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CONSTRUTIVISMO E SÓCIO-INTERACIONISMO NO ENSINO APRENDIZAGEM.
Izaura Cristina Damasceno dos Santos
Discente do Curso de Pedagogia da Universidade Paulista – Campus Belém

Resumo O presente artigo apresenta o construtivismo e o sócio interacionismo através das ideias de Jean Piaget e Lev Vygotsky, respectivamente. Tendo como principal objetivo descrever de maneira simplificada o que essas teorias representam no processo ativo de construção de conhecimento, ensino-aprendizagem. Este artigo busca primeiramente, mostrar diferentes aspectos das duas teorias. Num segundo momento, associa as concepções teóricas. Finalmente, aborda o contexto educacional à luz dessas teorias, ao mesmo tempo em que analisa criticamente este contexto. Palavras-chave: construtivismo, sócio interacionismo, períodos do desenvolvimento, Zona de Desenvolvimento Proximal, ensino aprendizagem, educação. Abstract This paper shows the constructivism and the social interactionism based on the Jean Piaget, Lev Vygotsky’s thoughts, respectively. The main purpose of this paper was to describe of simply way what that theories represents in the knowledge construction active process or learning teaching. This article aims, first, at showing the different respects of the theories. Second, it joins the theoretical conceptions. Finally, it describes about the education context in the light these theories, at the same time it does a critical analyze about this context. Key-words: constructivism, social interactionism, Zone of Proximal Development, intelligence, learning teaching, education.

1.

Introdução

Este artigo apresenta, basicamente, uma revisão teórica sobre as principais características de duas posições epistemológicas: teoria construtivista, por Jean Piaget e da teoria sócio interacionista, por Lev Vygotsky. A partir desta revisão pontua-se o papel de mediadores do conhecimento, professores, diante dessas teorias. Nesse contexto, esta análise buscou responder a seguinte problemática: Quais as possibilidades e a relevância de se utilizar destas teorias do desenvolvimento na formação dos alunos? Partindo da hipótese de que posições epistemológicas

A segunda representa a reestruturação das ações da assimilação do sujeito. nem gênese sem estrutura”. Piaget (1982. de maneira que este esteja confortável. Piaget reforça que o amadurecimento do sujeito passa pelo processo genético e a formação dependerá de certa estrutura deste amadurecimento. O Construtivismo de Piaget Para Piaget. e isto leva a duas percepções do processo inteligível do sujeito: a assimilação e a acomodação. BECKER. Por fim. Os caminhos metodológicos que direcionaram a construção deste artigo foram: a pesquisa bibliográfica e documental (MANN. O primeiro e o segundo definem as teorias de Piaget e Vygotsky no sentido de compor um arcabouço das ideias neste artigo. focando as principais diferenças e semelhanças. 1977) e o aprendizado se dá quando a assimilação sofrer acomodação. Por exemplo. é partindo de estímulos ou induções do ambiente a sua volta que cada sujeito se desenvolverá intelectualmente. seria um trabalho sem uma resposta favorável. de comportamento no sentido de esclarecer as teorias e associa-las a prática educacional. Portanto a educação. é uma área aberta para discussões produtivas que devem ser instigadas a partir dos estudos sobre a aprendizagem. Na definição de Piaget (1982) “não existe estrutura sem gênese. Nesta direção. 18) diz que “há adaptação a partir do momento em que o organismo se transforma em função do meio. Portanto. Destaca-se que qualquer teoria pode ser ampla em discussão. tão pouco idealizar conceitos para a abordagem educacional. seja piagetiana ou vygotskyana. Dessa maneira.2 podem ser consideradas uma forma para explicar como o sujeito. O quinto capítulo apresenta as considerações finais acerca de todo o conteúdo teórico abordado. a inteligência seria a formação de um processo adaptativo de um sujeito a contextos novos. E ainda afirma que “o carácter cada vez mais complementar . 1970. os quais permitam que ele absorva este conteúdo e alcance o entendimento do mesmo. p. A primeira refere-se à incorporação da realidade às ações do sujeito ou a transformação de determinado ambiente pelo sujeito. são indissociáveis. como qualquer adequação ou ajustamento biológico. Esta concepção descreve que o sujeito só poderá receber certa informação se estiver pronto para isso. no qual se necessita de uma (re) criação continuada de estruturas. Este processo adaptativo tem haver com o mundo a sua volta. para descrever as influências destes conceitos no contexto social de educação. o quarto pontua as principais características. O terceiro descreve a concepção de desenvolvimento dos teóricos. por isso não se pretende defender ideias. definindo construtivismo e sócio interacionismo. Assim. Ainda. “conhecimento é sempre uma assimilação ou interpretação” (Piaget. as duas percepções devem integrar-se. vai desenvolvendo seu intelecto e vai adquirindo novos conhecimentos. 1990) como processos canalizadores de construção de conhecimentos. e que esta variação tenha por consequência um aumento das trocas entre o meio e organismo que sejam favoráveis à sua conservação”. 2. a construção da realidade se revelou através de uma mudança de olhar. pois o processo de aprendizagem demanda um amadurecimento. ao longo de seu processo de evolução. o artigo de conclusão de curso está composto de quatro capítulos teóricos. ou seja. Parte-se do princípio de que o “olhar” de cada profissional da educação deve partir de referenciais que agreguem valor a seu pensamento e suas ações enquanto educadores. ensinar “Estequiometria” para crianças de dois a cinco anos. logo é imprescindível que o sujeito tenha capacidade ou desenvolvimento cognitivo.

