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O Processo Formativo do Professor de EBD

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04/13/2014

Um bom processo educativo é formativo. Não se dá apenas de mente pra mente, mas

envolve obediência.

A Escritura ensina que o coração é o centro da vida. Uma pessoa reflete o que está no

seu coração Provérbios 4:23 diz: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, por-

que dele procedem as fontes da vida”. De acordo com Tedd Tripp:

86

Extraído de: GREGORY, John Milton. As 7 Leis do Ensino. Rio de Janeiro: JUERP, 1983., p.30-37.

32

O coração determina seu comportamento. O coração é a fonte da qual ema-
nam as realizações da vida. Este assunto é abordado em outras partes da Bíblia - Mc
7:21-22; Lc 6:45. A questão básica não é o comportamento, mas é sempre o que está
acontecendo
dentro do coração.87

Em Deuteronômio 6:4-6, o texto revela o significado escriturístico do vocábulo: “Ou-

ve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o

coração, de toda a tua alma, e de toda a tua força. Estas palavras que hoje te ordeno, estarão

no teu coração”. Esta palavra “coração” para os hebreus envolvia o ser como um todo: inte-

lecto, emoção e vontade. Segundo Hendricks o processo de ensinar nada mais

é que a transformação total de uma personalidade, operada pela graça de
Deus, e que depois, pela mesma graça, alcança outros para transformá-la também.
Fazer isso de mente para mente é fácil, mas pelo trajeto via coração é bem mais difí-
cil, mas opera transformação
.88

Tedd Tripp comenta o seguinte sobre o coração:

As decisões e escolhas que fazemos originam-se naquilo que amamos e dese-
jamos. Há mais de 750 referências ao coração na Palavra de Deus. As Escrituras nos
dizem que o coração guarda, discerne, instrui, medita, reflete, percebe, planeja, ma-
quina, pondera, pensa e considera. Apesar de sabermos, pela ciência, que é o cérebro
que processa e organiza as informações, é o coração que direciona até mesmo essas
atividades
.89

O processo da Educação consiste em ensinar, passando uma informação, ajudando-os

a compreenderem e/ou adquirirem a mesma, mas tem como objetivo uma transformação de

vida. Não podemos visar apenas uma mudança de comportamento, que é visível, mas mostrar

a partir disso, que este está ligado a alguma atitude do coração. Este fato o leva à cruz de Cris-

to e ressalta a necessidade de um Salvador. Conhecimento seguido de ação, gera transforma-

ção.

No livro Pastoreando o coração da criança o autor Tedd Tripp faz a seguinte coloca-

ção a respeito dos métodos da psicologia:

Alguns dos métodos da psicologia popular dirigem-se à mudança de compor-
tamento. A ideia é simples. Recompensa-se o bom comportamento de alguma forma
tangível; ignora-se ou talvez pune-se o comportamento ruim. A esperança é de que a
criança reaja às privações tornando-se bem-comportada. O método errado treina o
coração na cobiça e no interesse próprio. Rapidamente as crianças aprendem a regra
deste tipo de jogo. E quando ninguém estiver por perto, não haverá motivo para agir
correto, nem obedecer”.
[E ele conclui dizendo:] “O Deus que conhece nossos cora-
ções nos chama ao comportamento correto com a finalidade de honrá-Lo
.90

87

TRIPP, Tedd. Pastoreando o Coração da Criança. São José dos Campos: Editora Fiel, 1998. p.15-16.

88

HENDRICKS, Howard. Op. cit. p.91.

89

TRIPP, Margy & Tedd. Instruindo o Coração da Criança. São José dos Campos: Editora Fiel, 2009. p.64.

90

TRIPP, Tedd. Op. cit. p.79-80.

