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[060804082728]Direito Processual Penal

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  • Intimação da sentença
  • Coisa julgada

EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS

Direito Processual Penal I
3º PERÍODO

Ana Patrícia Rodrigues Pimentel e Luciana Avila Zanotelli Pinheiro

PALMAS-TO/ 2006

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EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS

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Fundação Universidade do Tocantins Reitor: Humberto Luiz Falcão Coelho Vice-Reitor: Lívio William Reis de Carvalho Pró-Reitor Acadêmico: Galileu Marcos Guarenghi Pró-Reitora de Pós-Graduação e Extensão: Maria Luiza C. P. do Nascimento Pró-Reitora de Pesquisa: Antônia Custódia Pedreira Pró-Reitora de Administração e Finanças: Maria Valdênia Rodrigues Noleto Diretor de Educação a Distância e Tecnologias Educacionais: Claudemir Andreaci Coordenador do Curso: José Kasuo Otsuka Organização dos Conteúdos – Unitins Conteúdos da Disciplina: Ana Patrícia Rodrigues Pimentel e Luciana Avila Zanotelli Pinheiro Equipe de Produção Gráfica Coordenação de Produção Gráfica: Vivianni Asevedo Soares Borges Diagramação: Douglas Donizeti Soares e Vivianni Asevedo Soares Borges Capas e Ilustrações: Edglei Dias Rodrigues e Geuvar Silva de Oliveira

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Fu n d a çã

EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS

Apresentação
Caro aluno, neste semestre você estudará o Direito Processual Penal. Como norma processual de direito, desenvolve-se em etapas e procedimentos que garantem às pessoas conhecimentos como, a ampla defesa e o contraditório dentro do processo. Dentro da linha processual, estudaremos os princípios que norteiam o Direito Processual Penal, dando-lhes base de sustentação ao amplo e confiável andamento do processo penal. Como peça que arranja e instrui o processo penal, analisaremos o Inquérito Policial, suas fases, pressupostos e requisitos, que garantem ao Inquérito Policial seu perfeito e correto andamento. No entanto, o Processo, em regra, inicia-se com a denúncia ou com a queixa-crime, que são as peças inaugurais da Ação Penal. Ainda na linha do processo, temos a Jurisdição e a competência com regras e limites próprios que norteiam e garantem o procedimento processual penal na sua forma e pressupostos essenciais. O estudo das partes dentro do processo destaca-se pela relevância de conhecimento quanto a estrutura, deveres e direitos inerentes as mesmas, que, na busca de uma verdade para os fatos, utilizam-se dos meios de prova admissíveis em direito, a fim de provar suas alegações. Por fim, destaca-se a prisão e a sentença, aquela sendo sanção imputada ao acusado, não somente pela prática de um crime, na condenação, mas, às vezes, tem por finalidade assegurar o bom e perfeito andamento processual; esta como meio de decisão judicial a respeito da demanda analisada, suas espécies e seus efeitos.

Plano de Ensino
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CURSO: Fundamentos em Práticas Judiciárias PERÍODO: 3º DISCIPLINA: Direito Processual Penal I EMENTA Inquérito policial, princípios do processo penal, ação penal, jurisdição e competência, exceções e questões incidentais, provas, sujeitos processuais, procedimentos, prisão, liberdade provisória, atos processuais, aplicação provisória de interdições de direitos e medidas de segurança, coisa julgada. OBJETIVO GERAL Discutir e entender o Direito Processual Penal OBJETIVOS ESPECÍFICOS Entender o Direito Processual Penal, suas classificações e elementos; Analisar os processos e procedimentos penais; Identificar a ação penal, a jurisdição o órgão julgador competente; Compreender os procedimentos prejudiciais e incidentais dentro do Processo Penal; Classificar as formas de prisão e os requisitos da liberdade provisória; Compreender as decisões judiciais e a coisa julgada no Direito Processual Penal. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO TEMA 01: Contextualização do direito processual penal, origem, princípios e a natureza jurídica. TEMA 02: Inquérito policial TEMA 03: Ação penal, jurisdição e competência, exceções e questões incidentais, provas, sujeitos processuais, procedimentos e os atos processuais. TEMA 04: Prisão e liberdade provisória, aplicação provisória de interdição de direitos e medida de segurança. TEMA 05: Sentença e Coisa julgada. BIBLIOGRAFIA BÁSICA CAPEZ, Fernando. Curso de Processo Penal. 13 ed. rev. atual. São Paulo: Saraiva, 2006. TOURINHO FILHO, Fernando da Costa. Processo Penal. 8 ed. rev. Atual. São Paulo: Saraiva, 1986. MIRABETE, Julio Fabrini. Código de processo penal interpretado. 8 ed. São Paulo: Atlas, 2001. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR 4

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AVENA, Norberto Cláudio Pâncaro. Processo Penal. São Paulo: Método, 2005. BARROS, Francisco Dirceu. Direito processual Penal. vol. I. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. CAPEZ, Fernando. Curso de Processo Penal. 7 ed. rev. ampl. São Paulo: Saraiva, 2001. DAOUN, Alexandre Jean. Resumo Jurídico de Processo Penal. vol.7. 4 ed. São Paulo: Quartier Latin, 2005. OLIVEIRA, Eugênio Pacelli de. Curso de Processo Penal. 6 ed. rev. atual. Belo Horizonte: Del Rey, 2006. BONFIM, Edílson Mougenot. Processo Penal I: dos fundamentos à sentença. São Paulo: Saraiva, 2000. NORONHA, Edgard Magalhães. Curso de Direito Processual Penal. 28 ed. São Paulo: Saraiva, 2002.

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Sumário
Tema 1 – O que é Direito Processual Penal ...................................................07 Tema 2 – Inquérito policial...............................................................................19 Tema 3 – Ação Penal, Jurisdição e Competência, Provas, Sujeitos e Procedimentos Processuais.............................................................................43 Tema 4 – Prisão e Liberdade Provisória..........................................................91 Tema 5 – Sentença e a Coisa Julgada............................................................99

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tem o direito de estabelecer e aplicar essas sanções. ao final desta aula. Introdução Caro aluno. neste tema. porém. Pré-requisitos Você terá mais facilidade no acompanhamento desta aula se fizer uma releitura dos assuntos estudados nas Disciplinas de Direito Penal I. e Teoria Geral do Processo. bem como os princípios que norteiam sua aplicação no território brasileiro. origem e natureza. O Estado é único titular do DIREITO DE PUNIR (Jus Puniendi). que é exatamente o que chamamos de Direito Penal Subjetivo. 7 . Este conjunto de normas é o que chamamos de Direito Penal Objetivo Mas quem pode fazer valer o Direito Penal Objetivo? Somente o Estado. começaremos a estudar o que é o Direito Processual Penal. Direito de Punir A vida em sociedade é regida por normas de conduta sem as quais ela seria praticamente impossível. definindo crimes e cominando as respectivas sanções. Direito penal Objetivo é o conjunto de normas que regulam a ação estatal. em sua função de promover o bem-comum. é limitado pelo próprio estado. seus Princípios.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Tema 01 O que é Direito Processual Penal? Meta da aula Apresentação do conceito de Direito Processual Penal. Objetivos Esperamos que. Indicar como o mesmo surgiu e como é aplicado hoje no Brasil. você seja capaz de: • • • Definir o que é Direito Processual Penal. Explicitar quais são os princípios aplicáveis e como os mesmos influem na aplicação do Direito Processual Penal. Esse direito. pelo princípio da legalidade.

pois seu dever. pois este punindo exerce sua soberania. Na esfera penal. p. é a oposição de uma pretensão à outra. no conflito de interesses. que confere ao Estado o poder de promover a perseguição ao autor do delito”. resulta a pretensão punitiva” que é. 26) “consiste em obter o Estado do juiz a sentença sobre a lide deduzida no processo a fim de que seja aplicada a sanção penal sem a violação do direito à liberdade do autor da infração penal”.25). dentre outros. 8 . ou seja. prolatando sentença e determinando a aplicação da sanção. surge um conflito de interesses entre o Direito Subjetivo de Punir do Estado e o direito à liberdade do autor da prática ilícita. em prejuízo do interesse do autor do ilícito. O Estado não pode simplesmente aplicar uma sanção. causando um dano ou lesão jurídica”. somente poderá o Estado aplicar a pena prevista ao crime cometido se utilizar como instrumento o Direito de ação. há lide quando. na realidade a possibilidade. uma parte se opõe ao que é pretendido pela outra. têm-se a lide penal. O jus puniendi é uma manifestação da soberania estatal.” E ainda ensina o mesmo autor (MARQUES apud MIRABETE 1995. tendo em vista a lide penal. segundo Mirabete (1995. quando se opõe o titular do direito à liberdade a pretensão punitiva do Estado.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Como bem ensina José Frederico Marques (2003. a pretensão que tem o Estado de punir. 24) o jus puniendi pode ser definido como o direito que tem o Estado de aplicar a pena cominada no preceito secundário da norma penal incriminadora. 4) “trata-se de um direito subjetivo. uma vez que é também seu dever proteger o direito à liberdade do autor do ilícito. fazendo vigorar o seu interesse. Mirabete (2003. Mas o que é DIREITO DE AÇÃO? Direito de ação. Sendo assim. Ou seja. com base nos dados colhidos no processo. Chamamos de Jus Puniendi o Direito de Punir do Estado! p. Lide penal Lide. sim. p. como já vimos em Teoria Geral do Processo. já ensina que “da exigência de subordinação do interesse do autor da Infração ao interesse do Estado. Pretensão Punitiva Com a prática de um Ilícito penal. 5) O “jus puniendi é a manifestação do poder de império do Estado. mas. contra quem praticou a ação ou a omissão descrita no preceito primário. é o direito que tem o Estado de recorrer ao juiz para que ele. tem o DEVER de punir. é resguardar a sociedade. O Estado não tem apenas o Direito de punir. e ainda. decida sobre a mesma. p. p. segundo Magalhães Noronha (1999.

o sistema”. fazer valer sua pretensão punitiva”. o Direito Processual Penal. o Direito processual penal era utilizado para punir os delicta publica. tem-se o Direito Processual Penal como: “o conjunto de princípios e normas que regulam a aplicação jurisdicional do direito penal.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Pois assim. O Direito Processual Penal é um ramo do Direito Público e possui método técnico-jurídico. 29) . era realizado pela Igreja. caráter instrumental. o conjunto de atos cronologicamente encadeados. então. Processo Penal é. p. Havia a participação direta dos cidadãos e era um procedimento oral e público. 30) ainda acrescenta que “é uma disciplina normativa. investiga os princípios.522) que o Direito Processual Penal surgiu na Grécia. recorrendo ao Estado-juiz para. mas também utilizado para arbitrar os delitos de interesse privado. este como Estado-Administração. e a estruturação dos órgãos da função jurisdicional e respectivos auxiliares” (MARQUES. nos afirma o citado autor. então. IP – é a abreviação que utilizamos para Inquérito Policial. 26): “Como na Infração penal há sempre uma lesão ao Estado. não ferirá seu direito à liberdade. por meio dos órgãos próprios da administração da Justiça. permitindo ao jurista extrair do direito objetivo os preceitos aplicáveis a uma situação concreta. Processo Penal A forma que o Estado impõe para compor os litígios. mesmo restringindo o Estado a liberdade do autor do ilícito. Mirabete (2004. Em Roma. Sua finalidade é a aplicação do DIREITO PENAL OBJETIVO. no processo penal. apud MIRABETE. Na época da Santa Inquisição o Direito Processual Penal. quando era utilizado para punir os crimes que feriam os interesses sociais. em seu célebre livro Introdução Histórica ao Direito (2001. Tem. mas para atingir tal objetivo são indispensáveis atividades investigatórias (atos administrativos da polícia judiciária – Inquérito Policial). p. 51 . submetido a princípios e regras jurídicas e destinados a compor as lides de caráter penal. O procedimento era iniciado por uma 9 . descobrindo seu significado e lhe desenvolvendo as conseqüências. pois parte da Norma Jurídica. tem o nome de PROCESSO. os crimes que feriam o interesse da sociedade. 2004. Então. p. pois serve como instrumento para a aplicação do direito penal objetivo. ou seja. bem como as atividades persecutórias da Polícia Judiciária. p. Já nos ensima Mirabete (2003. toma a iniciativa de garantir a observância da lei. organiza os institutos e constrói. Evolução Histórica Podemos perceber com os ensinamentos de John Gilissen.

pois ela é um ataque à inocência do acusado. a mesma pessoa que acusava colhia as provas e julgava. chegou-se à conclusão que o principio do Estado de Inocência não revoga os dispositivos relativos à prisão preventiva.42). pela qual o Juiz diz que aquele caso deve ser apreciado pelo Tribunal referido. a põe em incerteza até a sentença definitiva. De forma que o procedimento inquisitivo fica reservado a um momento preliminar do processo. 51 . e com o advento das garantias penais. p. na Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão. não havendo possibilidade real de defesa para o acusado. mas não se dá total certeza a isso. da qual cabe recurso. Podemos chegar às seguintes conclusões a partir do Princípio do Estado de Inocência: Sentença recorrível é aquela que ainda não se tornou definitiva. ou mesmo a prisão preventiva e a instauração do processo. Muitos doutrinadores como Mirabete (1999. arcebispos ou oficiais encarregados de exercer a função jurisdicional. e. no art 11 da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU. que consideram que existe uma presunção de culpabilidade quando se instaura a ação penal. chegando-se ao que temos hoje posto como tal: a garantia de defesa para o acusado e.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS acusação feita por bispos. Surge pela primeira vez em 1789. Após a Revolução Francesa. Sentença Definitiva é aquela contra a qual não cabem mais recursos. Após muitas discussões acerca do assunto. ou até mesmo processar alguém que já se sabe inocente. o respeito ao contraditório e à ampla defesa. 2003. P. de necessidade ou conveniência. uma vez que seria incoerente prender alguém considerado inocente no todo. p. ou seja. 2001. se assim fosse. não seria possível a prisão em flagrante. Princípios Estado de Inocência O princípio do Estado de Inocência. em seu art. possibilitando-se ao acusado efetuar uma defesa eficiente a seu favor. ou mesmo Princípio da Inocência está contemplado na Constituição Federal de 1988. 1) Somente pode haver restrição à liberdade do acusado antes da sentença definitiva a título de medida cautelar. ou da Presunção da Inocência. foi novamente utilizado no art 26 da Declaração Americana de Direitos e Deveres de 1948. Sentença de Pronúncia é a primeira sentença de um processo no Tribunal do Júri.522). inciso LVII. Somente se presume que a pessoa não seja culpada até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. 5º LVII ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. p. 10 . sendo dado após plena capacidade de defesa ao réu (GILISSEN. Era um processo totalmente inquisitivo. CF – art. pois estão os mesmos dispostos na própria Constituição Federal. 90) utilizam a nomenclatura Presunção de Inocência tendo em vista que a mesma não é absoluta. ainda. Existem inclusive autores como Carlos Rubianes (apud MIRABETE. houve uma revolução no Direito Processual penal. 5°. 42) e Ney Moura Telles (2005. se não a destrói. pois.

na esfera penal. perante autoridadeseja este julgado sem defesa. Tal princípio é importantíssimo para garantir a imparcialidade do julgamento do magistrado. incontraditável por não inclui o Inquérito Policial. 312. podendo ele comparecer voluntariamente. podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e. o juiz deve ter a convicção de que é o réu o autor do delito. pois a mesma é presumida. provar a “culpa” do acusado. se for o caso. DJU 16. a oportunização de que o mesmo se manifeste sobre os documentos. HC Princípio da Ampla Defesa 55. deve ser observado na A garantia do contraditório abrange toda a instrução criminal. atos do processo. O princípio do contraditório impede ainda que. mas de todo o direito em si. e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa. e garante a ampla defesa do acusado. e jamais na investigação se aqui todos os atos do processo que possam interferir na decisão do criminal. tem o acusado direito de defesa. procedimento conserva seu caráter inquisitivo”(STF.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS 2) O réu não tem dever de provar sua inocência. investigante do fato em que um dos efeitos da revelia é a confissão tácita. garantindo assim o posterior à investigação. sem restrições. de cada documento juntado e. em processo judicial ou administrativo. não comparecer. também. mesmo sendo o réu que se desenvolve revel. todos os atos processuais “devem primar pela ciência bilateral das partes. Neste Sentido temos Uma exceção a essa decorrência do princípio do contraditório é a revelia decisão do Supremo Tribunal Federal: “O pois afasta esse instituto a necessidade de comunicação ao réu dos penal. sendo nomeado defensor para o mesmo.aos litigantes. citado por edital. A comunicação ao réu dos atos do processo pode se dar por meio de citação ou intimação Art. natureza. 42). incluindo coleta de provas. os mesmos direitos que o acusador. decretar prisão preventiva. a revelia havido por criminoso.. com os meios e recursos a ela inerentes.9. tem o acusado. p.. Diferente do que acontece em juízo cível. As partes são vistas da mesma forma no processo. cabe sim. bastando a mínima dúvida para que seja imperativa a absolvição. incluindoinstrução criminal. tendo as mesmas oportunidades e limitações.447. 366. Como bem ensina Mirabete (2003. mas inquisitória. que também no referido cumprimento do contraditório. que diziam sobre a inscrição do nome do réu no rol dos culpados com a sentença condenatória recorrível ou sentença de pronúncia” CF/88 art 5° LV . até mesmo no procedimento sumário. nem constituir advogado. É em decorrência deste princípio que existe a obrigatoriedade de comunicação ao réu de cada ato do processo e. Princípio da demais Contraditoriedade. na sua defesa. ou melhor. pois esta é magistrado. 11 . arrazoados e alegações das partes. P 6281). Se o acusado.160-164) que pelo princípio do contraditório. “Diante deste princípio fica clara a revogação (derrogação) do art 393 II e 408 § 1º do CPP. p. a contraditoriedade e como efeito a cessação das intimações do réu quanto aos atos do só tem admitida em fase processo.. ( in dúbio pro reo). Ensina Rui Portanova (2001. Está inscrito na CF/88 art 5º inc LV. nos termos do disposto no art. e pela possibilidade de tais atos serem contrariados com alegações e provas” . Segundo este princípio. ao acusador. Princípio do Contraditório Este princípio é um dos mais importantes princípios não só do Direito Processual Penal . 3) Para condenar o acusado. ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional.77. ainda.

A ampla defesa. no Brasil. com novas provas. analisando profundamente em que consiste o princípio do Contraditório e o da Ampla Defesa. Pare e Pense 1)Tente responder: Seria possível. 37) Princípio da Verdade Real Pelo princípio da verdade real. 156 do CPP dispõe que: “A prova da alegação incumbirá a quem a fizer. levantar a verdade dos fatos. não é aplicada durante a fase do Inquérito Policial. Não pode o Juiz penal se contentar com a verdade formal dos fatos. Segundo bem ensina Tourinho Filho (2004. e quais as suas conseqüências! “De fato. assim como o contraditório. E ainda. entre outras justificativas. quem realmente praticou a infração e em que considerações a perpetrou.44): Com o princípio da verdade real se procura estabelecer que o jus puniendi somente seja exercido contra aquele que praticou a infração penal e nos exatos limites de sua culpa numa investigação que não encontra limites na forma ou na iniciativa das partes. atrelado ao Princípio do contraditório. pode. o art. mesmo após o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. tem-se que se deve buscar. ainda. Neste sentido normativo. é por ele que o réu tem o direito de manifestar-se sobre qualquer prova. 12 . buscar as provas necessárias à formação de seu convencimento e. mas sim com a verdade real dos mesmos. determinar. a pessoa em relação a quem se propõe a ação penal. Como preleciona Mirabete (2003. isto é. O contraditório dá o direito ao réu de conhecer o que contra si foi apurado. Prisão Preventiva é a que se dá antes da sentença definitiva. com a utilização do Princípio do Contraditório. de ofício. ou haver perigo de fuga do acusado. como o nosso. p. mesmo não havendo interesse das partes. mas o juiz poderá. inciso LV. vigora esse princípio. goza do direito ‘primário e absoluto’ da defesa. p. diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante”. pode o réu utilizar em sua defesa todos os meios que não forem proibidos por lei. dar impulso ao processo. absolver o réu anteriormente condenado. sempre a verdade dos fatos. para dar base certa à justiça” (TOURINHO FILHO.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Por este princípio. enquanto o juiz não penal deve satisfazer-se com a verdade formal ou convencional que surja das manifestações formuladas pelas partes. não se limitando às verdades abstratas que admite. p. e a ampla defesa permite a ele defender-se de cada acusação formulada contra sua pessoa. mas sim durante toda a instrução penal. 2004. procurar saber como os fatos se passaram na realidade. e sua indagação deve circunscrever-se aos fatos por elas debatidos. que surgisse na última hora em um processo uma prova surpresa que fosse decisiva para a condenação ou absolvição do réu? Comentário da questão: Procure buscar a resposta. no curso da instrução ou antes de proferir sentença. que se encontra na Constituição Federal de 1988 em seu art 5°. por exemplo. fundada em causar o acusado perigo ao trâmite do processo. sobre qualquer documento acostado ao processo. Por este princípio deve o juiz procurar. no processo penal. no Processo penal o Juiz tem o dever de investigar a verdade real. 44): Em todo processo de tipo acusatório. segundo o qual o acusado. o processo civil.

são impostas algumas limitações (TOURINHO FILHO. 56 – 57) É importante salientar que. Qualquer pessoa pode ir ao Fórum. às próprias partes e a seus advogados ou somente à estes”. como regra. ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado”. sendo que na realidade há um misto de procedimento escrito e oral.44) 3) Identidade Fisica do Juiz: fica o magistrado ligado. assim. alegações finais. em caso de extrema necessidade. determinados atos. mas havendo a preservação da identidade de órgão. (MARQUES. vinculado aos processos cuja instrução iniciou. p. em que há um primor pela oralidade e imediatilidade. Conseqüências desse princípio: 1) A necessidade de concentração: que consiste em realizar todo o julgamento em uma ou em poucas audiências que tenham intervalos pequenos entre si. 44). Um grande avanço em direção à aplicação do procedimento oral foi o procedimento dos Juizados Especiais Criminais. mas. sentença. ao contrário do procedimento e escrito”. 13 . 2004. sob pena de responsabilidade.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Princípio da Oralidade Pelo princípio da oralidade segundo Mirabete (2003. p. ao interrogatório do réu. 43) Ainda no art. Ex: Júri (MIRABETE. ou de interesse coletivo ou geral. deve-se observar que as “declarações feitas perante os juízes e tribunais só possuem eficácia quando formuladas através da palavra oral. limitaratos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o dos a presença. 1999. Princípio da Publicidade A publicidade é garantida em todo o procedimento. seja ele judicial ou até mesmo administrativo. 2003. diretamente os elementos que basearão a formação de sua convicção para o julgamento. sendo a magistratura um órgão uno. em nosso sistema penal. se o interesse público o exigir. 93 IX dispõe: “Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos e fundamentadas todas as decisões. (TOURINHO FILHO. No Direito pátrio vigora o princípio da publicidade absoluta. 45) 2) Imediatidade: o juiz deve ficar em contato direto com as partes e as provas. aos debates. sob pena Pode haver restrição a publicidade dos atos processuais nos casos de nulidade. 5º XXXIII dispõe que: “Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular. Em se tratando de processo da competência do Júri. sede do juízo. assistir à audição de testemunhas. podendo a descritos no art 5º LX da CF/88 que reza “A lei só poderá restringir a publicidade lei. recebendo. na realidade. 2004. apud MIRABETE. etc). p. que serão prestadas no prazo da lei. em exigirem”. No art. a alteração da pessoa do julgador. as sessões e a realização de outros atos processuais são franqueados ao público em geral. As audiências. ainda vigem regras do procedimento escrito (defesa prévia. por ser a mesma tanto uma garantia para o indivíduo quanto para a sociedade. p. p. pode haver.

6º e 24 do CPP e diz que: “sendo necessário para a manutenção da ordem social que os delitos Pelo princípio da bagatela. É exceção do Princípio da Obrigatoriedade. A publicidade não é total. mas somente aquela parte do ato (votação) é secreta. ser bem restrita a publicidade de atos. 72 acaba diminuindo a aplicação deste princípio. No Brasil.099/95 em seu art. 46): (. este princípio acaba ficando restrito aos crimes de ação privada e nos delitos que dependem de representação do Ministro da Justiça. votação. A Lei 9. o estado promover o jus puniendi”. para garantir o interesse do sigilo e imparcialidade das votações. podendo. ainda. Princípio da Obrigatoriedade O princípio da Obrigatoriedade está contido nos arts 5º. fazendo com que os atos processuais fiquem os mais visíveis possíveis a fim de que possa a sociedade e as próprias partes servir de fiscais do cumprimento da lei. votação dos jurados em um júri. pois o ato processual (julgamento em si) é público. já que tem o instituto da transação penal. que deve ser na sala secreta e com número reduzido de pessoas). Segundo Mirabete (2003. obrigatoriamente.. No Inquérito Policial. sem que se conceda aos órgãos encarregados da persecução penal poderes discricionários para apreciar a conveniência ou oportunidade de apresentar sua pretensão ao estado-Juiz. e que o Ministério Público promova a ação penal pública (só a pública porque a privada é de iniciativa do ofendido).EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Serve a regra da Publicidade para tentar impedir a fraude e a corrupção. ou. quando os jurados se reúnem na sala secreta para a Ação penal privada ocorre em certos crimes.) no momento em que ocorre a infração penal é necessário que o Estado promova o Jus Puniendi. Pare e Pense 1)Num júri. que tranca o processo antes 14 . pois até mesmo a Constituição Federal (art 5° LX) prevê algumas ressalvas a ela. O princípio da obrigatoriedade faz com que a autoridade policial instaure o Inquérito Policial. sejam punidos.. Utilizamos as ressalvas constitucionais quando se restringe o número de pessoas em determinado ato (ex. se está ferindo o princípio da publicidade? Por quê? Comentário da questão: Na verdade não. o princípio da oportunidade ou bagatela (não deve o Estado promover a ação penal quando dela resultar mais inconvenientes que vantagens à sociedade). deve. em que somente interessa à vítima ou a seus representantes dar continuidade à persecução penal. não deve o direito penal se ocupar de lesões a bens jurídicos insignificantes. utilizamos tais ressalvas para retirar o réu da sala de audiências para que não influa em testemunho. então. p. deve-se preservar o sigilo necessário à elucidação do fato.

deve ele instituir órgãos que assumam a persecução pena. 128 I e II da Constituição Federal. Princípio da Oficialidade Este princípio está previsto nos artigos 5º LIX. caso concorde. O arquivamento do Inquérito Policial. submeterá os autos ao Procurador Geral do Ministério Público.47): Como a repressão ao criminoso é função essencial do Estado. 25. ou seja. 28 Denúncia é o nome que damos à peça inicial da Discordando ação penal pública. Por este princípio. 129 I. mesmo não sendo o inquérito considerado como processo penal propriamente dito. É o princípio da oficialidade. do posicionamento do Magistrado e. 48). Diz este princípio que já que a repressão do crime é função exclusiva do Estado. de que os órgãos encarregados de deduzir a pretensão punitiva sejam órgãos oficiais. após ser submetido ao Juiz. Este. é claro. e não pelos órgãos oficiais. 42. determinar diligências e quaisquer atos necessários à instrução criminal seja durante a fase inquisitiva (Inquérito Policial). 48). porque na ação penal privada a iniciativa da ação é tida pelo ofendido.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS do oferecimento da denúncia. não pode o mesmo ser paralisado indefinidamente. 1999. em decorrência do princípio da indisponibilidade somente pode se dar. sendo que este vigora inclusive na fase do Inquérito Policial. p. 576. a repressão ao crime deve ser originada e sucedida pelos órgãos oficiais do Estado. têm autoridade. e ainda nos artigos 4º e seguintes e artigo 29 Código de Processo Penal. Renúncia é quando o ofendido deixa de iniciar a ação penal. acatando o posicionamento do Promotor de Justiça. p. em cumprimento a suas atribuições (MIRABETE. Caso o Procurador Geral do Ministério Público concorde com o juiz. p. poderá designar novo representante do Ministério Público para atuar no processo. considerando acertada a decisão pelo 15 . cada um. 17. mas se achar que é equivocado o pedido do arquivamento. e dele devem derivar os atos de persecução penal. podendo requisitar documentos. 28. Desistência ocorre quando a parte ofendida deixa. seja durante a Ação Penal. Como ensina Mirabete (2003. mesmo com requerimento do Ministério Público. expressamente de ter interesse no prosseguimento da ação. do CPP. 144. por meio de um acordo celebrado entre o réu e o Ministério Público. o mesmo ocorrendo na ação penal privada subsidiária da pública. ou arquivado. órgãos oficiais responsáveis pela repressão penal. Devemos perceber que esse princípio não é absoluto. ou oferecer a denúncia ele mesmo (Procurador). na hipótese do art. O Ministério Público e a Polícia. 385 do Código de Processo Penal e vale desde a fase do Inquérito Policial. o da indisponibilidade decorre do princípio da obrigatoriedade. após ser instaurado o Inquérito Policial. Princípio da Indisponibilidade do Processo Está previsto nos artigos 10. Segundo Mirabete (1999. decide pelo arquivamento.

