ENTOMOLOGIA AGRICOLA

Métodos de Controle de Pragas
Métodos de Controle Biológico

“É um fenômeno natural que consiste na regulação do número de plantas e animais por inimigos naturais, que constituem os agentes de mortalidade biótica”. Século III - chineses usando formigas predadoras contra insetos pragas de citros.

Métodos de Controle Biológico
• No começo do século XVIII, pássaros predadores e

joaninhas foram usados como agentes de controle natural, e em algumas localidades da Europa foram feitas transferências de insetos predadores para combater surtos de insetos pragas.
• 1830 - os fungos, e posteriormente as bactérias e os

protozoários, foram identificados como agentes causais de doenças em insetos, e em 1870 foi feita a primeira tentativa de controle de insetos por meio de patógenos.

Métodos de Controle Biológico
A primeira transferência internacional de um predador (ácaro) foi feita em 1873, dos EUA para a França, com a finalidade de controlar a filoxera.

MARCO - introdução na Califórnia da joaninha Rodolia cardinalis, trazida da Austrália em 1888, para o controle do pulgãobranco-dos-citros, (Icerya purchasi), o qual foi completado, de maneira espetacular, dois anos após a liberação da joaninha.

Métodos de Controle Biológico
Uma outra área de controle biológico é o controle de ervas daninhas por meio de insetos ou patógenos. Como exemplo, cita-se o caso da invasão de pastagens na Austrália por cactos exóticos do gênero Opuntia, que, com a introdução de uma mariposa da Argentina (Cactoblastis cactorum), foram controlados totalmente em poucos anos.

Procedimentos básicos de controle biológico
Os procedimentos básicos de Controle Biológico são: INTRODUÇÃO - controle biológico clássico. CONSERVAÇÃO - controle biológico natural. MULTIPLICAÇÃO - controle biológico aplicado.

Controle Biológico Clássico
• Consiste na importação e colonização de parasitóides ou predadores, visando ao controle de pragas exóticas (eventualmente nativas). •As liberações para esse caso eram inoculativas (com liberação de pequeno número de insetos), o controle biológico era até então visto como uma medida de controle em longo prazo, pois a população dos inimigos naturais teria de aumentar com o passar do tempo, e, portanto, somente se aplicaria a culturas semiperenes ou perenes.

Controle Biológico Clássico
A partir do uso de inseticidas orgânicos sintéticos (na década de 50), esse tipo de controle teve sua utilização diminuída, pois as populações de inimigos naturais passaram a ser destruídas por tais produtos.

Com a forte pressão mundial para utilização de produtos menos agressivos ao ambiente (como juvenóides, produtos reguladores de crescimento, novas moléculas etc.), essa técnica deverá voltar a ser utilizada com bastante intensidade nos próximos anos.

Controle Biológico Clássico
Foi introduzida no país a vespinha Diachasmimorpha longicaudata, para controle da mosca-das-frutas, Ceratitis capitata, que está sendo produzida em grande escala no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA) em Piracicaba.

• O Brasil tem vários casos de sucesso com controle biológico clássico, destacando-se a importação de Neodusmetia sangwani para controle de Antonina graminis e mais recentemente (1998) Ageniaspis citricola para controlar o minador-dos-citros, Phyllocnistis citrella, já está adaptado ao País.

Controle Biológico Natural
• Refere-se à população de inimigos naturais que ocorre naturalmente. Atendendo a um dos preceitos básicos do controle biológico, ou seja, conservação. • Parasitóides e predadores devem ser preservados (e, se possível, aumentados) por meio da manipulação do seu ambiente de alguma forma favorável.

• É o controle recomendado para as culturas em geral, mas principalmente para culturas com grande número de pragas.

Controle Biológico Aplicado
• Trata-se de liberações de parasitóides ou predadores, após sua produção massal em laboratório, visando à redução rápida da população da praga para seu nível de equilíbrio. • Controle biológico aplicado refere-se ao preceito básico de controle biológico atualmente chamado de multiplicação (criações massais), que evoluiu muito com o desenvolvimento das dietas artificiais para insetos, especialmente a partir da década de 70.

