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FUNDAMENTOS DE MÁQUINAS ELÉTRICAS I Wanderley M.S.Bazan 1

FUNDAMENTOS

DE

MÁQUINAS ELÉTRICAS I

FUNDAMENTOS DE MÁQUINAS ELÉTRICAS I Wanderley M.S.Bazan 1

Wanderley M.S.Bazan

FUNDAMENTOS DE MÁQUINAS ELÉTRICAS I Wanderley M.S.Bazan 1

ELETROMAGNETISMO - Cargas Positivas e Negativas Os elétrons na faixa exterior de um átomo são deslocados facilmente pela aplicação de alguma força externa. Os elétrons que são forçados para fora de suas órbitas podem resultar na falta de elétrons no átomo de onde saem e em um excesso no átomo para onde vão. A falta dos elétrons cria uma carga positiva porque há mais prótons do que elétrons e o excesso dos elétrons cria uma carga negativa.

elétrons e o excesso dos elétrons cria uma carga negativa. Atração e Repulsão Em eletricidade, o

Atração e Repulsão Em eletricidade, o velho ditado “os opostos se atraem” é verdadeiro. Todos os corpos carregados eletricamente possuem um campo invisível ao seu redor. Quando dois corpos carregados com cargas iguais são colocados juntos, seus campos elétricos trabalharam para repelí-los e quando dois corpos carregados com cargas contrárias são colocados juntos, seus campos elétricos trabalharam para atraí-los. O campo elétrico em torno de um corpo carregado é representado por linhas invisíveis de força e estas linhas representam um campo elétrico invisível que causa a atração e a repulsão.

elétrico invisível que causa a atração e a repulsão. Magnetismo Denominamos de magnetismo, as linhas invisíveis

Magnetismo Denominamos de magnetismo, as linhas invisíveis de força criadas pelos ímãs naturais e pelos eletroímãs. Os três tipos mais comuns de imãs naturais são a magnetita, artificial agulha de bússola. Os ímãs possuem duas características principais, atraem e se prendem ao ferro e se livres para se moverem como a agulha da bússola, apontam para os pólos norte e sul.

Linhas do Fluxo Magnético Cada ímã possui dois pólos, um pólo norte e um pólo

Linhas do Fluxo Magnético Cada ímã possui dois pólos, um pólo norte e um pólo sul. As linhas invisíveis do fluxo magnético saem do pólo norte e entram no pólo sul. Mesmo que as linhas do fluxo sejam invisíveis, os efeitos do campo magnético gerado pelas mesmas, pode se tornar visível. Se colocarmos uma folha de papel sobre um ímã natural ou sobre um eletroímã, e despejarmos limalha de ferro sobre essa folha, as limalhas de ferro arranjar-se-ão ao longo das linhas invisíveis do fluxo.

arranjar-se-ão ao longo das linhas invisíveis do fluxo. Extraindo as linhas na maneira como as limalhas

Extraindo as linhas na maneira como as limalhas de ferro se arranjaram, teremos a seguinte imagem:

limalhas de ferro se arranjaram, teremos a seguinte imagem: As linhas tracejadas indicam o trajeto das

As linhas tracejadas indicam o trajeto das linhas do fluxo magnético. As linhas do campo existem dentro e fora do ímã e formam sempre laços fechados. As linhas magnéticas do fluxo saem do pólo norte e entram no pólo sul, retornando ao pólo norte através do ímã. Interação entre dois ímãs Quando dois ímãs são aproximados, o fluxo magnético em torno destes irá causar uma interação entre os mesmos. Se os ímãs forem aproximados com os pólos contrários, os mesmos iram se atrair e se forem com os pólos iguais iram se repelirem.

Eletroímã Uma bobina de fio condutor, percorrida por uma corrente elétrica age como um ímã.

