P. 1
Estados depressivos - artigo

Estados depressivos - artigo

|Views: 57|Likes:

More info:

Published by: Jeferson De Oliveira Salvi on May 03, 2012
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

01/17/2013

pdf

text

original

ESCALA VISUAL ANALÓGICA MODIFICADA PARA AVALIAR A EFETIVIDADE DA AURICULOTERAPIA NO ESTADO DEPRESSIVO: RELATO DE CASO Jeferson de Oliveira Salvi¹

¹ Farmacêutico, Especialista em Acupuntura, Doutorando em Ciências Biomédicas no Instituto Universitário Italiano de Rosário (IUNIR). Endereço: Av. Antonio Ignácio de Araújo 340, apto 03. CEP 14883-380, Jaboticabal, SP, Brasil. E-mail:jefersonsalvi@hotmail.com

RESUMO O presente estudo propôs uma ferramenta para avaliar a efetividade da Auriculoterapia no tratamento de um estado depressivo, bem como, se esta seria representativa ou não. Para tanto se desenvolveu uma escala analógica visual modificada daquela utilizada para a dor. Aplicada após cada sessão para mensurar a satisfação do voluntário (EVA-S) em relação ao tratamento. Concomitante a este teste avaliou-se a qualidade de vida, através do questionário QSF-36, anterior ao tratamento e após a quarta e oitava sessões. Os dados obtidos foram comparados para avaliação da expressividade dos testes, para qualificar os procedimentos da terapêutica proposta. O estudo, observacional descritivo, também fez um relato teórico de caráter multidisciplinar considerando os diferentes aspectos relacionados ao desencadeamento das crises. Foi preconizado o número de oito sessões, equivalentes a 56 dias com intervalo de uma semana entre elas, a técnica utilizada foi a da Auriculoterapia Cibernética. Observou-se melhora percentual gradativa nos resultados da EVA-S e em relação à qualidade de vida, após a última sessão, todos os domínios avaliados pelo teste - Limitações por Aspectos Físicos e Emocionais, Vitalidade, Aspectos Sociais, Estado Geral de Saúde, Saúde Mental, Dor, Capacidade Funcional - demonstraram significativas evolução. Concluiu-se que o presente estudo de caso foi capaz de responder ao proposto, uma vez que a utilização da EVA-S pode ser validada pelo resultado do segundo teste, além disso, a efetividade refletiu-se na melhora do prognóstico e estabilização do quadro. Para dados estatísticos significativos faz-se necessária a aplicação deste modelo fazendo uso de um cálculo amostral condizente com a população que apresente a patologia a ser tratada dentro do universo das diferentes técnicas da que a Acupuntura engloba. Palavras-chave: desordem depressiva; acupuntura auricular, questionário SF-36, escala visual analógica.

2 . propondo então algumas ferramentas para determinar a progressão do tratamento: Escala Visual Analógica (EVA-S) e questionário de qualidade de vida (Brasil SF-36). A competitividade do mercado profissional exige cada vez mais. A busca por estratégias e alternativas que venham avantajar ao tratamento convencional alopático é de extrema importância. visto que. A regulamentação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares junto ao Sistema Único de Saúde (SUS) é uma grande conquista para o Brasil e para os profissionais acupunturistas (Ministério da Saúde. a instituição família tenta adaptar-se e sobreviver em harmonia.1 INTRODUÇÃO Vivemos em um modelo de sociedade que dita padrões sobre diferentes aspectos comportamentais e de consumo. raça ou posição social. o próprio diagnóstico da depressão e a escolha da farmacoterapia a ser utilizada são dificultados pela complexidade dos fatores envolvidos e pelas reações adversas manifestadas devido ao uso de substâncias prescritas e vendidas sob condições impostas pela lei. gênero. foram examinados os aspectos inicialmente referidos ao processo depressivo sob a luz de diferentes filosofias. enquanto isso. Falta disposição de tempo para prática de hábitos alimentares saudáveis e de lazer. Esta realidade favorece o aumento de indivíduos que apresentam desequilíbrios patológicos relacionados à saúde mental sem distinção entre idade. oferecendo subsídios para que pacientes escolham e façam uso de um recurso amplamente utilizado em outros países. Com o objetivo de avaliar se a Auriculoterapia promove o melhoramento do estado depressivo. 2006). A valorização fortalece a medicina preventiva por meio do conhecimento oriental. A Auriculoterapia é um método diagnóstico e terapêutico reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) destinado ao tratamento das enfermidades físicas e mentais através de estímulos de pontos situados no pavilhão auricular e possui como base a Reflexologia. pois há urgência na obtenção de informações e concretização de trabalhos.

