Você está na página 1de 31

1. Método, Economia e Eficiência nos Estudos

AUTOR: João Álvaro Ruiz

  • 1.1 APRENDER A APRENDER NA FACULDADE

Quem acaba de ingressar numa faculdade precisa ser informado sobre a maneira de tirar o máximo proveito do curso que vai fazer. Em primeiro lugar, o calouro vai perceber que muita coisa mudou em comparação àquilo com que estava acostumado em seus cursos de primeiro e segundo graus. E quem não souber compreender devidamente o espírito da nova situação para adaptar- se ativa e produtivamente a ela perderá preciosa oportunidade de integrar-se desde início no ritmo desta nova etapa de ascensão no saber, que se chama vida universitária.

Dizíamos que muita coisa mudou, e que é preciso entender o espírito desta mudança propositada e necessária, com vistas na adaptação a uma organização ativa e produtiva na vida de estudos.

No curso médio, o estudante deve estar na sala no horário exato, e não pode ausentar-se antes da saída do professor. Nos cursos universitários geralmente não se exige semelhante rigor; quem não chegar a tempo pode assistir às aulas seguintes, e quem tiver necessidade de ausentar-se, antes do término da última aula, pode fazê-lo. No curso médio, o estudante leva para casa tarefas diárias; não acontece o mesmo na faculdade. No curso médio os alunos andam uniformizados, não podem fumar no recinto da escola e as classes são bastante homogêneas; no curso superior nada disso acontece; as salas de aula são mais amplas e bastante heterogêneas; não raro, ao lado de um jovem de dezoito anos senta-se um diretor de escola ou um gerente de empresa. Os programas do curso médio apresentam dificuldade igual para todos os estudantes, enquanto na faculdade a formação heterogênea dos alunos faz com que os programas não apresentem dificuldades iguais para todos. No colégio, os diretores e os professores dão ordens e fiscalizam seu cumprimento; na faculdade, os acadêmicos recebem orientações. Afinal, na faculdade, todos são tratados como

adultos responsáveis e capazes de dirigir a própria vida social, disciplinar e de estudos. Sempre, porém, há o perigo de má interpretação deste novo clima, especialmente quando não se é, de fato, adulto e responsável.

Que pensar do acadêmico que não se preocupa com a pontualidade porque o professor respeita seu direito de chegar com algum atraso, por motivo que um adulto julgaria razoável? O que acontecerá com o acadêmico que não organiza seu tempo de estudo particular para preparar aulas, para fazer revisões, só porque o professor não estabeleceu o controle das tarefas diárias? Que se há de esperar do aluno que esquece orientações porque elas não se formalizaram como "ordens"?

Quem acaba de entrar para a faculdade percebe que muita coisa mudou, e deve perceber que também ele precisa mudar, especialmente na responsabilidade, na autodisciplina e na maneira de conduzir sua vida de estudos, para tirar o maior proveito possível da excelente oportunidade de crescimento cultural que a faculdade lhe oferece.

Neste primeiro capítulo de nosso curso de Metodologia Científica, vamos compendiar uma série de considerações muito simples, porém muito importantes sobre método, economia e eficiência nos estudos no curso universitário.

Muitos calouros confessam que aprenderam muita coisa, mas que nunca aprenderam a estudar, isto é nunca aprenderam a aprender. Quem reconhece a própria carência já deu o passo mais importante para se dispor a tomar o remédio adequado. E sempre haverá o que aprender para melhorar o rendimento de nossos trabalhos, de nossos estudos e, dessa forma, aumentar nossa satisfação pessoal nos êxitos alcançados. Esta parte introdutória e eminentemente prática de nosso trabalho deverá, pois, interessar vivamente a todos nossos universitários.

Quem acaba de ingressar na faculdade sabe como deve orientar seus estudos particulares? Sabe como participar ativa e produtivamente das aulas? Sabe ler com eficiência, tomar apontamentos, levantar esquemas, fazer resumos, desenvolver temas, redigir trabalhos? Julga-se satisfeito porque entendeu tudo ou quase tudo o que o professor disse? Percebe que aprender é principalmente analisar, assimilar, reter e ser capaz de reproduzir com inteligência? Observe que as sabatinas, ou provas, não examinam o que se entendeu vagamente sobre um problema apresentado; examinam, sim, quanto se reteve e como se é capaz de reproduzi-lo adequadamente.

Fazer um curso superior não é ouvir aulas para conseguir adivinhar testes, mas instrumentar-se para o trabalho científico. Mais vale esta instrumentação do que o conhecimento de uma série de problemas ou o aumento de informações acumuladas assistematicamente; ou seja, como já disse, mais vale uma cabeça bem feita do que uma cabeça bem cheia (de informações, de erudição). Nesse sentido terá feito bom curso superior não tanto aquele que for capaz de repetir o que aprendeu, mas aquele que, diante de problemas completamente novos, tiver nível e método para empreender uma pesquisa séria e profunda. Nesse sentido, diz Mira y López que aprender é aumentar as riquezas de recursos de que dispomos para enfrentar os problemas que nos apresenta a vida cultural.[1]

Não se esperem amplos desenvolvimentos de teses nem elencos de conselhos neste livro estritamente elementar, mas tão somente algumas considerações sobre temas de real importância para a eficiência de um curso superior. Tudo será simples, como é simples uma vacina que salva da morte. Não se confunda a simplicidade, praticidade, com inutilidade ou superficialidade. É evidente que, ao examinar-se um conceito muito simples, se procure, de preferência, verificar se ele está sendo posto em prática, e com que resultados.

Há uma generalizada curiosidade entre jovens a respeito de discussões teóricas sobre o método mais perfeito para estudar e aprender; para estudar e aprender muito. Não se verifica o mesmo interesse em adotar e pôr em prática, com empenho e perseverança, nem o método mais perfeito nem outro método qualquer, porque, na verdade, nenhum método é perfeito a ponto de dispensar o trabalho que não se quer ter. Mas a idéia de um método que torne mais eficiente o trabalho é muito válida. Podemos e devemos conhecer para crescer culturalmente. Não será difícil reconhecer um bom método; não será fácil arregimentar disposições para pô-lo em prática com perseverança. Só esta decisão garantirá bom rendimento e satisfação pessoal nos estudos, melhorará a capacidade de compreensão e facilitará a assimilação e a retenção, desenvolverá a capacidade de análise e o poder de síntese, aumentará progressivamente a clareza e a profundidade dos conceitos, conferirá eficácia à comunicação, disciplinará e exercitará a mente.

Quem acaba de ingressar numa faculdade precisa ser informado sobre a maneira de conseguir pleno êxito no curso que vai fazer. Deve aprender a aprender na faculdade. Deve ler e analisar as considerações exaradas neste primeiro capítulo.

1.2 TEMPO PARA ESTUDAR

O progresso é, em grande parte, uma luta contra ponteiros do relógio. Pergunte-se ao empresário e ao industrial quanto vale o tempo, isto é, quanto vale o bom aproveitamento do tempo como fator de produção, custo e comercialização de seus produtos.

O primeiro passo para quem quer estudar consiste em reorganizar a vida de maneira a abrir espaços para o estudo e planejar o melhor aproveitamento possível de seu tempo.

Há quem imagine que deva fazer um curso superior sem dispor de tempo para estudar, ou mesmo para freqüentar as aulas dos diversos cursos; e chega-se a imaginar que a apresentação documentada de sua total falta de tempo seja motivo nobre e suficiente para dispensa das aulas, dos trabalhos, dos estudos, afinal, da obrigação de fazer o curso. Como pretende estudar quem não pode estudar? É um ser curioso o aluno que pretende conciliar o estudo com a impossibilidade de estudar.

Ninguém desconhece o sacrifício da quase totalidade de nossos acadêmicos, que vão para suas escolas após uma jornada de oito horas ou mais de trabalho profissional. Se

isso é sumamente louvável, não o exime, por outro lado, do compromisso de estudar e, portanto, de descobrir tempo para estudar. É preciso descobrir tempo. Tempo para freqüentar as aulas dos diversos cursos, e tempo para estudos particulares. Se procurarmos, o tempo aparecerá. E lembremo-nos de que meia hora por dia representa três horas e meia por semana, quinze horas por mês e cento e oitenta horas por ano. E quem não conseguiria descobrir um ou mais espaços de meia hora em sua jornada? Ou quem não conseguiria fazer aparecerem esses espaços, se o quisesse realmente? Ou será que esses espaços não aparecem porque nós não os procuramos, por medo de encontrá-lo? Quem quer descobre tempo, cria tempo, especialmente nós, brasileiros, que somos, por assim dizer, capazes do impossível.

