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TEOLOGIA

(DOUTRINA DE DEUS)

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ÍNDICE
1. LIÇÃO: o que é teologia? Por que estudar teologia? Para quê serve a teologia? A origem da idéia de DEUS. 2. LIÇÃO: TEORIAS QUE COGITAM SOBER DEUS Ateísmo, Politeísmo Monoteísmo, Henoteísmo, Deísmo Teísmo, Panteísmo, panenteísmo Triteísmo, Sabelianismo, Trinitarismo 3. LIÇÃO: A auto-existência de DEUS

A negação da existência de Deus em suas Várias Formas. Prova Bíblica da Existência de Deus. As Assim Chamadas Provas Racionais da Existência de Deus A incompreensibilidade de DEUS
4. LIÇÃO: Os atributos de DEUS Atributos incomunicáveis de DEUS Atributos comunicáveis de DEUS 5. LIÇÃO: Os atributos intelectuais de DEUS Os atributos morais de DEUS Atributos da soberania de DEUS 6. LIÇÃO: Principais nomes de DEUS Breve estudo A Trindade Bibliografia

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Introdução:

Como ser um Grande Teólogo

Conselho aos Estudantes de Teologia
Caso você seja um estudante de teologia atente para alguns dos perigos que cercam aqueles que se lançam ao estudo sistemático da Palavra de Deus. Considere estes conselhos com grande estima para que a sua saúde espiritual não venha a ser afetada durante o seu ministério. Estes perigos podem tornar-te enfermo, alguém que poderá contaminar todo o rebanho. Se o estudo da teologia não for parte da prática da nossa santificação, então, devemos temer, e perguntar-nos por que ao lidar com a Palavra de Deus, meio de graça, não estamos sendo talhados pelo Espírito Santo? O ilustre teólogo Benjamin B. Warfield nos adverte: Que se você não achar a Cristo no auditório é porque não O trouxe consigo, ali; se depois de um dia comum de trabalho você está muito cansado para reunir-se com seus companheiros, no fim do dia, em oração, é porque o impulso para orar está fraco em seu coração. Se não há fogo no púlpito, cabe a você acendê-lo nos bancos. Nenhum homem pode fracassar em encontrar-se com Deus no santuário, se ele traz Deus consigo para ali. O primeiro perigo envolve o abandono dos livros, que muitos estudantes fazem após terminarem o seu período letivo no seminário. Certamente, você vai perceber, que em cada matéria do curso teológico, concluída vai ser possível analisar exaustivamente todos os seus pormenores. Cada semestre que finda fica a certeza de que tenho o que aprender ainda. De fato, em cada semestre somos introduzidos àqueles assuntos, e no dever de prosseguir em aprendê-los melhor. Quero chamar a sua atenção a algo que Lewis S. Shafer disse em seus anos de aprendizado nas salas de aula, o estudante de teologia deve assimilar todo o campo de doutrina, para que possa ser preparado, a fim de continuar a sua pesquisa em cada porção da Bíblia por todo o seu ministério, para que se torne apto a proceder inteligentemente em cada fase da revelação divina. O amor pela erudição é algo muito sedutor para alguns dos estudantes de teologia. Aqui temos o oposto do que falamos anteriormente. É possível usarmos a erudição como uma fuga para nossa inaptidão pastoral. Todo pastor deve esmerar-se em ser um erudito! Mas nem todo erudito foi chamado para pastorear! Por melhor que seja a sua formação, não seja voluntário para este serviço, se você não foi chamado! Novamente, mencionando a Benjamin B.

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Em terceiro lugar. Para o desenvolvimento de um ministério pastoral vigoroso é indispensável o apego aos livros. “e fez dEle um ministro”. porém sem maior significado que vá além de suas próprias conclusões lógicas e formais. sempre disponível. na grandeza da questão que está atrelada à dignidade ou indignidade de vocês em exercer a elevada função de ministro. “pode fazer um ministro” – isto é. a Escritura. e triunfantemente convincentes. para tirar as nossas dúvidas! O quarto perigo envolve a perca do senso da grandiosidade da nossa vocação. O orgulho do saber pode sutilmente contaminar-nos (1 Co 8:1-3). diz John Newton. A erudição não é um mal em si. e os convidaria a cultivá-la. Warfield novamente nos adverte para este fato. verificando que: As palavras que falam da terrível majestade de Deus ou de sua bondade gloriosa podem vir a ser meras palavras para você – palavras hebraicas e gregas. Eles apontam talvez para questões que se tornam alvo de nossa sagaz conjetura. e ministros que não precisam ser envergonhados no futuro. com etimologias e flexões. Os passos imponentes de Deus no processo redentivo podem tornar-se para você uma mera série de fatos históricos. Os livros são nossos mestres mudos. com premissas e conclusões. Desconfiemos de qualquer sentimento de superioridade que em nós possa surgir. Mas antes e acima de ser erudito. Isso é algo possível quando nos esquecemos que o objeto de nosso estudo. Ela é um instrumento necessário para a nossa legítima santificação. “Ninguém mais que Aquele que fez o mundo”. que estão em nosso escritório pastoral. “Deus não tinha mais que um Filho”. e o nosso trabalho pastoral é sagrado. sem dúvida apropriadamente formuladas. crer é também pensar.Warfield falando aos seus alunos de teologia do Seminário Teológico de Princeton: O ministro precisa ser um estudioso. e decidam de uma vez por todas que com a ajuda de Deus vocês serão dignos. a já ser homens de Deus agora. mais iguais a tantos outros fatos que ocorrem no tempo e espaço em nossa percepção. Os raciocínios que estabelecem os mistérios das atividades salvadoras dEle podem vir a ser meros paradigmas lógicos para você. “Nada 4 . Ainda noutro lugar ele observa que: Eu pediria a vocês que retornassem a ter esse padrão de seriedade. Afinal. Deus confiou-nos tão sublime tarefa (1 Ts 2:4). sob pena de ser absolutamente incompetente para este trabalho. Pensem na excelência da vocação do ministro. um ministro tem que ser dedicado a Deus. devemos cuidar para que não façamos da “erudição” um ídolo no altar de nossas mentes. diz Thomas Goodwin. de curiosa interação na produção de condições sociais e religiosas peculiares. um ministro que seja digno.

ele soube ouvir as necessidades espirituais das suas ovelhas e aprendeu com elas. para a proclamação da graça de nosso Senhor Jesus Cristo. pela graça. O discípulo de Cristo é sempre um insaciável aprendiz. Cuidemos. que nos mostrarão o caminho da salvação. para o estudante aposentado. e em breve. Servos não podem se dar ao luxo de serem pedantes! O teólogo escocês John Dick em suas palestras de teologia disse: A teologia não é um daqueles assuntos escondidos. não. Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR. além de considerar o seu bem-estar pessoal. A teologia é a profissão de vocês. 5 . e a lei de um advogado. considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Fp 2:3 ARA). Lembre-se fomos chamados à graça. inspirando-se na tradição calvinista holandesa. Sua alegação de atenção universal é manifesta por sua narrativa sucinta que agora foi dada de sua natureza. Não pense que você não tem o que aprender com as ovelhas que o Supremo Pastor confiou a você! Inclusive algumas delas poderão te ensinar a ser pastor. e para os não-eruditos. Mas no caso de vocês. guarda-o no melhor lugar. que é reservado para os curiosos investigarem. como a medicina é a do médico. mas o objeto principal de suas pesquisas. sabe quão precioso instrumento ele foi nas mão do Senhor! Mesmo em seu liberalismo teológico. pelos mesmos motivos que estimulam o esforço dos homens de outras profissões. Estes homens são servos do Deus Altíssimo. Influenciado pela piedade dos seus paroquianos. ou de perspectiva de lucro. em Beesd “passou por uma conversão evangélica. Busque o mais precioso tesouro. como a alva. os desejos de fama. ARA). pois. por que ela deveria ser não somente uma parcela dos seus pensamentos. há uma razão particular. Pensamentos contaminados pelo pecado são reprovados pelo santo Deus. mas por humildade. para proporcionar o conhecimento de Deus. e para aquele que está comprometido com as cenas apressadas da vida. a sua vinda é certa. e de seu Filho. para os eruditos. A melhor ilustração desta verdade foi o grande teólogo holandês Abraham Kuyper que obteve uma formação liberal. e na contemplação do que homens especulativos e reflexivos podem passar em suas horas de lazer e de solidão.” Aqueles que conhecem a história deste homem. (Os 6:3. para o mais feliz propósito (Sl 119:11). mas tendo em vista desincumbir-se fiel e honradamente dos deveres do ofício com o qual um dia vocês esperam ser incumbidos. entretanto. e ele descerá sobre nós como a chuva serôdia que rega a terra. Ela é interessante para todos. Suas instruções são dirigidas a pessoas de qualquer descrição. Deus resiste ao soberbo (Tg 4:6). mas que em seu primeiro pastorado.façais por partidarismo ou vanglória. que é a fonte da vida eterna. Deveria ser a ambição de vocês a de sobressaírem-se. dEle se desviarão. Felizes são aqueles que aprenderam a aprender. começou de novo o seu estudo de teologia.

dogmático e místico. procura-se expressar de forma nítida e detalhada a natureza de Deus. racionalista. Todo o estudos de teologia tem que ter sua base em DEUS que revelado na bíblia Na tarefa teológica. assunto o mais elevado de que é capaz de se ocupar a mente humana. Como Deus é além da criação. não é possível conter a Deus dentro de uma caixinha bem definida. os seus planos para com a humanidade. por meiode quem. logo o esforço para definir a Deus é de início impossível. no sentido etimológico. se partirmos da admissão de que a Teologia é o conhecimento sistematizado de Deus de quem. As obras de dogmática ou de Teologia Sistemática geralmentecomeçam com a Doutrina de Deus. e para quem são todas as coisas.A teologia.Esses têm conduzido os homens a conclusões contrárias às Escrituras. sobre a qual iremos estudar. Deus é maior que a compreensão humana. conclusões que violam ao mesmo tempo a nossa natureza moral. é: "o assunto acerca de Deus". deístico. 6 . Há boas razões para começarcom a Doutrina de Deus. Vários métodos de teologia têm sido propostos. como sejam: especulativo. e a resposta devida do homem em relação a Deus.

) usou esse vocábulo com o sentido de história de mitos e lendas dos deuses contados pelos poetas. especialmente pela defesa da divindade de Cristo. e “logos” que denota” estudo”. O que é teologia? “Definição: “Etimologicamente falando. Visto que é o estudo da realidade última. Portanto. a palavra teologia quer dizer simplesmente “estudos sobre Deus”. A palavra “teologia” parece ter sido incorporada à linguagem cristã nos séculos IV e V. Clemente de Alexandria (c. a teologia se preocupa com a realidade última. o termo” teologia “vem do vocábulo grego “theos”. assim como Deus é o ser ou realidade última. Da origem grega. passou a designar um corpo de doutrina. a reflexão teológica é a atividade humana última. na condição de verdade cristã a respeito de Deus. 150-c. a idéia sobre ela está sempre presente em toda a Bíblia. Referia-se à genuína compreensão das Escrituras. Aquela. Assim. Na Grécia antiga. Platão (427-347 a. era superior às histórias da mitologia pagã. de uma maneira sistemática. o emprego estava restrito ao conhecimento a respeito da pessoa de Deus. João Calvino (1509-1564) foi denominado “o Teólogo” por Filipe Melanchthon (1497-1560). Quando usada num sentido mais amplo. 330-389) também recebeu esse título. os poetas foram os primeiros a se intitular teólogos “por comporem versos em honra aos deuses”. a informação por ele revelada a nós. nada é mais importante.Os pais da Igreja cognominaram o evangelista João de “o teólogo”. Porque contempla e discuta essa realidade. uma vez que teologia referia-se às discussões filosóficas a respeito de seres divinos (teogonias) e do mundo (cosmogonias). Contudo. a palavra pode incluir todas as outras doutrinas reveladas na Escritura. 215) contrapôs theologia a mythologia. A palavra TEOLOGIA refere-se ao estudo de Deus. por tratar mais detalhadamente do “relacionamento internodas pessoas da Trindade”. Gregório de Nazianzo (c. ela. 7 . que significa “deus”. define e governa cada área da vida e do pensamento. A partir de Theologia christiana.C. conseqüentemente. obra de Abelardo (1079-1142). No final do século II. Deus é o supremo ser que criou e até agora sustenta tudo o que existe.1. Ora. e a teologia procura entender e articular. Apesar da palavra teologia não aparecer nas Escrituras sagradas.

“é a ciência que trata de Deus em Si mesmo e em relação com a Sua obra”. por conseguinte. de vida”.A teologia é um estudo sempre em andamento. e que aplica tais verdades a todo aspecto da vida e do pensamento humano. por não se basear em pressupostos de uma hermenêutica bíblica. definindo mais formalmente. toda teologia se deve ao saber de DEUS a respeito de si mesmo. conscientemente. pois é somente pela autorevelação de Deus que se pode conhecer a Deus Teologia é a ciência de DEUS e do seu relacionamento com o homem e o mundo físico e espiritual. É a disciplina que apresenta uma formulação unificada da verdade de DEUS e seu relacionamento com a humanidade e o universo conforme a revelação divina os expõe. Perguntamos. E o que é verdadeira Teologia? Como o próprio nome indica. quando se torna um fim em si mesma. De outro modo. Não é disto que falamos aqui. O conceito de teologia se expressa de modo mais claro e é plausível em medida máxima se DEUS é tomado como o verdadeiro e abrangente objetivo da teologia. pode não ter qualquer uso prático e reduzir-se a mero academicismo. É quase certo que aqueles que negam a necessidade da Teologia na vida da Igreja não diriam. pois o homem é finito e não chega a um ponto de compreender plenamente o infinito. e sim somente um saber teórico. sim. teologia é perda de tempo. Serão verdadeiras essas afirmações? Admitimos que há muita coisa por aí levando o nome de “teologia” que não passa de especulação humana. O saber de DEUS por parte das criaturas não poderia ser um saber prático. Teologia não é um produto da imaginação humana. Teologia não é em primeiro lugar produto da atividade humana. É comum ouvirmos que “a teologia mata a religião” ou que “a Igreja não precisa de teologia e. Por que estudar teologia? O estudo de teologia é necessário conhecer o DEUS que amamos e servi-lo melhor. então a tese do caráter prático da teologia serve somente a DEUS não ao nosso intelecto. Teologia é o estudo de Deus. DEUS é o ponto de referência de todos os temas da teologia. ou. se a Igreja pode prescindir do conhecimento de Deus e da Sua obra e ainda ser Igreja de Deus. DEUS é o objetivo da teologia. Perguntamos se a verdadeira Teologia é necessária à Igreja. ♦ Não se deve separar teologia do conceito de revelação. E até a “boa teologia”. que alguém pode ser cristão sem 8 . 2. mas designa a notícia de DEUS divino e revelado por ele. Na devemos desejar algo à não ser para nos tornarmos mais santos e para crescermos na sabedoria que leva a DEUS. do que por meio de descrições abstratas e proposicionais. ♦ O texto bíblico apresenta Deus muito mais através do que faz.

1 Pd 1:20. é. possui um valor intrínseco. nas Santas Escrituras (Revelação Especial . DEUS é o objetivo da teologia e todos os estudos da bíblia devem ao saber de DEUS. Devemos estudar teologia para conhecer melhor as verdades de DEUS reveladas na bíblia sagrada para nos orientar.Hb1:1.O principal objetivo da teologia é estudar a cerca de DEUS. Os cristãos devem afirmar que. e o terceiro.conhecer a Deus. de que Ele tem Se revelado tanto por meio de Suas obras (criação e providência . provavelmente pragmático ou ético. Como podemos conhecer a Deus sem estudar a revelação que Ele faz de Si mesmo? Como saber quem Ele é e o que Ele tem feito e faz quem somos nós em relação a Ele. Nosso conhecimento de Deus não é intuitivo. nem natural. que eles recusam acrer que alguma atividade intelectual possua valor intrínseco. At 14:17). qualquer estudo de Deus que não tiver a Sua revelação como base. portanto. glorie-se nisto: emcompreender-me e conhecer-me. É porque Deus Se revelou que podemos conhecê-Lo. não é inventar teorias a respeito de Deus e de Suas obras. Esse trabalho parte de três pressupostos: O primeiro é o de que Deus existe. Por isso. meio e princípio regulador não é “teologia”. O que lhes falta é um bom conhecimento do que é Teologia e de suas implicações.. Embora o conhecimento de Deus deva afetar a conduta de alguém. Muitos advertem contra estudar teologia para o próprio bem dessa. mas quem se gloriar. portanto. principalmente. o que Ele requer de nós.Revelação Geral . etc. embora não de modo exaustivo e completo. e esse é o maior propósito do homem. mas conhecer e compreender a revelação que Ele próprio deu de Si. o segundo. mas comunicado por Ele mesmo através dos meios que soberanamente escolheu. nem mesmo “descobrir” a Deus. Para eles. Jeremias 9:23-24 diz: Assim diz o Senhor: “Não se glorie o sábio em sua sabedoria nem o forte em sua força nem o rico em sua riqueza. Ter informação sobre DEUS não é o mesmo que ter uma experiência com o próprio DEUS. A teologia serve para expressar a unidade de saber o amor de DEUS como 9 . “Fazer teologia”. pois eu sou o Senhor e ajo com lealdade. Não se faz teologia sem vida.2. O espírito anti-intelectual dessa geração tem se infiltrado de tal maneira na igreja. Para conhecer melhor o DEUS da bíblia. de que Ele pode ser conhecido. um engano pensar que o empreendimento intelectual da teologia sirva a um propósito que seja maior do que ela mesma. declaram Senhor. até mesmo conhecer a Deus deve servir para um propósito maior.Sl19: 1. devidamente entendida. com justiça e com retidão sobre a terra. se não investigarmos o que Ele deixou revelado para nosso conhecimento? Pois esse é o trabalho da Teologia. como.2. a teologia.21). contudo. pois é dessas coisas que me agrado”. visto que estudar teologia é conhecer a Deus.

Cada outra categoria de conhecimento é um meio para um fim. Contudo. Assim como a teologia nasce do coração da própria fé sedenta de conhecimento de mesma. a teologia é necessária.Devemos estudar teologia porque amamos aquele em que cremos. alguém pode saber muito sobre Deus sem conhecê-Lo. mas também para tudo da vida e do pensamento. É possível o crente ser rico em graça e pobre em conhecimento. visto que é preciso ouvir de Deus. mas a sua missão. Mas o ideal é (2 PE 3. a teologia serve para iluminar. Se “conhecer sobre Deus” se refere ao estudo formal da teologia. agora veremos para que serve a teologia.18 AT 22. Temos que estudar teologia com uma só finalidade: conhecer melhor a DEUS e o seu propósito para com esse mundo.3). Para iluminar. visto que Deus Se revelou através da Escritura. Por amor a DEUS. Visto que este é o seu universo. qual a sua finalidade. então. até a interpretação da música e literatura. porque ela trata com a revelação verbal do supremo ser — a realidade essencial que dá existência e significado a tudo. e o entendimento de matemática e da física. Sucumbindo ao espírito anti-intelectual desta geração. pensa. A teologia procura entender e sistematizar sua revelação verbal. Tomás de Aquino disse: no fervor de sua fé. PARA QUÊ SERVE A TEOLOGIA? Já vimos porque devemos estudar teologia. quem ama medita. a fonte derradeira de informação e interpretação de tudo da vida e do pensamento é a revelação divina. Um conhecimento teológico de uma pessoa é desproporcional a quão bem 10 . ele tem o direito e a capacidade de dirigir todos os aspectos das nossas vidas. A teologia é central para tudo da vida e do pensamento. Uma das maiores razões para se estudar teologia é o valor intrínseco do conhecimento sobre Deus. mas o conhecimento de Deus é um fim digno em si mesmo. A necessidade de teologia é uma questão da necessidade de comunicação de Deus. Ela lucifica a mente do crente lhe fazendo compreender a sua missão desenvolvendo o seu papel no corpo de Cristo. e isto significa estudar teologia. conhecer a Escritura é conhecê-Lo. a ignorância com respeito à revelação divina afeta tudo da vida e do pensamento.Em primeiro lugar. A teologia é necessária não somente para as atividades cristãs. E. alguns crentes distinguem entre conhecer a Deus e conhecer sobre Deus. E.fundamento para a vida cristã. A questão aqui não é a sua função. a pessoa ama a verdade que crê a revolve no seu espírito e a abraça procurando encontrar razões para seu amor. e alguém pode conhecer a Deus sem conhecer muito sobre Ele. e é autorizada até onde ela reflete o ensino da Escritura. O amante deseja 3. para eles. O amor é um elemento da fé. 1. Visto que Deus é tanto máximo quanto onipotente. desde a visão de alguém da história e da filosofia. o amor que nasce da fé deseja saber as razões porque ama.

Portanto.ela conhece a Deus. o que a pessoa ganha ainda é um conhecimento sobre Deus. A maioria das pessoas que resiste aos estudos teológicos não pensos muito sobre estas questões. o estudo da teologia é a atividade humana mais importante. 9. Duas são as razões geralmente apresentadas para se dizer que a Igreja não precisa de Teologia. o objeto e a maneira destas práticas espirituais. O que é uma experiência religiosa? Como a alguém a recebe? O que um sentimento ou sensação particular significa? Respostas para estas questões podem somente vir pelo estudo da revelação verbal de Deus.6). Uma repudiação de teologia é também uma recusa de conhecer a Deus através do modo prescrito por Ele. mas até isso é definido e interpretado pela teologia. A teologia existe para o exercício da fé. A teologia define e dá significado a tudo que alguém possa pensar ou fazer. mas são capazes de orar e adorar. (hb 11. Ele quer saber o que é que DEUS quer que ele faça para servir melhor (at. Ela está cima de todas as outras necessidades (Lucas 10:42). O estudante de teologia que não tem essa atitude está perdendo tempo na velha egoidade humana. O conhecimento da Escritura — conhecer sobre Deus ou estudar teologia — deve estar cima de tudo da vida e pensamento humano. Antes de alguém poder orar e adorar. Estudar teologia somente por curiosidade e é reunir conhecimento incorreto. da vida cristã. à partir da revelação bíblica. amar e agir (praticar). portanto. Alguém pode reivindicar conhecer a Deus através da oração e da adoração.6) OS três primeiro passos para a finalidade da teologia são: conhecer. 2.o crente crê em DEUS. Alguém pode responder que conhecemos a Deus através de experiências religiosas. e não de meios ou exercícios religiosos não-verbais. Para o labor da vida cristã. ela deve determinar. Elas se baseiam em duas falsas antíteses: 11 . De outro modo teologia seria perda de tempo. Mas. tanto o objeto como a prática da oração e da adoração permanecem indefinidos até que esta pessoa estude teologia. Subseqüentemente. O conhecimento de Deus. o modo no qual ela deve oferecer oração e adoração. ela deve primeiro determinar a quem ela deva oferecer oração e adoração. freqüentemente sem garantia. do amor. assumindo. Mesmo se fosse possível conhecer a Deus através da experiência religiosa. vem de Sua revelação verbal. nenhuma outra tarefa ou disciplina se aproxima dela em significância. ou uma informação intelectual redutível à proposições. para nos tornar mais santos e crescermos na sabedoria que leva a DEUS. ou conhecimento sobre Deus. mas não sabe como é isso. A Escritura governa cada aspecto da oração e adoração.

