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APOSTILA DE CIÊNCIA POLITICA

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FAR - FACULDADE REUNIDA

1º PERIODO – TURMA 2012 SERVIÇO SOCIAL

...............................................................................

CIÊNCIA POLÍTICA

Prof.:________________________ Aluno.:__________________________
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FAR - FACULDADE REUNIDA
Sumário

Tema 01 - OS FUNDAMENTOS DA CIENCIA POLITICA Tema 02 - POLITICA E MORAL Tema 03 – POLITICA E DIREITO CONSTITUCIONAL Tema 04 _ BASES CONSTITUCIONAIS DO ESTADO MODERNO Tema 05_ CONCEPÇÃO DE ESTADO Tema 06 – O ESTADO E O DIREITO Tema 07 – ESTADO E O CIDADÃO Tema 08 –PARTIDOS POLITICOS Tema 09 – ELEMENTOS DO ESTADO MODERNO Tema 10 – PRINCIPAIS FORMAS DE GOVERNO E ESTADO Tema 11 – CONTEUDO SOCIAL E FORMAS DE ESTADO Tema 12 – SOBERANIA E GOVERNO Tema 13 – OS PRINCIPAIS SISTEMAS ELEITORAIS E A BUROCRACIA ESTATAL Tema14 – A ORGANIZAÇÃO FEDERATIVA E A DIVISÃO DOS PODERES 19

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24 29 33 37 42 47 54 58 62 65

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FAR - FACULDADE REUNIDA
TEMA 1 OS FUNDAMENTOS DA CIÊNCIA POLÍTICA Introdução
Caro (a) Acadêmico (a), Você está iniciando o Curso Seqüencial em Fundamentos e Práticas Judiciárias e já deve estar pensando: “Vou ter aulas de política, já não Basta encontrar essa palavra todos os dias nas conversas de todos???”“ Pois bem, este primeiro tema vai trabalhar justamente sobre a. Política, enquanto ciência, sua essência, seu caráter científico e os valores. Que estão ao seu redor. Muitas vezes, na sua prática no Cartório, na Delegacia, nos diversos órgãos do Poder Judiciário ou em outras atividades, você trabalha tão mecanicamente com aspectos legais, que não tem tempo para pensar nesses importantes conceitos. Então, vamos pouco a pouco trabalhando conceitos de suma importância para que você possa integrá-los aos seus conhecimentos do dia a dia no trabalho. Assim, você saberá o que é Política.

Objetivos:
• Conceituar política e mostrar como ela pode ser uma ciência; • Mostrar aspectos da evolução histórica do estudo da política; • Entender a relação entre política e direito.

1. PODER E POLÍTICA: ESSA DUPLA É COMPLICADA
Você pode perceber que a palavra “poder” é empregada em tantas situações, que acaba possuindo várias acepções. Em uma delas, poder é fazer valer, por qualquer meio, a vontade pessoal. E aí, reside um problema, esse Ser está consciente do poder que quer exercer? E quando o tem, exerce-o com equilíbrio, proporção, com justa medida? O poder pode ser exercido por dois meios: a coerção (a obrigação pela força ou imposição sobre outros para que façam aquilo que você deseja) e a influência (a persuasão pela retórica e outros dispositivos voltados para a sociabilidade, capazes de fazer com que os outros ajam como se fosse por vontade própria). Dessa maneira, existe um jogo de dominação incluído no poder. Ter recursos e estratégias é dois outros elementos que se fazem presentes na discussão sobre o poder. Os recursos são as condições imediatas para o exercício do domínio, podendo eles ser simbólicos (imagem pessoal, quantidade de informação, conhecimento, posição ocupada etc.), subjetivos (das qualidades e competências pessoais), econômicos (da materialidade dos insumos) e coercitivos (da força da vigilância, coerção e punição). Veja o quadro abaixo sobre alguns tipos de autoridade: Autoridade Tradicional O seu poder está baseado na tradição, nos costumes e valores arraigados no modo de viver e de ver o mundo de uma comunidade dada. A obediência é exercida por um sentimento de fidelidade. Muitas vezes, pode-se perceber a presença dessa concepção de autoridade tradicional quando se

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estudiosos das práticas judiciárias e do Direito. sendo possível verificar os múltiplos valores que condicionam a escolha dessas regras jurídicas. Autoridade Carismática O seu poder está baseado em suas qualidades pessoais e do reconhecimento que possui em meio ao grupo. Mas o termo possui várias interpretações: arte do possível. da sociedade que se estrutura e permite que um conjunto de valores sejam normalizados. O CARÁTER CIENTÍFICO DO ESTUDO DA POLÍTICA. Miguel Reale. Política se refere à vida na e da cidade (polis). heroísmos. O oposto do poder é a impotência (o não ter controle da situação. ele é obedecido.FACULDADE REUNIDA escuta: as coisas devem continuar assim. vencer e ganhar. não se deve esquecer que a política passa por aquela dimensão que está na organização da sociedade. O exercício do poder traz a Influência (a possibilidade de indicar direcionamentos e intervenções). A autoridade legal-racional muitas vezes pode ser reconhecida quando se escuta: Não gosto muito daquela pessoa naquele cargo. estatutos. garantindo a execução de seus objetivos e funcionamento. estudo do poder.pro. Você já reparou como muita gente exerce o poder e a autoridade que tem? ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Contudo. pois ele é referência para nós.politica. pois somente uma ética será estabelecida. Os fatos políticos podem ser diversos. Autoridade Legacional O seu poder está baseado na lei. 552).. carisma. regimentos e outros atos normativos. ou seja. E somos nós que damos reconhecimento a isso. Essa autoridade enquanto liderança é estabelecida por faculdades mágicas. ciência do Estado e por aí afora. se o indivíduo pensar que os fins justificam os meios. descritos e escritos em constituição. isto é. todo o conjunto de regras de ordenamento que garantem consensualmente a convivência.br/especial/socioem/socem/poder. mas percebendo apenas que se deseja dominar. isto é. Por exemplo. mas eles sempre possuem efeitos na vida das pessoas.. 2 . o controle (obter sem resistência da partes. as decisões políticas se traduzem em normas de eficácia obrigatória. arte e ciência do governo. O poder sem controle gera desequilíbrio na sociedade. aí reside grande perigo. dentro da sociedade.rtf) A palavra política é filha da civilização grega em seu período clássico.FAR . (http://www. revelações. porque sempre foram assim. Situações de opressão. poder intelectual ou oratória. nem influência ou capacidade de resistência). as tomadas de decisões pelos cidadãos por meio de seus representantes no governo. mas é competente. não se baseia em valores morais. p. Vá-se acostumando com este nome. Enquanto o carisma do líder se mantém. 2. O poder é assimétrico quando nem todas as pessoas compartilham na mesma quantidade e intensidade. exploração e regimes totalitários embasam-se nesse princípio. Segundo Miguel Reale (1996. é técnico. Destacaremos agora o caráter científico da política. O poder é uma necessidade humana e possui faces do Bem e do Mal.

É esse poder que. o importante é perceber que: Aristóteles.C) e as passagens de uma forma de governo para outra. as decisões dos tribunais e juízes. também. por mais amplo que seja o âmbito dos estudos que se realizam em tal área do saber humano. jurista e cientista político italiano. p. faz a composição desses valores e fatos. pelejas eleitorais e eleitoreiras. tudo girará ao redor do que se tem chamado de ordem e movimento da coisa pública ou. Comissões Parlamentares de Inquérito. de modo obrigatório para todos. por exemplo. os rumos que os membros da sociedade devem seguir. vivendo num espaço social sob condições específicas. as idéias políticas anteriores à sua. se destacaram na avaliação do fenômeno político. Pela filosofia. Outros preferem levar em conta as funções exercidas pelo Estado ou pela comunidade política para o resguardo do bem comum. no decorrer dos séculos. E não se esqueça: a política é filha da cidade. Vamos focalizar o Estado. O intuito aqui não é discutir essas controvérsias. além de citar as melhores dentre elas. dito de forma diferente. todo mundo quer ter a posse e a propriedade sobre ela! E assim aconteceu com a Ciência Política. QUAL É A ESSÊNCIA DA POLÍTICA ? SERÁ QUE A POLÍTICA TEM UM SENTIDO??? VAMOS DAR UMA ESTUDADA !!!! Alguns critérios são utilizados para se chegar à compreensão do que é a essência da política ou poder político. em alguma 2 . A política está aí. surgida com o desenvolvimento das cidades e progresso científico-social. UMA PRIMEIRA DEFINIÇÃO DE CIÊNCIA POLÍTICA Ciência Política é o ramo do conhecimento humano que tem por objetivo estudar os acontecimentos.C) foi quem lançou as bases de criação da Ciência Política. em sua obra clássica intitulada Política. criando as normas jurídicas que vigoraram na sociedade. como um dos objetos da Ciência Política. que solucionam os conflitos entre os membros do corpo social. São inúmeros os autores que. as leis. enxergadas na sua função de impor. assinala que o uso da força é o que apreende corretamente a essência da política ou do poder político. como educação e saúde e. suas fontes e suas realizações. Muitos pensadores se referem à finalidade do Estado como sendo o bem comum. Outros defendem que ela é moderna. COMO SURGIU E PROGREDIU HISTORICAMENTE A CIÊNCIA POLÍTICA? Quando a coisa é boa. 3. p.. 552) realça que sempre haverá necessidade da presença do poder político no processo de discussão dos valores e dos fatos. as estruturas e os pensamentos que têm a ver com a política. 4. não é? 5. Assim. mostrando-se apropriado dizer que grandes filósofos da humanidade se lançaram. por fim. Assim. Entrou gente no meio. lançou os fundamentos teóricos de que os estudiosos até hoje se utilizam para a compreensão da realidade política. eles vislumbram. sobretudo a do filósofo grego Platão (428-347 a.FACULDADE REUNIDA Reale (1992. com normas. (BOBBIO. E nós nos perguntamos: Será que esses critérios são os melhores para compreender a essência do fenômeno político? Norberto Bobbio. costumes e tradições a observar ou não. os quais tratam de variados assuntos como a origem do Estado. 216) Perigoso isso. bem como as políticas públicas. no século XX. até as conversas dentro de casa entre o casais sobre a vida do país e os projetos de casa própria fazem parte da Ciência Política. uma vez que o seu aspecto mais evidente é o de determinar. o enfoque básico deverá consistir no ser e agir da organização política (Estado). permitir ou proibir determinados comportamentos. A obra Política é composta por oito livros. disputas entre os poderes executivo. As reflexões da Ciência Política têm como objeto principal o poder político. 2000. muitos defendem que o filósofo grego Aristóteles (384 – 322 a.FAR . o bem da comunidade.. legislativo e judiciário. Impeachment de presidentes.

para que só se ofereça ao público aquilo que se achar de acordo com as suas normas. 7.A perspectiva filosófica orienta-se para a busca e o exame das considerações inerentes ao surgimento. quais os procedimentos a serem empregados para usar do poder e em quais circunstâncias. Todo aquele que exerce o poder político dentro de um Estado. O direito é responsável por determinar em que ocasiões e em que condições o poder do Estado (poder público) pode e deve ser exercido. Em suma. p. que pessoas podem usá-lo. a intensidade de poder que se dever utilizar. PERSPECTIVAS DE ANÁLISE DO FENÔMENO POLÍTICO São algumas as perspectivas a partir das quais se procura avaliar o fenômeno político. tudo com o objetivo de impedir o uso arbitrário do poder. expressões como “o ato do governo é ilegal” ou uma certa “lei é inconstitucional porque contraria a dignidade da pessoa humana e os direitos humanos” etc. Atividades Veja bem. país/mundo? Tipo de Autoridade Casa/família Sala de 2 . sendo controlado pelo direito. quem. em nome da coletividade. . ou à proposta do que cada um teve como o modelo ideal de Estado ou. procure fazer o seguinte caminho: .como você percebe a existência dessas autoridades em sua casa/família. legitimação e finalidades do Estado ou. poder e direito são duas faces da mesma moeda.A perspectiva jurídica. ou seja. Se fala em Direito Político como aquele que é composto de normas que regem a organização das instituições políticas e o seu funcionamento dentro dos parâmetros juridicamente predeterminados. todo poder. em determinadas circunstâncias. segue regras e procedimentos legais que controlam e disciplinam a suas atividades. do despotismo. das comunidades sociais em que se manifesta o poder político. na medida em que o seu exercício obedece a princípios e regras que lhe impõem restrições e limites. a sociedade corre o perigo de lançar-se na anarquia. ao exame dos critérios de legitimação do dever de obediência política. a religião. sem distinção de hierarquia. por meio de leis constitucionais. culturais e naturais específicos. local de trabalho. Conforme Norberto Bobbio (2000. com os limites entre a política e outros domínios. Onde o direito é fraco. 238). O melhor modelo é o do casamento entre direito e poder. segundo a concepção do Estado democrático de Direito. Uma sociedade bem organizada necessita dos dois. POLÍTICA E DIREITO Ouvimos e lemos comumente. a moral etc. corre o risco do outro extremo. em outras palavras.A perspectiva sociológica verifica as comunidades políticas e os seus pressupostos históricos. 6. isso traz à nossa mente alguma reflexão? Certamente. onde o poder não é incontrolável. como. quando menos. ou seja. rua/bairro/cidade. Sendo elas: . o qual é expressão do comum acordo ativo da generalidade dos cidadãos. Ora.FACULDADE REUNIDA medida. ou de uma comunidade política democrática. fundamentos. sala de aula/escola.FAR . como o direito. a qual parte da concepção de que o poder político é uma construção jurídica. ou seja. na relação entre o poder político e o direito é como se o direito fosse um controle de qualidade” das práticas dos poderes políticos. está sujeito a normas. a partir do quadro das características das autoridades. . no qual. e finalmente. quando nos deparamos com o noticiário.

São Paulo: Malheiros. 10. 4. O Positivismo Jurídico: Lições de Filosofia do Direito. BONAVIDES. 17. explique-nos. Brasília: Unb. 1997. A Teoria das Formas de Governo. 10. Teoria do Direito e do Estado. 1996. ed. então. São Paulo: Malheiros. REALE.FACULDADE REUNIDA aula/escola Rua/bairro/cidade País/mundo Autoridade Tradicional Autoridade Legal-racional Autoridade Carismática O espaço acima é pequeno para as respostas. pois envolve muitas circunstâncias e detalhes. _____.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS TEMA 02 2 . Frente aos conteúdos construídos. Teoria do Estado. buscando mais conteúdos nas seguintes obras: BOBBIO. 2004. _____. Brasília: Unb. 5. 2000. São Paulo: Saraiva. Miguel. 5. Direito e Estado no pensamento de Emanuel Kant. São Paulo: Saraiva. _____. ed. Tradução de: Daniela Beccaccia Versiani. ed. procure respondê-la. São Paulo: Ícone.FAR . Teoria Geral da Política. 1995.Filosofia do Direito. ed. ed. 1997. 2004. Ciência Política. Tradução de: Sérgio Bath. mesmo assim. Norberto. Paulo.) Você pode complementar esta temática. . Tradução de: Alfredo Fait. ed. Rio de Janeiro: Campus. _____. 2000. sugerimos que você reproduza a tabela numa folha de papel A-3. por que é tão difícil construir comunidade política? (É uma resposta difícil. _____.

corresponde à perspectiva pessoal de agir. com eles. 3. Mas. de notícias de corrupção dentro da esfera do poder público. principalmente através dos meios de comunicação de massa. a da convicção. • Estudar as teorias de justificação da ação política. Nesses momentos. a ética da responsabilidade corresponde à ética de grupo. ou seja. A primeira é a ética de quem age segundo critérios pessoais do que admite como certo ou errado. Mas. os mais variados teóricos. por exemplo. o qual tem desafiado. pelo qual tem responsabilidade e segundo o TEMA ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS qual há de responder pelos atos praticados ou de cuja efetivação se absteve. expressa na compreensão de que a política se satisfaz com a obtenção dos fins buscados pelo governante (príncipe). ou seja. “político é tudo semvergonha” etc. o resultado. Modernamente. já se deparou com cenas de agitação social diante da revelação. • Introduzir a concepção filosófica sobre a autonomia da política. por qual razão a política estaria á margem da moral. Objetivos: • Compreender as interrelações entre política e moral. no caso da política.FACULDADE REUNIDA POLÍTICA E MORAL Introdução Caro (a) Acadêmico (a). autor da famosa obra “O Príncipe”. o fato de que são ambas ligadas ao domínio da ação humana. seguidas pelo homem em outros campos de sua vivência? Tem sido atribuída a Maquiavel (1469-1527) a distinção entre política e moral. Tais manifestações de indignação popular põem em destaque juízos positivos e negativos sobre o agir dos exercentes da função política e. A política e a moral têm. As várias teorias de justificação da ação política: 2 . no decorrer dos séculos. 1. é comum ouvir falar expressões como “isso é uma imoralidade”. aquela que diz respeito ao agir com objetivos sociais como. a ordem pública. a atuação política está sujeita às regras da moral. o difícil problema da relação entre política e moral. na moral vale a busca do bem pelo bem. alheia à sua influência? Como se têm posicionado os teóricos da política sobre tal questão? O objetivo dessa aula é introduzi-lo nas mais diversas perspectivas de solução da questão das fronteiras entre a política e a moral. enquanto na política tudo se resume em manter e reforçar o próprio domínio exercido pelo detentor do poder. A segunda delas.FAR . Você. o sociólogo Max Weber (1864-1920) fez distinção entre o que chamou de ética da convicção e ética da responsabilidade. em comum. A primeira das éticas. os fins justificam os meios. com certeza. A política e a ética social Segundo Maquiavel. A segunda é a ética de quem age tendo em conta as conseqüências.

vamos falar da concepção segundo a qual. Outra observação é o fato de que.FACULDADE REUNIDA Em virtude da disparidade entre o universo das ações políticas e o que se esperaria como moralmente lícito. nota-se que o que geralmente conta em política é o que foi feito ou se deixou de fazer. ou adotam como úteis devem ser avaliadas pelo critério único de seu valor moral. todos os poderes necessários à obtenção da paz e defesa de todos. ou respeitam como excelentes.FAR . historicamente. sustenta que o príncipe deve se sujeitar aos princípios cristãos para uma atuação política eficaz. Erasmo de Roterdã (1469-1536). ainda é observável. se preciso for. Ademais.. no qual são conferidos ao que governará. no qual se vê com clareza a submissão do exercício do poder político a critérios de moral que qualificariam o príncipe cristão: “O prestígio de um príncipe. príncipe) julga o que é justo ou injusto. principalmente em países de predomínio da fé islâmica. ora a moral é obediente aos critérios tidos como próprios da política. ou seja. Transparece na leitura do trecho citado que o governante deve ter em mente o bem de todos e que o único critério para julgamento de suas ações é o seu “valor moral”. Pode-se citar como representante do primeiro tipo de monismo rígido o pensamento de Erasmo de Roterdã. até mesmo à custa de sua própria vida. relegando-se os princípios ao plano secundário. expressa por seu silêncio e enquanto durar o seu silêncio ou o seu consentimento. em sua obra “Educação de um Príncipe Cristão”. chegando a haver uma confusão entre o credo e comunidade política.] O bom príncipe tem a obrigação de cuidar do bem-estar de seu povo. a ele se sujeitando. expõe que o único legislador é o soberano. a integridade e a ação correta [. mas mediante a sabedoria. Num primeiro momento. Por isso. surge a intenção de justificar as ações concretas de exercício e prática do poder político. é comumente observado que os candidatos a cargos políticos querem fazer com que as obras realizadas sejam uma verdadeira moeda de troca para garantir o voto do eleitorado. Convém dedicar atenção a um trecho da referida obra. o qual não está sujeito às próprias leis que impõe. Porém. Hobbes. Todos esses fatores continuam chamando a atenção ao problema das ligações entre política e religião que têm desafiado. torna-se ele indissolúvel. ele não morre realmente. como uma sombra ainda presente do grande domínio exercido pela Igreja durante grande período da Idade Média e da Idade Moderna. para quem somente o soberano (rei. Assim. inclusive as leis da Igreja. sua grandeza e sua dignidade régia não devem ser estabelecidas e conservadas mediante demonstrações ruidosas de posição privilegiada. podemos nos lembrar do pensamento de Thomas Hobbes (1588-1679). podemos ver várias teorias a respeito das fronteiras entre os dois domínios. cabendo ao soberano a tarefa de juiz supremo de quais as opiniões e 2 . a relação de profundas ligações entre o Estado e certas visões religiosas. soberanamente. Assim. Segundo ele. Além disso. ora a política é submissa à moral. Celebrado o pacto.” (ROTERDÃ. o pensamento filosófico. sai-se em busca de grandes realizações. Na sua obra “Leviatã”. todas as leis derivam de seu governo absoluto. ao tratar da lei civil. teorias de justificação da ação política. de 1516. A política é sujeita à moral ou vice-versa? Primeiramente. 3. por séculos. o cristianismo se institucionalizou a ponto de verse ainda hoje o Vaticano como Estado soberano. quando o príncipe perde sua vida em tal causa. ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS. teólogo e filósofo holandês. Todas aquelas coisas a que as pessoas comuns se apegam como fonte de prazer. Partindo da idéia de que o Estado é formado a partir de um pacto inicial. Quanto à concepção de que a moral se submete à política. 1516).. O costume só se torna lei pela vontade do soberano. qualquer costume não se torna lei apenas pela prática prolongada no tempo.