1.3 PARA DESCOBRIR TEMPO

A maneira mais prática de descobrir ou fazer aparecer o tempo consiste em tomar uma folha de papel, anotar os diversos dias da semana em linha horizontal e os diversos afazeres em linha vertical; registrar depois, na coluna de cada dia da semana, as horas plenas e os possíveis espaços ociosos, como segue:

Segunda-feira

Afazeres

Início

Término

Tempo

Levantar

7:00

7:00

 

Higiene

7:00

7:30

Meia hora

Transporte

7:30

8:00

Meia hora

Trabalho

8:00

12:00

Quatro horas

Almoço

12:00

14:00

Duas horas

Etc.

É evidente que a meia hora de higiene pode ser reduzida e que se pode levantar dez minutos mais cedo, abrindo um espaço utilíssimo logo de manhã. E não seria muito aproveitar quinze minutos dos cento e vinte reservados para intervalo de almoço. E será fácil o hábito de ler dez minutos antes de dormir.

Eis uma pergunta que surgirá fatalmente a esta altura: podem-se aproveitar dez minutos apenas para uma seção de estudos?

Não será esta a duração ideal, é evidente. E quem não conhece outros detalhes sobre leitura, revisão e fichamento pouco ou nada produzirá em dez minutos. Mas quem souber ler, quem considerar e puser em prática nossas indicações sumariadas sobre técnicas de leitura eficiente, de revisão e de fichamento, certamente lerá boas páginas em dez minutos, descobrirá e assinalará a idéia principal ou central, as palavras-chaves e os pormenores importantes no contexto.

Entenda-se que não basta descobrir tempo: é necessário desenvolver técnicas para tornar qualquer tempo produtivo. Por ora, entretanto, nossa preocupação consistirá numa revisão de nossa jornada, com o propósito de descobrir ou de fazer aparecer qualquer porção de tempo que possa ser reservada a nossos planos de estudo.

Quanto menos tempo tivermos, mais motivados deveremos estar para aproveitá-lo ao máximo. Há alunos de períodos noturnos que trabalham oito ou mais horas por dia, e que conseguem resultados, em seus estudos, bem maiores que alunos de outros períodos que não trabalham ou que só trabalham em regime de meio expediente. Isso não se explica pelo tempo disponível, mas pelo seu melhor aproveitamento.

Aliás, não raro o estudante se esquece de considerar, como tempo para estudo, as horas que passa nas salas de aula, como se não devesse cuidar do aproveitamento máximo de tempo tão precioso. Entretanto, por sua particular importância, trataremos deste item mais adiante, com maior cuidado.

1.4 PROGRAMAR A UTILIZAÇÃO DO TEMPO

Depois de reconsiderar, de lápis na mão, sua jornada, com a atenção do empresário que luta contra os ponteiros do relógio para poder produzir mais e a menor custo, devemos programar a utilização dos espaços de dez minutos, de meia hora, de possíveis horas inteiras que possam ser reservadas para o estudo, sem prejuízo das horas de lazer. Aliás, aproveitar intensamente e tempo é uma espécie de condição para se dar sentido às horas de lazer e para desfrutá-las intensamente. Parece que a satisfação e a força restauradora das horas de lazer são proporcionadas ao bom aproveitamento e à intensa produtividade das horas de trabalho. Quem, nas horas de lazer, se preocupa com tarefas não cumpridas nas horas de trabalho não descansa nunca, nem nas horas de trabalho, nem nas horas de lazer.

Não basta determinar, ao longo de nossa jornada, espaços para estudar. É preciso que se determine o que estudar em cada horário de maneira programática, embora se alterem planos determinadas circunstâncias ou se façam remanejamento periódicos, ou se deixem alguns horários opcionais.

Esta exigência não deve parecer excessiva ou ilusória. A programação do que fazer em cada horário evita vacilações, indecisões, adiantamentos; evita, exatamente, a perda do tempo reservado ao estudo, ou sua má utilização. Se não houver uma prévia determinação programática, não aproveitaremos o tempo, simplesmente, ou estudaremos só o que mais nos agrada, o que é um mal muito menor.

A perseverança no cumprimento do programa é o maior problema. Geralmente, nosso tempo é pequeno, mas o pior é que o pequeno espaço de tempo se converte em nada pela falta de perseverança.

O horário que o acadêmico descobriu ou fez aparecer para dedicar-se ao estudo deve ser preenchido com três atividades que perfaçam o ciclo e criem o ritmo de

trabalho eficiente, a saber: preparação para aula, revisão de aula e revisões gerais para provas e exames. Trataremos, separadamente, do "grande tempo das aulas".

1.5 HORÁRIO DE PREPARAÇÃO PARA A AULA

O estudante deve ter à mão o programa, bem como seu material de estudo, tais como: livros de texto, bloco para anotações, um bom dicionário, apostilas ou fontes indicadas para leitura de aprofundamento.

O estudante deverá ler previamente a matéria que será desenvolvida durante a aula, por uma série de razões, em primeiro lugar, essa leitura será feita em poucos minutos e aumentará o rendimento das várias horas de aula que o professor utilizará para seu desenvolvimento em classe. Ora, se é possível conseguir, com trabalho prévio de meia hora, aumentar o rendimento de várias horas de trabalho posterior, essa leitura prévia representa economia e eficiência no trabalho. Além disso, esta leitura prévia permitirá que se assinalem à margem do texto, com simples sinal de interrogação, problemas que exigirão entendimentos durante a aula. Estas anotações permitirão uma espécie de regulagem da atenção, pois, enquanto estão em pauta passagens de fácil entendimento, o aluno que preparou sua aula prestará uma atenção de intensidade normal; mas, à medida que o desenvolvimento da aula caminha para passagens anotadas com uma simples interrogação, ou reformulada à margem sob forma de problema, redobrará sua atenção. Se tudo ficou claro agora, muito bem; caso contrário, eis o momento de formular sua dúvida inteligente.

Quem não preparou sua aula não pode distribuir convenientemente a intensidade de sua atenção e pode não fazer perguntas, porque nem sabe que não entendeu. E os problemas mais difíceis, irão avolumando enormemente seu trabalho extra-aula, que se tornará antieconômico e reduzirá sensivelmente o rendimento escolar.

Outra razão para a leitura prévia do assunto a ser desenvolvido em classe é a qualidade dos apontamentos e das anotações. Os apontamentos dos alunos que vão para aula preparados são sóbrios, claros e focalizam o essencial, enquanto os apontamentos dos que estão tendo contato pela primeiríssima vez com o assunto da aula são difusos, desordenados, obscuros, captam passagens secundárias e omitem o principal. Tais apontamentos são um estorvo e não uma ajuda substancial ao trabalho de revisão e preparação de provas e exames.

Não deve restar dúvida sobre a importância de se reservar no próprio horário de estudo espaço suficiente para a leitura prévia dos assuntos de aula. Essa leitura, que poderá ser feita em poucos minutos, determinará melhor rendimento durante as aulas, inteligente distribuição da atenção, ordem, clareza e perfeição nos apontamentos e grande economia de tempo e trabalho nas revisões.

Entender isso parece muito fácil; não é tão fácil agir dessa forma. É preciso decidir- se a começar, fixar o hábito e sentir de perto as vantagens de tal disciplina de trabalho. Quem tem muito tempo pode proceder dessa forma; quem tem pouco tempo deve

agir deste modo, pois representa extraordinária economia de tempo, especialmente nas revisões, e é fator de eficiência na vida escolar.