mas abrangente.381) Neste contexto. construído pela interação entre estes e os objetos. nesta ocasião. numa espécie de progressão e a isto se chama construtivismo. só avança à medida que é organizada e animada pela própria inteligência”.98): Em síntese. 88. 1992. e de que.3 destas duas funções permitem-nos. reconstrói (no seu pensamento) este mundo. p. O conhecimento envolve sempre um fazer. com o simbolismo humano. 1982. (Piaget.. que cada indivíduo desenvolve sua inteligência a partir do nascimento passando por uma série de mudanças ordenadas e previsíveis. através de um intercambio com outro sujeito. na bagagem hereditária ou no meio. cria nosso próprio conhecimento”. (BECKER. porém Becker (1984) apresenta uma ideia simples. Para Piaget “o conhecimento não está pronto. cada sujeito está inserido em um contexto social específico e neste constitui relações. as quais dependem umas das outras. longe de se libertar da actividade (sic!) intelectual. Para Vygotsky. e ainda viabiliza uma abertura para estudos de psicologia do desenvolvimento. Ele se constitui pela interação do indivíduo com o meio físico e social. com seu objeto de estudo. explicando que é: (. sociologia e antropologia. pois servem como arcabouço teórico desta abordagem. nessa abordagem. . 3. Piaget consente que a pedagogia delineie formas e processos de ensino-aprendizagem com bases neste pensamento. pensamento. Ressalta-se que a proposta. em nenhuma instância. 1977) Muitos autores definem o construtivismo de Piaget. pelo contrário. um atuar do homem.) a ideia de que nada. Desse modo. o conhecimento não é dado. continuamente. concluir que a experiência. acabado. p. p.. está pronto. mas apenas descrevê-las de maneira simplificada. ou desempenho. Cada um de nós. assim. a rigor. vê-se que o construtivismo não pode ser considerado um método de ensino ou uma fórmula de como se ensina. Portanto. não é aprofundar em todas as teorias e ideias. 89) Neste caso. com o mundo das relações sociais. especificamente. mas uma forma que se tem de decodificar o próprio método ou fórmula. muito menos. de tal modo que podemos afirmar que antes da ação não há psiquismo nem consciência e. o pensamento piagetiano assinala que os seres vivos possuem um comportamento. sobre construtivismo. Piaget direciona a uma questão do conhecimento á luz de uma interação entre sujeito e os objetos a sua volta. o sujeito produtor de conhecimento não é um mero receptáculo que absorve e contempla o real nem o portador de verdades oriundas de um plano ideal. como algo terminado. as quais fazem com que ele ordene suas informações em relação aos objetos. O sócio interacionismo de Vygotsky A definição de sócio interacionismo se insere na ideia de que o desenvolvimento intelectual do sujeito se forma através das interações com o meio social. é um sujeito ativo que em sua relação com o mundo. Segundo Rego (2002. e se constitui por força de sua ação e não por qualquer dotação prévia. (Piaget.

