DIREITO CIVIL

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Teoria Geral das Obrigações

Introdução
Noções Gerais
Noções Iniciais:
Devemos entender obrigação como o vínculo pessoal de direito existente entre devedores e credores, tendo por objeto uma prestação ou contraprestação de conteúdo econômico.Segundo o conceito clássico, que data do direito romano, a obrigação representa um vínculo ou relação jurídica, pelo qual uma pessoa deve satisfazer uma prestação, que pode consistir em dar, fazer ou deixar de fazer alguma coisa. Segundo a conceituação moderna obrigação é o dever que tem uma pessoa de satisfazer uma vantagem patrimonial de restituir um lucro percebido ilicitamente ou de reparar um dano, pois, de outro modo, será coagido a satisfazer o cumprimento desse dever, à custa do seu patrimônio.

Elementos da Obrigação:
A idéia de obrigação apresenta três elementos conceituais:

1) Elemento Subjetivo:
Consiste nos sujeitos da obrigação. Em toda relação obrigacional existem duas partes determinadas ou determináveis: um sujeito ativo (credor) e um sujeito passivo (devedor);

2) Elemento Objetivo:
Consiste numa prestação de dar, fazer ou não fazer alguma coisa.

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A maioria dos juristas entende que a prestação tem sempre um conteúdo patrimonial, porque, caso contrário, seria impossível reparar perdas e danos, no caso de descumprimento.

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até coma liberdade e a vida. a declaração unilateral de vontade e o ato ilícito. no delito (ato ilícito doloso). no quase-contrato (ato ilícito. vem acompanhado de sanção.br  Copyright 2003 – Todos os direitos reservados à CMP Editora e Livraria Ltda. porém. é que nenhuma classificação satisfaz. que não derivam daquelas fontes. de caráter complementar. para obter satisfação de seu crédito. pág. Mas. e de várias outras causas. diz-se que as obrigações nascem do contrato. Os dois primeiros são de Gaio. pois nenhuma é completa. É proibida a reprodução total ou parcial desta apostila por qualquer processo eletrônico ou mecânico. como o direito de exigir o pagamento de uma promissória (direito contra uma pessoa). www. Direitos obrigacionais são os que atribuem a alguém a faculdade de exigir de outrem determinada prestação de cunho econômico. é dizer-se com Gaio (ou com o seu glosador) que as obrigações surgem de várias causas. muitas outras relações obrigacionais existem. a saber: o contrato. como a gestão de negócios e a tutela). a expressão “várias outras causas” teria sido inserida por glosadores. como o direito de propriedade (direito sobre uma coisa). sendo as mais tradicionais o contrato e o delito. A verdade. Fontes das Obrigações Segundo Washington de Barros: O Código Civil brasileiro contempla declaradamente três fontes de obrigações. 2) Digesto: No segundo texto. como aponta Washington de Barros Monteiro. 2 . dever que incumbe ao sujeito passivo prestar aquilo a que se comprometeu e a responsabilidade sendo representada pela prerrogativa conferida ao credor. 326 A. face à multiplicidade de obrigações que a todo momento e em épocas diversas podem surgir da vida social ou da ação ou omissão de cada um. portanto. como fontes de obrigações. ocorrendo inadimplência. ! Distinção entre os Direitos Reais e Obrigacionais: Direitos reais são os que atribuem a uma pessoa prerrogativas sobre um bem. 1) Institutas de Gaio: No primeiro diz-se que as obrigações surgem do contrato ou do delito. No direito moderno alguns escritores.3) Vínculo Jurídico: Este vínculo se diz jurídico porque. as obrigações teriam origem no contrato (acordo de vontades). de épocas diversas.). independente do consentimento das partes. de proceder à execução do patrimônio do devedor. sendo disciplinado pela lei. Depois passou ele a responder apenas com os seus bens (Lex Poetelia-Papiria. do delito. O mais certo. 3) Institutas de Justiniano: No terceiro texto. apresentam os autores várias outras classificações.C. acrescentando por exemplo o fato social. ou seja. Fontes ou Causas das Obrigações Direito Romano: No direito romano existem três textos. Outrora o devedor respondia “pessoalmente” pela obrigação. examinando o conteúdo da obrigação destacam como seus elementos a dívida. Suspeita-se que este segundo texto seja apócrifo.com.concursosjuridicos. ! Baseado no direito romano. reconhecidas pelo direito. e no quase-delito (ato ilícito culposo) (Institutas de Justiniano). a declaração unilateral de vontade e a própria lei.

