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Máquinas agrícolas

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MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA: FONTES MECANIZADAS COMO CONTRIBUIÇÃO AOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA

ALCEU PEDROTTI MIGUEL DAVID DE SOUZA NETO
ALCEU PEDROTTI MIGUEL DAVID DE SOUZA NETO
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MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA: Fontes Mecanizadas Como contribuição aos Sistemas de Produção Agrícola

MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA

ALCEU PEDROTTI MIGUEL DAVID DE SOUZA NETO

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MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA: Fontes Mecanizadas como contribuição aos Sistemas de Produção Agrícola

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4.. Miguel David de. Bibliografia 1. Operações mecanizadas. 2. Tratores e implementos agrícolas – Prevenção de acidentes 3. 2006.17 S 729 r – PEDROTTI. Mecanização Agrícola. Mecânica agrícola 3 .CDU 631. Alceu & SOUZA NETO. 162 P: il. 90 MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA: Fontes Mecanizadas como contribuição aos Sistemas de Produção Agrícola / Alceu Pedrotti & Miguel David de Souza Neto – São Cristóvão – Se.

..............................1............................................. 33  Função de alguns órgãos dos motores de Ciclo OTTO: ........................... 72  Tanque de combustível: .............................................................. 35  Função de alguns órgãos dos motores de Ciclo Diesel.............................. A tração animal e os dias de hoje............................. 44 2.. As siglas utilizadas na classificação dos óleos ...................................... Dimensionamento de polias: ....................1 Dimensionamento de polias e correias: adequação de implementos: ............................................ 75 4 .................................................. .......... Manutenção do sistema de lubrificação ..................... 24 1........ 39 2.4........................................... 13 1...........5................... 3.......... 72  Drenagem do sedimentador e do filtro de combustível.......................................................................................... 20  Principais críticas à mecanização agrícola: ................................................................................................................................................................................... 73  Sangria do motor............................................................. 31  Os tempos dos motores à explosão .............3........... 35 CAPÍTULO 2 ........ 70 2......................................................1............................................................. 9 1................... Aspectos da mecanização agrícola: ..............................................................................................................................................1..................................................... 9 1............................1.............5.................... 72  Bomba alimentadora .........................ÍNDICE Apresentação ..... 72  Substituição do filtro de limpeza do sedimentador de combustível.......... 68 2................................................................2......................................................................................................................................... 44 2................................................................................2..... Princípios básicos de funcionamento de um trator agrícola: .................................................................................. ..............................1....... 67 2............ 16 A mecanização e a agricultura moderna .... 38 2............... O sistema de alimentação .......................................................1........................................................................................ Funcionamento básico do sistema hidráulico de três pontos .......4............................................................ A lei das alavancas.........................................................1...................... 69 Alguns cuidados com as correias e polias: ......................................................... Ajustes de bitola e lastração .............................................................................................................................................................................................................................................................. 19 A situação da mecanização agrícola ................2..... 65 2.............2.............. 30 1.Sistema de alimentação/ar: . 71 2............... 38 2............... O uso da tração animal na agricultura .. O Sistema de arrefecimento ................................................2.................................................................................. 30 1............... 62 2...................4.......................................1..........3...... 44 2..........................................................................................................................1.......................................... 70  Manutenção do sistema de filtragem de ar ................................................................... Dimensionamento de correias .................... 73  Sangria da bomba injetora (bomba horizontal e bomba vertical – cav) ..........................................................................2.... 14 1................ 73  Sangria do sedimentador e filtro de combustível ........................................................................................................................................................................................................2..........................1.......1........ Sistema de alimentação/combustível ...........................................2................................................................. 55 2..............5....................... 2.......................................................... .................................................... Sistema de embreagens e transmissões .................................. A mecanização na agricultura ..6.............................. 11 A agricultura de precisão ................ 2.................................... 38 Os sistemas do trator .........................................................................................................4........................................................................................................................................1.......4.......................................................................................................................................1.................................................. 38 2............... 53 2..........2..........3......... O sistema de lubrificação .....................................2...........................4......... 73 2........................................................Pré-programação operacional suportada por tecnologia de computador (tratores Valtra/Valmet): ............ 7 Um pouco de história: o fim do nomadismo e a agricultura de precisão: .... Os sistemas do trator................ 70 2............................................................... 67  A relação: Tipos de correias x potência do motor ............. Conhecendo o trator: .............................. Autocontrol ................................................. um dos princípios dos braços do hidráulico: .......................................................... O Sistema de levante hidráulico com controle eletrônico – Hydrotronic (tratores Massey Ferguson e Maxion)....................................................... Sistema de transmissão: Transmissão de força............................ Definição de motor: ....... 45 2.......................................................................... O sistema hidráulico..................... Sistema de transmissão de trabalho – polias e correias. 43 2...................................................................

.................. Conforto na operação do trator: ........ 126 4............................. 104 O rolo destorroador: .....................................................................................................................................................1........ A insalubridade do trabalho de tratorista...................... 103 Grade de dentes rígidos ou fixos .................... As atividades agrícolas e os implementos: ............................3....................................................................................................................................................................................................................................................................................... 134 a) Estrutura ............. 94 O arado de discos.......................................................................................................................................... 96 Regulagem das grades de discos........................ Cuidados com o equipamento: a operação do trator...................... 103 Grade de dentes com molas ou grade de molas ......................................................... Tração dianteira .............................................................. pousio e cultivo em faixas alternadas ....6.......... 85 O Rendimento das operações de mecanização ..................................................................................................... 90 3...... 133 5......... Medidas conservacionistas ...........................................................................................................................................................................................1..1................................................................................................................. 116 Condições climáticas ideais para a aplicação de defensivos: ........................................................................................................5.............................. 122 4..................................................................................................................................3............................................................................. 117 CAPÍTULO 4 ................................................................................. Cor ................... 83 3..1.................... 124 4....................................................................... Medidas gerais de segurança ..................................................................... 144 Adubação verde ...................................2 Manutenção dos equipamentos de tração animal ............................ 117 A colheita ............................................................... Textura............................. Topografia ........................................................................................As capinas......................................... 126 4.... 138 5.............................................................................................. Partida do motor ................................................................. 83 3.................................... 82 3.........................................................................................................4. 134 b) Umidade do solo ....................1.........................................................................................................................................................................1.................................................................... 138 5..1..................................................................................................................................................... 82 Os implementos agrícolas: ...... 122 Prevenção de acidentes no uso dos implementos agrícolas e do trator .................. 125 4............................................................. 149 O uso de implementos descompactadores do solo: ...........................................2............................................. 133 5.............................. 95  A gradagem .......................................................................................................................... 145 Alternância de implementos ..................2.... 142 Manutenção da cobertura morta na superfície – Sistema de Plantio Direto (SPD): .......................................... 102 Sistemas de gradagem ......................1..................................................... 106  A semeadura .................................. Estrutura e Umidade: .................... 85 Gerenciamento econômico do setor de mecanização.....3................................ 134 5................................................................................. 91 Arados fixos e móveis: ....................................................................................................................... 138 5.....................2.............................................................................................. 122 4.. 144 Rotação de cultura.......................1..1... 86 3.................................................................................. 93 O Arado de aivecas: .....................1...... 107  Tratos culturais ............................. 140 Terraceamento e semeadura em nível ......................................................................................................................................... 139 5...................2..... 129 4..................................................4......................................................1..............................................1.........................................................................................................................1.............................................................................................................................................................1.........2.............................. 104  Escarificadores no preparo do solo.................................................................................................................................................................................................................................................................. 133 Manejo e conservação do solo ................................................................................................................................. 112 Aplicação de herbicidas ............. 131 CAPÍTULO 5 ....................... Manutenção dos implementos ................................ Características e propriedades edáficas que devem ser observadas no preparo do solo: ................................................ 105 Enxada rotativa ....... 79 CAPÍTULO 3 ..........................................Planejamento e desempenho operacional de máquinas agrícolas ............................. Preparo do solo:.........................................................1............................................... 91 Princípio da aração: A reversibilidade da leiva .............................................. 149 5 ............... ........................2... Porosidade ............3...................................................................................................................7........................................... considerações sobre a correta manutenção dos tratores: ................................. Profundidade ............................... Identificação dos principais controles e instrumentos de controle do trator: ....................... 135 5...............................................................................2....................... 90  Aração ..............................................................................................................................................................................................1.......................

....... 150 5...............................3................................................ 160 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .3....3......................3.........................................................3..............Subsolador X Escarificador.................................................................................... 151 5. 150 5...........................................1............................................................................3.................................7............ A adubação e a pecuária: ........ 151 5............................. O ph do solo e a correção da acidez ....... Adubação do solo ... 157 5.......................... Amostragem do solo ..........................................4.................................................................................3............ 156 5......................................................................................... A fertilidade do solo ........................................................................... Adubação orgânica ....... 156 5......... 162 6 ..............................................................................................................3.................................6..................2..............................................5...................3................................................................ 150 5....................................................................... Análise foliar .. Adubação química .....................................................

principalmente após a 1a Guerra Mundial. Além disso. como a soja.Apresentação A modernização agrícola brasileira baseou-se em mudanças na composição das colheitas pela diversificação. Na década de 80. no sentido de melhorar a eficiência e racionalidade de seu uso nas diversas operações da propriedade rural. os ganhos de produtividade explicam cerca de 3/4 do aumento da produção agrícola obtida no Brasil. em particular. ao contrário do que ocorreu nas décadas anteriores. Mesmo assim. O emprego de computadores acoplados à máquinas agrícolas em conjunto com informações geoposicionadas levaram ao campo o que existe de mais avançado em termos de gerenciamento de dados e estratégias de informática viáveis à melhoria da atividade agropecuária. com resultados confiáveis. com destaque para as culturas de maior interesse para a exportação. Um dos grandes desafios de quem trabalha envolvido com máquinas agrícolas sempre foi a correta modelagem. a mecanização. nas décadas de 70 e 80 os ganhos de produtividade passaram a ser uma importante fonte de crescimento da produção agrícola. A mais notável mudança. a pesquisa agrícola e o uso de insumos químicos também foram fundamentais para a expansão da fronteira agrícola na direção centro-oeste de nosso País. Existiram muitas tentativas e modelos propostos. Essa diferença entre um veículo de transporte de pessoal e armamentos e um veículo de tração é evidente e por isso a linha agrícola acabou tomando seu próprio caminho. ocorreu na composição da produção na direção de culturas caracterizadas por mercado em forte expansão no comércio internacional. para predizer o que o trator pode exercer de força numa dada condição e o que a máquina ou implemento vai exigir de força para ser tracionada nessa mesma condição. especialmente das culturas mais modernas. muita coisa em comum continuou existindo e as teorias de relação 7 . O avanço da área de mecanização agrícola registrado já é tão grande que o termo agricultura de precisão (AP) vem sendo adotado no meio agronômico para identificar um conjunto de tecnologias modernas oriundas de adaptações informatizadas com uso direto em equipamentos agrícolas. quando os veículos fora de estrada passaram a ter grande importância. O trator agrícola apenas pegou carona e desenvolveu-se uma linha de pesquisa aplicada à mecanização agrícola. no que toca à diversificação de culturas. incorporação de novas tecnologias e em modificações na estrutura e na organização dos fatores de produção. Graças a esses fatores.

Inicialmente. em última análise. As primeiras esteiras. Algum tempo depois do seu surgimento é que esse veículo passou a ser chamado de trator. o chamava pela primeira vez de “tractor machene”. na primeira metade do século passado. principalmente os discentes cursantes das disciplinas de graduação. além de. já existia uma quantidade significativa de máquinas a vapor sobre rodas. 1992). Bom proveito ! 8 . máquinas para construção civil e veículos fora de estrada). Um anúncio de um deles. que ao mesmo tempo que registra evoluções e resultados nos sistemas de produção tão expressivos. em cursos ligados a ciências agrárias. que este livro vêm a contribuir com docentes e pesquisadores.pneu-solo e esteira-solo são freqüentemente revistas e confrontadas entre as grandes áreas (aplicações agroflorestais. Essa é a maior função do trator que hoje impulsiona uma grande fatia da economia. e justamente para sustentar máquinas pesadas sobre solo. Aquele veículo que hoje é conhecido como trator já passou por muitas fases e variações. o dispositivo responsável pela transformação da potência disponível no motor em força de tração (Goering. que tem a necessidade de subsídios na área de mecanização agrícola. datado de 1906. ainda primitivas são dessa época. Na última década do século passado é que começaram a surgir os tratores com motor de combustão interna. A partir de então surgiram inúmeras variações e formas construtivas tanto do trator em si quanto do seu sistema de rodado que é. Em cima destas evoluções e ganhos de tecnificação. na agricultura e silvicultura. pela suas características e função. carece de materiais como os propósitos apresentados por esta publicação.

9 . A domesticação dos animais trouxe não só para o homem a perspectiva de obter alimento e produtos de origem animal. principalmente como força-motriz. Com o tempo. perpetuando-se essa divisão de ecossistemas antrópicos desde as polis gregas até as megalópoles atuais. em diferentes épocas. o homem pôde deixar o nomadismo e passar a ser sedentário (GUIMARÃES. pelos nossos ancestrais. os nossos antepassados viviam da caça e da coleta de frutos e ervas. devido à sua ferocidade. A partir da observação e descoberta do processo de germinação das sementes e domesticação de várias espécies vegetais. acompanhou também a domesticação de alguns animais e o pastoreio (CÁRCERES. a capacidade de esses animais exercerem algumas atividades. para que se tivessem animais de tração fortes e ao mesmo tempo dóceis (UNIVERSO. aprimorando principalmente a agricultura. através da domesticação de animais de tração e aperfeiçoamento dos primitivos implementos de auxílio no preparo do solo (CÁRCERES. quando houve uma diminuição das calotas polares e que fez surgir novas áreas habitáveis.C. 1996). Para sobreviverem. Esse evento foi de extrema importância. Sujeitos aos predadores. a 2 500 a. Essa agricultura primitiva. transportando cargas.C. Estavam sujeitos aos rigores das matas ou às grandes distâncias das planícies. como também.CAPÍTULO 1 Evolução histórica: o fim do nomadismo e a agricultura de precisão: Desde os primórdios. 1983). A partir do período Neolítico1 o Homo sapiens estabeleceu relações mais específicas com a natureza. tracionando implementos nas diversas atividades da 1 Período compreendido aproximadamente entre 6 000 a. Os bovinos foram domesticados 3000 anos depois.. fixando-se em locais propícios às suas atividades agrícolas e pastoris. nascida durante o período mesolítico. Por volta de 3000 a. surgiu a agricultura. e a subseqüente separação dos homens em dois meios distintos: o meio rural e o urbano. O uso da tração animal na agricultura Os primeiros animais domesticados foram os ovinos. com o aparecimento das vilas. após mudanças consideráveis no tocante ao clima da terra. 1973). como o aumento demográfico. passou-se a castrar os touros. a cerca de 6500 a. 1982). (CARVALHO & NAKAWVA. acompanhando a frutificação da flora dessas regiões e da disponibilidade de caça.C. surgiram pressões de ordem social.C. 1996). às endemias e até aos clãs rivais. pois a partir da agricultura e da domesticação dos animais. 1. andavam em clãs por regiões diversas.

há evidentemente. a semeadeira – adubadeira. auxiliando o homem nas tarefas de desmatamento. os cuidados referentes à manutenção dos implementos tracionados por estes animais. como o carro de boi. que em sua fazenda fez uso de mulas.1 hp de trabalho pesado e contínuo e cerca de 0. para se desenvolverem. Cena comum no interior do nordeste e em propriedades de mão – de – obra familiar. é pouco eficiente. variando 10 . até os mais sofisticados. Grandes proprietários de terras.agricultura.4 hp de trabalho de esforço contínuo e moderado (HOPFEN & BIESASKI. entre outros. Dentre os implementos puxados por animais podem ser citados muitos. que tantas cargas transportaram no dorso desses animais. de utilidade como força de tração na agricultura (GUIMARÃES. desde o mais rústicos. ou os tropeiros. Imagem 1. Diversos povos fizeram uso dos animais domésticos. como a semeadeira-adubadeira. Brasil afora. a plaina. o cultivador. semeio e colheita. pois o homem mesmo. 1953). tração. relativos à nutrição. Além dos tratos com o animal. o arado de aivecas. Os animais têm um potencial de transformarem alimentos baratos (forrageiras e grãos) em trabalho mais eficientemente que o homem. gerando apenas cerca de 0. como fonte geradora de potência. como o americano Washington. entre eles a carroça.Cultivadores tracionados por bois. sanidade e inclusive bem-estar. 1982). aração.

Deste momento em diante. em 1840. do trator a vapor. (1966) e GUIMARÃES (1982). dos camponeses para com os seus senhores . especialmente cereais. O desenvolvimento do trator e de implementos específicos à tração mecanizada ocorreu em detrimento dos antigos implementos puxados por bois e mulas. grande número de implementos são aperfeiçoados e fazem com que. Do sistema feudal. após a 1ª Grande guerra. que carregou no seu bojo a mecanização agrícola. passassem a ser utilizadas na produção de alimentos. com suas características de relações servis. como veremos num capítulo mais tarde. XIX começam a surgir os primeiros tratores. Desde a invenção do motor a vapor por James Watt. fomentadas pelos processos inerentes à própria revolução industrial. obtendo maior rendimento e eficiência. cria a primeira charrua inteiramente de aço. ao modo de produção atual as modificações foram muitas. Os passos iniciais da revolução industrial. antes irremovíveis pelos antigos instrumentos. modelos de exploração e o tamanho das propriedades.somente o grau de cuidados e número de manutenções desses implementos. ao câmbio sincronizado dos tratores Valmet nas décadas de 60/70. e tornaram-se mais específicos somente após a 2ª guerra mundial. só receberam sensível impulso. grandes extensões de terras. cit). a evolução do trator acompanhou os níveis de tecnologia agrícola. afirma que por volta de 1800. John Deere. Desde o primeiro passo. como uma charrua de ferro fundido. A mecanização na agricultura Após a revolução industrial no século XVIII. XVIII somente mais tarde. Em seguida. GUIMARÃES (op. foram dados a partir das mudanças do sistema de produção rural. a partir de tais aperfeiçoamentos.1. em fins do séc. XVIII. a passos maiores. também a ser trabalhado por máquinas. a invenções também importantes. no final do séc.relações as quais discutiu HUBERMAN (1936) – às intensas mudanças do modo de produção agrícola. inventada por Charles Newbold e aperfeiçoada por Jethro Wood. O campo passou a partir da revolução industrial. houve uma intensa mudança na estrutura fundiária e de produção. 1. nos estados Unidos. do séc. em 1937. A própria evolução do trator evidencia que o nível tecnológico empregado no maquinário agrícola acompanhou os processos criativos e tecnológicos das outras áreas. 11 . como a introdução de pneumáticos por volta de 1930. a mecanização no campo teve um forte impulso após o aperfeiçoamento e invenção de máquinas. como a invenção do motor Otto em 1870. a partir da montagem de uma máquina a vapor autopropelida sobre rodas. No entanto. e o surgimento dos motores desenvolvidos por Rudolph Diesel em seguida.1. de acordo com BARGER et alii. o sistema hidráulico de Harry Ferguson.

na chamada agricultura de precisão. como a colheita de cana-de-açúcar. Esse nível de tecnologia. Podemos citar ainda. definem os métodos de análises através de amostragens das áreas tradicionalmente feitos como Agricultura das médias. 12 . 2 SOUZA FILHO e RORDAN (2003). além de algumas culturas olerícolas). com aplicação de insumos e fertilizantes. contudo. Algumas são até guiadas por satélite. vai ao campo e volta ao galpão de máquinas guiado por satélite e por computadores. de algodão. ao descreverem a agricultura de precisão. de uma forma bem mais específica de que a adubação generalizada e extrapolada para toda a área2. ou de oliva. em glebas heterogêneas da propriedade. o trator agrícola que não precisa de operador (atualmente apenas um protótipo). ou o trigo. só seria viável no emprego de máquinas para grandes propriedades rurais.Atualmente. de produção intensiva e de culturas com altos rendimento e remuneração por unidade de área (grandes culturas de valor econômico elevado ou alta produtividade como a soja. existe maquinário que exerce tarefas antes inconcebíveis a uma máquina. de café. através do uso de GPS (do inglês: global positioning sat) para a correção e adubação do solo.

como a decisão de deixar de plantar em determinada área. tamanhos e níveis de preço. São elaborados mapas de produtividade e após isso. alguns implementos e/ou máquinas de agricultura de precisão importadas. O vagão transportador e distribuidor de ração. não é aplicável aos trópicos). critica contudo. principalmente no tocante às condições edafoclimáticas (o sistema de preparo de solo e plantio de um país de clima temperado. corretíssima. bem como a produtividade dos diversos talhões existentes numa mesma área. observando que ela é do ponto de vista agronômico. As colheitadeiras de feno. cabendo ao pecuarista a escolha de acordo com suas necessidades e possibilidades (vide tópico referente à escolha e dimensionamento da frota na página 76). muitos deles caracterizados inclusive como implementos pecuários e não mais agrícolas. feitas algumas avaliações desses dados. tomar-se as medidas cabíveis para o aumento da produtividade de cada m2 da área. Inúmeros são os implementos e máquinas utilizadas na pecuária. As colheitadeiras e picadoras de capim. para o cocho. 13 . cit). Desses implementos existem os mais diversos modelos. como o ajuste na quantidade de insumos. Segundo SOUZA FILHO e RIORDAN (2003). As máquinas de distribuição de ração nas granjas modernas. assim como o boi. Esse autor lembra que tais máquinas nem sempre estão em conformidade com as condições do sistema de plantio direto. ou no caso de uma pecuária mais mecanizada. como no posicionamento das sementes e do adubo no sulco. A mecanização e a pecuária: A mecanização atualmente está para a pecuária assim como o boi está para o pasto.A agricultura de precisão O funcionamento da chamada agricultura de precisão baseia-se na coleta de informações de produção. DALLMEYER (op. As enfardedeiras tratorizadas e manuais. como se sabe. para em seguida. DALLMEYER (2004) traça aspectos positivos dessa técnica. essas medidas podem ser corretivas. ou estratégicas. pois desconstrói o manejo realizado pela chamada agricultura das médias e passa a tratar as glebas de solo com os seus potenciais produtivos de forma individual. Enumeremos alguns:       O vagão transportador de volumoso.

espaçamento padrão ideal da cultura a campo. os danos feitos aos solos agrícolas restringem-se quase que exclusivamente ao manejo e forma de exploração do solo. pois na realidade. sem uma consistência prática. à medida que novas necessidades forem surgindo.No Nordeste. ou por assim dizer. que influem no nível de compactação3 do solo. houve um incremento da produção agrícola e o uso intensivo das máquinas. Contudo. metabolismo CAM. O uso “incorreto” e excessivo do trator. essa afirmação adquire uma natureza meramente de curiosidade. que é uma colheitadeira de palma forrageira à disposição no mercado. muitas vezes. de forma característica dessa família botânica. alimentação do material através de esteira. também surgirão novas respostas tecnológicas da mecanização. predominantemente nas grandes propriedades. De uma forma geral. a formação de camadas 14 . vê-se uma forte tendência de incorporação da mecanização à pecuária brasileira. pois o tamanho do casco deste em relação ao seu próprio peso é significativamente menor do que se compararmos a proporcionalidade entre o material rodante (esteira. substituiu o trabalho dos animais nas atividades rurais. alguns produtores (na sua maioria. veremos que há algumas limitações de ordem técnica como o corte da palma e deslocamento do material picado da máquina ao vagão. mais contundente em termos de danos ao solo do que o uso da tração animal. as colheitadeiras de feno e sua embalagem em fardos de cerca de 20 kg são as máquinas mais utilizadas por pecuaristas de maior porte. embora existam máquinas com uma grande capacidade de confecção e transporte de feno (em rolos).).2. Há especificamente nessa região para o setor pecuário uma certa dificuldade (entre tantas!) que se refere a um caráter de ordem tecnológica e prática. pneus) de um trator agrícola e o seu tamanho. robustez do conjunto trator x implemento e velocidade de corte. variedade de palma forrageira mais adequada. para as áreas agrícolas com problema de compactação de solo. De fato. fazem uso da tração animal. a qual é feita geralmente em pequenas propriedades e sem danos que comprometam o sistema de produção de tais propriedades – portanto. com vistas à redução de danos operacionais.1. cultura em área destocada. de pequenas propriedades agrícolas. que haja uma viabilidade de mercado. em termos de proporção. Já para áreas mais abastadas no tocante à regularidade de chuvas e média pluviométrica bem definida. mas que. Uma cactácea que. se considerarmos somente o aspecto técnico de construção da mesma. de forma absoluta. atrofiamento das folhas em espinhos etc) e que naturalmente serve de alimento aos animais. A tração animal e os dias de hoje Com o advento da mecanização. sobrevive à aridez mediante as suas estratégias fisiológicas (armazenamento de água. o animal compacta mais o solo*. ou onde o emprego da máquina não é viável ou 3 Embora a compactação do solo seja notadamente maior quando se refere à tração mecânica. minifúndios e médias propriedades) em tarefas específicas. uma cultura que é usada desde muito pelos agricultores (ou pecuaristas) familiares e que sustenta toda sorte de gado nos períodos mais crítico de secas as quais muitas vezes duram anos é a palma forrageira (Opuntia sp. desde claro. 1. Entretanto.

6 – 12. existem áreas de pastagem que sofrem compactação demasiada.0 2. devido à abertura econômica que esse país vem realizando na última década.4 – 6. Na Índia. A tabela seguinte (tabela 1) ilustra o rendimento de algumas operações mecanizadas utilizando-se a tração animal e a tração mecânica. conforme foi discutido no item de críticas à mecanização agrícola.6 1. em países como a China. da questão de emprego de tração animal ora discutido. Acreditamos que cada produtor tenha uma necessidade diferente em relação ao modo de produzir. relação implemento de corte x potência do trator inadequada. cabe somente ou ao técnico responsável ver a real necessidade de aquisição de máquinas. totalmente diferente portanto.37 0. principalmente no tocante ao custo-benefício de semelhante empreitada Tabela 1 – Rendimentos de algumas operações agrícolas com tração animal e mecanizada. *nda. o que é desejável do ponto de vista social. os bufalinos continuam sendo utilizados e realizam as tarefas com perfeição (já existe um maior número de tratores na agricultura chinesa.Animal utilizado Operações Mula 1 boi 1 junta de bois Tração mecanizada Faixa de potência (cv) para tratores de pneus 61-63 73-77 Aração Gradagem Plantio Rendimento (ha/turno*) *considerando um turno (dia/de serviço) de 6 horas de trabalho 0. os bovinos são reverenciados como sagrados e comumente utilizados para diversas atividades.2 – 2.07 9.0 – 12. mas sim às práticas de manejo incorretas e degradantes tais como número de passagens excessivas. onde a mecanização com o uso de máquinas autopropelidas (tratores) é impraticável.6 2. mas que o emprego da mão – de – obra ainda é significativo. já que a China é um país superpopuloso).45 1.não obtém resultados satisfatórios.90 2. Não pretendemos contudo. como auxiliadores do homem nas suas tarefas cotidianas. Atualmente.4 – 7. do século XX. mas que evidentemente.4 – 3. aração ou gradagem muito acima ou abaixo do ponto ideal de revolvimento do solo. pelo excesso de pisoteio (excesso de animais numa mesma área ou superpastoreio). fazermos apologias ao emprego da tração mecânica. o lastramento incorreto e/ou excessivo do trator.4 2. seja pelas dimensões das parcelas trabalhadas. Tração animal . com essa tabela. 15 .8 subsuperficiais adensadas. pelo relevo ou até mesmo pela não disponibilidade de capital para aquisição de maquinário. está relacionada não somente com a questão “direta” do uso do trator e a compactação causada por ele.: Na realidade. etc.6 6. nas regiões montanhosas rizicultoras. é uma situação relacionada ao mal manejo e falta de racionalização da pecuária.

cresceu e tanto a produção quanto à produtividade tiveram que acompanhar esse crescimento. bem como o papel da agricultura moderna na sustentação da população atual. Ou seja. implica em prejuízo social.60 - 1. aumentar os níveis de produção e o rendimento do trabalho no campo (Quadro 1). A mecanização agrícola vem.Produtividade de um homem com alguns implementos agrícolas Equipamentos Pasto cortado em um dia de trabalho Área (m2) quantidade (Kg) vacas alimentadas Foice manual Alfanje manual Segadora tracionada por animal Segadora acoplada a trator 1.2 - 1. conforme discutido mais apropriadamente no tópico referente às principais críticas em relação à mecanização agrícola. Em 1940.Cultivo Sulcamento 1. Esse aumento do consumo acompanhou um superávit de produção agrícola baseada na utilização do maquinário. Quadro 1 .200 2.520 40. O número de trabalhadores urbanos tornou-se muito superior aos do campo. Aspectos da mecanização agrícola: Devido ao crescimento populacional.000 80. a relação entre o número de pessoas da cidade e do campo era de 4.1. a má distribuição demográfica. naturalmente a demanda por alimentos. É inquestionável o papel da mecanização agrícola hoje. portanto.000 32. era de 9. Em 1980.000 480 960 16.000 1 2 40 80 Fonte: SILVEIRA (1989) 4 Além disso.3.4 pessoas para um trabalhador (SILVEIRA. 1989).24 para 1. praticamente dez outros4. 16 . com uma absoluta maioria da população residente em zona rural. um homem teria que abastecer de alimentos.

Se compararmos as três situações. no quadro acima. dentre os dois equipamentos comparados (uma foice e um alfanje manual). esses valores são maiores. Rendimento relativo do conjunto tratorizado em relação à quantidade final de forragem 80 80 70 60 Trabalho Humano Tração Animal Trabalho mecanizado 50 Rendimento relativo do conjunto tratorizado em relação à Área de pasto cortado 40 40 31. que a eficiência de um serviço realizado por um homem. o trabalho utilizando a tração animal e o trabalho mecanizado (em número de vezes.7 1 10 0 São necessários. é inferior cerca de 16 vezes ao mesmo serviço realizado pelo animal e cerca de 32 vezes inferior ao rendimento obtido pelo trator acoplado à segadeira. Graficamente. Rendimento médio comparativo entre o trabalho humano. considerando a utilização por este homem de um equipamento que lhe permita um melhor rendimento. veremos que o rendimento do serviço. Já no que concerne à quantidade de volumoso disponível à alimentação das vacas.7 30 20 2 15. onde o trabalho realizado pelo homem com uma ferramenta simples produziu forragem suficiente para alimentar apenas 2 vacas. até 80 homens. Vê-se então que. a quantidade de trabalho realizado pelas máquinas agrícolas é 17 . em relação a um mesmo serviço realizado por um animal tracionando um implemento e também a um trator acoplado a uma segadeira. utilizando o alfanje manual. portanto. enquanto no mesmo período de tempo. para fazer o mesmo serviço realizado pelo conjunto trator x segadeira. de acordo com o quadro anterior teremos expressa a seguinte situação: Gráfico 1. o trabalho realizado por um homem utilizando apenas o esforço próprio e uma ferramenta simples e os demais tratamentos usando segadeiras – tração animal e mecânica). o conjunto trator x segadeira obteve forragem suficiente para alimentar 80 vacas. no que se refere à área segada.Pode-se observar.

superior, em muito, ao trabalho feito utilizando-se apenas a mão de obra humana. Estimava-se nas décadas 60/70 do século passado, uma relação de oferta/demanda para o futuro, de proteínas (animal/vegetal) e fibras, tendo a demanda maior que a oferta. Nesse mesmo período, apregoou-se a chamada revolução verde 5, com base no consumo por parte da agricultura de quantidades maiores de insumos6, como uma resposta a então suposta e inevitável crise de alimentos7. Segundo alguns autores, poderia haver um colapso na agricultura, em função de não se obter uma produção que satisfizesse a demanda por alimentos. Essa teoria foi derrubada, em previsões para um futuro próximo. Existem algumas controvérsias na literatura acerca desse fato, mas o que todos concordam é que, atualmente, há alimentos suficientes para todos os povos do mundo; o que não existe é uma distribuição desses alimentos, criteriosamente e de forma igualitária, o que evidencia a força dos grandes blocos econômicos, das grandes empresas de capitais internacionais (ou transnacionais, como atualmente denominam-se) e principalmente os países ricos, com vistas ao protecionismo de suas economias, em detrimento da fome e miséria de muitos. OBJETIVOS DA MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA: Os objetivos primários da mecanização no campo são, segundo BARGER et alii (1966): 2. Aumentar a produtividade do agricultor; 3. Modificar o aspecto do trabalho agrário, tornando-o menos árduo e mais atraente. 4. Permitir a execução do trabalho agrícola, de uma forma mais rápida, sem, entretanto, comprometer a qualidade dos produtos obtidos e, sobretudo, melhorar a qualidade de vida do agricultor.

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Na verdade, ao descrevermos os passos iniciais da mecanização na agricultura (conforme rapidamente exposto no subitem “A mecanização na agricultura”) veremos que a contextualização da chamada revolução verde não poderia ser dada UNICAMENTE, como é feito por diversos autores à década de 70 do século passado, mas sim, desde as mudanças mais radicais de posse de terra na Europa (os enclosures), no período aproximado de 1700 – 1750 às mudanças no modo de produção na agricultura, através do aperfeiçoamento dos implementos e da popularização do uso do trator, no período pósguerra, e não somente após o período da produção e difusão, em larga escala dos agrotóxicos e diversos insumos da indústria química e petrolífera em meados do século XX. 6 Leia-se nas entrelinhas como “insumos” toda sorte de agrotóxicos, fertilizantes, sementes, novas tecnologias e equipamentos.
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SILVEIRA (1989), afirma que, somente a utilização criteriosa de insumos, máquinas agrícolas, fertilizantes e sementes de boa qualidade é que poderá suprir a imperiosa necessidade de produção de alimentos.

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A mecanização e a agricultura moderna O setor agropecuário no Brasil vem sendo o responsável desde as últimas décadas do século passado, pelo superávit na balança comercial brasileira. Houve um incremento da produção do setor primário da economia nos últimos 15 anos de cerca de 150%! Esse setor foi o responsável pelo saldo positivo na balança comercial da ordem de 12 bilhões de dólares, no ano de 2002, ano no qual o volume movimentado pelas exportações brasileiras de produtos agrícolas foi de aproximadamente 25 bilhões de dólares. Diversos fatores contribuíram para uma situação tão favorável. As fronteiras agrícolas expandiram-se (principalmente para os cerrados), graças ao melhoramento genético, através da obtenção de cultivares adequados às diferentes regiões do Brasil, o que permitiu sobremaneira o crescimento da fronteira agrícola, principalmente de grãos, destacando-se a soja e o milho. Um fator decisivo também foi o manejo de solo, a tecnologia da calagem dos solos do cerrado, para correção da acidez e o desenvolvimento do sistema de plantio direto8 colaboraram sobremaneira, no crescimento das fronteiras agrícolas do Brasil, confirmando a propensão natural do Brasil: a de ser o maior celeiro agrícola do mundo! No tocante à fruticultura, o surgimento de novos perímetros irrigados, também contribuiu na expansão das fronteiras agrícolas (Vale do São Francisco, Vale do Açu - RN, perímetro irrigado de Minas – MG, do Mato grosso, entre outros). Outros aspectos não menos importantes, como a modernização dos tratores agrícolas e dos implementos com o conseqüente aumento da frota de máquinas agrícolas nos últimos anos, tiveram papel relevante na elevação dos índices de produção agrícola, conforme abordado na página seguinte em que se vê na tabela 2, o crescente aumento da frota agrícola e a subseqüente modernização da frota brasileira. Além disso, segundo economistas, alguns fatores econômicos foram fundamentais para o favorecimento do agronegócio, como a abertura de novos mercados externos (embora o protecionismo tributário de alguns países ricos, como os EUA, prejudique o volume de exportações, principalmente de países em desenvolvimento, como o Brasil, a China, Argentina, México, entre outros) com a formação de blocos econômicos que começam a se consolidar, a estabilidade da moeda brasileira, a desvalorização do dólar em relação ao euro, observada desde o último semestre de 2003, o que torna a agricultura brasileira mais competitiva, e por fim, os altos índices de produtividade alcançados principalmente pelos
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O sistema de plantio direto, desenvolvido pelas instituições de pesquisas nacionais, a partir do pioneirismo de alguns produtores rurais, permitiu a exploração mais racional dos solos tropicais, através dos benefícios aos aspectos físicos e químicos dos mesmos.