Ele diz: “A Encarnação é uma doutrina: nenhum olho viu o Filho de Deus descer dos céus e entrar no ventre da virgem. Fato e doutrina se complementam no Cristianismo. são os grandes fatos que tornam garantida a salvação dos eleitos. Sua vida de perfeita obediência à Lei. Sua ascensão e assentamento à direita do Pai. especialmente nas epístolas. A obra de Cristo. mas pelo próprio ato expiatório. Até mesmo os fatos manifestos na natureza (Revelação Geral) não seriam devidamente compreendidos se não fossem explicados pela Bíblia (Revelação Especial). Quando Paulo afirma que Jesus “foi entregue por causa das nossas transgressões. nem através de um exato entendimento da doutrina da Expiação. A doutrina realmente não salva. que aquele menino que nasceu em Belém é o Filho de Deus? Por que descansamos na eficácia da Sua morte para a expiação dos nossos pecados? Por que sabemos que a Sua ressurreição. A doutrina não salva. mas pode tornar o homem sábio para a salvação (2Tm 3:15). e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Rm 4:25). sua mensagem (a dos céus) passaria despercebida e eles poderiam até ocupar o lugar do Criador. Mas como sabemos que esses são os fatos? Que sentido teria esses acontecimentos se não tivesse sido interpretado? É a doutrina que lhes dá sentido. Doutrina sem fato é mito. nesse sentido. é que assegura essa graça. como 12 . a que damos o nome de “doutrina”. mas se isso não for um fato histórico também. Isto é o que se vê em toda a Escritura. Esta não só informa o fato como também dá o seu significado. portanto.1. de igual modo está dando uma interpretação aos fatos da morte e ressurreição de Cristo. Warfield. Seu nascimento sobrenatural. a saber. devidamente aplicada pelo Espírito no coração do crente. É possível alguém ser “bom teólogo”. e habitou entre nós. na expressão de B. Não somos salvos através de uma correta teoria a respeito da pessoa de Cristo. garante a nossa justificação? É porque esses fatos são todos explicados e interpretados pela doutrina. nossa fé é vã e permanecemos ainda em nossos pecados”.B. Como viemos. A primeira é a suposição de que o Cristianismo se baseia em fatos e não em doutrinas Concordamos que nossa salvação não repousa sobre um conjunto de teorias ou idéias. mas fato sem doutrina é mera história. mas pela própria pessoa de Cristo. está explicando-o também. consiste em “fatos que são doutrinas e doutrinas que são fatos”. Sua segunda vinda. mesmo que extraídas corretamente da Bíblia. há dois mil anos atrás. Sua ressurreição. mas sobre os atos poderosos e eficazes do nosso soberano Deus. cheio de graça e de verdade” (Jo 1:14). Podemos hoje entender que “os céus manifestam a glória de Deus” (Sl 19:1) porque o Criador nos tem revelado isso na Sua Palavra. Sem essa explicação. Sua morte substitutiva. gerando a idolatria (devido ao pecado). O Cristianismo. não está apenas apresentando um fato. Quando João diz: “E o Verbo se fez carne. e ainda não experimentar as graças ensinadas nas doutrinas que expõe.

primeiramente vida. Nem é pertinente perguntar qual dos dois é mais importante. portanto. dizem. depois doutrina? Existe tal antítese? Se essa posição for verdadeira. pois sem ela não existe verdadeiro Cristianismo. fria. Até chamam a isso de “teologia contemporanizada” ou “contextualizada”. “Religião é vida e a vida é dinâmica. Não admira que haja tanta “fluidez” e instabilidade entre os que assim pensam. Tudo cairá no campo dos valores relativos e passará a depender do subjetivismo. a doutrina é o que menos interessa. não é a doutrina que deve dirigir a vida. é a verdade de Deus relativa? Depende o seu valor do lugar e da época em que se encontram os homens? Sabemos que esta é a posição atual dos que se denominam pluralistas e esse é o pressuposto básico desta posição. que os fatos só têm sentido quando acompanhados da doutrina. Aqueles que assim pensam até admitem um certo tipo de doutrina. Seria o mesmo que indagar qual das duas pernas é mais importante para o nosso caminhar. fluente. 2. não a sua norma. mas também no tempo: a doutrina passa a ser um produto da vida cristã. “A letra mata. nem revelação objetiva. e. adaptada sempre à dinâmica da vida e conformada às “necessidades” da época e do lugar onde a vida do Cristianismo se manifesta. e que procura eliminar da religião todo apelo ao intelecto. Ef 4:11). da “piedade”. nem princípio fixo. Tito 1:9. portanto. Daí dizer-se que para se conhecer a Deus é preciso que Ele fale. Concluímos. e não somente que Ele aja. Para estes. a doutrina é estática. ou quando a chamam de “mãe natureza”? Sem a revelação do Criador. não em doutrina Por trás dessa afirmação podem estar raízes do conceito filosófico que exalta o misticismo. as emoções. Segundo esse ponto de vista. e graças a Deus por isso! Onde a vida não se manifesta nos moldes escriturísticos.lemos em Rm 1:18-32. não pode ser compatível com o caráter do Cristianismo”. com base na palavra de Deus. Mas devemos ou podemos prescindir da doutrina para que essa vida se manifeste? Antes de tudo. que o Cristianismo é vida e não doutrina. falta à alma da verdadeira religião. Será que aquilo que foi deixado por Paulo e pelos outros apóstolos como doutrina para os seus dias deveria ser mudado nos dias de Agostinho. Concordamos também que Cristianismo é vida. mas o espírito vivifica”. então não haverá verdade absoluta. Não é o acontece quando as pessoas dizem que “a natureza é sábia”. a criatura toma o seu lugar. Há até quem interprete assim a célebre divisa: “Igreja reformada sempre se reformando”. argumentam. 2Tm 2:2. depois nos dias de Warfield e 13 . o sentimento religioso do homem. mas esta àquela. A prática (práxis) é colocada acima da doutrina não só em importância. à razão. O ensino da doutrina é uma das ênfases da Bíblia (1Tm 3:2. depois nos dias de Lutero e Calvino. e que sejam facilmente levados “por todo vento de doutrina”. desde que mutável. ou. A segunda é a suposição de que o Cristianismo consiste em vida. Mas será essa a visão bíblica do Cristianismo? Podemos dizer. das emoções.

A doutrina é isto sim. É para que continue sempre sacudindo de si toda tradição e acréscimo humano que não estejam de acordo com os valores fixos e absolutos da palavra de Deus. É ela que nos aponta os meios de graça deixados pelo próprio Senhor. a tua palavra é a verdade” (Jo 15 :17) e em João 7:17. E não há outra forma de se fazer isto a não ser pela doutrina. se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo”. até os nossos dias. Não basta apenas um sentimento religioso para fazer de um homem um cristão. assim. Foi à doutrina bíblica. Reformar é voltar às origens. para depois pervadir todas as áreas do ser e se transformar em manifestações de vida que O agradem e glorifiquem. Foi à falta da verdadeira doutrina que enfraqueceu a Igreja e a lançou num tradicionalismo vazio e pagão. não estamos afirmando que apenas a doutrina. para que seja aplicável em todas as épocas. em que Ele associa a prática da santificação com a doutrina da Palavra: “Santifica-os na verdade. Nas epístolas paulinas. ao que foi intencionado no princípio por Deus. Nossa demonstração de vida pode impressionar as pessoas e despertar nelas certa admiração. O conhecimento de Deus começa pela porta do intelecto.É a doutrina que dá característica à vida. 14 . o ensino da doutrina é indispensável na Igreja. onde o fazer a vontade de Deus está ligado ao conhecer a doutrina: “Se alguém quiser fazer a vontade dele. produz vida. mas é pela pregação da Palavra que vem a fé que transforma (Rm 10:7) A espada do Espírito é a Palavra (Ef 6:17). 12-16: prática). ninguém verá o Senhor ( 1 Ts 4:3. Por isso. independente da obra santificadora do Espírito. Ef 5:26). no século XVI. da razão. tão bem exposta pelos reformadores e tão negligenciada pela Igreja. para dar lugar às manifestações de vida? Não creio que a Bíblia justifique essa posição nem que esses teólogos a tenham entendido assim. O princípio de que “a Igreja reformada deve estar sempre se reformando” visa manter sempre a mesma posição em relação à verdade. Isso se torna ainda mais claro na oração sacerdotal de Cristo. Hb 12:14). sem esta. tanto através do púlpito como pelos estudos semanais. pela Escola Dominical e por qualquer outro meio disponível. não alterá-la. conhecerá a respeito da doutrina. É a correta aplicação da doutrina que produz a verdadeira vida cristã. É através dela que ficamos sabendo que a vontade de Deus é a nossa santificação e que. Rm 1-11: doutrina. a íntima relação entre doutrina e prática é evidenciada pelo seu método de apresentar primeiro a argumentação teológica (doutrinária) para depois tirar as implicações práticas dela decorrentes (Ex. o meio que o Espírito soberanamente usa para nos fazer conhecer a vontade de Deus e nos levar a praticá-la. É preciso que sua vida seja moldada na doutrina de Cristo.dos Hodge e. sucessivamente. que é quem nos santifica (Lv 20:7-8. Sem dúvida. que a trouxe de volta às origens e lhe recuperou a vida.

tal que a sua própria consciência constantemente dá testemunho. somado a um sentimento inegável de responsabilidade de fazer o que é certo e um senso de auto-reprovação quando se faz o que é mau. racionais e morais. porque precisa da doutrina nela contida para dar sentido e expressão aos fatos do Cristianismo e para prover os meios de manifestação da verdadeira vida cristã. tal que não podemos adorar e confiar nEle sem fé. Isso pressupõe que existe um locutor e. Origem da idéia de DEUS Antes de começar. alguém que é Senhor e Soberano. além disso. Todos os homens têm um senso de obrigação daquilo que é certo e errado. e dão três respostas diferentes: 1. A prova moral para a existência de Deus é encontrada em sua forma mais simples no imperativo categórico de Kant. uma evidência das coisas que não se vêem e a essência daquilo que se espera que é capaz de “entender que os mundos foram formados pela palavra de Deus. e que podem abordar a incompreensibilidade de Deus. É a fé. Isto é. temos certeza de que existe um ser de quem somos dependentes e perante a quem somos responsáveis. sempre dizendo à sua consciência interior. e obedecer-lhe. Isso é verdade não apenas num sentido espiritual e ético. que a Igreja precisa da Teologia. ou seja o conhecimento se deve à nossa constituição como seres sensitivos. Os pagãos.3). Novamente. Sem fé é impossível agradar a Deus. portanto. 1. tal que as coisas que são vistas não foram feitas daquilo que é visível” (vv.Concluímos. que não têm a lei. (Tu deves). mas é também verdadeiro num sentido intelectual. (2) Nosso alvo é conhecer o Deus vivo. têm a obra da lei escrita em seus corações. ou com uma franca negação da sua existência. qual é a origem da idéia de DEUS? Em face dessa pergunta. Conhecimento inato Alguns entendem que a convicção da existência de DEUS é inata. nós admitimos que o conhecimento humano do bem e do mal e seu senso de dever são certamente provenientes de Deus. Esse conhecimento nasce conosco. Baseado na bíblia devo dizer que todos os homens têm algum grau de conhecimento de DEUS. 4. Esse autor da ordem na consciência moral do homem é Deus. Sem fé é impossível encontrá-lo. ora defendendo ora acusando-os uns aos outros 15 . Alguém que discorresse sobre o conhecimento de Deus não poderia abordar esse propósito mediante uma dúvida acerca do que Deus é ou não é. “Quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam” (Hebreus 11:6). Queremos aprender para melhor adorá-lo. os teólogos se divergem. Há nele como se fosse uma voz que não é silenciada. há duas coisas para guardar em mente: 1) não estamos estudando com o propósito de aprender algo abstrato apenas para satisfazer nossa curiosidade intelectual. amá-lo. Então qual é a fonte dessa certeza? Em outras palavras.

mas. antes de tudo. há alguma forma de religião. e. limitando em todos os aspectos e em milhares de formas o amor-próprio. Por isso afirma que. DEUS revelou novamente a Abraão. difere num importante ponto de todos os demais tipos de conhecimento. acerca dos pagãos. Tudo isso é feito sem nenhuma demonstração preliminar da existência de DEUS. Pressupõe-se que os homens saibam que DEUS existe e que eles próprios estão ao seu governo moral. Mas por esse argumento é completamente impossível provar a existência de Deus a alguém que não esteja partindo da fé em Deus e na sua revelação. 32 ). O humanismo desenvolve a sua própria ética. mas aprimorado é o seu conhecimento sobre DEUS. sem limitação como aqueles que possuem conhecimento de DEUS. Deus é. Kuyper chama a atenção para o fato de que a teologia. sim. 4. sob o objeto do seu conhecimento. Para preservar essa teoria. No estudo de todas as outras ciências. e quando conhecimento foi se esvaindo. Noutras palavras. e quanto mais o povo se aproxima dos judeus. divorciada na sua totalidade do conhecimento de Deus e dos seus preceitos. Onde quer que a existência humana seja detectada. e que tal conhecimento tanto exprime sua impiedade quanto deixa sem justificativa sua imoralidade. menos conhecimento de DEUS ele passa a ter. DEUS se revelou aos nossos progenitores e eles passaram esse conhecimento a posteridade. O apóstolo assevera termos diretos. têm-se feito tentativas para mostrar que quanto mais um povo se distancia dos judeus (possuidores dos oráculos divinos). 2. o homem só pode conhecer a Deus na medida em que Este ativamente se faz conhecido. no passado. e este comunicou as verdades divinas aos seus descendentes e chegaram até nós por meio dos escritos e da tradição. Conhecimento sobrenatural preservado pela tradição Esse conceito parte da idéia de que é impossível que a natureza caída do homem possa ser constituída do conhecimento de DEUS. ele não pode colocar-se acima. ( RM1. mas que tem sua origem na sociedade. o 16 .(Romanos 2:14-16). Spencer demonstra que esse “Du sollst” não tem nada a ver com a voz de um ser supremo e Senhor. DEUS TRANSMITE CONHECIMENTO DE SI PRÓPRIO AO HOMEM. 3. Pode apresentar as seguintes referências em prova desta doutrina: o testemunho da Escritura. Conhecimento da razão universal Outros pensam que essa convicção é uma dedução da razão: uma conclusão alcançada por um processo de generalização. 19-21. A história demostra que o elemento religioso de nossa natureza é tanto universal quanto racional ou social. A bíblia assevera que o conhecimento de DEUS é neste caso universal. na teologia. A idéia de DEUS esta impressa em cada linguagem humana. o homem se coloca acima do objeto de sua investigação e ativamente extrai dele o seu conhecimento pelo método que lhe pareça mais apropriado. como conhecimento de Deus. em todas as épocas e em todos os lugares do mundo.

há também um conhecimento ectípico dele. Barth também salienta o fato de que o homem só pode conhecer a Deus quando Deus vem a ele num ato de revelação. Ele afirma que não existe nenhum caminho do homem para Deus. pela aplicação da razão humana santificada ao estudo da palavra de Deus. Deus tem-se dado a conhecer. em Jesus Cristo. o homem nunca seria capaz de adquirir qualquer conhecimento de Deus. empregamos o termo no sentido estrito da palavra. Todavia. portanto.11). dado ao homem por meio da revelação. mas somente de Deus para o homem. como tal. de uma vez por todas. da parte o Deus Vivente. visto que é uma cópia do conhecimento arquetípico que Deus tem em Si mesmo. Todo o nosso conhecimento de Deus é derivado da Sua auto-revelação na natureza e na Escritura. mas é Deus que se descerra aos olhos da fé. A revelação foi dada. mas. Até mesmo as profundezas de Deus. e na medida em que o faz. mesmo depois de Deus ter-se revelado objetivamente. senão o seu próprio espírito que está nele? Assim também as cousas de Deus ninguém conhece. ectípico e analógico. um aprofundamento discernimento espiritual que leva a um sempre crescente descobrimento de Deus por parte do homem. (1 Co 2. um mero “tornar-se manifesto”. e diz repetidamente que Deus é sempre o sujeito. 17 . de um lado. um ato sobrenatural de auto-comunicação. e em Cristo chega aos homens no momento existencial das suas vidas. O Espírito Santo perscruta todas as cousas. Não se trata de uma coisa na qual Deus é passivo. que se acha no próprio Deus. Não há nada surpreendente no fato de que Deus só pode ser conhecido se Ele se revela. de outro. o homem pode. Contudo. E quando falamos de revelação. Conseqüentemente. obter um sempre crescente conhecimento de Deus. mas uma coisa na qual Ele ativamente se faz conhecido. e nunca um objeto de conhecimento. Ao lado do conhecimento arquetípico de Deus. Não é. o nosso conhecimento é. sem uma auto-revelação de Deus. mas sim.sujeito que transmite conhecimento ao homem. e as revela ao homem. “qual dos homens sabe cousas do homem. Até certo ponto isso é verdade também quanto ao homem. Diz Paulo. vir a ser um objeto de estudo. senão o Espírito de Deus”. Sem a revelação. deve-se manter a posição que afirma que a teologia seria totalmente impossível. não é a razão humana que descobre Deus. sob a direção do Espírito Santo. Este último relaciona-se com o primeiro como uma cópia com o seu original e. A revelação é sempre algo puramente subjetivo e jamais poderá transformar-se em algo objetivo como apalavra escrita da Bíblia e. E. não tem as mesmas proporções de clareza e perfeição. é também verdadeiro e preciso. um ato prenhe de propósito. como muitos pensadores modernos o vêem. e só pode tornar-se objeto de estudo do homem na medida em que este assimila e reflete o conhecimento a ele transmitido pela revelação.

e não de acordo com o que ele é. que se baseia na crença de que apesar de existir vários deuses. Todo politeísmo é teísta: por isso. mantendo alguma espécie de contatos. uma vez que o finito em demanda do infinito está sempre numa distância infinita? Sendo assim. o trovão. Entretanto. Ateísmo O terno “ateísmo” vem do grego “a” que significa não.12. mas não o que ele é plenamente. tudo o que sabemos acerca dele é de acordo á nossa capacidade de saber. o politeísmo consistia na personificação de certos elementos e fenômenos da natureza. O politeísmo contrasta com o monoteísmo. Em todas as religiões do mundo. não deixando nenhuma sombra de dúvidas. e “théos” que significa deus. Refutando essa idéia tão absurda poderíamos perguntar: como um DEUS infinito ser plenamente compreendido por uma mente finita. que é a crença na existência de um só deus: e como o henoteísmo. Esse termo é usado para designar a crença na existência de vários deuses. o poder. como o sol. Politeísmo A “palavra “politeísmo vem de dois vocábulos gregos: “poli”. só existem três grandes religiões que não são politeístas: judaísmo. Tudo de bom que podemos entender sobre ele. A palavra grega “athéos ” (sem DEUS ) apareça apenas um vez no Novo Testamento. em EF 2. Opina ele. O ateu crê que o conceito de DEUS é incompatível com a dúvida que permanece no homem. 3. temos compromisso e responsabilidade somente com um. a chuva. a fertilidade. Deste a Antiguidade o politeísmo tem predominado nas mais diversas religiões do mundo. mostra que não existe um DEUS que esteja se comunicando com os homens. que DEUS deveria comunicar sua existência e sentido aos homens de tal modo que a questão se tornasse bem óbvia para todos. a violência e a misericórdia. tanto judeus 18 . islamismo e cristianismo. Uma vez que isso não se sucede. Ali é usada na forma plural para designar a condição de estar sem o verdadeiro DEUS. admite a existência de vários deuses que se interessam pela humanidade. Refutação Deus não deixa de existir somente porque o homem diz que ele não existe.1. é o que ele é realmente. 2. o amor. Teorias que cogitam sobre DEUS 1. que significa “muitos” e” theós” que significa “deus”. Em sua forma primária.

e por isso não se intervém na história. Deísmo Conceito filosófico. Os israelitas também entendiam que Jeová era o maior de todos os deuses. O deísmo ensina que apesar de existir um DEUS CRIADOR. Essas palavras trás o sentido da existência de um único DEUS. 4. e entende que DEUS tem preferência por certos povos. O monoteísmo se contrasta com o politeísmo que afirma a existência de vários deuses. que de Jeová recebiam autoridade. Por não conseguir concilia a onisciência de DEUS com o problema do mal. mas tarde o deísmo foi introduzido na teologia cristã por alguns teólogos. intervindo na história da humanidade. O henoteísmo é teista. O monoteísmo é de natureza teísta.O deísmo é uma corrente filosófico-teológica que foi criada por Epicuro o filósofo grego. por conseguinte não castigaria o homem por suas maldades. e só mais tarde se tornaram puramente monoteístas.como islâmicos. acreditam que existe um só DEUS que criou esse mundo. que o apostolo Paulo discutiu com seus discípulos em Atenas (AT17. Isso significa que DEUS Não faria intervenção na história da humanidade e. 18). que têm a autoridade e agem em outras dimensões da vida. não nega a existência de outros deuses. 5. vêem o conceito trinitariano cristão como uma velada de monoteísmo. ou seja. nações ou culturas deste mundo e por isso vê um deus favoritista. É a crença em um só deus que se importa com a humanidade e age em favor dele. e “theós”. Porém. e não descartavam a existência de outros deuses. Aqui temos uma combinação de politeísmo com monoteísmo: isso significa que na pratica eles eram monoteístas e na teoria eram politeístas: e nessa idéia politeísta incluía o teísmo. apesar de afirmar ter relações e compromissos com um só deus. Isto quer dizer que alguns teólogos defendem o deísmo. que significa DEUS. Isso quer dizer que por muito tempo o povo hebreu pensava que Jeová era DEUS somente deles e não do resto das nações. admitindo que há um só DEUS. alguns intérpretes entendem que em princípio o povo hebreu tinha uma cultura henoteísta. Por esse motivo. Henoteísmo Esse vocábulo é derivado de duas palavras gregas: ”hen” que é um adjetivo numeral que significa “um” e “ theós” que significa deus. ele está divorciado de sua criação tendo estabelecido as leis naturais para governa o mundo em seu lugar. mas não está interessado nos seus problemas. e muito menos galardoá- 19 . 6. o qual se interessa por esse mundo. e com o henoteísmo que admite uma pluralidade de deuses. Monoteísmo Esse vocábulo vem de duas palavras gregas: “monos” que significa único.

mas o tratava como um argumento subordinado. 20 . teleológico. Ele poderia ser todopoderoso. 8. Existem alguns argumentos que usualmente enfatizam esse tema são eles: filosófico.los-ia por suas bondades. Teísmo cristão O teísmo sempre acreditou num Deus que é transcendente e imanente. mas não se cuida de nada. Os gregos também imaginavam a existência de deuses todo-bondoso e benévolo. mas os neoteístas o aceitam. preservador e governador do mundo. Diz Wright. Não se segue necessariamente que este ser é o Criador do mundo. harmonia e propósito. mas somente a de um grande arquiteto que modelou o mundo. É superior ao argumento cosmológico. mas alega que ele não prova a existência de Deus. mas não existe nenhum deus contra ou a favor. Mas iremos tratar somente dois deles. apropriado para a produção de um mundo como este. mas aos quais simplesmente faltava o poder de imporem sua vontade. pessoal. Teísmo O teísmo é uma doutrina de um DEUS extraterreno. Hegel considerava este argumento válido. uma vez que eles não encontram qualquer sastifação. “indica apenas a provável existência de uma mente que. ao menos em considerável medida. como puro refugo. Conceito filosófico. razão ou consolo em tais explicações: visto que o pensamento deísta apresenta um deus que criou tudo. De acordo com o deísta. os pensadores gregos diziam: DEUS ou alguns deuses realmente existiram: mas à nossa semelhança eles seriam tanto bons quanto maus. cosmológico e o moral. mas não todo-bondoso. Kant considera este argumento o. pelo que poderiam ser causa direta do mal. e assim implica a existência de um ser inteligente e com propósito. suficiente para explicar a quantidade de teleologia que nele transparece”. Esse ponto de vista pessimista elimina a perfeita benevolência de DEUS. Apesar de essa teoria ter sido abraçada por muitos filósofos e até mesmo por alguns teólogos.Com respeito ao teísmo. nem de um criador. o mal existe. que o mundo contém evidências de inteligência e propósito. “A prova teológica”. exceto em esferas e meios muito limitados. Os teólogos sociais dos nossos dias rejeitam-no. a saber. Conceito teleológico Esse argumento pode ser exposto da seguinte forma: Em toda parte o mundo revela inteligência. juntamente com todos os outros argumentos. 7. ordem. o criador. essas pessoas não simpatizam com o pensamento deísta. controla o processo do mundo.

já a conheces toda. os seres humanos não poderiam ser verdadeiramente livres. Ele é quem preserva todos os valores humanos. cada um deles escrito e determinado. é uma tentativa de explicar a relação entre o pré-conhecimento de Deus sobre os fatos e o livre arbítrio dos homens. pelas experiências místicas com o próprio DEUS.. Portanto. Salmos 139. 22:12. respondendo as nossas orações e procurando nos ajudar em tudo quando dele necessitamos. Deus não sabe absolutamente tudo sobre o futuro. mas Ele “muda de idéia” com relação às Suas idéias baseado nas nossas ações. SENHOR. ele está sempre presente a nós. "O que é teísmo aberto?” Resposta: "Teísmo aberto”. Deus estando “surpreso” e decepcionado com a perversidade da humanidade não significa que Ele não sabia que as coisas iriam ocorrer. também conhecido como “teologia da abertura” e “abertura de Deus”. ou “parecendo adquirir conhecimento” (Gênesis 6:6. Os argumentos do teísmo aberto são essencialmente estes: (1) seres humanos são verdadeiramente livres. versos 4 e 16 declaram: “Ainda a palavra me não chegou à língua. Além de tudo isso. e no teu livro foram escritos todos os meus dias. nos guardando. ou “sendo surpreendido”. Deus é imanente em sua natureza e não absolutamente transcendente a ela. pela revelação do próprio DEUS nos livros da bíblia. Deus sabe tudo o que pode ser sabido – mas Ele não conhece o futuro. estas Escrituras devem ser entendidos como Deus descrevendo a si próprios de maneira que possamos entender. Deus sabe quais serão nossas ações e decisões. pela razão e. o teísmo aberto falha na sua tentativa de explicar o inexplicável – a relação entre o pré-conhecimento de Deus e o livre arbítrio da humanidade. O teísmo aberto acredita que o futuro não pode ser conhecido. O teísmo aberto falha ao rejeitar a verdadeira onisciência de Deus. 9. À luz de diversas outras Escrituras que declaram o conhecimento de Deus acerca do futuro. (2) se Deus soubesse o futuro absolutamente. Em contradição ao teísmo aberto. O teísmo aberto baseia estas crenças em Escrituras que descrevem Deus “mudando de idéia”. Deus deve ser entendido por fé. Como Deus poderia prever detalhes intricados sobre Jesus Cristo no Antigo Testamento se Ele não conhecesse o futuro? Como Deus poderia de alguma maneira garantir a nossa salvação eterna se Ele não soubesse o que haveria de acontecer no futuro? Por fim. muito pelo contrário. nossas experiências físicas e espirituais nos faz saber que DEUS não abandonou o unirveso. (3). Êxodo 32:14. pela intuição. Jonas 3:10).. e tu.O teísmo cristão afirma obter (embora limitado) conhecimento de DEUS. pelos desígnios de DEUS neste mundo. pois 21 . sobre tudo. quando nem um deles havia ainda”. portanto.

portanto dotado. você é Deus. Atos 4:12). um animal é Deus. "O que é o Panteísmo?” Resposta: O Panteísmo é a crença de que Deus é tudo o que existe e tudo o que existe é Deus. Sim. eis que tu ali estás também. Panteísmo O termo panteísmo vem do grego pan (que significa tudo) e theós (que que significa DEUS). O Panteísmo é a suposição por trás de muitas seitas e religiões falsas (ex: Hinduísmo e Budismo. não ensina. Uma árvore é Deus. mas Ele não é tudo. Mesmo que o teísmo aberto seja uma explicação para a relação entre o préconhecimento de Deus e o livre arbítrio humano – ele não é a explicação bíblica. 22 . como dotado de inteligência e vontade. Deus está "presente" dentro de uma árvore ou de uma pessoa. escritural. O teísmo aberto deve ser rejeitado pelos seguidores de Cristo. O que muitas pessoas confundem com Panteísmo é a doutrina da onipresença de Deus. mas vai além dele ao ensinar que tudo é Deus. O conceito do teísmo aberto não é. O Panteísmo é semelhante ao Politeísmo (a crença em muitos deuses). uma rocha é Deus. portanto. se fizer no inferno a minha cama. o finito e o infinito numa só substância. Isto exclui o Deus da escritura. e os adoradores da mãe natureza). e o mundo é o seu corpo. assim se envolve naquilo a que Brightman chama “a expansão de Deus”. É simplesmente outra forma de o homem finito com a sua mente finita tentar entender um Deus infinito. mas isso não torna aquela árvore ou pessoa Deus. Muitas vezes fala de Deus como base oculta do mundo fenomenal. o sol é Deus. mas não O concebe como pessoal e. O panteísmo funde o natural e o sobrenatural. 10. Salmos 139:7-8 declaram: "Para onde me irei do teu espírito. de modo que temos “muito de Deus”. Não há qualquer lugar no universo onde Deus não esteja presente. etc. O Panteísmo não é de qualquer forma uma crença bíblica e é incompatível com fé em Jesus Cristo como Salvador (João 14:6. as várias seitas de unidade e unificação. Isso não é o mesmo que Panteísmo. da mesma forma que se tentasse beber um oceano inteiro. Segundo o panteísmo DEUS é a cabeça da totalidade. visto que Ele inclui também todo o mal do mundo." A onipresença de Deus significa que Ele está presente em todos os lugares. o céu é Deus.“sem fé é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11:6). lá tu estás. A Bíblia ensina o Panteísmo? Não. Deus está em todo canto. Ousadamente declara que tudo é Deus. ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu.