1 ESTADOS DEPRESSIVOS: CONCEITOS ORIENTAIS (MTC) A medicina tradicional chinesa concentra-se na observação dos fenômenos da natureza e no estudo e compreensão dos princípios que regem a harmonia nela existente. 2010) define a depressão como um transtorno mental comum que pode tornar-se crônico ou recorrente. Silva (2006) relata a hipótese monoaminérgica ou bioquímica defendendo que a partir dos mecanismos de ação dos ADT há um aumento na disponibilidade sináptica dessas monoaminas que voltam ao normal em certas áreas do cérebro.2 REFERENCIAL TEÓRICO A medicina ortodoxa é baseada em conceitos newtonianos. Submetidos às mesmas influências. que dizem ser o nosso corpo uma máquina (modelo mecanicista) onde a função do todo pode ser o produto da soma das partes. podendo ainda. A Organização Mundial da Saúde (WHO. são o produto de desequilíbrios físicoquímicos. levar ao suicídio. prejudicando consideravelmente a capacidade do indivíduo de lidar com a vida diária. Dados recentes publicados pelo IBGE (2010) revelam que dos 59. como principal contribuinte para a carga global de doenças. O desenvolvimento dos antidepressivos tricíclicos (ADT) deu início ao tratamento farmacológico e a partir daí surgiram explicações através de hipóteses biológicas. As doenças. 4. dentre elas sobressaem: a bioquímica. 2005). 2000 citado por Silva. por algum profissional da saúde. 2. o universo e o ser humano. sendo que 75% delas não recebiam qualquer tipo de tratamento (WMFH. revelando que os neurotransmissores (noradrenalina e serotononia) podem estar diminuídos nas sinapses em locais específicos durante um episódio depressivo. sendo que. 1988). que provocam disfunções e até lesões físicas (Delboni.1% declararam-se portadores de depressão. são partes integrantes do universo como um 3 . já ocupa a liderança como principal causa de anos vividos com incapacidade. Ainda conforme a instituição estima-se que até o ano de 2020 a doença passará de quarto lugar. 2006). a que implica alterações ao nível dos receptores e a que envolve o sistema imunológico (Fuentes. em sua forma mais grave. para a posição de segundo lugar. Em 2005 estimava-se um valor maior do que 340 milhões de pessoas como sendo portadoras de algum estado depressivo em todo mundo.9 milhões dos entrevistados que foram identificados como portadores de doenças crônicas. segundo estes conceitos.

relacionados diretamente com a teoria dos cinco elementos: 1) Depressão Água: o paciente depressivo água caracteriza-se por apresentar medo e fobia sem causa aparente. em ocasiões de risco reduzido. indivíduo pode tornar-se antipático. daí vem a frustração acompanhada pelo colapso e a falta de perspectiva. falta de iniciativa. 2001). pode gerar comportamentos maníaco-depressivos. A matriz emocional do elemento é a tristeza que tem a capacidade de direcionar o indivíduo à aceitação.urinários. podem ser pacientes que enfrentam problemas gênito. desprotegido. Conforme Ross (1994). 3) Depressão Fogo: envolve problemas afetivos ligados a rejeição e desapontamentos em relacionamentos interpessoais. O coração (Xin) é considerado o principal órgão de controle das atividades mentais administrando a função fisiológica do cérebro. que é a expressão máxima deste. sendo o sangue (Xue) a principal base material das atividades mentais do corpo humano. 2) Depressão Terra: resultante da desarmonia do intelecto devido à insuficiência energética do Baço-Pâncreas há destruição da calma e da claridade dos pensamentos. a observação dos fenômenos que ocorrem naturalmente no primeiro. desta forma. estendem-se às leis fisiológicas presentes no segundo que é capaz de reproduzir os mesmos fenômenos naturais (Yamamura. preocupar-se excessivamente. sensação de impotência (inclusive sexual). 4) Depressão Metal: geralmente é decorrente de perdas materiais. evidencia-se em situações de estresse contínuo e de fracasso. 4 . tendo como função ainda. o espírito. este estado depressivo é ocasionado pela estagnação do Qi no fígado. por analogia. as atividades mentais. Souza (2007a) em seu estudo relata que a medicina tradicional chinesa reconhece e trata de cinco tipos primordiais de depressão. falta de confiança na capacidade de resolver situações (de qualquer natureza). apresentar confusão e opressão torácica. há agitação excessiva e em casos extremos. o domínio sobre a consciência. O indivíduo geralmente está ou sente-se de alguma forma. são produtos resultantes das atividades funcionais dos órgãos e das vísceras. 5) Depressão Madeira: provocada por excesso de tensão e pressão.todo e. o raciocínio e o sono. Os pacientes subitamente perdem a direção e sua objetividade. bem como as vitais. quando forçosamente experimentam mudanças repentinas perdem o sentido de viver. hesita em encarar ou não consegue lidar com a situação. Apresenta apatia. é acompanhada por uma frieza e distância do paciente em relação a novos relacionamentos.

