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Marketing Esportivo
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INTRODUÇÃO
O marketing esportivo no futebol profissional surge como uma ferramenta capaz de agrupar os desejos dos clubes, dos atletas, da mídia e das empresas que trabalham com esse seguimento, visando o lucro e o reconhecimento de um bom trabalho. Utilizando-se das ferramentas do marketing tradicional e as adaptando para o mercado esportivo, muitas empresas vislumbraram um mercado que não parava de crescer. Porém não existia, ainda, profissional capacitado para desenvolver as necessidades de clubes e empresas ligadas ao meio esportivo. Com a globalização e a abertura de mercado internacional, muitas técnicas de marketing esportivo utilizadas em países, principalmente europeus, começaram a surgir no Brasil. Apoiado ainda em mudanças de leis que beneficiavam os clubes e agora também os atletas, faz com que o marketing no futebol possa ser indispensável para clubes e atletas. O marketing esportivo no futebol pode facilitar que atletas fiquem conhecidos, que clubes sejam projetados internacionalmente, que grandes empresas sejam consagradas, que marcas virem ícones, enfim, o marketing pode proporcionar a ligação do evento esporte com o principal interessado, o consumidor. A história mostra que mesmo clubes gloriosos ficaram esquecidos em um passado nem tão distante, em contrapartida clubes de menor expressão estão sempre na mídia, essa diferença pode ser fruto de um projeto de marketing esportivo. No caso do futebol, fica ainda mais claro que quanto maior o investimento no marketing esportivo, desde que de forma profissional, maior poderá ser o retorno, seja nos lucros seja na notoriedade do clube e de seus atletas. O principal problema que surge com a chegada do marketing esportivo no futebol pode ser o choque de novas tendências de mercado e toda tradição que envolve o futebol. Com a busca incessante de lucro as empresas de marketing esportivo utilizam-se de estratégias que podem acabar impactando nas tradições dos clubes. Desde criação de novos uniformes passando por mudanças administrativas chegando até na reestruturação total de um clube.

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Esse trabalho tem o objetivo de mensurar dados atuais e toda teoria relevante ao que acontece no mercado de marketing esportivo no futebol profissional. O que os autores no assunto conseguem planejar e demonstrar teoricamente que possam ser utilizados pelos clubes e seus atletas, por outro lado, o que os clubes e seus atletas fazem para não ficarem fora do mercado. O futebol pode ser o esporte de maior expressão no mundo, tudo que o envolve traz a atenção de milhões de pessoas, uma única partida pode levar mais de 200.000 pessoas em um estádio, como a final da Copa do Mundo de 1950 entre Brasil e Uruguai. Contudo as constantes mudanças do mercado fizeram com que clubes e atletas entrarem em uma grande crise, com exceção do mercado Europeu, seja por leis mal planejadas, por administradores amadores, pela falta de investimento do governo ou pela incapacidade de gerir uma organização. O trabalho executado pelo marketing esportivo no futebol profissional busca trazer o que na Europa funciona bem para clubes de todo o resto do mundo. É com essa ferramenta que volta a esperança dos clubes a serem atrativos novamente. Cada clube poderá empregar uma maneira de utilizar o marketing esportivo, a única certeza é que sem investimento nessa área é grande a possibilidade do fracasso da instituição. Trabalhar com uma base de atletas, criando conceitos inovadores, investindo em novos talentos e ser coerente administrativamente são regras a serem seguidas. Para o estudo e a implementação do marketing esportivo no futebol profissional em clubes faz-se necessário ler o que vários autores escreveram sobre como utilizar o marketing em um processo, além de acompanhar fórmulas atuais de sucesso em grandes clubes, trazendo a pratica atual e a teoria em um mesmo ambiente. Com a globalização do mercado se faz necessário cada vez mais à profissionalização dos setores, o futebol não foge a essa regra. A profissionalização de clubes, atletas e toda estrutura que envolve o meio esportivo, em particular o futebol, tornou-se a única maneira de se sustentar em um mercado competitivo. O crescente interesse de investidores pela indústria do entretenimento, aliado ao processo contínuo de transformação dessa indústria, no caso especifico deste trabalho, os clubes profissionais do futebol brasileiro, demonstra o cenário de constantes mudanças que estes vêm sofrendo durante as últimas décadas.

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A metodologia utilizada para a execução deste trabalho foi feita a pesquisa bibliográfica, onde foram consultados livros, sites, artigos, jornais, revistas e teses. O trabalho está estruturado em cinco capítulos, assim descritos: - No capítulo 1, será abordado os principais conceitos de marketing descritos por diversos autores; - No capítulo 2, será abordado tudo que envolve o marketing esportivo e suas principais estratégias; - No capítulo 3, será abordado o mercado do marketing esportivo no futebol profissional e como empresa e clubes podem se beneficiar com as estratégias desse novo negocio; - No capítulo 4, será abordada a influência do marketing no futebol nas tradições dos clubes; - No capítulo 5, será definido como foi à metodologia do trabalho executado.

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CONCEITOS DE MARKETING

Existem inúmeras definições para o que é marketing. Segundo Cárdia (2004, p.19 apud KOTLER, 2000, p.36) “marketing é um processo social e gerencial através dos quais indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam por meio de criação e troca de produtos e valores com outras pessoas”. Entre tantas definições de marketing essa é a que melhor se enquadra até os dias atuais. O mercado muda a todo instante, as necessidades, tanto de consumidores como de fornecedores faz com que o ciclo mercadológico não pare. O marketing pode ser formado pela estrutura básica dos 4 P’s. Onde o preço, a praça, a promoção e o produto, são a base para começar um planejamento de marketing. Estes quatro princípios de marketing devem ser observados amplamente, pois antes mesmo de um produto ser lançado é feito uma pesquisa de mercado, aliada aos planos de marketing da empresa que pretende colocar seu produto no mercado. Será necessário saber qual o público alvo que essa empresa pretende atingir, qual setor do mercado pretende penetrar, como será a divulgação de seus produtos, que tipo de produto será vendido e de que forma será feita a distribuição desse produto. Ao elaborar uma estratégia de marketing para um produto ou serviço, devemse levar em conta os objetivos que a empresa pretende alcançar alinhado com os desejos e necessidades dos consumidores, portanto pode ser necessário que o marketing venha a acontecer mesmo antes de ser definido o produto ou serviço que será oferecido pela empresa. Quanto mais bem elaborado o plano de marketing da empresa, melhores poderão ser os resultados. Por isso pode ser necessário o auxilio de uma pessoa com experiência para gerenciar esse planejamento.
[...] o gerenciamento de marketing, é a analise, o planejamento, a implementação e o controle de programas montados para criar, construir e manter trocas com consumidores em potencial de forma a atingir os objetivos das organizações, ou seja, todo o processo de produção até o consumo (CÁRDIA, 2004, p. 20).

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Com as mudanças exigidas pelo mercado, uma empresa que pretende obter sucesso, devera observar sempre se seu planejamento está sendo executado da forma como foi elaborado, obedecendo a prazos, contratos, valores, e principalmente se as necessidades dos consumidores estão sendo bem atendidas. Com o mercado mais exigente, várias empresas sentiram a obrigatoriedade de formar profissionais focados na gestão do marketing, objetivando melhor qualidade nos produtos e serviços desenvolvidos pelas empresas. Em um mercado concorrido pode ser mais fácil e mais barato manter um cliente do que conseguir um novo cliente. Clientes bem atendidos, satisfeitos com a empresa da qual consomem produtos ou serviços, tendo seus desejos atendidos serão clientes, possivelmente, mais fiéis. Quanto mais clientes fiéis uma empresa tem maior tende a ser seu retorno. Vários são os seguimentos mercadológicos do marketing; entre elas podemos citar:

1.1 MARKETING DE EMBOSCADA
O marketing de emboscada pode ser definido como uma associação não autorizada de uma empresa ou organização com um evento de marketing em particular, na qual essa empresa terá e ganhara benefícios sem os devidos pagamentos de direitos ou de licenças aplicáveis.
Marketing de emboscada é aquela ação ou série de ações que dão uma aparência de associação legal e direta de uma marca ou organização com um determinado evento, de forma a usufruir de seu reconhecimento, prestigio e benefícios como se patrocinador oficial fosse. (CÁRDIA, 2004, p. 174).

Existem agências de marketing que trabalham com o marketing de emboscada, e investem muito nesse tipo de marketing, porém esse tipo de ação pode ter resultados nem sempre de sucesso. O marketing de emboscada se manifesta em grandes eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas. Sempre existiram empresas concorrentes e conseqüentemente sempre poderá existir o marketing de emboscada, cabe aos patrocinadores oficiais serem

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competentes não deixando dúvidas quem está contribuindo para o sucesso dos jogos e dos atletas e cabe ao público julgar quem merece sua retribuição. Existem alguns aspectos legais que protegem os patrocinadores oficiais, mesmo assim o marketing de emboscada consegue alcançar seu retorno. A figura 1 mostra uma estratégia de marketing de emboscada utilizada por uma empresa que não está sendo anunciada na imagem, mas coloca o numero 404 ao lado do anuncio da Yahoo. O erro 404 é conhecido na web como erro de conexão com o servidor. •

Figura 1 - Estratégia de marketing de emboscada.

Fonte:http://macmagazine.com.br/blog/2007/04/27/anuncio-do-yahoo-super-Bem-posicionado-

Patrocinar a transmissão do evento pode dar a falsa impressão de que a emissora é a patrocinadora oficial do evento, assim também como comprar espaços de publicidade estática, colocando outdoors em torno do local do evento, tais práticas como essas são caracterizadas como marketing de emboscada.

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1.2

MARKETING PESSOAL
Um plano de marketing pessoal fará com que o profissional se diferencie dos

demais, e tenha mais chances de alcançar suas metas. Como profissional você estará disputando uma vaga no mercado de sua atuação. Para que consiga êxito nessa etapa terá que ter um planejamento. Para se diferenciar de alguém não é necessário que se tenha criatividade de sobra, mas saber usar o raciocínio. Falar o que o outro pretende ouvir, atingir um público alvo, pesquisar como sua carreira é vista no mercado e descobrir qual a idéia que pode diferenciar você do seu concorrente. Como acontece com produtos e serviços, o marketing pessoal terá que mostra o que o profissional tem de melhor. Mostre as diferenças pessoais como se fossem produtos novos, apresente ao cliente suas habilidades e informações. Um plano de marketing pessoal bem elaborado pode ser um passo importante para o sucesso. Como seus serviços serão vendidos, de que forma você pretende atingir o mercado, qual público você deseja atender, como será sua divulgação no mercado. O importante pode ser o fato de saber como se colocar no mercado, achar que qualquer proposta pode realizar sua expectativa não trará o sucesso. A figura 2 mostra as diversas faces demonstradas pelo marketing pessoal. •

Figura 2 – Marketing pessoal.

CAMPANHA “EU QUERO” TRABALHAR

Fonte: http://images.google.com.br/marketing_pessoal

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Relacionamento com pessoas de diferentes áreas será um fator determinante para que consiga obter mais informações globais, não é necessário saber tudo de tudo, mas saber um pouco de tudo faz a diferença. Pesquise as oportunidades especificas do mercado, aborde as estratégias de distribuição para esse novo mercado, como você se enquadra nesses novos nichos de mercado. Um erro muito comum pode ser o de não focar em um determinado segmento de mercado. Tentando assim trabalhar com todo tipo de cliente. Não há mais espaço para esse comportamento profissional. Os clientes querem, alem de atenção, todo o conhecimento de quem os atende, e isto, só a especialização poderá possibilitar. Por isso é extremamente importante a pesquisa do mercado onde se pretende penetrar. Pesquisar sobre os clientes que deseja alcançar, o mercado em que atuam, e até mesmo como o mercado vê sua profissão. Com os resultados das pesquisas em mãos consegue-se adequar o produto, que é o próprio profissional, no mercado dos negócios.

1.3

MARKETING DE GUERRILHA
Marketing de guerrilha são técnicas de propaganda que vem ganhando cada

vez mais espaço. Como não necessita de grandes investimentos acaba se tornando uma boa alternativa para empresas que possuem recursos limitados financeiramente. O objetivo não se diferencia das demais estratégias de marketing do mercado, que visa mostrar sua marca em eventos e espaços publicitários atraindo a atenção direta do público alvo, sem pagar espaços publicitários na mídia. Várias são as estratégias adotadas pelas empresas. Algumas fazem imitações de notas de dinheiro com a propaganda de seu produto no verso da nota. Atraindo dessa maneira a curiosidade do público. A Pizza Hut gastou cerca de U$ 1,25 milhões colocando anúncio em um foguete russo lançado ao espaço. Já se pensa em idéias meio malucas como transformar a Lua em um outdoor usando super projetores.

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A figura 3 mostra uma forma de marketing de guerrilha. •

Figura 3 - Estratégia de marketing de guerrilha utilizado pelo Hopi Hari nas escadas rolante de um shopping.

Fonte: http://foka.wordpress.com/

De acordo com especialistas, só nos Estados Unidos, cada consumidor pode ver cerca de 1,5 mil mensagens comerciais por dia. Cada dia cresce a quantidade excessiva de anúncios, diminuindo a eficiência que cada peça publicitária poderia alcançar. Existe uma outra vantagem que o marketing de guerrilha pode obter, principalmente quando se trata de pe quenas empresas, que são os baixos custos que essa estrategia necessita. A veiculação de eventos em redes de mídia é infinitamente mais custosa do que a execução de pequenos eventos com distribuição de brindes, surpreendendo e divertindo o público alvo definido antes pela empresa. A criatividade e as novas tecnicas , utilizando de planejamento e ousadia podem fazer a diferença no mercado.

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1.4

MARKETING DIRETO
Segundo Bird (1991, p.71), Marketing direto ou marketing de relacionamento

tem uma nova visão de como tratar o consumidor. A idéia de que o produto era exposto independente dos anseios dos consumidores, sem a preocupação com os desejos individuais não pode existir. A base do marketing de relacionamentos é formada pelas informações capturadas dos clientes e consumidores, que podem ser armazenadas em bancos de dados facilmente administrados. Os grandes bancos de dados armazenam informações importantes e individualiza os principais costumes de consumo dos consumidores alinhando esses dados com, potencializando as estratégias de abordagem. Esse novo cenário possibilita o contato direto com o cliente, mesmo sem a presença física, facilitado pelas novas ferramentas digitais. O contato pode ser feito com muitos clientes instantaneamente e individualmente.
"se a empresa não usa marketing direto a sua propaganda é um monólogo repetitivo, ainda que tenha criatividade e dê leões em Cannes. Mas, se a empresa usa um processo de marketing direto, então a sua comunicação é um diálogo, ou seja, ela fala às pessoas e ouve essas mesmas pessoas, continuamente”. (BIRD, Drayton, 1991, p. 198).

O marketing de relacionamento consegue agrupar duas funções: o estabelecimento de novos clientes e a fidelização dos clientes antes atendidos. Para que a conquista de novos clientes pode ser feita com anúncios, em feiras, eventos, por mala-direta, catálogos e cupons de resposta. Essas mesmas ferramentas podem ser utilizadas para a manutenção dos clientes. Os principais objetivos do marketing direto é individualizar e construir um relacionamento, melhorando o relacionamento, trazendo benefícios para os dois lados, empresa e cliente.

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A figura 4 mostra a nova maneira de contato com clientes. •

Figura 4 - Contato instantâneo e direto com o cliente.

Fonte: http://cmafax.cma.com.br/iface/index.php?1110071001

Conhecendo melhor os hábitos de seus clientes fica mais fácil a execução de vendas e o oferecimento de serviços. Por outro lado os clientes sentem-se mais importantes e exclusivos. Como em toda estratégia de marketing, o resultado é o objetivo. Mensurar o resultado pode ser feito por sistemas de telemarketing ativo e receptivo, ou por cupons promocionais. Todo tipo de informação será armazenado no banco de dados da empresa, com isso todas as informações dos clientes podem ser obtidas rapidamente. O marketing direto estreita o relacionamento entre cliente e empresa, com o agrupamento de informações e o contado individual com cada possível consumidor.

1.5 MARKETING ESPORTIVO

Segundo CARDIA (2004, p.19) define assim, “marketing é um processo social e gerencial através do qual indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam por meio de criação e troca de produtos e valores com outras pessoas” . O marketing pode ser formado pela estrutura básica dos 4 P’s. Onde o preço, a praça, a promoção e o produto, são a base para começar um planejamento de marketing.

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Antes mesmo de um produto ser lançado é feito uma pesquisa de mercado, aliada aos planos de marketing da empresa que pretende colocar seu produto no mercado. Será necessário saber qual o publico alvo que essa empresa pretende atingir, qual setor do mercado pretende penetrar, como será a divulgação de seus produtos, que tipo de produto será vendido e de que forma será feita a distribuição desse produto. Quanto mais bem elaborado o plano de marketing da empresa, melhores serão os resultados. Por isso faz-se necessário uma pessoa com experiência para gerenciar esse planejamento.
[...] o gerenciamento de marketing, é a analise, o planejamento , a implementação e o controle de programas montados para criar, construir e manter trocas com consumidores em potencial de forma a atingir os objetivos das organizações, ou seja, todo o processo de produção até o consumo. (CARDIA, 2004, p. 20).

Com as mudanças exigidas pelo mercado, uma empresa que pretende obter sucesso, devera observar sempre se seu planejamento esta sendo executado da forma como foi elaborado. Obedecendo a prazos, contratos, valores, e principalmente se as necessidades dos consumidores estão sendo bem atendidas. Em um mercado concorrido pode ser mais fácil e mais barato manter um cliente do que conseguir um novo. Clientes bem atendidos, satisfeitos com a empresa da qual consomem produtos ou serviços, tendo seus desejos atendidos poderão ser clientes fiéis. Quanto mais clientes fiéis uma empresa tem maior poderá ser seu retorno. No capítulo dois será detalhado como funciona o marketing esportivo.

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MARKETING ESPORTIVO
O marketing esportivo surge como um novo mercado a ser estudado e ainda

não apresenta um conhecimento especifico, comparado com outros negócios como o Direito, Educação, Administração, etc. Ainda não existem estudos profundos sobre os vários aspectos do marketing esportivo, entre esse e outros fatores fica claro que não há uma teoria conclusiva sobre o Marketing Esportivo (PITTS, 2002, pág. 75). A definição de marketing esportivo não é muito diferente do marketing utilizado em outros segmentos de mercado. A única diferença existente é o fato de estar voltado ao esporte. O marketing esportivo possui sua base nos mesmos 4 P’s que regem o marketing em âmbito geral. Mas no caso do marketing esportivo um outro P deve ser levado em conta, este sim próprio do esporte, que é a paixão. Uns dos combustíveis em qualquer esporte é a maneira com que seus torcedores e admiradores acompanham seus clubes e atletas. Foi com esse tipo de visão que inúmeras empresas começaram a entrar no meio esportivo, buscando um retorno melhor para suas organizações, vislumbrando um mercado ainda pouco explorado e com muito poder de consumo. O marketing esportivo pode ser uma forma de investimento segura quando comparada com outras, porém fica observado que, o mercado está em constante mudança, assim como suas necessidades. Consumidores cada vez mais exigentes, com interesses distintos. O esporte é uma das maneiras que o consumidor coloca suas emoções à tona, consumindo não só o evento realizado como tudo que o envolve. A figura 5 mostra as diversas formas de utilizar a marca da empresa que patrocina o evento, o clube ou o atleta.

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Figura 5 – Produtos esportivos patrocinados por empresas

Fonte: http://www.centauro.com.br/

Muitas empresas começaram a investir no esporte como forma de retorno mais rápido, ou seja, geralmente um evento esportivo tem um curto período para ser realizado, dessa forma os lucros ou eventuais prejuízos podem ser computados de uma maneira mais rápida. Lembrando que uma formula de sucesso não existe, porém um planejamento de marketing bem elaborado é um dos principais fatores para que o sucesso aconteça.

2.1 OS INVESTIMENTOS NO MARKETING ESPORTIVO
Os investimentos em marketing esportivos podem crescer ainda mais, não só no Brasil, mas também no mundo inteiro. Alguns fatores podem estimular o patrocínio esportivo, aspectos sociais, culturais, econômicos, participação no mercado esportivo e períodos que antecedam grandes eventos esportivos, como Olimpíadas e Copa do Mundo de Futebol. A tabela 1 mostra o crescimento do patrocínio esportivo no mundo.

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Tabela 1 – Crescimento do Patrocínio no Mundo (em valores nominais).

Crescimento do Patrocínio no Mundo
total de Valor de direitos de Continente patrocínio ano 2000 (em milhões de dólares) Europa Américas África Ásia Oriente Médio Pacifico Total 7.778 10.540 328 5.397 151 596 24.790 31,4 42,5 1,3 21,8 0,6 2,4 100 % do total mundial despesas com publicidade em 2000 (em milhões de dólares) 97.702 157.534 4.555 83.895 2.700 6.929 353.315 % de despesas de patrocínio em relação à publicidade 8 6,7 7,2 6,4 5,6 8,6 7

Fonte: Fonte: CÁRDIA, Wesley. Marketing e patrocínio esportivo. Porto Alegre: Bookman, 2004, p.28.

O gráfico 1 mostra o investimento em patrocínio esportivo dividido em continentes. •

Gráfico 1 - Investimento em Patrocínio por regiões

Asia 21,8% Pacifico 2,4%

Oriente Medio 0,6%

Europa 31,4%

Americas 42,5%

Africa 1,3%

Fonte: Fonte: CÁRDIA, Wesley. Marketing e patrocínio esportivo. Porto Alegre: Bookman, 2004, p. 29.

O principal fator que leva empresas a entrar no mercado de marketing esportivo é o fato de um investimento de pouco risco aliado ao rápido retorno que esse tipo de investimento propicia.

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Mesmo o governo não investindo de maneira sólida no esporte, ainda sim o retorno de investimentos da iniciativa privada é certo. A tabela 2 mostra o investimento do governo no esporte brasileiro. Apenas no ano de 2007 com o Pan Americano foi liberado mais verba para o esporte, isso por que se fez necessário à construção de alojamentos, estádios e toda infra-estrutura da cidade que foi cede dos jogos. • Tabela 2 - Investimento do governo no esporte (valores nominais em milhões de reais). 2002 2003 2004 2005 2006 2007
Fonte: Pesquisa do autor.

339,1 368,6 198,2 187,9 208,2 934,3

Pode-se dizer, portanto que “no marketing esportivo, o retorno maior é a maximização da marca do patrocinador – o retorno publicitário que, ao fixar a imagem da marca, se torna um excelente retorno institucional”. (MELO NETO, 2003, p. 219).

2.2 O PATROCÍNIO
Quando uma empresa resolve patrocinar um clube ou um atleta, busca com isso fixar sua marca com o público envolvido nesse mercado. Se o objetivo da empresa que vai patrocinar é atingir um determinado público terá que necessariamente buscar atletas e eventos que fazem parte do circulo esportivo que envolve aquele público. Patrocinar um atleta de tênis, por exemplo, não fará com a empresa atinja objetivos em classes de menor renda, portanto o plano de marketing da empresa terá que conter informações bem claras, para que problemas como esse não possa ocorrer.

