CREATINA PARA ATLETAS | 83 REVISÃO | REVIEW

A creatina como suplemento ergogênico para atletas

Creatine as an ergogenic supplement for athletes
José PERALTA1 Olga Maria Silverio AMANCIO2

RESUMO
A creatina vem sendo muito pesquisada devido ao seu potencial efeito no rendimento físico de atletas envolvidos em exercícios de alta intensidade e curta duração, intermitentes e com curtos períodos de recuperação. A creatina fosforilada é uma reserva de energia nas células musculares. Durante um exercício intenso, a sua quebra libera energia é usada para regenerar o trifosfato de adenosina. Aproximadamente 95% do pool de creatina encontra-se na musculatura esquelética e sua regeneração após o exercício é um processo dependente de oxigênio. Estudos mostram que a suplementação com este composto pode aumentar o pool orgânico em 10 a 20%, e este percentual é maior em atletas vegetarianos (até 60%). Ainda existe controvérsia com relação aos benefícios e riscos da suplementação com esta substância. Este estudo revisa alguns dos aspectos relacionados com o metabolismo da creatina e seu uso como substância ergogênica na prática desportiva. Termos de indexação: creatina, suplementação alimentar, metabolismo, exercício.

ABSTRACT
Several researches on creatine have been done due to its potential effects on the physical performance of athletes involved in high intensity, short duration and intermittent exercises with short periods of recovery. Phosphorylated creatine is an energy reserve in the muscle cells. During an intense exercise, its breakdown liberates energy used to regenerate adenosine triphosphate. Approximately 95% of the creatine pool is found in the skeletal muscle, and the regenerating process after exercise is oxygen dependent. Studies show that supplementation with this compound may procedure an increase of 10% to 20% in the organic pool, and this percentage is higher in vegetarian athletes (up to 60%). There is still controversy regarding the benefits and risks of supplementation with this substance. This paper reviews some aspects related to the creatine metabolism and its use as an ergogenic substance in sports practice. Index terms: creatine, supplementary feeding, metabolism, exercise.
1

2

Curso de Pós-graduação Ciências Aplicadas à Pediatria, Departamento de Pediatria, Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina. Rua Botucatu, 703, 04023-062, São Paulo, SP Brasil. Correspondência para/Correspondence to: J. PERALTA. , Departamento de Pediatria, Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina.

Rev. Nutr., Campinas, 15(1):83-93, jan./abr., 2002

Revista de Nutrição

constitui uma reserva de energia para a rápida regeneração do trifosfato de adenosina (ATP).M. 1997). Nutr. Ziegenfuss et al. PERALTA & O.. como por exemplo. embora alguns estudos tenham evidenciado acréscimo de até 50% em seus níveis totais. O consumo de alguns destes recursos ergogênicos pode ter resultado positivo para as provas de dopagem. Este trabalho tem por objetivo revisar alguns aspectos relacionados ao metabolismo da creatina e ao seu uso como uma substância ergogênica na prática desportiva. ganhador da medalha de ouro nos 100m rasos. especificamente das carnes (Redondo et al. ou os procedimentos que podem. O Revista de Nutrição Rev. jan. uma quantidade próxima de 1019 moléculas de ATP são convertidas em difosfato de adenosina ADP. 1996). e a ingestão de alimentos. quando o corredor britânico Linford Christie. 1995). a partir de 3 aminoácidos. creditou sua vitória ao consumo da creatina. 1995. Contudo. 1997. 2002 . a concentração muscular de ATP é mantida em nível mais ou menos constante. Durante uma prova de corrida. A maioria dos estudos de suplementação com creatina tem mostrado a possibilidade de aumentar o pool orgânico deste composto em 10 a 20%. São considerados recursos ergogênicos as substâncias (entre elas a creatina).. Ainda não há consenso sobre os efeitos colaterais resultantes do consumo de creatina por tempo prolongado. por isso seu consumo não é considerado como doping. nem todas as pesquisas têm mostrado efeitos significativos após a suplementação com este composto (Dawson et al. 15(1):83-93. 1996). a cada passo dado por um competidor.. este fato é resolvido pela rápida regeneração da molécula a partir do ADP e do fosfato inorgânico e a energia fornecida por outro composto de reserva: pela creatina fosfato (CP). em exercícios de alta intensidade e curta duração. Na célula muscular. a creatina em sua forma fosforilada.CP Durante os primeiros segundos de um exercício intenso. 1998). A creatina orgânica tem duas fontes. Estes autores relatam que em atletas vegetarianos o aumento chega em torno dos 60%. os processos. a síntese pelo próprio organismo. Fornecimento anaeróbio de energia: sistema ATP . durante um sprint de 100m rasos ou em uma seqüência de levantamento de peso em um treino de halterofilismo. O pool orgânico desta substância encontra-se localizado quase na sua totalidade (95%) na musculatura esquelética e sua regeneração após um exercício intenso é um processo dependente da via oxidativa (Mayes. sua função no metabolismo muscular e no desempenho físico tornou-se motivo de interesse nos anos recentes. Campinas. isto significaria que um maratonista poderia gastar o equivalente a 75 kg de ATP durante a corrida (Newsholme et al.84 | J. São necessárias campanhas de informação e conscientização sobre a real necessidade de consumo de suplementos para a população fisicamente ativa que não pratica exercícios físicos profissionalmente. A ampliação da reserva de energia no músculo através da creatina tem permitido aprimorar o desempenho físico de atletas (Volek et al. porém. ou são percebidos como sendo capazes de melhorar o desempenho esportivo (Williams.. Como o atleta não poderia levar esta quantidade de ATP.S.. 1994). em Barcelona. 1997).. creatina-fosfato (CP). portanto são vetados pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). AMANCIO INTRODUÇÃO A creatina já era conhecida desde o século passado (Greenhaff../abr. Terrillion et al. A creatina está fora da lista de substâncias proibidas pelo COI. No meio esportivo. de certa forma. com a correspondente transferência de energia para o trabalho muscular.. após a suplementação em indivíduos não vegetarianos (Burke & Berning. esta substância foi popularizada nos Jogos Olímpicos de 1992. 1996).