hoteleiros. independentemente da pessoa do dono.concursosjuridicos. em razão de um título prescrito. pois o que interessa nesse assunto é exatamente verificar quais as causas ou critérios em que a lei se baseia para impor ou não uma obrigação. se dividem em aquelas que provêm do contrato (conjunção de vontades). a responsabilidade subjetiva e a responsabilidade objetiva. etc. ou em certos ônus tributários. ou de coisas dele caídas. praticado com dolo ou culpa. 6) A Obrigação da Coisa (“Obligatio Propter Rem”). educadores. pág. a responsabilidade por fato próprio e por fato alheio. que só deve ser usada na falta de outro tipo de ação adequada a reparar o dano. Cabe ao empobrecido mover a ação “in rem verso”. não pagamento de prejuízo efetivo do credor. o título ao portador ou a promessa de recompensa. Revela-se o abuso de direito nos processos temerários ou conduzidos de má fé. não só o ato ilícito e vários outros itens acima citados. não pagamento de serviço prestado. englobando. 3) O Ato Ilícito: É o ato contrário ao direito. que obriga ao serviço militar ou eleitoral. 3 . em caso de responsabilidade informada pela teoria do risco. 7) A Responsabilidade em Função de Certas Situações ou Atividades: Como a situação de parentesco. por exemplo. a atividade de profissionais. como. patrões. ou em Função da Coisa (“In Rem Scripta”): Advém da relação de um sujeito com uma coisa. entre o direito real e o direito das obrigações. mas também a responsabilidade dos pais. que acompanham o imóvel. curadores. em certos danos ecológicos. sem nenhum fundamento jurídico. Tais obrigações situam-se numa zona cinzenta. que implica em inúmeros fatos geradores de obrigações administrativas. Mas tal colocação é por demais genérica e vaga. de modo a causar dano injustificado a outrem. 5) O Enriquecimento Ilícito ou Sem Causa: Dá-se quando se aumenta o patrimônio de alguém em detrimento de outrem.br  Copyright 2003 – Todos os direitos reservados à CMP Editora e Livraria Ltda. pela ruína de edifício. no abuso de autoridade. empregadores. É proibida a reprodução total ou parcial desta apostila por qualquer processo eletrônico ou mecânico. 8) A Responsabilidade Civil: É por si só um enorme conglomerado de multiformes fontes geradoras de obrigações. pela guarda de pessoas. tutores. em prejuízo de alguém. como ocorre no direito de vizinhança. e as que decorrem da manifestação unilateral da vontade. de cidadão. tributárias e trabalhistas. coisas e animais. 4) O Abuso de Direito: É o exercício irregular ou excessivo de um direito. que obriga à prestação de alimentos.com. A conseqüência do ato ilícito é a obrigação de reparar o dano. 2) O Contrato e a Declaração Unilateral de Vontade: São obrigações derivadas diretamente da vontade humana. São obrigações que decorrem direta e imediatamente da lei a obrigação de prestar alimentos ou o mister de reparar o prejuízo causado. ou de locupletamento. comerciantes ou industriais. Exemplos de enriquecimento ilícito: pagamento indevido (que eminentes autores colocam como fonte autônoma). etc. a responsabilidade contratual e extracontratual. no excesso de legítima defesa.1) A Lei: Pode ser colocada como fonte direta ou indireta de todas as obrigações. de um modo geral. www.