  • 1.6 HORÁRIO DAS REVISÕES DAS AULAS

Não basta preparar-se para a aula e conseguir entender tudo enquanto o professor desenvolve o assunto. É claro que isso é muito importante; mas não é tudo. É necessário fazer revisões, e nestas revisões procurar questionar o assunto da aula e

responder claramente às questões ao menos mentalmente. Dizemos ao menos mentalmente porque seria melhor reproduzir por escrito as questões fundamentais. Às vezes nos iludimos pensando que entendemos tudo muito bem, mas, ao procurar formular questões precisas sobre o assunto da aula e ao responde-las por escrito, percebemos que não conseguimos. E não vale a desculpa de que entendemos mas temos dificuldade de expressão. Temos vocabulário e recursos suficientes para exprimir tudo o que entendemos, embora nos faltem recursos para traduzir tudo o que sentimos. Ninguém pode Ter dificuldade de exprimir idéias claras e distintas; a presença da dificuldade, pois, atesta que nossas idéias não estão tão claras e distintas. Quando o aluno se prepara para a aula e, por isso mesmo, aproveita-a ao máximo, o trabalho de revisão torna-se fácil e não toma muito tempo.

Devemos distinguir duas espécies de revisão, e planejar espaços para ambas em nosso programa de horários reservados para o estudo. À primeira denominamos revisão imediata; essa é a revisão que se faz da aula anterior, antes da aula subseqüente, ou por ocasião da preparação dessa. Toma pouco tempo, porque o processo de esquecimento ainda não se desencadeou com sua ação demolidora. Para algumas matérias seria interessante que a revisão consistisse na elaboração sumária do assunto com o auxílio da bibliografia e dos apontamentos de classe. À segunda, revisões globalizadoras ou integradoras. As aulas segmentam os assuntos em unidades, em itens e sub-itens, de acordo com os preceitos da pedagogia e a seqüência lógica dos problemas. Não entendemos tudo de uma vez; nosso raciocínio é discursivo, isto é, passa de um ponto para outro, discorre, caminha, flui. De outro lado, o todo complexo deve ser desdobrado em partes, pela análise, para que possam ser definidos seus componentes. Assim, são desmembradas, em aula, as partes dos vários assuntos. Restará para o aluno o trabalho de síntese, reunificação e integração das partes no todo. Este importantíssimo trabalho de revisão globalizadora é o mais eficiente recurso de organização da aprendizagem, bem como a mais válida preparação de provas e exames.

  • 1.7 HORÁRIO DAS REVISÕES PARA PROVAS E EXAMES

As provas e sabatinas são exatamente, recursos pedagógicos utilizados não só para efeito de avaliação dos alunos, mas também para induzi-los a fazer revisões globalizadoras periódicas. Pode, pois, o acadêmico programar suas revisões globais para a época das provas e sabatinas.

Queremos observar que a esta altura dos ciclos de estudo bem ordenados não é

hora de entender, mas de rever apenas. Há alunos que vão acumulando matéria pouco elaborada e problemas não compreendidos nem durante a preparação da aula, nem durante a aula, nem nas revisões imediatas, que, neste caso, não estariam totalmente sendo feitas, e que deixam tudo para as vésperas das provas e sabatinas; isto é um erro de conseqüências trágicas para a eficiência dos cursos e até para a saúde física dos desorganizados e imprudentes, que se vêem na continência de serem reprovados ou de intensificarem extraordinariamente seus esforços de última hora, que trazem muitos prejuízos para a saúde e muito pouco beneficio para o estudo. A natureza não dá saltos; as árvores crescem lentamente, e dão fruto no tempo devido; planta que cresce muito depressa não tem cerne forte. O estudo deve ser também um processo de desenvolvimento lento e constante para que possa dar bons frutos em tempo oportuno.

Quem se preparou para as aulas, quem trabalhou em classe como adiante reveremos, quem fez revisões imediatas revisões periódicas globalizadoras aproveitará muito bem o tempo de preparação para os exames e as revisões de fim de curso, que são extraordinariamente vantajosas.

1.8 O GRANDE TEMPO DE TODO ESTUDANTE

O grande tempo de todo estudante são as aulas. Pretendemos desenvolver um pouco mais este item por julgá-lo da mais alta importância. E nosso objetivo, como sempre, será predominantemente prático ou atitudinal, pois visamos despertar consciência e motivar atitudes a partir de esclarecimentos teóricos que serão apenas sumariados.

O aluno que, após um dia de trabalho, ao invés de ir para sua casa, toma o rumo da faculdade, às vezes, mesmo sem tempo para uma refeição, e, contrariamente a tudo o que poderia supor, não aproveita as aulas, é um incoerente.

O aluno que paga uma faculdade para adquirir o direito a uma carteira dura, onde possa perder tempo durante as aulas, está clamando aos quatro ventos que lhe falta algo muito importante na caixa craniana.

Nunca será demasiadamente encarecida aos estudantes, especialmente aos principiantes dos cursos universitários, a importância do tempo-aula, pois não basta oferecer a quem quer ser pianista um belo exemplar do instrumento e a mais completa coleção de métodos. Na generalidade dos casos, é indispensável a freqüência às aulas, pois aí terá o aluno a orientação do professor.

Sabemos que a causa principal da aprendizagem é o aluno, é o próprio aprendiz.

De fato, a aprendizagem, concebida como resultado do processo da educação formal institucionalizada na escola, tem por agente principal o próprio aluno. O mestre não reparte sua ciência entre os alunos, nem fica mais pobre de conhecimento depois de cada aula, porque o aluno adquire por ai mesmo a ciência sob a ajuda externa do mestre. Quem causa os frutos é principalmente a árvore, embora o faça sob a ação do agricultor; quem sara é principalmente o organismo do enfermo, embora sob a ação do médico e dos medicamentos; quem aprende é principalmente o aluno, embora sob a ação do mestre.

Deve haver na planta, no enfermo e no aluno um princípio intrínseco, ativo, operante, capaz de produzir os efeitos da frutificação, da cura, da aprendizagem. A ação do agricultor, do médico e do mestre tem caráter de causa eficiente auxiliar, coadjuvante apenas. Quem dá frutos ou não é a árvore; quem sara ou não é o próprio organismo; quem aprende ou não é o aluno. Ninguém ensinará a um cabrito o teorema de Pitágoras; por isso, o magistério já era denominado pelos antigos "ars cooperativa naturae", ou seja, o magistério apenas coopera com a natureza, mas é ela que reage ativamente à arte do magistério. É esta reação, quando existe, a causa da aprendizagem e é por isso que ninguém pode fazer um poste dar frutos, ou curar uma múmia, ou ensinar teoremas a cabritos.

Lembramos esta indiscutível verdade não para diminuir a importância da ação do mestre, mas para acentuar a responsabilidade do aluno. Quem ensina exerce uma ação exterior e auxiliar apenas, é verdade, mas esta ação é importantíssima no complexo processo da aprendizagem, como se pode depreender das considerações que seguem. O mestre é necessário para ensinar como aprender. O mestre é necessário para justificar por que aprender e por que estudar isso antes daquilo. O mestre é necessário para a seleção de recursos, de instrumentos adequados ao trabalho do estudante, bem como para iluminar com sua ciência objetos que a mente do aluno não veria fora desta luz. O mestre é necessário como mediador entre o programa e o aluno.

A ação do mestre é uma arte sui generis, porque ele trabalha com um material que se molda a si mesmo. Formar não significa, em educação, prensar numa matriz para dar a um material a forma que se deseja. Quem trabalha material passivo são os escultores, por exemplo, não os mestres.

A vantagem do mestre é que ele já conhece o caminho certo e os desvios perigosos; conhece os alunos como o médico conhece seus doentes e o agricultor conhece suas sementes e sua terra.

Há quem se ilude imaginando que aproveitaria melhor seu tempo ficando a estudar em casa ao invés de ir às aulas. Isto pode ser até verdade em alguns casos, em alguns dias, quando já se está orientado para determinados estudos. Mas, tomando-se o curso como um todo, pensar que se aproveita mais ficando em casa, sem orientação, sem a ajuda que as aulas prestam no complexo fenômeno da aprendizagem metódica, é uma grande ilusão. Fosse isso verdade, seria muito mais econômico aos cofres públicos dar uma biblioteca básica para cada família do que manter a gigantesca rede oficial de ensino.

Cremos ter acentuado a decisiva e primacial importância do aluno no processo da aprendizagem, bem como a importância decisiva, embora apenas auxiliar, do professor. Examinaremos a seguir como deve proceder o aluno em aula, para que se beneficie ao máximo do precioso tempo que passa na escola.