livremente reversível. em quantidades muito pequenas. a partir da CP. tornando-as indisponíveis para o fornecimento energético de forma eficiente para a continuação do trabalho muscular.. 1994). no sentido de favorecer a regeneração da CP. é suficiente para atuar como um tampão temporário de ATP. Durante o processo de contração muscular.4. 1998). Esta reserva. tanto as concentrações musculares de ATP quanto as de CP ficam diminuídas. os níveis de CP diminuem rapidamente à medida em que este composto é usado para regenerar o ATP. 1994). devido à síntese endógena. Esta operação. 1995). O ADP resultante é prontamente regenerado. 1998). Encontra-se também em outros alimentos. o qual detém aproximadamente 95% do pool orgânico. A concentração de CP no músculo é 4 a 5 vezes a do ATP (em média 18 mmol/kg músculo). sugerindo-se que a taxa inicial de recuperação da CP seria proporcional à taxa mitocondrial de consumo de oxigênio (Thompson et al. o qual se encontra presente tanto nos alimentos quanto no organismo humano.5. nos quais o conteúdo total de ATP muscular pode cair em aproximadamente 50% no ponto de fadiga. Posteriormente. Nutr. 1995). 15(1):83-93. fora do músculo. Campinas.0. O ATP e a CP. juntos.0. embora limitada. Esta reação. Nos alimentos. até outros processos regeneradores do ATP atingirem sua máxima velocidade (Houston. a creatina é encontrada em maior quantidade nas carnes (todos os tipos): bacalhau .. linguado .. a creatina-quinase (CK). 1995). este composto nitrogenado inicia seu ciclo de formação no rim. Embora haja evidências de que a concentração muscular de ATP possa cair a quase zero (estudos com cavalos). 2002 Revista de Nutrição . atum . A captação da creatina pelas células musculares é um processo saturável que ocorre ativamente contra um gradiente de concentração (transportador sódio-dependente). representando uma quantidade aproximada de 120 g de creatina total em um indivíduo adulto de 70 kg (Guerrero-Ontiveros & Wallimann. a creatina completa sua síntese pela adição de um grupo metil fornecido a partir da metionina (S-adenosilmetionina).4. entre 50 e 100 µmol/L (Balsom et al. A concentração plasmática de creatina é muito pequena. durante um exercício de alta intensidade (Spriet.. Assim. Na urina encontram-se apenas traços deste composto. possivelmente Rev. A concentração de ATP na maioria dos tecidos é baixa. usando a energia disponível através do processo oxidativo. ocorre apenas neste órgão. e carne bovina . é então distribuída para os diversos tecidos do organismo através do sangue. retina e testículos (Balsom et al. o ATP utilizado para a geração de energia é quebrado pela enzima ATPase em uma reação muito rápida. os 5% restantes distribuem-se entre órgãos como o coração. cérebro. esta situação não tem sido mostrada em humanos. salmão .CREATINA PARA ATLETAS | 85 ATP utilizado é rapidamente reposto a partir da quebra da CP. que ocorre dentro da mitocôndria (Houston. está invertida durante o repouso. podem proporcionar energia para os músculos por um tempo de aproximadamente 3 a 12 segundos (Burke & Berning. 1995).acético (Kreider. Quando o exercício físico é levado até a exaustão. cerca de 3 a 8 mmol/kg.. O principal destino final da creatina sintetizada é o tecido muscular esquelético.2. 1994). catalisada pela enzima transaminidase. pela ação de outra enzima. Quando sintetizado no homem.3. porém. 1996). 1996). ácido metil guanidina . jan. Metabolismo da creatina A creatina é um aminoácido./abr.5 g/kg (Balsom et al.0.4. A creatina assim formada. em uma reação envolvendo dois aminoácidos: arginina e glicina.. Esta reação ocorre no fígado (Rodwell.

