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APOSTILA SAMU - MÉDICOS E ENFERMEIROS

APOSTILA SAMU - MÉDICOS E ENFERMEIROS

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  • VEÍCULOS E EQUIPAMENTOS USADOS NO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR
  • TRANSPORTE INTER HOSPITALAR
  • ÉTICA E HUMANIZAÇÃO NO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR
  • BIOSSEGURANÇA
  • CINEMÁTICA DO TRAUMA
  • FERIMENTOS, CURATIVOS E BANDAGENS
  • TRAUMA DE FACE
  • TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR - TRM
  • TRAUMA NA CRIANÇA
  • TRAUMA NO IDOSO
  • 1.Trauma no Idoso
  • CHOQUE ELÉTRICO
  • AFOGAMENTO
  • AVC - Acidente Vascular Cerebral

- 1 -

CCUURRSSOO DDEE AATTEENNDDIIMMEENNTTOO EEMM
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MMÓÓVVEELL

2010

KITT

- 2 -

ÍNDICE

Política Nacional de Atenção as Urgências ................................................

06

Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - SAMU ................................

10

Veículos e equipamentos usados no atendimento Pré-hospitalar .............

19

Transporte inter hospitalar ..........................................................................

29

Ética e Humanização no Atendimento Pré-hospitalar ................................

35

Biossegurança ............................................................................................

48

Cinemática do Trauma ...............................................................................

57

Avaliação da Cena e abordagem da Vítima ..............................................

71

Vias Aéreas e Ventilação ...........................................................................

88

Ferimento Curativos e Bandagens ............................................................

131

Choque Hipovolêmico e Reposição Volêmica ..........................................

145

Trauma Músculo Esquelético ......................................................................

151

Técnicas de Imobilizações ..........................................................................

161

Acidentes com Múltiplas Vítimas e Catástrofes .........................................

187

Traumas Específicos : ................................................................................

195

Traumatismo Crânio Encefálico .......................................................

195

Trauma de Face ...............................................................................

208

Traumatismo Raquimedular .............................................................

220

Traumatismo Torácico ......................................................................

227

Traumatismo Abdominal ..................................................................

241

Trauma na Criança ...........................................................................

252

Trauma na Gestante .........................................................................

261

Trauma no Idoso ...............................................................................

268

Choque elétrico ..........................................................................................

274

Queimaduras ..............................................................................................

280

Afogamento .................................................................................................

294

Intoxicação exógena e Envenenamento .....................................................

310

Reanimação Cárdiopulmonar Cerebral - adulto e pediátrica .....................

332

Urgências Clínicas: .....................................................................................

383

Crise Hipertensiva .......................................................................

383

Diabetes Mellitus ..............................................................................

389

Síndromes Coronariana Aguda ........................................................

401

Acidente Vascular Cerebral ..............................................................

411

Convulsão .........................................................................................

419

Urgências Obstétricas ................................................................................

432

Assistência ao Parto Normal e Cuidado com Recém-nascido
Complicações da Gravidez
Hemorragia e Abortamento
Complicações Pó-parto
Urgências Psiquiátricas ..............................................................................

441

Psicoses
Tentativa de Suicídio
Depressões

- 3 -

Conceituação de urgência

Conceito formal

Segundo o Conselho Federal de Medicina, em sua Resolução CFM n.°1.451, de
10/3/1995 (CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA, 1995), temos:

Urgência: ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de vida,
cujo portador necessita de assistência médica imediata.

Emergência: constatação médica de condições de agravo à saúde que impliquem em
risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, tratamento médico imediato.

Conceito ampliado

Segundo Le Coutour, o conceito de urgência difere em função de quem a

percebe ou sente:

Para os usuários e seus familiares, pode estar associada a uma ruptura de ordem do
curso da vida. É do imprevisto que tende a vir a urgência: “eu não posso esperar”.

Para o médico, a noção de urgência repousa não sobre a ruptura, mas sobre o tempo,
relacionado com o prognóstico vital em certo intervalo: “ele não pode esperar”.

Para as instituições, a urgência corresponde a uma perturbação de sua orga- nização, é
“o que não pode ser previsto”
.

No dicionário da língua portuguesa, lê-se que emergência é relativo a emergir, ou seja,
alguma coisa que não existia, ou que não era vista, e que passa a existir ou ser manifesta,
representando, dessa forma, qualquer queixa ou novo sintoma que um paciente passe a
apresentar. Assim, tanto um acidente quanto uma virose respiratória, uma dor de dente ou
uma hemorragia digestiva, podem ser consideradas emergências.

Este entendimento da emergência difere do conceito americano, que tem perma-
nentemente influenciado nossas mentes e entende que uma situação de “emergência” não
pode esperar e tem de ser atendida com rapidez, como incorporado pelo próprio CFM.

Inversamente, de acordo com a nossa língua, urgência significa aquilo que não
pode esperar (tanto que o Aurélio apresenta a expressão jurídica “urgência urgentíssima”).