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O aumento da intenção de compra de uma marca quando está é patrocinadora de um clube é determinante para o retorno do investimento. Alem dos direitos pagos pelas transmissões do evento, a venda de produtos ligados ao clube traz para a empresa um lucro significativo. A tabela 3 mostra a valorização de uma marca quanto está patrocina algum time profissional. •

Tabela 3 – Valorização de uma marca quando está patrocinando um time profissional

Quando um determinado time passa a ser patrocinado por uma marca o que ocorre com a intenção de compra desta marca? Aumenta Fica Igual França Brasil Coréia do Sul China 18% 40% 63% 73% 79% 58% 29% 15% Diminui 3% 2% 1% 2% Resultado Crescimento de 15% Crescimento de 38% Crescimento de 62% Crescimento de 71%

Fonte: Fonte: CÁRDIA, Wesley. Marketing e patrocínio esportivo. Porto Alegre: Bookman, 2004, p.99. A grande preocupação quando uma empresa pensa em patrocinar um esporte e principalmente um clube de futebol é o resultado inverso que essa ação provocara nos fãs ou torcedores dos outros times. Se o fã é um consumidor em potencial, se o torcedor é um cliente fiel, patrocinar um determinado clube pode inibir o consumo dos torcedores dos demais clubes (CÁRDIA, 2004, p 98).

Um evento esportivo pode ser vendido para várias empresas ou mesmo para uma única empresa. A venda de patrocínio para várias empresas é a forma mais utilizada. Cotas de patrocínio são vendidas a fim de que empresas que tem interesse nesse mercado possam investir seus recursos.

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2.3 TRANSMISSÃO E AUDIÊNCIA
Os retornos do investimento feitos pelas empresas patrocinadoras provem da venda de transmissões do evento, placa de merchandising dentro do local do evento, produtos e serviços oferecidos, divulgação de sua marcar pelos atletas e equipes. Contudo o maior retorno é o que oferece as transmissões televisivas. Mesmo ainda sendo um mercado pouco explorado, o retorno oferecido pelas transmissões é algo tentador. O gráfico 2 mostra o crescimento dos direitos de transmissão de eventos esportivos(em milhões de dólares). •

Gráfico 2 – Crescimento dos direitos de transmissão(valores nominais em milhões de dolares). 3305 2463 1850 1979

1999

2000

2001

2002

Fonte: Os direitos de transmissão na Europa (em milhões de dólares) (CÁRDIA, 2004, p.52).

A briga pela audiência entre emissoras de radio e televisão é implacável, envolvendo milhões de reais. As transmissões de competições mais importantes são transmitidas com cobertura total do evento, como acontece com as Olimpíadas. Os direitos de transmissão televisiva dos principais eventos esportivos dos últimos 25 anos estão, praticamente com exclusividade, em poder da Rede Globos de Televisão, alcançando índices que superam suas concorrentes na medição de audiência, feita pelo Ibope (Instituto Brasileiro de Pesquisa). A tabela 4 mostra os índices de audiência entre emissoras de televisão durante o jogo entre Corinthians e Internacional.

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Tabela 4 – Pontos de audiência no Ibope

Rede Globo SBT Record Bandeirantes Cultura Rede TV
Fonte: IBOPE

36 9 7 11 2 0

Para que exista o retorno desejado, os pacotes de patrocínio têm que ser inteligentes e saber avaliar o tipo de esporte que está sendo vendido, para, de acordo com suas capacidades e características, poder propiciar ao patrocinador o melhor retorno possível. O evento esportivo é dividido em várias etapas durante sua realização. Festas de abertura e de encerramento são importantes para que exista confraternização por parte dos atletas. Eventos de grande porte como as Olimpíadas ou a Copa do Mundo, promovem o fair play assim como a paz mundial, assim como momentos de tréguas entre nações.
[...]um fator importante para que a realização do evento é o convite de grandes personalidades. Não só os atletas consagrados, mas também pessoas importantes, dentro e fora do âmbito esportivo. “Desde que o mundo é mundo, as pessoas gostam de estar próximas de personalidades e celebridades e de falar e tirar fotos com elas [...]” (CÁRDIA, 2004, p. 65).

Outra importante providencia que se tomar na organização do evento é hospitalidade oferecida ao público em geral, incluindo quem está trabalhando no evento. As pessoas da mídia têm que ter uma colocação em locais estratégicos dentro do local do evento. Quanto melhor posicionado estiverem os canais de mídia melhor será a transmissão do evento. É importante passar ao público todo tipo de informação, desde meios de transporte até preços de produtos e serviços que serão oferecidos. Quanto mais informações forem passadas, melhor será a organização do evento. Sabendo que o investimento a ser feito devera ter um retorno, as empresas que patrocinam um evento, um clube ou até mesmo um atleta, terão que, antes do fechamento da negociação de patrocínio estudar o contrato com muita cautela. Tudo que foi acordado em reuniões terá que estar no contrato.

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Um contrato bem definido pode trazer até mesmo o possível retorno do que foi investido pela empresa patrocinadora. Entre outros objetivos o contrato protege quem patrocina e quem vende o patrocínio, ou seja, no contrato estão estipuladas todas as obrigações e deveres das partes envolvidas. Com o profissionalismo do marketing esportivo surgiram no mercado agências especificas para esse novo ramo de atividade.
Uma agência de marketing esportivo é uma empresa cujas atribuições englobam a criação, a construção, o gerenciamento, o aprimoramento e a comercialização do objeto esportivo, bem como de sua imagem, de suas relações com a mídia, com as agências de publicidade e comunicação, com parceiros de negócios e patrocinadores. Sua meta, por meio de sua expertise em esportes e marketing, é potencializar os resultados das diversas partes envolvidas na busca dos melhores resultados para todas as partes. (CÁRDIA, 2004, p. 215).

Com o maior profissionalismo exigido por todos os envolvidos no marketing esportivo, os atletas terão que se enquadrar nesse novo mercado. Será de enorme importância o marketing pessoal que cada atleta irá adotar. O atleta será a vitrine na qual os produtos do patrocinador serão demonstrados. A personalidade do atleta é vinculada ao produto que nele é mostrado, portanto todas as atitudes tomadas pelos atletas terão que ser adequadas. O patrocinador poderá se beneficiar se o atleta seguir uma vida sem grandes problemas. Quanto mais comportado for esse atleta, melhor sua imagem será divulgada. Um atleta vencedor e bem estruturado na vida é a chave para o sucesso do patrocinador.
O que precisamos ter em mente é que não basta mais o belo trabalho. Não bastam os bons resultados. Os bons resultados, o trabalho brilhante, a qualidade daquilo que realizamos são a pedra fundamental de tudo, mas o brilho do trabalho e o reconhecimento pelos olhos dos outros são o que nos faz valer mais no mercado. Não basta ser, é preciso também parecer (CÁRDIA, 2004, p. 206).

Dentro desse contexto a imagem do atleta é fundamental, e pode se tornar à porta de entrada para o sucesso e o retorno esperado por quem está patrocinando. Não só o atleta terá que se preocupar com sua imagem, mas tudo que envolve o evento esportivo passara pelas mudanças necessárias para se adequar ao mercado e os desejos do consumidor.

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Administradores de arenas e estádios que possam abrigar um evento esportivo terão que se adequar ao novo momento do mercado. Patrocinadores investem muito, porém querem um retorno, e isso só pode ocorrer com a maior organização dos eventos.

2.4 VALORIZAÇÃO DOS LOCAIS DO EVENTO
Uma das maneiras utilizadas pelos patrocinadores para conseguirem grandes resultados de marketing e estabelecer uma forte relação com as comunidades onde são construídos os estádios e arenas, é o patrocínio do estádio ou arena, vinculando o nome do estádio ao do patrocinador. O patrocínio do estádio pode dar a empresa que o patrocina um leque de vantagens. Pode utilizar o estádio para vários eventos, confraternizações com empresas parceiras, vender locais de publicidade para outras empresas. Se utilizar do estádio para realizar ações sociais, agregando valor social a sua empresa.
A tendência das corporações de patrocinar complexos esportivos veio para ficar. Talvez existam poucas possibilidades dentro do marketing em que o investimento traga tantos benefícios simultâneos para o patrocinador quanto o de firmar o nome de uma empresa, produto ou serviço no topo de um estádio ou de um setor de um complexo esportivo (CÁRDIA, 2004, p. 89).

“Patrocinar equipes, estádios, arenas e atletas de sucesso melhora e reforça a imagem de qualquer empresa e de suas marcas, alem de divulgá-las melhor. Este é o maior retorno do marketing esportivo” (MELO NETO, 2003). Existem algumas formas de parcerias dentro do meio esportivo. Uma delas é a parceria entre uma empresa privada e uma prefeitura, por exemplo. A fim de realizar um evento em uma determinada cidade, pode-se fazer uma parceria entre prefeitura e empresa privada. A empresa organiza o evento em conjunto com a prefeitura. Os lucros existem da mesma forma. A empresa terá o retorno pela fixação de sua marca e a venda de seus produtos e serviços no evento. Por outro lado à prefeitura lucra com o turismo que acontecera na cidade, por conseqüência do evento. Uns dos eventos de maior sucesso de parceria foram os Jogos Pernambucanas, uma ação voltada ao público jovem. Uma parceria entre a empresa

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Casas Pernambucanas e o Estado do Paraná e santa Catarina. Os jogos aconteceram entre os anos de 1982 e 1990. “A empresa pretendia fortalecer sua imagem com o público jovem. Logo no primeiro ano atraiu a tensão de milhares de estudantes, triplicando nos seguintes anos” (NICOLINI, 2006, p. 122). O evento é lembrado até hoje por sua organização e por sua ação social. O marketing esportivo trabalha com um público diferenciado da maioria dos demais segmentos de marketing. Ele trabalha com um mercado, consumidor e clientes que tem uma ligação com o produto do que qualquer outro negocio. E isso faz do marketing esportivo uma fonte de investimentos seguro. Desde um evento dirigido ao público jovem até um evento de grande porte atrai fãs e clientes, seja pelo esporte praticado ou pelos atletas envolvidos no evento.
Conhecer esses grupos de clientes e os mercados nos quais atuam é fundamental para atingir os objetivos desejados, como ocorrem nas demais disciplinas mercadológicas. Saber diferenciar fãs, participantes e não participantes entre os clientes, assim como os mercados primários e secundários e suas subdivisões, são condição primordial para táticas e estratégias nesse setor (CÁRDIA, 2004, p.122).

A marca é a propriedade de marketing mais valiosa de um clube, uma equipe ou mesmo um atleta pode dispor no mundo dos esportes e do marketing esportivo. Da mesma maneira os fãs constituem o bem mais valioso que um esporte, atleta, equipe, clube ou liga podem ter. Para qualquer empresa que pretende patrocinar um clube, atleta ou equipe, os fãs são fundamentais. É através dos fãs que a empresa focara seu investimento no mercado. Pesquisar os desejos desses fãs, saber o que eles costumam consumir nos eventos, saber a que tipo de classe social esse fã pertence. Toda informação poderá ser usada para aumentar às vendas dos produtos e serviços do patrocinador do evento. O patrocínio esportivo deve ser encarado como qualquer outro negocio de marketing, estando sujeito a contratempos de mercado e mudanças de desejos dos consumidores, como em qualquer segmento mercadológico.
O esporte é um valor cultural que mobiliza grande contingente de pessoas por apresentar em sua essência um forte conteúdo lúdico e emocional. Quer

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como praticante, quer como espectador, parte da população mundial vai a estádios, quadras e piscinas em busca de um espetáculo ou a procura dos benefícios para a saúde que a atividade física proporciona (NICOLINI, 2006, p.11).

A paixão que envolve o meio esportivo é o fator de sucesso no marketing esportivo. Dificilmente um cliente troca seu time futebol, ou deixa de torcer pela equipe de sua preferência, mesmo que não estejam trazendo resultados positivos. Essa fidelidade que atrai empresas a entrarem no mercado esportivo. Vincular a imagem de um clube, atleta, equipe a uma empresa “faz com que o investimento seja menor em relação a outro tipo de negócios e o retorno é garantido” (MELO NETO, 2003).

3

O

MERCADO

DO

MARKETING

ESPORTIVO

NO

FUTEBOL

35

Para Porter (1998, p.38) as indústrias podem produzir uma infinidade de produtos, agregando valor para o consumidor, seja com qualidade, em números de ofertas, comercializando esses produtos para públicos distintos, variando demograficamente, diferenciando-se quanto às vontades, desejos, necessidades ou exigências. O mercado esportivo é composto por produtos oferecidos aos consumidores relacionados a práticas esportivas, lazer, recreação ou diversão, podendo incluir atividades, bens, pessoas, serviços e lugares (PITTS; MILLER, 1994, p.76). Vários são os exemplos dos tipos de produtos que podem ser disponibilizados pelas empresas de esportes, como: Participação: esportes oferecidos como produtos participativos, como a Pratica e envolvimento esportivo: acessórios necessários na pratica esportiva, Instalações: estádios, ginásios, quadras, complexos, etc: Brindes: materiais utilizados para promover o evento, como chaveiros, Atividades: corridas, natação, canoismo, etc: Consultores: envolvendo a administração do evento, o marketing implantado, participação em um campeonato de futebol de salão; como protetores, uniformes e equipamentos;

camisetas com logotipos ou escudos, bonés, etc;

as estratégias de divulgação e o balanço financeiro;

3.1 O FUTEBOL NA ECONOMIA
O futebol é o responsável pela maior parcela do movimento econômico do mercado esportivo no Brasil, estabelece um contado não apenas com atletas, técnicos ou dirigentes, mas um número não mensurável de pessoas, ligadas ou não ao espetáculo, resultando em investimentos da ordem de US$ 260 bilhões, que são resultado do grande interesse de redes de comunicação, patrocinadores, marcas de materiais esportivos, audiência, entre outros. Para Cárdia; Wesley (2004), o futebol se diferencia de outros setores da economia por ter origem da união de entidades federativas, profissionais únicos e

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continentais, que chegou a uma maturidade exatamente quando a economia atravessava uma mudança extrema, em meados dos anos 90. Mesmo o Brasil sendo uma das 10 maiores economias do mundo, sua representatividade junto ao valor movimentado pelo esporte é de apenas 1%. Segundo Cárdia; Wesley (2004) se o Brasil desse ao futebol a sua real importância enquanto negocio poderia aumentar essa participação em torno de R$ 4 bilhões. Esse aumento de participação no negocio futebol geraria uma melhoria em tudo que envolve o mercado esportivo, seja em mão de obra, participações e até mesmo em um impacto econômico e social do país. No Brasil o futebol enfrenta uma crise grave, algumas mudanças como a lei Zico em 1993, a lei Pelé em 1998, a obrigatoriedade da publicação de balanços por parte dos clubes em 2003, com o Fisco e a Previdência vigiando de perto a contabilidade dos clubes em conjunto o Estatuto do Torcedor. A tabela 5 mostra a atuação do governo, com leis, no futebol profissional. •

Tabela 5 – Ações do Governo para o esporte

Ano 1941 1991 1995 2001

Características das ações do Governo na história Com Getulio Vargas no Governo ficam estabelecidas as bases da organização do esporte no Brasil, com a primeira lei para esportes reconhecida pela legislação brasileira. Surge a Lei Zico, prometendo a modernização do esporte. (ANEXO-A) É criado o Ministério Extraordinário dos Esportes e três anos depois a Lei Pelé substitui a Lei Zico. (ANEXO-B) Unificação da legislação esportiva existente no Brasil. Conclusão da CPI da Nike, defendendo a transparência e moralização do futebol. O Governo Lula institui o Ministério do Esporte em separado das demais pautas. O relator do Estatuto disponibiliza o texto a todos para que assim possa receber sugestões. A Lei da Moralização do futebol provoca polemica. 1ª Conferencia Nacional do Esporte definindo o Sistema Nacional do

2003

2004

Esporte e Lazer, que norteara o projeto final do Estatuto do Torcedor, Esse projeto vem acompanhado sanção da Bolsa Atleta, pelo Presidente Lula.

FONTE: Gazeta Esportiva (2007)

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Não foi apenas pelas leis governamentais que os clubes viram a necessidade de transformação, mas muito em virtude de todo processo pelo qual passava o mercado esportivo, com falta de recursos e investimentos em clubes, a falta de profissionalismo, a quase nula participação do marketing esportivo dos clubes, entre outros aspectos. Com a falta de investimentos em clubes o torcedor começa a perder interesse pelo evento, diferente do que acontece na Europa. Cada vez mais cedo nossos craques vão para a Europa, com isso o nível do futebol aqui nos pais cai, o torcedor vendo isso deixa de prestigiar o evento. Outro fator que afugenta os torcedores dos estádios é a violência. É comum ver estádios quase sem torcedores, mesmo em grandes clássicos. A figura 6 mostra um estádio com mais de 100.000 pessoas em uma partida de futebol do campeonato brasileiro em 1990. •

Figura 6 - Estádios lotados.

Fonte: Lancenet(2007)

No começo da década de 90 começa um processo rápido de saída de jogadores para outros países. Seja pelo forte poder de compra de países europeus ou pelo pouco investimento no esporte que o Brasil oferece. O marketing no futebol pode mudar essa idéia, porém os investimentos da iniciativa pública e privada terão que estar alinhadas em busca de um só objetivo. Para Contursi (1996) o marketing abrange conhecimento de mercado, de consumidores, público alvo, desenvolvimento de produtos, comunicação, vendas,

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estabelecimento de preços alinhado com os desejos dos consumidores. No esporte não é diferente, o marketing esportivo deve observar estes aspectos e determinar um planejamento estratégico a fim de atrair todos os olhares para seu clube. Os clubes brasileiros não estabelecem metas de longo prazo, preocupandose apenas com as promoções e vendas instantâneas devido ao limitado investimento em marketing.

3.2 POTENCIAL FINACEIRO NÃO EXPLORADO PELOS CLUBES
O potencial financeiro que envolve o esporte brasileiro não é aproveitado pelos clubes do país, mostrando a falta de profissionalismo com a gestão administrativa. A relação abaixo mostra alguns exemplos (LANCENET, 2006): 1) Bilheteria: a melhor média de todos os campeonatos foi de 13.000 torcedores

por jogo, em 2004, que é muito inferior à média dos EUA com 15.000 torcedores por jogo, onde o futebol não é a preferência do público. 2) Patrocínio: O Corinthians tem a melhor arrecadação entre tosos os clubes

brasileiros, cerca de R$20 milhões por ano. Quando comparado ao Manchester United, clube Inglês, que fatura R$ 202 milhões por ano, fica claro a falta de gestão no esporte brasileiro. 3) Imagem do jogador: em clubes Europeus, quando se adquiri o jogador é

exigida uma participação de 50% no valor publicitário que ele venha a assinar. No Brasil isso não é feito. 4) Camisas: os maiores clubes nacionais vendem aproximadamente 100.000 camisas por ano, sendo que a pirataria vende o triplo disso em produtos falsificados. 5) Consumo nos estádios: se comparado a clubes europeus, onde o torcedor

gasta boa parte do seu dinheiro, com lanches, camisetas, presentes, etc. O torcedor brasileiro gasta seu dinheiro fora do estádio, com ambulantes, muitas vezes não autorizados, e produtos falsificados.

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Os clubes brasileiros perdem milhões em produtos falsificados. Enquanto que na Europa cada clube de ponta possui mais de 800 produtos licenciados com suas marcas, rendendo milhões de dólares. Fica nítida a diferença de administração entre clubes europeus e brasileiros. Desde a gestão de estádios passando pela responsabilidade com os torcedores. Na Europa os ingressos são mais caros, sendo justificado pelo valor agregado que este oferece. Como a segurança para o torcedor e sua família, diferente do que acontece nos estádios brasileiros, onde as cenas de violência são comuns, afastando assim o público.

3.3 A MODERNIZAÇÃO E O LUCRO
Ainda existem algumas exceções, como o clube Atlético Paranaense, que possui uma arena nos moldes europeus, financiada por uma empresa multinacional, que investe mais de US$ 1,5 milhões. A figura 7 mostra a arena Kiocera, cede do clube Atlético Paranaense, nos moldes dos estádios europeus, um dos estádios mais modernos da América Latina.

Figura 7 - Arena Kiocera

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Fonte: www.fae.edu/.../imprimir.asp?lngIdNoticia=29380

Outra administração diferenciada pode ser a praticada pelo São Paulo Futebol clube, que desde a década de 90 investe na criação de novos talentos, criando centro de treinamentos, tudo em parceria com a iniciativa privada. Mas mesmo com essa forma moderna de administração, fica muito abaixo dos lucros que poderiam ser obtidos com o esporte isso quando comparada aos resultados de estratégias parecidas como a do Manchester United. A tabela 6 mostra os lucros de dois grandes times do mundo um brasileiro e outro europeu. •
Tabela 6 - A comparação entre um clube brasileiro e outro europeu em lucros obtidos no ano de 2004(valores nominais em milhões de reais).

“LUCRO NA EUROPA, PREJUIZO NO BRASIL”. Manchester United 347 316 202 42 0 30 937
FONTE: Lancenet (2007)

RECEITAS Televisão Bilheterias Patrocínios Consumo no estádio Venda de jogadores Outros TOTAL

São Paulo Futebol Clube 20 10 10 0 23 20 83

Mesmo existindo modelos de sucesso externos, percebe-se que tais modelos são pouco utilizados pelos clubes brasileiros, que na maior parte das estratégias focam ações de curto prazo, isso acontece em detrimento a fatores culturais, econômicos, políticos, sociais e a maneira particular de cada clube entender o mercado que está situado.

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3.4 O MERCADO AINDA NÃO EXPLORADO
A analise mostra que existe um grande potencial ainda a ser explorado, onde a mão-de-obra não é problema, modelos externos podem ser aproveitados e a própria cultura do país favorece, pois o futebol segue como a paixão do brasileiro. O maior problema encontrado na elaboração desse trabalho foi à falta de políticas de marketing no futebol profissional bem definida. Ainda existem poucos estudos relacionados ao mercado que envolve o negocio futebol. Muito se fala e escreve sobre o entretenimento futebol, mas pouco é detalhado do que existe por traz desse mercado que pode movimentar bilhões de reais. Poucos são os autores que descrevem como funciona o marketing no futebol, portanto foi fundamental a leitura de artigos, publicações, revistas, esclarecimentos com pessoas que vivem do futebol e tudo que envolve o marketing do futebol profissional.

AS TRADIÇÕES E O MARKETING QUE ENVOLVE O FUTEBOL
4

42

[...] nada pode ser mais emocionante para quem vive no meio do futebol que um estádio lotado. Os gritos dos torcedores, as bandeiras, a vibração, a energia que vem das arquibancadas, todo esse conjunto faz com que o futebol seja uma das paixões onde quer que exista este esporte. (NETO, 2007).