1.9 COMO APROVEITAR O TEMPO DAS AULAS

Na quase generalidade dos casos, acreditamos que o tempo que o aluno passa nas salas de aula constitua a maior parte do tempo que dedica aos estudos. E não se justifica o esforço de encontrar ou fazer aparecer pequenos espaços para os estudos dentro da jornada de trabalho, se não se procurasse, principalmente, aproveitar ao máximo o tempo, dilatado por mais de três horas, que o aluno passa diariamente na sala de aula. Aliás, ninguém compreenderia o aluno empenhado nos estudo fora da sala de aula, surdo aos convites da televisão e dos amigos, que, por outro lado, fosse desinteressado pelo rendimento de seu tempo durante as aulas.

O aluno que não aproveita o tempo das aulas com empenho já está julgado: não leva a sério sua vida de estudos.

Em primeiro lugar, para aproveitar o tempo das aulas, é preciso freqüentá-las. E é muito importante que se esteja em sala desde o início das aulas, primeiro porque aquele que chega depois do início da aula tem dificuldade de apanhar-lhe o fio e, em segundo lugar, porque geralmente quem chega atrasado causa certa perturbação e prejudica o andamento da aula. Quando não houver outra opção senão a de chegar atrasado, seja discreto e sente-se logo, sem chamar muito a atenção. Há tipos que batem à porta, pedem licença, cumprimentam o professor, justificam-se do atraso e caminham lentamente até a última cadeira, parando de quando em quando para murmurar aos ouvidos deste ou daquele colega, sentando-se finalmente, após alinhar melhor sua cadeira com um razoável estrondo! E quando alguns daqueles que estão sempre prontos para tudo, o que represente perda de tempo se voltam para vê-lo, o ridículo auto despoliciado está sorrindo de felicidade por ter sido objeto de alguma consideração.

Não basta ir às aulas e chegar antes de seu início. É preciso levar consigo material adequado ao trabalho do dia. Quem só leva o jornal ou alguma revista ilustrada carrega consigo estímulos à distração própria e à dos companheiros. É preciso levar os livros recomendados pelo professor, o texto que serviu para preparação da aula, bem como o material para apontamentos.

É muito importante guardar silêncio exterior para não distrair os outros e silêncio interior para não distrair a si próprio. O silêncio interior consiste em deixar fora da sala todo problema que nada tem a ver com a aula. É este silêncio interior que permite concentração mais profunda e menos cansativa. O silêncio exterior cria o clima necessário ao bom rendimento da aula. O barulho e as conversinhas em sala distraem os demais e refletem no próprio ânimo do professor. Não é fácil manter-se em ritmo

de trabalho, de dedicação e concentração diante de uma classe barulhenta e de alunos conversadores. Querem os alunos que uma aula seja boa? Comecem por oferecer ao professor condições materiais de trabalho.

Em aula, não adianta ficar sonhando com problemas domésticos, profissionais ou financeiros. Só vale a pena pensar naquilo que está sendo desenvolvido no momento.

Cada um deve criar seu silêncio interior e concentrar-se suave e ativamente no assunto em exame.

O silêncio exterior e o interior não devem ser estendidos como imposição externa, mas como autodisciplina de alunos conscientes de sua necessidade. Que se diria de um grupo de jovens que se dirigissem ao teatro, pagassem seus ingressos e depois ficassem a conversar alheios ao desenrolar da peça? Não incomodariam aos demais presentes? Não quebrantariam os ânimos dos atores? Não estariam a diminuir-se ante a crítica de todos?

Quando reina silêncio exterior e interior, quando a fantasia repousa e a boca se fecha, o espírito se abre e a inteligência atua em melhores condições.

Neste clima e nesta atitude favorável ao trabalho o aluno acompanha a exposição do mestre, participa ativamente dos debates, toma apontamentos e, principalmente, não deixa sem esclarecimento nenhum ponto obscuro ou duvidoso. É muito importante não levar dúvidas ou pontos obscuros para casa; debata-os até seu razoável esclarecimento. Às vezes, determinado assunto constitui ponto de particular interesse deste ou daquele aluno, mas não interessa aos demais. Em casos semelhantes, o professor poderia ser procurado em particular, dentro de sua disponibilidade de tempo, fora do horário de aula.

Devemos ainda lembrar que todos, professores e alunos, devem empenhar-se no sentido de manter um clima cordial de relacionamento. O trabalho em sala de aula é cansativo tanto para os alunos como para os professores, mas o peso normal do trabalho ficará agravado, e chegará, por vezes a se tornar insuportável se não houver cordialidade.

Quando se instalam e se avolumam certas barreiras de desafeto mútuo, a aula torna-se desgastante ao extremo. Trabalhar com aluno atento, empenhado, participante e cordial causa uma satisfação íntima que, de certa forma, diminui ou compensa o peso do trabalho e os alunos beneficiar-se-ão, porque um professor animado com sua classe produz muito mais; esse aspecto concorre também para o crescimento da cordialidade. Neste sentido, podemos dizer que cada classe tem a aula que merece.

E se surgir um problema entre alunos e professor? Caso isto aconteça, o problema deve ser enfrentado com elegância e correção. Nem se deve fugir dele, nem se deve ultrapassar os limites do comedimento. Em primeiro lugar, o representante da classe poderá abordar o professor e dialogar com ele em particular, caso o problema seja de toda a classe. A segunda instância poderá ser a exposição objetiva do problema ao

coordenador do departamento, que deverá falar com o professor e, eventualmente, com a classe. Em terceiro lugar, o assunto poderia chegar ao diretor pedagógico, ao diretor administrativo, e assim por diante, até ao Ministério da Educação. O que não se deve é levar o problema diretamente ao presidente ou aos diretores da faculdade. Normalmente, o assunto ficará encerrado no primeiro contato com o professor. Da mesma forma, o professor deverá, em primeiro lugar, entender-se com o representante da classe ou com a classe toda, em diálogo franco e comedido; em segunda instância será o coordenador do departamento, e assim por diante. A experiência ensina que um diálogo franco, honesto e comedido entre professor e alunos, ou seu representante, não só resolve os problemas, mas também estreita os laços de respeito e de cordialidade mútuos.

1.10 COMO APROVEITAR O TEMPO EM REUNIÕES DE GRUPO

Difunde-se cada vez mais a prática salutar do estudo em grupos nos meios universitários. Para uma classe nova de alunos que não estejam familiarizados com esta forma de atividade, tais reuniões podem representar apreciável perda de tempo, podem angustiar alunos e gerar frustrações. Vamos, pois, neste livro dedicado aos que acabam de ingressar na faculdade, considerar este problema especialmente em seus aspectos mais práticos e gerais. Saibam os alunos que o estudo em equipe é muito proveitoso sob todos os aspectos, quando todos os seus componentes assumem sua parcela de responsabilidade e se dispõem a trabalhar, contribuir e participar ativamente. Todos devem trabalhar, não só estes ou aqueles, porque são julgados mais inteligentes ou menos ocupados.

Logo no início do semestre, a classe deve distribuir-se em grupos de sete ou oito participantes, aproximadamente, e é aconselhável que cada grupo escolha um coordenador. Incumbiria ao coordenador entrar em contato com os professores quando for conveniente, tratar dos interesses de seu grupo junto ao representante de classe, presidir e coordenar reuniões, organizar e distribuir funções, anotar e cobrar a colaboração de cada integrante do grupo.

A primeira exigência para que um grupo funcione e atinja em suas reuniões os objetivos previstos por esta estratégia de trabalho consiste exatamente na organização prévia do próprio grupo, que deve reunir alunos que tenham facilidade de se comunicar e de se encontrar fora da escola também. Vamos enumerar outras exigências ou normas necessárias ao bom andamento dos trabalhos dos grupos para que haja bom aproveitamento do tempo consagrado a reuniões:

1. Ao receber um tema para trabalho, o grupo deve reunir-se o mais rapidamente possível para programar suas reuniões e proceder a uma primeira distribuição de tarefas preparatórias à primeira sessão de trabalho. Se o tema já estiver definido e a bibliografia já tiver sido apresentada pela cadeira, o primeiro trabalho consistirá na busca de fontes; cada participante não só se responsabilizará por providenciar determinado texto, como também deverá lê-lo e esclarecer suas dificuldades antes da

reunião da equipe. O coordenador anotará estes compromissos e os solicitará ordenadamente na reunião seguinte. Esta primeira reunião não deverá encerrar-se sem que estejam bem esclarecidos o local, a data e o horário do próximo encontro.