Eletroímã Uma bobina de fio condutor, percorrida por uma corrente elétrica age como um ímã. Os laços individuais da bobina agem como pequenos ímãs. Os campos individuais se somam formando o campo principal. A força do campo pode ser aumentada adicionando mais voltas à bobina ou ainda, se ainda se aumentarmos a corrente que circula pela mesma.

se ainda se aumentarmos a corrente que circula pela mesma. Noções fundamentais Motores elétricos Motor elétrico

Noções fundamentais

Motores elétricos Motor elétrico é a máquina destinada a transformar energia elétrica em energia mecânica. O motor de indução é o mais usado de todos os tipos de motores, pois combina as vantagens da utilização de energia elétrica - baixo custo, facilidade de transporte, limpeza e simplicidade de comando - com sua construção simples, custo reduzido, grande versatilidade de adaptação às cargas dos mais diversos tipos e melhores rendimentos. Os tipos mais comuns de motores elétricos são:

a) Motores de corrente contínua São motores de custo mais elevado e, além disso, precisam de uma fonte

de corrente contínua, ou de um dispositivo que converta a corrente alternada comum em contínua. Podem funcionar com velocidade ajustável entre amplos limites e se prestam a controles de grande flexibilidade e precisão. Por isso, seu uso é restrito a casos especiais em que estas exigências compensam o custo muito mais alto da instalação.

b) Motores de corrente alternada

São os mais utilizados, porque a distribuição de energia elétrica é feita normalmente em corrente alternada. Os principais tipos são:

- Motor síncrono: Funciona com velocidade fixa; utilizado somente para grandes potências (devido ao seu alto custo em tamanhos menores) ou quando se necessita de velocidade invariável.

- Motor de indução: Funciona normalmente com uma velocidade constante, que varia ligeiramente com a carga mecânica aplicada ao eixo. Devido a sua grande simplicidade, robustez e baixo custo, é o motor mais utilizado de todos, sendo adequado para quase todos os tipos de máquinas acionadas, encontradas na prática. Atualmente é possível controlarmos a velocidade dos motores de indução com o auxílio de inversores de freqüência.

Motor síncrono

É um motor elétrico cuja velocidade de rotação é proporcional à frequência da sua alimentação. Este motor pode ter seu rotor constituído por um eletroimã e ser alimentado por CC(corrente contínua) ou constituído por imãs permanentes. Como o campo magnético do rotor independe do campo magnético do estator, quando o campo magnético do rotor tenta se alinhar com o campo magnético girante do estator, o rotor adquire velocidade proporcional a frequência da alimentação do estator e acompanha o campo magnético girante estabelecido no mesmo, sendo por este motivo denominado síncrono. O aumento ou diminuição da carga não afeta sua velocidade. Se a carga ultrapassar os limites nominais do motor, este pára definitivamente. Plantas industriais geralmente possuem predominância de cargas reativas indutivas tais como motores de indução de pequeno porte ou de baixa velocidade de rotação as quais requerem considerável quantidade de potência reativa consumida como corrente de magnetização. Embora seja possível usar- se capacitores para suprir a necessidade de potência reativa, havendo a possibilidade, é freqüentemente preferível a utilização de motores síncronos como fonte de potência reativa. No caso de motores síncronos em que o rotor é constituído por um eletroimã, é possível controlar a potência reativa fornecida ou consumida pelo motor controlando o circuito que alimenta o rotor. Este circuito é chamado de circuito de excitação da máquina. Sendo assim, os motores síncronos podem tanto atuar como um dispositivo que absorve potência reativa (motor sub-excitado), e no caso operar como uma

carga reativa, como também atuar como fonte de potência reativa fornecendo

dentro de seus limites reativos para a rede elétrica (motor sobre-excitado).

O controle da potência ativa que é consumida ou fornecida pelo motor ou

gerador síncrono é feito pelo controle da potência mecânica entregue ou consumida pelo eixo do motor. Alguns motores síncornos nao são auto-suficientes na partida, necessitando ser levados próximos a sua rotação nominal, através de um outro motor. Quando este alcança a velocidade próxima a rotação de trabalho, seu rotor é então alimentado e ele rapidamente alcança a velocidade de sincronismo.

e ele rapidamente alcança a velocidade de sincronismo. Motor assíncrono Motor síncrono Constituição do Motor de

Motor assíncrono

Motor síncrono

Constituição do Motor de Indução

O motor assíncrono é constituído basicamente pelos seguintes elementos: um

circuito magnético estático, constituído por chapas ferromagnéticas empilhadas e isoladas entre si, ao qual se dá o nome de estator; por bobinas localizadas

em cavidades abertas no estator e alimentadas pela rede de corrente alternada; por um rotor constituído por um núcleo ferromagnético, também laminado, sobre o qual se encontra um enrolamento ou um conjunto de condutores paralelos, nos quais são induzidas correntes provocadas pela corrente alternada das bobinas do estator.