nos casos disfuncionais. reflexiona que para uma melhor compreensão da hipótese espiritista é imprescindível reconhecer que a visão espírita da etiopatogenia não é mística nem sobrenatural. tais como cardiopatia coronária e câncer. o quer que seja espiritualidade. O autor aponta fatores como a escassez de recursos financeiros e o impedimento social. como ser circunscrito. pois é a doença do ego que se encontra no processo de busca por privilégios. em sua obra.2. a mágoa e o ódio possuem ação lesiva sobre os tecidos perispirituais culminando na eclosão ou no agravamento de enfermidades relacionadas com a patologia depressiva. A inveja e o ciúme são resultados da preocupação excessiva com a possibilidade de ser desprezado e à incerteza quanto à sua importância e o valor pessoal. demonstrando em primeiro lugar. ocasionando a transferência entre as faixas de saúde mental. pelo menos no que respeita ao significado atribuído a ambos. não mais abstrato. Por meio da manutenção da saúde perispiritual ou da sua disfuncionalidade vibratória. A ciência e a filosofia espírita adotam a lógica e a razão. A culpa é a reação natural 5 . a concretude do espírito. formandose um novo corpo. a partir de sua ação e repercussão sobre defeitos que podem ser vistos como elementos desencadeantes ou agravantes dos estados depressivos. dentre outros fatores.4 ESTADOS DEPRESSIVOS: CONCEITOS ESPIRITUALISTAS Para Solomon (2004) existe uma distinção entre religião e espiritualidade. a segunda demonstra certa ligação com a ciência que aprimora o conhecimento e acaba por aprofundar a espiritualidade. a depender da responsabilidade. a primeira pode ser definida como uma instituição social e não espiritual. o corpo poderá apresentar repercussões mais profundas e imediatas ou comportar predisposição a certos estados nosológicos. O orgulho é visto como causa primária. A raiva. As Emoções ou sentimentos negativos estariam relacionados com o grau de afetação íntima. O autor ainda defende que algumas religiões levam ao não raciocínio pregando uma devoção sem opinião devido à falta de questionamentos e. há uma identificação com os genes compatíveis com suas necessidades evolucionais. Franco (2001) afirma que existe uma linha muito estreita separando a sanidade do desequilíbrio mental e há certa facilidade em transitar de um lado para o outro sem que se perceba uma mudança comportamental expressiva. não é algo sem opinião e reflexão. da intensidade e cronicidade do problema que o individuo criou no usufruto do seu livre-arbítrio. O médico e professor Cajazeiras (2010). baseado no modelo estrutural proposto em obras básicas da doutrina.

2007b). Historicamente registros apontam para uma obra de Hipócrates. 2006). 2. Há indícios que no antigo Egito. 6 . vago e plexo cervical superficial. considerado o pai da medicina. reconhecida pela Organização Mundial de Saúde. 2006). Hipócrates na obra “O livro das Epidemias”. Sua primeira publicação realizou-se em 1956 por intermédio do boletim de Acupuntura da França e chegou até a China na época da revolução cultural. há evidências da participação dos ramos dos nervos facial e glossofaríngeo (figura 1). a inervação é tríplice e constituída pelos nervos: trigêmeo. por volta de 1958. A paternidade moderna é indiscutivelmente francesa. A indicação de cortes nos vasos sanguíneos da parte posterior da orelha para curar a impotência sexual e a esterilidade masculina foi defendida pelo médico grego Cipecladis (Nogier. nesta obra. mulheres faziam uso de pontos auriculares como forma de contracepção (Souza. graças ao trabalho do clínico Paul Nogier que tem a sua prioridade e importância reconhecidas pela China. os pontos auriculares partem do centro para a periferia. a descrição de cauterizações no dorso da orelha levaria o paciente à prática sexual infecunda (Nogier.5 A AURICULOTERAPIA A utilização da Auriculoterapia como forma de tratamento retrocede à antiguidade e tem apresentado maior divulgação em relação à acupuntura sistêmica na Europa antiga e no Oriente Médio. 2007b). De acordo com a filogenética. indicava punção com estiletes nos vasos auriculares para o tratamento de processos inflamatórios (Souza. O pavilhão auricular mantém relações com os órgãos e regiões do corpo através de reflexos cerebrais. no centro está localizado o sistema nervoso autônomo e na periferia encontra-se o sistema nervoso central. 2010). denominada a Geração.quanto à compreensão de falhas e ao dever relativo à convivência e a consciência (Cajazeiras.