O mercado esportivo , assim como qualquer mercado, passou e ainda passa por grandes mudanças. A globalização mostrou o que existe de melhor e de pior no mercado esportivo do futebol, com isso mostrou como as diferenças não ficam apenas no futebol apresentado pelas equipes dentro de campo, mas também na maneira de administrar e investir nos clubes e jogadores. O Brasil sempre foi conhecido no mundo pelo futebol e seus grandes jogadores, como Pelé, Garrincha, Rivelino, Zico, entre outros, que brilhavam nos campos. Ao contrario de hoje no passado não existia tanta mídia no esporte, os grandes jogadores eram vistos apenas em Copas do Mundo ou em competições internacionais. Diferente do que acontece hoje, onde jogadores, ainda jovens, saem do país para jogar em clubes estrangeiros sem ao menos ser conhecidos dentro de seu próprio país. O grande investimento de clubes estrangeiros em atrair atletas jovens pode se dar ao fato de que quanto mais jovens os atletas forem adquiridos maior será o possível retorno do que foi investido. Essa pode ser a característica mais marcante no futebol atual. A nova realidade do mercado do futebol deixa clubes e torcedores com um grande problema nas mãos; deixar de lado toda tradição que fez do Brasil o pais do futebol, ou entrar na briga do mercado e fazer do clube uma empresa, pensando em lucros e profissionalismo? Grandes craques do nosso futebol debatem essa idéia de maneira contraditória. Segundo Pelé (2006) “os clubes tem que pensar como empresas, só assim poderão sobreviver no mercado do futebol, onde investidores procuram certezas e não tradição ou cultura”. Já na visão de José Ferreira Neto (2007) ”os clubes tem sim que pensar como empresa, porém não podem deixar toda sua história de lado, pois foi está que fez o clube ser o que é hoje”. Outro posicionamento importante é a do técnico Wanderley Luxemburgo (2007) “os clubes são empresas e assim tem que ser administrados, e bem

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administrados, do contrario não terão sucesso, a tradição faz parte do clube e não pode ser deixada de lado”. Muito se discute sobre o assunto e o que se pode notar vem do fato que em clubes europeus essa “mistura” de tradição e profissionalismo vem dando resultados. A tabela 7 mostra o retorno do investimento feito em uniformes com cores diferentes das contidas nas bandeiras dos clubes. •
Tabela 7 – investimento e retorno no investimento em uniformes não tradicionais (em Reais).

Clubes Barcelona (Espanha) Chelsea (Inglaterra) Olimpirque (França)
FONTE: Lancenet (2007)

Investimento Retorno do investimento 3.500.000,00 5.600.000,00 6.300.000,00 2.500.000,00 8.250.000,00 3.400.000,00

4.1

UNIFORMES
A grande estratégia dos clubes vem sendo o investimento em uniformes. Esse

tipo de estratégia existe a muito tempo no futebol europeu que, mesmo fugindo das tradições dos clubes, estão obtendo retorno lucrativo, como ficou comprovado na tabela 3. O Barcelona, time espanhol, tem nas suas cores originais o azul e o vermelho, com seu uniforme principal baseado nessas cores. Porém, investiu em um novo uniforme, fugindo de suas tradições, como mostra a figura 8. Obteve grandes lucros com essa estratégia.

Figura 8 – Diferenças entre uniformes do Barcelona Uniforme tradicional Uniforme inovador

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Fonte: http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-73816128-_JM

O Chelsea, poderoso time inglês também investe em inovações que fogem de suas tradições. Assim como outros clubes o Chelsea surpreendeu com um uniforme inovador e também alcançou lucros. Fugindo da tradição de suas cores azuis e brancas, apostou em um verde diferente e vibrante, como pode ser visto na figura 9. •

Figura 9 – diferença entre uniformes do Chelsea Uniforme tradicional Uniforme inovador

Fonte: http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-73816128-_JM

Outro grande clube europeu a investir nas inovações de uniforme foi o Olimpirque de Marsellas, clube francês. Segundo as tradições do clube representadas pelas cores azul e branco, inovou com um uniforme alaranjado como pode ser visto na figura 10.

Figura 10 – diferenças entre uniformes do Clube Olimpirque de Marsellas.

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Uniforme tradicional

Uniforme Inovador

Fonte: http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-73816128-_JM

A nova tendência de inovar nas cores do uniforme ainda está tomando formas aqui no Brasil. Poucos clubes apostam nessa estratégia de marketing, uns por medo de manchar a tradição dos clubes, outros por achar que isso não faz parte do futebol e outros ainda por não ter dinheiro para investir. Segundo o ex-jogador Sócrates (2005) “investir em uniformes é uma maneira de fazer o público investir no clube, pois por mais diferente que a camisa seja não será está que ira tirar o brilho do espetáculo, menos ainda dos amantes do futebol”. Os maiores investimentos no Brasil em uniformes foram pelos clubes paulistas e cariocas, principalmente por Palmeiras, Fluminense e Corinthians. Investimento ainda muito tímido quando comparado ao mercado europeu. A tabela 8 mostra os investimentos feitos pelos clubes em novos uniformes e o retorno conseguido até agora. •
Tabela 8 – investimento feito em uniformes e o retorno obtido, em reais (R$).

Clubes Palmeiras Fluminense Corinthians
FONTE: Elaborada pelo autor (2008)

Investimento 400.000,00 250.000,00 580.000,00

Retorno do investimento até agora 385.000,00 320.000,00 530.000,00

Por ser ainda recente os investimentos não tiveram retorno integral. O Palmeiras lançou seu uniforme inovador a menos de 2 anos, o Corinthians a menos de 6 meses e apenas o Fluminense lançou seu uniforme a mais de 2 anos, alcançando assim o lucro desejado com a estratégia. Só para se ter uma idéia de que como pode ser lucrativa essa tendência do mercado do futebol, segundo dados da patrocinadora do uniforme corintiano a Nike,

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em uma única manha foram vendidos mais de 250 camisas do novo uniforme do Corinthians, com preço médio de R$ 150,00 cada. A figura 11 mostra os diferenciais existentes entre o uniforme tradicional e o inovador do clube Fluminense. •

Figura 11 – Diferenças entre o uniforme tradicional e o inovador do Fluminense. Uniforme Tradicional Novo uniforme

Fonte: http://lista.mercadolivre.com.br/camisa-fluminense

O Palmeiras também apostou no seu novo uniforme, mudando bastante as cores que sempre fizeram parte das tradições do clube. Por ser de origem da colônia italiana o Palmeiras sempre teve o verde escuro com sua cor predominante, provinda da bandeira italiana. Com a nova camisa o palmeiras pretende lucrar e mudar o habito de seu torcedor, mas deixando um pouco de lado a tradição do clube. A figura 12 mostra como ficou o novo uniforme do Palmeiras e quais as diferenças do uniforme tradicional.

Figura 12 – Diferenças entre os uniformes, tradicional e inovador do Palmeiras.

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Uniforme tradicional

Uniforme inovador

Fonte: http://lista.mercadolivre.com.br/camisa-palmeiras

A mudança que pode ser considerada a mais marcante dentre os clubes brasileiros foi à proporcionada pelo Corinthians, clube de grande torcida que se prende muito a tradição da sua história.
[...] o Corinthians passou por uma fase critica de sua história, com graves problemas financeiros, políticos e administrativos, culminando com o rebaixamento para a série B do campeonato brasileiro e tendo seu presidente afastado por lavagem e corrupção. A camisa roxa é mais uma arma para arrecadar dinheiro e suprir as contas do clube. (Neto, 2008).

A estratégia dos patrocinadores e da diretoria corintiana vem se mostrando positiva, em pouco tempo de lançamento a nova camisa já obteve ganhos superiores ao estimado, mesmo ainda não sendo unanimidade entre torcedores e diretoria, que relutam em deixar a tradição em busca de inovações. A figura 13 mostra a diferença entre o uniforme tradicional e o uniforme inovador do Corinthians. Lembrando que as cores predominantes da camisa e escudo do clube são o preto e o branco.

Figura 13 – diferenças entre o uniforme tradicional e o inovador do Corinthians.

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Uniforme tradicional

Uniforme inovador

Fonte: http://lista.mercadolivre.com.br/camisa-corinthians

O novo cenário de investimentos pode ser iniciado com estratégias como estas, começando com uniformes, que já foram testadas e aprovadas em outros países. Porém, não deve ficar restrito a isso, o mercado do futebol muda constantemente, fazendo com que clubes também devam mudar se profissionalizando seguindo os exemplos dos grandes clubes europeus.

4.2

ESTÁDIOS E ARENAS
Outro grande fator importante para os clubes de futebol profissional do Brasil pode ser o investimento em arenas e estádios. O Brasil pode ainda estar longe de ter estádios como os que existem na Europa, mas já consegue caminhar para um futuro promissor. Muitos investimentos estão sendo feitos na construção e melhoria dos estádios brasileiros e ainda tem muito por vir.
[...] os clubes brasileiros em conjunto com o setor público já investiram mais de R$ 900 milhões em reformas e construções de estádios e ainda pretendem investir mais de R$ 1,5 bilhões até o inicio da Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil. (A Gazeta Esportiva Net 2008).

Estádios como os mostrados na figura 4 passaram por grandes mudanças para que pudessem se adaptar as normas impostas pela FIFA (Fédération Internationale de Football Association) órgão supremo do futebol mundial.

49

Em muitos estádios foi diminuída sua capacidade de lotação, por precauções perante a segurança do público, passando a oferecer serviços mais adequados, como higiene, alimentação e melhores condições para apreciar o espetáculo. As figuras 14, 15, 16, 17, 18 e 19 mostram alguns dos melhores e maiores estádios do Brasil e sua capacidade atual. •

Figura 14 – Estádio Cícero Pompeu de Toledo Estádio Cícero Pompeu de Toledo. Proprietário: São Paulo Futebol Clube Inaugurado em 1970 Capacidade 80.000 pessoas Dimensões: 108 x 72 metros Maior público: 138.032 pagantes (Corinthians e Ponte Preta)

Fonte: http://www.spfc.net/morumbi.asp

Figura 15 – Estádio João Havelange Estádio Olímpico João Havelange Proprietário: Prefeitura do RJ Inaugurado em 2007 Capacidade: 47.000 pessoas Dimensões: 105 x 68 metros Maior público: 43.980 pagantes (Botafogo x Fluminense) Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Est %C3%A1dio_Ol%C3%ADmpico_Jo%C3%A3o_Havelange_ (Rio_de_Janeiro)

Figura 16 – Estádio Paulo Machado de Carvalho Estádio Paulo Machado de Carvalho Proprietário: Prefeitura de São Paulo Inaugurado em 1940 Capacidade: 40.260 pessoas Dimensões: 104 x 70 metros Maior Público: 71.281 pagantes (Corinthians x São Paulo) http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/upload/82169_RES.%20SC%20N%2005%20-%20Estadio %20do%20Pacaembu.pdf

50

Figura 17 – Estádio Jornalista Mario Filho (Maracanã). Estádio Jornalista Mário Filho. Proprietário: Governo do estado do RJ Inaugurado em 1950 Capacidade: 92.000 pessoas Dimensões: 110 x 75 metros Maior público: 200.000 pagantes (Brasil x Uruguai), dado não oficial. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Maracan %C3%A3

Figura 18 - Estádio

José Pinheiro Borda (Beira Rio)
Estádio José Pinheiro Borba Proprietário Sporte Clube Internacional Inaugurado em 1969 Capacidade: 56.000 pessoas Dimensões: 102 x 69 Maior público: 106.554 pagantes (Seleção gaúcha x Seleção brasileira)

Fonte:http://www.internacional.com.br/pagina.php?modulo=4&setor=29

• Figura 19 – Estádio Governador Magalhães Pinto (Mineirão)
Estádio Governador Magalhães Pinto Proprietário governo de Minas Gerais Inaugurado em 1965 Capacidade: 71.860 pessoas Dimensões: 110 x 75 metros Maior Público: 132.834 (Cruzeiro x Vila Nova) Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Mineir %C3%A3o

Mesmo com várias mudanças ainda estamos longe de estádios perfeitos. Na Europa o estádio pode servir não apenas como um local para se ver uma partida de futebol, mas também para consumir o produto futebol, através de uma rede de lojas que vendem de tudo relacionado ao time dono do estádio ou o clube que jogara a partida. Tudo isso dentro do próprio estádio ou arena como é mais conhecido.

[...] a grande diferença em assistir um jogo em um estádio europeu está na comodidade e do conforto que envolve o lugar, não serve apenas para ver o jogo em si, mas para passar o dia, consumindo produtos do seu time do

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coração, comendo iguarias de ótima qualidade, apreciando espetáculos de musica e dança antes das partidas e o mais importante estando em um ambiente seguro, muito diferente de estádios no Brasil. (JUCA KFOURI, 2008).

Os estádios europeus são caracterizados não só por serem seguros e organizados, mas também por sua beleza interior e exterior. A figura 20 mostra alguns estádios pelo mundo.

Figura 20 – Estádios pelo mundo. Estádio Camp Nou Proprietário FC Barcelona Inaugurado em 1957 Capacidade: 98.797 pessoas Espanha

Estádio Santiago Bernabéu Proprietário Real Madri Inaugurado em 1947 Capacidade: 80.354

Espanha

Estádio Giuseppe Meazza Proprietario FC Internazionale Milano e AC Milan Inaugurado em 1926 Capacidade: 84.309 pessoas Itália

Estádio Signal induna Park Proprietário Borussia Dortmund Inaugurado em 1974 Capacidade: 81.264 pessoas Alemanha

Luzhniki Stadium

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Proprietário Spartak Moscow Inaugurado em Capacidade: 84.745 pessoas Rússia

Rungnado May Dauy Stadium Proprietário Partido Comunista Norte Coreano Inaugurado em 1989 Capacidade: 150.000 Coréia do Norte

Estádio Azteca Proprietário Grupo Televisa Inaugurado em 1966 Capacidade: 105.000 México Fonte: http://momentodofutebol.blogspot.com/2007/08/maioresestdios-de-futebol-do-mundo.html

Mais do que segurança, conforto, comodidade e tudo que envolve os estádios europeus, outro aspecto que determina a grande diferença entre estádios do Brasil e Europeus pode ser a lucratividade que estes representam para seus proprietários, que nem sempre são clubes de futebol. A tabela 9 mostra a média de público e o lucro de alguns estádios no mundo. •

Tabela 9 - Média de público e lucro dos estádios.

Estádios Morumbi (Brasil) Maracanã (Brasil) Camp Nou (Espanha) San Siro (Itália) Emirates Stadium (Inglaterra) Wembley (Inglaterra) Anfield Road (Inglaterra) Ali Sami Yen (Turquia)
Fonte: pesquisa elaborada pelo autor

Média de Público (anual) 1.080.000 945.000 2.600.000 2.950.000 2.900.000 2.300.000 2.800.000 1.950.000

Lucro anual (em R$) 17.000.000,00 15.000.000,00 97.000.000,00 102.000.000,00 116.500.000,00 112.250.000,00 121.200.000,00 98.300.000,00

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Todos estes dados mostram que o Brasil ainda pode e deve investir muito em seus estádios, mesmo por que em 2014 será cede da Copa do Mundo. Sem estádios adequados pode ficar complicado executar uma competição com qualidade e segurança.
A Copa do Mundo é o maior espetáculo do universo, tudo o que a envolve é perfeito, os estádios, o público, os jogos, a organização e o profissionalismo empregado fazem do evento um encontro inesquecível para qualquer participante, mesmo que este não seja um doas atletas envolvidos na competição.(PÉPE,1998).

4.3

A PAIXÃO PELO FUTEBOL
A paixão pelo futebol pode ser difícil de entender para quem não aprecia o esporte. O que poderia mover milhares de pessoas a sair de suas casas, com todo conforto, e ir para um estádio, onde muitas vezes não lhe é oferecido o mínimo de segurança e conforto? Só pode ser explicado por quem vive a paixão pelo futebol e faz desse esporte um estilo de vida. (JUCA KFOURI, 2006).

A paixão pelo futebol pode ser o ponto mais importante do mercado futebol, e todas as estratégias de marketing voltadas para este seguimento. Boa parte da renda arrecadada pelos clubes provém de seus torcedores, sejam eles os que acompanham os jogos nos estádios ou pela televisão. O torcedor apaixonado não mede esforços para acompanhar seu clube, não importando distancia, estádios deficientes, falta de segurança e transporte adequado. Uma das maiores comprovações da paixão pelo futebol foi demonstrada em uma partida do campeonato brasileiro de 1976, quando uma verdadeira multidão invadiu um estádio que ficava a mais de 450 quilômetros de distancia de sua cede.

No dia 5 de dezembro, mais de 70 mil torcedores corintianos foram ao Maracanã prestigiar o time. Nunca nenhuma torcida havia feito isso. A partida ficou lembrada como a “Invasão da Fiel Torcida”. Foi o maior deslocamento de pessoas no mundo por um evento esportivo de todos os

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tempos. Eles chegavam de carro, ônibus, avião e até de bicicleta. Calculase que, para isso, foram consumidos mais de 2 milhões de litros de gasolina.( VICTOR HUGO GARCIA, 2006).

O motivo pelo qual torcedores fazem verdadeiras loucuras para acompanhar seus times de coração pode ser inerente ao país, à condição social e até mesmo a campanha feita por suas equipes. Muitas vezes se observa alguns clubes passando por dificuldades financeiras, jogando em divisões inferiores, mesmo assim recebendo o apoio incondicional de seu torcedor. No Brasil o torcedor deveria ser mais bem amparado, pois segundo o estatuto do torcedor (ANEXO-C), varias garantias lhe são asseguradas, como segurança, conforto, higiene, transporte, entre vários fatores que, porém, nem tudo ainda está funcionando como o estatuto determina. Mesmo ainda sendo tratado inadequadamente o torcedor continua acompanhando seus clubes com paixão, deixando a emoção do esporte acima das dificuldades impostas por dirigentes incompetentes. Vários casos de grandes clubes que passaram por momentos complicados de sua história mostram como a paixão de seu torcedor pode ser importante e fundamental para que o clube, não só se restabeleça financeiramente como também volte a elite das competições. A tabela 10 mostra o apoio de torcedores a equipes que foram rebaixadas em competições, como o campeonato brasileiro de futebol, em comparação quando estas mesmas equipes disputavam à divisão de elite. •

Tabela 10 – Comparativa da média de público de equipes rebaixadas em campeonatos

Clubes Botafogo (RJ) Fluminense (RJ) Palmeiras (SP) Atlético (Minas) Grêmio (RS) Corinthians (SP) Bahia (BA)

Média de público no campeonato de 1ª divisão 9.850 11.050 13.000 18.500 12.900 23.800 23.500

Média de público quando o clube disputou a 2ª divisão 10.500 9.350 18.078 24.900 19.800 30.000 36.500

Fonte: pesquisa elaborada pelo autor.

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Mesmo com o apoio da torcida o grande problema de disputar divisões intermediarias deve-se ao fato da grande perda de receita junto aos direitos de cotas de televisão e aos prêmios pagas pelas federações de futebol. O que fica claro na tabela acima é o apoio incondicional do torcedor pelo clube, seja em qual situação este esteja. Quando comparamos a média de público de campeonatos pelo mundo, observamos ainda a grande diferença entre estes campeonatos. A tabela 11 mostra como o Brasil, mesmo aqui sendo o chamado país do futebol, está aquém de outros países. •

Tabela 11 – Média de público nos estádios pelo mundo

Competições Primeira Divisão do México (México) Bundesligue (Alemanha) Australian Football League (Austrália) FA Premier League (Inglaterra) Canadian Footbal League (Canadá) La Liga (Espanha) Campeonato Italiano (Itália) Campeonato Francês (França) J-League (Japão) Football League Championship (Inglaterra) Primeira División Argentina (Argentina) Turkish Premier Super League (Turquia) Eredivisie (Holanda) Major League Soccer (EUA) Campeonato Brasileiro Série (Brasil) Russian Premier League (Rússia) Liga Portuguesa (Portugal) Campeonato Brasileiro Série B (Brasil) Danish Superliga (Dinamarca)

Média de Público 57.622 40.775 35,250 33.875 29.343 29,029 21,968 21,576 18.292 17,616 17,363 16.799 16.789 15.504 12.385 11.792 10.600 7.958 7.957

Fonte: http://forum.outerspace.com.br/showthread.php?t=61397

“A paixão pelo futebol começa como uma devoção infantil e, no fundo, nunca deixa de ser isso. É aquela parte de nós que se recusa a crescer e ficar racional”, (Luis Fernando Veríssimo, 2007). A paixão do torcedor pelo esporte pode fazer com que o futebol, mesmo com seus problemas administrativos, nunca deixe de ser o esporte mais importante do mundo. Esporte esse que pode empregar milhares de pessoas movimentando uma boa parte da economia mundial.

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Difícil encontrar uma causa para os brasileiros e o mundo gostarem tanto de futebol. O que é então essa paixão. É melhor responder que paixão não se explica. Gostaria de acrescentar que nos dias atuais parece que o mundo se apaixonou por futebol. A prática do esporte é universal e o amor por ele também. Basta acompanhar os campeonatos europeus e observar a quantidade de torcedores nos estádios para se chegar a essa conclusão. Mas, uma explicação para a paixão de tantos é que o futebol é um jogo bonito e muito simples em suas regras. Além disso, por mais que o torcedor assista a muitos jogos durante um único final de semana, por exemplo, ele não se enjoa porque nenhuma das partidas é igual à outra. (José Sebastião Witter, 2008).

4.4

ADMINISTRAÇÃO DOS CLUBES E SEUS ADMINISTRADORES
Administrar um clube pode ser diferente de uma empresa convencional, pois

além de toda a burocracia, ainda há paixão por trás do esporte e toda tradição, particular de cada clube. Segundo o jornalista Mauro Beting, o fato de transformar clubes em empresas não justifica separar o torcedor do esporte.
[...] não se pode afirmar com certeza que transformar clubes em empresas, com todas suas áreas profissionalizadas, trará o sucesso, porém é cada vez mais fácil de notar clubes de imensa tradição que relutam em adotar tais medidas e estão se afundando em crises financeiras, fazendo com que seus torcedores se afastem. Não podemos imaginar também que apenas o fato de se transformar em empresa fará o torcedor voltar ao clube e menos ainda imaginar que o torcedor seja tratado de maneira diferente com esse novo cenário. (MAURO BETING, Jornal o Lance, mar. 2008).

Inúmeros são os clubes que adotaram a política de clube-empresa, uma tendência surgida na Europa, com os principais clubes de futebol, depois se espalhou pelo mundo, chegando a nosso país a pouco mais de 5 anos. Alguns clubes do interior do país podem ser administrados por empresas, muito mais pela necessidade de investimentos do que pela vontade de seus gestores. Não vendo outra saída, presidentes e diretores resolvem fazer parcerias com empresas para poder garantir a formação de times mais competitivos. Os grandes clubes do Brasil procuram fazer parcerias diferentes das apreciadas pelos clubes do interior. Grandes clubes preferem administradores

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próprios e parceiros investidores que não tenham poder de decisão dentro do clube. Uma idéia que pode não agradar os investidores. Tais parcerias podem resultar em grande sucesso como também o contrario pode ser verdadeiro. O Palmeiras de 1993 foi um dos precursores da idéia de parceria com administração própria, com isso o clube recebeu forte investimento por parte da empresa italiana Parmalat. Essa parceria rendeu ao Palmeiras vários títulos. O mesmo aconteceu com o Corinthians, com investimentos do antigo banco Excel, o clube conseguiu muitos títulos, deixando claro que aquela nova tendência podia ser a salvação. Porém, nem tudo aconteceu como os clubes pensavam. Em pouco tempo os administradores viram que os investimentos vinham com muita força financeira, totalmente diferente do que praticava o mercado brasileiro, estes não estavam preparados para essa nova realidade. Os investidores por sua vez cobravam retorno imediato, assim como qualquer outro tipo de investimento de sucesso. Os administradores vislumbraram uma oportunidade de resolver seus problemas financeiros, pagando suas dividas e formando equipes com muita força competitiva. E assim aconteceu. No primeiro momento tudo funcionou perfeito, títulos vieram, dividas foram saldadas, equipes com jogadores de ótimo nível, reestruturação dos clubes, enfim, os problemas graves foram solucionados.
A parceria deve ser entendida como um casamento tem que funcionar com objetivos iguais, enquanto um quer lucro o outro prestigio e títulos. Mas como nem todo casamento é perfeito alguns cuidados devem ser tomados, principalmente quando o assunto envolvido é financeiro. O contrato tem que ser bem detalhado, prevendo também o possível fim da parceria [...]. (JUCA KFOURI).

