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02-Legislação Penal Especial - TORTURA e DROGAS

02-Legislação Penal Especial - TORTURA e DROGAS

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LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS

LEI DE TORTURA – Lei 9.455/97

Eu sempre gosto de explicar Lei de Tortura fazendo uma introdução. Uma introdução simples porque pode, eventualmente, ser tema de dissertação. O MP/SP, no penúltimo concurso, a lei de tortura era tema de dissertação que não foi sorteado. Aqui em SP, os temas da dissertação são sorteados no dia. O examinador deu três temas para a dissertação. Sortearam o tema e no DO saem os temas que não foram sorteados, entre eles, a Lei de Tortura. O que significa isso? Que Penal Geral está saturado. O assunto Penal Geral já foi explorado até de forma repetida nos concursos. A tendência dos concursos hoje é examinar legislação penal especial. Tortura, quase que já virou dissertação. Então, eu quero fazer essa introdução para o caso de pedirem a dissertação. A tendência, se cai isso em prova, é o candidato dizer: “tortura é quando...” Sabe aquela coisa? Então, vamos fazer uma introdução. Nós temos que dividir o tema em três grandes momentos:

1. Antes da II Grande Guerra – Não havia preocupação mundial com
relação à tortura.

2. Durante a II Grande Guerra – Como divisor de águas 3. Após a II Grande Guerra - Nasce um movimento mundial de repúdio à
tortura. A comunidade mundial iniciou um movimento de repúdio à tortura, pelo que viu acontecer durante a Guerra. Esse movimento deu início a inúmeros tratados internacionais e convenções de direitos humanos repudiando a tortura. Como, então, repudiaram a tortura? Através de tratados internacionais e convenções de direitos humanos. A CF/88, no seu art. 5º, III, aderiu a este movimento, dizendo: “Ninguém será submetido à tortura e nem a tratamento desumano e degradante. Art. 5º, III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante; Nós somos ensinados a dizer que não existem direitos e nem garantias absolutos. Somos ensinados a trabalhar com a relativização das liberdades públicas. Nem a vida é absoluta, pois se tolera a legítima defesa que pode ceifar vida. O Brasil admite, excepcionalmente, a pena de morte! Vejam que nem a vida é absoluta no Brasil. Nem o direito à vida é absoluto. Mas, cuidado! O repúdio à tortura foi adotado no Brasil e esta garantia é absoluta! Quando diz que ninguém será submetido à tortura e nem a tratamento desumano degradante é uma garantia que não admite exceção! A doutrina costuma lembrar que, excepcionalmente, esta garantia é absoluta. Finalmente, nasce a lei específica da tortura, Lei 9.455/97. O Brasil ficou nove anos, da edição da CF até a lei de tortura sem um estatuto próprio para a tortura.

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LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS Durante esses nove anos punia-se a tortura como homicídio, como lesão corporal, como perigo da vida e da saúde, enfim, com tipos penais que temos no nosso CP. O Brasil ficou nove anos proibindo a tortura sem ter lei própria para tortura, punindo o torturador com crimes comuns. O ECA, em 1990, criou uma tortura específica para quando a vítima fosse criança ou adolescente. O Brasil ficou nove anos sem um estatuto de tortura. A tortura era punida como crime comum, salvo no caso do ECA que, em 1990, previu uma tortura especial, contra criança e adolescente. Art. 233, do ECA. Olha o que dizia: Art. 233. Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a tortura: (Revogado pela L-009.455-1997) - Pena - reclusão de um a cinco anos. Está riscado porque foi revogado pela lei especial. A Lei 9.455 revogou o art. 233 do ECA. Isso significa o quê? Que hoje, falou em tortura, você está na Lei 9.455/97. Eu comentei com vocês que a tortura passou a ser situação mundial. Não foi somente o Brasil que criou um estatuto próprio, punindo a tortura. Isso foi um movimento mundial. Os países começaram a criar leis especiais para punir torturadores. A questão é que todos os países, seguindo os tratados internacionais, etiquetaram o crime de tortura como sendo um crime próprio. O que você quer dizer com isso? Eu quero dizer que os tratados internacionais sugerem que o crime é próprio, isto é, só pode ser praticado por pessoa especial, isto é, detentora de um poder estatal. Então, nos tratados internacionais, o crime de tortura é próprio, só pode ser praticado por quem ostenta uma condição especial: detentor de poder estatal, representante do Estado. Vários países, na esteira dos tratados internacionais, rotularam seu crime de tortura como próprios. Menos o Brasil! O Brasil destoou de todos. O Brasil diz que o crime de tortura é comum. O Brasil destoa dos outros países e dos próprios tratados internacionais referentes ao tema. No Brasil, tortura pode ser praticado por qualquer pessoa. Não exige qualidade ou condição especial do agente. Quer dizer que no Brasil é tortura a ação praticada, tanto pelo policial que tortura um preso para praticar um crime, quanto o credor que tortura o devedor para confessar uma dívida. No Brasil isso tudo é tortura. Dizem que nossa lei de tortura é conhecida como jabuticaba (só tem no Brasil). Guardem isso, mas não escrevam na prova. Vamos começar a lei de tortura! Coloca no art. 1º. O art. 1º não define o que é tortura. Ela diz o que constitui tortura. É diferente. Faça essa observação. Nossa lei, apesar de não definir tortura diz quais são os comportamentos que constituem crime de tortura. Sem definir tortura, diz o que constitui o crime. Art. 1º - Constitui crime de tortura: I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental: a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa; b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa; c) em razão de discriminação racial ou religiosa;

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E depois que eu explicar cada um dos delitos. Consumação Submeter alguém sob sua guarda poder ou autoridade. Causando-lhe INTENSO sofrimento físico ou mental. I Constranger “alguém”  S.A. Submeter Mediante Causando-lhe sofrimento XXXXXXX 32 . SUJEITOS MODO DE EXECUÇÃO RESULTADO FINALIDADE a) Com o fim de obter informação (tortura-prova).P. Causando-lhe sofrimento físico ou mental. Próprio (sob a autoridad e) Com emprego de violência ou grave ameaça.submeter alguém. com emprego de violência ou grave ameaça. Consumação Aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo. Um quadro gigante. eu estudava a lei de tortura e tinha muita dificuldade para diferenciar esses três dispositivos. 1º. eu vou fazer observações que não têm como ser inseridas dentro do quadro.Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de segurança a sofrimento físico ou mental. Art. com esse quadro. Pena . II  S.P. 1º. Próprio (autoridad e) S. Então eu vou fazer um quadro comparativo. sob sua guarda. referentes a cada linha. Na prática eu não conseguia subsumir a tal ou outro dispositivo.reclusão. b) Para provocar ação criminosa (tortura para ação criminosa) c) Discriminação (torturadiscriminação) Art. Vocês. quando que configura a tortura do parágrafo 1º? Eu achava que eram comportamentos muito próximos. poder ou autoridade. (tortura-castigo)  Art. como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo.Comu m  S. a intenso sofrimento físico ou mental. Comum Com emprego de violência ou grave ameaça. Eu ficava: “mas quando que configura a tortura do inciso I.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS II . cheio de observações abaixo do quadro. de dois a oito anos. Quando eu estudava para concurso. por intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não resultante de medida legal. quando que configura a tortura do inciso II. e essa lei veio exatamente no ano anterior que eu prestei minha prova para o MP. Eu vou explicar os três delitos. nunca mais vão confundir os três delitos. § 1º .A.

isto é. § 1º pessoa presa ou sujeita a medida de segurança  S.Ativo – Comum  S. o crime do inciso I é “constranger alguém”. fica fácil perceber que o sujeito ativo é comum. 33 . reparem que esses torturadores agem com uma finalidade especial. diz “constranger alguém”. Então. E ele age deste modo tendo uma finalidade: a) Com o fim de obter informação em sentido amplo (aqui vocês entendam ‘obter informação’ abrangendo declaração ou confissão). 1º. que com emprego de violência ou grave ameaça causa na vítima sofrimento físico ou mental. I. inciso I.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS comportamento ilegal – não necessariamen te violência. constranger alguém. qualquer pessoa constrangendo qualquer pessoa com emprego de violência ou grave ameaça. com emprego de violência ou grave ameaça. isto é. Torturam para que a vítima passe informações. para obter informação do torturado. anotem o seguinte:  A finalidade da alínea a é conhecida como tortura-prova. sofrendo consequências físicas e mentais para provocar ação criminosa. Agora. qualquer pessoa constrangendo qualquer pessoa. para discriminar o torturado. inciso I. causando-lhe sofrimento físico ou mental com o fim de obter informação. Passivo – Próprio Quando o art. E o sujeito. Então. olha a tortura do inciso I: qualquer pessoa constrangendo alguém com emprego de violência ou grave ameaça causando-lhe sofrimento físico ou mental. 1º. Então. alguém sendo torturado.  A finalidade da alínea b é conhecida como tortura para ação criminosa. Se alguém te perguntar: O que é tortura prova? É o art. 1º. Se alguém te perguntar: O que é tortura para ação criminosa? É o art. torturam para que o torturado pratique ação criminosa. “Constranger alguém”. Essa. por hora é a tortura do art. – não necessariamen te grave ameaça. para provocar ação criminosa do torturado. vocês têm um sujeito. I. também pode ter como vítima qualquer pessoa. ou seja. o crime pode ser praticado por qualquer pessoa e o sujeito passivo também é comum. b) para provocar ação criminosa ou c) a finalidade é a discriminação. 1º.  A finalidade da alínea c é conhecida como tortura-preconceito. É um crime bicomum. 1º. Então. mediante esse modo de execução produz um resultado. físico ou mental. torturam a vítima para discriminá-la. E que resultado é esse? “Causando-lhe sofrimento físico ou mental”. com emprego de violência ou grave ameaça.