Desta forma os pontos seriam pré-definidos e indicados por correspondência a atuar sobre o órgão ou região. Nervos auriculares (Fonte: Google imagens) A transmissão do sinal através de um estímulo periférico vai até o tálamo. dos vasos sanguíneos que a irrigam e dos feixes nervosos que se espalham ao longo do pavilhão. encéfalo e a todos os núcleos cerebrais. se esperaria a manifestação do ponto. Para Souza (2007b) os pontos seguem uma simetria nítida e definida em eixos verticais. do tronco cerebral. Nogier (2006) defende que os pontos da Auriculoterapia diferenciam-se dos pontos da Acupuntura Sistêmica. passa através do cerebelo. também defende a existência de pontos que devem manter a denominação chinesa. devido à ausência de significado na linguagem ocidental que sintetize o termo.Figura 1. A medicina tradicional chinesa alega que a energia responsável pela nutrição do canal da orelha penetra diretamente nela por meio dos pontos de acupuntura do canal unitário Shao Yang (Triplo Aquecedor e Vesícula Biliar). bem como do canal principal do Gan (Fígado). pois são coordenados por um sistema flutuante e estão sujeitos às condições climáticas e estado geral do paciente. ou seja. tal simetria é explicada pela disposição anatômica. Este evento torna a Auriculoterapia compatível e indicada como forma de tratamento para as diversas enfermidades existentes. horizontais e diagonais. como o Shenmen. A 7 . não há uma ação homolateral manifesta sendo esta cruzada ou às vezes atua no mesmo sentido.

3. especialmente na região lombar. As agulhas foram inseridas com auxílio de pinça anatômica para dissecção de 12 cm. 3. são indispensáveis para o tratamento (YAMAMURA. falta de iniciativa e confiança em si e nas pessoas a sua volta. bem como a anatomia da orelha.2 DADOS DO PACIENTE Mulher. 3. fazendo uso exclusivo da Auriculoterapia cibernética como forma de tratamento dentro do universo das técnicas de Acupuntura.3. tintura de benjoim para remoção da oleosidade local e para a fixação da agulhas utilizou-se fita microporosa de cor bege. estudo de caso.3. algodão e álcool 70% para o processo de assepsia. 25 anos.exata localização dos pontos auriculares e suas funções energéticas. 3 MATERIAL E MÉTODOS 3.3 PROTOCOLO DAS SESSÕES Estabeleceu-se o total de oito sessões (56 dias) com intervalo de uma semana entre elas.2 Descrição da técnica 8 . procurou pela primeira vez tratamento com acupuntura queixando-se de dores por toda coluna vertebral.1 TIPO DE ESTUDO Observacional descritivo.5 mm.1 Material Foram utilizadas agulhas auriculares estéreis semi-permanentes de 1. Relatou desânimo. conforme suas palavras: “parece que eu durmo e não descanso”. 2001). Durante a anamnese relatou ser diagnosticada pela medicina convencional como depressiva. faz tratamento farmacológico com medicamentos controlados para o estado depressivo e para indução ao sono. 3. Apresentava certa dificuldade para pegar no sono e a qualidade deste estava prejudicada.