O rotor é apoiado num veio, que por sua vez transmite à carga a energia

mecânica produzida. O entreferro (distância entre o rotor e o estator) é bastante reduzido, de forma a reduzir a corrente em vazio e, portanto as

perdas, mas também para aumentar o fator de potência em vazio. Como exemplo apresentamos a "projeção" dos diversos elementos o motor assíncrono de rotor em gaiola de esquilo.

Motor assíncrono Funcionamento de um Motor Assíncrono A partir do momento que os enrolamentos localizados

Motor assíncrono

Funcionamento de um Motor Assíncrono A partir do momento que os enrolamentos localizados nas cavidades do estator são sujeitos a uma corrente alternada, gera-se um campo magnético no estator, consequentemente, no rotor surge uma força eletromotriz induzida devido ao fluxo magnético variável que atravessa o rotor. A f.e.m. induzida dá origem a uma corrente induzida no rotor que tende a opor-se à causa que lhe deu origem, criando assim um movimento giratório no rotor.

deu origem, criando assim um movimento giratório no rotor. Como podemos constatar o princípio de funcionamento

Como podemos constatar o princípio de funcionamento do motor de indução baseia-se em duas leis do Eletromagnetismo, a Lei de Lenz e a Lei de Faraday.

Faraday: "Sempre que através da superfície abraçada por um circuito tiver lugar uma variação de fluxo, gera-se nesse circuito uma força eletromotriz induzida. Se o circuito é fechado será percorrido por uma corrente induzida". Lenz: "O sentido da corrente induzida é tal que esta pelas suas ações magnéticas tende sempre a opor-se à causa que lhe deu origem".

Conceitos básicos

São apresentados a seguir os conceitos de algumas grandezas básicas, cuja compreensão é necessária para melhor acompanhar as explicações das outras partes deste manual. Conjugado

O conjugado (também chamado torque, momento ou binário) é a medida do

esforço necessário para girar um eixo.

É

semelhante ao usado em poços - ver figura 1 - a força F que é preciso aplicar à manivela depende do comprimento l da manivela. Quanto maior for a manivela, menor será a força necessária. Se dobrarmos o tamanho l da manivela, a força F necessária será diminuída à metade. No exemplo da figura 1, se o balde pesa 20N e o diâmetro do tambor é

0,20m, a corda transmitirá uma força de 20N na superfície do tambor, isto

é, a 0,10m do centro do eixo. Para contrabalançar esta força, precisam de

sabido, pela experiência prática que, para levantar um peso por um processo

10N na manivela, se o comprimento l for de 0,20m. Se l for o dobro, isto

é, 0,40m, a força F será a metade, ou seja 5N.

Como vemos, para medir o “esforço” necessário para girar o eixo não basta definir a força empregada: é preciso também dizer a que distância do eixo a

força é aplicada. O “esforço” é medido pelo conjugado, que é o produto da

força pela distância, F x l.

No exemplo citado, o conjugado vale:

C = 20N x 0,10m = 10N x 0,20m = 5N x 0,40m = 2,0N.m.

C = F . l

( N . m )

x l . No exemplo citado, o conjugado vale: C = 20N x 0,10m = 10N

Figura 1

Energia e potência mecânica

A potência mede a “velocidade” com que a energia é aplicada ou consumida.

No exemplo anterior, se o poço tem 24,5 metros de profundidade, a energia

gasta, ou trabalho realizado para trazer o balde do fundo até a boca do poço

é sempre a mesma, valendo 20N x 24,5m = 490Nm (note que a unidade

de medida de energia mecânica, Nm, é a mesma que usamos para o conjugado - trata-se, no entanto, de grandezas de naturezas diferentes, que não devem ser confundidas).

