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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 3

2 PANORAMA DA EDUCAÇÃO .......................................................................................... 5 2.1 ABORDAGENS GERAIS ................................................................................................... 5 2.2 EDUCAÇÃO SECULAR X EDUCAÇÃO CRISTÃ .......................................................... 7 2.3 A EDUCAÇÃO NO CONTEXTO ECLESIÁSTICO.......................................................... 8

3 FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA........................................................................................ 11 3.1 ESTUDO DE VOCÁBULOS............................................................................................. 11 3.2 NOÇÕES DO ENSINO NO ANTIGO TESTAMENTO ................................................... 13 3.3 NOÇÕES DO ENSINO NO NOVO TESTAMENTO....................................................... 15 3.4 AS IMPLICAÇÕES PARA A EDUCAÇÃO CRISTÃ ..................................................... 17

4 O EDUCADOR .................................................................................................................... 19 4.1 JESUS E SUA ATUAÇÃO COMO MESTRE .................................................................. 19 4.2 DESAFIOS PARA O EDUCADOR CRISTÃO ................................................................ 21

5 O EDUCANDO .................................................................................................................... 23 5.1 CARACTERÍSTICAS MORAIS ....................................................................................... 24 5.2 NECESSIDADE DE SALVAÇÃO.................................................................................... 25 5.3 O PLANO DE SALVAÇÃO.............................................................................................. 26

6 A EDUCAÇÃO E SEUS PROCESSOS............................................................................. 28 6.1 O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM ............................................................. 28 6.2 O PROCESSO FORMATIVO E EDUCATIVO ............................................................... 31

7 PERFIL DO PROFESSOR ................................................................................................ 37 7.1 QUALIDADES BÁSICAS ................................................................................................ 38 7.2 O PAPEL DO ESPÍRITO SANTO NO ENSINO.............................................................. 41 7.3 DONS ESPIRITUAIS X RESPONSABILIDADE COMUM ........................................... 43

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8 A IMPORTÂNCIA DO TREINAMENTO ....................................................................... 46 8.1 AS IMPLICAÇÕES POSITIVAS E NEGATIVAS NO PREPARO DO PROFESSOR... 46 8.2 A IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHAMENTO APÓS TREINAMENTO.................... 48 8.3 A PARCERIA PAIS E IGREJAS ...................................................................................... 49 8.4 O QUE O PROFESSOR DE EBD PRECISA SABER ...................................................... 52 8.4.1 Conhecer seu público alvo ............................................................................................ 52 8.4.2 Como planejar e preparar uma aula ........................................................................... 55 8.4.3 Como usar recursos, técnicas e métodos em sala de aula .......................................... 59

9 PESQUISA DE CAMPO .................................................................................................... 62

CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................................. 72

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 75

APENDICE ............................................................................................................................ 78

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1 INTRODUÇÃO Alguma vez você já parou pra pensar qual o impacto que o ensino de seus professores produziu em sua vida? O que mais lhe marcou? Ao se lembrar deles, que qualidades vêm a sua mente? Que influência eles tiveram em sua vida? Como era a sua atuação em sala de aula? Seu ensino era desafiador e seu desempenho demonstrava preparo? Quando se trata da formação de um professor, precisamos levantar questões como estas. Um dos obstáculos para um ensino eficaz, sem dúvida, é a falta de preparo e qualidade dos educadores. No livro Ensinando para Transformar Vidas, Howard Hendricks afirma que no preparo secular se você precisa ensinar qualquer matéria, necessitará de pelo menos quatro a cinco anos na faculdade se preparando para ser professor. No entanto, quando tratamos da educação cristã qualquer pessoa serve, mesmo que nunca tenha sido capacitada para este ministério1. E isso é uma questão de visão que envolve a liderança eclesiástica. Ministrar uma aula vai além de se ter material para o ensino. Em 2 Timóteo 2:15 vemos o cuidado que o apóstolo Paulo tem com quem transmite as verdades bíblicas. Assim diz o versículo: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”. E em 2 Timóteo 2:2 nos desafia “E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros”. Nestes versículos encontramos claramente a importância de nos preocuparmos com quem somos, de que maneira ensinamos a Palavra de Deus e a importância de transmiti-la a outros. A falta de professores e a qualidade dos mesmos é a realidade da educação cristã em muitas igrejas. Tive algumas oportunidades de oferecer capacitação em algumas delas, tanto na minha região, Nordeste do Brasil, como aqui no sudeste, e a grande problemática é a falta de pessoas e a preparação das mesmas para o ensino da Palavra de Deus. As entrevistas realizadas com quatro líderes na área de educação em suas igrejas locais demonstram essa necessidade de priorizar o processo formativo do professor de Escola Bíblica Dominical. Há muitos cristãos dispostos, e até fazem o trabalho da melhor maneira que sabem, mas sem a instrução adequada para este serviço. Não podemos exercer o ministério do ensino das Escrituras de qualquer maneira. Os textos de Jr 48:10 e Rm 12:7 nos alertam a fazer com excelência. É uma responsabilidade e exige capacitação adequada para a mesma. É também um privilégio, concedido por Deus a nós, de sermos embaixadores, de exercermos o ministério da reconciliação por meio da exposição dos princípios e verdades do nosso Senhor (2 Co 5:18-20). Para isso, devemos nos em1

HENDRICKS, Howard. Ensinando para Transformar Vidas. Venda Nova Editora Betania, 1991, p.18.

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penhar em recrutarmos voluntários em nossas igrejas para formamos uma equipe onde o compromisso pela verdade, o amor pelos alunos, a convicção do chamado, a busca pela excelência sejam qualidades inerentes em suas vidas. Este trabalho fornece um conjunto de sugestões para o processo formativo dos professores de Escola Bíblica Dominical, visando dar-lhes noções de educação, de quem é o educador e o educando, assim como a função de cada um neste processo de ensino-aprendizagem. Os assuntos tratados em cada capítulo estão longe de serem esgotados. Sem dúvida, há outros temas pertinentes para sua formação, mas o propósito é conceder uma melhor perspectiva do que o professor precisa ser, saber e adquirir para ensinar as verdades da Palavra de Deus com excelência. Nesta caminhada é importante reavaliarmos nosso desempenho e postura como educadores e devemos sempre perguntar: onde e como posso melhorar? O público alvo deste trabalho são os professores do departamento infantil na faixaetária de 6 a 12 anos, mas os princípios são úteis para ensinarmos todas as idades. Um bom professor de EBD não é somente o que leciona crianças. As diferentes idades não devem alterar o conteúdo ensinado. Os métodos, aplicações são usados de forma a alcançar o indivíduo, mas a mensagem da Palavra de Deus nunca deve mudar. Os professores de Escola Dominical devem ser melhor escolhidos e precisam adquirir a visão correta do propósito da educação cristã na igreja local. Que este trabalho seja mais uma ferramenta para o bom desempenho da educação cristã em sua igreja.

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2 PANORAMA DA EDUCAÇÃO A educação é vista por diferentes ângulos. Ao longo dos anos, várias teorias foram surgindo com o propósito de entender, definir papéis e transmitir a informação nos diversos estabelecimentos educacionais. Conhecendo cada uma delas, teremos condições de avaliarmos sua influência na educação, no educador, no educando, comparando com a proposta e objetivos da educação cristã. 2 Este capítulo apresenta apenas noções básicas da educação.

2.1 ABORDAGENS GERAIS Abordagem Tradicional Segundo Edson Lopes:
Esta abordagem tem como foco a transmissão do professor ao aluno. Ela privilegia o especialista, os modelos e o professor, elemento imprescindível na transmissão de conteúdos. O adulto é considerado como um homem acabado, “pronto”, e o aluno, como alguém que precisa ser atualizado.3

Percebemos que o aluno é apenas um receptor do conhecimento transmitido. Ele apenas executa o que lhe é ordenado em sala de aula, independente dos seus interesses e vontade.

Abordagem Comportamentalista Como a própria palavra já sugere, o ensino vem pelo resultado das experiências vividas. Lopes afirma que “O ensino é composto por padrões de comportamento que podem ser mudados por meio do treinamento, segundo objetivos pré-fixados.”4 Então, o professor nesta abordagem deve aprender a analisar como seus alunos agem, interagem, e de acordo com as necessidades, influenciando-os a mudarem seu comportamento na direção e necessária. Para Skinner:
O mundo já é construído, e o homem é produto do meio, e que pode ser manipulado. Para eles algumas agências contribuem para esse controle, e a instituição educacional é uma delas.5

Se a educação é vista apenas como uma transmissão de conhecimento, não haverá espaço para explorar novas descobertas e o incentivo a prática das mesmas.

2 3

LOPES, Edson. Fundamentos da Teologia da Educação Cristã. São Paulo: Mundo Cristão, 2010, p.97-108. Idem. p.97. 4 Idem. p.98. 5 Idem. p.99.

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Abordagem Humanista Nesta linha de pensamento educacional o objeto central é o aluno, que tem como finalidade a busca por sua própria autonomia, por meio da sua própria experiência. Maria da Graça Nicoletti Mizukami comenta o pensamento educacional de Rogers, um dos influenciadores desta abordagem da seguinte maneira:
A educação tem como finalidade primeira a criação de condições que facilitem a aprendizagem do aluno, e como objetivo básico liberar sua capacidade de auto aprendizagem de forma que seja possível seu desenvolvimento tanto intelectual quanto emocional.6

Roger também afirma que o aluno “sabe se está indo ao encontro de suas necessidades […] em direção à sua essência”.7 Uma escola com essa visão permitirá que o aluno seja livre para desenvolver seu processo de aprendizagem de forma criativa e independente.

Abordagem cognitiva Jean Piaget é um dos grandes nomes desta abordagem. Para ele a criança possui a oportunidade da descoberta ao passar de um estágio para outro. Ele propõe a teoria dos estágios do desenvolvimento cognitivo. O conceito se dá numa progressão contínua de assimilação, acomodação e organização. De acordo com Lopes:
Na questão educacional escolar, Piaget assinala que sua finalidade não consiste somente na transmissão de conhecimento, informações, demonstrações, modelos, mas em propiciar às crianças um ambiente em que se trabalhe com conceitos, em níveis operacionais em consonância com o estágio de desenvolvimento do aluno; mas caberá ao aluno o papel de observar, experimentar, comparar, relacionar, analisar, justapor, compor, encaixar, levantar hipóteses, argumentar.8

Abordagem Sociocultural Paulo Freire é quem difundiu esta abordagem. Seus estudos são em torno da andragogia,9 onde o foco educacional foi direcionado as classes socioeconômicas menos favorecidas. Seu trabalho consistia em alfabetizar adultos. Uma das suas obras principais é a Pedagogia do Oprimido. Ele parte do pressuposto que a sociedade é dividida em duas classes, onde uns têm mais privilégios que outros. E no seu ponto de vista, a educação é um desses bens, onde todos devem ter o direito de desfrutá-la. Segundo Freire:
Toda práxis educativa, para que seja válida, deve, necessariamente, ser pre6 7

LOPES, Edson. Op. cit. p.101. Idem. p.105. 8 Idem. p.107. 9 Andragogia é a educação direcionada aos adultos.

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cedida tanto de uma reflexão sobre o homem como de uma análise do meio de vida desse homem, a quem se quer ajudar para que se eduque [...] Educador e educando são sujeitos de um processo em que crescem juntos, porque ninguém educa ninguém, ninguém se educa; os homens se educam entre si, mediados pelo mundo.10

Após este panorama geral das diferentes abordagens educacionais, onde cada um expõe sua visão do educador e educando, com o propósito de que os mesmos influenciem e construam a sociedade e contextos em que vivem, vamos avaliar alguns contrates na educação cristã, que têm o foco na pessoa e obra de Cristo e não no ser humano.

2.2 EDUCAÇÃO SECULAR X EDUCAÇÃO CRISTÃ A educação secular é mais prestigiada do que a educação cristã. As crianças passam a maior parte do tempo na escola, sendo possível que os educadores sintam-se inferiores diante desta tarefa. No entanto, isso não é verdade. A diferença entre educação secular e educação cristã é grande. Na secular, lidamos apenas com o humano, na cristã, lidamos com o transcendente. A secular discute o aqui e agora, e a cristã, o eterno. A educação secular pensa que o que o ser humano interpreta e observa é a base da realidade. A cristã, que somente Deus é o intérprete de tudo e Nele reside toda a verdade. Não somente isso, mas na visão secular do ensino, eles procuram formar pessoas bem sucedidas e inteligentes, mas a perspectiva do educador cristão visa a transformação das pessoas à imagem de Cristo.11 Portanto, a nossa tarefa, missão é muito importante (Mateus 28:18-20). Segundo Kenneth O. Gangel no livro Fundamentos Bíblicos e Filosóficos da Educação:
Educadores cristãos, que ensinam com base em uma cosmovisão cristã, desejam alcançar o aluno em todo o seu ser, não apenas em seu intelecto. Precisamos visualizar nossos alunos como algo mais do que mentes vazias a espera de serem preenchidas. Eles devem aprender não somente o que as Escrituras ensinam, mas como viver diariamente de acordo com ela.12

Quando estudamos a palavra educação no latim “educare” e “educere”, percebemos que a ideia principal é de “nutrir” e “conduzir para fora”. A preocupação não é apenas de fora para dentro, mas de formar o indivíduo com valores além do conhecimento. No conceito geral de educação, Deus está excluído deste processo. O dicionário Oxford define “educar” como “cuidar desde a infância, formando hábitos, maneiras e aptidões intelectuais; instruir, fornecer ensino; treinar, discipular de forma a desenvolver uma aptidão, gosto ou disposição especi10 11

LOPES, Edson. Op. cit. p.107 PRICE, Donald E. Pastores e Mestres. o ensino eficaz na igreja. São Paulo: Vida Nova, 2003. p.20-23. 12 Fundamentos Bíblicos e Filosóficos da Educação. São Paulo: ACSI, 2004. p.107.

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ais.13 E é por isso que a diferença entre este conceito e a educação cristã é tratada anteriormente. A escola cristã é muito mais do que apenas fornecer conhecimento bíblico, mas ela tem a missão de apresentar que todo este conhecimento procede de Deus. Dessa forma, o homem será capaz de conhecê-lo, a si mesmo e ao mundo, com base na verdade das Escrituras, visando glorificá-lo.14 Uma das dificuldades é definir a educação cristã. Ela é confundida com educação religiosa, que de acordo com a definição de Lopes:
Pode ser entendida como a transmissão de conceitos e valores de qualquer religião a respeito do surgimento do Universo, da relevância da família, dos valores e princípios morais e éticos e na crença num ser transcendente.15

O que é educação cristã? Há várias definições por pessoas diferentes, mas gostaria de encerrar este assunto com a explicação que o próprio Edson Lopes deixa em seu livro Fundamentos da Teologia da Educação Cristã:
A educação cristã pode ser compreendida como um processo educacional que busca o desenvolvimento da pessoa e de seus dons, bem como o conhecimento da realidade, do mundo e do homem sob a perspectiva cristã da vida. Isso significa ler as áreas do conhecimento humano pelas lentes das Escrituras, a fim de que, no aspecto prático, seja visado não só o benefício do aluno, mas que este encontre a verdade, tenha comunhão e ame o Criador.16

2.3 A EDUCAÇÃO NO CONTEXTO ECLESIÁSTICO Um dos ministérios educacionais da igreja local é a Escola Bíblica Dominical. Cada Igreja tem seu horário, sua estrutura, mas o propósito em promover crescimento por meio do ensino bíblico é o mesmo. Antes de tratarmos sobre sua relevância no corpo de Cristo, conheçamos sua história, como e quem deu início a este ministério. No livro Teologia da Educação Cristã, Claudionor de Andrade descreve quem idealizou e como surgiu a Escola Dominical. Vejamos o que ele relata:
A Escola Dominical nasceu da visão de um homem que, compadecido pelas crianças de sua cidade, quis dar-lhes um novo e promissor horizonte”. Na cidade de Gloucester, localizada no Sul na Inglaterra, a delinqüência era um problema que parecia insolúvel. Aqueles menores roubavam, viciavam-se e eram viciados; achavam-se sempre envolvidos nos piores delitos. Tudo isso era consequência da Revolução Industrial que, se por um lado, levou o desemprego a milhares de artesãos, por outro, forçou o ingresse de muitas donas de casa no Mercado de trabalho, privando-as, par13 14

DOHERTY, Sam. Os Princípios do Ensino. São Paulo: APEC, 2008, p.34. LOPES, Edson. Op.cit. p.108-109. 15 Idem. p.110. 16 Idem. p.111.

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cial ou totalmente, de seu encargo como educadoras dos filhos. É nesse momento que o jornalista Episcopal Robert Raikes entra em cena. Tinha 44 anos quando saiu pelas ruas a convidar os pequenos transgressores a que se reunissem todos os domingos para aprender a Palavra de Deus. Juntamente com o ensino religioso, ministrava-lhes várias matérias seculares: matemática, história e língua inglesa. Sua escola se tornou popular, mas a oposição logo apareceu. Muitos o acusavam de comprometer o dia do Senhor com aqueles meninos. Raikes sabia que Deus estava sendo adorado através de seu trabalho amoroso e incondicional. No dia três de novembro de 1723, Raikes publica, em seu jornal, o que Deus operara e continuava a operar na vida daqueles meninos. “Eis por que a data foi escolhida como o dia da fundação da Escola Dominical.17

Após tantos anos, sua obra nos alcançou também. Hoje, milhares de alunos e professores, juntos aprendendo a Palavra de Deus, sendo a maior agência do ensino bíblico da Igreja Local. Muitos outros se importaram com o ensino oferecido às crianças. Charles Spurgeon declarou o seguinte:
Uma criança de cinco anos, se ensinada adequadamente, pode crer para salvação tanto quanto um adulto. Estou convencido de que os convertidos de nossa igreja que se decidiram quando crianças são os melhores crentes. Julgo que são mais numerosos e genuínos do que qualquer outro grupo são mais constante, e, ao longo da vida, os mais firmes.18

Moody apoiou ao ensino sistemático cristão declarando:
Há muita desconfiança na igreja de hoje quanto a conversão de crianças. Poucos creem que elas podem ser salvas; mas, louvado seja o Senhor, esta mentalidade já está mudando - uma luz começa a brilhar.19

O pastor Artur A. M. Gonçalves envolvido com o mesmo sentimento que Raikes expressa o seguinte:
As maiores vítimas dos males da nossa sociedade estão sendo as crianças. E é das crianças que vêm os mais angustiantes apelos. Para construirmos um mundo melhor, concentremos nossos esforços nas crianças.20

A visão e a dedicação de Robert Raikes ecoam até hoje. Através de sua vida e ministério, a Escola Bíblica Dominical surgiu em muitos outros lugares e países. E chegou até nós, Brasil. A Fundação da EBD no Brasil começou da seguinte maneira, de acordo com Claudionor de Andrade.
A Escola Dominical no Brasil teve como nascedouro a cidade imperial de Petrópolis, no Rio de Janeiro. A data jamais será esquecida: 19 de agosto de 1885. Nesse dia, os missionários escoceses Robert e Sara Kalley dirigiram a primeira EBD em terras brasileiras. Sua audiência não era grande; apenas cinco crianças assistiram
17 18

ANDRADE, Claudionor de. Teologia da Educação Cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p. 28,29. Idem. p.30. 19 Idem. Ibid. 20 ANDRADE, Claudionor de. Op. cit. p.30.

