A Luta contra a ocupação colonial

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As guerras de libertação nacional, correspondem à luta armada em prol da descolonização de uma nação. São caracterizadas pela busca da autodeterminação de um povo ou nação, que busca se libertar da dominação de uma força política e militar estrangeira, geralmente apresentada na forma colonial ou de invasão seguida de ocupação militar direta. No caso da ocupação militar, também é chamada de "Guerra de Resistência".

Áreas coloniais em 1945.

Existem vários casos de lutas de libertação nacional, algumas das quais são difíceis de se distinguir dos movimentos meramente separatistas. A principal diferença está no fato de que os movimentos de libertação nacional aparecem em áreas onde há claramente uma identidade nacional separada daquela do país que colonizou a região, ou seja, pressupõe a existência de alguma identidade nacional formado anteriormente ao (ou) no processo de ocupação colonial. No caso do separatismo, normalmente o movimento pela secessão aparece em uma região ou província de um país quando este já é um Estado independente. Dentre os casos de luta de libertação nacional mais importantes do século XX, destacam-se os processos de independência colonial ou descolonização das antigas colônias européias na África eÁsia. A longa luta de libertação nacional do povo vietnamita é tida como um caso exemplar de guerra de libertação nacional, em que o povo do país lutou contre os colonizadores franceses, depois os invasores japoneses, seguidos de novos contingentes franceses e por fim, dos invasores norte-americanos. Dentre os casos de luta de libertação nacional envolvendo forças de resistência contra invasores que foram derrotadas e não chegaram a colonizar realmente o país ocupado, destacam-se a luta da resistência francesa e da resistência soviética contra as forças invasoras da Alemanha, e a resistência chinesa contra as forças de invasão do Japão, ambas durante a II Guerra Mundial.

o povo angolano segue a sua trajetória histórica marcada por longos retrocessos e pouquíssimos avanços na sua afirmação como nação soberana. Entre todas as dificuldades a maior delas está em instituir um ponto final na situação político-militar do país. que está. desempenham papel importante de corredor de exportação para os países vizinhos e toda a porção central de Angola. durante os anos 1995 a 1997. pacificar os espíritos marcados por mais de trinta anos de guerra civil. entre elas a de estabilizar a economia. Sem capacidade para resolução destas variáveis estruturais. geralmente envolvendo táticas de guerrilha e insurgência não tradicional. como no Iraque. encontrar os rumos da democracia norteada pelas reformas sociais para diminuir o estado de pobreza absoluta que tem assolado todo o país. com amplo reconhecimento internacional incluindo a existência de países que reconheceram a independência destes Estados. perante o seu maior desafio como país independente. em luta pela independência do Marrocos Também existem países militarmente ocupados. na atualidade. em função do Porto de Lobito. com o objetivo de dar estrutura sanitária e ambiental às duas cidades que. onde são travadas guerras de libertação nacional e resistência. Para melhorar esses índices foi desenhado o Projeto de Reabilitação Urbana e Ambiental de Lobito e Benguela. embora a força ocupante ainda não tenha aceito a independência:   Estado da Palestina. A presente dissertação teve origem no trabalho que realizamos naquele país. conseqüência dos longos conflitos bélicos ocorridos no país. melhorar suas péssimas condições sanitárias e ambientais. [editar]Referências HISTÓRIA DE ANGOLA Valêncio Manoel INTRODUÇÃO A vida e a história de qualquer país começam com o conhecimento da história cultural do seu povo. São muitas as questões enfrentadas. Angola encontra-se atualmente com péssimos índices sanitários. como voluntário das Nações Unidas.Atualmente existem territórios em que são travadas lutas de libertação nacional. . em luta pela independência de Israel Saara ocidental. Assim é para quem investiga os problemas complexos da jovem nação angolana.

Em fronteira marítima tem 1.236 Km de leste a oeste.(Rasgado. foi durante quinhentos anos uma grande colônia portuguesa. em 1482. (. Central e Meridional cujo termo singular é muntu. com a República Democrática do Congo ou Ex-Zaire. O território tem um comprimento máximo de 1. privilegia tecnologias e ações de baixo custo. Segundo o historiador Ralph Delgado. consideramos necessário descrever primeiramente o contexto histórico. que significa "homem". "a expansão das línguas bantu . Para melhor entendimento do projeto. Nosso objetivo nesta dissertação foi descrever e analisar o projeto.277 Km no sentido norte/sul e 1. Uma avaliação de seus resultados pareceu-nos importante para identificar seu potencial de reprodução em outras regiões africanas.1996:11) A República de Angola é.Financiado por: Banco Mundial. a maior nação ao sul do Saara.246. quando os portugueses chegaram ao estuário do Rio Congo. o Projeto saiu do papel trabalhando com comunidades e beneficiando os mais carentes da Província de Benguela. os povos bantos já se encontravam ali em diversos reinos.) CAPÍTULO 1 . A formação étnica de Angola iniciou-se a partir da migração dos bantos. Desse modo. a nordeste. geográfico e sócio econômico em que ele se desenvolve.700 Km2.680 Km e terrestre 4. com a Namíbia.CONTEXTO HISTÓRICO A FORMAÇÃO TERRITORIAL E A DIVERSIDADE ÉTNICA NA CONQUISTA COLONIAL "Terra Gigante/terra Grande Gigante/De Queimadas sem fim/terra Quente de mulatas/D’um Bronze-chocolate/É de negras Que Remexem/Ao som do Batuque/Nas noites Quentes de Luar". povos que falam as línguas bantu.. Com uma área de 1. comum na África Oriental. a leste com a Zâmbia. Angola está situada na costa ocidental da África. forma recursos humanos nas comunidades locais. no Capítulo 1 dissertamos sobre a história de Angola. e ao sul. depois do Congo (Ex-Zaire).. em frente ao Brasil e tem fronteiras ao norte com a República Popular do Congo. Segundo Vansina (1985:556). Agência Norueguesa de Desenvolvimento e Governo Angolano. Agência Sueca de Desenvolvimento. uma vez que ele apresenta aspectos inovadores: financia diretamente as ações do poder local e da comunidade sem interferência do Governo Central.928 Km. "pessoa".