Controle Biológico Aplicado
Para esse tipo de controle (e para o controle biológico clássico) o parasitóide (de qualquer fase de desenvolvimento da praga) ou o predador devem ser criados sobre um hospedeiro. Ex.: Um parasitóide larval de Diatraea saccharalis é criado sobre a lagarta dessa espécie, mas existem casos em que se podem utilizar hospedeiros alternativos. As espécies de Trichogramma podem ser criadas sobre ovos de traças, que não são hospedeiros naturais, ou mesmo ovos de bicho-daseda. Alguns taquinídeos também podem ser criados em hospedeiros alternativos.

Insetos Entomófagos
Podem ser parasitóides e predadores. Parasitóide – Um parasitóide que mata o hospedeiro e exige somente um indivíduo para completar o desenvolvimento; o adulto tem vida livre. Predador - É um organismo de vida livre durante todo o ciclo de vida e que mata a presa; usualmente é maior do que a presa e requer mais do que um indivíduo para completar o desenvolvimento.

Categorias de Parasitismo
1. Parasitóide primário - É aquele que se desenvolve sobre hospedeiros não parasitados. 2. Hiperparasitóide (ou parasitóide secundário) Desenvolve-se em outro parasitóide (é um parasitóide de parasitóide). Podem existir vários níveis de hiperparasitismo.

3. Endoparasitóide - Desenvolve-se internamente no corpo do hospedeiro. O endoparasitóide pode ser solitário (quando uma única larva completa seu desenvolvimento em um hospedeiro) ou gregário (quando várias larvas se desenvolvem até a maturidade em um único hospedeiro).

Categorias de Parasitismo
4. Ectoparasitóide - Desenvolve-se externamente (a larva alimenta-se inserindo as peças bucais através do tegumento da vítima). Pode ser solitário ou gregário. 5. Multiparasitismo (ou parasitismo múltiplo) - Mais de uma espécie de parasitóide ocorre dentro ou sobre um único hospedeiro. Em muitos casos, somente um indivíduo sobrevive.

Categorias de Parasitismo
6. Superparasitismo - Vários indivíduos de uma espécie de parasitóide podem se desenvolver num hospedeiro. Quando ocorre superparasitismo pode ocorrer sobrevivência de um indivíduo dominante. 7. Adelfoparasitismo ou autoparasitismo - Parasitóides parasitam indivíduos da própria espécie. Ex.: em Coccophagus scutellaris, o macho é parasitóide obrigatório da fêmea. 8. Cleptoparasitismo - Parasitóide ataca preferencialmente hospedeiros que já estejam parasitados por outras espécies. O cleptoparasitóide não é hiperparasitóide, mas ocorre um multiparasitismo, em que há competição das duas espécies.

Formas de exploração do hospedeiro
1. Coinobiontes - Parasitóides que permitem que o hospedeiro cresça e continue a se alimentar após o parasitismo. Os tipos mais importantes de coinobiontes são: parasitóides ovo-larva e larva-pupa e os parasitóides larvais que não paralisam permanentemente seu hospedeiro (presa) na oviposição. 2. Idiobiontes - Ecto ou endoparasitóides de ovos e pupas, que matam seus hospedeiros antes da emergência e, portanto, se desenvolvem em hospedeiros mortos ou paralisados. São parasitóides de ovos, pupas e adultos, além dos parasitóides larvais que, com "picadas", paralisam permanentemente a presa. Ex.: Trichogramma.

Vantagens e desvantagens do controle biológico
Vantagens: - Protege a biodiversidade, agindo no ecos sistema; - Especificidade, não causando desequilíbrio; -Não deixa resíduos (alimentos, água, solo) e nem afeta polinizadores; - Aumenta o lucro do agricultor; -Reduz dependência de petróleo.
Desvantagens: - Especificidade (especialmente para culturas com muitas pragas); - Exige conhecimento de tecnologia, às vezes de difícil implementação, especialmente pelo nível cultural do agricultor.