  • 2. Todos deverão providenciar os textos pelos quais se responsabilizaram, e deverão

estudá-los conforme será explicado em nosso capítulo a respeito do "estudo pela leitura trabalhada" . Sempre que se tratar de pesquisa bibliográfica, como geralmente acontece, o primeiro passo é providenciar a bibliografia, os livros e os textos. Isto é evidente. Entretanto, há por aí grupos que se reúnem sem material conveniente ou, quando há material, fazem a primeira leitura durante a reunião de equipe. A leitura prévia é necessária para o bom andamento dos trabalhos.

  • 3. Há uma ordem para que os participantes apresentem os textos pelos quais se

responsabilizaram e comuniquem brevemente seu conteúdo. Em primeiro lugar, o coordenador passará a palavra àqueles que se encarregaram de pesquisar generalidades em dicionários, enciclopédias e manuais didáticos. Em seguida, solicitará a contribuição daqueles que se responsabilizaram pela análise prévia de segmentos do texto básico.

  • 4. Não se devem alongar debates antes que se chegue ao final de uma primeira

apresentação de generalidades da leitura do texto básico. Só depois deste primeiro passo é que se deve voltar ao início para um contato mais íntimo com o texto para

levantar seu esquema. para discutir suas idéias principais, para avaliar a coerência interna das idéias, para ponderar o vigor dos argumentos, a perfeição da análise, e assim por diante, conforme esclareceremos no próximo capítulo.

  • 5. De acordo com o nível do grupo ou de sua familiaridade com o assunto em pauta,

espera-se que os debates, ao final, ultrapassem o texto, ou seja, caminhem além do texto numa reabordagem crítica de sua tese e de seus argumentos.

  • 6. Nenhuma reunião de equipe funcionará se seus componentes não

providenciarem o material necessário, ou não comparecerem preparados para contribuir e participar ativamente. Como debater em círculo de estudos se não se estudou previamente a parte pela qual cada um se responsabilizou? Por outro lado, se o grupo se organizou convenientemente e distribuiu previamente atribuições limitadas e específicas a cada participante, a experiência tem demonstrado que as reuniões de

grupos de estudos são de extraordinária eficiência, quer para desenvolver itens do programa em seminários, quer para elaboração de monografias de caráter didático- pedagógico, quer para revisões gerais para provas e exames. Tudo quanto apresentamos neste item condensadamente tem caráter prático e genérico. A classe deverá estar atenta a ulteriores especificações que cada cadeira poderá fazer ao solicitar reuniões de equipes para execução de trabalhos em sua área.

TÉCNICAS PARA ELABORAÇÃO DOS TRABALHOS DE GRADUAÇÃO

  • 1. TÉCNICA DE SUBLINHAR, PARA ESQUEMATIZAR E RESUMIR

Sublinhar é a técnica indispensável não só para elaborar esquemas e resumos, mas também para ressaltar as idéias importantes de um texto, com as finalidades de estudo, revisão ou memorização do assunto ou mesmo para utilizar em citações.

O requisito fundamental para aplicar a técnica de sublinhar é a compreensão do

assunto, pois este é o único processo que possibilita a identificação das idéias principais e secundárias, permitindo fazer a seleção do que é indispensável e do que pode ser omitido, sem prejuízo do entendimento global do texto. Há, porém, certas normas que devem ser obedecidas, para que a técnica de sublinhar produza resultados eficazes. Não se deve sublinhar parágrafos ou frases inteiras, mas apenas palavras-chave, palavras. Nacionais ou, quando muito, grupos de palavras. Isto porque, ao sublinhar uma frase inteira, além de sobrecarregar a memória e o aspecto visual, corre-se o risco de, ao resumir, reproduzirem-se as frases do autor, sem evidenciar as idéias principais, visto que o resumo deve ser uma condensação de idéias, não de frases ou palavras.

Deduz-se daí que a reprodução de usar o vocabulário próprio ou o vocabulário do autor é improcedente, pois não importam apenas as palavras, não se resumem apenas as palavras, mas as idéias contidas no texto.

A técnica de sublinhar pode ser desenvolvida a partir dos seguintes procedimentos:

  • a) leitura integral do texto, para tomada de contato;

  • b) esclarecimento de dúvidas de vocabulário, termos técnicos e outras;

  • c) releitura do texto, para identificar as idéias principais;

  • d) ler e sublinhar, em cada parágrafo, as palavras que contêm a idéia-núcleo e os detalhes mais importantes;

  • e) assinalar com uma linha vertical, à margem do texto, os tópicos mais importantes;

  • f) assinalar, à margem do texto, com um ponto de interrogação, os casos de discordâncias, as passagens obscuras, os argumentos discutíveis;

  • g) ler o que foi sublinhado, para verificar se há sentido;

  • h) reconstruir o texto, em forma de esquema ou de resumo, tomando as palavras sublinhadas como base.

Para se obter maior funcionalidade das anotações, são oferecidas as sugestões a seguir, que podem, evidentemente, sofrer variações e adaptações pessoais:

sublinhar com lápis preto macio, para não danificar o texto;

_ vermelho (ou verde) = idéias principais;

sublinhar com dois traços as idéias principais com um traço as secundárias;

dependendo do gosto pessoal, usa-se caneta hidrocor, em várias cores,

podendo-se estabelecer um código particular:

_ azul (ou amarelo) = detalhes mais importantes;

as anotações à margem do texto podem ser feitas com um traço vertical para trechos importantes e dois traços verticais para os importantíssimos.

O indispensável é sublinhar apenas o estritamente necessário, evitando-se o acumulo de anotações que, alem de causar mau aspecto, em vez de facilitar o trabalho do leitor,dificulta e gera confusão.

É muito útil, no final do trabalho, fazer uma leitura comparando-se o texto original com o que foi sublinhado ( ANDRADE & HENRIQUES, 1992, p. 50-1).

  • 2. ELABORAÇÃO DE ESQUEMAS

O esquema correspondente, grosso modo, a uma radiografia do texto, pois nele aparece apenas o “esqueleto”, ou seja, as palavras-chave, sem necessidade de se apresentar frases redigidas.

Utiliza-se o esquema como trabalho preparatório do resumo; para explicar, mais concretamente determinadas idéias ou para memorizar mais facilmente o conteúdo integral de um texto.

Para elaborar o esquema usam-se setas, linhas retas ou curvas, círculos, colchetes, chaves, símbolos diversos, prevalecendo o gosto pessoal do autor.

Um esquema pode ser montado em linha vertical ou horizontal, pois o importante é que nele apareçam as palavras que contêm as idéias principais, de forma clara, compreensível. As setas, por exemplo, são usadas quando há relação entre a palavra (idéia) do ponto de partida e as palavras (idéias) que são apontadas. Chaves s ão usadas para ordenar diversos itens etc.

Segundo SALMON (0977, p. 85):

Um esquema, para que seja realmente útil, deve ter as seguintes características:

  • 1 Fidelidade ao texto original: deve conter as idéias do autor, sem alteração, mesmo quando se usarem as próprias palavras para reproduzir as do autor. Por isso, em alguns momentos, é preciso transcrever e citar a página.

  • 2 Estrutura lógica do assunto: de posse da idéia principal, dos detalhes importantes, é possível elaborar uma organização dessas idéias a partir das mais importantes para as conseqüentes. No esquema, haverá lugar para os devidos destaques.

  • 3 Adequação ao assunto estudado e funcionalidade: o esquema útil é flexível. Adapta-se ao tipo de matéria que se estuda. Assunto mais profundo, mais rico de informações e detalhes importantes possibilitara uma forma de esquema com maiores indicações. Assunto menos profundo, mais simples, terá no esquema apenas indicações-chave.É diferente um esquema em função de revisão para exame e outro em função de uma aula a ser dada!

  • 4 Utilidade de seu emprego: conseqüência da característica anterior: o esquema deve ajudar e não atrapalhar. Tratando-se de esquema em função do estudo, deve ser feito de tal modo que facilite a revisão.É instrumento de trabalho.Deve facilitar a consulta no texto, quando necessário. Daí explicitar páginas, relacionamento de partes do texto etc.

