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ESTADO DO MEIO AMBIENTE E RETROSPECTIVAS POLÍTICAS: 1972-2002

UNEP, Edwin C. Tuyay, Topham Picturepoint

Desastres
Panorama mundial
Os desastres podem ocorrer como conseqüência do impacto de um risco natural ou causado por atividades antrópicas. Os riscos naturais incluem fenômenos como terremotos, atividade vulcânica, deslizamentos de terra, maremotos, ciclones tropicais e outras tempestades intensas, tornados e ventos fortes, inundações fluviais e costeiras, incêndios florestais e a névoa que formam, seca, tempestades de areia e de poeira e infestações. Os riscos causados por atividades antrópicas podem ser intencionais, como a descarga ilegal de petróleo, ou acidentais, como derramamentos tóxicos ou fusão nuclear. Todos esses riscos podem ameaçar as pessoas, os ecossistemas, a flora e a fauna. As populações carentes são as mais vulneráveis aos desastres, porque dispõem de menos recursos e capacidade para lidar com os impactos ou evitá-los.
“Um desastre é uma grave interrupção do funcionamento de uma sociedade, causando perdas humanas, materiais ou ambientais que excedem a capacidade da sociedade afetada de lidar com tais conseqüências com seus próprios recursos.” — Fonte: UNDHA, 2001

Desastres naturais
As pessoas e o meio ambiente estão sofrendo cada vez mais os efeitos dos desastres naturais devido a diversas razões, tais como altas taxas de crescimento populacional e elevada densidade demográfica, migração e urbanização não planejada, degradação ambiental e possivelmente a mudança do clima global. O grande alcance dos impactos socioeconômicos dos desastres naturais causou uma mudança na abordagem política para lidar com o conceito de risco nas sociedades modernas. Comparando as duas últimas décadas, o número de pessoas que morreram em desastres naturais e não-naturais foi maior na década de 1980 (86.328 ao ano) do que na década de 1990 (75.252 ao ano). No entanto, mais pessoas foram afetadas por desastres na década de 1990 – de uma média de 147 milhões ao ano na década de 1980 para 211 milhões de pessoas anualmente na de 1990. Embora o número de desastres geofísicos tenha permanecido bem constante, o número de desastres hidrometeorológicos (causados pela água e pelo clima) aumentou (ver gráfico na página seguinte). Na década de 1990, mais de 90% das vítimas de desastres naturais morreram em eventos hidrometeorológicos, como secas, tempestades de

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vento e inundações. Embora as inundações tenham sido responsáveis por mais de dois terços das pessoas afetadas por desastres naturais, essas são menos fatais do que muitos outros tipos de desastres e equivalem a apenas 15% das mortes (IFRC, 2001). Os custos sociais e econômicos dos desastres apresentam uma ampla variação e é difícil calculá-los em um âmbito global. As declarações de danos como uma estimativa do impacto econômico dos desastres tendem a induzir a erros. Considerando as declarações de danos a seguradoras com relação às inundações ocorridas em 1999 na Áustria, na Alemanha e na Suíça, ao menos 42,5% dos danos foram cobertos pelo seguro contra desastres. Mas na Venezuela, no mesmo ano, apenas 4% dos danos causados por inundações foram cobertos (CREDOFDA, 2002). É necessário obter dados sistemáticos confiáveis sobre os desastres para ajudar a avaliar seus impactos socioeconômicos e ambientais, tanto a curto como a longo prazo. Embora as comunidades dos países em desenvolvimento sofram diversos desastres em escala local, como incêndios florestais, pequenas inundações, secas e infestações, freqüentemente esses eventos não se refletem nas estatísticas de desastres. Os desastres mais dispendiosos em termos puramente financeiros e econômicos são as inundações, os terremotos e as tempestades de vento, mas eventos como seca e fome podem ser mais devastadores em termos de vidas humanas. Embora os terremotos tenham sido responsáveis por 30% dos danos calculados, causaram apenas 9% de todas as fatalidades por desastres naturais. Em contraste, a fome causou a morte de 42%, mas foi responsável por somente 4% dos danos na última década (IFRC, 2001). Em 1999, calculou-se que as perdas financeiras globais devido a eventos catastróficos naturais excederam US$ 100 bilhões – a segunda quantia mais alta já registrada. Um total de 707 eventos de grande magnitude foi registrado em comparação com 530 a 600 eventos nos anos anteriores. É ainda mais surpreendente que o número de grandes eventos catastróficos na última década tenha triplicado, em comparação com a década de 1960, enquanto o índice de perdas econômicas tenha aumentado quase nove vezes durante o mesmo período (Munich Re, 2001). Entre 1995 e 1997, os impactos dos riscos naturais custaram aos Estados Unidos no mínimo US$ 50 bilhões por ano, ou o equivalente a cerca de US$ 1 bilhão por semana (IDNDR, 1999a). As perdas econômicas dos Estados Unidos devido ao fenômeno El Niño ocorrido em 1997-1998 foram calculadas em US$

Número de grandes desastres naturais por ano, 1950-2001
Outros Inundações

Tempestades

Terremotos

O gráfico mostra uma crescente freqüência de “grandes” desastres naturais. As catástrofes são consideradas de grandes proporções quando a capacidade de reação de uma dada região estiver comprometida, onde há necessidade de assistência interregional ou internacional, como normalmente ocorre em situações que envolvem milhares de mortos, centenas de milhares de desabrigados ou quando o país sofre uma significativa perda econômica.
Fonte: Munich Re, 2001

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Custos econômicos dos grandes desastres naturais (bilhões de dólares), 1950-2000
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Em comparação com a década de 1960, as perdas econômicas ocorridas durante os anos 1990 foram multiplicadas por um fator quase nove vezes maior. Nota: o gráfico mostra somente o custo das “grandes” catástrofes naturais – ver a figura da página 291 para definição.
Fonte: Munich Re, 2001

1,96 bilhão, ou 0,03% do PIB. O Equador sofreu perdas equivalentes, mas representaram 11,4% de seu PIB. As inundações na China em 1991, 1994-1995 e 1998 causaram perdas que variaram de US$ 20 bilhões a US$ 35 bilhões (CNC-IDNDR, 1999). Calcula-se que a perda anual decorrente de desastres naturais durante o período de 1989 a 1996 oscile de 3% a 6% do PIB da China, em uma média de 3,9%. Em dezembro de 1999, as tempestades Anatol, Lothar e Martin geraram perdas no norte da Europa equivalentes a US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões (Munich Re, 2001). Em caso de desastre, os países menos desenvolvidos, com uma diversidade econômica limitada e infra-estrutura precária, não somente estão obrigados a depender em grande parte da ajuda internacional, mas suas economias também precisam de mais tempo para recuperarse. Nas economias desenvolvidas, os governos, as comunidades e as pessoas têm uma maior capacidade de lidar com desastres, as perdas econômicas são absorvidas até certo ponto por uma economia diversificada, e a maior parte dos bens está assegurada. Entre os países menos desenvolvidos, 24 dos 49 em questão enfrentam riscos elevados de desastre; ao menos seis deles têm sido afetados por entre dois e oito grandes desastres anualmente nos últimos quinze anos, com conseqüências a longo prazo para o desenvolvimento humano (UNDP, 2001). Desde 1991, mais da metade de todos os desastres registrados ocorreu em países com níveis médios de desenvolvimento humano (ver “Aspectos socioeconômicos”). Entretanto, dois terços das vítimas foram de países com baixos níveis de desenvolvimento humano, enquanto apenas 2% foram de países altamente desenvolvidos. O efeito do desenvolvimento sobre os desastres é drástico: em média, 22,5 pessoas morrem por desastre registrado em países altamente desenvolvidos, 145 morrem por desastre em países com desenvolvimento humano médio, e 1.052 pesso-

as morrem por desastre em países com baixos níveis de desenvolvimento (IFRC, 2001). Diversos especialistas associam a tendência atual observada em eventos climáticos extremos com um aumento da temperatura média global. Muitas partes do mundo sofreram enormes ondas de calor, inundações, secas e outros eventos climáticos extremos. Embora eventos individuais, como os fenômenos relacionados ao El Niño (ver box), não possam ser associados diretamente à mudança antropogênica do clima, prevê-se que a freqüência e a magnitude desses tipos de eventos aumentem em um mundo mais quente. As mudanças na temperatura média global “muito provavelmente”’ afetarão parâmetros como padrões de precipitação, velocidades dos ventos, umidade do solo e cobertura vegetal, que parecem influenciar a ocorrência de tempestades, furacões, inundações, seca e deslizamentos de terra (IPCC, 2001).

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Os danos causados pelo terremoto foram calculados em mais de US$ 13 bilhões. Por exemplo. como os que afligiram a Venezuela em dezembro de 1999. na Turquia. O terremoto de 1999 em Izmit. as áreas habitacionais movem-se para perto de indústrias potencialmente perigosas. a destruição do meio ambiente natural devido à exploração madeireira ou a usos inadequados da terra para obter ganhos econômicos a curto prazo é um dos principais fatores que promovem inundações ou deslizamentos de lama. ressaltam também o fato de que as questões relativas à segurança tecnológica não dizem respeito somente aos países desenvolvidos. os efeitos dos terremotos sobre a população urbana parecem aumentar. Turquia No dia 17 de agosto de 1999. A mudança e a variabilidade do clima por si sós não explicam o aumento dos impactos relativos a desastres. não haviam sido construídos sobre fundações fortes o suficiente para resistir a terremotos e não estavam situados em áreas em que os efeitos de terremotos teriam sido atenuados.5% do PNB). Fonte: Alexander Allmann. inundações e ciclones que afligem grande parte do mundo em desenvolvimento. particularmente nos setores de transporte. outras 25 mil ficaram feridas e 600 mil desabrigadas. Turquia. as catástrofes naturais afetam mais pessoas.DESASTRES 293 Por exemplo. Há muito tempo se faz necessário identificar as causas antrópicas primárias e defender mudanças estruturais e políticas para combatê-las (IFRC. a infra-estrutura fica sobrecarregada. Uma parte considerável dos prejuízos poderia ter sido evitada se os códigos de obra locais tivessem sido implementados com eficácia. Similarmente. e mais assentamentos são construídos em áreas frágeis como planícies de inundação ou áreas propensas a deslizamentos de terra. Mais de 15 mil pessoas foram mortas. de produtos químicos e de energia nuclear. O terremoto foi responsável pelo aumento do déficit interno do país em cerca de US$ 3 bilhões em 1999-2000 (o equivalente a aproximadamente 1. Munich Re . Por exemplo.8 pontos na escala Richter atingiu a cidade de Izmit e áreas circunvizinhas. um terremoto com uma magnitude de 7. “Natural” pode ser uma descrição enganosa para desastres como secas. a migração da população para áreas urbanas e costeiras aumenta a vulnerabilidade humana à medida que as densidades populacionais aumentam. Fonte: ISDR. Conseqüentemente. 2001). Muitos edifícios novos não haviam sido planejados apropriadamente. apesar do fato da atividade sísmica ter permanecido constante nos últimos anos. 1999 Desastres induzidos por atividades antrópicas Vários acidentes de grande importância envolvendo produtos químicos e materiais radioativos chamaram a atenção mundial para os perigos da má administração.4 a 7. Tais eventos freqüentemente têm impactos que transcendem as fronteiras nacionais. Edifício de apartamentos partido em dois pelo terremoto ocorrido em 1999 em Izmit. a extensão dos danos causados por marés de tempestades pode ser associada diretamente às variações do nível do mar. e ocorrem mais perdas econômicas.

como os ocorridos em Three Mile Island. como o vazamento de metil isocianato em Bhopal. estimularam legislações em muitos países para prevenir e controlar incidentes com produtos químicos. Suíça. como também forçaram muitos países a abandonar ou restringir severamente o desenvolvimento do setor de energia nuclear. O termo administração de desastres era equivalente em geral a medidas em caso de desastres e tendeu a ficar dentro da competência exclusiva de organizações como a Cruz Vermelha e Sociedades do Crescente Vermelho ou instituições nacionais de defesa civil. Sob a influência do acidente ocorrido em Bhopal. levou à introdução. A preocupação do público após a explosão em uma fábrica de pesticidas em Seveso. . O derramamento de petróleo do Exxon Valdez. e em Chernobyl. e a Convenção Conjunta de 1997 sobre o Gerenciamento Seguro de Combustível Nuclear e Rejeitos Radioativos. em particular. em 1986. que comprometeu as partes a um nível mais elevado de segurança nuclear. e o reconhecimento de que um grande acidente poderia ter sérios impactos sobre a vida humana e o meio ambiente. ocorrida em 1976. em que as capacidades locais para lidar com o problema se esgotavam e era necessária a ajuda externa em situações de emergência. pela Coalizão pela Economia Ambientalmente Responsável (Coalition for Environmentally Responsible Economics – CERES). 1994). não apenas geraram ações para fortalecer a segurança nuclear e a preparação para situações de emergência. Índia. um código de conduta voluntário para o comportamento das empresas em relação ao meio ambiente. ocorrido em 1984. Mais recentemente.3.294 ESTADO DO MEIO AMBIENTE E RETROSPECTIVAS POLÍTICAS:1972-2002 Alguns desastres resultaram na introdução de normas voluntárias ou obrigatórias elaboradas para prevenir ocorrências similares. Esses documentos exigem um intercâmbio internacional de informações relevantes. dois importantes tratados internacionais foram adotados – a Convenção sobre Assistência no Caso de Acidente Nuclear ou Emergência Radiológica e a Convenção sobre Pronta Notificação de Acidente Nuclear. Após o acidente em Chernobyl. Itália. nos Estados Unidos. que resultou na liberação de 2. resultou em enormes danos ambientais e econômicos e acelerou a produção. dos “Princípios de Valdez”. ocorrido no Alasca em 1989.7.8-tetraclorodibenzop-dioxina (TCDD). Os “Princípios de Valdez” orientam as empresas quanto ao estabelecimento de políticas ecologicamente firmes e exigem a melhoria dos padrões empresariais de segurança ambiental. em 1979. em 1982. Políticas de resposta Até a década de 1970. outros grandes acidentes. De forma similar. a comunidade internacional considerou os desastres como circunstâncias excepcionais. a elaboração de políticas destinadas a lidar com os riscos e perigos de grandes acidentes e suas conseqüências. de uma Diretriz Européia sobre os riscos de acidentes de grandes proporções quanto a certas atividades industriais. e o incêndio em uma indústria química da Sandoz na Basiléia. assim como a tomada de responsabilidade dos possíveis danos ambientais por elas causados (Adams. foram adotadas a Convenção de 1994 sobre Segurança Nuclear. Acidentes nucleares graves. em 1989. a Organização Internacional do Trabalho elaborou em 1993 a Convenção nº 174 sobre a Prevenção de Grandes Acidentes Industriais e a Recomendação nº 181 sobre a Prevenção de Acidentes Industriais Maiores.