W = F . d

OBS.: 1Nm = 1J = W . t

( N . m )

A potência exprime a rapidez com que esta energia é aplicada e se calcula

dividindo a energia ou trabalho total pelo tempo gasto em realizá-lo. Assim, se usarmos um motor elétrico capaz de erguer o balde de água em 2,0 segundos, a potência necessária será:

P 1 = 490/2,0 = 245W

Se usarmos um motor mais potente, com capacidade de realizar o trabalho em 1,3 segundos, a potência necessária será:

P 2 = 490/1,3 = 377W

A unidade mais usual para medida de potência mecânica é o cv (cavalovapor),

equivalente a 736W. Então as potências dos dois motores acima

serão:

245 1

P 1 = —— = — cv

736 3

377

1

P 2 = —— = — cv

736

2

F . d

P mec = ———— ( W )

t

como, 1cv = 736W

então,

F . d

P mec = ———— ( cv ) 736 . t

Para movimentos circulares

C = F . r

( N.m )

π . d. n

v = ———— ( m/s )

60

F . d P mec = ———— ( cv ) 736 . t

onde:

C

= conjugado em Nm

F

= força em N

l = braço de alavanca em m

r

= raio da polia em m

v

= velocidade angular em m/s

d

= diâmetro da peça em m

n

= velocidade em rpm

Relação entre unidades de potência

P

(kW) = 0,736 . P (cv) ou

P

(cv) = 1,359 P (kW)

1KW/0,736CV

Energia e potência elétrica

Embora a energia seja uma coisa só, ela pode se apresentar de formas diferentes. Se ligarmos uma resistência a uma rede elétrica com tensão, passará uma corrente elétrica que irá aquecer a resistência. A resistência absorve energia elétrica e a transforma em calor, que também é uma forma de energia. Um motor elétrico absorve energia elétrica da rede e a transforma em energia mecânica disponível na ponta do eixo. Circuitos de corrente contínua

A “potência elétrica”, em circuitos de corrente contínua, pode ser obtida

através da relação da tensão ( U ), corrente ( I ) e resistência ( R )

envolvidas no circuito, ou seja:

através da relação da tensão ( U ), corrente ( I ) e resistência ( R

Onde:

U = tensão em volt

I = corrente em ampére

R

= resistência em ohm

P

= potência média em watt

Rendimento

O motor elétrico absorve energia elétrica da linha e a transforma em energia

mecânica disponível no eixo. O rendimento define a eficiência com que é feita esta transformação. Chamando “Potência útil” P u a potência mecânica disponível no eixo e “Potência absorvida” P a a potência elétrica que o motor retira da rede, o

rendimento será a relação entre as duas, ou seja:

rede, o rendimento será a relação entre as duas, ou seja: Ou Relação entre conjugado e

Ou

o rendimento será a relação entre as duas, ou seja: Ou Relação entre conjugado e potência

Relação entre conjugado e potência Quando a energia mecânica é aplicada sob a forma de movimento rotativo,

a potência desenvolvida depende do conjugado C e da velocidade de rotação n. As relações são:

MOTORES ELÉTRICOS MONOFÁSICOS (FASE AUXILIAR) Os motores monofásicos de fase auxiliar são um dos vários

MOTORES ELÉTRICOS MONOFÁSICOS (FASE AUXILIAR)

Os motores monofásicos de fase auxiliar são um dos vários tipos de motores monofásicos existentes. Utilizados principalmente em máquinas como motobombas, compressores, furadeiras, serras, cortadores de grama etc., são, em geral, máquinas de pequeno porte, já que são fabricados normalmente em potências de até 2 cv. É raro serem encontrados acima desta potência, pois a utilização de motores trifásicos fica economicamente mais viável.

O estator desses motores é constituído resumidamente por dois bobinados,

chamados bobinado principal (ou de trabalho) e bobinado auxiliar (ou de partida; arranque). Na partida do motor, os dois bobinados ficam energizados; tão logo o rotor atinja sua velocidade, o bobinado de arranque é desligado,

permanecendo em funcionamento somente as bobinas de trabalho.

