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Teoria Geral Do Direito Civil (I + II)

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TEORIA GERAL DO DIREITO CIVIL 1ºSEMESTRE
Bibliografia Do 1º Semestre: Capelo de Sousa Do 2º Semestre: C.A. Mota Pinto

O conceito de direito civil: o direito divide-se em dois grandes grupos, direito público e direito privado, sendo que o direito civil se integra no direito privado. A distinção entre direito público e direito privado: Critérios de distinção: o I – Um primeiro critério assenta na natureza do interesse protegido pelas normas, a chamada teoria dos interesses (interessentheorie). A norma seria de direito público quando o fim da mesma fosse a tutela de um interesse público, ou seja, um interesse da colectividade. A norma seria de direito privado quando visasse tutelar um mero interesse particular.  Críticas: a maior parte das normas jurídicas tanto de direito privado como de direito público visam proteger simultaneamente interesses públicos e interesses dos particulares. Assim, por exemplo, as normas que regulam o funcionamento e actuação do Estado, embora tutelando interesses gerais da comunidade, visam o bem dos homens concretos dessa comunidade. Por outro lado as normas de direito privado não se dirigem apenas à realização do interesse dos particulares, visando quase sempre interesses públicos (exemplo, art.875º cc.) que sujeita as vendas de imóveis a escritura pública, para além de defender as partes contra a sua precipitação realiza o interesse público de segurança do comércio. Só seria aceitável se exprimisse uma cota tendencial: o direito público tutelaria predominantemente interesses da colectividade e o direito privado tutelaria predominantemente interesses dos particulares (Marcelo Caetano): natureza do interesse prioritariamente tutelado; Ainda assim não seria aceitável porque em muitos casos não se sabe qual o interesse predominante (ex.registo predial). Há normas pacificamente classificadas como de direito privado e que visam predominantemente interesses públicos (normas imperativas).

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II – Um outro critério é o da posição relativa dos sujeitos da relação jurídica (subjektions theorie), o direito público regularia relações entre sujeitos que estão numa posição de supra-ordenação ou supremacia e outros de infra-ordenação ou de subordinação. O direito privado disciplinaria relações entre sujeitos numa posição relativa de igualdade ou coordenação.  Críticas: no direito público pode-nos surgir posições de igualdade ou coordenação (exemplo: relações entre dois municípios membros de uma associação de municípios);  No direito privado encontramos algumas relações jurídicas hierarquizadas (relação no poder paternal entre pai e filho (art. 1878º cc.) ou contrato de trabalho entre entidade patronal e trabalhador (art. 1152º); o III-Um outro critério é o da teoria dos sujeitos (subjektheorie) que assenta na identidade dos sujeitos. Seriam normas de direito público aquelas em que interviesse como sujeito activo ou passivo o Estado ou qualquer ente público. Seria de direito privado as que apenas interviessem particulares.  Críticas: os entes públicos podem intervir como particulares em muitos negócios jurídicos (ex. o Estado compra a um particular uma casa para lá instalar um serviço);  Os particulares podem relacionar-se entre si no âmbito do direito público (ex. concurso de acesso à função pública); o IV – O critério mais aceite é o da qualidade dos sujeitos, que é a versão moderna da teoria dos sujeitos. São normas de direito privado, as que regulam relações jurídicas entre particulares, ou entre particulares e o Estado ou outros entes públicos, ou entre entes públicos sempre que estes ajam despidos de poder de autoridade pública. São normas de direito público as que regulam relações jurídicas do Estado e outros entes públicos entre si, ou com os particulares quando os primeiros ajam munidos de poderes de autoridade pública, de soberania ou de império ius imperi.  Críticas: não dá base de sustentação para a integração no direito público das normas que regulam a organização e funcionamento das pessoas colectivas públicas e que são consideradas pacificamente normas de direito público; Deixa em aberto o que se entende por poder de autoridade pública. Existindo hoje várias funções do Estado, nomeadamente no campo da assistência social que não

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envolvem meios de autoridade, mas que também não mostram o Estado na veste de um particular (ex. rendimento mínimo garantido). O nosso ordenamento jurídico não estabeleceu um critério geral para determinar quais as normas de direito público e quais as de direito privado. Trata-se mais de um produto histórico, em que o ordenamento ao longo dos tempos foi fixando critérios diversos para determinadas relações jurídicas que foi integrando num ou noutro ramo. Noutros casos optou por interpolações mistas de direito público e de direito privado. No entanto há certas normas que nos permitem avançar na definição do critério: art. 501º cc: submete o Estado e demais entes públicos em matéria de responsabilidade civil decorrente do exercício de actividade de gestão privada ao regime do direito privado diferentemente do que acontece com actividade de gestão pública (critério da qualidade dos sujeitos). Artigo 1304º cc, que sujeita o domínio das coisas pertencentes ao Estado ou a outras pessoas colectivas públicas ás regras do código civil, só pertencendo ao domínio público do Estado os bens definidos e regidos por lei excepcional (art.84ºCRP) (critério da qualidade dos sujeitos). Em suma a nossa lei assume o critério da qualidade dos sujeitos da relação jurídica, embora hajam regimes mistos.  Alcance prático da distinção: 1. Satisfaz um interesse de ordem científica na sistematização e agrupamento das normas jurídicas; 2. Serve para determinar as vias judiciais competentes para a solução dos diferentes conflitos. Em casos de conflito de direito privado são competentes os tribunais judiciais e dentro destes os tribunais comuns em matéria civil, salvo quando houver matéria civil especializada (ex. tribunal de trabalho, tribunais de família e menores, tribunais marítimos). Em casos de conflito de direito público são competentes os tribunais administrativos e fiscais (arts. 211º e 212º CRP); 3. Responsabilidade civil, ou seja, a obrigação de indemnizar decorrente de uma actividade de órgãos ou agentes estaduais está sujeita a um regime diverso consoante os danos sejam causados no exercício de uma actividade de gestão pública ou privada. Ora, a actividade de gestão pública é a disciplinada pelo direito público e a de gestão privada pelo direito privado, daí a necessidade prática da distinção. Temos, assim efeitos legais próprios para o direito público distintos do direito privado.  Características do direito público e do direito privado: 1. Direito privado: vigora o princípio da liberdade em que é lícito tudo quanto não é proibido pela lei; Direito público: vigora o principio da competência ou da legalidade, onde só é lícito o que é permitido pela lei;

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Com o evoluir da sociedade foram surgindo direitos especiais (subconjuntos unitários e sistematizados de normas jurídicas aplicáveis a determinados e delimitados sectores da vida humana. mas tendo-o como direito subsidiário. em regra. em regra. o código de Veiga Beirão. A lei da boa razão (1769) e os estatutos da Universidade de Coimbra (1772) distinguiam já o direito comercial do direito civil. assim. Encontramos.com/index. as que estão previstas na lei e se especializaram do tronco comum do direito que aparece ligado ao direito privado.atspace. Direito público: predominância de normas imperativas (não podem ser afastadas pela vontade das partes). nos casos omissos. Direito privado: predominância de normas supletivas (regras jurídicas que podem ser afastadas pela vontade das partes em sentido contrário). Direito privado: é de certo modo um direito geral face ao direito público porque regula a generalidade das relações jurídicas. se deveria aplicar as leis das nações civilizadas.122º). Os contratos do Estado com os particulares são. Em 1888 vamos ter um novo código.http://apontamentosdireito. 3. aplicável o direito privado. Muitas vezes o direito privado é de aplicação subsidiária face ao direito público. embora admitindo actos praticados apenas por comerciantes. regulados pelo direito privado. Mas ser o núcleo fundamental não é ser todo o direito privado. 7. regras gerais no direito civil que se aplicam a esses ramos especiais do direito privado (ex.1304º cc). só se aplicando o direito público quando a relação é dominada pela ideia de ius imperi. que ainda se encontra em vigor. 5. no direito privado. sejam eles praticados ou não por comerciantes. Ás relações entre o Estado e os particulares é. Os direitos privados especiais: 1.  O direito civil como direito privado geral comum: O direito civil é o núcleo fundamental do direito privado. o direito civil é o direito – mãe (“Mutterrech”). dizendo que em matéria comercial. este regulava um direito dos comerciantes. de pendor objectivista: regula os actos de comércio. O direito comercial: desde cedo surgiram tribunais comerciais para os mercadores. cuja jurisprudência muito contribuiu para a autonomização do direito comercial.html 2. Mas a autonomia 4 . só se aplicando o direito público quando a lei o determine. ao domínio privado (art. Os bens do Estado pertencem. Mas a incerteza que daí advinha levou à publicação em 1883 do primeiro código comercial: o código de Ferreira Borges que era de pendor subjectivista. Assim. 4. 6. Direito público: regula um sector mais determinado de relações jurídicas. em princípio. menoridade art. prevendo um regime jurídico diverso do regime regra que é o direito civil.

intervindo nos conflitos entre as entidades patronais e os trabalhadores com armas como a requisição civil. bastante alterado depois do 25 de Abril que veio estabelecer modificações na duração do trabalho. leis uniformes para letras. 3. daí ter nascido grande regulamentação que levou à autonomização deste ramo do direito privado. como parte económica mais débil. b. em que os conflitos laborais são resolvidos pelos tribunais de trabalho. 2. etc. Há uma grande intervenção do Estado na relação laboral. d. Há uma necessidade de maior regulamentação unitária de carácter internacional no direito comercial com a globalização da economia (ex. Tratamento e tutela do trabalhador. igualdade entre homens e mulheres.48 de 24 novembro de 1969 que estabelece o regime jurídico do contrato individual de trabalho. mas pessoas com direitos e deveres. O direito do trabalho: com o avanço civilizacional os trabalhadores começaram a deixar de ser vistos como “criados”. senão vejamos: a. Apenas nos indica qual a legislação 5 .etc. O comerciante precisa também do reforço das suas garantias. simplicidade e rapidez na conclusão das transacções. no direito de greve. Intervêm ainda ao nível da previdência social. sobretudo nos principais centros urbanos.atspace. ou seja. em que é conciliador. daí prevalecerem as normas que estabeleçam tratamento mais favorável para o trabalhador. onde há uma contrapartida económica. Especialidade ainda de processo com mecanismos processuais próprios com o código de processo do trabalho. de natureza onerosa. Necessidade de facilidade. ao contrário do direito civil onde coabitam os actos onerosos e gratuitos. O nosso código civil declara no artigo 1153º que o contrato de trabalho está sujeito a legislação especial – DL nº 49. Este ramo tem ainda especialidades de jurisdição. Os actos jurídicos comerciais são.html do direito comercial justifica-se pelas necessidades próprias do comércio moderno.com/index. b. sobretudo nas relações colectivas de trabalho. c. daí o direito comercial ser menos exigente no que respeita à forma negocial. c.http://apontamentosdireito. higiene e segurança. o fiador é o ultimo a responder pela dívida. regra geral. livranças e cheques). ao contrario da fiança civil em que há o beneficio da excussão. como credor. trabalho de menores. Direito internacional privado: o DIP não regula directamente as questões que dividem as partes. O direito do trabalho compreende sobretudo as seguintes características: a. exemplo o aval comercial em que se responsabiliza a pessoa que o dá ao mesmo tempo e ao mesmo nível do devedor podendo o credor executar o património de um ou outro.

http://apontamentosdireito. decretos-leis e decretos legislativos regionais. emanação do contrato social de Rousseau. Consta sobretudo dos ars. Nesta matéria concorrem normas de direito privado e também normas de direito público com o Estado a visar finalidades de justiça social e também com normas provenientes da União Europeia. normas relativas à estrutura e actividade da agricultura. a. Outros ramos especiais do direito privado: constituirão também direitos privados especiais o direito de autor e direitos conexos bem como o direito de propriedade industrial como é patente pelo artigo 1303º. No entanto. cada Estado tem o seu próprio DIP. Essas normas estão a tender para a autonomização. mas um direito de natureza e fonte interna. 24º a 47º da CRP que incorporam maioritariamente direitos fundamentais civis  aplicabilidade imediata da Constituição. daí a sua unidade e autonomia face ao direito civil. 1. (c) decretos lei do governo. acepção intermédia: lei contrapõe-se a regulamento. 14º a 65º cc  é um direito instrumental de “normas sobre normas”. Daí que haja diversas normas constitucionais com aplicação no âmbito de direito civil. 4. Controversa será essa qualificação para o direito agrário. o DIP não é um verdadeiro direito internacional. (a) Leis constitucionais. com estrutura e espírito próprios. por 6 . (d) decretos legislativos regionais e os vários regulamentos.com/index.html estadual aplicável para regular um caso concreto em que os elementos da relação jurídica estão em contacto. Leis constitucionais: a Constituição é o quadro básico das relações jurídicas da sociedade. mas não há ainda um corpo legislativo unitário. Noutros casos há normas programáticas na Constituição que necessitam de desenvolvimento legislativo.  Fontes mediatas (legitimidade depende de outras fontes): (3) usos. As leis: de acordo com o artigo 1º/2 cc. as leis são tomadas numa concepção lata “todas as disposições genéricas provindas dos órgãos estaduais competentes (acepção latíssima: lei significa direito. Temos assim. É claramente direito privado porque diz respeito às relações jurídicas privadas ao contrário do direito internacional público que regula fundamentalmente relações entre Estados. Sobretudo por força do artigo 18º CRP são de aplicabilidade directa os arts. abarcando apenas as leis. As fontes de direito civil: Fontes imediatas (operam sem intermediários): (1) leis. acepção restrita: designa os actos legislativos da AR). Simultaneamente com várias ordens jurídicas estaduais. princípios fundamentais de direito.atspace. (2) normas corporativas. (4) equidade. sendo o direito civil direito subsidiário destes ramos. (b) leis ordinárias (da AR).

a representatividade profissional mantém-se. Esta tem uma competência geral. Daí defender a revogação tácita ou uma interpretação ab-rogante face a estas normas.atspace. que depende das capacidades do Estado para promover esse direito. Leis ordinárias: as leis ordinárias são as leis da AR.http://apontamentosdireito. b) não estejam reservados à competência própria dos órgão de soberania. Há dois tipos de reserva.html b.164º CRP) e uma competência relativa. Por exemplo. adaptando o código à CRP de 1976 e não ter sido feita uma revisão geral do mesmo. esse código deontológico não poderá conter normas que violem direitos liberdades e garantias. donde sobressai o princípio da liberdade de associação que gera fontes de direito em matéria de estatutos e regulamentos internos. 3. c. uma reserva absoluta em que cabe exclusivamente à AR não podendo delegar no Governo essas tarefas (art. Exemplo disso é o código deontológico da ordem dos médicos. pois apesar da extinção do regime corporativo. 2. Tornando-se muito mais fácil essa actualização assim do que se a mesma fosse feita por decreto – lei. ainda que noutros moldes. Se o Estado não desenvolver politicas nesse sentido poderá haver lugar à inconstitucionalidade por omissão  aplicabilidade mediata da Constituição. Decretos – lei do governo: têm o mesmo valor das leis ordinárias. Regulamentos: no direito civil há ainda zonas periféricas de carácter regulamentar. em que ela pode delegar ao governo essas competências (art. d. Mas parece que estas continuam a existir. Mas salvaguardando a unidade do sistema o artigo 1º/3 afirma que essas normas não podem contrariar disposições legais de carácter imperativo.112º/4 da CRP bem como o próprio 227º). Decretos legislativos regionais: atente-se ao artigo 227º da CRP e às limitações aí presentes: a) matéria de interesse especifico. que está presente no artigo 161º da CRP e uma competência reservada.com/index. Temos uma competência exclusiva (art.198º/2 CRP). exemplo o artigo 64º da CRP. Veja-se o exemplo das portarias que estabelecem os coeficientes de actualização dos arrendamentos urbanos para habitação. c) estão subordinadas às leis gerais (art. Usos: o artigo 3º considera os usos como fonte de direito mas conferelhes importantes limitações: 7 . estas normas deixaram de ser fonte de direito e o facto destas terem permanecido no artigo 1ºcc deve-se ao facto da reforma deste código em 1977 ter tido um carácter meramente parcial. As normas corporativas: uma parte da doutrina (Doutor Mota Pinto) entende que com a abolição do regime corporativo com o 25 de Abril. uma competência própria (198º1/a) CRP) e uma competência autorizada (198º/1/b) CRP): foi o que se passou aquando da reforma do código civil em 1978 que o adaptou à CRP de 1976. e.165º CRP).

c. ou seja. exemplo caso entre a EDP e a TELECOM que pode implicar grande conhecimento tecnológico  elas estabelecem que o processo é resolvido por tribunal arbitral). Quando haja acordo das partes e a relação jurídica não seja indisponível. Essas decisões não vinculam os mesmos ou outros tribunais no futuro (julgamento do mesmo tipo. outra fonte mediata do direito civil já que: a. 4. sendo que aqui não são competentes os tribunais comuns. Só são juridicamente atendíveis quando a lei o determine. presentes no art. aqui tomada numa acepção objectiva. sobretudo no seu nº3 em que assumem especial relevo os regulamentos dos órgãos da EU que vigoram directamente na nossa ordem jurídica interna ao contrário das directivas que necessitam de acto de transposição para o direito nacional.http://apontamentosdireito. algo que acontece nos países da “common law”). mas foi decrescendo de valor devido à sua incerteza e à rapidez das mutações sociais.2º e hoje 8 . se um juiz de 1ª instancia tem uma interpretação diferente de certa norma da do Supremo deve seguir a sua própria interpretação). Não estarem em oposição com as normas corporativas. devido ao princípio da independência doas magistrados judiciais que julgam apenas segundo a Constituição e a lei (exemplo.  As fontes internacionais: a CRP no artigo 8º abre a nossa ordem jurídica a fontes de direito internacional. Não podem ser contrários aos princípios da boa fé. b. A única excepção que existia até 1995 era a dos assentos do STJ.218º). Actualmente o costume não é fonte de direito civil. não é fonte de direito na nossa ordem jurídica. b. honroso e leal.html a.  Não confundir os usos com o costume (prática social reiterada com a convicção da sua obrigatoriedade jurídica). Quando as partes tenham previamente convencionado nos termos da cláusula compromissória (esta diz respeito à fixação da resolução de litígios através de tribunais arbitrais.atspace. 494º).art. c. como tal são fonte mediata de direito já que para se aplicarem necessitam da remissão de uma norma jurídica (ex. Equidade: o artigo 4º.  A jurisprudência: a jurisprudência  o conjunto de decisões em que se exprime a orientação seguida pelos tribunais na decisão dos casos concretos. A lei da Boa razão colocou-lhe enormes restrições: conforme à boa razão. Só tem lugar quando haja disposição legal que o permita (exemplo art. não ser contrário à lei (100 anos de existência) sendo que o código de 1867 o excluiu das fontes de direito (o chamado código de Seabra). um comportamento honesto. Começou por ser fonte imediata de direito.  É a chamada justiça do caso concreto ou solução ex aequo et bono .com/index.

ou seja. Isto é ainda mais visível no preenchimento das lacunas da lei com os artigos 10º nº1 e 2.atspace. – problema de aplicação de leis no tempo. Existe aqui uma forte dose de valoração apresentando a intervenção judicial um verdadeiro carácter constitutivo (exemplo art. Daí que se fale no desenvolvimento normativo do direito pelo juiz ou mesmo do chamado Richterrrech (direito jurisprudencial). em que o plenário das secções cíveis emite um acórdão de forma a assegurar a uniformidade da jurisprudência. no plano processual o acórdão em julgamento ampliado de recurso de revista. O facto dos acórdãos serem publicados no DRI série A e terem força obrigatória geral não é significativo pois. é o caso das clausulas gerais e de conceitos indeterminados.html revogados. capaz de valorações jurídicas. das relações e até sentenças de 1ª instância. Mas de acordo com o artigo 8º nº3 não são apenas objecto de ponderação por parte do juiz os acórdãos do Supremo em julgamento ampliado de revista. até porque se o caso tiver valor para subir até ao Supremo o normal é o acórdão ser reafirmado. por parte destes de normas jurídicas com força obrigatória geral.com/index. Esta revogação baseou-se sobretudo no princípio da separação dos poderes. assentes sob soluções opostas e sejam produzidas no domínio da mesma legislação se recorria para o plenário do Supremo que tiraria um assento que solucionaria o caso concreto. Quando existiam dois acórdãos do Supremo e excepcionalmente da relação. mesmo que com carácter interpretativo.334º). limita-se a formular um juízo de valor. relativamente à mesma questão fundamental de direito. 9 . No entanto é necessário que haja razões fortes para esse tribunal contrariar tal acórdão. presente no art.http://apontamentosdireito. Oliveira Ascensão diz que os acórdãos com força obrigatória geral do TC são fonte de direito. positivista e dedutiva. Quanto aos assentos proferidos antes da data da sua revogação (13/12/1995) deixaram de ter força obrigatória geral e têm o valor dos acórdãos de recurso ampliado de revista. Para isso. por exemplo. acórdão que é publicado no DR.8º nº3 mostra claramente o desejo de uma certa uniformização na aplicação do direito para garantir a segurança e a previsibilidade do direito. para os casos concretos o recurso intentado até essa data vale para a resolução do conflito concreto. foi criado. Cada vez menos o direito recorre a uma jurisprudência de conceitos. sobretudo com o 10º nº3 em que o juiz elabora uma norma adhoc dentro do espírito do sistema  aqui há uma clara indução do direito. valendo como preceito geral para o futuro. Em termos gerais vale como mera jurisprudência uniformizada. Só que esse acórdão não tem força obrigatória geral nem mesmo para os tribunais superiores. a nomeação de um Ministro no DR-I-A tem também força obrigatória geral e não é uma norma jurídica. mas a uma jurisprudência atenta aos interesses das partes. têm um mero valor indicativo. Cada vez o juiz é menos a “boca da lei”. em que a função legislativa é atribuída à AR e ao Governo e a função jurisdicional é atribuída aos tribunais. Tem um mero valor indicativo. Não parece que o sejam:  O TC não cria nenhuma norma. mas também outros acórdãos do Supremo. Daí ser inaceitável a criação. cabendolhe uma ponderação na aplicação concreta de muitos comandos legais.111º da CRP. No entanto o art.

12. 2. Principio da proibição de negócios usuários: art. 13. Principio da dignidade da pessoa humana: resulta do artigo nº1 da CRP. 10 . 7. Numa fórmula de Kant. sendo obrigado a respeitar a outra de modo análogo  princípio do respeito mútuo é fundamental e é a base da convivência numa comunidade jurídica e de toda a relação jurídica e está na origem do próprio direito geral de personalidade (art. Principio da plenitude da capacidade jurídica humana. de se autopropor objectivos e limites para a sua actuação. 4. Principio do equilíbrio das prestações. São a sua ossatura. Principio da liberdade declarativa. Principio da nulidade de actos e negócios jurídicos violadores de regras imperativas. Mas há também princípios gerais emergentes da lei ordinária civil. tem um incondicionável valor em si mesmo. 6. face a qualquer outro.282º. 10. o homem é “fim em si mesmo”. 9. Principio da proibição do abuso de direito. Principio da boa-fé. 8. modelam o conteúdo do direito civil. Ao seu aprofundamento: 1. resultando da natureza do homem deste configurar livre e reciprocamente a sua existência e a sua inserção social. Principio do reconhecimento da personalidade jurídica humana.70º) Este princípio implica: a. Principio da não violação da esfera jurídica alheia.html  Os princípios gerais de direito civil: são princípios de ordenação material ou substancial das normas jurídicas civis que estruturam. dão coerência e unidade ao conjunto do direito civil.com/index. Principio da proibição de auto-defesa dos direitos próprios. Principio da autonomia da vontade privada. 11. Principio da tutela geral da personalidade.atspace. 14. Principio da personificação jurídica e da capacidade jurídica funcional das pessoas colectivas privadas. Principio da dignidade da pessoa humana. Principio da igualdade. 3. Face a esta dignidade Larenz diz que todo o ser humano tem. Por isso ele é pessoa. Vamos proceder à sua enumeração: 1. Tais princípios são desenvolvidos pelas normas civis e alimentando o espírito do sistema civil a eles se recorrendo na integração de lacunas praeter legem conforme o artigo 10º/3.http://apontamentosdireito. um direito a ser respeitado por ele como pessoa. não podendo ser empregado simplesmente como meio. Estes princípios podem ter carácter fundamental ou Constitucional se resultam de normas ou princípios Constitucionais. 5.

atspace.13º CRP que implica que se tratem igualmente situações de interesses iguais e que se tratem diferentemente situações de interesses diversos.70º.html b. 2. Principio da plenitude da capacidade jurídica humana: a dignidade da pessoa humana postula ainda uma plenitude da capacidade jurídica de qualquer homem: aptidão para ser titular de um circulo maior ou menor de relações jurídicas (art.  O direito é ainda concebido tendo como destinatários essa comunidade de pessoas livres e iguais.com/index. Fala-se cada vez mais de igualdade jurídicomaterial e não de igualdade jurídico-formal. 67º). atendendo à sua particularidade. independente do conteúdo (por exemplo promoções de uma real igualização através de diferenciações legais compensatórias). Só não o será face a disposição legal em contrário como decorre do artigo 67º.36º/4 CRP. Qualidade que está na base da personalidade físico-moral presente no art. como é o caso do decreto – lei acerca das cláusulas contratuais gerais. segundo Castanheira Neves à intenção material especifica do direito. 3. pois este regime apenas visa favorecer o filho já que biologicamente e sociologicamente tem uma maior ligação à mãe e à família desta do que ao pai. assim. vendo. se é baseada em fundamentos materiais suficientes e assenta em considerações razoáveis. um conjunto de 11 . A excepção à regra geral de que todos os homens têm capacidade jurídica é a incapacidade. violando assim directamente o art. 4. Vigência de certos institutos de favorecimento da parte contraente mais fraca. Como exemplo de uma norma razoavelmente discriminatória: temos o artigo 1911 nº2.66º nº1). Principio do reconhecimento da personalidade jurídica humana: do princípio da dignidade da pessoa humana decorre que todo e qualquer ser humano tem personalidade jurídica  aptidão para ser centro autónomo de relações jurídicas (art. existe no cerne da natureza humana uma base comum a todos. já seria uma norma que violaria o principio da igualdade a que permitisse um quota hereditária maior para os filhos nascidos dentro do casamento dos que os fora do mesmo. Mas qual o critério a adoptar para sabermos quando estamos perante uma situação de igualdade ou desigualdade? Deve-se atender. Exemplo de excepção é um menor com menos de 16 anos. que não viola o principio da igualdade do homem e da mulher. uma razão arbitrária que não é materialmente fundada e não assenta em objectivos razoáveis violará este principio de igualdade. O artigo 13º da CRP diznos que apesar das nossas diferenças especificas. Principio da igualdade: este princípio decorre do art.http://apontamentosdireito. não pode casar. uma qualidade que pertence a todos os homens sem distinção.

mediante certos pressupostos personalidade jurídica às pessoas colectivas. 70º nº2). 81º nº1 (pelo consentimento ser contra a ordem pública devido aos prejuízos irremediáveis que resultariam para a pessoa são ilícitos a mutilação ou a eutanásia). Relação do homem com o seu ambiente físico e social: a identidade.70º nº2. Pessoas colectivas: são colectividades de pessoas ou complexos patrimoniais / organizados em vista a um fim comum / a que o ordenamento jurídico atribui a qualidade de sujeitos de direitos. ou seja.com/index. não se trata de personalidade jurídica. 6. espírito (sentimentos inteligência).  Junto desta estrutura normativa existem diversos direitos especiais de personalidade que tutelam aspectos particulares da personalidade aos quais se aplica subsidiariamente o regime do DGP. 5. Segundo o artigo 157º as pessoas colectivas privadas são: 12 . sobre a sua própria personalidade humana nos seus elementos físicos e espirituais. Esta igualdade que se quer material impõe obrigações legais de diferenciação para compensar a desigualdade de oportunidades que se verificam na prática. liberdade. ou seja. Esta cláusula geral da tutela da personalidade protege os bens da personalidade ligados: a. Certas providências judiciais adequadas às circunstâncias do caso para evitar a consumação da ameaça ou atentar os efeitos da ofensa já cometida – art. bem como a capacidade criadora do homem e as respectivas criações.66º) mas sim de personalidade humana tomada como objecto jurídico. Principio da tutela geral da personalidade: quando o artigo 70º nos fala de personalidade física ou moral. aptidão para se ser centro autónomo de relações jurídicas (regulada no art. Os direitos de personalidade são irrenunciáveis: podendo todavia ser objecto de limitações voluntárias que não sejam contrárias aos princípios da ordem pública – art. Principio da personificação jurídica e da capacidade jurídica funcional das pessoas colectivas privadas: ao lado da personalidade jurídica reconhecida a todas as pessoas singulares o nosso direito civil no artigo 158º atribui.http://apontamentosdireito. honra. na medida em que todo o homem tem um direito sobre si mesmo. A violação destes mesmos direitos pode implicar: Responsabilidade civil (art. Esses direitos especiais encontram-se nos arts. etc.atspace.html direitos absolutos que se impõe ao respeito de todos os outros. a qualidade de também elas serem centros autónomos de relações jurídicas. segurança. Relação do homem consigo mesmo: a vida. o seu corpo. b. 72º a 80º.

Sociedades: organização de duas ou mais pessoas / que contribuem com bens ou serviços para o exercício de uma actividade económica / dirigida à obtenção de lucros e à sua distribuição pelos sócios. Tudo porque vivemos em 13 . Principio da autonomia da vontade privada: este principio resulta do poder de auto-determinação de cada homem e cresce limitado pelos quadros normativos da ordem jurídica que assentam na vontade popular. com cada um fazer aquilo que bem entende. culturais. 7. Ao contrário da capacidade jurídica das pessoas singulares. c.etc). este principio não se confunde com livre arbítrio. Mas qual a natureza desta personalidade colectiva? Autores como Savigny defendem a teoria da ficção segundo a qual a lei estaria a proceder como se as pessoas colectivas fossem pessoas singulares.atspace. Ela é sim de natureza funcional ou especifica em razão dos fins de cada uma delas. Fundações: massa de bens afecta pelo seu instituidor a finalidades de interesse social. já que ela é uma criação do direito  Ela é assim uma criação do direito e não uma ficção legal ou organismo natural. em que as pessoas colectivas seriam uma realidade idêntica à das pessoas singulares. mas outros fins comuns (recreativos. resultam da natureza das coisas. e . Não podemos aceitar nenhuma das duas teorias expostas. sendo que os seus órgãos devem actuar de acordo com a vontade declarada pelo fundador. Assim. a capacidade jurídica das pessoas colectivas é menor e inferior à das pessoas singulares como resulta da comparação dos artigos 67º e 160º. num claro antropomorfismo. Por um lado. capacidade testamentaria) b) Direitos e obrigações que seja inseparável da personalidade singular (os direitos derivados da vida como o casamento ou a filiação) Assim. Autores como Otto Van Gierke defendem a teoria organicista. No nº2 do artigo 160º é ainda excepcionado da capacidade jurídica: a) Direitos e obrigações vedados por lei (ex. ela não é nenhuma ficção legal porque tem a sua natureza e fundamentação na realidade social e na estruturação de interesses humanos. a capacidade jurídica das pessoas colectivas não é de carácter geral. como nos refere o artigo 160º nº1. Por outro lado a teoria organicista é também de rejeitar porque não precisamos de um organismo antropomórfico para justificar a personalidade jurídica.http://apontamentosdireito. Associações: colectividade de pessoas que não têm por fim o lucro económico dos seus associados. como nos diz Manuel de Andrade “ é a tradução jurídica de um fenómeno empírico”.html a. apesar de ser uma criação do direito.com/index. b.

as formas de testamento. Principio da autonomia privada: traduz-se no estabelecimento. 2030º. 1306º que se traduz na regra do numerous clausus ou da tipicidade das figuras reais e dos seus elementos característicos.62º CRP. não podendo constituir direitos reais os que não estejam previstos na lei. Mas estão também tipificados os diferentes objectos de sucessão – art.http://apontamentosdireito. pela ordem pública e o próprio fim do exercício da liberdade (334º). pela boa fé. Vejamos as varias expressões da autonomia privada: a) Nos direitos reais: principio da livre aquisição e transmissão entre vivos e por morte das coisas dominiais privadas – art. Principio que contém restrições de direito público  expropriações por utilidade pública (62ºnº2 CRP) e de direito privado. por exemplo (334º). actos que se traduzem num certo resultado material (ex. também aqui há o principio da tipicidade das figuras familiares e dos seus efeitos – arts. de constituir família e de requerer divórcio – art.No entanto. c) No direito das sucessões: liberdade de transmissão sucessória – artigo 62º nº1 CRP. segundo a sua vontade e dentro dos limites estabelecidos pela ordem jurídica. etc.html sociedade e as relações jurídicas não visam apenas o bem individual mas também o bem comum. domínio onde imperam as normas imperativas. Tutela da liberdade positiva: permite a cada um praticar ou não praticar qualquer facto que não seja proibido ou prejudique superiores interesses jurídicos de outrem. b) No direito da família: liberdade de celebração de casamento. conformação e extinção autónomos da relações jurídicas privadas por parte de cada homem. 1690º ss. Tutela da liberdade negativa: proíbe que qualquer pessoa possa ser constrangida por outrém a praticar ou não praticar qualquer facto – nemo postest presise coagi ad factum. 36º CRP. No entanto é uma área com grande incidência de normas imperativas ex. o abuso de direito. 14 . Vigoram também diversos regimes imperativos como é o exemplo da matéria de dividas dos conjugues – arts. b.atspace. etc. de celebração de testamento e de fixação do seu conteúdo. ou seja. Artigo 1306º em que se fixa os modos de aquisição do direito de propriedade. as fontes de vocação sucessória. criação de obras literárias). 1576 e ss. 1698º. pelos bons costumes.fixação do regime de bens do casamento – art. O nosso direito civil protege o poder de auto-determinação do homem em duas vertentes: a.com/index. O principio da livre realização de actos reais.