Assim, devido ao grande número de julgamentos e dúvidas que esta ambivalência de
terminologia suscita no meio médico e no sistema de saúde, optamos por não mais fazer este
tipo de diferenciação. Passamos a utilizar apenas o termo “urgência”, para todos os
casos que necessitem de cuidados agudos, tratando de definir o “grau de urgência”, a fim
de classificá-las em níveis, tomando como marco ético de avaliação o “imperativo da
necessidade humana”.

- 4 -

Avaliação multifatorial do grau de urgência

O grau de urgência é diretamente proporcional à gravidade, à quantidade de recursos
necessários para atender o caso e à pressão social presente na cena do atendimento e
inversamente proporcional ao tempo necessário para iniciar o tratamento.

U =

G * A * V *
T *

• G ra u de urgê ncia
• G ra vida de do cas o
• Tempo para iniciar o tra ta mento
• Atenção: recursos neces s á rios para o tra ta mento
• V alor s ocia l que envolve o cas o

Gravidade

É perfeitamente possível quantificar a gravidade do caso pelo telefone, por meio de
perguntas objetivas dirigidas diretamente ao paciente ou à pessoa que ligou solicitando
ajuda, utilizando uma semiologia que será definida e abordada nos protocolos
específicos. Mais fácil ainda é quantificar as urgências nas transferências inter-
hospitalares, quando o contato telefônico é feito diretamente entre médicos.

Tempo

Tratamos aqui de utilizar o conhecimento dos intervalos de tempo aceitáveis entre o
início dos sintomas e o início do tratamento. Quanto menor o tempo exigido, maior a
urgência. Nas transferências inter-hospitalares, com o atendimento inicial já realizado, esta
avaliação deve ser mais cuidadosa, para evitar precipitações.

Atenção

Quanto maior for a necessidade de recursos envolvidos no atendimento inicial e no
tratamento definitivo, maior será a urgência. Este subfator é o que mais influi na decisão
de transferir o paciente.

Valor Social

A pressão social que envolve o atendimento inicial pode muitas vezes justificar o
aumento do grau de urgência de um caso simples. Este fator não pode ser
negligenciado, pois muitas vezes uma comoção social no local do atendimento pode
dificultar a prestação de socorro. É de pouca influência, porém, nas transferências inter-
hospitalares.

- 5 -

Classificação das urgências em níveis

Com o objetivo de facilitar o estabelecimento de prioridades entre os diferentes casos
de urgência, podemos didaticamente classificá-las da seguinte forma:

Nível 1 : Emergência ou Urgência de prioridade absoluta

Casos em que haja risco imediato de vida e/ou a existência de risco de perda
funcional grave, imediato ou secundário.

Nível 2 : Urgência de prioridade moderada

Compreende os casos em que há necessidade de atendimento médico, não
necessariamente de imediato, mas dentro de poucas horas.

Nível 3 : Urgência de prioridade baixa

Casos em que há necessidade de uma avaliação médica, mas não há risco de vida
ou de perda de funções, podendo aguardar várias horas.

Nível 4 : Urgência de prioridade mínima

Compreendem as situações em que o médico regulador pode proceder a conselhos
por telefone, orientar sobre o uso de medicamentos, cuidados gerais e outros
encaminhamentos.

“Conceito de Potencialidade”: Qualquer caso inicialmente classificado em um
determinado nível pode mudar sua colocação inicial, em função do tempo de
evolução, tipo de transporte e outros fatores, sendo, portanto, necessário estimar
a gravidade potencial para cada caso.

- 6 -

A POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO ÀS URGÊNCIAS

Antecedentes históricos

As urgências vêm sendo objeto de algumas iniciativas do governo federal, mas
que não lograram causar impacto significativo na sua atenção.

Em junho de 1998, foi publicada a Portaria GM/MS n.º 2.923, que determinou
investimentos nas áreas de Assistência Pré-hospitalar Móvel, Assistência Hospitalar,
Centrais de Regulação de Urgências e Capacitação de Recursos Humanos.

Em abril de 1999, foi publicada a Portaria GM/MS n.º 479, que criou uma série de pré-
requisitos para o cadastramento de hospitais que, depois de habilitados, passaram a
receber uma valorização no valor das internações realizadas dentro de uma lista pré-
determinada de procedimentos considerados de urgência.
Ainda neste período, foram destinados também recursos do Reforsus para equipa-
mentos, reforma e modernização gerencial de hospitais que atendessem às urgências.

Em abril de 2000, foi realizado o IV Congresso da Rede Brasileira de Coo-
peração em Emergências (RBCE), em Goiânia (Rede Brasileira de Cooperação em
Emergências, 2000), sob a denominação: “Bases para uma Política Nacional de
Atenção às Urgências”, com grande mobilização de técnicos da área de urgências e
participação formal do Ministério da Saúde que, a partir desse evento, desencadeou a
organização de duas vertentes de atividades relacionadas à atenção às urgências:

a) Alguns técnicos foram convidados a compor um grupo-tarefa para avaliação do
impacto da aplicação dos recursos acima mencionados, que produziu um relatório que
foi remetido ao Reforsus no final de 2000;

b) A Secretaria de Assistência à Saúde (SAS) do Ministério da Saúde designou um
profissional para interlocução específica da área, que até então não contava com tal
representação.

A partir da definição dessa interlocução, iniciou-se um ciclo de seminários de
discussão e planejamento conjunto de redes regionalizadas de atenção às urgências,
envolvendo gestores estaduais e municipais, em vários estados da federação e, ainda
neste período, que se estendeu de junho de 2000 até meados de 2002, foi feita uma
revisão da Portaria GM/MS n.º 824, de junho de 1999, republicada como Portaria GM/MS
n.º 814, em junho de 2001.

Foram também elaboradas diretrizes técnicas para as Unidades não Hospitalares
de Atendimento às Urgências, Transporte Inter-hospitalar, grades de capacitação para
todos os níveis de atenção às urgências e diretrizes gerais para o desenho de uma rede
regionalizada de atenção às urgências, que acabaram por compor o texto da Portaria
GM/MS n.º 2.048: Regulamento Técnico dos Sistemas Estaduais de Urgência e
Emergência, publicado em novembro de 2002.

- 7 -

A Portaria GM/MS n.º 2.048, de 5 de novembro de 2002

A Portaria GM/MS n.º 2.048/02 (BRASIL, 2002a) estabelece os princípios e
diretrizes dos sistemas estaduais de urgência e emergência, define normas, critérios de

funcionamento, classificação e cadastramento dos hospitais de urgência, determina a
criação das Coordenações do Sistema Estadual de Urgências e é composta de sete
capítulos em que estão contemplados os seguintes tópicos:

Capítulo I: Estruturação dos sistemas locorregionais de atenção às urgências, dentro
dos preceitos da Noas-SUS;

Capítulo II: Diretrizes da Regulação Médica das Urgências;

Capítulo III: Diretrizes e responsabilidades das várias unidades componentes do
atendimento pré-hospitalar fixo;

Capítulo IV: Diretrizes do Atendimento Pré-hospitalar Móvel;

Capítulo V: Diretrizes do componente hospitalar de atendimento às urgências;

Capítulo VI: Transferências e transporte inter-hospitalar;

Capítulo VII: Diretrizes dos Núcleos de Educação em Urgências com respectivas
grades de temas, conteúdos, habilidades e cargas horárias.

A Portaria GM/MS n.º 1.863, de 29 de setembro de 2003

No novo ciclo de governo inaugurado em 2003, a área das urgências é
considerada prioritária e é publicada na forma da Portaria GM/MS n.º 1.863 (BRASIL,
2003a) a “Política Nacional de Atenção às Urgências”, ocorrendo a incorporação de
novos elementos conceituais, além da revisão e retomada de outros já bastante
difundidos, que vinham sendo debatidos e formulados com a participação de técnicos de
todo o País, a saber:

• garantir a universalidade, eqüidade e a integralidade no atendimento às urgências
clínicas, cirúrgicas, gineco-obstétricas, psiquiátricas, pediátricas e as relacionadas
às causas externas (traumatismos não-intencionais, violências e suicídios);
• consubstanciar as diretrizes de regionalização da atenção às urgências,
mediante a adequação criteriosa da distribuição dos recursos assistenciais,
conferindo concretude ao dimensionamento e implantação de sistemas estaduais,
regionais e municipais e suas respectivas redes de atenção;
• desenvolver estratégias promocionais da qualidade de vida e saúde capazes de
prevenir agravos, proteger a vida, educar para a defesa da saúde e recuperar a
saúde, protegendo e desenvolvendo a autonomia e a eqüidade de indivíduos e
coletividades;
• fomentar, coordenar e executar projetos estratégicos de atendimento às necessidades
coletivas em saúde, de caráter urgente e transitório, decorrente de situações de
perigo iminente, de calamidades públicas e de acidentes com múltiplas vítimas, a
partir da construção de mapas de risco regionais e locais e da adoção de protocolos
de prevenção, atenção e mitigação dos eventos;

- 8 -

• contribuir para o desenvolvimento de processos e métodos de coleta, análise e
organização dos resultados das ações e serviços de urgência, permitindo que a
partir de seu desempenho seja possível uma visão dinâmica do estado de saúde
da população e do desempenho do Sistema Único de Saúde em seus três níveis
de gestão;

• integrar o complexo regulador do Sistema Único de Saúde, promover intercâmbio
com outros subsistemas de informações setoriais, implementando e
aperfeiçoando permanentemente a produção de dados e democratização das
informações com a perspectiva de usá-las para alimentar estratégias
promocionais;

• qualificar a assistência e promover a capacitação continuada das equipes de
saúde do Sistema Único de Saúde na Atenção às Urgências, em acordo com os
princípios da integralidade e humanização.

• Define ainda que a Política Nacional de Atenção às Urgências, deve ser
implementada a partir dos seguintes componentes fundamentais:

• adoção de estratégias promocionais de qualidade de vida, buscando identificar os
determinantes e condicionantes das urgências por meio de ações transetoriais de
responsabilidade pública, sem excluir as responsabilidades de toda a sociedade;

• organização de redes locorregionais de atenção integral às urgências, enquanto
elos da cadeia de manutenção da vida, tecendo-as em seus diversos
componentes:

Componente Pré-Hospitalar Fixo: unidades básicas de saúde e unidades de saúde da
família, equipes de agentes comunitários de saúde, ambulatórios especializados,
serviços de diagnóstico e terapias, e unidades não-hospitalares de atendimento às
urgências, conforme Portaria GM/ MS n.º 2.048, de 5 de novembro de 2002 (BRASIL,
2002a).

Componente Pré-Hospitalar Móvel: Serviço de Atendimento Móvel de Urgências
(SAMU) e os serviços associados de salvamento e resgate, sob regulação médica de
urgências e com número único nacional para urgências médicas – 192;

Componente Hospitalar: portas hospitalares de atenção às urgências das unidades
hospitalares gerais de tipo I e II e das unidades h o s p i t a l a r e s de referência tipo I, II e
III, bem como toda a gama de leitos de internação, passando pelos leitos gerais e
especializados de retaguarda, de longa permanência e os de terapia semi-intensiva e
intensiva, mesmo que esses leitos estejam situados em unidades hospitalares que atuem
sem porta aberta às urgências;

Componente Pós-Hospitalar:

• Modalidades de Atenção Domiciliar, Hospitais Dia e Projetos de Reabilitação
Integral com componente de reabilitação de base comunitária;

• instalação e operação das Centrais de Regulação Médica das Urgências,
integradas ao Complexo Regulador da Atenção no SUS;

- 9 -

• Capacitação e educação continuada das equipes de saúde de todos os âmbitos da
atenção, a partir de um enfoque estratégico promocional, abarcando toda a
gestão e atenção pré-hospitalar fixa e móvel, hospitalar e pós-hospitalar,
envolvendo os profissionais de nível superior e os de nível técnico, em acordo
com as diretrizes do SUS e alicerçada nos pólos de educação permanente em
saúde, onde devem estar estruturados os Núcleos de Educação em Urgências,
normatizados pela Portaria GM/MS n.º 2.048/02 (BRASIL, 2002a), que são
propostos aos gestores como estratégia para implementar a capacitação dos
profissionais atuantes em todos os níveis de atenção às urgências, conforme se
lê abaixo:

• Os Núcleos de Educação em Urgências devem se organizar como espaços de
saber interinstitucional de formação, capacitação, habilitação e educação
continuada de recursos humanos para as urgências, coordenados pelo gestor
público e tendo como integrantes as secretarias municipais e estaduais e as
instituições de referência na área de urgência que formam e capacitam tanto o
pessoal da área de saúde como qualquer outro setor que presta socorro à
população, de caráter público ou privado e de abrangência municipal, regional ou
estadual.

• Orientação geral segundo os princípios de humanização da atenção.

- 10 -

SERVIÇO DE ATENDIMENTO MÓVEL DE URGÊNCIA

SAMU - 192

I - Definição Geral

O Ministério da Saúde na Portaria 2048, “considera como nível pré hospitalar
móvel na área de urgência, o atendimento que procura chegar precocemente à vítima,
após ter ocorrido um agravo à sua saúde (de natureza traumática ou não-traumática, ou
ainda psiquiátrica), que possa levar à sofrimento, seqüelas ou mesmo à morte, sendo
necessário, portanto, prestar-lhe atendimento e transporte adequado a um serviço de
saúde devidamente hierarquizado e integrado ao Sistema Único de Saúde.
Em muitas situações de urgência pré – hospitalar, ações de salvamento/ resgate,
precisam ser realizadas antes do atendimento propriamente dito, ou seja, pode ser
necessário proteger a vítima de situações normalmente adversas e que por elas mesmas
constituem risco de vida, sendo necessário para tanto a utilização de equipamentos
específicos e pessoal treinado e habilitado para sua utilização. Em muitas situações as
ações de resgate e as de atendimento à saúde são realizadas simultaneamente.

II - Organização do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - SAMU

• A elaboração de um diagnóstico loco-regional deve anteceder qualquer
projeto de implantação do SAMU em um município ou região.
• Roteiro mínimo para elaboração do diagnóstico.
• Dados da região/município
• Descrição de malha viária urbana (pontes, linhas de trens, rios, córregos
outros obstáculos ao trânsito de veículos de socorro.)
• Distâncias e condições das estradas. Localizar em mapa rodoviário
• Identificar os recursos de saúde por nível de complexidade. Localizar em
planta planimétrica.
• Fluxos e rotas de deslocamento dos veículos de socorro
• Dados demográficos
• População – por sexo, faixa etária urbana e/ou rural.
• Dados epidemiológicos
• Morbidade
• Mortalidade
• Perfil sócio econômico da população
• Iniciar medidas de reanimação de suporte básico da vida

III - Níveis da Atenção Pré – Hospitalar Móvel – SAMU

A atenção pré – hospitalar no SAMU se dá em dois níveis de complexidade. O
objetivo é definir as ações assistenciais que podem ocorrer no nível básico e no nível
avançado do atendimento, além dos recursos humanos e os meios necessários para sua
execução.

- 11 -

1-

O Suporte Básico de Vida (SBV)

• Primeiro nível de resposta a um pedido de socorro, quando for decidida a
necessidade de enviar uma equipe intervencionista ao local de origem do chamado. A
decisão de envio do SBV é responsabilidade do médico regulador.
• A equipe de suporte básico de vida (SBV) é constituída por auxiliar / técnico de
enfermagem e o condutor do veículo de socorro.
• O número de ambulâncias de SBV segue parâmetros estabelecidos pelo MS,
entre eles o populacional como o mais importante, ou seja: uma ambulância SBV para
100.000 /150.000 habitantes.

• A localização das viaturas de SBV deve ser descentralizada no
espaço geográfico de abrangência do SAMU, de forma que o deslocamento até o local de
origem do pedido de socorro urgente não ultrapasse o tempo máximo de 09 minutos,
segundo parâmetro internacional.
As ações assistenciais que podem ser realizadas pela equipe de intervenção do
SBV são determinadas pela Lei do Exercício Profissional, admitindo-se, no entanto, que
sob supervisão direta ou à distância do Enfermeiro e quando devidamente capacitados e
habilitados através dos Núcleos de Educação de Urgências, que os técnicos e auxiliares
de enfermagem sejam capazes de:

Reconhecer sinais precoces de disfunção respiratória
Aferir freqüência cardíaca e respiratória, tensão arterial, temperatura,
saturação de O2 e controle de glicemia.
Manejar equipamentos de suporte ventilatório não invasivos. Realizar
prescrições médicas por telemedicina.
Reconhecer sinais precoces de doenças circulatórias agudas
Realizar monitorização cardíaca e eletrocardiográfica
Dominar técnicas de aferição da glicemia e administração de medicamentos e
infusões, dentro dos limites da sua função.
Ser capaz de avaliar o traumatizado grave e de prestar o atendimento inicial
nas medidas de suporte básico a vida.
Adotar medidas adequadas no manejo do Trauma Raque Medular, TCE,
queimados, trauma na gestante e na criança, quase afogamento, acidentes
com múltiplas vítimas e com produtos perigosos, entre outros.
Estar habilitado a auxiliar a gestante em trabalho de parto normal.
Conhecimento e habilidade psicomotora para realização de ações de
salvamento, aquático, terrestre, aquático e em altura.

A ambulância de Suporte Básico da Vida é o veículo destinado ao transporte
inter-hospitalar de pacientes com risco de vida conhecido e ao atendimento pré-hospitalar
de pacientes com risco de vida desconhecido, porém sem necessidade potencial de
intervenção médica no local e/ou durante transporte até o serviço de saúde de destino.

Equipamentos e materiais

Sinalizador óptico e acústico; equipamento de rádio-comunicação fixa e móvel;
maca articulada e com rodas; suporte para soro; instalação de rede de oxigênio com
cilindro, válvula, manômetro em local de fácil visualização e régua com dupla saída;
oxigênio com régua tripla (a-alimentação do respirador; b-fluxômetro e umidificador de
oxigênio e c - aspirador tipo Venturi); manômetro e fluxômetro com máscara e chicote
para oxigenação; cilindro de oxigênio portátil com válvula; maleta de emergência
contendo: estetoscópio adulto e infantil; ressuscitador manual adulto/infantil, cânulas
orofaríngeas de tamanhos variados; luvas descartáveis; tesoura reta com ponta romba;
esparadrapo; esfigmomanômetro adulto/infantil; ataduras de 15 cm; compressas

- 12 -

cirúrgicas estéreis; pacotes de gaze estéril; protetores para queimados ou eviscerados;
cateteres para oxigenação e aspiração de vários tamanhos; maleta de parto contendo:
luvas cirúrgicas; clamps umbilicais; estilete estéril para corte do cordão; saco plástico
para placenta; cobertor; compressas cirúrgicas e gazes estéreis; braceletes de
identificação.

Os veículos que atuam no atendimento as urgências traumáticas deverão dispor
adicionalmente dos seguintes equipamentos e materiais: prancha curta e longa para
imobilização de coluna; talas para imobilização de membros e conjunto de colares
cervicais; colete imobilizador dorsal; frascos de soro fisiológico e ringer lactato;
bandagens triangulares; cobertores; coletes refletivos para a tripulação; lanterna de mão;
óculos, máscaras e aventais de proteção; material mínimo para salvamento terrestre,
aquático e em alturas; maleta de ferramentas e extintor de pó químico seco de 0,8 Kg;
fitas e cones sinalizadores para isolamento de áreas. Maletas com medicações a serem
definidas em protocolos, pelos serviços.

2-

O Suporte Avançado de Vida – SAV

As ambulâncias de Suporte Avançado, com equipes intervencionistas compostas
por condutor, médicos e enfermeiros e com equipamentos para procedimentos mais
complexos e invasivos de manutenção da vida, permitem que seja realizado no local do
chamado, o diagnóstico inicial, a reanimação e a estabilização do paciente, permitindo
que o transporte seja feito diretamente para a unidade hospitalar de tratamento definitivo.

Segundo parâmetro populacional do MS as ambulâncias de Suporte Avançado
(UTI) serão 01 para cada 400.000 hab. A este critério devem ser agregados os resultados
obtidos no diagnóstico situacional, já descrito, para um melhor dimensionamento.
A localização das viaturas SAV deve ser descentralizada no território abrangido
pelo SAMU de forma que seu deslocamento até o local do chamado, não ultrapasse o
tempo máximo de 12 minutos.

De acordo com experiências de outros serviços de APH, no mundo, em apenas
10% dos pedidos de socorro urgentes que chegam na central de Regulação do SAMU, é
necessário o envio da Viatura de Suporte Avançado.
Os SAMU, de acordo com suas especificidades e necessidades, devem elaborar
Protocolos de Despacho, contemplando o envio da Viatura de Suporte Avançado em
situações padrão, tais como:

- Apoio a viatura de Suporte Básico de Vida
- Acidentes envolvendo mais de duas vítimas
- Dor torácica
- Quase afogamento
- Desabamentos e soterramentos
- Ferimentos por arma branca e de fogo

As ações e os procedimentos invasivos realizados pela equipe de suporte
avançado do SAMU são considerados Atos Médicos, cabendo unicamente a esse
profissional estipular os limites do atendimento.

Protocolos Técnicos de Intervenção podem orientar a equipe.

- 13 -

Ambulância de Suporte Avançado de Vida (SAV)

È o veículo destinado ao atendimento e transporte de pacientes de alto risco em
emergências pré-hospitalares e/ou de transporte inter-hospitalar que necessitem de
cuidados médicos intensivos. Deve contar com os equipamentos médicos necessários
para esta função.

Sinalizador óptico e acústico; equipamento de rádio-comunicação fixa e móvel;
maca com rodas e articulada; dois suportes de soro; cadeira de rodas dobrável;
instalação de rede portátil de oxigênio como descrito no item anterior (é obrigatório que a
quantidade de oxigênio permita ventilação mecânica por no mínimo duas horas);
respirador mecânico de transporte; oxímetro não-invasivo portátil; monitor cardioversor
com bateria e instalação elétrica disponível (em caso de frota deverá haver
disponibilidade de um monitor cardioversor com marca-passo externo não-invasivo);
bomba de infusão com bateria e equipo; maleta de vias aéreas contendo: máscaras
laríngeas e cânulas endotraqueais de vários tamanhos; cateteres de aspiração;
adaptadores para cânulas; cateteres nasais; seringa de 20ml; ressuscitador manual
adulto/infantil com reservatório; sondas para aspiração traqueal de vários tamanhos;
luvas de procedimentos; máscara para ressuscitador adulto/infantil; lidocaína geléia e
"spray"; cadarços para fixação de cânula; laringoscópio infantil/adulto com conjunto de
lâminas; estetoscópio; esfigmomanômetro adulto/infantil; cânulas orofaríngeas
adulto/infantil; fios-guia para intubação; pinça de Magyll; bisturi descartável; cânulas para
traqueostomia; material para cricotiroidostomia; conjunto de drenagem torácica; maleta
de acesso venoso contendo: tala para fixação de braço; luvas estéreis; recipiente de
algodão com anti-séptico; pacotes de gaze estéril; esparadrapo; material para punção de
vários tamanhos incluindo agulhas metálicas, plásticas e agulhas especiais para punção
óssea; garrote; equipo de macro e microgotas; cateteres específicos para dissecção
venosa tamanho adulto/infantil; tesoura, pinça de Kocher; cortadores de soro; lâminas de
bisturi; seringas de vários tamanhos; torneiras de 3 vias; equipo de infusão de 3 vias;
frascos de soro fisiológico, ringer lactato e soro glicosado; caixa completa de pequena
cirurgia; maleta de parto como descrito nos itens anteriores; sondas vesicais; coletores de
urina; protetores para eviscerados ou queimados; espátulas de madeira; sondas
nasogástricas; eletrodos descartáveis; equipo para drogas fotossensíveis; equipo para
bombas de infusão; circuito de respirador estéril de reserva; equipamentos de proteção a
equipe de atendimento: óculos, máscaras e aventais; cobertor ou filme metálico para
conservação do calor do corpo; campo cirúrgico fenestrado; almotolias com anti-séptico;
conjunto de colares cervicais; prancha longa para imobilização da coluna. Nos casos de
frota, em que existe demanda para transporte de paciente neonatal deverá haver pelo
menos uma Incubadora de transporte de recém-nascido com bateria e ligação a tomada
do veículo (12 volts). A incubadora deve estar apoiada sobre carros com rodas
devidamente fixadas quando dentro da ambulância; respirador e equipamentos
adequados para recém natos.

Os equipamentos que as viaturas transportam, devem obedecer a alguns

critérios básicos:

• Permitir Suporte Vital

• Devem ser leves e portáteis, permitindo uso contínuo em situações adversas.

• Auto-suficientes, ou seja devem ter bateria suficientes para até duas vezes o tempo
estimado de transporte.
• De fácil montagem e manuseio

• Resistentes

• Não devem interferir com instrumentos de navegação se for o caso.

• De fácil limpeza e manutenção.

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Retaguarda Hospitalar

Todo sistema de APH deverá contar com uma rede hospitalar de referência conveniada,
obedecendo a critérios de hierarquização e regionalização, ou seja, os hospitais serão
divididos pelo grau de resolutividade em terciários, secundários e primários e de acordo
com sua localização geográfica.

Dessa forma o critério adotado é o seguinte:

“ levar o paciente certo, na hora certa para o hospital certo “

Treinamento e Reciclagem

Treinamento especifico na área deve preceder a qualquer atividade desenvolvida
pelos profissionais, nos diferentes níveis, no APH – SAMU.
• Considerar que por maior as experiências que o profissional tenha, as situações
vivenciadas no serviço são de alto risco, estressantes e adversas, exigindo por parte de
quem trabalha adaptação anterior, conseguida através de capacitação.

Planos de reciclagem devem ser pré - estabelecidos e seguidos rigorosamente,
contribuindo para o constante aperfeiçoamento do profissional.

Supervisão e Controle de Qualidade
• Meios adequados de supervisão devem ser encontrados e adotados, de acordo com
as características de cada serviço. O controle de qualidade deve ser estabelecido, por
exemplo, a partir da discussão e revisão dos casos, leitura das fichas de atendimento e
seguimento do paciente já a nível hospitalar.

Qualidades desejáveis para os profissionais do SAMU:

Amabilidade - inspirar confiança e transmitir calma e segurança para o paciente que

está atendendo

Cooperação - sempre buscar a melhor harmonização com os integrantes da
equipe, buscando o melhor atendimento para o paciente.

Improvisação - ser capaz de improvisar utilizando meios que estejam a mão,
buscando solucionar situações inesperadas, que possam ocorrer.

Iniciativa - ser capaz de iniciar o atendimento, dentro dos seus limites, sem que
precise que outro o faça por ele.

Liderança - ser capaz de “tomar conta do caso " sempre que isto for de sua
responsabilidade e isto inclui controlar a cena da ocorrência.

Discrição -respeitar as informações de cunho pessoal ou de foro Intimo que lhe
foram confiadas pelo paciente. Lembrar que fora das circunstâncias que o levaram a
prestar a assistência, seria pouco provável que ela lhe confiasse estas informações.

Controle de Hábitos Pessoais e de Vocabulário, Boa Apresentação Pessoal.

IV - FASES DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR MÓVEL - SAMU

1- O Chamado

Através do número nacional para urgências médicas – 192 , exclusivo e gratuito,
o serviço deve ser acionado. Neste momento considera-se que o atendimento já
começou e o tempo resposta começa a ser contado. As informações obtidas pelo
telefonista são fundamentais para a próxima etapa.
O telefonista deve acalmar o solicitante e perguntar, por exemplo:
O Local do acidente (bairro, rua, referências).
A Identificação do solicitante (nome, idade, telefone).
A Natureza da ocorrência (o que está acontecendo).
O número de vítimas (número e condições aparentes).
Se há riscos potenciais (fogo, trânsito local, cabo de energia).

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Considerar ainda:

Condições climáticas no momento.
Rotas e fluxo para o local da ocorrência.
Hora e dia da semana.
Outras informações a critério do serviço.

Para que o SAMU possa funcionar de forma apropriada é importante que você
saiba utilizar o serviço. Ele deve ser acionado somente quando existe uma situação de
urgência. Evite sobrecarregar o sistema com outros problemas que não se
caracterizam como tal. Oriente as pessoas, em especial as crianças, para que não
façam trotes com este serviço. O tempo e os recursos gastos com isto podem fazer com
que atrase o atendimento a um paciente em situação de ameaça imediata à vida.

Se você identifica uma situação de urgência, disque 192. Este número é
gratuito, não exigindo o uso de cartões telefônicos.

Identifique-se e diga qual é o problema que está ocorrendo com o paciente.

Responda as perguntas efetuadas pela telefonista (TARM) de forma clara e
correta. Forneça endereço completo, indicando pontos de referência de
como chegar mais rapidamente. Isto reduz os riscos da ambulância gastar
tempo procurando o local.

Quando estiver conversando com o médico procure informar para o mesmo
qual é o problema, quem é a vitima, sua idade (mesmo que aproximada) e o
sexo. Faça observações também sobre doenças prévias, medicações e a
evolução das queixas. Verifique ainda se a pessoa está acordada ou
desacordada, além de transmitir outras informações. Elas permitirão que o
médico regulador tome as melhores decisões e mande o melhor recurso
para cada tipo de atendimento.

Em caso de trauma, identifique quantas vítimas têm no local, se existe
alguma presa nas ferragens, o estado de consciência das mesmas e como e
o que de fato ocorreu. Siga os conselhos orientados pelo médico regulador
enquanto aguarda a chegada do socorro.

Solicite uma outra pessoa para esperar e sinalizar para a ambulância
quando a mesma estiver chegando ao local.

Qualquer nova informação ligue novamente para 192 e relate as mudanças
ocorridas.

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2 - Regulação Médica: O que faz?

- Atende aos chamados telefônicos 24 horas sem interrupção, feitos através do
número 192;
- Tem presente sempre um médico regulador;
- Ouve a solicitação, analisa e dá a melhor resposta possível;
- Garante o acesso do paciente a unidade de saúde (Pronto Atendimento,
Pronto Socorro, Hospital Geral ou Especializado) conforme for sua
necessidade;
- Garante suporte básico de vida (SBV), acompanhado de auxiliar de
enfermagem, ou suporte avançado de vida (SAV) com médico e enfermeiro,
de acordo com o quadro clínico do paciente;
- Acompanha e monitoriza o atendimento até a recepção no serviço de saúde
para o qual foi encaminhado;
- Acompanha a situação das unidades de urgência, se estão com muitos casos
para atender, se as equipes médicas estão completas, se existe leitos vagos,
a situação das UTI, dos equipamentos para dia diagnostico entre outras
necessidades.

As funções:

Tranqüilizar quem solicitar ajuda de socorro.

Escolher para cada caso a melhor solução.

Evitar: ações desnecessárias.
Hospitalização inúteis. Trotes.
Melhorar as condições dos pacientes que correm riscos.
Orientar cuidados até que chegue a ambulância.
Informar a equipe que vai fazer o atendimento tudo que conhecer da
situação. Entrar em contato com o serviço que vai receber o paciente.
Informar ao medico do serviço sobre as condições do paciente e o que foi
feito no atendimento pré-hospitalar.

Médico Regulador

Dialoga, conversa, obtém as melhores informações possíveis de quem fez a
ligação pedindo ajuda.
Decide qual a melhor providência a ser
tomada. Coordena todo o atendimento.
Solicita apoio do corpo de bombeiros para os casos que necessitem de
resgate. Solicitar apoio/auxilio da Policia Militar/ Policia Civil em
intercorrências em que é
necessário isolar a área de ocorrência para evitar nova vitimas e proteger, a equipe
e/ou paciente.

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3 - O envio do recurso

A partir das informações dadas pelo solicitante ocorre o despacho do
recurso mais adequado para o atendimento. Protocolos previamente estabelecidos
podem ajudar na decisão do Médico Regulador.

Enviar sempre o recurso mais próximo do local do chamado para
diminuir o tempo resposta. Durante o trajeto, para o qual se deve estabelecer a
melhor e a mais conhecida rota, dar atenção as informações que chegam via rádio.
Elas com certeza ajudarão na avaliação prévia da gravidade do chamado.

4 - A avaliação da cena

Na chegada ao local do acidente considerar que o atendimento as
vítimas envolve uma série de ações complexas onde estão envolvidos diversos
fatores agravantes tais como: tipo de acidente, local e o número de vítimas. Cada
acidente é diferente um do outro, no entanto alguns princípios devem ser
estabelecidos e seguidos em todos os casos, visando principalmente garantir a
segurança da equipe e da vítima. Existem 3 perguntas (passos) que devem ser
respondidas por quem chega primeiro no local e que ajudam na avaliação da cena e
dos riscos potenciais.

*Qual é a situação?
*Até onde posso ir? (riscos potenciais)
* O que farei e como farei para controlar a situação? (ações e recursos)

Outros Passos

- O Atendimento (reanimação e estabilização do paciente).
- O transporte adequado ao serviço de saúde mais indicado a resolução do

problema do paciente.

- O término do caso e preparação para novo chamado.

Além do atendimento emergencial em casos de incidentes com vítimas, o SAMU
atua de diversas formas para melhorar a qualidade do atendimento de urgência a
população. Conheça abaixo o procedimento de atendimento a uma chamada.

Atendente recebe a ligação e pega informações básicas como
nome de quem ligou e sua relação com a vítima, nome da
vítima, endereço da ocorrência, bairro, ponto de referência e
telefone. É de grande importância a correta transmissão
dessas informações iniciais

Médico regulador solicita informações sobre o paciente. Já nesse
momento podem ser sugeridos procedimentos
emergenciais. De acordo com os resultados, unidades móveis
serão acionadas.

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Atendimento telemédico: não havendo necessidade do envio
de uma unidade, o chamado é registrado na base de dados do
SAMU (ação 5).

Atendimento móvel: sendo necessário, uma unidade móvel é
imediatamente enviada para o local. Pode ser enviado um
veículo simples, para remoção ou tratamento de casos simples,
ou uma unidade SAMU completa com toda a aparelhagem para
atendimento a emergências no local. Ambos são deslocados
com uma equipe de médico, enfermeiro e motorista.

No local: em alguns casos o atendimento é realizado no local e,
de acordo com o diagnóstico do médico, o paciente é
imediatamente liberado.

No hospital: não sendo possível o atendimento no local, o
paciente é levado para o pronto-socorro mais próximo, onde
todas as informações da ocorrência são passadas para a
equipe responsável.

Concluído o atendimento, todas as informações da
ocorrência são registradas. Elas serão utilizadas para posteriores
análises estatísticas de atendimento.

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