12. Deus Filho e o Espírito Santo são diferentes "modos" ou "aspectos" de um Deus único percebido pelo crente ao invés de três pessoas distintas de Deus. monarquianismo modalista ou monarquianismo modal) é a crença não-trinitária de que o Deus Pai. O seu deus não é soberano no mundo. mas deus é maior que o universo. Para os panenteístas. 13. identificam-se (ponto em comum com o panteísmo). obreiros e crentes de um modo geral. Esse termo pode significar que a natureza faz parte de DEUS. Essa teoria diz que embora DEUS não faça da totalidade das coisas. filho e o espírito santo. visto que concebem a idéia da existência de muitos deuses. têm ensinado o triteísmo em lugar da trindade. sabelianismo (também conhecido como modalismo. O termo sabelianismo deriva de Sabélio. deus não é o criador do mundo. além disso. algo além de todas as coisas. sem saber. Ele foi um discípulo de Noeto. transcendente a elas. Muitos cristãos têm sido triteísta. mas trabalha em cooperação com o mundo. mas o diretor cósmico. e defensor da tese. Já Tertuliano batizou-a de Patripassianismo. a mesma divindade é todas as coisas e algo a mais). No panenteísmo. o FILHO eo ESPIRITO SANTO são três deuses em três pessoas: mas esse conceito não passa de um politeísmo disfarçado. Trás a idéia de que “tudo está em DEUS” ou “DEUS está em tudo”. mas a divindade é. Sabelianismo No cristianismo. mas deus dependeria do mundo para se manifestar. sem necessariamente perder sua unidade (ou seja. Os mórmons. O mundo dependeria de deus para existir. Pelo fato de se tornar difícil explicar a trindade. Um deus que criou a si mesmo e que está em constante mudança. 23 . O panenteísmo admite a identidade de DEUS separada da totalidade das coisas existentes. que o PAI. um padre e teólogo do século III d. intervindo na história humana. todas as coisas estão dentro dele. Panenteísmo é a filosofia que diz que o universo está contido em deus. Triteísmo Triteísmo é o nome da doutrina que crer em três deuses que se interessa pelo homem. ou pelo menos que DEUS está em todas as coisas apesar de não ser ele todas as coisas. todas as coisas estão na divindade. além de serem abertamente triteísta defendem um politeísmo teórico. galardoando os bons e punindo os maus: Pai. são abarcadas por ela. O termo foi criado por Karl Krauser e também é conhecido como krausismo. muitos pastores. motivo pelo qual os seguidores desta crença são chamados nas fontes patrísticas de Noecianos.C. Panenteísmo Essa palavra vem da raiz grega “pan” que significa tudo e “theós” que significa DEUS.11.

fazendo a manutenção das obras anteriores.C. Esta última ele admitia completamente. redentor e doador da vida. como Deus Filho. pelo conceito de que Deus se apresentaria com diversas faces ou manifestações. mediando. Um autor descreveu o ensinamento de Sabélio assim: A verdadeira questão. como Deus Espírito Santo. essencial à própria divindade? Ou é parte dos desenvolvimentos e formas de aparecer que a Divindade criou para si para suas criaturas? A primeira opção. afirmava. isto é. criando e administrando. E finalmente e sucessivamente. 24 . uma crença conhecida como Monarquianismo. Deus se apresentou como Deus Pai. que ensinava uma forma dele em Roma no século III d. substancial. a quem adoração e orações eram dirigidas. Ensinava que havia uma única essência na divindade. portanto. como um discípulo de Noeto e Práxeas. Eles negam a personalidade distintiva do Pai e do Espírito santo. o que constitui o que chamamos de 'pessoa' na Divindade? É original. Afirmava que isso designaria um culto triteísta. sustentando e guardando. de três deuses. contudo. Modalismo tem sido principalmente associado com Sabélio. Primeiramente. rejeitava o conceito de três Pessoas em uma só essência. ela não podia ser recebida pelo povo de DEUS. redimindo. se torna esta. Em seguida. A questão poderia ser resolvida. o sabelianismo acredita em uma forma de unitarismo. gerando. afirmando que o Pai. com quem cada crente mantinha uma relação pessoal. Uma só Pessoa e três manifestações temporárias e sucessivas. executando a justiça. Sabélio negava.Significado e origens O sabelianismo histórico ensinava que Deus Pai era a única existência verdadeira de Deus. o Filho eo Espírito santo seriam sucessivas manifestações do mesmo DEUS que cumpriu diferentes atividades: criador.

RM1. o que procura é especificar a singularidade de YHWH e a necessidade humana de depender completamente em YHWH seu Criador. enquanto que as partes ou loci subseqüentes tratam dele de maneira mais indireta. do começo ao fim. O nosso ponto de partida deveria tomar esta pressuposição dignamente. dever-se-ia aceitar o fato de que a Bíblia não procura provar a existência de Deus.ele declara. No curso do tempo tornou-se comum falar do descobrimento de Deus feito pelo homem. embora somente o primeiro locus ou capítulo teológico trate diretamente de Deus. Como uma questão de fato. a sua existência não veio de nenhum fator alheio. ou seja. Iniciamos o estudo de teologia com duas pressuposições. e para quem são todas as coisas. Há boas razões para começar com a Doutrina de Deus. (GN1. A bíblia não argumenta sobre a existência de DEUS. Não é assunto propriamente de a teologia sustentar provas da existência divina. 20). A perspectiva da teologia cristã parte de pressupostos devidos a uma aceitação de fé no Deus que não se vê. em todas as suas ramificações. mesmo aqueles cujos princípios fundamentais pareceriam exigir outro arranjo. Em vez de surpreender-nos de que a dogmática comece com a Doutrina de Deus. por meio de quem. Em muitos casos. a saber: (1) Que Deus existe. A auto-existência de DEUS As obras de dogmática ou de teologia sistemática geralmente começam com a Doutrina de Deus. E conhecê-lo e glorificá-lo têm que ser o nosso único propósito (João 17. e ainda continua apontando na mesma direção. 25 . continuam na prática tradicional. e toda descoberta feita nesse processo foi dignificada com o nome de “revelação”. O homem deixou de ser ou de reconhecer o conhecimento de Deus como algo que lhe foi dado na Escritura e começou a orgulhar-se de Ter a Deus como seu objeto de pesquisa. A única “prova” que se dá na Bíblia são as interpretações dos eventos da intervenção de YHWH na vida do seu povo.1.3). Esse termo só pode ser atribuído a DEUS. é isto exatamente o que se pretende que seja. A opinião prevalecente tem reconhecido sempre este procedimento mais lógico. como se o homem alguma vez O tivesse descoberto. O termo auto-existência significa existência própria. (2) Que Ele se revelou em Sua Palavra divina. A Bíblia não procura provar a existência de Deus. se partirmos da admissão que a Teologia é o conhecimento sistematizado de Deus de quem. bem poderíamos esperar que fosse completamente um estudo de Deus. A religião gradativamente tomou o lugar de Deus como objeto da teologia. 1. Se a teologia realmente começa com a Bíblia e é uma tentativa de sistematizar o ensino da mesma.

mas também que Deus recompensa aquele que procura conhecê-Lo. mas pode ser em parte comprovada na vida daquele que aceita o pressuposto. Não se pode duvidar da existência de ateus práticos. Os estudiosos de religiões comparadas e os missionários freqüentemente dão testemunho do fato de que a idéia de Deus é praticamente universal na raça humana.4b). A negação da existência de Deus em suas Várias Formas. os ateus práticos e os teóricos. II. 2. de um tipo mais intelectual. Geralmente são de um tipo mais intelectual e procuram justificar a afirmação de que não há Deus por meio de argumentação racional. visto que tanto a Escritura como a experiência a atestam. Ela pode assumir várias formas e. provar Deus é um esforço além das limitações humanas. que haja verdadeiros ateus. auto-existente e autoconsciente. I. É esta última forma de negação que temos particularmente em mente aqui. Isto não significa. O professor Flint distingue três espécies de ateísmo teórico. e vivem como se Deus não existisse. Os ateus teóricos são doutra espécie. Esta realidade não pode ser provada.12. É encontrada até mesmo entre as mais atrasadas nações e tribos do mundo. Os últimos são em regra. Procuram provar que Deus não existe usando para este fim aquilo que lhes parece argumentos racionais conclusivos.1 declara: “Diz o insensato no seu coração: não há Deus” (cf. Como Hebreus capítulos onze trata a questão. (HB11. Em vista deste fato. Esses pontos de apoio à fé ajudam o indivíduo a averiguar a veracidade daquilo que crê e ajudam-no a confiar no Criador.O pressuposto mais central é da existência de Deus. tem assumido várias formas no curso da história. O que se usa como provas são mais verdadeiramente comprovantes da realidade já aceita. nem tampouco que não há um bom número de pessoas em terras cristãs que negam a existência de Deus como Ele é revelado na Escritura. e baseiam a sua negação num processo de raciocínio. É com esta base de fé que se olha ao mundo ao redor e vê a presença e atuação de Deus no mundo ao redor. na verdade. Efésios 2. Os primeiros são simplesmente pessoas não religiosas. contudo. Uma grande classe de teólogos e filósofos nega que a existência de DEUS seja suscetível de provas. pessoas que na vida prática não contam com Deus. Dado a metodologia científica e filosófica. É somente quando se crê que é possível enxergar a realidade de Deus. A experiência também dá abundante testemunho da presença deles no mundo. começa-se uma procura de conhecer a Deus já pressupondo não apenas a Sua existência. que não há indivíduos que negam a existência de Deus completamente. alguns chegam a negar a existência de pessoas que negam a existência de Deus. uma Pessoa de perfeições infinitas. E Paulo lembra aos Efésios que eles tinham estado anteriormente “sem Deus no mundo”. Sl 10. a saber. A respeito dos ímpios o Salmo 14. a 26 . 6). que realiza todas as coisas segundo um plano predeterminado.

e as provas se acham. algum poder ou tendência com propósito. vamos apresentar duas: em primeiro lugar. A suposição não é Não apenas de que há alguma coisa. As Assim Chamadas Provas Racionais da Existência de Deus. O preparo para esta obra. se baseia numa informação confiável. (1) Ateísmo dogmático. A pressuposição da teologia cristã é um tipo muito definido. Prova Bíblica da Existência de Deus. mas fé baseada em provas. sim. (3) Ateísmo crítico. que. mas ao mesmo tempo é imanente em cada parte da criação. E como o Governador de indivíduos e nações. Ela não somente descreve a Deus como o Criador de todas as coisas. esta fé. Existem alguns caminhos para argumentar a existência de DEUS. Este argumento tem o objetivo de mostra que a real existência de DEUS se acha envolvido 27 . a abordagem a priori que argumenta com base em um conceito de DEUS como um ser tão prefeito que sua inexistência é inconcebível. e a torna uma fé inteiramente razoável. na Escritura como a Palavra de Deus inspirada. que a existência de Deus é passível de uma demonstração lógica que não deixa lugar nenhum para dúvida. auto-existente. que sustenta que não há nenhuma prova válida da existência de deus. que é a origem de todas as coisas e que transcende a criação inteira. Vê-se Deus em quase todas as páginas da Escritura Sagrada em que Ele se revela em palavras e atos. e. mas mesmo o mais moderado deles realmente declara que toda e qualquer crença em Deus é uma ilusão. Esta revelação de Deus constitui a base da nossa fé na existência de Deus. Não significa. secundariamente. Mas esta fé não é uma fé cega. vê-se claramente no Velho Testamento. primariamente. contudo. mas também como o Sustentador de todas as Suas criaturas. A Bíblia pressupõe a existência de Deus em sua declaração inicial. a que se possa aplicar o nome de Deus. mas que há um ser pessoal autoconsciente. se não se admite que Deus existe. especialmente na escolha e direção do povo de Israel na velha aliança. “No principio criou Deus os céus e a terra”. (2) Ateísmo cético. Há sentido em falar-se do conhecimento de Deus. Ela testifica o fato de que Deus opera todas as coisas de acordo com o conselho da Sua vontade. que nega peremptoriamente a existência de um ser divino. que duvida da capacidade da mente humana de determinar se há ou não há um Deus. 4. e a sua culminação inicial na Pessoa e Obra de Cristo ergue-se grande clareza nas páginas do Novo testamento. O Cristão aceita a verdade da existência de Deus pela fé. 3. embora verdade da existência de Deus seja aceita pela fé. alguma idéia ou ideal. Estes freqüentemente caminham de mãos dadas.saber. mas significa. na revelação de Deus na natureza. e revela a gradativa realização do Seu grandioso propósito de redenção.

O fato de que temos uma idéia de Deus ainda não prova a Sua existência objetiva. B. O universo material aparece como sistema interativo e. Mas é evidente que não podemos tirar uma conclusão quanto à existência real partindo de um pensamento abstrato. e outros. A abordagem a posteriori. e que. portanto. Este argumento tem aparecido em diversas formas. por exemplo.na idéia desse ser. Em geral se apresenta como segue: Cada coisa existente no mundo tem que ter uma causa adequada. Anselmo considerava a negação da existência de DEUS totalmente impossível. a abordagem a posteriori que oferece evidências extraídas do mundo. Samuel Clark. Alguns idealistas modernos sugeriram que ele poderia ser proposto de forma um tanto diferente. isto é. se tudo que existe tem uma causa adequada. e Kant assinalou que. Em virtude podemos dizer: “Tenho idéia de Deus: portanto. O argumento cosmológico focaliza a causa. em geral. e. Em segundo lugar. O Argumento cosmológico. tenho experiência de Deus”. insustentável este argumento. Foi apresentado em sua mais perfeita forma por Anselmo. sendo assim. Descartes. um ser absolutamente perfeito tem que existir. portanto. que a existência é atributo de perfeição. Este argumenta que o homem tem a idéia de um ser absolutamente perfeito. uma causa indefinidamente grande. isto se aplica também a Deus. do universo observável e empírico. Hume questionou a própria lei de causa e efeito.a mentalidade popular parece gostar mais da abordagem a posteriori. mas os argumentos cosmológicos e teleológicos requerem um exame cuidadoso. o universo também tem que ter uma causa adequada. somos suposição de que o cosmo teve uma cauda única. Contudo. O ARGUMENTO ONTOLÓGICO. ao passo que o teleológico ressalta o designo do universo.Esta abordagem é a base do famoso argumento ontológico (estudo do ser ) A. assim. e. mas Hegel o aclamou como um grande argumento em favor da existência de Deus. Este argumento foi apresentado em várias formas por Anselmo. O argumento ontológico pode ser feito sem nunca apelar aos sentidos. o argumento não produz convicção. este argumento pressupõe tacitamente como já existente na mente humana o próprio conhecimento da existência de Deus que teria que derivar de uma demonstração lógica. Kant declarou. portanto. com ênfase. A abordagem a priori. Esta dificuldade levou a uma construção ligeiramente diversa do argumento como. uma causa pessoal e absoluta.Bowne fez. não prova a existência de Deus. como a que Hocking chamou “O registro da experiência”. como 28 . Além disto. a que B.P.

doutrina ou estudo). Ou seja. Este argumento afirma que todo o universo uma ordem. Alguns argumentam baseados na desigualdade muitas vezes observada entre a conduta moral dos homens e a prosperidade que eles gozam na vida presente.a aplicação real de meios para a concretização do fim proposto D. Esta pode ser uma das razões pelas quais este argumento é mais geralmente reconhecido do que qualquer outro. (RM1. É o argumento argumento em que é muito se apóia principalmente. Kant tomou seu ponto de partida no imperativo categórico. Isto mostraria então a existência de um ser inteligente que planejou tudo isto que os nossos olhos contemplam. 3. não torna obrigatória a crença em um Deus. 20). A teologia moderna também o usa amplamente. e acham que isso requer um ajustamento no futuro que. Declara este argumento que tudo o que existe no mundo tem uma causa. 2-a escolha de meios adequados para sua consecução. portanto. em sua tentativa de provar a existência de Deus. C. e sua busca do ideal moral exige e necessita da existência de um Deus que converta esse ideal em realidade. e deste deferiu a existência de alguém que. Daí deve haver um Agente Integrante que veicule a interação das várias partes ou constitua a base dinâmica da existência delas. uma inteligência. Esse argumento baseia nos desígnos de DEUS como o grande planejador de tudo. em especial na forma de que o reconhecimento que o homem tem do Sumo Bem e a sua busca de uma ideal moral exigem e necessitam a existência de um ser santo e justo. por sua vez. uma harmonia e um desígnio / objetivo. um designo pressupõe um designador. como legislador e juiz.uma unidade que consiste de várias partes. portanto essa causa seria Deus. sendo assim. Percebemos que todos os aspectos da vida e demonstram um designo extremamente completo. 29 . este também assumiu diferentes formas. Argumento teleológico. Deus. em um Criador ou em um Ser de infinitas perfeições. tem absoluto direito de dominar o homem. Diz este argumento que o reconhecimento pelo ser humano de um bem supremo. Como os outros argumentos. também o universo inteiro (o cosmos) deve ter uma causa.Esse vocábulo vem das palavras gregas “telos” fim e “logos” (razão. exige um árbitro justo. O ARGUMENTO MORAL. embora nem sempre com a mesma formulação. Em sua opinião. este superior a qualquer dos outros. e uma causa infinitamente grande. Por designo se pretende: 1-a seleção de um fim a ser alcançado.

Geralmente essa negação se baseia nos supostos limites da faculdade cognitiva humana. E se isto é verdade. Contudo. Uma definição lógica é impossível porque Deus não pode ser consubstanciado de forma sumária debaixo de algum gênero mais alto. Este conhecimento é a mais sagrada relação entre o homem e seu Deus. 2. serviço de adoração. sustenta-se que o homem pode obter um conhecimento de Deus perfeitamente adequado à realização do propósito divino na vida do homem. que a respeito de si própria. o nome de “agnósticos”. A posição fundamental é a de que a mente humana é incapaz de conhecer qualquer coisa que esteja além e por trás dos fenômenos naturais. Ao mesmo tempo. e de sua completa insignificância e sujeição ao Altíssimo e Santo Ser. Huxley foi o primeiro a aplicar àqueles que assumem esta posição. quer a respeito de algo que se acha fora dela. 3. portanto. Não podemos entender o Onipotente com perfeição. Ademais. mas apenas uma descrição parcial. Tal conhecimento é obviamente impossível numa criatura.conhecer não apenas alguns. Se o homem fosse deixado absolutamente nas trevas a respeito do Ser de Deus. Em regra. o verdadeiro conhecimento de Deus só pode ser adquirido graças à auto-revelação divina. ele próprio incluído. relação na qual o homem tem consciência da absoluta grandeza e majestade de Deus como o Ser Supremo. segue-se que a religião pressupõe o conhecimento de Deus no homem. A incompreensibilidade de DEUS ADEUS é incompreensível.conhecer a relação que esses atributos têm uns com os outros e com a substância a que pertencem. 4. A teologia reformada sustenta que Deus pode ser conhecido.conhecer a relação que o objeto conhecido tem com todos os demais objetos. de modo algum. temor de Deus. mas todos os atributos. piedade. A possibilidade de conhecer a Deus tem sido negada sobre diferentes bases. Compreender é: 1-conhecer a essência assim como os atributos de um objeto. é necessariamente ignorante quanto às coisas supersensoriais e divinas. BNegação da Cognoscibilidade de Deus. Não poderia haver reverência. e. não se pretende dizer que ele possa ser compreendido. e somente pelo homem que aceita isso com fé semelhante à de uma criança. Estes se acham inteiramente alinhados com os céticos dos séculos anteriores e da filosofia grega. A religião necessariamente pressupõe tal conhecimento. porém é conhecido: quanto se diz que DEUS pode ser conhecido. embora se apresente de diferentes formas. o homem não pode dar uma definição de Deus no sentido exato da palavra. e isto está completamente fora de questão. mas que ao homem é impossível Ter um exaustivo e perfeito conhecimento de Deus. Ter esse conhecimento de Deus seria equivalente a compreendê-lo.5. os 30 . ser-lhe-ia impossível assumir uma atitude religiosa.

