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Manual Gestacao Alto Risco 2011

Manual Gestacao Alto Risco 2011

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A indicação da tentativa de impedir o TPP deve ser criteriosa. O trabalho de parto

não deve estar em estágio avançado, a vitalidade fetal deve estar preservada, não

87

Prematuridade

devem existir patologias maternas que possam pôr em risco a mãe e o concepto e não

pode haver infecção intrauterina.
Estima-se que a tocólise possa e deva ser indicada em cerca de 20% dos casos

de TPP.

Como condições de uso, estabelece-se que a idade gestacional não deve ser maior

que 34 semanas, a dilatação cervical deve ser menor que 4 cm e o esvaecimento do

colo uterino, não pronunciado. As membranas devem estar íntegras.
A terapia deve ser iniciada precocemente, assim que se estabeleça o diagnóstico de TPP.

Agentes tocolíticos

Beta-adrenérgicos

Dá-se preferência às drogas de efeito predominantemente beta-2 (com ação em mio-
métrio, vasos sanguíneos e bronquíolos), como a terbutalina, fenoterol, salbutamol e a

ritodrina. Acoplam-se aos receptores beta-adrenérgicos da membrana celular do músculo

promovendo a ativação da adenilciclase com consequente conversão de adenosina trifos-
fato (ATP) em adenosina monofosfato (AMP) cíclico. Essas reações promovem dimi-
nuição da concentração intracelular de Ca+

, prevenindo ativação das proteínas contráteis.
Esses medicamentos devem ser administrados por via endovenosa. No Brasil

o medicamento mais usado tem sido a terbutalina, em infusão endovenosa (cinco

ampolas em 500 ml de solução glicosada a 5%, com gotejamento controlado de
40 a 80 gotas por minuto, no máximo). A administração do medicamento deve ser
mantida por 24 horas após o bloqueio das contrações uterinas.
A efcácia atribuída a seu uso é de 45 a 92%. No entanto, apresenta efeitos

colaterais importantes e frequentes, como taquicardia, hipotensão, hipocalemia,
precordialgia, edema agudo de pulmão e outros efeitos colaterais menos graves,

incluindo cefaleia, êmese, tremores de extremidades, febre e alucinações.
O uso de betamiméticos por via oral não apresenta nenhum resultado satisfatório
na inibição de contrações uterinas.

Atosibano

Durante o trabalho de parto, a ocitocina estimula a contratilidade miometrial por

meio da conversão do fosfatidilinositol trifosfato a inositol trifosfato. Essa molécula

liga-se a uma proteína no retículo sarcoplasmático, levando à liberação de cálcio

livre no citoplasma. Os antagonistas dos receptores da ocitocina competem com

esse hormônio pelos receptores presentes na decídua e no miométrio, impedindo o

aumento do cálcio livre intracelular.

FEBRASGO – Manual de Orientação Gestação de Alto Risco

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O atosibano é um antagonista específco da ocitocina de utilização IV e cuja
especifcidade pelos receptores da ocitocina no útero mostra maior segurança clínica
sem apresentar efeitos colaterais signifcativos15
.
Possui duas apresentações (0,9 mL e 5 mL). A dose de ataque é realizada com
a infusão, em 1 minuto, por via endovenosa de um frasco de 0,9 mL. A seguir, dois
frascos de 5 mL são adicionados a 90 mL de soro glicosado ou fsiológico. Essa
infusão deve ser administrada na velocidade de 24 mL por hora durante 3 horas. Os
28 mL restantes devem ser infundidos com a velocidade de 8 mL por hora por mais
3 horas e meia. Se houver necessidade, nova solução pode ser preparada com 10 mL
de atosiban em 90 mL de soro, que deverá ser infundida na velocidade de 8 mL/hora

por até 45 horas

Apesar de demonstrar bons resultados, o elevado custo do tratamento pode invia-
bilizar sua utilização em centros médicos de países em desenvolvimento.

Inibidores do cálcio (nifedipina, verapamil)

Inibem a entrada do cálcio extracelular através da membrana citoplasmática, im-
pedem a liberação do cálcio intracelular do retículo sarcoplasmático e aumentam a

saída do cálcio da célula miometrial.
Existem vários protocolos de administração do medicamento por via oral. Não
há posologia bem defnida. A dose mais recomendada é de uma cápsula de 10 mg

via oral a cada 20 minutos até se obter o cessar das contrações, utilizando-se, no

máximo, três cápsulas em 1 hora. A manutenção deve ser feita com comprimidos de
20 mg a cada 8 horas por 48 horas.
Sua efcácia em prolongar a gestação ainda carece de ensaios clínicos bem con-
trolados. Por serem vasodilatadores periféricos, os bloqueadores do canal de cál-
cio podem causar rubor facial, cefaleia, tonturas, palpitações e hipotensão arterial.

Sulfato de magnésio

Sua ação como inibidor de TPP seria competir com o cálcio, impedindo a sua

entrada pela membrana da célula miometrial. Embora se tenha acreditado em sua
ação como tocolítico, as revisões têm concluído que sua ação não é melhor do que a
do placebo. Era usado na dose de 4 g, EV, por hora.

Inibidores de prostaglandina: indometacina

Atuam inibindo a cicloxigenase, enzima responsável pela síntese de prostaglan-
dinas a partir do ácido araquidônico. A indometacina é a mais utilizada para a ini-
bição do TPP, na forma de supositórios de 100 mg a cada 12 a 24 horas, por 3 dias.
Sua efcácia ainda é discutível.

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Prematuridade

Dentre os efeitos colaterais maternos, destacam-se: náuseas, vômitos e disfunção

plaquetária. Dos efeitos colaterais fetais mais comumente relacionados, podem ser

citados o oligoâmnio e o fechamento precoce do ducto arterioso, principalmente
quando a droga é utilizada após a 32a

semana.

Outras drogas como óxido nítrico, inibidores da fosfodiesterase, inibidores
da ocitocina (etanol)

Não há comprovação de sua efcácia como inibidores de contrações.

Refratariedade da fbra miometrial: progesterona

A progesterona tem sido mais usada como droga proflática na evitação da
prematuridade, mas não se mostrou efcaz após o desencadeamento do trabalho de
parto prematuro. Os estudos demonstram que doses de 100 a 200 mg por dia, por
via vaginal, são sufcientes para diminuir índices de prematuridade em população
de risco. A dose máxima diária permitida de progesterona é 800 mg.

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