1998). na célula muscular esquelética e cardíaca.. 1991). 1996).12 segundos de exercício intenso. 15(1):83-93. 1994). da fosforilação oxidativa (Mayes.M. 2002 . devido. Este total (cerca de 2. a ressíntese total da CP ficaria completada após aproximadamente 5 minutos (Soderlund & Hultman. Como anteriormente referido. 1989). onde são produzidos a partir da fosforilação oxidativa. isto é. este é um processo dependente de oxigênio. atua no músculo como transportador de grupos fosfato de alta energia da mitocôndria para o citoplasma (Mayes. os níveis de CP podem ser reduzidos em 10 .15 segundos até alguns minutos. na síntese endógena no rim e fígado. equivale aproximadamente à creatina reciclada diariamente pelo organismo (Greenhaff. Após um exercício de alta intensidade. mas também. PERALTA & O. No músculo esquelético existe um equilíbrio reversível entre a creatina e a creatina-fosfato: na condição de repouso. aproximadamente metade da concentração inicial de CP é regenerada no primeiro minuto de recuperação. Embora a CP não seja considerada como uma fonte energética primária durante os exercícios submáximos. jan. 1995). (1994) mostraram que a taxa de ressíntese da CP nas fibras musculares do tipo I é mais rápida do que nas do tipo II. Greenhaff et al. como reserva de fosfatos de alta energia./abr. aproximadamente dois terços do conteúdo de creatina está na forma fosforilada (CP) e o restante fica na forma livre (Balsom et al. podendo ser afetada por diversos análogos estruturais desta substância ou inibidores metabólicos (Guerrero-Ontiveros & Wallimann. portanto. Diariamente. na condição de repouso (recuperação). a concentração de creatina influenciaria um controle de feedback negativo na enzima que catalisa a 1a reação de síntese (transferase). ingere aproximadamente 1. tem se demonstrado uma diminuição dos níveis de CP para aproximadamente 40% dos valores iniciais (Broberg & Sahlin.86 | J. ao maior potencial aeróbio das fibras de contração lenta. Alguns possíveis mecanismos reguladores do armazenamento intracelular de creatina têm sido sugeridos: em um deles. um indivíduo adulto. A taxa de degradação da CP tem se mostrado maior nas fibras musculares do tipo II (contração rápida) em relação às do tipo I (contração lenta). A creatina na forma fosforilada. Por outro lado. 1994. com uma dieta habitual variada (mista). após 10 . até o citosol. Assim. tem sido relatada uma relação inversa entre a intensidade do exercício e o nível de CP nos músculos exercitados.15% do conteúdo inicial. Gariod et al. durante 80 minutos.. 1997). Este mecanismo.g). 1996).g de creatina.. 1994). Nutr. a fosforilação da creatina é um processo dependente de oxigênio. permite o rápido deslocamento de fosfatos de alta energia da matriz mitocondrial. e a disponibilidade de CP como um substrato energético nas fibras de contração rápida é considerada o possível fator limitante para a manutenção da força muscular durante um exercício de alta intensidade (Balsom et al. Campinas. A CP também é utilizada durante o trabalho anaeróbio (láctico) intermediário ... Em indivíduos submetidos a exercícios de bicicleta em uma intensidade entre 60 e 70% do VO2 max. e uma quantidade similar é produzida pelo fígado para atingir as necessidades diárias. não permite unicamente a manutenção dos níveis de ATP intracelular em condições de trabalho muscular. a homeostase da creatina seria regulada pelo controle da expressão e atividade da proteína transportadora de creatina. Segundo Willmore & Costill (1994). AMANCIO envolvendo a interação da creatina com sítios específicos da membrana que reconhecem parte da molécula da creatina (Greenhaff. provavelmente. mas os estoques musculares não são consumidos no mesmo grau como em um exercício de alta intensidade.S. em outro. quando sua quebra Revista de Nutrição Rev. parece que estas quantidades diminuem até mesmo durante o exercício submáximo.