Parasitóides e Predadores
• Dentre os parasitóides, destacam-se moscas da família Tachinidae e microimenópteros de diversas famílias (Braconidae, Trichogrammatidae, Aphelinidae, Cynipidae, Encyrtidae, Bethylidae, Ichneumonidae).
• Os mais importantes são os da ordem Hymenoptera e, em menor grau, Diptera. Das famílias de Hymenoptera, os mais freqüentemente utilizados em controle biológico são representantes de Braconidae e Ichneumonidae (Ichneumonoidea) e Eulophidae, pteromalidae, Encyrtidae e Aphelinidae (Chalcidoidea).

Parasitóides e Predadores
• Dentre os predadores, destacam-se as joaninhas (Coccinellidae), os percevejos dos gêneros Orius, Geocoris, Nabis, Podisus, Zelus etc.; os lixeiros (Chrysoperla spp.), carabídeos, sirfídeos, tesourinhas, vespas, além de ácaros fitoseídeos e diversas espécies de aranhas. • Dentre as 32 famílias de predadores, Anthocoridae, Pentatomidae, Reduviidae, Carabidae, Coccinellidae, Staphylinidae, Chrysopidae, Cecidomyidae, Syrphidae e Formicidae são os mais comumente encontrados predando pragas.

Entomopatógenos (controle microbiano)
• Esse tipo de controle trata da utilização racional de microrganismos entomopatogênicos visando à manutenção da população das pragas em níveis não prejudiciais. • O principal objetivo do controle microbiano deve ser o estabelecimento enzoótico do patógeno no agroecossistema.

Métodos de Emprego de Microrganismos
Introdução inoculativa ou colonização - É a introdução dos entomopatógenos como agentes naturais de controle.
Exemplos: • Liberações de Baculovirus em populações de Oryctes

rhinocerus;

• Introdução de Metarhizium anisopliae pela liberação de cigarrinhas-das-folhas contaminadas nos canaviais e de Aschersonia e outros "fungos amigos" dos gêneros Nectria, Myriangium, Tetracrium, Fusarium etc., utilizando galhos de citros atacados com cochonilhas e aleirodídeos.

Métodos de Emprego de Microrganismos
Produto microbiano - Os entomopatógenos podem ser aplicados na forma de produto microbiano visando à proteção imediata da cultura. Os produtos mais utilizados são à base de Bacillus thuringiensis (Dipel, Thuricide), Beauveria bassiana (Boveril), Metarhizium anisopliae (Metarril), Baculovirus anticarsia (Baculo-soja, Baculoviron) etc. Conservação ou proteção - Pode ser feita pela manipulação do ambiente usando certos cultivares, espaçamentos, tratos culturais, sistemas de cultivos e defensivos seletivos que conservem os entomopatógenos.

Métodos de Emprego de Microrganismos
Iscas - Alguns entomopatógenos poderão ser formulados como iscas visando ao controle de pragas.

•Foram elaboradas iscas de Bacillus thuringiensis para o controle de Diatraea saccharalis, isca com Nosema locustae visando ao controle de gafanhotos e iscas para cupins com

Beauveria bassiana.

•Iscas com Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae são usadas para o controle do moleque-da-bananeira, Sphenophorus levis, e Metamasius hemipterus, em cana-deaçúcar.

Métodos de Emprego de Microrganismos
Enzimas e metabólitos tóxicos - Enzimas (proteases) e toxinas (fomalactonas) produzidas por microrganismos futuramente poderão ser empregadas no controle de pragas da mesma maneira que os inseticidas químicos. As avermectinas são lactonas macrocíclicas isoladas de estreptomicetos com excelente ação inseticida, acaricida e nematicida já disponíveis no mercado.

