LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação Da Aprendizagem Escolar. 14ª Ed.

São Paulo: Cortez, 2002 1- CAPÍTULO I - RESUMO – Feito utilizando os trechos relevantes. Avaliação da aprendizagem escolar: apontamentos sobre a pedagogia do exame1 A análise de Luckesi (1991), acerca da Avaliação da aprendizagem escolar: apontamentos sobre a pedagogia do exame, demostram que “... a avaliação da aprendizagem ganhou um espaço tão amplo nos processos de ensino que nossa prática educativa escolar passou a ser direcionada por uma “pedagogia do exame.”, que atende aos interesses do sistema (controle social a partir dos percentuais de aprovação/reprovação e outros mecanismos implícitos ou explícitos); dos pais (a promoção dos alunos); dos alunos (as notas e promoção, independente da forma como foi obtida) e dos professores (instrumentos de ameaça e tortura prévia dos alunos, protestando ser um elemento motivador da aprendizagem.). A dimensão alcançada pelo sistema de exames polariza a todos e seus desdobramentos influenciam negativamente a relação professor e aluno que deixa de ser uma relação de ensino e aprendizagem, passando a ser uma relação de promoção/reprovação que tem os seguintes desdobramentos: • Provas para reprovar; • Pontos a mais e pontos a menos (promessa do professor para envolver os alunos com atividades que muitas vezes nada têm a ver com os conteúdos desenvolvidos); • Disciplinamento social dos alunos. Luckesi explica detalhadamente que essa realidade decorre das perspectivas histórica e filosófica da Educação – A origem Jesuítica e a Influência de Comênio; da dimensão estrutural da sociedade burguesa – a seletividade social e da dimensão psicológica: fetiche e medo que tem consequências:

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Publicado na revista Tecnologia Educacional, Rio de Janeiro, nº 20 (101): 82-6, jul./ago. 1991.

secundarização da função verdadeira da avaliação da aprendizagem seria auxiliar a construção da aprendizagem satisfatória.. A internalização de padrões de conduta poderá ser positiva ou negativa para o sujeito”...) A avaliação da aprendizagem utilizada de modo fetichizado é útil ao desenvolvimento da autocensura. sem que a coerção externa continue a ser exercitada.” (PÁGINA 26) • Sociológica (.. (PÁGINA 26).• Pedagógica . (PÁGINAS 25 e 26). desde que utilizada independentemente da construção da própria aprendizagem. (PÁGINA 25). talvez.. porém como ela está centralizada nas provas e exames..” (. a avaliação da aprendizagem então. de modo desigual..) a sociedade e estruturada em classes e. 2. secundariza o significado do ensino e da aprendizagem como atividades significativas em si mesmas e superestima os exames.. a avaliação da aprendizagem ganhou um espaço tão amplo nos processos de ensino que nossa prática educativa escolar passou a ser direcionada por uma “pedagogia do exame”. A seletividade social já está posta: a avaliação colabora com a correnteza. • Psicológica : (.. portanto. .TRECHOS RELEVANTES – tal qual está no livro “. (Página 17).. os padrões internalizados em função dos processos de avaliação escolar têm sido quase todos negativos.. “ .. (PÁGINA 25) “ O autocontrole psicológico. “..” (página 18). pode ser posta sem a menor dificuldade. seja a pior forma de controle. a prática pedagógica está polarizada pelas provas e exames. desde que o sujeito é presa de si mesmo.. De todos os tipos de controle.”.) “ . a favor do processo de seletividade. acrescentando mais um “fio d’água”. o autocontrole é a forma como os padrões externos cerceiam os sujeitos.

” (página 18).. “Atenção na promoção. “ Atenção nas provas.. por uma ameaça constante. vocês poderão se dar mal no dia da prova”.. . São operadas e manipuladas como se nada tivessem a ver com o percurso ativo do processo de aprendizagem”.” “ .. os professores se utilizam permanentemente dos procedimentos de avaliação como elementos motivadores dos estudantes. espera conseguir que seus alunos estudem. (Nota do autor). O professor utiliza-se das provas como um fator negativo2 de motivação. (página 18). O importante é que tenham notas para serem aprovados. O medo deve conduzí-los a estudar. (. protestando ser um elemento motivador da aprendizagem.) ((páginas 18 e 19). em geral estão na expectativa das notas dos seus filhos. por meio da ameaça. Quando o professor sente que seu trabalho não está surtindo o efeito esperado. “. para isso. Os alunos têm sua atenção centrada na promoção.“ O sistema de ensino esta interessado nos percentuais de aprovação/reprovação do total de educandos...” (página 19). os estudantes estão sempre na expectativa de virem a ser aprovados ou reprovados e. O que predomina é a nota: não importa como elas foram obtidas nem por quais caminhos.” (página 19) “ Os pais estão voltados para a promoção. servem-se dos mais variados expedientes. Os professores utilizam as provas como instrumentos de ameaça e tortura prévia dos alunos. (página 18). Os pais das crianças e dos jovens. Os pais estão desejosos que seus filhos avancem nas séries de escolaridade. anuncia aos seus alunos: “Estudem! Caso contrário. 2 “Negativo” no sentido de que o professor. “O nosso exercício pedagógico escolar é atravessado mais por uma pedagogia do exame que por uma pedagogia do ensino/aprendizagem”.