. tiveram maior concentração muscular de CP do que as fibras do tipo I (contração lenta) (Soderlund et al../abr. causado pelo acúmulo de lactato. McCully & Posner (1992) relataram que a taxa de ressíntese da CP após um exercício tende a diminuir com o tempo.1 e 131.4 mmol/kg de músculo seco. mas também entre indivíduos. Após a suplementação. por uma reação contínua e irreversível de desidratação (não enzimática). Apesar deste achado. Este é o motivo de alguns serem melhores corredores de velocidade e outros melhores corredores de endurance (Newsholme et al. o qual ocorre com o envelhecimento (Smith et al.7±2. não foi observada nenhuma diferença estatisticamente significante entre as concentrações médias de creatina. quando comparada com a população jovem. 1994). a concentração de CP em repouso aumentou em 15% nos jovens e 30% nos adultos. (1998) realizaram um estudo com um grupo de 5 indivíduos jovens (idade média de 30 anos) e 4 adultos (média de 58 anos). Em um estudo realizado por Soderlund (1992). Nutr. aproximadamente 8% a cada 10 anos após os 30 anos de idade. 1994). na qual encontrou-se uma inversão das proporções da CP e da creatina livre. e assim. Campinas. em indivíduos que consomem uma dieta mista (sem consumo de suplementos de creatina). O ciclo da creatina finaliza quando é convertida em creatinina. os quais foram suplementados com creatina (0. as fibras do tipo II (contração rápida). A quantidade de creatinina reciclada e eliminada é constante de um dia para outro e é produzida em proporção à massa muscular de um indivíduo (Devlin.. Moller et al.. A hipótese foi reafirmada com uma pesquisa posterior. segundo o sexo (127. sem ter havido qualquer mudança na concentração total de creatina no músculo. Antes da suplementação. Smith et al. a diminuição do diâmetro das fibras do tipo II e a diminuição da atividade enzimática mitocondrial e do metabolismo dos fosfatos de alta energia são algumas das alterações relacionadas com a idade que se associam com o declínio da força Rev. 1981). com 20 homens e 25 mulheres. respectivamente). Os autores sugeriram ser este resultado uma conseqüência da inatividade física dos indivíduos mais velhos. sendo excretada pela urina.3 g/kg/d) por 5 dias. Em relação à idade. muscular e da capacidade de resistência física. A determinação da composição dos tipos de fibras musculares não varia somente de um músculo para outro.4±2. resultando em ambos os grupos em uma taxa inicial similar de ressíntese de CP..6. Segundo Forbes (1991). A redução do tamanho da massa muscular. 1992). os jovens tinham uma concentração de CP muscular e taxa inicial de ressíntese significativamente maior do que os adultos. a relação entre massa muscular (MM) e excreção de creatinina (Cr) é a seguinte: MM (kg) = 14. Confirmando estes resultados. Segundo técnicas de separação de fibras musculares dos tipos I e II. (1982) demonstraram concentração de CP significamente menor no músculo sóleo Fatores relacionados ao armazenamento de creatina no músculo Ainda não é claro se existem diferenças devido ao sexo para a concentração de CP armazenada no músculo. 1992).CREATINA PARA ATLETAS | 87 vai ajudar a tamponar o meio ácido intracelular. Maior quantidade de CP na célula muscular significa uma maior capacidade de tamponamento. em repouso. Edström et al.. observou-se na população idosa uma menor quantidade de CP e maior de creatina livre.3 Cr (g/d) + 3. a partir de amostras de tecido muscular congelado e seco. quando um programa de treinamento foi introduzido (Moller & Brandt. 2002 Revista de Nutrição . jan. (1980) não encontraram nenhuma diferença na quantidade total de creatina entre indivíduos idosos (entre 52 e 79 anos) e jovens (entre 18 e 36 anos). 15(1):83-93. um maior tempo de resistência à fadiga (Soderlund et al. 1998).

estas variações sugerem que a captação desta substância é dependente de diferentes fatores. geralmente elevam o conteúdo total desta substância no músculo em cerca de 10 a 20% (Grindstaff et al. Aproximadamente um terço da creatina extra que ingressa no músculo é fosforilada (Balsom et al.20%) (Burke & Berning. O consumo de creatina junto com glicose. 15(1):83-93. composição de fibras musculares (Guerreiro-Ontiveros & Wallimann.. A suplementação com este composto aumenta o pool de creatina corporal. Os atletas vegetarianos quem mais se beneficiam com a suplementação com creatina. 1996) e o restante predomina na forma livre (Vandenberghe et al.poder facilitar a acumulação muscular de creatina. como por exemplo: exercícios repetitivos (intermitentes)./abr. que por sua vez promoveria um transporte simultâneo de Na+/Creatina (duas moléculas de sódio para cada uma de creatina) para manter ou restaurar o gradiente normal de Na+ e o potencial de membrana (Odoom et al. de alta intensidade. cerca de 100 g. altas doses (20 g/dia) seriam desnecessárias para aumentar o conteúdo deste composto no músculo. A suplementação para atletas é feita na forma de creatina monohidratada. PERALTA & O. por isso. 1998). a qual estimularia a enzima ATPase da bomba de Na+/K+. 1992). o nível plasmático aumenta de uma faixa entre 50 e 100 µmol/L para mais de 500 µmol/L. Campinas. um pó branco solúvel em água. apresentando o mesmo efeito (American College. conforme exposto por Green et al.. curta duração e com períodos de recuperação muito curtos (American College.. Nutr.. AMANCIO em humanos (contendo aproximadamente 65% de fibras do tipo I) em relação ao músculo vasto lateral (com aproximadamente 41% das fibras do tipo I).... 1998. O consumo de suplementos desta substância tem mostrado possibilidade de aumento na concentração de creatina muscular de aproximadamente 60%. uma hora após o seu consumo (Harris et al. o que potencialmente facilitaria a geração de maior quantidade de CP. com outro grupo alimentado com dieta mista (10 .M. Há uma elevação da captação de creatina pela fibra muscular. Contudo. com o consumo de cafeína . 1997. 1998). o qual eventualmente poderia se traduzir em uma melhora do desempenho físico (Kreider. 1993). Burke & Berning. e. O processo parece ser mediado pela insulina. A cafeína tem mostrado estimular diretamente a atividade da ATPase da bomba de Na+/K+ muscular e aumentar os níveis plasmáticos de epinefrina. Vandenberghe et al. sexo..S.por exemplo. conteúdo muscular inicial deste composto. quando comparado Revista de Nutrição Rev. 1999). 1996). Surpreendentemente. (1996). resultados Suplementação com creatina A creatina como suplemento parece não aumentar a concentração de ATP muscular de repouso. O efeito ergogênico pode ser específico para certos tipos de esforço físico. aumenta o conteúdo muscular deste composto em aproximadamente 10%. por um período de 5 a 7 dias. 1997). mas parece ajudar a manter os níveis de ATP durante um esforço físico máximo (Greenhaff et al.. Suas dietas não contêm fontes deste composto. incluindo diferenças na composição da dieta. Kreider. jan. estímulos diretos para a atividade do referido mecanismo. conseqüentemente. Assim.. É possível ainda a suplementação com creatina permitir ao atleta se engajar em um treino físico mais intenso. 1995. apresentam baixos níveis deste elemento no organismo. (1996) lançaram a hipótese de o consumo oral de creatina combinada com algum estímulo adrenérgico . Doses diárias de 20 g (divididas em 4 ou 5 vezes). recentemente tem sido evidenciadas quantidades menores. 1999). Após a ingestão de 5 g de creatina.. A quantidade armazenada de creatina durante a suplementação é muito variável entre indivíduos.88 | J. 2002 . 1996).. sua ingestão com este carboidrato simples pode aumentar o efeito ergogênico. Williams.. 1998).. 3 g/dia por 30 dias.