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sojicultores do centro-oeste, com índices superiores, inclusive, a de outros grandes produtores agrícolas, como os norte-americanos. Toda essa situação (frisemos mais uma vez, isto) ilustra a enorme potencialidade brasileira em se tornar importante celeiro mundial na produção de alimentos, não só de origem vegetal, no tocante aos grãos, como também em atividades pecuárias; seja a avicultura, a bovinocultura de corte (exploração do modelo de produção de carne exclusivamente em regime de pasto, ou semiconfinado – o chamado boi verde – e do rastreamento da carne, ponto no qual o Brasil detém já tecnologia e know-how bem avançados, superiores inclusive a muitos países tradicionalmente produtores de carne). A situação da mecanização agrícola Tabela 2. Frota brasileira de tratores de roda – 1960/2001
ANO FROTA DE TRATORES DE RODAS (Unidades) 62.684 76.691 97.160 273. 852 480.340 551.036 515.815 481.316 450.000 ÁREA CULTIVADA (1.000 ha) ÍNDICE DE MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA

1960 1965 1970 1975 1980 1985 1990 1995 2000

26.672 31.637 34.912 41.811 47.641 49.529 47.666 50.022 53.300 53.200

410 413 359 153 99 90 92 104 118 124

2001 430.000 * * Estimativa FONTE: ANFAVEA (2003)

A tabela 2 mostra, conforme já dito anteriormente, que a frota brasileira de tratores vem crescendo ao longo dos anos. Segundo dados da ANFAVEA, o tempo de uso dos tratores vem diminuindo. A frota brasileira está mais nova, com idade próxima aos 12 anos de uso, idade menor do que dados ilustrados na literatura, idade a qual ultrapassava os 15 anos (dados da década de 70). Essa renovação se deu graças à melhora nos preços dos commodities e aos grandes volumes comercializados nas duas últimas décadas, o que aumentou o capital disponível dos agricultores e pecuaristas, bem como os financiamentos para aquisição de novos tratores e implementos, ou até de tratores usados, seja através de programas oficiais ou de iniciativas de bancos particulares, tendo estes últimos, aberto linhas de crédito

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serviços e comércio). Segundo a CNA (in: GLOBO RURAL. há também os casos de decréscimo produtivo com o empobrecimento de alguns agricultores. contudo. De acordo com diversos autores. janeiro de 2004). compras antecipadas dos commodities por empresas importadoras estrangeiras). Cerca de 28 bilhões de reais para custeio foi proveniente do desembolso dos próprios agricultores. como o feijão. a mola mestra no superávit da balança comercial e importante setor do PIB nacional. a agricultura familiar é a grande mantenedora da produção agrícola para o mercado interno. refletem uma melhora significativa em termos de capitalização do setor agropecuário. não fosse o setor agropecuário. notadamente na produção e abastecimento dos mercados nos centros urbanos e no interior do país. Segundo a CNA (Confederação de Agricultura e Pecuária in: GLOBO RURAL. considerando. fabricante de aviões agrícolas. devido à essa estagnação dos outros setores da economia (indústria. desde a última década do século passado. Se por um lado. o que chegará. seja por prejuízos sazonais (secas.5% do agronegócio no PIB nacional. a cerca de 45 9 Claro que devemos perceber que há toda uma questão mais complexa envolvendo produtividade e a própria competitividade de cada agricultor que favorece esse desenvolvimento. 21 . vendeu 56 aparelhos (GLOBO RURAL. Dados referentes ao volume de capital da safra 2003/2004. no âmbito mundial (provocado pela pressão da comunidade científica internacional e a mídia na busca pela substituição dos combustíveis fósseis pelos biocombustíveis) houve uma procura considerável pelas colheitadeiras de cana9. pela matriz produtiva com pouca sustentabilidade ambiental. vem sendo. em algumas regiões. com a participação maciça da produção em pequenas áreas. o governo liberou 32 bilhões de reais (um volume de verbas recorde. sem sombra de dúvidas reflete uma excelente capitalização do setor. segundo tal estimativa. em 2007. Desse total. inclusive um aumento de 5% no volume de vendas de tratores novos para 2003. granizo etc) ou até mesmo por um decréscimo gradual de propriedades que fazem o uso intensivo e até irracional dos insumos e da maquinaria. o montante necessário como verba de custeio era de 95 bilhões de reais. janeiro de 2004). Do restante. mediante uma participação de 31. A NEIVA.2004) na safra de grãos de 2003. a agricultura agroexportadora. 35 bilhões foi obtido de capital transnacional (através das já conhecidas. ao preço de U$ 219 mil (ou cerca de R$ 650 mil). a economia brasileira teria sofrido um duro golpe nos últimos anos do século XX e primeiros anos do século XXI. com o reaquecimento e nova perspectivas para o álcool. respondendo por mais da metade de alguns gêneros básicos. chuvas fortes. previa uma venda de no máximo 28 aparelhos para o ano de 2003. principalmente as de maior concentração do complexo soja-milho-algodão. até então). por outro lado. o que. já na última Exposição e feira de vulto nacional do setor agropecuário.específicas para a aquisição de maquinário. A capitalização dos agricultores vem se refletindo na compra de equipamentos e maquinário novo. O quadro 2 (página seguinte) ilustra o aumento nas vendas de tratores agrícolas. o PIB agrícola subiu 13% em 2003. com o crescimento pífio dos outros setores.

Entretanto.000 unidades. Logicamente. com os cortes orçamentários promovidos pela equipe econômica do governo. O crédito específico para a aquisição de maquinário (o Moderfrota.5% de superávit. para atingir a meta de 4. Fonte: GLOBO RURAL (2003). Gráfico 2 – Vendas de máquinas agrícolas no mercado brasileiro nos últimos quatro anos. a economia do Brasil superou as metas. Segundo as informações obtidas no Site do GLOBO RURAL (2003). com índices próximos a 6% de superávit primário em 2003. a aquisição de equipamentos e maquinários andam juntos com dois pontos: a viabilidade econômica e o crédito. Dados não oficiais de janeiro de 04 mostram um crescimento de cerca de 5% da indústria do RS. uma renovação da frota agrícola do país. Tais dados ilustram que há uma procura maior por tratores novos e. conseqüentemente. o MODERFROTA. principal pólo de produção de máquinas agrícolas. Só no primeiro trimestre de 2003 foram vendidos pouco mais de 8 000 unidades. Além disso. essa renovação se dá graças ao programa federal – o MODERFROTRA. citado anteriormente) é mais um aspecto 22 . o aquecimento no tocante à modernização da frota agrícola brasileira aquece também um outro setor da economia: a indústria. bem como outros planos. sofreu cortes de verbas e um aumento da taxa de juros que propiciou uma procura menor pelos agricultores e a conseqüente redução de 10% do mercado de máquinas agrícolas no ano de 2003. Apesar disso.

trataremos destas questões no tópico a seguir. principalmente no que se refere à sustentabilidade econômica – ambiental de tais empreendimentos agropecuários. pois são inúmeros os projetos que podem ser desenvolvidos a partir da terra e do capital social existente. que confere ao Brasil um grande índice de desprendimento de carbono na atmosfera. julgamos até necessária essa crítica como uma forma de nos precavermos das unanimidades perniciosas e buscarmos trazer debates que podem sobremaneira enriquecer e 23 . Há um senão muito relevante no que se refere à expansão das fronteiras agrícolas no Brasil. frisemos que reais. quando se avalia a questão do aquecimento global e efeito estufa. vêse que são pequenos produtores – até 100 ha) tem sua forma de produzir e seu mercado natural. principalmente pelo efeito mais sério que é feito através das queimadas ilegais. especialmente as de baixa renda. o crédito rural pode desempenhar um importante papel na geração de emprego e renda. objeto de discussões intermináveis entre os gurus da economia. pois favorece a realização dos projetos. nas populações rurais. o acesso ao crédito e aos meios de produção (leia-se: mecanização voltada para os pequenos agricultores ou agricultores familiares). mas quando confrontados com a área média por imóvel. existem pesadas críticas. em contraposição ao agronegócio. do ponto de vista de impactos ambientais e déficit social. mesmo que possamos ser negligentes ou não esgotarmos todos os aspectos levantados nos dois últimos parágrafos. Quanto ao crescimento e a expansão do agronegócio no viés ambiental e social.). esse aspecto fica ainda mais definido na agricultura mais capitalizada. o crédito é o motor para o desenvolvimento do país. que tem uma dinâmica mais definida e até arrojada em relação ao mercado. no tocante à questão agrária. já que se remete a uma questão de ordem mais complexa: a questão agrária. principalmente no que se refere ao avanço do desflorestamento do cerrado e matas de transição (pré – Amazônia). sociologia e / ou até de linhas doutrinárias de esquerda ou de direita. Claro que essa porção (a maioria expressiva do ponto de vista quantitativo dos imóveis rurais.específico do crédito como um todo. principalmente no que se refere às condições marginais a que historicamente os agricultores familiares foram e continuam sendo submetidos. nos atrevemos a pelo menos esboçar alguns aspectos que julgamos pertinentes e que não seríamos mercadores cegos e surdos ao ponto de negligenciar algumas críticas à mecanização. De fato. Pelo contrário. que é fundamentalmente a produção de gêneros alimentícios para o mercado interno. o que o incluí no somatório dos países mais poluidores. que na sua quase totalidade volta-se para a exportação ou ao pólo agroindustrial brasileiro. De forma objetiva. Ainda segundo esse mesmo autor. De acordo com BITTENCOURT (2003. Tais questões referem – se principalmente ao acesso à políticas públicas efetivas e. de um ponto de vista prático.

como as voçorocas em micro regiões do sul do país que avançaram sobre áreas antes produtivas. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). boi verde turismo rural. interferindo no desenvolvimento do sistema radicular das culturas e na infiltração d’água no solo (CASTRO et alii.  Principais críticas à mecanização agrícola: Existem críticas à mecanização agrícola. 24 . uma grande maioria morando nos grandes centros. Tal posicionamento lastreia-se na premissa de que o emprego de maquinário agrícola corresponde às grandes áreas agrícolas. 81. erosão de moderada a forte e acelereção de processos erosivos significativos. principalmente no que se refere às questões de caráter ambiental. ou mais efetivamente.9 milhões em 2003 (GAZETA MERCANTIL.a questão do uso incoerente da mecanização. ocupando apenas 5% do território nacional. do ponto de vista social no tocante à oferta de emprego no campo.1986). em 2000 e 177. hoje praticamente estéries. gerando principalmente problemas de estrutura de solos. biodinâmica e outras demais correntes conservacionistas que deixaram de ser consideradas como ciência – militância e passaram a ter um enfoque muito significativo na prática. através da compactação de camadas subsuperficiais (o chamado “péde-grade” e/ou o “pé – de – arado”). há. pois segundo dados do próprio instituto. um país de contrastes) há também o problema da má distribuição demográfica. hoje sustentadas pela agricultura orgânica. principalmente). de uso indiscriminado de agrotóxicos. de monocultivos.auxiliar na busca por uma política pública. Há ainda. Gráfico 3 – Populações rural e urbana do Brasil. com uma população de 169. práticas de campo que visem contornar ou agir sobre tais problemas. 2003). para sermos mais específicos .25% dos habitantes concentram-se na zona urbana.9 milhões. portanto. o Brasil é o 5º país mais populoso do mundo. inclusive sendo aproveitado por uma quantidade razoável de produtores como estratégia de mercado ou nicho de mercado (produtos orgânicos. Entretanto. esse enfoque tem ganho espaço na mídia principalmente no que se refere às conseqüências do desmatamento no quadro ambiental (efeito estufa. além do gravíssimo quadro de má distribuição de renda (o Brasil é. de indiferença à natureza biológica das produções e das relações ecológicas pré-estabelecidas. sendo desse percentual. em casos extremos. os que afirmam que a empresa agrícola altamente mecanizada é excludente. sobretudo. Fonte: GAZETA MERCANTIL (2003). Entretanto. produtos agroindustrializados com apelo ecológico etc).

XIX já contavam com elementos que facilitavam a produção.75 81. mas sem planejamento. Além disso. Vê-se que o crédito pode ser uma política pública interessante. discutidos em nossa tese de especialização: “O atraso na estrutura agrária e até mesmo na forma de produzir. como o acesso ao crédito rural. transferindo-a para outros setores da economia. como fecundador da produção no campo e fixação das famílias rurais. que não remete só aos nordestinos. Constituí uma problemática que reflete causas mais profundas que uma mera observação superficial possa vislumbrar: remete-se à questão agrária. com vistas à fixação das famílias no campo. através de programas de subsidio às novas ou tradicionais atividades agrícolas. que. essa política agrícola parcial atrasou sobremaneira o acesso ao crédito pela agricultura familiar” (Souza Neto. como também elementos facilitadores dos projetos. nos países ricos. ou ainda. inclusive por Caio Prado Júnior e outros pensadores. em sua maioria. já que o agronegócio historicamente foi mantido através da política agrícola e seus instrumentos (ações reguladoras de preço. não só no âmbito estritamente produtivo. enchente) e que ainda é uma realidade: o êxodo rural. já discutido. MACIEL (2000) afirma que.Quantos somos População urbana(%) 18. como o modelo desenvolvimentista exercido por décadas. A mão -de – obra que migra do campo à cidade. devido aos fatores hostis do próprio ambiente (seca. etc) e ainda se mantém dessa forma. desde fins do séc. uma vez que o custo social e econômico de se manter uma família rural é bem menor do que mantê-la na cidade. menos favorecidos nos aspectos de fixação à terra. devido à boa estrutura econômica e social. 2007. não há uma saída tão significativa de mão de obra do campo. a falta de políticas de créditos mais fortalecedoras da agricultura familiar. fortalecido pelo baixo nível tecnológico empregado nas propriedades diferiu e em muito do perfil das farms americanas.25 População rural(%) Esse aspecto remete-nos ao questionamento de diversos fatores sócioeconômicos. é absorvida pela zona urbana. incentivos fiscais. mas incômodo. crédito.) 25 . um fenômeno pouco percebido.

entre outros. pois a mecanização do campo é uma das grandes responsáveis pelo desenvolvimento humano. Isto é um fato de tamanha importância para a humanidade quanto as grandes descobertas.) “Mas o que faz. Há 26 . O homem ainda não se adequou à velocidade das mudanças que ele próprio vem criando e restam-lhe ainda muitas perguntas sem respostas imediatas. à invenção do computador ou às grandes navegações que desbravaram o mundo a partir do século XV. Sem ela. colheitadeiras e tratores. mas também em todos os setores produtivos. toda novidade ou modelo que se estabelece. Mais que um símbolo. fazer a manutenção das lavouras. Esse paradigma.. pois é o principal ponto de referência para os índices de mecanização do campo. Aliás. e que as alterações provocadas por toda e qualquer atividade humana. a mecanização? Ela ajuda o produtor agrícola a preparar o solo para a plantação. são as grandes ferramentas de trabalho da agricultura moderna. O que isso significa? Um país ou região é considerada mais ou menos mecanizada. pode-se dizer que os investimentos na agricultura estão em baixa ou são insuficientes. da mesma ordem que o crescimento da população.. o próprio crescimento da população do planeta estaria em risco. do site da Rural News (junho de 2001) que fala da mecanização agrícola: “O campo nunca mais foi o mesmo desde que o homem começou a inventar máquinas que o auxiliassem no trabalho com a terra. mesmo de cunho tão nobre e essencial como é a agricultura. evitando-se os extremismos que comprometem o bom andamento de qualquer atividade produtiva. A fabricação e o comércio de maquinário agrícola é um mercado milionário. controlado no Brasil e em todo o mundo por grandes empresas que atuam em dezenas de países e são as responsáveis pelo desenvolvimento das novas tecnologias que agilizam e melhoram a qualidade da produção agrícola em todo o planeta. de outro uma “desaceleração” da produção. poderíamos dizer. merece ser feita com cautela. ao se optar pela redução do emprego das máquinas na agricultura. sem falar em uma dezena de outras aplicações. o trator é o símbolo da mecanização na agricultura. Arados. surge em detrimento de outro já existente. não é vivido somente no campo. transforma o processo de plantio e colheita em operações rápidas e eficientes. Têm-se então uma faca de dois gumes: de um lado uma produção maior. portanto. se grande parte da frota de tratores de uma determinada região ou país é muito antiga. a qualidade da mecanização é medida pela idade da frota de tratores. bem como a qualidade de vida de todos nós. Com o crescimento constante da população mundial. invenções e revoluções que ocorreram em qualquer época do desenvolvimento humano. com exclusão de parte da mão-de-obra.Esses aspectos negativos de exclusão de uma maior parte da mão-deobra leva-nos a certeza de que toda tecnologia. seria impossível a produção de alimentos numa escala crescente.” (. ou seja. Abaixo transcrevemos um texto. Podemos comparar à revolução industrial. Não é nem um pouco exagerado de nossa parte tais afirmações. exatamente. de acordo com o número de tratores em funcionamento.

já que este assunto mereceria um tratado econômico . tem piores índices sociais. que as políticas públicas. Entretanto. dentre muitos fatores que essa política não resolve 10. nem tampouco fôssemos conduzir semelhante discussão de uma forma tão apropriada quanto o fazem os sociólogos. a lógica da agricultura familiar é oposta à do agronegócio e ambos. de uma má ou até mesmo da falta de uma política agrícola em que.. do que nas regiões que adotaram o modelo de exploração da propriedade através da mão – de – obra familiar. das movidas à tração animal às colheitadeiras high – tech nos parece que deveria obedecer uma lógica construtivista da mecanização para os camponeses. o que aqui não é a nossa intenção. esta discussão superficial serve apenas para que se tenha um conhecimento mínimo de questões como política agrícola. a partir dos camponeses. tem seu melhor exemplo na agricultura dos EUA. mas que. como o PRONAF. Assim o uso coletivo e o financiamento associativo de máquinas. se difundia a idéia de que por volta do ano 2000 a produção de alimentos não teria acompanhado ao crescimento populacional e que o mundo estaria mergulhado numa grande “fome”. cada qual ao seu modo. historicamente e politicamente adotaram o modelo patronal e acumulador de terras. a distribuição e concentração da propriedade agrária impedem as mudanças necessárias à melhoria dos aspectos sociais do setor rural do Brasil. estejam mais próximos com a agricultura familiar 27 . seja no ponto de vista marxista ou weberiano. Isso só não ocorreu. graças à melhoria do aproveitamento das plantações através da mecanização e da melhoria das técnicas de plantio. são necessários. por exemplo.sociológico. a questão social do uso das máquinas é um. mas isso não se deve a problemas com a produção de alimentos e sim a uma péssima divisão da riqueza mundial que faz com alguns países tenham superproduções agrícolas enquanto outros não tenham como plantar e produzir alimentos suficientes para as suas populações”. Se observarmos um ou outro deslize nesse trecho.. defendido por Caio Prado.algumas décadas. sendo mais entranhada neste último. acarreta ou acarretará. que não são exclusivas ou pertinentes unicamente à mecanização agrícola. mas sim de uma conjuntura. o ponto a discutir não é a questão simplista de ter ou não ter tratores no campo. ou tecnologias que se insira a partir delas e não sobre essas classes. Ressaltamos porém que acreditamos ser dois setores que devem se fortalecer. assim como a mecanização é sem sombra de dúvida. como dissemos. o que se deve discutir é o acesso dos pequenos agricultores à essas tecnologias. uma ferramenta importante. É claro que todos sabem que várias regiões do mundo sofrem com a fome. historiadores. não importando essa análise partidária. aqui não nos caberá dissertar sobre o cunho social que a implantação de novas tecnologias. 10 Caio Prado Júnior (1979) já afirmava que as diferenças sociais na agricultura brasileira.Isso nos parece ser já uma questão morta. onde as regiões que. deverá ser por uma falta de profundidade. Esse aspecto de valorização da propriedade rural de mão – de – obra familiar. É lógico que o trator per si não é o fator que agrava e ofende a agricultura familiar quando se discute mecanização. militantes e economistas. já que. principalmente. já que historicamente o agronegócio sempre foi valorizado. Existem questões pois. como a mecanização acarretou. ao nosso ver.

além do retorno econômico não ser satisfatório. como as gradagens ou arações feitas abaixo ou acima do ponto de aração (Ponto de umidade ideal no solo para as atividades de revolvimento e preparo do solo) contribui para. para propriedades que buscam a produção orgânica. o maquinário não foi abolido. seu uso foi racionalizado com algumas adaptações. justifica ainda essa atitude no fato de que. no combate de pragas e doenças da cultura. cit). sendo preferível que o pequeno produtor alugue as máquinas para o preparo das suas áreas agrícolas (o que destoa portanto da nossa discussão de aquisição no sentido estrito. já que os custos passariam a ser redistribuídos entre eventuais associados). Quanto ao solo. como acontece nas grandes propriedades rurais. o que é sensivelmente mais seguro aos operadores e ao meio ambiente. entre outros aspectos que requerem uma leitura muito mais aprofundada das mesmas. mas que são por vezes plausíveis de serem evitados. vem ocorrendo inclusive o contrário. infelizmente o eixo deste livro. está contemplada. em fazendas citrícolas. muitas vezes a própria situação do agricultor o obriga a revolver o solo seco. velhos equipamentos. Tais equipamentos estão sendo utilizados para a distribuição de caldas. como a calda sulfocálcica. pois quase sempre são frutos do desconhecimento das relações Cultivos x Solos. junto com os pesticidas por exemplo. ou minimizados. não há dúvidas que existem impactos negativos. ou a disponibilidade de maquinário (um problema para quem depende de maquinário alugado ou não dispõe de maquinário suficiente para o preparo do solo na época mais adequada). substituindo os pulverizadores e atomizadores. a formação de 28 . Esses fatores que podem contribuir na diminuição dos impactos edáficos seriam o calendário de plantio. MACIEL (op. como o café orgânico. pois é um investimento muito alto.inclusão tecnológica. após cultivos sucessivos ao longo dos anos. Contudo. da falta de um planejamento ambiental. Segundo MACIEL (2000). a aquisição de maquinário agrícola é desvantajosa. em fazendas de produção orgânica. Não há uma dependência delas para que se possa produzir. distribuição fundiária. Um número excessivo de passagens. a depreciação do maquinário agrícola torna inviável sua aquisição para a realidade dos minifúndios. operações de revolvimento do solo. Quanto aos aspectos ambientais. no que concerne ao uso intensivo de maquinário agrícola. ou ainda. mas que se for tomado no sentido coletivista. esse mesmo autor afirma que para o pequeno produtor rural. como os distribuidores de caldas. o que não é. Uma característica peculiar da agricultura familiar é que nessas pequenas propriedades as máquinas não substituem totalmente o homem. vêm sendo reutilizados.

que desde o advento do uso dos tratores nas propriedades agrícolas. com vistas à redução dos danos estruturais aos solos agrícolas. Nesse sistema. Sob essa problemática. quando trabalham com culturas rentáveis e que. o uso alternado de implementos e de diferentes profundidades de corte (EMBRAPA. no Brasil. “correntes” de agricultores que realizavam o chamado preparo mínimo do solo ou das sementeiras (ALDRICH & LENG. em termos de qualidade. sobretudo. 1974). a observação do ponto ideal de aração (umidade do solo). como também desenvolveram – se e se implantaram sistemas de manejo de solo que sequer o revolvem como acontece no sistema convencional: é o chamado sistema de plantio direto ou plantio na palha (SPD). A adubação verde. na qual incorporam-se adubos verdes ao solo (geralmente leguminosas). 1996). acabam “se pagando”. são procedimentos utilizados para que sejam reduzidos os impactos negativos do uso da mecanização aos solos agrícolas. como as lavouras de soja. o consórcio de culturas. com fins à proteção ou redução dos danos causados pelo emprego do maquinário. hoje em dia. necessitam do uso intensivo da mecanização. 11 Veremos no capítulo referente ao manejo conservacionista do solo. os índices de produção tornaram-se gigantescos. iniciou-se nos EUA. a rotação de culturas. 29 . e por fim medidas drásticas como a descompactação do solo (escarificação e subsolagem). bem como as diversas medidas. reduzem drasticamente os custos de produção. em todas as fases da cultura. por unidade de área do que antes da introdução do maquinário no campo (aspecto defendido pela escola econômica marginalista). Produz-se muito mais. as características e propriedades dos mesmos. nem em quantidade produzida. as máquinas. e. não deixam a desejar. em algumas regiões não somente adotaram-se sistemas de preparo mínimo do solo. Produtos agrícolas oriundos de áreas mecanizadas. o manejo dos resíduos culturais mantém camadas de cobertura vegetal para evitar a erosão. portanto. porém. geralmente feito até de uma forma despreocupada com os possíveis efeitos sob e sobre o solo. Na década de 60. começou-se a pensar mais a respeito dos danos sofridos pelos solos frente ao uso do maquinário agrícola. É inegável.camadas subsuperficiais de solo adensadas (o chamado “pé –de – arado” e o “pé – de – grade”)11. A partir das últimas décadas do século passado. por exemplo. como dizem no meio rural.

como o biodiesel. no entanto. pode-se remeter mais rapidamente aos diagnósticos primários de mau funcionamento de algum órgão ou que se tome às devidas precauções ao operar o trator.2. com os motores de ciclo Otto. como o óleo de um fruto típico do nordeste. o francês Rudolph Diesel exibiu em Paris um motor que tinha a proposta inicial de ser movido a qualquer espécie de óleo13. também encontrado em MG: o pequi. especialmente os tratores e máquinas industriais (rebocadores. O estudo aponta para resultados animadores. (motores de combustão externa). os motores do ciclo Diesel passam a ser os mais usados. O Brasil já caminha para a utilização de combustíveis alternativos.2. 13 Um estudo atual (2003) da UFMG (não publicado) testa misturas do óleo Diesel com óleos vegetais (biodiesel). A partir de meados do século XX. mais leves e com o conveniente de precisar de um combustível que não ocupava tanto espaço como a lenha ou o carvão. em 1911. Veremos mais tarde alguns desses aspectos. Esses tinham como características serem de menor tamanho. dessa forma. passou-se a utilizar somente motores de combustão interna.12 Imagem 2. XX -Trator movido a vapor (motor de 40 hp) tracionando 65 toneladas. A seguir descreveremos o trator. não fósseis. de forma que ele venha render ao máximo no seu serviço.1. É necessário que se tenha conhecimento dos princípios de funcionamento dos seus órgãos e sistemas. Os motores à explosão interna passaram a substituir os motores a vapor a partir de 1870. após a II guerra mundial. seus principais órgãos. como a redução dos níveis de emissão de poluentes e uma economia de 20% do combustível. os quais são mais baratos e menos poluentes. Princípios básicos de funcionamento de um trator agrícola: Os primeiros tratores agrícolas eram movidos por motores a vapor. embora ainda tenhamos tratores que utilizem motores de combustão interna do tipo OTTO. realizado pela CERBIO (Centro Brasileiro de referência em 30 . motor esse 12 A grande maioria dos Tratores agrícolas utiliza hoje motores do ciclo DIESEL. 1. Também outro estudo recente. empilhadeiras) movidos a gás natural (butano) e gasolina. sistemas e alguns cuidados (manutenção).XX. Início do séc. Conhecendo o trator: É importante que se conheça o trator.1. o qual na Europa é comumente utilizado. No início do séc.

o desenvolvimento da agricultura nos países que o usarão”. particularmente no nordeste. Definição de motor: O motor é um conjunto de peças mecânicas. 1. o balancim e os conjuntos de válvulas com os tuchos. alimentado com biodiesel e o qual obteve desempenho semelhante aos modelos com motores de ciclo Otto. Um trator agrícola. Dizia Diesel que : “o motor diesel pode ser alimentado com óleo vegetal e ajudará consideravelmente. foram feitas algumas pequenas modificações pela indústria a qual adotou como combustível o óleo diesel. tendo este “tipo de motor diesel” difundido-se pelo mundo inteiro. O bloco do motor é a parte intermediária. que em conjunto formam os sistemas que permitem à essa máquina realizar as mais variadas (e por que não dizermos. mecanismos (e sistemas mecânicos). para ao final. das quais 300 mil provinham somente da Bahia). 2. a qual variou na cidade de 11 a 12 km\litro e 15 a 16 km\litro em rodovia. apresenta diversos componentes. por assim dizer. 2. estavam aptos a utilizarem óleos vegetais. bloco e o carter. Hoje o Brasil só produz cerca de 85 mil toneladas. Para que possamos entender como funciona um trator e assim. portanto. juntamente com a “popularização” do trator agrícola. Veremos por partes como se compõem seus sistemas e órgãos. as bielas e a árvore de manivelas. os motores diesel desde a sua concepção. produzem a força necessária para o deslocamento do trator e o acionamento de seus sistemas. de forma satisfatória. contra 500 mil da Índia (a produção nacional de mamona já chegou a 393mil toneladas. principalmente do plantio de oleaginosas. denominadas cabeçote. tendo perdido o posto para a Índia. com a base para as velas (Motores de ciclo OTTO). começa –se a se reinvistir. aloja em seu interior os cilindros. e que o próprio Brasil já se destacou como o maior produtor mundial. além de excelente faixa de consumo.8. atendendo às mais diversas exigências de seu projeto. Biocombustíveis) testou um automóvel Golf (da Volkswagen) de motor 1. Como se vê. além de aparelhos elétricos que funcionando harmonicamente e conjuntamente. região a qual já foi a maior produtora de mamona. A partir do período pós-segunda guerra. cuidar para que essa tão importante e cara ferramenta seja aproveitada ao máximo. 31 . com destaque para a mamona. a chamada força motriz. Nele se encontram as câmaras de explosão.que passou a levar seu nome. termos uma visão geral de como funciona e de como devemos cuidar das operações e manutenções do trator. Os motores dos tratores agrícolas dividem-se em três partes. ou áreas. os pistões. ou o “miolo”. hoje intitulados de Biodiesel e nos quais no Brasil. árduas) tarefas no campo. O cabeçote é a parte superior do motor e serve para fechar o bloco dos cilindros.

ventilador e acumulador são comuns a ambos os motores. o que não ocorre nos de ciclo diesel. tuchos. O bloco dos cilindros compreende a maior parte do motor e aloja os órgãos internos e os cilindros. possuem na sua “anatomia” e “organografia” órgãos internos e externos. funciona como um reservatório do óleo lubrificante. sedimentador. de acordo com o seu movimento ou momento. regulador de voltagem. pois para o segundo momento motor. isso porque nos motores Otto. 32 . o esforço realizado pelo motor de partida é muito maior em relação ao esforço realizado em motores de ciclo Otto semelhantes ou de mesma potência. O eixo comando de válvulas e os tuchos comandam as válvulas. comumente em número de 2 para cada cilindro.O carter. as taxas de compressão não são tão elevadas quanto nos motores diesel. bielas. Radiador. iniciando o seu funcionamento. de gasolina. ao sistema de transmissões. Externos: motor de partida. nos quais tem que haver uma compressão fortíssima para causar o aquecimento da massa de ar e sua subseqüente expansão no interior do cilindro pela adição de combustível pulverizado através dos bicos injetores. bobina. Dentro de cada cilindro existe o pistão (êmbolo) que é uma peça de ferro fundido ou alumínio que comprime ou succiona a massa gasosa no cilindro. pistões. distribuidor. ou para os motores diesel teremos a bomba injetora. a explosão é causada pela fagulha produzida pelo sistema elétrico através das velas. Comandam também as bombas. gerando o trabalho motor e a reação em cadeia por assim dizer. na caixa de embreagem e a partir daí. carburador. A força transmitida. engrenagens de distribuição motora. localizado na parte inferior do motor. como dispersante de calor excessivo do lubrificante. usando-se termos análogos à dissecação. válvulas e bomba de óleo. bomba de gasolina. motor de partida. eixo de manivelas. o distribuidor (esses últimos só em motores de ciclo Otto). além de vedar a parte inferior do motor. eixo e comando de válvulas. inicialmente pelo motor de partida e subseqüentemente pelo próprio funcionamento do motor é transmitida em seguida ao platô. velas e tubos de admissão (só motores Otto). tubos de distribuição de combustível da bomba injetora. O motor de partida imprime ao motor a força inicial que o gira. Relacionamos a seguir os principais componentes ou órgãos dos motores (relacionamos os motores de ciclo Otto ainda com carburador só para se entender o princípio de seu funcionamento): Internos: volante. Para os motores diesel. Os motores. bomba alimentadora. através do balancim. nos outros cilindros. dínamo.

EXPLOSÃO e ESCAPE. Assim como todos os outros tempos realizados na admissão. 33 . Figura 1 – Esquema demonstrativo de funcionamento dos tempos do motor DIESEL: a figura mostra os 4 tempos motores: a ADMISSÃO. para o sistema de transmissões e engrenagens. Extraído de:CAMARGO (2004). para os motores OTTO. Compressão 14 Os chamados PONTOS MORTOS. Admissão ou aspiração: O primeiro tempo motor inicia-se quando a válvula de admissão abre-se admitindo o ar para o interior do cilindro. compressão. Como estão ligados à árvore de manivelas. Os tempos dos motores à explosão Os tempos do motor (diga-se de um motor 4 tempos) são: admissão. ou da mistura ar + combustível. mistura esta que foi previamente realizada pelo carburador ou pelo sistema de injeção de combustível. para baixo. respectivamente. a qual é fechada quando o pistão atinge o ponto morto inferior. que são o ponto morto inferior e superior. em direção ao chamado ponto morto inferior14. os pistões a cada movimento que realizam. COMPRESSÃO. relacionam-se aos pontos máximos de descida do pistão do pistão no interior do cilindro e de subida. Esse deslocamento é simultâneo à abertura da válvula de admissão. Esse volume de gases é aspirado para o interior do cilindro devido ao vácuo formado pelo deslocamento do pistão. no caso dos motores diesel. explosão e o escape ou descarga. impedindo que a mistura ou a massa de ar saia do interior do cilindro. movimentam a árvore de manivelas. o cilindro irá girar a árvore de manivelas 180° (meia volta). a qual transmite o trabalho do motor até o volante e desse último.

o motor de partida para girar a engrenagem do volante. o que faz com que a massa gasosa se aqueça. 2004) essa relação em alguns motores diesel pode chegar à 22:1. a mistura comprimida inicialmente sofre ignição. 34 . O movimento do pistão. Nos motores de ciclo DIESEL. Essa mistura explodindo empurra o pistão. ou somente da massa de ar. exige que. anterior à explosão. Escape ou descarga O último tempo é a descarga ou o escape. Esse ar aquecido e comprimido é pulverizado com combustível (óleo Diesel) e há a explosão. Com o momento do escape. dependendo do projeto do motor. a quantidade ou volume de gases admitidos pelo pistão durante o seu curso até o seu nível mínimo de descida. não há centelha elétrica. realize um esforço maior do que o esforço que realiza o motor de partida de um motor do ciclo Otto em um motor de mesma potência. alojadas em uma antecâmara no cilindro. Dessa forma. 16 Essa compressão. A taxa de compressão teórica é a relação entre o volume do cilindro no início da compressão e o volume no final da compressão. há uma alta taxa de compressão16. a válvula de manivelas dá mais meia volta. durante a admissão. Ao todo. Explosão Nos motores de ciclo OTTO. devido às grandes pressões que esses primeiros irão suportar. pois para o próximo momento ou tempo. os motores diesel são construídos com mais robusteza que os outros de ciclo Otto.O segundo momento ou tempo do motor é a compressão. De acordo com (CAMARGO. Ocorre quando o pistão sobe do ponto morto inferior do cilindro empurrando a massa de gases resultantes da queima e ao atingir o ponto morto superior. permitindo que a massa de gases saia para o sistema de escape dos gases. Esse percurso do pistão até sua posição final dentro do cilindro chama-se trabalho motor. que resulta também no chamado trabalho motor. O pistão empurra a árvore de manivelas mais meia volta (180°). Nos motores diesel. portanto. onde há inicialmente uma compressão da mistura ar + combustível (somente para motores do ciclo OTTO). a 15 Denomina-se de cilindrada. haverá a queima do combustível a qual é feita devido ao superaquecimento produzido pela compressão fortíssima da massa de ar nos motores diesel. através da formação de uma centelha elétrica produzida nas velas. quando dada a partida num motor diesel. que se aquece fortemente (motores do ciclo Diesel)15. que desce pelo cilindro. as válvulas de escape se abrem. sendo forçado para baixo no cilindro ocorre porque houve anteriormente uma compressão fortíssima da massa de ar aspirada para o interior do cilindro.