assalto a banco.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS Se alguém te perguntar: O que é tortura-preconceito? É o art. O torturado. eu vou responder por lesão corporal. O torturado não responde por nada. 34 . com emprego de violência ou grave ameaça. quero fazer algumas observações: Observação 01: O crime de tortura do inciso I se consuma com a provocação do sofrimento físico ou mental. 1º. Imaginem só um acusado de homicídio que sabe quem é a testemunha presencial. mente em juízo. Não responde por falso testemunho. Por tortura não vou responder. causando-lhe sofrimento físico ou mental para provocar falso testemunho. eu pergunto: e o torturador? Responde por dois crimes: pela tortura (óbvio!) mais o crime praticado pelo torturado na condição de autor mediato. passa a torturá-la para que ela minta em juízo. não aguentando. simplesmente porque discrimina a religião dela. Praticou algum crime? Eu tenho dois personagens: o torturador e o torturado. Você tortura alguém. Vejam só. a ação criminosa ou a efetiva discriminação não é indispensável para a consumação da tortura. O inciso I se consuma na hora que a vítima sofre física ou mentalmente. E se a pessoa for torturada para praticar contravenção penal? É tortura? Eu falei que configura crime de tortura você torturar alguém querendo deste alguém a prática de um crime (falso testemunho. Policial que. Observação 02: Vocês viram que a alínea b é torturar alguém visando à ação criminosa. com emprego de violência ou grave ameaça. alguém constrangendo alguém. você tortura para que esse torturado pratique um crime!). A obtenção da informação. Existe crime de tortura quando você tortura alguém para servir ao jogo do bicho? É tortura? Prevalece (eu falei que prevalece!) que para haver tortura deve-se buscar do torturado crime. independentemente da obtenção da finalidade visada. Exemplo de tortura para provocar ação criminosa: réu que tortura testemunha presencial para mentir em juízo. inciso I. torturar alguém para praticar jogo do bicho. Pronto. por homicídio. Prestem atenção: algumas questões importantes que eu quero fazer com vocês. Exemplo de tortura-discriminação: você tortura alguém simplesmente para discriminar a pessoa em razão da sua raça ou da sua religião. não basta contravenção penal. Aí ele está consumado. causando-lhe sofrimento físico ou mental por discriminação. olhem um exemplo de tortura-prova: policial que tortura suspeito para confessar um crime. Entendido o inciso I. não vão denunciar o torturado! Agora. Ele é vítima! Pelo amor de Deus. Foi isso que vocês anotaram. Vamos voltar ao exemplo do torturador que tortura alguém para mentir em juízo. O torturado não responde pelo crime. Praticou algum crime? Coação moral irresistível! Inexigibilidade de conduta diversa. por qualquer outra coisa. não é tortura. Isso significa que a pessoa tem que ser torturada para praticar um crime. Você tem alguém torturando uma pessoa. O torturado. Tem que visar do torturado um crime! Eu. Ponto. não aguenta e mente em juízo. mediante violência ou grave ameaça causa na vítima sofrimento físico ou mental para obter a confissão de um crime. estuprar outrem.

Eu não disse que ele deve ser autoridade pública. Vamos para o art. Só temos o crime de tortura se a tortura é praticada em razão de discriminação racial ou religiosa. 1º. Aqui. Pai com filho. 1º . o torturador responde pelo crime praticado pelo torturado. Homofobia não configura torturadiscriminação. O idoso com relação a enfermeira. e tal. quem tem condição especial. como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo. a intenso sofrimento físico ou mental. Não é isso! Ele tem que ter autoridade ampla sobre a vítima. No nosso exemplo.). vejam. do art. O que significa isso? Pegadinha de concurso: o seu examinador vai colocar a discriminação racial. falso testemunho. da Lei de Tortura também considera crime gravíssimo submeter alguém sob sua guarda. É a pessoa sob a autoridade de outra. E por aí vai. Ele deve ter autoridade sobre a vítima. vejam que acabamos o art. 1º.submeter alguém. além da tortura. letras a. cuidado!  Não temos a discriminação sexual como crime de tortura!  Não temos a discriminação econômica como crime de tortura!  Não temos a discriminação social como crime de tortura! Rogério. Se o torturado vier a praticar o crime. com emprego de violência ou grave ameaça. poder ou autoridade. não.Constitui crime de tortura: II . não abrange a discriminação social.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS Torturou? Causou sofrimento físico ou mental? Você já responde pela tortura. É o filho com relação a babá. inciso I. O crime é bipróprio! Só pode ser sujeito ativo. Então. Eu não falei que ele precisa ser uma autoridade. O inciso II fala em submeter alguém sob sua guarda. poder ou autoridade. também. quer dizer que eu posso discriminar os homossexuais? Não! É um outro crime. de dois a oito anos. 35 . Isso significa o quê? Que o crime já não é mais bicomum. 1º. religiosa e a sexual. b e c. curador com curatelado. sob sua guarda. Qual é o modo de execução? No inciso I. ou seja. na condição de autor mediato. autoridade. Aqui já não teremos um sujeito ativo comum e nem um sujeito passivo comum. a homofobia. no inciso II.. Agora. por exemplo. tutor com tutelado. Então. poder ou autoridade (. no caso da tortura-discriminação. o curatelado com relação ao curador.. II e como vocês não estão lembrados do inciso II. É o filho com relação ao pai.reclusão. Homofobia não está abrangida pela alínea c. vamos ler de novo: Art. É o tutelado com relação ao tutor. O inciso II. não abrange a discriminação econômica. O inciso I falava em constranger alguém. Pena . O modo de execução é o mesmo. só há o crime quando a discriminação se refere a raça ou religião. Você vai responder por lesão corpora. Ela não abrange a discriminação sexual. era com emprego de violência ou grave ameaça. Vai ser um sujeito ativo com condição especial e um sujeito passivo sob essa condição especial. só não é tortura. Tortura. O sujeito passivo é também próprio. etc.

Vejam. Se você tiver uma pessoa submetendo outra sob sua autoridade. O que eu tenho aqui? Também tenho o núcleo submeter. do CP. Mais nada. 36 . A diferença da torturacastigo para o crime de maus-tratos está na intensidade do sofrimento da vítima. Qualquer pessoa pode submeter pessoa presa ou sujeita a medida de segurança a tortura. aplicando-lhe castigo pessoal ou medida de caráter preventivo. com essa conduta. causando na criança intenso sofrimento físico ou mental. A babá submeteu a criança sob sua guarda.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS Qual é o resultado? No inciso I. busca alguma finalidade? A finalidade dele é aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo. está exatamente na intensidade do sofrimento da vítima. Eu dei um exemplo de cada um lá em cima. a Polícia Militar parando pessoas na rua e castigando pessoas na rua como medida de caráter preventivo? Todos esses exemplos são de tortura-castigo. O delegado tem que apurar a intensidade no seu inquérito. o sujeito ativo aqui é comum. É a diferença da tortura para o delito de maus-tratos. com emprego de violência ou grave ameaça. b. O promotor tem que colocar o intenso na sua denúncia. Aqui ele provoca intenso sofrimento físico ou mental. 136. que submeteu a idosa sob sua autoridade. por intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não resultante de medida legal. Na mesma pena. porque é dado pela imprensa. Mas o sujeito passivo não é comum. O inciso I. a mãe que causou na criança intenso sofrimento físico ou mental. O sujeito passivo é próprio. É o momento que marca a consumação do delito.Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de segurança a sofrimento físico ou mental. não tem mais o inciso II. c. é chamado de torturapreconceito. a é chamado de tortura-prova. A enfermeira. do art. causando sofrimento físico ou mental como forma de aplicar castigo. A diferença da tortura para o crime de maus-tratos. O inciso I. Por quê? Porque se não houver o intenso sofrimento físico ou mental você tem o crime de maus tratos. 136. com emprego de violência ou grave ameaça. o torturador causava o quê no torturado? Sofrimento físico ou mental. do Código Penal. Nós terminamos o inciso II. Vamos dar um exemplo da torturacastigo. Não houve o intenso. Agora prestem atenção! Reparem que o inciso II é importante que tenha causado na vítima intenso sofrimento físico ou mental. Vocês estão lembrados de uma babá que surrou uma criança porque fez xixi na roupa? Estão lembrados de uma enfermeira que castigou uma idosa que fez a necessidade fisiológica na roupa? Vocês estão lembrados. como forma de lhe aplicar castigo pessoal porque fez as necessidades na roupa. O sujeito passivo só pode ser pessoa presa ou sujeita a medida de segurança. E o inciso II? É chamado pela doutrina de tortura-castigo. em Diadema. E ele tem alguma finalidade? O sujeito ativo. O juiz tem que condenar comprovando e fundamentando a intensidade. é chamado de tortura para ação criminosa. você tem o art. É um exemplo tranquilo. Submeter pessoa presa ou sujeita a medida de segurança. Vamos para o parágrafo primeiro: § 1º . com violência ou grave ameaça. Tudo isso é tortura-castigo. quanto? De 2 a 8 anos. Me ajudem! O inciso I.

