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  • 2.1. O estudo dos gêneros não é novo, mas está na moda
  • 2.2. O estudo dos gêneros mostra o funcionamento da sociedade
  • 2.3. Algumas perspectivas para o estudo dos gêneros
  • 2.4. Noção de gênero textual, tipo textual e domínio discursivo
  • 2.5. Gêneros textuais como sistema de controle social
  • 2.6. A questão da intergenericidade: que nomes dar aos gêneros?
  • 2.7 A questão intercultural
  • 2.8 A questão do suporte de gêneros textuais
  • 2.9 Análise dos gêneros na oralidade
  • 2.10 A análise de gêneros textuais na relação fala e escrita
  • 2.11 Domínios discursivos e gêneros textuais na oralidade
  • 2.12. Distribuição dos gêneros no continuum da relação fala-escrita
  • 2.13. Os gêneros emergentes na mídia virtual e o ensino
  • 2.14. A QUESTÃO DOS GÊNEROS E O ENSINO DA LÍNGUA
  • 2.15. Visão dos PCNs a respeito da questão dos gêneros
  • 2.16. GÊNEROS TEXTUAIS NA LÍNGUA FALADA E ESCRITA DE ACORDO COM OS PCNS
  • 2.17. Os gêneros textuais na sala de aula: as
  • 4. Produção final

Aline Horst Luciane Heffel de Oliveira

Talita Fassini Barili

Capítulo 2: Gêneros textuais no ensino de Língua

Luiz Antônio Marcuschi
Aluna: Aline Horst

2.1. O estudo dos gêneros não é novo, mas está na moda
O estudo dos gêneros não é novo. O que hoje se tem é uma nova visão do mesmo tema.

Atualmente, a noção de gênero já não mais se vincula apenas à literatura, mas “para referir uma categoria distintiva de discurso de qualquer tipo, falado ou escrito, com os sem aspirações literárias”(p. 147)‫‏‬

Num discurso operam três tipos de ouvinte:  como espectador que olha o presente.   como juiz que julga sobre coisas passadas.Para Aristóteles há três elementos compondo o discurso:    aquele que fala. discurso judiciário. como assembléia que olha o futuro. A esses três julgamentos associa três gêneros de discurso retórico:    discurso deliberativo. discurso demonstrativo (epidítico)‫‏‬ . aquele a quem se fala. aquilo sobre o que se fala e.

situandose na ação presente. DISCURSO DEMONSTRATIVO: caráter epídico.DISCURSO DELIBERATIVO: aconselhar/desaconselhar. de elogio ou censura. voltado para o futuro por ser exortativo por natureza. ou seja. DISCURSO JUDICIÁRIO: acusar ou defender e reflete-se sobre o passado. .

uma forma de organização social.Carolyn Miller (1984): gêneros são uma “forma de ação social”. . uma ação retórica. uma estrutura textual. Um “artefato cultural” importante como parte integrante da estrutura comunicativa de nossa sociedade. uma forma de ação social. um esquema cognitivo. Objetivo hoje é distinguir as idéias de que gênero é: uma categoria cultural.

agindo de acordo com essa crença. Muitos fatos sociais são realidades constituídas tão-somente pelo discurso situado. 150) .2.2. O estudo dos gêneros mostra o funcionamento da sociedade Charles Bazermann (2005: 19-46) trabalha a noção de fato social: “é aquilo em que as pessoas acreditam e passam a tomar como se fosse verdade.”(p.

. 150).Pergunta: Por que os membros de comunidades discursivas específicas usam a língua da maneira como o fazem? Bhatia (1997: 629): “(. .. A variação dos entendimentos existentes é um problema atual nos estudos de gêneros . Cada gênero textual tem um propósito bastante claro que o determina e lhe dá uma esfera de circulação.) há aí ações de ordem comunicativa com estratégias convencionais para atingir determinados objetivos”(p.

“Na realidade. o estudo dos gêneros textuais é hoje uma fértil área interdisciplinar. 1984) corporificadas na linguagem. 151)‫‏‬ . Desde que não concebamos os gêneros como modelos estanques nem como estruturas rígidas. com atenção especial para a linguagem em funcionamento e para as atividades culturais e sociais. mas como formas culturais e cognitivas de ação social (Miller. cujos limites e demarcação se tornam fluidos” (p. somos levados a ver os gêneros como entidades dinâmicas.