Métodos de Emprego de Microrganismos
transgênicas - As toxinas de Bacillus thuringiensis são os principais constituintes das plantas transgênicas usadas para o controle de lagartas e de alguns coleópteros. Atualmente já existem cultivares transgênicos para o controle de lagartas de fumo, batata, milho, algodão, arroz, tomate etc. Plantas

Métodos de Emprego de Microrganismos
Entomopatógenos modificados geneticamente - Os entomopatógenos também podem ser modificados visando à melhoria da estabilidade, virulência etc. Assim, os fungos e vírus entomopatogênicos, que são patógenos lentos, podem ter seus genomas modificados pela redução ou aumento dos genes.
Ex: Baculovírus de Autographa californica cujo genoma foi reduzido, com aumento de 15 a 30% na virulência, e tem sido testado para controle de Heliothis virescens.

Métodos de Emprego de Microrganismos
Fungos entomopatogênicos - causam epizootias que mantêm as pragas sob controle. Os fungos contaminam insetos e ácaros, penetrando principalmente através do tegumento, podendo também atuar por via oral, anal etc. • O fungo Nomuraea rileyi é muito importante para a cultura da soja, já que ataca a lagarta Anticarsia gemmatalis em condições de alta umidade e temperaturas amenas. • Exemplos de fungos entomopatogênicos:

Entomophthora, Entomophaga, Neozygites e Batkoa.

Métodos de Emprego de Microrganismos
Bactérias entomopatogênicas - Ocorre um grande número de espécies de bactérias que atacam insetos, sendo que a mais importante é Bacillus thuringiensis e suas variedades. Essa espécie produz esporos e cristais protéicos que são ingeridos pelos insetos. De modo geral, as bactérias invadem o hospedeiro por via oral. Existem dezenas de formulações no mercado internacional, sendo as mais comuns Dipel e Thuricidae, que possuem 16.000 Unidades Internacionais de Potência por miligrama ou 25 bilhões de esporos viáveis por grama.

Métodos de Emprego de Microrganismos
Vírus entomopatogênicos - Muitas viroses ocorrem infectando naturalmente insetos e ácaros de grande importância agrícola. Esses vírus são promissores para, futuramente, serem utilizados como inseticidas biológicos.

Baculovirus anticarsia, um vírus de poliedrose nuclear

(NPV), vem sendo utilizado com grande eficiência para o controle da lagarta-da-soja, em quase todas as áreas cultivadas com essa leguminosa.

Outros patógenos de insetos
Protozoários - contaminação a oral e transovigênica.

As espécies mais promissoras são:

- Malamoeba locustae: ocorre em mais de 40 espécies
de gafanhotos. - Mattesia grandis: incide algodoeiro, além de alguns himenópteros. sobre o bicudo-dolepidópteros e

- Adelina spp.: provoca doença em coleópteros dos gêneros Tribolium eTenebrio.

-Nosema locustae: ocorre em gafanhotos, sendo que aplicações desse protozoário na dose de 1,6 x 109 a 2,3 x 109 esporos/ha misturadas com farelo de trigo reduziram a população de Melanoplus sanguinipes em até 60%. Nosema sp. ocorre enzooticamente em broca-dacana no Brasil e causa problemas na criação desse inseto em laboratório. - Vairimorpha necatrix: ocorre em mais de 30 espécies de insetos da ordem Lepidoptera, tendo sido constatado em Helicoverpa zea, Heliothis virescens, Trichoplusiani, Pseudoplusia includens, Spodoptera frugiperda etc.

Nematóides Entomopatogênicos
Coenorhabditis elegans atacando Mahanarva fimbriolata e Hexamermis sp. em Diatraea saccharalis e Mahanarva posticata.
• No Brasil, ocorre • Algumas espécies de Steinernema já foram observadas parasitando ovos de Migdolus sp., broca-da-bananeira etc.

