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INTRODUÇÃO AO DESGASTE ABRASIVO Ms. Eng. Mat. Suzy Pascoali Doutoranda PGMAT/UFSC Orientador: Prof. Dr.

Orestes Alarcon Dep. de Eng. Mecânica / LABMAT

Florianópolis, SC – Agosto 2004

Índice
Índice............................................................................................................................................2 Introdução................................................................................................................................2 Definições de desgaste........................................................................................................3 Processo de falha.................................................................................................................6 Classificação dos processos de desgaste.................................................................................6 Os sistemas tribológicos......................................................................................................7 Processos de desgaste..............................................................................................................9 Desgaste adesivo......................................................................................................................9 Desgaste abrasivo..................................................................................................................11 Desgaste corrosivo.................................................................................................................15 Fadiga de superfície...............................................................................................................15 Caracterização de sistemas tribológicos................................................................................16 Ensaios de abordagem local – Fonte (de Mello, 1994)....................................................20 A técnica de esclerometria para materiais dúcteis............................................................21 Referência Bibliográfica........................................................................................................25

Introdução
Fricção e desgaste são fenômenos tão antigos quanto a humanidade. No paleolítico, fogo era gerado pela fricção de madeira em madeira ou pedra (Gahr, 1987, p.). Há muitos anos os nativos da ilha de Florianópolis deixaram suas marcas ao desgastarem as pedras. Na antiga mesopotâmia nota-se a existência de alguns sofisticados equipamentos tribológicos. Eles possuíam carruagens com rodas e engrenagens, e alguns deles utilizavam verdadeiros rolamentos. Os antigos egípcios também fizeram uso da fricção para transporte de pesadas cargas, há figuras que demonstram que a sociedade apreciava o uso da lubrificação para reduzir o desgaste em contatos de deslizamento e rolagem (Williams, 1994, p.27). Os chineses na época entre 1500 e 450 a.c. tinham descoberto carroças. A tecnologia chinesa também desenvolveu sofisticados rolamentos de bronze para utilizar nas carruagens de guerra. Já na renascença, Leonardo da Vinci (1459-1519) fez importantes contribuições para a compreensão dos fenômenos de fricção e desgaste. Mediu a força de fricção de objetos deslizando em planos horizontais e inclinados, figura 1. Ele determinou que a força de fricção depende da carga normal e independe da área de contato, atentou para o fato de que o uso de lubrificantes diminuía a fricção e o desgaste. Parece que ele também determinou o coeficiente de fricção como a razão entre a força de fricção e a normal. Leonardo indicou uma liga para desgaste em mancais planos.
Florianópolis, SC – Agosto 2004

e a segunda linha que levava em consideração as forças envolvidas devido a adesão entre as rugosidades em contato. p. Estas hipóteses deram origem as três leis básicas clássicas do atrito que são (Bressan. p.4). p. Neste ponto a hipótese de adesão que tinha sido descartada pelos primeiros pesquisadores podia agora ser capaz de explicar os resultados experimentais obtidos (Rabinowicz. Uma considerando o atrito oriundo das interações entre as rugosidades superficiais. 36502) que relacionavam o atrito com as interações microscópicas entre as rugosidades que existem em qualquer superfície sólida. Desde este tempo cresce o interesse em estudar o processo de fricção e foram produzidos estudos detalhados sobre a força de fricção e a área de contato real. interação esta que pode ser do tipo mecânica e de adesão química. (Gahr. O atrito estático é maior que o dinâmico. 1985.Os estudos sobre fricção e desgaste começaram novamente a partir de meados do século XVII com os estudos de Guillaume Amontos (1699) e Coulomb (1785) e Morim (1833).2) Inicialmente eles formularam hipóteses para explicar as forças envolvidas no deslizamento de superfícies em movimento relativo.3) Figura 1 . Definições de desgaste Desgaste é a perda progressiva de substância de uma superfície de um corpo em decorrência do movimento relativo com a superfície. p. Posteriormente duas abordagens com relação a origem do atrito foram propostas. (Rabinowicz.36501): • • • A força de atrito é proporcional a carga aplicada. 2000. p. 2000.4) Florianópolis. 1985.(Rabinowicz. Estes estudos dentre outros foram essenciais para esclarecer a diferença entre a área de contato real e a aparente e que somente a areal real permite determinar a força de fricção. clareando a compreensão do fenômeno desgaste. 1985. A força de atrito independe da área de contato. SC – Agosto 2004 . p. 1987. Estes fenômenos foram melhores esclarecidos entre 1930 e1970 pelo estudos realizados por Bowden e Tabor apud Bressan (Bressan.