Ambós e outros pequenos subgrupos. A ocupação Lusa em Angola se deu efetivamente no século XVI. a história desta população primitiva da África Negra só começou a ser decifrada a partir do século XIX. apesar de Diogo Cão ter sido o descobridor. o avanço do colonizador era incontestável. que incluía quase toda a parte central de Angola. Mbundu. que se expandiram pela África a partir da zona equatorial. a etnia Banto. de ambos os lados do Rio Kuanza. Fage. Paulo Dias Novaes iniciou sussessivas guerras contra os sobas que resistiam à ocupação. A penetração dos portugueses nos seus territórios teve início no reino dos bakongos. conseguindo assim hegemonia territorial sobre os outros reinos próximos ao seu Estado. antes da chegada do colonizador. atual Zaire. Em virtude da distância do centro. quando o mapa do continente negro foi discutido intensamente na Conferência de Berlim de 1884. De acordo com os etnólogos especialistas em África. R. compreendia vários grupos como: Bakongos. área conhecida como Matamba atravessado pelo vale do Cuango a sudeste. província de Angola ao norte do país. valendo apenas a bravura daqueles pioneiros na batalha contra a expansão ultra-marítima. Dentro da visão expansionista dos portugueses já havia uma consciência de que a conquista deste território não seria fácil. Favorecido pela diversidade étnica dos Bantos. Em volta do reino bakongo havia outros Estados menores. "Entre estes reinos distantes destaque para três: Ngoyo. E. eram considerados independentes teoricamente. e a região de Ndongo. o navegador português Paulo Dias Novaes chegou à barra do Cuanza. Lunda-Cokwel. No entanto. Apesar da resistência. que os colonizadores deturparam dando mais tarde o nome de Angola à Colonia"(Oliver. Um outro lado a considerar é que diversidade não cria . Kakongo e Luango na costa do Atlântico a norte do estuário do Congo. na prática respeitavam a supremacia do "manicongo". transformando ferro em instrumentos de guerra. Ovimbundu. pois era uma luta extremamente desigual. Quando houve os primeiros contatos com os portugueses. o mais importante dos muitos pequenos chefes da região de Ndongo era um que possuía o título hereditário de Ngola. porque os bakongos. Segundo historiadores "do ano de 1579 até hoje. já dominavam técnicas da metalurgia. Angola não teve mais do que 20 anos consecutivos de paz" (Folha de São Paulo. 1980:139). Em 3 de maio de 1560. (Manicongo: o mesmo que reino do Congo.pode refletir a ocorrência de grandes migrações que terminaram bem antes do ano 1100". 1996:1-12). Compreendia Matamba e Angola).

