Módulo II STH - SEGURANÇA E HIGIENE DO TRABALHO

11 – Avaliação de Riscos (AAE, ADB, ACC, AAF, MORT)
ANÁLISE DE ÁRVORE DE EVENTOS (AAE) - Event Tree Analysis (ETA) A Análise da Árvore de Eventos (AAE) é um método lógico-indutivo para identificar as várias e possíveis consequências resultantes de um certo evento inicial. A técnica busca determinar as frequências das consequências decorrentes dos eventos indesejáveis, utilizando encadeamentos lógicos a cada etapa de atuação do sistema. Nas aplicações de análise de risco, o evento inicial da árvore de eventos é, em geral, a falha de um componente ou subsistema, sendo os eventos subsequentes determinados pelas características do sistema. Para o traçado da árvore de eventos as seguintes etapas devem ser seguidas: a) Definir o evento inicial que pode conduzir ao acidente; b) Definir os sistemas de segurança (ações) que podem amortecer o efeito do evento inicial; c) Combinar em uma árvore lógica de decisões as várias sequências de acontecimentos que podem surgir a partir do evento inicial; d) Uma vez construída a árvore de eventos, calcular as probabilidades associadas a cada ramo do sistema que conduz a alguma falha (acidente). A árvore de eventos deve ser lida da esquerda para a direita. Na esquerda começa-se com o evento inicial e segue-se com os demais eventos sequenciais. A linha superior é NÃO e significa que o evento não ocorre, a linha inferior é SIM e significa que o evento realmente ocorre. O exemplo genérico do quadro abaixo representa esquematicamente o funcionamento da técnica de AAE.

Um exemplo fictício para proceder a análise quantitativa pode ser tomado como o esquema do quadro seguinte, que investiga a probabilidade de descarrilhamento de vagões ou locomotivas, dado que existe um defeito nos trilhos. Como pode-se observar, o descarrilhamento pode ser causado por qualquer uma das três falhas assinaladas e, portanto, a probabilidade de que um defeito nos trilhos produza descarrilhamento é a soma simples das três possibilidades, ou seja, 0,6%.

A técnica é útil para identificar o comportamento lógico de um sistema constituído por poucos componentes.ANÁLISE POR DIAGRAMA DE BLOCOS (ADB) A análise por diagrama de blocos se utiliza de um fluxograma em blocos do sistema. pela análise das probabilidades de sucesso ou falha de cada bloco. ou seja. a probabilidade de falha (insucesso) é: Q = (1. Desta forma. a) Exemplo de uma ADB para um sistema em série: Os valores P(A). a probabilidade de sucesso ou a confiabilidade do sistema como um todo é dada por: Na ilustração: P = P(A) x P(B) x P(C) Por consequência. calculando as probabilidades de sucesso ou falha do mesmo. P(B) e P(C) da figura representam as probabilidades de sucesso. Dependendo do sistema a análise pode ser feita em série ou em paralelo.P(A) x P(B) x P(C) .P) = (1 - ) = 1 . a confiabilidade de cada componente (bloco) do sistema.

[(1 . sucintamente. O processo consiste.P(B))] Definidas as probabilidades de falha. partindo-se para um lado.Em que condições o evento induz a outros eventos?. .P(A)) x (1 . determinando as causas. juntando com estas. também é feita através de símbolos.P(A)) x (1 . todas elas tendo sua sequência natural de ocorrência". representada por: Q = (1 . posteriormente cada evento desenvolvido é questionado: . em escolher um evento crítico.b) Exemplo de uma ADB para um sistema em paralelo: Exemplo da ADB em paralelo A probabilidade de sucesso para o esquema da figura acima será dada por: Na ilustração: P = 1 . . . da comunidade e de terceiros em geral. pode-se determinar o risco de cada sistema. com a discretização das consequências e para outro. .Quais as alternativas ou condições que levam a diferentes eventos?. as perdas previstas devido a ocorrência das mesmas.P) = = [(1 .Que outro componentes o evento afeta? Ele afeta mais do que um componente?. Trata-se de uma técnica que permite avaliar qualitativa e quantitativamente as consequências dos eventos catastróficos de ampla repercussão e verificar a vulnerabilidade do meio ambiente. A estruturação. a exemplo da árvore de falhas. então. De acordo com estes autores. ANÁLISE DE CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS (ACC) A Análise das Causas e Consequências (AAC) de falhas se utiliza das mesmas técnicas de construção da AAE e da Análise da Árvore de Falhas(AAF) que será vista a seguir.Quais os outros eventos que este evento causa?. "a tecnologia causa-consequência é um casamento da árvore de falhas (mostra as causas) e a árvore de eventos (mostra as consequências).P(B))] A probabilidade de falha para um sistema em paralelo é. O procedimento para construção de um diagrama de consequências inicia por um evento inicial.