SC – Agosto 2004 . Tribologia envolve a investigação científica de todos os tipos de fricção. A palavra tribologia é derivada da palavra grega tribos significado de fricção. 1987. (Ribas. líquido ou gasoso. (Gahr. Estudos realizados pela ASME nos Estados Unidos apontam uma perda econômica de 1% a 2. 2002) Tribologia é definida como a ciência e tecnologia da interação entre superfícies em movimento relativo e das práticas relacionadas.6) Para compreender a impacto na economia ocorrido devido a perdas por desgaste. O desgaste é causado por desintegração da interação entre componentes da máquina como resultado de Florianópolis. Uma vez que fricção é a resistência ao movimento e cresce com as interações dos sólidos e com a real área de contato. lubrificação e desgaste e também as aplicações técnicas do conhecimento tribológico.4) Figura 2 .5% do produto interno bruto. Na Alemanha uma pesquisa da década de 80 revela que desgaste e corrosão juntas contribuem com a perda de 4. 1985. p.Desgaste é a perda progressiva de matéria da superfície de um corpo sólido devido ao contato e movimento relativo com um outro corpo sólido. p.3) A importância econômica da tribologia e a grande necessidade por uma pesquisa sistemática e aprimoramento da transferência do conhecimento teórico para a prática está sendo reconhecida nas ultimas décadas. Fricção e desgaste são respectivamente causas sérias de dissipação de energia e de material.Causas de falha e sua perda relativa sobre a economia .5% do produto interno bruto devido ao desgaste. 1987. p. mas resultam de características dos sistemas de engenharia (tribosistema). Deve-se considerar que a fricção e o desgaste não são apenas propriedades dos materiais.Fonte (Rabinowicz. a figura acima apresenta a importância relativa do desgaste na economia. (Gahr.

limpeza e cuidado com a superfície do componente.5) Florianópolis.uma tensão do material nas vizinhanças da superfície.Fonte (Gahr. As partes em desgaste podem ser projetadas para fácil recolocação. limpeza do ambiente. 1987. tamanho e perfil de superfície e rugosidade exerce influência sobre a fricção e o desgaste. O que inclui a escolha do equipamento e lugar de instalação. produção. os custos devido à fricção e desgaste podem ser reduzidos através do controle das condições de trabalho e vibração. montagem e aplicação. alinhamento exato. permitindo apenas baixa tensão. 1987. As condições de trabalho de um componente dependem do tipo e da qualidade da produção. temperatura e ambiente. As perdas econômicas devidas ao desgaste podem ser reduzidas por otimização da planta da organização e por adequado projeto. (Gahr. causa vibração e desalinhamento. O grau de precisão da forma. Em casos extremos algumas trincas podem levar a fratura e os fragmentos formados normalmente podem danificar o equipamento. questões de padronização e estoque. No entanto. Num componente o desgaste é raramente catastrófico. O controle do custo do desgaste pode começar com o processo de fabricação correto para o produto.5) Organização Projeto Serviço Desgaste Produção Montagem Alinhamento Figura 3 . a vida em serviço depende também da precisão da montagem. manutenção e reparos. Durante o serviço. usando material apropriado e lubrificante em função da carga.Fatores que influenciam no desgaste de estruturas . O projeto pode efetivamente reduzir o desgaste do componente ao otimizar a transferência de carga e movimento. figura 3. SC – Agosto 2004 . p. p. mas leva a perda de eficiência.

