Por Dr.

Jorge Mário Jorge

1.1

Conceito de Direito Segundo Inocêncio Galvão Telles1, direito é um conjunto de normas de

conduta social, estabelecidas em vista da justiça, paz e do bem comum dotados de generalidade impostas pela força quando necessário. Segundo Emmanuel Kant, o direito é um conjunto das condições segundo as quais o arbítrio de um pode coexistir com o arbítrio de outros de acordo com uma lei geral. Ainda, segundo Victor Emmanuel, o direito é um conjunto de normas ou regras jurídicas que regem a conduta humana prevendo sanções para os casos de incumprimento. O direito também distingue-se em direito em sentido amplo e direito em sentido restrito: Direito em sentido restrito é um conjunto de normas jurídicas emanadas por uma autoridade competente com o fim último de regular a vida numa determinada sociedade de um determinado ordenamento jurídico. Em quanto que o direito em sentido amplo é um conjunto de normas que regem os seres vivos em todos os lugares e em todos os tempos. 1.2 Objecto e finalidade da cadeira O objectivo desta cadeira é ajudar o estudante a vencer as inevitáveis dificuldades que depara a quem inicia o estudo do direito. Enquanto que a finalidade desta cadeira é de lavar ao estudantes a uma personalidade de ter recebido as sementes da sua formação jurídica e ter uma ideia do que seja o direito tal como se apresenta dia-a-dia. Esta cadeira tem como propósito sugerir ao espírito do estudante o que é direito, como ele aparece, em consiste, como é vivido nos seus momentos de evolução normal ou nos seus momentos de perturbação.
1 a

TELLES, Inocêncio Galvão, Introdução ao Estudo do Direito, Volume I, 10 Edição, Lisboa, pag. 23 e 24.

1

As leis físicas dizem o que é. decretos.3 Leis físicas e leis normativas As leis físicas ou leis da natureza exprimem as relações necessárias entre as coisas. Estas leis. independentemente da vida dos homens ou mesmo contra essa vontade. Uma lei normativa: não matarás. Eis um fenómeno. 1. porque elas são. Aquilo que acontece. Estamos a falar necessariamente do costume. inerentes a natureza das coisas. as leis normativas o que deve ser. orientada no sentido de formação do Direito através dos órgãos escolhidos pelo povo. entra em ebulição. há uma actividade racional. Assim. ninguém as cria. aquilo que é. a que cegamente obedece. a que indicam fins. como ser físico.4 Carácter necessário do direito Através das Assembleia da Republica (AR). O homem. As segundas dirigem-se a vontade. 2 . com frequência criam Direito. elas são dadas como formas de conservação do universo. Existem no entanto duas teses que se pronunciam em contrário:  A primeira tese sustenta que o direito é uma consequência da maldade dos homens e está destinado a desaparecer com o mítico aperfeiçoamento destes (homens). esta sujeito a essas leis naturais. decretos-lei e regulamentos. o direito necessariamente existiria como floração espontânea da sociedade.Por Dr. do Governo. as segundas imperativas. Aquelas descrevem-nos a natureza. Mesmo se esses órgãos legalmente instituídos não fizessem o direito ou não existissem. aplicam-se de uma forma invariável e constante. por assim dizer. Jorge Mário Jorge 1. E geralmente aceite que o direito foi. os cientistas não as criam apenas as descobrem. O exemplo de uma lei física: a água elevada a temperatura de cem graus em determinadas condições de ambiente. é e sempre será necessário. são regras de causalidade. não roubarás. As primeiras são explicativas. através de leis. dizem como as coisas se passam no universo.

por sinal de cariz marxista. hub sucintas íbis jus). sustenta que o direito está ligado a existência das classes sociais. íbis sócias. e onde há sociedade há Direito. Estas duas teses ou teorias. trata-se de um direito que antecede e subordina o direito positivo de origem política ou social que não deveria entrar em conflito 3 . válido em qualquer lugar e em todos os tempos. O direito natural se reduz a um pecúlio muito limitado de princípios imutáveis e que são conformes com a natureza do homem.Por Dr.6 Direito natural Direito natural (jus natura li) ou jusnaturalismo é uma teoria que postula a existência de um direito cujo conteúdo é estabelecido pela natureza e. A expressão “direito vigente” é o conjunto de princípios em vigor num determinado momento histórico. segurança. são geralmente aceites porque a vida social só é possível porque os homens possuem regras que visam instruir a paz. Onde há Homem. 1. prevendo o seu desaparecimento dessas. O direito vigente serve para indicar o conjunto de regras que em cada momento encontram-se em vigor num determinado ordenamento jurídico (Pais ou Estado). O que importa é que. portanto. Jorge Mário Jorge  A segunda tese. apesar de frágeis. 1. há Sociedade. justiça e diminuir os conflitos de interesse que surgem na sociedade. Portanto o direito positivo (vigente) é um conjunto de normas jurídicas obrigatórias e coactivas. desaparece o direito. por isso contingente e variável. emanadas por uma autoridade competente de um determinado ordenamento jurídico concreto. Assim pode-se resumir da seguinte forma: O Homem. a Sociedade e o Direito. porque o conteúdo do direito é essencialmente mutável de Estado para Estado e de época para época. O direito positivo é uma obra humana. (ubi homo.5 Direito positivo Segundo o Professor Doutor Inocêncio Galvão Telles o conjunto de normas jurídicas em vigor em vários países formam o direito positivo (jus civita).