A bobina de arranque do motor possui ligado em série consigo um capacitor e

um interruptor automático (e é normalmente feita com fio mais fino). O interruptor automático (na maioria dos motores formados por um interruptor centrífugo associado a um platinado, embora não seja o único modelo existente) desliga a bobina de arranque após a partida do motor. Já o capacitor faz com que surja no interior do motor um campo magnético girante, que impulsionará o motor a partir. Para que possa funcionar em duas tensões diferentes (110 ou 220 V), a bobina de trabalho desses motores é dividida em duas, tendo a possibilidade de as partes serem conectadas em série ou em paralelo, de acordo com a tensão da rede elétrica. Cada parte deve receber no máximo 110 V, que corresponde à menor tensão de funcionamento do motor (Figura 3). A inversão da rotação é feita invertendo-se o sentido da corrente na bobina auxiliar, ou seja, troca-se o terminal 5 pelo 6.

Motor monofásico de fase auxiliar Motor monofásico de fase auxiliar 2 pólos Ligações do motor

Motor monofásico de fase auxiliar

Motor monofásico de fase auxiliar Motor monofásico de fase auxiliar 2 pólos Ligações do motor monofásico

Motor monofásico de fase auxiliar 2 pólos

de fase auxiliar Motor monofásico de fase auxiliar 2 pólos Ligações do motor monofásico de fase

Ligações do motor monofásico de fase auxiliar para 110 e 220 V

MOTORES ELÉTRICOS TRIFÁSICOS São máquinas que produzem energia mecânica a partir de energia elétrica. Esses motores são alimentados por redes trifásicas, daí seu nome, tendo vários tipos e formas de ligações. Os motores elétricos trifásicos são os mais utilizados na indústria, por terem o melhor custo benefício na comparação com os demais (evidentemente que nas aplicações compatíveis).

MOTOR TRIFÁSICO DE MÚLTIPLAS VELOCIDADES Este tipo de motor proporciona velocidades diferentes em um mesmo

MOTOR TRIFÁSICO DE MÚLTIPLAS VELOCIDADES Este tipo de motor proporciona velocidades diferentes em um mesmo eixo. Na grande maioria, são para apenas um valor de tensão, pois as religações

disponíveis geralmente permitem apenas a troca das velocidades. A potência e

a corrente para cada rotação são diferentes. Existem basicamente dois tipos:

motor de enrolamentos separados e motor tipo Dahlander.

Motor de enrolamentos separados Baseado em que a rotação de um motor elétrico (rotor gaiola) depende do número de pólos magnéticos formados internamente em seu estator, este tipo de motor possui na mesma carcaça dois enrolamentos independentes e bobinados com números de pólos diferentes. Ao alimentar um ou outro, se terá duas rotações, uma chamada baixa e outra, alta. As rotações dependerão dos dados construtivos do motor, não havendo relação obrigatória entre baixa e alta velocidade. Exemplos: 6/4 pólos (1200 /1800 rpm); 12/4 pólos (600/1800 rpm), etc.

Atenção: Ao alimentar uma das rotações, deve-se ter o cuidado de que a outra esteja completamente desligada, isolada e com o circuito aberto, pelos seguinte motivos:

– não há possibilidade de o motor girar em duas rotações simultaneamente;

– nos terminais não conectados à rede haverá tensão induzida gerada pela

bobina que está conectada (neste sistema tem-se construído basicamente um transformador trifásico);

– caso circule corrente no enrolamento que não está sendo alimentado surgirá um campo magnético que interferirá com o campo do enrolamento alimentado;

– não é interessante que circule corrente no bobinado que não está sendo

utilizado, tanto por questões técnicas como econômicas (consumo de energia). Essas são as razões pela quais os enrolamentos destes motores são fechados internamente em estrela (Y).

Comparação de um motor dupla velocidade com um transformador trifásico Motor Dahlander É um motor

Comparação de um motor dupla velocidade com um transformador trifásico

Motor Dahlander É um motor com enrolamento especial que pode receber dois fechamentos diferentes, de forma a alterar a quantidade de pólos, proporcionando, assim, duas velocidades distintas, mas sempre com relação 1:2. Exemplos: 4/2 pólos (1800/3600 rpm); 8/4 (900/1800 rpm).

