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2. OS NÍVEIS DE CONSCIÊNCIA MORAL DE KOHLBERG - RESUMO

2. OS NÍVEIS DE CONSCIÊNCIA MORAL DE KOHLBERG - RESUMO

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OS NÍVEIS DE DESENVOLVIMENTO MORAL de KOHLBERG

Prof. Dr. Nelso Antonio Bordignon.

Os dilemas morais As questões éticas e morais estão presentes em todas as ações das pessoas, dos grupos sociais, das organizações, dos governos. Fazem parte das questões da biologia, da genética, da medicina; na área política, nas questões de justiça social, bem como nos temas das relações internacionais. As questões mais simples do dia-a-dia, na observância das normas de trânsito e da vida social, no uso dos bens particulares e públicos, nas relações de administração de qualquer instituição, sempre há algum dilema na forma de pensar e agir. Em todos os momentos da vida, a pessoa está escolhendo entre uma alternativa e outra, por alguma razão, por uma necessidade ou em vista de alguma perspectiva. O mundo vivido está cheio de dilemas morais que nos obrigam a refletir e tomar uma decisão. A vida nos impulsiona continuamente a realizar escolhas e tomar decisões. Viver significa agir e agir é decidir por alguma ação específica. Estas decisões carregam sentimentos e motivações intrapsíquicas, desejos e necessidades, representam valores e princípios e se traduzem em consequências e responsabilidades pessoais e sociais. Para o estudo dos dilemas morais podemos iniciar pela (1) História de jogo de futebol na rua1: Saindo da escola, um grupo de crianças foi jogar futebol na rua. Uma das crianças chutou a bola um pouco mais forte que atingiu uma vidraça de uma casa. O dono da casa percebeu e perguntou às crianças quem foi que chutou a bola. Ninguém respondeu. Ele foi queixar-se ao diretor da escola. No dia seguinte o diretor perguntou aos alunos quem foi que quebrou o vidro, mas ninguém se apresentou. Aquele que era o culpado afirmou que não era ele, e os demais não o denunciaram. Que deve fazer o diretor? Justificar a resposta. Ou um dilema mais universal: (2) O Trem descontrolado: Um trem vai atingir 5 pessoas que trabalham desprevenidas sobre uma linha. Mas você tem a chance de evitar a tragédia acionando uma alavanca que leva o trem para outra linha, onde ele atingirá apenas uma pessoa. Você mudaria o trajeto, salvando as 5 e matando 1? Justificar a resposta.
Comentário de Tiago Luchini: Se você respondeu que “sim, mudaria o trajeto” está entre a maioria das pessoas (97%). Por algum motivo temos uma visão utilitarista do mundo. Pensamos que a atitude mais correta é a que resulta na maior felicidade para o máximo número de pessoas. Mas há um porém. Por exemplo, se multiplicássemos por 1 milhão: você mataria 1 milhão de pessoas para salvar 5 milhões? Decisões assim sustentaram diversos regimes totalitários que desgraçaram uma minoria em nome da maioria.

Ou ainda um dilema sobre (3) Choque cultural: Você é um funcionário da Funai, trabalhando na Amazônia sob ordem expressa de jamais intervir na cultura indígena. Passeando perto de uma clareira, nota que ianomânis estão envenenando o bebê de uma índia, que está aos prantos. Você impediria a morte do bebê? Justificar a resposta.
Comentário de Tiago Luchini: Essa situação é exatamente combatida pela ONG Atini que tenta acabar com o infanticídio entre os índios brasileiros. A ONG foi formada pelos pais adotivos da ianomâni Hakani, que viveu um caso parecido em 1995. Hakani foi encontrada por um casal de funcionários da Funai. Um antropólogo do ministério público tentou barrar a adoção, dizendo que era uma agressão à cultura ianomâni. E aí, o que vale mais: a vida humana ou o respeito às tradições de um povo?

