CONTABILIDADE INTERNACIONAL

PROFª MONICA V. ENCINAS

2012 – 1º SEMESTRE

Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre)

SUMÁRIO
Parte I - Processo de Convergência das Normas Internacionais de Contabilidade 1 - Introdução 2 - Convergência das Normas Internacionais de Contabilidade 2.1 - Histórico do Processo de Convergência das Normas Internac. de Contabilidade 2.2 - Razões, Vantagens e Desvantagens 3 - Principais Órgãos envolvidos no Processo de Convergência 3.1 - Órgãos Brasileiros 3.2 - Órgãos Internacionais 3.3 - Órgãos Norte-americanos 4 - Principais Causas das diferenças entre os países na Emissão de Normas Contábeis 4.1 - Classificação dos Sistemas Contábeis 4.2 – Causas das Diferenças Internacionais 4.2.1 - Características, natureza e tipo de sistema legal vigente 4.2.2 - Forma de captação de recursos pelas empresas 4.2.3 - Nível de influência, credibilidade e status (amadurecimento) da profissão contábil 4.2.4 - Vinculação da Legislação Tributária com Contabilidade Societária 4.2.5 - Nível de qualidade da educação na área contábil 4.2.6 – Outras Razões 4.3 - Exercícios Parte I I- Normas Internacionais de Contabilidade Introdução - Internacional Financial Reporting Standards (IFRS) 1 – Apresentação das Demonstrações Contábeis (IAS 01) Exercícios s/ IAS 01 2 - Práticas contábeis, mudança de estimativas contábeis e erros Exercícios s/ IAS 08 3 - Eventos Subseqüentes Exercícios s/ IAS 10 4 - Arrendamento Mercantil (Leasing) Exercícios s/ IAS 17 5 - Resultado por Ação (IAS 33) Exercícios s/ IAS 33 6 - Ativos Intangíveis (IAS 38) Exercícios s/ IAS 38 7 - Relatório por Segmento (IFRS 8) Exercícios s/ IFRS 8 8 - Conceito de Valor Justo (FASB) (SFAS 157) Exercícios s/ SFAS 157 9 - Ativos de Longo Prazo Mantidos para Venda e Operações Descontinuadas (IFRS 5) Exercícios s/ IFRS 5
Profª. Mônica Encinas

03 03 03 04 04 05 06 07 09 10 11 12 13 14 14 15 15 16 16 20 20 22 32

(IAS 08)

36 38

(IAS 10)

42 43 (IAS 17) 45 49 52 54 56 61 64 66 68 70 71 74

______________________________________________________________________________

2

Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre)

PARTE I - CONVERGÊNCIA DAS NORMAS DE CONTABILIDADE
1 – INTRODUÇÃO
A Harmonização das Normas Contábeis não é apenas uma questão teórica a ser estudada. A credibilidade da informação contábil no cenário mundial pode ser afetada pela falta de comparabilidade das demonstrações contábeis, o que poderá prejudicar o interesse por investimentos diretos e indiretos por parte dos investidores estrangeiros. O desejo por uma contabilidade harmonizada internacionalmente e de alta qualidade não é recente. Todavia, somente nos últimos anos a pressão pela harmonização tem se tornado mais efetiva. Companhias transnacionais não são entidades recém estruturadas, mas a aceleração dos negócios num mercado mundial tem encorajado operações genuinamente internacionais. O órgão que desempenha um papel de destaque no processo de harmonização das normas contábeis internacionais é o IASB (International Accounting Standards Board), órgão responsável pela emissão das IFRS (International Financial Reporting Standards).

2 – HARMONIZAÇÃO DAS NORMAS CONTÁBEIS

A harmonização contábil pode ser conceituada como o processo de trazer os padrões contábeis internacionais para algum tipo de acordo tal que as demonstrações contábeis de diferentes países sejam preparadas segundo um conjunto comum de princípios de mensuração e disclosure. A harmonização não objetiva chegar a normas uniformes, mas a obter equivalência e comparabilidade. Harmonização tem sido confundida erroneamente com completa Padronização. Sobre isso nos diz John A Wilson apud Belkaoui (1985, p.57):
O termo Harmonização em relação à Padronização implica em uma reconciliação de diferentes pontos de vista. Isto significa um processo de alcance de conciliação e não de uniformização, particularmente quando padronização significa dizer que os procedimentos e normas de um país deveriam ser adotados por todos os outros. Harmonização vem a ser uma questão de melhor comunicação, de informação de uma forma que possa ser interpretada e compreendida internacionalmente.

Paton e Littelton (1940, p.3) já na década de 40 vislumbravam possíveis problemas contábeis oriundos da desarmonização:
Os relatórios das empresas têm assumido uma característica pública: eles têm se tornado base de dados para o investidor, o empregado, o consumidor e o governo. O princípio reconhecido e o método seguido em compilar e registrar contas têm se tornado questão de interesse amplo. Nesta situação, a necessidade por uma estrutura de padrões contábeis consistente é evidente.
______________________________________________________________________________
Profª. Mônica Encinas

3

Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 2.1 – Histórico da Harmonização Contábil
O debate profissional em torno da harmonização internacional da contabilidade teve origem em St. Louis, em 1904, durante o “Primeiro Congresso Internacional de Contadores”. O assunto foi discutido no congresso posterior, realizado a cada cinco anos, no entanto sem nenhum progresso efetivo. A questão da harmonização foi retomada no final dos anos 50 por Jacob Kraayenhof, sócio de uma das maiores empresas de auditoria da Holanda. Este defendia que o AICPA (American Institute of Certified Public Accountants) deveria coordenar comitês contábeis em várias grandes nações. O AICPA não respondeu ao desafio. Em 1970, na tentativa de estreitar as diferenças entre os procedimentos contábeis adotados por cada país, a União Européia tentou, de 1970 a 1980, implementar um programa de harmonização das legislações contábeis. O programa também não obteve sucesso. Finalmente em 1973 foi criado o IASC (International Accounting Standards Committee), predecessor do IASB, por órgãos de contabilidade nacionais de diversos países e sobre o qual falaremos mais tarde.

2.2 -

Razões, Vantagens e Desvantagens

A rapidez com que alguns mercados desenvolvidos estão adotando as normas internacionais indica claramente que dentro em breve essa será a única saída para os países cujas empresas desejem captar recursos externos. Até 2005 cerca de 90 países deverão ter suas empresas divulgando informações financeiras de acordo com as normas internacionais de contabilidade. Um problema adicional neste cenário é que as empresas com interesse na negociação de títulos nas Bolsas de Valores ou em outras formas de captação de recursos, além dos mercados nacionais, acabam incorrendo em custos e consumo de tempo adicional para apresentação das demonstrações contábeis na linguagem contábil do país fornecedor de capitais. Além disso, existe o risco do constrangimento com as freqüentes alterações – ou até mesmo, inversão no resultado das empresas, oriundas da elaboração de um segundo conjunto de demonstrações contábeis. A figura 2.1 abaixo ilustra o caso de algumas empresas que tiveram seu resultado alterado ao converter suas demonstrações financeiras para os US GAAP (United States Generally Accepted Accounting Principles).

ANO
1993 1992 1992 1999 1999

EMPRESA
Daimler-Benz Norsk Hydro News Corporation Copel Telemar

País de Origem
Alemanha Noruega Austrália Brasil Brasil

Resultado Original
370 milhões 167 milhões 502 milhões 289 milhões (286,11 milhões)

Resultado Convertido
(1 bilhão) 1,7 bilhões 241 milhões (283 milhões) (1.087 milhões)

Moeda
Dólares Americanos Coroas Norueguesas Dólar Australiano Dólares Americanos Dólares Americanos

______________________________________________________________________________
Profª. Mônica Encinas

4

sociais. para eles o processo de harmonização de normas contábeis implica redução de opções de práticas contábeis apropriadas. O principal deles é o IASC. • Diferentes normas contábeis devem ser derivadas de diferentes conjuntos de postulados para diferentes sistemas culturais. Fernando Pereira Tostes e Luiz Carlos Gomes de Melo apresenta ainda outras desvantagens: • Desafio à soberania nacional. ______________________________________________________________________________ Profª. • Dificilmente padrões internacionais de informações divergentes conseguem conciliar as diferenças. e é sobre ele que iremos nos focar. política de preços e decisão de alocação de recursos. Um artigo publicado em 1995 pelos autores Dr. políticos e econômicos. • • Desvantagens • Alguns contadores são extremamente contra quaisquer esforços no sentido de harmonizar normas contábeis porque acreditam que a harmonização impede o progresso contábil ao refutar práticas contábeis bem fundamentadas. • Redução de tempo e custo relacionado à conversão de demonstrações financeiras de subsidiárias estrangeiras. responsável pela emissão das normas internacionais de contabilidade. Na maioria dos países o Governo. visando atender a determinada situação temporária. além de tornar o mercado de capitais internacional mais eficiente. Mônica Encinas 5 . é uma das principais fontes de regulação da contabilidade. será feita apenas uma rápida apresentação. • • • 3 – PRINCIPAIS ÓRGÃOS ENVOLVIDOS NO PROCESSO DE CONVERGÊNCIA Dentro do processo de harmonização das normas contábeis. na qualidade de arrecadador de impostos. Ex: cheque pré-datado. além de harmonizarem suas normas.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) Vantagens Facilitar análises comparativas de resultados financeiros de empresas nacionais estrangeiras. Muitos países não têm ainda uma normatização contábil adequada. podemos citar alguns órgãos que muito tem contribuído para seu desenvolvimento. • Ajudar os usuários externos das demonstrações financeiras a avaliar o desempenho das empresas a nível mundial. • A harmonização desconsidera diferença de costumes comerciais e tradições culturais. • A Harmonização irá facilitar transações internacionais. ou seja. pois cada entidade possui características próprias. Algumas vezes governos locais lançam políticas fiscais provisórias. Estes países. Ausência de julgamento subjetivo em se tratando de interpretação e divulgação de eventos econômicos. Com relação aos demais. • Empresas que precisam de capital externo para crescimento terão vantagem por apresentar demonstrações financeiras comparáveis. poderiam organiza-las internamente. legais.

Comissão de Valores Mobiliários Em 1976 foi divulgada a Lei 6. tem competência para regulamentar com observância da política definida pelo Conselho Monetário Nacional. A CVM tem poderes para disciplinar. desenvolver e aprimorar as questões éticas e técnicas da profissão do auditor e do contador e. Ressalte-se que não exerce papel fiscalizador em relação a qualquer informação divulgada pelas companhias. denominada Lei das Sociedades Anônimas.CFC . o órgão representativo da classe contábil é o Conselho Federal de Contabilidade.404. Em outubro de 2005.1. normatiza o Setor Elétrico. SPC. como por exemplo o Banco Central do Brasil. Entre suas atribuições referidas na Lei. normatiza os Fundos de Pensão e a Agência Nacional de Energia Elétrica.1 . Mônica Encinas 6 . através da Lei 6385/76.1 – ORGÃOS BRASILEIROS ENVOLVIDOS NO PROCESSO DE CONVERGÊNCIA 3. Superintendência de Seguros Privados . foi criado o Instituto dos Auditores Independentes do Brasil. Aneel.CVM . também é parte de sua missão. órgão normativo do sistema financeiro. a disciplina e a fiscalização do mercado de valores mobiliários.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 3. normatizar e fiscalizar as atividades profissionais do contador. cujas atribuições são orientar. CFC. a Secretaria de Previdência Complementar. CPC.2 .IBRACON – Instituto dos Auditores Independentes do Brasil Em 1971. por isto normatiza e almeja a sua padronização.Susep. Seu poder normatizador abrange todas as matérias referentes ao mercado de valores mobiliários. mas preocupa-se com a regularidade e confiabilidade. normatiza as seguradoras. ______________________________________________________________________________ Profª. 3. CVM.Conselho Federal de Contabilidade No Brasil. O objetivo é similar ao do FASB e do IASB que é o de centralizar a emissão de normas contábeis no país. especificamente voltado para o desenvolvimento.1. Destacam-se também organismos governamentais que determinam práticas contábeis para cada segmento do mercado que regulam. ao mesmo tempo. Auxiliar na difusão e na correta interpretação das normas que regem a profissão.3 . O Ibracon tem a função de discutir. foi criado o Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Nesse mesmo ano foi criada a Comissão de Valores Mobiliários. Bacen. atuar como porta-voz dessas categorias diante de organismos públicos e privados e da sociedade em geral. 3.1. possibilitando aos profissionais conhecê-la e aplicá-la de forma apropriada. IAIB. que normatiza as instituições financeiras. criar normas e fiscalizar a atuação dos diversos agentes integrantes do mercado. atualmente denominado Ibracon.

Poderão ser formadas Comissões e Grupos de Trabalho para temas específicos.Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) Criado pela Resolução CFC nº 1. . .Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). Outras entidades ou especialistas poderão ser convidados. Características Básicas: . o preparo e a emissão de Pronunciamentos Técnicos sobre procedimentos de Contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza.Secretaria da Receita Federal.As seis entidades compõem o CPC. também. Produtos do CPC: . O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) em função das necessidades de: .FIPECAFI.1.O Conselho Federal de Contabilidade fornece a estrutura necessária. ______________________________________________________________________________ Profª.055/05.IBRACON. diversas entidades o fazem). não auferem remuneração. serão sempre convidados a participar representantes dos seguintes órgãos: . auditor.O CPC é totalmente autônomo das entidades representadas. . O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) foi idealizado a partir da união de esforços e comunhão de objetivos das seguintes entidades: .BOVESPA. para permitir a emissão de normas pela entidade reguladora brasileira. sofrer esse processo. o CPC tem como objetivo "o estudo. levando sempre em conta a convergência da Contabilidade Brasileira aos padrões internacionais".Conselho Federal de Contabilidade. mas outras poderão vir a ser convidadas futuramente. redução de riscos e custo nas análises e decisões. redução de custo de capital). e . intermediário. . . Além dos 12 membros atuais.APIMEC NACIONAL. .convergência internacional das normas contábeis (redução de custo de elaboração de relatórios contábeis. . As Orientações e Interpretações poderão.Os membros do CPC. .Orientações. . dois por entidade.ABRASCA.4 .Comissão de Valores Mobiliários (CVM). na maioria Contadores. e . usuário.centralização na emissão de normas dessa natureza (no Brasil.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 3. deliberando por 2/3 de seus membros. Mônica Encinas 7 . .Interpretações. academia. governo). . Os Pronunciamentos Técnicos serão obrigatoriamente submetidos a audiências públicas. visando à centralização e uniformização do seu processo de produção. . .Pronunciamentos Técnicos.representação e processo democráticos na produção dessas informações (produtores da informação contábil.Banco Central do Brasil.

Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre)
3.2 – ORGÃOS INTERNACIONAIS ENVOLVIDOS NO PROCESSO DE CONVERGÊNCIA

3.2.1 – International Accounting Standards Board (IASB) O IASB foi precedido pelo IASC (International Accounting Standards Committee), e foi fundado como instituição privada em 29 de Junho de 1973, em Londres (Grã-Bretanha), por acordo feito entre profissionais de nove países: Austrália, Canadá, França, Alemanha, Japão, México, Países Baixos, Reino Unido e Estados Unidos. Outros países foram se associando gradativamente, entre os quais o Brasil, e hoje ele reúne mais de 140 países. Outros organismos se associaram e apoiaram o IASC, entre eles o IFAC em 1982, o IOSCO em 1987, o FASB (Financial Accounting Standards Board) em 1991 e a Comunidade Européia em 1995. Os ministros das finanças dos países que formam o grupo do G7 e Fundo Monetário Internacional apóiam o uso das normas a fim de fortalecer a estrutura financeira internacional. O comitê da Basiléia expressa apoio no de 2000.
Em 1º de abril de 2001 o IASB assumiu a responsabilidade de emissão de padrões contábeis internacionais, tornando-se então uma fundação sem fins lucrativos. De acordo com a sua constituição, o IASB tem os seguintes objetivos:

a)

Desenvolver, no interesse público, um único conjunto de normas contábeis globais de alta qualidade, inteligíveis, exeqüíveis, que exijam informações de alta qualidade, transparentes e comparáveis nas demonstrações contábeis e em outros relatórios financeiros, para ajudar os participantes do mercado de capital e outros usuários em todo o mundo a tomar decisões econômicas;

b) c)

Promover o uso e a aplicação rigorosa dessas normas; e Promover a convergência entre as normas contábeis locais e as Normas Internacionais de Contabilidade de alta qualidade. Com o intuito de expandir a representatividade dos organismos interessados nas informações

contábeis, o IASB estabeleceu um grupo consultivo internacional, formado por representantes de usuários e preparadores das informações contábeis, organismos emissores de padrões contábeis e demais organismos da profissão contábil. Quanto à sua estrutura, o IASB é subordinado à Fundação IASC, entidade sem fins lucrativos, com sede nos Estados Unidos, conta com 19 curadores, que indicam os membros do colegiado do IASB, do colegiado de interpretações e do conselho assessor de padrões. Segue abaixo uma figura que demonstra a atual estrutura do IASB.

______________________________________________________________________________
Profª. Mônica Encinas

8

Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre)

Fonte: IASB

IASC (International Accounting Standards Committee) – O Comitê de Padrões Internacionais de Contabilidade é um órgão que monitora, supervisiona o IASB. SAC (Standards Advisory Council) – O Conselho Consultivo de Padrões é o organismo internacional através do qual grupos e indivíduos fazem recomendações ou aconselham o IASB. Foi presidido pelo Professor Nelson Carvalho. IFRIC (International Financial Reporting Interpretations Committee) – O IFRIC é o órgão responsável por interpreter a aplicação dos padrões do IASB no contexto do seu referencial teórico (framewoerk). Atualmente (fevereiro de 2012) encontram-se em vigor as seguintes normas: 29 IASs (International Accounting Standard) – emitidos pelo IASC; e 9 IFRSs (International Financial Reporting Standard) – emitidos pelo IASB.

3.2.2 – International Organization of Securities Commission (IOSCO)
O IOSCO foi criado em abril de 1983 a partir do encontro entre 11 agências reguladoras das Américas, realizado em Quito. Ele nasceu da transformação do seu antecessor inter-American Regional Association (criado em 1974) em uma verdadeira corporação internacional. Em 1984, pela primeira vez, agências reguladoras de fora das Américas se juntaram ao grupo, sendo elas da França, Indonésia, Korea e Reino Unido. Vinte anos mais tarde, esta organização está presente em mais de 181 países e continua crescendo rapidamente. Ele é responsável pela regulação de mais de 90% do Mercado de Capitais no mundo.

3.2.3 – International Standards of Accounting and Reporting (ISAR)
O ISAR (Intergovernamental Working Group of Experts on International Standards of Accounting and Reporting) foi formalmente criado em 1982, pelo Comissariado das Nações Unidas. Ele foi criado para estudar o impacto das grandes corporações multinacionais sobre o desenvolvimento das relações internacionais.
______________________________________________________________________________
Profª. Mônica Encinas

9

Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 3.2.4 – International Federation of Accounting Committee (IFAC)
O IFAC foi fundado em 1976, tendo sendo sido precedido por ouros organismos: o ICA (International Congress of Accounts), fundado em 1904 e o ICCAP (International Coordination Committee for the Accounting Profession) em 1972. O IFAC é uma federação de organizações nacionais de profissionais contábeis que representa os contadores dos diversos setores, como também alguns grupos especializados que freqüentemente se interligam com a profissão. Atualmente ele representa cerca de 156 organizações com mais de 2,4 milhões de contadores em mais de 114 países. O objetivo do IFAC é desenvolver a profissão e harmonizar padrões mundiais, a fim de permitir aos contadores fornecer serviços de alta qualidade de interesse público.

3.3 – ORGÃOS NORTE-AMERCIANOS ENVOLVIDOS NO PROCESSO DE CONVERGÊNCIA

3.3.1 – Financial Accounting Standards Board (FASB)
O FASB (Financial Accounting Standards Board) é o principal órgão de normatização contábil nos Estados Unidos. Iniciou suas atividades em Junho de 1973, com grande apoio financeiro por parte do Governo dos Estados Unidos, das entidades de classe da profissão contábil e por grandes empresas. A SEC (Securities and Exchange Commission), a CVM americana, endossou o FASB como a única emissora de padrões reconhecidos. A missão do FASB é estabelecer e melhorar os padrões de contabilidade financeira, promover a convergência internacional de padrões de Contabilidade, além de contribuir para a educação contábil e ampliação do nível de entendimento dos contadores, auditores e usuários das informações financeiras. O FASB é um órgão de grande importância para a harmonização contábil mundial pelo fato de que as maiores investidoras mundiais são as companhias multinacionais, muitas das quais americanas, e que adotam os US GAAP (US Generally Accepted Accounting Principles). Além disso, o Mercado de Capitais americano é um dos maiores do mundo. A base conceitual para os US-GAAP está incluída nos pronunciamentos conceituais do FASB, denominados SFAC, que criaram uma espécie de estrutura conceitual básica usada pelo conselho para o estabelecimento de padrões de contabilidade. Os pronunciamentos emitidos pelo FASB são chamados de FAS (Financial Accounting Standards) ou SFAS (Statement of Financial Accounting Standards).

3.3.2 - Securities and Exchange Commission (SEC)
Securities and Exchange Commission, SEC, uma agência governamental independente, estabelecida em 1934, é responsável pela regulamentação do comércio de valores mobiliários nos EUA com o objetivo principal, no campo da contabilidade, de assegurar a total transparência. O formato e o conteúdo das demonstrações financeiras das companhias abertas são regulados pela SEC.

______________________________________________________________________________
Profª. Mônica Encinas

10

Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre)

3.3.3 - American Istitute of Certified Public Accountants (AICPA)

O Instituto americano dos contadores públicos certificados possui um comitê sênior denominado comitê executivo de padrões de contabilidade (AcSEC). Esse comitê é composto de 15 membros voluntários, com representantes de diversos segmentos. o corpo técnico do AICPA designado para determinar as políticas da profissão relativas a normas contábeis e apresentação de demonstrações contábeis. Ele publica boletins práticos de orientações específicas sobre auditoria e contabilidade além de prover regras sobre matérias contábeis que o Financial Accounting Standards Board, FASB (Comitê de Normas de Contabilidade) não tenha se pronunciado. Comparação entre órgãos reguladores brasileiros, americanos e internacionais

Origem

Pronunciamentos

Emissão de Pronunciamentos Contábeis * Diversos IASB FASB

Regulação do Mercado de Ações CVM IOSCO SEC

Emissão de Normas Contábeis e de Auditoria Ibracon/CFC IFAC AICPA/PCAOB

Brasil Internacional Estados Unidos

BR GAAP IFRS US GAAP

* A partir do ano de 2007 iniciou a atuação do CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis com o objetivo de ser um organismo semelhante ao FASB e IASB.