Classificação dos processos de desgaste O desgaste ocorre em situações diferentes (Gahr. Arados. (Gahr. aquecimento.3) Sendo assim o estudo dos fatores que contribuem para o desgaste se faz necessário para predizer a ocorrência dos mecanismos de desgaste (Ribas. 1987. formação e propagação de trinca. Engrenagens. O desgaste atinge primeiramente a superfície do componente.Fonte (Gahr. temperatura e acabamento superficial. que podem resultar na perda da função pretendida.Processo de falha Deformação Plástica Falha Corrosã o Desgaste Trincas Figura 4 – Processo de falha . -Variáveis de processo: Materiais em contato.1812). p. p. Os principais fatores de desgaste são: -Variáveis metalúrgicas: Dureza. Rolamentos. 1987. e levar ou não a falha catastrófica. 2002. velocidade. Bombas de lamas. pressão. 1987. tenacidade. constituição e microestrutura. tais como: • • • • • • Equipamentos em movimento. p. Florianópolis. composição química. p. ruído.80). corrosão. mudanças geométricas e fragmentos. -Outros fatores: Lubrificação. São causas da fricção e desgaste a vibração.2) A figura acima mostra que a falha de um componente ou estrutura resulta de um processo de deformação plástica. SC – Agosto 2004 . corrosão e desgaste. Anéis de pistão.

sapatos. Informação (came e seguidores). O tipo de movimento relativo também pode ser utilizado para classificar os mecanismos de desgaste. p. ·Ambiente. A ação sobre os elementos ou interações entre eles podem ser amplamente variadas. Trabalho (engrenagens e embreagens). figura 5 (Gahr. Os sistemas tribológicos A análise de sistemas pode ser aplicada a sistemas tribológicos e está caracterizada pela norma DIN. 50320 (Gahr. roupas. p. Na vida diária: facas. A solução para um determinado problema depende da identificação exata da natureza deste. No processo de três corpos. impacto e erosão. dependendo da cinemática do sistema.• • • Freios. A próxima figura mostra esquemas de diferentes modos de ação na superfície do sólido. joelhos e cotovelos. moveis. Massa (bombas de lama e trituradores). Dependendo dos parâmetros do sistema. ·Contra-corpo. Os processos de desgaste podem ser lubrificados ou secos. Deste modo pode-se determinar que as entradas e saídas úteis do sistema são a função técnica do sistema tribológico. A estrutura do sistema é determinada pelos elementos suas propriedades e interações. Muitas são as condições que causam desgaste. Os mecanismos de desgaste descrevem as interações energéticas e de materiais entre os elementos do sistema tribológico. diferentes mecanismos de desgaste podem ocorrer. Usualmente o sistema consiste de quatro elementos: • • • • ·Corpo sólido.81). rolamento. No corpo humano: costas. Os modos de desgaste podem ser classificados como desgaste por escorregamento. oscilação.1987. ·Elemento de interface. como pode ser visto na figura 6. podem ser de dois ou três corpos. SC – Agosto 2004 . estas podem ser: • • • • Movimento (Juntas humanas e mancais). Análise de sistemas pode ser utilizada para identificar os parâmetros do sistema tribológico. as partículas ficam aprisionadas entre as duas superfícies. escadas. Florianópolis.1987.83).

p.1987.Fonte (Gahr.84) Florianópolis.Desgaste de dois e três corpos .Figura 5 – Classificação dos processos de desgaste .Fonte (Gahr.1987. p.83) Figura 6 . SC – Agosto 2004 .