Assim. Para Vygotsky esse processo egocêntrico reafirma que o pensamento vai do social para o individual. No contexto da infância Vygotsky determina dois níveis específicos. portanto. e por outro lado. os quais são apontados teoricamente como os signos e os instrumentos. signos e instrumentos. podem servir de auxilio nas ações reais e psicológicas e de acordo com Vygotsky. Para Vygotsky. Então a relação entre o sujeito e o mundo seria viabilizada por alguns “elementos de mediação”. Segundo Vygotsky (1989). Vygotsky (1987) diz que “é no significado da palavra que a fala e o pensamento se unem em pensamento verbal”. e assim somente assim o sujeito chega a um pensamento reflexivo. e a partir desta interação o sujeito desenvolverá seu arcabouço intelectual. transferência de formas dos outros para si. a criança tem que demonstrar que pode cumprir a tarefa sem nenhum tipo de ajuda. ou seja. Vygotsky denomina essa capacidade de realizar tarefas de forma independente de nível de desenvolvimento real (NDR).4 Vygotsky acredita que o individuo constrói suas concepções por intermédio da assimilação do conhecimento do ambiente social do qual faz parte. constituindo assim um monólogo sem a necessidade de um ouvinte. Essa dependência entre aprendizado e desenvolvimento é explicada através de um conceito chamado Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP). o desenvolvimento sai de uma condição social para a individual. transcorrendo para um processo individualista ou egocêntrico. Carrara (2004) explica que: Para ser considerada como possuidora de certa habilidade. Vygotsky não descarta a capacidade de um sujeito quando é criança. pensamento e linguagem têm ponto de partida na interação social. E os instrumentos seriam tudo o que o sujeito utiliza para ampliar a capacidade de transformar o ambiente e seus objetos. quais as funções que a criança consegue se dado assistência” (minha tradução). Então. fazem com que ele tenha capacidade de realizar tarefas e atividades cada vez mais difíceis sobre os objetos. quais as funções que a criança é capaz de vencer sem ajuda. Nas palavras de Castorina (1988) “o pensamento de Vygotsky sobre a formação de conceitos é uma concretização da sua hipótese básica: as formas culturais internalizam-se ao longo do desenvolvimento dos indivíduos e constituem-se no material simbólico que medeia sua relação com os objetos de conhecimento”. mas também . por abarcar uma relação entre quem aprende e quem ensina: aluno e professor. os signos são elementos facilitadores no desenvolvimento mental de um individuo. Nas palavras de Andy Blunden (2011). sendo que o primeiro é aquele em que a criança. com dois anos aproximadamente. acreditando que possui uma espécie de inteligência prática e com ela consegue resolver determinadas tarefas com auxilio de alguns instrumentos. intercedidos pelo social. como se o sujeito criasse um “discurso interior”. Todavia. os signos são divididos entre os indivíduos. Refere-se a etapas já alcançadas. Logo qualquer metodologia de aprendizagem é ensino-aprendizagem. a qual já está linguisticamente estruturada pelos indivíduos adultos. na utilização dos signos sucedem dois processos: a internalização e o uso de sistemas simbólicos. enquanto que o segundo a criança obtém respostas com a ajuda de outro (adulto). por um lado. a aprendizagem é essencial para o desenvolvimento do conhecimento. Ainda esclarecendo sobre a ZDP. direcionado ao próprio sujeito. Chama a atenção para o fato de que para compreender adequadamente o desenvolvimento devemos considerar não apenas o nível real da criança. o segundo processo se refere ao ordenamento estrutural dos signos. ou seja. por meio de símbolos indicados pela cultura. tem uma fala simbólica e um pensamento oral. esta zona conceituada por Vygotsky “refere-se a gama de funções psicológicas entre. fazendo com que haja comunicação entre eles e interação social. como resultado de processos de desenvolvimento já completados. Nota-se que ambos. O primeiro processo se refere a um momento em que o sujeito geralmente copia ou repete um discurso de outro.