  • 5 Cunho pessoal: cada um faz o esquema de acordo com suas tendências, hábitos, recursos e experiências pessoais. Por isso é que um esquema de uma pessoa raramente é útil para outra. Uns preferem o esquema rigidamente lógico, outros o cronológico, ou o psicológico, na disposição das idéias. Alguns usam recursos gráficos, de visualização da imagem mental (tinta de cor, desenhos, símbolos etc.); já outros preferem empregar só palavras.”

A título de exemplificação, o autor citado apresenta o esquema do trecho acima:

ESQUEMA

CARACTERÍCTICAS DE UM ESQUEMA ÚTIL

  • 1. Flexibilidade: o esquema é que deve adaptar-se à realidade e não esta ao esquema.

  • 2. Fidelidade ao original: esquematizar não é deturpar, mas sintetizar.

  • 3. Estrutura lógica do assunto: organizar-se pelo esquema a relação da idéia importante de seu desenvolvimento.

  • 4. Adequação ao assunto estudado: mesmo que funcionalidade.

  • 5. Utilidade de emprego: o esquema tem por objetivo auxiliar a capitação do conjunto e servir para comunicar algo.

  • 6. Cunho Pessoal: o esquema traduz atitudes e modo de agir de cada um varia de pessoa para pessoa” (SALOMON, 1977, p.88).

Exemplo de parágrafo esquematizado:

São quatro as atividades principais dos especialistas em comunicação:

detecção previa do meio ambiente,correlação das partes da sociedade na relação a esse meio, transmissão da herança social de uma geração seguinte e

entretenimento. A detecção previa consiste na coleta e distribuição de informação sobre os acontecimentos do meio ambiente, tanto fora como dentro de qualquer sociedade particular. Até certo ponto, isso corresponde ao que é conhecido como manipulação de notícias. Os atos de correlação, aqui, incluem a interpretação das informações sobre o meio ambiente e a orientação da conduta em reação a esse acontecimentos. Em geral, essa atividade é popularmente classificada como editorial, ou propaganda. A transmissão de cultura se faz através da comunicação das informações, dos valores e normas sócias de uma geração a outra ou de membros de um grupo a outros recém-chegada. Comumente, é identificada como atividade educação. Por fim, o entretenimento compreende os atos comunicativos com intenção de distração, sem qualquer preocupação com efeitos instrumentais que eles possam ter” (Wright, apud

SOARES&CAMPOS, 1978, p. 120).

Uma das maneiras possíveis de esquematizar o parágrafo anterior é a seguinte:

Atividades dos especialistas em comunicação:

detecção do meio ambiente informações

____________

coleta e distribuição de

= notícias

Correlação das partes da sociedade/ ___________ informações

interpretação

das

Reação a esse meio

= editorial/propaganda

transmissão de cultura

 

_____________________

entretenimento comunicativos

comunicação das informações atos

= distração

Tomando-se por base as palavras sublinhadas que compõem o esquema, elabora- se um resumo do texto. A redação do resumo consiste em organizar frases com as palavras do esquema:

São atividades dos especialistas em comunicação: detecção prévia do meio ambiente, que consiste na coleta e distribuição das informações, ou manipulação de notícias. Correlação das partes da sociedade na reação ao meio, que inclui a interpretação das informações, pelo editorial e propaganda. A transmissão da cultura, que se faz através da comunicação das informações, identificada como atividade educacional. O entretenimento, que se realiza pelos atos comunicativos, e que procura apenas a distração.

Há várias maneiras de elaborar o resumo de um texto, com maior ou menor número de informações acerca de seu conteúdo.

  • 2.1 TIPOS DE RESUMO

Há vários tipos de resumo e cada um apresenta características específicas, de acordo com suas finalidades:

  • a) Resumo descritivo ou indicativo: nesse tipo de resumo descrevem- se os principais tópicos do texto original, e indicam-se sucintamente seus

conteúdos. Portanto, não dispensa a leitura do texto original para a compreensão do assunto. Quanto à extensão, não deve ultrapassar quinze ou vinte linhas; utilizam-se

frases curtas que, geralmente, correspondem a cada elemento fundamental do texto; porém, o resumo descritivo não deve limitar-se à enumeração pura e simples das partes do trabalho.

  • b) Resumo informativo ou analítico: é o tipo de resumo que reduz o Texto a 1/3 ou ¼ do original, abolindo-se gráficos, citações, exemplificações abundantes, mantendo-se, porém, as idéias principais. Não são permitidas as opiniões pessoais do autor do resumo. O resumo informativo, que é o mais solicitado nos cursos de graduação, deve dispensar a leitura do texto original para o conhecimento do assunto.

  • c) Resumo crítico: consiste na condensação do texto original a 1/3 ou ¼ de sua extensão, mantendo as idéias fundamentais, mas permite opiniões e comentários do autor do resumo. Tal como o resumo informativo, dispensa a leitura do original para a compreensão do assunto.

  • d) Resenha: é um tipo de resumo crítico; contudo, mais abrangente. Além de reduzir o texto, permitir opiniões e comentários, inclui julgamentos de valor, tais como comparações com outras obras da mesma área do conhecimento, a relevância da obra em relação às outras do mesmo gênero etc.

  • e) Sinopse (em inglês, synopsis ou summary; em francês, resume d’auteur) : Neste tipo de resumo indicam-se o tema ou assunto da obra e suas partes principais. Trata-se de um resumo bem curto, elaborado apenas pelo autor da obra ou por seus editores.

SALOMON (1977, p. 176-7) indica a maneira certa e a errada de elaborar uma sinopse:

“Ensaios de acumuladores elétricos do tipo ácido-chumbo.

Errado:

João William MEREGE

Como introdução ao seu trabalho o autor dá definição dos termos usados de acordo com as especificações brasileiras recomendadas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), enumera os aparelhos a serem usados e explica o tratamento prévio necessário ao êxito nos ensaios.

Explica, com pormenores, as fases dos ensaios parciais e apresenta vários gráficos e tabelas dos resultados obtidos. Expõe também a diferença entre os métodos S.A.E. (Society of Automative Engineers) e os da ABNT usados nos ensaios.

Certo:

Definição dos termos usados, de acordo com as especificações da ABNT. Aparelhos usados e tratamento prévio necessário ao êxito dos ensaios. Fases dos ensaios

parciais: determinação da tensão final de carga, da f. e m., da capacidade em A-h e W-h, dos rendimentos. Gráficos e tabelas dos resultados obtidos. Diferença entre os

métodos da S.A.E. e da ABNT”.

Observe-se a linguagem objetiva, concisa, as frases curtas do exemplo certo. Com menos palavras, o modelo certo oferece muito mais informações.

  • 2.2 REDAÇÃO DE RESUMO: PARÁGRAFOS E CAPÍTULOS

A técnica de resumir difere, no modo de redigir, quando se trata de um

texto

curto ou de uma obra inteira. Por texto curto compreende-se o que consta de um parágrafo a um capítulo, embora esta não seja uma classificação rígida.

Parágrafos e capítulos podem ser resumidos aplicando-se a técnica de sublinhar e redigindo-se o resumo pela organização de frases, baseadas nas palavras sublinhadas. Este sistema não constitui regra absoluta, mas tem a vantagem de manter a ordem das idéias e fatos e propiciar a indispensável fidelidade ao texto.

Usar vocabulário próprio ou do autor não é questão relevante, desde que o resumo apresente as principais idéias do texto, de forma condensada.

Um texto mais complexo resume-se com mais facilidade se preliminarmente for elaborado um esquema com as palavras sublinhadas.

Não se admitem acréscimos ou comentários ao texto, mas as opiniões e pontos de vista do autor (do original) devem ser respeitados.

Nos textos bem estruturados, cada parágrafo corresponde a uma só idéia principal. Todavia, alguns autores são repetitivos e usam palavras diferentes, que contêm as mesmas idéias, em mais de um parágrafo, por questões didáticas ou de estilo. Neste caso, os parágrafos reiterativos devem ser reduzidos a um apenas.