desenvolvido em conjunto com governos e com o setor industrial. foi estabelecido o Escritório do Coordenador das Nações Unidas para Socorro em Casos de Desastre – atual Escritório das Nações Unidas para a Coordenação da Assistência Humanitária (UNOCHA) –. reconhece que a incidência e os efeitos dos desastres ambientais podem ser reduzidos por meio de iniciativas de prevenção e preparação em âmbito local. de 1994. que se baseia no estabelecimento de parcerias entre governos. A estratégia – fundamentada na experiência da IDNDR e em avanços como a Estratégia e o Plano de Ação de Yokohama para um Mundo mais Seguro. socorro e recapacitação durante e após um desastre. “devemos. adoção de códigos de construção com base na engenharia resiliente a desastres e nas avaliações de riscos e perigos locais. O outro fundamento é a adoção de estratégias preventivas e medidas práticas que diminuam a perda potencial de vidas humanas e propriedades. O êxito de tal abordagem depende do aumento da consciência pública dos riscos que os perigos naturais. assim como em estabelecer diversas prioridades a serem empreendidas por países e regiões no século XXI. uma plataforma global com o objetivo de ajudar todas as comunidades a se tornarem resilientes aos efeitos de desastres naturais e a passarem da proteção contra os perigos para a administração do risco por meio da integração da prevenção do risco ao desenvolvimento sustentável. é também muito menos dispendiosa” (IDNDR. As estratégias de redução dos riscos incluem: Prevenção e preparação para reduzir os custos dos desastres A meta fundamental do programa de administração de desastres do PNUMA é reforçar a centralização das preocupações ambientais na administração de desastres. de 1999 – reflete uma abordagem multisetorial e interdisciplinar à redução de desastres. a comunidade científica e outros grupos de interesse na redução de desastres. . Um dos principais objetivos do programa de alerta e avaliação antecipados do PNUMA é avaliar a crescente vulnerabilidade da sociedade humana devido à mudança generalizada ambiental e climática. e a Estratégia “Um Mundo Mais Seguro no Século XXI: Redução de Desastres e Riscos”. e uma de suas principais metas foi incutir uma cultura de prevenção de desastres. Como disse o secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan. · · · · mapeamento da vulnerabilidade. O conceito de preparação para desastres foi desenvolvido durante as décadas de 1970 e 1980 e incluía treinamento e algumas atividades multissetoriais para aumentar a capacidade de resgate.DESASTRES 295 Em 1971. econômicos e ambientais dos desastres. organizações não-governamentais. bem como da educação das pessoas sobre o valor das abordagens existentes quanto à prevenção e à preparação. de modo a enfatizar a necessidade de uma sólida gestão ambiental integrada e proporcionar alertas antecipados sobre ameaças emergentes. A prevenção não é apenas mais humana do que a cura. Em âmbito global. identificação de áreas seguras para assentamentos e desenvolvimento. e adoção desses planos e códigos por meio de incentivos econômicos e de outras naturezas. O programa APELL do PNUMA. alerta e avaliação antecipados e do programa de Conscientização e Preparação para Emergências em Âmbito Local (APELL). O conceito do APELL foi introduzido com sucesso em mais de 30 países e em mais de 80 comunidades industriais no mundo todo. agências da ONU. A IDNDR teve êxito em colocar a questão de redução de riscos em um patamar mais elevado da agenda política. Mas mesmo as previsões mais pessimistas não poderiam prever a espiral ascendente das conseqüências socio-econômicas negativas dos desastres naturais nas últimas décadas do século XX. 1999). com o objetivo de mobilizar e coordenar atividades de socorro procedentes de todas as fontes em casos de desastre. A comunidade humanitária faz um trabalho formidável de reação a desastres. mudar de uma cultura de reação para uma cultura de prevenção. a ONU estabeleceu uma Estratégia Internacional para Redução de Desastres (ISDR). O PNUMA contribui com esse processo por meio de seus programas sobre direito ambiental. Também é um elemento indispensável na busca de soluções planejadas para enfrentar a ameaça crescente apresentada pelos perigos naturais (ISDR. por meio da aplicação mais ampla de mecanismos conhecidos de natureza científica e tecnológica por parte de uma população mais bem informada. Um número crescente de governos e organizações internacionais está promovendo a redução dos riscos como a única solução sustentável para reduzir os impactos sociais. é parte integrante dos esforços que visam a promoção da meta global de desenvolvimento sustentável. acima de tudo. 1999b). Mas a tarefa mais importante a médio e a longo prazo é fortalecer e ampliar programas que reduzam o número e o custo de desastres em primeiro lugar. A implementação da estratégia. tecnológicos e ambientais apresentam às sociedades. visando preparação e reação. A década de 1990 foi declarada a Década Internacional para a Redução dos Desastres Naturais (IDNDR). assim como a destruição do meio ambiente. A estratégia do PNUMA inclui a promoção de processos e tecnologias de produção mais limpos e ajuda os países a estabelecerem centros de produção mais limpa.

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estão Botsuana. esses impactos são agravados pela pobreza e pela marginalização.000 100. porque há menos cobertura vegetal para absorver a água e estabilizar o solo. Quênia. Burkina Faso. seja na indução a secas ou inundações. 2002 . entre novembro e maio.700. em comparação com apenas 2% da população européia (Findlay.000. Há alguns indícios de que as secas estão se tornando mais prolongadas e seus impactos. portanto. 2000). Mauritânia e Moçambique (FAO. principalmente nos centros urbanos e em áreas propensas a secas – 34% da população da África vive em áreas áridas. antiga e deteriorada e a falta de segurança econômica para fornecer ajuda em tempos difíceis também comprometem a capacidade da população para lidar com os problemas e. Chad. 1996). no município de Alexandra.767.000 7.160. interrupção de atividades econômicas e maior risco de epidemias de doenças.500. FAO. os custos são muito elevados. além de pela superpopulação. durante as inundações de 2000.000.000. A expansão de assentamentos informais para a zona de inundações está colocando muitas pessoas em risco de inundações. que provocam ventos fortes e chuvas intensas.594 10. como tem ocorrido nos últimos trinta anos devido a elevadas taxas de crescimento demográfico. conforme ocorreu. danos à infra-estrutura e às comunicações.000 sem registro sem registro sem registro 300. 2001a). receber e distribuir alimentos e ajuda médica (Ehrlich e Ehrlich. World Bank. bem como à recuperação e à substituição de infra-estrutura e cultivos danificados.600. aumentam os impactos dos desastres.000 sem registro sem registro sem registro sem registro sem registro sem registro sem registro sem registro Números de pessoas afetadas sem registro sem registro sem registro 6.500.000. da África Meridional. 2000. Os desastres podem ter impactos econômicos sérios que são difíceis de calcular. particularmente em áreas baixas e onde os assentamentos invadiram áreas propensas a inundações.000 100. Entre os países mais regularmente afetados.000 6.000 200. o que ocasiona ciclones. e no Vale Rift africano. Em muitos locais. geralmente há ocorrência de dez ciclones por ano. 2000.000 8.DESASTRES 297 Desastres: África Eventos hidrometeorológicos extremos como inundações e secas são comuns por toda a África. 1996). seja no aumento da temperatura do mar. Os impactos dos desastres incluem perda de vidas e de meios de subsistência. que atingiram grande parte do Norte da África. enquanto eventos geofísicos como terremotos ocorrem com mais predominância no Norte da África. 1972-2000 Números de óbitos 600. 2001). ao longo da Cordilheira do Atlas.000 7. 1990). onde os impactos da fome são agravados pelos serviços de transporte inadequados para 1972 1973 1974 1980 1982 1983 1984 1984 1985 1987 1990 1991 1991 1993 1993 1999 2000 fome seca seca seca fome seca seca seca seca seca seca seca seca seca fome fome seca Etiópia Etiópia Etiópia Moçambique Gana Etiópia Etiópia Sudão Moçambique Etiópia Etiópia Etiópia Sudão Malavi Etiópia Etiópia Etiópia Fonte: CRED-OFDA. por exemplo.466. a África sofre menos danos por desastres em termos puramente financeiros.500. da África Oriental e da região do Sahel (Gommes e Petrassi.000 2. mais graves (DMC.400.000 8. 2000). mas a importância dessas perdas pode. ser maior com respeito ao impacto sobre o desenvolvimento econômico. O risco de danos causados por chuvas fortes é maior em áreas mais secas do que naquelas que geralmente apresentam níveis de precipitação mais elevados. em Johanesburgo. que também apresenta atividades vulcânicas.000 7.000 6.000 12.000 6. quando aproximadamente 3 mil famílias que moravam em barracos abaixo do nível de inundação ficaram sujeitas aos danos causados pela água e pelas epidemias de cólera (Kim. Há uma preocupação crescente de que a freqüência e a gravidade dos desastres estão aumentando em uma época em que os sistemas de alerta antecipado são inadequados e a administração de desastres é deficiente (DMC. Nas ilhas do Oceano Índico Ocidental. A oscilação ocorrida no Hemisfério Sul devido ao El Niño – Oscilação Sul (ENOS) causa alterações climáticas significativas na maior parte da África. Etiópia. como o turismo. em termos do número de pessoas que morreram ou foram afetadas (ver tabela).000 7.000 7. Devido à destruição de atividades de geração de renda. com secas particularmente severas em 1972-1973 e 1984-1985.000 Desastres naturais A África sofreu alguns dos piores períodos de seca e fome. Esses eventos naturais tornam-se desastres quando um grande número de pessoas ou itens de infra-estrutura é afetado. África do Sul. Infra-estrutura inadequada. na verdade.750. A população e as economias da Alguns dos piores desastres na África. O fenômeno destrói a infra-estrutura.000 150. Em escala global.

e a importação de alimentos e a dependência da ajuda alimentar a isso associadas podem afetar o potencial de crescimento econômico dos países atingidos. Em Moçambique. Em geral. já que não têm outros meios para sobreviver (ver box na página seguinte). Por exemplo. é a população carente que mais sofre com a perda de colheitas causada por inundações ou seca. 2000). Nas últimas três décadas.298 ESTADO DO MEIO AMBIENTE E RETROSPECTIVAS POLÍTICAS: 1972-2002 África dependem muito da agricultura sem irrigação artificial e são. as populações de refugiados também experimentam conflitos adicionais com comunidades vizinhas. Medidas em caso de desastres Não têm sido empreendidos esforços regionais planejados para administrar os desastres. 1994). 2000).6 milhões de refugiados na África. os refugiados se assentam em ecossistemas frágeis. os esforços para responder às dificuldades econômicas durante as secas incluem o financiamento de projetos de geração de empregos. Na África Oriental. portanto. US$ 48 milhões em exportações perdidas e US$ 31 milhões em aumentos nas importações (Mozambique National News Agency. No Norte da África. US$ 247 milhões na perda de produção. conseqüentemente. Implementou-se Desastres causados por atividades antrópicas Embora a variabilidade climática seja um fenômeno natural. A construção de represas e a drenagem de áreas úmidas reduzem a capacidade natural do meio ambiente de absorver a água em excesso. os baixos níveis dos reservatórios. particularmente a mudança do clima. levaram a reduções na geração de energia hidrelétrica e. 56% dos quais abaixo de 18 anos de idade (UNHCR. porque freqüentemente cultiva áreas que são marginais em relação ao clima para a produção de cultivos e não pode acumular reservas para épocas de privações. o . Freqüentemente. na Zâmbia. ampliando os impactos das inundações. a construção de represas. a Unidade Regional de Alerta Antecipado da SADC. 2000. A degradação de áreas úmidas como as de Kafue. 2001b). resultantes da seca e da sedimentação associada ao desmatamento. que devastou a economia do país em 1999 e 2000. o Centro de Monitoramento de Secas e o Projeto FEWS assessoram os governos quanto à preparação para períodos de seca (ver Capítulo 3). como o desmatamento e a gestão inadequada da terra e dos recursos hídricos. há alguns casos de êxito na prevenção da fome resultante da seca. A retirada de vegetação também pode aumentar o escoamento e a erosão do solo. a freqüência e a gravidade crescentes dos eventos extremos podem ser parcialmente atribuídas a atividades humanas. Ao fim de 2000. Tanto as secas quanto as inundações podem resultar em desnutrição e fome. UNDHA. o equivalente a 3. Às vezes. os países na África Meridional sofreram inundações devastadoras em 1999 e 2000. o desmatamento de florestas tropicais na África Central e Ocidental tem alterado o clima local e os padrões pluviométricos e aumentou o risco de ocorrência da seca. desmatamento e o excesso de pastoreio diminuíram a capacidade do meio ambiente de absorver a água em excesso e ampliaram o impacto das inundações (Chenje. Os esforços também têm-se concentrado mais em reações do que na mitigação mediante melhorias na gestão ambiental e nas práticas agrícolas. a implementação de um novo sistema de distribuição eficiente de sementes no Níger e a promoção de mais variedades de cultivos resistentes à seca. Na África Meridional. Por exemplo. onde exercem uma pressão considerável sobre os recursos naturais. ao competir pelos recursos. milhões de africanos buscaram refúgio devido a desastres naturais e antropogênicos que causaram impactos tanto ambientais como econômicos. A natureza imprevisível dos eventos extremos e o fraco desempenho econômico da maior parte dos países africanos dificultam ainda mais a preparação para os desastres e a prestação de socorro quando ocorrem. à necessidade de racionamento de água e energia elétrica. que afetaram mais de 150 mil famílias (Mpofu. 2000). como o projeto do Sistema de Alerta Antecipado contra a Fome (Famine Early Warning System – FEWS). No entanto. o Projeto Regional de Sensor Remoto. vulneráveis às flutuações dos níveis de precipitação. estão sendo implementados projetos de florestamento e reflorestamento para diminuir o impacto de futuras mudanças ambientais. havia 3. As perdas causadas somente pelo racionamento de energia foram calculadas em US$ 2 milhões por dia.8% a 6. e o custo da demanda de eletricidade não atendida foi calculada em US$ 400 milhões a US$ 630 milhões. No Quênia.5% do PIB (World Bank. para evitar que os agricultores abandonem as terras em que a produtividade está diminuindo. os custos das inundações no ano 2000 foram calculados em US$ 273 milhões em danos materiais. e as medidas em caso de desastres na África tendem a focalizar os âmbitos nacional e sub-regional.