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DUSKA, R. e WHELAN, M. O desenvolvimento moral na idade evolutiva. São Paulo: Ed. Loyola, 1994. p. 119.

da idade das pessoas.Ou (4) Dilema de Heinz2. A teoria da educação moral . Em 1968 foi contratado para a Graduate School of Education da Universidade de Harvard. a filosofia. sendo assim passa a ser um assunto da sociologia. Ela tem a ver com a ação. Segundo os médicos. Graduou-se pela Universidade de Chicago em 1948. o ideal de justiça. onde ficou até sua morte em 1987. Heinz se desesperou e pensou em usar a força para arrombar e roubar a medicação para sua esposa. Psicologia del Desarrollo Moral.. que abordou os estágios epistemológicos e estágios morais de crianças. em 1958. S. 3. por sua vez. que se originam no consciente e inconsciente da pessoa. Não concedeu desconto nem parcelou o valor do remédio. o nível de educação e aspectos sociais onde a pessoa está inserida. Mas o farmacêutico disse: “Não. e a sociologia observa as consequências objetivas de uma ação no contexto social. o farmacêutico cobrava dez vezes mais pelo custo real. L. . o marido da mulher doente. Na Europa. Bilbao: Ed. uma forma de radium descoberto recentemente por um farmacêutico da cidade. inserção social e níveis de estudos. que pressupõe um sujeito consciente. nestes termos. sujeito de sua ação e de sua interação com os outros. cobrado pelo farmacêutico. Kohlberg formulou sua teoria de desenvolvimento moral.a formação moral. A teoria filosófica – o conceito cognitivo-evolutivo.A. Sintetizou sua teoria em três títulos: 1. uma senhora estava para morrer por causa de um câncer maligno.D. da infância à idade adulta. Concluiu o Ph. p. pois já havia tentado todas as possibilidades para adquirir o remédio. são as intencionalidades e motivações do sujeito. 2 KOHLBERG. Para prepará-lo gastava 200 dólares. a cultura. ele estendeu suas observações e pesquisas para a vida toda das pessoas. pergunta pelos critérios e princípios que orientam a ação.000 dólares. Heinz deve roubar o remédio? Sim ou não? Justificar a resposta. Observou que o desenvolvimento da consciência moral é um tema que aborda aspectos da psicologia. julgar e agir com critérios de justiça e valores objetivos. inicia os programas de Educação Moral e desenvolve os programas Educação Moral. Sua atenção centrou-se no desenvolvimento dos estágios de consciência moral das pessoas ao longo da vida. Desclée de Brouwer. com a tese sobre a identificação dos estágios de desenvolvimento moral. havia um remédio que poderia salvá-la. O remédio tinha um custo muito alto na preparação e. A partir dos estudos de Piaget. a ação de uma pessoa. por isso passa a ser um tema de interessa da psicologia. Lawrence Kohlberg estudou esses e outros dilemas morais e diversos autores sobre o tema. eu descobri o remédio e quero ganhar dinheiro com ele”. Percebeu que esse desenvolvimento envolve aspectos do crescimento humano. 2 A teoria psicológica . capaz de pensar. além disso. Enquanto a psicologia tenta desvendar as causas subjetivas e motivações intrapsíquicas que levam a pessoa a agir consciente ou inconscientemente. da filosofia e da sociologia. pediu dinheiro emprestado a todos os amigos. Ele disse ao farmacêutico que sua mulher iria morrer e pediu que fizesse um abatimento sobre o valor do remédio ou que aceitasse pagar em prestações. Teoria do desenvolvimento moral A partir do estudo da epistemologia genética de Piaget. a moralidade se torna um assunto de interesse da filosofia. Ele defendia o conceito da construção gradativa e sequencial da formulação moral. a metade do preço do remédio.o processo de desenvolvimento moral. mas cobrava 2. usa critérios de julgamento. aspectos culturais.589. de Escolas Democráticas e do chamou de “Comunidade Justa”. segundo os quais a própria ação é analisada. mas só conseguiu juntar mil dólares. 1992. Dados Biográficos Lawrence Kohlberg nasceu em New York em 1927. A moralidade. Em 1975. Pois a moralidade pressupõe uma causa e uma explicação das razões que levam a pessoa a agir. Ele observou que as respostas variam conforme a idade. Heinz.