Obrigações Principais e Acessórias: Principais são aquelas que têm vida própria e independente.br  Copyright 2003 – Todos os direitos reservados à CMP Editora e Livraria Ltda.: a fiança é acessória em relação a locação que é principal. pág.A obrigação “propter rem” se encontra no terreno fronteiriço entre os direitos reais e os pessoais. As obrigações complexas são aquelas em que há mais de um credor ou devedor. www. Classificação das Obrigações Obrigações Simples e Complexas: Obrigações simples são aquelas em que há um só credor.concursosjuridicos.com. 3) Obrigações que têm por fonte direta a lei: no caso de alimento ou de reparação de prejuízos causados. por estar ainda incerto o total da prestação. Quanto à multiplicidade de objetos podem ser cumulativas (mais de um objeto) ou alternativas (o devedor se exime da obrigação optando por uma ou outra prestação). um devedor e um objeto. fica sujeito a uma determinada prestação que. ou mais de um objeto. As Obrigações “Propter Rem”: A obrigação “propter rem” é aquela em que o devedor. 4 . causando dano à vítima. Acessórias são aquelas ditas subordinadas ou dependentes das principais. As obrigações são classificadas em: 1) Obrigações que têm por fonte imediata a vontade humana: provêm do contrato e da manifestação unilateral da vontade. as obrigações sempre têm por fonte a lei. É proibida a reprodução total ou parcial desta apostila por qualquer processo eletrônico ou mecânico. 2) Obrigações que têm por fonte imediata o ato ilícito: se constituem através de uma ação ou omissão culposa ou dolosa do agente. por conseguinte. Ilíquidas são aquelas que dependem de apuração prévia. Obrigações Líquidas e Ilíquidas: Líquidas são as consideradas certas na existência e determinadas no objeto. sendo que em alguns casos. esta atua de forma mediata. não derivou da manifestação expressa ou tácita de vontade.Fontes das Obrigações Segundo Silvio Rodrigues: Para Silvio Rodrigues. outras imediata. por ser titular de um direito sobre uma coisa. Ex.

Art. A coisa certa não pode ser substituída por outra ainda que de maior valor. 238. Obrigação de Dar Coisa Certa (arts. 240. 236. sobrevier melhoramento ou acréscimo à coisa. Art. tal qual se ache. Art. ou aceitar a coisa no estado em que se acha.As Modalidades das Obrigações As Obrigações de Dar Conceito: As obrigações de dar consistem na entrega de alguma coisa (tradição) pelo devedor ao credor. lucrará o credor. onde se caracteriza esta última por ser uma devolução. a coisa se perder. Parágrafo único. salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados. 239. Até a tradição pertence ao devedor a coisa. em obrigação de dar propriamente dita e obrigação de restituir. que se considera em sua individualidade. ressalvados os seus direitos até o dia da perda. Art. fica resolvida a obrigação para ambas as partes. Art. Art. 233. em um ou em outro caso. poderá o devedor resolver a obrigação. Se a coisa se perder por culpa do devedor. www. mais perdas e danos. sofrerá o credor a perda.concursosjuridicos. poderá o credor exigir o equivalente. Sendo culpado o devedor. não sendo o devedor culpado. onde o credor já é dono da coisa. desobrigado de indenização. sem culpa do devedor. e esta. com direito a reclamar. sem direito a indenização. com os seus melhoramentos e acrescidos. através do qual o devedor se compromete a entregar ou a restituir ao credor coisa certa e determinada. 235. abatido de seu preço o valor que perdeu. 237.br  Copyright 2003 – Todos os direitos reservados à CMP Editora e Livraria Ltda. É proibida a reprodução total ou parcial desta apostila por qualquer processo eletrônico ou mecânico. ou pendente a condição suspensiva. 5 . recebê-la-á o credor. sem despesa ou trabalho do devedor. se por culpa do devedor. se a perda resultar de culpa do devedor. no caso do artigo antecedente. 234. se o credor não anuir.Ela se desdobra em obrigações de dar coisa certa ou incerta e. Deteriorada a coisa. 239. sem culpa do devedor. 241. Art. pelos quais poderá exigir aumento no preço. Se a obrigação for de restituir coisa certa. 238. Se. indenização das perdas e danos. Art. observar-se-á o disposto no art. responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos.com. Se. ou aceitar a coisa. Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor. cabendo ao credor os pendentes. poderá o credor resolver a obrigação. pág. se perder antes da tradição. Os frutos percebidos são do devedor. também. responderá este pelo equivalente. e a obrigação se resolverá. no caso do art. Art. 233 a 242): Estabelece entre as partes um vínculo. antes da tradição.

