P. 1
o Construtivismo Na Sala de Aula

o Construtivismo Na Sala de Aula

|Views: 44|Likes:
Publicado porLeonardo Souza

More info:

Published by: Leonardo Souza on May 04, 2012
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOCX, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

07/30/2013

pdf

text

original

O CONSTRUTIVISMO NA SALA DE AULA

(César Coll, Elena Martín, Teresa Mauri, Mariana Miras, Javier Onrubia, Isabel Solé e Antoni Zabala)

Capítulo 1 - OS PROFESSORES E A CONCEPÇÃO CONSTRUTIVISTA (Isabel Solé e César Coll)

 OS PROFESSORES, SUAS TEORIAS E A CONCEPÇÃO CONSTRUTIVISTA A concepção construtivista é um referencial explicativo. Um conjunto articulado de princípios que ajudam diagnosticar, julgar e tomar decisões fundamentais sobre o ensino. Situações de ensino aprendizagem – complexas – os professores precisam recorrer a determinados referenciais que guiem, fundamentem e justifiquem sua ação. Teorias – interpretar, analisar e intervir na realidade. Teorias devem fornecer instrumentos de análise e reflexão sobre a prática, sobre como se aprende e se ensina, sobre como influem na aprendizagem e no ensino as diferentes variáveis que interferem nesse processo.

 OS PROFESSORES E A ESCOLA Dimensão social do ensino – projeto social – instituição social. Conteúdos de aprendizagem – produtos sociais, culturais. O professor – agente mediador entre indivíduo e sociedade. O aluno – aprendiz social. Desenvolvimento humano – é um desenvolvimento cultural, contextualizado. Escola – é uma instituição social. Universo de RELAÇÕES (participação e colegialidade são meios indispensáveis para garantir que o ensino seja coerente e de qualidade). EDUCAÇÃO DE QUALIDADE – Planejar, proporcionar e avaliar o currículo ótimo para cada aluno, no contexto de uma diversidade de indivíduos que aprendem. PROFESSOR – função formativa – que exige poder atuar e poder refletir sobre a atuação – que torna necessário referenciais para análise – objetivos – projeto compartilhado – que considere como elemento a DIVERSIDADE.

no contexto de um grupo social determinado. Essa construção pessoal deve ser orientada no sentido de aproximar-se do culturalmente estabelecido. possam da conta da novidade. da demonstração de afeto à correção). responsável por torná-lo uma pessoa única. presumivelmente.  Aprender é construir Aprendemos quando somos capazes de elaborar uma representação pessoal sobre um objeto da realidade ou conteúdo que pretendemos aprender. A escola torna acessíveis aos alunos aspectos da cultura fundamentais para seu desenvolvimento pessoal considerado globalmente. . . estabelecimento de relações e coordenação entre esquemas de conhecimento que já possuímos. mas de integração. de inserção social. cultura e desenvolvimento Vivemos imersos numa cultura e nos desenvolvemos ao entrarmos em contato com os inúmeros elementos dessa cultura – inúmeras práticas educativas. Ensino é um processo conjunto. as capacidades de equilíbrio pessoal. mas a partir das experiências. . modificação. Essa elaboração implica aproximar-se de tal objeto ou conteúdo com a finalidade de apreendê-lo. irrepetível. compreendendo-o e podendo usá-lo de múltiplas e variadas formas.APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA – não se trata de acumulação de conhecimentos. afetivo-relacionais que se criam e entram em jogo a propósito das interações estabelecidas em torno da tarefa).APRENDIZAGEM ATIVA – não existe passividade diante do objeto de conhecimento. incluindo o âmbito cognitivo. de relação interpessoal e motoras. interesses e conhecimentos prévios que. O motor desse processo deve ser buscado no sentido a ele atribuído pelo aluno (aspectos motivacionais. não se trata de uma aproximação vazia. compartilhado: aluno constrói com a ajuda do professor (do desafio à demonstração minuciosa. a partir do nada.temos um desafio de modificar nossos esquemas de conhecimento para dar significado ao novo. A escola é uma instituição que nos ajuda a mergulhar no mundo da cultura. A educação escolar promove o desenvolvimento na medida em que promove a atividade mental construtiva do aluno. .ou podemos interpretar com os significados que já possuímos ou .  Uma construção peculiar: construir na escola Os conteúdos escolares constituem uma seleção daqueles aspectos da cultura que contribuirão para o desenvolvimento dos alunos em sua dupla dimensão de socialização (os aproximam do seu meio social e cultural) e de individualização (o aluno construirá sobre esses aspectos uma interpretação pessoal e única). A CONCEPÇÃO CONSTRUTIVISTA DA APRENDIZAGEM ESCOLAR E DO ENSINO  Escola.