85) Deformação plástica geralmente não é classificada como um mecanismo de desgaste. no entanto. cames e seguidores. São eles: cavidades para extrusão. p. Desgaste corrosivo (interação química entre os elementos que resulta em reação química). SC – Agosto 2004 . Desgaste adesivo A figura a seguir mostra alguns componentes de equipamentos envolvidos em desgaste adesivo. Figura 7 – Os quatro principais processos de desgaste .Fonte (Gahr. Desgaste abrasivo (remoção do material devido ranhura). Florianópolis. ferramentas de corte. Os processos de desgaste principais são quatro e são mostrados na figura a seguir: • • • • Desgaste adesivo (formação e quebra das ligações interfaciais adesivas).Processos de desgaste Uma característica comum entre as diversas classificações existentes é o uso dos mecanismos para distinguir os processos de desgaste. Fadiga de superfície (fadiga e formação de trincas devido a ciclos de tensões). exerce uma ação importante no mesmo.1987. engrenagens. mancais.

p. A adesão de um metal em um não-metal é primeiramente causada por forças fracas de Wan der Waals. velocidade ou temperatura.Figura 8 – Sistemas tribológicos envolvidos em desgaste adesivo . estrutura do cristal e número de planos de escorregamento. Neste caso a adesão é causada por ligações covalentes ou metálicas. do modo e valor da carga.86) O desgaste adesivo pode ocorrer quando as superfícies deslizam uma contra a outra. Florianópolis. Uma vez que a adesão depende da real área de contato. Sendo relacionado a um grande aumento do coeficiente de fricção e desgaste. Adesão preserva a interface na junção. deformação plástica. Isto pode aumentar o risco de sobrecarga devido à tensão. 1987. Freqüentemente os contatos entre metais são de fato não-metálicos uma vez que as superfícies são cobertas por camadas adsorvidas. uma vez que ligações iônicas são desprezíveis para os metais. Em casos extremos é impossível haver novo movimento relativo. Coesão une as superfícies através de uma solda e do desaparecimento da interface entre as duas superfícies. A formação de junção no local do contato entre as duas superfícies pode ser formada por adesão ou coesão. A tendência para formar juntas aderidas depende das propriedades físicas e químicas dos materiais em contato. adesão e conseqüentemente a formação de junções localizadas. ela é influenciada pela resistência dos materiais. O deslizamento relativo entre as superfícies em contato causa ruptura destas junções e freqüentemente transfere material de uma superfície para outra. ou filmes de óxidos.Fonte (Gahr. A alta pressão local entre as asperezas em contato resulta em deformação plástica. SC – Agosto 2004 . Camadas adsorvidas e filmes de óxidos podem se quebrar devido a deformações elásticas e plásticas das asperezas. bem como de contaminantes e rugosidades.

Florianópolis.Sikorsk apud Gahr descreve que a tendência a adesão aumenta da estrutura hexagonal compacta. As partículas duras podem estar aprisionadas na interface entre as duas superfícies em movimento relativo. O coeficiente de adesão é definido como a razão entre a força necessária para quebrar as junções aderidas com a carga normal com a qual as amostras foram inicialmente prensadas.Fonte (Gahr. Em geral. como sujeiras. para a cúbica de corpo centrado. p. um aumento da dureza resulta em uma diminuição d coeficiente de adesão.89) Desgaste abrasivo Desgaste abrasivo é a retirada de material causada pela presença de partículas duras. SC – Agosto 2004 .1987. como sílica. para a cúbica de face centrada. Figura 9 – Coeficiente de adesão versus dureza do metal . um fragmento desgastado ou advindo de eventuais partículas de fora do sistema tribológico. ou serem as protuberâncias que fazem parte da rugosidade de uma das superfícies. A figura a seguir correlaciona a influência da estrutura cristalina sobre o coeficiente de adesão e a dureza. Uma partícula dura pode ser produto de um processo.