4 – PRINCIPAIS CAUSAS DAS DIFERENÇAS ENTRE OS PAÍSES NA EMISSÃO DE NORMAS CONTÁBEIS
A contabilidade, por ser uma ciência social aplicada, é fortemente influenciada pelo ambiente em que atua. De uma forma geral, valores culturais, tradição histórica, estrutura política, econômica e social acabam refletindo nas práticas contábeis de uma nação e, conseqüentemente, a evolução das mesmas pode estar vinculada ao nível de desenvolvimento econômico de cada país. Usualmente, a contabilidade é considerada a linguagem "dos negócios", ou seja, é onde os principais agentes econômicos buscam informações (principalmente de natureza econômico-financeira) sobre a performance empresarial e avaliação de risco para se realizar investimentos. Nesse sentido, relatórios contábeis sempre são requeridos pelos investidores que desejam mensurar a conveniência e oportunidade para concretizar seus negócios. Assim, sua importância ultrapassou as fronteiras, deixando de ter sua utilidade limitada ao campo doméstico para servir de instrumento de processo decisório em nível internacional, principalmente no atual cenário de globalização dos mercados.
______________________________________________________________________________
Profª. Mônica Encinas

11

A afirmação de Nobes e Parker mostra a dificuldade e possivelmente o grau de arbitrariedade que envolvem tentativas para classificação de países ou grupos de países. cultural e econômico (diferente um do outro). essa linguagem não é homogênea em termos internacionais. Nova Zelândia. é produto do ambiente em que atua. "O número de tentativas que têm sido feitas para classificar sistemas contábeis nacionais é o mesmo esforço que os biólogos tentam fazer para classificar fauna e flora". os investidores. cujas características predominantes são: a) existência de uma profissão contábil forte e atuante. 4. entre outros. como fonte de captação de recursos. conforme Nobes e Parker (1995). Mônica Encinas 12 . e sendo a contabilidade produto dessa complexa interação. pois cada país tem suas práticas contábeis próprias. A linguagem não é uniforme porque cada país tem critérios próprios e diferentes para reconhecer e mensurar cada transação. Itália. segundo seus sistemas contábeis. Irlanda e Escócia). Alemanha. países da América do Sul. Como cada país tem seu próprio ambiente político. e ______________________________________________________________________________ Profª. País de Gales. classificar sistemas contábeis nacionais de uma forma objetiva não é uma tarefa fácil para os pesquisadores. e d) as demonstrações financeiras buscam atender. b) forte interferência governamental no estabelecimento de padrões contábeis. Malásia. Estados Unidos da América. O Modelo Anglo-Saxão é composto por países como Grã-Bretanha (incluindo Inglaterra. De forma geral. Índia.1 – Classificação dos Sistemas Contábeis A contabilidade. por sua vez. O Modelo Continental. em primeiro lugar. Canadá. dificultando sua compreensão devido à falta de uniformidade. A busca de critérios consentâneos é o processo de harmonização contábil internacional. visando proporcionar uma compreensão dessa linguagem e a sua comparabilidade. social.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) Entretanto. e as características predominantes são as seguintes: a) profissão contábil fraca e pouco atuante. b) sólido mercado de capitais. a maioria dos autores destaca dois grandes grupos distintos: o modelo Anglo-Saxão e o modelo Continental. c) as demonstrações financeiras buscam atender primeiramente os credores e o Governo em vez dos investidores. notadamente a de natureza fiscal. c) pouca interferência governamental na definição de práticas contábeis. Bélgica. por ser ciência social aplicada. significando dizer que o lucro de uma empresa brasileira não seria o mesmo se adotadas práticas contábeis de outros países. África do Sul e Cingapura. Japão. Austrália. Espanha. é composto por países como França. países comunistas (Europa Oriental).

especialmente se é proibido. Analisando-se particularmente o caso brasileiro. observa-se. ainda. procedimentos. Como a contabilidade é usualmente mencionada como linguagem de comunicação. Entretanto. a provisão para créditos de liquidação duvidosa cuja constituição seria proibida se não explicitamente permitida na lei (Alemanha) ou cuja constituição é permitida. a regra contábil também pode se enquadrar na comparação de Walton. caracterizado pela influência governamental na edição de normas contábeis. haveria ainda um complicador. filosofias. há algumas semelhanças entre si. por outro lado. Aqui temos efetivamente um conflito de natureza legal na constituição da provisão para créditos de liquidação duvidosa. é razoável supor que os sistemas contábeis de cada país venham a ser impactados por tais medidas. Comparando-se as razões das diferenças internacionais no financial reporting. regras. 4. por exemplo. a legislação tributária proíbe expressamente sua constituição. dependendo do seu grau de influência sobre outros. identificadas pelos principais autores que abordaram o tema. das quais procuraremos resumir as principais causas. e. enquanto que na Inglaterra tudo é permitido a menos que esteja explicitamente proibido na lei. requerendo exames de suficiência e educação profissional continuada. em termos de financial reporting com a vigência da Lei nº 6. objetivos (buscam proteger os seus interesses nacionais). como. se a aplicássemos no caso brasileiro. No Irã. tudo é proibido a menos que esteja explicitamente permitido na lei. a disseminação cada vez mais acentuada do ensino da contabilidade baseada na escola norte-americana e a possível criação de um Comitê de Procedimentos Contábeis revelam que mudanças podem ocorrer no futuro. Walton (2003) apresenta interessante comparação (até de forma jocosa) para explicar as causas das diferenças internacionais. tudo é proibido mesmo que esteja permitido na lei enquanto que na Itália tudo é permitido.404/76 e os esforços da CVM para adaptação das normas contábeis internacionais. à primeira vista. o que é pior: enquanto a lei societária estabelece a obrigatoriedade de constituir citada provisão na medida julgada necessária para cobertura de perda julgada provável. exceto se não explicitamente proibida na lei (Inglaterra).Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) d) importância de bancos e outras instituições financeiras (inclusive governamentais) em vez de recursos provenientes do mercado de capitais como fonte de captação pelas empresas. No exemplo acima. Os principais estudiosos sobre o assunto apresentam diversos aspectos como causas das diferenças internacionais. Mônica Encinas 13 . uma forte vinculação com o modelo da Europa Continental.2 – Causas das Diferenças Internacionais Considerando-se que cada país tem seu conjunto de leis. por ser a educação na área contábil ainda de qualidade duvidosa. ao afirmar: A compreensão de regras internacionais é muito difícil porque as regras têm diferentes significados: na Alemanha. ______________________________________________________________________________ Profª. a pouca valorização da profissão contábil.

e b) sistema legal de um país baseado em code-Iaw. Por que a forma de captação de recursos pelas empresas é relevante para a determinação do tipo de financial reporting? Primeiramente. Nesse sentido. onde não se faz necessário detalhar as regras a serem aplicadas para todos os casos ou para todas as situações. Essa estrutura legal (common-law ou code-law) é capaz de influenciar o comportamento e o direcionamento que um país pode assumir.2. Austrália.common-law. Por outro lado. Estados Unidos da América. trouxe como conseqüência uma ênfase maior na apresentação das demonstrações contábeis dentro da "visão justa e verdadeira" (true and Jair value) que tendem a ser mais transparentes para os acionistas. França e Japão tem resultado em uma estrutura legal. pode também resultar em artifícios para manipular ou aproveitar brechas legais.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 4. que pode ser evasivo. há muito menos flexibilidade na preparação e apresentação das demonstrações contábeis.1 . natureza e tipo de sistema legal vigente É unanimidade entre os autores pesquisados que as características e o tipo de sistema legal de um país têm destacada influência nas diferenças internacionais. que têm a preocupação maior voltada para os acionistas. seus principais provedores de recursos. Nova Zelândia. onde as empresas podem buscar recursos ou. que de certa forma influenciou os demais países. e também focando o que deve ser evitado (presume-se que o que não vem a ser proibido é aceito. ______________________________________________________________________________ Profª. sua dependência junto ao mercado bancário ou fonte governamental. de outro lado. diferentemente dos países onde predomina o common-law. Aqui. onde é requerido um elevado grau de detalhamento das regras a serem cumpridas. que objetiva suprir os usuários com informações que sejam relevantes ao seu processo decisório.code-law. Elliot e Elliot lembram que em países onde vigora a common-Iaw. predominante em países como Alemanha. conhecida como legalística. principalmente no que diz respeito à sua classificação em duas correntes: . A Grã-Bretanha. segundo modelo "anglo-saxônico" ou "continental": a) sistema legal de um país baseado em common-Iaw é predominante em países como Grã-Bretanha.2. conhecida como não legalística. 4. exportando esse modelo. segundo Saudagaran (2004). a criatividade para interpretar o "espírito da lei". o ambiente legal de um país em que vigora o common-Iaw tende a ser propício para inovações em termos de financial reporting.2 . Nesse contexto. A ênfase maior é na proteção dos credores da companhia. voltamos a discutir novamente a classificação dos sistemas contábeis. e . porque quando nos referimos a financial reporting devemos ter em mente que a contabilidade é a linguagem de comunicação empresarial.Características. Mônica Encinas 14 . conforme já abordado anteriormente). inclusive quanto à profissão contábil e ao financial reporting.Forma de captação de recursos pelas empresas Outro fator de destaque é a existência de um mercado de capitais sólido e atuante. incluindo procedimentos a serem observados pelas empresas. Canadá.

observamos que a profissão contábil é representada por dois órgãos: o CFC e o IBRACON. conseqüentemente. os investidores (querem: avaliar o retorno de seu investimento). Dessa forma.Nível de influência. como. contadores têm sido tratados como 'bookkeepers' (responsáveis pela escrituração) e com baixo status". mas nenhum deles é politicamente forte o suficiente para influenciar órgãos governamentais legalmente autorizados para editar normas contábeis. "onde a profissão contábil é fraca. o credor bancário ou governamental.2. Grã-Bretanha. informações financeiras confiáveis e tempestivas têm sido requeridas pelos seus usuários (investidores em geral).Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) Nessa linha de raciocínio. Por outro lado. A profissão contábil nesses países é "auto-regulamentada" (com pouca interferência do governo) e é responsável pela promulgação de padrões contábeis e de auditoria. se um país tem características voltadas para financiar suas empresas com recursos oriundos do mercado acionário. para julgar o que é relevante para o usuário. segundo Elliot e Elliot (2002). como Canadá. Saudagaran (2004) também lembra que.3 . credibilidade e status (amadurecimento) da profissão contábil Nos países onde o mercado de capitais é sólido e atuante. E aí que reside a questão: as informações requeri das por investidores (em ações) são significativamente diferentes das requeridas pelos credores por empréstimos (seja crédito bancário ou fonte governamental)? Conseqüentemente. teríamos que conhecer um pouco melhor quem é esse usuário para saber que tipos de informações são necessários. se um país tem características voltadas para financiar suas empresas com recursos oriundos do crédito bancário ou fonte governamental. critérios de reconhecimento e mensuração de ativos ______________________________________________________________________________ Profª. por intermédio de seus conselhos ou órgãos de classe. estabelece critérios ou percentuais bem definidos para reconhecimento de despesas ou receitas (como. tenderá a apresentar suas demonstrações contábeis contemplando informações que privilegiem seu usuário mais importante. 4. Estados Unidos da América. "em países onde não há demanda do mercado para buscar informações financeiras. 4. seja por meio de exames ou certificações. Também é a própria profissão contábil que estabelece critérios para credenciamento de contadores e auditores. enquanto os usuários de demonstrações contábeis têm: propósitos diferentes do Fisco. qual seja.Vinculação da Legislação Tributária com Contabilidade Societária O Fisco tem objetivo específico voltado para tributação do lucro e. tenderá a privilegiar a apresentação de suas demonstrações contábeis contemplando informações que favoreçam seu usuário mais importante. por exemplo. seus acionistas. Infelizmente. a realidade brasileira revela que o "status" da profissão contábil e a capacidade de influenciar (ou mesmo de editar) a elaboração de normas contábeis estão ainda aquém do esperado.4 . os credores (querem conhecer fluxo de caixa futuros que garantam a devolução dos empréstimos). Mônica Encinas 15 . por exemplo. questiona-se a qualidade das demonstrações contábeis produzidas bem como se os auditores têm realmente independência e 'status' suficiente para produzir relatórios sobre as empresas por ele auditados". Analisando-se a situação brasileira. Por outro lado. depreciação de ativo permanente).2.

o leasing. conforme já mencionado. Mônica Encinas 16 . ______________________________________________________________________________ Profª. pelo pouco prestígio perante a sociedade. conseqüentemente. No âmbito brasileiro. inclusive. Outra questão é que a maioria dos cursos de ciências contábeis no Brasil é oferecida à noite para aqueles que já trabalham. O Brasil apresenta uma característica peculiar: embora a legislação societária tenha criado a figura dos "registros auxiliares" para amparar critérios contábeis diferentes dos prescritos em lei e o Fisco tenha consagrado o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). Por conseguinte.5 . ( Contabilidade é confundida com escrituração fiscal e é tratada mais come uma vocação do que profissão.2. principalmente por três fatores: a) poucos cursos notoriamente de excelente qualidade. já mencionado anteriormente) ou regras proibindo (ou não admitindo sua dedutibilidade fiscal como despesa e. exceto em universidades públicas. o ensino de contabilidade tem limitada influência no financial reporting das empresas. muitas vezes para melhorar seu rendimento mensal. Entretanto. é difícil o aperfeiçoamento deste corpo docente mediante afastamento para cursar mestrado ou doutorado. regras para classificação (se um adiantamento para fornecedores. ainda. por exemplo. Finalmente. o ensino é limitado ao nível secundário. ainda convivemos com inúmeras situações desconfortáveis de legislações ou regulamentos de natureza tributária determinando regras de como contabilizar transações (como. em nosso entendimento.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) para propósitos de Contabilidade financeira (Financial Reporting) podem ser fortemente impactados por regras fiscais. 4. em muitos outros países onde a qualidade do ensino na área contábil é relativamente fraca. não sendo disponível em curso superior (nível universitário) Como conseqüência. bem como se sente incapaz de atrair melhores alunos para integrarem a carreira profissional de contadores. a profissão contábil sofre os efeitos da qualidade de ensino. aqui denominado arrendamento mercantil. A exigência do Exame de Suficiência pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) para os bacharéis em ciências contábeis e os graduados no ensino médio de contabilidade também revela que o nível de ensino estão aquém do que o mercado de trabalho requer para o exercício da profissão. Além disso. alternativas para seus alunos buscarem programas de mestrado/doutorado ou serem treinados para enfrentar um mercado de trabalho atraente e bem remunerado. é permanente ou realizável a longo prazo). O corpo docente na maior parte das faculdades particulares também é representado por profissionais que atuam no mercado de trabalho durante o dia e dedicam-se ao ensino como atividade complementar. ou. por exemplo. o ensino da Contabilidade caracteriza-se ainda pela predominância do ensino médio (e número de técnicos em Contabilidade é superior ao de contadores) e pele pouco interesse (ou dificuldade) dos contadores em prosseguir seus estudo: em nível de pós-graduação (mestrado/doutorado).Nível de qualidade da educação na área contábil Saudagaran (2004) apresenta interessante comparação entre os paíse: que têm longa tradição na área contábil e que contam com elevado padrão de ensino oferecendo. desincentivando sua contabilização).

apenas. Entretanto. apenas. apenas. b) Existência de um arcabouço conceitual teórico e o nível de desenvolvimento da teoria contábil ou estrutura conceitual básica da contabilidade.1 – (CVM/2006) a) b) c) d) e) Os International Accounting Standards (IAS) são: mandatórios para aplicação em todas as sociedades por ações no Brasil.6 – Outras Razões Algumas outras razões são apontadas em diversos estudos. os países representados no IASB estão obrigados a adotar as IAS e as IFRS. Profª.EXERCÍCIOS 4. a sigla IASC ainda existe e denomina a fundação mantenedora e responsável pela indicação dos membros do IASB.2001 foram extintos. e c) regras para o financial reporting estão nas mãos de órgãos governamentais que editam normas contábeis. etc. c) III. sugestões que os auditores obrigam-se a cumprir no mundo inteiro. II e III. invasões. herança de ser colônia. No entanto.04. padrões contábeis internacionais emitidos a partir de 1973. Ibracon e Banco Central. b) II. dada a sua menor importância em termos de correlação com as causas da diferenças. apenas. A profissão contábil e a academia têm pouca participação ou capacidade de influir.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) b) poucos docentes com formação acadêmica e titulação adequados. c) Acidentes de percurso. III – Uma vez construído o conjunto das normas internacionais de contabilidade. não serão profundamente abordadas aqui. sucessor do International Accounting Standards Committee – IASC. nos países de sistema legal baseado no “Code Law” é requerido um elevado grau de detalhamento das regras contábeis a serem seguidas. Mônica Encinas d) I e II. José Wagner) Analise as informações a seguir sobre o processo de internacionalização da Contabilidade: I – Uma das causas das diferenças nos sistemas nacionais de contabilidade é a existência de sistemas legais de natureza e características distintas. ______________________________________________________________________________ 17 .3. a exemplo dos países da União Européia. São elas: a) Estrutura empresarial e tipo de empresas. 4. 4. Está(ão) correta(s) a(s) afirmação(ões): a) I. e)I. linguagem. objetos do projeto de harmonização conjunta patrocinado pela CVM. II – A atual entidade responsável pela emissão de normas internacionais de contabilidade é o International Accounting Standards Board – IASB. d) Nível de inflação. 4. Enquanto nos países de sistema legal baseado no “Common Law” as práticas contábeis não precisam estar detalhadas nas normas.2.(Simulado-2008/ Prof. padrões contábeis emitidos pelo antigo IASC que a partir de 01.2 .3 . atualmente designada de IASC Foundation.3. localização geográfica.

é formado por um Conselho de Membros.(Petrobras-2008/Cesgranrio) O IASB (The International Accounting Standards Board). criar um padrão único a ser utilizado por todas as nações. e) verificar. Uma das prováveis vantagens decorrentes da harmonização dos sistemas contábeis é provocar a a) aceitação das normas contábeis internacionais. ______________________________________________________________________________ Profª. Fundamentalmente. d) promover a convergência entre as normas fiscais locais e as Normas Internacionais de Contabilidade. mas de forma a permitir a reconciliação dos seus sistemas de informações contábeis. c) eliminação de entraves burocráticos para o credenciamento de contadores de outros países. c) implementar a harmonização das normas contábeis em todos os paises do Conselho de Membros. preferencialmente. II – demonstrações financeiras que buscam atender credores e governo.(Petrobras-2008/Cesgranrio) Há uma forte tendência de os autores destacarem a existência de dois grandes grupos de sistemas contábeis: o modelo anglo-saxão e o modelo continental. estabelecer princípios contábeis universais.5 . que têm como características predominantes.(Petrobras-2008/Cesgranrio) A harmonização dos padrões contábeis internacionais não significa a padronização das normas contábeis. c) I e a IV. dentre outras. a partir de 2010.3 . Mônica Encinas 18 . b) I e a III. regras e normas a que todas as nações obedeçam. em todos os países a ele filiados. 4. exclusivamente. formado por. que se destina ao estudo dos padrões contábeis.3. padronizar. as seguintes: I – existência de profissão contábil forte a atuante. o objetivo dessa harmonização dos padrões contábeis mundiais visa a: a) b) c) d) e) permitir a comparabilidade das informações. Ela se caracteriza por ser um processo que procura preservar as particularidades dos países.4 . b) estabelecer uma data específica para a harmonização das normas contábeis dos países do Conselho de Membros.6 . a forma de apresentação dos demonstrativos contábeis. preferencialmente. IV – forte importância de Bancos como fontes de captação de recursos. dentre elas as brasileiras.3. de alta qualidade.3. com sede em Londres. Instituto Brasileiro de Contadores (sic) e Conselho Federal de Contabilidade. órgão independente do setor privado. 5 auditores praticantes. Um dos seus objetivos é a) determinar o uso e aplicação rigorosa de todas as suas normas. III – demonstrações financeiras que buscam atender os investidores. no mínimo. b) unificação dos currículos básicos dos cursos de Ciências Contábeis. 4. evitando a xenofobia ou barreiras por nacionalismo exacerbado. pelo Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade. e) III e IV. constituído por mais de 140 entidades mundiais. visando a melhorar a interpretação e o entendimento dos aludidos sistemas. d) II e a III. em substituição ao mercado de capitais.3. 4. se suas normas são cumpridas.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 4. São características predominantes do modelo anglo-saxão APENAS a a) I e a II.(Petrobras-2006/Cesgranrio) Há alguns anos o IASB – International Accounting Standards Board – (colegiado de padrões contábeis internacionais) vem buscando realizar uma harmonização nos padrões de contabilidade das nações associadas. estabelecer leis.

Espanha.10 .3.9 . b) IOSCO – International of Securities Comission. Dinamarca e Islândia. Estados Unidos.3. Mônica Encinas 19 .(BNDES-2008/Cesgranrio) Qual o órgão internacional e independente que. e) OECD – Organization for Economic Cooperation and Development. Portugal e Austrália. que precisarão exercer o poder de determinação para implantação das normas. e) efetiva contribuição para a redução de custos nos trabalhos de auditoria. é a legislação tributária. Alemanha. mas a edição de padrões contábeis é sustentada pelo(a) ______________________________________________________________________________ Profª. a) As barreiras de nacionalismo exacerbado deverão se vencidas pelos órgãos internos de contabilidade desses países. da adoção da harmonização das normas internacionais para as empresas sediadas nos países que as adotam. a implementação das normas internacionais torna-se mais fácil. em relação aos sistemas contábeis por eles praticados. e) Em países que não possuem Bolsa de Valores. precisará ser efetivada a harmonização dos currículos básicos dos cursos de ciências contábeis com o processo de credenciamento de contadores e auditores para atuação em outros países. a regulamentação e a normatização de matéria contábil estão sob a responsabilidade de um organismo do setor privado – FASB – Financial Accounting Standards Board. Suécia. assinale a que caracteriza uma vantagem. a harmonização deverá indicar que as empresas que pretendem ingressar no mercado de capitais procurem as Bolsas de Valores dos países mais desenvolvidos para o lançamento de suas ações. b) Em países com forte legislação trabalhista protecionista. em vista de existirem poucos ajustes a serem realizados. visando estabelecer uma harmonização de procedimentos válida para os países membros: a) FASB – Financial Accounting Standards Board. já identificada e reconhecida. Irlanda e Canadá. atualmente. 4.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) d) redução do atrelamento da contabilidade às normas tributárias e da influência governamental nessa área. d) Em países que não possuem padrão próprio de sistemas contábeis. 4. c) IASB – International Accounting Standards Board. Áustria e França. a harmonização contábil passa também pela mudança do sistema legal. d) IFAC –International Federation of Accountants.7 . c) Em países fortemente legalistas. Holanda e Suíça. Os países em que as demonstrações contábeis (financial reporting) se destinam a atender tanto a propósitos fiscais como a objetivos específicos de usuários externos são: a) b) c) d) e) Grã-Bretanha.3. sendo retirada do governo a autoridade de emitir normas contábeis.(Petrobras Distribuidora -2008/Cesgranrio) Nos Estados Unidos da América. 4.3. estrutura legal ou organismos profissionais atuantes.(Petrobras Distribuidora -2008/Cesgranrio) Um dos fatores que demonstram grandes diferenças entre os países. 4.(BNDES-2008/Cesgranrio) Dentre as opções abaixo.8 . estuda os padrões contábeis mundiais.

para os investidores. sólido mercado de capitais como fonte de captação de recursos. Para essa classificação. AICPA – American Institute of Certified Public Accountants. a principal razão para haver a harmonização dos padrões contábeis internacionais é: (a) padronizar os procedimentos contábeis de forma universal. de natureza fiscal. primeiramente.(Petrobras Distribuidora -2008/Cesgranrio) As tentativas para classificar os países.12 . aos investidores. em primeiro lugar. pouca interferência governamental na definição de práticas contábeis.3. (c) profissão contábil forte e atuante. sólido mercado de capitais como fonte de captação de recursos. as principais características do modelo anglo-saxão são a existência de uma: (a) profissão contábil forte e atuante. (d) profissão contábil fraca e pouco atuante. (e) unificar os princípios fundamentais de contabilidade ______________________________________________________________________________ Profª. notadamente. notadamente.3.11 . notadamente. de natureza fiscal. e demonstrações financeiras voltadas. e demonstrações financeiras voltadas. importância de Bancos e outras instituições financeiras como provedores dos recursos. Entretanto. a maioria dos autores e estudiosos de sistemas contábeis destaca a existência de dois grandes grupos distintos: o modelo anglo-saxão e o modelo continental. uso de Bancos e instituições financeiras como fonte de captação de recursos.(Petrobras Distribuidora -2008/Cesgranrio) No entendimento de autores e pensadores da Contabilidade. (b) reduzir custos por permitir registros únicos em vários países. Mônica Encinas 20 . em primeiro lugar. forte interferência governamental no estabelecimento de padrões contábeis. ou grupos de países.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) a) b) c) d) e) FED – Federal Reserve Bank. 4. FIA – Federal International Accountants. ASEC – Accounting Standards Executive Committee. SEC – Securities and Exchange Commission. e demonstrações financeiras que buscam atender. sólido mercado de capitais como fonte de captação de recursos. pouca interferência governamental na definição de práticas contábeis. (c) permitir a comparabilidade das informações. 4. forte interferência governamental no estabelecimento de padrões contábeis. forte interferência governamental no estabelecimento de padrões contábeis. de natureza fiscal. em primeiro lugar. (e) profissão contábil fraca e pouco atuante. e demonstrações financeiras que buscam atender. e demonstrações financeiras voltadas. para os administradores. em primeiro lugar. (b) profissão contábil forte e atuante. para o governo. (d) unificar os impostos cobrados nos diversos países. de acordo com seus sistemas contábeis. têm revelado um alto grau de dificuldade. aos credores.