Exemplos de resumo:

  • a) Resumo que não se prende fielmente às palavras sublinhadas: “ Na psicanálise freudiana muito comportamento criador, especialmente

nas artes, é substituto e continuação do folguedo da infância. Como a criança se

exprime em jogos e fantasias, o adulto criativo o faz escrevendo ou, conforme o

caso, pintado. Além disso, muito do material de que ele se vale para resolver se

seu conflito inconsciente, material que se torna substância de sua produção cria

dora, tende a ser obtido das experiências da infância. Assim, um evento comum

pode impressiona-lo de tal modo que desperte a lembrança de alguma experiência anterior. Essa lembranças por sua vez promove um desejo, que se realiza no

escrever ou no pintar. A relação da criatividade com o folguedo infantil atinge

máxima clareza, talvez, no prazer que a

pessoa criativa manifesta em jogar

com

idéias,

livremente, em seu

hábito de explorar idéias e

situações pela

simples alegria de ver aonde elas podem levar” (KNELLER, 1976, P. 42-3)

Resumo:

Na concepção freudiana, a criatividade dos artistas é substitutivo das brincadeiras infantis. A criança se expressa através de jogos e da fantasia, o adulto o faz através da literatura ou da pintura, inspirando-se em suas experiências da infância. Essa relação é confirmada pelo prazer que a pessoa criativa sente em explorar idéias e situações apenas pela alegria de ver aonde elas podem chegar.

  • b) Resumo baseado nas palavras:

Vivemos num ambiente formado e, em grande proporção, criado por influencias semânticas sem paralelo no passado: circulando em massa de jornais e revistas que só fazem refletir, num espantoso número de casos os preconceitos e as obsessões de seus redatores e proprietários; programas de rádio, tanto locais como em cadeia, quase inteiramente dominados por motivos comerciais; conselheiros de relações públicas, que são mais que artífices, regidamente pagos, para manipular e remodelar o nosso ambiente semântico de um modo favorável a seu cliente. É um ambiente excitante, mas cheio de perigos, sendo apenas um pequeno exagero dizer que foi rádio que Hitler conquistou na Áustria. Os cidadãos de uma sociedade moderna precisam, em conseqüência, de algo mais do que simples ‘senso comum’ recentemente definido por Stuart Chase como ‘aquilo que nos diz que o mundo é plano’. Precisam, esses cidadãos, de ficar cientificamente conscientes do poder e das limitações dos símbolos, especialmente das palavras, se é que desejam evitar ser levados à mais completa confusão, mediante a complexidade do seu ambiente semântico. Assim, pois,o primeiro dos princípios que governam os símbolos é este: O símbolo não é a coisa simbolizada; a palavra não é a coisa; o mapa não é o território que ele representa” ( HAYAKAWA, 1972, p. 20-1).

Resumo:

Vivemos num ambiente formado por influências semânticas: circulação em massa de jornais e revista que refletem os preconceitos e obsessões de seus redatores e proprietários; o rádio, dominado por motivos comercias; os relações públicas, pagas para manipular o ambiente a favor de seus clientes. É um ambiente excitante, mas cheio de perigos. Os cidadãos de uma sociedade moderna precisam ficar conscientes do poder e das limitações dos símbolos, a fim de evitar confusão ante a complexidade

de seu ambiente semântico. O primeiro princípio que governa os símbolos

é este:o

símbolo não é a coisa simbolizada; a palavra não é a coisa; o mapa não é o território que representa.

É muito importante que o aluno de graduação exercite bastante a técnica de resumir parágrafos, pois quem sabe resumir um parágrafo saberá resumir um capítulo. Quem resume capítulos, com um pouco mais de prática das técnicas adequadas, saberá resumir uma obra inteira.

Os parágrafos para resumir podem abordar assuntos variados, procurando-se, sempre que possível, levar em consideração os conteúdos programáticos específicos de cada curso.

Exemplos de parágrafos para resumir:

1.

“Naturalmente, a educação tem de ser tanto informativa quando diretiva. Não podemos simplesmente ministrar informação sem ao mesmo tempo transmitir aos estudantes algumas ‘aspirações’, ‘ideais’ e ‘objetivos’, a fim de que eles saibam o que

fazer com a informação que recebem. Lembremo-nos, porém, que é também muito importante apresentar-lhes não apenas ideais destituídos de alguma informação real sobre a qual agir; á falta dessa informação, não lhes será nem ao menos possível usufruir desses ideais. A informação sem as diretivas, insistem corretamente os estudantes, é ‘seca como pó’. Mas as diretivas sem a informação, gravadas na memória mercê de freqüentes repetições, só produzem orientações intencionais que os incapacitam para as realidades da vida, deixando-os indefesos contra o choque e o

cinismo dos anos subseqüentes” (HAYAKAWA, 1972,P.210)

2.

“Marx retoma de Hegel a concepção dialética da realidade, ou seja, a afirmação de que a realidade vai se produzindo permanentemente mediante um processo de mudança determinado pela luta dos contrários, por força da contradição que trabalha o real, no seu próprio interior. Era a recuperação da temporalidade real, da historicidade, dimensão perdida desde o predomínio da filosofia grega sobre a visão judaica. Assim, a filosofia marxista, em continuidade com a filosofia hegeliana, concebe a realidade como se constituindo num processo criador. E este processo criador que por força da luta provocada pelas contradições que trabalham internamente a realidade é um processo dialético, de posição negação e superação de acordo com a tríade hegeliana da tese-antítese-síntese”(SEVERIANO,1986 p.5)

3.

“Como se sabe, cada texto abre a perspectiva de uma multiplicidade de

interpretações ou leituras: se conforme se disse, as intenções do emissor podem ser as

mais variadas, não teria sentido a pretensão de se lhe atribuir apenas uma interpretação, única e verdadeira. A intelecção de um texto consiste na apreensão de suas significações possíveis, as quais se representam nele, em grande parte, por meio de marcas lingüísticas. Tais marcas funcionam como pistas dadas ao leitor para permitir-lhe uma decodificação adequada: a estrutura da significação, em língua

natural, pode ser definida como o conjunto de relações que se instituem na atividade da linguagem entre os indivíduos que a utilizam, atividade esta que se inscreve sistematicamente no interior da própria língua”(KOCH, 1993 p. 161).

4.

“É certo que a teoria analítica da linguagem não tem o rigor exemplar próprio das teorias formalizadas ou matemática que coroam a lingüística moderna. É certo também que os lingüistas se interessam pouco pelo que a psicanálise descobre no funcionamento lingüístico, e aliás, não vemos bem como é que pode ser possível conciliar as formalizações do estruturalismo americano e da gramática, por exemplo, com as leis do funcionamento lingüístico tais como a psicanálise moderna as formula depois de Freud. É evidente que são duas tendências contraditórias ou pelo menos

divergentes na concepção da linguagem. Freud não é lingüística e o objetivo da ‘linguagem’ que ele estuda não coincide com o sistema formal que a lingüística aborda e de que conseguimos destacar a abstração lenta e laboriosa através da história. Mas a é mais profunda do que uma mudança do volume do objecto. É a concepção geral da linguagem que difere radicalmente na psicanálise e na lingüística “(KRISTEVA, p. 315).

5.

“Quando um bebê nasce, a primeira coisa que todo mundo quer saber é o sexo.

Nos primeiros dias de vida a diferença parece mais anatômica, mas à medida em que vai crescendo, o bebê começa a se comportar como menino ou menina. Um problema controvertido é saber até que ponto esse comportamento tem base biológica ou é uma questão de aprendizado. Algumas feministas insistem em dizer que todas as diferenças comportamentais são ensinadas e que, deixando-se de lado as discrepâncias biológicas evidentes, a mulher é igual ao homem. Outros dizem que homem é e homem e que mulher e é por razões biológicas que os dois sexos se

parecem, se comportam e até mesmo se movimentam de modo diferente. Os

entendidos em cinética têm levantado um certo número de provas que reforçam os

argumentos das feminista”(DAVIS, 1979, p.23).

6.

“Os idiomas, em certo sentido, fazem pensar na formação de nebulosas. Um núcleo central mais definido e em torno dele uma imensa massa luminosa, de forma irregular. Uma nebulosa em que o próprio núcleo central não dispusesse de muita consistência, nem de fixidez demorada, mas que ainda assim se apresentasse mais densa que os bordos caprichosos e esgarçados. Este núcleo central é a estrutura do idioma, as palavras baluartes, os números, os determinativos, os pronomes, as preposições e conjunções morfemas e palavras gramaticais. Em torno desse núcleo, o vocabulário supérfluo, de adorno ou estilístico, as expressões profissionais e especiais. Mais longe, nos bordos da figura da nebulosa, os provincianismo, os modismos, a colaboração de cada pessoa para a vida e a evolução do idioma” (LIMA SOBRINHO,1977, p.69).