1987. cavidades de moldes. p. que são tentativas de aproximar melhor o significado dos mecanismos que estão sendo observados nos experimentos. Figura 10 – Sistemas tribológicos envolvidos em desgaste abrasivo . São exemplos: sistemas hidráulicos com sujeira. Microsulcamento. Microlascamento. descamação.93) Desgaste abrasivo pode ocorrer em baixo ou alto nível dependendo da razão entre a dureza da partícula e da superfície.Fonte (Gahr. SC – Agosto 2004 . extrusoras. dentre eles os principais estão mostradois na figura 11 e 12 e são: • • • Microcorte. São diversas as nomenclaturas utilizadas para estes mecanismos de desgaste. na literatura podem ser encontradas denominações tais como: microusinagem. microtrincamento. entre outros. Florianópolis. O desgaste abrasivo está relacionado a alguns mecanismos.A figura a seguir mostra diferentes sistemas nos quais o desgaste abrasivo é o processo predominante. riscagem. microfadiga.

Fonte (Gahr. No desgaste abrasivo de três corpos. as partículas abrasivas são movidas livremente sobre a superfície do material como areia em uma calha.1987.96) O desgaste abrasivo pode ser classificado como de dois ou três corpos. devido à variação no ângulo de ataque. Florianópolis. O desgaste quando envolve três corpos é cerca de duas a três vezes menor do que quando envolve dois corpos. Pois. Na abrasão de dois corpos. apenas uma pequena porção das partículas causam desgaste. no caso e três corpos. as partículas abrasivas agem como elementos de interface entre o corpo sólido e o contra-corpo. p.Figura 11– Mecanismos de desgaste envolvidos em desgaste abrasivo . SC – Agosto 2004 .

Florianópolis.1987. figura 13. Este ângulo de ataque crítico é função do material que está sendo desgastado e das condições de teste. SC – Agosto 2004 . A ocorrência de um deles vai depender do ângulo de ataque das partículas abrasivas. O microcorte ocorre a apartir de um ângulo de ataque crítico. A transição do mecanismo de microsulcamento para microcorte depende também do coeficiente de atrito. (b) microcorte (c)microlascamento . Normalmente o mecanismo passa de microsulcamento para microcorte com o aumento da dureza do material que está sendo desgastado.95) Microsulcamento e microcorte são mecanismos dominantes em materiais mais dúcteis.Figura 12 – Micrografias da superfície dos sólidos que sofreram desgaste abrasivo (a) microsulcamento. Aumentos ainda maiores de dureza resultam na passagem de microcorte para microtrincamento.Fonte (Gahr. p.

Figura 13 – Relação entre ângulo de ataque e os mecanismos de desgaste abrasivo pro microsulcamento e microcorte . escorregamento e impacto de sólidos ou líquidos podem resultar em ciclos alternados de tensão na superfície. SC – Agosto 2004 . p. p.1987. (Gahr. Neste caso.98) O microtrincamento pode ocorrer quando são impostas grande tensões sobre as partículas abrasivas. A fadiga localizada pode ocorrer em Florianópolis. particularmente em superfícies de materiais frágeis. Os contatos dos corpos sólidos por rolagem.Fonte (Gahr.1987. 95-99) Desgaste corrosivo Este processo de desgaste se caracteriza pela formação de produtos de reação química como resultado de interações químicas entre os elementos do sistema tribológico iniciada por uma ação tribológica. grande quantidade de detrito é retirada da superfície devido a formação e propagação de trinca. fadiga de superfície e a superfície pode ficar severamente danificada. O ataque das partículas macias pode resultar em deformação elástica e plástica. Fadiga de superfície Desgaste devido à fadiga de superfície pode ser caracterizado pela formação de trincas e descamação do material causadas por ciclos de carga na superfície do material. Partículas de menor ou igual dureza que a superfície também podem desgasta-la.

