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ElectrotecniaTeóricaAplicada

ElectrotecniaTeóricaAplicada

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Livro de Apoio aos Cursos Profissionais de Electrotecnia
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constituiïm curso básico de Electrotecnia, abrangendo áreas como ENERGIA, ELECTRóCINÉTICA, ELECTROOUÍMICA E CORRENTE ALTER. NADA. Nela'são abordadas novas tecnologias'no âmbito da produção e transEsta obra Éorte,,nomeadamente centrais de incineração e supercondutores. 'Todo o deseirvolvimento teórico é com'' plementado com um elevado número de problemas

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409S P0RT0 C0DEX, PORTUGAL Telex 27205 PORTED P Sede: Rua da Restauração, 365 4m0 Tel€Í. 25813 Livrarias: Éua da Fábrica, S/Pr. D. Filipa de Lencastre, 42

POFITO, Etr)ITOFì4, LDA. -

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PORTO

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ILIVRARIA ARNADO, LDA. I Ruâ João Machado, 9ll, Apartado Í175 - 3007 colMBRA CODEX gVpRgSa UTEtÁt|A FLUMINENSE, LDA.
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Íeleí.27573
TeleÍ.601138

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lEscritório e armazóm: Rua de S. João Nspomuceno, 1lm l Livraria: Rua dâ Madalsna, 1rt5

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12m

LISBOA

TeleÍ. 872166

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ENEN,GIA E ELECTR,ICIDADE

1.1

3IìTEAGI.A

Não é tarefa simples avançar uma definição de energia, sob pena de, aofazê-lo, ficarmos sempre aquém da universalidade do conceito. Na verdade, tendo a energia identidade própria, não só é curiosa a multiplicidade das suas formas como notável a sua interconversão. A energia é, por isso, um conceito omnipresente em toda a física, desde a física nuclear ou física das partículas, onde caprichosamente ela nega diferenciar-se da própria matéria, à física das altas energias, onde subverte os conceitos tradicionais de espaço e de tempo.

r.1.1 PRrNCÍPrO DA CONSEF,VAÇÃO
A tudo isto se adiciona o pRtNCíptO DA CONSERVAÇÃO, segundo o quat
a energia total de um sistema em transformação mantém-se constante

ou, por outras palavras,
a energia não se perde nem se cria ou destrói, simplesmente se tÍansforma.

r.l.e

coNcErro E DEFTNTÇÃO

Energia e trabalho são conceitos fisicamente equivalentes. Sem o rigor próprio de uma definição, podemos dizer que

eneigia é tudo aquilo que produz trabalho ou tudo o que dele pode resultar.
Em física, trabalho tem também um significado um pouco diferente do da linguagem comum. Assim, dizemos que um corpo realiza trabalho quando, sob a acção de uma Íorça, soÍre um deslocamento. Os três exemplos seguintes põem em evidência a semelhança entre trabalho

g energia.

/t

A rotação do veio de um motor (fig. 1) representa trabalho mecânico. Dizemos que esse motor desenvolve energia mecânica' Também um corpo que está suspenso a uma determinada altura do solo (fig. 2) possui energia potencial ou de posição Wo' De facto, a qualquer momento ele pode realizar trabalho, que é medido pelo produto da força da gravidade que actua sobre a sua própria massa pelo deslocamento sofrido, a altura h.
Fig. 1

motor é trabalho ou energia mecânica.
ENERGIA

-

O deslocamento angular do veio de um

= TRABALHO =
potencial

FORÇA

x

DESLOCAMENTO

Wo

- energia F, - força de gravidade h - altura (deslocamento) m - massa do corPo wo:Frh
mente ao solo, actuado pela Íorça gravítica, pode rea-

<Fig. 2

-

O corpo suspenso a uma altura h relativa-

lizar trabalho.

ELECTROMOTRIZ

A energia eléctrica surge igualmente como resultado de um movimento de car-

+

gas eléctricas (trabalho) sob a acção de uma força, que é a Íorça electromotriz do próprio gerador (fig. 3).

Fig. 3 - A energia eléctrica é o resultado do deslocamento orientado - * + das cargas eléctricas por acção da força electromotriz desenvolvida pelo gerador.

I.1.5

FOR,MAS DE ENEB,GIA

E SUA INTER,CONVEN,SÃO

São múltiplas as formas de energia: eléctÍica, mecânica, luminosa, química, nuclear

e calorífica. Todas são interconvertíveis, isto é, podem transformar-se umas nas outras' Essas transformações podem ser directas ou indirectas, isto é, entre o processo inicial e final de transformação podem aparecer ou não formas intermédias de energia'
6

f,-

Um exemplo de transformação indirecta é a produção de energia eléctríca a partir da energia térmica, processo que está na base de funcionamento das centrais termoeléctricas. Como veremos oportunamente, quando de novo e mais pormenorizadamente falarmos nestas centrais, numa primeira fase a energia térmica é transformada em ener-

gia mecânica e só depois em eléctrica. A transformação de energia química em eléctrica realizada pelas pilhas é, por outro lado, um exemplo de transformação directa.

1.1.4 RENDIMEI\ïrO E QUALIDADE DE TnANSFORMAÇÃO
As transformações de energia não se realizam todas com a mesma facilidade nem rendimento. Na verdade, entre a energia fornecida ou absorvida inicialmente e a energia útil pretendida no final existem sempre perdas que fazem com que esta última seja sempre inferior à primeira. lsto permite-nos definir um rendimento para cada transformação, tanto maior quanto mais próximos forem os valores de ambas. Veremos posteriormente que o rendimento de uma máquina que realiza uma certa transformação de energia é calculado pelo quociente entre a energia útil e a energia por ela absorvida, isto é,

Um motor eléctrico, por exemplo, absorve uma determinada quantidade de energia eléctrica superior à quantidade de energia mecânica que proporciona. A energia de perdas é essencialmente calorífica e dissipa-se no ar circundante. Mas também existem perdas de energia mecânica devido à vibração da sua própria estrutura. Ver fig. 4.

l"-

tLFig.

W,

Wu Wo -

energia absorvida (eléctrica) energia

útil

(mecânica)

energia de perdas (calor e vibração)

4

A energia útil é sempre inferior à energia absorvida.

-

Diagrama do rendimento duma transÍormacão.

Podemos generalizar dizendo que em toda a transformação resultam sempre per-

das de energia, sendo uma boa parte de energia calorífica. Por seu lado, a transformação de calor noutra forma qualquer de energia é bem mais difícil e realiza-se sempre com baixo rendimento, e isto leva-nos a dizer que a energia caloríÍica é uma forma degradada de energia.
Pelo contrário, a energia eléctrica é facilmente convertível noutras formas de energia, apresentando elevados rendimentos de transformação, o que nos leva a dizer que

a energia eléctrica é uma forma nobre de energia.

energia fornecida potencialmente
10090

GRUPO

1090

45s/o

energia de perdas

r_l

SVo

vas nos diÍerentes componentes duma central termoeléctrica convencional'

Fig. 5

-

Aproveitamento energético e correspondente distribuição percentual das perdas mais signiÍicati-

< Fig. 6

cedor eléctrico.

-

Rendimento de transformação num aque

Para ilustrarmos este facto basta comparar o baixo rendimento de transformação

de energia calorífica em energia eléctrica, numa central térmica

convencional (fig. 5), com o elevado rendimento associado à transformação de energia eléctrica em calor por um simples aquecedor eléctrico (fig. 6). No primeiro caso temos um rendimento de 407o severamente condicionado pelas perdas na caldeira (1OVü e no grupo gerador (5O%). No segundo caso, o rendimento é bem mais elevado, praticamente 10O%.

I.1.5

FONTES DE ENEB,GIA

Designam-se por FONTES DE ENERGIA ou ENERGIAS PRIMÁRIAS as origens das diferentes formas de energia. Assim, o sol, o vento, o mar, os rios, o petróleo, o carvão, etc., são fontes de energia. Unicamente no propósito de relacionar algumas das energias disponíveis na natureza com as suas origens, têm particular designação as seguintes:

I I I
I I :

ENERGIA EOLICA ENERGIA SOLAR ENERGIA HIDRÁULICA

-

energia mecânica proporcionada pelo vento. energia radiante que provém do sol.
energia mecânica (cinética) resultante das águas em movimento ou (potencial) quando armazenadas em represas.
energia mecânica proporcionada pelos caudais asso-

ENERGIA DAS MARÉS

ciados às diferentes amplitudes das marés. energia caloríÍica libertada sob a forma de vapor e elevada pressão, em alguns pontos da crusta terrestre (aproveitamento de géiseres).
energia química e calorífica proporcionada por lixos

ENERGIA GEOTÉRMICA

BIOMASSA

ou efluentes orgânicos, industriais, agrícolas ou
domésticos.

I.I.6

ENER,GIAS F,ENOVÁVEIS

Todas as formas de energia que referimos constituem as chamadas ENERGIAS
RENOVAVEIS, isto é, que estão em constante renovação na natureza. Por outro lado, os combustíveis fósseis, como o carvão, o gás e o petróleo, assim

como os combustíveis nucleares, ainda que existam em quantidades consideráveis, as suas reservas, no entanto, são limitadas. A sua longa génese contrasta com a rapidez do seu consumo. constituem as chamadas ENERGIAS NÃo RENovÁvEls.

I

1.A EIrERçI.A SLECTn.IC"A

Ì.2.I

A CADEIA DE ENERGIA

Designa-se por CADEIA DE ENERGIA o sistema global de produção, transporte e distribuição de energia eléòtrica.
Estas são as três etapas do processo, desde a sua origem à sua própria utilização.

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C. HIDR.
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-

centÍal hidroeléctrica
subestação transformadora

STA

nnnn pr'mÁRn - subestação transformadora OU abaixadora ' posto de transformação CRANDETRANSPORTE PT -

elevadora

E

PEQUENA

DISTRIBUIçÃo

Fig. 7

-

Diagrama de blocos num sistema eléctrico de energia.

r.e.r.r

A PnoDUçAo

A produção situa-se ao nível das CENTRAIS ELECTROPRODUTORAS. Nestas faz-se o aproveitamento por conversão de uma Íorma de ENERGIA PRIMARIA em energia eléctrica. O tipo de energia primária utilizada define e caracteriza o tipo de central. A produção industrial, em larga escala, de energia eléctrica faz-se recorrendo fundamentalmente a três tipos de centrais eléctricas:

10

n cENTRATS HtDRoELÉcrntcns ! CENTRAIS TERMoEI-Écrnlcns coNVENcIoNAIS
N
CENTRAIS NUCLEARES As GENTRAIS HIDROELÉCfntCnS utilizam como energia primária a energia hídrica dos rios, isto é, tazem o aproveitamento da energia cinética das águas correntes. As CENTRAIS TÉRMICAS CONVENCIONAIS fazem o aproveitamento da energia térmica proporcionada pela queima dos combustíveis Íósseis, nomeadamente do Íuelóleo, do carvão e do gás natural. As GENTRAIS NUCLEARES são ainda centrais térmicas, mas de características especiais. Fazem o aproveitamento das enormes quantidades de energia calorífica associada à desintegração de núcleos atómicos de materiais radioactivos. O urânio e o plutónio constituem os principais combustíveis atómicos utilizados, dado serem elementos pesados facilmente cindíveis. lndependentemente do tipo de central em causa, o alternador transforma a energia mecânica de rotação do veio em energia eléctrica a uma tensão que se designa por TENSÃo DE PRODUçÃO.

TENSÃO DE PRODUçÃO C a tensão disponível à saída do gerador.
Os valores variam consoante o gerador da central, mas situam-se, normalmente, entre os 6 kV e os 25 kV.

1.E.I.E O TNANSPONTE
A etapa seguinte designa-se por TRANSPORTE e destina-se a f azer chegar a energia produzida aos centros de grande consumo. Estes situam-se, normalmente, em pontos muito afastados dos locais de produção, distando, em regra, algumas centenas de quilómetros. Noutras situações, a energia faz percursos consideravelmente mais longos, atingindo, em alguns casos, milhares de quilómetros - basta lembrarmo-nos

que a rede nacional se encontra interligada à rede europeia, permitindo a circulação de energia entre os diferentes países que subscrevem o acordo. Para uma dada TENSÃO DE TRANSPORTE, quanto maior for a distância a vencer maior serão as perdas de energia nas linhas. O processo de reduzir essas perdas é aumentar a tensão de transporte proporcionalmente à distância a vencer. Para o efeito existe um conjunto de TENSÕES NORMALIZADAS DE TRANSPORTE em relação às quais se fabrica toda uma gama de aparelhagem com características adequadas. As tensões mais utilizadas são: 15O,22O,4OO,75O e 1OO0 kV. Na escolha da referida tensão há ainda que levar em consideração o custo de todos esses materiais e equipamentos, que aumentam significativamente com o aumento da tensão escolhida. Junto da centralexiste uma SUBESTAçÃO TRANSFORMADORA ELEVADORA que possui um ou mais TRANSFORMADORES DE POTÊNCIA e que elevam a tensão de produção para os valores de transporte.
11

Nessa subestação existe ainda um PAROUE DE LINHAS onde nascem as linhas que conduzem a energia eléctrica dali para outros locais mais distantes. Um conjunto de aparelhagem de manobra em alta tensão permite modificar a configuração da rede mediante a selecção das linhas a utilizar ou a colocacão fora de serviço de qualquer linha ou aparelho que se entenda necessário. As linhas aéreas são constituídas por condutores nus, geralmente em cobre ou alumínio, suspensas por isoladores em colunas de MAT (muito alta tensão), e dirigem-se para a periferia das grandes cidades, onde existem SUBESTAçÕES TRANSFORMADORAS ABAIXADORAS, cuja função, inversa das primeiras já referidas, se destina a baixar o nível da tensão de transporte para valores da ordem dos 60, 30 ou 1 5 kV.

t*

*MAT AT

- muito alta tensão alta tensão . - condutores activos x - condutores de protecção

< Fig. 8
I

- Estruturas de apoio usadas no transporte de energia.

podemos apreciar em particular duas configurações típicas de postes uti-lizados no transporte da energia em alta tensão. São de estrutura reticulada, em aço ou liga de alumínio, e devidamente tratada contra a corrosão por pintura ou metalização.
Na fig.

I

Designa-se por REDE PRIMARIA ou REDE DE GRANDE TRANSPORTE o coniunto de linhas de MAT e aparelhagem associada, eomprêêndida entre as subestações elevadoras e as subestações abaixadoras.

r.e.r.5 A DrsTnrBUrÇAo
I
Grand.e d.istribuição
Oualquer daqueles níveis de tensão é ainda demasiado elevado para que possa ser utilizado, quer pela indústria em geral, quer pelos próprios consumidores domésticos. Das subestações transformadoras abaixadoras saem novas linhas, que terminam nos PT'", isto é, POSTOS DE TRANSFORMAçÃO, onde o nível da tensão é finalmente reduzido para os 22Ol38O V, a que se chama também TENSÃO DE UTILIZAçÃO, O troço de rede assim descrita, com origem nas subestações abaixadoras e terminando nos postos de transformação, designa-se por REDE DE DISTRIBUIçÃO pRUVlnRIA ou DE GRANDE DISTRIBUICÃO.

12

t

Peqïrena d.istribuição

Finalmente e com origem nos postos de transformação, partem as linhas que abastecem em energia eléctrica os consumidores domésticos, pequenas indústrias, iluminação pública, etc. Estas linhas são pouco extensas (algumas centenas de metros) e no seu conjunto constituem o que se designa por REDE DE DISTRIBUIçÃO SECUNDARIA ou DE PEOUENA DISTRIBUICÃO.

L.2.2

UTTLTZAÇAO

A utilização é o termo genérico que caracteriza as instalações afectas a cada consumidor. As instalações eléctricas de uma fábrica, de um escritório, de um inquilino ou conjunto de inquilinos de um mesmo edifício, são instalações de utilização. Estas diferentes categorias de consumidores têm características próprias. Podemos distinguir entre consumidores de:

o baixa tensão (BT) o média tensão (MT) -

r

alta tensão

(AT) -

22Ol38O V 6 kV, 15 kV, 30 kV 60 KV

I.8.5

OS CONSUIUTOS

E O DIAGN,AMA DE CAN,GA

O! diferentes consumidores têm características próprias, que se reflectem em variações da carga solicitada à rede. Para além das pequenas variações pontuais existem variações típicas diurnas, semanais, mensais e anuais. Durante o dia, por exemplo, é maior o consumo nas horas de trabalho, em que as indústrias e o comércio estão em plena laboração, do que nas horas pós-laóorais, em particular as nocturnas, preenchidas, na sua maior parte, por utilizadores domésticos e iluminação pública. Ao longo do ano também é previsível um consumo de energia maior no lnverno do que no Verão, o que está de acordo com as variações da temperatura ambiente e o número de horas de luz do dia.

P

2 3 4 |

potência consumida vazio da noite

pico da hora do almoço
vazio da hora do almoço

pico do firn da tarde

Fig.

9

-

Diagrama de carga típico de um dia útil. >

É a nível do grande transporte e da produção que se reflectem os grandes consumos de energia. Este consumo, apesar de ser um somatório de cargas aleatórias a nível

da utilização, assume, no transporte, comportamentos estatísticos de que nos dão conta os chamados diagramas de carga (fig. 9).
Os DIAGRAMAS DE CARGA são gráficos que Íazem o registo dos diÍerentes consumos (em termos de potência) em função do tempo.

L.2.4 DESPACHO DA R,EDE PB,IMÁR,IA
Ao contrário de outras formas de energia, a energia eléctrica não é possível
armazenar-se em quantidades apreciáveis. lsto significa que a produção de energia

tem de igualar o consumo em cada momento. Existe, por conseguinte, um órgão coordenador que, adaptando a produção ao consumo em função dos diagramas de carga, decide qual o índice de participação de cada uma das centrais na rede nacional, na própria rede europeia, e selecciona ainda a configuração da rede mais adequada às potências em trânsito.

r.2.5 MErOS DE PnODUÇÃO DA ENERGTA
I.E.5.

ELECTB,TCA

I

CENTNAIS ÏTÏDNOELÉCTHCAS

Um aproveitamento hidroeléctrico é constituído essencialmente pelas segu'intes partes, que podemos identificar na fig. 1O:

A
B

-

barragem

circuito hidráulico 8.1 - tomada de água 8.2 - canal de adução

c- central eléctrica

8.3

-

condutas forçadas

Fig. 10

I
5 8

Perfil longitudinal de um aproveitamento hidroeléctrico.

-barragem;

2-canal
linhas; 9

de adução; 3

-

conduta forçada; 6
parque de

-

central subterrânea; 7
canal de descarga.

-chaminé

de

equilíbrio; 4-càmara de pressão;

-

subestação transformadora elevadora;

14

A

_

BARRAGEM

É essencialmente uma obra de construção civil. Tem por objectivo reter os caudais afluentes de um rio, permitindo regularizar e optimizar as condições de exploração segundo as quais se seleccionam os caudais de turbinagem. Como resultado, dá-se uma elevação do nível das águas na região imediatamente a montante da barragem, criando-se uma REPRESA ou ALBUFEIRA. A sua maior ou menor extensão depende da maior ou menor distância a que o nível das águas encontra de novo a cota natural do rio. Nuns casos, pretende-se fundamentalmente criar um acentuado desnível entre as cotas de montante e jusante, sendo secundário o armazenamento dos caudais. lsto
CATACIET|ZA OS

APROVEITAMENTOS DE ALTA OU TUÉOIA OUEDA. Noutros casos, é prioritário o armazenamento e secundário o desnível. lsto caracteriza os APROVEITAMENTOS DE BAIXA OUEDA ou APROVEITAMENTOS

A FIO-DE-ÁGUA.

B

_

CIRCUITO HIDRÁULICO

8.1

_

TOMADA DE ÁGUA

É a des(lnagão dada, no Eou conjunto, a todo o equipamento que se destina à captação-e regulação do caudal de alinrentagão das turbinas.
Na captação deste caudal existem umas redes metálicas de forte emalhado que constituem filtros, evitando a entrada de pedras, ramos de árvores ou quaisquer outros detritos que, arrastados pelas águas, podèriam passar ao circuito hidráulico. Aí causariam, com certeza, a deterioração e mau funcionamento dos diversos órgãos, em particular das comportas e turbinas. Na fig. 11 mostra-se, em pormenor, uma obra de tomada de água.

8.2

_

CANAL DE ADUCÃO

Este canal não se O"r,in" criar fortes desníveis, pelo que se desenvolve sem grande " declive, tendo como objectivo o encaminhamento da água até junto da turbina ou até às suas proximidades, onde começam as condutas forçadas. Pode existir a céu aberto ou em galeria subterrânea. Pode ser muito ou pouco extenso, o que depende da situação da central. Pode inclusive não existir.

8.3

-

CONDUTAS FORçADAS

As condutas forçadas, geralmente em aço, destinam-se a acelerar, por gravidade, a água que irá movimentar a turbina ou turbinas.

15

3 4 5 2

I

torre de tomada de água
cornporta deslizante rede da comporta canal de adução câmara de pressão da turbina

6
7 8

-

9 -

piso técnico (casa das máquinas) tubo de restituição cota de água (montante) cota de água (iusante)

Fig. 11

-

Corte longitudinal de uma barragem e central hidroeléctrica.

C

-

CENTRAL ELÉCTRICA

A água, ao entrar a grande pressão nas turbinas, provoca o movimento de rotação das suas palhetas, que é comunicado ao eixo do alternador. Este transforma a energia mecânica em energia eléctrica. A turbina chama-se rambém MÁoutNA pRtMÁRlA. Chama-se ainda GRUPO GERADOR ao conjunto MÁoUINA PRIMÁRIA-ALTERNADOR. A saída do alternador dispõe-se de um sistema trifásico de energia. A tensão de produção é, como já se disse, variável, consoante o grupo instalado. Daqui a corrente é conduzida por BARRAMENTOS até à subestação transformadora elevadora e daí

enviada por linhas de muito alta tensão - MAT - até aos centros de consumo. A fig. 1 2 mostra, em corte, uma central subterrânea, com particular realce do conjunto alternador-turbina.

16

U

-

2
3

4 5 -

I-

ponte rolante piso técnico e alternador turbina e câmara de turbina válvula de admissão tubo de restituição

Fig. 12 Alçado do edifício de uma central hidroeléctrica, onde se podem ver o alternador e turbina vertical com câmara espiral em chapa de aço. Diante da turbina pode ainda ver-se uma válvula esférica de fecho de accionamento óleo-hidráulico de grande diâmetro.

17

I.2.5.2 CENTNAIS TENMOELECTNÏCAS I Centrais tórmicas convencionais
São centrais que utilizam os combustíveis fósseis como matéria-prima, nomeadamente o carvão, o fuelóleo ou o gás natural. O esquema da fig. 13 mostra-nos no essencial como é constituída uma central a carvão, elucidando-nos também sobre o seu funcionamento.

3 4 5 2

1

chegada de combustível

caldeira

6 7

fornalha
câmara de fumos

turbina

8 9 -

alternador excitatriz

10

transformador torre de
refrigeração

-

1l
12

bomba de circulação de água de refrigeração bomba de alimentação da caldeira condensador

Fig. 13

-

Esquema de uma central termoeléctrica.

Fundamentalmente, podemos distinguir os seguintes elementos, cuja acção é perfeitamente diferenciável
:

N

O OUEIMADOR

O combustível é encaminhado para este órgão, onde é inflamado. No caso das centrais a carvão, toma a designação especial de FORNO.

N

A CALDEIRA

A quantidade de calor libertado na combustão é transmitida directamente à caldeira. No interior desta existe um reservatório e um sistema de tubagem com água, onde esta passa rapidamente ao estado de vapor, atingindo pressão elevada. A capacidade da caldeira mede-se pela máxima pressão e temperatura do vapor que produz.
18

N

GRUPO TURBINA-ALTERNADOR

O vapor é conduzido em canalização conveniente à turbína, onde se expande, provocando o movimento de rotação das suas palhetas e naturalmente do seu eixo. Solidário com este, está o eixo do alternador, que produz energia eléctrica. Por vezes, nestes tipos de centrais encontramos mais que uma turbina por grupo. Normalmente existe uma turbina de alta pressão, uma de média e, finalmente, uma de baixa pressão. Esta montagem destina-se a fazer o aproveitamento da pressão do vapor ainda existente à saída da primeira e segunda turbinas, que doutra forma seria desaproveitado.

N

O CONDENSADOR

À saída da turbina, o vapor, já com pouca pressão e temperatura, é conduzido ao CONDENSADOR e daí a uma TORRE DE REFRIGERAÇÃO. No condensador, a tubagem onde circula o vapor é posta em contacto com água fria corrente, retirada, geralmente, do mar ou rio existente nas proximidades da central. lsto tem como resultado a condensação do vapor, e a água que de novo se forma é bombeada para a caldeira,
fechando-se assim o circuito.

I Gentrais d.e incineração
tr

e Brod.ução d.e exxergia

eléctrica

APROVEITAMENTO DE LIXOS: RECICLAGEM E BIOMASSA

Os lixos e efluentes urbanos, industriais ou agrícolas, são hoje considerados fonte importante de energia renovável. O aproveitamento energético dos lixos, que hoje se faz em larga escala, é realizado fundamentalmente de duas formas:

.
o

RECICLAGEM

BIOMASSA

A RECICLAGEM consiste numa selecção prévia, seguida de armazenamento e tratamento, de Ínatérias recuperáveis, como vidro, estanho, alumínio, etc. lsto traduz-se numa expressiva economia de matéria-prima e, consequentemente, de energia gasta no seu fabrico. A composição dos lixos é muito variável consoante o tipo de sociedade que o produz. Vejamos, a título de exemplo, a composição do lixo produzido pela cidade de Lisboa: matérias fermentáveis partículas inferiores a 25 mm papel e cartão
43o/o 21o/o
14o/o 8o/o

plásticos vidro têxteis metais outros

4Vo
3o/o 2o/o 5o/o

19

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Estas percentagens, após tratamento, equivalem a 27o/o de resíduos e a 2Oo/o de matéria orgânica seca. Nesta última encontramos um alto teor de cálcio, carbono

e azoto.

A BIOMASSA pode deÍinir-se como a ENERGTA DA MATÉR|A ORGÂNICA.
Apesar das variações que análises do género possam revelar quanto à composição de outros lixos de cidade, ou ainda de esgotos, efluentes industriais, detritos hospitalares, resíduos agro-pecuários ou florestais, neles sempre se pode encontrar matéria orgânica em significativa percentagem. A partir desta, como nos ilustra a fig. 14, fabrica-se um combustível sólido de

elevado poder calorífico que chega
e as 4300 kcal/kg.

a ultrapassar o de algumas lenhites e,

em

alguns casos, a rivalizar com o de algumas turfas. Estes valores variam entre as 1500
Pode dizer-se, de certo modo, que, num balde de lixo doméstico, em média, podem aproveitar-se 3 kW de energia eléctrica ou 12 kW de energia calorífica, o que é aproximadamente equivalente. Este tipo de combustível pode ser utilizado por uma central termoeléctrica como a descrita anteriormente, com a única diferença da caldeira, que tem de ser especialmente desenhada para o efeito. Desta forma, reduz-se o consumo de outros combustíveis comparativamente mais caros e, consequentemente, a dependência energética do país relativamente ao exterior.

I

Centrais nucleares

As centrais nucleares são ainda centrais térmicas, diferindo das convencionais essencialmente pelo tipo de combustível utilizado e na forma como é produzido o vapor.

!

ESOUEMA GERAL DUMA CENTRAL NUCLEAR

A fig. 15 mostra sumariamente a constituição e modo de funcionamento duma central nuclear com reactor de água pressurizada (PWRI. O reactor nuclear é encerrado numa cuba em aço de grande espessura e esta num edifício de betão projectado para suportar sismos de grande intensidade, chamado EDIFíC|O DE CONTENçÃO. A água que enche todo o núcleo do reactor possui um elevado índice de contaminação radioactiva, pelo que se faz passar por um PERMUTADOR DE CALOR, transferindo para um circuito hidráulico independente o calor e a pressão necessárias para o vapor de água actuar no corpo da turbina. Todo o processo subsequente de produção de energia eléctrica é comum a qualquer central térmica tradicional.
21

3 4 2

I

elemento de combustível barras de controlo cuba moderador (grafite)

refrigerador - permutador de calor - protecção biológica 7 8-turbinaavapor
5 6

ll 12 l0

9

alternador

transformador
condensador bombas de circulação

Fig. 15

-

Esquema geral do núcleo dum reactor nuclear.

N

COMBUSTíVEL NUCLEAR

Dos elementos transuranianos de grande massa, são os isótopos 235 do urânio e 239 do plutónio os combustíveis nucleares mais utilizados, devido ao facto de serem facilmente cindíveis. Para que estes elementos possam servir como combustível nuclear terão de passar por uma fase de enriquecimento. No urânio natural, por exemplo, a percentagem de isótopo 235 é muito reduzida, oscilando entre os O,3 e O,7o/o. Após tratamento adequado, obtém-se um combustível com maior percentagem de isótopo, podendo atingir 10% ou mais.

92-Ne
U
Urânio

atómico

(2351pUPlutónio

N3 massa

$zt

x3
atómico

(2391-

N:

massa

N

REACTOR NUCLEAR

É constituído

por: .
a

ELEMENTO DE COMBUSTíVEL BARRAS DE CONTROLO FLUIDO MODERADOR E REFRIGERADOR

ELEMENTO DE COMBUSTÍVEL
O material radioactivo é fabricado em forma de pastilhas e é alojado em varas que, para o efeito, possuem cavidades apropriadas e se agrupam em feixes, formando um

elemento de combustível.

22

BARRAS DE CONTROLO
São feitas de material altamente absorvente de neutrões, como o boro e o cádmio, que, ao introduzirem-se, mais ou menos profundamente, no núcleo do reactor, travam o desenvolvimento da reacção evitando que se atinjam temperaturas demasiado elevadas que possam levar à fusão do próprio reactor, bem como evitar que se atinjam níveis perigosos de radiação.

MODERADOR

geralmente água pesada e destina-se a reduzir a velocidade dos neutrões muito rápidos que se formam nas reacções, a fim de que eles possam produzir novas cisões. O moderador pode ser aproveitado, simultaneamente, como fluido refrigerador do núcleo, absorvendo o calor necessário à produção de vapor.
É

n

crsÃo

NUGLEAR E REACçÃO EM CADEIA

Ouando os núcleos de átomos pesados são atingidos por neutrões de baixa velocidade (neutrões lentos), dividem-se em duas partes, que se repelem violentamente (fig. 16). Ao mesmo tempo libertam-se novos electrões, em média dois ou três por cisão, e enormes quantidades de energia.

90 36 90 36

Kr

Kr
ao

neutrão

- Reacção nuclear em cadeia obtida por bombardeamento do ufânio 235 por neutões lentos. Os fragmentos obtidos em cada cisão são o crípton e o bário.
Fig. 16

'ilu + à" * "t|v + ïrr

+'118a + 2àn +

energia

Para se avaliar o potencial energético do processo, basta referir que a cisão de um átomo de Ur.u liberta 250 milhões de electrão-volt. Para um determinado valor da massa de material cindível, designada por massa crítica, o número de neutrões libertados será suficiente para desencadear por si só novas cisões, tornando a reacção auto-sustentável, designada por reacção em cadeia.

23

I Aproveitamento

d.a

energia solar: centrais heliotérmicas

Existem três processos correntes de utilização da energia solar.

n

CAPTAçÃO a baixa temperatura

Ex.: colectores solares utilizados para aquecimento doméstico, águas sanitárias, piscinas, etc.

colector de saída

válvula de segurança

vaso de dilat

Fig. 17

-

Aproveitamento de energia solar

-

captação a baixa temperatura, por meio de painéis solares.

A fig. 17 ilustra um sistema que faz o aproveitamento da energia solar para aquecimento de água, no qual podemos distinguir:

-

dois painéis solares, que absorvem a radiação; um acumulador de água quente com permutador de calor; resistência eléctrica para aquecimento de apoio.

No mapa da fig. 18 podemos ver as curvas de insolação em toda a Europa, e
a excelente situação de Portugal, com um

número de horas médio de insolação de 3OOO horas/ano. Daí o largo aproveitamento que no nosso país se faz dessa fonte de energia.

Fig. 18 - Distribuição dos valores médios de insolação na Europa.

n

CAPTAçÃO e COruCerufnnçÃO (alta temperatura)

Ex.: centrais térmicas solares ou centrais heliotérmicas.

A produção de vapor tem lugar em caldeiras solares, onde se faz convergir, em
feixes de grande concentração, a radiação captada por painéis solares. Ex.: forno solar de Odeille (Pirenéus).

!

FOTOELECTRICIDADE

Consiste na transformação directa de energia calorífica em energia eléctrica, através de células fotoeléctricas.

I.8.5.õ

EFETTO FOTOVOLTAÏCO

Consiste na emissão de electrões, por parte de alguns materiais, quando irradiados por uma Íonte luminosa.

Como resultado aparece uma diferença de potencial entre a superfície emissora dos fotoelectrões e a outra superfície que os recebe. Os materiais nestas condições designam-se por materiais Íotossensíveis e são, por exemplo: o selénio, o silício, o sulfureto de cádmio, etc. São usados nas FOTOCÉLULAS OU CÉLULAS FOTOVOLTAICAS. As células fotovoltaicas têm múltiplas aplicações: alimentação de satélites artificiais, sonorização de filmes, comando automático da iluminação pública, retransmissores de telecomunicações, etc. Na fig. 19 mostram-se duas versões destas células e respectiva aplicação.

Fig. 19

- Algumas representações e aplicações da célula fotoeléctrica. - representação duma célula fotoeléctrica com emissor e receptor separados. 2 - barreira luminosa aplicada no comando automático de um portão. 3 - representação duma fotocélula por reflexão. 4 - barreira luminosa por reflexão aplicada num circuito de controlo de stocks em armazém
I

25

L.2.5.4 EFEITO PIEZOELECTilCO
É uma propriedade característica de alguns

cristais, que, quando Íriccionados

ou sujeitos a pressão segundo direcções bem determinadas, adquirem poladdade.
Os cristais mais utílizados são: o sal de Rochelle, constituído por cristais artificiais de tartarato de sódio e potássio; as turmalinas (borossilicato de alumínio); o espato (carbonato de cálcio); e,o quartzo.

2

3 -

1

placas de metal (eléctrodos) terminais cristal piezoeléctrico de quartzo

< Fig. 20

-

Unidade piezoeléctrica

A fig. 20 mostra um cristal piezoeléctrico de quartzo como unidade geradora de tensão muito reduzida. Os eléctrodos são duas simples placas de metal de excelente condutibilidade. Os cristais piezoeléctricos utilizam-se na produção de ultra-sons, microfones de cristal, etc.

1.2.5.5 TENMOPANES
Os termopares ou pares termoeléctricos consistem numa conjugação de duas lâmi-

nas de metais diferentes em que as extremidades de cada uma se encontram soldadas. Por aquecimento da união bimetálica cria-se uma polaridade nas extremidades

opostas de cada uma das lâminas do par. Ver Íig. 21

.

I e 2 - placas de metais distintos 3e4-terminaisdopar
5

-

soldadura

<Fig.21

bimetálica, aparece uma polaridade nas
extremidades de cada placa.

-

Termopar: aquecendo a junção

A diferença de potencial obtida entre a união e as extremidades é proporcional diferença das respectivas temperaturas. Os termopares encontram aplicação em pirómetros.

à

26

ESTR,UTUR,A ATOMICA

E MOLECULAN, DA MATER,IA

electrão

ee+ v(e)

0,51

estável

positrão
partículas e antipartículas teves

0,5r
0 0
106

estável estável

TEPTOES

neutrino
v(p) muao

p'Y

2,2

x

10-6

fotão

0
140

estável

Í+

2,5

x l0-8
70-16

partículas de massa
MESOES

mesâo

Í

Ío 7t1ì

triplete

135

2
0
0

x

intermédia entre
protão

doelectrãoeado

a

140 singlete 549

2,5

x

l0-8

< l0 Mev

protão

p duplele n

938

+l

estável
103

neutrão
BARIÕES partículas e antipartículas pesadas

940

antiprotão
hiperões

f

ouX triplete
A quadruplete

1650

0

40 Mev
100

particulas
m/oesadas

1238

+l

Mev

Fig. 22

-

Partículas subatómicas principais, sua sistemática e características.

Fora do alcance dos mais potentes microscópios ópticos e, naturalmente, mais ainda

da nossa vista, vamos encontrar o mundo das partículas, moléculas e átomos, e das subpartículas ou partículas subatómicas como o electrão, o protão, o neutrão, etc.

27

Do imenso número destas partículas fazemos apontamento de algumas no quadro

da fig. 22.

T

MOLÉCULA

A molécula duma substância é a mais pequena porção de matéria dessa substância que ainda mantém as suas características.
Da sua fragmentação resultam, numa primeira análise, os átomos, partículas de menores dimensões cujas propriedades já não se identificam com as que, no seu coniunto, eram exibidas pela molécula.

I

O ATOMO

Fig. 23

-

Modelo atómico de dois isótopos do lítio.

'lt-i

**

n': de massa (n.o de protões + n.o de electrões) i _ n." atómico (n.o de protões = n.o de electrões)

-

O átomo é constituído fundamentalmente por duas regiões: Uma interior, o NÚCLEO, constituído por partículas com carga eléctrica positiva os PROTÕES - e partículas electricamente neutrasr- os NEUTRÕES. Ambas, por constituírem o núcleo, recebem a designação geral de NUCLEÕES. Uma outra região, exterior, é constituída exclusivamente por partículas com carga negativa, os ELECTRÕES. Estes gravitam em torno do núcleo, em regiões probabilisticamente bem diferenciadas - as ORBITAIS - formando no conjunto uma NUVEM
ELECTRONICA.
O número de electrões é sempre igual ao número de protões, o que torna o átomo uma partícula neutra, justificando igualmente a neutralidade da matéria. A nuvem electrónica tem uma natureza difusa e estende-se por uma região extraordinariamente extensa, quando comparada com a do núcleo, esta, pelo contrário, extremamente condensada. O diâmetro daquela é, no mínimo, dez mil vezes maior que o diâmetro do núcleo. E nesta região, também, onde se concentra praticamente a massa do átomo, já que só os protões e os neutrões contribuem para ela de forma significativa.

28

Os átomos de cada elemento têm todos o mesmo número de protões no núcleo, o que define o NÚUERO ATOMICO desse elemento. Dentro de cada elemento, existem geralmente variedades de átomos que diferem pelo número de neutrões. Estas variedades designam-se por |SÓTOPOS. Ficam definidas pelo número de nucleões, chamado NúMERO DE MASSA. Na fig. 23 mostram-se duas variedades de lítio. Ambos têm o mesmo número de protões no núcleo, cuja carga é compensada por igual número de electrões na nuvem electrónica envolvente. O número de nucleões é, contudo, diferente e caracteriza a variedade do elemento (isótopo).

I

EXCITAçÃO OO ÁrOnno

-

o Éo

O átomo é, como vimos, uma partícula electricamente neutra. Se, por excitação, adquire electrões, ao incorporá-los na sua estrutura deixa de
existir equilíbrio na sua carga, prevalecendo um excesso de cargas negativas. Converte-se num lÃO NEGATTVO ou ANIÃO. Se, pelo contrário, perde electrões, o excesso de cargas positivas converte-o num

lÃo PostTtVo ou cATtÃo.

r

MATÉRIA E CONDUTIBILIDADE
lões e electrões são, eÍectivamente, as partículas transportadoras de carga e únicas responsáveis pela condução da corrente eléctrica.

O mecanismo difere consoante o meio considerado. Assim, se nos meios condutores sólidos são exclusivamente os electrões as partículas que intervêm no processo de condução, nos líquidos condutores ela é assegurada exclusivamente pelos iões. Finalmente, nos meios gasosos a condução da corrente deve-se a ambas as partículas, isto é, aos iões e aos electrões.

29

iii

''*.ïh,

b

CIB,CUITO ELECTN,ICO

8.1

TLEN'TEIìrTOS GOIïTSTIIUÍIIrOS

E

SUAS

FUIì[çõES
Na fig. 24 está representado um circuito
eléctrico cuja composição e configuração, muito simples, nos permite identificar elementos

essenciais comuns a todos os circuitos.
Nele podemos distinguir as seguintes partes:

o

FONTE DE ALIMENTAçÃO

. .

CARGA DO CIRCUITO

CANALIZAçÃO ELÉCTRICA

\

Fig. 24

-

Circuito eléctrico básico.

õ.r.r FONTE DE ALTMENTAÇÃO
É normalmente constituída por um GERADOR E, graficamente representado por dois pequenos segmentos paralelos e de diferente tamanho. O propósito é diferenciar os seus dois PÓLOS ou TERMINAIS. O de maiores dimensões representa o POLO POSITIVO, o de menores dimensões o PÓLO NEGATIVO. Existem diversos tipos de geradores. Numa primeira análise podemos distinguir entre GERADORES DE CORRENTE CONTíruUN (c,c.} e GERADORES DE CORRENTE ALTERNADA (c.a.). Os primeiros produzem uma corÍente unidireccional, isto é, uma corrente sempre com o mesmo sentido, ao passo que os segundos ger,am uma coÍrente alter-

nada ou bidireccional, isto é, uma corrente que muda constantemente de sentido. Dentro dos geradores de corrente contínua existem ainda diversos tipos, sendo os mais comuns as PILHAS e as BATERIAS DE ACUMULADORES, que convertem a energia química em eléctrica, e ainda os OírulnnOS, que fazem a conversão da energia mecânica de rotação do veio em energia eléctrica. As células Íotoeléctricas, as piezoeléctricas e os termopares são também outros tantos geradores de corrente contínua, mas de potência reduzida, o que limita o campo da sua utilização. Os geradores de corrente alternada são também conhecidos por ALTERNADORES.
31

Uma fonte de alimentação não é necessariamente um gerador. Por exemplo, uma simples tomada ou um transformador-rectificador de corrente alternada em contínua

não são propriamente geradores, no entanto constituem fontes de alimentação. FONïE DE ALIMÊNTAçÃO é, por conseguinte, a designação dada a qualquer aparelho que produza ou alimente uma corrente eléctrica num circuito.

3.L.2

CAR,GA DE UM CIB,CUITO
a
RESIS-

O pequeno rectângulo existente na parte inferior da fig. 24 representa

TÊNCIA R de um receptor qualquertalimentado pelo circuito, por exemplo, uma lâmpada de incandescência. O receptor ou conjunto de receptores existentes num circuito

constituem o que se designa pela sua CARGA ELÉCTRICA.
RECEPTOR é qualquer aparelho ou dispositivo que realiza fundamentalmente a transformação de energia eléctrica numa outra forma de energia.

ó.L.3 CANALIZAÇAO ELECTR,ICA
Os fios condutores de ligação ou, simplesmente, CONDUTORES permitem a ligação física e o trânsito da corrente entre a Íonte de alimántação e a respectiva carga. São, nestas condições, condutores isolados, formados por uma ALMA CONDUTORA CENTRAL em cobre, revestida em toda a sua extensão por uma ou mais camadas concêntricas em PVC - policloreto de vinilo, matéria plástica de excelentes qualidades isoladoras. Num grande número de aplicações, como, por exemplo, as instalações eléctricas em habitacões e edifícios, por imposição regulamentar, esses condutores devem ser enfiados em tubagem plástica de acordo com o número e secção das linhas que

protegem.
O coniunto dos condutores eléetricos duma instalação constituem, no geral, o quê se designa por GANALIZAçÃO ELÉCTRICA, termo ainda extensivo a toda

.

a rede de tubagem que acompanha e protege os mesmos.