Kress.mais geral: influência de Bakhtin. Fairclough. .3. Adam. 3. Bazermann.2. alimentada pela teoria de Halliday com interesses na análise lingüística dos gêneros.sistêmico-funcional: Escola Australiana de Sydney.linha bakhtiniana: com a perspectiva vygotskyana socioconstrutivista da Escola de Genebra (Schneuwl/Dolz) e com o interacionismo sociodiscursivo de Bronckart. 4. (PUCSP)‫‏‬ 2. Algumas perspectivas para o estudo dos gêneros No Brasil: 1.“swalesiana”: linha da escola norte-americana mais formal e influenciada por John Swales (1990). Bronckart. Miller.

..sociorretórica de caráter etnográfico voltado para o ensino de segunda língua (Swales. 4. . 5. Berkenkotter). Gülich. Bazermann. 2. Schneuwly): perspectiva geral de caráter psicolingüístico ligado ao sociointeracionismo.sistêmico-funcional (Halliday): texto e contexto. Bhatia): estágios na estrutura do gênero. 3.análise crítica (Fairclough. 7- sociorretórica/sócio-histórica e cultural (Miller. bem como sua relação com o poder.comunicativa (Steger. 6. Kress): Gênero como tipo particular de atividade social. Dolz.Perspectivas pelo mundo: 1. Bergmann.interacionista e sociodiscursiva de caráter psicolingüístico e atenção didática voltada para a língua materna (Bronckart.sócio-histórica e dialógica (Bakhtin).. Freedman): gênero com atenção para a compreensão do funcionamento social e histórico.

154) . Noção de gênero textual. de inserção prática nas atividades comunicativas humanas” (p. tipo textual e domínio discursivo  A comunicação verbal só é possível por algum gênero textual.2. Bronckart (1999. 103) “a apropriação dos gêneros é um mecanismo fundamental de socialização.4.

argumentação. sintáticos. O tipo caracteriza-se muito mais como seqüências lingüísticas (retóricas) do que como textos materializados.Conceitos Tipo textual: designa uma espécie de construção teórica definida pela natureza lingüística de sua composição (aspectos lexicais. O conjunto de categorias para designar tipos textuais é limitado e sem tendência a aumentar. Quando predomina um modo num dado texto concreto. estilo). são modos textuais. Em geral. relações lógicas. exposição. . os tipos textuais abrangem cerca de meia dúzia de categorias conhecidas como: narração. injunção. dizemos que esse é um texto argumentativo ou narrativo etc. a rigor. descrição. tempos verbais.

constituindo em princípio listagens abertas. São entidades empíricas em situações comunicativas e se expressam em designações diversas.Gênero textual: são os textos que encontramos em nossa vida diária e que apresentam padrões sociocomunicativos característicos definidos por composições funcionais. . bate-papo no computador.. São formas textuais escritas ou orais bastante estáveis. carta pessoal. histórica e socialmente situadas. Exemplos: telefonema. cardápio de restaurante. sermão. sociais. institucionais e técnicas. resenha. carta comercial. objetivos enunciativos e estilos concretamente realizados na integração de forças históricas..

). mas dá origem a vários deles. discurso religioso etc.Domínio discursivo: não abrange um gênero em particular. discurso jornalístico. São práticas discursivas nas quais podemos identificar um conjunto de gêneros textuais que às vezes lhe são próprios ou específicos como rotinas comunicativas institucionalizadas e instauradoras de relações de poder (discurso jurídico. .

155)‫‏‬ Gêneros e tipos não são opostos. em que predominam descrições e exposições. São complementares e integrados. . formas constitutivas do texto em funcionamento. não formam uma dicotomia.“Não se pode tratar o gênero de discurso independentemente de sua realidade social e de sua relação com as atividades humanas” (p. Carta pessoal: possui uma variedade de seqüências tipológicas.