Sendo que a forma. Daí que nos negócios jurídicos unilaterais vigore o principio da tipicidade ou do numerous clausus. 2. Nos negócios jurídicos bilaterais ou contratos. art. os pressupostos e os seus efeitos estão também imperativamente fixados na lei. Nos negócios jurídicos unilaterais é de olhar com reserva a produção de efeitos na esfera jurídica (conjunto de relações jurídicas de que uma pessoa é titular) alheia (por vontade unilateral de outra pessoa). 3.proibição de celebração de contratos com determinadas pessoas (ex. Há que distinguir entre:  Negócios jurídicos unilaterais: tem apenas uma declaração de vontade (exemplo o testamento).com/index. Do artigo 405º emerge: a) Liberdade de celebração de contratos: faculdade de livremente realizar contratos ou recusar a sua celebração.sujeição do contrato a autorização de outrém (ex. Isto implica:  1-a possibilidade das partes realizarem os contratos previstos no código civil (exemplo a compra e venda) ou em outras leis (exemplo locação financeira) chamados contratos típicos nominados em que as partes aceitam todo o conteúdo e indicam apenas os pressupostos factuais para a sua produção. A ninguém pode ser imposta a abstenção de contratar: excepcionalmente o nosso ordenamento apresenta algumas restrições à liberdade de celebração de contratos: 1. Ninguém pode ser obrigado a contratar contra a sua vontade – nemo potest precise coagi ad factum ou a ninguém podem ser aplicadas sanções pela recusa de contratar. b) Liberdade de modelação do conteúdo contratual: faculdade conferida aos contraentes de fixarem livremente o conteúdo dos contratos. nestes negócios vigora o principio da liberdade contratual  artigo 405º. Esta liberdade subdivide-se em dois predicados: i. 877º). compra e venda).dever jurídico de contratar no que respeita ao seguro de responsabilidade civil automóvel. extinguindoas e determinando o seu conteúdo.  2.atspace.http://apontamentosdireito. sendo que só são juridicamente admitidos os que estiverem especificamente previstos na lei – art. modificando-as. tendentes à produção de um resultado jurídico unitário (ex. emissão de acções destinadas a subscrição pública).realizar contratos típicos nominados aos quais concertam as 15 .constituindo-as.html d) No direito das obrigações: É neste domínio que mais se afirma o princípio da autonomia privada como grande meio de actuação da autonomia privada temos o negócio jurídico: acto pelos quais os particulares ditam a regulamentação das suas relações. ii. 457º.  Negócios jurídicos bilaterais ou contratos: com duas ou mais declarações de vontade convergentes.

o consumidor é livre de rejeitar o contrato. pelos seus direitos e interesses juridicamente protegidos. Pessoal: caracterizado pela sua não avaliabilidade em dinheiro e onde se inserem os direitos pessoais ou não patrimoniais (exemplo. alterado pelo Decreto Lei 220/95 por si alterado pelo Decreto Lei 249/99 de 7 de Julho. os direitos de crédito). Principio da não violação da esfera jurídica alheia: cada pessoa tem uma esfera jurídica própria que é composta pelo conjunto de relações jurídicas de que uma pessoa é titular. muitas delas. 405º nº2. pois muitas das vezes o fornecedor está numa posição de monopólio (ex. (eventualmente conjugando dois ou mais contratos – contratos mistos – art. Daí que o consumidor impedido pela necessidade é forçado a aceitar o contrato e todas as cláusulas constantes no mesmo. a quem causa prejuízos a outrém. Negocial: resulta da violação de um direito de crédito ou obrigação em sentido técnico. Essa obrigação de reparar ou compensar os danos causados é a chamada responsabilidade civil : necessidade imposta pela lei. electricidade) e rejeitar o contrato é não satisfazer uma necessidade fundamental. na obrigação de reparar ou compensar os danos causados. temos mais recentemente o regime das cláusulas contratuais gerais – Decreto Lei 446/85. Há duas espécies de responsabilidade civil: a. de colocar o ofendido na situação em que estava sem essa lesão. 16 . Mas há também poderosas restrições fácticas a este princípio sobretudo nos chamados contratos de adesão (contratos entre produtores ou distribuidores de bens ou serviços em larga escala e consumidores aderentes que são múltiplos e indeterminados. compra e venda). em princípio. Quando isto acontece a pessoa constitui-se. emergente de um negócio ou directamente da lei (exemplo. injustas.http://apontamentosdireito. Mas. a nulidade do negócio contrário à ordem pública – artigo 280º nº2. só que na prática não é bem assim.com/index. Na vida social. Patrimonial: definido pela sua avaliabilidade em dinheiro e onde se enquadram os direitos patrimoniais (exemplo. propondo os primeiros todas as cláusulas do contrato. Em tal esfera podemos considerar dois hemisférios: a. os direitos de personalidade). b. os comportamentos das pessoas.html cláusulas que lhes aprouver.  3–a possibilidade das partes celebrarem contratos diferentes dos previstos no código. esta liberdade contratual conhece algumas restrições legais.atspace. desde logo as aludidas no artigo 405º “dentro dos limites da lei”. limitando-se os segundos a aderir ou não a tal contrato). 8. chamados contratos atípicos inominados. Teoricamente não há restrições à liberdade contratual. sejam eles acções ou omissões violam muitas vezes deveres de abstenção ou de acção. Para combater isto podemos recorrer às regras da boa fé – artigo 762º. Vem regulada fundamentalmente nos artigos 798º ss e implica a falta culposa do devedor ao cumprimento da obrigação.

b. iii. extra-contratual ou aquiliana: resulta da violação de uma obrigação. não efectua a prestação no tempo devido.atspace. por causa que lhe seja imputável. A utiliza o nome profissional e B para se fazer passar por ele). ii. passiva ou activa. Cumprimento defeituoso: por causa imputável ao devedor.http://apontamentosdireito. que assume as seguintes modalidades: o Dolo: que pode ser:  Dolo directo: o agente quis directa e especificamente realizar o facto ilícito violador do direito de outrém (exemplo. A existência de uma acção ou omissão. Responsabilidade civil por actos ilícitos ou culposos: regulada no artigo 483º nº1 e pressupõe: 1. Extra-negocial. no entanto a prestação é ainda possível – artigo 804º. mas necessária de uma conduta (exemplo: A quer transportar produtos de um prédio para o outro. do não cumprir de um dever geral de abstenção ou acção contraposto a um direito absoluto. ilícito porque é contrário aos comandos que lhe são impostos pela ordem jurídica. voluntária e ilícita que viole um direito subjectivo absoluto ou qualquer disposição legal destinada a proteger interesses alheios. Nexo de imputação de tal acção ou omissão ao agente. não quer dizer que seja um facto querido por este.  Dolo necessário: quando o agente realizou tal facto ilícito prevendo-o como uma consequência reflexa. Vem regulado essencialmente nos artigos 483º a 510º. Voluntário – quer dizer que é dominável ou controlável pela vontade do lesante. sabendo que os empregados têm que passar por prédio alheio e destruir 17 .html sendo a culpa apreciada nos termos aplicáveis à responsabilidade civil extranegocial como decorre do 799º/2. a prestação já não ser possível de se efectuar no todo ou em parte – 801º e 802º. Ela desdobra-se em três modalidades: i. ou seja. este realiza a prestação mas com vícios ou deficiências que ocasionam prejuízos específicos ao credor – artigo 799º. A culpa. que envolve uma censura ético-jurídica e que se desdobra em dois elementos: A imputabilidade (ver 488º). 2.com/index. Ela conhece três tipos: i. Mora: o devedor. universal. Impossibilidade de cumprimento: o incumprimento decorre de uma causa imputável ao devedor.

perda de salários. destruir uma coisa). embora este objectivamente fosse previsível se o agente usasse de diligência.  Dolo eventual: quando o agente praticou tal facto ilícito prevendo-o como um efeito apenas possível ou eventual. A existência de danos: estes podem ser: o Patrimoniais: traduzem-se numa diminuição ou não aumento do património  Directos: prejuízo imediato sofrido pelo lesado no Dano emergente seu património (exemplo. mas com a omissão de deveres de cuidado. Esta pode ser:  Consciente: quando o agente previu como possível o resultado ilícito mas por precipitação ou desleixo cré na sua não verificação. resultante de uma hospitalização por agressão física). vendo pessoas e veículos não abranda a sua velocidade excessiva. com a sua inteligência e perspicácia colocado nas circunstancias e contexto em que o lesante agiu – artigo 487º nº2.atspace. o Danos não patrimoniais ou morais: consagrados no artigo 496º. 3. Verificam-se 18 . mas teria persistido na sua conduta se previsse o facto ilícito como efeito necessário da sua conduta (exemplo. São bens estranhos ao património do lesado. Aqui o agente procede sem os elementos volitivos do dolo.html nele certas culturas. desleixo.  Inconsciente: o agente por imprudência. dá ordens nesse sentido. ou seja.http://apontamentosdireito. +  Indirectos: vantagens que deixaram de entrar no Lucro cessante património do lesado em virtude do acto ilícito (exemplo. imperícia.com/index.  A culpa em sentido amplo (abrangendo dolo e negligência) deve ser apreciada em abstracto pelo modelo de um bom pai de família (o velho bónus pater famílias romano). perícia e diligência exigíveis para evitar a violação do direito ou interesses alheios. um homem médio. distracção ou inaptidão não teve consciência de que o acto poderia decorrer o resultado ilícito. o Negligência ou mera culpa: é muito importante a diferenciação entre mera culpa e dolo. não se preocupando com o atropelar alguém ou embater com outro veiculo o que acaba por acontecer em qualquer dos casos o lesante conhece as circunstâncias de facto que integra a violação do direito e tem consciência da ilicitude do facto. apesar disso. pois o artigo 494º admite a possibilidade de diminuição equitativa da indemnização. o condutor ao aproximar-se de um cruzamento.

que é uma hipótese maioritária. Necessidades sociais de segurança impõem que quem crie uma fonte de riscos em seu proveito suporte os efeitos prejudiciais do seu emprego.  A reconstituição a que obriga a responsabilidade civil pelos artigos 483º e 562º deve. No caso dos danos não patrimoniais não podemos falar de uma indemnização porque não são avaliáveis em dinheiro. para seu benefício. apenas materialmente imputáveis à pessoa. assim não serão indemnizáveis os pequenos incómodos. ser uma reconstituição natural.com/index. c) A existência de prejuízos. visto raramente o lesado ficar completamente indemnizado com a reconstituição natural. daí que segundo o artigo 483º nº1 só são indemnizáveis os danos resultantes da violação. consultar. com base no facto desta ter posto em acção. terá lugar uma indemnização em dinheiro ou restituição por equivalente. desgostos ou contrariedades embora emergentes de actos ilícitos imputáveis a outrem (exemplo. Pressupõe: a) Violação de um direito absoluto. o mesmo é dizer que o autor só está obrigado a reparar aqueles danos que não se teriam verificado sem essa violação. Só que aqui estamos perante factos não culposos. em principio. 4. Concluindo: esta responsabilidade civil por actos ilícitos é substancialmente culposa ou subjectiva. O mesmo artigo 566º nº1 diz-nos que quando tal não seja possível pelas razões indicadas. Existem teorias acerca disto. temos assim uma compensação. que não é um “preço de dor” mas uma compensação mediante satisfações derivadas da utilização do dinheiro.atspace. fazer apelo à liberdade moral do homem e apresentar os danos como consequências evitáveis .html quando há sofrimentos físicos ou morais. A matéria referida encontra-se nos artigos 500º a 510º. d) Nexo causalidade entre facto e dano.http://apontamentosdireito. certas forças que são fontes de riscos e potenciais danos para os outros. O artigo 496º nº1 fala de danos que pela sua gravidade mereçam tutela do direito. A verificação de um NEXO DE CAUSALIDADE ADEQUADO: entre os danos produzidos e o acto em causa. segundo o princípio ubi commoda. um empurrão no autocarro). Responsabilidade civil pelo risco ou objectiva: só tem lugar nos casos tipificados na lei como decorre do artigo 483º nº2. Para além de 19 . estimulando – se desta forma zelos e cuidados em impedir esses danos. etc. como nos diz o artigo 566º nº1 ( “sempre que a reconstituição natural não seja possível”): é a reconstituição da situação em que o lesado estaria sem a infracção. é como nos diz Mota Pinto. perda de consideração social. ibi incomoda (onde estão as coisas cómodas estão as incomodas). b) Nexo de imputação objectivo entre esse facto e responsável.

9. é sim um pressuposto para a aplicação ou não de uma norma. com sacrifício de uma seu direito ou interesse. leal e fiel das partes. de um acto de terceiros ou de um acto do próprio lesado.atspace. ou seja. como decorre do artigo 237º. uma convicção de se estar a actuar em conformidade com o direito. Em casos especiais. Neste caso ela não é um princípio geral de direito. Boa fé objectiva: aqui trata-se de uma conduta ou comportamento honesto. b. Aqui é um princípio geral de direito. Responsabilidade civil por acto licito: emergente de fontes que constituem uma intervenção licita na esfera jurídica de outrém. Não existindo uma unificação legal que preveja um regime jurídico semelhante ao da responsabilidade pelo risco. Temos a: a. factos imputáveis ao lesante que deles tira proveito. Tem um carácter obviamente objectivo pois relaciona-se com regras de conduta. uma perturbação ao seu direito possa obter uma indemnização. Responde a um princípio de compensação de vantagens em que aquele que tem de suportar.html prescindir da culpa não pressupõe normalmente um acto ilícito.com/index. a lei exige uma equivalência medida por parâmetros objectivos. É assim. correcto. algo de psicológico. só que aqui o acto praticado é licito. 10. onde cada uma das partes deve obter pela sua própria prestação uma contraprestação adequada de valor equilibrado. Principio do equilíbrio das prestações: esta questão coloca-se sobretudo nos contratos onerosos. Só acontece nas circunstâncias e hipóteses especificadas na lei. Aqui não está em causa a realidade psicológica da pessoa. Principio da boa fé: a convivência sócio – jurídica tem de ser alicerçada na confiança recíproca e no recto comportamento e intenção de uns relativamente aos outros. como por exemplo os negócios usurários – artigo 282º. podendo dimanar de um facto natural. Mas normalmente o 20 . mas o cumprimento dessas mesmas regras. a quem tem a convicção de proceder rectamente seu prejudicar direitos alheios. Expoente máximo desta responsabilidade é o artigo 1367º. Exemplo máximo: 1647º e 1648º que dizem respeito aos efeitos do casamento declarado nulo ou anulado quando celebrado por ambos ou apenas por um dos cônjuges de boa-fé. envolve uma cláusula geral e como tal a mediação do juiz na sua aplicação aos casos concretos. Boa fé em sentido subjectivo: ignorância não culposa de vícios ou irregularidades do respectivo acto. Exemplos: 227º nº1 e 762 nº2. Contar as quatro características das demais responsabilidades civis extra-contratuais.http://apontamentosdireito. que leva a lei a dispensar um tratamento de favor a quem actua com este estado de espírito. no interesse de outrem. como decorre do artigo 483º nº2.

Negócios em fraude à lei: contornam proibições ou actuação. É aos tribunais que compete o assegurar de direitos e interesses protegidos pela lei e o dirimir dos conflitos. estendendo-se até ao direito da família (deveres de respeito e fidelidade recíprocas – 1672º) ou às sucessões (cada herdeiro só responde pelos encargos na proporcionalidade da quota que lhe tenha cabido – artigo 2098º nº1. limitando-se aqui o direito a assegurar que não houve dolo. como é estabelecido no artigo 202º CRP.http://apontamentosdireito. Impedir a invalidade. atingindo o mesmo resultado por outros meios diferentes dos previstos pela lei. Facilitar e abreviar uma conclusão válida dos negócios jurídicos. proibindo-se assim a auto-defesa. erro ou mesmo coacção. celebrados contra disposição legal de carácter imperativo são nulos. de negócios queridos pelas partes onde não há grande relevância de interesse público a existência de forma. 11. Principio da proibição de auto-defesa dos direitos próprios: este princípio decorre da estatuição a contrario dos artigos 336º e 339º.atspace. c.com/index. por falta de forma legal devido a ignorância ou mesmo dificuldades económicas. por palavras ou gestos sem sujeição a forma escrita.html ordenamento contenta-se com a equivalência subjectiva. Com isto visa-se: a.  Normas imperativas: são aquelas que impõem um certo comportamento – preceptivas. Mas tal principio ultrapassa o âmbito dos contratos. o que não põe em causa as funções das forças de segurança pública como garante imediato dos direitos dos cidadãos cuja violação constitua crime – artigo 272º da CRP. b. ou proíbem determinada conduta – 21 . em princípio. 13. b. ou seja. O artigo 294º abrange: a. 12. que ambas as partes considerem as prestações equilibradas. se realizar de um modo consensual. Principio da liberdade declarativa: resulta do artigo 219º e alertanos para o facto de os negócios jurídicos poderem. Exemplo disso é o artigo 796º. Tutelar a confiança existente entre as partes. Principio da nulidade de actos e negócios jurídicos violadores de regras imperativas: o artigo 294º estabelece o principio pelo qual os negócios jurídicos e também os actos jurídicos. Negócios contra a lei: ofendem frontalmente uma proibição ou uma actuação legalmente determinada. por força do artigo 295º. Este principio leva à consideração de uma distribuição justa dos encargos e dos riscos do contrato.

efeitos e aplicação das leis. o posterior Corpus Iuris Civilis mandado elaborar por Justiniano.html proibitivas e cuja violação implica. Manuelinas e Filipinas. Sobretudo a partir da criação das primeiras cidades multiplicam-se as leis e com elas a necessidade de se saber quais as que se mantinham em vigora e as que seriam revogadas. A Codificação do direito civil:  Generalidades: o As colectâneas legais: inicialmente o direito civil estava inteiramente ligado ao costume. terá de se analisar a ratio dessa mesma norma. No direito civil assume especial importância o código civil Francês de 1804. ex – um contrato de trabalho que não respeita o horário legal é nulo porque a proibição que resulta da lei visa o próprio conteúdo do contrato. exemplo Lei das XII tábuas que continha grande parte do ius civile romano da época arcaica. caso também das nossas ordenações.  Livro II – dos bens e das diferentes modificações da propriedade. se o legislador visa atacar as acções ou omissões em si ou situações que decorrem das mesmas. será um diploma legislativo. estabilidade e conhecimento das mesmas a todos. ordem. sendo ele a fonte inicial de todo o direito. Principio da proibição do abuso de direito: decorre do 334º. algo que resulta do contrato. 14. o Os códigos modernos: a codificação num sentido moderno só aparece a partir dos finais do século XVIII. Quando a norma imperativa não é acompanhada de nenhuma sanção. Assim. 22 . que regula todo um importante sector ou ramo do direito. mas um contrato de compra e venda feito fora do horário de funcionamento do estabelecimento já é válido pois a proibição legal visa sobretudo não o contrato em si mas uma concorrência leal no comércio. clareza. nascem. duradouramente. uma limitação à autonomia da vontade.  Livro I – das pessoas.atspace. as Afonsinas.com/index.http://apontamentosdireito. Era composto por:  Um titulo preliminar sobre a publicação. também chamado de Napoleão que com várias alterações ainda hoje continua em vigor. bastando para que se cumpra esse objectivo que o lojista pague uma coima. Sendo que aqui o excesso tenha de ser evitado porque se trata de uma limitação ao direito. que obedece a critérios sistemático – científicos. um código. não sendo necessária a nulidade do contrato). assim as primeiras compilações de certas fontes diversas abarcando diversas matérias e que conferiam maior certeza. a nulidade dos actos ou negócios que colidam com a mesma. em princípio. Tratava-se de um comportamento adoptado pela comunidade com a convicção da sua obrigatoriedade. saber (quais os interesses tutelados pela norma.

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 Livro III – diferentes maneiras pelas quais se adquire a propriedade. Plano muito similar às Institutiones de Gaio e Justiniano, tem um carácter antropocêntrico, tem um baixo grau de abstracção, há separação entre o direito pessoal e o patrimonial, há ausência de uma parte geral  plano de GAIO ou ROMANO – FRANCES. Diferentemente o BGB, ou seja, o código civil Alemão de 1896 utiliza a classificação germânica, pandectistica ou plano de Savigny, tem uma parte geral e 4 partes especiais (obrigações, coisas, família, sucessões). o A questão da Parte Geral do Código Civil: a existência de uma parte geral no BGB foi um problema muito discutido. O argumento principal invocado contra a parte geral é a de que ela não passaria de um mero exercício teorético tornado lei já que a elaboração de uma verdadeira parte geral seria uma tarefa da ciência do direito. Este argumento é falacioso, já que a parte geral tem autonomia própria, tem – se sim, feito trabalho teorético sobre essa parte, algo que é legitimo. Além disso, a parte geral dos códigos e as disposições gerais de títulos, capítulos, etc, resultam de uma exigência técnica jurídica: de evitar repetições, fixando desde logo um conjunto de disposições gerais que teriam de ser repetidas em moldes idênticos em diferentes partes da lei, diz respeito a um catálogo de questões preliminares cuja solução afecta todas as regulamentações particulares que a lei estabeleceu. Acresce ainda o facto destes artigos da parte geral poderem e deverem ser modificados, introduzidos ou removidos pelas transformações da sociedade ou pela evolução do direito, ou seja, não são normas imutáveis. Pelo contrário devem-se adequar à realidade histórico-concreta. A parte geral pode, desta forma, ser mesmo lacunosa, sendo que a aplicação das normas desse parte geral não vale para todos os casos que não estejam comtemplados nas partes especiais, mas apenas para uma casos que caibam na letra e espírito das disposições da parte geral. No entanto, existindo essa parte geral permite enquadrar um numero maior de hipóteses do que um código sem parte geral. Não concordamos pois com Meneses Cordeiro ou Orlando de Carvalho que dizem que a parte geral apenas introduz uma grande abstracção no código e que afasta o código da pessoa humana, que dever ser seu objecto, estes autores não consideram que a própria norma jurídica para o ser verdadeiramente tem que revestir carácter geral e abstracto. Temos, no entanto, que ter um enorme cuidado na coordenação da parte geral com as partes especiais, já que as normas não se dispõem segundo um mero alinhamento ou continuidade, mas segundo uma ordenação (elemento sistemático da interpertaçao). Atendemos à seguinte classificação das normas: a) Gerais: as que correspondem a princípios fundamentais do sistema jurídico e estabelecem o regime regra das relações que disciplinam; b) Especiais: consagram uma disciplina nova para um conjunto de casos mas que não está em directa oposição com a disciplina geral;

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c) Excepcionais: regulam um sector restrito de relações com uma configuração particular, consagram uma disciplina oposta à que vigora para o comum das relações do mesmo tipo. Temos que conjugar as partes gerais com partes e normas especiais e ainda com normas excepcionais , exemplo: em matéria de negócios jurídicos em geral vale o 253º, mas para o casamento encontramos o 1636º, que só tem relevo no contexto do casamento. Ainda como argumento a favor de uma parte geral é o facto de os códigos que a tenham serem susceptíveis de adaptação às diversas mutações Constitucionais radicais, exemplo disto é o nosso código civil face à Constituição de 1976. Ver no livro do doutor Capelo (parte geral do CC) o O Código civil Português de 1867 e as reformas de 1930 e 1940: depois da Restauração foi apresentada ao Rei a ideia de se fazer um código que afastasse as ordenações Filipinas. No entanto, o Rei não acha necessário e as ordenações continuaram a vigorar, sendo o diploma que mais tempo vigorou no nosso País, 200 anos, até ao código de 1867. Com a revolução liberal de 1820 e com a exigência de novos princípios da ordem jurídica que respondessem aos valores nascidos da Revolução, há de novo a necessidade de se elaborar um código civil que possibilite esses valores do liberalismo. Só que à Revolução liberal seguira-se várias guerras civis com mudanças a nível Constitucional que não conferiam a estabilidade e condições para a elaboração de um código civil. Só a partir de 1850 se começa a pensar mais seriamente na elaboração de um código civil, com a participação na 1ª comissão elaboradora, de Coelho da Rocha, jurisconsulto da nossa faculdade, que utilizando o estilo Pandectistico Alemão (uma parte geral e 4 especiais) sistematizou as ideias liberais de Mello Freire. Mas o código de 1867 fica-se a dever a António Luís de Seabra, mais tarde Visconde de Seabra, que chamou a sai redacção do projecto como presidente da comissão. Tal foi o seu contributo para este código que o mesmo é conhecido pelo código de Seabra. Seabra, ao contrário de Coelho da Rocha, vai apresentar um modelo antropocêntrico com grande influência da Revolução Francesa mas também com um carácter original. Esta base antropocêntrica é claramente visível na sistematização: I- capacidade civil; II-aquisiçao de direitos; III- direito de propriedade; IV- ofensa de direitos e sua reparação. O código mostra também claramente a sua influência liberal com a sua visão ampla da liberdade contratual. O código vai posteriormente sofrer as mudanças que se identificam com a passagem a um Estado Republicano, sobretudo no que respeita ao direito da Família e sucessões, sobretudo, numa clara separação entre Estado e Igreja que se manifesta na instituição do casamento civil e também na permissão de divórcio. Estas mudanças não foram, porém, imediatamente integradas no código civil, numa clara preocupação de

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harmonização e sistematização vieram a ser integradas apenas em 1930 com a primeira reforma do código civil. Em 1940, já com o Estado Novo e com Salazar na sua máxima força, realiza-se a concordata entre Portugal e a Santa Sé, que imprimiu grandes mudanças sobretudo no direito da Família, com a admissão do casamento católico com valor jurídico-civil, não havendo necessidade também de se efectuar o casamento civil para que o mesmo tivesse valor jurídico civil. Aboliu-se ainda o divórcio para os casamentos católicos a partir de 1940, cabendo apenas aos tribunais canónicos declarar a anulação ou não de um casamento católico. A única possibilidade era o regime de separação de pessoas e bens, mas sem a possibilidade da pessoa se poder casar novamente. o O Código Civil de 1966: a reforma de 1977 e principais alterações: o primeiro passo tomado em 1944 com a nomeação de uma comissão à qual presidiu o professor Vaz Serra, jurisconsulto da nossa faculdade de direito. Esta elaboração de um novo código justificava-se por: a) Existência de enorme legislação avulsa; b) Inadequação das concepções do código às doutrinas e valores afirmados pelo Estado Novo. Os trabalhos estenderam-se por 22 anos até que o Ministro da Justiça Antunes Varela, o projecto do código civil, sendo o mesmo a ser aprovado em 15 de Novembro de 1966. Como grandes exemplos da modificação em relação ao código anterior no que respeita ao conteúdo, temos por exemplo a exigência das sociedades constituídas serem reconhecidas por uma entidade pública (forma de o Estado Novo controlar a sociedade e impedir a liberdade de expressão), a posição do homem como chefe de família, a posição mais favorável ao filhos nascidos dentro do casamento em relação aos nascidos fora deste. Em termos de estrutura temos a adopção do plano de Savigny ou sistematização Germânica (uma parte geral e 4 partes especiais). Vamos depois ter uma reforma em 1977 com a necessidade de adaptar o código civil à Constituição de 1976, exemplo disto é o da igualdade de direitos entre filhos nascidos dentro e fora do casamento, o princípio da igualdade entre homens e mulheres. No entanto a reforma de 1977 teve também algumas inovações como é o caso: a) Melhoria da posição sucessória do conjugue sobrevivo; b) Extinção da enfiteuse; c) Alterações ao nível do arrendamento, o que fez com que o mesmo saísse do código devido à profundidade do mesmo e também à frequência da sua mudança o que não conferiria estabilidade a esta disciplina, daí a sua remoção do código; d) A maior idade dos 21 anos para os 18 anos; e) Outras mudanças de menor vulto se seguiram visto que o código , embora vise a estabilização das normas não é imutável às transformações sociais, económicas e politicas e às novas descobertas.

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297º/1 Se estabelecer um prazo mais curto aplica-se aos prazos em curso mas só se começa a contar a partir da entrada em vigor da nova lei. não há portanto ius imperi. embora bem definidos e determinados por força de um grande trabalho da doutrina e da jurisprudência. No entanto so notórias as desvantagens deste estilo: a.http://apontamentosdireito. No caso de leis civis temos vários diplomas que complementam o código civil. Temos depois vários códigos que complementam o código civil. Temos como exemplos o código de registo civil ou o código do notariado. o RAU ou mesmo o direito real de habitação periódica. 297º/2 Se estabelecer um prazo mais longo também se aplica aos prazos em curso. mas aqui começa-se a contar desde o momento inicial. o Aplicação das leis civis no tempo: é muito importante saber quais as normas que se vão aplicar para as diversas situações. através de conceitos gerais e abstractos. No entanto se a lei dispuser directamente sobre o conteúdo de certas relações jurídicas ela vai abranger as relações já constituídas e que subsistam aquando da sua entrada em vigor – artigo 12º nº2 – 2ª parte. b) Legal abstracto – generalizador: traduz-se na elaboração de tipos de situação da vida. Tem na sua base a crença optimista da capacidade de prever todas as situações e assim subtrair ao arbítrio do julgador a decisão do conflito em causa. Com excepção de se de acordo com a lei antiga faltar menos tempo. b. Estilo típico da jurisprudência dos 26 . podendo hoje uma norma ser substituída por outra. Na lei civil temos as partes numa posição de paridade. desta forma. surge. que é regulado pelo artigo 12º do nosso código. rege o artigo 297º. o problema da aplicação das leis no tempo.com/index.  A lei interpretativa é integrada na interpretada – artigo 13º. Esta formulação era típica do direito romano. A tarefa do julgador é a de subsumir as situações da vida concreta à hipótese legal. Tudo porque as normas se vão sucedendo no tempo. através de uma hipótese concretizada em casos reais e através de uma estatuição extremamente minuciosa.atspace. Rápida desactualização destas leis por efeitos como a inflação ou a evolução tecnológica. tais como. O principio geral (a lei só dispõe para o futuro artigo 12º nº1 e nº2 1ª parte). Impossibilidade de regular casuisticamente todos os casos relevantes. aparecendo entre nós com as ordenações do Reino.html o Legislação complementar do código civil: quando à legislação complementar há que distinguir dois tipos: as de leis civis e de leis não civis. Em relação às alterações de prazos através da lei. o O Estilo e a classificação das normas civis: Vejamos os três tipos e formulações legais: a) Casuístico: emissão de normas jurídicas prevendo o maior numero possível de situações da vida real.

atspace. este estilo apresenta uma falta de maleabilidade face à multiplicidade e complexidade da vida real por mais que os seus conceitos sejam gerais e abstractos. Este estilo assenta na consciência da impossibilidade de prever todas as hipóteses geradas na vida e na necessidade de atribuir algum carácter valorativo na intervenção do decidente aquando da sua aplicação da lei. Normas imperativas: não podem ser afastadas pela vontade das partes. É o problema das lacunas.com/index. Como exemplo de um conceito indeterminado temos o artigo 487º nº2 – a diligência de um bom pai de família. c. Existem dois tipos de linhas de orientação: a. de acordo com a jurisprudência dos valores. No entanto poderá levar. em razão de variedade da vida. É um conceito muito indeterminado que faz apelo a critérios valorativos face a cada caso concreto. grande exemplo de uma cláusula geral é a da boa fé presente no artigo 762º nº2 (temos aqui a boa fé em sentido objectivo. b. mas saber se o sujeito agiu honesta e honradamente depende de várias situações e o juiz tem grande margem discricionária. No entanto. ou seja. conceito que deriva do principio bónus pater famílias romano que caracteriza um homem cujas capacidades são medianas. b. mas sem uma zona nuclear segura e uma certa indeterminação da sua área e dos seus limites legais. dotando o nosso código de uma adaptação às várias situações da vida. de situações juridicamente relevantes que não encontram na lei uma solução expressa. Como grande exemplo deste estilo temos o código civil Suíço de 1907. Para atenuar isto mesmo foram introduzidas clausulas gerais e mesmo conceitos indeterminados. Cláusulas gerais: recorremos a critérios valorativos de apreciação. c) Linhas de orientação: aqui o legislador limita-se a estabelecer módulos de apreciação.html conceitos.http://apontamentosdireito. Normas gerais. Conceitos indeterminados: são conceitos imprecisos e maleáveis com características dos pressupostos de facto de uma norma. Este método possibilita um maior grau de segurança e razoabilidade das soluções. O juiz no acto de aplicação da lei tem uma grande margem de discricionariedade. levar o Juiz a decisões menos rectas para o caso concreto. Aqui a hipótese e a estatuição não estão definidas por caracteres limitados. especiais e excepcionais (já analisamos ver atrás) 27 . doseando a necessidade de certeza e segurança com uma preocupação de justiça para todos os casos concretos.  O nosso código civil adopta fundamentalmente o tipo de formulação mediante conceitos gerais e abstractos. o Classificação das normas civis:  Existem várias classificações de normas civis: a. Normas supletivas: podem ser afastadas pela vontade das partes. Aqui não há subsunção ou dedução mas indução.

com/index. relação pela qual o inquilino deve pagar a renda ao senhorio). que estabelecem vários princípios acerca das normas jurídicas. sobre um objecto determinado e de um facto jurídico determinado. de um direito potestativo ou de um poder – dever e imposição a outra pessoa de um dever jurídico ou uma sujeição correspondente.  Conteúdo da relação jurídica: o Direitos subjectivos propriamente ditos ou stricto sensu: é o poder jurídico reconhecido pela ordem jurídica a uma pessoa de livremente exigir ou pretender de outrém um comportamento positivo (acção) ou negativo (omissão). Podemos considerar a expressão relação jurídica com referência a uma relação existente na realidade entre pessoas determinadas. concentradas nos artigos 1º a 13º cc. o credor. Podemos considerar a expressão relação jurídica com referência a um modelo. que não podia 28 . disciplinado e garantido pelo direito civil que une entre si sujeitos de direito. a lei trata a situação como se o comportamento lhe tivesse podido ser exigido. cumprir espontaneamente. Poder de pretender: há um círculo restrito de hipóteses. por exemplo. É o caso das obrigações naturais reguladas nos arts. o senhor A pode exigir do inquilino B a renda de 150 euros pelo arrendamento do quarto x). temos a teoria geral do ordenamento jurídico civil: diz respeito às normas gerais do código civil.atspace. aplicação do direito em relação com a realidade social que é também objecto de normas jurídicas. no entanto. pode recorrer aos tribunais para deles obter as providencias necessárias coercivas aptas a satisfazer o seu interesse. mediante a atribuição a uma pessoa de um direito subjectivo propriamente dito. São. Por outro lado a teoria geral da relação jurídica civil.html o O âmbito da Teoria geral do direito civil: por um lado. aí estamos perante uma relação jurídica concreta (ex. paradigma ou esquema contido na lei. ou seja. contrapõe-se-lhe. Há aqui uma dicotomia entre o poder de exigir e o de pretender: Poder de exigir: na quase totalidade das hipóteses o titular do direito subjectivo. 402º e 403º. a necessidade de realizar o comportamento a que tem direito o titular activo da acção. o A relação jurídica civil: a. em que o titular do direito não pode reagir contra o adversário se este não adoptar o comportamento que lhe é prescrito. Conceito e conteúdo: Relação jurídica: é o vínculo normativo. aí estamos perante uma relação jurídica abstracta (ex. no caso da contraparte não cumprir o dever jurídico a que está adstrita. Aqui se o devedor. deveres jurídicos. porque se o sujeito passivo cumprir voluntariamente. o dever jurídico.http://apontamentosdireito. de uma divida de jogo ilícito – artigo 1245º. na posição passiva.

embora se expondo a sanções. Os deveres jurídicos podem ser: 1Pendentes sobre uma ou mais pessoas determinadas e. 1773º). a situação de necessidade em que se encontra o sujeito passivo de ver produzir – se forçosamente uma consequência na sua esfera jurídica por efeito do exercício do direito pelo seu titular. Modificativos: produzem uma simples modificação numa relação jurídica existente e que continuará a existir apesar de modificada (exemplo. trata-se de uma necessidade inelutável. Enquanto que o devedor não tem a possibilidade de repetir. a sujeição. um poder que é da vontade e que o seu titular poderá usar livremente e impor aos outros  é a posição defendida por Savigny e pelo Dr. produzir determinados efeitos jurídicos que inevitavelmente se impõe ao sujeito passivo. Extintivos: produzem a extinção de uma relação jurídica existente (exemplo. 29 . 2. tem a possibilidade prática de não cumprir. goza da soluti retentio. contrapõe – se – lhe. ou integrado por um acto de uma autoridade pública.com/index. Há uma colaboração do sujeito do dever para que e cumpra esse direito. falamos de direitos relativos. só de per si.atspace.Mota Pinto. 3. Contraposto aos direitos potestativos temos a sujeição.html exigir judicialmente um pagamento. pode conservar a prestação recebida. o direito de obter o divorcio – art. 2No caso de alguns deveres jurídicos de abstenção pendentes sobre todas as pessoas. então falamos de direitos absolutos – erga omnes. reconhecido pela ordem jurídica. Aqui. na posição passiva. não tem a condictio indebiti. Lado passivo dos direitos subjectivos strictu sensu e dos direitos potestativos: Contraposto aos direitos subjectivos propriamente ditos temos o dever jurídico. o Direitos potestativos: é o poder jurídico. a uma pessoa de por um acto de livre vontade. Teoria da vontade e teoria do interesse: ao definirmos direito subjectivo propriamente dito ou direito potestativo definimo-lo como um poder jurídico. diversamente do dever jurídico. não podendo o sujeitado violar ou infringir essa situação mesmo que esta vá contra a sua vontade. separação judicial de pessoas e bens – art 1795º-A).http://apontamentosdireito.  Podem ser: 1. então. Aqui o sujeito do dever. Constitutivos: produzem a constituição de uma relação jurídica por acto unilateral do seu titular (exemplo – constituição de servidão de passagem em beneficio de prédio encravado – artº 1550º). ou seja.

