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Caso Carandirú-Gestão de Crises em Segurança Pública

Caso Carandirú-Gestão de Crises em Segurança Pública

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Nome: Agnaldo Pereira de Souza Turma: Gerenciamento de Crises - 06.

2011 Módulo: Gestão de Crises em Segurança Pública Atividade AD3 : Faça uma análise da rebelião de Carandiru de 1992, quando centenas de presos morreram. Analise sob o ponto de vista da Gestão de Crises. Aponte os erros e acertos da operação. Situação: Rebelião da Casa de Detenção Carandirú, no complexo Carandirú, zona norte da cidade de São Paulo. O maior presídio da America Latina, projetado para abrigar 3.300 apenados, possuía mais de 7.000 detentos. A crise eclodiu no dia 02 de outubro de 1992, por volta das 13:50 h, em razão de uma briga envolvendo dois presos do no Pavilhão 9. Pouco depois, o acerto de conta entre as facções rivais provocou um tumulto generalizado. Às 16:30 h, a Polícia Militar invade o Pavilhão 9 e percorre as suas 435 celas. O desfecho trágico da operação comandada pelo então Coronel PM Ubiratan Guimarães para conter a rebelião, terminou com 111 mortos em menos de uma hora do início da operação. Tal evento é classificado como um dos mais sangrentos e trágicos da história do sistema prisional brasileiro, tendo repercussão internacional pela quantidade de mortos envolvidos e pela forma que a polícia realizou a invasão tática, a abordagem dos presos e, ainda, pelo desequilíbrio entre as forças do Poder das autoridades prisionais e dos presos. A opinião pública considerou o caso, uma afronta aos direitos subjetivos dos cidadãos, quais sejam, o direito à vida e a integridade física.

Após análise do episódio sob o ponto de vista do gerenciamento de crises, apontaremos os erros da operação. 1. O Comando da Operação desprezou o Plano Boreal, que foi elaborado em 1984, portanto, há oito anos antes da crise de 1992, e que previa estratégias para nortear a Polícia Militar de São Paulo em operações de enfrentamento de uma eventual crise dentro do Carandirú, demonstrando desconhecer protocolos da Instituição ao qual pertencem. 2. Não foi estabelecido Posto de Comando (PC) de onde se pudessem efetivar as ações de gerenciamento da crise no Teatro de Operações (TO). Não foi observada a participação de pessoas ou agências capacitadas para colaborarem na condução da operação juntamente com a Polícia. 3. Não houve tentativas efetivas de negociação. Dessa forma, a decisão de invadir o presídio foi precipitada. O gerente da crise deve ter em mente que sempre o melhor caminho é a negociação na busca exaustiva de uma solução aceitável. No caso em comento, o

pela Administração do sistema prisional. Podemos depreender que houve influencia política e não técnica na decisão de invadir o presídio. A possibilidade de o pleito eleitoral ter colaborado é reforçada pelo fato de as autoridades só divulgarem informações do número de mortos e feridos. O insucesso da operação causou desgaste à credibilidade das Instituições responsáveis pela Segurança Pública. Entretanto. 7. à Polícia Militar. Entretanto a forma como foi conduzida levou a uma tragédia. Não havia reivindicações. minutos antes de se encerrar a votação. demonstrando. 4. uma vez que o evento ocorreu em véspera de eleições municipais. Não havia reféns. mas em oportunidades de aprendizado. mais uma vez. imagens ou mesmo croquis que possibilitasse a invasão com eficácia. a falta de preparo. os laudos e pareceres realizados apontam que ação policial naquele fatídico dia foi uma execução em massa. O Comandante da Operação e sua tropa não conheciam as instalações físicas do presídio e nem realizou estudo de situação em plantas. não se fez presente nenhuma grande autoridade da cúpula de Segurança Pública para compor o Time de Gerenciamento (TG). Após análise do episódio sob o ponto de vista do gerenciamento de crises. Aparentemente não foram devidamente avaliadas possíveis alternativas táticas e técnicas que pudessem dar ao episódio um desfecho eficaz e aceitável. independentemente do tempo que possa durar. Sim. A tropa não era preparada para o enfrentamento de uma crise com as peculiaridades e características de um sistema prisional. considerando a complexidade e repercussão do evento. esta será a melhor opção do gerente de gerenciamento da crise.Comandante da Operação não teve serenidade e profissionalismo necessários para atuar. ao Governo e. . tendo esta ultima ficado com todos os resultados da incompetência profissional. 5. acredito que não há que se falar em acertos da operação. aprender com os erros de uma crise em que: Não havia possibilidade de fuga. embora se tratasse de Oficial experiente. visto que esta modalidade foge da rotina operacional da PM. prejudicando os trabalhos periciais pela alteração da cena de crime. Embora os Oficiais que estiveram à frente da operação tivessem dado a ordem para limpar o cenário e remover corpos. 9. 10. a polícia utilizou um presidiário como guia. Não houve negociação. Para se orientar dentro do prédio. derrubando a tese de legitima defesa apresentada pela cúpula da PM. exigindo preparação técnico-profissional e psicoemocional específicos. 8. principalmente. 6. Enquanto houver qualquer possibilidade de negociação.

na operação analisada. como se recomenda. ficou claro que o duplo objetivo do gerenciamento de crise: preservar vidas e aplicar a lei não foi atingido e muito menos buscado exaustivamente. ensejando uma resolução aceitável dentro dos princípios da legalidade e da ética profissional. .Dessa forma.

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