• Existe potencial para uso dos gêneros Steinernema, Heterorhabditis e Deladenus para controle de diversas pragas.
• O nematóide Deladenus sericidicola já vem sendo utilizado para controle da vespa-da-madeira Sirex noctilio em Pinus spp.

Rickéttsias e Mollicutes
 São microrganismos que podem ser encontrados associados a insetos promovendo danos nas glândulas salivares, aparelhos reprodutores e sistema nervoso.

 Há necessidade de mais estudos para avaliar seu potencial no controle microbiano.

Métodos de Controle de Pragas
Métodos de Controle Autocida

• O emprego da técnica do inseto estéril e a manipulação genética de pragas têm por objetivo reduzir o potencial reprodutivo das pragas.
• As pragas são utilizadas contra os membros da mesma espécie; por isso, essa técnica tem sido conhecida como controle autocida.

Métodos de Controle Autocida
• O controle autocida baseia-se no princípio da esterilidade por meio de liberações contínuas e inundativas de machos estéreis em uma população, os quais acasalariam com fêmeas normais, produzindo ovos inférteis, o que levaria a uma redução (e até extinção) da população de uma determinada praga. • A constituição genética da população de inseto não é alterada; porém sua reprodução é afetada.

Métodos de Controle Autocida
Outros métodos de manipulação genética de pragas, como esterilização hibrida, mutações condicionais letais e esterilidade de translocação, envolvem a competição entre gametas de insetos estéreis e normais, levando à redução na esterilidade da progênie, na fecundidade ou na sobrevivência.

• Exemplo: controle de Heliothis virescens por meio de esterilização genética. Foi observada a partir da produção de híbridos obtidos do cruzamento entre H. virescens e H. subflexa, levando à produção de fêmeas férteis e machos estéreis.

Esterilização dos Insetos
• A esterilização física é feita com radiações ionizantes. • A esterilização química, em certos casos, pode ser mais vantajosa. Entretanto, até agora não foi usada na prática, porque esses produtos são perigosos. Esses produtos podem agir de vários modos:

a) impedindo a formação de óvulos e espermatozóides; b)matando as células reprodutoras depois de serem produzidas; ou c) danificando o material genético delas, impedindo o desenvolvimento da progênie.

Quimioesterilizantes
• São conhecidos cerca de 300 compostos de ação esterilizante, mas todos são bastante tóxicos e perigosos. • O princípio poderá ter aplicação prática, principalmente em casos de erradicação de pragas, pois tem capacidade de atingir 100% de controle, o que não se obtém com inseticidas, embora tenha efeito retardado e só se manifeste a partir da segunda geração.

Os principais quimioesterilizantes são:
a) alquilantes como tepa (óxido-tris-1-aziridinil-fosfina) e afolato (hexahidro-hexaquis-1-aziridiniltriazotrifosforina), esterilizantes de machos; b) busulfan (tetrametileno-bis-1,4-metilsulfonato); c) antimetabólitos (5-fluorouracil) e ácido 5-fluorootico, esterilizantes de machos e fêmeas; d) triazinas como hemel (tris-2,4,6-dimetil-S-triazina);

e) uréias (2-imidazolidinone) e tiouréia de etileno.

Radiação Ionizante
• O emprego de insetos estéreis visando ao controle e erradicação da população de pragas, constitui um dos processos mais recentes. • A esterilização dos insetos usando radiações ionizantes havia sido constatada, desde 1916, com o emprego de raios X no besouro-do-fumo, (Lasioderma serricorne), que colocou ovos inférteis. • Por esterilização entende-se o ato de tornar o inseto incapaz de produzir descendentes.

Radiação Ionizante
A esterilização pode ser causada devido às seguintes condições: a) infecundidade das fêmeas; b) aspermia ou inativação nos machos; c) incapacidade de acasalar; d) mutação letal dominante nas células reprodutivas dos machos ou das fêmeas.

