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´Condições Objetivas de Punibilidade

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NATUREZA JURÍDICA DAS CONDIÇÕES OBJETIVAS DE PUNIBILIDADE, PARA O DIREITO PENAL BRASILEIRO
Antonio Januzzi Marchi de Godoi
Professor do Curso de Direito do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais / Unileste-MG; Mestrando em Ciências Penais pela UFMG

RESUMO O estudo da situação analítica das condições objetivas de punibilidade, ou pressupostos de punibilidade, no interior da dogmática jurídico-penal, enseja uma série de questionamentos cujo cerne diz respeito à natureza jurídica do instituto. Dentre os principais pontos controversos, a verificação do conceito de punibilidade no contexto das teorias do delito e da pena; a função das condições como elementares fáticas e suas particularidades em face das elementares objetivas do tipo penal; a distinção entre condições objetivas de punibilidade, pertencentes ao domínio do direito penal material, e as denominadas condições de procedibilidade, cujo estudo se dá já no campo da doutrina processual penal; são questões cuja solução se procura delinear, no sentido de se poder oferecer uma apreciação segura a respeito da natureza jurídica deste instituto dogmático, destacando seu aspecto de objetividade (independência, com relação à causalidade e ao aspecto subjetivo do comportamento) e a função eminentemente político-criminal das condições. Palavras-chave: crime, pena, punibilidade, teoria analítica.

ABSTRACT The study of the analytical situation of the objective conditions of punish ability, also called presupposed of punish ability, within the legal science, propitiates a series of questionings concerned to the legal nature of the institute. Amongst the main controversial points, the verification of the concept of punish ability in the context of the theory of the delict and theory of the penalty; their function as conditions based on fact elements and its particularitities when confronted with the objective elements of the criminal behavior´s description; the distinction between these objective conditions, pertaining to the domain of the criminal law, and those considered necessary to a formal accusation, studied in the fields of the procedural doctrine; are the questions which solution we delineate, meaning to offer a regardable appreciation of the legal nature of the institute, detaching its aspect of objectivity (independence to the causality and the behavior’s subjective aspects) and the important political function of the conditions. Key-words: crime, penalty, punish ability, analytical theory.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS O problema das condições objetivas de punibilidade, também chamadas pressupostos de punibilidade, remonta historicamente ao poder discricionário concedido aos juízes e soberanos pelo direito penal do Antigo Regime, autorizando que certos crimes não fossem punidos quando presentes certas circunstâncias pessoais estabelecidas em lei, tais como a posição de nobreza ou eclesiástica do autor do fato, ou, ainda, a oportunidade política da punição, dentre inúmeras condições. (Padovani, 1993, p.443). Os princípios de igualdade e legalidade, bem como da obrigatoriedade da ação penal, introduzidos com o advento do período iluminista, ensejaram a redução na utilização deste instrumento legal. Permanecia autorizado, contudo, o juízo de apreciação objetiva acerca de determinados fatos conexos ao delito, subordinando a punibilidade do fato a critérios de oportunidade estabelecidos em lei.

Pode. que se realize determinada condição: é o que se denomina de condição objetiva de punibilidade” (Marques. Em certos casos. que. é a lição de José Frederico Marques: “A pretensão punitiva pode estar sujeita a condições.661/45 (antiga Lei de Falências) – seja requerido pelo fato punível como condição objetiva . Uma vez adicionada a punibilidade. essencialmente. antijurídico e culpável. em que consista a violação do bem jurídico tutelado – como era interpretada. Não basta assim a prática de um fato típico. Com efeito. imprescindível se faz. a natureza de excludentes de punibilidade. se presente em relação à condição. à verificação de elementos adicionais que. considerado assim em seus traços essenciais e indissociáveis. a eventual inserção de uma condição na cadeia de causalidade desenrolada pelo comportamento típico não desconfiguraria sua natureza objetiva. modernamente. lembremo-nos de que importa enxergar no tipo a função delimitadora da antijuridicidadeiv. v. da condição. traz graves implicações para a função de garantia do tipo penal. p. eventualmente. apontemos inicialmente em que consistem seus elementos estruturais. a punibilidade surge no momento dogmático imediatamente anterior ao da própria pena.186 do Decreto-lei 7.369). todavia. quando então as condições comporiam o conteúdo do fato punível como anexos do tipo penal. também. interpõe-se entre este e sua conseqüência imediata. pode estar condicionada. não desconfiguraria o instituto. A intenção dolosa. Vale dizer. apesar de exigidas na lei penal. pela própria lei penal. A pretensão punitiva estatal. Da mesma forma. que integre a causalidade ou esteja na consciência do agente. segundo o qual as condições funcionam externamente ao fato delituoso. todavia. em doutrina. significar apenas que não se exige. para a doutrina juspenalística o delito se apresenta como a ação típica. a saber. em rigor. todavia. antijurídico e culpável para que surja a punibilidade. ora ao vínculo subjetivo que deve se estabelecer entre psiquismo do agente e fato típico objetivo. quando não se manifestem faticamente. ora em relação ao nexo causal. em linhas gerais. objetivas – também chamadas extrínsecas. isto é. Condição é. em relação ao delito). segundo a chamada concepção analítica do crimei. em regra. esta mantém sua natureza. que se tratam de condições – dependem de um fato incerto e futuro. e não. Acrescenta-se.2 Como se sabe. Se se admite que determinado