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aquela aula. Mas foi suficiente para que o trabalho florescesse e alcançasse os lugares mais retirados do nosso país. Hoje, no local onde funcionou a primeira Escola Bíblica Dominical do Brasil, acha-se instalado um colégio, mas ainda é possível ver ali o memorial que registra este tão singular momento do ensino da Palavra de Deus.21

Consideremos algumas questões relacionadas ao ministério educacional da igreja: Os objetivos educacionais são claramente conhecidos? O corpo de Cristo tem sido alimentado e exercido suas funções adequadamente? Qual a prioridade de uma equipe bem preparada? Qual o cuidado com o currículo que atenda a todas as faixas etárias? Parece que há uma preocupação atual em programas, encontros, em agradar os membros mais do que o ensino claro e profundo das Escrituras, o qual nos transforma e capacita a vivermos para glória de Deus. Há um conceito errado da utilidade deste ministério. Segundo Angelo Gagliardi Junior:
O conceito que a maioria dos crentes faz da escola é que ela é necessária apenas por ser cumpridora de um horário na agenda semanal das atividades da igreja, tradicional instituição, e como qualquer humana tradição, quando inútil, torna-se desprestigiada e desacreditada.22

Então qual a importância da Escola Dominical? Qual a sua utilidade para o corpo de Cristo? Gostaria de listar pelo menos as quatro razões abaixo: A primeira é que a Bíblia é ensinada oferecendo as respostas e instruções para as perguntas, necessidades e anseios dos membros. É por meio do estudo sistemático da Palavra que aprendemos a conhecer e amar a Deus, vivendo para seu agrado. A segunda é que a EBD se torna um local onde os dons e habilidades podem ser desenvolvidas para a edificação e serviço do corpo. Cumprindo assim a ordem de Jesus. Terceira, é um dos momentos onde praticamos e desfrutamos da comunhão uns com os outros. E quarta, somos testemunhas da graça de Deus ao nosso redor. Pensar em uma igreja sem o funcionamento da mesma é difícil. Atualmente, a Escola Bíblica Dominical é um braço da Igreja Local, servindo para equipar e educar os santos a viver e a servir o Mestre. O pastor Antonio Gilberto assim a descreve: “A Escola Dominical, devidamente funcionando, é o povo do Senhor, no dia do Senhor, estudando a Palavra do Senhor, na casa do Senhor”.23

21 22

ANDRADE, Claudionor de. Op. cit. p.30,31. JUNIOR, Ângelo Gagliardi. Você acredita na Escola Dominical? São Paulo: Associação Religiosa Imprensa da Fé, 1986. p.25. 23 GILBERTO, Antonio. A Escola Dominical. Miami, FL: Editora Vida, 1980. p.28.

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3 FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA Na abordagem cristã da educação, o livro didático é a Bíblia, pois, nessa abordagem, encontramos a fonte primária e o único critério inerrante das verdades absolutas. Ela, portanto é a “lente” ou o referencial teórico por meio do qual devemos enxergar as mais diversas ações da existência humana 2 Tm 3: 16-17; 2 Pe 1:21. Educação cristã não está restrita ao conhecimento bíblico dominical de determinada comunidade, mas ela possui a importante tarefa de mostrar que o conhecimento real e verdadeiro procede de Deus e tem sua causa última nEle. E seus princípios cristãos são centralizados e norteados pela Bíblia.24 Portanto, vale ressaltar o que ela tem a dizer sobre a educação, através de alguns estudos de vocábulos, procurando identificar termos compreendidos pelos escritores bíblicos e quais os desafios práticos que podem ser extraídos deles para a vida cristã.25

3.1 ESTUDO DE VOCÁBULOS É uma análise de termos e conceitos associados aos vocábulos, usados para compreender com que conotação os escritores bíblicos associavam esses termos. Este estudo não visa se aprofundar no assunto, mas trazer uma noção básica de como a educação era vista e praticada pela família, liderança e pelo paidagogo que atuava como professor.
Didasko - traduzido por “ensinar”, provém da raiz grega dek, cuja tradução é “aceitar”, “estender a mão para”. A palavra sugere a ideia de fazer alguém aceitar alguma coisa. Na cultura grega, o uso da palavra didasko, denotava a atividade de um professor, cuja preocupação era desenvolver as capacidades do seu aluno, quando lhe eram transmitidos conhecimentos e habilidades. Entretanto, a Septuaginta, ao traduzir as palavras hebraicas limmad (ensinar), yada’ (fazer, saber e ensinar) e yarah (ensinar e instruir) como didasko, ressaltou que didasko significa principalmente instrução enquanto ao viver (Dt 11:19; 2 Sm 22:35).26

Então, ensinar, não seria somente a atividade de um professor em transmitir o conhecimento e de desenvolver habilidades, capacidades dos seus alunos, mas, principalmente, ensiná-los a temer a Deus, cujo sentido prático é viver de acordo com a Sua vontade.27
Didáskalos - no grego antigo, esse substantivo abrangia os que dedicavam com certa regularidade à transmissão sistemática de conhecimento ou perícias técnicas. Não se referia diretamente ao professor, que cumpria a função específica da leitura e escrita, mas poderia se tratar do tutor, do filósofo. No Antigo Testamento, esse termo de certa forma é evitado, porque os doutores da lei não consideravam adequado aplicar o termo didáskolos aos ensinadores da lei. Os israelitas preferiam empregar os termos môreh (professor), maskil (instrutor) e rabbî (mestre). No Novo Testamento, didáskolos ocorre 59 vezes, das quais a vasta maioria se acha nos evangelhos,
24 25

LOPES, Edson. Op. cit. p.109-111. Idem, p.113. 26 Idem. p.114. 27 Idem. p.115.

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mas não se refere apenas aos ensinos de Cristo, pois João Batista também é denominado de didáskele, mestre (Lc 3:12).28

Deve ser observado que desde a apresentação de Jesus como mestre (didáskalos), em Mc 14:14, os cristãos daqueles dias passaram a compreender que esse termos continha em si uma referência Cristológica. Apesar desta implicação e da igreja primitiva compreender que o único mestre é Jesus, didáskalos também era aplicado a homens que cumpriam o ofício ou a tarefa de explicar aos outros a fé cristã e que por isso eram chamados de mestres (1 Co 12:28).29 Outro termo utilizado é “paidagogos”:
Paidagogos - este substantivo procede do substantivo paidós e do verbo paideuo (criar, instruir, treinar, educar) e seus derivativos: paideia (criação, treinamento, instrução, disciplina); paideutes (instrutor, professor); paidagogos (curador, guia). Este último se refere ao homem, usualmente um escravo, cuja tarefa era conduzir meninos e jovens para a escola e trazê-los de volta, bem como supervisionar sua conduta de modo geral. E que sua incubência era de cuidar da criança apenas na mais tenra faixa etária.30

Na Bíblia o termo paidagogos ocorre 3 vezes: 1 Coríntios 4:15; Gálatas 3:24 e 25. O objetivo do apóstolo Paulo era demonstrar que a lei serviu como preparação para o mais excelente, isto é, conduzir os filhos de Deus a Cristo. E quando utiliza paidéo, indica o aprendizado produzido pela ação de Deus mediante sofrimentos e disciplinas que objetivam corrigir e salvar por misericórdia os seus filhos.
Manthano - o significado básico deste vocábulo é aprendiz, aluno, discípulo, pupilo. O substantivo mathetes ocorre 264 vezes no Novo Testamento, exclusivamente no evangelho de Atos. Emprega-se para indicar total devoção a alguém, no discipulado. O uso grego secular da palavra, no sentido “aprendiz”, “aluno” ou “estudante” não se acha. Um homem é chamado mathetes quando se vincula a outra pessoa a fim de adquirir seu conhecimento prático e teórico. Somente se pode ser um mathetes na presença de um didáskalos, um mestre ou professor.31

A questão não é apenas o relacionamento entre aluno e professor, mas a fidelidade do discípulo e o Kyrios, Jesus.32
Fica claro ao analisarmos esses termos que a educação e o ensino são temas relevantes e fundamentais tanto para escritores do Antigo como do Novo Testamento. Ressaltando ainda que o conteúdo bíblico de educação se fundamenta nos seguintes princípios: 1) A Bíblia é o livro didático que deve nortear todo o conteúdo educacional, de maneira que o mestre cristão deve estar consciente de que sua tarefa é ensinar
28 29

LOPES, Edson. Op. cit. p.119-120. Idem. p.120. 30 Idem. p.124. 31 BROWN, Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Edições Vida Nova, 1981. p.661-662. 32 Idem. Ibid.

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a doutrina bíblica; 2) Deus é apresentado na bíblia como educador, do qual deriva toda a autoridade dos demais educadores; 3) Jesus é apresentado como o Mestre, do qual todos os demais só podem ser discípulos; 4) A educação tem como finalidade conduzir o homem ao temor, ao amor e a ensiná-lo a guardar as ordenanças de Deus; 5) A educação prioriza a responsabilidade dos pais. Notamos, por fim, que há pouca preocupação com a formação de instituições escolares, no texto bíblico, justamente porque a família deveria ser o centro da educação bíblica.33

Educação, portanto, é uma realidade na história Bíblica. Desde o Antigo Testamento, assim como no Novo Testamento, ela era uma prática no meio do povo. Todos eles instruindo e guiando as crianças e a nação a conhecer a Deus e a cumprir seus mandamentos.

3.2 NOÇÕES DO ENSINO NO ANTIGO TESTAMENTO O propósito do ensino era que Israel aprendesse a obedecer à lei de Deus. Era um mandamento. Se assim o fizesse, sua posição como povo escolhido por Deus seria evidente e Deus glorificado.34 O livro de Deuteronômio enfatiza essa questão.
Eis que tenho ensinado estatutos e juízos, como me mandou o SENHOR, meu Deus, para que assim façais no meio da terra que passais a possuir. Guardai-vos, pois, e cumpri-os, porque isso será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos que, ouvindo todos estes estatutos, dirão: Certamente, este grande povo é gente sábia e inteligente. Pois que grande nação há que tenha deuses tão chegados a si como o SENHOR, nosso Deus, todas as vezes que o invocamos? E que grande nação há que tenha estatutos e juízos como toda esta lei que eu hoje vos ordeno (Dt 4.5-8).

Ensino e aprendizado não envolviam apenas a transmissão de informação, mas a instrução para vivê-la. O povo era ensinado a seguir e praticar os mandamentos, não só a conhecê-los. Este é um assunto constante no Antigo Testamento. Na mente Hebraica, o conhecimento era ligado a ação, pois eles não podiam afirmar saber algo que não praticavam. O alvo era que Deus fosse louvado e em consequência o povo desfrutaria de paz e bênçãos. E isso acontecia por meio dos ensinamentos transmitidos à nação.35 O principal contexto do ensino no Antigo Testamento era o lar. Deuteronômio 6 nos relata sobre a responsabilidade que os pais tinham de inculcar as Leis de Deus na vida de seus filhos, se utilizando das diversas oportunidades do dia a dia para que viessem a temer e obedecer de todo o coração (Ex. 10:2; 12:26; 13:8; Dt 6:20).36 Já Deuteronômio 31 fornece orientações para a instrução pública de toda a nação:
33 34

LOPES, Edson. Op. cit. p.128. DOWNS, Perry G. Introdução à Educação Cristã. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001. p.25 35 Idem. p.26. 36 Idem. Ibid.

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Ordenou-lhes Moisés, dizendo: Ao fim de cada sete anos, precisamente no ano da remissão, na Festa dos Tabernáculos, quando todo o Israel vier a comparecer perante o SENHOR, teu Deus, no lugar que este escolher, lerás esta lei diante de todo o Israel. Ajuntai o povo, os homens, as mulheres, os meninos e o estrangeiro que está dentro da vossa cidade, para que ouçam, e aprendam, e temam o SENHOR, vosso Deus, e cuidem de cumprir todas as palavras desta lei; para que seus filhos que não a souberem ouçam e aprendam a temer o SENHOR, vosso Deus, todos os dias que viverdes sobre a terra à qual ides, passando o Jordão, para a possuir (vv. 10-13).

Há um processo, uma progressão no aprendizado nesta passagem: OUÇAM APRENDAM - DEMONSTREM. Downs esclarece que naquele contexto, muitos eram iletrados e o ensinamento acontecia oralmente. No entanto, sabemos que só ouvir não significa aprender. É totalmente possível alguém escutar algo e nunca por em prática. A palavra traduzida para “aprender” (lamath) é a palavra hebraica mais comum para o aprendizado. Implicava numa assimilação subjetiva da verdade que deveria ser integrada à vida diária. E isso, deveria ser demonstrado de duas maneiras: através de uma nova atitude e por uma mudança de comportamento. Seguir e obedecer as ordenanças de Deus levaria o povo a uma nova atitude de respeito e temor a Ele. Esse era o objetivo de Moisés como um dos líderes de Israel. Esse temor era relacionado tanto ao próprio Deus como Sua autoridade sobre a vida. Ele deveria ser visto como um Deus terrível, mas amado, com temor e reverência.37 Eles também deveriam demonstrar esse temor com um novo estilo de vida, fruto de um coração transformado. A obediência aos Seus mandamentos era expressão de um temor genuíno. E agindo assim, a pessoa era reconhecida como alguém que cumpria a lei de Deus, e que a mesma fazia parte de toda a sua vida, como regra de fé e prática. A nação em geral era envolvida no processo de ensino às crianças. E a função do professor no Antigo Testamento era de treiná-las para obedecer e amarem a Deus de todo o coração.38 Mais tarde, os levitas e sacerdotes também tiveram participação na educação. Por meio da adoração, o povo era instruído nas sinagogas, e isto proporcionou a abertura para que todos que quisessem aprender participassem. Infelizmente, na história de Israel a obediência a Deus nem sempre foi prioridade. Com o tempo, a própria liderança se afastou não mais seguindo suas leis. Em Jeremias 2:5-8, o profeta proclama o julgamento de Deus para Israel. Como eles poderiam levar a nação a temer a Deus, se eles mesmos não praticavam mais? Como Downs comenta, a possibilidade de um sistema educacional falhar é grande quando os mestres não buscam temer a Deus acima de todas as coisas.39

37 38

DOWNS, Perry G. Op. cit. p.27. Idem. Ibid. 39 Idem. p.28.

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3.3 NOÇÕES DO ENSINO NO NOVO TESTAMENTO Quando estudamos como era o ensino no Novo Testamento, a primeira pessoa que aparece como o maior exemplo nesta área é Jesus. Quando lemos os evangelhos, vemos Jesus como Mestre que com Sua autoridade e vida transformou as pessoas de forma completa e absoluta (2 Co 5:17; João 18:20; João 3:2; Mt 4:23; Mc 1:21-22; Mt 7:28-29). Cristo nos chama para nos comprometermos com a propagação do evangelho e o discipulado e nos deixa uma ordem encontrada em Mateus 28:19-20: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-s em nome do Pai,e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século.”40 Downs comenta sobre um grupo no Novo Testamento que se preocupava demasiadamente com a obediência a Lei e como o Senhor Jesus lidava com eles.
Um outro grupo que tentando restaurar Israel pelo cumprimento rigoroso da lei eram os Fariseus. Preocupavam-se tanto com o estudo das mesmas e em guardálas, ao ponto de tornarem-se fanáticos. No entanto, estavam completamente errados nos seus julgamentos. O Senhor Jesus, em várias situações e com os seus ensinos, respondeu a maneira como eles viviam e o que ensinavam.41

Mateus 5: 17-20 descreve o relacionamento de Jesus com a Lei.
Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra. Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus.

Neste contexto, Jesus afirmou que quem praticasse e ensinasse os mandamentos de Deus seria grande no reino, e quem não fizesse era considerado menor. Ele veio cumprir a lei. E a responsabilidade de seus seguidores é de obedecer. O educador cristão é responsável por ensinar a Escritura de tal forma que promova uma resposta por parte dos aprendizes. As aulas bíblicas devem gerar mudança de vida e não apenas conhecimento.42 A Palavra de Deus tem um propósito claro tanto na utilidade do seu conteúdo, como na eficácia da mesma na vida de seus filhos. Vemos isso em 2 Timóteo 3: 16 e 17: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.”
40 41

DOHERTY, Sam. Op. cit. p.25. DOWNS, Perry G. Op. cit. p.29. 42 Idem. Ibid.

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O Senhor Jesus também se preocupou em treinar seus discípulos para que após sua ascensão pudessem dar continuidade ao ministério do ensino da Palavra de Deus. Poderemos ver que este propósito foi obedecido ao colocarem a educação espiritual do povo como prioridade no reino. E por meio deles e de seus exemplos somos desafiados a continuar exercendo este precioso ministério. O Apóstolo Paulo, em suas cartas, demonstra a prática do ensino no Novo Testamento e sua prioridade com a liderança eclesiástica, esperando que a mesma acatasse os ensinamentos e os praticassem por onde passassem (1 Co 2:13; Col 1:28,29; 2 Tess 2:15 e 1 Tm 4:6-11) cumprindo assim a ordem de Jesus. Cada carta que escreveu tinha como alvo ajudá-los a conhecer e entender alguma verdade. Suas epístolas pastorais mostravam o ensino como algo indispensável ao crescimento do corpo de Cristo.43 O comentário de Antonio Veira de Carvalho nos dá um exemplo disso:
Paulo precisou de muito esforço e até da veemência para orientar corretamente a igreja de Corinto sobre certas práticas não condizentes com a mensagem de Jesus (I Coríntios é rico desses ensinos Paulinos). Na mesma direção, o apóstolo escreveu I e II Timóteo, chamadas “cartas pastorais”, cujo propósito central era esclarecer e orientar seu filho espiritual Timóteo sobre como enfrentar certas crenças, superstições e mitos que grassavam em algumas comunidades cristãs.44

Ele também deixa claro que este ministério deve ser exercido tanto àqueles que eram salvos, como aos que não eram (1 Tm 1:3; 3:2; 4:11; 5:17; 6:2; 2 Tm 2:2, 24; Tt 1:9; 2:1).45 Pelo exemplo dos discípulos. Eles conquistaram uma reputação por obedecerem a ordem de Jesus e ensinarem como mestre e professor começando em Jerusalém indo até os confins da terra (Atos 4:2, 18; 5:20-21, 25, 28). Quando examinamos o Novo Testamento, também vemos a realidade e prática da Igreja Primitiva. Ela estava firmada no ensino. Em Atos 2:42, lemos “perseveravam na doutrina dos apóstolos”. Segundo o comentário de Downs
Os meios usados para edificar novos convertidos foram a instrução, a comunhão, a adoração e a comunidade. Ao compartilharem os bens materiais e as refeições, ao orarem e adorarem juntos, e ao aprenderem juntos, os crentes eram edificados e o povo da comunidade local estava vendo a realidade do Evangelho sendo vivida diante deles. Como resultado de seu ensino e relacionamento com Deus e com os outros, os crentes eram transformados em novas criaturas em cristo que podiam ser reconhecidas como tal.46

Podemos perceber como era a vida em comunidade destes novos cristãos. A atuação e
43 44

DOHERTY, Sam. Op. cit. p.27. CARVALHO, Antonio Vieira de. Teologia da Educação Cristã. São Paulo: Eclésia, 2000. p.32. 45 DOHERTY, Sam. Op. cit. p.27. 46 DOWNS, Perry G. Op. cit. p.31.

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o significado do Espírito Santo são evidentes no meio deles, o amor e a confiança mútua eram presentes nos relacionamentos e a responsabilidade de testemunhar da nova fé um compromisso.47 Carlos Osvaldo Cardoso Pinto, no seu livro Foco e Desenvolvimento, escreve o seguinte:
O crescimento da comunidade do Reino é baseado na demonstração do poder divino pelos apóstolos e na qualidade da vida comunitária [...] Sua vida comunitária era marcada pela unidade e pela comunhão centradas no ensino dos apóstolos e dependentes da oração (At 2.42-47).48

Além da exposição bíblica como maior instrumento de ensino e educação, os atos simbólicos como o batismo e a ceia do Senhor apresentavam importantes características educacionais desde o princípio. Hayward explica da seguinte maneira:
Foi através da ceia e da pregação que a igreja aprendeu de modo objetivo o conteúdo do evangelho e o que significava para ela como esposa de Cristo”. O batismo também foi muito instrutivo, direta e indiretamente. O batismo foi o enfoque do catecismo, antes de se tornarem oficialmente membros da igreja. A vida dos discípulos, seu comportamento era também educativo e tinha tudo a ver com seu modo de viver.49

3.4 IMPLICAÇÕES PARA A EDUCAÇÃO CRISTÃ Diante do que foi exposto sobre educação, claramente visível e presente na Palavra da Deus, tanto pelos estudos de vocábulos, como pelo uso que o Antigo e Novo Testamento faz em sobre o ensino, quais as implicações e os desafios para a educação cristã na realidade atual? As considerações abaixo são resultados dos estudos de vocábulos feitos na disciplina de Teologia da Educação Cristã, com o professor Hélder Cardin, os quais nos levaram as seguintes conclusões: 1. Os pedagogos devem olhar para Cristo como o alvo da educação. Buscar a Deus para ter condições de ensinar para o próximo. 2. Resgatar o valor do papel real do pedagogo, que era de ensinar, supervisionar, instruir, guiar, treinar, etc. Vai além do que somente informar. 3. Capacitar os educadores para que estes direcionem todos os alunos para Cristo. Mostrar o caminho até Ele e o caminho que Cristo deseja para cada um. Se dedicar ao máximo para que a Palavra de Deus se torne algo totalmente claro na vida de nossos alunos.
47 48

CARVALHO, Antonio Vieira de. Op. cit. p.16. PINTO, Carlos Osvaldo Cardoso. Foco e Desenvolvimento do Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2008. p.202. 49 ARMSTRONG, Hayward. Bases da Educação Cristã. Rio de Janeiro: JUERP, 1992. p.35.