Os problemas começaram a acontecer a partir do momento que as parcerias começaram a querer intervir na administração dos clubes. Indicando contratações de jogadores, técnicos, preparadores e em assuntos políticos ligados apenas ao clube. Sabendo que, deixar os investidores interferirem no clube, seria perder prestigio perante torcedores e mídia, vários administradores entraram em conflito com seus parceiros, colocando um fim antecipado na parceria.

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Outros administradores formavam e ainda formam parcerias com intenção de lucrar individualmente, deixando o clube como uma ponte, utilizando os investimentos para enriquecimento pessoal. Entre tantos os clubes que sofreram com essa situação, dois em especial foram mais prejudicados, Palmeiras e Corinthians. Os dois times fizeram parcerias de sucesso, porém com planejamento em curto prazo e administradores corruptos. No Palmeiras o seu presidente deixava claro o apoio à parceria, diferente do que pensava sua diretoria, que via na parceria inúmeras falhas. Esse pensamento provinha dos grandes ganhos alcançados pelo investidor e que não eram repassados ao clube, o qual acumulava dividas. O caso do Corinthians foi bem parecido, com um agravante, o próprio presidente do clube recebia dinheiro para encobrir problemas. Nos dois casos quem mais sofreu foram os torcedores que viram seus clubes rebaixados dos principais campeonatos e mergulhados em crises financeiras inacabáveis. Até os dias atuais é grande o numero de clubes que apresentam dividas no Brasil, muitas vezes causadas por administradores amadores que não se atentaram que o mercado do futebol não deixa mais espaço para esse tipo de profissional. A tabela 12 mostra as dívidas dos clubes brasileiros. •

Tabela 12 – Os clubes e suas dívidas. (em reais, R$)

Clubes do futebol brasileiro. Flamengo (RJ) Palmeiras (SP) Corinthians (SP) Santos (SP) Botafogo (RJ) Vasco (RJ) Bahia (BA) Cruzeiro (MG) Atlético (MG) Grêmio (RS) Fluminense (RJ)
Fonte: http://alemdojogo.com/?p=490

Montante de sua dívida, junto a investidores e poder público. 180.000.000,00 27.000.000,00 30.000.000,00 62.000.000,00 160.000.000,00 70.000.000,00 30.000.000,00 32.000.000,00 112.000.000,00 80.000.000,00 155.000.000,00

Segundo Fabio Koff (presidente do Clube dos Treze) um dos principais órgãos de comando do futebol brasileiro, em entrevista a rádio bandeirantes. “o

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futebol se profissionalizou, para tanto é necessário que existam profissionais para geri-lo, do contrario o clube não sobrevivera por muito tempo”. Administrar um clube como uma empresa pode necessitar de um profissional com capacidade de trabalhar com o lado emocional do torcedor, toda sua paixão e tradição, em conjunto com o lado racional dos investimentos. Talvez assim o futebol não vire apenas um negócio e continue sendo apaixonante.

4.5

NOVAS TENDÊNCIAS DE MERCADO
Todo levantamento que procedeu-se até agora demonstra que as novas tendências do mercado do futebol vieram para ficar e de uma forma ou de outra cada clube poderá implantá-las. As tendências mais utilizadas e conhecidas podem ser as seguintes: jogos; Essas são algumas das tendências que movimentam o marketing esportivo no mercado do futebol atualmente. “[...] pode-se dizer, portanto, que ser inovador é a diferença entre sucesso e fracasso, onde quem não se adequar às novas tendências sairá de cena” (LUIZ FELIPE GUIMARÃES SANTORO, 2003). Maior segurança dentro dos estádios com monitoramento de vídeo; Uniformes com cores diferentes das existentes no distintivo de cada clube; Compra de ingressos pela internet; Setores do estádio reservados para família; Reestruturação de estádios, com lojas e lanchonetes de qualidade; Bolsões de estacionamento ao redor do estádio, facilitando o acesso do Clubes com parcerias e investidores; Profissionalização dos envolvidos no espetáculo; Demonstrativo do balanço das contas dos clubes aberto aos associados; Venda de carnês com ingresso para todos os jogos da temporada; Gestão de clube-empresa; Venda de produtos oficiais, dos clubes envolvidos na partida, em dias de

público;

60

4.6

A TRADIÇÃO DOS CLUBES DE FUTEBOL DO BRASIL
Segundo o dicionário Aurélio (1985, p. 474),” Tradição significa o

conhecimento ou pratica resultante de transmissão oral ou de hábitos inveterados”. Passando isso para dentro dos clubes de futebol profissionais pode significar toda a história do clube, a qual atrai seus torcedores. A tradição dentro dos clubes pode ser vista como uma estratégia de marketing, pois acrescenta uma marca que todos respeitam. Algumas dessas tradições são bem conhecidas no mercado do futebol, como: parte; A garra excessiva das equipes do sul do Brasil, tradicionais pelo jogo mais As bandeiras das grandes torcidas; A mistura de futebol e carnaval; A força das torcidas organizadas; O futebol arte, característica do futebol brasileiro; O amor à camisa; Essas tradições podem deixar o futebol um esporte ainda mais emocionante, pois mexe com o lado sentimental do torcedor, que por sua vez leva toda essa paixão para dentro dos estádios, dos bares, dos clubes, das casas, ou em qualquer lugar que possa ver seu time do coração jogar. violento; A fé dos torcedores corintianos junto ao santo padroeiro do clube, São Jorge, A histórica camisa 10 do Santos, eternizada pelo rei do futebol, Pelé; A competência do Palmeiras em formar grandes goleiros, como Marcos, A base do São Paulo, onde grandes jogadores do futebol mundial surgiram; A fé da torcida baiana; A mística da geral do Maracanã, onde torcedores davam seu espetáculo a

que caracteriza o time e sua torcida como guerreiros;

Valdir Joaquim de Moraes, Velloso, Leão, entre tantos;

61

O futebol alimenta o imaginário do torcedor, que, por sua vez, se identifica com o jogador, o idolatra, criando dessa maneira o mito. A construção do mito é muito bem realizada pela mídia e pelo esporte, os dois trabalham com o mecanismo de massificação e, desse modo, constroem e destroem os valores culturais e impõem outros. (CAMARGO, 1999, p. 70).

Por fazer parte da historia do clube, a tradição não pode ser deixada de lado em nenhum momento. Faz parte das competências dos administradores trabalharem com as novas tendências de marketing esportivo em conjunto com as tradições acumuladas pelos clubes.
[...] deixar de lados às cores que fizeram do clube conhecido no mundo inteiro, apenas para satisfazer a vontade de lucrar do patrocinador é deixar a tradição de uma história de lado e criar um clube sem identidade, sem a marca que o consagrou. (JORGE KAJURU, 2007), em entrevista ao site Uol.

Até poucos anos atrás, nada podia colocar mais temor em um time adversário que ver a camisa canarinho da seleção brasileira. Uma equipe respeitada, dona de 5 campeonatos mundiais, a única seleção que participou de todas as Copas do Mundo, formada sempre por times extremamente fortes. A grande tradição da camisa da seleção brasileira vem perdendo força com o nivelamento do futebol praticado por outras grandes seleções e por possíveis intervenções de patrocinadores. Com a entrada de novas estratégias de marketing esportivo no mercado do futebol muitas tradições podem estar acabando. Os investidores estão interessados em lucrar com os clubes, independente das tradições que carregam. Se for necessário, a tradição poderá ser deixada de lado por interesses econômicos. Segundo JUCA KFOURI (2008), “profissionalismo e tradição precisam andar juntos. O profissionalismo administrando o clube e a tradição alimentando a torcida, por que sem essa ultima o clube não nunca será grande”.

4.7

O

IMPACTO

DAS NAS

NOVAS TRADIÇÕES

TENDÊNCIAS DOS

DE

MARKETING DE FUTEBOL

ESPORTIVO

CLUBES

PROFISSIONAL

62

Todo levantamento que procedeu-se até agora demonstra que podem existir diferentes entendimentos sobre o emprego das novas tendências de marketing esportivo no futebol profissional. O que clubes, administradores e agencias de marketing procuram tentar unir todo esse mix de novas idéias em prol do sucesso do futebol pelo mundo. Respeitando tradições, paixões, lucratividade e principalmente o torcedor. Ainda está longe de essa receita funcionar perfeitamente, ou pela incapacidade dos administradores ou pela falta de respeito dos investidores que buscam apenas o lucro sem respeitar toda cultura por trás do esporte. Um exemplo disso foi a final da Copa do Mundo de 1998, onde Brasil e França brigavam pelo titulo mais importante do futebol mundial. Uma história que até hoje gera muita polêmica. O Brasil patrocinado pela empresa esportiva Nike, possuía em sua equipe alguns jogadores com contrato com a mesma empresa. Entre estes jogadores estava o então melhor do mundo Ronaldo. Depois de sofrer uma convulsão pouco antes da final da Copa, o jogador Ronaldo, surpreendentemente entra em campo como titular. Tal fato levantou grande polemica no mercado do futebol. Teria o patrocinador obrigado à escalação do craque brasileiro, com intuito de valorizar seus investimentos? Essa dúvida até hoje não tem resposta. A influência do marketing esportivo sobre os clubes pode deixar o torcedor desacreditado, pois afasta a tradição, colocando no seu lugar o profissionalismo pragmático de vislumbrar o lucro acima de tudo.
A partir do momento que o clube deixa seu patrocinador interferir na sua tradição ele perde o direito de homenageado por seu torcedor. Não será mais o clube a entrar em campo, mas sim a empresa. A tradição sai, em seu lugar entra o interesse do empresário, assim como a substituição de um jogador, onde seu ídolo dá lugar a um mero desconhecido. Como posso torcer por um clube que não tem mais o que me apaixonava. (ARMANO NOGUEIRA, 2007). Em entrevista ao jornal Lance.

Outra estratégia que pode trazer muita polêmica deve-se ao fato das mudanças, impostas por patrocinadores, nos uniformes tradicionais dos clubes de futebol. A estratégia de colocar cores diferentes em uniformes ganha força a partir do momento que vários clubes europeus adotaram esse plano de marketing, conseguindo muito sucesso.

63

No Brasil essa idéia chega com certo temor por parte dos administradores dos clubes. As tradições do futebol brasileiro são diferentes das que existem na Europa, assim como o poder de compra também. Modificar a tradição do clube, conhecido com alvinegro, transformando seu uniforme, antes branco e preto, para uma cor roxa, desconfigura a principal característica de reconhecimento do torcedor.
Segundo o comentarista esportivo Mauro Beting (em entrevista a radio Globo). “A torcida corintiana é conhecida por ser alvinegra, o fato de a torcida ser doente roxa pelo time não da o direito do patrocinador mudar toda história do clube, pois quando se muda o uniforme, muda-se também a identidade do clube”.

A patrocinadora de uniformes do Corinthians, a Nike, adotou uma estratégia de marketing que gerou muitos protestos por parte dos torcedores clube. Por ter nas suas cores oficiais o branco e o preto, onde seu uniforme mais conhecido é a camisa branca, apenas com o símbolo do clube e o nome do patrocinador, a nova camisa roxa desenvolvida pela Nike não agradou a grande parte da torcida.
Segundo o Jornal o Lance (30 mar. 2008) mesmo com parte da torcida não aprovando a nova camisa roxa, as vendas superaram a estimativa do departamento de marketing da Nike. Em apenas três dias foram vendidas cerca de 500 unidades, um lucro de R$ 80 mil.

A figura 21 mostra o lançamento do uniforme roxo do Corinthians.

Figura 21 – Novo uniforme corintiano.

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Fonte: http://esportes.terra.com.br/futebol/estaduais2008/interna /0,,OI2714457-EI10799,00.html

Os impactos das novas tendências de marketing esportivo nas tradições dos clubes de futebol começam a aparecer. Desde pequenas manifestações de torcedores a interferências em escalação de equipes, por parte das agências de marketing esportivo. O mercado do futebol mostra-se apreensivo com a chegada de todo esse mix de marketing esportivo, mais especificamente, no Brasil, muito do que se pretende implantar aqui já funciona muito bem na Europa. Os administradores dos clubes brasileiros precisam necessariamente ampliar suas experiências em trabalhar o conjunto marketing e tradição, pois só assim poderá continuar fazendo do futebol um esporte emocionante, apaixonante e ao mesmo tempo lucrativo, profissional e organizado.

5

METODOLOGIA

65

Segundo Cervo & Bervian (1983, p.23 apud ANDRADE, 2001, p. 131). Em seu sentido mais geral, o método é a ordem que se deve impor aos diferentes processos necessários para atingir um fim dado ou um resultado desejado. Nas ciências, entende-se por método o conjunto de processos que o espírito humano deve empregar na investigação e demonstração da verdade.

Metodologia pode ser a maneira na qual foi baseado a pesquisa de um trabalho. Os métodos de abordagem e de procedimentos podem ser considerados como gerais, seguindo fundamentos lógicos e essencialmente racionais. A principal característica do método de abordagem pode ser o fato estar baseado em princípios lógicos, permitindo sua utilização em varias ciências. Segundo Andrade (2001, p.131), “os métodos de abordagem classificam-se em: dedutivo, indutivo, hipotético-dedutivo e dialético”. O método dedutivo pode levar a conclusão partindo de uma cadeia de raciocínio. O método indutivo onde acontece o inverso do dedutivo, nesse método a conclusão pode levar a teoria. A partir da observação dos estudos conclusivos pode se caracterizar uma teoria. Método dialético dá-se do estudo da ação recíproca da realidade. Transformando mudanças quantitativas em qualitativas e o principio da não aceitação. Já os métodos de procedimentos podem ser caracterizados por serem mais específicos a determinadas etapas do trabalho. Segundo Lakatos (1981, p. 32 apud ANDRADE, 2001, p. 133) “os principais métodos de procedimentos, na área das ciências sociais são: histórico, comparativo, estatístico, funcionalista, estruturalista, monográfico etc”. O método histórico busca no passado informações e estudos que podem influenciar no mundo de hoje. Pesquisa nas raízes antepassadas resposta a perguntas atuais. O método comparativo examina comparações em busca de respostas e possíveis diferenças que expliquem fenômenos ou atitudes. O método estatístico se fundamenta em probabilidades, com grande precisão, mesmo admitindo pequena margem de erro.

66

O método funcionalista pode estudar a sociedade com suas atitudes sociais e culturais e o papel que cada função representa. O método estruturalista segundo Gil (1988, p. 38 apud ANDRADE 2001, p. 134) “o termo estruturalismo é utilizado para designar as correntes de pensamento que recorrem à noção de estrutura para explicar a realidade em todos os níveis”. O método monográfico, o qual foi utilizado para execução de todo esse trabalho, baseia-se no estudo de determinado tema, procurando obter-se varias idéia de um mesmo assunto. A pesquisa utilizada na elaboração desse trabalho foi o método de monografia, baseando-se em referências teóricas, entrevistas e observações de campo sobre o tema.

CONCLUSÃO

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Conclui-se com esta pesquisa monográfica que o marketing esportivo impacta de maneira drástica nas tradições dos clubes de futebol. Observou-se que as novas estratégias de marketing buscam otimizar os investimentos dos patrocinadores, que vislumbram o evento esportivo, mais especificamente o futebol, como uma grande fonte de investimentos lucrativos, mesmo que para atingir seus objetivos muitas empresas de marketing deixem de lado a tradição que acompanha a história dos clubes, a qual pode mover determinada torcida. Procedeu-se o levantamento de todas as principais estratégias utilizadas pelas empresas de marketing demonstrando como estas podem ser utilizadas nos clubes de futebol. Realizou-se também a pesquisa bibliográfica sobre tudo que envolve a tradição dos clubes e das torcidas de futebol, para que com isso fosse realizada conclusão se o marketing esportivo traria mais benefícios para os envolvidos no assunto. Uma importante analise pode ser feita na constatação de que mesmo com drásticas fórmulas de marketing os apaixonados por futebol ainda consomem os produtos e serviços que lhe são oferecidos, mesmo quando estes não vão de encontro com as tradições dos clubes. Outro importante estudo realizou-se com a comparação de estratégias de marketing já adotadas em outros países, com muito sucesso, com as ainda em fase de adaptação no Brasil. Observou-se que em países europeus tais estratégias têm retorno positivo, enquanto que aqui os retornos ainda estão aquém do esperado. Ao traçar qualquer estratégia de marketing de produtos ou serviços, de governos, personalidades, de relações públicas, etc., é bom lembrar que o esporte faz parte, de uma forma ou de outra, da vida da imensa maioria das pessoas. E esse mesmo público tem uma relação de empatia com seus clubes, atletas, estádios, tradições e ídolos, muito mais forte do que tem com produtos e serviços, ou seja, o esporte pode agregar valor à marca, respeitar essa tradição pode ser a chave para o sucesso.

REFERÊNCIAS

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Livros:

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BRUNORO, J. C. & AFIF, A. Futebol 100% profissional. São Paulo: Editora Gente, 1997. CAMAGO, Vera. Elementos para uma concepção da cultura de massa. São Paulo: Mussa, 1999. CÁRDIA, Wesley. Marketing e patrocínio esportivo. Porto Alegre: Bookman, 2004. CONTURSI, Ernani. Marketing esportivo. Rio de Janeiro: Sprint Editora Ltda, 1996. COSTA, Nelson Eduardo Pereira da. Marketing pessoal. Goiânia: AB, 2002 KOTLER, Philip. Princípios de marketing. 9.ed. São Paulo: Prentice Hall, 2003. KOTLER, Philip. Marketing para o século XXI: como criar, conquistar e dominar mercados. São Paulo: Futura, 1999. KOTLER, Philip. Administração de marketing: implementação e contlole. São Paulo: Atlas, 1998. análise, planejamento,

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Revistas

ARENAS DE PAPEL. Revista Placar. São Paulo: Editora Abril, abr/mai. 2008. AS TRÊS COPAS DO REI. Revista Placar. São Paulo: Editora Abril, 1, mar. 1970. CLUBE – EMPRESA: obrigatoriedade ou necessidade. Buenos Aires: Efdeportes, ano 9, nº64, set. 2003. OS JOVENS REIS DO FUTEBOL. Revista Placar. São Paulo: Editora Abril, abr/mai. 2008. REVISTA PLACAR. São Paulo: Editora Abril, fev/abr. 2008.

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ANEXOS

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ANEXO A – LEI ZICO
LEI Nº. 8.672, DE 6 DE JULHO DE 1993 Institui normas gerais sobre desportos e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

CAPÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES INICIAIS
Art. 1º O desporto brasileiro abrange práticas formais e não-formais e obedece às normas gerais desta Lei, inspirado nos fundamentos constitucionais do Estado Democrático de Direito. §1º A prática desportiva formal é regulada por normas e regras nacionais e pelas regras internacionais aceitas em cada modalidade. §2º A prática desportiva não-formal é caracterizada pela liberdade lúdica de seus praticantes.

CAPÍTULO II DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
Art. 2º O desporto, como direito individual, tem como base os seguintes princípios: I - soberania, caracterizado pela supremacia nacional na organização da prática desportiva; II - autonomia, definido pela faculdade de pessoas físicas e jurídicas organizarem-se para a prática desportiva como sujeitos nas decisões que as afetam; III - democratização, garantido em condições de acesso às atividades desportivas sem distinções e quaisquer formas de discriminação; IV - liberdade, expresso pela livre prática do desporto, de acordo com a capacidade e interesse de cada um, associando-se ou não a entidades do setor;

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V - direito social caracterizado pelo dever do Estado de fomentar as práticas desportivas formais e não-formais; VI - diferenciação, consubstanciado no tratamento específico dado ao desporto profissional e não-profissional; VII - identidade nacional, refletido na proteção e incentivo às manifestações desportivas de criação nacional; VIII - educação, voltado para o desenvolvimento integral do homem como ser autônomo e participante e fomentado através da prioridade dos recursos públicos ao desporto educacional; IX - qualidade, assegurado pela valorização dos resultados desportivos, educativos e dos relacionados à cidadania e ao desenvolvimento físico e moral; X - descentralização, consubstanciado na organização e funcionamento harmônicos de sistemas desportivos diferenciados e autônomos para os níveis federal, estadual e municipal; XI - segurança, propiciado ao praticante de qualquer modalidade desportiva, quanto a sua integridade física, mental ou sensorial; XII - eficiência, obtido através do estímulo à competência desportiva e administrativa.

CAPÍTULO III DA CONCEITUAÇÃO E DAS FINALIDADES DO DESPORTO
Art. 3º O desporto como atividade predominantemente física e intelectual pode ser reconhecida em qualquer das seguintes manifestações: I - desporto educacional, através dos sistemas de ensino e formas assistemáticas de educação, evitando-se a seletividade, a hipercompetitividade de seus praticantes, com a finalidade de alcançar o desenvolvimento integral e a formação para a cidadania e o lazer; II - desporto de participação, de modo voluntário, compreendendo as modalidades desportivas praticadas com a finalidade de contribuir para a integração dos praticantes na plenitude da vida social, na promoção da saúde e da educação e na preservação do meio ambiente;

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III - o desporto de rendimento, praticado segundo normas e regras nacionais e internacionais, com a finalidade de obter resultados e integrar pessoas e comunidades do País e estas com outras nações. Parágrafo único. O desporto de rendimento pode ser organizado e praticado: I - de modo profissional, caracterizado por remuneração pactuada por contrato de trabalho ou demais formas contratuais pertinentes; II - de modo não-profissional, compreendendo o desporto: a) semiprofissional, expresso pela existência de incentivos materiais que não caracterizem remuneração derivada de contrato de trabalho; b) amador identificado pela inexistência de qualquer forma de remuneração ou de incentivos materiais.

CAPÍTULO IV DO SISTEMA BRASILEIRO DO DESPORTO
SEÇÃO I DA COMPOSIÇÃO E OBJETIVOS
Art. 4º O Sistema Brasileiro do Desporto compreende: I - o Conselho Superior de Desporto; II - a Secretaria de Desporto do Ministério da Educação e do Desporto; III - o Sistema Federal, os Sistemas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, organizados de forma autônoma e em regime de colaboração, integrados por vínculos de natureza técnica específicos de cada modalidade desportiva. §1º O Sistema Brasileiro do Desporto tem por objetivo garantir a prática desportiva regular e melhorar-lhe o padrão de qualidade. §2º Poderão ser incluídas no Sistema Brasileiro do Desporto as pessoas jurídicas que desenvolvam práticas não formais, promovam a cultura e as ciências do desporto e formem ou aprimorem especialistas.

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§3º Ao Ministério da Educação e do Desporto, por sua Secretaria de Desporto, cumpre elaborar o Plano Nacional do Desporto, observadas as diretrizes da Política Nacional do Desporto, e exercer o papel do Estado na forma do art. 217 da Constituição Federal.