Barros (2004): sobre o domínio pedagógico .

comunicativas. propósitos. ações e conteúdos.  Carolyn . dando inteligibilidade às ações retóricas. São entidades dinâmicas. históricas. A tipicidade de um gênero vem de suas características funcionais e organização retórica” (p. “Gêneros não são entidades formais. ligadas a domínios discursivos. recorrentes e estabilizadas em formatos mais os menos claros”(p. 159). mas sim entidades comunicativas em que predominam os aspectos relativos a funções. Miller (1984): “os gêneros são formas verbais de ação social estabilizadas e recorrentes em textos situados em comunidades de práticas em domínios discursivos específicos. ligadas a determinadas comunidades discursivas. situadas. orientadas para fins específicos. 159). Assim os gêneros de tornam propriedades inalienáveis dos textos empíricos e servem de guia para os interlocutores. sociais.

 Por serem sócio-históricos e variáveis. Hoje procura-se explicar como eles se constituem e circulam socialmente. o que deixou de ser preocupação dos estudiosos. tornou-se muito difícil fazer uma classificação de gêneros.  Maingueneau (2204) propôs uma divisão dos gêneros em três grandes conjuntos partindo do seu regime de generecidade: .

no jornalismo. na filosofia. médicas..  Gêneros conversacionais: gêneros de menor estabilidade e sem organização temática previsível como as conversações. consultas. Situam-se na literatura... Gêneros autorais: mantêm um caráter de autoria pelos traços de estilo. . Realizam-se em entrevistas radiofônicas. Não mudam muito de situação para situação e suas marcas autorais de manifestam menos..  Gêneros rotineiros: comuns no dia-a-dia.

 O próprio autor mudou a classificação pela inadequação do termo “rotineiro”. 160).Regime de gêneros conversacionais . .. Exemplo: telefonema.Regime de gêneros instituídos (conteria gêneros autorais e rotineiros)‫‏‬  “Todos os textos realizam um gênero e todos os gêneros realizam seqüências tipológicas diversificadas (. Ele defende que se distinga: ..) os gêneros são em geral tipologicamente heterogêneos”(p.

É muito mais uma forma de vida e uma forma de ação (Wittgenstein). O funcionamento de uma língua é um processo de integração social. A língua é uma atividade sociointerativa de caráter cognitivo. A linguagem está presente na vivência cultural humana. sistemática e instaurada de ordens diversas na sociedade. 161). Gêneros textuais como sistema de controle social  “Os gêneros são atividades discursivas socialmente estabilizadas que se prestam aos mais variados tipos de controle social e até mesmo ao exercício de poder”(p.2. Todos os nossos textos situam-se nas vivências estabilizadas em gêneros.5. (p. O aspecto discursivo vai muito além do objetivo de comunicação e de informação. 163)   .

pois eles se imbricam e interpenetram para constituírem novos gêneros.2.6. A questão da intergenericidade: que nomes dar aos gêneros? É difícil nomear cada gênero de texto. Muitas vezes o nome surge em atenção ao propósito comunicativo ou função. Gêneros são nomeados com base em alguns critérios. .

Na imprensa: contaminação de gêneros e hibridização para chamar mais a atenção e motivar a leitura. (p. Heterogeneidade tipológica -> um gênero com a presença de vários tipos.Intergenericidade -> um gênero com a função de outro. Autor defende a posição de que o livro didático é um suporte e não um gênero.170) . Livro didático: constitui um todo feito de partes que mantêm suas características.

Capítulo 2: Gêneros textuais no ensino de Língua Luiz Antônio Marcuschi Aluna: Talita F. Barili .

que trabalhava como intérprete em encontros de negócios entre comerciantes chineses e alemães. Para os chineses. Um sinólogo alemão. . apontou a preferência dos comerciantes alemães por contar piadas em negociações comerciais.7 A questão intercultural  “A escolha de um gênero que pode ser usado para servir a uma certa função interativaem nossa cultura pode se tornar inadequada numa situação cultural diferente. é considerado inapropriado contar piadas durante encontros de negócios. o uso de provérbios tanto na oralidade como na escrita chinesa é um sintoma de boa educação.2. e as piadas não são esperadas neste contexto.”  Da mesma forma.

tendo em vista a pluralidade cultural. social. temática. mas frisar a variação lingüística. Um aspecto importante a tratar é o problema da variedade cultural dentro de um mesmo país e como isso deveria ser encarado pelo próprio livro didático. crenças valores etc. Não se deveria privilegiar o urbanismo elitizado. de costumes. Isto é um convite claro para o ensino situado em contextos reais da vida cotidiana.  A vivência cultural humana está envolta em linguagem e todos os textos situam-se nessas vivências estabilizadas simbolicamente.  Estes deveriam oferecer um ensino culturalmente sensível. .