pode-se dizer que o ganho de força e massa corporal (decorrente principalmente Rev. qualquer discussão sobre possíveis efeitos negativos da suplementação merece ser analisada com cuidado. A suplementação com creatina não tem sido comprovada como eficaz para o aumento do desempenho físico em esportes de endurance (American College.9 e 2. 1995. e consumo de creatina aumenta o risco de problemas da função renal e de distúrbios gastrintestinais. 1998. a segunda presume que a suplementação realmente promoveria um aumento da síntese de proteína. quando comparado com o grupo-controle. Williams (1998) refere que apesar das pesquisas terem mostrado um aumento entre 0. Grindstaff et al. Segundo o mesmo autor. associado a um treinamento de força. 15(1):83-93..0 kg). 1997. quando foi consumida em doses baixas (2-3 g/d). embora possa ser evidenciada alguma vantagem decorrente da suplementação com este composto. Vandenberghe et al. 1997).. Ziegenfuss et al.. 1997). Portanto. Kreider (1998) relata resultados menos efetivos da suplementação com creatina nas seguintes situações: quando foi consumida em quantidade inferior a 20 g/d e por um período inferior 5 dias.. Riscos e desvantagens da suplementação As informações sobre os efeitos colaterais da suplementação com creatina provêm principalmente de comunicações anedóticas. 1999). Mulheres destreinadas que consumiram creatina (20 g/d) por 4 dias.. este acréscimo.. estudos bem controlados não têm evidenciado alterações significativas na performance. 1997. quando consumida durante treinos. Redondo et al. provavelmente ligada a esta substância.. Campinas. 1996. Vandenberghe et al. 1997. são diversas as pesquisas relevando melhora do desempenho físico e/ou mudanças na composição corporal em atletas em função da suplementação com creatina (Balsom et al. portanto.. como é de se esperar. nem aperfeiçoava o desempenho físico. são necessários mais estudos para se ter certeza sobre a contribuição de cada um dos processos através dos quais se obteve ganho de peso (Kreider. constituiria um marcador indireto de retenção de fluídos no corpo.2 kg de ganho de massa corporal após uma semana de suplementação com creatina.. Conseqüentemente. Por um lado. A cafeína teria suprimido completamente o efeito ergogênico da suplementação de creatina. não é de massa muscular. Kreider (1998) resume e analisa alguns fatos encontrados em publicações destinadas para leigos: a suplementação pode promover tensão muscular. (1997). jan. 1995. em função do curto período de tempo. Duas teorias prevalecem para tentar explicar os efeitos da suplementação com a creatina: a primeira supõe que a suplementação com creatina promoveria retenção de água. pode ocasionar câimbras musculares.. nem todo indivíduo que consome tal substância será necessariamente beneficiado com um melhor desempenho desportivo. após esta suplementação (Dawson et al. em estudos com um número limitado de indivíduos. segundo Vandenberghe et al. 1996. e a diminuição da produção de urina associada à esta complementação. sem o período de carga inicial (dose alta). Em uma extensa revisão de estudos a este respeito. Terrillion et al. não aumentava os níveis musculares de CP. Nutr. Williams. Volek et al./abr. encontrada em alguns estudos. Por outro lado. 1998).CREATINA PARA ATLETAS | 89 iniciais indicaram que a cafeína não melhorava a eficiência da suplementação oral de creatina.. e quando o exercício máximo (sprint) foi realizado com períodos muito curtos ou muito longos de recuperação entre os sprints... 2002 Revista de Nutrição . em relação ao primeiro ponto. em clima quente. tiveram um ganho significativamente maior de massa magra (1.. seguido por um consumo de 5 g diários por um período de 66 dias. sem um fundamento científico sólido.