SEÇÃO II DO CONSELHO SUPERIOR DE DESPORTOS
Art. 5º O Conselho Superior de Desportos é órgão colegiado de caráter consultivo e normativo, representativo da comunidade desportiva brasileira, cabendo-lhe: I - fazer cumprir e preservar os princípios e preceitos desta Lei: II - oferecer subsídios técnicos à elaboração do Plano Nacional do Desporto; III - dirimir os conflitos de superposição de autonomias; IV - emitir pareceres e recomendações sobre questões desportivas nacionais; V - estabelecer normas, sob a forma de resoluções, que garantam os direitos e impeçam a utilização de meios ilícitos nas práticas desportivas; VI - aprovar os Códigos de Justiça Desportiva e suas alterações; VII - propor prioridades para o plano de aplicação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Desportivo - FUNDESP, elaborado pelo Ministério da Educação e do Desporto, por meio de sua Secretaria de Desportos; VIII - outorgar o Certificado de Mérito Desportivo; IX - exercer outras atribuições constantes da legislação desportiva. Art. 6º O Conselho Superior de Desporto será composto de quinze membros nomeados pelo Presidente da República, discriminadamente: I - o Secretário de Desporto do Ministério da Educação e do Desporto, membro nato que o preside; II - dois, de reconhecido saber desportivo, indicados pelo Ministério da Educação e do Desporto; III - um representante do Comitê Olímpico Brasileiro;

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IV - um representante das entidades de administração federal do desporto profissional; V - um representante das entidades de administração federal do desporto nãoprofissional; VI - um representante das entidades de prática do desporto profissional; VII - um representante das entidades de prática do desporto não-profissional; VIII - um representante dos atletas profissionais; IX - um representante dos atletas não-profissionais; X - um representante dos árbitros; XI - um representante dos treinadores desportivos; XII - um representante das instituições que formam recursos humanos para o desporto; XIII - um representante das empresas que apóiam o desporto; XIV - um representante da imprensa desportiva. §1º A escolha dos membros do Conselho dar-se-á por eleição ou indicação dos segmentos e setores interessados, na forma da regulamentação desta Lei. §2º Quando segmentos e setores desportivos tornarem-se relevantes e influentes, o Conselho, por deliberação de dois terços de seus membros, poderá ampliar a composição do colegiado até o máximo de vinte e nove conselheiros. §3º O mandato dos conselheiros será de três anos, permitida uma recondução. §4º Os conselheiros terão direito a passagem e diária para comparecimento às reuniões do Conselho.

SEÇÃO III DO SISTEMA FEDERAL DO DESPORTO
Art. 7º O Sistema Federal do Desporto tem por finalidade promover e aprimorar as práticas desportivas de rendimento. Parágrafo único. O Sistema Federal do Desporto congrega as pessoas físicas e jurídicas de direito privado, com ou sem fins lucrativos, encarregadas da

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coordenação, da administração, da normatização, do apoio e da prática do desporto, bem como as incumbidas da Justiça Desportiva e, especialmente: I - o Comitê Olímpico Brasileiro; II - as entidades federais de administração do desporto; III - as entidades de prática do desporto filiadas àquelas referidas no inciso anterior. Art. 8º Ao Comitê Olímpico Brasileiro, entidade jurídica de direito privado, compete representar o País nos eventos olímpicos, pan-americanos e outros de igual natureza, no Comitê Olímpico Internacional e fomentar o movimento olímpico no território nacional, em conformidade com as disposições estatutárias e regulamentares do Comitê Olímpico Internacional. §1º Caberá ao Comitê Olímpico Brasileiro representar o olimpismo brasileiro junto aos poderes públicos. §2º É privativo do Comitê Olímpico Brasileiro o uso da bandeira e dos símbolos olímpicos. Art. 9º As entidades federais de administração do desporto são pessoas jurídicas de direito privado, com organização e funcionamento autônomos, e terão as competências definidas em seus estatutos. §1º As entidades federais de administração do desporto filiarão, nos termos dos seus estatutos, tanto entidades estaduais de administração quanto entidades de prática desportiva. § 2º É facultada a filiação direta de atletas nos termos previstos no estatuto da respectiva entidade. Art. 10. As entidades de prática do desporto são pessoas jurídicas de direito privado, com ou sem fins lucrativos, constituídas na forma da lei, mediante o exercício do direito de livre associação. Parágrafo único. As entidades de prática desportiva poderão filiar-se, por modalidade, a entidades de administração do desporto de mais de um sistema. Art. 11. É facultado às entidades de prática e às entidades federais de administração de modalidade profissional, manter a gestão de suas atividades sob a responsabilidade de sociedade com fins lucrativos, desde que adotada uma das seguintes formas: I - transformar-se em sociedade comercial com finalidade desportiva; II - constituir sociedade comercial com finalidade desportiva, controlando a maioria de seu capital com direito a voto;

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III - contratar sociedade comercial para gerir suas atividades desportivas. Parágrafo único. As entidades a que se refere este artigo não poderão utilizar seus bens patrimoniais, desportivos ou sociais para integralizar sua parcela de capital ou oferecê-los como garantia, salvo com a concordância da maioria absoluta na assembléia geral dos associados e na conformidade dos respectivos estatutos. Art. 12. As entidades de prática desportiva poderão organizar ligas regionais ou nacionais e competições, seriadas ou não, observadas as disposições estatutárias das entidades de administração do desporto a que pertençam. Parágrafo único. Na hipótese do caput deste artigo é facultado às entidades de prática desportiva participar, também, de campeonatos nas entidades de administração do desporto a que estejam filiadas. Art. 13. A duração dos mandatos deve ajustar-se, sempre que possível, ao ciclo olímpico ou à periodicidade das competições mundiais da respectiva modalidade desportiva. Art. 14. São causas de inelegibilidade para o desempenho de cargos e funções, eletivas ou de livre nomeação, de entidades federais de administração do desporto, sem prejuízo de outras estatutariamente previstas: I - ter sido condenado por crime doloso em sentença definitiva; II - ser considerado inadimplente na prestação de contas de recursos financeiros recebidos de órgãos públicos, em decisão administrativa definitiva. Parágrafo único. A ocorrência de qualquer das situações previstas neste artigo, ao longo do mandato, importa na perda automática do cargo ou função de direção.

SEÇÃO IV DO SISTEMA DOS ESTADOS, DISTRITO FEDERAL E MUNICÍPIOS.
Art. 15. Os Estados e o Distrito Federal constituirão seus próprios sistemas, respeitadas as normas estabelecidas nesta Lei. Parágrafo único. Aos Municípios é facultado constituir sistemas próprios, observadas as disposições desta Lei e as contidas na legislação do respectivo Estado.

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CAPÍTULO V DO CERTIFICADO DE MÉRITO DESPORTIVO
Art. 16. É criado o Certificado de Mérito Desportivo a ser outorgado pelo Conselho Superior de Desportos. Parágrafo único. As entidades contempladas farão jus a: I - prioridade no recebimento de recursos de natureza pública; II - benefícios previstos na legislação em vigor referente à utilidade pública; III - benefícios fiscais na forma da lei. Art. 17. Para obtenção do Certificado de Mérito Desportivo são requisitos entre outros: I - ter estatuto de acordo com a legislação em vigor; II - demonstrar relevantes serviços ao desporto nacional; III - (VETADO) IV - apresentar manifestação do Comitê Olímpico Brasileiro, no caso de suas filiadas; V - possuir viabilidade e autonomia financeiras; VI - manter a independência técnica e o apoio administrativo aos órgãos judicantes.

CAPÍTULO VI DA PRÁTICA DESPORTIVA PROFISSIONAL
Art. 18. Atletas, entidades de prática desportiva e entidades de administração do desporto são livres para organizar a atividade profissional de sua modalidade, respeitados os termos desta Lei. Art. 19. Qualquer cessão ou transferência de atleta profissional depende de expressa anuência deste. Art. 20. A cessão ou transferência de atleta profissional para entidade desportiva estrangeira observará as instruções expedidas pela entidade federal de administração do desporto da modalidade.

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Parágrafo único. Além da taxa prevista na alínea b do inciso II do art. 43 desta Lei, nenhuma outra poderá ser exigida, a qualquer título, na transferência do atleta. Art. 21. A participação de atletas profissionais em seleções será estabelecida na forma como acordarem a entidade de administração e a entidade de prática desportiva cedente. §1º A entidade convocadora indenizará a cedente dos encargos previstos no contrato de trabalho, pelo período em que durar a convocação do atleta, sem prejuízo de eventuais ajustes celebrados entre estes e a entidade convocadora. §2º O período de convocação estender-se-á até a reintegração do atleta à entidade que o cedeu, apto a exercer sua atividade. Art. 22. A atividade do atleta profissional é caracterizada por remuneração pactuada em contrato com pessoa jurídica, devidamente registrada na entidade federal de administração do desporto, e deverá conter cláusula penal para as hipóteses de descumprimento ou rompimento unilateral. §1º A entidade de prática desportiva empregadora que estiver com pagamento de salários dos atletas profissionais em atraso, por período superior a três meses, não poderá participar de qualquer competição, oficial ou amistosa. §2º Aplicam-se ao atleta profissional as normas gerais da legislação trabalhista e da seguridade social, ressalvadas as peculiaridades expressas nesta Lei ou integrantes do contrato de trabalho respectivo. Art. 23. O contrato de trabalho do atleta profissional terá prazo determinado, com vigência não inferior a três meses e não superior a trinta e seis meses. Parágrafo único. De modo excepcional, o prazo do primeiro contrato poderá ser de até quarenta e oito meses, no caso de atleta em formação, não-profissional, vinculado à entidade de prática, na qual venha exercendo a mesma atividade, pelo menos durante vinte e quatro meses. Art. 24. Às entidades de prática desportiva pertence o direito de autorizar a fixação, transmissão ou retransmissão de imagem de espetáculo desportivo de que participem. §1º Salvo convenção em contrário, vinte por cento do preço da autorização serão distribuídos, em partes iguais, aos atletas participantes do espetáculo. §2º O disposto neste artigo não se aplica a flagrantes do espetáculo desportivo para fins exclusivamente jornalísticos ou educativos, cuja duração, no conjunto, não exceda de três minutos.

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Art. 25. Na comercialização de imagens decorrentes de contrato com a entidade de administração de desporto, as entidades de prática desportiva participarão com vinte e cinco por cento do resultado da contratação, de modo proporcional à quantidade de atletas que cada uma cedeu, ressalvados os direitos assegurados no artigo anterior. Art. 26. Caberá ao Conselho Superior de Desportos fixar o valor, os critérios e condições para o pagamento da importância denominada passe. Art. 27. É vedada a participação de atletas não-profissionais, com idade superior a vinte anos, em competições desportivas de profissionais. Art. 28. É vedada a prática do profissionalismo em qualquer modalidade desportiva, quando se tratar de: I - desporto educacional seja nos estabelecimentos escolares de 1º e 2º graus ou superiores; II - desporto militar; III - menores até a categoria de juvenil. Art. 29. Será constituído um sistema de seguro obrigatório específico para os praticantes desportivos profissionais, com o objetivo de cobrir os riscos a que estão sujeitos, protegendo especialmente os praticantes de alto rendimento.

CAPÍTULO VII DA ORDEM DESPORTIVA
Art. 30. No âmbito de suas atribuições, cada entidade de administração do desporto tem competência para decidir, de ofício ou quando lhe forem submetidas pela parte interessada, as questões relativas ao cumprimento das normas e regras desportivas. Art. 31. É vedado às entidades federais de administração do desporto intervir na organização e funcionamento de suas filiadas. §1º Com o objetivo de manter a ordem desportiva, o respeito aos atos emanados de seus poderes internos e fazer cumprir os atos legalmente expedidos pelos órgãos ou representantes do poder público, poderão ser aplicadas, pelas entidades de administração do desporto e de prática desportiva, as seguintes sanções: I - advertência;

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II - censura escrita; III - multa; IV - suspensão; V - desfiliação ou desvinculação. §2º A aplicação das sanções previstas nos incisos I, II e III do parágrafo anterior não prescinde do processo administrativo no qual sejam assegurados o contraditório e a ampla defesa. §3º As penalidades de que tratam os incisos IV e V do §1º deste artigo só serão aplicadas após a decisão definitiva da Justiça Desportiva. Art. 32. Quando se adotar o voto plural, a quantificação ou ponderação de votos observará, sempre, critérios técnicos e a classificação nas competições oficiais promovidas nos últimos cinco anos ou em período inferior, sem prejuízo de outros parâmetros estabelecidos em regulamento.

CAPÍTULO VIII DA JUSTIÇA DESPORTIVA
Art. 33. A Justiça Desportiva a que se referem os §§1º e 2º do art. 217 da Constituição Federal e o art. 33 da Lei nº 8.028, de 12 de abril de 1990, regula-se pelas disposições deste capítulo. Art. 34. A organização, o funcionamento e as atribuições da Justiça Desportiva, limitadas ao processo e julgamento das infrações disciplinares e às competições desportivas, serão definidas em Códigos. §1º Os Códigos de Justiça dos desportos profissional e não-profissional serão propostos pelas entidades federais de administração do desporto para aprovação pelo Conselho Superior de Desportos. §2º As transgressões relativas à disciplina e às competições desportivas sujeitam o infrator a: I - advertência; II - eliminação; III - exclusão de campeonato ou torneio; IV - indenização;

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V - interdição de praça de desporto; VI - multa; VII - perda de mando do campo; VIII - perda de pontos; IX - perda de renda; X - suspensão por partida; XI - suspensão por prazo. §3º As penas pecuniárias não serão aplicadas a atletas não-profissionais. §4º O disposto nesta Lei sobre Justiça Desportiva não se aplica ao Comitê Olímpico Brasileiro. Art. 35. Aos Tribunais de Justiça Desportiva, unidades autônomas e independentes das entidades de administração do desporto de cada sistema, compete processar e julgar, em última instância, as questões de descumprimento de normas relativas à disciplina e às competições desportivas, sempre assegurada a ampla defesa e o contraditório. §1º Sem prejuízo do disposto neste artigo, as decisões finais dos Tribunais de Justiça Desportiva são impugnáveis, nos termos gerais do direito, respeitados os pressupostos processuais estabelecidos nos §§1º e 2º do art. 217 da Constituição Federal. §2º O recurso ao poder Judiciário não prejudica os efeitos desportivos validamente produzidos em conseqüência da decisão proferida pelos Tribunais de Justiça Desportiva. Art. 36. As entidades de administração do desporto, nos campeonatos e competições por elas promovidos, terão como primeira instância a Comissão Disciplinar integrada por três membros de sua livre nomeação, para aplicação imediata das sanções decorrentes de infrações cometidas durante as disputas e constantes das súmulas ou documentos similares dos árbitros, ou ainda, decorrentes de infringência ao regulamento da respectiva competição. §1º A Comissão Disciplinar aplicará sanções em procedimento sumário. §2º Das decisões da Comissão Disciplinar caberá recurso aos Tribunais Desportivos, assegurados o contraditório e a ampla defesa. §3º O recurso a que se refere o parágrafo anterior será recebido com efeito suspensivo quando a penalidade exceder de duas partidas consecutivas ou quinze dias.

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Art. 37. O membro do Tribunal de Justiça Desportiva exerce função considerada de relevante interesse público e, sendo servidor público, terá abonadas suas faltas, computando-se como de efetivo exercício a participação nas respectivas sessões. Art. 38. Os Tribunais de Justiça Desportiva serão compostos por, no mínimo, sete membros e, no máximo, onze membros, sendo: a) um indicado pelas entidades de Administração do Desporto; b) um indicado pelas entidades de Práticas Desportivas que participem de competições oficiais da divisão principal; c) três advogados com notório saber jurídico desportivo, indicados pela Ordem dos Advogados do Brasil; d) um representante dos árbitros, por estes indicado; e) um representante dos atletas, por estes indicado. §1º Para efeito de acréscimo na composição, deverá ser assegurada a paridade apresentada nas alíneas a, b, d e e, respeitado o constante no caput deste artigo. §2º O mandato dos membros dos Tribunais de Justiça Desportiva será de, no máximo, quatro anos, permitida apenas uma recondução. §3º (VETADO) §4º É vedado a dirigentes desportivos das Entidades de Administração e das Entidades de Prática, o exercício de cargo ou função na Justiça Desportiva, exceção feita aos membros de Conselho Deliberativo das Entidades de Prática Desportiva.

CAPÍTULO IX DOS RECURSOS PARA O DESPORTO
Art. 39. Os recursos necessários à execução da política Nacional do Desporto serão assegurados em programas de trabalho específicos constantes dos Orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além dos provenientes de: I - fundos desportivos; II - receitas oriundas de concursos de prognósticos; III - doações, patrocínios e legados; IV - prêmios de concursos de prognósticos da Loteria Esportiva Federal não reclamados nos prazos regulamentares;

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V - incentivos fiscais previstos em lei; VI - outras fontes. Art. 40. Ao Comitê Olímpico Brasileiro é concedida autorização para importar, livre de tributos federais, equipamentos, materiais e componentes destinados, exclusivamente, ao treinamento de atletas, às competições desportivas do seu programa de trabalho e aos programas das entidades federais de administração do desporto que lhe sejam filiadas ou vinculadas. §1º O Ministério da Fazenda poderá, mediante proposta do Ministério da Educação e do Desporto, através de sua Secretaria de Desporto, estender o benefício previsto neste artigo às entidades de prática desportiva e aos atletas integrantes do Sistema Federal do Desporto, para execução de atividades relacionadas com a melhoria do desempenho das representações desportivas nacionais. §2º É vedada à comercialização dos equipamentos, materiais e componentes importados com benefício previsto neste artigo. §3º Os equipamentos, materiais e componentes importados poderão ser definitivamente transferidos para as entidades e os atletas referidos no §1º, caso em que, para os fins deste artigo, ficarão equiparados ao importador. §4º A infringência do disposto neste artigo inabilita definitivamente o infrator aos benefícios nele previstos, sem prejuízo das sanções e do recolhimento dos tributos dispensados, atualizados monetariamente e acrescidos das cominações previstas na legislação pertinente. Art. 41. (VETADO). Art. 42. Por unificação do Fundo de Assistência ao Atleta Profissional de que trata a Lei nº 6.269, de 24 de novembro de 1975, com o fundo de promoção ao Esporte Amador de que trata a Lei nº 7.752, de 14 de abril de 1989 fica criado o Fundo Nacional de Desenvolvimento Desportivo - FUNDESP, como unidade orçamentária destinada a dar apoio financeiro a programas e projetos de caráter desportivo que se enquadrem nas diretrizes e prioridades constantes da Política Nacional do Desporto. §1º O FUNDESP, de natureza autárquica, será subordinado ao Ministério da Educação e do Desporto, através de sua Secretaria de Desporto, observado o disposto no inciso VII do art. 5º desta Lei. §2º O FUNDESP terá duas contas específicas: uma destinada a fomentar o desporto não-profissional, e, outra, à assistência ao atleta profissional e ao em formação. Art. 43. Constituem recursos do FUNDESP:

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I - para fomento ao desporto não-profissional: a) receitas oriundas de concursos de prognósticos previstos em lei; b) adicional de quatro e meio por cento incidentes sobre cada bilhete, permitido o arredondamento do seu valor feito nos concursos de prognósticos a que refere o Decreto-lei nº 594, de 27 de maio de 1969 e a Lei nº 6.717, de 12 de novembro de 1979, destinada ao cumprimento do disposto neste inciso; c) doações, legados e patrocínios; d) prêmios de concursos de prognósticos da Loteria Esportiva Federal não reclamados; e) (VETADO) f) outras fontes; II - para assistência ao atleta profissional e ao em formação: a) um por cento do valor do contrato do atleta profissional pertencente ao Sistema Federal do Desporto, devido e recolhido pela entidade contratante; b) um por cento do valor da indenização fixada pela entidade cedente, no caso de cessão de atleta a entidade estrangeira; c) um por cento da arrecadação proveniente das competições organizadas pelas entidades federais de administração do desporto profissional; d) penalidades disciplinares pecuniárias aplicadas aos atletas profissionais pelas entidades de prática desportiva, pelas de administração do desporto ou pelos Tribunais de Justiça Desportiva; e) receitas oriundas de concursos de prognósticos previstos em lei; f) dotações, auxílios e subvenções da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; g) doações, legados e outras receitas eventuais. Art. 44. Os recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Desportivo terão a seguinte destinação: I - para o desporto não-profissional: a) desporto educacional; b) desporto de rendimento, nos casos de Jogos Olímpicos, Campeonatos Mundiais, Jogos Pan-americanos e Jogos Sul-Americanos; c) desporto de criação nacional; d) capacitação de recursos humanos: cientistas desportivos, professores de educação física e técnica em desporto;

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e) apoio a projetos de pesquisa, documentação e informação; f) construção, ampliação e recuperação de instalações desportivas; II - para o desporto profissional, através de sistema de assistência ao atleta profissional e ao em formação, com a finalidade de promover sua adaptação ao mercado de trabalho, quando deixar a atividade; III - para apoio técnico e administrativo do Conselho Superior de Desportos. Art. 45. A arrecadação obtida em cada teste da Loteria Esportiva Federal terá a seguinte destinação: I - quarenta e cinco por cento para pagamento dos prêmios, incluindo o valor correspondente ao imposto sobre a renda; II - vinte por cento para a Caixa Econômica Federal, destinados ao custeio total da administração dos concursos de prognósticos desportivos; III - dez por cento para pagamento, em parcelas iguais, às entidades de prática desportiva, constantes do teste, pelo uso de suas denominações ou símbolos; IV - quinze por cento para o FUNDESP. Parágrafo único. O total da arrecadação, deduzidos os valores previstos nos incisos I, II, III e IV será destinado à seguridade social. Art. 46. Anualmente, a renda líquida total de um dos testes da Loteria Esportiva Federal será destinada ao Comitê Olímpico Brasileiro para o treinamento e as competições preparatórias das equipes olímpicas nacionais. Parágrafo único. Nos anos de realização dos Jogos Olímpicos e dos Jogos Panamericanos, a renda líquida total de um segundo teste será destinada ao Comitê Olímpico Brasileiro, para o atendimento da participação de delegações nacionais nesses eventos. Art. 47. (VETADO). Art. 48. Os recursos financeiros correspondentes às destinações previstas no inciso III do art. 45 e nos arts. 46 e 47 desta Lei constituem receitas próprias dos beneficiários que lhes serão entregues diretamente pela Caixa Econômica Federal até o décimo dia útil do mês subseqüente ao da ocorrência do fato gerador.