resultado. doutrinariamente. de punibilidade – delas depende seja o fato punível ou não (Del Rosal. a esta tríplice elaboração. impedindo a concretização da pena. o fatocrime anteriormente configurado passa a autorizar a efetiva imposição da pena abstratamente cominada. dá ensejo a várias interpretações. conforme se verá pela apreciação do que se elaborou. Neste sentido. Para compreendermos o papel dogmático desempenhado pelas condições. funcionando negativamente.3 . não é unânime. suficientes requisitos tipicidade. de forma a que a violação do bem jurídico tutelado pela norma incriminadora deva estar prevista pela figura típica. Pode. como conseqüência jurídica de um comportamento típico. distinta daquela que caracteriza os elementos objetivos do tipo penaliii. com o qual se converte o crime em fato punível. independem da culpabilidade do agente. não exigiriam a ocorrência de dolo ou culpa para sua configuraçãoii. para o Estado. integrando-o na forma mesma de elementares do tipo. p. Esta simples desnecessidade. As condições objetivas de punibilidade têm. correspondendo ao surgimento. desta forma. 2002. à ciência jurídica. A objetividade das condições (seu caráter extrínseco. por outro lado.243). significar exterioridade apenas quanto ao vínculo subjetivo. um elemento adicional chamado punibilidade. antijuridicidade e culpabilidade. mesmo que o agente atue dolosamente em relação ao fato típico e à condição. Sem pretender esgotar a matéria. 1974. não se confundindo com os requisitos elementares à configuração do delito. de um concreto direito de punir (o jus puniendi estatal). Em termos analíticos. a punibilidade. a falência no crime do art. acerca da situação dogmática da punibilidade no quadro da dogmática jurídico-penal. para nascer o direito concreto de punir. a circunstância de que dependa uma outra: o conceito pertence à filosofia. podendo significar a exterioridade em relação ao fato. Este entendimento. instituem requisitos adicionais aos. ilícita e culpável.

do conjunto de condições. ilícita e culpável. Se se admite que esta elementar do fato condiciona a imposição de pena. não se discorda. antijuridicidade e culpabilidade. segundo a conveniência política-criminal da puniçãoxi. no ordenamento punitivo. encontra-se na falência a danosidade social do crime falimentar. no exemplo apontado. de que seja o elemento condicionado pelos pressupostos. 1973 p. Isto porque o desvalor atribuído ao comportamento delitivo reside naquele elementov. não se podendo situá-las entre os elementos indispensáveis à configuração do delito. a ilicitude e a culpabilidadevi.341 e ss. que. a punibilidade. Com relação à punibilidade do fato incriminado. Para os adeptos deste entendimento. a responsabilização objetiva pela causação de um resultado. a estrutura que se queira construir para os seus elementos condicionantes. em doutrina. que podem fundar ou excluir a oportunidade de puni-lo (Dolcini & Marinucci 2002. não se coaduna com a função de garantia operada pelo tipo penal. A responsabilidade objetiva pelo resultado. ora inserindo-a no quadro analítico do fato punível. na verdade. precisamente por ser punível. (Battaglini. poderiam as condições objetivas poderiam ser definidas como elementos analíticos eventuais. a punibilidade. E a opção que se faça por uma ou outra concepção do instituto modificará. da verificação das condições. a punibilidade. condicionada ou não à verificação de um evento objetivo. desta forma. 1973. apenas nos casos em que sejam determinadas na lei. passam as condições a funcionar como fatores internos. o conteúdo deste instituto suscita equivocidades e elaborações teóricas variadas. Veja-se que. . Uma punibilidade assim entendida. integra a composição analítica de delito. segundo esta concepção mais extrema. ulteriores e exteriores ao fato ilícito e culpável. compor-se-ia das próprias condições que determinam sua concretizaçãovii. consiste. contraria a lógica defini-los como a própria conseqüência a que se ligam. Admitindo-se. o que se faz é admitir. Ainda para Battaglini. não somente vinculada.3 de punibilidade. e não como elemento em si”. que a punibilidade integre o quadro analítico do crime. p. A punibilidade. a punibilidade deveria ser compreendida como possibilidade de aplicação da sanção penal (Battaglini. para onde convergiriam tipicidade e culpabilidade. A punibilidade. certamente.)ix. Desta maneira. admitindo a aplicação da sanção penal pela causação objetiva de um resultado. considerada esta garantia a partir do que Bettiol (1966) chama concepção teleológica do Direito Penal.273). DA PUNIBILIDADE COMO ELEMENTO ANALÍTICO DO DELITO Expressiva parcela de doutrina admite as condições entre os componentes do fato punível. com fim de situá-la adequadamente no quadro dogmático da teoria do delito. poderia estar condicionada em certos casos específicosx. Giulio Battaglini esclarece que a condição objetiva de punibilidade integra o delito “como pressuposto de um elemento. alheando-a do tipo penal e permitindo a punição do agente que atua sem dolo ou culpa relativamente à ocorrência do resultado lesivo (in casu. em regra acompanhamento necessário dos elementos tipicidade. presentes em certos crimes. apresentaria a punibilidade como differentia specifica com relação aos ilícitos de natureza extra-penal. sem os quais aquele não se aperfeiçoaria. o que não se conforma aos princípios reitores do atual Direito Penal. equivalendo a situar a antijuridicidade no centro de referência de um conceito analítico do delito. a falência da pessoa jurídica). Há aqui uma evidente inversão: se os pressupostos de punibilidade funcionam como condições. mesmo que excepcionalmente. a punibilidade entre os elementos analíticos do fato punívelviii. mas dependente. Todavia. está-se. ora concebendo-a como momento processual posterior à perfeita realização do delito em sua tríplice configuração: típica. a tipicidade. p. incluindo.359). a saber. pois. conforme a lição de Emilio Dolcini e Georgio Marinucci. para se ver manifestada.