alemão. e fez alto neste ponto. o primeiro dos quais reforçou o exército com seus homens de arco. em cujas cumiadas se sobrepunha a senzala principal de Ngola Quitumba. isto é. a defesa cedeu. deslocou em direção ao "Sobado" (provém de Soba – autoridade tradicional de um lugar. com muitos companheiros. e vindo a saber. tratados os feridos e restaurados as forças dos sobreviventes. entre os quais Ngunza-a-Mbambe e seus macotas. Ele deixou a impressão à coroa portuguesa de que poderia fazer em Angola uma colonização agrícola fácil. quando os interesses da coroa portuguesa ficaram voltados para outros territórios em virtude das condições mercadológicas do século XVI. depois que se encontrava ali refugiado Quitequi Cabenguela. soberanias e hegemonias. importante chefe negro da região. Estava-se em 9 de agosto de 1679. holandês. de Quitequi Cabenguela. Luis Lopes de Sequeira prosseguiu a rota determinada pelo regimento. Durante os anos que Paulo Novaes passou nas terras angolanas. Pelo caminho avassalou matumbo-a-Hoji e Catuculo Caquariongo. despedidas pelos indígenas. português. Paulo Novaes na visita que fez ao reino. ripostavam verdadeiros chuvadas de flechas e pedradas nustras. russo. causador da mobilização. sobas poderosos. Angola teve o seu período pré-colonial. apoiados por outros reinos de seu interesse. japonês. Soube ver o perigo da infiltração das outras potências européias.unidade. conseguiu despertar interesses do soberano por aquelas terras. já que as determinações da coroa portuguesa eram explicitas em direção a futura expansão territorial. caindo na mão do exército grande número de prisioneiros. belga. francês. "Às surriadas de tiros das armas européias e luso-angolanas. desta forma a estratégia utilizada pelo colonizador foi de criar desentendimento entre as diferentes etnias. . semelhante à do Brasil. o grande adversário a combater. chefe de tribo africana). abriu trincheiras e tomou todas as medidas para conquistar a difícil posição" (Delgado. que dizia respeito às minas de prata do Cambambe. Por fim. Enterrados os mortos. que começavam a olhar com cobiça para as terras além-mar. "Os colonialismos e imperialismos espanhol. A luta do povo angolano do ponto de vista da resistência representou o início de um ensaio da libertação política. imediatamente degolados. Dentre as informações colhidas sobressai uma. pôde ver bem em que condições poderia fazer a ocupação e a colonização portuguesa.1955:30). inglês e norte-americano sempre constituíram e destruíram fronteiras. Findas oito jornadas de marcha. Como o Brasil. a coluna alcançou um morro elevado.

Das pequenas revoltas. . segundo os modelos geo-histórico e teórico. do Kuvale e do Planalto Central. No interior podia entrar até onde fosse possível. da Matamba. sobretudo agricultores e os mais variados grupos sociais. Procurava-se evitar em Angola os erros cometidos no Brasil. os sobas e os reinos dominados. Não poderia ser diferente a forma adotada pelos portugueses na ocupação e colonização de Angola. ou ideológico. africanos e latinoamericanos foram desenhados. que poderia escolher sob três condições: deveriam ser repartidas em quatro partes. 1967:35). além da utilização de todos os recursos dos rios e portos que nestas terras houvessem. e no sobado dos Dembos que protegiam grupos de escravos fugitivos. aproveitando a experiência adquirida para os futuros indígenas nas terras de Ngola. Paulo Dias de Novaes tinha ainda a obrigação de estabelecer as famílias européias na sua capitania. Tinha trinta e cinco léguas de Costa. do Kongo. com uma larga margem de benefícios. Apesar de todo o planejamento o "rei de Angola não se mostrou tão fiel aliado dos portugueses como o rei do Congo. sem qualquer custo à coroa portuguesa. de Kasanje. A diferença básica é que a capitania foi atribuída ao próprio Paulo Dias de Novaes. Enfim. recebendo ainda outras doações. em sua quase totalidade pelos colonialismos e imperialismos europeus.compreendendo tribos.defender.construir três fortalezas nas terras do domínio real. do Ndongo. As mais importantes revoltas ocorreram no sobado da Kisama. adotando o sistema de capitanias. O donatário ficava. algumas permaneceram como testemunho da resistência. independente da procedência na antiga metrópole. contudo. Nestas condições o mercado escravocrata foi uma opção rentável." (Santos. nações e nacionalidades. 3º . mostrando que as revoltas nunca cessaram na extensa capitania de Paulo Dias Novaes. entre cada uma delas haveria pelo menos um espaço de duas léguas. porém sem qualquer recurso da coroa. era um plano de colonização. Pretendia-se com esta medida espalhar naquelas terras os costumes europeus e ensinar aos autóctones o aproveitamento das riquezas naturais. povoar e cultivar a terra. começando a contar da foz do Rio Cuanza para Sul. O capitão Paulo Dias de Novaes tinha obrigações como: 1º . clãs. Acreditava-se que D. 2º .explorar toda a costa ocidental da África desde o Rio Cuanza até ao Cabo da Boa Esperança. Sebastião estivesse decididamente resolvido a aproveitar ao máximo as terras africanas.1996:41). sendo aproveitadas no prazo máximo de vinte anos a contar da data da posse. que configurou toda a Europa (Ianni. iniciaram uma série de revoltas. Reagindo a invasão. que foram apagadas na história dos vencedores. São muitos os que reconhecem que os Estados Nacionais asiáticos.