2. . pois ele próprio é um gênero.  Suporte -> Um locus físico ou virtual com formato específico que serve de base ou ambiente de fixação do gênero materializado como texto. O suporte é imprescindível para que o gênero circule na  sociedade e deve ter alguma influência na natureza do gênero suportado.8 A questão do suporte de gêneros textuais  Equivocam-se os manuais quando falam no dicionário como portador de gênero.  A idéia central é que o suporte não é neutro e o gênero não fica indiferente a ele. Enquanto que a embalagem é um suporte e não um gênero.

pois não se trata de fenômenos discretos e não se pode dizer onde um acaba e outro começa. suporte e outros aspectos.  É muito difícil contemplar o contínuo que surge na relação entre gênero.   Suporte é um lugar (físico ou virtual) Suporte tem formato específico Suporte serve para fixar e mostrar o texto. Exemplo:   Carta pessoal (GÊNERO) –> Papel-carta (SUPORTE) –> Tinta (MATERIAL DA ESCRITA) -> Correios (SERVIÇO DE TRANSPORTE) .

propagadas. declarações.  O outdoor. Não é fácil estabelecer a mesma cadeia para todos os gêneros. convites. hoje é claramente identificado como suporte público para vários gêneros. durante muito tempo foi classificado como gênero porém. . editais.  O suporte firma ou apresenta o texto para que se torne acessível de certo modo e. nem com o canal em si. comunicados. com preferência para publicidades. O suporte não é neutro e o gênero não fica indiferente a ele. anúncios. não deve ser confundido com o contexto nem com a situação. mas isso serve para pensar as unidades componentes dessa cadeia. nem com a natureza do serviço prestado.

produzidos para esta finalidade. Livro Livro didático Telefone Quadro de avisos Jornal (diário) Revista (semanal/mensal) Revista Científica (boletins e anais) Rádio Televisão Outdoor Encarte Folder Luminosos Faixas .Tipos de SUPORTE: • Convencionais -> típicos ou característicos.

Embalagens Muros Roupas Corpo Humano Paredes Pára-choques e pára-lamas de caminhão Paradas de Ônibus Estações de Metrô Calçadas Fachadas Janelas de Ônibus (Meios de Transporte em geral) . mas não são destinados a esse fim de modo sistemático nem na atividade comunicativa regular.• Incidentais -> podem trazer textos.

Serviços em função da atividade comunicativa Não devem ser situados entre os suportes textuais.   Correios (Programa de) E-mail    Mala-direta Internet Homepage e site . mas sim como SERVIÇOS. sejam os incidentais ou convencionais.

2.9 Análise dos gêneros na oralidade

A relevância da investigação dos gêneros textuais reside

no fato de serem usados pelos participantes da
comunicação lingüística como parte integrante de seu conhecimento comum.

Um gênero seria uma noção cotidiana usada pelos
falantes que se apóiam em características gerais e situações rotineiras para identificá-lo. Tudo indica que existe um saber social comum pelo qual os falantes se orientam em suas decisões acerca do gênero de texto que estão produzindo ou que devem produzir em cada contexto comunicativo.

Os falantes lançam mão de conhecimentos de três grandes sistemas cognitivos (que agem interativamente) para processar seus textos:
- Saber lingüístico - Saber enciclopédico - Saber interacional

Com base nestes conhecimentos os interlocutores

especificam o gênero de texto que estão sendo
produzidos durante sua fala.

Os gêneros são modelos comunicativos – servem muitas

vezes para criar uma expectativa no interlocutor e
prepará-lo para determinada reação.

Os interlocutores seguem em geral três critérios para designarem seus textos:
 

Canal / meio de comunicação Critérios formais

Natureza do conteúdo

A máxima da adequação tipológica – deveria haver, em cada gênero textual, uma relação estreita entre:

  

Natureza da informação
Tipo de situação Relação entre os participantes Natureza dos objetivos

. já não se poderia dizer o mesmo a respeito de uma conversa realizada durante um encontro casual num bar da esquina.”  No entanto. Os gêneros textuais não são fruto de invenções individuais.  Também poderia ser estabelecida uma certa correlação entre gêneros textuais e formas de condução dos tópicos discursivos. Assim. mas formas socialmente maturadas em práticas comunicativas na ação linguageira. no caso de um debate ou de uma conferência caberiam observações do tipo:   “Gostei porque ele se ateve ao tema do começo ao fim.” “Não gostei porque ele divagou demais e toda hora entrava em outros temas.