48) Não pode. Princípio do Juiz Natural ou Juiz Constitucional Art. mas sim o juiz competente (órgão do Estado) (ZAFFARONI. antes do oferecimento da denúncia.. 2003. por nulidade. Além disso. são as partes (e aqui se considera o ministério Público como parte na ação penal pública) que devem produzir as provas. permite que o juiz condene o réu mesmo com pedido de absolvição por parte do CF/88 art 5° LIII ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente. p. nas ações penais públicas dependentes de representação. Não pode a lei determinar magistrados definidos para o julgamento de determinadas pessoas ou fatos. é esse princípio que proíbe o Ministério Público de desistir da ação penal que já esteja em andamento e de eventual recurso interposto. Na ação penal privada. Pode. 5° LIII . No Brasil não se utilizou tal descrição até mesmo pela distribuição da carreira da magistratura. somente pode iniciar um processo por petição de parte. p. p. o juiz começar um processo de ofício. perdão. 1997. não seria um juiz em pessoa. Antigamente se dizia que este princípio informava ser obrigatório que um juiz que começasse um processo ficasse ao mesmo ligado até o final. não se devendo conceder ao juiz a possibilidade de deduzir a pretensão punitiva perante si próprio (MIRABETE. atribui a competência para o julgamento”. falta 16 . desde a CF/88 estabeleceu-se o juiz natural. e.ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente.48) “o autor do ilícito só pode ser processado e julgado perante o órgão que a Constituição Federal. Ministério Público. podendo extingui-lo por meio de desistência. ainda. o dono da ação. é o Ministério Público. nunca indo além disso. e ainda. pode o ofendido. porém. 29 e 30. nas Ações Penais Públicas. Princípio da Iniciativa das Partes O Dominus Litis. Como diz Mirabete (2003. ou seja. Sendo o direito de ação penal o de invocar a tutela jurisdicional-penal do Estado é evidente que deve caber à parte ofendida a iniciativa de propô-la.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS arquivamento do Inquérito Policial. implícita ou explicitamente. retratar-se. por exemplo. de acordo com o disposto nos arts 42 e 576 CPP respectivamente . ou por prescrição. O juiz deve ficar restrito aos pedidos do autor e o que foi provado pelo réu. terminar o processo sem ter se chegado a verdade real. impedindo assim a interposição da ação penal. Encontra-se previsto no artigo 5º LIII. já que o ofendido dispõe do processo. e nas Ações Penais Privadas é o ofendido ou seus representantes. Este princípio é previsto no Código de Processo Penal. Assim. 212 -228). No processo penal. renúncia etc. nos artigos 24. não cabe este princípio. ou seja. o Procurador Geral do Ministério Público remeterá tal decisão ao juiz que estará então obrigado a atender. PIERANGELI. XXXVII da Constituição Federal e ainda nos artigos 92 a 126 do Código de Processo Penal.

que segue princípios que buscam assegurar os direitos dos cidadãos na sua defesa. ou seja. com sentença de mérito. indicando quais são os contemplados pela Constituição Federal. p. um tribunal. 176. comparando-os e vendo qual não se aplica a ambas as áreas do Direito. 156.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS de intimação da sentença de pronúncia. prover a regularidade do processo e manter a ordem no curso dos respectivos atos”. etc.. Sentença de pronúncia é aquela que leva o réu acusado de cometer crime doloso contra à vida a ser julgado pelo Tribunal do Júri. que é superior ao juiz singular. absolvendo ou condenando o réu. 168. 17 . 49) que “(..) embora a iniciativa na produção das provas pertença às partes. Vamos exercitar? 1. 2. ou então. tem o poder de rever a decisão do juiz de primeiro grau.Trace um paralelo entre os princípios utilizados pelo Direito Processual Penal. segundo o CPP. bem como a imparcialidade do julgamento. Ensina Mirabete (2003. Comentário Você pode confirmar sua resposta no art 5 ° a CF/88. Princípio do Impulso Oficial Está previsto nos artigos 251. Neste sentido.Não pode ser considerado como Princípio do Direito Processual Penal: a) O Princípio da Presunção de Inocência b) O Princípio do Contraditório c) O princípio da Anterioridade ou da legalidade d) O princípio da Verdade Real Comentário Tente localizar a resposta correta utilizando seus conhecimentos sobre os princípios do Direito Penal e do Direito Processual Penal. mesmo que as partes não o façam. dispõe ainda o autor que cabe ao magistrado. Serve este princípio para evitar que o processo fique paralizado por falta de iniciativa das partes. em busca da verdade real manter a regularidade do processo. mas decorre do próprio sistema Constitucional e diz que os Tribunais poderão rever as decisões em grau de recurso. Principio do Duplo Grau de Jurisdição Este princípio não está expresso na CF. incumbe ao juiz. Conclusão O Direito Processual Penal evoluiu com as socieddaes e existe para que seja possível a aplicação do Direito Penal Objetivo. 196 do Código de Processo Penal.

Fernando da Costa. Porto Alegre: Livraria do Advogado 2001. Princípios do Processo Civil. Eugênio Raúl. José Henrique. São Paulo: Revista dos Tribunais. estudando sua origem. Apresentamos os princípios que regem esse ramo do Direito que guardam semelhança com os de Direito Penal. estudaremos o Inquérito Policial. Tema 02 18 . PIERANGELI. Processo Penal. 2004. e atual. ZAFFARONI. TOURINHO FILHO. com as idéias iluministas é que veio o mesmo a atuar na defesa dos cidadãos. ed. Rui. c) Deve o Juiz buscar a verdade real dos fatos. Referências GILISSEN. estudamos que o Direito Processual Penal teve sua origem na Grécia e que somente após a segunda metade do Séc XVIII. seus requisitos e suas conseqüências. Comentário Para chegar à resposta correta você deve parar e pensar sobre qual é o interesse do Processo Penal. 26. Introdução Histórica ao Direito. Campinas-SP: Millennium. Síntese da aula Neste tema. utilizando seus conhecimentos sobre os princípios que o norteiam.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS 3. b) Deve o Juiz abster-se somente ao que foi questionado pelas partes em juízo. Lisboa: Fundação Caloustre Gulbenkian. 2000. 4 ed. PORTANOVA. Informações sobre o próximo tema Em nosso próximo tema. MARQUES. 2001. rev. Elementos de Direito Processual Penal. 1997.Assinale a alternativa correta de acordo com o princípio da Verdade Real: a) Deve o juiz buscar a melhor versão entre as apresentadas pelas partes. Manual de Direito Penal Brasileiro: parte geral. 3 ed. d) NRA. John. José Frederico. Volume 1. mesmo que contrária às alegações tanto da defesa quanto da acusação. 2 ed. São Paulo: Saraiva.

188). no sentido de órgão do Estado incumbido de manter a ordem e a tranqüilidade públicas. dirigidas por delegados de polícia de carreira. qual a sua necessidade.60) o termo Polícia vem do grego politéia – de polis (cidade) – significou. impedindo assim a consumação de crimes. direito e responsabilidade de todos. o que é? Segundo bem nos trazem Tourinho Filho (2004. suas características e fundamentos. Indicar quais são só procedimentos adotados durante o Inquérito Policial. a polícia como hoje a compreendemos. Teoria Geral do Processo e ainda em nosso primeiro tema de Direito Processual Penal. Apontar qual o valor probatório do e como pode o Inquérito Policial ser arquivado ou transformado em ação penal. onde foi criado um corpo de soldados. exerciam as de vigilantes noturnos.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS O Inquérito Policial Meta do tema Exposição dos procedimentos aplicáveis no Inquérito Policial e responsáveis por tal procedimento. 187 .às polícias civis.188) e Marcos Luiz Bretas (1997. é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. passou indicar o próprio órgão estatal incumbido de zelar da segurança dos cidadãos. 144. 187 . Polícia. governo da cidade e até mesmo a arte de governar. você seja capaz de: • • • Definir o que é Inquérito Policial. p. neste tema vamos estudar o Inquérito Policial. a tranquilidade e a paz interna”. Segundo Tourinho (2004. segundo o art 144 § 4º CF é a Polícia Civil. surgiu. p. agentes Objetivos Esperamos que. 39 . exceto as militares. a princípio. Art. Pré-requisitos Você terá mais facilidade no acompanhamento desta aula se for capaz de identificar os preceitos estudados nas Disciplinas de Direito Penal I. Continua Tourinho ensinando que em Roma. dever do Estado. na velha Roma. A segurança pública. Depois. ressalvada a competência da União. Introdução Caro aluno. significando a ação do governo no sentido “de manter a ordem pública. p. qual a sua validade e como o mesmo deve se dar. através dos seguintes órgãos: § 4º . incumbem. O órgão responsável por realizar o inquérito Policial. o termo politia adquiriu um sentido especial. 19 . ao final desta aula. as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais. que além das funções de bombeiros. o ordenamento Jurídico do Estado.

fornecer às autoridade judiciárias as informações necessárias à instrução e julgamento dos processos. autoridade de interpretar a aplicar a lei. A elaboração do IP constitui uma das funções da Polícia Civil. que desempenhavam papel semelhante ao da nossa Polícia Judiciária. 20 . Chamamos atenção ao fato de que onde hoje se lê circunscrição (art. Foi somente com a Lei nº. IP no código de processo surgido em 1832 que apenas traçava normas sobre as funções dos inspetores de quarteirão. quando se desenvolveu a cognitio extra ordinem. p. Parágrafo único. havia funcionários incumbidos de levar as primeiras informações sobre a infração penal aos Magistrados.1995). conforme se vê no box ao lado. Ela desenvolve a primeira etapa. a fim de que o titular da ação penal (ofendido na Ação Penal Privada e Ministério Público na Ação Penal Pública) disponha dos elementos para ingressar em juízo. 4º). A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria. 9. não sendo a polícia tal órgão. devendo ser reduzido a instrumento escrito. 2. qualquer menção ao Inquérito. por finalidade investigar as infrações penais e apurar a respectiva autoria. o primeiro momento da atividade repressiva do Estado (TOURINHO FILHO. Eram os curiosi. 4º. de 09. nas Ordenações Filipinas. O art. 4º do Código de Processo Penal dispõe de forma clara fica clara esta função. ela possui circunscrição. 144. os digiti durii. p. não havendo.05. Embora houvesse vários dispositivos sobre o procedimento informativo.033 de 20/09/1871. 2004. e tal termo foi alterado porque uma vez que a jurisdição é somente relativa ao órgão judicial. não havia previsão de Inquérito Policial em nossa legislação. cumprir os mandados de prisão expedidos pelas autoridades competentes. não se tratava do IP. Passaremos a chamar o Inquérito Policial de IP! Conceito.043. A competência definida neste artigo não excluirá a de autoridades administrativas. os nunciatores. a quem por lei seja cometida a mesma função. assim. com esse nome. mas tais inspetores não exerciam atividade de polícia judiciária. A partir de agora. realizar as diligências requisitadas pela autoridade judiciária ou MP. A Polícia Civil tem. por exemplo. O art. Até o ano de 1871. O art. 190). os irenarche. p. que surgiu entre nós o IP com essa denominação. 1997. que possui as seguintes funções: • • • • investigar as infrações penais e sua respectiva autoria. § 4º CF dispõe sobre as atribuições da Polícia Civil. 187 -188). (BRETAS. de suas circunstâncias e de seus autores e cúmplices. Circunscrição significa porção territorial. começou a introduzir a idéia do Art. 42 da referida lei chegava inclusive a defini-lo: O IP consiste em todas as diligências necessárias para o descobrimento dos fatos criminosos.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Menciona o autor que no tempo do Império Romano. os stationarii. Natureza e Finalidade do Inquérito Policial. e não jurisdição. e Jurisdição significa poder. antigamente constava jurisdição. (Redação dada ao caput pela Lei nº.43) Ainda segundo Tourinho (2004.

• • • • • • exame grofoscópicos – exames de escrita. preceder a restituição. acareações – consiste em colocar frente à frente pessoas que tenham prestado informações conflitantes no IP. 88-89) Tais procedimentos. declarações – termos escritos sobre fatos presenciados pelo declarante. p. quer por fotografias). sendo o Estado o titular do jus puniendi. Reconhecimentos – consiste em mostrar à vítima ou testemunha uma série de pessoas (quer pessoalmente. 191). etc. na procura (busca) e apreensão de um determinado bem ou pessoa. p. quando se verifica uma infração. o titular do direito de punir (Estado) desenvolve inicialmente uma agitada atividade por meio de órgãos próprios. Essa primeira atividade persecutória do Estado que grosso modo é realizada pela polícia judiciária é informada de uma série de diligências tais como: • busca e apreensão – consiste no uso da força.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS • • • • • • representar ao juiz no sentido de se proceder ao exame de insanidade mental do indiciado. que visa colher informações sobre o fato tido como infracional e a respectiva autoria. cumprir cartas precatórias expedidas na área de investigação criminal colher a vida pregressa do indiciado. depoimentos – oitivas de testemunhas. quando reduzidos a escrito ou datilografados constituem os autos de um IP. ou ainda diversos objetos para que a mesma identifique o relacionado ao crime. por essa sua feição. não pode estar a salvo do 21 . representar ao juiz no sentido de ser decretada a prisão preventiva e temporária. realizar as interceptações telefônicas nos termos da lei 9296/96.. Mas o que compõe um Inquérito Policial? De acordo com os ensinamentos de Tourinho Filho (2004. fazer uso da força. por meio de determinação judicial. • exame de corpo de delito – é o exame que se faz no objeto material de um crime a fim de se buscar provas quanto à materialidade e a autoria do mesmo. interrogatórios – oitivas de indiciados. suspeitos. quando cabível. como tal. de coisas apreendidas. (MIRABETE. MP é a abreviatura que Podemos dizer então que Inquérito Policial: utilizamos para É um procedimento persecutório de caráter administrativo Ministério Público! e. 1999.

EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS controle de sua ilegalidade. 212 -218): 22 . O IP faz parte da persecução penal. p. b) Instrução preparatória . portanto que a persecutio criminis apresenta dois momentos distintos: o da investigação e o da ação penal” Encaixa-se o IP. Seu destinatário imediato é o Ministério Público (crime de ação penal pública) ou o ofendido (crime de ação penal privada) que com ele formam sua opinião sobre o delito para apresentar a denúncia ou queixa. p. O IP poderá ser instaurado. pois pode o MP ou o ofendido. § 5º e 46. serve como uma preparação para a ação penal. SOMENTE em fatos do IP. p. não havendo qualquer discussão de mérito. p. O art. que se dá durante a ação penal. Não é o IP peça indispensável à propositura da denúncia ou queixa. 2004. 76). O destinatário mediato do IP é o juiz. ATENÇÃO  não pode o juiz fundar a sentença. podendo verificar-se o contrário no transcorrer do processo. Na afirmação de Mirabete (2003. pois os fatos formadores de seu convencimento devem estar confirmados no Processo. Já que é mera peça informativa.porque serve para dar o subsídio necessário ao oferecimento da denúncia ou queixa. c) Instrução informativa . não fazendo juízo de valor. A investigação procedida pela autoridade policial não deve ser confundida com a instrução criminal. Se ditos elementos não compõem um fato típico. 76 a 78) o caracterizam como: a) Instrução provisória .porque as informações contidas nele não são absolutas. iniciá-lo sem o auxilio do IP. Alguns autores como Mirabete (2003.porque serve somente para fazer um levantamento de fatos e dados e informá-los. sendo na realidade uma fase anterior ao processo penal propriamente dito. segundo Tourinho Filho (2004. até mesmo porque é o IP mera peça informativa. “o procedimento policial destina a reunir os elementos necessários à apuração da prática de uma infração penal e de sua autoria”. não há como manter o constrangimento que dele decorre. Na primeira não se aplicam as regras do contraditório. de posse das provas necessárias para a instrução do processo penal. no primeiro tipo.138) “Verifica-se. Por meio dele é que são oferecidos os elementos que servem à formação da ‘opinio delicti’. Segundo Frederico Marques (2000. § 1º do CPP acentuam a possibilidade de o MP fazer a denúncia sem necessidade de IP. p. Sem o que o procedimento da autoridade administrativa deixaria de ser discricionário para ser arbitrário RT 409/71( DAMÁSIO. 5). ao menos em tese. porque poderá ele basear seu convencimento também em peças do IP. 39.

com isso. têm elas a faculdade de operar ou deixar de operar. já que o IP é mera peça informativa. ou seja. tem ela a faculdade de operar ou não. 23 . segundo Franco. em tese. ou seja. Afirma o autor que autoridade policial não é sujeita à suspeição. segundo Mirabete (2003. e indica ainda. pode então a autoridade policial deferir ou não diligência requisitada pelo ofendido ou pelo indiciado.113) d) Mediante representação do ofendido – nas Ações Penais Públicas Condicionadas. poder para fazer qualquer coisa neste sentido. ou logo após cometêlo. é preso em flagrante delito. dentro de um campo cujos limites são fixados estritamente pelo direito” (MARQUES apud MIRABETE. b) Por portaria da autoridade policial – a portaria é uma peça simples. e o próprio auto da prisão em flagrante servirá como peça inicial do IP. e) Por requisição do juiz ou do MP – quando o Juiz ou o Ministério Público têm conhecimento da ocorrência de um crime. mandado de segurança etc. dentro dos limites fixados pelo direito. sigilo do IP ao contraditório. se possível a data e local onde ocorreu o crime. e instaura o IP. Os atos da autoridade policial são. por exemplo. podendo uma decisão arbitrária ser revogada pelo judiciário por meio de habeas-corpus. podem requisitar á autoridade policial que a mesma instaure o IP. porque ele não terá. na qual a autoridade indica ter recebido ciência de um crime (de ação penal pública incondicionada). não se pode afastar um delegado de polícia. p. Mas não pode haver arbitrariedade.77). 2003. que tenha interesse em auxiliar ou prejudicar uma das partes. quando o ofendido requer que o mesmo seja instaurado. como ainda afirma o autor: a) auto-executáveis . Representação é. nele não se observa o contraditório. Características São. é imprescindível haver a representação do ofendido para que possa a autoridade policial instaurar o IP.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS a) De oficio – quando a autoridade policial sabe por meio de suas atividades rotineiras da ocorrência de um crime. c) Pela lavratura do auto de prisão em flagrante – quando o suposto autor do delito é preso cometendo o mesmo. ou seja. p. As atribuições concedidas à policia no IP têm caráter discricionário.p.2003. pois estão submetidos a controle judicial posterior. f) Por requerimento da vítima – nas Ações Penais Privadas somente pode proceder a autoridade policial ao IP. 77). características do Inquérito Policial: a) Discricionário – porque “as atribuições concedidas à polícia são de caráter discricionário. Betanho e Feltrin é “a manifestação da vontade do ofendido ou de seu representante legal no sentido de autorizar o Ministério Público a desencadear a persecução penal” (apud MIRABETE. pois devemos lembrar que o IP é inquisitivo. Não há que se falar em ferir. o nome ou indicações de quem possa ser o autor e determina que seja instaurado o IP.não sendo preciso qualquer autorização do Poder Judiciário.

ainda na afirmação do autor. durante o IP. há que se observar a existência de delegacias especializadas. pois será mais fácil a colheita de provas referentes ao ilícito. nos casos de representação. e nem ao advogado constituído. A Súmula 397 STF Art. não se estende ao MP. pois essa é uma característica necessária para o esclarecimento dos fatos. Uma vez que. deve ser reduzido a escrito para que possa fornecer os elementos ao titular da ação penal. a competência para presidir o IP é dos delegados de polícia de carreira. é distribuída. ainda na citação de Mirabete. este último poderá ser afastado de determinadas diligências. 33 LC 35/79 Lei Orgânica da Magistratura nacional. 194-199). a instauração do IP é obrigatória. Afirma ainda o autor que o IP é sigiloso.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS b) Escrito – porque como é peça informativa. c) Sigiloso – porque sem o sigilo seria impossível à autoridade policial proceder a ás diligências necessárias para a elucidação do delito. prisão em flagrante etc. Pode o advogado ainda. mas tem certas formalidades na peça investigatória. segundo Tourinho Filho (2004. desde que agindo no interesse de seu constituinte. em caso de crime de ação penal privada. 41 § único da Lei orgânica Nacional do MP (Lei 8625/93) Art. será competente o delegado que estiver lotado na delegacia mais próxima ao local do crime. como por exemplo: delegacia de entorpecentes. • A competência. mas. de 24 . Na hipótese de crime de ação penal pública. Geralmente. O sigilo. é necessário a mesma para que se dê início ao IP. sendo que. pode ainda ser dividida pela matéria e pela especialidade de algum órgão policial (delegacias especializadas). É o IP. sendo as informações de um Inquérito muito divulgadas. depende do desejo do ofendido e. uma vez que é destinado a fornecer informações. assim como afirma a lei. p. Competência Exceto nas exceções legais. geralmente. em função do local do crime. requisitar diligências e tomar as medidas pertinentes ao bom desempenho de sua função (evidenciando-se que cabe à autoridade policial deferir ou não os seus pedidos). porém. Contudo. ainda. porém não está sujeito a formas rígidas. podem desaparecer provas e indícios que o inquérito busca. São tais casos de exceção legal: • • • Art. um procedimento escrito. 43 e parágrafos do Regimento Interno STF. Aqui fala-se em competência no sentido de atribuição. mantendo-se contudo. o seu amplo acesso aos autos do IP. acompanhar a produção de provas. como no que se refere ao interrogatório.

46 § 1º CPP. (NORONHA. 5º da CF. poderá tranquilamente dispensar a realização do Inquérito. por serem técnicas. No art. A palavra competência é utilizada em sentido leigo. amparado no princípio do contraditório. pois ele é somente uma peça informativa. mas não afeta a ação penal. segundo o art. valor informativo. 199 – 201).EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS furtos e roubos. ou nos casos de haver mais de uma circunscrição na sua Comarca. p. Ou seja. segundo o art. se já possuir o MP. 28 – 30). STJ. as mesmas serão competentes para a apuração dos ilícitos daquela natureza. As investigações do IP não estão incluídas nas limitações desse artigo da CF. 2004. poder atribuído a um funcionário de tomar conhecimento de determinado assunto. de crimes contra a mulher. Afirma o autor que essa não transmissão dos vícios do IP para a ação penal se dá por ser possível o ajuizamento da ação penal desacompanhada do Inquérito. ou o ofendido. os requisitos necessários para a propositura da ação penal. 4° do CPP. as provas que contém real valor probante. Valor Probatório Mas qual é o valor do Inquérito Policial como prova em um processo penal? Tem o IP. STF). p. A competência para IP de titulares de prerrogativa de função deverá ser procedido no próprio foro do indiciado (TJ.: prisão em flagrante). 1999. (TOURINHO FILHO. mas sim de ato administrativo informativo. podendo nele ser realizadas algumas provas periciais que. acabam tendo o mesmo peso que as provas colhidas em juízo. pois não se trata de processo propriamente dito. Vícios Como é peça meramente informativa. p. dentre outras. que uma autoridade policial de uma circunscrição investigue fato ocorrido em outra circunscrição e que tenha reflexo na sua. Nessa hipótese (existência de delegacias especializadas). de resto somente serve de roteiro para que se produza em juízo. e não possui por si só valor probatório específico. inciso LIII temos: LIII ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente Dispensabilidade Pode o MP recusar o IP para interpor uma ação? Sim. 28). os vícios contidos no IP não atingem a ação penal que dele se originarem. sendo o Inquérito policial mera peça informativa. segundo nos informa Noronha (1999. 25 . A desobediência à certas formalidades pode retirar a eficácia do ato em si (ex. ou seja. mas. Não é impossível.

Recurso policial para apuração do fato”. qualquer vício que ele emane. Se apresentar Notitia Criminis. Pode ser por conhecimento direto Ex. em caso de notícia anônima á investigação. RTJ 168/897) (DAMASIO. A de cognição coercitiva) que é o caso da prisão em flagrante. p. por requisição do MP ou do Juiz. 1. RTJ 89/57 e 90/39. da investigação pode policial decorrente. MIRABETE. denúncia. verificada a procedência das informações. mandará instaurar inquérito” No mesmo sentido: STJ: “Criminal. verbalmente ou por escrito. HC 56. Um exemplo mas. sendo assim. no caso de ação penal pública. 2. 2003. no caso de ação penal pública. p.10.80. 1999. p. TAPR.329-GO.78. ou requisitar diretamente a instauração de IP. p. mas tal afetação em nada influi na persecução penal.254. ou ainda. comunica-la a autoridade policial.80. de cautela. DJU 3. haverá vai ser reduzida a escrito. p. ser comunicada por meio de Constituição Federal (art notícia anônima de crime (notitia criminis inqualificada). Assim. 211) e José Frederico Marques (2000. sendo que a mesma elementos colhidos suficientes. 1998. o conhecimento espontâneo ou provocado da ocorrência de um crime. desse sendo dever da tipo de Notitia Criminis é o Disque Denúncia! autoridade policial Segundo Tucci (apud DAMASIO. uma vez que se trata de peça meramente de informação. qualquer pessoa do povo caso.237. Policial. e esta. afeta sim ao próprio Inquérito. não se pode falar em nulidade da ação penal por vício do Inquérito policial” (STF. na manifestação do deve a autoridade policial agir com a maior cautela para verificar a procedência pensamento. Espontânea ou de cognição (conhecimento) imediata  se dá quando a autoridade policial toma conhecimento direto da ocorrência do crime.). Provocada ou de cognição (conhecimento) mediata o  conhecimento do crime é transmitido à autoridade policial pelos diversos meios previstos na lei.9. nada impedindo. 143 a 151): Notita Criminis é a notícia do crime. p. Aqui. Pode se dar por comunicação formal da vítima ou de qualquer do povo. p. proceder cercando-se. RHC 58. 83-84). p. p. RHC. em sendo Segundo a lei (art. RHC 58. que então instaurará o IP. após a formalização da comunicação passará a autoridade policial a buscar os meios necessários à CPP. Notitia Criminis “Eventual vício do Inquérito Policial não anula a ação penal. não afetará a ação penal que poderia ter começado sem o mesmo. RHC 56. 2004. art. Delatio Criminis anônima não constitui causa da ação penal Autores e Destinatários que surgirá. STF. Código de Processo Penal Interpretado. Ou comunicação não formal (informação prestada por subalterno. 7203. Notitia Criminis Pode ainda a notitia criminis estar revestida de forma coercitiva (ou ser Inquérito anônima. nesse5° IV) veda o anonimato caso. HC 73. 5º do CPP).271. p. 5) Indicam Mirabete (1999. vai ser verifica a procedência das informações pela então.99) elucidação dos fatos. 5° § 3°: “Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação pública poderá. pelos meios de comunicação etc. Tourinho Filho (2004.6. sendo que. Validade. do crime “Ainda assim tem a autoridade policial dever de instaurar o inquérito naturalmente.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Tanto faz à mesma (ação) que o Inquérito seja válido ou não. 26 .DJU ”(RHC de 4-5-98. DJU 19. a mesma simplesmente recebe a notícia e busca realizar as diligências necessárias.247. da informação antes de mandar que seja instaurado o IP. (MIRABETE. o ensejo para a autoridade policial. p. DJU 16. aqui não há formalização de uma comunicação á autoridade da existência do crime. 208 em comunicar o fato ao MP. 4394. 1ª Turma. entretanto.: flagrante delito. pelo contrário. PJ 41/241. 82). É bem verdade que a Pode ainda.092. 7735.8). ordinário improvido O juiz que tenha ciência da ocorrência de crime de ação pública deve7.