ou seja. característica que não pode ser imputada ao nosso sistema jurídico. Tem um papel condicionante no surgimento da relação jurídica. fixando o objecto dos direitos das partes e o conteúdo dos mesmos. para haver uma relação jurídica civil é preciso existir mais do que uma pessoa. de ser titular de relações jurídicas. Há que dizer que só em casos extremos de clamorosa e manifesta contrariedade entre o exercício do direito e o seu fim social ou económico. ou seja. É condição ou pressuposto da sua existência. o poder paternal). o exercício desse direito é ilegítimo por força do artigo 334º que consagra a doutrina do abuso do direito. Para além de condicionar a relação jurídica vai modelar o conteúdo da relação jurídica. Algo com o qual não concordamos devido à estrita funcionalização que faz dos direitos. mas do modo exigido pela função do direito (exemplo.html Diversamente Iherny e entre nós o Dr. d) modos de ser da própria pessoa. Orlando de Carvalho dizem que se trata da expressão de interesses juridicamente protegidos.http://apontamentosdireito. Não é o conjunto formado pelo direito subjectivo e o correspondente dever jurídico. Podem ser objecto de relações jurídicas: a) outras pessoas. e) outros direitos.  Elementos da relação: Sujeito: são as pessoas entre quem se estabelece o vínculo respectivo: os titulares do direito subjectivo stricto sensu ou do direito potestativo e das posições passivas correspondentes. b) coisas corpóreas. podendo essas pessoas ser singulares ou colectivas. extingue-se por confusão como nos refere o artigo 868º. Se existir apenas uma não há relação jurídica. o Poderes – deveres: só há direitos subjectivos quando o exercício do poder jurídico está dependente da vontade do seu titular. estes formam o conteúdo da RJ. 1- 3- 30 . 2Objecto: aquilo sobre que incidem os poderes do titular activo da relação jurídica. São pessoas já que a personalidade jurídica é a susceptibilidade de ser titular de direitos e obrigações. por falta dessa liberdade de actuação é que os poderes-deveres não são direitos subjectivos. Como se desencadeia a energia jurídica contida na lei. Os poderes-deveres visam sobretudo a defesa dos interesses do sujeito passivo. Assim. c) coisas incorpóreas. É aquilo sobre que incidem os poderes do titular desse direito subjectivo. inibição do poder paternal). públicas ou privadas.atspace.com/index. Estes poderes não podem ser exercidos se o seu titular quiser e como quiser. Facto jurídico: é todo o facto produtivo de efeitos jurídicos. o dever jurídico e a sujeição. Se não forem exercidos quando deviam sê-lo ou forem exercidos de outro modo o seu titular infringe um dever jurídico que é passível de sanções (exemplo.

o defendente pode lesar interesses superiores aos interesses ameaçados. este não poder o obrigado repetir o que haja prestado. Nos direitos potestativos podemos dizer que há uma garantia mais forte do que nos direitos subjectivos stricto sensu. Procurou-se. ou seja. Excepcionalmente a auto-defesa dos direitos pode ser lícita.http://apontamentosdireito. porque enquanto a acção directa supõe uma acção já consumada e é um meio repressivo. A garantia da Relação jurídico privada só entra. Nas obrigações naturais existe igualmente o elemento garantia. de forma a obter a satisfação do seu direito. ou seja. que esta supressão fosse acompanhada de medidas sucedâneas de tutela. b) Relação jurídica complexa: trata-se de uma série de relações jurídicas singulares. não desencadeia a aplicação de uma pena. lesado por um obrigado que o infringiu ou ameaça infringir. normalmente. A prisão por dívidas foi suprimida em 77. conexionadas ou unificadas por um qualquer aspecto (exemplo. Há que referir que a garantia não protege o titular do direito apenas no caso de violação do seu direito.  Classificação das relações jurídicas: a) Relação jurídica simples ou singular: relação existente entre dois sujeitos. ilícita. assim. a legitima defesa é um meio preventivo dirigido a afastar a agressão iminente em inicio de execução mas ainda não consumada. como é o caso do arresto de bens. desde que respeite os pressupostos aí presentes. sendo que sempre que possível se procederá à reconstituição natural. A justiça privada. é. mediante atribuição ao sujeito activo de um direito subjectivo propriamente dito ou de um direito potestativo. uma série de direitos subjectivos propriamente ditos ou direitos potestativos e deveres jurídicos ou sujeições correspondentes.com/index. Para a tutela de um direito o seu titular deve requerer perante os tribunais a providência adequada. nos termos do artigo 619º. e. Diferentemente é a legitima defesa presente no 337º. em que a outra parte não pode infringir esse direito. Falamos da solutio redentio. já que é uma garantia infalível. ao contrário da acção directa.atspace. ao sujeito passivo do dever jurídico ou sujeição correspondentes.html Garantia: é o conjunto de providências coercitivas postas à disposição do titular activo de uma RJ. Protege-o ainda contra ameaças ou receios legítimos de infracção do dever jurídico como é visível no artigo 619º. como tal. intentará uma acção. Em princípio. A sua forma mais frequente é a indemnização dos danos causados ao titular do direito. sendo que nesta última. como é patente pelo artigo 336º (acção directa). Dando-lhe mesmo a possibilidade através de acções de simples apreciação por termo em juízo à situação de dúvida sobre a existência do seu direito. no entanto. o que está excluído será o recurso à força própria para obter satisfação. em movimento sob o impulso do titular do direito subjectivo violado ou ameaçado. O facto ilícito civil. o titular não pode reagir e obter ressarcimento pelas vias de facto. A relação entre o comprador e o vendedor de uma máquina não contém só o dever 4- 31 .

ou outros vínculos. correspondente a um estádio de um processo complexo de formação sucessiva de um direito. o ónus da prova. exemplo as obrigações naturais. g) Relações jurídicas dominiais: há poder do titular activo dispor livremente do objecto jurídico. Exemplo. não estando dependentes de outras relações jurídicas. o onerado ao não acatar o ónus não infringe nenhum dever nem a sua conduta é ilícita. é desta forma diferente do dever jurídico.atspace.  Pessoas singulares e pessoas colectivas: personalidade e capacidade: Sujeitos de direito: são os entes susceptíveis de serem titulares autónomos de direitos e obrigações. b) Expectativa jurídica: situação activa. Embora nestas relações possa haver lugar a uma indemnização a título de compensação. 32 . b) Relações jurídicas imperfeitas: têm apenas um embrião de garantia jurídica. h) Relações jurídicas não dominiais: não há poder do titular activo dispor livremente do objecto.html de pagar o preço e o direito ao preço.http://apontamentosdireito. exemplo a fiança. como deveres acessórios de o vendedor guardar a máquina ou deveres laterais do vendedor informar o comprador do modo de funcionamento da máquina. Trata-se de uma verdadeira expectativa jurídica e não de uma expectativa de facto pois a lei protege a sua posição. mas se não o praticar não realizará certo interesse.com/index. f) Relações jurídicas não patrimoniais ou pessoais ou extrapatrimoniais: não são susceptíveis de uma avaliação pecuniária. de serem titulares autónomos de relações jurídicas. É uma situação em que se verifica a possibilidade juridicamente tutelada de aquisição futura de um direito. exemplo no caso do suicídio. juridicamente tutelada. ele pode praticar ou não um certo acto. estando já parcialmente verificado o facto jurídico constitutivo desse direito. Aqui o onerado não deve. O ordenamento no caso do ónus não desaprova o seu não acatamento. c) Relações jurídicas principais: são autónomas. mas torna o devedor credor da entrega da máquina. ao contrário do que acontece com o dever jurídico em que há nítida desaprovação. e) Relações jurídicas patrimoniais: são susceptíveis de avaliação pecuniária. d) Relações jurídicas acessórias: estão dependentes da relação jurídica principal.  Outras classificações: a) Relações jurídicas perfeitas: têm plena garantia jurídica. mas perde ou deixa de obter uma vantagem. etc)  Outras figuras jurídicas: a) Ónus: necessidade de observância de determinados comportamentos para a realização de um interesse próprio.

ou seja.http://apontamentosdireito. a capacidade jurídica para o exercício de direitos pode faltar a uma pessoa singular. ele é necessariamente titular de um círculo de direitos de personalidade. Esta aptidão é própria das pessoas singulares. Há outras incapacidades como a dos interditos – artigo 138º e a dos inabilitados – artigo 152º. devem estar desprovidas de capacidade de exercício as pessoas que por várias razões não possam determinar com normal esclarecimento ou liberdade interior os seus interesses. sendo-se sempre pessoa. nem posterior ao acto. A diferença é que essa capacidade pode ser mais ou menos restrita. ou seja. À personalidade jurídica é inerente a capacidade jurídica ou capacidade de gozo de direitos: é essa aptidão para ser titular de um circulo. exercendo direitos ou cumprindo deveres. Ao contrário da capacidade de gozo de direitos. Todo o sujeito para além de um círculo mínimo de direitos patrimoniais que só teoricamente poderão faltar. A pessoa dotada de capacidade de exercício actua pessoalmente. As pessoas singulares têm uma capacidade jurídica mais ampla do que as pessoas colectivas como facilmente se depreende da comparação dos artigos 67º e 160º. um representante escolhido pelo próprio representado. Actua autonomamente já que também não carece de consentimento de ninguém. A capacidade para o exercício de direitos é reconhecida aos indivíduos que atinjam a maioridade – artigo 130º. não carece de ser substituída na prática de actos que põem em movimento a sua esfera jurídica.html A personalidade jurídica é essa aptidão para ser titular autónomo de relações jurídicas. por acto próprio e exclusivo ou mediante um representante voluntário ou procurador. nem anterior.atspace. por qualquer representante designado na lei ou em conformidade com ela. Mas também as pessoas colectivas têm personalidade jurídica como resulta do artigo 158º.  Capacidade jurídica para o exercício de direitos: Capacidade para o exercício de direitos: é a idoneidade para actuar juridicamente. A incapacidade pode ser genérica (refere-se a actos jurídicos em geral) ou específica (refere-se a actos jurídicos em especial).com/index. Assim. Tudo porque esta capacidade para agir supõe uma capacidade de querer e entender. Aptidão que vem regulada no artigo 66º. Faltando essa aptidão para actuar pessoal e autonomamente teremos uma incapacidade de exercício de direitos que pode ser suprida pela representação legal ou pela assistência. que deriva de uma exigência do direito em respeitar a dignidade que deve reconhecer a todos os seres humanos. 33 . com mais ou menos restrições de relações jurídicas. adquirindo direitos ou assumindo obrigações. Nem só os menores são incapazes para o exercício de direitos – artigo 123º.

atspace. a inexistência de direitos sem sujeito.http://apontamentosdireito. Outros autores falam de relações jurídicas imperfeitas já que é um caso de provisória inexistência do sujeito. É o caso de atribuição de bens por doação ou sucessão “mortis causa” a um nascituro (aquele que já foi gerado mas ainda não nasceu) ou até a um concepturo (aquele que ainda será gerado) em que parece não haver titular activo entre o momento da doação ou morte e do nascimento do beneficiário que fará surgir a pessoa jurídica. Conferir os artigos 952º e 2033º. Lehmann. sendo um absurdo essa possibilidade. assim. Assim. admitindo. o caso da herança jacente constitui um património autónomo em que os credores têm possibilidade processual de executar estes bens. está confuso. de direitos sem sujeito. é o caso das obrigações do de cuius incluídas na herança jacente. Além disso. Windscheid afirmava a existência. PROBLEMA DA EXISTENCIA DE DIREITOS SEM SUJEITO – LIVRO: Há situações jurídicas em que.com/index. já que todo o poder implica necessariamente um titular e todo dever um suporte. ver em baixo segundo o livro) Toda a relação jurídica tem de estar conexionada com um sujeito. já que o poder pressupõe um titular e o (dever) a vinculação um suporte. de doação ou sucessão a favor de nascituro não concebido ou concepturo (952º e 1 Herança jacente: herança aberta pela morte de uma pessoa singular mas ainda não aceite pelos seus herdeiros familiares nem declarada vaga para o Estado – 2046º. O mesmo acontece com a situação de direitos que integram a herança entre a morte do cuius e aceitação da herança  período de herança jacente1. consideram que o direito subjectivo se traduz num poder e como tal tem de pertencer a alguém e o mesmo para a obrigação. nestes casos. sendo que apenas a herança responde por esta dívida e não os bens pessoais dos herdeiros. 34 . no caso da herança jacente (2046º) até tal aceitação ou declaração (2050º e 2155º). a seguir está a transcrição do livro do doutor Capelo)  O problema dos direitos sem sujeito: (segundo apontamentos) (passar á frente está confuso. Pode também haver situações de aparência da falta do sujeito passivo.html (Nota: nesta parte está problema dos direitos sem sujeito segundo uns apontamentos. pelo menos aparentemente. falta um dos sujeitos jurídicos. As situações anteriormente descritas seriam estados de vinculação de certos bens em vista do surgimento futuro de uma pessoa. sobretudo activo mas também passivo. No entanto certas situações parecem só poder ser juridicamente enquadradas numa categoria de direitos sem sujeito. Manuel de Andrade e Mota Pinto negam a possibilidade lógica da existência de direitos sem sujeito. já que defendendo a teoria da vontade. Com um direito sobre eles esse objecto não estaria integrado em nenhuma relação jurídica mas também não seria livre já que estava a ser objecto de uma tutela jurídica que o reservaria para um provável direito futuro.

Orlando Carvalho. bem como os correlativos deveres ou sujeições jurídicos. Entende-se por nascimento a separação do filho do corpo materno. sendo certo que os sucessíveis aceitantes virão a responder por tal obrigação.html 2033º nº2 al. A personalidade jurídica vai adquirir-se no momento em que a separação se dá com vida e de modo completo. Por outro lado. que se encontrem já estruturados o conteúdo e o objecto de determinados poderes jurídicos de exigir ou pretender o comportamento de outra(s) pessoa(s) ou de intervir inelutavelmente na esfera jurídica de outra pessoa. quando a ordem jurídica face a especiais interesses em jogo. permite manter ou organizar antecipadamente tal estrutura. respeitar a dignidade que se tem de reconhecer a todos os seres humanos. a resolver. quase clássicas acima referidas. O sistema pode admitir para certos casos. até ser encontrado ou ter caducado). A concepção que perfilhámos de direito subjectivo consubstancia-se em um poder jurídico distinto do poder material efectivo pelo que não nos parece inseparável da titularidade sempre actual de uma determinada pessoa.http://apontamentosdireito. em termos de o respectivo poder jurídico. Parecem ser essas as situações jurídicas. faltará ou ainda faltará o sujeito passivo de uma obrigação contraída por uma pessoa entretanto falecida e cuja herança se encontra jacente. Diferente. excepcionalmente. Algo que nas pessoas singulares corresponde a uma exigência do direito. PESSOAS SINGULARES  Personalidade jurídica: aptidão para ser titular autónomo de relações jurídicas. por razoes muito especiais. na sua exacta configuração. bem como no caso de abandono de um titulo ao portador (acção de uma sociedade anónima ou bilhete cinema. Doutrina divide-se quanto à existência ou não de direitos sem sujeito: Manuel de Andrade e Mota Pinto entendem que estamos perante «meros estados de vinculação de bens em vista da possível superveniência de titulares para eles» uma vez que o direito subjectivo pressuporia sempre a ligação do direito a uma determinada pessoa. a partir dos dados do nosso sistema legal. Castro Mendes e Oliveira Ascensão consideram haver nestes casos direitos subjectivos sem sujeito.Há que ter muita prudência na analise de outras eventuais eventualmente semelhantes.a )enquanto este não nascer o não houver posibilidade de nascer. de construção doutrinal. a) Inicio: começo da personalidade jurídica vem estabelecida no artigo 66º nº1. Trata-se de um problema teorético. ficar predisposto a ser adquirido por um ser dotado de personalidade jurídica ou a extinguir-se.Na linha de Orlando de Carvalho « o núcleo de poderes sobre os bens se encontre definido» ou como cremos melhor. O nascimento completo dá-se com a separação total do filho relativamente à mãe e 35 .com/index. mecanismos jurídicos cuja melhor construção doutrinaria será a de direitos subjectivos sem sujeito.atspace.

Sendo que essa morte pode ser natural ou presumida – 36 . o feto agredido no ventre da mãe não chega a nascer com vida. se a criança pelo contrário nasce morta ou morre antes da mãe. b) Condição jurídica dos nascituros: a lei permite que se façam doações aos nascituros concebidos ou não concebidos (concepturos) – artigo 952º e se definam sucessões quanto aos concebidos – artigo 2033º nº1 e apenas testamentária ou contratual quanto aos não concebidos – artigo 2033º nº2. algo que era exigido pelo código de Seabra com o fundamento lendário de que uma mulher poderia gerar monstros. Assim. Há hoje processos médico – legais para determinar se o recém nascido respirou ou não após o parto. por um medicamento. Para este caso a melhor doutrina será a que nos refere que os nascituros têm uma personalidade jurídica parcial.atspace. basta que a criança nasça completamente e com vida. apesar da agressão que o desencadeia seja anterior. Este corte pode ter lugar antes da separação total do corpo materno para que. um filho pode pedir indemnização pelas deformações físicas ou psíquicas que sofra no ventre da mãe causados. Ver melhor o livro do doutor Capelo de Sousa pagina 265 e ss. Até ao nascimento estaremos perante a problemática dos direitos sem sujeito. Algo que é bastante importante em matéria sucessória. O artigo 66º nº2 diz-nos que os direitos reconhecidos por lei aos nascituros dependem do seu nascimento. Nascimento com vida: quando há respiração do nascido fora do corpo da mãe.com/index. Assim. que no entanto estão dependentes do seu nascimento completo e com vida. já que só no momento do seu nascimento (completo e com vida) é que o dano se consuma. prazo de viabilidade de sobrevivência. Por exemplo se a mãe morre no parto e o filho nasce vivo e sobrevive. não terá direito a essa indemnização (Capelo de Sousa diz que os pais têm pois não faria sentido premiar o melhor assassino) (???). fora do útero materno.http://apontamentosdireito. mesmo que pouco tempo à mãe ele é herdeiro desta e se ele morrer de seguida o herdeiro é o pai. por exemplo este não se enrole à volta do pescoço da criança. Se no entanto. Assim. a nossa lei reconhece aos nascituros direitos. por exemplo. A nossa lei não exige: o nascimento com figura humana. Neste caso não há ainda separação completa. Esse direito não pressupõe uma atribuição de personalidade jurídica ao nascituro. ainda que a sua sobrevivência não seja viável.html ao seu corpo com o corte do cordão umbilical. já que estão dependentes do seu nascimento. nos termos do artigo 66º nº1. os herdeiros desta são o marido e também os seus pais. c) Termo da Personalidade jurídica: a. apesar de não terem ainda PJ e não serem como tal sujeitos de direito. Morte: nos termos do artigo 68º nº1 a personalidade cessa com a morte.

então. No momento da morte a pessoa perde os direitos e deveres da sua esfera jurídica. c. b. Concorda com esta posição o Dr Mota Pinto tendo uma posição contrária os Drs Pires de Lima e Antunes Varela que vêm nesse artigo uma protecção aos direitos de personalidade depois da morte do seu titular. extinguindo-se os de natureza pessoal e transmitindo-se para os sucessores os de natureza patrimonial. a herança é dividida pelos dois filhos. se mais tarde se verificar que terá havido engano. Exemplo. casal que tem dois filhos e num acidente morre o casal e um dos filhos. sobretudo no que respeita a efeitos sucessórios. Uma portaria de 71 embora não venha a definir legalmente o momento da morte. passando a quota do filho que veio a morrer para os seus herdeiros. (questão abordada no capitulo dos direitos de personalidade). por exemplo no direito Inglês presume-se a premoniencia do mais velho. vem determinar regras que permitam concluir a verificação do óbito para efeitos de recolha de tecidos ou órgãos quando há lesão irreversível do sistema nervoso central. Outras ordens jurídicas consagram a presunção de premoniencia. de não se encontrar ou não ser possível identificar o cadáver é aberto o processo de justificação judicial do óbito a cargo do MP.html artigo 114º. o conservador lavrará o assento do óbito com base na sentença.com/index. Esta presunção tem grande importância prática. Sendo julgada a justificação.http://apontamentosdireito. já que se trata de uma protecção de interesses e direitos de pessoas vivas que sejam afectados por actos ofensivos da memória do falecido. Desaparecimento da pessoa: este desaparecimento vem regulado no artigo 68º nº3. requerer-se-á a invalidação ou rectificação desse assento. No que diz respeito à morte biológica hoje as modernas técnicas de reanimação levam a pôr em causa o critério tradicional do momento da morte: paragem cardíaca. ou seja. Aplicando-se a esses casos as regras da morte presumida (artigos 114º ss). não se verificando fenómenos de transição entre os comonientes. já que essa recolha e operações de transplante exigem a colheita antes da paragem circulatória e respiratória. mas se provar que o filho morreu algumas horas depois. dando-se hoje relevo à morte cerebral. No caso. Se as mortes são simultâneas o outro filho sucede na totalidade da herança.  A capacidade jurídica: 37 . Sendo que o artigo 71º nº1 não é um desvio à cessação da personalidade com a morte. por prova em contrário. de morte simultânea.atspace. Presunção de conivência: no artigo 68º/2 consagra-se uma presunção de comonivencia. Tratando-se de uma presunção elidível. circulatória e respiratória.

II. No código de 1867 a incapacidade dos interditos por prodigalidade / já que não existia a inabilitação era vista pela doutrina como instituída no interesse de outras pessoas. algo que resulta dos artigos 130º e 133º. definidos. Temos as seguintes incapacidade de gozo: a) Incapacidades nupciais: impedimentos dirimentes absolutos e relativos  artigo 1601º e 1602º.com/index. regra geral a nulidade dos negócios jurídicos respectivos: a) Pode ser invocada por qualquer interessado.atspace. como nos refere o artigo 67º. Estas situações não são de absoluta incapacidade . como a que força do artigo 953º e é estabelecida no artigo 2192º. não pela sua categoria genérica mas em razão de uma certa relação com o objecto do negócio e com a outra parte.Capacidade jurídica de gozo: a regra geral é a da capacidade jurídica. de interditos por anomalia psíquica e dos notoriamente dementes no momento da perfilhação  artigo 1850º. Hoje o instituto da inabilitação é visto como algo do interesse do próprio inabilitado. b) Incapacidade de testar dos menores não emancipados e dos interditos por anomalia psíquica  artigo 2189º. c) Incapacidade para perfilhar dos menores de 16 anos. b) Não existem prazos para a sua invocação. c) Pode ser declarada pelo tribunal ex officio. E é insuprível. 38 .  A incapacidade de gozo provoca. embora por reflexo servisse também o interesse do pródigo. Estabelece também a nulidade de certas doações quando feitas a determinadas pessoas. é assim que o código se refere a estas situações no artigo 953º  as pessoas abrangidas nestas proibições têm plena capacidade para a pratica de quaisquer actos. A incapacidade de exercício provoca a anulabilidade dos negócios jurídicos respectivos: a) Só pode ser invocada por aquelas pessoas no interesse das quais a lei estabelece a anulabilidade. os negócios não podem ser concluídos por outra pessoa em nome do incapaz.http://apontamentosdireito. As incapacidades de exercício são excepcionais e são estabelecidas expressamente pela lei. Sendo que o mesmo artigo nos alerta para algumas restrições: incapacidades de gozo que são excepções a esta regra geral. Neste sentido Santono Passanelli e Manuel de Andrade. O interesse determinante das incapacidades é o interesse do próprio incapaz. Trata-se de uma indisponibilidade relativa pois há só uma restrição do poder de disposição em certa direcção. nem por este com autorização (……) O nosso código civil estabelece certas proibições no domínio da compra e venda em razão dos sujeitos. como a contida no artigo 877º ou 261º. sendo-lhes simplesmente vedada a prática de certos negócios .Capacidade jurídica de exercício: a regra geral é a de que todas as pessoas singulares maiores e emancipadas têm plena capacidade de exercício de direitos. isto é.html I.

a CC).http://apontamentosdireito.html b) Existem prazos para a sua invocação2. daí que terão capacidade para administrar os bens que adquirem pelo seu trabalho (salário) e os que adquirem através do salário. Aqui há uma autonomização ao incapaz a agir pertencendo a iniciativa ao próprio incapaz.  Podem contrair validamente casamento. com autorização dos pais podem trabalhar.com/index. As pessoas com legitimidade para requerer a anulabilidade são: 2 Esses prazos só funcionam se o negócio estiver cumprido. e é suprível não podendo os negócios ser realizados pelo incapaz ou por um seu procurador . nº1 al. caso contrário.Efeitos: os negócios jurídicos praticados pelo menor contrariamente à proibição em que se cifra a incapacidade estão feridos de anulabilidade (125º). a pessoa é denominada representante legal.  Podem perfilhar se tiverem mais de 16 anos (1850º). impliquem apenas despesas ou disposições de bens de pequena importância (127º. ou seja.Amplitude: esta incapacidade cessa com:  Maioridade (130º. Os menores sofrem de uma incapacidade genérica já que abrange negócios de natureza pessoal ou patrimonial. Por exemplo a compra de uma caneta. mas podendo sê-lo através de meios destinados ao suprimento da incapacidade que cito: a) Representação: é admitida a agir outra pessoa em nome e no interesse do incapaz. portanto. mas exige o consentimento de certa pessoa ou entidade.  Negócios próprios da vida corrente do menor. c) Para o negócio ser anulado tem de haver uma acção intentada não se procedendo ex officio . III.Incapacidades de exercício: a) Menoridade: 1. 2.  Negócios relativos à profissão e ao seu exercício (127º. salvo se estiver pendente contra o menor ao atingir a maioridade uma acção de interdição ou inabilitação (artigo 131º). b) Assistência: a lei admite o incapaz a agir. b CC). pois é designada pela lei ou em conformidade com esta.  Podem fazer testamento se emancipados (2189º). nº1 al. c CC). a anulabilidade pode ser requerida sem dependência de prazo – artigo 287º nº2. mas dá lugar à aplicação de sanções especiais (1649º). nº1 al. Existem. Tudo porque os maiores de 14 anos. desde que tenham idade superior a 16 anos (1601º). em vez dele. 39 . (ver melhor). Não actua.  Emancipação que hoje apenas resulta do casamento (arts. se tiver sido operada a modificação da situação factual. que estando ao alcance da sua capacidade natural. 129º. não é portanto um representante voluntário no sentido em que não é escolhido pelo representado. a oposição dos pais ou do tutor constitui um impedimento impediente e como tal não implica a nulidade do acto (1604º). no entanto excepções à incapacidade:  Actos de administração ou disposição de bens que o menor adquiriu pelo seu trabalho (127º.atspace. 132º e 133º).

como facilmente se depreende do 125º. à aplicação do princípio da proibição do venire contra factum proprium. No entanto. a generalidade da esfera jurídica do menor.http://apontamentosdireito. al. nº1. 3.Suprimento: a incapacidade do menor é suprida pelo instituto da representação sendo os meios de suprimento os seguintes:  a) Poder Paternal: o seu conteúdo está regulado no artigo 1878º. O tutor tem poderes de representação. visto que estes são meros continuadores da esfera jurídica do de cuius.a). As reacções aos artigos referidos geram a anulabilidade dos respectivos actos nos termos do artigo 1893º.c). nº1. A doutrina vai divergir em relação aos representantes:  Mota Pinto: diz que os representantes também não podem.b). O poder paternal pode ser alvo de inibições como se depreende dos artigos 1913º e seguintes.nº1. mas nunca depois do menor atingir a maioridade ou seja emancipado (125º. o artigo 1889º refere-nos actos cuja validade depende de autorização do tribunal.html  a) Representante do menor dentro de um ano a contar do conhecimento do acto impugnado. Comuns ao poder paternal pessoal e patrimonial são o poder de representação (1878º e 1881º) e o poder de autoridade que os filhos devem obediência (1878º nº2). Estão excluídos da administração dos pais certos bens mencionados no artigo 1888º.  b) Tutela: é o meio normal de suprimento do poder paternal. visando a lei proteger essas expectativas. em princípio. As suas limitações estão presentes nos 40 . abrangendo. donde resulta imediatamente o facto do poder paternal pertencer aos pais não atribuindo poderes especiais ao pai ou à mãe. Assiste-se aqui. al.  Orlando de Carvalho e Antunes Varela: dizem que os representantes poderão requerer essa anulabilidade porque o relevante é a tutela dos interesses do incapaz que são tutelados pelo exercício do poder paternal. al. deve ser instaurada sempre que se verifique alguma das situações previstas no artigo 1921º.  b) O próprio menor no prazo de um ano após a maioridade ou emancipação (125º. o poder tutelar é menos amplo que o poder paternal. pois aqui o que merece relevo é a tutela do interessa da contra-parte que não pode ser prejudicada. o menor não é o único com legitimidade para requerer a anulabilidade. No entanto. o artigo 1892º estabelece outra proibição.atspace. O exercício do poder paternal vem previsto nos artigos 1901º e ss. Aqui a doutrina converge na aceitação de que os herdeiros também não poderão requerer essa anulação. tal como os do pai.com/index. este domínio reflecte-se relativamente à pessoa dos filhos  1885º e ss e relativamente aos bens do filho 1888º e ss. O direito de invocar a anulabilidade é precludido pelo comportamento malicioso do menor no caso de este ter usado de dolo (253º) a fim de ser fazer passar por maior ou emancipado (126º).  c) Qualquer herdeiro num ano a contar da morte sem que ultrapasse um ano da sua maioridade ou emancipação (125º.

No artigo 125º. O tutor pode também ser afastado  1948 e ss.atspace. São fundamentos de interdição:  Situações de anomalia psíquica. daqui retiramos que o administrador é o representante legal do menor nos actos relativos aos bens cuja administração lhes pertença. durante esse curto espaço de tempo. equiparando os sujeitos nestas situações aos menores pelas seguintes razões: 1. não basta. Estas “deficiências” devem ser habituais ou duradouras e actuais.  Surdez – mudez.com/index.  c) Administração de bens: ela terá lugar. só aí existirá interdição. 2.  Quando pela sua gravidade tornem o interditando incapaz de reger a sua pessoa e bens 138º nº1 (quando essas anomalias não excluem totalmente a aptidão do sujeito para gerir os seus interesses o incapaz será inabilitado – 152º). 3. O protutor será um dos vogais do conselho de família a quem cabe fiscalizar a acção do tutor de forma permanente. Quando o menor prefizer 18 anos e correr uma acção de interdição ou inabilitação contra ele o artigo 131º diz-nos que se mantém o poder paternal ou a tutela. o disposto no 131º. A lei permite. a existência de “deficiências”. pois os menores estão sempre protegidos pela incapacidade de menoridade.  A incapacidade do artigo 131º: é possível requerer-se uma interdição no ano anterior à maioridade. para que esta produza efeitos quando o menor se torne maior – 138º nº2. Ao conselho de família. os seus poderes são idênticos aos do tutor. não havendo lógica de se aplicar a um maior o regime da representação legal. Os direitos e deveres do administrador estão consagrados no artigo 1971º. b) Interdição: quem pode ser interdito: a interdição é apenas aplicável a maiores. 41 .A lei diz que se aplica o regime paternal ou tutorial. Torna-se necessária uma sentença judicial que no termo de um processo judicial declare a incapacidade.http://apontamentosdireito. no entanto. Aqui existirá um administrador dos bens ao lado dos pais ou do tutor. o mesmo acontece com a inabilitação por força do artigo 156º. A designação do administrador de bens é regulada nos artigos 1967º e 1968º. O artigo 139º manda aplicar as disposições que regulam a incapacidade por menoridade e fixam os meios de suprir o poder paternal.html artigos 1937º e 1938º. As sanções para a infracção das proibições impostas ao tutor constam dos artigos 1939º e 1940º. coexistindo com a tutela ou com o poder paternal. nº1/a a lei ressalva no prazo do requerimento da anulabilidade. o requerimento e decretamento da interdição dentro de um ano anterior à maioridade  138º nº2. O Dr Carvalho Fernandes diz-nos que se trata de uma incapacidade de exercício autónoma. no entanto. nos termos do artigo 1922º.Não faz sentido tratar uma pessoa como maior quando é elevada a possibilidade de vir a ser declarado incapaz. nos termos do 1954º cabe vigiar o modo como são desempenhadas as funções do tutor.  Cegeira.

eventualmente. 2. c) qualquer herdeiro do interdito no prazo de um ano a contar da morte deste (quando a morte ocorreu ainda era ele interdito ou a interdição tinha sido levantada há menos de um ano antes da morte). já que se estabelece uma tutela regulada pelas mesmas normas que regulam a dos menores.Suprimento: a incapacidade é suprida mediante o instituto da representação legal.Depois do registo da sentença definitiva: o artigo 148º mostra-nos que os negócios jurídicos realizados neste período estão feridos de anulabilidade – artigo 148º. o mesmo acontece para a capacidade de testar – artigo 2189º e para perfilhação – artigo 1850º.atspace. b) elemento racional ? – pois evita uma quarentena a que os interditos seriam votados por outros indivíduos .com/index. no prazo de um ano a contar do conhecimento do negócio. que estabelece a excepção do artigo 144º (pais exercem o poder paternal como se ele fosse menor). falta de prejudicabilidade do acto ou desconhecimento pela contra – parte da interdição. utilização do pretérito perfeito.  2. A sentença de interdição definitiva deve ser registada sob pena de não poder ser invocada contra terceiro de boa-fé – 147º. A interdição venha a ser definitivamente decretada. a administração de bens.html 1. As razoes que nos levam a afirmar isto são: a) o elemento gramatical de interpretação “causou”. neste ultimo caso os negócios não são anuláveis. que se recusariam a contratar com eles já que sobre eles penderia a ameaça de uma 42 . Poderá ter lugar. Não há qualquer lugar para o instituto da assistência no suprimento de uma incapacidade por interdição. A anulação não pode ser excluída mediante a alegação de intervalo lúcido do demente.Valor dos actos praticados: a lei considera três períodos:  1. A competência atribuída ao tribunal de menores no funcionamento da representação legal dos menores é deferida no que refere à capacidade dos interditos ao tribunal comum – artigo 140º. b) o próprio interdito no prazo de um ano a contar do levantamento da interdição.http://apontamentosdireito. Quanto ao casamento não há possibilidade de suprimento da incapacidade dos interditos por anomalia psíquica – artigo 1601/b. Quanto ao prazo para a sua invocação é as pessoas com legitimidade para arguir é aplicável ex vi do artigo 138º com as necessárias adaptações o artigo 125º. são anuláveis os actos caso: a. Podem assim requerer a anulação: a) representante do interdito durante a vigência da interdição. são sempre anuláveis  148º. b. O negócio deu prejuízo ao interdito: a apreciação deste prejuízo reporta-se ao momento da prática do acto não se tomando em conta eventualidades ulteriores que poderão vir a tornar desvantajoso para o interdito aquele negócio.Na pendência de processo de interdição: artigo 149º.