Exemplos: 4/2 pólos (1800/3600 rpm); 8/4 (900/1800 rpm). Bobinas e esquemas de ligação de um motor

Bobinas e esquemas de ligação de um motor Dahlander

rpm). Bobinas e esquemas de ligação de um motor Dahlander Polaridade do motor Dahlander Motor de

Polaridade do motor Dahlander Motor de tripla velocidade Um motor de três velocidades pode ser construído basicamente de duas formas: três enrolamentos separados ou um enrolamento comum com um Dahlander. É de extrema importância que o enrolamento Dahlander possa ser aberto no segundo caso, pois, caso contrário, surgirão correntes induzidas quando for

alimentado o enrolamento comum, que influenciarão no funcionamento do motor. Portanto, elas não podem existir. A razão para serem evitadas é que nesses motores tem-se exatamente o sistema de um transformador trifásico. Os motores com três enrolamentos preferencialmente são fechados em estrela para evitar os mesmos problemas. Caso necessitem da ligação triângulo, é obrigatória a possibilidade de interrompê-la quando não estiver sendo alimentada.

de interrompê-la quando não estiver sendo alimentada. Motores de três velocidades MOTOR DE ANÉIS O motor

Motores de três velocidades

MOTOR DE ANÉIS O motor de anéis tem um rotor que não está fechado em curto-circuito. Nele o rotor é bobinado e os terminais estão acessíveis externamente através de anéis coletores e escovas (carvão). Através das escovas (carvão), é inserida resistência ao circuito do rotor no instante da partida, que é diminuída aos poucos, conforme o motor vai atingindo velocidade, até que chegue a zero (curto). Neste momento, o comportamento é exatamente igual a um motor tipo gaiola.

velocidade, até que chegue a zero (curto). Neste momento, o comportamento é exatamente igual a um

Esquematização da ligação de um motor de rotor bobinado

Como todo motor de indução forma basicamente um transformador, onde o

estator é o primário e o rotor o secundário, e neste tipo específico o rotor não está em curto circuito, não há grande pico de corrente na partida do motor de anéis. A corrente de partida e a corrente nominal têm basicamente o mesmo valor se o motor parte sem carga. Evidentemente, quando parte com carga, há um aumento da corrente de partida, mas esta é muito baixa (Ip/In = 2,5) se com parada com motores de rotor em curto. Esse tipo de motor é indicado para partidas com carga, devido ao grande conjugado de partida. Pode ser usado também em máquinas que necessitam de controle de rotação, pois, conforme se retira ou insere resistência ao rotor, sua velocidade varia. Nesta situação deve-se compensar a carga no motor para evitar o sobreaquecimento, já que a auto-refrigeração (ventoinha) diminui.

O valor das resistências de partida, bem como suas potências, devem ser

dimensionados especificamente para cada motor conforme as necessidades de torque na partida. Na placa de identificação pode-se ver a tensão e a corrente do rotor, valores que servirão de bases para cálculos.

O comando dos circuitos para a instalação desses motores deve ser projetado

para que o motor não dê partida se as resistências não estiverem na posição exata (máxima resistência), para evitar o uso incorreto. Estes motores são mais caros que os de rotor em curto, e exigem maiores cuidados de manutenção. Os inversores de freqüência e os soft-starters têm tomado o mercado deles. CARACTERÍSTICAS ELÉTRICAS E MECÂNICAS DOS MOTORES TRIFÁSICOS Um motor elétrico é acompanhado de uma placa de identificação onde são informados suas principais características. Outras precisam ser obtidas com o fabricante através de catálogos ou consultas diretas. Destacam-se nas características dos motores elétricos trifásicos:

TENSÃO DE FUNCIONAMENTO

A grande maioria dos motores elétricos são fornecidos com os terminais

religáveis, de modo que possam funcionar ao menos em dois tipos de tensões.

No presente capítulo descrevem-se os principais tipos de religações. Ligação estrela-triângulo Este tipo de ligação exige seis terminais do motor, e serve para quaisquer tensões nominais duplas, desde que a segunda seja igual à primeira

multiplicada por

desde que a segunda seja igual à primeira multiplicada por . (Exemplos: 220/380 V - 380/660

.