Radiação Ionizante
• Ao desenvolver um programa de esterilização de insetos por meio da radiação ionizante, é preciso estudar cada espécie, a fim de conhecer sua reprodução fisiologicamente de cada espécie. São empregadas os seguintes tipos de radiações:

a) Radiação em forma de energia, produzida pelos raios X e gama. b) Radiações em forma de partículas, produzidas pelos raios alfa, beta, nêutrons acelerados e elétrons acelerados.

Radiação Ionizante
•Os isótopos mais utilizados como fonte de radiação gama são o Cobalto 60 (60Co), com uma meia-vida de 5,3 anos, e o Césio 137 (l37Cs), com uma meia-vida de 30 anos. •As radiações ionizantes podem ser empregadas de duas maneiras no controle dos insetos: por meio da esterilização total ou da técnica do inseto estéril. •A esterilização total consiste na aplicação direta dos raios sobre a população dos insetos, por um período de tempo preestabelecido, que permita sua esterilização total.

Técnica de Inseto Estéril (TIE)
•Consiste na liberação de machos e fêmeas esterilizados num ecos sistema definido, permitindo sua competição com outros indivíduos da população natural da mesma espécie.
•A TIE é bastante complexa, exigindo estudos básicos sobre o comportamento do inseto visado. • As limitações de seu emprego estão ligadas principalmente à dependência direta do domínio de técnicas de criação massal de insetos e controle de qualidade dos insetos liberados, para que os insetos sejam competitivos com os indivíduos da população natural para o acasalamento.

A TIE depende das seguintes condições:
1. A esterilização não pode afetar o comportamento do macho, principalmente quanto à atividade sexual. Os machos estéreis, quando liberados, devem competir em igualdade de condições em relação aos machos normais; 2. Há necessidade de um método econômico e simples para sua criação massal; deve ser assegurada a criação contínua dos insetos durante o período previsto para a erradicação da praga. Quando se deseja apenas a diminuição de sua população na natureza, essa produção deve ser permanente.

3. Os insetos estéreis liberados devem ter boa capacidade de dispersão. Essa eficiência pode ainda ser aumentada fazendo a liberação por avião ou helicóptero;
4. A praga a ser eliminada deve estar com baixa densidade populacional. Como normalmente são recomendadas liberações nove vezes maiores que a população natural existente. Quanto menor a densidade populacional, tanto mais econômico se torna o processo.

5. A população estéril não pode produzir danos; caso contrário, o processo não é viável. 6. A TIE que vise à erradicação da praga só pode ser empregada quando atua sobre todo o ecossistema, que pode incluir áreas geográficas definidas pelo clima, nesse caso limitante à praga, como vales, ilhas etc. 7. Fiscalização permanente para evitar reinfestação na área erradicada.

8. Um completo estudo da biologia e ecologia do inseto visado é imprescindível, quando se deseja erradicá-lo por esse método, pois o desconhecimento de um dos dados relacionados com o ciclo da espécie pode comprometer toda a estratégia adotada;

9. O planejamento deve ser econômico, considerando inclusive a possibilidade de reinfestações.
10. É preciso assegurar a continuidade do programa durante várias gerações da praga; qualquer interrupção pode anular todo o trabalho desenvolvido.

Pragas Eliminadas Pela TIE
• Mosca-do-mediterrâneo (Ceratitis capitata)

• Mosca-oriental-das-frutas (Bactrocera dorsalis) • Mosca-do-melão (Bactrocera cucurbitae) • Mosca-mexicana (Anastrepha ludens) • Besouro Melolontha vulgaris por volta de 1962. • Cydia pomonella no Canadá, em 1965. • Outras pragas foram testadas para serem eliminadas pela TIE, como: Anthonomus grandis, Bactrocera oleae, Glossina sp., Pectinophora gossypiella etc.

BIBLIOGRAFIA CITADA
GALLO, D. et al. EntomologiaAgrícola. Piracicaba: IL: (Biblioteca de Ciências Agrárias Luiz de Queiroz, 10), FEALQ. 2002.. 920p.

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