www.com.: metade de um lote de pele de búfalo. Antes da tradição o direito real não transpassa (art. havendo ausência destas indicações. 530. Quanto aos frutos percebidos. A coisa incerta será indicada. nesse tipo de obrigação deve-se dar coisa da mesma espécie. deverá ela ser média. pelo gênero e pela quantidade. não pode o devedor dar coisa pior. Parágrafo único. A coisa incerta será indicada. não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa. ainda que por força maior ou caso fortuito. É proibida a reprodução total ou parcial desta apostila por qualquer processo eletrônico ou mecânico. a escolha pertence ao devedor. Somente após a entrega (tradição) é que o comprador adquire a condição de proprietário. se o contrário não resultar do título da obrigação. mas no gênero a que pertence. aos imóveis a lei exige a formalidade da transcrição no Registro de Imóveis. Convém entretanto distinguir os bens móveis dos imóveis. devemos distinguir duas classes: a) coisas incertas em sentido amplo ou impróprio: são fungíveis e podem ser substituídas por outras da mesma espécie. porém. 244. do título aquisitivo (art. não se constitui em obrigação (ex. Art. pelo gênero e quantidade. qualidade e quantidade. 242. b) coisas incertas em sentido estrito ou próprio: são as indicadas apenas pelo gênero. nº I CC). temos que as coisas certas (determinadas ou específicas) são infungíveis. o disposto neste Código.Art. a obrigação de dar coisa incerta se transforma em obrigação de dar coisa certa. qualidade e quantidade (uma mesa. pela regra da qualidade média. Cientificado da escolha o credor. pág. a terça parte de uma colheita de melões). ou aumento. nem ser obrigado a prestar coisa melhor (ex. A transcrição corresponde a uma tradição solene. observar-se-á. pois valem pela sua individualidade e não podem ser substituídas por outras. acerca do possuidor de boa-fé ou de má-fé. 6 . vinte ovos). A Tradição e a Transferência do Domínio: O contrato de compra e venda não torna o adquirente dono da coisa comprada. Art.concursosjuridicos. Art. ou espécie.br  Copyright 2003 – Todos os direitos reservados à CMP Editora e Livraria Ltda. Antes da escolha. Coisas Fungíveis e Infungíveis e sua Relação com as Coisas Certas e Incertas: Relacionando o conceito de coisas fungíveis e infungíveis com as obrigações de dar coisa certa ou coisa incerta. e pela quantidade combinada. 243 a 246): Esta obrigação tem por objeto a entrega de coisa não considerada em sua individualidade. empregou o devedor trabalho ou dispêndio. quanto a qualidade. um livro.: compromisso de entregar pacotes. Se para o melhoramento. o caso se regulará pelas normas deste Código atinentes às benfeitorias realizadas pelo possuidor de boa-fé ou de má-fé. do mesmo modo. mas apenas titular da prerrogativa de reclamar sua entrega. sem definir quantos. pois enquanto que para a transferência dos móveis basta a tradição. nem seu conteúdo). " No momento em que se efetua uma escolha. Obrigação de Dar Coisa Incerta (arts. ainda que mais valiosas. ao menos. 620 CC). ao menos. vigorará o disposto na Seção antecedente. 246. 243. nem será obrigado a prestar a melhor. Já em relação às coisas incertas (indeterminadas ou genéricas). Art. 245. vez que esse ponto fica omisso ou indefinido no contrato. mas não poderá dar a coisa pior. Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade.