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CAPÍTULO X DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 49. Os dirigentes, unidades ou órgãos de entidades de administração do desporto inscritas no Registro Público competente, não exercem função delegada pelo Poder Público nem são consideradas autoridades públicas para os efeitos da lei. Art. 50. A Secretaria de Desportos do Ministério da Educação e do Desporto expedirá instruções e desenvolverá ações para o cumprimento do disposto no inciso IV do art. 217 da Constituição Federal e elaborará projetos de prática desportiva para pessoas portadoras de deficiência. Art. 51. As entidades desportivas internacionais, com sede permanente ou temporária no país, receberão dos poderes públicos o mesmo tratamento dispensado às entidades federais de administração do desporto. Art. 52. Será considerado como de efetivo exercício, para todos os efeitos legais, o período em que o atleta, servidor público civil ou militar, da Administração Pública direta, indireta, autárquica ou fundacional, estiver convocado para integrar representação nacional em competição desportiva no país ou no exterior. §1º O período de convocação será definido pela entidade federal de administração da respectiva modalidade desportiva, cabendo a esta ou ao Comitê Olímpico Brasileiro fazer a devida comunicação. §2º O disposto neste artigo aplica-se, também, aos profissionais especializados e dirigentes, quando indispensáveis à composição da delegação. Art. 53. Os sistemas de ensino da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como as instituições de ensino superior, definirão normas específicas para a verificação do rendimento e o controle de freqüência dos estudantes que integrarem representação desportiva nacional, de forma a harmonizar a atividade desportiva com os interesses relacionados ao aproveitamento e à promoção escolar. Art. 54. Fica instituído o Dia do Desporto, a ser comemorado no dia 19 de fevereiro. Art. 55. A denominação e os símbolos de entidades de administração do desporto ou de prática desportiva são de propriedade exclusiva dessas entidades, contando com

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proteção legal válida para todo o território nacional, por tempo indeterminado, sem necessidade de registro ou averbação no órgão competente. Parágrafo único. A garantia legal outorgada às entidades neste artigo permite-lhes o uso comercial de sua denominação e de seus símbolos. Art. 56. São vedados o registro e o uso, para fins comerciais, como marca ou emblema de qualquer sinal que consista no símbolo olímpico ou que o contenha, exceto mediante prévia autorização do Comitê Olímpico Brasileiro. Art. 57. As entidades de direção e de prática filiadas a entidades de administração em, no mínimo, três modalidades olímpicas, e que comprovem, na forma da regulamentação desta Lei, atividade e a participação em competições oficiais organizadas pela mesma, credenciar-se-ão na Secretaria da Fazenda da respectiva Unidade da Federação para promover reuniões destinadas a angariar recursos para o fomento do desporto, mediante sorteios de modalidade denominada "Bingo", ou similar. §1º O órgão competente de cada Estado e do Distrito Federal normatizará e fiscalizará a realização dos eventos de que trata este artigo. §2º Quando se tratar de entidade de direção, a comprovação de que trata o caput deste artigo limitar-se-á à filiação na entidade nacional ou internacional. Art. 58. Os árbitros e auxiliares de arbitragem poderão constituir associações nacionais e estaduais, por modalidade desportiva ou grupo de modalidades, objetivando o recrutamento, a formação e a prestação de serviços às entidades de administração do desporto. Parágrafo único. Independentemente da constituição das associações referidas no caput deste artigo, os árbitros e auxiliares de arbitragem não têm qualquer vínculo empregatício com as entidades desportivas diretivas onde atuam, e a sua remuneração como autônomos exonera tais entidades de quaisquer outras responsabilidades trabalhistas e previdenciárias. Art. 59. Em campeonatos ou torneios regulares com mais de uma divisão, as entidades de administração do desporto determinarão em seus regulamentos o princípio do acesso e descenso, observado sempre o critério técnico. Art. 60. É vedado aos administradores e membros de Conselho Fiscal das entidades de prática desportiva o exercício de cargo ou função nas entidades de administração do desporto.

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Art. 61. Nas Forças Armadas os desportos serão praticados sob a direção do Estado-Maior das Forças Armadas e do órgão especializado de cada Ministério Militar. Art. 62. O valor do adicional previsto na alínea b do inciso I do art. 43 desta Lei não será computado no montante da arrecadação das apostas para fins de cálculo de prêmios, rateios, tributos de qualquer natureza ou taxas de administração. Parágrafo único. Trimestralmente a Caixa Econômica Federal apresentará à Secretaria de Desporto do Ministério da Educação e do Desporto balancete com o resultado da receita proveniente do adicional mencionado no caput deste artigo. Art. 63. Do adicional de quatro e meio por cento de que trata a alínea b do inciso I do art. 43 desta Lei, a parcela de um ponto e meio percentual será repassada à Secretaria de Esporte dos Estados e do Distrito Federal ou órgãos que tenham atribuições semelhantes na área do desporto proporcionalmente ao montante das apostas efetuadas em cada Unidade da Federação para aplicação segundo o disposto no inciso I do art. 44.

CAPÍTULO XI DAS DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS
Art. 64. Até a regulamentação do valor do passe, prevista no art. 26 desta Lei, prevalecem as Resoluções nºs 10, de 10 de abril de 1986, e 19, de 6 de dezembro de 1988, do Conselho Nacional de Desportos. Art. 65. Fica extinto o Conselho Nacional de Desportos. Art. 66. Até a aprovação dos Códigos de Justiça dos Desportos Profissional e nãoProfissional, continuam em vigor os atuais Códigos. Art. 67. As atuais entidades federais de administração do desporto, no prazo de cento e oitenta dias a contar da publicação desta Lei, realizarão assembléia geral para adaptar seus estatutos às normas desta Lei. §1º Em qualquer hipótese, respeitar-se-ão os mandatos em curso dos dirigentes legalmente constituídos. §2º A inobservância do prazo fixado no caput deste artigo sujeita a entidade infratora ao cancelamento do

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Certificado do Mérito Desportivo que lhe houver sido outorgado e importará na sua exclusão automática do Sistema Federal do Desporto até que se concretize e seja averbada no registro público a referida adaptação estatutária. Art. 68. No prazo de sessenta dias contados da vigência desta Lei, a Caixa Econômica Federal promoverá a implantação dos registros de processamento eletrônico, necessários à cobrança do adicional a que se refere a alínea b do inciso I do art. 43. Art. 69. O Poder Executivo proporá a estrutura para o funcionamento do FUNDESP e do Conselho Superior de Desporto, num prazo de sessenta dias a contar da publicação desta Lei. Art. 70. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 71. Revogam-se as Leis nºs 6.251, de 8 de outubro de 1975, 6.269, de 24 de novembro de 1975, o Decreto lei nº 1.617, de 3 de março de 1978, o Decreto-lei nº 1.924, de 20 de janeiro de 1982, o art. 5º da Lei nº 7.787, de 30 de junho de 1989, a Lei nº 7.921, de 12 de dezembro de 1989, o art. 14 e art. 44 da Lei nº 8.028, de 12 de abril de 1990 e demais disposições em contrário. Brasília, 6 de julho de 1993, 172º da Independência e 105º da República. ITAMAR FRANCO Murílio de Avellar Hingel

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ANEXO B – LEI PELÉ
LEI N.º.615, DE 24 DE MARÇO DE 1998. Institui normas gerais sobre desporto e dá outras providências OPRESIDENTEDAREPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES INICIAIS
Art. 1.º. O desporto brasileiro abrange práticas formais e não-formais e obedece às normas gerais desta Lei, inspirado nos fundamentos constitucionais do Estado Democrático de Direito. § 1.º. A prática desportiva formal é regulada por normas nacionais e internacionais e pelas regras de prática desportiva de cada modalidade, aceitas pelas respectivas entidades nacionais de administração do desporto. § 2.º. A prática desportiva não-formal é caracterizada pela liberdade lúdica de seus praticantes.

CAPÍTULO II DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
Art. 2.º. O desporto, como direito individual, tem como base os princípios: I — da soberania, caracterizado pela supremacia nacional na organização da prática desportiva; II — da autonomia, definido pela faculdade e liberdade de pessoas físicas e jurídicas organizarem-se para a prática desportiva; III — da democratização, garantido em condições de acesso às atividades desportivas sem quaisquer distinções ou formas de discriminação;

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IV — da liberdade, expresso pela livre prática do desporto, de acordo com a capacidade e interesse de cada um, associando-se ou não a entidade do setor; V — do direito social, caracterizado pelo dever do Estado em fomentar as práticas desportivas formais e não formais; VI — da diferenciação, consubstanciado no tratamento específico dado ao desporto profissional e não profissional; VII — da identidade nacional, refletido na proteção e incentivo às manifestações desportivas de criação nacional; VIII — da educação, voltado para o desenvolvimento integral do homem como ser autônomo e participante, e fomentado por meio da prioridade dos recursos públicos ao desporto educacional; 312 IX — da qualidade, assegurado pela valorização dos resultados desportivos, educativos e dos relacionados à cidadania e ao desenvolvimento físico e moral; X — da descentralização, consubstanciado na organização e funcionamento harmônicos de sistemas desportivos diferenciados e autônomos para os níveis federal, estadual, distrital e municipal; XI — da segurança, propiciado ao praticante de qualquer modalidade desportiva, quanto a sua integridade física, mental ou sensorial; XII — da eficiência, obtido por meio do estímulo à competência desportiva e administrativa.

CAPÍTULO III DA NATUREZA E DAS FINALIDADES DO DESPORTO
Art. 3.º. O desporto pode ser reconhecido em qualquer das seguintes manifestações: I — desporto educacional, praticado nos sistemas de ensino e em formas assistemáticas de educação, evitando-se a seletividade, a hipercompetitividade de seus praticantes, com a finalidade de alcançar o desenvolvimento integral do indivíduo e a sua formação para o exercício da cidadania e a prática do lazer;

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II — desporto de participação, de modo voluntário, compreendendo as modalidades desportivas praticadas com a finalidade de contribuir para a integração dos praticantes na plenitude da vida social, na promoção da saúde e educação e na preservação do meio ambiente; III — desporto de rendimento, praticado segundo normas gerais desta Lei e regras de prática desportiva, nacionais e internacionais, com a finalidade de obter resultados e integrar pessoas e comunidades do País e estas com as de outras nações. Parágrafo único. O desporto de rendimento pode ser organizado e praticado: I — de modo profissional, caracterizado pela remuneração pactuada em contrato formal de trabalho entre o atleta e a entidade de prática desportiva; II — de modo não-profissional, compreendendo o desporto: a) semiprofissional, expresso em contrato próprio e específico de estágio, com atletas entre quatorze e dezoito anos de idade e pela existência de incentivos materiais que não caracterizem remuneração derivada de contrato de trabalho; b) amador identificado pela liberdade de prática e pela inexistência de qualquer forma de remuneração ou de incentivos materiais para atletas de qualquer idade.

CAPÍTULO IV DO SISTEMA BRASILEIRO DO DESPORTO
Seção I Da composição e dos objetivos
Art. 4.º. O Sistema Brasileiro do Desporto compreende: I — Gabinete do Ministro de Estado Extraordinário dos Esportes; II — o Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto - INDESP; III — o Conselho de Desenvolvimento do Desporto Brasileiro - CDDB; 313 IV — o sistema nacional do desporto e os sistemas de desporto dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, organizados de forma autônoma e em regime de

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colaboração, integrados por vínculos de natureza técnica específicos de cada modalidade desportiva. § 1.º. O Sistema Brasileiro do Desporto tem por objetivo garantir a prática desportiva regular e melhorar-lhe o padrão de qualidade. § 2.º. A organização desportiva do País, fundada na liberdade de associação, integra o patrimônio cultural brasileiro e é considerada de elevado interesse social. § 3.º. Poderão ser incluídas no Sistema Brasileiro de Desporto as pessoas jurídicas que desenvolvam práticas não-formais, promovam a cultura e as ciências do desporto e formem e aprimorem especialistas.

Seção II Do Instituto Nacional do Desenvolvimento do Desporto – INDESP
Art. 5.º. O Instituto Nacional do Desenvolvimento do Desporto - INDESP é uma autarquia federal com a finalidade de promover, desenvolver a prática do desporto e exercer outras competências específicas que lhe são atribuídas nesta Lei. § 1.º. O INDESP disporá, em sua estrutura básica, de uma Diretoria integrada por um presidente e quatro diretores, todos nomeados pelo Presidente da República. § 2.º. As competências dos órgãos que integram a estrutura regimental do INDESP serão fixadas em decreto. § 3.º. Caberá ao INDESP, ouvido o Conselho de Desenvolvimento do Desporto Brasileiro - CDDB, propor o Plano Nacional de Desporto, observado o disposto no art. 217 da Constituição Federal. § 4.º. O INDESP expedirá instruções e desenvolverá ações para o cumprimento do disposto no inciso IV do art. 217 da Constituição Federal e elaborará o projeto de fomento da prática desportiva para pessoas portadoras de deficiência. Art. 6.º. Constituem recursos do INDESP: I — receitas oriundas de concursos de prognósticos previstos em lei;

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II — adicional de quatro e meio por cento incidente sobre cada bilhete, permitido o arredondamento do seu valor feito nos concursos de prognósticos a que se refere o Decreto-Lei n.º 594, de 27 de maio de 1969, e a Lei n.º 6.717, de 12 de novembro de 1979, destinado ao cumprimento do disposto no art. 7.º; III — doações, legados e patrocínios; IV — prêmios de concursos de prognósticos da Loteria Esportiva Federal, não reclamados; V — outras fontes. § 1.º. O valor do adicional previsto no inciso II deste artigo não será computado no montante da arrecadação das apostas para fins de cálculo de prêmios, rateios, tributos de qualquer natureza ou taxas de administração. § 2.º. Do adicional de quatro e meio por cento de que trata o inciso II deste artigo, um terço será repassado às Secretarias de Esportes dos Estados e do Distrito Federal, ou, na inexistência destas, a órgãos que tenham atribuições semelhantes na área do desporto, proporcionalmente ao montante das apostas efetuadas em cada unidade da Federação para aplicação segundo o disposto no art. 7.º. § 3.º. Do montante arrecadado nos termos do § 2.º, cinqüenta por cento caberão às Secretarias Estaduais e/ou aos órgãos que as substituam, e cinqüenta por cento serão divididos entre os Municípios de cada Estado, na proporção de sua população. 314 § 4.º. Trimestralmente, a Caixa Econômica Federal - CEF apresentará balancete ao INDESP, com o resultado da receita proveniente do adicional mencionado neste artigo. Art. 7.º. Os recursos do INDESP terão a seguinte destinação: I — desporto educacional; II — desporto de rendimento, nos casos de participação de entidades nacionais de administração do desporto em competições internacionais, bem como as competições brasileiras dos desportos de criação nacional; III — desporto de criação nacional; IV — capacitação de recursos humanos: a) cientistas desportivos; b) professores de educação física; e

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c) técnicos de desporto; V — apoio a projeto de pesquisa, documentação e informação; VI — construção, ampliação e recuperação de instalações esportivas; VII — apoio supletivo ao sistema de assistência ao atleta profissional com a finalidade de promover sua adaptação ao mercado de trabalho quando deixar a atividade; VIII — apoio ao desporto para pessoas portadoras de deficiência. Art. 8.º. A arrecadação obtida em cada teste da Loteria Esportiva terá a seguinte destinação: I — quarenta e cinco por cento para pagamento dos prêmios, incluindo o valor correspondente ao imposto sobre a renda; II — vinte por cento para a Caixa Econômica Federal - CEF, destinados ao custeio total da administração dos recursos e prognósticos desportivos; III — dez por cento para pagamento, em parcelas iguais, às entidades de práticas desportivas constantes do teste, pelo uso de suas denominações, marcas e símbolos; IV — quinze por cento para o INDESP. Parágrafo único. Os dez por cento restantes do total da arrecadação serão destinados à seguridade social. Art. 9.º. Anualmente, a renda líquida total de um dos testes da Loteria Esportiva Federal será destinada ao Comitê Olímpico Brasileiro - COB, para treinamento e competições preparatórias das equipes olímpicas nacionais. § 1.º. Nos anos de realização dos Jogos Olímpicos e dos Jogos Pan-Americanos, a renda líquida de um segundo teste da Loteria Esportiva Federal será destinada ao Comitê Olímpico Brasileiro - COB, para o atendimento da participação de delegações nacionais nesses eventos. § 2.º. Ao Comitê Paraolímpico Brasileiro serão concedidas as rendas líquidas de testes da Loteria Esportiva Federal nas mesmas condições estabelecidas neste artigo para o Comitê Olímpico Brasileiro - COB. Art. 10. Os recursos financeiros correspondentes às destinações previstas no inciso III do art. 8.º e no art. 9.º, constituem receitas próprias dos beneficiários que lhes serão entregues diretamente pela Caixa Econômica

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Federal - CEF, até o décimo dia útil do mês subseqüente ao da ocorrência do fato gerador.

Seção III Do Conselho de Desenvolvimento do Desporto Brasileiro – CDDB
Art. 11. O Conselho de Desenvolvimento do Desporto Brasileiro - CDDB é órgão colegiado de deliberação e assessoramento, diretamente subordinado ao Gabinete do Ministro de Estado Extraordinário dos Esportes, cabendo-lhe: I — zelar pela aplicação dos princípios e preceitos desta Lei; II — oferecer subsídios técnicos à elaboração do Plano Nacional do Desporto; III — emitir pareceres e recomendações sobre questões desportivas nacionais; IV — propor prioridades para o plano de aplicação de recursos do INDESP; V — exercer outras atribuições previstas na legislação em vigor, relativas a questões de natureza desportiva; VI — aprovar os Códigos da Justiça Desportiva; VII — expedir diretrizes para o controle de substâncias e métodos proibidos na prática desportiva. Parágrafo único. O INDESP dará apoio técnico e administrativo ao Conselho de Desenvolvimento do Desporto Brasileiro - CDDB. Art. 12. (VETADO)

Seção IV Do Sistema Nacional do Desporto
Art. 13. O Sistema Nacional do Desporto tem por finalidade promover e aprimorar as práticas desportivas de rendimento. Parágrafo único. O Sistema Nacional do Desporto congrega as pessoas físicas e jurídicas de direito privado, com ou sem fins lucrativos, encarregadas da coordenação, administração, normalização, apoio e prática do desporto, bem como as incumbidas da Justiça Desportiva e, especialmente:

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I — o Comitê Olímpico Brasileiro - COB; II — o Comitê Paraolímpico Brasileiro; III — as entidades nacionais de administração do desporto; IV — as entidades regionais de administração do desporto; V — as ligas regionais e nacionais; VI — as entidades de prática desportivas filiadas ou não àquelas referidas nos incisos anteriores. Art. 14. O Comitê Olímpico Brasileiro - COB e o Comitê Paraolímpico Brasileiro, e as entidades nacionais de administração do desporto que lhes são filiadas ou vinculadas, constituem subsistema específico do Sistema Nacional do Desporto, ao qual se aplicará a prioridade prevista no inciso II do art. 217 da Constituição Federal, desde que seus estatutos obedeçam integralmente à Constituição Federal e às leis vigentes no País. Art. 15. Ao Comitê Olímpico Brasileiro - COB, entidade jurídica de direito privado, compete representar o País nos eventos olímpicos, pan-americanos e outros de igual natureza, no Comitê Olímpico Internacional e nos movimentos olímpicos internacionais, e fomentar o movimento olímpico no território nacional, em conformidade com as disposições da Constituição Federal, bem como com as disposições estatutárias e regulamentares do Comitê Olímpico Internacional e da Carta Olímpica. § 1.º. Caberá ao Comitê Olímpico Brasileiro - COB representar o olimpismo brasileiro junto aos poderes públicos. § 2.º. É privativo do Comitê Olímpico Brasileiro - COB o uso da bandeira e dos símbolos, lemas e hinos de cada comitê, em território nacional. § 3.º. Ao Comitê Olímpico Brasileiro - COB são concedidos os direitos e benefícios conferidos em lei às entidades nacionais de administração do desporto. § 4.º. São vedados o registro e uso para qualquer fim de sinal que integre o símbolo olímpico ou que o contenha, bem como do hino e dos lemas olímpicos, exceto mediante prévia autorização do Comitê Olímpico Brasileiro COB. § 5.º. Aplicam-se ao Comitê Paraolímpico Brasileiro, no que couber, as disposições previstas neste artigo. Art. 16. As entidades de prática desportiva e as entidades nacionais de administração do desporto, bem como as ligas de que trata o art. 20, são pessoas

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jurídicas de direito privado, com organização e funcionamento autônomo, e terão as competências definidas em seus estatutos. § 1.º. As entidades nacionais de administração do desporto poderão filiar, nos termos de seus estatutos, entidades regionais de administração e entidades de prática desportiva. § 2.º. As ligas poderão, a seu critério, filiar-se ou vincular-se a entidades nacionais de administração do desporto, vedado a estas, sob qualquer pretexto, exigir tal filiação ou vinculação. § 3.º. É facultada a filiação direta de atletas nos termos previstos nos estatutos das respectivas entidades de administração do desporto. Art. 17. (VETADO) Art. 18. Somente serão beneficiadas com isenções fiscais e repasses de recursos públicos federais da administração direta e indireta, nos termos do inciso II do art. 217 da Constituição Federal, as entidades do Sistema Nacional do Desporto que: I — possuírem viabilidade e autonomia financeiras; II — apresentarem manifestação favorável do Comitê Olímpico Brasileiro - COB ou do Comitê Paraolímpico Brasileiro, nos casos de suas filiadas e vinculado; III — atendam aos demais requisitos estabelecidos em lei; IV — estiverem quites com suas obrigações fiscais e trabalhistas. Parágrafo único. A verificação do cumprimento da exigência contida no inciso I é de responsabilidade do INDESP, e das contidas nos incisos III e IV, do Ministério Público. Art. 19. (VETADO) Art. 20. As entidades de prática desportiva participantes de competições do Sistema Nacional do Desporto poderão organizar ligas regionais ou nacionais. § 1.º. (VETADO) § 2.º. As entidades de prática desportiva que organizarem ligas, na forma do caput deste artigo, comunicarão a criação destas às entidades nacionais de administração do desporto das respectivas modalidades. § 3.º. As ligas integrarão os sistemas das entidades nacionais de administração do desporto que incluírem suas competições nos respectivos calendários anuais de eventos oficiais.

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§ 4.º. Na hipótese prevista no caput deste artigo, é facultado às entidades de prática desportiva participarem, também, de campeonatos nas entidades de administração do desporto a que estiverem filiadas. § 5.º. É vedada qualquer intervenção das entidades de administração do desporto nas ligas que se mantiverem independentes. Art. 21. As entidades de prática desportiva poderão filiar-se, em cada modalidade, à entidade de administração do desporto do Sistema Nacional do Desporto, bem como à correspondente entidade de administração do desporto de um dos sistemas regionais. Art. 22. Os processos eleitorais assegurarão: I — colégio eleitoral constituído de todos os filiados no gozo de seus direitos, admitida a diferenciação de valor dos seus votos; II — defesa prévia, em caso de impugnação, do direito de participar da eleição; III — eleição convocada mediante edital publicado em órgão da imprensa de grande circulação, por três vezes; IV — sistema de recolhimento dos votos imune a fraude; V — acompanhamento da apuração pelos candidatos e meios de comunicação. Parágrafo único. Na hipótese da adoção de critério diferenciado de valoração dos votos, este não poderá exceder à proporção de um para seis entre o de menor e o de maior valor. Art. 23. Os estatutos das entidades de administração do desporto, elaborados de conformidade com esta Lei, deverão obrigatoriamente regulamentar, no mínimo: I — instituição do Tribunal de Justiça Desportiva, nos termos desta Lei; II — inelegibilidade de seus dirigentes para desempenho de cargos e funções eletivas ou de livre nomeação de: a) condenados por crime doloso em sentença definitiva; b) inadimplentes na prestação de contas de recursos públicos em decisão administrativa definitiva; c) inadimplentes na prestação de contas da própria entidade; d) afastados de cargos eletivos ou de confiança de entidade desportiva ou em virtude de gestão patrimonial ou financeira irregular ou temerária da entidade; e) inadimplentes das contribuições previdenciárias e trabalhistas; f) falidos.

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Art. 24. As prestações de contas anuais de todas as entidades de administração integrantes do Sistema Nacional do Desporto serão obrigatoriamente submetidas, com parecer dos Conselhos Fiscais, às respectivas assembléiasgerais, para a aprovação final. Parágrafo único. Todos os integrantes das assembléias-gerais terão acesso irrestrito aos documentos, informações e comprovantes de despesas de contas de que trata este artigo.

Seção V Dos Sistemas dos Estados, Distrito Federal e Municípios
Art. 25. Os Estados e o Distrito Federal constituirão seus próprios sistemas, respeitadas as normas estabelecidas nesta Lei e a observância do processo eleitoral. Parágrafo único. Aos Municípios é facultado constituir sistemas próprios, observadas as disposições desta Lei e as contidas na legislação do respectivo Estado.