A ética política torna-se. ficando revogada a norma moral e justificada a ação política. tendo como um de seus representantes Jean Bodin (1530-1596). Logo. Assim. imprescindível para resolver certa situação em que se encontra o Estado ou a comunidade política.FAR . mas independentes Segundo tal teoria de justificação. mas que ao filósofo parece. e quais lhe são propícias. p. ética especial. 189) questionou se a atividade política é uma atividade com características específicas que exigem um regime normativo particular e com a mesma razão de ser de qualquer outra ética profissional. PRESTE BEM ATENÇÃO NAS TEORIAS DE JUSTIFICAÇÃO POLÍTICA!!!!!! ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS 5. dessa maneira. uma vez que o soberano detém o poder e a responsabilidade de gerir. Para essa teoria de justificação da ação política. apenas. A respeito. como melhor entender. em situações excepcionais em que se justifiquem ações políticas divorciadas de seus princípios. para Hobbes. pode ter os seus motivos justificados para a provação de uma conduta que à pessoa comum pode parecer imoral.FACULDADE REUNIDA doutrinas são contrárias à paz. antes de serem publicados. as coisas do Estado. a necessária conformação do indivíduo-membro à ética do grupo. simplesmente. 4. a política e a moral são postas como separadas. para quem o Estado tem uma razão de ser concreta e somente essa existência concreta pode servir e valer como princípio condutor de sua ação. para refletir sobre a razão do consentimento de práticas especiais aptas a atingir um fim próprio à política. Nunca poderemos sujeitar a ação política a imperativos de moral abstrata que se distanciam das exigências que o movimento histórico impõe ao Estado. qual o assunto e até que ponto do assunto se pode conversar com as multidões. também a ele. 2) há situações que se mostram como um verdadeiro estado de necessidade. enquanto ética do político. ele utiliza meios violentos. O pensamento de Hobbes traz a ação política livre de juízos morais. contrariando-as. o terreno da ação política é o lugar onde vigora uma ética especial. podemos citar o pensamento de Hegel (1770-1831). não é correto dizer que o príncipe é tirânico quando. mas não totalmente independentes uma da outra. ele deve determinar pessoas encarregadas de examinar as doutrinas de todos os livros. 2 . Além disso. é o soberano que igualmente escolhe as ocasiões. Estado de Necessidade Nesta corrente teórica. Ética Especial O pensador Norberto Bobbio (2000. devem ser permitidos atos que são proibidos moralmente. a ética do político e. Relacionadas. semelhante às diversas éticas profissionais. em estado de necessidade. 6. Enfim. o sistema político se submete às regras da moral social. há uma distinção necessária entre a moral e a ética de grupo em que se encaixa a práxis política. em ocasiões de necessidade extrema. São dois os pressupostos básicos do monismo flexível: 1) o sistema moral se compõe de leis universais de conduta. 3) se ao Estado também são proibidas condutas ou atos permitidos aos cidadãos.

p. então nem toda finalidade é lícita. É possível separar a política e a moral? Embora sejam várias as correntes de pensamento que tentam resolver a questão das relações entre política e moral. na Constituição. vencer e conservar o Estado. porque o vulgo é levado pelas aparências e pelos resultados dos fatos consumados. a religião.. Política e moral totalmente separadas O pensamento de Maquiavel mostra a mais extrema separação entre a política e a moral. É necessário. segundo a qual todas as estruturas do poder político e a organização da sociedade devem observar as normas de direito presentes. Se é aquele que realiza o bem comum. o Estado da filosofia hegeliana é um fim em si mesmo. SUJEITA A REGRAS ESPECIAIS? Chegamos aqui ao pensamento de MAQUIAVEL !!!! ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS como. pois. na acepção do moderno constitucionalismo. Mas. como disse mais acima. a fé. para manter o governo. e especialmente um príncipe novo. a agir contra a caridade. e nem todo resultado é merecedor de aplausos. 1996. acima de tudo. Os meios que empregar serão sempre julgados honrosos e louvados por todos.. O que está no alicerce desse pensamento? 1) o que importa é atingir as finalidades. ao falar do que deve estar na mente do príncipe (do governante): “E há de se entender o seguinte: que um príncipe. mas. não partir do bem. o socorro ao necessitado. 2 . que é a lei suprema e fundamental. se a isso estiver obrigado [. e não haverá lugar para a minoria se a maioria não tem onde se apoiar. um príncipe. não cabe consideração sobre justo e injusto. Como exposto por Maquiavel. 8.FAR . no rumo do constitucionalismo. impondo diversas normas que vinculam a atividade política. a humanidade. O caminho para a resposta pode estar no Estado de Direito.] Nas ações de todos os homens. É indispensável que a cidadania reflita e distinga a ação política boa da ação política má. 2) é o atingir das finalidades que torna legítimas as ações. por quais critérios se há de fazer essa distinção? É nesse ponto que entra nossa segunda consideração. a idéia de Estado de Direito. valores e fins dos quais não se pode libertar a prática histórica política. Primeiro. 7.FACULDADE REUNIDA Segundo o Paulo Bonavides. O importante é que o Estado cumpra a sua tarefa. não pode observar todas as coisas a que são obrigados os homens considerados bons. o qual condiciona a atuação do poder político. Subsiste ainda o questionamento sobre o que é o bom governo. podendo. SERIA A POLÍTICA UMA ATIVIDADE ESPECIAL. que não serve a nenhum outro fim. máxime dos príncipes. 3) quando se decide o bem-comum. 102). que possua ânimo disposto a voltar-se para a direção a que os ventos e as variações da sorte o impelirem e. por isso. Maquiavel parte da distinção entre ações finais e ações instrumentais. saber entrar para o mal. Veio então. por exemplo. o que importa é o êxito bom ou mau. Procure. sendo freqüentemente forçado. as ações instrumentais são julgadas com base no resultado obtido. você pode perguntar. é oportuno considerar certos fatores.” (MAQUIAVEL. onde não há tribunal para que recorrer. a própria existência de teorias de justificação de exercício do poder político mostram que existem exigências morais. a totalidade moral. A política seria o domínio das ações instrumentais. Enquanto as ações finais são julgadas com base no valor por elas buscado. e o mundo é constituído pelo vulgo.

sua grandeza e sua dignidade régia não devem ser estabelecidas e conservadas mediante demonstrações ruidosas de posição privilegiada. ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS TEMA 03 POLÍTICA E DIREITO CONSTITUCIONAL 2 . conforme exposto por Montesquieu. Tradução de: Daniela Beccaccia Versiani. Norberto. propôs-se a definição de direitos fundamentais do cidadão. pois. mas mediante a sabedoria. 5. Quando perdida.” Comentário: A atividade tem por finalidade reforçar o estudo do texto. ed. 2000. encontramos. dentre outros.” ( ) “Procure. Teoria do Estado. uma norma que diz que a administração pública obedecerá. 2004. Teoria Geral da Política: a filosofia política e as lições dos clássicos. a integridade e a ação correta. Brasília: Senado Federal. São Paulo: Malheiros. Para isso. pois a Para um conhecimento mais aprofundado do assunto tratado na presente aula. por exemplo. ao princípio da moralidade. você pode consultar as seguintes obras: BOBBIO. BONAVIDES. Logo. associando as idéias a seus respectivos pensadores: ( A ) Maquiavel ( B ) Erasmo de Roterdã ( C ) Thomas Hobbes ( ) O costume só se torna lei pela vontade do soberano. um príncipe. MAQUIAVEL. com o intuito de refrear e impedir os excessos no âmbito do Estado. O Príncipe. se preciso for. bem como a divisão dos poderes nas mãos de diversos órgãos. Constitucionalismo pode ser exposto como uma técnica de rompimento do arbítrio ou do abuso de poder.FACULDADE REUNIDA Na Constituição da República Federativa do Brasil. reina apenas a ambição e o tesouro público se torna patrimônio de particulares. ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Atividades Relacione as colunas. Paulo.” ( ) “O prestígio de um príncipe. a qual. existe uma moralidade típica de uma república. se você encontrou alguma dificuldade na resolução deste exercício. São Paulo: Nova Cultural. é a virtude. 1996. Nicolau. vencer e conservar o Estado. releia o texto com mais atenção. expressa por seu silêncio e enquanto durar o seu silêncio ou o seu consentimento. até mesmo à custa de sua própria vida. 1998. CONSELHOS aos Governantes. Rio de Janeiro: Campus. Portanto. ( ) “O bom príncipe tem a obrigação de cuidar do bem-estar de seu povo.FAR .

• Entender os diversos aspectos do caráter político da Constituição. interfere na formação de sua estrutura. Objetivos: • Esclarecer que a Constituição. Em todas as situações lembradas. os escândalos ligados ao uso indevido do dinheiro público têm gerado o ajuizamento de muitas ações penais e ações civis públicas. podemos notar também que. antes de sua eventual avaliação pelo plenário das casas legislativas. Assim como o arquiteto desenha uma casa. em ordem a tornar mais clara a sua compreensão. ESTADO CONSTITUCIONAL A Constituição tem sido definida como a ordem jurídica fundamental do Estado ou como o estatuto jurídico do político. se necessário”. “o poder judiciário anulou contratação ilegal de pessoal. Você já dever ter notado que a todo momento. A palavra estatuto faz a gente lembrar que tudo no Estado deve seguir os passos de um sistema de regras criado para facilitar o andar harmonioso das coisas. por ausência de concurso público”. partiremos de algumas informações básicas. põem-se contra atos dos poderes públicos tidos como ilegais. cuidando de cada aspecto dele. 1. ou seja. a Constituição projeta o Estado. ele passa obrigatoriamente pela Comissão de Constituição e Justiça. cuidando dos seus detalhes. como lei fundamental do Estado. dando-lhe os parâmetros que estabelecem os seus órgãos e as atividades para as quais eles são instituídos. È comum também ouvir expressões como “vou recorrer ao Supremo Tribunal Federal. reclamam seus direitos. “o judiciário declarou inconstitucional a lei número tal”. pessoas vão aos tribunais. Nesta aula. • Mostrar aspectos da evolução histórica da idéia de Estado de Direito. tudo visando à responsabilização dos agentes públicos desonestos. 2. A palavra “ordem” dá a idéia de organização. sobretudo. Por último. com a finalidade de dar uma estrutura para o funcionamento normal do poder político. podemos ver que há um conjunto de regras que delimitam a ação do Estado. assegurando que o poder político se moverá dentro dos padrões exigidos pelo interesse público. das coisas em seus devidos lugares.FAR . para ser avaliado pelo ângulo de sua conformidade com os ditames da Constituição Federal ou Estadual. Na tramitação de qualquer projeto de lei. as profundas ligações entre política e direito. ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS As definições apontadas nos fazem concluir que o objetivo da Constituição é conferir as regras de conduta do poder político. exigem o cumprimento das leis e. O CONSTITUCIONALISMO 2 .FACULDADE REUNIDA INTRODUÇÃO Caro (a) Acadêmico (a).

submetendo-o ao cumprimento de regras jurídicas. Embora o monarca estivesse sob o dever de observar certos preceitos. 52) 3. com isso. era como entregar as chaves do galinheiro nas mãos da raposa. regulamentado pelas leis. INGLATERRA Em 1215. A expressão constitucionalismo moderno designa todo um movimento filosófico e político de questionamento das bases de legitimação do uso tradicional do poder político. cabendo-lhe respeita-los.FAR . ele era o único legitimado a aferir do seu cumprimento ou não. que resultaram na formação do Estado de Direito e. determinando-se que. (DALLARI. ao soberano caberia dizer se cometeu ou não abuso de poder. de nada podendo ser responsabilizado perante seus súditos. a de limitação ao poder político. bem como os padrões culturais. Vários fatores se uniram para a formação da idéia moderna de Constituição: jusnaturalismo. em primeiro lugar. A partir de então. os que exercem o poder político têm cometido abusos e excessos. com a busca pelo uso racional do poder político. foi imposta a Magna Carta ao rei João Sem Terra. 2005. que constavam as limitações do uso do poder pelo monarca soberano. levada a efeito por fortes movimentos de contestação. às lutas contra o absolutismo. antes de tirar a liberdade ou os bens de qualquer cidadão. deveria ser observada a utilização de um processo justo. e ao iluminismo. (CANOTILHO. é possível definir o constitucionalismo como teoria que sustenta o princípio do governo limitado como sendo imprescindível à salvaguarda dos direitos dos cidadãos.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS A Constituição na acepção moderna é a organização sistemática e racional da comunidade política através de um documento escrito no qual se declaram as liberdades e os direito e se fixam os limites do poder político. 168) Aos fatores assinalados correspondem três grandes exigências: ao jusnaturalismo. a luta contra o absolutismo político. ademais. o uso racional do poder através do cumprimento do poder político. criou-se um conjunto de regras jurídicas com a intenção de manter o Estado dentro de limites de atuação justos e razoáveis. PRESTE ATENÇÃO NO QUE VAI SER DITO !!! . Fala-se. os cidadãos ingleses têm direito de acesso aos tribunais. a limitação do poder político por meio de regras jurídicas.FACULDADE REUNIDA Para melhor esclarecer o fato de que a Constituição é uma lei que tem por finalidade fundamental regulamentar o poder político. com a concepção de direitos inatos ao homem e anteriores ao Estado. Mesmo assim. p. São bem variados os momentos e condições históricos. os quais são imprescindíveis dentro do Estado. que são vários os momentos e os lugares em que surgiram aspirações no sentido de limitar o exercício do poder. a supremacia do indivíduo. cristalizados principalmente entre o fim da Idade Média e o século XVIII. Partindo-se da constatação de que. O constitucionalismo antigo é o conjunto de princípios escritos ou costumeiros. 2 . Deve-se deixar claro. no curso da história. já que só. ESTADO CONSTITUCIONAL E O ESTADO DE DIREITO O que é Estado de Direito? Por Estado de Direito entende-se. de Estado Constitucional. e o iluminismo. basicamente. em constitucionalismo moderno e constitucionalismo antigo. é preciso estudar um pouco constitucionalismo. para se defenderem contra as ilegalidades praticadas em nome do Estado ou contra as ações indevidas de outros cidadãos. 2003. Em outras palavras.

. dizendo ter o direito de compreender melhor que as pessoas aquilo que dissesse respeito à sua felicidade. eles foram demasiadamente influenciados pela sua pátria mãe. o sistema norte-americano põe grande confiança nos tribunais. ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS FRANÇA Na França. A prática constitucional norte-americana mostrou uma idéia de Constituição como lei fundamental que trazia os esquemas fundamentais do governo e seus respectivos limites. o Estado de Direito ou “Estado Jurídico” fez regras jurídicas limitadoras dos poderes e definidoras dos direitos dos cidadãos.controle dos atos da administração pública pelo poder judiciário.FACULDADE REUNIDA As leis e os costumes do país passaram a estar acima do poder soberano do rei. o Estado de Direito substituiu o Estado Policial. ou seja. ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA E quanto aos Estados Unidos? Como era de se esperar. Além disso. O Estado passou a ter a atividade limitada à defesa da ordem e da segurança públicas. O Estado de Polícia é aquele que se diz protetor da felicidade e do bem-estar social. . eles podem até declarar que uma lei é nula e sem eficácia em razão de contrariar a Constituição. Além disso. as quais são obrigatórias e duradouras. . enquanto os aspectos econômico e social andariam segundo as regras da liberdade individual e da liberdade de concorrência.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS 4. Para compreendermos o tamanho do crédito recebido pelos tribunais nos Estados Unidos. para fazer valer as regras do direito. pela Inglaterra. o poder legítimo é o que cumpre a obrigação constitucional de governar segundo as normas postas na Constituição. prevalecendo o Estado sobre o direito.FAR .a lei votada pela representação popular deve ser respeitada em qualquer intervenção do Estado na liberdade individual e na propriedade privada. No Estado de Direito há a primazia da lei sobre todo e qualquer ato do poder executivo (princípio da legalidade da administração). qualquer intervenção do Estado nos direitos individuais deveria ser aceita. ALEMANHA Na Alemanha. durou por muito tempo o chamado Estado de Polícia. assumindo clara posição de protetor. .atuação do poder político dentro dos limites do necessário e do que for adequado e proporcional para solucionar os problemas. encarregando-os de fazer valer o império do direito. todos os atos do poder executivo passaram a ser controlados pelo Parlamento. O ESTADO CONSTITUCIONAL E OS DIREITOS FUNDAMENTAIS 2 . o Estado de feição liberal substituiu o Estado de Polícia.limitação do poder soberano através de regras jurídicas. Para a teoria do Estado Policial. desde que visasse a realização e a proteção do bem social. . principalmente a autoridade máxima da Constituição. São características do Estado de Direito alemão: .a administração pública tem o dever de obedecer às leis (princípio da legalidade da administração). Depois. Enquanto o chamado Estado de Polícia acabou reforçando a autoridade e a consolidação do poder do rei. Na concepção dos teóricos norte-americanos.

como essencial em todos os sistemas constitucionais. o governo do povo. de 1789. haverá leis tiranas aplicadas tiranicamente. Montesquieu parte da constatação de que todo aquele que detém o poder tende a dele abusar. O ESTADO CONSTITUCIONAL E A SEPARAÇÃO DOS PODERES Para estabelecer a sua doutrina de divisão dos poderes. Podemos resumir o pensamento de Montesquieu da seguinte forma: Se o poder legislativo e o poder executivo forem exercidos pelo mesmo titular. desde a Declaração dos direitos francesa. O nome de tal fenômeno é constitucionalização. sendo tido. 4. com poder absoluto sobre a vida dos cidadãos. 128) Os três poderes são o legislativo. 2 . de 1748. a separação dos poderes seria o meio indispensável.1 Fundamentalidade Formal A fundamentalidade formal significa que as normas que estabelecem os direitos fundamentais estão em patamar superior a todas as normas das outras leis. O poder legislativo cria as leis que serão aplicadas a todos os cidadãos. já que o seu objetivo é a descoberta das leis que governam o movimento e as formas das sociedades humanas. elas não podem ser revisadas por outras leis e as normas constitucionais que os definem não podem ser alteradas. Para assegurar essa liberdade. 5. a qual pode ser considerada uma teoria geral da sociedade. Assim. essencialmente. para o filósofo francês.2 Fundamentalidade Material Os direitos fundamentais são materialmente fundamentais no sentido de que por eles se exprime princípios que são básicos no Estado e na sociedade. já que teríamos um juiz legislador. o poder executivo aplica essas leis com o objetivo de realizar o bem comum. ao invés de liberdade. cria-se a limitação do poder como meio. somente o poder pode deter o poder. já que a Constituição é a lei de maior hierarquia. indispensável. dando-lhes a proteção mais efetiva. e o poder judiciário aplica as mesmas leis para resolver os conflitos que ocorrem entre os membros do corpo social. seja um monarca ou um grupo de indivíduos. A democracia é. O princípio da separação dos poderes se transformou numa verdadeira inspiração para as mais diversas Constituições contemporâneas. Inexistirá liberdade se o poder judiciário estiver nas mãos da mesma autoridade que exerce o poder legislativo ou o poder executivo. p. Todo poder político é outorgado pelo povo e por ele ou em seu nome será exercido. 1997.FAR . o executivo e o judiciário. para assegurar a liberdade política. (BOBBIO. pelo qual se entende a incorporação de direitos do homem em normas da Constituição. Tais direitos são fundamentais no sentido formal e material. Logo. Assim. ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS 6. O pensador francês Montesquieu (1689-1755) tornou-se famoso por sua notável obra O Espírito das Leis.FACULDADE REUNIDA A definição na própria Constituição de direitos fundamentais do povo é elemento integrante da noção de Estado Constitucional. ou um juiz com a força de um opressor. O ESTADO CONSTITUCIONAL E A DEMOCRACIA Outro traço fundamental da Constituição e da sua ligação com a política é o fato de que ela estabelece um governo democrático. 4.

Já que a Constituição regulamenta o exercício e o uso do poder político. 7.5 Função de organização do poder político É na Constituição que se acha a definição das competências e atribuições dos órgãos que compõem a estrutura do Estado. Essa realidade se traduz em verdadeira legitimação do poder político. A Constituição fixa o valor. além das atribuições dos órgãos públicos que compõem a estrutura do Estado. levando em conta a diversidade de grupos e interesses dentro de uma comunidade. Assim. FUNÇÕES CLÁSSICAS DA CONSTITUIÇÃO Os laços entre política e direito ficam mais claros quando pensamos sobre a questão das funções da Constituição. 2 . obtendo aí a sua legitimidade. p.FACULDADE REUNIDA O princípio democrático tem duas espécies básicas de dimensões. 7. todas as funções conferidas à Constituição dizem à organização e ao exercício do poder político. É dever de todas as autoridades respeitar os direitos fundamentais do povo. todo ele é constituído pela Constituição. procura estabelecer meios de manifestação de todas as idéias. procurando atender os anseios e harmonizá-los efetivamente. a força e a eficácia do restante das normas. entendida esta como aquela em que o Estado democrático vincula a legitimação do exercício do poder político à observância das regras e procedimentos estabelecidos pelo direito. com vista a proteger a liberdade dos cidadãos. 7. 1438) 7. (CANOTILHO. pela qual o Estado democrático se obriga a perseguir determinados fins como a realização do pluralismo político e dos direitos fundamentais. na qual é dito ao Estado que se dirija de certa forma. Vejamos suas funções. .1 Função de consenso fundamental A Constituição mostra a concordância fundamental dos cidadãos em torno de princípios. (CANOTILHO. p. Ou seja. Em um Estado pluralista. É na Constituição que se encontrará também o fundamento de toda ordem jurídico-política. e a dimensão formal. os vários grupos ou centros de poder social tem a função de limitar e controlar as vontades isoladas dos detentores do poder político. 7. a Constituição é como uma placa de sinalização de trânsito. a Constituição põe limites à atuação do poder político.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS 7. 2003. sempre em busca do bem comum.4 Função de ordem e ordenação O Estado é estruturado com órgãos distintos e interdependentes.2 Função de legitimidade e legitimação da ordem jurídico constitucional A Constituição regulamenta o poder com base em valores jurídicos encontrados na consciência jurídica geral de uma determinada comunidade. Pluralismo político é a concepção que. já que a Constituição possui hierarquia superior a todas as demais leis e atos das autoridades estatais (princípio da supremacia da Constituição). 2003. sendo elas a dimensão material.3 Função de garantia e proteção A Constituição garante os direitos e liberdades fundamentais. Com efeito. valores e diretrizes que servem de padrões de conduta política em uma determinada comunidade.FAR . 287).

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A Constituição define a estrutura de organização do Estado, estabelecendo a separação dos poderes ou funções políticas (poder legislativo, poder executivo e poder judiciário), bem como as relações de convívio entre eles. Por último, a Constituição é a lei que trata, a título exclusivo, da determinação das competências, as quais são somente aquelas postas na própria Constituição (princípio da tipicidade da competência).

Atividades
Marque V, se a afirmativa for verdadeira e F, se for falsa ( ) A Constituição tem sido definida como a ordem jurídica fundamental do Estado ou como o estatuto jurídico do político. ( ) Pluralismo político é a concepção que, levando em conta a diversidade de grupos e interesses dentro de uma comunidade, procura estabelecer meios de manifestação de todas as idéias, procurando atender os anseios e harmonizá-los efetivamente. Em um Estado pluralista, os vários grupos ou centros de poder social tem a função de limitar e controlar as vontades isoladas dos detentores do poder político. ( ) A Constituição regulamenta o poder com base em valores jurídicos encontrados na consciência jurídica geral de uma determinada comunidade, obtendo aí a sua legitimidade. ( ) É na Constituição que se acha a definição das competências e atribuições dos órgãos que compõem a estrutura do Estado. ( )A Constituição define a estrutura de organização do Estado, estabelecendo a separação dos poderes ou funções políticas (poder legislativo, poder executivo e poder judiciário), bem como as relações de convívio entre eles. BOBBIO, Norberto. Teoria das Formas de Governo. Tradução de: Sérgio Bath. 10. ed. Brasília: UnB, 1997. BONAVIDES, Paulo. Teoria do Estado. 5. ed. São Paulo: Malheiros, 2004. CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. 7. ed. Coimbra: Almedina, 2003. DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos de Teoria Geral do Estado.25. ed. São Paulo: Saraiva, 2005. - ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS

TEMA 04 BASES CONSTITUCIONAIS DO ESTADO MODERNO CONCEPÇÃO DE ESTADO. INTRODUÇÃO

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Caro (a) acadêmico (a),
A presente aula tem por finalidade, tecer alguns comentários sobre o moderno conceito de Estado, definindo primeiramente o que é Estado e dando a vocês uma noção mais precisa deste e sua importância em nosso cotidiano.

Objetivos:
• Esclarecer a noção de Estado, a partir de suas origens; • Conceituar Estado; • Trabalhar sobre o tema da justificação do Estado.