! A ação cabível para forçar o cumprimento da obrigação chama-se cominatória. o credor pode exigir dele que o desfaça. Art. Nas obrigações de fazer fungíveis. independentemente de autorização judicial. também denominadas negativas: consistem em uma abstenção onde o devedor assume o compromisso de não praticar determinado ato. que poderia fazer (ex. Parágrafo único. Em caso de urgência. b) se a obrigação for infungível resolve-se por perdas e danos. desde que a impossibilidade seja absoluta. havendo recusa ou mora deste. tendo as seguintes conseqüências: a) se a obrigação for fungível o credor pode contratar um terceiro e cobrar do devedor a quantia gasta. Obrigações de Não Fazer: São.com. Conseqüências do Descumprimento da Obrigação de Fazer: O descumprimento da obrigação de fazer pode ser decorrente de:. Extingue-se a obrigação de não fazer. a cuja abstenção se obrigara. Praticado pelo devedor o ato. sob pena de se desfazer à sua custa. 251. será livre ao credor mandá-lo executar à custa do devedor. independentemente de autorização judicial. 2) Inadimplemento Voluntário: A recusa do devedor implica em presunção de culpa. Art. Em caso de urgência.concursosjuridicos. 250.As Obrigações de Fazer e Não Fazer Obrigações de Fazer: Nas obrigações de fazer. Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor. mesmo sendo mais caro. que se obrigou a não praticar. sem prejuízo do ressarcimento devido. quando estiver estabelecido que seja realizada pessoalmente pelo devedor (personalíssima). É proibida a reprodução total ou parcial desta apostila por qualquer processo eletrônico ou mecânico.: obrigação de não vender algo a uma terceira pessoa ou não abrir casa comercial de determinado ramo em uma dada região). sendo depois ressarcido. desde que. Nas obrigações de fazer. como obrigar-se alguém a pintar um quadro. 249. o credor não é obrigado a aceitar a prestação por um estranho. sem prejuízo da indenização cabível. Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que recusar a prestação a ele só imposta. responderá por perdas e danos. ressarcindo o culpado perdas e danos. 247. Parágrafo único. a prestação a que está obrigado o devedor é um ato positivo. ou só por ele exeqüível. 1) Impossibilidade: a) por culpa do devedor: responde por perdas e danos.br  Copyright 2003 – Todos os direitos reservados à CMP Editora e Livraria Ltda. pág. por exemplo. Ela se refere à obrigação de prestar um serviço. se lhe torne impossível abster-se do ato. executar ou mandar executar o fato. b) sem culpa do devedor: resolve-se a obrigação. 248. 7 . se por culpa dele. Art. Se o fato puder ser executado por terceiro. Art. Art. sem culpa do devedor. pode o credor. www. o devedor pode ser substituído por terceiro apto a executar o serviço. resolver-se-á a obrigação. poderá o credor desfazer ou mandar desfazer.

não se puder cumprir nenhuma das prestações. ! A obrigação alternativa não se confunde com a cumulativa.br  Copyright 2003 – Todos os direitos reservados à CMP Editora e Livraria Ltda. Art. 256. Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações tornar-se impossível por culpa do devedor. Nas obrigações alternativas. porém todas devem ser solvidas. Se. subsistirá o débito quanto à outra. a escolha cabe ao devedor. não competindo ao credor a escolha. caberá ao juiz a escolha se não houver acordo entre as partes.concursosjuridicos. em que também há uma pluralidade de prestação. poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas. ! O fenômeno da concentração é exclusivo da obrigação alternativa.com. 252. não havendo acordo unânime entre eles. É proibida a reprodução total ou parcial desta apostila por qualquer processo eletrônico ou mecânico. Art. Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada inexeqüível. aparecem quando há duas ou mais prestações com objetos distintos a cumprir e o devedor. se exonera. extinguir-se-á a obrigação. por culpa do devedor. na obrigação de dar coisa incerta o gênero não perece (“senus non perit”). 253. ou não puder exercê-la. se dá quando o perecimento de um objeto a obrigação se concentra nos outros.As Obrigações Alternativas Noções Gerais: As obrigações alternativas. ficará aquele obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou. 254. § 1o Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra. www. Art. se. § 2o Quando a obrigação for de prestações periódicas. a quem compete a escolha (salvo estipulação em contrário). § 4o Se o título deferir a opção a terceiro. e este não quiser. a faculdade de opção poderá ser exercida em cada período. 8 . com perdas e danos. mais as perdas e danos que o caso determinar. § 3o No caso de pluralidade de optantes. além da indenização por perdas e danos. Art. Art. também chamadas disjuntivas. 255. findo o prazo por este assinado para a deliberação. pág. Se todas as prestações se tornarem impossíveis sem culpa do devedor. cumprindo uma delas. o credor terá direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra. decidirá o juiz. se outra coisa não se estipulou. por culpa do devedor. ambas as prestações se tornarem inexeqüíveis.