A seguir colocaram-se os pontos relacionados com as queixas do paciente e com o diagnóstico clínico.A técnica empregada foi a Auriculocibernética (SOUZA. Rim e Simpático. com auxílio de pinça aplicou-se as agulhas semi-permanentes nos pontos pré-estabelecidos. sendo que. nervo vago e relaxamento muscular A escolha do repertório dos pontos também dependeu da investigação de regiões doloridas.3. realizou-se a manipulação das orelhas para inspeção e identificação de pontos dolorosos. utilizamos os pontos fixos que julgamos convenientes para a patologia. A escala visual analógica para satisfação (EVA-S) foi desenvolvida para que a opinião da voluntária seja quantificada e os resultados obtidos sejam considerados domínios expressivos 9 . 2007b) na qual se utiliza a introdução das agulhas em três pontos chaves nesta ordem: Shenmen. Em primeiro lugar. O paciente permaneceu de maneira confortável. após a assepsia aplicou-se a tintura de benjoim para o desengorduramento do local. pontos diagnósticos que indiquem doenças foram puncionados por último. por exemplo: ponto da tensão. porém. convencionalmente estas corresponderam ao número máximo de doze unidades. geralmente em decúbito dorsal. então se investigou os resultados obtidos e novos pontos foram escolhidos com base nos achados. No retorno do paciente para uma nova sessão. A exceção da utilização do lado dominante do paciente acontece quando se utiliza pontos bilaterais ou pontos que correspondem ao lado da região ou órgão a ser tratado do lado oposto do mesmo. queixas e da anamnese do paciente.4 Avaliação da efetividade do tratamento Com o objetivo de avaliarmos a eficácia do tratamento com base na melhora dos sinais e sintomas apresentados pelo paciente. no início de cada nova sessão. 3. novamente a anamnese foi realizada. em seguida. 3. já que encontramos na literatura discussões e resultados que se mostraram satisfatórios em diferentes trabalhos quando empregados. Utilizou-se preferencialmente o lado dominante do paciente. propusemos a utilização de testes como ferramentas para este fim. os pontos da cibernética permaneceram inalterados.3 Seleção dos pontos auriculares Os três primeiros pontos escolhidos pertenceram à cibernética (figura 3).3.

foi traduzido para diversas línguas.usuais para avaliação do segmento terapêutico utilizado. 2000). Os resultados obtidos com a EVA-S foram comparados com a evolução da qualidade de vida da voluntária. mensurada através de questionamento da melhora na qualidade de vida (CICONELLI et al. Dos quarenta conceitos sugeridos no estudo. 1999). Para o cálculo de cada domínio. sua aplicação e entendimento foram de fácil execução (anexo I). aspectos e saúde mental. constituído por 36 questões. aspectos sociais. disponível no anexo II. construído para satisfazer normas psicométricas necessárias para comparações intergrupais. Esta versão brasileira do teste (Brasil SF-36) foi desenvolvida a partir da versão inglesa Medical Outcomes Study (STEWARD. fundamental para avaliação da expressividade do teste desenvolvido e sua posterior validação. Através do tempo.0 (SF-36v2) para corrigir deficiências (WARE et al. o questionário foi sendo utilizado e aprimorado até a introdução da versão 2. oito foram selecionados: capacidade funcional. Aplicada após o término de cada sessão. Este Instrumento de avaliação genérica de saúde. dor. os valores de limite inferior e variação (Score Range) são fixos e estão estipulados abaixo (tabela 1). estado geral da saúde. WARE. aspectos emocionais e físicos. 1992). vitalidade. Pontuação das Domínio Questões Correspondentes Capacidade funcional Limitação por aspectos físicos Dor 03 04 07 e 08 10 4 2 20 4 10 Limite Inferior Variação 10 . faz-se necessária a utilização da fórmula que segue: Domínio: Valor obtido nas questões correspondentes – Limite inferior x 100 Variação (Score Range) Na fórmula.

1993. Valores para cálculo dos Domínios. f. a qualidade de vida em pacientes em 11 . Castro et al (2003) definiu o QSF-36 como um bom instrumento para avaliar hemodiálise. 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO A utilização da escala visual analógica para mensurar a satisfação do paciente foi capaz de refletir a melhora do seu estado patológico ao longo do tratamento. g. estudos demonstram suas efetividades na mensuração de estados emocionais tais como o humor (KARINIOL... ao decorrer do tratamento.. foi observada com a aplicação do questionário SF-36 (CICONELLI et al. 1993. 1999). i) 06 + 10 05 09 (itens: b. De acordo com o Gráfico 1. 1992. e. Gráfico 1. após a quarta sessão já obtivemos um aumento do valor percentual maior do que 100% e ao final do tratamento este valor quase que quadruplica em relação ao resultado após a primeira sessão. COULTHARD. A melhoria da qualidade de vida do paciente. 1981. As diferentes escalas de auto-avaliação analógicas por serem de fácil aplicabilidade são amplamente utilizadas.) e a dor (LEWIS. 1983.. d.Estado geral de saúde Vitalidade Aspectos sociais Limitação por aspectos emocionais Saúde mental 01 e 11 09 (itens: a. 1981.. BUCKELEW et al. CARAVIELLO et al. ZUARDI. 1990. podemos observar que através da auto-avaliação (EVA-S). DEL PORTO et al. 2005). h) 5 4 2 3 5 20 20 8 3 25 Tabela 1. Resultados da Escala Visual Analógica modificada para Satisfação. CAMPBELL. c. BARTON et al.