Tortura! Foi no Pará e. Mediante comportamento ilegal. O preso. idem. a prisão civil do devedor de alimentos. Agora. têm que ser denunciados pela tortura e pelos crimes sexuais que ela sofreu porque estão na condição de garantes ou garantidores. Abrange prisão penal e prisão extrapenal como. Olha que interessante: carcereiro tortura o preso. 5º. É a tortura pela tortura. Não tem finalidade alguma. prestem atenção: essa tortura que vocês acabaram de anotar no caderno infringe o art. não é a do inciso III. é o crime do § 1º. É a tortura pela tortura. pode ser vítima. Sofre física e mentalmente. presa. preso definitivo ou preso provisório.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS Agora. por exemplo. Ele pratica ato não previsto em lei ou não resultante de medida legal. sofrimento físico ou mental. sofre violação sexual. Comportamento ilegal! E também causando na vítima sofrimento físico ou mental. Se ele torturou para aplicar castigo pessoal ou medida de caráter 37 . Preso. o torturador age com uma finalidade. se não me engano. Esse é um exemplo emblemático: uma adolescente colocada para cumprir medida socioeducativa junto com presos. Eu. Não necessariamente grave ameaça. etc. também abrange o menor infrator internado na antiga FEBEM (hoje Fundação Casa). Uma adolescente colocada de forma ilegal para cumprir pena com presos. devedor de alimentos. já foram denunciados pela tortura. inciso XLIX. XLIX da Constituição Federal: XLIX – é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral. Isso é tortura. que assegura aos presos o respeito à sua integridade física e moral. E no parágrafo 1º? Aqui. Não mais intenso. quando tenho que denunciar um torturador desses. Perguntou: “qual tortura é praticada sem finalidade especial?” não é a do inciso I. mas sim. Essa prisão pode ser penal ou não penal como. Qual é o crime? Primeira coisa que você tem que ver: ele torturou com qual finalidade? Se ele torturou por torturar. No inciso II. Aliás. e sim a do inciso III. também pode estar sujeito ao crime de tortura. No inciso II. Com o quadro supra não tem como errar. E sujeito a medida de segurança? É o inimputável ou semiimputável sujeito a internação ou tratamento ambulatorial. Tortura! Ou vocês acham que essa menina não sofreu física e mentalmente? Rogério. por exemplo devedor de alimentos (prisão civil). também extraído da imprensa: uma adolescente colocada para cumprir pena junto com adultos. Então. eu coloco que o torturador desrespeitou a garantia fundamental do art. como no inciso II. tortura pela tortura. da Constituição. No inciso I. E no § 1º? Aqui ele não usa violência ou grave ameaça. para a doutrina. Rogério. qual é o modo de execução do torturador? Violência ou grave ameaça. como no inciso I. É exatamente isso que caiu na prova da Polícia Civil/RS. É a tortura sem finalidade especial. 5º. quando você fala submeter pessoa presa quem é esta pessoa presa? A doutrina entende que abrange preso definitivo bem como o preso provisório. Um exemplo do parágrafo 1º. vejam que interessante: qual é o modo de execução do torturador no inciso I? Violência ou grave ameaça. ele tortura sem finalidade. E lá. não necessariamente violência. tortura para causar sofrimento físico ou mental.

E vejam. A imprensa divulgou como tortura. tortura não é. se tiverem um problema na hora da prova. provocar ação criminosa ou discriminação. Eles submeteram alguém sob sua guarda. algemada com a mão para cima. é o do inciso I.” Encaixem esse trote do Exército no quadro. da finalidade para trás. Então. Você estava fazendo isso para evitar que a menina fizesse aquilo? Não. Vocês estão lembrados desse caso? Essa mulher queria obter alguma informação da garota. Essa mulher vai responder por maus tratos. vá lá! Causou sofrimento? Tudo bem. que tem crime. Mas causou intenso sofrimento físico e mental? Vamos imaginar que as chineladas tenham causado isso. incisos I. São dois casos emblemáticos: 1º Caso: Reportagem da Globo sobre oficiais (se não me engano do Paraná) que aplicavam trotes nos recrutas que estavam se promovendo. provocar na garota ação criminosa. Divulgaram que houve tortura. eventualmente homicídio. Ah! Mas então era tortura pela tortura! Só que ela não era presa nem sujeita a medida de segurança. Mas e a finalidade? É imprescindível a finalidade. chineladas. Então. vai responder por lesão corporal. eles constrangeram alguém com violência ou grave ameaça? Violência. 1º. grampeava a língua da menina. etc. Mas eles fizeram isso para aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo? Não! Então não dá inciso II. agora. Cadê a tortura? O trote no Exército não se encaixa em nenhum dos três dispositivos. Jogaram baldes de água. você perde as consequências de um crime hediondo. poder ou autoridade? Sim. Então. Com emprego de violência? Vá lá. entre a tortura e o crime comum. 2º Caso: Uma madrasta deixou a enteada presa. Temos que saber se é tortura ou não. Se ele torturou para obter informação. Vamos agora. Vamos pensar no inciso II. Por enquanto. Então já não pode ser o inciso I. Mas não pode divulgar que houve tortura se você não me disser qual foi a finalidade com que a mãe agiu. Essa mulher estava aplicando castigo pessoal ou medida de caráter preventivo? Ninguém apurou isso no início.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS preventivo. tem! Mas se não apurou a finalidade da tortura. no começo. vejam a importância das finalidades. A menina se portou mal e a mulher fez aquilo? Não. A policia tinha que apurar a finalidade especial que animou essa mulher. para o § 2º. é o do inciso II. já que não tinha ninguém preso ou submetido a medida de segurança. vão começar a perquirir da direita para a esquerda. Vocês. Quanto ao inciso III. (Intervalo) Nós já vimos o art. maus tratos. de cara você já diz que não tem! Divulgou-se tortura. 38 . com esse quadro que montamos. eu tenho dois casos para trazer para vocês e vocês vão me dizer se houve tortura ou não. II e seu § 1º. Torturou por quê? Tem crime. mas tortura não houve. Vamos pensar: quando eles deram o trote. ninguém divulgava a finalidade. discriminá-la por religião ou raça? Não. se você não conseguir descobrir a finalidade “aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo”. lesão corporal. às vezes. Às vezes eu vejo inquérito policial em que a polícia apura muito bem o sofrimento. Eu vi o William Bonner dizer o seguinte: “tortura no Exército brasileiro. sofreu! Mas ele estavam querendo obter informações dos recrutas? Queriam provocar alguma ação criminosa do recruta? Estavam querendo discriminar a religião ou a raça do recruta? Não.

Então. Então.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS Sabe essa lei nova. colocou e fez bobagem! Por quê? Prestem atenção: 39 . O que vamos fazer? Vamos explicar. do § 2º nós extraímos dois crimes omissivos. As duas omissões são punidas com detenção de um a quatro anos. 216-A. § 2º. no Brasil. Será que precisávamos desse parágrafo 2º. etc. Lei 12. Vamos analisar isso com calma. do art. Reparem que o sujeito ativo é o garante ou garantidor. 216. § 2º. hoje. 216-A o art. O que o legislador fez? Revogou o art. Por exemplo. 216. O que significa isso? Que o dispositivo traz dois comportamentos omissivos. professores (tem o dever de evitar tortura na escola). primeiro a omissão imprópria e depois a omissão própria. É só uma observação. 216-A sem 216. Não anotem nada (que não tem nada a ver com a aula)! Só olha isso aqui:  O art. Art. Além de ele deixar o art. da Lei de Tortura: § 2º . metade da pena do torturador por ação. ele deu ao art. Não é o óbvio? Não. que alterou os crimes sexuais? Olha que interessante. da Lei 9. medito (tem o dever de evitar tortura nos hospitais). do Código Penal tratava do atentado ao pudor mediante fraude e  O art. o delegado (tem o dever de evitar tortura na delegacia).455/97 OMISSÃO IMPRÓPRIA OMISSÃO PRÓPRIA (quando tinha o dever de evitar) (quando tinha o dever apurar) DETENÇÃO de 1 a 4 anos (o torturador por ação responde com 2 a 8 anos) de Então. incorre na pena de detenção de um a quatro anos. OMISSÃO IMPRÓPRIA Sujeito ativo: É o garante ou o garantidor. o curador. tratava do assédio sexual. Sujeito passivo: É o ofendido que pode ser qualquer pessoa.015/09. os pais (têm dever de evitar tortura em face dos filhos). do Código Penal. tutor (tem dever de evitar tortura em face do tutelado). É aquele que tem o dever de evitar. Cuidado que o nosso legislador é mais criativo do que você pensa. Vamos ao art. 1º. quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las. 1º. o óbvio seria tornar o art. 216. 1º? Será que a lei precisava colocar isso? Não precisava! Aliás. é possível parágrafo 2º sem parágrafo 1º. 216-A um parágrafo 2º sem ter um parágrafo 1º. Sabe o que é isso? Metade da pena do torturador ativo. A omissão imprópria (o agente tinha o dever de evitar) e a omissão própria (o agente tinha o dever de apurar).Aquele que se omite em face dessas condutas.

Entenderam o equívoco do legislador? Rogério. É a mais atécnica de todas porque nossa lei é clara: o crime culposo deve ser sempre expresso! Fábio Bechara. dizendo que se fala de uma omissão culposa. A Lei Maior manda equiparar as consequências para o omitente. a tortura que ela não evitou é punida com 2 a 8 anos. vai responder com a mesma pena do torturador. os executores e os que. Ponto! É a que prevalece! 2ª Corrente: Essa parte do parágrafo 2º é inconstitucional. Sujeito ativo: É quem tem o dever de apurar.a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura. Você vai responder pelo mesmo crime hediondo. na verdade. quando. É uma exceção pluralista à Teoria Monista. Aqui. o terrorismo e os definidos como crimes hediondos. por eles respondendo os mandantes. do traficante. Aqui. O que a Constituição está dizendo? Omitente! Você vai responder pelo mesmo crime do torturador. 3ª Corrente: Quer consertar essa falha. é uma negligência. XLIII: XLIII . Hoje é assessor do Procurador-Geral/SP. A pena deve ser a mesma. 5º. A Constituição Federal queria a mesma responsabilidade para os dois. a pena será de 2 a 8. O legislador errou feio! Por quê? A Constituição Federal diz que o omitente deve responder do mesmo modo que o torturador. você justifica a pena de 1 a 4 anos de detenção. o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. Logo. Art. O juiz tem que ignorar a pena de 1 a 4 e aplicar a pena de 2 a 8. Se for omissão dolosa. A Constituição Federal não quer 1 a 4 anos para o omitente impróprio e 2 a 8 para o torturador. Sujeito passivo: Qualquer pessoa. para o torturador e para o omitente impróprio (quem tinha o dever de evitar). a tortura já aconteceu. O problema é que os investigadores respondem com pena de 1 a 8 e o delegado com pena de 1 a 4. Esse delegado não evita a tortura que percebeu que ia acontecer. se omitirem. Ou seja. daí a pena de 1 a 4. Tortura. Os investigadores vão responder por tortura-ação e o delegado por tortura-omissão. nessa parte a lei de tortura. OMISSÃO PRÓPRIA A segunda espécie de tortura-omissão é a omissão própria. omissão imprópria. A tortura já aconteceu. conclui que ele será torturado e nada faz. sim. Exemplo dessa omissão: imaginem um delegado de plantão que percebe que um suspeito está sendo levado para uma sala. do terrorista.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS A omissão imprópria está sendo punida com 1 a 4 anos. ele omite o dever de apurar. inconstitucional. como lidar com este equívoco? Temos três correntes: 1ª Corrente: É uma exceção prevista em lei e que deve ser respeitada. 40 . podendo evitá-los.