Relação de novas ideias com o conhecimento anterior. estamos forjando nossa forma de ver-nos.  DISPOSIÇÃO PARA A APRENDIZAGEM. e ao mesmo tempo em que aprendemos. OS PROFESSORES. uma motivação.  O QUE APRENDEMOS QUANDO APRENDEMOS Quando aprendemos nos envolvemos globalmente na aprendizagem Atribuir significado – processo – que nos mobiliza em nível cognitivo. Forte interação com o conteúdo. Aqui estamos falando de SENTIDO e SIGNIFICADO da aprendizagem. Inclui em seus princípios o conceito de diversidade. outros abandonam a tarefa ou enfocam desacertadamente e não aprendem. A ESCOLA E A CONCEPÇÃO CONSTRUTIVISTA O construtivismo é um referencial que    Permite responder às perguntas que todo professor faz: Que significa aprender? O que ocorre quando um aluno aprende e não aprende? Como se pode ajudá-lo? Parte de uma consideração sobre a natureza social e socializadora do ensino. em que se quebra o equilíbrio inicial – desequilíbrio que obriga o indivíduo a agir – novo equilíbrio. Capítulo 2: DISPONIBILIDADE PARA A APRENDIZAGEM E SENTIDO DA APRENDIZAGEM (Isabel Solé) Trata das relações entre os aspectos cognitivos e os afetivos-relacionais na construção da aprendizagem no âmbito escolar. Para o construtivismo quando aprendemos. . Diante do desequilíbrio – alguns se dedicam a fundo e reequilibram-se novamente. Aspectos de tipo afetivo-relacional interferem na aprendizagem e a aprendizagem e o sucesso desempenham papel definitivo no nosso autoconceito e na nossa auto-estima e em todas as capacidades relacionadas com o equilíbrio pessoal. de ver o mundo e de relacionar-se com ele. Esse processo é animado por um interesse. SITUAÇÕES DE ENSINO E AVALIAÇÃO Disposição para a aprendizagem:  Enfoque profundo: Intenção de compreender. inerente à tarefa de ensinar.

Foco em elementos soltos. Quando não aprendemos os conteúdos. Para evitar fracasso estuda-se de modo superficial. Memorização da informação necessária para provas e exames. Características da tarefa: enfoque superficial aparece quando o método de ensino que favorece a dependência (basta seguir as indicações do professor) e nas quais se combina o excesso de trabalho com falta de tempo. Exame da lógica dos argumentos. de aprofundar). Os princípios não são distinguidos a partir de exemplos. aprendemos os conteúdos e também aprendemos que podemos aprender. desprovida de interesse ou inatingível para suas possibilidades. de realizar. O que leva a um e outro? Interesse pelo conteúdo. .  Interesse pelo conteúdo: para sentir interesse deve-se saber o que se pretende e sentir que isso preenche uma necessidade (de saber. Relação de dados com conclusões. sem integração.  Enfoque superficial: Intenção de cumprir os requisitos da tarefa. cada hora no âmbito de um conhecimento sem relação com o outro. de informar-se. Situação didática pode ser percebida como estimulante e desafiadora ou como intratável e tediosa. Também acontece quando os alunos passam de um professor a outro. Ao mesmo tempo em que são construídos significados sobre os conteúdos de ensino. noções – levam a “estudar para prova”. sem continuidade. podemos aprender algo: que não somos capazes de aprender. AUTOCONCEITO E REPRESENTAÇÕES MÚTUAS Como os alunos percebem as situações de aprendizagem? Motivação intrínseca (interna) e Motivação extrínseca (externa).Relação de conceitos com a experiência cotidiana. Motivação do aluno não é apenas responsabilidade sua. os alunos constroem representações sobre a própria situação didática. A tarefa é encarada como imposição externa.    MOTIVAÇÃO. Requisitos de Avaliação: perguntas que só convidam a reproduzir com o mínimo de variações possível dados.   Quando aprendemos. Características da tarefa. conceitos. Requisitos de avaliação. Ausência de reflexão sobre os propósitos ou estratégias. Enfoque profundo requer tempo.