p.escala microscópica devido a contatos entre as asperezas dos sólidos em movimento relativo. simplificado. de componente simplificado e de modelo. de bancada. mas muitas técnicas são amplamente aceitas em todo o mundo.Fonte (Gahr. Os testes tribológicos envolvem estudos de fricção lubrificação e desgaste. de componente. Florianópolis. SC – Agosto 2004 .1987. Figura 14 – sistemas tribológicos que envolvem desgaste por fadiga de superfície .100) Caracterização de sistemas tribológicos Diferente de outros testes mecânicos. não há uma padronização geral disponível para o teste de desgaste. A razão para isso é a grande variedade de sistemas de desgaste. Uma grande variedade de equipamentos de testes tem sido usada e pouca atenção tem sido dada para padronização e correlação entre os diferentes testes. de subsistema. seis testes podem ser distinguidos como: de campo. De acordo com a norma DIN. A figura a seguir mostra sistemas que podem sofrer desgaste devido à fadiga de superfície.

os resultados do teste não podem ser simplesmente transferidos para a condição prática. p. limitações de condições de carga.1987. SC – Agosto 2004 . Outros testes devem ser realizados para Florianópolis.Fonte (Gahr. No entanto. Freqüentemente o comportamento dos diferentes materiais e/ou lubrificantes devem ser estudados para o projeto de um novo componente. A superfície desgastada e os fragmentos podem ser analisados para indicar a validade do teste utilizado.Figura 15 – Classificação dos diferentes tipos de testes tribológicos . se a superfície de desgaste e os fragmentos coletados do ensaio são diferentes. e ferramentas simples para checar a equivalência entre o tribo-sistema do modelo e da aplicação prática.116) A passagem dos dados do modelo testado para o sistema tribológico na prática pode sofrer falta de conhecimento sobre os mecanismos básicos de desgaste.

pressão de superfície. O modelo pode ser utilizado para a seleção preliminar do material e lubrificante e igualmente para identificar os mecanismos e determinar as influências das variáveis de operação. Variáveis experimentais que são conhecidas e importam em testes tribológicos são as propriedades dos materiais e lubrificante. condutividade térmica e resistência à fadiga e a corrosão são freqüentemente consideradas. Existem algumas centenas de sistema de medição para desgaste alguns deles se encontram na figura a seguir. O projeto pode ser aprimorado pelos resultados de testes tribológicos. velocidade e tipo de ambiente. também é adequado para prova de diferentes projetos ou para otimizar o projeto do material e lubrificante. temperatura e atmosfera. velocidade. O tipo de teste é importante para a caracterização do material ou lubrificante e para a seleção de material para uma aplicação especifica. como. Os sistemas de medição podem ser divididos em dois grupos principais: Os sistemas fechados: estudam o comportamento do par corpo sólido e elemento de contorno.controle de função ou processo. área de contato. A seleção de um teste para tribologia não depende apenas do mecanismo de desgaste que está sendo investigado. tempo de contato forma. vibração. SC – Agosto 2004 . Para teste de lubrificante e material é indicado o teste de componente. disponibilidade e peso ou densidade. Florianópolis. O real valor do teste no modelo só será conhecido após realizada uma comparação entre os resultados do ensaio com o teste em campo. A influência de variáveis em serviço pode ser investigada no modelo. mas também do objetivo do teste. tenacidade. Como exemplo de uma aplicação de teste em modelo tem-se a esclerometria que é capaz de simular a passagem de uma única partícula sobre a superfície de um corpo sólido. A simulação de sistemas complexos por modelos relativamente mais simples é particularmente importante para estudo dos sistemas de mecanismos básicos de fricção. acabamento da superfície. Em adição as propriedades tribológicas resistência mecânica. Fatores auxiliares para a seleção de materiais podem ser custo de fabricação. Neste tipo de teste através das forças aplicadas em um diamante enquanto este risca a amostra e da caracterização da trinca resultante pode-se avaliar o desempenho do material em relação à resistência ao desgaste. economia de acabamento. condição de carga.