” Os pais cujos filhos apresentam notas significativas.” (página 20).“ Os professores vão à reunião para entregar os boletins aos pais e conversar com eles sobre as crianças que estão “com problemas”.” (páginas 19 e 20). pois demostram o quadro global dos alunos no que se refere ao seu processo de promoção ou não nas séries de escolaridade. dependendo das categorias com que forem lidos. as curvas estatísticas. estão articuladas com as provas. Tais problemas na maioria das vezes. não sentem necessidade de conversar com os professores de seus filhos (que reuniãp é essa. Sua leitura pode ser crítica ou ingênua. importa-lhes os resultados gerais: as notas os quadros gerais de notas. (página 20) As curvas estatísticas são suficientes.. Então em geral.. então. deseja verificar no todo das notas como estão os alunos”. nas quais estão centrados professores e alunos. que por sua vez..” (página 20). os pais se satisfazem com as notas boas. “Os estabelecimentos de ensino está centrado nos resultados das provas e exames. A aparência3 nos quadros estatísticos..” (página 20) “ O sistema social se contenta com as notas obtidas nos exames. esconde mais do que nossa imaginação é capaz de atentar. “ O ritual é criado para que efetivamente não haja um encontro educativo. 3 O termo “aparência” aqui está sendo compreendido como uma das categorias do método dialético na sua contraposição com o termo “essencia”. (página 20). por vezes.” (página 20). Aliáis os encontros são realizados de tal forma que não há meio de se conversar. se referem às baixas notas de aproveitamento. “ Aparentemente (só aparentemente). “. “. (Nota do autor) . em que os reunidos não têm interesse em conversar sobre o tema para o qual foram convidados?).” (página 20).

não tem nada a ver com o significado dos conteúdos escolares. exames e notas apresenta desdobramentos especialmente na relação professor-aluno”. A utilização das provas como ameaça aos alunos. 4 Ver o texto anteriormente citado “Avaliação Educacional Escolar: para além do autoritarismo”. e perduram ainda hoje. mas sim com o disciplinamento social dos educandos4. Saindo disso. A atenção centralizada nas provas. Esses fatos não se dão por acaso. se uma instituição escolar inicia um trabalho efetivamente significativo do ponto de vista de um ensino e de uma correspondente aprendizagem significativa. verbas que não chegam.” (PÁGINA 22). por vezes.” (Páginas 20 e 21). os mecanismos de controle são automaticamente acionados: pais que reclamam da escola. etc. Os professores elaboram suas provas para “provar” os alunos e não para auxiliá-los na sua aprendizagem.. “Em síntese: Os sistemas de exames. sob a égide do medo” (páginas 21 e 22). “Enquanto o estabelecimento de ensino estiver dentro dos “conformes”.“. por si. o sistema social se contenta com os quadros estatísticos. o sistema “coloca o olho” em cima dela.. “ Provas para reprovar. que não estão essencialmente ligadas a um determinado conteúdo. inquéritos administrativos. Os professores fazem promessas de “pontos a mais” ou “pontos a menos” em função de atividades escolares regulares ou extras. ou até em muitos casos.” (página 21). “ Uso da avaliação da aprendizagem como disciplinamento social dos alunos. (Nota do autor) . “Pontos a mais e pontos a menos. polarizam a todos. elaboram provas para “reprovar” seus alunos.” (página 21). “ Explicações. (Página 21).” (Página 21) “Desdobramentos. Tais práticas já estavam inscritas nas pedagogias dos séculos XVI e XVII. com suas consequencias em termos de notas e suas manipulações. social e politicamente.” (página 20). no processo de emergência e cristalização da sociedade burguesa.