ou seja. Consideram o método como "uma técnica de pensamento-reverso. A partir deste nível o sistema é dissecado de cima para baixo. Ela determina as frequências de eventos indesejáveis (topo) a partir da combinação lógica das falhas dos diversos componentes do sistema. As combinações sequenciais destes eventos formam os diversos ramos da árvore. chamado evento topo.ANÁLISE DE ÁRVORE DE FALHAS (AAF) .A. o principal conceito na AAF é a transformação de um sistema físico em um diagrama lógico estruturado (a árvore de falhas). A estrutura básica de construção de uma árvore de falhas pode ser sintetizada conforme a figura abaixo. Portanto. é certo supor que a árvore de falhas é um diagrama que mostra a inter-relação lógica entre estas causas básicas e o acidente. As duas unidades básicas ou comportas lógicas envolvidas são os operadores "E" e "OU". Segundo LEE et alli (1985). é um modelo gráfico que dispõe várias combinações de falhas de equipamentos e erros humanos que possam resultar em um acidente. onde são especificados as causas que levam a ocorrência de um específico evento indesejado de interesse. A diagramação lógica da árvore de falhas é feita utilizando-se símbolos e comportas lógicas. indicando o relacionamento entre os eventos considerados. . enumerando todas as causas ou combinações delas que levam ao evento indesejado.Fault Tree Analysis (FTA) A Ánálise de Árvore de Falhas . a pedido da Força Aérea Americana para avaliação do sistema de controle do Míssil Balístico Minuteman. Os eventos do nível inferior recebem o nome de eventos básicos ou primários. que indicam o relacionamento casual entre eventos dos níveis inferiores que levam ao evento topo.Watson dos Laboratórios Bell Telephone em 1961. cada uma examinada até que o analista tenha identificado as causas básicas de cada evento". O evento indesejado recebe o nome de evento topo por uma razão bem lógica. pois são eles que dão origem a todos os eventos de nível mais alto. A AAF é uma técnica dedutiva que se focaliza em um acidente particular e fornece um método para determinar as causas deste acidente. A AAF é um método excelente para o estudo dos fatores que poderiam causar um evento indesejável (falha) e encontra sua melhor aplicação no estudo de situações complexas. já que na montagem da árvore de falhas o mesmo é colocado no nível mais alto. o analista começa com um acidente ou evento indesejável que deve ser evitado e identifica as causas imediatas do evento.AAF foi primeiramente concebida por H.

diretamente. Cada comporta lógica tem implícita uma operação matemática. a probabilidade de ocorrência do evento topo será investigada pela combinação das probabilidades de ocorrência dos eventos que lhe deram origem. Embora tenha sido desenvolvida com o principal intuito de determinar probabilidades. dados do projeto. a avaliação qualitativa pode ser usada para analisar e determinar que combinações de falhas de componentes. A medida que se retrocede. é muito comumente usada também por seu aspecto qualitativo porque. O processo inicia com os eventos que poderiam. Já a avaliação quantitativa é utilizada para determinar a probabilidade de falha no sistema pelo conhecimento das probabilidades de ocorrência de cada evento em particular. Desta forma. etc. b) Revisão dos fatores intervenientes: ambiente. através da diagramação sistemática. dos eventos contribuintes e falhas levantados na etapa anterior. d) Através de Álgebra Booleana são desenvolvidas as expressões matemáticas adequadas. passo a passo. que representam as entradas da árvore de falhas. em qualquer situação a ser investigada. como técnica quantitativa. o relacionamento entre os eventos é feito através das comportas lógicas. determinando as condições. Simbologia lógica de uma árvore de falhas . cuja probabilidade de ocorrência deve ser determinada. em relação ao evento topo. em última análise. causar tal fato. até o evento topo. avaliação qualitativa e avaliação quantitativa. para proceder à análise quantitativa. podem ser visualizados. os vários fatores. desta forma e de maneira sistemática. podendo ser traduzidas. Desenhada a árvore de falhas.. deve ser realizada primeiramente a análise qualitativa.A AAF pode ser executada em quatro etapas básicas: definição do sistema. sendo que muitos analistas crêem que deste modo.o nível básico. mostrando o interrelacionamento entre estes eventos e falhas. e) Determinação da probabilidade de falha de cada componente. eventos particulares ou falhas que possam vir a contribuir para ocorrência do evento topo selecionado. contudo. construção da árvore de falhas. por ações de adição ou multiplicação. Assim. c) Montagem. erros operacionais ou outros defeitos podem causar o evento topo. o método de AAF pode ser desenvolvido através das seguintes etapas: a) Seleção do evento indesejável ou falha. Os resultados da análise quantitativa são desejáveis para muitos usos. A simbologia lógica de uma árvore de falhas é descrita no quadro a seguir. obter resultados quantitativos não requer muitos esforços adicionais. formando o primeiro nível . ou seja. são adicionadas as combinações de eventos e falhas contribuintes. exigências do sistema.