aos outros (intersubjetividade) e aos valores espirituais (transcendência). REIMER. Kohlberg (1992. e somente se. 1992. cooperação (aceitação e revalidação das normas existentes ou sua reformulação democrática) e a reciprocidade (autonomia e heteronomia). mesmo que os fatores culturais possam acelerar. b) há um paralelismo do desenvolvimento moral e a evolução do pensamento da criança: a lógica é uma moral do pensamento como a moral. adaptações e complexidade em seus conteúdos e formas. que formam o organismo e as condições do mundo externo. 50) apresenta os pressupostos gerais do conceito cognitivo-evolutivo acentuando os seguintes aspectos: a) o desenvolvimento moral inclui. f) a moral estabelece uma relação imprescindível entre o sujeito e a sociedade. em responsabilidades cada vez mais baseadas em direitos. 50): a) os estágios representam diferenciais qualitativos na estrutura cognitiva. os indivíduos que a compõem são moralmente autônomos e consistentes. Uma sociedade será moralmente estabelecida. PAOLITTO. retroceder ou parar o desenvolvimento. O desenvolvimento moral inclui cada um desses elementos para o seu processo de crescimento. as seguintes características (KOHLBERG. a interação da maturidade cronológica e da aprendizagem. Dos estudos de Piaget (1976 e 1994) vale ressaltar alguns aspectos da moral psicogenética que integram o trabalho de Kohlberg: a) a teoria insere-se no contexto do estruturalismo genético. que obedecem a uma sequência determinada. isoladamente. c) a gênese acontece em estágios. ainda que não suficiente para o desenvolvimento moral. se. essa condição é necessária. uma lógica da ação. tanto para Piaget como para Kohlberg. a sequência se define pela complexidade lógica de cada etapa sucessiva. de forma integrada e integradora. 54 e HERSH. . Alguns autores dão maior importância às condições pessoais hereditárias. Em cada estágio. d) a assunção de papéis e funções sociais. A partir dos estudos de Piaget. isto é. e) a direção do desenvolvimento pessoal e social é para o equilíbrio de reciprocidade entre as potencialidades da estrutura fundamental da pessoa (dimensões física. b) a direção do desenvolvimento da estrutura cognitiva é para um maior equilíbrio na interação pessoa e contexto social. psíquica e espiritual) e sua expressão em relação a si mesmo. garante a ascensão na escala dos estágios de desenvolvimento moral.1998. c) o desenvolvimento se realiza na integração das dimensões afetiva. cognitiva e comportamental da pessoa. valores e princípios de justiça universais. necessariamente.baseada na estrutura do pensamento e na experiência de forma invariante e universal. interações. p. invariante e universal. mas nenhum. p. enquanto outros reforçam a força das condições do meio. afetiva e na forma de enfrentar a vida e resolver conflitos morais em idades diferentes. O conceito central de estágio na postura cognitivo-evolutiva apresenta. se reconstroem de forma ativa com as compreensões intelectuais e interações com o meio cultural onde vivem. p. as estruturas encontram-se em equilíbrio dinâmico. e) as estruturas morais são estabelecidas por aspectos do interior da pessoa (maturação biológica e equilibração das estruturas mentais) e do contexto social (socialização familiar e transmissão cultural). Essa primazia do sujeito sobre a sociedade é essencial para a formulação de programas de educação e de desenvolvimento moral. esse novo equilíbrio significa novos conhecimentos. as transformações de estrutura cognitiva. ao longo da vida. d) os processos psicogenéticos pressupõem aspectos de diferenciação da pessoa (indivíduo) e do grupo (sociedade). entre outras. b) as estruturas de pensamento e de ação moral formam uma sequência invariante no desenvolvimento moral. O modelo cognitivo-evolutivo supõe que a estrutura mental básica é o resultado de uma interação entre tendências internas.