Privada e Privada subsidiária da Pública. Em caso de estupro e atentado violento ao pudor. sob pena de cometimento de contravenção penal. Instauração de Inquérito Policial no caso de Ação Penal Pública Incondicionada O IP pode começar de ofício. Pública Condicionada. tomando conhecimento da ocorrência de crime ao qual se processa por meio de ação penal pública incondicionada. Expõe o autor que se instala também por requerimento da vitima que deve conter: Existe diferença na Instauração do Inquérito para cada tipo de ação penal (pública incondicionada. A comunicação verbal. mesmo não sendo a princípio crime de ação penal pública incondicionada. que não constitui ato ilícito. tiver conhecimento da ocorrência de um crime de ação pública tem o dever de informar o fato à autoridade competente. no exercício da função pública. pode ser indeferido pela autoridade policial por entender. devendo as declarações ser reduzidas a termo pela autoridade policial. Quando houver flagrante delito. Este requerimento. a autoridade policial tem a obrigação de instaurar o IP. Segundo a lei. perde o caráter Devemos lembrar que existem quatro tipos de ação penal: Pública Incondicionada. nos casos em que houver violência real. por exemplo. o IP será instaurado pela própria prisão. ou mediante requisição do MP ou do juiz. pública condicionada e privada) a) Narração do fato com todas as circunstâncias. conforme vimos há pouco pelas idéias de Tourinho Filho (2004. b) Individualização do indiciado e suas carcterísticas. é a forma mais comum de notitia criminis. esse crime será de ação pública incondicionada. como expõe o autor. está obrigado o profissional no exercício da medicina ou outra atividade sanitária. não sendo possível devem-se declinar o motivo de não o fazer. desde que a comunicação não exponha o paciente à ação penal. não havendo violência real. sendo os requerimentos ligados a ela e exigidos em lei as peças seguintes do Inquérito Policial. que vem a ser a notitia criminis.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Ainda afirma o autor que toda pessoa que. Pois. e o auto de prisão em flagrante delito deve ser a primeira peça do IP. 27 . Ainda afirma o autor que. nas ações privadas cabe ao ofendido ou a seu representante legal oferecer a notitia cirminis. sendo que do indeferimento do requerimento cabe somente recurso administrativo ao secretário de Segurança Pública. por meio de auto de prisão em flagrante delito.. 212 – 218). ou ainda. afirma o autor. É faculdade do ministro da Justiça a Notitia criminis nos crimes em que a ação depende de sua representação. A essa mesma informação. pode a autoridade policial iniciar o IP de ofício. não cabendo recurso judicial. c) Nomeação de testemunhas com indicação de profissão e endereço. p.

e ainda. 86 – 87) e Tourinho Filho (2004.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS de publico incondicionada. a ação penal é pública incondicionada. pois não há objeto possível em se informar sobre processo que já foi inclusive encerrado. Nos outros casos de instauração de IP. que contém as informações necessárias à apuração do crime. desde que seja provada a materialidade do fato. não haveria possibilidade de prosperar a investigação Neste Sentido. A portaria é uma peça simples a qual a autoridade policial consigna ter tido ciência da prática de crime de ação penal pública incondicionada. ou ser a autoridade incompetente para tanto (casos de prerrogativa de função). não há necessidade do Inquérito ser instaurado. e ela poderá ser feita pelo ofendido. ao juiz ou ao MP. escrita ou oral. ou seja. Mas como provar que houve a representação se ela for oral? No caso da representação oral ou sem assinatura reconhecida deve a mesma ser reduzida a termo. e o dia da ocorrência ( se possível) as características do autor do fato os dados da vítima. praticado mediante violência real. Pen. Na mesma linha de pensamento. (D. quando não forem fornecidos os elementos essenciais às investigações.)” (se possível) e policial. p. É uma manifestação. conclui determinando a instauração do IP. o local. O mesmo ocorre quando houver ciência de fato considerado atípico. Súmula 608 STF “608 . D. Instauração Condicionada de IP no caso de Ação Penal Pública Autores como Mirabete (1999.. deve a autoridade policial baixar portaria para a instauração.No crime de estupro. Proc. temos por óbvio que não se pode instaurar IP sobre fato em que o réu foi absolvido ou condenado. ou pedido de instauração de inquérito policial pela vítima. ficando restrito aos casos de representação. pois nesses casos. pois não há utilidade em se instaurar investigação de crime que não poderá ser punido. pois uma das finalidades do inquérito é levantar a possível autoria do fato! Na afirmação do autor. A essa autorização damos o nome de representação e ela é na realidade um pedido-autorizaçao que dá o ofendido para que se proceda a ação penal e pode ser dirigida á autoridade policial. p. desde que se comprove que o crime existiu. 224 -231) ensinam que Ação Pública Condicionada é aquela que para ter início necessita de autorização do ofendido ou do Ministro da Justiça. por seu 28 . sendo que também é imprescindível tal autorização para o início do Inquérito Policial. Pen. oferecendo ainda as informações quanto à hora. se for o caso de crime já prescrito. E quando não soubermos quem é o autor do delito? Há possibilidade de Instauração de Inquérito? Nada impede que haja IP referente a crime de autoria ignorada.

p. com o princípio da igualdade entre homens e mulheres. Além do ofendido. Conforme os mesmos autores. o requerimento para o início do inquérito não exige formalidades. por isso mesmo. sendo que. É possível flagrante de crime que se procede por ação penal privada? 29 . sendo que o seu não oferecimento dentro deste impossibilita que o ofendido a faça posteriormente. A autoridade policial terá que instaurar inquérito sempre quando for requerido? Não. Antes da CF/88. p. deve o requerimento ser reduzido a termo. ascendente. Esta representação pode ser feita diretamente ao MP. não é mais necessário qualquer concordância do marido pra que a mulher casada possa exercer seu direito de queixa (art. A representação possui prazo decadencial. 232-235) temos que a Ação Penal Privada é aquela que só ocorre se for promovida pelo ofendido ou por seus representantes. a autoridade policial pode negar a instauração do Inquérito. 35. descendente ou irmão . a mulher casada somente poderia proceder à queixa se o marido concordasse.Art. I). 5º. nos mesmos termos que vimos no caso de representação. mas somente poderá fazê-lo por decisão fundamentada da qual cabe recurso ao Chefe de Polícia.se o mesmo for incapaz. mas se a mesma não contiver todos os elementos necessários à propositura da denúncia deve o MP requerer á autoridade policial a instauração de IP. Com o advento da Carta Magna.se for o caso de morte do ofendido. somente pode ser instaurado o IP mediante iniciativa da vítima. mas é necessário que forneça os elementos indispensáveis à instauração do IP. cônjuge. salvo quando estiver separada ou quando a queixa for contra ele. quando efetuado verbalmente ou por documento sem reconhecimento de assinatura.A mulher casada não poderá exercer o direito de queixa sem consentimento do marido. Instauração do Inquérito Policial em caso de Ação Penal Privada Utilizando-nos ainda das lições dos nobres professores Mirabete (1999.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS representante legal ou ainda por procurador com poderezs específicos para tanto. Mirabete informa ainda que esse Chefe de Polícia (na verdade a figura que não existe mais) hoje seria considerado como o superior hierárquico da autoridade que negou a instauração do inquérito. são igualmente competentes para requerer a instauração do IP: • • representante legal . 87-88) e Tourinho Filho (2004. CPP .

p 87-88). por isso passou-se a considerar equivalente ao antigo chefe de polícia. e multa. verbalmente ou por escrito. Se a requisição vier sem os requisitos mínimos para que se possa iniciar o ato investigatório. 5° CPP). indevidamente. e esta. Pode o que caiba penal em pedido ser indeferido no caso de a autoridade pública ação pública poderá. crime do art. Dever de Instauração do Inquérito Policial Deve a autoridade policial instaurar o IP sempre em caso de ação penal pública incondicionada (art. 319. sob pena de não mais poder faze-lo. comunicá-la à autoridade policial. p. Art.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Sim. o auto da mesma somente poderá ser lavrado se já houver sido requerida a instauração do IP pelo ofendido ou por quem tenha poderes para tanto. ato de ofício. 30 ação pública o inquérito policial será iniciado: § 3º. 5º. pode o ofendido impetrar recurso ao superior hierárquico da autoridade que negou a instauração do Inquérito. Não é possível também. o superior hierárquico da autoridade policial.detenção. para de correr a decadência penal? Não. pois os requisitos elencados na verdade configuram as informações mínimas para que possa a autoridade policial instaurar o IP.98) manifesta-se em seu Código de Nos crimes de Processo Penal Interpretado. Incumbirá ainda à autoridade policial: II . 1999. Neste sentido Mirabete (2003. em caso de prisão em flagrante por crime que se procede mediante queixa. p. recusar requerimento de abertura de IP proveniente do MP (art. deve a autoridade solicitar os esclarecimentos necessários para que se proceda à abertura do IP (MIRABETE. verificada a procedência das .que tiver do povo lo. Durante o curso do Inquérito. prazo decadencial. 234 – 235). Conteúdo do Requerimento É necessário que no requerimento exista o conteúdo mencionado no artigo 5° do CPP. quando houver recusa da autoridade policial em instaurar o inquérito policial. 13 II CPP). A lei fala em impetrar recurso junto ao chefe de polícia. existência de infração servindo o requerimento de peça inicial do inquérito. devendo a parte interessada ingressar com a ação penal antes do término do prazo legal.realizar as diligências requisitadas pelo juiz ou pelo Ministério Público. sendo que a não instauração configurará o Art. Justifica-se tal fluência de prazo por ser prescindível o Inquérito. mandando autua-lo com as instruções para as conhecimento da diligências que devem ser efetuadas por seus subalternos. Providências do ofendido no caso de recusa de instauração do Inquérito Policial Conforme bem ensina Tourinho Filho (2004. de 3 (três) meses a 1 (um) ano. para satisfazer interesse ou sentimento pessoal: Pena . Retardar ou deixar de praticar. ou praticálo contra disposição expressa de lei. 319 do CP. mas tal figura não mais existe em nosso ordenamento. ensinam os autores que a instauração do IP não interrompe o Prevaricação Art. Qualquer pessoa Apresentado tal requerimento deve a autoridade despachá. 13. independente de sanção disciplinar imposta por seu superior.

qualquer que seja a denominação dessa autoridade conforme a regulamentação legal federal ou estadual. 13 II do CPP: Art.. assim. recorrer ao MP para que. que não a poderá negar. disciplinar e criminalmente. pode o ofendido ingressar com esse quantas vezes julgue necessário (até a decadência). 8889) e Tourinho Filho (2004. Desse indeferimento cabe recurso ao “chefe de polícia” (chefe imediato da autoridade). nos termos do art. mesmo recorrendo. por seu caráter de maior abrangência (Disque denúncia) (TUCCI apud DAMÁSIO 1998. ainda. mesmo que verifique a autoridade policial a ocorrência de uma causa excludente da ilicitude.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS entender que não haja justa causa para o inquérito. porque somente se analisarão as excludentes da ilicitude na ação penal propriamente dita. mas o despacho deve ser fundamentado. devendo para isso 31 . sendo. pois é obrigação da autoridade policial realizar as diligências que este requisitar. exercício Regular de Direito e estrito Cumprimento do Dever Legal! Procedimento Instauração e Atos Iniciais Utilizando-nos dos ensinamentos dos professores Mirabete (1999. Delatio Criminis Há entendimento no sentido de não ser considerada a delatio cirminis anônima por se considerar crime a denunciação caluniosa e a comunicação falsa de crime. Sendo que pela negativa sem fundamentação responde a autoridade policial administrativa. Incumbirá inda á autoridade policial: I-. Vimos as excludentes da Ilicitude em nosso tema 3 de Direito Penal. sendo assim. 08). Mirabete (2003. são elas: Estado de necessidade. não houver êxito do particular em ver instaurado o Inquérito. p. pode o mesmo. 87-90) mostra que a lei não determinou prazo para a interposição deste recurso. havendo a negativa do recurso pelo superior hierárquico. Inicialmente deve a autoridade policial proceder de acordo com o art 6º CPP. p. 236 -262) verifica-se que o entendimento desses mestres é no sentido de que. Ele indica quais as primeiras diligências a serem tomadas para que a autoridade possa colher ao vivo os elementos da infração. Afirma ainda que a lei não impede novo recurso em caso de indeferimento do primeiro. p. “II-Cumprir as diligências requisitadas pelo juiz ou pelo Ministério Público”. possível ao ofendido ingressar com o mesmo até o final do prazo decadencial.. sendo ainda hoje aceita. deve instaurar o IP. p. 13. Se. estando este convencido da necessidade do IP requisite a sua abertura à autoridade policial. Legítima Defesa.

Ainda. Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a infração. pode ordenar a mudança da posição dos veículos se estiverem impedindo ou atrapalhando o tráfego. Os peritos registrarão. Na afirmação dos autores. a autoridade. Estes Art. no laudo. mesmo com mandado e nem durante o dia. no relatório. dirigir-se ao local providenciando que não se mude o estado das coisas até a chegada da perícia criminal. 32 . Cabe ainda à autoridade recolher as provas que sejam úteis ao esclarecimento dos fatos e suas circunstâncias. Apreensão de Objetos Utilizando-nos dos conhecimentos de Tourinho Filho (2004. de 28. muitas vezes um objeto apreendido e relacionado ao crime.1994) objetos devem acompanhar o IP. Parágrafo único. sendo que tais objetos acompanharão o IP e o processo se necessário. 239) entendemos que a autoridade policial pode apreender todos os objetos relacionados ao crime e a seu esclarecimento. as conseqüências dessas alterações na dinâmica dos fatos.862. desenhos ou esquemas elucidativos. de acordo com o referido artigo. Ainda de acordo com o art. p. desenhos ou esquemas elucidativos. as alterações do estado das coisas e discutirão. que poderão instruir seus laudos com fotografias. 169. 2004. contém em si muitos indícios ou até mesmo provas da autoria do delito. à noite. desde que sejam observados os direitos e garantias constitucionais pode a autoridade policial realizar qualquer diligência que julgue necessária á apuração do fato. 6º do CPP. Ressalva-se. porém. A maioria dos objetos apreendidos após o término do processo são devolvidos a seus proprietários.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS agir com presteza para que não se mude o estado das coisas no local do crime ou ainda desapareçam armas ou indícios. quando não tiver em posse do mesmo. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº. Deve então. sendo importante. indicam que pode a autoridade policial realizar qualquer diligencia que julgue necessária à apuração do fato. reconhecimento ou outra providências. deve apreender os objetos que tiverem relação com o crime após a liberação pelos peritos criminais. Em caso de vítima necessitando de socorro médico. para a instrução criminal que os mesmos fiquem à disposição caso seja necessário realizar alguma perícia. p. a autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das cosias até a chegada dos peritos. que poderão instruir seus laudos com fotografias. pode autorizar a sua imediata remoção para que seja prestado o socorro. somente não os sendo aqueles objetos ilícitos. portanto. a autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos. que não poderá realizar busca e apreensão em residência. é possível à autoridade policial efetuar a modificação da posição dos veículos para fins de escoamento de tráfego e ainda a remoção da vítima ferida ao hospital (TOURINHO FILHO. Em caso de acidente ou vítima necessitando de atendimento hospitalar de urgência. na afirmação do autor. os autores citados de inicio. 238).03. Em caso de acidente de automóvel. Diligências O Artigo 169 CPP adianta que para o efeito do exame do local onde houver sido praticada a infração. 8.

pela própria autoridade policial. Neste sentido temos:Art. que a busca e apreensão de objetos. 91 CP. se houver interesse na sua conservação. 124 CPP Art. sendo-lhe assegurada a do geralmente como assistência da família e de advogado. Art. durante o dia (6 – 18 horas). 242 . 5º XI CF A busca pessoal pode ser realizada em qualquer horário. Podemos ver. 1597) 33 . Busca e Apreensão A busca e apreensão sempre deve observar o disposto no art. entre os respiratórios etc. 1999. ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé: b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso. pois com tal medida é que se possibilita uma eventual perícia. 124. 175 CPP Art. até mesmo por seu envolvimento emocional com os fatos ocorridos.o preso será informado de seus direitos. Os instrumentos do crime. usa quais o de permanecer calado. então. ao compararmos os ensinamentos doutrinários com o texto da lei. 11. não influi no conceito de noite do CPP. mas a residencial somente poderá ser feita com ordem judicial.Ainda alínea a inciso II art. serão inutilizados ou recolhidos a museu criminal. São efeitos da condenação: II . 172 CPC. Deve o ofendido ser notificado para o comparecimento para prestar esclarecimentos. cuja perda em favor da União for decretada. acompanharão os autos do inquérito. e as coisas confiscadas. 175. ou até mesmo um reconhecimento por patê das testemunhas. e não pode ser o ofendido considerado testemunha. Art. até mesmo por ser a pessoa que possui o maior número de declarações sobre os fatos. não se aplicando a ele o disposto sobre a possibilidade de condução coercitiva. de acordo com o disposto no artigo 100 do Código Penal. p. 5º arterial. Serão sujeitos a exame os instrumentos empregados para a prática da infração. p.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS ou que foram perdidos em favor da união ou confiscados por serem instrumentos do crime. Se o ofendido se recusar a comparecer será somente processado por desobediência. devendo este ser entendido das 18 as 6 e não das 20 as 6 horas. Oitiva do Ofendido Já nos diz Tourinho Filho (2004. nos mesmos moldes do O polígrafo é um interrogatório do réu em juízo. detector de mentiras (FERREIRA. Art. Oitiva do Indiciado A oitiva do indiciado deverá ser feita. a fim de se lhes verificar a natureza e a eficiência.243) que deve a autoridade policial ouvir o ofendido. É claro que o valor probante das declarações do ofendido é restrito. uma vez que o art 219 CPP trata de testemunha. movimentos LXIII .a perda em favor da União. bem como os objetos que interessarem à prova. sem qualquer ordem judicial.). ou com o consentimento do morador da casa. Os instrumentos do crime. LXII da fisiológicos (pressão CF art. 91. e ainda de acordo com as regras do art 5° inciso instrumento que registra diversos fenômenos CF/88. A norma do art. muitas vezes é imprescindível para a solução da lide penal.

indispensável o exame p. afirma Tourinho. somente terá valor se ao final a autoridade policial fizer constar observações sobre as reações fisionômicas dos acareados. expedir-se-á precatória à autoridade policial do lugar onde resida o outro acareado. 34 . a autoridade policial. Não é permitida qualquer forma vergonhosa ou qualquer processo que vise a devassar o íntimo psíquico do indiciado. Quando a infração deixar vestígios. no que for aplicável. Se subsistir a discordância. direto -250) que deve ainda determinar. A narcoanálise. será Continua a nos ensinar. a fim de que se complemente a diligência ouvindo-se o ausente pela mesma forma estabelecida para o presente. 158. (TOURINHO. Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal. sem desaparecer completamente o contato dele com o meio ambiente). e mesmo de testemunhas. Com o emprego de tais drogas o indivíduo adormece ligeiramente. Tal diligência somente poderá ser realizada se não importar demora para a conclusão do IP e à evidência da autoridade policial reputá-la conveniente. a autoridade policial deverá: V . a autoridade policial. bem como o texto do referido auto. devendo o respectivo termo ser assinado por 2 (duas) testemunhas que lhe tenham ouvido a leitura. mas quaisquer outras perícias que se achem relevantes. deste Livro. evipan. metedrina que possibilitam penetrar no inconsciente. são os reprovados pelo art 5 III CF que diz que “Ninguém será submetido a tratamento desumano ou degradante” Exame de Corpo de Delito é aquela perícia realizada no objeto material do crime e que permite buscar indícios e provas da autoria do dleito no mesmo.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Código de Processo Penal Art. Os tratamentos acima descritos. Ausente alguma pessoa cujas declarações divirjam das de outra que esteja presente. tais como: • • O Polígrafo. p. 2004. O auto de acareação. Art. o nobre professor Tourinho Filho (2004. transcrevendo-se as declarações deste e as do outro nos pontos em que divergirem. Exames Periciais Não são apenas os exames de corpo de delito que podem ser realizados durante a feitura do IP. a esta se dará a conhecer os pontos de divergência consignando-se no auto o que explicar ou observar. ainda. coerência e firmeza. que se proceda à exame de corpo de delito. estreitando o campo de ação de sua consciência. confissão do acusado. com observância. 247 de corpo de delito. 6º. não delito podendo supri-lo a deixar vestígios. do disposto no Capítulo III do Título VII. Reconhecimento e Acareações Deve. pentotal. sempre que o ou indireto. p.ouvir o indiciado. segundo Tourinho Filho (2004. amital sódico. 247-250). bem como análise de sua compostura. 244-247). (uso de drogas como a escopolamina. quando necessário proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e ainda proceder a acareações.

Entende Tourinho Filho (1990. as partes podem formular quesitos para a perícia. VI do Livro I). não cabe ao ofendido fazer qualquer quesito. prova contra si. p. Sejam oficiais ou não oficiais. As partes não intervirão na nomeação do perito. 167. poderiam ser negados pela autoridade policial quando esta bem entender. com tese. Simulação do Crime Considera-se quadrilha maiores ou bando a reunião de detalhes sobre os fatos. 184 CPP. para que se possa colher 35 .240). 176 CPP. Não podem as pessoas nomeadas para tal encargo recusá-lo (art. A situação dos peritos que irão oficiar no feito está disciplinada na nova redação dada ao art. em voz de comando. Poderá ainda proceder à simulação do crime. p. Quem realiza tais exames são os peritos ( regulados no CPP pelo Cap. 110 a 111). Certo também que a autoridade não pode indeferir requerimento da vítima ou do indiciado no sentido de que se realize o exame de corpo de delito. não se tem admitido tais formulações. CPP art. nos termos do art. ressalvada a hipótese do art. não os houver na comarca e seja difícil o acesso aos mesmos. III. deve-se por segurança conceder ao indiciado a possibilidade de efetuar os quesitos que julgar necessários ao esclarecimento da verdade até mesmo para que tal perícia não venha a ter seu valor diminuído por tal omissão. como se constata pelo art. b CPP diz que haverá nulidade se não for feito o exame de corpo de delito nos crimes que deixam vestígios. pois como no IP não existem partes. Art. 276. sendo que somente em caso de perícia para a comprovação de insanidade mental do indiciado é que deverá requisitar à autoridade judicial competente. ainda. Segundo o art. 276 CPP. A mesma regra aplica-se a simulação. conforme se depreende do art 6 inc VII CPP. 159 do CPP pela Lei n. conforme o exposto nos arts. por exemplo. cabendo única e exclusivamente a autoridade policial fazê-los. o autor que não está o indiciado obrigado a participar da Organização Criminosa simulação.862/94. 2003. como por exemplo. 8. portanto. Poderá a autoridade policial proceder a tais exames por si só sem qualquer autorização judicial. na realidade somente podem ser negados quando não forem relevantes para a elucidação do fato delituoso. Podem se ter peritos não oficias quando. 149 § 1º CPP. nos termos do art. na contra organizado hierarquicamente. os peritos não podem ser indicados pela vítima ou indiciado. com o intuito de praticar crimes! Afirma. 564. qual. 158 Não se pode tirar daí que os outros exames perícias não têm o mesmo valor e que.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS O Art. podendo ficar calado. 277 CPP). há entendimentos que na perícia ocorrida durante o IP. estaria produzindo. que sendo muitas vezes impossível que se repita à perícia em juízo pela possibilidade de deterioração do material periciado. ser substituído nem mesmo pela confissão do indiciado. Não pode o exame de corpo de delito. pois uma vez que a CF lhe confere o direito à não produzir prova nada mais é do que a quadrilha ou bando mais si mesmo. acima indicados. ter-se uma idéia do estado mais de três pessoas do indiciado frente à reprodução dos fatos (MIRABETE.

A folha de antecedentes nada mais é que um constar dos registros policiais o uso de outros nomes ou de falsificação relatório que apresenta todos os processos de documento. crimes contra o patrimônio praticados com violência ou grave ameaça. As pessoas envolvidas com ações de organizações criminosas. todas as suas não comprovar em 48 horas a veracidade da identidade civil. crime de receptação qualificada. se houver praticado: • • • • • • • • • homicídio doloso. penais a que o indiciado houver registro do extravio do documento de identidade. mesmo possuindo a 36 . pois havendo provas que apontem a autoria para determinada pessoa. devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que tenham ouvido a leitura das declarações. deve o mesmo ser identificado. é possível haver a quebra de sigilo telefônico. identificação civil. não pode ser a pessoa de quem se desconfia indiciada. excepcionalmente. no IP a prática do fato delituoso. porém. crimes contra a liberdade sexual. cometida por quadrilha ou bando ou por organizações criminosas. (TOURINHO. quando possuir identificação civil. ser criminalmente identificadas. infiltrações. quando houver fundada suspeita de falsificação da identidade civil apresentada. portanto. p. Ressalta-se que somente será identificado criminalmente. mas tais diligências somente poderão ser feitas mediante prévia autorização judicial.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Ainda na apuração de infração penal. Indiciamento Indiciamento é a imputação a alguém. 90 – 994) que não pode optar a autoridade policial por indiciar ou não. mas somente à leitura das declarações. em qualquer hipótese. passagens pela polícia. deve a autoridade policial ouvi-lo. deve obrigatoriamente indiciá-la. havendo meras desconfianças. p. necessário que as testemunhas assistam ao interrogatório. se o indiciado bem como responde. 2004. o documento apresentado seja por lapso temporal da expedição impeçam a certeza da identidade. segundo o que dispõe a Lei 10. Indiciado o suposto autor do fato delituoso. escutas. deverão. Ensina Mirabete (1999. mas não sendo obrigado a responder quaisquer perguntas. não sendo. ATENÇÃO! Após a oitiva do indiciado.054/2000. O indiciado também pode ser conduzido coercitivamente para o Interrogatório. 262). crime de falsificação de documento público.

ATENÇÃO! A folha de antecedentes não comprova a vida pregressa do indiciado. para tal comprovação. Já no caso dos menores. na ação penal. 94) A incomunicabilidade consistia em ficar o acusado sem contato com qualquer pessoa diferente das autoridades policiais e judiciárias. nos atos do processo. Enquanto a maioridade civil se dava aos 21 anos a penal se dava aos 18. acabou-se por erradicar a figura do curador para os maiores de 18 anos e menores de 21. com a vigência do novo Código Civil. 1999. É direito do preso comunicar ao advogado e à família a prisão e o local onde se encontra. familiar. 2004. a ausência de curador em caso de prisão em flagrante de menor causa a nulidade do ato. p. que retirou o silvícola do rol dos relativamente capazes. com o advento do novo Código Civil. 37 . Incomunicabilidade Revogou a CF 88 os preceitos que amparavam a incomunicabilidade do réu. (MIRABETE. esses passaram a ser disciplinados unicamente pela legislação específica. equiparouse as maioridades! (CC art 5º. apesar de ser praxe comunicar-se à FUNAI (Fundação Nacional do Índio). A função primordial do curador era assistir ao menor. Indiciado Menor Se o indiciado for menor. mesmo que esteja sem procuração.94). terá o mesmo nomeado um curador pela autoridade policial. 1999. poderia o preso ter acesso ao advogado. não sendo mais possível em nosso ordenamento jurídico que tal ocorra. o qual tem livre acesso ao seu cliente. relativamente incapaz (maior de 18 e menor de 21).. pois a maioridade civil equiparou-se à maioridade penal com o advento do novo Código Civil. mas hoje. Como a legislação não fala em curador para silvícola. Mesmo que ainda fosse permitida a incomunicabilidade. sendo que este curador não precisa ter conhecimentos profissionais. Ocorre que em função da nova maioridade civil. pode a autoridade policial conduzi-lo de forma coercitiva. para que se possa ter conhecimento de sua vida pregressa. mas aponta para o MP requerer as devidas certidões. não podendo a autoridade policial proceder de forma a impedir tal comunicação. para que se possam reunir elementos para a apreciação de seu comportamento e caráter.(TOURINHO FILHO. CP art 27). mas não pode ser analfabeto. devendo ser a prisão imediatamente relaxada. p. (MIRABETE. Deve ainda a autoridade policial diligenciar para juntar aos autos do IP a folha de antecedentes do indiciado. não pode se obrigar a nomeação de curador para o índio. no caráter social. Por muitos anos tivemos a maioridade civil diferente da maioridade penal. Quanto ao índio.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Se o indiciado se recusar a proceder a identificação criminal regular. p. por isso era necessário o curador. econômico etc. 262) Deve ainda averiguar a vida pregressa do indiciado.

somente podendo se negar a cumpri-las quando ilegais. podendo perceber ou ao menos desconfiar quando o mesmo se encontre enfermo mentalmente ou não. • Representar para instauração de incidente de insanidade do indiciado. • • Deve ainda a autoridade nomear curador ao menor de 21 anos. • Cumprir os mandados de prisão expedidos pelas autoridades judiciárias (tanto os relativos à prisão provisória. por ter o primeiro contato com o acusado. • Incumbe ainda prestar informações e considerações que possam ser de utilidade no esclarecimento do crime em todas as suas circunstâncias. deve fornecer às autoridades judiciárias as informações necessárias à instrução e julgamento dos processos.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Deveres da Autoridade Policial Deve a autoridade policial. • • Arbitrar fiança em determinados casos. ( art. pois não se pode obrigar a autoridade policial a cumprir ordem ilegal mesmo que seja proveniente de juiz ou membro do ministério público. o mesmo ocorre quanto à sanidade mental do mesmo. 13 CPP. 38 . Proceder a novas pesquisas após o arquivamento de IP a fim de verificar alguma possível alteração no estado das investigações daquele delito. • Representar acerca da necessidade de prisão preventiva por ser a primeira autoridade a sentir sua necessidade pela proximidade com o indiciado e com os fatos relativos ao crime. por fim. 321 e seguintes). além de proceder às diligências descritas nos arts. visto que é essa a função primordial do inquérito policial a quem é responsável a autoridade policial. 95 – 97) ensina que concluidas as investigações deve a autoridade policial fazer um minucioso relatório do que foi apurado no IP. p. Ressalte-se que é da autoridade policial o primeiro contato com o acusado. executar mandado de prisão expedida por juízo cível. desde que haja provas da existência do crime e de sua autoria. (alguns entendem que foi derrogado). 6° e 7° CPP. tomar outras providências descritas no art. E. Vejamos quais são elas: • Em primeiro lugar. Encerramento Mirabete (1999. pois da mesma forma que sente a necessidade de prisão preventiva antes. • Ainda realizar as diligências requisitadas pelo MP e pelo Juiz. quanto relativos à prisão por sentença transitada em julgado).