Geneva. Em algumas áreas. Working Group II: Impacts. como normas de planejamento urbano que proíbem a urbanização ao longo de cursos d’água. ZRA and SARDC Coe. S. A. Arrow Books FAO (2000). Journal of Geophysical Research 27 February 2001. 1997). Population and Environment in Arid Regions. sua atuação tem sido limitada devido a serviços inadequados de comunicação (Dilley. UNHCR – The UN Refugee Agency World Bank (2000). Washington DC. quase 113 km2 foram afetados. Refugees and the Environment — Caring for the Future. 28 November to 2 December 1994. M. 2001a fora da área de ciclones. Mais de 1. desastres. no auge da crise de refugiados. Warning and intervention: what kind of information does the response community need from the early warning community? Internet Journal of African Studies.org. Spotlight on Alexandra. Food and Agriculture Organization IPCC (2001). World Bank Board Approves $72 million for Kenya. World Development Indicators 2001.org. 2.ac. International Union for the Scientific Study of Population Gommes. Somalia and Zimbabwe. Government reports on flood damage and reconstruction. Nairobi. Vol. Em dezembro de 1996. Apesar dos esforços para restringir o impacto sobre o parque. Adaptation and Vulnerability. mais de 600 mil refugiados do Burundi e de Ruanda foram alojados na região de Kagera. World Meteorological Organization and United Nations Environment Programme Kim.html [Geo-2-341] World Bank (2001b). United Nations Department of Humanitarian Affairs UNEP (1999). Rome. and Foley. IUCN. (1996)..be/ emdat [Geo-2-330] Dilley. SADC Food Security Programme http://www. World Bank http://www. 2001).nsf [Geo-2-340] World Bank (2001a). Mozambique National News Agency http://www. que foi implementado na África Meridional e na área do Oceano Índico Ocidental. foram promulgadas medidas de longo prazo. 17 Countries are Facing Exceptional Food Emergencies in Sub-Saharan Africa – FAO Concerned About Deteriorating Food Situation in Sudan. and Petrassi. SADC. contribuindo para a ocorrência de epidemias (IPCC.html#story1 [Geo-2-338] Mpofu. possivelmente. and Ehrlich.zw/sssd/mozcalrep. World Bank News Release No: 2001/ 105/AFR. AIM Reports. (2001). para fornecer lenha e madeira para os diversos campos que abrigavam refugiados de Moçambique. enquanto em 1994. (1996). dos quais mais de 71 km2 foram completamente desmatados.cred. Refugee Children in Africa. inclusive partes da África Ocidental. Policy and Research Paper No.M.html [Geo-2-336] DMC (2000). (2000). IPCC Third Assessment Report — Climate Change 2001. as Seicheles se encontram atualmente Referências: Capítulo 2. Gaborone. aproximadamente 20 mil hectares de florestas foram desmatados a cada ano em Malauí. United Nations Environment Programme UNHCR (2001a).sadc-fanr. 2000b). Agricultural Development and Related Aspects in the Horn of Africa. Nairobi.disasternews. (1997). 194. Embora esse mecanismo tenha o potencial de alertar organizações de ajuda e evacuar comunidades antecipadamente. No início da década de 1990. Western Indian Ocean Environment Outlook.uk/research/ijas/ijasno2/dilley.brad. Food and Agriculture Organization Os impactos ambientais dos refugiados na África Apenas a reabilitação ambiental dos campos de refugiados na África pode custar cerca de US$ 150 milhões ao ano.mit. dos quais 167 km2 foram gravemente desmatados. D4 CRED-OFDA (2002). Version 2001. UNHCR – The UN Refugee Agency UNHCR (2001b).htm [Geo-2-339] UNDHA (1994). mas a elevação da temperatura do mar pode causar um aumento da intensidade dos ciclones e a expansão de sua área de ocorrência. 1999). Drought Monitoring Centre Ehrlich. Human and Natural Impacts on the Water Resources of the Lake Chad Basin. Com o aquecimento global. África Chenje. Rome. 10.DESASTRES 299 também um fundo de combate à seca para mitigar os efeitos de precipitações insuficientes (UNDHA. Assessment of Seed Requirements in Southern African Countries Ravaged by Floods and Drought 1999/2000. Gaborone. Em outro local em Kivu Sul. embora as limitações de recursos freqüentemente evitem que sejam aplicadas de forma rígida.uk/mozambiquenews/ newsletter/aim194. Findlay. J. 2000. (1990). Centre for Research on the Epidemiology of Disasters http://www. Maseru. Outras medidas incluem a elaboração e a implementação de alertas antecipados ou mecanismos de previsão. Rainfall Variability and Drought in Sub-Saharan Africa since 1960. F. Issue No. ACC Inter-Agency Task Force on the UN Response to Long Term Food Security. edu/urbanupgrading/upgrading/caseexamples/ overview-africa/alexandra-township. Nessas situações. London. Foram removidas as árvores e a vegetação das terras que rodeiam os campos de refugiados.pdf [Geo-2024] . próximo ao Parque Nacional de Virunga na República Democrática do Congo (o antigo Zaire). Geneva. (ed. Massachusetts Institute of Technology http://web. apenas 152 em cada mil pessoas na África possuíam aparelhos de rádio em 1997 (World Bank. P. Por exemplo.org/data/wdi2001/pdfs/tab3_8. abrangendo assim as ilhas (UNEP. é provável que a incidência de seca aumente em muitas partes da África. A. Fonte: UNHCR. The Population Explosion.200 toneladas de lenha foram consumidas a cada dia um total de 570 km2 de florestas foram afetados.org/ news/pressrelease. 2000). Southern Africa Swamped by Rains. M. 6 November 2000. University of Bradford http:// www. (2000). no noroeste da Tanzânia. World Bank http://wbln0018. Ten-Day Bulletin. R. Vol.poptel. 2000).net /disasters/2-14-00_africa-swamped. No. worldbank. os refugiados podem ter de caminhar até 12 km em busca de água e lenha. South Africa. Rome. Por exemplo. os refugiados estavam removendo cerca de 800 toneladas por dia de madeira e grama do parque uma quantia muito acima de um rendimento sustentável possível. 106. 1994). aproximadamente 38 km2 de florestas se perderam em um período de três semanas a partir da chegada dos refugiados. Lusaka and Harare. M. Paris. A degradação ambiental é mais visível principalmente em países há muito tempo receptores de refugiados. First African Sub-Regional Workshop on Natural Disaster Reduction. Food and Agriculture Organization FAO (2001).worldbank. agravando os estresses relativos à água e à segurança alimentar e. como o Quênia e o Sudão. Geneva. Press Release 01/48. B. A freqüência e a intensidade de ciclones e inundações em algumas áreas também apresentam probabilidade de aumentar. EM-DAT: The OFDA/CRED International Disaster Database. Trends and Patterns in the Refugee Population in Africa Below the Age of 18 Years. como o da ENOS. Upgrading Urban Communities.shtml [Geo-2337] Mozambique National News Agency (2000). FAO Agrometeorology Working Paper No 9. State of the Environment Zambezi Basin 2000. DEKAD 19 Report (1-10 July. Disaster News Network http://www.

e os danos foram da ordem de US$ 438 milhões nas três últimas décadas (ver tabela). Salafsky.920. O maior número de mortes ocorreu no Sul da Ásia (a sub-região com a mais alta densidade demográfica e a renda per capita mais baixa).649 Nota: os dados referentes à Ásia Central são de 1992/93-2000 Fonte: CRED-OFDA. terremotos e maremotos permaneceram bastante constantes (ver gráfico). 1996. Ji e outros. As áreas montanhosas (China.881 33. Outros desastres A degradação e as mudanças ambientais estão se tornando cada vez mais importantes. 1993). Os países ao longo de zonas sísmicas ou adjacentes a elas (Afeganistão.643 4. enquanto desastres geofísicos. no leste da Índia e no sul de Bangladesh (UNESCAP e ADB.074 1. em relação tanto à ocorrência como aos impactos de desastres naturais. com mais de 300 desastres. Algumas áreas estão mais expostas a perigos naturais devido a sua localização (no litoral ou próximas a um vulcão ou falha geológica). O impacto dos desastres naturais na região é grave: mais de 1. a sub-região com a menor densidade demográfica e com elevada renda per capita (UNPD.000) 60. agravados pelo desmatamento e pela agricultura.895 15. 1999. Filipinas e Tailândia) são mais propensas a deslizamentos de terra.174 986 21. o Japão e as Filipinas (UNESCAP e ADB. Salafsky. Bangladesh.061 3. agora se asso- Impacto dos desastres naturais na Ásia e no Pacífico. teve mais de 120 mil mortes.139 347. Irã. 2002 . na Austrália e na Nova Zelândia. Índia.467 danos (US$ 1. que provocaram a morte de mais de 250 mil pessoas. Índia. 2001. Filipinas e as Ilhas do Pacífico) são mais vulneráveis a eventos sísmicos. no extremo sul da Baía de Bengala. 1998).034 284.4 milhão de pessoas morreram e quase 4 bilhões foram afetadas.570 317. a maior parte em países asiáticos com níveis baixos ou médios de desenvolvimento humano. Nepal. 2000). que desestabilizam as encostas.761 4. a maior parte em países em desenvolvimento assolados pela pobreza (UNESCAP e ADB. China. 1999. 2001).447. World Bank. Os ciclones ocorrem com mais freqüência no Noroeste do Pacífico. as Filipinas. O desmatamento. a Indonésia sofreu cerca de 200 desastres causando mais de 15 mil mortes. Tem havido uma tendência geral ascendente no número de desastres naturais devido a eventos hidrometeorológicos (como ciclones e inundações) na região. enquanto países ao longo da Bacia do Pacífico correm o risco de sofrer erupções vulcânicas. Apenas durante o período de 1991 a 2000. e Bangladesh sofreu 181 eventos.447 número de pessoas afetadas (milhares) 2. 1995. Ali. Huang. perdeu cerca de 34 mil pessoas. O fenômeno El Niño tem impactos significativos sobre amplas áreas na região. ou 83% do total mundial (IFRC. 1995). o número total de mortes causadas por desastres naturais na região foi de mais de 550 mil.300 ESTADO DO MEIO AMBIENTE E RETROSPECTIVAS POLÍTICAS: 1972-2002 Desastres: Ásia e Pacífico Cerca de 75% das principais catástrofes naturais do mundo entre 1970 e 1997 ocorreram na região da Ásia e Pacífico. Desastres naturais A vulnerabilidade aos desastres está estreitamente associada à densidade populacional e aos recursos econômicos. com aproximadamente 300 fenômenos. Kelly e Adger. a Índia. 2001). 2000).164.900 3. China e Índia são os países da região mais propensos a inundações (Mirza e Eriksen. como erupções vulcânicas. A China sofreu mais de 300 desastres naturais e registrou mais de 311 mil mortes durante o período de 1971 a 2000. 1999. particularmente a Indonésia. Nepal. sendo a Indonésia a mais afetada (Glantz. e o menor número. por exemplo. 1994. 1972-2000 número de mortos (milhares) Sul da Ásia Sudeste Asiático Noroeste do Pacífico e Leste Asiático Ásia Central Austrália e Nova Zelândia Pacífico Sul Total 761 73 606 3 1 4 1.

A maioria dos países da sub-região do Noroeste do Pacífico e da Ásia Oriental e os países insulares do Pacífico estarão particularmente vulneráveis à mudança do clima e à elevação associada do nível do mar. 2002 disso. a mudança do clima e eventos meteorológicos extremos também podem ter impactos drásticos sobre a biodiversidade terrestre. como a dessecação do Mar de Aral na Ásia Central (ver box ao lado e texto abaixo). Índia. enquanto o número de desastres geofísicos continua constante. Fonte: CRED-OFDA.85 1986 .75 1976 . O rápido crescimento demográfico.2000 Os desastres causados pela água e pelo tempo (desastres hidrometeo-rológicos) têm-se tornado mais freqüentes.80 1981 . o que às vezes levou à exposição de mais pessoas a perigos tecnológicos. 1998).90 1996 . os cultivos de subsistência e as fontes florestais de alimentos (IPCC.DESASTRES 301 cia com freqüência a graves eventos de inundações e deslizamentos. o rápido crescimento das indústrias em áreas urbanas tem induzido à migração de áreas rurais para urbanas. em que o vaza- . a urbanização e o planejamento inadequado do uso da terra são alguns dos motivos por que a população carente se desloca para áreas frágeis e de alto risco que ficam mais expostas aos perigos naturais. Além Tendências dos desastres (número por ano): Ásia e Pacífico 500 400 300 200 100 0 geofísicos hidrometeorológicos 1971. A exploração excessiva dos recursos hídricos já resultou em desastres ambientais subregionais. Para os pequenos países insulares em desenvolvimento. porque muitos assentamentos humanos e grande parte da infra-estrutura industrial estão localizados em áreas costeiras ou baixas. como o desastre de 1984 em Bhopal.

visando reduzir riscos e perdas resultantes de desastres. resultando em dezenas de milhares de evacuações.7 graus na escala Richter atingiu o estado de Gujarat. 2001. Estimulados pela Década Internacional para a Redução de Desastres Naturais (IDNDR). Em reconhecimento a essas realizações. e o desenvolvimento rural é um pré-requisito para diminuir a migração de pessoas para cidades e áreas costeiras. com vistas a manter a base de recursos e proteger a biodiversidade. Medidas em caso de desastre Os países asiáticos estão em estágios diferentes de desenvolvimento institucional com respeito à redução de desastres. de políticas para evitar e mitigar danos causados por inundações na região central do país e da política do delta do rio Mekong. Japão. O CCFSC desenvolveu programas. como o Japão. o desmatamento deve ser detido. a ONU concedeu ao Vietnã o Certificado de Distinção pela Redução de Desastres no dia 11 de outubro de 2000. por meio do fortalecimento do sistema de diques e estruturas de desvio de inundações no norte do Vietnã. incluindo o tufão Linda (1997) na área costeira ao sul do país. cerca de quatro vezes o PIB do país janeiro de 1995: um terremoto em Kobe. CRED-OFDA. orientou a implementação de atividades relativas à mitigação dos efeitos de desastres e coordenou ações com organizações internacionais de relevância. causou mais de 10 mil mortes. ainda restam medidas e ações significativas a serem tomadas em âmbitos regional e nacional.5 bilhões outubro de 1999: o Super Ciclone no estado oriental de Orissa. as medidas de mitigação e de preparação já implementadas devem ser fortalecidas. outros países (como o Vietnã. ver box na página 281) fortaleceram suas estruturas existentes ou estão formulando novas (UNESCAP e ADB. 1990). Fonte: UNEP. . tornou-se um dos desastres naturais mais dispendiosos da história 5.8 milhão de hectares de terras agrícolas e arrancou mais de 90 milhões de árvores janeiro de 2001: um terremoto de 7. Como conseqüência desse e de outros desastres. 2002 Estar preparados: o programa de redução de desastres do Vietnã O Vietnã tem uma longa tradição de mitigação dos efeitos de desastres. na Índia. Apesar de algumas realizações recentes. são necessárias ações para reduzir os níveis de pobreza. deixando um saldo de mais de 20 mil mortos e 167 mil feridos as perdas econômicas foram calculadas em US$ 2. 2002. o Vietnã sofreu uma série de eventos extremos.1 bilhões Fontes: ADPC. abrigo ou água. na Índia. o governo tomou decisões em relação a políticas para cada parte do país. DoAC India. a saber: · · · · · o impacto da degradação ambiental precisa ser avaliado – é de suma importância elevar a conscientização sobre os perigos da degradação ambiental entre os governos e a população. Quando o tufão minguou. o governo providenciou assistência às comunidades pesqueiras locais. com danos calculados em US$ 131. o Vietnã reagiu com a organização de um Comitê Nacional e o fortalecimento da função que seu Comitê Central para o Controle de Inundações e Tempestades (CCFSC) desempenha quanto à mitigação dos efeitos de desastres. incluindo aumentar a resistência a inundações e proteger áreas povoadas. Alguns deles. Embora as perdas humanas e econômicas tenham sido trágicas. planejada para preparar medidas para conviver com inundações e minimizar seus danos. 2001 mento de metil isocianato de uma indústria matou mais de 3 mil pessoas e afetou mais de 200 mil (Robins. sem comida. 1995). planos e medidas para a redução de desastres em coordenação com outras organizações relevantes. e seu gado foi devastado o ciclone provocou danos em 1.302 ESTADO DO MEIO AMBIENTE E RETROSPECTIVAS POLÍTICAS: 1972-2002 Seleção de desastres naturais: Ásia e Pacífico julho de 1976: um terremoto na China causou a morte de 242 mil pessoas abril de 1991: um ciclone em Bangladesh acompanhado por uma maré de tempestade provocou 138. No fim da década de 1990. as agências em todos os âmbitos fortaleceram suas capacidades de busca e resgate.502 pessoas morreram e mais de 1. Quando a Assembléia Geral das Nações Unidas designou a década de 1990 como a Década Internacional para a Redução dos Desastres Naturais.866 mortes fevereiro de 1990 e dezembro de 1991: ciclones em Samoa causaram perdas equivalentes a US$ 450 milhões.8 milhão foram afetadas. Mais de 5 mil pessoas foram salvas graças a esses esforços. têm um sistema há muito estabelecido de administração de desastres. enquanto 15 milhões de pessoas ficaram desabrigadas. o Dia Internacional para a Redução de Desastres.

