, cuspiram em cima dele, um verdadeiro exorcismo.

- Taca fogo, André! Queima ele! - gritou Fernando.

André riscou o fósforo e jogou em cima do quadro. As labaredas consumiram o quadro, a gravura se desmanchou até não restar mais nada. Todos comemoraram. Menos a mãe de André que ficou revoltada ao saber que o garoto tinha destruído o quadro que seu avô lhe dera. Era festa de aniversário de Fernando. Já tinha passado alguns meses após o acontecido. Todos os amigos reunidos, inclusive o André. Muitos presentes chegaram. Carrinho de controle remoto, vídeo game, bola, mas faltava desembrulhar um presente. Ninguém sabia quem tinha dado aquele que estava encostado na parede, embrulhado com um papel marrom. -Oba! Vamos ver o que é esse! - gritou Fernando chamando os colegas.

- Acho que é um jogo! - disse André.

- Não! Eu acho que é um quebra-cabeça!

E ao desembrulhar, a terrível surpresa

O quadro do Palhaço!

COMPARANDO OS TEXTOS:

"O RETRATO OVAL", DE EDGAR ALLAN POE E "O QUADRO DO PALHAÇO", DE FERNADO FERRIC. Tomando por base os textos "O retrato oval" e "O quadro do palhaço", teça semelhanças e diferenças entre eles, observando os elementos da narrativa e a caracterização dos mesmos, bem como outros elementos pertinentes.

SEMELHANÇAS DIFERENÇAS O retrato oval O quadro do palhaço O retrato oval O quadro do
SEMELHANÇAS
DIFERENÇAS
O retrato oval
O quadro do palhaço
O retrato oval
O quadro do
palhaço

REFERÊNCIAS

BIBLIOGRÁFICAS

Para viver juntos: português, 8° ano: ensino fundamental / Ana Elisa de A.Penteado. Edições SM, 2009)

htttp://contosgrotescos.blogspot.com/2010/11/beijos-gelados.html (Acessado em 04/02/12)

htttp ://contosgrotescos.blogspot.com/2011/11 /beste-do-beijo.html (Acessado em 04/02/12)