Kambambe foram caindo na posse dos portugueses que construíram fortes nos pontos altos a fim de melhor vigiar e dominar as populações. 3ª . Kasanje. refugiando-se em zonas protegidas como as ilhas do Kwanza. Ngola Kilwenje era então o rei do Ndongo. Desconfiado das intenções de Novaes. ele regressou ao seu país e voltou alguns anos depois com homens armados. depois de muitas batalhas Bula Matadi foi morto no último combate. embora as armas fossem simples arcos e flechas contra as armas de fogo que os invasores traziam. depois de exaustivas lutas. com a perspectiva de acabar com as intrigas que enfraqueciam o reino. a partir da cidade de Luanda. As diferenças e interesses regionais foram esquecidos a favor da unidade contra o inimigo comum.1ª . por ela . Muxima. quando Ngola Kilwanje morreu. Esta unidade teve os seus efeitos positivos: durante vários anos. a resistência enfraqueceu à medida que alguns chefes foram abandonando a luta e. fez uma guerra de resistência para que não fossem explorados e dominados pelos portugueses. Massangano. "Desejando restabelecer a paz com o Governador. dispostos a fazer a guerra ao Ndongo. Contudo. Matamba. os portugueses perderam posições e foram reduzidos a um pequeno território de onde seriam expulsos se não recebessem reforços. Algumas tribos e chefes sujeitaram-se a esta situação e pagaram tributos em escravos aos capitães portugueses. Bula Matadi mobilizou toda a comunidade para expulsar os portugueses do reino do Kongo. Os portugueses interviram militarmente ao lado do rei do Kongo. Paulo Dias de Novaes procurou o Ngola a fim de se informar das riquezas que havia no Ndongo. um aristocrata. Kissama e do Planalto Central. Com o espírito aventureiro. que alcançou os seus objectivos. que vendo o perigo que corria o seu povo.Njinga Mbandi: O maior símbolo da resistência ficou para a Rainha Njinga Mbandi. mediante a intervenção. Outros preferiam fugir das áreas ocupadas e continuar a lutar. não lhe facilitou seu desejo e teve-o preso em Kabasa durante cinco anos. uma embaixada. O seu exército conseguiu vencer os portugueses em várias batalhas. Quando libertou o capitão português. de 1648 a 1836). Kongo.Resistência no Ndongo: No reino do Ndongo. o Ndongo foi aos poucos ocupado pelos agressores. que além da luta contra a ameaça do colonizador. Segundo o historiador Ralfh Delgado em seu livro História de Angola (terceiro período.A Revolta de 1570: foi liderada pelo carismático "Bula Matadi". Dembos. a nova rainha mandou à Luanda (principal base dos portugueses). onde se instalou e mandou construir uma fortaleza. conseguiu aliar os povos do Ndongo. 2ª . foi forte a resistência contra a chegada dos portugueses. Foi essa a maior aliança que se constituiu para lutar contra os portugueses.

porém. e o verdadeiro por onde as fazendas neste reino se costumam vender. e o que este impedimento se atrever. sem que disso possa impedir nem vassalo seu algum. o tratado de vassalagem obedeceu a oito condições. de mais do castigo que lhe der. Os pombeiros trabalhavam com conta dos grandes chefes. antes lhe mandará fazer toda a boa passagem e tratamento para que sem dilações façam os resgates a quem foram encaminhados não se consentindo se alterem as fazendas dos banzos que serão na mesma forma que sempre foram sem engano ou imposto algum quibasco. Proposto em 6 de setembro de 1683. Quiacar. voltando com uma centena de negros. homens e mulheres acorrentadas. Escravos "cangados" (foto Net) O termo pumbeiros é o mesmo que pombeiros: agentes na sua maioria formados por mestiços. será remetido a este governo para também por ele se mandar castigar. Durante um ou dois anos. vinho e objetos de quinquilharias. que na íntegra força a rainha a dar abertura em suas terras para os forasteiros e caçadores de escravos "Será a mesma rainha obrigada a mandar abrir os caminhos para o comércio. Sundi. estipuladas pelo Governador e aceites pelos protetores da soberania". as que nele se medem por vara que é de cinco palmos se medirão também no mesmo quilombo. e para que ospumbeiros possam ir e vir livremente sem que ela ou vassalo seu algum lhe possam impedir. sem impedimento algum franquiar nas terras do seu estado. Este tráfico tinha o nome de "Guerra Preta" porque arrancavam sempre por meios violentos os negros das aldeias. internavamse no interior de Angola. 1955:72). ordenará outrossim que no seu quilombo se pratique e corra somente o côvado de Portugal que é de três palmos. de figuras eclesiásticas de realce entre as quais o bispo. O destaque destes termos está no item quatro. Punamujinga. e assim mais será a dita senhora rainha obrigada a consentir que os pumbeiros dos moradores possam ir comerciar. trocavam os escravos por tecidos. sobas ou militares portugueses.solicitada. Contudo eram os próprios . Casem e Damba. com os potentados do reino do Sonso. e para o bom efeito deste ponto mandará abrir os caminhos aos pumbeiros para que sem embaraço possam passar" ( Delgado.