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4. Acompanhar extra e pós ensino, procurando meios para a realização desta tarefa. 5. Nós educadores, devemos ter em mente que a nossa posição como de mestre não elimina o fato de ainda sermos discípulos de Cristo. Muitos se esquecem disso, achando que já aprenderam tudo, param de estudar e até mesmo estagnam o seu processo de amadurecimento espiritual. 6. Apresentar e ensinar aspectos importantes e relevantes, o processo educacional deve ser com excelência. 7. Um ensino que aponta para a verdade que tem Deus como fonte. Aos mestres cabe mostrar que há um absoluto, um padrão. 8. Os professores devem produzir pessoas obedientes, pessoas motivadas pelo respeito profundo por Deus. 9. A instrução deve ser para que o povo de Deus seja reconhecido como tendo sido separado por Deus. 10. Ensinar para obediência é um dos ministérios mais importantes, que resulta em grandeza dentro do reino de Deus. 11. Uma educação eficaz é realizada no contexto de relacionamentos. O aluno tem a oportunidade de por meio das relações interpessoais, desenvolver seu potencial como pessoa.50 Muito mais importante que métodos são pessoas aprendendo, sendo cheias do Espírito e amando uns aos outros. E a comunidade eclesiástica promove isso. 12. A educação cristã deve ser resgatada no ambiente familiar. É no lar que a educação cristã deve acontecer. A igreja é uma parceira neste processo. Os desafios são muitos, mas a Palavra de Deus nos fornece base, exemplos e orientações para alcançarmos os objetivos educacionais propostos por ela.

50

CARVALHO, Antonio Vieira de. Op. cit. p.33.

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4 O EDUCADOR O professor cristão é um líder espiritual que influencia no desenvolvimento de seus alunos. Por meio dos seus ensinos o processo de crescimento deve ser contínuo na vida de cada criança. Ele enxerga seu trabalho como ministério, onde vidas estão sendo moldadas e transformadas para eternidade. Howard Hendricks no livro Manual do Ensino para o Educador Cristão escreveu um capítulo sobe O PROFESSOR COMO LIDER. Ele define liderança da seguinte forma:
“Pessoa que sabe para onde está indo e que é capaz de persuadir outros a ir junto com ele. Ou seja, ele tem objetivos claros e é motivador. Ele não é fascinado apenas por ideias, mas por indivíduos; ele é orientado a tarefas como também a pessoas.51

Os professores não são mera extensão dos pais. Eles possuem dons e habilidades adequados ao seu chamado, e como corpo de Cristo, precisa oferecer condições, oportunidades para que possam exercer visando a glória de Deus. Em Efésios lemos “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desenvolvimento do seu serviço, para edificação do corpo de Cristo”. (vv.11,12) Uma das áreas importantes que diz respeito ao professor é o treinamento. Trabalhar o desenvolvimento da sua formação, partindo sempre da perspectiva bíblica, o capacitará a ensinar de forma eficaz a Palavra de Deus.52 No Brasil vivemos uma crise na área docente. Professores que perderam a motivação e a alegria de ensinar, pela negligência da educação, outros por serem tão mal remunerados e sem muito reconhecimento nesta preciosa tarefa. A questão, é que nós educadores cristãos, devemos olhar o ensino pelas lentas daquele que foi nosso maior mestre, o Senhor Jesus.

4.1 JESUS E SUA ATUAÇÃO COMO MESTRE O exemplo que o educador tem para se espelhar é na pessoa de Cristo (João 3:2; 13:13; Mc 4:38; 12:14; Mt 19:16). Ele foi reconhecido e chamado de Mestre. De acordo com Sam Doherty
Em quarenta e cinco situações nos Evangelhos, Jesus ensina e em apenas onze vezes Ele prega. Ele foi chamado de mestre, ou algo similar, cerca de 100 vezes. Mas nenhuma vez foi chamado de pregador. Aqueles que O seguiam eram chamados

51

52

HENDRICKS, Howard. O Professor como Líder. In: GANGEL, Kenneth O. & HENDRICKS, Howard. Manual do Ensino para o Educador Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 1999, p.277. MACARTHUR, John. Como educar seus filhos segundo a Bíblia. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2007. p.28-29.

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de discípulos (seguidores ou aprendizes) em mais de 240 situações.53

Nós devemos basear nosso ensino em Jesus Cristo. Ele era Deus. Desta maneira, Ele era totalmente capaz de conhecer o ser humano completamente e satisfazer as necessidades de cada um. E todos nós, mesmo com nossas limitações, podemos nos beneficiar do seu exemplo, aprendendo com suas lições e buscando imitá-lo.54 JESUS ERA COERENTE - Ele nunca realizou algo que fosse contra aos seus ensinos. Ele une o saber e o fazer (cf. Mt 5:36; 7:24-27). Ele nunca se contradisse. Todos os seus ensinamentos eram de acordo com a sua prática (Jo 7:15-17). Howard Hendricks comenta acerca disso dizendo:
O ensino de Jesus é grande somente se o conteúdo do Seu ensinamento se conforma com a realidade. Um mestre criativo que ensina falsidade não é um grande mestre. Um mestre medíocre que lida inadequadamente com a verdade não se torna grande só porque tenta confrontar grandes questões. Mas um grande mestre que traz perspectivas genuínas acerca da realidade – ah, há a sementeira para o verdadeiro ensino! Há o ensino de Y´shua! Se Jesus não fosse quem reivindicava ser, então Ele não era um bom mestre.55

JESUS ERA ORIENTADO À REALIDADE – Ele não se ajustava ao status quo. Todos os seus ensinos aconteceram nas situações da vida cotidiana (Marcos 12:13-17). Assuntos como vida, morte, céu, inferno, dinheiro, oração, preocupação e crianças faziam parte do seu currículo. Suas aulas não envolviam escrever sobre algo, não que isso seja errado, mas que seus ensinos levassem seus seguidores a decidirem, fazer escolhas que transformaria suas vidas completamente. Dorothy Sayers comenta a respeito desta característica:
Ele era gentil com o desgraçado, paciente com os inquiridores honestos e humilde diante dos céus; mas Ele insultou os respeitáveis clérigos ao chama-los de hipócritas. Eles se referiu ao rei Herodes como “aquela raposa”; Ele ia às festas em companhia de gente reles e era considerado como “comilão e bebedor de vinho, amigo dos publicanos”; Ele curava doenças utilizando quaisquer meios disponíveis à mão, com uma casualidade chocante na questão dos porcos e propriedade de outras pessoas.56

JESUS ERA RELACIONAL - Seu coração pulsava pelos indivíduos. O seu ensino tomou a forma de sala ambulante com interação máxima entre professor e aluno. Os relacionamentos de Jesus mostraram a importância às necessidades pessoais em nível profundo. Construía pontes em vez de muros. Na história da mulher samaritana Jesus via além da aparência e comportamento, ele enxergava o coração. A situação do preconceito existente entre
53 54

DOHERTY, Sam. Op. cit. p.160. HENDRICKS, Howard. Op. cit. p.11. 55 Idem. p.12. 56 Idem. p.15.

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judeus e samaritanos, a maneira como aquela mulher vivia e era vista pelos outros, nada disso foi empecilho para Cristo se aproximar e transformá-la completamente. De pecadora perdida ela se tornou missionária redimida, pois imediatamente foi falar aos outros o que ele tinha feito em sua vida. (João 4; 5:1-15).57 Jesus ministrava e ajudava as pessoas a partir do que elas tinham: perguntas, enfermidades, ansiedades, etc. Ele sabia ouvir e como ninguém, as levava a falar. Diante de cada problema Cristo não apenas resolvia para elas, mas com elas. Elas participavam do processo.58 Portanto, é de suma importância que o educador siga seus passos, o imite. Qualquer mestre só é capaz de viver isso se tiver um forte senso de missão em sua vida.

4.2 DESAFIOS PARA O EDUCADOR CRISTÃO Os desafios para o educador são grandes. Há várias considerações para pensar a respeito da postura, atuação e pessoa do professor. Os professores terão que dar contas a Deus pela influência que exercem. Em Tiago 3:1 vemos que os que ensinam serão julgados por Deus com mais rigor por causa da responsabilidade que carregam. Deus nos considera responsáveis.59 Precisamos ter coerência entre nosso ensino e a prática do mesmo. Os professores deveriam sempre se preocupar como os alunos respondem ao seu ensino - embora as atividades, as comissões e mesmo os diplomas sejam inegavelmente importantes, o teste da eficiência de um professor é o desempenho de seus alunos. O enfoque deve estar no resultado das atividades educacionais. O professor é responsável em levar os alunos a aprender.60 O professor deve sempre perguntar: O que está sendo ensinado? O que se está aprendendo? Se ensinar é fazer com que outros aprendam, então a preocupação deve sempre ser: meus alunos estão aprendendo? E neste processo, se exige que o aluno seja ativo, participante e não expectador passivo. O ditado é verdadeiro: “Dê-me um peixe e comerei por um dia; ensine-me a pescar e comerei pelo resto da vida”.61 O professor cristão tem que oferecer um ambiente onde o aluno não somente tenha liberdade para se expressar, mas seja encorajado a fazer perguntas relacionadas a vida.
57 58

HENDRICKS, Howard. Op. cit. p.15. Idem. p.16,17. 59 WILKINSON, Dr. Bruce. As 7 Leis do Aprendizado. Venda Nova: Editora Betânia, 1998. p.27. 60 Idem. p.32,36. 61 HENDRICKS, Howard. Op. cit. p.282.

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Segundo a perspectiva de Wilkinson a respeito do aperfeiçoamento do professor ele diz:
Contrário à noção de que grandes professores já nascem feitos, eu creio que os mestres de verdade não nascem assim, nem são produzidos; são apenas aperfeiçoados! Crer que alguém já nasce sendo um grande professor é um absurdo equivalente a crer que os grandes cientistas já nasceram feitos. É claro que existem diversos graus de habilidade inata, mas a maioria das pessoas que se saem bem em seus respectivos campos o faz a partir de uma persistência de muitos anos. A verdadeira eficiência é desenvolvida através de muitos anos, com poucos passos de cada vez.62

Todos queremos ser professores melhores. Se você atingiu o estágio no qual pensa que já conhece, sabe ou já ouviu tudo que precisava, é hora de se aposentar! Não há nada mais perigoso do que um professor que acha que sabe tudo. Em 2 Timóteo 2:2 lemos: “E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros”. Jesus disse: “O discípulo não está acima de seu mestre; todo aquele, porém, que for bem instruído será como seu mestre” (Lc 6:40). Isso é um fato, de certo modo, os alunos se tornarão parecidos com seus mestres (Tg 3:1; 1 Cor 11:1) - Não devemos nunca nos contentar com algo menor que a maturidade em Cristo.63

62 63

WILKINSON, Bruce. Op. cit. p.35. HUNT, Susan. Herdeiros da Aliança. São Paulo: Cultura Cristã, 2007. p.188.

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5 O EDUCANDO De acordo com o artigo 227 da Constituição Brasileira a criança é vista como alguém que merece algumas coisas. O artigo diz o seguinte:
É dever da família, da sociedade e do Estado proteger à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda a forma de negligente, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”. Para a lei brasileira as crianças são os indivíduos de até onze anos de idade. Elas têm direito a educação, apesar de sabermos que a educação brasileira não é a das melhores. A sua dignidade deve ser protegida a todo custo.64

A psicologia e pedagogia tem o seguinte conceito a respeito da criança: “que ela é boa e neutra”.65 Na pedagogia nova, a criança é vista, como naturalmente boa, inocente e ingênua, podendo ser corrompida se não for protegida e respeitada. A educação deve proteger o natural infantil, preservando-a da corrupção adulta.66 As teorias do desenvolvimento também têm perspectivas diferentes sobre o ser humano. Vejamos três delas: A Teoria do Behaviorismo, apresentada pelo psicólogo russo Ivan P. Pavlov e então aplicada à psicologia por John B. Watson e Edward L. Thorndike, influenciado também por B. F. Skinner, tem como objetivo mostrar que os seres humanos são condicionáveis. A hipótese principal é que o comportamento humano é explicado em termos de estímulos ambientais. As pessoas são mais bem descritas como sendo reativas em relação ao ambiente. Adequar o indivíduo à sociedade, agindo como a normalidade. O homem é totalmente isento de responsabilidade. Se isso é verdade, então tudo que ele fizer é um resultado de fatores externos. Os aspectos não observáveis como suas emoções, motivos e valores são desconsiderados.67 A Teoria Humanística, popularizada por Carl Rogers, Abraham Maslow e Erich Fromm, também chamada de Romanticista, entendem o ser humano como interativo ao ambiente, reconhecendo que as pessoas também exercem influência sobre ele. O objetivo é que o aluno se sinta bem na aprendizagem. O valor dado ao ser humano é que ele é bom, sabe o que quer e deixa cada um fazer o que quer. Ele idealiza um mundo perfeito.68
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Constituição da República Federal do Brasil. Brasilia, 1998. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/civil_03/Constituição/Constituição.htm>. Acesso em: 27 de nov. 2011. 65 CARDIN, Juliana. Educação Infantil. Seminário Bíblico Palavra da Vida, [s.d.], p.13, [material nãopublicado]. 66 Disponível emL <www.namodemello.com.br>. Acesso em: 27 de nov. 2011. 67 DOWNS, Perry G. Op. cit. p.83. 68 Idem. Ibid.

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A Teoria Progressivista, conhecida também como Construtivismo, onde o contribuinte principal é o Jean Piaget, ressalta o processo de amadurecimento cognitivo do ser humano. Ele parte do pressuposto de que todos nós construímos a nossa própria concepção do mundo em que vivemos a partir das nossas próprias experiências. Aprender é construir o seu próprio significado e não encontrar as “respostas certas” dadas por alguém. O método enfatiza a importância do erro não como um tropeço, mas como um trampolim na rota da aprendizagem. Ele é bom, mas o meio estraga.69 Em contraste com essas teorias e definições sobre a criança, a Bíblia fornece ao educador a perspectiva correta de quem ela é. Seu valor supremo é encontrado não na beleza ou inteligência de cada uma, mas no fato de que foram feitos à imagem de Deus, mas perdida e pecadora. Como educadores, precisamos considerar quem ela é a luz da Palavra de Deus, assim como suas necessidades para alcançá-la como um todo (Lc 2:40,52; Mt 22:37; At 20:27). A maneira como a vemos, irá determinar o quê, como, quanto ele será ensinado. Essas características são inerentes a qualquer faixa etária.

5.1 CARACTERÍSTICAS MORAIS A Escritura não só relata a narrativa da criação, mas sua queda. É essencial para uma abordagem bem desenvolvida da Educação Cristã um entendimento apropriado da pecaminosidade humana. A) Pecadora por natureza - Sl 51:5; Pv 22:15 - A psicologia e pedagogia modernas tentam categorizar a criança como boa e neutra, mas a Palavra de Deus define sua natureza como má. Elas não são inocentes diante de Deus.70 Deus nos deu leis para obedecer, e a quebra delas é pecado. Como 1 Jo 3:4 declara “Todo aquele que pratica o pecado, também transgride a lei; porque o pecado é a transgressão da lei”. Em Romanos 3:23 lemos “Porque todos pecaram e carecem da glória de Deus”. Todos, e as crianças estão incluídos nesta lista. E o resultado é que são todas culpadas diante de Deus, totalmente condenados e sem esperança.71 B) Dá-se a conhecer por suas atitudes. Pv 20:11 é claro ao afirmar “Que até uma criança se dá a conhecer, se o que faz é puro ou reto”. Uma consequência imediata da anterior. As atitudes são procedentes do coração (Mt 15: 17-20). Assim o desafio não é mudar o com69

Linha Construtivista. São Paulo. Disponível em: <http://www.pegagogia.com.br/conteudo/construtivista>. Acesso em: 27 de nov. 2001. 70 CARDIN, Juliana. Op. cit. p.13. 71 GUIMARÃES, Claudia. Pastoreando as crianças desta geração. São Paulo: Editora Vida, 2004. p.60.

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portamento apenas, mas o coração. Por meio de como se comportam podemos diagnosticar algo muito além do que atitudes, mas um coração corrompido e sempre inclinado ao mal. Deixá-las a mercê de si mesmas sem ensinarmos a andarem no temor do Senhor é um grande erro.72 C) Simplicidade - Mt 18: 1-6 - Neste texto, os discípulos questionam quem é maior no reino dos céus? Jesus apresenta a figura da criança e do que ela representa para responder esta questão. Ela é dotada de um espírito humilde e de uma fé simples. Normalmente recebe a mensagem do evangelho sem muita resistência. A resposta de Jesus a indagação dos discípulos de “quem é o maior no reino dos céus?” não foi respondida diretamente, mas preferiu mostrar que até mesmo entrar no reino dos céus seria impossível sem um espírito como daquelas crianças.73

5.2 NECESSIDADE DE SALVAÇÃO Romanos 3:12 e 23. A criança muitas vezes não é vista como alguém que carece de salvação. No entanto, Paulo não estabeleceu faixa etária ao afirmar que “todos são pecadores e carecem da glória de Deus”. Se nosso ensino somente aponta a necessidade do homem, sem levar à cruz, avançamos na Lei sem a Graça. A educação leva a criança não salva até a cruz e o túmulo vazio, e a salva à semelhança com Cristo (João 3:16; Col. 1:28,29).74 Uma pesquisa feita pela APEC, Aliança Pró-Evangelização das Crianças, revela as idades em que as pessoas, desde crianças a adultos, aceitam a Cristo como Salvador.
1% são salvas antes dos 4 anos 85% são salvas entre 4 e 14 anos 10% são salvas entre 15 e 30 anos 4% são salvas depois dos 30%.75

Essa pesquisa, por meio de sua porcentagem, nos revela a importância de ensinarmos desde cedo o caminho para a Salvação. Uma pessoa perdida não sabe para onde ir, que caminho tomar, e sem direção ou alguém que mostre o caminho certo, a criança é um alvo fácil do nosso maior inimigo, Satanás. O exemplo da ovelha perdida de Mateus 18: 12,13 é usada no contexto onde Jesus está ensi72 73

CARDIN, Juliana. Op. cit. p.62,63. CHAMPLIN, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo, Vol. 1. Guaratinguetá: A Sociedade a Voz Bíblica, [s.d], p.462,463. 74 MERKH, David. 101 idéias criativas para professores. São Paulo: Hagnos, 2002. p.101. 75 Bíblia de Recursos para Ministério com Crianças. São Paulo: Hagnos, 2003. p.1054.

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nando sobre as crianças. As ovelhas, por sua própria natureza, não sabem achar o caminho do aprisco por conta própria. O pastor precisa buscá-las e guiá-las. Mesmo que tenha cem e uma estiver faltando, encontrará a que estiver extraviada. O Senhor Jesus deixa claro no versículo 14 que “Não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos”. A palavra grega para “perecer” é a mesma usada em João 3:15,16 e 2 Pedro 3:9.76 Diante deste quadro espiritual da criança, conhecendo o que a Palavra de Deus diz sobre quem ela é, sua necessidade e a vontade do senhor Jesus que nenhuma delas se perca, gostaria de sugerir um plano simples que você como educador pode utilizar para levar uma criança ao conhecimento da salvação.