109–16 ADPC (2001). and Ericksen. Cambridge University Press Huang. United Nations. Geneva. The World’s Greatest Disasters. Z. Climate Change Impacts and Adaptation Assessment in Bangladesh. Acta Geographica Sinica. org/data/wdi2001/pdfs/tab3_8. 7.html [Geo-2-344] UNESCAP and ADB (1995). Guangdong Science and Technology Press (in Chinese) IFRC (2001). 20(4). Natural Disaster Management.htm (26/09/2001) [Geo-2-342] Glantz.M. J. Climate Change.worldbank. Drought in the Rainforest. J. Climate Research. N.J.com/imgversn/113/ngo. Disasters. (1990). P. Currents of Change: EL Nino’s Impact on Climate and Society. 27.. Cambridge. Economic and Social Commission for Asia and the Pacific and Asian Development Bank. 373–96 Salafsky.fao. The Regional Impacts of Climate Change: An Assessment of Vulnerability. (1994). (1999). Jiang.in/ cycloneorissa/ [Geo-2-343] FAO (1998). 325-52 Mirza. (2000). ourplanet. Asian Disaster Preparedness Centre. London. India http://ndmindia.G. A. N.X and Zhu. Washington DC.W. Z.Q. Impacts of Sea Level Rise on Coastal Erosion in the Changjiang Delta Northern Jiangsu Coastal Plain. (1993). Asian Institute of Technology CRED-OFDA (2002). New York.org/ enrd/environ/soe.nic.be/ emdat [Geo-2-330] DoAC India (2002). Ásia e Pacífico Ali. (1998). and Adger. Time to save the Aral Sea? Agriculture 21.DESASTRES 303 Referências: Capítulo 2. State of the Environment in Asia and the Pacific 1995. W. Asian Disaster Management News. 601–3 UNEP (2001). 1998 http://www. M. Part II: an Update Based on the 1994 ENSO Event. United Nations http://www. New York UNESCAP and ADB (2000). Department of Agriculture and Cooperation. Bangkok. Climate Change. Sea Level Changes in Guangdong and its Impacts. Centre for Research on the Epidemiology of Disasters http://www. United Nations Economic and Social Commission for Asia and the Pacific and the Asian Development Bank. EM-DAT: The OFDA/CRED International Disaster Database. M. Cambridge University Press Ji. 48 (6). (1999). special 6. N. Theory and Practice in Assessing Vulnerability to Climate Change and Facilitating Adaptation. January-March 2001. desastres.org/WAICENT/FAOINFO/ AGRICULT/magazine/9809/spot2. (1996). Z. World Development Indicators 2001. Guangzhou. (1999). 39. State of the Environment in Asia and Pacific 2000. H. 516–26 (in Chinese with English Abstract) Kelly. Hamlyn Salafsky.X. 47. Vol. Environmental Management. World Bank http://www. 12 (2/3). Climate Change. China. Indonesia. Super Cyclone Orissa. Cambridge. No. Impact of Water Control Projects on Fisheries Resources in Bangladesh. Our Planet http://www.unescap.cred. 1.N. Drought in the Rainforest: Effects of the 1991 El Niño Southern Event on a Rural Economy in West Kailimantan.pdf [Geo-2-024] . World Disaster Report 2000.htm [Geo-2-266] World Bank (2001). International Federation of Red Cross and Red Crescent Societies IPCC (1998). 527–39 Robins.

que freqüentemente ocasionam danos ambientais significativos. a impermeabilização do solo. Eslovênia e Espanha). 163 grandes inundações ocorreram na Europa. na Ucrânia e no Reino Unido. A cada ano. 2001). onde a recessão econômica causou um sério declínio da capacidade de reação das autoridades e das equipes locais de combate a incêndios florestais. medidas de preparação e reação aos desastres e planejamento para casos de emergência. As conseqüências gerais dependem tanto da magnitude do evento quanto de fatores como densidade demográfica. regional e internacional. prevenção de desastres. em Portugal. ao longo da costa do Mediterrâneo (Croácia. 2001a). medidas de engenharia hidráulica (EEA.304 ESTADO DO MEIO AMBIENTE E RETROSPECTIVAS POLÍTICAS: 1972-2002 Desastres: Europa Em toda a Europa ocorrem desastres que resultam de perigos causados por fatores naturais e antropogênicos. Os principais fatores que induzem ou intensificam as inundações e seus impactos incluem a mudança do clima. Cerca de 80% . que ocorreram em dezembro de 1999. na Itália. devem visar a melhoria ecológica do Reno. os desastres naturais mais comuns são tempestades e inundações. As tempestades de vento Lothar e Martin. ferimentos em seres humanos e mortes prematuras. Incêndios florestais e secas são um problema nos países ao sul.6 bilhões de custos segurados (Swiss Re. a costa do Norte da África aparece delineada abaixo. de seu vale e de sua bacia hidrográfica. Itália. Os níveis extremos de inundação a jusante do Alto Reno regulado devem ser reduzidos em até 30 cm para 2005 e em até 70 cm para 2020. Houve inundações graves em 1993 e 1995. centenas de milhares de hectares de florestas de taiga se perdem em virtude de incêndios. Tempestades e inundações também são os desastres mais dispendiosos em termos de perdas econômicas e seguradas. o que ocasionou inundações na República Checa. na Hungria. As medidas de resposta. Essa imagem mostra a tempestade passando pela Europa às 12. Fonte: copyright EUMETSAT. devido a um nível mais elevado de “capacidade de lidar com as conseqüências dos desastres” em termos da capacidade do governo de preparar-se e reagir em caso de desastres. o crescimento demográfico. O plano de ação para o Rio Reno quanto à defesa contra inundações Em janeiro de 1998. Provavelmente essas metas ambiciosas serão alcançadas apenas por meio de uma abordagem de gestão integrada em âmbitos local. Um dos piores anos da história em termos de danos causados por inundações foi o de 2000. a construção de estradas e ferrovias e. a XII Conferência de Ministros do Reno adotou um Plano de Ação para Defesa contra Inundações a ser implementado em vinte anos. Nos últimos anos. Durante os dois últimos séculos.00 UTC do dia 26 de dezembro. a urbanização e assentamentos crescentes. correspondente a quase um quarto do total de US$ 10. a primeira de duas tempestades intensas que passaram pela Europa Ocidental nos dias 26-27 de dezembro de 1999. Em geral. na Suíça. 2002 Desastres naturais Na Europa.5 trilhão de euros. muitos países europeus sofreram intensidade e duração de precipitações anormalmente elevadas. principalmente nos meses de inverno. Os objetivos mais importantes do plano são reduzir os danos em até 10% para 2005 e em até 25% para 2020. como a preservação e a expansão de planícies de inundação e um melhor armazenamento de água em toda a área da bacia hidrográfica. Os danos que poderiam ser causados nas áreas em risco de inundações podem ser equivalentes a 1. enquanto o custo dos danos causados por inundações entre 1991 e 1995 foi calculado em 99 bi- lhões de euros. na Alemanha. a Europa sofre menos com os desastres do que muitos países em desenvolvimento. causou sérios danos. 2001 Lothar. e os incêndios também são comuns na região da Sibéria na Federação Russa. Fonte: ICPR. embora de fato ocorram terremotos em alguns países. Grécia. o Reno perdeu mais de 85% de suas planícies de inundação naturais para construções e atividades agrícolas. florestas e infra-estrutura. perdas econômicas. na França. custaram cerca de 5 bilhões de euros devido a danos a cultivos. às vezes. Entre 1971 e 1996. França. mudanças no uso das terras de bacias hidrográficas e de planícies de inundação.

Contudo. Principais desastres causados por atividades antrópicas Na Europa. O derramamento devastou uma grande quantidade de espécies da flora e da fauna silvestres nos sistemas fluviais. Fonte: BMTF. em média. também tem havido um aumento dos impactos desses desastres e das perdas econômicas a eles associadas. como Croácia. ao menos na União Européia (EEA. na antiga União Soviética. É provável que o risco geral de acidentes nucleares tenha aumentado na década de 1970 à medida que mais usinas entraram em funcionamento. Grécia. A partir de 1977. uma vez a cada dois anos (UWIN. os desastres causados por atividades antrópicas provocam mais fatalidades humanas e perdas econômicas do que os desastres naturais. 1999). Apesar dos elevados níveis gerais de tecnologia e segurança na Europa. embora não haja uma política específica. esse nível foi alcançado. mas tais planos parecem ser ad hoc. O processo de licenciamento era extremamente complexo. Em contraste com os acidentes em instalações fixas. a Comissão Européia gastou 838 milhões de euros entre 1991 e 1998) (EC. que logo chegaram ao Danúbio e finalmente no Mar Negro. em 1985 (EEA. O número médio anual de desastres naturais parece estar crescendo. Além disso. um fator que complica a questão é a deterioração crescente das usinas de energia nuclear Baia Mare: a análise de um acidente em uma mina Às 22 horas do dia 30 de janeiro de 2000. 2000). e considera-se improvável que funcionem bem na prática (EEA. caiu o muro de uma represa de uma usina de recuperação de refugo de mina em Baia Mare. as águas de cheia do Rio Reno subiram mais de 7 metros acima do nível de inundação cerca de uma vez a cada vinte anos entre 1900 e 1977. contribuiu para o acidente. sem data). foi impulsionada pelo acidente nuclear de 1986 em Chernobyl. No entanto. no noroeste da Romênia. 2001). mas deve ter diminuído na década de 1990 conforme usinas antigas foram desativadas e a construção de novas usinas diminuiu ou foi completamente abandonada devido à pressão da população. França. os incêndios também são comuns na região da Sibéria. relatou que as falhas no planejamento da usina em operação. tanto no âmbito nacional como no regional. até certo ponto. embora o número total de derramamentos de petróleo pareça estar aumentando (EEA. na Federação Russa Fonte: UNEP. não foram estabelecidas medidas para lidar com situações de emergência. Itália. Foram alocados recursos significativos para aumentar a segurança nuclear em usinas de processamento nuclear (por exemplo. para reduzir os impactos dos desastres naturais (ver box à esquerda). na fronteira da Alemanha com a França. o número de acidentes industriais na União Européia continua subindo (EC. Rougier. 2000 Um helicóptero joga água sobre um dos incêndios florestais que periodicamente assolam os países do sul da Europa. Topham Picturepoint . principalmente nos países da Europa Central e do Leste Europeu. Têm sido implementadas ações e medidas. inclusive a construção inadequada das represas. Planos de reação em caso de emergência foram elaborados por toda a União Européia com o objetivo de reagir ante diversos desastres naturais. Eslovênia e Espanha. Acredita-se que o problema principal tenha sido a ineficiência das autoridades responsáveis pela concessão de licenças e pela aplicação de normas. 1999). estabelecida para investigar o caso. O planejamento integrado do uso da terra pode. 2001b). e. em geral não testados. evitar os impactos sobre os seres humanos. 1999). desde o fim da década de 1980. não é possível quantificar o risco de liberações acidentais de radionuclídeos devido à falta de informações compa- ráveis e suficientemente detalhadas. e o monitoramento do nível da água no depósito de decantação do refugo no local em que a represa ruiu era inadequado. A Força Tarefa de Baia Mare. quando então tinha se tornado bastante diluído. 1996). houve 37 grandes acidentes industriais – o número anual mais alto desde que os registros tiveram início. derramando 100 mil m3 de águas residuais poluídas com cianureto no Rio Tisa. Em 1997.DESASTRES 305 dos incêndios florestais são conseqüência do desconhecimento das pessoas em relação às normas de segurança contra incêndios. os acidentes com grandes derramamentos de petróleo de transportes marinhos e instalações em alto-mar apresentaram uma tendência de diminuição (ITOPF. Por exemplo. e a Força Tarefa concluiu que a avaliação original do impacto ambiental continha erros. Uma ampla campanha para aumentar a segurança de novos reatores nucleares civis e dos que estão em funcionamento.

(1993). Part 3: Extreme Hydrological Events: Floods and Droughts. Environment and Human Settlements Division. O banco de dados de seu SisReferências: Capítulo 2. Sustainable Water Use in Europe. Southern Illinois University . G. embora essa pressão possa resultar em grandes perdas a longo prazo. 8. No entanto.306 ESTADO DO MEIO AMBIENTE E RETROSPECTIVAS POLÍTICAS: 1972-2002 mais antigas da Federação Russa e da Lituânia. Regional Environmental Centre for Central and Eastern Europe and United Nations Environment Programme Swiss Re (2001). O tempo de existência das usinas de processamento é mais um fator. United Nations Economic Commission for Europe. Winter Storm Lothar over Europe as seen in Meteosat Images http://www. Uma vez que a poluição não cessa em fronteiras políticas.html [Geo-2-3??] tema de Relatório de Acidentes Maiores (Major Accident Reporting System – MARS) e o banco de dados do Sistema de Recuperação de Informações sobre as Usinas Seveso (Seveso Plants Information Retrieval System) são ferramentas práticas que ajudam os países a tomarem decisões quanto à administração do risco. EC (2001). 1996). em janeiro de 2000. Historical Data. mas ainda são necessários mais esforços para reduzir os riscos (EEA. as abordagens holísticas estão se tornando mais predominantes. e a cooperação internacional de acordo com suas cláusulas ajuda os governos a melhorarem as políticas nacionais quanto à prevenção e à mitigação de desastres causados por atividades antrópicas. que entrou em vigor em 1996.it/ mars/Default. 2000). International Tanker Owners Pollution Federation http://www. quanto maior. 1997). Essa convenção inclui exigências para conduzir avaliações de impacto ambiental (EIAs) e para notificar estados a jusante sobre acidentes.eumetsat.com/Incidents/Statistics/MarshPetrochemi calLosses0201. unece. Report of the International Task Force for Assessing the Baia Mare Accident. (1996). 1999). European Environment Agency EEA (2001a). Environmental Issues Report No. desastres.html ICPR (2001). 21. Large Property Damage Losses in the Hydrocarbon-Chemical Industries A Thirty-year Review. Environmental Assessment Report No. The International Commission for the Protection of the Rhine. há mais probabilidades de falhas por “desgaste” (M&M Protection Consultants.int/ comm/external_relations/nuclear_safety/intro/ [Geo2-347] ECE (2001). freqüentemente. Está sendo considerada uma abordagem inovadora em relação a um protocolo conjunto sobre responsabilidade proposto de acordo com a Convenção de Helsinque e a Convenção sobre os Efeitos Transfronteiriços de Acidentes Industriais (REC. 1993. http://www. Worldwide Paper on River and Wetland Development.itopf. Nuclear Safety in Central Europe and the New Independent States. Environment in the European Union at the Turn of the Century. A maioria dos países europeus é parte desses tratados multilaterais. 31 March 2001 UWIN (1996).pdf [Geo-2-351] Rasmussen. A falta de investimentos em segurança e gestão ambiental e o funcionamento de usinas após o término de sua vida útil são. Políticas de resposta Para muitos desastres tecnológicos. acusafe. serviu como um lembrete bastante sério das deficiências de aplicação das normas ambientais nos países do Leste Europeu (ver box na página anterior).eu.iksr.com/ stats. AcuSafe http://www. EUR 16341 EN REC (2000). MARS http://mahbsrv. The Experience with the Major Accident Reporting System from 1984 to 1993. A Convenção de 1991 sobre Avaliação de Impacto Ambiental em Contextos Transfronteiriços. e ainda reforça o princípio “poluidor-pagador”. É de suma importância a esse respeito a diretriz da Comissão Européia sobre o controle de grandes desastres acidentais envolvendo substâncias perigosas (freqüentemente referida como “Diretriz Seveso II”). que entrou em vigor em 1997. As análises de grandes acidentes industriais indicam que as falhas de componentes e os erros humanos são as duas causas imediatas mais comuns. Europe ‘Agreening’: 2000 Report on the Status and Implementation of Multilateral Environmental Agreements in the European Region. exige que as partes notifiquem e consultem umas às outras sobre todos os grandes projetos em andamento que sejam perigosos em potencial (ECE. Em geral. que foram construídas de acordo com um planejamento similar ao do reator de Chernobyl. Os planos de reação em caso de emergência agora podem ser elaborados para acidentes tecnológicos.html M&M Protection Consultants (1997). Copenhagen. Copenhagen. 2. http://www. Action Plan on Flood Defense. Universities Water Information Network. um dos acordos multilaterais mais importantes a esse respeito é a Convenção de Helsinque de 1992 para a Proteção e Uso de Cursos de Água Transfronteiriços e Lagos Internacionais. European Environment Agency EEA (2001b). na Romênia. org/env/eia/ [Geo-2-352] EUMETSAT (2002). já que. Convention on Environmental Impact Assessment in a Transboundary Context. Environmental Signals 2001. agora também incorporada ao sistema jurídico da maioria dos países da Europa Central e do Leste Europeu. Property claims service. com crescente atenção à redução do risco de impactos ambientais a longo prazo. também revelam lacunas no regulamento e no monitoramento. European Environment Agency EC (undated). Safety Science.org/icpr/11uk. O acidente na mina de Baia Mare. as informações sobre a extensão e a localização de perigos tecnológicos estão melhorando. Environmental Assessment Report No. bem como à redução de danos sérios à saúde e à propriedade causados por acidentes (EEA. Rasmussen. 1999). 89-113 EEA (1999). Europa http://europa. Szentendre. European Commission Drogaris. Europa BMTF (2000). Hungary.htm [Geo-2348] ITOPF (2000). mas as principais causas latentes identificadas foram a segurança e a gestão ambiental inadequadas (Drogaris. 1991). Learning from major accidents involving dangerous substances. Copenhagen. CEC.de/ en/area5/special/storm_26121999. K. The Economist. Carbondale. Major Accident Reporting System of the European Commission. 16. resultado da pressão dos acionistas que desejam aumentar a lucratividade.jrc. Brussels.

