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Este poema é composto por seis estrofes, cada uma de cinco versos (quintilhas), de versos com 6 sílabas métricas

(hexassílabos) e o esquema rimático é abaab. Inicialmente, o sujeito lírico enuncia que naquele terreno se encontra o corpo do “menino de sua mãe” que vai arrefecendo apesar da “morna brisa” que atravessa o espaço. Com esta primeira estrofe, pretende reforçar-se o sentimento que o narrador sente ao observar o absurdo dos momentos da guerra, sendo que esta é a própria temática do poema. No primeiro verso, encontra-se a primeira hipálage – “no plaino abandonado” – para transportar o conceito de abandono do menino para o “plaino”. Nas duas primeiras estrofes, que constituem a primeira parte do poema, predominam as frases do tipo declarativo para demonstrar que a temática é suficientemente profunda pois retrata o desabar dos sonhos. Nestas duas primeiras estrofes faz-se o retrato do jovem soldado morto. A segunda parte do poema inicia-se com duas frases exclamativas para reforçar a efemeridade da vida do menino. A repetição do nome “jovem” relaciona-se com a expressividade das frases exclamativas que pretendem demonstrar a emoção da juventude do menino quando este morreu. O jovem, cuja juventude e perda dela são referidas em frases exclamativas, que já não tem idade (como se refere entre parênteses) é, afinal, "filho único", cujo nome é, por vontade materna, O menino da sua mãe - é um menino-símbolo de uma mãe-símbolo e ambos personagens colectivas. Há uma ligação entre os objectos e o jovem soldado: a “cigarreira” e o “lenço”. “A cigarreira breve”: hipálage, trata-se da brevidade da vida do menino que nem teve tempo para utilizar a cigarreira dada pela mãe. “A brancura embainhada/de um lenço”: hipálage que se relaciona com a anterior devido à reduzida duração da vida do menino, o lenço que nem teve tempo de usar dado pela ama. Na última estrofe, o poeta pretende fazer uma acusação revoltosa ao império em questão. Surge, finalmente, a mãe que simboliza a esperança, a saudade, o carinho e o amor, que se encontra em casa – ambiente oposto ao plaino. No verso “(Malhas que o Império tece!)”, o poeta aponta subtilmente a causa que está por detrás desta morte prematura, ou seja, as vítimas que o desejo de Impérios faz. No penúltimo verso finaliza-se a gradação iniciada no último verso da primeira estrofe (Jaz morto, e arrefece (...) Jaz morto, e apodrece), que pretende traduzir a passagem do tempo durante o poema, em que nós, leitores, sabemos o que se passa, mas a mãe e a ama não. Figuras de estilo: hipálage (“No plaino abandonado” - “A cigarreira breve”) ; antítese (“Que a morna brisa aquece/Jaz morto, e arrefece” - “Está inteira/E boa a cigarreira./Ele é que já não serve”) ; dupla adjectivação (“…Está inteira/E boa”).

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