é de supor que também haja variações culturalmente marcadas quanto às formas produzidas. . mas constituem as práticas sociais. já que as culturas são diversas em sua constituição. E. como os gêneros textuais não só refletem.

podem variar de cultura para cultura.  Os gêneros são padrões comunicativos socialmente utilizados.2. . que funcionam como uma espécie de modelo comunicativo global que representa um conhecimento social localizado em situações concretas.10 A análise de gêneros textuais na relação fala e escrita  Os gêneros textuais ancoram na sociedade e nos costumes e ao mesmo tempo são parte dessa sociedade e organizam os costumes.  Os gêneros são apreendidos no curso de nossas vidas como membros de alguma comunidade.

considerando-se as condições de produção (concepção) e recepção oral e escrita (aspecto medial.  Tudo isso surge naquelas sociedades como práticas culturais rotineiras. tal como editorial de um jornal diário ou uma bula de remédio em nossas sociedades. Sociedades tipicamente orais desenvolvem certos gêneros que se perdem em outras tipicamente escritas e penetradas pelo alto desenvolvimento tecnológico. . gráfico ou fônico). . O gráfico a seguir representa as mesclagens dos gêneros  na relação fala-escrita. benzeções das rezadeiras. lamentos das carpideiras.Ex: cantos medicinais.

que é a produção original. D Concepção (escrita) C • (D) Noticiário de TV. • (B) Entrevista publicada na Veja Concepção = aponta para a natureza do meio em que o texto foi originalmente expresso ou exteriorizado. • (C) Texto científico.Tanto (B) quanto Meio (gráficos) A Meio (sonoro) B (D) seriam domínios mistos das mesclagens de modalidades. Em (C). – Exemplos: • (A) Conversação espontânea.• Em (A) – o domínio tipicamente falado quanto ao meio e quanto à Concepção (oral) concepção. . o domínio escrito.

11 Domínios discursivos e gêneros textuais na oralidade  Domínio discursivo – uma esfera da vida social ou institucional na qual se dão práticas que organizam formas de comunicação e respectivas estratégias de compreensão.  Os domínios discursivos produzem modelos de ação comunicativa que se estabilizam e se transmitem de geração para geração com propósitos e efeitos definidos e claros.  Pelas distintas práticas sociais desenvolvidas nos diversos domínios discursivos que sabemos que nosso comportamento discursivo num circo não pode ser o mesmo que numa igreja (por exemplo) .2.

. mas se a análise for feita em outras culturas. subordinando práticas sociodiscursivas orais e escritas que resultam nos gêneros. Os domínios discursivos operam como enquadres globais de superordenação comunicativa. 194 .196  Parece que hoje há mais gêneros textuais na escrita do que na fala.  Há domínios discursivos mais produtivos em diversidade de formas textuais e outros mais resistentes.Ver quadro p. . possivelmente essa situação se inverteria totalmente.

Capítulo 2: Gêneros textuais no ensino de Língua Luiz Antônio Marcuschi Aluna: Luciane H. Oliveira .

Distribuição dos gêneros no continuum da relação fala-escrita * No círculo intermediário estão alguns gêneros intermodais.2.12.197 . * pág. que são de difícil localização em uma ou outra modalidade.

 Gêneros realizados: transmuta alguns gêneros existentes e desenvolve alguns novos. Todos os gêneros ligados à internet são gêneros textuais baseados na escrita.  Natureza enunciativa: integram-se mais semioses que o usual. abundância de abreviaturas não convencionais. . Os gêneros emergentes na mídia virtual e o ensino Crystal escreveu em seu livro A linguagem e a internet. estruturas frasais pouco ortodoxas e escrita semi-alfabética.13. sobre “o papel da linguagem na internet e o efeito da internet na linguagem”. ortografia bizarra. Para ele três aspectos podem ser frisados:  Linguagem: pontuação minimalista.2.