(3) Todos os predicados de Deus são negativos e. As leis da percepção e do pensamento não são arbitrárias.agnósticos não gostam de ser rotulados de ateus. ao mesmo tempo. Em resumo. (4) Todo o nosso conhecimento é relativo ao sujeito que exerce o conhecimento. Mas. Além disso. mas o significado insinuado pela assertiva em foco parece consistir em que. e. espiritualidade e santidade são positivas. Diz Hamilton que o Absoluto e o Infinito só podem ser concebidos como uma negação imaginável. não pode Ter um exaustivo conhecimento dele. Sem tal correspondência. mesmo que exista. mas também todo verdadeiro conhecimento seria completamente impossível (1) O homem só tem conhecimento mediante analogia. não estão certos de terem algum genuíno conhecimento dele. também aprendemos por contraste. não só o conhecimento de Deus. No processo de conhecimento. que é infinito. uma vez que só conhecemos as coisas por intermédio dos nossos sentidos e faculdades. quanto à sua forma. mas somente como eles são em sua relação com os nossos sentidos e faculdades. (2) O homem realmente conhece somente aquilo que ele pode captar em sua inteireza. Diz-se que conhecemos os objetos de conhecimento. pode.faculdades. A ansiedade de Deus inclui a idéias positivas da Sua auto-existência e auto-suficiência. Mas isto não é verdade. em seu pensamento. embora seja verdade que aprendemos muita coisa por meio de analogia. Mas esta posição parte da duvidosa suposição de que um conhecimento parcial não pode ser um conhecimento real. portanto. não possa comunicar alguma idéia positiva. o que de fato significa que não podemos Ter deles absolutamente nenhuma concepção. ser muito real e perfeitamente adequado às nossas necessidades. negam de fato que possam Ter algum real conhecimento dele. não fornecem conhecimento real. suposição que. não devemos esquecer que o homem foi feito a imagem de Deus. contudo. em muitos casos. conquanto exaustivo. Conhecemos somente aquilo que tem alguma analogia com a nossa natureza ou com a nossa experiência. mas declaram que não sabem se Ele existe ou não e. invalidaria todo o nosso conhecimento. portanto não pode conhecê-lo. nós os torcemos e lhes damos colorido. idéias como amor. não como eles são objetivamente. Os escolásticos falavam da via negationis pela qual eles. na verdade. Num sentido. isto não significa que. Em muitos casos as diferenças são precisamente as coisas que chamam a nossa atenção. e que existem importantes analogias entre a natureza divina e a natureza do homem. nós os torcemos e lhes damos colorido. é 31 . esse conhecimento corresponde à realidade objetiva. Num sentido. No processo de conhecimento. Além disso. desde que eles não negam absolutamente a existência de um Deus. embora seja verdade que muito daquilo que nós atribuímos a Deus é negativo. e. não as conhecemos como elas são. mas correspondem à natureza das coisas. eliminavam de Deus as imperfeições da criatura. a posição é a de que o homem não pode compreender a Deus. na medida em que temos algum real conhecimento das coisas. Mas. O nosso conhecimento de Deus. é perfeitamente certo que todo o nosso conhecimento é subjetivamente condicionado. desde que este é sempre incompleto.

32 . Mas isto não é verdade. uma vez que só conhecemos as coisas por intermédio dos nossos sentidos e faculdades. Avaliação final. não só o conhecimento de Deus. jamais ultrapassará um conhecimento parcial. e que embora seja parcial é o suficiente para nos levar a glorificar a DEUS. mas correspondem à natureza das coisas. esse conhecimento corresponde à realidade objetiva. mas também todo verdadeiro conhecimento seria completamente impossível. não as conhecemos como elas são. Sem tal correspondência.concluímos que o conhecimento que temos de DEUS. As leis da percepção e do pensamento não são arbitrárias. na medida em que temos algum real conhecimento das coisas. mas o significado insinuado pela assertiva em foco parece consistir em que.perfeitamente certo que todo o nosso conhecimento é subjetivamente condicionado.

Tampouco devemos considerá-los como alguma coisa acrescentada ao Ser de Deus. com através do uso de catecismos. e também contra um falso conceito da sua relação mútua. Eles são vitalmente importantes para nós. Quando falamos dos atributos de Deus. louco. penoso. Não devemos considerar os atributos como outras tantas partes que entram na composição de Deus. Primeiro não devemos representar DEUS como um 33 . há dois extremos a evitar.A. noutras palavras. mas somente o que Ele é em relação às Suas criaturas. Atributos são características pessoais – tais como cor dos olhos. Os atributos de Deus são sua unidade. e todos os adultos também deveriam conhecê-los. e coisas semelhantes. São eles qualidades essenciais de Deus. Os atributos são reais determinativos do Ser Divino ou. “Conhecer a Deus é crucialmente importante para nossa vida. pois. de Deus. cada um deles revela-nos algum aspecto do Ser de Deus. bondade e todas as outras palavras que são usadas na Escritura para nos dizer quem ele é. nas profundezas do Seu Ser. Naturalmente devemos resguardar-nos contra o perigo de separar a essência divina dos atributos ou perfeições divinas. como também seria um erro conceber os atributos como características aditivas e acidentais do Ser Divino. graça. Estas qualidades não podem ser alteradas sem alterar o Ser essencial de Deus. estamos descrevendo ele. Por meio desses atributos. E desde que são qualidades essenciais. ao contrário dos homens. portanto. conhecemos quem e o que ele é. mas hoje poucos cristãos têm escutado pregações e lido livros sobre a doutrina do caráter divino. sua glória e as coisas que ele revelou de si mesmo em sua Palavra. Deus não é composto de diversas partes. e viver nele algo de decepcionante e desagradável. A tentar explicar a relação dos atributos de DEUS com sua essência e uns com os outros. Tomás de Aquino tinha o um propósito em mente quando afirmava que os atributos não revelam o que Deus é em Si mesmo. Da simplicidade de Deus segue-se que Deus e Seus atributos são um. qualidades inerentes ao Ser de DEUS. soberania. OS ATRIBUTOS DE DEUS Houve um tempo em que o tema dos atributos de Deus era considerados tão importantes que eram ensinados na igreja para crianças. Seria um erro conceber a essência de Deus como existente por Si própria e anterior aos atributos. Nunca devemos pensar que os atributos de Deus são apenas uma questão de debate e discussão teológica. tipo de personalidade. espiritualidade. inerentes ao Seu próprio Ser e com Ele coexistentes. Para aqueles que não conhecem a Deus o mundo é um lugar estranho.

e. 34 . Os primeiros são aqueles aos quais nada análogo existe na criatura. É usada para atribuir sentimentos humanos a qualquer coisa não-humana.JS4. como poder.13). Outros distinguem entre atributos absolutos e relativos.etc. etc. esta distinção não achou nenhum favor da parte dos luteranos. ÊX24.8. considerada em relação à Sua criação. que se constitui de diferentes elementos: E. como ansiedade.. imensidade. boca (NM12. simplicidade. o que equivale negar ele todos.21. não devemos confundir os atributos. A distinção mais comum é entre atributos incomunicáveis e comunicáveis. DIVISÕES DOS ATRIBUTOS DE DEUS Os atributos de Deus têm sido classificados de diferentes formas. aqueles com os quais as propriedades do espírito humano têm alguma analogia. pertencem à natureza constitutiva de Deus. os últimos. Os primeiros. simplicidade. (GN3. para relacioná-los entre si e para facilitar a memorização. mas sempre foi popular nos círculos calvinistas. imensidade e eternidade. Esta divisão parece partir do pressuposto de que podemos ter algum conhecimento de Deus como Ele é em si mesmo.30). portanto.JR7. Os primeiros pertencem à essência de Deus.veja textos onde DEUS é apresentado com emoções humana.10) mãos (ÊX24.ser composto. B. de maneira distinta de Sua vontade. Antes de começar a falar sobre os atributos de DEUS veremos o que significa o termo antropopatismo e antropomorfismo: porque tudo o que atribuímos a DEUS.8. santidade. Uns falam de atributos naturais e atributos morais. como na verdade. ou a idéia de que DEUS tem alguma espécie de formato.EF4. misericórdia.. ao passo que os últimos pertencem à essência divina. falando com propriedade. etc. segundo. atributos como onipresença e onisciência. Ele é descrito com pés. justiça.11. similar á anatomia humana. são tão verdadeiramente naturais (isto é. Mas não é assim. Que é atribuição de qualidade humana ao ser divino. como autoexistência. É bom lembrar que os atributos encontrados em DEUS são visto de forma antropopáticas e antropomórficas. a outra. retidão. A primeira classe inclui atributos como auto-existência.6.8. bondade.5-6. indicando o que Ele é em relação ao mundo.11.2.ZC1.. assim chamados. inteiramente à parte das relações que mantém com as Suas criaturas. infinidade. considerada em si mesma. 2Antropopatismo: Esse termo vem do grego “anthropos” que significa “homem” e “pathein” que significa” sofrer. todas as perfeições de Deus são relativas. misericórdia. fazendo todos eles significar a mesma coisa. qualificam-no como um Ser moral.24). é dito de acordo à nossa capacidade. bondade. Os últimos. etc.(GN6. originais) em Deus como os demais. A objeção a essa classificação é que os atributos morais. 1Antropomorfismo: Este termo vem da palavra grega “anthropomorfos” que significa” de forma humana”.

Se Spinoza concebe o Absoluto como único Ser Auto-subsistente. se o Absoluto da filosofia pode ser identificado com o Deus da teologia. Bradley não consegue conceber o Deus da religião senão como um Deus finito. De fato. falar de Deus como o Ser absoluto. de novo achamos impossível segui-lo na consideração deste Absoluto como Deus. assim. e que não pode existir nenhuma relação prática entre ele e a vontade finita. E quando Bradley declara que o seu Absoluto não se relaciona com nada. Enquanto os atributos incomunicáveis salientam o Ser Absoluto de Deus. ou livre de todas as diferenças ou distinções fenomenológicas. porém. significa livre quanto à condição. indicando procedência) e solvere (soltar) e. depende do conceito que se tenha do Absoluto. do qual todas as coisas particulares são apenas modos transitórios. não podemos compartir sua idéia de que este Absoluto é Deus. ou livre de limitação ou restrição. e. ou como o único Ser auto-existente.A resposta à questão. de todas as imperfeições (o perfeito). mas ao mesmo tempo pode entrar livremente em várias relações com Sua criação como um todo e com Suas criaturas. como totalidade de todas as coisas. ou como o fundamento último de toda realidade. Os Atributos Incomunicáveis (Deus como o Ser Absoluto) É muito comum. concordamos com ele que o seu Absoluto não pode ser o Deus da religião cristã. aparência e realidade (o Real. pois este Deus entra em relação com criaturas finitas. ser e atributos. composto de ab (preposição de. uma vez que o teísta fala também de Deus como o fundamento último de toda existência. de sorte que o Absoluto foi considerado como aquilo que é livre de todas as condições (ou Incondicionado ou Auto-existente). que inclui todas as relações. e em que todas as discordâncias do presente se resolvem em perfeita unidade.C. Mas quando o Absoluto é definido como a Causa Primeira de todas as coisas existentes. Quando Hegel vê o Absoluto como a unidade do pensamento e do ser. às vezes se pensa que o Absoluto da filosofia e o Deus do teísmo são um só e o mesmo Ser. o termo “absoluto” é mais característico da filosofia que da teologia. pode ser considerado idêntico ao Deus da teologia. a concepção usual do Absoluto impossibilita igualá-la ao Deus da Bíblia e da teologia cristã. No presente capítulo serão consideradas as Seguintes perfeições de Deus: 35 . sujeito e objeto. de todas as relações (o Irrelacionado). Na metafísica a expressão “o Absoluto” é um designativo do fundamento último de toda a existência. na teologia. O termo “Absoluto” é derivado do termo latino absoluto. a Realidade última). Quando Hegel vê o Absoluto é Deus. Não necessariamente. como matéria e espírito. Ele é autosuficiente. identificando assim Deus e o mundo. os atributos comunicáveis acentuam o fato de que ele entra em várias relações com as Suas criaturas. Ao mesmo tempo. Esta idéia fundamental foi formulada da vários modos.

11. 36 . Sl 94. Rm 9.25. é testemunho da independência de Deus. longe está de ser auto-existente. Mas. Ele não só é independente. que existe pela necessitado do Seu próprio Ser e. 4. mas não se pode considerar exata esta expressão. também concedeu ao Filho Ter vida em si mesmo”. At 7. mas isto só pode significar que a criatura.5.. em sua vontade.26. Sl 33. Quando se concebe o Absoluto como a base ultima e auto-existente. “Porque assim como o pai tem vida em si mesmo. e assim por diante. Rm 11. mas os teólogos reformados em geral o substituíram pela palavra indenpendentia (independência). decretos.. e em Seu conselho. A idéia da auto-existência de Deus era geralmente expressa pelo termo aseitas (asseidade). e nas afirmações que implicam que Ele é independente em Seu pensamento. O fato de que Deus existia na eternidade passada (do ponto de vista humano).35. Sl 115.18s. Pode-se dizer que há um tênue vestígio desta perfeição na criatura. na declaração de que Ele é independente de todas as coisas e que todas as coisas só existem por meio dele. mas a criação é completamente sujeita a sua vontade. e tem a causa da sua existência fora dele próprio.distinto da criação.19. naturalmente. e totalmente realizado. Ap. como também faz tudo depender dele. expressando com ela não somente que Deus é independente em Seu Ser. O homem. Esta auto-existência de Deus acha expressão no nome Jeová.A. portanto. isto é. conquanto absolutamente dependente. 34. ele tem sem Si mesmo a base da Sua existência. EXISTENCIA AUTÔNOMA DE DEUS Deus é auto-existente.8s. Ele já tinha tudo que precisava no Seu próprio Ser Trino. Ef 1. não existe necessariamente. com relação ao Seu povo. necessariamente.33. Ele nãoprecisa da criação e Ele não a criaram porque Ele estava se sentindo solitário! Ele não precisava da criação para ter algo com que compartilhar o amor. Ele é auto-existente e não deriva Seu Ser de algo anterior. obras. tem sua existência própria e distinta.11. Este atributo de Deus é reconhecido geralmente. desde que Deus é o não acusado. Às vezes esta idéias é expressa dizendo-se que Ele é a causa sui (a Sua própria causa). e está implícito nas religiões pagãs e no Absoluto da filosofia. Is 40. Dn 4. Encontram-se indicações adicionais disso na afirmação presente em Jo 5. em Seu poder. mas também que é independente em tudo mais: em Suas virtudes. Ele não é condicionado pela criação.3. significando auto-originado. É somente como o Ser auto-existente e independente que Deus pode dar a certeza de que permanecerá eternamente o mesmo. por outro lado.

B. A ETERNIDADE DE DEUS

A infinitude de DEUS, relativamente ao espaço, é sua imensidão ou onipresença; relativamente á duração, é sua eternidade. DEUS é contraposto á decadência de tudo que é terreno, pois é a fonte de toda vida. Como ele é insento de todas as limitações do espaço, assim ele é exaltado acima de todas as limitações do tempo. Como ele não está em um lugar, mas que o outro, mas está igualmente em toda parte, assim ele não existe por um período de duração mais que em outro. Para ele não há distinção alguma entre o presente, o passado e o futuro; mas todas as coisas estão igual e perenemente presentes para ele. Este é o conceito popular que a escritura mantém sobre a eternidade de DEUS. (SL. 90.2,4; 102.25-27; IS57. 15; 46.6; 2PE3. 8; HB13. 8; AP.1.4). O que nestas passagens e outras semelhantes ensinam é, antes de tudo, que DEUS é sem princípios de anos ou fim dias. De eternidade a eternidade - isso significa propriamente: desde o passado inconcebível até o futuro mais distante ele existe, sempre existiu e sempre existirá; e, em segundo lugar, para ele não há passado nem futuro; o passado e o futuro estão sempre e igualmente presentes.

C. IMUTABILIDADE DE DEUS O Deus Imutável

INTRODUÇÃO O século XX assistiu ao nascimento de uma teologia conhecida como “Teologia do Processo”. Ela afirmava que Deus, ao se relacionar com sua criação, encontra-se em processo de mutação, aperfeiçoando seu caráter à medida que se envolve com suas criaturas. Para tal teologia, um deus verdadeiramente relacional que interage com pessoas dentro do tempo e do espaço, necessariamente irá se desenvolver enquanto ser, assim como as pessoas amadurece e muda no contato umas com as outras. Esse era o deus mutável da “Teologia do Processo”. Em anos mais recentes, na década de 80, Clark Pinnock, escreveu um artigo intitulado “God limits his knowledge” *Deus limita seu conhecimento], dando início àquilo que se difundiu sorrateiramente dentro da teologia evangélica, conhecido como “Open Theism”, em português “Teísmo Aberto”. O Teísmo Aberto não atacou diretamente a imutabilidade de Deus, e sim, a sua onisciência. Todavia, como conseqüência de tal redefinição do conhecimento de Deus, isso, conseqüentemente, afetou verdades das Escrituras que se relacionam

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intimamente com a imutabilidade do caráter dEle. Já que Deus não pode conhecer o futuro, apenas a realidade passada e presente, logo, a cada ação humana, Ele adapta seus planos. Isto é, o plano de Deus para a humanidade está em constante mutação, dependendo do modo como suas criaturas agem e reagem. O teísmo aberto tem penetrado na igreja evangélica brasileira com outro nome, “Teologia Relacional”. O rótulo mudou, mas a essência da praga é a mesma. Com isso, é urgente nos voltarmos para as Escrituras e compreendermos o que elas afirmam acerca do caráter imutável de Deus e, também, de seus planos, propósitos e ações que são coerentes com o Seu ser. DEUS É IMUTÁVEL EM SEU SER E EXISTÊNCIA Como bem declarou Arthur W. Pink: [A imutabilidade] é uma das excelências que distinguem o Criador das criaturas. Deus é o mesmo perpetuamente, não está sujeito à mudança alguma no seu ser, atributos ou determinações. Por tal atributo, Deus é comparado a uma rocha (Dt 32.4) que permanece imóvel quando o oceano que a rodeia flutua continuamente. Ainda que todas as criaturas estejam sujeitas à mudança, Deus é imutável. Ele não conhece mudança alguma, porque não tem início nem fim, Deus é desde sempre. Em primeiro lugar, Deus é imutável em sua essência. Sua natureza e ser são infinitos, portanto, não está sujeito a mudança alguma. Nunca houve um tempo em que ele não existisse; nunca haverá um dia em que Ele deixe de existir. Deus nunca evoluiu, cresceu ou melhorou. O que é hoje tem sido sempre e sempre será. “Eu, o SENHOR, não mudo” (Ml 3.6). A Bíblia não se cansa de nos lembrar que Deus é sempre o mesmo. Deus não pode melhorar, nem piorar. É exatamente por ser perfeito que necessariamente é imutável. Ele não amadurece em seu Ser nem se desenvolve. Depois de mostrar aos irmãos de comunidades judaicas dispersas pelo império romano, que Deus não tenta a ninguém com o mal nem pode ser tentado, Tiago faz uma afirmação acerca do caráter bondoso imutável de Deus: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, que não muda como sombras inconstantes” (Tg 1.17). O autor da carta apóia sua confiança de que Deus de modo algum pode estar envolvido com o mal, exatamente pelo caráter bom e imutável dEle. Se Deus é bom e imutável, logo não pode praticar o mal nem ser atraído por este, pois se o fizesse, deixaria de ser bom ou precisaria ser imutavelmente mau. Deus não passou a ser bondoso, nem deixará de o ser, Ele é Bom porque é Imutável. A mesma verdade acerca da imutabilidade de Deus levou o profeta Malaquias a explicar aos seus contemporâneos o único motivo pelo qual ainda não haviam sido destruídos. O povo vinha quebrando a lei de Deus constantemente: casamento com mulheres que não faziam parte do povo da aliança, animais imperfeitos eram

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oferecidos para sacrificar, sacerdotes negligentes, infidelidade matrimonial, tudo isso provocava a ira justa de Deus contra a nação de Judá. Então, por que Deus não aniquilou aquele povo sempre rebelde (Ml 3.7)? Porque “Eu, o SENHOR, não mudo. Por isso vocês, descendentes de Jacó, não foram destruídos”. Deus havia feito uma aliança com Abraão, Isaque e Jacó, os patriarcas do povo de Israel, que é constantemente reafirmada no livro de Gênesis (Ex.: Gn 12; 15; 17; 22; 26; 28). Ele abençoaria aquela nação, cuidaria dela e a multiplicaria. O que implicava no fato de que jamais o povo de Israel fosse destruído. Por isso, Deus afirma que eles são “descendentes de Jacó”. Como Deus não muda em Sua fidelidade, sempre cumpre o que promete a nação de Judá não havia sido destruída. Deus não muda em seu caráter, é sempre Fiel. Além de não mudar em seu Ser ou em seus atributos, Deus, também, não muda em sua existência. Ou seja, Deus nunca passou a ser, Ele sempre é. “Eles perecerão, mas tu permanecerás; envelhecerão como vestimentas. Como roupas tu os trocarás e serão jogados fora. Mas tu permaneces o mesmo, e os teus dias jamais terão fim” (Sl 102.26, 27). Deus não surgiu nem foi criado, Ele sempre existiu, existe e existirá. Ele não experimenta a velhice, sua vida não diminui nem aumenta, “de eternidade a eternidade tu és Deus” (Sl 90.2). Isso nos dá a garantia de que o mesmo Deus que não muda em nada do que é, também não deixará de existir, por isso, cumprirá todas as Suas promessas e podemos dormir tranqüilos, sem nos preocupar se amanhã Ele estará vivo para manter a ordem do Universo e a nossa existência (At 17.28, 29; Hb 1.3). DEUS É IMUTÁVEL EM SEUS PLANOS E PROPÓSITOS O desdobramento do Deus que é imutável em seu Ser é que, conseqüentemente, também é imutável em seus planos e obras. “O que Deus faz no tempo, planejou desde a eternidade. E o que planejou na eternidade, leva a cabo no tempo”. Deus não muda em seu modo de pensar nem no que projetou para cumprir na história. “Mas os planos do SENHOR permanecem para sempre, os propósitos do seu coração, por todas as gerações” (Sl 33.11). Jó reconheceu isso de modo sublime: “Sei que podes fazer todas as coisas; nenhum dos teus planos pode ser frustrado”(Jó 42.2). Nisso Deus difere completamente de nós, seres humanos: Há duas causas que fazem o homem mudar de opinião e inverter seus planos: a falta de previsão para antecipar-se aos acontecimentos e a falta de poder para cumpri-los. Mas, tendo admitido que Deus é onisciente e onipotente, nunca precisa corrigir seus decretos … é por isso que lemos acerca da “natureza imutável do seu propósito” (Hb 6.17). É com base na imutabilidade do propósito de Deus que o autor de Hebreus motiva seus leitores a confiarem nEle e em Sua promessa. É essa imutabilidade de propósito e caráter que produz esperança em nós e nos mantém firmes e perseverantes na fé porque Deus é Fiel para cumprir o que prometeu (Hb 6.11-20). O plano e as promessas

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Bom e Soberano de Deus. A convicção de que Ele é Fiel e sempre nos dará as condições necessárias para enfrentarmos nossas provações. hoje. nunca além do que podemos suportar. Deus é Soberano sobre tudo e nada altera Seu plano. dos que são chamados segundo o Seu propósito” (Rm 8.30). Por fim. nas tragédias da vida.19-20). Alguns crentes hoje em dia ignoram a justiça de Deus e transformam a graça dEle em libertinagem (Jd 4). e deixa de agir? Acaso promete. eu retribuirei … O Senhor julgará o Seu povo” (Dt 23. Isso rouba a esperança e tira a confiança de qualquer cristão na Soberania de Deus. deve nos motivar a proclamar o evangelho (“eu estarei com vocês.24). e deixa de cumprir? Recebi uma ordem para abençoar. este sistema dirá que Deus não sabia que isso ocorreria e que não fazia parte do Seu plano. Acaso Ele fala.29. pois “bem sei que tudo podes. Como diria John Piper: Da menor 40 . Deus continua perdoando pecados daqueles que confessam suas falhas a Ele (1 Jo 1. Mas. A certeza de que estará conosco hoje. sabendo que Deus continua Justo e Amoroso em meio às adversidades da vida.35. Diante disso. como esteve com os primeiros discípulos.19-20). se Deus é sempre o mesmo.13). precisamos cultivar uma vida de temor e tremor perante Deus. cf. já que ele é imutavelmente “fogo consumidor” (Hb 12. Ele não abriu mão de Sua justiça. Diante de situações de profundo sofrimento. e não posso mudar isso” (Nm 23. a imutabilidade de Deus é um consolo imenso de que Ele não deixou de ser sábio e bondoso conosco. nem perdeu o controle da situação. nenhum dos teus planos podem ser frustrados”! Isso deve sempre consolar o nosso coração. o autor de Hebreus confirmou a mesma verdade para nós cristãos (Hb 10.6-7).9). Essa é uma verdade que o teísmo aberto tem atacado com suas falácias. uma espécie de neo-marcianismo evangélico. 36). Também. mantém-se sempre pronto a nos dar a Sua paz quando colocamos diante de Sua presença nossas preocupações e problemas (Fp 4. Ele abençoou.imutáveis de Deus impediram Balaão de amaldiçoar o povo escolhido de Deus: “Deus não é homem para que minta. Dt 4. nem deixou de disciplinar aqueles de Seu povo que o desobedecem. nem filho do homem para que se arrependa.29). até o fim dos tempos” . de como agiu na época do Antigo Testamento.Mt 28. nos anima a passar por elas de um modo que o agrade (1 Co 10. Acabam criando dois deuses diferentes. A IMUTABILIDADE DE DEUS E SUAS IMPLICAÇÕES PRÁTICAS A primeira implicação prática da imutabilidade de Deus para nós como cristãos é o conforto e o consolo de que as promessas dEle em Sua Palavra são reais não só para a época dos crentes do século I. como também. Acham que Deus age de forma diferente atualmente. já que elas não mudam. nenhuma negligência ou maldade humana. nada do que ocorre foge do plano Sábio. em que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Assim como Moisés declarou: “A mim pertence a vingança. nenhum desastre natural. para nós.

pois era do Seu eterno beneplácito enviar ao mundo o Filho do Seu amor. como se arrependendo e mudando de intenção. nem em Suas promessas. É hábito na teologia falar-se de Deus como actus Purus. Sl 102. A encarnação não produziu mudança no Ser e nas perfeições de Deus. Na realidade. e da alteração que faz de sua relação com pecadores quando estes se arrependem. feliz e triste. A imutabilidade de Deus é necessariamente concomitante com a Sua asseidade. Seu conhecimento e Seus planos. e no Espírito Santo fez morada na Igreja? Não é Ele apresentado como revelando-se e ocultando-se. Sl 18. Rm 1. encarnou-se em Cristo. em Seus propósitos. Ele é exaltado acima de tudo quanto há. em Seus motivos de ação.12. nem em Seu propósito. Jn 3. mas não houve mudança nele quando esse propósito foi levado a efeito por um único ato de Sua vontade. Não é certo que Aquele que habita a eternidade passou à criação do mundo. e como procedendo diferentemente com o homem antes e depois da sua conversão? Cf.10).coisa à maior. Pv 11. Ao mesmo tempo. de Sua mudança de intenção. Mas em Deus.14. mas também em Suas perfeições.17. por assim dizer. pagão e cristão. 48. a perfeição absoluta.10-14. contra a noção panteísta de que Deus é um eterno vir-a-ser.4.. visto que qualquer mudança é para melhor ou para pior. vive sua vida com eles. e não um Ser absoluto. a mudança não é em Deus. Hb 1. A Bíblia nos ensina que Deus entra em multiformes relações com os homens e. 27. devemos lembrar-nos de que se trata apenas de um modo antropopático de falar. Is 41. 3. mas no homem e nas relações do homem com Deus. e é imune de todo acréscimo ou diminuição e de todo desenvolvimento ou decadência em Seu Ser e em Suas perfeições. dor e prazer – Deus governa tudo por Seus sábios. Seu propósito de criar o mundo é eterno como Ele.22. como se não houvesse movimento em Deus. mas não há nenhuma mudança em Seu Ser. em Seus propósitos e em suas promessas.26. mudanças nas relações dos homens com Ele. Até a razão nos ensina que não é possível nenhuma mudança em Deus. A objeção aqui presente baseia-se até certo ponto em errônea compreensão. boa e má.11. Tg 1.10. Deus sempre em ação. Êx 32. de modo que Suas decisões dependem em grande medida das ações do homem.6. 12. melhoramento e deterioração são igualmente impossíveis. não somente em Seu Ser.20. Em virtude deste atributo. A imutabilidade de Deus é claramente ensinada em passagens da Escritura como Êx. há muitas passagens bíblicas que parecem atribuir mudança a Deus. Ml 3. Ele está cercado de mudanças.23. como vindo e indo. Seus princípios morais e Suas Volições permanecem sempre os mesmos. justos e bons propósitos (Is 46. mas em Seu conhecimento e em Sua vontade. e de que o Absoluto inconsciente vai-se desenvolvendo gradativamente rumo à personalidade 41 . A imutabilidade divina não deve ser entendida no sentido de imobilidade. É a perfeição pela qual não há mudança nele. 12. E se a Escritura fala do seu arrependimento. em Seus atributos.26-28. na verdade não em Seu Ser. É importante sustentar a doutrina da imutabilidade de Deus contra a doutrina pelagiana e arminiana de que Deus é sujeito a mudança.