Para os motores Diesel. Essa transformação foi decisiva em todos os fabricantes a partir da década de 90. evitando uma mistura rica ou pobre. contudo. não será necessária a fagulha e. para produção da centelha elétrica nas velas de ignição. 35 . que dispensa uma mistura prévia em um carburador. do século passado. desempenho e até de vida útil do motor. movimentando o pistão dentro do cilindro. através de descarga elétrica recebida do sistema elétrico. como velas e alternador.  Função de alguns órgãos dos motores de Ciclo Diesel. As Velas de ignição estão alojadas no bloco do motor. tendo sido substituída pelo sistema de injeção eletrônica. para as velas de ignição. Produzem uma centelha. somente com injeção direta de combustível. O Alternador produz uma corrente elétrica alternada. haverá problemas de funcionamento. por ser de um processo diferente de queima do combustível (através do pré – aquecimento do ar). no interior do cilindro. como acontecia freqüentemente nos carburadores. uma vez que a quantidade de combustível necessária é injetada diretamente. o Carburador é o órgão responsável pela mistura do ar + combustível. as peças necessárias à produção da mesma. são motores mais robustos e que teremos as seguintes peças específicas e órgãos principais: Bomba e bicos injetores: A bomba injetora é responsável pelo bombeamento do combustível até os bicos injetores. pois a pressão dada ao combustível para que os bicos injetores possam pulverizá-lo adequadamente no interior dos cilindros deve ser a mais correta possível.  Função de alguns órgãos dos motores de Ciclo OTTO: Nos motores de Ciclo OTTO. a árvore de manivelas dá duas voltas (720°). que irá participar no primeiro tempo do motor. portanto. Essa centelha irá queimar a mistura ar + combustível e gerar uma explosão. nas câmaras de explosão dos cilindros. Essa peça. com os motores fabricados a partir de então. caso contrário. Ela deverá sempre estar bem regulada.cada ciclo (admissão-compressão-explosão-escape). no caso da partida do motor). Essa corrente elétrica é recebida do gerador e/ou do acumulador (bateria. encontra-se em desuso.

as relações de transmissão de potência dadas pelo sistema de embreagens e transmissão. como calor excessivo pelo sistema de arrefecimento dos motores) (FAIRES. caracterizam os chamados tempos do motor. 31) são de uma construção mais robusta. A força ou potência do motor. isso é evidente. ao qual está ligado através da cremalheira. Existem diferenças marcantes entre um trator e um automóvel. na parte superior deles. permitindo ou não. como dito anteriormente (vide pág. um trator com uma potência nominal de 65 hp só teria disponível cerca de 36 hp na barra de tração. transformando em movimento. Os pistões. 36 . ou barra de tração. Durante a transmissão do movimento do volante até os pneus ocorrem perdas. verificada na tomada de força. são também projetados para obterem alto torque mesmo operando em baixa rotação. conforme será visto no capítulo pertinente a este sistema. quase unanimemente. realizam movimentos ascendentes e descendentes que conforme sua situação e posição no seu curso. os motores dos tratores. formam uma gama de velocidades de trabalho e opções de força de tração que também diferenciam os projetos dos motores agrícolas dos automotivos. portanto. motores de ciclo diesel. Outra grande parte das perdas devem-se ao deslizamento dos pneus do trator com o solo. Um motor de 200 C. 1966). transmitindo a potência recebida ao volante. Dependendo dos solos. deslizamentos. esse rendimento fica abaixo de 80%. existem válvulas denominadas de admissão e de escape. é denominada de potência nominal.V. Um nível mais tolerável de perdas seria em torno de 30%. os pistões estão inseridos dentro dos cilindros como se cada cilindro fosse uma seringa e cada pistão fosse o êmbolo de sua respectiva seringa. (cerca de 65%) Rendimentos maiores só são conseguidos em motores elétricos (em torno de 90%). devido às altas taxas de compressão internas. tanto através dos mecanismos internos. (bem como da lastração) essas perdas ficam ao redor de 60%. o qual é dissipado. Nos cilindros. Assim. essas válvulas se fecham ou se abrem. conforme a posição do pistão. segundo SILVEIRA (1989). a entrada ou a saída da massa de gases do cilindro. O movimento dos pistões é transmitido ao volante do motor (engrenagem que liga o motor ao sistema de embreagens) porque os mesmos encontram-se fixados por um eixo “tortuoso” que aproveita todos os diferentes momentos dos pistões nos cilindros. mas quanto ao motor. que o faz girar no próprio eixo. produz cerca de 125 000 Kcal/h.Como dito anteriormente. atritos. como da dissipação de energia (transformação da energia cinética em calor. Além do mais.

no qual o autor obteve as seguintes curvas características: Gráfico 3 – Curvas resultantes de ensaio comparativo entre um motor automotivo (Fiat Stilo) e um motor de trator agrícola (New Holland 8670). principalmente as de tracionamento de cargas. ambos com a mesma faixa de potência (125 Kw ou 170 c. O motor do trator alcança seu maior torque em um giro muito mais baixo em relação ao motor do automóvel (próximo às 2100 rpm). Curvas características dos motores comparados 140 120 100 80 60 40 20 0 Potência (Kw) 125 81 61 125 NH 8670 Stilo Abarth Rendimento do motor (rpm) Conforme as curvas características dos motores. tão necessária nas operações agrícolas. fornecemos algumas tabelas de conversão de unidades de medidas. observam-se nitidamente as peculiaridades de ambos. Fonte: MÁRQUEZ (2003).No capítulo Anexos.MÁRQUEZ (2003). transcreveu um estudo que comparou os motores de um trator New Holland (modelo 8670) e de um automóvel Fiat (Stilo Abarth).v. Essa situação dá ao trator uma grande reserva de torque. . inclusive os valores de quilowatts e cavalo . 37 .vapor). ao passo que a máxima potência do automóvel só é obtida em muito mais alta rotação (cerca de 6000 rpm). confere-se ao automóvel uma elevada capacidade de aceleração e deslocamento rápido. Já ao atingir tão elevadas rotações em pouco tempo.

O sistema hidráulico é comandado por uma bomba ISYP e uma tampa hidráulica. tornando assim. dividimos os seus trator. A tampa hidráulica aloja o cilindro de levante. fazendo com que o organismo (consideremos o trator. unidos em funções similares ou complementares. Para uma simplificação do nosso breve estudo sobre os tratores. O trator agrícola possui dispositivos que comandam. 2. Os sistemas do trator O trator é. 1974). como tal) exerça suas funções normalmente. presente no sistema. os quadrantes de comando e o eixo de levante. um conjunto de peças e componentes de vários sistemas que atuam entre si.1. atuam harmonicamente ou de forma sistêmica. Analogicamente. Conexões e) f) g) h) Arrefecedores. A bomba ISYP produz o fluxo e a pressão do óleo. por um período breve de tempo. ilustramos as manutenções mais freqüentes ou relevantes (embora todas as medidas referentes à manutenção sejam importantes. Válvulas. pois leva o implemento acoplado em 3 pontos de engate no trator. ou reagem diretamente no sistema hidráulico ou por controle remoto. de um modo simplista. podíamos comparar tais componentes como órgãos que. Reservatório (de alimentação). Concomitantemente.CAPÍTULO 2 Os sistemas do trator 2. disponível um suprimento extra de fluido hidráulico de alta pressão. em sistemas de acordo com as suas respectivas funções e atuação no trabalho do mesmo. Um acumulador permite aumentar. a potência de saída do sistema hidráulico. No caso em que a demanda for maior que a capacidade da bomba. sem ter aumentado ou sobrecarregado a capacidade da bomba (MIALHE. quer pela disposição quer pelo senso de tração (IOCHPE/MAXION). O sistema hidráulico O sistema hidráulico de três pontos é assim chamado. Um sistema hidráulico consiste de parte ou de todos os componentes seguintes: a) b) c) d) Bomba Motor. o acumulador. algumas se sobressaem mais). 38 . armazena energia sob a forma de gases comprimidos. Comandos. Acumulador (Energia armazenada).

além é claro.1. devido à atuação das forças ocasionadas pelo tracionamento do mesmo: o peso do arado. originando um esforço de compressão no terceiro ponto. aliado á uma boa economia. de uma forma clara.1. Operação do sistema hidráulico de três pontos: A fim de que você possa obter o maior rendimento. um grande desempenho. para as tensões e cargas que o sistema sofreria quando em operação com os mais diversos implementos. o sentido do deslocamento. bem como algumas instruções operacionais relevantes: 2. SOB CONDIÇÕES NORMAIS. Para que se possa entender o funcionamento completo do sistema hidráulico de três pontos. Vejamos o princípio de funcionamento do sistema hidráulico. a resistência do sistema hidráulico entre outras. de todas as forças normais de respostas às forças exercidas no solo. é necessário um estudo mais aprofundado. Inicialmente. 39 . quando utilizar o sistema hidráulico de três pontos é necessário saber utilizá-lo corretamente. devido à complexidade do conjunto da Bomba ISYP e o conjunto da tampa hidráulica. Veremos a seguir. o arado tende a levantar na parte traseira. as forças que atuam no conjunto implemento x hidráulico e as reações do sistema hidráulico que acontecem com um trator operando em diferentes condições de terreno (adaptado de IOCHPE/MAXION): A) TRATOR OPERANDO EM TERRENO PLANO. Funcionamento básico do sistema hidráulico de três pontos A engenharia e arquitetura do sistema de três pontos consideraram cuidadosamente o efeito sobre o implemento e o trator.

40 .Figura 4. um arado de discos) em solo plano. Trator tracionando implemento de corte (no exemplo.

Roda traseira do trator sobre o obstáculo 41 . A pressão que antes existia no terceiro ponto é agora aliviada e a agulha da mola mestra é liberada. o arado abaixa. Figura 5. C) OPERAÇÃO EM TERRENO ACIDENTADO: RODA TRASEIRA SOBRE A ELEVAÇÃO. a compressão na mola mestra do terceiro ponto é consideravelmente maior que na situação anterior. Momento em que a Roda dianteira do trator sobe uma elevação.B) OPERAÇÃO EM TERRENO ACIDENTADO: RODA DIANTEIRA SUBINDO UMA ELEVAÇÃO. Nessa situação. embora a profundidade de trabalho seja mantida constante. Figura 6. A força na mola mestra é compensada. Nesta situação.

Isso cria uma força que tende a alavancar. M o me nt o e m q ue o 1 º di sco d e co r te a ting e o o b stá c ulo Profundidade de trabalho: sensibilidade do sistema: Como foi visto anteriormente. Entretanto. Há um maior esforço sobre os braços inferiores. Ao mesmo tempo. Essa reação é maior em solos argilosos. há uma maior resistência nesse disco que nos posteriores. 42 . como é sabido. mantendo a profundidade de trabalho constante. logicamente. sempre com respostas imediatas para cada diferença existente no terreno. com três furos para o braço do terceiro ponto. como uma força de reação “normal” aos discos. cria-se uma maior pressão no terceiro ponto e o hidráulico reagirá. ou erguer a parte traseira do implemento. menor em solos arenosos.C) O ARADO ATUANDO NA ELEVAÇÃO: Quando o primeiro disco atinge a elevação. o sistema hidráulico reage às mais diversas situações. pois o mesmo. Para possibilitar a adequação da sensibilidade do sistema com o solo a ser trabalhado. é o primeiro a romper o obstáculo. todos os tratores agrícolas possuem uma viga central. Fig u ra 7 . os mais diferentes tipos de solo. ou às aivecas. reagem das formas mais diversas no que se refere à força de “entrada” do implemento ao solo.

M AX IO N . Estabelece a profundidade de trabalho. usa-se o furo 3. Os tratores VALTRA/VALMET incorporaram no sistema de levante hidráulico componentes eletrônicos de controle de elevação e profundidade.Fig u ra 2 . utiliza-se o furo 2 e finalmente. bem como de velocidades de descida e de levante: “O autocontrol ganhou fama como sendo. Para solos de textura média.  Controle e comandos (hidro) eletrônicos: 2. depois baixa. ou argilosos. para solos pesados.1. Apenas um toque ligeiro num interruptor para subir ou descer o implemento para os níveis pré . Esse tipo de sistema facilita as manobras nas cabeceiras. o furo usado é o n° 3. a altura máxima e a velocidade de elevação. Vig a ce nt ra l do t e rce iro po nto do h i drá ul ico tra to r – IO CH P E.2.Internet). 43 . Para solos leves ou macios utiliza-se o furo 1. Autocontrol .E xt ra í do de: A B í bl ia do Os orifícios na viga central do terceiro ponto são utilizados de acordo com o tipo de solo que se irá trabalhar com implementos de profundidade. Quando se desejar usar o arado para descompactar áreas nas quais houve a formação do “pé-de-grade”. atualmente um dos sistemas de controle dos mais sofisticados e eficientes” (site da Valtra/Valmet .determinados.Pré-programação operacional suportada por tecnologia de computador (tratores Valtra/Valmet): O sistema de manuseio do Autocontrol (controle eletrônico do hidráulico) é muito simples.

1. (sistema HYDROTRONIC e no Autocontrol). atuando ainda como elemento de limpeza.2. Também nesse sistema. cita44 . Uma outra classificação leva em conta o trabalho sob as temperaturas mais frias. velocidade de descida e subida do implemento. O Sistema de levante hidráulico com controle eletrônico – Hydrotronic (tratores Massey Ferguson e Maxion) O sistema de levante hidráulico com controle eletrônico (HYDROTRONIC) foi desenvolvido pela IOCHPE-MAXION em parceria com a BOSCH. Nos dois sistemas. causando graves prejuízos.3. Uma boa lubrificação. é usada a letra W. 2.2. sendo o W colocado imediatamente após o número que designa a temperatura de trabalho mínima. Nos tratores Maxion/MF este painel é localizado no lado direito do operador. todos os comandos e ajustes são alocados em um painel de comandos. onde a identificação é dada por um número (grau) que antecede a sigla SAE. O sistema de lubrificação Um trator agrícola. absorvendo e dispersando o calor gerado. resultando em uma operação mais rápida e eficiente. como toda e qualquer máquina.1. de inverno. Possuí centenas de peças que se atritam e se desgastam. 2004). como o virabrequim do pistão e do comando de válvulas do motor. de inverno (do inglês Winter). antecedida da sigla SAE (como exemplos. a sigla SAE (do inglês: Society Automotive Engineers). apenas é necessário que se faça o levante do implemento nas cabeceiras. As siglas utilizadas na classificação dos óleos Várias são as siglas que indicam os mais variados tipos de óleo e suas respectivas aplicações. se a lubrificação não ocorrer de uma forma conveniente nessas peças. 2.2. de temperaturas e pressão altas. Outros fabricantes também equiparam seus tratores com sistemas semelhantes. a escolha de um bom óleo lubrificante e uma boa graxa é de grande relevância. Além disso. após feitos os ajustes de profundidade de operação. óleos específicos para transmissões). existe ainda uma classificação que considera a temperatura de trabalho de um óleo à 100°C (os tão conhecidos SAE 90. classifica os óleos quanto à sua viscosidade e pelo desempenho que oferecem (BORMIO. tanto que na sua terminologia. Existem óleos monograu. De um modo mais específico. De acordo com BORMIO (op. o óleo lubrificante possuí a função de arrefecedor dos mecanismos móveis. Cit). que apresente motor de combustão interna. em alguns minutos pode fundir o motor. Em peças e componentes. SAE 120 e SAE 250. sob condições de carga e trabalho severas.

2. Existe ainda uma série enorme de siglas para classificar os mais diversos óleos. com os seus respectivos significados. remova a vareta e verifique o nível do óleo. onde esse número indo do um (1) ao cinco (5). Isto é capital para uma maior vida útil do motor.2. à temperatura padrão de 21°C. Este nível deve estar entre as marcas mínima e máxima. 45 . Para lubrificantes destinados ao sistema de transmissões. vide ANEXOS – Quadros gentilmente cedidos pela PETROBRÁS). os quais têm medidas de viscosidade aplicáveis para o trabalho em baixas e altas temperaturas. fazendo com que a película protetora que o óleo faz normalmente. Manutenção do sistema de lubrificação A verificação do nível do óleo lubrificante do Carter do motor deve fazer parte da rotina de verificação e de manutenção do trator agrícola. geralmente aplicados em motores.se o SAE 70W – óleo para temperaturas de até – 55°C. existe uma outra classificação. de acordo com suas características e aplicações. A classificação é dada por um número após o GL. A viscosidade em condições de temperaturas mais frias tende a diminuir. e que neste capítulo não caberia anexá-la devido à sua extensão e a praticidade desta obra (para consultá-la quanto às demais siglas observadas nas embalagens dos lubrificantes. o qual é classificado segundo normas da API (Americam Petroleum Institute). pois o mesmo não é fino o suficiente nessas condições. para tratores novos. a 1ª troca deve ser feita com 50 horas de trabalho. onde o mesmo é testado para os requisitos de um óleo monograu SAE 80W com temperaturas de trabalho até – 26°C e para os requisitos de um monograu SAE 90 – para trabalhos em temperaturas de até 90°C. ou o SAE 85W – óleo para temperaturas de até – 12°C). não proteja bem as partes móveis.2. Para completar o nível do óleo do motor. remova a tampa de abastecimento. dá-se esta classificação por duas letra GL (Gear lubrificant). Um exemplo de óleo multiviscoso é o SAE 80 w 90. Além disso. Existem também óleos multiviscosos. quanto ao desempenho do lubrificante. Diariamente. ele deve manter uma viscosidade adequada. antes de dar a partida no motor e com o trator em solo plano. sendo o 5 o óleo classificado como o que oferece o melhor desempenho. coloque o óleo apropriado até completar o nível adequado A cada 200 horas de trabalho deve-se substituir o filtro e o óleo. Já para altas temperaturas. para que continue a formar a película protetora entre as partes metálicas que se atritam.

para o motor. essa “taxa de tolerância” deve ser ainda menor. 3.Coloque o óleo novo até completar o nível (em caso de dúvidas acerca do tipo de óleo utilizado. não deva ultrapassar os 5% do período de troca. BÓRMIO ( op.M a nô met ro d e p re s sã o do ó leo Importante: Sempre que o manômetro indicar uma pressão alta ou baixa. do período de troca. Geralmente a especificação dos óleos lubrificantes utilizados na grande maioria dos tratores. BÓRMIO (2004). muitas vezes pelo próprio calendário de atividades. 46 .Remova o bujão de drenagem do Carter e deixe escoar todo o óleo (essa operação deve ser feita após um período de trabalho. bem como suas especificações. é SAE 40. pare imediatamente o trator e verifique as causas. Evidentemente. Verificação do nível de óleo do motor e troca do óleo 1. o óleo SAE 30). 4.Lubrifique a borracha de vedação do filtro novo com um pouco de óleo e aperte-o apenas o suficiente para que não haja vazamentos. sem dúvida nenhuma é que se obedeçam criteriosamente os períodos recomendados. remova o filtro. o ideal. senão no tempo exato. no caso dos lubrificantes para o sistema de transmissões. quando o óleo ainda estiver quente). mas é um “costume” que não deve ultrapassar muito o período recomendado pelos fabricantes. descartando-o logo em seguida. embora alguns tratores utilizem. 5. 2. recomenda que toda troca de óleo deva ser feita o mais próximo possível. cit) estima que esse sobreuso. que não solte fiapos.  Manômetro de pressão de óleo: O manômetro possuí três faixas indicadoras de pressão: Verde: Pressão normal Vermelho: Pressão alta Vermelho: Pressão baixa Fig u ra 9 . o sobreuso dos lubrificantes é muito comum entre os produtores.Manualmente ou com o auxílio de uma cinta.Limpe o suporte do filtro com um pano ou bucha. Evidentemente. consulte o manual do trator ou o revendedor mais próximo.

47 .

Transmissão, eixo traseiro e hidráulico:

A transmissão, o eixo traseiro e o sistema hidráulico dos tratores MF e MAXION utilizam o mesmo óleo lubrificante. Para tratores de outras marcas, o principio de manutenção é o mesmo, mudando só a locação ou a posição de algumas peças. Como localização da vareta indicadora do nível do óleo da transmissão. Para todos os casos, só use o óleo recomendado pelo fabricante. A troca do óleo lubrificante é importante, pois permite que sejam retiradas as sujidades contidas no óleo, além de repor o óleo lubrificante anterior por um mais novo, com todas as qualidades esperadas (viscosidade, principalmente).  Nível de óleo e abastecimento:

Verifique o nível do óleo lubrificante do motor uma vez por semana, quando as condições do motor estiverem boas (sem vazamentos significativos) através da vareta no lado direito da carcaça (tratores MF) ou na parte traseira (tratores MAXION ou VALTRA/VALMET). Ao verificar a vareta, observe se o nível está entre as marcas mínima e máxima. O nível nunca deverá estar abaixo do nível mínimo e nem acima do nível máximo essa checagem deverá ser feita com motor frio ou que tenha parado de funcionar a pelo menos 2 horas. Para adicionar óleo ao motor, limpe o bujão de abastecimento com pincel e solvente. Remova o bujão e coloque o óleo até o nível máximo da vareta.Utilize somente o óleo recomendado pelo fabricante (Geralmente, é usado na grande maioria dos motores agrícolas de ciclo diesel o óleo SAE 40). É importante que se atente para a limpeza do bujão de abastecimento, bem como da correção de vazamentos nos filtros, para evitar contaminações no óleo do motor (BÓRMIO, 2004). Para a troca de óleo, limpe os dois bujões de dreno e remova-os, deixando escoar todo o óleo. É recomendável que a troca de óleo seja feita logo após um período de trabalho, pois o óleo ainda quente, facilita o escoamento.

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Fig u ra 3 . B uj ã o de dr e na g e m e f il tro do ó l eo l ub rif ica nte. E x tra í do d e: A B íb lia do tra to r – IO CH P E- M AX IO N

Substituição do óleo e limpeza do filtro metálico da bomba ISYP Limpe os dois bujões de dreno e remova-os, deixando escoar todo o óleo. Limpe cuidadosamente os bujões magnéticos. Remova a tampa de proteção sob o trator e retire o filtro da bomba ISYP.Observe a ordem da figura a seguir.

Fig u ra 4 . Co mpo ne nt e s ret i ra do s d ura nte a li mp e za do f ilt ro da bo mba IS YP. E xt ra í do de: A B í b lia do t ra t o r – IO CH P E- M AX IO N

Limpe o filtro com solvente e seque-o com ar comprimido, reinstalando-o em seguida. Recoloque a tampa com uma nova junta e cola. Abasteça a transmissão com óleo novo até completar o nível, utilizando o óleo recomendado pelo fabricante.

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Em tratores que possuem o controle remoto independente, a troca de óleo da transmissão é feita a cada 1000 horas de funcionamento. Além disso, a cada 500 horas, faça a limpeza do filtro metálico do controle. Para tratores sem controle remoto, a troca obedece ao período normal de 750 horas de serviço.  Troca de rotina do óleo (a cada 750 horas de trabalho) das rodas traseiras (troca de óleo dos redutores epicíclicos das rodas traseiras):

Inicialmente, remova o bujão de abastecimento, removendo em seguida, o bujão de drenagem na parte inferior da carcaça do eixo traseiro. Deixe escorrer todo o óleo. Complete com o óleo específico recomendado pelo fabricante. É importante lembrar que a substituição do óleo da transmissão, assim como toda troca de óleo, deve ser feita após um certo período de trabalho, com o óleo ainda quente, a fim de facilitar o escoamento do óleo.  Verificação do nível

Remova o bujão de abastecimento e nível na parte traseira. O óleo deve estar na mesma altura do bujão. Caso esteja mais baixo, complete o nível com o óleo adequado. A correta manutenção do trator e a sua maior, ou menor depreciação depende, portanto, de que se faça toda a manutenção no tempo certo.  Os lubrificantes mais adequados

Os lubrificantes mais adequados não são aqueles recomendados por um amigo, vizinho ou “curioso” por mecânica, baseados na “tentativa” ou no “ouvi dizer que esse óleo é bom...” mas sim aqueles recomendados pelo fabricante. Esse nosso pensamento é partilhado por BÓRMIO (2004): “... reafirmamos também que os melhores lubrificantes, óleo ou graxa, para

serem utilizados no motor, no câmbio, no diferencial, no hidráulico e nos rolamentos e articulações de seu trator, são aqueles recomendados pelo fabricante do trator”.

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eixo do pedal da embreagem 6 b. A cada 10 horas de trabalho é recomendável que se devam lubrificar os pinos graxeiros (indicados no esquema das figuras a seguir:).pedal dos freios 6 a.eixo da embreagem 1 b.pedal de embreagem 3 a.Pontos de lubrificação a graxa: Um trator agrícola possuí vários pontos de lubrificação a graxa.correntes estabilizadoras 10. E xt ra í do e a da pt a do de: A B íb lia d o tra to r – IO CH P E.roletes da barra de tração Fig u ra 1 2 .semi-eixo dianteiro 4.pedal de bloqueio do diferencial traseiro 8.articulação central do eixo dianteiro 3 b.barras inferiores 9.  LEGENDA Pinos graxeiros – localização – versão 4 x 4 (Tratores MF) 1 a.articulação inferior direita do freio 6 c.cruzetas (juntas universais) 3 d.M A XIO N 51 .eixo inferior ao freio 7.luvas do eixo da transmissão 5.tirante do freio 2.articulação das pontas do eixo dianteiro 3 c.

eixo da direção 2 – braço do cilindro da direção 3 – cubos das rodas dianteiras 4 – pinos – mestres das rodas dianteiras 5 – eixo dianteiro 6a .M AX IO N 52 . E xt ra í do e a da pt a do de: A B íb lia do tra to r – IO C H P E.eixo do pedal da embreagem 6b – Tirante do freio 7 – pedal da embreagem 8a – eixo do pedal da embreagem 8b – articulação inferior direita do freio 8c – eixo inferior do freio 9 – pedais dos freios 10 – pedal de bloqueio do diferencial traseiro 11 – braço intermediário direito 12 – braço intermediário esquerdo 13 – roletes da barra de tração Fig u ra 1 3 .LEGENDA Pinos graxeiros – localização – versão 4 x 2 (Tratores MF) 1 .

bem como se a tampa original for substituída inadequadamente por uma não compatível com o radiador. O contato entre as peças de metal do motor finda por ocasionar escoriações ou fissuras. O sistema de arrefecimento tem. ainda divide o mesmo eixo com a bomba d’água. O Sistema de arrefecimento Os motores de combustão interna sejam de ciclo Diesel ou OTTO.M AX IO N O radiador. porém também importante no sistema de arrefecimento é a tampa do radiador. sendo resfriada pelo fluxo de ar produzido pela ventolina. Assim. trabalham em condições elevadas de temperatura interna. para arrefecimento do sistema. portanto. A ventolina além de gerar o fluxo de ar externamente. Um item pequeno. Fig u ra 5 . A BOMBA DÁGUA e o VENTILADOR são os principais componentes do sistema de arrefecimento. O superaquecimento provoca a dilatação das peças e a ruptura do filme de óleo lubrificante. por onde a água passa. Essa peça é projetada e dimensionada para o sistema de forma que. desgastada ou com defeito compromete o perfeito arrefecimento do motor. O RADIADOR. além de fechar o radiador.2. uma tampa folgada. E xt ra í do de: A B í bl ia do tra to r IO C H PE . causando o chamado engripamento ou escoriação do motor. além de servir como reservatório do líquido de arrefecimento (a água) que atua na troca de calor entre o interior dos cilindros e a camisa do motor liga-se à colméia. ela sirva como controladora da pressão do sistema. poderá haver danos 53 . 3. Essa última gera o fluxo da água no interior do sistema. como finalidade a eliminação do excesso de calor produzido pelo motor.

3. por exemplo.M AX IO N. Geralmente a pressão da tampa está impressa na sua parte superior. E xtra í do d e: A B íb lia do t ra t o r. e anticorrosivos para o radiador são indicados. se a pressão for excessiva) no sistema ou um mal arrefecimento (pela pressão menor que a ideal para o sistema). Fig u ra 6 . pois promovem uma melhor conservação do sistema.(maior facilidade de vazamentos. variando de 0.Remova também o bujão de drenagem situado no bloco do motor e deixe escoar toda a água. P a ra f uso na ba s e do ra dia do r. substitua a água do radiador procedendo da seguinte forma: 1.Lave todo o sistema. 4. O uso de aditivos como. IO CH PE .Recoloque os bujões e abasteça o radiador até completar. se necessário. A cada 500 horas.1 kgf/cm2 (4 a 15 lbs/pol2). 2. para regiões com temperaturas muito baixas.3 a 1. até que só saia água limpa do bloco do motor.Remova o bujão de drenagem situado na base do radiador. pa ra esco a me nto da á g ua . Cuidados com o sistema de arrefecimento: Diariamente antes de dar a partida no motor. anti-congelantes. verifique o nível da água do radiador e complete-o com água potável. 54 .

55 . por exemplo. Vi st a e m co rt e do s ist e ma d e tra n s mis sõ e s. o que diferencia um trator de uma marca x e outro de marca y é a engenharia de seu sistema de transmissões. Fig u ra 7 . pois basicamente um trator pode ter um mesmo motor de um carro de passeio. 17 Márquez é professor da Universidad Politécnica de Madrid.4. a importância que tem o sistema de embreagem e transmissões para os tratores. Os modelos dos veículos avaliados (tanto o trator. mesmo que seu motor seja terceirizado de uma indústria especialista em motores. normalmente as novidades tocantes ao motor não são tão enfatizadas. o que o diferirá de um automóvel ou de qualquer um outro veículo de transporte é o seu sistema de transmissões. E xt ra í do de B Ó RM IO (2 0 0 4 ). quanto o automóvel não estava disponíveis no mercado brasileiro. até fins de 2003). seu artigo foi traduzido por Fernando Scholosser. a importância maior na relação motor x transmissão é sem dúvida a este último. Um bom trator é. ou trazem poucas modificações. pode-se dizer que. Vê-se. Sistema de embreagens e transmissões Quando uma indústria montadora de tratores agrícolas faz um “novo projeto” ou lança um novo modelo no mercado. Este nosso pensamento também é partilhado por MARQUÉZ (2003). portanto. logicamente). mas que dada a importância do sistema de transmissão no trator.v. essencialmente um bem projetado e construído sistema de transmissões. Assim. ambos com motores de 170 c. (com algumas modificações.2. o qual avaliou alguns aspectos entre um trator 4 x 4 da New Holland e um Fiat Stilo Abarth17. portanto.

etc. o acionamento da TDP. Transmitir o movimento do motor para os demais mecanismos de transmissão. 3. Permite a parada do trator e de qualquer equipamento acionado pela TDP. como AGRALE-DEUTZ. Interromper a transmissão da potência do motor à transmissão. bem como alguns modelos de tratores VALMET e alguns outros tratores. para permitir a troca de marchas e o outro estágio.): 1. acionado também por pedal. de modo suave e gradativo. Basicamente a embreagem possuí três funções (IOCHPE/MAXION. permitindo a troca de marchas. Tratores da linha MAXION usam embreagens simples. Muitos fabricantes equipam seus modelos com embreagem de duplo estágio. 2. 56 . sem vibração ou deslizamentos. HUBER WACCO. s. de um estágio.d.O conjunto de embreagem é o componente mecânico responsável pela transmissão (ou interrupção) da potência do motor para a caixa de câmbio.

Fig u ra 1 7 .O princípio de funcionamento da embreagem pode ser entendido observando as figuras seguintes:  EMBREAGEM ACOPLADA (PEDAL DA EMBREAGEM EM REPOUSO) Prato de pressão secundário Nesta situação. trator estará em movimento se a Disco principal A Disco secundário B Rolamento Desligador caixa de câmbio estiver engatada. IO CH P E.M A XIO N 57 . transmitindo movimento motor para o do a O o B. Volante do motor Atuadores Prato de pressão principal Pedal de embreagem transmissão. E xt ra í do e a da pt a do de: A bí b lia d o tra to r. tanto o disco principal A. quanto secundário estão pressionados.

E xt ra í do e a da pt a do de: A B íb lia d o tra to r. permitindo a troca de marchas ou a parada do trator.EMBREAGEM ACIONADA NO PRIMEIRO ESTÁGIO Ao acionarmos o pedal da embreagem até mais ou menos meio curso estaremos liberando o primeiro estágio (disco principal). Fig u ra 1 8 . IO CH P E .M A XIO N 58 .

IOCHPE-MAXION O controle da embreagem é feito por meio de pedal e transmitido por tirantes e alavancas até acionar os atuadores do prato de pressão principal. 59 . Para liberar o disco principal o prato de pressão recua apenas alguns milímetros enquanto que o curso do pedal é de vários centímetros.). s. Essa relação de alavancas permite multiplicar a força aplicada pelo operador no pedal. EMBREAGEM ACIONADA NO SEGUNDO ESTÁGIO O prato de pressão principal empurra o prato secundário. Extraído e adaptado de: A Bíblia do trator. com uma força resultante suficiente para vencer a força das molas sobre o prato de pressão principal (IOCHPE/MAXION. através dos parafusos do segundo estágio. Ao acionarmos o pedal da embreagem até o final do seu curso iremos liberar o segundo embreagem.d. Ambos os discos estão livres Figura 19. estágio estágio O permite da segundo o acionamento da tomada de potência e a bomba hidráulica do sistema hidráulico.

Há também uma folga no sistema de embreagem, a chamada folga livre do pedal ou curso livre do pedal (folga entre o prato de pressão e o disco principal). Essa folga permite que não haja um desgaste do sistema de embreagem, pois quando o disco se desgastasse, os atuadores se apoiariam no disco e haveria, portanto, o “enforcamento” da embreagem. Caixa de câmbio A caixa de câmbio, também conhecida vulgarmente como caixa de marchas, permite o deslocamento do trator, nas mais diferentes velocidades e situações no campo, através da “captação da energia” produzida no motor, e transmitida ao volante do motor, passando pela embreagem, até a árvore primária (eixo principal da caixa de câmbio). As operações no campo exigem muito do trator, sob diferentes condições de velocidade e esforço. Na operação de preparo de solos, para qualquer tipo de cultura, o operador deve adequar o trator ao tipo de trabalho a ser realizado. Diversos fatores merecem ser levados em consideração. O mais relevante dentre os muitos fatores é a velocidade correta de trabalho. Modelos de caixa de câmbio: Caixa de Câmbio deslizante (Crash) Apresenta 4, 5, 8 ou 12 velocidades. De acordo com o modelo e o fabricante. Por ser um engrenamento “seco”, não é aconselhável a troca de marchas com o trator em movimento. Esse modelo de caixa de câmbio foi o primeiro tipo de caixa de câmbio desenvolvido. Atualmente é comum ser encontrado em alguns modelos de microtratores e tratores de jardim, como os microtratores das marcas Tobatta e Agrale.  Caixa de câmbio Constant mesh É um conjunto de transmissão intermediário entre a deslizante e a sincronizada. 