1. O QUE É ESTADO?
Para que possamos entender a organização do Estado, precisamos preliminarmente conhecer o que é Estado. Para isso, precisamos conceituá- lo e para obtermos um Conceito de Estado devemos partir de um questionamento inicial: O que é Estado? Para respondermos a esta questão, nos filiamos ao entendimento de Celso Ribeiro Bastos onde diz: O Estado é, portanto, uma espécie de sociedade política, ou seja, é um tipo de sociedade criada a partir da vontade do homem e que tem como objetivo a realização dos fins daquelas organizações mais amplas que o homem teve necessidade de criar para enfrentar o desafio da natureza e das outras sociedades rivais. O Estado nasce, portanto, de um ato de vontade do homem que cede seus direitos ao Estado em busca da proteção e para que este possa satisfazer suas necessidades sempre tendo em vista a realização do bem comum. Na medida em que começam a se alargar as esferas de atuação do poder coletivo, é dizer, na medida em que a própria complexidade da vida social começa a demandar uma maior quantidade de decisões por parte dos poderes existentes, faz-se, portanto imprescindível que um único órgão exerça esse poder. (BASTOS, 2004, p. 42/43). Como vimos, o Estado nasce da necessidade do homem diante das dificuldades enfrentadas, seja pelo meio hostil em que vive, seja pelo conflito TEMA - ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS com outros humanos. Diante dessas situações e das necessidades da organização da vida em sociedade, que a cada dia se torna mais dinâmica e complexa, o homem viu-se compelido a delegar poderes para um órgão abstrato que serviria para dirimir os conflitos e organizar e gerir a sociedade. Mas o homem não viveu sempre em sociedade e, mesmo nas comunidades primitivas, não se conhecia o Conceito de Estado, surgindo este num momento histórico bem definido, tendo surgido no século XVI, momento de transição entre a Idade Média e a Idade Moderna. Não podemos negar que as Cidades Estado Gregas, bem como o Império Romano, na Antiguidade Clássica, já apresentavam primórdios e indícios de uma organização estatal, mas não contemplavam todas as características próprias de Estado que são, na definição de Celso Ribeiro Bastos: Povo, Território e Poder Soberano (Bastos, 2004). Assim, o surgimento do moderno conceito de Estado fica localizado, historicamente, no início dos Tempos Modernos, mais precisamente no Século XVI. Um dos pontos divergentes sobre o conceito de Estado diz respeito a sua relação com a sociedade política. Alguns defendem que Estado e sociedade política se identificam, outros entendem que o Estado é uma das espécies de Sociedade Política, considerado o mais importante destas espécies. Devemos, portanto, ao estudar o fenômeno estatal, ter em mente duas correntes diferentes. A primeira dá maior importância aos caracteres materiais do Estado: seu povo e seu território. A segunda corrente prioriza a organização normativa ou, o poder coercitivo que possui o Estado. Esta segunda corrente considera que não há Estado sem povo ou território. Na prática, não é possível se distinguir as duas correntes, uma vez que estas se complementam, mas para fins didáticos, é importante haver essa distinção, neste sentido manifestou Bastos: No fundo, no entanto, o Estado é simultaneamente as duas coisas e só por conveniência de estudo, ou em virtude das limitações da 2

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ciência que não se consegue dar conta do real senão secionando-o ou restringindo-o a uma única dimensão, é que se há de reluzi-lo a alguma de suas múltiplas manifestações, mas a verdade é que o Estado é simultaneamente um fato social e como tal passível de estudo pela sociologia, como também é um fenômeno normativo e, nessas condições, conhecível e estudável pelo Direito. (BASTOS, 2004, p. 44) É bom lembrar que o moderno conceito de Estado nasceu na conturbada transição entre a Idade Média e a Idade Moderna, influenciando esse contexto social e político na sua formação. Concluindo, podemos dizer, de acordo com Bastos: [...] que o Estado é a organização política sob a qual vive o homem moderno. Ela caracteriza-se por ser resultante de um povo vivendo sobre um território delimitado e governado Entendemos que a corrente mais correta é a segunda, que considera o Estado como uma espécie de Sociedade Política, sendo que o Estado Moderno que conhecemos – que pode ser definido pelo conjunto de seu povo, território e poder político – é apenas um dos vários tipos de Estado existentes, conforme estudaremos nas próximas aulas. ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS por leis que se fundam num poder não sobrepujado por nenhum outro externamente e supremo internamente. (BASTOS, 2004, p. 48).

2. ORIGEM DO ESTADO
Para que possamos nos aprofundar na origem do Estado, começaremos por entender a origem etmológica da palavra Estado. Estado deriva da palavra latina “status”, que pode ser traduzida como estado, posição e ordem. Já em seu sentido ontológico, a palavra Estado é, de acordo com Bastos: “um organismo próprio dotado de funções próprias, ou seja, o modo de ser da sociedade politicamente organizada, uma das formas de manifestação do poder”. (BASTOS, 2004, p.49). Quanto à origem, vários foram os autores que discutiram o seu surgimento ou a sua origem, sendo que estes autores formularam diversas teorias com a finalidade de explicar o surgimento do Estado, entre elas podemos destacar: 3.1 Doutrina Teleológica: Seus principais estudiosos foram São Tomás de Aquino, Santo Agostinho e Jaques Bossuet. Essa doutrina defendia que o poder advinha de Deus e, dessa forma, o Estado era criação divina, assim como todas as coisas. Dentro da Doutrina Teleológica, haviam duas correntes: a “Teoria Pura do Direito Divino Sobrenatural”, que teve seus maiores defensores na França, durante a Idade Média e que defendia, segundo Bastos, que “o Estado era obra imediata de Deus, e que ele próprio designaria o homem ou a família que deveria exercer a autoridade estatal”(BASTOS, 2004, p.51), o que servia para reforçar a força do rei e das monarquias absolutistas, um de seus maiores defensores foi o rei Luís XIV da França, que afirmava que todo Poder advinha de Deus, e portanto, tal poder não poderia ser contestado e só caberia ao rei (que representava todo o Poder Estatal) prestar contas a Deus, que era quem lhe conferia o poder e só Ele poderia tirá-lo. A Outra corrente era a da “Teoria do Direito Divino Providencial” que, segundo Bastos, defendia “a idéia de que o estado foi instituído pela providência divina, que o dirigia de maneira indireta através da direção providencial dos acontecimentos e das vontades humanas (livrearbítrio)”(BASTOS, 2004, p.52), a maior defensora dessa corrente foi a Igreja Católica.

2.2 Doutrina Jusnaturalista:
Essa teoria surgida no final da Idade Média início da Idade Moderna, vinha para contraditar a teoria teleológica, uma vez que buscava separar os valores humanos da religião, defendia que o Estado surgia das

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constituindo-se em uma forma de manutenção dessa soberania. “No direito natural os princípios que imperavam eram os de que ninguém deve prejudicar ninguém e que deve se der a cada o que é seu ”(BASTOS. simples instrumento de dominação. Para os defensores desta doutrina.3 Doutrina do Contrato Social: A base desta doutrina se deu com Aristóteles na Grécia Antiga. dotado de personalidade jurídico política. através da força do mais forte sobre o mais fraco.. Essa teoria teve como seus principais expoentes. sendo portanto este. 2. 57). já que os princípios de solidariedade e amizade eram inerentes ao homem. . (BASTOS.. admitia a possibilidade de o Estado nascer através de duas formas distintas. Os principais defensores desta teoria foram Jean Bodin e Luwig Gumplowicz. 2004. p. 2004.]defendia a idéia de que a sociedade política foi criada a partir da celebração de um contrato social firmado entre os homens. 2. os jusnaturalistas defendiam que o Estado surgia da própria necessidade do homem de viver em sociedade e era o aperfeiçoamento natural dessa vida comum.FACULDADE REUNIDA próprias exigências da natureza humana. Segundo Bastos.FAR . em que o poder estatal é exercido pelo chefe da família. 2004. assim como os jusnaturalistas. defendem o progresso do Estado natural para um estado social. capaz de proteger os interesses individuais ao mesmo tempo em que busca o bem comum.]o homem cede todos os seus direitos naturais em prol da sociedade política.]o que instituiu a sociedade política foi o consentimento de todos os homens em unir-se para fundar um só corpo social. 2. Jean Jaques Rousseau. que o homem construiu o Estado. Já para Rousseau.5 Teoria Familiar: Esta teoria defende que o Estado surge diretamente da família que através de sua expansão surge como sociedade política. sendo portanto um poder patriarcal. ou pelo contrato social. Assim. o Estado surge da vontade do homem.52). segurança e proteção de direitos e bens”(BASTOS. onde estes abrem mão de seus interesses pessoais em prol da coletividade. Dessa forma. fundando-se em características divinas. que teria como base a transferência do poder divino para a pessoa do pai. o Estado surgia por meio de um pacto celebrado entre os homens.4 Doutrina da Força do Estado: Para os defensores desta teoria o Estado nasce da supremacia dos mais fortes sobre os mais fracos. Thomas Hobbes e Jonh Locke. sendo que os mais fortes impõem sua vontade aos mais fracos através do Estado. 2 . em busca de uma formação jurídica que desse ao homem a garantia da proteção a seus direitos individuais dentro da coletividade. sendo retomada e intesificada na Idade Média. pois dando cada um o todo inteiro. sendo o Estado uma forma de aperfeiçoamento da vida em sociedade. surgindo naturalmente de forma necessária à continuidade da busca de uma sociedade perfeita. Partindo desses pressupostos.. servindo o Estado apenas para normatizar aquilo que já era inerente ao ser humano e de tornar exigíveis esses princípios. Hobbes “[. mas tendo por princípio de que qualquer uma das formas tinha por finalidade principal a manutenção da vida. inerente aos seres humanos. 2004. ela foi introduzida por Maquiavel em sua obra “O Príncipe” de 1531.. que diante das necessidades celebra com a coletividade um pacto com a finalidade de criar um Estado forte. bem como de suas necessidades. p. E é através destes pactos. Bodin. 56). em busca de harmonia. no contrato social “[.. a condição passa a ser igual para todos e sendo assim ninguém terá interesse em torná-la onerosa aos outros”. paz.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS servindo o Estado como o meio para se atingir o bem comum. p.. Os povos antigos não utilizavam a palavra Estado para definir a sua organização social. Estes. baseando-se no fato de que anterior ao Direito Positivo havia um Direito Natural. dotado de poder” (Bastos. p. 53). Já Gunplowicz defendia que o Estado era nascido naturalmente da luta do mais forte para subjugar o mais fraco. Locke dizia que “[.

é dizer. p. DALLARI. pode-se dizer que ele se justifica na segurança jurídica que transmite. 2004. podemos concluir que a origem do Estado deve ser estudada sem nos filiarmos a nenhuma destas teorias. e consequentemente a organização da sociedade e o alcançe do bem comum. que sempre precisaram destas para garantir a obediência as suas normas.FAR . 3 JUSTIFICAÇÃO DO ESTADO Bastos assim define a justificação do Estado: No que se refere a justificação do Estado. Celso Ribeiro. Na verdade isso significa apenas que o Estado tem como uma de suas funções aplicar e também executar os princípios gerais do direito. Portando. Tais teorias serviam como forma de legitimação dos Estados. econômicos entre outros. de acordo com texto: Doutrina Teleológica Doutrina Jusnaturalista Doutrina do Contrato Social Doutrina Força do EstadoDoutrina Familiar. mas nenhuma delas sozinha consegue explicar satisfatoriamente a origem deste. (BASTOS. Elementos de Teoria Geral do Estado. Constitui-se. São Paulo: Saraiva. cabe a ele garantir e proteger o Direito. 2004. 25ª Edição. defina em três linhas o que você entende como conceito Estado? 2) Caracterize as cinco doutrinas que tratam sobre a origem do Estado. 5ª Edição. Paulo. 2005. 6ª Edição. Nesse sentido cumpre dizer que o Estado tem como um de seus fins o jurídico. mas sem deixar de valorar os interesses pessoais dos membros da coletividade. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS BASTOS. portanto. São Paulo: Malheiros. . uma vez que todas elas possuem parte da razão. 2004. Dalmo de Abreu. Atividades 1) De acordo com o texto que trata sobre a concepção de Estado. pois o Estado surge de um somátorio de fatores que devem ser estudados juntos para se concluir todo o desenvolvimento. BONAVIDES. sendo este um meio para se chegar a um dos fins que é o Direito. Teoria do Estado. como uma das finalidades do Estado a busca do bem comum. sendo o Bem Comum. Os interesses do Estado não podem se sobrepor aos valores da pessoa humana. e não há unicamente um destes como defendem as diversas teorias apresentadas. Curso de Teoria do Estado e Ciência Política. São Paulo: Celso Bastos Editora. todavia isso não implica em dizer que está ele restringido a uma mera organização judicial ou até mesmo a simples elaboração de uma legislação. fica claro que o Direito é inerente ao Estado. religiosos. 60) Diante disso. 2 .ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS uma vez que o surgimento do Estado está ligado a ínumeros fatores. sociais.FACULDADE REUNIDA Diversas são as teorias que buscam explicar a origem do Estado. desde o seu surgimento até o que ele é atualmente. a finalidade permanente do Estado.

FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS 30 O ESTADO E A ORDEM ECONÔMICA E SOCIAL ESTADO – TEMA 05 CONCEPÇÃO DE ESTADO Introdução 2 . A Concepção de Estado de Thomas Hobbes e John Locke.FAR . Ricardo Luiz.FACULDADE REUNIDA ALVES.

ele sabia que ninguém poderia provocar danos à vida. Modo de Produção é a totalidade das forças produtivas e das relações de produção de certa sociedade. é a maneira como a sociedade produz seus bens e serviços. direitos e deveres naturais. 242. (OLIVEIRA. por sua vez. Para Locke. por isso se convencionou falar em ordem econômica e social. a qual. o estado de natureza 2 . pelo próprio fato de serem derivados de uma lei natural. 251-252) ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS As diferentes formas de pensamento jusnaturalista têm como ponto em comum a afirmação de que todos os homens. As instalações (edifícios. ao ser governado pela lei da natureza. p. O jusnaturalismo lockeano O jusnaturalismo lockeano está na base da própria concepção liberal política e econômica. e. Objetivos: • Compreender as bases históricas e filosóficas das diversas posturas de atuação do Estado na ordem econômica e social. como em toda e qualquer lei moral ou jurídica. 2005. 2004. diante do soberano detentor do poder político. os instrumentos de produção (máquinas. Meios de Produção são os meios empregados por qualquer tipo de trabalho para a produção de bens. num mercado em que haja livre concorrência entre as empresas. O jusnaturalismo pode ser definido como doutrina segundo a qual existem leis não postas pela vontade humana. O poder político se estende por um vasto domínio da atividade humana. com aplicação diretiva da movimentação das pessoas no referido plano. por força da própria natureza e. sendo uma das chaves de compreensão do modo de produção capitalista. O objetivo da presente aula é refletir sobre o Estado e a ordem econômica e social. independentemente de sua própria vontade. armazéns etc). Assim. Toda uma formulação teórica foi elaborada para justificar a proteção. pp. o modo como os utiliza e a forma como os distribui. na busca do lucro e no trabalho livre e assalariado. ouve-se sempre falar em coisas como reforma previdenciária. ou seja. ferramentas). emenda constitucional do sistema financeiro nacional etc. de esferas pessoais de ação humana e de propriedade privada. está estreitamente ligado às origens do Estado Moderno. (BOBBIO. 11) John Locke (1632-1704) parte do estado de natureza. • Especificar as formas de Estado Social nas Constituições. Fazem parte dos meios de produção também as jazidas e outros recursos naturais. são. no qual o homem possuía perfeita liberdade e igualdade e. detentores de certos direitos fundamentais. à saúde. bem assim. fazendo-se referência à existência de padrões fixados no direito positivo do Estado. procurando mostrar aspectos de sua evolução política. direitos e deveres que são. fazendo-se sentir sua ingerência normatizadora inclusive no domínio econômico e social. à liberdade ou à propriedade das outras pessoas. Bem. nada tinha a ver com o Estado e a instituição da sociedade política. Em outras palavras. Capitalismo é o modo de produção que se baseia na propriedade privada dos meios de produção e distribuição de bens e riquezas. o poder que as pessoas tinham sobre as coisas decorria do estado de natureza. 1. das quais derivam. ou seja.FACULDADE REUNIDA Caro (a) Acadêmico (a). nova lei de falências.FAR . as várias formas de energia e os meios de transporte utilizados na produção de qualquer bem. O principal meio de produção na agricultura é a terra. sem distinção.

de desenvolvimento. O que é socialismo? 2 . 4. a mais famosa revolução liberal se confunde com o maior acontecimento do século XVIII: a Revolução Francesa. Assim. para Locke. ou seja. O ideal era. assim. no estado de natureza ou na sociedade natural. direitos de resistência ou de oposição perante o Estado. se encontra o da liberdade econômica dos cidadãos. de cuja observância as autoridades não podem se descuidar. Deve-se ter em conta que essa limitação dos poderes e funções estatais se desdobra em dois aspectos que precisam ser distinguidos. revelandose ilegítima qualquer intromissão no âmbito de livre disposição das coisas ou dos bens pelos particulares. Assim. O liberalismo revela uma concepção individualista da sociedade. o resultado das revoluções comandadas por certas forças sociais contra a monarquia foi a celebração de novos acordos ou pactos entre o soberano e os súditos. A esse primeiro aspecto corresponde a idéia de Estado de Direito. 2. As Revoluções Liberais: A mais notável conseqüência histórica da efetivação da concepção liberal foi o surgimento de revoluções voltadas à derrocada dos regimes monárquicos de poder absoluto. ou seja. qualquer empecilho ao livre comércio e gozo. com o objetivo de impedir o abuso e o excesso de poder. então. Esse mesmo pensamento é que ajuda a construir o pensamento liberal. O outro aspecto é o da limitação de atuação do Estado no campo da propriedade privada. de progresso intelectual e moral num regime de máxima liberdade em relação a qualquer norma externa que lhe seja imposta pela força. O que é liberalismo? A essência do pensamento liberal ou liberalismo é a limitação do poder do Estado na ordem política e na ordem econômica. protegendo a sociedade de danos ao regime de liberdades gozado por ela. o poder não pode ser absoluto. No meio dos direitos então assegurados e constitucionalizados.FACULDADE REUNIDA seria o momento econômico anterior e determinante do poder político. inclusive as da livre concorrência econômica.FAR . Ou seja. Reinvidica-se. protegendo os cidadãos de ilegalidades praticadas por outros. ou seja. 3. Consoante assinalado por Bobbio. no dizer de Bonavides. a liberdade e a propriedade privada. os direitos de liberdade civil e política. aquele que intervem somente para garantir a ordem pública interna e externa. plena liberdade individual na esfera espiritual e na esfera econômica. direitos de prestação negativa. como sendo aquele em que as decisões políticas se tomam com observância das normas. vem a sociedade. Um deles é a distribuição dos poderes entre órgãos políticos diversos. o indivíduo é considerado na sua capacidade de autoformação. Logo. nos quais se vislumbrava um novo sistema de direitos e deveres. ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS O individualismo sugere que primeiro existe o indivíduo isoladamente considerado. Pelas revoluções liberais veio a se afirmar o rol dos direitos fundamentais de primeira geração ou dimensão. o do Estado mínimo. depois. enfim. onde se passava a resguardar de abusos do poder a vida. a política está a serviço da economia. existem limites à sua atuação. bem como zelando pela estabilidade da pátria no plano das relações internacionais. com as suas necessidades e os seus interesses e. os homens vivem segundo as leis naturais. Na compreensão dos liberais. O Estado tem poderes e funções limitados. Em suma.

em diversos sistemas constitucionais. Owen. na França. O socialismo utópico. em nada orgânica. fortalece-se o socialismo utópico o qual. portanto. os quais dominaram o cenário principalmente após a segunda guerra mundial. A obra revolucionária socialista resultou no reconhecimento. Fourier. acabando assim qualquer luta de classe. As diversas formas de Estado Social nas Constituições: E nos nossos dias. em revoluções que mudaram radicalmente a própria concepção de Estado. a revolução industrial. o Estado Social 2 . é a expressão de classes irreconciliáveis e antagônicas entre si. estabelecendo. Revolução Francesa foi um movimento político-social liderado pela burguesia. os meios de produção passariam à propriedade estatal. Assim. 6. criticando a discrepância observável entre liberdade e igualdade formal asseguradas nas Constituições e a liberdade e igualdade reais. 5. O socialismo científico propunha que. transformando homens em máquinas de trabalho e produção. enquanto a sociedade. As Revoluções Socialistas: Os ideais socialistas também se traduziram. que não se verificavam nas situações do dia a dia da maior parte da população. Babeuf. diante de sua inutilidade. expressas na Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão. e o Estado. representado por Proudhon. reclamando-se daí em diante um Estado intervencionista. acabou se contentando com uma sociedade dividida em classes e cheia de desigualdades econômicas e culturais. entre outros. a Revolução de Outubro na Rússia. tencionando o estabelecimento de condições de vida igualitárias e justas. levou a um quadro de exploração do proletariado. teceu uma série de críticas de cunho negativo. ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Com a passagem do tempo. mas deste se diferenciava pelo fato de seguir um método de observação e de avaliação das relações econômico-sociais. No pensamento de Marx e Engels. a qual destronou os czares. servindo como instrumento de poder da classe forte e privilegiada. o Estado Social da concretização da igualdade e da justiça social. inspirada pelos ideais liberais. com todas as profundas mudanças por ela operadas nas relações econômicas. de direitos econômicos. cujas Constituições os descrevem como sociais: o Estado Social conservador. após isso. seria automaticamente extinto. Como proposta política e científica estava a extinção do Estado e. em terríveis condições de vida. qual resultado pode ver do confronto entre os ideais liberal e socialista? Podemos dividir em quatro os Estados.FAR . da opressão de uma classe sobre as outras. muito embora tenha gerado várias transformações na idéia de Estado e de suas relações com os cidadãos. bem como de direitos coletivos ou de coletividades.FACULDADE REUNIDA A Revolução Francesa. sobreveio o socialismo científico. Ao lado do prevalecimento das teorias liberais. visando uma sociedade mais igualitária. A grande revolução socialista foi um dos maiores acontecimentos do século XX. historicamente. cujas bases científicas foram propostas pelos alemães Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895). de 27 de agosto de 1789. o qual agiria na esfera tida até então como privada. sociais e culturais. que marcou a ruptura com o Estado absoluto. através da tomada violenta do poder pelo proletariado. se constituía num protesto contra a sociedade dividida entre possuidores dos meios de produção e trabalhadores semi-escravizados. entrando em jogo a teoria da superação das classes e a dialética marxista. a sociedade é mecanicista. o resultado foi a formação de várias espécies de Estado Social. uma série de limitações ao exercício do poder político. os quais tinham em comum com o socialismo utópico a busca por uma sociedade igualitária. Nesse quadro.

segundo a qual. referentes ao Estado Social. vê-se o compromisso e a prática efetiva. a qual se torna sem resultado no plano dos anseios populares de igualdade e justiça social. acaba por colocar nas mãos do legislador a definição de ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS uma política. Estado Social conservador É aquele em que a Constituição o define como social. Significado constitucional do Estado Social Por muito tempo foi sustentada a tese. 11. mas vai além. 7. Sendo assim. destituídas de eficácia. 2 . dando abertura à substituição do sistema capitalista e a adoção Estatal de um socialismo. previdência social etc. Estado Social das ditaduras O Estado Social das ditaduras é. criando-se condições sociais melhores. propõe que a Constituição não somente enseja a concretização da igualdade. nunca poderia sequer ser ajuizada uma ação para resolver o problema da falta ou omissão do poder público no tocante à concretização desses direitos. Desse caráter impositivo derivam várias conseqüências jurídicopolíticas. a afirmação de justiça social e igualdade por parte de regimes totalitários que se querem legitimar no poder através do uso de um aparente compromisso transformador da sociedade. Pois a Constituição. contêm uma imposição obrigatória dirigida aos órgãos de direção política. Estado Social da concretização da igualdade: Nessa espécie de Estado Social. Porém. as normas constitucionais referentes a direitos sociais como a moradia. que abre caminho à concretização do socialismo. geralmente se deixa ao legislador a tarefa de concretizar os princípios de justiça social e igualdade. no Estado Social das ditaduras ocorre. no sentido de que a Constituição finge dar com uma das mãos enquanto retira com a outra. 10. que as normas constitucionais. os quais acabam por prevalecer na interpretação da Constituição. Estado Social transformador do status que: O Estado Social transformador do status que é uma concepção que. 8. fazendo-a peça decorativa de um Estado conservador de cunho efetivamente liberal. É. segundo J. cujo cumprimento é reclamado pela ingerência do capital e de seus fatores reais de poder. J. o trabalho seriam meramente programáticas. Gomes Canotilho. trabalho. saúde. em nome de projetos de justiça social. o moderno constitucionalismo democrático rejeita esse posicionamento. mas o seu compromisso mais profundo é com os princípios do liberalismo econômico. entra aquela frase de Kelsen. já que somente poderiam servir de conselho ou de regra de boa conduta para os exercentes do poder político.FACULDADE REUNIDA transformador do status quão. a eliminação da democracia e do pluralismo político. 9.FAR . Nesses sistemas. na verdade. sem abrir mão da perspectiva democrática. através de políticas públicas da igualdade. nos mais diversos âmbitos: educação. Enquanto as Constituições liberais são marcadas pela falta de alusão aos direitos sociais. moradia. a educação. embora os proteja. Assim. então. um Estado Social apenas no nome e na proposta. e o Estado Social das ditaduras. entendendo. do livre embate e debate das idéias e dos meios constitucionais de ascensão ao poder político.

ou seja. 1996. Em segundo lugar. desde que obtido um certo grau de realização dos direitos sociais e econômicos. ed. Teoria Geral do Direito e do Estado. teceu uma série de críticas de cunho negativo. São Paulo: Malheiros. Locke e o Direito Natural. Introdução 2 . ed. em troca. 2004. o legislador está autorizado a concretizar a transformação e a modernização das estruturas econômicas. São Paulo: Malheiros. 1997. ( ) Podemos dividir em quatro os Estados cujas Constituições os descrevem como sociais: o Estado Social conservador.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS TEMA 06 O ESTADO E O DIREITO.FAR . Introdução à Sociologia. KELSEN. _____. Atividades: Diga se as afirmações são verdadeiras ou se são falsas ( ) O Estado Social das ditaduras é. a afirmação de justiça social e igualdade por parte de regimes totalitários que se querem legitimar no poder através do uso de um aparente compromisso transformador da sociedade. 2005. levando o poder público a se abster de fazer leis que firam os projetos constitucionais de igualdade e justiça social. Brasília: Unb. Owen. representado por Proudhon. criticando a discrepância observável entre liberdade e igualdade formal asseguradas nas Constituições e a liberdade e igualdade reais. 7. Hans. Tradução de: Sérgio Bath. Liberalismo e Democracia. São Paulo: Brasiliense. Norberto. ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Em terceiro lugar. São Paulo: Malheiros. Paulo. e o Estado Social das ditaduras. o Estado não pode criar políticas públicas ou fazer normas que resultem na aniquilação dessas vantagens sociais. OLIVEIRA. 6. ed. 2004. as normas constitucionais asseguradoras do Estado Social devem ser tidas em conta na interpretação da Constituição. 2. 2001. BOBBIO. ed. o Estado Social da concretização da igualdade e da justiça social. o Estado Social transformador do status quo. BONAVIDES. . que abre caminho à concretização do socialismo. para isso. Do Estado Liberal ao Estado Social. Fourier. São Paulo: Martins Fontes. ( ) O socialismo utópico. é impedido o retrocesso social.FACULDADE REUNIDA Em primeiro lugar. Tradução de: Marco Aurélio Nogueira. São Paulo: Ática. na verdade.Curso de Direito Constitucional. sem que. dos meios necessários. usando. 5. entre outros. ( ) A mais notável conseqüência histórica da efetivação da concepção liberal foi o surgimento de revoluções voltadas à derrocada dos regimes monárquicos de poder absoluto. visando uma sociedade mais igualitária. 1995. Pérsio Santos. Tradução de: Luís Carlos Borges. _____. 25. _____. forneça efetiva e justa compensação ao desgaste criado. que não se verificavam nas situações do dia a dia da maior parte da população. ed. Babeuf. Teoria do Estado.