apresentados no gráfico 2. utilizou a auto-avaliação (QSF-36) e evidenciou a eficácia da acupuntura no tratamento de osteoartrite de joelhos.2) e como motivador da busca pelo tratamento. o melhor. observou-se melhora estimada em 35%.Berman et.15 65 44 47. por volta dos 70% em relação ao dado inicial. sendo que para esses valores. Qualidade de vida antes da primeira sessão. QSF36 (1ª S) 140 120 100 Valores (Raw Scale) 81. (2004). Antes da primeira sessão a voluntária apresentava consideráveis limitações relacionadas aos aspectos físicos e emocionais. 12 . al. 0 (zero) representa o pior estado possível e 100 (cem).5 80 60 42 40 20 0 0 0 7 Tempo (Dias) Limitações por Aspéctos Físicos Aspectos Sociais Dor 20 25 Limitações por Aspectos Emocionais Estado Geral de Saúde Capacidade Funcional Vitalidade Saúde Mental Valor Total Gráfico 2. ao avaliarmos os resultados para o domínio Dor. índice o qual aumenta ainda mais após a última sessão (gráfico 4). al (2004) obteve o mesmo êxito ao mensurar os benefícios da acupuntura no tratamento de cefaléias crônicas. em sua pesquisa. Considerando a dor como queixa principal durante a anamnese (item 3. anterior ao tratamento (gráfico 2) e após a quarta sessão (gráfico 3). Vickers et.

Qualidade de vida após a quarta sessão.3 57 64 56 Gráfico 3.4 75 66. Qualidade de vida após a última sessão.6 75 62. 13 .5 80 72 72 85 Gráfico 4. QSF36 (8ª S) 140 120 100 80 60 40 20 0 56 Tempo (Dias) Limitações dos Aspectos Físicos Aspectos Sociais Dor Limitações dos Aspectos Emocionais Estado Geral de Saúde Capacidade Funcional Vitalidade Saúde Mental Valor Total Valores (Raw Scale) 119.8 Valores (Raw Scale) 100 80 60 40 25 20 0 28 Tempo (dias) Limitações de Aspectos Físicos Aspectos Sociais Dor Limitações de Aspectos Emocionais Estado Geral de Saúde Capacidade Funcional Vitalidade Saúde Mental Valor Total 80 60 50 33.QSF36 (4ª S) 140 120 102.

Estudo de casos semelhantes (PALHARI. após a quarta sessão (gráfico 3) podemos notar melhoras consideráveis nas limitações tanto físicas quanto emocionais e. 14 .6). Comparação percentual entre os testes. O Estado Geral de Saúde. evolui 38.25 pontos considerando que o pior resultado é próximo a zero e o melhor é próximo a 100. O valor total para o teste quando comparados os gráficos de 2 a 4. os valores aumentam em duas vezes (75) e dobram (66.Com o decorrer do tratamento. o valor para o domínio Vitalidade triplicou e o relacionado aos Aspectos Sociais teve o seu valor duplicado. como forma de auto-avaliação e observou resultados positivos após cinco sessões com Auriculoterapia. Validação: EVA-S e QSF36 140 120 100 Valores (%) 80 60 40 20 0 0 4ª Tempo (semanas) 8ª EVA-S VT Gráfico 5. fica evidente o aumento progressivo dos resultados que refletem a melhora do prognóstico e a eficácia da terapia utilizada. respectivamente. alcançou valor que representa uma melhora percentual em torno de 70%. 2009) usou apenas o Inventário de Depressão de Beck. Através da comparação dos valores totais (gráfico 5) obtidos com os testes. Ao concordarem entre si. logo após o tratamento (gráfico 4). o resultado do teste de auto-avaliação desenvolvido (EVA-S) é validado pelo teste sugerido (QSF-36). também podemos observar que após o tratamento. após a oitava sessão (gráfico 4).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Observou-se que a Auriculoterapia foi eficaz para o tratamento da depressão e melhora da qualidade de vida da voluntária tratada neste estudo de caso. 15 .