Caixa de câmbio sincronizada. Semelhante à anterior, sendo que difere por que possuí um conjunto de componentes (principalmente os anéis sincronizadores) que facilita o acoplamento das marchas com trator em movimento. Escalonamento das marchas:

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O escalonamento de marcha é a variação da velocidade e do torque do trator em função da marcha engatada. Para cada marcha engatada, ter-se-á uma variação da velocidade e torque18 determinada pela rotação do motor. Um bom escalonamento de marchas é o que permite o máximo de opções de marchas na faixa de velocidades de operação, que vai de 3 a 12 km/h. O que admite uma seleção mais conveniente para um determinado tipo de operação (menor consumo e maior rendimento). Tanto no caso dos tratores, como também em veículos que são equipados com tração 4 x 4, existe uma alavanca ou botão de controle eletrônico para redução das marchas, onde se terá mais torque, pois as marchas são reduzidas numa relação de 2:1 (no caso dos veículos off – road). Contudo, a redução (low range) nos utilitários ou off – road também só deverá ser feita com o veículo traçado, ao se utilizar a redução sem que haja a distribuição de força para os dois eixos, há uma sobrecarga no diferencial, pontas de eixo, semi-eixo, devido ao aumento do torque, o que poderá causar danos ao sistema.  Transmissão de trabalho - o uso da barra de tração.

A barra de tração é utilizada para operar implementos de arrasto ou de tração (grades de arrasto, carroção, plantadeiras/semeadeiras de grande porte, roçadeiras, etc). é importante observar que o engate da barra de tração deve estar numa altura adequada, de forma que o cabeçalho esteja paralelo ao solo e na mesma linha de tração do trator. Nos diferentes modelos e marcas de tratores, existe a barra de tração reta e barra de tração com degrau. A primeira não permite que seja feita uma regulagem de altura, para o engate. A segunda permite que se possa variar a altura de engate, para uma melhor adequação ao implemento.  A tomada de potência

A tomada de potência é utilizada para acionar e operar implementos de trabalho rotativo (roçadeiras, enxadas rotativas, pulverizadores/atomizadores, batedeiras de cereais, etc). Para o trabalho correto, o engate entre o trator e o implemento deve ser localizado a meia distância entre as distâncias das juntas universais e a barra de tração e não deve balançar lateralmente. As exigências por parte dos institutos e órgãos governamentais dos diversos países, no que concerne à segurança fizeram com que se
18

O torque é a resposta dada pelo motor quando submetido a um maior esforço. É um parâmetro usado para comparar, por exemplo, a velocidade e o tempo de reação de um trator de acordo com o escalonamento de suas marchas, ou comparar fatores como consumo e aceleração em relação ao torque.

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normatizassem as características de localização e padronização para a tomada de força. Normalmente os tratores são equipados com TDP com velocidade de rotação por minuto (rpm) de 540 (com eixo de seis estrias) ou utilizam 1000 rpm na tomada de potência (com eixo de 21 estrias). 2.4. Sistema de transmissão: Transmissão de força. A lei das alavancas, um dos princípios dos braços do hidráulico: As máquinas, das mais simples, como as alavancas, carro de mão o alicate, ou mesmo complexas como os tratores e implementos agrícolas baseiam-se em princípios elementares da mecânica, desde a mecânica pura (estuda os movimentos dos corpos e as causas que os determinam) à mecânica aplicada. A alavanca é em sua forma mais elementar, representada por uma barra rígida que pode mover-se ou girar em torno de um ponto de apoio. De acordo com a localização do ponto de apoio, a resistência e o sentido da força ou potência exercida na alavanca, determinam três situações: R K A L P

a) alavanca de primeiro gênero ou interfixa: neste caso, tem-se o ponto de apoio A entre a potência P e a resistência R (O K e o L representam os segmentos da alavanca relacionados com o ponto de apoio). P R A K L

b) alavanca de segundo gênero ou inter resistente: a resistência R está entre o ponto de apoio A e a potência P.

P R A K L

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A posição em que o implemento atinge a maior altura e capacidade de levante é a do furo 3. Essa posição diminuí. porém. a força de levante. como dissemos anteriormente. teremos: P = AK x R AL Quanto maior for o valor de AL. Assim temos a seguinte relação expressa: AK x R = AL x P. os braços abaixam mais próximo do solo. Esse sistema segue o princípio da lei das alavancas. menor será a força P necessária para realizar o trabalho.c) alavanca de terceiro gênero ou interpotente: com a potência entre a resistência e o ponto de apoio. Na prática. Os braços inferiores do hidráulico. a potência P deverá ser maior do que a resistência R. vemos que. Esse furo pode ser usado em trabalhos de subsolagem e aração. Em terrenos 63 . O furo 2 é uma posição intermediária. podemos utilizar esses princípios das alavancas no acoplamento de implementos aos braços do hidráulico. possuem furos que podem ser usados em várias situações diferentes. Ao observamos a figura 20. a razão entre os dois braços de uma alavanca (ou segmentos) resulta na força que deve ser exercida. Para haver realização do trabalho. Utilize – o para implementos longos e pesados. conseqüentemente. no furo 1. de uso menos específico e geral.

d). Extraído de Maxion (s. isso evitará a sobrecarga dos braços superiores do hidráulico. para facilitar as ondulações. Furos do braço inferior do sistema de levante hidráulico. 64 . Figura 20. tratores MF.acidentados. utilize o furo oblongo (4).

4. Denomina-se “polia” roldanas utilizadas isolada ou conjuntamente.1. para todos os implementos acionados pela TDP parte do princípio de transmissão de energia centrífuga através de polias. As móveis além de girarem em torno do próprio eixo movem-se no sentido do deslocamento. deslocando a carga. Na ilustração abaixo temos o exemplo de polias fixas e móveis: Polia fixa P Polia móvel P n P C C 65 . A transmissão da energia do trator. chamadas de trapezoidais (devido à sua seção transversal ser em forma de trapézio) funcionam transmitindo as cargas através das polias silenciosamente (FAIRES. para exercer determinadas tarefas. com a finalidade de transmitir força ou imprimir movimento. Sistema de transmissão de trabalho – polias e correias. As polias utilizadas isoladamente geralmente são empregadas para elevação de pequenas cargas. Podem ser de metal ou madeira. Podem ser fixas ou móveis. As correias. 1966). correias ou engates com eixo cardã. TDP Acionamento do implemento Cardã Figura 21. Esquema representativo do acionamento de um implemento hipotético pela TDP do trator. As fixas apenas giram em torno do eixo.2.

como a polia é fixa. a potência P.Sistema combinado simples com vários suportes fixos: Sistema misto em que polias móveis são ligadas entre si. as forças contrárias (força de tração ou potência P e a carga C) deverão ser diferentes. com um mesmo número de polias fixas e móveis.Cadernal: Sistema de polias combinadas. P C . o braço da potência P é o dobro do braço da carga C. uma vez que a força requerida para elevar a mesma carga C é menor.No primeiro caso. usando-se uma analogia em relação à lei das alavancas. a potência P ou força requerida deverá ser maior que a força contrária C. necessária para erguer a carga C é dada pela relação: P=C 2n Onde: 66 . No segundo caso. para que haja o trabalho. expressamos a seguinte relação: P = C/2 As polias podem ainda ser combinadas em sistemas. entre fixas e móveis. pois. P C Nas duas situações anteriores. a polia móvel. Portanto. Neste caso. com uma polia fixa. Os sistemas mais comuns são: . para elevar a carga C. facilita a execução do trabalho.

Dimensionamento de polias: Fórmula: Pmq = ReM X DpM Rmq Onde: DPmq = Diâmetro da polia da máquina que se deseja ligar. 2.P = Potência para elevar a carga C = Carga ou peso n = número de polias móveis 2. havendo muito desperdício (geralmente essa causa advém de baixa rotação no eixo da máquina). sem riscos de acidentes aos operadores ou o pessoal que estiver porventura trabalhando na debulha. ReM = rotação do eixo do motor (geralmente indicada na plaquinha presa na carcaça do motor). Para se calcular o diâmetro que precisa ter a polia a ser colocada na máquina.2. todavia deverá ser perfeita no que concerne à relação ideal de rotação entre o motor que vai imprimir a força e a rotação à debulhadeira. irá garantir um serviço de boa qualidade e sem prejuízos. É comumente utilizada nas pequenas e médias propriedades rurais e pode ser perfeitamente adaptada para funcionar com um motor estacionário. utiliza a TDP do trator para debulhar grãos de culturas como o milho e o feijão. DpM = diâmetro da polia que existe no motor (ou da polia que se deseja colocar). para que a rotação ideal para o trabalho a ser realizado com a máquina. entretanto. Rmq = rotação necessária para movimentar a máquina com eficiência (geralmente escrita na carcaça da máquina).4. indicada na plaquinha. Essa adaptação. pelo diâmetro 67 . seja eficiente. deve haver uma correta relação dos diâmetros das polias. Uma debulhadeira de cereais. Assim. por exemplo. sem causar prejuízos. somente a correta relação entre as polias do motor e da máquina que se deseja utilizar. para implementos que utilizem a TDP do trator ou um motor ligado por sistema de correias e polias.4.1 Dimensionamento de polias e correias: adequação de implementos: O funcionamento correto de uma máquina agrícola depende de muitos fatores. desde que o conjunto seja firmemente fixado. multiplica-se a rotação do motor. através da polia e das correias para que o serviço seja feito sem quebrar os grãos (excesso de rotação no eixo principal da debulhadeira) ou que o material não seja debulhado totalmente.

na altura e nas características de construção. como para correias em V com dois ou mais canais unidos por uma lona no topo ou as correias em forma de cintas. divide-se o resultado obtido dessa multiplicação. alterando-a para: Fórmula: DpM = Rmq x DPmq ReM Assim.  A relação: Tipos de correias x potência do motor As correias utilizadas para transmissão de potência são de uma forma geral divididas em planas e em “V”. que são devido ao deslizamento. provocado pela classe de transmissão. é só utilizar a mesma fórmula. Caso se necessite saber o contrário. 68 . Resumidamente. pela expressão: DxR=dxr Onde D e d são os diâmetros das polias e R e r. Na prática esse método é aplicável. são usadas na proporção de 1 canal para cada 4 Hp do motor. havendo aí as variações. contudo. na largura. para que obtenhamos o diâmetro que a polia do motor deverá ter para imprimir uma rotação ideal para a máquina. é utilizado 1 canal para cada 2 ½ Hp do motor. as correias preferencialmente utilizadas são do tipo “A”. em seguida. Dessa forma. será dividido pela rotação do eixo do motor. teoricamente existem perdas ao redor de 5%. para motores de maior potência. já as polias para correias do tipo “A”. o resultado da multiplicação da rotação desejada na máquina pelo diâmetro da polia da máquina. é mais viável o uso de correias do tipo “B”. neste caso. suas respectivas rotações. As correias trapezoidais ou em “V” são encontradas em duas classificações: correias tipo A e correias tipo B. temos que a relação de rotação entre duas polias é dada. o diâmetro da polia que deverá ser posta no motor. pela rotação que a máquina necessita para funcionar corretamente. As polias para correias tipo “B”.da polia existente ou colocada no eixo do motor. para motores de baixa potência. tipo e tensão das correias e outros fatores. O diâmetro das polias nunca deverá ser maior que o tamanho do motor e das máquinas (principalmente o motor).

L = distância entre os centros dos eixos D = diâmetro da polia maior 69 . L = comprimento entre eixos As correias cruzadas são utilizadas em casos mais específicos.2. Dimensionamento de correias D d L O comprimento da correia é calculado pela seguinte fórmula: C=π.4. segue-se o seguinte raciocínio: D d r R L L2 + (R + D)2 C = π . r = raio da polia menor.3. d = diâmetro da polia menor. d+D +2L 2 Onde: C = comprimento da correia. Para correias cruzadas. D = diâmetro da polia maior. R = raio da polia maior. quando se deseja inverter o sentido de rotação de uma polia à outra. (r + d) + 2 Onde: C = comprimento da correia cruzada.

correias muito apertadas provocam perda de potência no maquinário. Por outro lado. portanto. Óleos minerais facilitarão a “derrapagem” das correias nas polias. pois as correias velhas já sofreram desgastes e forças que as deformaram e. 1966).5. que o ar aspirado pelo sistema de admissão de ar do trator chegue aos cilindros do motor. O sistema de alimentação O sistema de alimentação é formado pelo conjunto de peças / mecanismos que juntos tem a função de alimentar o motor. a substituição de correias deve ser não apenas para aquela que se partiu. Entretanto.) Evite que o conjunto de correias suje-se de óleos minerais. partindo-se facilmente (FAIRES.1. Quando uma correia específica parte-se repetidamente. pois as correias restantes suportarão a carga até certo tempo. rachando-as. pela redução do atrito entre elas. Para a conservação das correias. 70 . O motor aspira diretamente o ar do ambiente onde se encontra. etc. rolamentos e a própria correia. quanto de combustível. onde vai ser submetido à queima e compressão. tanto de ar. É de grande importância. além de provocarem maiores perdas por deslizamento.Sistema de alimentação / ar: Com muita freqüência. ao colocarmos uma correia nova ao conjunto. óleo diesel) diminuem a vida útil das correias. verifique se o alinhamento das polias. o que traz prejuízos à qualidade do serviço.5. desgastando e sobrecarregando as correias. graxas ou qualquer elemento abrasivo. essa correia sofrerá uma carga maior. recomenda-se o uso de óleo de linhaça ou sebo. O perfeito funcionamento do sistema de alimentação. Elementos abrasivos (solventes. não há necessariamente a necessidade de parada imediata do serviço.d = diâmetro da polia menor Alguns cuidados com as correias e polias: No caso da quebra ou ruptura de uma correia. Correias frouxas apresentam pancadas e movimento irregular. um trator trabalha sob condições de intensa poeira. bem como as revisões periódicas e as manutenções necessárias. mas para todo o conjunto. por algum motivo não está correto (falta de algum parafuso de fixação da base da máquina ou do motor. polias desalinhadas. o que algumas vezes pode acabar por aquecer e quebrar polias. permitirão que o motor tenha uma vida útil maior: 2. 2.

os componentes do sistema de filtragem do ar é constituído pelos filtros. se a restrição máxima for atingida (visualizada quando o indicador de restrição exibir uma tarja vermelha quando o trator estiver em funcionamento. para remover a poeira acumulada (tratores MF e MAXION). por um pré-filtro.  Manutenção do sistema de filtragem de ar A manutenção do sistema de filtragem de ar só deve ser executada. por um ciclonizador. pela válvula de descarga e pela tubulação de ar. Atualmente tem entrado em desuso. o sistema de alimentação (ou sistema de admissão e escapamento) além de ser constituído por toda a tubulação que conduz o ar aos cilindros possuí filtros para reter a poeira e sujidades. Tais filtros são denominados de primário e secundário. Esses componentes formam o sistema de filtragem de ar para tratores que apresentem o filtro a seco. Diariamente. 71 . por ser menos eficiente que os sistemas que utilizam filtros de ar a seco.isento de poeira e elementos abrasivos. ou quando o trator estiver operando em condições severas de poeira. pressione a válvula de descarga. pela carcaça do filtro. neste caso. Esquema representativo do caminho percorrido pelo ar (durante a admissão) até os cilindros do motor. Para tanto. Tubo ou Mangote Cilindros do motor Pré-filtro Ar Filtro Figura 22. para um funcionamento sem problemas ao motor. Ambos estão alojados dentro de uma carcaça ligada à tubulação. De uma forma geral. O filtro primário encerra o secundário (também denominado de elemento filtrante de segurança). O excesso de manutenções poderá causar danos ao filtro. citados anteriormente. Esse sistema consiste na filtragem da poeira por um filtro e na deposição das sujidades mais pesadas no óleo. Alguns tratores utilizam filtros de ar chamados de filtros banhados a óleo. pare e remova o filtro para limpeza). além de diminuir a vida útil do elemento. conseqüentemente isso implica em maiores custos e tempo de manutenção.

72 . pressões acima desta poderão danificar o filtro. 2. obstruir a tubulação de alimentação de combustível.As sujidades do filtro principal devem ser removidas com o auxílio de um compressor ou outro equipamento que produza um jato de ar. pois. além de que. isso irá diminuir a vida útil dos filtros de combustível. inutilizando-o. Verifique com uma lâmpada. a contaminação do combustível. introduzida no interior do filtro. porque a bomba injetora e os bicos injetores são muito sensíveis e de altíssima precisão. Substitua o anel de vedação se necessário e aperte o bujão sem exagero. para que assim se evite a formação de água pela absorção da umidade do ar no tanque e. Feche-os em seguida. Diariamente antes de dar a partida no motor. A manutenção do sistema de alimentação se faz necessária.  Drenagem do sedimentador e do filtro de combustível. Periodicamente verifique o estado da borracha de vedação da tampa do tanque. Para tanto. o combustível deve ser limpo. por isso é importante que o óleo esteja isento de água. isento de detritos.  Tanque de combustível: Abasteça o tanque de combustível diariamente ou após a jornada de trabalho. é importante que seja feita a drenagem da água e das impurezas acumuladas no fundo. Nunca aplique durante a limpeza do filtro uma pressão maior que 70lb/ pol 2 (5kgf/ cm2). no entanto. Essas sujeiras poderão com o tempo. se há defeitos nele.  Bomba alimentadora A cada 1000 horas de trabalho remova o bujão para fazer uma limpeza na tela filtrante da bomba Ao recolocar a tela filtrante observe que o flange deve ficar voltado para baixo. Dessa maneira.2. água ou outros contaminantes. Os mecanismos internos da bomba injetora são lubrificados com o próprio óleo diesel. quando se permite o abastecimento contínuo com óleo diesel sujo. Não abasteça o tanque com combustível sujo e cheio de impurezas. solte o bujão de dreno situado na parte inferior da carcaça do filtro e do sedimentador deixando-o escorrer um pouco. Os mecanismos internos da bomba injetora são lubrificados com o próprio óleo diesel.5. conseqüentemente. é importante que o óleo seja muito bem filtrado e isento de contaminantes. Sistema de alimentação/combustível O combustível é necessário para o funcionamento do motor. em uma sala escura.

Quando sair combustível sem bolhas de ar.  Sangria do sedimentador e filtro de combustível Solte totalmente o parafuso do tubo de retorno situado no topo do suporte do filtro. dá-se contato na ignição 1 ou 2 vezes. reaperte o parafuso. Muitas vezes.   Sangria da bomba injetora (bomba horizontal e bomba vertical – cav) Solte o parafuso A da bomba injetora e acione a bomba alimentadora. Pare de acioná-la somente quando o combustível sair isento de bolhas de ar. reaperte o parafuso. Acione a bomba alimentadora até que saia somente combustível (o qual deverá estar isento de bolhas de ar).Substituição do filtro de limpeza do sedimentador de combustível. Um dos sintomas quando há algum problema de entrada de ar (cano furado. Ao colocar o filtro novo. 73 . para auxiliar na extração do ar.  Sangria do motor A sangria do motor deve ser efetivada sempre que a substituição de um filtro ou a limpeza do sedimentador tiver sido feita. pois as bolhas impedem a pulverização do combustível nos bicos. parafuso da bomba injetora frouxo. pára de funcionar. A cada 200 horas de trabalho. A extração do ar do sistema de alimentação é importante já que o motor só voltará a funcionar se extraído todo o ar. quando se faz a troca de filtros. A sangria do motor consiste na sangria feita no sedimentador. coloque também todos os anéis de vedação novos que acompanham a embalagem. ao proceder-se à sangria da bomba injetora (próximo tópico descrito). e percebe-se que o combustível já está isento de bolhas. faça a substituição do filtro de combustível e também do sedimentador. Solte o parafuso de sangria B e acione novamente a bomba alimentadora. Nesse caso devem-se examinar todas as possibilidades no sistema de alimentação. Aperte o parafuso. no filtro de combustível e na bomba injetora. pescador defeituoso no interior do tanque) no sistema de alimentação é quando o trator está em movimento e mesmo com tanque cheio. Solte 7 voltas no parafuso banjo C .

Nos tratores que não possuírem parafuso banjo. Aperte as conexões. solte uma ou duas conexões junto aos bicos injetores e dê a partida. Figura 23.Assim que o motor ligar. deixeo em baixa rotação e raperte. IOCHPE-MAXION 74 . Extraído de: A Bíblia do trator. Parafusos de sangria do combustível na bomba injetora.

IOCHPE-MAXION S. pois é de acordo com o seu julgamento que iremos colocar mais ou menos lastro no trator. A lastração varia consoante o tipo de solo e o implemento utilizado. da cultura e das irregularidades dos terrenos a trabalhar. em relação ao índice de patinagem do trator. Soltando* Veja capítulo sobre manejo do solo. as peças ou sistema que permitem a mudança de bitolas (lembrando que Bitola refere-se à distância entre o meio de um pneu e o outro. o operador é fundamental. ou no caso de implementos. Os valores de bitola utilizados pelos tratores podem ser encontrados no manual do operador de cada modelo ou marca de trator** A figura abaixo ilustra o eixo dianteiro simples (de um trator 4x2). S. A canaleta A é presa à mesa do trator por barras principais B que se deslocam em relação à canaleta. Sistema telescópico do eixo dianteiro simples (versão 4 x 2).A. Extraído de: A Bíblia do trator.6.2. Um trator bem lastreado irá trabalhar o solo. aumentando e diminuindo as bitolas. Para uma boa lastração.A. Figura 8. 75 . à faixa ou largura de trabalho do implemento). nem derrapar ou “atolar” facilmente. sem ocasionar uma compactação excessiva*. Ajustes de bitola e lastração O ajuste de bitolas depende do tipo de operação a ser feita. no mesmo eixo. Esses ajustes são extremamente importantes para que se tenha um bom rendimento na operação do trator.

As bitolas dos tratores MF 4 x 2 variam de 1. aproximadamente 5 metros. pode-se usar uma ou duas grades. Dessa forma. podem ser cultivadas.se os parafusos C e D. eles possuem três tipos de rodas traseiras. Quanto aos eixos traseiros. com diferentes características:  Rodas do tipo arrozeiras – São fixas e não permitem o ajuste de bitolas. há inclusive. espaçamentos e cultura. As bitolas traseiras são modificadas desde a inversão de um pneu de um lado ao outro até a inversão da roda sem trocar o lado do pneu. conforme o modelo permita os diferentes ajustes de bitola. 12.5m entre linhas. Pode-se obter de 7 a 9 bitolas diferentes. Seu ajuste permite de 3 a 8 bitolas.  Rodas servo ajustáveis – possuem aros com trilhos de deslizamento. o que permite grande capacidade de flutuação. os tratores multipropósito vêm sendo utilizados em áreas intensamente mecanizadas. através do deslizamento da roda em trilhos específicos para tal ajuste (rodas servo ajustáveis).13m a 1. 14 ou até 16 ruas em cada passada. excederem a largura do trator.93m. quando a bitola do trator é bem adequada aos implementos. possuem bitola de. uma menor compactação do solo trabalhado. Se a grade ou grades. Atualmente. O ajuste das bitolas é importante porque a qualidade do serviço executado é melhorada. com a redução do número de passagens no mesmo local. segundo DEUBER (2002). 76 . Esses tratores.  Rodas de discos reversíveis – Igual ao eixo dianteiro (4 x 2). pode-se deslocar o conjunto inteiro em relação às canaletas. São rodas usadas com pneus largos e altos. Com espaçamento de 0. para os tratores MF e MAXION. para o cultivo nas lavouras.

Através da lastração com água (somente nos pneus traseiros para tratores 4 x 2 ou nos quatro pneus. tanto nas rodas quanto na parte frontal do trator. para tratores 4 x 4). com a colocação de pesos. notadamente os implementos de corte. 77 . para trabalhar mais eficientemente em condições específicas (Solos extremamente argilosos ou compactados. como o arado de discos e as grades. Esquema de ajuste de bitolas traseiras. ela poderá ser feita: Através de lastração metálica.    Quanto à lastração.). A lastração também poderá ser feita em alguns implementos.Figura 9. FÁC – SÍMILE extraído de MAXION (1991). muitos resíduos vegetais para incorporar ao solo etc.

O peso não serve apenas como parâmetro na escolha da lastração ideal a determinados serviços. declividade do terreno. entre kg de lastro / cv de potência. encontrou para os tratores 4x2 auxiliar (4x2 aux. Já aos aspectos pertinentes á máquina teríamos: que maquinário que vai se utilizar. Extraído de SCHLOSSER (2003). condições do rodado. Essa autora afirma que. não conseguimos precisar uma relação peso/potência adequada para esta obra. 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Potência Peso/Potência CÔRREA (2004) analisando diferentes lastrações em 2 tratores submetidos à condições similares às de campo. embora se fale em relação peso/potência ideal. com nossos conhecimentos e mesmo com a revisão bibliográfica que fizemos. Relação Peso/Potência de alguns tratores nacionais. A relação peso / potência de alguns modelos de tratores nacionais encontram-se no gráfico abaixo.) que a relação de capacidade de tração / lastração melhorava. Gráfico 4 . à medida que se punha mais lastro na dianteira até uma faixa de 36 a 45% do peso do eixo dianteiro. como do próprio maquinário: as variantes ambientais seriam a textura do solo. sabemos que isso deve-se a uma gama de fatores intrínsecos à lastração e que concorrem para uma soma enorme de variáveis tanto ambientais. não existe um trabalho que comprove cientificamente qual relação é a ideal. concordamos com tais argumentos. Evidentemente. entre outros. velocidade de operação. uma vez que. que foi retirado de SCHLOSSER (2003). tipo de atividade. teor de umidade do solo. A relação peso/potência também mostra a faixa de potência ou “reserva” de potência de alguns tratores. por exemplo. 78 . Entretanto.

durante todo este capítulo referente aos sistemas do trator. uma manutenção bem realizada é o conjunto de medidas mais eficientes na conservação ou na garantia de um tempo maior na vida útil do trator e de seus implementos. revisões e proteção contra as intempéries. de forma que se obtenha um rastro bem definido nas extremidades dos pneus e pouco definidos no centro dos rastros. como por exemplo: lastrear o trator observando o rastro dos pneus ao executar a tarefa desejada: se o rastro estiver muito deformado. garante ao empresário rural. por atrasos provenientes das quebras constantes das máquinas alugadas.Assim. há a necessidade de se colocar mais peso. e 79 . como o plantio. 2. em termos de compactação. como também. o que interfere não só em menores gastos em manutenções. ou a semeadura. considerações sobre a correta manutenção dos tratores: Traçando-se em linhas breves. deve-se retirar lastro. como manuais de fabricantes e materiais de pósvenda de algumas montadoras: De uma forma direta. a certeza de que poder contar a qualquer tempo com esse equipamento (trator x implementos). um maquinário bem conservado. ajustes. sem ranhuras. Implementos desgastados. quebrados. resta-nos somente recomendar para busca de uma boa lastração. condição essencial para o sucesso de qualquer programa de mecanização agrícola. sobretudo uma ferramenta importante na produção do campo. melhora o valor de revenda do maquinário. quanto em fontes de informações mais práticas. pois o trator é. que aproximam-se de valores onde não se compromete a eficiência do serviço e que se agride menos o solo. enferrujados. Vimos. se estiver muito definido. portanto. através de lubrificações. ou fazer com que um produtor rural prefira só contratar os serviços de aluguel de uma frota bem cuidada e que não venha interferir negativamente em operações críticas. o que foi apresentado neste capítulo. Além do mais. assim também como o trator. por outro lado. MIALHE (1974).7. que são necessárias algumas manutenções dentro de cada sistema. subtraem o valor de revenda. uma vez que se pressupõe gastos para recuperação por parte de quem porventura queira adquiri-lo(s). Ele ainda define a manutenção dos tratores e da maquinaria agrícola como o conjunto de procedimentos que visam manter tais máquinas nas melhores condições de uso e prolongar-lhes a vida útil. os métodos empíricos. o qual baseou-se tanto em uma bibliografia técnica. considera a manutenção de tratores e da maquinaria em geral.

conforme a necessidade. mas em linhas gerais. BÓRMIO (2004) alerta para as seguintes precauções no tocante ao sistema de lubrificação:  Marcas diferentes de lubrificantes não devem ser misturadas. Evidentemente. enquanto custo. apontamos as mais importantes. Procedimentos mais específicos estão contidos nos manuais dos tratores. 19 Alguns cuidados relativamente simples. obedecendo criteriosamente às recomendações dos fabricantes.principalmente.  O filtro de óleo a cada troca. a utilização de elementos químicos com a mesma finalidade de aditivação pode ocasionar o surgimento de ácidos que irão atacar as peças do sistema. Quanto à lubrificação e trocas de óleo. cara19. como lubrificações. reparos adequados e conservação do trator garantem. principalmente poeira. 80 . estes devem ser corrigidos imediatamente.  Observar sempre o uso de lubrificantes com o grau de viscosidade e classificação correto. que é uma fonte de consulta indispensável ao produtor rural. não citamos todas as manutenções pertinentes aos tratores e aos implementos agrícolas. menores riscos de defeitos e panes mecânicas que. Esses procedimentos ou conselhos foram extraídos dos manuais. ou na depreciação. ou ao responsável pela manutenção do maquinário. deve ser limpo ou substituído. devem ser imediatamente substituídos. Segundo esse mesmo autor. em alguns casos. certamente. BÓRNIO (op.  A vedação da vareta de nível e do guarda-pó são pontos onde ocorrem vazamentos e responsáveis por grande parte da contaminação por agentes externos. alguns cuidados se fazem necessários. poderão onerar sobremaneira as reservas destinadas à manutenção do trator.  Os bujões de enchimento devem receber limpeza com pincel e com solvente antes de serem retirados. Cit) recomenda que se danificados.  Se houver vazamento de óleo.

os cuidados e manutenções descritos neste capítulo. alguns outros cuidados são necessários. amaciando o motor a primeira troca deve ser de 50 ou 100 horas. 20 Infelizmente. ou os mais facilmente realizáveis.Cronograma de serviços de manutenção20 do trator agrícola. para que esses casos específicos sejam observados. representam os principais.Tabela 3 . É importante que seja consultado o manual do fabricante. Serviço de Manutenção Período (em horas) para revisão 10 50 100 200 500 750 1000 Verificação do nível da água do radiador Verificação do nível do óleo do motor Drenagem do sedimentador ou dos filtros de combustível Remoção da poeira acumulada (Válvula de descarga) Verificação do nível do óleo da direção hidráulica Verificação da pressão dos pneus Verificação da tensão da correia do ventilador Verificação do nível do óleo da transmissão Troca do filtro do óleo lubrificante do motor 1 Troca do óleo do Carter 1 Verificação do nível do óleo dos redutores epicíclicos Limpeza dos terminais da bateria. 81 . graxa ou mel Substituição do elemento primário do filtro de combustível Limpeza do filtro do controle remoto independente (caso o trator possua controle remoto) Substituição do óleo dos redutores epicíclicos Lavagem do radiador Troca do óleo do diferencial do eixo dianteiro tracionado Substituição do elemento secundário do filtro de combustível Substituição do óleo e limpeza do filtro metálico da bomba YSIP (troca do óleo da transmissão)2 Troca do óleo da transmissão (tratores com controle remoto) 2 X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X 1 Para tratores novos. Alguns procedimentos aqui descritos. devendo abrir discussões acerca de outras questões. não são a totalidade dos necessários à manutenção do trator. Até mesmo porque esse livro não pretende deter-se somente à manutenção. os quais podem variar de acordo com cada fabricante. untando-os com vaselina.

o implemento agrícola seja adequado à natureza do trabalho que se deseja executar e que seja também. pede o preparo de uma boa sementeira. é que iremos optar pelo uso mais adequado dos implementos e do trator. compatível com o trator. No tocante às boas condições de uso e conservação. Primeiro deve-se saber qual a finalidade. depende de uma boa projeção do que se deseja fazer e o que se deverá fazer. nós anteriormente já alegamos que os cuidados com a manutenção são indispensáveis para uma maior vida útil e. Definidas as necessidades e os serviços a serem realizados com o maquinário agrícola. a observação de aspectos práticos. veremos mais tarde. quanto de fatores relativos à eficiência desse conjunto. sempre objetivando a redução dos gastos ao minimamente necessário. Porém. Entretanto. É aí que entra a escolha do implemento correto. Assim. normalmente seria feita uma aração e duas gradagens médias ou uma aração mais uma gradagem pesada e duas gradagens leves. clima) e dos recursos artificiais (máquinas. se a área na qual você vai plantar uma cultura anual ou o consórcio delas. topografia. insumos. os ganhos compensarão o esforço. é relevante que além de estar em boas condições de uso e conservação. mão de obra. Fatores que citamos anteriormente e que 82 . Plantar milho? Soja? Algodão? Implantação ou manejo de pastagem? Um eucaliptal? De acordo com a finalidade serão definidos com o que se fará. as relações de potência. como o seu perfeito dimensionamento. em termos de potência e capacidade do conjunto. uma menor depreciação do equipamento.CAPÍTULO 3 Os implementos agrícolas: No âmbito de uma otimização dos recursos do ambiente (leia-se solo. logicamente. devem-se observar outros fatores que o preparo convencional do solo negligencia. faz parte de um aproveitamento otimizado. tanto do conjunto trator x implemento.) – fatores econômicos. o que se quer fazer. economia de tempo e de dinheiro e os aspectos conservacionistas do solo. capital disponível etc. O correto manejo do conjunto trator x implemento. pelo sistema convencional de preparo do solo. Para que sejam obtidos bons resultados no trabalho agrícola. fazer uma tarefa agrícola envolve uma série de fatores que se pensados preliminarmente e resolvidos na execução do serviço. No entanto. na relação trator x implemento. otimizando o serviço. Tanto para a natureza do serviço. no que se refere ao serviço propriamente dito. No que se refere à adequação do implemento ao trator. trabalho e capacidade efetiva de trabalho. surge uma pergunta: como fazer? Essa questão a primeira vista pode parecer simplista ou óbvia demais.

deve-se observar qual tipo de implemento ou acessório é mais adequado às condições locais.1. A não ser em casos específicos. afiar os discos (grades e arados). como no combate às ervas. solos arenosos não necessitam de um mesmo preparo que os argilosos. não só no sistema convencional de plantio. trocar enxadas desgastadas (cultivadores). limpeza de bicos (pulverizadores). sempre visando reduzir ao mínimo o número de passagens. por exemplo.novamente frisamos. Passar nesses implementos óleo queimado. na semeadura. lubrificação das partes móveis (mancais. Assim. troca de peças desgastadas. como também no plantio direto (no caso deste último. o que servirá como racionalização dos recursos econômicos e do manejo do solo. A exposição direta e prolongada por muitos anos aos rigores ambientais (sol. (quando não for possível reformá-los com. pinturas (alguns implementos com óleo queimado ou anti-ruste). por exemplo. como os arados e as grades requerem manutenções mais simples do que. Deve-se traçar preliminarmente todos os passos da tarefa agrícola. por exemplo. no caso de implementos de aço. de acordo com o caso podese usar uma grade ou a roçadora. pois o corte da palhada na formação do sulco das linhas de plantio é extremamente importante). Basicamente. Implementos de preparo de solo. 3.2 Manutenção dos equipamentos de tração animal O mesmo princípio das manutenções aplicado aos implementos tratorizados é aplicável aos implementos de tração animal. reposições. as manutenções dos implementos consistem em limpeza. Aplicável ao arado. 83 . pinturas antioxidantes). Manutenção dos implementos Todos os implementos utilizados na agricultura sofrem esforços e desgastes. Neste capítulo. incorporação de material vegetal. entre outras manutenções. cubos. chuva etc) poderá comprometer a sua durabilidade. deve-se protegê-los das intempéries. um pulverizador. A textura do solo. cultivador. enxadão. 3. por exemplo. A escolha do equipamento adequado influí no rendimento do serviço. A última pergunta è como fazer.1. soldas. faremos a exposição de alguns implementos e relataremos brevemente as manutenções adequadas a cada implemento. bem como a ação das intempéries que fazem com que seja necessário se proceder a uma manutenção desses equipamentos. ou calagem. Para o caso de combate a ervas daninhas. articulações).

funcionando como um elemento abrasivo. principalmente areia. evitando que o lubrificante possa vir a “atrair” elementos abrasivos. trocar as enxadas sempre que estiverem muito gastas. tipo de solo) -aplicável ao cultivador. durante a operação do equipamento.Nos implementos de corte. de forma que a areia venha a ficar impregnada nessas partes. Evite passar graxa em rolamentos ou mancais secos. após muito uso (a periodicidade varia com a intensidade de uso. essa graxa não deve entrar em contato com a areia. 84 . ou as partículas de solo. arado de aivecas. enxadão. Lubrificar as partes móveis corretamente.

condições climáticas e até a habilidade e experiência do tratorista. pois além das perdas durante a faixa trabalhada. Consideremos também que nenhum conjunto trator – implemento consegue obter uma eficiência de 100%. ainda há a demora para as manobras das cabeceiras. A área trabalhada depende diretamente da largura trabalhada e do tempo. A tabela 3 ilustra o rendimento das operações agrícolas 85 . da área trabalhada e da eficiência. Assim teríamos: Rendimento = Trabalho realizado Mais especificamente poderíamos deduzir que o trabalho realizado referese à capacidade de trabalho. que é dada: Capacidade efetiva de trabalho = Área trabalhada Tempo de serviço Quando tratamos de rendimento.3. Consideremos o tempo em horas e a área em hectares. implemento usado. tipo de solo.Planejamento e desempenho operacional de máquinas agrícolas O desempenho operacional das máquinas agrícolas depende de diversos fatores.HM) para executar as atividades. Uma outra forma de calcular a capacidade de trabalho pode ainda ser através da capacidade efetiva de trabalho. O Rendimento das operações de mecanização O rendimento é função do trabalho realizado num determinado período de tempo.2. O desempenho reflete-se como resultado da influência dos fatores anteriormente mencionados em um aspecto mais concreto do que simplesmente conceitual: o rendimento. o cálculo da capacidade de trabalho para uma operação de gradagem. Como exemplo. Fatores como relevo.000 Sendo a eficiência o percentual do tempo realmente gasto com a atividade (excluindo aí as manobras de cabeceiras e paradas) e variando conforme a atividade. A capacidade de trabalho é calculada pela velocidade de deslocamento do conjunto trator – implemento. potência do trator. seria expresso. segundo SILVEIRA (1989) na seguinte relação: Capacidade de trabalho: Velocidade x largura de corte x eficiência 1. também está implícita a questão do gasto de combustível em relação à unidade de tempo (hora máquina. influenciam sobremaneira no resultado final do trabalho agrícola.