alta intensidade e períodos curtos de recuperação. Ainda não se apresentam claramente definidos os efeitos colaterais decorrentes da suplementação crônica com creatina. em condições específicas de exercício. a suplementação crônica de creatina suprime a expressão da proteína transportadora deste elemento. o qual poderia potencializar a rápida regeneração do ATP.. Conseqüentemente. o aumento do peso implicaria em custo energético adicional para movimentar o peso do corredor (Williams. A suplementação com creatina poderia significar uma desvantagem para alguns atletas. Campinas.160 mmol/kg de músculo seco (Guerrero-Ontiveros & Wallimann. O organismo tem uma capacidade muito grande para eliminar uma quantidade extra de creatina (da suplementação). 1997). a possibilidade de ocorrer câimbras pelo consumo de creatina tem sido atribuída a mudanças nas concentrações de água e sais minerais nas fibras musculares.. isto é. 15(1):83-93. Quanto ao terceiro ponto. mesmo em atletas com períodos de intenso treinamento.. AMANCIO do treinamento) origina um estresse adicional sobre ossos e ligamentos. A suplementação seria mais efetiva naqueles indivíduos com níveis iniciais baixos deste Rev. Em relação ao segundo ponto. embora. jan. Em ratos. não foram encontrados estudos mostrando dano clinicamente significativo da função hepática ou renal causada pela suplementação oral com creatina (American College. 2002 . ainda não é claro se o conteúdo muscular destes compostos cai abaixo dos níveis normais (basais) em um período posterior.S. sem nenhum tipo de dificuldade (Poortmans et al. sendo recomendado o período de 1 mês sem consumo de creatina. 150 . entretanto. tem se mostrado efetivo na melhoria do desempenho esportivo.. 1997). O músculo humano parece ter um limite máximo para armazenar esta substância. O fato de este composto poder aumentar o peso corporal tem sido considerado.. objetivando prevenir uma acumulação excessiva de creatina intramuscular. para que o conteúdo muscular desta substância e CP de voltem aos valores normais (Hultman et al. mais pesquisas são necessárias. Vandenberghe et al. após a interrupção da ingestão de creatina. Pode ser eliminada na forma de creatina ou creatinina. nenhum estudo tenha documentado um aumento da incidência de lesões decorrente da suplementação com creatina. Nutr. Isto sugere influência do seu consumo crônico na síntese endógena. Porém. Como desvantagem em esportes basicamente aeróbios. Esta supressão da expressão da proteína transportadora deste composto pode ser interpretada como um efeito colateral da suplementação.. 1979). substância ergogênica não considerada como doping pelo Comitê Olímpico Internacional. Este resultado Revista de Nutrição pode ser extrapolado para indivíduos (atletas) que cronicamente ingerem este composto. Estas situações podem estar mais relacionadas com a fadiga muscular e desidratação resultante do treinamento em clima quente.M. 1998). 1998). nenhum estudo tem evidenciado que a suplementação com este composto possa ocasionar câimbras. 1996. após 3 meses de suplementação contínua (Guerrero-Ontiveros & Wallimann.. A supressão da síntese endógena de creatina (mecanismo de feedback) pelo consumo oral deste composto é conhecida há algum tempo (Walker. Pesquisas têm indicado a necessidade de aproximadamente 4 semanas.90 | J. CONCLUSÃO O consumo de creatina. porém. PERALTA & O. Este efeito seria devido ao aumento dos níveis musculares de creatina. desidratação ou mudanças nas concentrações intramusculares de eletrólitos. 1999)../abr. Não é aconselhavel o consumo por longo tempo. mas esta situação pode ser revertida quando a suplementação é suspensa. 1998). principalmente em modalidades de curta duração.