2 . 2004. seria o indivíduo a matriz do Estado e do Direito. O Jusnaturalismo Escolástico tinha como seus maiores expoentes São Tomás de Aquino e Santo Agostinho. sendo a Monarquia a melhor forma de governo. tempo e espaço. E. negavam a possibilidade da democracia. acabou por produzir diversas consequências tanto no campo da política como do direito. p.”(BONAVIDES. Assim. p.. portanto. que interfere diretamente no cotidiano de todo cidadão. uma boa e outra má. p.FAR . 1.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS este direito natural era inerente a todos os homens. já não coincide com o Estado. acima de tudo. indiferente de suas características culturais. para os jusnaturalistas. o fim do Estado está diretamente ligado ao individualismo. a influência do cristianismo. duas fases distintas do pensamento jusnaturalista: “Uma que corresponde à preponderância do espírito escolástico. de forma absoluta sendo portanto incontestável. 122). na Grécia Antiga e em Roma. p. havendo portanto. principalmente. partindo do indivíduo. forma jurídica de associação confinada no espaço e. De outra ponta. como o Direito para o Jusnaturalismo é um dos fundamentos do Estado e. era o indivíduo que legitimava a existência do Estado. defendendo a idéia de que mesmo para aqueles que não acreditam em Deus havia um Direito Natural inerente. • Introduzir o acadêmico no conhecimento das teorias jusnaturalista e liberal do Estado e do Direito. proporcionando a vocês um maior conhecimento dessa relação. “a determinação dessa essência humana imutável. Enquanto durou esse pensamento individualista do Jusnaturalismo. mas antes dele. já havia admitido a possibilidade de se desvincular o direito natural da teologia cristã. baseando-se este em verdades eternas e imutáveis que deveriam nortear todos os Estados de forma semelhante. E.FACULDADE REUNIDA Nestas duas próximas aulas iremos discutir a interação e interdependência entre Estado e Direito. necessariamente inválida para abranger direito que lhe é anterior e superior. pelo pensamento jusnaturalista. Segundo ainda Grotius. e a Igreja. tutelar ou rivalizante. a jurisprudência deveria estudar. que defendiam que o homem tinha duas faces distintas. entre os operadores do Direito. . Para Grotius. 2004. 2004.”(BONAVIDES. e o Estado um mal necessário. uma vez que esta seria uma sociedade utópica em virtude de que seria formada apenas por homens redimidos e puros. e se torna autônoma. o que era inconcebível no plano terreno. esse direito teria validade em qualquer lugar. ligando a idéia de Jusnaturalismo a natureza humana que seria estável e constante. 119) Dessa forma. 122). conforme o afiaçam as lutas do Santo Império Germânico com o Papado. que ao contrário do culto antigo. O DIREITO NATURAL E O ESTADO O Direito Natural ou Jusnaturalismo é discutido desde a antiguidade.. segundo Jellinek.]a doutrina que se identifica com a natureza humana não se sujeita nunca as limitações impostas pelo Estado. havia o Jusnaturalismo Racional. outro pensador. outra que entende com a secularização do Sistema Estatal. a concentração da vida política medieval em inúmeras corporações. mas. era fruto da ação de alguns fatores: o individualismo germânico. Objetivos: • Mostrar que a idéia de Estado pressupõe uma ordem jurídica que organiza a vida dentro da sociedade política organizada. demonstrando o quanto cada um é importante e necessário para a existência e sobrevivência do outro. pois para este: “[. metendo a personalidade humana em plano significativamente transcendental e lançando as bases ao individualismo da idade moderna. mas o moderno pensamento Jusnaturalista. portanto. do qual um dos precursores foi Rousseau. Hugo Grotius. não havendo até então uma noção exata de sociedade como a conhecemos. 120). 2004.(BONAVIDES. visto que. diante desta filosofia individualista do Jusnaturalismo. que legitimasse todo o direito positivo com ela acorde”(BONAVIDES.

“[. se via preso pela sociedade e por suas regras. Segundo Paulo Bonavides. Kelsen contestava não somente o Estado jusnaturalista. como a lliberdade de confissão religiosa. sendo que quando se tornasse exigível por meio de imposição estatal estava este automaticamente tornando-se ositivado. é. em seus estudos..FAR . concluiu-se que “as verdades eternas e os direitos imutáveis seriam sempre divergentes. ainda. 2004. de pesquisa científica e de consciência política.”(BONAVIDES. constituído por uma ordem jurídica positiva. p. 123) O Jusnaturalismo tinha o Estado como contrário a liberdade. 2002. era carente de coação de sua aplicação.”(CORRÊA. concluiu que o Estado é. delimitando as áreas consideradas imutáveis. nesse sentido manifesta-se Bonavides: 2 . entre outros por Jellinek.”( BONAVIDES.” (BONAVIDES.. 2004. 124) Conceito de Jusnaturalismo: “Por Jusnaturalismo se entende uma doutrina segundo a qual existe e pode ser conhecido um ‘direito natural’ (ius naturale). por falecer ao positivismo jurídico capacidade criadora ou autonomia para a livre produção de valores. p. na sua ética e essência. assim como seus sucessores até o século XIX. anotadas por Max Ernst Mayer. 34) . para o progresso consequências positivas de cunho espiritual. conforme se tomasse por princípio essa ou aquela suposta esência humana. Torna-se. oriundo do direito natural e a este subordinado. o que acabou por desacreditar as teorias de Grotius. Diante disso. fazendo com que esse intervísse o mínimo possível na liberade dos indivíduos. que inteiramente derrogado na esfera política e econômica. teve. p. p. uma vez que este direito inerente a todos. essa tese. 125) Kelsen. vedando expressamente ao poder estatal modificá-las ou revogá-las. que assevera estarem indescritivelmente vinculados o chamado etado natural e direito de resistência. Esses aspectos teleológicos individualistas do direito natural tiveram sua discussão acentuada. 124) Essas idéias foram adotadas pelo direito positivo em quase todas as Constituições dos países. diz Bonavides: “Nele se esteou o liberalismo individualista. o Jusnaturalismo.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Ainda. portanto. 2004.”(BONAVIDES. que os defensores do jusnaturalismo. diante das indagações de Rousseau a respeito da liberdade humana. o direito natural não pode ser considerado revolucionário. esqueceram-se de determinar a forma de especificar qual seria a natureza humana que serviria de base a suas teorias jusnaturalistas.FACULDADE REUNIDA Mas Grotius. nas suas leis e manifestações objetivas. independente da realidade.” (BONAVIDES. como queriam alguns de seus defensores. 2004. o maior percalço da teoria jusnaturalista a definição do que seria a “essência humana imutável” que é definida por cada pensador de forma particular. cuja doutrina a esse respeito merece ser atentamente considerada. 2004. o homem. necessariamente. um sistema de normas de conduta intersubjetiva diversa do sistema de normas fixadas pelo Estado. uma vez que está não é demonstrável e pode portanto ser adaptada conforme as conveniências de quem a estiver interpretando. pergunta esta que veio a ser feita pelos empiristas como Savigny. combatida ao presente por Kelsen. dando a estas regras constitucionais o status de direitos inalienáveis da pessoa humana. limites rígidos de ação. não admitindo um Estado jusnaturalista. Kelsen afirmava. p. segundo Kelsen. fazendo com que essas questões acabassem se tornando objeto de estudo da ciência do direito e da filosofia. “Daí o caráter supostamente revolucionário que teria o direito natural. uma vez que mesmo nascendo livre. buscando traçar a este. mas todo o direito que não fosse positivado.126/127) Preocupavam-se estes pensadores em criar métodos para confirmar a superioridade do Direito Natural sobre o Direito Positivo. Com isso. p. como: São Tomás de Aquino e Kant “consideravam o direito positivo. ou seja. sustentada.] não passou de um momento na dinâmica do direito. como teoria modificadora da realidade humana e social. de acordo com a doutrina estatal jusnaturalista. todavia.

FACULDADE REUNIDA O mais profundo na percuciente análise de Kelsen é a verificação feita por este de que. (BONAVIDES.. Foi o que fez a reação conservadora. As idéias de Kant assemelham-se ao Estado Constitucional de Montesquie. o seu valor para a ordem política que o vinha utilizando. Abstém-se o Estado de qualquer intervenção a favor da ventura humana que fica de todo arredada de suas cogitações.] 2 . Neste momento histórico. se nos for lícita a comparação antropomórfica. dessa forma: . dando grande dimensão as liberdades individuais. concluimos que o direito natural não foi um direito revolucionário. o espírito popular. 134). dando ao indivíduo total liberdade. este novo Estado necessitava de uma teoria jurídica que lhe desse a sustentação necessária a sua manutenção. o Estado é ordem neutra e. bem como com a Revolução Francesa que modificava os conceitos de Estado então vigentes. diante das dificuldades conceituais que este apresenta. p. havia a necessidade de se reavaliar os estudos até então realizados. p. Em Kant. que defendia a ausência de intervenção do Estado na vida da sociedade.. nacional.] Estado como fato Absoluto e não do Estado como fenômeno histórico e realidade concreta no tempo. Em vez da natureza ou da razão. Protege os indivíduos contra a violência interna ou externa. na ocasião em que deixa de possuir o sentido de força estável em que . quando se dá a desnaturação conservadora do direito natural. poder-se ia compará-lo à figura de um inspetor de quarteirão ou guarda de trânsito. que deveria ser mantido mediante as garantias legais. segundo Bonavides.FAR . tinha por fonte do novo direito o chamado Volksgeist. a ideologia da escola histórica. já que essa ordem era considerada ideal. 2. imperativo era impor-lhe restriçoes constitucionais. Consiste a missão do mesmo num protecionismo benigno. p. Para isso.. quanto maior for a liberdade individual dentro da segurança jurídica.1 A proteção do direito como finalidade suprema do Estado Para o Estado kantiano. para assumir uma doutrina mais liberalista. na consciência dos povos. coube a Kant presidir e direcionar tais pesquisas. 2004. pois frente a esse neo-individualismo.. segundo Kelsen. 132). ao produzir . que negavam a liberdade individual atraves de normas e regulamentos que tinham por finalidade limitar as ações humanas para assim alcançar a felicidade. substiuí-lo a todo transe. fazendo um estudo do “[. “Nega a doutrina de Kant a teoria eudemonística do iluminismo.]”. 128) Com isso. Urge. Diante disso.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS repousam a Sociedade e o Estado por ele tutelados. e a mais defendida e privilegiada era a da separação dos poderes. como aconteceu depois da comoção revolucionária do século XVIII. historicamente. para converter-se. (BONAVIDES.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS. de progresso e revolução. poderíamos resumir a teoria do estado Jurídico de Kant. houve um crescimento exacerbado do individualismo. segundo afirma Paulsen (Bonavides. nem tampouco pode ser considerado como a base da criação do Estado. então. em instrumento de transformação e reforma. 2004. estudando o Estado sobre um outro prisma. a não ser quando adquire característica de direito positivo ao ser aplicado ao caso concreto. Dessa forma. um dos formuladores desta teoria. O ESTADO JURÍDICO SEGUNDO KANT Durante a trasição do mercantilismo para o liberalismo. presente ou futuro[. deixando de lado as teorias absolutistas.. 2. paternal. perde o mesmo. se anteriormente não houvesse Kant reconhecido por justa alguma participação do direito no progresso espiritual de cada ser humano. Então. ao contrário do que preconizava a teoria wolfiana. que fazia da liberdade o princípio fundamental do Estado. sendo Kant. e diante da impossibilidade de sua exigibilidade.. partia-se do pressuposto. 2004. uma vez que este era considerado um mal. Seria completa sua função de alheamento. que o Estado deveria ser mantido o mais longe possível. a única finalidade do Estado seria a de manter e estabelecer a ordem jurídica. de acordo com Kant. [.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BASTOS. faça um resumo do conteúdo abordado neste. ao contrário de Hobbes e Rousseau. de sua importância bem como de suas funções em nosso cotidiano. Atividade De acordo com o texto. Darcísio. CORRÊA.FACULDADE REUNIDA Em suma. que lhe atribui. sendo que. 137) Assim. 5ª edição. vamos agora abordar a o tema referente ao Estado e o cidadão. para termos uma visão mais ampla da interação destes. p. 2002. não refere a fato histórico. mas a razão de ser do Estado.”(BONAVIDES. 3ª Edição. 2 . 2004. Kant não indaga a história da origem do pacto.ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E JUDICIÁRIA DO ESTADO – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS TEMA 07 O ESTADO E O CIDADÃO.”(BONAVIDES. . entrando na discussão e definindo cidadania. 135/136) Um dos principais pontos do pensamento de Kant é a teoria contratual. Paulsen afirma que: “o contrato social de Kant. 6ª Edição. mas exprime tão somente uma idéia racional. 2004. Curso de Teoria do Estado e Ciência Política. a função cpital e única de ‘garantir a coexistência dos homens em sociedade’. BONAVIDES. Celso Ribeiro. Teoria do Estado.FAR . Ijuí: UNIJUI. segundo Bonavides. Introdução Dando continuidade ao nosso estudo sobre o Estado. podemos concluir que a relação entre Estado e direito é muito próxima e interdependente. que não se constiui em uma simples manifestação empírica. a teoria do Estado de kantiano é a expressão jurídica do liberalismo. São Paulo: Celso Bastos Editora. Paulo. para derivar do contrato social aquela norma de cunho teleológico (jurídico) a que alude Windelband. conforme observa judiciosamente Jellinek. p. 2004. 2004. mas em norma para a função estatal. A Construção da Cidadania: Reflexões HistóricoPolíticas. tecendo comentário e abordando os pontos que vocês consideram importantes. servindo este de meio de resolução de conflitos e forma de se alcançar o fim maior do Estado que é a busca do bem comum. uma vez que lhe confere autoridade e credibilidade. São Paulo: Malheiros. e por sua vez o Direito serve de sustentáculo ao Estado. pois serve o Estado para aplicar o direito e fazer valer as grantias individuais.

independente de suas condições financeiras. o elemento político. 2. relacionado com os direitos civis de liberdade individual. a cidadania. portanto.1 Dimensão Jurídica da Cidadania Essa conceituação está diretamente ligada à questão dos direitos humanos. políticos. sendo estes detentores de direitos e deveres. com a criação da burguesia é que se começa a formular o conceito de cidadão. Cidadania política ou ativa era aquela exercida pelos membros do Estado que possuiam bens e que. sendo que o moderno conceito de cidadania esta diretamente ligado ao direito.FAR . de forma mais clara. 214). 2. que foi um dos protagonistas da revolução francesa.(CORRÊA. Para isso. e partindo-se desse conceito chegaríamos ao conceito de cidadania formulado por Souza Junior: Nesse sentido pode-se falar em cidadania como a representação universal do homem emancipado. conforme defendia Sieyes. 2 . 217). Uma vez que sua base conceitual começou a ser desenvolvida com o crescimento do mercantilismo. fazendo emergir a autonomia de cada sujeito histórico. havia dois tipos de cidadania. p.FACULDADE REUNIDA Objetivo: • Mapear as origens históricas do conceito de cidadania. ORIGEM HISTÓRICA DA CIDADANIA O conceito de cidadania começou a ser formulado na Grécia e Roma antigas. estendendo esta a todos os membros do Estado. em função das idéias jusnaturalistas que embasaram as revoluções. e o elemento social. bem como as suas dimensões e. no século XIX. consubstanciado pelos direitos ligados à participação no exercício do poder político. ou seja. (Apud. passando a analisá-la com base em sua concepção jurídica e sua relação com o Estado. a cidadania civil ou passiva e a cidadania política ou ativa. Para Sieyes. Cidadania civil ou passiva constitui o laço jurídico que liga todos os indivíduos a um Estado. 2002. podiam exercer a administração do Estado através da do voto e da elegibilidade que era somente admitida a burguesia. 1. característico da época medieval. concernente aos direitos ligados ao bem estar econômico e a herança É importante ressaltar que a moderna origem da cidadania está diretamente ligada à questão dos direitos humanos. e os econômicossociais no século XX. devemos deixar de adjetivá-la e passar a analisá-la apenas em sua essência. mas o conceito moderno de cidadania tem sua origem na revolução francesa. mas para que possamos conceituar. CORRÊA. uma vez que buscava sair da condição de servidão característica do feudalismo para uma condição de liberdade. Mas foi o conceito de cidadania civil que possibilitou o moderno entendimento da cidadania. uma vez que o burguês não se adaptava ao sistema feudal. devemos nos ater aos estudos do escritor francês Sieyes. pois que poderia se definir cidadão como o portador de direitos e deveres dentro do Estado. CONCEITO DE CIDADANIA A conceituação de cidadania se torna matéria difícil em virtude de sua estreita ligação com o direito. importância no âmbito do Estado. A formação do conceito de cidadania se deu de forma evolutiva. diante da luta da burguesia para sair de seus status de servidão. p. como a luta por espaços políticos na sociedade a partir da identidade de cada sujeito. 2002. não sendo formulado de forma precisa e definitiva em um dado momento: Segundo autores como Marshall e outros o desenvolvimento histórico da cidadania vem ligado as três fases ou elementos dos direitos humanos: o elemento civil. conseqüente. sendo esta a base da Revolução Francesa.

. DIFERENÇA ENTRE CIDADÃO E POVO Para nosso estudo. por motivos múltiplos. e esta ligação se dá pela nacionalidade. como sujeito de direitos. recebendo. ou que nunca os tivessem adquirido. então. devemos necessariamente estar ligados a um Estado e.FACULDADE REUNIDA 2. que estivessem deles destituídos. consistentes na prerrogativa de eleger seus representantes para integrar órgãos do Estado. Entende-se por nacional aquela pessoa vinculada a um Estado ou em virtude do jus anguinis. muito bem resumiu a questão da cidadania: Antes de tudo cumpre dizer aqui que diante do Estado. Nem todo nacional. Essa definição de cidadania está diretamente ligada à condição pública do cidadão. na medida em que todo cidadão é também nacional. indiferente de suas condições pessoais. vemos a necessidade do exercício efetivo da cidadania para o bom andamento da atividade estatal. já aqueles que os tivessem cassados. que é um dos pressupostos da cidadania. por quaisquer razões. visto que estas somente interessam a ele em seu caráter privado. todavia é cidadão. A cidadania implica a nacionalidade.. consequentemente. ele é tido como cidadão. consiste em reconhecer a todos os nacionais a condição de cidadão. 3. Sendo reconhecida a cidadania somente àqueles que estão integralmente ligados a sociedade em que vivem. para isso. Parece ser esta a solução do texto constitucional brasileiro. introduzindo uma distinção usualmente feita entre aqueles que desfrutam dos direitos políticos e aqueles a quem não são conferidas tais prerrogativas. Ainda não é conhecida posição diversa. Em outras palavras uma pessoa que se encontra vinculada a um Estado e. quando se refere aos cidadãos. 2004. É certo que a distinção é ignorada numa linguagem comum e até mesmo por 2 . quer ativos. o status de cidadão e sendo. deixando no ar a pergunta: e aqueles que. Aos primeiros dá-se o nome de cidadãos. ou em virtude do jus solis. só que esta vinculada a outro Estado. quer passivos. Bastos. O estrangeiro é aquela pessoa que se encontra dentro de um determinado Estado. (BASTOS. para que o indivíduo seja um cidadão. 4. todos são basicamente nacionais ou estrangeiros. Ao assumir esta feição. por força do prinípio denmocrático que estende o exercício do poder ao povo em geral (superadas as fases iniciais em que prevaleceu o voto censitário ou capacitário). que diz: [. não seriam cidadãos. termos uma nacionalidade. A RELEVÂNCIA DA CIDADANIA PARA O ESTADO Diante do que foi exposto até o momento nesta aula. p. Cumpre aqui adensar um tanto conceito de nacional. inclusive por não ter atingido a idade necessária para o exercício dos direitos políticos. Isso de acordo com a Constituição Federal de 1988.FAR . razão de ser filho de pai nacional (paternidade). esta a significar o nacional na posse dos direitos políticos. vamos nos valer dos ensinamentos de Celso Ribeiro Bastos. portanto. consequentemente. cidadão aquele indivíduo pertencente a um Estado e que possua o pleno gozo de seus direitos políticos. embora. se encontram privados destes? Aqui podem ocorrer duas posições: os estados que preferem reservar o termo ‘cidadão’ exclusivamente para aqueles que estão no gozo e no exercício dos direitos políticos. substanciados na possibilidade de ser eleito. necessita estar ligado a um Estado. encontra-se reconhecida a universalidade do direito de voto.2 Dimensão Política da Cidadania Para podermos exercer a cidadania. ou em razão de ter nascido dentro do território daquele Estado. é importante ainda diferenciarmos o cidadão do povo. uma vez que este é composto por suas particularidades. portanto iguais em direitos e deveres. ficando estas restritas ao interesse privado. Basta que não esteja em gozo dos direitos políticos. da participação ativa do indivíduo na vida do Estado. simplesmente fazendo a distinção entre cidadão ativo e passivo. 81) É. pois na esfera pública há uma presunção de igualdade entre todos. e.] Esta é uma distinção importante. Pois.