. uma tal concepção conduziria ao desarranjo absoluto na estrutura do tipo penal como instrumento de garantia. situando-a na esteira da elaboração inicial de Beling. destacando as posições aptas a subsidiar uma classificação pautada em critérios válidos. a exterioridade com relação à causalidade material e ao conteúdo subjetivo vinculado ao fato como componente psíquico-espiritual da ação realizada. atribuir. Esta concepção não se desenvolveu. pelos quais se possa distinguir com clareza as autênticas condições a partir da função que se lhes possa. pois este. Pode-se buscar justificar a existência de uma tal teoria. respeitada a harmonia no interior da teoria do delito. Em primeiro lugar. a não verificação de uma determinada condição importaria em atipicidade do comportamento. de modo a anular o papel cumprido por este último – ou. As condições objetivas de punibilidade como elementos anômalos do tipo Deve-se à doutrina alemã. as tentativas no sentido de firmar critérios para a classificação das condições objetivas de punibilidade. tanto material quanto psiquicamente (Del Rosal. estando inseridos na definição do comportamento ilícito. em razão da função que opera na estrutura analítica do delito. A quase absoluta ausência de critérios ou referências na lei. Note-se que. ainda que o dolo ou a culpa do agente não abrangessem aquela conduta lesiva. Assim considerado o tipo penal. a saber. porém desvinculados de sua relação causal. Duas seriam as conseqüências principais pela adoção de um tal conceito. ainda que tenha colaborado para fundamentar a opinião segundo a qual se incluem as condições entre os elementos do fato punível. se entendemos caber ao tipo penal delimitar e tornar expressa a conduta lesiva que se busca coibir por meio da incriminação. o campo das teorias elaboradas sobre o tema. Secundariamente. 1974. 1974. especialmente a Edmund Mezger. Já se afirmou que uma sistematização desta natureza não se viabiliza.245). 2 p. os pressupostos participam ativamente do aspecto socialmente negativo do fato. extraíram-se as características fundamentais deste gênero de institutos. isto é. vale dizer. na literatura especializada. para a disciplina do instituto. p. evidente que nesse esquema reitor devem estar reunidas todos os elementos do fato socialmente lesivo. para quem a todos os caracteres do delito – as elementares típicas – constituíam condições objetivas de punibilidade. integrar-se-iam ao fato descrito. dificulta sobremaneira o estudo sistemático de seu funcionamento. ao final. ainda que o fato não correspondesse ao aspecto anímico daquele agente. sendo as denominadas condições compreendidas como segundas condições objetivas de punibilidade (Del Rosal. isenta. portanto de qualquer desvalor. tantas e tão variadas são as espécies de condições previstas na lei penalxii. Observemos algumas sistematizações operadas pela doutrina. somente se aperfeiçoaria com a verificação concomitante de ambos. descrito em sua inteireza fática pela descrição do comportamento acrescida de cada anexo objetivo. nos termos do pensamento causalista. equivalendo a afirmar que a ausência da condição demonstraria a não-violação do interesse tutelado na norma incriminadora. começando por distinguir entre as teorias que situem as condições interna ou externamente à estrutura analítica do delitoxiii. a concepção segundo a qual os pressupostos de punibilidade constituiriam anexos do tipo.244). v. (Del Rosal. vemos que a teoria de Mezger implicaria em responsabilização objetiva do agente de um fato lesivo. Adentremos. Das figuras legais estabelecidas pela pena do legislador. pois se estaria admitindo demasiada incongruência entre seus aspectos objetivo e subjetivo. então.244). pela culpabilidade na configuração do fato punível. E.1974.4 TEORIAS SOBRE A NATUREZA JURÍDICA DAS CONDIÇÕES: ANOTAÇÕES CRÍTICAS São muitas e variadas. p.