Apresentação das Demonstrações Contábeis CPC-16-R1 . sucessor do IAS (International Accounting Standard).Demonstração dos Fluxos de Caixa CPC-23 .Contabilidade e Evidenciação em Economia Hiperinflacionária CPC-19-R1 .Redução ao Valor Recuperável de Ativos CPC-25 .Resultado por Ação CPC-21-R1 . de 1973 a 2000. conhecidos no Brasil como Normas Internacionais de Contabilidade – NIC.Demonstrações Consolidadas CPC-18 .Instrumentos Financeiros: Apresentação CPC-41 .Receitas CPC-33 .Benefícios a Empregados CPC-07-R1 .Demonstração Intermediária CPC-01-R1 .Operações de Arrendamento Mercantil CPC-30 . O IASC emitiu 41 IAS. de alta qualidade. o IASC.Estoques CPC-03-R2 . Mudança de Estimativa e Retificação de Erro CPC-24 .Ativo Imobilizado CPC-06-R1 . propôs mudar e substituir ou emendar outros.Divulgação sobre Partes Relacionadas CPC-35-R1 .Subvenção e Assistência Governamentais CPC-02-R2 . Neste período o IASB/IASC emendou alguns IASs. Mônica Encinas ______________________________________________________________________________ 21 . emitidos pelo IASB e por seu predecessor.Investimento em Coligada CPC-42 .Provisão e Passivo e Ativo Contingentes Profª.Participação em Empreendimento Controlado em Conjunto (Joint Venture) CPC-08-R1 .Efeitos das Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conv de Demonstrações Contábeis CPC-20-R1 .Custo de Empréstimos CPC-05-R1 . IAS/IFRS/IFRIC x PRONUNCIAMENTOS CPC (Revisado em 08/02/2012) CPC-00-R1 . e o IASB emitiu 08 IFRS desde então.Estrutura Conceitual para Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis IAS 1 IAS 2 IAS 7 IAS 8 IAS 10 IAS 11 IAS 12 IAS 16 IAS 17 IAS 18 IAS 19 IAS 20 IAS 21 IAS 23 IAS 24 IAS 27 IAS 27 IAS 28 IAS 29 IAS 31 IAS 32 IAS 32 IAS 33 IAS 34 IAS 36 IAS 37 CPC-26-R1 .Demonstrações Separadas CPC-36-R2 .Custos de Transação e Prêmios na Emissão de Títulos e Valores Mobiliários CPC-39 .Políticas Contábeis.Contratos de Construção CPC-32 .Evento Subsequente CPC-17 .Tributos sobre o Lucro CPC-27 . é o conjunto de padrões contábeis internacionais.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) PARTE II – NORMAS INTERNACIONAIS DE CONTABILIDADE INTERNATIONAL FINANCIAL REPORTING STANDARDS (IFRS) O IFRS.

638/07 e da Medida Provisória 449/08 CPC-14 .Hedge de Investimentos Líquidos em Uma Operação no Exterior ICPC-07 .Instrumentos Financeiros: Evidenciação INTERPRETAÇÕES IFRIC 02 IFRIC 04 IFRIC 05 IFRIC 06 IFRIC 08 IFRIC 11 IFRIC 12 IFRIC 15 IFRIC 16 IFRIC 17 IFRIC 18 IFRIC 19 ICPC-14 .Demonstração do Valor Adicionado (DVA) CPC-12 .Informações por Segmento CPC-40 .Aspectos Complementares da Operação de Arrendamento Mercantil ICPC-13 .CPC-39 .Passivo Decorrente de Participação em Mercado Específico .Transações de Ações do Grupo e em Tesouraria ICPC-01-R1 .Propriedade para Investimento CPC-29 .Combinações de Negócios CPC-11 .CPC-40 e OCPC-03 CPC-43-R1 .Contrato de Construção do Setor Imobiliário ICPC-06 .Extinção de Passivos Financeiros com Instrumentos Patrimoniais OUTROS ATOS DO CPC SEM EQUIVALÊNCIA EM IFRS: PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS CPC-09 .Instrumentos Financeiros: Reconhecimento e Mensuração CPC-28 .(Revogado) Veja CPC-38 .Ativo Biológico e Produto Agrícola CPC-37-R1 .Exploração e Avaliação de Recursos Minerais CPC-40 .Contratos de Concessão ICPC-02 .Contratos de Seguro CPC-31 .Pagamento Baseado em Ações ICPC-05 .Cotas de Cooperados em Cooperativas e Instrumentos Similares ICPC-03 .Pagamento Baseado em Ações CPC-15-R1 .Adoção Inicial das IFRS CPC-10-R1 . Mônica Encinas 22 .Ajuste a Valor Presente (NBC-TG-12) CPC-13 .Reconhecimento em Transferência de Ativos dos Clientes ICPC-16 .Adoção Inicial dos Pronunciamentos Técnicos CPC 15 a 40 ______________________________________________________________________________ Profª.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) IAS 38 IAS 39 IAS 40 IAS 41 IFRS 1 IFRS 2 IFRS 3 IFRS 4 IFRS 5 IFRS 6 IFRS 7 IFRS 8 IFRS 9 CPC-04-R1 .Instrumentos Financeiros: Evidenciação CPC-22 .Ativo Intangível CPC-38 .Alcance do CPC 10 . Restauração e Reabilitação Ambiental ICPC-15 .Ativo Não Circulante Mantido para Venda e Operação Descontinuada CPC-34 .Distribuição de Dividendos In Natura ICPC-11 .Resíduos de Equipamentos Eletroeletrônicos ICPC-04 .Direitos a Participações Decorrentes de Fundos de Desativação.Adoção Inicial da Lei 11.

Demonstrações Consolidadas e Aplicação do Método de Equivalência Patrimonial ICPC-10 .Esclarecimentos sobre as Demonstrações Contábeis de 2008 OCPC-03 .Contratos de Concessão INTERPRETAÇÕES TÉCNICAS ICPC-08 . considerando o período disponível. Sendo assim. Restauração e Outros Passivos Similares REVISÕES TÉCNICAS RCPC-01 . Intermediária e Avançada. serão trabalhadas apenas algumas das normas descritas acima. 37 e 43 ICPC-12 . A seleção das normas a serem discutidas foi baseada na prerrogativa de que estas não foram contempladas no curso. dando prosseguimento à ementa das disciplinas Contabilidade Básica. nesta apostila serão abordadas as seguintes normas: IAS 01 – Apresentação das Demonstrações Contábeis IAS 08 – Práticas contábeis.Mudanças em Passivos por Desativação.Ativos Intangíveis SFAS 157 . mudança de estimativas contábeis e erros IAS 10 – Eventos Subsequentes IAS 17 – Arrendamento Mercantil (Leasing) IAS 33 – Resultado por Ação IAS 38 .Aplicação da Interpretação Técnica ICPC 02 às Entidades de Incorporação Imobiliária Brasileiras OCPC-05 .Instrumentos Financeiros: Reconhecimento.Interpretação sobre a Aplicação Inicial ao Ativo Imobilizado e à Propriedade para Investimento dos Pronunciamentos CPC 27. Mônica Encinas 23 . Demonstrações Contábeis Separadas.Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas ORIENTAÇÕES TÉCNICAS OCPC-01-R1 .Demonstrações Contábeis Individuais.Entidades de Incorporação Imobiliária OCPC-02 .Contabilização da Proposta de Pagamento de Dividendos ICPC-09 .Ajuste a Valor Presente IFRS 8 – Relatório por Segmento ______________________________________________________________________________ Profª. nesta disciplina.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) CPC-PME .Conceito de Valor Justo (FASB) e CPC 12 . 28. Mensuração e Evidenciação OCPC-04 .Pronunciamentos Técnicos e Orientação Técnica (CPC-02 / 03 / 16 / 26 / 36 OCPC-01) Cabe destacar que.

buscando assegurar a comparabilidade tanto das demonstrações contábeis de um ano para outro quanto em relação às demonstrações contábeis de outras empresas. A IAS 1 especifica requerimento mínimo de itens a serem apresentados na demonstração de posição financeira. e (e) Notas Explicativas. da mutação do patrimônio líquido e do fluxo de caixa. A norma também apresenta um guia para identificação de itens em linhas adicionais. As informações comparativas do período anterior devem ser apresentadas para todos os saldos e valores divulgados nas demonstrações contábeis e nas notas explicativas. O objetivo das demonstrações contábeis é o de proporcionar informação acerca da posição patrimonial e financeira. do desempenho e dos fluxos de caixa da entidade que seja útil a um grande número de usuários em suas avaliações e tomada de decisões econômicas. O IAS 1 estabelece que uma entidade cujas demonstrações financeiras estão em conformidade com as IFRSs deve fazer uma declaração explícita e sem reservas dessa conformidade nas notas. é requerida a divulgação do motivo para utilização de um período diferente de um ano. bem como do fato de que as informações comparativas da demonstração de resultado. Se houver mudança na data do exercício social e as demonstrações contábeis forem apresentadas para um período diferente de 1 (um) ano (em comparação com as últimas demonstrações contábeis apresentadas). uma outra norma ou interpretação de norma permita ou requeira que a informação comparativa não seja apresentada. na demonstração do resultado abrangente e na demonstração do patrimônio líquido. Um conjunto completo de demonstrações financeiras inclui: (a) Balanço Patrimonial. As demonstrações contábeis devem ser apresentadas pelas entidades no mínimo anualmente. (c) Demonstração das Mutações do PL.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 1 – APRESENTAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS (IAS 1) O objetivo da IAS 1 é estabelecer bases para a apresentação das demonstrações contábeis. Continuidade e Essência sobre a Forma. (b) Demonstração do Resultado Agrangente. As demonstrações contábeis também objetivam apresentar os resultados da atuação da administração na gestão da entidade e sua capacitação na prestação de contas quanto aos recursos que lhe foram confiados. Mônica Encinas 24 . A IAS 1 também especifica a apresentação mínima de notas explicativas. São Pressupostos básicos das Demonstrações Financeiras: Regime de Competência. ______________________________________________________________________________ Profª. Data ou período coberto pelas demonstrações. Se as DCs são individuais ou consolidadas. São informações obrigatórias às Demonstrações Financeiras: Nome da Entidade. (d) Demonstração dos Fluxos de Caixa. não são totalmente comparáveis. exceto quando em casos específicos. Não se deve considerar que as demonstrações financeiras cumprem as IFRSs a menos que cumpram todos os requisitos das IFRSs.

e capital social e reservas e outras contas atribuíveis aos acionistas controladores. participação de não controladores apresentada de forma destacada dentro do patrimônio líquido. Ativos e passivos relativos a impostos diferidos. Divulgações: Base de mensuração usada. Propriedades para investimento.1 . Separação por ordem de liquidez. ______________________________________________________________________________ Profª. no mínimo.DEMONSTRAÇÃO DE POSIÇÃO FINANCEIRA (BALANÇO PATRIMONIAL) A IAS 1 estabelece que a Demonstração da Posição Financeira deve apresentar. e Classificação mista. A classificação dos ativos e passivos pode ter diferentes abordagens. Estoques. as seguintes informações: a) b) c) d) e) f) g) h) i) j) k) l) m) n) o) p) q) r) Imobilizado. Passivos financeiros. Provisões.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) Moeda das demonstrações (segundo a IAS 21). 1. Investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial. Principais julgamentos realizados pela administração. Nível de arredondamento dos valores das demonstrações. Passivos incluídos no grupo de disposição classificados como mantidos para venda. Demonstrações em conformidade com as IFRSs. Ativos Financeiros. Caixa e Equivalentes de Caixa. total de ativos classificados como Mantidos para Venda e ativos incluídos nos grupos de disposição classificados como Ativo Não Corrente Mantido para Venda e Operação Descontinuada. Fornecedores e outras contas a Pagar. Clientes e outros Recebíveis. Ativos Intangíveis. Ativos biológicos. Mônica Encinas 25 . Sumário das políticas contábeis adotadas. já que a norma não prescreve ordem ou formato específico para o Balanço Patrimonial: Correntes e não correntes. Ativos e passivos relativos a impostos correntes.

Mônica Encinas 26 .1 – Demonstração de Posição Financeira em ordem Crescente de Liquidez ATIVO 2008 2007 PL e PASSIVO Patrimônio Líquido Capital Reservas Lucros Retidos Passivo não Corrente Empréstimos 2008 2007 Ativo Não-Corrente Goodwill Impostos Diferidos Imobilizado Líquido Investimentos Societários Ativo Corrente Outros Ativos Correntes Estoques Clientes Caixa e Equivalentes TOTAL DO ATIVO Impostos Diferidos Passivo Corrente Fornecedores Salários a Pagar Empréstimos TOTAL PL e PASSIVO 1.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) Sendo assim.1.2 – Demonstração de Posição Financeira em ordem Decrescente de Liquidez ATIVO 2008 2007 PL e PASSIVO Passivo Corrente Fornecedores Salários a Pagar Empréstimos Passivo não Corrente Empréstimos Impostos Diferidos Patrimônio Líquido Capital Reservas Lucros Retidos 2008 2007 Ativo Corrente Caixa e Equivalentes Clientes Estoques Outros Ativos Correntes Ativo Não-Corrente Investimentos Societários Imobilizado Líquido Impostos Diferidos Goodwill TOTAL DO ATIVO TOTAL PL e PASSIVO ______________________________________________________________________________ Profª.1. a Demonstração de Posição Financeira (ou Balanço Patrimonial) pode ser apresentada da seguinte forma: 1.

Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) A entidade deve apresentar ativos orrentes e não correntes. (b) está mantido essencialmente com o propósito de ser negociado. desp. O ativo deve ser classificado como corrente quando satisfizer qualquer dos seguintes critérios: (a) espera-se que seja realizado.2 . ou (d) a entidade não tem direito incondicional de diferir a liquidação do passivo durante pelo menos doze meses após a data do balanço. e passivos correntes e não correntes. exceto quando uma apresentação baseada na liquidez proporcionar informação confiável e mais relevante. Qualquer que seja o método de apresentação adotado. Pela função: Custo dos produtos vendidos. b) Em duas demonstrações: uma demonstrando os componentes de lucro ou prejuízo (uma demonstração à parte) e uma segunda demonstração começando com o lucro ou prejuízo. O passivo deve ser classificado como corrente quando satisfizer qualquer dos seguintes critérios: (a) espera-se que seja liquidado durante o ciclo operacional normal da entidade. Mônica Encinas 27 .DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO Todas as despesas e receitas devem ser incluídas na DRE. administrativas etc. Todos os outros passivos devem ser classificados como não correntes. despesas de vendas. ou pretende-se que seja vendido ou consumido no decurso normal do ciclo operacional da entidade. depreciação e amortização etc. a entidade deve evidenciar o montante esperado a ser recuperado ou liquidado em até doze meses ou mais do que doze meses para cada item de ativo e passivo. (b) está mantido essencialmente para a finalidade de ser negociado. matéria-prima. os impostos diferidos ativos (passivos) não devem ser classificados como ativos correntes (passivos correntes). seguido dos componentes de outro resultado abrangente. devendo a empresa apresentar todos os itens de receita e despesa reconhecidos no período em uma das duas seguintes formas: a) Uma única demonstração do resultado abrangente. (c) deve ser liquidado no período de até doze meses após a data do balanço. a menos que uma norma ou interpretação específica requeira outro tratamento. ______________________________________________________________________________ Profª. Todos os demais ativos devem ser classificados como não corrente. a menos que sua troca ou uso para liquidação de passivo se encontre vedada durante pelo menos doze meses após a data do balanço. A entidade deve apresentar contas adicionais. ou (d) é caixa ou equivalente de caixa. cabeçalhos e subtotais nos balanços patrimoniais sempre que sejam relevantes para o entendimento da posição financeira e patrimonial da entidade. 1. como grupos de contas separados no balanço patrimonial. As despesas podem ser classificadas de duas formas: Pela natureza: Gastos gerais de produção. Na situação em que a entidade apresente separadamente seus ativos e passivos correntes e não correntes. (c) espera-se que seja realizado até doze meses após a data do balanço. A IAS 1 introduziu a exigência de uma Demonstração do Resultado Abrangente.

A IAS 1 estabelece um conjunto de informações mínimas a serem apresentadas na face da Demonstração dos Resultados. d) despesas de imposto. pelo fato de a informação sobre a natureza dos gastos ser útil para a previsão de fluxo de caixa futuro. b) custos financeiros. Em caso de apresentação da demonstração de resultado por função de itens de receitas e despesas. e (d) resultado abrangente do período. ______________________________________________________________________________ Profª. A demonstração do resultado abrangente deve. no mínimo. (b) resultados abrangentes totais do período atribuíveis à participação de sócios não controladores. Mônica Encinas 28 . e aos detentores do capital próprio da empresa controladora. e f) lucro ou prejuízo. e i) resultado abrangente total (total comprehensive income). Os itens que se seguem devem ser divulgados nas respectivas demonstrações do resultado e do resultado abrangente como alocações do resultado do período: (a) resultados líquidos atribuíveis à participação de sócios não controladores. e) uma quantia única composta pelo total (i) dos resultados após os impostos de unidades operacionais descontinuadas e (ii) do ganho ou perda após os impostos reconhecido na mensuração pelo justo valor menos os custos de vender ou na alienação dos ativos ou do(s) grupo(s) de alienação que constituem a unidade operacional descontinuada. (b) cada item dos outros resultados abrangentes classificados conforme sua natureza. (c) parcela dos outros resultados abrangentes de empresas investidas reconhecida por meio do método de equivalência patrimonial. que deve incluir linhas de itens com as quantias seguintes para o período: a) receita. e aos detentores do capital próprio da empresa controladora. e custos com funcionários) devem ser divulgadas em notas explicativas. h) parcela de outro resultado abrangente de associadas ou joint-ventures registrado pelo método da equivalência patrimonial. classificado por natureza. g) cada componente de outro resultado abrangente. incluir as seguintes rubricas: (a) resultado líquido do período.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) A administração ao decidir sobre o formato da demonstração de resultados abrangentes (natureza ou função) deve levar em consideração aquele que fornecer informações mais relevantes e confiáveis aos usuários das demonstrações contábeis. c) participação nos resultados de coligadas e de empreendimentos conjuntos (joint-ventures) contabilizados pelo método da equivalência patrimonial. informações adicionais por natureza (tais como: depreciação e amortização.

Demonstração de Resultados (por Natureza) Receita de Vendas (+)Outras Receitas (-) Mudança nos Estoques de Produtos Acabados e EPE (-) Matéria-Prima e materiais consumidos (-) Despesas com Pessoal (Salários e Encargos) (-) Despesas de Depreciação e Amortização (-) Impairment de Ativos (-) Outras Despesas (-) Custos Financeiros (+) Equivalência Patrimonial de Coligadas Lucro Antes dos Impostos (-) Imposto de Renda Lucro Líquido do Exercício 2008 2007 1.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) A Demonstração do Resultado pode ser apresentada das formas a seguir: 1.2.Demonstração de Resultados (por Função) Receita de Vendas (-) Custo das Vendas Lucro Operacional Bruto Outras Receitas (-) Custos de Distribuição (-) Despesas Administrativas (-) Outras Despesas (-) Custos Financeiros Lucro Antes dos Impostos (-) Imposto de Renda Lucro Líquido do Exercício ______________________________________________________________________________ Profª.1 . Mônica Encinas 29 .1 .2.

e pagamentos a fornecedores. depósitos bancários à vista.4.ATIVIDADES DE INVESTIMENTO .1 – ATIVIDADES DA DFC 1. ou nas notas. caixa. mostrando separadamente os valores totais atribuíveis aos proprietários da empresa controladora e a terceiros não controladores. Os fluxos de caixa decorrentes dessas atividades derivam basicamente das seguintes operações: recebimentos de vendas de mercadorias ou serviços.1.ATIVIDADES OPERACIONAIS . A norma também exige a divulgação da quantia de dividendos reconhecidos como distribuições aos acionistas durante o período.são as aquisições e vendas de ativos de longo prazo e outros investimentos não inclusos nos equivalentes a caixa.4. A IAS 1 não permite mais que essa informação seja destacada na demonstração do resultado abrangente. feitos por uma entidade. b) para cada componente do patrimônio líquido.4.3 . (ii) cada item de outro resultado abrangente. uma reconciliação entre o saldo acumulado no início e no final do período. Mônica Encinas 30 . etc. 1. numerários em transito e aplicações de liquidez imediata. No entendimento do IASC a divulgação segregada dos fluxos de caixa decorrentes das atividades de investimentos tem sua importância à medida ______________________________________________________________________________ Profª.. e a quantia relativa por ação. 1.DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO Os ativos líquidos de uma entidade (seu patrimônio líquido) podem mudar por vários motivos.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 1.2 . mostrando separadamente as mudanças resultantes de: (i) lucro ou prejuízo. Isso pode ser mostrado no corpo da demonstração das mutações no patrimônio líquido. A IAS 1 exige que a apresentação da demonstração das mutações no patrimônio líquido exiba no corpo da demonstração: a) o resultado abrangente total do período.são as principais atividades geradoras de receitas da empresa e outras atividades diferentes de investimento e financeiras. comissões.1 .1. para um determinado período de tempo. c) para cada componente do patrimônio líquido.4 .DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA Em linhas gerais podemos entender a DFC como sendo o demonstrativo contábil que procura evidenciar o fluxo de recebimentos e pagamentos. 1. O fluxo de caixa compreende a movimentação das contas que representam as disponibilidades imediatas da empresa. em sua função como proprietários. e. e (iii) transações com proprietários. propriamente dito. principalmente os lucros e as despesas reportados na demonstração do resultado abrangente e o aporte ou retorno de capital aos acionistas. ou seja. impostos e outros desta natureza. mostrando separadamente contribuições de e para eles e mudanças na participação em subsidárias que não resultem em perda de controle. empregados. as consequências das mudanças nas políticas contábeis e as correções dos erros reconhecidos de acordo com a IAS 8.

adiantamento de caixa e empréstimos feitos a terceiros e seus respectivos recebimentos e/ou amortização. intangíveis e outros ativos de longo prazo. contratos a termo.1 .2 .O MÉTODO DIRETO Por este método. Como exemplo de fluxos de caixa decorrente desse tipo de atividade tem-se: • numerários recebidos provenientes da emissão de ações ou outros instrumentos de capital.4.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) que revelam a abrangência dos dispêndios feitos com recursos destinados a gerar futuras receitas e fluxos de caixa. devendo apresentar os componentes do fluxo por seus valores brutos. empréstimos. • pagamentos de investidores para adquirir ou resgatar ações da empresa. contratos de opção e swap.FORMAS DE APRESENTAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA São duas as formas de apresentação do fluxo de caixa: método direto e o método indireto.4. ou os pagamentos/recebimentos são classificados como atividade financeira. recebimentos pela venda de ativo imobilizado. com exceção daqueles que se destinam para intermediação ou transação própria.4. O IASC considera que a divulgação separada dos fluxos de caixa decorrentes das atividades financeiras é importante em função da sua utilidade na predição das exigências impostas a futuros fluxos de caixa pelos fornecedores de capital à empresa. Mônica Encinas 31 .1. • numerários recebidos provenientes da emissão de debêntures. com exceção daqueles feitos por uma instituição financeira. 1. • amortização de empréstimos a pagar.ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO: são atividades que resultam em mudanças no tamanho e na composição do capital e empréstimos a pagar da empresa. desembolsos/recebimentos por contratos de futuros. títulos e valores.2. 1.3 . 1. a DFC evidencia todos os pagamentos e recebimentos decorrentes das atividades operacionais da empresa. hipotecas e outras modalidades de captação de empréstimos a curto e longo prazos. Como exemplos de fluxos de caixas decorrentes desse tipo de atividade tem-se: • • • • • desembolso para aquisição de ativos imobilizados. recebimentos em função da venda e desembolsos decorrentes de aquisição de: ações ou instrumentos de dívida de outras empresas e interesses em joint ventores. intangíveis e outros ativos de longo prazo. Fluxo de Caixa Das Atividades Operacionais (+) Recebimentos de Clientes e outros (-) Pagamentos a Fornecedores (-) Pagamentos a Funcionários (-) Recolhimentos ao Governo (-) Pagamentos a Credores Diversos (=) Disponibilidades geradas pelas (aplicadas nas) Atividades Operacionais Das Atividades de Investimentos (+) Recebimento de Venda de Imobilizado (-) Aquisição de Ativo Permanente (+) Recebimento de Dividendos (=) Disponibilidades geradas pelas (aplicadas Investimentos nas) Atividades de ______________________________________________________________________________ Profª.

Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) Das Atividades de Financiamentos (+) Novos Empréstimos (-) Amortização de Empréstimos (+) Emissão de Debêntures (+) Integralização de Capital (-) Pagamento de Dividendos (=) Disponibilidades geradas pelas Financiamento (aplicadas nas) Atividades de Aumento/Diminuição Nas Disponibilidades DISPONIBILIDADES. Ao permitir a análise segregada por itens operacionais.2.no início do período DISPONIBILIDADES. contudo.O MÉTODO INDIRETO O método indireto consiste na demonstração dos recursos provenientes das atividades operacionais a partir do lucro líquido. de investimento e financiamento. ajustados pelos itens que afetam o resultado (tais como depreciação.no final do período ______________________________________________________________________________ Profª.4. A seguir mostramos um modelo genérico de DFC pelo método indireto: Fluxo de Caixa Das Atividades Operacionais Lucro Líquido (-) Aumento de Estoques (+) Depreciação (-) Aumento de Clientes (+) Pagamento a Funcionários (+) Contas a Pagar (+) Pagamentos de Impostos e Tributos (+) Aumentos de Fornecedores (=) Fluxo de Caixa Operacional Líquido Das Atividades de Investimentos Idêntico ao Método Direto Das Atividades de Financiamentos Idêntico ao Método Direto Aumento/Diminuição nas Disponibilidades DISPONIBILIDADES. chama atenção para o fato de que o fluxo de caixa sozinho. mas que não modificam o caixa da empresa. na opinião do autor isso ser perfeitamente possível. amortização e exaustão). apesar de mostrar o que ocorreu. Martins destaca a inegável capacidade informativa que este modelo tem. 1.no início do período DISPONIBILIDADES. apesar de.no final do período Fazendo comentários ao modelo proposto pelo FASB. não concilia déficits financeiros que possam ocorrer com o lucro do período.2 . Mônica Encinas 32 .

enquanto que o CPC considera a DVA como um dos componentes para um conjunto completo.2 – Comparação com as normas Brasileiras Desde as mudanças ocorridas a partir da Lei 11. conforme o § 1 º do seu art. Cada item do corpo da demonstração de posição financeira. 134) – O CPC 26 determina que o ativo não circulante deve ser subdividido em realizável a longo prazo. decrescente de liquidez ou mista. O IAS 1 não prevê esta obrigação. investimentos. ______________________________________________________________________________ Profª.A IAS considera a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) como informação suplementar. tanto quanto possível. são as seguintes: 1. O CPC 26 não prescreve a ordem ou o formato que deva ser utilizado na apresentação das contas do balanço patrimonial.6.6 – EQUIVALÊNCIA E COMPARAÇÃO COM BRGAAP 1.5 . fora do âmbito das IFRS. 1.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 1. e da aprovação do cpc 26.2) . mas a ordem legalmente instituída no Brasil deve ser observada. imobilizado e intangível.NOTAS EXPLICATIVAS As notas deverão ser apresentadas de maneira sistemática. isto é.1 . 178.Apresentação das Demonstrações Contábeis.A IAS 1 prevê a possibilidade de apresentação do balanço patrimonial por ordem crescente de liquidez. Mônica Encinas 33 .Norma Brasileira Equivalente CPC 26 . Nossa Lei das Sociedades por Ações exige sempre na ordem decrescente de liquidez e de exigibilidade. 1.1) . a ser aplicada às Demonstrações Financeiras dos exercícios encerrados a partir de dezembro de 2010 e às demonstrações financeiras de 2009 a serem divulgadas em conjunto com as demonstrações de 2010 para fins de comparação. aquelas que são efetivamente diferenças. aprovado pela Deliberação da CVM nº 595 de 15 de setembro de 2009. 1. As principais diferenças. em decorrência da legislação societária até então vigente. da demonstração do resultado abrangente. existem poucas diferenças entre as normas nacionais e internacionais de contabilidade em relação à forma de apresentação das Demonstrações Contábeis. isto é.638/2007. da demonstração de resultado (se apresentada separadamente). da demonstração das mutações no patrimônio líquido e da demonstração de fluxos de caixa deverá ter referência cruzada com qualquer informação que seja pertinente e que esteja presente nas notas.6.

entre elas: (i) Correntes e não correntes. (d) Na Demonstração de Rresultados os gastos poderão ser segregados por “função” .( b. das Demonstrações Financeiras. julgue as alternativas a seguir: a.7 . No entanto. entre elas o Custo da Mercadoria Vendida.7.1) .7. com exceção dos ativos por impostos diferidos. ou “natureza” – custo dos produtos vendidos e despesas administrativas. fazendo a distinção entre ativo e passivo corrente e ativo e passivo não corrente. julgue as alternativas abaixo: a) ( ) Para o IASB. ) Na demonstração de resultados os gastos poderão ser segregados por “natureza” .( g. ) A IAS 1 estabelece que o ciclo operacional de uma entidade é o intervalo entre a aquisição de ativos para processamento e sua venda. a exemplo do brasil.A respeito das Demonstrações Financeiras. etc. ou “função” – despesa de depreciação.Em relação à IAS 1 – Apres.. 1.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 1. vendidos ou consumidos dentro do ciclo operacional normal da entidade. e (iii) Classificação mista. das Demonstrações Financeiras. 1. (ii) Separação por ordem de liquidez. (b) A classificação dos ativos e passivos na Demonstração da Posição Financeira pode ter diferentes abordagens. d) ( ) A IAS 1 estabelece um conjunto de informações mínimas a serem apresentadas na face do Balanço Patrimonial.( c. b) ( ) A IAS 1 estabelece que o ciclo operacional de uma entidade é o intervalo entre a aquisição de ativos para processamento e o seu recebimento. despesa de salário.EXERCÍCIOS: IAS 1 – DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 1.2) .Em relação à IAS 1 – Apres. entre eles a identificação do Conselho de Administração da sociedade. ) Os ativos realizáveis dentro de 12 meses após a data da demonstração da posição financeira serão classificados como ativo corrente.despesa de depreciação. Profª. despesa de salário. ) A distinção entre ativo / passivo corrente e não corrente poderá ser dispensada quando uma apresentação baseada na liquidez fornece informações confiáveis e mais relevantes. só É CORRETO afirmar que: (a) A IAS 1 especifica requerimento mínimo de itens a serem apresentados nas Demonstrações Financeiras. (c) Entre as Demonstrações Financeiras obrigatórias podemos citar a Demonstração da Posição Financeira e a Demonstração do Resultado Abrangente. o reconhecimento de um ativo está condicionado à satisfação de dois critérios: a probabilidade de benefícios econômicos associados ao ativo fluírem para a empresa e a possibilidade de mensuração confiável do custo do ativo. etc. Mônica Encinas ______________________________________________________________________________ 34 .7. c) ( ) A IAS 1 estabelece um conjunto de informações mínimas a serem apresentadas na face da Demonstração dos Resultados. devem ser apresentadas em ordem decrescente de Liquidez e Exigibilidade. entre elas os Intrumentos Financeiros.( d.custo dos produtos vendidos e despesas administrativas.( ) Somente serão considerados Ativos Correntes aqueles realizados. ) A IAS 1 exige a divulgação da Demonstração de Posição Financeira em lugar do Balanço Patrimonial exigido pelas normas brasileiras de Contabilidade. ) A IAS 1 determina um formato único de apresentação das demonstrações de posição financeira.( e.3) .( f.

Pagamento de uma parcela de imobilizado adquirido a prazo. Investimento (I) ou Financiamento (F): a) F – I – O – I – F. mais precisamente o SFAS nº 95/87. ou seja. e) I – O – O – I – O. sendo que neste último os fluxos de caixa são apresentados ajustando-se o resultado do período. b).(Petrobras Distribuidora -2008/Cesgranrio) Na elaboração dos fluxos de caixa. de terceiros e financiamento. são elas: operacional. Pagamento de dividendos. IV. c) F – F – O – F – O. e). No entanto. Os juros capitalizados integrem as atividades de investimento. Bancos e aplicações financeiras com vencimento até 3 (três) meses. Mônica Encinas ______________________________________________________________________________ 35 . A exposição do fluxo de caixa operacional seja pelos métodos direto e indireto.7.(CVM-2008 / NCE-UFRJ) A IAS 7 e o CPC 3 permitem relativa flexibilidade na divulgação da DFC. Considerando-se a norma norte-americana de contabilidade. especificamente o International Accounting Standard – IAS – nº 7 que trata da Demonstração do Fluxo de Caixa. d). Como equivalentes de caixa podem ser consideradas as aplicações financeiras resgatáveis até: a) b) c) d) e) 3 meses da data da aplicação.4) . Captação de empréstimo bancário. Os dividendos recebidos sejam incluídos nas atividades operacionais.7.7) . II. uma das práticas a seguir exigida por essas normas é que: a). 1.7. respectivamente. o conceito de caixa é ampliado. indique. JAX efetuou as seguintes transações durante o período de 19X1: I. Os itens equivalentes ao caixa correspondam aos títulos adquiridos até noventa dias de seus venctos.7. b) F – I – O – F – O. O imposto de renda pago seja separado entre os três fluxos de caixa. dinheiro em mão e em conta corrente bancária e as aplicações em equivalentes de caixa. Pagamento de juros sobre empréstimos obtidos. 6 meses da data da aplicação. Operacional (O). d) F – F – I – I – F. III. b) A movimentação do fluxo de caixa é classificada em três categorias segundo a natureza de sua atividade. c) A demonstração dos fluxos de caixa pode ser elaborada pelo método indireto ou direto. envolvendo o caixa puro. 12 meses da data da aplicação.6) .(BNDES-2005/UFRJ) A Cia. e) Caixa e equivalentes de caixa englobam as contas de Caixa.(Termoaçu-2008/Cesgranrio) Considerando as Normas Internacionais de Contabilidade. quais fluxos de caixa foram impactados por essas transações.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 1. Bancos e aplicações financeiras com vencimento até 6 (seis) meses. com financiamento obtido diretamente junto ao vendedor. Profª. Recebimento de juros sobre aplicações financeiras.5) . d) Caixa e equivalentes de caixa englobam as contas de Caixa. tem-se que: a) A divulgação da demonstração dos fluxos de caixa deverá ser para 3 (três) exercícios sociais comparativos. 1. V. 6 meses da data da emissão. 1. c). 3 meses da data da emissão.

exceto: (a) Investimentos avaliados pelo Método da Equivalência Patrimonial. Operação de empréstimo de credores e investidores da entidade.Todos os itens a seguir devem ser apresentados como informação mínima na demonstração da posição financeira. (c) Ativos Financeiros. Editora Atlas – 2010 (pág. (d) Moeda de apresentação de relatórios e o arrendodamento adotado. (e) Fornecedores e Clientes.11) . exceto: (a) Despesa de depreciação. (c) Natureza da despesa. Demonstração do valor adicionado. com as transações que aparecem na: a) b) c) d) e) Avaliação periódica dos ativos de longo prazo que a empresa utiliza para produzir bens e serviços.28) . 1.8) . ______________________________________________________________________________ Profª.Qual das seguintes divulgações não é exigida pela IAS 1? (a) Objetivo. Demonstração de resultados. 1. (b) Despesa com benefícios de empregados. (c) Nome e endereço dos principais acionistas.7.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 1. do Nelson Carvalho e SirleiLemes.Se a empresa optar pela demonstração do resultado com as despesas divulgadas por função.7. políticas e processos para a administração do capital. (d) Impostos Diferidos.10) . (b) Contingências Passivas.(Petrobras Distribuidora -2008/Cesgranrio) As atividades operacionais inclusas na demonstração dos fluxos de caixa relacionam-se. (e) Capital social e reservas atribuíveis aos acionistas controladores. (b) Reconciliação das ações em circulação no início e no final do período. Atenção: Os exercícios a seguir foram extraídos do livro Contabilidade Internacional para Graduação.7. normalmente. (e) Despesa com pró-labore. 1.9) . Obtenção de recursos dos donos e no pagamento a eles do retorno sobre seus investimentos.7. todas as seguintes informações deverão ser adicionalmente divulgadas. Mônica Encinas 36 . (d) Despesa de amortização.

14) . O mercado doméstico para aparelhos eletrônicos não está indo muito bem atualmente e. (c) Demonstração dos Fluxos de Caixa.Qual dos seguintes relatórios não é uma demonstração contábil obrigatória de acordo com a IAS 1: (a) Demonstração da Posição Financeira. muitas empresas estão optando pela exportação.A Cia ABC S. a companhia projeta lucro para os anos seguintes. a entidade deverá: (a) Fazer uma declaração explícita sobre o não cumprimento do pressuposto de continuidade. ______________________________________________________________________________ Profª. Adicionalemnte. conforme indicado na IAS 1. também informar a base em que as demonstrações foram elaboradas. a empresa tem conseguido empréstimos para seus planos de expansão e para capital de giro para os próximos 12 meses. (e) Notas Explicativas. (e) Obter uma declaração das instituições financeiras que a estão financiando sobre as possibilidades de recuperação financeira da entidade. consequentemente.7. (d) Demonstração do resultado Abrangente. (b) Demonstração do Valor Adicionado. 1. pois ela não tem nenhuma alternativa realística para continuar com suas atividades.Com relação às orientações gerais sobre as demonstrações contábeis é correto afirmar que a entidade: (a) Deve fazer uma declaração explícita e sem restrições quanto ao cumprimento das IFRSs. Atendendo às orientações do IAS 1. (c) Está obrigada a fazer todas as divulgações exigidas.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 1. (b) Além de divulgar que as demonstrações contábeis não foram preparadas sob o pressuposto da continuidade.7. Nessa mesma data. pois a administração tem argumentos para defender que o pressuposto da continuidade está mantido com base na capacidade da entidade de obter empréstimo e na projeção de lucros futuros.7. (e) Não pode apresentar o valor líquido de clientes com a respectiva provisão para devedores duvidosos. (d) É requerida a apresentar as demonstrações contábeis no mínimo a cada dois anos. Mônica Encinas 37 . (c) Contratar um perito em avaliação de empresas para emitir um laudo a ser submetido aos auditores. é uma fabricante de aparelhos de televisão. 1. Além disso. Com base na análise das mudanças favoráveis na conjuntura econômica para o setor. a Cia ABC teve um prejuízo de $ 5 milhões no último ano.A. mesmo que imateriais.13) . seus ativos correntes somam $ 30 milhões e seus passivos correntes somam $ 40 milhões.12) . (b) Deve usar o mesmo nome para as demonstrações contábeis. (d) Não divulgar que ela opera em descontinuidade.

Mônica Encinas 38 . critério de reconhecimento e conceito de mensuração para ativos. no exercício de seu julgamento para desenvolver uma política contábil. que tratam de assuntos similares e relacionados. ______________________________________________________________________________ Profª. contabilização dos efeitos de mudanças das políticas contábeis adotadas. A administração. ou se a mudança for voluntária. fundamentos. 2. Alterações em práticas contábeis são modificações que. a nova política é aplicada prospectivamente. Se o efeito cumulativo não puder ser determinado. o efeito cumulativo da mudança é incluído no resultado. quando ocorrem. regras e práticas aplicadas por uma entidade ao preparar e apresentar demonstrações financeiras. Uma entidade deve divulgar a existência de uma nova norma ou interpretação emitida. os requerimentos de transição do pronunciamento são seguidos. devem ser divulgados detalhadamente em notas explicativas. mas que ainda não tenha entrado em vigor. podem gerar ajustes nas demonstrações contábeis. a administração poderá também. Se a mudança de prática contábil for requerida por um IFRS. As práticas contábeis são aplicadas consistentemente a operações semelhantes. e cujo pronunciamento não seja conflitante com pronunciamentos da IFRS.1 . Tais ajustes. a administração deve considerar inicialmente normas (IAS. No processo de escolha de suas políticas contábeis. IFRIC) que sejam aplicáveis a uma transação especifica. Se nenhum IFRS for especificado. contabilização dos efeitos de mudanças de estimativas contábeis e correção de erros. considerar pronunciamentos técnicos emitidos por outros órgãos internacionais que possuam uma estrutura conceitual básica similar. IFRS) e interpretações (SIC. por exigência de uma norma. quando não existir norma ou interpretação sob IFRS aplicável para tratamento contábil de uma transação específica. a nova política contábil é aplicada retrospectivamente pela reapresentação dos períodos anteriores.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 2 – POLÍTICAS CONTÁBEIS. É obrigatória a divulgação de mudança de política contábil. passivos. Exemplos de Mudança de Prática: Parada Programada de acordo com a CVM 489 e Impairment de acordo com CPC 01. MUDANÇAS DE ESTIMATIVAS E ERROS (IAS 8) Deve ser aplicada por uma entidade para: definição de suas políticas contábeis. As políticas contábeis determinadas pela entidade devem ser aplicadas consistentemente para transações similares. deve considerar as seguintes fontes: i) Verificar os requisitos e orientações nas normas e interpretações existentes. Na ausência de uma norma ou interpretação específica. e ii) Buscar as definições. e confiáveis no contexto das demonstrações como um todo. Na impossibilidade de reapresentação. interpretação ou por resultar em melhor apresentação ou informação mais confiável nas demonstrações contábeis dos efeitos de transações ou de outros eventos na posição patrimonial e financeira da entidade em seu desempenho e sua movimentação financeira. a administração deve utilizar-se de seu julgamento para desenvolver e aplicar políticas contábeis que sejam relevantes para os usuários das demonstrações contábeis. de estimativas e correção de erros. e seus possíveis impactos sobre as demonstrações contábeis.Mudança de Políticas Contábeis Práticas contábeis são princípios específicos. receitas e despesas na estrutura conceitual básica das IFRS Adicionalmente. convenções.

não são correções de erros. que surgem de falhas por uso.3 . e b) poderiam ser razoavelmente esperadas como tendo sido obtidas e levadas em conta na preparação e apresentação daquelas demonstrações. e fraude. mudança na vida útil de um ativo) terão seus efeitos ajustados no Resultado do Período Corrente da Companhia.Mudança em estimativas contábeis Alterações em estimativas contábeis resultam de novas informações ou novos acontecimentos e. os quais não podem ser atribuídos a fatos subseqüentes. estimativas de prazos de benefícios de ativos intangíveis para fins de cálculos das amortizações. a partir da data inicial que for praticável.2 . ela deve ser reconhecida pelo ajuste no correspondente item do ativo. de forma prospectiva. Tais erros incluem os efeitos de erros matemáticos.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 2. Os ajustes decorrentes de Mudanças de Estimativas Contábeis (por exemplo. estimativas de vida úteis de ativos imobilizados para fins dos cálculos das depreciações. etc. ______________________________________________________________________________ Profª. ou uso incorreto. As estimativas contábeis estão relacionadas com estimativas de perdas com clientes considerados duvidosos. a entidade deve ajustar o saldo inicial das correspondentes contas do ativo. Quando for impraticável determinar o efeito cumulativo do erro em períodos anteriores. passivo ou patrimônio líquido no período das mudanças. 2. Caso a mudança resulte em mudanças nos ativos e passivos. Quando for impraticável determinar o ajuste do período anterior. Correção de erros são retificações de fatos ocorridos em exercícios anteriores. de informações confiáveis que: a) estavam disponíveis quando as demonstrações daqueles períodos foram autorizadas para publicação. a entidade deve ajustar as informações comparativas para correção do erro. na conta contábil própria que se ocorreu a mudança. ou esteja vinculada a um componente do patrimônio líquido. erros ao aplicar políticas contábeis. Mônica Encinas 39 . As estimativas são revisadas periodicamente quando surgem novas circunstâncias ou quando surgem fatos novos. lapsos ou interpretações incorretas de fatos. passivo e patrimônio líquido do período mais antigo apresentado que for praticável. O erro de períodos anteriores deverá ser corrigido com ajuste retrospectivo. assim sendo. exceto quando for impraticável determinar o efeito nos períodos específicos ou o efeito cumulativo do erro. estimativas de perdas com estoques obsoletos.Erros de Períodos anteriores São omissões e erros nas demonstrações financeiras de um ou mais períodos anteriores.

ela não teve nenhuma outra receita ou despesa.500. Gama para 2002 apresentam vendas de $ 104.Durante o ano de 2002. Para efeito de simplificação.250. Mônica Encinas 40 . 2. Até 2000. a Cia.4. Em 2001. Editora Atlas – 2010 (pág.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 2. O impacto no custo dos produtos vendidos foi determinado como segue: Em 31 de dezembro de 2000: redução de $ 5.500) 20.000 (6. alterou sua política contábil em 2001 com relação à avaliação dos estoques.4 – EXERCÍCIOS 2. Gama descobriu que alguns produtos vendidos durante o ano de 2001 foram incorretamente incluídos nos estoques em 31 de dezembro de 2001.000. ao valor de $ 6. os estoques eram avaliados usando a média ponderada. Gama apresentou $ Vendas (-) Custo dos Produtos Vendidos = Lucro Antes do Imposto de Renda (-) Imposto de Renda Lucro Líquido 73.000. Gama tinha $ 5.000.000 de Capital Social.A.500 (53.51) . fechando em $ 34.Adaptada A Cia Muda Tudo S. a empresa passou a dotar a técnica PEPS por considerá-la mais apropriada para refletir o uso e fluxo de mercadorias durante seu ciclo econômico.2) Estudo de Caso 1 (pág. Os registros contábeis da Cia.000 Em 2001 o saldo dos Lucros Acumulados era de $ 20. Gama – Extrato da DRE Vendas (-) Custo dos Produtos Vendidos = Lucro Antes do Imposto de Renda (-) Imposto de Renda Lucro Líquido 2002 $ 2001 (corrigido) $ Atenção: Os exercícios a seguir foram extraídos do livro Contabilidade Internacional para Graduação. Em 2001.1) .500 do erro nos estoques) e Imposto de Renda de $ 5.000) 14. a Cia. Cia.500 (incluindo os $ 6. ______________________________________________________________________________ Profª. Em 31 de dezembro de 2001: redução de $ 15.51) .000. A Cia. Custo dos Produtos Vendidos de $ 86.4. A empresa está sujeita a alíquota de 30% de Imposto de Renda. do Nelson Carvalho e SirleiLemes.000.

antes da correção do erro.A.000 650.52) O auditor interno da Cia. Mônica Encinas 41 .4.000 (120. desconsiderando o efeito dos impostos. é como segue: 2002 ($) Lucro bruto (-) Despesas Gerais e Administrativas (-) Despesas de Vendas (-) Despesa de Amortização = Lucro Antes do Imposto de Renda (-) Imposto de Renda Lucro Líquido 550. Um resumo da Demonstração do Resultado da empresa para os anos encerrados em 31 de dezembro de 2001 e de 2002.000 (130.000 2000 Ajustado A Demonstração de Lucros ou prejuízos Acumulados de 2001. 2.000 (70.000 (60.000 relacionada a determinado ativo intangível. eram: 2001 ($) Vendas (-) Custo dos Produtos Vendidos = Lucro Antes do Imposto de Renda (-) Despesas Gerais e Administrativas (-) Despesas de Vendas Lucro Líquido 370.000) 250.000 110. era: Lucros Acumulados (2001) Saldo em 1/1/2000 Lucro Líquido do Exercício (2000) Saldo em 31/12/2000 Lucro Líquido do Exercício (2001) Saldo em 31/12/2001 400.3) Estudo de Caso 2 (pág.000 Apresente o reflexo da mudança de política contábil na Demonstração de Resultado e na Demonstração de Lucros ou prejuízos Acumulados de acordo com os requerimentos da IAS 8.000) 110.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) As Demonstrações de Resultados anteriores aos ajustes.000) 340.000 2001 Ajustado ______________________________________________________________________________ Profª.000 (80.000 510.000) 200.000) (40.000) 140.000 2001 Ajustado 2000 ($) 300.000 (72.000) 400.000 2002 Ajustado 2001 ($) 650. anterior aos ajustes.000) (20. Agnus & Petra S.000) (0) 480. anunciou em 2002 que em 2001 a entidade não havia contabilizado uma despesa de amortização de $ 40.000) (30.000) (30.000) (40.000) 408.000 140.000 (80.000 (100.

nas Normas. ______________________________________________________________________________ Profª.4. 2.4) – Os objetivos da IAS 8 se fundamentam em: (a) orientar as empresas no cálculo das estimativas contábeis. (e) nenhuma das alternativas anteriores.6) – Na ausência de tratamento específico pelo IASB de determinada política contábil. a empresa deverá: (a) observar pronunciamentos recentes de outros órgãos emissores de normas contábeis. para fins de depreciação. 2.A Cia ABC muda sua técnica de avaliação do custo dos estoques de média ponderada para PEPS. (c) mudança de política contábil e contabilizá-la retrospectivamente.4. 2. de dez para sete anos. no início do ano Lucros acumulados. para os anos de 2001 e 2002. (c) mudança no valor da depreciação acumulada em função de a empresa não ter contabilizado a depreciação de dois anos atrás. (d) identificar. (c) procurar políticas similares nos projetos em discussão do IASB ainda não aprovados. no final do ano Pede-se: Considerando que a Cia Agnus & Petra está sujeita `a alíquota de 15% de Imposto de Renda. (b) mudança de política contábil e contabilizá-la prospectivamente. mesmo que não se assemlehem com a estrutura conceitual do IASB. independentemente de divergirem dos pronunciamentos do IASB. Mônica Encinas 42 . apresente o tratamento contábil prescrito pela IAS 8 para a correção de erro. (e) nenhuma das alternativas anteriores. (b) distinguir as políticas contábeis materiais das imateriais para permitir que a emrpesa priorize aquelas 2002 Ajustado 2001 ($) 2001 Ajustado que são relevantes para os usuários.5) . em primeiro lugar. (c) determinar os controles a serem implementados na empresa para identificação de erros e fraudes. tratamentos de políticas similares. 2. A Cia ABC deverá contabilizar essa mudança como: (a) mudança de estimativa e contabilizá-la prospectivamente. (e) nenhuma das alternativas anteiores.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) Os lucros acumulados da Cia . antes da correção dos erros.4. (b) mudança no valor de provisão para garantias de produtos em função de novas informações sobre defeitos de produtos recém-lançados. são: 2002 ($) Lucros acumulados. (b) seguir práticas contábeis locais. (d) listar as políticas contábeis a serem adotadas pelas empresas. (d) correção de erro e contabilizá-la retrospectivamente. Interpretações e Guias do IASB.4.7) – Mudança de política contábil inclui: (a) mudança de vida útil de um ativo.