Em outras palavras a cidadania é um estatuto jurídico que contém os direitos e as obrigações da pessoa em relação ao Estado. cobrando e fiscalizando o trabalho daqueles que foram eleitos para representar os cidadãos que neles votaram. 5. uma vez que somente mediante o exercício efetivo e diário da cidadania. devemos assumir nosso papel de cidadão e tomar as rédeas da democracia em nosso país.gov. ed. ALVES. portanto.jus. http://www1. fazendo de seus mandatos um instrumento da busca do bem comum. A Concepção de Estado de Thomas Hobbes e John Locke. e não uma forma de alferir ganhos e vantagens pessoais. cidadãos enquanto participantes na atividade soberania e súditos enquanto sujeitos às leis do Estado’. Ijuí: Unijui.asp?id=6181. assim como nosso direito constitucional. 21:00 hs. ed. dessa forma. O exercício da cidadania é fundamental. 2004. portanto não há que se falar em democracia. atingindo. como forma de poder político. mas com a participação efetiva nas decisões. no direito de fazer valer as prerrogativas que defluem de um Estado Democrático. São Paulo: Celso Bastos. o texto da Constituição Federal). Já a palavra ‘cidadão’ é voltada a designar o indivíduo na posse de seus direitos políticos. não se pode falar em participação política do indivíduo nos negócio do Estado e mesmo em outras áreas do interesse público. 80/81) A cidadania é a forma de exercício da democracia. Rousseau escreveu sobre o cidadão em sua obra O Contrato Social: ‘os associados. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BASTOS. A melhor doutrina agasalha esta diferenciação. p. sendo que este exercício não se consolida somente através do voto no dia das eleições. A cidadania. 26 de junho de 2005. é que conseguiremos atingir os fins primordiais do Estado. principalmente nos seus artigos 6º e 7° (para essa atividade. Teoria do Estado. A cidadania consiste na manifestação das prerrogativas políticas que um indivíduo tem dentro de um Estado democrático. todos os que integram o Estado. aborda o problema do desrespeito aos direitos dos cidadãos. ed.br. os membros de um Estado tomam coletivamente o nome de povo e chamam-se em particular. Atividade A obra “O Cidadão de Papel”. Somente com a consciência de todos os cidadãos de nossa sociedade e da importância desse exercício efetivo da cidadania.FAR . Levando em conta tal afirmação. que denominam cidadãos.planalto. é que conseguiremos os avanços necessários. para que isso aconteça. sem considerar o problema dos direitos políticos. Celso Ribeiro. ou seja. 6. nas leis. CORRÊA. de Gilberto Dimenstein. dirimindo os conflitos decorrentes da vida em sociedade e com busca do bem comum. São Paulo: Malheiros. 2004. decidir os rumos do Estado e até mesmo fazer valer a sua vontade. Darcísio.br/doutrina/texto. Mas.FACULDADE REUNIDA alguns ordenamentos jurídicos. comente nas linhas abaixo os aspectos da realidade brasileira que mostram a ineficácia dos direitos sociais estabelecidos na Constituição Federal. consiste na expressão dessa qualidade de cidadão.com. Ricardo Luiz. Curso de Teoria do Estado e Ciência Política. BONAVIDES. está demonstrada a importância do exercício diário da Democracia. 2002. pois sem ela. 2 . a mais ampla definição da democracia. que apenas são garantidos no papel. que registra uma nítida separação entre direitos extensíveis a todos os nacionais e direitos restritos ao cidadão. consulte no site: www. A Construção da Cidadania: Reflexões HistóricoPolíticas. 2004. 3. Paulo. (BASTOS. Diante de todo o exposto. é o meio pelo qual o cidadão pode interferir na gestão pública.

já que uma das condições para ser eleito é estar filiado a algum partido político. temos como objetivo compreender melhor o que é um partido político. § 3º. a história de sua institucionalização e o seu lugar no dia a dia da política. 2 .FACULDADE REUNIDA TEMA 08 PARTIDOS POLÍTICOS Introdução Caro (a) Acadêmico (a).FAR . Na presente aula. É um dado da vida política moderna. V). notado com muita facilidade. Eles são como uma ponte de utilização necessária pelos candidatos a cargos políticos eletivos. 14. que o poder político é exercido com a mediação dos partidos. conforme dispõe a Constituição da República Federativa do Brasil (art.

os elementos básicos de definição de um partido político sempre envolvem: um grupo social organizado. de que são típicos as dádivas e privilégios. 2004. Diante desse quadro. que muitas vezes se confundem as ações e propósitos dos partidos políticos e dos grupos de pressão. 346) Para ele. observando normalmente os meios legais. 2) os partidos políticos sustentam uma visão global da sociedade e do Estado. 3) enquanto os grupos de pressão exercem uma atividade sem responsabilidade social e com propósitos muitas vezes ocultos. motivadas por ideais e interesses comuns. 2. os partidos políticos têm uma responsabilidade política e expõem seus programas aos olhos do todos. fazendo-os conhecidos no âmbito do poder político. e sanções positivas. vejamos alguns. enquanto os grupos de pressão tencionam apenas influir sobre o processo de tomada das decisões políticas. o intuito de tomada e conservação do poder político. alguns pensadores têm sugerido que as marcas que distinguem os partidos políticos dos grupos de pressão podem ser encontradas somente naquelas atividades que os partidos exercem sozinhos. para evitar confusão. revelar os elementos básicos que o integram e compõem a sua razão de ser. tencionam.FACULDADE REUNIDA Objetivos: • Introduzir o acadêmico no conhecimento científico dos partidos políticos. 1. no intuito determinar em certo sentido os rumos do poder político. as noções diversas de grupos de pressão e partido político. ou seja. Conceito de Partido Político OS PARTIDOS POLÍTICOS SÃO TÃO IMPORTANTES PARA ENTENDER A DEMOCRACIA Muitas definições têm sido propostas com o intuito de expressar a essência de um partido político. Por pressão se pode indicar a possibilidade de utilização de sanções negativas. não se podendo furtar ao reconhecimento de que existem verdadeiros grupos de pressão à base de partidos políticos. ou seja. cujo prevalecimento se dedicam. a existência de uma organização formal de pessoas congregadas em torno de interesses e uma modalidade de ação do próprio grupo em vista da consecução de seus fins: a pressão. a título exclusivo. Observa-se. no entanto. enquanto os grupos de pressão se restringem aos interesses. você pode se perguntar: o que distingue os grupos de pressão dos partidos políticos? Alguns doutrinadores elencam vários critérios de distinção. um conjunto de idéias comuns. conquistar o poder e nele se conservarem. enquanto agremiação de representação de interesses que objetiva conquistar o poder político e influenciar na tomada das decisões estatais. Assim como os partidos políticos. p. visando a efetivação dos seus objetivos. O partido político é uma organização formada por pessoas que. Então. pretendendo assegurar os seus interesses. Grupos de Pressão e Partido Político Convém distinguir. a um só tempo. os grupos de pressão são organismos colocados entre os cidadãos e o Estado. 1) os partidos políticos buscam assumir o poder. as quais soam como verdadeiras punições.FAR . • Classificar os partidos políticos segundo os vários critérios propostos pelos estudiosos. bem como representam ambos os interesses dos seus membros. A expressão “grupos de pressão” traz à mente. 2 . • Compreender o que é sistema partidário e suas formas. (BONAVIDES.

FACULDADE REUNIDA Colocam-se. Classificação dos Partidos Políticos Várias classificações de partidos políticos têm sido esboçadas no âmbito teórico. o seu crescimento acompanhou o próprio desenvolvimento da democracia e de suas instituições. No capítulo X da obra intitulada “Federalista”. Os reais se subdividem em três: partidos de interesse. David Hume (1711-1776) dividiu os partidos políticos em pessoais e reais. sendo os verdadeiros responsáveis pelo ódio e violência sociais. no sentido de que a concepção originária de democracia nunca admitiu ou levou em conta a existência de partidos políticos. os teóricos da democracia representativa acentuavam a necessidade de órgãos de representação da soberania popular. Nos de princípio. Tais resistências chamam nossa atenção para uma colocação de Norberto Bobbio. Para ele. A admissão doutrinária dos Partidos Políticos: Quando se concebeu a democracia. as facções ou os partidos são dirigidos por homens dominados pelos impulsos de paixões contrárias aos direitos dos outros cidadãos e ao interesse constante e geral da sociedade. os partidos de patronagem e os partidos ideológicos. segundo regras previamente estabelecidas. Rousseau (1712-1778). não se poupou palavras duras sobre o que chamou de violência das facções. O problema passa a ser. 350) 5.FAR . partidos de princípio e partidos de afeição. 2004. O que nenhuma das perspectivas de governo democrático via com bons olhos era a formação de partidos políticos. John Marshall e John Adams se posicionaram contra a instituição de partidos. o que domina é a busca pelos interesses econômicos dos integrantes de cada uma das agremiações políticas. 3. Nos partidos de interesse. 2 . através dos titulares cargos políticos neles filiados. Já os partidos políticos reais são aqueles que se assentam em distinções reais de opinião e interesse político. Porém. sendo considerável também o silêncio guardado nas Constituições democráticas a respeito de tais agremiações. teórico da democracia direta. Max Weber divide os partidos políticos em dois grupos. Entretanto. Os partidos políticos pessoais são aqueles fundados sobre sentimentos de amizade pessoal ou hostilidade com os membros de partidos diversos. Thomas Hobbes (1588-1679) via os partidos como fontes geradoras de sedução e violência. as funções de competição eleitoral e participação direta no poder. Mas o interessante é que mesmo entre teóricos importantes da democracia representativa. compostos de pessoas eleitas pelo povo. vendo-os como causa de constante perigo para a mantença da unidade da comunidade política e subsistência do próprio regime democrático. então. nomes influentes na história da política como Abraham Lincoln. por muito tempo. Nos de afeição. recusava toda idéia de intermediação de que resultasse empecilho à participação imediata de todo povo no processo de tomada das decisões políticas. do interesse de todos e não de alguns. Resistência à criação dos Partidos Políticos A primeira e mais fundamental resistência histórica à criação dos partidos políticos vem dos teóricos do poder político absoluto. pelos quais desejam ser governados. ou seja. A referida oposição aos partidos políticos gerou. de direito e da maneira como as normas. assim. lacuna na literatura política e jurídica. Assim. tudo se assenta na dedicação especial dos homens a certas famílias e indivíduos. tratando como vício perigoso a tendência de formação de partidos. sempre se teve o cuidado de afirmar que por ela se instauraria o governo da vontade geral. p. (BONAVIDES. 4. a agremiação tem origem em concepções abstratas e especulativas de vida.

parte-se do pressuposto que a sociedade. Essas proposições doutrinárias kelsenianas derivavam de sua sólida convicção democrática e da democracia como relativismo político. Por isso. dois pressupostos são necessários. 287). o sistema bipartidário e o sistema multipartidário. a ponto de se poder dizer. notável pelas suas incursões no campo da Ciência Política. Nos partidos ideológicos. comandada por Hitler. a subsistência das coisas como estão.FAR . ao falar sobre a importância dos partidos políticos dentro de uma democracia. . Hans Kelsen foi importante jurista e filósofo austríaco. havendo técnicas que possibilitam a alteração das normas e decisões políticas segundo novas composições de força. as agremiações políticas são classificadas em partidos políticos de massa e partidos políticos de opinião. Como exemplo histórico dessa espécie de sistema partidário. notadamente empregos públicos para os correligionários e beligerantes. ou seja.No partido único ou totalitário. A concepção kelseniana de Partido Político Hans Kelsen (1995. a experiência nacional-socialista alemã. Assim. pelas mais diversas formas. em cujo âmbito as minorias são sempre protegidas contra a maioria. Sistemas Partidários AS ESPÉCIES DE SISTEMAS PARTIDÁRIOS !!!! No decorrer da história partidária moderna. tem sempre a tendência de se dividir em duas correntes. encontram-se basicamente três sistemas partidários.FACULDADE REUNIDA Nos partidos de patronagem. Os partidos de massa partem da noção de uma sociedade dividida em classes e da necessidade de participação popular ativa para o refazimento das estruturas de poder. embora a Constituição pudesse sujeitar a formação e a atividade dos partidos a algum controle do governo. com Paulo Bonavides. Além disso. 7. também vemos que. oqual deixou profundo legado no direito. sobretudo através de sua obra Teoria Pura do Direito e de seus estudos em direito internacional e jurisdição constitucional. 2 . interditando a liberdade e o pluralismo político. sendo eles o do partido político único. também há somente a necessidade de dois partidos. havendo respeito mútuo no consenso e no dissenso. a ordem é imposta de cima e tem a qualidade de ser indiscutível. 1) acordo quanto às regras básicas do jogo democrático. 6. jamais poderia dar a algum deles uma posição privilegiada ou mesmo um monopólio. deixou claro que é essencial num regime democrático que seja assegurada liberdade ampla na formação de partidos políticos. Para o sucesso desse sistema. . com base em concepções de cunho filosófico. virando uma só realidade de domínio político. o objetivo é galgar o poder a fim de satisfazer meros interesses de posições políticas e de vantagens materiais.No sistema bipartidário. Os partidos de opinião são aqueles em que. se disfarça o mero interesse na mantença do status quo social. Georges Burdeau-importante constitucionalista francês. no pensamento de Kelsen. que as ditaduras do século XX encontraram nele o mais poderoso instrumento de mantença do poder. p. O partido e o Estado se confundem. O sistema do partido único tem sido o preferido dos regimes totalitários. o que neles se busca é a defesa de interesses econômicos e ideologias de transformação social. em suas questões políticas fundamentais. Para Georges Burdeau. a tônica de sua ação está em transformar a estrutura estatal e social.

também. ainda. Na Constituição Federal brasileira. _____.Ciência Política. São Paulo: Malheiros. ou seja. A constitucionalização dos partidos políticos ou a sua incorporação constitucional apenas fez com que eles deixassem de ser somente uma realidade sociológica e política. Os Partidos Políticos nas Constituições modernas Por muito tempo. que os partidos políticos devem ter caráter nacional. os partidos políticos são tratados no artigo 17. 3. Também diz a Constituição brasileira que é livre a criação. dada a resistência no reconhecimento dos partidos políticos como algo natural à atividade política num regime democrático. o qual assegura aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura interna. 1995. quanto à estrutura constitucional do Estado. acostumando-o a analisar criticamente um texto. _____.FACULDADE REUNIDA 2) acordo quanto aos fundamentos básicos de organização da comunidade política. ed. sendo órgãos do Estado. BONAVIDES. alguns já disseram que os partidos exerciam funções de órgãos do poder político. _____. São Paulo: Martins Fontes. já se pode falar numa realidade de constitucionalização dos partidos políticos. Teoria Geral do Direito e do Estado. ed. que essas agremiações são livres de qualquer controle ideológico e de qualquer manipulação de seus programas e. 2 . 1998. devendo seus estatutos estabelecer normas de fidelidade e disciplina partidárias.FAR . sendo que a Constituição da República Federativa do Brasil reserva tratamento especial aos partidos políticos. KELSEN. por causa do reconhecimento constitucional dos partidos políticos e da sua influência para a formação da vontade política. 2004. Os partidos gozam de liberdade externa e liberdade interna. 2004. 10. incorporação e extinção dos partidos políticos. em primeiro lugar. Contudo. pertencente à estrutura do Estado. São Paulo: Malheiros. Grupos de Pressão e Partido Político: Grupos de Pressão Partido Político Comentários: Esse exercício visa dar a você uma visão crítica do texto. Por liberdade interna dos partidos políticos. Teoria do Estado. O sistema multipartidário se encontra quando três ou mais partidos disputam o domínio do poder político dentro de certo Estado. as Constituições se silenciaram sobre eles. que não corresponde à sua transformação em entidade estatal. sugere-se. Rio de Janeiro: Campus.Reflexões: política e direito. ou seja. verificando os pontos diferentes de diversas teorias. Tradução de: Daniela Beccaccia Versiani. São Paulo: Martins Fontes. Teoria Geral da Política: a filosofia política e as lições dos clássicos. Norberto. passando a ser entidades jurídico constitucionais de relevo. fusão. Hans. 8. você pode consultar os seguintes livros: BOBBIO. 5. que têm autonomia para estruturarem a sua organização externa. 2000. São Paulo: Malheiros. Ressalte-se. Para complementar as informações expostas na presente aula. quanto a sua atuação. Atividade Diferencie de acordo com o texto. O reconhecimento constitucional da relevância dos partidos. indica-se que é livre tanto a criação de partidos políticos. A Democracia. 2000. sendo-lhes vedada a utilização de organização paramilitar. ed. Paulo. Segundo a doutrina lusitana. Por liberdade externa. organização e funcionamento.

trazendo ele desde sua criação no século XVI até a atualidade.FAR .FACULDADE REUNIDA TEMA 09 ELEMENTOS DO ESTADO MODERNO. para isso iremos retomar uma parte do histórico do surgimento do Estado. Introdução Nesta aula iremos trabalhar os fundamentos do Estado Moderno. Objetivo: 2 . discorrendo sobre os mesmos e dando a vocês uma noção mais aprofundada dos pilares que sustentam o Estado como o conhecemos.

Pois segundo Celso Ribeiro Bastos: “É precisamente a circunstância de dispor ele de uma porção de terra sobre a qual apenas o seu poder é reconhecido que permite ao Estado ser soberano. Este espaço físico necessário à existência do Estado não se limita às fronteiras geográficas deste. Existe ainda a possibilidade de o Estado. o subsolo e suas águas. uma vez que estes locais são considerados por tratados internacionais como extensões de seus territórios de origem. sendo essa intervenção ilícita. A exceção a esta regra é a das Embaixadas. 2004. constitui-se este no elemento material do Estado. compreende ainda o ar.FACULDADE REUNIDA • Compreender quais são os fundamentos do Estado Moderno e o significado de Povo.1. não sendo permitido a outros Estados imporem suas legislações fora de suas fronteiras. quando se dá tratamento diferenciado a nacionais e estrangeiros. que se constitui no local onde se encontram os membros do Estado (povo) e onde este exerce sua soberania. p. sendo que dentro deste espaço geográfico. 70) 1. está a importância da existência do território na concepção do Estado. Também não se deve confundir o conceito de território com o de propriedade. o Território e o Poder Soberano. aeronaves e navios. sendo que nesse caso não haverá qualquer quebra ao princípio da soberania ou da territorialidade. conforme já mencionado. 1. uma vez que nestes locais se aplica a legislação de seu país de origem. 1. O território tem que ser visto sob o prisma de um conceito político-jurídico e não apenas geográfico. mesmo que contrário ao seu próprio.1 Território O território pode ser definido como a base geográfica de um Estado.1. OS FUNDAMENTOS DO ESTADO MODERNO Os principais fundamentos do Estado Moderno são o Povo. 1. como por exemplo. Diante disso. 70). vige apenas a sua ordem jurídica. fazer valer um direito estrangeiro. p. A essa garantia da vigência somente de sua legislação se dá o nome de impenetrabilidade da ordem jurídica estatal (Bastos.” Para o Burdeau o Território não passa de um limite natural a ação dos governantes. sendo que estes por sua vez não podem se eximir de seguir o ordenamento jurídico do local em que se encontram. 2004) (BASTOS. Hans Kelsen define território como sendo o âmbito de validade da norma jurídica. (BASTOS. tendo que obrigatoriamente todos os indivíduos que ali viverem obedecer a essa ordem jurídica.1 Principio da Territorialidade Pelo princípio da territorialidade se entende que naquele local só vige a legislação do Estado ao qual pertence tal espaço físico. ou melhor sua competência jurisdicional e na propriedade o poder de domínio. de forma a conceituá-los e dar uma maior noção de estado. 2004. sendo que passaremos à análise de cada um destes fundamentos. uma vez que este não existe sem uma localização e um espaço físico. pois no território encontramos o poder de impérios. Território e Poder Soberano. independentemente do local em que se encontram.FAR . sendo que tal situação não fere o princípio da territorialidade. o que não impede de haver algumas distinções. não se configurando em um limite caracterizador do Estado.2 Limites Territoriais: 2 . por sua própria vontade. uma vez que essa aplicação se deu por vontade própria do Estado e não por força da lei estrangeira. e assim estão submetidas as suas leis.

altura e profundidade. posteriormente o poder foi vinculado a capacidade econômica dos indivíduos.3 Espaço Aéreo O espaço aéreo é todo aquele acima de sua extensão geográfica. primeiramente na sociedade patriarcal o poder estva ligado a pessoa do pai. aquela pessoa “que em razão de sua superioridade de posição social. portanto. montanhas. uma vez que este deriva da organização social. que aos poucos vai se estendendo as outras famílias. através da moderna tecnologia. como é o caso do Brasil.FAR . Sendo. 1. 90) 2 . sendo este exercido pelos indivíduos que serviam de intermediários entre a sociedade e as divindades.1. O Povo é constituído por todas as pessoas que fazem parte de um Estado. o território um espaço geográfico formado pela união de sua extensão. mas também a todo o espaço acima do solo. sendo este limitado a possibilidade de exploração.1. alguns não se contentam com as 12 milhas e adotam duzentas milhas. Uma vez que essas divisas. já que essa controvérsia se estende há diversos anos. ficando também essa definição a cargo de cada Estado. é dizer. tenha força suficiente para ser obedecido pelos demais”. bem como tudo aquilo abaixo do solo. 75) 2. Demarcado pelo chamados limites que ocorrem ou pelo encontro com outro Estado ou com o mar. e. nas sociedades primitivas o poder era ligado única e exclusivamente a força física. não sendo possível se chegar a um consenso. impondo a vontade deste sobre os demais. só tinha a posse do poder. p. passaremos a estudar o terceiro fundamento do Estado. sendo o poder pertencente ao mais forte. segundo Bonavides. ou de recursos tenha primeiramente praticado atos de soberania. 77). servindo de forma de organização do Estado. Poder Soberano Em todas as formas de sociedade existe o poder. podem ser artificiais ou naturais.4 Mar Territorial Nos casos em que os Estados fazem limite com o mar. lembrando que no caso de fronteira formada por rio. o espaço aéreo. Povo Enquanto o território é o elemento material de um Estado. (BASTOS. ou seja. p.” (BASTOS. portanto. grande é a discussão a respeito dos limites da plataforma continental. então a vinculação do poder às forças divinas.FACULDADE REUNIDA Os limites territoriais ao contrário do que se pensa não se limitam ao seu espaço físico consistente de sua superfície. mas podendo ser conceituada a plataforma continental como a “porção de solo marinho que apresenta idêntica constituição geológica à dos terrenos não cobertos pelas águas. as naturais são rios. que é seu poder soberano. 2004. sendo que sobre esse tema iremos nos ater de forma mais aprofundada em uma aula próxima. uma vez que essa decisão decorre de um ato de soberamia de cada Estado. sendo que quanto a essa discussão. sendo que modernamente tem se discutido a extensão deste em virtude do uso de satélites que passam sobre todos os países sem autorização expressa desses. 2004.5 Plataforma Continental Assim como no mar territorial. existe uma grande discussão a respeito da porção de águas oceânicas que pertencem a estes. A existência desse poder se desenvolveu de diversas formas dependendo da sociedade em que estava inserido. entre outras e as artificiais são aquelas feitas pelo homem. Uma vez que.1. Chegou-se. 1. indiferente de suas características culturais. 1. inicialmente. e é a forma de coesão desta. ainda não se chegou a um consenso. p. o povo pode ser definido como seu substrato humano (BASTOS. 3. formando o mar territorial. ficando o poder na mão dos detentores do capital. no que diz respeito ao encontro com outro Estado. o território de cada Estado interessado vai até a metade do rio. como por exemplo uma estrada. 2004.