condições da ilicitude penal do fato” (Fragoso. pode-se conceber a punibilidade como caráter ou conseqüência do fato punível. suas condições objetivas afetariam a realização do preceito secundário. o que confere outro dimensionamento ao debate que procura situar as condições objetivas de punibilidade no contexto do direito penal material. a condição. O resultado da ausência de uma eventual condição. antijuridicidade e culpabilidade. no . portanto. Aperfeiçoado o fato punível. assim. se as condições operam na delimitação da antijuricidade do fato. definindo os limites em que se forma seu desvalor. 1969. do crime. preservando. e não característica geral. neste momento. a nítida função de elementares típicas. nesse sentido. basta-nos. Outra opção consiste em compreender a punibilidade no contexto da chamada teoria da coerção penal. ao mesmo tempo em que recusa a possibilidade de haver crime que não seja fato punível. ou elemento.217) Abstemo-nos de apontar. conforme estruturada a norma penal incriminadora. define punibilidade como conseqüência. Analiticamente. entretanto. A punibilidade. o estudo analítico do fato punível. Não teria. eventuais críticas contra esta acepção. uma vez consagrada a função de garantia do tipo na precisa e exaustiva esquematização do injusto penal. Segundo esta concepção. pela lei. entendida como previsão abstrata da conseqüência do fato punível (ameaça de pena). Para o professor. pois. a inexistência de crime “antes que a condição objetiva de punibilidade se verifique”xiv. Assim estabelecida a punibilidade. realizam. existência autônoma em sede de teoria do delito.236). não satisfaz as necessidades de fundamentação de condições que se imponham à sua verificação. as condições compõem o fato como elementos suplementares do tipo – ao qual se ligam as notas da antijuridicidade e culpabilidade – que não se incluem no mesmo e se caracterizam pela circunstância mesma do alheamento à causalidade material e psíquica (Fragoso. teoria da pena. elaborado a partir da distinção preceito primário-preceito secundário. p. portanto. correspondente ao respectivo comportamento típico. externamente ao conceito analítico de crime. Das condições como subordinantes do jus puniendi estatal. Deveria então ser observada em apêndice à teoria do tipo penal. indicar que. com o destaque devido por compor nota essencial à caracterização do delito (Puig Peña. desvinculada de sanção penal. situa-se a punibilidade. trata-se de conceito eminentemente formal. 1992. conduzindo à conclusão de que a teoria do delito não oferece o ambiente dogmático apropriado para a elaboração do instituto. assumindo posicionamento sui generis no estudo das condições. atuando sobre a punibilidade. acompanhando a tipicidade – preceito primário – na posição de preceito sancionador secundário. por um lado. segundo essa linha de pensamento. Fragoso (1992). simplesmente. seria a nota característica do crime. operaria sobre a própria valoração do fato submetido à apreciação. afirmando. para esta corrente de pensamento.5 Das condições como pressupostos da ilicitude Em linhas gerais. 1992. p. os postulados desta concepção correspondem àqueles aventados pelos que entendem a punibilidade como elemento integrante de um conceito analítico de fato punível. Compreendida na dinâmica da chamada teoria geral do delito. Como se pode verificar. com a verificação dos requisitos tipicidade. determinaria a própria relevância jurídico-penal do fato.216). Examinamos agora um momento anterior àquele processual penal. p. com o qual não se deve confundir. uma vez substituída pela tipicidade como diferença específica do ilícito penal face à antijuridicidade culpável genérica. da sanção penal. ou. “Condições de punibilidade são. daí a expressão fato punível.

240). nos casos em que se preveja uma condição. p. mantém externamente à definição tripartida de crime o “elemento” punibilidade. A punibilidade. com a própria pretensão punitiva do Estado. é modificado no seguinte sentido: nulla poena sine crimine et conditione. p. “se confunde. assumindo posicionamento correlato.3 p. Para o mestre peninsular. ela deve através de um processo ser aplicada. isto é. aí submetida ao crivo conceitual do abalizado processualista.. (…) Antes de tal momento. do ponto de vista subjetivo. “nem todo delito é passível da aplicação de uma pena. porém. casos determinados nos quais o legislador. há em relação à punibilidade uma problemática própria. ed esprime nel diritto penale quella che nell’ambito civilistico è l’efficacia di um atto o di um fatto giuridico. v. Zaffaroni & Pierangelli (2004). ensina Túlio Padovani que “La ‘punibilità’ è ‘il dover essere della pena dopo la comissione del reato’ (A. segundo o entendimento de José Frederico Marques. portanto.6 mesmo passo em que se respeitam os limites entre os momentos material e processual na aplicação da lei penal. uma vez que esta consiste justamente na exigência de punição”. (Padovani. Em apoio a este entendimento. Isto significa como bem advertiu Alimena – que em casos excepcionais o princípio ubi crimen ibi poena sofre uma exceção no sentido de que ubi crimen et conditio ibi poena. não se pode dar a todo delito o que teria merecido” (Zaffaroni & Pierangelli 2004. não subsiste um interesse (externo à estrutura do crime) para a punição do delito. 2002.370). enquanto aquela surge da prática de uma infração penal como possibilidade de aplicação do preceito sancionador (Marques. faz depender a punibilidade do fato delituoso da verificação de um ulterior evento. Há. “que tem lugar e opera dentro da própria teoria da coerção penal” (Zaffaroni & Pierangelli 2004. p. que Código e doutrina chamam de condições de punibilidade. vale dizer.. v. L’attitudine di quel particolare atto illecito che è il reato a produrre la conseguenza stabilita dalla legge è per l’appunto la sua ‘punibilità’”. O crime é portanto perfeito em todos os seus elementos constitutivos (ainda que segundo o art.704). 1993) .158 o momento consumativo do crime sub conditione coincide. pelo simples fato de sê-lo (daí a penalidade. não teria o caráter de elemento analítico do crime. constituindo “antes uma nota genérica de todo crime”. sua ausência não implicaria a desconfiguração do crime em sua inteireza. a condição se coloca entre o preceito primário e a sanção. donde se conclui que o princípio nulla poena sine crimine. vinculando a vinda à existência do próprio direito concreto de punir (Marques. enquanto. a pena é “.367). com o momento no qual a condição se verifica) e a condição diz respeito apenas à aplicação concreta da pena” (Bettiol. A punibilidade. na segunda acepção. distinguem a punibilidade como merecimento de pena (momento analítico-formal. carecedor de autonomia estrutural. Pagliaro): in senso metafórico essa constituisce dunque uma sorta di ‘ponte’ che unisce il reato alla sua conseguenza giuridica (che può ovviamente essere rappresentata anche da uma misura di sicurezza). constituída na forma do preceito secundário da norma penal incriminadora).3 p. 1966.704) Giuseppi Bettiol. equivalente à chamada ameaça de pena) da punibilidade como possibilidade de aplicar a pena.. 2002. No mesmo sentido. a conseqüência jurídica necessária do crime: uma vez perpetrado. embora considerando estruturalmente perfeito um crime. O merecimento de pena configura característica irrecusável de todo e qualquer delito. para os fins de prescrição.