4. com as divulgações apropriadas. considerando que o valor remanescente afetará somente o futuro. é melhor ignorá-la no ano da mudança e esperar o ano seguinte para ver como a mudança se desenvolve e então tratá-la de acordo com a IAS 8. (d) Como essa mudança é uma mistura de dois tipos de alterações. (c) Tratar toda a mudança como sendo de política contábil. com as divulgações apropriadas. (e) nenhuma das alternativas anteriores. Mônica Encinas 43 . e no futuro o valor poderá ser recuperado. 2. ______________________________________________________________________________ Profª.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) (d) mudança da técnica de avaliação do custo dos estoques de média ponderada para PEPS. (e) Nenhuma das alternativas anteriores. entre valores relativos a mudança de política contábil e de estimativas e tratar cada uma delas de acordo com a IAS 8. (d) ignorar o efeito da mudaná na depreciação anual.9) – Quando for difícil para a empresa distinguir entre uma mudança de estimativa e uma mudaná de política contábil.8) – Quando um especialista em avaliação independente comunica à empresa que o valor contábil líquido de um item do imobilizado mudou dras ticamente e que a mudança é material. (e) nenhuma das alternativas anteriores. (b) mudar a taxa de depreciação e tratá-la como correção de erro. a empresa deverá: (a) Tratar a mudaná como sendo estimativa. proporcionalmente. (b) Distribuir o valor do ajuste. (c) mudar a depreciação anual para o ano corrente e os anos futuros.4. a empresa deverá: (a) retrospectivamente mudar a taxa de depreciação com base no novo valor revisado. 2.

etc). · A sociedade foi notificada de processo judicial. não devem ser reconhecidos como passivo nadata do balanço porque não satisfazem à definição de obrigação presente de acordo com a IAS 37. A Sociedade conseguiu um empréstimo de valor substancial. · Empresa perdeu um processo fiscal. itens do balanço devem ser ajustados somente quando o evento for do tipo que requer ajuste ou. A entidade deve divulgar a data em que as demonstrações contábeis foram autorizadas para emissão e quem autorizou (ex. Dessa forma. se praticável. Houve uma desvalorização substancial da moeda nacional. deve ser divulgado em nota explicativa e seus efeitos mensurados. · Não requerem ajustes. a ser aplicada às Demonstrações Financeiras dos exercícios encerrados a partir de dezembro de 2010 e às demonstrações financeiras de 2009 a serem divulgadas em conjunto com as demonstrações de 2010 para fins de comparação. quando é um evento indicativo de que a entidade não atende ao pressuposto de continuidade operacional. Os dividendos declarados (ou seja. · Questionamento por vários clientes sobre defeitos técnicos de produtos fabricados no último mês do exercício social. pois se relacionam a situações que surgiram após a data do Balanço. mas antes da autorização da publicação das demonstrações contábeis. Mônica Encinas 44 . pois trazem evidências adicionais de condições que já existiam na data do Balanço. A sociedade adquiriu uma nova empresa.1 . Mesmo que um evento subseqüente seja considerado como evento que não ajusta as DCs. os dividendos que já foram autorizados e não estão mais ao arbítrio da entidade) após a data do balanço. em sendo relevante. diretoria.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 3 – EVENTOS SUBSEQUENTES (IAS 10) Eventos ocorridos subseqüentemente à data do balanço podem ser classificados como eventos que: · Requerem ajustes às demonstrações contábeis. aprovado pela Deliberação da CVM nº 593 de 15 de setembro de 2009. Exemplos de eventos que requerem apenas divulgação em Notas Explicativas: · · · · O controle acionário da sociedade foi vendido. ______________________________________________________________________________ Profª. Exemplos de eventos que requerem ajustes nas Demonstrações Contábeis: · Falência de um cliente (impacto na PCLD). 3.EQUIVALÊNCIA E COMPARAÇÃO COM BRGAAP CPC 24 – Eventos Subsequentes.: conselho de administração. adicionalmente. Não existem diferenças entre o CPC 24 e o IAS 10.

faturando um total de $ 3 milhões. As demonstrações contábeis tornaram-se disponíveis aos acionistas em 10 de abril de 2008. por qual valor? 3.60) A Administração da Global S. b) Um cliente da Cia GRM pediu falência em 5 de fevereiro de 2007. Pede-se: Qual a data de autorização das demonstrações contábeis de acordo com a IAS 10? 3. A assembléia geral dos acionistas.Estudo de Caso 4 (pág. 61) A Cia VHO. finaliza.2) .000. realizada em 15 de abril de 2008. A entidade divulgou seu lucro e outras informações selecionadas em 5 de abril de 2008. a diretoria revisou as demonstrações contábeis e autorizou sua emissão.2. A diretoria administrativa da Cia GRM autorizou a emissão das demonstrações contábeis em 10 de março de 2007 e os acionistas aprovaram tais demonstrações em 22 de março de 2007. ______________________________________________________________________________ Profª.1) . Editora Atlas – 2010 (pág. Devido a uma severa recessão econômica que afetou o setor. uma concessionária de veículos. 3. rgistra seus estoques ao menor valor entre custo e valor realizável líquido. as demonstrações contábeis para o período finalizado em 31 de dezembro de 2007. no valor de $ 3. os quais serão pagos em 10 de abril do mesmo ano. As demonstrações contábeis da Cia.60) .000 em 15 de janeiro de 2007.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 3. o valor dos estoques nas demonstrações contábeis era de $ 5 milhões. Os seguintes eventos ocorreram: a) A Cia GRM declarou dividendos no valor de R$ 120.A. aprovou as demonstrações contábeis e autorizou sua emissão. após uma grande promoção. 61) Os auditores independentes da Cia GRM emitiram seu relatório em 28 de fevereiro de 2007 referente às demonstrações contábeis de 31 de dezembro 2006. em 14 de março de 2008. também para esse cleiente.Estudo de Caso 1 (pág. As demonstrações contábeis da Cia GRM incluem um valor a receber desse cliente de $ 30. Somente em março. as quais foram arquivadas junto à agência reguladora em 20 de abril de 2008.000 e uma provisão para créditos de liquidação duvidosa.3) . ela conseguiu vender seus estoques. do Nelson Carvalho e SirleiLemes.2. Em 31 de março de 2008. Mônica Encinas 45 . o estoque não foi vendido durante os meses de janeiro e fevereiro.2.Estudo de Caso 5 (pág.2 – EXERCÍCIOS Atenção: Os exercícios a seguir foram extraídos do livro Contabilidade Internacional para Graduação. Pede-se: A Cia VHO deve ajustar suas demonstrações contábeis de 31 de dezembro de 2007? Se sim. VHO foram autorizadas para emissão em 10 de abril de 2008. apurado pela média ponderada. Em 31 de dezembro de 2007.

Como consequência. de acordo com a IAS 10? 3.2. como resultado de alguns anos de pesquisa. o valor é material. Pede-se: Como a Cia GRM deve tratar esses eventos após a data do balanço. a única industria fabricante do equipamento. um novo equipamento de perfuração de poços de petróleo em águas profundas.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) c) Um equipamento utilizado na fábrica do principal produto da Cia GRM.4) – São exemplos de eventos após o balanço que geram ajustes nas demosntrações contábeis: (a) Um investimento em uma controlada estrangeira que foi reduzido consideravelmente em função da queda no preço das ações como consequência de forte crise que afetou o setor de atuação da controlada. (b) Dividendos propostos pela administração. passou a fabricar. no final de março. Após as investigações. um processo judicial foi aberto contra a Pardalite pelos familiares dos funcionários mortos.5) A industria Pardalite S. quando do uso do referido equipamento num poço de petróleo. 3. que o superaquecimento foi causado por negligência dos operadores do equipamento. foi totalmente danificado por um superaquecimento ocorrido em 10 de dezembro do mesmo ano. nenhum passivo foi reconhecido pela seguradora.000 porque se refere a um evento que gera ajuste. Em 18 de fevereiro de 2006. As demonstrações contábeis foram autorizadas para emissão pela diretoria em 10 de abril de 2006. adquirido em maró de 2006 por $ 730. naquele ano.000.000. as autoridades concluíram. pois apesar de ser um evento após a data do balanço que gera ajustes. (d) Dasapropriação de uma das instalações da empresa em função da construção de uma usina hidrelétrica.000. Qual procedimento a Pardalite deverá adotar de acordo com a IAS 10. (d) A empresa deverá somente divulgar em notas explicativas os $ 220. pois apesar de ser um evento que gera ajuste.2. (b) A empresa deverá reconhecer no passivo a dívida de $ 220.A. (c) Reclassificação de um equipamento industrial do imobilizado para o ativo circulante.000 porque se refere a um evento que gera ajuste. a Cia GRM reconheceu um valor a receber da seguradora de $ 680. (e) A empresa não deverá fazer nada a respeito do evento.000 (passivo contingente). que a explosão foi consequência do uso inadequado do equipamento pela empresa petrolífera. em 2 de março/2007. e que o fabricante do equipamento não teve culpa. (a) A empresa deverá somente divulgar em notas explicativas os $ 220. a companhia de seguros concluiu. de forma que ela tornou-se. exigindo uma indenização de $ 220. Com base na apólice de seguro existente para o equipamento. em 2005. A fabricação foi possível devido ao desenvolvimento de uma nova tecnologia pela própria empresa. ocorreu um explosão que causou a morte de 22 funcionários da empresa petrolífera. Mônica Encinas 46 . ______________________________________________________________________________ Profª. A nova tecnologia foi patenteada pela Pardalite ainda em 2005. Após uma série de investigações. (c) A empresa deverá reconhecer no passivo a dívida de $ 220. (e) Venda de um equipamento industrial por um valor inferior ao seu valor contábil. em função de a administração da empresa concluir que o referido equipamento gerará benefícios somente pela venda. é uma obrigação presente com uma saída improvável de recursos.000. Em 5 de março de 2006.

Mônica Encinas 47 . classificá-los entre esta ou aquela categoria não tem sido tão fácil.Classificação do Arrendamento Mercantil A classificação de arrendamentos mercantis baseia-se na extensão em que os riscos e benefícios inerentes à propriedade de um ativo arrendado sejam transferidos do arrendador ao arrendatário. no início do arrendamento mercantil. Isto porque. 4. o proprietário arrendador cede o uso de um bem ao arrendatário por determinado espaço de tempo. os envolvidos farão o possível para converter em operacional. O arrendamento mercantil é um instrumento utilizado desde os tempos mais remotos e repousa sobre o conceito de propriedade. um leasing financeiro. A classificação de um arrendamento mercantil como um arrendamento mercantil financeiro ou um arrendamento mercantil operacional depende da natureza da transação e não da forma do contrato. Exemplos de situações que individualmente ou em conjunto levariam normalmente a que um arrendamento mercantil fosse classificado como arrendamento mercantil financeiro são: (a) o arrendamento mercantil transfere a propriedade do ativo para o arrendatário no fim do prazo do arrendamento mercantil.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 4 . De forma geral. mediante uma remuneração acordada entre as partes. seja razoavelmente certo que a opção será exercida. por um determinado prazo. Um arrendamento mercantil é classificado como financeiro se ele transferir substancialmente todos os riscos e benefícios inerentes à propriedade. hoje podemos diferenciar dois tipos básicos de arrendamento mercantil: OPERACIONAL e FINANCEIRO. Um arrendamento mercantil é classificado como operacional se ele não transferir substancialmente todos os riscos e benefícios inerentes à propriedade.ARRENDAMENTO MERCANTIL – LEASING (IAS 17) O termo Leasing é oriundo do verbo to lease. Os riscos incluem as possibilidades de perdas devidas à capacidade ociosa ou obsolescência tecnológica e de variações no retorno em função de alterações nas condições econômicas. Embora sejam conceitualmente distintos. por motivos diversos. (b) o arrendatário tem a opção de comprar o ativo por um preço que se espera seja suficientemente mais baixo do que o valor justo à data em que a opção se torne exercível de forma que. É associado à concepção econômica de que o fato propulsor de rendimentos para uma empresa consiste na utilização e não na propriedade de um bem. (c) o prazo do arrendamento mercantil refere-se à maior parte da vida econômica do ativo mesmo que o título não seja transferido. A finalidade é a cessão de uso de bens de capital. Assim é que. que significa alugar. ______________________________________________________________________________ Profª.1 . Os benefícios podem ser representados pela expectativa de funcionamento lucrativo durante a vida econômica do ativo e de ganhos derivados de aumentos de valor ou de realização de um valor residual. mediante contrato e demais condições pactuadas.

o ativo deve ser totalmente depreciado durante o prazo do arrendamento mercantil ou da sua vida útil. Um arrendamento mercantil financeiro dá origem a uma despesa de depreciação relativa a ativos depreciáveis. o que for menor. como resultado dos quais o arrendatário não tem substancialmente todos os riscos e benefícios. com base em outras características. se for praticável determinar essa taxa. Se não houver certeza razoável de que o arrendatário virá a obter a propriedade no fim do prazo do arrendamento mercantil.2 . Se for claro. A taxa de desconto a ser utilizada no cálculo do valor presente dos pagamentos mínimos do arrendamento mercantil é a taxa de juros implícita no arrendamento mercantil. que o arrendamento mercantil não transfere substancialmente todos os riscos e benefícios inerentes à propriedade. se não for.Arrendamento Mercantil Financeiro no Arrendatário No início do prazo de arrendamento mercantil. o ativo é depreciado durante o prazo do arrendamento mercantil ou da sua vida útil. o valor presente dos pagamentos mínimos do arrendamento mercantil atinge pelo menos substancialmente todo o valor justo do ativo arrendado. o período de uso esperado é a vida útil do ativo. os arrendatários devem reconhecer os arrendamentos mercantis financeiros como ativos e passivos nos seus balanços por quantias iguais ao valor justo da propriedade arrendada ou. a propriedade do ativo se transferir ao final do arrendamento mercantil mediante um pagamento variável igual ao valor justo no momento. Os exemplos e indicadores enunciados acima nem sempre são conclusivos.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) (d) no início do arrendamento mercantil. caso contrário. por exemplo. O valor depreciável de um ativo arrendado é alocado a cada período contábil durante o período de uso esperado numa base sistemática consistente com a política de depreciação que o arrendatário adote para os ativos depreciáveis de que seja proprietário.2. ao valor presente dos pagamentos mínimos do arrendamento mercantil. ______________________________________________________________________________ Profª. Se houver certeza razoável de que o arrendatário virá a obter a propriedade no fim do prazo do arrendamento mercantil.Arrendamento Mercantil nas demonstrações financeiras dos Arrendatários 4. Isso pode acontecer se. Quaisquer custos diretos iniciais do arrendatário são adicionados à quantia reconhecida como ativo. A política de depreciação para os ativos arrendados depreciáveis deve ser consistente com a dos demais ativos depreciáveis e a depreciação reconhecida deve ser calculada de acordo com as regras aplicáveis aos Ativos Imobilizados (e com as relativas à amortização aos Ativos Intangíveis quando pertinente). ou se há pagamentos contingentes. assim como uma despesa financeira para cada período contábil. dos dois o menor. se inferior. deve ser usada a taxa incremental de financiamento do arrendatário. 4. uma entidade aplica o Pronunciamento relativo à Redução ao Valor Recuperável de Ativos (Teste de Impairment). Mônica Encinas 48 . Para determinar se um ativo arrendado está desvalorizado. cada um determinado no início do arrendamento mercantil. o arrendamento mercantil é classificado como operacional. e (e) os ativos arrendados são de natureza especializada de tal forma que apenas o arrendatário pode usá-los sem grandes modificações.1 .

os pagamentos da prestação (excluindo os custos de serviços tais como seguros e manutenção) são reconhecidos como despesa numa base linear. ou. quando legalmente permitido. O reconhecimento da receita financeira deve basear-se num modelo que reflita uma taxa de retorno periódica constante sobre o investimento líquido do arrendador no arrendamento mercantil financeiro. oferecem muitas vezes a clientes a escolha entre comprar ou arrendar um ativo. Substancialmente. mesmo que tais pagamentos não sejam feitos nessa base. Um arrendamento mercantil financeiro de um ativo por um arrendador fabricante ou negociante dá origem a dois tipos de receita: (a) lucro ou perda resultante de uma venda imediata do ativo a ser arrendado. o valor presente dos pagamentos mínimos do arrendamento mercantil pertencentes ao arrendador. Mônica Encinas 49 . se inferior. a preços normais de venda. Os pagamentos do arrendamento mercantil relacionados ao período. são aplicados ao investimento bruto no arrendamento mercantil para reduzir tanto o principal quanto as receitas financeiras não realizadas. portanto. O custo de venda reconhecido no início do prazo do arrendamento mercantil é o custo.Arrendamento mercantil nas demonstrações financeiras dos Arrendadores 4. exceto se uma outra base sistemática for mais representativa do modelo temporal do benefício do usuário. os pagamentos do arrendamento mercantil a serem recebidos são tratados pelo arrendador como reembolso de capital e receita financeira para reembolsar e recompensar o arrendador pelo seu investimento e serviços. Para os arrendamentos mercantis operacionais. e (b) receita financeira durante o prazo do arrendamento mercantil. calculado a uma taxa de juros do mercado.Arrendamento Mercantil Operacional no Arrendatário Os pagamentos da prestação do arrendamento mercantil segundo um arrendamento mercantil operacional devem ser reconhecidos como despesa numa base em base linear durante o prazo do arrendamento mercantil.3. Os fabricantes ou comerciantes. num arrendamento mercantil financeiro. excluindo custos de serviços.Arrendamento Mercantil financeiro no Arrendador Os arrendadores devem reconhecer os ativos mantidos por um arrendamento mercantil financeiro nos seus balanços e apresentá-los como uma conta a receber por um valor igual ao investimento líquido no arrendamento mercantil.3 .2.2 . todos os riscos e benefícios inerentes à propriedade legal são transferidos pelo arrendador e. 4. Um arrendador tem como meta apropriar a receita financeira durante o prazo do arrendamento mercantil numa base sistemática e racional. A receita de vendas reconhecida no início do prazo do arrendamento mercantil por um arrendador fabricante ou negociante é o valor justo do ativo. ou o valor contábil se diferente. salvo se uma outra base sistemática for representativa do modelo temporal do benefício do usuário.1 . da propriedade arrendada menos o valor presente do valor residual não ______________________________________________________________________________ Profª.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 4. Essa apropriação da receita baseia-se num modelo que reflete um retorno periódico constante sobre o investimento líquido do arrendador no arrendamento mercantil financeiro. refletindo quaisquer descontos aplicáveis por quantidade ou comerciais.

ela deve ser diferida e amortizada em proporção aos pagamentos do arrendamento mercantil durante o período pelo qual se espera que o ativo seja usado. Se o preço de venda estiver acima do valor justo. a menos que. Ao invés disso. A política de depreciação para ativos arrendados depreciáveis deve ser consistente com a política de depreciação normal do arrendador para ativos semelhantes. que é reconhecido de acordo com a política seguida pela entidade para as vendas imediatas.Transações de venda e leaseback Uma transação de venda e leaseback (retroarrendamento pelo vendedor junto ao comprador) envolve a venda de um ativo e o concomitante arrendamento mercantil do mesmo ativo pelo comprador ao vendedor.Arrendamento Mercantil Operacional no Arrendador Os arrendadores devem apresentar os ativos sujeitos a arrendamentos mercantis operacionais nos seus balanços de acordo com a natureza do ativo. se a perda for compensada por futuros pagamentos do arrendamento mercantil abaixo do preço de mercado. ______________________________________________________________________________ Profª. qualquer lucro ou perda deve ser imediatamente reconhecido. A diferença entre a receita da venda e o custo de venda é o lucro bruto da venda. Se uma transação de venda e leaseback resultar em um arrendamento mercantil financeiro. Um arrendador fabricante ou negociante não reconhece qualquer lucro de venda ao celebrar um arrendamento mercantil operacional porque não é o equivalente de uma venda. 4. e a depreciação deve ser calculada de acordo com as regras aplicáveis aos Ativos Imobilizados (e a amortização aos Ativos Intangíveis). O pagamento do arrendamento mercantil e o preço de venda são geralmente interdependentes por serem negociados como um pacote. Se o preço de venda estiver abaixo do valor justo. Se uma transação de venda e leaseback resultar em um arrendamento mercantil operacional. Os custos. Mônica Encinas 50 . a menos que uma outra base sistemática seja mais representativa do modelo temporal em que o benefício de uso do ativo arrendado seja diminuído. A receita de arrendamento mercantil (excluindo recebimentos de serviços proporcionados tais como seguros e manutenção) é reconhecida numa base linear durante o prazo do arrendamento mercantil mesmo se os recebimentos não forem em tal base. 4. e se for claro que a transação é estabelecida pelo valor justo. o excesso sobre o valor justo deve ser diferido e amortizado durante o período pelo qual se espera que o ativo seja usado. incorridos na obtenção da receita de arrendamento mercantil são reconhecidos como despesa.3. O tratamento contábil de uma transação de venda e leaseback depende do tipo de arrendamento mercantil envolvido.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) garantido. deve ser diferido e amortizado durante o prazo do arrendamento mercantil. qualquer lucro ou perda deve ser imediatamente reconhecido.4 . a menos que outra base sistemática seja mais representativa do modelo temporal em que o benefício do uso do ativo arrendado seja diminuído. incluindo a depreciação. qualquer excesso de receita de venda obtido acima do valor contábil não deve ser imediatamente reconhecido como receita por um vendedor-arrendatário. A receita de arrendamento mercantil proveniente de arrendamentos mercantis operacionais deve ser reconhecida na receita numa base linear durante o prazo do arrendamento mercantil.2 .

