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Bebida de Homem

Era noite, a lua e as estrelas iluminavam a terra de Gian. As ruas ainda estavam
um pouco movimentadas e bem iluminadas pelas lamparinas a óleo. A lua brilhava
intensamente e aos poucos os mendigos, os ladrões e as prostitutas saiam dos becos a
procura de diversão e vinho. Um deles era Sunk Hammerhead, na verdade ele fora
apelidado assim, conhecido pelas suas atitudes eloqüentes, ele já vivia há vários anos lá
e já tinha até certa fama na cidade.
Sunk saiu de mau jeito de um dos becos onde dormira bêbado e quase bateu
numa senhora que caminhava na rua, mal-vestido e mal-cheiroso como era saiu andando
pela sarjeta, os que o conheciam logo se afastavam tentando passar o mais longe
possível, os que não o conheciam passavam por uma experiência sensorial muito
desagradável e nunca mais se esqueciam da situação nem dá sua presença.
Ele estava tonto e de longe podia-se ver que não estava lúcido, suas pernas
cambaleavam de um lado para o outro, porém não hesitavam em seguir o rumo quase
perfeito até a taverna.
A taverna estava lotada e nas mesas não havia mais lugares para sentar, Sunk
porém não se preocupava com isto, na verdade preferia beber em pé mesmo, ajudava a
pensar melhor. Sunk aproximou-se do balcão e ficou lá parado, pensando na vida.
- É, esse ano a feira de Odin vai ser boa... – disse Sunk, que sem perceber havia
pensado alto.
- O que disse velho Sunk? – era o taverneiro Bled, um homem bem magro e alto
que mais parecia um alfinete ambulante.
- Eu apenas estava me perguntando como sua mãe conseguiu lhe colocar um
nome tão feio. – disse Sunk dando uma risada de lado.
- E que ela queria pelo menos um melhor que o seu. - disse Bled rindo da
brincadeira.
- Iai Sunk, vai querer uma bebida? – continuou Bled.
- Vou querer uma garrafa, mas só me traga se for bebida de homem, porque eu
sempre saio daqui como houvesse bebido um suco de limão.
Bled deu uma risada, Sunk porém não moveu nenhum músculo se quer, estava
atento olhando para a briga que ia começar daqui a pouco na mesa da frente.

Estava quente e úmido, nem mesmo a noite e o mar fizeram refrescar aquela
taverna abafada e calorenta. Mesmo assim Tin Huntin usava sua blusa de algodão com
um suspensório cor de terra que ganhará quando novo ainda, fazia tanto tempo que
agora lhe parecia ridículo. Tin já estava bêbado demais e se divertia demais com os
seus amigos da mesa, contando piadas e ouvindo historias.
-... E então o vendedor disse, a desculpa achei que você havia me dito Goín.-
disse Tin.
Foi então que a taverna foi invadida pelo riso corpulento dos anões que haviam
se sentando na mesa de Tin. Os anões haviam o conhecido a algumas horas atrás, quem
olhasse pra eles agora achava que eram amigos a vários anos.
- Um brinde ao Huntin, o humano mais engraçado que já conhecemos desde dê a
nossa saída de Cora. – disse Trok,o chefe daqueles anões que estava corado de tanto rir.
Todos os anões levantaram seus copos, porém Tin não vez nem menção de que
iria brindar com eles. Tin simplesmente se limitou abaixar a cabeça e lá ficou calado por
vários momentos até Trok falar.
- Porque não podes brindar Huntin, por acaso tem algo contra nós? – perguntou
Trok
- Não é isso...
- E o que é então? – interrompeu brutalmente Trok.
- É que eu não sou humano. – disse Tin bem baixinho.
Todos os anões olharam para Trok, que ficou calado por um tempo e começou a
rir, ele o seguiram.
- Era só isso Huntin – disse Trok rindo – então não se preocupe, nós não temos
problemas com mestiços.
- Bem que eu lhe achava meio elfo. – disse um outro anão risonho.
- Não, eu não sou um mestiço, pra te ser bem sincero, na verdade, eu sou um
anão – fez uma pausa – irmão.
Todos os anões se assustaram, ficaram paralisados e imóveis tentando entender
se Tin havia realmente dito aquilo ou se era alguma brincadeira de suas imaginações. A
duvida não durou muito, apenas bastava olhar para Tin para saber que ele realmente
estava falando sério. Trok mudou o semblante, agora parecia estar alterado. Ele então
meterá a mão no bolso e tirou uma faca que pressionou fortemente contra o pescoço de
Tin que engoliu a seco aquela atitude.
- Seu humano imbecil como ousas dizer que é sangue do meu sangue. – disse
Trok furiosamente.
Nesta hora todos do bar se levantaram e foram em cima da mesa onde estavam
os anões, alguns para brigar, outros para apanhar, mas nenhum havia ido lá com a
intenção de salvar Tin. Mesmo assim ele teve sorte, um dos bêbados pulou em cima de
Trok que já estava quase rasgando sua pele com a faca. O bar todo estava se
espancando, em cima da mesa, no chão ou em pé mesmo, brigando sem motivo
aparente.
Tin saiu correndo sem saber pra onde ir, andou vários metros até chegar a um
beco bem longe da taverna, lá haviam muitas caixas e com certeza iria se esconder no
meio delas. Estava muito cansado e bêbado, resolver sentar-se para respirar quando
sentiu uma fisgada no peito, era um corte que doía muito e que sangrava, com certeza
algum bêbado o acertou de má vontade e como estava correndo não percebeu, ou não o
quis. Ele até pensou em ir até o templo para ser curado mas havia perdido muito sangue
e suas pálpebras já estavam muito pesadas, ele então não resistiu e desmaiou ali mesmo
entre as caixas.