inundações. na Bolívia. Peru e Venezuela) causados pelo El Niño de 1997/1998 foram calculados em mais de US$ 7. os números indicam que três quartos do total de perdas humanas devido a desastres naturais na região têm origem hidrometeorológica. bem como pelo estabelecimento de sistemas de alerta antecipado e medidas de preparação para casos de desastre em alguns países nos últimos trinta anos (PAHO. terremotos (5. 1999). as epidemias mais graves de malária ocorrem geralmente um ano após o início do El Niño. As mortes resultaram principalmente de inundações (54%). Na América do Sul. na Nicarágua e no Peru. Equador. O furacão também causou mortes e sérios danos ambientais e econômicos na Costa Rica. Colômbia. epidemias (18. uma vez que podem favorecer o desenvolvimento e a proliferação de vetores de doenças epidêmicas. 2002). Os acidentes associados à mineração e a derramamentos de petróleo representam os principais desastres causados por atividades antrópicas na região. Registrou-se um total de 65. cujos impactos podem ser graves. 1998). Houve epidemias de cólera em 1997-1998 em Honduras.3% do PIB do país (World Bank. afetando principalmente Honduras e Nicarágua.DESASTRES 307 Desastres: América Latina e Caribe Na região da América Latina e Caribe. os danos foram calculados em US$ 3 bilhões. o PIB do Peru caiu em 12%. furacões. infecções gastrointestinais e vários tipos de diarréia. PAHO.7%). ciclones. como a malária. Sugeriu-se uma associação similar entre o aquecimento das águas oceânicas superficiais provocado pelo El Niño. Considerando o fato de que as inundações e os deslizamentos de terra são freqüentemente associados a tempestades e furacões. a área mais atingida. após a ocorrência do El Niño em 1983.260 mortes em virtude de desastres naturais na região durante a década de 1990.2%) (CRED-OFDA. maremotos. coincidindo com a tendência global. 2001 . As inundações ocorridas em 1999 na costa norte da Venezuela também tiveram um forte impacto. No estado de Vargas. associadas a um aumento nas precipitações (como em 1983.2%) e deslizamentos de terra (3.5 bilhões (CEPAL. os principais perigos naturais são secas. 2000). provocou a morte de mais de 17 mil pessoas e deixou 3 milhões desabrigadas. 1999. Essa tendência pode ser explicada pela ocorrência de menos terremotos graves em áreas densamente povoadas ou altamente vulneráveis. como o cólera. a proliferação de algas marinhas e o aparecimento do cólera na América do Sul em 1992. perderam-se mais de 230 mil empregos. O total de fatalidades na década de 1990 foi menor do que um terço do registrado na década de 1970.4%). 2002). O Furacão Mitch. O impacto de níveis extremos de precipitações (tanto excessivas como escassas) é igualmente importante na propagação de doenças transmitidas pela água. deslizamentos de terra e de lama. Os danos nos países da Comunidade Andina (Bolívia. a febre amarela e a peste bubônica (WHO. na República Dominicana. O número de mortes causadas por desastres caiu consideravelmente entre 1972 e 1999. causando escassez de água. 1998). enquanto o número de pessoas feridas caiu para quase a metade (após aumentar em aproximadamente 30% na década de 1980) (CEPAL. terremotos e atividade vulcânica. As perdas econômicas causadas por desastres aumentaram quase 230% entre as décadas de 1960 e 1990 (CEPAL.2 bilhões ou 3. ciclones e furacões (17. no Equador e no Peru) ou a uma redução nas precipitações e no escoamento (como na Colômbia e na Venezuela). e registrou-se que 60% Eventos hidrometeorológicos O evento hidrometeorológico mais conhecido é o fenômeno El Niño. a dengue. 1999). O fenômeno El Niño e as doenças epidêmicas As variações cíclicas da temperatura e das precipitações associadas ao El Niño são de importância particular. em El Salvador e na Guatemala (CRED-OFDA. avalanches. Por exemplo. que atingiu a região em 1998. 1999). A economia nacional levou uma década para se recuperar. na costa do Atlântico como na do Pacífico. tempestades tropicais. A maioria dos países da América Central e do Caribe se encontra dentro da zona de furacões. O estado de Miranda também foi cruelmente atingido: a represa de El Guapo ruiu. com prejuízos estimados em mais de US$ 3. novamente refletindo uma tendência global. principalmente devido a uma redução na produção agrícola e na indústria pesqueira. tempestades. 1999). relacionadas ao aumento nos níveis de precipitação em conseqüência do El Niño (WHO. tanto Fonte: UNICEF.

foi atribuída uma atenção considerável. os eventos geológicos extremos provocaram a morte de 65. com mais de 500 mil toneladas (Cutter Information Corp. Por exemplo. AMIGRANSA. maremotos e erupções vulcânicas que. as florestas diminuem os deslizamentos de terra e os manguezais atenuam o efeito de tempestades costeiras e marés extremas. como derramamentos de substâncias químicas perigosas e produtos derivados de petróleo. em algumas áreas. 1999): Desastres causados por atividades antrópicas Certos desastres. o segundo maior registrado no mundo. Em âmbito regional. Políticas de resposta Muitos países. têm origem tecnológica.5 milhão de toneladas de resíduos poluídos com cianureto foi registrado nos Rios Omai e Esequibo na vizinha Guiana (Filártiga e Agüero Wagner.503 pessoas e afetaram outras 4. 30 mil famílias desabrigadas e mais de 81 mil habitações destruídas (IFRC. principalmente os localizados em ilhas. incluindo a falta de zoneamento de áreas vulneráveis durante o processo de planejamento do desenvolvimento. mento da exploração do mineral. Essa atividade apresenta um risco relativamente alto de terremotos. agravam o risco já elevado de furacões e inundações. vale citar os seguintes (UNEP. inadequados para a aplicação de tais medidas. assim como organização administrativa e recursos humanos. Entre os principais motivos de preocupação quanto às políticas. 2000). 1997). 2000). fornece recursos e facilita as ações não-estruturais de mitigação. são vulneráveis a desastres naturais (ver tabela). na última década. o bom uso da terra mantém os ecossistemas saudáveis. mediante a utilização de mecanismos naturais. Somente na Bacia do Caroni. deficiência e uso limitado de medidas de construção anti-sísmicas. Em geral. 2002). inexistência de apólices de seguro para famílias de baixa renda. social e ambiental dos desastres. sua ordem de promover a cooperação internacional nessa área teve o apoio da Conferência Interamericana sobre Redução . Estimase que tenha havido 30 mil mortes. 2002). sua avaliação e mitigação. à preparação para casos de desastre. 3 mil quilos de mercúrio foram despejados. Entre 1972 e 1999. Eventos geológicos As atividades sísmicas e tectônicas são particularmente intensas ao longo da costa do Oceano Pacífico e na bacia do Caribe por causa de pressões geradas entre as placas oceânicas e continentais.4 milhões (CRED-OFDA. O maior derramamento de petróleo na região foi o originado de uma explosão submarina de petróleo no poço Ixtoc na Baía de Campeche em 1979. Essa estratégia é particularmente atraente em países em que o seguro contra riscos e a mitigação estrutural são dispendiosos.308 ESTADO DO MEIO AMBIENTE E RETROSPECTIVAS POLÍTICAS: 1972-2002 da safra foi perdida (MoPD Venezuela. e um derramamento de 1. alta vulnerabilidade média vulnerabilidade baixa vulnerabilidade É essencial melhorar a gestão para reduzir os desastres. o uso de cianureto e mercúrio na extração de ouro aumentou 500% na última década com o cresciVulnerabilidade dos países do Caribe aos perigos naturais furacões Antígua e Barbuda Bahamas Barbados Belize Cuba Dominica República Dominicana Granada Guiana Haiti Jamaica São Cristóvão e Nevis Santa Lúcia São Vicente e Granadinas Suriname Trinidad e Tobago terremotos vulcões enchentes secas • • • • • deficiência na prevenção de desastres. e sistemas inadequados de apoio às comunidades afetadas. Dada a enorme carga econômica. Muitas das ações foram realizadas no contexto da Década Internacional para a Redução de Desastres Naturais (IDNDR). 2001. principalmente implementar ações não estruturais de mitigação. por exemplo. as áreas úmidas reduzem as inundações. No delta do Rio Orinoco e nas regiões vizinhas da Venezuela. mecanismos ineficientes de mitigação.

quanta. Referências: Capítulo 2. Oil Spill Intelligence Report. United Nations Children’s Fund http://www. A experiência mostrou os efeitos positivos do planejamento e da criação de competências institu- cionais. Ministry of Planning and Development.py/userweb/apocalipsis/Venezuela/ body_venezuela. Washington DC. Venezuela Rises Above Destruction. por meio da diminuição da vulnerabilidade social. como Brasil.edu/ mail/elan/jul97/0068. Tais instituições incluem o Centro para a Coordenação para a Prevenção dos Desastres Naturais na América Central. Um item fundamental é fortalecer e padronizar métodos de produção de dados em âmbito regional. In Wake of Floods. 9.org/emerg/ ElSalvador. Diversos países da região. A. Washington DC. criaram e fortaleceram instituições nacionais na área de administração de desastres. Nicarágua e Panamá. Chile. surge uma nova visão: o processo de desenvolvimento deve reduzir o risco. University of Colorado http://csf. Developing Indicators: Lessons Learned from Central America. and Agüero Wagner. Mexico City.html [Geo-2-355] IFRC (2002). Health in the Americas. Situation Report No.org/external/lac/ lac. e a Agência Caribenha de Resposta de Emergência em Caso de Desastre. Communications for a Sustainable Future. As medidas preponderantes em caso de desastres referem-se à administração do risco. Bank Urges Venezuela to Protect Poor …. Press release 7 March 2000 http://wbln0018.DESASTRES 309 de Desastres Naturais. L.worldbank. EM-DAT: The OFDA/CRED International Disaster Database. Guatemala. Costa Rica. L. econômica e ambiental das populações e dos territórios. El Salvador Earthquakes. Naciones Unidas CRED-OFDA (2002). Apocalipsis GeoAmbiental.htm [Geo-2-356] WHO (1999). Caracas.colorado. Geneva. Centre for Research on the Epidemiology of Disasters http://www. América Latina y el Caribe: El Impacto de los Desastres Naturales en el Desarrollo.. (2001). Mexico City. 1998). 1972-1999. São igualmente relevantes os esforços para identificar a vulnerabilidade dos territórios e das populações quando enfrentam perigos naturais e causados por atividades antrópicas (ver box). (2000). htm [Geo-2-354] Filártiga.nsf/[Geo-2-357] .850 de explotación de los bosques de Imataca. em março de 1994. Press Release.html [Geo-2-353] CEPAL (1999).unicef. Fiebre del oro y ecoapocalipsis en Venezuela. Scientific Publication No. Posición de AMIGRANSA ante el decreto 1. desastres. J. Colômbia. Cutter Information Corporation http://cutter.com/osir/biglist. International Federation of Red Cross and Red Crescent Societies MoPD Venezuela (2000). World Health Organization World Bank (2000). mas também para avaliar as perdas. United Nations Environment Programme. Dentro dessa estrutura.be/ emdat [Geo-2-330] Cutter (2000). Caribbean Environment Outlook. 1998 Edition. Geneva. El Imperialismo Ecológico http://www. estabelecida em 1991. 569. El Niño and Health. Venezuela: Floods.cred. Winograd. and Farrow. que possui um elemento crescente de participação local e comunitária e utiliza de forma não centralizada as organizações não governamentais e os grupos de cidadãos. a Convenção Interamericana para Facilitar a Assistência em Caso de Desastre foi adotada em 1991 e entrou em vigor em 1996 (PAHO. M. Regional Office for Latin America and the Caribbean UNICEF (2001). Venezuela PAHO (1998). não apenas para evitar inconsistências durante casos de emergência. World Bank UNEP (1999). Pan American Health Organization Segnestam. Commisión Economica para America Latina y el Caribe. realizada em Cartagena. Cuba. estabelecido em 1988.net. Sob os auspícios da Organização dos Estados Americanos. América Latina e Caribe AMIGRANSA (1997).

hidrográficas. o Canadá implementou o Programa de Redução de Danos Causados por Inundações (Flood Damage Reduction Program – FDRP) e. Apesar de normas firmes que regulam o manejo de material perigoso. o nível médio de umidade na atmosfera aumentou 5% por década entre 1973 e 1993 (Trenberth. Muitas das responsabilidades separadas e fragmentadas de programas paralelos de ação em caso de desastre. foram fundidas em 1979 na Agência Federal de Administração de Emergências (Federal Emergency Management Agency) (FEMA 1999). a precipitação anual (média móvel. e a Lei de Ajuda em Caso de Desastres (Disaster Relief Act). Easterling e outros.310 ESTADO DO MEIO AMBIENTE E RETROSPECTIVAS POLÍTICAS: 1972-2002 Desastres: América do Norte Perigos naturais. Esses programas ofereceram melhores medidas de mitigação. de 1974. Inundações e mudança do clima Acredita-se que a interrupção e a intensificação do ciclo hidrológico da Terra seja um dos efeitos fundamentais da mudança do clima (White House. Nos Estados Unidos. 1997. As inundações são naturais e essenciais à saúde das bacias . erupções vulcânicas. 2000). em âmbito tanto estadual como local. tornados. os quais induzem à elaboração de mais leis preventivas. 2000). conforme demonstrado pelo aumento nos níveis anuais médios de precipitação nos últimos trinta anos (ver gráfico). A maior parte desse aumento se deve a chuvas mais intensas que resultaram em inundações e tempestades (O’Meara. 2000). de 1968. tempestades de areia e outros eventos extremos. os Estados Unidos aprovaram a Lei Nacional de Seguro contra Inundações (National Flood Insurance Act). É possível que já ocorram mudanças nas condições hidrológicas da América do Norte. nos últimos períodos observados. 1999). acidentes graves ocorrem ocasionalmente. em 1988. como terremotos. mas também podem ser destrutivas e causar prejuízos econômicos (ver box acima). preparação. acima da média de 1951-80. estabeleceu a Defesa Civil do Canadá (Emergency Preparedness Canada – EPC) (EC. linha sólida) tem estado. secas. Em resposta a esses eventos. 1998 a Mudanças na média de precipitação anual (em mm): Canadá 15 10 5 0 -5 -10 5 0 5 0 5 0 5 0 5 0 19 4 19 5 19 5 19 6 19 6 19 7 19 7 19 8 19 8 19 9 19 9 5 20 0 0 Durante as décadas de 1960 e 1970. Inundações e incêndios florestais também são motivos prioritários de preocupação. No Canadá (como nos Estados Unidos). Em 1975. ameaçam diferentes partes da América do Norte. tempestades de neve. Os governos da região implementaram muitos mecanismos de resposta para evitar e atenuar os danos causados por tais fatores. 2000). mais de 90% dos desastres naturais nos Estados Unidos foram o resultado de eventos meteorológicos ou climáticos extremos (Changnon e Easterling. resposta e recuperação em matéria de inundações. Fonte: EC. furacões.