selecionar. Para aprender é preciso atribuir sentido a tudo isso. aprender ou não aprender tem impacto sobre nossa auto-estima e sobre nosso autoconceito.. etc. estabelecer relações. .)  Alunos (fama do professor: é durão. Maria vc acerta sempre. afetivos e relacionais da contribuição do aluno no ato de aprender.. de sua realização e de seus resultados de forma ativa. SENTIDO – aspectos motivacionais. professores)  EXPECTATIVAS E ATRIBUIÇÕES  Representações mútuas dos protagonistas da relação professor aluno – profecias autorealizadoras.Portanto. Autoconceito e auto-estima são construídos no decorrer das experiências de vida.   Auto-estima elevada e autoconceito positivo = motivação para aprender = sucesso Auto-estima baixa e autoconceito negativo = desmotivação = fracasso.  Professores (João. Essa atribuição de sentido leva à construção de significados = aprendizagem significativa = relacionar os novos conteúdos com os que já possuem e construir uma representação pessoal deles. (compreensão) Tornar a atividade sua – participar do planejamento da atividade. vou te ajudar porque vc não consegue sozinho. APRENDER – complexa trama de aspectos cognitivos e afetivo-relacionais. por meio das relações interpessoais. particularmente com os “outros significativos” (família. (participação) Deve consistir em um desafio – algo que ainda não foi adquirido pelo aluno e que está dentro de suas possibilidades. Para uma tarefa de aprendizagem ter sentido – três exigências:    Ter claro o objetivo que se persegue com a tarefa e as condições de realização. amigos. é uma fera. conscientizar-se delas. embora lhe exija certo esforço.. Pedro. avaliar. não ensina nada)  SENTIDO E SIGNIFICADO: O ÂMBITO AFETIVO-RELACIONAL E O COGNITIVO NA APRENDIZAGEM Aprender é uma tarefa que exige forte envolvimento e uma atividade intelectual intensa: prestar atenção. tenho certeza que vc não fez a lição.

de equilíbrio pessoal e de relação interpessoal) e de um conjunto de instrumentos. leituras. o que muda de um para outro é o grau de elaboração. raciocínio e memória. de coerência. estratégias e habilidades gerais para completar o processo (linguagem. de pertinência de adequação ou inadequação com o novo conteúdo. Professor: Como? De onde você tirou isso? Júlio: Do livro. seus conhecimentos prévios e o novo conteúdo que lhe é apresentado como objeto de aprendizagem. Professor deve ajudar o aluno a mobilizar e atualizar seus conhecimentos para entender sua relação ou relações com o novo conteúdo. representações e conhecimentos adquiridos no decorrer de experiências anteriores que são utilizados como instrumentos de leitura e interpretação dos novos conteúdos. Os conhecimentos que já possuem sobre o conteúdo concreto que se propõe aprender. olhe: “porque não se retrataram”. não é uma questão de tudo ou nada. De onde vêm? Da vida – família. São os fundamentos da construção dos novos significados.Cap. 3 – UM PONTO DE PARTIDA PARA A APRENDIZAGEM DE NOVOS CONTEÚDOS: OS CONHECIMENTOS PRÉVIOS (Mariana Miras) Professor: Júlio. . leitura). escrita. Os alunos dispõem de determinadas capacidades (cognitivas – níveis de inteligência. escola. representação gráfica e numérica. mas uma questão de grau. internet. Aqui. por que os judeus foram expulsos da Espanha: Júlio: Porque não se deixaram fotografar. Uma aprendizagem é tanto mais significativa quanto mais relações com sentido o aluno for capaz de estabelecer entre o que já conhece.   OS CONHECIMENTOS PRÉVIOS Conceitos. motoras. A construção do conhecimento é um processo progressivo. Sempre existem conhecimentos prévios. concepções.  O ESTADO INICIAL DOS ALUNOS Três elementos básicos:   Os alunos apresentam uma determinada disposição para realizar a aprendizagem proposta. TV.