representa algumas das definições de álgebra booleana associadas aos símbolos usados na análise quantitativa da árvore de falhas. Suas regras e expressões em símbolos matemáticos permitem simplificar problemas complexos. 1 (V) 0 (F) 0 (F) 0 (F) NAND (NE) O módulo NAND indica que. Indica que. é necessário conhecer e relembrar algumas definições da Álgebra de Boole. Quando todas as entradas estiverem presentes. em segurança de sistemas. a proposição será verdadeira (V) e haverá uma saída. em estudos que envolvem decisões e mais recentemente. a proposição será falsa (F) se. É principalmente usada em áreas de computadores e outras montagens eletromecânicas e também em análise de probabilidades. e somente se. Quando nenhuma das entradas estiver presente. a proposição será verdadeira (V) e resultará uma saída. A Álgebra Booleana foi desenvolvida pelo matemático George Boole para o estudo da lógica. resultará uma saída. transcrito de HAMMER (1993). a proposição será falsa (F). Se uma das condições ou entradas estiver faltando. quando uma ou mais das entradas ou condições determinantes A0011* B0101 não estiverem presentes.Para proceder ao estudo quantitativo da AAF. 0 (F) A0011* B0101 0 (F) 1 (V) AND (E) NOR (NOU) O módulo NOR pode ser considerado um estado NO-OR (NÃO-OU). Ao A0011 + B0101 contrário. Módulo Símbolo Explicação Tabela Verdade OR (OU) O módulo OR indica que quando uma ou mais das entradas ou condições determinantes estiverem presentes. nenhuma das condições estiver presente 0 (F) 1 (V) 1 (V) 1 (V) 0 (F) O módulo AND indica que todas as entradas ou condições determinantes devem estra presentes para que uma proposição seja verdadeira (V). O quadro abaixo. quando uma ou mais entradas estiverem presentes. a proposição será falsa (F) e não haverá saída. 1 (V) 1 (V) 1 (V) 0 (F) Fonte: HAMMER (1993) Álgebra booleana e simbologia usada na árvore de falhas . a A0011 + B0101 proposição será falsa (F) e não haverá saída.

Bc Fonte: HAMMER (1993) Leis de absorção Leis distributivas Leis associativas Leis comutativas Lei de involução LEI Conjuntos complementos ou vazios Relações complementares Leis de idempontência Leis de dualização ( Leis de Morgan) Quadro 5. RELACIONAMENTO A. B)c = Ac + Bc (A + B)c = Ac .Em complemento. (B .B=B. B união C .0=0 A+0 =A A+1=1 (Ac)c = A A . o quadro a seguir apresenta as leis e fundamentos matemáticos da Álgebra de Boole. (A + B) = A A + (A . resultam em: E = A intersec. (A + C) A .Relacionamento e leis representativas da Álgebra de Boole Desta forma. para a árvore de falhas representada na figura abaixo as probabilidades dos eventos. (B + C) = (A .9. B) . B) = A (A .1=A A. C) = (A + B) . calculadas obedecendo-se às determinações das comportas lógicas. C A + (B + C) = (A + B) + C A . D D = B união C E = A intersec. C) A + (B .A=A A+A=A A. B) + (A . C) = (A .A A+B=B+A A . Ac = 0 A + Ac = 1 A. .

é possível a obtenção de um grande número de informações e conhecimento muito mais completo do sistema ou situação em estudo. O uso da árvore de falhas pode trazer. MANAGEMENT OVERSIGHT AND RISK TREE (MORT) O método conhecido como MORT é uma técnica que usa um raciocínio semelhante ao da AAF. o qual já tenha ocorrido. entretanto. que levam ao evento topo.P(E) = P(A intersec. B união C) Esquema de uma árvore de falhas A AAF não necessariamente precisa ser levada até a análise quantitativa. dentre os ramos da árvore. existem certas sequências de eventos centenas de vezes mais prováveis na ocorrência do evento topo do que outras e. Nesta árvore cada evento é uma ação do operador ou administrador. desenvolvendo uma árvore lógica. publicado por W. mesmo ao se aplicar o procedimento de simples diagramação da árvore. a AAF encontra aplicação para inúmeros outros usos. investigação de acidentes.G. sendo que as falhas de equipamentos ou condições ambientais não são consideradas. Além dos aspectos citados. decisões administrativas. o descobrimento de elementos sensores (alternativas de solução) cujo desenvolvimento possa reduzir a probabilidade do contratempo em estudo. A figura a seguir mostra um ramo de um estudo MORT. propiciando uma visão bastante clara da questão e das possibilidades imediatas de ação no que se refere à correção e prevenção de condições indesejadas. cálculo de confiabilidade. etc. portanto. outras vantagens e facilidades. ilustrando erros ou ações inadequadas de administração. Geralmente. quais sejam: a determinação da sequência mais crítica ou provável de eventos. como: solução de problemas diversos de manutenção. a identificação de falhas singulares ou localizadas importantes no processo. estimativas de riscos. O método pode ser também usado para esquematizar ações administrativas que possam ter contribuído para um acidente. só que com a particularidade de ser aplicado à estrutura organizacional e gerencial da empresa. Johnson apud OLIVEIRA(1991). é relativamente fácil encontrar a principal combinação ou combinações de eventos que precisam ser prevenidas. ainda. . para que a probabilidade de ocorrência do evento topo diminua.

Esquema de um estudo MORT .

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