Estado de anonimato dos bate-papos favorece o lado instintivo. estilísticas e liberalidades quanto ao conteúdo. um conjunto específico de novos gêneros textuais. desenvolvidos no contexto da mídia virtual. Analisa de modo particular.Ainda segundo Crystal(2001). desde a escolha do apelido até as decisões lingüísticas.  A comunicação mediada por computador abrange todos os formatos de comunicação e os respectivos gêneros que emergem nesse contexto. o discurso eletrônico pode ser considerado ainda em estado selvagem e indomado sob o ponto lingüístico e organizacional.  .

pelo menos. mudam sensivelmente nossa relação com a oralidade e a escrita. . apresentam peculiaridades formais próprias. quatro aspectos: gêneros em franco desenvolvimento e fase de fixação cada vez mais generalizados. oferecem a possibilidade de se rever alguns conceitos tradicionais a respeito da textualidade. o que nos obriga a repensá-la.É importante tratar esses gêneros textuais por . não obstante terem contrastes em gêneros prévios.

Listagem de gêneros textuais virtual: e-mail chat em aberto chat reservado chat agendado chat privado entrevista com convidado emergentes no domínio da mídia  e-mail educacional  chat aula  vídeoconferência interativa  de discussão lista  endereço eletrônico  weblog  … .

listas de discussão e weblogs. mas sistemáticas.  Embora haja um sistema lingüístico subjacente a cada língua. mas a escrita tende a ser mais informal. menor monitoração e cobrança pela fluidez do meio e rapidez do tempo.Os gêneros textuais mais utilizados são os e-mails. no caso dos usos lingüísticos.  . Em todos eles a comunicação se dá pela linguagem escrita. chats. As variações não são aleatórias. ele não impede a variação.

como foi inicialmente sugerido? . é possível indagar-se: QUE TIPO DE PRÁTICA SOCIAL EMERGE COM AS NOVAS FORMAS DE DISCURSO VIRTUAL PELA INTERNET? Podemos chamar de letramento digital. mesmo sendo relações em geral virtuais.Todos os gêneros aqui tratados dizem respeito a interações entre os indivíduos. Diante de tudo isso.

Comunicação assíncrona Cartas impressas memorandos Interação em grupo Interação um a um conferências Interação face a face Comunicação síncrona .Os gráficos 1 e 2 trazem uma relação que tenta eliminar a visão dicotômica e ao mesmo tempo mostra que há uma certa diferença entre o ambiente sonoro/impresso e o meio digital.

.Há uma ordem muito clara entre os gêneros na comunicação digital mediada por computador e sua relação se dá de forma não aleatória e sua criação obedece a critérios bastante rigorosos.

podemos dizer que ali se dão interações entre indivíduos no seguinte leque geral: .Considerando apenas a natureza das relações entre os participantes e os gêneros aqui vistos.

 .2.14. pois em determinados momentos somos confrontados apenas com um consumo receptivo e em outros casos temos que produzir os textos. A QUESTÃO DOS GÊNEROS E O ENSINO DA LÍNGUA Será que há algum gênero ideal para tratamento em sala de aula? Existem gêneros mais importantes que outros?  Há gêneros mais adequados à leitura do que outros e há outros que são mais adequados à produção.

o que nos leva ao núcleo da perspectiva sociointeracionista. Além da diversidade textual. . A distribuição da produção discursiva em gêneros tem como correlato a própria organização da sociedade.Há muito mais gêneros na escrita do que na fala. na indústria e produção do conhecimento. ainda temos a visão de Bakhtin(1979) que aponta os gêneros textuais como esquemas de compreensão e facilitação da ação comunicativa interpessoal. no comércio. Tudo isso tende a diversificar de maneira acentuada as formas textuais utilizadas. devido ao papel que a escrita desempenha em nossa sociedade: nas tarefas do diaa-dia.

a forma culta referente à norma padrão e socialmente prestigiada. como se a fala fosse a vernacular. .  LF e LE se dão relacionadas ao contexto do contínuo dos generos textuais. a forma de comunicação espontânea e a escrita. ou tratar as especificidades de cada modalidade como polaridades.15.  Parece que fala e escrita se oporiam. pelo interesse pedagógico.2. nem são produções em situações polares.  Circulam na escola a respeito da relação entre a modalidade oral e a escrita a idéia de que a escrita é mera transposição da fala. Visão dos PCNs a respeito da questão dos gêneros  língua falada e língua escrita não se opõem de forma dicotômica.