5 .00 Valor justo do bem: $ 60. A empresa tem certeza que ficará com o bem. 4. Mônica Encinas 51 . d) O arrendamento operacional não inclui a responsabilidade por manutenção e reparos do ativo arrendado.000. de forma definitiva.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 4.(Refap-2007/Cesgranrio) Assinale a opção que apresenta uma das características do leasing operacional. Dados do bem: Valor de Mercado na data do contrato = $ 65.704. Pede-se: Contabilize a operação na arrendatária. ficando esta à exclusiva responsabilidade do locatário.00 Pede-se: Contabilize a operação na arrendatária. c) O arrendador arca com os riscos decorrentes do direito de propriedade.000.5.1) O Bradesco Leasing realiza um leasing para a Cia Americana nas seguintes condições: Parcelamento em 36 meses Valor das Parcela: $ 2. a posse do bem é da arrendante. mesmo que tal situação ocorra antes do término do arrendamento. sobretudo no que diz respeito à obsolescência tecnológica e às condições de comercialização no mercado secundário de equipamentos.00 Valor presente das parcelas: $ 50.000 Tempo de vida útil do bem = 50 meses. a) Durante o período de arrendamento. e) É igual a um aluguel simples. que deve devolver o bem nas mesmas condições em que o arrendou. o compromisso irrecusável de manter o equipamento até o final de sua vida útil.00 Tempo de vida útil do bem = 50 meses. ______________________________________________________________________________ Profª. b) O arrendatário assume.000. pois não existe cláusula de compra. relocação ou devolução do bem usado no final do contrato.00 Valor presente das parcelas: $ 56. enquanto a propriedade permanece com a arrendadária.3) .5.EXERCÍCIOS (LEASING) 4.000.2) O Bradesco Leasing realiza um leasing para a Cia Americana nas seguintes condições: Número de parcelas = 24 Valor das Parcela: $ 3.5. 4. A empresa não está segura que ficará com o bem.

adquire bens de capital segundo as especificações e para uso de outra. d).5) . c) Leasing fatorial.954 e R$ 7. c) transfere apenas a enfiteuse. b). todo o valor justo do ativo arrendado. (3) um período de 5 anos.5. ______________________________________________________________________________ Profª. d) não realiza essa transferência. Com base no tratamento contábil da IAS 17.818. R$ 19. d) Faturização.737.4) .925. Esta. Mônica Encinas 52 .947 e R$ 9. com vencimento no final de cada ano.7) . e) Factoring. em contrapartida. 4.(CVM-2008/NCE-UFRJ) Uma companhia celebrou um contrato de arrendamento financeiro em 31 de dezembro de 20X0. O valor presente líquido desse contrato representa R$ 99. e) equivale a uma venda a prazo. e). R$ 18.477. 4. b) Leasing operacional. pelo menos substancialmente.(Refap-2007/Cesgranrio) É uma operação financeira em que uma empresa.(CVM-2008/NCE-UFRJ) A IAS 17 relaciona algumas situações que podem conduzir a que uma transação de arrendamento mercantil seja classificada como financeira. c). associado a um equipamento.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 4. o arrendamento transfere a posse do ativo ao arrendatário no fim do prazo do contrato. b). Este é o enunciado de: a) Leasing financeiro.947 e R$ 6. saldar o residual da dívida com seu pagamento ou devolução do bem.000.947 e R$ 8. no início do arrendamento o valor dos pagamentos mínimos ajustados do contrato atinge.471.(CESGRANRIO / 2011 . em contraprestações periódicas como se fossem aluguéis e. R$ 19. que equivale a vida útil do ativo. o arrendatário possui a opção de comprar o ativo por um preço que se espera ser equivalente a seu valor justo na data em que a opção seja exercida. enquanto o arrendamento mercantil financeiro transfere de forma substancial os riscos e benefícios inerentes à propriedade. c). o ativo arrendado é de tal natureza especializada que apenas o arrendatário pode usá-lo sem que sejam efetuadas grandes modificações. as despesas incorridas com depreciação e juros no exercício de 20X2 são. 4. O contrato estabeleceu: (1) uma contraprestação anual de R$ 25.477. mesmo que o título de propriedade não seja transferido. ao final do prazo. o prazo do arrendamento abrange a maior parte da vida econômica do ativo. R$ 19. b) transfere apenas os riscos. R$ 18.5. chamada arrendatária. A situação que está mais identificada com outras modalidades de arrendamento é: a).Petrobrás / Contador Júnior) Segundo o CPC 06. a diferença entre arrendamento mercantil financeiro e operacional é que. e). se propõe a amortizar o preço do bem acrescido de juros. d).5.000. o arrendamento mercantil operacional a) transfere apenas os benefícios. chamada arrendante. e (4) uma taxa de juros de 10% ao ano.954 e R$ 9.6) . (2) um valor residual garantido (opção de compra) de R$ 8. aproximadamente: a).5.

00 R$ 3.TRANSPETRO / Contador Júnior ) Com o crescimento da carteira de pedidos. os arrendatários devem reconhecer os arrendamentos mercantis operacionais como ativos e passivos nos seus balanços por quantias iguais ao valor justo da propriedade arrendada ou. Mônica Encinas 53 . é correto afirmar. em reais.02% ao mês R$ 145.9) – (FCC / 2011 .550. vencível ao final de cada mês Juros contratuais.903. b) No começo do prazo do contrato de arrendamento mercantil operacional. c) Os arrendadores devem reconhecer nos seus balanços patrimoniais os ativos mantidos por um arrendamento mercantil financeiro e apresentá-los como uma conta a receber por um valor igual ao investimento líquido no arrendamento mercantil. a não ser que outra base sistemática seja mais representativa do modelo temporal do benefício do usuário.348.000.797.106.00 1.500.00 e) 54.00 O contador. é a) 45. e) Um arrendamento mercantil é classificado como operacional se ele transferir substancialmente todos os riscos e benefícios inerentes à propriedade.550.00 4.087.155.00 d) 50. no dia da operação 36 Sem entrada R$ 1. ao valor presente dos pagamentos mínimos do arrendamento mercantil.00 R$ 1. se inferior.5.8) – (CESGRANRIO / 2011 . concluiu tratar-se da modalidade de arrendamento mercantil financeiro.00 R$ 48. incluídos no contrato Valor residual a ser pago junto com a 36ª prestação Juros do contrato = total do 1º ano Juros do contrato = total do 2º ano Juros do contrato = total do 3º ano Valor dessa máquina para pagamento à vista. o valor registrado da máquina no Ativo.00 R$ 4.00 c) 49.INFRAERO / Auditor) Em relação às operações de arrendamento mercantil. de acordo com as novas Normas Brasileiras de Contabilidade: a) Um arrendamento mercantil é classificado como financeiro se ele não transferir substancialmente todos os riscos e benefícios inerentes à propriedade.00 b) 48. uma indústria precisou fazer o arrendamento mercantil de uma máquina nas seguintes condições: Quantidade de Prestações Mensais Valor de entrada Valor de cada prestação. Considerando-se a decisão do contador e adotando-se exclusivamente os valores informados e a boa técnica contábil. d) Os pagamentos do arrendamento mercantil financeiro devem ser reconhecidos como despesa pelo arrendatário numa base de linha reta durante o prazo do arrendamento mercantil.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 4.5. ao analisar criteriosamente as características desse contrato do arrendamento mercantil. ______________________________________________________________________________ Profª.

sendo: LPA resultado das operações continuadas LPA resultado das operações descontinuadas LPA resultado das operações continuadas e descontinuadas Para uma melhor compreensão desta norma. bem como para a mesma companhia em períodos diferentes.Ações que seriam emitidas apos o cumprimento de condições resultantes de acordos contratuais. Quando apresentadas as demonstrações da controladora e as demonstrações consolidadas em um único relatório.Aumento no lucro por ação no pressuposto de que os instrumentos conversíveis são convertidos. Diluição . tais como a compra de uma empresa ou de outros ativos. apresentado considerando a forma básica e a forma diluída. A norma deve ser aplicada a: Entidades com ações ordinárias negociadas em mercados públicos ou potenciais ações ordinárias. Entidades que divulgam LPA. Mônica Encinas 54 . incluindo ações preferenciais. a fim de melhorar as comparações de desempenho entre diferentes companhias (sociedades por ações) no mesmo período. conseqüentemente. faz-se necessário esclarecer os seguintes conceitos: Ação ordinária .Passivos financeiros ou instrumentos de capital próprio. Entidades que estão em processo de emissão de ações ordinárias. que sejam conversíveis em ações ordinárias. Warrants ou opções . O foco deste Pronunciamento está no denominador do cálculo do resultado por ação. Mesmo que os dados do resultado por ação tenham limitações por causa das diferentes políticas contábeis que podem ser usadas para determinar resultados.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 5 – RESULTADO POR AÇÃO (IAS 33) O objetivo deste Pronunciamento Técnico é estabelecer princípios para a determinação e a apresentação do resultado por ação.Redução no lucro por ação no pressuposto de que os instrumentos conversíveis são convertidos. A Mensuração do Lucro por Ação deve ser apresentada nas formas Básico e Diluído.instrumento representativo de capital social subordinado a todas as demais classes de instrumentos representativos do capital social. um denominador determinado consistentemente melhora os relatórios financeiros. o LPA é obrigatório somente nas demonstrações consolidadas. Potencial ação ordinária . ______________________________________________________________________________ Profª. Ele requer que o resultado por ação seja calculado e. Antidiluição . O IAS 33 destaca que o resultado por ação deve ser calculado para as ações ordinárias. independentemente de sua orbigatoriedade. devem observar a IAS 33.

O objetivo da informação relativa ao resultado básico por ação é proporcionar a mensuração da participação de cada ação da companhia no desempenho da entidade durante o período. se apresentado. O resultado básico por ação deve ser calculado dividindo-se o lucro ou prejuízo atribuível aos titulares de ações ordinárias da companhia (o numerador) pelo número médio ponderado de ações ordinárias em poder dos acionistas (excluídas as mantidas em tesouraria) (o denominador) durante o período. o lucro ou prejuízo resultante das operações continuadas atribuível a esses titulares de ações ordinárias. O objetivo do resultado diluído por ação é consistente com o do resultado básico por ação — fornecer uma medida da participação de cada ação ordinária no desempenho da companhia — e. ao mesmo tempo. Denominador . .2 – Resultado por Ação Diluído A companhia deve calcular as quantias relativas ao resultado diluído por ação para o lucro ou o prejuízo atribuível aos titulares de capital próprio ordinário da companhia e. o lucro ou o prejuízo resultante das operações continuadas (ou seja.Lucro ou prejuízo líquido do período menos Dividendos destinados à ações preferenciais. se apresentado.O Resultado por Ação Básico deverá ser calculado mediante a seguinte fórmula: Lucro ou prejuízo líquido atribuível aos detentores de ações ordinárias Número médio ponderado de ações ordinárias Numerador . Mônica Encinas 55 . Para a finalidade de calcular o resultado diluído por ação.Resultado por Ação Básico A companhia deve calcular o valor do resultado básico por ação para o lucro ou prejuízo atribuível aos titulares de ações ordinárias (ou capital próprio ordinário) da companhia e. excluído o resultado das operações descontinuadas) atribuível a esses titulares do capital próprio ordinário. a companhia deve ajustar o lucro ou o prejuízo atribuível aos titulares de ações ordinárias (capital próprio ordinário) da companhia. refletir os efeitos de todas as ações ordinárias potenciais diluidoras em circulação durante o período.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 5. RPA (Básico) = 5.1 . para refletir os efeitos de todas as ações ordinárias potenciais diluidoras. ______________________________________________________________________________ Profª.Média ponderada da quantidade de ações em circulação durante o período. bem como o número médio ponderado de ações totais em poder dos acionistas (em circulação).

A prática que conflita com as orientações da IAS 33 é: a) a entidade que escolher divulgar o resultado por ação para suas demonstrações individuais.3. as garantias (warrants).EXERCÍCIOS: 5.3) . o elemento que não participa do denominador da fórmula. ______________________________________________________________________________ Profª. o resultado por ação apenas precisará ser apresentado numa base consolidada.(CVM-2008 / NCE-UFRJ) Na determinação do resultado por ação diluído.3. e) um ‘acordo de ação contingente’ (contingent shares agreement) consiste no acordo para emissão de ações. que diz respeito às ações ordinárias potenciais é: a) b) c) d) e) as ações que sejam emitidas para a satisfação de condições resultantes de acordos contratuais. b) diluição consiste na redução do resultado por ação. inclusive os ligados a ações preferenciais que sejam conversíveis em ordinárias. RPA (Diluído) = 5. que dependa da satisfação de condições específicas. receitas de todas potenciais ações ordinárias Média ponderada das ações diluídas A Média ponderada das ações diluídas é obtidas através da Média ponderada das ações ‘básicas’ mais média ponderada das ações ordinárias a serem emitidas na conversão de todas as potenciais ações ordinárias com efeitos diluidor. 5. os contratos de opções em ações. os empréstimos bancários e outros instrumentos de endividamento. Mônica Encinas 56 . incluindo os locais e regionais.(CVM-2008 / NCE-UFRJ) A IAS 33 prescreve as práticas contábeis associadas ao cálculo e divulgação do resultado por ação. d) a norma é aplicável às demonstrações individuais de uma entidade cujas ações ordinárias sejam negociadas em mercado de balcão.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) O Resultado por Ação Diluído deverá ser calculado mediante a seguinte fórmula: Lucro ajustado depois dos impostos e efeitos de dividendos. os instrumentos patrimoniais. juros. em razão da suposição de que instrumentos conversíveis serão convertidos em ações ordinárias.1) . c) se uma entidade apresentar suas demonstrações individuais e para o consolidado. apresentará essa informação também para as demonstrações consolidadas.2) .

de acordo com a IAS 33: ____________________ b) Lucro por Ação Diluído da Companhia. ______________________________________________________________________________ Profª.000 5. pede-se: a) Lucro por Ação Básico da Companhia.000 Emissão de ações ordinárias em 01/10/2009 = 800. e as informações adicionais apresentadas abaixo. As ações preferenciais foram adquiridas em 1º/01/XI.000 debêntures em circulação.00 Remuneração das ações preferenciais de 10% Quantidade de ações preferenciais em circulação: 100.00) Ações ordinárias em circulação (01/01/X1) = 500. Ignore os efeitos do Imposto de Renda.000 Emissão de ações ordinárias em 01/07/X1 = 800.4) Com base nas informações do exercício anterior.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 5.000 (R$ 5.000 Existem 100.000. As debêntures foram adquiridas em 2008 e são remuneradas a uma taxa de 5% ao ano.000 Recompra de ações ordinárias em 01/10/X1 = 400. 5.000.3. de acordo com a IAS 33: ____________________ c) Lucro por Ação. no valor de R$ 3. de acordo com as normas internacionais de contabilidade – IAS 33.5) .000 Recompra de ações ordinárias em 01/07/2009 = 200. conversíveis em ação.Com base nas informações a seguir.00 cada. de acordo com as NBCs anteriores à convergência: ___________________ Lucro Líquido do Exercício de 31/12/2009 = R$ 500. no valor de R$ 30. As debêntures foram adquiridas em X0 e são remuneradas a uma taxa de 10% ao ano.000 (cada uma cotada a R$ 20.00 cada.000. Lucro Líquido do Exercício = R$ 1. Existem 100.3. A alíquota de Imposto de Renda da empresa é de 25%. e de acordo com a IAS 33 – Resultado por Ação.3) Com base nas informações a seguir. de acordo com as normas internacionais de contabilidade – IAS 33.000 Recompra de ações ordinárias em 01/04/2009 = 400.3. A alíquota de Imposto de Renda da empresa é de 25%. calcule o Lucro por Ação Diluído da Companhia.00 Remuneração das ações preferenciais: 4% ao ano Quantidade de ações preferenciais em circulação. e Normas Brasileiras de Contabilidade. Mônica Encinas 57 . e não houve alteração em sua composição ao longo do ano. conversíveis em ação.00/ação) Ações ordinárias em circulação em 01/01/2009 = 800. calcule o Lucro por Ação Básico da Companhia. emitidas em 01/01/2008: 80.000 debêntures em circulação.

................00 Outras Informações: Imposto de Renda = 25% As ações PN e as Debêntures são conversíveis em ONs 500....................................... 01/Agosto/2009 – Emissão de Ações ...3.....000......................R$ 140. calcule o Lucro por Ação Básico e o Lucro por Ação Diluído da Companhia.00 Ações Ordinárias 01/Janeiro/2009 – Ações em Circulação ............000....Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 5.......... Mônica Encinas 58 ...000 400.. 600.........000 Remuneração das Ações Preferenciais ........ 01/Novembro/2009 – Recompra de Ações ........00 Debêntures 01/Julho/2009 – Títulos em Circulação .000...... de acordo com as normas internacionais de contabilidade – IAS 33. Ações Preferenciais 01/Abril/2009 – Ações em Circulação ........000 800........ 200.... 01/Maio/2009 – Emissão de Ações ..............000 Remuneração das Debêntures ......................6) ...500.............000 600...000 ______________________________________________________________________________ Profª.... R$ 500........ Lucro Líquido do Exercício = R$ 1...Com base nas informações a seguir.........

c) Sem substância física. licenciado. independente da intenção de uso pela entidade. Mônica Encinas 59 . alugado ou trocado. individualmente ou junto com um contrato. quotas de importação.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 6 – ATIVOS INTANGÍVEIS (IAS 38) A IAS 38 define o tratamento contábil dos ativos intangíveis que não são abrangidos especificamente em outro Pronunciamento. licenças. transferido. ou seja. direitos autorais. são identificáveis. ______________________________________________________________________________ Profª. direitos sobre hipotecas. franquias. fidelidade de clientes.1 . conhecimento mercadológico. puder ser separado da entidade e vendido. controlados e geradores de benefícios econômicos futuros. exigindo divulgações específicas sobre esses ativos. e. independentemente de tais direitos serem transferíveis ou separáveis da entidade ou de outros direitos e obrigações. relacionamentos com clientes ou fornecedores. a manutenção ou o aprimoramento de recursos intangíveis como conhecimento científico ou técnico. propriedade intelectual. o gasto incorrido na sua aquisição ou geração interna deve ser reconhecido como despesa quando incorrido. e estabelece que uma entidade deve reconhecer um ativo intangível apenas se determinados critérios especificados neste Pronunciamento forem atendidos. 6. o desenvolvimento. desenho e implantação de novos processos ou sistemas. e b) Do qual espera-se que sejam gerados benefícios econômicos futuros para a entidade. patentes. Ativo Intangível é: a) Um ativo não monetário. direitos sobre filmes cinematográficos. Exemplos de itens que se enquadram nessas categorias amplas são: softwares. participação no mercado e direitos de comercialização. licenças de pesca. em termos de definição de um ativo intangível. nome. Identificabilidade Um ativo satisfaz o critério de identificação. b) Identificável. Nem todos os itens descritos acima se enquadram na definição de ativo intangível. quando: a) for separável. As entidades freqüentemente despendem recursos ou contraem obrigações com a aquisição. reputação. ou seja.Definição: Ativo é um recurso: a) Controlado por uma entidade. imagem e marcas registradas (incluindo nomes comerciais e títulos de publicações). ou b) resultar de direitos contratuais ou outros direitos legais. listas de clientes. Caso um item abrangido pela IAS 38 não atenda à definição de ativo intangível. O Pronunciamento também especifica como mensurar o valor contábil dos ativos intangíveis. ativo ou passivo relacionado.

2.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) Controle A entidade controla um ativo quando detém o poder de obter benefícios econômicos futuros gerados pelo recurso subjacente e de restringir o acesso de terceiros a esses benefícios. a capacidade da entidade de controlar os benefícios econômicos futuros de ativo intangível advém de direitos legais que possam ser exercidos num tribunal. Exemplos de gastos que não fazem parte do custo de ativo intangível: a) custos de lançamento de novo produto ou serviço. 6. após deduzidos os descontos comerciais e abatimentos. se: a) For provável que os benefícios econômicos futuros que são atribuíveis aos ativos ingressarão na entidade. mas está aguardando pelo uso. Por exemplo. Normalmente.1 – Ativo Intangível adquirido separadamente O custo de ativo intangível adquirido separadamente inclui: a) seu preço de compra. Exemplos de custos diretamente atribuíveis são (i) Custos de benefícios aos empregados incorridos diretamente para que o ativo fique em condições operacionais (de uso ou funcionamento). acrescido de impostos de importação e impostos não recuperáveis sobre a compra.2 – Reconhecimento e Mensuração A IAS 38 exige que uma entidade reconheça um ativo intangível (ao custo inicialmente) se. e b) qualquer custo diretamente atribuível à preparação do ativo para a finalidade proposta. visto que a entidade pode controlar benefícios econômicos futuros de outra forma. redução de custos ou outros benefícios resultantes do uso do ativo pela entidade. e b) O custo do ativo possa ser mensurado com segurança. (ii) honorários profissionais diretamente relacionados para que o ativo fique em condições operacionais. e somente. c) custos administrativos e outros custos indiretos. como propaganda e atividades promocionais. a imposição legal de um direito não é uma condição imprescindível para o controle. d) custos incorridos quando o ativo já está nas condições planejadas pela entidade. Benefício econômico futuro Os benefícios econômicos futuros gerados por ativo intangível podem incluir a receita da venda de produtos ou serviços. 6. e (iii) custos com testes para verificar se o ativo está funcionando adequadamente. o uso da propriedade intelectual em um processo de produção pode reduzir os custos de produção futuros em vez de aumentar as receitas futuras. e e) perdas operacionais iniciais. ______________________________________________________________________________ Profª. b) custos da transferência das atividades para novo local ou para nova categoria de clientes (incluindo custos de treinamento). Mônica Encinas 60 . A ausência de direitos legais dificulta a comprovação do controle. tais como aquelas incorridas enquanto a demanda para os produtos do ativo está aumentando gradualmente. No entanto.

Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 6. caso este se destine ao uso interno. Entre outros aspectos. e vi). existe um ativo identificável que gerará benefícios econômicos futuros esperados. Exemplos de custos diretamente atribuíveis: ______________________________________________________________________________ Profª.Ativo intangível gerado internamente Por vezes é difícil avaliar se um ativo intangível gerado internamente se qualifica para o reconhecimento. necessários à criação. disponibilidade de recursos técnicos. iii). capacidade de mensurar com segurança os gastos atribuíveis ao ativo intangível durante seu desenvolvimento. Caso a entidade não consiga diferenciar a fase de pesquisa da fase de desenvolvimento de projeto interno de criação de ativo intangível. a entidade deve classificar a geração do ativo: (a) na fase de pesquisa. iv). a sua utilidade. Fase de desenvolvimento Um ativo intangível resultante de desenvolvimento (ou da fase de desenvolvimento de projeto interno) deve ser reconhecido somente se a entidade puder demonstrar todos os aspectos a seguir enumerados: i). viabilidade técnica para concluir o ativo intangível de forma que ele seja disponibilizado para uso ou venda. a entidade deve demonstrar a existência de mercado para os produtos do ativo intangível ou para o próprio ativo intangível ou. Para avaliar se um ativo intangível gerado internamente atende aos critérios de reconhecimento. intenção de concluir o ativo intangível e de usá-lo ou vendê-lo. e b) determinar com segurança o custo do ativo.2. Os gastos com pesquisa (ou da fase de pesquisa de projeto interno) devem ser reconhecidos como despesa quando incorridos. capacidade para usar ou vender o ativo intangível. Fase de pesquisa Nenhum ativo intangível resultante de pesquisa (ou da fase de pesquisa de projeto interno) deve ser reconhecido. financeiros e outros recursos adequados para concluir seu desenvolvimento e usar ou vender o ativo intangível. O custo de ativo intangível gerado internamente inclui todos os gastos diretamente atribuíveis. Mônica Encinas 61 . e/ou (b) na fase de desenvolvimento. Em alguns casos não é possível separar o custo incorrido com a geração interna de ativo intangível do custo da manutenção ou melhoria do ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente ou com as operações regulares (do dia-a-dia) da entidade. produção e preparação do ativo para ser capaz de funcionar da forma pretendida pela administração. forma como o ativo intangível deve gerar benefícios econômicos futuros.2 . o gasto com o projeto deve ser tratado como incorrido apenas na fase de pesquisa. e quando. devido às dificuldades para: a) identificar se. ii). v).

6. independentemente de o ativo ter sido reconhecido pela adquirida antes da aquisição da empresa. é separável ou resulta de direitos contratuais ou outros direitos legais.2. Portanto. Se um ativo adquirido em uma combinação de negócios for separável ou resultar de direitos contratuais ou outros direitos legais. ______________________________________________________________________________ Profª. mesmo se houver incerteza em relação à época e ao valor desses benefícios econômicos. Em outras palavras. exceto se tais gastos puderem ser atribuídos diretamente à preparação do ativo para uso. administrativos e outros gastos indiretos. ou seja. o qual reflete as expectativas sobre a probabilidade de que os benefícios econômicos futuros incorporados no ativo serão gerados em favor da entidade.3 – Aquisição como parte de uma Combinação de Negócios Se um ativo intangível for adquirido em uma combinação de negócios. o seu custo é o valor justo na data de aquisição. Mônica Encinas 62 . taxas de registro de direito legal. um projeto de pesquisa e desenvolvimento em andamento da adquirida se o projeto atender à definição de ativo intangível. independentemente de o ativo ter sido reconhecido pela adquirida antes da aquisição da empresa. separadamente do ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill). Os seguintes itens não são componentes do custo de ativo intangível gerado internamente: a) gastos com vendas. considera-se que exista informação suficiente para mensurar com confiabilidade o seu valor justo. separadamente do ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) apurado em uma combinação de negócios. um ativo intangível da adquirida. e amortização de patentes e licenças utilizadas na geração do ativo intangível. a entidade espera que haja benefícios econômicos em seu favor. um ativo intangível da adquirida. o qual reflete as expectativas sobre a probabilidade de que os benefícios econômicos futuros incorporados no ativo serão gerados em favor da entidade. separadamente do ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) apurado em uma combinação de negócios. o adquirente deve reconhecer na data da aquisição.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) a) b) c) d) gastos com materiais e serviços consumidos ou utilizados na geração do ativo intangível. separadamente do ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill). O adquirente deve reconhecer na data da aquisição. e b). o seu custo deve ser o valor justo na data de aquisição. Se um ativo intangível for adquirido em uma combinação de negócios. um projeto de pesquisa e desenvolvimento em andamento da adquirida se o projeto atender à definição de ativo intangível. e c) gastos com o treinamento de pessoal para operar o ativo. Isso significa que a adquirente reconhece como ativo. corresponder à definição de ativo. for identificável. mesmo se houver incerteza em relação à época e ao valor desses benefícios econômicos. b) ineficiências identificadas e prejuízos operacionais iniciais incorridos antes do ativo atingir o desempenho planejado. a entidade espera que haja benefícios econômicos em seu favor. Um projeto de pesquisa e desenvolvimento em andamento da adquirida atende à definição de ativo intangível quando: a). Em outras palavras. Isso significa que a adquirente reconhece como ativo. custos de benefícios a empregados relacionados à geração do ativo intangível.