com influência notável em toda a região. levados pela ambição de possuir os objetos trazidos pelos portugueses. permanecem as disputas internas pelo poder. borracha e outros produtos. Quacar. Ekwikwi resolveu preparar o seu povo militar e economicamente para enfrentar a guerra prevista. Com essas viagens. passaram a avançar para outros Estados. A comunidade do bailundo viveu intensamente os modelos para a defesa dos direitos e soberania dos estados do planalto baseados nos princípios de Ekwikwi II que. No entanto. Existia até uma moeda especial para pagar os escravos. os portugueses já dominavam todo o norte de Angola e preparavam para a penetração no interior do Planalto Central em busca de cera. entre os quais os Jingas. o comércio. a que deram o nome de Jimbo. Sendo assim. dieta indispensável na cultura dos Bantos. Nessas circunstâncias. ele intensificou a agricultura. que reinou no Bailundo no planalto Central de Angola há cerca de cem anos. Os portugueses forneciam auxiliares a estes sobas: um dos seus soldados servia igualmente de guarda e ordenança. estabeleceu . principalmente na composição étnica de território Angolano. um tecido de folhas de palmeiras o "pano" substituiu o Jimbo. Em determinada altura. pois a passagem dos pombeiros teve a garantia do governo central. mas nesse período histórico todas as formas para subordinação foram utilizadas com estratégias traçadas e coordenadas a partir das principais falhas das futuras colônias.EKWIKWI II do Bailundo. tecidos. foram expandindo para as novas áreas da borracha e colmeias. a espionagem e a evangelização. com o passar do tempo. faziam guerra aos seus irmãos de cor. Os acordos de vassalagem foram extremamente desiguais na composição do reino do Sonso. Na revolta da Rainha Njinga Mbandi. O milho era enviado em caravanas para o litoral na base de troca com os sobados vizinhos. foi outro herói da resistência. tornando o reino do Bailundo conhecido em toda a África Central como o estado mais rico do planalto com vários produtos para o consumo interno e exportação. apesar da sua percepção para uma possível unificação étnica na luta contra o colonizador. Cassem e Damba. Puriamujinga. a questão da força bélica Lusa foi um fator decisivo. importada do Brasil. sal ou pólvora. As caravanas do bailundo. passados vários séculos da morte da Rainha Njinga. Muitas vezes os auxiliares da "guerra preta" eram os próprios chefes negros. com ideologias marcadas pelo rancor dos diferentes grupos étnicos na contra-mão da história. Há quem pretenda que as razões econômicas estão na base da infiltração portuguesa na África. principalmente o cultivo do milho. vencida a luta contra o colonizador. Mais tarde. cabendo aos vassalos. os Sobas que trocavam os seus súditos por vinho. que.negros. 4º . sempre foram armas imprescindíveis na conquista colonial. Quando chegou ao poder. além de fortalecer o seu exército. Ekwikwi II. sobas e toda a comunidade indígena de Angola aceitar as condições acordadas na base da imposição militar. Lindi. a idéia da unidade do povo angolano ainda não configurou-se. Como constatamos neste documento do século XVII. foi uma espécie de conchinha. Ao final do século XX.

Aproveitando tal rivalidade. determina um provincianismo. muito bem organizados.989. venceram os portugueses numa série de batalhas. preferindo a morte do que viver sob a subordinação dos colonialistas. Sabendo da vitória dos portugueses. antes que o mesmo organizasse a luta armada. assim venceram as batalhas de Mongwa e Mufilo.486. Os Ambós. O Bailundo foi totalmente dominado. que. rei do Kwanyama. Em 1902 os portugueses já tinham o domínio. Mandume. Rei dos Kwanyama. uma tentativa de unir todas as tribos contra os portugueses. Mutu Ya Kevela. Mutu-Ya-Kevela reuniu todos os sobados e reinos do planalto. corajosamente. José Redinha.Mutu-Ya-Kevela. que serviriam para lutar contra os portugueses.uma aliança sólida com Ndunaduma I. então com uma população de 3. Mesmo em pleno século XX. Aos poucos as forças militares portuguesas foram ocupando pontos estratégicos. que dificulta a regulação social do Estado. Ekwikwi II foi um rei progressista. A espionagem.Mndume. enfrentou a guerra contra a pesada artilharia portuguesa no ataque à capital do Bailundo. a ocupação do litoral ocorreu por meio de um jogo de interesses comerciais entre os portugueses e as diferentes tribos de Angola. corromperam parte da guerrilha Kwanyama. conseguiu obter armamentos dos alemães. as principais etnias que habitavam Angola. Segundo o etnólogo português. questionou as autoridades portuguesas contra o trabalho forçado imposto pelos imperialistas. O sul de Angola esteve sempre disputado pelos portugueses e alemães. A configuração étnica de Angola. em 1950. estavam assim distribuídas. comandados por Mandume. 5º. iniciando em todo o território Ambó. rei do Bié. os portugueses atacaram Njiva de surpresa. Ele foi sucedido por Numa II. convocando 6000 homens contra as colunas militares portuguesas. Os portugueses utilizaram um sistema que ambos conheciam muito bem. e ocupação de grande parte do território angolano. cera e borracha. sem qualquer resistência a nova imposição Lusitana. os portugueses mantinham o recrutamento para trabalho escravo na agricultura. dinâmico que sempre governou ao lado do seu povo. 6º . em função dos diferentes dialetos no mesmo território. evangelização e tribalismos muito contribuíram para a ocupação tanto no passado. Havia também fortificações construídas em Huambo e Bié para apoiar as trocas comerciais e manter a ocupação na região. . após o rei Kalandula do Bailundo. como no presente. Preocupados com uma futura ocupação dos alemães. Na região do planalto houve a fixação de alguns comerciantes portugueses em busca do milho. obrigando os militares lusitanos a buscar reforços. Apesar da resistência e com a luta pela independência de alguns reinos. devido ao grande poder de artilharia. o segundo homem mais importante na região. Mandume fugiu. e pela traição de alguns sobas. Mandume suicidou-se em 1917. que sufocaram os rebeldes de Angola em 1902. ou regionalismo. para fortalecer sua posição na região.