na perfilhação – 1861º. Perigo ainda maior porque estas pessoas podem até acabar por ser reconhecidos como “normais”. Manuel de Andrade sustentou com êxito a opinião segundo a qual as doações se devem considerar sempre prejudiciais ao interdito mesmo que as circunstancias concretas tornem razoável a sua prática por uma pessoa normal. qualquer que seja a sua justificação um empobrecimento imediato do doador podendo eventualmente no futuro causar-lhe grave dano.atspace. Exige-se também para tutela da boa – fé do declaratario e da segurança jurídica a prova da cognoscibilidade da incapacidade.Anteriormente à publicidade da acção: o artigo 150º remete-nos para o disposto da incapacidade acidental que está prevista no artigo 257º.  3. Quanto a alguns autores em especial em que a incapacidade jurídica é insuprível para os interditos com anomalia psíquica (perfilhação. O artigo 257º nº2 esclarece o requisito da notoriedade. No entanto se o conhecimento é posterior o prazo só começa a correr a partir daí. Quanto aos negócios onerosos haverá prejuízo sempre que um contratante sensato prudente na gestão dos seus bens não teria celebrado o negócio naqueles termos (bónus pater família). casamento e testamento) o que é que acontece se existir anomalia e o demente não estiver interdito? No caso do casamento: há incapacidade desde que haja uma demência notória e mesmo que o acto seja praticado durante intervalos lúcidos (1601/b).html anulação. no testamento em caso de incapacidade acidental – 2199º. A notoriedade da sua denuncia não é no mesmo sentido da do artigo 257º. ao contrário do que acontece na pendência do processo.com/index. Quanto aos negócios gratuitos como as doações. mesmo que este não a conheça.  b) Que a incapacidade natural existente seja notória ou conhecida do declaratário. Tudo porque uma doação importa sempre. 43 . No entanto no caso de faltar a interdição o acto poderá ser anulado desde que se verifiquem os pressupostos da incapacidade acidental (2199º). A anulabilidade tem como condições necessárias e cumulativas:  a) Que no momento do acto haja uma incapacidade de entender o sentido da declaração negocial ou falte o livre exercício da vontade. No caso de testamento só os interditos são incapazes.http://apontamentosdireito. Em relação ao artigo 149º nº2 há quem diga que o momento do registo da sentença a partir da qual começa a contar o prazo é uma salvaguarda para quem conhece antes. No caso da perfilhação há incapacidade desde que haja demência notória. As sanções para a realização destes negócios pelo incapaz são: a) Anulabilidade – no casamento – 1631º. Neste momento não é exigível a prova de qualquer prejuízo para o incapaz. porque aqui a tutela do incapaz deve primar sobre a protecção das expectativas do declaratário. não se colocando o caso de intervalo lúcido (1850º nº1). Não basta demonstrar um estado de habitual insanidade de espírito na época do negócio é necessário provar a existência de uma perturbação psíquica no momento em que a declaração de vontade foi proferida. algo que é muito difícil de se provar.

administração de bens (1970º) São insupríveis. causas e instituição: são incapacidades de exercício que impedem a pessoa sujeita de praticar actos jurídicos patrimoniais (quando não autorizados pelo seu representante legal). o testamento. 4.http://apontamentosdireito. É necessário uma sentença de inabilitação tal como acontece com as interdições. c) Inabilitação: 1. Existem três categorias: a. No entanto 44 . Ainda todos os que forem especificados na sentença. c. no entanto o Juiz na sentença pode especificar alguns ou todos os esses actos para o grupo de actos em que o inabilitado tem incapacidade de exercício  ver melhor o artigo 154 nº1. Torna-se necessário o levantamento da interdição.Cessação: a incapacidade dos interditos não termina com a cessação da incapacidade natural. poder paternal (1913º).com/index. b. Podem requerer esse levantamento os indicados no artigo 151º. 3. A incapacidade dos inabilitados não existe só por existirem as circunstâncias previstas no artigo 152º. Abuso de bebidas alcoólicas ou estupefacientes que provoquem uma alteração de carácter. Anomalia psíquica .atspace. Habitual prodigalidade – o pródigo será aquele que habitualmente pratica actos de delapidação patrimonial que não se pode confundir com uma administração infeliz ou pouco inteligente. O artigo 152º revela-nos as causas de inabilitação.Noção. surdez mudez ou cegueira que provocam fraqueza de espírito mas não uma total inaptidão. 2.html b) Nulidade – no testamento em caso de interdição – 2190º. Normalmente os inabilitados têm capacidade de exercício no que respeita ao actos de mera administração. não sendo pródigo o que pratica actos ruinosos mas com um fim digno ou nobre. b) Inabilitados por prodigalidade: no que se refere à tutela (1933º nº2). excluindo-se assim. Nos três casos basta que se prove a existência de um perigo actual de actos prejudiciais ao património mesmo que ainda não haja um dano concreto. Trata-se de despesas desproporcionadas aos rendimentos improdutivas e injustificáveis – aqui atenta-se à finalidade das despesas. Existem algumas incapacidades de gozo para: a) Inabilitados por anomalia psíquica: casamento (1601º).Suprimento: as incapacidades de exercício por inabilitação são supridas pelo instituto da assistência através de um curador (artigo 153º).Extensão: a inabilitação abrangerá os actos de disposição de bens inter vivos: 153º.

como chefe de família. por exemplo e apenas nos regimes de comunhão (geral e adquiridos)o disposto no artigo 1682. A pessoa a quem essa administração é entregue chama-se também curador. No entanto. exige-se um prazo de 5 anos sobre o trânsito em julgado da sentença.atspace. Por força do artigo 156º e da remissão para o artigo 139º as características da anulabilidade são as do artigo 125º com as necessárias adaptações. temos por exemplo o artigo 1933º nº1/c (…). Existem outras para alem das conjugais exemplo a venda de coisa alheia 892º). As sanções da ilegitimidade conjugal são as previstas no artigo 1687º.Valor dos actos praticados pelo inabilitado: por força do artigo 156º são aplicáveis as disposições que vigoram para os interditos. que deve ser especial para cada acto: artigo 1684º nº1. sendo a mulher incapaz em várias situações. A ilegitimidade conjugal supre-se pelo consentimento do outro cônjuge.html a administração do seu património pode ser entregue pelo tribunal ao curador e neste caso a forma de suprimento é o instituto da representação. A Posição Familiar: Com o 25 de Abril. carecem de consentimento de ambos os conjugues em qualquer regime de bens o disposto no artigo 1682º. Tendo que se aplicar os artigos 148º. O casamento.Cessação: A incapacidade deixa de existir quando for levantada a inabilitação. no entanto. Por força do artigo 156º é aplicado o regime da interdição presente no artigo 151º. continua a ser 3fonte de ilegitimidades conjugais (restrições à livre actuação jurídica derivados do casamento) só que agora em condições de plena igualdade entre marido e mulher. Insuficiência patrimonial: 3 Anteriormente vistas como incapacidades. a forma é a exigida para a procuração (no mesmo artigo) podendo ser judicialmente suprido (no mesmo artigo). 149º e 150º. Deriva hoje.A nº1 e no 1683 nº2. Mota Pinto e também Manuel de Andrade falam em ilegitimidades tal como vem referido no código (trata-se de uma relação entre o sujeito e o conteúdo do acto. 5.  Incapacidade de facto: existem situações com carácter real que provocam consequências jurídicas. 4.com/index.http://apontamentosdireito. 45 . a CRP de 1976 e a reforma do código civil em 1977 se pôs fim a um regime que colocava o marido em posição de supremacia. o artigo 155º tem um regime particular para o caso de inabilitação por prodigalidade ou abuso de bebidas alcoólicas ou de estupefacientes. Assim. Com isto pretende-se sujeitar o inabilitado a uma espécie de período de prova para evitar o risco de dissimulação ou fingimento – Mota Pinto. do artigo 13º da CRP e do artigo 36º o princípio da igualdade entre os conjugues.

tratando-se de uma situação privativa dos não comerciantes. Se praticar algum acto. ele não é nulo ou anulável mas ineficaz em relação à massa falida – artigo 155º do código das falências – os negócios conservam-se válidos. Também pode acontecer o comerciante ter um activo inferior ao passivo mas cumprir pontualmente as suas dívidas com o recurso ao crédito. quando e onde não prejudiquem a massa falida. Efeitos da falência e da insolvência: A falência e a insolvência implicam uma apreensão judicial dos bens do falido e do insolvente a que se chama massa falida ou insolvente e se destina a satisfazer os credores. Falência: impossibilidade de o comerciante cumprir as suas obrigações. Insolvência: insuficiência do activo patrimonial para cobrir o passivo. 4. A sua administração é entregue a um administrador.dissipação e extravio de bens . 2. b. O falido não pode praticar actos patrimoniais que possam prejudicar a massa falida – artigo 147º código das falências.Falência e insolvência: anterior … O estado do falido ou insolvente civil afecta. Do reconhecimento do comerciante.atspace. sob o ponto de vista do exercício de direitos as pessoas que se encontram nessas situações. mediante apresentação ao tribunal competente com o pedido de convocação de credores. 5 – outro qualquer procedimento abusivo tendente a colocar-se na situação de não poder cumprir as suas obrigações.fuga de comerciante. conservando legitimidade para os negócios pessoais e para os patrimoniais relativos a bens não apreendidos na massa falida. podendo produzir os seus efeitos. pode haver a hipótese de o comerciante ter bens de valor superior às suas dívidas. Pois.ausência do estabelecimento sem ter provido à sua representação na gerência empresarial. A impossibilidade de cumprimento das obrigações é distinta de uma situação patrimonial deficitária (activo de valor inferior ao passivo). Interessa é a pontualidade dos pagamentos. A inibição do falido e do insolvente não é imposta no seu interesse ao contrário da dos incapazes. mas para a salvaguarda dos credores.com/index. Pode ter lugar através: a. pois se os comerciantes pagam aos credores com o dinheiro dos devedores se um comerciante cessa o pagamento pode alastrar esse não pagamento aos seus credores. mas não dispor de dinheiro líquido para as pagar.cessação de pagamentos. Essa situação só se verifica após uma declaração judicial de falência ou insolvência.html Falência e insolvência continuação da página 1.http://apontamentosdireito. 3. Por pedido ao tribunal feito pelos credores ou do Ministério Público atendendo a certas manifestações: 1. Consequência sobre os actos: 46 . A cessação de pagamentos é que dará lugar à falência – artigo 8º do código de falências.

b) 47 . Também as quotas de 40% de trabalhadores nacionais vem limitar a capacidade dos estrangeiros. Essa equiparação não obsta a aplicação no direito civil das regras de direito internacional privado. delapidar o seu activo ou beneficiando uns credores em detrimento de outros. Domicilio: a) Importância da noção: trata-se de uma noção relevante de forma a fazer o ponto de conexão entre a pessoa e um determinado lugar. 3.com/index. Aqui não se trata de uma verdadeira incapacidade. O artigo 14 do cc vem equiparar os estrangeiros aos nacionais quanto ao direito civil.a sucessão por morte abre-se no lugar do ultimo domicilio do seu auto. Vamos encontrar excepções quanto à capacidade de gozo no artigo 33º da CRP que prevê a extradição que não é admitida em relação aos portugueses. nos casos de: 1. quando esse conhecimento é pressuposto de produção de efeitos jurídicos. Noção: a. Domicilio voluntário geral: lugar da residência habitual – artigo 82º. 4ai deverão ser praticadas diligências ou efectuadas comunicações dirigidas a dar conhecimento a uma pessoa de um facto. salvo disposição especial é o do domicilio do réu. já que não é a qualidade do sujeito em si mesmo que está em causa. Tal como o faz o artigo 15º da CRP.o tribunal competente para quaisquer acções. 2. é um modo de ser para com os outros.atspace. Assim são resolúveis em benefício da massa: a) Actos celebrados por titulo gratuito que diminuam o património do devedor nos dois anos anteriores à sentença declaratória de falência. Trata-se de um ilegitimidade.http://apontamentosdireito. já que supõe uma relação entre o sujeito e o conteúdo do acto. Nacionalidade: Definição: é um vínculo jurídico político que liga certas pessoas ao Estado Português por oposição aos estrangeiros e apátridas. b) Quanto aos negócios onerosos é aplicada a impugnação pauliana – artigo 610º.html No período anterior à declaração de falência há propensão para o devedor tomar medidas altamente prejudiciais para a massa dos credores. já que se tem que proteger os interesses de terceiros de boa fé. salvo disposição legal em contrário.as obrigações pecuniárias deverão ser efectuadas no domicilio do credor.

sem que da pessoa se saiba parte – artigo 89º/1. Visam sobretudo evitar os prejuízos decorrentes da falta de administração dos bens da pessoa ausente. 48 . Paradeiro: local onde a pessoa se encontra em cada momento – artigo 225º. A lei prevê ainda um domicílio profissional que se localiza onde a profissão é exercida – artigo 83º e um domicílio electivo que é estipulado por escrito para determinados negócios – artigo 84º (reveste-se de um negocio jurídico). por exemplo alguém que passa alternadamente uma semana na sua casa da Régua e uma semana na sua casa em Vila do Conde). funcione como seu equivalente – artigo 82º/2. c.agentes diplomáticos portugueses – artigo 88º.desaparecimento de alguém sem noticias 2necessidade de prover acerca da administração dos seus bens 3falta de representante legal ou procurador artigo 89º/1. Não é. um negócio jurídico. na falta do mesmo.com/index. O nosso direito conhece alguns casos de domicilio legal. b) Curadoria definitiva. sujeito ao instituto da representação aplicar-se-á este artigo ex vi – artigo 156º). no entanto. podendo-se desde logo recorrer à morte presumida independentemente de antes se ter instaurado a curadoria definitiva. quando estes têm todo o seu património entregue à administração do curador. Pressupostos: 1. Uma pessoa pode ter dois ou mais domicílios se tiver duas ou mais residências habituais. Mas se uma pessoa passar algumas semanas numa casa arrendada não passa a ter aí um segundo domicilio.html b. Ela não faz surgir um domicílio.atspace. c) Morte presumida. Residência ocasional: lugar onde a pessoa vive temporariamente ou acidentalmente. O estabelecimento do domicílio resulta de um acto voluntário. ou seja. ou seja.http://apontamentosdireito.domicilio dos menores e interditos – artigo 85º (embora não refira inabilitados. Medidas Legais: a) Curadoria provisória: a. 3. pelo facto de aí se residir habitualmente ou de aí se exercer uma profissão. Estas têm a ver com a maior ou menor probabilidade de regresso do ausente.empregados públicos – artigo 87º. embora. Nenhuma delas está dependente das anteriores para a sua instauração judicial. ou seja. As medidas que se poderão tomar: a) Curadoria provisória. Ausência: Noção: desaparecimento sem notícias. mas um simples acto jurídico: os efeitos jurídicos realizam-se por força da lei mesmo que as pessoas os não quisessem. independentemente da vontade: 1. 2.

Como é visível pelo artigo 94º o curador funciona como simples administrador – o artigo 98º estabelece os casos do termo da curadoria. Aqui. 49 . A curadoria definitiva termina nos casos previstos no artigo 118º.atspace. e como a bigamia é proibida. à partilha e entrega dos bens aos legatários e herdeiros que são arguidos como curadores definitivos – artigo 104º. No entanto há atenuantes. Caso o ausente regresse aplica-se o artigo 119º. Tratam-se de direitos: a) Gerais: todas as pessoas deles gozam. a curadoria provisória será estabelecida se este não exercer as suas funções. Dos bens será prestada caução artigo 93º. b) Subjectivos: dizem respeito à pessoa humana.http://apontamentosdireito. O casamento não cessa ipso facto. como é alta a probabilidade de morte física do ausente. Pressupostos: dez anos sobre a data das últimas noticias ou cinco anos se o ausente tiver completado 80 anos de idade. Após a justificação da ausência. no entanto o cônjuge do ausente pode contrair novo casamento sem necessidade de recorrer ao divórcio  artigos 115º e 116º. Aqui a presunção é a de possível regresso do ausente daí que o Ministério Público ou qualquer interessado tenha legitimidade para a requerer artigo 91º. Se o ausente regressar.com/index. c) Morte presumida: a.html Mesmo que haja representantes. Pressupostos: dois anos sem se saber do ausente ou cinco anos se ele tiver deixado representante legal ou procurador  artigo 99º. procedese à abertura de testamentos  artigo 101º. quer por não querer  artigo 89º/2. b) Curadoria definitiva: a. O artigo 92 mostra quem deverá ser escolhido para curador. considera-se o primeiro casamento dissolvido por divórcio. os interessados para o efeito do requerimento da curadoria definitiva têm legitimidade para pedirem a declaração de morte presumida  artigo 114º. Mas. Aqui a probabilidade do não regresso é maior daí que a legitimidade para a requerer seja mais reduzida como se denota pelos artigos 99º e 100º. se a pessoa for menor são necessários cinco anos sobre a data em que completaria a maioridade se fosse vivo  artigo 114º/2. Os direitos de Personalidade: GENERALIDADES: A personalidade humana surge como objecto de direitos e deveres. Os direitos de Personalidade tratam-se de direitos absolutos que incidem sobre os vários modos de ser físicos ou morais da sua personalidade. por não poder. o artigo 115º estatui que a sua declaração produz os mesmos efeitos do que a morte.

Trata-se de um non facere. alienação.atspace. f) Perenidade e imprescritibilidade: não são vitalícios mas perpétuos já que gozam de protecção mesmo depois da morte – artigo 71º/1. b. ou seja. Sobretudo no que diz respeito ao direito à vida quando esta está em perigo. ou seja. não sendo necessário um pressuposto ulterior para a sua existência. Sendo que o critério utilizado para aferir dessas legítimas expectativas seja o do bónus pater famílias (exemplo. No entanto. 50 . estes não se encontram nessa categoria.com/index. utilizar meios que vão ferir a personalidade física da pessoa em risco ou lesem a sua dignidade humana. será contrária à ordem pública. e) Relativamente indisponíveis: eles estão fora do comércio jurídico. etc. g) Extra-patrimoniais: se concluir-mos que os direitos patrimoniais são todos aqueles que são possíveis de serem avaliados em dinheiro. ou seja. sendo necessário que esta limitação seja: voluntária. A questão doutrinal que se coloca é a de saber se o nosso sistema jurídico (constante nos artigos 70º e ss) tem apenas um direito geral de personalidade. sem. apenas implicam a vertente passiva. se bem com a obrigação de indemnizar os prejuízos causados às legítimas expectativas da outra parte – artigo 81º/2. um facere.http://apontamentosdireito. a obrigação da prática de certos actos que salvaguardam a personalidade desse sujeito. Vertente passiva: poder de exigir aos demais sujeitos o respeito pelos seus direitos de personalidade. que embora absolutos. não contrária aos princípios da ordem pública. d) Intransmissíveis: estes direitos dizem respeito ao ser do seu titular. Poderão ainda haver limitações lícitas ao exercício dos direitos de personalidade como estipula o artigo 81º. Também não se extinguem pelo facto de não serem utilizados. tal não impede que na esfera pessoal do indivíduo se verifiquem mutações juridicamente tuteladas que derivam do seu poder de auto-determinação. de uma abstenção por parte dos demais sujeitos (dever geral de abstenção). Vertente activa: poder de exigir em certas circunstâncias um comportamento positivo dos demais sujeitos. h) Carácter originário ou inato: decorrem do mero reconhecimento da personalidade jurídica. oneração. Mas mesmo lícitos são sempre revogáveis. Qualquer negócio de cedência. são oponíveis erga omnes em duas vertentes: a.html c) Absolutos: impõe-se a todos. um lutador de boxe que abandona um combate terá que indemnizar o empresário dos prejuízos causados à razoável confiança que este tenha depositado na continuação do consentimento. No que diz respeito à sua sucessão mortis causa esta só parece existir para os direitos especiais de personalidade com um regime muito especial. Diferentemente dos direitos reais. no entanto.

Temos. então. Ainda a palavra “qualquer” do artigo 70º/1 numa interpretação literal implica a defesa desse direito geral de personalidade (DGP). ou existirão conjuntamente um direito geral de personalidade a par de direitos especiais de personalidade (posição adoptada por R. características de inteligência. b) Individualidade: algo que torna cada ser humano único e irrepetível com características próprias que particularizam o ser do ponto de vista genético e de adequação ao meio. Ainda no que diz respeito à colisão de direitos. apenas a personalidade humana juscivilisticamente tutelada. No entanto.html apenas direitos especiais de personalidade. impressões digitais. encontramos limites ao DGP que fazem com que este mesmo não seja determinado: 1A própria natureza do bem da personalidade: cada pessoa tem a sua própria personalidade. Se não se defendesse a existência deste DGP. onde encontramos causas de justificação da ilicitude. aquela personalidade que pode ser considerada como bem jurídico. Isto porque vivemos em comunidade onde há uma limitação de recursos. do mundo. direito à integridade física ou mesmo direito à vida). A ponderação de bens. neste caso os titulares de direitos deverão ceder na medida do necessário para que 3- 51 . caso da legítima defesa. nem todos os aspectos da personalidade humana são protegidos. ou expressa o seu estilo a ponto dessa obra ser identificada – daí a existência de um direito material e moral de autor). dignidade da pessoa humana). 2O direito geral de personalidade de determinada pessoa “acaba quando começa o de outra”.atspace. no artigo 70º fala-se de uma tutela geral da personalidade contraposta aos artigos 72º a 80º que consagram bens especiais da personalidade. Assim desse DGP se desentranham diversos direitos especiais de personalidade. intelecto). ao arbítrio do próprio interprete. consagrada no artigo 335º. O direito Geral de Personalidade: de facto. tornando-o capaz de ser identificado e não confundido com quaisquer outro seres (exemplo. em última análise. numa obra artística em que o autor espelha a sua concepção da vida. que considerar três aspectos: a) Essencialidade: aquilo que é comum a todos os homens (ex.com/index. c) Pessoalidade: traduz a relação de cada homem com aspectos do mundo exterior nos quais é projectada a personalidade (exemplo. Ele é constituído pelos DGP das outras pessoas. não se compreenderia como é que do artigo 70º se retirariam direitos especiais de personalidade (exemplo. Assim. como objecto da relação jurídica. Estes ficariam. físico. Capelo de Sousa) que nos parece ser também a posição do nosso código consagrando no artigo 70º uma tutela geral da personalidade contraposta à dos artigos 72º a 80º que consagram bens especiais da personalidade. isto é.http://apontamentosdireito.

Algo que deve ser sistematizado: A) Relação do homem consigo próprio: 1. de uma 52 .html todos produzam os seus efeitos sem detrimento para qualquer das partes (335º/1).atspace. devido à proximidade efectiva que existe relativamente a estes familiares. Coloca-se. sendo também irrelevante o consentimento do ofendido a esse respeito (a eutanásia também é proibida). o Enquadramento sistemático do artigo 496º que cabe ao regime da responsabilidade e não da sucessão. No caso do DGP colidir com um direito desigual deverá prevalecer aquele que se considere superior (335º/2). muito estranho só atribuir essa indemnização caso ele nascesse com vida pois. não só a nível Constitucional mas também a nível civil o nascituro será para todos os efeitos um indivíduo nos termos do artigo 70º/1.  Antunes Varela:a indemnização cabe por direito próprio aos familiares referidos no artigo 496º/2. estaríamos a premiar o assassino mais eficaz. A vida humana não pode ser comparada ou ponderada com a vida de outrem e nem mesmo com uma pluralidade de vidas humanas.http://apontamentosdireito. Uma vida humana tem o mesmo valor que 5 ou 10. No entanto. então a questão: a que titulo se transmite a indemnização?  Vaz Serra: diz que se transmite por sucessão aos previstos no artigo 496º/2.com/index. Sendo ilícito e indemnizável o aniquilamento da sua vida. que foi abandonada no texto definitivo. Seria aliás. o No artigo 496º/2 emprega-se o termo “cabe” que dá a ideia de uma devolução imediata.  Galvão Teles: transmite-se por sucessão mas aos sucessores em geral do falecido de acordo com o artigo 2133º. Com base no artigo 24º da CRP parece inegável a existência de vida humana no nascituro. daí que não seja licito o sacrifício de uma vida humana para salvar outras. Parece-nos a melhor solução sobretudo: o Aos trabalhos preparatórios que são da responsabilidade de Vaz Serra em que esteve prevista a aquisição por direito sucessório. 4- Haverá apenas responsabilidade civil nos casos de danos não patrimoniais gravosos (496º/1).Vida humana: sem dúvida que está abrangida pelo artigo 70º e deve ser tomada na sua plenitude não havendo quaisquer direito do titular eliminar a sua própria vida (o suicídio é proibido em Portugal). A única excepção admitida é a da legítima defesa. O artigo 496º vem dar direito à requisição da indemnização por parte dos legitimados no artigo. Conteúdo do DGP: ele abrange a unidade e a globalidade da personalidade.

sendo esta não patrimonial. Feitas em beneficio do próprio titular: há a obrigatoriedade de consentimento que tem que ser pedido pelo médico. Feitas em beneficio alheio ou em beneficio geral: nestes casos a presunção de consentimento não é aplicada. leite materno. Dever de esclarecimento que é maior nas intervenções estéticas. Quando a transferência é feita em vida terá de ser gratuita. quer os emergentes quer os cessantes. 2. etc. 53 . Sémen.atspace. sangue. já que a venda vai contra os bons costumes e a ordem pública. c) Saúde: estado de equilíbrio entre estes dois elementos (exterior e interior). b. Durante algum tempo pensava-se que o dano da perda da vida.Corpo: 4 elementos: a) Somático: conjunto organizado e lógico que incorpora várias funções do homem e a sua constituição. Esta teoria tem a grande vantagem de não haver uma subtracção do montante da indemnização à responsabilidade por dívidas de herança. Existem. Atente-se que estes também são indemnizáveis – 483º.No que diz respeito às intervenções médicas temos que distinguir entre diferentes tipos de intervenção: a. daí serem ilícitos testes com novos fármacos não aprovados pelo INFARMED. nos termos do artigo 340º. O que seria indemnizável seriam os danos patrimoniais e pessoais sofridos pelos familiares do falecido. sem autorização do próprio e com a devida informação acerca dos riscos). tendo estes que ser graves (algo medido por padrões objectivos em face das circunstancias entre os quais figura o dano da morte4) 2. Na sucessão estas expressões não se empregam. Quando se trata de uma situação de urgência: numa intervenção em benefício do próprio titular. presume-se que o consentimento é dado nos termos do artigo 340º/3. não deveria ser indemnizável. O consentimento não será válido no caso de grande desproporção entre o benefício e os riscos da intervenção. c. O médico deverá elucidar acerca das consequências da intervenção e dos seus riscos. b) Psique: mecanismos neuro-psíquicos. algumas limitações: 1. Terá de haver sempre consentimento do lesado (exemplo.com/index. d) Autodeterminação corporal: capacidade de qualquer ser humano ser livre em relação ao seu próprio corpo. no entanto.http://apontamentosdireito.html transferência por direito próprio. Se a aquisição se desse por direito sucessório essa indemnização juntar-se-ia a à herança e também ela às dividas deixadas pela herança. Nesse caso haverá ofensa aos bons costumes  340º/2. ( a indemnizabilidade dos danos não patrimoniais resulta do artigo 496º/1. quer os futuros.elementos que sejam regeneráveis e não insubstituíveis poderão ser alvo de doação5 mortis causa. 4 5 São indemnizáveis quer os danos presentes.

Nestes casos não se viola apenas os sentimentos. isolado. bons costumes ou pela ordem pública. quer num sentido positivo (direito a fazer empreender tudo o que não é vedado pela lei. ou seja. pela sua experiência humana em sociedade. uma liberdade sexual. 4.atspace. uma igualdade natural. 2. Ele está em relação directa com o seu meio e com as outras pessoas que fazem parte desse meio. 5.Igualdade: há uma dignidade humana que é igual para todas as pessoas. 1.O espírito e os seus sistemas fundamentais: a) Estrutura sentimental: ela é criada pelo próprio homem. casos de violação deste direito poderão ser o da coincineradora em Souselas ou do Urânio empobrecido nos Balcãs. Não só uma segurança física (que pode ser garantida pelas forças estaduais) como psicológica (ninguém pode ser vitima de assédio sexual). as mãos de um escultor).f. sequestro violento e continuado.html 3. cada ser humano tem o direito a escolher os seus próprios fins e a escolher os meios para os alcançar.http://apontamentosdireito. que tem a ver com o facto de sermos homens. Podemos afirmar que há um direito geral de liberdade. b) Inteligência: faz parte da nossa personalidade e poderão existir ataques a ela (através de uma composição química) que alteraria a própria estrutura da nossa inteligência. B) Relação do homem com o mundo: o ser humano não subsiste por si próprio.Segurança: bem necessário ao ser humano para viver. 6 Redoma: s. c) Estrutura da vontade: esta pode também ser violentada através de coacção grave. como se vivesse numa redoma6.Existência: inserção do ser humano na realidade físico e ambiental do Mundo (exemplo.com/index. Ela pode ser alterada através de uma situação externa (tortura.Identidade: a cada ser humano deve-se atribuir os factos que praticou e não suprimir factos praticados ou atribuir-lhe acções que não praticou. 4. Daí que haja um conjunto de relações de personalidade na relação do “eu” com o Mundo. à determinação da aparência externa e também à história penal. bem como as próprias criações são protegidas pelo DGP. É possível encarar a liberdade sob varias perspectivas: Física: uma liberdade de movimentos. mas toda a estrutura sentimental. etc). 54 . resguardo de vidro. algo que não seria juridicamente tutelado. Esse poder de criação.Liberdade: quer num sentido negativo (ninguém ser obrigado por outrem a adoptar ou não determinado comportamento). a violação pode ser feita por excesso ou por defeito.A capacidade criadora e as respectivas criações: formada por todos os aspectos referentes ao espírito e ainda capacidades físicas (exemplo. Na identidade há ainda um direito à imagem. 3.

Tutela da Personalidade dos concebidos e das pessoas falecidas: Esta tem lugar com fundamento na protecção da vida. de consciência. sigilo bancário). como se espelho se tratasse. qualidades de honestidade.com/index.Reserva do ser pessoal: algo que a pessoa deseja manter para si (ex. financeira (exemplo. desenvolvimento biológico. de associação.http://apontamentosdireito. Trata-se sim da imagem que adquirimos pelos nossos méritos e desméritos. Juridica: liberdade de celebrar ou não actos jurídicos. prudência e diligência que geram a confiança financeira. liberdade de escolha de vários tipos. exemplo: honestidade. de reunião e de escolha de profissão ou actividade. ferimentos e manchas que a pessoa não quer exibir. de forma expressa. rectidão. que não varia com o estatuto da pessoa. religioso. de opção religiosa. nudismo). 6. Social: a liberdade de imprensa. económica. 7. 03Crédito: prestigio económico de uma pessoa. 55 . Esta é formada por quatro elementos: 01Dignidade humana: é a honra propriamente dita. e dentro destes solteiro ou casado. Engloba ainda o direito de estar sozinho.html  Moral: entre as quais se inclui a liberdade de estado civil. pois está ligada directamente à dignidade humana . 8. da integridade física e da honra. Também a liberdade de expressão .atspace. em algumas disposições do código civil  artigos 79º/3 e 484º.Honra: aparece referida. de negar quaisquer auxílios. não podendo ser revelados). Os meios de tutela do direito geral de personalidade: segundo o artigo 70º/2 dá lugar: a) Responsabilidade civil  que tem um carácter indemnizatório (podendo ser uma restituição natural ou uma indemnização em dinheiro) b) Medidas preventivas  com vista a evitar a consumação da ameaça ou atenuar os efeitos da ofensa já cometida. 9. 04Decoro: adequação do comportamento pessoal aos padrões de comportamento social (ex. 02Bom-nome: prestigio da pessoa no plano profissional.Desenvolvimento da Personalidade: implica a auto-determinação cognitiva. Trata-se de projecção social das qualidades morais do indivíduo. É diferente do sentimento de honra próprio que não tem na comunidade grande expressão.Reserva da vida privada: engloba os aspectos gerais da vida familiar doméstica.

html O artigo 71º mostra-nos que os direitos de personalidade são protegidos para além da morte do seu titular. o seu titular não pode usa-lo com o propósito de prejudicar os interesses de outro. O doutor Mota Pinto defende que o artigo 71/1 tem uma formulação infeliz pois é da opinião que a tutela incide sob os direitos ou interesses mencionados no 71/2 e não sobre os direitos do defunto. reputação ou decoro da pessoa retratada. b) Direito ao pseudónimo: é também garantido por meio do artigo 74º. Estatui o artigo 72/2 que nestes casos o tribunal decretará as providencias que melhor concilem os interesses em conflito de acordo com os juízos de equidade. e)Direito à reserva sobre a intimidade da vida privada: consagrada no artigo 80º. deve-se apenas respeitar o autor da carta. a extensão de reserva é definida de acordo com o caso 56 . Todos os mencionados no artigo 71/2 têm legitimidade visto que existe uma sucessão de direitos pessoais. consagradas no artigo 78º que dizem respeito apenas ás que têm um destinatário concreto (não se aplicando às cartas abertas. É diferente da alcunha atribuída por terceiros. d)Direito à imagem: está no artigo 79º. do nome próprio completo ou abreviado . que não têm um destinatário concreto).com/index. Os direitos especiais de Personalidade: a) Direito ao nome: previsto no artigo 72º. No caso de duas pessoas terem o nome total ou parcialmente idêntico. A sua protecção depende da notoriedade que tenha. Até porque esta poderá não ter quaisquer herdeiros. do nome artístico.no que respeita à sua publicação esta está sujeita ao consentimento do seu autor – 76º.atspace. iniciais. aqui a reserva não é tão grande. defende uma articulação com o 68º que estatui que a personalidade cessa com a morte. etc. Estipula que é necessário o consentimento da pessoa para que o seu retracto possa ser publicado (79º/1 e 2) desse mesmo artigo consagra as excepções à necessidade de consentimento da pessoa. No entanto. É garantida ainda a confidencialidade das memórias familiares e de outros escritos confidenciais 77º. o conteúdo e a natureza da carta. mas o que se quer tutelar são os direitos de personalidade do falecido. o nº3 por seu lado é encarado como uma excepção à excepção: o retrato não poderá ser publicitado se do facto resultar prejuízo para a honra. O doutor Capelo de Sousa discorda desta posição já que defende que uma coisa é a ofensa às pessoas mencionadas no 71/2 e outra coisa é a ofensa à própria pessoa falecida. Morto o destinatário pode ser ordenada a restituição ou destruição da carta  artigo 75º/2 . No que concerne a cartas missivas não confidenciais. c) Reserva e resguardo de escritos: no que diz respeito a cartas – missivas confidenciais o destinatário deverá guardar reserva no que respeita ao conteúdo das mesmas artigo 75º/1.http://apontamentosdireito.

mas apenas os correspondentes às legítimas expectativas da outra parte. utilizando-se o conceito do bónus pater famílias (exemplo. Diferentemente as normas respeitantes aos direitos especiais aplicam-se apenas relativamente às relações de personalidade especifica. o regime do DGP aplica-se subsidiariamente. Trata-se de situações em que através de determinados actos (ex. embora. Limitações voluntárias dos direitos de personalidade: Estão previstas no artigo 81º. o direito de fixar os limites do que pode e não pode ser publicado. que deverá comportar uma parte significativa do prejuízo. um contrato de prostituição) não será admissível já que contraria a ordem pública. se o lutador pudesse realizar o combate e por falta de coragem não quisesse combater aí já haverá lugar a indemnização. uma vez que um acto sexual não deve ser vendável. A complacência com a publicidade não significa uma renúncia à esfera de intimidade. Só que esta indemnização não é igual à de indemnizar em termos gerais (que segundo o artigo 483º/1 prevê a indemnização de todos os danos resultantes da violação).http://apontamentosdireito. neste caso o empresário não pode esperar que ele combata. No entanto. essa limitação é sempre revogável artigo 81º/2. Isto apenas é possível quando estes actos ou negócios não contrariem os princípios da ordem pública (ex. consentimento) ou determinados negócios jurídicos voluntariamente aceites pelo titular dos direitos. uma obrigação de indemnizar a outra parte. se antes do combate o lutador tem dores reumáticas. direito a uma esfera de segredo ou na formula Inglesa “right to be alone”.atspace. mesmo quando está de acordo com a ordem pública. 7 Mesmo o vedetismo ou celebridade não exclui a discrição. como tal se houver menos assistência. se nos direitos especiais não estiver prevista qualquer sanção se aplica o artigo 70/2. ou seja.html concreto e a condição das pessoas7. 57 . mas sim um acto de amor (…). embora não todo). Articulações entre o direito geral de personalidade e os direitos especiais de personalidade: Eles estão numa relação de lei geral (DGP) que prevê um conjunto de situações que são o regime regra e lei especial (direitos especiais – vigoram apenas para um numero determinado de casos que não se opõem ao regime regra). no entanto. ou seja. esses mesmos direitos são limitados. já um contrato de pugilismo desde que siga as regras da modalidade é admissível. Isto importa algumas consequências: o direito geral de personalidade aplica-se sempre ás relações de personalidade em que haja disposição especial.com/index. caso do direito moral de autor consagrado no código de direitos de autor e conexos. sendo no entanto contrário à ordem pública se um dos lutadores é contratado já para perder. Assim. Aqui não são todos os danos. porém. o prejuízo é apenas imputável ao empresário. Há. Existem outros direitos especiais de personalidade previstos expressamente na lei. embora é sempre uma renuncia a uma esfera tão extensa como de outros cidadãos.

d)Torna licito o acto do lesante com excepção do 340º/2 Quando se tratam de intervenções cirúrgicas. Consentimento vinculante / autorizante: a) Baseiam-se num simples acto jurídico lateral. tendo como consequência a indemnização das legítimas expectativas que foram frustradas – art.http://apontamentosdireito. Vejamos sistematicamente: a) Baseiam-se num negócio jurídico lateral ou contrato. Um dos consentimentos tolerantes é o consentimento presumível  340º/3. 58 . de tal modo. Assim. b)Têm um carácter constitutivo: com a celebração de um vinculo jurídico (vinculante) ou compromisso jurídico sui generis (autorizante). todos os direitos podem ser agredidos desde que haja o consentimento do lesado com excepção do direito à vida. c) Tolerante: este não atribui sequer um poder de agressão. combate de boxe). b)Esclarecimento das consequências imediatas da intervenção cirúrgica. estes deverão ser os critérios que presidem ao consentimento: a)Esclarecimento do diagnostico da doença. há apenas um poder factico de agressão que é revogável a todo tempo. mas constitui uma simples causa de justificação desta.atspace. e desde que não violem a ordem pública.html Assim. Existem três modalidades do consentimento para a limitação voluntária dos direitos de personalidade: a)Vinculante: atribui-se ao lesante um verdadeiro direito de agressão. doação de um rim). feitas em benefício próprio. b)Autorizante: aqui não há um vínculo jurídico. 81º/2 (ex. que uma revogação. c)Tem de ser prestado antes da lesão. c)Limitados pelo 81º/1. o consentimento vinculante é o resultado de um negócio jurídico e a outra parte fica com um verdadeiro direito de agressão (exemplo.com/index. implica o incumprimento do contrato. Consentimento tolerante: b)Têm um carácter integrativo. sempre possível.