as expectativas sociais são algo externo ao indivíduo. após 20 anos de pesquisas longitudinais e em diversos pais. a pessoa é capaz de pensar e agir por princípios morais universais. no estágio pré-convencional. que determina respostas a tarefas e exercícios para cada estágio. ele formulou a nova versão dos níveis e estágios do desenvolvimento moral. obedecer por obedecer e evitar causar danos físicos a pessoas e propriedades. A perspectiva sócio-moral é egocêntrica. Kohlberg apresenta. 1992. das autoridades e de pessoas de referência. dos estágios tem a seguinte redação: Nível 1. um nível de operação mental. Os estágios superiores reintegram as estruturas dos estágios inferiores. expectativas e acordos da sociedade ou autoridade pelo simples fato de serem regras. A passagem de um estágio ao outro se dá em processos críticos. Em alguns casos. 1994). onde as pessoas pensam e agem em termos de princípios e acordos convencionais.Nível convencional (estágios 3 e 4) e III . O que é direito é evitar infringir as regras.Nível pré-convencional (estágios 1 e 2). Nível Pré-Convencional As decisões morais são geradas a partir de acontecimentos externos à pessoa. p. esses princípios podem entrar em conflito com as normas da sociedade. muitos adultos delinquentes. pelos quais a pessoa supera as inconsistências de conteúdos e de formas do estágio no qual se encontra e busca. conforme (KOHLBERG. Nesse nível. alguns adolescentes e. O (a) conteúdo representa a visão cognitiva e dos conceitos e argumentos do julgamento moral. como síntese do seu doutorado. da obediência às regras e à autoridade ou do medo do castigo e da punição. uma resposta num determinado estágio significa uma capacidade de organização do pensamento. especialmente. enquanto que no nível convencional a pessoa se identifica com as regras e expectativas sociais. o castigo e os danos físicos às pessoas e propriedades são evitados. Já no nível pósconvencional. O problema se acaba quando se administra o castigo. E. formam uma ordem de estruturas crescentes diferenciadas e integradas. as funções gerais são sempre de manter o equilíbrio entre a pessoa e o entorno. II . a primeira visão dos níveis e estágios de desenvolvimento moral. No nível pós-convencional. Assim. Estágio 1. A partir de seus estudos iniciais. no estágio seguinte. sempre em três níveis e seis estágios. o indivíduo diferencia sua pessoa das normas e expectativas dos outros e define seus valores segundo princípios universais. A esse nível pertencem os adolescentes. O Estágio da Obediência e do Castigo – Moralidade Heterônoma O conteúdo: é considerada correta a obediência literal às regras e à autoridade. Cada estágio comporta três aspectos: um conteúdo. um novo equilíbrio entre o conteúdo e a forma de pensar e agir. assim distribuídos: I . O nível pré-convencional é o nível da maioria das crianças até os nove anos. A formulação atualizada. a pessoa não chega a entender e a manter as normas e regras sociais convencionais. definido como equilíbrio de assimilação e acomodação (Piaget. os jovens e muitos adultos. em 1958.Nível pós-convencional (estágios 5 e 6).c) cada estágio forma um todo estruturado. O nível convencional é o da conformidade e manutenção das normas. . as justificativas. 188-189). d) os estágios são integrações hierárquicas. também. e uma perspectiva sócio-moral. enquanto (b) as justificativas apresentam os valores e as razões filosóficas que sustentam a ação e (c) a perspectiva sócio-moral se refere ao ponto de vista que a pessoa toma ao definir os fatos sociais e os valores sócio-morais ou deveres. a orientação moral.