0..2003) Faixa de potência (c.9-1.v.0-15.0 Consumo médio (L) Gerenciamento econômico do setor de mecanização Algumas fazendas compram programas específicos que fazem o gerenciamento do setor de mecanização através do fornecimento dos custos e receitas do setor.7 2. .8-0.4 0.5-0.0 1.3-2.5 9. esses programas são bancos de dados que são alimentados com os dados pertinentes às despesas com mão . esses custos são subtraídos da receita.4-0.7-1.0-10.de – obra. e ao final.5-0.7-1.9-1.5-2. 1.7 0. Tabela 4 .5 6.4 0.2-5..9-1.0 Rendimentos (ha/H) 0..0-9.3 0.5 2.2 4.1 0.5 0. para tratores de pneus (fonte: AGENDA DO PRODUTOR RURAL BNB . lubrificantes.8-3..6 0..6 0.9-1.. 1. 0.1 1..4-1.0-1.9 .5 1.9 .0-1.1 .7-1.4 1.4-0. De uma forma geral.6 0.8 1. que considera todas as horas trabalhadas do mesmo 86 .) 61-63 73-77 79-86 95-110 118-122 Operações Aração Gradagem aradora Gradagem niveladora Distribuição de calcário Plantio Cultivo Pulverização Subsolagem Sulcamento Roço 0.8-1.8-0.4-0.4 4.2-3.0-1.5 0.9 2.9 0.8-2.9-1.3-0.5 7.6 1.4-0.9-1.6 0..9 0.3 0.2-0.1 2. .2 1.6-0.2-3.6 0.4-1.7-1..4-2.3-0.2-3.9-6. peças e demais despesas..6-0.1 1.Rendimento das operações motomecanizadas e consumo de combustível (diesel) de acordo com a faixa de potência.5 8.3-1.0 0..0-3.2 .0 2. combustíveis.0 0.4 0..em hora máquina e mostra também o consumo médio de combustível para as principais atividades motomecanizadas.8 1.0 0.9 0.0 0.0-7.3 1.0-2.0-13.0-1.3 4.4-1.

Ao final. no caso. teremos uma espécie de “saldo”. elaboradas na própria fazenda. de forma que sejam feitos os somatórios dos gastos e das receitas. Assim. da hora cobrada pelo maquinário de aluguel. o empresário possa adequar os gastos. como o Excel e que eram de uma excelente adequação prática. Daí pode se extrapolar para outro aspecto. que poderá ser positivo. ou muito próximo. Ainda no contexto do gerenciamento econômico do setor de mecanização da empresa agrícola. o saldo negativo. “ a frota ideal é aquela fruto do correto atendimento das necessidades da fazenda. pouco adiantará essa relação se ambos forem subutilizados. para que se tenha uma noção do saldo do setor na propriedade.. a compra de um equipamento ou de um trator deve levar em conta diversos aspectos. MIALHE (1974) relatava que foram obtidos melhores índices de produtividade no trabalho com trator quando se fez uso de assentos ergonômicos. do bom senso e dos interesses o que ele quer. seja do trator ou do implemento durante sua vida útil. Nunca a frota será ideal se o gestor repetir rotinas. como a Fazenda São João e a Vitória Agrícola. pudemos conhecer bancos de dados originados da própria fazenda. Para que. Quando nos referimos à perfeita adequação da relação Trator x implemento. como a própria necessidade daquele equipamento ou trator.. pois o maquinário está dando lucro e. por uma quantidade a maior possível de horas durante o ano. para o empresário agrícola. Mesmo com um conjunto trator x semeadeira bem dimensionado para funcionar em conjunto perfeitamente.preço. como a 87 . planejar e decidir à luz da razão.) é preciso analisar. que é o desejado. que deve ser evitado. para que se evite a subutilização. Assim. o que ele precisa e o que ele pode” (vê-se que o autor foi incisivo e direto e por isso destacamos a sua última frase). Muitos produtores rurais se perguntam: Quais os implementos mais adequados à sua propriedade? Qual o trator ideal? Qual a melhor relação de trator x implemento? De acordo com GENTIL (2001). Durante o período que estivemos no Rio Grande do Norte. um outro aspecto que merece ser cautelosamente visto e discutido refere-se à frota ideal para cada fazenda. palpites ou velhos padrões (. referimo-nos também ao seu contexto na propriedade. seria o equivalente à construção de uma “conta-corrente”. Esses bancos de dados eram feitos a partir de programas de plataforma Windows. Trator e implemento viáveis são aqueles os quais são utilizados ao máximo. propriedades que exploravam mais fortemente a fruticultura de exportação. O empresário rural pode também lançar mão de planilhas próprias. racionalizando o setor de mecanização de sua fazenda. Outro fator é o conforto operacional. A quantidade de serviço a ser realizado.

A compra de um trator usado é algo crítico. 88 . Aliás há uma literatura bem razoável no tocante ao conforto e ergonomia como incrementador de produtividade. a satisfação dos funcionários é bem diferente. Esse diagnóstico remete à consulta do valor médio alcançado pelo maquinário no mercado. GENTIL (op. tem-se que traçar um diagnóstico geral do estado da frota. Para a recuperação de uma frota de uma fazenda. afinal garantias reais do perfeito estado daquela máquina são muito do histórico daquele equipamento. o que influí no rendimento do serviço. pois quase sempre não se tem a garantia de um bom negócio. cit) ilustra que entre um trator cabinado e um trator sem capota.compra ou não de um trator cabinado.

A depreciação torna-se relevante para o administrador rural. pois através do conhecimento dos custos de manutenção. alguns tratores e equipamentos que precisam ser recuperados. de acordo com o seu período de vida útil. A depreciação das máquinas agrícolas Entende-se por depreciação. No cálculo linear. GENTIL (op.O valor que será gasto para recuperação de toda a frota é corresponde ao índice de sucata da fazenda. na prática. o valor de custo da depreciação é calculado de uma forma linear. ou dificulta a aquisição de novas máquinas ou a terceirização.o que muitas vezes torna a fazenda pouco competitiva.000. Assim se temos em uma fazenda hipotética. a depreciação também deve ser vista como uma forma de análise do valor comercial da maquinaria.000. O cálculo da depreciação pode ser feito segundo SAMUELSON (1963) de duas formas: linear ou de saldo decrescente. Vida útil de determinado equipamento é o tempo considerado entre a sua aquisição (ano 0) e seu valor como sucata. vemos reclamações no que concerne à renovação da frota devido aos custos ou até mesmo no tocante à compra de peças e serviços especializados as queixas em relação à demora da chegada das peças ou do preço delas.51% Níveis de preços próximos a 40 % são considerados muito bons. Por nossa própria experiência e vivência em campo. Além disso.00 DIFERENÇA: . As taxas de depreciação são distribuídas uniformemente durante toda a vida útil do equipamento ou maquinário. entre outros. as perdas referentes a um valor inicial de um bem durável. Entretanto. bem como do acompanhamento das despesas e receitas promovidas para qualquer máquina agrícola. Cit). se tivéssemos: CUSTO DA FROTA NOVA: R$: 215.000.100. ao fim de um prazo pré-determinado. Cit) afirma que. Já para GENTIL ( op. 89 . Assim. a média está na faixa de 90% a 75 %. obtida pelo valor do equipamento novo subtraído do valor atual representa o valor de sucata. pode-se ter o conhecimento do “saldo”. por exemplo. que tal maquinário proporcionou durante o exercício. em dinheiro. a diferença que for necessária. as reclamações na prática são praticamente as mesmas:quebras de máquinas em períodos importantes como a colheita ou o semeio.00 ÍNDICE DE SUCATA: 46.00 VALOR DE REVENDA DA FROTA: R$ 115.

. 3. correta. e levando-se em conta também que esse caminhão terá vida útil de 10 anos.. os lucros do uso desse bem estarão sobreestimados. Cit) afirma que os cálculos de depreciação embora feitos com fórmulas aparentemente exatas. Assim. recorrendo a “. um caminhão comprado por R$ 40.Assim. seu valor de sucata será de um décimo do seu valor de compra. calcula a depreciação de uma forma que o valor do bem vai decrescendo. geralmente incorrem em erros e imprevistos. Assim. semeadura. tratos fitossanitários. compensando o período em que foram subestimados. a partir dessa data. SAMUELSON (op. Essa compensação a que se refere o autor refere-se quando um bem supera a sua vida útil. 90 . os serviços mecanizados têm um alcance de funções muito grande. preparo do solo. inicialmente 20 % do valor total do bem. e que os erros de depreciação acabam por se compensar de alguma forma”. As atividades agrícolas e os implementos: Dentro da propriedade rural. teríamos que: D = Vc/Vu Onde: D= Depreciação anual Vc = Valor de compra Vu = Vida útil (anos) Já o método de saldo decrescente. Têm-se uma ampla gama de atividades realizadas por máquinas. Como exemplos citamos o desmatamento. sendo a partir da segunda parcela. mas permitem que as últimas sejam bem menores do que as primeiras parcelas.3..3. transporte e armazenamento.1. desde que não haja uma grande flutuação no valor comercial dessas unidades de produção de cada propriedade agrícola de ano a ano.00. colheita. mas que baseado na realidade de cada produtor é até aí. As parcelas pagas. aplicação de corretivos. ou menores do que as parcelas da depreciação linear.. Preparo do solo: 21 Muitos produtores rurais contabilizam suas aquisições de acordo com o que custou tal aquisição à empresa. ou considerando a moeda mais comum entre os produtores rurais. ou as taxas de depreciação são maiores durante os primeiros anos de depreciação.correções e hipóteses arbitrárias .000. 3. sacas ou suas respectivas unidades21 de produção. é calculado em 20% do valor restante. de uma forma muito rápida e que requer pouco esforço humano. Esse é um ponto curioso. práticas conservacionistas.

Tais atividades compreendem a aração e a gradagem. principalmente pela melhoria das condições físicas e estruturais dos solos agrícolas. embora as raízes das plantas explorem um volume de solo relativamente grande. O solo é inicialmente cortado. o preparo das sementeiras para culturas anuais é importante. levantado.) usava-se um galho retorcido para cavar um sulco e revolver a terra. tanto através do arado como das grades. abolindo operações como a aração e as gradagens. Primitivamente. que dependendo das condições físicas do solo. Com a evolução do engenho humano. principalmente a partir da revolução industrial e das primeiras mudanças no sistema de produção do campo. ALDRICH e LENG (1974) afirmam que.. ou mais comumente mobilizada no preparo do solo no sistema convencional. Princípio da aração: A reversibilidade da leiva Essa mobilização mecânica dos solos feita no preparo convencional consiste na movimentação e inversão das camadas superficiais. contudo. evidentemente. somente o enterrio de ervas daninhas e de restos culturais baseiam essa prática. além de eliminar ou enterrar as ervas daninhas e restos de cultura.  Aração A terra arável é a parte superior ou mais superficial do perfil do solo. de acordo com SILVEIRA (1989). Restringe-se apenas a profundidade cultivável. O trabalho do arado. originalmente. Nas nossas condições. invertido e esboroado. (por volta de 6000 a. através do revolvimento do solo.c. A aração é a operação mais antiga de preparo do solo. para uma boa a germinação das sementes. como o milho. é importante a incorporação de restos vegetais. para aumentar a fertilidade do solo. de solos tropicais. após a domesticação dos animais de tração. Isso é mais facilmente percebido na operação de aração. pode propiciar as seguintes vantagens ou benefícios: 91 . que é de aproximadamente 30 cm. De acordo com SILVEIRA (1989). o sistema de plantio direto. é sabidamente necessário.O preparo do solo para plantio. mesmo de culturas anuais. era de descongelar as camadas superficiais do solo para o cultivo. O aporte aos solos de matéria orgânica. nas condições onde foi desenvolvida (países de clima temperado). no sistema convencional obedece a atividades que mobilizam o solo. pode atingir até profundidades próximas a 2 metros. no qual não há revolvimento do solo tem obtido resultados extremamente satisfatórios. muitas modificações foram feitas. A finalidade da aração.

Destruição de insetos e larvas e de seus locais de desenvolvimento (como exemplo. citamos o bicho – bolo. ela não é mais considerada como tal.- - Ambiente para o crescimento das raízes (rizosfera) profundo. o qual reside no solo e é facilmente exposto à superfície. Hoje. com vistas à lavagem do solo. no chamado preparo mínimo do solo (ALDRICH e LENG. Pode-se proceder à aração em talhões tanto de dentro para fora do terreno. não afetam ou desagregam uma mínima estrutura desejável como desagregaria uma aração seguida de duas ou até três gradagens. 1974. Aumenta o espaço entre as partículas do solo. através do revolvimento realizado pelo arado). ou em contorno. cit). op. médias ou até leves. inseto-praga de muitas culturas olerícolas. Solos franco-arenosos ou arenosos não necessitam de uma aração prévia. ou vice-versa. era tida como atividade básica de preparo. feitas comumente em solos argilosos. através da incorporação do calcário e da operação de incorporação de gesso agrícola. facilitando a retenção de água. do ponto de vista da estruturação dos solos. sendo substituída por gradagens pesadas. seja por diferenças de profundidades no corte ou até mesmo pela não passagem do arado. uma gradagem média ou até mesmo duas gradagens leves resolvem e. os sulcos deverão ter a mesma profundidade. no sistema convencional. que se façam tais procedimentos 92 . em áreas terraceadas ou em contorno (SILVEIRA. serem retos. pode ser feita em talhões. seguindo o sentido transversal à declividade do terreno. o que é mais importante. É aconselhável. porém. portanto. Antes. que pode induzir-nos a usar ou não o arado é a textura e condições físicas do solo. A aração em talhões é feita somente em terrenos planos ou ligeiramente inclinados. bem como diminuição da evaporação do solo. 1989) e plantio direto (SILVEIRA. Sistemas de aração: Uma boa aração deve ser realizada de forma que não se formem áreas não aradas no terreno. ou pão de galinha. principalmente na correção do pH do solo. para lixiviação do excesso de sais. Entretanto. 1989). SILVEIRA. a operação de aração presta-se. pelo rompimento dos canais capilares. A aração. a aração é questionável. Além disso. de forma a evitar a erosão. Aeração do solo. Os fatores principais. portanto. Entretanto. pela ocorrência da enxurrada. o que resulta em maior umidade disponível às plantas.

por ocasião da aração feita de fora para dentro. o batente do apo. 93 . Diz-se que o arado é móvel quando a leiva é movimentada tanto para o lado direito como para o esquerdo. o apo de reversão. o mancal principal do apo e a alavanca manual de reversão. mudando. portanto. A escolha do sistema de aração deve considerar além das características da topografia da área. os componentes responsáveis pela inversão são a barra de regulagem. por anos repetidos. resultando na depressão do centro da área arada somente de dentro para fora ao longo dos anos. Em um arado reversível dos modelos mais comuns. Arados fixos e móveis: A denominação dada aos arados em fixo e móvel diz respeito à reversibilidade dos corpos do arado. bem como que se evite o acúmulo do solo no centro do talhão.alternadamente. mas também a inversão dos discos. nos arados móveis. a barra de regulagem. O arado é dito fixo quando movimenta a leiva somente para o lado direito. de forma que não se direcione o solo tombado somente para as periferias do terreno. há alguns componentes que possibilitam a modificação não só do ângulo vertical (ângulo de ataque) dos discos. o menor tempo para manobra nas cabeceiras das faixas e a existência de sulco aberto ao final de cada passada do arado. sobre o qual a leiva subseqüente será invertida. o sentido de tombamento da leiva. Para tanto.

perdendo para os de discos. obtendo-se como resultado final. esse mesmo autor ainda aponta uma vantagem dos arados de aivecas em relação aos de discos no que se refere ao seu uso no enterrio de ervas daninhas. Além disso. 4) Ao contrário dos discos. Um problema no desempenho do arado de aivecas refere-se ao desenho da aiveca. muitas vezes requerem o trabalho de um ferreiro para afiar e repor o corte da relha. A saber: 1) Reduzida capacidade de trabalho em solos muito argilosos ou argilosos (quando o teor de argila ultrapassa os 30%). uma boa cobertura dos restos vegetais na área trabalhada. principalmente quando ocorre o pé-de-grade. que podem ser simplesmente afiados ou trocados. costaneiras. Esse tipo de arado inverte o solo através da relha e da aiveca. principalmente em latossolos (planissolos) e terra roxa-estruturada. podemos citar: 1) 2) Penetração bem maior do que os arados de discos. SILVEIRA (1989) afirma que tais arados melhoram a infiltração d’água no solo. Pode ser utilizado em áreas compactadas. Os componentes montados sobre o chassi são a sega. o que pode favorecer a erosão.O corte. As aivecas são as peças que realmente caracterizam esse tipo de arado (SILVEIRA. os arados de aivecas possuem algumas desvantagens que os tornam menos utilizados no campo. as aivecas quando sofrem manutenção. 1989). 2) A regulagem desse tipo de arado é complicada. facão e as aivecas. Quanto aos pontos positivos destes implementos. Sabe-se que para cada tipo de solo. principalmente 94 . coluna. há uma “anatomia” da aiveca ou desenho mais adequado para realizar o trabalho eficientemente.O Arado de aivecas: O arado de aivecas foi o primeiro arado desenvolvido pelo homem. 3) Enterrio acentuado de restos vegetais. a elevação e o esboroamento da leiva são mais perfeitos do que o arado de discos. atingindo profundidades de 25 a 35 cm. relha. Entretanto.

serve para manter o arado estável. Tais arados são compostos. A roda estabilizadora fica localizada na parte posterior (traseira) do arado. roda estabilizadora e os limpadores. à profundidades médias de 25 cm. os quais historicamente derivaram do aperfeiçoamento das aivecas. 95 . por discos. Fatores como textura. através de colunas. que têm a função de retirar o excesso e acúmulo de solo dos mesmos. maior deverá ser a aiveca. uma maior ou menor penetração.Arado de discos. chassi. O arado de discos é composto por discos postos isoladamente em rolamentos individuais (cubos) ligados ao chassi ou porta-implementos. Durante o deslocamento do conjunto trator x arado. O arado de discos O arado de disco é derivado do de aivecas. absorvendo os impactos laterais e servindo também para controlar a largura de corte. possuem limpadores. A penetração dos discos no solo deve-se ao peso do arado e aos ângulos de inclinação dos mesmos. Fonte: Baldan. para solos mais frouxos. Os discos têm a função de cortar e inverter o solo. Por outro lado. quanto mais duro for o solo a ser trabalhado. assim como os arados de aivecas que têm nos ângulos formados entre a aiveca e o solo (ângulos verticais e horizontais). quanto maior for a quantidade de restos vegetais. O elemento ativo no revolvimento do solo dos arados de discos é sem dúvida os discos. Essas particularidades dos arados de aivecas fizeram com que o arado de discos se tornasse mais empregado em todo o Brasil. restos culturais e até a velocidade de trabalho influem no funcionamento do arado.para as nossas condições. Imagem 4 . O mastro ou torre conecta o trator ao arado (é onde estão inseridos os três pontos de engate). mastro. De uma forma geral. portanto. colunas. mais baixa será a altura da aiveca e mais alta.

tendo as gradagens e as outras atividades mecanizadas de revolvimento do solo – como o uso de rolos compactadores.  A gradagem As operações de gradagem não se limitam somente. Esse preparo secundário do solo é constituído na maioria dos casos somente das operações de gradagem. Outras atividades realizadas pela operação de gradagem podem ser listadas como o emprego de corretivos. A aração por si só já é uma atividade que requer um esforço considerável por parte do trator (por ser uma operação em que se trabalha quase sempre em uma 2ª marcha. 96 . uma (passada de) grade média ou até mesmo duas grades médias comumente prestam-se muito bem no preparo do solo. devido ao fato da roda direita do trator passar pelo sulco recém-aberto. Especificamente. o que facilita a compactação. O arado de discos apresenta algumas limitações.se melhores resultados quando se procede à incorporação com o arado de discos. para preparo das sementeiras – a denominação mais comum de preparo secundário do solo). os de discos também necessitam de uma regulagem para uma boa aração. sendo práticas difundidas pelo sistema de preparo mínimo. há formação do chamado pé-de-arado. profundidade de corte. (tanto a aração como a gradagem constituem o que chamamos de preparo periódico do solo. assim como no arado de aivecas. alterne-se o sentido no ano subseqüente. Para operações de calagem. obtém . estabilidade e bitola. seguida das gradagens. para que se evite o acúmulo do solo nos terraços ou em glebas específicas. principalmente na aração com o arado de discos). Esse tipo de arado também não consegue penetrar se a área tiver excesso de restos vegetais. as particularidades). Há um baixo rendimento quando a leiva é tombada morro acima.Entretanto. se feito o tombamento morro acima. entretanto. na passada anterior. as melhores adequações no emprego do arado de discos referem -se primeiramente à sua versatilidade: são empregados em todos os tipos de solos. Esses implementos adequam-se melhor aos solos mais secos No entanto. Em solos arenosos. porém. quando ocorre o uso seguido do arado por diversos anos. ao “ajustamento” do preparo primário. A operação de gradagem pode substituir em diversas situações a aração (existindo. não se faz necessário uma aração. no que concerne à largura de corte. ou como uma seqüência em relação à aração. a destruição de ervas daninhas. o consumo de combustível é elevado. recomenda-se que nesse caso. também neste caso. devendo-se proceder às regulagens.

para se determinar a área trabalhada ou o tempo em horas.escarificação superficial do solo. a grade de discos não é apropriada para trabalhar em solos pedregosos. também conhecidos por carretéis. existem ainda os mancais antifricção. Estes últimos. os discos ainda merecem um cuidado especial: é o de serem afiados em esmeril. distanciados uns dos outros por separadores. precisam de lubrificação a cada trezentas horas. pode-se usar graxa ou óleo. além dos reapertos em parafusos. podem ser com rolamentos. Os componentes ativos dessas grades são os discos. Por fim. Adequa-se de uma forma muito boa a solos duros. As grades apresentam diferentes tipos de discos. os quais são equipados com vedação para impedir a entrada de elementos abrasivos. para evitar seu engripamento e desgaste). O conjunto destes componentes é denominado de porta-discos. 97 . Tais órgãos são dispostos montados em um mesmo eixo. No tocante às manutenções dos implementos de discos. os quais precisam de uma boa lubrificação e de vedação contra a entrada de terra (como lubrificantes. através da construção e manutenção de canais e terraços. Quanto à borda (ou gume) os discos podem ser lisos ou recortados. de acordo com a largura de corte e eficiência do serviço. no destorroamento e no preparo de sementeira para plantio. da lubrificação e substituição de peças que porventura estejam quebradas ou defeituosas. todavia. desde que se observe o período de troca de mil horas de trabalho). aos pedregosos 22. não se adequando. para que penetrem no solo mais facilmente. e no manejo e conservação das áreas declivosas. incorporando restos vegetais com relativa facilidade e adequação excelente. Ela o corta e areja. Os mancais das grades podem ser lisos (compostos por ranhuras que necessitam de constante lubrificação. pois o material é preso e 22 Segundo ALDRICH e LENG (1974). principalmente em áreas de pastagem. o qual é fixado ao chassi da grade por meio de mancais (uma luva de ferro ou aço). onde na extremidade encontram-se arruelas de encosto e porcas de fixação. A faixa trabalhada no perfil varia de 8 a 15 cm da superfície. As grades de discos A grade de discos é um dos implementos mais difundidos para o preparo do solo. Os discos de borda recortada prestam-se melhor ao enterrio de restos de cultura. principalmente com pedras grandes e chatas. A capacidade de trabalho pode ser calculada através da fórmula dada na página 78. de acordo com SILVEIRA (1989).

e muito. 98 . Quanto á durabilidade.Discos côncavos e cônicos. 2003).35 HP/disco.5 kW/disco (lembrando que 0. segundo SOUZA et all (2003). Esse aspecto deve ser considerado.746 kw equivale a 1 HP. têm uma menor durabilidade. as condições do solo a que são submetidos interferirão na vida útil dos discos das grades. Há. sendo uma seção para cada par de discos da grade. os discos. plano ou ondulado. uma vez que as pedras danificam. Essas forças exigem determinada potência do trator para o deslocamento do conjunto trator e grade. ele pode ser côncavo. para os diferentes tipos de discos.cortado simultaneamente. face às lesões sofridas nos seus “recortes” o que os faz tenderem naturalmente ao cisalhamento. As ações exercidas nos solo pelas grades de discos. no segundo momento. que. b) Discos planos e ondulados (Fonte:SOUZA et all. podendo ser em média de 2kW de potência por disco. conforme citado no tópico referente à aração e. como foi dito anteriormente. b) Pulverização. De acordo com SOUZA et all (2003) essa potência varia com o tipo de solo. longitudinal e verticalmente. não são adequadas ao trabalho em solos pedregosos. observa-se que. uma vez que os discos de bordos recortados são mais caros do que os de bordos lisos. chegando em solos mais resistentes a 2. existem os bordos lisos e recortados. baseiam-se no princípio da reversibilidade da leiva. No seccionamento. a) Seccionamento. embora tenham uma maior capacidade de penetração. uma pulverização do solo. constituem-se de. há uma ação cortante dos discos sobre o solo. As grades de discos. o que dá até 3. principalmente os recortados. dividindo a faixa trabalhada pela grade em seções. de acordo com o tipo de grade. c) Tombamento. Nos dois casos. causada pela pressão dos discos. para solos mais resistentes) Figura 10 . Os discos sofrem forças de reação do solo (as forças normais à ação dos discos e o atrito). Quanto ao corpo do disco. d) Nivelamento.

em velocidades adequadas. também usada para destorroar o solo. O nivelamento é feito mais facilmente simplesmente pelo aumento da velocidade de trabalho ou pela regulagem da grade. portanto. Esse microrelevo dá-se através das três primeiras ações dos discos (seccionamento. engate à fonte de potência. a qual. disposição das seções e características estruturais. através do enterrio das sementes ou partes vegetativas das gramíneas implantadas. A classificação tocante às fontes de potência relacionam-se às grades de tração animal ou mecânica. b) Grades médias. em solos de textura média a 99 . com discos chegando às 22 pol. de diâmetro. com diâmetro dos discos entre 24 e 28 pol. Pode substituir a aração. bem como o trabalho do conjunto trator/implemento. massa por disco. após uma aração ou gradagem pesada. uma regulagem da grade. Faz-se necessária. misturar insumos. Quanto à classificação por massa de disco. Segundo SILVEIRA (1989). em áreas ainda em sementeira. usadas também na formação de pastagens. para se obter um bom trabalho. a grade deve penetrar uniformemente em toda sua largura de operação. obedece-se à seguinte classificação: a) Grades leves: A grades leves são assim classificadas por apresentarem massa por disco igual ou inferior a 50 kg. (op. em seguida será invertida. cit) devido à tendência de formação de microrelevo pela ação da grade.O tombamento é uma conseqüência do levantamento da massa ou leiva de solo erguida pelos instrumentos de corte ativos (no caso os discos). incorporação de ervas daninhas pequenas. Obtém-se a massa por disco dividindo-se a massa da grade pelo número de órgãos ativos (discos): Md = Massa/discos Dessa forma. nivelar. Tipos de grades de discos: As grades de discos são classificadas de acordo com a fonte de potência. sustentação. recobrindo a seção seguinte para depois ser nivelada. muito utilizada. pulverização e tombamento). segundo SOUZA et all. a grade média presta-se muito bem para trabalhar em condições de alta infestação de ervas daninhas e plantas trepadeiras. especialmente para a grade de discos. As grades médias apresentam massa por disco entre 50 e 130 kg. São utilizadas para destorroar.

a fim de que a alternância da profundidade de preparo do solo. (modo de ação dos corpos da grade) elas podem ser divididas em: a) Grade de discos de simples ação: Esse tipo de grade apresenta dois corpos (conjuntos de discos. ou o seccionamento do solo. quebre camadas compactadas de solo formadas pela ação contínua de implementos com profundidades de trabalho menores que estes últimos implementos. b) Grade de discos de dupla ação: Nas grades de dupla ação o solo é removido da faixa trabalhada tanto do centro para a periferia. quanto da periferia para o centro da faixa trabalhada. c) Grades pesadas ou aradoras: São grades que apresentam massa por disco superior a 130 kg. considerando-se que haja uma alternância com a grade pesada e o arado. Figura 11 – Desenho representando o arranjo de uma grade de discos de simples ação. Quanto às grades classificadas no tocante à disposição de suas seções. uma vez que as faces convexas dos discos estão voltadas para fora. sendo dispostos em linhas dois a dois. Tais grades destinam-se ao revolvimento profundo do solo e incorporação de material de cobertura. do subsolador. Vem substituindo em muitas regiões o uso do arado no preparo do solo. As seções frontais assemelham-se às da grade de simples ação. os quais são dispostos em linha. ao cabo de alguns anos. O corte. seguido dos outros três momentos. onde os discos cortam e tombam o solo somente no sentido oposto ao deslocamento (para os lados).arenosa. com diâmetro dos discos de 30 pol ou superior. bem como ao revolvimento mais profundo pela ação do arado. ou até mesmo do escarificador. é feito conforme haja o deslocamento da grade. dispostos simetricamente em um mancal). procede-se a uma aração nas áreas muito trabalhadas nos anos anteriores exclusivamente pelas grades. (grades em “X”). Deve-se sempre observar que. Essas grades podem ser dispostas da seguinte forma: . pelos corpos frontais (dianteiros) e posteriores (traseiros). Esse tipo de grade possui quatro corpos. com 100 .Em tanden.

Há o efeito de “dupla ação”. ou off-set. As grades aradoras quase sempre são grades de discos em V. . os corpos posteriores revolvem o solo no sentido contrário. que levantam ou abaixam o implemento. a grade dispõe de um ou mais braços hidráulicos. com levantamento hidráulico através de controle remoto independente (grades com comando hidráulico).Grade de dupla ação deslocada Também chamada de grade em V. entretanto. geralmente acopladas ao trator apenas na tomada de força. daí.os discos revolvendo o solo do centro da faixa para as bordas. conforme a necessidade de transporte ou 101 . sua denominação de grade de discos “em V”. Corresponderia a apenas um lado de uma grade em Tanden. Fonte: Baldan. Imagem 5. Nestes casos. off-set ou excêntrica. Os corpos ou seções desse tipo de grade funcionam em V. perpendicularmente ao sentido de deslocamento do implemento. Grade de discos em “v”(off set) . onde os discos do primeiro corpo deslocam o solo para um lado e o corpo seguinte. Fonte: Baldan. Imagem 6. Grade de discos de dupla ação. revira o solo na mesma faixa para o lado oposto.

distanciando a faixa de solo trabalhada do centro do trator. Ainda de acordo com esses autores. Para as grades em tanden. as grades possuem bandejas destinadas à colocação de lastro. por exemplo). SOUZA et all (2003) recomendam uma folga entre os dois conjuntos dianteiros de 1 cm. Esse espaço deverá ser de 35 a 40 cm. por esse motivo. Para as grades off-set. com uma massa superior a 2700kg necessitam de rodas e apoios auxiliares para manobras e transporte. Grades pesadas. a fim de se obter um melhor desempenho nas tarefas pertinentes às grades. modificando a faixa gradeada para os lados. sendo quase sempre localizadas acima dos corpos da grade. a folga entre corpos traseiros deverá ser de 40 a 45 cm. para as grades de 22 discos. respectivamente. o que permite executar atividades de gradagens (capinas. mas que poderá ser adotada a mesma da usada nas grades de 22 discos. 102 . de forma que a barra afaste-se do centro do implemento. ou aproximação dos corpos. também será de acordo com a regulagem do ângulo dos corpos da grade em relação ao deslocamento. as grades mais pesadas. para os conjuntos traseiros. Algumas grades off-set também permitem o deslocamento dos discos para as laterais do implemento. Essa regulagem para um maior ou menor distanciamento da grade em relação ao centro do trator pode ser feita também em algumas grades que possuem barras de tração reguláveis. o lastramento das grades de discos não se faz necessário. Tais regulagens restringem-se praticamente à melhor adequação da profundidade de trabalho. a principal regulagem refere-se ao afastamento. Nestes casos. por exemplo) em pomares. como as grades de controle remoto dispõem de sistemas de levante hidráulico. Assim. conectado ao do trator. nas grades de discos. bem como ao fechamento ou abertura do ângulo formado entre os mancais. Regulagem das grades de discos Em condições normais. é necessário que sejam feitas diferentes regulagens das grades de discos. para as grades de 26 e 30 discos. Para as diferentes condições de trabalho.manobras e a operação de gradagem. a profundidade de corte. ou sob a copa de árvores. através da modificação do ângulo das suas seções. exceto em condições especiais (muita cobertura vegetal para ser incorporada. Os autores não citam a folga entre os corpos dianteiros.

