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O SISTEMA FISCAL MOÇAMBICANO

O SISTEMA FISCAL MOÇAMBICANO

Para a caracterização e identificação do Sistema Fiscal Moçambicano é necessário abordar aspectos ligados ao Período Primitivo, Período Colonial e Período Actual, pois nesses períodos, o sistema sofreu algumas modificações e variações.

1. PERÍODO PRIMITIVO

Este período teve início com a chegada dos mercadores Árabes e Indonésios. Os impostos eram pagos em espécie e escravos, e mais tarde foram pagos em moeda. Vigoraram os Impostos tradicionais e os Impostos de influência exterior. A destacar os impostos directos cobrados pelo régulo à população; Impostos de tributo de vassalagem; Impostos de serviços de Justiça; Imposto de Mussoco e o Imposto de Palhota.

2. PERÍODO COLONIAL

O Sistema fiscal vigente adequava-se aos objectivos do Estado Colonizador, pois visava a satisfação das necessidades orçamentais do mesmo. Este sistema não asentava em principios de justiça social e fiscal. Era um sistema dependente de Impostos sobre o Rendimento do Trabalho e sobre impostos Indirectos.

Em 1967 foi aprovado o Código dos Impostos sobre o rendimento, onde regulava os seguintes impostos:

Contribuição industrial;

Imposto sobre explorações;

Contribuição predial urbana;

Imposto professional;

Imposto sobre aplicação de capitais;

Imposto complementar;

Imposto sobre sucessões e doações;

Estampilha fiscal;

Imposto de selo; e

Imposto de consumo.

3. PERÍODO ACTUAL

Este período inicia-se após a Independência nacional, resulta da necessidade de adequação do sistema fiscal às necessidades actuais. Este periodo é marcado pelas seguintes reformas:

Reforma de 1978 houve a necessidade de reformular o sistema fiscal devido a inadequação da realidade social, politica e económica vigente. Simplificou-se o sistema de cobrança dos impostos, agravou-se os impostos sobre os lucros das crou-se de um único imposto de rendimento de trabalho.

O SISTEMA FISCAL MOÇAMBICANO

Reforma de 1982 procedeu-se a um ajustamento ao Código de Impostos sobre o Rendimento. A actividade de pesquisa e exploração de petróleo passaram a ser tributadas.

Reforma de 1987 resulta da necessidade de corrigir os desequilibrios da economia nacional e de adequar o sistema fiscal ao Programa de Reabilitação Económica. Mantiveram-se os seguintes impostos: sobre o rendimento de trabalho; sobre o lucro de empresas; sobre as transacções; sobre consumo e importações; contribuição industrial, complementar, de circulação, e a contribuição predial.

Reforma de 1997 aprovou-se um sistema tributário autárquico, destacando o imposto pessoal, imposto predial, imposto autárquico de comêrcio e indústria, taxas da actividade económica.

Reforma de 1999 houve a substituição do Imposto sobre o Consumo pelo Imposto sobre o Valor Acrescentado. Este novo imposto inicide sobre a tributação do consumo de bens materiais, serviços, produção e importação. Introduziu-se ainda o Imposto sobre Consumos Específicos.

Reforma de 2002 resulta da necessidade de adequar o sistema fiscal a realidade económica, social

e política do País. É em substituição de Lei 3/87 que é aprovada a Lei 15/2002 de 26 de Junho, designada por Lei de Bases do Sistema Tributário Moçambicano.

A presente reforma visou, prosseguir os seguintes objectivos:

O alargamento da base de tributária;

Aumento das receitas fiscais;

Simplificação de procedimentos;

Modernização do sistema de tributação; e

A racionalização do sistema de beneficios fiscais.

Trata-se duma lei que procura modernizar as têcnicas modernas de tributação e consagra Princípios acolhidos em vários Paises. Tem como principios consagrados, os da Generalidade, Igualdade, Legalidade, da não Retroactividade, da Justiça Material e da Eficiência e Simplicidade do Sistema de Tributação.

De acordo com a Lei 15/2002, os Impostos do Sistema Tributário Nacioal são classificados em:

Impostos Diretos onde é efectuada a tributação dos rendimentos, através do Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRPS) e Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRPC).

Impostos Indiretos onde se efectua a tributação através do consumo ou despesa, através do Imposto Sobre o Valor Acrescentado (IVA), Imposto Sobre Consumos Específicos (ICE) e Direitos Aduaneiros.

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Outros tipos de Impostos → onde o sistema é complementado por um grupo de impostos que a Lei assim o determina a sua continuidade, nomeadamente: o Imposto de Selo, Imposto sobre Sucessões e Doações, Sisa, Imposto Especial Sobre o Jogo, Taxa de Combustível, Imposto de Reconstrução Nacional e Imposto Sobre Veículos.

Impostos Autárquicos onde temos: o Imposto Pessoal Autárquico, Imposto Predial Autárquico, Imposto Autárquico de Comércio e Indústria, Taxa por Licenças Concedidas, Taxas por Actividade Económica e Tarifas e Taxas pela prestação de serviços.

BIBLIOGRAFIA:

WATY, Teodoro Andrade Introdução ao Direito Fiscal, W&W Editora, Maputo, 2004.

IBRAIMO, Ibraimo, O Direito e a Fiscalidade, Maputo, 2002.