também elementos objetivos do tipo (…)A inclusão na lei substantiva dessa autêntica condição da ação’ [do parágrafo único do art. ao delito em sua perfeita construção. vale dizer. por um lado. A adoção de uma concepção extremada. à sua natural conseqüência. que alguns deles se identificam perfeitamente com as denominadas ‘condições de procedibilidade’ (condições específicas da ação penal). Em sua natureza de excludentes negativas de punibilidade. implicaria na renúncia à explicação de certos fenômenos operados no âmbito do processo. portanto. uma autêntica teoria restritiva necessita firmar seus critérios distintivos pela formulação de postulados funcionais em harmonia com as características fundamentais do Direito Penal. de modo geral (Jiménez de Asúa. e a declaração de quebra no crime falimentar. não pode justificar o abandono do intento dogmático de se estabelecerem fundamentos confiáveis para a demonstração do funcionamento desta categoria. as condições funcionam externamente ao fato típico. nesse sentido. O descuido na definição de critérios aptos a operar a distinção entre as condições objetivas de punibilidade. p. foi elaborada por Toledo (1994). somente pode se realizar no decorrer do processo já iniciado. não se liga. a punição. à categoria das condições de procedibilidade. os demais ou são características da conduta típica. penaxv. se se puder considerála efetivamente relacionada às condições. perfeito em sua configuração delituosa. 1948. sem muita dificuldade. ou dizem respeito ao resultado. penalidade. onde atuam fazendo as vezes de ponte – ou de guardiões da ponte – que liga o crime à sua concreta conseqüência. e reduzindo-a. na aplicação da lei penal. De sua vez.7 Este momento intermédio entre o cometimento do crime e a concreta incidência da norma punitiva configura. situando-se no domínio da chamada teoria da pena. bem como delimitados os momentos materiais e processuais em que funcione o instituto das condições. talvez.236] pode ser. 1994. p. a necessidade de uma categoria de elementos cujo funcionamento não seja confundido com o das elementares típicas e das condições de procedibilidade. DA SISTEMATIZAÇÃO DAS CONDIÇÕES NA DOUTRINA: ANOTAÇÕES CRÍTICAS Uma modalidade extrema de classificação das condições objetivas de punibilidade. à categoria dos elementos do tipo penal.85). como a proposta por Assis Toledo. Luis Jiménez de Asúa. ou simplesmente. em regra. justificando: “Dentro dessa enorme confusão. em concreto. no art. . portanto elementos do tipo. o pedido de divórcio em razão do adultério. visto serem casos de excepción na lei penal. pensamos nós que o exame mais detido dos casos apresentados para justificar a existência das mencionadas ‘condições’ revela. obedecidas as lógicas do delito e da pena. certos elementos do tipo (como o resultado típico. a punição. o autor espanhol. definindo as condições a partir da legislação argentina. em cuja ausência o fato.156). e por outro. a qual se pode eventualmente vincular à verificação de determinadas condições. posteriormente acrescenta a elas certos casos. antijurídico e culpável. como o fazia Jimenez de Asúa (1948) em suas elaborações iniciais. Admitindo-se. portanto o instituto da punibilidade. como a reciprocidade na legislação entre o país onde se comete um delito e aquele onde se vai puni-lo.122 do Código Penal brasileiro) e as denominadas condições de procedibilidade. recusando em absoluto a existência de uma tal categoria. Embora não ofereça critérios para a classificação que propõe. como a natureza da decisão que reconhece a ausência de uma condição de procedibilidade – inadmitindo o início regular da ação penalxvi – e a natureza da decisão que declara inexistente determinada condição objetiva de punibilidade – cuja verificação. todavia. restringindo-as inicialmente às hipóteses de condiciones de perseguibilidad. a causa da confusão que se tem feito sobre a sua verdadeira natureza” (Toledo. limita a estes casos as hipóteses que considera de autênticas condições objetivas de punibilidade. não obstante tornar imprecisa qualquer tentativa de classificação.