5.3 PLANO DE SALVAÇÃO Apresentar o plano da salvação para as crianças faz parte da ordem de Jesus (Mc 16:15). Podemos levá-las ao conhecimento de Cristo em lugares, horas e momentos diferentes. Aprendemos a compartilhar nossa fé com outros, sabendo que somente a graça de Deus pode nos regenerar e nos conceder uma nova vida. A mensagem é sempre a mesma, mas os métodos variam de acordo com as necessidades e circunstâncias. Ao apresentarmos a mensagem de salvação, devemos falar sobre o amor de Deus e seu plano para nossas vidas encontrados em João 3:16 e 10:10b, que é de nos salvar. A Bíblia deixa claro que somos pecadores em Romanos 3:23, mas quando nos arrependemos e cremos em Jesus Cristo como Salvador somos perdoados e viveremos para sempre com Ele no céu. Ele morreu numa cruz para nos salvar e ressuscitou ao terceiro dia como declara 1 Coríntios 15:3-6. Devemos ressaltar a esperança que temos nEle, pois venceu a morte e pode nos ajudar a viver uma vida de obediência enquanto estivermos nesta terra (Ef. 2:8,9). Um dos objetivos primários da Educação Cristã deve ser a evangelização, pois como ensinaremos as crianças a crescerem em Cristo, se as mesmas não pertencem a Ele? Uma vida de obediência é caracterizada por uma vida redimida. É bastante claro nas Escrituras que alguém só é salvo pela fé. Este assunto é muito importante e deve ser tratado no ministério educacional da igreja. O quanto antes pudermos levá-las para perto do Senhor Jesus, mais tempo poderão viver para Ele.77

76 77

Bíblia de Recursos para Ministério com Crianças. Op. cit. p.1055. DOWNS, Perry G. Op. cit. p.245-246.

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Segundo Sam Doherty a dupla responsabilidade do ensino envolve:
Um ensino que evangeliza para conduzir as crianças à salvação e ao discipulado, e ao Reino de Deus”. Existe uma visão estranha hoje que tenta distinguir completamente o evangelismo do ensino. Ela diz que devemos evangelizar não salvos e devemos apenas ensinar as crianças salvas. É impossível haver evangelismo sem ensino. Nem deveria haver no caso de uma criança não salva ensino sem evangelismo.78

78

DOHERTY, Sam. Op. cit. p.26.

28

6 A EDUCAÇÃO E SEUS PROCESSOS O processo relacionado a aprendizagem humana não é um produto final, mas é algo que está em constante movimento, contínuo. Tanto mestres como alunos devem participar ativamente. Não é suficiente apenas ter noção de quem é o educando, mas como funciona este processo de ensino-aprendizagem, qual a diferença entre as duas e como levamos o aluno a praticar as verdades da Palavra de Deus tendo sua vida transformada. No livro o Professor Universitário em Aula os autores comentam o seguinte:
Quando procuramos definir o significado de ensinar, encontramos verbos como: instruir, fazer, saber, comunicar conhecimentos ou habilidades, mostrar, guiar, orientar, dirigir, que apontam para o professor como agente principal e responsável pelo ensino. As atividades centralizam-se no professor, na sua pessoa, nas suas qualidades, nas suas habilidades.79

6.1 O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM Nos dias atuais, entende-se por ensino, processo de transmitir conteúdo, o que o professor faz em sala de aula. No entanto, analisemos algumas definições de ensinar mencionadas por Sam Doherty:
A palavra ensinar vem do Latim “insignare” que significa “mostrar como fazer”. O dicionário Aurélio define a palavra “ensinar” como “transmitir conhecimento de; transmitir conhecimento a; dar ou mostrar como ensinamento; fazer conhecer, instruir. O dicionário Webster define a palavra “ensinar” como fornecer instrução, transmitir conhecimento a; fazer com que alguém aprenda; direcionar o desenvolvimento de. Já quando falamos em “aprender”, entendemos: buscar informações, rever a própria experiência, adquirir habilidades, adaptar-se as mudanças, descobrir significados nos seres, fatos e acontecimentos, modificar atitudes e comportamentos. Verbos que apontam para o aprendiz como agente principal e responsável pela sua aprendizagem. As atividades estão centradas no aprendiz, aluno, em suas capacidades, possibilidades, oportunidades, condições para que aprenda.80

Vera Regina Brock define aprendizagem da seguinte maneira: “Aprendizagem é o processo de provocar no aluno posicionamento quanto a verdade ensinada”.81 Segundo a Revista Reflexiones Pedagógicas o processo de ensino-aprendizagem acontece da seguinte forma:
Um saber prévio→ saber neutro→ conflito cognitivo→ observa → descreve → compara → classifica → analisa → reflete → conclui → transfere o aprendizado → valoriza o aprendizado → generaliza o aprendizado → saber prévio. (tirado da apostila de Didática) Todas essas etapas acontecem a medida que o aluno aprende o que lhe é ensinado, é ativo em seu pensamento e quando é estimulado a pensar e rea79

ABREU, Maria Célia de. MASETTO, Marcos Tarciso. O Professor Universitário em aula. São Paulo: MG Editores Associados, 1990. p.5-6. 80 DOHERTY, Sam. Op. cit. p.34. 81 BROCK, Vera Regina. Didática. Seminário Bíblico Palavra da Vida, [s.d]. p.18. [material não-publicado].

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gir diante da instrução recebida.82

Segundo Howard Hendricks, na Lei do Ensino,
O ponto chave é saber estimular e dirigir os atos de aprendizagem. O professor não deve dizer nem fazer para o aluno nada que ele possa fazer por si mesmo. Neste processo o professor não é um jogador, mas um estimulador, motivador levando o aluno a ser um investigador, a agir e ser um descobridor.83

Como educador cristão você tem se contentado com o fato de seus alunos apenas responderem corretamente as perguntas ou saberem as verdades bíblicas? Hoje em dia a tônica do ensino educacional ainda tem sido o professor que fala muito e o aluno que aprende, apenas ouve. Com certeza cada indivíduo aprende e tem níveis diferentes de aprendizagem. De acordo com o psicólogo Abraham Maslow há quatro níveis diferentes.
O primeiro é o que ele chama de ignorância consciente, isto é, não temos conhecimento de nada, mas estamos inconscientes disso. O segundo chama-se ignorância consciente, aquele que sabemos que não sabemos. Podemos chegar a ter essa consciência por meio de outros ou por nós mesmos. O terceiro nível é o conhecimento consciente, aquele em que temos sempre na mente um conhecimento adquirido. Por exemplo: quando estamos aprendendo a dirigir, sempre pensamos nos movimentos que temos que fazer. E, por último, é o do conhecimento inconsciente, no qual dominamos tão bem certo conhecimento que nem pensamos mais nele. Depois de um tempo dirigindo um carro, entramos nele, ligamos o motor e fazemos todos os atos necessários, sem mais pensar que estamos dirigindo.84

Como educadores precisamos reconhecer que cada criança tem um nível diferente de aprendizagem, e isso o ajudará a preparar sua aula de forma que alcance cada um. Uma questão para se pensar é: quando você ensina, tem objetivos definidos? Seus propósitos educacionais são alcançados no processo ensino-aprendizagem? Howard Hendricks sugere três metas para que ao preparar seu ensino seus alunos saibam para onde estão indo e o que precisam fazer. 1. Ensinar os outros a pensar. Vivemos na época do “micro-ondas”. Os alunos não querem mais exercitar a mente, mas esperam receber tudo pronto e rápido. E quando temos o propósito que adquiram novas atitudes, precisamos ajudá-los a pensar. É uma tarefa onde vamos esticar sua mente o máximo possível. Plantar sementes que irão germinar e dar frutos. O bom ensino, o verdadeiro ensino, con82 83

BROCK, Vera Regina. Op. cit. p.19. HOWARD, Hendricks. Op. cit. p.39-40. 84 Idem. p.41-42.

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siste de uma série de momentos em que o aprendiz se mostra predisposto a aprender. Podemos notar isso na parábola do semeador. As situações mudam, mas ele e a semente permanecem os mesmos. Então, aproveite cada momento em que o aluno está com essa disposição, mas não esqueça que levar outros a pensar, pressupõe que você também sabe. 2. Ensinar outros a aprender. Significa um processo de multiplicação, de reprodução do que foi aprendido. É um processo que não para, sempre em andamento, continuidade. E o aprendizado se dá em todos os momentos e esferas da vida. Muitas vezes vai do geral pro específico, do todo para a parte. O processo de aprendizagem é maravilhoso quando o aluno consegue entender o que Deus lhe ensinou, saber o que tem que fazer com esta verdade, praticar e ensinar outros para que tenham a mesma transformação de vida. 3. Ensinar os outros a trabalhar. Não podemos fazer o que o aluno é capaz de realizar por si mesmo. Se agirmos assim, estaremos formando deficientes intelectuais. Hendricks nos lembra que nossa tarefa é levar as pessoas a pensarem por si mesmas, a ser disciplinadas e a agir por uma deliberação própria. É por isso que sugiro que nos empenhemos mais em questionar as respostas do que em responder perguntas.85

A arte de ensinar leva o aluno desde o primeiro nível até o último, com o propósito que o processo de aprendizagem seja desencadeado. Não é algo fácil nem para o educador, nem para o educando, mas importante para que os alvos educacionais sejam alcançados. O que professor e aluno podem fazer na prática para que este processo de ensino-aprendizagem seja alcançado? As sugestões abaixo foram tiradas do livro As sete leis do ensino de John Milton Gregory e visa ajudá-lo a refletir sobre seu papel neste processo maravilhoso de ensino e aprendizagem.

Para os professores 1. Adapte as lições e as tarefas à idade e progresso dos alunos. 2. Selecione lições relacionadas com o meio e às necessidades deles, elaborando boas implicações e aplicações. 3. Estimule o aluno pela lição a ser dada, se utilizando de algum recurso didático/pedagógico.
85

HOWARD, Hendricks. Op. cit. p.39-40.

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4. Coloque-se na posição de um aprendiz. 5. Busque sempre despertar novos interesses através dos exercícios de classe. É um motivador. 6. Conceda tempo para o aluno chegar as suas próprias conclusões. 7. Utilize-se de alguma forma de avaliação e reformule estratégias, visando o progresso do aluno. 8. Procure manter os alunos ativos, evitando tempos mortos. 9. Formule corretamente os problemas e leve os alunos a perceberem as relações lógicas entre as ideias. 10. Revele tranquilidade, firmeza e compreensão. 11. Revele disponibilidade e acessibilidade para responder e ajudar seus alunos.

Para os alunos 1. Ajude-o a formar uma ideia clara do trabalho a ser feito. 2. Leve o aluno a expressar o que aprendeu da lição, ajudando-o a formar seu pensamento. 3. Inclua a participação do aluno no roteiro da sua aula. 4. Passe tarefa, desafios extra-classe para que o processo de aprendizagem continue por toda a semana. 5. Na parte da aplicação conduza de tal forma que eles possam dar exemplos de como praticar o ensino aprendido. 6. Deixe claro seus objetivos para aquela aula. Assim eles saberão aonde você os levará. Não ficarão perdidos. 7. Promova avaliações, provas, competições, trabalho em grupo, pergunta e respostas, para ter um feedback da aprendizagem do aluno.86

6.2 O PROCESSO FORMATIVO E EDUCATIVO Um bom processo educativo é formativo. Não se dá apenas de mente pra mente, mas envolve obediência. A Escritura ensina que o coração é o centro da vida. Uma pessoa reflete o que está no seu coração Provérbios 4:23 diz: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida”. De acordo com Tedd Tripp:
86

Extraído de: GREGORY, John Milton. As 7 Leis do Ensino. Rio de Janeiro: JUERP, 1983., p.30-37.

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O coração determina seu comportamento. O coração é a fonte da qual emanam as realizações da vida. Este assunto é abordado em outras partes da Bíblia - Mc 7:21-22; Lc 6:45. A questão básica não é o comportamento, mas é sempre o que está acontecendo dentro do coração.87

Em Deuteronômio 6:4-6, o texto revela o significado escriturístico do vocábulo: “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua alma, e de toda a tua força. Estas palavras que hoje te ordeno, estarão no teu coração”. Esta palavra “coração” para os hebreus envolvia o ser como um todo: intelecto, emoção e vontade. Segundo Hendricks o processo de ensinar nada mais
é que a transformação total de uma personalidade, operada pela graça de Deus, e que depois, pela mesma graça, alcança outros para transformá-la também. Fazer isso de mente para mente é fácil, mas pelo trajeto via coração é bem mais difícil, mas opera transformação.88

Tedd Tripp comenta o seguinte sobre o coração:
As decisões e escolhas que fazemos originam-se naquilo que amamos e desejamos. Há mais de 750 referências ao coração na Palavra de Deus. As Escrituras nos dizem que o coração guarda, discerne, instrui, medita, reflete, percebe, planeja, maquina, pondera, pensa e considera. Apesar de sabermos, pela ciência, que é o cérebro que processa e organiza as informações, é o coração que direciona até mesmo essas atividades.89

O processo da Educação consiste em ensinar, passando uma informação, ajudando-os a compreenderem e/ou adquirirem a mesma, mas tem como objetivo uma transformação de vida. Não podemos visar apenas uma mudança de comportamento, que é visível, mas mostrar a partir disso, que este está ligado a alguma atitude do coração. Este fato o leva à cruz de Cristo e ressalta a necessidade de um Salvador. Conhecimento seguido de ação, gera transformação. No livro Pastoreando o coração da criança o autor Tedd Tripp faz a seguinte colocação a respeito dos métodos da psicologia:
Alguns dos métodos da psicologia popular dirigem-se à mudança de comportamento. A ideia é simples. Recompensa-se o bom comportamento de alguma forma tangível; ignora-se ou talvez pune-se o comportamento ruim. A esperança é de que a criança reaja às privações tornando-se bem-comportada. O método errado treina o coração na cobiça e no interesse próprio. Rapidamente as crianças aprendem a regra deste tipo de jogo. E quando ninguém estiver por perto, não haverá motivo para agir correto, nem obedecer”. [E ele conclui dizendo:] “O Deus que conhece nossos corações nos chama ao comportamento correto com a finalidade de honrá-Lo.90
87 88

TRIPP, Tedd. Pastoreando o Coração da Criança. São José dos Campos: Editora Fiel, 1998. p.15-16. HENDRICKS, Howard. Op. cit. p.91. 89 TRIPP, Margy & Tedd. Instruindo o Coração da Criança. São José dos Campos: Editora Fiel, 2009. p.64. 90 TRIPP, Tedd. Op. cit. p.79-80.

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Neste processo de desenvolvimento da criança, há algumas influências formativas, definidas por aqueles eventos e circunstâncias que se comprovam catalisadores para tornarem-na a pessoa que ela é. Essas influências não são automáticas, mas a maneira como ela reage a estes eventos, determinam o efeito que estes têm sobre elas. Elas são: a estrutura familiar; valores familiares: o que é importante para os pais? Papeis na família: cada um desempenha um papel; resolução de conflitos; a história familiar. Temos que tomar cuidado para não cairmos no erro de que essas influências são deterministas. Presumir que a criança é vítima e indefesa diante destas circunstâncias. Outro erro é negar que ela não é afetada por essas experiências. Elas não são passivas.91 A direção da criança, seja voltada pra Deus ou o mundo, irá determinar sua reação as influências formativas. Elas não são neutras. Neste processo de aprendizado e formação da sua fé ela vai assimilar novas maneiras de lidar com estas influências.92 Ela é feita a imagem de Deus, criada para o louvor da sua glória, então, nossa preocupação na participação da sua formação deve ser sempre a partir de uma orientação a Deus. Na Bíblia, vemos exemplos onde as influências formativas não constituem a história completa da formação da criança. Pensemos sobre José. Sua infância foi longe de ser um ideal (Gên 50:19-21). No entanto, ele entregou-se a Deus, que o transformou.93 No entanto, mesmo tendo ciência destas influências em suas vidas, é do coração que brota, que sai o que o contamina e o leva a agir em direção a seus próprios desejos. Em Mateus 15:19,20a, lemos o seguinte: “Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem”. A instrução formativa proporciona às crianças condições de enxergarem e pensarem de uma forma bíblica a respeito de si mesmas e do mundo ao redor. Nosso procedimento flui do coração. Ele não é causado pelas circunstâncias ou pelas pessoas.94 Diante de tudo examinemos suas atividades. Quais as atitudes que emanam dele que observando podemos ensinar a Palavra de Deus, aplicar seus princípios, visando alcançar o seu âmago. Essas atividades são encontradas no livro Instruindo o Coração da Criança por Tedd & Margy Tripp.

As atividades de adoração brotam do coração - Em Deuteronômio 10:12, Moisés faz uma pergunta importante: “Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor requer de ti? Não é que
91 92

TRIPP, Tedd. Op. cit. p.22-27. Idem. p.36-37. 93 Idem. Ibid. 94 TRIPP, Margy & Tedd. Op. cit. p.57.

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temas o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma?” O que Deus quer de nossas crianças, é um coração totalmente devotado a Ele. Usamos bastante e até ensinamos o versículo 5 e 6 de Provérbios 3, que diz: “Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas“. Quando dizemos que não conseguimos confiar em Deus, não paramos de confiar. Sempre confiaremos em outra coisa, seja nosso próprio entendimento ou em alguém. A criança também é essencialmente religiosa, elas são adoradoras, ou a Deus ou a um ídolo. O coração não é neutro.95 As atividades emocionais fluem do coração - é no coração que sentimos todos os tipos de emoções: dor, estima, desejo, desespero, desprezo. E com ele nós podemos causar: ofensas, ódio, temores, lamentos, amor, cobiça, ira, ressentimentos, desânimos, etc. Em Ezequiel 11: 19-20, Deus, através do profeta, transmite uma promessa de restauração: “Dar-lhesei um só coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne; para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os executem; eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus”. Tedd Tripp conclui que: “É com o coração que nos vangloriamos, almejamos, desfalecemos, perdoamos, damos ou acolhemos. E ele pode pulsar, reagir, caluniar, trapacear ou desviar-se”.96 O coração torna a pessoa aquilo que ela é - em 1 Samuel 16:7, Deus falando com Samuel a respeito daquele que substituiria Saul disse: “Porém o Senhor disse a Samuel: não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração”. Nós somos iguais, nos preocupamos mais com o exterior. O aluno só compreenderá e interpretará a vida de maneira correta, se reconhecer que é o seu coração que irá dirigir toda a sua vida. A Bíblia afirma, em Lucas 6: 45c, “porque a boca fala do que está cheio o coração“. Não é de se admirar que os adjetivos relacionados ao coração são tantos na Palavra de Deus: enganoso, tolo, desviado, arrogante, quebrantado, sensível, contrito, obstinado, cruel, ferido, sábio, fraco, e tantos outros. Deus é o único que pode esquadrinhá-lo e colocá-lo no caminho correto (Jer. 17:10; Sl 139:23,24).97 As motivações do coração - De acordo com o que temos visto, o coração é a sede da motivações. Tedd Tripp explica isso da seguinte maneira: “o comportamento tem um quando, um que e um porquê. O “quando” é a circunstância para o comportamento. O “que” é aqui-

95 96

TRIPP, Margy & Tedd. Op. cit. p.64-65. Idem. p.65. 97 Idem. p.66.

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lo que alguém faz ou diz. O “porquê” é a motivação”.98 No livro de Tiago, capítulo 4 podemos ver este exemplo: “De onde procedem as guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?” Isso não procede porque pessoas ficam irritadas com algo que aconteceu ou porque as mesmas não são capazes de resolver estes conflitos, mas surgem pelos desejos que guerreiam dentro do seu coração. E muitas vezes são eles que vencem.99 Aparentemente é desanimador olharmos como é nosso coração. No entanto, só há uma cura para ele, a graça de Deus. O problema do pecado é mais profundo do que as coisas que vemos. Seu problema é interno e somente a graça pode transformá-lo radicalmente. Como educadores ao ensinarmos essas verdades para elas, mostrando que somente Jesus pode mudar nossa visão superficial de vida cristã para uma perspectiva de vida abundante e plena nele, é que conseguirão em total dependência viver a proposta de vida que Ele tem para todos nós. 100 Precisamos de sua capacitação para isso. Jamais conseguiremos por nossas forças ou méritos. Devemos encorajá-las a buscar o Senhor, clamar por sua ajuda e colocar o coração em suas mãos para como um vaso nas mãos do oleiro, ser quebrado e moldado. Alguns versículos que podem nos lembrar como é o nosso coração e quem devemos buscar: Salmos 119:9 - “De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo a tua palavra”. Salmos 119:10 - Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti” Salmos 139:23 - “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração…” Salmos 51:10 - “Cria em mim, ó Deus, um coração puro…” Provérbios 20:9 - “Quem pode dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou do meu pecado?” Jeremias 17:9 - “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? Eu, o Senhor, esquadrinho o coração…” Marcos 12:30 - “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o coração…” Hebreus 4: 12 - Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz…e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração”.