Distinguimos três modos de presença no espaço. mas sim. da sabedoria infinita. e que Ele não fica encerrado no universo. negamos que haja ou que possa haver quaisquer limitações do Ser divino e dos Seus atributos. negando todas as limitações do espaço ao Ser Divino. como se uma parte do Seu Ser estivesse num lugar e outra parte noutro. e afirmando que Deus está acima do espaço e ocupa todas as partes deste com todo o Seu Ser. sendo. A infinidade de Deus também pode ser vista com referência ao espaço. então. Os corpos ocupam o espaço circunscritivamente. (ONIPRESENÇA) ONIPRESENÇA=TODA PRESENÇA Infinidade é a perfeição de Deus pela qual Ele é isento de toda e qualquer limitação. SUA IMENSIDADE. por este mundo caracterizado pela relação tempo-espaço. Não deve ser considerada num sentido quantitativo. denominada imensidade. contudo. está presente em todos os pontos do espaço com todo o Seu Ser. de falar de um Deus finito. As últimas palavras são acrescentadas para evitar a idéia de que Deus se difunde pelo espaço.7-10. A Infinidade de Deus. porque são limitados por ele. Sl 145.(b) potencialidade ilimitada”. Tampouco deve ser considerada como um conceito meramente negativo. Distinguimos vários aspectos da infinidade de Deus. Diz o dr. É uma realidade em Deus e só por Ele compreendida plenamente. outra ali. O poder infinito não é um quantum absoluto. C. pois Deus não tem corpo e. ela qualifica todos os atributos comunicáveis de Deus. e contra a tendência atual de alguns. a infinidade de Deus é simplesmente idêntica à perfeição do Seu divino Ser. uma santidade qualitativamente livre de toda limitação ou defeito. Orr: “Talvez possamos dizer que. A prova bíblica disto acha-se em Jó 11. embora seja perfeitamente verdadeiro que não podemos formar uma idéia positiva da infinidade. O mesmo se pode dizer do conhecimento infinito. portanto. Mt 5. comas quais Ele mantém relação. que se esforça e que se desenvolve gradativamente. uma parte aqui. mas qualitativo. Esta pode ser definida como a perfeição do Ser Divino pela qual Ele transcende todas as limitações espaciais e. nem exclui a coexistência das coisas finitas e derivadas. Isto implica que Ele não é limitado de maneira nenhuma pelo universo. os espíritos finitos ocupam 42 . não tem extensão espacial. Ela tem um lado negativo e um lado positivo. e não deve ser confundida com extensão ilimitada. Neste sentido da palavra.consciente no homem. antes que extensiva.48. como se Deus estivesse espalhado pelo universo todo. SUA PERFEIÇÃO ABSOLUTA. Isto não implica Sua identidade com a soma total das coisas existentes. Ao atribuí-la a Deus. em última análise a infinidade de Deus é: (a) interna e qualitativamente.3. ausência de toda limitação e defeito. do amor infinito e da justiça infinita. Esta é a infinidade do Ser Divino considerada em si mesma. A infinidade de Deus deve ser concebida como intensiva.

O primeiro salienta a Transcendência. por outro lado. os que restam considerar acentuam a Sua natureza pessoal. Jr 23. At 17. Is 66.27. os termos “imensidade” e “onipresença”. Deus é imanente em todas as Suas criaturas. porém. e na medida em que elas revelam Deus aos que têm olhos para ver. tão característico de grande parte do pensamento atual. Deus ocupa o espaço repetitivamente. A onipresença de Deus é revelada claramente na Escritura. Em certo sentido. D.7-10. devemos evitar. ao passo que “onipresença” denota que. portanto. e. 24. O céu e aterra não podem contê-lo. mas de modo nenhum é limitado a esta. como são aplicados a Deus. nem nos animais como habita no homem. 1 Rs 8. A questão se uma existência pessoal combina com as idéias do absoluto se há muito prendeu a atenção dos filósofos. 28. visto que não estão em toda parte. não obstante. consciente. não obstante está presente em cada parte da Sua criação. denotam a mesma coisa e.23. mas somente num dado e definido lugar. inteligente livre. Apesar do fato de que Deus é distinto do mundo e não pode ser identificado com ele. nem dos ímpios como nos piedosos. com a sua negação da transcendência de Deus e a sua suposição de que o Ser de Deus é realmente substância de todas as coisas. Ele preenche todas as partes do espaço com todo o Seu Ser. É nos atributos comunicáveis que Deus se posiciona como Ser moral. porque ele preenche todo o espaço.48. e. Não significa. A natureza da Sua permanência está em harmonia com a das Suas criaturas. não somente per potenciam. nem tampouco está mais presente numa parte que noutra. nem na Igreja como em Cristo. 49. Há uma infinda variedade nas maneiras pelas quais ele é imanente em Suas criaturas. não porém (com a essência e natureza do Seu Ser). e ainda é objeto de 43 . e o último. At 7. Todavia. o erro do panteísmo. OS ATRIBUTOS COMUNICÁVEIS DE DEUS (Deus como Espírito Pessoal) Se os atributos discutidos no capítulo anterior salientam o absoluto Ser de Deus. No que diz respeito à relação de Deus com o mundo. e age sobre o mundo à distância.27. como Ser pessoal no mais elevado sentido da palavra. e ao mesmo tempo Ele preenche ambos e é Deus acessível. Ele não habita na terra do mesmo modo como habita no céu. nem na criação inorgânica como na orgânica. em distinção de ambos estes modos. por um lado. há um ponto de diferença que deve ser observado cuidadosamente.1. Ele não está ausente de nenhuma parte do espaço.o espaço definidamente. o conceito deísta de que Deus está de fato de que Deus está de fato presente na criação (com o Seu poder). que ele está igualmente presente. a imanência de Deus. podem ser considerados sinônimos. “Imensidade” aponta para o fato de que Deus transcende todo o espaço e não está sujeito às suas limitações. e presente no mesmo sentido em todas as Suas criaturas. Sl 139. mas também per essentiam. na Sua criação inteira.

mas pode entrar em várias relações com as criaturas finitas. há uma tri personalidade em Deus. Atribuir-lhe personalidade seria limitá-lo a um modo de ser. personalidade perfeita só se acha em Deus. existe no efeito alguma coisa superior ao que quer que se ache na causa. o poder que originou também deve ser pessoal. e isto seria completamente impossível. Além disso. (3) A natureza moral e religiosa do homem também aponta para a personalidade de Deus. (2) O mundo em geral dá testemunho da personalidade de Deus. mas nada que seja finito pode expressar a sua natureza essencial. A Sua natureza Lhe impõe um senso de obrigação de fazer o que é reto. e de uma vontade todo-poderosa. como uma pessoa. Conseqüentemente. O homem não é um ser auto-existente e eterno. Ademais. e destruiria o seu caráter absoluto. a sua natureza 44 . tal absoluto ou realidade última é apenas um conceito abstrato e vazio. mais elevadas e mais ternas. Doutro modo. mas u ser finito. mas faz todas as coisas dependerem dele. desde que não se pode pensar em personalidade desvinculada de relações. a personalidade pode ser infinitamente mais perfeito. isto implica necessariamente a existência de um Legislador supremo. devemos ter em mente que. com princípio e fim. em sua argumentação. Ainda mais. ele não é necessária e completamente irrelacionado. Visto que o homem é um produto pessoal. e o que vemos no homem é apenas uma cópia finita do original. lógico e causal. sensibilidade e vontade. De fato. Na verdade. Em toda a sua estrutura e constituição ele revela os mais claros sinais de uma inteligência infinita. que podem ser denominados sentidos agnóstico.debate. A resposta depende em grande medida do sentido que se atribua à palavra “absoluto”. somos constrangidos a subir do mundo para o Criador do mundo como um Ser com inteligência. Além disso. isto é. e não viam que. e o universal mais elevado é a realidade última. Além disso. das emoções mais profundas. Quanto ao sentido agnóstico.Para provar a personalidade de Deus têm sido apresentadas provas naturais muito parecidas com as citadas em prol da existência de Deus. não se lhe pode atribuir personalidade. como também o espírito absoluto de Hegel. O conceito causal do Absoluto apresenta-o como o fundamento último de todas as coisas. Tal concepção do Absoluto não é incoerente com a idéia de personalidade. No Absoluto lógico o individual está subordinado ao universal. Na filosofia a palavra tem sido empregada em três sentidos diversos. em Deus. não pode ser identificada com um Absoluto que em sua própria essência é o irrelacionado. Pode expressar-se no finito e por ele. o Absoluto é o irrelacionado do qual nada se pode conhecer. da qual não se acha analogia alguma nos seres humanos. Deste modo é a substância absoluta de Spinoza. A causa pressuposta deve ser suficiente para explicar totalmente o efeito. Não depende de nada que lhe seja alheio. sem conteúdo nenhum. os filósofos sempre estiveram operando com a idéia de personalidade como concretizada no homem. uma vez que só se conhecem as coisas em suas relações. (1) A personalidade humana requer um Deus pessoal para sua explicação. E se não se pode conhecer nada dele.

O que mais se aproxima disso é a palavra dita por Jesus à mulher samaritana: “Deus é Espírito”. A presença de Deus. como o hebraico panim e o grego prosopon. Trata-se. se bem que há vocábulos. em quem podem confiar. embora devem ser interpretadas de modo que não militem contra a pura espiritualidade e santidade de Deus. ao menos. assim chamadas. confiança na vida e na morte. que chegam bem perto de expressar a idéia. a mais alta revelação de Deus de que a Bíblia dá testemunho é uma revelação pessoal. E devido a esta clara declaração. A espiritualidade de Deus inclui o pensamento de que todas as qualidades que pertencem à perfeita idéia de Espírito se acham nele: que Ele é um Ser autoconsciente e auto-determinante. de uma declaração que visa a dizer-nos numa única palavra o que Deus é. Mesmo as religiões panteístas. como descrita pelos escritores do Velho e do Novo Testamentos. E finalmente. muitas vezes testificam inconscientemente de crença num Deus pessoal. com atributos do como um Deus pessoal. Provas mais pormenorizadas aparecerão na discussão dos atributos comunicáveis. fé e obediência.24. é uma presença claramente pessoal. A. A ESPIRITUALIDADE DE DEUS O significado da palavra “ESPÍRITO” Bíblia não nos dá uma definição de Deus. conquanto todas estas considerações sejam verdadeiras e tenham valor como testemunha. Jesus Cristo revela o Pai de maneira tão perfeita que pôde dizer a Filipe: “Quem me vê a mim.9. Jo 14. E as representações antropomórficas e antropopáticas de Deus na Escritura. é simplesmente próprio discutir primeiro a espiritualidade de Deus. e todos os elementos e atividades da religião requerem um Deus pessoal como seu objeto e fim último. Pelo ensino da espiritualidade de Deus. Ela busca prova na revelação que Deus faz de Si na Escritura. a Escritura atesta a personalidade de Deus de diversas maneiras. que os sustenta nas suas provações. vê o Pai”. é uma. com quem os homens têm capacidade e permissão de conversar. não são as provas de que a teologia depende em sua doutrina da personalidade de Deus. não tem sentido. e sem composição nem extensão. Ao mesmo tempo. só podem justificar-se com o pressuposto de que o Ser a quem se aplicam é uma pessoa real. 45 . O Senhor não diz meramente que Deus é um espírito. O fato é que coisas como penitência.Mas. a menos que encontrem seu objeto apropriado num Deus Pessoal. e que este Ser substancial é imaterial. comunhão e amor. e enche os seus corações da alegria da libertação e vitória. mas que Ele é Espírito. invisível. O termo “pessoa” não é aplicado a Deus na Bíblia. Jo 4. a teologia salienta o fato de que Deus tem um Ser substancial exclusivamente Seu e distinto do mundo. lealdade no servir e sacrifício.religiosa constantemente o incita a procurar comunhão pessoal com algum Ser superior.

18. Ao dizer. transcende o nosso conhecimento humano. os pés – a Sua presença.16. segundo aprendemos de nossa própria consciência. olhos e ouvidos. e como “o Rei dos reis e Senhor dos senhores. Amém”.17.5.20. que DEUS é ESPÍRITO. inteligente e voluntário. especialmente o fôlego. a boca – revelação da Sua vontade. portanto. aprendemos o que nosso Senhor pretendia dizer quando declarou que DEUS é ESPÍRITO. e não à Sua natureza invisível. O que significa a palavra espírito? Ao responder a esta pergunta. Ele nos ensina e nos conforta: Seus olhos – a Sua vigilância sobre nós.MT3. as narinas – aceitação das nossas orações. que habita em luz inacessível. Por Deus ser Espírito puro estas passagens deve ser tomadas num sentido figurado e simbólico.19. as entranhas – Sua compaixão. invisível” (1 Tm 1. braço e mão – Sua eficiência. Seus ouvidos – a Sua prontidão 46 . Também por elas. e de quem só podemos falar aos gaguejos.10 somente podem ensinar que Deus se manifestou a Jacó e a Moisés numa representação que adequava à mente. podemos afirmar que Ele não tem nenhuma das propriedades pertencentes à matéria.18. e que os sentidos corporais não O podem discernir.17). nem é capaz de ver. não há nele nenhuma composição de partes. imortal. ela nos revela que não se pode designar nenhum atributo material a essência divina. 15. Atribuindo espiritualidade a Deus. A ele honra e poder eterno. Nelas são manifestas as Suas perfeições ao homem: os olhos e os ouvidos – onisciência. Deuteronômio 34. 16). está falando antropomórfica ou figuradamente daquele que. a quem homem algum jamais viu. condena as fantasias de alguns antigos gnósticos e dos místicos que a Bíblia fala de mãos e pés.17. nosso Senhor nos autoriza a crer que tudo quanto é essencial á idéia de espírito. O olho – Sua sabedoria.JO12. a mão – a força do Seu poder. de longe.19.Desde que Ele é Espírito no sentido mais absoluto e mais puro da palavra. ao espírito ou à vista deles. segue-se necessariamente que ele é uma pessoa – um agente autoconsciente. as palavras ZEC (ruah) e pneuma significavam ar em movimento. à maneira dos homens. Gênesis 32. Portanto. a face – Seu favor. mas. Quando se fala que Deus aparece aos patriarcas e anda com eles. o coração – a sinceridade das Suas afeições. Se DEUS é espírito. refere-se a DEUS para determinar sua natureza. (1 Tim 6. tais passagens devem ser explicadas como se referindo às manifestações temporárias do próprio Deus em forma humana – manifestações que prefiguravam o tabernacular final do Filho de Deus em carne”. ao revelar-nos que DEUS é espírito. Paulo fala dele como o “Rei eterno. o único que possui imortalidade.2-6. ao fazê-lo. assim. porque a Bíblia atribui a Ele partes corporais? Estas devem ser consideradas como antropomórficas e simbólicas. A idéia de espiritualidade exclui necessariamente a atribuição de qualquer coisa semelhante à corporalidade a Deus e. TEOFANIA DE DEUS: A palavra “TEOFANIA” é composta de sois vocábulos gregos “THEÓS”(deus) e “PHAÌNEI” (aparecer) e significa aparição ou manifestação de DEUS (EX3. não que Ele tivesse um corpo (A H Strong). boca e narinas de Deus.28) Se “Deus é Espírito”.30. Originalmente. Estas representações aludem à Sua obra.

para aliviar os Seus e para destruir os inimigos. Salmos 34. 47 . Isaías 51.em ouvir as súplicas dos oprimidos.9.15. Seu braço – Seu poder.

13. 147. Funda-se no conhecimento infinito que Deus tem do Seu propósito eterno. 1.27. como. 48 . Is 29. sem nenhuma ação concomitante da vontade divina. totalmente abrangente e imutável. A. em vista do fato de que é pura e simplesmente um ato do intelecto divino.B. antes que demonstrativo ou discursivo.9. das coisas que existiram no passado. É chamado necessário porque não é determinado por uma ação da vontade divina. isto é. e não fragmentadas uma após a outra. em 1 Sm 2.3. 28. 40.4. Além disso. conhece-se a Si próprio e a todas as coisas possíveis e reais num só ato eterno e simples. a saber. como perfeito em Sua vida intelectual. Jó 12.Atributos Intelectuais. como o nosso. É inato e imediato. É um conhecimento caracterizado por perfeição absoluta. que existem no presente ou que existirão no futuro. é intuitivo. de modo que Ele vê as coisas de uma vez em sua totalidade. Em conexão com o conhecimento de Deus. Sl 94. é também simultâneo e não sucessivo. É arquetípico. Na Escritura Deus é apresentado como Luz e.15.ONICIÊNCIA=TODO SABER Pode-se definir o conhecimento de Deus como a perfeição de Deus pela qual Ele. Também é denominado scientia visionis. Faz-se distinção entre o conhecimento necessário e o livre conhecimento de Deus. vários pontos pedem consideração. de maneira inteiramente única. Sendo perfeito. e não resulta de observação ou de um processo de raciocínio. O CONHECIMENTO DE DEUS (ONICIÊNCIA). e muitas vezes não consegue ascender à clara luz da consciência. por exemplo. freqüentemente indistinto. O livre conhecimento de Deus é aquele que Ele tem de todas as coisas reais. o conhecimento e a sabedoria de Deus. portanto. Sua natureza. enquanto que o conhecimento do homem é sempre parcial. O conhecimento de Deus difere do dos homens nalguns pontos importantes. um conhecimento que repousa na consciência de Sua onipotência. e é chamado livre conhecimento porque é determinado por um ato concomitante da vontade. e esse conhecimento não é obtido de fora. Também é conhecido como conhecimento de simples inteligência. A Bíblia atesta abundantemente o conhecimento. O primeiro é o conhecimento que Deus tem de Si mesmo e de todas as coisas possíveis. é completo e plenamente consciente. Esta categoria compreende duas perfeições divinas. Como tal. o que significa que Ele conhece o universo como ele existe em Sua própria idéia anterior à sua existência como realidade finita no tempo e no espaço. conhecimento de vista.

Se DEUS ignorasse de que forma atuariam os agentes livres. A distinção entre conhecimento e presciência está somente em nós. A dificuldade deste problema levou alguns a negarem a presciência das ações livres e outros a negarem a liberdade humana. 94. passadas. 147. Sl 1. ela não nos deixa em dúvida quanto à liberdade do homem. JO14. Ele é perfeito em conhecimento.20.168. Ele conhece a essência oculta das coisas. Sl 37.23. 17-19. conhece o lugar da sua habitação. 45. É perfeitamente evidente que a Escritura ensina a presciência divina de eventos contingentes. EX3.9. o método comum de sanar a dificuldade de conciliar presciência com liberdade era representá-la como meramente subjetiva. Além disso. Para uma adequada avaliação desse atributo. e os dias da sua vida. e daqueles que. que não podemos resolver plenamente.16. Diversas passagens da Escritura ensinam claramente a onisciência de Deus. 1 Sm 16. Entre os objetos do divino conhecimento estão os atos livres dos homens. Ele conhece todas as coisas como realmente se dão.6.B. mas achamos difícil conceber um conhecimento prévio de ações que o homem origina livremente. conquanto seja possível aproximar-nos de uma solução. todas as coisas que poderiam ocorrer em certas circunstâncias são atuais para a Sua mente. GN18. mas também em sua abrangência.12.22. Deus decretou todas as coisas. Socino e todos quantos acreditam num Deus finito. mas para o coração. 119. mas penetra as profundezas do coração humano.30. só atribuem a Ele um conhecimento limitado.5-8. EZ11.6. 5. que só observava as manifestações externas da vida. Ele conhece o que é possível. É preciso defender esta doutrina do conhecimento de Deus contra todas as tendências panteístas de apresentar Deus como base inconsciente do mundo fenomenológico. SL139.7. 1-2. como conhece o que existe concretamente. não olha para a aparência exterior. É chamado onisciência. há uma questão que requer discussão especial. 1 Cr 28. O certo é que ela não permite a negação de nenhum dos dois termos do problema.9.5. porque é absolutamente compreensivo. Não existe tal diferença em DEUS.12. PRESCIÊNCIA DE DEUS Contudo. É nos levantado um problema aqui. Podemos entender como Deus pode Ter conhecimento prévio onde a necessidade domina. presentes e futuras. 20. portanto.18. Jó 37. como Marcion . 9. então seu conhecimento seria limitado e estaria constantemente aumentando. 17. Sl 33. C. Refere-se à presciência de Deus quanto às livres ações dos homens e. Ele não vê como vê o homem. Além disso. e as conhece em suas reais relações. e as decretou com as suas causas e condições na exata ordem em que ocorrem. o que é totalmente inconsciente com a verdadeira idéia de sua natureza. e a Sua presciência das 49 . em que o conhecimento do homem não pode penetrar. Segundo Agostinho. 25. O conhecimento de Deus não é perfeito somente em sua natureza. dos eventos condicionais. 5Mt 10. 19. Sua extensão.13. podemos particularizá-lo como segue: Deus se conhece a Si próprio e em Si próprio todas as coisas que dele provêm (conhecimento interno).