Os esquemas de conhecimento incluem uma ampla variedade de tipos de conhecimento sobre a realidade: informações sobre fatos e acontecimentos.atividades específicas destinadas a resolver essas questões. . Os alunos enfrentam a aprendizagem de um novo conteúdo possuindo uma série de conhecimentos prévios. É preciso ajudar os alunos a relacionarem os conhecimentos prévios com o novo conteúdo (sínteses. resumos. reorganiza seus esquemas incorporando o novo. errôneos.  OS CONHECIMENTOS PRÉVIOS NOS PROCESSOS DE ENSINO/APRENDIZAGEM Critérios para selecionar os conteúdos prévios: o conteúdo e os objetivos. Quando aprende ele reestrutura. teorias e procedimentos relacionados com essa realidade. conceitos. O que pretendo que os alunos aprendam concretamente sobre esse conteúdo? Como pretendo que o aprendam? O que precisam saber para poder entrar em contato e atribuir um significado inicial a estes aspectos do conteúdo que pretendo que aprendam? Que coisas já podem saber que tenham alguma relação ou que possam chegar a relacionar-se com esses aspectos do conteúdo?   Se os conteúdos prévios forem inexistentes – é preciso supri-los ou adaptar e redefinir os objetivos. normas e valores. Os alunos possuem uma quantidade variável de esquemas de conhecimento – construídos em função do contexto em que se desenvolvem e vivem. experiências e casos pessoais. que estão organizados e estruturados em diversos esquemas de conhecimento. recapitulações periódicas). OS ESQUEMAS DE CONHECIMENTO “A representação que uma pessoa possui em determinado momento de usa história sobre uma parcela da realidade”. Os esquemas de conhecimento se diferenciam pela quantidade de conhecimentos que contêm e por seu nível de organização interna (relações estabelecidas entre os conhecimentos). desorganizados . explicações. Se os conteúdos prévios forem pobres. crenças. atitudes.

 O ensino proporciona aos alunos o reforço necessário para obter essas respostas. A aprendizagem escolar consiste em adquirir os conhecimentos relevantes de uma cultura. Os alunos são construtores ativos. Essa representação acontece em alunos com conhecimentos que lhes servem para “enganchar” o novo conteúdo e lhes permitem atribuir-lhe algum grau de significado. Os professores se ocupam de ensinar-lhes a construir conhecimentos.  Resposta correta – reproduz fielmente o objeto de estudo. 4: O QUE FAZ COM QUE O ALUNO E A ALUNA APRENDAM OS CONTEÚDOS ESCOLARES? – A Natureza Ativa e Construtiva do Conhecimento. os conhecimentos culturais.Cap. mediante sua atividade pessoal.  Os alunos são processadores de informação. . 2. 3. Por tudo isso.  Processos básicos de aprendizagem – a repetição do que se deve aprender e o exercício.  A aprendizagem é vista como aquisição de respostas adequadas graças a um processo mecânico de reforços positivos ou negativos.  A CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTOS Aprender algo equivale a elaborar uma representação pessoal do conteúdo objeto de aprendizagem. o ensino consiste em prestar aos alunos a ajuda necessária para que possam ir construindo-os. A aprendizagem escolar consiste em construir conhecimentos.  O ensino proporciona aos alunos a informação de que necessitam. A aprendizagem escolar consiste em conhecer as respostas corretas para as perguntas formuladas pelo professor. Os alunos elaboram.  Os professores são capacitados informadores e oferecem múltiplas situações de obtenção do conhecimento. (Teresa Mauri)  ALGUMAS CONCEPÇÕES DA APRENDIZAGEM E DO ENSINO ESCOLAR MAIS HABITUAIS ENTRE OS DOCENTES 1.  A aquisição de conhecimento é concebida como um processo de cópia – reproduzir sem mudanças a informação.

Estabelecem relações entre diversos objetos. isto é. o que possibilita que sejam conhecidos e . isto é. como ler ou superar um obstáculo. identificam semelhanças e diferenças segundo critérios objetivos e podem nomeá-los. . algo que ninguém pode realizar em seu lugar. pedindo ajuda a alguém mais especializado.A aprendizagem. etc. plásticos.  A NATUREZA ATIVA DA CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTOS Os alunos são ativos quando: Perguntam ou observam atentamente para conseguir representar como contar. Abordam os problemas apresentados perguntando a outros. entendida como construção de conhecimento. a qualidade do conhecimento que possui e as possibilidades pessoais de continuar aprendendo. e fazer com que ela se oriente no sentido de alcançar os objetivos educacionais ou de desenvolvimento de capacidades. gestuais. interrogam-se sobre suas razões.  NATUREZA CULTURAL DO CONHECIMENTO CONSTRUÍDO Os conhecimentos que são objeto de aprendizagem dos alunos na escola   Já existiam antes que os alunos iniciassem sua construção pessoal. São de natureza simbólica – exprimem-se por meio de símbolos verbais. mas também a sua competência.  APRENDIZAGEM É uma atividade mental intensa. Observam diferenças entre uma situação e outra. Ao observarem uma briga entre colegas. A atividade didática tem a função de construir o contexto para que a atividade mental do aluno ocorra em determinado nível. numéricos. que lhes permitem raciocinar sobre a correção ou não do seu pensamento. pressupõe entender tanto sua dimensão como produto quanto sua dimensão como processo. o caminho pelo qual os alunos elaboram pessoalmente os conhecimentos. Processo de elaboração pessoal em que nenhum aluno pode ser substituído por outro. pedem opinião a um adulto ou colega sobre o que é certo ou errado. musicais. Ao aprender o que muda não é apenas a quantidade de informação que o aluno possui. vivida anteriormente.