98 99

TRIPP, Margy & Tedd. Op. cit. p.71-72. Idem, p.72. 100 Idem. p.75-74.

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O produto final da aprendizagem resulta numa modificação radical do comportamento, onde, a exemplo de Paulo, podemos afirmar “logo, já não sou eu mais quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.” (Gál. 2:20). Hélder Salles Cardin afirma a importância de uma educação além da informação: “Assim, temos uma educação não simplesmente informativa, mas formativa e impactante, pois o alvo será a formação do caráter divino nos aprendizes”.101

101

CARDIN, Hélder de Salles. A incumbência primária da família na educação dos filhos na primeira infância. 2007. Dissertação (Mestrado em Teologia Pastoral). Centro de Pós-graduação Andrew Jumper, São Paulo, 2007.

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7 O PERFIL DO PROFESSOR Um dos grandes desafios para educação no século XXI está entre a quantidade de professores e a qualidade dos mesmos. Vivemos numa época em que tudo depende do conhecimento. A maior preocupação tem sido em quantos certificados os mesmos têm, mas pouca preocupação pela formação do seu caráter e na sua influência nos alunos. Um professor de qualidade envolve tanto ter conhecimento e preparo, como ser exemplo, digno de ser imitado. Ele deve compor valores, para que dessa forma possa exercer uma influência na vida das crianças. Nos vários modelos e propostas educacionais, o professor é visto de várias formas, assim como sua atuação em sala. Na escola tradicional, que vem pela transmissão cultural ou Educação Conservadora, o professor detém o saber e a autoridade. Ele dirige o processo de aprendizagem e sua relação com o aluno é centrada nele e na transmissão dos conhecimentos, na memorização. Mantém certa distância dos alunos, que são elementos passivos em sala de aula. A relação é vertical e hierárquica. O aluno é um simples receptor da informação. 102 Na escola Progressivista, o professor é tido como o condutor do processo de aprendizagem, levando o aluno a construir seu próprio conhecimento. No Romanticismo ou Teorias Humanistas, o professor é visto como um facilitador para o educando. Ele fica a disposição do aluno, que tem nas mãos a opção de fazer esta ou aquela tarefa, de estudar este ou aquele assunto. E o professor age como facilitador no seu desenvolvimento do seu potencial. Não há um currículo a ser seguido. O professor é passivo. Na linha Montessoriana o professor é um guia que remove os obstáculos da aprendizagem, localizando e trabalhando as dificuldades de cada aluno. Ele apenas sugere e orienta as atividades, deixando que o próprio aluno se corrija, adquirindo assim maior autoconfiança. 103 E nós, como definimos um professor cristão? O que ele deve ser e ter para ser um excelente educador? Devemos partir do ponto que os professores são modelos. Seus alunos observam atentamente e processam o que veem e ouvem como certo, errado ou indiferente. Ser um modelo é uma responsabilidade muito séria. Ao escrever para Timóteo, o apóstolo Paulo o admoesta a seguir o exemplo de seus mentores espirituais. Ser um exemplo bíblico é um chamado, não uma opção.104 Em Tito 2:7-8, lemos o seguinte: “Torna-te, pessoalmente, padrão de boas obras”. “No ensino, mostra integridade, reverência, linguagem sadia e irrepreensível, para que o adversário seja envergonhado, não tendo indignidade alguma que dizer a
102 103

Linha Tradicional.Op. cit. Idem. 104 BLACK, Ellen Lowrie. O Professor. In: Fundamentos da Psicologia da Educação. São Paulo: ACSI, 2004. p.85-86.

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nosso respeito”. Pode-se caracterizar o perfil do educador cristão como sendo o resultado de uma série de características espirituais, morais, intelectuais e sociais que identificam o chamado para exercer sua docência a serviço de Cristo.105

7.1 QUALIDADES BÁSICAS CARACTERÍSTICAS ESPIRITUAIS TRANSFORMADO - salvo, uma nova criatura e que tem desenvolvido a vida cristã: 2 Cor 3:18; Rm 8:29; Ef 2:8. Quanto mais a nossa vida for moldada pela Palavra, sendo fiel as suas ordenanças, poderemos influenciar outros a buscarem por uma vida rendida aos pés da cruz. Por meio das Escrituras somos convencidos do pecado, reconhecendo nossa necessidade espiritual (Hb 4:12; 2 Tm 3:16), conhecemos mais e mais a Cristo (Tg 1:18; João 20:31) e podemos crescer em santificação, dando ao Senhor maior controle sobre todos os aspectos de nosso ser (1 Pe 2:2; João 17:17).106

CONHECEDOR DA PALAVRA - 2 Tm 3:15 - que conhece e sabe manejar bem a Bíblia. Gostaria de sugerir algumas maneiras para que possa crescer em seu estudo da Bíblia: 1. Frequente aulas noturnas em faculdade ou seminário ou faça um curso por correspondência. 2. Bombardeie uma passagem bíblica com numerosas perguntas. 3. Mantenha um diário de suas aplicações do estudo. 4. Junte-se a um grupo de discipulado ou de estudo bíblico. 5. Compre ferramentas de estudo da Bíblia, como dicionários, concordâncias, comentários bíblicos.107

VOCAÇÃO - sabe qual é sua missão - 2 Co 5: 20. Sabe por que foi chamado para ensinar e se compromete seriamente com isso, realizando com amor e dedicação (1 Co 7:20). Tem consciência das dificuldades e desafios, mas sua recompensa vem do Senhor. Ele conta com a presença do Espírito Santo prometida por Jesus em João 14:26: “O consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará

105 106

CARVALHO, Antonio Vieira de. Op. cit. p.96. DOHERTY, Sam. Op. cit. p.50. 107 ZUCK, Roy B. O Professor como estudante da Bíblia. In: Op. cit. p.324.

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lembrar de tudo o que vos tenho dito”. Diante de tão grande responsabilidade, por mais vocacionado e preparado que o professor seja, exercer o ministério de ensino, transmitindo a verdade de Deus, somente pela ação e poder do Seu Espírito (João 16:8-10; Gl 4:6; I Tess 5:19).108 VIDA DE ORAÇÃO – Na busca pelo ensino que impacte a vida de seus alunos, o professor precisa dedicar tempo em oração. A Bíblia está repleta de versículos sobre este assunto. A Palavra de Deus nos ordena e desafia à oração - Lc 11:9-10; João 14:13-14; 1 Jo 5:14-15. Encontramos muitos exemplos de seus seguidores, que priorizavam este momento – Rm 1:910; Fp 1:4; 2 Tm 1:3; Lc 11:1. Então, invista seu tempo: orando por si mesmo, pelos seus alunos, na preparação da aula e no tempo em sala de aula. Precisamos ter ciência que sem Jesus não somo capazes de fazer nada (João 15: 5).109 Charles Spurgeon disse certa vez: “Se você não consegue prevalecer com os homens a favor de Deus, pelo menos prevaleça com Deus a favor dos homens”.110

CARACTERÍSTICAS MORAIS “Seja padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza.” 1 Tm 4:12. Paulo convida Timóteo a tornar-se padrão dos fiéis, e esperava que o mesmo fosse um líder cristão modelo aos outros (Fp 3:17; 2 Ts 3:9). E o apóstolo nos dá 5 esferas onde podemos ser modelos, exemplos para outros. Duas que envolvem sua conduta geral e três que são qualidades interiores: 1. Conduta Geral - “na palavra” - que envolve a sua conversa de todos os dias; “no procedimento” diz respeito à conduta geral na sua vida. E ambas devem, ser marcadas com decoro e graça cristã. 2. Características interiores - “o amor”, isto é, a caridade fraternal no pleno sentido cristão; “a fé”, que provavelmente significa a “fidelidade” (cf. Rm 3:3; Gl 5:22); e “a pureza” que abrange não somente a castidade em questões de sexo, como também a innocence e integridade de coração que são denotadas pelo substantivo correlato hagnotês em 2 Co 6:6.111

CARACTERÍSTICAS INTELECTUAIS Ninguém consegue ser um bom comunicador a partir de um arquivo intelectual vazio.
108 109

CARVALHO, Antonio Vieira de. Op. cit. p.98. DOHERTY, Sam. Op. cit. p.54-56. 110 Idem, p.59. 111 KELLY, J.N.D. I e II Timóteo e Tito: introdução e comentário. São Paulo: Edições Vida Nova e Mundo Cristão, 1986. p.15-16.

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Não podemos passar a outros aquilo que não possuímos. O professor deve dar continuidade ao processo de aprendizagem, pois também é um aprendiz. Temos que estar sempre crescendo, em transformação. O próprio Jesus nos dá este exemplo em Lc 2:52; 2 Pe 3:18. Quem pensa dessa forma está sempre se perguntando: “Como posso melhorar meu ensino?”112 Com isto em mente gostaria de dar 3 sugestões para o preparo intelectual: 1. Manter um disciplinado programa de leitura e estudo. 2. Fazer cursos de atualização, tanto para melhorar nosso conhecimento como nossa habilidade intelectual. 3. Conhecer bem seus alunos. Tanto as características gerais das faixas etárias, como o aluno individualmente, saber o máximo que puder sobre sua vida. Trataremos destas questões de forma mais detalhada mais na frente.113

CARACTERÍSTICAS SOCIAIS Os que ensinam a Palavra de Deus entendem perfeitamente como seu ministério inclui o processo de discipulado. Lamentavelmente é notória a distância entre professor-aluno. Muitas vezes a superioridade diante dos alunos é transmitida de forma tão clara que torna difícil o relacionamento entre eles. Alguns desenvolvem até um sentimento de medo por seus professores. No entanto, não é assim que devemos proceder. O professor precisa estabelecer um bom relacionamento com seus alunos, caso queira influenciar suas vidas. E para isso, é necessário ser afetivo. Ele não só ensina, mas cuida, ama, se relaciona, cria pontes neste processo de convivência. O professor pode ser um excelente orador, explanador da Palavra, mas se não amar seus discípulos, seu ministério não dará frutos. O Senhor Jesus através do seu relacionamento com seus discípulos nos mostra este exemplo em João 13:1-11. E logo em seguida nos exorta a fazermos o mesmo em João 13: 34,35: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros”. Seremos conhecidos como discípulos de Cristo pela forma como tratamos uns aos outros. Não conseguiremos marcar suas vidas somente aos domingos. Comunicar o amor de Cristo envolve derrubar barreiras relacionais, ir além das aparências e se aproximar de forma que sua vida influencie as deles.114 A maneira como o professor se relaciona com seus alunos, permitirá ou não influen-

112 113

HENDRICKS, Howard. Op. cit. p.15-16. Idem. p.26-27. 114 SLAUGHTER, James R. O Professor como Discipulador. In: Op. cit. p.296-298.

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ciá-los nas diversas situações da vida. A importância de conhecê-los, assim como sua realidade, promoverá oportunidades para guiá-los mais perto de Deus. Há outras qualidades inerentes, importantes para a vida e ministério do professor. Como nosso referencial no decorrer deste trabalho tem sido a pessoa do nosso senhor Jesus, façamos um check-up e nos espelhemos em suas qualidades para nos tornarmos um professor que busca a excelência em todas as áreas. Sam Doherty em seu livro Os Princípios do Ensino lista as seguintes qualidades:
Seu conhecimento de Deus, seu Pai. Seu conhecimento do homem. Ele sabia o que havia dentro do homem. Seu propósito e alvo que se sobrepõe – relacionar o homem corretamente com Ele, com Deus o Pai e com seu próximo. Sua vida perfeita, como pano de fundo para seu ensino. Seu domínio sobre o assunto ensinado. Sua aptidão e habilidade como professor. Sua benevolência e amor para com aqueles a quem ensinava. Seu toque pessoal. Toda alma tinha valor eterno e era digna de Seu ensino e atenção especiais. Sua capacidade de atrair aos que ensinava. Sua humildade. Sua vida de oração. Sua meticulosidade e sua apresentação sistemática. Também sabia ser informal e usar de métodos diferentes. Sua simplicidade. Sua integridade. Sua fé no poder de Deus para operar no coração e na vida daqueles a quem ensinou. Seu conhecimento das Escrituras.115

Sabemos que para desenvolvermos estas características e as praticarmos, necessitamos da atuação do Espírito Santo. Nossa dependência dele deve ser diária. E quando começamos um processo de formarmos o corpo docente da Escola Bíblica Dominical, uma outra questão vem a mente. Quem tem o dom de ensino? Somente quem o tem pode exercer este ministério? Entenderemos melhor estas questões a seguir.

7.2 O PAPEL DO ESPÍRITO SANTO NO ENSINO A educação cristã difere de qualquer outro tipo de educação, pois é baseada na Bíblia, a Palavra de Deus, seu objetivo é transformação de vidas, e sua dinâmica espiritual é pela obra do Espírito Santo. Falar sobre o ministério do Espírito Santo atualmente traz receio para alguns pela forma como o meio evangélico tem se utilizado. Alguns educadores têm negligenciado a obra do Espírito, conscientes ou não. Outros realçam a sua obra em favor da negli115

DOHERTY, Sam. Op. cit. p.161.

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gência de professores humanos. No entanto, negligenciar sua importância e posição no ministério de ensino da Palavra é desprezar a sua missão.116 Qual a necessidade do Espírito Santo na educação cristã? Não é suficiente o professor ter em suas mãos a Bíblia, saber vários recursos pedagógicos, ter uma excelente oratória, se não reconhecer que para transmitir as verdades da Palavra de Deus depende totalmente de sua atuação. Abaixo quero listar algumas razões porque o Espírito Santo é necessário no ensino, baseados no Manual do Educador por Roy B. Zuck.117 1. O professor cristão precisa da capacitação divina. Zuck deixa claro que “ter a capacidade de ensinar verdades bíblicas para satisfazer necessidades espirituais, requer poder espiritual. Eficiência no serviço exige salvação e obediência ao Espírito Santo“. Como educadores devemos almejar resultados duradouros, e isso só é possível com a ajuda do Espírito de Deus.118 2. A Palavra de Deus se torna eficaz na vida dos alunos. Conhecer a Bíblia, suas histórias, princípios, assim como entender suas verdades não garantem mudança de vida. A própria Palavra fala na parábola do Semeador que nem todos que ouvem, aceitam, acreditam e praticam (Jo 10:25; 12:47,48). E somente o Espírito abre nossos olhos para enxergarmos as verdades da Escritura (Jo 3:5-7; Tt 3:5).119 3. Por meio do Espírito a Palavra produz: Santidade (Jo 17:17-19. Ef 5:26‘2 Ts 2:13; 1 Pe 1:2), Ilumina (Sl 119:105; 2 Tm 3:16; Jo 14:26;)16:13).120 Títulos “O Espírito da verdade” (Jo 14:17; 15:26; 16:13). Ele aplica a verdade de Deus. “Paráclito” (Jo 14:26; 15:26; 16:7). Seu significado é diferente dependendo no da versão bíblica. Zuck nos dá algumas exemplos:
Na NVI - Nova Versão Internacional é “Conselheiro”; na Bíblia de Almeida Revista e Atualizada (ARA) traz “Consolador”; e na Bíblia de Almeida Revista e Corrigida (RA) encontramos também “Consolador”. O termo grego é parakletos, literalmente, “alguém chamado para ficar ao lado de outro.121

“Espírito de Sabedoria e de revelação” sugere que ele revela a vontade de Deus aos crentes e concede sabedoria.

116 117

ZUCK, Roy B. Op. cit. p.33. Idem. Ibid. 118 Idem. Ibid. 119 Idem. p.34. 120 Idem. Ibid. 121 Idem. p.37.

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Funções:
“Daria instruções sobre todas as coisas” (Jo 14:26) “Vos ensinará todas as coisas” (Jo 14: 26) “Vos guiará em toda verdade” (Jo 16: 13) “Vos anunciará o que há de vir” (Jo 16:13).122

O ministério do Espírito Santo é de suma importância para que nós e nosso alunos entendam as verdades espirituais. Então, Segundo Zuck
A educação cristã é um processo cooperativo, uma aventura que envolve o humano e o divino. Os professores comunicam e exemplificam a verdade; o Espírito Santo dar direção, poder, iluminação e discernimento aos educadores.123

Nosso papel como cristãos e educadores é reconhecermos nossa dependência dEle para que aja em nós e através de nós. Isso começa no preparo e planejamento da aula, no momento devocional estudando o texto a ser ensinado, na oração e na execução. Viver dessa forma durante a semana é ter a certeza que no domingo veremos como Deus fez grandes coisas na vida dos nossos alunos.

7.3 DONS ESPIRITUAIS x RESPONSABILIDADE COMUM Uma das respostas que uma pessoa dá quando é convidada ou desafiada a tornar-se um professor de EBD é: “mas eu não tenho o dom de ensino”. E, isso, levanta algumas considerações a respeito: até onde vai a responsabilidade comum de todos os cristãos em ensinar a Palavra de Deus? Que dom precisa ter? É imprescindível o dom de ensino? Pode alguém que não tenha o dom de ensino desenvolver habilidades e tornar-se um excelente professor? Gostaria de abordar os dois aspectos: o dom de ensino como algo a mais que autentica e fortalece o ministério do professor que o tem, e a capacidade que há em muitos de nós em desenvolvermos habilidades para exercermos este ministério com a mesma excelência. E sugerir algumas delas. O dom de ensino: “Se alguém ensina, esmere-se no fazê-lo” Rm 12:7b No capítulo 12 de Romanos, Paulo fala sobre o valor dos dons, no serviço prestado a igreja, e incluiu o ensino como um deles. Em Efésios 4:11 lemos: “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres.” Dom é algo que vem de Deus, não obtemos por nós mesmos. É o que nos faz viver por
122 123

ZUCK, Roy B. Op. cit. p.38. Idem. p.39.

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paixão. A grande questão é como avalio que uma pessoa tem o dom de ensino? As Escrituras revelam diversos fatos a respeito do dom de ensinar em geral: 1) Todo crente tem um dom espiritual (Rm 12:6; 1 Co 12:7, 11; Ef 4:7; 1 Pe 4:10). 2) Os dons espirituais são capacitações divinas dadas soberanamente por Deus em Sua Graça (Rm 12:6; 1 Co 12:11,18). 3) Eles são dados para focalizar Jesus Cristo, para glorificá-lo. 4) Os dons espirituais são dados de forma que os crentes em Cristo possam edificar outros crentes (1 Co 12:7; 14:4,5,17-26; Ef 4:12). Os dons não são para exibição exterior de habilidades pessoais. O propósito é edificação.124 O dom de ensino tem papel proeminente na igreja. Isto realça a importância do ministério educacional da Igreja. O dom de ensinar é a habilidade supernatural dotada pelo Espírito Santo para expor (explicar e aplicar) a verdade de Deus. Todos os crentes em comunhão com o Senhor são ensinados pelo Espírito Santo, e todos os crentes são responsáveis em ensinar os outros. Todos até certo ponto ensinam, mas nem todos os crentes têm a habilidade de ensinar os outros tão efetivamente quanto aqueles que têm o dom de ensinar. Parece ser uma dotação especial.125 Como o dom de ensinar difere da habilidade natural de ensinar? Não se deve presumir que todo professor cristão tenha o dom espiritual de ensinar. Isto pode ou não ser verdade. Então como o crente determina se ele tem o dom espiritual de ensinar? Segundo Roy B. Zuck algumas medidas podem ser tomadas, tais como: a) Caso o crente tenha habilidade natural para ensinar, ele deve considerar se essa habilidade pode ser realçada pelo Senhor para edificar do corpo de Cristo com o dom espiritual de ensinar. b) Ele deve ministrar de diversas maneiras na igreja local para ver se ensinar é experiência agradável.126 Zuck também sugere algumas maneiras de desenvolver o dom de ensino. Elas são:
a) exercitando ou usando o dom, isto é, ensinando as pessoas; b) observando os outros que são professores eficazes; c) lendo livros sobre ensino; d) obtendo treinamento nos princípios e prática de ensino; e) tendo alguém para observar o ensino de outrem e depois fazer proveitosos comentários de avaliação; e f) participando de conferências e seminários sobre educação cristã.127

Por outro lado, algumas habilidades precisam ser desenvolvidas ou adquiridas para que uma pessoa tenha condições de transmitir a palavra de Deus. E acredito que essas são im124 125

ZUCK, Roy B. Op. cit. p.40. Idem. p.41. 126 Idem. p.42. 127 Idem.Ibid.