pode perder sua validade. 4 . Os adeptos ou os defendem este Direito Natural são conhecidos como jusnaturalistas. Neste sentido pode se sustentar que o direito natural é imutável ao longo da história. Historicamente pertenceram ao jusnaturalismo pensadores católicos como Tomás de Aquino e escritores racionalistas como Hugo Grácio.Por Dr. Jorge Mário Jorge com as regras do direito natural e. se entrar.

de acção. Os direitos reais são aqueles que têm por objecto um bom móvel ou imóvel. de natureza apenas moral. usufruto. constante das leis. a relativa do Direito Público e Direito Privado. o que não sucede com os não patrimoniais. Os primeiros possuem valor de ordem material. O direito objectivo constitui uma entidade objectiva frente aos sujeitos de direitos. figurando. ao direito com plena eficácia jurídica. podendo ser apreciados pecuniariamente. Jorge Mário Jorge Direito em sentido objectivo e direito em sentido subjectivo O Direito objectivo é o conjunto de normas que o Estado mantém em vigor. É aquele proclamado como ordenamento jurídico e. Ao falar-se em direito objectivo cria-se desde já uma delimitação entre algo e outra coisa que se lhe contrapõe. de petição e direitos políticos. Direitos Subjectivos Públicos – O direito subjectivo público dividese em direito de liberdade. Na verdade. como divisão maior. 1. a delimitação entre o direito objectivo (norma agendi) e o direito subjectivo (facultas agendi). Direitos Subjectivos Privados – Sob o aspecto económico. Classificação do direito subjectivo A primeira classificação sobre o direito subjectivo refere-se ao seu conteúdo. que se regem segundo ele. ao se referir a direito objectivo. a referência ao direito meramente escrito. os direitos subjectivos privados dividem-se em patrimoniais e não patrimoniais. obrigacionais. portanto. três grandes delimitações se procuram fazer no decorrer da história: a diferença entre o direito divino e o direito dos homens. fora do sujeito de direitos. penhor. Os obrigacionais. sucessórios e intelectuais.Por Dr. como o domínio. Essas normas vêm através de sua fonte formal: a lei. Os patrimoniais subdividem-se em reais. têm por objecto uma prestação 5 . também chamados de crédito ou pessoais. finalmente. e. 2.

 Fonte do direito no sentido próprio ou restrito ou Ius Cognoscendi– consequência da fonte causal ( a própria lei em concreto). Lisboa. Assim. principais e acessórios. Inocêncio Galvão Telles2. Finalmente. entre as quais: Segundo o Prof. pag. como veio e como se forma. Inocêncio Galvão. FONTES DE DIREITO Quando se fala de fontes de direito. Jorge Mário Jorge pessoal. Através dessas perguntas não se pretende fazer a filosofia do direito. Lei como principal fonte de direito Existem varias definições de lei. 23 e 24. A segunda classificação dos direitos subjectivos refere-se à sua eficácia. como ocorre no mútuo. o problema que se coloca é a seguinte: de onde vem o direito. Dividem-se em transmissíveis e não transmissíveis. 2 TELLES. Sucessórios são os direitos que surgem em decorrência do falecimento de seu titular e são transmitidos aos seus herdeiros. Em face do direito existem dois tipos de fontes:  Fonte causal ou Ius Essendi – o problema por ser resolvido (qualquer situação fáctica). com exclusão de outras pessoas. Introdução ao Estudo do Direito. Volume I. renunciáveis e não renunciáveis. 10a Edição. os direitos intelectuais dizem respeito aos autores e inventores. as fontes de direito no sentido restrito são os processos (modos) de criação e revelação das normas jurídicas. que têm o privilégio de explorar a sua obra. 6 . a lei é o comando da razão criada e promulgada por uma autoridade competente destinada a uma comunidade capaz de recebê-la e praticá-la.Por Dr. contrato de trabalho etc. nem se pretende saber a questão sociológica das causas genéricas do direito. 2.