Quando se refere ao processo de interação esta zona condiciona a mudanças significativas nas funções psicológicas do sujeito. mas também se apoiar a outro (abstrato) totalmente possível. O construtivismo de Piaget é uma teoria que apresenta estágios. reproduzidas pela Univesp TV. porém estes teóricos e suas ideias dialogam de modo que pode ser traçado um paralelo dos dois. aproximadamente. pois passam a ser superiores a partir da interação. que cita à capacidade de raciocinar e despertar para fatos e problemas da realidade. que é superior aos demais “a criança pode interagir sobre hipóteses ou sobre objetos” (Piaget. se tem outro período chamado de Operatório. Ao conhecer as teorias de Piaget e Vygotsky. bem como a cultura destes indivíduos. o jornalista francês Bringuier faz algumas indagações a Piaget referente às suas ideias de evolução da inteligência. que geram a construção do conhecimento. Sendo que Piaget divide a construção operatória em dois subperíodos: o Pré-operatório. começando a fazer imitações. Neste sentido. na interação com outro que possua outras habilidades. Então. o Pré-operatório. no concreto. o período operatório formal. no qual o indivíduo tem a capacidade de pensar a respeito do próprio “ato de pensar”. assim a aprendizagem ocorre no espaço entre o desenvolvimento real e o desenvolvimento potencial. etapas ou períodos específicos. a partir dos doze anos. então ele responde: . e então se constrói um sentido figurado. O Sensório-motor é aquele antes da linguagem. nota-se que a concepção de desenvolvimento de cada um converge para lados opostos. pelos quais os indivíduos passam no processo de construção da inteligência. que vai de dois aos sete anos e o Operatório concreto. Portanto a zona de desenvolvimento proximal se refere à capacidade que o sujeito tem de fazer algo sozinho e o que ele pode fazer com o auxilio de um mediador. apontando diferenças e semelhanças. Posteriormente. Neste período. O desenvolvimento intelectual para Piaget e Vygotsky.5 seu nível de desenvolvimento potencial (NDP) – a capacidade de desempenhar tarefas com a ajuda de adultos ou de colegas mais capazes. seria como se todo o conhecimento que o sujeito possui tivesse um arcabouço formado por interações sociais que o condicionaram a construção daquele conhecimento. A seguir. sócio interacionismo pode ser entendido como o movimento dialético entre os indivíduos. 1975 e 1976. consegue trabalhar e raciocinar não apenas com um fato concreto. Porém este raciocínio ainda se fundamenta no objeto. também incorpora significados. como o próprio nome já define. Vygotsky destaca em sua teoria que a linguagem tem um papel formador da própria consciência. 1977) Em outras palavras. Então. desenhos. Por fim. a linguagem passa a ser um objeto. é o momento em que se enxerga a inteligência prática da criança. que vai dos sete aos doze anos. da maneira que desenvolvem seu conhecimento e sua autonomia. o período operatório concreto se diferencia do anterior pela aquisição de um pensamento reversível. os períodos do desenvolvimento intelectual de um modo geral são: o sensório-motor. que vai de zero a dois anos. pois quando o individuo interioriza a cultura. 4. o operatório concreto e o operatório Formal. Em uma série de entrevistas nos anos de 1969. O pré-operatório seria o período das primeiras representações com o aparecimento da linguagem. no qual a criança lentamente caminha ao que se denomina de função simbólica ou figurada. e será este último que formará a base da sua consciência.