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portantes para o professor de Escola Bíblica Dominical. Habilidade de comunicação - todo professor deve investir na sua oratória. A capacidade de transmitir as verdades da Palavra de Deus com lógica e clareza é imprescindível para a compreensão dos seus alunos. Buscará usar melhores técnicas educacionais e ferramentas disponíveis. Criatividade - empenhar-se em usar métodos, ferramentas que venham atraí-los, envolvê-los e tornar a aula dinâmica. Amor - quando amamos o que fazemos, nos comprometemos não somente com o conteúdo, mas com as vidas de nossos alunos. Esse amor gera estusiamo pelo que fazemos, tornando a aula um ambiente onde o aluno tem prazer em estar. (Gálatas 5: 22,23). Responsabilidade de quem é salvo - todo cristão tem a responsabilidade de ser um comunicador da verdade. Fomos chamados pra sairmos e ensinarmos (Mt 28). Podemos concluir que transmitir a Palavra de Deus é sem dúvida uma grande responsabilidade. Exige de cada professor empenho, esmero no exercício deste ministério. O professor de Escola Bíblica Dominical que tem o dom de ensino poderá lecionar de forma eficaz as verdades da Palavra de Deus, se o fizer na dependência do Espírito Santo. E os educadores que por meio das habilidades adquiridas desenvolveram aptidão para comunicar de forma clara, correta e desafiadora os princípios Bíblicos, só farão com a consciência de que o Espírito Santo o usará, levando seus alunos a compreensão das Escrituras.

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8 A IMPORTÂNCIA DO TREINAMENTO Até o momento, analisamos de maneira teórica a importância do ensino Bíblico para igreja local, assim como o processo formativo do professor de EBD para desempenhar esta tarefa com excelência. Este capítulo visa sugerir de forma prática alguns passos necessários para a preparação de um treinamento. Nas pesquisas de campo realizadas neste trabalho com alguns coordenadores do departamento infantil em suas respectivas igrejas, destacou-se a grande importância e necessidade de capacitarmos os professores para que a Palavra de Deus seja transmitida de forma eficaz. Vejamos alguns depoimentos:
A importância do processo formativo é tremenda no ministério de ensino na EBD. Bem treinado ele terá condições de transmitir e aplicar as verdades da Palavra de Deus corretamente. Enquanto se prepara, seu caráter é desenvolvido e também transformado. Tem a oportunidade de exercitar o dom ou habilidades adquiridas. Sem preparo ele não tem o que apresentar para o aluno. Renata de Souza santos Primeira Igreja Batista em Itapema-Guarujá/SP O professor é um formador de ideias e opiniões, ele é um sujeito que vai levar informações aos seus alunos, seja na matemática ou na escola bíblica. Outra coisa que é fato é: todos nós buscamos o que é melhor para as nossas vidas e das nossas famílias, seja em um médico, restaurante ou escola e bem sabemos que pessoas bem capacitadas, foram pessoas bem treinadas. Logo, um professor que quer oferecer o melhor para os seus alunos precisa se capacitar da melhor maneira possível. Pr. Rodrigo Silva Igreja Batista Central em Campo Limpo Paulista/SP Não adianta ter o melhor material se os professores não sabem utilizá-lo, não sabem ir além do material para enriquecer a aula e pior ainda, se os professores não estudam a Bíblia, ficam só na “revistinha”. Tudo isto e orientações específicas para cada faixa etária são funções de um bom treinamento. Mas antes de preparar e realizar treinamentos os professores precisam se conscientizar da importância de participar deles, e este para mim é um trabalho a longo prazo e o mais desafiador! Sara Fonseca Igreja Batista em Bragança Paulista/SP

8.1 AS IMPLICAÇÕES POSITIVAS E NEGATIVAS NO PREPARO DO PROFESSOR A busca pela qualidade no ensino começa pela preparação do corpo docente. E a consequência é que muitas vezes servimos um péssimo alimento. Pensando nisso, quais as implicações em termos professores bem preparados? E o que prejudica quando o mesmo não está habilitado e capacitado? Vejamos primeiro algumas razões positivas:128
128

Baseado em: HOWARD, Hendricks. Op. cit. p15-130. O Professor como Estudante. 2009. Disponível em: <http://www.monergismo.com/v1/?p=1537>. Acesso em: 27 de nov. 2011.

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UM PROFESSOR BEM PREPARADO: 1. Ele domina o assunto. Ensina com profundidade as verdades da Palavra de Deus. 2 Timóteo 2:15 2. Ele prioriza seu tempo com Deus. Buscando conhecê-lo mais, obtendo sua direção e sendo transformado por Ele a medida que gasta tempo em sua presença. Se torna um exemplo a ser seguido. 1 Tm 4:12-16 3. Ele procura se aprimorar - Procura participar de capacitações, congressos. Ele é atento a novos métodos e material que possa contribuir com sua aula. 4. Ele leva o aluno a pensar não oferecendo respostas prontas. Funciona como um guia, orientando neste processo de aprendizagem. 5. Ele torna o ambiente em sala de aula agradável, porque há ordem, mesmo com alegria e diversão. 6. Ele transmite confiabilidade aos seus alunos. E é resultado de uma aula bem planejada. Sabe aonde quer chegar. Transmite segurança. 7. Ele se preocupa em desafiá-lo a ação, oferecendo sugestões de como podem praticar a Palavra de Deus. 8. Ele não se satisfaz até que seus alunos tenham compreendido os ensinamentos bíblicos. Procura responder suas dúvidas. 9. Ele tem autoridade e procura aprender como lidar com as diferenças e a indisciplina. No entanto, faz isso com muito amor. 10. Ele procura oportunidades extra classe para discipular.

UM PROFESSOR DESPREPARADO; 1. Não gasta tempo estudando a Palavra de Deus. Seus ensinos são superficiais e limitados. 2. Suas aulas são improvisadas, sem organização. 3. Não tem controle de seus alunos, promovendo indisciplina e insegurança. 4. Não se preocupa com a pontualidade. 5. Não gasta tempo conhecendo seus alunos, descobrindo suas reais necessidades. 6. Não prioriza sua vida de oração e intimidade com Deus, de onde vem toda a sua capacidade, sabedoria e força. 7. Não interage com seus alunos, desmotivando a participação dos mesmos. 8. Pode cair no erro do autoritarismo. 9. Não é criativo. Não se preocupa em usar métodos que facilitem o aprendizado, que

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traga dinamismo para aula. 10. Não ama seus alunos por igual.

A importância de se estar bem preparado para ensiná-las é grandiosa. Quando priorizamos, sabemos que o impacto da Palavra de Deus é profundo na vida dos alunos. Um professor bem preparado é um instrumento nas mãos de Deus para promover um ambiente em sala de aula onde as crianças tenham prazer em estar, o conteúdo é de qualidade, promovendo reflexão e levando à ação. Quando não fazemos isso não estamos cumprindo nosso papel, chamado corretamente. Oferecendo um conteúdo superficial, sem domínio do mesmo, gerando um ambiente onde alunos não interagem, nem são desafiados de forma profunda a obedecerem a Deus, colaboramos para que o inimigo as ataque afastando-as dos caminhos do Senhor.

8.2 A IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHAMENTO APÓS TREINAMENTO Treinar e capacitar os professores de EBD é tão importante quanto dar sequência a um acompanhamento pós-instrução. Uma vez treinados devem receber incentivo e apoio contínuos. E isso é um desafio muito grande, diante de tantas atividades e responsabilidades que todos nós temos. No entanto, deve ser colocado dentro das prioridades da liderança da Educação Cristã da igreja local. Algumas sugestões abaixo podem ser viáveis para sua realidade: 1. O acompanhamento dominical - está disponível para assessorar e checar as necessidades de cada professor ao longo da EBD; 2. Reuniões semestrais com todos oferecendo capacitação, recursos pedagógicos, oportunidades para discussão e avaliação acerca do programa, currículo, métodos, visando avaliar o desempenho e a qualidade do quadro docente. 3. Promova um encontro informal para comunhão. Isso promoverá profundidade nos relacionamentos. 4. Contato semanal por e-mail, telefone, sempre que necessário para passar informações e avisos importantes do departamento. 5. Procure valorizar a dedicação do professor, enviando um cartão de apreciação e gratidão por sua vida. 6. Recrute um parceiro de oração para cada professor. Desafie outros membros a participarem de suas vidas.

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7. Encoraje os professores a chegarem mais cedo para poderem orar juntos pela EBD. 8. Utilize também um mural como meio para informá-los de mudanças, datas e escalas. 9. Tenha um caderno com as informações de cada professor, pedidos de oração, necessidades e ore por eles ao longo da semana. Você verá o impacto que isso fará em suas vidas. 10. Se for possível, procure assistir suas aulas, onde poderá perceber o desenvolvimento e dificuldades de cada um. Sem dúvida, cada igreja tem sua rotina, assim como cada professor tem suas responsabilidades extra igreja, mas a visão do caminhar lado a lado com os educadores de Escola Bíblica Dominical ajudará você, líder do departamento ou do ministério de Educação Cristã da igreja. É por meio destes encontros, programas, tarefas que terá capacidade de conhecer seu progresso, sua atuação como professor, dificuldades enquanto cresce e aperfeiçoa seu processo formativo.

8.3 A PARCERIA PAIS E IGREJA O relacionamento pais e professores é de suma importância. Os pais não deveriam colocar toda a responsabilidade espiritual nas mãos dos professores de EBD. A Palavra de Deus é clara sobre de quem é a responsabilidade primordial de ensinar à criança os princípios da Palavra de Deus. Analisemos alguns textos: Deuteronômio 6:4-9 o contexto para a instrução é o lar. A tarefa de ensinar as crianças é dos pais. Usando todas as oportunidades para que elas aprendam a obedecer a Deus. Seu ensino não era uma atividade isolada num período determinado do dia. Ao contrário, era uma instrução intercalada com todas as atividades da vida. É uma responsabilidade de tempo integral, não há “intervalo para um cafezinho” diante dessa tarefa. Nenhuma fase da vida está isenta. O próprio Deus deu aos pais a tarefa de educar os filhos - não aos professores, nem aos colegas, nem as babás, nem a ninguém que não pertença a família. É errado que os pais tentem se livrar desta responsabilidade transferindo para terceiros.129 Em Provérbios 22: 6 - “Ensina a criança no caminho em que deve andar e, ainda quando for velho, não se desviará dele”. - observamos aqui não uma promessa que garanta aos pais cristãos que seus filhos jamais se desviarão do caminho da verdade. Muitos, na verdade, se afastarão do bom caminho no qual foram educados. Salomão foi um exemplo disso. No entanto, a instrução que receberam na família pode ser um meio de reciprocidade, como se
129

MACARTHUR, John. Op. cit. p.29.

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supõe ter acontecido com Salomão. Os pais que seguirem os princípios bíblicos na educação de filhos verão um efeito positivo no caráter de suas crianças. O modo como os pais educam seus filhos fará diferença. Os pais têm como principal responsabilidade influenciar a vida de seus filhos.130 Segundo o comentário do professor David Merkh acerca deste texto em Provérbios, ele nos explica da seguinte forma:
Com isso Salomão quer nos mostrar que criar os filhos à imagem de Deus exigirá treinamento e delícias (Sl 78; Ef 6:4). Dedicação para pacientemente abrir uma “trilha” para os filhos e treiná-los perseverantemente para seguirem esta trilha aberta. É um processo abrangente que demanda muito do tempo, mas, se querendo de fato formar os filhos, devem investir neles a maior quantidade de tempo possível com qualidade. Embora durante este processo demorado os pais devem ser sensíveis à natureza de seus filhos, em nenhum momento podem esquecer que o dever é serem “próativos”. Ou seja, os pais devem antever as situações e buscarem sabedoria na Palavra para se prepararem para enfrentá-las, visto que o caminho natural da criança é estultícia e vergonha (Pv 29:15; 22:15). Todavia, este esforço para criá-los à imagem de Deus traz sua recompensa: alma dos pais experimentam delícias (Pv 29:17).131

Jesus também deixou uma ordem para igreja. A Grande Comissão em Mateus 28: 1820 fornece uma maior compreensão de seu entendimento da importância do ensino: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século”. Ele começou por afirmar que toda a autoridade era sua de direito, proclamou seu senhorio sobre toda a criação. São suas últimas palavras aos discípulos antes de voltar aos céus, juntamente com as seguintes passagens Mc 16:15, Lc 24:46-48, Jo 20: 21-23; At 1:8.132 O duplo ministério do discipulado inclui evangelismo (salvação e batismo) e aperfeiçoamento (formação e ensino). As Escrituras nos ensinam a compartilharmos a fé e ajudar outros a crescerem na vida cristã. Baseado nesta verdade, a tarefa primária de todo cristão é fazer discípulos de todas as nações. Devemos estar envolvidos com isso. Ensinar faz parte da tarefa do corpo de Cristo.133 O ensino é central no plano do Senhor, indicando sua centralidade na vida da igreja. A Educação Cristã é um meio de manter a vida da igreja e levar a igreja em frente.

130 131

MACARTHUR, John. Op. cit. p.26. MERKH, David. Como criar filhos masculinos e filhas femininas. Atibaia. <http://www.palavraefamilia.org.br/site1/index.php?option=com.content&view=article&id=413:formandohomens-e-mulheres&catid=122:criacao-de-filhos&Itemid=100247>. Acesso em: 27 de nov. 2011. 132 RIENECKER, Fritz. O Evangelho de Mateus.Comentário Esperança. Curitiba: Editora Esperança, 1998. p.455-460. 133 SLAUGHTER, James R. In: Op. cit. p.293.

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Vemos como a Igreja Primitiva continuou dando ênfase ao ensino. Após o dia de Pentecostes, Lucas registra, em Atos 2:42, o seguinte: “E perseveraram na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.” Os meios usados para edificar os novos convertidos foram a instrução, a comunhão, a adoração e a comunidade. Como resultado de seu ensino e relacionamento com Deus e com os outros, os crentes eram transformados em novas criaturas em Cristo e podiam ser reconhecidos como tal.134 O reino é uma questão de crentes sendo cheios do amor por Deus e pelos outros. O desafio de ensinar é para todos nós. Em 2 Timóteo 2:2, Paulo desafia Timóteo a transmitir os seus ensinos a outros: “E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros.” Uma das maneiras que a igreja deve progredir é por meio da educação. Sem dúvida, nesta parceria pais e igreja há algumas observações a serem feitas. A igreja tem limites de tempo, de influência e de autoridade que devem ser considerados com cuidado. Por outro lado, a igreja oferece algumas vantagens neste processo: as crianças encontram professores responsáveis e como um exemplo a ser seguido. O ambiente eclesiástico promove a sociabilidade pra elas. Algumas ou muitas vezes, um estrutura melhor do que muitos lares, valorizando cada criança como indivíduo e conforme sua faixa etária.135 A vantagem da família são várias. A intensidade e quantidade de tempo vividos no dia a dia é tremendo. As ricas e variadas oportunidades para ensinar a Palavra de Deus são numerosas. A própria realidade da convivência, favorece a espontaneidade e coloca para fora quem ela é. Num ambiente descontraído em casa, a curiosidade natural pode levá-la a experiências de aprendizado mais significativas. A informalidade do contexto familiar favorece as oportunidades educacionais e os filhos são encorajados a crescerem em todas as áreas em seu próprio ritmo e com suas diferentes particularidades (Dt 6:7-9).136 Muitos dos efeitos negativos das pressões dos colegas são minimizados. Uma ligação familiar especial é criada quando pais e filhos estão juntos todos os dias e temas como habilidades, passatempos, amigos, manejo do dinheiro, resposta às necessidades dos outros são presentes no convívio do lar. É clara a necessidade de caminharem juntos neste desafio de ensinar a criança nos caminhos do Senhor. Cada qual na sua esfera de influência, apesar das limitações e possibilidades, não devem ser vistos como competidores, mas colaboradores de um propósito maior: o
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JUNIOR, Robert Joseph Choun. Ensinando Crianças. In: GANGEL, Kenneth O. HENDRICKS, Howard. Manual do Ensino para o Educador Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 1999. p.119. 135 CARDIN, Juliana. Op. cit. p.39. 136 Idem. Ibid.

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encaminhamento destas crianças no temor do Senhor.137 Além de ter visão da importância desta parceria, gostaria de sugerir uma ação simples, mas que pode promover seu contato com os pais. Sugestão: Faça um cadastro individual para cada aluno com informações pessoais: nome, idade, família, foto e espaço para as suas próprias anotações sobre o desenvolvimento dele: espiritual, emocional, familiar, dificuldades, habilidades, etc. Além de orar de forma específica por cada um, você poderá acompanhá-los melhor, e junto com os pais ajudá-los no processo de aprendizado tanto em sala de aula, como no ambiente familiar.

8.4 O QUE O PROFESSOR DE EBD PRECISA SABER Neste capítulo queremos sugerir uma série de passos que você pode utilizar neste processo formativo do professor de EBD para capacitá-lo a realizar seu ministério de maneira eficaz. Após compreender e conhecer sobre o que a Bíblia diz a respeito da educação, do papel do educador e educando e o processo formativo e educativo, assim como as características primordiais que um professor de EBD precisa ter, a pergunta é: o que mais ele precisa saber para exercer o ministério do ensino?

8.4.1 Conhecer seu público alvo138 É de suma importância a consideração das características e peculiaridades de cada faixa etária, bem como o uso destas informações na adequação do ensino. Precisamos conhecê-la de forma geral, para então, podermos de forma específica, chegar até seus corações. E isto vai além dos seus traços físicos e nome, é saber também sobre seu desenvolvimento em todas as áreas. Abaixo veremos três áreas inerentes a todas elas de acordo com Juliana Cardin. CARACTERÍSTICAS - Quem elas são e como se comportam. Dentro de suas características podemos encontrar os seguintes aspectos: FÍSICO, MENTAL, EMOCIONAL, ESPIRITUAL E SOCIAL. Conhecer estas esferas de cada criança será importante para sabermos como lidar e desenvolver suas habilidades. INTERESSES - Seus interesses, desejos, preocupações e aspirações. É tudo que envolve o gosto pessoal e geral de cada indivíduo. Esses interesses variam de faixa etária para faixa etária. O conhecimento correto desta área possibilitará aproveitarmos todas as oportuni137 138

CARDIN, Juliana. Op. Cit. p.39. Baseado em: CARDIN, Juliana. Op. cit. p.18. MERKH, David. Op. cit. p.48-49.

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dades e usá-las como benefício para nossas aulas e no relacionamento pessoal com cada uma. NECESSIDADES - Do que, de fato, precisam, necessitam; quais seus desafios. As necessidades são estabelecidas depois que eu conheço de forma geral e específica cada faixa etária, podendo supri-las de forma criativa e prática. Neste ponto, o propósito é atingir o coração. O ministério com crianças exige um entendimento das suas características por faixa etária. Como Deus projetou a criança? Como elas são? Lucas 2:52 mostra que Jesus crescia em sabedoria (intelectualmente); em estatura (fisicamente); em graça para com Deus (espiritualmente) e em graça para com os homens (social e emocionalmente). Então, é de suma importância como elas se desenvolvem nestas áreas se quisermos alcançá-las como um todo. Este trabalho se propõe a descrever e apresentar apenas 2 faixas etárias: 6 a 8 anos, que são conhecidos como primários e 9 a 12, como juniores. Abaixo trataremos de suas características em 6 áreas: físico, mental, emocional, vontade, social e espiritual. Essas características são baseadas no livro Como ensinar crianças do primário, na Apostila de Educação Infantil da Juliana Cardin e no livro 101 ideias Criativas para Professores do David Merkh e Paulo Silva França. PRIMÁRIOS (6 a 8 anos) FÍSICO - crescimento em ritmo mais lento, se cansa facilmente em atividades que requeiram de seu vigor. A coordenação é muito desenvolvida no decorrer dos anos na préescola. A criança nesta faixa etária pode fazer as coisas melhor agora e está cheia de disposição para fazê-las. Seus sentidos são aguçados. Ela também é realizadora, gosta de construir, jogar, etc. Sugestão: o professor deve planejar atividades para que ela desenvolva com êxito o aprendizado através do movimento e uso do corpo. Leve a criança a aprender um versículo por meio de atividades físicas, em vez de simplesmente decorá-lo. Deixe que ela ande pela sala para apanhar livros, giz de cera ou qualquer outra coisa, em vez de ficar sentada enquanto você distribui. Forneça objetos para serem vistos e manuseados junto com o ensino. SOCIAL - Ela tem um forte desejo de ser integrante de um grupo. É amável com os companheiros. Não gosta do sexo oposto. É egoísta, egocêntrica. Gosta de se expressar. Sugestão: O professor, observando estas características e presenciando atitudes pode ser um grande colaborador para que ela aprenda a viver em comunidade. Estimule o trabalho dela em conjunto. MENTAL – possui boa memória. Tem uma imaginação fértil e gosta de se identificar com personagens e de imitá-los. Mantém-se atenta por até 20 minutos. É criativa, responsável e tem bom raciocínio. Pensamento concreto e literal. É ávida e curiosa. Desejosa de aprender.