Em áreas declivosas. A gradagem pode ser: . Composta por elementos ativos. A grade de dentes com molas. SILVEIRA (1989) e SOUZA et all (2003) afirmam que esse tipo de grade é muito utilizado mais como cultivadoras. no combate à ervas daninhas e na escarificação do solo. semelhante à aração. . ou o sistema de gradear as áreas a serem trabalhadas varia conforme o relevo. podendo ser utilizada os diferentes tipos de grade de discos. para evitar a erosão. é feita transversalmente à declividade. .Sistemas de gradagem A maneira. por exemplo). ou transversal à declividade.Cruzada: Utilizada em locais de topografia plana. Adequam-se muito bem a solos duros. passa-se a grade em um sentido. 1974). também conhecida por grade de dentes flexíveis. desde a década de 60 do século passado e também difundido aqui (embora sendo muito menos popular que a grade de discos) é a grade de dentes. sendo de fora para dentro da área. Nesse tipo de gradagem. levantando-o e aflorando-o até uma profundidade de 10 cm (ALDRICH e LENG. com relevo menor que 3 %. lâminas de aço com 1/4”a 3/8 ”de espessura e 1 ¾” de largura. bem como do implemento de que se dispõe. No entanto. Grade de dentes com molas ou grade de molas Um implemento muito utilizado no noroeste do E.A. ou vice-versa. ser feita em nível. adequamse mais as grades tipo off-set. 103 . penetra na superfície do solo.. quando se trabalha com esse implemento em áreas recém aradas ou com muitos restos vegetais pelo solo (palhada. os rendimentos são reduzidos. podendo inclusive. podendo ser acoplada a ela um rolo destorroador. Quebra os torrões e nivela o solo.Contínua: A gradagem é feita em sentido anti-horário. pedregosos. Nesse tipo de gradagem.U. depois no sentido transversal ao primeiro. Apresentam excelente rendimento no trabalho.Em nível.

Grade de dentes fixos (Extraído de ALDRICH e LENG. não é eficiente nos agregados ou torrões mais firmes. Imagem 7 . Sua maior ou menor penetração varia conforme o ângulo dos dentes (que são fixados ao chassi. Grade de dentes rígidos ou fixos É utilizada principalmente para aplainar ou nivelar a sementeira ou a área de plantio. Apesar de ser usada para destorroamento. 1974). O rolo destorroador: 104 . 2003).Figura 12 . sendo uma penetração maior para ângulos menores que 90°. Muito eficaz para destruir as ervas daninhas pequenas antes da semeadura. permitindo apenas a formação de um ângulo vertical entre o solo e os dentes).Grade de dentes flexíveis (Extraído SOUZA et al.

pois se realizada em excesso. A operação com o rolo torna-se necessária em terrenos que ficaram com o solo muito desagregado. torna-se relevante para que se evite a formação de camadas compactadas no perfil.O rolo destorroador. O uso alternado dos implementos. especialmente quando se trabalha em uma área executando-se o preparo do solo com maior freqüência. embora necessário este implemento não é muito utilizado. auxilie no combate ou prevenção da erosão 23. para que. compactando levemente os 5 a 10 cm superficiais. 105 . tendo caído praticamente em desuso. é utilizado para destruir torrões na área destinada ao plantio ou à semeadura. Pulveriza os torrões. como seu próprio nome diz. como discutiremos no capítulo de manejo de solo. Implementos construídos 23 No sistema que visa o preparo mínimo. Imagem 8 – Grade de molas acoplada no mesmo chassi do Rolo destorroador. com o rolo acoplado à uma grade ou à semeadora.  Escarificadores no preparo do solo. Fonte: ALDRICH e LENG (1974). o que permite que as radicelas entrem em contato maior com as partículas do solo. através da redução de espaços vazios. dessa forma. ajudando também no desenvolvimento de plantas novas. essa operação pode ser simultânea. essa operação pode vir a compactar demasiadamente o solo.

De uma forma mais acertada. ao eixo da enxada rotativa. preparo primário ou preparo secundário do solo. se surtiu efeitos positivos ou negativos na sua produção. Esses implementos são constituídos basicamente de um eixo rotativo acionado pela TDP ao qual estão montadas diversas enxadas (ou lâminas). para aí sim. demonstrou-se que foi aumentada inclusive. para a descompactação dessas camadas. que consistem basicamente de implementos robustos com hastes que adentram no interior do solo. em relação à profundidade. o uso ou não desse sistema diferenciado deverá ser feito após o técnico ou o produtor testar em sua realidade. Nos cerrados. segundo HERNANI e SALTON (1998). Enxada rotativa As enxadas rotativas são implementos usados no preparo periódico. Uma caixa de transmissão seletora de velocidades. transmite a rotação recebida da TDP. como exigirem menor potência do trator quando se compara uma aração e uma subsolagem. reduzindo o chamado pé-de-arado e o pé-de-grade. se é aplicável ou não. tendo ocorrido provavelmente uma lixiviação maior dos minerais no perfil do solo. e depois de uma corrente. decorrentes da compactação do solo. com algumas vantagens. formada por engrenagens. como dissemos anteriormente. seguido das grades não tem surtido um bom efeito. Contudo. Em algumas pesquisas. na cultura do algodão. Os arados podem ser usados. para a formação de canteiros (rotocanteirador). a produtividade da cultura do algodão de uma forma significativa. quebrando as camadas endurecidas. os arados adentram menos profundamente no solo. Todavia em determinadas áreas. 106 . já se utiliza escarificação + gradagens niveladoras (ao contrário do preparo pelo sistema de grades ou do convencional – arado + grade).especialmente para essa finalidade são os subsoladores e os escarificadores. passar (ou não) a fazer uso dessa prática mais contemporânea. o emprego do escarificador. através do pinhão e de uma coroa. no preparo primário do solo. eliminação de ervas daninhas em culturas perenes (muito difundida em propriedades citricultoras) e na horticultura. inicialmente em pequenas áreas na sua propriedade.

 A semeadura Dentre as operações agrícolas. centralizadas em relação ao trator. De acordo com a modificação do posicionamento de duas engrenagens principais. as semeadoras de discos representam cerca de 80 % do mercado brasileiro desses implementos. sem mudar a rotação da TDP (540 ou 1000 rpm) do trator. senão a operação que mais requer. Tais implementos consistem basicamente de um depósito de sementes ao fundo do qual. através de engrenagens. 107 .Imagem 9 – Enxada rotativa. 153. grão a grão. Imagem 10 . de tamanhos diferentes. a semeadura é uma das que mais requerem. pode-se variar a rotação do rotor da enxada rotativa. descentralizadas em relação ao trator. ou alguns poucos grãos. em faixas laterais. as enxadas rotativas podem trabalhar nas entrelinhas. Fonte: Baldan.Semeadora de grãos para plantio direto. na caixa seletora de velocidades. há o movimento da massa de sementes. 172 e 216 rpm. ou embaixo da copa das árvores. sendo que de uma forma restrita. De acordo com HENTSCHKE et all (2002). uma perfeita adequação e ajuste dos implementos usados. a qual tende a sair pelo fundo desse recipiente. Assim como algumas grades de discos (grades off-set). Os dois pares de engrenagens asseguram velocidades de 122. as sementes caem pelas calhas que as conduzem ao sulco no solo.

As semeadoras mais comuns (convencionais) no mercado brasileiro são as de disco horizontal. 24 Comumente vemos a denominação incorreta das semeadoras. Giberella. para semeadoras convencionais não acontece. através de um bom preparo do solo e principalmente. Além disso. a uniformidade das sementes é fator primordial para uma boa semeadura. com facilidade de manobra nas cabeceiras). Quanto ao tipo de semeadura. Para praticamente todas as semeadoras que utilizam o tamanho dos grãos. Plantadoras são apenas os implementos que plantam. existem outros tipos de semeadoras. por exemplo). o sistema de manejo de solos adotados é também decisivo. evitando-se a quebra excessiva de grãos. como elemento decisivo para a semeadura (passagem dos grãos nos orifícios dos discos. aos técnicos e no próprio meio rural. desde catálogos comerciais. 108 .A escolha da semeadora mais adequada à cultura deve visar também a economia. Tais equipamentos24 precisam ser bastante versáteis. etc. a utilização de sementes de alto poder germinativo. O contrário contudo. além de um trabalho preciso da máquina. Tais máquinas devem corretamente ser chamadas de semeadoras. a menos que o produtor adapte peças para cortar a palhada e fechar o sulco de semeio. de acordo com COMPANY (1984). O uso da expressão plantadeira/plantadora é incorreto para designar as máquinas que lançam sementes ao solo na operação de semeio ou semeadura.). os quais uma vez no solo estarão sujeitos ao ataque de microorganismos patogênicos (Pseudomonas. ou seja. bem como boas condições para a germinação (Essas boas condições devem ser entendidas como uma boa sementeira. sejam tais discos horizontais ou verticais). põem no solo partes vegetativas das plantas (cana-de-açúcar. permitindo diferentes espaçamentos entre fileiras e plantas. com princípios semelhantes. umidade adequada). Infelizmente esse erro é difundido em todos os níveis. pois semeadoras utilizadas em plantio direto também podem ser usadas em solos gradeados. as semeadoras que semeiam grão a grão são implementos que necessitam. a cultura a ser implantada e as condições topográficas da área (semeadoras com muitas linhas são mais eficientes em áreas planas ou quase planas. no entanto.

(Extraído de COMPANY. o depósito (3). 1984). Outro tipo de semeadora de precisão são as semeadoras mecânicas. as semeadoras recomendáveis são as pneumáticas.Semeadora de disco vertical na qual destaca-se a barra do trator (1). as quais semeiam grão-a-grão no sulco (figura 38). Para o trabalho de semeadura as semeadoras convencionais não se adaptam bem às altas velocidades de semeio. a roda distribuidora (5). deposita as sementes de uma forma muito uniforme no sulco. o tubo semeador (8). a roda defletora (6). quando se deseja trabalhar com velocidades altas. a qual através do fluxo contínuo de ar. 109 . feito pelo sulcador (11) a uma profundidade (12) prédeterminada e coberto pela relha (13) sendo por fim compactado pela roda compactadora (14). a caixa seletora (4). tais equipamentos trabalham com a força de sucção de uma turbina. Para estes casos. a alavanca de saída (9). (grão por ciclo). o sulco de semeio (10) no solo (2). alvéolos (7).Figura 13 .

A partir da população final que se deseja. já que o milho é uma cultura de população relativamente baixa. com uma faixa de trabalho de 4. considerando a largura da faixa semeada a cada passada. os grãos caem. 1984). Cit) e COPETTI (2003). como soja. chega-se à quantidade de sementes/m. ALDRICH e LENG (1974). Para se fazer o cálculo do número de sementes.Semeadora de precisão mecânica. Ns = Número de linhas da semeadora Tomemos por exemplo uma semeadora de 6 linhas. quando comparado às outras culturas. o que permite que as mesmas caiam na canaleta (12) somente uma por vez. Nesse tipo de semeadora. procede-se da seguinte forma: Cálculo de número de sementes / metro linear: I) NL / h = 100 Fs/ Ns Onde: NL = Número de Linhas / ha Fs = Largura da Faixa semeada (de uma linha à outra). tais autores afirmam que. devido à redução do número de plantas. afirmam que a boa regulagem da semeadora é importante para a formação de um stand perfeito. havendo uma restrição à massa de sementes. A regulagem da semeadora deve ser de forma que os grãos caiam uniformemente nas linhas. Aplicando-se a fórmula teremos: NL / ha = 100 / 0. No caso do milho.7  NL = 143 linhas 110 . um milharal com baixo stand dificilmente irá se recuperar. De um modo geral. (Extraído de COMPANY. quando comparada às essas outras. A operação de plantio: Regulagem da semeadora: HENTSCHKE et all (2002) afirmam que é extremamente importante um bom plantio para se alcançar a população de plantas desejada da cultura (Stand) a implantar. O mesmo é dito por HENTSCHKE et all (op. através da rotação de uma engrenagem (11) que movimenta a massa de sementes a qual finda por exercer uma pressão suave em um defletor (6) no fundo do depósito (9).Figura 14 . trigo ou arroz.2m e a cultura a ser semeada seja o milho.

mas que está algo em torno de 55 000 plantas / ha. Cit) recomendam que seja feita a regulagem individual de cada uma. Um aspecto relevante é a escolha do disco correto. pois a regulagem de uma não pode ser extrapolada para as outras. HENTSCHKE et all (2002). Cit) recomendam que toda regulagem seja feita de acordo com os diferentes tipos de condições de cada gleba que seja representativa. verificação do estado dos condutores de sementes. Cit) recomendam os seguintes passos na escolha do disco correto: . a população ideal de plantas de milho varia conforme o híbrido empregado e as condições regionais. além do equilíbrio da semeadora (nivelamento). com a contagem dos grãos sobre uma lona. No tocante à regulagem de diversas semeadoras. regular a semeadora para distribuição das sementes na quantidade desejada.De acordo com ALDRICH e LENG (1974).m-1 = (PoP/ NL) 100 No nosso exemplo. Assim teremos aproximadamente 4 sementes por metro de fileira. Ambos recomendam ainda.8 100 Esse é um cálculo extremamente teórico. respectivamente). onde vai se desenterrando as sementes no sulco.É escolhido um anel com friso ou liso (se for semente redonda ou chata.Escolhem-se duas sementes menores e verifica-se se as duas cabem no mesmo furo (checagem de possíveis duplas). 111 . HENTSCHKE et all (op. determinar o espaçamento desejado e. Outros aspectos que tais autores consideram na regulagem das semeadoras referem-se à escolha das engrenagens mais adequadas ao número de sementes distribuídas por metro linear. no campo25. . para contagem. que a regulagem da semeadora seja feita de forma criteriosa. ficando assim a segunda fórmula: NG. a partir da distância entre plantas. 25 ALDRICH e LENG (1974) recomendam a regulagem das semeadoras no galpão ou pátio. HENTSCHKE et all (op. Dividimos essa população total pelo número de fileiras e a esse resultado dividimos por 100. Já HENTSCHKE et all (op. NG. que é uma constante. mesmo ano e modelo. mesmo havendo na propriedade semeadoras de mesma marca. no galpão ou sobre uma lona. a escolha dos discos de corte. m-1= (55 000 / 143 ) = 3. tomamos como população (PoP) 55 000 plantas.Escolhem –se as sementes maiores e observa-se se passam com alguma folga nos furos. . De uma forma mais funcional poderíamos também.

Essa classificação baseia-se no fato de que tais plantas concorrem por água. adubações foliares. a garantia da uniformidade da semeadura é um outro aspecto que deve ser considerado. a regulagem dos discos das semeadoras de disco para o tamanho dos grãos a serem plantados é importante e pudemos perceber que um dos métodos de regulagem das semeadoras é através de um tamanho médio das sementes (mínimo e máximo). os tratos culturais correspondem às adubações de cobertura. as plantas que nascem espontaneamente nas áreas de cultivo agrícola. mas especificamente. Porém. em casos específicos de relevo acentuado. De acordo com RIBAS (2003). a insetos-praga e patógenos. algumas empresas vendedoras de sementes oferecem catálogos que indicam qual disco usar. são denominadas de ervas daninhas. no caso do sorgo segundo esse autor. Já por considerar as reduções de custos e evitar desperdícios. Fazendo-se apenas a “limpa” das linhas. Essa uniformidade deve ser observada em vários sentidos: a) No tamanho da semente: Como vimos. De uma forma geral. adequada ao semeio com o equipamento que se dispõe. evitando injúrias às sementes e uma uniformidade de deposição das sementes no sulco. b) No poder germinativo: Sementes com um bom poder germinativo garantem menores custos de plantio. é de 75%. em algumas culturas. 112 . com riscos de erosão. na questão da semeadura mecanizada. principalmente porque é também a partir da escolha da semente mais adequada não só nos aspectos agronômicos de produção. de acordo com a cultivar escolhida.As capinas As manutenções da cultura implantada são de grande importância para o sucesso de todo e qualquer empreendimento agrícola. por ser necessário uma quantidade menor de sementes por área. além de servirem de hospedeiras. controle fitossanitário e capinas.  Tratos culturais . tabaci ) em áreas agrícolas cercadas por faixas onde tais plantas ocorrem.De uma forma ainda mais prática. A uniformidade das sementes é um fator crucial. é preferível que as sementes tenham um padrão mínimo de percentagem de germinação (padrão federal) que. luz e nutrientes com as culturas. muitos agricultores preferem deixar o mato nas ruas. Geralmente. para servir como proteção contra a erosão. como é o caso das malváceas nativas ao hospedarem a mosca branca (B. segundo alguns autores. É importante que tais sementes não sejam díspares em relação ao seu tamanho.

ou em caso de áreas fruticultoras. ou em áreas específicas onde não compensa a compra de implementos novos. para que não se forme o pé-de-grade. CHRISTOFFOLETI et all (2002). contudo. as roçocarpas. As grades de discos picam e incorporam o material ao solo. Um método de capina mais eficiente e acessível aos pequenos produtores rurais é a utilização da tração animal. Devido aos custos com mão – de – obra. como o uso de cultivadores puxados por bovinos. Porém assim como os demais 113 . naturalmente. métodos culturais e rotação de culturas. ou em pequenas propriedades. para os serviços de capina. seu uso contínuo ao longo dos anos. os cultivadores e a enxada rotativa. favorece o surgimento de ervas rasteiras. Que podem ser classificadas em manual. triturando o material e deixando o solo protegido por ele. É utilizada a mão-de-obra disponível. a capina mecanizada é freqüentemente utilizada. por sua vez. faz-se o coroamento das plantas. Os implementos mais utilizados são a roçadeira. de exploração familiar. sendo utilizadas somente nos casos em que a declividade não permite o uso da mecanização. O emprego de defensivos naturais e os bons resultados conseguidos têm refletido o potencial de produção nesse sistema de exploração agrícola. é feita através das capinas. Seu uso contínuo deve ser evitado. alfanje ou foice manual. a eliminação do mato. mecânica e capinas químicas. que correspondem às capinas mecanizadas. No entanto. Já a enxada rotativa. principalmente no sistema de plantio direto. Atualmente a agricultura orgânica tem-se mostrado mais expressiva. seja utilizando enxada. classificam os métodos de controle de plantas daninhas em métodos mecânicos. Capina manual As capinas manuais apresentam um baixo rendimento produtivo. o combate às ervas daninhas no sistema orgânico. No entanto. é muito utilizada na manutenção de pastagens de gramíneas). a grade. A roçadeira presta-se muito bem à capina. quando necessário. eqüinos e asininos. como gramíneas (a roçadeira inclusive. pois ele é triturado e incorporado. YAMADA (2002) aconselha o manejo de plantas invasoras como um forma de conservação e de melhoria do solo. Capina mecanizada A capina mecanizada apresenta um rendimento bem maior que a capina manual ou a feita por implementos de tração animal. é muito eficiente na incorporação de material vegetal ao solo. químicas. não utiliza o combate químico à tais plantas.

Capina química A capina química é realizada através do emprego de produtos químicos. para evitar que ele carregue propágulos de uma área à outra. pois ao longo dos anos os efeitos nocivos deste uso contínuo serão potencializados. vê-se que a região de maior consumo desses produtos em 2000 foi a região sul. como o 2-4 D e outros produtos sintéticos. como o pessoal que fará a aplicação deverá receber treinamento especial referente à aplicação correta e às normas de segurança no uso desses produtos químicos. pois há uma pulverização muito freqüente do solo. Bastante utilizados no sistema de plantio direto. segundo o mesmo autor.PPI) e pós o plantio (Pós plantio – PP).PP). o que auxilia no controle da erosão. tanto por parte da recomendação do produto. O consumo de herbicidas por região no Brasil está descrito na tabela 5. os herbicidas são usados justamente por não necessitar propriamente de revolvimento do solo para o combate às ervas. de acordo com o produto empregado. como hormônios vegetais. o consumo de herbicidas no Brasil foi de cerca de 147 000 toneladas em 2000. O alto rendimento operacional e eficiência de controle de plantas daninhas em qualquer dos seus estágios de vida.). o emprego de herbicidas é mais acentuado nas zonas canavieiras. De acordo com SPADOTTO (2002). Faz-se a aplicação de tais produtos em três situações diferentes: antes do plantio (pré plantio . os chamados herbicidas. 114 .implementos. Um outro cuidado para as capinas mecânicas é de que em áreas infestadas por determinadas ervas daninhas. bem como a formação de cobertura morta no solo. seguida da região Centro-Oeste e Sudeste. (pré-plantio incorporado . nesta última região. as regiões de menor consumo desses produtos são a Norte e o Nordeste. não se deve insistir no uso de um mesmo implemento nas capinas mecânicas em uma mesma área. o uso excessivo deste deve ser evitado. o que facilita o processo erosivo. Uma boa alternativa seria sem dúvida que se alternassem os implementos. Ainda de acordo com SPADOTTO (2002). figuram como pontos positivos do método de controle químico ou capinas químicas. com ciperáceas como a tiririca ( Cyperus rotundus). orientação que deve ser dada exclusivamente por um agrônomo. após a capina.a. O uso desses produtos exige mão-de-obra especializada. o implemento não vá para outra área sem antes sofrer uma limpeza severa. o que corresponde a cerca de 81 000 toneladas de ingrediente ativo (i. De um modo geral.

compreendem a implantação de culturas mais competitivas. mesmo modo de ação. O uso de produtos com mecanismos de ação distintos também são apontados por KISSMAN ( op. foi o uso de herbicidas com modo de ação diferente. acabaram surgindo biótipos resistentes. consideração dos efeitos alelopáticos positivos. Região Sul Centro – Oeste Sudeste Nordeste Norte Fonte: SPADOTTO (2002) Consumo (%) no ano de 2000 38. ao surgimento de resistência de algumas plantas daninhas aos herbicidas. Pudemos observar a campo. Tínhamos em tais conversas. com o passar dos anos. soluções para a resistência aos herbicidas através da manipulação genética das plantas cultivadas. mas que. Contudo.9 29.Tabela 5 . A solução apontada. segundo tais autores. KISSMAN (2002) cita herbicidas que inicialmente obtiveram resultados excelentes no combate à ervas como o amendoim – bravo na cultura da soja. definidos como culturais por CHRISTOFFOLETI et all (2002).3 2.9 22. segundo esse autor. seja através de dosagens inadequadas.8 6. pode levar em alguns casos. Esses aspectos. Cit) aponta ainda. alertando os agricultores para os riscos à saúde de quem manipulava aqueles produtos tão concentrados e também nos aspectos de indução de resistência de plantas daninhas aos herbicidas. utilização de sementes certificadas. os métodos de controle de ervas daninhas. o que nos levou à constantes conversas com os agricultores que usavam tais produtos dessa forma. ou mesmo princípio ativo porém. o uso altamente indevido de herbicidas. próximo à afluentes de alguns rios e em dosagens extremamente elevadas. Cit) como uma alternativa ao controle do surgimento de ervas resistentes aos 115 . além de serem uma forma de combate às ervas daninhas evitam o surgimento de plantas resistentes aos herbicidas (biótipos resistentes). pela biotecnologia (leia-se transgenia !). entre outras. ausência ou diminuição das épocas de pousio.Percentual do consumo de herbicidas no ano de 2000 nas regiões Brasileiras.0 O uso indiscriminado destes produtos. KISSMAN (op. o cuidado de indicarmos realmente as dosagens mais adequadas.

deve-se buscar o máximo de eficiência em cada aplicação. até a sua aplicação no campo). do ponto de vista de aplicabilidade. pois além do emprego correto do produto (desde sua escolha pelo técnico. seguido da vazão máxima em galões (1 galão corresponde a aproximadamente 3. tipo de cultura etc. como também o modo de ação do defensivo e adequar o equipamento de forma a que se evitem perdas e contaminações tanto para o pessoal envolvido na aplicação. É recomendável que todos os bicos sejam de um mesmo padrão ou angulação. é necessário que se conheça não somente as dosagens corretas dos defensivos agrícolas. na agricultura convencional. De uma forma geral. ou funcionabilidade. Assim. com aproximadamente 40 a 42 bicos na barra. como ao meio ambiente. tipo de herbicida. para a pulverização aérea. 801526 ou 8020. 116 . a b Figura 15 – Tipos distintos de jatos utilizados para a aplicação de herbicidas. Essas medidas são mais significativas. pois são simples e que estão ao alcance dos produtores rurais. respectivamente. de modo que os resultados econômicos sejam compensadores. pois a barra muito alta resulta em um cruzamento do leque de 26 A numeração indica. utilizado para aplicações dirigidas e o bico de jato cônico (b).6 litros). Aplicação de herbicidas A aplicação de herbicidas é uma operação delicada. ou vice-versa. o modo correto de aplicação e os cuidados com o equipamento de aplicação. O tipo de jato varia conforme o bico empregado. geralmente usado em pré-plantio. aplicação de defensivos na cultura. recomendam-se os bicos 8010. quando se utilizam vários bicos em uma barra de pulverização deve-se levar em conta o que se deseja fazer com tais bicos (aplicação de herbicidas.). Pode-se observar na figura o bico de jato em leque (a). Nas aplicações terrestres. A altura da barra influencia também na escolha do bico. o ângulo de abertura do leque do bico.herbicidas. que deverá ser posicionada numa angulação de 135º a 180º. pelo uso de produtos que apresentam diversos níveis de toxidez e oferecem um risco ambiental em maior ou menor grau.

Já para a aplicação aérea. para que se evitem os impactos ambientais. água.Pulverizador tratorizado (esquerda) e pulverizador autopropelido (EXTRAÍDO DE CULTIVAR MÁQUINAS. Os danos ambientais referem-se à contaminação do solo. barras muito baixas também diminuem a eficiência de aplicação. A colheita 27 As condições de vento forte são contra-indicadas para a aplicação de defensivos. bem como as condições de calmaria completa. Vento27: Velocidade máxima de 10 km/h para herbicidas. a altura de vôo deverá ser de 4 a 5 m em relação ao topo da cultura ou o topo do solo (culturas anuais). testando o equipamento apenas com água). Velocidade máxima de 15km/h para UBV. Ainda para equipamentos terrestres. para aviões IPANEMA. pois os jatos ou leques de aplicação podem nem chegar a se cruzarem. planta. devido à colocação de bicos de ângulos diferentes. Bicos entupidos também devem ser desobstruídos (faça isso antes da colocação do defensivo. 2004). Umidade relativa: mínima de 55 %. Condições climáticas ideais para a aplicação de defensivos: Os parâmetros próximos aos “ideais” para a aplicação de defensivos são: Temperatura máxima: 27°C. Deve-se evitar a cobertura pobre. Imagem 11 . 117 . a altura da barra deverá ser de 50 cm em relação ao topo da cultura (Culturas anuais). bem como contribuí nas perdas do defensivo pela ação do vento. Um aspecto que deve ser considerado é o descarte correto das embalagens dos agrotóxicos. atmosfera através da ação tóxica e poluidora de produtos químicos empregados na agricultura ou pecuária.pulverização alto. ou bicos desalinhados em relação aos demais.

já se apresenta um maior grau de mecanização dessa atividade. apresentam alguma dificuldade em se fazer a colheita mecanizada. com baixo nível tecnológico de condução da cultura (ZIMMERMANN in: SOUZA NETO 2002). para esse país. a disponibilidade de mão . as segadoras são utilizadas. que ao contrário do milho e da soja. a remuneração pela cultura apresentar níveis de rentabilidade ou margem de lucro muito estreita.obra para essa operação. afirma que. Para muitas explorações agrícolas. é muito grande. mais especificamente na Ásia. seu porte e hábito de crescimento. vem se mantendo o uso intensivo de mão – de . a soja é a primeira cultura a se pensar. Contudo. que tornam a cultura não recomendável para esse tipo de colheita. como a arquitetura da planta. sua região de origem. Acreditamos porém. que um fator que faz com que a colheita mecanizada não seja marcante na cultura do feijão deve-se aos fatores econômicos e sociais. em especial a fruticultura. que recolhe as plantas previamente cortadas e enleiradas nas fileiras (descrita em: GERALDO DA SILVA et all.e há as que cortam transportam e enfeixam as plantas – as segadoras – amontoadoras. Para a pequena propriedade agrícola. a deiscência das vagens. apesar de ser colhida manualmente há séculos no oriente. por exemplo. no entanto. entre outros fatores. cortando as plantas e deixando-as sobre o solo à espera de serem levadas para a máquina de trilha. pois boa parte da produção de feijão no Brasil deve-se aos pequenos e médios produtores rurais.A operação de colheita é ainda a mais crítica para as mais diversas culturas e a mecanização dessa atividade é ainda restrita. como por exemplo o feijão. há alguns anos já tem sido empregadas máquinas especialmente construídas para a colheita do feijão. como a recolhedora – trilhadora. desde as primeiras décadas do século passado. ou Kits de instalação para adaptação nas colheitadeiras combinadas. etapas da colheita podem ser mecanizadas e fazer uso da mão –de – obra para outras etapas. MESQUITA (1993). do ponto de vista social. A 118 . em algumas áreas do sudeste e em algumas outras regiões do país. Essencialmente. contudo. 2000). tem uma tradição de não ser usada a colheita mecanizada. Assim.de – obra em países orientais produtores de soja como a China. Algumas culturas temporárias. Além disso. Tal autor justifica essa afirmação em fatores como a alta população de plantas. no Brasil praticamente não ocorre a colheita manual. quando se fala em colheita mecanizada. A colheita manual serve como absorvedora do excedente de mão – de – obra. ou a colheita por máquinas encontrar nesta cultura uma dificuldade. Para os grãos. para a colheita do feijão. Outras cortam e enleiram as plantas – segadoras enleiradoras . A colheita mecanizada da soja sofreu um forte impulso após o emprego das colheitadeiras combinadas. o que é extremamente positivo e estratégico.

para evitar a transmissão de impactos e também evitar as perdas na colheita.seguir se vê o corte (MESQUITA. representativo de uma colheitadeira combinada Figura 16 – Corte esquemático de uma combinada. destacando os seus componentes ativos (Extraído de MESQUITA. Esteira alimentadora: Mecanismo formado por transmissões de correntes paralelas. cit): a) Mecanismos de corte e alimentação: que compõem uma Barra de corte: corta as hastes das plantas. Molinete: faz o tombamento sobre a plataforma das plantas cortadas pela barra de corte. b) Mecanismos de trilha: 119 . 1993). conforme exposto em SILVEIRA (op. as quais realizam o transporte do material cortado pela plataforma de corte para o mecanismo de trilha. Caracol: Cilindro oco. Formada por diversos componentes que devem trabalhar bem ajustados. vamos listar os mecanismos combinada. Constituído também por muitas peças móveis (Dedos retráteis). localizado na plataforma. Resumidamente. unidas por travessas de metal. fazendo com que o material depositado na plataforma seja levado até a esteira alimentadora. 1993).

Separa o material recebido do sacapalhas por diferença de densidade. onde serão novamente trabalhados. faz o peneiramento mais grosseiro do material. permitindo uma filtragem das sementes. a peneira superior. 120 .Cilindro de trilha: formado basicamente por barras estriadas. Sacapalhas: tem a função de eliminar a palha graúda. dispostas de forma cilíndrica. que possuí um movimento de vai-e-vem. Bandejão: Superfície em forma de crista. a peneira inferior. têm a função de peneirar o material. Ventilador: tem a função de gerar uma corrente de ar para que todas as partículas mais leves que as sementes sejam expulsas. fazendo a debulha. c) Mecanismos de separação: Cortinas: Tem a função de evitar perdas de sementes durante o processo de separação. d) Mecanismos de limpeza: Peneiras: Como o próprio nome diz. aproveitando – se da diferença de peso entre as sementes e a palhada. Tem a função de bater o material através da rotação (cerca de 300 rpm). atirando-o devidamente separado sobre a peneira superior. Os pedaços de vagens e material não peneirado são conduzidos para os mecanismos de trilha. a primeira. Pode ser ajustado. Côncavo: uma espécie de calha que tende a envolver o cilindro de trilha. A segunda peneira. permite apenas a passagem dos grãos. permitindo a passagem de grãos e pedaços de vagens. eliminando as palhas e depositando as sementes no bandejão. vagens e pedaços de vagens. sendo o material não filtrado dirigido ao sacapalhas. Existem duas peneiras na combinada. Geralmente constituído de material flexível. sendo compostos de 4 calhas que fazem um peneiramento do material.