Pode. instrumentos e demais provas relativas ao crime. Regra geral duração IP • • Réu preso: 10 dias a contar da prisão. Quando o fato for de difícil elucidação pode o juiz prorrogar o lapso temporal do IP. Isto seria uma forma de constrangimento ilegal sanável pela via ministério Público. Uma vez caso de considerar improcedentes as ultrapassado tal prazo. (MIRABETE. Quando da instauração do IP. o juiz no para o encerramento da Instrução Criminal (da qual o IP não faz parte). as armas. a manutenção da prisão não pode ultrapassar o prazo total informação. ao invés de apresentar a do Habeas Corpus. O promotor deverá analisar todos os importantes para a instrução do processo em autos apartados. como afirma o autor. em regra. 97). porém. Réu solto: 30 dias a contar da notitia criminis. entretanto.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Nesse relatório. 98 – 101) que. não cabe à autoridade policial fazer qualquer juízo de valor. 28 CPP: No caso de réu preso não pode haver prorrogação do prazo de “ Se o órgão do conclusão do IP. Contudo. exprimir as impressões deixadas por pessoas que intervieram no IP. A classificação apontada pela autoridade policial é provisória e não vincula o MP. Essa prática “tem sido deferida ordinariamente mesmo que não seja de difícil elucidação devido ao acumulo de trabalho”. deverá incluir tal informação só então estará o juiz em seu obrigado a atender. no relatório que põe fim ao Inquérito. podendo esta. relatório e encaminhá-lo ao MP. ou Ensina-nos Mirabete (1999. denúncia requerer o arquivamento do O que se admite. sendo que esta regra que deve ser observada por analogia em relação ao ofendido. é que indevidamente prorrogado o Inquérito. p. fará remessa do inquérito ou peças de informação ao Arquivamento procurador-geral. 39 . o réu deverá ser imediatamente posto em liberdade. O MP pode requerer a devolução do Inquérito à Autoridade Policial para diligências imprescindíveis ao oferecimento da denuncia. mesmo depois de proposta ação penal. 1999. e este oferecerá a denúncia. as testemunhas que não tenham sido inquiridas indicando o lugar onde possam ser encontradas. Concluído o IP e elaborado o relatório. delineia o autor que já deve a autoridade policial indicar a classificação do crime. pode o MP ou o ofendido requerer que a autoridade policial proceda a diligências Neste sentido temos o art. O arquivamento do IP somente pode ocorrer com a homologação do designará outro órgão Juiz. deve a autoridade policial remetêlo ao juiz competente. Ainda afirma o autor que. Devem acompanhar os autos do IP. inquérito Policial ou de estando quaisquer peças de o réu preso. uma vez que não é essa a finalidade do IP. p. ser alterada no encerramento se verificado engano inicial. pode ser indicado. Mas como se dá? do Ministério Público para oferece-la. chegando a autoridade insistirá no pedido de policial arquivamento. razões invocadas. ou requerimento do ofendido ou seus representantes. inclusive. ao qual à conclusão de que deva ser o IP arquivado.

em muito. uma vez que traz elementos para o esclarecimento da autoria e materialidade do fato. portanto. remeterá os autos ao Procurador Geral do Ministério Público. diferentes das regras aplicadas ao processo penal. discordando sobre o arquivamento. quanto ao arquivamento do Inquérito Policial. d) NRA 40 .É correto afirmar. nenhuma acusação de que se defender.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS autos do IP e concordando com a autoridade policial. apesar de não fazer parte do Processo Penal propriamente dito. ou então poderá ele mesmo fazer a denúncia dando prosseguimento ao processo penal. O mesmo possui regras específicas. 2. por ser peça meramente informativa. b) Somente se dá por pedido do promotor de Justiça ao Juiz. c) Somente se dá por ato do Promotor de Justiça e o Juiz não pode discordar da opinião do Promotor. não cabendo. Mas e se o Juiz não concordar com o pedido de arquivamento? Não havendo a concordância do juiz em realizar o arquivamento. Vamos exercitar? 1)Agora que você já conhece como se dá um Inquérito Policial. Conclusão O Inquérito Policial. somente colhe dados. Se o Procurador Geral não concordar com o arquivamento designará um outro promotor para que proceda à denúncia no processo. se a não utilização dos mesmos atrapalha a defesa do réu no processo penal. auxilia. não existindo. Se o juiz concordar. Se o Procurador Geral concordar com o arquivamento. que: a) Pode o mesmo se dar por ato da autoridade policial. tente explicar com suas palavras. o juiz deverá obrigatoriamente arquivar o IP. Comentário Você pode sinalizar em sua resposta na seguinte direção: o Contraditório e a Ampla defesa não são utilizados porque o inquérito policial não julga os fatos. ainda. o mesmo deverá remeter os autos ao Procurador Geral do Ministério Público que analisará os autos e decidirá se concorda ou não com o arquivamento. fará pedido de arquivamento dirigido ao juiz competente. que. por que não se aplicam ao mesmo o princípio do Contraditório e da Ampla Defesa e. então muitas limitações que ocorrem na persecução. o IP estará arquivado. na persecução penal.

JESUS. Vimos ainda que. por exemplo. Vimos que o mesmo é presidido pela autoridade policial (delegados de carreira) e que a autoridade deve seguir algumas regras de conduta durante o Inquérito. 14 ed. Aurélio Buarque de Holanda. John. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. e ainda que o mesmo serve como peça informativa. São Paulo: Saraiva. c)Quando houver prisão em flagrante. d) NRA Comentário Procure responder a questão utilizando seus conhecimentos sobre a instauração de IP em relação a cada um dos tipos de ação penal existentes. 3 ed. 1999. para que haja um inquérito relativo à crimes de Ação Penal Pública Incondicionada. recusar-se a realizar diligência requerida pelo Ministério Público.Nova Fronteira. Síntese da tema Conhecemos nesta nossa aula o que é o Inquérito policial. Inquérito Policial sempre que tiver conhecimento de um crime. é correto afirmar que: a) A autoridade é obrigada a instaurar. Referências FERREIRA. 3. a autoridade policial peça autorização do juiz por meio de portaria. Vimos que o mesmo é um procedimento administrativo e não judicial. b)Pode se dar por meio de requerimento do Juiz.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Comentário Para responder a esta questão. Rio de Janeiro. GILISSEN. será necessário que. Código de Processo Penal Anotado. 2004. Novo Aurélio Séc XXI: o dicionário da língua portuguesa. Damásio E. mesmo que seja crime que se procede por Ação Penal Privada. 41 . Introdução Histórica ao Direito. bem como nos conhecimentos que você tem sobre o princípio da indisponibilidade do processo. não podendo. é necessário que a vítima ofereça representação (pública condicionada) ou requerimento (ação privada). basta que a autoridade policial tenha conheciemnto do delito. que á ele não se aplicam certos princípios de Direito Processual Penal. de ofício. para instaurar o Inquérito Policial. 1995. desde que legal a mesma. procure em seus conhecimentos sobre arquivamento do Inquérito Policial. antes. já nas Ações Penais Pública Condicionada e Privada.Quanto á instauração do Inquérito Policial.

MARQUES. Curso de Direito Processual Penal. Informações sobre o próximo tema Em nossa próxima aula. José Frederico. Elementos de Direito Processual Penal. São Paulo: Saraiva.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS JESUS. Damásio E. Atual. São Paulo. Fernando da Costa. Curso de Direito Processual Penal. ed. 2000. por Adalberto José Q T de Camargo Aranha. Saraiva. 1999. os procedimentos do Direito Processual Penal. E. E. 1998. 42 . de. estudaremos a Ação Penal propriamente dita. 14 ed. com suas fases e desenvolvimento até a sentença. Atual. Processo Penal. 27 ed. 2004. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Saraiva. a competência. 27. Processo Penal. 1990. Tema 03 Ação Penal. 1999. TOURINHO FILHO. TOURINHO FILHO. Magalhães. NORONHA. Competência e Procedimentos Processuais Meta do tema Apresentação da Ação Penal. Jurisdição. Código de Processo Penal anotado. Magalhães. São Paulo : Saraiva. Fernando da Costa. CampinasSP: Millennium. NORONHA.

enumerando suas delimitações. 447). obviamente surgiu para o cidadão o direito de se dirigir a ele [Estado]. o monopólio da justiça e do direito de punir pentence exclusivamente ao Estado. • • Identificar as formas de exceções e os impedimentos no Processo Penal.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Objetivos Esperamos que. exigindo a garantia jurisdiconal. O que é Ação Penal? Para conceituar a Ação Penal buscamos os ensinamentos de Nucci Como matéria de direito (2005. você deve ter conhecimentos dos princípios Processo. Identificar os sujeitos. ambos com as 43 peculiaridades que lhes competem. seus pressupostos e modalidades.100) e no agir exercido perante os juizes e tribunais. invocando a Código de Processo Penal (art. Explicar a diferença entre jurisdição e competência. portanto. Conceito Como estudamos na disciplina Introdução ao Estudo do Direito. 263) conceitua que: Se o Estado aboliu a vingança privada como forma de composição de litigio e avocou o monopólio da administração da justiça. a Ação Penal p. informadores do Direito Processual Penal. apresentaremos os procedimentos e os meios de prova pertinentes a nossa disciplina. você seja capaz de: • • Classificar a Ação Penal. Discutiremos os conceitos e as diferenças entre jurisdição e competência. as provas e procedimentos processuais pertinentes ao Direito Processual Penal. Por fim. 24 ao 30). Pré-requisitos Para mellhor endenter este tema. . que assim considera: está prevista no Codigo Ação Penal pode ser conceituada como o direito de Penal (art. penal. suas modalidades e os requisitos de cada espécie. reler os princípios gerais que você estudou em Teoria Geral do Introdução Caro aluno. Aconselhamos a você. uma vez que é vedado a autotutela e a autocomposição. bem como as formas de incidentes processuais. ao final desta aula. Tourinho Filho (1986. p. neste tema você estudará a Ação Penal.

dentro do Processo Penal. inciso XXXV da C. no reconhecimento. I do CPP. Ou seja. estudamos que a demanda jurisdiconal requer condições genéricas da ação. b) direito público. que na esfera criminal. exigidos por lei. 98). assim como dispõe o art.F). cabível em qualquer procedimento jurisdional. dentro do processo penal. que se divide em legitimação ordinária que compete aos membros do Ministerio Público. de da 1 – Condições genéricas da Ação No primeiro periodo. definido como crime. 5º.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS pretenção jurisdiconal. e d) direito abstrato. 2006. 43. em abstrato. podendo o demandante exercê-lo sem que exerça o direito material (CAPEZ. Condições da Ação Penal • 1 – Condições genéricas • • 2 – Condições Especificas da Ação Penal • a possibilidade jurídica do pedido a legitimidade da ação interesse de agir Condição procedibilidade Ação Penal. é a legitimidade de iniciar a ação. pois é dirigido sempre ao Estado – Juisdição. leva mais em conta os fatos narrados. Assim temos que a Ação Penal é o direito-dever do demandante de requerer ao Estado-Jurisdição a prestação jurisdicional da tutela de direito violado ou ameaçado de ser violado. p. a possibilidade jurídica do pedido. A Possibilidade jurídica do pedido. é a existência da pretensão punitiva do Estado. São elas a possibilidade jurídica do pedido. 2001. c) direito autonômo. se aquela conduta constitui ou não crime (CAPEZ. 113). Tem a Ação Penal como característica ser: a) direito subjetivo. tendo o querelante legitimidade extraordinaria 44 . p. A legitimidade da ação. na disciplina Teoria Geral do Processo. porque o direito de postular ação é inerente a todas as pessoas (art. a legitimidade da ação e o interesse de agir. Condição da Ação Penal As condições da ação são os requisitos mínimos. pois não se confunde com o direito material. para que o indivíduo possa requerer a tutela jurisdicional. exige como condição positiva a evidência de um fato típico e antijurídico.

que a Ação Penal Pública é a regra geral. temos as condições específicas da ação. a ação penal pública incondiconada (tipo geral) será observada pelo critério da exclusão. que também são chamadas pela doutrina como condições de procedibilidade da ação penal. que se caracteriza na qualidade do sujeito que detém a titulariedade de demandar a ação penal (CAPEZ . Direito Público 2. 2 . p. A natureza dessa divisão está dentro dos seguintes pressupostos: 1 -legitimidade ordinária e extraordinária de demandar a ação. 2 – Condições específica da Ação Penal Na esfera do Direito Processual Penal. sendo a ação privada uma exceção.o tipo penal. p. 114). p. 113). quando estudaremos a ação penal. afirma ser uma divisão subjetiva da ação. 2006. 24 do CPP). ao exemplificar essa divisão. p. onde não houver qualquer menção no tipo penal. 2006. como deve ser proposta a 45 .114). Classificação da Ação Penal Para melhor entendermos como funciona a Ação Penal. que se amolda ao tipo de ação que deve ser proposta (CAPEZ. 2006.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS (CAPEZ. em tópico posterior. e sua natureza jurídica é exclusivamente pública. 98) Para melhor visualizarmos essa classificação. Capez. o que somente pode ser feito pelas vias jurisdionais(CAPEZ. é necessário dividirmos em duas esferas de procedibilidade a demanda da ação. Direito Privado Ação Penal Pública Incondicionada Ação Penal Pública Condicionada Ação Penal Exclusivamente Privada Ação Penal Privada Subsidiária Pública. 2001. é a condição do impulso inicial da demanada penal. ou seja. observem o esquema abaixo: Vamos exemplificar? Classificação da ação 1. Assim. sendo que. o autor ainda afirma que deve-se visualizar que a Ação Penal se classifica em quatro espécies (estudaremos seus conceitos em tópico posterior). e dependendo desses tipos. que a dispõe. ela somente se iniciará mediante a condição de procedebilidade do responsável legal pela a Ação Penal. Iremos discutir sobre esse legitimação. Lembrando que a Ação Penal é de competencia do Estado-Jurisdição. Para melhor entedermos essas condições. da Dispõe o CPP (art. O interesse de agir compreende a necessidade e utilidade de punir o infrator.

compete exclusivamente ao Ministério Publico. 100. Define tal princípio que a ação penal Oficialidade Indivisíbilidade Intranscedência: Obrigatóriedade: 46 . o membro do Ministério Público não pode mais desistir da ação. p. não dependendo de qualquer manifestação do ofendido ou de outrem. tem a forma geral da Ação Penal. 2000. como afirma o autor. por exelência. Essa legitimação dentro do Processo penal é a chamda legitimação ordinária. seja ela na modalidade de incondicionada ou condicionada a representação. é uma subespecie do princípio perssonalíssimo do Direito Penal. toda Ação Penal é pública. Apenas a existência do crime. Em regra geral. 24 do CPP e do art. O orgão do MP. uma vez que somente ao Estado-jurisdição compete a demanda penal (MIRABETE. não há que se falar em decadência na ação penal publica incondicionada. que é responsável pela oferecimento da denúncia. Segundo entendimento do STF. 100. por exclusão será ela Ação Penal Pública Incondicionada (MIRABETE. Levando-se em conta a natureza do crime. Essa ação. 1 – Ação de direito público Incondicionada a Ação Penal porque não depende de qualquer condição de procedibilidade para ser proposta pelo Ministério Público. é público e oficial. caput do CP). Nos termos do art. como define a lei. 125). 1º parte do CPP e art. A Ação Penal deve abranger a todos aqueles que cometeram o crime (art. caput. Quanto aos seus princípios. A Ação Penal somente poderá ser proposta contra a pessoa que praticou o crime. sendo que na ausência de especificação da ação no tipo penal. 2000. 2000.1 – Ação Penal Publica Incondicionada: Vem disciplinada no art. do CP. a ação sempre será pública incondicionada (art. 104 do CP. a Ação Penal Pública se classifica em: 1. 125). 126). p. A titulariedade desta modalidade de ação. 48 do CPP). e tem por princípio a existência de provas suficientes do crime. não sendo ela condicionada a qualquer termo (MIRABETE. meio em que o crime e a pena somente poderá ser imputada ao infrator do tipo penal.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Ação Penal. 24. a Ação Penal é: Principios da Ação Penal Pública Indisponibilidade Uma vez oferecida a ação. a Ação Penal Pública inicia-se com o oferecimento da denúncia. p.

104 do CPP). p 104 a 106). tema 05. dispostos nos casos em que o tipo penal determina que a ação somente se procede mediante representação. (ver sobre crime continuado no tema 04. O texto da lei. 448). a representação será irretratável (art. 2006. dispõe que a representação poderá ser escrita ou verbal. 2001. por ser ela condicionada a atos de outrem. que deve ser taxativamente especificada no tipo penal. 1. Portanto. se entender já ter provas suficientes que o habilite máximo Direito Penal. dispõee a lei que ela depende de representação do ofendido (ou do representante legal) ou requisição do Ministro da Justiça para que seja demandada. § 5º do CPP). 4º e 5º do CPP). Depois de oferecida a denúncia. . paragrafos 3º. p. oferencendo a denúncia no prazo de punibilidade em de quinze dias. A condição de procedibilidade siginifica dizer que a ação depende de prévia provocação do interessado. 71 do b)requerer a decretação da extinção da punibilidade. poderá Estudaremos a extinção esse dispensar o inquérito policial.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS pública é obrigatória quando presentes provas suficientes da materialização do tipo penal (CAPEZ. p.Ação Penal Publica Condicionada: A outra modalidade de Ação Penal Pública é a condicionada. ou ao Ministério Público ou ao Juiz (art. 39. promover a ação (art. 39 do CPP. no art. Representação do ofendido ou do seu representante legal (NUCCI. quando a representação for dirigida ao Ministério Público. 39. Sendo a representação dirigida a autoridade policial. deve ser contado em relação ao d)ou requerer mais informações para o oferecimento da denúncia (CAPEZ. Embora essa ação seja de competência exclusiva do Ministério Público. 2005. conhecimento da autoria de cada um deles 126). Essa é a condição de procedibilidade da ação. pessoalmente ou por meio da procuração. após receber a representação pode proceder das seguintes formas: Nos crimes a)oferecer a denúncia. continuados e permanetes (art.2 . Ao Ministério Público. meio em que ela pode ser : Condições de procedibilidade da Ação Penal Pública Condicionada Requesição do Ministro da Justiça: Nos crimes contra a honra do Presidente da República ou chefe de governo estrangeiro e para a persecução de crimes praticados no estrangeiro contra brasileiros. CP) o prazo decadencial c)requerer o arquivamento. concursos de crimes do caderno de 47 estudo de Direito Penal).

38 do CPP) Quando a ação depende da condição da representação. para que possam servir à apuração do fato criminoso e de sua autoria.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Quanto ao requisitos que devem constar a representação (art. Quando a representação depender de requisição do Ministério da Justiça. são prazos decadenciais. 164) afirma: A representação deve conter todas as informações possíveis. O que interessa não é a forma. 2000. o prazo de representação do ofendido e do seu presentante legal são diferentes (MIRABETE.. seu representante legal ou procurador com poderes especiais manifeste o desejo de instaurar contra o autor do delito o competente procedimento criminal. p. tal. e contra o menor. p. essa não se reveste de nenhuma forma especial. pode ser exercido independemente pelo ofendido ou por seu representante legal. ou remeter à autoridade policial para que seja instaurado o inquerito policial. É de suma importância ressaltar. partir do conhecimento do fato. praticado contra menor de discricionário? É ato não a dezoito anos. se tiver provas suficientes para Penal. p. o que leva a conclusão que os prazo são contados separadamente (MIRABETE. 48 .)a juriprudência se firmou no sentido de a representação não exige forma especial. a requisição é diretamente direcionada ao Ministério de Direito estudos Público. deixado a critério do Estudaremos sobre a prescrição do crime no tema 05 do Caderno de Segundo a lei. domingos ou férias. Mirabete (2001. que o prazo decadencial de representação. p. 2000. A Súmula 594 do STF dispõe que o prazo é duplo. 127). 160). 160-161). (. 2000. § 2º do CPP). no prazo de 6 (seis) meses contados do dia em que o ofendido (ou seu representante legal). que poderá oferecer a denúncia. declarações da vítima ou de seu representante legal etc. O que é ato O prazo na ação penal pública condicionada. a instauração do inquérito policial. como por exemplo. não correrá quando o ofendido for menor de 18 anos. em consonância com o artigo 10 do CP. somente começa a correr o postulante. decadencial e fatal. 39. Prazo de representação (art. contando-se os seis meses do prazo decadencial. podendo servir para isso até o boletim de ocorrência. e não se prorrogam em face de feriados. essa é taxativamente prevista em lei. não admitindo interrupção ou suspensão pelos atos preliminares à denúncia. Afirma o autor que esse prazo é continuo. Para que seja válida a representação. 2000. 103 do CP e art. prazo a partir do momento em que ele completar dezoito anos de idade. tomou conhecimento de quem é o autor do crime(MIRABETE. p. sendo a requisição um ato administrativo discricionário e irretratável (MIRABETE. 156). mas os indícios dos crimes praticados e o prazo decadencial que deve ser observado. A partir do conhecimento do autor do crime. Nessa hipótese. e na ação penal privada. bastando que o ofendido. essa deve ser feita como condição de procedimento da ação penal. ou seja.. o prazo do representante legal desse menor começa a contarlimitado pela lei.

que no Direito Processual Penal. 9. nos casos específicos. Súmula 608 do STF: nos crimes de estupro cometidos com violência real a ação penal também é pública incondicionada. . 225. 223 e seu § único). 216 do CP). 2 – Ação Penal Privado Já vimos. 225. caput do CP). o art.099/95. 214 do CP). § 1º e o art. a requisição poderá ser feita (MIRABETE. acima citada. . inicialmente. a declaração de pobreza não depende de qualquer formalidade. que. p.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Quanto ao prazo.A do CP). Preste atenção Devemos observar uma exceção trazida pela lei. 49 . 810). 218 do CP). § 2º Nos casos do inciso I. os crimes serão de direito públicos quando: Art. quais os crimes tem por natureza a Ação Penal Pública Condicionada? Comentário da questão: Ao analisar a Lei. 213 do CP). em que a vítima não pode prover a ação sem prejuízos dos recursos necessários a sua manutenção ou da sua família. p.estupro (art. a ação do Ministério Público depende de representação Os crimes contra os costumes estão tipificados da seguinte forma: . -corrupção de menores (art.215 do CP) -atentado ao pudor mediante fraude (art. a ação é pública incondicionada (NUCCI. em regra. definem que. 88. a lei relatada. a vítima ou seu representante legal apenas declare sua situação. Ação Pública Incondicionada II – Se o crime é cometido com o abuso do pátrio poder. que enumera as figuras tipicas do crime que dependem de representação. toda ação. Assim também nos crimes de estupro e atentado violento ao pudor que resultar lesão corporal grave ou morte (art. 127). ou da qualidade de padrasto. Pare e Pense 1)Observe na Lei nº. -assédio sexual (art. 2005. 2000. enquanto o crime não prescrever. Nos crimes contra os costumes. são de natureza privada (art. 223 do CP. bastando que para tal. quanto aos crimes contra os costumes.atentado violento ao pudor (art. § 1º e art. é pública e que a ação privada seria uma exceção a regra. sem privar-se de recursos indispensáveis à manutenção própria ou da sua família. 216. 223 do Código Penal Ação Pública Condiconada I – se a vítima e seus pais não podem prover às despesas do processo. tutor ou curador. em regra geral. 225. observem o art.posse mediante fraude (art. No entanto.

de Impressa. do trânsito em julgado da sentença anulatória Encontra-se disposto no art. No artigo 236 do CP (Induzimento a erro O direito de acusar. que tem sendo que ao excer o direito a queixa por prazo decadencial contra qualquer dos autores do crime. Na Ação Penal Privada. Ação privada personalíssima: somente pode ser intentada pelo ofendido. Atenção! Quanto aos seus tipos. Cabendo o Ministério pratica do data da Público velar pelo aditamento da crime. Diferente do principio da obrigatoriedade da Ação Penal Pública. quando verificar que a ção somente foi proposta contra alguns. ou seja. a ação se diz pública. a lei classifica ação penal privada subdivide-se em: Ação Penal exclusivamente privada. 48 do do casamento. tem como requsisito Princípio da disponibilidade: Princípio da indivisibilidade: Princípio da intranscedência: 50 . em que o pemanecendo o direito de punir. e da lei CPP. p. pela disponibilidade de querer ou não promover a demanda penal contra o ofensor. Privada. por ser o interesse penal eminentemente privado. essa ação possibilita que a vítima ou seu representante legal demande diretamente com ação penal. Assegura que a ação penal jamais irá além da pessoa do infrator. ao se inicia na data prazo Estado. citada em tópicos anteriores. é a chamada legitimação extraordinária. na legitimidade para agir. Se é o órgão do Ministério Público quem deve promovê-la. Assim como a ação penal pública a ação privada propriamente dita também rege-se pelo seguintes princípios: Princípios da Ação Penal Exclusivamente Privada Princípio da conveniência: oportunidade ou Define-se pela faculdade de inicar ou não a ação penal. que desde que presentes o pressupostos legais o Ministério Público terá que denunciar o crime praticado.1 – Ação Penal exclusivamente privada: Autorizada por lei. se a iniativa couber ao ofendido ou a quem legalmente o represente. única e exclusivamente. passa à vítima do essencial e acultação de crime ou a seu representante legal. o Estado transfere ao particular o direito de acusação. impedimento). 2. em pública e privada. 367) tece as seguintes considerações ao classificar a Ação Penal. uma vez que a sanção penal.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Tourinho Filho (1986. por meio do oferecimento da queixa-crime. Vejamos: A distinção que se faz entre ação penal pública e ação penal privada descansa. a três meses contados da todos se estendem. e não contra todos os que praticaram o crime. e Ação penal privada subsidiária da pública. ação.

EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS fundamental ser personalíssimo ao agente do fato tipico e antijurídico. sendo o seu exercício vedade até mesmo ao seu mais ocorrer a renúncia representante legal. o prazo recomeça a contar para as pessoas enumeradas nos artigos anteriormente mencionados (art. a legitimidade para o oferecimento da queixa passa as pessoas enumeradas no art. sendo que na omissão dos mais próximos. inexistindo ainda a sucessão por morte e sim a perempção ou o ou ausência. tópicos estes vitude da menor idade. salvo nos casos do crime em que o seu próprio tipo legal define como outro prazo especial. Prazo da Ação Penal Privada Como regra geral. 100. nos compete observar alguns pressupostos. temos as antes de propor a Ação Penal Privada Personalíssima. uma vez que a lei fala em exercer o direito de queixa. haja vista a caderno de Estudos de Direito penal (tema 05). 51 . quais sejam: • Se o ofendido veio a falecer depois dos seis meses que tenha tomado conhecimento do autor do crime. não poderá ofendido. queixa-crime na ação penal privada. seja em razão de enfermidade que estudaremos no mental. descendentes ou irmão. E importante ressaltarmos que se o ofendido vem a morrer antes de oferecer a queixa-crime. O oferecimento da queixa-crime já impede a decadência. segundo Capez (2001. 121). O prazo de oferecimento da queixa deve ser o de apresentação em juizo. o prazo já decaiu. 31 do CPP e art. Para que: afirma desistir da ação após a Sua titularidade é atribuida única e exclusivamente ao propositura. 2001. tomou conhecimento de quem é o autor do crime.. 31 do CPP e art. Para renunciar o direito de ação penal privada. e não ofereceu a queixa-crime.)No caso do ofendido incapaz. não se resvalando que a mesma deve ser recebida pelo juiz. não bastando apenas a notícia do crime. que são o cônjuge. • Se o ofendido tinha conhecimento da autoria do crime. No entanto. p. ascedentes. que. § 4º do CP. § 4º do CP). a queixa não poderá ser exercida. 120 e 121) No tipo penal. mas dentro dos três meses decadenciais restantes veio a falecer. o direito de Ação Penal Privada deverá ser exercido no prazo de seis meses contados do dia em que o ofendido (ou seu representante legal).. assumem a titularidade os mais remotos. pelo simples protocolo da ação. taxativamente a lei expõe com os seguinte dizeres: “somente se procede mediante queixa”. 100. o querelante deve fazê-lo Como subespecie da Ação Penal exlusivamente privada . (CAPEZ. quando a ação é privada. sendo esse rol seqüêncialmente disposto. seja em perdão. como no caso da representação (Ação Penal Pública condicionada).(. sem ter oferecido a queixa-crime. p.

[Neste tipo de ação]resta ao ofendido apenas aguardar a cessação da sua incapacidade. 449) expõe que: Trata-se de autorização constitucional (. admissivel apenas na Ação Penal Privada. a renúncia somente é admissível na Ação Penal Privada.) possibilitando O prazo que a vitima ou seu representante legal ingresse. Ou seja. [sendo que]a decadência não corre contra o [incapaz].. deixar de propor a denúncia. obrigará ao processo de todos. com ação penal. 5º. 22 da Lei nº. Voltaremos a discutir sobre a renúncia em tópico apropriado no caderno de estudos de Direito Penal (MIRABETE. p. é de 3 publica. 2000. deve demandar contra todos os responsável pelo crime. a uma legitimidade extraordinaria que garante ao ofendido o direito de interpor a ação. 2. LIX da CF). 6.368/76) A Ação Penal privada subsidiária da pública é uma forma de exceção em que a legitimidade para interpor a ação passa da forma ordinária. quando o ofendido promover a ação penal. a todos se estendem. que concedido a um dos infratores pelo crime. do Ministério Público. quando exercido contra qualquer dos autores do crime. desde que todos venham a aceitar o perdão concedido.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS incapacidade processual do ofendido e a impossibilidade de o direito ser manejado por representante legal ou por curado especial nomeado pelo juiz [em razão do tipo privado e personalissimo da ação]. Assim. nos casos de ação de entorpecentes ou drogas afins. deixa de fazê-lo no prazo legal.(tema 05: da Extinção da Punibilidade). não exluirá o direito de queixa do seu representante legal (art. Outra forma de extinção da punibilidade. por inércia do Ministério Público. a renuncia de um dos querelantes não se estende aos demais ofendidos pelo crime. temos que a renúncia do representante legal não impede que o ofendido seja privado do direito de queixa.. 52 . sendo seu excercicio e sua válidade inerente apenas a pessoa que renunciou. 29 do CPP): Dispõe a lei que a Ação Privada Subsidiária da Pública é uma possibilidade de se ajuizar a ação privada quando. Portanto. quando na inercia do MP. nos retrata que o direito de queixa.2 – Ação Penal Privada subsidiária da pública (art. por ser a ato pessoal do querelante. quando o Ministerio Público. sendo que a renúncia contra um a todos se estendem (art. dias (art. 50. é o perdão do ofendido. 212). parágrafo único do CPP). 49 do CPP). para oferecer a denúncia diretamente. através do oferecimento da na hipotese de crimes queixa. Trata-se de exceção a regra de titularidade da Ação Penal Pública (art. Renúncia e o perdão do ofendido O texto da lei. assim como a renúncia do ofendido (quando menor de dezoito anos). p. no prazo legal. Neste contexto. (2005. Nucci.

é porque a Ação Penal é Pública condicionada. 15 dias (quinze): se o agente do crime estiver em liberdade. Ex: a) Ação Penal Pública Incondicionada: Art. 2000. oferecendo elementos de prova. 2001. para o oferecimento da denúncia e. é porque a Ação Penal é Pública Incondicionada. 140). A denúncia e a queixa-crime 53 . Atenção! Evidentemente que quando o parquet requer o arquivamento da ação. salvo se demostrar novas provas (art. Com o oferecimento da queixa-crime. o Ministério público poderá aceitar a ação. caput do CP (homicídio simples). oferecendo nova ação substitutiva. para que o ofendido possa propor Ação Penal Privada Subsidiária da pública (MIRABETE. ou seja. e esse arquivamente é despachado pelo Juiz. dá-se uma forma supletiva de iniciar a ação penal. Comentário da questão: devem observar o que diz o tipo penal. p.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Prazo Em regra geral. podendo ainda inteferir em todos os termos do processo. 143) Pare e Pense 1) Faça uma pesquisa na parte especial do Código Penal. o prazo para que o agente do Ministério Publico ofereça a denúncia. ou até mesmo repudiá-la. contado a partir do inércia do Ministério Público. p. É por exclusão. ou não pedindo arquivamento. não poderá o ofendido inicar uma Ação Privada subsidiária da pública. 15 do CPP e Súmula 524 do STF). quando o tipo penal nada dispõe. será a Ação Privada. salvo algumas exceções. • Assim temos que o Ministério Público tem o prazo determinado por lei. após receber a representação. para cada tipo de Ação Penal. como um litisconsorte. não fazendo. 121. aditá-la. reconhecendo duas espécies de crimes. ou ate mesmo interpondo recursos (MIRABETE. se dispõe que a ação somente se procede mediante queixa. após a representação do ofendido é: • 5 dias (cinco): se o agente do crime estiver preso. abre novamente o prazo decadencial de seis meses. No entanto se o tipo penal expõe que a ação somente se procede mediante a representação.