16. afinal de contas. Fp 2. mas a livre ação da criatura como simplesmente prevista. “porque supõem que Deus chega a esse conhecimento. O nome indica o fato de que ela ocupa o ponto intermediário entre o conhecimento necessário de Deus e o livre. nega implicitamente a onisciência de Deus. Orr: “Há uma solução para este problema. não temos base suficiente para dizer que é incoerente com a presciência divina. mas que são totalmente dependentes da vontade arbitrária do homem. Ademais. diz Dabney. assim. a liberdade de ação no sentido pelagiano e uma certa presciência dessa ação. dificilmente pode ser objeto do pré-conhecimento divino. 50 . Ao invés disso é uma coisa arraigada em nossa natureza. Isto. Ações que de maneira nenhuma são determinadas por Deus. mas uma classe especial de coisas realmente futuras. pela Sua infinita compreensão da maneira pela qual a causa secundária e contingente atuará. e deste em que a sua base não é o eterno propósito de Deus. ligada aos nossos mais profundos instintos e emoções. luteranos e arminianos sugeriram a ciência media assim chamada. uma coisa solta no ar. Mas. se considerar a liberdade da vontade (arbitrariedade).coisas e também dos eventos contingentes apóia-se em Seu decreto. em parte. Isto soluciona o problema no que se refere à presciência de Deus. Provavelmente ela está. não em negar a liberdade. Chamam-lhe média. Em resumo. Diz o dr. porque torna o conhecimento divino dependente da escolha do homem. O homem verdadeiramente livre não é o homem incerto e imprevisível. Difere daquele em que seu objeto não é todas as coisas possíveis. a liberdade tem suas leis – leis espirituais – e a Mente onisciente sabe quais são. permanece um elemento de mistério”. Pois. Mas agora surge a questão: A predeterminação das coisas é coerente com o livre arbítrio do homem? E a resposta certamente é que não é. deve-se reconhecer. confiável. E que pode pender arbitrariamente numa ou noutra direção. Teólogos jesuítas.23. conhecendo o Seu propósito de efetua-la. mas não há base segura para esta concepção da liberdade do homem. Em toda ação racional há um porquê para agir – uma razão que decide a ação.11. mas o homem seguro. Ef 1. como solução do problema. E se concebemos a nossa liberdade humana como (autodeterminação racional). direta ou indiretamente. previstas ou produzidas por Deus”. embora as nossas mentes não consigam captá-la. porém. Também é contrária a passagens da Escritura como At 2. e determinada por nossas considerações intelectuais e por nosso próprio caráter. Rm 9. É uma tentativa de conciliar duas coisas que logicamente se excluem uma à outra. absolutamente. é objetável. virtualmente anula a certeza do conhecimento dos eventos futuros e.13. não diretamente. A vontade humana não é uma coisa inteiramente indeterminada. mas indiretamente. em dadas circunstâncias externas. mas numa concepção revista da liberdade. a saber. liberdade não é arbitrariedade. não é solução de problema.

5. e ‘amen. Quando se diz que Deus é a verdade. A Escritura se refere à sabedoria de Deus em muitas passagens.134. Ef 1.4. mas também em todos os campos da atividade científica.19. Smith define a sabedoria divina como “o atributo de Deus pelo qual Ele produz os melhores resultados possíveis com os melhores meios possíveis”. não somente na esfera moral e da religião.10. Hb 6. 97. Jr 10. que esses três sentidos são apenas diferentes aspectos da verdade. e escolhe os melhores meios para a consecução dos Seus propósitos. Sl 25.1-7.7. Ele é também a verdade num sentido ético e. 10. na providência.16.3. este fim último é a glória de Deus. 1 Co 2. e. A sabedoria de Deus é a Sua inteligência como manifestada na adaptação de meios e fins.16. Is 44.4.19. É devido a esta perfeição que Ele é a fonte de toda verdade.28. Deve-se ter em mente. A Escritura utiliza várias palavras para expressar a veracidade de Deus: no Velho testamento ‘emeth. Em vista do precedente. Nm 23. como tal.7. assim chamados. E.4-8. a verdade de Deus é o alicerce de todo conhecimento. Assim. Dt 32. Ela indica o fato de que Ele sempre busca os melhores fins possíveis.D. Vê-se esta sabedoria particularmente na criação. 31. Isto já indica o fato de que ela inclui diversas idéias. que é única em Deus. Implica um fim último ao qual todos os fins secundários estão subordinados. e na redenção. segundo a Escritura. ademais. esta deve ser entendida em seu sentido mais abrangente. como tal.7. Cl 1. Nm 23.6.9. 104. Ef 3.A SABEDORIA DE DEUS. podemos definir a veracidade ou verdade de Deus como a perfeição de Deus em virtude da qual Ele responde plenamente à idéia da Divindade. de modo que a Sua revelação é absolutamente confiável. Is 65.8. nulidades e mentiras. Rm 8. e vê as coisas como realmente são. revela-se como realmente é. como verdade. Primeiramente. Rm 3. Rm 11. 10. A VERACIDADE DE DEUS. conhece as coisas como realmente são. Jo 14.6. Êx 34. Pode-se considerar a sabedoria de Deus como um aspecto do Seu conhecimento. e pistis. mas também a realidade das coisas. Ele é a verdade num sentido metafísico. Finalmente. e constitui de tal modo a mente do homem que este pode conhecer não apenas a aparência. alethinos.6. Rm 11. 8.10. os quais são chamados ídolos. Sl 19. e no Novo Testamento alethes (aletheia). e fidelidade. 12. 11. 14.2.18. isto é. 17. Sl 33. A Escritura é muito enfática em suas referências a Deus como verdade.11.33. Ele é tudo que como Deus deveria ser e.18. 10. Sl 96. pois estão intimamente relacionados É evidente que conhecimento e sabedoria não são a mesma coisa. A sabedoria se manifesta na seleção de fins próprios e de meios próprios para a consecução desses fins. é perfeitamente confiável em sua revelação. B. ‘amunah. 1 51 . distingue-se de todos os deuses. H. Podemos ser um pouco mais específicos e chamarlhe a perfeição de Deus pela qual ele aplica o Seu conhecimento à consecução dos Seus fins de um modo que O glorifica o máximo.33. 115. Ele é também a verdade num sentido lógico e. Tt 1. Hb 6.11. fidedignidade. em virtude disto. e até a apresenta como personificada em Provérbios 8. nele a idéia da Divindade se concretiza perfeitamente.

para todas as Suas criaturas.9. em todos os aspectos e por todos os modos. A BONDADE DE DEUS. E não somente isso. Lc 18.21. mesmo quando estão profundamente cônscios do fato de que perderam o direito a todas as bênçãos de Deus. 10. a despeito de todos os seus fracassos. Ele é a fonte de todo bem. fluem para elas deste manancial inexaurível. é também bom para as Suas criaturas. É neste sentido que Jesus disse ao homem de posição: “Ninguém é bom senão um só. Todas as boas coisas que as criaturas fruem no presente e esperam no futuro. em virtude da qual Ele está sempre atento à Sua aliança e cumpre todas as promessas que fez ao Seu povo. Nm 23. Sl 36. 18. e um aspecto sempre considerado da maior importância. as perfeições morais de Deus refulgem com um esplendor todo seu. e assim é apresentada de várias maneiras na Bíblia toda. A bondade de DEUS. Ele é bom na acepção metafísica da palavra. Hb 6. mas Deus é também. (2) a santidade de Deus.18. naturalmente damos ênfase à bondade ética de Deus e a seus diferentes aspectos. como determinados pela natureza dos seus objetos. no sentido bíblico do termo. e a causa do seu regozijo. a misericórdia e a graça. é perfeição absoluta e felicidade perfeita em Si mesmo. Is 49. na tua luz vemos a luz”. ATRIBUTOS MORAIS DE DEUS Os atributos morais de Deus são geralmente considerados como as perfeições divinas mais gloriosas. que é Deus”. desde que Deus é bom em Si mesmo. o amor. 52 . 19. Sl 89. Dt 7. e (3) a justiça de Deus.9. 2 Tm 2.17. Não que um atributo de Deus seja em si mesmo mais perfeito e mais glorioso que outro. portanto. o fundamento da sua esperança. Não se deve confundir a bondade de Deus com Sua benevolência. e enche os seus corações de jubilosas antecipações. 1 Co 1.20. Falamos que uma coisa é boa quando ela corresponde em todas as suas partes ao ideal.19.23. Ela os salva do desespero ao qual a sua própria infidelidade facilmente os poderia levar. Daí. tudo aquilo que deve ser como Deus. 1. Geralmente são discutidos sob três títulos: (1) a bondade de Deus. Na presente conexão.13. que é um conceito mais restrito. Mc 10. É a base da sua confiança. inclui a benevolência. Há ainda outro aspecto desta perfeição divina. incluindo diversas variedades que se distinguem de acordo com os seus objetos. Esta fidelidade de Deus é de máxima significação prática para o povo de Deus. O poeta canta: “Pois em ti está o manancial da vida.33. mas.18. a idéia fundamental é que Ele é.Jo 5. B. corresponde perfeitamente ao ideal expresso pela palavra “Deus”. em nossa atribuição de bondade de Deus.7. Mas. embora em diferentes graus e na medida em que correspondem ao propósito da sua existência. Geralmente se lhe chama fidelidade. dá-lhes coragem para prosseguirem.9. e. o sumo bem. A bondade geralmente é tratada como uma concepção genérica. relativamente ao homem.

Suas virtudes. porém. desfrutam-na em medida mais rica e mais completa.21. Jo 3. Segundo a Escritura.26. Mt 5.6. 39. Gn 33. 47. At 14. 45. mesmo no pecador. A graça de Deus. 15. caso em que denota o favor de um homem a outro. Esta pode ser definida como a perfeição de Deus que O leva a tratar benévola e generosamente todas as Suas criaturas. Abres a tua mão e satisfazes de benevolência a todo vivente”. quando mostrado a pecadores. Jo 16. lhes dás o alimento. B.1. A Bíblia refere-se a esta bondade de Deus em muitas passagens. 1 Sm 1. 6.35.9.8. mas também pelos homens. que a graça é a concessão de bondade a alguém que não tem nenhum direito a ela. Seu amor não pode achar completa satisfação em nenhum objeto falto de perfeição absoluta. ou. Ele reconhece um portador da Sua imagem. para expressá-lo doutra forma. neles Ele se ama a Si mesmo. estes são até privados dele.44. com toda a plenitude da Sua graça e misericórdia. 1 Jo 3. Sua obra e Seus dons. C. visto que.16. Este benévolo interesse de Deus é revelado em Seu cuidado pelo bemestar da criatura e corresponde à natureza e às circunstâncias da criatura. É a estes que Ele se comunica no sentido mais rico e mais completo. Em ti esperam os olhos de todos. de acordo com a capacidade que os seus objetos têm de recebe-lo. Desde que Deus é absolutamente bom em Si mesmo. 16. e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras. A significativa palavra “graça” é uma tradução do termo hebraico chanan e do grego charis. Rt 2.2.18. A Bíblia geralmente emprega apalavra para indicar a imerecida bondade ou amor de 53 . Nestes casos não implica necessariamente que o favor é imerecido. 16. o Seu amor pode ser definido como a perfeição de Deus pela qual Ele é movido eternamente à Sua própria comunicação. e ainda se pode distinguir este amor de acordo com os objetos aos quais se limita. Seu amor ao ser humano é sempre imerecido e. apesar de que o pecado deste é uma abominação para Ele. Rm 5. desejo de usa-las no serviço do seu Deus e.22.27.. O amor de Deus. Em geral se pode dizer. E embora não se restrinja aos crentes. e tu. Quando a bondade de Deus é exercida para com as Suas criaturas racionais. É a afeição que o Criador sente para com as Suas criaturas dotadas de sensibilidade consciente como tais. Ao mesmo tempo. como Sl 36.45. Sl 145.. Lc 6. A bondade de Deus para com Suas criaturas em geral (benevolência). dado que os vê como Seus filhos espirituais em Cristo.8.25. 10. Em distinção da bondade de Deus em geral.A. 18. 104. Varia naturalmente em grau. Ele ama as Suas criaturas racionais por amor a Si mesmo. assume o caráter mais elevado de amor.4. Ele nem mesmo retira completamente o Seu amor do pecador em seu estado pecaminoso atual. O salmista a exalta com as bem conhecidas palavras: “O Senhor é bom para todos.17. a seu tempo. somente estes manifestam apropriada apreciação das bênçãos que dela provêm. Ele ama os crentes com amor especial. é manifestada não só por Deus. É este particularmente o caso em que a graça a que se faz referência é a graça de Deus. Mt 5. assim.

10. porém. Sl 57. que expressa uma terna e profunda compaixão. a doutrina da salvação pela graça tornou-se praticamente um “acorde perdido”. Lc 1.16. pela graça os pecadores recebem o dom de Deus em Jesus Cristo.9.9. At 14. necessitado de perdão.1.Deus aos que perderam o direito a ela e. Pela graça eles são justificados. Ef 2. Ef 2.2.11. 86. Tt 3. Esta misericórdia é generosa. 2 Ts 2.27. 1 Cr 16. Só foi conservada no sentido de “graciosidade”. conquanto a desfrutem em medida especial. Não significa. Dt 7. D. que se acha em lastimável condição.24. Tt 1. At18. necessita do socorro divino. como em Is 26.50. Jr 16.11. Rm 3. e até os que não O temem compartilham 54 . especialmente nas saudações. 2 Co 8.6. e mesmo a palavra “graça” foi esvaziada de toda significação espiritual e desapareceu dos discursos religiosos.16. Tt 2. Ed 3. A graça de Deus é a fonte de todas as bênçãos espirituais concedidas aos pecadores.24.3. Sl 145. Tt 2.34.7-9.16. Outro importante aspecto da bondade e amor de Deus é a Sua misericórdia ou terna compaixão.13. A palavra hebraica mais geralmente empregada para esta perfeição é chesed.9. 2 Cr 7.7.5. porém.5. com sua crença na bondade inerente do homem e em sua capacidade de bastar-se a si próprio. É pela graça que o caminho da redenção foi aberto para eles. 1 Tm 1.8. 2. 2 Tm 1. Vendo-se absolutamente sem méritos próprios ficam na total dependência da graça de Deus em Cristo. A Septuaginta e o Novo Testamento empregam a palavra grega eleos para designar a misericórdia de Deus. estão sob a sentença de condenação. Pode-se definir a misericórdia divina como a bondade ou amor de Deus demonstrado para com os que se acham na miséria ou na desgraça. e que.8. Sl 136. que tem pena dos que se acham na miséria e está sempre pronto a aliviar a sua desgraça.4-7. são enriquecidos de bênçãos espirituais. 4.9. As ternas misericórdias de Deus estão sobre todas as Suas obras. às vezes lindamente traduzida por “terna misericórdia”. portanto. independentemente dos seus méritos. Sl 86. coisa inteiramente externa. Embora a Bíblia fale muitas vezes da graça de Deus como graça salvadora. Repetidamente se nos diz que essa perfeição divina é demonstrada para com os que temem a Deus. Jo 1. A misericórdia de Deus. 2 Co 8. e de uma recém-despertada consciência da necessidade da graça divina. Dt 5. Se a graça de Deus vê o homem como culpado diante de Deus e. a misericórdia de Deus o vê como um ser que está suportando as conseqüências do pecado. e que a mensagem da redenção foi levada ao mundo. e finalmente herdam a salvação.7. Como tal. por natureza.11. e os poetas de Israel se dedicam em entoar canções descrevendo-a como duradoura e eterna.2. No modernismo teológico. a saber. portanto. também faz menção dela num sentido mais amplo. A graça de Deus é da maior significação prática para os pecadores.4. ex 20.10. Há outra palavra. Rm 3. Felizmente há algumas evidências de uma renovada ênfase ao pecado. 3. que se limita a eles. 6. lemos a seu respeito em Ef 1. No Novo Testamento é muitas vezes mencionada ao lado da graça de Deus.10. a palavra racham. Em Sua misericórdia Deus se revela um Deus compassivo.

Rm 2.6. “benignidade”. É o aspecto da bondade ou amor de Deus em virtude do qual Ele tolera os rebeldes e maus.14. 5.15.5. A Escritura fala da longanimidade de Deus em Êx 34. 36. Ele governa como Rei no sentido mais absoluto da palavra. o céu. Revela-se no adiantamento do merecido julgamento. Dois dos atributos requerem discussão sob este título. As provas bíblicas da soberania de Deus são abundantes. At 17. Ele está revestido de autoridade absoluta sobre as hostes celestiais e sobre os moradores da terra. No exercício deste atributo o pecador é visto como permanecendo em pecado. A longanimidade de Deus é ainda outro aspecto da Sua grande bondade ou amor.53. 95.2. 6. E. enquanto que o grego expressa a mesma idéia com a palavra makrothymia.6. é a palavra “paciência”.11.11. 1. 12.11. (1) a vontade soberana de Deus. Ela é exercida somente em harmonia com a mais estrita justiça de Deus. Outros termos empregados para expressar a misericórdia de Deus são “piedade”. a saber. as palavras hebraicas chaphets. 33. 135. ATRIBUTOS DA SOBERANIA DE DEUS (A ONIPOTÊNCIA DE DEUS) ONIPOTÊNCIA=TODO PODER A soberania de Deus recebe forte ênfase na Escritura. A.5. Ap 19. O hebraico emprega a expressão ‘erek ‘aph.28. Tudo é derivado dela: a criação e a preservação.35.10-12. 3. Sl 50. a saber. que significa literalmente “grande de rosto” e daí também “lento para a ira”.11. 2 Cr 20. o governo. Ele sustenta todas as coisas com a Sua onipotência. A longanimidade de Deus. Lc 1. 115. 47. 145. Ap 4. em vista dos méritos de Jesus Cristo. 7. Não se pode apresentar a misericórdia de Deus como oposta à Sua justiça.3-5. com uma conotação ligeiramente diversa. Ele é apresentado como o Criador. e todas as coisas dependem dele e Lhe são subservientes.19. e as palavras gregas boule e thelema. Em virtude de Sua obra criadora.6. e (2) o poder soberano de Deus. É apresentada como a causa final de todas as coisas. 32.11-13. Ex 18.3.15. 1 Cr 29. Ez 18. Jr 18. tsebhu e raston. A importância da vontade divina aparece de várias maneiras na Escritura. 55 . e determina os fins que elas estão destinadas a cumprir.24-26. A VONTADE SOBERANA DE DEUS. 1 Pe 3. “compaixão”. Sl 86. 17.delas. 2 Pe 3. Dt 10. aterra e tudo o que eles contêm Lhe pertencem. não obstante as admoestações e advertência que lhe vêm. Jr 27.6.1. A Bíblia emprega várias palavras para indicar a vontade de Deus. 8. A vontade de Deus em geral.23.20. a despeito da sua prolongada desobediência. Sl 22.6. Ne 9. Sl 135. Um termo sinônimo.4. mas aqui nos limitaremos a referir-nos a algumas das passagens mais significativas: Gn 14.6. Lc 6. Pv 21. e Sua vontade como a causa de todas as coisas.

como aconteceu com a distinção entre uma vontade de Deus antecedente e uma vontade conseqüente. etc. Ef 1. e com a distinção entre uma vontade absoluta e uma condicional. é a base do ser e da continuada existência delas. Estas distinções não somente estavam expostas a uma compreensão errônea.42. a regeneração. Mt 10. At 18. os sofrimentos dos crentes. a santificação. a eleição e a reprovação. A primeira é realizada sempre. o poder de determinar que o Eu siga um curso de ação ou formule um plano.35. 1 Pe 3. a tentativa de fundamentar tudo no próprio Ser de Deus geralmente redunda em panteísmo. dirige-se a Si mesmo como o Sumo Bem (isto é. A palavra “vontade”. justiça. A segunda é a regra de vida que Deus firmou para as Suas criaturas morais. Lc 22.15.Dn 4. a teologia cristã sempre reconheceu a vontade de Deus como a causa última de todas as coisas. At 2.18. 56 . 16. portanto. mas de fato foram interpretadas de maneiras passíveis de objeção. Com referência ao universo e a todas as criaturas que ele contém. B.23. (2) a faculdade de autodeterminação. ao passo que a segunda é desobedecida com freqüência. mas principalmente com o prazer de fazer algo ou com o desejo de ver alguma coisa feita. Pode denotar (1) toda a natureza moral de Deus. (2) A vontade de eudokia e a vontade de eurestia. Algumas destas encontraram pouco apoio da parte da teologia reformada. deleita-se em Si mesmo como tal) e as Suas criaturas por amor do Seu nome e. Tg 4. a onipotência). nem sempre tem a mesma conotação na Escritura. Todavia. Distinções aplicadas à vontade de Deus. quer permita que venha a ocorrer por meio da livre ação das Suas criaturas racionais. Fp 2. santidade.11. Esta divisão não se relaciona tanto com o propósito de fazer algo. embora a filosofia às vezes mostre uma inclinação para procurar uma causa mais profunda no próprio Ser do Absoluto. foram aceitas mais geralmente. assim. Estas podem ser asseveradas como segue: (1) A vontade decretatória de Deus e Sua vontade preceptiva. incluindo atributos como amor.29.21. isto naturalmente inclui a idéia de causação.17. num ato sumamente simples. o plano ou propósito predeterminado. Rm 9. Esta pode ser definida como a perfeição do Seu Ser pela qual Ele.15.13. ou seja. Rm 15. É primariamente na vontade de Deus como a faculdade de autodeterminação que estamos interessados no momento. Daí. indicando os deveres que lhes impõe. Outras. a vida e o destino do homem. Tg 1. no sentido em que é aplicada a Deus. e (5) a regra de vida firmada para as criaturas racionais. (4) o poder de executar este plano e de realizar este propósito (a vontade em ação. isto é. A primeira é a vontade de Deus pela qual ele projeta ou decreta tudo que virá a acontecer. porém. quer pretenda realizá-lo efetivamente (causativamente). Têm-se aplicado várias distinções à vontade de Deus. isto é. e até as menores coisas da vida. os sofrimentos de Cristo. calvinista. foram consideradas úteis e. (3) o produto desta atividade.32.

A distinção baseia-se em Dt 29. Is.21. tal como acontece com a vontade preceptiva (Is. contudo corresponde àquilo que será realizado com certeza. como a do preceito. portanto. A vontade revelada prescreve os deveres do homem e apresenta o modo pelo qual ele pode fruir as bênçãos de Deus.65:12). 57 . em grande medida oculta em Deus. no fato de que a vontade de eudokia.115:3. Vontade de Eurestia: Na qual Deus deleita-se com prazer ao vê-la cumprida por Suas criaturas.17. como a do decreto. Esta última é acessível a todos.34. 35. 19. e Sua vontade revelada. e não ao mal. Esta distinção é a mais comum. 12. Aquela de novo denota a vontade de Deus como incorporada em Seu conselho oculto. Dt 30. (3) A vontade do beneplacitum e a vontade do signum. (4) A vontade secreta de Deus e Sua vontade revelada.50.2.29. Esta vontade abrange aquilo que a Deus apraz que Suas criaturas façam. Vontade Preceptiva: Na qual Deus estabeleceu preceitos morais para reger a vida de Suas criaturas racionais.2:23.8:20).8.14.44:28. quer pretenda realizá-lo causativamente. abrange simplesmente o que Deus apraz que as Suas criaturas façam. Is. em Mt 7.11:26).2:17. quer permita que venha a ocorrer por meio da livre ação de suas criaturas (At. embora não se relacione com o propósito de fazer algo. 32. Jo 4.18. O beneplácito de Deus também acha expressão em Sua vontade preceptiva. Ef 1. A vontade de eudokia não se refere somente ao bem. Rm 10. compreende aquilo que será realizado com certeza. 9. enquanto que a vontade de eurestia. mas sim com o prazer de fazer algo. mas que pode ser desobedecido. A vontade decretória e a vontade preceptiva relacionam-se ao propósito em realizar algo. Esta distinção visa a corresponder à que se faz entre a vontade decretatória de Deus e Sua vontade preceptiva. Dn 4. Mt 11.IJo. 11. revelada na Lei e no Evangelho. corresponde à divisão anterior. É incorreto dizer que o elemento de complacência ou deleite está sempre presente nela. Rm 12. 7. Toda e qualquer vontade revelada torna-se um signum. e nela não está sempre presente o elemento de deleite (Mt. 34. e que. 11. 25.Contudo. Vontade Decretória: Pela qual Deus projeta ou decreta tudo o que virá a acontecer.46:9-11). A palavra eudokia só se refere ao bem.26.3. A vontade secreta de Deus pertence a todas as coisas que Ele quer efetuar ou permitir. Is. São absolutamente fixas. A primeira é a vontade do decreto de Deus. A vontade de eudokia e a vontade de eurestia relacionam-se ao prazer em realizar algo. cf. mas dificilmente se pode dizer que o faça.33.5. Esta vontade. Esta vontade pode ser desobedecida com freqüência (At. A vontade decretória é sempre obedecida.55:11). e a decretatória às vezes também chega ao nosso conhecimento por meio de um signum.17. enquanto que a segunda é a vontade do preceito. tal como acontece com a vontade decretória (Sl. Vontade de Eudokia: Na qual Deus deleita-se com prazer em realizar um fato e com desejo de ver alguma coisa feita. enquanto não o torna conhecido por alguma revelação ou pelo próprio evento. Rm 9. A vontade secreta de Deus é mencionada em Sl 115.Dt.13:22. e não está longe de nós.