Elementos constitutivos: segundo a análise de Manuel de Andrade a PC tem dois elementos constitutivos: o substrato e o reconhecimento: a) Substrato: é o elemento extra – jurídico. No entanto. podendo esta ser diminuída ou mesmo excluída.atspace. ou patrimonial visto que todas as pc têm uma actividade humana. tal não faz com que o acto violador do direito deixe de ser ilícito e como tal não isenta o seu autor da obrigação de indemnizar o lesado pelos danos resultantes da violação. Importa o facto da personalidade jurídica. o que por si não exclui a responsabilidade criminal. algo que depende da personalidade do doente. não são pessoas colectivas. Há. mas detêm também um acervo de bens. Podem ser organizações constituídas por uma colectividade de pessoas Corporações (Associações e Sociedades) ou por uma massa de bens (Fundações). Se estes pressupostos não existirem não haverá lugar à Personalidade Jurídica. Elemento pessoal  verifica-se na corporação e é a colectividade de indivíduos. d)Terá que descrever um possível efeito letal. ↔ 2ºSEMESTRE As pessoas colectivas: 1. Elemento pessoal ou patrimonial: será mais correcto referirmos elemento pessoal e . Todavia poder-se-á muitas vezes invocar o artigo 570º (influencia da culpa do lesado sobre o valor da indemnização. podemo-nos referir ao predomínio de um dos elementos. Ele é o elemento material. visto existirem outros agrupamentos que realizam determinados fins mas que não têm personalidade jurídica e como tal. elementos pessoais e patrimoniais. assim. Note-se que quando o consentimento do lesado é nulo ou ilegal. a materialidade de um conjunto de pressupostos de facto que servem de base ao reconhecimento da qualidade de sujeito jurídico. Visam interesses comuns ou colectivos que digam respeito a uma pluralidade de pessoas e geralmente têm carácter duradouro.com/index. humanos ou pessoas singulares / agrupadas através de actividades 59 .html c)Narrar os riscos típicos das intervenções desse tipo. visto que se existissem riscos quase improváveis estes podiam fazer recuar um paciente mais receoso. vejamos os seus sub-elementos: a.Conceito e elementos constitutivos Noção: são as organizações constituídas por uma colectividade de pessoas ou por uma massa de bens que visam a satisfação de interesses comuns ou colectivos às quais a ordem jurídica atribui a personalidade jurídica.http://apontamentosdireito.

d. Dos órgãos há que distinguir os simples agentes auxiliares (só executam por incumbência ou sob direcção dos órgãos da pc determinadas operações materiais que interessam à Pc. Executivos: executam a vontade da pc. distinta dos associados. para uma viagem de curso) 199º e ss.atspace. As pc podem ainda ter mandatários : realizam um ou mais negócios jurídicos em regime de mandato ou de incumbência dos órgãos. 60 . assembleia geral de sócios.com/index. Esta realidade é notória na nulidade do chamado pacto leonino – artigo 994º.deve preencher os requisitos gerais do objecto de qualquer negócio jurídico: artigo 280º. Os órgãos podem ser deliberativos . A sua actividade desenvolve-se apenas no seu interior  são órgãos internos: ex. os directores. vão exteriorizar a vontade da pc  são órgãos externos. exemplo. 3. não a projectam para o exterior. exemplo operários.A. do fundador ou dos beneficiários  1 – por falta deste elemento não têm personalidade jurídica as chamadas comissões especiais (exemplo. por força do 158º . também na proibição de fundações dirigidas a fins privatisticos ou egoísticos do fundador ou da sua família como resulta do 188º/1. formam a vontade da pc mas não a manifestam.http://apontamentosdireito. o fim ou causa determinante da formação da colectividade social ou da dotação fundacional. O fim visado pela pc tem que satisfazer os seguintes requisitos: 1. ou seja. legado a uma câmara municipal para manter uma biblioteca). elemento patrimonial verifica-se nas fundações e é a massa de bens ou dotação que o fundador afectou à realização de determinados fins. 2 – a finalidade deve ser comum ou colectiva. composto por um ou mais indivíduos que exprimem a vontade imputável à pessoa colectiva ou a executam. As mesmas disposições são aplicáveis aos chamados patrimónios de oblação  fundos para fins de beneficência e outros.pode ter uma finalidade “duradoura ou transitória” (veja – se o caso da sociedades comerciais que podem ter por objecto a pratica de um acto de comércio – artigo 14º CSC. Também nas fundações fiduciárias: liberalidades concedidas a favor de uma: pc já existente para que ela prossiga um certo fim de utilidade publica (exemplo.html pessoais e meios materiais para a realização de um fim comum. mas que pode em qualquer momento pôr termo a essa afectação de bens. 2 – falta também o elemento intencional nas fundações de facto: massas patrimoniais não destacadas do património do instituidor que mantem uma obra social. Elemento intencional: trata-se da vontade de constituir uma nova pessoa jurídica – animus personificandi. c. b. Elemento organizatório: conjunto de preceitos disciplinadores das características e do funcionamento da pessoa colectiva (contidos nos estatutos ou no acto de constituição ou instituição) e existência de órgãos (centros institucionalizados de poderes funcionais). Elemento teleológico: trata-se da finalidade prosseguida pela pc.

comum. tem de haver um reconhecimento por parte da ordem jurídica. aos associados. Individual ou por concessão: não é de carácter geral e traduz-se num acto individual e discricionário de uma autoridade pública que perante cada caso concreto personificará ou não o substrato.com/index. regidas por uma vontade própria e imanente (vem de dentro) com órgãos dominantes que podem alterar os próprios estatutos “são auto-organizações para um interesse próprio” – Manuel de Andrade. Características: 61 . alteração de estatutos). Características: i. ou seja. 2. São susceptíveis de mutação (entra e saída de novos sócios . iv.atspace. são colectividades de pessoas. São constituídas e governadas por essa colectividade de pessoas (associados). ou seja. Corporações: pessoas colectivas em cujo substrato predomina o elemento pessoal. podendo ser ou não altruístico. Fundações: pessoas colectivas em cujo substrato predomina o elemento patrimonial. Não basta a existência de todos aqueles pressupostos.Corporações (associações e sociedades) e Fundações: a. Visam um fim próprio. b. b. Eles dominam. iii. Sistema da livre constituição das pessoas colectivas (muito raro): condicionado: o reconhecimento faz-se através do preenchimento de determinados pressupostos ou requisitos jurídicos que respeitam aos elementos caracterizadores do substrato e só quando verificados se adquire automaticamente a personalidade jurídica (o mais usual). que assumem o pacto social através de escritura notarial. Normativos: derivado automaticamente da lei ex vi lege – a lei diz que determinados entes materiais caso preencham determinados pressupostos jurídicos obtêm personalidade jurídica. b) Reconhecimento: é o elemento de direito que confere personalidade jurídica ao substrato das corporações ou das fundações. pelos órgãos a vida e o destino da corporação.html Exemplo. ou da afectação de fundos obtidos por subscrição publica. Modalidades: a. abrangendo as associações e as sociedades.Classificação das Pessoas Colectivas: 1.http://apontamentosdireito. advogado constituído para um litigio em que a sociedade seja parte. ii. São governadas pela vontade dos associados. a massa de bens ou dotação de um fundador ou de uma pluralidade de fundadores. Pode ser incondicionado se a ordem jurídica atribui pj a todo o substrato completo da pc sem mais exigências.

Pessoas colectivas de fim desinteressado ou altruístico: o interesse a satisfazer é de natureza altruística. Falamos. que se impõe à vontade dos órgãos servintes da fundação e ao próprio fundador.sindicatos). a) De utilidade pública: embora se dirigindo à satisfação de um interesse dos próprios associados ou do fundador o fim a que se propõe é um interesse público. ii. direito de poder público ou função de autoridade Estadual ou autárquica.atspace.de fim económico não lucrativo. Aplicam-se-lhes directamente os artigos 157º a 194º. pretende conseguir certas vantagens patrimoniais para os seus associados (empréstimos em boas condições. b) De utilidade particular: o seu fim é de mero interesse particular e como tal têm um fim lucrativo. desporto. recreio. interessa também a colectividade. daí o nome de associações de beneficência. Manuel de Andrade chamalhes “hetero-organizações para um interesse alheio”. regidas fundamentalmente por normas de direito privado e que não disfrutam do ius imperi. não económico (ex. Nas sociedades comerciais vigora o principio da tipicidade ou do numerous clausus: 62 .etc). ou seja. iv. São instituídas por acto unilateral do fundador ou fundadores que afectam uma certa massa uma certa massa de bens a uma determinada finalidade ou interesse social. por ex) mas sem uma finalidade lucrativa. daí serem de utilidade pública. ou seja. os bens que lhe são destinados e as normas disciplinadoras da sua vida e destino. Ao mesmo tempo que o fim visado por o 1 e 2 interessa de modo egoístico aos associados.html i. Pessoas colectivas de direito público e pessoas colectivas de direito privado:  Pessoas colectivas privadas: corporações ou fundações dotadas de personalidade jurídica. instrução. 2. a. não tendo quaisquer poderes de autoridade.com/index. promovemse interesses de outras pessoas ou beneficiários. de natureza social e não egoística. Sociedades comerciais: aquelas que têm por objecto a prática de um ou mais actos do comércio. iii. Visam um fim estranho às pessoas que entram na organização da fundação. O fundador estabelece no acto de instituição o fim da fundação. fim que é definido pelo seu fundador. Esse fim pode ser de vária ordem: 1 – de fim ideal: o objectivo egoístico é um interesse de natureza ideal. pois não se tratam de lucros para repartir pelos associados (ex. Pessoas colectivas de fim interessado ou egoístico: o fim visado interessa de modo egoístico aos próprios associados.http://apontamentosdireito. portanto das sociedades: a. b. mas ao mesmo tempo interessa à comunidade. São regidos pela vontade inalterável e transcendente do seu fundador.

pela sua quota. Sociedades civis sob forma comercial: têm exclusivamente por objecto a prática de actos não comerciais. ii. Daí conterem o nome de limitada para se saber que a responsabilidade não é total. Sociedades anónimas: o capital social é dividido por acções. iv. Por acções  as participações dos sócios comanditários são representadas por acções. mas que adoptam um dos tipos de sociedades comerciais para inequivocamente terem personalidade jurídica. A lei distingue no artigo 157º entre Associações. respondendo os sócios solidariamente.  Pessoas colectivas públicas: são dotadas de personalidade jurídica. já que cada um só é responsável até ao montante da sua quota. regidas fundamentalmente por normas de direito público e que prosseguem 63 . Sociedades em comandita: nelas os sócios comanditados assumem responsabilidade ilimitada e os sócios comanditários respondem apenas pela sua entrada no capital social: Simples  não há representação do capital por acções. aplicando-se subsidiariamente o regime das sociedades anónimas se houver pelo menos 5 sócios comanditários. ex. Agrupamentos complementares de empresas: associações de pessoas singulares ou colectivas que visam aumentar a rentabilidade das empresas pertencentes às entidades agrupadas. sociedades de advogados  têm um regime especial. Daí o cuidado necessário nos negócios feitos com estas sociedades. Sociedades por quotas: só o património social responde perante os credores pelas dívidas da sociedade. Às sociedades não se aplicam directamente as disposições do capitulo sobre as pessoas colectivas. Sociedades em nome colectivo: há uma responsabilidade pessoal. estando os sócios isentos de responsabilidade pessoal pelas dívidas da sociedade. ex. b. no artigo 157º e 188º apenas se atribui personalidade jurídica às fundações cujo fim for de interesse social. respondendo por elas apenas os bens sociais. Fundações e Sociedades. c. sociedade de locação financeira ou de tipo civil. solidária e ilimitada dos sócios perante os credores depois de executado o património social. d.http://apontamentosdireito.html i. iii. cada sócio responde para com a sociedade apenas pelo capital que subscreveu. mas apenas pela parte que lhes cabe do capital social. mas sim as referentes ao contrato de sociedade  980º ss. ou seja. não visando o lucro do conjunto do agrupamento em si próprio mas o lucro de cada uma das empresas associadas.atspace. aplicando-se subsidiariamente o regime das sociedades em nome colectivo.com/index. Sociedades de direito especial: podem ser de tipo comercial.

assim. c) Empresas públicas e nacionalizadas: são expressamente equiparadas pelo legislador às empresas públicas pelo decreto .Constituição das associações: a. Têm um regime particular das relações de trabalho.b. Estado Português. Subordinam-se à jurisdição dos tribunais administrativos. uma distinção no plano lógico porque o acto constitutivo tem uma maior importância embora esteja compreendido nos estatutos.reconhecimento. Em caso de inobservância desta exigência a sanção é a nulidade por falta de forma  220º. com os estatutos. asseguram actividades que interessam fundamentalmente à defesa nacional ou exercem actividades em regime de monopólio. é simultâneo.com/index. Têm um regime tributário específico com plenas isenções fiscais. sendo caso disso. ou seja. bem como as suas alterações – artigo 168º/2 e 3. nomeadamente a possibilidade de por via normativa ou através de autoridade directa emitir comandos vinculativos executáveis pela força. vejam-se os artigos 705º/a. Além disso o acto de constituição e os estatutos devem ser publicados no jornal oficial sob pena de ineficácia em relação a terceiros. a) Pessoas colectivas de população e território: estão sujeitas ao seu poder toda a população de um certo espaço territorial. Regiões autónomas e autarquias locais. cujos interesses cabe a ela promover exemplo. b) os estatutos – 167º/2. d) Empresas públicas de regime especial: exploram serviços públicos. O acto de constituição em regra. havendo. 738º e 744º. cabendo oficiosamente ao notário remeter o respectivo extracto para publicação. do poder de autoridade pública ou de direitos de poder público. os estatutos e as suas alterações devem constar de escritura pública – art.  Constituição em concreto das pessoas colectivas privadas: 1. um controlo administrativo da constituição das associações.atspace. Há. b) Serviços públicos personalizados ou institutos públicos: existem institutos públicos de tipo fundacional como por exemplo: parque natural da Peneda Geres e existem institutos públicos de tipo associativo como por exemplo Universidades públicas. Quanto ao seu reconhecimento o código de 1966 no seu artigo 158º. Quanto à forma – o acto constitutivo.http://apontamentosdireito. no plano cronológico. Estas pessoas colectivas detêm privilégios especiais. há que ter em conta: a) acto de constituição – 167º/1 . na sua redacção primitiva estabelecia o reconhecimento por concessão. I-Formação do substracto e II. embora em alguns dos seus aspectos sejam reguladas pelo direito privado. contra a vontade dos que se lhe sujeitam. primeiro o decretolei 594/74 que afirma o direito à livre associação e estabelece o 64 .lei nº 260/76 de 8 de Abril. no entanto. bem como à autoridade administrativa e ao MP a constituição e estatutos.html primariamente fins de interesse público e que por isso mesmo disfrutam em maior ou menor extensão de ius imperi. 168º/1. Vão desaparecer.

Se os estatutos foram formulados pelo testador. A sua actuação nada tem de discricionário. compete aos executores do testamento elabora-los ou completa-los. Através da forma há em primeiro controle da legalidade feito pelo notário (artigo 190º/1/a do código do notariado) devendo este recusar violações dos artigos 167º e 280º evitando a posterior extinção judicial destas associações. A autoridade administrativa tem poderes vinculados à lei. um legado. devem os herdeiros ou executores testamentários requerer o reconhecimento que pode ser oficiosamente promovido pela autoridade competente (185º/2).a) se o fim da fundação não for considerado de interesse social o reconhecimento será negado (188/1). No caso de instituição por acto inter vivos falamos de um negócio jurídico unilateral de natureza gratuita e não de doação. se os executores os não lavrarem dentro de um ano posterior à abertura da sucessão (187º). como resulta da redacção actual do artigo 158. b) tal como no caso de insuficiência do património afectado à fundação (188º/2 e 3). Até ao momento em que é requerido o reconhecimento ou principie o processo oficioso o fundador pode revogar a disposição. No que diz respeito à formação do substrato as fundações podem ser instituídas por acto intervivos ou por testamento – 185º/1. ou seja. aplicam-se as normas do legado – exemplo. é a lei que atribui directamente a personalidade jurídica. ou seja. incumbindo a sua elaboração à própria autoridade competente para o reconhecimento. nas fundações o reconhecimento é individual ou por concessão da competência da autoridade administrativa – artigo 158º/2. Hoje o reconhecimento é feito ex lege.html reconhecimento normativo. Requisitos a observar para se erigir a fundação: a. Se diversamente se atribuírem à fundação apenas bens ou valores determinados. uma herança são aplicadas as normas da instituição de herdeiro exemplo artigo 2068º (responsabilidade pelas dividas do falecido). c.com/index. a partir daí 65 . devendo apenas respeitar os requisitos legais.Constituição das Fundações: diferentemente do que acontece com as associações. Se os bens destinados à fundação consistem na totalidade ou numa quota do património do falecido. Ao contrário. quando a fundação é instituída por acto inter vivos só se torna irrevogável quando o reconhecimento é requerido ou principia o reconhecimento oficioso (185º/3). depois a CRP de 1976 a afirmar esse mesmo direito. b. 2277º. Este acto quando contido num testamento é livremente revogável até ao momento da morte do testador (2311) mas torna-se irrevogável quando o testador faleça (185º/4). 2301º direito de acrescer entre herdeiros. Na falta de estatutos lavrados pelo instituidor ou na insuficiência deles. Já serão discricionários os poderes no que toca ao reconhecimento das fundações do artigo 188º .http://apontamentosdireito. 2. como sejam os da verificação se o seu fim está de acordo com o artigo 280º.atspace.

Associações religiosas: através de acto de registo da participação escrita da sua constituição – lei 4/71. Quanto à publicidade é aplicável o regime das associações com o artigo 185º/5 a remeter para a parte final do artigo 168º (esta “parte final” é lapso do legislador já que o artigo antes da sua nova redacção tinha apenas um numero – os aplicáveis são o nº2 e 3º). 160º/2. caso do direito ao nome  artigo 72º.Constituição das sociedades: às sociedades não se lhes aplicam directamente as disposições do capítulo sobre as pessoas colectivas. ou por seu legitimo representante ao governador civil competente – 449º e 450º do código administrativo. Da Igreja Católica: i. 3. 8 (para não esquecer) Aptidão para ser titular de um circulo.http://apontamentosdireito. ii.atspace. o direito à honra que pode-se desentranhar da tutela geral da personalidade  artigo 70º. no entanto elas podem ser titulares de pelo menos alguns. 66 . a das pessoas colectivas é uma capacidade jurídica específica  artigo 160º. O reconhecimento das sociedades comerciais ou civis em forma comercial é o reconhecimento normativo condicionado através de escritura pública. ii. Associações não religiosas: criadas no âmbito de uma confissão religiosa mas têm um fim diferente – para adquirirem personalidade jurídica basta a participação escrita feita pelo Bispo da Diocese onde tiverem a sua sede. Associações não religiosas: é aplicado o regime regra das pessoas colectivas presente no código civil. b. b) relações jurídicas inseparáveis da personalidade singular (direitos derivados da vida humana como casamento ou filiação. 160º/1  resulta do argumento a contrario a exclusão dos direitos e obrigações que não sejam necessários ou convenientes à prossecução dos seus fins.estão excepcionados do âmbito da capacidade jurídica das pessoas colectivas : a) relações jurídicas vedadas por lei (ex. À primeira vista parecia estarem-lhe negados os direitos de personalidade. Capacidade de gozo8 das pessoas colectivas: enquanto a capacidade de gozo das pessoas singulares é de carácter geral. capacidade testamentaria activa – 2182º). concordata lei 4/71. Se entretanto o fundador morrer aplicar-se-á o artigo 185º/4. Associações religiosas: têm por fim principal a sustentação do culto. como resulta do artigo 185º/3. por exemplo). Outras confissões: para adquirirem personalidade jurídica: i.Constituição das pessoas colectivas eclesiásticas: a.com/index. com mais ou menos restrições de relações jurídicas. mas sim as referentes ao contrato de sociedade  980º seguintes.html não o poderá fazer. 4.

assim. os órgãos não são encarregados de nenhuma comissão. em ordem a obter recursos para a prossecução dos seus fins. Ora. privadas da capacidade para o exercício de direitos. o de um nexo de verdadeira organicidade. adequados ou convenientes ao fim que está previsto nos seus estatutos. não agindo por si mesmas. teremos capacidade para o exercício de direitos. estariam. Tal restrição não impede que as pessoas colectivas de fim desinteressado ou fim egoístico ideal possam praticar actos de natureza lucrativa. Isto depende da natureza do vínculo entre a pessoa colectiva e as pessoas que procedem em seu nome e no seu interesse. Isto defendem alguns autores.atspace. ainda que essa proibição não seja total. Se for um nexo de mera representação . Manuel de Andrade. Ora. serão os actos necessários. ou seja. devemos rejeitar a tese da capacidade para o exercício de direitos pois há autonomia entre as personalidades jurídica do representante e do representado (é uma relação intersubjectiva entre 2 sujeitos. o artigo 165º estatui essa responsabilidade civil para as pessoas colectivas.html O fim estatutário será a medida do âmbito da capacidade. Normalmente não há responsabilidade civil extracontratual dos representados pelos actos dos seus representantes  o artigo 500º abrange um sector da representação: casos em que o procurador pode ser considerado um comissário. mas são eles os formuladores da vontade da pessoa colectiva. Ora.http://apontamentosdireito. As pessoas colectivas têm capacidade testamentária passiva  2033º/2/b. Isto só acontece quando está numa relação de dependência com o representado. os órgãos superiores (ex. Quanto à aceitação de doações podemos aplicar por analogia este mesmo artigo. Vemos isso pelo artigo 162º. assembleia geral) não estão numa relação de dependência. daí que digamos que as pessoas colectivas tenham capacidade para o exercício de direitos. Devemos seguir o primeiro critério. contrario da relação orgânica que é intrasubjectiva). pois ela consiste na aptidão para pôr em movimento a (esfera jurídica) capacidade jurídica por actividade própria sem necessidade de ser representado ou assistido por outrem. quando está sujeito a um seu poder de direcção. já que a sociedade pode fazer doações remuneratórias a empregados e clientes – 941º e pode praticar donativos conformes aos usos sociais – 940º/2. as pessoas colectivas só podem agir por intermédio de certas pessoas físicas. Isto diz-nos Manuel de Andrade. pois a relação entre um órgão e o ente em que se integra é de verdadeira identificação.com/index. deriva ainda do principio da especialidade a incapacidade das sociedades comerciais fazerem doações. mas sobretudo pela responsabilidade civil extra – contratual da pessoas colectivas. agindo o órgão é a própria PC que age. Se for um vinculo de verdadeira organicidade. Capacidade para o exercício de direitos das pessoas colectivas: à primeira vista as pessoas colectivas não têm essa capacidade.  Responsabilidade civil das pessoas colectivas: 67 . Outros autores são da opinião contrária.

Mas a responsabilidade civil mais comum nas pessoas colectivas é a responsabilidade civil objectiva ou pelo risco.Responsabilidade contratual: resulta da capacidade da pessoa colectiva contrair obrigações. Há a necessidade de culpa do órgão ou agente tanto nos casos de falta de cumprimento como nos de cumprimento defeituoso  799º/1. Seria injustificável a exclusão dessa forma de responsabilidade. Para existir resp. Pressupostos da responsabilidade civil da pessoa colectiva: a) Precisa de haver uma comissão. ou seja. As pessoas colectivas respondem pelos actos dos seus órgãos. agentes ou mandatários que produzam a violação de uma obrigação em sentido técnico.html 1. Existe responsabilidade civil por facto ilícito culposo: em que os órgãos deliberativos violam direitos ou interesses legalmente protegidos de terceiros provocando-lhes em termos de causalidade adequada danos: exemplo – deliberação de uma empresa descarregar nas aguas de um rio poluentes que vão danificar culturas – a pessoa colectiva tem que indemnizar as pessoas cujos patrimónios danificou nos termos dos artigos 483º seguintes. agente ou mandatário no exercício da função que lhe foi confiada – 500º/2. é preciso que a pessoa colectiva tenha encarregado outra pessoa de uma qualquer comissão. Precisa que sobre o órgão.com/index.Responsabilidade extracontratual: danos causados a terceiros fora de uma relação contratual entre o lesante e o lesado. salvo se se tratarem de matérias em que se responde sem culpa ou ainda no caso excepcional de responsabilidade por intervenções licitas. Exige-se que o acto tenha causado danos e que os danos estejam em relação de causalidade adequada com o acto – 500º/1. 2. segundo o principio ubi commoda ibi incommoda (onde estão as coisas cómodas aí estão as coisas incomodas). remetendo-nos para o 800º. Há resp.atspace. O artigo 165º remete-nos para a responsabilidade dos comitentes por actos dos seus comissários que consta do artigo 500º. civil nos termos gerais da resp. é preciso que tenha havido culpa da pessoa física que praticou o acto ilícito. civil contratual 798º seguintes. contrato de trabalho)500º/1. É preciso que o acto danoso tenha sido praticado pelo órgão. a pessoa colectiva emprega determinadas pessoas para vantagem própria. ou seja.http://apontamentosdireito. Mas b) c) 68 . civil contratual das pessoas colectivas é necessário que o contrato donde emerge a obrigação infringida tenha sido celebrado por quem tinha poderes para vincular a pessoa colectiva em causa. Embora entendase que basta um nexo de vinculação jurídica entre a pessoa colectiva e o agente (exemplo. agente ou mandatário recaia a obrigação de indemnizar – artigo 500º/1. como tal deve suportar os riscos da sua actividade. Vem enunciada no artigo 165º. sendo prejudicial para a própria pessoa colectiva visto que ninguém queria contratar com ela.

desde que este tenha culpa no plano das relações internas (exemplo. Há um nexo de instrumentalidade entre o acto e a função e os poderes que o agente desfruta no exercício da sua competência. Estaremos no não exercício das funções quando se prosseguem exclusivamente interesses e objectivos pessoais do agente  nexo de mera ocasionalidade.Trata-se de uma obrigação solidária aplicando-se o 497º ex vi do artigo 499º. pode haver externamente mas não internamente como no caso do motorista que adormece e atropela outra pessoa. órgão ou mandatário fica também obrigado a indemnizar ao lado da pessoa colectiva. agente ou mandatário pode exercer acção de regresso contra a pessoa colectiva se não houve da sua parte qualquer culpa no plano das relações internas  497º/2. 69 . mesmo que praticados tendo em vista interesses próprios e / ou com a intenção de lesar um terceiro – 500º/2.  b) Também o órgão.  c) No caso de indefinição da culpa no plano interno é aplicada a parte final do artigo 497º/2 em que há presunção de igualdade nas culpas. d. Procedimentos levados a cabo pelo agente na qualidade de representante da pessoa colectiva.com/index. outros. podendo exigir o reembolso de tudo o que haja pago.html quando podemos considerar um acto como praticado no exercício de funções? a. Mas será uma responsabilidade conjunta? ( a pessoa colectiva deve 500 por exemplo e o agente. agente ou mandatário. Comportamentos causados pelas funções que lhe foram atribuídas.http://apontamentosdireito. b. ou poderes que lhe foram confiados. Actos integrados no quadro geral da competência. Ainda nos casos em que o agente visa apensa interesses pessoais e integrado formalmente no quadro geral da sua competência se aproveita de uma aparência social que cria um estado de confiança (boa-fé) do lesado na licitude do comportamento do agente  teoria da aparência jurídica. c. o que acontece é que via da regra o lesado recorre à Pessoa Colectiva.atspace. mas em que a causa da fadiga se deve às instruções dadas pela entidade patronal para um trabalho sem o necessário repouso) 500º/3 (houve culpa da parte do comitente também!). O agente. desde que esses mesmos actos tenham ou objectivos exclusivamente inerentes aos interesses da pessoa colectiva ou prossigam simultaneamente interesses pessoais e da pessoa colectiva. 500) ou solidária? (em que cada um deve os 1000 e o credor tanto se pode dirigir a um como o outro). No que respeita a relações internas:  a) A Pessoa Colectiva que tiver satisfeito a indemnização tem direito de regresso contra o órgão.

http://apontamentosdireito. não sendo coisas os bens que escapam ao domínio do homem. Autores criticam do ponto de vista lógico (já que levaria a distinguir no homem duas pessoas: uma sujeito e outra objecto dos seus direitos de personalidade) e do ponto de vista moral (legitimaria o suicídio ou a automutilação) este possível objecto. Possíveis objectos da relação jurídica: a) A própria pessoa. pelo contrário visando o seu beneficio.atspace. 70º ss. No entanto a lei concretiza alguns direitos sobre certos aspectos da personalidade – arts. a própria coisa que deve ser entregue. através de um elemento mediador está submetido aqueles poderes. contrário do que antigamente se pensava com a escravatura. Sentido físico: tudo o que tem existência corpórea (quad tanji potest) ou pelo menos é susceptível de ser captado pelos sentidos. ou seja. Também não acontecerá a legitimação do suicídio ou automutilaçao visto que o artigo 81º diz que toda a limitação voluntária dos direitos de personalidade é nula se for contraria aos princípios da ordem pública. exemplo é o acto de entrega da coisa – a prestação. Esta definição será pouco exacta. b) A pessoa de outrém – falamos aqui. uma casa é uma coisa. o certo é que têm de apresentar as seguintes características: 1. 2.com/index.aptidão para satisfazer 70 . não ferindo a sua dignidade.possibilidade de apropriação exclusiva por alguém. como por exemplo a luz. ou seja. a) Objecto imediato: aquilo que directamente está submetido aos poderes ideais que integram um direito subjectivo. c) Coisas: a. o poder paternal e o poder tutelar) incidem directamente sobre a pessoa do filho ou do pupilo. b) Objecto mediato: aquilo que só de uma forma mediata ou indirecta. c. exemplo. Sentido filosófico: tudo o que pode ser pensado. Sentido jurídico: tudo aquilo que pode ser objecto de relações jurídicas artigo 202º. é o “quid” sobre que incidem os poderes do titular activo da relação jurídica (contrário de conteúdo que é o conjunto de poderes ou faculdades que o direito subjectivo comporta). como por exemplo os planetas ou então por falta de delimitação ou captura são aproveitados por todos os homens. hoje. iura in se ipsum – direitos sobre a própria pessoa. isto é. ainda que não tenha existência real e presente. certas manifestações ou modos de ser físicos ou morais da pessoa. b.existência autónoma ou separada: exemplo. não são direitos de domínio ou soberania sobre a pessoa. não de direitos subjectivos mas de poderes-deveres (exemplo.html  O Objecto da Relação Jurídica: Generalidades: o objecto é aquilo sobre que incidem os poderes do titular do direito. não o sendo cada uma das suas paredes. 3.

o interesse de saber se são corpóreas reside no artigo 1302º. Património activo: abrange apenas os direitos patrimoniais ou seja. ii. podem ser tocadas. b.atspace. os activos que não os deveres e obrigações patrimoniais. # Contrário – esfera jurídica – totalidade das relações jurídicas de que uma pessoa é sujeito – património mais direitos e obrigações não avaliáveis em dinheiro. b) Valor de uso: o direito embora não permutável proporciona o gozo de um bem que só se obtém mediante uma despesa (exemplo um bilhete para um espectáculo). exemplo – penhor de direitos e o trespasse de um estabelecimento comercial ou industrial – artigo 115º do RAU. Classificação das coisas: Coisas no comercio e fora do comercio a) o artigo 202º/2 considera fora do comércio as coisas insusceptíveis de serem objecto de direitos privados como: a) as coisas que se encontrem no domínio publico – artigo 84º CRP.o código civil enumera um conjunto de coisas que são taxativamente imóveis e no artigo 205º diz que as restantes são móveis.html interesses ou necessidades humanas daí que uma gota de água ou um grão de areia não sejam coisas. podem ser apreendidas pelos sentidos. Corpóreas ou materiais: têm existência física. ou seja. Bens imateriais: podem ser objecto de propriedade intelectual.http://apontamentosdireito.com/index. b) são por natureza insusceptíveis de apropriação individual – exemplo ar atmosférico. relações jurídicas susceptíveis de avaliação pecuniária que pode resultar: a) Valor de troca: este é alienável mediante uma contraprestação. c) Coisas móveis e imóveis: artigo 204º . Direitos enquanto objecto de outros direitos: são também coisas incorpóreas. chamados passivos. É 71 . É esta a noção que se refere o artigo 2030º/2 . patentes) ambos sujeitos a legislação especial – 1303º. exemplo direitos de autor e propriedade industrial (marcas. Incorpóreas: existem dois tipos: i. (ver a definição de frutos – artigo 212º e de benfeitorias – artigo 216º) Património: Património global: conjunto de relações jurídicas activas e passivas (direitos e obrigações) avaliáveis em dinheiro de que uma pessoa é titular. b) Coisas corpóreas e incorpóreas: a.