Por Dr. Deste modo existem leis sempre que a autoridade pública seja ela qual for. Curso de direito civil brasileiro. a enciclopédia livre. A lei é um acto do Estado que tem a tendência de criar o direito. existem leis jurídicas. Fundamentalmente. M. do número 1. desde que para isso tenha competência formule regras de conduta social. São Paulo: Saraiva. éticas e da natureza. do artigo 204 da CRM)  O Presidente da Republica (artigo 158 da CRM)  Assembleia Legislativa Municipal e entre outras autoridades. São fontes de direito:  Lei  Costume  Jurisprudência  Doutrina (ciência jurídica) Neste momento cabe-nos falar da lei como fonte principal do direito em Moçambique e em vários outros países. Fala-se das leis que regulam o universo. 1999. do número 2. morais. Ed. H. Isso depende da inevitável maleabilidade da linguagem fruto das circunstâncias. existem acepções do termo lei a saber: 3 DINIZ. fala-se das leis que regulam os seres vivos. Essas autoridades podem ser:  Assembleia da Republica (alínea a. 7 . in Wikipédia. Jorge Mário Jorge Lei3 é uma norma ou conjunto de normas jurídicas criadas através dos processos próprios do acto normativo e estabelecidas pelas autoridades competentes para o efeito. Nesta ordem de ideias. crie regras coactivamente obrigatórias. é um termo com vários sentidos distintos. do artigo 179 da CRM)  Governo ou Conselho de Ministros (alínea d. A lei possui uma multiplicidade de acepções. 9. os homens assim como os animais. e s. religiosas.

mesmo que não incumbido da função legislativa. emanado por um órgão do Estado. Assim. Diz-se material porque mesmo variando órgão que a faz e a forma permanece idêntica a matéria e o conteúdo. A lei é sempre escrita ou um acto escrito. que provem do povo. é fonte voluntaria. desde que contenha uma verdadeira regra jurídica. é sempre necessário ou seja. A lei caracteriza-se também segundo pelo seu fim.  Acepção restrita – que tem a ver com a lei como fonte de direito positivo. dizse lei em sentido material porque corresponde a todo o acto normativo. da doutrina ou ciência jurídica que é obra dos jurisconsultos. A lei material é aquela que vai desde a constituição ate aos regulamentos passando pelas formas intermediárias. 8 . porque o direito legal nos nossos dias é ius scriptium. A lei também caracteriza-se pela sua origem e pelo seu fim. é criação do Estado e da emanação das autoridades competentes. A lei também pode ser classificada em lei material e lei formal. exigindo-se que se revista das formalidades relativas a essa competência. isto é lei como um dos modos de criação do direito. exigindo-se que se revista das formalidades relativas a essa competência. a lei se distingue das outras fontes do direito que são o costume. Lei em sentido formal representa todo o acto normativo emanado de um órgão com competência legislativa.Por Dr. ela destinase a produção do direito. Jorge Mário Jorge  Acepção ampla – que tem a ver com a lei como princípio que rege todos os seres em todos os tempos e em todos os lugares. Pela sua origem porque deriva directamente do Estado.

As leis ordinárias devem sempre estar em conformidade com a constituição. 9 . do governo. o diploma onde vem contidas as normas e princípios supremos a que obedece a estrutura e actividade do Estado. Constituição é a chamada lei mãe de um Pais ou Estado. 2. são elaboradas de forma mais fácil que aquelas constitucionais. Leis ordinárias Estas encontram-se abaixo das leis constitucionais que formam a maior parte do universo das leis. É o estatuto fundamental de um País. As leis ordinárias podem provir da Assembleia da República (AR). das autarquias locais. é a carta orgânica. Rigorosamente falando. do Presidente da República entre outros com competência para tal. as leis ordinárias são subordinadas àquelas constitucionais.Por Dr. Enquanto que as leis constitucionais estão no vértice da hierarquia das fontes de direito ocupando o grau mais elevado. as bases dessa organização encontram-se contidas na constituição. Jorge Mário Jorge Hierarquia das leis 1. a lei ordinária é o acto legal que é emanada pela Assembleia da Republica (AR) que necessariamente requer um debate público realizado de acordo com o estatuído no artigo 183 da CRM. O Estado por sua natureza supõe uma organização. Leis constitucionais São aquelas leis que fazem o conjunto formado pela constituição e aquelas produzidas em vista da revisão da constituição.

