1.

INTRODUÇÃO

As funções didáticas desempenham um papel preponderante no decurso do processo de ensino e aprendizagem (PEA), uma vez que atuam como um instrumento que permite que professor, esteja consciente dos fundamentos teóricos da sua área de formação (específicos e pedagógicos), elaborando sua prática, a fim de transformar o aluno em um sujeito que responda às exigências contemporâneas, tais como: analisar, interpretar, avaliar, sintetizar, comunicar, usar diferentes linguagens, estabelecer relações, propor soluções inovadoras para as situações com as quais defronta etc. Essa acção transformadora é fundamental ao trabalho professor, tendo em conta que a principal característica da educação actualmente é que o processo de ensino e aprendizagem não tem por alicerce apenas o conhecimento trazido pelo professor, mas também toda a carga de conhecimentos que o aluno traz a partir da leitura que ele faz do mundo em que vive.

Se não existir compatibilidade entre o que o professor ensina e o nível de desenvolvimento do aluno, ele não terá condições intelectuais de assimilar e acomodar informações, logo, se faz necessário que o educador (professor) consiga perceber que muitas vezes, em vez de desinteresse da criança, trata-se da falta de possibilidade de fazer uma interpretação significativa dos conteúdos que estão tentando transmitir, dai que a função didáctica introdução se torna necessária.

As reciprocidades das funções didácticas, tornam estas como uma unidade, criando condições para que professor ofereça assimilações e acomodações activas do que pretende transmitir, isto é, tem que favorecer o entendimento do conteúdo que está sendo transmitido. Certamente levando em consideração a afetividade pode-se dizer que “a afetividade gera motivação. Se existe motivação, a criança realiza tarefas mais complexas” (SABBI, 1999, p.16).

O docente seja capaz de usar as actividades de uma função noutra. sem que sinta obrigado a ter que voltar para uma função específica. e a mesma serve de suporte teórico que irá nortear.Os futuros docentes estejam dotados de capacidade para usar estas funções no decurso do PEA. O trabalho tem por objectivo levar os futuros docentes a compreensão das funções didácticas como uma unidade. posteriormente a discussão dos conteúdos e elaboração do relatório. . permitindo deste modo que: . . A realização do presente relatório aparece como materialização dos objectivos preconizados no Processo de Ensino e Aprendizagem da Cadeira de Didáctica Geral.Veremos então ao longo deste relatório com exemplos práticos do PEA. não actuando de maneira isolada. no futuro. A materialização do presente trabalho recorreu-se a revisão bibliográfica e as notas das aulas de Didáctica Geral. como estas funções didácticas criam uma relação dialéctica (recíproca). o exercício da sua função de docência.

A e que geralmente uma função didáctica abre o caminho para a efectivação da outra e que o sucesso de uma possibilita o sucesso da outra. . Esta relação pode ser vista no esquema a seguir (figura 1). .Domínio e consolidação. Assim sendo.2. assumindo-se como uma unidade.E. Sendo assim funções didácticas são elementos ou fases fundamentais no decurso do PEA.Controle e avaliação. esta totalidade reflecte as relações especificas de cada função didáctica com a outra de maneira recíproca.Mediação e assimilação. no sentido de totalidade e não de soma. FUNÇÕES DIDÁCTICAS E O CARÁCTER DIALÉCTICO Segundo PILLETI as funções didácticas são orientações para o professor dirigir o processo completo de aprendizagem e de aquisição de diferentes qualidades. INTRODUÇÃO E MOTIVAÇÃO MEDIAÇÃO E ASSIMILAÇÃO DOMÍNIO E CONSOLIDAÇÃO CONTROLE E AVALIAÇÃO . as funções didácticas que caracterizam uma aula são fundamentalmente as seguintes: .Introdução e motivação. . As funções didácticas tem uma ligação entre si e não se realizam isoladamente sobrepondo-se umas das outras durante as diferentes etapas do P. Cada etapa ou fase do PEA é caracterizada por uma função didáctica dominante.

embora nem todos os conteúdos se prestem a isso. Esta função. a figura do professor como transmissor de conhecimentos desaparece.1 Introdução e Motivação Cada aula. para dar lugar à figura de mediador. Transmissão (mediação)  assimilação activa Professor (mediador) aluno (sujeito) Depois de suscitada a atenção e a actividade mental dos alunos na etapa anterior (Introdução e Motivação) é o momento dos alunos familiarizarem-se com o conhecimento que irão desenvolver e um dos procedimentos práticos é a apresentação do conteúdo como um problema a ser resolvido. introdução e motivação corresponde especificamente ao momento de preparação para a mediação de conhecimento na sala de aula. 2. Assim.2. e uma motivação que desperte o interesse dos alunos para o mesmo assunto. concebendoo como sujeito da sua própria aprendizagem para além de ter conhecimentos que contribuirão para o conhecimento da própria aula. . Assim. orientador e esta mediação actualmente tem que ser diferente “expondo” cada vez mais o aluno antes objecto e receptor passivo. independentemente da duração ou do conteúdo. facilitador. requer uma introdução que conduz o processo.2 Mediação e Assimilação A função do professor é de mediar o processo de construção do conhecimento. a introdução e motivação é a primeira função didáctica que deve ser seguida dentro do decurso de uma aula.