. Características da plena autonomia patrimonial: a) Tanto no caso de aceitação a beneficio do inventario (2071º/1) como se no caso de aceitação pura e simples (2071º2) o herdeiro não responde pelas dividas da herança para além das forças dos bens herdados. Património autónomo ou separado será o que responde por dívidas próprias.html esta a noção de património a que o artigo 225º?? Alude quando fala de fazenda (:. pelas dividas da herança e não por outras dividas (2070º) Se um bem desse património autónomo se perde. não responde ultra vires hereditatis. O caso mais nítido de património autónomo no direito privado Português é o da herança – é o conjunto das relações jurídicas patrimoniais que. fazendo as suas vezes. Mas qual o critério do reconhecimento da autonomia ou separação de património? O critério preferível é o da responsabilidade por dívidas. A isto se chama sub-rogação real . a um conjunto de pessoas sem possibilidade de cada uma dessas pessoas alienar um quota ou fracção desse património ou 72 . b) por aquelas dívidas só o património autónomo responde não afectando o património geral do seu titular. Patrimónios conjuntos: estamos perante um único património pertencendo a vários sujeitos: A) Património colectivo: figura de raiz Germânica. b) A herança só responde. este valor deve substituir-se ao primeiro bem tomando o seu lugar no património autónomo.) Património liquido: trata-se da saldo patrimonial: relações jurídicas activas ou direitos – relações jurídicas passíveis ou obrigações. (activos – passivos) Património autónomo: conjunto circunscrito de relações patrimoniais sujeito a um regime jurídico particular. um mesmo sujeito é titular de um património global e de um património autónomo.com/index. isto é só responde e responde só ele por certas dívidas. em principio. adquirindo-se outro valor. ou seja. Sendo que o ónus da prova de insuficiência do activo hereditário cabe ao herdeiro e não aos credores na aceitação pura e simples (2071º/2) e o ónus da prova da existência de mais bens além dos inventariados cabe aos credores na aceitação a beneficio de inventario (2071º/1)  só a herança responde pelas suas dividas e não os herdeiros. ou seja.http://apontamentosdireito. por força da morte de um individuo.atspace. trata-se da mesma massa patrimonial que pertence em bloco. globalmente. passam da titularidade deste para os herdeiros e legatários. Temos então 2 reflexos: a) património autónomo – só responde por certas dividas e não responde por outras. instituição da substituição de uma coisa que se perdeu por força de um acto ou facto jurídico que simultaneamente implicou a aquisição de um valor ou pondo esse novo valor o lugar do anterior como novo objecto da mesma relação jurídica que já existia.

o comproprietário possa dispor de toda a sua quota na comunhão ou de parte dela – 1408º. morte natural de um animal) ou porque a sua eventual voluntariedade não tem qualquer relevância jurídica (exemplo o nascimento).A temos a necessidade de consentimento dos cônjuges na alienação ou oneração de bens móveis e imóveis de forma a garantir a estabilidade no casamento. O BGB chama-lhe “Gemeirsahaft zur gesanten tand”. Daí. podendo exigir a divisão da coisa comum – 1412º. ou seja. quando duas ou mais pessoas são simultaneamente titulares do direito de propriedade sobre a mesma coisa – 1403º/1.http://apontamentosdireito. produtor de efeitos jurídicos / contrario de factos ajuridicos que são factos da vida real irrelevantes ou indiferentes ao qual a ordem jurídica não liga quaisquer consequências (exemplo. um convite para um passeio). exemplo testamento ou contrato. quer a comunhão de adquiridos). Trata-se de uma comunhão por quotas ideias. também. refira-se que a menção mencionada no 1969º só é possível de execução quando se processa à extinção da comunhão conjugal. 73 . o património colectivo é. ou porque resultam de causas de ordem natural (exemplo. Factos jurídicos involuntários ou naturais: são estranhos a qualquer processo volitivo. O BGB chama-lhe “Bruchteilegemeinschaf” (comunhão segundo quotas). quanto à responsabilidade de dívidas de um dos cônjuges temos 1696º. Daí que ao contrário do património colectivo. A forma que se conhece no nosso direito de um património colectivo é o da comunhão conjugal (quer a comunhão geral de bens.atspace. Classificação dos factos jurídicos: a) Factos jurídicos voluntários e involuntários: factos jurídicos voluntários ou actos jurídicos são os factos jurídicos resultantes da manifestação ou actuação da vontade humana enquanto elemento juridicamente relevante. assim. em que cada proprietário tem direito a uma quota ideal ou fracção do objecto comum – 1403º/2.com/index. Nos artigos 1682º e 1681º . A compropriedade ou propriedade comum: figura de raiz Romanística. # O facto jurídico: Noção: é todo o acto humano ou acontecimento natural juridicamente relevante.html B) requerer a divisão enquanto não terminar a causa geradora do surgimento do património colectivo. Quanto às dívidas da responsabilidade de ambos os conjugues temos o artigo 1695º. determinado por uma causa ou fim. que o comproprietário não seja obrigado a permanecer na indivisão . com a extinção do casamento ou através da separação de bens entre os cônjuges.

ou seja. com omissão de um dever de cuidado ou diligencia. Negócios jurídicos: são factos voluntários cujo núcleo essencial é integrado por uma ou mais declarações de vontade tendentes a produzir determinados efeitos jurídicos que coincidem ou tendencialmente coincidem com a vontade das partes os efeitos dos negócios jurídicos produzem-se ex voluntate exemplo. com intenção de provocar esse resultado.http://apontamentosdireito. Actos jurídicos: são factos voluntários cujos efeitos se produzem mesmo que não tenham sido previstos ou queridos pelos seus autores. Os efeitos dos simples actos jurídicos produzem-se ex lege. estabelecimento do domicilio – 82ºss. actos reais (“realakten”) ou actos exteriores. Exemplo: ocupação de animais bravos (caça e pesca)ou de animais e coisas moveis perdidas – 1318º.com/index. interpelação do devedor – 805º/1. Também são designados por actos materiais. Ilícito negocial: resulta da violação da parte de um devedor de uma obrigação. 74 . Factos ilícitos negociais e extranegociais: falamos de ilícitos civis: violam interesses particulares / contrário de ilícitos penais que violam interesses gerais da comunidade.atspace. Bastante importante saber para efeitos da responsabilidade civil  artigo 494º. Quase – delitos  é praticado com negligência. ocupação de animais bravios – 1318º. ou seja. embora muitas vezes haja concordância entre a vontade destes e os referidos efeitos. exemplo. visto que o ilícito contratual existe tanto quando não se cumpre uma obrigação resultante de um contrato. Porquê ilícito negocial ou extranegocial e não contratual ou extracontratual? É mais rigoroso desta forma. Factos jurídicos ilícitos: facto contrário à ordem jurídica e por ela reprovados e sancionados. Quase negócios jurídicos e operações jurídicas: distinção feita dentro dos simples actos jurídicos. Delitos e quase-delitos civis: delito é o mesmo que acto ilícito. perante um certo credor resultante normalmente de um contrato.html b) c) d) e) f) Factos jurídicos lícitos e ilícitos: trata-se de uma classificação dos factos jurídicos voluntários ou actos jurídicos. Ilícito extranegocial: resulta da violação de um dever geral de abstenção que se impunha perante um direito absoluto. Negócios jurídicos e simples actos jurídicos: estamos no domínio dos factos jurídicos voluntários. Operações jurídicas: traduzem-se na efectivação ou realização de um resultado material ou factual a que a lei liga determinados efeitos jurídicos. interpelação do devedor – 805º/1. contratos. Delito é praticado com dolo. como da violação resultante de um negócio unilateral. factos jurídicos lícitos: facto conforme a ordem jurídica e por ela tutelado ou garantido. Quase-negócios jurídicos ou actos jurídicos quase negociais: traduzem-se na manifestação exterior de uma vontade (exemplo.

exemplo. Constitutiva: o direito que se adquire tem um conteúdo ou extensão inferior ao direito anterior. Toda a constituição implica a sua aquisição. é a criação de um direito que não existia anteriormente.http://apontamentosdireito. Exemplo. o direito que se adquire é menos extenso que o direito anterior. Diz-se que o sujeito adquire um direito. que poderá até não existir. aquisição derivada translativa.html Efeitos dos factos jurídicos: os factos jurídicos desencadeiam determinados efeitos que consistem que consistem fundamentalmente numa aquisição. tendo apenas uma fracção. Constituição de direitos: é o aparecimento de um direito pela primeira vez na ordem jurídica. ocupação de coisas moveis  1318º seguintes. c) Modalidades de aquisição derivada: translativa. quando esse direito se a liga a esse sujeito. só poderá transferir essa fracção. no caso de caça e pesca 1319º nem sequer há um direito anterior e em todos eles o direito do adquirente não foi adquirido por causa do direito anterior. Exemplo: usucapião  1287º seguintes. O direito que se adquire é o mesmo que estava na esfera jurídica do transmitente (compra e venda. (2) conteúdo (se na compra e venda o vendedor tinha um direito mas apenas o de usufruto este não pode transferir um direito mais amplo que não tem. a) Noçao: é a ligação de um direito a um determinado sujeito. Aquisição originária: aquisição em que o direito que se adquire depende apenas do facto aquisitivo (facto jurídico que o fez nascer). como tal não pode ter um objecto mais vasto do que o direito anterior). Aquisição de direitos: pensamos no lado activo da relação jurídica. modificação ou extinção de relações jurídicas. Aquisição de direitos e constituição de direitos são duas coisas diferentes. aquisição de propriedade através do contrato de compra e venda.com/index. b) Aquisição originária e aquisição derivada: Aquisição derivada: aquisição em que o direito que se adquire depende não só do facto aquisitivo mas também do direito anterior. Existe uma tripla dependência  (1) existência (o direito tem de existir). (3) objecto ou área de incidência (imagine-se que o alienante era apenas comproprietário. constitutiva e restitutiva: Translativa: o direito que se adquire tem exactamente o mesmo conteúdo ou extensão do direito anterior. Mas nem toda a aquisição envolve a constituição de direitos exemplo. por exemplo).atspace. 75 . mas apenas dele. visto não haverem direitos sem sujeito. não dependendo da existência ou da extensão de um direito anterior. o proprietário de um prédio constituir um usufruto a favor de outrem.

html Restitutiva: o titular de um direito real limitado demite-se dele. como às dívidas. Podemos utilizar sucessão num sentido amplo (tanto mortis causa como intervivos) e aí o titular anterior do direito designa-se por autor. No entanto. As dívidas não se adquirem. a) Instituto do registo predial e registos similares: as pessoas devem inscrever. d) Distinção entre aquisição derivada e sucessão: Sucessão: é o subingresso de alguém num direito de outrém. É esta a regra fundamental da aquisição derivada. na aquisição derivada a extensão do direito do adquirente depende do conteúdo do facto aquisitivo e depende ainda da amplitude do direito do transmitente. ou seja. Mas frequentemente utiliza-se sucessão num sentido estrito. O nosso registo predial é: 76 .http://apontamentosdireito. coincide apenas com a aquisição derivada translativa. a destruição de um usufruto. Logo se A vende a B uma coisa da qual não era proprietário esse acto é nulo com fundamento legal no artigo 892º e ss  venda de coisa alheia. situações em que o adquirente pode obter um direito que não pertencia ao transmitente ou é mais amplo do que aquele que pertencia a esse mesmo transmitente.atspace. Quando falamos em sucessão referimo-nos aos direitos e também às dívidas. designando apenas a sucessão mortis causa aí o autor da sucessão é designado por hereditando ou de cuius e os sucessores ou causados por herdeiro ou legatário conforme sucedam na totalidade ou numa quota do património ou em bens ou valores determinados. f)Importância da distinção entre aquisição derivada e aquisição originária: enquanto que na aquisição originária a extensão do direito adquirido depende apenas do facto ou titulo aquisitivo. tal como a sucessão refere-se tanto aos direitos. e) A transmissão de direitos: A transmissão de direitos equivale à aquisição derivada translativa. deixando de estar comprimido. num sentido amplo pode-se utilizar a expressão transmissão de direitos para qualquer forma de aquisição derivada. No entanto.com/index. segundo a velha máxima nemo pluris iuris in alium transferre potest quam ipse habet (ninguém pode transferir para outrem mais direitos de que o próprio tem). não podendo este transmitir mais direitos do que os que tem. A transmissão. antecessor ou causante e o adquirente por sucessor ou causado. retoma a dimensão inicial. com o fim de lhes dar publicidade os diversos actos inerentes a bens imóveis e outros bens indicados. passando a ser um direito de propriedade pleno novamente. mas sim assumem-se daí a epigrafe do artigo 595º. este principio comporta excepções. exemplo. enquanto a aquisição rigorosamente só diz respeito a direitos. restituindo-se o direito à sua plenitude inicial.

Mas quem são os terceiros para efeitos de registo predial? Trata-se de uma noção que até aos anos 60 era bastante pacifica na nossa jurisprudência e na nossa doutrina. ii. Um registo de aquisições (não de pessoas como é o caso do registo civil). há uma excepção ao princípio do nemo plus iuris. Quem não fosse o proprietário segundo 77 . aplica-se a regra da prioridade do registo. é mera condição de eficácia da aquisição e não condição da sua validade como acontece com os registos constitutivos caso do Alemão. embora A já não seja proprietário do bem. defendida por Manuel de Andrade. estes efeitos não se poderão opôr a terceiros quando não haja tal aquisição sido registada (“os factos sujeitos a registo só produzem efeitos contra terceiros depois da data do registo”). potior in iure. Algo que permanece até aos nossos dias. É a chamada estrutura da aquisição triangular. É declarativo. e o regista. 291º) 3Efeito central do registo: artigo 4º. art. não se aplica a regra da prioridade ou prevalência da transmissão mas a regra da prioridade do registo.atspace. A aquisição sem registo não deixa de ser válida e enquanto não há registo prevalece inteiramente a primeira aquisição de acordo com a regra prior in tempore. iii. se verifica uma situação de aquisição a non domino (aquisição de um bem que já não era titulado por A) – logo.com/index. mas que se viu a partir desses mesmos anos (60) bastante conturbada. É facultativo: a sua inobservância não é uma infracção de um dever. se B adquire um bem sujeito a registo mas não o regista e C adquire o mesmo bem (sendo C terceiro para efeitos de registo). 2Efeitos laterais do registo: todos os previstos na lei independentemente dos outros dois efeitos (ex. mas apenas a inobservância de um simples ónus do adquirente. embora a aquisição produza efeitos inter partes.html i. Escola de Coimbra. e não da aquisição do direito sobre o bem. Do registo decorrem três tipos de efeitos: 1Efeito imediato ou automático do registo: é a presunção de titularidade do direito.http://apontamentosdireito. quanto aos bens sujeitos a registo. de modo que. Assim. 5º e 6º do código de registo predial  enquanto não for registado. Mota Pinto e Orlando de Carvalho diz que terceiros para efeitos de registo são os que do mesmo autor ou transmitente adquirem sobre o mesmo bem direitos total ou parcialmente incompatíveis ou conflituantes. já que apenas poderá haver um proprietário. só fugindo a isto a constituição de hipoteca em que o registo é constitutivo e como tal condição de validade. A--------------B C Assim.

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a regra do nemus pluris iuris nada podia transmitir e como tal quem com ele contratou nada poderá obter. Pois quem adquiriu a domino, ainda que não tenha registado é sempre preferido a quem adquire a non domino. Pressupõe-se, assim, que o transmitente é o mesmo, segundo este esquema.

A

B (nr)

C (r) Fora isto, nada mais se exige para a inoponibilidade a terceiros, nem se a aquisição é intervivos ou mortis causa, nem se a aquisição é gratuita ou onerosa, nem se o registo é feito com o conhecimento de aquisição conflituante não inscrita ou com o desconhecimento da mesma. A posição da Escola de Lisboa defendida por Oliveira Ascensão e por Meneses Cordeiro é mais restritiva. Para estes, terceiros para efeitos de registo são apenas os que adquirem a título oneroso e de boa fé, ou seja, com o desconhecimento da aquisição conflituante. Doutor Orlando de Carvalho e Doutor Mota Pinto consideram esta restrição inadmissível e subversiva da função do registo e a segurança que o mesmo trás ao tráfego jurídico. No que diz respeito à boa fé e defendido que tal traria o caos à segurança que se pretende no comércio jurídico, trazendo ao adquirente delongas, incertezas e gastos tendentes a provar que desconhecia uma alienação anterior. Má fé psicológica que é algo, muito difícil de provar. No que diz respeito à onerosidade da aquisição o Doutor Orlando de Carvalho diz-nos que não tem aqui qualquer sentido pois não tem qualquer relevo no quadro da oponibilidade dos direitos. No que diz respeito à jurisprudência acerca deste assunto nos tempos mais próximos, o acórdão de fixação de jurisprudência de 15/ 97 de 4 Julho do STJ veio sustentar a posição de Coimbra, no entanto o acórdão de 8/99 de 10 Julho modificou as coisas e consolidou a posição da escola de Lisboa com a exigência da boa-fé.

b)

Regra geral da protecção de terceiros contra qualquer invalidade (nulidades e anulabilidades) artigo 291º  este artigo estabelece um regime de inoponibilidade da nulidade e anulação de negócios jurídicos anteriores com base nos seguintes pressupostos cumulativos: i. Estejam em causa bens imóveis ou bens móveis sujeitos a registo; ii. Onerosidade da aquisição; iii. Ser terceiro, são terceiros aqueles que inseridos numa mesma cadeia de transmissões linear e sucessiva, vêm a sua aquisição afectada por um vício de um negócio precedente (não pode haver invalidade própria);

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c)

iv. Haja boa fé, sendo a boa fé determinada no nº3 do artigo 291º, como ignorância não culposa das causas de invalidade dos actos anteriores à aquisição do direito pelo terceiro, ou seja, tem de haver um desconhecimento efectivo no momento da sua aquisição; v. Ser um negócio nulo ou anulável – só funciona contra causas de invalidade; vi. A aquisição ter de ser registada antes do registo da acção  efeitos laterais do registo; vii. A posição do terceiro só se consolida após 3 anos (espécie de quarentena) do decurso do negócio inválido 291º/2 (se for numa cadeia9 conta o ultimo negocio invalido) Embora no caso da anulabilidade há sanção pelo decurso do tempo 287º/1. Regra especial de protecção de terceiros contra nulidade decorrente de simulação  artigo 243º, como resulta do artigo 240º os negócios simulados são nulos. No entanto o artigo 243º/1 vem estabelecer um regime de inoponibilidade desta nulidade com base numa simulação, desde que se preencham dois requisitos cumulativos: a. Ser terceiro. Inicialmente o Doutor Orlando de Carvalho defendia a mesma definição de terceiros do artigo 291º. Autores da Escola de Coimbra como o Doutor Manuel de Andrade e como Doutor Mota Pinto defendiam que terceiros não seriam apenas os defendidos por Orlando de Carvalho, mas todos os que vissem a sua posição jurídica afectada pela simulação (a que não sejam os próprios simuladores ou os herdeiros após a morte). O Doutor Orlando de Carvalho, nos últimos escritos, antes da sua morte parece ter evoluído para esta concepção de terceiros para efeitos do artigo 241º defendida pelos restantes autores da Escola de Coimbra; b. Esteja de boa fé  o artigo 243º/2 , este só fala em ignorância da simulação e não em desconhecimento sem culpa como vem no artigo 291º/3, ou seja, haverá boa fé, ainda que com culpa do terceiro, ou seja, se houver possibilidade de ele conhecer. Aqui a má fé superveniente não releva pois o momento considerado é o da aquisição dos direitos 243º/2. Embora se considere sempre má fé a aquisição por parte de terceiro após o registo da acção de simulação  243º/3.

ANEXO: Coloca-se o problema de se saber se a simulação é inoponivel só aos terceiros de boa fé prejudicados com a invalidação do negócio, ou seja, aos que
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No caso: A (vicio)  B (vicio)  C D(boa fé) E (má fé). Orlando de Carvalho entende que se na cadeia um dos adquirentes estivesse protegido os seus sucessivos adquirentes também o estavam, beneficiando derivadamente da protecção  protecção intercorrente de terceiros na cadeia. Dr. Pinto Monteiro tem grandes dúvidas, sobretudo quando o ulterior adquirente está de má fé beneficiando de um mecanismo alheio, apesar da sua convicção psicológica contraria à lei.

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com isso sofriam uma perda, ou também aos terceiros que deixam de lucrar com a invalidação do negócio. Corrente mais ampla defendida por Pires de Lima, Antunes Varela, Castro Mendes, Vaz Serra, dizem que terceiros são também os que deixam de lucrar com a invalidação do negócio. Baseiam-se na letra da lei, visto que o artigo 243º/1 nada diz e num elemento histórico visto o anteprojecto conter essa restrição e o texto definitivo nada dizer. Corrente mais restritiva defendida por Mota Pinto, Manuel de Andrade diz que será apenas inoponivel aos terceiros que, com a invalidação do negócio sofram prejuízos. Invocam para isso o elemento racional, atendendo ao fim do artigo 243º (que é de proteger a confiança de terceiros) optam por uma solução mais justa que será a de impedir a invocação da simulação que causa prejuízos e já não a que origina vantagens ou lucros (exemplo, no caso de uma venda por 100 em que se declarou simuladamente 30, não pode invocar a sua qualidade de terceiro de boa fé para preferir pelo preço declarado é-lhe oponível a nulidade ,sendo admitido a preferir pelo preço real. (ver melhor isto) Modificações de direitos: Noção: tem lugar quando alterado ou mudado um elemento de um direito, permanece a identidade do referido direito apesar da alteração ocorrida. Esta perduração significa que o ordenamento jurídico continua a tratar o direito como se não tivesse existido uma alteração  o direito é o mesmo. Modalidades: Modificação subjectiva: 10 - há uma substituição dos sujeitos na titularidade do direito, permanecendo a identidade objectiva do direito. Há uma sucessão no direito. Exemplo, é o que acontece na cessão e na sub-rogação nos créditos – 577º ss e 589º ss; pode ainda resultar de uma multiplicação dos sujeitos por adjunção (um novo devedor assume a obrigação para com o credor mas o devedor anterior permanece vinculado); Modificação objectiva: há uma modificação no conteúdo ou no objecto do direito permanecendo o direito idêntico. Exemplo, modificação do conteúdo: concedido pelo credor uma prorrogação do prazo para o cumprimento. Modificação do objecto: o devedor não cumprindo culposamente a obrigação o seu dever de prestar é substituído por um dever de indemnizar. Extinção de direitos: Noção: tem lugar quando um direito deixa de existir na esfera jurídica de uma pessoa, extinção subjectiva ou perda de direitos: se o direito sobrevive em si,
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Por substituição: quando o sujeito activo se substitui outro; Multiplicação: a um sujeito activo se substituem vários; Concentração: a vários sujeitos activos sucede um único.

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o artigo 1786º. mais do que propriamente com objectivos de justiça. Por seu turno a prescrição se interrompe pela citação ou notificação judicial  323º. Conceito e importância do negocio jurídico: a.com/index. d) A caducidade só é impedida. em princípio. enquanto que a prescrição tem de ser invocada. c) A caducidade. exemplo a destruição do objecto do direito. ao contrário da prescrição que se suspende e interrompe nos casos previstos na lei  318º ss e 323º ss. Tem a ver com objectivos de conveniência ou oportunidade social e mesmo de segurança e exigibilidade. havendo prazos mais curtos para as chamadas prescrições presuntivas. b) A caducidade é apreciada oficiosamente pelo tribunal  artigo 333º. a) A prescrição extintiva é inderrogável como resulta do artigo 300º. o direito extingiu-se para aquele sujeito mas subsiste na esfera jurídica de outrem. 319º.html apenas mudando a pessoa do seu titular.http://apontamentosdireito. a)Modalidades particulares da extinção de direitos:  Prescrição extintiva: extinção de um direito que pode não ser acompanhado pela aquisição correspondente. art. cujo conteúdo essencial e constituído por uma ou mais declarações de vontade dirigidas a 81 . não comporta causas de suspensão nem de interrupção artigo 328º. não podendo o tribunal oficiosamente supri-la  artigo 303º. ou seja. em princípio. Negocio jurídico – facto voluntário. existem prazos processuais. Extinção objectiva: se o direito desaparece. prevendo a lei para certas hipóteses uma prescrição de cinco anos  art. a justiça não lhe é estranha já que há a ponderação de uma inércia negligente do titular do direito em exercita-lo o que faz presumir uma renuncia ou pelo menos o torna indigno da certeza e segurança. Enquanto que na caducidade não vem previstos na lei prazos normais. Diferenças entre prescrição extintiva e caducidade: quando um direito deva ser exercido durante certo prazo aplicam-se as regras da caducidade. e) O prazo ordinário da prescrição 20 anos. Acontece sempre que tem lugar a uma sucessão.atspace. enquanto que se admitem estipulações convencionais acerca da caducidade artigo 330º. salvo se a lei se referir expressamente à prescrição – artigo 298º/2. embora o reconhecimento do direito contra quem deve ser exigido também impede a caducidade. mas normalmente tem um carácter substantivo com amplitudes muito variáveis  exemplo. No entanto. pela prática do acto  331. deixando de existir para o seu titular ou para qualquer outra pessoa. Conceito e elementos dos negócios jurídicos I. Prescrição aquisitiva ou usucapião: ao contrario da prescrição extintiva aqui adquirem-se direitos reais. se fundam numa presunção do cumprimento. 310. licito.

Critica: tal como esta doutrina define o negócio jurídico este não se distingue de outros actos que não são negócios jurídicos que se fiam na honorabilidade das partes. mas que estão II.html realização de certos efeitos práticos com a intenção de os alcançar sob tutela do direito e em que o ordenamento jurídico atribui efeitos jurídicos correspondentes. exemplo um convite para jantar. Se esta doutrina fosse verdade só os juristas completamente informados sobre o ordenamento poderiam celebrar negócios jurídicos. não bastando provarse que as partes não consideraram o ponto ou até não teriam querido aquele regime.atspace. a. Por falta de intenção de efeitos jurídicos temos de distinguir os negócios jurídicos dos chamados negócios de pura obsequiosidade. Tem. não se dirigindo apenas a efeitos práticos. Natureza jurídica – diz respeito à relação que deve existir entre a vontade dos seus autores e os efeitos produzidos pela ordem jurídica. Só que aqui não há uma representação completa dos efeitos jurídicos correspondentes aquela vontade de efeitos práticos.http://apontamentosdireito. determinados. 82 . ii. A sua importância prende-se com o facto de ser o instrumento principal de realização do princípio da autonomia da vontade.com/index. Teoria dos efeitos práticos jurídicos: trata-se do ponto de vista correcto. como tal. basta uma representação global. fazendo a lei corresponder a esses efeitos práticos. Teoria dos efeitos práticos: basta que a declaração se dirija a certos efeitos práticos ou empíricos sem carácter ilícito. As partes dos vários negócios não tem uma ideia completa e exacta de todos os efeitos que o ordenamento jurídico atribui as suas declarações de vontade. em geral em conformidade com a intenção manifestada pelo declarante ou declarantes. (exemplo. também uma vontade de efeitos jurídicos. b. exacta e completa correspondência entre o conteúdo da vontade das partes e os efeitos jurídicos produzidos tais como a lei os determina. pratica dos efeitos jurídicos imediatos e fundamentais. Teoria dos efeitos jurídicos: deve haver. c. efeitos jurídicos concordantes. Os próprios efeitos derivados de normas supletivas resultariam da tacita vontade das partes. Quem realiza negócios jurídicos visa certos resultados práticos ou materiais e quere-os realizar por via jurídica. Criticas: i. empréstimo de honra). um dos princípios fundamentais do nosso direito civil. As normas supletivas só deixam de se aplicar quando uma vontade real contaria for manifestada. Por falta de vontade de efeitos jurídicos há ainda que distinguir os negócios jurídicos dos chamados “gentlments agreement´s”  convenções sob matéria que é normalmente objecto de matéria de negócios jurídicos.

Contratos ou negócios jurídicos bilaterais: há duas ou mais declarações de vontade.gozo esse que é temporário (diferente de compra e venda) 3. segundo a sistematização tradicional. idoneidade do objecto jurídico  artigo 280º. exemplo locação artigo 1022º ss. Acidentais: são as cláusulas acessórias dos negócios jurídicos.obrigação da outra parte pagar a correspondente retribuição (diferente do comodato). no caso de intenção de efeitos jurídicos. em que temos 1. uma oferta ou proposta e a aceitação que se concilia num consenso. dos sujeitos e do conteúdo. exemplo artigo 885º. Classificação dos negócios jurídicos: 1. falamos da declaração. b) Vigora o princípio da tipicidade ou do numerus clausus.obrigação de proporcionar à outra parte o solo de cada coisa 2. Essenciais: podem ser aqueles relativos à existência do negócio jurídico.com/index. de conteúdo oposto mas convergente com a pretensão de um resultado jurídico unitário. 83 . Podemos falar ainda de elementos essenciais no sentido dos elementos essenciais de cada negócio típico ou inominado. sem os quais o mesmo não chegaria a ter existência material. A eficácia do negócio não careceu de concordância de outrem.atspace.Elementos dos negócios jurídicos: 1.http://apontamentosdireito. assim. Ainda. Naturais: são os efeitos negociais derivados de disposições legais supletivas. exemplo um empréstimo de honra.html desprovidos. sendo apenas admitidos os negócios que estiverem especificamente previstos na lei artigo 457º. Falamos da capacidade das partes e da sua legitimidade. que considera essenciais os requisitos ou condições gerais de validade de qualquer negócio. procuração feita por duas pessoas a favor de um mesmo advogado). a declaração de vontade sem vícios. III. 2. Elas não caracterizam o tipo negocial em abstracto mas tornam-se imprescindíveis para que o negócio concreto produza os efeitos a que elas tendem. testamento) ou varias declarações de vontade paralelas formando um só grupo (exemplo. Unilaterais e bilaterais: a. exemplo cláusula de juros. Há. b. Características do regime dos negócios unilaterais: a) É desnecessária a anuência da contraparte. Não é necessário que as partes configurem qualquer clausula para a produção destes efeitos. 3. Unilaterais: há uma só declaração de vontade (exemplo. São as características próprias de cada modalidade negocial.

com/index.  Contratos bilaterais ou sinalagmáticos: geram obrigações para ambas as partes. exemplo denuncia do arrendamento. exemplo testamento. Doutrina da percepção: o contrato só está perfeito quando o proponente tomou conhecimento efectivo da aceitação. Importância: 84 . Doutrina da expedição: o contrato está perfeito quando o destinatário expediu por qualquer meio a sua aceitação. que resulta de lesão do interesse contratual negativo. responsabilidade essa ainda hoje admitida no artigo 227º.atspace. obrigações ligadas entre si por um nexo de causalidade ou correspectividade (exemplo. (É o chamado dano da confiança. já que cada uma das declarações é emitida em vista do acordo. b) A proposta de contrato é irrevogável depois de chegar ao conhecimento do destinatário artigo 230º. compra e venda). visto que o mesmo é integrado por duas declarações de vontade: i. iv. Doutrina da recepção: o contrato está perfeito quando a resposta contendo a aceitação chega à esfera de acção do proponente. O artigo 224º vai consagrar no nosso direito a doutrina da recepção. embora o proponente que se retractasse incorresse em responsabilidade pré-contratual. Doutrina da aceitação: o contrato está perfeito quando o destinatário da proposta declarou aceitar a oferta que lhe foi feita.http://apontamentosdireito. ii. doação).html c) É importante distinguir entre negócios unilaterais receptícios – a declaração só é eficaz se for e quando for levada ao conhecimento de certa pessoa. Dentro dos contratos há que distinguir entre:  Contratos unilaterais: geram obrigações apenas para uma parte (exemplo. Características do regime dos negócios bilaterais: a) Não se trata de dois negócios unilaterais. Negócios jurídicos não recepticios – basta a emissão da declaração sem ser necessária comunica-la a quem quer que seja. iii. c) Coloca-se o problema de saber qual o momento da sua perfeição. artigo 1055º. mantendo-se durante os lapsos de tempo referidos no artigo 228º (diferente do código de 1867) em que a proposta era revogável. devendo-se colocar o lesado na situação em que estaria se não tem chegado a depositar uma confiança que foi frustrada na celebração de um contrato válido e eficaz).

o acatamento de determinados formalismos ou de determinadas solenidades e. 85 . As disposições a favor de terceiros feitas pelos esposados são negócios mortis causa se o terceiro não interveio na convenção antenupcial – artigo 1704º e serão negócios híbridos se ele interveio como aceitante – artigo 1705º.atspace. as disposições a favor de um dos esposados feitas pelo outro ou por terceiro são negócios híbridos ou mistos já que têm características de negócio mortis causa já que só se verifica transferência de bens depois da morte. Exemplo: mandato e o depósito gratuitos – artigo 1157º e ss e artigos 1185º e ss. As doações por morte são. Negócios consensuais ou não solenes e negócios formais ou solenes: Formais ou solenes: aqueles para os quais a lei prescreve a necessidade de observância de determinada forma.O testamento é claramente um negócio mortis causa. nestes há inicialmente apenas obrigações para uma das partes. Estes são objecto de uma conversão legal em disposições testamentarias – 946º/2. Certos pactos sucessórios contidos em convenções antenupciais são válidos – artigo 1700º. Em relação a estes.Inter vivos: destinam-se a produzir efeitos em vida das partes.Mortis causa: destinam-se a produzir efeitos depois da morte do declarante ou depois da morte de alguma das partes (exemplo. algo que é típico dos negócios inter vivos – artigo 1701º.com/index. em virtude do cumprimento das primeiras e em dados termos. . em principio nulas – artigo 946º como quaisquer outros pactos ou contratos sucessórios – 2028º/2. no entanto há uma restrição de poderes feita ao disponente. Autores falam dos contratos bilaterais imperfeitos. Características: 1. 1140º e 1150º. Negócios inter vivos e mortis causa: . trata-se da generalidade dos negócios jurídicos. 428º.http://apontamentosdireito. sem o qual o negócio jurídico é invalido – artigo 220º. b) A faculdade de resolução com fundamento em impossibilidade de cumprimento ou mora existe nos contratos bilaterais (condição resolutiva tácita) 801º/2 e pode também ter lugar em alguns contratos unilaterais exemplo arts. 2.html a) Só nos contratos bilaterais há excepção de não cumprimento do contrato.Nos negócios mortis causa há uma prevalência dos interesses do declarante sobre o interesse na protecção da confiança do declaratário. Nestes contratos não há excepção de não cumprimento do contrato e também não há condição resolutiva tácita. testamento). ao contrário dos negócios inter vivos em que há uma tutela das expectativas da parte que se encontra em face da declaração negocial. surgindo eventualmente mais tarde obrigações para a outra parte.

familiares e sucessórios: o critério desta classificação diz respeito à natureza da relação jurídica constituída. O principio geral do nosso código em matéria de formalismo negocial é o da liberdade declarativa ou liberdade de forma (artigo 219º). convenções antenupciais). Modalidades: a) Documento autêntico – artigo 363º/2: exemplo venda de imóveis (875º) b) Documento autenticado – artigo 363º/3: em que há confirmação de determinado negócio jurídico através do notário c) Documento particular – artigo 363º/2 (2ª parte) : exemplo contrato promessa (artigo 410º/2) Negócios Reais quanto à constituição e quanto aos efeitos: São aqueles negócios em que se exige. Nos negócios obrigacionais: é neste domínio em que mais se afirma o princípio da liberdade negocial quanto aos contratos. 86 . Negócios obrigacionais. Nos negócios familiares pessoais: a liberdade contratual está praticamente excluída. adopção). modificada ou extinta pelo negócio jurídico.html Não solenes: aqueles em que a validade do negócio jurídico não está dependente de qualquer requisito formal. Forma: determinada figuração exterior permitida pela lei ou pela vontade comum das partes para a respectiva declaração de vontade. testamento). exemplo o depósito ou o mútuo. podendo ser realizado por qualquer comportamento (…). Nos negócios sucessórios o princípio da liberdade contratual sofre importantes restrições resultantes de algumas normas imperativas (exemplo.atspace.com/index. além das declarações de vontade das partes a prática anterior ou simultânea de um certo acto material de entrega de uma coisa como elemento da estrutura do negócio jurídico e não como efeito do contrato. no que respeita aos negócios unilaterais vigora o princípio da tipicidade 457º. embora com algumas restrições (exemplo. podendo os interessados celebrar ou não o negócio mas não podendo fixar-lhe livremente o conteúdo ou celebrar contratos diferentes dos previstos na lei: principio da tipicidade ou do numerous clausus (casamento. reais. Nos negócios reais o princípio da liberdade contratual sofre considerável limitação derivada do principio da tipicidade ou do numerous clausus – artigo 1306º. Nos negócios familiares patrimoniais: existe em maior escala a liberdade de convenção. Quanto nos casos excepcionais em que a lei prescrever uma certa forma e esta não for observada a declaração negocial é nula  artigo 220º.http://apontamentosdireito.

exemplo – compra e venda. assim. o que releva é a vontade ou intenção das partes.  Existem certas figuras negociais que se podem apresentar como onerosas ou gratuitas. uma atribuição patrimonial que considera retribuída ou contrabalançada pela atribuição da contraparte. o chamado animus donandi ou animus beneficiandi exemplo. modificação ou extinção de relações jurídicas de carácter pessoal. assim. segundo a perspectiva destas. exemplo.com/index. Aqui há o predomínio da vontade declarada sobre a vontade real. Cada uma das atribuições é a contrapartida da outra. a doação e depósitos gratuitos. com a intenção de proporcionar uma vantagem à outra parte. psicológica do declarante sobre a vontade declarada. Há o predomínio do princípio da liberdade contratual. cessão de créditos – 577º. já que objectivamente elas podem não ser equivalentes por várias razões. Neste domínio há o predomínio de normas imperativas.etc) A distinção tem como critério o conteúdo e finalidade do negócio Negócios onerosos ou a titulo oneroso: pressupõe atribuições patrimoniais de ambas as partes. 87 . assim. Há também um predomínio da vontade real. é.http://apontamentosdireito.html Negócios patrimoniais e negócios pessoais: o critério desta classificação é também o da natureza da relação jurídica a que o negócio se refere. Pessoais: resulta a constituição. um nexo ou relação de correspectividade entre as atribuições patrimoniais. mas entre uma prestação contemporânea (entrega do dinheiro para ser utilizado) e uma obrigação (a de restituir o capital e pagar os juros). uma avaliação subjectiva. Negócios onerosos e negócios gratuitos: Importância da distinção: manifesta-se. Actua-se. exemplo. modificação ou extinção de relações jurídicas de carácter patrimonial. como por exemplo o valor afectivo de um objecto ex: arrendamento : aluguer . Patrimoniais: resulta a constituição. também para a protecção do terceiro adquirente de boa fé contra qualquer invalidade de negócio jurídico anterior. Não é necessário um equilíbrio das atribuições patrimoniais consideradas pelo seu valor objectivo. Cada uma das partes faz.atspace. adopção. (artigo 291º. mutuo oneroso – artigo 1145º. Negócios gratuitos ou a titulo gratuito: uma das partes tem a intenção de efectuar uma atribuição patrimonial a favor de outra sem contrapartida ou correspectivo. é que aqui a correspectividade não se estabelece entre duas obrigações. A outra parte age com a consciência e vontade de receber essa vantagem sem proporcionar um sacrifício correspondente. casamento. ou seja. por exemplo em matéria de impugnação pauliana (artigo 612º). sem a pretensão de nenhum equivalente económico. avaliáveis em dinheiro. É possível a existência de contratos unilaterais onerosos (exemplo. existindo. de forma a tutelar a confiança do declaratário e também os interesses do trafico jurídico – artigo 236º/1.

aposta). seguro de incêndio). c) Pode haver duas prestações certas na sua existência. no entanto quando lícitos são fonte de obrigações naturais – artigo 1245º. No caso de limitação de poderes de alguém sobre o seu próprio património a lei considera deficiências físicas e 88 . de maior montante do que aquele (ex. 1967º e ss. b) Pode haver uma prestação certa e outra incerta. a uma possibilidade de ganhar ou perder.html Contratos comutativos e contratos aleatórios: trata-se de uma subdivisão dentro dos contratos onerosos.http://apontamentosdireito. Negócios de mera administração e negócios de disposição Utilidade desta distinção: há uma restrição. No entanto. a lei muitas vezes restringe os poderes de certas pessoas a actos de ordinária administração sem qualquer especificações. nem constituem fontes de obrigações civis. seguro de vida). inabilitações). artigos 1889º. Exemplo. Inabilitações – artigo 153º e 154º. dos poderes de gestão patrimonial dos administradores de bens alheios. fazendo uma enumeração de certos actos que são permitidos ou vedados ao administrador – exemplo. exceptuando-se as competições desportivas com relação às pessoas que nelas tomarem parte – 1246º e outras excepções previstas em legislação especial – artigo 1247º. no caso de administradores de bens alheios a lei atende à falta de interesse pessoal do administrador que o pode induzir a correr riscos que não correria se os bens fossem seus. Negócios parciários: são uma subespécie dos negócios onerosos. parceria pecuária – 1121º. Contrato pelo qual uma pessoa promete uma certa prestação em troca de uma participação nos proventos que a contraparte obtenha por força daquela prestação. ou até de bens próprios (ex. administração de bens – artigos 1922º. Por vezes a lei qualifica ela própria certos negócios jurídicos como actos de administração ordinária ou então de disposição. Veja-se o caso do artigo 1024º em que a lei qualifica como acto de administração ordinária a locação num prazo inferior a 6 anos. Quando a lei não esclarece através de uma definição ou de uma enumeração quais os actos que integram uma dada categoria teremos de nos guiar pelos interesses que estão em jogo e o sentido das normas que espelham esses mesmos interesses11. dar e recebe (…) Aleatórios: as partes submetem-se a uma álea. Comutativos: cada uma das partes sabe que esperar do efeito do contrato. a determinação de quem a realizará (exemplo. Pode haver: a) Uma só prestação dependendo de um facto incerto. mas uma delas incerta quanto ao momento da sua verificação e ao seu montante (ex. aos actos de mera administração ou de ordinária administração ex. ou de bens próprios e alheios.com/index. por força da lei ou de sentença. Outras vezes a lei concretiza.atspace. 1937º e 1938º. a uma sorte. 11 Assim. Os contratos de jogo e aposta não são contratos válidos. a um risco.