Elemento essencial para a qualificação do acusador. Como peças iniciais acusatórias. peça acusatória inicial da ação penal privada. Considera Avena (2005. ou o fornecer dados que possam identificá-lo. 41 do CPP estabelece os requisitos formais que por advogado com poderes especiais. A denuncia é a peça acusatória inaugural da ação penal pública (incondicionada ou condicionada)(. profissão etc.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Ao conceituar as peças. de iniciação da Ação Penal. com a manifestação expressa da vontade de que se aplique a lei penal a quem é presumidamente seu autor e a indicação das provas em que se alicerça a pretensão punitiva. f) o endereçamento da petição. devem cumprir os requisitos formais expostos em lei (art. quer dizer nome. em tese.). estado civil. São as pessoas que possam comprovar o fato relatado e as circunstâncias do crime. e) pedido de condenação. essa deve ser ajuizada O art. dois são essenciais e dois são acidentais: 54 . A denominação do juízo a que é dirigida à peça inicial. as qualificadoras etc. o pedido de condenação poderá vir expresso ou ate mesmo implícito na peça. 41 do Código de Processo Penal a) descrição do fato em todas as suas circunstâncias. o rol de testemunha é facultativo. Inépcia: inaptidão processual por faltar requisitos fundamentais da peça processual. p. Pela disposição legal. com todas as suas peculiaridades. É a classificação do crime imputado ao fato relatado. “quando necessário”. d) rol de testemunhas. como por exemplo. É a exposição do fato dito como criminoso com todas as suas minúcias e características. consistente em uma exposição por escrito de fatos que constituem. sobrenome. c) classificação jurídica do fato. b) qualificação do acusado ou fornecimento de dados que possibilitem sua identificação. especialmente a denúncia e a queixa-crime. p. g) o nome. a queixa. classificando o crime. (CAPEZ. quais sejam: Art. Assim temos que tanto a denúncia como a queixa-crime são as peças iniciais da ação. salvo se falta legitimidade para propor a causa. Por esta o juízo vinculado até pedido da peça acusatória. daí vem o termo da lei.. 127) assim define: Peça acusatória iniciadora da ação penal. cargo e posição funcional do denunciante e assinatura. Capez (2001. p. Qualificação do acusado. ilícito penal. 2006. No entanto a classificação incorreta do tipo penal não torna a denuncia ou a queixa inepta. deverão estar presentes na denúncia e na queixa-crime. 146 – 150). 69) que: Tratando de queixacrime. 41 do CPP).. Dentre os mencionados.

Juízo de deliberação: quando é feito analise do mérito da causa. que é chamado de juizo de preliberação. e quando não-recebe ou rejeita a peça acusatória inicial. o motivo que ensejou. trata-se de elemento essencial (.. 69) Quando proposta a peça inicial.) e a qualificação do acusado ou elemento que possa identificá-lo também é elemento essencial (. Ocorrendo algumas das causas de extinção da punibilidade. 107 do CP. [Elementos acidentais] A classificação do crime. Estudamos no topico de ação penal que. No entando quando houver dúvidas sobre a aplicação ou não da extinção da punibilidade. a ação será rejeitada. (AVENA. 41 do CPP. 43 do CPP.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Neste rol de interpretação da norma proposto pelo Avena. e na comprovação da extinção da punição. reputa-se quando o fato foi praticado. Assim temos que o fato descrito deve ser previsto no tipo penal. quando presentes os pressupostos do art. Trata-se de um mero juizo de admissíbilidade. o modo etc (. a legitimidade para propor a II – já estiver extinta a punibilidade pela prescrição ou outra causa. poderá aceitar ou não a inicial.. quem praticou. Quando a peça inicicial for aceita. ou faltar condição 55 . sem analise da causa. a qualquer tempo por meio do aditamento. 2005. onde ocorreu. ou seja.. [Elementos essencias] A descrição do fato como todas as suas circuntâncias. e disposta no seu caderno de estudos de Direito penal (tema 05). 43 do Código de Processo Penal: a denúncia ou queixa será rejeitada: I – o fato narrado evidentemente não constitui crime. p. não protegido por nenhuma excludente de ilicitude. devido ao tipo do crime. chamamos de despacho liminar positivo.. que estudamos ser um fato tipico e antijurídico. a qualquer tempo o juiz poderá declará-la. [uma vez que] eventual equivoco [no tipo penal] não acarreta qualquer nulidade da denúncia ou da queixa. quando ausentes os requisitos do art. III – for manifesta a ilegalidade da parte. e o ato deve ser ilícito. podendo ser corrigida.. Será rejeitada quando o fato que for descrito na peça acusatória for atipico. apenas analisa se estão presentes os requisitos essências e os materiais do art. qual seja: Art. enumeradas no art. os meios utilizados.. 41 e da 43 do CPP.) mínimo de requisitos que possa individualizar o acusado. ao verificar se estão presentes os requisitos do art.) como cirscunstância obrigatoria. o juiz deverá receber a inicial. e o rol de testemunhas. que ausente não causa qualquer vício. chamamos de despacho liminar negativo. 43 do CPP. que foi mencionado no quadro acima. podemos destacar os elementosna seguintes formas: Juízo de preliberação: mero juízo de admissibilidade ou não da peça acusatória. A denúncia e a queixa poderão deixar de ser recebidas. o juiz. por ser inépta em elementos fundamentais. ou então poderá ser rejeitada. não se constituir como crime.

91. I do CP). ao seu representante legal ou aos herdeiros daqueles o direito de executar no cível a sentença penal condenatória transitada em julgado. A rejeição se dá por razões materiais. (CAPEZ. I da Constituição Federal. o direito penal. com embasamento legal. A denúncia e a Queixa-Crime. que assegura ao ofendido. visando à completa erradicação dos efeitos do delito.) e faz coisa julgada formal e material. desde que promovida por parte legítima ou satisfeita a condição. além dos requisitos essencias.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS exigida pela lei para o exercicio da ação penal ação poderá ser ordinária (Ação Penal Pública) sendo que o legitimado a propô-la é o Ministério Público. p. 26 do CPP. como peças acusatórias iniciais. 63 do CPP.. Em outras palavras. O não recebimento de decisão faz coisa julgada apenas formal (.. ao analisar o despacho liminar negativo.. seu representante legal. 41 do CPP. com a nomeclatura devida. tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime (art. podendo o juiz recebê-la. Capez (2001. Ação Civil Ex Delicto Disposta no art. desde que a ação. § único: nos casos da inciso III. a rejeição da denúncia ou da queixa não obstará ao exercício da ação penal. assim como o art. 154 – 157) Avena (2005. 56 . Comentário da questão: para responder esse questionamento. o qual é seguido na mesma linha pelo art. é a execução. sendo legitima a parte ofendida. 63 do CPP. 71). p. 2)Qual a diferença entre rejeição e não recebimento?. assim como a legitmidade poderá ser extraordinária (Ação Penal Privada). 41 e art. como efeito extrapenal da sentença condenatória. 2006. incompreensível ou estiverem ausentes aqueles requisitos essenciais (.). tem pressupostos formais e materiais (elencados no art. não será recebida a peça acusatória quando se apresentar formalmente imperfeita. com objetivo de reparar o dano causado ao ofendido ou seus herdeiros. O parágrafo unico deste artigo expõe que a nomeclatura que se dá à ação não é sufiente para a sua rejeição. expõe: O não recebimento da denúncia ou da queixa é decisão que se lastreia em motivos formais.. seja proposto pela parte legítima.). enumerados no art. p. prevê. 142) conceitua a Ação Civil ex delicto como: Conquanto independentes as responsabilidades civil e criminal. observe o art. a Ação civil pelo delito cometido.. 129.43 do CPP) a serem observados na propositura da demanda penal. no juízo cível. motivos relacionados ao fato descrito (. Pare e Pense 1)O juiz poderá instaurar a ação penal de oficio? Justifique sua resposta.. Justifique sua resposta.

ressarcimento. Propor ação de execução. A sentença na esfera penal funciona como titulo executivo judicial. no juízo cível. onde a coisa (furtada. seu representante legal. (BARROS. 63 do CPP e art. a sentença penal condenatória transitada em julgado.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS A decisão condenatória na esfera penal torna certa a obrigação de reparar o dano pela prática do crime. causado ao particular. Portanto. A restituição pode não satisfazer completamente o dano causa. quando o dano não tem caráter patrimonial. 436) à pena E essa satisfação do dano causado. Desta forma temos que a satisfação do dano. da sentença penal condenatória. p.) será devolvida ao proprietário do bem. Encontra-se disposto no art. pode se dar pela forma de “restituição. na esfera civil. 91 do CP que a Ação Civil Ex Delicto é uma possibilidade de executar. como uma forma de liquidação de sentença. p. A indenização que é o compensação do Estado. na esfera cível. 2001. nos crimes contra o patrimônio. quando o dano causado não pode ser estimado em dinheiro. roubada etc. 2005. para Mirabete (2001. por não cobrir os prejuízos causados ao ofendido pelo tempo que ficou privado do bem. 232 a 234). ou os herdeiros daquele dispõem de duas medidas para a satisfação do dano sofrido: • • Interpor ação de conhecimento no juízo cível. 232 a 234). pode assim ser entendida: Modalidades de satisfação na esfera cível I – Restituição Essa modalidade se dá. Assim temos que o ofendido. que possibilita 57 . sendo a ressarcimento o pagamento de todo o prejuízo causado. do réu b) a obrigação que lhe advém de reparar o dano causado. È uma forma de compensação do dano moral. meio de ao dano II – Ressarcimento III – Reparação IV – Indenização (MIRABETE. reparação do dano ou indenização”. p. do mesmo fato que constitui o delito resulta duas conseqüências: a) a sujeição correspondente.

32. em regra. quando o ofendido for pessoa pobre (art. As excludentes de ilicitude (Tema 03 do Caderno de estudos de Direito Penal). 65: faz coisa julgada no cível a sentença penal que reconhecer ter sido o ato praticado em estado de necessidade. bastando que se promova a liquidação do dano causado pela prática do crime. pelo seu representante legal. A responsabilidade civil. Ou seja. meio em que a ação civil de conhecimento fica suspensa (por prazo não superior a um ano art. 64. parágrafo único do CPP. O herdeiro somente poderá propor a ação civil. Como forma de satisfação pelo dano causado. 65. as excludentes de antijuridicidade ou de ilicitude. em legítima defesa. seu representante legal e herdeiros (MIRABETE. Quando propostas a ação civil de conhecimento e concomitantemente a ação penal. a. parágrafos 1º e 2º do CPP). IV. 2º parte. 68 do CPP). do CPP. do CPC). meio em que poderá ser proposta contra o ofendido. em estrito cumprimento do dever legal ou no exercício regular do direito. 64. ao Ministério Público. do CPP. contra o autor do crime e. 58 . com a morte do ofendido. afirma que a “ação para ressarcimento do dano poderá ser proposta no juízo cível. que: Art. podendo propor a ação civil ou de execução civil. O art. No entanto.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS ao ofendido propor a demanda cível sem necessidade da ação de conhecimento. em regra. é independente da responsabilidade penal. Legitima a lei. na esfera penal. algumas exceções existem a respeito da separação das responsabilidades das ações penais e cíveis. até o julgamento definitivo da ação penal. que não faz coisa julgada na esfera cível. imputação personalíssima ao condenado pelo fato típico e antijurídico. 2000. 235). se for o caso. • Legitimidade passiva: ao estudarmos ação penal. contra o responsável civil”. e sendo incapaz. por existirem peculiaridades neste. a Ação Civil Ex Delicto tem algumas peculiaridades quanto a sua legitimação ativa e passiva: • Legitimidade ativa: em principio a ação civil deve ser proposta pelo ofendido. fazem coisa julgada na esfera cível. 265. discutimos que ela deve ser somente proposta contra o agente do crime. rege-se pelas normas de processo civil. por ser a sanção. quando reconhecidas. p. como deve proceder? Aplica-se o disposto no art. Expõe o art. A Ação Civil Ex Delicto. diante da importância de ordem jurídica na reparação do dano (art.

Em consonância com a orientação do artigo 386 do CPP. no entanto não tem provas materiais. Salvo terceiro de boa fé. 188 do CC). tem-se que: • A sentença que declarar a absolvição por estar provado que o fato relatado na peça inicial não existiu. 446). Ao interpretarmos a linha de raciocínio da lei. inciso I a VI do CPP. a excludente de antijuridicidade faz coisa julgada na esfera cível (art. caput. A acusação não ter prova suficiente que o réu tenha praticado o crime. Não há convencimento real para que o juiz condene o réu a pratica do crime. no entanto. no art. E a sentença penal que absolve o réu. não cabendo questionamento em ação civil de satisfação pelo dano causado. e na dúvida. não subsistindo. 26. enumera o art. qualquer dano que possa ter causado. ou seja. (BARROS. também faz coisa julgada no juízo cível? Previsto. faz coisa julgada na esfera cível. p. (As causas excludentes de culpabilidade estão dispostas no art. Em regra. não excluem a ação civil ex delicto. f) existir causas de exclusão de antijuridicidade ou da culpabilidade. Neste caso o juiz. temos que: a) Se a sentença declara que o fato relatado não existiu. d) Não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal. 929 e 930 do CC que são casos que em face de incidência de causas de exclusão de ilicitude. 59 . estão enumerados os casos de absolvição criminal: a) Estar provado a inexistência do fato. O fato narrado não ser considera como crime. O juiz reconhece na sentença penal que o fato narrado na peça inicial não existiu. um fato inexistente. exclui-se o crime. Barros. e a sentença que reconhecer as excludentes de antijuridicidade. c) Não constituir o fato infração penal. 2005. não existiu o fato típico e antijurídico (o crime). ao explicar os efeitos da coisa julgada quando reconhece as excludentes de ilicitude. e art. pode até reconhecer que o fato existiu. e) Não existir provas suficientes para a condenação. então não existiu ação ou omissão. é atípico. As causas de excludente de ilicitude estão dispostas no art. não podem ser discutidas em uma ação cível.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS quando reconhecidas na sentença penal. b) Não haver prova da existência do fato. contudo. 23 do CP e quando reconhecidas pelo juiz. combinado com o arts. 27. “beneficiase o réu”. 65 e 66 do CPP. 28. observa que devemos tomar cuidado nessa esfera. § 1º do CP). 386. 22. 21.

Assim como não impedirão a propositura na espera civil (art. parágrafo único do CPC). Não existir provas suficientes para a condenação As causas excludentes de culpabilidade Faz coisa julgada no cível Não faz coisa julgada na esfera cível A Ação Civil Ex Delicto deve ser proposta no juízo cível (art. consistente na aplicação de normas de ordem jurídica a um caso concreto. o crime deixa de existir. porque a conduta do agente foi perfeitamente aceita. ao conceituar Jurisdição. faz coisa julgada na esfera cível. Nos demais casos de absolvição. quando? a) Não constituir o fato infração penal b) As causas de excludentes de culpabilidade e ilicitude c) Absolvição por estar provado que o fato relatado na peça inicial inexistiu. afirma: É a função estatal exercida com exclusividade pelo Poder Judiciário. II – a decisão que julgar extinta a punibilidade. d) Não haver prova da existência do fato. uma vez que são independentes as responsabilidades em cada esfera de atuação. cabendo ao autor da ação. Jurisdição e Competência Capez (2001. 67 do CPP): I – o despacho de arquivamento do inquérito ou das peças de informação. p. 181). No entanto. Pare e Pense 1) A responsabilidade civil de reparar o dano causado.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS b) Quando a sentença declara que o fato típico possa ter existindo. mas que o agente agiu protegido por uma das excludentes de ilicitude. a escolha do foro (exceção prevista no art. com a conseqüente solução do 60 . Não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal. III – a sentença absolutória que decidir que o fato imputado não constitui crime. 575. IV do CPC). a sentença penal não faz coisa julgada na esfera cível. Não constituir o fato infração penal. é independente da responsabilidade criminal. Vamos exemplificar: Sentença penal Declarar a absolvição por estar provado que o fato relatado na peça inicial não existiu Reconhecer as excludentes de antijuridicidade Não haver prova da existência do fato. a sentença penal. 100.

Dentre as várias funções estatais. p. por não poder o juiz incumbir outro juiz a função jurisdicional. (.. as partes não podem recusar o juiz da demanda. por meio do processo. p. proferindo uma decisão (sentença) que deve ser cumprida. cada órgão jurisdicional somente poderá aplicar o direito dentro dos limites que lhe foram conferidos nessa distribuição. A jurisdição é a obrigatoriedade que tem o Poder Judiciário de se pronunciar. Ao falarmos dos pressupostos da jurisdição. Segundo Avena (2005. chamando em juízo todas as partes envolvidas no processo. investigar os fatos relacionados com o litígio. Improrrogabilidade. Irrenunciabilidade.) Dessa forma. 183). encontra-se a de aplicar o direito ao caso concreto para a solução de litígios. Inércia. que é uma limitação ao poder jurisdicional. a medida e o limite da jurisdição. salvo nos casos de impedimento e suspeição. a jurisdição é una. lesão ou ameaça de lesão ou de direito.. A própria Constituição Federal. A Jurisdição Penal é o poder atribuído ao Estado para resolver os conflitos entre a pretensão punitiva e o direito das partes. para que no caso concreto. possa aplicar o direito objetivo. que determina que um juiz não possa invadir a esfera de atuação de outro juízo. faz uma divisão jurisdicional quanto às justiças especiais a as justiças comuns. de acordo com o ordenamento jurídico. Tem a jurisdição como elemento. delimita como deve atuar o poder jurisdicional em razão da matéria da lide. A competência como meio limitador da jurisdição. ao fazer menção à competência. o poder de conhecer. Indeclinabilidade. do território e das funções das partes da ação. o magistrado depende de iniciativa das partes. em relação ao caso concreto. que é a autoridade que tem competência para a causa. A competência é assim. Indelegabilidade. temos a competência. aplicando a norma à pretensão das partes. 109) são pressupostos processuais para a formalização da jurisdição: • • • • • • • Juiz natural.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS litígio. Capez (2001. diferencia a jurisdição da competência em: Como poder soberano do Estado. Investidura para desempenhar a função de juiz. 61 . dentro dos quais o órgão judicial poderá dizer o direito. É o poder de julgar um caso concreto. prevendo a lei que o Poder judiciário não excluirá de sua apreciação. prover.

onde foi CP). esta. o magistrado do primeiro grau é o competente para processar quando o crime é praticado no Brasil. 69. tanto na esfera federal como na estadual. 62 . Exceções à teoria do resultado. 394 a 405 do CPP) I – Fase do processo II – Objeto do juiz III – Grau de Jurisdição I – Competência em razão do lugar Ao estudarmos a Teoria Geral do Estado. subdivide-se ainda. Espécies de Competência Na justiça comum. sendo irrelevante o local da conduta. III do CPP e a Constituição Federal). 199). 69. e julgar dentro daquela jurisdição determinada. 72 e art. a competência é determinada pelas seguintes espécies (art. II e II e arts. a teoria da enumeram três teorias a respeito: ubiqüidade (art. para fins judiciários. 73 do CPP). em justiça comum federal e justiça comum estadual. ou sendo irrelevante o lugar da produção do resultado. IV do CPP Constituição Federal). nos ocorre em país estrangeiro. está dividida em comarca ou circunscrição. c) teoria da ubiqüidade: lugar do crime é tanto o da conduta quanto o do resultado. Competência funcional (art. a justiça penal tem sua divisão em justiça penal especial e justiça penal comum. aplica-se nesse caso. 69 do CPP): Competência material I – em razão do lugar (art. 70. Capez (2001. II – em razão da matéria (art. Conduto. que a lei chama de jurisdição. Vamos exemplificar: Justiça penal especial Ex: Jurisdições políticas Justiça Eleitoral etc. 6º do a) teoria da atividade: lugar do crime é o da ação ou omissão. p. Justiça Penal comum Federal Justiça penal comum Justiça Penal comum Federal Juizados especiais de pequenas causas. mas o resultado somente Quando se determina o lugar do crime.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Na esfera penal. praticado o último ato de execução (art. vimos que unidade da Federação. III – em razão da pessoa (art. § 1º do foi b) teoria do resultado: o lugar do crime é o lugar em queCPP) produzido o resultado. 70. 69.

• Não sendo conhecido o lugar da infração. Ensina o autor que alguns casos são especiais. 72. (art. em vez do foro do resultado. § 3º do CPP. quanto à fixação da competência pelo lugar da infração. a competência também é determinada pela prevenção (art. ou os crimes de jurisdição especiais. sendo que se o réu tiver mais de um domicilio. 118 a 121 da CF). por ser duvidoso o limite entre duas comarcas. é relevante ressaltarmos que mesmo sabendo o lugar onde se consumou a infração. II . • Quando os crimes continuados ou permanentes forem praticados em varias comarcas.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS A competência pelo lugar da infração. que o lugar do crime é determinado pelo lugar da conduta do agente. 122 a 124 da CF). 70 do CPP). § 1º do CPP). em regra.Os crimes de menor potencial ofensivo (Lei nº. firmando-se a competência pela prevenção. é determinada pelo o lugar em que se consumou a infração (teoria do resultado).Crime tentado. quais sejam: • Quando não puder ser determinado o resultado. 72. nesse caso aplica-se a regra do art. 11 a 117 da CF). o querelante tem a opção de escolher o lugar do domicilio do réu. A Constituição Federal e a as Leis de Organização Judiciária dos Estados delimitam a competência em razão da matéria do delito praticado.Competência em razão da matéria Ao analisar a competência do lugar do crime. Nos casos de competência pelo domicilio do réu. que adota a teoria da atividade. que o lugar que determina a jurisdição é o lugar em que foi praticado o último ato de execução. 71 do CPP) etc. constituem assim exceções à regra geral. Quais são as Jurisdições Especiais? • • • Justiça do trabalho (art. Justiças eleitorais (art. quando a ação for exclusivamente privada. caput do CPP). é preciso posteriormente fixá-la em razão da matéria. 9. 63 . se o crime cometido compete à justiça comum ou à justiça especial. Justiça militar (art. 70.099/95. Algumas exceções a essa regra: I . a competência será firmada pelo domicilio do réu (art. art. que determinará. a competência será firmada pela prevenção (art. II . 63). se são os crimes comuns.

bem como os Ministros de Estado. segundo a norma constitucional como: Crimes de Responsabilidade estão elencados no art. I. os membros dos Tribunais de aquele sempre prevalecerá em relação e essa. os membros dos Tribunais Superiores. Crimes de responsabilidade do Presidente da Republica e o Vice-Presidente da Republica. conexos com aquele. Competência Crime e agente: • STF (art. o Procurador Geral da República e o Advogado-Geral da União. os Comandantes da Marinha do Exército e da Aeronáutica nos crimes de mesma natureza. da CF) 64 . uma conduta penal eleitoral. 1079/50. um rol meramente exemplificativo. em razão da função que exerce. Nos crimes comuns e de responsabilidade: os Quando ocorrer conflito desembargadores dos Tribunaisa prerrogativa de entre função de Justiça dos Estados e do DF. Crimes de responsabilidade os Ministros do STF. e está distribuída. • Ao Senado Federal (art. os membros do Conselho Nacional. os Ministros de Estado. I. seus ministros e o Procurador Geral da Republica. 52. é determinada à Justiça Eleitoral. os Comandantes da Marinha do Exército e da Aeronáutica (ressalvado o art.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS • Jurisdição Política (julgamento do Poder Legislativo) que somente procedem nos casos de crimes de responsabilidade praticados por determinadas autoridades. 52. por exemplo. Infrações comuns: o Presidente da Republica e o VicePresidente. I. ver nota no caderno de estudos de Direito Penal. b e c da CF): • Sobre a prerrogativa de função que gera a imunidade parlamentar. no exercício de suas funções. I da CF). por ser a jurisdição eleitoral mais específica. 105. A competência em razão da matéria. III – Competência em razão da pessoa Ao analisar a competência firmada pela função do agente do crime. Nos crimes comuns: o governador dos Estados de o DF. os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público. a. ao analisarmos. deve se observar o foro de prerrogativa de função que visa a preservar os agentes políticos. e em razão da matéria. Infrações penais comuns e de responsabilidade. os do Tribunal de Contas da União e os chefes da missão diplomática de caráter permanente. da CF) • • • STJ (art. 102. 85 da CF regulada pela Lei nº.

parágrafo único. a partir da Emenda Constitucional n. Com relação a imunidade formal. bem como os membros do Ministério Público nos crimes comuns e de responsabilidade. Observem que antes era um ato positivo de autorização.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Contas dos Estados e do DF. Contudo. da CF). isentando-o de qualquer responsabilidade penal. Quanto ao processo dos parlamentares. 413. Terminado a prerrogativa de função. o Superior Tribunal de Justiça reconheceu o A competência em razão da infração conceito geral de infração de menor Disposta no art. que muito atrasava o andamento processual. por seus votos e opiniões no exercício de suas funções. Em recentes decisões. a ação penal. que a Juizados Especiais competência recai a alguns tribunais específicos. imediatamente. Tribunais de Justiças dos Estados (art. Assim a imunidade formal não impede o oferecimento da denúncia ou seu recebimento pelo órgão judicial competente. Sobre as forma de prisão estudaremos no próximo tema. poderá sustar o processo do parlamentar. Sobre a imunidade parlamentar ver nota no tema 01 do caderno de estudos de Direito Penal. 74 da CPP. Julgar os juizes estaduais e do DF. com o advento da referida Emenda. 65 . ainda não é ponto pacifico • Competência do tribunal do Júri: crimes dolosos contra a vida. como por exemplo: Federais e Estaduais. temporária). da Lei n. O que é importante observar com competência por prerrogativa de função são as imunidades materiais e formais dos parlamentares. 35 de 2001. levando com aplicação para os sempre em conta a competência de prerrogativa de foro. excepcionalmente o congressista poderá ser preso (prisão preventiva. tem essa competência a natureza de potencial ofensivo delimitar passou a ser dado pelo o juízo em razão da natureza da infração cometida. na jurisprudência do STF. ressalvada a competência da justiça eleitoral. 2º. em que a casa legislativa do respectivo parlamentar não desejando. III. quer seja pelo fim do mandato. p. A prisão antes do trânsito em julgado somente será decretada com a autorização da casa parlamentar. civil e disciplinar enquanto no exercício da função. passará ao juízo de Primeiro grau de Jurisdição. os do TRE e os membros do ministério público que oficiem perante os tribunais. os dos TRFs. 35. por motivos justificáveis. 96. ou seja. e agora após a EC nº. como nos ensina Alexandre Moraes (2004. sem qualquer prejuízo dos atos praticados.º 10. desaparece a figura da autorização. São essas delimitações que em razão da infração cometida pelo agente. Aquela ampara o parlamentar. art. Contudo. em que havia necessidade de autorização para que o parlamentar pudesse ser processado.419) a imunidade se divide em imunidade material e imunidade formal. nos explica o autor que. antes da EC nº. 35/2001 passou a ser um ato negativo de sustação.259/01. poderá o parlamentar ser preso excepcionalmente nos casos de prisão em flagrante por crimes inafiançáveis.

deve remeter os autos ao juiz competente. 10. em razão de peculiaridades que ensejam uma desclassificação do crime. que ao desclassificar o tipo penal. quando não questionado no devido tempo. por exemplo. Prorrogação necessária: quando a própria lei obriga que seja transferida a ação a outro juízo. o réu. diverso daquele imputado. que. Desclassificação do crime Os critérios feitos para a classificação do crime. comina pena não superior a dois anos. 473): Se iniciado o processo perante um juiz. 61 da citada lei) etc. Prorrogação da Competência A Prorrogação da competência é a transferência de um juízo. a este será remetido o processo. precluindo do direito de fazê-lo posteriormente. art. 66 . p.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS • Juizados especiais criminais (Lei nº. Delegação da Competência Capez (2001. por ser competente para a ação. sempre que os atos processuais não puderem ou não tiverem de se realizar no foro originalmente competente. por se julgar incompetente para apreciar a ação. em razão do lugar. 198) ao conceituar a delegação de competência assim expõe: É a transferência da competência de um juízo para outro. Assim verificando o juiz. terá sua competência prorrogada. aos crimes de menor potencial ofensivo no âmbito federal). Segundo Francisco Dirceu BarroS (2005 p. a elemento subjetivo etc. em lugar diverso da consumação do crime. em tal caso. 2.259/01 art. No entanto.099/95): crimes de menor potencial ofensivo (contravenções e crimes que a lei comine pena máxima não superior a um ano. 221) de duas formas: 1. porém. em tempo oportuno. tornou-se incompetente para apreciar a ação. parágrafo único. segundo Capez (2006. não opõe a exceção de incompetência relativa (art. modificar a denúncia ou a queixa o tipo penal. observa-se o bem jurídico. 2º. p. Prorrogação voluntária: ocorre nos casos. podendo se dar. a outro juízo. propõe-se uma ação. 9. houver desclassificação para infração de competência de outro. 108 do CPP). Ou seja. salvo se mais graduada for à jurisdição do primeiro. a fim de verificar a sua competência em razão da natureza do mesmo. Como também os Juizados especiais criminais federais (Lei nº.

ou por várias pessoas em concursos. e segundo Capez (2006. 76 do CPP). 201). a lei divide a conexão em: Art. II. houver mais de um juiz igualmente competente”. 76 do CPP) que se subdivide em três hipóteses de conexão entre os sujeitos: Conexão intersubjetiva por simultaneidade: duas ou mais ações foram praticadas por várias pessoas reunidas. Competência por conexão Prevista no art. embora diversos o tempo e o lugar. do art. Tem o fenômeno da conexão a proposta de reunir a ação. antes mesmo da distribuição do inquérito. uma contra as outras. Conexão intersubjetiva por reciprocidade: quando o crime é praticado por várias pessoas. houver dois ou mais juizes competentes para apreciar a ação penal essa se definirá pela distribuição seqüencial. • Delegação externa Delegação interna Competência por distribuição A competência por distribuição se firma quando.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS A delegação é meio de transmitir a competência. a) • Conexão Intersubjetiva (art. 2001. 67 . b) c) • Conexão material (inciso. 221) tem as seguintes espécies: Ocorre quando os atos são praticados em juízos diferentes. na mesma circunscrição judiciária. substitutos e auxiliares. como por exemplo. a carta precatória. Assim. Ocorre quando os atos são praticados no mesmo juízo. como por exemplo. p. por várias pessoas reunidas. Conexão: dependência. existem dois ou mais juizes competentes para apreciar a ação penal. na mesma comarca. p. relação. embora diversos o tempo e o lugar. Quanto às suas formas. 76. ou por várias pessoas. 75 do CPP que “a precedência da distribuição fixará a competência quando. Conexão intersubjetiva por concurso: quando a infração for praticada por várias pessoas em concurso. 75 § único: A distribuição de inquérito policial e a decretação de medidas assecuratórias de juízo. ou para conseguir vantagem em relação a qualquer delas. nos casos de titularidades de juízos. Refere-se a meio em que um crime foi praticado para ocultar outro. fixará a competência ao juiz que for distribuído a ação. quando os crimes ou os agentes forem correlatos. torna o juiz competente para a futura ação penal (CAPEZ. uma contra as outras”. I. nexo entro duas coisas. quando. Expõe o art. do CPP que a competência por conexão ocorre quando “duas ou mais infrações. ou seja. em uma mesma circunscrição judiciária.