3.L.4 APAF,ELHAGEM

DIVER,SA

Para além dos elementos já referidos, há um número apreciável de aparelhos que podem ser incluídos num circuito eléctrico, nuns casos por ser vantajosa a sua pre-

sença, noutros por ser imprescindível a sua função.

I

APARELHAGEM DE CORTE

É imprescindível no circuito, por exemplo, a existência de um INTERRUPTOR K que permita a ligação ou o corte do circuito.

32

Símbolo

--J
rn

+
16
25

Calibres normalizados

(A)

40
63

Fig. 25

-

lnterruptores tipo modular usados em quadros eléctricos de BT. 1 para corte de fase. - Interruptor unipolarpara corte de fase e neutro. 2 Interruptor bipolar

-

Fig. 26 - lnterruptor de BT de corte brusco. Este modelo fabrica-se para intensidades desde 16O A até 1600 A.

Fig. 27 - lnterruptor aéreo de MT, para exterior, de montagem vertical, utilizado em postos de transformação aéreos.

Aparelhos com esta função, ainda que diferindo em características, concepção ou utilizacão específica, constituem uma categoria de aparelhagem conhecida por APARELHAGEM DE CORTE (figs. 25, 26 e 271.

I

APARELHAGEM DE COMANDO

Há aparelhos cuja inclusão num circuito eléctrico se destina a estabelecer e
alterar, quando se pretender, o seu estado ou regime de funcionamento. É esta a função da APARELHAGEM DE COMANDO. São órgãos de comando, por exemplo,

inteÍruptores, comutadores, contactores, etc.
3_EL

Fig. 28 - Contactor de grande fiabilidade, para comando de motores até 270 kW.

33

Os CONTACTORES são aparelhos que realizam as operações de ligação e corte por comando electromagnético e não mecânica e directamente como a restante aparelhagem de corte. É com este tipo de comando, por exemplo, que podemos inverter o sentido de rotação de um motor eléctrico actuando por simples pressão de um dedo sobre um botão. Oualquer órgão de comando, ao realizar uma operação no circuito, realiza necessariamente um corte ou ligação. Se classificamos um dado aparelho como sendo de comando ou de corte, estamos intencionalmente a privilegiar a sua função mais importante. Assim, chamamos ao interruptor um aparelho de corte e ao comutador de escada
um aparelho de comandô, embora cada um execute, em simultâneo, ambas as funções.

Corta-circuitos fusível de alto poder de corte (APC) para protecção de transformadores, utilizado em BT.

Base tripolar para fixação de três corta-circuitos, para protecção de

um circuito trifáico. Notar
Base unipolar para fixação e

os

alojamento do fusível APC.

separadores que isolam cada uma das secções.

I.: rÍt' tr
I

rrJF.íãrF

Disjuntor tripolar de BT modular para protecção de um circuito trifásico de força motriz.

s#

rür_

Disjuntor de MT a hexafluoreto de
enxofre SF6.

Disjuntor tipo compacto
para BT.

Interruptor diferencial trifásico com corte de neutro tipo modular, para protecção de pessoas. Fig. 29

-

Aparelhagem de protecção e acessórios de montagem.

I

APARELHAGEM DE PROTECçAO

A aparelhagem de protecção (fig. 29) destina-se a promover o corte de um circuito, quando, devido a uma situação anormal, a intensidade da corrente se eleva para além dos valores normais de funcionamento. São aparelhos de protecção os CORTA-CIRCUITOS FUSíVEIS. Os DISJUNTORES são igualmente aparelhos de protecção, mas obedecem a um princípio de funcionamento completamente diferente. A aparelhagem de protecção actua de Íorma automática, isto é, não requer a intervenção de qualquer operador, e a ela vem sempre associada também uma operação de corte. Entre outras, devem ser evitadas as situacões de SOBRECARGAS e SOBREINTENSIDADES. Designam-se por SOBREINTENSIDADES as correntes muito elevadas que se originam em consequência de um curto-circuito.
Se não forem interrompidas de imediato, podem provocar a fusão dos próprios condutores e danificação de toda a instalação.

As SOBREGARGAS são correntes que ultrapassam em alguma medida os valo-

res de regime, como resultado de um aumênto de potência útil pedido.
Por exemplo, um motor solicitado a um esforço superior às condições de regime.

I

APARELHAGEM DE REGULAçAO

A APARELHAGEM DE REGULAÇÃó Oestina-se a controlar o valor da intensidade da corrente eléctrica num circuito. Ex.: reóstatos de arranque de motores, reguladores de fluxo de brilho, etc.

T

APARELHAGEM DE MEDIDA A necessidade de conhecer o valor assumido por diversas grandezas eléctricas leva-

-nos à utilização da chamada APARELHAGEM DE MEDIDA. São de diversos tipos e recebem designação conforme a grandeza a medir: voltímetros, amperímetros, ohmímetros, wattímetros, varímetros, Íasímetros, etc.

o
'Hz

@

EET
47 50
lililtlrriltl
53

Irrrrtltlrrrl

'A -*.*t'Í. .r.\ 400 s 300
-.\zoo -.ì ì-100

< Fig. 30
1

2

-

Frequencímetro de lâminas vibrantes. Amperímetro de escalas intermutáveis.

35

T

APARELHAGEM DE SINALIZAçÃO

Existe ainda aparelhagem que se destina a permitir, por aviso óptico (lâmpada avisadora) ou acústico (campainha), identificar a situação de funcionamento de um deter-

minado aparelho ou circuito. Ex.: Sinalizadores de Íase dos quadros eléctricos.

8.A CIa.CUITOS IITTEn.IìTO E
GEn.AI'On.

trlXTTIn.IìTO DO

Num circuito eléctrico é usual diferenciarmos o circuito interno, quando nos referimos ao trajecto da corrente ao atravessar o próprio gerador, do circuito extetno, constituído por todos os restantes elementos do circuito que se situam fora daquele, isto

é, os condutores, e de uma maneira geral toda a carga do circuito.

g.g crncurro tLïlcrn.rco
I
ANALOGIA HIDRÁULICA

A constituição e funcionamento de um circuito hidráulico é, com boa aproximação, e em alguns dos seus aspectos, comparável à constituição e funcionamento de um circuito eléctrico. ldêntico paralelismo se pode estabelecer, num e noutro caso, entre as grandezas em jogo e a forma como se interrelacionam. Analisemos o circuito hidráulico da fig. 31. Nele existem dois reservatórios, A e B, com níveis hidrostáticos diferentes. Em A, o nível da água é designado por No. Em B, onde esse nível é inferior, designa-se por Nr. Usando linguagem simbólica da matemática, podemos escrever No ) Nr.
Nn-Nt

Os níveis No e N6, em ambos os
depósitos, são expressos pelas respectivas distâncias ao solo, servindo-nos este

como nível zero ou de referência. Os níveis No e Ns, assim referidos, designam-se por ruívels ABsoLUTos. o
valor relativo entre A e B é dado pela diferença de níveis, isto é, No - Nr.

Existe ainda uma CANALIZAçÃO HIDRAULICA em forma de U e uma vál-

Fis. 31

vula que, consoante a sua posição, aberta ou fechada, permite ou não a comunicação entre ambos os reservatórios.

36

Com a válvula fechada (posição 0), os níveis da água em ambos os depósitos mantêm-se inalteráveis. Abrindo a válvula (posição l), ambos os depósitos ficam em comunicação. Conforme estabelece o PRINCíP|O DOS VASOS COMUNICANTES, surgirá um ftuxo ou corrente de água de A para B. Esta corrente é temporária, cessando logo que esses níveis se igualem, isto é, quando Nn = N* Se pretendermos manter uma corrente constante no circuito, teremos de recorrer a uma bomba hidráulica B', montada como sugere a fig. 32. Esta bomba caracteriza-se por desenvolver uma determinada torça, que é empregue na elevação da água. Esta Íorça cria e mantém um desnível constante entre ambos os depósitos.

AB
No-N"

B'

V

-

bomba hidráulica válvula de regulaçâo de caudal

Fig.

32

tante entre ambos os depósitos.
1

-

A instalação de uma bomba hidráulica, B', no circuito hidráulico cria e mantém um desnível cons-

-

Funcionamento. 2

-

Representação esquemática.

Na fig. 32 podemos ver ainda o mesmo circuito em representação esquemática. Por outro lado, na fig. 33, em esquema também, representou-se um circuito eléctrico muito simples. A menos da simbologia utílizada, este último é Íormalmente idêntico ao da

fig.32.
Convém não esquecer que a sua natureza é diferente.
São então possíveis as seguintes

analogias:

Fís. 33

N

BOMBA HIDRÁULICA

_

GERADOR

A bomba hidráulica B'é comparável ao GERADOR ElÉcrRlco E, que no circuito se comporta como uma autêntica bomba de electrões.

37

n N

FoRçA DA BOMBA
RESERVATORIOS

-

FORçA ELECTROMOTRIZ

_

PÓLOS DO GERADOR

Podemos associar os reservatórios
gerador.

A e B aos terminais positivo e negativo do

N

NíVEIS HIDROSTÁTICOS

_

POTENCIAIS ABSOLUTOS

Os níveis hidrostáticos em A e em Él são medidos pela respectiva distância ao solo (nível zero). Designam-se por NíVEIS ABSOLUTOS. Os níveis eléctricos em A e em B designam-se por POTENCIAIS ABSOLUTOS e são igualmente referidos ao POTENCIAL DE TERRA (nível zero).

n

ilFERENçA DE NíVEE

:

DTFERENÇA DE POTENCTAL (POTENCIAIS RELATIVOS)

O reservatório Á tem maior nível hidrostático que

L

De forma idêntica, dizemos

que o terminal positivo Á do gerador está a um ruíVgt ELÉCTRICO ou POTENCIAL supe-

rior a 8. A diferença de níveis hidrostáticos associamos a DIFERENÇA DE POTENCIAL.

N

CORRENTE DE ÁCUN

_

CORRENTE ELÉCTRICA

Entre ambos os depósitos irá surgir uma corrente de água, em consequência do desnível. Da mesma forma irá surgir uma corrente eléctrica, em consequência da diferença

de potencial.

n

GANALTZAçÃO HIDRÁULICA

-

CONDUTORES ELÉCTRICOS

A tubagem onde circula a água é comparável aos condutores eléctricos onde passa

o fluxo de electrões que constitui a corrente eléctrica.

N

VÁLVULA

_

INTERRUPTOR E RESISTÊNCIA

A válvula V tem uma função que no circuito eléctrico é realizada por dois aparelhos distintos: o interruptor K e a resistência ÍÌ. Se a válvula estiver completamente aberta ou completamente fechada, equivale a um interruptoÍ que comanda os estados ON - OFF do circuito eléctrico. Se, pelo contrário, a válvula admitir posições intermédias, isto é, se se situar entre um estado de franca abertura e o de obturação total, isso equivale a um estrangulamento da secção recta da canalização e, nesse ponto, à introdução de uma resistência. Oualquer receptor, num circuito eléctrico, constitui, por si próprio, uma resistência nesse circuito, cujo valor o caracteriza.

38

GN,ANDEZAS ELECTR,ICAS

FUNDAMENTAIS

4.L

GA3.GÁ. ELEGTn.TCA. OU QUAIìrTTD.A"DS, I'E SLECTAICID"A,I}E

carga elóctrica
ou

quantidade de electricidade O número de electrões em excesso ou defeito, num corpo, define a CARGA ELÉCTRICA ou OUANTIDADE DE ELECTRICIDADE que esse corpo possui. Seria, no entanto, inadequado expressá-la desta forma, já que num corpo electrizado a grandeza desse número ultrapassa os milhares de trilião. Saindo dos limites da nossa imaginação, esse número é, além do mais, desproporcionado à escala em que se exprimem outras grandezas eléctricas que normalmente se relacionam com a carga. Escolheu-se, por conseguinte, uma unidade mais conveniente: o GOULOMB (abreviatura C). O coulomb é, ainda assim, uma carga eléctrica relativamente pequena, quando comparada com valores correntes, por exemplo o correspondente à carga de uma bateria de acumuladores, que é da ordem das centenas de milhar de coulomb. Mesmo assim

representa a existência de

6 250
Mais simplificadamente:

OOO OOO OOO OOO OOO

electrões

1C

= 0,625 x lOre electrões

Assim, são usados frequentemente os seguintes:
múltiplos: 1 kC (kilocoulomb)

=

103

C e

submúltiplos: 1 mC (milicoulomb) = 10-3 C 1 pC (microcoulomb) = 10-6C

39

4.A POTEIVGIâ"T OU TSIrSÃO ETúCTn'IC.â.

O potencial eléctrico de um corpo é uma medida do seu ESTADO ou ruíVet Og ELECTRIZAÇÃO, reflectindo, por um lado, a carga eléctrica que o caracteriza e, por

outro, a sua densidade de distribuição.
O potencial ou tensão é uma grandeza eléctrica. Representa-se indiferentemente pelas letras V ou U e a unidade Sl é o VOLT.

T

INFLUÊNCIA DA CARGA: POTENCIAIS ABSOLUTOS

Consideremos dois corpos, A e B, da mesma forma e dimensões, o que nos permite dizer que ambos têm a niesma capacidade para armazenamento de cargas eléctricas. Aquele a que comunicarmos maior valor de carga ficará consequentemente com um maior potencial.
Como podemos carregar um corpo positiva ou negativamente, também o seu poten-

cial poderá ser positivo ou negativo. Nesta base, analisemos as três diferentes situações.

O corpo A está a um potencial positivo superior ao de B, o que revela possuir maior carga,

Vr>Vs
O corpo A está a um potencial negativo superior ao potencial negativo de B, o que revela

possuir maior

carga.

lVo

I > lVr

I

O corpo A está a um potencial positivo inferior

em valor absoluto ao potencial negativo de B.

lVol < lV'l

A noção de potencial, assim explicada, é a de POTENCIAL ABSOLUTO, que leva unicamente em conta o estado interno de electrização, tomando como referência o POTENCIAL DE TERRA, nulo por convenção. A comparação de níveis de electrização não se faz, contudo, recorrendo aos respectivos potenciais absolutos. Se neles falamos, apenas pretendemos mostrar a proporcionalidade existente entre carga e potencial, independentemente do respectivo sinal.

Â^

I

POTENCIAIS RELATIVOS Efectivamente, a comparação de potenciais faz-se com base numa escala de poten-

ciais relativos. O critério é o mesmo que permite comparar ou estabelecer uma relacão de ordem no conjunto dos números reais. Vejamos, agora, para os mesmos corpos e situações atrás referidas, as afirmações que, segundo este critério, deverão ser feitas.

O corpo A está a um potencial superior ao de B.

EmR +4>+2.

Por comparação Va

)

Vr.

O corpo A está a um potenciaÍ inferior ao de B.-

EmlR -4> -2.

Por comparação, podemos escrever Va

(

Ve.
B.

O corpo A está a um potencial superior a

EmlR +2>-3.

Por comparação, Va

)

V,

I

|NFLUÊNC|A DA CONCENTRAçÃO DA CARGA

consideremos agora dois corpos , A e B, da mesma natureza mas com forma e
dimensões diferentes, isto é, com capacidades diferentes. seja, por exemplo, A o corpo de menor capacidade.
Se a ambos comunicarmos igual quantidade de carga, naturalmente a concentra-

ção desta em Á vai ser maior do que em B. Como cargas eléctricas do mesmo sinal se repelem, será de admitir que em A seja também maior a tensão ou força de repulsão entre as cargas, isto é, maior será o seu potencial.

lr+l Lril
A

Vo(V"

O potencial é uma medida da densidade de distribuição da carga. Pelas razões expostas, compreende-se por que ao porENclAL se chama também TENSÃO ELÉCTRICA.
41

4.9. DII'EREIìrçA" DIi POTTIVCI.â'Ï,
DE TÏITVSÃO

OU QUEII.â.

Ouando dois corpos a potenciais diferentes são postos em contacto, estabelece-se uma corrente eléctrica entre ambos. As características dessa corrente são definidas unicamente pela diferença de potencial ou de níveis eléctricos, em nada influindo os potenciais ou níveis absolutos de cada

um deles.
iniciais d.d.p., que passaremos a usar de futuro' abreviatura Sendo a d.d.p. uma diferença de tensões, naturalmente exprime-se em volt. são medidas correntes alguns múltiplos e submúltiplos desta unidade:
É habitual referirmo-nos à diferença de potencial simplesmente pelas

(kilovolt) = submúltiplos 1 mV (milivolt) :

múltiplos

1 kV

103 V

1 pV (microvolt)

:

1O-3 V

10-6 V

A diferença de potencial representa sempre uma queda de tensão. Tal como, num circuito hidráulico, a água vai perdendo pressão à medida que gradualmente atravessa a canalização, devido à resistência oferecida pela canalização, da mesma forma a corrente eléctrica, ao atravessar qualquer elemento resistivo no circuito, como seja qualquer receptor nele intercalado, perde a sua pressão ou tensão eléctrica inicial. No circuito da fig. 34 são de referir as seguintes quedas de tensão para as quais existe notação convencionada, como se refere:

entre os pontos entÍe os pontos

Á e B: Uou A e C: Ua6

ou ou ou

ue-us

entre os pontos C e B:

Uss

ul-uc uc-ur

< Fig. 34

- Distribuição dos potenciais ao longo de um circuito.

O sentido da queda de tensão não é arbritário, mas sim concordante com o da cir-

culação da corrente no circuito.
Devemos salientar que a queda de tensão entre os terminais A e B das resistências é igual à própria tensão do gerador e igual à soma das quedas de tensão em cada uma

delas, isto é,

Uo:Uen:Uec*Ucs
O aparelho que mede a tensão ou d.d.p. entre dois pontos é o VOLTíMETRO. Para o efeito intercala-se, em paralelo ou em derivação, entre os terminais onde se pretende

conhecer a queda de tensão. Na fig. 34, a ligação do voltímetro dá-nos uo".

42

O voltímetro deve possuir uma elevada resistência interna de forma a desviar o mínimo de corrente possível através dele, para não alterar a corrente no ramo onde se efectua a medição.

4.4 roa,ç.â' ELECTn,O1WOTa.IZ

Força electromotriz

{f.e.m.ì

Para manter constante a d.d.p. nos terminais do gerador, é necessária a existência duma força que, actuando sobre as cargas eléctricas, lhes confira movimento através do circuito. Por esta razão, esta força, que é de natureza eléctrica, designa-se por força electromotriz. A ela nos referimos muitas das vezes de forma abreviada pelas suas

iniciais f.e.m.

A f.e.m. é uma característica própria de cada gerador e define-se como
a forga que cria e mantém constante uma diferença de potêncial entre os termi-

nais do gerador.
É intuitivo que quanto maior for o seu valor, maior será a d.d.p. resultante, Se. pelo contrário, aquela diminuir, diminuirá a segunda também. lsto é, são grandezas directamente porporcionais. A unidade de medida no sistema internacional é o VOLT, unidade já utilizada para a d.d.p. São, no entanto, duas grandezas distintas, não devendo por esse facto ser confundidas. A primeira é causa, a segunda o seu eÍeito. Não podemos confundir a força com o desnível, que é sua consequência. E se para ambas utilizamos a mesma unidade de medida, o VOLT, é porque, sendo a f.e.m. e a d.d.p. proporcionais, o seu efeito no circuito é comum: originam uma corrente eléctrica.

Representa-se pela letra E, existe no interior do gerador e o seu
_E-

*1. *lr*-

sentido vai do pólo positivo para o pólo negativo. O seu sentido é, como se compreende, coincidente com o movimento dos electrões que origina.

t-

43

4.S

"â' COn.B.SITTE ELÉSTB.IC.â.

Os electrões livres são, como sabemos, os agentes transportadores de carga. Sabemos que num corpo no estado neutro esses electrões erram por toda a sua
superf ície.

Sob uma d.d.p., os electrões (cargas eléctricas negativas) adquirem um movimento orientado encaminhando-se, através do circuito exterior do gerador, desde o seu pólo negativo (oÉde existem em excesso) para o pólo positivo (onde existem em defeito). Esta corrente de electrões continua através do gerador, voltando seguidamente ao circuito exterior.

I

SENTIDO REAL DA CORRENTE ELÉCTRICA

É o verdadeiro sentido do fluxo de electrões, que no circuito exterior vai desde o pólo negativo para o pólo positivo do gerador. Ver fig. 35.

I

SENTIDO CONVENCIONAL DA CORRENTE
ELÉCTRICA

{-------

sentido real da corrente

Embora o sentido real seja o que realmente Fig. 35 - Se invertêssemos a polaridade do coincide com o movimento dos electrões, não gerador, aqueles sentidos seriam opostos aos é contudo esse que se representa, mas precisadesenhados. mente o oposto àquele. É um sentido convencional. No circuito exterior tem o sentido do pólo positivo para o negativo do gerador, também representada na fig. 35. Tal convenção em nada altera o funcionamento do circuito, tendo ainda a vantagem de facilitar a sua compreensão. Na hidráulica, uma vez mais, podemos encontrar uma analogia justificativa de tal procedimento. Na verdade, é indiferente dizer que num reservatório com água, onde se desenvolvem bolhas gasosas, são estas que têm movimento ascendente ou, por outro lado, dizer que é a água que se desloca em sentido contrário. O sentido convencional tem a vantagem de, sem qualquer prejuízo de interpretação do sistema eléctrico, permitir estabelecer uma analogia sempre comodamente bem entendida do efeito consequente duma diferença de níveis, seja em sistemas sujeitos à acção da gravidade, como a queda dos graves ou o nivelamento hidrostático nos circuitos hidráulicos, seja o equilíbrio das temperaturas em sistemas térmicos ou mesmo o fenómeno de difusão nos meios elásticos.

--------------> sentido convencional

44

4.6

.A,

IIìITEIISIDÂDE DA COa,n.EITTE

ELÉC3n.ÏCÁ'

A

intensidade da corrente é a quantidade de electricidade que passa numa determinada secção do circuito na unidade de tempo. Define-se matematicamente pelo quociente

1

: Qt

Qt-

I

intensidade da corrente (ampere) quantidade de electricidade (coulomb) tempo (segundos)

O ampere (A) é a unidade Sl de intensidade da corrente.

Para I O

It

1 coulomb 1 segundo

resulta

IT: I Al

o

que conduz

à

seguinte definição de

ampere:

Ampere é a intensidade de uma corrente eléctrica quê transporta a carga de um coulomb durante um sogundo, numa determinada seccão do circuito.

O amperímetro é o aparelho que permite medir esta grandeza. Deve ser intercalado em série no troço do circuito onde se pretende conhecer o valor da corrente. Para o resultado ser o mais correcto possível, o amperímetro deve ter uma resis-

Fig.

36

tência mínima. A leitura pode ser efectuada em qualquer ponto do circuito principal, pois

condutor na qual passassem 0,625 x 1O1s electrões, isto é, 1 coulomb, durante 1 segundo, essa
secção teria sido atravessada por uma corrente de 1 ampere.

-

Se pudéssemos destacar uma secção do

num circuito não derivado, isto é, sem ramiÍicações, a intensidade da corrente é sempre a mesma.

45

< Fig. 37 - Ouando uma esfera rígida colide com um conjunto de outras esferas encostadas em fila, o
efeito de perturbação transmite-se de forma quase instantânea à última delas. As esferas intermédias contudo progridem lentamente.

Finalmente, interessa referir que, se é facto que a corrente eléctrica se propaga praticamente de forma instantânea, já não acontece o mesmo com a velocidade dos electrões, que, pelo contrário, se deslocam lentamente. O efeito da corrente é o efeito duma perturbação que se propaga a uma velocidade próxima da da luz. É comparável à ràpida, embora muito mais lenta, propagação do choque de várias bolas de bilhar dispostas em fila. Ver fig. 37. Sob a acção do choque, as bolas de bilhar adquirem um movimento incomparavelmente mais lento do que a perturbação. De forma semelhante, os electrões têm uma velocidade muito inferior à da luz, avançando no condutor pouco mais de um metro em cada hora.

4.Y

8.ESTSTÏIIVCTA' ELECTRTC"â'

Oualquer condutor eléctrico oferece, em maior ou menor grau, uma determinada oposição à passagem da corrente. Tal oposição é perfeitamente quantificável e constitui aquilo a que se chama a sua RESISTÊNCIA ELÉCTRICA. Simboliza-se pela letra R. A unidade do Sl é o ohm e representa-se abreviadamente pela letra 0 (ómega) do alfa-

beto grego. No seu trajecto ao longo dos condutores, há sempre um certo número de electrões que colidem com os átomos fixos da estrutura cristalina. Em cada choque os electrões ressaltam ou são desviados da sua orientação inicial, perdendo parte da sua energia cinética, que se liberta sob a forma de calor. Este facto explica a RESISTÊNCIA ELÉCTRICA. Na fig. 38 podemos comparar o processamento da condução eléctrica em três materiais de diferente natureza.

46

A
B

C -

Bom condutor
Ligeiramenle condutor

Isolador

Fig.

função da natureza do material. A probabilidade de colisões destes electrões com os átomos fixos do material é tanto maior quanto

38 - Mobilidade dos electrões livres,

em

maior for a sua resistência eléctrica.

4.8 COtrII'UTIBILII}A'DS:
COIIDU:IOn'ES E ISOT"â'I}O3.ES
A condutibilidade é a maior ou menoÍ Íacilidade com que uma substância se deixa atravessar pela corrênte eléctrica.
É uma

propriedade comum a todas as substâncias e tem um valor específico para

cada uma delas. Em função desse comportamento, é usual classificá-las em dois grandes grupos:

. .

OS BONS CONDUTORES OS ISOLADORES ou MAUS CONDUTORES DA ELECTRICIDADE.

Numa análise mais exaustiva, poderíamos falar ainda em SUPERCONDUTORES e em SEMICONDUTORES. A condutibilidade é uma propriedade fundamentalmente determinada pelo tipo de estrutura molecular. É influenciada por factores externos, como a temperatura, e o processo da condução difere conforme o meio em presença.

T

BONS CONDUTORES

Z

ESTADO SOuDO

Os metais puros são, por excelência, os melhores condutores da electricidade. A prata, o ouro, o estanho, o cobre e o alumínio são apenas alguns exemplos e justamente dentro dos metais os melhores condutores. São, por conseguinte, muito utilizados no domínio da electricidade e da electrónica. A prata é um excelente condutor, mas o seu emprego é muito limitado, dado o seu elevado custo.

47

Embora os metais ocupem um lugar de excepção, o facto é que encontramos bons condutores também na grande família dos não-metais. A excelente condutibilidade dos metais deve-se ao grande número de electrões livres produzidos. A producão de tais electrões, que são sempre os mais periféricos das orbitais atómicas, tem origem térmica e está ligada à força que os prende electrostaticamente ao núcleo. Se essa força é significativa, poucos deles abandonarãò o átomo. Se, pelo contrário é ténue, libertar-se-ão facilmente, basta receberem um pouco de energia do exterior. A temperatura ambiente é suficiente para que nos metais exista elevada concentração deles em constante movimento por toda a superfície. As ligas metálicas são também algo condutoras, mas a sua condutibilidade é tão fraca que nos circuitos eléctricos são utilizadas apenas como elementos resistivos.

Z

ESTADO LíAUIDO

Designam-se por ELECTROLITOS as substâncias que no estado líquido conduzem a corrente eléctrica: ácidos, bases ou sais em solução aquosa.

Além dos electrólitos, podemos ainda acrescentar os metais, quando fundidos, e o mercúrio, que existe naturalmente no estado líquido, Sempre que uma substância ácida, base ou sal é dissolvida na água, por acção desta, as forças electrotásticas responsáveis pela ligação da molécula ficam consideravelmente diminuídas, levando-as a separarem-se nos respectivos iões. Como exemplo, o ácido clorídrico, HCl, em solução encontra-se dissociado nos iões Cl- e H*. São, portanto, os iões as partículas que conduzem a corrente eléctrica.

.

ESTADO GASOSO

A corrente eléctrica estabelece-se sempre que, por uma diferença de potencial, se ioniza uma dada massa de gás. A condução deve-se, neste caso, aos iões positivos e electrões resultantes da ionização.

I

ISOLADORES

39 - lsoladores de apoio montados em base tripolar, para uso em alta tensão.
Fig.

Fig. 40

mentos, usado em quadros de distribuição em baixa tensão.

-

lsolador em resina <Epoxy>. para suporte de barra-

)

48

Não há substâncias verdadeiramente isoladoras, como também não as há totalmente condutoras. Se, mesmo assim, desígnamos estas substâncias de isoladoras, é porque nas aplicações correntes satisfazem bons níveis de isolamento. Também são conhecidas por DIELÉCTRICOS. São isoladores a água puÍa, o vidro, a ebonite, o óleo, o papel, a porcelana e, de modo geral, todos os materias cerâmicos e plásticos. Arazão por que a água, como normalmente a encontramos, é condutora, ao ponto de obrigar a tomar precauções quanto ao seu contacto com elementos sob tensão, deve-se ao facto de nela existirem sempre, em maior ou menor percentagem, impurezas dissolvidas que a tornam um electrólito. Nas figs. 39 e 4O podemos ver dois lrqos de isolad_o1gs Vsados em alta e baixa tensão, respectivamente.

I

SEMICONDUTORES

Os semicondutores são substâncias cuja condutibilidade se situa entre os bons e os maus condutores da electricidade. São semicondutores, de uso corrente em electrónica, o germânio e o silício (fig.41). Comportam-se como isoladores perfeitos à temperatura do zero absoluto l- 273 oC). Contudo, manifestam alguma condutibilidade à temperatura ambiente. Si:Si:Si A condução deve-se aos electrões e lacunas (ausência de aa aa ao electrões) criados por adicão de impurezas como o arsénio, o Si:P:Si índio ou o boro. aa aa aa

z

F)RMAÇÃO DE UM SEMTCONDUTOR TtpO N

Si: SiI:
I

a

Si

electrão livre

Adicionando um elemento como o fósforo, que possui 5 elec-

trões periféricos, no seio de um cristal de silício cujos átomos empregam os seus 4 electrões periféricos em ligações covalentes, aquele elemento estranho pode encaixar-se na estrutura do silício empregando apenas 4 dos seus 5 electrões. O restante é um electrão livre e o cristal é do tipo /V. Ver fig. 41.

Fig.41

Representação parcial da microestrutura de um cristal de silício

-

tipo N dopado com átomos de fósforo.

z

F)RMAÇÃO DE UM SEMTCONDIJTOR T\PO P

Si:Si:Si
aa aa

O elemento estranho tem agora um electrão a menos que
qualquer dos átomos de silício, por exemplo, um átomo de índio, apenas com três electrões periféricos. Obrigado a incorporar-se na microestrutura do cristal, deixa naturalmente uma liga; ção electrónica por Íazer. A falha de um electrão é uma lacuna.

..

Si 3 In[.

o

aa

Si

si :
-

.. I

..
si

si

I

lacuna

l:

Temos assim constituído um cristal tipo P, como nos mostra

Fig,42

Formação de

a Íig. 42.

uma lacuna num cristal
de silício tipo P, após se haver adicionado átomos de índio.

I

SUPERCONDUTORES:

A REVOLUCÃO DO

FUTURO

A supercondutividade é sinónimo de ausência praticamente total da resistência que sempre caracteriza cada condutor no seu estado natural.
4_EL

49

A descoberta do fenómeno data de 191 1 e deve-se ao físico alemão Heike Kamerlingh Onnes, e consiste numa notável alteração do comportamento de alguns metais e suas ligas, que, ao serem arrefecidos a temperaturas extremamente baixas, já vizinhas do zero absoluto (0o na escala Kelvin, 273,1 5o na escala centígrada), per-

dem praticamente toda a sua resistência, tornando-se supercondutores. O primeiro metal a ser tornado supercondutor foi o mercúrio, que adquiria tal estado quando submetido a uma temperatura de 42 oK, conseguida por utilização de hélio líquido. Não é um processo praticamente viável, conhecendo fortes limitações, principalmente devidas ao elevado custo do gás, ao seu baixíssimo ponto de liquefacção (- 239,9 oC), aos requisitos que o seu armazenamento exige a tais temperaturas e, finalmente, à quantidade considerável de energia que envolve. A posterior obtenção de compostos de nobélio, que se tornavam supercondutores a temperaturas já mais elevadas (20 oK), não permitiu ainda tornar a sua utilização uma realidade prática. Todos os processos referidos são extremamente dispendiosos, envolvem apreciáveis meios técnicos e custos consideráveis, razões que encaminham a investigação no sentido de obter novos materiais supercondutores a temperaturas mais elevadas. Além disso, interessa que conservem esse estado à temperatura ambiente. A recente obtenção de materiais cerâmicos nas condições atrás referidas, transformou a supercondutividade num dos assuntos científicos actualmente de maior relevo e de maior impacto social, não só pela multiplicidade das aplicações que sugere, como pelas transformações tecnológicas a que sujeitará um considerável número de equipamentos e sistemas tradicionais que têm o efeito eléctrico e magnético como base do seu funcionamento. Para avaliar a extensão e importância desta tecnologia, analisemos algumas das suas mais imediatas consequências.

-

I

Nas linhas de alta tensão responsáveis pelo transporte da energia eléctrica desde as centrais produtoras até aos centros de grande consumo, aproximadamente 2Oo/o da energia veiculada é perdida sob a forma de calor. A utilização de cabos

supercondutores eliminaria por completo tais perdas, economizando verbas gigantescas, tendo como consequências imediatas uma grande diminuição do custo do kWh e ainda uma considerável economia dos recursos energéticos
disponíveis.

I I I

O aparecimento de motores eléctricos desenvolvendo maiores potências e de

menores dimensões que os actuais. O aumento da potência fornecida pelos alternadores nas centrais eléctricas.
A utilização, na medicina, de equipamentos incorporando supercondutores, em parte já utilizados actualmente, permitindo, por ressonância magnética, visualizar cortes de tecidos delicados do organismo em regiões de outra forma inacessíveis.

I
50

A concepção de comboios super-rápidos, designados MAGLEV lMagnetically levitated superfast trainsl , baseados no Íenómeno de levitação magnética, deslizando sem atrito de qualquer espécie sobre <almofadas magnéticas> (fig. 43).

b.p.
b.e.

-

bobina de propulsão bobina de elevação

Fig.43 - MAGLEV - Magnetically levitated superfast traíns - são comboios de supervelocidade que deslizam, praticamente sem atrito,

sobre almoÍada magnética.

Os MAGLEV são já uma realidade, quer no Japão, quer em França, muito embora

as novas tecnologias neste âmbito permitam um refinamento das suas características.

T Uma considerável redução das dimensões que os computadores apresentam
actualmente, apesar do já elevado grau de compactação e miniaturização dos seus circuitos e componentes.

I

Aceleradores de partículas.

I I

'71'l,Yrr,,,
,;t'ilíllJ:

Fí9.44 - SSC (Superconducting supercolliderl, gigantesco acelerador de partículas, cujo intenso campo magnético é devido ao uso de supercondutores, previsto para toda a região metropolitana de Nova lorque (USA), a entrar em Íuncionamento em 1996.

AÍig.44 dá-nos conta de um projecto de grande envergadura no campo da física nuclear, respeitante à construção de um gigantesco acelerador de partículas, envol51

vendo toda a região metropolitana de Nova lorque, fazendo uso da mais recente tecnologia dos supercondutores. A obtenção de poderosos campos magnéticos, devido aos supercondutores, abre novas perspectivas no campo da física nuclear. São inúmeras as aplicações previstas e aquelas já em curso, em qualquer caso, repercussão nos domínios da medicina, transportes, física nuclear, produção de energia, redes de grande transporte, indústria de computadores, etc. Em suma, estamos perante uma tecnologia de grande impacto, de consequências

é de salientar a acentuada

ainda imprevisíveis, capaz de modificar apreciavelmente os actuais padrões de vida, podendo mesmo vir a constituir mais um marco de referência da nossa civilização, à semelhança do que foi a descoberta da máquina a vapor e o aparecimento
da electrónica.

ISOLADOR

+

Os electrões não têm possibiüdade de se deslocarem

no interior do material, dado praticamente não
haver electrões livres.

CONDUTOR Sob uma d.d.p., os electrões livres deslocam-se
orientadamente no condutor, sendo sempre de esperar um considerável número de colisões que modi-

+

ficam transitoriamente a sua trajectória e cuja probabilidade define o material em termos de condu-

tibilidade.

a-+

V

SUPERCONDUTOR

A resistência desaparece, os electrões deslocam-se
em avalancha e emparelhados de forma que qual-

quer colisão não os desviará da respectiva trajectó-

ria. Não existem, portanto, perdas de energia.
Fig. 45 - Comportamento do supercondutor em comparação com o dos materiais isoladores e o dos condutores tradicionais.

A fig. 45 mostra o comportamento dos supercondutores face ao movimento dos electrões, onde se compara com o comportamento dos isoladores e dos chamados bons condutores. Este comportamento pode entender-se se admitirmos que os electrões se deslocam uniformemente e em avalancha, de forma que um electrão que colida,

cercado que está por outros electrões, não modificará o seu rumo. Nos supercondutores, a corrente flui sem haver perdas de energia ou, mais correctamente, são assimptóticas do zero.
,t

i

i
I

52

A

EFEITOS DA CON,R,ENTE ELECTN,ICA
A corrente eléctrica não é algo que possamos ver, avalia-se simplesmente a sua presença pelos seus efeitos. São, fundamentalmente, os EFEITOS CALORíFICO ou EFEITO DE JOULE, LUMINOSO, OUíMICO C MAGNÉTICO.

I

EFEITO CALORíFICO

A passagem de uma corrente eléctríca através de um condutor tem sempre como consequência uma libertação de calor. Esse aquecimento é significativo nos condutores que apresentam grande resistência eléctrica e menos sensível nos de menor resistência. O facto deve-se às inúmeras colisões entre os electrões que constituem a corrente e os átomos fixos na estrutura cristalina do condutor. Em cada colisão, o electrão perde uma R --'-determinada quantidade de energia cinética, que se converte em calorífica. Estes efeitos somam-se e o condutor aquece. Designa-se também por EFEITO DE JOULE. Ver fig. 46.
Fig. 46 Dissipação de calor numa resistência, devido à passagem de uma corrente eléctrica efeito de Joule. >

-

-

I

EFEITO LUMINOSO

Espectro de frequência de radiação

visível da luz emitida e graduação das suas propriedades cromáticas.

Fig.47

trica. Ao eÍeito caloríÍico surge adicionalmente o eÍeito luminoso.

-

Emissão de luz numa lâmpada de filamento de tungsténio quando atravessada pela corrente eléc-

Por vezes o aquecimento é tão grande que o condutor emite luz. lsto passa-se com materiais de grande resistividade, como o filamento de liga de uma lâmpada de incandescência (tig. 471.

53

T

EFEITO MAGNÉTICO

Este efeito é posto em evidência pela alteração do comportamento de uma agulha magnética, livre.de rodar sobre si própria quando na sua vizinhança passa uma corrente eléctrica. A cada valor da intensidade da corrente corresponde um desvio proporcional da agulha (fig. 48). lsto traduz o facto de que a toda a corrente eléctrica está associado um campo magnético, que é sua consequênciá.
Fig. 48
da sua posicão inicial de equilíbrio, devido à passagem duma

-

EÍeito do deslocamento duma agulha magnética

corrente eléctrica num condutor nas suas proximidades. >

T

EFEITO OUíMICO
hidrogénio
molecular
H2

oxrgenlo molecular

Os Íenómenos de electrólise, a que

o2

nos referiremos posteriormente, dão conta deste efeito. Efectivamente, se introduzirn:os dois eléctrodos numa
solução aquosa ligeiramente acidulada

gua acidulada a 10 9o pelo

ácido sulfúrico
I

pelo ácido sulfúrico, e os ligarmos a uma fonte de tensão contínua, veremos um desprendimento gasoso junto a
cada um deles. São o oxigénio e o hidro-

+

eléctrodos de platina

Fig. 49 - Produção de hidrogénio e oxigénio durante a electrólise duma solução aquosa de ácido sulfúrico.

___l

I

génio, justamente os elementos que compõem a água, aqueles que se formam junto aos eléctrodos (fig. 49).

O fenómeno de decornposição molecular e dê libertação da totalidade ou paÍte dos seus elementos, por acção de uma corrente eléctrica, ocorre em muitas outras soluções que designamos por ELECTRÓLITOS e constituem outros tantos exem-

plos deste efeito.
Os efeitos térmico e luminoso são indiferentemente observados, quer a alimentação do circuito seja feita com corrente contínua (c.c.), quer seja feita em corrente alternada (c.a.). lsto significa que, se invertermos a polaridade no gerador, trocando para

o efeito os fios de ligação, não notaremos nenhuma alteração nos seus efeitos. Nunca poderemos, por conseguinte, através dos efeitos térmico e luminoso, identificar a polaridade da corrente, saber, portanto, onde está o seu pólo positivo e o seu pólo negativo. Por essa razão, chamam-se EFEITOS NÃO POL.ARIZADOS. Pelo contrário, são EFEITOS POLARIZADOS, porque permitem identificar o sentido da corrente, os efeitos magnético e químico. Ouanto ao efeito magnético, veremos, por exemplo, a agulha magnética rodar em sentido oposto sempre que se altera a polaridade das ligações. Da mesma forma, os efeitos químicos observáveis na experiência anterior seriam diferentes: ao comutar a polaridade dos eléctrodos, inverter-se-iam em consequência as posições ern que se libertariam o oxigénio e o hidrogénio.

54

LEI DE OHM
A lei de Ohm diz.nos que é constanto a razág enÍg,a.diÍereïPC,13..?,::encia! nas extremidades..de um condutor e a intensidade,da èorrçrlt9 elé9ti.ib9.,Auê
o atravassa.
Essa razão constante é a RESISTÊruC|R ELÉCTRICA, cuja unidade de medida é,

como sabemos, o ohm. Matematicamente, aquele enunciado traduz-se pela relação
V

R

:

CONST.

I R -

d.d.p., em volt (V)
intensidade da corrente, em ampere (A) resistência, em ohm (O)

Explicitando o valor de V ou de /, obtemos as seguintes expressões equivalentes:

I

VAR|AçÃO On INTENSIDADE COM A TENSÃO

t:

f (V)

R:2O

constante

R:+
V(V] 0 0

I
2

1

3

I(A)

4

6

Fig. 50 >

55

Seleccionemos numa fonte de alimentação diversos valores da tensão que aplicaremos sucessivamente entre os pontos A e B duma resistência B. O gráfico da fig. 50 refere-se a uma resistência de 2 0. Para cada valor de V, que registamos em abcissas, obteremos correspondentes valores de /, que registamos em ordenadas. o gráfico obtido é uma linha recta e sê-lo-ia igualmente qualquer que fosse a resistência considerada, pelo que se diz que A CoRRENTE É UMA FUNçÃo LTNEAR DA TENsÃo. Se nesta recta calcularmos, para qualquer dos seus pontos, o quociente entre os valores correspondentes de V e /, obteremos sempre o mesmo v,alor, que é o da resistência.

Em qualquer ponto, o Ouociente

f

define matematicamente a inclinação da recta. Será tanto maior a inclinação quanto menor for o valor de B. Podemos verificar este facto na fig. 51, onde se registaram os valores das correntes obtidas em duas
resistências diferentes quando a ambas se aplicaram tensões iguais.

As resistências com este comportamento chamam-se RESISTÊNCIAS óHMlCAS, RESTSTÊNC|AS PURAS ou ainda
RESISTÊNCIAS LINEARES.