mas sim em uma relação de respeito as normas. manifestado pelo poder do Papa. Há inegavelmente algumas notas individualizadoras do poder estatal. A que chama mais atenção é a supremacia do poder do Estado sobre todos os demais que se encontra em seu âmbito de jurisdição. (BASTOS. quais sejam.2 Poder Jurídico e Político Conforme Bastos (2004.” Diante disso.FAR . 91/92) Esses poderes continuam existindo. o poder econômico. interessa mais diretamente o poder político. “O Poder Político é aquele exercido no Estado pelo Estado. de forma incontestável. não mais o dividindo com outro setores. os reis passam a consolidar sua liderança dentro de seus territórios. o poder religioso e o poder sindical. mas nenhum tinha a condição de fazer valer sua vontade sobre os demais de forma a consolidar a soberania. p. manifestam-se Bastos a respeito do Poder: Assim amplamente estendido o poder extravasa os campos da teoria do Estado para interessar mais a sociologia e até mesmo a psicologia. Esse poder coercitivo não pode ser exercido com base única e exclusiva na força bruta. preponderando o interesse coletivo sobre o particular. patrão para empregado. com capacidade de coordenação da sociedade e dos interesses individuais. mas sim alicerçado em fundamentos que demonstrem sua necessidade e convença os indivíduos que compõem o seu povo a respeitá-lo. Essa supremacia se dá em virtude de que é este poder estatal o detentor da força coercitiva. Neste sentido. 3. e é nesse discurso de validação do poder coercitivo que este adquire características de juridicidade. mas a no século XVI. consolidando-se na busca do bem comum. que se sobrepõem aos outros poderes sociais. assumindo assim o poder soberano sobre sua territorialidade. mas sempre havendo uma forma de coerção. Surge. Nesse sentido já se manifestou Miguel Reale citado por Bastos: 2 . portanto. o conceito de poder estatal. 3. Neste sentido o poder político não é outro senão aquele exercido no Estado e pelo Estado.1 Poder Social O poder está inserido em todas as relações humanas. 2004.FACULDADE REUNIDA Na Idade Média não havia o conceito de poder soberano. uma vez que diversos indivíduos reivindicavam esse poder. tendo que estes poderes se valer da força coercitiva do poder estatal para alcançar a aplicabilidade de seus conceitos. no relacionamento de pai para filho. sendo ele quem detém as condições necessárias para fazer respeitar a vontade do Estado. p. uma vez que esse poder pode derivar da simples persuasão daquele que se sujeita. 92). sendo esse de exclusividade do poder estatal. com o aparecimento do Estado moderno. Para a inteligência de esta urbe lembrar que em toda organização ou sociedade há de comparecer uma certa dose de autoridade para impor aqueles comportamentos que os fins sociais estão a exigir. sendo que este poder não se resume a mera força física. uma das principais características desse poder é a sua supremacia sobre todos os outros poderes sociais já anteriormente citados. mas não possuem o poder coercitivo. ou pelo menos o temor das conseqüências de não se sujeitar ao poder. tornando-se um poder jurídico. Todavia a criação do Estado não implica na eliminação desses outros poderes sociais. Dessa forma constituindo esse poder estatal em um ordenamento superior. como o religioso. Para a compreensão do Estado.

altura e profundidade. mas daí não se deve concluir que o poder deva ser puramente jurídico. segundo o princípio da complementaridade. 2004. fazemo-lo relativamente a uma graduação de juridicidade. nunca deixa de ser substancialmente político para ser pura e simplesmente jurídico. o povo pode ser definido como seu substrato humano. Atividade Marque V se a afirmativa for verdadeira e F se a afirmativa for falsa. ou pelo menos o temor das conseqüências de não se sujeitar ao poder. que através de seus órgãos fazem valer o poder estatal na busca do bem comum. 53) Importante lembrar que esta vinculação entre poder e direito não ocorre somente com a elaboração do texto constitucional. Não significa – como pensam alguns – que o poder se torna todo substancialmente jurídico (o que equivaleria a identificar Estado e Direito). em regra. um implicando o outro. De maneira geral não há poder que se exerça sem a presença do Direito. de tanto alcance nas ciências natural e humanas. mas sempre havendo uma forma de coerção. no relacionamento de pai para filho. Comentários: 2 . ainda não se chegou a um consenso. BASTOS. tal como é entendido no ‘Estado de Direito’. ( ) Enquanto o território é o elemento material de um Estado. o Direito não se positiva sem o poder.FAR . que é representado pela força ordenadamente exercida como meio de certos fins. assim como poder não existe sem o Direito. que é a força empregada exclusivamente como meio de realização do Direito e segundo normas de direito. Por outro lado. ( ) O poder está inserido em todas as relações humanas. uma vez que esse poder pode derivar da simples persuasão daquele que se sujeita. sendo que quanto a essa discussão. mas que o poder. patrão para empregado. A expressão poder de direito é o resultado de uma comparação entre os diversos graus de juridicidade do exercício do poder. sendo que modernamente tem se discutido a extensão deste em virtude do uso de satélites que passam sobre todos os países sem autorização expressa desses. ( ) Sendo portanto o território um espaço geográfico formado pela união de sua extensão. Isto quer dizer que o poder não existe sem o Direito. A questão da soberania do Estado será discutida posteriormente em uma aula específica sobre o tema. até a u máximo. sendo que este poder não se resume a mera força física. p.FACULDADE REUNIDA O poder. (Apud. ( ) O espaço aéreo é todo aquele acima de sua extensão geográfica. Quando dizemos que o poder é jurídico. por conseguinte. em virtude de sua importância. se subordina às normas jurídicas cuja positividade foi por ele mesmo declarada. mas sim em uma relação de respeito as normas. mas pode existir com maior ou menor grau de juridicidade. que vai de um mínimo. mas em todo o funcionamento do Estado.

bem como aprofundar o estudo sobre as formas mais usuais e que dizem respeito a nosso cotidiano. Paulo. 26 de junho de 2005. influenciando nossas vidas. FALA UMA RESENHA: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BASTOS.FACULDADE REUNIDA Todas as afirmativas da questão acima são verdadeiras. Teoria do Estado. uma vez que a finalidade do presente exercício é a fixação do texto. ainda. Conhecer os principais sistemas de governo. uma distinção entre formas de governo e sistemas de governo.com. ALVES. BONAVIDES. 2004. ed.jus. Tema 10 PRINCIPAIS FORMAS DE GOVERNO E ESTADO Objetivos Conhecer as diversas formas de governo e de Estado. 2004. INTRODUÇÃO Caro acadêmico. de forma a dar a você uma visão geral sobre o Tema. Celso Ribeiro. Faremos.asp?id=6181. 21:00 hs. Ricardo Luiz. São Paulo: Malheiros. A Concepção de Estado de Thomas Hobbes e John Locke. Curso de Teoria do Estado e Ciência Política.FAR . São Paulo: Celso Bastos. ed. 5. 6. 2 . http://www1. Neste tema iremos analisar as diversas formas de governo e de Estado.br/doutrina/texto.

Ente as formas de estado composto. 2 . estes passaram a ter uma soberania compartilhada. que é o que vem acontecendo no Brasil. Passava o estado a ter dois patamares de competência. Até o final do século XVIII. e a administração fica mais próxima dos administrados. fazendo com que a classificação como federação seja quase que apenas formal. mas mantendo para si o poder de legislar. que seria regido por uma constituição e teria em sua organização três poderes definidos: o Legislativo. Essa Divisão de poderes é que se constitui na grande inovação do sistema federativo.1 ESTADO UNITÁRIO OU SIMPLES: Nesta formas de estado. mantendo cada Estado-membro prerrogativas e competências próprias. portanto. permitindo que estes supervisionem o trabalho de seus administradores. evitando. há mais de uma manifestação do poder público. o que se conhecia era somente o modelo unitário. é a democratização e a conseqüente limitação do poder pelo próprio poder. definidos pela própria constituição federal. Nesse momento. a mais utilizada modernamente é a federação. 1. fraudes. este era o único meio de estado conhecido. o mais importante. sobrepondo-se de tal maneiro sobre os estados-membros de forma a fazer com que eles percam suas personalidades autônomas. Segundo Bastos. que detém todo poder de ditar normas e administrar a totalidade do territorial. dessa maneira. Para facilitar a administração. estando todos eles submetidos a um regime especial.1 FEDERAÇÃO: a federação surgiu coma promulgação da constituição dos Estados unidos da América. Essa divisão de poderes serve ainda para dar aos membros da federação maior representatividade. 1. em sua aplicabilidade prática. os treze Estados Americanos decidiram criar um novo estado decorrente da união dos territórios e populações de todos estes. A delegação de poderes ao Governo Central não foi absoluta. onde os Estadosmembros tinham suas competências expressas. torna a sua aplicabilidade mais eficiente. até esse momento histórico. em nosso entendimento. no estado composto há uma união de dois ou mais estados. em 1787. em que há a formação de um único estado no qual há um governo central como sendo a única expressão do poder publico. além dessa divisão. Mas há também o risco de haver um aumento desenfreado dos poderes da união. além daquelas de caráter exclusivo do estado-nação. nos casos em que estas não fossem expressamente delegadas ao governo central. dentre os diversos motivos que levam os estados a adotar o sistema federativo. o poder está centralizado em um único pólo. o Executivo e o Judiciário.FACULDADE REUNIDA 1 FORMAS DE ESTADO As formas de estado podem ser divididas em dois tipos: Estado unitário e estado composto. estando todos em posição de igualdade diante do novo estado. Mas. formando um novo estado.2 ESTADO COMPOSTO: Para Bastos. em alguns casos poderia haver ainda maiores delegações de competência. Ao estudo dela é que nos ateremos neste momento.FAR . podemos afirmar que: Diferentemente do estado simples. com poder sobre os outros. pode se dizer que existe uma certa mudança no conceito de federação. Agindo dessa forma. Diante isso. aonde a união vem intervindo cada vez mais nas decisões e nos diversos campos. este poder central delegava funções meramente administrativas a pontos mais distantes.2. que pode vir a ensejar um novo tipo de estado composto. Pois como há uma maior distribuição de poderes. 1.

1. Na nossa realidade. Sua forma impura é a oligarquia. monopolizando-o de tal maneira que sua vontade se sobrepõe a qualquer outro órgão público. na França. temas as classificações de Mentesquieu e Hans Kelsen.2 ARISTOCRACIA: é o governo formado por diversas pessoas pertencentes a um mesmo gupo social. a condição absoluta da existência dos estados. reunido em grandes grupos. Uma das mais utilizadas e conhecidas remonta á Grécia Antiga e tem como seu maior expoente Aristóteles. ou seja. inclusive lhe dando os meios e os subsídios para resolver esses problemas. podendo coexistir com ela. essa situação encontra-se um pouco distorcida. não da totalidade dos poderes públicos que ela divide com estados e municípios.1. a união ou estados-membros podem ainda descentralizar sua competência criando órgãos estatais com a finalidade de tornar mais ágil e eficiente a prestação de serviços. não conseguia tomar decisões de forma sensata e satisfatória. Com o aumento das populações e dos Estados.1.1. sendo tal definição o modelo clássico de democracia direta. segundo a classificação de Aristóteles. A distorção desse modelo se dá por meio da Ditadura que será objeto de estudo nas formas de governo impuras. 2 . portanto. que foi muito utilizado na Grécia Antiga.3 DEMOCRACIA: é a forma de governo em que o próprio povo exerce o poder. os estados membros não são soberanos. que dividiu as formas de governo em dois tipos principais e cada um com suas divisões. 2. Portanto. Sua classificação é até hoje adotada. dado o caráter federativo de um pais. para fins didáticos.FACULDADE REUNIDA Para atender as necessidades de seus membros. em três formas distintas de seu exercício: democracia direta. mas sim Autônomos. podemos. Senão vejamos o que diz Ruí Barbosa: “partamos. há uma inversão de valores. 2. sendo que esse grupo de pessoas seria formado por poucos detentores de condições mais favoráveis. conforme veremos mais adiante. a democracia representativa. uma vez que nossa federação partiu do pressuposto da preponderância da união.1.1 FORMAS DE GOVERNO PURAS: monocracia. A união é a exercente do poder central. uma vez que pelos princípios federativos. 2 FORMAS DE GOVERNO Diversas foram às tentativas de se classificar as formas de governo. Aristóteles dividai preliminarmente as formas de governo em puras e impuras.FAR . nas cidades estados gregas. a base. a participação direta do povo nas decisões foi se tornando cada vez mais difícil. Diante disso. uma vez que o povo. sendo seu meio mais comum a monarquia absoluta. portanto dividira democracia.1 CLASSIFICAÇÃO DE ARISTÓTELES 2. A soberania é de exclusividade da união. são os estados que são a ela.1. seu maior expoente foi Luiz XIV.1. democracia semi-direta e democracia indireta. 2. 2. Esse modelo não fere os princípios da democracia. desta preliminar:os Estados hão de viver na união: não podem subsistir fora dela. tornando-se necessário o surgimento de um novo modelo de democracia. existe um monarca ou Rei. senhores. A união é o meio. que detém todo o poder estatal.1 MONOCRACIA: é o modelo de governo em que o poder está nas mãos de uma só pessoa. em nosso sistema federativo. que detém o poder. Aristocracia e Democracia. formando uma elite governante.” Como se pode ver. Alem desta classificação de Aristóteles.

1 DEMOCRACIA DIRETA: essa forma de democracia teve seu berço na Grécia Antiga e Roma.2 DEMOCRACIA INDIRETA: neste modelo de democracia. Normalmente tem características hereditárias. passa de pai para filho. Concluindo podemos dizer “ que uma das características fundamentais do governo democrático é ser ele respeitador dos direitos individuais e coletivos. sendo um governo autoritário. Na atualidade. Cabendo. plebiscito e recall.1. a esses representantes o poder de legislar em nome do povo.1.3. ou seja. Eles integram os órgãos representantes das diversas camadas populacionais. E tem característica meramente manipuladoras. que irão tomar as decisões necessárias para a manutenção dos direitos e das garantias da população. o veto e iniciativa popular. Para Rousseau. 2. com a finalidade de acalmar os ânimos e garantir a sua permanência no poder.2. fazendo valer sua vontade independente dos anseios do povo. Neste Caso. em que os contingentes populacionais são pequenos e os problemas ainda são resolvidos mediante decisões diretas de seus moradores.1. como ocorria na Antiguidade. Ele era um dos maiores críticos deste sistema. oligarquia e Demagogia.1 TIRANIA: Na tirania o poder é exercido por uma só pessoa de forma totalitária. tomando ali as decisões necessárias à manutenção do estado e de acordo com os anseios do povo que lhe deu esses poderes. o exercício do poder é feito por meio da eleição de representantes.3. que defendia essa forma de governo.” 2. diante da moderna sociedade. Portanto. O maior defensor da democracia direta foi o Francês Jean Jaques Rousseau. Pois acreditava que nele os representantes eleitos pelo próprio povo poderiam a qualquer momento desvirtuar a vontade popular e seguir apenas seus próprios interesses. a democracia nada mais é do que. devido ao grande contingente populacional e á complexidade dos problemas não é mais viável a utilização da democracia direta.FAR . o sistema de representação política não exprimia de forma concreta e precisa a vontade popular.3 DEMOCRACIA SEMI-DIRETA: Neste modelo há uma mesclagem das duas formas de democracia já estudadas. uma vez que não há a possibilidade de o povo exercer diretamente a atividade estatal. como o referendo.1. única e exclusivamente. a mobilização da vontade popular feita com respeito aos direitos individuais. uma vez que o povo exerceria sua vontade de maneira direta e sem qualquer tipo de interferência.1. apesar do tirano ás vezes tomar decisões que vão ao encontro dos anseios populares. mas mantém o direito de intervir nas decisões tomadas por seus representantes por meio de institutos próprios de consulta popular.FACULDADE REUNIDA 2.3.1 FORMAS DE GOVERNO IMPURAS : Tirania. 2 . 2. 2.1. o povo elege seus representantes. Constitui-se a tirania uma forma de corrupção na Monocracia. pois nesse caso. existindo esta apenas em alguns lugares isolados. que integram órgãos representantes da população.1. uma vez que acreditava ser a mais justa e igualitária.1. o povo elege seus representantes para agir em seu nome e em nome de seus interesses.

Outra forma de entendimento é aquela que considera a ditadura “como uma forma de exercício temporário de poder político.2. uma republica é uma aristocracia ou uma democracia. a vontade coletiva é manifesta respectivamente por um colegiado restrito ou por uma assembléia popular. a partir da idade moderna. É a forma deturpada da Aristocracia. Nesta o poder emana do povo. com as conquistas de prerrogativas parlamentares ao longo dos Séculos XII e XIII. consequentemente. destarte.1. que. ainda baseado em um critério numérico. 2. Assim como todas as evoluções históricas. baseada em uma tricotomia das formas de governo. por sua vez. Politicamente livre é quem está sujeito a uma ordem jurídica de cuja criação participa. os sujeitos são excluídos da criação da ordem jurídica. o povo faz valer sua vontade por meio da força e contrariando os princípios democráticos. Já na autocracia. dividiu as formas de governo em : monarquia e republica.4 DITADURA: essa forma de governo pode ser entendida de duas maneiras: a primeira. o parlamento não surgiu de imediato. bem como uma centralização exacerbada do poder no executivo.2 OUTRAS CLASSIFICAÇÕES A classificação aristotélica. o parlamento divide a gestão do estado com o executivo. tomando os outros poderes extremamente dependentes dele. conforme o poder soberano pertença a uma minoria ou a uma maioria do povo. Na democracia. seguindo a classificação de Aristóteles.1.2. vamos ter duas configurações básicas. PRINCIPAIS SISTEMAS DE GOVERNO Diante das várias formas de como podem se relacionar os poderes dentro da organização estatal.2. propôs uma nova classificação.” 3. Segundo a classificação do eminente escritor italiano. a classificação de Maquiavel. quando o poder pertence a vários indivíduos. na idéia de liberdade política. Nesse caso. excluindo o restante majoritário do povo. e passam a exercer esse poder de forma autoritária e sem limites. Nesses dois casos. 2. em detrimento do restante da população. quando o poder soberano de uma comunidade pertence a um individuo. que busca satisfazer os interesses da minoria que detém o poder.1 PARLAMENTARISMO Nesse sistema. cuja obra mais conhecida é O príncipe.2 OLIGARQUIA: A oligarquia ocorre quando o governo é exercido por um grupo de pessoas fechado. cedeu lugar. tendo surgido na Inglaterra. após asseverar que o critério numérico é assaz superficial.1. havendo uma equiparação de forças e divisão de poderes entre o chefe de Estado e o Chefe de governo. que são o presidencialismo e o parlamentarismo 3. 2 . 2. principalmente os poderes legislativos e executivos. e a harmonia entre a ordem e as suas vontades não é garantida de modo algum. seria o governo de um só. Nessa forma de governo. que através da concentração de atribuições pré fixadas buscam exterminar com algum mal público”.FAR . Hans Kelsen. baseada no modo como a ordem jurídica é criada e. mas o povo está influenciado por interesses outros que não o bem da coletividade. diz-se que o governo é monárquico. onde o titular pode ser uma pessoa ou um colegiado. há uma supressão das liberdades e garantias individuais.FACULDADE REUNIDA 2. normalmente por um golpe de estado. ou de um grupo de pessoas que tomam o poder. a vontade representada na ordem jurídica do estado é idêntica as vontades dos sujeitos.3 DEMAGOGIA: A demagogia é a forma corrupta da democracia. o governo é chamado republicano.

o chefe de estado dissolve o parlamento e convoca eleições para que o povo de forma democrática consolide a nova maioria e eleja o novo governo. Havendo a destituição do governo pela perda de maioria. mas exerceriam o controle entre eles de forma a evitar abusos. em que o que se pões em jogo são os êxitos e malogros do governo findo. suas bases mantém-se praticamente inalteradas desde aquela época. quando chamado a votar. em que o governo se sustem até o fim do mandato ainda que não detenha a maioria parlamentar. Nessa época. Em parte. 3. que seria a forma mais prática da teoria da separações dos poderes de Montesquieu. consistindo-se em uma forma muito utilizada de sistema de governo. Os poderes seriam totalmente independentes. Se esse partido perder sua posição de partido com maior representatividade. criticar o governo para que o povo. Essa situação se consolida com o convite do líder do partido vitorioso. pois o Monarca passou a delegar tarefas aos seus assessores. a de chefe de governo e chefe de estado. o caráter altamente democrático do sistema. o chefe de estado formar o governo com base na nova maioria surgida. tal não ocorre no presidencialismo. visto que um governo não tem condições de manter-se no poder quando não contar com a maioria dos representantes do povo. essa afirmação é verdadeira. pelo contrário. O presidente da republica possui total autonomia no exercício de suas funções que são constitucionalmente definidas. Como veremos mais adiante. Possuindo este sistema algumas características fundamentais.2 PRESIDENCIALISMO Nesse sistema de governo. seu líder fica obrigado a solicitar sua demissão do cargo de líder do governo. dado que ambos apresentamse unificados pelo mesmo vincullo partidário. sendo que nestes o chefe de estado é o presidente. que procura. constituindo se esse num traço importante do parlamentarismo.FACULDADE REUNIDA Esse sistema teve sua primeira expressão com o próprio surgimento do parlamento. aumentando seus poderes e consequentemente consolidando a força e importância do parlamento. sem duvida. A base do sistema parlamentarista consiste na subordinação do governo á vontade do parlamento. É imprescindível que haja uma perfeita sintonia entre o chefe de governo e o parlamento. segundo nos demonstra Bastos: Em primeiro lugar. alce a antiga oposição a situação de governo. ainda. ao contrário do parlamentarismo. em diversos paises. indicados por ele e de sua total confiança e responsabilidade. sendo assessorado por ministros de estado. e de forma consolidada. O parlamentarismo tanto pode existir em paises que adotam a monarquia quanto nos republicanos. lhe de a razão e . Um exemplo de parlamentarismo monárquico é a Inglaterra e. um caráter plebiscitário. O presidencialismo surgiu nos Estados unidos em 1787. a todo tempo. continua existindo. o que acabou por tornar tradicional o Rei chamar o partido dominante para integrar o seu governo. surgiram também os primeiros partidos políticos. O que se pode dizer é que esse procedimento enfraquece a possibilidade de controle do legislativo sobre o executivo. que as funções fiscalizatórias acabam por ser exercidas pela oposição. Pode.FAR . Os Estados unidos da américa são uma das mais bem sucedidas nações que adotam esse sistema de governo. As eleições ganham. Não se pode dizer que o sistema parlamentarista está superado. que passou a ter maior representatividade e maior atuação. não há qualquer forma de subordinação do poder executivo ao legislativo. mas sendo mais comum a primeira alternativa. assim fazendo. Ocorre entretanto. O presidente acumula as duas funções. de parlamentarismo republicano é a França. ou pelo voto de desconfiança. 2 .