imaginação e raciocínio dos alunos. hábitos. Não vale a pena adiantar com a matéria sob pena de que os alunos apenas tenham pequenas recordações do que viram sem poder porém porem em prática e muito menos aproveitar-se do conteúdo aprendido para as aprendizagens posteriores através de repetição.. sistematização e aplicação que constituem o suporte metodológico através das quais se torna realidade o domínio e consolidação da matéria. o desenvolvimento de capacidades cognitivas de observação.3 Domínio e consolidação Nesta etapa pretende se conseguir o aprimoramento do já (não) novo saber nos alunos. Através da repetição o professor pode: . a formação de conceitos. organiza as actividades dos alunos que possam os conduzir a assimilação activa dos conhecimentos para desenvolver atitudes. a função didáctica na qual o mediador dá orientações. do mesmo modo em paralelo com os conhecimentos e através deles é preciso aprimorar a formação de habilidades e hábitos para a utilização independente e criadora dos conhecimentos. convicções. 2. habilidades. Ainda neste aspecto é preciso que os conhecimentos sejam organizados aprimorados e fixados na mente dos alunos afim de que sejam disponíveis para orienta-los nas situações concretas de estudo de vida. . etc. Pode também ser percebida como sendo o momento da aula. isto é.Reafirmar os conhecimentos e capacidades fundamentais. explicações necessárias. para isso o professor deve criar condições de retenção e compreensão da matéria através de exercícios e actividades práticas para solidificar a compreensão.Assim. a Mediação e Assimilação constitui a etapa ou passo da aula onde se realiza a percepção de fenómenos ligados ao tema.

suplementar ou mesmo reorientar a aprendizagem.E.E.E.Controlar o nível da situação inicial dos alunos.E. Este controle vai consistir também em acompanhar o P.A. Segundo Libâneo para o professor poder dirigir efectivamente o P. Este método é a ponte para a prática profissional visto que desenvolve as capacidades que devem possibilitar ao aluno o poder de aproveitar a teoria e posteriormente pôr os seus conhecimentos no trabalho produtivo.A.4 Controle e avaliação Acompanha todo o P.. Dai a importância da aplicação para realizar a unidade entre a teria e a prática. Através do controlo e avaliação o professor pode providenciar se necessário rectificar. . é a etapa superior do aumento e desenvolvimento de capacidades através de resolução de problemas e tarefas em situações análogas e novas. e forma ao mesmo tempo conclusão das unidades do ensino. avaliando-se as actividades do professor e do aluno em função dos objectivos definidos.A. deve conhecer permanentemente o grau das dificuldades dos alunos na compreensão da matéria.Obter uma base para avaliar a cada aluno ou a todo o grupo. . Exemplo: Nesta etapa os alunos serão capazes de concluir que a água e óleo não se misturam porque tem densidades diferentes e constatar que a água e vinagre podem se misturarem por possuírem densidades semelhantes e já podem resolver exercícios aplicando as fórmulas da assimilação (assimiladas da função didáctica Mediação/Assimilação) 2. A aplicação é o “coração” do P.A.

faz uma revisão. introdução e motivação constitui a primeira etapa da aula. Uma vez o aluno motivado. rectificar ou prosseguir dependendo da situação vivida no momento quanto ao saber.Pela avaliação é possível saber-se se a aprendizagem está a efectuar-se conforme o previsto ou não e ao mesmo tempo permite ao professor certificar-se sobre o que o aluno aprendeu e. o professor faz a mediação atreves de ilustrações. é caracterizado por um processo de estimulação destinado a desencadear impulsos interiores do indivíduo afim de predispô-lo a querer participar nas actividades escolares oferecidas pelo mediador. reactivação dos conhecimentos assimilados que estejam relacionados com o novo assunto: coloca questões da matéria nova para despertar interesse. . Relação Introdução /Motivação e Mediação /Assimilação O professor apresenta o assunto da aula de forma interactiva. Relação Introdução /Motivação e Domínio /Consolidação Sob ponto de vista de estruturação da aula. esta função. apresente as questões.1. saber fazer e saber ser/estar dos alunos.2. O professor pode fazer a motivação de forma interactiva. faz resumos e abstracções. 3. faz resumos. 3. A actividade anterior visa transformar os objectivos da aula em objectivos de aprendizagem de cada um dos alunos. RELAÇÃO ENTRE AS FUNÇÕES DIDÁCTICAS 3. expõe os conteúdos e o aluno na assimilação toma nota. então saber que rumo dar aos trabalhos das novas aulas (se é para repetir. presta atenção. quando colocando questões da matéria nova ou ainda fazendo revisão dos conhecimento assimilados que estejam relacionados com o novo assunto e ainda escrevendo o assunto da aula no quadro. portanto. tudo isso com vista a despertar interesse nos alunos. aplica os conhecimentos. esclarece os assuntos.