Parágrafo único. descontada a quota do credor remitente. Art. 260. a prestação não for divisível.a todos conjuntamente. Art. para efeito do disposto neste artigo.com. responderão todos por partes iguais. Se um dos credores remitir a dívida. 258. Art. 9 . Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível. Art. mas estes só a poderão exigir. www. cada um será obrigado pela dívida toda. § 1o Se. § 2o Se for de um só a culpa. A solidariedade pode ser ativa ou passiva. pagando: I . não permitindo o seu parcelamento. a cada um dos outros assistirá o direito de exigir dele em dinheiro a parte que lhe caiba no total. Se a pluralidade for dos credores. 261. por motivo de ordem econômica. compensação ou confusão. É proibida a reprodução total ou parcial desta apostila por qualquer processo eletrônico ou mecânico. respondendo só esse pelas perdas e danos. mas o devedor ou devedores se desobrigarão.a um. iguais e distintas. ficarão exonerados os outros. dando este caução de ratificação dos outros credores.concursosjuridicos. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão. 263. novação. O mesmo critério se observará no caso de transação. 259. por sua natureza. Art. A solidariedade não se presume. O devedor. Se um só dos credores receber a prestação por inteiro. houver culpa de todos os devedores. sub-roga-se no direito do credor em relação aos outros coobrigados. quantos os credores ou devedores. Se. Art. resulta da lei ou da vontade das partes. que paga a dívida. Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos. 262. Parágrafo único. 257. pág. a obrigação não ficará extinta para com os outros.As Obrigações Divisíveis e Indivisíveis Noções Gerais: Divisíveis são aquelas cujas prestações são suscetíveis de cumprimento parcial sem prejuízo de sua substância e de seu valor (é uma indivisibilidade econômica e não material) e indivisíveis aquelas cujas prestações só podem ser cumpridas por inteiro. esta presume-se dividida em tantas obrigações. havendo dois ou mais devedores. ou dada a razão determinante do negócio jurídico. As Obrigações Solidárias Noções Iniciais: As obrigações solidárias são aquelas em que há multiplicidade de credores ou devedores. Art. II . poderá cada um destes exigir a dívida inteira.br  Copyright 2003 – Todos os direitos reservados à CMP Editora e Livraria Ltda.

O julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os demais. O credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento responderá aos outros pela parte que lhes caiba. O credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento responderá aos outros pela parte que têm direito. para o outro. só pode resultar da vontade das partes. salvo se a obrigação for indivisível. 265.Art. para todos os efeitos.concursosjuridicos. e condicional. a qualquer daqueles poderá este pagar. 271. existindo vários devedores. pág. o julgamento favorável aproveita-lhes. Art. Art. ou obrigado. Convertendo-se a prestação em perdas e danos. ! A solidariedade passiva pode resultar da lei ou da vontade das partes. Art. quando na mesma obrigação concorre mais de um credor. ou a prazo. A obrigação solidária pode ser pura e simples para um dos co-credores ou codevedores. a menos que se funde em exceção pessoal ao credor que o obteve. à dívida toda. É proibida a reprodução total ou parcial desta apostila por qualquer processo eletrônico ou mecânico. Solidariedade Ativa: Ocorre a solidariedade ativa quando cada um dos vários credores está autorizado a exigir o cumprimento da prestação por inteiro. restando para os que pagaram o direito de regresso contra os coobrigados. A um dos credores solidários não pode o devedor opor as exceções pessoais oponíveis aos outros. Art. 267. 272. 266. A solidariedade não se presume. Há solidariedade. Solidariedade Passiva: A solidariedade passiva ocorre quando. porém. cada um com direito. Nosso ordenamento não prevê casos de solidariedade ativa “ex lege”. 10 . parcial ou totalmente. Art. a dívida.br  Copyright 2003 – Todos os direitos reservados à CMP Editora e Livraria Ltda. O pagamento realizado a um dos credores. Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros. solidários extingue inteiramente a dívida. Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum. O pagamento total extingue a obrigação. www. ou mais de um devedor. 264. pelo qual continuam os co-devedores igualmente obrigados pelo seu total. 268. 274.com. a solidariedade. Art. a ativa. o parcial extingue em parte a obrigação e mantém a solidariedade no tocante ao remanescente. ou pagável em lugar diferente. Na dívida solidária o credor pode cobrar de um ou de alguns dos devedores a totalidade da dívida. à sua escolha. Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro. o credor tem direito a exigir e receber de um ou vários deles. 270. resulta da lei ou da vontade das partes. O pagamento feito a um dos credores solidários extingue a dívida até o montante do que foi pago. subsiste. Art. Art. 269. 273. sendo cabível a propositura da ação regressiva. Art. Art. cada um destes só terá direito a exigir e receber a quota do crédito que corresponder ao seu quinhão hereditário.