Cangala. Cacongo ou Badinga e Mai. Ihanha. Gangela. Iaca. Lunda Ndemba. Chavicua. Donguena. Minungo. Iumbo. Paca e Coje. Ndungo. Bailundo. De acordo com a tabela. Para distinguir um reino do outro. Quibala. Mbui. Camachi.693 328. Quioco. Quissana.321 Kikongo (Bakongo) Lunda-Kiolo Ganguela 479. O reino dos Jingas tornou-se famoso pela crueldade das suas rainhas. Cafima. Hinga. Oio. Ambueta. Cacongo. Ngoliebo.184 7. Bangala. Libolo.742 Kimbundo 1. Chinje. Cazama Cuepe e Cuissi Cussu POPULAÇÃO 1. (1968: 30-32). Guenze.277 Nhaneka-Humbe 191.505 Fonte: VALAHU. Iashuma. Congo. Lovale. Luena. Humbe. Dombe.049 5. Mbaude. Ncoia. Vili. Cuancua. Gengista ou Luio. Haco e Sende. Huambo. Gambo. Lunda-Lua-Chinde. Lutchz. Ngola ou Jinga. Mambunba.Ngola e Ndongo-Matamba. Nhemba e Avico. Handa (Mupa-Handa-Quipungo). Quisange.083. Mucubal e Guendengo Bochimane. em 1557. Halo. que estenderam sua supremacia por toda parte . Cunhama. Engonjeiro.861 Ambo Herero HotentoteBochimane Vátua Xingonga 62. Muchicongo. Sorongo. Songo. Lunda. Angola conta com onze dialetos diferentes. Bondo. Sosso.443. Pombo. Chimba. sendo que metade da população usa o Umbundo e Kimbundo.141 25. Cuanhoca. Dombandola e Cuangar Dimba. Luinbe. Quilenge-Humbe e Quilenge-Muso Vale. M. Cacondo e Chicuma. Sele. Zombo. Nhengo. Mataba. Cari.TABELA 1: Principais dialetos de Angola ANO 1950 DIALETO Umbundo ÁREAS DE INFLUÊNCIA Bieno. Bambeiro. Iombe.818 357. Muila. os historiadores deram ao reino dos Kimbundos o nome de Ndongo .895 4. na região de Malange onde viviam as tribos Jingas. Sumbe ou Pinda. Sembó. Cuamato.

espionagem e comércio fizeram parte de um conjunto de estratégias que deram aos portugueses não só a posse do território angolano. poder bélico. liberdade E. No sudeste temos as tribos mais primitivas que são os Ganguelas. A imposição lusa no aspecto lingüístico.da etnia Umbundo. Na história da colonização portuguesa sempre esteve presente um imaginário. OCUPAÇÃO PORTUGUESA: DO LITORAL AO INTERIOR "Prendeste-me Ai. liberdade. Na porção Leste encontramos o grupo Lundo. evangelização." (Xitu . que descaracterizou a identidade do povo angolano. Os Kimbundos ocupam a região de Luanda.. na direção norte-oeste. foi a segunda forma de dominação.. os Portugueses impuseram a sua própria língua sem a qual aliás não é possível viver. que conjuntamente com os Quiocos vivem na fronteira catanguesa. Umbundos formam a maior tribo negra de Angola e ocupam o litoral e o interior. além da sua maior conquista que foi a terra do PauBrasil. Concluindo.. Guiné Bissau.1. Cabo Verde. Timor Leste e o Enclave de Macau. 1. podemos observar na conquista territorial uma seqüência de determinações que favoreceram a tomada portuguesa do território. Ao contrário dos Belgas. como também de Moçambique. os Portugueses recusaram terminantemente a falar as línguas indígenas. Com todo fôlego gritarei bem alto: Viva Angola. prendeste-me Porque gritei viva Angola Quando um dia voltar terei na cabeça uma grinalda de mussequenha Na mão direita rabo de Leão Na mão esquerda rabo de onça Nos pés alparcatas de pele de elefante E andarei pela rua gritando Liberdade.Vanhenga. em conjunto com os fatos reais encontrados nas vastas possessões de Portugal . e. São Tomé e Príncipe. sendo vizinhos dos Kikongos. 1980:3). pois militarmente a metrópole sempre foi superior em todas as suas ações imperialistas. Elementos como: diversidade étnica. sendo que metade deste grupo era dominado pelos Kikongos. Perante essa "Babilônia"..