. a  brasileiro fala mal.Preconceitos que a escola deveria se livrar:  existe uma única forma certa de falar.  fala certa é a de determinada região. A escola deveria evitá-las mostrando que há diversas formas de se expressar de acordo com as situações. de utilização adequada da linguagem. os contextos e os interlocutores. A questão não é de correção da forma. ou seja. mas de sua adequação às circunstâncias de uso. o  preciso consertar a fala do aluno para evitar que ele escreva é errado. a  fala certa se aproxima do padrão da escrita.

.2. GÊNEROS TEXTUAIS NA LÍNGUA FALADA E ESCRITA DE ACORDO COM OS PCNS  Não se faz uma distinção sistemática entre tipos textuais e gêneros textuais.  Confusão entre oralidade e escrita.16.  Consideram-se apenas os gêneros com realização lingüística mais formais e não os mais praticados nas atividades lingüísticas cotidianas. não há clareza quanto a critérios que seriam usados para estabelecer essas distinções.

Quadro I – p 40 Gêneros previstos para a prática de compreensão de textos .

Quadro 2 – p 43 Gêneros previstos para a prática de produção de textos LINGUAGEM ORAL LINGUAGEM ESCRITA LITERÁRIOS LITERÁRIOS  Conto  Poema  Entrevista  Notícia  Editorial  Carta DE IMPRENSA  Debate  Depoimento DE IMPRENSA do leitor  Entrevista  Relatório de  Exposição DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA  Seminário  Debate DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA experiência  Esquema e resumo de artigos ou verbetes de enciclopédia .

conversações espontâneas. cartas. consultas. etc? Por que não analisar formulários. anúncios. bulas. receitas. Os PCNs não negam que tenham mais gêneros. documentos. mas estes não são lembrados. Por que não trabalhar telefonemas. discussões. etc para a escrita? . bilhetes. diários. atas de condomínios. horóscopos.

” .2. Como se acham sempre ancorados em alguma situação concreta.  Seguem a posição bakhtiniana de que “ Para possibilitar a comunicação . gêneros. toda sociedade elabora formas relativamente estáveis de textos que funcionam como intermediários entre o enunciador e o destinatário.17. que se realiza empiricamente em textos. a saber. os autores julgam plausível partir de situações claras para trabalhar a oralidade.  Schneuwly chamou os gêneros textuais de mega-instrumentos. Os gêneros textuais na sala de aula: as ‘seqüências didáticas’  Dolz e Schneuwly desenvolvem a noção de gênero concebido como instrumento de comunicação. particularmente os orais.

mas. Segundo os autores.”  Dimensões essenciais do gêneros segundo Bakhtin: 1. 2. . para dizer que se trata de um conjunto articulado de instrumentos à moda de uma usina. fundamentalmente. “o gênero é um instrumento semiótico constituído de signos organizados de maneira regular. é por isso que o chamamos por vezes mega-instrumento. isto é. A estrutura comunicativa particular do textos que pertencem ao gênero. E aprender a falar é apropriar-se de instrumentos para falar em situações discursivas diversas. Os conteúdos que se tornam decidíveis no gênero. este instrumento é complexo e compreende níveis diferentes. As configurações específicas de unidades lingüísticas como traços da posição enunciativa do enunciador e de tipos discursivos que formam essa estrutura. apropriar-se de gêneros. trata-se de um instrumento que permite realizar uma ação numa situação particular. 3.

em torno de um gênero textual ou escrito.  trabalho distribui-se ao longo de todas as séries do ensino O fundamental. com atenção para o processo de relação entre produtores e receptores. .  procedimentos têm um caráter modular e levam em conta tanto a Os escrita como a oralidade . de maneira sistemática.Modelo de trabalho em seqüências didáticas de Joaquim Dolz. Michèle Noverraz e Bernard Schnewly para o ensino de gêneros nas séries fundamentais. ou seja.  idéia central é de que devem criar situações reais com contextos A que permitam reproduzir em grandes linhas e no detalhe a situação concreta de produção textual incluindo sua circulação.  Seqüência didática = conjunto de atividades escolares organizadas.