Ele não está sob nenhuma compulsão.15. Ele necessariamente quer a Si próprio e quer a Sua natureza santa.Vontade de Beneplacitum: Também chamada Vontade Secreta. há também uma voluntas necessaria (vontade necessária) e uma voluntas libera (vontade livre) em Deus. contudo Sua vontade lhes controla as ações. e uma série de meios para realizar um fim. e os tempos. mas age de acordo com a lei do Seu Ser. divina. Ele traça as veredas de todas as Suas criaturas racionais. procurar alguma base mais profunda que a vontade de Deus em que as coisas se fundam. Exatamente como há uma scientia necessaria e uma scientia libera. Significa que Ele necessariamente se ama a Si próprio e tem prazer na contemplação e Suas perfeições. Deus determina voluntariamente o que e quem Ele criará. Bavinck assinala que raramente podemos discernir por que Deus quis uma coisa e não outra. C. 20. Freqüentemente se debate a questão se Deus. Em cada caso há um motivo predominante. Jo 11.11. Rm 9. mas autodeterminação racional.3. que torna o fim escolhido e os meios selecionados sumamente agradáveis a Ele. razões que O induzem a escolher um fim e não outro. As criaturas de Deus são.11. 58 . A resposta a esta questão requer cuidadosa discriminação. É mais que evidente que a idéia de causa ação está ausente neste ponto. Em geral se pode dizer que Deus não pode querer nada que seja contrário à Sua natureza. conquanto necessária. eterna. bem como as distinções pessoais da Divindade.1. Mt 20. os objetos da Sua voluntas libera. Is 10. Deus mesmo é o objeto da primeira.16. em preferência a outros meios. embora não sejamos capazes de determinar que motivo é esse. à Sua sabedoria ou amor. é também a suprema liberdade. agindo com perfeita indiferença. mas esta idéia de uma vontade cega. e que a de complacência ou de autoaprovação está no primeiro plano. 45.13. privando-o do seu caráter contingente e tornando-a necessária.10.15. 29.9. porém. e tampouco permitido. age necessária ou livremente. e esta. determina o seu destino e as utiliza para os Seus propósitos. Abrange todo o conselho secreto e oculto de Deus. 33. A liberdade de Deus não é pura indiferença. mas também deu ênfase ao fato de que não pode ser considerada como indiferença absoluta. à Sua justiça ou santidade. E embora as dote de liberdade. Sl 115. A liberdade da vontade de Deus.15 – 18. Pv 21. Duns Scotus falava de uma vontade de Deus em nenhum sentido determinada. Deus tem Suas razões para querer como quer. ela torna-se Vontade do Signum ou Vontade Revelada. foi rejeitada pela igreja. Ap 4. porque todas as tentativas desse jaez redundam em procurar uma base para a criatura no próprio Ser de Deus. no exercício de Sua vontade. A Bíblia fala desta liberdade da vontade de Deus nos termos mais absolutos. lugares e circunstâncias de suas vidas. Quando esta vontade nos é revelada. A igreja sempre defendeu esta liberdade. Todavia. 21. e que não nos é possível. O dr. 1 Co 12.

empregamos a palavra “vontade” em dois sentidos diferentes. que a vontade decretatória de Deus inclui também os atos pecaminosos do homem. embora mantendo. Outros chamam a tenção para o fato de que. A maioria deles insiste em que a vontade de Deus quanto ao pecado é de permitir o pecado. com isso Deus é o autor do pecado e realmente quer uma coisa contrária às Suas perfeições morais. às vezes indicam uma simples determinação da vontade. permitindo o pecado. devemos lembrar-nos de que a lei moral. outra observação pode ser acrescentada à anterior. embora os termos “vontade” e “querer” possam incluir a idéia de complacência ou deleite. com base em passagens como At 2. cf. Êx 4.1-7. Deus determinou o que Ele fará ou o que virá a acontecer. A vontade decretatória e a vontade preceptiva de Deus não estão em conflito no sentido de que 59 .23. Ao mesmo tempo. Is63. Gn20. que Sua vontade decretatória inclui muitas coisas que Ele proíbe em Sua vontade preceptiva. na segunda Ele nos revela o que estamos na obrigação de fazer. ainda. (2) Diz-se. Os teólogos reformados (calvinistas). é também. pois Ele realiza o bem moral. e não de efetuá-lo. etc. e que. Todavia.8. sempre têm o cuidado de assinalar que se deve conceber isto de modo que não se faça de Deus o autor do pecado. a vontade de Deus de permitir o pecado não implica necessariamente que Ele tem deleite ou prazer no pecado. supondo-se que seja compreendida corretamente. A vontade de Deus em relação ao pecado. (1) Diz-se que. A doutrina da vontade de Deus muitas vezes dá surgimento a graves questões. podemos aproximarnos de uma solução. 3.. Levantam-se aqui problemas que nunca foram resolvidos e que provavelmente são insolúveis para o homem. É uma expressão da Sua natureza santa e daquilo que esta naturalmente requer de todas as criaturas morais. Admitem francamente que não podem resolver a dificuldade.D. depende do Seu pré-conhecimento do curso que o homem escolheria. Conquanto uma solução perfeitamente satisfatória da dificuldade esteja fora de questão no presente. Daí. 17. 31. Para fugirem à dificuldade. em certo sentido. Pela primeira. At 2. mas ao mesmo tempo fazem algumas valiosas distinções de comprovada utilidade. embora nos pareçam diversas. Gn 22.7. é de grande importância sustentar tanto a vontade decretatória como a preceptiva. os arminianos dizem que a vontade de Deus. portanto. e exclui muitas coisas que Ele ordena em Sua vontade preceptiva. mas com o definido entendimento de que. a encarnação da vontade de Deus. Quando falamos da vontade decretatória e da vontade preceptiva de Deus. Esta terminologia é permissível. 2 Rs 20. a regra do nosso viver. Deve-se ter em mente que a vontade de Deus de permitir o pecado leva consigo a certeza de que o pecado virá a ocorrer. que a vontade decretatória de Deus e Sua vontade preceptiva muitas vezes são contraditórias.23. se a vontade decretatória de Deus determinou também a entrada do pecado no mundo. são fundamentalmente uma só em Deus. 6.21-23.

não teria poder para fazer tudo que deseja”. Deus poderia fazer mais que isso. o que Ele ordenou ou marcou para ser posto em exercício. sustentam que o poder de Deus se limita àquilo que Ele realiza de fato. Ao mesmo tempo. não somente na vontade divina. em seu exercício fatual. isto é. A Bíblia nos ensina. e pode até pecar e aniquilar-se a Si próprio. ou em Seu poder de executar a Sua vontade. como Schleiermacher e Strauss. De acordo com Hodge e Shedd. pois se Ele não tivesse poder para fazer tudo o que pudesse desejar. Ele não quer a salvação de todos os indivíduos como uma violação positiva. ou a perfeiçãodo Seu Ser pela qual Ele é a causalidade absoluta e suprema. 60 . que afirmavam que Deus. Contudo. calvinista. mas que tem possibilidade de ser feito. por um lado. O Seu poder ordenado é parte do Seu poder absoluto. enquanto que o poder ordenado é a eficiência de Deus. Mas em nossa afirmação do poder absoluto de Deus precisamos acautelar-nos contra noções errôneas. Pode-se denominar o poder de Deus a eficaz energia da Sua natureza.6. pode realizar tudo quanto está presente em Sua vontade ou conselho. Zc 8. É costume distinguir entre uma potentia Dei absoluta (um absoluto poder de Deus) e uma potentia Dei ordinata (poder ordenado de Deus).14. Mas o exercício fatual do poder de Deus não representa os seus limites. Gn 18. A potência ordenada pode ser definida como a perfeição de Deus pela qual Ele. nem no sentido de que.na primeira Ele tem prazer no pecado e na segunda não. ordenado é o poder pelo qual Deus faz o que decretou fazer. se fosse esta a Sua intenção. ou poder absoluto de Deus.27. Deve-se manter esta posição contra aqueles que. O poder de Deus. a teologia reformada. adota a distinção como expressão de uma verdade real. O conceito mais geral é exposto por Charnock como segue: “Absoluto é o poder pelo qual Deus é capaz de fazer o que Ele não fará. Jr 32. Mt 3. de acordo com a primeira. e mesmo de acordo com a vontade preceptiva Ele não quer a salvação de todos os indivíduos com uma volição positiva. 26. O PODER SOBERANO DE DEUS. embora nem sempre a apresente do mesmo modo. mediante o simples exercício da Sua vontade. quer. os quais não são poderes distintos. exercida sem a intervenção de causas secundárias. mas um e o mesmo poder. o poder absoluto é a eficiência divina. 2. exercida pela ordenada operação de causas secundárias. e de acordo com a segunda. mas também na onipotência de Deus. em virtude do Seu poder absoluto. Nesse sentido podemos falar em potencia absoluta. A soberania de Deus acha expressão. pode efetuar contradições.53. limita-se àquilo que o Seu decreto eterno abrange. Mesmo de acordo com a vontade decretatória Deus não tem prazer no pecado.9. que o poder de Deus estende-se além daquilo que é realizado de fato. rejeita esta distinção no sentido em que a entendiam os escolásticos.

Hb 1.16.17.19.13. Mas. Deus manifesta o Seu poder na criação. A idéia da onipotência de Deus é expressa pelo nome ‘El-Shaddai. Hb 6. 61 . 2 Tm 2. Tg 1. Lc 1.12. nas obras da providencia. Ele não pode mentir pecar.24. em passagens como Jó 9. mudar. Rm 4.37. Rm 1. 1 Co 1. Sl 115. Is 44. Jr 32. e a Bíblia fala a seu respeito em termos que não deixam dúvida.29.19. 17. e na redenção de pecadores. Não há poder absoluto nele. e não pode negar-se a Si próprio. Nm 23.13. divorciado de Suas perfeições.24.20. e em virtude do qual Ele pudesse fazer todo tipo de coisas inerentemente contraditórias entre si.3.17. Ef 1. ela indica também que há muitas coisas que Deus não pode fazer.Portanto.18. Mt 19.26.3. 1 Sm 15. não podemos dizer que aquilo que Deus não realiza concretamente não Lhe é possível realizar. por outro lado. Rm 1.

por exemplo. Deus é O Incompreensível. como expressão da natureza da coisa por ele designada. Os nomes de Deus constituem uma dificuldade para o intelecto humano. Conquanto a Bíblia registre vários nomes de Deus. infinitamente exaltado acima de tudo o que é temporal. Como se pode explicar isto? Com que base estes nomes são aplicados ao Deus infinito e incompreensível? Deve-se Ter em mente que eles não foram inventados pelo homem e não atestam sua compreensão do Ser de Deus propriamente dito.10. não Lhe podemos dar nome e. de modo que se constitui sinônimo de Deus.10. por outro lado. Os nomes de Deus não são uma invenção humana. Nesses casos “o nome” vale por toda manifestação de Deus em Sua relação com o Seu povo. assim o teu louvor se estende até os confins da terra” Sl 48. 20. mas como Ele se revela especialmente em Suas relações com o homem. os nomes dos diversos deuses eram utilizados nos encantamentos para se exercer poder sobre eles. fala também do Nome de Deus no singular como. Por um lado. “Torre forte é o nome do Senhor. com todas as suas relações.1. no sentido mais geral da palavra. é teve o objetivo de ser uma revelação de Deus. o nome geral de Deus é subdividido em muitos nomes. ó Deus. O que possibilitou isso foi o fato de que o mundo. à qual o justo se acolhe e está seguro” Pv 18. São antropomórficos e assinalam uma condescendente aproximação de Deus ao homem. mas sim.7. A fim de fazer-se conhecido ao homem. não como Ele existe nas profundezas do Seu Ser Divino. É unicamente porque Deus se revelou em Seu nome que podemos designá-lo por esse nome de várias formas (nomina indita). É um designativo dele. segundo o pensamento oriental. Ele tem muitos nomes. mas em Seus nomes Ele desce a tudo que é finito. embora tomados da linguagem humana e derivados das relações humanas e terrenas. Então. Saber o nome de uma pessoa era Ter poder sobre ela. Deus teve que condescender em nivelar-se ao homem. Os Nomes de Deus em Geral. Dado o que O Incompreensível revelou-se em Suas criaturas.1: “Como o teu nome. Foram dados por Deus com a certeza de que contém. Deve-se este uso ao fato de que. mas têm origem divina. “Quão magnífico em toda terra é o teu nome!” Sl 8. em certa medida. uma revelação do Ser divino. que expressam o multiforme Ser de Deus. Para nós. acomodar-se à limitada e finita faculdade 62 . jamais um nome era considerado como simples vocábulo. e se assemelha ao homem. nas seguintes declarações: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão” Êx. “Grande o seu nome em Israel” Sl 76. ou simplesmente pela pessoa.OS NOMES DE DEUS A. o nome de Deus é Sua autorevelação. é possível ao homem dar-lhe nome à maneira de uma criatura.

o Deus transcendente. era o nome com o qual Israel normalmente se dirigia a Deus. No presente capítulo nos limitaremos à primeira classe de nomes. ‘ELYON. O nome mais simples pelo qual Deus é designado no Velho Testamento é o nome ‘El. estar ferido pelo temor. exceto na poesia. O nome ‘Elohim (sing.20. 96. ‘ELOHIM. e falar em língua humana. O nome raramente ocorre no singular. ‘ADONAI. antes esconde Deus. possivelmente derivado de ‘ul. serve para indicar plenitude de poder. isso com maior razão e em maior grau é verdade quanto à revelação de Deus na criação. 2. pois também são empregados com referência a ídolos. Jz 5. Gn 33. Nm 24.16. governar e . o mundo não revela. Encontra-se especialmente na poesia. subir.1. ser senhor. quanto ao seu significado. assim. ou atributos). Êx 7. estes nomes não são nomina propria. quer no sentido de ser primeiro. ambos os quais significam julgar. no sentido estrito da palavra.3.10.cognitiva e psíquica humana. mostra Deus como o Ser forte e poderoso.19. ser elevado. e nomina personalia (nomes pessoais. como pai e Filho e Espírito Santo). 22. Neste caso. O nome ‘Elyon é derivado de ‘alah. Nos primeiros tempos.14. Gn 14.8-10. e não apenas os atributos de Ser Divino em geral. quer no de ser forte e poderoso. ‘Eloah) deriva provavelmente da mesma raiz ou de ‘alahh. Sl 95. Com o tempo foi suplantado pelo nome Jeová (Yahweh). Bavinck baseia a sua divisão dos nomes Deus nesse amplo conceito deles. a homens. O Dr. mas também os que qualificam separadamente as Pessoas da Trindade. É derivado de dun (din) ou de ‘adan. e distingue entre nomina propria (nomes próprios). Este nome relaciona-se com os anteriores. ou como objeto de temor. e designa Deus como alto e exaltado Ser. O plural deve ser considerado como intensivo e. portanto. Is 14.8. revelam Deus como Governante todo-poderoso. Todos os nomes mencionados até aqui descrevem Deus como Altíssimo. A.5. como dizem alguns. Os nomes subseqüentes 63 . nomina essentialia (nomes essenciais. Os Nomes do Velho Testamento e Seu Significado 1. Se denominar Deus como nomes antropomórficos envolve limitação de Deus. Contudo.Do que foi dito acerca do nome de Deus em geral segue-se que podemos incluir sob os nomes de Deus. não somente aos apelativos pelos quais Ele é indicado como um Ser pessoal e independente.1. portanto. o homem não está relacionado com Deus. e a governantes. mas também os atributos de Deus. ‘EL. mas simplesmente forma uma antítese a Ele: e ficamos encerrados num agnosticismo sem esperança. Sl 82. e com os quais o homem se dirige a Ele. a quem tudo está sujeito e com quem tudo está sujeito e com quem o homem se relaciona como servo. Êx 21.6.

13. 64 .16 como segue: “Aquele que mencionar o nome de Yahweh será morto”. geralmente o de ‘Adonai. Mas esta interpretação não tem suficiente suporte e dificilmente propicia um sentido inteligível. A verdadeira derivação do nome. Sl 83. 3. No que se refere à forma. senão unicamente com referência ao Deus de Israel. não é empregado com referência a ninguém mais. Salienta a fidelidade pactual de Deus. ligaram a elas as vogais de um destes nomes. o nome incomunicável. o nome deriva de uma forma arcaica daquele verbo.3. e. Daí. O nome Shaddai é derivado de shadad. e indica que Deus possui todo o poder no céu e na terra. Isaque e Jacó. ser. É o nome com o qual Deus apareceu a Abraão. 14. O caráter exclusivo deste nome transparece do fato de que nunca ocorre no plural nem com sufixo. senhor. a saber. portanto. estão mais ou menos perdidos na obscuridade. O Pentateuco liga o nome ao verbo hebraico hayah. pode ser considerado como a terceira pessoa do imperfeito de qal ou de hiphil. Êx 6. embora deixando as consoantes intactas. Yah e Yahu são formas abreviadas dele. O sentido é explicado em Êx. mas como fonte de bem-aventurança e consolação.19. Hawah. é derivado de shad.mostram que este Ser exaltado condescendeu em estabelecer relação com as Suas criaturas. Êx 15. com toda probabilidade. ao lerem as Escrituras. mais provavelmente de qal. YAHWEH e YAHWEH TSEBHAOTH. 3. Êx 3. ser poderoso.6. que Deus se revela o Deus da graça. Segundo outros. que gradativamente superou os nomes anteriores. não apresenta como objeto de temor e terror. formas que nunca se acham principalmente em nomes compostos.Muitas vezes o nome Yahweh é fortalecido pelo acréscimo de Tsebhaoth. é Seu nome próprio par excellence. e sua pronúncia e sentido de origem.8.14. em que Shaddai considera a Deus como sujeitando todos os poderes da natureza e fazendo-os subservientes à obra da graça divina. Os 12. visto que liam Lv 24. Num ponto importante difere de ‘Elohim. Orígenes e Jerônimo o consideravam uma aposição. É especialmente no nome Yahweh. “Eu sou o que sou” ou “Eu serei o que serei”. não se tem tanto em vista a imutabilidade do Seu Ser essencial. O nome contém a segurança de que Deus será para o povo dos dias de Moisés o que foi para os seus pais – Abraão. e os massoretas. substituíram-no por ‘Adonai ou por ‘Elohim. SHADDAI e ’EL-SHADDAI. Assim interpretado. 4. Da força dessa passagem podemos supor que. onde se traduz. Contudo. Os judeus temiam supersticiosamente usá-lo. Is 42. Sempre foi tido como o mais sagrado e o mais distintivo nome de Deus. mas mormente a imutabilidade de Sua relação com o Seu povo. o nome indica a imutabilidade de Deus. o Deus da criação e da natureza. Embora dê ênfase à grandiosidade de Deus. porém. É deveras difícil determinar a que se refere o vocábulo tsebhaoth. porque Yahweh não admite condição de construto. o pai dos que crêem.2.

Ml 1. 8. com o Filho de Deus. Como ‘Elohim. THEOS. 65 .1. o Governador que tem poder e autoridade legal. pode. No sentido geral de originado ou criador é empregado nas seguintes passagens do Novo Testamento: 1 Co 8. “o princípio e o fim”. At 7. a saber. Tg 1. Muitas vezes se diz que o Novo Testamento introduziu um novo nome de Deus. Nestes casos o nome expressa a relação teocrática especial que Deus mantém com Israel. Todavia. Hb 7. 31. que era. 32. 16. mas designa a Deus como o Poderoso. É empregado não somente som referência a Deus. que é dos nomes aplicados a Deus o mais comum.13. hymon. Para ‘El ‘Elohim. “que é.6. ‘Elyon é traduzido por Hypsistos Theos. 64.8. Dt 32.8. e que há de vir”. Ef 3. Os 1. 2. ou a relação ética de Deus com todos os crentes como Seus filhos espirituais. Mais geralmente.18.20. Is 63. 2.10. 2 Co 6. a rigor. 75. 15.B. Em todos os outros lugares ele serve para expressar a relação especial da primeira Pessoa da Trindade com Cristo. Jr 3.19. 14.8.7. 19. A idéia nacional do Velho Testamento deu lugar à individual. sou.8.7. e ‘Elyon temos nele Theos.17. 11. 35. 2. 22. derivado de kyros. o Possuidor.17. quanto ao mais. PATER.10. enquanto que Israel é chamado filho de Deus. Ap 1. seja no sentido mediatório.16. KYRIOS. poder. Mc 5. Êx 4.6.1. que substitui por ‘Adonai. Jr 31. porém. 16.9. Pater (Pai).3. O Novo testamento tem equivalentes gregos dos nomes do Velho Testamento. na religião. Os Nomes do Novo testamento e Seu Significado. Este nome não tem exatamente a mesma conotação de Yahweh.48.32. Senhor. O nome Yahweh é aplicado algumas vezes por variantes de tipo descritivo.13.22. Os nomes Shadda e ‘El-Shadday são vertidos para Pantokrator e Theos Pantokrator. vêse Theos com um genitivo possessivo. o Novo Testamento segue a Septuaginta. como “o Alfa e o Ômega”.9.4. 3.2. Ap 1. embora estritamente falando expresse divindade essencial.6. não é certo. Lc 1. por acomodação. 4. e o traduz por Kyrios. porque em Cristo Deus pode ser considerado como o Deus de todos e de cada um dos Seus filhos. “o primeiro e o último”.6. 17. mas também a Cristo. Mas isto. Sl 103. 21.18. Dt 14. O nome Pai é empregado com alusão a Deus mesmo em religiões pagãs. seja no sentido metafísico. Is 1. É utilizado repetidamente no Velho Testamento para designar a relação de Deus com Israel. Hb 12. ser empregado com referência a deuses pagãos. 1.4. hemon.15. como mou.

O TERMO “TRINDADE” A expressão “Trindade” não é uma expressão bíblica. e que outros não fizeram plena justiça à divindade essencial da segunda e da terceira pessoas da Trindade Santa. em seus esforços para formulá-la. tenha sido repetidamente tentada a racionalizá-la e a dar-lhe uma construção que deixava de fazer justiça aos dados da Escritura. portanto. PERÍODO DA PRÉ-REFORMA. nem usamos linguagem bíblica quando definimos o que ela expressa como sendo a doutrina de que há um só Deus verdadeiro. exclusivamente. A Doutrina da Trindade na História A doutrina da trindade sempre enfrentou dificuldades e. quando reunimos os disjecta membra na sua unidade orgânica. não é de admirar que a igreja. sem solução. não numa definição formulada. provida pela reflexão filosófica. sim. E a definição de uma doutrina bíblica. em linguagem tão alheia à Bíblia. 1. iguais em substância. Devido à natureza do assunto. mas a sua formulação foi deficiente.TRINTADE (TRINITARÍSMO) A doutrina da Trindade é talvez. uma verdade da Revelação. não estamos abandonando as Escrituras. mas em alusões fragmentárias. Por isto. ensinando explicitamente que o Filho é subordinado ao Pai 66 . a respeito de Deus. mas a doutrina apresentada é uma doutrina genuinamente bíblica. A doutrina da Trindade está. Ou. entrando mais completamente no significado dessas Escrituras. A tripla personalidade de Deus é. Orígenes foi mais longe nesta direção. só podemos saber. mas distintas em subsistência. mas surge mais claramente. nas Escrituras: ao se cristalizar dos seus solventes. mas que na unidade da Divindade existem três Pessoas co-eternas e coiguais. para não falar em linguagem figurada. Os judeus do tempo de Jesus davam muita ênfase à unidade de Deus. só se pode justificar se aceitarmos o princípio de que é melhor conservar a verdade das Escrituras do que as palavras das Escrituras. Podemos apresentar a doutrina em termos técnicos. desde que envolvia uma infundada subordinação do Filho ao Pai. mas estamos. desde que aceitemos que o sentido da Escritura é também Escritura. e esta ênfase foi trazida para dentro da igreja cristã. A. não deixa de ser bíblica. é uma insensatez afirmar que podemos dar uma explicação completa sobre ela. a doutrina da Trindade é-nos apresentada nas Escrituras. o pouco que as Escrituras nos revelam. a doutrina mais misteriosa e difícil que encontramos nas Escrituras. e da Trindade. O resultado foi que alguns eliminaram completamente as distinções pessoais da Divindade. Tertuliano foi o primeiro a empregar o termo “Trindade” e a formular a doutrina. 1. Uma doutrina assim definida só pode ser considerada como doutrina bíblica.