(Exemplos: 220/380 V - 380/660 V - 440/760 V)

Nota: Uma tensão acima de 600 V não é considerada baixa tensão; está na faixa de alta tensão, onde as normas são outras. Nos exemplos 380/660 V e 440/760 V a tensão maior declarada serve somente para indicar que o motor pode ser ligado em estrela-triângulo, pois não existem linhas nesses valores.

Bobinas e ligações de um motor trifásico de seis terminais Ligação série-paralelo Este tipo de

Bobinas e ligações de um motor trifásico de seis terminais

Ligação série-paralelo Este tipo de ligação exige nove terminais no motor, e é usado com tensões nominais duplas, sendo a segunda o dobro da primeira. Existem basicamente dois tipos de religações para estes motores: estrela / duplo estrela e triângulo / duplo-triângulo. Os motores de doze terminais não possuem ligações internas entre bobinas, o que possibilita os quatro tipos de religação externamente no motor. As possíveis são 220, 380, 440 e 760*V (*somente para partida).

são 220, 380, 440 e 760*V (*somente para partida). Bobinas e ligações de um motor trifásico

Bobinas e ligações de um motor trifásico de doze terminais

CORRENTES NO MOTOR TRIFÁSICO O motor trifásico é um consumidor de carga elétrica equilibrada. Isto significa que todas as suas bobinas são iguais, ou seja, têm a mesma potência, são para mesma tensão e, conseqüentemente, consomem a mesma corrente. Logo, as correntes medidas nas três fases sempre terão o mesmo valor. Internamente as correntes nas bobinas de um mesmo motor sempre serão iguais, independentemente para qual tensão este for conectado. Já na rede (externamente, nos terminais de alimentação) os valores serão diferentes para cada tensão.

Comportamento da corrente nas ligações estrela e triângulo Corrente nominal (In) A corrente nominal é

Comportamento da corrente nas ligações estrela e triângulo

Corrente nominal (In)

A corrente nominal é lida na placa de identificação do motor, ou seja, aquela

que o motor absorve da rede quando funcionando à potência nominal, sob

tensão e freqüência nominais.

Quando houver mais de um valor na placa de identificação, cada um refere-se

a tensão ou a velocidade diferente.

Corrente de partida (Ip/In) Os motores elétricos solicitam da rede de alimentação, durante a partida, uma

corrente de valor elevado, da ordem de 6 a 10 vezes a corrente nominal. Este valor depende das características construtivas do motor e não da carga acionada. A carga influencia apenas no tempo durante o qual a corrente de acionamento circula no motor e na rede de alimentação (tempo de aceleração do motor).

A corrente é representada na placa de identificação pela sigla Ip/In (corrente de

partida / corrente nominal). Atenção: Não se deve confundir com a sigla IP, que significa grau de proteção.

Invertendo a rotação Em qualquer motor trifásico, a inversão do sentido de rotação é feita trocando- se na “alimentação” duas fases quaisquer entre si (uma permanece inalterada), diferentemente dos motores monofásicos de fase auxiliar, onde é trocada a ligação do motor (5 por 6). Determinando a rotação (rpm)

A rotação de um motor elétrico trifásico (rotor tipo gaiola) é determinada pelo

número de pólos do motor e pela freqüência da rede elétrica. A tensão elétrica

não influencia na rotação (a menos que se aplique tensão muito inferior à

nominal, o que refletirá na potência e no torque do motor, neste caso podendo até queimá-lo). Atenção: A quantidade de pólos de um motor é por fase. Velocidade síncrona (ns)

É a velocidade do campo magnético girante formado internamente no motor.

Através dela pode-se saber o valor da rotação do motor.

A equação que determina a rpm (rotações por minuto) é:

ns = 2 · 60 · f

p

Onde: ns = velocidade síncrona em rpm f = freqüência da rede em Hz

p = número de pólos.

Exemplo: Em um motor de 2 pólos em rede de 60 Hz a rotação será de 3600 rpm. tabela de velocidade síncronas

Exemplo : Em um motor de 2 pólos em rede de 60 Hz a rotação será