CAPÍTULO V DA PRÁTICA DESPORTIVA PROFISSIONAL
Art. 26. Atletas e entidades de prática desportiva são livres para organizar a atividade profissional, qualquer que seja sua modalidade, respeitados os termos desta Lei. Art. 27. As atividades relacionadas a competições de atletas profissionais são privativas de: I — sociedades civis de fins econômicos; II — sociedades comerciais admitidas na legislação em vigor; III — entidades de prática desportiva que constituírem sociedade comercial para administração das atividades de que trata este artigo.

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Parágrafo único. As entidades de que tratam os incisos I, II e III que infringirem qualquer dispositivo desta Lei terão suas atividades suspensas, enquanto perdurar a violação. Art. 28. A atividade do atleta profissional, de todas as modalidades desportivas, é caracterizada por remuneração pactuada em contrato formal de trabalho firmado com entidade de prática desportiva, pessoa jurídica de direito privado, que deverá conter, obrigatoriamente, cláusula penal para as hipóteses de descumprimento, rompimento ou rescisão unilateral. § 1.º. Aplicam-se ao atleta profissional as normas gerais da legislação trabalhista e da seguridade social, ressalvadas as peculiaridades expressas nesta Lei ou integrantes do respectivo contrato de trabalho. § 2.º. O vínculo desportivo do atleta com a entidade contratante tem natureza acessória ao respectivo vínculo empregatício, dissolvendo-se, para todos os efeitos legais, com o término da vigência do contrato de trabalho. Art. 29. A entidade de prática desportiva formadora de atleta terá o direito de assinar com este o primeiro contrato de profissional, cujo prazo não poderá ser superior a dois anos. Parágrafo único. (VETADO) Art. 30. O contrato de trabalho do atleta profissional terá prazo determinado, com vigência nunca inferior a três meses. Art. 31. A entidade de prática desportiva empregadora que estiver com pagamento de salário de atleta profissional em atraso, no todo ou em parte, por período igual ou superior a três meses, terá o contrato de trabalho daquele atleta rescindido, ficando o atleta livre para se transferir para qualquer outra agremiação de mesma modalidade, nacional ou internacional, e exigir a multa rescisória e os haveres devidos. § 1.º. São entendidos como salário, para efeitos do previsto no caput, o abono de férias, o décimo terceiro salário, as gratificações, os prêmios e demais verbas inclusas no contrato de trabalho. § 2.º. A mora contumaz será considerada também pelo não recolhimento do FGTS e das contribuições previdenciárias. § 3.º. Sempre que a rescisão se operar pela aplicação do disposto no caput, a multa rescisória a favor da parte inocente será conhecida pela aplicação do disposto nos arts. 479 e 480 da CLT.

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Art. 32. É lícito ao atleta profissional recusar competir por entidade de prática desportiva quando seus salários, no todo ou em parte, estiverem atrasados em dois ou mais meses; Art. 33. Independentemente de qualquer outro procedimento, entidade nacional de administração do desporto fornecerá condição de jogo ao atleta para outra entidade de prática, nacional ou internacional, mediante a prova da notificação do pedido de rescisão unilateral firmado pelo atleta ou por documento do empregador no mesmo sentido. Art. 34. O contrato de trabalho do atleta profissional obedecerá a modelo padrão, constante da regulamentação desta Lei. Art. 35. A entidade de prática desportiva comunicará em impresso padrão à entidade nacional de administração da modalidade a condição de profissional, semiprofissional ou amador do atleta. Art. 36. A atividade do atleta semiprofissional é caracterizada pela existência de incentivos materiais que não caracterizem remuneração derivada de contrato de trabalho, pactuado em contrato formal de estágio firmado com entidade de prática desportiva, pessoa jurídica de direito privado, que deverá conter, obrigatoriamente, cláusula penal para as hipóteses de descumprimento, rompimento ou rescisão unilateral. § 1.º. Estão compreendidos na categoria dos semiprofissionais os atletas com idade entre quatorze e dezoito anos completos. § 2.º. Só poderão participar de competição entre profissionais os atletas semiprofissionais com idade superior a dezesseis anos. § 3.º. Ao completar dezoito anos de idade, o atleta semiprofissional deverá ser obrigatoriamente profissionalizado, sob pena de, não o fazendo, voltar à condição de amador, ficando impedido de participar em competições entre profissionais. § 4.º. A entidade de prática detentora do primeiro contrato de trabalho do atleta por ela profissionalizado terá direito de preferência para a primeira renovação deste contrato, sendo facultada a cessão deste direito a terceiros, de forma remunerada ou não. § 5.º. Do disposto neste artigo estão excluídos os desportos individuais e coletivos olímpicos, exceto o futebol de campo. Art. 37. O contrato de estágio do atleta semiprofissional obedecerá a modelo padrão, constante da regulamentação desta Lei.

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Art. 38. Qualquer cessão ou transferência de atleta profissional, na vigência do contrato de trabalho, depende de formal e expressa anuência deste, e será isenta de qualquer taxa que venha a ser cobrada pela entidade de administração. Art. 39. A transferência do atleta profissional de uma entidade de prática desportiva para outra do mesmo gênero poderá ser temporária (contrato de empréstimo) e o novo contrato celebrado deverá ser por período igual ou menor que o anterior, ficando o atleta sujeito à cláusula de retorno à entidade de prática desportiva cedente, vigorando no retorno o antigo contrato, quando for o caso. Art. 40. Na cessão ou transferência de atleta profissional para entidade de prática desportiva estrangeira observar-se-ão as instruções expedidas pela entidade nacional de título. Parágrafo único. As condições para transferência do atleta profissional para o exterior deverão integrar obrigatoriamente os contratos de trabalho entre o atleta e a entidade de prática desportiva brasileira que o contratou. Art. 41. A participação de atletas profissionais em seleções será estabelecida na forma como acordarem a entidade de administração convocante e a entidade de prática desportiva cedente. § 1.º. A entidade convocadora indenizará a cedente dos encargos previstos no contrato de trabalho, pelo período em que durar a convocação do atleta, sem prejuízo de eventuais ajustes celebrados entre este e a entidade convocadora. § 2.º. O período de convocação estender-se-á até a reintegração do atleta à entidade que o cedeu, apto a exercer sua atividade. Art. 42. Às entidades de prática desportiva pertence o direito de negociar, autorizar e proibir a fixação, a transmissão ou retransmissão de imagem de espetáculo ou eventos desportivos de que participem. § 1.º. Salvo convenção em contrário, vinte por cento do preço total da autorização, como mínimo, será distribuído, em partes iguais, aos atletas profissionais participantes do espetáculo ou evento. § 2.º. O disposto neste artigo não se aplica a flagrantes de espetáculo ou evento desportivo para fins, exclusivamente, jornalísticos ou educativos, cuja duração, no conjunto, não exceda de três por cento do total do tempo previsto para o espetáculo. § 3.º. O espectador pagante, por qualquer meio, de espetáculo ou evento desportivo equipara-se, para todos os efeitos legais, ao consumidor, nos termos do art. 2.º da Lei n.º 8.078, de 11 de setembro de 1990.

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Art. 43. É vedada a participação em competições desportivas profissionais de atletas amadores de qualquer idade e de semiprofissionais com idade superior a vinte anos. Art. 44. É vedada a prática do profissionalismo, em qualquer modalidade, quando se tratar de: I — desporto educacional, seja nos estabelecimentos escolares de 1.º e 2.º graus ou superiores; II — desporto militar; III — menores até a idade de dezesseis anos completos. Art. 45. As entidades de prática desportiva serão obrigadas a contratar seguro de acidentes pessoais e do trabalho para os atletas profissionais e semiprofissionais a elas vinculados, com o objetivo de cobrir os riscos a que estão sujeitos. Parágrafo único. Para os atletas profissionais, o prêmio mínimo de que trata este artigo deverá corresponder à importância total anual da remuneração ajustada, e, para os atletas semiprofissionais, ao total das verbas de incentivos materiais. Art. 46. A presença de atleta de nacionalidade estrangeira, com visto temporário de trabalho previsto no inciso V do art. 13 da Lei n.º 6.815, de 19 de agosto de 1980, como integrante da equipe de competição da entidade de prática desportiva, caracteriza para os termos desta Lei, a prática desportiva profissional, tornando obrigatório o enquadramento previsto no caput do art. 27. § 1.º. É vedada a participação de atleta de nacionalidade estrangeira como integrante de equipe de competição de entidade de prática desportiva nacional nos campeonatos oficiais, quando o visto de trabalho temporário expedido pelo Ministério do Trabalho recair no inciso III do art. 13 da Lei 6.815, de 19 de agosto de 1980. § 2.º. A entidade de administração do desporto será obrigada a exigir da entidade de prática desportiva o comprovante do visto de trabalho do atleta de nacionalidade estrangeira fornecido pelo Ministério do Trabalho, sob pena de cancelamento da inscrição desportiva.

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CAPÍTULO VI DA ORDEM DESPORTIVA
Art. 47. No âmbito de suas atribuições, os Comitês Olímpico e Paraolímpico Brasileiros e as entidades nacionais de administração do desporto têm competência para decidir, de ofício ou quando lhes forem submetidas pelos seus filiados, as questões relativas ao cumprimento das normas e regras de prática desportiva. Art. 48. Com o objetivo de manter a ordem desportiva, o respeito aos atos emanados de seus poderes internos, poderão ser aplicadas, pelas entidades de administração do desporto e de prática desportiva, as seguintes sanções: I — advertência; II — censura escrita; III — multa; IV — suspensão; V — desfiliação ou desvinculação. § 1.º. A aplicação das sanções previstas neste artigo não prescinde do processo administrativo no qual sejam assegurados o contraditório e a ampla defesa. § 2.º. As penalidades de que tratam os incisos IV e V deste artigo somente poderão ser aplicadas após decisão definitiva da Justiça Desportiva.

CAPÍTULO VII DA JUSTIÇA DESPORTIVA
Art. 49. A Justiça Desportiva a que se referem os §§ 1.º e 2.º do art. 217 da Constituição Federal e o art. 33 da Lei n.º 8.028, de 12 de abril de 1990, regula-se pelas disposições deste Capítulo. Art. 50. A organização, o funcionamento e as atribuições da Justiça Desportiva, limitadas ao processo e julgamento das infrações disciplinares e às competições desportivas, serão definidas em Códigos Desportivos. § 1.º. As transgressões relativas à disciplina e às competições desportivas sujeitam o infrator a:

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I — advertência; II — eliminação; III — exclusão de campeonato ou torneio; IV — indenização; V — interdição de praça de desportos; VI — multa; VII — perda do mando do campo; VIII — perda de pontos; IX — perda de renda; X — suspensão por partida; XI — suspensão por prazo. § 2.º. As penas disciplinares não serão aplicadas aos menores de quatorze anos. § 3.º. As penas pecuniárias não serão aplicadas a atletas não-profissionais. Art. 51. O disposto nesta Lei sobre Justiça Desportiva não se aplica aos Comitês Olímpico e Paraolímpico Brasileiros. Art. 52. Aos Tribunais de Justiça Desportiva, unidades autônomas e independentes das entidades de administração do desporto de cada sistema, compete processar e julgar, em última instância, as questões de descumprimento de normas relativas à disciplina e às competições desportivas, sempre assegurados a ampla defesa e o contraditório. § 1.º. Sem prejuízo do disposto neste artigo, as decisões finais dos Tribunais de Justiça Desportiva são impugnáveis nos termos gerais do direito, respeitados os pressupostos processuais estabelecidos nos §§ 1.º e 2.º do art. 217 da Constituição Federal. § 2.º. O recurso ao Poder Judiciário não prejudicará os efeitos desportivos validamente produzidos em conseqüência da decisão proferida pelos Tribunais de Justiça Desportiva. Art. 53. Os Tribunais de Justiça Desportiva terão como primeira instância a Comissão Disciplinar, integrada por três membros de sua livre nomeação, para a aplicação imediata das sanções decorrentes de infrações cometidas durante as disputas e constantes das súmulas ou documentos similares dos árbitros, ou, ainda, decorrentes de infringência ao regulamento da respectiva competição. § 1.º. (VETADO)

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§ 2.º. A Comissão Disciplinar aplicará sanções em procedimento sumário, assegurados a ampla defesa e o contraditório. § 3.º. Das decisões da Comissão Disciplinar caberá recurso aos Tribunais de Justiça Desportiva. § 4.º. O recurso ao qual se refere o parágrafo anterior será recebido e processado com efeito suspensivo quando a penalidade exceder de duas partidas consecutivas ou quinze dias. Art. 54. O membro do Tribunal de Justiça Desportiva exerce função considerada de relevante interesse público e, sendo servidor público, terá abonadas suas faltas, computando-se como de efetivo exercício a participação nas respectivas sessões. Art. 55. Os Tribunais de Justiça Desportiva serão compostos por, no mínimo, sete membros, ou onze membros, no máximo, sendo: I — um indicado pela entidade de administração do desporto; II — um indicado pelas entidades de prática desportiva que participem de competições oficiais da divisão principal; III — três advogados com notório saber jurídico desportivo, indicados pela Ordem dos Advogados do Brasil; IV — um representante dos árbitros, por estes indicado; V — um representante dos atletas, por estes indicado. § 1.º. Para efeito de acréscimo de composição, deverá ser assegurada a paridade apresentada nos incisos I, II, IV e V, respeitado o disposto no caput deste artigo. § 2.º. O mandato dos membros dos Tribunais de Justiça terá a duração máxima de quatro anos, permitida apenas uma recondução. § 3.º. É vedado aos dirigentes desportivos das entidades de administração e das entidades de prática o exercício de cargo ou função na Justiça Desportiva, exceção feita aos membros dos conselhos deliberativos das entidades de prática desportiva. § 4.º. Os membros dos Tribunais de Justiça desportiva serão obrigatoriamente bacharéis em Direito ou pessoas de notório saber jurídico, e de conduta ilibada.

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CAPÍTULO VIII DOS RECURSOS PARA O DESPORTO
Art. 56. Os recursos necessários ao fomento das práticas desportivas formais e nãoformais a que se refere o art. 217 da Constituição Federal serão assegurados em programas de trabalho específicos constantes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além dos provenientes de: I — fundos desportivos; II — receitas oriundas de concursos de prognósticos; III — doações, patrocínios e legados; IV — prêmios de concursos de prognósticos da Loteria Esportiva Federal não reclamados nos prazos regulamentares; V — incentivos fiscais previstos em lei; VI — outras fontes. Art. 57. Constituirão recursos para a assistência social e educacional aos atletas profissionais, ex-atletas e aos em formação, recolhidos diretamente para a Federação das Associações de Atletas Profissionais - FAAP: I — um por cento do contrato do atleta profissional pertencente ao Sistema Brasileiro do Desporto, devido e recolhido pela entidade contratante; II — um por cento do valor da multa contratual, nos casos de transferências nacionais e internacionais, a ser pago pela entidade cedente; III — um por cento da arrecadação proveniente das competições organizadas pelas entidades nacionais de administração do desporto profissional; IV — penalidades disciplinares pecuniárias aplicadas aos atletas profissionais pelas entidades de prática desportiva, pelas de administração do desporto ou pelos Tribunais de Justiça Desportiva. Art. 58. (VETADO)

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CAPÍTULO IX DO BINGO
Art. 59. Os jogos de bingo são permitidos em todo o território nacional nos termos desta Lei. Art. 60. As entidades de administração e de prática desportiva poderão credenciarse junto à União para explorar o jogo de bingo permanente ou eventual, com a finalidade de angariar recursos para o fomento do desporto. § 1.º. Considera-se bingo permanente aquele realizado em salas próprias, com utilização de processo de extração isento de contato humano, que assegure integral lisura dos resultados, inclusive com o apoio de sistema de circuito fechado de televisão e difusão de som, oferecendo prêmios exclusivamente em dinheiro. § 2.º. (VETADO) § 3.º. As máquinas utilizadas nos sorteios, antes de iniciar quaisquer operações, deverão ser submetidas à fiscalização do poder público, que autorizará ou não seu funcionamento, bem como as verificará semestralmente, quando em operação. Art. 61. Os bingos funcionarão sob responsabilidade exclusiva das entidades desportivas, mesmo que a administração da sala seja entregue a empresa comercial idônea. Art. 62. São requisitos para concessão da autorização de exploração dos bingos para a entidade desportiva: I — filiação a entidade de administração do esporte ou, conforme o caso, a entidade nacional de administração, por um período mínimo de três anos, completados até a data do pedido de autorização; II — (VETADO) III — (VETADO) IV — prévia apresentação e aprovação de projeto detalhado de aplicação de recursos na melhoria do desporto olímpico, com prioridade para a formação do atleta; V — apresentação de certidões dos distribuidores cíveis, trabalhistas, criminais e dos cartórios de protesto; VI — comprovação de regularização de contribuições junto à Receita Federal e à Seguridade Social;

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VII — apresentação de parecer favorável da Prefeitura do Município onde se instalará a sala de bingo, versando sobre os aspectos urbanísticos e o alcance social do empreendimento; VIII — apresentação de planta da sala de bingo, demonstrando ter capacidade mínima para duzentas pessoas e local isolado de recepção, sem acesso direto para a sala; IX — prova de que a sede da entidade desportiva é situada no mesmo Município em que funcionará a sala de bingo. § 1.º. Excepcionalmente, o mérito esportivo pode ser comprovado em relatório quantitativo e qualitativo das atividades desenvolvidas pela entidade requerente nos três anos anteriores ao pedido de autorização. § 2.º. Para a autorização do bingo eventual são requisitos os constantes nos incisos I a VI do caput, além da prova de prévia aquisição dos prêmios oferecidos. Art. 63. Se a administração da sala de bingo for entregue a empresa comercial, entidade desportiva juntará, ao pedido de autorização, além dos requisitos do artigo anterior, os seguintes documentos: I — certidão da Junta Comercial, demonstrando o regular registro da empresa e sua capacidade para o comércio; II — certidões dos distribuidores cíveis, trabalhistas e de cartórios de protesto em nome da empresa; III — certidões dos distribuidores cíveis, criminais, trabalhistas e de cartórios de protestos em nome da pessoa ou pessoas físicas titulares da empresa; IV — certidões de quitação de tributos federais e da seguridade social; V — demonstrativo de contratação de firma para auditoria permanente da empresa administradora; VI — cópia do instrumento do contrato entre a entidade desportiva e a empresa administrativa, cujo prazo máximo será de dois anos, renovável por igual período, sempre exigida a forma escrita. Art. 64. O Poder Público negará a autorização se não provados quaisquer dos requisitos dos artigos anteriores ou houver indícios de inidoneidade da entidade desportiva, da empresa comercial ou de seus dirigentes, podendo ainda cassar a autorização se verificar terem deixado de ser preenchidos os mesmos requisitos. Art. 65. A autorização concedida somente será válida para local determinado e endereço certo, sendo proibida a venda de cartelas fora da sala de bingo.

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Parágrafo único. As cartelas de bingo eventual poderão ser vendidas em todo o território nacional. Art. 66. (VETADO) Art. 67. (VETADO) Art. 68. A premiação do bingo permanente será apenas em dinheiro, cujo montante não poderá exceder o valor arrecadado por partida. Parágrafo único. (VETADO) Art. 69. (VETADO) Art. 70. A entidade desportiva receberá percentual mínimo de sete por cento da receita bruta da sala de bingo ou do bingo eventual. Parágrafo único. As entidades desportivas prestarão contas semestralmente ao poder público da aplicação dos recursos havidos dos bingos. Art. 71. (VETADO) § 1.º. (VETADO) § 2.º. (VETADO) § 3.º. (VETADO) § 4.º. É proibido o ingresso de menores de dezoito anos nas salas de bingo. Art. 72. As salas de bingo destinar-se-ão exclusivamente a esse tipo de jogo. Parágrafo único. A única atividade admissível concomitantemente ao bingo na sala é o serviço de bar ou restaurante. Art. 73. É proibida a instalação de qualquer tipo de máquinas de jogo de azar ou de diversões eletrônicas nas salas de bingo. Art. 74. Nenhuma outra modalidade de jogo ou similar, que não seja o bingo permanente ou o eventual, poderá ser autorizada com base nesta Lei. Parágrafo único. Excluem-se das exigências desta Lei os bingos realizados com fins apenas beneficentes em favor de entidades filantrópicas federais, estaduais ou municipais, nos termos da legislação especifica, desde que devidamente autorizados pela União. Art. 75. Manter, facilitar ou realizar jogo de bingo sem a autorização prevista nesta Lei: Pena — prisão simples de seis meses a dois anos, e multa. Art. 76. (VETADO) Art. 77. Oferecer, em bingo permanente ou eventual, prêmio diverso do permitido nesta Lei:

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Pena — prisão simples de seis meses a um ano, e multa de até cem vezes o valor do prêmio oferecido. Art. 78. (VETADO) Art. 79. Fraudar, adulterar ou controlar de qualquer modo o resultado do jogo de bingo: Pena — reclusão de um a três anos, e multa. Art. 80. Permitir o ingresso de menor de dezoito anos em sala de bingo: Pena — detenção de seis meses a dois anos, e multa. Art. 81. Manter nas salas de bingo máquinas de jogo de azar ou diversões eletrônicas: Pena — detenção de seis meses a dois anos, e multa.

CAPÍTULO X DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 82. Os dirigentes, unidades ou órgãos de entidades de administração do desporto, inscritas ou não no registro de comércio, não exercem função delegada pelo Poder Público, nem são consideradas autoridades públicas para os efeitos desta Lei. Art. 83. As entidades desportivas internacionais com sede permanente ou temporária no País receberão dos poderes públicos o mesmo tratamento dispensado às entidades nacionais de administração do desporto. Art. 84. Será considerado como de efetivo exercício, para todos os efeitos legais, o período em que o atleta servidor público civil ou militar, da Administração Pública direta, indireta, autárquica ou fundacional, estiver convocado para integrar representação nacional em competição desportiva no País ou no exterior. § 1.º. O período de convocação será definido pela entidade nacional da administração da respectiva modalidade desportiva, cabendo a esta ou aos Comitês Olímpico e Paraolímpico Brasileiros fazer a devida comunicação e solicitar ao Ministério Extraordinário dos Esportes a competente liberação do afastamento do atleta ou dirigente.

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§ 2.º. O disposto neste artigo aplica-se, também, aos profissionais especializados e dirigentes, quando indispensáveis à composição da delegação. Art. 85. Os sistemas de ensino da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como as instituições de ensino superior, definirão normas específicas para verificação do rendimento e o controle de freqüência dos estudantes que integrarem representação desportiva nacional, de forma a harmonizar a atividade desportiva com os interesses relacionados ao aproveitamento e à promoção escolar. Art. 86. É instituído o Dia do Desporto, a ser comemorado no dia 23 de junho, Dia Mundial do Desporto Olímpico. Art. 87. A denominação e os símbolos de entidade de administração do desporto ou prática desportiva, bem como o nome ou apelido desportivo do atleta profissional, são de propriedade exclusiva dos mesmos, contando com a proteção legal, válida para todo o território nacional, por tempo indeterminado, sem necessidade de registro ou averbação no órgão competente. Parágrafo único. A garantia legal outorgada às entidades e aos atletas referidos neste artigo permite-lhes o uso comercial de sua denominação, símbolos, nomes e apelidos. Art. 88. Os árbitros e auxiliares de arbitragem poderão constituir entidades nacionais e estaduais, por modalidade desportiva ou grupo de modalidades, objetivando o recrutamento, a formação e a prestação de serviços às entidades de administração do desporto. Parágrafo único. Independentemente da constituição de sociedade ou entidades, os árbitros e seus auxiliares não terão qualquer vínculo empregatício com as entidades desportivas diretivas onde atuarem, e sua remuneração como autônomos exonera tais entidades de quaisquer outras responsabilidades trabalhistas, securitárias e previdenciárias. Art. 89. Em campeonatos ou torneios regulares com mais de uma divisão, as entidades de administração do desporto determinarão em seus regulamentos o princípio do acesso e do descenso, observado sempre o critério técnico. Art. 90. É vedado aos administradores e membros de conselho fiscal de entidade de prática desportiva o exercício de cargo ou função em entidade de administração do desporto.