porém se o individuo não se relacionar em seu contexto cultural humano. . Portanto Crianças sejam quais forem as sociedades e as épocas passam na evolução da inteligência. Por outro lado. não se forma como um Ser humano. tão pouco segue etapas pré-determinadas. É importante destacar que Piaget e Vygotsky são de correntes epistemológicas distintas por isso é possível apenas traçar paralelos. começa-se a pensar na criança quantitativamente e qualitativamente diferente de um adulto. na concepção de Vygotsky o individuo é um Ser completamente social. ou que Vygotsky descarta o pensamento biológico. O primeiro parte por essência. similares ou aproximadas. Vygotsky direciona para a formação social do indivíduo. Na teoria vygotskyana ele se formará enquanto sujeito através da extração deste universo. mas isso não significa que Piaget. Nota-se que ambas as teorias apresentam possibilidades baseadas em seus próprios estudos e análises.” Assim. Desse modo. e deste para outro. e ainda mostra que as crianças podem apresentar semelhanças entre si. de fases. Piaget constatou através de seus estudos que mesmo crianças em contextos culturalmente distintos possuem características constantes. Através da teoria de Piaget vê-se a possibilidade de um indivíduo ter capacidade de se desenvolver intelectualmente através de construções. operando e modificando o mundo. seguindo uma ordem sequencial. Elas estão no mesmo nível de evolução. da qualidade desta interação. podem apresentar graus de desenvolvimento diferentes. de maneira mais ampla. comparadas umas com as outras. Então crianças em ambientes diferentes. não se relacionar com os outros indivíduos. Quando os estudos de Piaget começam a descrever o desenvolvimento da criança e suas características. pois cada fase é necessária à seguinte. Embora não pertença ao mesmo ambiente e a mesma cidade. Na teoria piagetiana o sujeito é formado na ação sobre um universo palpável. descobrindo esse universo. não pensou em nenhum momento na questão social. se apropria dela através das relações sociais e partir disso se constitui como sujeito. O mesmo ocorre com a teoria de Vygotsky. as experiências sociais que indivíduos têm ao longo da vida são fundamentais no processo de amadurecimento. é uma ordem sequencial. mas não há como estabelecer comparações. em contextos de desenvolvimento distintos. Para Vygotsky o ser humano não se encontra geneticamente determinado no seu desenvolvimento. de um ponto de vista biológico e o segundo prioriza o social. porém não se pode afirmar com toda certeza que agirá exatamente como se descreve. Vygotsky aponta para dois processos de desenvolvimento: o biológico e o social. porém isso dependerá da condição desta interação e. portanto necessariamente. Mas para Vygotsky o desenvolvimento progride do social para o individual. e ambos se agregam para constituir o homem. por exemplo. assim não se pode enxerga-las como determinações. na qual a interação poderá condicionar o sujeito a um pensamento superior e formador de consciência. a criança passará por um período para chegar a um segundo. que são as mesmas. pois ele nasce fazendo parte de um contexto específico. Assim. pois sujeito nasce em uma cultura. onde o sujeito passa por etapas de desenvolvimento. para Vygotsky o contexto cultural. Enquanto Piaget se volta para as estruturas do conhecimento.6 “Havia em um documento que me deram 25 crianças que eu não conhecia e todas dizendo a mesma coisa. pois cada indivíduo terá uma forma de desenvolver-se intelectualmente e isso dependerá do meio social no qual ele está inserido. Piaget descreve que o desenvolvimento progride do individual para o social. por uma ordem. na mesma idade.