estipulada entre um dos devedores solidários e o credor. nenhum destes será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário. 276. Impossibilitando-se a prestação por culpa de um dos devedores solidários. contribuirão também os exonerados da solidariedade pelo credor. Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores. responderá este por toda ela para com aquele que pagar. Se o credor exonerar da solidariedade um ou mais devedores. mas pelas perdas e danos só responde o culpado. condição ou obrigação adicional. pág. Art. Art. 282. presumindo-se iguais. mas o culpado responde aos outros pela obrigação acrescida. Art. subsistirá a dos demais. parcial ou totalmente. se o pagamento tiver sido parcial. 283.Art. No caso de rateio entre os co-devedores. www. Art. 284. O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão por ele obtida não aproveitam aos outros devedores. senão até à concorrência da quantia paga ou relevada. Art. pela parte que na obrigação incumbia ao insolvente. 285. ainda que a ação tenha sido proposta somente contra um. Art. Art. O devedor demandado pode opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as comuns a todos. Se a dívida solidária interessar exclusivamente a um dos devedores. 278. subsiste para todos o encargo de pagar o equivalente. Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros. as partes de todos os co-devedores. mas todos reunidos serão considerados como um devedor solidário em relação aos demais devedores. salvo se a obrigação for indivisível. 275. no débito. Art. 279. Todos os devedores respondem pelos juros da mora. É proibida a reprodução total ou parcial desta apostila por qualquer processo eletrônico ou mecânico. todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto.com. 280. O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores. 281. de alguns ou de todos os devedores. O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um. se o houver. O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito a exigir de cada um dos codevedores a sua quota. Art. a dívida comum. Parágrafo único. Parágrafo único. Art. 11 .br  Copyright 2003 – Todos os direitos reservados à CMP Editora e Livraria Ltda. dividindo-se igualmente por todos a do insolvente.concursosjuridicos. Qualquer cláusula. 277. não poderá agravar a posição dos outros sem consentimento destes. não lhe aproveitando as exceções pessoais a outro co-devedor.

ou que. na cessão de um crédito abrangem-se todos os seus acessórios. Art. podem ser alteradas na composição de seu elemento subjetivo. podem ser substituídos os credores ou devedores da obrigação sem que se altere o vínculo obrigacional. É proibida a reprodução total ou parcial desta apostila por qualquer processo eletrônico ou mecânico. É ineficaz. em razão da criação de um novo débito. Ocorrendo várias cessões do mesmo crédito. pág. se não celebrar-se mediante instrumento público. em relação a terceiros. As obrigações. 286. se declarou ciente da cessão feita. permanecendo a mesma dívida. Na cessão de crédito há uma alteração subjetiva. se não constar do instrumento da obrigação.com. indiretamente realizada. 292. em escrito público ou particular. ou seja. prevalece a que se completar com a tradição do título do crédito cedido. a lei. 290. senão quando a este notificada. recebendo o cessionário o direito respectivo. 291. 289. 288. ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1o do art. de um sujeito ativo para outro sujeito ativo. mantendo-se em vigor o vínculo de direito obrigatório. não sendo personalíssimas. Art. no caso de mais de uma cessão notificada.br  Copyright 2003 – Todos os direitos reservados à CMP Editora e Livraria Ltda. As obrigações personalíssimas são as que não passam das pessoas do credor e do devedor. O ato determinante da transmissibilidade das obrigações é chamado de cessão. Salvo disposição em contrário. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor. paga ao credor primitivo. ou a convenção com o devedor. É uma alteração subjetiva da obrigação. Art. Art. O cessionário de crédito hipotecário tem o direito de fazer averbar a cessão no registro do imóvel. ! Cessão e Novação: Na novação há extinção da dívida anterior. mas por notificado se tem o devedor que. 654. Cessão de Crédito Noções Gerais: Chama-se cessão de crédito o negócio jurídico em virtude do qual o credor transfere a outrem sua qualidade creditória contra o devedor. antes de ter conhecimento da cessão. Art.A Transmissão das Obrigações Noções Gerais As obrigações podem ser personalíssimas ou não. a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé. O credor pode ceder o seu crédito.concursosjuridicos. Art. paga ao cessionário que lhe www. 12 . porque se completa por via de uma transladação da força obrigatória. Art. Fica desobrigado o devedor que. a transmissão de um crédito. 287. se a isso não se opuser a natureza da obrigação. com todos os acessórios e todas as garantias.