Base do êxito e do rendimento. o que significa que um bom domínio e consolidação começam com uma boa introdução e motivação. isto é. 3.4. dependendo dos resultados o professor pode saber até que ponto foram motivados.3. este momento de aula tem a seguinte importância: . pode medir até que ponto foi efectuada a função didáctica Introdução/Motivação. ainda na fase de introdução e motivação entram elementos de reactivação. isto é. fixar os hábitos e aplicar o aprendido. . Consolidar e dominar não só são funções de luta contra o esquecimento mas também para elevar o nível das capacidades. Relação Introdução /Motivação e Controlo /Avaliação Sabendo-se que para o professor dirigir efectivamente o PEA ele precisa conhecer o grau das dificuldades dos alunos na compreensão das matérias e para isso o professor precisa controlar e avaliar os alunos. 3. por subordinar-se à forma como os alunos são motivados para a aprendizagem que deverá ser caracterizada por uma actividade consciente para os alunos. o aluno só poderá consolidar e dominar o que tiver assimilado. Relação Medição/ Assimilação e Domínio / Consolidação Partindo de princípio que na medição e assimilação ocorre a medição do conteúdo por parte do professor e consequente a assimilação parte do aluno quanto mais eficaz for esta função didáctica tanto mais será a função didáctica Domínio / Consolidação.Assim sendo. na fase do domínio e consolidação procuram se reduzir os erros dos alunos na compreensão da matéria e permitir a fixação dos conhecimentos na memória. esteja isto correcto ou errado. desenvolver as habilidades. Neste sentido o controle e avaliação tanto controla os alunos assim como o professor. Portanto. Estando o aluno motivado.

3. as fórmulas bem como as leis. as teorias. isto é. o Controle avalia até que os conteúdos forem mediados e assimilados. o professor não pode avaliar conteúdos não dados. hábitos para utilização independente e criadora desses. isto é. Ao mesmo. para a partir daí fazer ajustes se necessário ou manter o mesmo ritmo se a Assimilação/Mediação for bem sucedida.5. dos princípios das formulas e das teorias e dissemos que na Consolidação exercitamos. o aluno só poderá aplicar as fórmulas para a resolução de exercícios relacionados com a queda livre dos corpos se realmente tiver assimilado as teorias assim como as formulas e todas as outras componentes da função didáctica Medição/ Assimilação. Relação Mediação/ Assimilação e Controle /Avaliação. os princípios. Relação Domínio /consolidação e controlo /avaliação Os conhecimentos mediados e assimilados são organizados.Ex: Sabe-se que na medição e Assimilação ha retenção das leis. aprimorados e “fixados” na mente dos alunos de modo a que fiquem disponíveis para a sua aplicação em novas situações de vida concreta do aluno.6. 3. para a consolidação e a formação de habilidades e hábitos é necessário que se incluam exercícios de fixação que podem ir desde perguntas simples até à . Ex: falando ainda da queda livre dos corpos: o professor pode avaliar se os alunos assimilaram os conteúdos. de facto. O mais importante é que. Deste modo. estes conhecimentos devem ser aprimorados possibilitando a formação de habilidades. Estas duas funções didácticas têm a seguinte relação: Só pode ser controlado e avaliado um conteúdo previamente mediado e assimilado.

Avalia-se o nível atingido. . no livro didáctico. apresentar problemas ou questões diferentemente de como foram abordados. as tarefas de recapitulação. sistematização e os exercícios devem dar oportunidade ao aluno de estabelecer entre o aprendido e situações novas. pôr em prática habilidades e hábitos decorrentes do estudo. Por isso. avaliando-se as actividades do professor e dos alunos. identificam-se os problemas ou dificuldades que existem e propõem-se medidas para a sua solução. Tendo consolidado a matéria. é preciso testar se também e ver de que maneira o professor mediou. por exemplo. em função dos objectivos definidos.recapitulação dos focos principais da aula. comparar os conhecimentos obtidos com os factos da vida real.

. CONCLUSÃO Fim deste trabalho.4. conclui de facto que as funções didáticas encontram-se intimamente ligadas e que ajudam a pratica dos docentes nos pais e no mundo de modo geral.

5. 2. Notas das Aulas de Didáctica Geral. PILETTI. 3. Cortez. Actica são Paulo. LIBANEO. J. 12ª Edição. 1991. 2008. Didáctica. 1994. BIBLIOGRAFIA 1. . Didáctica Geral. São Paulo. Carlos.

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