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Sugestão: o professor pode se utilizar destas características e envolvê-la na participação da aula, de vez em quando. Promover atividades que promovam seu desenvolvimento cognitivo. Desafie o pensamento, não o censure. Promova a memorização de versículos e leitura bíblica. EMOCIONAL - é agitada e impaciente, mas feliz. É insegura e portanto, quer segurança. É medrosa e busca por aprovação. Sugestão: Ajude a treinar suas emoções para amar e odiar as coisas apropriadas. VONTADE - É resistente às ordens, mas aceita sugestões. É pronta para cooperar e tem vontade própria. Sugestão: Boa oportunidade para trabalhar questões sobre autoridade. ESPIRITUAL - uma excelente idade para conhecer e crer em Jesus Cristo como Salvador. É curiosa sobre assuntos como a morte e a vida. Gosta de cantar e crê na oração. Sugestão: Ensine a verdade espiritual na realidade da experiência dela. Ensine o cuidado e o amor de Deus por cada uma. Saliente coisas surpreendentes que realmente acontecem, milagres de Jesus. Apresente o plano de salvação coletivo e individual. Ensine a ler a Bíblia. JUNIORES (9 a 12) FÍSICO - Goza de excelente saúde e possui controle muscular. Gosta de comer. Iniciase as mudanças hormonais. Os meninos crescem mais lento que as meninas. Possui força e resistência. Gosta de atividades ao ar livre. Aprecia fazer o difícil e o competitivo. Faz primeiro, pensa depois. Sugestão: Dê-lhe projetos desafiadores para fazer. Leve-as em caminhadas, acampamentos, passeios, excursões, etc. Desafie habilidades. SOCIAL - expansivas, sentindo necessidade de pertencer a um grupo. Gosta do ar livre e natureza. É competidor, brilhante e briguento. Depreciativa com relação ao sexo oposto. Sugestão: Oportunidade para discutir o respeito pelos outros. Dê o senso de pertencer ao grupo e atenção pessoal. Coerência na vida e disciplina. MENTAL - É investigadora, gosta de fazer perguntas. Já diferencia realidade e imaginação. Possue boa memória e deseja aprender. Sabe relacionar tempo, espaço e acontecimentos. Sugestão: Promova a memorização de versículos bíblicos. Dê oportunidade para expressar seus pensamentos e fazer escolhas de comportamento. Responda suas dúvidas. Ensine cronologia e geografia bíblica. Use mapas, linha do tempo. Desafie e elogie constantemente. EMOCIONAL - Instável e muda de humor. Não gosta de carinho público, mas é im-

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portante saber que é amada. Começa a ter senso de humor. É confiante para vencer. Sugestão: Desafie e canalize o humor. Ensine a avaliar o que é ou não engraçado. Aprenda como ela se sente sobre as coisas. Oriente-a como lidar com os sentimentos. VONTADE - Não quer ser chamada de criança. É independente e rebelde com quem é ditador. Gostam de quem sabe guiá-la com carinho e simpatia. Gosta de fazer tudo que proporcione maior controle e conhecimento. Desejam direção no que é desconhecido. Sugestão: Trate-a de acordo com sua idade. Ajude-a a aprender a lidar, reagir quando sua vontade não é satisfeita. Necessita de um líder que a conduza na vida cristã. Ensinar sobre autoridades. ESPIRITUAL - Seus padrões são altos e fica decepcionada com quem não anda de acordo com eles. Reconhece o pecado como pecado e quer vencê-lo. É crítica quanto ao comportamento dos adultos. Está na hora de confiar em Jesus, se ainda não o fez. E sendo salva, deve experimentar a consagração. Sugestão: Ensine Cristo como Salvador do castigo e poder do pecado. Responda com veracidade e ajude-lhe a encontrar as respostas na Bíblia dela. Ensine a desenvolver um tempo devocional. É uma boa idade para mostrar-lhe a necessidade de se preparar para o serviço que Deus quer que faça no futuro. Estas áreas expostas das duas faixas etárias são um norte para que você como professor possa ter uma ideia geral de como é e se comporta em cada uma delas. O propósito é motivá-lo a conhecer bem seus alunos e mostrar a importância que isso trará na preparação das suas aulas, e de como o ensino da Palavra de Deus pode alcançá-los de forma pessoal e de acordo com cada necessidade. Cada criança tem sua particularidade, educação, desenvolvimento, portanto gaste tempo conhecendo-as.

8.4.2 Como planejar e preparar uma aula Uma das maiores crises do professor é separar tempo para preparar sua aula. No entanto, para que uma aula seja bem executada e alcance seus objetivos, planejá-la é fundamental. Toda aula e matéria precisa de uma sequência de fases a fim de alcançar metas e objetivos educacionais bem definidos. É uma atividade intencional: buscamos determinados fins. Também serve como roteiro para as ações do professor e dos alunos em aula. Ele é flexível e existe para resolver e não criar problemas. Quando planejo determino: Aonde quero chegar? O que pretendo que meus alunos aprendam? O que vou utilizar? Qual a resposta do meu trabalho e o quanto eles aprenderam?

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PLANEJAR ENVOLVE:139 1. Definir os objetivos gerais, que são os mais amplos que você quer alcançar no final do semestre. E os específicos, que você deseja alcançar ao final de cada aula. Os dois precisam ser reais e viáveis. 2. Definir estratégias: os métodos, as ferramentas que você vai utilizar para dar uma aula e alcançar seus objetivos. 3. Preparar a avaliação - a resposta de como tem sido esse processo de ensino/aprendizagem. Como posso melhorar? A outra parte é a execução da própria aula. Que passos devemos considerar para que uma aula seja bem dada? Quando pensamos em preparar uma refeição especial, consideramos os ingredientes que usaremos a apresentação, a criatividade, o ambiente, a sobremesa, etc. Queremos servir algo com qualidade e que venha satisfazer nossos convidados. Assim é com a Palavra de Deus, ela é nosso alimento diário. Então, que tipo de refeição estamos oferecendo aos nossos alunos? Como eles chegam para nossa aula? Talvez seja o único alimento espiritual que a criança receba durante a semana. Os passos abaixo formarão a palavra CEIA que bem preparada alimentará e transformará a vida de cada um deles. A aula deve fluir de maneira que o próprio aluno não perceba necessariamente a estrutura da mesma.140 Há sugestões diferentes para o preparo da aula, mas gostaria de propor a sequência encontrada na Apostila de Educação Infantil por Juliana Cardin e a Apostila de Didática do Seminário Bíblico Palavra da Vida como modelo:

I - Captação - é aquela(s) atividade(s) que levará o aluno a dedicar sua atenção à aula desde o princípio. Neste período, o professor se utilizará de algum artifício para trazer os pensamentos do aluno de seu “mundo interior” para o assunto da aula. Planeje bem. Exemplo: A história do paralítico em Cafarnaum Antes dos alunos chegarem, coloque um cartaz grande com a seguinte frase: “VOCÊ FARIA QUALQUER COISA PARA AJUDAR UM AMIGO?” Comece chamando 3 alunos para participar. Dois se juntarão fazendo uma cadeira com seus braços unidos e o outro sentará e será levado pelos amigos até uma distância designada por você.
139 140

BROCK, Vera Regina. Op. cit. p.21. Baseado em: CARDIN, Juliana. Op. cit. p.22. BROCK, Vera Regina. Op. cit. p.32.

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II. Exploração - é uma atividade ou conjunto de atividades que leva os alunos a conhecerem e compreenderem a vontade de Deus acerca de determinado assunto. O principal material que utilizamos é a Bíblia, pois ela é a Palavra de Deus, onde encontramos a vontade dEle Express, a para que seja conhecida e compreendida. Exemplo: Textos utilizados: Mateus 9: 1-8; Marcos 2:1-12; Lucas 5:17-26 Aqui você pode ensinar a história usando figuras, flanelógrafo, um filme, um teatro. Mostrando a importância de se ter amigos em nossas vidas. É, nesta parte da CEIA onde gastamos tempo estudando o texto bíblico e o material utilizado pela Igreja local. Como sugestão, abaixo segue um roteiro simples que pode ser útil para sua preparação. 1) Estude o texto primeiramente - 2 Tm 3:16,17; Salmo 119:18; 2 Tm 2:15 nos mostra a importância em extrair da Palavra de Deus seus ensinamentos. a) Leia a passagem bíblica várias vezes. Não conseguimos reter e entender o texto lendo-o somente uma vez. b) Observe o contexto. Faça a relação da passagem com os leitores originais. Situe-se na história e observe seu desenvolvimento. c) Leia para compreender cada personagem: seu caráter, comportamento e sentimentos. d) Analise o ensino espiritual. e) Como o texto se aplica à minha própria vida. Peça que Deus ensine primeiro a você. f) Consulte um dicionário bíblico, comentário, dicionário de português, livros sobre o assunto, a internet para enriquecer seu ensino. g) E, por último, leia a lição da revista ou o material utilizado por sua igreja.141

III. Implicação - é aquela atividade ou conjunto de atividades que leva os alunos a perceberem como as informações bíblicas podem afetar suas vidas. Se, ao falarmos de transmissão, dissemos que é importante que o indivíduo conheça e compreenda a vontade expressa de Deus, agora estamos destacando a importância de que o indivíduo perceba o que esta vontade tem a ver com sua vida e quais as implicações da mesma. Exemplo: Nesta parte, o professor levantará algumas perguntas sobre o que estudaram, mos141

BEATRIZ, Klingensmith. A Arte de Contar História. Instituto Missionário Palavra da Vida, [s.d]. p.4. [material não-publicado].

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trando que o texto, história tem a ver conosco. Que tipo de amigo tenho sido? Tem algum amigo que está precisando da minha ajuda? Como posso ajudar?

IV. Aplicação/Ação - é a atividade ou conjunto de atividades que leva o aluno a planejar como mudar sua vida de acordo com as implicações pessoais da passagem estudada. A principal característica desta fase é o realismo dos compromissos assumidos. 142 Exemplo: Depois das implicações levantadas, é o momento para direcioná-los em como colocar isto em prática. Não é suficiente avaliar se está sendo um bom amigo, mas como posso demonstrar em ações que sou um bom amigo? Na sua escola, tem algum amigo que precisa de ajuda em alguma matéria? Que tal chamá-lo pra estudar com você na sua casa? Na sua rua tem algum amigo que precisa de oração? Você pode procurá-lo essa semana e orar com ele. Um bom amigo sempre nos leva pra mais perto de Cristo.

No processo de planejamento e preparação da aula é muito importante por no papel o que você pretende fazer, em quanto tempo, qual será a participação do aluno na aula e o que usará para transmitir seu ensino. Para ajudá-lo segue abaixo um modelo simples de Plano de Aula como sugestão.143

142 143

CARDIN, Juliana. Op. cit. p.24,36. CARDIN, Hélder de Salles. Introdução aos Ministérios Educacionais.Atibaia: Seminário Bíblico Palavra da Vida, 2010. p.10.

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Tema/Assunto: Texto bíblico: Idade/Classe: Objetivos Cognitivo: Afetivo: Tempo Tarefa Professor

Matéria: Duração:

Comportamental: Espiritual Tarefa Aluno Material Método

8.4.3 Como usar recursos, técnicas e métodos em sala de aula Qual é a diferença entre: recursos didáticos, técnicas e método? Método é um conjunto de passos do início ao fim de sua aula. Técnica é um recurso que o professor se utiliza para uma parte da aprendizagem. Recurso é o que auxilia a técnica na sua execução.144 O educador cristão improvisado, por mais capaz que possa ser, corre o risco de se apresentar de forma confusa e pouco objetiva. Para que um assunto educativo seja bem preparado, é preciso pleno conhecimento do todo a que pertence.145 A aula é um todo e os recursos, técnicas e métodos utilizados de forma correta o aju144 145

BROCK, Vera Regina. Op. cit. p.27. CARVALHO, Antonio Vieira de. Op. cit. p.121.

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dará a comunicar seus ensinos, tornando a aula produtiva, o ambiente interessante e a comunicação eficaz para cada faixa etária. A importância deles está no fato que um indivíduo, após alguns dias, se lembrará de:
10% do que lemos 20% do que escutamos 30% do que vemos 50% do que vemos e ouvimos 60% do que ouvimos e discutimos 70% do que vemos, ouvimos e discutimos. 90% do que vemos, ouvimos, discutimos e realizamos.146

É aconselhável usar mais de um, porque nenhum método sozinho é completo. No entanto, é preciso saber combiná-los bem e seguir alguns critérios na escolha dos mesmos: o propósito do ensino do dia, a habilidade do professor, quem é seu público, o tempo para empregar cada um, se envolve seus alunos a participar, se tem espaço disponível para a execução do mesmo e o custo. Segue-se alguns exemplos de métodos. Veja o quadro abaixo:147

Física/ Corporal Mímica Tribunal Rádio Comercial Teatro Bíblico Filmagem Monólogo “Esquetes” Gravação

Manual Caricatura Gráfico Desenho Escultura Móbile Montagem Cartaz Dobradura Colagem

Oral/verbal Discussão Jogral Entrevista Pesquisa Reportagem Debate Perguntas/Respostas Painel “Você decide”

Áudio-visuais Slides Objetos Flanelógrafo Fantoche Data show Retro-Projetor Lousa Filmes Mapas

Outros Prova Estudo de caso Excursão Citações Quadro de imã Gráficos Gravador Estatística Paráfrase

Diante do que foi exposto uma boa atuação do professor em sala de aula depende do conhecimento que ele tiver dos seus alunos, preparando a lição de acordo com suas necessidades e sabendo aplicá-las as suas vidas. Considerando que o processo formativo e educativo de cada um acontece tratando primeiramente o coração e não apenas o comportamento. E sa146 147

CARDIN, Juliana. Op.cit. p.33. BROCK, Vera Regina. Op. cit. p.28.

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bendo utilizar os recursos e técnicas para provocar interesse e dinamizar a transmissão do conteúdo. De acordo com as pesquisas de campo realizadas neste trabalho, concluímos que uma das dificuldades no preparo do professor de Escola Bíblica Dominical é esta falta de conhecimento e habilidade para comunicar as verdades da Palavra de Deus. Quando as adquirimos não só desempenhamos nosso papel corretamente, mas levamos as crianças a reconhecerem a necessidade de obedecer a Deus. Então, quais são as implicações positivas e negativas em promovermos ou não um melhor preparo dos nossos educadores?

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9 PESQUISA DE CAMPO A realidade do departamento infantil, assim como dos professores, variam de igreja para igreja. O método que cada uma usa para trabalhar no processo formativo dos seus professores também são diferentes. Portanto, abaixo, estão cinco entrevistas realizadas com a Coordenação do departamento infantil e suas respectivas igrejas. O propósito é avaliar como cada uma realiza este processo, desde a seleção de professores ao tipo de material usado na EBD.

1. IGREJA BATISTA CIDADE UNIVERSITÁRIA - Campinas/SP Coordenadora do Departamento Infantil: Sra. Rose Fonseca

A) Histórico do Processo Formativo da IBCU Há 15 anos, um grupo de pessoas preocupadas com o trabalho infantil, resolveu se reunir e buscar novas alternativas para o andamento do trabalho. Várias providências foram tomadas na busca da melhoria. Na verdade, esse grupo não sabia ao certo por onde começar: somente um bom material basta? Somente uma boa estrutura basta? Todos nós fomos tomando uma maior consciência do trabalho e não poderíamos fazer mais nada de forma amadora, e sem preparo, pois passamos a entender que as crianças eram e são dignas do que temos de melhor a ser oferecido. Investimos em material e no treinamento de voluntários. Assim, uma grande mudança começou a acontecer, pessoas dedicando-se em escrever o material, pessoas preparando o treinamento para professores, e pessoas dedicandose a organizar todo esse processo.

B) Como se realiza o processo formativo? Quanto tempo? Há um desafio na Igreja: tanto pessoal, como de púlpito. Promovemos treinamentos: Um em outubro/novembro, pois evitamos o stress no início do ano, onde muitos viajam - no horário da EBD durante 8 domingos. Neste tempo ensinamos assuntos gerais. Abrimos para todas as pessoas que queiram aprender. Disponibilizamos estágios nestes períodos para que ao começarmos o ano, estejam todos prontos. O Segundo tipo acontece 2 vezes por ano. Preparamos um encontro onde sempre levamos alguém de fora. Neste tempo visamos tratar áreas diferentes do interesse do professor e sala de aula. E um Terceiro tipo de treinamento são os congressos oferecidos por outras organizações, editoras. Sempre enviamos um grupo de professores para participar.

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C) Como você seleciona os professores? Além destes treinamentos e desafios há um processo que todos passam antes de se tornarem professores. 1. Participam da classe de novos membros - em algum momento, todos já passaram ou estão passando por essa etapa. 2. Uma segunda etapa é que eles participam da Rede Ministerial, onde descobrem suas aptidões, dons. 3. Ao final destas duas etapas, uma lista de nomes é entregue para mim com pessoas interessadas em trabalhar com crianças. 4. Elas passam por uma entrevista comigo. 5. E participam dos treinamentos.

Em nossa igreja, ninguém dá aula sem um preparo. E a equipe de professores é aprovada pela liderança da igreja. A comunicação com os pastores é imprescindível. Ficamos respaldados.

D) Quais os critérios utilizados para a escolha do professor? Precisa ser membro da Igreja, pois isso dará autonomia para ela atuar. Nós temos adolescentes, mas apenas como ajudantes dos professores.

E) Quantos professores por sala? Temos dois professores titulares. E tenho 4 pessoas, preparadas para substituir os professores com aviso prévio, inclusive nos períodos de férias.

F) Como funciona sua equipe? Eu tenho 1 pessoa que é responsável para supervisionar as salas todos os domingos. Checar se os professores precisam de algo, se estão tendo alguma dificuldade. E essa pessoa me passa o relatório. Também temos responsáveis por: Recepção - quando as crianças chegam, elas são responsáveis por direcioná-la a sala da sua idade. Usamos rádios para nos comunicarmos. Entregamos também um folder para conhecerem o ministério, principalmente os visitantes. E cadastramos cada criança no nosso programa. Escola Bíblica - de 4 a 11 anos.

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Pelo ensino de 0 a 3 anos Pelos adolescentes - os ajudantes, Pelo culto infantil - que acontece apenas a noite. Dividimos por idades e sempre temos 1 homem e 1 mulher para cada sala.

G) E quanto ao material usado para o ensino? Nós, eu e a equipe, produzimos nosso próprio material. Cada idade, sala tem a disposição pastas grandes com figuras, material de outras editoras, que podem ser utilizados como recursos extras. As crianças a partir de 12 anos já ficam no culto.

2. PRIMEIRA IGREJA BATISTA EM ITAPEMA – Guarujá/SP Ministra do Departamento Infantil: Renata de Souza Santos A) Histórico do Processo Formativo de Itapema Há uns 10 anos atrás, quem cuidava do departamento infantil era a esposa do pastor da época. Esse ministério enfrentou uma boa fase até a saída da família pastoral. Um membro da igreja ficou responsável em apenas manter o que existia. Em 2000 quando Renata assumiu o departamento, ela o encontrou totalmente descuidado. As crianças se reuniam numa única sala, não havia divisão por idades. Não usavam nenhum tipo de material e os professores eram despreparados para esta tarefa. A princípio a estratégia foi observar e analisar onde e o que precisava ser melhorado. Juntamente em conversa com o pastor, ela iniciou uma grande mudança no ministério infantil. Em 2001 já havia salas, divisão por faixas etárias, e uma nova equipe estava sendo formada.