. A atividade desenvolvida pelo aluno na construção do conhecimento não pode ser realizada de maneira solitária. A elaboração de representações pessoais sobre os diferentes saberes da cultura não pode ser deixada à espontaneidade dos alunos – deve ser assegurada pela intervenção nessa atividade: o professor planeja o contato com os saberes.  A CONTRIBUIÇÃO DOS ALUNOS À APRENDIZAGEM: ESQUEMAS DE CONHECIMENTO E ATRIBUIÇÃO DE SIGNIFICADO  Dos esquemas de conhecimento Os conhecimentos estão armazenados na mente. organizados em unidades chamados esquemas de conhecimento e que mantêm conexões entre si. ao mesmo tempo. de alguma situação. A existência de símbolos e seus referentes depende da existência de alguém capaz de interpretá-los. O aluno precisa do auxílio do “outro” = importância do professor como mediador entre aluno e conhecimento. o conhecimento é gerado de forma contínua. orienta as relações estabelecidas e o grau em que se estabelecem. Portanto.    compartilhados por todos que pertencem ao grupo social e cultural e que. seu significado seja conhecido e compartilhado. diferenciação e coordenação dos esquemas de conhecimentos que possuímos e por sua relevância e pertinência para estabelecer vínculos com a nova informação apresentada. Estrutura cognoscitiva – conjunto de esquemas convenientemente relacionados O material que compõem os esquemas é simbólico: não é cópia da realidade. Não é a coisa “real”. mas uma construção na qual intervieram outras idéia que já possuíamos armazenadas na mente. Da atribuição de significado Aprendizagem escolar X reação atômica? O grau ou nível de elaboração do significado será determinado pela qualidade. mas a representação pessoal da realidade objetiva. em determinado momento. Nos esquemas de conhecimento estão integrados:     Conhecimentos de tipo declarativo (referentes ao que: o que dizer de algo ou alguém. experiência ou conhecimento) Conhecimentos de tipo procedimental (referentes ao como fazer: realizações de ações e de sequências de ação) Atitudes e valores.

Os conhecimentos dos alunos SEMPRE atuam (mesmo que seja para perceber que o novo conteúdo não tem nenhum significado para ele). enriquecimento. É dinâmico = contínua reestruturação e manutenção do conhecido. Memorização compreensiva = conjunto de processos variados como reter. ATITUDES Dimensões do conhecimento. Memorização mecânica = permite reprodução sem mudanças daquilo que foi retido. por isso.  APRENDER CONCEITOS. mas pode ser objeto de contínuo aperfeiçoamento. mas por meio deles. Memorizar resulta de um ato de construção. construção de conhecimentos e memória podem ser entendidos como uma mesma coisa. mas um meio para a transformação dos alunos. Os alunos não aprendem apesar de seus conhecimentos prévios. reelaborar. construção e coordenação progressiva) Equilíbrio inicial/desequilíbrio/reequilíbrio posterior. Esses conhecimentos atuam conferindo à informação diferentes graus de significado e. etc. evocar. os saberes acabam formando uma rede de conhecimentos e tornam-se inseparáveis daqueles que possuíamos anteriormente. uma interpretação pessoal do novo que o aluno pôde compreender.  APRENDIZAGEM E CONTEÚDOS DA APRENDIZAGEM Os conteúdos escolares não são um fim em si mesmos. é a formação de uma idéia ou representação da informação a partir daquilo que já conhecia. Conceitos = tipos e partes da planta Procedimentos = observação das plantas . Utilizar o conhecimento para resolver problemas surgidos em novas situações pressupõe uma reconstrução e não uma aplicação mecânica do conhecido. este não é construído de uma vez por todas para sempre. PROCEDIMENTOS.  Modificação de esquemas de conhecimento Objetivo da educação escolar: modificação dos esquemas de conhecimento dos alunos (sua revisão.  A memória compreensiva Com a atribuição de significado. Assim. diferenciação.