culpa na lesão. da Lei de Tortura. se a Corregedoria apura que não houve tortura. Vocês perceberam que vão ter uma lei comentada. que traz as formas qualificadas e diz: § 3º . sim! Você. Dolo na tortura. seja simples ou qualificado. Prevalece que o § 3º só qualifica a tortura por ação. matou. Quando acaba a audiência. sabendo que a polícia era inocente. não atingindo a tortura por omissão. inclusive os omissivos? Pergunta boa de concurso! Esse parágrafo 3º se aplica a todos os tipos de tortura. culpa na morte. Você teve vontade de dar choque.se o crime é cometido por agente público. Você torturou com vontade. Você está afogando uma pessoa. E o que significa isso? Dolo na tortura. eu quero a palavra. estou praticando tortura-omissão há quatro anos. Somente o torturador ativo é que teria o crime qualificado. se resulta morte.” Por quê? Não que eu estou acreditando na tortura. Em juízo. Mas se. o que eu faço sempre? Eu falo: “Excelência. Tortura qualificada. Eu acho que quem tinha o dever de evitar tem que responder por aquilo que não evitou. Só qualifica a tortura por ação.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS Olha só o que acontece bastante em audiência e eu já estou esperto! O réu confessa na polícia. É assim: “Você está dizendo que foi torturado? Vamos investigar!” houve tortura? Vamos denunciar os torturadores! Não houve tortura? Vamos denunciar quem disse ter sido vítima de tortura. que tinha o dever de evitar e não evitou. Nesse caso. inclusive a tortura-omissão? Eu. você atende e esquece de tirar! Prevalece que é uma qualificadora preterdolosa ou preterintencional. Você torturou com vontade. Não é isso. Acabou! Mais dois anos de pena para ele.Aumenta-se a pena de um sexto até um terço: I . eu denunciei quatro vezes por denunciação caluniosa! Pedi concurso material. Eu quero que sejam extraídas cópias do interrogatório dele e sejam remetidas para a Corregedoria da Polícia Civil. Alguns detalhes: 1º Detalhe: Trata-se de qualificadora preterdolosa ou preterintencional. Então. mais dois anos para a conta.Se resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima. fica qualificada. o juiz não deu! É lógico que quem deu margem à instauração de procedimento deve ser punido severamente. particularmente entendo que se aplica à tortura-omissão imprópria (quem tinha o dever de evitar). do art. sem querer. Teve um que eu exagerei. 1º. Mas não é o que prevalece. parágrafo por parágrafo. 41 . Ele fala que não foi ele e diz que na polícia foi torturado. Agora vamos para o § 4º: § 4º . Denunciação caluniosa. toca o celular. Vamos para o parágrafo 3º. eu denuncio o réu por denunciação caluniosa. O sujeito falou que foi torturado por quatro policiais. no dia do seu interrogatório. a pena é de reclusão de quatro a dez anos. sem querer causou lesão grave ou gravíssima. a reclusão é de oito a dezesseis anos. você vai responder pelo crime provocado! Se qualificado. exagerou culposamente e matou. Agora eu pergunto: qualifica todos os crimes de tortura. inciso por inciso? Não precisa mais comprar livro. por um acaso ela aconteceu e eu omitir o dever de apurar. artigo por artigo. vai responder pela qualificadora! Mas não é o que prevalece. Eu discordo veementemente disso.

Vocês vão ter que se socorrer da lei especial de pessoa portadora de deficiência. quem. Causa de aumento de pena? Terceira fase da aplicação da pena. o crime tem que ser cometido contra adolescente. abrange pai com filho. professor com aluno. 327 .Considera-se funcionário público. Caiu na prova do MP/SP e o examinador errou: o § 4º não traz qualificadora. A maioria abrange o funcionário equiparado. Então. Guilherme de Souza Nucci tem razão. Então. adolescente ou maior de 60 (sessenta) anos. Dupla punição pela mesma circunstância. portador de deficiência. Rogério. exerce cargo. Ele diz: se agente público já é elementar do tipo.se o crime é cometido mediante seqüestro. médico com paciente. Nós não temos um crime que só é praticado por funcionário público. mas não gera a majorante. Ele tem razão? Quem me dá um tipo penal da Lei de Tortura que agente público é elementar do tipo? Tem algum? Ah. Quando ele fala sob autoridade. empresta o conceito de funcionário público. Você vai saber se a pessoa é ou não portadora de deficiência analisando a Lei dos Portadores de Deficiência. Não existe! Inciso II – O inciso II majora a pena se o crime é cometido contra criança. ela já é idosa. tutor com tutelado. por fim. embora transitoriamente ou sem remuneração. incide o aumento se a vítima tem mais de 60 anos. pode ser professor. Ele está sendo punido duas vezes pela mesma circunstância. proteção. Aquilo que a lei especial considera deficiência física ou mental. Essa majorante não incide nos casos em que agente público já é elementar do tipo. Tem que ser uma idosa com mais de sessenta anos! Por quê? Porque no dia do seu aniversário de 60 anos. O que é criança? O conceito é dado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente: até 12 anos incompletos. não aplica a majorante para evitar bis in idem. aquele que fala sobre guarda. do Código Penal. Alberto Silva Franco diz o seguinte: cuidado com o bis in idem. Vamos repetir isso: quem tem razão? Guilherme de Souza Nucci. autoridade porque eles não são praticados somente por funcionários públicos. Não! Porque aí pode ser pai. Só gera a majorante no dia 42 . Não traz qualificadora! Traz majorante! Traz causa de aumento de pena! Vamos analisar as causas de aumento de pena: Inciso I – O que é agente público? A maioria da doutrina conceitua agente público nos termos do art.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS II . Por quê? Porque não existe tipo penal exclusivo praticado por agente público na Lei de Tortura. senão. 327. proteção ou autoridade. curador com curatelado. não pode incidir o aumento. emprego ou função pública. médico. incide a majorante. há bis in idem. Ele aplica esse aumento mesmo nesses crimes especiais que falam de guarda. Não pode! Então. para os efeitos penais. do CP que conceitua funcionário público para fins penais: Art. A maioria da doutrina empresa o art. Se agente público já é elementar do tipo. Guilherme Nucci aplica a causa de aumento a todos os crimes porque não existe um crime específico cometido por funcionário público. gestante.se o crime é cometido contra criança. Também haverá majorante se for cometido contra portador de deficiência. Cuidado! Não basta ser idosa. A causa de aumento do inciso II também incide se o crime é cometido contra gestante. Alberto Silva Franco diz: cuidado com o bis in idem. que é quem tem até 18 anos incompletos e. III . O § 4º traz causa de aumento de pena. 327.

diferentemente do Código Penal. particularmente. o efeito é automático.Os efeitos de que trata este artigo não são automáticos. função ou emprego público e a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada. I e § único: Art. Sequestro com confinamento. que a vítima é adolescente. não sofre o aumento. para evita responsabilidade penal objetiva. Esse efeito é automático ou não automático? É efeito automático da condenação ou precisa ser fundamentado na sentença? Vamos ao art. que nada mais é do que um sequestro com confinamento. ele comemora seu aniversário de 60 anos. Apesar do silêncio da lei. da Lei de Tortura. Particularmente. Prevalece que. aliás. O que acontece com o torturador? O § 5º diz: § 5º . Então. independe de decisão motivada. Tem doutrina minoritária dizendo que esse efeito automático da condenação não se aplica à tortura-omissão. Veja se a Lei de Tortura tem um parágrafo único como esse. Isso é o que prevalece no STJ. HC 92247. o efeito da condenação não é automático. é o dia seguinte ao aniversário de sessenta anos. Dispensa motivação na sentença. O que o cárcere privado? Nada mais do que um sequestro com confinamento. do art. mas se for torturado. Aquela menina em Goiás ficou sendo torturada (se é que se provou a finalidade e eu não sei se isso ocorreu) num caso em que incide a majorante porque ela ficou confinada em um cômodo. 92 . do § 4º. na Lei de Tortura. para evitar responsabilidade penal objetiva. O § 5º traz o efeito da condenação.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS seguinte. II e III. Precisa ser motivado na sentença. Vamos agora para o § 5º. o torturador tem que saber que a vitima é criança. E na Lei de Tortura. Terminamos esses incisos I. acho que se aplica à omissão imprópria. O dolo do torturador tem que alcançar essas circunstâncias. prevalece que na Lei de Tortura o efeito da condenação é automático. cárcere privado.A condenação acarretará a perda do cargo. devendo ser motivadamente declarados na sentença. O que vocês perceberam? No Código Penal. Tem doutrina não aplicando a tortura-omissão.a perda de cargo. já é idoso. o que diz! Vejam se a Lei de Tortura traz alguma observação em parágrafos dizendo que esse efeito da condenação depende de motivação do juiz! Diz? Não! Então. é o mais comum. E ele vai cair! E vou dizer o porquê. A imprópria sofre o mesmo efeito! O dever de evitar sofre o mesmo efeito. eu acho que só a omissão própria escapa. 92. Então. Detalhe importante: essas causas de aumento do inciso II só incidem se o dolo do torturador abrange essas circunstâncias.São também efeitos da condenação: I . deficiente ou maior de sessenta anos. 1º. O STJ vem rigorosamente decidindo nesse sentido: efeito automático. 43 . dizendo que precisa de decisão motivada do juiz? Olha o § 5º. que a vítima é gestante. função pública ou mandato eletivo: Parágrafo único . Inciso III – O inciso III aumenta a pena se a tortura é praticada mediante sequestro. Quando fala mais de sessenta anos. abrange também o cárcere privado que. quem tinha o dever de evitar. Ele responde exatamente igual ao torturador. Eu.