cor e para uma criança de seis anos o interesse pode ser mais relacional: jogar e receber a bola do outro. Vygotsky considera que há um grau de desenvolvimento na criança e ao ensinar o professor deve respeitar este desenvolvimento. As ideias vygotskyanas mostram que a partir de um conhecimento inferior. ‘bombardeá-la’ de perguntas. o professor pode ir além e estimular o sujeito a sair do estágio mental atual para outro superior.7 5. As abordagens teóricas no contexto da realidade. a compreender a formação da estrutura e o desenvolvimento intelectual humano. Seria como se utilizar do cruzamento entre pensamento e linguagem. certamente. falarão como o modelo apresentado. no final de cada processo. bem como a ação sobre os objetos. a relação do indivíduo com o espaço físico. de cada momento de ensinoaprendizagem. que se converge na fala. o adulto deverá. não falarão à outra pessoa que a gripe é causada por uns ‘bichinhos’. diz que “uma bola para uma criança de dois anos pode ser fonte de interesse com relação a tamanho. além de usar nomenclaturas corretas e dar explicações coerentes. por isso faz-se necessário que as técnicas pedagógicas sempre sejam direcionadas a elucidar o valor da fala no processo de interação com o outro. visto que em determinado momento. o que favorece o seu desenvolvimento cognitivo e afetivo. através de ideias e pensamentos. possibilita pensar na ideia de características permanentes em determinada fase. é possível pensar a respeito da interação entre a criança e os objetos.”. respeitando as suas limitações. Um professor que tem conhecimento das teorias poderá utilizar-se delas para facilitar a relação com os alunos e o ambiente educacional. juntamente com a interação social.. escrita e verbal. Visto isso. na qual a criança se apropria das palavras do outro. empírico. Neste raciocínio Carrara (2004) diz que “eis aqui mais um momento privilegiado daquele que ensina: instigar a criança.. . elas sairão. De acordo com Carrara (2004) Ao ensinar/educar as crianças. para criar ambientes que favoreçam o processo de interação humana. em seu artigo sobre o brincar da criança. nos períodos previstos por Piaget. condicionam profissionais da educação. certamente elas assim o farão. Para os profissionais da educação a proposta seria ter como metodologia de trabalho o pensamento verbal. com um vocabulário mais rico e. que é para ele a base funcional principal do desenvolvimento humano. por exemplo. se alguém disser às crianças que a gripe é causada por um vírus e lhes der uma explicação plausível sobre o que é ‘isso’. utilizar sempre um vocabulário vasto. Vygotsky foi um dos primeiros teóricos a trabalhar com a ideia da influência das interações sociais no desenvolvimento do sujeito. o qual requer um raciocínio superior. Neste sentido.. Tornando mais claro. mais bem preparadas. com outras particularidades. partindo de estudos sobre a maneira que as crianças desenvolvem ou constroem conhecimentos básicos para chegarem a um conhecimento lógico. de acordo com a idade. se um professor que trabalha com crianças de quatro anos fazer uso contínuo de diminutivos. pedir sua opinião sobre algo. entre outros. As ideias piagetianas direcionaram a uma compreensão das características de estruturas cognitivas. em outro exemplo. entretanto no momento em que se ensina ocorre uma espécie de interferência nesse desenvolvimento. portanto em determinados momento faz-se necessário captar em qual fase ou período de desenvolvimento o individuo se encontra para conseguir fazer a abordagem correta. ainda. que satisfaçam o grau de desenvolvimento delas. A psicóloga Nina Oliveira. Mas. fazer gol”. reforçando a linguagem. a criança se encontra em determinado período ou fase com certas características e depois passa para a seguinte. O pensamento piagetiano. As palavras passarão informações a uma criança e a partir disso ela poderá construir e iniciar seu processo inteligível. Com isso.