pertinentes e relevantes. com os quais conectar a nova informação objeto de aprendizagem.Atitudes = curiosidade. rigor. Intervir para ativar as idéias prévias dos alunos.  Esteja organizada de modo lógico. que os faça sentir-se satisfeitos. cuidado. Os professores podem apresentar o novo conceito ou informação já elaborado (texto ou apresentação oral) ou podem apresentar o conceito como resultado de uma série de atividades de exploração ou descoberta dos alunos. quadros. 3. poder regular o próprio processo de aprendizagem). esquemas. a) Caracterizar a informação de tal modo que:  Exista algum tipo de cabeçalho ou introdução – ponte entre o que os alunos já conhecem e a nova informação. 2. consciência ecológica  O que permite que os alunos aprendam conceitos na escola? 1. Critérios de apresentação da informação e de organização e funcionamento das atividades.  A quantidade de informação nova seja apresentada em doses adequadas. Saberes pessoais dos alunos: 1. Disposição dos professores a ensinar conceitos aos alunos para a construção do próprio conhecimento: 1. 3. mapas conceituais)  A nova informação seja apresentada em temos funcionais para os alunos. Contar com professores dispostos a trabalhar considerando os alunos como centro de sua intervenção. em situações e contextos de solução de problemas próximos da vida cotidiana. 5. Possuir outros conhecimentos. resolver dúvidas. Ter motivos relevantes que lhes permitam encontrar sentido na atividade de aprendizagem de conceitos.  Tenha um nível de abstração adequado às capacidades dos alunos. ajudar os outros a resolver as suas). situar e reter os novos conhecimentos. para que as idéias gerais e as mais específicas fiquem claras. Possuir uma série de saberes pessoais.  Os alunos estejam em condição de usar recursos ou técnicas de elaboração e organização da informação (resumos. 4. 2. . 2. Acreditar que a construção do conhecimento conceitual se faz com os outros (perguntar e ser perguntado. elaborar. poder explicitar esse conhecimento. conectar. formalidade. 4. Possibilitar que os alunos consigam orientar sua atividade e seu esforço no processo de ensino-aprendizagem e que ajustem as próprias expectativas de realização da tarefa às expectativas do professor. Acreditar que o avanço na construção das próprias idéias e conceitos deve-se ao esforço pessoal. Ter conhecimentos conceituais prévios organizados. mais no campo dos procedimentos (encontrar na memória o conhecimento prévio mais relevante.

3. possibilitando que sigam lista de instruções para a solução de um problema. situar e reter os novos conhecimentos. e possam ajustar suas expectativas às dos professores. 5. modificáveis e controláveis. Ter motivos relevantes que lhes permitam encontrar sentido para a atividade de aprendizagem de procedimetnos que os faça sentir-se satisfeitos.b) As atividades de aprendizagem por descoberta com etapas bem definidas e articuladas entre si (proposição do problema. estratégias) organizados. para ajudá-los a manifestarem o grau de domínio que possuem na execução: a) Ativar. Ter conhecimentos prévios de procedimentos (métodos. imitem outros. Acreditar que o avanço na construção dos próprios saberes no tocante ao procedimentos deve-se ao esforço pessoal. Acreditar que a construção do conhecimento procedimental se faz com os outros (perguntar e ser perguntado.  O que permite que os alunos aprendam procedimentos na escola? Saberes pessoais dos alunos: 1. avaliar o progresso). ensaiem um processo. pertinentes e relevantes com os quais conectar os novos conteúdos. Os professores também devem incentivar os alunos a orientarem sua atividade no início e durante a aprendizagem. Possuir outros conhecimentos. f) Apresentar atividades de avaliação nas quais seja possível atribuir a consecução da aprendizagem a causas internas. identificação de variáveis. elaborar.). resolver dúvidas. c) Planejar as atividades de resumo e síntese ao longo do processo de aprendizagem e ensino. 2. técnicas. coleta de dados. e) Confiar no esforço dos alunos e ajudá-los (pistas para pensar. . habilidades motoras e cognitivas. explicitar e trabalhar com as idéias que os alunos têm sobre o procedimento objeto de aprendizagem b) Ativar a competência prévia dos alunos. algoritmos. também de procedimentos (encontrar na memória o conhecimento prévio mais relevante. Os professores têm de intervir para suscitar as representações que os alunos têm sobre o procedimento. normas. poder regular o próprio processo de aprendizagem). 4. a) Devem ajudá-los a apreender e representar o objetivo da atividade a ser realizada. e seu esforço nesse processo. etc. os materiais e as condições de trabalho para que os alunos consigam orientar claramente suas atividades e seu esforço. poder explicitar esse conhecimento. ajudar os outros a resolver as suas). 2. análise e apresentação dos mesmos. conectar. d) Possibilitar a verbalização dos conceitos. Disposição dos professores a ensinar conceitos aos alunos para a construção do próprio conhecimento: 1. regras.