2000. A conexão existe quando duas ou mais infrações estiverem entrelaçadas por um vínculo. para pena mais grave. a autoridade de jurisdição prevalente deverá avocar os Art. como forma de reunião de processos. A continência. se iguais. um liame que aconselha a junção dos processos. assim como a conexão. qual é a jurisdição competente para a ação? Enumera o art. III do CPP).. em qualquer caso. p. de um sexto até metade. 70 . 78 doCPP que se. a dependência recíproca que os fatos guardam entre si. 70 do CP). assim. tem como efeito subseqüente a prorrogação necessária da competência do juízo. Ocorrendo a reunião de processos. aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou. salvo se já estiverem jurisdição comum prevalecerá a do Júri. propiciando. bem como unificar a decisão. que difere da conexão. por não ser uma forma de reunião de processos simples. o efeito de soma ou de unificação das pena. pela conexão ou pela continência. b) Neste caso. 73 do CP – Aberratio ictus) e nos casos de resultado diverso do pretendido (art. Dispõe o art. erro de execução (art.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS • Conexão probatória ou instrumental (art. 267) Capez (2001. pela conexão ou pela continência. p. Ocorre quando a prova de uma infração ou das circunstâncias elementares influi na prova de outro crime (MIRABETE. e constitui-se a competência por continência na união de processos por uma causa em que uma conduta esta contida na outra. a unidade • Preponderará a do lugar da dos processos só se infração. 68 . 78 do CPP – Reunião de processos (competência) processos que corram perante a) no concurso entre competências material do Júri e a de outro órgão da os outros juízes..) é o nexo. somente uma delas. pela conexão ou continência. A respeito do concurso formal estudaremos no tema 04 do Caderno de Estudos de Direito Penal. Sobre o concurso formal de crime. 77 do CPP que a continência está enumerada em dois casos: I – quando duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração. idênticos ou não. ulteriormente. 74 do P – Aberratio delicti). II – quando a infração for cometida nos caso de concursos formal de crimes (art. é o meio de reunião de processos com finalidade de promover a economia processual. mediante uma só ação ou omissão. 76. será da diferentes. mas aumentada. não CPP: A prorrogação de competência. forem seguinte forma: obstante a conexão ou instaurados processos casos de reunião de processo. pratica dois ou mais crimes. com sentença definitiva. Competência por continência Outra forma de prorrogação de competência necessária é a continência. ao julgador a perfeita visão do quadro probatório. Essa resposta poderá ser obtida a partir do disposto no art. 82 do Art. A conexão. à qual for cominada adará. prevalecerá nos continência. vide nota no Caderno de Estudos de Direito Penal (tema 04). 204) conceitua a conexão como: (. a fim de evitar conflitos por causas que representem situações interligadas ou únicas.Quando o agente. que estudaremos no Caderno de estudos de Direito Penal.

por prerrogativa de função. assumem algumas regras legais que devem ser observadas. 234). c) no concurso de jurisdições de diversas categorias. p. como define Capez (2006. a competência será adotada pela prevenção (que estudaremos em tópico especifico). nos casos de concursos de crimes (Concurso material. 2000. meio em que não haverá reunião de processos. qualquer das possibilidades acima elencadas. quais sejam: O Tribunal do Júri tem competência em relação à outra jurisdição. prevalecerá esta. por ser ele uma competência delimitada pela infração. Ou seja. Quando as jurisdições são da mesma categoria. da seguinte forma: • Pelo crime mais grave. ou seja. 268). eliminando as demais possibilidades. As prorrogações de competência pela reunião dos processos. Na hipótese de ocorrer “concurso entre jurisdição comum estadual e jurisdição comum federal. no Tribunal do Júri somente se processam os crimes dolosos contra a vida. Quando para a determinada ação penal for competente tanto a jurisdição comum como também competente a jurisdição especial. e) (MIRABETE.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS b) no concurso de jurisdições da mesma categoria: • Prevalecerá a do lugar em que houver ocorrido o maior número de infrações. p. d) no concurso entre a jurisdição comum e a especial. nos outros casos. meio em que somente se processam em um tribunal especializado para a ação. concurso formal e crime continuado). os autos interpostos na jurisdição comum deverão ser remetidos à jurisdição especial. esta prevalecerá em relação aquela. a competência prevalecerá no lugar em que foi cometido o maior numero de infrações. 226 e 227). esta será competente em relação àquela” (CAPEZ. alcançará ao demais acusados o mesmo foro de processo. a competência se prorrogará. Salvo exceção quando a Constituição Federal dispõe ser aquele processo de competência da jurisdição comum. quando cometido naquela determinada jurisdição. p. predominará a de maior graduação. 69 . se as respectivas penas forem de igual gravidade. • No caso de serem excluído. No concurso de crimes cometidos entre pessoas que tem foro privilegiado. • Firmar-se-á a competência pela prevenção. • Quando de igual validade a penalidade. sejam jurisdições iguais. ou seja. 2006.

soluções legais para as diversas eventualidades que podem verificar-se no processo e que devem ser solucionadas pelo juiz antes da decisão da causa. Mirabete (2001. e praticou ações a inerentes ao fato da infração. 92 a 154 trata o Código das questões incidentes. Capez (2001. distribuição de inquérito policial para a concessão ou denegação de pedido de liberdade provisória etc.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Competência por prevenção A competência por prevenção surge como meio de solução. podendo ser resolvido pelo próprio juiz criminal. que devem ser resolvidas previamente porque se ligam ao mérito da questão principal (arts. 209) exemplifica os casos de prevenção: Exemplo de prevenção: decretação da prisão. ou seja. concessão da fiança. no tempo de argüição de defesa. prefixando a competência naquele juízo que primeiro tomou conhecimento de atos relativos a ação. p. As medidas assecuratórias é necessário que esteja em curso a ação civil sobre a matéria O incidente de falsidade (MIRABETE. 70 . Questões prejudiciais Inerentes questão ao mérito da Questões facultativas. agora estudaremos as questões prejudiciais e as questões incidentais. Exceção As incompatibilidades impedimentos e prejudiciais prejudiciais Processos incidentais Meio de defesa na Ação Penal O conflito de jurisdição Para que haja suspensão do processo. 2001. p. Esses incidentes são as questões prejudiciais. quer dizem respeito ao processo. p. a Jurisdição e a Competência. seguindo a ordem do Código de Processo Penal. 92 a 94) e os processos incidentais. 319) conceitua ambas como: Nos arts. diligências de busca e apreensão no processo dos crimes contra a propriedade imaterial. pedido de explicação em juízo. com a argüição das partes no processo em tempo oportuno. Questões e processos incidentais Após discutirmos a Ação Penal. quando são competentes dois ou mais juízos a determinada ação processual. e somente se procede. 322). Qual a diferença de Questões prejudiciais e processos incidentais? Questões necessárias. em sentido estrito. Quando não observada a prevenção processual. a declaração de nulidade no processo é relativa.

Exceção Avena (2005. 125 a 144 do CPP). que não se refira ao estado civil da pessoa. até averiguação destas divergências cíveis.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS A insanidade mental do acusado As questões prejudiciais se ligam ao mérito da questão. Neste caso. o juízo criminal tem a faculdade de suspender ou não o processo (prazo determinado – art. o Ministério Público promoverá a ação civil prejudicial. tem essa sentença civil força de fazer coisa julgada na esfera penal criminal. quais sejam: I – Questões prejudiciais obrigatórias. em separado. 93 do CPP). 92 do CPP). quando tratar de ação privada. deve o querelante promover a ação civil. até que a controvérsia seja sanada na esfera cível. 145 a 148 do CPP) f) a insanidade mental do acusado (arts. p. devendo ser solucionadas antes da decisão da ação. 125 a 144 do CPP) e) o incidente de falsidade (arts. 95 do CPP. 95 a 111 do CPP). se reflete em duas formas. por não ter competência para a ação. As questões prejudiciais necessárias ou obrigatórias. Art. de outra natureza. 94 do CPP). deve suspender o processo. do processo incidental. Diversas da questão incidental obrigatória têm a questão incidental facultativa (art. por controvérsias sobre o estado civil da pessoa (art.Questões prejudiciais facultativas. o juiz criminal. perante o nosso ordenamento jurídico se classificam em: a) exceções (arts. dispõe que quando a ação penal for pública. 149 a 154 do CPP) Estudaremos cada uma destas classificações. d) as medidas assecuratórias (arts. b) as incompatibilidades e impedimentos (arts. c) o conflito de jurisdição (arts. as exceções são consideradas meios de defesa indireta. depois de transitada em julgado a sentença que reconheça a inexistência de fato constitutivo da peça inicial penal. utilizáveis 71 . necessariamente suspendem o processo. 92. Nesta espécie de incidental facultativa. Assim. que influenciará significativamente na esfera criminal. 81) conceitua a incidente de exceção como: Previstas no art. que se define por existirem divergências na esfera cível. Quanto aos efeitos das decisões na esfera civil. II . § único do CPP. Já os processos incidentais. 118 a 124 do CPP). por influir diretamente no mérito da questão principal.

São atacadas em apartado e. p. alegando os motivos. e remeterá os autos ao Tribunal a quem compete o julgamento. mandará atuar em apartado o processo incidental. pode o próprio juiz. podendo esse julgar procedente ou não. 98 do CPP). 1) suspeição 2) incompetência 3) ilegitimidade das partes • Exceção peremptória: visam a extinguir o processo. suspeitarem que o juiz. remetendo os autos ao seu substituto. devendo fazê-lo por escrito. por qualquer dos motivos enumerados no art. enviando de imediato os autos ao juízo substituto. ou o rol de testemunhas (art.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS quando não há o propósito de atacar diretamente o mérito da lide principal. 99 do CPP). podendo enumerar provas. se declarar suspeito (art. 254 do CPP (rol taxativo). 97 do CPP). o juiz sustará o andamento do processo. 325) Senão vejamos cada uma dessas interfases da questão incidental de exceção: Exceção de suspeição As partes podem argüir a exceção de suspeição quando. ou mesmo protelar a ação. como regra. Como meio de defesa com o objetivo de extinguir. 72 . que o impede de julgar tal demanda. Caso o juiz não declare de oficio e também não aceite a argüição de suspeição. mas obstaculizar ou transferir o seu julgamento. 254 do CPP. a ação penal. ou até mesmo a transferência do seu exercício. não há juízo decisório). quais sejam: • Modalidades de exceção Exceção dilatória: visa a prorrogar o curso do processo. o processo incidental de exceção pode ser usado com o seguintes efeitos. No entanto. determinará que seja juntado os autos do processo com a ação principal e. motivará sua negativa. quando reconhecer qualquer dos motivos enumerados no art. A argüição de suspeição deve ser requerida. A suspeição deve ser proposta na primeira manifestação da parte (réu) no processo. não possa decidir com imparcialidade. e motivadamente. 2000. não sendo cabível na fase do inquérito policial (simples averiguação dos fatos. Aceitando a suspeição. o incidente de exceção. 1) Coisa julgada 2) Litispendência (MIRABETE. se declarará suspeito. 111 do CPP). por despacho. em petição escrita. não possuem efeitos suspensivos (art. em autos apartados. argüida pelas partes (art. de oficio. devendo acompanhá-la os documentos probatórios.

que “a exceção pode ser oposta pelo réu. uma vez que a questão incidental de exceção de suspeição não suspende a marcha do processo. Exceção por incompetência É também uma forma de exceção prevista no art. os atos do processo principal. 95 do CPP. quando não argüidas em tempo oportuno. p. pacificando tal entendimento. sob pena de preclusão. de qualquer instância. 102 do CPP). ou improrrogáveis. Forma de incompetência Incompetência absoluta Pode ser argüida a qualquer tempo. Contudo. c) O juiz mandará atuar em apartado d) O Ministério Público deve ser ouvido. estudamos que podem ser elas absolutas. Ao discutirmos a competência. Segundo a doutrina. quando esse atue como fiscal da lei. são improrrogáveis. 108 do CPP). é competência prorrogável. Incompetência relativa (MIRABETE. se processa da seguinte forma: Procedimentos a) Deve ser proposta junto ao próprio juiz da causa b) Pode ser argüida verbalmente (reduzida a termo) ou por escrito. Deve ser argüida no prazo de defesa (art. serventuários etc. afirma que tal vício poderia ser reconhecido de ofício. devendo o juiz arcar com as custas processuais (se agiu por erro inescusável). não pode ser argüida pelo autor da ação” (CAPEZ. querelante e Ministério Público. pelo juízo suspeito. p. peritos. suas formas. 2006. Quanto ao seu procedimento. 377). Contra os membros do Ministério Público. esta motivada na ausência de capacidade funcional do juiz. Capez. desde que antes de operada a preclusão (CAPEZ. 73 . A incompetência assim pode ser dividida da seguinte forma: Sumula 33 do STJ: “a incompetência relativa não pode ser declarada de ofício”. 2000. 378). salvo se também reconhecida pela parte contrária. ou relativas. 337) Conclui o próprio Capez. Ou contra qualquer pessoa que intervêm no processo: jurados. 2006. julgando improcedente o pedido de suspeição. que requererá a sustação processual (art. prorrogáveis. Contra quem pode ser argüida a exceção dilatória de suspeição? A questão incidental de exceção por suspeição pode ser argüida contra: • • • Qualquer juiz. são nulos. desde que ele não seja o próprio proponente. o processo prossegue seu curso normal. p. quer oficie como parte da ação ou como fiscal da lei.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Julgando o Tribunal procedente a exceção de suspeição.

quanto à ilegitimidade processual. (CAPEZ. Como forma e procedimento de exceção de litispendência segue o mesmo procedimento da exceção de incompetência. 264) afirma que: A competência relativa é a competência determinada pelas regras infraconstitucionais. p. 378) Ao explicar as formas de competência. 379) Exceção de ilegitimidade da parte A exceção de ilegitimidade da parte. que é aquela capacidade de estar ou intervir validamente no processo. b) as partes c) as causas de pedir (CAPEZ. (. poderá ser reconhecida a qualquer momento. refere-se tanto ao condutor da ação. Exceção de litispendência A litispendência ocorre quando coexistem dois ou mais processos contra o mesmo réu. quem por meio da denúncia ou queixa-crime interpõe a ação (pública ou privada). daí porque denominam competência territorial. deve ser argüida quando o processo estiver tramitando em foro incompetente daquela Ação Penal. pois não há prazo de interposição da exceção por litispendência. Oliveira (2006. Assim temos que os elementos que identificam a litispendência são: Elementos que identificam a demanda a) o pedido Na ação penal é a aplicação da sanção penal As partes que estão em litígio Que é a razão pela qual o autor pedir a condenação. como em relação ao processo.) em relevância do interesse público na correta e adequada distribuição da justiça. 2006. 74 . pelo fato de ter origem na norma constitucional. tanto em relação à causa. ressalvado a preclusão. que é aquela do juízo natural. 2006. por sua vez. p. p.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS e) O juiz então julgará a exceção: Quando improcedente: continuará com o processo Quando julgar procedente: se declarar incompetente. envolvendo os mesmos fatos. A competência absoluta... remetendo os autos a juiz competente. Assim temos que a exceção de incompetência de juízo tem natureza dilatória do processo.

. 84) Exceção de Coisa Julgada Como explica Avena (2005 p. pode ser argüida a exceção quando a queixa é oferecida em caso de ação pública. quando o querelante é incapaz. O que é Coisa Julgada formal e coisa julgada material? 75 . proposta por um particular.. quando a denúncia é oferecida em hipótese de ação privada. quando a ação privada personalíssima. não podendo estar em juízo. (AVENA. o procedimento da exceção por ilegitimidade da parte é processado da mesma forma. 84): (. exemplifica a exceção por ilegitimidade da parte da seguinte forma: Assim. Refere-se sobre exercício da ação. mesmo pedido e mesma causa de pedir. Ex: A representação oferecida por quem não era o representante legal do ofendido.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Capez (2006.) [A exceção por coisa julgada] é cabível quando alguém está sendo processado por fato já decidido por meio de sentença transita em julgado. desde que ratificada os atos processuais. Assim como a exceção de incompetência. 2005. em Ex: Ação Penal Pública. e para que seja acolhida [deve haver os caso de identidade de demanda que especificamos na litispendência]. quando o querelante não é o representante legal do ofendido. Devemos entender por exceção de coisa julgada quando uma ação já tenha proferido sentença definitiva. p. importará nulidade desde o inicio da ação. sendo as demandas idênticas. a queixa é oferecida pelo sucessor da vitima. 380). idênticas pela mesma parte. Qual a diferença da ilegitimidade ad causam e a ilegitimidade ad processum? Abrange a titularidade do direito da ação. Ilegitimidades “ad causam” Tem natureza peremptória Quando reconhecida. Estudaremos sobre coisa julgada no tema 05: Sentença e a coisa julgada. p. Ilegitimidade “ad processum” a capacidade de Tem natureza dilatória Quando reconhecida poderá ser sanada. com uma decisão já passada em julgado e outra sendo iniciada.

um ou mais juizes. 113 do CPP). em qualquer tempo.. a fixação da competência. o classifica da seguinte forma: Tem-se o denominado conflito de jurisdição toda vez que. tem efeito preclusivo impedindo nova discussão sobre o fato no mesmo processo. ou recusam tomar conhecimento do mesmo fato delituoso. p. e outra ação idêntica aquela for proposta. que segundo Oliveira (2006. que pode também se argüida como matéria de defesa. b) se houver mais de uma exceção. marcada pela imutabilidade e irrecorribilidade. obrigando o juiz de outro processo acatar a decisão. c) as exceções serão processadas em autos apartados e não suspenderão. 381) explica que: A coisa julgada nada mais é do que uma qualidade dos efeitos da decisão final. 267) pode ser assim resolvida: a) as questões relativas às exceções. se classificar em: Conflito de jurisdição 76 . em qualquer fase do processo. podem sempre ser alegada como matéria de defesa (preliminar ou mérito). (. o conflito de jurisdição. de pedido e de causa de pedir. O conflito de jurisdição existe quando dois ou mais juizes se julgam competente aquela demanda (jurisdição positiva). independentemente do procedimento de exceção. (MIRABETE.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Capez (2006. 341 e 342) Assim temos. em regra. Exceção de litispendência Se antes de decidido qualquer demandas propostas das Exceção por coisa julgada Se já houve uma sentença transitada em julgado. Segundo a lei (art. Conflito de atribuição: ocorre quando existe conflito entre o Poder Judiciário e outros poderes (Executivo ou Legislativo). incluindo a de incompetência absoluta e de suspeição. deve ser observadas as seguintes peculiaridades. Havendo duas demandas com identidades de partes. quando tratamos de exceção. todas deverão constar de um único articulado ou petição. p.. pode ser determinada pelo Conflito de Jurisdição. 111.) A coisa julgada formal reflete e imutabilidade da sentença no processo onde foi proferido. p. p. ou então quando dois ou mais juizes se recusam aquela demanda por se acharem incompetentes a mesma (jurisdição negativa). CPP). Capez (206. quando não condizente com a norma legal. a exceção. Conflito de Jurisdição Além da exceção. contemporaneamente. na coisa julgada material existe a imutabilidade da sentença que se projeta fora do processo. 386) ao conceituar o conflito de jurisdição. o processo principal (art. 2000. tomam.

II – Conflito entre o STJ e quaisquer outros tribunais. desde que vinculados ao mesmo tribunal. seja para a efetiva execução da pena a ser imposta. temos: a) pela parte interessada. nas leis de organização judiciária e nos regimentos internos de cada tribunal.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Conflito de jurisdição positiva Ocorre quando dois ou mais juizes se julgam competente para o conhecimento e julgamento do mesmo fato delituoso. competem ao Supremo Tribunal Federal. Ocorre quando dois ou mais juizes se julgam incompetente para o conhecimento e julgamento do mesmo fato delituoso. nas leis processuais. 2000. ou entre os tribunais superiores entre si. Medidas assecuratórias Tem por natureza acautelar os procedimentos civis. seja quando à reparação do dano decorrente do crime. 77 . com a finalidade de ressarcimento ou reparação civil pelo dano causado devido à infração. 350) Competência para decidir o conflito de jurisdição A competência para julgar a ação. 407) como: São providências cautelares de natureza processual. 2006. 386) Quanto à forma do processamento dos conflitos de jurisdição. ou entre juizes vinculados entre tribunais diferentes. p. determinadas com o fim de assegurar a eficácia de uma futura decisão judicial. p. p. (MIRABETE. forma de requerimento. pela forma de requerimento. está previsto na Constituição Federal. urgentes e provisórias. mediante representação. c) I – Conflito entre tribunais. ou entre Tribunais superiores e outros tribunais. III – Conflito entre juizes federais. entre tribunais e juizes vinculados a outro tribunal. por qualquer dos juízes ou tribunal em causa. nas Constituições dos Estados. no conflito de jurisdição. à competência será do Superior Tribunal de Justiça. pela Pode ser argüido (art. Conflito de jurisdição negativa (CAPEZ. compete Tribunal Regional Federal. 115 do CPP) b) pelos órgãos do Ministério Público junto a qualquer dos juízos em dissídio. Conceitua Capez (2006.

• O juiz pode determinar de ofício.A hipoteca legal (art. usa-se o seqüestro prévio. visa bens lícitos. • A vitima do crime. Evita que o acusado se dissipe do bem durante o processo penal. Chamado de “especialização de hipoteca legal” (art. • • • • • II . por sentença transitada em julgado. 78 . a fim de assegurar uma futura indenização pelo dano ex delicto. Medida que recai sobre o patrimônio licito do réu ou indiciado. • Pode ser requerida em qualquer fase do processo. • I – O seqüestro (Art. e custas processuais. visando à reparação do dano pelo delito cometido. as medidas assecuratórias se classificam em: Modalidades de medidas assecuratórias • Medida destinada a efetuar a constrição dos bens imóveis ou moveis. Pressupostos: a) prova inequívoca da materialidade do crime. 204. Para efetivar a hipoteca o deverá ser feito um requerimento. adquiridos com proveito do crime. Incide sobre a generalidade do patrimônio do indiciado (somente bens moveis). § 1º do CPP). Terceiro que estiver com o bem prestar caução. Pressupostos: a) prova inequívoca da materialidade do crime.Arresto (seqüestro do art. identificando qual a estimativa de valor da responsabilidade civil. b) indícios suficientes da autoria. • Como medida preparatória de hipoteca. 125 a 132 do CPP): Podem requerer: • O ministério Público. Levantamento de seqüestro: Ação principal não for intentada no prazo de 60 dias. 135 do CPP). 134 do CPP) • Deve ser atuado em apartado. III . 137. Extinta a punibilidade ou absolvido o réu.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Com o fim de assegurar o direito do ofendido. 137 do CPP) • Autos que atuam em apartado da ação principal. b do CPP) Busca e apreensão cautelar domiciliar do produto do crime. IV – Busca e apreensão (art. • A autoridade policial. b) indícios suficientes da autoria. e o imóvel que deseja registrar. Exige-se a probabilidade séria de que o bem tenha proveniência ilícita. determinada no Inquérito policial ou no processo penal pelo juiz. § 1º. Se os bens seqüestrados forem fungíveis: Leilão público (art. que ao contrário daquele antes mencionado.

mas como questão principal.. meio em que será nomeado um curador.. Tem a ação como efeito. pelo membro do Ministério Público e até de oficio pelo juiz (art. (CAPEZ. O incidente de falsidade de documento quando argüida pelo procurador. retirar ou manter o documento nos autos principal. 150. para fins de comprovação da existência de crime. mas qualquer outro que possa interferir na apreciação da imputação penal. respectivamente. 147 do CPP). de armas e Além de outras medidas confiscatórias no processo penais e dispositivos correlatos do direito penal.. o processo de insanidade mental é argüido quando se tem duvidas da integridade mental da pessoa que cometeu o crime. O processo incidente de argüição de documentos falsos processa-se em autos apartados.) Os documentos aqui mencionados não é aquele que constitui o objeto material do delito. 149. Ao contrario. reconhecendo ou não à falsidade do documento. prorrogável (art. Procedimento de incidente de insanidade mental Instaurado por meio de uma portaria. 146 do CPP). no que tange a ação de argüição de falsidade de documentos. p. § 2º do CPP).EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Busca e apreensão instrumentos do crime. 407 a 413) Incidente de falsidade Trata-se de um processo incidental. O processo incidental de falsidade pode ser argüido pelas partes. 2006. e tem por fundamento. Ordenará o juiz a suspensão do processo principal (art. esse deve ter poderes especiais (art. ser periciado. regulados nos arts. § 1º do CPP). 79 .)deve. independentemente de argüição por parte da defesa. não como incidentes. necessariamente. provar a não autenticidade de documentos apresentados. o documento que constitui o próprio objeto material do delito (.. 281): (. 145 a 148 do CPP. Incidente de insanidade mental do acusado Como forma de processo incidente. Facultativo 1) Juiz determinará a instauração do incidente 2) Partes serão intimadas para que apresentem quesitos 3) Peritos exames médicos realizaram os Prazo de 45 dias. Segundo Barros (2006 p.

ou ainda que Natal é no dia 25 de Dezembro. inclusive o fato admitido ou aceito (também chamado fato Uma prova a princípio incontroverso. pois se admite em nosso direito as chamadas provas inominadas. com a presença de curador. ex. 209 e 234 do CPP) e por terceiro (p. O réu adquiriu a doença mental depois da prática do crime. Segundo Capez (2006.: peritos). É o caso da verdade sabida: não precisamos provar que durante o dia há claridade e escurece durante a noite. não é exaustiva. a palavra prova Vem do latim probatio e representa o conjunto de atos praticados pelas partes. que se encontra nos arts. 283). ou seja. p. o processo principal ficará suspenso. p. (CAPEZ. ilícita pode se tornar diferentemente do que ocorre no processo civil. 415 a 416) Prova A previsão legal das provas. Segundo Capez (2006. Presunções são suposições de verdade. ao tempo do crime: processo retoma seu curso. as presunções legais são decorrentes da própria lei. até o restabelecimento do indiciado ou a prescrição. existe a lícita quando o necessidade da produção probatória porque o juiz pode interessado abre mão questionar o que lhe pareça duvidoso ou suspeito.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS • 4)Juntada do laudo com a conclusão dos peritos: • O réu era inimputável ou semiimputável. o notório não necessita de prova). constituição ou pela lei desde que. são eles: Fatos que independem de prova Fatos axiomáticos ou intuitivos Fatos notórios (aplica-se o princípio notorium non eget probatione. ou seja. 283): Todos os fatos restantes devem ser provados. não de seus direitos estando obrigado à aceitação pura e simples do alegado assegurados pela uniformemente pelas partes. em razão de doença mental. 156. ou seja. mas sim exemplificativa. 2ª parte. 80 . aquelas não prevista expressamente na legislação. 2006. que visam conceder ao juiz a convicção sobre a existência ou inexistência de um fato. 282). 158 a 250 do CPP. p. a causa ou o fato que diga respeito ao litígio. (CAPEZ. obviamente. p. porque admitido pelas partes). da falsidade ou veracidade de uma afirmação. 283) Fatos que dependem de prova Para Capez (2006 p. Nesse caso. se trate de bens ou direitos disponíveis. 2006. existem alguns fatos que não necessitam de prova. pelo juiz (arts. podendo ser absolutas (jure et de jure) ou relativas (júris tantum). Objeto ou função O objeto é o que se deve demonstrar. a circunstância. Presunções legais Aqueles que são evidentes.

a arma utilizada. p. em seu art.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Isso se dá em função do Princípio da Verdade Real (visto no tema 01). A CF.Possível de realização. .Que a prova seja admissível (permitida pela lei ou costumes judiciários). 2006. etc.: os objetos furtados em um furto.Pertinente ou fundada (aquela que tenha relação com o processo. pois deve o magistrado buscar a verdade real dos fatos e não somente a verdade formal. 284). Documentais consistem na documentos. dispo: “são inadmissíveis. LVI.Concludente (visa esclarecer uma questão controvertida). É proibida a produção probatória toda vez que houver a violação de normas legais ou de princípios do ordenamento de natureza processual (provas ilegítimas) ou material. as provas obtidas por meios ilícitos”. – quando oitiva de • Quanto à forma ou aparência • • – Quando juntada de 81 . .: o interrogatório. as conclusões periciais Testemunhais extraídas de testemunhas. no processo. Para a produção das provas afirma Capez que necessitamos: . (CAPEZ. Provas inadmissíveis Existem certos tipos de provas que não são admitidas no processo penal. contrapondo-se à prova inútil). Ex. 5º. um documento falso. Classificação Quanto ao Objeto a) direito quando por si demonstra o que se quer saber só b) indireta quando demonstra um fato que proporciona a dedução da veracidade ou não de outro fato. Relativamente ao Sujeito ou Causa • Reais: são as provas que consistem em uma coisa externa e distinta da pessoa. os depoimentos. e . Pessoais: são as que consistem em informações prestadas por pessoas. EX.