51 - A inclinação da recta é tanto maior quanto menor for a resistência.
Fig.

I

VAR|AçÃO On TNTENSTDADE COM A RESTSTÊNCtA r

:

f (R)

Vejamos agora o que se passa no circuito, se variarmos a resistência, mantendo constante a tensão. Utilizemos a saída do gerador de 12 volts. lntroduzamos diversos valores de resistência, sejam por exemplo os que figuram na tabela da fig. 52. Determinemos os correspondentes valores de /.

Y:

12

volt constante

I:+
R (o)
2
6

4
3

6 2

8

I (A)
< Fig. 52

1,5

A curva traçada com base naqueles valores representa a evolução da corrente quando R varia continuamente no intervalo t2, 8l O, e mostra a proporcionalidade inversa existente entre estas duas grandezas, isto é, para a mesma tensão, quanto maior for a resistência menor será a intensidade da corrente no circuito e vice-versa.
56

Podemos definir a unidade de resistência, ohm, em função das grandezas V e /.

Assim,apartirdarelaçãoR =+efazendol

V:I volt rr: tampere

temosR

=

1ohm.

O ohm é a resistência de um condutor que, atravessado por uma corrente de 1 ampere, apresenta nos sêus extremos uma d.d.p. de I volt.

PnoBLEUAS RESotVil)oS
1. Considere um circuito eléctrico constituído por resistência de 15 O.
Quando nos seus extremos a tensão é de 95 mV, qual a corrente indicada pelo amperímetro?
Resolução:

Fórmulaautilizar:

I: Ë - 0.095
l5

I:0,0063A:6,3m4
2. Calcular
a queda de tensão que
O.

orilina

a passagem duma corrente de 500

mA numa resistên-

cia de 18

Resolução:

Fórmula a utilizar:

V : RI

V:
3. Determinar a resistência
Resolução:

18

x 0,5:9V

de um condutor eléctrico que, percorrido por uma corrente de720 pA, apresenta nos seus terminais uma d.d.p. de 24 Y.

Fórmulaautilizar:

R: I n\

24 24 u rn6 _ v,vJ\: X : ^^a/j) J20-t-Jõ-=Ì- - 7N n'u

106

0:

33,3 kO

4. Uma resistência, quando percorrida por uma corrente de 200 mA, tem nos seus terminais uma d.d.p. de 35 V. Qual a d.d.p., se for percorrida por uma corrente de 30 mA?
Resolução:

Dado que a resistência R do circuito é constante

-V,V2VrV2 R:t:_T:consr.

t:_'
35 V" AT: õN
x o'03 : o'2Yz v _ 1,05: r,/.r s2{v "z 02 :
35
Y

57

PROBI,EUAS PANA RESOLVER
1.. Calcular a intensidade de uma corrente que atravessa uma resistência de 6 kO quando nos seus extremos é aplicada um tensão de 220 Y.

R.: I= 36JmA
2. lJma resistência de2Q
é atravessada por uma corrente de 500

mA. Qual será a queda de

tensão nos seus terminais?

.;U:lV
3. Nos terminais duma resistência é aplicada uma
tensão de 60 mV. A correnté resultante é de qual o novo valor da corrente expresso em mA? 12 mA. Quando se eleva a tensão para 0,5 V,

R.: I: l00mA
4. Quando nos extremos
de um condutor triplicamos o valor da tensão aplicada, qual a respec-

tiva variação da corrente?

R.:
5. Qual

triplica

a resistência, em k0, de um condutor eléctrico que sob a d.d.p. de 220 V é atravessado por um corrente de 350 mA?

R.; R:0,63k0

6.

Desenhar a curva de variação da intensidade da corrente num circuito em que se mantém constante a tensão U : 20 V, no qual se pode variar a respectiva resistência por intermédio de um reóstato no intervalo [5, 20] ohm. Sugestão: utilize um sistema de eixos dimétrico com a seguinte correspondência:

eixo das ordenadas eixo das abcissas

I cm I srn

IA
J
Q

7. Analise

o gráfico

da fig. 53. Sabendo que dispomos de 3 resistências de valores 6, 15 e 2l -

Q'

identifique a correspondência com os símbolos Ro, Ru e R"?

R..' Ro

: 2l A Rg:l5O Rc:6o

< Fig. 53

58

siemens ou

s
ou

ohm-1

o-1

Chamamos condutância ao inverso da resistência:
R - resistência, em ohm (0) G condutância, em siemens (S) ou em

-

ohm-l (0-')

Definamos esta grandeza.

Como

R:+ e G:+,

resulta a seguinte equação de definição:

Fazendo

V=

1 volt, resulta o seguinte enunciado:

A condutância de um condutor é numericamente igual à intensidade de corrente que atravessa esse condutor por unidade de tensão aplicada.

59

L

N,ESISTIVIDADE

8.1
I

COTTCETTO

RESISTÊNCIA E RESISTIVIDADE

Resistência e resistividade são grandezas distintas. A resistência mede, em cada caso, a oposição que um determinado receptor ou resistência oferece à passagem da corrente. A resistividade caracteriza cada substância do ponto de vista da respectiva condutibilidade. Assim, compreendemos, por exemplo, que dois condutores de cobre, que têm
necessariamente o mesmo valor de resistividade, possam ter diferentes valores de resis-

tência: basta que tenham comprimento ou secção diferentes. De igual modo, podemos ter dois condutores eléctricos, um de substância melhor condutora que o outro, e, no entanto, o primeiro apresentar resistência muito maior.

8.4 I'ACTOn'ES IIE QUE rlEPENrrE .â'
n.ESTSTÊIüCre
Como vemos, a resistência depende de vários factores. São eles

o comprimento,

a natureza e a secção dos condutores e ainda a tempeÍatura. Admitindo que esta última se mantém constante, analisemos então cada um dos parâmetros que influem no valor

da resistividade e como se relacionam matematicamente.

RËSIsTÊNcIA

COMPRIMBNTO

sEcçÃo
RESISTIVIDADE OU RESISTÊNCIA ËsPEcÍFIcA

61

I
.

RESISTÊNCIA VS. COMPRIMENTO

A resistôncia é tanto maior quanto maior for o comprimento do con' dutor eléctrico.
Este facto é comparável à maior difi-

B

a-*

culdade que a água encontra ao atravessar uma canalização âe grande comprimento do que ao atravessar uma de

cffi
Fig. 54

-

lnfluência do comprimento na resistência.

menor extensão, admitindo que ambas têm a mesma secção (fig. 54). Resistência e comprimento são, portanto, grandezas directamente proporcionais, razão por que na fórmula precedente o comprimento 1 figura em numerador na fracção'

r

RESTSTÊNC|A VS. SECçÃO

A resistência é tanto menoÍ quanto maior Íor a secção do condutor, e vice-versa.
Traduz-se este facto dizendo que a resistência é inversamente proporcional à secção, razão por que esta se escreve em denominador da mesma fracção. É elucidativa a seguinte analogia: Se usarmos um tubo com grande secção, conseguiremos escoar mais rapidamente a água de um depósito do que se utilizarmos outro de secção inferior. lsto deve-se à menor resistência oferecida pela conduta no primeiro caso (fig' 55).

Fig. 55 - lnfluência da secção na resistência.

I

NATUREZA DO MATERIAL

A

fórmula precedente (páS. 61)

mostra-nos, pois, que a resistência é direc-

tamente proporcional ao comprimento e inversamente proporcional à secção do condutor. Nela vemos ainda a existência de uma constante de proporcionalidade que caracteriza o material, o símbolo é p (ró), e designa-se por RESISTIVIDADE ou
RESISTÊNclA ESPECíFlCA. Se repararmos bem, ela permite distinguir a resistência

Fig. 56

- lnfluência da natureza do condutor na resistência. Neste caso, Rcu < RAt, pois pcu < pAt.

entre dois condutores de diferente natureza mas de igual comprimento e secção.

62

8.5 B.ESISIIìrID.â.DE EsPsgÍrrcn'
I
DEFTNTçÃo e

ou n'nsrsrÊrvcrn

roRvrumçÃo unreuÁrrcl

Resistividade
ou

p

ohm x milímetro quadrado por metro
{lê-se: ró)

Oxmm2
m
ou

.ou
microohm

Resistância específica

x

centí-

mêtro

pr0

x

cm

Todos os materiais apresentam uma certa dificuldade à passagem da corrente. Esta dificuldade assume um valor próprio para cada meio e, como acabámos de ver, representa-se pela letra p. Para definirmos esta grandeza témos de explicitar, primeiro, o valor de p, a partir da fórmula precedente.

De

I

-=rtl

I

tir"rno"cu" RS:pl

efinatmente

lgualando à unidade as variáveis independentes, isto é,

F:

S --

1e

I:

1, resulta que

E

R-.l. Podemos então definir:

RESISTIVIDADE ou RESISTÊNC|A ESPECíFICA de uma substância é a resistôn-

cia de um condutor dessa substância com comprimento e secção unitários.
No Sistema lnternacional seria definida como a resistência de um condutor desse material com 1 m de comprimento e 1 m2 de secção.

Vejamos em que unidade se exprime a resistividade. Representando por [p] as dimensões de p, e da expressão p =

R+ ,

temos:

tpl

: 0 : o x m (SISTEMA " #-

INTERNACIONAL)

Daqui decorre que a resistividade exprime-se pelo produto de uma unidade de resistência por uma unidade de comprimento (ohm x metro). Porém, o 0 x m (ohm x metro) não é uma unidade prática. Normalmente, em o xlnm2 (ohm, milímetro quadrado por metro), o que está tabelas é expressa mais em conformidade com a forma como usualmente se exprime a secção dos cabos,

".

sempre em mm2. Esta unidade é, normalmente, a utilizada no cálculo.

63

Noutras aplicações, a resistividade é expressa em pO x cm (microohm x centÊ metro) que resulta da resistência se exprimir em trrO (microohm), da secção se exprimir em cm2 e do comprimento se exprimir em cm.

I
I

bl=pa"#:poxcm
Esta unidade é mais adequada a problemas de índole laboratorial, onde secções e comprimentos em jogo não atingem as mesmas proporções que nos cabos usados

em redes de distribuição. Nas tabelas, consoante o fim a que se destinam, são estas, normalmente, as duas variantes em que encontramos expressa a resistividade. Na tabela l, podemos ver o valor da resistividade de algumas substâncias mais usadas em electrotecnia.
TABELA I.
MATERIAIS

I

-

Características de materiais condutores

CONDUTORES

II.

LIGAS RESISTENTES

Aço maci0.......,,, Aço temperado..,.

0,1{,2
0,4-0,5 0,028 0,21 0,0179 0,028 0,0040 0,0039

Ârgentana .....,.

0'ts
0,998 0,87 0,49

0,m0?Í
0,00036
0,0007

Calido ............
Comet ,...........

Àlumíni0........,.,. Chumb0,............
Cnhre

:
Cu 60+Ni 40

Constantan...... Cromoníquel..,,
Carvão grafitico

=

0,0002 0,m005

0,m39

r,09

Ni 80+& 20
Fe 74+Ni 25+Cr I

Crómi0,............ Estaúo ,,..,.,.,,.. Feno macio.....,. Feso fundido ....

30a63
0,80 1,02 0,49

0Í2
0,10-0,15 0,8 0,085

0'M
0,005

I

atãn

0,001

Fetro-Níquel I Feno-Níquel II Kovar............. Kromore .,.,.,,..
Krupina .,..,.,... Maillechort......

-

0,0004 0,0009
0,0003

Fe55+Ni35

+&

10

Fe 53,7+Ni29+Co

li+Mn0,3

0,9M.
0,85 0,30

0,m024
0,m07?
0,0003

Mercúrio ..........,. Níquel macio.,..., Niquel

0,942
0,087 0,085

0,0009

0,00í7
0,0047 0,0038 0,003 0,0036

Cu ó0+Zn

25+Ni

15

du0........

n"";
Platina...,....,,,....
PÍâfâ

0,0u
0,11 0,016 0,05 0,06

Manganln....,. Nicrónio L..... Nicrónio II....,
Tophet

0r&
1,12

=

0,00002
0,00017

Cu 84+Mn l2+Ni 4 Ni ó5+Fe 23+Cr
12

1,t0 I,08

0,m018

4........

0,m0t4

Ni 80+Cr 20

Sódi0...,......,...... 2inc0..,..............

0,0037

Dizer, por exemplo, que a resistividade do cobre é 0,0176 O.mm2/m significa dizer que um condutor de cobre com 1 mm 2 de secção e 1 metro de comprimento apresenta uma resistência de 0,0176 O.
Da expressã"

F;tl

podemos ainda expticitar cada uma das grandezas s,

I ou R em função das restantes, resultando as seguintes fórmulas equivalentes, vantajosas para a resolução de problemas:

F-=,*-l
64

F-*-l f=41

I

CONDUTIVIDADE

Ao inverso da resistividade, chama-se CONDUTIVIDADE ou CONDUTIBILIDADE
ESPECíFICA. Representa-se pela letra 7.

As dimensões de

7

são, portanto: tr1

: ^iexmm2

Podemos então concluir que a condutibilidade de uma substância pode ser definida pela sua resistividade ou pela sua grandeza inversa, a condutividade.

PRoBLEUAS nESotVUroS
1. Concluir
sobre a condutibilidade do cobre e da prata, com base nos respectivos valores de

resistividade.
Resolução:

Consultando a tabela vemos que
pçu

:

0,0179

Q.mm2/m e p*s:

0,016 O.mm2lm

Ora, 0,016 < 0,0179, logo, pN 1 pcu
Conclui-se, então, que apÍata é melhor condutora que o cobre.
5_EL

65

2. Sabendo que a resistividade do alumínio
pO

x

é px :

0,028 O.mm2lm, exprimi-la

em

cm.

Resolução:

: 0,01 cmz : l0-2 cm2 lm:l00cm:l02cm
I
mm2

p:Ri

p:0,

028

(o) -

* l9-2cm2 : l,,cm

2,8

x l0-2 x

10-4

o x cm :

2,8

po

x

cm

3. Exprimir em pO x

m
.

a resistividade de uma determinada liga metálica cujo valor

é

p : 0,50 0 xlnm2
Resolução:

p

: 0,50 tnl gfl##a
"

=

0,50

(o)

x

to-e (m)

:
I

0,50

po x m
desse

4. Uma liga metálica tem de resistividade p

:

50 pO

x cm. Qual o significado

valor?

Este valor diz-nos que um condutor eléctrico da referida liga, com de comprimento, tem uma resistência de 50 pO.

cm 2 de secção e

I

cm

5.

Pretende-se construir um resistor para equipar um disco de um fogão eléctrico. Para o efeito usamos um fio de liga maillechort, cuja resistividade é de 35,6 p"Q x cm e 0,5 mm de diâmetro. Para se obter uma determinada potência deverá ter uma resistência de 20 ohms. Qual

o comprimento do fio a utilizar?
Resolução:

Assim d

Todas as unidades devem ser expressas em conformidade com as unidades de p. : 0,5 mm : 0,05 cm. Calculemos a secção

_ d 0,05 _ Íì ô1{ nm ,:T:_T:u,uz)cm : z- x 12 : 3,14 x 0,0252 : 0,00 196 cm2 I De R:pxË remosque t:-- R X_q _ 20 x 0,00 196 _ 0,0392 v 35,6 : 0,001 101 x 106 : ll0l cm : ll m
S

lo6 _

6. Um cabo monocondutor tem 60 metros
identificar o material utilizado.
Resolução:

de comprimento e 35 mm2 de secção. A sua resistência é de 48 miliohm. Determinar o valor da resistiüdade e, recorrendo aos valores de tabela,

e: RxS I
66

o:

0,048x35 :v,vzo -nn"oOxmm2 m

.eo

Valor que caÍacteÍiza o alumínio.

PROBTEUAS PANA RESOLVEB

l.

Calcular a resistência de um condutor de alumínio com 50 mm2 de secção e 100 metros de comprimento.

R.; R:56m0
)
Qual deverá ser o comprimento de um fio de prata de tência seja de 200 mO ?
1

mm2 de secção, para que a sua resis-

R.; l:
em 0
Qual a equivalência da resistividade do chumbo, em microohm

12,5m

x

x

centímetro, quando expressa

mm2/m?

R.: p- 2lpOxcm
4. Um

fio de secção circular tem 200 metros de comprimento e 2 milímetros de diâmetro. Calcular a sua resistividade, sabendo que, sob uma d.d.p. de 220 v, é atravessado por uma corrente de 5 A.

R': P:0,69Oxmm2'/m

8.4 Ir.â"a,IAçÃO DA a.IISISTTIIïICI.â' E
n'ÏISISTTIrID"â.DE COtl[
.A.

I}.â'

TEIìIPTIRâ'TUn."â'

Todas as substâncias sofrem variação da sua própria resistência eléctrica, quando sujeitas a variações de temperatura. A sensibilidade a tais variações é, no entanto, diferente para cada uma delas. As ligas metálicas, por exemplo, são menos sensíveis, em geral, que os metais. o coEFlCIENTE DE TEMPERATURA ou COEFICIENTE DE TERMORRESISTIVIDADE cy define cada uma das substâncias sob este ponto de vista, e pode definir-se como

Exprime-se em O/oC (ohms por grau centígrado).
Este acréscimo de resistência pode ser positivo ou negativo. É positivo, por exemplo, para os metais e para as suas ligas, que vêem aumentada a sua própria resistên-

cia quando aumenta a temperatura. Outras substâncias, pelo conlrário, vêem diminuída a sua resistência em idêntica situação. O acréscimo de resistência é, neste caso, negativo e negativo, portanto, o seu coeficiente de temperatura. O carbono, os metalóides, como o enxofre, o boro e o oxigénio, e os líquidos de uma maneira geral, comportam-se desta maneira.

67

Sendo a resistência e a resistividade grandezas directamente proporcionais, como pode ver pela fórmula se

*

=

rt

podemos dizer que um aumento (diminuição) da primeira implica um aumento (diminuição) da segunda. Podemos também reparar que os valores de resistência que constam nas tabelas referem-se sempre a uma temperatura de base, normalmente 20 oC. A relação entre o valor de uma resistência R, à temperatuta t1e o seu novo valor R, à temperatura tt é dado pela fórmula:

Rz=RrÍl+a(tr*tl)l
Os valores de R exprimem-se em ohm e os valores de t em graus centígrados. Se oC, a fórmula precedente toma em particular o seguinte a temperatura inicial for de O

aspecto:

R = Ro(l + et)

Ro

R-

-

resistência a

0'C

(0)

resistência à teniperatura (t)

Nos metais puros e ainda nas suas ligas, o aumento da resistência e da resistividade, com a temperatura, deve-se ao incremento de energia cinética dos electrões que fluem no condutor, o que aumenta a probabilidade de colisões com alguns dos núcleos atómicos. A probabilidade da ocorrência de tais colisões define a resistividade de um material e explica, consequentemente, a resistência oferecida por qualquer condutor. A variação da resistividade com a temperatura tem um andamento linear, como mostra a fig. 57. Este gráfico representa, de uma maneira geral, o comportamento de um metal puro ou liga resistente, cujo coeficiente de termorresistividade é positivo, como sabemos. A linha tem, portanto, uma inclinação positiva, que pode p (Ornm2/m) ser maior ou menor consoante a natureza do material. O andamento linear da referida variação mostra que o coeÍiciente de termorresistividade cu se mantém pÍaticamente constante, isto é, a iguais variações de temperatura correspondem variações de
resistência sensivelmente iguais, independentemente da faixa de temperatura a que seja experimentado o material. lmporta, contudo, dizer que tal só se verifica até temperaturas próximas dos 1OO a 120 oC, após as quais se perde a

Fig. 57 - Variação da resistividade com a temperatura, num material com coeficiente de termorresistividade positivo.

68

linearidade da variação. Para temperaturas superiores, teremos um valor de cv para cada temperatura. Na fig. 57 assinalámos por po a resistividade que o material apresenta à temperatura de O oC. A variação da resistividade é directamente proporcional a po e à variação de temperatura Áf, o que matematicamente se escreve:

Ap: otpo\t

PROBI.EUAS RESOI.VIDOS

NOTA:
1.

Os valores de resistividade e coeficientes de termorresistividade necessários à resolução dos problemas propostos deverão ser lidos na tabela da pág. 64.

Pela comparação dos coeficiente de termorresistividade do alumínio duro e d,o maillechort (liga metálica), respectivamente a4 : 0,004 € düg" : 0,0003, qual dos referidos materiais se deveria utilizar numa peça que se pretendesse que fosse pouco sensível a variações de temperatura? Resolução:

Escolheríamos a liga, pois 0,0003

:

drea

<

oo1

:

0,004.

2. Um condutor
Qual o
Resolução:

de prata apresenta uma resistên cia de 67 O à temperatura ambiente de 20 oC. valor da sua resistência a 70 oC?

Rz: Rzo :
3. Um filamento

Rr

[ + cy(tz-tr)] ou Rro: Rzo[ + cy (70-20)l : : 67 [l + 0,0036 (70 -20)] 67 (l + 0,18) 79 Q

de tungsténio de uma lâmpada tem uma resistência de 125 O à temperatura de 1600 oC. Qual é o valor dessa resistência à temperatura ambiente (20 oC)? cv* Resolução:

:

0'005'/oC

Rz

: Rr [l + a (tz-tr)] ou 125: Rzoü + 0,005(1600-20)l 125 : Rzo (l + 7,9)

Rreoo

:

Rro [1

+ e (1600-20)]

*r:#:t4,o4o=l4o
69

4. Um dínamo sofreu uma

oC. Nesta situação apresensobreelevação de temperatura de 43 tava uma resistência interna de 0,53 O. Os condutores são em cobre. Calcular a sua resistência à temperatura normal de funcionamento.
Resolução:

: Rr[l + cuAt] em que At : tz-tr : 0,53 : Rr (l + 0,0039 x 43)
Rz

43

R, : "r 5. Calcular

0'53 : 0.45 o v'-J t' I,167 -

o coeficiente de temperatura e identificar o material utilizado na construção de um filamento de uma lâmpada de incandescência que tem uma resistência de 150 O a uma temperatura de 1200 oC. A 0 oC a sua resistência é de 288,5 O. Resolução:

R: Ro(l + CIJ)
150:288,5(l+d1200) 150 : 288,5 + 1200 x 288,5 x 150 : 288,5 + 346200 a
a

d-

15q=28-8,5

346200

:-

=118:l= 346200
0,0004 ou amorfo.

:-o,ooo4/oc
é característico do

O coeficiente de termorresistividade

que o filamento é de carvão

d: grafítico

carbono, indicando

6. Construiu-se um resistor em comet, cuja resistência

oC. Na é de 27 A à temperatura de 20

situação mais desfavorável de temperatura a sua resistência é de 30 O. Calcular:

a) A sobreelevação de temperatura.

b) A temperatura a que está submetida a bobina na referida
Resolução:

situação.

a)

Rr: Rr U + dAtl em que At : tz30 : 27 (l + 0,0007 x At) 30:27+0,0189x4t

tr

x:
b) At

39 -=?7 0,0189

:

158,7 oc

: tz-tr 158,7 = t2-20o tz : 158,7 + 20 :

.
178,7 "C

70

7. Uma

caixa de resistências é constituída por bobinas de nicrómio I, calibradas à temperatura ambiente (20 'C). Qual o factor de correcção a aplicar quando se faz a sua utilização à tem-

peratura de 55 'C? Resolução:

K: I * oÂt K : I + 0,00 017 (55" -

20")

:

1,00 595

PROBTEUAS PANA BESOI,VER
1. Um condutor de cobre tem uma resistência de 35 O à temperatura ambiente.
Calcular que resistência apresenta à temperatura de 95 oC.

R.; R:450
2. Determinar o coeficiente
de termorresistividade e identificar o material de que é feito um que à temperatura de 15 oC tem uma resistência de 70 O, e à temperatura condutor eléctrico de 63o a sua resistência é de 82,4 Q.

R..' o

:

0,0037

zinco

'

3. Calcular a sobreelevação da temperatura que sofre um motor cujos enrolamentos

são em

cobre, sabendo que as medidas de resistência efectuadas à temperatura ambiente e de funcionamento deram, respectivamente, 30 O e 36,9 O.

R.: At :
4.

59 qC

Sabendo que um material, cujo coeficiente de temperatura é a : 0,0036/oC, apresenta uma resistência de 16 O à temperatura de 15 oC e que, após um determinado aquecimento, a sua resistência se modificou para 18 O, calcular a temperatura atingida.

R': t, :
5. Um conjunto de cabos de baixa

49,7 oC

tensão, em alumínio, estão calibrados para funcionar a uma determinada temperatura. Admite-se que, nas condições de montagem mais desfavoráveis, tenham de suportar temperaturas superiores em 30o às suportadps na situação ideal.

a) Qual o factor de correcção a aplicar-às respectivas resistências iniciais?

b)

Qual o valor da resistência de um desses cabos na situação mais desfavorável, sabeído que inicialmente a sua resistência era de 0,65 O ?

R.: a)K:1,12 b) R = 728mQ

71

.tfi.

ASSOCIAÇÃO DE' N,ESISTÊNCIAS

Num circuito eléctrico, normalmente, existem várias resistências. Consoante a sua posição relativa, podemos distinguir dois tipos fundamentais de associação:

n
n

AssoclAçÃo

EM sÉRtE

ASSOCTAçÃO EM PARALELO

9.1

"A.SSOCTAç AO

Elì[ STIn.IT

Neste tipo de montagem as resistências dispõem-se sucessivamente no circuito, definindo um único caminho possível para a passagem da corrente. A fig. 58 ilustra este tipo de montagem, na qual se agruparam em série três resistências Rt, R2 e Rs, entre os pontos A e D. O efeito no circuito destas três resistências é equivalente ao de uma só resistência entre as extremidades A e D do agrupamento. Chama-se, por esse facto, RESISTÊNCIA EOUTVALENTE, REa. Como demonstraremos em seguida, o seu valor é igual à soma das resistências compo-

nentes. No caso da fig. 58, o seu valor

I

é

R.^ rv

AD
Fig.

Rnq:R,+Rr+R,
Podemos generalizar, dizendo que:
g-

58

tências e respectiva resistência equivalente.

-

Agrupamento em série de três resis-

r-eg$fê.neia.qqulyelerte de-,uma;associação de resistônctgs em série é igual à

soma das lesistências associadas.

73

-

O que, em linguagem matemática, pode assim ser escrito:

em que n é o número de resistências associadas.
DEMONSTRAÇÃO

A queda de tensão V nos terminais da resistência equivalente originada pela passagem da
corrente 1é igual, como sabemos, à soma das quedas parciais de tensão V1, Vz, uma das resistências do circuito, isto é:

".

Vn em cada

+Vn V:Vr+V2+'...*Vi+.... Pela lei de Ohm, V : RI , temos que (2) RI : RrIr + R2I2 + .... + RiIi + .... + RnIn
Como a corrente principal 1é a mesma que percorre cada uma das resistências, isto
é,

(l)

(3)

I : Ir : lz= ...' - Ii : .... R

In

então, dividindo na equação (2) ambos os membros por 1, temos:

:

Rr + R2 +

".. *

Ri

+ ...' + Rn

c.q.d.

9.1.1

EXPEDITO DE CALCULO METODO DO DIVISOR, DE TENSÃO
PR,OCESSO

O divisor de tensão é um processo prático para calcular a queda de tensão nos terminais de uma entre várias resistências em série. Consideremos o circuito da fig. 59. Rr e F são conhecidos, assim como a tensão V aplicada ao agrupamento.
O método do divisor de tensão permite-nos calcular directamente a tensão V" nos termi-

nais da resistência R, pela seguinte fórmula:

Concretizemos: Se, na fig. 59,

Rr:3O,R:60eV

:24V,
16v
Fig. 59

temos
74

Yn:24+r:

-

Divisor de tensão.

DEMONSTRAÇÃO

-

O valor da corrente

I

no circuito é dada por:

(l)

1

:

--YReq
R é igualmente dada por:

- A queda de tensão na resistência (2\ Vn:RxI Substituindo o valor de

f

em (2), temos

vn: Rfr

<+

V* =

c.q.d.

PRoBLEUÂS nESotVütoS
L. Consideremos um agrupamento
de três resistências em série.

Rr:3o Rz:7'5O 'R::60
a) Calcular a resistência b)
equivalente ao agrupamento.
Sabendo que a corrente no circuito é de 2 amperes, determinar a queda de tensão entre os terminais do agrupamento.

c)

Demonstrar que esta queda de tensão é igual à soma das quedas de tensão originadas pela passagem da corrente eléctrica em cada uma das resistências.

Resolução:

a) Rsq : Rr + R2 + R3 : 3 + 7,5 + 6: 16,50
b) Y

:

Rnq

xI:

16,5

x 2: 33Y

c)

Calculemos as quedas de tensão em cada uma das resistências:

: 3 x 2: 6Y Vz : RzI = 7,5 x 2.: lSY V:=RrI=6X2:l2Y V:Vr+V2+Vr:33v
Vr = RrI 75

2. Calcular

o valor da resistência R, de um circuito constituído por duas resistências em série, sabendo que esta última tem um valor de 5 O . O agrupamento é percorrido por uma corrente de 500 mA , quando nas suas extremidades é aplicada uma d.d.p. de 6 V .

#Resolução:

Rr:?

Rz:50

I=0,54

V = 6volt

< Fig. 6O

R:+
Req:Rr+R2
3. Calcular o valor
Resolução:

R: #

:2a

Rr:12-5:74

da resistência total de um circuito constituído por 4 resistências em série, cujos valores são 1,3 kO, 750 mO, 400 m0 e 67 O.

Referenciemos as resistências:

Rr : l,3k0 : 1300O

: 750mO : Rr : 400 mO : R+:670
Rz

O 0,4 O
0,75

: Rr + R2 + R3 + R4 Req : 1300 + 0,75 + 0,4 + 67 Rsq : 1368,15 O
Rrq

PROBTEUAS PANA NESOLVER 1. Encontram-se
associadas 3 resistências em série cujos valores sáo 0,12

kQ,720 0

e 0,2 kO

.

Calcular a resistência equivalente.

*"' Rra :

1040 O

2. Calcular o valor

de cada uma de duas resistências iguais agrupadas em série, sabendo que

a d.d.p. nos terminais do agrupamento é de 24 Y e a corrente que as atravessa é de 400 mA.

R..' Rt: Rz:30O
3. Calcular 220V.
Rr
A Fis. 61
B

as quedas de tensão em cada uma das quatro resistências da montagem da fig. 61, 4Q e a d.d.p. nos seus extremos é de 3 O, R3 1 O, R4 sabendo que R, 2dl,

=

& :

:

:

R2 c

R3
D

R..' V,
R4 E

: :

44Y

Vz:66V
Yt
22Y

Va:88V

76

4. Entre

os terminais duma associação em série de 3 resistências, como mostra a fig. 62, existe uma d.d.p. de 2 Y. A corrente principal é de 500 mA. As resistências Rt e R, valem, respectivamente, 0,8 O e 2Q . Determinar o valor da resistência X e o valor da queda de

tensão respectiva.

RrXR3
< Fig. 62

R.; X : l,2Q Vx = 600 mV
R, do cir-

5. Calcular, pelo processo do divisor cuito da fig. 63.

de tensão, a d.d.p. nos terminais da resistência

v:32V
Rl = 50

Rz=30 Rr=4'50

R..' V,
< Fig. 63

:

7,68 V

9.4

"A'SSOCTA.ç.â.O

En[ PAn'A'LTILO OU

rlEn.rv.â'çÃo

Na fig. 64 podemos ver uma associação de duas resistências em paralelo entre os pontos A e B do circuito. Esse agrupamento poderia ser substituído por uma única RESISTÊNCIA

EOUIVALENTE entre os referidos pontos. O

valor desta resistência, representadã poÍ Rs6,

é calculado a partir da seguinte expressão:

l_ll R*- & lelo, temos:

&
Fig. 64

Generalizando para n resistências em para-

77

Sabemos que o inverso da resistência se designa por condutância, pelo que pode-

mos enunciar:

A condutância equivalente a um conjunto de resistêhcias em paralelo é igual à soma das condutânciae de cada uma das resistências associadas. Antes de demonstrarmos a fórmula precedente, devemos notar que:

n n

A corrente principal / é igual à soma das correntes derivadas (lei dos nós)

,

I:I,+I,

Se os ramos em derivação tiverem resistências diferentes, as correntes derivadas também o serão. No ramo de maior resistência será menor a intensidade da corrente, assim como no ramo de menor resistência a intensidade da corrente será maior (lei de Ohm).

D

A diferença de potencial é igual para todas as resistências do agrupamento, visto

que todas elas derivam entre os pontos A e B.
Podemos entender este facto, fazendo a seguinte analogia (Íig. 65): Os pontos A e B representam, respectivamente, o topo e o sopé de uma montanha. Entre eles existem dois trajectos possíveis (1) e (2). lndependentemente do trajecto escolhido, o desnível é o mesmo

para ambos: a altura h.
Podemos associar os pontos A e B aos nós do circuito, os trajectos (1) e (2) aos ramos em derivação, finalmente a altura h ao desnível eléctrico ou d.d.p. entre os

referidos pontos.

< Fig. 65

- Analogia entre o desnível de cotas e a d.d.p. nos extremos de dois ramos derivados entre pontos comuns.

DEMONSTRAÇÃO
Pela lei dos nós temos:

Pela 1ei de Ohm sabemos que

I:x ,
'R2
V"

então:
r ----l r
'

v
R

:V,

V.

Rr

'Ri

.vn *R"

Como V
ção

:

V,

por V,

: V2: .... Vi : .... lll R: & *
R,

vn podemos dividir ambos os membros da equa-

de que resulta:

*Ë*

.l .... +

R_

c.q.d.

78

I I

I

CASO PARTICULAR DE DUAS RESISTÊNCIAS ASSOCIADAS
Para o caso particular de duas resistências, a fórmula que acabámos de demons-

trar conduz-nos a uma outra de grande interesse prático:

I R

I Í-- I Rr R2

1 R

Rt+R,
R,.R,

R-

Rt 'R, Rr+R2

Efectivamente, a sua aplicação, na maioria dos casos, simplifica o cálculo'

9.E.I

PN,OCESSO EXPEDITO IVTÉTOOO DO DIVISON,

DE CALCULO DE CON,N,ENTE

Conhecida a corrente no circuito principal /, e pretendendo-se determinar a intensidade da corrente em um de vários ramos em paralelo, o processo de cálculo simplifica-

-se por aplicação directa da seguinte fórmula:

em que

I^ é a corrente no ramo que pretendemos conhecer e I é a corrente no circuito principal (corrente total)

Exemplifiquemos:
Pretende-se calcular a intensidade da corrente que atravessa a resistência Br em função dos dados da fig. 66.

Calculemos a resistência equivalente:

I_IrI-I
Rna Rl R2
R3

I!
=25

Rr=6O

I_I-I-I Rsq642 I : 0-92
RBq

Rz:4

o

R:=2O

Rre=õb=t,tn
Agora, pela fórmula do divisor de corrente, calculemos /r:

Fis. 66

I, = I ta Rr6

Ir = o,o25l+

:

4,6 mA

79

I

I

n

No caso particular de duas resistências, o cálculo torna-se aínda mais simplificado. As correntes derivadas podem ser calculadas da seguinte maneira:

I

i

Ir

Rt

f, l',=E+r'I
Fig. 67

ffi-

:

RESISTÊNCIA DO RAMO OPOSTO

I

RESISTÊNCIA DO RAMO OPOSTO

DEMONSTRAçÃO
Podemos escrever as seguintes relações:

(l) @
Da equação (2) tiramos o valor de 1r:

I: [r + Iz RlIt : R2I2

I,=*I,
Substituindo

I,

em (1), temos:

r: rr +St,
r:(t. \
r-

*)',
Ì

RrjS', ':__6-,'
^ c'q'd'

R, , r': -- R;lÏ;r

Poderíamos proceder de forma análoga para demonstrarmos que

,-R,,

R,+R,

^

80

PNOBIJEU.â.s RESOLVII)OS

1. Duas resistências,

a) A resistência equivalente.
b) A d.d.p.

de valores 16 O e 4 O, encontram-se ligadas em paralelo num circuito onde a corrente principal é de 400 mA. Calcular: Ir Rr=16O
nos extremos do agrupamento. da corrente que percorre

c) A intensidade

cada uma delas.

d) Verificar que a corrente no circuito
principal
é

igual à soma das correntes
Fis. 68

derivadas. Resolução:

a)Rro

-+++:+=3,2e
|:
3,2 X 0,4

b) Aplicando a lei de Ohm: V: RI V^s : Req X

=

1,28 V

c)

Sabemos que esta tensão é comum a ambas as resistências, o que nos permite calcular a intensidade que percorre cada uma delas, com base na lei de Ohm:

I : =v '-R
d)I: I,+I,

- vo* l4 :0.08 A lr: n,:-to v=o" : 1,?q : 0.32 A I, : -'--" ' Rz 4

I:0,08 +0,32:0,4A

o que confirma o valor enunciado.

2. Entre os terminais dum agrupamento de duas resistências em paralelo existe uma d.d.p. de 220 V. Uma das resistências é de 40 O. A corrente no circuito principal é de 20 A.
a,) Calcular a corrente que atravessa a resistência de 40 O. b,) Calcular a corrente que atravessa a outra resistência. c,) Determinar o valor desta resistência.

d) Determinar o valor da resistência
Resolução:

equivalente.

a)tt: Y" = !:r,ro Rr 40
b) Como

I : Ir * Iz

: Iz :
20

5,5
14,5

+ Iz
A
81

6 _ EI

c) Aplicando novamente a lei de Ohm:

R=+
d) Req =

R,:+=#:r5,r7o
Rne

ffi

R,

x R"

=

-6 +-lífr- = ll

40

x

15.17

O

Um outro processo para calcular a resistência equivalente é o seguinte:

Ves:Rnq)l

220:Rsq20

Rsq:
3.

ff:na

Sabendo que a resistência de um agrupamento em paralelo de duas resistências é de 12 ohms e que uma delas vale 48 ohms, determinar o valor da outra resistência. Resolução:
D - Dv R,xR,

Rr+Rz

48xR, 48+Rt (48 + Rt x 12 = 48Rz 576+lzRz:48R2
1a:-

576

:

36 Rz

R,: 5f,6 : '36
4.

16o

Consideremos agora um agrupamento de três resistências em paralelo, de valores e 30 0. Calcular a resistência equivalente. Resolução:

l0

O, 20

O

i

I I =1-- l0 ' 20 ' Rra

I
30

Ree=5,450

Um outro processo prático consiste em agÍupar dentro do paralelo as resistências duas a duas. Arbitrariamente, escolhamos um par de resistências, como, por exemplo, Rr € Rr. Determinemos o paralelo cuja resistência equivalente notamos por Rt,r.

Rr,z

: l' * l' : ]94 : 6,67 e Rr+R2 10+20
Rro l-----------'l

:

Fig. 69

82

O esquema inicial de três resistências fica assim simplificado num outro que lhe é equivalente, com duas resistências apenas. Procedendo de igual forma, chegaremos à resistência equivalente do conjunto.

RBq:

#ï+ : #+#: ## =
é, Ree :

5,450

5. Qual o valor da resistência todas iguais a l0 ohms?
Resolução:

equivalente de um agrupamento em paralelo de cinco resistências

Como as cinco resistências são todas iguais, a resistência do paralelo reduz-se valor de cada uma delas, isto

+

=2Q.

" f

ao

6. Calcular,

pelo processo do divisor de corrente, a intensidade em cada ramo de duas resistênparalelo cujos valores são R, = 120 mO e R2 : 280 mO. A intensidade no circias em

cuito principalé7 A.
Resolução:

Para o cálculo de

I,

utilizemos a fórmula (pág. 80):
T

I.: , r':

oJt=-28 xt:4,e4
I,
procedemos de forma idêntica:
R,

R, R,+R, 0.28

Para o cálculo de
T:'I

R,+R,
o
0,t2,

I. = '

:2't A +:ïo,n x 7

t'

PNOBLEUAS PARA RESOLVEN
1. A resistência equivalente
de um paralelo de duas resistências é associadas é de 18 O. Calcular o valor da outra resistência.

del,2

O. Uma das resistências

R.;
2.
Três resistências, de valores 8 O, 2 O tência equivalente do agrupamento.

Ruo

: 2A

e 6 O,

estão associadas em paralelo. Calcular a resis-

*..'

Reo

:

1,26 Q

3. Sabendoquearesistênciaequivalentedetrêsresistênciasemparalelo éde 5,45 0 equeduas destas resistências têm valores de l0 O e 30 O, calcular o valor da terceira resistência do
agrupamento.

R.; R"o :

20 A

83

4.

Sem proceder ao cálculo, determinar o paralelo de duas resistências de

6

O.

R-; Rro:39
5. Consideremos um conjunto de quatro resistências em paralelo, cujos valores Rr = 60, R2 : 40, R3 : Rr : 2O.
Calcular:
são

A resistência equivalente. b) As correntes nos ramos respectivos, sabendo que c,) O valor da corrente no circuito principal.
a,)

a tensão nos seus terminais é de 24 Y.

a) Req = 0,71 O b) \ : 4 A,l2: 64, Ir

:

In

: l2A

c)I:344

6.

Analise a montagem da fig. 70. Determine a corrente no circuito principal, sabendo que o referido agrupamento está sujeito a uma tensão de 27 Y. Os valores de R, e R, são, respectiva-

mente,

6O e

120.

R.:

I:6,75A
Fig. 7O >

7. Num conjunto de quatro resistências em paralelo, cujos valores são Rr = 8 O, Rz : R: - Rn : 6 O, determinar, pelo processo do divisor de corrente, qual a intensidade que percorre a resistência R, quando a corrente total no circuito é de 160 mA.

R.:
8. Utilizando ainda
o mesmo método, calcular a corrente agrupada em paralelo com duas outras, R1 : 6,5 O

32 mA

I, que passa na resistência Rs : 8,5 O e R2 : 7,3 O. A intensidade da corR'.' I, :
864 mA

renteprincipalé3A.

I

ASSOCTAçÃO M|STA

Em todos os circuitos eléctricos constituídos por várias resistências, podemos sempre considerar todo o conjunto como formado por uma ou mais associações elementares do tipo já referido: série e/ou paralelo. A presença simultânea no circuito dos

dois tipos fundamentais de associação define a chamada ASSOCIAÇÃO nnlSfn. Seguidamente analisaremos alguns exemplos, em cada um dos quais se procederá ao cálculo da resistência total equivalente. O critério consiste, fundamentalmente, em identificar as diferentes associações existentes e, sucessivamente, a partir de uma inicial mais simples, calcular as diferentes resistências equivalentes.

84

Exemplo: Consideremos a associação mista da fig. 71.

Fig. 71 >

ldentificamos de imediato o paralelo de R, com F, que simplificaremos, determinando a sua resistência equivalente, Rr.r. O desenho deste circuito resulta agora mais simples, correspondendo a uma série de três resistências, como se mostra nafig.72, e cuja resistência total sabemos já determinar.
Rr
Rr,

s

R4

Fis.72>

Se, neste exemplo,
Rz,s

for
*

R.,

= 2dl, Rz = 6 0, R. : 4O e
+ R4:2 + + 6'6: ll

RrxR, : Ìffi
Rr
Rz.r

: - : 6r14-: -Tí: ",* : !_:2-4A Rz,r 6+
R+

6,6 O, temos:

Rr:

2,4

O

PnoBLEUAS nEgoLVmoS
1. O conjunto
de resistências cuja configuração e valores constam na fig. 73 faz parle de um circuito cuja corrente principal é de 800 mA. Calcular a queda de tensão em cada uma das resistências e respectivas correntes.