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ANEXO C – ESTATUTO DO TORCEDOR
Lei No 10.671, de 15 de maio de 2003. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 1o Este Estatuto estabelece normas de proteção e defesa do torcedor. Art. 2o Torcedor é toda pessoa que aprecie, apóie ou se associe a qualquer entidade de prática desportiva do País e acompanhe a prática de determinada modalidade esportiva. Parágrafo único. Salvo prova em contrário, presumem-se a apreciação, o apoio ou o acompanhamento de que trata o caput deste artigo. Art. 3o Para todos os efeitos legais, equiparam-se a fornecedor, nos termos da Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990, a entidade responsável pela organização da competição, bem como a entidade de prática desportiva detentora do mando de jogo. Art. 4o (VETADO)

CAPÍTULO II DA TRANSPARÊNCIA NA ORGANIZAÇÃO
Art. 5o São asseguradas ao torcedor a publicidade e transparência na organização das competições administradas pelas entidades de administração do desporto, bem como pelas ligas de que trata o art. 20 da Lei no 9.615, de 24 de março de 1998. Parágrafo único. As entidades de que trata o caput farão publicar na internet, em sítio dedicado exclusivamente à competição, bem como afixar ostensivamente em local visível, em caracteres facilmente legíveis, do lado externo de todas as entradas do local onde se realiza o evento esportivo: I - a íntegra do regulamento da competição;

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II - as tabelas da competição, contendo as partidas que serão realizadas, com especificação de sua data, local e horário; III - o nome e as formas de contato do Ouvidor da Competição de que trata o art. 6o; IV - os borderôs completos das partidas; V - a escalação dos árbitros imediatamente após sua definição; e VI – a relação dos nomes dos torcedores impedidos de comparecer ao local do evento desportivo. Art. 6o A entidade responsável pela organização da competição, previamente ao seu início, designará o Ouvidor da Competição, fornecendo-lhe os meios de comunicação necessários ao amplo acesso dos torcedores. § 1o São deveres do Ouvidor da Competição recolher as sugestões, propostas e reclamações que receber dos torcedores, examiná-las e propor à respectiva entidade medidas necessárias ao aperfeiçoamento da competição e ao benefício do torcedor. § 2o É assegurado ao torcedor: I - o amplo acesso ao Ouvidor da Competição, mediante comunicação postal ou mensagem eletrônica; e II - o direito de receber do Ouvidor da Competição as respostas às sugestões, propostas e reclamações, que encaminhou, no prazo de trinta dias. § 3o Na hipótese de que trata o inciso II do § 2o, o Ouvidor da Competição utilizará, prioritariamente, o mesmo meio de comunicação utilizado pelo torcedor para o encaminhamento de sua mensagem. § 4o O sítio da internet em que forem publicadas as informações de que trata o parágrafo único do art. 5º conterá, também, as manifestações e propostas do Ouvidor da Competição. § 5o A função de Ouvidor da Competição poderá ser remunerada pelas entidades de prática desportiva participantes da competição. Art. 7o É direito do torcedor a divulgação, durante a realização da partida, da renda obtida pelo pagamento de ingressos e do número de espectadores pagantes e nãopagantes, por intermédio dos serviços de som e imagem instalados no estádio em que se realiza a partida, pela entidade responsável pela organização da competição. Art. 8o As competições de atletas profissionais de que participem entidades integrantes da organização desportiva do País deverão ser promovidas de acordo com calendário anual de eventos oficiais que:

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I - garanta às entidades de prática desportiva participação em competições durante pelo menos dez meses do ano; II - adote, em pelo menos uma competição de âmbito nacional, sistema de disputa em que as equipes participantes conheçam, previamente ao seu início, a quantidade de partidas que disputarão, bem como seus adversários.

CAPÍTULO III DO REGULAMENTO DA COMPETIÇÃO
Art. 9o É direito do torcedor que o regulamento, as tabelas da competição e o nome do Ouvidor da Competição sejam divulgados até sessenta dias antes de seu início, na forma do parágrafo único do art. 5o. § 1o Nos dez dias subseqüentes à divulgação de que trata o caput, qualquer interessado poderá manifestarse sobre o regulamento diretamente ao Ouvidor da Competição. § 2o O Ouvidor da Competição elaborará, em setenta e duas horas, relatório contendo as principais propostas e sugestões encaminhadas. § 3o Após o exame do relatório, a entidade responsável pela organização da competição decidirá, em quarenta e oito horas, motivadamente, sobre a conveniência da aceitação das propostas e sugestões relatadas. § 4o O regulamento definitivo da competição será divulgado, na forma do parágrafo único do art. 5o, quarenta e cinco dias antes de seu início. § 5o É vedado proceder alterações no regulamento da competição desde sua divulgação definitiva, salvo nas hipóteses de: I - apresentação de novo calendário anual de eventos oficiais para o ano subseqüente, desde que aprovado pelo Conselho Nacional do Esporte – CNE; II - após dois anos de vigência do mesmo regulamento, observado o procedimento de que trata este artigo. § 6o A competição que vier a substituir outra, segundo o novo calendário anual de eventos oficiais apresentado para o ano subseqüente, deverá ter âmbito territorial diverso da competição a ser substituída.

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Art. 10. É direito do torcedor que a participação das entidades de prática desportiva em competições organizadas pelas entidades de que trata o art. 5o seja exclusivamente em virtude de critério técnico previamente definido. § 1o Para os fins do disposto neste artigo, considera-se critério técnico a habilitação de entidade de prática desportiva em razão de colocação obtida em competição anterior. § 2o Fica vedada a adoção de qualquer outro critério, especialmente o convite, observado o disposto no art. 89 da Lei no 9.615, de 24 de março de 1998. § 3o Em campeonatos ou torneios regulares com mais de uma divisão, será observado o princípio do acesso e do descenso. § 4o Serão desconsideradas as partidas disputadas pela entidade de prática desportiva que não tenham atendido ao critério técnico previamente definido, inclusive para efeito de pontuação na competição. Art. 11. É direito do torcedor que o árbitro e seus auxiliares entreguem, em até quatro horas contadas do término da partida, a súmula e os relatórios da partida ao representante da entidade responsável pela organização da competição. § 1o Em casos excepcionais, de grave tumulto ou necessidade de laudo médico, os relatórios da partida poderão ser complementados em até vinte e quatro horas após o seu término. § 2o A súmula e os relatórios da partida serão elaborados em três vias, de igual teor e forma, devidamente assinadas pelo árbitro, auxiliares e pelo representante da entidade responsável pela organização da competição. § 3o A primeira via será acondicionada em envelope lacrado e ficará na posse de representante da entidade responsável pela organização da competição, que a encaminhará ao setor competente da respectiva entidade até as treze horas do primeiro dia útil subseqüente. § 4o O lacre de que trata o § 3o será assinado pelo árbitro e seus auxiliares. § 5o A segunda via ficará na posse do árbitro da partida, servindo-lhe como recibo. § 6o A terceira via ficará na posse do representante da entidade responsável pela organização da competição, que a encaminhará ao Ouvidor da Competição até as treze horas do primeiro dia útil subseqüente, para imediata divulgação. Art. 12. A entidade responsável pela organização da competição dará publicidade à súmula e aos relatórios da partida no sítio de que trata o parágrafo único do art. 5o até as quatorze horas do primeiro dia útil subseqüente ao da realização da partida.

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CAPÍTULO IV DA SEGURANÇA DO TORCEDOR PARTÍCIPE DO EVENTO ESPORTIVO
Art. 13. O torcedor tem direito a segurança nos locais onde são realizados os eventos esportivos antes, durante e após a realização das partidas. Parágrafo único. Será assegurado acessibilidade ao torcedor portador de deficiência ou com mobilidade reduzida. Art. 14. Sem prejuízo do disposto nos arts. 12 a 14 da Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990, a responsabilidade pela segurança do torcedor em evento esportivo é da entidade de prática desportiva detentora do mando de jogo e de seus dirigentes, que deverão: I – solicitar ao Poder Público competente a presença de agentes públicos de segurança, devidamente identificados, responsáveis pela segurança dos torcedores dentro e fora dos estádios e demais locais de realização de eventos esportivos; II - informar imediatamente após a decisão acerca da realização da partida, dentre outros, aos órgãos públicos de segurança, transporte e higiene, os dados necessários à segurança da partida, especialmente: a) o local; b) o horário de abertura do estádio; c) a capacidade de público do estádio; e d) a expectativa de público; III - colocar à disposição do torcedor orientadores e serviço de atendimento para que aquele encaminhe suas reclamações no momento da partida, em local: a) amplamente divulgado e de fácil acesso; e b) situado no estádio. § 1o É dever da entidade de prática desportiva detentora do mando de jogo solucionar imediatamente, sempre que possível, as reclamações dirigidas ao serviço de atendimento referido no inciso III, bem como reportá-las ao Ouvidor da Competição e, nos casos relacionados à violação de direitos e interesses de consumidores, aos órgãos de defesa e proteção do consumidor.

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§ 2o Perderá o mando de campo por, no mínimo, dois meses, sem prejuízo das sanções cabíveis, a entidade de prática desportiva detentora do mando de jogo que não observar o disposto no caput deste artigo. Art. 15. O detentor do mando de jogo será uma das entidades de prática desportiva envolvidas na partida, de acordo com os critérios definidos no regulamento da competição. Art. 16. É dever da entidade responsável pela organização da competição: I - confirmar, com até quarenta e oito horas de antecedência, o horário e o local da realização das partidas em que a definição das equipes dependa de resultado anterior; II - contratar seguro de acidentes pessoais, tendo como beneficiário o torcedor portador de ingresso, válido a partir do momento em que ingressar no estádio; III – disponibilizar um médico e dois enfermeiros-padrão para cada dez mil torcedores presentes à partida; IV – disponibilizar uma ambulância para cada dez mil torcedores presentes à partida; e V – comunicar previamente à autoridade de saúde a realização do evento. Art. 17. É direito do torcedor a implementação de planos de ação referentes a segurança, transporte e contingências que possam ocorrer durante a realização de eventos esportivos. § 1o Os planos de ação de que trata o caput: I - serão elaborados pela entidade responsável pela organização da competição, com a participação das entidades de prática desportiva que a disputarão; e II - deverão ser apresentados previamente aos órgãos responsáveis pela segurança pública das localidades em que se realizarão as partidas da competição. § 2o Planos de ação especiais poderão ser apresentados em relação a eventos esportivos com excepcional expectativa de público. § 3o Os planos de ação serão divulgados no sítio dedicado à competição de que trata o parágrafo único do art. 5o no mesmo prazo de publicação do regulamento definitivo da competição. Art. 18. Os estádios com capacidade superior a vinte mil pessoas deverão manter central técnica de informações, com infra-estrutura suficiente para viabilizar o monitoramento por imagem do público presente.

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Art. 19. As entidades responsáveis pela organização da competição, bem como seus dirigentes respondem solidariamente com as entidades de que trata o art. 15 e seus dirigentes, independentemente da existência de culpa, pelos prejuízos causados a torcedor que decorram de falhas de segurança nos estádios ou da inobservância do disposto neste capítulo.

CAPÍTULO V DOS INGRESSOS
Art. 20. É direito do torcedor partícipe que os ingressos para as partidas integrantes de competições profissionais sejam colocados à venda até setenta e duas horas antes do início da partida correspondente. § 1o O prazo referido no caput será de quarenta e oito horas nas partidas em que: I - as equipes sejam definidas a partir de jogos eliminatórios; e II - a realização não seja possível prever com antecedência de quatro dias. § 2o A venda deverá ser realizada por sistema que assegure a sua agilidade e amplo acesso à informação. § 3o É assegurado ao torcedor partícipe o fornecimento de comprovante de pagamento, logo após a aquisição dos ingressos. § 4o Não será exigida, em qualquer hipótese, a devolução do comprovante de que trata o § 3o. § 5o Nas partidas que compõem as competições de âmbito nacional ou regional de primeira e segunda divisão, a venda de ingressos será realizada em, pelo menos, cinco postos de venda localizados em distritos diferentes da cidade. Art. 21. A entidade detentora do mando de jogo implementará, na organização da emissão e venda de ingressos, sistema de segurança contra falsificações, fraudes e outras práticas que contribuam para a evasão da receita decorrente do evento esportivo. Art. 22. São direitos do torcedor partícipe: I - que todos os ingressos emitidos sejam numerados; e II - ocupar o local correspondente ao número constante do ingresso.

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§ 1o O disposto no inciso II não se aplica aos locais já existentes para assistência em pé, nas competições que o permitirem, limitando-se, nesses locais, o número de pessoas, de acordo com critérios de saúde, segurança e bem-estar. § 2o missão de ingressos e o acesso ao estádio na primeira divisão da principal competição nacional e nas partidas finais das competições eliminatórias de âmbito nacional deverão ser realizados por meio de sistema eletrônico que viabilize a fiscalização e o controle da quantidade de público e do movimento financeiro da partida. § 3o O disposto no § 2o não se aplica aos eventos esportivos realizados em estádios com capacidade inferior a vinte mil pessoas. Art. 23. A entidade responsável pela organização da competição apresentará ao Ministério Público dos Estados e do Distrito Federal, previamente à sua realização, os laudos técnicos expedidos pelos órgãos e autoridades competentes pela vistoria das condições de segurança dos estádios a serem utilizados na competição. § 1o Os laudos atestarão a real capacidade de público dos estádios, bem como suas condições de segurança. § 2o Perderá o mando de jogo por, no mínimo, seis meses, sem prejuízo das demais sanções cabíveis, a entidade de prática desportiva detentora do mando do jogo em que: I - tenha sido colocado à venda número de ingressos maior do que a capacidade de público do estádio; ou II - tenham entrado pessoas em número maior do que a capacidade de público do estádio. Art. 24. É direito do torcedor partícipe que conste no ingresso o preço pago por ele. § 1o Os valores estampados nos ingressos destinados a um mesmo setor do estádio não poderão ser diferentes entre si, nem daqueles divulgados antes da partida pela entidade detentora do mando de jogo. § 2o O disposto no § 1o não se aplica aos casos de venda antecipada de carnê para um conjunto de, no mínimo, três partidas de uma mesma equipe, bem como na venda de ingresso com redução de preço decorrente de previsão legal. Art. 25. O controle e a fiscalização do acesso do público ao estádio com capacidade para mais de vinte mil pessoas deverá contar com meio de monitoramento por imagem das catracas, sem prejuízo do disposto no art. 18 desta Lei.

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CAPÍTULO VI DO TRANSPORTE
Art. 26. Em relação ao transporte de torcedores para eventos esportivos, fica assegurado ao torcedor partícipe: I - o acesso a transporte seguro e organizado; II - a ampla divulgação das providências tomadas em relação ao acesso ao local da partida, seja em transporte público ou privado; e III - a organização das imediações do estádio em que será disputada a partida, bem como suas entradas e saídas, de modo a viabilizar, sempre que possível, o acesso seguro e rápido ao evento, na entrada, e aos meios de transporte, na saída. Art. 27. A entidade responsável pela organização da competição e a entidade de prática desportiva detentora do mando de jogo solicitarão formalmente, direto ou mediante convênio, ao Poder Público competente: I - serviços de estacionamento para uso por torcedores partícipes durante a realização de eventos esportivos, assegurando a estes acesso a serviço organizado de transporte para o estádio, ainda que oneroso; e II - meio de transporte, ainda que oneroso, para condução de idosos, crianças e pessoas portadoras de deficiência física aos estádios, partindo de locais de fácil acesso, previamente determinados. Parágrafo único. O cumprimento do disposto neste artigo fica dispensado na hipótese de evento esportivo realizado em estádio com capacidade inferior a vinte mil pessoas.

CAPÍTULO VII DA ALIMENTAÇÃO E DA HIGIENE
Art. 28. O torcedor partícipe tem direito à higiene e à qualidade das instalações físicas dos estádios e dos produtos alimentícios vendidos no local. § 1o O Poder Público, por meio de seus órgãos de vigilância sanitária, verificará o cumprimento do disposto neste artigo, na forma da legislação em vigor.

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§ 2o É vedado impor preços excessivos ou aumentar sem justa causa os preços dos produtos alimentícios comercializados no local de realização do evento esportivo. Art. 29. É direito do torcedor partícipe que os estádios possuam sanitários em número compatível com sua capacidade de público, em plenas condições de limpeza e funcionamento. Parágrafo único. Os laudos de que trata o art. 23 deverão aferir o número de sanitários em condições de uso e emitir parecer sobre a sua compatibilidade com a capacidade de público do estádio.

CAPÍTULO VIII DA RELAÇÃO COM A ARBITRAGEM ESPORTIVA
Art. 30. É direito do torcedor que a arbitragem das competições desportivas seja independente, imparcial, previamente remunerada e isenta de pressões. Parágrafo único. A remuneração do árbitro e de seus auxiliares será de responsabilidade da entidade de administração do desporto ou da liga organizadora do evento esportivo. Art. 31. A entidade detentora do mando do jogo e seus dirigentes deverão convocar os agentes públicos de segurança visando a garantia da integridade física do árbitro e de seus auxiliares. Art. 32. É direito do torcedor que os árbitros de cada partida sejam escolhidos mediante sorteio, dentre aqueles previamente selecionados. § 1o O sorteio será realizado no mínimo quarenta e oito horas antes de cada rodada, em local e data previamente definidos. § 2o O sorteio será aberto ao público, garantida sua ampla divulgação.

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CAPÍTULO IX DA RELAÇÃO COM A ENTIDADE DE PRÁTICA DESPORTIVA
Art. 33. Sem prejuízo do disposto nesta Lei, cada entidade de prática desportiva fará publicar documento que contemple as diretrizes básicas de seu relacionamento com os torcedores, disciplinando, obrigatoriamente: I - o acesso ao estádio e aos locais de venda dos ingressos; II - mecanismos de transparência financeira da entidade, inclusive com disposições relativas à realização de auditorias independentes, observado o disposto no art. 46A da Lei no 9.615, de 24 de março de 1998; e III - a comunicação entre o torcedor e a entidade de prática desportiva. Parágrafo único. A comunicação entre o torcedor e a entidade de prática desportiva de que trata o inciso III do caput poderá, dentre outras medidas, ocorrer mediante: I - a instalação de uma ouvidoria estável; II - a constituição de um órgão consultivo formado por torcedores não-sócios; ou III - reconhecimento da figura do sócio-torcedor, com direitos mais restritos que os dos demais sócios.

CAPÍTULO X DA RELAÇÃO COM A JUSTIÇA DESPORTIVA
Art. 34. É direito do torcedor que os órgãos da Justiça Desportiva, no exercício de suas funções, observem os princípios da impessoalidade, da moralidade, da celeridade, da publicidade e da independência. Art. 35. As decisões proferidas pelos órgãos da Justiça Desportiva devem ser, em qualquer hipótese, motivadas e ter a mesma publicidade que as decisões dos tribunais federais. § 1o Não correm em segredo de justiça os processos em curso perante a Justiça Desportiva.

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§ 2o As decisões de que trata o caput serão disponibilizadas no sítio de que trata o parágrafo único do art. 5o. Art. 36. São nulas as decisões proferidas que não observarem o disposto nos arts. 34 e 35.

CAPÍTULO XI DAS PENALIDADES
Art. 37. Sem prejuízo das demais sanções cabíveis, a entidade de administração do desporto, a liga ou a entidade de prática desportiva que violar ou de qualquer forma concorrer para a violação do disposto nesta Lei, observado o devido processo legal, incidirá nas seguintes sanções: I – destituição de seus dirigentes, na hipótese de violação das regras de que tratam os Capítulos II, IV e V desta Lei; II - suspensão por seis meses dos seus dirigentes, por violação dos dispositivos desta Lei não referidos no inciso I; III - impedimento de gozar de qualquer benefício fiscal em âmbito federal; e IV - suspensão por seis meses dos repasses de recursos públicos federais da administração direta e indireta, sem prejuízo do disposto no art. 18 da Lei no 9.615, de 24 de março de 1998. § 1o Os dirigentes de que tratam os incisos I e II do caput deste artigo serão sempre: I - o presidente da entidade, ou aquele que lhe faça as vezes; e II - o dirigente que praticou a infração, ainda que por omissão. § 2o A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir, no âmbito de suas competências, multas em razão do descumprimento do disposto nesta Lei. § 3o A instauração do processo apuratório acarretará adoção cautelar do afastamento compulsório dos dirigentes e demais pessoas que, de forma direta ou indiretamente, puderem interferir prejudicialmente na completa elucidação dos fatos, além da suspensão dos repasses de verbas públicas, até a decisão final. Art. 38. (VETADO)

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Art. 39. O torcedor que promover tumulto, praticar ou incitar a violência, ou invadir local restrito aos competidores ficará impedido de comparecer às proximidades, bem como a qualquer local em que se realize evento esportivo, pelo prazo de três meses a um ano, de acordo com a gravidade da conduta, sem prejuízo das demais sanções cabíveis. § 1o Incorrerá nas mesmas penas o torcedor que promover tumulto, praticar ou incitar a violência num raio de cinco mil metros ao redor do local de realização do evento esportivo. § 2o A verificação do mau torcedor deverá ser feita pela sua conduta no evento esportivo ou por Boletins de Ocorrências Policiais lavrados. § 3o A apenação se dará por sentença dos juizados especiais criminais e deverá ser provocada pelo Ministério Público, pela polícia judiciária, por qualquer autoridade, pelo mando do evento esportivo ou por qualquer torcedor partícipe, mediante representação. Art. 40. A defesa dos interesses e direitos dos torcedores em juízo observará, no que couber, a mesma disciplina da defesa dos consumidores em juízo de que trata o Título III da Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990. Art. 41. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios promoverão a defesa do torcedor, e, com a finalidade de fiscalizar o cumprimento do disposto nesta Lei, poderão: I - constituir órgão especializado de defesa do torcedor; ou II - atribuir a promoção e defesa do torcedor aos órgãos de defesa do consumidor.

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CAPÍTULO XII DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS
Art. 42. O Conselho Nacional de Esportes – CNE promoverá, no prazo de seis meses, contado da publicação desta Lei, a adequação do Código de Justiça Desportiva ao disposto na Lei no 9.615, de 24 de março de 1998, nesta Lei e em seus respectivos regulamentos. Art. 43. Esta Lei aplica-se apenas ao desporto profissional. Art. 44. O disposto no parágrafo único do art. 13, e nos arts. 18, 22, 25 e 33 entrará em vigor após seis meses da publicação desta Lei. Art. 45. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 15 de maio de 2003; 182o da Independência e 115o da República. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Agnelo Santos Queiroz Filho Álvaro Augusto Ribeiro Costa

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