Mas tal princípio é mitigado em sede de Direito Penal. • Da publicidade: as provas. p. não há limitação dos meios de prova. no Processo Penal o ônus da prova (dever de provar) é da pessoa que faz a alegação. p. não há qualquer necessidade de defesa por parte do réu. 2006. • Da aquisição ou comunhão da prova. a não ser os fixados pela própria lei ou pela Constituição Federal. como todos os atos judiciais são públicos. vistorias. 312) se definem em: • Da audiência contraditória: toda prova admite a contraprova. no campo penal não há prova pertencente a uma das partes. Provas em espécie 82 . tudo isso em decorrência do Princípio da Verdade Real. mas mesmo que esse não o faça. corpo de delito etc.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS • Materiais -exames. (CAPEZ. estando tal formação de convicção limitada apenas aos fatos e circunstâncias constantes nos autos. Princípios gerais das provas Segundo Capez (2006. • Do livre convencimento motivado: o julgador tem liberdade para formar seu convencimento de acordo com as provas que não possuem um valor previamente descrito pela lei. admitindo-se somente como exceção o segredo de justiça. para que prevaleça a verdade dos fatos. se a acusação não conseguir provar a autoria e a culpabilidade do ilícito. Ônus da prova Como regra geral no Direito. É certo que o réu terá que mostrar todos os fatos que alegar. pois o mesmo não poderá ser condenado. fazendo assim com que se produza prova sobre o assunto. não sendo admissível a produção de uma sem o conhecimento da outra parte. É possível que o juiz atue para que se esclareçam fatos controversos. 306 e 307) Meios de prova No Direito Processual Penal. mas as provas produzidas servem a ambos os litigantes e ao interesse da justiça. isto é. isso decorre do princípio do contraditório. pois é da acusação todo o ônus de provar a culpa e a autoria do fato. tal atitude tem embasamento no Princípio da Verdade Real que estudamos em nosso primeiro tema.

Objeto Os objetos passíveis de busca e apreensão estão elencadas no art 240 do CPP. dada pela Lei n. de 24. possível e Violação de correspondência Atenção: a violação de correspondência não é permitida nem com autorização judicial! Violação das comunicações telefônicas Busca em repartição pública Busca domiciliar A busca domiciliar é permitida somente “quando fundadas razões a autorizarem” (art. 2006. 240.296. no caso apenas um perito subscreva o laudo deste exame. em tese. Devemos entender a expressão domicílio conforme dispõe o parágrafo 4º. portanto. obviamente. o qual permitia a violação. A nulidade será relativa Busca pessoal (CAPEZ. 159 do CPP. Quando houver fundada suspeita de que alguém oculte consigo arma proibida” ou outros objetos é autorizada a Busca pessoal. que a prova seja destruída. O art. impossibilitando qualquer forma de quebra de sigilo da mesma. 312 a 316) Das perícias e do exame de corpo de delito Perícia “A perícia está colocada em nossa legislação como m meio de prova”. quer se trate de perito oficial. não tendo qualquer valor em especial. 316).9. 1996. da CF.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Busca e Apreensão Natureza jurídica A Busca e Apreensão impede. as conversas ou dados repassados pela via telefônica. 2006. 5° XII da CF/88 proíbe a violação de correspondência. 246 do CPP. mas somente quando presentes os requisitos elencados no art 2º Admite-se sempre que indispensável tal diligência. por se tratar de parecer técnico sempre é bem valorada. p. no mínimo. 8. e art. XI. do art. p. do CPP). atualmente é obrigatória a realização do exame de corpo de delito por. jul. 5º. passou a disciplinar a interceptação de conversas telefônica. mas não obrigam o juiz a seguir suas posições (CAPEZ.: Com a nova redação do art. § 1º. dois peritos oficiais. aplica-se a Súmula n. Obs. Requisitos 83 . 361 do STF. o juiz pode autorizar a quebra do sigilo de ofício ou a requerimento do membro do MP ou autoridade policial. quer se trate de perito não oficial. Agora. Assim. A interceptação telefônica consiste em gravar. mediante autorização judicial. A Lei n. 150 do CP e arts. revogando. possui natureza acautelatória.862/94. o disposto na alínea f do artigo 240 do CPP.

330 e 331). ou pelo réu. “No processo penal. segundo Capez (2006. Determinação das perícias A Perícia. do CPP). caput e art. 159 do CPP que “os exames de corpo de delito e as outras perícias serão. O exame de Corpo de e do surdodo curdo mudo: ao surdo Delito indireto é admitido quando não se puder realizar o direto. Espécies de operandi e da extensão do ilícito. 2006. o exame será feito por duas pessoas idôneas. Exame de corpo de delito O exame de Corpo de Delito é aquele realizado no objeto material do interrogatório: a) interrogatório do crime. 159. somente não podendo negar pedido do Ministério Público em função do disposto no art 13 II CPP. cuja impugnação há de ser em tempo oportuno. bastando o exame de um só perito. na diligência de apreensão” (Súmula n. § 2º. 2006. p. negar a realização de perícia requerida pelo ofendido. narrações para se poder deduzir como se deram os fatos. 361 do STF). A requerimento das partes. 84 . Os peritos não oficiais devem prestar o compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo (art. o exame deve ser feito por dois peritos particulares. considerando-se impedido o que tiver funcionando. no curso do Inquérito. “Trata-se de nulidade relativa. Não havendo peritos oficiais. etc. como pessoa habilitada que direto e indireto: preste compromisso. o documento falsificado. e a utilização de suasinterprete. anteriormente. ele responde oralmente. do modus analfabeto com deficiência de se comunicar. 159. feitos por peritos oficiais”. 159. do CPP). não se aplicava a referida súmula. segundo Capez (2006. p. ao mudo as perguntas são orais e ele responde Interrogatório por escrito e no caso do surdo mudo as perguntas e respostas são escritas (CAPEZ. . Note-se que. realizado com o auxilio de um Indireto: é feito com a oitiva de testemunhas. 317) pode ser determinada: • • De ofício tanto pela autoridade policial quanto pelo juiz. 320) interprete ato. § 1º.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Dispõe o art. escolhidas de preferência as que tiverem habilitação técnica (art. bem como demonstrado o efetivo prejuízo” (CAPEZ. c) interrogatório do mudo. intervirá no O Exame de corpo de delito pode ser. a porta interrogatório do estrangeiro. no qual se procura buscar as evidências da autoria do fato. p. em regra. CF/88. é nulo o exame realizado por um só perito. Note-se que pode a autoridade policial. uma vez endereçam-se as que é perguntas por escrito e obrigatória a existência desse tipo de exame em crimes que deixam vestígios. § 1º: não havendo peritos oficiais. 179. p. tratando-se de perícia oficial. b) Direto: é aquele feito sobre o próprio objeto material: o cadáver. art. será arrombada. 317).

ou seja. pois se dá somente entre o acusado e o juiz. 2006. seja em inquérito ou em outro meio qualquer desde que fora do processo. um dia já foi considerada prova suficiente para uma condenação. sendo necessária a sua confirmação pela corroboração das outras provas constantes do processo. É importante salientar que o acusado nunca é interrogado durante o Inquérito Policial. e hoje. mas apresenta junto uma excludente de antijuridicidade. Testemunhas Testemunha é aquela pessoa que declara em juízo o seu conhecimento acerca dos fatos em questão no processo. culpabilidade ou eximentes de pena. Define Capez que existem quatro espécies de confissão que devemos conhecer: Simples: Qualificada: Quando o acusado reconhece pura e simplesmente que praticou o delito. meio de prova e de defesa. durante o curso do processo penal propriamente dito. pode o réu mentir. ninguém podendo intervir no mesmo. p.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Há discussão se o interrogatório seria meio de prova ou meio de defesa. uma vez que não pode ser o mesmo obrigado a fazer prova contra si mesmo. possui valor probante relativo. é somente mais uma prova. Ainda. p. Quando o acusado confirma o fato a ele atribuído. Até mesmo porque é obrigação da acusação provar que é o acusado o autor dos fatos que lhe são imputados. sem que isso importe em prejuízo para a sua defesa. Quando a confissão ocorre em juízo. São características das testemunhas como meio de prova: 85 . Confissão Segundo Capez (2006. 333) a confissão “é a aceitação pelo réu da acusação que lhe é dirigida em um processo penal” ou em um inquérito policial. 333) Como pode a confissão ser retratada a qualquer momento. É aquela que ocorre fora do processo. Judicial: Extrajudicial: (CAPEZ. O interrogatório é um ato processual personalíssimo. pode o réu deixar de falar qualquer coisa durante o interrogatório. mas hoje se tem pacificado que na realidade é a interrogatória do réu ambas as coisas. Silêncio e mentira do réu Conforme dispõe a CF em seu art 5º LXIII. pois o mesmo não presta compromisso da verdade. mas sim ouvido. inclusive pode o mesmo se negar a responder todas as perguntas a ele dirigidas.

intimada. sendo que ainda se sujeitará a testemunha faltosa a processo crime por crime de desobediência. contudo. não lhes será exigido o compromisso de dizer a verdade. Deve a prova testemunhal ser colhida através de uma declaração verbal prestada ao juiz. a testemunha não comparecer sem justo motivo. ministério. Tais pessoas são o que chamamos de Informantes. 207 do CPP. 218 do CPP autoriza que proceda o juiz á condução coercitiva da mesma. 336) Impedimentos As pessoas têm o dever de testemunhar (art 206 do CPP).EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Judicialidade: Oralidade: Só é prova testemunhal aquela produzida em juízo. 339) “o número de testemunhas varia com o tipo de processo” e pode ser definido como: No Processo comum Cada uma das partes pode arrolar um máximo de até oito testemunhas (art. e 421. 398 do CPP). em razão de função. desobrigadas pela parte interessada. A testemunha deve depor sobre os fatos. Número de testemunhas Segundo Capez (2006. § 2º. Se tais pessoas forem ouvidas. junto com os sujeitos do processo e submetida a questionamento por ambos os sujeitos. O máximo de cinco testemunhas (art. No Processo sumário Para o plenário do Júri 86 . ofício ou profissão. quiserem dar o seu testemunho”. parágrafo único. o art. Só se pode testemunhar sobre fatos que já ocorreram. as pessoas apontadas no art. São proibidas de depor. 206 do CPP. tendo em vista que certamente possuem interesse de favorecer a um dos pólos da ação penal. 2006. pois senão seria previsão e não testemunho. Também pode eximir-se de depor: as pessoas elencadas na segunda parte do art. p. salvo se. 417. devam guardar segredo. sem oferecer opiniões ou emitir juízos de valor. 539 do CPP). Como exemplo. podemos citar o pai do acusado do crime. p. Se. O máximo de cinco (arts. uma vez que o seu testemunho tem valor menor que o de uma testemunha. “as pessoas que. Objetividade: Retrospectividade: (CAPEZ. do CPP).

226 a 228 do CPP). p. todas as pessoas elencadas nos arts. 347). testemunha e vítima etc. No entanto. 340) Falso testemunho (art. e consiste em se ofertar à testemunha ou ao ofendido diversos objetos a fim de que o mesmo aponte qual o relativo ao crime. o acusado e o defensor. não se limita ao escrito. Reconhecimento de coisas É feito em objetos que por alguma razão relacionam-se com o delito (c. proceder-se-á com as cautelas estabelecidas no artigo anterior. Os acareados serão reperguntados. 232 do CPP). com pena de reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos. entre acusado ou testemunha e a pessoa ofendida. 226/227 do CPP). 342 do CP) Não pode a testemunha mentir. a prova documental. em suas declarações. Reconhecimento de pessoas (arts. Documentos Consideram-se documentos “quaisquer escritos. o Ministério Público. 226 do CPP. Art. instrumentos ou papéis públicos ou particulares” (art. A acareação é reduzida a termo no próprio ato e em tempo real da realização da acareação (art. ou mesmo calar a verdade em audiência. O procedimento está expresso no art. 9. do CPP). 87 . acusado e acusado. pois estará cometendo o crime de falso testemunho. 251 ao 281 do Código de Processo Penal. 229. ou seja. os assistentes e auxiliares da Justiça.) (CAPEZ. p. Contudo. arts. 2006. atualmente. se desenvolve e se completa a relação jurídico-processual.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS No sumaríssimo No máximo de três testemunhas (Lei nº. para que expliquem os pontos de divergências. entre acusado e testemunha. arrolado no art 342 do CP. p. No reconhecimento de objeto. Parágrafo único. (CAPEZ. Art. A acareação será admitida entre acusados. e multa.099/95). parágrafo único. não pode ensejar uma sentença condenatória (CAPEZ. Acareação “É o ato processual que consistente em se colocar face a face duas pessoas que declararam diferentemente sobre um mesmo fato” (pode ser testemunha e testemunha. são as pessoas que fazem parte do processo. sobre fatos ou circunstâncias relevantes. o reconhecimento fotográfico. entre testemunhas. a fonográfica. Sujeitos Processuais Sujeitos processuais são as pessoas entre as quais se constitui. isoladamente (sem outras provas). o juiz. Se destina a extinguir as divergências sobre os fatos controversos. e entre as pessoas ofendidas. sempre que divergirem. reduzindo-se a termo o ato de acareação. 2006. 2006. a cinematográfica e a digital. pois este é considerado pela doutrina como mais uma das provas inominadas. são eles. Pode ser também efetuado o reconhecimento fotográfico (com cautela). 227. 348). pois existem a fotográfica. 229. no que for aplicável.

indispensável à exata aplicação da lei penal. 261). como já visto. São partes. portanto. A parte ativa é o autor (parte acusadora) e a parte passiva é o réu ou acusado (parte acusada). Assim. A defesa técnica. primeiro a capacidade para ser parte. o juiz nomear-lhe-á um” defensor que se chamará defensor dativo(Capez. que consiste em ser detentora de direitos e deveres. O Código prevê as hipóteses de suspeição e impedimento do juiz. Ministério Público O Ministério público possui função institucional de zelar pela proteção do Estado em si. interesse na lide ou legitimação para a causa. No Processo Penal. será processado ou julgado sem defensor. Diante do princípio constitucional que assegura aos acusados em geral a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes (art. será sempre exercida através de manifestação fundamentada. pode o Ministério Público requerer a absolvição do réu se for convencido de sua inocência. o papel de acusador. da CF) é indispensável que o réu seja amparado por pessoa com conhecimentos técnicos suficientes para que se torne efetiva a referida garantia. Para que uma pessoa possa figurar como parte em Juízo. quando realizada por defensor público ou dativo. na ação penal pública. nenhum acusado. Deve o juiz ser imparcial. 261. O Juiz É o detentor do poder jurisdicional e presidente do processo. cabendo ao mesmo. O acusado é o agente do crime. no processo penal.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Sujeitos Processuais Partes Em sentidos materiais. parte é aquele sujeito processual que deduz ou contra o qual é deduzida uma relação de direito material-penal. será processado ou julgado sem defensor (art. mesmo encontrando-se tradicionalmente no papel do acusador. 52. deve possuir. mas sim da sociedade como um todo. o assistente da Poderá acusação é a figura que auxiliará o constituído “quando nomeado pelo promotor na tarefa de acusar o réu. 182). É contra quem se move à ação penal. Art. ainda que ausente ou foragido. ou tanto pelo ofendido quanto por defensor dativo se o réu seus sucessores. o sujeito ativo do crime. 2006. No processo penal é o mesmo sujeito passivo (processual). réu através de A assistência pode ser desenvolvidaprocuração”. O Acusado O Defensor O Assistente 88 . ainda que ausente ou foragido. Parágrafo único. p. LV. ”não possuir defensor constituído. Para preservar essa imparcialidade. Cumpre salientar que. quanto à infração Penal em si. Em sentido formal. quem sofre o Jus persequendi. Nenhum acusado. as partes são o autor do crime e a vítima. ou seja. o autor e o réu.

Peritos e Intérpretes Conclusão No tema estudamos as modalidades de ação penal que se dividem em Ação Penal Pública e Ação Penal Privada. deverá recorrer aos peritos e aos intérpretes. sendo impossível a separação. III – A conexão intersubjetiva por simultaneidade ocorre quando duas ou mais ações foram praticadas por varias pessoas reunidas. cartorários etc. Uma vez nomeado o perito. levando-se em conta. afim de resguardar a ordem social. e devem se pautar por regras que buscam a imparcialidade e a não intervenção dos mesmos no procedimento judicial. destacam-se as peças iniciais da denúncia (na ação penal pública) e a queixa-crime (na ação penal privada). Os meios de prova. suas formas de incidentes e questões prejudiciais. São os serventuários da justiça indispensáveis para a tramitação do processo. como meio de defesa e protelatória da ação penal. 89 . deve ele aceitar a incumbência. Como forma de iniciar a ação penal. a jurisdição e a competência. nos termos do art 277 do CPP. marcando a seqüência CORRETA. O art 274 do CPP trata das disposições sobre os serventuários da Justiça: Como o Juiz não possui conhecimento técnico em muitas áreas e sendo estes técnicos necessários para a análise de certas provas que formarão o seu convencimento. Ao ser iniciada a Ação Penal. Vamos exercitar? 1) Assinale (V) as questões verdadeiras e (F) as falsas. as pessoas do processo são fatores determinantes ao desenvolvimento da Ação Penal. sempre que necessário a espécie do crime e as peculiaridades do acusado e do ofendido. desde escrivão. II – Continência tem o sentido de uma coisa contida na outra. IV – A conexão material ocorre quando a prova de uma infração ou das circunstâncias elementares influi na prova de outro crime. I – A competência se prorroga pela continência quando duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração. destaca-se como estudo. a não ser que tenha uma justificativa plausível e aceita pelo juiz. com suas peculiaridades e requisitos fundamentais.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Serventuários da Justiça São todas aquelas pessoas que trabalham diretamente com o Judiciário. uma vez que são garantidores do exercício Estado-juridição.

que irão auxiliá-lo. na resolução do exercício. E dentro do processo destacamos os meios de prova e as pessoas do processo. a jurisdição seu conceito e a diferença entre jurisdição e competência. Síntese do tema Neste tema estudamos as modalidades de Ação Penal. Comentário Para resolver esta questão você deve observar os artigos 92 a 154 do CPP.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS a) somente a alternativa IV está incorreta. 2) Dentre as alternativas. dentro do processo penal. como meio de defesa. b) conflito de jurisdição positivo. a aplicação provisória de interdição de direitos e a Medida de Segurança. Informações sobre o próximo tema No próximo tema estudaremos a Prisão e suas modalidades. b) As alternativas I. d)Todas as alternativas estão corretas. como meio assegurador da verdade real na ação penal e gerenciador dos procedimentos em si. d) incidente de liberdade provisória. a) exceção por suspeição. II e IV estão corretas. e III estão incorretas. identifique a que NÃO se relaciona como espécie de processo incidental. Tema 04 90 . como meio limitador da jurisdição e as questões prejudiciais e incidentais. Discutimos as formas de competência. II. você deve observar os artigos 76 e 77 do CPP. Comentário Para resolver esta questão. c)incidente de falsidade. c) As alternativas I. a liberdade Provisória.

Não é permitida a prisão do eleitor. ou em virtude de sentença penal condenatória (art. ou até como meio garantidor do julgamento do crime sem a interferência ou desaparecimento do acusado. Tem finalidade cautelar. 2006. e as suas espécies. salvo se em flagrante delito. que são. Introdução Neste tema. é a execução da decisão judicial. vamos identificar as modalidades de prisão. ao final desta aula. quer seja por condenação ou não. 2)Prisão sem processual. que assegura o bom desenvolvimento da investigação criminal. Para Capez. desde o cinco dias antes da eleição e 48 horas depois da eleição. você seja capaz de: • • Classificar a prisão. como meio assecuratório de comprimento de pena. temporária. 244). Aplicação Provisória de interdição de direitos e Medida de Segurança Meta da aula Apresentação e análise do instituto da Prisão no regime penal brasileiro. p. instrumentos de aplicação da lei penal. 236. “prisão é a privação da liberdade de locomoção determinada por ordem escrita da autoridade competente ou em caso de flagrante delito” (CAPEZ. terá que ter conhecimento da forma de sanção penal. Objetivos Esperamos que. Liberdade Provisória. Vamos analisar as modalidades de prisão. bem como a aplicação provisória de interdição de direitos e medida de segurança. Identificar as formas de prisão especial. ou prisão 91 . a prisão se classifica em: Modalidades de prisão 1)Prisão penal Em virtude de sentença penal. Conceito de Prisão Como uma das formas de execução ou meio de assegurar a sanção penal.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Prisão. pena. caput do Código Eleitoral). e das garantias constitucionais asseguradas as pessoas. Quanto às suas espécies. a Prisão é a privação da liberdade plena. Pré-requisitos Para melhor compreender este tema. preventiva e em flagrante. como veremos.

desde que decretado por autoridade judiciário. • Quanto ao seu cumprimento. p. respeitando apenas a inviolabilidade do domicilio. 7. Contendo as infrações penais que fundamentou a prisão. b) deve ser entregue ao preso. LXI da CF). que nada mais é. Deve designar a pessoa que tiver que ser presa. LXI e LXVII da CF. a violabilidade do domicilio. 295 do CPP cuida das chamadas prisões especiais. XI da CF): com o mandado de prisão. 5) Prisão disciplinar (art. 594).  Prisão decorrente de sentença condenatória recorrível (art. 310 do CPP). do que um instrumento. Entendimento do STF: cabe prisão administrativa do estrangeiro durante o processo administrativo de extradição. que materializa a ordem da autoridade judiciária.960/89). 3) Prisão civil (art. fundamentada e escrita. 285. LXVII da CF) Prisão em domicilio (art. b)depositário infiel. poderá ser executado: a) a prisão poderá ser feita em qualquer dia e qualquer hora. da formação escolar por elas alcançadas e. 246 a 247) Prisão Especial 92 . I e art. 408. em razão das funções públicas por elas exercidas.  Prisão temporária (Lei nº. O art. caracteriza-se como o mandado de prisão (art. 2006 p. que dispensa o consentimento do morador. 2006. logo após a prisão. 5º. 311 a 316 do CPP)  Prisão decorrente de pronuncia (art. em razão do exercício de atividade religiosa (Oliveira. não foi recepcionada pelo art. p.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS São as chamadas Prisão Provisória:  Prisão em flagrante (art. copia do mandado. 244 a 246) A ordem de prisão. (CAPEZ. Quanto aos requisitos do mandado de prisão. Indicar o agente responsável pelo seu cumprimento. Permitido apenas nos caso de transgressão militares ou crimes militares. 2006. 319 do CPP). caput do CPP). 301 ao art. Informar ao preso seus direitos Os responsáveis pela prisão e pelo interrogatório extrajudicial devem se identificar. somente durante o dia. 393.  Prisão Preventiva (arts. formal e escrito. a)devedor de pensão alimentícia. 5º. 4) Prisão administrativa (art. finalmente. 5º. 5º. §1º do CPP). 420) c) d) (CAPEZ. cabíveis para determinadas pessoas. podemos caracterizá-los: Deve ser lavrado pelo escrivão e assinado pela autoridade competente.

O Código de Processo Penal. classifica em espécies o flagrante delito: Flagrante Próprio (Art. 302. 302. assim conceitua a prisão em flagrante: É medida restritiva da liberdade. o flagrante requer o imediatismo entre o fato criminoso ocorrido e a prisão do delinqüente. independentemente de ordem escrita do juiz competente. p. Assim. Acaba de cometer a infração penal. meio em que o agente policial induz o autor a cometer a infração. 302. I e II do CPP) Flagrante impróprio (art. um crime ou uma contravenção. em determinado lugar. para prendê-lo imediatamente. de natureza cautelar e processual. têm direitos de serem presos em estabelecimentos distintos dos estabelecimentos prisionais comuns. enumeradas pelo CPP. Capez expõe: Flagrante compulsório ou obrigatório: Diz respeito à autoridade policial e seus agentes que têm o dever de efetuar a prisão em flagrante. de maneira que após a condenação transitada em julgado cessa o benefício”.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS O que define essa forma de prisão é a prerrogativa de função de algumas pessoas. Flagrante facultativo Flagrante preparado ou provocado Flagrante esperado 93 . 302 com seus incisos. (CAPEZ. art. que “a prisão especial somente pode ser concedida durante o processo ou inquérito policial. A atividade do policial é esperar que o crime aconteça. consistente na prisão. ou então em celas distintas dentro do estabelecimento comum. Assim. 251). que façam presumir que é o autor do crime. Refere-se às pessoas comuns do povo que têm a faculdade ou não de efetuar a prisão em flagrante. devido a função exercida. Prisão em Flagrante Capez (2006. III do CPP) Flagrante presumido (art. em regra. Conhecido como crime induzido. Quando comete um crime e “logo após” é perseguido e preso. O criminoso é encontrado “logo depois” com objetos etc. ou logo após ter cometido. Além dessas espécies de flagrantes. 250) Salienta ainda o autor. essas pessoas. Esta cometendo a infração penal. sem qualquer interferência ou induzimento. Conduta considerada atípica. 2006. de quem é surpreendido cometendo. P. IV do CPP).