2001). assim como do aumento da prosperidade econômica (Easterling e outros. Nos lugares em que as tempestades se intensificam e as inundações aumentam. 2000). em comparação aos 16 milhões de hectares queimados a cada ano na década de 1930 (Booth. advertiase que. O país estabeleceu a Agência de Infra-estrutura Crítica e Preparação para Casos de Emergência (Office of Critical Infrastructure and Emergency Preparedness – OCIPEP) em 2001. diques e desvios. H. uma estratégia binacional abrangente deveria ser elaborada e implementada (IJC. e por causa da disponibilidade de socorro em caso de desastre (Brun e outros. 2001 e NIFC. promoveu-se o desestímulo a assentamentos em áreas propensas a inundações. Acreditase que um evento El Niño extraordinariamente forte ocorrido em 1997-1998 tenha sido responsável por inundações graves na Flórida. assim como aumenta o potencial de problemas com a distribuição de água e com os sistemas de esgoto. A tendência de estabelecer assentamentos em áreas propensas a inundações também é influenciada pela percepção de que o risco diminuiu graças a estruturas de proteção. No Canadá. Os incêndios provocados por raios são úteis para eliminar árvores velhas e mortas. começaram a promover abordagens não-estruturais para a prevenção de inundações.DESASTRES 311 As evidências demonstram que as mortes e os danos provocados por inundações aumentaram drasticamente desde o início da década de 1970 (USGRP. os Estados Unidos. 1999). 2000). e maior acesso do público às florestas. considerando o iminente aumento das inundações devido à mudança do clima. Os efeitos previstos da mudança climática incluem as mudanças no fenômeno El Niño. 2000). da freqüência e do custo de eventos hidrológicos extremos em algumas regiões da América do Norte (USGCRP. até a década de 1970. 1999). CIFCC. Esses incêndios abrem espaço a novas mudas. A Comissão Internacional dos Grandes Lagos (IJC) auxilia os dois governos a administrar suas águas compartilhadas. como represas. Mais pessoas e seus assentamentos estão expostos a inundações em virtude do aumento e da concentração da população. na Califórnia. a área anual queimada por incêndios florestais aumentou (ver gráfico). e. que são rapidamente substituídas por árvores novas e fortes (CCFM. 2000). eliminam os restos e elevam a disponibilidade de nutrientes (Jardine. prevê-se o aumento da magnitude. As estruturas que evitam a inundação de rios freqüentemente provocam inundações extremamente danosas quando a água finalmente transborda (ver box na página ao lado). 2000. Incêndios florestais Os incêndios florestais são uma parte natural da paisagem da América do Norte e desempenham uma função importante ao manter e regenerar alguns tipos de florestas (NIFC. 2000. 1999a). por meio de mapeamento e indicação de mais de 320 áreas com risco de inundações (EC. A mudança do clima também está envolvida. o que pode trazer prejuízos à saúde (EC. A importância relativa desses fatores é polêmica. com o objetivo de elaborar e implementar uma abordagem mais abrangente à prevenção de desastres (OCIPEP. ajudam a aumentar a diversidade. CEQ. 2000). . 2000). Fonte: CCFM. Bruce e outros. 1998b). Desde a década de 1970. há um maior potencial de danos em assentamentos localizados em áreas baixas e nas instalações portuárias e de atracamento. os incêndios eram mantidos em cerca de 2 milhões de hectares por ano nos 48 estados mais baixos. como projetos de reassentamentos e recuperação de áreas úmidas. as áreas de florestas queimadas têm aumentado a cada ano. O aumento se deu por uma série de fatores: a acumulação de combustível de programas anteriores de Superfície florestal queimada (milhões ha/ano): América do Norte 10 8 6 4 2 0 74 19 76 19 78 19 80 19 82 19 84 19 86 19 88 19 90 19 92 19 94 19 96 19 98 20 00 19 19 72 Desde que as autoridades decidiram deixar que os incêndios espontâneos se extinguissem naturalmente. 1994). Em um relatório sobre a inundação do Rio Vermelho ocorrida em 1997. John Heinz III Center. Há muito tempo os Estados Unidos aplicam uma política agressiva de extinção de incêndios. 2000 proteção contra incêndios. em alguns estados da região central dos Estados Unidos e em partes do estado de New England (Trenberth. país sujeito a eventos meteorológicos mais freqüentes e graves do que o Canadá. mudanças nas políticas relativas à queimada controlada. 1997. De acordo com alguns modelos de mudança do clima. 2001). 2000. Na década de 1990.

Estão sendo intensificadas as pesquisas sobre as associações entre a mudança climática e a florestal. National Forestry Database Program. 2000). desastres. A.html Easterling. Canadian Council of Forest Ministers http:// nfdp. The Canada Country Study (CCS).M. Law. As árvores mortas ficaram acumuladas durante períodos de seca. devido às substâncias químicas tóxicas que contém. Ottawa. Meehl. Environment Canada. Atmospheric Environment Service http://www.htm [Geo-2-358] CCFM (2000). S. esse foi o combate a incêndio mais dispendioso da história dos Estados Unidos (NPS.6 milhões de hectares de florestas. (2000). Tracking Key Environmental Issues http://www.edu/~micastio/ann3.pdf Changnon. R.ccfm. 2000 Bruce. ‘Natural’ Forestry Plan Fights Fires With Fire. Council on Environmental Quality http://clinton4. 1997). Environment Canada EC (2000). Minister of Public Works and Government Services Brun.ca/tkei/ main_e. 2068-74 EC (1998a). Foram causados por condições meteorológicas incomuns e por uma onda de calor inédita no Ártico (Jardine. L. Parmesan. Hectares by Year http://www. T. 1994.htm [Geo-2-365] Flannigan. Wallace. D. SOE Bulletin No.gc. 24 Sep. Volume VIII. 2000). as espécies normalmente eliminadas pelos incêndios tornaram-se dominantes. 1999b). Sustaining Canada’s Forests: Timber Harvesting. L. 5487. Ao custo de US$ 120 milhões. Esses incêndios são provocados propositadamente ou ocorrem por raios. A gravidade do período de incêndios de 1995 no Canadá.E. Flannigan e outros. Ottawa. Em 1989.edu/ete/modules/yellowstone/ YFfires1. Adaptation and Impacts Research Group http://www. 2053-5 CIFFC (2001). Wheeling Jesuit University/NASA Classroom of the Future http://www. A cada ano. National Environmental Indicator Series.. Science 289. US Policies Pertaining to Weather and Climate Extremes. permitiu-se que partes do Yellowstone – o maior Parque Nacional dos Estados Unidos – fossem queimadas após serem atingidas por um raio. G.gc. and Wotton. decidiu-se extinguir os incêndios. que queimou 6. S. É possível que as mudanças climáticas passíveis de provocar condições meteorológicas mais secas e tempestades mais graves também tenham um papel na mudança dos padrões de incêndios. About FEMA: History of the Federal Emergency Management Agency http://www. Por fim. 99-4. o índice anual de gravidade de incêndios na América do Norte tem grande possibilidade de aumentar em função da mudança do clima.M.ca/env/nh/pt2ch2-3-2. e permite-se que se extingam por si só.nara. M.. Além disso. No futuro. I.312 ESTADO DO MEIO AMBIENTE E RETROSPECTIVAS POLÍTICAS: 1972-2002 Conseqüentemente..ec.htm [Geo-2-363] EC (2001). Washington Post.ca/graphs/ hectares. bem como a intensidade e a freqüência das tempestades de vento (Jardine.R. The Mississippi Flooding of 1993. e algumas rodovias.. (2000). deveu-se parcialmente também a condições meteorológicas extremamente secas (EC.ca/climate/ccs/execsum8. essas políticas não estiveram livres de polêmica. 2000). Em 1988. Environment Canada. (2000). D. http://www. Canada and Freshwater: Experience and Practices. 1994). implementaram-se queimadas controladas e políticas de “deixar que se extinga” para reduzir o combustível acumulado e proteger assentamentos e empresas. Karl. Climate Extremes: Observations. Science 289.gov/ CEQ/firereport.. Burton. 262. (1998)..ciffc. (1997).html [Geo-2-360] Dalgish. Referências: Capítulo 2. S.. 2001). 2000.org/ [Geo-2-389] CEQ (2000).R. a menos que houvesse ameaça a pessoas ou a terras vizinhas (COTF. W.fema.G. gov/about/history. Exploring the Environment: Yellowstone Fires. and Mearns. Changnon. Coping with Natural Hazards in Canada http://www.gc. and Impacts. National Cross-Cutting Issues Volume.O.D.html [Geo-2-359] COTF (2000). Os incêndios se espalharam rapidamente por causa de uma grave seca de verão e ventos fortes. Turner.D. B. Stocks. Disaster Mitigation and Preparedness in a Changing Climate.A. D.. Etkin. América do Norte Booth. I. 221-9 . A Report to the President In Response to the Wildfires of 2000.A. Modelling.. mais de 2 milhões de hectares recebem tratamento de queimadas controladas nos Estados Unidos (Mutch. and Easterling. por exemplo.utoronto.P.rice. criando cargas excessivas de combustível. Floods http://www. 1996). 5487. A extinção dos incêndios evitou que incêndios naturais de baixa intensidade queimassem esse combustível acumulado. Calcula-se que na década de 1990 os incêndios tenham danificado seis vezes mais casas do que na década anterior (Morrison e outros.A..htm [Geo-2-362] EC (1999b). aeroportos e áreas de recreação devem encerrar suas atividades periodicamente devido à visibilidade reduzida.ec. A fumaça também constitui um perigo à saúde. As políticas dos Estados Unidos de extinguir todos os incêndios antes que atingissem uma área de 4 hectares até as 10 horas da manhã do dia seguinte foram suspensas no final dessa década (Gorte. C.msc– smc.J. J.ca/water/en/manage/floodgen/e_intro. Decidiu-se não interferir nos incêndios em áreas silvestres ou parques nacionais. ec. and Egener.gc. B.ca/ccrm/bulletin/annual97/ [Geo-2-361] EC (1998b). ec.cfm [Geo-2-364] FEMA (1999). Environment Canada EC (1999a). Canadian Interagency Forest Fire Centre.R.cotf. Managing the Impact of Wildfires on Communities and the Environment. A importância dos incêndios naturais periódicos começou a ser reconhecida na década de 1970. Os incêndios florestais também provocam muita fumaça. No entanto. Environment Canada. O desafio do manejo de incêndios florestais tem sido agravado pelos aumentos demográficos próximos a áreas propensas a incêndios. incêndios sem precedentes ocorreram no oeste do Canadá e nas áreas a leste da Baía de James. (1999). 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Nos últimos cem anos. 1997).314 ESTADO DO MEIO AMBIENTE E RETROSPECTIVAS POLÍTICAS: 1972-2002 Desastres: Ásia Ocidental A Ásia Ocidental é árida e vulnerável a secas. No Iraque. A seca também é um dos principais fatores que limitam o desenvolvimento econômico da região. Um relatório de uma missão da FAO/ WRP na Síria declarou que uma grande parte da população de pastores nômades enfrentava a “ruína financeira”. principalmente nos países do Mashreq e no Iêmen. necessitando de assistência alimentar com urgência. e a Síria foi a mais atingida. 1994). foi raro nevar em muitas áreas do Mediterrâneo oriental (WMO e UNEP. Os ciclos de seca tornaram-se intensos e mais freqüentes. Fonte: UNEP. Seca Aparentemente. que em 1999 reduziu a produção de trigo e cevada do país em 88% (WFP. como a Líbia e a Tunísia (IPCC.700 famílias gravemente vulneráveis à escassez de alimentos. O declínio na produção de trigo foi menos grave (28% abaixo da média). As dificuldades econômicas se intensificam durante a seca e podem levar a conflitos sociais entre usuários da terra. 1995). 1996). por exemplo. A produção de cereais também foi seriamente afetada. Nos invernos de 1991-1992 e de 1992-1993. 1999). 1960 e 1990. porque 40% dos campos de trigo da Síria são irrigados. A região sofreu períodos de seca durante as décadas de 1930. a produção de cereais caiu 20% A seca de 19981999 nos países do Mashreq teve graves efeitos na criação ovina e em seus proprietários – muitos pastores foram forçados a vender seus rebanhos por preços baixos por falta de pastagens. e as chuvas são escassas e variáveis (ACSAD. onde prevalece uma economia baseada na agricultura. Topham Picturepoint em comparação ao ano anterior e 40% em comparação à produção média dos cinco anos anteriores (FAO. já que afeta o desenvolvimento dos . A seca é o desastre natural mais importante da região. 2001). sofrendo sua pior seca em vinte e cinco anos (FAO. os níveis de precipitação caíram mais de 5% em grande parte do território ao longo do Mediterrâneo. Calculou-se que a safra de cevada foi de apenas 380 mil toneladas – menos da metade do total de 1998 e 72% a menos do que a média anual dos cinco anos anteriores. Os efeitos mais diretos da seca foram más colheitas e declínio na produção de cereais e gado. com poucas exceções. com 4. sociais e ambientais. A seca traz problemas econômicos. os níveis de precipitação estão caindo em alguns países da costa do Mar Mediterrâneo. As necessidades locais tiveram de ser atendidas por meio de importações. Aproximadamente 80% da região é classificada como semidesértica ou desértica (AOAD. A Jordânia também sofreu os efeitos negativos da seca. 1999). A seca de 1998-1999 afetou muitos países.

e. A poluição ambiental foi um dos principais impactos. a primeira e a segunda guerra do Golfo causaram grandes problemas ao meio ambiente. da guerra de outubro de 1973 e da invasão israelense no sul do Líbano em 1982. as ações e as medidas adotadas incluem modificar as políticas agrícolas e hídricas e dar prioridade às áreas afetadas pela seca. a região tem sido assolada por guerras. Calcula-se que 1. 1998). A forragem se torna escassa nas terras de pastagem durante os períodos de seca. é um dos problemas mais sérios da região. Os declínios da cobertura vegetal devido à seca também podem aumentar a erosão e levar a uma perda quase irreversível do potencial produtivo e. principalmente na forma de desertificação. monóxido de carbono e material particulado foram emitidos pelos poços de petróleo incendiados. Além disso. As flores- . 2000). Parton e outros.5 bilhão de litros de petróleo tenham sido jogados nas águas do Golfo e que mais de 600 poços de petróleo no Kuwait tenham sido incendiados (Bennett. a região foi palco da guerra entre árabes e israelenses em 1948. principalmente asma. em 2000. foi adotado um programa de ação sub-regional de combate à desertificação e à seca (UNCCD. Esse desastre antropogênico teve imensos impactos sobre o meio ambiente e a saúde humana. foram desenvolvidos programas de ação nacional. 2001). 1999). no dia 26 de janeiro de 1991. óxidos de nitrogênio. como a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação. sobre o bem-estar humano. Desde o início do século XX. e 3 desses acidentes estão entre os 20 maiores do mundo: 300 milhões de litros procedentes da Plataforma de Nowruz. 1993. quantidades incríveis de poluentes como dióxido de enxofre. Estudos hospitalares indicam que cerca de 18% da população civil do Kuwait sofre de algum distúrbio respiratório. 1995). o maior derramamento de petróleo ocorreu em janeiro-fevereiro de 1991. no dia 20 de agosto de 1981 (Oil Spill Intelligence Report). Embora a desertificação seja freqüentemente atribuída a práticas inadequadas de uso da terra. abrangendo áreas que normalmente não correm esse risco. Também ocorrem derramamentos acidentais de petróleo. A degradação da terra. Além da poluição terrestre e marinha. Os elevados níveis de partículas em suspensão foram associados a uma reação alérgica nas pessoas. Topham Picturepoint Conflitos armados Juntamente com os desastres naturais. em última análise. a seca agrava o efeito e estende a superfície propensa à desertificação. Todavia.5 bilhões de litros de petróleo foram vertidos propositadamente no deserto. subseqüentemente. Os efeitos ambientais de longo prazo da Guerra do Golfo podem persistir por décadas (UNEP. Calculase que aproximadamente 10% do petróleo descarregado na região penetre no meio ambiente marinho (Al-Harmi. Nas décadas de 1980 e de 1990. 1991).DESASTRES 315 sistemas agrícola e hídrico e. Em âmbito nacional. à desertificação (Le Houérou. e 118 milhões de litros de tanques de armazenagem no Kuwait. Fonte: UNEP. conseqüentemente. A extração intensiva de petróleo na região resulta em freqüentes descargas de petróleo no Golfo. As nações reagiram à seca melhorando os esforços nacionais de combate à desertificação e integrando-se aos esforços internacionais com o mesmo objetivo. o declínio na produção de cereais e a disponibilidade limitada de resíduos de safras agravam o impacto da seca sobre o gado ovino e. Sandro Pintras. A perda de ovelhas e o alto preço da alimentação complementar levaram a uma queda significativa das rendas dos agricultores. a produção de alimentos. Alguns dos 600 poços de petróleo incendiados deliberadamente durante a segunda Guerra do Golfo em janeiro de 1999. em 19 de dezembro de 1972. da Guerra dos Seis Dias em 1967. quando 9. e muitas famílias foram forçadas a vender seus animais e outros bens a preços baixos (FAO. Sob o patrocínio desse tratado internacional. durante a Guerra do Golfo (1990-1991). Desastres causados por atividades antrópicas Os desastres causados por atividades antrópicas estão principalmente associados à indústria petrolífera. em comparação a somente 6% nos Estados Unidos (US DoD. 1993). 144 milhões de litros do petroleiro Sea Star.

