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O FENÔMENO DO KITSCH

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Published by: Fabio Francener Pinheiro on May 01, 2012
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O FENÔMENO DO KITSCH

“Há algo de Kitsch no fundo de cada um de nós. O Kitsch é permanente como o pecado”. (MOLES,
Abraham. O kitsch. São Paulo, Perspectiva, 1986, p.29) Segundo Abraham Moles: a) Situações kitsch: - arte religiosa - arte de apartamento - decoração - épocas de civilização (barroco, art nouveau...) - lugares b) Atos kitsch: - atos criadores de objetos (industrialização do souvenir): artesanato e desenho industrial. c) Objetos kitsch: - objetos “sedimentares”, empilhando-se através dos tempos (ex: souvenirs numa estante) - objetos “transitórios” destinados à extinção (ex: acessórios da moda) - objetos “permanentes”, fadados a uma eternidade provisória (ex: um monumento arquitetônico). d) Princípios kitsch: - inadequação (desvio em relação à função), como o gigantismo ou miniaturização do objeto (ex: construções com formas fantásticas, bibelôs que reproduzem uma forma arquitetônica) - acumulação - percepção sinestésica (assalto simultâneo aos canais sensoriais) - meio-termo (meio caminho do novo e oposição à vanguarda) - conforto (exigência média), prazer ao indivíduo. e) Características do universo kitsch: - empilhamento (desrespeito à aura do objeto = ambiente Kitsch) - heterogeneidade - antifuncionalidade - decoração extremada e excesso de curvas - superfícies repletas de símbolos e adornos - combinação de muitas cores - materiais baratos disfarçados, imitando outros (plástico imitando madeira, gesso pintado de dourado) - surrealismo - extravagância. f) O kitsch pode se manifestar: - em objetos ou mensagens unitários que reúnem características kitsch - em conjuntos de objetos que constituem um sistema kitsch.

velhos. Também relaciona-se com a expressão popular “vender gato por lebre”. O fenômeno Kitsch é social e permanente. Um tipo de relação que o ser mantém com as coisas (o homem relaciona-se com as coisas que produz). Um estilo marcado pela ausência de estilo. Um estado de espírito que se cristaliza nos objetos. Os objetos e as coisas produzidos pelo homem refletem a cultura. Transformam-se em signos, assim como as palavras. Pode-se formular dois tipos de definições para o Kitsch: a) pelas propriedades formais dos objetos ou elementos do ambiente b) a partir das relações que o homem mantém com os objetos (criador e consumidor) O Kitsch opõe-se à simplicidade, e tende à inutilidade e ao consumismo. A emergência da classe média e a busca do conforto doméstico estão nas raízes do Kitsch. A alienação constitui um traço essencial do kitsch, uma vez que o ser é muito mais determinado pelas coisas do que elas por ele. OBS: Um objeto pode ser Kitsch para uma pessoa e não para outra, dependendo do ponto de vista social e cultural.

Segundo Oscar Contardo, o Kitsch seria a arte da felicidade própria do homem médio sem grandes metas intelectuais. Se prolifera nas sociedades de massa, entre os consumistas e os de fortuna recente.O conceito de Kitsch varia entre o sinônimo de mau gosto e um certo conformismo artístico. É um fenômeno conotativo, intuitivo e sutil. Apesar de “agradável aos sentidos”, o Kitsch não apresenta desafios intelectuais ou estéticos. É mais industrial e massivo do que artesanal e folclórico. Nada mais que algo chamativo, algo lindo que em qualquer momento pode ser substituído por outro objeto que esteja mais “na moda” e menos gasto. O Kitsch pode surgir em qualquer suporte: pintura, escultura, televisão, cinema ou literatura.

Histórico:
O termo KITSCH – a palavra aparece em Munique, Alemanha, por volta de 1860. Quer dizer atravancar (estorvar, embaraçar), ou fazer móveis novos com

Jean Baudrillard vê o kitsch como categoria cultural. A proliferação do fenômeno seria resultado “da multiplicação industrial e da vulgarização ao nível do objeto, dos signos distintivos tirados de todos os registros (o passado, o neo, o exótico, o folclórico e o futurista) e da oferta desordenada de signos ‘já feitos’”. Não há kitsch sem mobilidade social, sem a necessidade de evidenciar a ascensão na escala social através de signos materializados nos objetos. A função social do kitsch é “traduzir a aspiração, a antecipação social de classe, a filiação mágica à cultura, às formas, aos costumes e aos sinais da classe superior”. Neste contexto, o objeto artístico aparece como signo diferencial, capaz de gerar status pela sua unicidade.

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