A finalidade de trabalhar com seqüências didáticas é proporcionar ao aluno um procedimento de realizar todas as tarefas e etapas para a produção de um gênero. Esquema de seqüência didática Apresentação da situação Produção inicial Módulo 1 Módulo 2 Módulo 3 Produção final .

1. televisão. Conteúdos a serem desenvolvidos. . qual sua modalidade. De que área se trata e sobre o que falarão. Qual gênero a ser produzido. Define-se a modalidade: oral ou escrita. a forma q terá a produção(rádio.Procedimentos envolvidos no modelo de seqüências didáticas. 3. Apresentar exemplares do genero a ser realizado. O primeiro encontro com o genero pode ter o acompanhamento do professor para discutir aspectos de sua organização. 2. devem ter relação com o gênero a ser trabalhado. Apresentação da situação Tarefa a ser desenvolvida pelos alunos. para quem ele é produzido. papel. 1. Os alunos podem discutir sobre a questão. jornal etc. Ler ou ouvir textos do mesmo genero.

É o primeiro contato com o gênero. Pode ser um esboço geral. Elaborar glossário. até que se tenha treinado suficientemente a elaboração final do texto. Primeiro trabalham-se os problemas que surgiram na produção inicial. mas seguem uma seqüência do mais complexo ao mais simples para. no final. 2. Os Módulos 1.: Como foi a representação da situação de comunicação? Como foi a elaboração dos conteúdos? Planejamento do texto? Realização do texto? 3. 3. (p 216) 4. posteriormente serão feitos os ajustes até a produção final. Não são fixos. . voltar ao mais complexo que é a produção textual. Podem ser vários. Momento de capitalizar todas as aquisições feitas ao longo dos outros módulos. É avaliada pelo professor recebendo nota ou conceito. A primeira produção 1. Ex. o aluno deve adquirir a linguagem técnica para se expressar sobre o que está fazendo. Num terceiro módulo. A produção inicial é a primeira formulação do texto que pode ser individual ou coletiva. Pode-se fazer atividades de observação e análise de textos.2. 2.

4. . Produção final 1.A avaliação deve levar em conta tanto os progressos do aluno como tudo o que lhe falta para chegar a uma produção efetiva de seu texto segundo o gênero pretendido. após análise da produção inicial. O aluno põe em prática o que aprendeu ao longo dos módulos.

A produção do aluno é valorizada. aprende-se também algo a respeito da teoria do texto e do gênero. do próprio comportamento de linguagem. A estratégia da modularidade com que é desenvolvido o trabalho situa as ações no contexto da realidade e não naturaliza o trabalho com a língua.Observações sobre os procedimentos apresentados. Ensina-se a produzir textos e.           Não separa a oralidade da escrita como se fossem dois domínios dicotômicos. . em conseqüência de uma conscientização do processo. A produção textual é considerada uma atividade que se situa em contextos da vida cotidiana e os textos são produzidos para alguém com algum objetivo. O produto final é o resultado de um processo que pode passar por muitas revisões. A modularidade permite que os casos de insucesso sejam retrabalhados e recebam atenção especial sem que isso ocasione transtornos. A oralidade e a escrita devem ser tratadas de forma clara e o centro da atenção é o gênero. As produções consideram as características de cada gênero e suas necessidades. exteriorizada. Há textos que se prestam para um trabalho mais efetivo na oralidade e outros na escrita. O texto escrito pode ser considerado como uma forma permanente .

Questões de ortografia: não deve sobrepor-se ao trabalho efetivo com a produção textual. coordenação e subordinação. paragrafação e assim por diante. mas os problemas de pontuação podem ser tratados dentro dos módulos. .Uma perspectiva textual 1. 2. tempos verbais. pontuação. Questões gramaticais: problema da organização da frase.

Agrupamento dos gêneros e progressão: .

.

4.18. Os textos são um objeto legítimo de estudo e que a análise de seus níveis de organização permite trabalhar a maioria dos problemas relativos à língua em todos os aeus aspectos. 3. 2.2. Para elaborar uma série didatica para trabalhar generos textuais. A Proposta de Bronckart   1. (p 222) Identificar as capacidades adquiridas (p 222) Elaborar e produzir atividades de produção ( 222) Avaliar as novas capacidades adquiridas (p 222) (ver modelo didático – p 223) . Bronckart sugere uma atividade de quatro fases: Elaborar um modelo didático.

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