BEZERRA.FAR . Não cabe ao presidente a edição de leis. Não há. ATIVIDADE Faça uma leitura do tema proposto e após produção um quadro demonstrando as principais características de cada um dos temas abordados. Um êxito global da sua política vi depender. 25.jus. No parlamentarismo o parlamento uma atuação maior na gestão do estado. Celso Ribeiro. São Paulo: Celso bastos Editora.br/doutrina/texto. Curso de Teoria do Estado e Ciência política.ed. Cabendo a este única e exclusivamente julgar o presidente por crimes de responsabilidade. que tem origem na eleição popular que lhe confere o mandato de quatro anos. A principal delas é a irresponsabilidade do presidente diante do parlamento. uma vez que essa sempre dependerá de leis e da aprovação de verbas que a custeie.. independentemente da vontade do legislativo. FELIX. é imprescindível um bom relacionamento entre o Legislativo e o executivo. portanto. existem algumas características que definem o presidencialismo. São Paulo: Saraiva. ed. 2004. uma vez que para a efetiva administração da coisa publica. Pedro Ivo Soares. Cada um defende a sua ideologia. Lucas Clemente de Brito. Renan Paes. Dalmo de Abreu. Teoria do estado. DALLARI. ed. 6. REFERENCIAS: BASTOS.. PEREIRA.com. por meio de processo complexo. Elementos da Teoria Geral do Estado. salvo em algumas exceções. Paulo. Não é pacifico entre os pensadores qual o melhor sistema. único meio que lhe pode assegurar a realização integral da sua política. sendo essa uma prerrogativa do legislativo. somente utilizado em casos específicos em que haja abusos por parte do presidente e por atos contrários a constituição. Essa irresponsabilidade consiste no fato de que o presidente não precisa do apoio do parlamento para manter-se no poder. na realidade uma total independência. bem como aprofundar o estudo do tema e aguçar o interesse na busca de mais informações. é certo de um bom relacionamento com o legilativo. BONAVIDES. 5. O certo é que cada um possui suas vantagens e desvantagens. 2005.aspid=4716 2 . Mas a diferenciação entre o presidencialismo e o parlamentarismo consiste na posição que o parlamento exerce na administração do bem publico. É comum a comparação entre ambos. 2004. COMENTÁRIO A presente atividade visa a fixar em você as principais características dos diversos assuntos abordados. O Regime Representativo e Sua Crise. As duas são as formas de governo mais utilidades e mais democráticas. Sobre esse assim manifestou-se Bastos: O que se extrai do exposto é que o presidente da republica dispõe dos meios necessários para manter-se no cargo e executar as leis. http:www1.FACULDADE REUNIDA Assim como no sistema parlamentarista. na busca pela solução deste dilema.. São Paulo: Malheiros.

como a fome. Diante das dificuldades encontradas em nosso país e no mundo. a influencia das forças sociais.FAR . na constituição do estado.FACULDADE REUNIDA TEMA 11 CONTEÚDO SOCIAL E FORMAS DE ESTADO OBJETIVO Analisar. muito se tem discutido a respeito dos problemas de caráter social. mas o que nos interessa neste 2 . INTRODUÇÃO Caro acadêmico. a miséria entre tantos outros. verificando o quanto problemas sociais e o próprio contexto social interferem e interagem com o poder estatal.

na antiguidade oriental. na maioria das vezes. Essa concentração do capital na mão de poucos acaba. tem seu fim com a ascensão da classe proletária. em suas diferenças. o político e as próprias classes sociais. Seu modelo foi oferecido. pertencia á classe social detentora do poder econômico ou da preponderância social.A SOCIEDADE DIVIDIDA Os estados sempre apresentaram divisões em classes sociais. Bastos assim se manifestou: 2 . “a exploração do homem pelo homem” e. e cada vez mais pobres. uma vez que o conflito gerado entre os interesses de ambas as partes é insuperável. sem falarmos na Assíria. Já que os detentores do capital e dos meios de produção ficavam cada vez mais ricos enquanto os trabalhadores iriam. a partir de um movimento revolucionário. Ele traçou uma divisão entre os diversos planos da realidade social: o econômico. uma vez que estas não possuem os mesmos direitos e deveres. Os homens. segundo Marx. respectivamente. Alguns detém os meios de produção e. Acaba assim.FACULDADE REUNIDA momento é vislumbrar o quanto esses problemas sociais e a suas conseqüências interferem na nossa concepção de estado.O QUE SÃO FORÇAS SOCIAIS? Uma das maneiras de se analisar o estado é por meio das diferenças entre seus integrantes. enquanto que outros apenas vendem sua força de trabalho. 2. mas não se apropria dos meios de produção que passam para domínio da coletividade. Segundo Bastos: Uma das formas mais antigas de governar é precisamente A Teocracia. a cada dia. no qual pontificavam os faraós que eram adorados como deuses. com isso. em função da sua natureza sacerdotal. não concorrem igualmente na luta pela produção. que vende sua força de trabalho.FAR . na Babilônia e na Índia. Um dos pensadores que mais se destacou no estudo da divisão do estado foi Karl Marx. O proletariado ascende ao poder. Cada individuo é único. onde reinavam. respeitando essas desigualdades. Esse tipo de divisão seria o que Marx denominou como “modo de produção capitalista”. detentora dos meios de produção. e como o contexto social tem importância direta na organização e manutenção do poder estatal. consequentemente. as dificuldades entre o trabalhadores e a burguesia detentora dos meios de produção seriam suficientes para desencadear a destruição do próprio modelo capitalista. que vão se sucedendo ao passar do tempo. não passa de utopia.o imperador e o Dalai Lama. o governo passa a ter o papel de mero administrador dos bens coletivos. Na teoria de Marx. A burguesia. Essa concentração do capital na mão de poucos. não havendo na história qualquer estado que não apresenta algum tipo de divisão social. Marx sustentou que a esfera econômica se sobrepõe as demais esferas. O comunismo. explora injustamente o proletariado. em que o poder é exercido por uma casta de Sacerdotes. se tornando mais dependentes deles – capitalistas. mas algumas características afins fazem com que eles se reúnam em castas e classes sociais. Até mesmo os Estados marxistas apresentavam alguma classificação social: o poder político. vamos encontrar o Egito. que seria a forma de extinção de todas as classes sociais. Sobre a estrutura marxista. 1. as riquezas. desencadeando o processo revolucionário que é inerente aos conflitos sociais quando atingem seu ápice. Na época moderno podemos encontrar ( até o final da segunda grande guerra) o Japão e o Tibet.

mas sim escamoteá-la. utilizando-se de propaganda. nesse sentido. Visando não a unanimidade. enfraquece o estado. Forneceu aparatos e conceitos a respeito da organização social e conflitos decorrentes da vida em sociedade. ao contrário. se preferirmos. é importante salientar o caráter de meras superestruturas de certas entidades. a desagregação do capitalismo por força de uma concentração de capital na mão de pouco. A ideologia brota da classe dominante que sem sempre. Nos estados democráticos. Não se confunda. 4. mas necessita da participação intensa de toda a coletividade”. para evitar que venha a ameaçar o poder político. consequentemente. Tais grupos agem de diversas formas. que. “A democracia pluralista traz consigo inegáveis méritos. em parte de sua obra atuou.” Essa situação só não se consolida na prática devido ao estado manter sua prerrogativa da edição de leis. com a finalidade de discutir suas idéias e adquirir mais adeptos ao seu pensamento. debates. a Religião. Essa diversidades de opiniões é inerente a associação de pessoas. de forma direta. relacionou esses conflitos ao governo e ao estado: eles são inerentes ao convívio social e interferem. mantém a sua soberania. Existem alguns pontos na teoria de Marx que são muito criticados: o caráter reducionista. que restringe a um só fator determinante na história. entre outros. não somente no estado. essa diversidade ideológica é suprimida. que vem a ser uma concepção total de mundo dentro do qual se apresentam legitimadas as relações de classes existentes. em geral. tem idéia de que esta fazendo ideologia. existe a formação de grupos antagônicos. de 1988. na organização e atuação do estado. que culminou com a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil. seus defensores alegam que “o bem estar social não é fornecido graciosamente pelo estado. mais como um cientista social. desde que de forma legal e organizada. tais como o Estado. Ao fortalecer a sociedade ela. consequentemente. No estado totalitário. que a simples extinção da propriedade privada não diluiu as disputas sociais. essa diversidade de opiniões e ideologias. eleições. contudo. os meios de produção. enfim de todas as formas admitidas pela sociedade e pelo direito. como exemplo podemos citar o estado Marxista-Leninista. sociedade de classes. é ate mesmo incentivada como forma de fortalecimento da democracia. Nesse tipo de sociedade. Sua natureza de superestrutura deriva de que elas são todas determinadas pelas técnicas de produção. também com uma mentira que envolve uma predisposição consciente de quem a elabora. O fim ultimo da ideologia não é buscar a verdade. mas sim uma discussão entre os diversos tipos de pensamento. Em qualquer tipo de organização social. e agindo assim tentar influenciar suas decisões. 2 . SOCIEDADE PLURALISTA A posse dos meios de produção não é o único fator das lutas de classe. Nosso estado democrático de direito nasceu da luta da sociedade contra um regime militar totalitário. as Constituições. uma vez que houve a tomada do poder por um grupo dominante através do partido comunista que governa o estado e. as opiniões isoladas não são ignoradas. seja em igrejas. ou.FACULDADE REUNIDA Ainda dentro do pensamento marxista. Seja na prestação da tutela jurisdicional que visa a dirimir esses conflitos. seja na própria formação desse estado. em virtude disso. são todas impregnadas de ideologia. mas não apresentam a força que possuem quando discutidas por meio de um grupo social. pela base econômica da sociedade. restando a essas sociedades de pessoas o papel de fiscalizadoras do estado. Marx. e. nasce do descontentamento com o modelo pretérito.FAR . a Moral. o Direito.

e atmosfera de inquietação social que predominava a época. As corporações nada mais ao do que as categorias de indivíduos que exercem funções sociais bem determinadas. sindicalismo é: O sindicato nada mais é do que a associação típica dos trabalhadores que tem por objetivo prepípuo a defesa de seus interesses. concede ao estado um papel. de forma que concluímos que a participação da sociedade é primordial para o bom andamento da atividade estatal. podemos entender: Por corporativismo deve se entender a doutrina que tem como propósito a reunião das classes produtoras em verdadeiras coorporações sob a fiscalização do estado. e passando a ter maior importância na vida política e social do estado. 2 . Pode se dizer que ele é também uma das formas de reação profissional. O sindicalismo é um movimento que defende a própria existência e ação política dos sindicatos. além de preconizar a sindicalização dos profissionais com o objetivo da defesa dos interesses comuns. Conforme bastos. Já por corporativismo. em ração da divisão do trabalho existente em nossa sociedade. o seja.FACULDADE REUNIDA 5 SINDICALISMO E CORPORATIVISMO Quando os sindicatos passaram a lutar por seus interesses de forma legal. todavia oposta ao sindicalismo em virtude de seus meios e de sua finalidade. faça um RESENHA destacando as idéias principais e tecendo suas considerações sobre o tema de forma critica e consistente. conseguindo. a liberação da sindicalização. superior. Compreendemos melhor a influencia da sociedade e dos conflitos atinentes a vida em sociedade na constituição e manutenção do estado. ATIVIDADES De acordo com o texto. como forma de organização entre os empregados na luta pelos seus direitos. com isso. conforme preceitua Bastos. outorga imensos poderes ao estado corporativo. As corporações de caracterizam por serem órgãos naturais que nascem como frutos da própria vida em sociedade. O direito á sindicalização do ponto de vista histórico é ainda muito recente. ganharam a ganhar maior apoio do estado. Surge então o sindicato. tendo surgido por ocasião da revolução industrial em razão da grande massa de empregados que trabalhavam nas industrias e não possuíam qualquer amparo por parte da lei.FAR . e servindo de incentivo a criação de partidos políticos de cunho trabalhista. é que ao mesmo tempo em que ele afirma o caráter natural das corporações. traço importante a ser destacado quando se fala de corporativismo. obtendo inclusive poder normativo através das convenções coletivas de trabalho que passaram a ser exigíveis judicialmente. As corporações podem ser econômicas. O sindicalismo surge como uma organização composta por trabalhadores para a defesa de seus interesses e também como uma forma de substituir o descrédito nos partidos políticos como instrumento eficiente de suas reivindicações. sociais ou culturais. O corporativismo surgiu como uma forma de substituir o estado liberal.

FAR . BONAVIDES. nos quais os estados membros abrem mão de parte de sua soberania para alcançar um objetivo comum: o crescimento econômico. http://ww. A REVOLUÇÃO SOVIÉTICA. INTRODUÇÃO Caro acadêmico: A questão da soberania vem sendo muito discutida nos últimos anos.aspx?codigo=49.br/default. Teoria do estado.com. 2004..ed. como a união européia e o Mercosul. São Paulo: Celso Bastos Editora. 2 . 5. 2004..historianet. Paulo. ed. Curso de Teoria do Estado e Ciência política. REFERENCIAS: BASTOS.FACULDADE REUNIDA COMENTÁRIO Esta atividade vai lhe auxiliar na fixação dos pontos principais do texto ao mesmo tempo em que lhe dá a oportunidade de desenvolver seu senso critico e testar suas habilidades para compreender e comentar o tema proposto. devido a criação dos Blocos de Países. São Paulo: Malheiros. TEMA 12 SOBERANIA E GOVERNO OBJETIVO Elucidar as bases teóricas e conceituais da Soberania e as relações com o governo. consulta realizada em 29 de julho de 2005. 6. Celso Ribeiro.

VOCE SABE O QUE É SOBERANIA? Para entendermos o conceito de soberania. pois para que o estado seja independente e tenha todos os pressupostos de sua conceituação. houve um crescimento no mercantilismo e. consequentemente. a soberania apresentar-se como um todo. podemos destacar as definições de Bodin. esse conceito foi formulado e aplicado somente no inicio dos tempos modernos. Esse pensamento tinha por principal objetivo justificar a formação dos estados nacionais. podendo repartir competências e dividir as divisões políticas em três sem que 2 . consolidaram sua soberania por meio da imposição financiada pela burguesia. uma vez que na antiguidade havia a concepção de auto-suficiencia da Polis Grega. entre eles. não havia o conceito de soberania. em elemento de estado e serve. a criação do processo capitalista. de forma de contenção entre os estado. mas não em soberania. uma das condições de existência das sociedades políticas Sendo um poder supremo dentro do estado. a soberania não é um poder de estado. em que esta reside. o sistema feudal não mais servia para suprir os anseios da sociedade na época.mas uma qualidade desse poder. imposta pelos reis. primeiramente. é necessário que se tenha uma noção mais ampla do conceito de soberania. a soberania do monarca era absoluta e ilimitada. Idade média: também não se falava em soberania. uma vez que funciona como moderador entre estes. a soberania não admite qualquer outro poder igual ou superior a ela tanto na ordem interna como externa. é essencial que sua soberania seja respeitada. Diversos eram os detentores do poder estatal. devemos primeiramente diferencia la de poder político. ainda. dando surgimento ao conceito de soberania que está diretamente vinculada ao estado moderno. por meio de batalhas sangrentas e acordos com a burguesia da época. Constitui-se. Diante das transformações pelas quais vinha passando a sociedade. Em roma se falava em poder. ORIGEM DA SOBERANIA Para entendermos melhor o conceito de soberania. Na antiguidade e na idade média. no seu surgimento histórico. quando também se formulou a base do estado como povo. O responsável pela introdução dos conceitos filosóficos que deram origem ao poder monárquico foi Jean Bodin. Bastos assim delimita os atributos da soberania: Os atributos do poder soberano são: a) a unidade: por não haver mais de uma autoridade soberana em um dado território. diversas foram as formas de definição da soberania em seu primórdio. os senhores feudais. reis e o Papa. território e poder soberano. Diante dessa concepção histórica. devemos nos situar.FACULDADE REUNIDA Diante disso. Ele surgiu nos tempos modernos. para que possamos nos posicionar a esse respeito. Jellinek afirma que a soberania está no estado em si. Com essa unificação territorial dos feudos. que defendia que a soberania servia para reforçar o poder do rei. b) a indivisibilidade: como corolário do primeiro atributo. Dentre elas. para ele. uma vez que um estado sem soberania deixa de ser um estado. Rousseau diz que a soberania tem como seu detentor o próprio povo. constituindo o estado. Ao contrário do que se pensa. Vamos aprofundar nossos estudos sobre esse tema para que você desenvolva uma consciência critica sobre ele em faze da atratividade da discussão que o envolve. sendo necessário a criação de um outro sistema. pois nenhum pode entrar na esfera do outro. sua soberania é inquestionável. portanto.FAR . quando os reis. havendo somente limites morais á soberania alicerçados no Direito natural e nas Leis do Reino. pois dentro de seus limites. que veio a consolidar-se somente a partir do Século XVI.

daí inferir que por falta de legitimidade ilegal. ela não é absoluta. Nessa época. o estado busca a garantia da leia á vontade do individuo. No estado. mais ou menos legitima. durante um período foi considerado soberano e justo. editadas por um de seus órgãos. é que se efetivamente conquistou o principio da legalidade. contudo. ao mesmo tempo que legitima o estado. Um exemplo é poder monárquico. segundo Bastos: Uma ordem jurídico-positiva pode ser. mas. E essa edição de lei só pode ser considerada como forma de manutenção do poder estatal a partir do momento em que o estado também se sujeita a essas leis. Esses recursos são utilizados raras vezes no estado moderno. Trata-se de conceitos voltados a realidades diversas. enquanto que o direito. mas podendo a qualquer tempo descenvilhar-se do bloco e retomar sua soberania. Nos conceitos atuais. somente a apartir do surgimento do estado constitucional. o uso da força tem a finalidade de manter a ordem jurídica. mais importante do que força. d) a imprescritibilidade: a soberania eterniza-se no tempo. mas a manutenção desse poder só se dá por intermédio do direito e. a lei é o limite maior da soberania. que. embora o poder estatal continue sendo soberano. Dessa forma. em que o estado passou a respeitar suas próprias leis. pois mesmo na época da Revolução francesa e Revolução inglesa. LEGALIDADE E LEGITIMIDADE DA SOBERANIA Direito e poder são dois institutos completamente diferentes. No moderno estado. A soberania não é absoluta. Essa institucionalização evita que o estado tenha que se valer de seu aparto policial e militar para fazer valer sua vontade. Qualquer grupo de pessoas. por sua vez. que também tem sua soberania. o estado já detinha o monopólio da edição de leis. ela o tenha sido. pois o direito. A soberania é um poder constituinte e não constituído. pode tomar o poder pelo uso da força. serve ao exercício do poder. no que diz respeito á relação estatal. Essa normatização da força é chamada de “institucionalização da força”. é personalíssima. como a União Européia. da ordem jurídica. e finalmente. Atualmente a soberania popular é que é tida como legitima. Não se deve. ao definir as formas de governo. dá ao cidadão a garantia de que não sofrerá abusos. já que eles apenas abrem mão de sua soberania em razão de seus interesses. Essa legitimidade dada pela legislação não é absoluta. sendo a mesma respeitada pelos outros estados. consequentemente. garante direitos individuais e coletivos que irão delimitar a atuação da soberania. mas em outro foi considerado ilegítimo. c) a inalienabilidade: a soberania não pode ser transferida a outrem. O direito com um mínimo 2 . desde que devidamente aparelhados do material necessário. É aquela que irá delimitar a atuação desta. porque não existe até hoje nada que se sobreponha a ela. Até mesmo na criação de blocos. o estado detém o monopólio da edição de leis que lhe garantem a sustentação. o estado não se sujeitava as leis. A partir do principio da legalidade. estão diretamente ligados. mas. em algum momento. a soberania de cada estado-membro é respeitada. reforçado pelo temor da sanção imposta pela força.FACULDADE REUNIDA importe numa cisão da mesma. Já a constituição.FAR . como visto. Pois é por meio do direito que se dá ás ordens emanadas do poder um sentido de obrigação de seu cumprimento. Em caráter interno. não sofrendo limitações de ordem temporal. ela é amplamente restrita pelas garantias individuais e determinações impostas pela constituição. visto que a própria legislação pode ser considerada válida ou inválida dependendo da interpretação da sociedade em que esta vigente. e nem podemos crer que. nem será obrigado a nada senão em virtude de expressa determinação legal. O estado não detém apenas o monopólio institucionalizado da força. bem como do momento histórico e social.

porque portadores de um ideário político mais afiado com as crenças e valores da sociedade. e posteriormente responda se as afirmaçõs abaixo. PODER CONSTITUINTE Segundo Bastos: Poder constituinte consiste na faculdade que todo povo possui de fixar linhas mestras e fundamentais sob as quais deseja viver. ( ) A partir do principio da legalidade. dá ao estado formas de auto-regulamentação e cria a obrigatoriedade do estado sujeitar-se também ás leis por ele mesmo. na constituição. por si só. que determina os limites da soberania. No entanto implantou um regime que suscitou uma reação quase mundial pela violação que provocava de princípios já conquistados no grau de civilização por que passa a humanidade. ou sua não aplicabilidade. enseja métodos próprio.FAR . não podendo. ( ) Em caráter interno. ATIVIDADES Faça uma releitura do texto. Portanto o poder constituinte pode ser considerado como uma forma especial de produção jurídica. a sua criação como não poderia ser de outro modo. E. e é ele que legitima e dá sustentação e manutenção ao poder estatal. a lei é o limite maior da soberania. que está diretamente ligado á necessidade de um mínimo de aceitações e consenso. a perda da ordem jurídica. o condão de categorizar os comportamentos em legais e ilegais. O estado constitucional tem no direito positivo sua base. mais precisamente. o caso dos golpes e revoluções que eram inicialmente ilegais. como as normas constitucionais ocupam o topo da ordenação jurídica. dando as garantias necessárias ao cidadão de que o estado esta obrigado a respeitar seus direitos individuais. cuja função precípua é a de criar a lei básica de uma sociedade ( a constituição). CONCLUSÃO A soberania do moderno estado encontra-seç embasada no positivismo jurídico. apesar de sua soberania. é ela que irá delimitar a atuação desta. pois o direito. A falta de legitimidade ou a perca de parte dela implica na perda do poder. Pode-se dizer também que o poder constituinte é aquele que põem em vigor. na maioria das vezes revolucionário. ao mesmo tempo que legitima o estado. produzidas por meio de um de seus órgãos. em conseqüência. por legítimos. ou mesmo constitui normas jurídicas de valor constitucional. De outra parte. senão em virtude de expressa determinação legal. nem será obrigado a nada. Exemplos gritantes dos descompassos entre a legalidade e a legitimidade encontramos no caso da ascensão do nazismo ao poder na Alemanha que se deu pela utilização de instrumentos inteiramente legais. são verdadeiras ou falsas. o estado busca a garantia da lei a vontade do individuo. porque praticados com quebra da ordem jurídica vigente. E. mas tidos muitas vezes. que ao adotar o sistema de divisão de poderes.FACULDADE REUNIDA de eficácia tem. cria. Esta legitimação encontra ainda sua base na forma de governo. 2 . agir á margem da legalidade. no que diz respeito ao tema. qual seja o poder legislativo. dá ao cidadão a garantia de que não sofrerá abusos. incita o surgimento do poder constituinte.

dentre elas podemos destacar as definições de Bodin. Aprofundar as informações sobre a forma como elegemos nossos representantes. ed. Celso Ribeiro. todas as afirmativas são verdadeiras. mas não em soberania. em que também se formulou a base do estado como povo. bem como. em que esta reside e Jellinek. Objetivos Conhecer o principais sistemas eleitorais. Portanto. 2004. Teoria do Estado. Paulo. 2004. em elemento do estado. TEMA 13 OS PRINCIPAIS SISTEMAS ELEITORAIS E A BUROCRACIA ESTATAL. BONAVIDES. ( ) Na antiguidade e na Idade Media.São Paulo: Malheiros.FAR . afirma que a soberania está no estado em si.. constituindo-se. ( ) Na roma se falava em poder. não admitindo qualquer outro poder igual ou superior a este tanto na ordem interna como externa como externa. 6. que defendia que a soberania servia para reforçar o poder do rei Rousseau diz que a soberania tem como seu detentor o próprio povo.5.. São Paulo: Celso Bastos Editora.. território e poder soberano. não havia o conceito de soberania. aprimorando seu entendimento e dirimindo duvidas. portanto. ( ) O responsável pela introdução dos conceitos filosóficos que deram origem ao poder monárquico foi Jean Bodin. de forma a dar a vocês uma visão mais ampla e critica sobre as formas de eleição de nossos representantes. Curso de Teoria do Estado e Ciência política.. COMENTÁRIO O presente exercício tem a finalidade de fixar os pontos importantes do texto. vindo somente a surgir nos tempos modernos. uma vez que na antiguidade havia a concepção de auto-suficiencia da Polis grega. tendo este conceito sido formulado e aplicado somente no inicio dos tempos modernos. AGORA FAÇA UMA RESENHA: REFERENCIAS: BASTOS.FACULDADE REUNIDA ( ) Diversas foram as formas de definição da soberania em seu primórdio. Introdução Caro acadêmico: Este tema tem por finalidade discutir os diversos sistemas eleitorais existentes.ed. ( ) A importância da soberania esta em ser um poder supremo dentro do estado. 2 .