BUCKELEW. LANGENBERG. BENDIT. F. Avaliação da dor e função de pacientes com Lombalgia tratados com um programa de Escola da Coluna. V. Visual Analogue Measurement of Pain. Ulster Medical Journal. J. 2010. CARAVIELLO. Depressão – Doença da Alma: As causas espirituais da depressão. n. D. S. W... C. CANZINI.. A. 1957. MASIERO. 212... R. DUFER. 12. p. Controlled Trial... LEWIS.. M. CONWAY. R. S. Biological Psychiatry.. L. Depressão será a doença mais comum do mundo em 2030.bbc. CAIUBY. 11-14. S. 2005. R. A. P.. L. DEPAULO. 207p. J. MONDERER. vol. W. Monografia.. CLARK. P. LAO. O Lado Luminoso da Escuridão.. BARTON.149-154. CHAMLIAN. Mood Variability in Normal Subjects on Lithium. LIN.uk/portuguese/noticias/2009/09/090902_depressao_oms_cq. 12. E. 1. p. GILPIN. 1990. FULLER.. K. 1987. ANDERSON. 16 . Jr. M. p. Curitiba/PR. WASSERTEIN. B. disponível em: <http://www. J.. Archives of Physical Medicine and Rehabilitation.. 34. P. KEEFE. Revista da Associação Médica Brasileira. E. J. ARMELIN. n.co. E. A... H. T. n. J.. M. ANDREWS. 594-598. D. R. 384p. J. W. 2009. v. J. M. ANDERSON. 49. 901-910. COHEN. DRAIB. S. Acesso em 19 de ago. n.. E ffectiveness of Acupuncture as Adjunctive Therapy in Osteoarthritis of the Knee: A Randomized. Spontaneous Coping Strategies to Manage Acute Pain and Anxiety During Electrodiagnostic Studies. D. M.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARMAS. CAJAZEIRAS. S. GRAFING. R. Theosophical publishing house. CAMPBELL. M. Man Incarnate. A. L.. 59. LAWRENCE. BERMAN.18-21. A.. 878-884. Qualidade de vida de pacientes com insuficiência renal crônica em hemodiálise avaliada através do instrumento genérico SF-36. 71. R. S. J. BBC BRASIL. p. M.. BRENNAN. Londres. P. Hands of light: A guide to Healing Throught the Human Energy Field. A. M. p.. B. 36. S. Viva Saúde. p. Z. T. M. 3. São Paulo: n. v. v. Acta Fisiatrica. 2010. 2004. SHUTTY. 1992. HEWETT. Revista Mente e Cérebro. 2010. C. p. D. HOCHBERG. F. A acupuntura na melhoria da qualidade de vida nos casos de depressão: uma revisão bibliográfica. n. 141. I. C. n. CASTRO.. 2003. 2007. Capivari/SP: EME. R. 1993. A. C. Annals of Internal Medicine. F.. BENDIT.shtm>. Emoções que afetam a saúde... 73.