A entidade deve atribuir vida útil indefinida a um ativo intangível quando. a entidade deve testar a perda de valor dos ativos intangíveis com vida útil indefinida comparando o seu valor recuperável com o seu valor contábil: i). e ii). A amortização deve ser iniciada a partir do momento em que o ativo estiver disponível para uso. ou seja. com diferentes probabilidades.Goodwill O goodwill adquirido em uma combinação de negócios e. é pouco provável que a entidade consiga atribuir custos incorridos à geração desse goodwill. sempre que existam indícios de que o ativo intangível pode ter perdido valor. quando se encontrar no local e nas condições necessários para que possa funcionar da maneira pretendida pela administração. Se não for possível determinar esse padrão com segurança. 6.4 – Amortização A entidade deve avaliar se a vida útil de ativo intangível é definida ou indefinida e. considera-se que o seu valor justo pode ser mensurado com confiabilidade. não existe um limite previsível para o período durante o qual o ativo deverá gerar fluxos de caixa líquidos positivos para a entidade. portanto. representa os benefícios econômicos que surgem dos outros ativos adquiridos na combinação. para as estimativas utilizadas na avaliação do valor justo de ativo intangível. no primeiro caso. 6. O método de amortização utilizado reflete o padrão de consumo pela entidade dos benefícios econômicos futuros. Mônica Encinas 63 .3 . o que ocorrer primeiro. ainda. com base na análise de todos os fatores relevantes. ______________________________________________________________________________ Profª. que são incorporados ao goodwill por não serem nem individualmente identificados nem separadamente reconhecidos. Adicionalemnte. A amortização deve cessar na data em que o ativo é classificado como mantido para venda ou incluído em um grupo de ativos classificado como mantido para venda ou. O goodwill gerado internamente não é reconhecido como um ativo porque ele não é um recurso identificável – não é separável nem surge de acordos legais – nem é controlado pela entidade. a incerteza passa a fazer parte da determinação do valor justo. Um Ativo intangível com vida útil indefinida não deve ser amortizado. reconhecido como tal.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) Se um ativo intangível adquirido em uma combinação de negócios for separável ou resultar de direitos contratuais ou outros direitos legais. existir uma gama de resultados possíveis. na data em que ele é baixado. Quando. a duração ou o volume de produção ou unidades semelhantes que formam essa vida útil. Em seu lugar. deve ser utilizado o método linear. O valor amortizável de ativo intangível com vida útil definida deve ser apropriado de forma sistemática ao longo da sua vida útil estimada. anualmente.

De acordo com as normas internacionais de Contabilidade.EXERCÍCIOS 6. ______________________________________________________________________________ Profª. (d) Os gastos com pesquisa deverão ser capitalizados como Ativo durante o período mínimo de 5 anos.4. de até 10 anos. a cada dia que passa. quando incorridos.1 . Editora Atlas – 2010 (pág. do Nelson Carvalho e SirleiLemes. Qual o tratamento contábil internacional recomendado para esses gastos? (a) Deverão ser capitalizados como Ativo e amortizados durante o período esperado de futuros benefícios econômicos. em razão da incerteza dos benefícios econômicos futuros. com destaque para as áreas de Saúde e Química. e) considerados como despesa. independente do prazo de amortização.3 . c) ativados. quando incorridos. d) tratados sempre como despesa. 6. os gastos com pesquisa devem ser a) ativados.2 .209) Dados: (a) Custos pré-operacionais para abertura do negócio. vão tendo relevância maior.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 6. quando estiverem sujeitos a fortes investimentos. (d) Licenças e royalties. quando incorridos. (g) Licença de produção de esteróides por meio de uma concessão governamental.(BNDES – 2008/Cesgranrio) Um dos critérios analisados pelos órgãos internacionais de contabilidade diz respeito aos gastos com pesquisa e desenvolvimento. (e) Direitos de transmissão e operação. (h) Custo de cursos realizados pelos administradores para qualificação. enquanto os gastos com desenvolvimento deverão ser levados a resultado. tão logo tenham sido incorridos. se há projeto claramente definido. sendo o prazo dos gastos com pesquisa de 5 anos. (c) Devem ser levados a resultado do exercício imediatamente. se atendidas certas condições.4. Mônica Encinas 64 . (c) Projeto de um plano piloto.Estudo de Caso 2 (pág. (b) Software contábil desenvolvido internamente para uso da própria empresa. não superiores a 10 anos. (b) Deverão ser capitalizados como Ativo e amortizados durante o período esperado de benefícios futuros. e os gastos com desenvolvimento poderão ser capitalizados no Ativo.(Petrobras-2008/Cesgranrio) Um dos problemas da harmonização contábil reside nos gastos desembolsados com pesquisa e desenvolvimento que. (i) Propaganda na televisão que irá estimular as vendas de uma indústria tecnológica.4 . (e) (E) Os gastos com pesquisa deverão ser reconhecidos como Despesa do Exercício.4. Atenção: Os exercícios a seguir foram extraídos do livro Contabilidade Internacional para Graduação. e o de gastos com desenvolvimento. b) b) ativados. já comprovado.208) . (f) Compra de goodwill em uma combinação de negócios. 6. que será produzido comercialmente.

desde que a entidade cumpra com as normas e regulamentações envolvendo a renovação . sabendo-se que ela atende aos critérios de reconhecimento de um ativo intangível. Pede-se: Como a Cia. Pede-se: Como a Cia Aérea Atlântida deverá tratar a vida útil da autorização para operar a citada rota aérea? 6.4. Pede-se: Descreva como a Cia.6 . Aérea Atlântida deverá tratar a vida útil da autrização para operar a citada rota aérea? ______________________________________________________________________________ Profª.212) Dados: A Cia. a autorização atual tem ainda três anos até sua expiração e a companhia prevê que a rota aérea continuará a gerar fluxo de caixa por esse período de três anos. Essa análise da entidade é suportada por evidências sobre a demanda e o Fluxo de Caixa.Estudo de Caso 7 (pág.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) Pede-se: Quais dos custos acima podem ser capitalizados de acordo com a IAS 38 e quais deles serão tratados como despesas.Estudo de Caso 4 (pág. Mônica Encinas 65 . o que a compahia pretende fazer. tem uma patente registrada de determinada droga.4. As renovações da autorização são concedidas a um custo mínimo e historicamente a Cia Aérea Atlântida tem conseguido atender às exigências e fazer a renovação. quando incorridos? 6. amortização e teste de impairment. A entidade tem um acordo com um laboratório de um governo estrangeiro que comprará da Cia Cyrcus a referida patente ao final de seis anos por 40% do seu valor da data de aquisição.4 . quanto ao reconhecimento. A empres espera fornecer o serviço indefinidamente entre o principal aeroporto de cada uma das duas cidades e prevê que a infraestrutura necessária continuará sendo disponibilizada pelos aeroportos enquanto ela detiver a auorização de operação.Aérea Atlântida possui autorização para operar deerminada rota aérea bastante lucrativa entre Nova Iorque e Londres. 6. Cyrcus deve tratar a patente.211) Dados: A Cia. um laboratório farmacêutico. cuja produção e venda gerará um fluxo de caixa estimado para a entidade por 12 anos.Cyrcus. suponha qua a autoridade que concede as licenças para operações de rotas aéreas decide não mais renovar a autorização da Cia Aérea Atlântida e promoverá um leilão para essa e outras rotas. A autorização pode ser renovada a cada quatro anos.212) Dados: Considernado os dados do Estudo de Caso anterior. Quando ocorre essa mudança.4.5 .Estudo de Caso 6 (pág.

(d) Uma vez classificada como indefinida.8 – As três condições para atendimento do conceito de ativo intangível são: (pág214) (a) geração de benefícios econômicos. (c) Após análises. ele é incluído no goodwill em uma combinação de negócios. (e) Ele deve ser amortizado pelo período máximo que a entidade estima que durarão seus negócios como um todo.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 6.4. a entidade conclui que o ativo tem vida útil infinita. a entidade tem o poder de obter seus benefícios econômicos e de restringir o acesso de terceiros a esses benefícios.4. (e) ele somente derivar de combinações de negócios. (b) controle. (d) identificabilidade. separabilidade e controle. 6. mensuração confiável e geração de benefícios futuros.4. ele é claramente identificado no plano de contas da empresa. geração de benefícios futuros e identificabilidade. Mônica Encinas 66 . 6. (c) separabilidade. posse e separabilidade.9 – Para um ativo intangível com vidaútil indefinida é correto afirmar que: (pág215) (a) A entidade não consegue prever o período de geração de benefícios econômicos desse ativo.7 (a) (b) (c) (d) – Um ativo intangível é identificável se: (pág213) ele pode ser separado da entidade e negociado ou surge por meio de um contrato. propriedade e mensuração confiável. (b) Ele foi adquirido em uma combinação de negócios e a adquirente não tem informações detalhadas sobre sua vida útil. (e) identificabilidade. ______________________________________________________________________________ Profª. essa vida útil não poderá mais ser alterada.

Se um relatório financeiro que contém tanto as demonstrações contábeis consolidadas da controladora que estão dentro do alcance deste Pronunciamento quanto suas demonstrações contábeis individuais. ainda. ou esteja em vias de arquivar. as suas demonstrações financeiras junto a uma comissão de valores mobiliários ou de outra organização reguladora. ______________________________________________________________________________ Profª. Por exemplo. ou (ii) que tenha arquivado. Um segmento operacional pode desenvolver atividades de negócio cujas receitas ainda serão obtidas. as suas demonstrações financeiras consolidadas junto a uma comissão de valores mobiliários ou de outra organização reguladora. não deve classificá-las como informações por segmento. quando a empresa e/ou suas subsidiárias operem em mais de um segmento de mercado.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 7 – RELATÓRIO POR SEGMENTO . incluindo mercados locais e regionais). O presente pronunciamento aplica-se: a) às demonstrações financeiras individuais de uma empresa: (i) cujos instrumentos de dívida ou de capital sejam negociados num mercado público (uma bolsa de valores nacional ou estrangeira ou um mercado "de balcão". com vista a emitir qualquer classe de instrumentos num mercado público. b) às demonstrações financeiras consolidadas de um conglomerado: (i) cujos instrumentos de dívida ou de capital sejam negociados num mercado público (uma bolsa de valores nacional ou estrangeira ou um mercado "de balcão".e c) sobre a qual esteja disponível informação financeira diferenciada. as operações em início de atividade podem constituir segmentos operacionais antes da obtenção de receitas. assim como os ambientes econômicos em que operam. Conceito de Segmento Operacional Um segmento operacional é uma componente de uma empresa: a) que desenvolve atividades de negócio de que obtém receitas e pelas quais incorre em gastos (incluindo receitas e gastos relacionados com transações realizadas com áreas de negócio da mesma empresa). Se a entidade que não é obrigada a aplicar este Pronunciamento optar por divulgar informações sobre segmentos que não estiverem de acordo com este Pronunciamento. incluindo mercados locais e regionais).IFRS 8 (CPC 22) As empresas devem divulgar informações que permitam aos usuários de suas demonstrações financeiras avaliarem a natureza e os efeitos financeiros das atividades de negócio em que estão envolvidas. ou (ii) que tenha arquivado. principalmente na situação em que a empresa possua subsidiárias localizadas em outros países ou. com vista a emitir qualquer classe de instrumentos num mercado público. a informação por segmento é exigida somente para as demonstrações contábeis consolidadas. b) cujos resultados operacionais são regularmente revisados pelo executivo responsável pela tomada de decisões operacionais da empresa para efeitos da tomada de decisões sobre a alocação de recursos ao segmento e da avaliação do seu desempenho. Mônica Encinas 67 . ou esteja em vias de arquivar.

Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) Segmentos a serem reportados Uma entidade emitirá relatório divulgando separadamente as informações sobre cada segmento operacional que: A entidade deve divulgar separadamente as informações sobre o segmento operacional que atenda a qualquer um dos seguintes parâmetros: (a) sua receita reconhecida. segmentos operacionais adicionais devem ser identificados como segmentos divulgáveis (mesmo que eles não satisfaçam aos critérios enunciados acima) até que pelo menos 75% das receitas da entidade estejam incluídas nos segmentos divulgáveis. de seguros ou serviços de utilidade pública. (c) seus ativos são iguais ou superiores a 10% dos ativos combinados de todos os segmentos operacionais. de todos os segmentos operacionais. Critérios de combinação Os segmentos operacionais freqüentemente exibem desempenho financeiro a longo prazo se apresentam características econômicas semelhantes. (b) o montante em termos absolutos do lucro ou prejuízo apurado é igual ou superior a 10% do maior. também. ______________________________________________________________________________ Profª. Os segmentos operacionais que não atinjam quaisquer dos parâmetros mínimos quantitativos podem ser considerados divulgáveis e podem ser apresentados separadamente se a administração entender que essa informação sobre o segmento possa ser útil para os usuários das demonstrações contábeis. e (e) se aplicável. Dois ou mais segmentos operacionais podem se combinar em um único segmento operacional desde que essa combinação mantenha a consistência com o princípio fundamental desta IFRS. As informações sobre outras atividades de negócio e outros segmentos operacionais não divulgáveis devem ser combinadas e apresentadas numa categoria “outros segmentos”. Por exemplo. interna e externa. (c) tipo ou classe de cliente consumidor dos seus produtos e serviços. Mônica Encinas 68 . incluindo tanto as vendas para clientes externos quanto as vendas ou transferências intersegmentos. por exemplo. (b) natureza dos processos de produção. médias semelhantes de margens brutas a longo prazo seriam esperadas para dois segmentos operacionais com características econômicas semelhantes. setor bancário. separadamente de outros itens na conciliação exigida acima. é igual ou superior a 10% da receita combinada. e (ii) prejuízo apurado combinado de todos os segmentos operacionais que apresentaram prejuízos. natureza do ambiente de regulamentação. os segmentos tenham características econômicas semelhantes e sejam semelhantes. Se o total de receitas externas reconhecido pelos segmentos operacionais representar menos de 75% da receita da entidade. (d) nos métodos usados na distribuição de seus produtos ou na prestação de seus serviços. em termos absolutos. em cada um dos seguintes fatores: (a) natureza dos produtos e serviços. dos seguintes montantes: (i) lucro apurado combinado de todos os segmentos operacionais que não apresentaram prejuízos.

Os ajustes e eliminações efetuados no âmbito da elaboração das demonstrações financeiras e da alocação de receitas. ativos ou passivos de cada segmento relatado. ativo e passivo A entidade deve divulgar o valor do lucro ou prejuízo e do ativo total de cada segmento divulgável. b) o total das mensurações dos lucros ou prejuízos dos segmentos reportáveis com os lucros ou prejuízos dos segmentos reportáveis com os lucros ou prejuízos da empresa antes da tributação (Imposto de Renda e contribuição social) e unidades operacionais descontinuadas. ou for regularmente apresentado a este. As empresas devem apresentar para cada segmento reportável uma explicação das bases adotadas para as mensurações dos lucros ou prejuízos e segregação dos ativos e passivos de cada segmento. relativamente a cada segmento. para produzir um segmento divulgável. necessariamente. despesas financeiras. A entidade deve divulgar o valor do passivo para cada segmento divulgável se esse valor for apresentado regularmente ao principal gestor das operações. e que são utilizadas para o acompanhamento e mensuração das atividades. custos.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) A entidade pode combinar informações sobre segmentos operacionais que não atinjam os parâmetros mínimos com informações sobre outros segmentos operacionais que também não atinjam os parâmetros. essas quantias devem ser atribuídas em uma base razoável. receitas financeiras. Profª. c) o total dos ativos dos segmentos reportáveis com os ativos da empresa. De igual modo. corresponder às mesmas informações em termos de conteúdo e forma. somente se os segmentos operacionais tiverem características econômicas semelhantes e compartilhem a maior parte dos critérios de agregação enunciados acima. depreciações e amortizações. que são fornecidas aos tomadores de decisão da empresa. Todavia. devem ser relatados apenas os ativos e passivos incluídos nas correspondentes mensurações utilizadas pelos tomadores de decisões operacionais. ainda que não incluído no valor do lucro ou prejuízo do segmento: (a) (b) (c) (d) (e) (f) receitas provenientes de clientes externos. ela pode reconciliar o total das mensurações dos lucros ou prejuízos dos segmentos com os lucros ou prejuízos da empresa depois desses itens (lucro líquido). Mônica Encinas ______________________________________________________________________________ 69 . A entidade deve divulgar também as seguintes informações sobre cada segmento se os montantes especificados estiverem incluídos no valor do lucro ou prejuízo do segmento revisado pelo principal gestor das operações. receitas de transações com outros segmentos operacionais da mesma entidade. despesas e ganhos ou perdas de uma empresa só devem ser incluídos na determinação dos lucros ou prejuízos do segmento reportado se estiverem incluídos na respectiva mensuração utilizada pelos tomadores de decisões pelas operações da empresa. e) o total das quantias dos segmentos reportáveis relativos a quaisquer outros itens materiais das informações divulgadas com as correspondente quantias da empresa. e tomada de decisões para efeitos de alocação de recursos a cada um dos segmentos.Apresentação das Demonstrações Contábeis. Se forem alocadas quantias aos lucros ou prejuízos. se a empresa atribuir a segmentos reportáveis itens como despesas com impostos. As informações relativas a cada item dos segmentos relatados pela empresa devem. itens materiais de receita e despesa divulgados de acordo com o item 97 do Pronunciamento Técnico CPC 26 . d) o total dos passivos dos segmentos reportáveis com os passivos da empresa. Informações sobre lucro ou prejuízo. As empresas devem proporcionar reconciliações dos seguintes elementos: a) o total das receitas dos segmentos reportáveis com as receitas totais da empresa. se os passivos dos segmentos forem relatados de acordo com o parágrafo 23 da Norma IFRS 8.

(b) ativo não circulante. Informação sobre área geográfica A entidade deve evidenciar as seguintes informações geográficas. exceto depreciações e amortizações. bem como o montante total das receitas provenientes de cada um desses clientes e a identidade do segmento ou dos segmentos em que as receitas são divulgadas. estadual. e (ii) localizados em todos os países estrangeiros em que a entidade mantém ativos. Se as receitas provenientes das transações com um único cliente externo representarem 10% ou mais das receitas totais da entidade. salvo se as informações necessárias não se encontrarem disponíveis e o custo da sua elaboração for excessivo. Mônica Encinas 70 . provincial. salvo se as informações necessárias não se encontrarem disponíveis e o custo da sua elaboração for excessivo: (a) receitas provenientes de clientes externos: (i) atribuídos ao país-sede da entidade. A entidade não está obrigada a divulgar a identidade de grande cliente nem o montante divulgado de receitas provenientes desse cliente em cada segmento. deve ser considerado um único cliente. Informação sobre produto e serviço A entidade deve divulgar as receitas provenientes dos clientes externos em relação a cada produto e serviço ou a cada grupo de produtos e serviços semelhantes. A entidade deve divulgar a base de atribuição das receitas provenientes de clientes externos aos diferentes países. devem ser divulgados separadamente. deve ser considerado um único cliente. devendo tal fato ser divulgado. e (ii) atribuídos a todos os países estrangeiros de onde a entidade obtém receitas. devem ser divulgadas separadamente. (h) despesa ou receita com imposto de renda e contribuição social.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) (g) participação da entidade nos lucros ou prejuízos de coligadas e de empreendimentos sob controle conjunto (joint ventures) contabilizados de acordo com o método da equivalência patrimonial. Informação sobre os principais clientes A entidade deve fornecer informações sobre seu grau de dependência de seus principais clientes. Se os ativos em determinado país estrangeiro forem materiais. local ou estrangeiro) e as entidades que a entidade divulgadora sabe que estão sob controle comum desse governo. assim como o governo (nacional. e (i) itens não-caixa considerados materiais. territorial. ______________________________________________________________________________ Profª. benefícios de pós-emprego e direitos provenientes de contratos de seguro: (i) localizados no país sede da entidade. Se as receitas provenientes de clientes externos atribuídas a determinado país estrangeiro forem materiais. esta deve divulgar tal fato. que a entidade divulgadora sabe que está sob controle comum. Os montantes das receitas divulgadas devem basear-se nas informações utilizadas para elaborar as demonstrações contábeis da entidade. um conjunto de entidades. exceto instrumentos financeiros e imposto de renda e contribuição social diferidos ativos. Para fins deste Pronunciamento.

Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) Diagrama para identificação de segmentos reportáveis Identificar segmentos operacionais com base no sistema de informações gerenciais Alguns segmentos operacionais cumprem todos os critérios de agregação? Sim segmento. se desejado Alguns segmentos operacionais remanescentes cumprem a maioria dos critérios de agregação? Não Os segmentos informáveis identificados contabilizam 75 % da receita da entidade? Sim Não Informar segmento adicional se a receita externa de todos os segmentos for menor que 75% da receita da entidade Esses são os segmentos informáveis a serem divulgados Agregar segmentos remanescentes na categoria ”todos os outros segmentos” ______________________________________________________________________________ Profª. Mônica Encinas 71 . se desejado Agregar Não Sim Alguns segmentos operacionais atingem os parâmetros quantitativos? Não Sim Agregar segmentos.

) O IFRS 8 .Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 7. se for o caso. d) a natureza dos recursos humanos empregados no fornecimento de seus serviços.1.A IFRS 8 determina critérios para divulgação de Relatório por Segmento. ) Uma entidade emitirá relatório divulgando separadamente as informações sobre cada segmento operacional que: Sua receita divulgada em relatório para clientes externos representa 5 por cento ou mais da receita combinada. ( ______________________________________________________________________________ Profª. ( ) A IFRS 8.1.3) . como ocorre para seguros e utilidade pública. responda: a) A quem se aplica este pronunciamento? b) O que se entende por Segmento Operacional? c) Quais os critérios para divulgação em separado dos segmentos operacionais? d) Quais os critérios quantitativos exigidos para dois ou mais segmentos operacionais se combinarem em um só? 7. Sobre o assunto. a fim de evidenciar os segmentos onde ele opera.1 . utiliza como premissa a abordagem da Administração. somente deve ser aplicada às demonstrações financeiras consolidadas de um conglomerado. A norma estabelece que a entidade divulgue informações para permitir que os usuários de suas demonstrações financeiras avaliem a natureza e os efeitos financeiros de suas atividades operacionais e dos ambientes econômicos em que ela opera. 7.1. ( c.EXERCÍCIOS 7. de todos os segmentos operacionais. Mônica Encinas 72 . ( d. O aspecto que é desconsiderado para fins da decisão de agregação de segmentos é: a) a natureza dos métodos utilizados para distribuição de seus produtos e fornecimento de seus serviços.2) . interna e externa. ) Pode-se identificar um segmento operacional como aquele do qual se obtém receitas e pelas quais se incorre em custos. e cujos resultados operacionais são incluídos no resultado do conglomerado. se possuírem características econômicas similares e tiverem similaridades em relação a vários aspectos operacionais.1 .(CVM-2008/NCE-UFRJ) Segundo a IFRS 8 dois ou mais segmentos podem ser agregados num único segmento operacional.Julgue as alternativas abaixo: a. cuja receita seja superior a 10% da Receita Combinada do Grupo. c) a natureza do ambiente regulatório. e) a natureza e composição dos produtos elaborados e serviços fornecidos.Relatório por Segmento. b) a natureza de seus processos de produção utilizados no ambiente de manufatura. b. que trata de Relatório por segmento.