d) Apresentar atividades de avaliação  O que permite aos alunos aprender determinadas atitudes? Saberes pessoais dos alunos: 1. 2.  Proporcionar outras situações úteis para os alunos. a) Critérios de apresentação da informação ou do próprio procedimento:  Ao apresentar o procedimento. 3. claro e significativo. b) A verbalização dos procedimentos em situações de atividade compartilhada com outros e na resolução de problemas de forma cooperativa permitem que os alunos negociem o significado dos mesmos. para obter consciência sobre elas. 4. 2. perante objetos e pessoas concretas que sirvam de base às novas normas e atitudes objeto de aprendizagem. . ligando-a ao próprio comportamento e opinião e internalizá-la (observação de modelos de “outros significativos”). Os professores devem facilitar o conhecimento e a análise das normas existentes no centro escolar e no grupo classe para que os alunos possam compreendê-las e respeitá-las. Poder recordar avaliações. juízos ou sentimentos que merecem pessoas ou objetos e situações. Poder elaborar o significado da nova norma ou atitude. Estar familiarizado com certas normas e possuir tendências de comportamento que se manifestam em situações específicas.  Proporcionar situações nas quais seja possível que os alunos atuem para testar ou ensaiar o procedimento (modelos).3. O grupo escolar deve ter claramente estabelecidos (e compartilhar as normas que os regulam) os critérios de valor pelos quais é regido. 5. os professores devem tentar explicitar as ordens ou instruções que dirigem o processo de realização do procedimento de modo lógico. A mudança de atitude é possível com o apoio de um coletivo que avalia positivamente essa mudança de atitude. Poder aceitar tudo o que implica a mudança de atitude com confiança e segurança em si. a fim de que possam diversificar o uso do procedimento e possibilitem o exercício de uma prática generalizada e constante. Intervenção dos professores na construção de atitudes dos alunos: 1. Mostrar-se disposto a expressar a outro suas idéias e opiniões. c) Confiar no esforço dos alunos na construção de procedimentos e dar pistas para pensar e retorno sobre seu progresso. Os professores devem apresentar aos alunos o novo procedimento que devem aprender de modo que possam atribuir-lhe significado em algum grau.

Mas. forçar sua reestruturação. Procurar modelos de atitudes que se pretende que os alunos aprendam na escola. No entanto.  AJUDA E AJUSTE DA AJUDA: O ENSINO COMO PROCESSO DE CRIAÇÃO DE ZONAS DE DESENVOLVIMENTO PROXIMAL E DE ASSISTÊNCIA NELAS. não estará cumprindo efetivamente sua missão. solidariedade. Deve legar em conta os esquemas de conhecimento dos alunos relacionados ao conteúdo de aprendizagem tratados e tomar como ponto de partida os significados e os sentidos de que os alunos disponham em relação a esse conteúdo. Se a ajuda oferecida não estiver “conectada” de alguma forma aos esquemas de conhecimento do aluno. num debate. que envolve integralmente os alunos. apenas ajuda. Mas. num passeio. respeito).  O ensino como ajuda ajustada. O ensino deve ser entendido. A ajuda deve conjugar duas grandes características: 1. como uma ajuda ao processo de aprendizagem. Facilitar a participação e o intercâmbio entre alunos para debater opiniões e idéias sobre os diferentes aspectos que dizem respeito à sua atividade na escola. se não for capaz de mobilizá-los e ativá-los e.3. Uma determinada organização das atividades de aprendizagem de conteúdos na escola facilita a aprendizagem de determinadas atitudes (cooperação. etc. mas necessita de atuação externa. 6. nos espaços comuns da escola. ao mesmo tempo. Ajudar os alunos a relacionarem significativamente as normas a determinadas atitudes que se pretende que desenvolvam em situações concretas (no laboratório. São eles que aprendem. 5.) 4. Cap. necessariamente. na concepção construtivista. 5 – ENSINAR: CRIAR ZONAS DE DESENVOLVIMENTO PROXIMAL E NELAS INTERVIR (Javier Onrubia) Aprendizagem não pode ser confiada ao acaso. no trabalho em grupo. tornar isso possível é uma aventura coletiva. nem ocupar o seu lugar. porque o ensino não pode substituir a atividade mental construtiva do aluno. numa visita. é preciso planejar expressamente sua aprendizagem. planejada e sistemática que oriente e guie os alunos na direção prevista pelas intenções educativas presentes no currículo. .  CONCLUSÃO A aprendizagem escolar é um processo complexo.