fao..A.org/unrwa/about/index. bloom in Kuwait Bay. and Kinyamario. and New York. J.I. desastres. incluindo a Jordânia. A Rapid Assessment of the Impacts of the Iraq-Kuwait Conflict on Terrestrial Ecosystems: Part II . United Kingdom. A. M. Geneva.316 ESTADO DO MEIO AMBIENTE E RETROSPECTIVAS POLÍTICAS: 1972-2002 tas foram deliberadamente incendiadas e os recursos hídricos foram poluídos e/ou destruídos. Bahrain. Kirchner. Arabian Sea: chronology and potential causes. Database for Use in Schools http://www.G.com/osir/ biglist. First record of a fish-killing Gymnodinium sp. Scholes.mil/owf_ii/ [Geo-2-382] WFP (2001). Climate System Monitoring June 1991 — November 1993. The Gulf War.. A maioria vive em condições de pobreza.S. World Meteorological Organization . D.8 milhões de refugiados em 59 campos registrados na Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA. (1995). 785-805 UNCCD (2001). Referências: Capítulo 2.. Study on Deterioration of Rangelands and Proposed Development Projects (in Arabic).html [Geo-2-383] US DoD (2000). M. World Food Programme WMO and UNEP (1994). H. UNEP Regional Office for West Asia UNRWA (2002). Sources of Oil Pollution in Kuwait and Their Inputs in the Marine Environment. London. J.htm [Geo-2-379] IPCC (1996).ac. FAO (1999).osd. Behbehani. W. e os solos foram contaminados pelos derramamentos de petróleo durante a segunda Guerra do Golfo.S. org/WAICENT/faoinfo/economic/giews/english/ alertes/1999/SRNEA997.. Menaut.. 2nd Water Resources Seminar.html [Geo-1-002] Cynthia. http://www.J. mais de 750 mil palestinos foram destituídos de suas terras e ficaram desabrigados. (1993). 2002). J. Em uma segunda onda. Contribution of Working Group I to the Second Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change.. Climatic Change and the Mediterranean. Seastedt.int/actionprogrammes/asia/ subregional/westasia/westasia. un. The Global Climate System Review.M. Kuwait. and Sestini. EES-125 Final Report.. Kamnalrut.php [Geo-2-381] UNEP (1991).O. 15-23.M. T. Em conseqüência da guerra entre árabes e israelenses em 1948. O fogo de artilharia destruiu os recursos da terra. Cambridge University Press. Kuwait Institute for Scientific Research AOAD (1995). Khartoum. T . Faraj. N. M. gulflink. E. Schimel. Os recursos marinhos foram poluídos. pressionando ainda mais os recursos naturais já limitados. Water Resources and their Utilization in the Arab World. Ásia Ocidental ACSAD (1997). M.htm [Geo-2-380] Parton. As guerras geram refugiados. Edward Arnold Oil Spill Intelligence Report (2002). L.. (eds.. Vegetation and land-use in the Mediterranean Basin by the year 2050: a prospective study. Climate Change 1995: The Science of Climate Change. Manama. Oil spills involving more than 10 million gallons http://cutter. Gilbert. Sub-Regional Action Programme (SRAP) to Combat Desertification and Drought in West Asia http://www. Marine Ecology Progress Series 214. Observations and modeling of biomass and soils organic matter dynamics for the grassland biome worldwide. 4. Global Geochemical Cycles 7.. P. March 8–10. Special Report: Drought Causes Extensive Crop Damage in the Near East Raising Concerns for Food Supply Difficulties in Some Parts http://www. Oil Well Fires Environmental Exposure Report. em conseqüência dos incêndios dos poços de petróleo. (1993). and Husain. (2001). The Department of Defense. G. o Líbano e a Síria. D.soton. L. (1998). Hoje há cerca de 3.G. Arab Organizaton for Agricultural Development Bennett. Estimated Food Needs and Shortfalls for WFP Operations and Projects.. United States Le Houérou.-C.uk/~engenvir// environment/water/oil. Cambridge.D. Rome. Moya. Al-Sarawi.unccd. T.gulf. Kuwait Al-Harmi. In Jeftic. Milliman. M.war.. apro- ximadamente 350 mil palestinos e mais de 150 mil sírios tornaram-se refugiados no fim da Guerra dos Seis Dias.A. Cidades e vilarejos na Palestina e nas Colinas de Golã foram despovoados e destruídos.the State of Kuwait. United Nations Relief and Works Agency for Palestine Refugees in the Near East http://www.J.. Ojima. Os refugiados palestinos estão espalhados em diversos países. Scurlock. A.. Gilmanov. R. J.. assim como a atmosfera.).

Um estudo de risco ambiental causado pelas atividades humanas no Ártico. O aumento de temperatura observado nas massas continentais do Ártico nos últimos anos resulta no degelo do pergelissolo em muitas áreas. acidentes como o naufrágio do submarino nuclear soviético Komsomolets em 1989 e o do submarino nuclear russo Kursk em 2000. 1997). traças da espécie Epirrita autumnata causam desfolhamento maciço das florestas de bétulas em intervalos de aproximadamente dez anos. concluiu que a maior ameaça proveniente de liberação de poluentes que possa exigir uma reação emergencial é o transporte e o armazenamento de petróleo. e o acidente com o petroleiro Exxon Valdez no Alasca em 1989. cobertura extensa de neve e gelo no inverno) e a vulnerabilidade de ecossistemas e infra-estrutura. quando 116 milhões de litros de petróleo bruto foram derramados (Oil Spill Intelligence Report. Desastres causados por atividades antrópicas Com exceção da Finlândia. 2001a). pode haver um aumento correspondente na freqüência e na magnitude das inundações. na Groenlândia. Por exemplo. bem como a queda de uma aeronave norte-americana com carregamento de armas nucleares próximo a Thule.DESASTRES 317 Desastres: as Regiões Polares Desastres naturais Os impactos de perigos naturais. 1997). e a Federação Russa tem diversos sítios nucleares e vertedouros de resíduos radioativos em sua área ártica. realizado sob o patrocínio do Conselho do Ártico. combinados com condições climáticas extremas nos pólos (baixas temperaturas. b). serão necessários esforços para reduzir os impactos do degelo sobre edifícios e a infra-estrutura de transporte (IPCC. embora ainda não tenha havido poluição radioativa em larga escala. Atividades. No inverno de 2001. Na Escandinávia. naquele mesmo ano. podem facilmente resultar em desastres no Ártico. como poços de petróleo que surgem e jorram sem controle e a descarga acidental de lodo contaminado durante a perfuração. Outras atividades antrópicas incluem a exploração de petróleo e recursos minerais por parte de todos os países. Os níveis da água na parte central do Lena excederam a média normal em nove metros ou mais. Devido ao fato de que a mudança do clima provavelmente aumenta a precipitação nas áreas de bacia dos rios árticos (IPCC. embora avaliados em geral como menos que uma ameaça. . verões curtos. 2001). que envolvem materiais radioativos no Ártico criam um elevado potencial de risco de acidentes. Outro desastre natural que afeta o ecossistema do Ártico é a invasão de pragas. demoraram a degelar. entre 1959 e 1991 (ver mapa na página seguinte). Os principais riscos podem ocorrer a longo prazo. Os sítios nucleares. as pesquisas e os dados coletados têm indicado que não houve migração de quantidades significativas de materiais radioativos a partir do vertedouro. as temperaturas atingiram uma baixa inédita. A zona de pergelissolo cobre 58% da Federação Russa. exceto Finlândia e Suécia. incluindo seis reatores nucleares submarinos e uma montagem de proteção do reator de um navio quebra-gelo contendo combustível gasto (AMAP. A União Soviética despejou resíduos radioativos de níveis alto. A Islândia possui um vertedouro de materiais perigosos. a precipitação de neve foi particularmente intensa. Desde então. e apenas amostras muito locais apresentaram níveis elevados de radionuclídeos. Rupturas e vazamentos em oleodutos. não resultaram na liberação de substâncias radioativas no meio ambiente. As perdas econômicas e a devastação ambiental foram graves (Kriner. à medida que os contêineres sofrerem corrosão. Essas florestas não se recuperam durante séculos devido ao ritmo lento de recuperação da vegetação no Ártico (CAFF. são exemplos de impactos ambientais catastróficos na região. Por exemplo. portanto. Muitos acidentes de menor porte. Epidemias de pragas são um grande problema nas florestas de tundra. como os que ocorreram na área russa de Usinsk em 1994. Além disso. 1998). Nas áreas desenvolvidas do Ártico. em 1968. todos os países que fazem fronteira com a área do Ártico possuem terminais de petróleo ou importantes rotas de transporte de petróleo ou materiais perigosos em suas zonas árticas. 1997). 2001). É possível que o limite da zona se desloque 300 km a 400 km ao norte até 2100 (Interagency Commission. e os blocos de gelo obstruíram o fluxo natural. 2001a. O escolitídeo de abeto (Dendroctonus rufipennis) causou uma grave destruição e morte da vegetação na floresta de abeto do Alasca. 2001b). houve duas inundações catastróficas sem precedentes no Rio Lena. 2002). com quase 50 milhões de litros de petróleo bruto derramados (NOAA. tanto do passado como atuais. alguns rios congelaram por completo e. que podem devastar uma área de floresta e afetar as atividades econômicas associadas. poderiam afetar áreas muito maiores (EPPR. durante o período de 19962001. também resultam em poluição ambiental local (AMAP. intermediário e baixo nos mares de Kara e Barents.

The Emergency Prevention Preparedness and Response Working Group of the Arctic Council http://eppr. and New York. Risk Analysis Report No. as Diretrizes para a Exploração em Alto-Mar de Petróleo e Gás Natural no Ártico. National Oceanic and Atmospheric Administration http://response. Climate Change 2001: The Scientific Basis. Fonte: AMAP. empresas e organizações internacionais estão tomando medidas para aumentar a preparação em caso de desastre na região. Arctic Council Activities http:/ /www. 1997). Arctic Monitoring and Assessment Programme Arctic Council (2001). desastres. and New York. Cambridge. Nuclear Wastes in the Arctic: An Analysis of Arctic and Other Regional Impacts from Soviet Nuclear Contamination. as Regiões Polares AMAP (1997).html [Geo-2-385] Interagency Commission (1998). Cambridge University Press IPCC (2001b). American Red Cross. Oil spills involving more than 10 million gallons http://cutter. 17 May 2001 http:// www. Por exemplo. A IUCN e a Associação de Produtores de Petróleo e Gás Natural prepararam diretrizes para a proteção ambiental no Ártico e no Sub-Ártico (IUCN e E&P Forum. em 1997. principalmente por meio do Conselho do Ártico. Washington DC.com/osir/ biglist.arctic-council. United Kingdom.asp [Geo-2-384] CAFF (2001). OTA. e qualquer um desses locais pode ser “um desastre latente” (AMAP. dirigidas às agências reguladoras. e Proteção do Meio Ambiente Marinho do Ártico (PAME) – produziram informações e diretrizes importantes sobre os riscos ambientais no Ártico. Gland. United States. Arctic Pollution Issues: a State of the Arctic Environment Report. 2.noaa.restoration.318 ESTADO DO MEIO AMBIENTE E RETROSPECTIVAS POLÍTICAS: 1972-2002 Depósitos de lixo atômico: Ártico Fiorde Blagopoluchiye Fiorde Techeniy Fiorde Sedov Fiorde Oga Fiorde Tsikolka Baía Stepovogo Baía Abrosimov Canal Novaya Zamiya Ilha de Kolguyev lixo líquido lixo sólido O mapa mostra depósitos para os lixos radioativos sólidos e líquidos nas regiões árticas da Federação Russa.org/news/in/flood/010517siberia.html [Geo-2-386] Kriner. Adaptation and Vulnerability. Preparação e Reação Emergencial (EPPR). 1995). Flood Disaster Averted Again in Siberian City. The Exxon Valdez Oil Spill. Oil and Gas Exploitation in Arctic and Subarctic Onshore Regions.1997 A contaminação radioativa proveniente das usinas de reprocessamento européias na década de 1970 e dos testes atmosféricos de armas nucleares na década de 1960 tem contribuído para a atual con- taminação de nível baixo do Ártico (AMAP. 1997. Cambridge University Press IUCN with E&P Forum (1993). Governos. Oslo.redcross. Cambridge.gov/spotlight/ spotlight.org/ac_projects. (2001a). S. (2001b).org/news/in/flood/010523siberia. Dois dos programas do Conselho do Ártico – Prevenção. and Cambridge. Office of Response and Restoration. Contribution of Working Group I to the Third Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Referências: Capítulo 2. National Ocean Service. A cooperação intergovernamental é realizada de forma tanto bilateral como multilateral. o EPPR elaborou. American Red Cross. Interagency Commission of the Russian Federation on Climate Change Problems IPCC (2001a). Winter Chills Bring Spring Floods to Siberia. Environmental Risk Analysis of Arctic Activities. Climate Change 2001: Impacts. The Second National Communication to the UNFCCC.html [Geo-2-388] Oil Spill Intelligence Report (2002). Arctic Flora and Fauna: Status and Conservation. United Kingdom. 2001). Helsinki.htm [Geo-2-380] OTA (1995). Arctic Council Programme for the Conservation of Arctic Flora and Fauna EPPR (1997). Existem dados limitados sobre a quantidade de material radioativo descarregado ou sobre a localização dos vertedouros no Ártico. Contribution of Working Group II to the Third Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. United States.arctic-council.redcross. O PAME elaborou uma diretriz sobre a transferência de produtos petrolíferos de navios para a costa e de navio para navio (Arctic Council. 1993). World Conservation Union with the Oil Industry Exploration and Production Forum Kriner. 23 May 2001 http:/ /www. Moscow. S. United Kingdom.org/ risk/riskcover. US Office of Technology Assessment . Switzerland. html [Geo-2-387] NOAA (2001).

contaminação da água e do solo e níveis perigosos de sedimentos poluídos transportados pelo ar. 1990. Os ventos carregavam sedimentos com sais e pesticidas. as demandas agrícolas privaram esse vasto lago salgado da Ásia Central de água suficiente para sustentar a si mesmo. com conseqüências ambientais generalizadas que incluíam perda nas atividades de pesca. sua salinidade aumentou. O Uzbequistão. Ásia Central A destruição do ecossistema do Mar de Aral foi súbita e grave. que atinge o mar em seu extremo norte. até o início da década de 1980 essa quantia caiu para zero. À medida que o Aral diminuiu. e seu volume caiu 75%. O Canal Kara Kum foi aberto em 1956. o Cazaquistão e outros países da Ásia Central usaram essa água para cultivar algodão e outras safras de exportação. Com início na década de 1960. A irrigação excessiva causou a acumulação de sal em muitas áreas agrícolas. e o Syr Darya. O Mar de Aral é uma das maiores catástrofes ambientais já registradas. Topham Picturepoint 1999 . destruindo muitos oásis próximo à sua costa. Embora o Mar estivesse recebendo cerca de 50 km3 de água por dia em 1965. As imagens de satélite abaixo mostram a redução do tamanho do mar entre 1973 e 1999.DESASTRES 319 NOSSO MEIO AMBIENTE EM TRANSFORMAÇÃO: o Mar de Aral. e ele minguou rapidamente. extraindo-as de seus dois rios principais: o Amu Darya. desviando grandes quantidades de água do Amu Darya para o deserto do Turcomenistão. e até o início da década de 1980 os peixes para uso comercial haviam sido eliminados. O declínio do nível do mar baixou o nível das águas subterrâneas na região. a superfície do Aral havia diminuído para quase a metade. Os seres humanos fizeram uso das águas da bacia do Aral por milhares de anos. o que acarretou o fechamento de uma indústria que empregava 60 mil pessoas. No início da década de 1973 1986 A foto acima mostra um barco de pesca abandonado em uma área que costumava ser o Mar de Aral. o que gerou conseqüências devastadoras à saúde dos habitantes das regiões vizinhas (ver também box sobre o Mar de Aral em “Desastres: Ásia e Pacífico”). e milhões de hectares de terras tornaram-se irrigados após 1960. Dados Landsat: USGS/EROS Data Center Compilação: UNEP GRID Sioux Falls Foto: UNEP. que flui para o Mar de Aral vindo do sul.