passamos à apreciação dos traços essenciais que conferem unidade conceitual e autonomia dogmática às condições objetivas de punibilidade. Uma elaboração como esta. A função de garantia do sistema penal. quando comparado a institutos comumente confundidos com as condições. . Assumida esta função de garantia e estabelecido o caráter extrínseco das condições objetivas de punibilidade em relação à objetividade jurídica do delito para o qual se preveja uma condição. as hipóteses são raríssimas. formulados em doutrina. onde se reúnem todas as variáveis de desvalor do fato – aí conjugados desvalor da ação e desvalor do resultado –. enfim. Condições de uma tal natureza devem. em sua totalidade. mas ensejem. além da realização típica. apenas alguns raros elementos podem configurar este instituto nos ordenamentos de modo geralxviii. não se incluírem os mesmos na categoria que buscamos delinearxix. Vale dizer. CONSIDERAÇÕES FINAIS Verificaram-se. Reunidas estas características. em regra. ou. a nota essencial das condições objetivas de punibilidade em face das condições de procedibilidade: a ausência de um pressuposto de procedibilidade impede a regular instalação da ação pena. que não se ligue à antijuridicidade e situe-se externamente à relação de causalidade material. no mesmo sentido. operar sobre a concretização do jus puniendi estatal. nos tópicos supra. estar-se-ia diante uma autêntica condição objetiva de punibilidade. no mesmo sentido. decisões terminativas de mérito. acerca do conteúdo das denominadas condições objetivas de punibilidade. conforme se verificou. deverá se fundamentar na identificação das características marcantes do instituto. de forma que não impeçam a instauração de ação penal para apurá-la. em razão de sua funcionalidade. em princípio. sob pena de inviabilizar a aplicação dos institutos que concebe – como no caso da entrada do agente no território nacional. impõe sua estrita observância. deva se verificar uma ocorrência adicional. conexa ao fato punível e concomitante ou superveniente ao mesmo. antijurídica e culpável. determinando que. nestes exemplos. Como se vê. uma vez reunidos os entendimentos preponderantes. enquanto a não verificação de uma condição objetiva de punibilidade será demonstrada no interior do regular andamento processual. ensejando decisão terminativa de mérito e fazendo coisa julgada sobre a matéria levada a juízo. Percebemos. passa este instituto a cumprir uma função adicional de garantiaxvii. em traços gerais. no interior de uma teoria geral do fato punível. e aprofundada a compreensão das funções que o instituto exerce no interior do sistema dogmático punitivo. o pronunciamento de mérito sobre a irregularidade na queixa-crime que deu início ao procedimento. ao longo deste breve estudo. No ordenamento punitivo brasileiro. obedecendo aos ditames da teleologia na formulação dogmática do Direito Penal. sendo que a literatura especializada. deverá estar atenta às exigências do sistema. se refere a elementos cujos traços essenciais indicam. em sua ausência. bem como não deva ser absorvida pelo aspecto subjetivo do comportamento. buscando estabelecer sua aptidão na solução dos problemas pertinentes à matéria. Critério a seguir: concepção restritiva Uma concepção restritiva. o funcionamento do ordenamento punitivo impõe determinados critérios lógico-formais cuja inobservância resulta em perplexidade. quando se houvesse de pronunciar o juízo sobre o mérito de ação já iniciada. tornando letra morta qualquer instituição dogmática estabelecida a partir de premissas incompatíveis com o funcionamento do sistema. de modo a permitir que a introdução de elementos fáticos adicionais não implique em desrespeito à garantia firmada pela consagração do tipo penal na descrição do fato punível.8 Com este escopo delimitado. e não somente declarações de improcedência da ação penal.

o estado de necessidade. impõe-se sua apreciação como elemento objetivo do tipo penal. ver-se condicionada à verificação de determinada condição objetiva. garantido assim o respeito ao princípio da culpabilidade com relação àquele fato. A sistematização do pensamento desenvolvido sobre a natureza das condições face às exigências sistemáticas de um Direito Penal fundado na garantia individual perante o jus puniendi estatal. ensejando decisão terminativa de mérito e fazendo coisa julgada sobre a matéria levada a juízo. Pires (v. Adotam a concepção tripartida de crime. p. consiste na concretização do jus puniendi estatal. p. ou seja. p. Tipo penal é a descrição ou esquema conceitual trazido no bojo da lei penal como representação abstrata do comportamento criminoso. mais precisamente. o estrito cumprimento do dever legal ou o exercício regular de i .179). mas. 2. devendo toda circunstância de fato. (1959. quando corresponde às características objetivas e subjetivas do modelo legal.274). p. sem violação da máxima nulla poena sine culpa. 1992. Diferem das condições específicas da ação penal. revelando a preponderância dessa linha de pensamento.371). Zaffaroni & Pierangeli (2004. 5. Uma condição não pode se referir ao resultado. abstratamente formulado pelo legislador” (Fragoso. não tanto pela substância de seu funcionamento dogmático. em direção à qual convergem tipicidade e culpabilidade (Bettiol. vale dizer. como a legítima defesa. enquanto a não verificação de uma condição objetiva de punibilidade será demonstrada no interior do regular andamento processual. em regra.133). 1974.1. integrando assim o injusto penal. conduziu à opção por uma concepção restritiva deste instituto. dentre tantos outros. “Diz-se que há tipicidade quando o fato se ajusta ao tipo.9 os traços fundamentais que permitem sua identificação no quadro dogmático de uma teoria geral do fato punível.189).1. assim. portanto. 6. p. Fragoso (1992. Bruno. nada obstante. sobretudo pelas conseqüências no plano do processo penal: a ausência de um pressuposto de procedibilidade impede a regular instalação da ação penalxx. entendida como conseqüência necessária do crime. Queiroz (2005. encontrar-se absorvida pelo vínculo psíquico do agente do fato. Condições objetivas de punibilidade são institutos dogmáticos que operam sobre punibilidade do crime. Não se trata de atributo especificamente jurídico-penal. antijurídica a ação – ou. Havendo dúvida sobre a localização de um determinado elemento – se elementar típica do fato ou se condição objetiva de punibilidade –. A ilicitude se manifesta como nota fundamental do delito.13). ou. posto que deverá estar. que com ela se relacione. sem o amparo de causa de exclusão da ilicitude (ou causas de justificação). a ocorrer. ainda. em todo e qualquer ramo do direito. no sentido de desvalor do resultado. ilícita a ação – quando praticada contrariamente ao direito. As condições não representam um sentido de valoração social do fato. p. apresentando-se. “Diz-se. com a condição de que não interfiram na relação de ofensividade existente entre fato e resultado. 7. podendo. com o cometimento do delito. nos casos em que a lei as preveja como requisito para sua concretização. impondo-se sua colocação no interior da figura típica sempre que interfira na harmonia existente entre o fato e a objetividade jurídica do delito. 4. como necessidade de pena. Punibilidade. v. CONCLUSÃO 1. é dizer. ainda que possam dela participar. ou à ofensividade jurídica do fato. abrangido pelo aspecto subjetivo do comportamento. Fato ilícito ou antijurídico é o que se contrapõe à ordem jurídica considerada em sua totalidade. como relação de contrariedade entre fato e ordenamento. 3. As condições objetivas de punibilidade não devem estar em linha de causalidade material com o comportamento.1966).