0 saca de soja/ha. a perda média era em torno de 1.e) Mecanismos de elevação. alarmantes. a considerável cota de 8. Nos capítulos seguintes trataremos de aspectos mais amplos. Tanque Graneleiro: Armazena os grãos limpos. na safra 2003-04. o Rio Grande do Sul plantou 3. 121 . Dados de consultores indicam um acréscimo nas perdas na últimas safras. da produção. embora intrínsecos à mecanização que é a questão da segurança na operação do maquinário agrícola e por fim. Emater-RS e SENAR-RS). Tubo de descarga: Possuí em seu interior um eixo helicóide. devido à falta de manutenção e regulagens adequadas das colhedoras para as condições impostas pela cultura. Alguns aspectos referentes a tal volume de perdas diz respeito a alguns fatores agronômicos. Elevador de retrilha: transporta para o mecanismo de trilha as vagens e pedaços de vagens contendo sementes que foram filtrados pelo côncavo. Os dados mostram que na safra 2003-04. Esses dados são portanto. mas não pelas peneiras.2%. como fatores climatológicos. demonstrando a diferença entre perda aceitável e evitável de 1.84 milhões de hectares de soja e teve uma perda média em torno de 2. acoplável ao eixo do tanque graneleiro para a descarga dos grãos. Vimos nos capítulos anteriores toda uma seqüência lógica de exposição dos assuntos que julgamos pertinentes à operacionalização da mecanização que é o conhecimento do trator e seu funcionamento bem como os implementos.6 sacas/ha de soja e. como um fuso.07 milhões de sacas de soja. aumentou para 2. armazenagem e descarga. Um aspecto preocupante.75 a 1.3 sacas/ha no Brasil (Dados da Embrapa. pois considera-se uma perda aceitável entre 0.5 saca/ha. “retida” nas lavouras gaúchas.1 sacas/ha. equivalente a 4. na questão da colheita mecanizada são as perdas provenientes deste processo. a questão do manejo de solo para o modelo convencional de plantio e as medidas conservacionistas. apresentados também numa seqüência lógica do preparo primário da área até a última etapa que é a colheita. no mínimo. Elevador do tanque graneleiro: Transporta para o tanque graneleiro as sementes filtradas pelos mecanismos de separação. Na década de 90. Possuí no fundo do seu depósito um eixo helicóide para descarga. mas no grosso modo. possíveis de ser incorporadas nos dois sistemas (Convencional e SPD).

poderão ocorrer danos no implemento. depois do trabalho.      122 . Evite usar implementos com peças quebradas. Durante o acoplamento. Verifique sempre se os pinos de engate do implemento ao trator estão bem travados e engatados. Consulte o manual do fabricante antes de efetuar qualquer regulagem. os quais enfocam as seguintes medidas (agentes de riscos físicos). faz-se necessário que os cuidados e medidas com segurança no trabalho com os implementos agrícolas e o trator recebam a devida atenção. consulte um mecânico especializado. podem ocorrer acidentes com danos tanto pessoais como materiais. evite ficar entre o implemento e o trator.). para que o trabalho seja executado com segurança. bem como em alguns outros materiais pertinentes. Faça as regulagens com o implemento no chão e não quando estiver erguido pelo sistema de levante. uma demora maior na execução do serviço e até mesmo. riscos ao operador. Medidas gerais de segurança Algumas medidas de segurança podem ser classificadas de acordo com o seu período de realização. transcrevemos alguns dos cuidados relativos ao trabalho com máquinas e implementos agrícolas. 4.CAPÍTULO 4 Prevenção de acidentes no uso dos implementos agrícolas e do trator Dentro do contexto de uma racionalização da mecanização agrícola. efetuando caso seja necessário. pois outras partes do mesmo podem ser atingidas.1. pois operando em condições defeituosas. como em medidas preventivas antes do trabalho. e a qualquer tempo FUNDACENTRO (sd. durante o trabalho. Caso não disponha do manual.  Observe se o implemento está em boas condições de trabalho. devem .se observar algumas recomendações. os devidos reparos. caso eles se desengatem durante a execução do serviço. Baseado em um folder da FUNDACENTRO (Folder – série técnica nº 15). Assim.

algum defeito em seu funcionamento. faça curvas abertas e não. a fim de evitar acidentes provocados por materiais atirados pela mesma. Durante o roço de uma área com roçadora. o mesmo destina-se a execução de tarefas agrícolas. Nunca retire ou inutilize a proteção do eixo do cardã. Evite improvisações na acoplagem dos implementos agrícolas que venham porventura ocasionar insegurança na execução do trabalho. Caso o implemento apresente. Procure não usar roupas frouxas ou acessórios que possam enroscar -se nas partes moveis dos implementos.          123 . Verifique. antes do trabalho se o protetor está bem fixado. por exemplo) estão posicionados devidamente. causando um acidente. muito fechadas. e não transporte de pessoas. Não use enxadas rotativas ou roçadoras quando estiverem com defeito ou desreguladas. Durante as manobras. durante o trabalho. Isso pode levar a acidentes graves com danos ao equipamento e. ao trabalhador. evidentemente. deve-se manter pessoas. principalmente. pelo menos 40 metros. Em algumas situações a roda traseira pode enroscar-se no implemento. Só opere as enxadas rotativas ou roçadoras quando estiverem com seus devidos equipamentos de proteção. principalmente nas cabeceiras. Uma regulagem bem feita permite a execução de um trabalho perfeito com o implemento e. Antes de acionar implementos que utilizem a tomada de força. pare a tarefa em execução e o conserte – o antes de recomeçar. Nunca permita que pessoas subam no implemento para servir de contrapeso ou até mesmo sejam simplesmente transportadas sobre o ele. animais e outras máquinas afastadas do conjunto trator x roçadora. verifique se todos os dispositivos de segurança das partes móveis (a camisa protetora do eixo cardã.

somam-se ainda os cuidados no uso do equipamento de proteção individual (EPI’s) adequados a cada atividade e produto. conserte-os Andes de usá-lo novamente. de forma que eles não se movimentem.1. sejam eles de tração mecânica ou animal. sem supervisão. 124 .1.   Para as atividades que possam envolver os agentes de riscos químicos. Para saber detalhes específicos de cada trator. as vibrações exageradas produzidas pelo implemento. ainda pode causar danos na coluna do trabalhador.     Depois do trabalho terminado. interferem negativamente no funcionamento do sistema. Além disso. limpe e lubrifique o implemento. segura. além de danificá-lo mais. amarre-os e calce-os. consulte o manual de instruções do fabricante. Prenda corretamente as mangueiras utilizadas para acionar o sistema hidráulico dos implementos. Caso alguma parte do implemento fique para fora da carroceria do veículo. Nunca permita que pessoas não capacitadas ou inexperientes. Nunca introduza as mãos nos depósitos das semeadoras . ou o trator em carretas ou caminhões. Caso existam. para que a tarefa seja realizada de uma forma eficaz e. Faça uma revisão para verificar se existem defeitos no implemento. 4.adubadoras. pois a execução de tarefas que o utilizem. Ao transportar os implementos. Essas mangueiras quando danificadas. dependem dos conhecimentos desses instrumentos e comandos. executem atividades que envolvam a utilização de implementos agrícolas. sobretudo. Identificação dos principais controles e instrumentos de controle do trator: O conhecimento dos principais instrumentos de controle do trator é de fundamental importância. o óleo derramado pode causar algum acidente. quando estas estiverem funcionando. Nunca faça uso de implementos de lâminas rotativas quando os mesmos estiverem com falta de algumas lâminas. além das recomendações anteriores. sinalize-a com um pano vermelho. Trabalhando nessas condições.

até a década de 90. Partida do motor Em tratores turboalimentados (ou turbinados. pois o óleo demora mais para chegar ao turboalimentador. podendo 125 . Coloque a chave de partida no primeiro estágio e verifique as lâmpadas indicadoras da bateria e da restrição do filtro de ar. 4. O exemplo anterior contempla apenas os painéis dos tratores MF considerados padrões. como os destinados aos ajustes eletrônicos das funções e até a agricultura de precisão (GPS. s. pisca-pisca e luz alta (A bíblia do trator . equipamentos eletrônicos.IOCHPE/ MAXION. incluíram mostradores digitais.1. Algumas lâmpadas só acenderão no primeiro estágio da chave de partida. Ambas devem estar acesas. devem apagar. abaixo. DGPS). o painel de um trator Massey. IOCHPE-MAXION.). Se o motor estiver em funcionamento normal. não só dos tratores MF.Destacamos.1. Extraído e adaptado de: a Bíblia do trator. Modificações nos painéis atuais. se os respectivos interruptores estiverem acesos. como de diversas marcas. Alguns tratores (como os da marca MAXION) possuem uma maior quantidade de lâmpadas piloto no painel.Esquema de painel de trator (tratores MF). como conhecidos vulgarmente) nunca acelere bruscamente o motor (Barrufadas fortes) quando der a partida.d. (série 200): Pressão do óleo do motor Indicador da carga da bateria Indicador de restrição Tanque de combustível Temperatura da água Tacômetro Horímetro Figura 17.2. como as lâmpadas de freio de estacionamento.

Sabe-se desde estudos da década de 60 do século passado que outro fator importante para o conforto do operador é a cadeira. ou das operações com o maquinário agrícola.causar. uma vez que geralmente se lida com maquinário potente. capaz de causar severos danos até mesmo passíveis de óbito. estudos comprovam que 75% dos operadores de máquinas agrícolas tem problemas de coluna aos 25 anos de idade. Entretanto. inicialmente nos deteremos nos aspectos de insalubridade referentes ao aparelho auditivo dos tratoristas: 4. Tanto que existiram inclusive estudos anatômicos para se determinar qual a cadeira ideal para o tratorista. decorrentes das operações tratorizadas. 4. passe cerca de cinco minutos com o motor “contando”. severos danos ao motor pela falta de lubrificação das suas partes móveis. formando uma película entre todas as peças que se atritam. antes do início da jornada de trabalho. Esse aspecto torna-se relevante. notadamente. bem como se minimizem ou até mesmo se evitem os aspectos de insalubridade nas operações com tratores.2. A insalubridade do trabalho de tratorista As operações agrícolas mecanizadas exigem cuidados e atenção redobrada. que em muitos casos leva à uma perda auditiva gradual (hipocausia). Todavia. enquanto que em outras profissões como os 45% dos operários em geral tem os mesmos problemas aos 45 anos de idade. os operadores das máquinas agrícolas. estão submetidos a uma outra situação insalubre e que muitas vezes passa despercebida: o nível de ruído do trator. A poluição sonora devido à emissão de ruídos excessivos pelo conjunto trator x implemento é uma grande causadora de problemas de perda de audição. esse procedimento permite que o motor adquira uma temperatura mínima de trabalho e também permite que o óleo possa lubrificar corretamente os mecanismos internos do mesmo.2. uma vez que foram obtidos índices de até 20 % de melhora na produtividade. Conforto na operação do trator: O conforto para o operador é um aspecto importante para que se tenha bom níveis de produtividade no trabalho. de acordo com o equipamento que se trabalha e a severidade dos danos imediatos. SCHLOSSER (2003) afirma que os ruídos e vibrações emitidos pelo trator faz com que os operadores sofram danos na coluna. modificando-se apenas a cadeira. os tratoristas. bem como os problemas de postura. 126 . dessa forma. Ao dar a partida no motor. Segundo esse mesmo autor.1.

não há.9% já apresentavam déficit auditivo e. sob níveis de ruídos superiores a 85 dB).Comumente. por exigir um maior esforço do trator e o roço. que é de 80 decibéis (dB). Na prática. na sua maioria em condições de campo. na prática. verificou perda auditiva em 59. foram a aração. sabe-se que esse aspecto tem dois agravantes: o primeiro de que.8% dos ouvidos. 127 . um período normal de trabalho de um tratorista é de oito horas. FERNANDES (op. ele é superior. Também ficou evidente a perda da capacidade auditiva para tratoristas com até 5 anos de trabalho. A NR – 15 da portaria 3214 da CLT. certamente pela ação das lâminas da roçadeira no material. Esse dado é preocupante. as operações agrícolas com tratores emitem níveis de ruído superiores aos limites toleráveis. comprovando ser o ruído a causa da perda auditiva (hipocausia). em sua NR-15 a qual obriga o uso dessa proteção pelos trabalhadores submetidos a períodos diários de 8 horas de trabalho. entre os tratoristas. 58% já tinham hipocausia”. pois segundo o autor. dá ênfase à severidade das condições de trabalho às quais estão submetidos os tratoristas quando relata que foi observado que: “ o déficit auditivo evoluiu com a idade e o tempo de exposição. cit).214 do ministério do trabalho. segundo FERNANDES (2003). 42. inclusive. entre 5 e 10 anos de exposição ao ruído do trator. Infelizmente. em pesquisa com tratores nacionais. Cit) o costume de usar os protetores auriculares (como regulamentado na portaria 3. como relata FERNANDES (op. o segundo é que. as operações agrícolas que emitiram níveis de ruídos mais altos. estabelece um período máximo de trabalho de acordo com os níveis de ruído (Tabela 2). aos índices encontrados nos trabalhadores da indústria. FERNANDES (2003).

2003).3 100. o que ajudou a melhorar em muito o conforto na operação do trator. o autor sugeriu que.5 104. marca / modelo Operação Nível de ruído dB(A) 98. 265 Valmet 65 Ford 4610 CBT 8440 Cartepillar D6 Fiatallis 7 D Komatsu Roçagem Transporte Roçagem Colheita de milho Aração Subsolagem Cultivo Cultivo Subsolagem De acordo com o observado nesse estudo. por não haver um sistema de suspensão.3 Exposição máxima permissível 1:00 h 1:15 h 45 min 1:00 h 45 min 1:00 h 45 min 35 min 30 min Agrale 4300 Yanmar 1040 M. a colocação do escapamento por baixo do trator e o redimensionamento da câmara de expansão dos gases. poderiam atenuar para níveis não insalubres os ruídos provocados pelo escape. a freqüência das vibrações e solavancos na operação dos tratores é uma grande causadora de hérnias de disco entre os profissionais que conduzem essas máquinas28.3 99. 28 Por não ter um sistema de suspensão devido a necessidade de precisão em muitas operações agrícolas. mais ergonômico. Esse mesmo autor cita ainda que foi realizado um estudo onde se observou que a modificação da ergonomia do assento melhorou o rendimento do trabalho do tratorista em cerca de 20 %. (Fonte: FERNANDES.0 103. pode prevenir defeitos e doenças posturais.0 102. MIALHE (1974) também enfatiza que o projeto de um assento adequado. afirma que.8 100. uma das soluções encontradas foi a colocação de amortecedores eficazes no próprio assento.3 96. MARQUÉZ (2003).Tabela 6 – Exposições máximas permissíveis de acordo com a NR – 15 da portaria 3214 da CLT.F. 128 .5 99.

Evite pegar no volante da direção para subir no trator. uma vez que o torque aumenta consideravelmente e deve ser distribuído nos dois eixos. poderão ocorrer danos na transmissão do trator. (quando uma roda traseira patinar em um terreno escorregadio) pare o trator e acione o pedal de bloqueio do diferencial. do colar e da embreagem).       129 . Mantenha os pedais de freio sempre unidos pela trava de união. pois poderá ocorrer explosão. Para veículos traçados (Tração 4 x 4). Isso é válido também para o abastecimento do trator ou qualquer manutenção no sistema de alimentação de combustível. pois utilizando a redução apenas com o veículo em 4 x 2. solte o pedal que o bloqueio irá desaclopar automaticamente. é recomendável que na se façam mudanças de marchas com o trator em movimento. muitos dos pontos a seguir foram retirados do material fornecido por uma das principais montadoras do país (IOCHPE-MAXION):  Nunca fique com o pé sobre o pedal de embreagem quando estiver operando normalmente (isto força muito o sistema de embreagem. para ganhar tração ou uniformizar a tração no eixo. só utilize a redução (low range). Em tratores que possuem transmissão do tipo não sincronizada. destrave-a imediatamente. pois ao manobrar ou fazer curvas com o diferencial bloqueado. nunca acenda fósforos ou fume.4. quando estiver se deslocando em estradas.3. Assim que as rodas voltarem a tracionar normalmente. Cuidados com o equipamento: a operação do trator Diversos cuidados devem ser tomados no tocante a operação com o trator. quando os dois eixos estiverem ligados (veículo traçado). utilize o “pegamão” ao lado do mini-capuz. Ao verificar ou completar o nível d’água da bateria. ocasionando o desgaste prematuro do disco. ou caso o desbloqueio do diferencial não seja automático. A seguir destacamos algumas que julgamos ser fundamentais à operação segura do maquinário. sob risco de danificar a transmissão. há uma sobrecarga do eixo traseiro. Ao utilizar a trava do diferencial.

130 .

Verifique o nível de óleo do motor.4. É importante que esses suspiros estejam desobstruídos. 4. já que eles são equipados com ejetor de poeira. obedeça aos seguintes procedimentos:   Drene a água e impurezas do sedimentador e do filtro de combustível.4. poderão ocorrer danos no sistema. observe as seguintes recomendações:      Nunca engate ou tente engatar a tração dianteira com o trator em movimento. indicado na vareta. terrenos argilosos ou escorregadios.4. complete–o com água potável. evitando a formação de pressão no interior das respectivas carcaças. Em alguns tratores essa operação é desnecessária. dependendo do implemento os implementos deverão ser lubrificados. Verifique o nível de água do radiador. Tração dianteira A tração dianteira auxilia o trator a ter um melhor desempenho e produtividade. dos redutores traseiros e do eixo dianteiro.  Para que a tração dianteira do seu trator possa ter uma excelente durabilidade. antes e depois do serviço. Antes que seja dada a partida no motor. Devido às diferenças de relação de transmissão dianteira e traseira. O nível deve estar entre o mínimo e o máximo. 131 . Verifique se há necessidade de lubrificação do implemento que você irá utilizar (antes de qualquer trabalho ou carga. necessidade de maior poder de tração). como as grades de discos sem rolamentos). caso esteja baixo. Verificações diárias antes do trabalho Diariamente algumas verificações se fazem necessárias. Abra a grade frontal e pressione a válvula de descarga de pó do filtro de ar. Inspecione os suspiros da transmissão. principalmente em situações de perda de tração (desnível de terreno.

como plantio. 132 . excetuando-se os casos estritamente necessários. os bons rendimentos no trabalho rural mecanizado tornem – se uma constante nas condições locais de cada técnico ou produtor que as siga. Peças sucateadas e desgastadas comprometem o perfeito funcionamento da máquina em questão. use pneus da mesma medida e tipo dos anteriores. Nunca utilize a tração dianteira com velocidades acima dos 15 Km/h. mas as temos por necessárias. Ao trocar os pneus. as dimensões dos pneus devem obedecer às das novas rodas. seja um trator ou um implemento. Mais uma vez. somente uma manutenção eficiente e correta garantirá o perfeito funcionamento da frota agrícola da fazenda. que os riscos de acidentes sejam minimizados. a não ser que o trator vá ser usado para uma outra atividade específica (fruticultura. Nunca use pneus com desgastes entre si. Nunca a utilize em deslocamentos por estradas ou rebocando implementos. rizicultura etc). ou colheita. ajustes e uso do trator. assim. o uso de lubrificantes “mais baratos” muitas vezes não atende às necessidades dos lubrificantes recomendados pelo fabricante. o que fatalmente irá refletir no bom funcionamento e na produtividade daquela máquina.    Esperamos com estas indicações. mas para tanto. mesmo temendo sermos enfadonhos nas repetições. acontecendo quebras geralmente em períodos críticos. Use a tração dianteira somente quando estiver realizando serviços de campo. também oriundas de uma coletânea de publicações específicas com fins à correta manutenção.

como textura. têm sido tomadas como referências principais para a escolha das operações de cultivo e a intensidade com que essas práticas são utilizadas. cit). gradagem. exprimem-se em intensidades variáveis. por tempo indeterminado. caracteriza-se como o conjunto de operações que visam melhorar e/ou manter seus atributos e viabilizar a sustentabilidade da agricultura (EMBRAPA 1996). para a autosustentabilidade da atividade agropecuária. 133 . Características e propriedades edáficas que devem ser observadas no preparo do solo:  Textura. cor e porosidade são importantes na orientação de trabalhos de manejo e controle de erosão. Tais práticas e sistemas advêm dos conhecimentos e observação das características intrínsecas aos solos. que procura estabelecer nas operações de preparo do solo e manutenção da cultura. observaremos algumas características e propriedades importantes para a conservação dos solos: 5. o manejo correto do solo. idéia que é reforçada por CAMERON et al. subsolagem). em substituição a algumas atividades anteriormente feitas por tratores. Diversas práticas conservacionistas podem ser utilizadas para isso. em terreno coberto de palha e na ausência das operações de preparo do solo (aração. além dos favorecimentos ou limitações que este ambiente impõe às plantas cultivadas. quando viável economicamente. estrutura. Os efeitos dos cultivos nas propriedades dos solos. Sendo assim.1. afirmam que o conhecimento de algumas características e propriedades do solo. como o plantio direto. Outros sistemas fazem uso de tração animal. A seguir. A interação ambiente – solo – manejo é decisiva.CAPÍTULO 5 Manejo e conservação do solo De acordo com CARDOSO (1992) as diferentes necessidades das plantas em nutrientes. portanto. de acordo com os sistemas de cultivo empregado e das características do solo. (op. buscando sempre o manejo adequado para cada situação. A atuação conjunta dos fatores degradantes varia relativamente de local para local. deve-se lançar mão do planejamento do uso da terra. um número de passagens mínimo. O atual sistema de exploração agrícola tem induzido a um processo de degradação do solo. O sistema de cultivo mínimo. ar e água. Para que a produção agrícola seja otimizada numa propriedade agrícola. o qual consiste no cultivo. BERTONI e LOMBARDI NETO (1985).

1. uma maior superfície. Profundidade. textura refere-se à distribuição qualitativa das classes de tamanhos de partículas que compõem o solo. A análise mecânica (geralmente pelo método de peneiramento) determina a proporção dessas frações e o resultado é comumente apresentado como percentagens de areia. manejo da matéria orgânica e drenagem. Textura De acordo com CARDOSO (1992). As práticas de uso devem observar esse aspecto. A textura é um dos mais relevantes fatores determinantes do uso do solo. Essa estabilidade relaciona-se com o tipo de argila. A estabilidade dos agregados é um aspecto importante da estrutura edáfica. a correção de uma estrutura adensada pode ser conseguida em alguns casos através do trabalho mecânico do solo. 1992).O.1. silte e argila. á natureza dos produtos de decomposição. e da microbiota do solo. Assim. conforme o manejo) de acordo com as práticas usadas. tais como trabalho mecânico. 134 . associado à incorporação da matéria orgânica (op. Cor.cit. entre outras (CARDOSO.2. ser complicado se trabalhar com umidade elevada nessas condições. Topografia. a permeabilidade à água. daí a razão do maior interesse nas frações menores (< 2mm). A estrutura pode ser modificada (melhorada ou piorada. à resistência á erosão e às condições de desenvolvimento das raízes. Porosidade. solos argilosos não devem ser trabalhados enquanto muito molhados ou úmidos (além de na prática. as quais apresentam em termos de proporção. face à pegajosidade das argilas nos implementos). 5. Nos solos argilosos. da M.     Estrutura e umidade. aos elementos químicos associados ás argilas.).1. 5. As relações físicas e químicas edafológicas verificam-se principalmente na superfície das partículas. Estrutura e Umidade: a) Estrutura A estrutura está relacionada com a maior ou menor facilidade de trabalho dos solos.

principalmente nos pesados (argilosos). O ponto de interseção entre as linhas das forças de coesão e adesão é denominado de ponto de aração. Extraído de BAVER et al. no qual o solo tende a ficar saturado e a partir do qual. não ocorrem danos físicos na estrutura. face á adesão de partículas de granulometria diferentes. Nesse ponto.Efeito do conteúdo de água em dois componentes principais da consistência do solo. a adesão entre as partículas cresce até certo ponto. tendo seu ponto máximo no solo seco e o ponto mínimo. contudo. Isso ilustra que a água atua como agregante. SILVEIRA (1989) afirma que quando o solo está muito seco. À medida que a umidade aumenta. a areia e a argila) além de partículas de outra natureza. as forças de adesão (forças de atração entre partículas de natureza diferente) e as forças de coesão (forças de atração entre partículas de mesma natureza). plasticidade coesão adesão seco úmido molhado saturado % de água do solo Figura 17 . para partículas de mesma natureza. As forças de coesão são rapidamente diminuídas à medida que o teor de água aumenta. (o silte. há uma plasticidade maior. pois os 135 . há um rápido decréscimo das forças de adesão. como outros sesquióxidos e colóides orgânicos. No entanto. 1973). quando o solo está muito úmido ou molhado. para partículas de natureza diferente e faz o papel de dispersante. em solo úmido (BAVER et al. não ocorrem danos significativos à sua estrutura. 1973 A figura acima mostra a relação entre a umidade do solo. Podemos observar na figura anterior que a localização do ponto de aração está afastado do nível mais seco do solo e próximo do ponto “úmido”. quando feita a operação de revolvimento.b) Umidade do solo A água é um dos fatores que devem ser levados em consideração no preparo do solo. a operação torna-se mais custosa.

não é observada. o SPD representa hoje. por se agravarem as condições físicas do solo diante da erosão e compactação. especialmente no semi-árido nordestino. que estamos nos referindo ao sistema convencional de preparo do solo. se o solo for argiloso. principalmente na produção nacional de grãos. como por exemplo. que esteja friável. isso naturalmente. a observância do ponto ideal de aração é quase negligenciada. cumulativa. ao sugerirem que essas operações sejam feitas quando o solo apresentar de 60 a 70% da capacidade de campo.torrões trazidos à superfície são muito grandes e difíceis de serem quebrados. Muitas vezes por conta de contratos de produção. é desejável que se tenha um solo um pouco mais úmido e no caso de solos argilosos. o nordeste. diante das circunstâncias de produção. para os arenosos. na prática.. uso de implementos diferentes e a própria característica granulométrica dominante do solo (textura). mas que não é um aspecto limitante. vem-se apresentando ganhos produtivos enormes. frisamos mais uma vez. uma vez que a incorporação de M. podem por exemplo. principalmente em grandes áreas de produção intensiva e monocultivos. sendo este severamente questionável. é recomendada por HERNANI & SALTON (1998). por importar um modelo que não é adequado às nossas condições tropicais. Uma forma mais precisa para o preparo primário do solo (aração e gradagem). por produtores que o alugam não permite que seja observado o ponto de aração. a disponibilidade do maquinário. um passo enorme no conhecimento e manejo dos solos tropicais. Segundo ALDRICH & LENG (1974).O. não é estritamente necessário se esperar uma granulação através do aumento na umidade a fim de que se facilite o trabalho. enquanto que para solos mais pesados. Os solos arenosos ou franco-arenosos. compensarem ou tolerarem o preparo do solo em condições acima ou abaixo do ponto de aração. o produtor rural antecipa o preparo do solo antes do período das primeiras chuvas. Logicamente. tendo-se assim. Outras vezes. A não observação do fator umidade do solo é portanto. Esse aspecto de cuidado no preparo do solo torna-se meramente cientificista. ou que. o que reflete a adequação desse sistema às nossas condições. Evidentemente. pois quase não apresentam ou apresentam pouca estrutura. não são propriamente “exigentes” no aspecto referente à umidade para proceder-se às operações de revolvimento. e por isso mesmo. há toda uma complexa situação de adequação e implementação das técnicas do SPD às diversas regiões do Brasil. uma umidade adequada. Neste último caso. a premissa de implantar-se o SPD no 136 . pois isso facilitará o trabalho. revolve-se o solo assim que se dispõe do trator e dos implementos para o “corte da terra”. disponibilidade de chuvas.

ambiental e econômico. das situações ou sistemas de cultivo. Assim. já que os restos de cultura são comumente reaproveitados para a alimentação animal. No que tange aos fatores culturais. intervir de maneira a buscar a sustentabilidade visando a formação dos agroecossistemas de forma que se planeje uma modificação. é quase inconcebível que a palhada seja disposta no solo. estes são deveras ligados intimamente às condições do ambiente. ou incrementaria o suporte forrageiro da propriedade. pastoreio ou outras atividades exploratórias da propriedade que tradicionalmente e historicamente são feitas. pois para o pequeno e médio agricultor / produtor rural.semi-árido esbarra nos fatores culturais. econômicos e ambientais. 137 . com um grande comprometimento social. onde a mesma serviria como forragem. ou extensionista. há que o técnico de campo. conjuntamente com o homem do campo.

drenagem etc. drenagem. seja de chuva ou de irrigação.1. 138 .O. A permeabilidade do solo se expressa em função da porosidade. como os latossolos. Após os cultivos. Cor A cor é uma das características mais elementares para determinação de outros fatores referentes ao solo. O amarelo e o cinza podem denunciar áreas mal drenadas (CARDOSO. há uma redução na porosidade em relação à porosidade inicial. propriedades como a textura e o material de origem. Além disso.4. água e óxidos de ferro. 5. A permeabilidade é importante nos sistemas de conservação de solos.5. entretanto. Porosidade A porosidade refere-se à proporção de espaços ocupados pelos líquidos e gases em relação ao espaço ocupado pela massa de solo. arenosos e com grande número de rochas na superfície. ser alterada pela maior ou menor presença de M. assim como a umidade em que o solo é revolvido também. A cor como característica é pouco importante. muitas vezes em relevo ondulado. pode -se determinar quais as operações de manejo de solo (práticas conservacionistas. Conhecendo-se esses aspectos.). O sistema de preparo exerce influência significativa na porosidade. muitas vezes tornam-se mais erosíveis.) deverão ser utilizadas. 1992).1. como terraceamento. auxilia no diagnóstico de situações específicas e no manejo. As cores próximas ao vermelho dependem da quantidade de óxido de ferro não hidratado que se forma em boas condições de aeração. resistem mais à erosão por conta da capacidade que têm de absorverem (infiltrarem) a água. na prática é a capacidade que a água e o ar tem de passar através do perfil.5. que. sendo severamente restringíveis à mecanização.. os quais apresentam-se geralmente muito rasos. 5.O. irrigação e práticas conservacionistas. 1992) ou solos bastante intemperizados.1. Um bom exemplo são os litólicos. Cores escuras podem indicar maior conteúdo de matéria orgânica (M. no entanto. Solos rasos limitam as práticas de sistematização. ou aos mesmos tipos de solos não cultivados.3. pois solos permeáveis. Profundidade Solos profundos possibilitam um maior armazenamento de água que os rasos e favorecem o desenvolvimento das plantas. face à sua topografia (CARDOSO. Essa propriedade pode.

139 . práticas de preparo do solo e inclusive à própria mecanização da área.6.5.1. Um fator importante também relacionado á topografia é a erosibilidade maior de áreas com topografia ondulada ou de relevo forte em relação ás áreas de relevo mais suave. Topografia A topografia influi na adequação das práticas conservacionistas.

que quando decomposta.2. redução da infiltração de água e. Adotar a prática de terraceamento. diminuindo o número de passagens com implementos de corte. em diferentes ambientes. Medidas conservacionistas Alguns aspectos referentes ao manejo conservacionista do solo são importantes no planejamento do manejo e no sucesso do mesmo. uma redução da porosidade. químicas e biológicas do solo (SPD). evitar o preparo excessivo do solo e sua pulverização. O planejamento integrado caracteriza-se por planejar o manejo. aumentando a infiltração desta água e sua disponibilidade à cultura. Esta prática resulta na diminuição do escoamento superficial da água pluvial. dentro de uma mesma propriedade. resumidamente em: a) Evitar a queima da resteva do cultivo anterior. topografia. a COMISSÃO ESTADUAL DE PESQUISA DO FEIJÃO (1998). aumento da erosão. irá melhorar as condições físicas. esta é uma prática complementar. como o planejamento de microbacias. Em áreas declivosas. pois. que protege o solo e fornece matéria orgânica. Evitar trafegar com maquinário agrícola e. quando não for possível adotar o terraceamento. para a cultura do feijoeiro que podem ser extendidas para outras culturas anuais. tipos de solo. buscando manter a rugosidade da superfície do solo.5. com suas características. O conhecimento da área. De uma forma geral. recomenda algumas práticas conservacionistas. vegetação e até mananciais podem definir diferentes manejos. quando possível. as taxas de compactação são maiores. que deve estar associada à manutenção da cobertura do solo e da rugosidade do preparo. para reduzir o excesso de escoamento superficial. tendo uma visão abrangente das características anteriormente citadas e indo além dos limites da propriedade. Caso não se adote o SPD. adotar práticas semelhantes e mais baratas. reduzindo a erosão hídrica. de animais e implementos quando o solo apresentar alto teor de umidade. em solos muito úmidos. há concomitantemente. de b) c) d) e) 140 .

incluindo-se a pastagem na rotação de culturas e a prática do bosteamento (excreções do gado na área da pastagem). etc. contudo. pois.acordo com a disponibilidade econômica do produtor. O ideal é que todas essas práticas fossem seguidas. Adubação verde. que cumprem a mesma função dos terraços. Integrar lavoura e pecuária. g) h) i) j) Ainda sugerimos a alternância de implementos e profundidade de trabalho. mas sim. Rotação de culturas. especialmente no que se refere ao número de passagens. caso não seja feito dessa forma. ou de pedregosidade na área. Capinas em faixas e épocas alternadas. no sentido transversal do declive. essas práticas sejam horizontais. geralmente por diversos motivos. adotar cordões em contorno. pelo menos alguns cuidados devem ser seguidos. áreas extensas para serem trabalhadas em pouco tempo. adubação verde e rotação de culturas. 141 . f) Efetuar o preparo e o plantio preferencialmente em nível. que pelo menos. é sempre difícil ao produtor rural seguir tais preceitos. por surtirem efeitos mais imediatos. calendário de mão-de-obra. como disponibilidade de maquinário. Entretanto. é uma forma de evitar a compactação de camadas do solo. segundo HERNANI e SALTON (1998). período de chuvas. não propriamente por serem mais relevantes.

27 0.00 12.40 21.02 1.60 15.60 26.32 EVb (m) 26.40 10.00 21. Essa prática é uma das mais simples e importantes práticas conservacionistas.14 1.70 12.20 14. espaçamento horizontal).40 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 a b espaçamento vertical espaçamento horizontal Essa tabela pode ser usada como guia.06 1. porque além de controlar a erosão.40 25.90 12. acompanhando as curvas de nível ou niveladas básicas. Tabela 7 . deve considerar as 142 .08 1.70 16.10 13.33 1.40 15. Declive (%) Textura de solo Média EVb (m) 26.25 EVb (m) 25.53 0.1992”).93 0.40 11.Espaçamento para terraços em nível (extraído de “A cultura da soja nos cerrados – anais. quanto no desnível do terreno (diferença de nível. de uma curva de nível à outra.20 1.96 1.87 0.14 1.10 11.40 25.00 Argilosa EVa (m) 0.90 10. ainda facilita e tornam mais eficientes as práticas complementares (HERNANI e SALTON. Sabe-se que.60 21.25 0.26 1.00 26.40 17. A tabela seguinte mostra o espaçamento utilizado para a construção de terraços ou curvas de nível.20 1.84 0.80 0. 1998). a distância no terreno.27 1.78 0.40 14.50 12.20 1.40 Arenosa EVa (m) 0.09 1.3 12.00 18.10 11.26 0. na determinação do espaçamento entre as curvas de nível.76 0.13 1. isto é.00 1.82 0.00 11.00 26.00 14.60 26. tanto o espaçamento na superfície do terreno (comprimento de rampa.Terraceamento e semeadura em nível A semeadura em nível refere-se ao plantio em nível.00 16.86 0. o tamanho da rampa.90 0.60 18. a partir das niveladas básicas.60 13. As linhas de semeadura transformam-se em obstáculos à movimentação da água e permitem a sua infiltração no solo.98 1.52 0.60 EVa (m) 0.70 12.03 1. espaçamento vertical).93 1.51 0.

À medida que a declividade aumenta. mas uma quantidade maior de solo. Ou seja. portanto. a declividade do terreno é menor do que a da situação “b”. do regime de chuvas (intensidade pluviométrica). no último caso é mais forte. A energia cinética que a água adquire ao descer a rampa mais declivosa é maior do que a descida da primeira situação. para que se possam verificar as suas condições gerais. para que se evitem maiores danos ao solo. com uma taxa y de arraste de solo. Os aspectos edáfo-climáticos referentes à declividade e ao regime de chuvas influem sensivelmente nos processo de perda de solo por erosão. 143 . o terraceamento. para a construção de Terraços em nível Na situação “a”. A enxurrada. As áreas a serem terraceadas devem ser estudadas anteriormente. textura. tem um potencial erosivo maior. o que faz com que seja necessário reduzir a distância entre os terraços. funcionando como rampas) fazem com que a água adquira uma energia cinética considerável. 1998). durante um certo período de tempo. pois nessa situação. Em regiões de uso intensivo do solo. da declividade da área e. teremos que diminuir a distância entre uma curva de nível e outra. o tipo de solo. Podemos ilustrar esses aspectos da seguinte forma: De acordo com a declividade do terreno. teremos uma quantidade x de água da chuva. escorrendo na superfície. com declividades superiores a 2%. a função de fracionar o comprimento da rampa e evitar a erosão da área (HERNANI & SALTON. Chuva Terraço em nível L (Comprimento da rampa) Água retida no terraço e infiltrando no solo a) b) Superfície do terreno Chuva L (Comprimento da rampa) Terraço em nível Figura 18 . cobertura vegetal (cultura) e o grau do declive.Volume de enxurrada com relação ao comprimento de rampa. Os terraços têm. não arrastando somente aquela quantidade y. portanto.características do solo. segundo CARDOSO (1992) torna-se imprescindível. após percorrer certa distância. ela adquire um potencial erosivo semelhante á uma situação de uma área com declive acentuado e com menos distância a ser percorrida. inclusive. estando intimamente ligados. áreas de pequena declividade quando têm longas pendentes (áreas de escorrimento d’água. principalmente quando considerarmos as longas pendentes que normalmente se relacionam inversamente com a declividade. a mesma quantidade x de água.

as quais cortam a palha. Os terraços podem ser: a) De base larga . a ervilhaca peluda (Vicia villosa L. a aveia branca (A. a intensidade das chuvas – são denominados de erosividade. Adubação verde A adubação verde consiste em se utilizar plantas para enriquecer o solo.tipo Nichols (de retenção) – solos argilosos. A principal razão é a fixação biológica do nitrogênio atmosférico por bactérias. do gênero Rhizobium. oleiferus). centeio (Secale cereale L. As áreas com o SPD exigem. para a abertura de pequenos sulcos. implementos adequados a esse sistema. como semeadoras específicas. as principais espécies utilizadas para a cobertura do solo (adubação verde) são: a aveia-preta (Avena strigosa Schreb).). sativus L. Já no tocante ao regime pluviométrico da região. triticale (Tritico secale L. Segundo HERNANI e SALTON (1998).Todos esses fatores denominamos de erosibilidade. Caracteriza-se ainda pela busca e execução de programas de rotação de culturas e ausência de preparo ou revolvimento do solo por tempo indeterminado.). 144 . para a colocação das sementes e do adubo.). As leguminosas.v.). nabo forrageiro (Raphanus sativus L. o sorgo (Sorghum bicolor L. através de facões. a crotalária (Crotalaria sp. têm sido as espécies preferidas para a adubação verde. bem como da formação de camadas de restos culturais e a decomposição da das camadas mais inferiores da “palhada”. o sistema de plantio direto é a alternativa mais viável para os solos agrícolas sob as condições tropicais. O que possibilita inclusive. b) De base estreita . contribuindo com o acréscimo de matéria orgânica ao solo. contudo. Estas espécies são mais utilizadas nas regiões sul e sudeste e em algumas áreas do centro-oeste.). que vivem em simbiose com as leguminosas. quando no início da implantação.). a redução da dosagem de adubos nitrogenados. milheto (Pennisetum typhoideum). contudo. Manutenção da cobertura morta na superfície – Sistema de Plantio Direto (SPD): Segundo HERNANI e SALTON (1998). Este sistema visa manter a superfície do solo protegida da ação da erosão. bem como um número maior de pulverizações com herbicidas.tipo Mangum (de absorção) – mais usados para solos mais arenosos.

