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Realismo - Felipe Alessio

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Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais Felipe Jhonatan Alessio Abril, 2012

A essência do pensamento realista e as aproximações contemporâneas

A disciplina de Relações Internacionais tem desempenhado um grande papel na produção científica sobre diferenciados temas, abordando questões culturais, econômicas, políticas, ideológicas, metodológicas e meta-teóricas. Para Bedin (2004), o resultado da evolução disciplinar das relações internacionais, no século XX, permitiu que se elaborassem modelos teóricos interpretativos, e que os mesmos fossem designados de paradigmas. Ao entender o paradigma como uma visão e interpretação dos fenômenos internacionais amparado por um método, podemos enquadrar o Realismo como sendo um dos principais paradigmas das Relações Internacionais. Gilpin, em seu artigo The richness of the Tradition of Political Realism, afirma que o Realismo deve ser visto como uma disposição filosófica, e não uma teoria científica no senso stricto, neste sentido o autor critica alguns teóricos neorealistas pela demasiada busca pela cientificidade da disciplina. De qualquer maneira, o autor relata que a fundação do realismo está centrada no pensamento pessimista sobre o progresso moral e as possibilidades humanas. Sendo assim, todos os escritores realistas compartilham entre si três premissas sobre a vida política. A primeira é o reconhecimento da natureza conflituosa que permeia as relações internacionais. Neste caso a anarquia é a regra, já a ordem, justiça e a moralidade são as exceções. Mearsheimer contribui para o entendimento das características da anarquia, segundo o ele, em um ambiente anárquico não há instituição internacional capaz de estabelecer a ordem ou punir potenciais Estados agressores, sendo assim todos os Estados são ameaças em potencial. Neste sentido, não há espaço para confiança, cada Estado deve garantir sua sobrevivência, uma vez que a traição em eventuais alianças ou acordos é uma possibilidade. Gilpin relata que na anarquia a arbitrariedade das relações políticas se dá pelo poder, neste caso, Mearsheimer complementa que os Estados para sobreviver procuram maximizar seu poder relativo à outros Estados, assim, procuram oportunidades de enfraquecer adversários em potencial e melhorar a posição de seu poder relativo. O próprio autor reconhece em seu artigo o seu pessimismo em relação à natureza dos Estados.

não houve uma ruptura entre o realismo clássico e as aproximações contemporâneas. lealdade serão dispensados ao não haver segurança no duelo pelo poder entre os diferentes grupos sociais. A terceira premissa é própria de nossa natureza. e não como indivíduos isolados. Gilpin deixa claro que existem diferenças pontuais entre os realistas clássicos e as aproximações realistas mais contemporâneas. bondade. Porém. tamanho e organização destes grupos é possível através das mudanças econômicas e demográficas. Todos os outros valores. o Estado para Mearsheimer é o ator central nas relações internacionais. o ser humano é motivado pelo poder e pela segurança. De qualquer maneira. quando . beleza. Assim. Gilpin cogita que uma mudança de nome. o autor expõe que a humanidade é motivada especialmente pelo poder e segurança. e pelos fatores tecnológicos. Em seu artigo. É na realidade um “conflito de grupos”. a construção de blocos ou unidades de vida social e política não são resultados do pensamento liberal do indivíduo ou da luta de classes. Sendo assim. que para Gilpin são Tucídides.A segunda premissa de Gilpin sobre o realismo é que a essência da realidade social é o grupo. O realismo em ação: um “viva” as armas nucleares! No artigo Back to the future: Instability in Europe after the cold war. o papel dos fatores econômicos. o autor é pessimista sobre o comportamento e as motivações humanas. Gilpin exalta que: não há diferenças significativas sobre a natureza do pensamento realista político. Sendo assim. como propõe Ashley. a concepção do Estado e a influência da estrutura no comportamento estatal. procedimentos metodológicos. onde os seres humanos na disputa por recursos se organizam como membros de um grupo. Primeiro. segundo o autor. Sendo assim. Segundo. O que não é possível. Mearsheimer adota em sua analise elementos essenciais do pensamento realista. Gilpin a define como motivação humana. e procura sobreviver em um ambiente anárquico através da maximização de seu poder. Essa luta pela sobrevivência é definida pelo elemento realista da anarquia. Essas diferenças são marcadas pelo contexto histórico em que escreveram os principais autores clássicos. Maquiavel e Carr (pode se contestar essa definição uma vez que os autores estavam envolvidos em outro contexto). os escritores realistas reconhecem o Estado-nação como sendo o “grupo” mais importante do sistema internacional na atualidade. é uma mudança na essência natural do conflito intergrupal.