246). Não se trata.1. 2004. 1992. quale importanza può avere che si definiscano concordemente lê condizioni di punibilità come elementi estrinseci al fatto. v “O nosso método deve ser na realidade um método analítico a serviço de uma concepção teleológica do direito penal. nada obstante sua verificação fática implique a imediata violação da ordem jurídica constituída. a culpabilidade. che il legislatore può compiere direttamente. elementos constitutivos do crime. atribui à culpabilidade. É a ela que cabe o primado na economia do delito. 1966. Heleno Cláudio Fragoso. também ilícito.. iii “O que se segue daí é importante para nos aproximar da perfeita conceituação das condições de punibilidade: são elas independentes da conduta. 1959. 1976.23)” (Queiroz. v. bastando que se verifiquem como realidades fáticas. onde já se configura a tentativa e onde termina a consumação. o que leva a atribuir uma importância toda especial a um elemento que é como se fosse o coração do delito: o que significa dizer à antijuridicidade. vi Sobre a importância do conceito analítico de delito adotado para a correta compreensão das condições. para a doutrina causalista as condições objetivas de punibilidade não são precisam ser atingidas pela culpabilidade do autor do fato.333). e Gomes (2003. meglio. não precisando estar abrangidas pela causalidade física ou psicológica” (Fragoso. desde que sem elas o fato é juridicamente indiferente” (Fragoso. p. p. nas circunstâncias em que agiu. através sobretudo do dolo. art. influindo sobre o problema da unidade ou pluralidade de crimes.10 direito (CP.123). como se sabe. ovvero indirettamente. p. um regime de estabilidade e segurança. p.136). o seu caráter ajustado a cada figura penal.216). antijuridicidade e punibilidade. vii Justificam a inserção da punibilidade no quadro analítico do delito os professores Emilio Dolcini e Georgio Marinucci: “La logica sottostante alla presenza della punibilità nella struttura del reato può cosí compendiarsi: tra un fatto antijurídico e colpevole e la relativa sanzione vi è – o. temos para nós que os elementos que compõe o delito sejam. ainda. define precisamente o fato típico. Por que se lhe reprova? Porque não se motivou na norma. compondo-o com os elementos tipicidade.” (Bruno. sem sombra de dúvida. 1962. p. vale dizer. de acordo com o novo sistema. uma conduta típica e antijurídica. p. três.233). De sua vez. p. 2002. marca o iter criminis assinalando o início e término da ação nos seus momentos penalmente relevantes. Um injusto. sendo-lhe exigível. p. que nela se motivasse. enquanto desconhecimento de um valor. o primeiro dos quais. vi può essere – uno spazio riservato ad ulteriori scelte político-criminali sull’oportunità di uma effettiva punizione. 2005. attribuendo il relativo potere ao giudice” (Dolcini & Marinucci:. e não causal. de um crime em sua perfeita construção domgática.166). l’origine del dissenso. E precisamente: a) o fato típico. A sua função não se esgota na descrição das circunstâncias elementares do fato punível. isto é. in ultima analisi.4/5). 1973.571). como terceiro caracter analítico do crime. consiste na “reprovabilidade do injusto ao autor. observava o momento subjetivo do comportamento como aspecto da culpabilidade. p. é culpável quando é reprovável ao autor a realização desta conduta porque não se motivou na norma. b) a culpa. Welzel e Maurach. isto é. O que lhe é reprovado? O injusto. Ao não se ter motivado na norma. ix Nesse sentido.” (Zaffaroni & Pierangeli. ii Esta a concepção de Mezger. quando non si sia preventivamente d’accordo sulla definizione e sull’estensione del concetto di fatto? Qui risiede. quando podia e lhe era exigível que o fizesse. iv Na precisa elaboração de Aníbal Bruno: “O tipo é o ponto de referência obrigatório para a apreciação jurídica do fato (…). chama-se injusto penal. na lição de Del Rosal (1974. serve de suporte à norma implícita e fundamenta e limita a antijuridicidade.” (Delitala. Ao fato típico. para quem “as condições objetivas de punibilidade são. não se ajusta às necessidades de uma concepção que vislumbra no crime a negação de um valor e que seja portanto orientada rumo a à averiguação dos fins” (Bettiol. é a lição de Giácomo Delitala: “Ed invero. Por que se lhe reprova não haver se motivado na norma? Porque lhe era exigível que se motivasse nela. e não ao elemento objetivo naturalisticamente entendido Um destaque excessivo. esta última entendida como ameaça de pena ao fato típico e ilícito. c) a punibilidade” (Battaglini. institui no Direito Penal. p.58). viii Battaglini apresenta seu particular conceito analítico de delito: “Em conclusão. em vez do arbítrio. o autor mostra uma disposição interna contrária ao direito. 136). se pode estar em harmonia com as premissas sob o ângulo da causalidade. . distinguindo-o de outros que o acompanham. giacché ogni divergenza sul concetto di fatto implica necessariamente una corrispondente divergenza su quello di condizioni di punibilità. p.