Está previsto no art. (DAOUM. Quanto ao seu cabimento enumera Daoum: • Quando imprescindível para a investigação policial • Indiciado sem residência fixa. e o sujeito passivo que é a pessoa detida em O auto de prisão em flagrante não será lavrado quando o réu espontaneamente se apresentar à autoridade policial. interrogatório do preso e respectiva assinatura. 2005. 79) fragrante delito. 80) A prisão temporária. Deverá conter: declaração do condutor. p. feriu o princípio constitucional da presunção da inocência. fabricado.7. durante o inquérito policial” (CAPEZ.. dará inicio ao inquérito policial. Capez a define como uma “prisão cautelar de natureza processual destinada a possibilitar as investigações a respeito de crimes graves. 79) deve ser: O auto de prisão em flagrante. p. é apenas suspeito do crime. sendo o sujeito ativo aquele que efetua a prisão em flagrante. extorsão. 2006. p. Consiste na atuação policial de criar provas de um crime inexistente etc.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Flagrante prorrogado ou retardado A nota de culpa nada mais é do que a ciência dada preso dos reais motivos da sua prisão. p. 2º. Flagrante forjado (CAPEZ. como segurança acauteladora do Inquérito Policial. tem a prisão temporária a finalidade de garantir a plena e eficaz investigação policial. Homicídio doloso Seqüestro ou cárcere privado Roubo. • Quando houver provas de autoria e participação dos crimes: Para que a autoridade policial conseguia averiguar os fatos sem interferência do réu.034/95 – Lei do Crime Organizado. ao melhor momento de um flagrante ao crime organizado. Consiste em retardar ou prorrogar a atuação policial. Estupro. declarações das testemunhas. dividimos em sujeitos ativo que é a autoridade policial. 9. Ou houver duvidas sobre a sua residência. deve ser lavrado o auto de prisão em flagrante que como explica Daoum (2005. p. atentado violento ao pudor. (. e o inquérito um instrumento informativo da ação criminosa. Após efetuar a prisão em flagrante delito.960/89. rapto violento. uma vez que o réu ainda está sendo investigado. ou qualquer um do povo. podendo apenas ser decretada a prisão preventiva. 2006.) [Ele] é cerceado de exigências e formalidades. Ao conceituar a prisão temporária. 94 . 268). (DAOUM. Epidemia com resultado morte Formação de quadrilha etc. Prisão Temporária Instituída pela Lei nº. 253 a 255) Quanto aos sujeitos do flagrante. È o flagrante forjado. II da Lei nº. 2005.. devidamente lavrado. extorsão mediante seqüestro.

a prisão preventiva somente se justifica em casos especiais. 95 . vinculado ou não a certas obrigações. b) Indícios suficientes da autoria. 315 do CPP.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Quanto ao prazo. 2006. que a decretação da prisão preventiva ocorrerá em qualquer fase do processo. Na forma do art. será de cinco dias. revogar a prisão preventiva. se o acusado for vadio ou for duvidosa a sua identidade (CAPEZ. o que tornará inviável a execução penal. verificar que os motivos que motivaram a prisão cautelar preventiva não mais existem. até mesmo no Inquérito Policial. 265 e 266) Portanto. Tem por finalidade impedir que o agente do crime perturbe ou impeça a produção das provas. ao analisar os fatos. Ressalte-se o alerta do autor. e sempre será decretada pelo juiz. de que o juiz poderá se for o caso. quando a lei admitir a liberdade provisória. Capez (2006. que analisando presentes os requisitos para a sua decretação. Impede a fuga do acusado. no decorrer do processo. ao juiz. LXVI da CF/88: ninguém será levado à prisão ou nela mantido. Quanto às hipóteses que pode ser decretada a prisão preventiva é: Garantia da ordem pública Tem por finalidade impedir que o agente que está solto continue a cometer crime. uma vez que deve ser evitada a punição antecipada do réu. 5º. p. p. podendo ela ser requerida pela autoridade policial ou pelo Ministério Público. poderá decretá-la. Conveniência da instrução criminal Garantia da aplicação da lei penal (CAPEZ. 271) conceitua a Liberdade Provisória como: Instituto processual que garante ao acusado o direito de aguardar em liberdade o transcorrer do processo até o trânsito em julgado. neste caso. prorrogável por igual prazo. 264) os pressupostos para a decretação da prisão cautelar preventiva: a)Prova da existência do crime (prova da materialidade delitiva). 266). deve ser sempre fundamentada. p. Enumera Capez (2006. ou apenados com detenção e. Liberdade Provisória Art. Prisão Preventiva A Prisão preventiva é prisão cautelar que tem como prerrogativa garantir o pleno desenvolvimento e futuro provimento da jurisdição. com ou sem fiança. afirma o autor que a prisão temporária varia de acordo com o crime cometido. No entanto. se. assegurados em lei. Considera o autor. 2006. mas em regra. p. Isso tudo atrelado aos fundamentos da cautelar que são o periculum in mora (perigo da demora) e a fumaça do bom direito. a decisão que decretar ou não a prisão preventiva do acusado. a Prisão Preventiva somente será admitida nos casos de crimes dolosos apenados com reclusão.

previstos na lei. até sentença que condene o acusado pela prática do crime. Fiança Capez (2006. até o trânsito em julgado da ação. objetos ou metais preciosos e títulos da divida pública. é a garantia que assegura a pessoa à liberdade e negativa de restrição de direito.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS podendo ser revogado a qualquer tempo. p. E se dividem em duas modalidades: a) por depósito: Consiste no depósito em dinheiro. A CF/88 garante a ampla liberdade da pessoa. 5º. Provisória sem Quando não há a necessidade de o agente prestar fiança para obter o beneficio da liberdade provisória. diante do descumprimento das condições impostas. LXVI da CF/88. deve-se levar em conta a infração cometida. Fiança: é um caução destinada a garantir o cumprimento das obrigações processuais do réu. Pode ser concedida desde a prisão em flagrante até o trânsito em julgado da sentença condenatória. 2006. 2006. pedras. com ou sem fiança. b) por hipoteca: (CAPEZ. A Liberdade Provisória poderá ser: • Liberdade fiança. 326 do CPP. na forma do art. p. 273) conceitua fiança como “um caução destinado a garantir o cumprimento das obrigações processuais do réu”. (CAPEZ. 274) Para que seja arbitrada a fiança. a fortuna do agente. 272 a 274) A Liberdade provisória. 96 . Desde que inscrita em primeiro lugar. como insuscetíveis de fiança. uma vez que a lei define que todos são inocentes. p. sendo a prisão uma forma excepcional que depende de autorização legal e fundamentação quando limitado o direito à liberdade do acusado. Provisória com Base legal: art. Crimes Inafiançáveis Crimes inafiançáveis são as espécies de crime. a sua vida pregressa e as circunstâncias indicativas de sua periculosidade. • Liberdade fiança.

p. a CF/88 expõe que os crimes praticados por grupos armados. 466) que são crimes inafiançáveis a prática do racismo. Como meio contraposto à prisão.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Em consonância com a norma constitucional.072/90). Vamos exercitar? 1) Classifique as espécies de prisão. 14. com ou sem fiança. Conclusão Neste tema. Comentário Para resolver o exercício. em regra.960/89. a prisão seja pela decretação de uma condenação transitada em julgado. art. que autoriza a prisão temporária. a prisão. b) A prisão temporária será decretada para garantir a aplicação da lei penal. quanto aos tipos de prisão. e que a regra absoluta é a plena liberdade de fazer o que a lei não proíbe. identifique a que se relaciona com a autorização legal da prisão temporária. XLIII e a Lei nº. ou a prisão cautelar. 2) Das alternativas que seguem. a prática de tortura e mais recentemente na lei nº. você deverá analisar o CPP. tráfico de drogas e terrorismo (art. 10. expõe Oliveira (2006. 8. assim como a Lei nº. 5º. civis ou militares. estudamos a prisão. Síntese da tema Estudamos. deve vir acompanhada de motivação (fundamentação) embasada na norma legal. 7. Alem dos crimes enumerados pelo doutrinador. 15 disparo de arma de fogo etc. Como forma de restringir a liberdades das pessoas. analisamos o instituto da liberdade provisória. tidos como inafiançáveis. uma vez que a CF/88 expõe que a prisão é a exceção às pessoas. os crimes hediondos. XLIV). e os crimes. suas espécies e pressupostos legais para ser decretada. suas classificações e pressupostos legais. 5º. são crimes inafiançáveis. c) O que define a decretação da prisão temporária é. neste tema. a) A prisão temporária se justifica quando imprescindível para a investigação policial dos fatos ocorridos no crime. suas espécies e seus pressupostos legais para serem admitidas. 97 . d) O Código de processo penal classifica a prisão temporária em flagrante próprio e flagrante impróprio. contra a ordem constitucional e o Estado Democrático (art. e art. o porte ilegal de arma de fogo de uso permitido. diferenciando cada uma delas. a prerrogativa de função do autor do crime. 826/03. como meio assegurador do processo de dos meios de prova.

suas formas e fundamentações. Assim como identificaremos a coisa julgada.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Informações sobre a próxima aula No próximo tema. Tema 05 98 . estudaremos a decisão judicial. a sentença. suas classificações e conceitos no mundo jurídico.

no artigo 162. § 1° que: “sentença é o ato pelo qual o juiz põe termo ao processo. é uma declaração de vontade emitida pelo juiz. levando-o a compreender em que consiste a diferença entre a coisa julgada material e a coisa julgada formal. portanto. p. tendo-se por escopo extinguir juridicamente a controvérsia. decidindo ou não o mérito da causa”. suas formas e conseqüências no mundo jurídico e na vida das partes. Além dessa análise. mediante a procedência ou 99 . apresentaremos a você o instituto da coisa julgada. e as suas modalidades. que tem por finalidade extinguir juridicamente a controvérsia (Capez. na sua forma material e processual. Assim. esperamos que você possa analisar como a formalização da sentença será capaz de acarretar conseqüências no mundo jurídico. neste tema. como fim do processo. O Código de Processo Penal não definiu Sentença propriamente dita. é o ato por meio do qual o juiz decide a lide. A sentença. em que ele exprime uma ordem que derivará da lei e será aplicada ao caso concreto. por esta razão. Identificar a coisa julgada. 2006. 419). suas formas e espécies. assim como identificar a jurisdição e a competência no Direito Processual Penal. pondo fim ao processo com o julgamento do mérito. ao final deste tema. você seja capaz de: • • Entender o que é sentença penal. você estudará a sentença penal. Objetivos Esperamos que.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS A Sentença e a Coisa Julgada Meta do tema Identificação da sentença penal. Pre-requisito Para melhor entender este tema você deverá ter conhecimento do que é processo e procedimento. por sua natureza. A sentença. A Sentença É a sentença a consumação da função jurisdicional na aplicação da lei ao caso concreto exigido. assim como a entender o instituto da coisa julgada. o qual dispõe. tornou-se clássico o uso do conceito adotado pelo Código de Processo Civil. Introdução Caro aluno.

b)Interlocutórias mistas b)Absolutória c)Terminativa de mérito (CAPEZ. que dispõe emitida pelo juiz. por exemplo.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS improcedência do pedido. totalmente ou parcialmente. 1) Interlocutórias mistas não terminativas: são as que encerram ou uma etapa do procedimento. Em suma. sem que penetrem no mérito da causa. estabelecidos pela lei. 419 e 420). mas não acolhe nem a condenação nem a absolvição. p. § 3°. como por exemplo. Requisitos formais da sentença A sentença. é o ato pelo qual o juiz encerra em primeiro grau a Jurisdição (CAPEZ. sem o julgamento do mérito da causa. 100 . no seu artigo 81. Ocorre nos casos de rejeição de denúncia. p. 9. mas reconhece a prática da infração penal. 420). quando não for possível estabelecer initio litis da relação processual ou dar-lhe prosseguimento por inobservância dos pressupostos legais. a pronúncia nos processos do júri popular. 2) Interlocutórias mistas terminativas: são as que encerram a própria relação processual. a sentença que declara extinta a punibilidade. deve ser formulada de modo a respeitar os requisitos formais acerca dos Cumpre observar que a Juizados Especiais Criminais. de modo a demonstrar a pretensão de cada uma delas. 2006. sem extinguir o processo ou a fase procedimental. 419) as sentenças se classificam em sentido amplo (decisões interlocutórias) e em sentido restrito (decisão definitiva do mérito): Classificação da sentença Sentença em sentido amplo a)Interlocutórias simples: São aquelas que resolvem questões incidentes. Sentença em sentido restrito a)Condenatória Quando julga procedente. pois encerram o processo sem a solução da lide penal. p. dispensa o relatório na sentença que forem casos de sua competência. bem como é o ato que extingue o processo sem julgamento de mérito. para ter existência como pronunciamento da vontade Lei n. como por exemplo. Classificações das decisões Segundo Capez (2006. Julgam o mérito. também sem julgar o mérito. prisão preventiva etc. Própria: quando não impõe qualquer tipo de sanção. o recebimento da denúncia. sendo assim inexiste a necessidade do magistrado expor fatos irrelevantes no seu relatório. a pretensão punitiva. impondo ao réu medida de segurança. ocorre como.099/95. Imprópria: quando não acolhe a pretensão punitiva. O juiz deve fazer uma exposição sucinta das alegações das partes. 2006.

citando Hélio Tornaghi analisa os requisitos formais da sentença que se desdobram em: Requisitos Formais da sentença a) Relatório (ou exposição ou histórico) É requisito do artigo 381. omissão. A sentença deve estar completa. sendo considerada nula a sentença que deixa de considerar todos os fatos articulados na inicial acusatória. ambigüidade e contradição da decisão judicial. descrevendo a marcha procedimental e seus incidentes mais relevantes. incisos I e II. caso contrário. No inciso I do mesmo dispositivo. p. haja vista que é garantia constitucional de que os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário são públicos e fundamentados sob pena de nulidade.poderá complementar ou esclarecer alguma obscuridade na mesma. c) conclusão (ou parte dispositiva): É a decisão propriamente dita. do qual infere-se que o juiz está obrigado a indicar os motivos de fato e de direito que o levaram a tomar determinada decisão. cabe 101 . 420) Embargos declaratórios A sentença deve constituir-se numa peça completa.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Capez (2006. incisos IV e V. (TORNAGHI. do CPP. Constata-se. estabelece a exigibilidade de individuação das partes. sendo esta a autenticidade da sentença. que consiste no histórico do que ocorreu nos autos. apud CAPEZ. de modo que haja um entendimento claro e preciso além de coerente. 420). o magistrado deverá mencionar a indicação dos artigos e de leis aplicados e o dispositivo. tendo por rito uma petição da parte interessada. que está o magistrado obrigado a apreciar toda a matéria levantada pelo acusado e pelo ofendido. sob pena de nulidade se não o fizer. Embargos declaratórios é um recurso utilizado para corrigir a obscuridade. assim. Ela se encerra com a data e a assinatura do juiz. 2006. na qual o magistrado julga o acusado após a fundamentação da sentença. o magistrado deverá examinar todas as matérias suscitadas pela acusação e pela defesa. b) Motivação (fundamentação) O magistrado através dos embargos de declaração de sentença de primeiro grau. do CPP. isto é.Conforme dispõe o artigo 381. inciso III. em que se verifica a presença do Ministério Público. visto que só se faz coisa julgada entre partes determinadas nos autos. Requisito elencado no artigo 381. p.

dispostos na sentença. Contradição: ocorre quando conceitos e afirmações da decisão colidem ou operem-se entre si. Efeitos da Sentença 102 . dos 02(dois) dias. o que ele pretendeu dizer. 382 do CPP). vejamos:  Obscura: é a sentença sem clareza na sua redação. acórdão. pode haver contradição entre o relatório e a conclusão. explicita-se que os embargos de declaração interrompem o prazo do recurso. quando opostos contra Salienta-se. obscuridade. contradição ou omissão. ambígua. caberão embargos de declaração no prazo de 05(cinco) dias. o embargos declaratórios não possuem caráter de infringentes do julgado. Requisitos para a oposição dos Embargos Como é cediço. que não produz efeitos a sentença proferida por juiz destituído de jurisdição. como dispõe o artigo 83 e parágrafo da Lei n. observada a nova redação determinada pela Lei n. suspensivo ou interruptivo. contados da intimação da sentença. isto é. que poderá ser interposto tanto pelo Ministério Público ou pela parte interessada. não tendo qualquer efeito. visto que os embargos suspenderão (e não interromperão) o prazo para o recurso. visto que estas são inexistentes. visto que não modificam. Efeito dos embargos: apesar do CPP não ter disposto expressamente. os efeitos. não corrigem.   Ambigüidade: é a decisão que comportar duas ou mais interpretações em qualquer dos seus pontos. Difere também. (art.8. O escopo dos embargos de declaração consiste na correção dos erros materiais e contradições. p. 9. bem como a proferida quando o juiz estava de férias ou logo após sua promoção para outra comarca. aplicando-se analogicamente o consignado no artigo 538 do CPC. contraditória e omissiva.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS embargos declaratórios da sentença de primeiro grau. 422) que caberão embargos quando a sentença for obscura.950/94. • • Prazo para os embargos: O prazo para o pedido de declaração será de 02(dois) dias. ambigüidade. quando interpostos da sentença. • Os embargos corrigem omissões. Nas infrações de competência dos Juizados Especiais Criminais. Afirma Capez (2006. de modo que não há como precisar qual o posicionamento do juiz.  Omissão: ocorrer quando a decisão deixa de dizer o que era indispensável fazê-lo. ao invés. nem reduzem ou ampliam a sentença ora prolatada.099/95. como também entre a motivação e a conclusão.

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O poder jurisdicional do magistrado esgota-se com a sentença, não podendo o mesmo praticar qualquer ato jurisdicional, a não ser a correção de erros materiais, segundo consignado no artigo 382 do CPP, bem como não poderá anular a sentença que proferiu. Ressalte-se que é efeito da sentença a saída do juiz da relação processual; assim, uma vez transitada em julgado a sentença deverá a relação ser extinta, como também, se houver recurso o órgão jurisdicional competente passa a ser o tribunal ad quem. Segundo Capez (2006, p. 423), “uma vez prolatada a sentença cria impedimento do juiz que a proferiu de oficiar no processo quando em instância recursal”. Assim, o juiz fica impedido automaticamente em atuar processo, visto que o processo estará com juiz de superior instância, bem como será encaminhado para a câmara onde ele se encontra. Segundo Capez (2006, p. 423), a doutrina ressalta ainda a existência do chamado “efeito autofágico da sentença”, este ocorre quando a decisão estatui uma pena que permite a decretação da prescrição retroativa, trazendo em seu interior um elemento que a autodestruirá, ficando a partir deste momento com seus efeitos afetados pela causa extintiva de punibilidade. Princípio da correlação ou princípios da sentença Fernando Capez (2006, p. 423) afirma que “a sentença deve ter uma relação com a denúncia e a queixa”, visto que é nesta que se expõe ao Estado – Juiz a pretensão punitiva, de modo a descrever o fato criminoso e as suas circunstâncias e decidir sobre quem recairá esta imputação. Deve haver sempre uma correlação entre o fato descrito e o fato pelo qual o réu será condenado, sendo assim verifica-se que este princípio é garantidor do direito de defesa do acusado. O magistrado não poderá julgar o acusado extra petita, ultra petita ou citra petita, os seja, o juiz está vinculado à denúncia, de modo que ele não poderá julgar o réu por fato de que não foi acusado, não podendo, portanto, desvincular-se da inicial acusatória.
A análise judiciária deverá abarcar com toda a acusação, assim, na hipótese de imputação de dois ou mais delitos, em concurso, deve a sentença ser explícita, na configuração de cada um deles, descrevendolhes os aspectos fáticos e jurídicos que ensejaram sua convicção. Prescrição retroativa será conteúdo discutido no caderno de estudos de Direito penal (tema 05): Extinção da Punibilidade.

Emendatio libelli
Salienta-se, num primeiro momento, que o CPP não adotou de modo absoluto o princípio da mutatio libelli (alteração do libelo), permitindo que a sentença possa considerar na capitulação do delito dispositivos penais diversos dos expostos na denúncia, visto que o acusado se defende do fato criminoso que lhe é imputado e não dos artigos da lei com que ele é classificado na peça inicial (Capez, 2006, p.424). Nesse sentido, dispõe o artigo 383 do CPP: “O juiz poderá dar ao fato definição jurídica diversa da que constar da queixa ou da denúncia, ainda que, em conseqüência, tenha de aplicar pena mais grave”. 103

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Sendo assim, infere-se que houve uma mera emenda na acusação, consistente na alteração da sua classificação legal, isto é, uma simples corrigenda da peça acusatória.

Vê-se que o que é relevante é a correta descrição do fato, podendo o magistrado emendar a acusação para dar-lhe a classificação que julgar mais pertinente, mesmo que imponha pena mais severa (Capez, 2006, p. 424). Não há qualquer limitação para a aplicação da emendatio libelli em segunda instância, somente se o Tribunal der nova definição jurídica que implique em prejuízo ao réu, na hipótese de recurso exclusivo da defesa, visto que afrontaria o princípio da reformatio in pejus (Capez, 2006, p.424). Verifica-se que pode o juiz condenar o acusado pelo delito segundo a definição jurídica (classificação do crime) que entende cabível e não por aquela disposta na denúncia, desde que comprovados os fatos e as circunstâncias narradas na peça vestibular.

Mutatio libelli
O mutatio libeli ocorre quando, durante a instrução do processo, ficar provado a existência de crime diferente do narrado na denúncia ou queixa-crime, ou seja, a existência de elementos essenciais que não fazem parte da denúncia, nem expressa nem implicitamente, tal que não pode a sentença ser proferida de imediato, em respeito ao princípio da mutatio libelli. Quando se fala de mutatio libelli, refere-se à mudança na acusação, ou seja, em modificação da descrição fática constante da peça inaugural, constituindo, portanto, alteração da narrativa acusatória (Capez, 2006, p.425). Assim, infere-se que a mutatio libelli implica o surgimento de uma prova nova, desconhecido ao tempo da ação penal, levando assim a uma readequação dos fatos expostos na queixa ou na denúncia. Isto significa que não poderá o Julgador, condenar o acusado por crime diverso do que foi arrolado na denúncia ou na queixa sem a providência elencada no artigo 384, sob pena de nulidade. Desta feita, a providência prevista no dispositivo mencionado é obrigatória mesmo que deva ser aplicada a pena menos gravosa, visto que é direito do réu saber qual a nova acusação a qual lhe está sendo imputado. Segundo Capez (2006, p. 426) o principio da mutatio libelli ocorre em duas situações:

a) “Mutatio libelli” com aditamento

Ocorre quando o juiz vislumbra circunstancias elementares que indica a ocorrência de um crime mais grave do que aquele indicado na peça inicial (O artigo 384, parágrafo único do CPP).

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b) Providências do juiz para a “mutatio libelli” com aditamento

a) baixar os autos para que o Ministério Público possa aditar a denúncia, incluindo o relato das novas circunstâncias que não haviam sido descritas, de pronto. Sendo assim, vale amoldar a acusação aos novos termos, acrescendo-se as circunstâncias que a agravam. b) abrir o prazo de três dias à defesa que poderá oferecer prova, arrolando inclusive até três testemunhas. Observa-se neste caso a Súmula 453 do STF, que dispõe: “Não se aplicam à segunda instância o art.384 e parágrafo único do Código de Processo Penal, que possibilitam dar nova definição jurídica ao fato delituoso, em virtude de circunstância elementar não contida explícita ou implicitamente na denúncia ou queixa”.

(CAPEZ, 2006, p. 426)

Caso o promotor, não promova o aditamento da denúncia na forma da lei, deverá o juiz encaminhar os autos ao Procurador Geral de Justiça. Ressaltese que a regra do art. 384, parágrafo único do CPP, só será aplicável na hipótese de ação penal pública e ação penal privada subsidiária da pública, sendo, portanto, inadmissível que o magistrado determine abertura de vista ao MP para aditar a queixa e ampliar a imputação, na ação penal exclusivamente privada (Capez, 2006, p. 426). O Juiz poderá, afirma ainda o autor, nos crimes de ação penal pública prolatar sentença condenatória, mesmo que o Ministério Público tenha opinado pela absolvição, bem como também reconhecer agravantes, embora essas não tenham sido suscitadas.

Sentença absolutória
A sentença será absolutória quando o magistrado expõe as razões da improcedência da acusação, fundamentado no artigo 386 do CPP. Observa ainda o autor que o artigo 386 do CPP não é taxativo. (CAPEZ, 2006, p. 427).

Diz-se, ainda, que o réu pode apelar da própria sentença absolutória, com o escopo de se mudar o fundamento legal da sua absolvição.

Casos de Ocorrência de absolvição (art. 386 do CPP)
I - Quando está comprovado que o fato imputado ao acusado não ocorreu: Depreende-se que fique comprovado na sentença que houve inexistência de nexo causal entre a conduta do acusado e o resultado, bem como exige a prova categórica de que o acusado não foi o autor da infração. Neste caso, há lugar a absolvição quando o juiz reconhece não haver prova da existência do fato. O acusado será absolvido, também, quando o fato não constituir infração penal. A absolvição se impõe pela inexistência de prova de que o réu tenha concorrido para a infração. O acusado será absolvido quando existir Salienta-se que há possibilidade de haver indenização civil, visto que o que não se configura como ilícito penal pode ser ilícito civil.

II - Quando houver provas da existência do fato:

III - Não constitui o fato infração penal:

IV - Não existir prova de ter o réu concorrido para infração penal:

V - Existir circunstância que exclua o

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por força do art. a existência do jus puniendi do Estado. fica demonstrado no conjunto probatório. 428) são os previstos no artigo 386. Outras circunstâncias apuradas e tudo o mais que deva ser levado em conta na aplicação da pena. pôr o réu em liberdade. II . Atenderá. de acordo com o disposto nos arts. 73. se for o caso. D.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS crime ou isente o réu da pena: circunstância que exclua o crime ou isente o réu de pena. A quantidade das principais e. se for o caso.Aplicará medida de segurança. B. produzindo os efeitos que serão determinantes para que o juiz tome as providências no caso concreto. ao disposto no Título Xl deste Livro. se presente. Determinará se a sentença deverá ser publicada na íntegra ou em resumo e designará o jornal em que será feita a publicação (art. Ocorre a sentença condenatória quando o fato típico. quanto à aplicação provisória de interdições de direitos e medidas de segurança. VI . § 1o. embora não comprovadas. levam ao princípio do in dúbio pro reo. a periculosidade real e imporá as medidas de segurança que no caso couberem. p. p 428): 106 . Quando houver dúvida quanto à existência de causas excludentes da ilicitude ou da culpabilidade alegadas e que. 387 do CPP. Os efeitos da sentença absolutória. 2006.Ordenará a cessação das penas acessórias provisoriamente aplicadas. segundo Capez (2006. segundo Capez (2006. O juiz. III . p. porque nega. no caso concreto. 427) Efeitos da sentença absolutória A sentença absolutória tem natureza declaratório-negativo. 42 e 43 do Código Penal.Não existir prova suficiente para a condenação: (CAPEZ. antijurídico e culpável. e cuja existência reconhecer. Efeitos da sentença condenatória São efeitos da sentença condenatória. E. C. Declarará. Sentença condenatória A sentença condenatória é a que acolhe total ou parcialmente o pedido acusatório do autor da ação penal. mencionará na sentença: A. se cabível. do Código Penal). a duração das acessórias. As circunstâncias agravantes ou atenuantes definidas no Código Penal. o qual dispõe que: I – Mandará. F. parágrafo único.

a partir do momento em que terminar de ser ditada pelo juiz. por força do art. III .ao defensor constituído pelo réu. 92 do CP.. p. 2006.429). • Inalterabilidade ou retificação da sentença Após a publicação. a intimação será feita mediante edital com o prazo de 10 (dez) dias. não pode mais o juiz alterar a sentença por ele prolatada. I . é meramente declaratória. da Constituição Federal. • Intimação da sentença O escrivão. 107 . c) Outros efeitos previstos no art. pessoalmente. Se. d) Prisão do réu. ou. afiançável. pessoalmente ou na pessoa de seu advogado. II . 2006. p. tiver prestado fiança. 5º. e assim o certificar o oficial de justiça. com as exceções legais: • Através de embargos declaratórios. segundo Fernando Capez (2006. CPP). tornando-se irretratável. pessoalmente. a infração. 1ª parte) (Capez. p. se estiver preso. se este. Publicação É necessário que a sentença. em audiência. 430). e) Lançamento no rol dos culpados: após transito em julgado da sentença penal condenatória. dentro de 3 (três) dias após a publicação.ao réu. não tiver sido encontrado. O querelante ou o assistente será intimado da sentença. 428). sendo afiançável a infração. Se nenhum deles for encontrado no lugar da sede do juízo. 2006.ao réu. quando se livrar solto. e não com a sentença. b) Perda de instrumentos ou produtos do crime. uma vez que a obrigação de reparar o dano surge com o crime.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS a) Certeza da obrigação de reparar o dano resultante da infração: neste ponto a sentença. dará conhecimento da sentença ao órgão do Ministério Público (Capez. para que produza seus efeitos legais seja publicada (art. p. 392. afixado no lugar de costume (Capez. LVII.430). expedido o mandado de prisão. ou não. e sob pena de suspensão de 5 (cinco) dias. o juiz agir de oficio). A intimação da sentença será feita (art. ou ao defensor por ele constituído. 389. Para corrigir erros materiais (podendo neste último caso. Deverá ocorrer quando: • É recebida no cartório pelo escrivão.

operando-se somente dentro da relação processual em que a decisão foi prolatada. e assim o certificar o oficial de justiça. quando nas sentenças de mérito. Portanto. e assim o certificar o oficial de justiça.mediante edital. nos casos do no II. Identidade do fundamento.mediante edital. Verifica-se que para que haja caracterização da coisa julgada há exigibilidade de que figure: A. C. Classificação da coisa julgada A Coisa julgada se classifica.mediante edital. Identidade de partes. 381) em coisa julgada formal e coisa julgada material: • Coisa julgada formal: é aquela que se perfaz quando estão esgotados todos os recursos cabíveis. assim. não tendo constituído defensor. mas também acarretando a proibição de outra decisão sobra a mesma causa em outro eventual processo. Identidade do pedido. isto é. VI . marcada pela imutabilidade e irrecorribilidade”. com o escopo de que o imperativo jurídico contido no seu corpo tenha força de lei entre as partes. estiverem esgotados os recursos. É a imutabilidade da sentença como ato processual. Coisa julgada Considera-se coisa julgada a imutabilidade da sentença ou de seus efeitos.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS IV . nos casos do no III. p. todas as decisões terminativas fazem coisa julgada formal quando extintas as vias recursais. se o defensor que o réu houver constituído também não for encontrado. • Coisa julgada material: será coisa material. não for encontrado. V . refletindo a imutabilidade da sentença no processo onde foi proferida e tem efeito preclusivo que impede nova discussão sobre o fato no mesmo 108 . se o réu. a coisa julgada material é a imutabilidade da sentença ou de seus efeitos não só no mesmo processo porque extinguiram-se as vias recursais. se o réu e o defensor que houver constituído não forem encontrados. 381) define coisa julgada como “uma qualidade dos efeitos da decisão final. B. Capez (2006. segundo Capez (2006. p. a coisa julgada formal impede o reexame da decisão dentro do processo. e assim o certificar o oficial de justiça.

estudamos os requisitos formais da sentença penal e podendo-se destacar entre esses. os efeitos da condenação e da absolvição e as causas que podem levar a estas. da mutatio libelli e da coisa julgada. responda as questões abaixo: 1ª Questão: Que são decisões interlocutórias simples? 2ª Questão: que são sentenças absolutórias? 3ª Questão: Que se entende por sentença terminativa de merito? 4ª Questão: como podem ser classificadas as sentenças quanto ao órgão que as prolata? 5ª Questão: Que se entende por principio da correlação? Comentário Os exercícios propostos servirão como apoio a sua pesquisa durante o estudo do tema. de modo que são elencados os requisitos formais. ensejando a exceção de coisa julgada. No decorrer do estudo deste tema. da emendatio libelli . a indicação dos motivos de fato e de direito em que se fundar a decisão. Vamos exercitar? Analisando o tema relativo a sentença. verificou-se que a sentença penal é tratada entre os artigos 381 e 393 do Código de Processo Penal. como também a exposição sucinta da acusação e da defesa. pelo menos a indicação necessária que possa identificá-las. 2006. observa-se à data e a assinatura do magistrado. p.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS processo. bem como ato resultante do exercício da função jurisdicional invocada pela parte lesada em seu direito (Capez. e que devem ser observados os elementos característicos listados na 109 . como ato declaratório do direito aplicável à matéria controversa. quando não for possível. ao mesmo tempo em que irá prepará-lo para a disciplina Direito Processual Penal II. Síntese do tema No decorrer deste tema. que você estudará no próximo semestre. 419). enquanto que a coisa julgada material torna imutável a decisão fora do processo. a indicação dos artigos de lei aplicados. o dispositivo e. Conclusão Uma Sentença prolatada por um juiz traduz a manifestação humana devidamente documentada. os nomes das partes ou. como também as formas de intimação. por fim. Estudamos também que a sentença exige seqüencialidade de atos.

pois muito se tem para aprender. porém. a motivação e o dispositivo ou conclusão. Quanto aos Aqui encerramos nosso trabalho escrito.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS mesma. respeitando uma ordem pré-determinada. não se pode encerrar a vontade de pesquisar. 110 . que podem ser traduzidas como: o relatório.

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