O desenvolvimento sustentável e os padrões ambientais tornaram-se parte da lingua franca de grandes empresas. Diferença de vulnerabilidade – divisão que se está ampliando dentro da sociedade.320 ESTADO DO MEIO AMBIENTE E RETROSPECTIVAS POLÍTICAS: 1972-2002 Conclusões As seções anteriores deste capítulo mostram que tem havido uma enorme mudança tanto nas condições humanas como nas ambientais nos últimos trinta anos. o meio ambiente tem suportado a carga de satisfazer múltiplas necessidades humanas. a Estratégia Mundial para a Conservação. Os sistemas jurídicos vinculantes – alguns anteriores a 1972 – agora integram o corpo do direito ambiental internacional. o outro lado se caracteriza pela pobreza extrema. entre países e por regiões. Os parágrafos seguintes enfatizam alguns dos desafios ambientais que a humanidade enfrenta hoje e alguns progressos alcançados nas três últimas décadas. assim como normas de fundamento tecnológico e diferentes instrumentos baseados no mercado. a gestão integrada dos recursos hídricos é amplamente aceita como uma iniciativa estratégica de políticas.2 bilhão de pessoas vivem com menos de um dólar por dia. pela qual os menos favorecidos correm mais riscos de mudanças ambientais e desastres. O resultado é que o mundo pode agora ser categorizado em quatro divisões principais: Estocolmo. principalmente nos países em desenvolvimento. Em muitas áreas. que têm sido realizadas por meio de medidas específicas de políticas. A preocupação com os níveis de poluentes atmosféricos comuns resultou em um incentivo às reduções em muitos países. como os sistemas integrados de nutrientes de solos agrícolas e gestão integrada de pragas. Agora são comuns os ministérios ou departamentos de meio ambiente em todas as regiões. e muitas delas elaboram relatórios ambientais anuais como parte da agenda corporativa. • • • Essas quatro delimitações constituem uma séria ameaça ao desenvolvimento sustentável. A sociedade civil chegou à maioridade. incluindo padrões de emissões e de qualidade do ar. Atualmente. Linha divisória política – caracterizada por duas dimensões distintas relativas à elaboração e à implementação de políticas: algumas regiões são fortes nos dois aspectos e outras ainda enfrentam dificuldades nesses mesmos aspectos. na prática. a Declaração do Rio e a Agenda 21 serviram de orientação para a agenda ambiental no período de 1972-2002. Abordagens mais holísticas para a gestão de terras. registrando muitos casos de êxito em diferentes níveis – do âmbito comunitário ao internacional. requer vigilância contínua. Um lado da linha divisória do estilo de vida se caracteriza pelos excessos de consumo por parte de uma minoria equivalente a um quinto da população mundial. as três últimas décadas testemunharam também uma proliferação de instituições ambientais pelos setores público e privado e pela sociedade civil em geral. as informações e os instru- . por exemplo na Europa e na América do Norte. Nosso Futuro Comum. e Linha divisória do estilo de vida – resulta parcialmente do aumento da pobreza e da prosperidade econômica. em que 1. fornecendo a força necessária para promover seu cumprimento. Além das políticas e da estrutura jurídica. o estado do meio ambiente é muito mais frágil e degradado do que era em 1972. têm sido implementadas com resultados positivos para a saúde dos ecossistemas agrícolas em algumas regiões. • Realizações ambientais As políticas articuladas em documentos como a Declaração e o Programa de Ação da Conferência de • O tratamento da destruição da camada de ozônio é uma vitória notável para a boa gestão ambiental mundial. que é responsável por aproximadamente 90% do total de consumo pessoal. e um meio ambiente degradado nas outras regiões. Em um período de um aumento populacional sem precedentes. Surgiu um novo entendimento teórico dos benefícios dos serviços prestados pelos ecossistemas. Alguns dos progressos alcançados desde 1972 incluem os seguintes: • • • • Linha divisória ambiental – caracterizada por um meio ambiente estável ou melhorado em algumas regiões. entretanto. No entanto. As políticas relativas à água doce estão deixando de concentrar-se nos direitos de comunidades ribeirinhas para dedicar-se a melhorar a eficiência e a gestão de bacias hidrográficas.

a névoa urbana e as partículas finas surgiram como riscos consideráveis à saúde. além de aumentar a geração de resíduos para atender a muitas dessas demandas. As emissões de quase todos os gases de efeito estufa continuam aumentando. Áreas protegidas têm sido crescentemente designadas para fins de conservação e recreação. A mudança tecnológica tem ajudado a aliviar algumas pressões ambientais: uma menor intensidade de materiais usados na produção. em vez de na preservação dos rendimentos. uma mudança de materiais e fornecimento de energia para a prestação de serviços. principalmente em pessoas vulneráveis. Embora algumas delas tenham uma relação significativa com questões ambientais (em alguns casos. mas que também inclui uma série de outros tratados e iniciativas. por exemplo. uma limpeza considerável em indústrias anteriormente “sujas”. ou tampouco os critérios possuíam relação direta com o desempenho ambiental. Recentemente. e. provocando ou agravando problemas respiratórios e cardíacos. • • • Os recentes impactos das atividades antrópicas sobre a atmosfera têm sido imensos. Os casos de êxito no mundo em desenvolvimento têm sido variados: há um crescente processo de democratização e participação que sustenta de forma positiva o meio ambiente e o desenvolvimento em algumas regiões. Esse reconhecimento rompe com a idéia predominante nas décadas de 1970 e 1980 que considerava a proteção ambiental e o desenvolvimento econômico como objetivos conflitantes. com uma maior consciência do debate por parte da sociedade civil. e verifica-se o fortalecimento dos mecanismos de resposta e dos sistemas de alerta antecipado. como crianças. um modesto avanço na tecnologia renovável. os resíduos da indústria de papel e celulose diminuíram. as políticas de resposta não têm sido adequadas para neutralizar as pressões impostas pela pobreza crescente e pelo consumo descontrolado. para políticas econômicas associadas a tributação. a CMS e a Convenção de Ramsar. A prosperidade e uma sociedade civil informada e ativa têm sido as principais forças motrizes de políticas destinadas a tratar diversos problemas ambientais que se tornaram visíveis no início do período de trinta anos nas nações desenvolvidas. verifica-se também uma mudança modesta para uma abordagem mais integrada a políticas e gestão ambientais. resultou no fato de que cada vez mais países enfrentam estresse hídrico ou escas- . A qualidade do ar ambiental e a poluição da água proveniente de fontes focalizadas têm sido abordadas de forma satisfatória em muitas áreas. idosos e asmáticos. Uma observação geral é de que muitas das políticas mencionadas neste capítulo não tinham critérios claramente definidos nem critérios de execução específica.DESASTRES 321 • • • • • • • • mentos de políticas para protegê-los têm sido insuficientes ou esporádicos. Nos últimos anos. e as ameaças de resíduos perigosos foram reduzidas. como a CITES. reconhece-se que a redução da pobreza. Tal observação vale. A exploração excessiva de muitos dos recursos de águas superficiais e grandes aqüíferos. o desenvolvimento econômico e a estabilidade ambiental devem ser metas comuns. que se concentra na sustentabilidade de ecossistemas e bacias hidrográficas. comércio e investimento. O ozônio troposférico. As partes anteriores do Capítulo 2 apresentam provas indiscutíveis de degradação ambiental contínua e generalizada. Atualmente. de que dependem a agricultura irrigada e o abastecimento doméstico. e as emissões antropogênicas consistem em uma das principais causas dos problemas ambientais. por exemplo. de igual modo nos países desenvolvidos e nos em desenvolvimento. em algumas regiões. Em geral. Desafios ambientais Apesar dessas realizações. a reciclagem tornou-se mais comum. tem havido uma evolução a partir das abordagens de esgotamento de recursos para metas de sustentabilidade. Está surgindo um agrupamento natural de políticas sobre biodiversidade. uma população mundial crescente – para mais de 6 bilhões de pessoas (e ainda aumentando) – está agravando a demanda de recursos e serviços. cujo núcleo é a CDB. a redução do risco tem ocupado um lugar mais importante nas agendas políticas. como forças motrizes importantes da mudança ambiental). o tratamento de águas residuais melhorou. o que tornou sua avaliação um desafio especial de um ponto de vista ambiental e de desenvolvimento sustentável. seus próprios critérios de avaliação são em geral limitados ao desempenho econômico.

bem como secas e inundações cada vez mais freqüentes e intensas. particularmente nos países em desenvolvimento. Esses e outros problemas têm contribuído para a mudança ambiental que agravou o subdesenvolvimento. as principais questões ambientais incluem degradação da terra. como o Plano de Ação de Lagos e outras políticas ambientais. em que as populações carentes são deslocadas para terras marginais com ecossistemas frágeis. são desenvolvidas o suficiente para lidar com as inevi- . Tem havido uma forte tendência mundial para a exploração e a destruição cada vez mais intensas de populações de peixes silvestres. emissões de gases de efeito estufa e mudança climática. África Na África. monoculturas florestais extensas têm sido estabelecidas no mundo em desenvolvimento. A poluição atmosférica e a deterioração da qualidade da água nas cidades causam sérios impactos econômicos. o que causa a morte de 3 milhões a 5 milhões de pessoas a cada ano em conseqüência de doenças associadas à água. erosão e degradação da área costeira. Considerando que quase a metade da população global vive nos países menos desenvolvidos.4 bilhões não contam com serviços de saneamento. como inundações. a pobreza e a insegurança alimentar na região. sem apoio econômico e político adequado para a adoção de práticas agrícolas apropriadas. o que facilita a acidificação e a eutroficação dos ecossistemas. possui um conjunto eclético de desafios ambientais. O resultado da avaliação realizada nas seções anteriores deste capítulo é que algumas partes da região estão sob um grave estresse. as principais questões ambientais incluem a mudança do clima. tanto em termos de superfície como de número de habitantes. a degradação e o desmatamento de florestas. mas não substituem a complexidade ecológica das florestas naturais. a degradação e a poluição de áreas costeiras e marinhas. assim como sua qualidade/ poluição. Outras partes da região. sociais e à saúde. o estresse e a escassez de água doce. Muitos dos ecossistemas florestais remanescentes têm sido degradados e fragmentados. Também têm limitado a eficácia de diversas medidas de resposta. A degradação das terras continua piorando. a perda de habitats e de espécies. Acredita-se que o ritmo de extinção de espécies esteja acelerando. A diversidade biológica da Terra está sob ameaça crescente.322 ESTADO DO MEIO AMBIENTE E RETROSPECTIVAS POLÍTICAS: 1972-2002 • • • • • • • sez de água. escassez e poluição da água. colocando em risco as opções de meios de subsistência de milhões de pessoas. mas é um passo fundamental para alcançar o desenvolvimento sustentável. sem o qual a pobreza continuará piorando. seguidas da pressão provocada por espécies invasoras. a Nova Zelândia e a Austrália. Desde 1972. que têm sido adotadas pela região nos últimos trinta anos. o que contribui para ainda mais exploração excessiva do meio ambiente. inundações e secas e conflitos armados. e a maior carga recai sobre as comunidades mais carentes. Um aumento na freqüência e na intensidade dos desastres naturais nos últimos trinta anos tem feito com que mais pessoas corram riscos maiores. gestão de resíduos e desastres naturais. Muitas das regiões enfrentam desafios ambientais similares. A produção agropecuária tem contribuído para o grande aumento do nitrogênio reativo na biosfera global. Algumas das principais questões ambientais que a região enfrenta incluem degradação de terras e florestas.2 bilhão de pessoas ainda não têm acesso a água potável e aproximadamente 2. perda de habitat. estresse e escassez de água. e em áreas onde a terra é cada vez mais explorada para satisfazer as necessidades alimentares e agrícolas. Ásia e Pacífico A maior região do mundo. a degradação da terra e do solo. Combater os problemas ambientais da região não apenas consiste em uma opção. degradação do habitat. como o Japão. Desafios regionais Em âmbito regional. o crescimento de assentamentos não planejados e dos crescentes resíduos sólidos. A destruição de habitats e/ou sua modificação são as principais causas de perda de biodiversidade. Cerca de 1. que refletem a diversidade de suas sub-regiões. a infra-estrutura e os serviços municipais são inadequados para acomodar os milhões de pessoas carentes nas áreas urbanas. desmatamento. Diversos estoques pesqueiros foram esgotados e outros são ameaçados pela exploração excessiva. secas e terremotos. em áreas urbanas e metrópoles. embora a magnitude e a extensão dos problemas variem.

em âmbito tanto regional como global. incluindo a gestão eficaz dos bens comuns. As emissões de gases de efeito estufa são outro exemplo de como os problemas ambientais “locais” podem se tornar globais. Esses problemas continuarão exercendo uma grande pressão sobre a vida humana e o meio ambiente. a região não pode combater as questões ambientais globais por si só e deve continuar a desempenhar um papel importante. a cooperação contínua por diversas frentes. a quantidade e a qualidade da água. entre elas o uso de pesticidas. América do Norte A América do Norte. a exploração excessiva de estoques pesqueiros e os desastres. e os organismos geneticamente modificados. Sem políticas de resposta mais eficazes. Existe o risco de que milhões de pessoas na região continuem sendo marginalizadas. As Regiões Polares Alguns dos impactos ambientais identificados nas regiões polares também são sintomas claros dos excessos de atividades antrópicas por todo o globo. enfrenta questões ambientais importantes. como os associados à gestão de recursos hídricos. a gestão de florestas virgens. A participação de governos. As regiões polares continuarão sofrendo os impactos dos problemas gerados em outras regiões. a re- . de ONGs e da sociedade civil em âmbitos nacional. além de outros objetivos determinados por fóruns subseqüentes. Apesar de suas vantagens. além de estruturas jurídicas e institucionais bem estabelecidas. no entanto. muitas das questões ambientais fundamentais são similares às questões comuns na África e na região da Ásia e Pacífico. Seu papel de liderança na gestão ambiental internacional é importante e deve ser orientado pelo princípio de responsabilidades comuns. gião continuará enfrentando diversos desafios. É fundamental que haja uma maior sinergia. como a Cúpula Global para o Desenvolvimento Sustentável. o que mina os esforços para melhorar as condições socioeconômicas e administrar o meio ambiente com eficácia em benefício das gerações atual e futuras. No entanto. Ásia Ocidental Mostrou-se que os conflitos relativos a políticas. identificou-se a gestão integrada dos recursos hídricos como uma das principais iniciativas de políticas necessárias para melhorar a gestão de seus limitados recursos hídricos. os quais impõem sérias limitações ao meio ambiente e ao desenvolvimento. Outras questões incluem o sistema de posse de terras. deve auxiliar no combate a alguns dos problemas existentes e na identificação dos emergentes. Apesar de sua estrutura institucional e jurídica bem desenvolvida e do cumprimento bem-sucedido das leis ambientais. porém diferenciadas. a erosão costeira e as emissões de gases de efeito estufa. Outras questões mais específicas analisadas incluem a degradação. e a elaboração e implementação de políticas estratégicas devem incluir os diferentes grupos de interesse para evitar sobreposições e competição que comprometam sua eficácia. prejudicando quaisquer esforços para alcançar o desenvolvimento sustentável. terremotos e derramamentos de substâncias perigosas. à produção de alimentos e à segurança alimentar. As substâncias que destroem a camada de ozônio utilizadas pela humanidade se manifestaram nessas regiões juntamente com a descoberta do buraco na camada de ozônio há cerca de duas décadas. América Latina e Caribe A região compartilha muitos problemas ambientais com a África e com a região da Ásia e Pacífico. Entre elas. em virtude de seu desenvolvimento econômico. o motor da globalização. Na região. Em geral. o que contribui para uma maior vulnerabilidade humana à mudança ambiental. é provável que a tendência atual de piorar as condições ambientais continue. que é amplamente aceito na atualidade. Muitas regiões continuarão a buscar a assistência da América do Norte em termos de capacitação e auxílio ao desenvolvimento. prejudicam os esforços para alcançar o desenvolvimento sustentável.DESASTRES 323 táveis mudanças ambientais causadas tanto por atividades antrópicas como por fenômenos naturais. Europa Na Europa. cabe mencionar a degradação de florestas. em âmbito tanto nacional como regional. Os países da região também continuarão combatendo os problemas da seca e da desertificação. a invasão biológica e a qualidade dos Grandes Lagos. a impermeabilização e a contaminação do solo. como furacões. principalmente em matéria de mudança climática. a Europa é uma das regiões mais bem posicionadas para lidar com seus desafios ambientais. regional e internacional é fundamental para avançar no cumprimento das metas estabelecidas na Agenda 21 e na Declaração do Milênio.

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