B) Como se realiza o processo formativo? Quanto tempo? Oferecemos treinamento 2 vezes no semestre. Os assuntos são sempre de acordo com as necessidades dos professores e do departamento; Promovemos reuniões com todos onde discutimos o que pode ser melhorado, se o material que está sendo utilizado tem sido útil para a idade. Apresentamos sugestões do novo material, etc. Procuro individualmente cada professor para saber como estão indo, suas dificuldades, se está desencorajado, pois vários deles atuam como professores no município e estado. Dependendo de como estão, sugiro um período sem lecionar para que possa se recuperar e voltar

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mais preparado. É um tempo onde procuro conhecê-lo como pessoa, sua vida e orar com ele. Faço encontros de confraternização, onde valorizo e reconheço seu empenho, seu voluntariado no ministério infantil. Envolvo os alunos neste dia para expressarem o quanto têm aprendido com eles. É também um momento de comunhão com toda a equipe. A importância do processo formativo é tremenda no ministério de ensino na EBD. Bem treinado ele terá condições de transmitir e aplicar as verdades da Palavra de Deus corretamente. Enquanto se prepara seu caráter é desenvolvido e também transformado. Tem a oportunidade de exercitar o dom ou habilidades adquiridas. Sem preparo ele não tem o que apresentar para o aluno. Na medida do possível, dominicalmente passo nas salas para checar como estão indo e auxiliar no que for necessário.

C) Como você seleciona os professores? Primeira coisa que avalio é se gostam de trabalhar com crianças. Coloco as necessidades no boletim, mas percebo que não funciona muito. Procuro cada um pessoalmente, desafiando a se envolverem neste ministério. Sempre procuro os pais das crianças, pois sei da importância de envolvê-los na educação cristã das mesmas. Atualmente temos alguns pais que são da equipe de professores. Este voluntário começa ajudando na sala, pois é necessário adquirir experiência, descobrir suas habilidades e dons neste período. Após isso, ele participa do treinamento formal.

D) Quais os critérios utilizados para a escolha do professor? Ele precisa ser membro da Igreja e batizado. Isso me dá respaldo junto a liderança.

E) Quantos professores são por sala? São 2 professores por sala na EBD; 2 no culto infantil e 3 no berçário.

F) Como funciona sua equipe? Eu sou a coordenadora e tenho oito professores na Escola Dominical. Uma das professoras é minha auxiliar nas diversas necessidades.

G) E quanto ao material usado no ensino? Usamos o material da Editora Cristã Evangélica.

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3. IGREJA EVANGÉLICA CONGREGACIONAL ATIBAIENSE Coordenadora do Departamento Infantil: Susie Negrão A) Relate o histórico do processo formativo na sua igreja. Antigamente a área de educação infantil estava sob a direção de um pastor, visto que a igreja tinha vários pastores que se ajudavam. A questão do processo formativo era importante, mas como era desempenhada por um pastor, ficava evidente que eram qualificados para isto. Os professores recebiam instruções em reuniões gerais para os interessados no ministério infantil, não era algo específico para as faixas etárias ou para o tipo de trabalho a ser desenvolvido. A divisão das tarefas era feita de acordo com a habilidade de cada pessoa, principalmente na parte do culto infantil - programa feito no estilo de culto com: leitura bíblica, cânticos, oferta, história bíblica e a aplicação nas salas.

B) Como você seleciona os professores? Minha participação na seleção dos professores acontece de várias formas: contato direto, lançando desafio às outras pessoas; por meio de conversas em grupos; ouvindo pessoas falarem de outras que estão interessadas. Às vezes, é necessário o pastor "entrar em cena" para desafiar irmãos a participarem do processo formativo das crianças.

C) Como você realiza o processo formativo? com treinamentos, reuniões, etc.? e de quanto em quanto tempo isso acontece? Eu, particularmente, ainda não tive a oportunidade de realizar algum processo formativo dos professores, mas está previsto para acontecer no início do próximo ano. Sei que antigamente os interessados reuniam-se uma ou duas vezes no início do ano para receberem instruções direcionadas e orientadas por um dos pastores. Mas, até onde tenho conhecimento o treinamento de professores não era algo muito enfatizado ou muito especializado.

D) Quais os critérios utilizados para a escolha do professor? A seleção é feita geralmente por um conjunto de fatores, e são eles: a disposição do professor, o dom, a disponibilidade - visto que muitas vezes tem disposição, mas não a disponibilidade, se consegue lidar bem com as crianças - de acordo com suas faixas etárias, às vezes considero o estudo da pessoa, mas também levo em conta a idade. Mesmo que eu use adolescentes para serem auxiliares, mas não como professores principais.

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E) Quantos professores há por sala? Geralmente nossos professores ficam em duplas, salvo no berçário e no maternal em alguns casos onde temos mais professores.

F) Como funciona sua equipe? Minha equipe atual é bem grande. Tenho cerca de 21 professores, incluindo os professores do Instituto Bíblico Dominical (IBD), e do Culto Infantil. De auxiliares tenho 10. Contanto a equipe de apoio e logística tenho mais 4 pessoas envolvidas - adolescentes e pré-adolescentes. Mais a equipe de berçário que é à parte e são mais 12 pessoas - entre mães e pré-adolescentes.

G) E quanto ao material usado para o ensino? Por enquanto nada, mas o planejado para o início do próximo ano é Super Seminários da APEC. Usado para o ensino infantil: IBD - Material da Editora Cristã Evangélica (Série Crescer, Conectar, Investigar e Mega Teen) - de 0 até 13 anos

4. IGREJA BATISTA CENTRAL EM CAMPO LIMPO PAULISTA Pastor Titular: Rodrigo Silva A) Relate o histórico do processo formativo na sua igreja. (Como era, se não tinha, quando passou a ter) A Igreja Batista Central em Campo Limpo Paulista, até onde eu saiba não possui nenhum processo formativo para os professores. Estou na igreja a 11 meses e desde que cheguei temos iniciado um processo para formação, mas ainda é bem primário.

B) Como você realiza o processo formativo? Como já disse estamos no inicio e escolhi começar por dar uma base bíblica sobre liderança e o que é igreja, estamos com apenas 3 classes uma para crianças e as outras duas estudando o mesmo material que é desenvolvido por nós mesmos em 1 Timóteo. Os jovens tem a mesma base que os adultos mas cada um na sua linguagem.

C) Como você seleciona os professores?

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Ainda não fiz a seleção. D) Quais os critérios utilizados para a escolha do professor? Eles terão que cumprir alguns requisitos: ser crentes verdadeiros com bom testemunho da igreja e dos de fora, gostar de ensinar a bíblia e gostar muito de aprender.

E) Quantos professores por sala? Como estamos no processo de formação deles, apenas um, mas o ideal no meu ponto de vista são dois.

F) Como funciona sua equipe? Hoje a equipe sou eu e dois seminaristas. Como já citei no ponto B o material é desenvolvido por mim e passo para o professor dos jovens que ensina na língua deles, com as crianças ainda não temos nada mais focado e planejado, mas converso sempre com a professora e cito para ela quais as necessidades que sinto que as crianças tem e como ela poderia tentar suprir, dentro disto ela tem liberdade para usar a didática que melhor lhe agrada.

G) E quanto ao material usado para o ensino? É produzido por nós mesmos. O professor é um formador de ideias e opiniões, ele é um sujeito que vai levar informações aos seus alunos, seja na matemática ou na escola bíblica. Outra coisa que é fato: todos nós buscamos o que é melhor para as nossas vidas e das nossas famílias, seja em um médico, restaurante ou escola e bem sabemos que pessoas bem capacitadas, foram pessoas bem treinadas. Logo, um professor que quer oferecer o melhor para os seus alunos precisa se capacitar da melhor maneira possível. Ninguém vai a um médico que não foi treinado e preparado, da mesma forma ninguém deveria dar uma aula sem treinamento e preparo, pois o que um simples professor de EBD ensina, poderá ter uma influência na eternidade, diferente do tratamento que um médico faz. Então como pastor e líder preciso dar o melhor para as pessoas que estão sobre minha responsabilidade e desta forma o treinamento e a capacitação deste pessoal é indispensável, lógico que cada um dentro do seu contexto e realidade.

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5. IGREJA BATISTA EM BRAGANÇA PAULISTA Educadora Cristã: Sara Fonseca

A) Relate o histórico do processo formativo na sua igreja. Cheguei em Bragança Paulista há 7 anos atrás quando meu marido veio auxiliar como pastor. Assumi a coordenação do ministério infanto-juvenil há 3 anos, e meu marido é responsável pelo treinamento/suporte aos professores de jovens e adultos. Antes de assumirmos estes ministérios, nossa igreja já tinha a preocupação com a formação dos professores, mas não de forma sistemática.

B) Como você seleciona os professores? Quando assumi o departamento já tínhamos a maioria dos voluntários que temos hoje, mas como o número de crianças tem crescido, anualmente fazemos uma campanha nos cultos com vídeos mostrando nossos trabalhos, esquetes e testemunhos de pais e professores relatando a importância do ministério infantil, sempre após esta campanha irmãos se mobilizam para trabalhar, escolhem em qual sala querem servir (diante da necessidade) e são treinados para isto. Os professores de adultos são selecionados pelos pastores da igreja.

C) Como você realiza o processo formativo? com treinamentos, reuniões, etc? e de quanto em quanto tempo isso acontece? Meu marido tem estudado o livro “Ensinando para transformar vidas – Dr. Howard Hendricks –” com os professores do Curso Bíblico jovens e adultos, e eu periodicamente realizo treinamentos. Com os professores de crianças e adolescentes, no Curso Bíblico Dominical, eles acontecem bimestralmente, e com as demais classes do Celebra Kids (Ministério Infantil) que são berçários, maternal e Culto Infantil, temos conseguido treinar de uma a duas vezes ao ano trabalhando com o professor cada faixa etária que ficará responsável. Também enviamos professores ao CTL.

D) Quais os critérios utilizados para a escolha do professor? Ser batizado e membro comprometido (participar ativamente dos cultos e demais ministérios – jovens, mulheres, homens, casais, etc. – respectivamente), ter bom testemunho. Procuramos encaminhar aqueles que se dispõe a servir ensinando para a classe mais adequada ao seu perfil, por exemplo, se preferem trabalhar com teens ou crianças pequenas. E, sempre passam por treinamento antes de iniciarem.

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E) Quantos professores há por sala? Berçário 1 – (0 a 12 meses) – 6 berçaristas (escala mensal) Berçário 2 – (12 a 24 meses) - 4 berçaristas (escala mensal) Maternal 1 – (2 anos) – 2 professores (escala mensal) Maternal 2 – (3 anos) – 2 professores (escala mensal) Salas de 4 a 9 anos – 1 professor por classe (escala bimestral) Teens 1 – (10 a 12 anos) - 1 casal (escala bimestral) Teens 2 – (13 a 15 anos) – 1 casal (escala bimestral) Jovens e 4 salas para adultos- 1 professor (escala trimestral)

F) Como funciona sua equipe? Você é sozinha ou tem mais gente sob sua liderança? É só você e os professores? Tenho uma liderança de 4 mulheres (voluntárias) muito dedicadas. Cada equipe de berçário domingo à noite tem um responsável.

G) E quanto ao material usado para o ensino? No CBD Infanto-juvenil de 4 a 15 anos usamos o material elaborado pela IBCU (Igreja Batista Cidade Universitária – Campinas – SP). Este material estuda a Bíblia toda dos 4 aos 7 anos e revisa dos 8 aos 12, fizemos algumas adaptações para usarmos até 15 anos. Cada apostila é para uma faixa etária específica, e na sala dos 10 a 12 anos usamos a apostila de 11 anos. Na sala de 13 a 15 anos usamos a apostila para 12 anos. No Culto Infantil (4 e 5 anos ) maternais e berçários pela manhã usamos o material da Editora Cristã Evangélica, que se adequa bem a nossa realidade. Para Berçários e Maternais usamos o material da Editora SOCEP, que precisa (especialmente para o maternal) de adaptações. Estou estudando o material de 2 a 4 anos da editora Shedd Kids para usarmos ano que vem. Jovens e adultos trabalham com temas e livros avulsos, o último usado pelas mulheres, por exemplo, foi “A caminhada de uma mulher com Deus – crescendo no fruto do Espírito – United Press, Elizabeth George”.

H) Na sua opinião qual a importância de treinarmos, capacitarmos os professores? Você acha necessário? Não adianta ter o melhor material se os professores não sabem utilizá-lo, não sabem ir além do material para enriquecer a aula e pior ainda, se os professores não estudam a Bíblia, ficam só na “revistinha”. Tudo isto e orientações específicas para cada faixa etária são fun-

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ções de um bom treinamento. Mas antes de preparar e realizar treinamentos os professores precisam se conscientizar da importância de participar deles, e este para mim é um trabalho a longo prazo e o mais desafiador!

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CONSIDERAÇÕES FINAIS A Palavra de Deus é bastante clara quanto à importância da educação no meio do Seu povo. Os diversos termos relacionados ao ensino, desde o Antigo Testamento até o Novo Testamento, nos confirmam essa necessidade. O propósito de Deus em formar um povo obediente às suas Leis nos leva a refletirmos em como temos cumprido Sua ordem no ministério educacional em nossas igrejas. No decorrer deste trabalho, vimos como a educação secular aborda as questões relacionadas a educação na sociedade. Ela prima pelo preparo e capacitação do educador, visando apenas a transmissão do conhecimento. O educando é alcançado parcialmente. Quando contrastamos com os objetivos da educação cristã, entendemos que educação vai além disso, seus alvos incluem ensinar verdades que levem outros a aprender e adquirir conhecimento, mas que por meio delas, pratiquem e sejam transformados em todo o seu ser. Portanto, o papel de quem ensina é de suma importância. A preocupação com sua formação determinará que tipo de professores teremos ministrando a Palavra de Deus. E mais, qual a qualidade do alimento oferecido aos alunos. A Palavra de Deus ao listar os dons úteis para edificação do corpo de Cristo, menciona que “quem ensina, esmere-se no fazê-lo” (Rm 12:7). Esta palavra “esmere-se” traz a ideia da necessidade de se empenhar, preparar-se, fazer o melhor para exercer este ministério. Então, seu preparo é importante e necessário? O que os professores precisam saber? Que qualidades e habilidades devem ser desenvolvidas para cumprirem bem esta função? Alguns temas foram abordados como sugestão para a contribuição deste processo formativo, tais como a importância de conhecer a si mesmo como educador, procurando se espelhar no maior e melhor mestre, o Senhor Jesus, reconhecendo que ser é mais importante que fazer. Expusemos também a necessidade de conhecermos os alunos, suas necessidades e características para alcançá-los como um todo. Cada faixa etária se desenvolve e aprende de forma diferente. E no processo de ensino-aprendizagem saber disso influenciará para aplicarmos corretamente os princípios bíblicos. Todo este conhecimento se torna prático em sala de aula, quando o professor aprende a planejar sua lição com objetivos claros e definidos, preparando-a numa sequência lógica, em que o conteúdo é exposto com implicações preciosas e aplicações práticas. O alvo é motivar os alunos a uma vida de obediência. E isso só é possível quando tratamos as questões do coração como o problema básico e não nos limitamos apenas às atitudes exteriores corretas. As crianças reconhecerão que um bom comportamento é resultado de uma vida rendida a Cristo. E finalmente entendemos que métodos e recursos são utilizados para promover maior interes-

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se e dinamizar o ensino. São úteis, e fazem parte de uma aula bem preparada, mas não são um fim em si mesmo. Diante de tudo isso, como o processo formativo do professor de Escola Bíblica Dominical influencia em um ensino bíblico eficaz? É realmente importante darmos a devida atenção a isso? Jesus nos deixou um exemplo de Alguém que priorizava o preparo dos seus seguidores para a obra que estava a frente deles. No livro Os Princípios do Ensino encontramos o seguinte comentário:
A suprema obra do ministério de Cristo não foi a pregação ou o ensino, mas o treinamento. Os doze discípulos formaram a primeira turma de treinamento de professores. Ele lhes deu um curso de três anos. Ele não os ensinou apenas, mas viveu com eles e dirigiu sua vida e suas ações. Ele supervisionava para ver se seus alunos assimilavam e aplicavam Seu ensino. Ele poderia facilmente combinar um horário para Se encontrar com eles em Jerusalém para ensiná-los e depois os despediria para que pudessem retornar ao seus afazeres. Mas Ele viveu com eles, dormiu com eles, trabalhou com eles. Ele era seu Companheiro constante. Eles se desenvolveram sob Sua supervisão, não somente por causa da informação que Ele lhes passou, mas porque eles colocaram em prática o que Ele lhes ensinou. Ele enviou primeiro os doze, e depois setenta. Havia um departamento de trabalho prático ligado à essa escola.148

Fomos chamados como corpo para ensinarmos a Palavra de Deus, e precisamos nos perguntar: como fazemos isso sem conhecimento? Como influenciamos sem exemplo de vida? Como motivamos sem visão? Como cumprimos a ordem e exemplo de Jesus sem obediência? O ministério de ensino da Palavra tem acontecido em várias igrejas, com ou sem preparo dos seus professores, como foi exposto pelos líderes na pesquisa de campo. Tanto temos igrejas fortes, porque a qualidade de quem ensina é considerada, como igrejas com ensino fraco, porque não há treinamento dos mesmos. Não podemos realizar este ministério de qualquer maneira, pois daremos conta a Deus. Devemos exercer com excelência o ensino das Escrituras no corpo de Cristo. O processo formativo dos professores é importante e imprescindível se quisermos uma educação de qualidade, por meio da qual crianças receberão alimento sólido, serão confrontadas com o pecado e receberão a graça e capacitação Divina para serem conformes a imagem de Jesus Cristo. Não realizaremos esta tarefa sem dependermos do Espírito Santo, pois só Ele é capaz de sondar os corações como nenhum de nós é capaz. Minha oração é que este trabalho sirva como ponto de partida para seu ministério como educador ou coordenador do departamento infantil na sua igreja, percebendo a grande importância em colaborar com a formação dos professores de Escola Dominical, aprimorando
148

DOHERTY, Sam. Op. cit. p.163.

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seus conhecimentos, ajudando-os a desenvolverem habilidades e qualidades para ensinarem com esmero as verdades da Palavra de Deus. E como resultado ver o Espírito de Deus levando-os à obediência, vivendo vidas santas e frutificando numa sociedade perdida e carente de salvação.

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APENDÊNCE 1 PLANO DE AULA MODELO

Tema/Assunto: Amizade Matéria: Os milagres de Jesus Texto bíblico: Marcos 2:1-12 Idade/Classe: Juniores Duração: 50 min Objetivos: No final da aula o aluno será capaz de: Cognitivo: Saber contar a história e o versículo principal. Afetivo: Demonstrar interesse pelos problemas do seu amigo. Tempo 5 min Tarefa Professor Fazer a pergunta principal: Você faria qualquer coisa para ajudar um amigo? Ensinar Pv 17:17 Comportamental: Fazer algo prático em favor de um amigo. Espiritual Orar por seus amigos uma vez por semana. Tarefa Aluno Responder o que pensam sobre o assunto Material Cartaz Método Pergunta

5 min

Aprender o versículo

Bíblia/Lousa

Memorização

15 min

Passar um filme curto sobre a história; “O Paralítico de Cafarnaum”

Assistir o filme com atenção Responder perguntas: Qual era o problema do paralítico? O que seus amigos fizeram para ajudá-lo? Como podemos levar nosso amigo até Jesus? O que é mais importante: o milagre ou transformar o coração de uma pessoa? Compartilhar o que aprenderam

Filme

TV/DVD

10 min

Dividir em grupos

Papel e lápis

Debate

10 min

Reunir todos para ouvir as respostas Desafiar a ação por meio de sugestões práticas: Orar por e com seu amigo; estudar para a prova com ele; convidá-lo para ir a igreja, etc.

Fala

Apresentação

5 min

Saber o que pode fazer por seu amigo

Papel/lápis

Escrever algo prático para fazer por um amigo durante a semana

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