Fig. 73 >

85

Resolução:

Calculemos o valor da resistência equivalente. Para isso resolvamos o paralelo R r, ,.

p - RrxRr - 5x12 - 60 -2<i^ : : J'JJrr \2'3 R, + & 5+n n

l

20

0

3,53 0

23,53

ít

R4

R5

R,,,

Fig.74

z:20 + 3,53 :23,53A Rr,s: Rn + Rr = 6 + 8: l4O
Rr,z,r Rr +
R2,

:

Req

: +ïiT;

Rrq

:

#++:
Ro,

8,780

Cálculo da tensão Vo, entre os pontos A e B:

Ves:RroxI Vas:8,78 x 0,8:7V
O quociente desta tensão pela resistência equivalente
cula no ramo que contém as resistências Ro

e

r dá o valor da corrente que cir-

Rr:

r-r-Vo"rr7 I+=Is:Ç Vo:RoxIo Vr: Rr x 15

Ir:Is:i=0,5A
Vo e Vr:

Calculam-se agora os valores das quedas de tensão

Yc:6X0,5:3V Vs:8 X 0,5:4V
a cor-

A corrente derivada pelo ramo superior e que passa em R, é dada pela diferença entre rente principal e a corrente que atravessa o ramo inferior:

r -Í r-r4 rì rl I

ou fIr:0,8-0,5:0'34 Ir : I -lt)
_

Na resistência R, a queda de tensão V, é dada por:

Yr:20X0,3:6V A corrente I, entre os pontos C e D origina nova queda de tensão: Vcp: R2,3 x Il Vz = Vr : Vco : 3,53 X 0,3 = 1,06 V
86

Vt:RtxIt

As correntes

I, e I, nas resistências

respectivas são:

t,=+
I, :

+

Ir:l#- =0,2t2A. A t,: -t#:
0,088

Seguidamente, reproduz-se o esquema do circuito inicial (fig. 75), com os valores das correntes nos diferentes ramos e as respectivas quedas de tensão.

l--

vr

: 6V -------l--

V, = V, = I v
R2

---

Íz:2l2mÀ

14:

15

= 500rnA

Fig. 75 >

PBoBLDUÂ8 PÂn nESoLVEB
1. Calcular a resistência equivalente à seguinte montagem:
I5 R5

90
R6

- l6
Fig. 76

30

R.; R"o

:

7,25 A

87

2.

Simplificar o circuito representado na fig. 77, determinando: a) Resistência equivalente entre os pontos

Rr=6o

AeB.

b) A

queda de tensão em R, sabendo que a tensão entre os pontos A e B é de

Rs:5o

Rz:30

32 volt.

R.: a) Rsp=3O b) V3 : 15,2V
Fig.77 >

3. Encontrar

no circuito principal, sabendo que

a resistência equivalente ao agrupamento da 14 : 3 A.

fig. 78 e ainda o valor da corrente

Fig. 78

Dados:

Rr:3o Rz:7o Rr:Rs:1lO

Ra:9o Re:50

Ia:3A
R.; Rrq :
18,4 O

l:7,9A
4. Calcular
a resistência equivalente entre A e B, assim como a corrente no circuito principal (fig.79),sabendoque R,:60, Rz:3O, R3:8O, R4 = 4O equeaintensidadeda corrente em R4 é 14 : 350 mA.

Rrq

: ll,7

O

I = 0,52A

<Fig. 79

série de dois paralelos). Os valores das resistências são os indicados.

rente em Calcular:
a,)

Rl é Il = 3,5 A.

A intensidade da cor-

A

resistência combinada do circuito.

b) A intensidade da corrente no circuito principal. c) A queda de tensão em cada um dos paralelos.
d,)

A

tensão nos terminais do gerador.

e) As correntes em cada ramo.

Fig. 8O >

Rz:8o

Rs=6O'

R.: a) Rse = 4,67 Q

b)l=5,25A
c,) Veg

:

14

V

,

Vsc

:

10,5 V

d) Vc = 24,5V

e)\= 3,5A, lz:It -I+=Is:1,75A
6. Simplificar e resolver o circuito da fig. 81, calculando a resistência combinada entre os pon-

tosAeB.
Os valores das resistências são:

Rr=Rr-Rs:Rz:7O Rz: Ra: Re:20
R.;

Ruo

:

237

A

Fis. 81

89

Fundamentalmente distinguimos dois tipos de resistências:

N tr

LINEARES

NÃO LINEARES

IO.T

n,ESISTÊTVCTÁ,S LI$E"â.A.ES

As resistências que temos tratado até ao momento comportam-se em conformidade com a lei de Ohm, isto é, o seu valor é constante e igual ao quociente da tensão
pela intensidade da corrente. Como grandeza, a resistência exprime-se graficamente por uma recta, caracterizada, em cada caso, por uma certa inclinação (fig. 82l.Daí a designação de resistências lineares ou óhmicas às resistências que assim se comportam.

A
Fig. 82

resistência é independente do valor da

teúsão.

Linearidade da função de R ser constante.

I:

f(U) Íesultante

-

Características lineares das resistências óhmicas.

Na sua construção são utilizadas ligas resistentes de grande resistividade e baixo coeficiente de temperatura, como a manganina, cromoníquel, nicrómio, tophet, etc. A elevada resistividade permite realizar resistências de grande valor óhmico com pequeno comprimento de fio.

91

O baixo coeficiente de termorresistividade permite garantir uma boa estabilidade do seu valor com as variações da temperatura. Estes dois aspectos são determinantes na escolha da liga a utilizar em cada
aplicação.

Distinguimos ainda, dentro das resistências lineares, dois tipos:

N N

FIXAS VARIÁVEIS

1O.I.I N,ESISTENCIAS FIXAS
Existe grande variedade:

n

RESISTÊNCIAS BOBINADAS (fig. 83), constituídas por um fio condutor bobinado sobre um cilindro em material isolador, cerâmico, por exemplo.

Fig.

83

-

1. Resistência bobinada de precisão, utilizada em aparelhos de medida.

2. Resistência bobinada esmaltada, utilizada como divisor de tensão.

N

RESISTÊNCIAS AGLOMERADAS ou de car-

bono (fig. 84).
Fig,

84

estabilidade, baixo coeficiente de temperatura, baixo factor de ruído.

-

Resistência de carvão: grande

n

RESISTÊNCIAS DE FILME, constituídas por

uma finíssima película de metal precioso ou óxido metálico que reveste um suporte isolador, geralmente em material cerâmico ou vidro resistente a altas temperaturas (fig. 85).

#lt!

t! F::

Fig. 85 Resistência de filme metálico: grande estabilidade com a temperatura.

-

IO.

I.2

R,,ESISTÊNCIAS VAR,IÁVEIS

Para uma dada tensão de alimentação, o processo de fazermos variar a intensi-

dade da corrente num circuito consiste em fazer variar a resistência.

92

Existem dispositivos vários para o efeito. Sumariamente, resumem-se a dois tipos fundamentais: reóstatos e caixas de resistências. A diferença entre ambos é que os reóstatos permitem variar de forma contínua o valor da resistência, enquanto que as caixas de resistências introduzem valores discretos da mesma, isto é, valores fixos.

IO.T.2.I

NEOSTATO DE AUNSON

A

Fig. 86

-

Reóstato de cursor e símbolos usados em esquemas uniÍilares.

Como decorre da sua própria designação, a variação da resistência faz-se pelo movi-

mento de um cursor que se desloca ao longo de um enrolamento de liga resistente, como seja, por exemplo, o constantan ou o maillechort, feito sobre um cilindro de material isolante, como a porcelana, por exemplo. Para vermos melhor o seu Íuncionamento, reparemos na fig. 87, onde se mostra o mesmo reóstato em três posições distintas do cursor. A primeira corresponde à não introdução de qualquer resistência. A terceira corresponde ao deslocamento máximo do cursor e, portanto, à máxima resistência introduzida. A segunda posição corresponde à introdução de uma resistência de valor intermédio das anteriores.
I I

"ffi"G"#
PosrÇÃo l Fis. 87

It

PosrÇÃo

2

PosrÇÃo

3

Como potenciómetro, a ligação é feita utilizando os seus três terminais: o de cursor e os das extremidades da resistência. Como reóstato, a ligação é feita somente entre um dos terminais da resistência e o terminal do cursor.

10.r.2.2

fuEOSTATO DE PONTOS (PLOTS)

Este tipo de reóstato é muito utilizado no arranque de motores. Representa-se na fig. 88 e consiste num enrolamento, igualmente em fio resistente, disposto em arco,

93

com contactos intermédios acessíveis e seleccionáveis pelo maior ou menor ângulo de deslocamento de uma manivela. Os reóstatos caracterizam-se pela resistên-

cia máxima que podem oferecer e pela sua
intensidade nominal.
< Fig. 88

10.I.8.5

POTENCÏOMETNOS

OTT

DIVÏSONES DE TENSÃO

Um reóstato designa-se por potenciómetro quando se destina a proporcionar uma tensão variável a um receptor que, para o efeito, é ligado entre os terminais do respectivo contacto móvel e a outra extremidade. A fig. 89 mostra, em esquema, como se utiliza um reóstato potenciométrico.

Fig. 89 - A resistência varìável Ru constitui um reóstato potenciométrico.

Fig.

91

- Potenciómetro a.iustável de carvão, utilizado em rádio e televisão.

Fig. 9O

comando de motores eléctricos e no controlo da corrente de carga em baterias.

-

Potenciómetro de carga, utilizado no

10.1.8.4 CAÏXA DE NESÏSTENCIAS
As caixas de resistências são constituídas, fundamentalmente, por resistências de valores bem conhecidos e o material de liga de que são feitas, como o constantan, a manganina ou o nicrómio, garante uma boa estabilidade do seu valor óhmico com as variações de temperatura. O princípio de funcionamento é o seguinte: As diferentes fiadas de cavilhas constituem um condutor franco entre os terminais de entrada e saída de corrente, porém, quando uma das cavilhas é retirada, a corrente é obrigada a circular pela resistência,

94

cujos terminais estão normalmente shunta-

dos (fig. 92).
As caixas de resistências são utilizadas

também como termo de comparação na medição de resistências, quando se pretende conhecer com precisão o seu valor.

Fig. 92 Caixa de resistências. Ao retirarmos a cavilha indicada introduzimos no circuito a resÌstência Rs.

-

)

IO.T.õ UÉTOOOS DE MEDIDA
Existem diversos métodos para medir resistências, que se podem classificar em métodos directos e métodos indirectos. O ohmímetro fornece, por leitura directa, o valor da resistência a medir. É, portanto, um método directo. São indirectos: o método voltamperimétrico, o método de desvio ou de comparação de tensões e o método das pontes.

IO. I.õ.

T. METODO VOLTAMPEMMETNÏCO

Consiste na utilização de um voltímetro e de um amperímetro ligados como sugere a fig. 93. Com base nas respectivas leituras entrando com esses valores na

e

expressão R

:

+

(teideOhm), obtém-se

o valor de F pretendido.

Fig. 93

trico: esquema de

-

Método voltamperimémontagem.

)

ro.r.5.2 uarooo Do DESVï) ou coMpAnAçÃo DE
TENSOES
Este processo consiste em colocar em série duas resistências: uma é a resistência cujo valor se pretende conhecer, a outra tem um valor bem conhecido e serve de termo de comparação.

Na fig. 94 mostra-se o esquema de montagem. Para o efeito faz-se passar uma corrente / através do conjunto das duas resistências, medindo-se os valores Vo e V" nos extremos de cada uma.

95

Ro

-

resistência de valor bem determinado, serve como resistência-padrão

R*

resistência de valor desconhecido

< Fig. 94 - Determinação do valor duma resistência por comparação com a tensão duma
resistência-padrão.

Para

Ro,

pela lei de Ohm

temos: I : rrRe

lgualmente para

&,

temos: t

:

+

do que se conclui que

r. _v, R*
Re

Donde se tira o valor de

&

&:

*,+

10.1.õ.5

WTNTOOO

DA POXrcE DE WHEATSTONE

O método das pontes oferece resultados de elevada precisão. Pela sua particular importância faremos o estudo da PONTE DE WHEATSTONE. Observemos a fig. 95. Dispomos de uma associação de quatro resistências variáveis R,, R, e F3. A quarta resistência, que designamos por &, é a resistência a determinar. O conjunto é alimentado entre os pontos A e C por um gerador E de corrente contínua. Um interrup-

tor K permite o estabelecimento ou

a

interrupção da corrente principal. Existe ainda uma <ponte> entre os ponto B e D do circuito, na qual se intercalam um galvanómetro G e um interrup-

tor K'.
Ouando o interruptor K do circuito principal é ligado, circula uma corrente / que no ponto Á se subdivide em duas: uma segue pelo ramo que contém R, e Fig. 95 - Ponte de Wheatstone: esquema de R", outra pelo ramo que contém F2 e montagem. Br. Fechando o interruptor K'da ponte, o galvanómetro acusará um certo desvio, denunciando a circulação de uma corrente. Regulam-se então as resistências variáveis Rr, R, e R, de forma que essa corrente cesse. lsto acontece quando os potenciais em I e em D se igualarem.

96

Nessa altura podem estabelecer-se as seguintes relações:
R1 11

R*I1

: :

R2I2 R3I2

Dividindo membro a membro as duas equações, temos:

Donde

*.: _rÇg

Rr:R, &R3

lsto significa que o valor da resistência a determinar é dado pelo quociente entre produto das resistências adjacentes e a resistência oposta. o

10.a

atsrsrErvcrAs N AO I.MEAn$S
a

Contrariamente ao comportamento das resistências que até agora temos vindo

tratar, ditas resistências lineares, outras existem, pelo contrário, cujo valor varia. A lei de Ohm não lhes é aplicável, visto o quociente da tensão pela intensidade não se manter constante. Graficamente, traduzem-se por uma curva, daí a designação de resistências não lineares. consoante a grandeza de que dependem, tomam designação em conformidade. Assim, referir-nos-emos aos TERMlsroRES, às LDR e às vDR, que são função, respectivamente, da temperatura, da intensidade da luz e do valor da tensão aplicada.

IO.2.I TEB,MISTON,ES
São resistências essencialmente dependentes da temperatura. Caracterizam-se por terem em módulo um elevado coeficiente de temperatura. Existem dois tipos fundamentais destas resistências: PTC e NTC.

I

RESISTÊNCIAS PTC (POSITIVE COEFFICIENT TEMPERATURE)

Fig. 96

-

Características não lineares numa PTC.
L

-

2

.
7

Variação da resistência com a temperatura. No intervalo [t1, t2] observar o aumento da resistência com a temperatura. Característica corrente-temperatura. Observar que, a partir de um determinado valor de Í, a diminuição de denuncia o aumento de R.

l

_EL

97

Como se pode deduzir da respectiva designação, estas resistências possuem.um coeficiente de temperatura positivo. lsto significa que a sua resistência aumenta com a temperatura e diminui com a diminuição desta. Ver fig. 96. Os termistores PTC têm, entre outras, as seguintes aplicações:

o

Usados como detectores em circuitos de controlo de nível de líquidos. A transição de temperaturas dos dois meios ar-líquido reflecte-se na mudança do valor

da resistência.

r

Protecção de mótores eléctricos contra o sobreaquecimento. Para o efeito são ligadas por fase entre os enrolamentos do estator.

'=fr
(^ v-oÉE

Símbolo de uma PTC

O*----f
=

.

,...

--i-

'

-'
Fig. 97

+T

-

Termistores PTC. 1 Tipo disco. 2

-

-

Para protecção de níveis de líquidos. 3

-

Para protecção de motores.

I

RESISTÊNCIAS NTC í/VEGATIVE COEFFICIENT TEMPERATIJRE)

Caracterizam-se por ter um coeÍiciente de temperatura negativo. As variações da temperatura têm sentido contrário das correspondentes variações da resistência, como se pode observar pelo gráfico da fig. 98. Naturalmente, a diminuicão de F tem como

consequência o aumento da corrente no circuito.

Fig.

98

Características não lineares numa NTC. I Variaç'iìo da rcsirtêttcìa e()rìì lr tcrìÌlr!'Ìi.rtura.

-

f-

CaraetcrÍslica: e()rrcrìtc-tcrìlllcriìlr.lriì.

Os resistores NTC têm aplicações variadas, como transductores de temperatura,
seja em processos industriais, seja, por exemplo, na indicação da temperatura da água de refrigeração dos automóveis. São muito usados também em rádio e televisão e ainda

em aparelhos de medida e outra aparelhagem electrónica.

98

Existem diversos tipos, consoante a sua utilização.

o--.--_ |ZEN rÈrEY
lvëN u-

Símbolo de uma NTC

@

-+Resistências NTC. 1 Para TV e rádio. 2

r_-T

Fig. 99

-

-

Tipo tubular. 3

-

Tipo disco normal. 4 e 5

-

Tipo miniatura.

lo.e.e LDR (LïGHT DEPENDENT
Também chamadas Íoto-resistências, as LDR diminuem a sua resistência com o aumento da intensidade da radiação luminosa incidente (fig. 100). É um comportamento típico dos materiais semicondutores. Um grande número de LDR utiliza na sua construção o GdS - sulfureto de cádmio como material fotossensível. Constituem, normalmente, pequenas células Íotocondutivas envoltas em vidro e resina especial (fig. 101).

HESTSTO&S)

-4O @- m
tâncias, a sua resistência diminui com

Fis. 100

''""t)j',-"
-----1--I< Fig. 101

-

Versões de LDR.

I0.2.õ VDn qOLTAGE DEPENDENT
Conhecidas ainda por varístores ou variso

&ESïSTOfu)

aumento da tensão. Têm aplicação generalizada, sendo utilizadas:

-

na estabilização da tensão quando carga varia;

a

na estabilização das correntes de traba-

lho em alguns transístores; em motores, para evitar interferências em aparelhos de rádio e televisão; em circuitos de televisão a cores, etc.

Fis. 102

99

A fig. 103 mostra alguns tipos de VDR de uso corrente no mercado.

t

-r@

'n
il[
vDR

#

@

1 2 3

-

tipo disco tipo tubular normal tipo assimétrico

símbolo de uma

--Z-

JU
< Fig. 103

-

Diferentes tipos de varistâncias.

IO.g

vorrÍrl[rrRo

N.ESISTEIVGIA, "A,DTCIOIVAT DE Un[

Ouando se dispõe de um voltímetro cujo campo de medida é inferior à tensão que pretendemos medir, podemos mesmo assim utilizá-lo, embora para o efeito tenhamos de introduzir uma resistência de valor adequado e em série. É sobre o cálculo dessa RESISTÊNCIA ADICIONAL que trata o seguinte:

Problema
Consideremos um voltímetro como o representado na fig. 104, cujo campo de medida é de 200 V. A sua resistência interna é de 1,2 kO. Queremos aumentar o seu alcance de forma a que possa medir

ÃRvRAIs
v

:

tensões até 500 V. Pretende-se saber o valor da resistência adicional a montar em série.
Resolução:

Fig. 1O4

Mríxima corrente suportada pelo voltímetro:

-^vIMAX
Ir,arx:
A
aparelho, isto é:

Ì lvÁx

#:0,167

resistência adicional deverá suportar tòda a tensão que ultrapassa as possibilidades do

AV:500-200:300V
100

Como a corrente que atravessa a resistência adicional é a mesma que percorre o voltímetro,
temos:

Ro =

-4YrtllÁx

*" :

;]#- :

r'8 ko

O quociente entre os valores miíximos do campo, nas duas situações referidas como se indica seguidamente, dá-nos o valor por que devemos multiplicar a leitura do voltímetro para obtermos o verdadeiro valor da tensão.

-:
Narealidade ou seja V: Y:

;3& = 2,5 vott/div.

Assim, se obtivermos por leitura directa um valor de 125 V, a tensão que efectivamente estamos a medir é de 312,5 V.

mV'

2,5

x

125

:

312,5 V

PRoBLEUAS nESoIIVilroS
PROJECTO DE UM VOLTÍMETRO COM VÁRIAS ESCALAS

Na fig. 105 representa-se, muito simplificadaa constituiÇão de um voltímetro com as seguintes escalas de medida: 30 V, 60 V e 120 V. A
mente,
resistência interna da bobina é de 800 O. Sabendo que o campo de medida do aparelho é o que corresponde

à primeira escala, calcular a resistência adicional a instalar nas duas restantes situações. Resolução:

l.

Determinemos a corrente máxima que pode passar na bobina do aparelho sem o danificar:
Ier,aÁx

30 -Íìnr?<^ : L- : goo- : 0,0375 A R,

2. Determinação de R"r: A resistência R", deverá supoftar uma tensão V",

7
=
800 O

OFF

V"r: V-Vv

va:60-30:30v
A resistência R", é calculada por aplicação da lei de Ohm.

Fig. 105

n"' :

v-, LË-

R"

:

30

OpSZS

101

3. Determinação de R*:

V"z: V-Vv R, :

Y"z:120

rrrl* -it

D : x'

-30:90V 9L- : 24ooo : op:75 z+w \t

z'+ 2.4 ko

PROBLEUÂS PANA BESOLVEN
1. Um voltímetro tem uma tensão miíxima de escala de 100 V. A sua resistência interna é de 0,9 k0. Pretende-se usar este aparelho para medir tensões até 450 V. a) Calcular a resistência adicional a intercalar.
b) Qual
a verdadeira tensão no circuito quando o voltímetro agrupado com a referida resistência marcar uma tensão de 83 V? R..' a) R" : 3,15 kO

b) U :373,5V

2. lJmvoltímetro

está preparado para medir tensões até 300 V. A respectiva resistência interna é de 750 O. Pretende-se que faça leituras até 700 V.

a) Qual o valor da resistência adicional?
b) Qual o factor por que devemos multiplicar a indicação dada pelo voltímetro para conhecermos o verdadeiro valor da tensão no circuito?

R..' a) R" : 1L9 b) m:2,33
3.
Com üsta a alargar o czìmpo de medida de um voltímetro que mede tensões até 250 V, utilizou-se uma resistência adicional de l,l2 kO. Para o máximo valor da tensão que assim permite medir é atravessado por uma corrente de 0,31 A.

a) Calcular a resistência interna do aparelho. b) Qual o valor máximo da tensão que permite agora medir? c) Qual o factor a aplicar à graduação da sua
do seu deslocamento na
escala?

d) Qual o verdadeiro valor da tensão quando a indicação dada pelo ponteiro está a Ir

escala?

R.:

b)u:s97Y
c)m=2,4
d)

a) R,

:

806 O

v:

r99Y

4.

Pretendemos construir um voltímetro com as seguintes escalas: 15 V, 60 V e 120 V. A primeira escala corresponde às possibilidades máximas do aparelho sem qualquer artifício. A resistência interna da bobina é de I kO. Calcular a resistência adicional respeitante às escalas

de60Vel20V.

R..'
102

Na 2.u escala 60 V , R" : 3 kO Na-3.u escala 120V, Ru : 7 kO

10.4 SHUIUT I}T UlvI .â'ITIPEB.IIIETa'O
O campo de medida de um amperímetro define o limite da sua utilização. Se pretendermos medir intensidades de corrente superiores ao valor máximo da sua escala, corremos o risco de danificar o aparelho. Porém, mediante um artifício, podemos efectuar tais medidas. O processo consiste em utilizar uma resistência ligada em paralelo ou shunt entre os terminais do aparelho, cuja função é derivar toda a corrente que ultrapassa o limite das suas possibilidades. O alargamento do campo de medida do amperímetro corresponde a uma dessensibilização do aparelho, tanto maior quanto menor for o valor desse shunt. Vamos seguidamente ver como calcular tal resistência e qual o factor por que devemos multiplicar a leitura no amperímetro, para obter o verdadeiro valor da corrente.

I Is I, R, R. -

corrente no circuito principal corrente derivada através do amperímetro corrente derivada através do shunt
resistência do galvanómetro (amperímetro)

resistência do shunt

Fig. 106 >

que e ainda que
Sabemos

(1) I = I, + I. (2) R* I, : R, I,

Explicitando o valor de /" nesta última equação:

l:

Rrr
R,
^c

Substituindo o valor de /" na equação (1), temos:

I:

Ie.

f

t,

':('.*)t
I : K.Ie

emque

K:1-+

Este valor K chama-se Íactor multiplicativo do shunt (F.M.S.) e representa o número por que devemos multiplicar a corrente /n indicada pelo galvanómetro para obtermos /, ou seja, o valor da corrente no circuito principal.

103

PROSTEUAS NESOI,VIDOS 1. Um amperímetro tem uma
é

escala cujo valor máximo é 500 mA. A sua resistência interna igual a2,5 Q. Pretendemos utilizar este galvanómetro num circuito onde a corrente máxima prevista seja de 3 A.

a) Calcular o valor do shunt. b) Calcular o factor multiplicativo do shunt. c) Se o amperímetro indicar 130 mA, qual será o verdadeiro valor da corrente no circuito?
Resolução:

a)r=('.*) t

,:('*f)
3 R, : 3 R, : 2,5 R,

'o,s
0,5

(R,

+ 2,5) x

0,5 R,

+ :

1,25

: :

1,25

R"

lj2=5
2,5

0,5 o

Este problema tem um outro processo de resolução que não recorre à fórmula precedente:

Determinemos o valor da tensão máxima que pode aparecer nos terminais do amperímetro.

V,

: R, X lerra,q,x Ye:2,5 x

0,5

:

1,25V

Esta tensão é a mesma que está aplicada nos terminais do shunt. Por outro lado, a corrente que passa através deste pode ser calculada da expressão

emque
e

I:Ir+I, I,:I-Ig:
*,'

3-0,5 =2,5A
0.5 0

então
R.

'

: Y' : g: I, 2,5

b)K:l+É

K:r a-!!:6 U')
outambem
c)

K:!g:J::So'5 Ig

I: K.I, I:6 x 130:780m4

2.

Consideremos um amperímetro que indica 20 A na sua escala para uma corrente real de 180 A. O shunt usado tem 3 0 de resistência. Qual é o desvio que indicará o amperímetro para a mesma corrente no circuito principal, se o shunt for substituído por outro cuja resistência

sejade2O?

104

Resolução:

Determinemos o factor multiplicativo do shunt:

I = KIe

180

K:9

= K20

Seguidamente, determinemos o valor de Rr:

K:r.+

r:t*$
27:3+Re
Re:24O

Para o novo shunt de 2 O determinemos o novo factor multiplicativo:

K:r.+=r+ï:tt
como I : 180A temos que 180 : 13 Ig
Finalmente,
e

I:KI,,

I,:#=13'85A
3. PROJECTO DE UM AMPERÍVNTNO COM VÁRIAS ESCALAS
Pretendemos construir um amperímetro como o da fig. 107, com escalas de 0,1 A , I A e l0 A . Mede directamente correntes de intensidade até 0,1 A. A sua resistência interna é de 3 O . Calcular os shunts a seleccionar em cada um dos casos. Resolução:

Determinemos a miíxima queda de tensão que pode existir nos terminais da sua bobina.

Vrrri*:RrxIrrt" VrrÁ*:3 x 0,1 :0,3V

7
Fig. 1O7

OFF

vr"Á*
< Fig. 1O8

105

Em qualquer dos casos que vamos considerar quer dos shunts. Determinação de R,r: Calculemos a intensidade da corrente através do shunt:

é

sempre esta a máxima tensão aplicada a qual-

I,

I : I, * I,

.'. I, =

I,- I, I, = I-0,1 = 0,94
Fig. 109

R,, calcula-se por aplicação directa da
lei de Ohm: V: _li

R,, R,,

: +i

=

0,33 0

Determinação de R,r:

I, = l0-0,1 = 9,94
V R"=ji

n":#=o'o3o
Fig. 110

Um processo mais expedito de resolução é o seguinte:
Sabemos que o F.M.S.

é f =I le

eaindaque K =

I. +

Determinemos o F.M.S. ao passarmos da primeira para a segunda escala:

K=i r=o!:ro
então

l0:1.+*R,:0,330

Da primeira para a terceira escala temos:

K=i r:if:roo
então

100=1.+ +

&:0,030

106

r
I

PNOBLEUAS PANA NESOLVEN 1. Ocampodemedidanumamperímetroéde5 A.Asuaresistênciainternaéde3 O. Pretendemos calibrá-lo para 10 A e 30 A .
Calcular o valor do shunt a utilizar em cada caso.

R..'

A R, : escala de 30 A R, :
escala de 10

3O

0,6

O

2. Um amperímetro

mede correntes até 50
80

no circuito principal é de

A

A . A suaresistência interna é de 0,6 O . A corrente quando no amperímetro se lê 27 A .

a) Calcular o valor da resistência de shunt. b) Calcular o F.M.S. c) Calcular a corrente que produz desvio miíximo.

R.: a) R, = 0,3 O b) K : 2,96
c)

I: l48A

3. Um amperímetro tem uma resistência interna de 2,5 O . O máximo desvio da agulha é de 15 A . Pretende-se calibrar o amperímetro para uma intensidade de corrente de 35 A .
a) Calcular o valor do shunt. b) Calcular o F.M.S. c) Quando a agulha do amperímetro indica 7 A

,

qual é a intensidade da corrente no circuito?

R.: a) R, : b) K :
4.

1,88 O 2,33

c)I:16,34
Pretende-se construir um amperímetro com os seguintes campos de medida; 50 A . A sua resistência interna é de 1,7 O . Até I A, a leitura é directa. Calcular os valores de shunt necessários para as restantes escalas.

IA,

15

A

e

R..'

A escala de 50 A
escala de 15

R, R,

: :

0,12 0
34,7 mO

107

LEI DE OHM GENEN,ALIZADA
Qualquer gerador, como outro elemento qualquer de um circuito, oferece uma certa dificuldade à passagem da corrente por ele próprio originada. Significa isto dizer que

todo o gerador tem uma resistência que o caracteriza; chama-se
INTERNA, para se diferenciar da resistência exterior do circuito.

RESISTÊNCIA

XTX&

&XK"&MffiK

São fundamentalmente três:

! r
N

RESTSTÊNC|A TNTERNA Bí

FoRçA ELECTROMOTRTZ E
INTENSIDADE NOMINAL

'"

ãK.m weymxl,& ww wwKy#-&& r&rxmm.3rÃ.
Reparemos na fig. 1 1 1, onde está representado esquematicamente um gerador, do qual destacamos a sua resistência interna R,. Os terminais + e - são sinalizados pelas letras A e B. Sobre o gerador ideal está desenhado o sentido da f .e.m. E, que, como sabemos, tem o sentido do real movimento dos electrões. Repare-se que o sentido da corrente / (convencional) foi desenhado em conformidade com a polaridade do gerador. A corrente /, ao passar na resistência R,, cria uma queda de tensão U,, chamada OUEDA DE TENSÃO INTERNA Ui : Ri x / . Esta queda de tensão tem o sentido de /, oposto ao de Ë.

'E

+
U,

ui

Fig. 11 1 dezas E,

Representação das gran-

e

U6.

109

X

3..K r.KX m& ÕXe$X &pï.XG&p.& & ïrM &XK,eã,Õe

A queda de tensão entre Á e B, ou seja, nos terminais do gerador que representamos por Uo, é dada pela diferença entre a força electromotriz e a queda de tensão interna.

Uc:E-Ur
E portanto

Uc=E-Ui

Uc:E-R'I

(1)

Estaexpressãotraduzaleideohmaplicadaaumry gerador e dá-nos o varor da d.d.p. no" ""u"i"rÃin"i", li";^'^:"?": !,;laçãorectorialdas quando percorrido por uma corrente de intensidade /.
Devemos notar que o vector U,tem sempre módulo ou grandeza inferìor a E, do que resulta que o vector Un tem o mesmo sentido deste último vector. Se, na expressão anterior, explicitarmos o valor de / em função das restantes grandezas, temos

que corresponde a uma nova apresentação da lei de Ohm.

ANÁLISE DA EXPRESSÃo

U: E-Ri

Consideremos que o gerador está em vazio, isto é, não fornece corrente ao circuito exterior (fig. 113). Nesta situação,

U'=Q

==.1

Uo:E

I:O
do que resulta, por substituição do seu valor na expressão (1):
terminais do gerador em vazio.

Fig. 113 - A Í.e.m. é igual à queda de tensão nos

em que Uo representa a tensão nos terminais do gerador em vazio. Conclui-se então que

:,:::::.:::Í:*,W*:,,*
110

Vejamos o que se passa quando aumenta a carga do circuito. Neste caso aumenta a intensidade da corrente através do gerador, aumentando consequentemente a queda de tensão interna, pois

Ui:RixI

Fig. 114 - Ouanto maior Íor a íntensidade da corrente /, maior a queda de tensão interna Ur, menor a tensão

U6

nos terminais do gerador.

ComoEtemumvalorconstante,adiferença Ua: E - R, x / vai diminuindo.
Podemos então concluir que:

Para cada gerador podemos então traçar a curva de variação da tensão nos

seus terminais com a intensidade da corrente no circuito, ou seja, a função U : f(t). Chama-se CARACTERíSTICA
INTERNA DO GERADOR. Graficamente,

representa-se por uma recta, como se pode ver pela fig. 1 15. A maior ou menor inclinação desta depende do valor de R, . R, pode calcular-se explicitando o seu valor da expressão:

Fig. 115

-

Caraterística interna de um gerador.

Uc:E-RtxI

Como decorre da sua análise, a inclinação da recta será tanto maior quanto

U"(V) El
E2

maior for, para a mesma corrente, a queda de tensão interna no gerador. A fig. 1 16 permite-nos comparar a resistência interna de três geradores diferentes.

Ej

Os geradores E, e E3 têm a mesma resistência interna, o que é denunciado pelo paralelismo das respectivas características.

Fig. 116

111

Neste caso, a mesma corrente / produz iguais quedas de tensão

Ul

:

Ui:

Por outro lado, o gerador Ertem uma resistência interna superior a qualquer dos outros, o que é posto em evidência pela sua maior inclinação.

&3..* r,KK n& üffi3fr

&&ïfi

üx3,Grrx36 wKtlgAm&

Como podemos ver na fig. 1 17, a tensão U nos terminais de um gerador é a mesma que está aplicada à carga 8", representando esta toda a resistência do circuito exterior. Para o gerador:

U: E-RiI
Para a carga:

U:R"xI
lgualando estas duas expressões,
temos:

'lr
Fig. 117

E-\

x I:
/.'

R"

xI

Tirando o valor de

E:(Ri+R")xI ,E
Ri+R"

Como a soma de R, com R, é a resistência total do circuito, que designamos
por Rr, temos que:

Esta expressão traduz a lei de Ohm em circuito fechado. Reparemos que há uma analogia de forma entre esta expressão e a expressão da lei de Ohm quando aplicada a uma resistência

I:*
Em lugar da d.d.p. temos uma f .e.m. Em lugar da resistência exterior temos a soma desta com a resistência interna do gerador, isto é, a resistência total do circuito.

112

PROBTEMAS RESOLVII)OS

1.

Analisemos o circuito eléctrico da fig. 118. Em conformidade com os valores nela indicados, calcular:

a) A queda de tensão interna para a carga representada. b) A d.d.p. nos terminais do gerador.

E:

100V

Fig. 118 Resolução:

a) Determinemos a resistência exterior do circuito:

R":2.o.q*:5,4Q
Calculemos a resistência total,

Rr, do circuito:

Rt:

Rt

+ R"

Rr:

0,8 1_5,4:6,2Q

Aplicando a lei de Ohm em circuito fechado:

I:+'Rr'6,2
V,: \ x I

I:109:16,13A
Vi:0,8 x
16,13

A queda de tensão interna no gerador V, é dada por:

:12,9Y
expressão

b) A d.d.p. nos terminais do gerador é calculada pela

u : E_R,I : E_Ui
PROBLEilAS PARA RESOIVEN

Uc

: 100_12"9:

97,1V

1.

Para uma corrente de 20 A, um gerador de f.e.m. de 48 v apresenta uma d.d.p. nos seus extremos de32Y. Qual será a d.d.p. nos seus terminais, quando este se fecha sobre uma carga de 16 0 ?

R';
A-EL

Uo

:

45,7 Y

113

2. No circuito da fig.

119 são dados os valores das seguintes grandezas:

E :36V & = o'60 Rt = Rz: Rs:60

R::30
R+

= 4o

< Fig. 119

Determinar: a) A resistência exterior do circuito R". b) A resistênca total Rr.

c) A intensidade da corrente no circuito I. d) A queda de tensão interna no gerador V,. e) A d.d.p. nos terminais do gerador Uo.

R-: a) R" :
b)

8,4

O

Rt:9ç2 c)I:4A d) Y, : 2,4Y e) Uo : 33,6 V
3.
O circuito da fig. 120 é constituído por um gerador de f.e.m. 32 V e resistência interna 0,63 O. Este gerador alimenta um circuito constituído por um paralelo de duas resistências de 9 0 e 4 O, respectivamente. Dispomos ainda de um reóstato que nos permite variar a intensidade da corrente no circuito. A sua resistência total é 20 0.

< Fig. 120

114

Calcular a d.d.p. nos terminais do gerador, quando:

a) O cursor do reóstato está na posição 0. b) A posição do cursor corresponde a metade da sua resistência. (posição l) c) A posição do cursor corresponde à sua máxima resistência. (posição 2)
d.) Desenhar a característica externa do gerador.

R.: a) U :26,1Y b)U:30,5V c)U:31,1V

â&.s y&Kwe

g&KrK&-Kv"K&KKffi3W&WK.Kffi

u! ?, tt ff I c iUo &1. IËèe
A f.c.e.m., como a sua própria designação leva a concluir, representa uma f .e.m. que num circuito eléctrico tem sentido oposto a uma outra cujo valor lhe é superior.

Se o efeito conjugado das f.e.m. E, e E, for superior a Er, esta última constitui uma f .c.e.m. A corrente de circulação no circuito é definida por E, e E2 e o seu efeito conjunto é inferior ao que teriam se actuassem sem qualquer oposição. E, funciona então como receptor de f .c.e.m.

Fig. 121

No instante inicial da ligação, em que o motor está parado, a corrente absorvida é muito intensa. Logo após o arranque, o seu valor vai baixando gradualmente, à medida que a f.c.e.m. se desenvolve. Ao fim de alguns instantes, os valores de f.c.e.m. e de intensidade da corrente estabilizam. Nessa altura o motor oÍerece uma resistência muito superior à que tinha quando estava parado. A situação descrita corresponde a um período transitório de curta duração, em que a corrente inicial atinge valores cinco a seis vezes superiores aos de regime.

115

&&.6 p"sx mK &KKffi &pr*x&&&& "& we{g
KKffirepK$K
ffi$eáX W" &. m- mff-

Na fig. 122 representou-se um circuito com motor. A f ig. 1 23 particula riza o troço de circuito entre os pontos A e B do motor,
realçando a respectiva resistência interna

R', em série, com um motor supostamente ideal, isto é, sem resistência. O motor desenvolve uma f.c.e.m. que
representámos pela letra e, com sentido consequentemente oposto ao de E. A queda de tensão interna no motor tem o sentido da corrente e é represen-

Fig. 122

tada por

V'i:R'lXI
A queda de tensão U nos terminais do motor ou de qualquer outro receptor com f .c.e.m. é dada pela soma dos valores de e com o de V',(fig. 123).

U:e*V'i
donde
Fig. 123
num motor.

-

Pormenorização das quedas de tensão

3.3..? &&r Dm $3:nnfr &K3rnã..&X*Xe-&ï!Js,
A lei de Ohm generalizada a circuitos com f .c.e.m. toma então o seguinte aspecto:

116

PROBI.EMAS RESOI.Vil'OS
1. Um motor é alimentado por um conjunto de baterias estacionárias a uma tensão contínua de 60 V. A intensidade da corrente que o atravessa, quando parado, é de 37 A . Quando
em movimento, a sua corrente baixa para 6,8 Calcular o valor da f.c.e.m.
Resolução:

A

.

Quando o mótor está parado não tem f.c.e.m. Pela lei de Ohm temos:

^P

r_va160
R'i
R',

R',

:jl:1,62a JI
60=e+1,62x6,8 e = 49Y

Quando em movimento e aplicando ainda a lei de Ohm:

U:e+R'ixI
2. No circuito
da

124 existe um gerador c.c. de força electromotriz 220 Y çom resistência interna de 0,5 0, um motor M e uma associação de duas resistências em paralelo de valores 2 0 e 8 0, respectivamente. Os valores da intensidade da corrente quando o E = 220Y motor está parado e em movimento são, respectivamente, 42 A e 9 A. Pretende-se saber:

fig.

a) A resistência interna do motor R',. b) A f.c.e.m. c) A d.d.p. nos terminais do motor
quando parado e quando em movi-

mento.
Resolução: a,) Calculemos a resistência

total R,
Fis. 124

do circuito:

R,,: 2+8 :-q:1.60 ?"9
10

Rr :

0,5 + 1,6 + R'i :

2,1

*

R'i

Pela lei de Ohm, teríos:

r_ E '- Ro

Áa_ r'- 2, 1220 1pi
42x(2,1 +R"):226

88,2+42xR'r:229
R', : 13,!'8 '42

:

3.14 o

117

b) Calculemos Rr:

Rr : 2,1 + 3,14 :

5,24

Q

Pela lei de Ohm generalizada, temos:

, _ E-e Rr

. o _ 220-e
5,24

.
c) 1." caso: Motor
parado

9x5,24:220-e e: l73V

IP:424 Uo : R'i IP Uc:3,14x42:132Y
2.o caso: Motor em movimento

Uo: t + R'i I Uc: I73 + 3,14 x 9:201,3V

PROBTEtrIAS PARA RESOLVER 1.
Sabendo que um motor c.c. tem uma f.c.e.m. de 170 V quando nos seus terminais está aplicada uma d.d.p. de 220Y e a sua resistência interna R', é de 6 ohm, determinar:

a) A intensidade da corrente quando o motor está parado.
b) A intensidade da corrente quando o motor está em movimento.

R.: a) Ip :
b) 2. Um motor eléçtrico,

36,7

A

I*:3,34

no início do arranque, absorve uma corrente de 7 A. Quando em movimento, a corrente estabiliza em I A. Sabendo que a sua resistência interna é de 15,7 ohm, calcular a f.c.e.m.

R.;
3. Um motor sujeito a uma tensão de I l0 V tem uma f.c.e.m.

e

:

94,2Y

de 90 V e 8 ohms de resistência
e

interna. Calcular a intensidade da corrente absorvida pelo motor quando está parado está em movimento.

quando

R.: a) Ip :

13,75

A

b)I^:2,56
118

Analise o circuito da fig. 125.

E:6OV

Ri:

o'8o

Rr=Rz=R::290
Ip=54 I- = l'24
Fig. 125

Determinar:

a) A resistência total do circuito Rt.
b) A resistência interna do motor R".

c) A d.d.p. nos terminais do gerador, quando o motor arranca
funcionamento.

e quando está em pleno

d) A f.c.e.m. do motor.

e) A d.d.p. nos terminais do motor, quando arranca e quando está em movimento. a)

Rt: 12ç b) R', : 1,5 c)Uor:56Vi Uc,:59V d) e : 45,6Y e) U*o : 7,5 Y i U-- = 47,4 Y
ç2

119

ASSOCIAÇAO DE GEN,ADOR,ES
Existem dois tipos fundamentais de associação de geradores: a associação em série e a associação em paralelo. Vejamos as características que apresentam uma e outra e as aplicações daí decorrentes.