Ele perde o cargo. Pergunto: Está vedada a liberdade provisória: Ele veda a fiança.O condenado por crime previsto nesta Lei. Então. vamos ao § 6º (Rogério. tem doutrina dizendo que esse indulto. Então. Entende que indulto está proibido quando se proíbe graça. STF). Vamos dar sequência: § 7º . Proibição em abstrato de liberdade provisória é inconstitucional. essa lei é uma lei de um artigo só com 280 parágrafos!): § 6º . Quem tem que analisar se cabe ou não é a pessoa do juiz. Inafiançável. Tortura é insuscetível de fiança. caminhando para a segunda corrente. salvo a hipótese do § 2º. Hoje! Celso de Mello fomentou a segunda corrente e hoje. pode se inscrever em concurso público. como candidato. tem corrente dizendo que o indulto está implicitamente vedado quando se proíbe graça. No entanto. Eu acabei de mostrar que está dividido. de o meu examinador perguntar isso aqui porque o Supremo está dividido. vejam que você não ficará impedido para o resto da vida. emprego. iniciará o cumprimento da pena em regime fechado. Hoje. é o que prevalece no STF. Se você recebeu uma pena de quatro. 1ª Corrente: Quem permite indulto? Ricardo Andreucci entende que indulto é possível. Eu não gostaria. que abrange a graça em sentido estrito e o indulto.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS Reparem que não é um efeito da condenação perpétuo. se vocês acompanharem os julgados do STF. que não está expressamente proibido está implicitamente proibido na graça. 44 . deixou passar o dobro do prazo da pena aplicada. que é a graça em sentido amplo. você vai ficar impossibilitado por quatro. O § 6º também diz que o crime de tortura é insuscetível de graça ou anistia. Prevalece! 2ª Corrente: Quem acha que indulto está proibido na vedação da graça? Guilherme de Souza Nucci. cumpriu a pena. Você foi condenado por tortura. Eu disse que isso é unânime no Supremo? Não. Reparem que não veda indulto. não para sempre. 2ª Corrente: A inafiançabilidade não impede liberdade provisória. vão ver que esta é a que está prevalecendo. Aliás. Agora. Depois desse prazo aí de gancho. Se você sofreu uma pena de dois anos.O crime de tortura é inafiançável e insuscetível de graça ou anistia. função pública e fica impossibilitado do seu exercício. mas pelo dobro do prazo da pena aplicada. vai ficar impossibilitado de novo exercício por oito anos. você pode tentar prestar outro concurso público. essa segunda corrente diz: não competente ao legislador vedar a liberdade provisória. E a liberdade provisória? 1ª Corrente: A vedação da liberdade provisória está implícita na inafiançabilidade (HC 93940. que legal.

permitiu progressão. 2º. o regime do crime hediondo era regime integral fechado. As posteriores progridem com 2 a 3/5. a progressão aqui era a seguinte: 2/5. se primário. LEI 11. Na tortura.Os crimes hediondos. permitindo a progressão.464/07 você separava crime hediondo. a prática da tortura. ou 3/5. retroagir em prejuízo do réu. o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de: I . regime integralmente fechado. para o crime hediondo.anistia. As torturas anteriores continuam progredindo com 1/6. As torturas praticadas depois desta lei progridem com 2/5 ou 3/5.464/07. Não podem. Pessoal. 2º . o regime passou a ser inicial fechado.fiança. Lei posterior alterou. (Alterado pela L-011. Porém. o regime inicial era fechado e progride com o cumprimento de 1/6. II . não progride. se reincidente. O que eu quero saber de vocês é o seguinte: qual é o tempo de pena. falando em regime inicial fechado. a depender se ele é reincidente ou não. O que significa isso? Que tortura agora também progride com 2/5. então só vão progredir com 1/6 as torturas praticadas antes da Lei 11. se primário ou 3/5 se reincidente. A progressão era de quanto? Quanto tempo o torturador tinha que cumprir de pena para progredir de regime? Olha como era antes: antes da Lei 11.464-2007) Reparem que a progressão diferenciada também se aplica para o crime de tortura. E o crime de tortura continua com o seu regime inicial fechado.464/07 ANTES DEPOIS Crime Hediondo: Crime Hediondo: Regime integral Regime inicial fechado fechado (permitida a (vedada a progressão) progressão)  2/5 se primário  3/5 se reincidente Tortura: Tortura: Regime inicial fechado Regime inicial fechado (permitida a progressão (permitida a com 1/6) progressão)  2/5 se primário  3/5 se reincidente Antes dessa lei. obviamente.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS Permite progressão! Cuidado! Temos que analisar isso aqui antes e depois da Lei 11. graça e indulto. ou seja. agora. 45 .464/07. E tínhamos tortura. logo vedada a progressão. da Lei dos Crimes Hediondos: Art.464/07. Depois da Lei 11. que o torturador precisa para poder progredir de regime? Esses 2/5 ou 3/5 se aplicam também para a tortura ou é só para crimes hediondos? Vamos ver o que diz o art. Ou seja.

na tortura pós 2007. Como devo me posicionar numa primeira fase?” guardem o seguinte: numa primeira fase. Acabou! E já posso começar a analisar com vocês a lei de drogas. tortura no genocídio. houve uma lei posterior que alterou a lei de tortura. o candidato tem que lembrar que a lei não define. há divergência sobre se a tortura é ou não imprescritível. 2º.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS Não fiquem tentando trabalhar com o princípio da especialidade aqui. não. Caiu no concurso MP/PE: “Defina Tortura”. Aqui. E com isso. Vamos agora ao último dispositivo. em tempo de guerra. Ninguém deixa cela hiperlotada para torturar ninguém. Como? Nós temos três momentos importantes: 46 . não da especialidade. Aqui. o art. Então é o princípio da posterioridade. Exemplo em que a pessoa está presa e quem torturou não foi a polícia – linchamento (é tortura!). Quem define a tortura? Os tratados internacionais definem a tortura. Olha que fácil! Você ia ter que pegar um “intensímetro”.O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido em território nacional. sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira. 2º. você vai ficar com a CF que só reconhece dois crimes imprescritíveis. E perguntou ainda a diferença para os maus-tratos. nós terminamos a lei de tortura. LEI DE DROGAS – Lei n. É exatamente a intensidade. Pronto e acabou. traz as hipóteses de extraterritorialidade da lei penal. Não é o caso. Muito legal! Cela hiperlotada – não há dolo. 2º . da Lei de Tortura: Art. você vai lembrar que o Estatuto de Roma diz que a tortura. O art. visando exterminar pessoas. são torturas com espírito de atentar contra a humanidade. Perguntas do final da aula: “Como se sabe. A nossa lei. se praticada contra a humanidade (não é qualquer tortura!).343/06 Eu vou começar como? Rapidamente demonstrando a vocês a retrospectiva no combate ao tráfico no Brasil. A lei diz no que constitui. O estatuto de Roma diz: essa é imprescritível. Numa segunda fase.º 11.

343/06 fez? 1.409 e a 6. a gente nem pensa mais nessas duas outras leis. mas os crimes continuam sendo da lei anterior. E o que vem a ser droga? Olha que importante: as leis anteriores eram complementadas por uma portaria. fala o seguinte: a gente deveria acabar com essa história de norma penal em branco. os delegados.368/76 e quanto ao direito material. 47 .343/06: 3º Momento: Lei 11. 2º Momento: Lei 10. veio a Lei 11. Então. por exemplo. Quem tem que dizer se é ou não droga é um perito e o juiz tem que analisar na perícia se a substancia causa ou não dependência. a 10. a gente usava a Lei 10. seja procedimento. promotores juízes. a primeira coisa que ela fez: desaparece substância entorpecente.343/06  Crimes relacionados ao  Crimes relacionados ao  Crimes relacionados ao tráfico tráfico tráfico  Procedimento especial  Procedimento especial  Procedimento especial 1º Momento: Lei 6.409/02 Lei 11. Então. a expressão é droga! Você vai prestar concurso para o MP? Denuncia tráfico de droga! Não tráfico de substancia entorpecente. trabalhavam com duas leis: no direito material a gente usava a Lei 6. O que a Lei 11. Então.368/76 estão revogadas. Quem dizia o que é ou não droga é uma Portaria do Ministério da Saúde. Essa lei trazia os crimes relacionados ao tráfico e o procedimento especial. seja política de combate. Colcha de retalho. finalmente. Temos que esquecer essa história de portaria. A sua denúncia tem que trazer a expressão legal. que é a Lei 6. Por isso.368/76 .É o momento que nasceu a lei especial.409/02 – Essa lei queria substituir a Lei 6.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS Lei 6. com base em perícia. Por que? Porque a portaria está sempre defasada com relação à criatividade do homem. DROGA em vez de SUBSTANCIA ENTORPECENTE Primeira coisa importante: Ao invés de falar substância entorpecente. Lei 11.368/76 Lei 10. A Lei 10. manteve a sistemática da norma penal em branco ou mudou? Vocês sabem que Vicente Greco Filho. a partir de 2006.409/02. Por isso. seja crime. Tudo que se relaciona a drogas. tem que saber se a substância é ou não psicotrópica. disque-drogas.368/76 (e eu lembro que eu estava em Garapava e tinha um traficante cujo número de celular era: 9763-6876. E a lei nova.409 trouxe um procedimento revogando o anterior. substituiu pela expressão droga – então. Você acredita?). eram chamadas de norma penal em branco. O homem cria drogas que a portaria não prevê e aí rola o tráfico solto. E essa lei nova trouxe características importantes? Trouxe! Vamos analisar as importantes alterações trazidas por essa lei nova. Hoje. Análise do caso concreto. Então.368/76. Ela trouxe os crimes relacionados ao tráfico e o procedimento especial na apuração e punição de um traficante. Agência de Vigilância Sanitária. O juiz. O problema é que o Presidente da República vetou o Capítulo – Dos Crimes.409 só foi sancionada com o procedimento e a conclusão foi a de que a Lei 10.343/06. era uma norma penal em branco porque era complementada por uma portaria.343/06 – Tratou dos crimes e do procedimento.