. Alguns fatos de fixação já eram evidentes. em toda a África. caçadores de escravos e tudo aquilo que fosse comerciável nas terras de Angola. já havia um forte consenso para a ocupação do interior. que representaram uma tímida ocupação. Durante quatro séculos esta atividade. foi ultrapassada em função da abolição do tráfico. que compreendeu as alianças iniciais entre as coroas portuguesa e congolesa. No caso de Angola. pelo comércio da borracha. pois os seus efeitos caracterizavam a seguinte situação. vivendo exclusivamente da atividade comercial. de 1884 que institucionalizou uma divisão das fronteiras. Alguns Governadores Gerais eram favoráveis a uma forte influência na zona próxima do litoral. sinalizada pela Conferência de Berlim. Justamente nesse ponto havia divergências sobre qual seria o sistema ideal. Apesar dessa intermediação. o tráfico de escravos mantinha as receitas da metrópole aquecidas. pela exclusividade do tráfico negreiro e a partir desta data. deixando a autóctones a exploração dos recursos naturais. Somente em 1885. foi uma das principais receitas do Estado. levando grupos. até ao final do século XIX. No final do século XIX.no mundo. uma masmorra ou presídio dos colonos brancos em Angola. onde a presença de portugueses provocava a existência de estruturas sociais de tipo nitidamente colonial. quase todos os portugueses que emigravam para Angola eram condenados ou exilados na metrópole. a presença portuguesa limitou-se somente a pontos específicos e geopoliticamente estratégicos na defesa do território como Luanda e Benguela. A fixação no litoral representou uma das primeiras tentativas para a ocupação final. durante séculos. outros eram favoráveis ao despovoamento do sul de Portugal e da região de Açores para a ocupação do sertão africano.principalmente Luanda e Benguela. marfim e outros produtos tropicais. Dessa forma montou-se uma estrutura de intermediações entre os comerciantes do litoral e os pombeiros. que expandiam-se para as regiões da Bibala e Capangombe. a expansão só ocorreu em função das pressões internacionais desencadeadas pela "corrida ao Continente Africano". no litoral do Namibe. cerca de 600 pessoas da Ilha da Madeira vão ocupar o Planalto do Lubango. (1992:25). como as 25 famílias oriundas do Recife. Isso tornou a colônia. entre os quais começa a ter alguma expressão o café. já que a cada dia a penetração para o interior fazia-se necessária para a obtenção da força escrava humana. que através dos seus portos asseguravam o transporte para o tráfico de escravos para o Brasil. ou de ocupar o planalto com famílias européias. esta caracterizou-se até cerca de 1840. Mesmo assim havia opções de tornar Angola um centro de ocupação a partir do litoral. raças. A ambição serviu como justificativa entre o discurso e a prática. em 1849. segundo Zenha Rela. "Existência de alguns estabelecimentos na costa . intervindo no processo produtivo. etnias a uma degradação social incontestável na história do homem ocidental. Estas estruturas que entre si não apresentam qualquer coesão. Enquanto não ocorria uma fixação total do território. Segundo historiadores Angolanos.

a partir dos embriões pré-existentes. de que o processo industrial europeu tinha necessidade. neste núcleo" de um número extremamente limitado de africanos assimilados e um número maior de mestiços. sendo de norma uma nítida e prévia separação entre as zonas do funcionalismo público . Houve uma integração. não significava porém que as relações do núcleo central fossem homogêneas. as suas relações com este reduziram-se sempre a forma de "troca desigual" e apenas às relações comerciais esporádicas". Na periferia do sistema colonial.civil e militar . é que se fixam definitivamente alguns princípios na ocupação. integrando Angola num modo de produção que suportaria a carência do investimento. um sistema eco-cultural colonial integrado. muitas vezes precária. óleos vegetais. da venda de armas. Por outras palavras: a implantação efetiva do sistema colonial encontrava a sua lógica interna quer no . O centro deste sistema foi constituído por uma imigração portuguesa cada vez mais acentuada. pólvora. encontrou-se um número crescente de africanos que constituíram a mão de obra não qualificada (ou pouco qualificada). a ocupação representaria uma imediata resposta às pressões internacionais. "o sistema desenvolveu-se então.correspondendo de fato cada estabelecimento a uma micro-sociedade específica. numa posição agregada e marginal. Para Rela (1992:26). nas concentrações agrícolas e pecuárias. etc. No que diz respeito às formações sociais locais. de quem o sistema precisava para o seu funcionamento. bebidas alcoólicas. é também nestes núcleos que têm origem as "aristocracias locais" negras e mestiças que desempenharão um papel extremamente importante em todo o processo subsequente. somente em 1930 com a publicação do Ato Colonial. A expatriação das riquezas do continente que durante séculos foi feita mediante o tráfico. tecidos e missangas foi transferida para a exportação de matéria-prima. os "avassalados". cada vez mais vasto e complexo. Apesar das divergências ocorridas em diferentes correntes colonialistas. como: fibras. minérios e produtos da pesca. a existência individualizada destes grupos nos quais o segundo funcionava como sendo uma "periferia" do primeiro. verificava-se uma forte estratificação e uma grande diferenciação mesmo entre o grupo colonizador. Esse custo teria que retornar aos cofres da Metrópole de forma rápida e eficiente. pelo contrário. Do ponto de vista político. nas empresas de extração de minérios.e os comerciantes. e para além dos pequenos grupos absorvidos pelo colonizador. baseado nas cidades. mestiços e alguns negros ditos assimilados (cultura dos brancos) e outro pelos não assimilados. mas Portugal teria que encontrar formas alternativas na implantação do sistema colonial. definiam um elevado nível de estratificação social na qual destacavam dois grupos: um constituído pelos europeus.