&m.ã effi&ffiffigew &ffi
Os geradores são ligados

ffiKffi MKKKK

d

sequencíal-

Er E2 E3 mente de forma a que o terminal positivo de cada um conecte com o terminal negativo do gerador seguinte. Vejamos o esquema de ligacão da fig. 1 26, onde se representam três geradores Fig. 126 combinados da Íorma descrita. No que respeita à Í.e.m. E do agrupamento, ela é igual à soma das f .e.m. de cada

==--ir---l-=

um dos geradores.

W F.E.M.
tt|,,,:*'..t:::è:ìrot,:i.i'iitè,ì,ìlÈÌÈììlìi

126

E: E,+Er+E,
n ïá +...,+E^:.È-,E a+:. ' i=l .'

Para n geradores associados em série podemos então escrever:

"-f

K

RESISTÊNCIA INTERNA

Sendo um agrupamento constituído por tantas resistências em série quantos os geradores existentes, podemos então dizer que

:gdK"dg

....

."'

121

Para

n geradores escreveremos;

lmporta regìstar que os geradores podem todos eles possuir características diferentes, isto é, diferentes valores de f.e.m. e de resistência interna.

W INTENSIDADE DA

CORRENTE

Naturalmente, uma corrente de intensidade superior teria como consequência sua danificação. Vejamos um exemplo: Consideremos três geradores com as seguintes características:

a

Er:6V
: 0,5 0 I":l0A
R11

Ez:6Y
Ri2

Et:l2Y
Q : 0,5 O I.:19A
Ri:

=

0,7

I":7A

Se procedermos ao respectivo agrupamento em série, este caracterizar-se-á por:

E : Er +

+ E: : 6 + 6 + 12 :24y Ri : Rtr + Ri2 + Ril : 0,5 + 0,7 + 0,5 : 1,70
E2

I':7A
É o valor máximo da corrente que este agrupamento pode fornecer. A associação em série é utilizada para alimentar aparelhos cuja tensão de funcio-

namento é superior à oferecida por um só gerador, e quando a corrente pretendida é, no máximo, igual à que cada um pode oferecer.

PROBI,EMAS PARA RESOIVEN 1. Uma
série de 8 pilhas todas iguais, com f.e.m. de 1,5 V, alimentam um circuito cuja carga é de 2,1 ohm. A intensidade da corrente no circuito é 3,5 A.

Determinar:

a) A f .e.m. do agrupamento. b) A respectiva resistência interna.

122

c) A resistência interna de cada elemento. d) A d.d.p. nos terminais do agrupamento.

R.: a)E:l2Y;

b)

Riu:1,33{l;

c)

Rr:0,17A:

d) U = 7,35V

2. Dispomos de 3 geradores em série com os seguintes

características:

Er:3V R11 : 0,3 0
Determinar:

Ez:6V R12 : 0,5 0
.

E::4V Ri: : 0,8 0

Este agrupamento alimenta uma resistência de 4,7 Q

a) A f.e.m. do agrupamento. b) A respectiva resistência interna. c,) A intensidade da corrente no circuito. d) A queda de tensão interna. e) A d.d.p. nos terminais da associação.

R.: a) E: 13Y; b) R1u: l,6A; c)I:2,06A;

d)

U1

:3,3Y; e)Uo:9,7Y

K&.K -e-$SSWK-e,ç"e&

reWX

P&K&X"K&63

Neste tipo de associação os terminais ou pólos do mesmo nome do gerador encontram-se ligados entre si. A fig. 127 ilustra este tipo de ligação, onde se consideraram três geradores cujas características são indicadas.

W F.E.M.

De outra forma, os geradores com menor f .e.m. funcionariam como receptores de f.c.e.m., o que contraria os objectivos que se pretendem atingir com uma associação deste género.

Fig. 127

s

ì*ut*
123

No caso da

Íig. 127,

E:Er:Ez:Er
e se tivessemos n geradores


ffi
RESISTÊNCIA INTERNA

,,,,,,,âffi

ììs.rr:,,,,,,

Como os geradores a utilizar têm todos o mesmo valor de E, normalmente são todos

iguais e, portanto, têm todos a mesma resistência interna. Podem, contudo, ter resistências internas diferentes. Em qualquer dos casos

ì::l'lááíc.rlÉíAsl$ìììaffií ièÈà:,a

equivale a resolver o p"iãi"ro das respeciivas resistên"ià intrrnur.

àà* ffi"'íà:'- dore,s..empd.areto

No caso destas serem todas iguais, o cálculo é simples. Se for n o número de gera-

dores, todos com resistência P,, a resistência do agrupamento R"é dada por

ììììììì:.ì,.

:ìì:::

Se as resistências internas dos diferentes geradores forem todas iguais, também serão iguais as correntes debitadas por cada um deles. No caso daquelas serem diferentes, cada gerador contribuirá com uma corrente, que é função do valor da sua própria resistência.

Em todo o câso, temos: Ëm particular se as correntes forem todas iguais , então

sx<sl
Vejamos um exemplo. Consideremos três geradores iguais associados em paralelo. A f .e.m. de cada um é de 6 V e 0,3 O a respectiva resistência interna. Este agrupamento tem uma f.e.m.

E:Er-Ez:E::6V
A resistência interna do conjunto,

R":+:!+=o,ro
JJ

A associação em paralelo de geradores é utilizada quando se pretende obter correntes superiores à que pode fornecer cada um deles isoladamente.

124

PROBI.EUAS RESOI,VIDOS
Consideremos três geradores ligados em paralelo, fechados sobre uma resistência exterior
de 6 O. Cada gerador caracteriza-se por ter uma f.e.m. de 1,5 V. As respectivas resistências inter-

nas são 0,5 O, 0,6 O, 0,7 [r. Determinar:

a) A corrente no circuito principal.
b,)

A d.d.p.
mento.

nos terminais do agrupa-

c) A corrente
geradores.

debitada por cada um dos

Resolução:

a7t:

E

ç Rr:R"*Ri
:

Calculemos Rt

llll Ri- R,, ' R,, ' &, lltl & 0,5 0,7 0,6 &:0'20O Rt:R.+\ Rr:6 + 0,20:6,?-0Q

Fig. 128

r: j-:J+:0,24A ' Rr 6,2
b)U: E-RiI U : 1,5 0,2 x 0,24 : c) Paratodososgeradores
1,45 Y

U:1,45 V;

aplicandoamesmaexpressão

U: E-R, I,

temos, em cada caso, a corrente debitada por cada gerador.

: 1,45 : 1,45 :
1,45

1,5

1,5 1,5 -

x I, 0,6 x I, 0,7 x I,
0,5

: Iz : I: :
Ir

0,1

A
A

0,08
0,07

A 125

PROBLEMAS PANA RESOLVER 1. Considerar uma
associação de quatro geradores todos iguais associados em paralelo. Cada elemento tem uma f.e.m. de 12 V e 0,8 ohm de resistência interna. Este agrupamento debita sobre uma resistência de valor desconhecido. A corrente principal é de 10 A.

Calcular:

a) A corrente debitada por cada gerador. b) A queda de tensão interna no agrupamento. c) A d.d.p. nos terminais de cada gerador. d) O valor da resistência de carga.

R.: a) li:2,5 A; b) Yi:2Y;
2.

c) Uc

: lOY;

d) R.

: IO

Dispomos de um conjunto de l0 pilhas em paralelo. São todas iguais. A sua f.e.m. é de 1,5 V e a resistência interna de 0,5 0. Para uma dada resistência exterior há uma queda de tensão

interna no agrupamento de 0,5 V.
Determinar:

a) A corrente debitada por cada gerador. b.) A d.d.p. nos seus terminais. c) A corrente total no circuito. d) A resistência interna que representa a associação. e) O valor da resistência exterior.

R.: a) I:14;

b)Yi: lV; c)l:

l0A; d)Ritu:56mO; e.)R":0,1

O

3. Um paralelo de dois geradores,

com o mesmo valor de f.e.m. igual a 12 Y e resistências internas, respectivamente, 0,8 e 0,4 ohm, debitam sobre uma carga de 3 0. Determinar:

a) A resistência interna do agrupamento. b) A intensidade da corrente principal. c) A d.d.p. nos terminais do gerador. d) A corrente debitada por cada gerador.

R.: a) Riu :

0,27

A;

b)

I:3,67 A;

c) U

: ll Y; d) lt :

1,25

A; I, :2,5 A

ASSOCTAÇOES MTSTAS

1.

Dispomos de 6 geradores
cujas características cons-

ììììììì:E|.(Vl:

6
2 J J

0,5

9

tam da tabela ao lado.
Pretende-se escolher con-

0,2
0,8 0,5 0,2 0,2

t2 t2
2
3

l2
1,5 1,5
J

venientemente quais os
geradores e tipo de agrupamento que satisfaça os seguintes requisitos:

4
5

6

t2

126

a) E:6V e 0,1O<&<0,30
b) E = 6 V
c)

9g ruoc zg
ãrr?s E ruoJ

tg ep

ep
olep.red zg

o

corrente miíxima esperada 10 corrente miíxima esperada 6

A A

9g ruoc

er.r9s rue

E=
E

15

V

9g uroc augs ura €g

d)

:

13,5V

e Ri < 1,2O

corÍentemiíximaesperada3A

sg uroc eggs rue €g

^
2. Dispomos de 6 geradores
associados como mostra a

sirQÕn'ros

fig.

129. As características são:

Er: Ez: Er = 3V Ea: Es: Ee:6V Rir = &z: Rte :0,50
Ri: = o'4 o

\+=0'30 Ris : 0,8 [,
R"

= 80

Calcular:

Fig. 129

a) As características E, R, do agrupamento. b) A intensidade da corrente principal. c) A d.d.p. nos terminais do agrupamento.

R.: a)E:12V,

Ri:0,8O

b)l=1,36A c,) Uc : 10,9 V

127

ENEA,GIA E POTENCIA
KW.3. WWWWWK-&

w coNcErTo E FoRMULAçÃO

MATEMÁT|CA

Consideremos um circuito como o da fig. 13O, constituído essencialmente por um gerador de f.e.m. E, com uma determinada resistência interna R,, alimentando um circuito exterior cuja carga se representa por R". Esta carga irá ser atravessada por uma corrente à qual corresponde um determinado consumo de energia.
É intuitivo que esse consumo será tanto maior quanto maiores forem os valores da d.d.p. nos terminais da carga, a intensidade da corrente e o tempo da sua passagem. Represen-

'l
Fig. 130

tando essa energia por W, podemos traduzir matematicamente esta relacão da seguinte maneira:

,', lKmï'_.ÌN
de energia no SI.

U

I intensidade da corrente, t tempo, em segundos

-

d.d.p., em V
em A

Com as unidades assim expressas, resulta W em joule, que é, portanto, a unidade
Para alimentar esta carga, o gerador fornece uma energia que é dada de forma idên-

tica pelo produto da sua f.e.m. pela corrente debitada e pela sua duracão.
9_EL

129

A expressão é análoga à anterior:

com a única diferença de figurar a f.e.m. do gerador em lugar da d.d.p.

Km.& mwwmwüxA

W CONCEITO E FORMULACÃO MATEMÁTICA
Um conceito intimamente ligado ao de energia é o de POTÊNCIA. Para compreendermos o seu significado, consideremos duas máquinas realizando o mesmo trabalho (dispendendo, portanto, a mesma energia), mas em tempos diferentes. Aquela que realizar o referido trabalho em menos tempo, dizemos que tem mais potência. A potência é, pois, uma medida da maior ou menor rapidez com que uma determinada energia é utilizada ou fornecida. A sua equação de definição é, por conseguinte: W

t

-

energia, em joule tempo, em segundos

do que resulta que P se exprime em watt. O watt pode definir-se como

É usualexprimir-se a potência em CAVALOS-VAPOR ou ainda em HORSE-POWER. São unidades que não pertencem ao Sistema lnternacional. A conversão é a seguinte:

I Cv (cavalo-vapor) : I Hp (horse-power) :

735 walt 746 watl

Ouando dizemos que um motoÍ tem, por exemplo, 4 <cavalos> de potência, o valor correspondente em watt é de

P:4x735:2940W
130

A potência pode t ambém exprimì expnmrr-se

No primeiro caso, trata-se da POTÊNCA ABSORVIDA por um receptor que é atra-

w

em função

de U c ouEede/,
I

r IP:Er tÌ

---------

vessado pela corrente /, quando nos seus terminais existe uma d.d.p. U. No segundo caso, trata-se da POTÊNCIA FORNECIDA por um gerador de f.e.m. E a um circuito por ele alimentado com a corrente /. São expressões facilmente deduzíveis:

Substituindo W:UIt

em P:W tt

temos P: UIt =UI.

De forma idêntica demonstraríamos a outra expressão. A potência pode ainda exprimir-se em função da resistência e da intensidade da

corrente

Pode ainda exprimir-se em função da resistência e da tensão:

@Hl
Ambas são facilmente dedutíveis. Substituindo Substituindo Substituindo

U: RI T:U R
r_ tE
Ro

em em

P: UI, P: UI, P:EI,

resulta resulta resulta

P P

:

RI2
R
c.q.d.

:U' :E

RT

&&"K X3WKX.&X&

g0ã1tr&

Feï3rç tt $

s& p&wwsrwx&

E agora oportuno voltarmos a falar de energia para referirmos uma unidade prática em que é usual exprimir-se, embora não seja do Sl,

Da expressão

P

: W t

resulta

Se exprimirmos a potência em watt e o tempo em horas, a energia vem em watt x hora, abreviadamente W.h .
Como as quantidades de energia normalmente em jogo são muito superiores ao Wh, utilizamos os seus múltiplos. Os consumos domésticos são normalmente da ordem das dezenas de kWh. Outros consumos, particularmente da indústria, ascendem às centenas ou milhares de kWh. 131

Nas centrais electroprodutoras a produtibilidade média anual é da ordem das centenas e mesmo milhares de GWh (gigawatt hora).

I GWh

: I 000 000 000 v/h :

loe wh

Vemos, portanto, que tanto podemos exprimir a energia em joule como em watt x hora, tudo dependendo das unidades com que referenciamos o tempo, Assim:

I V/h

:

3600

J

São ainda usadas as seguintes unidades de energia:
British thermal unit
electrão-volt

Btu
eV

I
I

Btu :
eV

1055,06 J

:

1,602

x

10-te

J

3.K.& K-mX Wre &QWY*K
Sempre que um condutor é atravessado por uma corrente eléctrica, esse condutor aquece. Este fenómeno é conhecido por eÍeito de Joule e, como foi devidamente explicado, deve-se à energia dissipada em forma de calor nas múltiplas colisões entre os

electrões ao longo do seu trajecto no condutor e os átomos fixos da sua estrutura. A lei de Joule diz-nos que essa energia é directamente proporcional à resistência, ao quadrado da intensidade da corrente e ao tempo de passagem desta.
R

W -

I intensidade, em ampere t tempo de passagem da corrente,
energia, em joule

-

resistência, em ohm em segundos

Esta energia corresponde a uma determinada quantidade de calor dissipada resistência. Em calorias é assim expressa:

Q

-

quantidade de calor (calorias)

em que K é uma constante de proporcionalidade designada por EOUIVALENTE
TÉRMICO DA UNIDADE DE TRABALHO.

132

O seu valor

é

K

:

0,24 caI/J

Podemos então escrever:

Q

:

0,24 RI2 t

Q:0,24W

Para entendermos o significado de K façamos nesta última expressão

W:

1

joule.

Resulta

Q:O,24cal.

K representa, então, a quantidade de calor libertada integralmente por 1 joule.

Em qualquer transformação existe sempre uma ENERGIA DE PERDAS. Do facto, resulta que a ENERGIA ÚTlL à saída de uma máquina conversora é sempre inferior à

energia de entrada, isto é, à ENERGIA ABSORVIDA, ou o mesmo é dizer à ENERGIA que é FORNECIDA. No diagrama da fig. 131 representa-se uma máquina (dispositivo conversor) no qual se identificam as energias referidas.

Wo: W17"-Wu
isto é, a energia de perdas é igual à diÍerença das energias à entrada e à saída.

Fig. 131 >

O rendimento de uma máquina é uma medida do aproveitamento em termos de energia útil transformada que essa máquina consegue realizar a partir duma energia primária que lhe é fornecida. É Oada pelo quociente entre as energias útil e fornecida ou pelo quociente das respectivas potências, como se demonstra seguidamente. O rendimento, sendo um quociente de duas grandezas da mesma espécie, é adimensional e representa-se pela letra grega 4 (etal.

,:

'

Pu*'-

Po

Puxt

P.

133

rior à unidade, dado que Wu I W". Para o caso de um gerador eléctrico sabemos que a tensão disponível nos seus terminais é sempre inferior à tensão em vazio, ou seja, à sua f .e.m., variando em função da carga. Podemos então definir o rendimento para um gerador do seguinte modo:

Da análise das fórmulas precedentes concluímos que o rendimento é sempre infe-

-: 't
Como U

Pu

uI P, - EI

:

E

-

R,

l,

temos:

't=-

(E-RiI)I : EI-Ri 12 , R,, :'-E^ EI El

O rendimento é, pois, inferior à unidade, e tanto menor quanto mais afastado for o seu funcionamento do regime nominal.

PROBI,EIIAS RESOI,VII)OS
1.. Uma bateria de acumuladores tem uma f.e.m. de 24Y e alimenta um circuito cuja resistência total é de 35 ohms. Pretende-se saber:

a) A potência eléctrica fornecida. b) A intensidade da corrente no circuito.
Resolução:
E2 u)p=Ë,

,:24' r -Jt-rv'

:

r646w

b)P:EI + I:3 E t: t6:!6 -24
2. Calcular

= 0,686A:686mA

o custo mensal da utilização de um aparelho eléctrico de aquecimento cuja potência é de 2500 W, sabendo que ele é ligado diariamente 3 horas e 45 minutos. O custo do kV/h

é de 15$00.

134

Resoluçào:

O tempo deverá ser reduzido a horas:

3

x

60

=

l80mn

+ 45mn

225mn:3h
t:'?i )J\ =3,75h 60
Pela expressão lüy'

45mn

= P.t

podemos calcular a energia consumida ao fim de 281,25

I

mês (30 dias):

W : 2,5 x 3,75 x 30 :
O custo total
é:

kwh

Cr :
3.

281,25

x

15$00

:

4219$00'

Sabendo que um motor de corrente contínua de 5 Cv absorve, durante 30 minutos de funcionamento, uma energia de 2,8 kV/h, calcular:

a) A potência absorvida.
b) O
seu rendimento.

NOTA: A potência nominal do motor é a sua potência útil.
Resoluçào:

òP = 't
P"
b) q

w

"

:

2.809
0,5

:

56oo W

:

Pu

Ë

3615 : ffi-

= o'656'

ou

seja'

65'6vo

4.

c.c. 0,5 Cv/220 V é de 85 9o e que durante um certo período de funcionamento consumiu 150 Wh, calcular:
Sabendo que o rendimento de um motor de

a) O tempo de funcionamento.
b) A intensidade da corrente absorvida.
Resolução:

a) Calculemos, pela expressão do rendimento, a energia útil:

"^- Wu 'w"
0,85

: }_ 150

w,,

:

l5o x 0,85

: t275wh
135

Sabendoque

W:Pxt Wu : Pu x t

eque Pu:0,5cv, temosentão: 127,5 :0,5 x 735 x t Í

: o#+s

= 0,35 horas

Reparar que, como a energia está expressa em Wh, o tempo resulta em horas; em minu-

tos será:

t:0'35x60:2lm
b)
Daexpressão V/ : U I t podemos calcular a corrente absorvida, mente com a energia absorvida.
se nela

entrarmos igual-

150:220xIx0,35 t : ----Jéo :
1,95

A

PROBI,EMAS PARA RESOT.VER 1. Calcular a'potência
dissipada por efeito de Joule numa resistência de 3 kO quando atravessada por uma corrente de 380 mA.

R.; P :

433,2W

2. Calcular

em joules a energia fornecida a um circuito por um gerador de f.e.m. 64 V, durante 48 minutos, quando a intensidade da corrente debitada é de 860 mA.

R.: W:
3. Exprimir em cavalos-vapor em l5 minutos. 4. Determinar a corrente
a potência de uma

158,5kJ

máquina que desenvolve um trabalho de 236 kJ

R.; P:0,36Cv
absorvida por um motor de corrente contínua de 3 Cv que o seu rendimento é de 70V0.

/

220

y,

sabendo

R.; I:14,3A
A energia útil, durante
.

5. Numa

certa transformação de energia há uma degradação de 3090.

os 18 minutos que durou o referido processo, Calcular:

foi de 64,8 kJ

a) A energia absorvida durante a transformação. b) A energia de perdas (em Wh). c) A potência de transformação'

R': a) Wu : g2,6k. b) Wo : 7,71Wh c) P:60W

136

6. Um paralelo de duas resistências Rr:3 O

6 O está sob uma d.d.p. de24Y. Calcular a potência dissipada em cada uma das resistências e no seu conjunto. R2

e

:

R': Pt : l92W
Pz

Pr:288W
7. Dispõe-se de um enrolamento em cobre com 0,5 mm2 de secção e 250 m de comprimento. Calcular a potência absorvida pela bobina, quando nos seus terminais existe uma tensão de 12 V.

= 96w

p", = 0,0280.mm2lm

R.;P:10,3W
f.e.m.
é de 32

8. Um circuito eléctrico é constituído por um gerador cuja

V

e uma resistência

exterior de 17 0. A intensidade da corrente no circuito é 1,8 A. Calcular: a) A potência fornecida pelo gerador.

b) A sua resistência interna. c) A quantidade de calor libertada em 5 minutos na resistência exterior.

R.: a) P, : b) R' : c) Q:
9

57,6 V/

0,78 O 3966cal

.

Consideremos o circuito eléctrico da

fí9. 132, em cujo esquema estão

assi-

nalados os valores das grandezas em

jogo. Calcular: a) A resistência externa. b) A resistência total do circuito. c) A intensidade da corrente no circuito principal.

d) A queda

de tensão nos terminais

do gerador. e) A potência fornecida pelo gerador.

I,

R2:5o

Í) A potência útil do gerador.
g) O seu rendimento. h) A potência dissipada em
uma das resistências.
I

cada

: Ì

Fis. 132

i) A potência

dissipada pelo agrupamento.

: 2,2 Q b)F.r:2,99 c)I=12,4A
a) Ro, d) Ua:27,32V e) P : 446,4W

: 338,8 V/ 9n:0,76 h) Pt : 186,6 W Pz : 149,3 W
4
P"

t) Pr:336W
137

LEIS DE KIN,CHHOFF E ANALISE DE N,EDES ELECTR,ICAS
A análise de circuitos eléctricos consiste fundamentalmente na determinação de todas as grandezas eléctricas em jogo, nomeadamente a intensidade das correntes que percorrem cada ramo, bem como a distribuição dos valores de potencial' Os circuitos até ao momento analisados eram constituídos por uma única fonte de f.e.m., ou então várias associadas num mesmo ramo e, ainda, por um conjunto mais ou menos numeroso de resistências. O tratamento destes circuitos fazia-se por aplicação directa da lei de Ohm. Porém, quando os circuitos incluem f .e.m. nos diferentes ramos, o processo de cálculo é mais laborioso e recorre à utilização das leis de Kirchhoff, elas próprias decorrentes da lei de Ohm. Antes de enunciarmos tais leis, vejamos o que se entende por rede eléctrica, bem como nela definir e identificar os seus nós ou nodos, ramos e malhas.
Consideremos a rede eléctrica da

fig. 133.

Fig. 133 >

NÓS ou NODOS
RAMO

são os pontos da rede onde convergem, no mínimo, três condutores. Na fig. 133 são nós os pontos B e E.

é o troço de circuito compreendido entre dois nós. São ramos os seguintes trajectos: BAFE , BE , BCDE

.

MALHA
REDE ELÉCTRICA

é um troço de circuito fechado constituído por diferentes
ramos. São malhas os trajectos ABEFA, BEDCB, ABCDEFA
.

é um circuito eléctrico constituído por mais que uma malha.

139

&ffiXffi 93ffi

&KK:IËgffiX#EKffiKë-

S 1I LEI DE KIRCHHOFF OU LEI DOS NODOS

;731;ir,,.Àl:ìì;rí:,:tig$$iitffi $;ãíá,ÁtX

a um nó é igual a zeto.

A aplicacão desta lei a um nodo qualquer de um circuito obedece a um certo critério que se descreve no exemplo a seguir. Consideremos, por exemplo, o nó B do circuito da fig. 133, o qual se destaca na fig. 134. Como para este nó desconhecemos o sentido das correntes, arbitramos um qualquer. Na fig. 134 consideramos /, e /,

como correntes convergentes no nó B, e
mesmo.

I,

divergente do
lei,
Fig. 134

Traduzindo matematicamente temos que

o enunciado desta

It+Ir:12
OU

A soma das correntes que entram é igual à soma das correntes que saem.

Ir + 13-Iz:0

A soma algébrica das correntes que entram e saem é nula.
Arbitramos como positivas as correntes que entram e negativas as que saem do nó.

Generalizando, para n correntes que concorrem num dado nó, temos:

K 2I LEI DE KIRCHHOFF OU LEI DAS MALHAS

A aplicação desta lei obedece igúalmente a um determinado critério, que analisaremos seguidamente.

140

Consideremos a malha ABEFA do circuito anterior. Para facilitar a observação, reproduz-se esta malha na fig. 135. Admitamos como correctos os sentidos adoptados anteriormente para as correntes. Vamos supor, igualmente, um sentido qualquer de circulação na malha, como, por exemplo, o representado por /.. Partindo do gerador e no sentido indicado, representemos as consecutivas quedas de tensão ao longo da malha:

Fis. 135

RlIr-R3

13

Reparemos que nos ramos onde a corrente contraria o sentido de circulação a queda

de tensão resultante é negativa. A 2. u lei de Kirchhoff estabelece que o somatório destas quedas de tensão e da f .e.m. E é igual azeto. Devemos ter em atenção que o sentido de F é bem definido. Também este aparece com sinal negativo, pelo facto de contrariar o sentido da circulação adoptado.
Podemos então escrever: R,

I,-R, Ir-E:0
geradores:

Generalizando esta

2.^ lei para qualquer malha com n ramos e K

A análise de qualquer circuito nas condições referidas é feito com base nestas duas

leis, arbitrando o sentido das correntes em cada nó, bem como o sentido de circulação em cada ramo. No final do cálculo, as correntes que resultarem positivas significam que o sentido inicialmente adoptado é o verdadeiro. Se negativas, é porque o sentido real delas é o oposto ao arbitrado.

141

PROBLETIAS RESOI',VIDOS
Calcular as correntes e quedas de tensão em todos os ramos da fig. 136, onde se assinalam os valores das resistências.

ï',;

E2

32v < Fig. 136 Resolução:

Arbitramos um sentido qualquer para as correntes que concorrem num dos nós: o nó B, por exemplo. O sentido das f.e.m., note-se, não é arbitrado, ele é perfeitamente conhecido, dada a polaridade dos geradoreó. Arbitremos para cada malha um sentido de circulação, como
igualmente se representa na fig. 136. Temos então que:

R,Il-R3I3-Er :0 1-Rrt, + R3r3 + E2: o ,

I

l-ot"*tt, +32:0
[ ,, *,, *' I::0
,
Ir +
12

t- I,+Ir+Ir:6 I I ut,-5I, -26:0
+ I::0

Ê

I, - -I2-I,

9

Ir: -(I, + Ir)

Substituindo na primeira equação:

-6(Iz+Ir)-5It:26 -6rr-6Ir-5rr:26 -6It-llIr:26
Obtemos agora um sistema de duas equações a duas incógnitas:

[-utr-rttr:26 [-41, +5lr:-32
142

- ).1\-22r,:

52

+)2rz-15 Ir:96
-37Ir:149

E1

: - 4I, +"513 -4Ir-5x4=-32 -4Ir: -12 Ir: -lr-\ Ir:-3+4:14

32

tr:l;l
t-, :--t "-l

O sentido das correntes I, e 12 é, pois, o escolhido, convergentes no ponto B. O sentido de I, é oposto ao escolhido incialmelte. As quedas de tensão são, por conseguinte:

Vr:RrIr:6xl:6V Vz : Rz It : 4 x 3 : v: : R: I: : 5 x 4 :

12Y 20Y

Redesenhando o circuito, podemos ver como se distribuem as correntes e os potenciais nos diferentes ramos.

Fig. 137 >

PROBI,EMAS PARA RESOTVER L. Calcular o valor
das correntes que circulam nos três ramos da de tensão entre os pontos A e B .

fig. 138, bem como a queda

Rl:30
Rz:4o

Rr:60
,--tE, = 6Y Ez = l2Y

Fig. 138 >

NOTA:

Considere como sentidos prováveis das correntes os indicados para o nó A.

R...

I, : i-0,23 A, Iz: -

1,34

A, I: : 1,11A, Urs : 6,66\
143

2. Calcular

o valor das correntes nos diferentes ramos do circuito da fig. 139 e quedas de tensão em cada uma das resistências. Determinar ainda a d.d.p. entre os pontos A e B.

:

Er = 24Y

Ez:

18V

E: = 36V

Rr:R:=2A'' Rz:10

B

< Fig. 139

R.:

Se

arbitrarmos Ir,

12

I I,

convergentes em B, temos:

r.

: 9 \: Ir: 12 A,,, t, . -21ÈA Vr: l8V, Vr: lZV, ir:42'V, Vou:6V
Ir

144

CAPACIDADE E CONDENSAÇÃO ELECTN,ICAS

&m.ã ffiep-effiKffi&,ffiffi wK:ftütrMrt.e

consideremos um corpo isolado no espaço e no estado neutro. comuniquemos-lhe uma determinada carga eléctrica a,. Como resultado, esse corpo ficará a um potencial que designamos por v,. Se comunicarmos uma carga Q, diferente de ar, ele ficará a um potencial V, também diferente. Poderíamos verificar que para esse corpo é constante arazão entre a carga que lhe é comunicada e o potencial a que ele fica. Essa razão constante chama-se CAPACIDADE ELÉcrRlcA. Tem por símbolo c e a unidade no sl é o FARAD, que se representa abreviadamente por F. Assim:

L= Q' vl

Qz

a
V

Y2

Q

V C
Podemos definir

-

carga eléctrica, em coulgmb (C) potencial, em volt (V) capacidaded, em farad (F)

o FARAD como sendo

a

1O

EL

ãffi.re wffiwmKwffieq;}&ffi Kr*#wffi.ãffi&
A capacidade eléctrÌca de um corpo é influenciada pela presença de outros na sua vizÌnhança. Observemos a fig. 140, onde colocamos em situações diferentes um condutor A caracterizado inicialmente por um determinado valor de capacidade. Vejamos a variação desta nas diferentes situações ilustradas, usando para o efeito, e em cada um dos casos, um duplo pêndulo eléctrico, cujo afastamento maior ou menor das suas folhas indica, respectivamente, maior ou menor concentração da sua carga. É evidente que a uma menor concentração de carga corresponde um maior valor da sua capacidade.

Fig. 140

-

Fenómeno da condensação eléctrica.

Vemos que a capacidade de um condutor A aumenta com a proximidade de um outro condutor B no estado neutro. Aumentará ainda se este condutor B estiver ligado à terra e, finalmente, mais ainda se entre eles colocarmos um meio isolador.

146

A este fenómeno chama-se coNDENSAçÃO ELÉcrRlcA, que se pode definir como

o conjunto de dois corpos condutores como Á e B, nas condições titui um CONDENSADOR. Os corpos A e B são chamados ARMADURAS.

da

fig. 140, cons-

uma determinada carga eléctrica. representa a ARMADURA COLECTORA (colecta ou junta as cargas). o corpo B, que promove o fenómeno da condensação eléctrica, chama-se ARMADURA CONDENSADORA.

' 4, o corpo ao qual comunicamos

ãm.m wKw{pffi mK ffiffiwwffi&rffi"ex}ffiKKffi
No que respeita à sua construção, os condensadores podem diferir pela:

T natureza do dieléctrico:
sólido (ex.: mica, vidro cerâmico, etc.) líquido (ex,: óleos industriais) gasoso (ex.: ar atmosférico)

I I

forma das suas armaduras: condensadores planos, cilíndricos, esférìcos.
possibilidade, ou não, de Íazervariar a sua capacidade: condensadores de capa-

cidade variável e de capacidade constante.
Há diversos modelos de condensadores, correspondendo cada tipo a uma utiliza-

ção específica.

dieléctrico

Fig. 141

ras colectora e conden-

-

As armaducamada envoìvente em resina epoxy

I

sadora constituem dois

enrolamentos separados por um dieléctrico. >

1

.l

Os condensadores tubulares (fig. 141) são constituídos por folhas de estanho ou alumínio separadas por folhas de papel parafinado, que constitui o dieléctrico. No coniunto, estas folhas são enroladas de forma a tomarem o aspecto cilíndrico e introdu-

147

zidas num reservatório, também cilíndrico, em cuja
tampa existem dois terminais acessíveis que colectam os condutores referidos. Um corresponderá à armadura colectora, o outro à armadura condensadora.
Os condensadores de capacidade variável (Íig. 142]. são muito usados em electrónica. O dieléctrico, nestes condensadores, é o próprìo ar.

Um condensador deste tipo é constituído, fundamentalmente, por dois grupos de placas condutoras paralelas. Em cada grupo estas placas ligam-se fisicamente. Um deles é fixo, o outro é móvel. Por rotação de um botão pode fazer-se variar a superfície das placas móveis

coberta pelas placas fixas e, assim, a sua capacidade. São também usuais os condensadores planos de faces paralelas como, por exemplo, o da Íig. 143.

Fig. 143

-

Condensador plano.

ffi

Fig. 144

-

Alguns tipos de condensadores.

|3 4 2

Condensador cerâmico tipo miniatura, usado em filtros passa-banda em R e TV.
Condensador de policarbonato metalizado tipo <fLat-foil>, praticamente insensível às variações de temperatura.

Condensador cerâmico tubular, usado em altas frequências em circuitos Íessonantes. CondensadoÍ electÍolítico tipo pequeno.

148

Km.,& tr&p&ffiKffi.&&K mffi PS*.&Kffi

wffiwK

ffiffiw&Kewffie-m#ëe

A capacidade de um condensador plano pode ser calculada pela seguinte expressão:

ffi,,

A,e

área activa de cadaplaca, em m2 (área comum às duas armaduras)
espessura do dieléctrico,

-

em m

e é uma constante que caracteriza cada meio e chama-se CONSTANTE DIELÉCTRICA DO MEIO.

ãffi.ffi ffi&wsw&Kywre ffiKffiÏe3Ërtrrn.rffiA
Também designada por PERMITIVIDADE ELÉCTRICA ou PODER INDUTOR ESPECíFICO, a constante e pode definir-se como sendo !,,,,,#flo.:ì*r
',1í;;tëï]i::;.#.9,,,:,:,:

No sistema internacional a sua unidade é o Íarad/metro (F/m). Esta constante é ainda dada pelo produto da permitividade relativa pela permitividade do vazio eo

KS-& P&KWKKKWXM&&W

KKK--&KXXT-&

A permitividade relativa de um meio representa o número de vezes que a permitividade desse meio é superior à do vazio e, portanto, é uma grandeza sem dimensões. No sistema internacional de unidades, a permitividade eléctrica do vazio
€o
é

:

8,8419

x

10-12 F/m

A fórmula precedente toma então o seguinte aspecto:

Na tabela da pá9. 151 podem ler-se os valores da constante dieléctrica de a lgumas substâncias normalmente usadas como dieléctricos em condensadores.

149

gSWr}Wffi$AI}Õx'
de
Se estabelecermos o contacto físico entre as armaduras colectora e condensadora um condensador, este descarrega-se fornecendo uma energia que é dada pela

seguinte expressão:

Como

.:$ -

V - d.d.p. entre as armaduras, em volt (V) Q - quantidade de electricidade, em coulomb (C) W energia da descarga, em joule Q:CV.

Substituindo O pelo seu valor na expressão anterior, temos:

ãffi.ffi ,wffiw&&m wxffiKXrpKXXr& at Ãi.Lëi.ci-ffiffiïn f Cé" -***
Ouando gradualmente se eleva a tensão aplicada entre as armaduras de um condensador, chegar-se-á a um determinado valor desta para a qual o dieléctrico ou meio isolador deixa de se comportar como tal, saltando nessa altura um arco entre as armaduras. O dieléctrico sofre perfuração e compoÍta-se à referida tensão como um condutor. Esse valor da tensão chama-se TENSÃO DE PERFURAçÃO ou TENSÃO DISRUPTIVA Vr. Esta tensão varia, naturalmente, com a espessura do dieléctrico, pelo que é normal teferi-la à espessura de 1 metro. Definimos assim a RIGIDEZ DIELÉCTRICA E, de um meio como sendo

#

***u

*rylg#

rr:àiì)ì,Èìììàìò

suraédelmetro.
os valores de Eo, para os meios isolantes usuais, :'::]ot - de isoladores ' uma cadeia é muito elevado, da ordem dos MV/m (mega- tinha M.A.r. 225kv.
volt/metro : 1 OOO OO0 V/m) ou kV/mm (kilovolt/milÊ metro : 1000 V/mm), o que é equivalente e consta de tabelas.
Ensaio dieléctrico de de uma

Eu Vo 150

e

espessura do dieléctrico, em metros (m)

rigidez dieléctrica, em volt (V) tensão disruptiva, em volt (V)

TABELA

ll -

Características de alguns materiais isolantes

A tensão a que deve funcionar um determinado,condensador, ou seja, a sua tensão nominal V,, deve ser muito ìnferior à respectiva tensão disruptiva Vr, pelo que se adopta um coeficiente de segurança K", assim definido: K,
coeficiente de segurança (adimensional) tensão disruptiva, em volt tensão nominal, em volt

Vn Vu

Este coeficiente representa

151

ãffi.# .effi$&wK,eqürK& &w

ffi&wmrc&ryffi.&x$ffiKres

Existem dois tipos fundamentais de associação: associação em série e associacão em paralelo.

À semelhança do que se passa com as resistências, também aqui os diferentes
agrupamentos de condensadores podem ser simplificados numa única capacidade equivalente. Vejamos como em cada caso se pode calcular essa capacidade.

15.9.1

ASSOCTAÇAO

EM

SEF,TE

A fig. 146 ilustra dois condensadores associados em série. A carga O do conjunto é a mesma para cada condensador associado, uma vez que as armaduras em contacto de dois condensadores contíguos adquirem cargas iguais c1 em módulo mas com sinais contrários. Então, podemos escrever:

A

.ll.lll

e

I

Q

:

Qr

: Q,

Fig. 146 Fis. 146

Por outro lado, sabemos que a queda de tensão V nos terminais do agrupamento é Ìgual à soma das quedas de tensão entre os terminais de cada um dos condensado-

res, isto é:

V:Vr+Vz De C:Q
V

temos que

V:Q

C

SubstÌtuindo V na expressão anterior, resulta:

aoo
ccrc2
lll

ccrc2

Dividindo ambos os membros por O, temos:

fórmula apenas válida e simples de usar quando temos apenas dois condensadores. Para n condensadores em série podemos estabelecer que

.Nesta expressão, como aliás já na anterior, que é um caso particular desta última, reconhecemos semelhança de forma com a expressão que nos resolve o paralelo de

resistências.

152

r5.9.e

ASSOCTAÇAO EM PARALELO

Numa associação em paralelo como a daÍig. 147, onde estão envolvidos três condensadores C,, Cre Cr,

vemos que nos terminais de cada um deles a tensão é a mesma que está aplicada ao conjunto

.-i'l-_r

V:Vr:Vz:V:
A carga total do conjunto é agora igual à soma das cargas que cada um possui, isto é:

Como

Q:Qr+Qz+Qs Q: CV
CV:CrV+C2V+C3V

-'H+_ L-l---l
I

1.,

substituindo O na expressão anterior, temos:
Dividindo ambos os membros por V, temos:

Fig. 147

C:Cr+C2+C3
Generalizando para n condensadores associados em paralelo, temos:

';ií.:,,tt1,t:,tttta,,t;tatt,tttt

Nesta expressão podemos ver, igualmente, a semelhança de forma com o cálculo de resistências em série.

PROBTEMAS RESOTVII)OS 1. Calcular
a capacidade de um condensador plano cujas armaduras têm 30 x 15 cm, o dieléctrico utilizado é a porcelana (e : 9) e tem uma espessura de 0,8 mm.

Resolução:

L:

€p€6

A
"

A=

: e : 0,8 mm :
15

x

30

450 cm2

:

0,0450 m2 Fig. 148 0,045

0,0008 m

C:9x8,84x10-12 .. ^ C:4475x10-r2F:

opooS

4,47

x 10-eF :4,47

nF

153

2. Um

condensador de papel tem uma espessura de 0,7 mm. Calcular o valor da tensão disrup6.

tiva e indicar a sua tensão nominal usando um coeficiente de segurança igual a
Resolução:

a)

Sabemos

que

Vo

:

Eo

xe

Eu(papel):8kV/mm
então

Va:8 x b)K: o-V,
vn vn
"

l0'3

x 0,7:5,6 x 103:5600V

5600

v. - 5690 : "6

e33

v
condensador de 350 pF pode fornecer durante a descarga, sabendo

3. Calcular a energia que um
Resolução:

que a tensão de alimentação é de 220 Y.

yy: iCV, z
1

V/ : + x 350 x 10-6 x 2
4. Calcular um

2202

:

8,47 J

condensador de placas usando o vidro como dieléctrico. Pretende-se que tenha uma capacidade de 315 pF para ser usado à tensão de 380 V, e um coeficiente de segurança igual a 5.

Resolução:

Ea

:

15

kV/mm

€r=6
O cálculo do condensador consiste no cálculo da espessura do dieléctrico e na ârea das suas armaduras. Determinação da espessura:

V6: K,V. Va:5 x 380 = 1900V

^-

vo
Ed

1900 _ ^ ,. mm : u,t27 . : ffi,
154

!

Determínação da área das placas:

^ C: epe6f

3t5xto-r2 =6x8,84x to-" 4:
315

rn+i_,
c:m2

.754 X 127- X 10-.6-x.-t0-r2 := 754 x lo-6 m2 :7.5 :7' 10-6 6 x g,g4 x lo-r2

Cada uma das suas armaduras poderá ter as dimensões 2,74

x

2,74 cm

.

5.

Consideremos três condensadores ligados em série com as capacidades indicadas O conjunto está submetido a uma tensão de 30 kV.

nafig. 149.

Calcular:

a) A capacidade equivalente. b,) A quantidade de electricidade em cada
armadura.

c) A

.llll.ll. | lt
cl

4pF

5pF

3ttF

tensão nos terminais de cada condensador.

c2

|
c3

Fig. 149

Resolução:

.1 I I I q C c, * c, - q b)Q:Qr:Qz:Q: Q : 1,28 x 10-6 x

e:

I

I 4

I *T*T I

C = l,2g pF

Q:CV 30 x 103 : 38,4 x l0-3

C

c)De

C:+

temosque

V:3
x lorv:7,68kv x lo3v :
l2,8kv

\/ - a -38,4x13:=9,6x103V:9,6kV '' c;- 4xto-

v,:+-C2 '
v, : '3-

3814x-!o-3 :7,68

+ C3

5x10-6 38,4 x lo-3
3x10-6

:

r2,8

PROBI,EIIAS PARA RESOTVER
1. Calcuhl a capacidade
Considere e
de um condensador plano e a tensão de disrupção cujas armaduras de alumínio têm 30 x 15 cm, o dieléctrico é o vidro e a sua espessura é de 1,5 mm.

:6 e E6 = l5kV/mm.