” Então. Eu não ia pegar o meu carrinho. Aí devolveram. ela gerou abolitio criminis e. potencialidade de dependência da substância. Ah. dependendo do grau. uma sentença. você acha necessário mesmo? “Acho! Minha autoridade está sendo afrontada pelo vadio!” E eu: mas vadiagem é contravenção penal! “E daí” E daí que não cabe preventiva! “No meu código cabe!”. Destruidora. Você quer saber se a substância que você comercializa ou usa é ou não droga? Consulte a Portaria SVS/MS 344/98. Eu era promotor em Garapava e o juiz. o que é droga? É aquilo que assim estiver rotulado na Portaria da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde.” Outra característica importante: Proporcionalidade! 2. confirmaram o recebimento. A pessoa era vadia.” Eu falei pra ele: mas. mandei o original por sedex. Decreto a preventiva. Mas nesses dois dias em que ela ficou fora. cá entre nós. E cada juiz. por exemplo. Qual é o procedimento para você colocar ou retirar substância da Portaria do Ministério da saúde? Em princípio. E o Brasil manteve a sistemática de norma penal em branco. Rogério. Não! Então. Agora. 344/98. Minha mãe depende. o critério é político. vejam o que acontece: tiraram o lança-perfume da Portaria do MS. Então. Então. Ele veio na minha sala: “Pô. Fato curioso: A substância lança-perfume foi abolida da Portaria do Ministério da Saúde numa de suas últimas edições por dois dias. do VICK VAPORUB. E ele: “é a terceira vez que essa pessoa não vem. via fax porque Garapava fica a 500 km. na audiência. O malefício da substância. coincidentemente. ocorreu a abolitio criminis. nós temos que continuar com norma penal em branco porque ela. não compareceu na audiência. de acabar o dia. pra impetrar um HC para um vadio. Vice Vaporo causa dependência! Eu estou fazendo essa brincadeira pra você perceber o quanto é perigosa essa lição. impetrei via fax. é viciada no Vice Vaporo mais do que do meu pai. Lá vocês vão encontrar. Eu não sei o que o juiz da comarca A entende a respeito do ANADOR. pra ir até SP. “Soltou? Então devolve o lança-perfume para a Portaria. Ao tirarem por dois dias. Todos os que estavam sendo processados ou executados pelo tráfico de lança perfume foram beneficiados. com segurança nos diz o que é ou não drogas para fins de tráfico. que absurdo!” Eu contei essa história e um aluno mandou um e-mail pra mim: “Professor eu sou de Garapava e esse vadio é o meu tio. Liguei no tribunal. mas por que o lança-perfume está lá? Porque eles entendem que lança-perfume. pode trazer dependência maléfica. Antes mesmo. PROPORCIONALIDADE 48 .LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS Essa lição de Vicente Greco é perigosa? Sim. já veio a liminar pro fax do juiz. inclusive esse jovem milionário. O que eu fiz? Impetrei um habeas corpus. Imagine se o juiz conclui: mãe do Rogério você está usando drogas. Não vivem sem aquilo. lançaperfume. tinha o filho de um empresário muito famoso que tinha sido preso por tráfico de lançaperfume. juiz. porque fere o princípio da taxatividade. decretou a preventiva de um vadio.

Então. dizer se é norma penal em branco ou não. ela incrementou as penas de multa. O que a lei nova fez? Considerou isso desproporcional! Você está punindo condutas desiguais com pena igual. E olha só quanta coisa você tinha para falar na introdução: mostrar a evolução da lei. Induzir alguém a usar. Crimes. na lei anterior era de 3 a 10. Reparem que todos esses comportamentos eram punidos com 3 a 10. o traficante de matéria-prima. punia com 3 a 10 anos o traficante de drogas. punia com 3 a 10 anos. ela trabalha com proporcionalidade.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS PROPORCIONALIDADE LEI 6361/76 LEI 11. dá penas diferentes para comportamentos diferentes e faz isso de que modo? Pela exceção pluralista à Teoria Monista. CRIME DE PORTE DE DROGAS PARA USO PRÓPRIO Vamos ler. 3. na lei atual. na lei anterior.343/06 3 a 10 ANOS (MESMA PENA): a) b) c) d) e) Traficante de drogas Traficante de matéria-prima Induz outrem a usar “Mula” primário Utiliza seu imóvel PENAS DIFERENTES: Exceção Pluralista à Teoria Monista A Lei 6. de 1 a 3.343/06. 49 . que é o porte para uso próprio. (Intervalo) 4. Na lei atual. ela quer atingir o patrimônio do traficante. que na lei anterior tinham uma pena de 3 a 10. punia com 3 a 10 anos o traficante de matéria-prima. obedecendo o princípio da proporcionalidade. Saibam vocês que a Lei de Drogas foi dissertação do último concurso do MP/SP. punia com 3 a 10 anos o tal do mula primário e de bons antecedentes. O mula. punia com 3 a 10 anos aquele que induz outrem a usar drogas. E como é que ela consegue obedecer o princípio da proporcionalidade? Ela usa e abusa de exceção pluralista à Teoria Monista. aquele que utilizava seu imóvel para servir a traficante. Então. Eu gosto sempre de fazer essa introdução. Então. como introdução. depois eu explico. O que vou fazer agora? Vou entrar no primeiro crime. punido com 3 a 10 anos.368/76 foi corrigida pela Lei 11. então. Por quê? Porque a Lei 6. punia com 3 a 10 anos o avião primário e de bons antecedentes. três mil dias-multa. Ela incrementou as multas. A lei nova. INCREMENTO DAS MULTAS 3ª Característica importante: A lei nova claramente incrementou as multas. pune esses comportamentos com penas diferentes. Tem penas que ultrapassam dois. Vocês vão ver que as multas passam de mil dias-multa. mas induz outrem a usar. Tudo isso. Todo mundo. aquele que não trafica.368/76 punia com 3 a 10 anos o traficante de drogas. ou seja. por exemplo. ele pode até ter uma redução de 2/3 da pena. falar a crítica de Vicente Greco Filho. as características da lei nova. na lei atual tem pena de 1 a 3. Vocês vão ver comigo. 3 a 10.

preferencialmente ambulatorial. a que injustificadamente se recuse o agente.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS Art. entidades educacionais ou assistenciais. cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou psíquica. Parágrafo único. drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas: I . preferencialmente. as penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 10 (dez) meses. bem como à conduta e aos antecedentes do agente. o juiz. Os valores decorrentes da imposição da multa a que se refere o § 6º do art. tiver em depósito. II e III. 28. fixará o número de dias-multa. em quantidade nunca inferior a 40 (quarenta) nem superior a 100 (cem). § 6º Para garantia do cumprimento das medidas educativas a que se refere o caput. para consumo pessoal. sucessivamente a: I . § 7º O juiz determinará ao Poder Público que coloque à disposição do infrator. poderá o juiz submetê-lo. Na imposição da medida educativa a que se refere o inciso II do § 6º do art. que se ocupem. o juiz atenderá à natureza e à quantidade da substância apreendida. II .advertência sobre os efeitos das drogas.admoestação verbal.prestação de serviços à comunidade. para tratamento especializado. estabelecimentos congêneres. III . Quem adquirir. 29. públicos ou privados sem fins lucrativos. o valor de um trinta avos até 3 (três) vezes o valor do maior salário mínimo. atribuindo depois a cada um. segundo a capacidade econômica do agente. 28 serão creditados à conta do Fundo Nacional Antidrogas. § 5º A prestação de serviços à comunidade será cumprida em programas comunitários. para seu consumo pessoal. hospitais. Art. gratuitamente. às circunstâncias sociais e pessoais. transportar ou trouxer consigo. guardar. estabelecimento de saúde. atendendo à reprovabilidade da conduta. semeia. 50 . da prevenção do consumo ou da recuperação de usuários e dependentes de drogas. II multa. § 1º Às mesmas medidas submete-se quem. ao local e às condições em que se desenvolveu a ação.medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. § 3º As penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 5 (cinco) meses. § 2º Para determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal. § 4º Em caso de reincidência. nos incisos I. 28.