214. para quem as condições.ed. col ridondare a vantaggio del colpevole.g. BETTIOL. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BATTAGLINI. p.444). o autor lembra a lição de Vannini. de tal forma que. neste sentido. poderia configurar-se o crime de denunciação caluniosa mesmo que a imputação de determinado fato não se fizesse acompanhar da imputação relativamente à condição.1 BRUNO. il fatto che um evento particolare condizioni la ‘necessita di pena’ secondo valutazioni di opportunità finisce. a menos que se verifique um evento que produza alarma social ou que de qualquer modo faça concluir pela necessidade da punição. Rio de Janeiro: Forense. Lebendiges und Totes in Bindings Normentheorie.241) xiv O argumento decisivo trazido por Heleno Cláudio Fragoso consiste em que. Ora. xviii Federico Puig Peña. Bettiol. investigação administrativa. tal y como lo exige la formula legal. A primeira “representa el carácter último de la noción delictiva. Direito penal. para o professor.242). Tulio Padovani. respeitado o prazo estipulado no início. contudo. Aníbal. de tal modo que na sua falta ele não subsista. a saber: “ xvii Assumindo as condições como elementos adicionais de garantia. ou é inteiramente independente do delito e condiciona tão só a possibilidade de aplicação da pena?” Bettiol (1966.1 x . 2. p. xix A exemplo dos artigos 122. situando-se determinada condição externamente ao delito. b) não necessitarem ser captadas pelo dolo do autor. quindi.” Conde (1988. São Paulo: Revista dos Tribunais. v. o que pode impelir o legislador a considerar como inoportuna a aplicação a todo custo de uma pena ulterior. o bem jurídico que o delito ofende. afigura-se-nos perfeitamente compatível o aperfeiçoamento da denunciação pela simples imputação de fato típico.241) xi Para Francisco Muñoz Conde. atentando. xx Autorizando. en tanto que la segunda – penalidad – vendría a ser la puesta en práctica de la amenaza establecida en cada figura delictiva. p. che vede in concreto ‘limitata’ la sua responsabilità per il reato comesso allá sola ipotesi che sai verificata anche l’ulteriore condizione prevista” (Padovani. introduz ao questionamento: “constitui a condição de punibilidade um requisito do delito. xv A punibilidade não se confunde com a penalidade. antijuridicidade e culpabilidade). isto é.170) xii Armin Kaufmann. inquérito civil ou ação de improbidade contra alguém sabidamente inocente pelo imputante. 1973. Não se disse que a condição de punibilidade concerne ao interesse interno do crime.(1966. para o sentido de garantia da descrição de ilicitude contida no tipo penal. v. e c) serem de concorrência forçosa para a punibilidade.. versando sobre a mesma exata matéria de fato. não se pode castigar o delito (Puig Pena. p.172) xiii Giuseppe Bettiol.236 do Código Penal brasileiro. por razões utilitárias. As características das condições. para quem “l’offesa è sempre (in quanto tale) ‘meritevole di pena’. intolerável.11 É a crítica de Giuseppe Bettiol. seriam a) figurar na lei como circunstâncias totalmente alheias à infração. citado por Fragoso (1962. porque ela mesma incide sobre um outro interesse. São Paulo: Saraiva.339 do Código Penal Brasileiro. eliminadas hipoteticamente. xvi E. a punibilidade (ou penalidade) “é. 1966. Giuseppe. Direito penal. estuda o instituto entre o que chama “anormalidades de la punibilidad” Adotando uma concepção restritiva. portanto. 1959. antijurídico e culpável. preceito secundário. desde que instaurado inquérito policial. 1993. p. nem sempre tem que existir. 1974. desta forma. Direito penal. parágrafo único. enquanto não se verifiquem. desde que presentes os demais elementos da figura típica descrita no art. ainda que indiretamente. processo judicial. o que seria. p. 2v. p. p. mas que o legislador. tras determinarla en concreto una vez estimadas para su medición” (Del Rosal. Giulio. dissertando acerca da corrente que inclui a punibilidade entre os elementos analíticos do fato punível: “(…) manifesta-se nesta corrente de pensamento uma permuta entre o interesse que cada crime lesa.238). parte geral. vale dizer. e artigo 236. a condição prevista no parágrafo único do art. uma categoria do delito quem diferentemente das anteriores (tipicidade. manteriam inalterada a relação entre o fato e a objetividade tutelada pela norma. que nova ação seja proposta. pode exigir para fundamentar ou excluir a imposição de uma pena. 1969.

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