Capacidade negocial de gozo: susceptibilidade de um sujeito jurídico ser titular de direitos e obrigações derivados de negócios jurídicos. actos de mera administração são os correspondentes a uma gestão concedida e limitada. actos destinados a prover ao cultivo de uma terra nos termos usuais ao seu arrendamento). e) Doações: tratam-se de liberalidades de alienação sem contrapartida. actos de mera administração: a) Actos de conservação dos bens administrados: actos destinados a fazer quaisquer reparações necessárias nesses bens tentendes a evitar a sua deterioração ou destruição. nem todas as alienações onerosas são actos de disposição. assim. São. 89 . desde que não sejam feitos com os rendimentos existentes da administração: como é o caso da abertura de um poço ou cercar o muro a um prédio rústico sem qualquer necessidade disso. troca). que alteram a forma ou a composição desse capital administrado. Só o são as que afectam a substância dos bens (ex.html Assim.com/index. São. Gera. São.atspace. constituição de uma servidão de passagem).Capacidade e legitimidade: são requisitos gerais de validade dos negócios jurídicos. que assim se vêm impedidos de realizar determinados negócios jurídicos. actos de disposição: a)Actos de frutificação anormal: como é o caso da transformação de um Pinhal em Vinha. c) As alienações onerosas: actos que envolvem a transferência da propriedade para outrem (compra e venda.http://apontamentosdireito. dirigida a manter o património e a aproveitar as suas virtualidades normais de desenvolvimento. com exclusão dos actos arriscados (que podem originar grandes lucros e também prejuízos elevados) que afectam a substancia dos bens. assim. # Elementos essenciais do negócio jurídico: I. os actos que correspondem a uma actuação prudente. mentais que implicam alta probabilidade de a pessoa concluir negócios muito prejudiciais para os seus próprios interesses. Actos de disposição são os actos que afectam a substância da património administrado. não é acto de disposição o corte e venda de 20 pinheiros secos que nada estavam a fazer no pinhal). utrapassando os parâmetros de uma actuação prudente e comedida. No entanto. d) Onerações: trata-se da imposição de um ónus real sobre um determinado prédio (ex. assim. que atingem a raiz dos bens. Constitui a regra geral e contrapõe-se-lhe a incapacidade negocial de gozo – proibição absoluta de titularidade de tais relações. b) Actos tendentes a prover à frutificação normal: essa frutificação é a pelo modo habitual para os bens administrados (ex. b) Actos tendentes a prover ao melhoramento do património administrado. dirigida a certas pessoas – os incapazes.

b) A vontade – elemento interno. daí que a nossa lei dê prioridade ao elemento objectivo – ao comportamento exteriorizado pelo declarante do que a sua vontade psicológica. contrapõe-se-lhe a incapacidade negocial de exercício: impedimento ou proibição não absoluto de realizar determinados negócios jurídicos. de tal forma que o sujeito não pode afectar esse direito ou obrigação. o revela e traduz sendo a vontade negocial: a intenção de realizar certos efeitos práticos com ânimo de que sejam juridicamente tutelados e vinculantes pela ordem jurídica. em regra. Dá-se aqui claramente um conceito objectivista de declaração negocial. mas num elemento exterior no comportamento declarativo. Ora. Neste sentido claramente o Doutor Mota Pinto.http://apontamentosdireito.atspace. ou em todo o caso.Declaração negocial: A) Noções gerais: é um elemento integrante do negócio jurídico. Haverá ilegitimidade negocial: quando falta essa relação face ao objecto que é detida por terceiro. na realidade volitiva que normalmente existirá e coincidirá com o sentido objectivo da declaração. em geral por ser titular dos interesses cuja modelação é visada pelo negócio.com/index. uma anulabilidade e é suprível pelos institutos da representação ou assistência. II. Gera. A função da declaração negocial consiste em exteriorizar a vontade psicológica do declarante e torná-la cognoscível para o declaratário. hoje o direito civil coloca na sua primeira linha de protecção as expectativas dos declaratários e a segurança do comércio jurídico. sendo a sua nota principal não um elemento interior como a vontade efectiva ou psicológica. uma nulidade e é insuprível pela representação legal ou pela assistência.  Elementos constitutivos: a) A declaração propriamente dita: elemento externo. conduzindo a sua falta à inexistência material do negócio. o Doutor Manuel Andrade e o Doutor Capelo de Sousa.html em regra. Legitimidade: relação existente entre o sujeito e o objecto do negócio que justifica que o primeiro se ocupe juridicamente do objecto. por actividade própria ou através de um representante voluntário. A regra geral é a de que um maior de 18 anos tem capacidade de exercício. consiste no comportamento declarativo. convenção dos interessados ou até de disposição legal apareça como destinado a exteriorizar um certo conteúdo de vontade negocial. Esta vontade real pode decompor-se em três subelementos: 90 . cujo interesse a lei protege. Capacidade negocial de exercício: aptidão para celebrar.  Declaração negocial: é o comportamento de uma pessoa (por palavras escritas ou faladas ou até sinais) que segundo os usos da vida. modificar ou extinguir negócios jurídicos. O código civil regula a declaração negocial nos artigos 217º e ss. consiste no querer concreto.

ou prédio é o nº20 e por lapso enagana-se a escrever ou falar e sai-lhe quinta da regaleira nº30. Trata-se de uma dedução de facto que com toda a probabilidade revela essa declaração negocial (217º/1). A distinção consagrada na lei no artigo 217º é a proposta pela teoria subjectiva expressa: quando feita por palavras. No entanto. Exemplo: pode haver desvio na vontade negocial quando uma pessoa atribui aos termos da declaração um sentido diverso do que é exteriormente captado .A vontade de acção (Handlugswille) – consiste na consciência e intenção livre de realizar um comportamento declarativo. Exemplo: não existe vontade de acção quando uma pessoa por acto reflexo ou distraidamente faz um gesto e este aparece como uma declaração negocial. a declaração negocial destina-se a um certo fim mas implica e torna cognoscível um regulamento sobre outro ponto. uma falta de vontade da declaração e um desvio na vontade negocial.  Declaração negocial expressa e declaração negocial tácita: o principio da liberdade declarativa envolve a possibilidade de se realizarem validamente declarações negociais não só expressas.http://apontamentosdireito. exemplo: pode faltar vontade da declaração se uma pessoa julgando assinar uma simples ficha para o arquivo de um banco assina uma declaração negocial. Se um individuo num leilão faz um gesto de saudação a um amigo e isso é entendido como oferta de uma certa importância. como também tácitas – artigo 217º/1.atspace. ou quando uma pessoa é coagida a realizar um negócio. 957º e 1737º. sem que a pessoa se aperceba disso.html 1. É necessário que os factos sejam inequívocos.com/index. por vezes a lei exige que a declaração negocial seja expressa caso dos artigos 731º. exemplo uma pessoa quando quer comprar a quinta da regaleira e erradamente declara que quer comprar a quinta da gusteira pensando erradamente ser este o seu nome (erro no nome). É uma vontade efectiva correspondente ao negócio concreto que aparece exteriormente declarada. Tácita: quando do seu conteúdo directo se infere? um outro. 3. São estes os casos de divergência entre a vontade e a declaração. Essa divergência pode ainda resultar de um desvio da vontade de acção: um lapsus lingual ou lapsus calami. Este subelemento só está presente se o declarante tiver a consciência e a vontade de que o seu comportamento tenha significado negocial vinculativo. Trata-se de um meio indirecto ou lateral de afirmação de uma determinada vontade. 2.Vontade negocial: vontade do conteúdo da declaração ou intenção do resultado (Geschftswille): consiste na vontade de celebrar um negócio jurídico de conteúdo coincidente com o significado exterior da declaração. mas de uma probabilidade total. trata-se de uma probabilidade.A vontade da declaração: (Erklanvnjswille) ou vontade da relevância negocial da acção (Geltunjswille): consiste em o declarante atribuir ao comportamento querido o significado de uma declaração negocial. ou seja. escrito ou qualquer outro meio directo de expressão da vontade (217º/1 – 1ª parte). Vimos que pode haver uma falta de vontade de acção. exemplo a pessoa quer escrever quinta da regaleira. 91 .

exemplo – testamento em que não há declaração expressa de atribuição de um determinado legado. que não é obrigado a recambia-las. então. mas apenas a verificação de um incumprimento do dever de falar susceptível de incorrer o silenciante na obrigação de reparar os danos causados a outrém pela frustração da sua confiança em receber uma resposta – dano da confiança ou interesse contratual negativo. não se deve concluir do silêncio uma certa declaração. mas por uma declaração de vontade do testador chega-se a essa conclusão. uso ou convenção. Só tem valor como declaração quando a lei. estando na sua conservação apenas obrigado a abster-se de as deteoriar por dolo ou negligencia. A declaração tácita é compatível com a existência de um negócio formal  artigo 217º/2 . Também é afastada a ideia de que o silêncio vale como declaração quando o silenciante podia e devia falar – qui tacet consentire vidatem ubi loqui potuit ao debuit. para se captarem aceitações negociais. quando remetidas com a proposta. O silêncio como meio declarativo: a questão é a de saber se o silêncio entendido não apenas como um nada dizer.atspace. No que respeita às mercadorias recebidas pelas pessoas. O artigo 218º dá-nos essa resposta – só vale quando esse valor lhe seja atribuído por lei.com/index. Declarações negociais presumidas e declarações negociais fictas: 92 . paga dívidas da herança  são factos que com toda a probabilidade fazem com que haja uma declaração de vontade no sentido de aceitação da herança.html Exemplo: aceitação expressa da herança feita por palavras ou por escrito. paga o imposto sucessivo. Em princípio. convenção negocial ou o uso lho atribuam. Em conformidade com o critério de interpretação dos negócios jurídicos consagrado no artigo 236º conclui-mos que no que respeita a uma declaração tácita em que dum comportamento se pode concluir um certo sentido negocial. mas como um nada fazer pode considerar-se uma declaração tácita no sentido de aceitação de propostas negociais. caso do artigo 923º/2. por diversas razões. aceitação tácita: a pessoa toma conta dos bens. Repudia-se o velho princípio do Direito Canónico: qui tacet consentire videtur (quem cala consente)  isto seria inaceitável visto que violaria a autonomia das pessoas. tal não exige a consciência subjectiva por parte do autor desse significado implícito (bastando) que objectivamente ele possa ser deduzido do comportamento do declarante. o silêncio não vale como declaração negocial. devendo apenas restitui-las se o proponente as mandar buscar.http://apontamentosdireito. o saber se devia ou não falar não é claro e mesmo se houvesse o dever de falar. há legislação que protege o destinatário. Poder-se-ia também aproveitar a impossibilidade de responder das pessoas. dando-lhes sempre o ónus de responder a qualquer proposta de contrato.

b) Separa os termos definitivos do negócio da fase pré – contratual .http://apontamentosdireito. Temos como exemplos: os artigos 923º/2 e 1054º. b) Embaraça a conclusão válida dos negócios. apesar de essa mesma parte ter querido o acto negocial. com demoras. I – Modalidades da forma negocial. incómodos e despesas. e) Dá publicidade ao acto o que é importante para terceiros. Reserva: modalidade de protesto em que se especifica que um certo comportamento não significa renúncia a um direito próprio ou reconhecimento de um direito alheio – exemplo. c) Permite uma formulação mais precisa e completa da vontade das partes.com/index. por interpretação. por recear que lhe seja imputado. caso do 875º em que se estabelece a obrigação de celebrar escritura pública. mas declara que isso não significa renuncia a receber o montante total dos danos. É no fundo uma contradeclaração. Existem. c) Pode levar a eventuais injustiças devido a uma desvinculação de uma das partes do negócio com fundamento em nulidade por vício de forma. da negociação. Protesto e reserva: Protesto: o autor de um certo comportamento declarativo. um certo sentido vai afirmar-se abertamente não ser esse o seu intuito. ou seja. só assim não sendo quando a lei proibir – 350º/2. a vitima de um acidente recebe do causador uma soma em dinheiro. no entanto. importantes excepções a este principio consagradas no nosso código como regulamentação especial.atspace. 93 . Principio da liberdade formal: No nosso direito civil vale o princípio da liberdade de forma consagrada no artigo 219º. Inconvenientes do formalismo negocial: a) Redução da fluência e celeridade do comércio jurídico. Nos negócios formais o tempo que vai desde a decisão de concluir o negócio e a sua celebração permite repensar o negócio. podendo ilidir-se tal presunção mediante prova em contrário – artigo 350º/2 – 1ª parte (presunção tantum iuris). livrando as partes da precipitação e da ligeireza.html Declaração negocial presumida: quando a lei liga a determinado comportamento o significado de exprimir uma determinada vontade negocial. A forma da declaração negocial: Vantagens do formalismo negocial: a) Assegura uma maior reflexão das partes. d) Dá um maior grau de certeza sobre a celebração do negócio e os seus termos evitando-se a falibilidade da prova por testemunhas. O regime regra é o das presunções legais poderem ser ilididas por prova em contrário.

bem como as cláusulas acessórias anteriores ou contemporâneas. Assim. (há uma presunção do documento formal ser completo. Forma voluntária: forma adoptada pelas partes sem que a lei ou convenção anterior a isso as obrigasse.http://apontamentosdireito.com/index. as estipulações acessórias anteriores ou contemporâneas ao escrito. que devem completar o documento indo para além do seu conteúdo mas nunca o contradizendo. Há. algo que deriva do principio da liberdade contratual – artigo 405º. Quanto às estipulações posteriores ao documento estão dispensadas de forma legal prescrita para a declaração se as razões da exigência especial da lei não lhes forem aplicáveis – artigo 221º/2.atspace. 2.Que se prove que as cláusulas acessórias correspondem à vontade das partes. Forma convencional: quando o formalismo exigível resulta de uma estipulação ou negócio jurídico das partes. pelo que. no entanto.Não sejam abrangidos pela razão de ser da exigência de documento. O facto de os particulares verem as suas estipulações reconhecidas acerca da forma do negócio.html Forma legal: quando o formalismo exigível para certo negócio é imposto pela lei. na dúvida sobre a existência de uma estipulação acessória é de decidir pela sua não existência. mesmo que menos solene : exemplo. anteriores ou contemporâneas ao documento exigido desde que se verifiquem cumulativamente as seguintes condições: 1. sob pena de nulidade artigo 221º/1. as partes poderão utilizar a forma convencional em negócios que a lei não exige forma ou exige uma solenidade menos forte. 94 . uma excepção na segunda parte deste artigo reconhecendo-se a validade de estipulações verbais. c) Na forma convencional: está prevista no artigo 223º. É também inadmissível a prova por testemunhas se tiver por objecto convenções contrárias ou adicionais ao conteúdo de documentos autênticos e particulares – artigo 394º. normas legais que exigem para certos actos requisitos formais já que são normas imperativas. tal não significa que os mesmos possam afastar. b) Na forma voluntária: não abrange. anteriores ou contemporâneas só produzirão efeitos se houver lugar a confissão ou forem provadas por documento. tal como acontece para as estipulações posteriores ao documento – artigo 222º. carta. em princípio.Que se trate de cláusulas acessórias. as estipulações não formalizadas. por acordo. não devendo ser estipulações essenciais. II – Âmbito da forma exigida: a) Na forma legal: abrange as cláusulas essenciais do negócio jurídico. 3. Assim.

mas tal não se verifica. compensando a injustiça com a obrigação de indemnizar por parte do autor do abuso. Essas presunções são duas: 1. Nos casos em que a lei determine outra consequência. deverá admitir-se a invocação de nulidade com fundamento em vicio de forma. A doutrina tem colocado o problema de saber se a possibilidade de invocação da nulidade por vicio de forma não pode ser excluída por aplicação da cláusula geral de boa-fé ou do abuso de direito – artigo 334º.html Inobservância de forma legal: Formalidades ad substantiam: exigidas para a validade do negócio. b) Inobservância da forma convencional: a este respeito rege o artigo 223º que se limita a estabelecer presunções que podem ser ilididas mediante prova em contrário – artigo 350º.atspace.http://apontamentosdireito. Mota Pinto coloca o valor social da segurança jurídica acima de um critério de justiça de cada caso. com fundamento em vicio de forma por um contraente que a provocou ou que criou na contraparte a expectativa de que a nulidade jamais seria arguida.Se a convenção foi estipulada antes da conclusão do negócio.Se a convenção é contemporânea ou posterior ao negócio. acha que as normas imperativas não podem ser postas em causa. arguição da nulidade. Aquando da sua inobservância Mota Pinto diz que o negócio é ineficaz enquanto que Vaz Serra diz que o negócio não está concluído entre as partes – artigo 223º/1. sendo que haverá lugar a indemnização ex vi artigo 227º (…). Formalidades ad probationem: são meramente probatórias. a nulidade deixará de ser a sanção para a inobservância da forma legal – artigo 220º. Poderá parecer injusto a nulidade de uma compra em que o comprador já pagou o preço e o vendedor já o recebeu. em que as partes apenas se querem vincular através da forma convencionada. 2. Larenz por seu lado. gerando a sua falta a nulidade do negócio – artigo 364º/1. afirmando a nulidade dos negócios afectados por vício de forma.com/index. a sua falta pode ser suprida por outros meios de prova mais difíceis de conseguir – ex: confissão – artigo 364º/2. pois uma vez declarado nulo o negócio deverá ser restituído tudo o que tiver sido prestado em virtude do negócio viciado – artigo 289º. em que este não seria obrigado a restituir a importância recebida ou o primeiro não seria obrigado a restituir a coisa vendida. a) Inobservância da forma legal: o código civil liga à inobservância da forma legal a nulidade – artigo 220º. ou seja. consagra-se uma presunção de essencialidade. quando essa invocação por uma das partes constitua um abuso de direito? Exemplo. Manuel de Andrade defende a improcedência da arguição de nulidade nos casos de manifesto abuso de direito. Ela tem carácter constitutivo. sendo que na primeira hipótese haja fundamento para admitir que as partes se quiseram vincular desde logo. são insubstituíveis por outro género de prova. presume-se que as partes não quiseram substituir o negócio mas apenas facilitar a prova consolidando o acto ou tornando o conteúdo do 95 .

Ela não pode ser abandonada ao senso empírico. Posições objectivistas: o intérprete não procura a vontade real do declarante. mais os que uma pessoa razoável (normalmente esclarecida. c) Inobservância de forma voluntária: a sua inobservância não tem quaisquer consequências. Isto dá origem a posições subjectivistas. as partes. através das declarações de vontade. b) Elemento objectivo: acto social de comunicação. acto determinante ou conteúdo da vontade real – fonte geradora de efeitos jurídicos.atspace. colocado na posição concreta do real destinatário lhe atribuiria. segundo as respectivas declarações de vontade. sendo que o negócio valerá com o sentido subjectivo.http://apontamentosdireito. é também a mais fácil.html negócio mais claro ou outro qualquer efeito – artigo 223º/2. Posição adoptada pelo nosso código no artigo 236º/1. ou seja. 96 . pautam a sua conduta. # I – Interpretação dos negócios jurídicos: (não confundir com interpretação das leis artigo 9º). com o sentido querido pelo autor da declaração. já que tutela a legitima confiança do declaratário. deve ser pautada por regras ou critérios cuja sua formulação é o objecto da teoria da interpretação que tem critérios convertidos em verdadeiras normas jurídicas – 236º ss. teria conhecido e figura-se em raciocínios sobre essas circunstancias. mas procura um sentido exteriorizado ou cognoscível através de certos elementos objectivos. Como tal a sua inobservância não têm quaisquer consequências sobre o negócio. aquele a quem a declaração negocial se destina ou a conhece. zelosa e sagaz – o bónus pater famílias. rápida e confere maior segurança ao comercio juridico. Para haver declaração a interpretar temos de estar no domínio da autonomia da vontade privada das partes que tem: a) Elemento subjectivo: acto de vontade. Interpretação: actividade dirigida a fixar o sentido e o alcance dos negócios. como o teria feito um declaratario razoável. pela qual. vai-se considerar o real declaratário nas condições concretas em que se encontra e com os elementos que conhece. Trata-se de uma interpretação normativa e não de uma interpretação psicológica. Dentre as doutrinas objectivistas merece referência a teoria da impressão do destinatário: declaração deve valer com o sentido que 1 destinatário razoável. O negócio jurídico contem uma ordem normativa. trata-se de determinar o sentido e o alcance do conteúdo das declarações de vontade e consequentemente dos efeitos que o negócio visa produzir. ou seja. o intérprete deve investigar através de todos os meios adequados a vontade real do declarante.com/index. Trata-se da posição mais justa.

as limitações para os negócios formais previstos no artigo 238º/2. Outra excepção é a consagrada no artigo 236º/2. A doutrina tradicional sofre certos desvios que se traduzem: a) Maior objectivismo: é o que sucede nos negócios formais. embora imperfeita.html Este sentido que corresponde à impressão do destinatário sofre. no entanto. se o declarante se move em circunstâncias especiais deve tomar a iniciativa de se expressar convenientemente para o sentido ser correctamente apreendido. A consequência. mesmo no caso de impropriedade das expressões utilizadas. defende Manuel de Andrade é a nulidade em sede interpretativa. Se. Admite-se. prevalecendo nos negócios gratuitos o sentido menos gravoso para o disponente e nos onerosos o que conduzir ao maior equilíbrio das prestações. no texto do documento – artigo 238º/1. no entanto. sendo a declaração ineficaz. Não haverá declaração negocial se faltar a vontade de acção – artigo 246º. não pode valer se não tiver um mínimo de correspondência.atspace. a duvida for insanável devemos aplicar por analogia o artigo 224º/3. Nos contratos de adesão. Quando a interpretação leve a um resultado duvidoso. torna-se necessário que seja possível a sua imputação ao declarante.com/index. no entanto. 97 . é a falsa demonstrato non nocet – artigo 238º/2.http://apontamentosdireito. se este sentido lhe era imputável  limitação subjectivista. Assim. o sentido querido pelo declarante releva mesmo quando a declaração é ambígua ou inexacta se o declaratario conhecer o seu sentido. que um sentido não traduzido no documento possa valer desde que: Corresponder à vontade real e concordante das partes. Este deve escolher os meios convenientes para exprimir um sentido que não seja reconhecido ou cognoscível pelo declaratario. pois o que temos é um problema de vício de forma (o sentido não está formalizado) cuja sanção correspondente é a nulidade – artigo 220º. que este pudesse razoavelmente contar com ele – artigo 236º/1 parte final. Considera-se que só seja justificado fazer responder o declarante por um sentido que não deu à declaração. Nestes o sentido objectivo corresponde à impressão do destinatário. Tendo em atenção. Esta teoria da impressão do destinatário envolve um ónus da adequada manifestação da vontade por parte do declarante. isto é. deveremos atender ao artigo 237º. Assim. de acordo com a máxima julsa demostratio non nocet estabelece que sempre que o declaratario conheça a vontade real do declarante. é de acordo com o ultimo que vale a declaração. defende-se o princípio de que na dúvida deve intrepertar-se contra o emitente das condições gerais pré-ordenadas. no entanto uma limitação (defendida por Larenz e Ferrer Correia): para que tal sentido possa relevar.

Admissibilidade das disposições testamentárias tácitas –artigo 217º/2. 2. Na sua interpretação consagra-se o sentido subjectivo. Podemos retirar deste artigo as seguintes conclusões: 1. 3. Já haverá nulidade do testamento se o testador usou termos numa acepção extravagante que estava fora dos seus próprios hábitos de linguagem. ou incorreu em erro na declaração. anotações pessoais. mas dá para perceber). mas exigida pela resolução do litigio entre as partes e que estas deveriam ter previsto aquando do ordenamento negocial das suas relações.com/index. em que vale a vontade real do testador. no entanto.O testador pode utilizar no testamento um termo numa acepção pessoal. Integração dos negócios jurídicos: o problema é o de saber qual a regulamentação das questões não previstas pelas partes.atspace. Nestes casos o artigo 239º remete em primeiro lugar para a vontade hipotética das partes. ainda que imperfeita no contexto. No entanto.html  Não oposição a essa validade das razões determinantes da forma do negócio (certeza e segurança ou interesses de terceiros) – artigo 238º/2 (parte final). Limitação dada pelo teor do documento que manifesta o carácter solene do negócio testamentário – artigo 2187º/2. o juiz dever-seá afastar da vontade hipotética quando a solução que as partes teriam estipulado contrarie os ditames da boa fé. a vontade que teriam tido caso tivessem previsto o ponto omisso. etc). nem resultantes de disposição legal imperativa ou supletiva. se se provar que A não tinha biblioteca e que utilizava essa expressão para significar garrafeira é valido esse legado  há aqui um mínimo de correspondência no testamento. ainda que alicerçado noutros meios probatórios. Exige-se. ou seja. inteiramente fora dos usos gerais da língua. Neste caso a declaração deve ser integrada de acordo com as exigências da boa fé (entenda-se boa fé objectiva) –regras de 98 . b) Maior subjectivismo: é o caso das disposições testamentárias. ou seja. foi ele quem a educou durante 15 anos escreveu “ se se apurar que a única pessoa que A educou foi Clara é patente que A queria referir-se a Clara e aí já surgirá efeitos) (o exemplo está meio confuso. mas desde que dê a entender por qualquer forma no testamento (com essa expressão entre aspas ou seguida de reticências) ou que se prove que a significação anómala era utilizada habitualmente pelo testador – exemplo: A diz que deixa a sua biblioteca a B.http://apontamentosdireito. que a vontade assim reconstituída tenha um mínimo de correspondência. Com a excepção de no testamento constarem outras referencias que levem a considerar (clarificar) patente o significado extravagante ou o erro (na ultima hipótese rege o artigo 2203º) exemplo: A quis deixar os seus bens a Clara e escreveu (a quem eduquei). Na pesquisa desta vontade do testador é admitido o recurso à prova complementar. fundadas em qualquer dos meios de prova geralmente admitidos (esclarecimentos orais ou escritos. Esta integração deve ser determinada para cada negócio e não para os vários tipos de negócios. elementos ou circunstâncias estranhas aos termos do testamento. estando esta condicionada pelo contexto do testamento – artigo 2187º o significado decisivo é o que o testador quis dizer.Invalidade de um sentido contrário ao texto do testamento.

se a questão tem sido abordada. Assim.5 toneladas. No entanto. As próprias normas supletivas poderão.atspace. tudo porque o direito supletivo obedece à resolução de interesses gerais e porque esta vontade hipotética não é verdadeiramente manifestada por qualquer das partes. daí o artigo 239º referir “na falta de disposição legal”. mesmo que seja evidente a prova da vontade hipotética das partes não podem ser equacionadas e resolvidos em sede de integração. há uma divergência entre a vontade hipotética e a vontade real. mesmo que se prove que no momento do contrato A teria vendido e B teria comprado mais esses 0.com/index.html honradez e honestidade que as partes devem pôr na celebração e conclusão dos negócios. ou seja. É de referir que há prioridade da aplicação do direito supletivo sobre o problema da integração negocial. em casos excepcionais. consciente e livremente uma declaração com um sentido objectivo diverso da sua vontade real b) Não intencional: quando o declarante não se apercebe da divergência ou porque é forçado irresistivelmente a emitir uma declaração diferente da sua vontade real.http://apontamentosdireito. pode haver dois tipos de vícios: a) Na formulação da vontade (divergência entre a vontade real e a declaração – entre o querido e aquilo que foi declarado. (…) Falta consciência do dec Coação física 99 . não pode agora pretender-se a entrega de uma tonelada e meia pelo mesmo preço. # Divergência entre a vontade e a declaração: I. havendo norma supletiva não há verdadeiramente uma lacuna. não se aplicar por contrariarem o comando da boa – fé – artigo 334º. Certos problemas. Divergência entre a vontade real e a declaração pode ser: a) Intencional: quando o declarante emite. b) Na formação da vontade: a vontade não foi formada livre e esclarecidamente.Noções gerais: normalmente há coincidência entre a vontade (elemento interno) e a declaração negocial (elemento externo). não pode ir contra o que está expressamente no contrato. Intencional Simulação Reserva mental Declarações não sérias Não intencional Erro. exemplo: A vende a B uma tonelada de açúcar pelo preço de x. A integração não pode conduzir a uma ampliação do objecto negocial que foi pretendido pelas partes.

quer do declaratário. Começa o declarante a responder pela aparência exterior da sua vontade.com/index. mas no caso de dolo ou culpa do declarante . Ihering. ao que foi exteriormente manifestado. Releva ainda o interesse geral do comércio jurídico que aponta para a segurança e celeridade no tráfego e. limita a doutrina da confiança apenas aos casos em que o declaratario confiou efectivamente nesse sentido (exclui-se os casos em que ele confiou num terceiro sentido) Não há. Cobre o interesse contratual negativo ou interesse da confiança. Interesses fundamentais para a validade e produção dos efeitos da declaração. b) Teoria da culpa in contrahendo: acrescenta à teoria anterior a obrigação de indemnizar por parte do declarante se houve ou dolo deste e boa fé do declaratario.atspace.http://apontamentosdireito. como se de facto a tivesse querido. no entanto. Não são idênticas as soluções mais razoáveis específicas de cada uma das várias divergências entre o “querido” e o “declarado”. 2. para as legitimas expectativas do declaratario.html Analisemos o aspecto teleológico dos interesses em jogo: O Interesse do declarante reclamando o principio da autonomia da vontade aponta para a sua não vinculação ao sentido objectivo da declaração que não coincide com a sua vontade real. Tal como para a auto – responsabilidade do declarante. O interesse do declaratário aponta para a tutela da confiança e para a irrelevância da divergência. O interesse de terceiros também concorre aqui. 3. terceiros aos quais podem derivar direitos ou que podem ter adquirido direitos quer do declarante. como tal. Há a pretensão da protecção das legítimas expectativas. Teorias que visam resolver o problema: a) Teoria da vontade: defende a invalidade do negócio logo que haja uma divergência entre a vontade e a declaração sem necessidade de mais requisitos – Savigny. a divergência só produz a invalidade se for conhecida ou cognoscível do declaratário. 100 . I – A simulação:  Noção e elementos: trata-se da principal divergência entre a vontade real e a declaração negocial.A chamada doutrina da confiança. repondo o declaratario lesado na situação em que estaria se não tivesse concluído o negócio.A mais extrema em que há uma adesão rígida à expressão literal. apontando para a invalidade do negócio. com as seguintes modalidades: 1. uma teoria que se possa aplicar às várias modalidades de divergência. c) Teoria da responsabilidade: assenta na teoria anterior. estando o declaratário de boa – fé o negócio é válido. d) Teoria da declaração: dá relevo fundamental à declaração.A doutrina da aparência eficaz.