e a presença de um arsenal de armas nucleares nos dois lados da balança. Terceiro. neste caso bipolaridade entre Estados Unidos e União Soviética se extingue. Mearsheimer estabelece que a paz na Europa durante a Guerra Fria é resultado da bipolaridade. e exercer a balança de poder com qualquer outro Estado agressor emergente. que para Mearsheimer está ligado a capacidade militar que o mesmo possui. Mearsheimer disponibiliza três politicas a serem desempenhadas pelos atores. Ele desconhece todos os outros meios de segurança: liberalismo econômico e democracias. que para o autor aumenta a chance de conflitos entre os países do velho continente. e que ainda poderão desempenhar para a manutenção da paz da Europa em uma possível mudança estrutural do sistema. Estados Unidos e Inglaterra deveriam permanecer ativos na Europa. em geral. Segundo. da proximidade da balança militar das grandes superpotências. O realismo neoclássico como teoria de política externa Teorias de política externa. Ao elevar a segurança como influencia do aparato militar de um Estado. desta maneira o Estado deve garantir sua própria existência através do poder. Desta maneira a política externa é guiada por fatores tanto externos quanto internos. O autor procura focar sua analise no papel desempenhado pelas armas nucleares. os Estados Unidos deveriam encorajar e manusear cuidadosamente a proliferação de armas nucleares. analisam o que os Estados tentam conseguir no meio externo e quando eles tentarão agir para conseguir determinado objetivo. este último deve vir acompanhado de uma análise das condições específicas em que o mesmo pode ser relevado. Um esforço conjunto deveria ser realizado no combate ao hipernacionalismo. Seus aderentes propõem que a política externa de um país é guiada em primeiro lugar pela sua colocação no sistema . transformando o cenário em uma estrutura multipolar.o autor define o sistema internacional como um ambiente anárquico. O realismo neoclássico propõe a análise nas duas dimensões. o mesmo presume que não há instituição capaz de proteger os Estados um dos outros. Primeiro. atualizando e sistematizando as percepções encontradas no pensamento do realismo clássico. Para manter a segurança na Europa.

tem colocado muitos estadistas em situações delicadas. Para os realistas neoclássicos. os autores realistas divergem em relação a estrutura teórica utilizada. o poder relativo determina os parâmetros da política externa de um país. sendo que é ali que a análise de uma política externa deveria começar. tendem a se enganar. Da mesma maneira. alguns utilizam de formulações mais sociológicas em quanto certos autores procuram ser mais racionais. Nos argumento destes autores fica claro que a distribuição internacional de poder pode guiar as atitudes e comportamento dos países somente em decisões de sobrevivência. sendo que é dever do analista de política exterior explorar os detalhes de como os tomadores de decisão em diferentes países interpretam determinada situação. aquelas tomadas pelo estadista. relatando como as grandes potências têm respondido ao aumento ou declínio do poder relativo material. uma vez que os tomadores de decisão podem ser constrangidos a atuarem conforme influencia dos fatores domésticos. e especificamente pela sua capacidade de seu poder relativo material. os realistas defensivos se equivocam ao não levarem em conta que a percepção de uma ameaça se dá pelo poder relativo material dos países. frequentemente. Para sustentar a teoria de política externa os realistas neoclássicos têm buscado dados em narrativas ou casos de estudo. Rose. Porém. descrevidas pelo realismo ofensivo. O erro de cálculo sobre a distribuição das capacidades. Ao incluir os objetivos e interesses de um Estado é possível delimitar o grau que o mesmo desempenha como status quo ou como Estado revisionista. o autor critica a teoria por não serem capazes de relatar porque Estados com estruturas domesticas similares agem. possui alguns elementos essenciais o que possibilita fazer a distinção dos autores pertencentes a esta escola ou os adeptos a outras. Conclusão O realismo. ainda inclui na lista dos equivocados as teorias Innenpolitik. ao agrupa-los em uma mesma corrente não se pode cometer o erro da generalização. e a eficácia ofensiva e defensiva da estratégia militar. teorias de política externa que se limitam à analise de fatores sistêmicos. Neste sentido. de maneira diferente na esfera da política externa. se o mesmo está satisfeito ou insatisfeito com a distribuição internacional e os princípios do sistema. como observado. .internacional.

287-304Published MEARSHEIMER. pp. 2ed.idealismo – dependência – interdependência. 144-172 . 5-56. A luta pelo poder esta no cerne do pensamento realista. Back to the Future: Instability in Europe after the Cold War. como o crescimento econômico de um país interfere no meio internacional e no seu poder relativo material. Referências: BEDIN. 1984). Ijui. International Security. John J. pp. 2 (Spring. 254p. GILPIN. Neoclassical Realism and Theories of Foregn Policy. Vol. International Organization. (Summer. No 1 (Oct 1998). a escola Realista continua sendo a corrente dominante na explicação dos fenômenos internacionais. ROSE. Paradigmas das Relações Internacionais: realismo. rev. 2004.É notável a importância dos fatores econômicos na construção da teoria realista. Gilmar Antonio. Vol. The Richness of the Tradition of Political Realism. de maneira diferente. 51. 38. e é justamente a negligencia de outras variáveis sociais que proporcionam a crítica ao realismo na atualidade. Robert G. De qualquer maneira. 15. World Politcs. No. 1990). Gildeon. No. todos os três autores abordados procuram relatar. Vol. pp. 1.

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