São elas:  Formação (Iniciativa.dos votos -membros presentes . na forma e nos casos previstos no vigente texto constitucional. (vide o número 1 do artigo184 da CRM). atesta que ela proveio do órgão competente. (Vide o artigo 163 da CRM). que se toma por maioria -simples ou absoluta . Discussão. Aprovação)  Promulgação (pelo Presidente da República)  Publicação  Entrada em vigor Formação da lei Iniciativa É o acto que inaugura o processo legislativo. votação. seguindo o regular processo legislativo. (vide o artigo183 da CRM).Por Dr.(vide o número 2 do artigo183 da CRM). A falta de promulgação implica a sua inexistência jurídica. opondo-se às leis votadas pela Assembleia da República. O presidente da República pode recusar a promulgação (através de veto). Jorge Mário Jorge O Processo de elaboração da em Moçambique Conjunto de actos (fases) devidamente ordenados para a criação (elaboração) da lei. Discussão É o ato que se debate (é o discurso) do projecto de lei. Promulgação Promulgação é o acto do Presidente da República de Moçambique que confirma a existência de lei. Votação Acto de decisão. É a faculdade atribuída a alguém ou órgão para apresentar projecto de lei. 10 .

do artigo 179 da CRM). Entrada em vigor Antes da entrada em vigor da lei há um momento que se chama Vacatio legis – a vacatio legis é a determinação do tempo para a entrada em vigor. Publicação Acto pelo qual se leva ao conhecimento público (divulgação) a existência de uma lei nova. 11 . e t. Jorge Mário Jorge Ratificação Corroboração do que já foi dito. exequível em todo o território nacional. A vacatio legis compreende dois tipos: imediato mediato.Por Dr. confirmação. (vide as alíneas s. do numero 2. obrigatória.

Só a Assembleia Constituinte fornece a interpretação obrigatória do estatuto supremo. no sentido de alcançar todos os casos presentes e futuros.  Interpretação judicial ou judiciária É aquela que é feita pelos juízes em sua actividade jurisdicional. aos juízes. Em Moçambique a interpretação não tem o carácter da generalidade. despachos. em geral.  Interpretação doutrinal É a realizada cientificamente pelos doutrinários e juristas (autores de obras jurídicas. circulares.  Interpretação administrativa É aquela feita pela fonte elaboradora. advogados e doutrinários. HERMENÊUTICA JURÍDICA 3. serve de norte aos tribunais de hierarquia inferior.Por Dr. 12 . professores de ciência jurídica e outros operadores). jurisconsultos. decisões. a própria Administração Pública através de seus órgãos e mediante pareceres. tendo que fixar nos julgamentos o entendimento da norma. Embora não tenham o carácter vinculativo ou carácter obrigatório. Porque se deve fazer a interpretação? Deve-se fazer a interpretação das normas jurídicas porque as normas duvidosas não obrigam. Parte de órgãos do Poder Executivo no sentido de constituir directrizes. na execução de actividades administrativas.1 Interpretação da lei É a actividade intelectual ou operação técnica jurídica que visa determinar ou fixar o verdadeiro sentido e alcance das normas jurídicas para o seu melhor cumprimento. portarias. No exercício da sua função o juiz aplica a lei ao caso concreto. Jorge Mário Jorge 3. do poder constituinte que fez o acto cujo sentido e alcance a lei declara. a) Tipos de Interpretação  Interpretação autêntica É aquela que é emanada do próprio legislador.

OBS. occasio legis . da sintaxe. literal ou verbal é aquela que elucida o significado das palavras ou orações contidas na norma jurídica na base das regras gramaticais. O elemento literal ou gramatical compõe-se da análise do valor semântico das palavras empregadas no texto. Princípio do entrelaçamento ou interligação que une as normas jurídicas. motivo ou causa determinante do dispositivo legal (da norma) e o que se pretendeu obter com sua edição. Pesquisa-se a: ratio legis . Interpretação sistemática é a que consiste em interpretar a lei dentro do sistema de leis em que ela se enquadra e com as quais tem de conciliar-se. Processo de interpretação que atende à forma exterior do texto: preocupa-se com vários sentidos dos vocábulos: procura descobrir qual deve ou pode ser o sentido de uma frase.  Elemento racional ou lógico Elemento fundamental na interpretação da lei. do exame e exclusão de ambiguidades. a intenção.Por Dr. o espírito.a razão da lei. Esse método é insuficiente porque a linguagem pode conduzir a diferentes resultados de quem a escreveu. mens legis. as condições que a inspiraram.o pensamento da lei. da colocação do vocábulo na frase. etc. do emprego de expressões sinónimas. da pontuação. o sentido por quê e para que foi feita.o momento histórico de seu aparecimento. Jorge Mário Jorge b) Elementos de interpretação da lei  Elemento literal gramatical Interpretação gramatical. 13 .  Elemento sistemático Consiste no processo ou método sistemático em comparar dispositivos com outros ou de leis diversas referentes ao mesmo objecto.