. CUTLER... C./abr. M. Faltam também mais estudos para determinar se o aumento de peso decorrente do seu consumo é devido à retenção de água ou a um aumento verdadeiro da síntese de proteínas. Journal of Physiology. Acta Physiologica Scandinavica.. v. p.. WILSON.467.. Acta Physiologica Scandinavica.n. SODERLUND.. 1982.532).. BERNING. SODERLUND. B.3.3.303-310. 6. Não há. n. p. 1994.158.706-717. FORBES. Masson. 1995.18. FERETTI. p. Skeletal muscle metabolism during short duration high intensity exercise: influence of creatine supplementation.L. In: BURKE...E. Os efeitos ergogênicos desta substância podem ser aumentados quando consumida com glicose. The contents of high-energy phosphates in different fiber types in skeletal muscles from rat. v.. J.. n.G. Journal of Applied Physiology.L.. McINTYRE.. GREENHAFF. P. mas a quantidade do carboidrato deve ser grande. P..H. G. P. B. Journal of Nutritional Biochemistry. DAWSON. v. Supplement. BINZONI. D. The nutritional biochemistry of creatine. K. n. (Abstract).. C. Berlin. Stockholm. v. Camberra.. Washington : [s. GREENHAFF. GREENHAFF. J. P.. p. NEVILL.. SJODIN.2. Training nutrition..L. BODIN. v. p. p. LITTLEWOOD. M. T. 1996.4. evidência conclusiva sobre efeitos colaterais de seu uso. jan. SAHLIN.154. Standardization of 31 phosphorus-nuclear magnetic resonance REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. I. 1995. GREEN. E. Sttutgart.. L. Journal of Physiology. p.2.L... ALMADA. Effect of oral creatine loading on single and repeated maximal shorts sprints.1.94-96.S100-S110. WILLIAMS. Creatine in humans with special reference to creatine supplementation. International Journal of Sports Nutrition.68.. L. Effects Rev.]. 518p. como vegetarianos e idosos. J. K. É importante ressaltar que não são poucos os trabalhos bem controlados sem demonstração de benefício significativo com o consumo de creatina. Creatine and its application as an ergogenic aid. Carmel : Cooper P. E.116-122.CREATINA PARA ATLETAS | 91 composto nos músculos. v. E. Masson. EKBLOM. S. 1994. 1996. EKBLOM. p. K.D. K..3. HULTMAN. 1999. Conocimientos actuales de nutrición. Medicine and Science in Sports and Exercise. p.. R.332. Australian Journal of Science Medicine Sports.S.. Bethesda. Stockholm. v. ALEXANDER. Carbohydrate ingestion augments creatine retention during creatine feeding in humans. 1989. HULTNAN. RANDALL. n.149-155..107-110. p. 1997. P. Nutritional ergogenics aids. Stoneham. European Journal of Applied Physiology. BISHOP.67. GRINDSTAFF.32. DEVLIN. JONES. BALSOM. 1993.610-618. P. The metabolic response of human type I and II muscles fibers during maximal treadmill sprinting. The physiological and health effects of oral creatine supplementation. Auckland. LAWRENCE. R. L.. E.. Composición del organismo. BOOBIS. GREENHAFF.. p.A. SAHLIN. 2002 Revista de Nutrição . Madison. n. GREENHAFF. L. Textbook of biochemistry: with clinical correlations.. P. KREIDER. SODERLUND. K. B.. p.... BROBERG. K.75. T. ainda. n. A.268-280.. MOODY. Adenine nucleotide degradation in human skeletal muscle during prolonged exercise. E. BURKE.. N. BERNING. In: ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD.27. BALSOM. P.195-202.. v. 1994.56-61. A. New York : Wiley-Liss. Campinas. M. MacDONALD. HARRIS. 15(1):83-93. Journal of Physiology. B. Nutr. n.47-58. p. 1991.57-68. D. 1995.ed. v. v. Sports Medicine. guinea pig and man. The influence of oral creatine supplementation on muscle creatine resynthesis following intense contraction in man. spectroscopy determinations of high-energy phosphates in humans. C. Masson. GARIOD. R.11. SIMPSOM. HULTMAN.478 (Parte 1). G. A. K. WOOD. (Publicación Científica. S.5. 1992.S. v. EDSTRÖM. BODIN. n. v. GOODMAN. p.. E..