o povo pode substituir os representantes que não estão exercendo suas atividades de acordo com os interesses daquela parcela da população que lhe concedeu o mandato. salvo em caso de condenação que lhe inflige a perda ou suspensão de seus direitos políticos. o instrumento nuclear para a configuração da democracia representativa. No que se diz respeito á paridade. Já a liberdade consiste na vedação a qualquer tipo de atividade. necessário se faz observar alguns princípios sem os quais não se pode falar em eleição democrática. Dentro do moderno conceito de eleição. para desempenhar parte das funções mais altas do estado. interferindo de qualquer forma no exercício de seus direitos políticos e. 2 MANDATO O mandato. até mesmo os cargos do poder Judiciário são preenchidos por meio de eleições. independente de qualquer outra característica. a liberdade e o voto secreto e direto. como ocorre no voto indireto em que se escolhe um representante para que este exerça o voto direto em nome de uma parcela dos eleitores. possuindo controle de suas atividades. uma vez que. tanto do estado. a paridade. ou seja. de forma que não haja a sobreposição de um grupo social sobre o outro. este nada mais é do que a investidura que o povo faz em alguém por ele escolhido. em relação as suas escolhas. é detentor de direitos eleitorais. como ocorre nos Estados unidos da América.FACULDADE REUNIDA 1 ELEIÇÃO E VOTO A eleição é a forma utilizada para escolher os representantes do povo em diversas esferas da administração do estado. O voto direto pode ser definido como a opção que o eleitor tem de escolher diretamente seus representantes. segundo procedimento eleitoral. É o meio de provimento dos cargos tanto do executivo quanto do legislativo. consequentemente. Quanto ao exercício do mandato. não sendo possível qualquer forma de limitação desse direito. que possam viciar a vontade do eleitor. como os Estados Unidos da América. não é livre. pois como ocorrem de forma periódica.FAR . são se este grupo representar a maioria da sociedade. configura-se com o valor igualitário de todos os votos. as mais importantes são a Ação popular e a Ação dos tribunais de contas. O mais importante são as próprias eleições. pode votar e ser votado. poderes ao seu titular representar o povo. portanto. ou seja. Tratase de instituto intimamente ligado á representação e á teoria que sobre ela prevaleça. segundo a nossa legislação. Ele confere. Entre as outras formas de controle. no dizer de Bastos. E em alguns países. na manifestação de sua vontade por meio do exercício efetivo dos direitos eleitorais. quanto de particulares. se ninguém tem acesso ao seu voto. não importando suas características socioeconômicas. não há possibilidade de interferências anteriores ou cobranças futuras. em que há a formação do colégio eleitoral. quer passivos (votar) ou ativos (ser votado). 3 TIPOS DE VOTO 2 . O mandato é pois. O principio da generalidade prescreve que todo o cidadão. não delegando essa função para terceiro. Estes princípios são a generalidade. cada cidadão possui apenas um voto. pode ser assim definido: No que diz respeito ao mandato. O voto secreto é a garantia de que o eleitor pode exercer seu direito com total liberdade.

cada Distrito possui candidatos próprios. passou-se a adotar distritos que elegerá seu representante. no Brasil nós temos os dois sistemas. quanto de esquerda”. em que apenas uma parte dos candidatos pertence ao distrito. como ocorre. tanto de direita. Vamos ver um pouco sobre cada um. proporcionalmente aos votos dos partidos políticos. Essa situação tem como exemplo prático as eleições de 2002. e o meio utilizado para isso é o voto. adotando tanto o sistema proporcional como o sistema majoritário.FACULDADE REUNIDA Para a realização de eleições é necessário a utilização de um instituto para que o povo possa manifestar sua vontade eleger seus representantes de forma inequívoca. nesse caso. em que candidatos do PRONA elegeram-se para a Câmara dos Deputados com uma votação muito pequena. aproveitando dessa forma o que há de melhor em ambos. 3. terá direito a 10% das vagas parlamentares. mas com a sua evolução.3 VOTO DISTRITAL Esse sistema consiste na separação do estado em Distritos eleitorais. Segundo ele. 3. 3. “o mais grave inconveniente desse sistema é que ele abre campo para os extremismos. se um partido obtém 10% dos votos. estadual e nas grandes cidades vale a maioria absoluta. pelo maior numero de eleitores. na Alemanha. Nesse sistema há uma sobreposição do partido e de sua ideologia em relação as pessoas. o ideal seria a adoção de um sistema misto. podendo ainda determinar o aumento desenfreado de partidos políticos. impossível se chegar a conclusão sobre qual o melhor sistema. por exemplo. e os demais tem âmbito nacional.FAR . não podendo votar em candidatos de outro distrito eleitoral. mas o certo é que cada um possui vantagens especificas que não se transmitem aos outros sistemas. ou seja. podemos dividi-los para fins didáticos em: Voto Majoritário. os cientistas políticos. Tal sistema se mostrou eficaz no que diz respeito á formação do governo.1 VOTO MAJORITÁRIO Trata-se do mais antigo meio de eleição e. o candidato só é eleito se obtém mais da metade dos votos. Seus opositores consideravam que ele deturpava a vontade popular. já no caso dos cargos executivos de âmbito federal. Na maioria relativa. elegendo muitas vezes candidatos com pouca votação em detrimento de outro com votação individual bem superior. ainda o voto distrital misto. não possuímos apenas uma forma de voto. uma vez que é a legenda partidária que se sobrepõe. Voto Proporcional e o Voto Distrital. por meio desse sistema. nas pequenas cidades. o sistema proporcional. Diante dessas definições. O voto distrital foi usado no Brasil até 1930. Mas. 2 . desenvolveram alguns tipos principais de exercício dos direitos políticos por meio do voto. que distribui suas vagas entre seus candidatos mais votados. já na maioria absoluta. considera-se eleito o candidato que receber o maior numero de votos válidos. vale o critério da maioria simples. Este sistema consiste na distribuição de vagas no parlamento. este sistema possui alguns problemas. o candidato obtém a vitória com qualquer diferença de votos. que acabou dando um número de cadeiras ao seu partido em virtude da votação deste candidato. empurrados pela grande votação obtida por apenas um candidato. valendo. Segundo Bastos. A maioria de votos pode ser relativa ou absoluta. mas não se mostrou coerente com a efetiva representatividade. devendo seus eleitores decidir com base somente nos candidatos de seu distrito especifico.2 VOTO PROPORCIONAL Esse sistema surgiu como uma forma de contestação ao voto majoritário. Há.

um pouco por toda a parte.FAR . o bem-estar medido em termos de comodidades. se tivesse a necessidade de realizar toda a atividade. a burocracia continua ligada á vontade política. dando origem a burocracia. 2 . Burocracia Diante da gama de problemas enfrentados pelo complexo estado moderno. essa tecnoburocracia ganhou terreno. mas é evidente que esta é uma operação intelectual de camuflagem ou de despistamento. ela tem a ver com o conjunto de funcionários especializados que de forma hierarquizada prestam as funções de administrar a organização sob o comando superior de um agente político. Infelizmente. consequentemente. pois. Pois dependem que todos os problemas sócioeconomicos podem ser resolvidos por meio de decisões com base única e exclusiva na ordem técnica. em função de sua antiguidade ou de seu grau de conhecimento da atividade. Para uma otimização destes serviços. havendo inclusive alguns casos em que a situação se inverte. que lhe garante o direito de recusar-se a realizar tarefas com base única e exclusiva na vontade do gestor da coisa pública. no entanto. que não comportam discussão. já que a tecnoburocracia é. entre outras. o que agiliza a realização dela. tornou-se absolutamente necessário especializar algumas de suas funções por meio da criação de órgãos próprios. tornando-se meio eficaz e necessário a todas as atividades organizacionais. seria necessário um conhecimento mais amplo e. também. Essa ideologia se denomina tecnoburocracia. acabam por interferir nas atividades políticas assessorando suas chefias políticas que não conhecem a fundo a estrutura organizacional. ela se recusa a reconhecer-se como ideologia da qual intenta se fazer passar por uma superação. mas basicamente. na prática. a honra. Possui características que influenciam diretamente a eficiência dos serviços por ela prestados. Na prática. uma vez que ela sofre todo tipo de pressão voltada para os interesses pessoais dos políticos e de pessoas ligadas a eles. eficiência. mais lento. É certo que a burocracia. burocratas. agindo com base na legislação e com decisões neutras e técnicas. e somente que possui o conhecimento técnico é que pode resolvê-la de forma eficiente. Bastos muito bem define a tecnoburocracia: A tecnoburocracia pretende ser neutra quanto aos valores. pois. procurando eliminar as razoes fundamentais da existência humana: o amor. Atualmente. tais funções necessitavam de certa estabilidade e profissionalismo. Para cada problema só existe uma única solução. conhecimento técnico. tais como racionalidade. Em outras palavras. uma ideologia que coloca como valores inquestináveis. lhes garantem uma autonomia maior do qu esse estivessem ligados diretamente ao poder político. mas onde esse avanço mostrou-se mais avassalador foi nos regimes militares autoritários do tipo daquele que viveu o Brasil após 1964. Essa especialização pode também gerar alguns empecilhos á agilidade das atividades. com base em suas qualidades.FACULDADE REUNIDA 4. As prerrogativas reservadas aos burocratas. Fernando C. como a especialização: cada agente se responsabiliza por apenas uma parte das tarefas. ou mesmo de um diretor que é o responsável pelas decisões fundamentais da entidade. a burocracia transformou-se em ideologia. Prestes Motta assim definiu a burocracia: Burocracia pode ser tomada em diversos sentidos. como a estabilidade de que goza o burocrata. a religião. A burocracia surgiu para superar as decisões de cunho unicamente político. não é totalmente independente da vontade política. o desenvolvimento material. como a supervalorização desta atividade especializada em relação ao todo da atividade fim.

5. a constitucionalidade da instituição do recente Conselho Nacional de Justiça. Na prática não é o que se tem visto. ATIVIDADE De acordo com o tema trabalhado. por violação do principio federativo. Referencias: BASTOS. BONAVIDES. Curso de Teoria do Estado e Ciência política. 2004.. na outra.FACULDADE REUNIDA A burocracia já esta arraigada em nossa realidade. a nulidade de decreto lavrado pelo chefe do Poder Executivo da união de que resultava intervenção nos serviços de saúde prestados pela municipalidade do Rio de Janeiro. e.ed. Teoria do Estado. 2 . com mais vagar. sendo primordial que o estado em sua constante evolução busque mecanismos para frear o crescimento da organização burocrática que acaba por sobrepujar o individuo. o que acabou dando ao termo até mesmo caráter pejorativo. o qual longe estaria de ferir o principio constitucional da divisão dos poderes e a conseqüente independência do poder Judiciário. bem como refletir um pouco mais sobre a noção de Estado Federal. Compreender o principio da divisão dos poderes no contexto de um regime federativo. ed. propaladas e recentes decisões. e deixam de lado seus princípios e passam a buscar interesses próprios. A burocracia está diretamente ligada ao poder. devemos nos deter. 2004. Difícil ainda avaliar até que ponto sua utilização é necessária ou útil.FAR . sobre o tema da separação dos poderes ou das funções estatais. TEMA 14 ORGANIZAÇÃO FEDERATIVA E A DIVISÃO DOS PODERES Objetivos Entender as bases do regime federativo. mostram-se atravancadas por uma burocracia excessiva. Celso Ribeiro. pois algumas atividades. São Paulo: Celso Bastos Editora. São Paulo: Malheiros. Introdução Para melhor compreensão da estrutura organizacional brasileira. ao invés de ser ágeis e eficientes. Paulo. faça uma RESENHA e compare o texto com a realidade do sistema eleitoral brasileiro. pois dentro de sua teoria ela é de suma importância. em duas importantes.. declarou. em uma delas. 6. O supremo Tribunal Federal. e é praticamente impossível acabarmos com a sua utilização.

como assinalado por este jurista. observados justos limites. Nesse ponto. o qual consiste no pacto de indissolubilidade. A indissolubilidade e o seu instrumento básico de efetivação O que não se pode admitir é a supressão das autonomias locais pelo poder central ou a dissolução da união por obra dos Estados. e constitui-se por união perpétua e indissolúvel as usas antigas procincias. sobretudo. é imprescindível num estado federal. é senhor zelo parcimônia e cuidado. 2 . inútil e desprovido de qualquer sentido! “O GOVERNO FEDERAL NÃO PODERA INTERVIR EM NEGÓCIOS PECULIARES DO ESTADO. pode-se ver que o tema sobre o qual trataremos se reveste de atualidade. então. Hans Kelsen expõe a intervenção federal como consistindo numa reação do ordenamento jurídico ao ato ilícito do estadomembro de não se submeter aos devers que a Constituição Federal lhe impõe. SALVO. No entanto. escapariam ás possibilidades e á alçada locais. são várias as técnicas e as dimensões de uma intervenção federal.FAR . dentre outros. além. chegamos a um primeiro elemento básico na compreensão da federação. em contrapartida. no seu emprego. Portanto.” (Art 1º) Justificada teoricamente pelo intuito de fortalecer os seus membros. de ser essencial para a compreensão dos espaços de atuação legitima de cada um dos exercestes dos poderes políticos. NA CONSTITUIÇÃO REPUBLICANA DE 1891!!! “A nação brasileira adota como forma de governo. 6º & 2º. os que se tornavam estados-membros abriram mão de sua soberania. quando. o poder de preservar a imutabilidade do propósito manifestado no pacto. DA CONSTITUIÇÃO REPUBLICANA DE 1891) A intervenção federal. protegendo-os e gerindo-os nos negócios que. Criou-se. Mas é refletindo justamente sobre a tensão que vamos compreender os pressupostos do regime Federativo.FACULDADE REUNIDA Logo. a República proclamada a 15 de Novembro de 1889. Os pressupostos do Regime Federativo O regime federativo ou federal se manifesta sob a constante tensão resultante da tentativa política de equilibrar dois propósitos em persistente antagonismo: o exercicioj do poder soberano e independente do poder central e o exercício do poder autônomo pelos entes federados. conforme os lineamentos específicos com que a desenhe a constituição Federal. 1. em diversas formas de Estado Federal. com o intuito. sem a qual. em Estados Unidos do Brazil. no dizer de João Barbalho Uchoa Cavalcanti. de tal sorte que podemos falar. Deve-se ter em mente que o uso da intervenção federal traduz-se em grande risco á autonomia dos Estados-membros. Ou seja. 2º PARA MANTER A FORMA REPUBLICANA FEDERATIVA” ( ART. pela sua própria natureza. a União Federal receberia. a União seria um nome em vão. sob o regime representativo. de proteger a mantença da União a intervenção federal.

Porem. encontram-se no mesmo plano. cujo domínio é territorialmente restrito.” 2 . achando-se sujeita ás limitações e parâmetros nela previstos. é medida excepcional. Principio da hierarquia é aquele segundo o qual os atos normativos e as decisões não tem todos a mesma hierarquia. Esse não é o principio que prevalece no estado federal. conforme será estudado adiante. mas. então. se ela e não legitima. a necessidade de estabelecer limites á atuação de cada ordem de poder: a ordem parcial representada pela união.FACULDADE REUNIDA De outro lado. o Supremo Tribunal Federal é competente para julgar as causas e os conflitos ocorrentes entre a união e os estados-membros. não se encontram no plano de horizontabilidade em relação uns aos outros. não há subordinação e superioridade. É certo que a constituição federal pode excetuar o regime federativo por ela própria instituído. como se estes fossem reduzidos ao papel de cumpridores das decisões políticas emanadas da união. fundada em hipóteses taxativamente previstas no texto constitucional. Fala-se . VEJA O QUE DIZ O CONSTITUCIONALISTA ALEXANDRE DE MORAES!!! “A intervenção consiste em medida excepcional. inclusive nos casos de intervenção federal. encenadores da intervenção federal. de federalismo horizontal. Todos devemos ter em mente que não existe relação de subordinação ou hierarquia entre a união e os estados-membros. dizendo. numa federação. decidi-los. de tal sorte que a cada ordem parcial se assegura o campo próprio de atuação. destarte. constitucionalmente previstos. esclarecendo-se que tanto a união quanto os estadosmembros. A ele cabe. por sua própria natureza. de uma relação de coordenação. desde que provocado. pois não se trata de uma relação de delegação. Acrescente-se que. a qual. ao contrário. O horizontalismo enquanto elemento do Regime Federativo Surge. ou seja.FAR . cujas normas vigoram em todo território e do estado. a solução está em admitir a intervenção federal apenas quando se verificarem os pressupostos fáticos. e a ordem parcial representada pelos estados-membros. mas sim num plano de verticabilidade. a autonomia estadual é dimensionada pela constituição federal. de supressão temporária da autonomia de determinado ente federativo. “o exame da relação mostra que a união e estados-membros.a tonica do regime federativo é a distribuição ou repartição constitucional de competências entre a união e os estados-membros. Você talvez esteja perguntando: mas como garantir juridicamente que a intervenção federal não sirva de pretexto para uma progressiva centralização das decisões políticas em detrimento das instancias locais? Com que técnica o direito positivo resolve esta questão? Primeiramente. no caso concreto.

mas de caráter nacional.FAR .FACULDADE REUNIDA Logo. inexiste relação hierárquica entre congresso nacional (órgão do poder legislativo da união). revisar os julgamentos dos órgãos judiciários inferiores (hierarquia ascendente). talvez prevaleça a lei estadual. em nome de uma pretensa hierarquia. pois a constituição federal pode ter dado ao estado-membro a competência para legislar sobre o assunto especifico. 2 .ora não vale??? Calma! Vamos por parte: a) quando falamos em hierarquia no plano do poder judiciário. eles são o supremo tribunal federal e o supremo tribunal de justiça. c) podemos dizer igualmente que a referida hierarquia não confere poderes para os órgãos superiores dizerem aos tribunais e juizes inferiores. Nem um tribunal de justiça. no exemplo dado. Mas em que termos isso se dá? E como isso é possível? Sujeitar a justiça dos estados á justiça federal? Será que esse pacto federativo funciona pela metade? Ora vale. TODA ATENÇÃO É POUCA NO ASSUNTO AGORA TRATADO!!! Tenha se esclarecido que não há hierarquia entre Presidente da republica ( Chefe do poder executivo da união). órgão do poder judiciário de primeira instancia. pode ser atribuída á união ou ao estado-membro. um juiz de direito. Igualmente. considerando-se o tema das ordens parciais diversas de um estado federal. a constituição outorgou competência para legislar sobre a matéria tratada em ambas as leis. Mas sobre uns e outros se encontram o supremo tribunal federal e superior tribunal de justiça. antes. órgão do poder judiciário estadual de primeira instãncia. Esses órgãos são federais. de uma vez provocados. está acima de um tribunal regional federa. quando uma lei federal entra em choque com uma lei estadual. não está em plano inferior ao que se acha um juiz federal. verificar a qual dos entes. A questão se resolve no campo não da hierarquia. mas no da invasão de competência. mas implica tão somente na competência que os órgãos superiores tem. á lei federal. estamos dizendo somente que há órgãos de caráter federal que se colocam acima de todos os órgãos das Justiças ordinárias Federal e Estadual. conforme o caso. como é que eles devem aplicar o direito. E EM RELAÇÃO AO PODER JUDICIÁRIO? Apenas em relação ao poder judiciário é que se pode falar na existência de uma relação hierárquica. órgão do poder judiciáiro estadual de segunda estância. mas.a qual. b) assim. antes de eles julgarem. a saida não esta em dar prevalência automática. Assim. governadores ( chefes do poder executivo dos estados-membros) e prefeitos (chefes do poder executivo dos municípios). órgão do poder judiciário federal de segunda estância. e vice-versa. assembléias legislativas (órgãos do poder legislativo dos estados) e câmaras municipais (órgãos do poder executivo dos municípios). DEFINE-SE ORGÃO COMO CENTRO AUTONOMO E INSTITUCIONALIZADO DO QUAL EMANA A VONTADE ESTATAL OU EM QUE SE FORMAM OS ATOS JURIDICOS CUJA ELABORAÇÃO É NORMATIVAMENTE IMPUTADA Á AUTORIA DO ESTADO. e vice-versa.se á união ou se aos estados-membros.

” A mencionada proteção constitucional nos vem. A Republica federativa do brasil. neguem aos municípios a condição de membros da federação. Para a proteção do livre exercício dos poderes políticos de cada uma das ordens parciais da federação. embora existam os outros poderes (legislativo e executivo). com o objetivo de resguardar o livre exercício de qualquer dos podres nas unidades da Federação. existem vários instrumentos jurídicos. de certa forma revivendo debate clássico sobre o tema.” “o governo Federal não poderá intervir em negócios peculiares do estado. em termos. expressão na qual se inseria o resguardo livre exercício dos poderes locais. não há duvidas de que. em todo o território brasileiro. OS PODERES POLITICOS NO REGIME FEDERATIVO A divisão dos poderes políticos nas ordens parciais da Federação Num estado federal.FACULDADE REUNIDA 2. executivo e judiciário. Logo. a união e os estados-membros possuem os poderes legislativo. ou seja. ordem ou decisão judicial. muito embora a constituição Republicana de 1981 haja feito referencia expressa somente a assegurar o cumprimento das leis e sentenças federais. em tudo quanto respeite ao seu peculiar interresse. Explicitando um poço um pouco mais. diz caber a intervenção para fazer valer a lei federal. Malgrado alguns juristas. repetindo. a constituição federal de 1988. No entanto. “ A união não intervirá nos estados nem no distrito federal. Há. como Roque Antonio Carrazza.FAR . “a união não intervirá nos estados nem no distrito Federal. uma exceção: nos municípios. aliás. já agora. a cada ordem parcial. a intervenção federal também se daria para manter. muito embora tenha havido bastante discussão sobre o artigo 68 da constituição republicana de 1891. formada pela união indissolúvel dos estados e municípios e do Distrito Federal. salvo 4º para assegurar a execução de leis e sentenças federais”. a preservar apenas a autoridade dos poderes legislativo e judiciario federais. tando a da união quanto a dos estados-membros. exceto para garantir o livre exercício de qualquer dos poderes nas unidades da federação. constitui-se em Estado democrático de direito. a ordem ou decisão judicial. todavia. corresponde a tripartição dos poderes. eles certamente o são na nova ordem constitucional. Atividade 2 . “os estados organizar-seão por forma que fique assegurada a autonomia dos municípios. exceto para prover a execução de lei federal. um dos quais é a intervenção federal. A proteção da divisão dos poderes no regime federal. a forma” republicana federativa”. do inicio da prática federativa brasileira. a constituição republicana de 1891. falta o poder judiciário! Neles funcionam órgãos de primeira instancia das justiças estadual e federal.

REFERENCIAS: MORAES. Teoria do estado e a da Constituição. de sua opinião sobre o tema abordando. João Barbalho Uchoa. MIRANDA.. 2 . CAVALCANTI. Curso de Direito constitucional Tributário. Direito constitucional.Coimbra: Almedina. CANOTILHO. 19. melhorando com isso sua compreensão FAÇA UMA RESINHA. São Paulo: Malheiros. São Paulo: Atlas. Jorge. 2005.FACULDADE REUNIDA Com base em seu entendimento do texto. 7. 1997.FAR .ed. 2003. CARRAZA. 2002. Direito constitucional e Teoria da Constituição. Alexandre de. Roque Antonio.ed. 2003. José Joaquim Gomes. Constituição federal Brasileira (1891). Rio de Janeiro: Forense. Brasília: Ministério da Justiça.

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