(. pp. I. vem ganhando foros de independência da relação professor aluno. seja pela comunicação pública dos resultados. traduzindo o seu espírito. A sociedade burguesa. além de ser praticada com uma tal independência do processo ensino-aprendizagem.. Mais importante do que ser uma oportunidade de aprendizagem significativa.) aperfeiçoou ses mecanismos de controle. “ . Eram solenes essas ocasiões. 1980. (. As 5 Ver Karl Marx. ) Por fetiche entendemos uma “entidade” criada pelo ser humano para atender a uma necessidade. mas sim nos subterfúgios. universalizando-se5. “ A Reificação e a Consciência do Proletaiado”. mas que se torna independente dele e o domina. Rio de Janeiro. ver ainda Georg Lukács.) diz que o medo é um excelente fator para manter a atenção dos alunos.“ A pedagogia jesuítica. a avaliação tem sido uma oportunidade de prova de resistência do aluno aos ataques do professor.” (páina 22) “A pedagogia comeniana. Publicações Escorpião.. 1974. Comênio insiste na atenção especial que se deve dar à educação como centro da ação do professor... O professor pode e deve usar esse “excelente” meio para manter os alunos atentos às atividades escolares”.. Além de vivermos ainda sob a hegemonia da pedagogia tradicional (. “ O Fetichismo da mercadoria”. no capítulo Mercadoria de O Capital”... “ A avaliação da aprendizagem escolar. seja pela constituição das bancas examinadoras e procedimentos de exames. no seio da qual a pedagogia tradicional emergiu e se cristalizou.) estamos mergulhados nos processos econômicos.. Civilização Brasileira.) tinham uma atenção especial com o ritual das provas e exames. Porto. sociais e políticos da sociedade burguesa. (.. livro I. (.. O medo e o fetiche são mecanismos imprescindíveis numa sociedade que não opera na transparência.. (PÁGINA 22). (PÁGINA 23) “ Fetiche. (PÁGINA 23).” (PÁGINA 23).. vol. (Nota do autor) . In: História e consciência de classe. 97-233. Entre outros destacamos a seletividade escolar e seus processos de formação das personalidades dos educandos. seja pela emulação ou pelo vituptério daí decorrente.

seja ele explícito ou velado. “ O medo. Reiterado. (.. As médias entre os números e não expressões de aprendizagens bem ou malsucedidas.. Produz não só uma personalidade submissa como também hábitos de comportamento físico tenso que conduzem às doenças respiratórias.” (PÁGINA 24).. gástricas.notas são operadas como se nada tivessem a ver com a aprendizagem. porém estamos utilizando um castigo muito mais sutil – p sicológico. Internalizado. “ O castigo é o instrumento gerador do medo. Daí.. (PÁGINA 24). (. (PÁGINA 25) . a família e a escola utilizarem-se dele de forma exarcebada. O medo gera submissão forçada e habitua a criança e o jovem a viverem sob sua égide. Hoje não estamos usando mais o castigo físico explícito.” (PÁGINA 23 ) “.. secundariza o significado do ensino e da aprendizagem como atividades significativas em si mesmas e superestima os exames..) lembremos algumas: • pedagogiacamente. as médias são mais fortes do que a relação professor-aluno. uma relação entre sujeitos – professor e aluno – passa a ser uma relação entre coisas: as notas.. porém como ela está centralizada nas provas e exames... gera modos permanentes e petrificados de ação. sexuais etc. a Igreja. em função dos diversos tipos de stresses permanentes. (.) a função verdadeira da avaliação da aprendizagem seria auxiliar a construção da aprendizagem satisfatória.” (PÁGINA 24).. as notas se tornam a divindade adorada tanto pelo professor como pelos alunos. “ .. o Estado.. (PÁGINA 24). é um excelente freio às ações que são supostamente indesejáveis. “ . (PÁGINA 24) “ Consequencias da pedagogia do exame.

os padrões internalizados em função dos processos de avaliação escolar tê sido quase todos negativos. independentemente da construção da própria aprendizagem. um juizo de qualidade sobre dados relevantes para uma tomada de decisão.” (PÁGINA 26) • sociologicamente. seja a pior forma de controle. A seletividade social já está posta: a avaliação colabora com a correnteza. o autocontrole é a forma como os padros externos cerceiam os sujeitos. De todos os tipos de controle... acrescentando mais um “fio d’água”.. (.COMENTÁRIOS E OPINIÕES O desenvolvimento deste capítulo corrobora a definição de avaliação formulada pelo autor em 1991: “ . (PÁGINA 26)..(.) “ .) pedagogicamente a avaliação da aprendizagem.. desde que o sujeito é presa de si mesmo. portanto. de a favor do processo de seletividade. (PÁGINAS 25 e 26).” (.. ”. a avaliação da aprendizagem então. A internalização de padrões de conduta poderá ser positiva ou negativa para o sujeito”.. desde que utilizada modo desigual..) A avaliação da aprendizagem utilizada de modo fetichizado é útil ao desenvolvimento da autocensura.. sem que a coerção externa continue a ser exercitada. considero que uma prática escolar – seja lá em que perspectiva for – necessita possuir clareza do seu ponto de partida e o ponto que pretende alcançar: aperfeiçoar e/ou perpetuar o status quo ou transformá-lo? Para ser eficaz e eficiente . “ ... pode ser posta sem a menor dificuldade. (PÁGINA 25) “ O autocontrole psicológico. 3. Isto posto.. talvez. na medida em que estiver polarizada pelos exames não cumprirá a sua função de subsidiar a decisão da melhora da aprendizagem (PÁGINA 25) • psicologicamente. (.. (página 9).) a sociedade e estruturada em classes e..

Rozângela .nesta empreitada é urgente a superação da avaliação da aprendizagem escolar polarizada em provas e exames.

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