Além disso. a rotação de culturas consistia em que. Alguns agricultores não esperam a colheita dos grãos da cultura implantada para adubação verde. para esta última. cit) Na Europa feudal. Dentre os feijões. Rotação de cultura. capaz de extrair nutrientes das camadas mais profundas do solo. ou um pouco antes. de acordo com as atividades do feudo..9 t/ha. 145 . a terra arável era dividida em dois campos. a variabilidade de produção de biomassa por tais plantas varia conforme as condições que elas encontram. através da formação e lixiviação de nitratos para os corpos hídricos. houve um salto produtivo quando se passou a utilizar três campos na mesma área. juntamente com o pousio visava explorar da melhor maneira possível.com produção de massa de matéria seca de cerca de 17. Essa prática agrícola. os do gênero Vigna também são usados para adubação verde e cobertura do solo. pousio e cultivo em faixas alternadas A rotação de culturas era uma medida empregada na agricultura desde a antiguidade. Entretanto. os camponeses tomavam essa medida a fim de não se esgotar o solo). cerca de 282 kg de N/ha. Outras leguminosas muito utilizadas na adubação verde são o feijão de porco (Cannavalia ensiformes) e a mucuna preta (Stilozobium atterinum). além de excelente enriquecedor natural do solo. 2002). esta leguminosa chega a fornecer de 50 a 200 kg de N/ha e que. afirma que. Incorporam – na no início do florescimento. 1996). um retorno financeiro maior. Após a escolha da espécie. De acordo com FAVERO et al (2000). não só sendo assimilada pelo sistema de plantio convencional. o plantio deverá visar um pequeno intervalo entre a incorporação das plantas para adubação verde e o plantio da cultura desejada. a terra. quando incorporada ao solo. chega a fornecer. os quais serão disponibilizados após a sua decomposição (FAVERO et al. MONEGAT (1991). Ainda segundo HUBERMAN (op. A prática da adubação verde atualmente tem sido muito utilizada. para amortização dos custos. 2000. esperam até a colheita dos grãos para obterem com isso.responsáveis em muitas áreas por uma contaminação. especialmente as variedades de crescimento indeterminado (SOUZA NETO. outro para o trigo e um terceiro em pousio (empiricamente. um para o plantio do trigo e o outro para o plantio da cevada. as leguminosas produzem grande quantidade de massa verde e têm sistema radicular pivotante. Já outros agricultores e técnicos. Destacam-se o feijão – guandu (Cajanus cajam) . ARAÚJO et al.. Um para a cevada. sobressaindo-se na Europa do período feudal HUBERMAN (1985). como também na agricultura orgânica.

como o mal do panamá. Além disso. as perdas por erosão também podem ser diminuídas. incorporada ao pousio deve ser feita com culturas adaptadas à cada realidade local. já que a renda absoluta da propriedade fica comprometida com áreas paradas acaba por contradizer até a lógica do uso social da terra. 146 . sp cubense) (GALLI. cada área teria passado pelas três situações. a questão do pousio.Ao cabo de 3 anos. ou seguido da mandioca. Já a rotação de culturas tornou-se uma prática muito realizada no Brasil. como por exemplo. pois a cobertura do solo ou o “albedo” de determinada cultura pode ser mais eficiente do que outra. Assim. A tabela seguinte (tabela 8).). Graças a aspectos como o calendário agrícola. onde se observaram as maiores perdas de solo. teríamos o seguinte esquema: Ano I Campo I  Trigo Campo II Cevada Campo III Pousio Ano II Cevada Pousio Trigo Ano III Pousio Trigo Cevada No exemplo anterior. mostra as perdas por erosão em diferentes culturas. apresentada em HERNANI e SALTON (1998). os autores não detalharam qual o hábito de crescimento da variedade estudada. alguns fungos de solo que atacam variedades mais suscetíveis de bananeira (Musa sp. (o plantio do milho safrinha. Trigo. com estações mais definidas e clima propício às culturas do exemplo. intercalando o plantio de soja e/ou algodão) ou até mesmo das “roças” nordestinas. pois como o dito prático de técnicos e produtores “terra parada é prejuízo na certa!”. destas práticas que ora apresentamos. uma vez que feijões de crescimento indeterminados ou prostrados são utilizados para cobertura de solo e adubação verde (SOUZA NETO. 2002). Logicamente. previsto no estatuto da terra. mesmo que haja uma certa possibilidade. ocasionado por ataque fúngico (Fusarium oxysporum f. geralmente nas pequenas propriedades essa prática é corriqueira. no sudeste. incentivamos essa prática. já que nos referimos ao Brasil. cevada e pousio (ou alqueive). não estamos recomendando explicitamente essa prática com tais culturas. principalmente em áreas de fruticultura. no que se refere aos estados do sul. somente para casos específicos como infestações por pragas ou doenças que não se pode ou não é viável economicamente combater. onde se planta o feijão nas entrelinhas do milho. Frisamos que a rotação de culturas. bem como o plantio em faixas alternadas. é uma das menos viável do ponto de vista econômico. No caso do feijão.1980).

A rotação de culturas também pode ter como objetivo.O manejo de solo em áreas altamente mecanizadas é extremamente necessário. medidas conservacionistas etc) sem ônus econômico ou interferência no produzir? – seguramente isso poderia ser respondido com outra pergunta: dá para observar alguns aspectos mais eficazes? . de uso menos intensivo ou até pouco. É evidente que a rotação de cultura por si só não garantirá ganhos produtivos. segundo HERNANI e SALTON (1998). pelos mais diversos aspectos. às condições do agricultor29. A adubação química e a orgânica ainda são indispensáveis ao processo produtivo. isso fica extremamente complicado: surge então uma pergunta: Como observar todos os aspectos anteriores de conservação do solo (aspectos físicos do solo.Efeito de diversas culturas no controle das perdas de solo e água por erosão. umidade. De acordo com esses mesmos autores. de acordo com o tipo de cultura explorada e as características edafoclimáticas locais. retirando mais um nutriente do solo do que a outra cultura. as quais também tem necessidades nutricionais distintas. mas sabemos que no campo. na rotação de culturas. da mecanização. No caso do plantio direto. relevo. senão todos os fatores citados anteriormente. a 29 Todos estes componentes ou aspectos citados anteriormente partem de um âmbito de uma situação ideal. mas que certos aspectos podem ser aplicados às diferentes situações econômicas e sociais do produtor. Deve-se sim procurar levar em consideração a maior parte. Fonte: Bertoni e Lombardi Neto (1985) Essa mudança de cultura explorada permite uma variação da profundidade de exploração edáfica pelas diferentes culturas.Tabela 8 . que muitas vezes prende-se (infelizmente) somente no meio acadêmico. deve-se optar por espécies ou cultivares que produzam quantidades elevadas de matéria seca. cada local exigirá estudos específicos no sentido de ser definida uma seqüência de culturas que se adequem às condições edafoclimáticas do local. o programa de rotação de culturas deve levar em conta o seu objetivo. bem como às exigências do mercado. mesmo quando se faça a rotação com leguminosas (a adubação verde). principalmente quando se parte para o pequeno e médio produtor. devem-se vislumbrar também os aspectos de mercado ou de aproveitamento da cultura implantada durante o período escolhido. se para cobertura do solo e/ou suprimento inicial de palha. Caso seja feita apenas com vistas às melhorias ao solo. Cultura Perdas por erosão Solo Água (t ha-1) (%da chuva) 38 25 20 12 11 10 7 5 Feijão Algodão Soja Milho Extraído de HERNANI e SALTON (1998). Por justamente haver uma ciclagem natural dos nutrientes. 147 . A procura por opções de barateamento das medidas ou práticas de conservação dos solos sem influir de maneira negativa na produção (e principalmente no bolso do proprietário) deve ser sempre a intenção do técnico e do próprio produtor.

00ab 152.60ª 12126. encontrou resultados semelhantes de ocorrência de Meloidogyne incognita no solo e no sistema radicular do tomateiro: tanto no tratamento químico com carbofuran® como na área antes em alqueive.60ab 10506.Comparação de tratamentos quanto à ocorrência de Meloidogyne incognita no solo e no sistema radicular do tomateiro (Extraído de SOUZA JÚNIOR. estudando controles químicos.40ab 173. T4 = tomate plantado onde anteriormente fora implantado o Guandu.00b 2220.00ab 1460.redução de patógenos às culturas principais.40bc 0. SOUZA JÚNIOR (2001). culturais e orgânicos para a meloidogenose do tomateiro.6b 51.40ab 4966. T2 = T1 + esterco bovino.00ab 820b 81.20ª 117. T3 = T1 + biofertilizante. de ervas daninhas e de redução da incidência de pragas e doenças.00ab 2700.00a 640.60ab 54.00ab 1360.00ab2 2340. como também valores menores de infestação nos tratamentos onde havia plantas não hospedeiras (Guandu) e nematicidas (crotalária) do que nos vasos onde já era plantado tomate. Tabela 9 . 2001). T6 = Tomate tratado com carbofuran onde anteriormente fora plantado tomate.60ab 255.20ab 37999.60ab 19859.20bc 189.2bc 273.80b 48973. O referido autor encontrou os menores valores de infestação do nematóide.00ab Nº de ovos + larvas / 10g de raiz T1 T2 T3 T4 T5 T6 T7 T8 T9 1 1200.80c 26.20b 119. obtiveram-se melhores índices de 148 .00ab 3560.30a T1 = tomateiro plantado onde anteriormente fora alqueive. em um ensaio em vasos. T7 = Tomate com adubação mineral onde anteriormente fora plantado tomate. T8= testemunha (tomate) e T9 = solo mantido em alqueive. no tratamento com carbofuran e na área em alqueive (os quais não diferiram estatisticamente).80ab 19859. VARIÁVEIS TRATAMENTOS 1 Larvas/300Cm de solo 3 Nº de galhas / 10g de raiz Nº de massa ovos/10g de raiz 61.60ab 0. BELTRÃO e MELHORANÇA (1998) consideram-na com um importante método de controle cultural. Já em estudos feitos com algodão acerca do incremento da produtividade no que diz respeito à rotação de culturas.00ab 72.40ab 47. T5 = tomate plantado onde anteriormente fora incorporada a crotalária.60ab 186.

ou até mesmo o pousio de uma área.384 (169) 2. através do plantio de leguminosas x cereais. no outro ano deverá ser trabalhar a 20 ou 25cm. imediatamente a profundidade máxima que alcança o implemento forma-se uma camada compactada. O plantio em faixas alternadas também é uma prática de conservação do solo. Algumas culturas quando intercaladas com outras favorecem uma melhor exploração dos nutrientes. Ao utilizar o arado em um determinado ano no preparo primário do solo. Tabela 10 . procura-se alternar diferentes implementos de preparo durante os anos de exploração daquela área. se num ano a grade pesada trabalhou em uma determinada gleba a uma profundidade de 15 cm. no ano seguinte. HERNANI e SALTON (1998) afirmam que. como no caso. Assim. preferencialmente com espécies não hospedeiras. podem ser medidas eficientes de controle de alguns patógenos do solo.182 (266) 821 (100) Esses resultados reforçam que a rotação de culturas. Durante passagens sucessivas ao longo dos anos.162 (141) 1. A alternância de grades diferentes também surte efeito. de feijão e milho. com o uso do arado ou do escarificador.Efeito de sistemas de rotação sobre a produtividade do algodoeiro. Alternância de implementos A alternância de implementos no preparo do solo no sistema de plantio convencional tem sido feita com vistas à redução da compactação excessiva de camadas subsuperficiais do solo. como o consórcio muito comum na pequena propriedade rural do nordeste. ou no incremento da produtividade de grandes culturas. 1984). incognita na exploração de olerícolas como o tomate (Tabela 2). como no caso do algodão (Tabela 3). O uso de implementos descompactadores do solo: 149 . M. faz-se o revolvimento do solo durante o preparo primário com uma grade pesada ou então com o escarificador.produtividade quando se fez uso dessa técnica do que no cultivo contínuo (FUNDAÇÃO CARGIL. Rotação Milho/algodão/feijão/amendoim Milho/algodão/amendoim Arroz/milho/algodão Algodão (contínuo) Fonte: Fundação Cargill (1984) Produção em Kg ha-1 1.

como o alumínio. que embora sejam efetivas. Assim feito. calagens anteriores. desde o esgotamento químico do solo. representam uma solução a no mínimo. até a influência nociva das diversas formas de erosão. condições de uso. ao contrário das medidas discutidas. ano após ano (péde-arado e pé-de-grade). cultivos anteriores etc. Os implementos. Esse último aplica-se bem em áreas onde o emprego das grades é prática de preparo freqüente (preparo mínimo do solo). devido à profundidade de corte que se repetiu praticamente a mesma. a falta deste. 5. como a descompactação do solo através da implantação de culturas com o sistema radicular tipo pivotante. textura. ou até mesmo. médio prazo. A 150 . Faz-se. utilizados para descompactar tais camadas do solo. escarificador. para deixar a área compactada ser recuperada pela nova cultura. Esses aspectos são provenientes de um mau planejamento no uso dos solos agrícolas. são observados diversos aspectos técnicos: 5.Subsolador X Escarificador Como discutido anteriormente. a passagem do arado deve ser preferencialmente num intervalo de 3 (três) a 5 (cinco) anos. o uso de subsolador. as camadas compactadas do solo são camadas subsuperficiais do solo.1. necessário. topografia. drenagem e histórico da área (adubações. coletando-se ao acaso de 15 a 20 sub-amostras de mesma quantidade. Nestes casos.). A homogeneidade das glebas refere-se à cor. recomenda-se a divisão da área a ser trabalhada em glebas homogêneas. além de reduzir elementos tóxicos às plantas. Para as práticas de adubação e calagem do solo. entre uma aração e outra. Para tanto. ou até mesmo do arado (no caso do pé-de-grade).3. e nem sempre o produtor rural dispõe de outras áreas. Os aspectos referentes às praticas de correção e adubações visam manter um bom nível de fertilidade dos solos. nestes casos. as quais são adensaram-se.3. A fertilidade do solo A fertilidade do solo pode ser afetada por diversos fatores. e as amostras obtidas dessas glebas deverão ser devidamente identificadas. Amostragem do solo As amostras para serem levadas ao laboratório de análise de solo devem representar fielmente a área a ser plantada. deve-se em cada uma delas caminhar em zigue-zague. constituem-se em uma solução de efeito imediato. cobertura vegetal.

para serem acondicionadas em saco de papel e remetidas ao laboratório. Para frutíferas.3. posto em maiores quantidades que zinco não é necessariamente mais importante que ele. a coleta deverá ser a profundidades maiores ou a partir 20cm. Após essa mistura e homogeneização. o nitrogênio. por exemplo. para depois ser acondicionada em saco plástico devidamente identificado. Adubação do solo Quando se aduba. 5.amostragem deverá ser feita na profundidade de 0 a 20cm e de 20 a 40cm. diversos casos específicos. para a cultura do milho. com a finalidade de repor elementos químicos ou melhorar os níveis de fertilidade do solo (e no caso da adição de matéria orgânica. está se colocando no solo. De acordo com a cultura. as folhas retiradas para análise (amostra) deverão ser submetidas a uma lavagem rápida em água corrente e fria. etc. deve-se retirar para amostra 500 g de terra. Análise foliar A análise dos sintomas de deficiência nutricional através das folhas das plantas é um método importante no auxílio à obtenção de bons rendimentos na cultura. De um modo geral. Deve-se evitar raspar demasiadamente as camadas superficiais do ponto de amostragem.2. ou depósitos de calcário. O que varia é sua quantidade. cupinzeiro. adicionar não somente os elementos minerais necessários às plantas. a coleta das folhas obedece alguns procedimentos padrões. mas também.3. quais as deficiências nutricionais que a planta está sofrendo e é bastante exata principalmente para micronutrientes. Todos os elementos são importantes ao bom desenvolvimento da cultura. Assim. 151 . 1992). Em monocultivos ou cultivos sucessivos. seja através de uma adubação química ou orgânica. Para ser enviada ao laboratório. 5. onde depois enxugarão à sombra.3. as amostras deverão ser coletadas a cada dois anos (CARDOSO. para as culturas anuais. A análise foliar consiste em se verificar através das folhas. existindo. Deve-se evitar na coleta linhas de cultivo anterior e em áreas próximas a formigueiro. compostos que contém elementos indispensáveis ao bom desenvolvimento das plantas. Ambos são importantes. a amostra deverá ser seca à sombra. contudo. como soja e milho. a observância da idade da folha. melhorar suas características físicas). como a coleta somente de folhas de determinada altura da planta. As subamostras devem ser homogeneizadas em um balde plástico ou outro recipiente limpo.

devido às suas peculiaridades (necessidade de maiores quantidades seja pela característica da própria cultura. 152 . das deficiências naturais do solo ou mesmo do elemento – lixiviação. ou no caso de uma leitura mais técnica. percolação): entretanto. volatilização. como Malavolta e as demais referências que compuseram estes tópicos ora expostos. sugerimos autores – referência. são os mais utilizados. por muitas vezes. tomemos essa abordagem na forma de uma contextualização superficial.A seguir destacamos uma breve descrição de alguns minerais relevantes à nutrição das plantas e que.

sendo a simbiose a mais relevante para a agricultura. face à mobilidade e lixiviação do N no solo. É o elemento menos móvel no solo. Quando dentro da planta. devido às diferentes características (material de origem. portanto. a adubação com fósforo deve sempre preceder o plantio (adubação de fundação). natural ou por via biológica. é feita na fundação e em cobertura. como a utilização de amido e açúcares. com grande dispêndio de energia). sendo considerado importante na polinização e frutificação das plantas (STAUT e KURIHARA. TANAKA et all (1993) afirmam que o fósforo ainda é responsável por muitas funções nas plantas.+ 6 H +  2 NH 3 (Fixação biológica) N 2 + 3H 2  2 NH 3 (Fixação artificial. Essa fixação pode ocorrer de forma artificial. O nitrogênio é absorvido pelas plantas preferencialmente na forma de nitrato (NO3+) e de amônio (NH4+) (TANAKA et al. Este elemento tem importante papel nas plantas em função de ser constituinte de compostos armazenadores de energia. N 2 + 6e. soja. O fósforo aumenta também a absorção do magnésio. como o ATP (AdenosineTri-Phosphate). participação de diversas cadeias bioquímicas. o que é importante para culturas como aveia. Entretanto altos conteúdos 153 . Fósforo (P) Os solos tropicais. O P se concentra principalmente nas flores e frutos. 1998). Para que o N esteja disponível às raízes das plantas é necessário que ele seja fixado no solo. de um modo geral. 1993). por métodos industriais. intemperismo) são de forma geral. Normalmente requerem adubação utilizando-se adubos fosfatados. milho e leguminosas. deficientes em fósforo. é a forma mais adequada para aumentar a eficiência no uso do nitrogênio pelas culturas e para aumentar a produtividade. A adubação com nitrogênio geralmente para a maior parte das culturas.Nitrogênio (N) A fonte primária de N para as plantas é o ar atmosférico onde está presente na forma de gás N 2. o parcelamento da adubação nitrogenada. é rapidamente translocado e pode mover-se dos tecidos mais velhos para os tecidos mais novos sob condições de reduzida disponibilidade no solo. De acordo com STAUT e KURIHARA (1998). formação de núcleos e divisão celular.

diminuí a absorção de zinco pelas plantas (TANAKA op cit).de P. a relação custo/benefício. devido a uma adubação incorreta. podem ser usados os adubos solúveis em água (Superfosfatos ou o fosfato de amônio) ou em ácido cítrico (Termofosfatos e fosfato natural reativo). A escolha de determinada fonte de P deve considerar além da necessidade de outros nutrientes. 154 . Como fontes de P.

A acidez do solo também influi na absorção de Ca pelas plantas. c) Tratos culturais feitos evitando danos às raízes. d) Irrigação: deve ser feita de modo a evitar flutuações bruscas no nível de água no solo. e o nitrogênio. geralmente provocam problemas de absorção de Ca pelas culturas. O potássio. Sua deficiência é facilmente identificável. ALDRICH e LENG (1974) afirmam que na cultura do milho. quebra do nitrogênio e síntese de proteínas. Segundo GALLI (1980). contudo. o sódio. em grande parte das culturas. no processo de formação das espigas.Potássio (K) O potássio é um elemento essencial para o crescimento vigoroso das culturas. Suas funções fisiológicas são: ação sobre o metabolismo e formação de carboidratos. como o fósforo o faz. Um exemplo clássico da deficiência de Ca e o colapso que essa deficiência provoca nos tecidos mais novos na planta é o surgimento da doença conhecida por podridão apical. ou de difícil assimilação. como o nitrogênio. b) Adubação: devem ser aplicados adubos fosfatados no início da cultura para aumentar o nível de cálcio no solo. quebra e translocação de amido. podridão estilar ou fundo preto. Cálcio (Ca) O cálcio (Ca) tem um importante papel no metabolismo do Nitrogênio e no poder germinativo das sementes. 1998). Sua deficiência se expressa em órgãos mais jovens das plantas (STAUT e KURIHARA. Entre os diversos fatores que influem na absorção de Ca pelas plantas. Solos muito ácidos. o que a deixa mais suscetível ao ataque de patógenos. em tomate e/ou pimentão (GALLI. também atua na ativação de enzimas e promoção de crescimento dos tecidos meristemáticos (TANAKA et al. atuando também. podem ser: a) Acidez do solo: solos ácidos devem ser tratados com calcário dolomítico ou calcítico. É um elemento constituinte das estruturas vegetais. 1993). acredita-se que a principal causa dessa doença é o desequilíbrio nutricional devido ao nível de cálcio disponível na planta em relação a outros cátions. O K atua na maior parte das reações bioquímicas das plantas. sendo na planta. Cit). o K é responsável pelo bom desenvolvimento das plantas. adubações em cobertura devem ser fracionadas ao máximo. Além disso. A correção das deficiências em K+ no solo são muito viáveis. Não se fixa em compostos não assimiláveis. embora lixivie mais lentamente que o N. o potássio. segundo GALLI (op. uma vez os adubos potássicos são relativamente baratos e as respostas à adubação dada pela cultura são muito rápidas.1980). como o magnésio. se perde por lixiviação. relativamente imóvel. e) Pulverizações com cloreto de 155 .

que evoluí para uma coloração vermelho-púrpura. doença causada por vírus ou com o ataque de broca – da – raiz. recomenda-se variedades do tipo Santa Cruz). Adubação orgânica A Matéria orgânica é fundamental nos sistemas de manejo adequado dos solos.cálcio em seguida à adubação de cobertura.3. para se avaliar o resultado econômico da adubação. em contraste com o verde das nervuras das folhas. e . que via de regra. deve-se proceder a adubação. através da divisão da produção adicional obtida pela adição do fertilizante pelo custo do adubo. deve-se avaliar a relação custo-benefício. podem surgir problemas com o suprimento de magnésio nas seguintes situações.4. . No algodoeiro. 5. segundo STAUT e KURIHARA (1998). esse crescimento lento é seguido de uma clorose interneval. ou houver um comprometimento da produção de determinada cultura pela carência de um ou mais elementos no solo. f) Variedades mais resistentes (no caso do tomate. essa relação para o Brasil. . Segundo STAUT e KURIHARA (1998). graças à facilidade que esse elemento tem de lixiviar e pouco 156 . Magnésio (Mg) O Magnésio é pouco exigido pelas plantas. é igual a 4 (De cada real investido em adubos. Os distúrbios nutricionais causados ela deficiência do magnésio de maneira geral expressam-se pelo crescimento lento das plantas. Essa deficiência por vezes é confundida com o “vermelhão”.5. Ainda segundo esse mesmo autor. têm-se 4 de incremento de produção). . enquanto as mais velhas sofrem abscisão. Adubação química Sempre que a fertilidade do solo for baixa. de forma geral.Em cultivos com adubações pesadas de potássio. Segundo MALAVOLTA (1987). possuem pouco Nitrogênio. Os sintomas evoluem para as folhas mais novas.3. nas folhas inferiores da planta. 5.Em solos cuja acidez vem sendo corrigida com calcário calcítico.Em solos arenosos.Em solos ácidos muito intemperizados. a disponibilidade desse elemento é satisfatória na maioria dos solos brasileiros. especialmente os solos tropicais.

solos de textura arenosa. como o húmus (praticável somente em pequenas áreas. . passam a ter uma considerável melhora dos seus aspectos físicos e químicos (principalmente os físicos). quando devidamente adicionados de estercos ou outra fonte de matéria orgânica. como as com Halosolo ou mal drenadas e que recebem aporte hídrico. em horticultura ou fruticultura. que atua como agente de estabilização dos agregados (SILVA et al. 5.6. obtido através de processos de fermentação de estercos. adicionados de produtos naturais). Solos argilosos quando incorporada M.baixo pH: o pH é o índice mais comum de medida da acidez do solo. Por outro lado. vistos naturalmente nas áreas salinas. refere-se principalmente à melhora das condições físicas dos solos. Um dos efeitos práticos mais presentes da ação da orgânica desses estercos ou restos vegetais refere-se aos aspectos físicos de melhora da porosidade geral do solo. o que vem contribuindo nesse último caso. solo ácido significa: .O. o composto. geralmente ricos em sódio (os salino sódicos).Carbono orgânico. onde a adição de matéria orgânica ao solo implica numa tendência à neutralização de ácidos ou controle da salinidade (leia-se efeito tampão para a salinidade como imobilização do sódio e a criação de micro habitat que favorece o desenvolvimento radicular de muitas culturas). . serve como fonte de energia para a atividade microbiana.O. alguns solos são o oposto dessa situação. adequadamente apresentam melhoras estruturais consideráveis. Manganês (Mn) e. 2000). são os chamados solos salinos. O ph do solo e a correção da acidez Os solos brasileiros.pouco Ca e Mg para as plantas. às vezes. são ácidos. via de regra. com o processo de desertificação nessa região brasileira. obtido através da compostagem e o biofertilizante. evidentemente. pois a flora microbiana dos solos tropicais. graças às condições ambientais que encontra. seja da irrigação (com água com elevada restrição à irrigação por conta do nível de sais) ou naturalmente alagadiças. O continuo fornecimento de M. A importância da M. 157 . ou na questão dos aspectos químicos. o que é importante para operações de preparo do solo e o desenvolvimento das raízes das plantas.3. Segundo MALAVOLTA (1987).O.excesso de alumínio (Al). comuns no Nordeste.O. Solos com pH menor que 6. é muito eficiente na decomposição da M.0 são considerados ácidos. devido à produção custosa de húmus nos minhocários. de ferro (Fe). o poder – tampão.

pela adição de calcário. o feijão. conforme a expressão: NC (t/ha) = (V2 . o algodão. criando nele condições favoráveis ao desenvolvimento das culturas. para combate às ervas. P e K. há o favorecimento da cultura implantada e não das ervas. a quantidade de calcário será calculada apenas considerando-se o teor de alumínio: NC = Al 3 + x 2 Caso a análise de solo forneça o teor de acidez potencial.- - Condições desfavoráveis para a microbiota que mineraliza a matéria orgânica. a prática da calagem visa corrigir a acidez do solo. desejado. como o Alumínio (Al) e o Manganês (Mn). tendem a se expressarem mais fortemente em solos ácidos. A calagem. em sua maioria.V1) x T 158 . Além disso. em faixas pH adequadas. ainda pode adicionar ao solo elementos como o Cálcio (Ca) e magnésio (Mg).B e diversos outros elementos para as culturas. a Necessidade de Calagem pode ser calculada em função da saturação por bases. no caso do uso do calcário dolomítico. como a soja. A quantidade de calcário a ser aplicada em uma área pode ser obtida através do método que visa a neutralização do alumínio trocável e o aumento do Cálcio e Magnésio trocáveis a um valor mínimo de 2 cmolC/DM 3. eventuais efeitos fitotóxicos dos herbicidas à cultura são desfavorecidos. segundo PEIXOTO e RAMOS (2002). em níveis de pH mais elevados. A correção da acidez é fundamental para o sucesso do cultivo de um grande número de culturas. NC (t/ha) = Al 3 x 2 + [ 2 – (Ca 2 + + Mg2 +)] Quando os teores de Cálcio e Magnésio forem superiores a 2 cmolC/DM 3. Condições desfavoráveis para a fixação livre e simbiótica do nitrogênio. Um outro fator é que. De acordo com MALAVOLTA (op cit). que é representado por H + + Al 3 + . onde 1 cmolC/DM 3 = 1 meq/100 cm 3. a calagem do solo pode ajudar no emprego de herbicidas. V2. Elevando-se a saturação por bases iniciais de um valor V1 a um segundo valor. que é fonte natual de N. o milho. as quais. Menor eficiência da adubação de N. S. além de reduzir elementos tóxicos.

o valor de f será maior que 1. A quantidade de calcário para correção da acidez do solo depende do tipo de solo e dos sistemas de produção.C.) é dada pelo valor maior encontrado em uma destas duas fórmulas: N. quando o PRNT for de 80%. 3+ ). resumidamente.100 Onde: S = soma das bases trocáveis (Ca2 + + Mg 2 + + K+) T = capacidade de troca catiônica a pH 7. à pureza do calcário comprado) do calcário for menor que 100%.C.1992). V 2 = % de saturação em bases requerida pela cultura (de acordo com a cultura e a região). como os solos do cerrado. recomenda-se utilizar o calcário dolomítico ou magnesiano. Quando o PRNT do calcário for diferente de 100 % faz-se a correção da dose recomendada. sempre que o PRNT do calcário for menor que 100.25 (CARDOSO.0.C. utilizando de um modo geral. = (2 X Al) x f N. a seguinte fórmula: Dose a aplicar (t/ha) = Dose calculada x 100 PRNT Ainda podemos calcular a dose recomendável de calcário para a correção da acidez do solo. Para solos arenosos (teor de argila < 20 %). Sendo assim. por exemplo. utilizando-se a fórmula será de 100/80 = 1.0 ou S + ( H+ + Al c/dm 3. pode-se corrigir essa diferença utilizando-se o fator f de correção que é dado pela seguinte fórmula: f = 100 / PRNT Assim. V 1 = 100 x S T As equações anteriores referem-se às doses de calcário com 100 % de PNRT. a quantidade de calcário utilizada (N. uma vez que este apresenta um teor mínimo de magnésio (na forma de óxido de magnésio – MgO) 159 . = {[2 – (Ca + Mg)]} X f Para solos deficientes em magnésio. em cmol V I = % de saturação em bases fornecida pela análise do solo. o valor de f. quando o PRNT (que se refere.

de 5,1 %. Contudo, na falta ou ausência deste, pode-se utilizar o calcário calcítico, desde que se acrescente Magnésio ao solo. Deve-se lembrar que a relação ideal Ca : Mg deve ser de 1 : 1, sendo no máximo, para soja 10 : 1. A escolha do calcário a ser adicionado ao solo depende também da observação do seu valor corrigido para 100 % de PRNT, posto na propriedade (CARDOSO, 1992). O custo de transporte (C.T.) ou frete também deve ser incluso no valor. Assim, o preço efetivo do calcário poderá ser calculado utilizando-se a seguinte fórmula: Preço efetivo = Valor do calcário (compra) x 100 + C.T. (na fazenda) PRNT Algumas considerações finais devem ser levadas em conta no tocante ao manejo do solo as quais mais uma vez, insistimos e reforçamos: A adubação química ou orgânica deve ser feita (enfatizamos isso), mediante os resultados da análise laboratorial. O manejo do solo está diretamente relacionado com as operações que se realiza, mesmo que não se revolva-o como é o caso do SPD, mas que a utilização criteriosa do maquinário agrícola, evitando as passagens desnecessárias e o trânsito excessivo de máquinas acabe por resultar no grande mau das operações mecanizadas: a compactação do solo. 5.3.7. A adubação e a pecuária: Se a atividade principal da fazenda for a pecuária extensiva, deve-se não só observar uma maior diversidade das gramíneas escolhidas para os piquetes, como também a reposição paulatina da fertilidade das áreas utilizadas para o pisoteio, o que evita sensivelmente o ataque de pragas, como a cigarrinha, o surgimento de formigas e cupins nas pastagens (o que é um claro sinal de pastagem degradada), bem como uma melhor resposta do rebanho em forma de ganho de peso diário, uma vez que o mesmo está se alimentando de uma forragem mais equilibrada. Tal pensamento parte do princípio evidente da natureza, que de onde se tira algo, e no caso são os sais do solo incorporados aos constituintes nutricionais das gramíneas, deve se reposto, para que não se quebre o ciclo energético – consideremos os sais e a matéria orgânica como energia (de acordo com a visão clássica da física quântica) - tão importante para o equilíbrio do sistema. Mas efetivamente, se a pastagem, conforme dito anteriormente, não recebe uma adubação adequada e equilibrada, será mais difícil se obter resultados positivos, desenhando-se assim um quadro bem típico da pecuária

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nacional: pastagens competindo com plantas daninhas, gastos excessivos com roço30, herbicidas, formicidas e cupins, estes últimos, indicadores sérios de desgaste do solo. Um dos implementos muito utilizados e que pode seguir uma matriz lógica de aproveitamento é o distribuidor de esterco liquido (um carroção ou vagão pipa com distribuidores movidos quase sempre pela TDP). Pode-se proceder a lavagem das instalações pecuárias, se recolher este esterco junto com a água e se utilizar o distribuidor de esterco líquido para aplicação na pastagem. Essa ordem lógica serve bem a uma fazenda produtora, por exemplo de leite. Dessa forma, os ganhos em produtividade serão garantidos graças a uma sistemática de visão holística da propriedade e o importante suporte fornecido pela mecanização, ferramenta indispensável nos dias de hoje à produção do campo.

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A afirmação de alternância de implementos e métodos de controle de plantas daninhas para pastagens também deve ser observado, pois geralmente um método de controle apenas, durante anos sucessivos, acaba por “privilegiar” determinadas espécies invasoras. Notadamente, percebe-se que, por exemplo, o uso contínuo da roçadeira permite uma melhor resposta das gramíneas ao manejo e sendo satisfatoriamente eficaz contra a maior parte das espécies não desejáveis de folha larga.No entanto, deve se observar se algumas plantas que ocorrem, são indicadoras de problemas de ordem do equilíbrio mineral do solo.

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