a gente iria querer um bom comportamento de si próprio (Regra de Ouro). As leis devem ser apoiadas. O Estágio das Expectativas Interpessoais Mútuas. o respeito e a gratidão. apoiar a ordem social e manter o bem-estar da sociedade ou do grupo. Há um desejo de manter as regras e a autoridade. (c) A perspectiva sócio-moral é egocêntrica. A pessoa relaciona pontos de vista através da “Regra de Ouro concreta”. em termos de sentimentos. têm seus interesses. Nível 2. uma troca igual. pondo-se no lugar dos outros. um acordo.(b) As razões para defender esses valores são o desejo de evitar o castigo. (b) As justificativas consistem em satisfazer e servir aos interesses próprios num mundo em que é preciso reconhecer que as outras pessoas. ou pela equidade. Nível Convencional As decisões morais são geradas a partir de expectativas e papéis socialmente reconhecidos e definidos pelo grupo ou sociedade de interesse. A pessoa integra ou relaciona seus interesses individuais com os da autoridade e dos outros por troca instrumental de serviços. manter-se leal e conservar a confiança dos parceiros e estar motivado a seguir regras e expectativas dos pais (ser bom filho). ou da boa vontade. Não considera a perspectiva do “sistema”. o grupo ou a instituição. Cumprir os deveres com os quais se concordou. O Estágio da Preservação do Sistema Social e da Consciência (a) O conteúdo: o certo é fazer o seu dever na sociedade. (b) As justificativas para agir corretamente são: ter necessidade de ser bom a seus próprios olhos e aos olhos dos outros. acordos e expectativas compartilhadas. As ações são julgadas em termos das consequências e soluções físicas e não em termos dos interesses psicológicos dos outros. A pessoa é consciente de que cada um procura realizar seus próprios interesses e estes podem conflitar entre si. . Estágio 4. dos amigos. também. Estágio 2. dos Relacionamentos e da Conformidade Interpessoal (a) O conteúdo: é considerado correto desempenhar o papel de uma pessoa boa (amável). separando os interesses e pontos de vista próprios dos interesses e pontos de vista da autoridade e dos outros. para satisfazer os interesses e necessidades próprias e deixar que os outros façam o mesmo. manter a confiança. (c) A perspectiva sócio-moral é individualista concreta. preocupar-se com as outras pessoas e seus sentimentos. dando a cada pessoa a mesma quantidade. desconsiderando a dos outros. A perspectiva da autoridade é confundida com a própria. importar-se com os outros. que apoiam o comportamento bom. Estágio 3. as punições e sansões das autoridades. também. uma transação. dos superiores. Também significa preservar os relacionamentos mútuos. se a gente se pusesse no lugar do outro. não relaciona as duas perspectivas. o que é equitativo. O direito é. também. isto é. O direito é relativo (no sentido individual concreto). a lealdade. mostrar solicitude com os outros. (c) A pessoa adota a perspectiva sócio-moral. “Ser bom” é importante e significa ter bons motivos. O direito. estereotipado. que adquirem primazia sobre os interesses individuais. A perspectiva sócio-moral é a do grupo de interesse. O Estágio do Objetivo Instrumental Individual e da Troca (a) O conteúdo: o correto é seguir as regras quando for de seu interesse imediato. consiste em contribuir para a sociedade. exceto em casos extremos em que entram em conflito com outros deveres e direitos sociais estabelecidos. porque. a pessoa considera somente sua perspectiva.