OBS. c) Interpretação da lei segundo o resultado  Interpretação declarativa O intérprete conclui que há correspondência entre a letra da lei e o pensamento do legislador. Ex: A lei contra violência doméstica.  Interpretação extensiva O intérprete constata que o legislador utilizou-se com impropriedade dos termos. o pensamento do legislador é mais extenso do que se exprime a lei. Se em um mesmo trecho existe uma parte conciliável e a outra não. por isso a essência da interpretação terá de ser teleológica (voltada para um fim). 14 . Já para a derrogação (revogação parcial da lei) basta a incompatibilidade parcial. ou seja. o espírito da lei. com medida exacta.Por Dr.  Interpretação revogatória ou ab-rogante Ocorre quando o intérprete conclui que a lei ou o dispositivo que esteja sendo interpretado já está ab-rogado expressa ou tacitamente. aplicando esta aos casos que o legislador previu. o pensamento do legislador é menos extenso do que os termos da lei o exprime. isto declarando. deve o intérprete concluir que continua em vigor a primeira. mas a lei não prevê (o legislador diz menos do que devia).  Interpretação restritiva O legislador ao redigir o acto normativo diz mais do que deveria dizer. Através dela o intérprete chega a constatação de que as palavras usadas pelo legislador expressam. Jorge Mário Jorge  Elemento teleológico Por ser o Direito uma ciência normativa finalística (com finalidades). fazendo a interpretação rogatória apenas em relação à parte da lei que se mostra incompatível com a norma anterior.

15 . Quando. E então o juiz ou o intérprete terá de resolver juridicamente a situação. O critério para encontrar a regulamentação que a lei não previu é-nos indicado pelo art. aplicar-se-á a este.se que a lei preveja todos os casos que devem ser regulados juridicamente. que. respeita à integração das lacunas na lei. Sucede. O conjunto de leis nunca é completo. Então não pode aplicar-se directamente uma lei. há que buscar um preceito legal que regule situações semelhantes (casos análogos). E estas exigem uma solução jurídica. Primeiramente: os casos que a lei não preveja são regulados segundo a norma aplicável aos casos análogos. depois de fixado o alcance das leis pela interpretação. por não haver regulamentação pela lei de casos análogos. porém. o preceito regulamentador daqueles casos análogos. formulando por si mesmo a norma que o legislador criaria em conformidade com o sistema geral da ordem jurídica vigente. interpretada a lei e verificado que o caso omisso não cabe na sua esfera de aplicação. invocando a falta ou obscuridade da lei. O problema. importa buscar a regulamentação do caso omisso para além da lei. se verifica que um caso concreto não cabe no campo de aplicação de qualquer regra jurídica. inviável. precisamente porque falta uma lei aplicável ao caso omisso. como determina o art. e quando as razões que levaram à regulamentação dos casos análogos justificassem também a regulamentação do caso omisso. os tribunais não podem abster-se de julgar. Este caminho pode revelar-se. porém. diz-se que estamos perante um caso omisso. por analogia. de modo a abarcar todas as hipóteses possíveis. que assim fica definido.Por Dr. 8º do Código Civil. Jorge Mário Jorge Integração das lacunas da lei A vida social é extremamente rica. um caso da vida real não previsto e não regulado pela lei. não pode presumir . 10º do Código Civil. Quer isto dizer que.

fere os preceitos legais em vigor num determinado ordenamento jurídico. O costume jurídico caracteriza-se por dois elementos que o geram e justificam:  O corpus .que consiste na convicção subjectiva ou psicológica de obrigatoriedade desses comportamentos enquanto representativos de valores essenciais.que consiste na prática social reiterada do comportamento (uso objectivo.que é o costume que é de acordo com a lei. de acordo com cada sociedade e cultura específica. de acordo com a expressão longi temporis praescriptio) e. COSTUME Costume – são as regras sociais resultantes de uma prática reiterada de forma generalizada e prolongada. 16 .  O animus .  Costume Contra Lege – é aquele costume que é contra a lei.  Costume Praeter Lege .é aquele costume que se encontra em conformidade para além da lei. o que resulta numa certa convicção de obrigatoriedade. Espécies de costumes Existem três (3) tipos de costumes:  Costume Segundo Lege (segundo a lei) . Jorge Mário Jorge 4.Por Dr.

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