Determine qual dos segmentos você classificaria como reportáveis. Os segmentos reportáveis atendem ao patamar mínimo de 75% do total de segmentos reportáveis? 7.000 125.000 620.000 (35.000 170.000 12.000 % 19% 3% 8% 23% 8% 6% 29% 20% 117% Reportável? 1.200.500 10. 2.000 315.000 1.000 175. Segmento Roupa Sapato Bebidas Móveis Eletrodomésticos Bolsa Concessão Rodoviária Outros Segmentos Total Pede-se: Ativos 280.000 (35.000 65. Determine qual dos segmentos você classificaria como reportáveis.000 % 25% 6% 33% 18% 4% 5% 10% 100% Reportável? Considerando que a Receita da Agropecuária é toda proveniente do segmento de Supermercado do Grupo.000) 24.000 120.000 35.000 180.000 480.000 7.000 125.1.000 250.000 230.000 300.000 1. Mônica Encinas 73 .000 12.000.000 2.000) 97.000 165.000 275.000 346. Os segmentos reportáveis atendem ao patamar mínimo de 75% do total de segmentos reportáveis? ______________________________________________________________________________ Profª.600.000 120.5) .000 450.A Cia Tudojunto SA identificou os seguintes segmentos no grupo.000 175.000 85.000 58.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 7.000 115. 2.1.000 80.000 320.000 87.000 3. Segmento Agropecuária Construção Civil Supermercado Telefonia Moda Infantil Turismo Shopping Total Ativos 400.000 550.000 340.000 560.4) .500 200.000 85.000 % 31% 9% 26% 10% 4% 7% 13% 100% Receita 350.A Cia Diversificada SA identificou os seguintes segmentos no grupo.000 160.300.000 % 18% 8% 14% 15% 5% 4% 19% 18% 100% Lucro Prejuízo 78.000 % 18% 9% 28% 16% 8% 9% 14% 100% Lucro/Prej 50.000 20. pede-se: 1.000 % 18% 8% 11% 14% 5% 5% 20% 19% 100% Receita 560.

101 23.018 1.717 5.735 Receita 41.912 9.656 (1.239 969 376 61.1.137 (6.652 117. Mônica Encinas 74 .Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 7. Determine qual dos segmentos você classificaria como reportáveis.715 Pede-se: 1.298 19.991 69.796) 720 13.072 2.320 148. Os segmentos reportáveis atendem ao patamar mínimo de 75% do total de segmentos reportáveis? Segmento Brinquedos Vídeo Games Roupas Infantis Foods & Pets Creche % Receita % Resultado % Ativo Reportável? ______________________________________________________________________________ Profª.218 15.5) .138) 87. conforme modelo de gestão aprovado pelos acionistas.138 Resultado por Segmento 14.873 Receita entre segmentos 39.140 Ativos Identificáveis por segmentos 53.536 19. 2.785 (834) (815) 446 15.A multinacional Campo Grande estruturou suas atividades em cinco segmentos operacionais.175 31.549 4.536 11.720) 129. Seguem os dados relativos a estes segmentos: Segmento Brinquedos Vídeo Games Roupas Infantis Foods & Pets Creche Total Combinado Corporativo Eliminações entre segmentos Total Consolidado (61.

O SFAS 157 não contemplou diretrizes sobre técnicas de com mensurar o valor justo. restringindo-se ao seu objetivo de uniformizar o conceito e de requerer à necessidade que informações importantes para a avaliação dos usuários constem nas demonstrações financeiras. A avaliação dos ativos e passivos a valores históricos sempre foi a forma mais tradicional utilizada em contabilidade para mensuração. em vigor desde 15/11/2007. foi publicado um discussion paper.FAIR VALUE (VALOR JUSTO) .. considerando o mercado principal da entidade. como o valor justo. Melhor utilização do Ativo e Participante do Mercado. pelo IASB. permitindo dessa forma que os usuários pudessem avaliar a confiabilidade das medições e o impacto causado nelas ao utilizarem premissas menos verificáveis. estabelecer critérios de mensuração e expansão das divulgações sobre valor justo nas demonstrações financeiras. acordo de Norwalk. ou um passivo ser liquidado. a informação a valores históricos para determinar itens patrimoniais não auxiliava na predição de fluxos de caixa futuros. Mônica Encinas ______________________________________________________________________________ 75 . Apesar de mais fácil de ser verificada. Confiabilidade: verificabilidade e neutralidade Mercado mais Vantajoso. 8. Atualmente. No entanto. levando ao surgimento de uma nova corrente que defende a substituição do modelo de mensuração com base em valores históricos pelo método de avaliação econômica dos ativos e das obrigações. Vantagem Desvantagem Premissa Relevância: valor preditivo e oportunidade. o Financial Accouting Standards Board (FASB) publicou o pronunciamento Fair Value Measurement (SFAS 157). Em setembro de 2006.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 8) .Definição: FASB: Fair value (valor justo) é o preço que seria recebido por um ativo ou pago para transferir um passivo em uma transação ordenada entre participantes do mercado numa data de mensuração. (SFAS 157) IASB: Fair value (valor justo) é o montante pelo qual um ativo poderia ser trocado. Profª. em uma transação isenta de favorecimentos. Em setembro de 2009 finalizou o prazo para comentários sobre o exposure draft emitido em maio de 2009. Após o acordo firmado entre o FASB e o IASB. o IASB tem agendado para ano de 2010 a publicação de um IFRS tratando do valor justo. subsidiando informações atualizadas nas demonstrações financeiras e que permita aos usuários avaliarem a qualidade dos lucros. baseado no SFAS 157 emitido pelo FASB. ao longo das décadas.SFAS 157 Norma: SFAS 157. respondendo aos anseios dos usuários das demonstrações financeiras por maiores informações sobre a extensão e os efeitos do uso do valor justo pelas empresas na avaliação de ativos e passivos. Esse pronunciamento teve como objetivos prover diretrizes. entre partes interessadas e informadas. criação de uma definição única de valor justo. foi possível perceber que para alguns ativos e passivos o consenso do mercado resultou na introdução de outras bases.1 .

É importante esclarecer que a dimensão contábil do “reconhecimento” envolve a decisão de “quando registrar” ao passo que a dimensão contábil da “mensuração” envolve a decisão de “por quanto registrar”.: VP.1 – Objetivos O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer os requisitos básicos a serem observados quando da apuração do Ajuste a Valor Presente de elementos do ativo e do passivo quando da elaboração de demonstrações contábeis.Hierarquia: São definidos três níveis. nos moldes de Pronunciamento baseado em princípios como este.Técnicas de Avaliação: Market Approach (abordagem de mercado): Utilização de preços observáveis e de outras informações relevantes geradas por transações no mercado envolvendo ativos ou passivos idênticos ou comparáveis. Baseados em informações obtidas de fontes independentes da entidade.6. O valor deve ser ajustado pela obsolescência ou deterioração física.6 – Ajuste a Valor Presente Regulamentação: CPC 12 aprovado pela Deliberação CVM nº 564. 8.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 8. não alcançando com detalhes questões de reconhecimento. baseados em premissas próprias da entidade sobre o mercado 8.2 .3 . Exemplo: cotação de ações. Nível 3 – Utilização de inputs não observáveis. Este Pronunciamento trata essencialmente de questões de mensuração. Mônica Encinas 76 . Income Approach (abordagem de renda): Técnicas que convertem montantes futuros (caixa ou lucros) em um único valor presente (descontado). Ex. Cost Approach (abordagem de custo): Montante que seria requerido para um ativo com igual capacidade de geração de serviços (custo de reposição). Nesse ______________________________________________________________________________ Profª. não é a enumeração minuciosa de quais ativos ou passivos são abarcados pela norma. de 17/12/2008 8. mas podem ajudar a definir o Mercado mais vantajoso. A questão mais relevante para a aplicação do conceito de valor presente. dependendo das informações disponíveis no mercado: Nível 1 – Inputs observáveis (cotações) para ativos ou passivos idênticos negociados em mercados ativos nos quais a entidade pode ter acesso. Nível 2 – Inputs observáveis que não sejam preços (cotações) de ativos ou passivos idênticos mas similares. precificação de opções etc. mas o estabelecimento de diretrizes gerais e de metas a serem alcançadas. Obs: Custos de transação não devem ser considerados na definição do fair value.

sendo os seus efeitos apropriados nas contas a que se vinculam. as análises e as especificações sobre ajuste a valor presente. Mônica Encinas 77 . utilidade ou substância de ativos ou passivos similares emprega método de alocação de descontos. a não ser que a entidade possa devidamente fundamentar que o financiamento feito a seus clientes faça parte de suas atividades operacionais. os conceitos.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) sentido. quando a entidade opera em dois segmentos distintos: (i) venda de produtos e serviços e (ii) financiamento das vendas a prazo. a uma receita ou a uma despesa (conforme definidos no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis deste CPC) ou outra mutação do patrimônio líquido cuja contrapartida é um ativo ou um passivo com liquidação financeira (recebimento ou pagamento) em data diferente da data do reconhecimento desses elementos. Logo. Mensuração e Evidenciação. 8. ativos. 8. no que for aplicável e não conflitante. b) reconhecimento periódico de mudanças de valor. assim como são os períodos para os quais se tem a expectativa de desencaixe ou de entrega de produto/prestação de serviço. especialmente sobre elaboração de fluxos de caixa estimados e definição de taxas de desconto contidas no Pronunciamento Técnico CPC 01 Redução ao Valor Recuperável de Ativos. a partir da origem de cada transação. como diretriz geral a ser observada. por exemplo. Pode ser que em determinadas situações a participação de equipe multidisciplinar de profissionais seja imperativo para execução da tarefa. quando então as reversões serão apropriadas como receita operacional. e desde que sejam relevantes esse ajuste e os efeitos de sua evidenciação. As reversões dos ajustes a valor presente dos ativos e passivos monetários qualificáveis devem ser apropriadas como receitas ou despesas financeiras. a um passivo. Subsídios também podem ser obtidos no item 36 do Pronunciamento Técnico CPC 14 Instrumentos Financeiros: Reconhecimento.2 – Diretrizes Os elementos integrantes do ativo e do passivo decorrentes de operações de longo prazo. Devem ser utilizados. ______________________________________________________________________________ Profª.6. devem ser ajustados a valor presente com base em taxas de desconto que reflitam as melhores avaliações do mercado quanto ao valor do dinheiro no tempo e os riscos específicos do ativo e do passivo em suas datas originais.3 – Passivos não contratuais Passivos não contratuais são aqueles que apresentam maior complexidade para fins de mensuração contábil pelo uso de informações com base no valor presente. Esse é o caso. muito senso crítico. sensibilidade e experiência são requeridos na condução de cálculos probabilísticos. passivos e situações que apresentarem uma ou mais das características abaixo devem estar sujeitos aos procedimentos de mensuração tratados neste Pronunciamento: a) transação que dá origem a um ativo. ou de curto prazo quando houver efeito relevante.6. Fluxos de caixa ou séries de fluxos de caixa estimados são carregados de incerteza. c) conjunto particular de fluxos de caixa estimados claramente associado a um ativo ou a um passivo. A quantificação do ajuste a valor presente deve ser realizada em base exponencial "pro rata die". inclusive no seu Anexo.

implica ajuste no custo de aquisição de ativos. posto que juros imputados nos preços devem ser expurgados na mensuração inicial desses ativos. nos termos do item 7 deste Pronunciamento. antes dos impostos. Quando da edição de norma que dê legitimidade à aplicação do conceito de ajuste a valor presente. qualificada pela literatura como “Asset Retirement Obligation” (ARO). A operação comercial que se caracterize como de financiamento. Juros embutidos devem ser expurgados do custo de aquisição das mercadorias e devem ser apropriados pela fluência do prazo. Mônica Encinas 78 . deve ser reconhecida como tal.Classificação Na classificação dos itens que surgem em decorrência do ajuste a valor presente de ativos e passivos.6. essas diferenças temporárias devem receber o tratamento requerido pelas regras contábeis vigentes para reconhecimento e mensuração de imposto de renda e contribuição social diferidos. No tocante às diferenças temporárias observadas entre a base contábil e fiscal de ativos e passivos ajustados a valor presente. 8. de petróleo e termonuclear. São contempladas as obrigações legais e as não formalizadas (estas últimas também denominadas pela Teoria Contábil Normativa como “obrigações justas ou construtivas”).Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) O reconhecimento de provisões e passivos está disciplinado no ambiente contábil brasileiro. de operações de aquisição e de venda a prazo de estoques e ativo imobilizado. é um exemplo de passivo não contratual já observado em companhias que atuam no segmento de extração de minérios metálicos. O desconto a valor presente é requerido quer se trate de passivos contratuais. 8. dentro da filosofia do valor justo. quer seja em situações de reconhecimento inicial. É importante relembrar que o ajuste de passivos. quer seja nos casos de nova medição. assistência financeira freqüente a comunidades nativas situadas em regiões nas quais sejam desenvolvidas atividades econômicas exploratórias. ajustando-o a valor presente.4 . como é o caso deste Pronunciamento Técnico. ______________________________________________________________________________ Profª. sendo que o valor consignado na documentação fiscal que serve de suporte para a operação deve ser adequadamente decomposto para efeito contábil. A obrigação para retirada de serviço de ativos de longo prazo. que nada mais são do que espécies do gênero “passivo não contratual”. Obrigações justas resultam de limitações éticas ou morais e não de restrições legais. por vezes. a taxa a ser aplicada não deve ser líquida de efeitos fiscais. sendo que a taxa de desconto necessariamente deve considerar o risco de crédito da entidade. deve ser observado o que prescreve a Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis do CPC. inclusive às provisões.Efeitos fiscais Para fins de desconto a valor presente de ativos e passivos.5 . por exemplo. Já as obrigações construtivas decorrem de práticas e costumes. e. Garantias concedidas a clientes discricionariamente. a técnica deve ser aplicada a todos os passivos. são alguns exemplos. entre outros.6. quer se trate de passivos não contratuais. em seu item 35. É o caso. ao tratar da questão da primazia da essência sobre a forma. sim.

5%a. e) propósito da mensuração a valor presente. etc.7) Exercícios – Valor Justo e Ajuste a Valor Presente 8.3) – (FCC / 2010 . 8. Mônica Encinas 79 . pago com entrada de $ 4.Alpha é uma fornecedora para o setor automotivo e vendeu peças para uma grande companhia alemã de automóveis no montante de R$ 150.7.7.Divulgação Em se tratando de evidenciação em nota explicativa. se para reconhecimento inicial ou nova medição e motivação da administração para levar a efeito tal procedimento. taxas de juros decompostas por prêmios incorporados e por fatores de risco (risk-free. Quais devem ser os lançamentos contábeis no reconhecimento inicial e no primeiro mês após a venda? 8.2) .Supondo-se uma venda de imóvel por $ 10. 8. horizonte temporal estimado ou esperado.6 . compreendendo o seguinte rol não exaustivo: a) descrição pormenorizada do item objeto da mensuração a valor presente.000 mil. f) outras informações consideradas relevantes.000 mil cada uma.). sem juros. para ambos. b) Resultado a Apropriar. para o tipo de vendedor e comprador.1) . montantes dos fluxos de caixa estimados ou séries de montantes dos fluxos de caixa estimados. ______________________________________________________________________________ Profª.000 mil em dinheiro e 3 (três) notas promissórias anuais de $ 2. o seu valor de entrada cotado a mercado. devem ser prestadas informações mínimas que permitam que os usuários das demonstrações contábeis obtenham entendimento inequívoco das mensurações a valor presente levadas a efeito para ativos e passivos.m. c) modelos utilizados para cálculo de riscos e inputs dos modelos.404/76 e suas alterações.TCE-RO / Auditor) As contrapartidas de aumentos ou diminuições de valores atribuídos a elementos do ativo. seja. efetue o lançamento contábil no Vendedor e no Comprador. natureza de seus fluxos de caixa (contratuais ou não) e. e) Ajustes de Avaliação Patrimonial. d) Reservas de Reavaliação. b) premissas utilizadas pela administração. enquanto não computadas no resultado serão registradas na conta a) Resultado de Exercícios Futuros. quando previstas pela Lei nº 6. A taxa de desconto apropriada é de 2. expectativas em termos de montante e temporalidade dos fluxos (probabilidades associadas). de 18% ao ano (essas taxas podem ser diferentes para eles). risco de crédito.7.000 (valor da nota) para ser recebida em 20 meses. c) Reservas de Capital. em decorrência de sua avaliação a valor justos. efetuada num momento em que a taxa de juros.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 8. se aplicável.6. d) breve descrição do método de alocação dos descontos e do procedimento adotado para acomodar mudanças de premissas da administração.

Outras Despesas – 15.00 / / / / C – Investimentos/ Comercial Vistosa – 15.SEJUS-RO/ Contador) Conforme descrito na Resolução CFC nº 1. e) valores em caixa ou equivalentes de caixa. descontado do fluxo futuro de saída líquida de caixa que se espera seja necessário para liquidar o passivo no curso normal das operações da Entidade.00 c) D. ressalvado os investimentos em coligadas. por R$ 100. a perda do valor do investimento será registrada pela Natural (em reais.Técnico de Contabilidade) Admita a seguinte descrição: • A Comercial Natural S/A adquiriu. c) direitos que tenham por objeto mercadorias e produtos do comércio da companhia. b) o valor ajustado da expressão formal dos valores dos componentes patrimoniais.000. d) o valor presente.00 ______________________________________________________________________________ Profª.000.00 / C – Investimentos/ Comercial Vistosa – 20.00.7. com intenção de permanência.7. 8. classificados no ativo circulante ou no realizável a longo prazo. sem data nem histórico) com o seguinte lançamento: a) D.000.Petrobrás . os quais poderiam ser obtidos pela venda em uma forma ordenada.Outras Despesas – 20.282/10. c) o valor presente. dispostas a isso. entende-se por valor justo: a) o valor pelo qual um ativo pode ser trocado.000.Outras Despesas – 20. em direitos e títulos de créditos. assim como matérias-primas. produtos em fabricação e bens em almoxarifado.Contador) De acordo com a Lei n° 6. ou um passivo liquidado.00 C – Provisão para Perdas Prováveis – 15.Outras Despesas – 15. Mônica Encinas 80 . em uma transação sem favorecimentos.000.SEJUS-RO . destinados à negociação ou disponíveis para venda.000.000. classificados no ativo circulante ou no realizável a longo prazo e não destinadas à negociação.7.000.000. reconhecendo os efeitos da alteração do poder aquisitivo da moeda.000.00 d) D. b) aplicações em instrumentos financeiros. entre partes conhecedoras. em direitos e títulos de créditos. em janeiro de 2008. 2% das ações ordinárias da Comercial Vistosa S/A. d) investimentos em participação no capital social de outras sociedades. o valor de mercado das ações da Comercial Vistosa possuídas pela Natural foi estimado em R$ 80. as determinações normativas e legais e a não incidência de qualquer tipo de imposto nessa situação. deduzido do saldo da respectiva conta de depreciação.00 b) D. • Em outubro de 2009. • A Natural não tem nenhuma influência significativa na Comercial Vistosa.Provisão para Perdas Prováveis – 20. descontado do fluxo futuro de entrada líquida de caixa que se espera seja gerado pelo item no curso normal das operações da Entidade. em decorrência da perda de um contrato de fornecimento de material para a União. amortização ou exaustão.000.4) – ( FUNCAB/ 2010 . controladas e as que façam parte de um mesmo grupo. a Natural recebeu da Comercial Vistosa dividendos no valor de R$ 5.00 C – Provisão para Perdas Prováveis – 20. • A perda de valor das ações foi considerada definitiva para todos os efeitos.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 8. Considerando-se a descrição acima.000.00 e) D.00 C – Investimentos/ Comercial Vistosa – 20. os elementos do ativo serão avaliados pelo seu valor justo quando se tratar de: a) aplicações em instrumentos financeiros.00.404 atualizada. 8. no balanço. e) direitos classificados no imobilizado.00. • Em fevereiro/2009.000.6) – (CESGRANRIO / 2011 .5) – (FUNCAB / 2010 .

e) não há necessidade de efetuar o ajuste a valor presente. devem ser trazidas a valor presente e ajustadas contra a conta que originou o lançamento inicial. em reais. oferecer a seus clientes prazos de 360.Analista Judiciário) Em relação ao ajuste a valor presente. b) é opcional o reconhecimento do ajuste a valor presente.75131 0. uma vez que as operações são de longo prazo afetando os resultados durante um longo tempo.A possui em seus passivos fornecedores que financiaram Bens de Capital à empresa em quatro anos. e) A taxa a ser utilizada para trazer os montantes a valor presente deve sempre ser líquida dos efeitos fiscais. independente da relevância do ajuste. uma vez que geram maior volume de juros nas operações.7. Mônica Encinas 81 .. é correto afirmar: a) As reversões dos ajustes a valor presente decorrentes de financiamentos feitos a clientes que a empresa entende que faz parte de suas atividades operacionais devem ser apropriadas como receita operacional. uma vez que os juros já foram reconhecidos e estão embutidos nas vendas efetuadas e nos financiamentos.00 Entrada de 20% e o restante em 3 parcelas anuais iguais e sucessivas Juros da data da operação: 10% ao ano Tabela das taxas de desconto a 10% ao ano: Período 0 Período 1 Período 2 Período 3 Período 4 1. para não atribuir valor superior ao realizável efetivamente. d) Os passivos contratuais e não contratuais devem sempre ser trazidos a valor presente.7) – (FCC / 2011 .9) – ( CESGRANRIO / 2011 .Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) 8. 8. ativos e passivos.TRT . c) somente as operações com prazo de 360 dias devem ser ajustadas a valor presente.4ª REGIÃO (RS) . sempre que indexadas.82645 0. b) As contas de ativos e passivos circulantes. o valor da receita da Companhia Supimpa.500. mas sim a taxa embutida no papel. 720 e 900 dias. d) todas as operações devem obrigatoriamente ser ajustadas por conterem juros embutidos.7. Há em sua carteira de clientes operações com todos os prazos. A empresa produz máquinas de costura e para viabilizar seus clientes tem como política de vendas.8) – (FCC/ 2012 .68301 Considerando-se o disposto no CPC 12 – Ajuste a Valor Presente –. independentemente de serem de curto ou longo prazo.000. c) Os impostos diferidos.90909 0.TRE-CE) A Empresa Aviamento S. 8.00000 0. dessa forma pode-se afirmar que de acordo com as leis e normas contábeis vigentes.Petrobrás / Contador Júnior) A Companhia Máquinas Pesadas Supimpa S/A vendeu um equipamento pesado nas seguintes condições: Valor da venda: R$ 22. com juros pré-fixados de 30% a.a. apurado no mesmo dia da venda desse equipamento. é ______________________________________________________________________________ Profª. que a) as transações de curto prazo podem ser ajustadas se o ajuste a valor presente for relevante e as de longo prazo devem ser ajustados obrigatoriamente.7. devem ser trazidos a valor presente pela taxa selic. desde que a taxa de desconto não considere o risco de crédito.

00.12) – Uma empresa possui um ativo e está apta a negociá-lo nos mercados A ou B. e na Europa por R$ 30.7.10) – Um ativo financeiro é negociado em duas bolsas com preços diferenciados.7.00 8. Que valor deveria ser considerado como fair value deste produto? 8. o preço do ativo no mercado B é de $ 55 e os custos para negociação neste mercado são de $ 20.00 e) 22.00. Considere ainda que a taxa livre de risco para um ano é de 5% e há um prêmio para o risco sistemático de 3%.000.11) – Supondo que uma empresa desejasse avaliar o fair value de sandálias havaianas. descritos abaixo. O preço do ativo no mercado A é de $ 50 e os custos para negociá-lo neste mercado são de $ 10. Qual será o valor presente do fluxo de caixa esperado? Fluxo de Caixa Possível $ 500 $ 800 $900 Probabilidade 15% 60% 25% ______________________________________________________________________________ Profª.500.090.00 d) 20.00 b) 4.500.525.7.454. Com base nestas informações. A entidade negocia nos dois mercados. No mercado A.421.Apostila de Contabilidade Internacional (2012/1º Semestre) a) 4. 8. No mercado B.7.00 c) 19. considere que: No Rio de Janeiro as sandálias são vendidas por R$ 10. Mônica Encinas 82 . Qual é o fair value do ativo? 8. defina o fair value do ativo.000. o preço que seria recebido seria de $ 26 e os custos de transação neste mercado são de $ 3.100. o preço que seria recebido seria de $ 25 e os custos de transação neste mercado são de $1.13) – Observe os montantes estimados de fluxo de caixa. O ativo é negociado em mesmo volume e nível de atividades nos dois mercados. para daqui a um ano.905.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful