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A REFORMA FISCAL NO CONTEXTO DO PROGRAMA DE REABILITAÇÃO ECONÓMICA

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EBRAHIM BHIKHÁ – E-mail: ebhikha@gmail.

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A REFORMA FISCAL NO CONTEXTO DO PROGRAMA DE REABILITAÇÃO ECONÓMICA – 1987*

A grande reformulação das bases da política fiscal até então vigentes verifica-se com a introdução do Programa de Reabilitação Económica (PRE) em 1987, através da Lei n.º 3/87 1, de 19 de Janeiro, que introduz uma profunda alteração no SFM, com o objectivo de proceder à correcção dos graves desequilíbrios económicos e financeiros surgidos nos últimos anos na República de Moçambique.

A partir de 1987 inicia-se um período de economia de mercado, modelo que veio a ser consagrado pela Constituição da República de Moçambique em 19902. Segundo o Professor Dr. Teodoro Waty3, a reforma fiscal introduzida por volta de 19874 surge como resultado da degradação da economia nacional, da ineficácia do sistema fiscal e das negociações que ocorriam com o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial no âmbito do PRE.

O PRE consistia numa série de acções nas áreas de formação de preços, de taxa de câmbio, de política fiscal e outras de estrutura administrativa visando a melhoria da eficiência dos agentes económicos e do desenvolvimento económico5.

Os primeiros passos da reforma tributária materializaram-se com a revogação da Resolução n.º 5/77, pela Lei n.º 3/87, a qual passou a fixar os novos princípios em que deveria assentar o sistema tributário, com vista a aumentar a elasticidade das receitas em relação ao crescimento do PIB e alargamento da base tributária.

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Lei n.° 3/87, de 19 de Janeiro, estabeleceu as bases gerais da política fiscal em Moçambique, principalmente no que respeita à tributação dos rendimentos. 2 Parágrafo 1° do Art. 41 da Constituição de República de Moçambique de 2004. 3 WATY, Teodoro Andrade , Introdução ao Direito Fiscal, W&W Editora, Maputo, 2007, pág. 198. 4 Aprovada pela Lei n.◦3/87, de 19 de Janeiro (Revogada). 5 IBRAIMO, Ibraimo, O Direito e a Fiscalidade, Um Contributo para o Direito Fiscal Moçambicano, Maputo, Art C, 2002, pág. 96.

EBRAHIM BHIKHÁ – E-mail: ebhikha@gmail.com

A reforma introduzida manteve a estrutura até então existente efectuando apenas alterações no que toca a (i) amplitude de incidência dos impostos indirectos (exemplo, impostos sobre o consumo e importação), directos (exemplo, imposto complementar); e (ii) a carga fiscal de imposto sobre as transacções e sobre o lucro. Assim, o Sistema Tributário Moçambicano (STM) passou a ser constituído pelos seguintes impostos:

i) Impostos directos:     Contribuição industrial; Imposto sobre os Rendimentos de Trabalho, secção A; Imposto sobre os Rendimentos de Trabalho, secção B; e, Imposto Complementar.

ii) Impostos Indirectos:     Imposto de circulação (vigorou até 31 de Maio de 1999); Imposto de consumo; Direitos aduaneiros; e, Outros impostos e taxas específicas: são exemplos desta rubrica, o imposto de selos, sisa e imposto sucessório. Mais tarde, as alterações introduzidas pela Lei n.º 3/98, de 8 de Janeiro possibilitaram a introdução na tributação indirecta (modernização do sistema tributário), de um novo imposto – o IVA, em substituição do Imposto de Consumo (IC).

Refira-se que o IVA substituiu o IC por este se mostrar desactualizado, pois o seu carácter cumulativo ou em cascata6, não permitia determinar com exactidão, em qualquer das fases do circuito económico, o imposto contido no preço dos bens e não só, para além de ser um imposto monofásico. * Texto adaptado do Trabalho de Licenciatura em Direito do autor, apresentado no Instituto Superior de Ciências
de Tecnologia de Moçambique, com o título “Desafios na Implementação do Imposto Simplificado para Pequenos Contribuintes, em Moçambique”, onde se encontram citadas as respectivas fontes usadas na pesquisa.
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O IC procurava incidir sobre o valor bruto de todas as transacções efectuadas nos circuitos económicos dos bens, produzindo imposto do imposto e efeito de cascata.

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