inclusive o direito de ir e vir nos centros urbanos. . ainda se reflete em muitos aspectos da cultura angolana.imposição fiscal excessivamente alta. . tendente à constituição de grandes empresas segundo princípios geralmente conhecidos como recrutamento da força de trabalho que evoluiu de uma agricultura de plantação. traduzida em dois aspectos concretos: o assalariamento e/ou a monetarização." (Rela. a forma de alcançar estes objetivos exigia a participação.imposição de culturas obrigatórias. trocavam seus traços culturais em aceitação a cultura européia de uma minoria branca. Aos que usufruíam o estatuto de assimilados. que para os brancos não lhe cabiam fazer. obrigatoriedade de localização dos estabelecimentos em povoações comerciais e estabelecimento de regras muito apertadas de licenciamento comercial. Na ênfase de tais objetivos. ficou difícil uma reestruturação ou uma expansão da migração para uma futura integração da população periférica em único núcleo. Aos não-assimilados. . 1992:27). que os impedia de exercer qualquer cidadania. quer no aumento da capacidade de absorção de bens de consumo. o crescimento da população branca foi de pouca . determinado por uma imposição cultural e fiscal rígida. mesmo que marginal de um número sempre crescente de produtores/consumidores e a sua adesão. fundamentais para o processo de desenvolvimento do colonizador . na sua maioria considerados indígenas e rústicos. Por outro lado. para esquemas de recrutamento que se diferenciavam dos anteriores sobretudo em termos formais. O esquema de recrutamento. .desmembramento absoluto das redes comerciais locais pela proibição do comércio ambulante (funanço). que evoluiu de um típico sistema de trabalhos forçados. em grande parte importados. aos assimilados cabiam tarefas subalternas de pouca expressividade.não sendo permitido ao agricultor cuidar das suas culturas alimentares sem ter preenchido a quota que lhe havia sido atribuída pelas entidades administrativas. mesmo após a independência do país.implantação de um sistema de recrutamento da força de trabalho. a metrópole acabou construindo mecanismos de dominação colonial que garantiu o funcionamento e o desenvolvimento de uma cultura colonial que.como o algodão . cabia uma política de segregação. Nesse mecanismo desenvolvido destacamos os seguintes: "Apropriação de terras. Assim ao final da imposição colonial.crescimento da disponibilidade de matérias-primas para exportação. mais tarde desencadeou a subdivisão étnica baseada em escala de valores hierárquicos entre negros assimilados e não assimilados. independente do rendimento gerado pelo agregado familiar (imposto de capitação).

conforme mostra a tabela 2: TABELA 2: Número de Brancos que Viviam em Angola (1848-1974) ANO 1845 1900 1920 1940 1950 1960 1961 1970(*) 1974(*) NÚMERO 1832 9198 20200 44085 78286 172529 162387 290000 335000 Fonte: MANUEL. . então. voltada. já que essa população européia tinha como função prioritária uma "ação civilizadora". na prática. consolidando. Do século XIX até início do século XX. Angola .expressão. nos censos realizados. De acordo com a Tabela 2.) Nota: Seguidamente o autor descreve a história de Angola moderna que já foi relatada pormenorizadamente noutros textos deste site por isso achamos não ser necessário repetí-la. houve um incremento considerável da população européia. devastadora do ponto de vista cultural para a nação Angolana. fortalecendo adversidades locais e regionais no campo étnico. J. povoada por indígenas canibais. Z. segundo. Ao mesmo tempo. somente neste século. R.. para a exploração máxima da colônia.. o que irá retardar o processo de independência devido à lenta unificação das forças políticas nacionais. era de aproximadamente 9000 habitantes.(. em função das estratégias coloniais para ocupação. primeiro. todos os resultados ficavam sob a tutela do conselho ultra-marino que entendia que tais dados facilitaram a organização militar para aqueles que lutavam contra a metrópole. que consideravam a África terras selvagens. em função dos preconceitos criados em torno da vinda dos futuros imigrantes. o processo da ocupação colonial.Entre o presente e o futuro (*) Estimativa Os dados de censo populacional em Angola são contraditórios. criava-se entraves para uma futura aglutinação populacional.

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