A participação nas atividades junto com colegas mais experientes ou com ajuda do professor provoca as reestruturações e as mudanças nos esquemas de conhecimento que tornarão possível essa atuação independente. incrementar a capacidade de compreensão e atuação autônoma do aluno. suportes ou instrumentos de ajuda: Intervenção direta com um aluno ou grupo de alunos. Deve provocar desafios que o levem a questionar esses significados e sentidos e forcem sua modificação pelo aluno. Vygotski . dar pistas. Oferecer uma ajuda ajustada: criar zonas de desenvolvimento proximal e nelas oferecer assistência.2. Escolha de atividades. compartilhada ou apoiada de tarefas. etc. Escolha e ordenação de conteúdos. Organização global da situação em seus aspectos de horário. e assegurar que essa modificação ocorra na direção desejada. escolha dos espaços. PREMISSA: aquilo que o aluno pode realizar com ajuda.  Apoios. aproximando a compreensão e a atuação do aluno das intenções educativas. Corrigir erros. organização e estrutura da classe ou agrupamento dos alunos. mas que possam enfrentá-los graças às suas próprias possibilidades e aos apoios e instrumentos recebidos do professor). graças à interação e à ajuda de outros. Portanto. uma pessoa pode trabalhar e resolver um problema ou realizar uma tarefa de uma maneira e em um nível que não seria capaz de ter individualmente. O ensino como ajuda ajustada sempre pretende. ajuda ajustada pressupõe desafios abordáveis para os alunos (não tanto no sentido de que possam resolvê-los sozinhos. Oferecer uma ajuda ajustada à aprendizagem escolar supõe criar ZDP e oferecer nelas ajuda e apoio para que. ao alunos possam ir . . em determinado momento. oferecer possibilidades de reforço e ampliação. poderá realizar de maneira independente mais tarde. isto é. Apresentação de orientações. por meio dessa participação e graças a esses apoios.ZDP – a distância entre o nível de resolução de uma tarefa que uma pessoa pode alcançar com ajuda de uma pessoa mais competente ou experiente nessa tarefa... elogiar a atuação. avaliar os esforços ou o processo que realizam. Tipos de material de apoio e recursos adicionais utilizados. a partir da realização.o espaço no qual.

O ensino não pode limitar-se a proporcionar sempre o mesmo tipo de ajudas nem a intervir de maneira homogênea e idêntica em cada um dos casos. não. cada vez mais complexas. 2. Considerar: 1. em outros alunos. Uma mesma forma de intervenção ou atuação do professor pode. e possam ir adquirindo mais possibilidades de atuação autônoma e uso independente desses esquemas perante novas situações e tarefas.modificando. em determinados alunos servir de ajuda ajustada e. (Primeira vez que trata determinado conceito requer mais ajudas de diferentes tipos e graus do que depois de já terem trabalhado o assunto por algumas aulas. Ajuda ajustada requer necessariamente variação e diversidade nas formas de ajuda. 3. Dimensão temporal das situações de ensino e aprendizagem. Ajuda depende do momento do processo. na própria atividade conjunta. O ensino não tem efeitos lineares nem automáticos sobre os alunos. tais efeitos só existem em função de alunos concretos e daquilo que trazem em cada momento à aprendizagem.) . seus esquemas de conhecimento e seus significados e sentidos.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->