tinha contra o cedente. 301. se o credor. Se a substituição do devedor vier a ser anulada. Art. uma vez penhorado. salvo se aquele. o cedente não responde pela solvência do devedor. exceto se este conhecia o vício que inquinava a obrigação. É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor. não pode mais ser transferido pelo credor que tiver conhecimento da penhora. 295. Art. Art. subsistindo somente contra o credor os direitos de terceiro. fica exonerado. www. notificado. bem como as que.apresenta. pelo qual o devedor. com anuência expressa do credor. Parágrafo único. a partir da assunção da dívida. pág. Art. 300. prevalecerá a prioridade da notificação. era insolvente e o credor o ignorava. ainda que não se responsabilize. Art. A cessão de débito ou assunção de dívida é um negócio bilateral. mas o devedor que o pagar. Art. A Assunção de Dívida Noções Gerais: Admite-se também a substituição do devedor na relação obrigacional. 297. Art. com o consentimento expresso do credor. não impugnar em trinta dias a transferência do débito.com. salvo as garantias prestadas por terceiros. de modo que este assume sua posição na relação obrigacional. as garantias especiais por ele originariamente dadas ao credor. fica responsável ao cessionário pela existência do crédito ao tempo em que lhe cedeu. ao tempo da assunção. Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida.concursosjuridicos. O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem. consideram-se extintas. interpretando-se o seu silêncio como recusa. 299. 303. Art. mas tem de ressarcir-lhe as despesas da cessão e as que o cessionário houver feito com a cobrança. com os respectivos juros. 293. É proibida a reprodução total ou parcial desta apostila por qualquer processo eletrônico ou mecânico. quando o crédito constar de escritura pública. 13 . substituindo-o. O crédito. Salvo estipulação em contrário. responsável ao cessionário pela solvência do devedor. Independentemente do conhecimento da cessão pelo devedor. 294. restaura-se o débito. Na cessão por título oneroso. com todas as suas garantias. entender-se-á dado o assentimento. Salvo assentimento expresso do devedor primitivo. 298. ficando exonerado o devedor primitivo. no momento em que veio a ter conhecimento da cessão. Art. o da obrigação cedida. o cedente. 296. Art. O cedente. 302. Art. não responde por mais do que daquele recebeu. pode o cessionário exercer os atos conservatórios do direito cedido. O adquirente de imóvel hipotecado pode tomar a seu cargo o pagamento do crédito garantido.br  Copyright 2003 – Todos os direitos reservados à CMP Editora e Livraria Ltda. a mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por título gratuito. não tendo notificação dela. se tiver procedido de má-fé. com o título de cessão. O novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que competiam ao devedor primitivo. transfere a um terceiro os encargos obrigacionais.

br  Copyright 2003 – Todos os direitos reservados à CMP Editora e Livraria Ltda.com. 14 . o devedor só poderá ser obrigado a entregar outra se for de menor valor.concursosjuridicos. III – O devedor de obrigação divisível.Questões de Concursos 01 . II e III ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) www. B está obrigado a satisfazer sua dívida. pág. deve exigir dele caução de ratificação.(Magistratura/RS – 2000) Considere as assertivas abaixo. para pagar toda a prestação a um só dos múltiplos credores. É proibida a reprodução total ou parcial desta apostila por qualquer processo eletrônico ou mecânico. sobreveio imprevista inundação que destruiu o produto que estava no depósito de B. Mesmo assim. II – Na obrigação de dar coisa certa. Quais são corretas? a) Apenas I b) Apenas II c) Apenas III d) Apenas II e III e) I. I – Tendo A emprestado a B quinze sacos de semente de soja.

Gabarito 01.br  Copyright 2003 – Todos os direitos reservados à CMP Editora e Livraria Ltda. É proibida a reprodução total ou parcial desta apostila por qualquer processo eletrônico ou mecânico. 16a ed. pág.. 2001 Curso de Direito Civil Brasileiro. 2002 • www. Vol. 2 Maria Helena Diniz São Paulo: Editora Saraiva. 15 .A Bibliografia • Direito Civil Silvio Rodrigues São Paulo: Editora Saraiva.concursosjuridicos.com.

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