§ 4º fala em reincidência.. 28.” Olha as “penas” do art.343/06 fala em medida educativa. 28. O art.A corrente que diz que é crime. só pode ser crime. 28 é intitulado “Dos Crimes”.medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. 28 1ª CORRENTE É crime! 2ª CORRENTE Não é crime! É infração penal sui generis Fundamentos: O capítulo que abrange o art. 28 é intitulado “Dos Crimes. mas que coisa diferente. O art. 48. só pode ser crime. Por quê? Porque ela já tem 3 anos. que é diferente de medida punitiva. II . fundamenta o seguinte: o capítulo que abrange o art. NATUREZA JURÍDICA DO ART. o disposto nos arts. 28: “I . Ex. Prescrevem em 2 (dois) anos a imposição e a execução das penas. Rogério. Então. § 2º Lei 11. ato infracional prescreve. Princípio da intervenção mínima 3ª CORRENTE Não é crime! É fato atípico. no tocante à interrupção do prazo.” Pronto. Crime: reclusão e detenção Contravenção: prisão simples Art. 28. como ele foi enriquecido pela lei nova. III . 30. 107 e seguintes do Código Penal. 1ª Corrente .. 28 é crime? Quando nasceu o art. nós vamos estudar. Está no capítulo Dos Crimes. XLVI permite outras penas que não reclusão ou detenção. 5º. observado. A saúde individual é um bem jurídico disponível.prestação de serviços à comunidade.” Será que isso aqui continua crime?! Bom. a lei nova. Vocês viram o art. Essa primeira corrente para O nome do capítulo. essencialmente.advertência sobre os efeitos das drogas. Aliás. primeira dúvida que eu tenho: o art. logo a doutrina começou a se questionar: “peraí. O descumprimento da “pena” não gera consequência penal. 28. Vou colocá-las e depois dizer qual prevalece. nem sempre corresponde ao seu conteúdo. se comparado à lei anterior. 51 . vai ser a primeira vez que eu vou dar aula sobre lei de drogas sem ficar comparando as duas leis.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS Art.: DL201/67 Reincidência aqui é repetir o fato (sentido vulgar do termo) Ilícitos civis e administrativos prescrevem. não tem mais porque ficar comparando com a outra lei. É A POSIÇÃO DO STF São três correntes. nós temos três correntes discutindo a natureza jurídica do art. Agora. 30 fala em prescrição O art. Com a lei anterior eu não vou me preocupar tanto.

Tanto não é crime. ele não teria que ir para o juiz. Então. a lei diz que ele tem que ser levado ao juiz. não é infração penal comum. ele tem razão. Não vai para a delegacia. Aí você pode estar pensando. Contravenção penal é punida com prisão simples. infrações político-administrativas. E sabe por que ele adotou essa primeira posição? Pelo seguinte: “Se eu entender que não é mais crime. 28 é crime. Então. § 2º: § 2º Tratando-se da conduta prevista no art. É pro juiz. Se eu entender que não é mais crime. da CF permite outras penas que não reclusão ou detenção. assim como ilícito administrativo. que não é contravenção. 48. eu não posso mais punir o menor infrator ou reeducar o menor infrator. 28 desta Lei. “Rogério. § 4º fala também em reincidência e se fala em reincidência só pode estar se referindo a crime. 30 fala em prescrição. Então. eu perco o ato infracional.” 2ª Corrente .A segunda corrente diz que não é crime. então. Para essa corrente.. não traz detenção. querendo dizer repetir o fato. 28 é crime porque o art. devendo o autor do fato ser imediatamente encaminhado ao juízo competente ou. A Lei de Introdução ao Código Penal diz isso: crime: reclusão e detenção. Senão tem nada disso. na falta deste. lavrando-se termo circunstanciado e providenciando-se as requisições dos exames e perícias necessários. “Rogério. 28 não traz reclusão. XLVI. Contravenção penal: prisão simples. não se imporá prisão em flagrante. que é o local aonde você encaminha crimes. só pode ser uma infração penal que não é crime. E vocês conhecem leis que chamam de crimes infrações político-administrativas. Ilícito civil prescreve e ilícito civil não é crime. 28! Pena não é reclusão e detenção?” Eles dizem: não! O art. É um outro argumento para defender a tese de que crime não é! É uma infração penal sui generis. Mais um argumento para dizer que o art. para esta segunda corrente. Esta é a posição do STF. é algo muito pobre. naquilo que o Ministro Sepúlveda Pertence falou. a segunda corrente diz: se ele fosse criminoso. Então. Ora. Vamos ao art. você querer justificar que é crime por conta do nome do capítulo. assumir o compromisso de a ele comparecer. vai para o MP e para o juiz. porque só é ato infracional aquilo que corresponde a crime ou contravenção. 48. Se você defender a tese de que o art. O fato de falar em reincidência também não significa crime porque reincidência foi utilizado no seu sentido julgar. §2º diz que ele é encaminhado ao juiz.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS dizer que é crime. 5º. por exemplo. considerando que o capítulo nem sempre espelha o seu conteúdo. 28 não é crime. não é contravenção penal. querer justificar que o art. chama de crimes de prefeitos. lembra também do seguinte: o art. se trata da prescrição é porque prescreve pena e pena é consequência de crime.. Ele pratica ato infracional. o DL-201/67.. Só pode ser uma infração penal sui generis. E o art. nem sempre corresponde ao seu conteúdo. se o art. 30 fala em prescrição é absurdo. de acordo com o STJ e não é crime. Menor infrator. 28.. não vai para a delegacia. mas que pena esquisita que tem o art. Ato infracional prescreve. E tem mais: o art. Menor infrator não pratica crime. É uma infração penal sui generis. Prescrição? Prescrição não é próprio de crime. é argumento muito pobre. Ora. Que é infração penal sui generis. tanto é infração penal sui generis que o usuário não é levado para a delegacia. crime é punido com reclusão e detenção. Como que essa corrente rebate a primeira? Ela diz: o nome do capítulo. ele teria que ir para a delegacia. não traz prisão simples. como é que você vai punir o menor infrator?” Primeira coisa: ninguém quer punir menor 52 . quando pratica crime. do mesmo jeito que acontece com menor infrator.

doido para combater o crime.matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental. (Acrescentado pelo L-012.010-2009). de 5 53 . usar a estrutura do Judiciário para. II . IV . É um absurdo. VI . IX . tem que ser levado ao juiz? “Eu não posso ser preso em flagrante!” Ele já conhece a lei. Verificada qualquer das hipóteses previstas no Art. não tem essa “ah eu perco a punição do menor”. Ele fala: “juiz. (Alterado pelo L-012. É ridículo! Eu tenho mais o que fazer! É ridículo você usar o aparato policial. Você. VII .inclusão em programa de acolhimento familiar.010-2009). o juiz apontar o dedo e dizer: “droga faz mal”. do art. Advertência. (Alterado pelo L012. delegado. VIII . que é diferente de medida punitiva.orientação. Basta aplicar ao menor infrator. você não tem que punir o menor. vejam.inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família. Já pensou você. 101. 101. Já deu para perceber que eu concordo com a segunda corrente.encaminhamento aos pais ou responsável. Mas você não precisa de medida socioeducativa neste caso. Segundo argumento para dizer que não é crime: o descumprimento da “pena” não gera consequência penal. socioeducar menor infrator.A terceira corrente diz que o fato é atípico. Vai responder pelo crime que praticou. medida de proteção. à criança e ao adolescente. VIII . Vamos ao art. são medidas muito parecidas com as do imputável. vai acabar punindo mais severamente o menor infrator do que o maior. III . V . querendo punir usuário? É questão de saúde pública! Não vem pro fórum! Eu me sinto um idiota! Nem vou nesse tipo de audiência. as seguintes medidas: I . psicológico ou psiquiátrico. você quer reeducar.343/06 fala em medida educativa. é questão de saúde pública! Pega o usuário e vai tratá-lo como você trata o bêbado! O usuário que pratica crime. VII . Sabe o que mais absurdo nessa lei? Vamos supor: o juiz impõe ao usuário prestação de serviços à comunidade. Ela diz o seguinte: a Lei 11.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS infrator. mediante termo de responsabilidade.acolhimento institucional. 3ª Corrente .colocação em família substituta. apoio e acompanhamento temporários. mas só pelo fato de ser usuário? Direito penal. 101. a autoridade competente poderá determinar. que vocês vão ver que são muito parecidas com as “penas” do usuário. em regime hospitalar ou ambulatorial. Isso é o que é mais absurdo na lei.abrigo em entidade. do ECA. você tem que proteger o menor nessa situação de risco. não vou cumprir.inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio. no final. do ECA: Art. aí tudo bem. nesse caso. 98 (situações de risco e o vício é situação de risco). vai lá e dá de cara com o usuário? Que não pode ser nem levado para a delegacia.010-2009) Então. na verdade. orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos.requisição de tratamento médico. né? Não tem tesão algum ficar processando usuário de droga.colocação em família substituta. dentre outras. Então.” Aí o juiz: “não vai cumprir? Então.