R..' C :

1,59 nF

;

Vo

:

22,5 kY

155

) Um

condensador está sujeito a uma tensão de I kilovott. As armaduras têm uma área de (e : 6, Ea : 15 kV/mm) e tem uma espessura de 4 mm. Calcular:
300 cm2. O dieléctrico é em vidro

a) A capacidade do condensador.
b) O valor da sua carga.

R..' a) C : 398pF; b) Q :
J.

398nC

Calcular a energia de descarga de um condensador de25 p.F/380Y

.

R..'

W:1,8J

4. Que espessura de papel deverá ser utilizada num condensador cujas armaduras têm as dimensões 15 x 5 (cm) e cuja capacidade se pretende que seja de 350 pF? Considerc e : 2,5.

R.; e =
5.
Dispomos de 2 condensadores em série de capacidades 6

0,05cm
12pF, sob uma tensão de 15 kV.

pF e

Calcular:

a)

A

capacídade equivalente.

b) A quantidade de electricidade por armadura.

c) A

tensão nos terminais de cada condensador, respectivamente.

R.: a)C:4p"F; b) Q:60mC; c) Vr: l0kv, V2:5kV
6. A tensão aplicada
a) b)
Dispomos de 4 condensadores em paralelo de capacidades todas iguais e cujo valor é de 30 pF. é de 220 V. Calcular:

A

capacidade combinada ou equivalente. carga

A

lotal armazenada pelo conjunto. a) C

:

120 p.F

; b) Q :

26,4mC

7. Dispomos

de uma associação mista de condensadores, como mostra a fig. 150. As capacidades respectivas são:

Cr:6F Cz:3F C::lF
A tensão aplicada ao agrupamento
Calcular:
é de 220

V

.

a) A, capacidade combinada.
b) A carga em cada uma das armaduras.

Fig. 150

R.: a) C:2,4 F; b)
156

Q,

: 528C,

Qz

= 396C, Q: : l32C

2
ETECTROQUÍMrcA

157

ELECTR,OLISE

A Electroquímica estuda os fenómenos e leis relacionadas com as transformações mútuas das energias química e eléctrica. lniciaremos por um destes aspectos, o da ELECTROLISE, que estuda os fenómenos relacionados com a conversão de energia eléctrica em energia química. Seguidamente, abordaremos a PRODUçÃO DA ENERGIA ELÉCTRICA, partindo da utilização da energia química. Finalmente, o aproveitamento industrial de ambos os fenómenos.

&&.ã xewffirymwy*xxmm
A propósito da condutibilidade, diferenciámos já as diferentes substâncias em boas e más condutoras da electricidade. Nos meios líquidos, não contando com os isoladores como a água pura, o álcool, petróleo e, de uma forma geral, todas as substâncias orgânicas, podemos distinguir o duas classes de condutoÍes. Uns, como o mercúrio, que é um metal líquido no seu estado natural, assim como todos os metais fundidos, conduzem a corrente eléctrica sem sofrerem qualquer alteração na sua própria estrutura molecular. São chamados CONDUTORES DE 1.4 CLASSE. Outros há em que a condução da corrente implica alterações químicas mais ou menos profundas da sua estrutura. São designados por ELECTROLITOS ou GONDUTORES D.E 2.4 CLASSE. São justamente os electrólitos os condutores que interessam de forma exclusiva à electrólise. Podemos definir ELECTROLISE como

São electrólitos, as soluções aquosas de ácidos, bases e sais. São exemplos, o ácido sulfúrico H2SO4, os hidróxidos de sódio NaOH e de potássio KOH, normalmente conhecidos por soda e potassa cáusticas, respectivamente; o cloreto de sódio NaCl , que é o sal de uso alimentar, o cloreto de cobre CuClr, o cloreto de amónio NHnCI , etc.

159

K&.&

rcre&KK-&-

&,& &KffffiffiffiKery,I:L ÕwK

&KKKKXWXXY$
H,SOo

H+
H*
Fig. 151

SCP;

Y_r_
Na*
OH-

Dissociação electrolítica: em solução aquosa, as moléculas dos eléctrólitos dissociam-se nos respectivos iões.

-

Admite-se que logo que um ácido, base ou sal é diluído em água, as moléculas constituintes cindem-se em duas partes electricamente carregadas e de sinais contrários. Assim, por exemplo, a molécula de cloreto de potássio desdobra-se em dois iões: um ião positivo K+ e outro negativo Cl-. A molécula de ácido sulfúrico desdobra-se em dois iões positivos H*, (hidrogeniões) e no radical SOí-. Estas cargas compensavam-se mutuamente na molécula que se conservava electricamente neutra.

&&"m ffiwKKKeywK xmRwxc"â,
Ouando num electrólito mergulhamos duas varas de material condutor, os ELÉCTRODOS, e entre eles aplicamos uma d.d.p., observamos uma migração das referidas

cargas. Os iões positivos ou CATIÕES dirigem-se para o eléctrodo negativo ou CÁTODO. Os iões negativos ou ANIÕES deslocam-se no sentido do eléctrodo positivo ou ÂruOOO. Uns e outros descarregam-se em contacto com os respectivos eléctrodos. Aí, convertem-se nos respectivos átomos, podendo passar ao estado molecular e libertar-se. Podem também reagir com o metal que constitui os eléctrodos, dando origem a novo produto, ou ainda passar à solução e com ela reagir. Em qualquer dos casos, NO ÂNoDo DA-SE SEMPRE UMA OXIDAÇÃO, isto é, os aniões elevam o valor negatìvo da sua carga até zero, passando a átomos neutros. Ex.: O ião cloreto Cl-, ao chegar ao ânodo, cede um electrão, convertendo-se em átomo neutro. Aumentou o valor relativo da sua carga, passando de - 1 a 0: oxidou-se. NO CÁTODO DA-SE SEMPRE UMA REDUçÃO. Os catiões recebem do eléctrodo o número de electrões em falta, diminuindo a sua carga positiva até ficarem neutralizados, situação em que a sua carga ézero. Ex.: O ião Cu2* recebe dois electrões em contacto com o cátodo, diminuindo o valor relativo da sua carga, passando de

+2aO:reduziu-se.

Âwooo
160

- oxrDAÇÃo

CATODO

_

REDUCÃO

K&.&

ffiK*KWWmmX"XWm SXKKPEKS

mK*KffiWm&mxmm
Esta experiência está ilustrada

w& &%Õx,KwÕ mw tr&&&K

fig. 1 52. Nela podemos ver uma tina electrolítica, em vidro ou plástico, que contém uma solução
na

aquosa de cloreto de cobre CuClr.

Existem ainda dois eléctrodos de eléctrodo de grafite grafite - a grafite é uma variedade cloro solução gasoso de carvão - que mergulham paraquosa de eléctrodo cialmente no electrólito. Estes elécÇuCl, de grafite depósito trodos encontram-se ligados a uma metálico de cobre fonte de corrente contínua. Ouando se estabelece a corrente, começa Fig. 152 - Electrólise simples do cloreto de cobre. a produzir-se, ao fim de alguns instantes, um desprendimento gasoso junto do ânodo. Pelas suas propriedades, nomeadamente o cheiro característico, e a sua eor amarelo-esverdeada, concluímos tratar-se do cloro. Por outro lado, junto do cátodo observa-se a formação de um depósito metálico. Pela sua cor vermelha característica e o seu brilho metálico, reconhecemos ser o cobre. A explicação é simples. As moléculas do cloreto de cobre CuCl, em solução aquosa dissociaram-se nos respectivos iões: CuCl,

-

Cu2*

+ 2Cl-

Os catiões Cu2+ dirigem-se para o eléctrodo negativo, sendo aí reduzidos. Os iões agora convertidos em átomos depositam-se sobre o eléctrodo, dando o aspecto já referido atrás. Cada um dos aniões C/- dirige-se para o eléctrodo positivo, sendo aí oxidados. Transformam-se em átomos C/, ligam-se então dois a dois para formar moléculas de cloro, que se libertam junto do eléctrodo, como foi referìdo.

Esta electrólise é simples, uma vez que o processo se limitou à cisão molecular do electrólito e ao endereçamento dos iões para os eléctrodos respectivos.

3.&",W KK*KffiWmreX.XWmffi ffiWKtfPS.mK,&ffi KK,&'ffi ç&mm ffi wwxvw$"eeKs"ffi
A experiência que se segue é um exemplo de uma electrólise complexa, onde, para além de uma primeira reacção química, que se chama REACçÃO PRIMÁRIA, o processo evolui dando origem a outras reacções subsequentes. Nuns casos, os produtos resultantes da reacção electrolítica primária reagem com os eléctrodos; outras vezes, com o electrólito; outras vezes, entre eles próprios. 161

16.5.r ELEcTRór,rsn no Ácroo sur.,r'úF,rco ou ELECTF,ór,rsn oe Áeue
oxlgenlo molecular

hidrogénio molecular
H2

H2

o2

a

águâ acidulada 10 9o pelo

ácido sulfúrico

f,

Ã

O volume do hidrogé-

nio libertado é duplo
eléctrodo de platina do volume de oxigénio

2H2O*2H21 +Ozl

< Fig. 153 da água.

-

Elecrrólise

Nesta experiência, utilizamos uma tina electrolítica, atravessada no fundo por dois contactos eléctricos, aos quais se podem adaptar eléctrodos de diferente natuVOLTÂMETRO.

reza (fig. 153). Uma tina electrolítica nas condições referidas designa-se por

O electrólito é uma solução aquosa de ácido sulfúrico a 1oo/o (dez partes de ácido para noventa de água). Os eléctrodos geralmente utilizados nesta electrólise são em platina ou carvão, substâncias que não soÍrem corrosão pelo ácido sulfúrico. Dois tubos de ensaio em posição invertida encontram-se, no início da experiência, cheios de água acidulada do electrólito. Estes tubos não devem tocar no fundo, para permitir a circulação da água, e neles penetram os respectivos eléctrodos. Ao estabelecer a corrente eléctrica, verifica-se de imediato um desprendimento gasoso em ambos os tubos. Podemos verificar que, naquele a que respeita o cátodo, esse desprendimento é mais intenso - duas vezes superior -, o que se pode constatar, fazendo a comparação, em qualquer momento, dos volumes de gás existente em cada um dos tubos. Os gases em questão são o hidrogénio, que se liberta junto.ao cátodo, e o oxigénio, junto ao ânodo, na proporção de dois volumes do primeiro para um volume do

segundo. Sendo o hidrogénio e o oxigénio os produtos resultantes desta experiência, tudo se passa afinal como se a água fosse decomposta nos seus elementos. Esta é a razão por que se chama impropriamente, a esta experiência, ELECTROLISE DA ÁGUA. E dizemos impropriamente, porque a água, sem adição do ácido, não seria condutora, jamais

seria electrolízada. Vejamos as reacções químicas que se operam. As moléculas de ácido sulfúrico encontram-se no electrólito divididas em iões H+, chamados hidrogeniões, e no radical ácido SOI-, que é o ião sulfato ou sulfatião.

H2SO4-2}{*+SO?162

Os hidrogeniões dirigem-se para o cátodo, onde sofrem redução, e libertam-se em hidrogénío molecular

2}I+

+2e-}l2,/

Esta primeira reacção, que tem como consequência a libertação de hidrogénio no cátodo, designa-se por REACÇÃO eleCrnOLíTICA PRIMARIA e segue o esquema:
H2SO4

-

SO+

+

H2

,/

Os sulfatiões, que têm carga negativa, como sabemos, seria de esperar que se dirigissem para o ânodo onde, por oxidação, se transformariam em átomos neutros. Porém

tal não acontece, pois o radical SOn não pode existir livre, no seu estado neutro.
Face a esta impossibilidade, os sulfatiões vão reagir com a água do electrólito, e é nesta REACçÃO ELECTROLíT|CA SECUNDÁR|A que aparece como produto o oxigénio que se liberta junto do ânodo. Esta reacção segue o seguinte esquema:
2 SO4

+

2H2O

*

2 H2SO4

+ O, ./

Deve notar-se que, nesta reacção, para além da libertação de oxigénio, há uma recuperação da molécula do ácido sulfúrico, que, como sabemos, logo se dissocia no electrólito. lsto significa que a quantidade inicial de ácido na solução mantém-se ao longo da electrólise, o mesmo não acontecendo com a quantidade de água, cadavez menor na solução à medida que o processo evolui. Resulta daqui que, no final da electrólise, a concentracão de hidrogeniões na solução e, portanto, de ácido é maior do que no início da experiência.

â6.&

X,KXffi mrc X'&KAX}.â"Y

As leis de Faraday resumem e generalizam algumas conclusões que podemos tirar das experiências anteríores.

16.6.T LEIS QUALITATIVAS DA ELECTN,OLISE
w As moléculas do electrólito encontram-se já dissociadas nos respectivos iões. Sob uma d.d.p.: os iões positivos vão para o cátodo; os iões negativos vão para o ânodo.

K Os produtos resultantes da electrólise aparecem unicamente junto dos eléctrodos e nunca no interior do electrólito. K Os produtos resultantes da electrólise podem libertar-se simplesmente junto dos
eléctrodos ou originar reacções secundárias, podendo reagir entre si, passar à solução ou ainda reagir com o próprio eléctrodo.

163

16.6.e LErS QUANTTTATTVAS DA ELECTROLTSE

m

oucomo

Q:Ixt

*,,,tuK,:,,:,9;1,:lL{:,;,,:.:g,;;;;:,,:{:;:;:::,

QI t -

massa de elemento libertada ou depositada, em gramas

quantidade de electricidade, em coulomb intensidade da corrente, em ampere tempo de passagem da corrente, em segundos

K é uma constante de proporcionalidade e chama-se EOUIVALENTE ELECTROOUíMICO DO ELEMENTO
lsto mostra que a massa libertada ou depositada é directamente proporcional à intensidade da corrente eléctrica e ao tempo de passagem da mesma.

Vejamos que significado tem esta constante; para isso consideremos

Q:lC(cargaunitária)

m: KQ

Q=rc+[-:ì--l
U.úíryl:,:;::i

Normalmente o equivalente electroquímico exprime-se em milÍgramas por coulomb.

H

2.A LEI DE FARADAY

Da Ouímica sabemos que o equivalente-grama de um elemento é dado pelo quociente do seu peso atómico A pela sua valência. Podemos então dar nova configuração à expressão anterior:

que resulta de exprimirmos a constante K como função do equivalente -gr^*u

do elemento libertado ou depositado, ou seja, K
uma grandeza sem dimensões.

:

K'+

f
é

O equivalente-grama

164

TABELA

lll -

Equivalentes-gramas e electroquímicos

A valência de um elemento representa o número de átomos de hidrogénio que esse elemento substitui na fórmula de um ácido para dar um sal. Ex.: No sal CuSOn, que é o sulfato de cobre, o elemento cobre substitui dois átomos de hidrogénio no ácÌdo que lhe corresponde H2SO4. Logo, a sua valência é 2. Vamos seguidamente verificar que

Para isso, façamos na fórmula anterior

nova grandeza F. Assim, a fórmula anterior resulta nesta outra

K' : F.
1

Definimos desta maneira uma

m:1'A'o FnDeterminemos a quantidade de electricidade necessária para libertar o equivalente-

-grama de um dado elemento, o que se consegue Temos então donde se deduz:

que

A n

laq Fn

fazendo * : 4 n

.

F é uma constante, chama-se CONSTANTE DE FARADAY e representa a quantídade de electricidade necessária para libertar o equivalente-grama de qualquer elemento. O seu valor é o mesmo para todos os elementos e é igual a 96 500 C

F:

96 500 coulomb

165

A 2." lei de Faraday pode então exprimir-se da seguinte maneira:

A n It -

m

massa, em gramas peso atómico

valência intensidade da corrente, em ampere tempo, em segundos

em que K é o EOUIVALENTE ELECTROOUíMICO
ltt:::.|::ttiii.tttti

PROBTEUA RESOI.VilIO
cobre que se deposita no cátodo durante a electrólise do cloreto de cobre, sabendo que durante 3 horas se fez passar uma corrente de 10 amperes. O peso atómico do cloro é 35,5.

Calcular

a massa de

Resolução:

m: K.I.t
^ m: e6fr-x
m--

I

Xt x
10

35.5

965O0x2

x l0 800 :

19,87 g

PROBLEIIA PARA RESOTVER
o Calcular
a massa de prata que se deposita no cátodo quando, durante 2 horas, se faz passar uma intensidade de corrente de 7 amperes.

opesoatómicodaprataé l0g. A 166

prataémonoatómica.

R... m

:

s6,4g

16.6.õ

DEFTNTÇÃO ELECTF,OLÍTrCA DE AMPERE

A precisão com que podem ser medidas as massas de elemento depositado ou libertado em função da intensidade da corrente eléctrica, fazem da electrólise um processo

de grande rigor a que se recorre para medidas exactas da corrente. São designados por voltâmetros os aparelhos que, baseados no processo electrolítico, permitem a medida da intensidade da corrente eléctrica. Daqui também a definição de ampere, aceite internacionalmente como unidade padrão da intensidade da corrente:

ãm"ry &K'ffimffi ffiffix*KHruffffir* ffi w#Kw&ffie# eé& ffiffip#ffiKffi# m3*wmwm&$&KffiK#ffi

&d,@

ffiFffi wffiffi

Vejamos agora um exemplo de electrólise complexa, cuja reacção secundária leva à decomposicão do próprio eléctrodo positivo ÂwOOO SOLÚVEL e à formaÇão de um depósito electrolítico do metal anódico sobre o cátodo.

16.7.T ELECTF,OLISE DO SULFATO DE COBR,E
Utilizamos para o efeito uma tina electrolítica que contém uma solução aquosa de
sulf
ânodo

*

ato de cobre

CUSO

o

a

25o/o. A adicão de umas gotas de ácido sulfúrico torna melhor

condutora

acelerando o processo sem lhe alterar os resultados. Dispomos de

a solução,

solução

aquosa de

sulfato

de

cobre a 25Vo

dois eléctrodos de cobre que propositadamente corresponFig. 154 - Electrólise do sulfato de cobre. dem ao metal do sal. Estes eléctrodos são ligados a uma fonte de tensão contínua com a polaridade indicada na fig. 154. Ao fim de algum tempo torna-se visível que o ânodo vai-se desgastando e, simultaneamente, o cátodo vai engrossando devido à formação de um depósito metálico de cobre. No final da experiência, se compararmos os pesos de ambos os eléctrodos e, portanto, as massas respectivas, concluiremos que a massa perdida pelo ânodo cor167

responde ao acréscimo de massa do cátodo. Neste tipo de electrólise dá-se uma transferência do metal que constitui o ânodo para o cátodo. Por esta razão chama-se ÂruOOO SOLÚVEL ao eléctrodo positivo.

Analisemos as duas etapas do processo

electrolítico.
é

:

A equação de dissociação da molécula de sulfato de cobre

CuSOo+Cu2++SOl-

r

REACçÃO ELECTROLíT|CA PR|MÁR|A

Sob a acção da corrente eléctrica, os cupriões (positivos) dirigem-se para o cátodo. Neste são reduzidos Cu2+

+ 2e

-

Cu

passando a átomos de cobre, formando uma camada deste metal e envolvendo o cátodo, que assim vê aumentada a sua massa inicial.

I

REACçÃO ELECTROLíT|CA SECUNDARTA

Os sulfatiões SO'n- não podem existir livres, como sabemos. Dirigem-se para o ânodo, onde se combinam com o metal.

SO4+Cu-CuSOo
O cobre, que constitui o ânodo, vai desaparecendo, passando à solução molecularmente combinado com o sulfato. A concentração deste mantém-se, pois, constante

;

durante o processo electrolítico. A Íormação de um depósito metálico baseado num processo electrolítico é um fenómeno de que se faz aproveitamento industrial, que é do domínio da GALVANOTECNlA, assunto de que nos ocuparemos em seguida.

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W

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Uïãtd.gë..ë'4#Ë.

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Existem dois processos industriais distintos na Galvanotecnia: a galvanostegia a galvanoplastia.

e

16.8.I

GALVANOSTEGIA
,::*àÈnSiìàìÈì;,,,,,,,,,,

..,r.r.ì..ì'eòíììììà,..,àÈ:::ìèì;sti:í.à:là*i*l ò*ÈàamÁíaliìírfu6;
trolítico de outro metal.

Um dos objectivos é evitar a oxidação do metal subjacente. Para isso, utilizam-se metais inoxidáveis, como o níquel e o crómio. Um outro aspecto que normalmente

168

lhe está associado é o aspecto decorativo que tais revestimentos proporcionam. Pode interessar apenas este, quando se pretende dar um banho de ouro ou de prata em objectos metálicos de custo incomparavelmente mais reduzido. Consoante o tipo de revestimento, as operações referidas tomam designação própria: niquelagem, cromagem, douradura, prateadura, cobreamento, zincagem, etc,

A tecnologia utilizada em qualquer dos casos segue a seguinte filosofia:

r A peça ou material a revestir constitui o cátodo. . O ânodo deve ser uma placa do metal com que se pretende r O electrólito deve ser um sal desse metal.

cobrir a peça.

Estabelecida a corrente, o sal do metal é electrolÌsado, mantendo constante a sua concentração. Através dele, faz-se o transporte do metal do ânodo, ânodo solúvel, para a superfície da peça, que constitui o cátodo. A peca a revestir deve ser previamente limpa e desengordurada, de forma a que o depósito electrolítico adira convenientemente na sua superfície.

16.8.2 GALVANOPLASTIA

Esses moldes são, geralmente, em guta-percha, que é um material plástico. Para se tornarem condutores, funcionando como cátodo, são revestidos de uma fina pelÊ

cula de grafite ou pó de estanho. O ânodo é, como sabemos, uma placa do metal com que se pretende revestir

o molde. O electrólito deve ser um sal desse metal.

169

PRODUÇA O DE ENEN,GIA ELECTH,ICA: GER,AD ON,E S HIDR,OE LE CTR,ICO S
Designam-se genericamente por geradores hidroeléctricos as pilhas e os acumuladores. Realizam a transformação da energia química em energia eléctrica. Ambos são fontes de tensão contínua, mas diferem no princípio de funcionamento. Os acumuladores têm um funcionamento reversível, isto é, funcionam como geradores e, quando descarregados, podem funcionar como receptores, reconstituindo as

condições iniciais. As pilhas não são reversíveis, uma vez descarregadas não é possível recuperá-las.

ã?.&
n I

wxKã#&ff&

A produção de energia eléctrica a partir de reacções químicas assenta sobre duas importantes condições:
existência de um electrólito dissimetria de eléctrodos (diferente natureza)

Uma vez realizadas, temos constituído um gerador hidroeléctrico. Foi com base nestes efeitos que Galvani e Volta iniciaram as investigações, sendo notável a contribuição destes cientistas neste domínio. A primeira pilha realizada deve-se a Volta e é conhecida pelo seu nome.

I7.I"I PILHA DE VOLTA
Na fÌ9. 155 representa-se um ELEMENTO
DE

6:.:::':,',:,

.,
zlnco pano embebido
f I l l
I

PILHA tal como Volta primeiramente utilizou. É constituído por dois discos de metais diferentes: um de cobre e outro de zinco, o que satisfaz a segunda das condições enunciadas dissimetria de eléctrodos. A separar os discos de cobre e zinco. que correspondem aos eléctrodos positivo e negativo, respectivamente,

I

em ác. sulfúrico

-

diluído
cobre

l
1

1

i
Ì

Fig. 155

-

Elemento de pilha de Volta.

171

está o electrólito: ácido sulfúrico diluído, embebendo rodelas de pano que lhe servem de suporte. Está assim criada a outra condição necessária para que o conjunto funcione como um gerador electroquímico. Este gerador elementar designa-se por ELEMENTO DE PILHA. Tem individualidade própria, oferecendo uma zrnco f.e.m. constante de 1 volt. feltro embebido em ác. Volta não se limitou a usar um elemento; utilizou sim sulfúrico. um certo número dele,s, que dispôs uns a seguir aos cobre outros, isto é, empilhou-os, formando o que se chama uma pilha (fig. 156). É esta designação que persiste, caracterizando de uma forma geral qualquer dispositivo gerador deste tipo. Duas hastes metálicas recolhem a polaridade. Uma delas liga-se ao cobre pela parte inferior da pilha. A sua extremidade superior é adaptada para efectuar ligação. Fig. 156 - Pilha de Volta. É o seu POLO POSITIVO. A outra haste liga-se ao primeiro disco em zinco. A sua extremidade superior, também adaptada para ligação, corresponde ao PÓLO NEGATIVO da pilha. A razão do empilhamento e a forma como as hastes colectam a polaridade corresponde a uma série de quatro elementos cuja f .e.m. é quatro vezes superior àquela que um só elemento poderia desenvolver. Estas pilhas foram posterior- i, mente modificadas. Os discos de cada elemento foram substituídos por placas que mergulham no elec-

trólito, constituindo o que

se

designa por PILHAS DE IMERSÃO (Íig. 157). Em presença um do outro, os

placa de cobre

placa de zinco ácido

dois metais comportam-se

de

maneira diferente. O cobre tem ten-

sulfúrico diluído

dência a perder electrões, por isso constitui o ânodo. O zinco tem tendência a captar electrões, daí cons-

a

1090

tituir o cátodo.
Diz-se que a f.e.m.

157 - Variante de imersão da Pilha de Volta.

o zinco é mais electronegativo que o cobre ou, se pretendermos,

que este é mais electropositivo. É esta diferença de electronegatividades que origina

A reacção química que traduz o processo eÌectrolítico é a seguinte:

H2SO4rZn-ZnSOo+I{r,/
172

1?.

r.2

POLAF,TZAÇÃO

A produção de hidrogénio na experiência anterior ocorre na
generalidade dos geradores electroquímicos e dá-se sempre a nível do

ânodo. O hidrogénio formado acaba sempre por se depositar
sobre o eléctrodo, formando uma
f

ina película envolvente que,

à

Fig. 158 - Polarização de eléctrodo. A formação de uma trodo, impedindo o contacto deste película de hidrogénio que envolve o ânodo é causa da com o electrólito. Em consequên- depreciação da f.e.m. cia, há uma depreciação progressiva do valor inicial da f.e.m,, que pode chegar a anular-se por completo. O fenómeno designa-se por polarização do eléctrodo e, a título de definição, podemos dizer que

medida que o processo decorre, vai gradualmente bloqueando o eléc-

1?.

1.õ

PR,OCESSOS

DE DESPOLAR,IZAÇÃO

Um dos processos que permite repor o Íuncionamento do elemento de pilha de Volta na experiência anterior, é remover a capa de hidrogénio que cobre o ânodo, por exemplo, com um pincel. Este método, contudo, não é prático, se nos lembrarmos que, na esmagadora maioria dos casos, as pilhas, pela sua concepção, são inacessíveis ao inte-

rior. Como alternativa, recorre-se, na prática, a substâncias oxidantes, isto é, substâncias que possuindo elevado teor de oxigénio se combinem com o hidrogénio formado, desbloqueando assim o eléctrodo positivo. As mais usuais são: o dicromato de potássio, KtCrtOr, o peróxido de hidtogénio, HrOr, conhecido vulgarmente por água-oxigenada, o dióxido de manganês, MnOt, o ácido nítrico, HNOs, e o próprio oxigénio do ar, Or. Seguidamente, faz-se a descrição da constituição e princípio de funcionamento de um elemento de pilha que utiliza um despolarizante.

L7.L.4 ELEMENTO DE PILHA DE LECLANCHE
si
fundamentalmente constituída por um recipiente contendo uma solução aquosa de cloreto de amónio, NH4CI, a 25o/o. Os eléctrodos são: um de zinco, em forma de
E

173

placa de carvão
vara cilíndrica de zinco

solução aquosa de cloreto de amónio a 25Vo

üaso poroso em porcelana recoberto com mistura de pó de carvão e dióxido de manganés

<

Fig. 159 - Pilha
plano a.

de
o

Léclanché: perspectiva

e corte, segundo

vareta, que constitui o pólo negativo, o outro uma placa de carvão das retortas, que será o seu pólo positivo (fig. 159). o dispositivo antipolarização é constituído por um vaso poroso, em porcelana, que envolve toda a placa anódica de carvão. Toda a superfície deste vaso é recoberta de uma mistura de pó de carvão com o despolarizante, o dióxido de manganés, Mnor.

ffi

PRINCíPIO DE FUNCIONAMENTO

O zinco combina-se com o cloreto de amónio da solução, formando cloreto de zinco, que nela se dissolve. Em consequência, o zinco electriza-se negativamente. O processo segue o seguinte esquema:

+ 2NH4CI ZnCl, + ,ì", ,r" CLORETO DE AMÓNIO CLORETO ZINCO
DE DISSOLVE-SE NA

ZINCO RADICAL AMÓNIO

soLUÇÃo

seguidamente, o radical amónio, que é o outro produto da reacção, desdobra-se em amoníaco e hidrogénio molecular, que se formam junto do eléctrodo positivo. A equação é a seguinte:
2 NH,

I
RADICAL AMÓNIO AMONIACO

nrlnocÉNIo
I

Hr/ ï-

I I

DrssoLVE-sE
NA soLUÇAo

É

oxrnalo

pBLo

I

DESPOLARIZANTE MnO,

O amoníaco dissolve-se na solução e o hidrogénio é oxidado pelo dióxido de manganés, segundo a equação:

2MnOr+H2--MnrOr+H2O
174

O hidrogénio não chega, pois, a libertar-se no ânodo, combina-se com o despolarizante. À partida, parece termos ultrapassado o efeito da polarização. Na verdade, só parcialmente ficou resolvido o problema. O motivo é que, em igual período de tempo, produz-se mais hidrogénio do que aquele que é neutralizado pela acção do dióxido de manganés. O uso continuado da pilha tem como consequência uma lenta polarização, que rapidamente desaparece logo que deixamos de a utilizar. Por este motivo, o uso da pilha de Léclanché só é viável em regimes caracterizadamente intermitentes, como, por exemplo, campainha, telégÍafo, etc.

I7.I.5

PILHAS SECAS
são
eléctrodo de carvão

As pilhas secas

fundamentalmente pilhas tipo Léclanché, em que o electrólito e o despolarizante impregnam uma pasta poÍosa de serradura de madeira ou pasta de papel (fig. 160). A imobilização do elec-

invólucro
de zinco revestimento plástico

despolarizante

MnO,
massa aglu-

trólito no seio da pilha conf ere-lhe uma grande
versatilidade, bem eviden-

tinante do electrólito
NHoCI

ciada nas tradicionais

Fig. 16O

-

Pilha seca: constituição.

pilhas de bolso, pelo seu fácil transporte, reduzido peso e dimensões, fácil formatação e custo reduzido. A menos de uma nova configuração, vamos encontrar a mesma constituição que a versão anterior do tipo de imersão: um eléctrodo positivo de carvão envolvido por uma bolsa, no interior da qual se concentra o despolarizante no seio de uma massa pastosa; um eléctrodo negativo em zinco amalgamado, que constitui simultaneamente o invólucro do conjunto; finalmente, entre as regiões descritas existe o electrólito {cloreto de amónio) imobilizado também por uma pasta aglutinante. Embora a designação de pilhas secas não corresponda à realidade, pois o funcionamento da pilha só é possível enquanto a pasta estiver húmida, tem por objectivo distinguir este modelo do anterior, em que o electrólito é líquido.

I?.1.6 PILHAS DE MER,CÚNTO
As pilhas de mercúrio são notáveis pela sua maior capacidade e estabilidade e menores dimensões que as pilhas atrás descritas. Daí a sua grande utilização em circuitos miniaturizados como, por exemplo, nos relógios digitais, máquinas de calcular e em inúmeras aplicações no domínio da electrónica. Têm uma f.e.m. típica de 1,4 volt.

Fig. 161 -

Pilha

de mercúrio.

175

Os constituintes desta pilha são: um eléctrodo positivo autodespola rizável, formado por óxido de mercúrio estratificado; um eléctrodo negativo, constituído por um disco em zinco; finalmente, uma solução alcalina de hidróxido de potássio incorporada numa massa absorvente constitui o electrólito. Todo o conjunto é envolvido por uma protecção em aço niquelado.

L7.L.7 PILHA WESTON
A pilha de Weston é uma pilha não polarizável. É utilizada como pilha-padrão em virtude de, a determinada temperatura, manter constante o valor da sua f.e.m. A 20'C a sua f.e.m. é de 1,01 864 volt. Na fig. 162 mostra-se como é constituído este elemento de pilha, f undamentalmente;

tr I I

um eléctrodo positivo, constituído por mercúrio e sulfato de mercúrio;

Fig. 162

-

Pilha Weston

um eléctrodo negativo, constituído por uma liga de cádmio encimada por cristais de sulfato de cádmio; o electrólito é uma solução saturada de sulfato de cádmio.

I7.I.8

OUTF,OS TIPOS DE PILHAS

Existem outros modelos de pilhas, a que o quadro seguinte faz referência.

I7.I.9

CONCLUSOES SOBB,E OS GER,ADOR,ES HTDF,OET_,ÉCrnrcos

Do estudo que fizemos do elemento de pilha de Volta e do elemento de pilha de Léclanché, podemos ainda concluir que:

n
176

cada elemento de pilha caracteriza-se por um valor próprio da f.e.m.

n n

A f .e.m. depende unicamente da natureza dos eléctrodos e da natureza do elec-

trólito. A f.e.m. não depende nem das dimensões do voltâmetro, nem da concentração do electrólito, nem das dimensões ou posição relativa dos respectivos eléctrodos.

&Y.& &WKKMKyX*&m&KmS
Os acumuladores são geradores electroquímicos tal como as pilhas tradicionais. delas diferindo, contudo, em alguns aspectos fundamentais:

n I n E

acumulam potencialmente grandes quantidades de electricidade, Íacto que justiÍica a sua própria designação; têm maior duração, apresentando um valor de f.e.m. aproximadamente constante durante a utilização;

fornecem correntes de intensidade muito superior; têm um funcionamento reversível, isto é, depois de descarregados, admitem recarga recuperando as condições iniciais de funcionamento.

As pilhas tradicionais contrapõem a todas estas vantagens a versatilidade do seu uso, que lhes advém das reduzidas dimensões, ausência de manutenção e ainda o custo incomparavelmente mais baixo. A utilização destas é exclusiva de aparelhos de reduzidas dimensões e baixo consumo.

1?.2.I
&

PR,INCÍPIO DE FUNCIONAMENTO

REVERSIBILIDADE

A reversibilidade de funcionamento, que caracteriza e distingue os acumuladores dos restantes geradores electroquímicos, consiste na possibilidade de poderem funcionar ora como geradores, fornecendo corrente ao exterior, ora como receptores, com recuperação da carga inicial.

re

FUNCIONAMENTO COMO RECEPTOR

Na fig. 163 dispomos de um circuito constituído por um acumulador, uma fonte de tensão contínua, um comutador de três posições e uma resistência de carga. Com o selector na posição 1, o acumulador está submetido à tensão do gerador. Esta operação, que se designa por recarga do acumulador, tem uma duração de algumas horas findas as quais se restabelecem as condições iniciais, nomeadamente o valor característico de f .e.m. Na fig. 163 indica-se ainda o sentido da corrente de carga.

177

I

a Fig. 163

-

carga de um acumulador.

ffi

FUNCIONAMENTO COMO GERADOR

Com o comutador na posição 2, o
acumulador, uma vez carregado, irá debitar sobre a resistência de carga, & ttig. 164). Notar que o sentido da corrente de

descarga

é

inverso do anterior. Após
Rr

longo período de utilização, durante o qual a f.e,m. se mantém aproximadamente constante, o seu valor cai bruscamente, o que indica que o acumulador está descarregado. Nesta altura deverá iniciar-se novamente o processo de carga, pois não só o valor da f .e.m. é consideravelmente

Id

Fig. 164

-

Descarga-áe um acumulador.

mais baixo como, a manter-se, levará à própria inutilização do acumulador.

L7.2.2 TIPOS DE ACUMULADOA,ES
Existem dois tipos fundamentais:

I tr

ACUMULADORES DË CHUMBO OU ÁCIOOS ACUMULADORES DE NíOUEL ou ALCALINOS

Ambas as designações se baseiam na natureza dos respectivos eléctrodos ou na natureza ácida ou alcalina do respectivo electrólito.

L7.2.3 ACUMULADOF,ES DE CHUMBO-ACIDO
L?

.2.3.L CANACTENÍSTICAS

Estes acumuladores são constituídos por vários elementos ligados em série, com vista a obter uma f.e.m. superior à que caracteriza cada um deles.

178

Vejamos a constituição de um desses elementos, esquematicamente representado na fig. 165. O electrólito é uma solução aquosa de ácido sulfúrÍco. Os eléctrodos são constituídos por duas placas: uma constituída essencialmente por chumbo esponjoso de cor acinzentada, que é a placa negativa; outra apresenta um revestimento de dióxido de chumbo, Pbo2, identificável pela cor castanho-escuro, e constitui a Fig. 165 * Acumulador de chumbo. placa positiva. Nesta dissimetria está a base do seu funcionamento como gerador. A f.e.m. característica de cada elemento e {voft.

L7

.e3.2

&EACÇÕES ELECTfuOLÍTTCAS

descarga

+

carga

Fig. 166

e final de carga de um acu-

-

Situação inicial

d=

1,15

mulador ácido.

W DESCARGA
Durante a descarga, os eléctrodos vão perdendo a dissimetria inicial, como resultado da seguinte reacção electrolítica:

O segundo membro desta equação dá-nos efectivamente conta dessa tendência

devido à formação simultânea, em ambos os eléctrodos, ,de sulfato de chumbo PbSO4. Em consequência, a Í.e.m. vai gradualmente diminuindo. Da mesma maneira constatamos uma diminuição da densidade do electrólito e, portanto, da sua concentração inicial, devido à formação de água.

w

SULFATAçÃO DAS PLACAS

Atingido o valor final de descarga para uma dada bateria, ou ainda após um longo período de inactividade, se insistirmos na sua utilização, dá-se o fenómeno de sulfata-

179

ção das placas, que consiste na destruição da respectiva matéria activa por acção do ácido sulÍúrico. Forma-se então uma camada dura de sulfato de chumbo sobre as placas, que adquirem, consequentemente, cor esbranquiçada, o que caracteriza uma situação já irreversível em que o acumulador não reage a qualquer acção de recarga.
< Fig. 167

-

Sulfatação das placas.

W RECARGA
O processo pode ser facilmente interpretado a partir da seguinte reacção electroIítica: 2PbSO4

+ H2O

-

PbOz

+ Pb +

2H2SO4

No final da carga, além de recuperarmos a f,e.m. que caracteriza o elemento, isto

é 2 VOLT' , é feita a regeneração do ácido sulfúrico, o que correspondente a uma densidade d : 1,28 para bateriasdedescarga rápida e d : 1,245 para
baterias de descarga lenta.
d:
d=
1,15 1,28 descarga

rápida
2,75 V
descarga

lenta
1,85 V

< Fig, 168

típicos da f.e.m.
numa bateria ácida durante os estados
de recarga, repouso e descarga.

-

Valores

L7.2.3.3 ASPECTOS CONSTHUTTVOS E DE CONSTTTUTÇAO
ffi
PLACAS

A especificidade da utilização do acumulador condiciona fortemente, entre outros aspectos construtivos, a configuração e estrutura das placas. É inclusive nesta base que se Íaz a distinção entre acumuladores:

I f
180

TIPO PLANTÉ ou de formação natural TIPO FAURE ou de placas empastadas

TAMPOES Normais antiderrame
antideflagrantes.

TAMPAS

CALÇOS DE AJUSTAMENTO
De m4terial plástico, destinam-se ao âjustamento do jogo de placas.

TERMINAIS E UNIÕES

PROTECTOR DE SEPARADORES
Protege os separadores de eventuais danos durante operações de manu-

-

PLACA NEGATIVA
Placas planas empastadas dimensionadas para uma duração igual à das

tenção.

placas positivas.

PLACAS POSITIVAS De chumbo puro de mina, de
ele-

vada pureza, são fundidas em estru-

tura lamelar, o que permite uma
superfície real cerca de 8 vezes a apa-

SEPARADORES Em placas de P.V.C. A sua elevada microporosidade, aliada a uma óptima rigidez dieléctrica, possibilita
valores de resistência interna baixos.

rente.

RECIPIENTE
Fabricado em material plísüco especial, transpaiente, de alta resistên-

cia ao choque, possibilitando uma fácil inspecção do jogo de placas.

Fig. 169

-

Constituição de um acumulador ácido.

N

ACUMULADORES TIPO PLANTÉ

Nestes acumuladores, a diferenciação de ambas as placas, inicialmente idênticas
e em chumbo, resulta naturalmente após um continuado processo de cargas e descar-

gas. As placas apresentam uma estrutura lamelar, com finas Íanhuras, com o fim de aumentar a supeÍfície real de contacto com o electrólito, assim se conseguindo áÍeas sete ou oito vezes superiores à respectiva superfície aparente. O grande volume, peso e custo destes acumuladores, só verdadeiramente compensado pela sua longa duração, justifica a sua utilização como baterias estacionárias. 181

t]

ACUMULADORES TIPO FAURE

Contrariamente à versão anterior, as placas são, à partida, diferentemente concebidas. Têm o aspecto de grelhas em chumbo antimonioso, cujos intervalos são preenchidos pelo que se designa de matéria activa: essencialmente o dióxido de chumbo na placa positiva e o chumbo esponjoso na placa negativa. Os acumuladores deçte tipo são de menor custo, mais leves, mas têm menor duração que os anteriores. Compreende-se assim o seu emprego como baterias de arranque nos automóveis.

Fig. 17O - Placa de grelha. A superfície real é muito superior à sua superfí
cie aparente. A matéria activa ocupa os intervalos da grelha.

uARIANTES DE CONSTRUÇÃO Procurando um elevado rendimento, fiabilidade e duração, ao mesmo tempo que menores atravancamentos e menores custos, muitos dos acumuladores utilizam, em simultâneo, placas positivas do tipo PLANTÉ e placas negativas tipo empastado. Têm grande vantagem como baterias estacionárias.
Noutros casos, é dada uma estrutura tubular às placas positivas, mantendo as negativas do tipo empastado. Formam as chamadas baterias tubulares recomendadas para

regimes intensivos de carga e descarga com elevadas correntes e ainda quando as condicionantes de espaço não permitem a utilização dos modelos anteriores.

3 4 5 6 2

1

armadura vedante de topo matéria activa interligação

tubos maciços em chumbo antimonioso
manta envolvente em terylene

<Fig. 171 - Acumuladores tubulaÍes.
1

2

-

Constituição geral da placa positiva. Pormenor da armadura.

Como pode ver-se na fig. 171 , são constituídas por tubos de alma em chumbo antimonioso e por um revestimento periférico entre os quais se coloca a matéria activa. As placas encontram-se dispostas alternadamente, formando dois blocos de sinal contrário que se penetram mutuamente mas de forma que as placas negativas envolvam as positivas (Íig. 172l,.

182

N

SEPARADORES

São finas placas de boas
características dieléctricas, normalmente em PVC, que evitam o curto-circuito entre eléctrodos contíguos.

N

ELECTROLITO

O electrólito é uma solução aquosa de ácido sulfúrico cuja concentração depende da utilização requerida. O electrólito deve cobrir completamente as placas.

separador PVC

tr

RECIPIENTE

Constitui

a

protecção do

acumulador, devendo ser resistente aos choques e à corrosão do ácido. Fabricam-se materiais plásticos de grande qualidade;
alguns são transparentes, permi-

Fig. 172

-

Disposição do conjunto placas-separadores,

tindo uma fácÌl inspecção das placas.
Existe ainda, na sua parte interior, uma câmara de sedimentos que acumula a maté-

ria activa eventualmente desprendida das placas durante o funcionamento.