Realizada sobretudo por razões sociais (ex. No caso da simulação. regra geral. Por detrás do negócio simulado há um negócio dissimulado ou oculto. exemplo 2 – venda de imóvel simulado um preço inferior ao real para prejudicar a fazenda nacional ou simulando um preço superior para prejudicar um preferente. não poderá haver. Temos três elementos: a) Intencionalidade da divergência. tudo para crer a C e D. usucapião. Modalidades da simulação relativa: 101 . Aqui não há que defender as expectativas do declaratário já que este tem conhecimento e intervém no acordo simulatório. ainda que a simulação seja fraudulenta como resulta do artigo 242º/1. A doa a B um faqueiro de prata havendo entre eles acordo de devolução.html Simulação: é a divergência intencional entre a vontade real do declarante e a declaração negocial. pode ser deduzida tanto por via de acção como por via de excepção artigo 287º/2.com/index. pode ser arguida a todo tempo quer o negócio esteja ou não cumprido. c)Intuito de enganar terceiros. até pelos próprios simuladores. Simulação relativa: as partes fingem celebrar um certo negócio jurídico e na realidade querem um outro negócio jurídico de tipo ou conteúdo diverso. Nulidade que pode ser invocada por qualquer interessado. chamado acordo simulatório. como também o de os prejudicar ou de contornar uma norma legal imperativa (animus nocendi). Apenas os interesses de terceiros de boa fé que tenham confiado na validade do negócio exigem ponderação.http://apontamentosdireito. exemplo: venda efectuada por um devedor a um comprador fictício. de forma a enganar os seus credores. Divergência procedente de acordo entre o declarante e o declaratario e determinada pelo intuito de enganar terceiros – artigo 240º/1. de acordo com o artigo 286º. seus vizinhos. Simulação absoluta: as partes fingem celebrar um negócio jurídico e na realidade não querem celebrar nenhum negócio jurídico. Simulação fraudulenta: há não só o intuito de enganar terceiros. Modalidades e seu regime: Simulação inocente: há apenas um mero intuito de enganar terceiros. sem os prejudicar (animus decipiendi). que A é muito rico)  é rara. b) Acordo entre declarante e declaratario. pois o adquirente é um possuidor precário – artigo 1253º/c – com a excepção do artigo 1290º. Efeitos da simulação absoluta: a simulação importa a nulidade do negócio simulado – artigo 240º/2. etc.atspace. Há apenas o negócio simulado e por detrás dele nada mais.

Baseia-se no argumento literal da lei “só é válido se tiver sido observada a forma exigida por lei” nada dizendo para o caso de as razões de formalismo do negócio dissimulado se acharem satisfeitas com a observância de solenidades do negócio simulado e no argumento racional de que a forma legal não visa dar só a conhecer a trasmissao dos bens. fingiu – se um preço superior ou inferior ao preço real. mesmo que a outra parte saiba que o interposto não actua em nome próprio – artigo 1180º. Efeitos da simulação quanto aos negócios formais: A lei estabelece um regime especial para os negócios formais no artigo 241º/2. o negócio simulado está ferido de nulidade – artigo 240º/2. mas finge doar a C para este posteriormente doar a B. é o que acontece com a interposição fictícia de pessoas: A quer dar um prédio a B. por força de um acordo entre ele e só um dos sujeitos (ex.html Subjectiva: são simulados os próprios sujeitos do negócio jurídico. Quanto ao negócio dissimulado aplica-se o artigo 241º e este será objecto do tratamento jurídico que lhe caberia se tivesse sido concluído sem dissimulação. mas para pagar uma só SISA os três sujeitos concordam em documentar numa só escritura uma só venda de A a C.http://apontamentosdireito. Não confundir com a interposição real: o interposto actua em nome próprio mas no interesse e por conta de outrem. mas também a coisa da sua transmissão. Assim. Sobre o valor do negócio: há divergência relativa ao quantuum da venda.com/index. mesmo que a sua forma fique satisfeita com as solenidades próprias do negócio simulado. finge-se uma venda e quer-se uma doação). vai acordar com C no sentido deste comprar o bem a A e depois lhos vender) – não havendo concluio entre os três sujeitos. A está interessado num bem que B não lhe vende. Admite-se uma excepção para o caso de as partes fazerem constar das declarações uma contradeclaração – um escrito de reserva com os requisitos formais exigidos para 102 . quando o negócio dissimulado é de carácter formal: Doutor Mota Pinto defende que o negócio dissimulado será nulo por vicio de forma se este não respeitar o formalismo exigido. havendo concluio entre os três.atspace. não há simulação mas um mandato sem representação . Nesta questão a doutrina divide-se. Objectiva: é simulado o conteúdo do negócio e pode ser: Sobre a natureza do negócio: o negócio simulado é de um tipo jurídico diverso ao negócio dissimulado (ex. Efeitos da simulação relativa: tal como a simulação absoluta. o negócio dissimulado poderá ser válido e eficaz como poderá ser inválido consoante que aconteceria se o negócio tivesse sido abertamente concluído. Pode-se fazer isto para fugir aos artigos 953º e 2196º (o interposto aqui é um simples “testa de ferro”)?????? Supressão de um sujeito real: faz – se uma venda de A a B e outra de B a C.

etc. Vejamos algumas hipóteses: 1. Prova da simulação: a prova do acordo simulatório e do negócio dissimulado por terceiros é livre. Antunes Varela e Manuel de Andrade defendem uma outra posição. O código não tem normas explícitas sobre estes conflitos. A prova é quase restringida à prova documental e à confissão. Há como que um aproveitar da forma do negócio simulado sempre que esta coincidir com a forma do negócio dissimulado. sofre uma apreciável restrição indirecta por força do artigo 394º/2 onde se estatui a inadmissibilidade da prova testemunhal no acordo simulatório e do negócio dissimulado. Só que intervêm como sucessores do simulador e não como terceiros. Doutor Orlando de Carvalho. Legitimidade da invocação da simulação: o artigo 242º/1 atribui legitimidade aos próprios simuladores para a arguição da nulidade mesmo sendo a simulação fraudulenta.Conflito entre subadquirentes do simulado alienante e subadquirentes do simulado adquirente: sendo aquisições tidas como válidas.atspace. Em vida do hereditando o artigo 242º/2 permite aos herdeiros agir em vida do autor da sucessão contra os negócios por ele simuladamente feitos com intenção de os prejudicar. como quaisquer outros herdeiros podem arguir a nulidade dos actos simulados praticados pelo de cuiuis. São terceiros interessados na nulidade: a) fazenda nacional. 103 . Algo que. Após a morte do de cuius os herdeiros legitimários.html esse negócio (algo que nos parece absurdo porque ao fazer isso. estando inadmissíveis a prova testemunhal e a prova por presunções em virtude do artigo 351º (julgo). presunções. A nulidade do negócio simulado.Conflito entre credores comuns do alienante simulado e credores comuns do simulado adquirente : Manuel de Andrade defende que se deve dar preferência aos últimos. testemunhas.Conflito entre credores comuns do simulado alienante e subadquirentes do simulado adquirente : devem prevalecer os interesses dos últimos diz Manuel de Andrade. defendendo que o negócio dissimulado não deveria ser nulo se as razões que estão na base da exigência da sua forma ficarem satisfeitas com a observância das solenidades próprias do negócio simulado.http://apontamentosdireito. b) os preferentes. por exemplo numa escritura pública tal traria a descoberto o negócio simulado e o notário não celebraria o negócio). trata-se de um problema de incompatibilidades entre direitos reais adquiridos do mesmo transmitente . 3. não bastando que provoque graves prejuízos. podendo ser feita por qualquer um dos meios admitidos na lei: confissão. Pires de Lima.com/index. podem ser invocadas por qualquer interessado e declarada ex officio pelo tribunal – artigo 286º. Conflitos entre terceiros de boa fé: são possíveis conflitos entre terceiros que pretendem arguir a nulidade do negócio e terceiros cujos interesses exigem que o negócio seja considerado como válido. no entanto.prevalece a venda mais antiga ou a que primeiro foi registada. 2. tal como todas as nulidades. documentos. c) os credores (mesmo que não haja insolvência – artigo 605º/1.

visto que excede os limites da boa fé e dos bons costumes a pretensão do declaratario no sentido da validade dessa declaração. em principio válida. A declara comprar a B um automóvel para o enganar. se o declaratário conhecia a falta de seriedade ou pelo menos esta era exteriormente perceptível. os efeitos da simulação. Neste caso a declaração também não tem qualquer efeito. Terá.com/index. 104 . Em principio carece de qualquer efeito – artigo 245º/1. A declara a B fazer-lhe uma doação. Existe uma excepção colocada pela doutrina. tendo feito a declaração por julgar erradamente que a lei exige escritura pública para a venda do automóvel e que depois podia arguir a nulidade). Na chamada graça malévola apesar de ter uma finalidade também jocosa ela é reserva mental e não declaração não seria porque se espera que a outra parte caia no engano. assim. Está prevista no artigo 244º/1. nulo se o declaratário teve conhecimento da reserva. no entanto há responsabilidade do declarante pelo interesse negativo ou confiança – responsabilidade pré-negocial. etc. São duas as notas que a definem: a) Emissão de uma declaração contrária à vontade real. Declaração não séria: o declarante emite uma declaração não coincidente com a sua vontade real. sem qualquer concluio com o declaratário.  Apenas com intuito de enganar: ex. no entanto. publicitárias. b) Intuito de enganar o declaratário. salvaguardando. visando enganar este. sendo necessário o seu efectivo conhecimento. O negócio será. não tendo intenção de fazer qualquer compra.http://apontamentosdireito.atspace. Aqui não há confiança a proteger. Aqui aplicar-se-á a cláusula geral do abuso de direito – artigo 334º.html Reserva Mental: o declarante emite uma declaração não coincidente com a sua vontade real. no caso de ser nulo. por exemplo nos casos em que se tenta dissuadir de um suicídio ou de um acto patrimonialmente ruinoso. neste sentido Mota Pinto e Orlando de Carvalho. pois visa apenas dissuadir B do suicídio pela sua grave situação económica. condições de justiça e de segurança do comércio jurídico e da confiança da contraparte. A declaração negocial emitida com a reserva ocultada ao declaratario é. didácticas. há ainda intenção de prejudicar (ex. procedendo-se na expectativa de que a falta de seriedade não passe despercebida. porque não chega a haver uma verdadeira declaração. O artigo 245º/2 estabelece um regime especial no caso da declaração ser feita em circunstâncias que induzem o declaratário a aceitar justificadamente a sua seriedade. Podem ser declarações jocosas. sem que na realidade tenha essa intenção. Fraudulenta: para além do intuito de enganar. cómicas. sem o intuito de enganar qualquer pessoa. Os efeitos desta figura são determinados pelo artigo 244º/2. Não bastará para a relevância da reserva a sua cognoscibilidade.

esta não produz quaisquer efeitos. ex. O artigo 246º estatui que o negócio não produz quaisquer efeitos. o negócio será no entanto eficaz relativamente ao declarante aparente se este o aprovar – falsa demonstratio non nocet. Mota Pinto critica este requisito dizendo que facilita os interesses do declarante para anular o negócio. No caso de erro – obstáculo o princípio geral consta do artigo 247º.com/index. mas ele acena com a mão à mesma e isso é tomado como um lance pelo leiloeiro). no caso do leilão se o amigo que ele quer cumprimentar nem sequer estiver virado para ele. Algo que a doutrina Alemã não aceita calmamente. um indivíduo que entra num leilão e faz um gesto para cumprimentar alguém que é tomado como um lance sem que a pessoa se aperceba disso. Algo que Larenz e Canaris chamam de responsabilidade por uma aparência jurídica (ex. É diferente das chamadas declarações sob o nome de outrem – nestas. II. negócio em estado de sonambulismo. podendo até faltar completamente a vontade de agir) – ex. no fim do artigo 246º que se o declarante tiver culpa na falta de consciência da declaração. não através de uma mera ameaça.Erro na declaração ou erro-obstáculo: o declarante emite a declaração divergente da vontade real.Coação física ou coacção absoluta: o declarante é transformado num autómata. Estabelece-se. sacrificando-se em demasia os interesses do 105 . ao contrário do erro – obstáculo não há qualquer comportamento por parte do sujeito a quem a declaração é atribuída (A faz-se passar por B fazendo um negocio e falsificando a sua assinatura) – esta hipótese estará sob o artigo 246º através de uma aplicação analógica . o declaratario tem o direito a ser indemnizado pela chamada responsabilidade pré-negocial. Não havendo dever de indemnização a cargo do declarante. no entanto. mas pelo emprego de uma força física irresistível que o instrumentaliza e o leva a adoptar o comportamento (ex. porque não há um comportamento humano consciente e voluntário.Falta de consciência na declaração: o declarante emite uma declaração sem sequer ter a consciência (a vontade de fazer uma declaração negocial. comporta. III.html Divergências não intencionais entre a vontade e a declaração: I. ao contrário da coação absoluta em que o coagido não pode combater esse mal. sem ter consciencia dessa falta de coincidência – caso do lapsus lingual ou lapsus calami ou pelo chamado erro in predicando – atribuição às palavras de um significado diverso do seu sentido objectivo. porque nesta a liberdade está cercada. exigindose para a anulação que o declaratário conhecesse ou não devesse ignorar a essencialidade para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. torcer o braço de alguém para o obrigar a assinar um papel).atspace. sendo forçado a dizer ou a escrever o que não quer. mas sim involuntário e mesmo reflexo. nos termos do artigo 246º a ineficácia da declaração negocial. mas não completamente excluída. Distingue-se da coação relativa.http://apontamentosdireito. A coação física.

com/index. poder-se-ia obstar à anulação com base em abuso de direito – 334º. o declarante deve 106 . Deslocar-se-ia para uma área de validade. No entanto. ou seja. A declara vender x e B declara comprar y) como consequência há quem defenda que: a) O negócio é inexistente – Mota Pinto. c) Que ele não foi concluído porque não houve acordo nos termos do artigo 232º. em que a aplicação do artigo 247º lese com extrema injustiça os interesses do declaratario. Se o erro é apenas cognoscível o caso será resolvido em sede de erro – obstáculo se for relevante o que tornará o negócio inválido e será resolvido em sede interpretativa se o erro é irrelevante.atspace. Aqui o dissenso tem interesse autónomo. Existe uma excepção estabelecida no artigo 250º/2 – admitindo-se a anulação sempre que o intermediário emite intencionalmente. No artigo 248º consagra-se uma excepção no caso do declaratario aceitar o negócio como o declarante queria a anulabilidade fundada em erro não procede. se o erro fosse conhecido. Falamos neste caso de dissenso. é anulável se o declaratario conhecesse ou não devesse ignorar a essencialidade para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. deixando uma área de invalidade do artigo 247º. Mota Pinto transporta as suas críticas face ao erro – obstáculo nos mesmo termos para este regime. Pode.http://apontamentosdireito. ou seja. Segundo o artigo 249º o erro de cálculo ou escrita revelados no contexto da declaração ou nas circunstâncias que a acompanham não dão lugar à anulabilidade mas apenas à rectificação do negócio. dizendo que se deveria ir mais além exigindo o conhecimento ou a cognoscibilidade do erro. Pode haver o caso em que o declaratário compreendeu um terceiro sentido que não coincide com o querido pelo declarante nem com o sentido declarado. b) Que é nulo – Castro Mendes. b) Cada uma das partes atribui ao negócio um sentido diverso não coincidente com o seu teor objectivo – hipótese acima transcrita. haver acordo dos sentidos objectivos mas desacordo entre as vontades reais: a) Uma só das partes atribuiu à sua declaração um sentido diverso do que tem objectivamente – aplica-se a doutrina do erro – obstáculo. Erro na transmissão da declaração: hipótese prevista no artigo 250º que o regulamenta o seu nº1 nos mesmos termos do erro – obstáculo. No entanto. Mota Pinto defende que nalguns casos. o problema não se resolveria em sede de erro – obstáculo. no entanto. O dissenso pode resultar de uma falta de acordo dos sentidos objectivos (ex. mas em sede interpretativa – artigo 236º/2. Oliveira Ascensão e Carvalho Fernandes.html declaratario e os do comércio jurídico. com dolo uma declaração diversa da vontade do declarante. (ver o artigo 248º). Mota Pinto defende que a declaração é anulável sem a exigência dos requisitos do artigo 247º.

A contrata com B julgando que o contrato tem os efeitos de locação quando afinal tem os efeitos de uma venda a prestações). que esta. objecto imediato – sobre a natureza do negócio (ex. É o que os Alemães chamam de erro – motivo “Motivirnt” (ta mal a palavra em alemão!). (…) Modalidades: a) Erro sobre a pessoa do declaratario: erro sobre a identidade e erro sobre as qualidades (exs. 251º 107 . de tal forma. (ex. O erro obstáculo é um erro na formação da vontade – há divergência entre vontade real e a declaração.html suportar o risco de uma transmissão defeituosa ou de uma deturpação ocorrida enquanto a declaração não chega à esfera do declaratario. Há divergência entre a vontade real e a vontade hipotética. A alteração anormal das circunstâncias constitui fundamento de resolução ou modificação do contrato previstos os pressupostos / 437º (não é erro).  O erro como vicio da vontade: Ignorância ou representação inexacta por parte do declarante de uma qualquer circunstancia de facto ou de direito que foi determinante na formação da sua vontade negocial de tal modo que se ele estivesse esclarecido acerca dessa circunstancia não teria realizado o negócio ou não o teria realizado nos precisos termos em que o concluiu. Assim. telegrafista transmite em vez da compra de 20 cavalos. A contrata com B julgando que este é C. Pressuposição: convicção por parte do declarante de que certa circunstância se verificará no futuro ou de que se manterá um certo estado de coisas.http://apontamentosdireito.atspace. o declarante diz o que queria dizer mas isso está inquinado por uma má formação da vontade. # Vícios da vontade: Generalidades: trata-se de perturbações do processo formativo da vontade negocial. face à pequena diferença o negócio deve-se considerar válido e o declarante deve suportar esse risco). Se ele conhecesse os termos e circunstâncias do negócio jurídico não tomaria essa decisão mas uma outra ou então nem tomaria decisão nenhuma. a compra de 18. A contrata com B porque pensa erradamente que este é filho de um seu amigo) – artigo 251º b) Erro sobre o objecto do negócio: pode incidir sobre o objecto mediato sobre a identidade ou sobre as qualidades (ex. A compra um terreno julgando erradamente que ele tem água).com/index. Distinção entre erro – vício / e erro obstáculo e / pressuposição: O erro – vicio é um erro na formação da vontade e diz respeito a circunstâncias anteriores ou contemporâneas à conclusão do negócio. embora concorde com a declaração é determinada por motivos considerados como ilegítimos.

Na vigência do Código de Seabra a doutrina considerava ainda: a) Escusabilidade: necessidade de ausência de culpa da parte do errante. tem que ter motivado a conclusão do negócio em si mesmo e não apenas nos termos em que foi concluído.html c) Erro sobre os motivos do negócio: é uma noção residual.com/index. embora houvesse doutrina (Manuel Andrade e Ferrer Correia) que defendesse que a anulabilidade ocorreria mesmo no caso de erro culposo. embora noutras condições. os interesses da outra parte estão protegidos pelo artigo 227º . não anularia o negócio. capacidade do errante. Aqui o fundamento da invalidade não é o erro mas o requisito legal cuja deficiência vicia o negócio.http://apontamentosdireito. ou seja. Este erro não releva tal como não releva o erro indiferente em que mesmo sem ele o negócio teria sido concluído nos mesmos termos em que foi.responsabilidade pré – negocial. trata-se de um erro que recaia nos motivos determinantes da vontade. b) Propriedade: o erro tem de ser próprio. no caso de erro culposo. Face ao novo código este requisito é dispensável. não obstante a anulação.etc ( no entanto o erro sobre as qualidades da pessoa do declaratario é já erro sobre a pessoa do negócio – ex. O erro indesculpável ou grosseiro.atspace. O erro tem de ser causa da celebração do negócio e não apenas dos seus termos – o erro é essencial se sem ele não se celebraria o negócio ou se celebraria um negócio com outro objecto ou de outro tipo ou com outra pessoa. já que quando o erro é comum a uma generalidade de pessoas é que mais 108 . Condições gerais de relevância do erro – vicio como motivo de anulabilidade: a) Essencialidade: o erro tem de ser essencial. No entanto. incapacidade do declaratario. Nele podemos integrar o erro sobre pessoa de terceiros e o erro sobre os fins ou objectivos de natureza subjectiva que motivam o declarante – artigo 252º. b)Individualidade ou singularidade: quando fosse exclusivamente do errante e não de toda a gente em geral (Manuel de Andrade) afirmava o absurdo deste critério. mas que não se refira à pessoa do declaratário nem ao objecto do negócio. segundo Cabral de Moncada e outros. sempre. Caso contrário o erro é incidental – influiu apenas nos termos do negócio pois o errante contrataria. Ele só é próprio quando incide sobre uma circunstância que não seja a verificação de qualquer elemento legal da validade do negócio. O erro será impróprio quando versa sobre os requisitos legais da forma negocial. Para o caso do erro incidental Mota Pinto defende a aplicação analógica do 911º sendo o negócio válido nos termos em que teria sido concluído sem o erro. pois a situação do contraente não enganado já é tomada em conta ao permitir-se a anulação apenas quando se verifiquem certos requisitos especiais. O Doutor Mota Pinto e também Carvalho Fernandes prevêm a redução do negócio segundo os termos da norma geral – artigo 292º.

com/index. no entanto. ou determina uma das partes e em que a outra não poderia deixar de aceitar o condicionamento do negócio sem violação dos ditames da boa fé. (invocavam o artigo 664º do código de Seabra. desde que o declaratário conhecesse ou não devesse ignorar a essencialidade. não é uma vicissitude surgida depois do negócio como acontece com a alteração superveniente das circunstâncias. expressa ou tácita. para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. até porque as pessoas contratam pelos mais diversos motivos. b) 109 . Nestes casos haverá lugar á anulabilidade nos termos dos artigos 437º a 439º. que anteriormente fizera para o erro na declaração. sobre a base das quais se funda a vontade do agente. como acontece nos demais erros vicio? Ou haverá lugar à resolução ou modificação do contrato nos termos da alteração superveniente das circunstancias do artigo 437º? .html justificado se torna que o errante o possa invocar para a anulação do negócio. então qualidades do objecto: a) a constituição material do objecto (ex. se é de ouro ou de prata). interpretavam à letra). Não basta ou conhecimento ou cognoscibilidade do erro pois tal daria lugar a bastantes litígios que se repercutirão na celeridade e segurança jurídicas.http://apontamentosdireito. Serão. representação mental de uma das partes. erro normalmente bilateral sobre as condições fundamentais do negócio jurídico que determinam ambas as partes. reconhecida pela outra. por exemplo anular o negócio com fundamento no desconhecimento de um preço mais barato noutro local.  Condições especiais de relevância do erro – vicio como motivo de anulabilidade Erro sobre os motivos: o artigo 252º/1 permite a anulação desde que haja uma cláusula verbal ou escrita. está na génese do negócio. Mota Pinto mantém as suas críticas para este regime. ou seja. O erro sobre a base negocial é um vício na formação da vontade e não algo posterior. erro relativamente ao qual se forma a base do negócio. pois seria absurdo. o estado de coisas erradamente figurado é anterior ou contemporâneo do negócio. esta remissão é para os pressupostos ou para os pressupostos e para a sanção? Mota Pinto defende que será só para os pressupostos.ou seja. Não sendo o artigo autónomo. coloca-se a questão: terá lugar a anulabilidade. no sentido de a validade ficar dependente da existência da circunstância sobre que versou o erro. Não se faz qualquer delimitação das qualidades do objecto no artigo. Em face do nosso código essa exigência é ainda mais indefensável. ou a representação comum de vários interessados acerca da existência ou ocorrência de determinadas circunstancias. é necessário uma delimitação. já que remete para o 437º. ou seja.atspace. se o erro incidir sobre as circunstancias que constituem a base negocial. O artigo 252º/2 estabelece um regime especial para certos casos de erro sobre os motivos. sendo a sanção a da anulabilidade pois no caso de erro sobre a base negocial. com base no qual as partes fixaram os pressupostos da contratação. Erro sobre o objecto do negócio: o artigo 251º prevê que o negócio será anulável nos termos do artigo 247º.

que não são usuais. Trata-se de um erro determinado por um certo comportamento da outra parte. Não será. há um dever de elucidar por força da lei. b) só pode ser invocada no ano subsequente à cessão do vicio. c) pode ser sanada por confirmação (…) Artigos 287º e 288º # O Dolo: A noção de dolo consta do artigo 253º/1. segundo o mesmo artigo as sugestões ou artifícios usuais considerados legítimos segundo as concepções dominantes no comércio jurídico (exemplo. Dolus malus: sugestões ou artifícios que alguém emprega com a intenção ou a consciência de conduzir ou manter em erro. No entanto.http://apontamentosdireito. Segundo o artigo 253º/2 só haverá dolo quando exista dever de elucidar por força da lei.atspace. Modalidades: Dolus bonus: sugestões ou artifícios usuais e toleráveis (considerados legítimos). Não há dolo no caso de erro provocado por informações inexactas sem intenção ou consciência de enganar. Só é relevante como fundamento de anulabilidade e de responsabilidade o dolus malus. de estipulação negocial das partes ou das concepções dominantes do comercio jurídico e o declaratario ou terceiro não o fazer – dolo negativo ou omissivo. portanto dolo. estipulação negocial ou das concepções dominantes do comércio jurídico. ou quando tenha lugar a dissimulação pelo declaratario ou por terceiro do erro do declarante. bem como a dissimulação quando o dever de elucidar o declarante resulta de lei. na mesma maneira que o erro sobre o objecto do negócio acima analisado. quem provocou o erro poderá incorrer em responsabilidade civil. no entanto se o negócio não estiver cumprido pode ser invocada a todo tempo. coacto ou incapaz. enganado. de estipulação negocial ou das concepções dominantes no comércio jurídico. embora com negligência.html as condições factuais ou jurídicas que pela sua natureza e duração evoluem no valor ou no préstimo desse objecto (ex. 110 .com/index. concepções imperantes no comércio jurídico – artigo 253º/2. Erro sobre a pessoa do declaratario: está igualmente previsto no artigo 251º. se o objecto é usado ou não). remetendo a sua anulabilidade para os termos do artigo 247º. Anulabilidade de todos eles: a) só pode ser invocada pelo errante. Existirá dolo quando se verifique o emprego de qualquer sugestão ou artificio com a intenção ou consciência de induzir ou manter em erro o autor da declaração – dolo positivo ou comissivo. A diz a B que o lote de acções vai subir proximamente – é algo que qualquer vendedor diz e se o comprador cai é porque é ingénuo).

se o terceiro beneficiário foi o autor do dolo o negócio é anulável em relação a esse sujeito mas não é anulável face ao declaratario – invalidade parcial. por força do negócio directamente algum direito (clausula a seu favor). mas noutras condições. 1. Dolo essencial: o enganado foi induzido pelo dolo a concluir o negócio em si mesmo e não apenas nos termos em que foi concluído. . nem devia conhecer o dolo de terceiro o dolo só releva se ao terceiro adveio. .Se o declaratario conhece ou lhe foi cognoscível o dolo de terceiro o negócio será totalmente anulável – artigo 254º/2 (1ª parte) . b) Tem de ser essencial ou determinante (o erro é que tem que ser essencial) c) Ser dolo positivo ou negativo (tanto faz) d) Intenção de enganar o declarante de forma a induzi-lo ou a mante-lo na situação de erro – artigo 253º/1. 12 Se o dolo é exercido por um representante do declaratario ou por seus agentes a situação será tratada como dolo do declaratário. 111 . sem dolo não se teria concluído qualquer negócio. Neste caso. durante os preliminares e a formação do negócio – artigo 227º responsabilidade pelo dano da confiança. Não é necessário que o dolo seja unilateral. 2 – se o terceiro beneficiário não foi o autor do dolo o negócio é anulável em relação a ele se ele conhecia ou não devia ignorar o dolo. Dolo incidental: o enganado apenas foi influenciado quanto aos termos do negócio. Dolo fraudulento: há intuito ou consciência de prejudicar. ele contrataria sempre. Pires de Lima. Antunes Varela.  Efeitos: o principal efeito do dolo é a anulabilidade do negócio – artigo 254º/1. com o seu comportamento contrário as regras da boa – fé. mas acresce a responsabilidade pré-negocial do autor do dolo por ter dado origem à invalidade.Se o declaratário não conheceu.atspace.http://apontamentosdireito.Dolo de terceiro – artigo 254º/2: Aplicam-se todos os outros requisitos e ainda: .Dolo do declaratário: a) Tem de ser dolus malus – artigo 255º/2 a contrario sensu.com/index. neste sentido12 Castro Mendes e Carvalho Fernandes. o próprio dolo bilateral pode ser invocado como fundamento de anulação – artigo 254º/1 (parte final). o negócio é anulável dando lugar também a responsabilidade prénegocial. Vaz Serra.html Dolo inocente: não há intuito enganatório. Outros autores falam de responsabilidade extra negocial por factos ilícitos – artigo 483º ss. neste sentido Mota Pinto. Não conduzirá este dolo necessariamente a anulação como defendeu Mota Pinto anteriormente para o erro – vício.

html  A coacção moral: consta do artigo 255º/1. o seu conceito. embora a submissão à ameaça fosse a única escolha possível. havendo lugar. também duma ameaça de exercício abusivo extrajudicial de um direito exemplo: doação por um paralítico a quem ameaça abandona-lo). então. etc. Não basta o simples medo ou receio. a perturbação da vontade traduzida no medo resultante de ameaça ilícita de um mal com o intuito de extorquir a declaração negocial. ameaça de agressão. esta pode resultar: c1) Ilegitimidade dos meios empregues (ex. Só há vicio quando a liberdade do coagido não foi totalmente excluída. só será anulável se: a) Que se trate de uma coação essencial ou principal. b) Intenção de extorquir a declaração – artigo 255º/1 e que a declaração tenha sido efectivamente extorquida – 256º/1 (1ª parte) c) Ilicitude da ameaça – artigo 255º/1. a lei no artigo 255º/1 exclui o chamado temor reverencial . honra ou à fazenda do declarante ou de terceiro – artigo 255º/2 A coacção moral origina a anulabilidade do negócio – artigo 256º. Coação exercida por terceiro: Provoca a anulabilidade do negócio e põe a cargo do coactor uma obrigação de indemnizar o declarante e o declaratário se este não for cúmplice do terceiro. Não há coacção se há apenas a ameaça de um direito para conseguir a satisfação ou garantia de um direito existente – artigo 255º/3. São exigidos para esta coação os requisitos da coacção do declaratario e ainda: 112 . Assim. mesmo que o autor da ameaça não pretenda senão a satisfação do seu direito) c2) Ilegitimidade dos fins (ameaça de recurso às vias de direito como participação criminosa. para conseguir vantagens indevidas. penhora. segundo Mota Pinto a responsabilidade pré – negocial do coactor – artigo 227º Coação exercida pelo declaratário. mesmo no caso de ameaça com arma de fogo ou no caso de emprego da violência física como começo para compelir o negócio estaremos face a coação moral ou relativa. receio de um mal de que o declarante foi ilicitamente ameaçado com o fim de obter dele a declaração. quando lhe foram deixadas possibilidades de escolha.atspace. É.receio de desagradar a certa pessoa a quem se deve respeito ou de quem se é dependente. A ameaça pode dizer respeito à pessoa.http://apontamentosdireito. Só cairemos no âmbito da coacção física ou absoluta quando a liberdade exterior do coagido é totalmente excluída e ele é utilizado como verdadeiro autómato – exemplo assinatura de um documento com a mão a ser conduzida por outrem com força irresistível).com/index. de morte.

#  O Estado de Necessidade: situação de receio ou temor gerada por um grave perigo que determina o necessitado a celebrar um negócio para superar o perigo em que se encontra. Trata-se de um regime “menos apertado” que o dolo. ou um imperativo moral de auxilio. Confronto com a coação: pode gerar confusão quando o estado de necessidade for ocasionado por um facto humano (ex. ao contrário da coacção em que a situação é criada pelo coactor. Requisitos subjectivos:  a) . à capacidade de resistência do tipo médio de indivíduo com as condições pessoais do declarante. isto porque se o coagido não poder invocar a coacção não poderá invocar outro vício da vontade. Na anulabilidade começa a contar o prazo não a partir do momento em que é feita a ameaça. Há aqui um aproveitar-se da situação. inexperiência . algo que é apreciado objectivamente. se este não poder ser invocado. dependência.com/index. enquanto que no dolo.  Efeitos: o estado de necessidade deve subsumir-se ao artigo 282º onde se estatui a anulabilidade dos negócios usurários. médico.atspace. estará nesse caso a ameaçar daí ser considerado também coacção moral. O facto que lhe dá origem pode ser natural ou humano. só o prestando depois de exigir uma retribuição a que não tinha direito). Requisitos objectivos:  benefícios excessivos ou injustificados.html a) (d)Ameaça de um mal grave. b) – conhecimento da situação de inferioridade e aproveitamento consciente para dela tirar benefícios. Neste caso parte da doutrina diz que ao faze-lo ele está a contribuir para a situação de perigo prolongando-a. ligeireza. b) (e)Justificado receio da consumação do mal.situação de necessidade. há sempre possibilidade de invocar o erro simples.http://apontamentosdireito. 113 . No caso da pessoa que se aproveita conscientemente da situação de necessidade ter o dever de auxiliar o necessitado (ex. mas em relação aos vários tipos de indivíduos. médico que o é obrigado pelo seu código deontológico). deve-se atender à viabilidade da sua execução. sendo que quem se aproveite não provoca essa situação. alguém que tinha o dever jurídico ex. desproporção manifesta entre as prestações que ultrapasse o que pode ter alguma justificação. No caso de ameaça de recorrer a vias judiciais (Capelo de Sousa defende que a ameaça termina a partir da sentença da 1ª instancia). mas a partir do momento em que cessa a ameaça. que confere à outra parte benefícios excessivos ou injustificados. estado mental ou fraqueza de carácter.

Ordem pública – conjunto de princípios fundamentais subjacentes ao sistema jurídico que o Estado e a sociedade estão interessados em que prevaleçam. no interesse do disponente. mas cessam a partir de certo tempo. b) Falta de livre exercício da vontade. b) O termo: subordinação pelas partes do negócio jurídico a um acontecimento futuro de verificação certa. abrangendo o conjunto de regras éticas aceites pelas pessoas honestas. Bons costumes – variam com os tempos e lugares. Noção variável ao longo dos tempos. # Incapacidade acidental: o artigo 257º prevê duas modalidades: a) Incapacidade de entendimento. de boa – fé num dado ambiente e num dado momento. Prevê-se a anulabilidade desde que se verifique um requisito: a notoriedade ou o conhecimento da perturbação psíquica.http://apontamentosdireito. de terceiro ou do próprio beneficiário – artigos 963º e 2244º. Elementos acidentais dos negócios jurídicos: a) A condição – artigo 270º : subordinação pelas partes do negócio jurídico a um acontecimento futuro de verificação incerta. pela qual nas doações e liberalidades testamentárias. Existem duas modalidades: termo suspensivo: neste caso fica subordinada a própria produção dos efeitos do negócio jurídico nos termos do 278º. o disponente impõe ao beneficiário a obrigação de adoptar um certo comportamento.html Mota Pinto defende ainda que tais negócios deverão ser nulos com fundamento em contrariedade à lei ou ofensa aos bons costumes – artigo 280º. Essa notoriedade é avaliada nos termos do artigo 257º/2 pelo princípio do bónus pater famílias.com/index. Saber se uma condição é suspensiva ou resolutiva é um problema de interpretação do negócio jurídico. ↔ 114 . tutelando-se. c) O modo: cláusula acidental.atspace. correctas. desta forma. Condições resolutivas: a verificação da condição importa a destruição dos efeitos negociais. Termo resolutivo: os efeitos produzem-se desde logo. a confiança do declaratário. Existem duas modalidades: condições suspensivas: à verificação da condição fica subordinada a produção dos efeitos do negócio.

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