Tem até uma decisão interessante de um juiz de Campinas e ele disse o seguinte: “o art. Se eu quero usar maconha. punido a título de dolo se consuma com a prática de qualquer um desses núcleos.. Se você já fumou você não incide em nenhum desses núcleos. Eu fiz esse gráfico para quem for prestar prova que tenha questão subjetiva. quem transportar ou trouxer consigo. são 6 núcleos. O juiz vai falar o quê para ele? “Some da minha frente. guardar. Ele tem seis núcleos. fato atípico. mas a saúde coletivo. quem tiver e depósito. Sujeito passivo: aqui. Vejam que eu fui rápido na explicação do art. não tem o que fazer! Na verdade é um crime em que o condenado escolhe se quer ou não cumprir a pena. Reparem que são penas alternativas de natureza principal. Então. 28 é inconstitucional. diz respeito às discussões que nós já travamos. sabe aquela do direito civil. Fumar pretérito. o que ele fazia com a droga? Engolia. Fere o princípio da isonomia porque você não pune o bêbado dessa maneira. Por isso.” Não tem como converter em privativa de liberdade. Por que você está dizendo isso? Vamos ao art. astreinte? Tem aqui! Enquanto você não cumprir. mais do que em droga. quem é a vítima? A coletividade. Nós temos seis núcleos no art. porque ele é bem simples e cai pouco. falando: “direito penal não tem que intervir nisso aqui! O direito penal tem que combater o traficante!” E. transportar ou trazer consigo drogas para consumo pessoal. 6 núcleos típicos e. 44. o usuário. Ele cita vários vícios na sentença que fazem tão ou mais mal do que a droga e que não são punidos. Primeira fase: vocês não vão pestanejar. essa multa vai ter incidência. E por quê? Porque o bem jurídico protegido é a saúde pública. o ser humano é viciado em açúcar. quando era surpreendido. Cuidado com o que eu vou falar agora! 6 verbos nucleares. prestem atenção: a maioria admite tentativa. ter em depósito. É punido a título de dolo e se consuma com a prática de qualquer um desses núcleos. é a coletividade porque o bem jurídico tutelado não é a saúde individual. Agora. 28: adquirir. Rapidamente.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS meses. eu uso maconha.. Se você já fumou você não pode ser punido.” E eu não vou cumprir. do CP: 54 . Agora. Não são substitutivas da privativa de liberdade. Por que o usuário?” ele disse que. olha o detalhe das penas. por fim. 28. que eu não tenho mais o que fazer. você vai executar essa multa e eu não tenho bens. até porque desaparece a materialidade delitiva. 28: Sujeito ativo: qualquer pessoa. quem guardar. O Supremo decidiu. no tentar adquirir. que tenha questão que você possa discorrer sobre isso. Eu vou ser bem rápido nesse crime porque ele quase não cai e quando cai. vai perdurar 10 meses!” E o juiz: “ah. Então. concurseiro tem que baixar a cabeça. Cuidado! A lei não pune o fumar passado. Será punido quem adquirir. não estou oferecendo para ninguém. eles dizem que a saúde individual é um bem jurídico disponível. É o risco que o usuário gera à saúde pública. explicando o art. Ridículo! Essa corrente do fato atípico trabalha com o princípio da intervenção mínima. A lei não pune o fumar no pretérito. Qual é a resposta? Crime! É a posição do Supremo. não? Então eu vou impor uma multa porque a lei autoriza uma multa cominatória.

drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas: I . Está no art. pune o tráfico propriamente dito. 28. observado. Ela é principal!” É o art. que percebeu que o art. 30 diz: fica tranquilo! Esse crime prescreve em dois anos. o prazo prescricional muda. o art. que varia conforme a pena máxima privativa de liberdade. nos interessa. me dá exemplo de uma pena restritiva de direito que não substitui a privativa de liberdade. 28 não pode se valer da prescrição comum. Esse artigo traz penas restritivas de direito que não são substitutivas. Art. Quem adquirir. Prescrevem em 2 (dois) anos a imposição e a execução das penas. guardar. 33. o disposto nos arts. E a depender da pena máxima em abstrato. 109. 44 . quando: Olhe o sublinhado. 30. 30 da Lei de Drogas: 2 anos. 28. transportar ou trouxer consigo. sempre! Seja prescrição punitiva. se o art.As penas restritivas de direitos (e essas que estamos estudando são restritivas de direitos) são autônomas e substituem as privativas de liberdade. ou seja. caput. Ele pune: 55 . artigos que nos interessam. No art. 107 e seguintes do Código Penal. sim. 28. 5. seja prescrição executória. da Lei de Drogas. 33.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS Art. O art. Tráfico! Isso. No seu concurso vai cair: “doutor. III .prestação de serviços à comunidade. da Lei de Drogas. CRIME DE TRÁFICO DE DROGAS Vamos começar lendo o art. o art. da Lei de Drogas você tem penas restritivas de direitos que são principais.advertência sobre os efeitos das drogas. Agora eu vou começar com o que é bom. Como é que eu vou calcular a prescrição. II . 28. Cuidado! Vocês sabem que a prescrição de crimes depende da sua pena. Nós terminamos o art. Isso tem caído! O prazo prescricional do art. 30 diz: Art. O art. no tocante à interrupção do prazo. O candidato não tem como procurar isso no art. do CP. Vamos ao art. 28 não tem pena privativa de liberdade? Por isso.medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. 28. Então. tiver em depósito. 30. 28 e eu não vou perder mais tempo com ele. para consumo pessoal.

para o tráfico ilícito de drogas. 56 . Importar. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar.semeia. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar. de plantas que se constituam em matériaprima para a preparação de drogas.importa. oferecer. que o § 2º é punido com 1 3 anos e o § 3º é punido com 6 meses a 1 ano. guardar. Na lei anterior. insumo ou produto químico destinado à preparação de drogas. Até agora. remete. 33. III . produzir. ambos são punidos com 5 a 15 anos. ou consente que outrem dele se utilize. Art. tudo com a mesma pena. produz. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena . guarda ou vigilância. adquirir. ainda que gratuitamente. vende. 33. ainda que gratuitamente. trazer consigo. E as formas especiais. remeter. expõe à venda. exporta. fabricar. 33. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar. Tráfico por equiparação Formas especiais do crime Privilégio O propriamente dito e o tráfico por equiparação. transportar.utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade. prescrever. II . tudo isso estava exatamente na mesma pena. 33. ter em depósito. tudo isso estava sujeito à mesma pena. expor à venda. matéria-prima.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS Art. 33 com a lei nova. adquire. ainda que gratuitamente. oferece. § 4º 5 a 15 anos 5 a 15 anos 1 a 3 anos 6 meses a 1 ano Tráfico propriamente dito.reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa. tem em depósito. caput: Art. preparar. § 1º Nas mesmas penas incorre quem (TRÁFICO EQUIPARADO): I . administração. traz consigo ou guarda. transporta. entregar a consumo ou fornecer drogas. vocês vão ver. Agora vocês entenderam porque a lei nova trabalha com proporcionalidade. São tráficos equiparados. exportar. § 1º: Art. fornece. vender. O §4º vai trazer um privilégio. § 3º Art. fabrica. 33. 33. cultiva ou faz a colheita. Vejam como está estruturado o art. posse. A partir do § 2º a pena já fica diferente. Na lei anterior. ministrar. § 2º Art.

reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1. ter em depósito.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS 5. a criança ou adolescente.500 (mil e quinhentos) dias-multa. Só pode ser praticado por médico ou dentista. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena . sem justa causa. se o fato não constitui crime mais grave. Então. 342 do ECA?  O art. Sujeito passivo do tráfico: quem é a vítima? É só vocês lembrarem do bem jurídico!  Vítima primária: a sociedade. do ECA: Art. expor à venda. O inimputável é vítima secundária. produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica. podendo com ela concorrer  Vítima secundária: alguém prejudicado com a ação do agente. ele é crime próprio. Importar. ministrar ou entregar. ministrar. preparar. Vender. se te perguntarem quem é o sujeito ativo do tráfico você vai dizer que o crime é comum. 33. trazer consigo. o inimputável que usou droga. adquirir. entregar a consumo ou fornecer drogas. remeter. fornecer ainda que gratuitamente. temos um bem jurídico primário e um bem jurídico secundário:  Primário – saúde pública  Secundário – saúde individual de pessoas que integram a sociedade Sujeito ativo do tráfico: em regra.764-2003) Pergunto: vender drogas para menor é a Lei de Drogas do art. TRÁFICO PROPRIAMENTE DITO (art. Bem jurídico tutelado: aqui. oferecer. ainda que por utilização indevida: Pena . fabricar. da Lei de Drogas. Mas em regra! E por que? Porque no núcleo prescrever. exportar. produzir. e multa. 33 caput) Art. No núcleo prescrever o crime é próprio. Por exemplo. prescrever. para criança e adolescente: é o art. Pode ser praticado por qualquer pessoa. que pode ser praticado por qualquer pessoa. 243. o tráfico é um crime comum. 33. guardar. de qualquer forma. ou é o art. salvo no núcleo prescrever. transportar. (Alterado pela L-011. O que eu quero saber é o seguinte: vender droga para menor de idade. vender. ainda que gratuitamente. ou é o art.detenção de 2 (dois) a 4 (quatro) anos. do ECA? Vamos ao art. 33 da Lei de Drogas tem como objeto material exatamente a droga (5 a15) 57 .1. 243. 243. Só pode ser praticado por médico ou dentista. 33.

São 18 núcleos. “Quais são?” O candidato começou a responder e ele falou: “doutor. É o uso exagerado que pode causar. Aliás. tem como objeto material produto causador de dependência (2 a 4). eu quero na ordem. do ECA. Tem jurisprudência discutindo isso. da Lei de Drogas. 33. pessoal. um momento. 12)”? O candidato falou: 18. não está na Portaria como droga. Se o produto está na Portaria 344/98. 33. Configura o art. Exemplos de um produto que causa dependência. É produto causador de dependência.” É! Do mal! 58 . vender droga para menor é o art. ou é o art. do ECA. 243. por si só. E aí. 243. O examinador chegou para o candidato na fase oral e perguntou: “doutor. do ECA. 243. do ECA se esse produto não corresponde a uma droga da Portaria do Ministério da Saúde. O que punimos no art. 243. E bebida alcoólica!? Não está na Portaria. é o art. 12 da Lei de Drogas (na época era o art. não causa. Se amanhã incluírem a cola de sapateiro na Portaria 344. quantos núcleos tem o art. 243. 33. Uns dizem: a cerveja.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 15/08/2009 LEI DE TORTURA E LEI DE DROGAS  O art. da Lei de Drogas? Quais os comportamentos punidos? São vários os núcleos. logo. 33? Cola de sapateiro. vender cola de sapateiro é tráfico. Princípio da especialidade! Como assim? Só configura o art. para delegado de polícia aqui em SP caiu uma pergunta que deixou todo mundo embasbacado. que tem uma pena de 2 a 4. é o art. que tem uma pena de 5 a 15. não está na Portaria e não configura o art. Produtos causadores de dependência são produtos diversos da Portaria 344/98. do ECA? Tem divergência no STJ sobre se cerveja configura produto causador de divergência.

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