p. Tradução de Ysao Yamamura. G. Revista Brasileira de Reumatologia. IBGE .. 303p. J. E. Prática fácil de auriculoterapia e auriculomedicina. v. QUARESMA. Escalas de Auto-avaliação de Estados Subjetivos: Influência das Instruções. BOUCINHAS. New York.. LARANJEIRAS. MINISTÉRIO DA SAÚDE. J.. W. Tradução para a língua portuguesa e validação do questionário genérico de avaliação de qualidade de vida SF-36 (Brasil SF-36). Acesso em 19 ago. 1982. SILVA. Terapia Floral de A a Z: O trabalho com essências florais.150-153. 286p. S. M. 2006. São Paulo: Ícone.. Robert Cunningham and Sons Printers..Um Panorama da Saúde no Brasil. J. COULTHARD.1999. MACIOCIA. 7ª ed. New York: Orgone Institute Press. M. 2006. C. P. 1975. n. Ed. A. 2009. P. disponível em:<http://www. Tradução de Theodore P. Anesthesia and Pain Control in Dentistry. KUNZ. 1ª ed.. Os Fundamentos da Medicina Chinesa.asp? id=1041>. 39. 123p. 1966. Disponível em: <http://somostodosum. 2001. J. n. 1993. 1942. A. D. Monografia. MIRANDA. 2ª ed. M. 2ª ed. P. G. Londres: Vicent Stuart Ltd. Fields and their clinical Implications. Depressão – Conceito e Diagnóstico. MEINÃO. Revista Brasileira de Psiquiatria.. REICH.. 87-90. Farmacologia.com. ROSS. ROOD. 2010.. I.Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 17 . PEPER.ibge. D. P. Life functions of the energy center of Man. Jornal Brasileiro de Psiquiatria. 3. C. 1994. São Paulo: Roca. Política nacional de práticas integrativas e complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde (SUS).. DE LA WARR. 32. T.gov. P. Zang Fu: Sistemas de órgãos e vísceras da medicina tradicional chinesa. R. J. Universidade de São Paulo. p. MASUR. 1983.CICONELLI. 21.ig. R. 934p. Depressão: Tratamento com Auriculoterapia – Estudo de Casos. Salvador/BA: Livraria Espírita alvorada. n. Institute for the new age. Anxiety Measures During Induced Experimental Pain. The Discovery of the Orgone: the function of the Orgasm. 2. 1398p. Acesso em: 12 maio 2009. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. FERRAZ. PALHARI. DEL PORTO.. R. v. W. DEL PORTO. J. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2008 . 1999. 11ª ed.. SANTOS. R.br/home/presidencia/noticias/noticia_impressaophp? id_noticia=1580>. DELBONI. 1996. R. NOGIER.. Brasil. v. FRANCO.. Matter in the Making. Medicina Vibracional..br/conteudo/conteudo. portaria nº 971. 3ª ed.. 2010. 2006. J. the American theosophist. Wolfe. Roca LTDA. (Esp) Nas fronteiras da loucura. M.. 1. Universidade Estadual Norte do Paraná (UENP) – Instituto Brasileiro de Therapias e Ensino (IBRATE). C. B. PIERRAKOS.

A. SOUZA. 42. G. C. AHMAD. P. 2010. BARROS. 2005 – Depression: The Painful Truth. 403-496. B. 18 . São Paulo: Roca. SOLOMON. 2007. DEWEY. P. VICKERS.. p. R. v. monografia. Integr Cancer Ther.breaking-through-barriers. p. CHATWIN. E. pragmatic.. 21–8. Incorporated.pdf>. 2000. 919p. 2007b. P.. Ed. J. FERRAZ. WHO World Health Organization.. p. em: WFMH – World Federation for Mental Health. KARNIOL. Durham. 358p. SOARES. Toward an understanding of decision making on complementary and alternative medicine (CAM) use in poorer countries: the case of cancer care in Pakistan. M. E. ZOLLMAN. R. Racionalidade e espírito. 1981. W.. n. N. n. CICONELLI. WARE J.. N.int/topics/depression/en/>. Ware JE. M. Lincoln. A. Tratado de Auriculoterapia. n. C. W. 2010.. Jornal Brasileiro de Psiquiatria.. 2004.. Acupuntura Tradicional Chinesa: A arte de inserir. 150. P. v. FISHER. I. Brasília/DF: Novo horizonte. How to Score Version Two of the SF-36 Health. ELLIS. Tradução para português brasileiro e validação de um questionário de avaliação de produtividade. 1..744. n. Uso de medicinas alternativas e complementares por pacientes com câncer: revisão sistemática. M. C. Acupuntura no Tratamento da Depressão. R. n. BMJ Journals. 236-241. 1997.. Acesso em 19 ago. YAMAMURA. 40 2004. V. Globo. p. ZUARDI. F. J. 2008.. disponível em: <http://www. M. 22.. 2ª ed. SOUZA. 2007a. G. p.who. Acesso em 19 de ago. TOVEY. J. 328. KOWALSKI C. 1992.. S. Recife/PE. 159-160... Stewart AL. randomised trial. Estudo Transcultural de uma Escala de Auto-avaliação para Estados Subjetivos. 31. REES. Rev Panam Salud Publica. Revista Galileu. MCCARNEY. R. disponível <http://www. Acupuncture for chronic headache in primary care: large. 37. M.SOÁREZ. p. C. E. Revista Saúde Pública. Y. KOSINSKI. NC: Duke University Press.. 2001. Measuring Functioning and Well-Being: The Medical Outcomes Study Approach.. R. RI: QualityMetric. R. HASELEN.com/po/survey. SPADÁCIO. C.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->