Figura 16 – Diferentes tipos de teste de modelo (a) sistemas fechados. outros métodos estão ficando mais e mais importantes.120) Em adição aos sistemas de medição mecânicos. Para caracterizar o desgaste do tipo adesivo. p. Florianópolis. como as técnicas de monitoramento em linha. (b) sistemas abertos . Foram utilizados o ensaio da roda de borracha e o teste de pino com uma lixa de 150 mesh. Do contrário. os materiais com estrutura predominantemente de austenita apresentam maior perda de material que os materiais que apresentam martensita predominante no ensaio com roda de borracha.- Os sistemas abertos: estudam o comportamento do corpo sólido somente. que analisam fragmentos junto ao lubrificante. veja a figura a seguir. sistemas que estudam desgaste abrasivo são geralmente do tipo aberto. para uma perda fixa no ensaio da roda de borracha.Fonte (Gahr.1987. mas também o mecanismo mudou. e análise de trincas por radiação. A figura a seguir mostra um exemplo da influência do equipamento de ensaio no comportamento de desgaste de 26 diferentes ferros fundidos. Para uma dada perda de material no ensaio com pino abrasivo. corrosivo e fadiga de superfície são utilizados normalmente sistemas fechados. SC – Agosto 2004 . No entanto. Nota-se que não apenas a quantidade de material desgastado. tem-se maior desgaste nas estruturas predominantes de martensita.

as partículas abrasivas isoladas são assimiladas a penetradores duros e de geometria simples. A partir de considerações da mecânica do contato. índice de fragilidade.Figura 17 – Relação entre perda abrasiva de ferro fundido em estrutura martensitica e austenitica em teste com pino e com roda de borracha . Estas condições. que vão riscaras superfícies polidas.123) Ensaios de abordagem local – Fonte (de Mello. Estabelecer critérios para a determinação da transição abrasão dúctil/abrasão frágil e discriminar a contribuição de cada uma ao processo abrasivo. pode-se determinar: dureza ao risco.Fonte (Gahr. podendo contribuir efetivamente para a compreensão de aspectos fundamentais do desgaste abrasivo. e para cada fase considerada isoladamente. fator de perda da matéria e ângulo crítico de ataque. tenacidade. 1994) Nesta técnica. Estudar a morfologia da deformação nas proximidades do penetrador e determinar: efeito da geometria do penetrador. Florianópolis. Esta técnica permite em particular: • • • • Determinar os esforços atuantes sobre as diferentes fases constituintes do material. energia específica. 1987. SC – Agosto 2004 . p. muito embora idealizadas permitem a utilização de modelos simples.

1994. SC – Agosto 2004 . Formação de micro-cavacos sem deformação plástica lateral. • Microcorte. A medida da força tangencial permite o cálculo do coeficiente de atrito aparente ou da relação de forças (f). Este tipo de mecanismo acontece quando as tensões impostas superam as tensões críticas para a formação e propagação de trincas sendo restrita aos matérias frágeis. O deslocamento relativo provoca o aparecimento de um esforço tangencial Ft atuante paralelamente a superfície do corpo de prova. As tensões devido ao atrito podem ser decompostas em uma componente de tensão cisalhante (adesão) e uma componente de compressão (sulcamento).A passagem de uma partícula sobre a superfície do sólido promove uma tensão tangencial que pode produzir dependendo das condições geométricas. p. O ângulo de ataque influencia no tipo de mecanismo. Este parâmetro depende fortemente da geometria do penetrador e é definido como: F=Ft/Fn=tgβ Florianópolis. devido a formação e interação de fissuras. (De Mello. Formação de detritos. O coeficiente de atrito entre a face ativa e a superfície afeta o desgaste de maneira marcante. Deformação plástica sem perda de matéria gerando um sulco com conseqüente formação de acúmulos frontais e laterais da matéria movimentada. • Microlascamento. reológicas e físico-químicas mecanismos de desgaste como: • Microsulcamento. O esforço normal Fn é imposto pelo experimentador. é definido como sendo o ângulo entre a face ativa da partícula e a superfície.60) A técnica de esclerometria para materiais dúcteis Os esforços atuantes sobre uma partícula piramidal são mostrados na figura a seguir.