33

Neste processo de desenvolvimento da criança, há algumas influências formativas, de-

finidas por aqueles eventos e circunstâncias que se comprovam catalisadores para tornarem-na

a pessoa que ela é. Essas influências não são automáticas, mas a maneira como ela reage a es-

tes eventos, determinam o efeito que estes têm sobre elas. Elas são: a estrutura familiar; valo-

res familiares: o que é importante para os pais? Papeis na família: cada um desempenha um

papel; resolução de conflitos; a história familiar. Temos que tomar cuidado para não cairmos

no erro de que essas influências são deterministas. Presumir que a criança é vítima e indefesa

diante destas circunstâncias. Outro erro é negar que ela não é afetada por essas experiências.

Elas não são passivas.91

A direção da criança, seja voltada pra Deus ou o mundo, irá determinar sua reação as

influências formativas. Elas não são neutras. Neste processo de aprendizado e formação da

sua fé ela vai assimilar novas maneiras de lidar com estas influências.92

Ela é feita a imagem

de Deus, criada para o louvor da sua glória, então, nossa preocupação na participação da sua

formação deve ser sempre a partir de uma orientação a Deus. Na Bíblia, vemos exemplos on-

de as influências formativas não constituem a história completa da formação da criança. Pen-

semos sobre José. Sua infância foi longe de ser um ideal (Gên 50:19-21). No entanto, ele en-

tregou-se a Deus, que o transformou.93

No entanto, mesmo tendo ciência destas influências em suas vidas, é do coração que

brota, que sai o que o contamina e o leva a agir em direção a seus próprios desejos. Em Ma-

teus 15:19,20a, lemos o seguinte: “Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios,

adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. São estas coisas que contami-

nam o homem”. A instrução formativa proporciona às crianças condições de enxergarem e

pensarem de uma forma bíblica a respeito de si mesmas e do mundo ao redor. Nosso proce-

dimento flui do coração. Ele não é causado pelas circunstâncias ou pelas pessoas.94

Diante de tudo examinemos suas atividades. Quais as atitudes que emanam dele que

observando podemos ensinar a Palavra de Deus, aplicar seus princípios, visando alcançar o

seu âmago. Essas atividades são encontradas no livro Instruindo o Coração da Criança por

Tedd & Margy Tripp.

As atividades de adoração brotam do coração - Em Deuteronômio 10:12, Moisés faz

uma pergunta importante: “Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor requer de ti? Não é que

91

TRIPP, Tedd. Op. cit. p.22-27.

92

Idem. p.36-37.

93

Idem. Ibid.

94

TRIPP, Margy & Tedd. Op. cit. p.57.

34

temas o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma?” O que Deus quer de

nossas crianças, é um coração totalmente devotado a Ele. Usamos bastante e até ensinamos o

versículo 5 e 6 de Provérbios 3, que diz: “Confia no Senhor de todo o teu coração e não te es-

tribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará

as tuas veredas“. Quando dizemos que não conseguimos confiar em Deus, não paramos de

confiar. Sempre confiaremos em outra coisa, seja nosso próprio entendimento ou em alguém.

A criança também é essencialmente religiosa, elas são adoradoras, ou a Deus ou a um ídolo. O

coração não é neutro.95

As atividades emocionais fluem do coração - é no coração que sentimos todos os ti-

pos de emoções: dor, estima, desejo, desespero, desprezo. E com ele nós podemos causar: o-

fensas, ódio, temores, lamentos, amor, cobiça, ira, ressentimentos, desânimos, etc. Em Eze-

quiel 11: 19-20, Deus, através do profeta, transmite uma promessa de restauração: “Dar-lhes-

ei um só coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei da sua carne o coração de pedra e

lhes darei coração de carne; para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e

os executem; eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus”. Tedd Tripp conclui que: “É com

o coração que nos vangloriamos, almejamos, desfalecemos, perdoamos, damos ou acolhe-

mos. E ele pode pulsar, reagir, caluniar, trapacear ou desviar-se”.96

O coração torna a pessoa aquilo que ela é - em 1 Samuel 16:7, Deus falando com

Samuel a respeito daquele que substituiria Saul disse: “Porém o Senhor disse a Samuel: não

atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o Senhor não

vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração”. Nós somos iguais,

nos preocupamos mais com o exterior. O aluno só compreenderá e interpretará a vida de ma-

neira correta, se reconhecer que é o seu coração que irá dirigir toda a sua vida. A Bíblia afir-

ma, em Lucas 6: 45c, “porque a boca fala do que está cheio o coração“. Não é de se admirar

que os adjetivos relacionados ao coração são tantos na Palavra de Deus: enganoso, tolo, des-

viado, arrogante, quebrantado, sensível, contrito, obstinado, cruel, ferido, sábio, fraco, e tantos

outros. Deus é o único que pode esquadrinhá-lo e colocá-lo no caminho correto (Jer. 17:10; Sl

139:23,24).97

As motivações do coração - De acordo com o que temos visto, o coração é a sede da

motivações. Tedd Tripp explica isso da seguinte maneira: “o comportamento tem um quando,

um que e um porquê. O “quando” é a circunstância para o comportamento. O “que” é aqui-

95

TRIPP, Margy & Tedd. Op. cit. p.64-65.

96

Idem. p.65.

97

Idem. p.66.

35

lo que alguém faz ou diz. O “porquê” é a motivação”.98

No livro de Tiago, capítulo 4 podemos ver este exemplo: “De onde procedem as guer-

ras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?”

Isso não procede porque pessoas ficam irritadas com algo que aconteceu ou porque as mes-

mas não são capazes de resolver estes conflitos, mas surgem pelos desejos que guerreiam den-

tro do seu coração. E muitas vezes são eles que vencem.99

Aparentemente é desanimador olharmos como é nosso coração. No entanto, só há uma

cura para ele, a graça de Deus. O problema do pecado é mais profundo do que as coisas que

vemos. Seu problema é interno e somente a graça pode transformá-lo radicalmente. Como e-

ducadores ao ensinarmos essas verdades para elas, mostrando que somente Jesus pode mudar

nossa visão superficial de vida cristã para uma perspectiva de vida abundante e plena nele, é

que conseguirão em total dependência viver a proposta de vida que Ele tem para todos nós. 100

Precisamos de sua capacitação para isso. Jamais conseguiremos por nossas forças ou

méritos. Devemos encorajá-las a buscar o Senhor, clamar por sua ajuda e colocar o coração

em suas mãos para como um vaso nas mãos do oleiro, ser quebrado e moldado.

Alguns versículos que podem nos lembrar como é o nosso coração e quem devemos

buscar:

Salmos 119:9 - “De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Ob-

servando-o segundo a tua palavra”.

Salmos 119:10 - Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti”

Salmos 139:23 - “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração…”

Salmos 51:10 - “Cria em mim, ó Deus, um coração puro…”

Provérbios 20:9 - “Quem pode dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou do meu

pecado?”

Jeremias 17:9 - “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperada-

mente corrupto; quem o conhecerá? Eu, o Senhor, esquadrinho o coração…”

Marcos 12:30 - “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o coração…”

Hebreus 4: 12 - Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz…e é apta para discernir os

pensamentos e propósitos do coração”.

98

TRIPP, Margy & Tedd. Op. cit. p.71-72.

99

Idem, p.72.

100

Idem. p.75-74.

36

O produto final da aprendizagem resulta numa modificação radical do comportamento,

onde, a exemplo de Paulo, podemos afirmar “logo, já não sou eu mais quem vive, mas Cristo

vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me

amou e a si mesmo se entregou por mim.” (Gál. 2:20).

Hélder Salles Cardin afirma a importância de uma educação além da informação: “As-

sim, temos uma educação não simplesmente informativa, mas formativa e impactante, pois o

alvo será a formação do caráter divino nos aprendizes”.101

101

CARDIN, Hélder de Salles. A incumbência primária da família na educação dos filhos na primeira infância.
2007. Dissertação (Mestrado em Teologia Pastoral). Centro de Pós-graduação Andrew Jumper, São Paulo,
2007.

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