L7.2.4 ACUMULADOB,ES
ALCALINOS
Diferem dos anteriores fundamentalmente pela natureza das suas placas e do electrólito.

L?.2.4.L CONSTTTUTÇÃO tr PLACAS
As placas, positivas ou negativas, são constituídas por um conjunto de finos tubos de aço
niquelado densamente perfurados, em cujo interior se coloca a matéria activa. Nas placas positivas a matéria activa é o hidróxido de níquel.
Fig. 173 - Placa de bolsas perÍuradas de um acumulador alcalino,

183

Consoante a matéria activa utilizada nas placas negativas assim estes acumuladores têm a designação de:

r .

ACUMULADORES NICAD

ACUMULADORES NIFE -

hidróxido de cádmio hidróxido de ferro

placa positiva matéria activa

N(oH),

placa negativa matéria activa

placa positiva
matéria activâ

cd(oH),

Ni(oH),

placa negativa matéria activa

Fe(OH).

electrólito

KOH

(2190)

electrólito

KOH

(2190)

Fis. 174

-

Acumulador alcalino NICAD.

Fig. 175

-

Acumulador alcalino NIFE

I

ELECTROLITO

É uma solução aquosa de hidróxido de potássio, KOH, a 21o/o

T -

OUTROS ELEMENTOS

Para além dos elementos apontados, poderíamos ainda mencionar: separadores I t
:

recipiente terminais tampão
vedação

i

A vedação merece especial apontamento pelo facto
de dever garantir a estanquecidade necessária, evitando não apenas o derramamento de electrólito, como a pró-

pria entrada de ar atmosférico. Este, em contacto com o electrólito, dá origem à sua carbonatação, isto é, à formação de carbonato de potássio, que ataca as placas

devido à combinação do dióxido de carbono existente no ar com o electrólito.

Fig. 176

-

Bateria alcalina para descargas lentas. >

184

T?.2.4.2 PHNCÍPrc DE FTINCIONAMENTO
Contrariamente ao que se passa com os acumuladores ácidos, o electrólito, nestes acumuladores, não reage com as placas, o que justifica a sua densidade ser constante. Para um acumulador NICAD podemos escrever a seguinte equação de funcionamento:

Para um acumulador NIFE a equação será:

São valores típicos de funcionamento os seguintes: - A tensão média característica da descarga é de 1,2 VOLT - Considera-se descarregado quando a tensão é de 1 VOLÌ,'ì

1,,:Qi'9/e

-

Terminada a carga, a sua tensão é

de

1,8 VOLT

I7.E.5 VANTAGENS E INCONVENIENTES
Os acumuladores alcalinos, quando comparados com os acumuladores de chumbo,

têm as seguintes vantagens:

-

menor massa; maior resistência a curto-circuitos; recarga em metade do tempo; suportam longos períodos de repouso sem sofrerem alteração significativa; a densidade do electrólito não varia com a carga; manutencão diminuta; suportam grandes alterações atmosféricas.

São desvantagens: menor rendimento;

custos elevados; menor valor de f.e.m. por elemento; maior variação da f.e.m. com o tempo de descarga; o electrólito é corrosivo, ficando inutilizado pela acção dos ácidos.

185

L?

.2.6

CAF,ACTEB,ISTICAS DOS ACUMULADOF,ES

17.e.6.

r

FOfuçA ELECTfuOMOTHZ

É, como sabemos, a d.d.p. nos seus terminais quando está em vazio. As baterias correntes no mercado apresentam valores normalizados. Normalmente 6 V , 12 V e 24 V, o que nos permite dizer que, no caso de um acumulador de chumbo, existem, respectivamente, 3, 6 e 12 daqueles elementos ligados em série. A f.e.m. na descarga nos acumuladores ácidos é de aproximadamente 2 VOLT

e nos alcalinos 1,2 VOLT.

L7

.2.6.2 R,ESISTENCIA INTENNA
Depende da natureza das placas e do electrólito.

L7.2.6.3 CAPACIDADE
Define-se capacidade de um acumulador como sendo

Exprime-se em ampere-hora, o que decorre da equação de definição

Nota-se pela letra C.

W

CAPACIDADE E CARACTERíSTICAS COMPLEMENTARES

A capacidade de um acumulador depende do regime de descarga praticado, assim como da tensão Íinal e da temperatura ambiente, características estas que deverão, por conseguinte, esclarecer as condições em que aquela é definida.

W CAPACIDADE

E REGIME DE DESCARGA

temperatura de 25 oC do electrólito.

No quadro abaixo mostra-se a variação da capacidade de um tipo de bateria estacionária chumbo-ácido com tensão final de descarga de 1,85 V por elemento e uma

regime (horas) capacidade nominal (%)

l0
100

9

8

'7

6 88

5

4 80

J

2 66 55

97

94

91

85

74

186

de

1O horas,

Se essa bateria tiver uma capacidade de 65 ampere-hora referida a uma descarga como é habítual considerar, isso signif ica que durante 1O horas consecu-

tivas ela poderá fornecer uma corrente de 6,5 A. lsto porque

Q:Ixt
e então
Cro

:

6,5

x

10

:

65 A.h.

Contudo, para uma corrente de descarga maior, por exemplo 16 A, a bateria ficará completamente descarregada ao fim de três horas consecutivas. lsto equivale a uma diminuição de 74o/o da sua capacidade nominal. De facto

C:: I x t:

16

x 3:48A.h

e

C, : 48 :O.l+ c,n 65
a

Algumas baterias de tracção têm excepcionalmente referida a sua capacidade 5 horas, o que tem a ver com o período útil de trabalho de 8 horas diárias.

X

CAPACIDADE E TEMPERATURA AMBIENTE

A capacidade aumenta com a temperatura ambiente, reflectindo uma maior dissociação electrolítica. É normalmente referida a 25 oC.

K

CAPACIDADE E TENSÃO FINAL

2,10 2,00

I,90

I,80

Fig. 177 - Curvas e tensões finais em vários regimes numa
bateria estacionária.

8

9

l0

Ouer a capacidade quer a tensão final ref lectem o regime de descarga . Ver fig. 177

.

:e)

isto é,

187

3
ELECTROMACNETISMO

189

I

rl

I

MAGNETISMO
ã&.3. ffi&trry&Mxw* W rcW&"KXeKW&ffi
O magnetismo é uma singular manifestação da matéria, evidenciada apenas por algumas substâncias que têm a propriedade de atrair outras, no seu conjunto designadas por ferromagnéticas e que são fundamentalmente o ferro, o níquel, o cobalto suas ligas.
e

reWW
K&-& áW-MWWM
3\Y&WKYK-&XS

K &KKffiWXffiX"&,Xffi

O magnetismo aparece na natureza de forma espontânea em alguns minerais, como a magnetite (Fe.Oo), a hematite (Fe.O.) e a cementite (Fe.C), sendo resultado de um

processo natural. Mas, de todas as pedras referidas, é, sem dúvida, a magnetite aquela cujo nome nos é mais familiar, em parte por ter sido a primeira a ser descoberta com tais propriedades. Oriunda de Magnésia, cidade da Antiga Grécia, a esse facto deve a designação de pedra de magnésia, pedra-íman ou magnete. Hoje, porém, o vocábulo tem um sentido algo diferente e mais amplo do que outrora, designando-se por

São assim englobados não apenas os ímanes naturais mas também aqueles a que artificialmente lhe foram conferidas idênticas propriedades. Após magnetização por tratamento adequado, constituem ímanes artificiais determinadas substâncias ferromagnéticas de criação industrial, como alguns acos e outras variedades de Íerro - exemplo: Íerro puro, aço laminado, etc. -, compostos de liga com base nos três elementos já referidos, como, por exemplo, o alnico soo (14% Ni, 24o/o Co, 8o/o Al, 3% Cu), e finalmente as ferrites. 191

x.s.ffi v&wg,&&rex\xs e&ffi *wgprmw
&KXKWXffiK&X$
Sob todos os pontos de vista, são inegáveis as vantagens dos ímanes artificiais relativamente aos ímanes naturais. Podem assim resumir-se:

n I I

Facilidade em se poder dar a configuração mais conveniente para uma dada utilização específ,ica, Uma amostra natural, condicionada pela sua forma, vê limitada a sua utilização, fazendo depender esta daquela.
Existir a possibilidade, dentro de certos limites para cada tipo de material ferromagnético, de fixar a intensidade das suas propriedades.
Não existir a possibilidade de desagregação a que qualquer amostra mineral está sempre sujeita em maior ou menor proporção.

&&.@ wwKffi&Kw$ xrsrr.&x&

Fig. 178 - Formas típiòas de ímanes artificiais.

A excepção dos formatos industriais mais diversos a que obedece o fabrico de peças e componentes dos circuitos magnéticos em muitas máquinas eléctricas, os ímanes artificiais aparecem-nos usual e caracteristicamente com as seguintes formas (fig. 178):

n n I
192
'ç-

barras direitas com secção rectangular, quadrada ou cilíndrica; barras em U ou em ferradura; lâminas delgadas em forma de losango, como é o caso da agulha magnética, elemento fundamental de qualquer bússola.

L__

_

ãffi.w Krewx&Kffi effiryKweffi

K ãã&w,&, mwKXrKK.&
lndependentemente do
seu tamanho ou forma, pode-

mos distinguir, em qualquer íman, três regiões distintas. As extremidades concentram as propriedades magnéticas, são por esse facto
designadas regiões activas ou

Fig. 179

-

Localização das regiões activas e neutra de um íman.

regiões polares. Têm diferente comportamento magnético e constituem o pólo
norte e o pólo sul magnéticos.

Fig. 180 - A grande concentração de linhas de Íorça junto das extremidades polares identiÍica-as como regiões activas.

Uma terceira zona, que não manifesta qualquer tipo de acções magnéticas, é por essa razão designada zona neutra ou linha neutra. Em qualquer íman cada uma das regiões polares ocupa, aproximadamente, 1112 do comprimento total, sendo os restantes 1Ol12de zona neutra (fig. 179), Chama-se eixo de um íman à linha média central que une as extremidades
polares.

X.m.&

&

ffi€&K-ffiffiKãã*&.s & WM KK.&&f ffiK*WKffiffiWry,&"K

Se fragmentarmos qualquer íman, cada uma das partes resultantes é um novo íman, podendo sempre distinguir-se as três regiões características. Torna-se impossível, portanto, isolar qualquer uma delas. Se, teórica e sucessivamente, levássemos por diante tal divisão, obteríamos, em última análise, o íman maÌs pequeno para essa substância, que coincidiria com a própria molécula.

m'
>

N

Fig. 181 - Após fraccionamento de um íman, por mais pequeno que ele seja, cada uma das partes resultantes é um novo íman também. 13
EL

@h,
193

x.m.w ÏtuwKffi &weeKw-&wxw&ffi weffi effiwffiffi#

ffieffiw:&wxwsm
Dois ímanes suÍicientemente próximos um do outro interagem, podendo o comportamento de ambos resumir-se qualitativamente nas duas seguintes leis:

Assim, será previsível uma atracção entre um pólo norte e um pólo sul de dois ímanes diferentes, da mesma forma que a repulsão entre ambas as regiões norte ou sul.

ãm.m

W&ffieYKsKffi&ffiÃ#x ümwwmKw* x$x pK&ffi.iffiãffiffiffiw

Estão neste caso os aços e algumas ligas que só após tratamento adequado podem exibir tais propriedades. Todas as outras substâncias, não ferromagnéticas portanto, como, por exemplo, um grande número de metais e ligas não ferrosas, recusam-se a qualquer tentativa de magnetização. Existem vários processos de magnetização, que podem ser assim sintetizados:

18.8.

r

MAGNETTZAçÃO pOR, rNFLUÊNCrA

A peça a magnetizar é colocada na vizinhança de um íman. O processo de magnetização prossegue inalterável se, em lugar do ar que separa naturalmente as partes influenciadora e influenciada, entre elas existir um outro meio não magnético.

18.8.e MAGNETTZAÇÃO POn CONTACTO
Neste caso a peça a magnetizar é mantida em contacto com um íman permanente durante um período de tempo mais ou menos longo, requerido pelo processo em cada caso.

194

18.8.õ MAGNETTZAÇÃO POB, FRrCÇÃO
A peça a magnetizar é friccionada sempre no mesmo sentido e repetidas vezes
com um dos pólos de um íman ou alternadamente, usando simultaneamente os pólos contrários de dois ímanes necessários para o efeito. Este processo conhece ainda algumas variantes, contudo a filosofia de princípio

é a mesma.

18.8.4 MAGNETTZAÇÃO pOA, COB,nENTES
Os processos anteriores são elementares. A produção industrial recorre fundamentalmente à acção magnetizante da corrente eléctrica. Sem nos determos nos seus por-

menores, cujo pleno entendimento passa pela leitura do próximo capítulo, podemos apontar dois procedimentos usuais basicamente equivalentes.

1.'

PROCESSO

A peça a magnetizar é introduzida no interior
de uma bobina na qual se faz passar uma corrente eléctrica (fig. 182). Esta peça constitui assim, temporariamente, o núcleo da referida bobina, no

peça a magnetizar

seu conjunto designada por electroíman.

2..

PROCESSO

Um condutor rectilíneo de grande secção

é

abraçado por um certo número de peças a magnetizar (fig. 183). A passagem de uma corrente

Fig. 182 - O campo magnético criado no interior da bobina pela passagem duma corrente magnetizará a peça ferÍomagnética no interior.

eléctrica, durante um certo tempo, conduz à magnetização dos referidos materiais. Em qualquer caso, a corrente deve ser de grande intensidade de forma à acção magnetizante ser apreciável. Além disso, e para fazer estabilizar as propriedades magnéticas no material, o processo de

peças a magnetizar

Fig. 183 - Neste processo, as peçâs a magmagnetização deve ser regularmente interromnetizar abraçam um condutor rectilíneo de pido para se proceder ao recozimento da peça grande secção. em água fervente. Com igual objectivo e constituindo processo alternativo, ou mesmo complementar do anterior, a peça, previamente aquecida e sob campo magnético intenso, é submetida a forte compressão em prensa hidráulica.

&&.ffi m-e&eyffiKxw,&çg&e KKXwpmKeKK.& ffi
PWKM&KWXWKrc
Uma vez magnetizados os materiais ferromagnéticos, distinguem-se uns dos outros por várias e importantes características. Uma delas é a que Íespeita à permanência

195

ou não das suas propriedades, logo que cessa a acção magnetizante. o ferro puro, por exemplo, não conserva quaisquer propriedades magnéticas, que apenas duram o tempo em que se faz sentir a excitação do campo. É um íman temporário. Outros materiais, como o ferro fundido e o aço duro, pelo contrário, conseÍvam o seu estado magnético já depois de haver terminado a referida excitação. Mesmo assim há diferenças entre eles. Se é facto que o ferro fundido é facilmente magnetizável, em contrapartida perde rapidamente as suas propriedades magnéticas. Este e outros materiais em idênticas circunstâncias são designados de ímanes temporários. O aço duro e muitas ligas ferromagnéticas, pese o facto de serem de magnetização mais difícil, conservam as propriedades. Constituem ímanes permanentes e o seu magnetismo designa-se por magnetismo residual ou remanescente.

Ws

ffime?ffiKKK&

K

pK&ffireg$W&

O processo de desmagnetização pode igualmente ser resultado de um processo natural ou artificial. Todos os materiais magnetizados sofrem uma depreciação das suas propriedades com o decorrer do tempo, embora esse fenómeno seja lento, particularmente nos chamados ímanes permanentes. É um processo natural a que não é alheio, entre outros, o efeito do campo magnético terrestre. Tomam-se cuidados especiais nesse sentido, a que nos referiremos no ponto seguinte. Vejamos os factores que podem conduzir à desmagnetizacão:

K

INFLUÊNCIA DA TEMPERATURA

A variação da temperatura, dentro dos valores de ambiente, pouco afecta as propriedades magnéticas. Contudo, à medida que a temperatura se eleva para além daquele intervalo, a intensidade dessas propriedades aumenta ligeiramente. Porém, atinge-se uma determinada temperatura, designada por temperatura de Curie ou ponto de Curie, para a qual o material perde totalmente todas as suas qualidades ferromagnéticas. Para o ferro essa temperatura é de 700 oC, para o níquel 380 oC e para o cobalto 1110 "C (fig. 184).

trroj'

I

COBALTo

,tl
,*=

I I

FERRO

NÍqunr

Fig. 184 - Ponto de Curie ou temperatura de total desmagnetização para os elementos indicados.

ã

INFLUÊNCIA DAS ACCÕES MECÂNICAS

Vibrações ou choques mecânicos têm efeito determinante na desmagnetização dos materiais. O facto deve-se à destruição por choque do ordenamento das moléculas na microestrutura do material.

196

{W INFLUÊNCIA DE CAMPOS MAGNÉTICOS EXTERIORES

A existência de correntes eléctricas magnetizantes alternadas ou a proximidade de campos magnéticos podem igualmente fazer desaparecer, total ou parcialmente, as propriedades magnéticas.

3,&.ã& KxffiKffireKw',effi&m Npmm ÉWW.MKffi

Fig. 185 - A armadura em ferro macio, Íazendo ponte entre os pólos do íman em
U, garante a estabilidade das suas proprie-

Fig. 186 - Processo de conservação de dois ímanes rectos utilizando duas armad u

ras.

dades magnéticas.

Nos ímanes, é prática corrente unir os respectivos pólos por uma barra de Íerro macio, como se vê nas figs. 185 e 186, designada por armadura. Dando continuidade ao circuito magnético, a armadura ou armaduras existentes evitam a acção desmagnetizante do campo magnético terrestre. É igualmente prática corrente adicionar, na altura do fabrico dos ímanes, alguns elementos, como o carbono, o níquel, o crómio, o alumínio, o tungsténio e muitos outros, que, entre outras vantagens, permitem garantir a estabilização das propriedades magnéticas, retardando o processo natural de envelhecimento.

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&

K effiçgÃ$ffi

ffiKffiW"&Wffimm

A noção de campo é fundamental em toda a física e relaciona conceitos aparentemente distintos, como são os campos magnético, eléctrico ou gravítico. No magnetismo, em particular, pode entender-se campo como

Analogamente ao campo eléctrico e ao campo gravítico, e muito embora as acções magnéticas tenham diferente natureza, elas caracterizam-se por não necessitarem de qualquer suporte físico ou meÌo material para o seu estabelecimento. Esta particularidade é chamada acção a distância e justifica a existência e propagação de campos magnéticos no vazio.

197

&ffi.&ffi ffieK,e.ۋwwKKffieffiK# mffi w&ffiffip# *

M&ffiffi*wxwm

Um campo magnético ou qualquer outro campo newtoniano fica inteiramente defi-

nido quando são conhecidos:

o as linhas de força . o vector intensidade
W LINHAS DE FORCA

de campo.

< Fig.187 - Representação de um campo magnético de um íman recto, pelas
suas linhas de força. Reparar no sentido destas no exterior, desde o seu pólo norte em direcção ao pólo

sul. As linhas Íecham-se
pelo interior do íman, onde são praticamente paralelas.

Notar a maior concentração junto dos pólos e a sua

diminuição em regiões
mais afastadas.

O conjunto das linhas de força configuram e identificam a existência de qualquer campo magnético numa certa região do espaço e constituem o respectivo espectro magnético. Para além dos ímanes, são origem de campos magnéticos, como veremos, as coÍrentes eléctricas e as massas gravíticas. Em todo o caso, as linhas de força não têm existência real, correspondem simplesmente à necessidade de materialização do campo. Convencionou-se que no exterior de um íman elas se afastam do pólo norte em direcção ao pólo sul, fechando-se seguidamente pelo seu interior. Assim, podemos dizer que
gúq$6ryarÍá,'qi1ãhiúer...Èàsí1y.ámài$4ffi1ï1se',.<;.

flarlél
Na

abártd,onada,,,,rà

um campo màgnético.

fig. 187 podemos apreciar as linhas de força do campo criado por um íman recto. Para as obtermos tivemos de proceder como se descreve seguidamente: Sobre um íman coloquemos uma placa de vidro ou mesmo uma folha de papel e sobre ela espalhemos cuidadosamente limalha de ferro. Abandonadas à acção do
campo, cada uma das pequeníssimas partículas de ferro sofre magneÍização temporária, criando em cada uma delas um pólo norte que aponta para o pólo sul do íman e um pólo sul na extremidade contrária. Estas partículas dispõem-se segundo as linhas de força do campo, permitindo adicionalmente concluir que

198

Constatamos então o maior valor da intensidade de campo magnético junto às
regiões polares e o decrescimento do mesmo em regiões gradualmente mais afastadas.

ffi

INTENSIDADE DE CAMPO

Sendo uma força, representa-se por um vector, daítratar-se de uma grandeza vectorial, e, como é lógico supor, num determinado ponto do campo o seu sentido é coincidente com o que tomaria o pólo norte de uma agulha magnética a ele abandonada. Podemos ainda ver que o vector intensidade de campo num dado ponto é sempre tangente à linha de força que passa por esse ponto (fig. 188).

Fig. 188 - Pormenor A datig. 187. As linhas de força são tangentes em cada ponto ao vector intensidade de campo. Este representa a Íorça que se exerce sobre uma hipotética massa unitária.

ãffi.3t& KKwreãAeffiffi.#kffi WW ffi&,ffiWË*Wffiffi p*
ffiffi"&*FffiffiWXffiffiffi
A suficiente proximidade de dois campos magnéticos altera as suas configurações iníciais. Nas figs. 189 e 190 representam-se os campos magnéticos resultantes de dois ímanes em duas situações distintas: atracção e repulsão mútuas, respectivamente.

Fig. 189 - Atracção de dois ímanes: espectro magnético. >

Fig. 190 - Repulsão de dois ímanes: espectro magnético. >

199

&ffi.&ffi ffieffiwm Kwewmg:&wxmffi KKKKffiffiKKm
zoNAs DE RADrAçÃo oe vAN
ALLEN

< Fig. 191

vizinhanças.

-

Configuração do campo magnético terrestre nas suas

v

Fig. 192

-

Configuração geral do campo magnético terrestre.

Numa considerável extensão do espaço em redor da Terra, constata-se a existência de um forte campo magnético, facto aliás que não é exclusivo do nosso planeta, pelo contrário, é comum a todas as grandes massas que povoam o espaço. A Terra comporta-se como se no seu interior possuísse um gigantesco íman cujo eixo Íaz um ângulo de, aproximadamente, 17o com o seu próprio eixo de rotação. Uma das consequências desse campo é o efeito sobre as radiações cósmicas, concentrando partículas carregadas em determinadas regiões conhecidas por zonas de radiação de Van Allen (fig. 192). O rastreio magnético em regiões da crusta terrestre é um método importante de prospecção geológica, permitindo avaliar as potencialidades do subsolo no que respeita à localização e importância de jazidas minerais. Nas proximidades da Terra o campo magnético é aproximadamente simétrico (fig. 191). Em regiões mais afastadas, porém, o vento solar designação dada ao plasma de partículas electrizadas desferidas pelo Sol: protões, electrões e heliões, que

200

viajam à velocidade de 400 km/s

nético terrestre (fig. 192). Este estende-se por cerca de 50 0oo km para o lado do Sol e no sentido oposto por mais 4OO OO0 km, O arco de choque que vemos delimitar o campo magnético terrestre corresponde a toda a região de impacto de radiação. As partículas que logram ultrapassar essa barreira magnética são aprisionadas em duas cinturas - já referidas como zonas de radiade Van Allen, na figura demarcadas a escuro e situadas a 4OO0 e a 20 000 km ção acima da superfície da Terra.

-

é responsável por uma assimetria do campo mag-

ã&"

K&

WffiKMre#"mKK.Xm#àffipKã M-&ffi&g:wxwKmg

18.16.1 CONCEITO

Será de esperar, por exemplo, que duas massas polares do mesmo nome, mergulhadas no vazio, sofram uma força mútua de repulsão diferente daquela que será de observar se o meio onde elas se encontram for outro qualquer. A permeabilidade caracteriza numericamente cada substância, definindo as condições de estabelecimento do campo magnético no seu próprio seio. Representa-se pela letra ,r.r.

18.16.2 CLASSTFTCAÇÃO DAS SUBSTÂNCTAS
Segundo os valores de permeabilidade magnética, podemos classificar as diferen-

tes substâncias em três classes distintas:

. . .

ferÍomagnéticas; paramagnéticas; diamagnéticas.

Estas duas últimas são consideradas não magnéticas pela irrelevância das suas propriedades. A distincão é feita com base na permeabilidade magnética do vazio, considerada unitária, em relação à qual todas as substâncias referem o seu comportamento

magnético.

W

MATERIAIS FERROMAGNÉTICOS Características fundamentais : I Valores elevados de permeabilidade magnética, muito superiores à unidade. r Gonduzem com facilidade as linhas de força. Deformam, consequentemente,

o campo magnético circundante, desviando através de si um significativo
número de linhas de força. I São fortemente atraídos pelos ímanes. Exemplos: ferro, níquel, cobalto.

201

ffi MATERIAIS
I

PARAMAGNÉTICOS
:

Características f undamentais

Permeabilidade magnética ligeiramentesupe-

rior à unidade.

I Não exercem

acção significativa sobre o campo envolvente, apenas desviando através de si ou simplesmente deflectindo as Iinhas de fotça mais próximas.
São atraídos pelos ímanes, mas menos inten-

PARAMAGNETISMO

f

samente que no caso atrás considerado.
Exemplos:

. alguns metais: platina, alumínio, sódio e o .
potássio;
ligas metálicas: contendo vanádio e manganés;

DIAMAGNETISMO

alguns gases: oxigénio e ozono.

ffi

MATERIAIS DIAMAGNÉTICOS Características f undamentais I Permeabilidade magnética ligeiramente infe:

I

I . . .

rior à unidade. Não produzem alterações significativas do campo em seu redor e tendem a afastar, ainda que ligeiramente, as linhas de força mais próximas. São ligeiramente repelidas pelos ímanes.
alguns metais: bismuto, ouro, prata, cobre; gases raros: xénon, crípton, árgon; alguns compostos: vidro, água; substâncias orgânicas na sua maior parte.

Fig. 193 Comparação e diferenciação dos diferentes tipos de comportamento

-

magnético das substâncias.

Exemplos:

o

&

MATERIAIS AMAGNÉTICOS
Embora a muito fraca permeabilidade magnética dos materiais pertencentes às duas

últimas famílias permita considerá-los não magnéticos, podemos referir em particular alguns materiais, como o bronze, determinado tipo de madeiras e plásticos de fabrico especial praticamente destituídos de propriedades magnéticas. Têm um comportamento análogo ao do vazio e designam-se por amagnéticos. São muito importantes em electrotecnia, servindo para o fabrico de peças que não devem alterar os campos magnéticos nas suas fronteiras ou não ser por eles influenciadas. Exemplos: supoÍtes de núcleos de transformadores.

202

EFEITO DE TRANSLAÇÃO

de força do campo

Fig. 194 -

Linhas

magnético resultante dos efeítos de
translação e de Spin

do electrão.

KW.,&"ry

ffiKKffiWM g3&ffi pffi"ffiwmxffiffi&wKffi
ffi @@w

"mM áï *V

ãw5.#LW8""áìá .Ë:,

gç€tcwsç@
&

rte ffi Â[óffim

Os fenómenos eléctricos e magnéticos não são ver-

dadeiramente dissociáveis. Eles coexistem, e entre ambos pode até estabelecer-se uma relação de causa e efeito. De facto, toda a carga eléctÍica em movimento origina um campo magnréticò em seu redor.
Podemos então concluir que sendo o átomo constituído por electrões animados, por um lado de movimento

Fig. 195 - Nos materiais

tuwg
não

m-W

magnéticos os ímanes elementa-

res, átomos, moléculas ou iões
dispõem-se de tal ordem que neutralizam as suas acções.

de rotação em toÍno do núcleo, por outro do efeito de Spin em torno do seu próprio eixo (fig. 194), aparecerá como resultado um campo magnético. Seria contudo

precipitado pensar que todas as substâncias seriam
magnéticas, o que não acontece. A razão é simples. Nas substâncias não magnéticas as cargas eléctricas elementares neutralizam os seus efeitos magnéticos a nível atómico, iónico ou moleculaí. Nas substâncias magnéticas, pelo contrário, sobÍessai macroscopicamente uma descompensação desses efeitos. As moléculas, átomos ou iões orientam-se agoÍa, predominantemente, num dado sentido, reforçando a sua acção magnética.
Fig. 196 - Os materiais com propriedades magnéticas caracterizam-se pelo alinhamento magnético das suas partículas, formando domi

nios magnéticos privilegiando as
propriedades numa dada direccão,

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Õ,
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* Ouando se magnetiza uma substância ferromagnética dá-seumalinhamentoúnicodosdiferentesdomínios.>
Fig. 197

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203

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I

VAZIO

OXIGENIO

Fig. 198

Consideremos as linhas de força de um campo magnético no vazio como o representado na situação 1 da fig. 198. Se no ponto Pimaginarmos colocada uma massa magnética norte unitária, então H representará a intensidade de campo nesse ponto, também chamada excitação magnética por estar na origem desse campo. Consideremos a mesma excitacão ,7, ru" agora num outro meio diferente do vazio, por exemplo o oxigénio (situação 2l . AÍorca que se exerce no ponto P sobre a mesma massa unitária será agora maior que no caso anterior, dado o meio ser paramagnético. É representado pelo vector Ë, qu" chamamos indução magnética. " Numa substância ferromagnética, como o aço, l indução é ainda maior (situação 3). it têm, portanto, um significado diferente: ÍIé causa e ã o seu efeito. H está

"È associado à excitação ou origem do campo magnético, tomando como referência o vazio e É à inducão magnética criada em cada meio pela excitação È e é função da sua permeabilidade magnética. Os vectores H e B referenciam o campo e as suas grandezas estão assim relacionadas:

B p H

: : -

indução magnética permeabilidade magnética intensidade de campo

Kffi-&& ffi&Mwffi KKffiKKffiKãWffi

O campo magnético entre as extremidades de um íman em U é aproximadamente um campo uniforme
(f

ig. 1 99). 204

Fig. 199

Kffi-*fl &RÃffiffiffiffi-&W Mffi"ffiKwwKffiffi,&
I8.2O.I FLUXO MAGNETICO

O conjunto de linhas de força que saem do pólo norte em direcção ao pólo sul repre-

sentam um fluxo magnético cuja maior ou menor intensidade é denunciada pela maior ou menor concentração das linhas de força. A unidade Sl de fluxo magnético é o weber (Wb).

ffi

FORMULAçÃO MATEMÁT|CA

Consideremos um campo magnético uniforme, como o representado na fig. 2OO, e nele uma superfície perpendicular às linhas de força desse campo.

Num ponto desta
vectores:

superf

ície consideramos

dois

. .

B

um, representativo do campo, isto é, o vector indução magnética;
Fis. 200 outro, representativo da superfície, 3, normal a ela e cuja grandeza é, a uma determinada escala, a medida da sua área.

O fluxo magnético é uma grandeza escalar dada pelo produto das grandezas de ambos os vectores, ou seja:

K

GENERALIZAçÃO DA EXPRESSÃO

Consideremos a mesma superfície mas agora com uma inclinação qualquer relativamente às linhas de força, como se representa na fig. 201 . Designemos por a o ângulo

205

formado pelos vectores B e S. O fluxo através da mesma superfície é menor que no caso anterior, o que é denunciado pelo menor número de linhas de força que a atravessam. A expressão para o fluxo é agora a seguinte:
,âl;;*,L|,11,8,:

Fig. 2O1

Ela contém como caso particular a anterior expressão em que tendo os vectores E e 3 a mesma linha de acção, então
d:

0o ; cosa:1
c.q.d.

e, portanto,

iD: B.S

18.e0.2 rNDUÇÃO MAGNÉrrCe

Vimos já o significado vectorial desta grandeza e a sua importância na deÍinicão de um campo magnético. Considerando o caso particular das linhas de força intersectarem na perpendicular a superfície, resulta de iD : BS que

A relação entre as grandezas Õ e S justifica por que razão também se chama densidade de fluxo magnético à inducão magnética.

206

18.20.5 INTENSIDADE DE CAMPO

A intensidade de campo magnético ou excitação magnética é, como sabemos, uma grandeza vectorial. O seu vector H Íoi já anteriormente definido. Embora a unidade

em que se exprima no Sl só no próximo capítulo possa ser justificada, ela é
ampere/metro.

o

PROBTEI/iAS RESOLVMOS 1. Calcular o fluxo magnético através duma
superfície

rectangular 15 x 20 cm que ïazum ângulo de 60o com as linhas de força de um campo magnético uniforme de 0,3 T.
ResoluÇão:

ó : BScoscv
S:

a : 90o-60o :

30o

15 x 20 : 300cm2 : 0,03m2 ó = 0,3 x 0,03 x cos 30o : 7,8 mWb

Fig.2O2

2. IJma superfície quadrada

de 360 cm2 mergulhada no ar é atravessada por um fluxo magnético de 0,8 mV/b de um campo uniforme, quando fazum ângulo de 35o com as linhas de força. Calcular a indução magnética.

207

Resolução:
DÓ o:S.ãr,

cv:90o-35o :55o
0,8

D: u

360;?4

x l0-3
cos 55o

:

38'7 mT

PROBTEIIAS PARA BESOLVEB
1. Uma espira circular
de raio igual a 18 cm, colocada no ar e perpendicularmente às linhas de força de um campo magnético uniforme, é atravessada por um fluxo de 0,4 mwb. calcular a indução magnética em qualquer ponto da superfície da espira.

R.; B:4mT
2. Qual o ângulo
que uma superfície quadrada de 64 cm2 faz com a direcção das linhas de força de um campo magnético uniforme cuja indução é de 3 T, para que seja atravessada por um

fluxo magnético de I2,3 mWb.

R... o

:

39,8o

3. Calcular o fluxo magnético através duma superfície plana

d,e 125 çm2 de secção que faz um ângulo de 45o com as linhas de força de um campo magnético uniforme, onde a indução

éde2T.

R.;

17,7 mWb

208

CAMPOS ELECTR,OMAGNETICOS

Os fenómenos eléctrlos e magnéticos não são independentes. Vimos já que a toda a carga eléctrica em movimento está associado um campo magnético. Também é um

facto que, sob determinadas condições, um campo magnético pode ser causa do aparecimento de uma corrente eléctrica num circuito. o campo eléctrico e o campo magnético são, assim, casos particulares de um único - o CAMPO ELECTROMAGNÉTICO.

ãffi.& ffixffiwmm.xffinrgxA ffim

wffix&"ffiwffire

Fig. 203 - Experiência de Oersted e aplicação da regra de Ampère, para a determinacão do sentido do desvio duma agulha magnética nas situações reÍeridas.

Esta experiência põe em evidência o efeito magnético duma corrente eléctrica. Para isso faz-se passar uma corrente eléctrica num condutor colocado paralelamente a uma

agulha magnética nas suas proximidades (fig. 203). Estando o circuitò eléctrico interrompido, a agulha mantém-se na sua posição de
equilíbrio. Com o circuito fechado, a agulha sofrerá um desvio angular, actuada pelo campo

magnético produzido pela corrente.

209

& w-&lâ

KffiffiKE ffiK &M#ffiKMffi

O comportamento da agulha magnética pode resumir-se do seguinte modo, que constitui a chamada REGRA DE AMPÈRE:

Além disso,
,:1,,,,,,,::,,,,Èê

ì,FliÍriilÈ,d,odèàìi

õ----,1

&w.ffi ffiewpmffi
&

ê

ffi&g&wgãqr$3Kffi&3ffi

*,ffiffiffi#K#1ffi3{39

ffi,ffi ffi#m.mffiffiwKffi
T9.5.

T CON,N,ENTE

R,,ECTILÍNEA

ffi

CoNFTGURAçÃO DO CAMPO

Fí9. 2O4 - Campos magnéticos criados por correntes rectilíneas. As duas situações correspondem aos dois sentÌdos possíveis para a corrente,

Consideremos uma corrente eléctrica de intensidade I atravessando um condutor rectilíneo, teoricamente de comprimento infinito (Íig. 2041.

210

tamento.

O campo eléctrico é mais intenso junto ao condutor, q qqe f el/idenciado pela maior concentração das linhas de força nesta zona, diminuindo progressivamente com o afas-

K

SENTIDO

Na fig. 204 desenhou-se o vector intensidade de campo È em pontos diametralmente opostos situados na mesma linha de força. Reparar que o vectoÍ intensidade de campo é tangente, em cada ponto, à respectiva linha de força. Existem várias regras que nos dão o sentido do campo, sendo uma delas a REGRA DO SACA-ROLHAS DE MAXWELL:

-o ..--.:.,,,,ã.s$$ q,9àú,Èà$;;,ã-'-x,;;sãíã,
no sentido da corrente.

;hâS.tt;'

:,::6,6!66.6çi,;'.1111.

W INTENSIDADE
LEI DE BIOT-SAVART Esta lei exprime o valor da intensidade do campo magnético H em qualquer ponto à dÌstância r de um condutor rectilíneo, quando atravessado por uma corrente /.

H

-

r I

intensidade de campo ou excitação magnética, em ampere/metro (4,/m) raio da circunferência, em metros (m) intensidade da corrente, em ampere (A)

Sl de excitação magnética ser ampere/metro (A/m).
i

A intensidade de campo magnético é directamente proporcional à intensidade da corrente e inversamente proporcional à distância. O seu valor resulta do quociente entre uma intensidade de corrente e uma medida de comprimento, o que justif ica a unidade

Yazio

MeioparamagnéticopSl
Lf.

Meio ferromagnético p

>I

i

H

r-

vector de posição ìntensidade do campo magnético

B

Lf.

-

indução magnética

linha de força

Fig' 205 - Para a mesma excitação de campo È, o vector 8-, sua consequência, embora com o mesmo sentido, difere em grandeza consoante o meio em questão.

211

PROBI,EIìIAS RESOI,VIDOS

l.

Calcular a intensidade de campo magnético num ponto distanciado 12 cm de um condutor rectilíneo, quando este é percorrido por uma intensidade de corrente de 7 A. Resolução:

H:

2rr

I

u_: H

7
2*

o,l2

_ 9'28 A/m :

t Representar graficamente

a variação da intensidade de campo magnético

H (A/m)

em função da distância, nurÌÌ condutor rectilíireo percorrido por uma corrente constante de 8 A. Como abcissas de referência considerar as distâncias de l, 2, 3, 4 e 5 cm.

r

(m)

H (A/m)
127,3 63,7

0,01

0,02 0,03 0,04 0,05

42,4
3

r,8

t{{

Resolução:

H:
Ex.:

2rr

I

Fig. 206

r:0,01

m

r :

-à,

:

12i,3 A/m

PROBTEMAS PARA RESOTVER

l.

Calcular a distância entre uma corrente rectilínea de 5 A de intensidade e um ponto situado nas proximidades, onde a intensidade de campo magnético é igual a 13,26 A/m.

R.; d:6cm
2. Determinar a intensidade de uma corrente que ao atravessar um condutor recti|íneo originará, num ponto à distância de 20 cm, uma intensidade de campo magnético de 47,8 A/m.

R.; I:604
212

3.

,

Considere duas correntes rectilíneas paralelas 11 : 3 A, Iz : 8 A que intersectam perpendicularmente um plano nos pontos A e C com os sentidos indicados. Se imaginarmos que estes pontos, distanciados de 8 cm, constituem os vértices de um quadrado como o representado na fig. 207 , determinar a intensidade de campo magnético no

ponto D.

R.: Ho :

24

A/m
Fig.2O7

r9.5.E

COR,R,ENTE CIF,CULAF,

Uma corrente circular é conseguida, na prática, por uma espira circular.

&

CoNFTGURAçÃO DO CAMPO

Podemos ainda ver que o campo é mais intenso junto a cada um dos condutores, onde

verificamos maior concentração das linhas de força (fig. 208). Não são exactamente circunferências centradas em cada um dos condutores, dada a interacção das linhas de força.

Fig. 208 Corrente circular e campo magnético resultante da regra do saca-rolhas de

-

Maxwell.

213

ïjIIW

SENTIDO
REGRA DO SACA-ROLHAS DE MAXWELL

Fig. 209 - Espectro magnético devido a uma corrente circular segundo um plano que contém o eixo da espira, considerando, em 1 e em 2, sentidos opostos de circulação.

O sentido das linhas de

rìÍiifr

INTENSIDADE

O valor da intensidade de campo H no centro da espira é calculado pela seguinte expressão:

linha de força onde se representou, num dos pontos, o vector de

Fig. 21O - Pormenor de uma
posição

H

I r -

intensidade de campo (A/m) intensidade da corrente (A) raio da espira (m)

'r e a excitacão

do

campo Ê.

donde se pode concluir que
o campo magnético é, para a mesma corrente, mais intenso do que o campo resul-

tante de uma coÍïente rectilínea.

T

FOLHETO MAGNÉTICO

Em termos de campo criado, uma espira é equivalente a um delgado íman ou folheto magnético. Às duas faces da espira correspondem os respectivos pólos. Atendendo ao sentido das linhas de força, que, como sabemos, no exterior de um íman se dirigem do pólo norte para o pólo sul, podemos também aqui verificar a formação de um pólo norte na face anterior da espira e, naturalmente, de um pólo sul na sua face posterior.

214

Uma regra prática será associar o movimento de rotação de um saca-rolhas no sen-

tido da corrente, com as letras

A/

e S, como se mostra naÍig' 21 1.

*rlll4

Fig. 211

numa espira, associando o sentido da circulação da corrente às letras N e S,
conforme é sugerido.

-

Determinação da polaridade

PROBI,EMAS RESOLVil'OS 1. Qual a intensidade
Resolução:
da corrente que deverá percorrer um condutor circular com 15 cm de raio,

para que a intensidade de campo no seu centro seja de 50 A.e/m?

H:lï It-_-lT-_._:__._l - tr--]:2rH:2x0,15x50:ll5A
2. Duas espiras circulares,
concêntricas e perpendiculares entre si, com 35 cm e 27 cm de raio, são percorridas por duas correntes, respectivamente, de 12 A e 8 A. Calcular o valor da intensidade de campo no centro das espiras. Resolução:

I

rlf
\r_
\/
Fis.212

fo'

til

H:j-zÍ
: F4,8r A"Ã-l
', 1[3P :

t-rr"_-]= | 'l

2

x 0,27

1 I n l= ^,/-g; 11,2 : fij[t
PROBLEMAS PABA RESOTVER 1. Calcular o raio duma

22,65 A.e/m

espira circular que, percorrida por uma corrente de 15 seu centro um campo magnético cuja intensidade é de 100 A.e/m.

A, origina no

R.; r:7,5cm
215

2.

Considere duas espiras concêntricas, com raios rr : 8 cm, 12 : 12 cm, percorridas, pectivamente, pelas correntes Ir : 3 A, 12 : 7 A, com sentidos opostos.

res_

a) carcular a intensidade de campo magnético no centro comum
b) Qual
tante devido a ambas?

das espiras.

das duas correntes originará um campo magnético concordante com o campo resul-

c) Qual

o valor da intensidade da corrente na espira 2, para que o campo magnético resultante seja nulo no seu centro?

R.:

a)

H:

10,4 A.e/m

b) Iz

c)Ir:4,55

I9.5.õ

SOLENOIDE

Um solenóide ou bobina é um enrolamento formado por um conjunto de espiras paralelas, com o mesmo diâmetro e seccão.