também chamada de tensão de sulcamento ou tensão tangencial. 1987. p. p.63) Figura 19 – Modelo teórico parta cálculo do volume de material removido (a) deformação plástica ao redor da partícula abrasiva penetrante em contato de deslizamento (b) secção transversal para obtenção do volume desgastado .Fonte (Gahr. Hr = Fn Fn = k1 2 An L e= Ft Ft = k2 2 At L onde: Florianópolis. 1994. SC – Agosto 2004 . Partícula piramidal de ângulo no vértice igual a 2θ Fonte (de Mello.Figura 18 – Diagrama de forças.138) Da figura acima pode-se ainda definir a pressão de média de resistência a penetração normalmente chamada dureza ao risco (Hr) a emergia necessária para deslocar um volume unitário de matéria (e).

L é a largura do risco ou sulco. O fluxo de matéria ao longo do plano de contato implica na existência de uma força de cisalhamento Nt*. a perda de massa por unidade de comprimento W/dl será expressa por: W = f ab ρ . f ab = AV − ( A1 + A2 ) AV onde: AV é a área lateral do risco. k3 é a constante geométrica referente ao penetrador.An e At são projeções da área (Ac) do plano de contato AB nas direções Fn e Ft. como acontece com a dureza estática. respectivamente. movimentada é retirada do material. A partir de ensaio topográfico dos riscos estes autores definiram um fator de retirada do material (fab). pode-se determinar o coeficiente de atrito de Coulomb (µ). Pode-se ainda estimar o volume de matéria movimentada pelo riscamento pela seguinte expressão: dV = At = K 3 L2 d1 onde: dV é o volume da matéria movimentada. Buttery e Archad aoud de Mello (1994) mostraram que no caso dos metais ordinários apenas uma parcela da matéria . Analisando-se os esforços atuantes no plano de contato pode-se concluir que existe uma força normal ao plano (Nn*/Ac). Assim. SC – Agosto 2004 . µ= N* t N *n O conhecimento da direção desta força de cisalhamento.L2 dl Florianópolis. K1 e K2 são constantes dependentes da geometria do penetrador. Assim. A1 e A2são as áreas dos acúmulos laterais. a priori. Admite-se que esta tensão está relacionada com o limite de escoamento do material. d1 é a unidade de deslocamento. não é possível em função do grande número de parâmetros que devem ser considerados.

SC – Agosto 2004 .onde: ρ é a densidade do material. Florianópolis.

Introdução ao estudo de desgaste. SC – Agosto 2004 . Desempenho tribológico dos intermetálicos TiAlN e TiCN e micro-mecanismos de desgaste abrasivo.R. P.D. Amsterdam: Elsevier.560 RABINOWICZ.1810-1819. 2000. 2002.488 BRESSAN. Fatores que afetam a resistência ao desgaste de aços e ferros fundidos utilizados em componentes mecânicos que trabalham em mineração. Friction and wear of materials.Ed. p.Referência Bibliográfica GAHR. SILVA JUNIOR. Karl-Heinz Zum. A.36501-11. 1995. RIBAS. p. J. p. 2a. Tribology series. L. p. et al. Engineering tribology. São Pedro: Anais CBECIMAT. UFSC.A. 1987. J. 1994. 315 De MELLO. Microestruutre and wear of materials. Florianópolis. São Paulo: anais 57O. WILLIANS. KOSLOWISKI.ABM. 1994. v10.Ernest.D. E. Oxford: oxford publications. P.M.F. José Daniel Biasoli. New York: John Wiley & sons.

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