. American Journal of Physiology. The regulation of total creatine content in amyoblast cell line. 24. SODERLUND.179-188. E. the next ergogenic supplement? Disponível em: <URL:http://www.. B. E.. P. In: MURRAY.ed. AUQUIER. A. P. v. Clinical Science. Nutr. v. SODERLUND.. Bethesda.L. Acesso em: 1998..K.. Elevation of creatine in resting and exercised muscle of normal subjects by creatine supplementation. P.144. GRAHAM. E. R. n. In: HARGREAVES. H. RENAUT. Supplement. DURASSEL. p.. SPRIET. 2002 . 1994. J. HULTMAN. 1997.1/2. n.). GRANNER. MONTAIN. GREENHAFF. P. GUERRERO-ONTIVEROS. Exercise metabolism.L.13. CEDERBLAD. T. Colchester. SODERLUND. MOLLER. p. K.3.C. Champaign : Human Kinetics. M. G.. Colchester. 1996.83. D.92 | J. 1996... PERALTA & O. 1998. McCULLY. D.. (Ed. BERGSTROM.. Creatine. v.H. E. v. Stamford : Lange. MAYES. G.2. v. v. BALSOM. p.. HARRIS. Berlin. Anaerobic metabolism during high-intensity exercise. p. Creatine supplementation in health and disease of chronic creatine ingestion in vivo: Down-regulation of the expression of creatine transporter isoforms in skeletal muscles. p. Molecular and Celular Biochemistry. MAYES. FIELDING. p.. (Dissertation) . HULTMAN. p. Measuring exercise-induced adaptations and injury with magnetic resonance spectroscopy. Sttutgart.49-56. R.ed. Washington DC. p. P. frequencies. Supplement 1. WALLIMANN. MATOTT. L. K. BRANDT. n.367-374.1. K... 1994. Journal of Applied Physiology.Karolinska Institute.M. R.4. RADDA. REDONDO.S147-S149. products. GRANNER.6. P.158. ALMADA. J..). p. Acta Physiologica Scandinavica. Creatine supplementation and high intensity exercise: influence on performance and muscle metabolism. MOLLER. BRISSON. p. v. LEECH. Campinas. 1995. p. Creatine supplementation and age influence muscle metabolism during exercise. jan. P. Harper’s biochemistry..553-555.341-362.).7. J. 1995. E. K. v. International Journal of Sports Nutrition.A. Sttutgart. n. TIMMONS. Stockholm. GREENHAFF. FURST. p. 1996.. HULTMAN. Sttutgart.L. The respiration chain and oxidative phosphorylation. Keep on running.232-237.6 (Part 1).1.6.R. 1996.A. HULTMAN. V.. Effect of aging on energy rich phosphagens in human skeletal muscles. SODERLUND.. n. G. 1992. DEUSTER. 1980.123-134. Bethesda.. Stockholm. T.. 87 p.15-22.org/ traintech/creatine/rbk. n. Biochemical energetics. Conversion of aminoacids to specialized HOUSTON. RODWELL. ODOOM. G.85. Champaign : Human Kinetics. WILLIAMS.. Muscle creatine loading in men. DOWLING. European Journal of Applied Physiology. J. R. Clinical Science. The effect of oral creatine monohydrate supplementation on running velocity.. 1996. 24. International Journal of Sports Medicine.4..S. Revista de Nutrição Rev. B..3.sportsci.. A.261. EKBLOM. In: HOUSTON. 1981.E. M. n. (Ed. AMANCIO of creatine supplementation on repetitive sprint performance and body composition in competitive swimmers. Molecular and celular Biochemistry. SMITH. POSNER.6.213-221. S. R. p. G. Harper’s biochemistry.. v. SAUGY.. M. n. v..J. v. POORTMANS. P. Stamford : Lange. MAYES.E737-E741. p. S. M. Chichester : John Wiley & Sons. v. 1992. Effect of short-term creatine supplementation on renal responses in men. F. K. NEWSHOLME..R. M..81. D.120-121. V.76. Biochemistry primer for exercise science.58.566-567. Skeletal muscle adaptation to aging and to respiratory and liver failure.330-346. ZIENTARA.. R. E.. RODWELL. J. K. KREIDER. (Ed. M.html>.. 1997. n./abr.1-39. RODWELL. Bethesda. 1998. Washington... n. JOLESZ. p..R. Clinical Science.1349-1356..184. Journal of Applied Physiology. Colchester. 1991.. n.. v. p. ATP and phosphocreatine changes in single human muscle fibers after intense electrical stimulation. International Journal of Sports Nutrition. KEMP.L.. R.427-437. G.L. V. P. p. 1981.50-69. 15(1):83-93. V. Energy metabolism in type I and II human muscle fibres during short term electrical stimulation at different 1992. In: MURRAY. SODERLUND.

DOLGENER. D. M. Van LEEMPUTTE. p. COSTILL.2. JOSLYN. 15(1):83-93. Journal of American Dietetic Association. Creatine supplementation enhance muscular performance during high intensity resistance exercise.50. Rating the sports ergogenics. 1996. p. In: WILMORE. v. Van HECKE. anaerobic power. J. D.. K. M.). C. VANGERVEN. regulation and function.. GILLIS.. 1995. 1997. The ergogenic edge. n. SANDERSON. Rev. 2002 Revista de Nutrição .29 p. 1998. Campinas..80. p.. fluid volumes. n. F.S127. VANDENBERGHE. B e t h e s d a .L. J... 1997. Acute creatine ingestion: effects on muscle volume. R.H. YARASHESKI. p. KOLKHORST. WILLIAMS.S.7.138-143.78.. WILMORE. W. P. P.7.L... The effect of creatine supplementation on two 700-m maximal running bouts.. v ... INCLEDON. K. K. VANDENBERGHE. ZIEGENFUSS.92-121.CREATINA PARA ATLETAS | 93 TERRILLION.. Journal of App l i e d P h y s i o l o g y . VANSTAPEL. Advances in Enzymology and Related Areas in Mollecular Biology. G..W.. N.2131-2139. ROGERS. p. M. International Journal of Sports Nutrition. 1979.2055-2063. Bethesda. J. p. n . GILLIS. VOLEK. Nutr. v.A.. Skeletal muscle mithocondrial function studied by kinetic analysis of postexercise creatine resynthesis. L.765-770. Van LEEMPUTTE. 1994.. Physiology of sport and exercise./abr. F.J.117-142.J. p. F. COSTILL. P. 6 . Basic energy systems. and protein turnover. T.. Journal of Applied Physiology. ROSS. Creatine biosynthesis. G. v. K. 1997. jan. Journal of Applied Physiology. HESPEL. A. Madison. T. Van HECKE. J. Medicine Science in Sports and Exercise..A. v.. Champaing : Human Kinetics. v. P.K.. v. THOMPSON. J. 1997.. Sttutgart.. n.97. (Abstract).. K. KRAEMER.178-182. WALKER. Caffeine counteracts the ergogenic action of muscle creatine loading. KEMP.. RADDA. Champaign : Human Kinetics. N. Bethesda. Long term creatine intake is beneficial to muscle performance during resistance training. BOETES. 8 3 . BUSH. LYNCH. S.J.A. M. HESPEL.. J.452-457. LEMON.M. M. (Ed. Chicago... p. Recebido para publicação em 13 de dezembro de 2000 e aceito em 1 de junho de 2001. CLARK.2. P..