devem. Nível 3. (c) A perspectiva sócio-moral adotada é a de um ponto de vista moral. Kohlberg esperava que os pais e professores estivessem moralmente maduros para auxiliarem as crianças e os jovens no crescimento moral. mesmo quando entram em conflito com as regras e leis concretas do grupo. valores e princípios com que todos concordam (ou podem concordar) para compor uma sociedade destinada a ter práticas justas e benéficas. Outro . reconhece esse conflito e acha difícil integrá-los. mas também são princípios usados para gerar decisões particulares. são compromissos ou contratos assumidos livremente e implicam o respeito pelos direitos dos outros. O Estágio de Princípios Éticos Universais (a) O conteúdo: é considerado correto agir por princípios éticos universais. É estar consciente do fato de que as pessoas adotam uma variedade de valores e opiniões. (b) Como justificativas para agir de maneira moralmente correta são apontadas. que a maioria dos valores e regras é relativa ao seu grupo. as obrigações de família. a gente age de acordo com o princípio. amizade. porque elas são o contrato social. (b) A justificativa para fazer o que é direito é que a pessoa. A pessoa segue as perspectivas do sistema. O Estágio dos Direitos Originários e do Contrato Social ou da Utilidade (a) O conteúdo: o correto é sustentar os direitos. o autorrespeito ou a consciência compreendida como o cumprimento das obrigações definidas para si próprio ou a consideração das consequências: “E se todos fizessem o mesmo?”. que toda a humanidade deve seguir. que. porque se apoiam em tais princípios. Esses não são meramente valores reconhecidos. para o bem de todos e para proteger seus próprios direitos e os direitos dos outros. este estágio é guiado por princípios éticos universais. Estágio 5. percebeu a validade dos princípios e comprometeu-se com eles. Os princípios são princípios universais de justiça: igualdade de direitos humanos e o respeito pela dignidade dos seres humanos enquanto indivíduos. As leis e acordos sociais particulares são. (c) As perspectivas sócio-morais adotadas pelas pessoas são do prioritário-em-face-da-sociedade – a perspectiva de um indivíduo racional cônscio de valores e direitos prioritários em face dos laços e contratos sociais. em geral. porque a gente fez um contrato social de fazer e respeitar leis. Reconhece o respeito fundamental pela vida e pela pessoa humana como fins e não como meios. que define regras e papéis. isso nem sempre ocorre. A perspectiva sócio-moral é a partir dos valores e princípios universais. Nível Pós-Convencional ou Baseado em Princípios As decisões morais são geradas a partir de direitos. Considera o ponto de vista moral e o ponto de vista legal.(b) As justificativas para agir assim são: manter em funcionamento a instituição como um todo. têm de ser apoiados em qualquer sociedade independentemente da opinião da maioria. Estágio 6. ser apoiadas no interesse da imparcialidade. em geral. alguns valores e direitos não relativos. mas como ele mesmo percebeu. Essas regras “relativas”. do contrato. Importa que as leis e deveres sejam baseados num cálculo racional de utilidade geral: “O maior bem para o maior número”. contudo. As relações são estabelecidas em termos do lugar no sistema. A pessoa integra perspectivas pelos mecanismos formais do acordo. valores e contratos legais básicos de uma sociedade. da imparcialidade objetiva e do devido processo. No entanto. confiança e trabalho. em geral. a obrigação de obedecer à lei. (c) As perspectivas sócio-morais: a pessoa adota o ponto de vista societário do acordo ou motivos interpessoais. em termos racionais. também. tais como a vida e a liberdade. de onde derivam os ajustes sociais dos valores e dos princípios universais. Quando as leis violam esses princípios. válidos. No que diz respeito ao que é direito.

da frustração. classificação). “Aspectos simples – manter as regras simples.O estágio de Objetivo Instrumental . necessidades e gratificações entre eles. Resultados da Pesquisa3 NÍVEL PRÉ-CONVENCIONAL 1º. Tese de Doutorado. manutenção da posição de professor e de aluno . cumprir o planejamento. “Respeitar os horários da instituição. outro aspecto é o respeito uns aos outros.” (S 13) 3 BORDIGNON. o adulto encontra dificuldades em atingir o nível máximo da moralidade. segundo Kohlberg. promoção. do professore e aluno. gratificações.Individual e de Troca O valor educativo reside no objetivo instrumental individual do professor e do aluno e na troca de interesses. Estágio . principalmente em termos de gratificações e bem-estar: “eu me gratifico e tu me gratificas”.. prazos. orientações e regras na sala de aula. cultivar a interação entre as pessoas. 2009. os educadores são chamados a pensar e atuar a partir do nível pós-convencional. . da desaprovação. p.O Estágio da Obediência e do Castigo .. na obediência às normas e à autoridade.Moralidade Heterônoma O valor educativo reside em consequências e soluções físicas. PUCRS. alguns até no nível pré-convencional. Implicações dos Níveis de Desenvolvimento Moral de Kohlberg na Educação Superior. Cada um busca garantir interesses e vantagens pessoais em sua função/atividade esperando que o outro colabore nesta relação. ao aluno.fato que o autor aponta é que sentia dificuldades em encontrar bons professores para auxiliá-lo. uma vez que a maioria deles se encontrava no nível convencional. (S 17) NÍVEL PRÉ-CONVENCIONAL 2º. Também pode reforçar a dimensão física (presença/ausência. Estágio . A mediação física permanece como fonte de relação intersubjetiva e intencional para a vida e a profissão. Mesmo que se saiba que a maioria das pessoas pensa e atua em termos do nível convencional. como poderá formá-la nas crianças e nos jovens? “Não pode haver conscientização nem transformação social seos membros individuais de uma sociedade (ou boa parte de seus líderes) não alcançam o nível de moral pós-convencional. pela autoridade da Instituição e do professor. ‘se há algo para cumprir – cumprir ’. para poder educar seus alunos a partir dos princípios e valores éticos universais. O conteúdo da reciprocidade educativa é ainda sobre o essencialmente concreto e pragmático: sucessos. constata-se que a influência do adulto na construção moral da criança e do jovem é um fato essencial. coerência na avaliação e estabelecer regras junto aos alunos e cumpri-las”. Nelso Antonio. ensina-se e aprende-se por interesses pessoais mútuos. pois se. A perspectiva do ensino e da aprendizagem é egocêntrica (do professore ou aluno). externas ao sujeito. A qualidade do ensino é gerada pelos parâmetros e exigências legais. horários. A qualidade da aprendizagem está na obediência às normas e autoridades constituídas (instituição e professor) ou no medo da punição. 2006. Um estudo de Caso. A perspectiva do ensino e da aprendizagem é do interesse egocêntrico mútuos. Neste estágio. é necessário promover a formação moral dos educadores para que possam educar seus alunos a partir do nível pós-convencional. Mais uma vez. A avaliação pedagógica é realizada pelas consequências e soluções físicas (notas. Essa é a grande contribuição dos estudos e pesquisas realizados por Kohlberg para a formação das novas gerações e da mudança social” (BIAGGIO. trabalhos) da relação pedagógica entre professor e aluno. Para tal. externos ao sujeito. da frustração e da reprovação. 61). ou no medo da punição. A autoridade e o medo geram valores e aprendizagem.

Estágio . A instituição. O valor educativo está baseado em princípios e valores universalmente aceitos e internalizados. A perspectiva do ensino e da aprendizagem é a partir dos princípios.O Estágio das Expectativas Interpessoais Mútuas. um curso. adotam a perspectiva educativa de pessoas que integram uma instituição.O Estágio dos Direitos Originários e do Contrato Social ou da Utilidade. a formação para os valores individuais da consciência e liberdade se antepõe às orientações legais e normas institucionais. Adotar as decisões mais próximas da lei. educacional e social. ou seja. (S 12) NÍVEL CONVENCIONAL 4º.NÍVEL CONVENCIONAL 3º. Relações e Conformidade Interpessoal. lealdade. significado e sentimento de pertença à instituição. dentro da visão institucional. concedendolhe segurança e apoio como profissional e para o exercício de sua função educativa e social. A presença e atuação do professor na instituição fornecem sentido. Estágio . “Deve pautar-se pelo respeito às individualidades e experiências de vida e cultura que os alunos trazem.” (S 7) NÍVEL PÓS-CONVENCIONAL 5º. anteriores à sociedade e à pessoa. reconhecendo sua identidade antropológica em termos de estrutura e relações. Observar a legislação pertinente. A perspectiva do ensino e da aprendizagem é a conformidade às expectativas socialmente elaboradas e aceitas pelo grupo: Ser bom professor e ser bom aluno aos olhos do grupo social. As perspectivas educativas reconhecem sempre a perspectiva moral acima da legal. interesse. empenho e compromisso como futuro profissional na área em questão”. Estágio . cultural ou religioso. onde cada um cumpre seu dever e o sistema educativo permanece como fonte de segurança e realização de objetivos pessoais e profissionais para ambos. O professor tem em vista a realização dos princípios da educação e está atento à formação integral do aluno em seu processo de desenvolvimento como pessoa e profissional. no contrato educativo e nos direitos individuais de consciência e liberdade do educando.O Estágio da Preservação do Sistema – Social e da Consciência. avaliação dos aspectos de presença. uma sala de aula onde se ensina e se aprende de forma harmônica em relações de aceitação e estima mútuas. A mediação educativa é estabelecida pela mediação afetiva como fonte de relação intersubjetiva e intencional para a vida e a profissão. Defender as convicções pessoais. fidelidade e bem-estar mútuos de forma tácita e convencional. valores e objetivos antropológicos e educacionais. A perspectiva do ensino e da aprendizagem é a conformidade aos papéis e normas socialmente definidos para a preservação do sistema cultural.” (S 11) NÍVEL PÓS-CONVENCIONAL . assiduidade. “Realizar um processo de auto-avaliação com todos os alunos sobre o seu desempenho acadêmico e como futuro profissional. “Respeitar as orientações e normas sobre o andamento da Instituição. professor e aluno sobre a educação. O valor educativo se fundamenta na conformidade de ação em relação às expectativas e aos papéis socialmente definidos na preservação do sistema educacional e da consciência.Professor e aluno têm em vista a preservação do sistema educacional e da consciência. não podemos impor uma “moral” aos alunos. isto é. professor e aluno buscam criar e manter relações de confiança. O valor educativo se fundamenta na conformidade às expectativas e aos papéis socialmente elaborados e definidos entre instituição.