Todavia. basta verificar um caminho a seguir e fazer uma abordagem que leve o aluno a desenvolver sua consciência. já que possui tais particularidades. partiu do interacionismo de Vygotsky. que tenham habilidades tais. essas teorias são vistas por alguns acadêmicos e profissionais da educação como algo muito distante da prática pedagógica e talvez isto seja pertinente. Rever as teorias construtivista e sócio interacionista. uma interação entre professor e aluno. no sentido de fomentar e agregar valor ao ensino aprendizagem. levando em conta um intercâmbio sociocultural. foram o arcabouço para este contexto teórico. sendo que este desenvolvimento pode ser acelerado pelo mediador. E o sócio interacionismo propõe que o professor trabalhe partindo de um conhecimento espontâneo do aluno para um conhecimento científico. A relevância de se rever construtivismo e sócio interacionismo esta no fato de que é fundamental que profissionais da educação tentem integrar um encargo teórico a realidade educacional. que lhes permitam desenvolver uma autonomia nas ações. Vygotsky nos expõe uma interação entre sujeito e grupo. incansavelmente. portanto há o ensino propriamente dito e mais ainda.8 Os profissionais da educação para Piaget e Vygotsky devem ser capazes de perceber e notar em que nível de desenvolvimento o sujeito se encontra e a partir dessa percepção fazer a abordagem que o conduza a se desenvolver. considerando que os tempos são outros. Considerações finais. Entretanto o construtivismo sugere que o professor é quem colocará o aluno em condição que o desequilibre. apenas as abordagens sobre construtivismo e sócio interacionismo à luz das ideias de Piaget e Vygotsky. E também se observa que a ideia de interação. um profissional que escolhe se inserir na educação deve. É importante relembrar que não se descartou ideias de outros teóricos. Mas. A teoria de Piaget conduz a ideia de que determinada didática ou proposta pedagógica poderá ser mais eficaz em um período específico do indivíduo. Em seguida este desenvolvimento deve respeitar o nível e não deve ser acelerado. bem como uma consciência reflexiva. tudo isso sem necessariamente ensiná-lo. mas a formação dos alunos não pode mudar do foco de indivíduos com conhecimento científico. onde a linguagem seria uma consequência do desenvolvimento. respectivamente. na qual a linguagem seria uma ferramenta auxiliar para estimular o aluno a se desenvolver. como as de Freinet ou Wallon. relembra que as bases da reforma educacional sofreram transformações a partir do construtivismo de Piaget. Piaget nos apresenta uma interação entre sujeito e objeto. 6. Partindo disso e de outras concepções. partindo do principio de que o aluno já possui um conhecimento empírico e se apropriará do que lhe está sendo ensinado para formar um pensamento individual. desencadeando a desconfiança e consequentemente o desenvolvimento das estruturas de inteligência. todavia Vygotsky enfatiza que o aluno pode e deve ser condicionado a outros raciocínios através de novos conceitos. o fato é que a época é outra. buscar meios que lhes façam mediadores de conhecimento para aqueles ainda em processo de desenvolvimento. Portanto ambos foram pioneiros em suas abordagens. sendo papel do professor desafiar o aluno criando um ambiente que o conduza ao raciocínio e assim o leve a aprender. Assim. . De modo que o “desequilíbrio” citado por Piaget e o ensino apontado por Vygotsky jamais deixem de estar presentes num contexto de aprendizagem.

A. pois ela não acontece sem interação social. a abordagem aqui presente tem por finalidade. porém tenham em mente que teoria e prática não podem mais se dissociar. para que os profissionais em formação entrem o Mundo Educacional com as mesmas bases teóricas dos profissionais de outrora. cabe a nós profissionais também acreditar. 1997. Portanto. Minidicionário da língua portuguesa. Acredito que a epístola de Piaget seria que o sujeito não poderá conceber um aprendizado se não for levado em conta o seu grau de desenvolvimento e a de Vygotsky seria que o papel das pessoas que compõem o ambiente escolar vem a ser importantes para a aprendizagem. S. E uma característica importante dos dois conceitos é que ambos acreditam na identidade do sujeito. Referências Bibliográficas AMORA. . São Paulo: Saraiva. Na verdade. 1ed. na qual alguns profissionais não procuram agregar teoria e prática. esta característica no ensino se deve pela pouca importância que as próprias faculdades de educação no Pará e no Brasil dão as teorias.9 Ainda que esta abordagem não seja inovadora. além dos objetivos inicialmente descritos. colocar em pauta as teorias de Piaget e Vygotsky de uma forma simples. uma educação ainda pautada nas aparências. vê-se em nosso contexto educacional Estadual e Nacional. embora elas estejam presentes nas grades curriculares. com uma linguagem acessível.

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