7.

“Houve tempo em que se poderia defender a idéia de que uma pesquisa

cientifica era coisa de gênio, portanto algo excepcional e fora de qualquer restrição de planejamento. Hoje não é mais possível defender essa idéia, nem para a pesquisa cientifica e, muito menos, para a tecnologia. Sabe-se que, na historia da Técnica,

intervêm comumente as ‘invenções’empreendidas por leigos e curiosos.depois do estabelecimento da Tecnologia, essa ‘invenções’tornam-se cada vez mais raras, dando lugar às ‘descobertas’, feitas por meio de pesquisas organizadas. Assim, tornou-se indispensável um plano de pesquisa que se constitua como programação dos trabalhos a serem realizados durante a pesquisa. Agora o trabalho não e mais simplesmente mental, como na fase anterior da escolha, compreensão e conhecimento. É necessário, agora, escrever um ‘Plano de Pesquisa’ para fixá-lo e torna-lo independente da memória” (VARGAS, 1985, P.202).

8.

“Nesse livro (A origem das espécies) o método de pesquisa utilizado por Darwin esclarece-se. Ele parte da observação da variação das espécies de animais domesticados e das plantas cultivadas cuja variabilidade é muito maior do que a que se observa no estado selvagem. Isto porque a seleção feita pelo homem é muito

controlada e eficiente e de efeitos acumulados. Pode-se, assim, observar nitidamente

que, numa espécie dada as crias não são jamais nem idênticas entre si nem aos seus pais. Há sempre uma diferença entre os indivíduos. Isto é um fato que pode dever à indução de uma ‘lei geral’:a lei da variabilidade. Entretanto, é, também um fato notável que as singularidades inatas dos indivíduos são transmitidas por hereditariedade aos seus descendentes. Assim um criador pode preservar ou acentuar tais singularidades por acasalamentos efetuados artificialmente. Também desse fato

se pode induzir uma “ lei da hereditariedade”. Há, portanto, uma evolução nas raças

dos animais domésticos e plantas cultivadas baseada numa relação artificialmente dirigida pelo homem” (VARGAS, 1985,p. 63-4).

9.

“Ninguém desconhece o sacrifício da quase totalidade de nossos acadêmicos,

que vão para suas escolas após uma jornada de oito horas ou mais de trabalho

profissional. Se isso é sumamente louvável, não o exime, por outro lado, do compromisso de estudar e, portanto, de descobrir tempo para estudar. È preciso

descobrir tempo. Tempo para freqüentar as aulas dos diversos cursos e tempo para estudos particulares. Se procurarmos, o tempo aparecerá. E lembremo-nos de que meia hora por dia representa três horas e meia por semana, quinze horas por mês e cento e oitenta horas por ano. E quem não conseguiria descobrir um ou mais espaços de meia hora em sua jornada? Ou será que esses espaços não aparecem porque nós não os procuramos, por medo de encontra-los? Quem quer descobrir tempo, cria tempo, especialmente nós, brasileiros, que somos, por assim dizer, capazes do

impossível” ( RUIZ, 1991, p.22).

10.

“ De fato, as descobertas da Física no século XX têm surpreendido a todos,

revelando as limitações da linguagem científica e levando a uma profunda reflexão e revisão da concepção humana acerca do universo. A teoria quântica e a relatividade geral conduzem a uma visão do mundo bastante próximo às visões dos místicos orientais. O caráter essencialmente empírico do conhecimento místico parece ser o elemento fundamental para estabelecer-se o paralelo com o conhecimento científico. As soluções, em termos de linguagem, encontradas pelos místicos podem fornecer uma moldura filosófica consistente para as modernas teorias científicas que, expressas numa rígida e sofisticada linguagem matemática, parecem ter perdido toda relação com as nossas experiências sensoriais. No misticismo oriental sempre fica clara a limitação da linguagem e da lógica. As interpretações verbais da realidade são

imprecisas e contraditórias. A teoria quântica e a relatividade apontam na mesma

direção: a realidade transcende a lógica clássica” 9SZPIGEL, 1990, p.2).

2.3 REDAÇÃO DE RESUMOS DE LIVROS

O resumo de texto mais longos ou de livros inteiros, evidentemente, não poderá ser

Feito parágrafos, ou mesmo capítulo por capítulo, a partir do que foi sublinhado. Neste caso, o aluno deve adotar os seguintes procedimentos:

  • a) leitura do texto, para conhecimento do assunto;

  • b) aplicar a técnica de sublinhar, para ressaltar as idéias importantes e os detalhes relevantes, em cada capítulo;

  • c) reestruturar o plano de redação do autor, valendo-se, para isto; do índice ou sumário, isto é, identificar, pelo sumário, as principais PARTES do livro; em cada parte, os CAPÍTULOS, os títulos e subtítulos. De posse desses elementos, elaborar um plano ou esquema de redação do resumo;

  • d) tomar por base o esquema ou plano de redação, para fazer um rascunho, resumindo por capítulos ou por partes;

  • e) concluído o rascunho, fazer uma leitura, para verificar se há possibilidade de resumir mais, ou se não houve omissão de algum elemento importante. Refazer a redação, com as alterações necessárias, e transcrever em fichas, segundo as normas de fichamentos.

Nesse tipo de resumo, a técnica de sublinhar é útil para ressaltar as idéias principais do texto, mas como a redação não pode ser feita a partir do que foi sublinhado, é preciso sintetizar, procurar no sublinhado apenas o indispensável à compreensão global do assunto.

Nem sempre há necessidade de manter todos os títulos e subtítulos; a natureza da obra, do processo de raciocínio do autor e de sua forma de argumentação é que apontarão a necessidade de se conservar ou não a divisão do livro em partes e capítulos.

É indispensável considerar o resumo com uma recriação do texto, uma nova elaboração, isto é, uma forma de redação que utiliza as idéias do original.

Segundo ANDRADE (1992, p. 53), o resumo bem elaborado deve obedecer aos seguintes itens:

  • 1. apresentar, de maneira sucinta, o assunto da obra;

  • 2. não apresentar juízos críticos ou comentários pessoais;

  • 3. respeitar a ordem das idéias e fatos apresentados;

  • 4. empregar linguagem clara e objetiva;

  • 5. evitar a transcrição de frases do original;

  • 6. apontar as conclusões do autor;

  • 7. dispensar a consulta ao original para a compreensão do assunto.

Andrade, Maria Margarida de. Introdução à metodologia do trabalho cientifica:

elaboração de trabalhos de graduação/Maria Margarida de Andrade 7. Ed. - São Paulo: Atlas, 2005.

Segundo ANDRADE (1992, p. 53), o resumo bem elaborado deve obedecer aos seguintes itens: 1. apresentar,
Segundo ANDRADE (1992, p. 53), o resumo bem elaborado deve obedecer aos seguintes itens: 1. apresentar,
 O fichamento deve ter: : Tipos de conhecimento:
  • O fichamento deve ter:

:
:
 O fichamento deve ter: : Tipos de conhecimento:
 O fichamento deve ter: : Tipos de conhecimento:
 O fichamento deve ter: : Tipos de conhecimento:
 O fichamento deve ter: : Tipos de conhecimento:
 O fichamento deve ter: : Tipos de conhecimento:

Tipos de conhecimento:

 O fichamento deve ter: : Tipos de conhecimento:
 O fichamento deve ter: : Tipos de conhecimento:
  • Conhecimento empírico: também chamado de vulgar, é o conhecimento do povo, achado por acaso, por experiência, sem saber o porque aconteceu o fato. São transmitidos de uma geração à outra.

  • Conhecimento científico: vai além do empírico, procurando saber os fenômenos, suas causas e leis. Tido como certo, geral (universal, saber de tudo um pouco), metódico e sistemático (seres e fatos estão ligados entre si por relações).

  • Conhecimento filosófico: distingue-se do científico pelo objeto e pelo método de estudo. É um Conhecimento mediato, pois a filosofia tem como objeto algo que não é perceptível aos sentidos e ultrapassam a experiência. Estão em contínuo questionar de si mesmo.

  • Conhecimento teológico: conhecimento relativo a Deus, e aceito pela fé teológica. Conjunto de verdades ao qual as pessoas chegaram, não pela ciência, mas mediante aceitação dos dados da revelação divina.