61). PIAGET. Thomas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BIAGGIO. São Paulo: Ed. mesmo que se saiba que a maioria das pessoas pensam e atuam em termos do nível convencional. Um guia a Piaget e Kohlberg. HERSH Richard. de forma autônoma das liberdades e da consciência pessoal de ambos. São Paulo – SP: Ed. mas com as devidas diferenças de Professor e Aluno [. Editorial Gedisa. 1992. Reimpresión. Espanha. Itinerários de Antígona – A questão da Moralidade. KOHLBERG. Para tal. A perspectiva é atingir os objetivos da formação pessoal e profissional dos alunos a partir dos valores da consciência e liberdade individual e dos princípios éticos universais. Rio de Janeiro. é necessário promover a formação moral dos educadores para que possam educar seus alunos a partir do nível pós-convencional. F. Consciência Moral e Agir Comunicativo. PAOLITTO Diana. Desclée de Brouwer. Psicologia e Educación. nas relações dialógicas de alteridade – professor e aluno. Estabelecem-se relações de formação dialética e dialógica entre professor e aluno. 3ª. Marvin.: Papirus: 2002. . A Equilibração das Estruturas Cognitivas. de respeito. Gazeta Ltda: 1989. 1 Ed. Campinas. Lawrence Kohlberg. Rio de Janeiro. Essa é a grande contribuição dos estudos e pesquisas realizados por Kohlberg para a formação das novas gerações e da mudança social” (BIAGGIO. DUSKA.]. Mariellen. El Crecimiento Moral de Piaget a Kohlberg.. Carlos. D. Bogotá. S. Madrid: Narcea: 1998.O Estágio de Princípios Éticos Universais O valor educativo está baseado em princípios éticos universais que todos concordam (ou podem concordar) para compor uma sociedade destinada a ter práticas justas e benéficas. Ed. J. Estágio . CAÑON. BERKOWITZ. HIGGINS. FREITAG. Moderna: 2006. Procurar manter uma relação de Tu para Tu. A educação é realizada em vista dos valores e princípios institucionais e da formação integral dos alunos a partir dos conteúdos antropológicos espirituais.. ____________.A. Loyola: 1994. LICKONA. REIMER. ____________. El sentido de lo humano. “Sempre possibilitar uma relação de diálogo. A. Ângela M. os educadores são chamados a pensar e atuar a partir do nível pós-convencional. ética e educação moral. ____________. E finalmente. São Paulo. 3a. ALVAREZ. Benjamin. Ronald e WHELAN. HABERMAS. O Juízo Moral na Criança. (S 10) “Não pode haver conscientização nem transformação social se os membros individuais de uma sociedade (ou boa parte de seus líderes) não alcançam o nível de moral pós-convencional. Bilbao. Summus Editorial Ltda: 1994. p. Tempo Brasileiro: 1989. Joseph. Zahar Editores: 1976 ____________. Ed. A moral na obra de Jean Piaget: um projeto inacabado. Segunda reimpresión. POWER. Cortez: 2003. S. Há espaços de discussão dos temas de estudo.. para poder educar seus alunos a partir dos princípios e valores éticos universais. Jean.: Ed.A: 2002. Valores. Lawrence. B. mantendo uma relação de discipulado mútuo”. La Educación Moral – Según Lawrence Kohlberg. Psicologia del Deserrallo Moral. Bárbara. 2 Ed. SP.6º. 2 Ed. Barcelona. 2006.C. O Desenvolvimento Moral na idade evolutiva. São Paulo: Ed.F.

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