Os 67 . principalmente para defender a unidade da Trindade. PERÍODO DA PÓS-REFORMA. Ele desacreditou a divindade essencial destas duas pessoas do Ser Divino e forneceu um ponto de partida aos arianos. que considera as três pessoas simplesmente como três aspectos de Deus: o Pai é Deus como a subjacente unidade de todas as coisas. Hegel. inteiramente eliminado pela segunda. No Oriente. Por outro lado. as três pessoas da Divindade diferem em grau de dignidade. Eles atribuíram ao Pai uma certa preeminência sobre as outras pessoas – em ordem. ensinando uma espécie de modalismo. dignidade e poder. Curceleu e Limborgh reavivaram a doutrina da subordinação. foi oficialmente declarado que o Filho é gerado pelo Pai. Assim.) declarou que o Filho é co-essencial com o Pai. e o Espírito Santo como a primeira criatura do Filho. Durante a Idade Média. como João Ascunages e João Philopono. Alguns dos monofisistas mais recentes.quanto à essência. e que o Espírito Santo é subordinado até mesmo ao Filho. que sustentava que o eterno Deus-homem fez-se carne no Filho. A igreja começou a formular a sua doutrina da Trindade no século quarto. o Filho é Deus como passando a uma personalidade consciente no homem. e agia através do Espírito Santo. mas o que encontramos repetidamente são algumas das errôneas formulações antigas. o Filho e o Espírito Santo meramente como três modos de manifestação assumidos sucessivamente pela Divindade. Quanto à interrelação dos três. que negavam a divindade do Filho e do espírito Santo. enquanto que o monarquianismo modalista considerava o Pai. Os arianos ainda conservaram resquícios da doutrina das três pessoas da Divindade. enquanto que o Concílio de Constantinopla (381 A. caíram neste erro. A primeira ainda retém um elemento de subordinação. e o Espírito Santo é Deus vivendo ma igreja. a consubstancialidade do Filho e do Espírito Santo com o Pai foi sacrificada. com o fim de preservar a unidade. e Schleiermacher.D. e. segundo esse conceito. Emanuel Swedenborg. mas esta foi inteiramente sacrificada pelo monarquianismo. que acabaram no triteísmo.D. apresentando o Filho como a primeira criatura do Pai. a doutrina da Trindade encontrou a sua proposição mais completa na obra de João de Damasco. por exemplo. Outros seguiram o caminho indicado por Sabélio. e no Ocidente. em parte no interesse da unidade de Deus e em parte para manter a divindade do Filho. Posição um tanto parecida foi tomada por Samuel Clarke. O Concílio de Nicéia (325 A. ao que parece. e pelo teólogo luterano Kahnis. 2. Os arminianos. embora não com a mesma precisão. na Inglaterra. e que o Espírito procede do Pai e do Filho. outra vez. na grande obra de Agostinho. o nominalista Roscelino foi acusado do mesmo erro. Episcópio. que fala do Pai como Deus em Si. como. e do Espírito como Deus retornando a Si mesmo. do Filho como Deus se objetivando. Depois da Reforma não temos maior desenvolvimento da doutrina da Trindade.) afirmou a divindade do Espírito. De Trinitate. O monarquianismo dinâmico via em Jesus apenas homem e no espírito Santo uma influencia divina. também houve alguns que a tal ponto perderam de vista a unidade de Deus.

1-28.socinianos da época da reforma seguiam as linhas arianas. em Sua variedade incólume. E também nas passagens em que a Palavra e a Sabedoria de Deus são personificadas. W.1.21. e que os homens. queriam livrar-se dela e se satisfizeram com a doutrina de uma Trindade econômica. é a Revelação e é também o conteúdo da Revelação. 6. e noutros quem fala é Deus. 19. também se atribui. Revelação (Filho) e Revelatura∗(Espírito Santo).7-13. é Revelador. que falam de Jesus como um mestre divino e identificam o Espírito Santo com o Deus imanente. ao mesmo Deus que. e lhe dedica 220 páginas da sua Dogmática. por vezes abandonaram a idéia de uma unidade nua e crua em Deus.1. 7 (com. 9. que menciona o Messias e o Espírito. Exemplos de defensores desta idéia são Moses Stuart. Brown. mas foram além de Ário. distingue-se dele. uma Trindade como se vê revelada na obra de redenção e na experiência humana. Diz ele: “Assim. ele não admite nenhuma subordinação. Hb 1. Deus e Sua revelação se identificam. mas apenas uma pluralidade de pessoas. ou quem fala é o Messias.6. Também é verdade que a experiência cristã parece exigir algo parecido com esta construção da doutrina de Deus. é identificado com Jeová e. pois ele reconhece três pessoas na Divindade. por outro. Eles foram os precursores dos unitários e também dos teólogos modernistas. Ao mesmo tempo. declinou o interesse pela doutrina da Trindade. em unidade incólume. A. Assim. Sl 33. Alexander e W. B. Indicações mais claras dessas distinções pessoais acham-se nas passagens que se referem ao Anjo de Jeová que.9). 45. Revelação e Revelatura. por um lado. Em Sua revelação Ele continua sendo Deus.6. L. Is 48. Em alguns casos mencionam-se mais de uma pessoa. absolutamente livre e soberano. Ele se revela. “Deus fala”. como consideravam ininteligível a afirmação da doutrina de uma Trindade ontológica. Brunner e Barth chamaram de novo a atenção para a sua importância. Ele é Revelador (Pai).10. 61. Sl 33. 18. nem teríamos sido capazes de 68 .8. acha que ela está envolvida na simples sentença. 63. Durante um considerável período de tempo. é uma doutrina que não teríamos conhecido. Ml 3.1.12-31. fundados em bases puramente filosóficas.vivo e de auto-distinção.16. Materialmente. A doutrina da Trindade depende decisivamente da revelação. o Velho Testamento contém clara antecipação da revelação mais completa da Trindade no Novo Testamento. Este último a coloca em primeiro plano. mas formal e logicamente. que menciona Deus e o Espírito. É verdade que a razão humana pode sugerir algumas idéias para consubstanciar a doutrina. pois para eles Cristo era simples homem e o Espírito Santo apenas um poder ou influencia. e a discussão teológica centralizou-se mais particularmente na personalidade de Deus. precisamente este modo tríplice de existência”. Ver Gn 16. ele deriva da Escritura a doutrina. e apresentaram a idéia do movimento surgiram uma triplicidade. Finalmente.PROVA BÍBLICA DA DOUTRINA DA TRINDADE. Pv 8. Esta idéia de Barth não é uma espécie de sabelianismo. também houve alguns que. discutindo-a em conexão com a doutrina da revelação.4. Além disso.

14. 1. e que o Espírito Santo fez da igreja Sua habitação. que menciona o Messias e o Espírito.26. Gn 1.4. 50.21.1.9). 61. em certa medida em conexão com as obras da criação e da providência. o Velho Testamento contém clara antecipação da revelação mais completa da Trindade no Novo Testamento. 18.4.7. Hb 1.14. em suas várias relações.3. 11. 78. 60.sustentar com algum grau de confiança. na medida em que a obra redentora de Deus é revelada mais claramente.8. 14. 7 (com. 47. 26. Tanto aqueles como estes estavam enganados. Sl 33.14. por outro.6. 9.1.Provas do Novo Testamento. por um lado.7-13.7. 11.6. duvidosa. e também no Plural Elohim. para dizer o mínimo. Ver Gn 16. e mesmo alguns teólogos mais recentes. A Bíblia nunca trata da doutrina da Trindade como uma verdade abstrata.25. é identificado com Jeová e. Assim. provas da Trindade na distinção entre Jeová e Elohim. distingue-se dele. Is 48. O Velho Testamento não contém plena revelação da existência trinitária de Deus. Indicações mais claras dessas distinções pessoais acham-se nas passagens que se referem ao Anjo de Jeová que.35. é de máxima importância reunir suas provas escriturísticas. O Novo Testamento traz consigo uma revelação mais clara das distinções da Divindade. mas apenas uma pluralidade de pessoas. E esta revelação vai tendo maior clareza. como uma realidade viva.16. o socinianos e os arminianos eram de opinião que não há nada desta doutrina ali. somente com base na experiência. no Novo Testamento e o Filho de Deus 69 . como na encarnação do Filho e no derramamento do Espírito. mais claras vão sendo as afirmações da doutrina. E também nas passagens em que a Palavra e a Sabedoria de Deus são personificadas. mas particularmente em relação à obra de redenção. Alguns dos primeiros pais da igreja. que menciona Deus e o Espírito. É muito mais plausível entender que as passagens em que Deus fala de Si mesmo no plural. mas revela a subsistência trinitária. 6. 43. Pv 8. por vezes. e que foi trazida ao nosso conhecimento unicamente pela auto-revelação especial de Deus. mas contém várias indicações dela.16. mas a primeira não tem nenhum fundamento. Se no Velho Testamento Jeová é apresentado como o Redentor e Salvador do Seu povo. Sua revelação mais fundamental é revelação dada com fatos. Por outro lado. 45. Portanto. desconsiderando o caráter progressivo da revelação de Deus. 19.21. assim chamados. antes que com palavras. Provas do Velho Testamento. quem fala é o Messias. Devese a mais completa revelação da Trindade no Novo Testamento ao fato de que o Verbo se fez carne.3. 49.1. Sl 19.E quanto mais a gloriosa realidade da Trindade é exposta nos fatos da história.3. É exatamente isto que se poderia esperar. e noutros quem fala é Deus.10. 106. contêm uma indicação de distinções pessoais em Deus. Em alguns casos mencionam-se mais de uma pessoa. Sl 33. conquanto não surgiram uma triplicidade.Têm-se visto. Jó 19.12-31. Ml 3. 2. e a última é. 63. opinaram que a doutrina da Trindade foi revelada completamente no Velho Testamento.1-28. Os 13. Jr 14. Is 41.

7.18. Mt 11. 1 Co 3. Is 63. O PAI. 2.42. E se no Velho Testamento é Jeová que habita em Israel e nos corações dos que O temem.17. Mt 5. OU A PRIMEIRA PESSOA DA TRINDADE O nome “Pai” em sua aplicação a Deus. o nome é aplicado à primeira pessoa da Trindade em Sua relação com a segunda pessoa.7. Rm 8. Lc 3. contudo. Jl 3. 2. Tg 4. A primeira pessoa é o Pai da segunda num sentido metafísico. 1. 18.12.4. Assim.4. Dt 32. Jô 1.16.16. Lc 1.26.6. 28. 2 Co 13. 11. 26.6. Ml 1.27. Hb 12.15.19. Mt 28.13.45. Sl 74. 5.16. Jo 4. Gl 4. Esta é a paternidade originária de Deus. Mc 1.16. e o Espírito Santo desce na forma de pomba.6. 12.25.76-79. separadas.11. Rm 8. a quem a obra da criação é mais especialmente atribuída na Escritura. são expostas com clareza às nossas mentes.14.17-26. 14. Gl 4.26. mas sua genuinidade é duvidosa. (1) Num sentido 70 . 13. 4.22. (4) Num sentido inteiramente diverso. No batismo do Filho. o Filho comunicando-se com o Pai.9.17. ouvindo-se do céu a Sua voz. Ef 3.distingue-se nessa capacidade. Hb 1.41. 135. Tt 2. 6. e o Espírito Santo orando a Deus nos corações dos crentes. (2) Atribui-se também o nome ao Deus Triúno para expressar a relação teocrática que Ele mantém com Israel como o Seu povo no Velho Testamento. Gl 4. e do pai e Filho enviando o Espírito.54.17. (1) Às vezes se aplica ao Deus Triúno como a origem de todas as coisas criadas. Vemos o pai dirigindo-se ao Filho.5 O Novo Testamento oferece clara revelação de Deus enviando Seu filho ao mundo. O FILHO. At 5.39. de todos os Seus filhos espirituais. da qual toda paternidade terrena é apenas pálido reflexo. 2. Rm 8. 64. Ez 43.6-15.21. Is 8.22. 15. Este nome nem sempre é empregado com relação a Deus com o mesmo sentido na Escritura. e 1 Pe 1.21. Fl 3. 8. Gl 3.13.30.6. Mt 3. A única passagem que fala de tri-unidade é 1. 26. Mt 1. o pai fala.2.26. Também são mencionadas juntamente em 1 Co 12.Jo 5.10. 14. Jo 14.1. 11. 1 Jo 4.9.2. Conquanto nestes casos o nome se aplique ao Deus Triúno. Tg 1.7-9. as pessoas da Trindade. Jr 3. 17.9. Jo 11. (3) Mo Novo Testamento o nome é geralmente empregado para designar o Deus Triúno como Pai.16. 21.3.15. num sentido ético. At 2.6. 4-6. razão pela qual foi eliminada das mais recentes edições críticas do Novo Testamento. 1 Jo 3. Na grande comissão Jesus menciona as três pessoas: “batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Ef 2.5.8. refere-se mais particularmente à primeira pessoa. 57. OU A SEGUNDA PESSOA DA TRINDADE O nome “Filho” em sua aplicação à segunda pessoa.6. Zc 2. As Três Pessoas Consideradas Separadamente.13. Jo 3. 1 Co 8. A segunda pessoa da Trindade é chamada “Filho” ou “Filho de Deus” em mais de um sentido do termo. 16.4.10. no Novo testamento é o Espírito Santo que habita na igreja.

27. Ez 37.18.4. Jô 5. o nome se aplica mais particularmente à terceira pessoa da Trindade. Jo 5. Gn 2. conhecimento que ninguém mais pode possuir. Jo 1. derivam de raízes que significam “soprar”. É somente porque Ele era o Filho de Deus essencial e eterno.14. arroga-se um conhecimento único de Deus. OU A TERCEIRA PESSOA DA TRINDADE.21.16. por exemplo em Jó 1. Deve-se sustentar isto contrariamente aos socinianos e aos unitários. (3) Num sentido natalício.8. O nome aplicado à terceira pessoa da Trindade.12. (d) Embora Jesus ensine os Seus discípulos a falarem de Deus e a dirigir-se a Ele como “Pai nosso”.7. Daí. 35 o indica claramente. 1 Co 8. Gn 8.1: 1 Rs 19. 6. O Velho Testamento geralmente emprega o termo “espírito” sem qualificativos. 1 Jo 4. com o Pai. e provavelmente se pode inferir também de Jo 1.63 (onde este sentido vem ligado ao outro).13.29.18-25.5.40.14.11: JO 3. Ele mesmo fala dele chamando-lhe simplesmente “pai” ou “meu Pai”. e às vezes é mencionado como Deus em distinção do Senhor. ambos os quais. vêem em Jesus apenas um homem. Jó 2.32.3. . a filiação e a messianidade refletem a filiação eterna de Cristo. Jo 17.38. primariamente como um título honorário conferido a Ele.9. independentemente de Sua posição e obra como Mediador. como o vocábulo latino spiritus. Lc 1. expressão que não se aplicaria a Ele. 27. que podia ser chamado Filho de Deus como Messias.3. 18. De acordo com a Sua natureza humana. (b) É chamado o “unigênito” Filho de Deus ou do pai.metafísico. Mt 6. Ef 1.49. Jo 20. esta filiação e a messianidade se relacionam com a filiação originária de Cristo.24 que Deus é Espírito. e com isso mostra que estava cônscio de uma relação única. O termo hebraico com o qual Ele é designado é Ruach. Além disso. 18. Nalgumas passagens este sentido é associado ao sentido mencionado acima.31. (c) Nalgumas passagens o contexto evidencia muito bem que o nome indica a divindade de cristo.(2) Num sentido oficial ou messiânico. É do ponto de vista desta filiação e messianidade que até Deus é chamado Deus do Filho. como o Filho de Deus. O ESPÍRITO SANTO.6. 2 Co 11. Gl 4. Jo 1. Hb 1. 26. 6. Apesar de se nos dizer em Jo 4. (e) De acordo com mt 11.9. Também se dá a Jesus o nome “Filho de Deus” em vista do fato de que deveu o Seu nascimento à paternidade de Deus.63. é pneuma. e nesse sentido é o Filho de Deus. Jo 1.18. Sl 2. 3. e consideram o nome “Filho de Deus” a Ele aplicado. 3. ou fala do “Espírito de Deus” ou 71 . 7. É muito evidente que Jesus Cristo é apresentado como o Filho de Deus na Escritura. Lc 3. (a) Ele é mencionado como o Filho de Deus do ponto de vista da pré-encarnação.1. 10. As passagens subseqüentes aplicam o nome “Filho de Deus” a Cristo como Mediador. pois consideravam blasfêmia o modo como Ele falava de Si mesmo como o Filho de Deus. Jesus.27. 11. 6. singular. e o grego. ou “vento”. Mt 8. Mt 26. ele foi gerado pela operação sobrenatural do Espírito Santo. Naturalmente. também podem ser traduzidos por “sopro” ou “fôlego”. Ef 4.5.7. (f) Os judeus certamente entendiam que Jesus afirmava que era o Filho de Deus num sentido metafísico. Comparar com 2 Sm 7. “respirar”. que rejeitam a idéia de uma Divindade tri pessoal.14.17. se Ele fosse o Filho de Deus somente num sentido oficial ou ético.17.36.

é que o Filho está subordinado ao Pai. como é tecnicamente conhecido— isto é. nas operações de Deus. em geral. com clara decisão. o Novo Testamento raramente se aplica o adjetivo “santo” a Deus em geral. Sl 71. tão evidente que o princípio de subordinação governe também os “modos de subsistência”. em toda a matéria das relações de Deus com o mundo — se exprime. 4. nos modos de subsistência.3. Ef. porém. este pode explicar-se. 11. de forma evidente. 2:16. e o Filho que envia o Espírito. e que. A própria riqueza e variedade de expressão da sua subordinação.). isto é. Devemos. o faz mediante o Filho (Rom. Pode ser natural supor que uma subordinação em modos de operação se baseie numa subordinação em modos de subsistência. ou não. A QUESTÃO DE SUBORDINAÇÃO Claro. nas funções atribuídas às varias pessoas da Trindade. mas apenas leva o que é de Cristo e o mostra ao Seu povo (João 17.17. também. Não é. tal como nos estão reveladas. 1:5. e que os purifica do pecado. e utiliza a expressão “Espírito Santo” somente em Sl 51. e o Espírito ao Filho. cria uma dificuldade em atingir a certeza de que são representados. uns para com os outros. em modos de operação. por meio do Espírito. como é tecnicamente designado. I Tes. de que o enviado não é maior do que aquele que o enviou (João 13:16). 5:1. enquanto que o Novo Testamento esta veio a ser uma designação da terceira pessoal da Trindade. Nosso Senhor até declara.10. assim como nós somos de Cristo (I Cor. 48.11.18. mais amplamente. que os separa para Deus. Com toda a probabilidade isto se deve ao fato de que foi especialmente no Espírito e Sua obra santificadora que Deus se revelou como Santo. e. É um fato notável que. enquanto o Velho Testamento repetidamente chama a Deus “o Santo de Israel”. Is 63. surge a pergunta se. o princípio da subordinação. mas utiliza freqüentemente para caracterizar o Espírito. 89. 5:9. assim como Cristo é “a cabeça de todo o varão”. 3:23).20. também “Deus é a cabeça de Cristo” (I Cor. O Filho é enviado pelo Pai e faz a vontade de Seu Pai (João 6:38). como estando subordinados entre Si.22. e muito especialmente nas operações pelas quais se cumpre a redenção. e Paulo diz-nos que Cristo é de Deus.“Espírito do Senhor”. o Espírito é enviado pelo Filho e não fala de Si mesmo. que “o Pai é maior do que eu” (João 14:28). na relação obrigatória das Pessoas da Trindade entre Si. como sendo apenas mais uma expressão de subordinação. e o Espírito Santo terceiro. no processo de redenção. O Pai é primeiro. O que o Pai faz. que a razão por que é o Pai que envia o Filho. em modos de subsistência. 11:3). e temos a afirmação do próprio Senhor Jesus.21. Tito 3:5). o Filho segundo. É o Espírito Santo que faz Sua habitação nos corações dos crentes. nas formas de operação.11. afinal de contas. 3:22. ter em mente que estas relações de subordinarão em modos 72 . não há duvida que nas “formas de operação”. Is 10. 41. porém.7 seg. Em cada caso da aparente sugestão de subordinação.17.

em que o Filho. um século mais tarde. 5. na Igreja. Foi por meio destes dois princípios fundamentais — a verdadeira divindade de Cristo e a fórmula batismal — que se provaram todas as tentativas para formular a doutrina cristã acerca de Deus. e foi por intermédio do seu poder modelador que a Igreja se encontrou. porém. No caso da relação do Filho para com o Pai. em breve. todo o conceito cristão de Deus. sob a experiência da salvação. podem muito bem ser a conseqüência de uma convenção. às mãos de Agostinho. anunciada por Jesus (Mat. afinal.Foi. caracterizadas por um aspecto deliberadamente subordinado. Portanto. começaram a ser enunciadas em toda a Igreja. entre as Pessoas da Trindade — um “Pacto” como é tecnicamente designado — em virtude do qual uma determinada função na obra da redenção é voluntariamente aceite por cada uma delas. sejam descobertas antes que esta seja aceite como fato provado. como num eixo. um acordo. e uma declaração mais cuidadosamente fundamentada. foi a convicção profunda que ela tinha da absoluta deidade de Cristo. na posse de uma forma de declaração que prestava inteira justiça aos dados da revelação redentora. O princípio que dava direção na formulação da doutrina foi fornecido pela Fórmula Batismal. em união Consigo próprio. desde os primeiros dias do cristianismo.de operação. que a doutrina que se tornou doutrina da Igreja. que provas definitivas da subordinação em modos de subsistência. Editada pelo Presbítero Edirlei Pereira de Souza 73 . entra em novas relações com o Pai. pelo menos. e nas exigências do coração dos cristãos. recebeu a sua elaboração mais completa. é muitíssimo desejável. A FORMULAÇÃO DA DOUTRINA O impulso determinante para a formulação da doutrina da Trindade. na qual revolve. em virtude de ter assumido a natureza de uma criatura. há ainda a dificuldade da encarnação. 28:19). tanto de fato como em teoria. refletidos no Novo Testamento. da qual derivou o plano principal das confissões batismais e das “regras de fé” que.

esgota completamente.dar por direito. IGNOTO. COGNOSCÍVEL.Pensador que viveu na Suíça por volta do ano 1875-1961.Conceito que é ou parece contrário ao comum.mas na realidade.Ponto de semenhança entre coisas diferentes.conceder. ANALOGIA.Consentir em.GLOSSÁRIO ADUZIDAS. e que supõe má fé por parte de quem o apresenta. absurdo. inteiro. JUNG.Teoria que afirma está todas as coisas determinadas.intent. 74 .Conforme a doutrina tida como verdadeira.que procede de análise. DESÍGNIO.o que está por natureza inseparavelmente ligado a uma coisa ou pessoa. SOFISMA.diz respeito aquilo que é complete.o Ponto mais elevado.Insondável.relative à ascensão.SEM ânimo. ASCENSIONAL.Vontade. intenção.trazer. impenetrável. PARADOXO. OUTORGAR. VOLIÇÃO. propósito. ORTODOXO. plano. INESCRUTÁVEL.Argumento aparentemente válido. projeto. não conclusive. contrasenso. DETERMINISMO. INANIMADO.Algo desconhecido. CABALMENTE. aprovar.que se pode conhecer. inclusive a salvação e a perdição. INERENTE. ÀPICE. apresentar ANALÍTICO. que sobe ou ascende. morto. perfeito. EXAURIR. pleno. SEM vida. apogeu.

Bibliografia Bíblia de estudo genebra Teologia sistemática vl1 (Wolfhart Pannernberg) Teologia sistemática (Louis berkhof) Teologia sistemática (Charles Hodge) Doutrinas bíblicas vl1 (Dr Martyn Lloyd-jones) Teologia SETAD (Marinho Espedito) Teologia sistemática (Franklin ferreira/Alan myatt) A Doutrina da trindade (Benjamin Breckinridge Warfield) 75 .

Nome: ________________________________________________DATA / / QUESTIONÁRIO (só uma das alternativas está correta) (sobre a doutrina de DEUS) 1) Os três primeiro passos para a finalidade da teologia são: □ □ □ □ A erudição. amar e agir Amar. a sabedoria e o orgulho Agir. pregar e conhecer Conhecer. profetiza e falar em outras línguas 2) O triteísmo e a doutrina que ensina: □ A onipotência □ Um deus em três formas □ Três pessoas em uma só essência □ Três deuses 3) Antropopatismo quer dizer: □ Atributos de DEUS □ Santidade de DEUS □ Sentimentos humanos a DEUS □ Forma humana a DEUS 4) O teísmo aberto ataca primeiro: □ A existência autônoma de DEUS □ A onisciência de DEUS □ Os atributos comunicáveis de DEUS □ O nome EL-SHADDAI 5) No estudo da soberania de DEUS ele é apresentado como: □ Criador e sua vontade como a causa de todas as coisas □ Antropomorfismo □ Triteista □ Mutável 76 .

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