&

CONFIGURACÃO DO CAMPO

Fig. 213 - Linhas de força do campo magnético criado por um solenóide.

Fig.214 - O vector intensidade de campo é tangente, em cada ponto, às linhas de forca do campo.

216

E análogo ao de um íman recto, correspondendo as suas extremidades às respectivas regiões polares. Ver fig. 213. Nela se representam as linhas de força segundo um plano axial, podendo assim concluir-se que:
'...1üQ.,,,:!4(st!iÍÍdôlì.àúte,nôtde,,,tta,',',,íffii$1zá.

lismo das.{irúas de força.
......t.........No
ììììììììììììì:.èl

çèí,,|áÍéÍíi*í:,,íá*$$né:111aiÈììlìiÈìèìs.o.ì,

ò
i:às

uii:úálÍá,.ìiliniêló

í'òòàlòüffi à;aas:::ttrf

Mtp6di!

coí:.

W SENTIDO
REGRA DO SACA-ROLHAS DE MAXWELL

Um saca-rolhas disposto segundo o eixo do solenóide, rodando no sentido da corrente, progride segundo estas.
::'.,,:...&'!:a,:t.l::l::.:.:.:.:.:.:.:.:::.:.::.::.:':::,::::,:,:t::,:::,1:rl,;l

,'ìì::ìììlìììììììììììììììììììììììììììì

W

INTENSIDADE

Num solenóide cujo comprimento é significativamente maior que o seu diâmetro, a intensidade de campo no seu interior é calculada pela seguinte expressão:

N I

IH

-

número de espiras intensidade da corrente (A) comprimento do solenóide, em metros (m) intensidade de campo no interior do solenóide (A.e/m)

Dela se concluÌ que o campo magnético é directamente proporcional à intensidade da corrente e ao número de espiras, e inversamente proporcional ao seu comprimento. Dando uma outra forma à expressão anterior, temos que:

Podemos então enunciar
AMPÈRE:

o seguinte teorema, conhecido como TEOREMA

DE

z'-:aiíeulaf;,,f$;Árár:,Ìèctorrtt,rráai,::lqgíU€, úôàì,,ihhá:ì.dèjÍorça:,$,rõúúéllr,láólÌúôduÍó,,1áã;4ú,mèiol& íaia:;püetál,àUraçados peta intensidá

'---

'ê:,,,|ó.úál1,.l=,
,,,óáirenìÈ,ìlllllllllllllll

Para a mesma corrente, o campo no interior do solenóide é mais intenso do que em qualquer das situações anteriormente estudadas, dada a acção magnetizante da corrente vir agora reforçada pelo maior número de espiras existentes. Sendo o número de espiras uma grandeza sem dimensões, em nada alterará exprimirmos a unidade de intensidade de campo magnético em ampeÍe x espira por metro, o que tem a vantagem de a identificar com o campo criado por um solenóide.

217

ffi

FORMATOS DE BOBINAS

i
i

I

transversal rectangular, enrolamento de grande passo em fio de cobre nu e núcleo de ar.

Fig. 215 - Bobina de

secção

Fig. 216 - Bobina idêntica à da Fig. 217 - Bobina com grande Íig. 215, com núcleo ferromagné- número de espiras de fio de cobre
tico.
de pequena secção e isolado, feÌto

sobre suporte em cartão.

Constituem aìnda bobinas outros enrolamentos não necessariamente helicoidais, podendo ter secção quadrada, rectangular, etc. (figs. 215,21 6 e 217). Podem ser constituídas unicamente pelo enrolamento, ou então ser construídas sobre matéria isolante, como cartão, madeira ou plástico, e possuírem ou não núcleo Íerromagnético. Este último destina-se a intensificar as acções magnéticas do campo. O fio condutor é, normalmente, em cobre esmaltado isolado por verniz especial ou, quando as tensões de serviço são elevadas, as camadas de espiras são isoladas umas das outras por tela, mica ou outros materiais com idênticas características dieléctricas.
linha

L9.3.4 TOROIDE
Uìmìììtoaóidé óú ììì$olànóide.::'folíaidal,''ê ü,m

::,:::lffié67rl Íeitb,'ÉóbÍe:qiÌh

n ú.ò!èò.ìlì,à

m

lol,wÊ::

ênro' dé

anel.

w
r,r,,rr,:r

CoNFTGURAçÃO DO CAMPO

i.iirriiiiii:iAs*iàihà,;,,,,,ìà.forìà1:,::àà,,,:,éáúíó
,,

.íágaãííóo no
218 - Solenóide toroidal. Todas as linhas de força se fecham no interior do toróide. Reparar na diferente concentração das linhas.
Fig.

interiòí,::,dé',ü*,.,tó, nóide toroidal são cireúf á-

:,.

re$':,È:::ÍeChàú.se,àÌÌàìéílCóÍúclêo;,,nãól,,ôrigi:

nando acções magnéticas no exterior.
të$r

sENTtDo
REGRA DO SACA-ROLHAS DE MAXWELL

O sentido das linhas de força é dado pela rota-

ção de um saca-rolhas que rode no sentido da corrente.

Fig. 219 - Algumas linhas de força e vector intensidade de campo em alguns
pontos deste.

218

K INTENSIDADE

A intensidade de campo é, co mo no caso do solenóide, dada pela expressão:

r---

["iYl l-'l

_, tl

tendo porém em atenção que / é o comprimento da linha média do toro.

&9.& K-ffiKçxá& ãWeWeyKWffire€}KKKK

Fig.22O

por ela criado.

-

O sentido da f .m.m. (no interíor da bobina) é do pólo sul para o pólo norte do carnpo magnético

O efeito magnetizante da corrente será tanto maior quanto maior for o número de espiras da bobina. Chama-se força magnetomotriz ao produto do número de espiras pela intensidade da corrente. Nota-se pela letra S e a sua unidade no sistema internacional é o ampere'espira, ou simplesmente ampere, uma vez que o número de espiras não tem dimensões. A equação de definição é

Nos quatro casos exemplificados (fig. 22Ol mostra-se o sentido desta força criado
por uma bobina e definido em cada um deles pelos sentidos da corrente e do enrolamento.

219

PNOBI.EMAS RESOI,VII)OS
1. Uma bobina
de um relé, tipo alongada, com 7 cm de comprimento, quando percorrida por uma intensidade de corrente de 350 mA, cria na sua região interior e central um campo magnético de 2500 A . e/m. Determinar:

a) A força magneromorriz da bobina.
b) O número de espiras.
Resolução:

a)ff:Hl b,)HI:NI
2. Uma bobina com

E :

25oo

x

o,o7

:

tr?5

L;l

E:;ã:fespiras

120 espiras e 30 cm de comprimento é percorrida por uma corrente de 600 mA de intensidade. Determinar a gratdeza da intensidade de campo magnético na zona central do solenóide.

Resolução:

H:+

E

:ar4oT."/^1
na fig.

3. Um solenóide toroidal como o representado

221 é executado sobre núcleo de ferrossilício cuja linha média tem um comprimento de 40 cm. O enrolamento tem 800 espiras e o diâmetro da secção recta do núcleo é de 18 mm. A intensidade de campo ao longo de toda a sua linha média é de 3000 A . e,/m, o que corresponde a uma indução de 1,6 T.

Calcular:

a) A intensidade da corrente de excitação.
b) A f.m.m.

c) O fluxo de indução.
Fig. 221

Resolução:

d

"

:

+

E : + : jqqffir. : [LsA--l
E:
S
8oo
rr 0,0092

b)s:Nr
c)

x
:

r,5

: [1200;*l
x l0-3 m2
0,25

S: rr2

:

0,25 1,6

E : BS :

x

x

1o-3

: tqt-wb l

PROBTETIAS PARA NESOIVER 1. Calcular a força magnetomotriz duma bobina corrente de 200 mA de intensidade.
com 2300 espiras, quando percorrida por uma

Ã.; S:4604.e
2. Qual o comprimento que deve ter um solenóide com
650 espiras para que, percorrido por uma corrente de 69 miliampere, apresente na região interior central um campo magnético

de300A.e/m.
Ã...

l:l5cm

3. Um electroíman tem uma bobina com 13 cm de comprimento. Quando percorrido por uma corrente de 6 A, o campo magnético no seu interior é de 1477 A . e/m.
Determinar:
a) O número de espiras. b)

A f.m.m.

R.: a) N :

32 espiras

b)ff:t92A.e
4. Qual
o número de espiras que, em igualdade de comprimento, deve ter um solenóide de tal forma que, quando atravessado por uma corrente de 300 mA, produza no seu interior e região central o mesmo campo magnético que uma corrente de 630 mA numa bobina de 2000 espiras.

R.; N:4200espiras
5.
Sobre um núcleo ferromagnético toroidal em ferrossilício é feito um enrolamento de 400 espiras. A sua secção é de 3,14 cm2 e o raio respeitante à sua linha média mede 6 cm. Considerando uma excitação de 250 A, . e/m, que corresponde a uma indução de 0,8 T, calcular:

a) O comprimento da linha média do núcleo.
b,) O fluxo de indução.
c.)

A f.m.m.

d) A corrente de excitação.

R.: a) | : 37,7 cm b)-'ó : o'25 mwb c) 5 :94,25 A.e d) r : 235,6mA
6. Uma bobina com
750 espiras, com um comprimento de 15 cm, é percorrida por uma corrente cuja intensidade é de 325 mA. Determinar a intensidade de campo no interior da bobina.

R.; H:1625A.e/m
221

7. Uma bobina enrolada

sobre um núcleo de ferrossilício em forma de toro tem 200 espiras e é percorrida por uma corrente de intensidade igual a 3 A. Sabendo que o diâmetro médio do núcleo é7 cm e o diâmetro da sua secção recta é de 8 mm, calcular a intensidade de campo

magnético.

R.; H:2727A.e/m
8. Um toróide com
80 cm de comprimento tem uma intensidade de campo de 1500 A . e/m. Qual deverá ser o comprimento da linha média do núcleo de um outro toróide com a mesma f.m.m. para que a intênsidade de campo seja de 2600 A . e/m?

R.: l:46cm

ã w.

ff& w:ffixKffiffiffi&Kx&Kffi&KlK ãW&&K16ffi:mrXç-g ffi&KK&KKW.#L K &X*ffiffi:ruK$K&

A permeabilidade magnética pr duma substância pode considerar-se como o produto de dois factores, como mostra a expressão:

.

tto é a permeabilidade absoluta do vazio. O seu valor

é, no Sl,

in :
trr,

4 ?r' 10t7 henry,/metro

é a permeabilidade relativa do meio em questão e representa o número de

vezes que a permeabilidade p desse meio é maior que a permeabilidade magnética do vazio 1to. É uma grandeza adimensional.

Kffi.&

ffiâffix*KtrffiKwKm&Wffi

Notada pela letra grega v (niú), a relação é:

222

L

xw.ry ffiwKxtr.& mffi 3** WeffiffiffixwKffie#Ã&
Nos meios ferromagnéticos a permeabilidade magnética não é um valor constante. Depende não apenas da intensidade do campo, como do passado magnético do material, isto é, se sofreu ou não magnetizações anteriores. Como p" não é constante, a função B = pH não é linear. Graficamente é uma curva, designada

CURVA DE

1l

MAGNETIZAÇÃO ou de

MAGNETTZACÃO tNtCtAL

(fis. 222).
1 . " magnetização de uma substância ferromagnética e curva câracterística do vazio.

Nos materiais não magnéticos, pelo contrário, a permeabilidade é constante e o seu gráfico é evidentemente uma recta cuja inclinação mede o seu valor. Na fig. 222desenhou-se ainda a recta
que caracteriza a magnetizacão do vazio,

Fig. 222 - Curva típica de

meio não magnético, como sabemos.
Para o seu traçado utilizamos uma montagem como mostra afig.223. O núcleo da bobina toroidal constitui o material de ensaio, sendo requisito nunca ter sido magnetizado.
Íepresentação parcial

toro ferromagnético
em ensaio

do enrolamento ao longo do núcleo

fluxímetro

I

Fig. 223

-

Dispositivo para traçado da curva de 1. u magnetização.

Numa curva de 1 . a magnetização podemos distinguir 4 regiões: I lnicialmente, uma ligeira concavidade onde a permeabilidade sofre um ligeiro aumento. I Seguidamente, uma parte rectilínea onde a permeabilidade é constante. Nesta zona qualquer aumento da excitação é acompanhada por um aumento proporcional da indução. I Na terceira parte da curva, a permeabilidade magnética diminui rapidamente até à saturação magnética do material (ponto S da curva). n A partìr do ponto S, aumentos progressivos da excitação pouco modificam o valor da indução. A curva aproxima-se assìmptoticamente da recta, cuja inclinação é igual à da característica do vazio. Nesta situação o material está já destituído de propriedades magnéticas.

223

< Fig. 224

- Curvas de 1 . " magnetização do FeSl e do aço vazado.

FeSi

-:t
lìì::tì,tÌ{

0,8 250
5'10

1,0

1.1

t.2
625 1215

1,3

t,4
1

1,5
1

1,6 3000 3800

400 820

500
1000

750
1'700

150

800

Aço
vazado

:j

2250

3500

Na

fig. 224representam-se os traçados das curvas de 1.u magnetização do fer-

rossilício e do aço vazado.

ãw.m 3üKstrffim.&ffiffi
Partindo duma situação inicial que nos leva ao traçado da curva de 1 . u magnetização, limitemos a excitação do campo a um dado valor que não ultrapasse o correspondente à saturação magnética do material. Se seguidamente diminuirmos a sua intensidade, verificaremos que os valores da indução correspondentes a cada valor do campo são superiores aos iniciais.

d á..,..indüêãq. ,È:,,,:os

224

19.8.1 CICLO HISTEF,ETICO
ciclos histeréticos

ciclo histerético
ite

Se fizermos variar continuamente

o

campo entre valores simétricos de H inferiores à saturação, por exemplo no intervalo [- Hr, + Htl, a curva B : f(H) descreve um ciclo fechado simétrico em relação à origem, como se mostra na fig, 225, designado por CICLO HISTERÉT|CO. Nele podemos ver como em qualquer dos quadrantes a indução não acompanha o andamento do campo.

*

HvÁx

os valores negativos da excitação

conseguem-se por inversão do sentido da timite de histerese. corrente magnetizante. Podemos obter tantos ciclos histeréticos quantos os limites fixados para a variação do campo, isto é, em número infinito. Mesmo assim não podemos exceder um determinado valor de H correspondente à saturação. Para tal valor corresponde um ciclo de área máxima, designado por CICLO HISTERÉTICO LlMlTE, também representado na tig. 225. Se fizermos passar a excitação por valores não simétricos de H, obtemos ainda CICLOS PARTICULARES DE HISTERESE que nunca são simétricos relativamente

Fig. 225

-

cictos simétricos e assimétricos. cicto

à origem.

T9.8.8 VALOR,ES CAN.,ACTER,ISTICOS DA HISTER,ESE
Alguns valores assumidos pelas grandezas B e H são particularmente importantes, constituindo características que distinguem os materiais ferromagnéticos e definem o campo da sua utilização. Na fig. 226 encontram-se assinaladas essas características sobre um ciclo histerético Iimite.

Bp H6 Br

H"

excitação de saturação indução de saturação campo Íemanente força coerciva

Fig. 226 e valores

- Ciclo histerético característicos. )

225

il

EXCTTAçÃO DE SATURACÃO

Lxl]

Valor a partir do qual qualquer variação da excitação magnética pouco influenciará o valor da inducão. Corresponde ao máximo valor de H no ciclo histerético limite.

ã rNDUçÃo DE sAruRAÇÃo

F;-l

Valor da indução correspondente à excitação de saturação.

K

CAMPO REMANENTE

Ouando a excitação do campo H é levada a zero, situação em que a corrente magnetizante é nula, no material subsiste ainda um determinado valor de indução. lsto sig-

nifica que o material ainda se conserva magnetizado. O valor da indução, neste caso, chama-se INDUçÃO REMANESCENTE, CAMPO
REMANENTE OU REMANÊNCIA.

m FoRcA coERclvA

tr

Chama-se Íorça coerciva ao valor H, a que é necessário levar a excitação de forma a que se anule a indução. Ao levar novamente a corrente azero e com ela a excitação, o material recuperará parte da sua magnetização, pelo que, para que este fique completamente desmagnelizado, será necessário obrigá-lo a percorrer ciclos gradualmente mais pequenos.

19.8.5 PEF,DAS

POR, HISTEF,ESE

Todo o material ferromagnético sujeito a magnetizações alternadas acaba por aquecer, perdendo energia. Estas perdas são devidas à histerese e são proporcionais à:

o área do ciclo histerético por unidade de volume; o frequência da corrente.
Esta relação é posta em evidência pela FORMULA DE STEINMETZ:
B"
Ë$ïiìì

-

máximo valor do campo magnético, proporcional à área do ciclo histerético (T)
frequência da corrente magnetizante (Hr) constante própria que caracteriza o tipo de ferro perdas por histerese (W/kg)

Pn K

f

226

xs.g ww%w&ç&e

sm ü&R&srmn*sxsroeg Kr&$

w &xwwY #xxffi x'K m.Ks s&,& &K *wxwww
Consoante a utilização em vista, assim serão seleccionadas as características.

Em aplicações condicionadas por campos magnéticos de pequena intensidade, como acontece no domínio das telecomunicações, recorre-se a materiais de elevada petmeabilidade inicial, de forma a conseguirem-se valores significativos de indução.
Fis.227

No fabrico de electroímanes e memórias para computadores, como veremos mais tarde, em que interessa uma magnetização que dure somente o tempo de passagem da corrente, são necessários materiais de Íraca remanência e pequena força coerciva. Fig.224

-

Ferrites

Nos ímanes permanentes, pelo contrário, interessa uma grande remanência e força coerciva.
Fig.229

-

Aços de carbono.

Um grande número de máquinas eléctricas, como motores, alternadores, transformadores, etc., cujos componentes estão sujeitos a variações alternadas do campo,

devem possuir ciclo histerético estreito para minimizar as perdas por histerese.
Fig. 230

-

Ferrossilício.

227

Designa-se por CIRCUITO MAGNÉTICO todo o percurso das linhas de força, incluindo o próprio meio ou meios onde elas se estabelecem.

<Fig. 231 - Circuito
homogéneo tipo série.

magnético

Fig.232 - Circuito magnético heterogéneo. O fluxo atravessa dois
meios com diferente permeabilidade

magnética.

< Fig.

233 - Circuito magnético homogéneo em derivação.

FiS. 234

- Circuito heterogéneo.

>

Nas figs. 231 a 234 representam-se alguns circuitos típicos e de uso frequente em electrotecnia.

&ffi.& ffie"e#sKwxffi-eç & f,t
Podemos classificar os diferentes circuitos magnéticos encontrando o seu enquadramento em cada um dos seguintes grupos:

ffi

Diz-se homogéneo um circuito constituído por um só material e uma só secção
em toda a sua extensão. A indução, consequentemente, será constante em qual-

quer dos seus pontos. Ex.: figs. 231 e 233. Pelo exposto, o circuito da fig. 234 é heterogéneo.

ffi

n existência de uma pequena zona de ar que, em muitos casos, interrompe a continuidade do núcleo e que se destina af azer o aproveitamento do campo, designa-se por ENTREFERRO. Dos circuitos representados apenas o da Íig. 232 possui esta região.
O circuito da fig. 233 é um circuito em derivação. Os restantes são circuitos em sene,

ffi

MM-ffi &ffiX ffiffi WffiWKxffiffi{3ffi
A lei de Hopkinson estabelece matematicamente uma relação entre a f.m,m. no circuito e o fluxo magnético por ela originado:

designa-se por RELUTÂNCIA MAGNÉTICA. Esta expressão é idêntica à que traduz a lei de Ohm nos circuitos eléctrÌcos , razão por que é frequentemente chamada

G

lei de Ohm dos circuitos magnéticos. É importante salientar que esta expressão não pode ser utilizada no cálculo da maioria dos circuitos magnéticos, em virtude da relutância não ser constante, mas função da intensidade de campo. O seu domínio de aplicação está limitado aos meios não Íerromagnéticos ou então aos meios ferromagnéticos cujo funcionamento se situa na região linear da curva de 1.u magnetização, onde a permeabilidade magnética é constante, como sabemos.

Ë#.ffi KmeffgÃffiffiK"#il

A relutância de um circuito magnético é uma medida da sua resistência magnética, ou seja, da dificuldade que ele próprio oferece ao estabelecimento das linhas de força do campo, É, de alguma forma, comparável à resistência de um circuito eléctrico. A unidade Sl de relutância é o A .e/Wb, de acordo com a seguinte equação de
dimensões:

tGl

: tsl :
tól

A.e
wb

K

DEMONSTRAçÃO DA LEr DE HOPKTNSON
Sabemos que

g:-Ô
S

e H:+
podemos escrever

Como

g:pH

,

ï:r,

ó

NI
I

Como

S:NI ,

então O=tff
temos finalmente:

Se fizermos

o:-+,

G:só
ffim.,& wffiKffiw&wffiK"&

c.q.d.

Define-se permeância como sendo o inverso da relutância, isto é,

E comparável à condutância de um circuito eléctrico.

231

ffi#.w ffiffiffi#çFKwffi ffi&ffiffi:&Wsmm ffi K%-}&#KKKffi&g &ffiA&ffiffiKeffi Xffi KKwwm"ffiffiWeffi
W ANALOGIAS
Da semethança entre a

leide Hopkinson

E

e a teide

ohm

E

podemos comparar as grandezas existentes num e noutro caso:

I I E I

a f.m.m. do circuito magnético equivale à f.e.m. do circuito eléctrico;

o fluxo de indução magnética à intensidade da corrente; a relutância à resistência eléctrica; a relutividade magnética de um material à resistência especíÍica,

pelo que analogamente se pode escrever

noscircuitosmagnéticos

I G:r+t I

I

l

noscircuitoseléctricos

I *=r*l-l r

W

DIFERENçAS

I tr

No circuito eléctrico a intensidade da corrente coÍresponde a um real movimento

de electrões, enquanto que o fluxo magnético não tem carácter dinâmico.
A resistência eléctrica é constante, o mesmo não acontecendo com a relutância.

m€p.ffi ffiKffip*ffiKffi,&ffi 3?g&&wMgmmg

EO.6.I CONCEITO

Fig. 235

*

Dispersão magnética.

Fig. 236

-

Dispersão magnética.

232

Embora o trajecto das linhas de força seja definido pela configuração do circuito magnético do núcleo, estabelecendo-se no seu interior, existem contudo regiões onde algumas dessas linhas sofrem deflexão, fechando-se parcialmente pelo ar (figs. 235 e 236). O fenómeno ocorre em todas as regiões de fronteira, sendo particularmente importante nos entreferros (Íig. 235). Ocorre igualmente na região envolvente duma bobina de excitação. Do fluxo total ó,, podemos então distinguir entre um fluxo útil ó", que se fecha através do núcleo, e um fluxo de dispersão @0, que é de fugas, em que

20.6.E FACTON, DE DISPEF,SAO
O fluxo de dispersão é relativamente pequeno quando comparado com o fluxo total. O quociente entre ambos define-se como factor de dispersão o.

E praticamente inexistente num circuito homogéneo, como é o caso de um solenóide toroidal.

&ffi.w wgmwwK-ffi Kffi ffiKmffiwxKffiffi ffi&ffi3trúEmmmru
no projecto de equipamentos electromagnéticos, como, por exemplo, electroímanes, núcleos de transformadores, etc. Em todo esse cálculo desprezamos o fluxo de dispersão, o que nos permite considerar que
E essencial

-o

fúxo mantém-se

**iánt"

em todo-o circuito magnético não derivado.

Na impossibilidade, na maioria dos casos, de aplicar a lei de Hopkinson, uma vez que a permeabilidade é uma Íunção do campo, utilizamos uma expressão já nossa conhecida, que corresponde à generalização do teorema de Ampère, em que

H=

+

donde

Como nos circuitos heterogéneos existem troços com valores distintos de H, aplicamos a referida expressão em cada um deles e então
li "'rX.ììrìIllìììlìììì"=rìtì'iE}.Ãil':,V ;

233

EO.?.1

PR,OCESSO

DE CALCULO

Conhecido o valor da indução B, determina-se o correspondente valor de H a partir da curva de 1 . u magnetização. O produto de H pelo comprimento I do troço respectivo dá-nos o valor de f.m.m. S : N L Geralmente é conhecido tV ou /, pelo que um simples quociente dá-nos o valor da outra grandeza.
rìììrËì!

rNDrcAçÕes ceRRrs

tr I I

As curvas de magnetização a que se referem os problemas seguintes são as constantes da pá9. 224. Tcdas as peças são cotadas em milímetros.
Cada um dos troços dos circuitos apresentados foi referenciado com uma letra,

para fácil identificação.

2O.?

.2 CrF,CUrrO HOMOCÉnrnO
o

(SEF,rE)

O circuito da fig. 237 representa
nar a intensidade da corrente
para criar uma indução
ResoluÇão:

núcleo de uma bobina de 150 espiras, construído em chapa de ferrossilício. Determinecessária

B=

1,5 T.

f

excitação no ferro
1. u

u"i
ici
A'e/m

l-,---Â--., I

Da curva de

magnetização do FeSi

81": l,J f

-

Hr.

:

1800

Fig.237

tr

comprimento da linha média do núcleo

lr":le+lB+1"+1, :55 + 45 + 55 + 45:200mm

Aplicando o teorema de Ampère

Hl : NI

E : 18oo x 0,2 = F6{A*-l E -Hl N
34_

E:#:E

2O.7.3 CrB,CUrrO HETEnOGENEO COM SECçAO
CONSTANTE
Pretende-se calcular o número de espiras que deve abraçar o troço do núcleo de um electroíman em chapa de ferrossilício, como se representa na fig. 238, para que

no entreferro se obtenha uma indução de B : 1,6 T com uma corrente de 15 A.
Resolução:

r
I

As

secções do núcleo e do entreferro

são iguais, pelo que as induções também,

w"i
L-----:------l

I I

isto é, Br"

:

B..

:

1,6 T.

Existem contudo dois meios distintos, com diferentes valores de permeabilidade,

I

os

lzs

I

portanto com diferentes valores de H.
Bu,

Fig. 238

:

lroHu,

H*:

4r. l0-j
0,005

1,6

:

12,7

x

10s

A.

e/m

tu,

:

- : F.l0-r;l
*
Hi"

Recorrendo à curva de 1.u magneÍização

Br":

1,6T

:

3000

Ã'e/m

lr.:lo+lB+1.+lu :90+65+90+60:
305 mm

: Fio5 ;l

D

Hl :

Flr"lr.
3000

+

FI-lu. 0,305

:

x

+

12,7

x

105

x

5

x l0-: = 1126 A.;l ìt

EHI: DNI _Hl_
I

7265
15

: Fil "pt*;l
235

20.?

.4 CIF,CUITO HETER,OGÉNEO
a

DIFERENTE NATUREZA E SECCÃO

Calcular

intensidade

da

corrente

necessiíria para criar uma indução de 1,3

T

A

-l
I I

no entreferro dum núcleo de aço vazado, como se representa na fig. 239.

I

N:

1000 espiras

Resoluçào:

LI 'l ____9____ _l
poH
lr3

DI

E

B:
u "'

Fig. 239

4r.lo-7

10,35

x

105A.e,/m

l*
E E

= 0,008-:

F " lo]3rnl
Hs

Da curva de 1." magnetização

Bn: Bo:1,3T
lls=o,o85ml
llo:0'077m1

-

: Ho :

1700

A.

e/m

tr9

1

Determinemos o fluxo constante no circuito

d

:

B"' S"'

S",:0,032: 0,0009 m2:9 x ó: 1,3 x 9 x l0-4 : ll,7 x
Determinemos a indução nos troços

10-am2

10-4Wb

A

eC

BA: Bc: S:
Ba
Se

Ó S

- Sc:

0,025

x 0,03 :7,5 x l0-am2

:

Bc

: t:l

7,5

l0-4 x .r:-:

x

:

1,56

r

236

Da curva da l.u magnetização

B:

1,56T

*
m

H^ : Hc :

3800

A.

e/m

le:lc:0,1
EHI :2 x

EHI :2xHAIA+HB x

(lB

+

lD)

+

Hu,lu,

x DHI:9281 A.e
3800

0,1 + 1700x(0,075+0,067)

+

10,35

x

105

x 8 x l0-3

-Hl t:

N

i#i:@

PROBIEMAS PARA RESOI.VER
NOTA: todas as dimensões são em milímetros.

1. Na fig.

240 representa-se um núcleo de electroíman de estrutura folheada em aço vazado. A bobina de excitação tem 1500 espiras. Pretende-se saber a intensidade da corrente necessária para criar no ferro uma indução de 1,4 tesla.

R.;I:465m4
2.
Resolver o mesmo problema mas considerando

o núcleo de ferrossilício.

R.; I:238m4
3. Uma bobina toroidal com núcleo folheado
de

Fig.24O

ferrossilício tem 600 espiras. Na estreita região do entreferro pretende-se uma indução magnética de 1,5 T. Determinar a corrente de excitação.

R..'

I: ll,22{

Fig.241

237

O circuito magnético dafig.242 é constituído por

um núcleo laminado de ferrossilício com duas
bobinas de excitação de 1500 espiras ligadas em série. Pretende-se criar uma indução de 1,6 T no entreferro. Calcular a intensidade da corrente necessária para alimentar as bobinas.

R.; I:6,5A

Fis.242

ffi#.w ffiK-KffiWK&gWg&ffiKS
20.8.1
CONSTTTUTÇÃO

O electroíman (fig. 2431 é, fundamentalmente,

Existe ainda uma peça que, sob a acção da corrente na bobina de excitação, sofre uma atracção e que se designa ARMADURA.

< Fig. 243

eo.8.e FOB,MAS USUATS E APLTCAÇOES
É grande o número de tipos e modelos de electroímanes que respondem às múltiplas solicitações. Podem assim sistematizar-se:

X

ELECTROíMANES DE NÚCLEO FIXO
@

rr
I
Fig. 244

r---:1
ltl-l

*------- ll

|

-

Electroímanes de núcleo fixo.

Pelo seu emprego generalizado, referimos:

Electroíman recto (fig. 244
Efectroíman em

U (fig. 244

- 1l - 2l

Electroíman de 3 peças (Íig. 244 Electroíman El (fig. 244 - 4l

-

3l

Deve salientar-se que, no caso do núcleo do electroíman possuir o enrolamento de excitação repartido pelos seus ramos, o respectivo sentido deve ser contrário em cada um deles, para que não se anulem os seus efeitos.

X

ELECTROíMANES DE NÚCLEO MOVEL

O modelo mais característico é o ELECTRoíMAN DE NÚcLEo MERGULHANTE, que satisfaz as aplicações que requerem um apreciável movimento da armadura. Ex.: automático de escada, disjuntores, etc.

mergulhante

Fig. 245

de sucção ou de núcleo
mergulhante.

-

Electroíman

armadura fixa

239

ffi

ELECTROíMANES POLARIZADOS

Aproveitando a magnetização própria de um íman permanente em u, o electroÊ man polarizado reforça a sua acção magnetizante, sobrepondo a cada um dos braÇos

do núcleo um enrolamento com sentido apropriado.

20.8.5 &:
E

FOA,ÇA ATRACTTVA

calculada pela seguinte expressão:
B

S F -

indução, em tesla (T)
superfície total de contacto núcleo-armadura (m2)

força atractiva, em newton (N)

se se trata de um íman recto, s é a superfície do pólo. Para um íman em u, s representa a área somada de ambos os pólos. Naturalmente, um íman em u do mesmo material e da mesma secção que um íman recto desenvolverá uma força atractiva dupla.

PROBI.EIUAS RESOTVII)OS 1. Determinar
a força atracliva exercida por um electroíman recto cuja secção é de 4 cm 2 sobre A indução magnética na superfície de contacto é de 1 tesla.

uma armadura.

Resolução:
Dt-

B25
2pn

2x4xrx

1x4x10-4
10*

:159N

ou

F: 15: :r6,2ksr 9,8

2. Um electroíman em U tem uma
de 18 kgf.

secção recta uniforme de 3 cm2. Determinar a indução magnética necessária para que a força de desprendimento da armadura, quando ligado, seja

240

Resolução:

F : l8kgf : l8 x 9,8 : 176,4N pois
S

1

kgf

:

9,8N

: 2x3:

6cm2

:

0,0006cm2

: 6 x l}-amz

':j#+B:\e
B:
3. Pretende-se construir um electroíman com núcleo em ferrossilício que possa sustentar uma carga máxima de 150 kg,

.loJD

:

0,86 T

incluindo o peso da respectiva armadura. Admitimos a armadura encostada ao núcleo. As dimensões são as indicadas nafig.246. Sabendo que cada
um dos enrolamentos de excitacão tem 150 espiras, calcular:

a) A indução magnética b)

necessária.

A

excitação magnética correspon-

dente.

c) A corrente de excitação.
Fí9.246 - Aço vazado.
Resolução:

dE
S:2 x 0,03 x 0,025:0,0015m2: F: 150 x 9,8: 1470N
15

x

l0-am2

":\@=
b,

:

.'12,46

:

r,5i

r

E

Pela curva de 1." magnetização:

B:1,57T*H:2250A.e/m

"rE
lmédia

:

1o

+

l. + lB + lo :

2x

125

+2X
-3oo

100

:

450mm

:

0,45m

Hl:NI+I:-+

N

, ^--

2250

xo'45:3,4A
241

PBOBI,EMAS PARA RESOLVER 1. Um electroíman em U tem uma superfície de 4 cm2 por pólo. Calcular
a indução necessária

para que a respectiva armadura seja atraída com uma força de 30 kgf.

R.; B:0,967
2. Um electroíman recto tem uma secção de 1cm2. Determinar a força atractiva que exerce
sobre uma armadura, sabendo que a indução no contacto armadura-pólo é de 0,3 T.

R.; F:3,58N
3. Pretende-se calcular a intensidade
de

corrente necessária para que o electroíman representado (fig. 247), cujo núcleo é de ferrossilício, possa atrair a respectiva armadura com uma força de 50 kg.

As duas bobinas de excitação têm
espiras cada.

300

excitação H : 570 A.e/m correspondente a uma indução B : 1,17 T.

NOTA: Este resultado pressupõe uma

R..'

I:456m4
Fis.247

242

FOR,ÇAS ELECTR,,OMAGNETICAS

Designam-se por forças electromagnéticas as forças resultantes da interacção dos campos magnéticos e eléctricos. Sendo facto que toda a corrente eléctrica origina um campo magnético, será de esperar a sua composição com outro campo que lhe esteja próximo, seja este devido a um magnete ou ainda a uma nova corrente. Dessa interacção resultarão acções mecânicas que actuarão sobre o condutor ou condutores mergulhados nesse campo.

â &.

& ,&eeçÃ$

mïr:r& c.ã.rfrPo

tr,tAG$Érgco

soKem rsw& trÕeKrewww
ã'mrça &e Lapãaçe
Consideremos um condutor eléctrico disposto perpendicularmente às linhasde força de
um campo magnético uniforme, como se repre-

senta na Íig. 248. Ao ser percorrido por uma corrente, o condutor vai ser actuado por uma força designada por Íorça de Laplace. Num ponto P do condutor e nas condiçõe-s da figura, representaram-se os vectores B, indução magnética, /, intensidade da corrente, e F, força de Laplace.

Fig. 248

&

SENTIDO

eléctrico atÍavessado por uma corrente no seio de um_campo magnético é actuado por uma Íorça Fr.

-

Força de Laplace. Um condutor

A força de Laplace é normal ao plano que contém os vectores I e B. O sentido desta força é o da progressão de um saca-rolhas que rode de / para É ltig. Z+Sl. Alternativamente, podemos aplicar a seguinte regra:

243

Â'Y
/U/ s \l/ Y^

<Fig.249 -

O vector

Fa é sempre normal

ao plano que contém

osvectores / e8.

REGRA DA MÃO ESAUERDA DE FLEMMTNG

(fig. 25O)

twl Át'Kl-/i
t-

lF'

,/2

(9

< Fig. 250 - Regra da mão esquerda, para a determinação do sentido da força de Laplace.

< Fig. 251

mação do campo
magnético em redor de uma corrente no seu seio.

-

DeÍor-

ffi

GRANDEZA

A força de Laplace é directamente proporcional à indução magnética, à intensidade da corrente e ao comprimento activo do condutor, isto é, à porção deste submetida à acção do campo, o que matematicamente se resume na seguinte expressão, válida apenas quando a corrente atravessa perpendicularmente o campo:
F B

II -

força da Laplace, em newton (N)
indução magnética, em tesla (T) intensidade da corrente, em ampere (A)

comprimento activo do condutor, em metros (m)

< Fig. 252

- Variação em grandeza da força de Laplace,
em função do
ân-

gulo formado pelos vectores / e B-

ffi

GENERALTZAçÃO DA EXPRESSÃO
Para uma amplitude qualquer

os vectores / e B, a

do ângulo ou entre a corrente e o campo, isto é, entre fofça de Laplace continuará a ser normal ao plano

formado por ambos e a sua grandeza assim calculada:
:]Fììììììs

g:.:

w DrscussÃo

ìcY:90o

I

,Sen a=l
sen

F: BII
F

Corresponde _ao caso anteriormente estudado I rB. Aforca é máxima.

I

cv

: 0o l,

a

: 0

: 0

o quesignifica que uma correntedisposta para-

lelamente às linhas de força actuadâ pela força de Laplace.

I ll B não será

Para valores intermédios do ângulo, a força toma valores intermédios desde zero ao valor máximo. Ver Íig. 252.

PBOBI,EIUAS NESOLVil}OS
1. Um condutor rectilíneo atravessa um campo magnético uniforme de 2 tesla perpendicularmente às linhas de força e numa extensão de 20 cm. Calcular a força electromagnética que actua no condutor quando ele é percorrido por uma intensidade de corrente de 5 A. Resolução:

F: Bllsena
2.

Ba I -a:0o

F:2x5x0,2:2N

Consideremos um condutor rectilíneo como se mostra na fig. 253, percorrido por uma corrente de 12 A, cujo comprimento activo é de 5 cm e corta as linhas de força de um campo magnético uniforme de 3 tesla segundo um ângulo de 45o. Determinar em kg a força que aciurarâ sobre o condutor e o respectivo sentido. Resolução:

F: Bllseno :3x
F

12

x 0,05 x

sen45o

:

1,27N
Fig. 253

: 4- :

r2e,6 er
é

A direcção desta força

normal a

I

e

B, normal, portanto, ao plano do desenho

e

pelo seu

sentido aproxima-se do observador.

245

PROBTEMAS PARA BESOTVER 1. Determinar o ângulo que faz a direcção do condutor com a indução magnética num
campo

magnético uniforme de 3 tesla, sabendo que a força electromagnética que actua sobre um condutor é de 230 gramas quando ele é percorrido por uma intensidade de 800 mA e tem I metro de comprimento.

R..' a

:

70o

2. Um barramento

em cobre com um comprimento de 150 cm é atravessado por uma intensidade de corrente de l0 A. Sabendo que esta corrente corta perpendicularmente um campo magnético de 4 T, determinar a força em kg que actua sobre ele.

R.; F:6kg

&K.m &w&xffieç'&Kffi m-& K-#Kç,e wffi K&w&&ffiK
K
MOTORES ELÉCTRICOS

A fig. 254-1 mostra o princípio de funcionamento de um motor em corrente
contínua.
Um sistema colector-escovas como o da fig. 254-2, alimentado a c.c., permite fazer

chegar à espira uma corrente sempre no mesmo sentido. Esta é livre de rodar no interior de um campo magnético uniforme criado por um magnete.

semianel do

Fig.254 - 1 - O sentido da rotação da espira

é consequência do binário motor criado pela força de Laplace em cada uma das partes activas da espira. 2 - O colector, formado por dois semianéis, permite que a corrente circule sempre no mesmo sentido em cada um dos respectivos lados.

246

Fig.255 - Aplicação da lei de

Laplace na determinação do sentido de rotação da espira.

Nas condições da figura, é fácil concluir o sentido da força de Laplace em cada um dos seus lados. Nas regiões de topo é nula e nas regiões transversais têm sentido oposto e são iguais em grandeza. Cria-se assim um binário motor que fará rodar a espira

no sentido indicado.

W

APARELHOS DE MEDIDA

cilindro central

(binário antagonista)

Fig. 256

-

Aparelho de medida de bobina móvel para c.c.

Na

fig. 256 ilustra-se a constituição e o princípio de funcionamento de um amperÊ

metro de quadro móvel para trabalhar em corÍente contínua. É fundamentalmente constituído por uma bobina móvel que, sob a acção conjunta da corrente e do campo magnético onde está inserida, vai rodar actuada pela força de Laplace. O deslocamento da bobina, assim como do cilindro central, que constitui o respectivo núcleo, é proporcional ao valor da intensidade da corrente e é a todo o momento referenciado pelo desvio dum ponteiro que completa a equipagem móvel do aparelho.

247

Cessando a corrente, cessa igualmente a força electromagnética que produz o des-

vio da equipagem e ainda a do ponteiro com ela solidário. Um jogo de molas helicoidais, que adquire uma tensão mecânica proporcional a esse desvio, cria o binário antagonista necessário para levar o sistema à posição de
partida quando a corrente se anular. Este jogo de molas é igualmente aproveitado para fazer chegar a corrente à bobina. Dois aspectos construtivos merecem ainda realce:

I E f

O formato das expansões polares destina-se a criar um campo radial.
O cilindro central, em ferro macio, destina-se a uniformizar e intensificar o referido campo. O íman permanente gerador do campo deve ter a estabitidade magnética neces-

sária para gar-antir precisão de leÌtura.
Estes aparelhos, como se compÍeende, só poderão ser utilizados em medições de coÍrente contínua. Constroem-se igualmente voltímetros, que obedecem à mesma filosofia de princípio,

ffi

ELECTROíMANES DE SOPRO MAGNÉTICO

O arco eléctrico, muitas vezes formado entre as extremidades de um condutor no instante em que ele é seccionado, é causa principal da danificacão dos contactos da aparelhagem de corte. Para minimizar os seus efeitos utilizam-se câmaras de corte nas quais se cria um campo magnético que actuará sobre a corrente de descarga alongando-a no sentido previsto pela aplicação da lei de Laplace. O percurso mais longo da descarga tem como consequência o seu enfraquecimento,

cujo efeito será ainda maior se ocorrer em atmosfera inerte. Ver íig. 257.

Fig. 257

-

Electroíman de sopro magnético.

248

q&tr.&

s

e€ e :ieYtïr{ 3@qd ,e;ã-#ffiffim# ffiïr"ffi&trN&s*rffi"ffi.mffiã#jhffi
TNTERACçÃO DE CORRENïES

w

Duas correntes suficientemente próximas vão ser actuadas por forças electromagnéticas que resultam da acção mútua dos campos magnéticos por elas criados. As acções electrodinâmicas mútuas entre correntes podem assim resumir-se:

àltl

L1*\ t ì

\Jll


Fig. 258

-

lnteracção de correntes paralelas com sentidos contrários e campo magnético resultante.

Fig.

259

-

lnteracção de correntes paralelas com o mesmo sentido e campo magnético resultante.

Nas figs. 259 e 260 ilustram-se as duas situações referidas, mostrando-se também como a aplicação da lei de Laplace nos permite interpretar os resultados. Notar que para cada par de condutores as forças que se desenvolvem em cada um são iguais em grandeza e têm sentidos opostos, ainda que as correntes tenham diferente grandeza. A força de Laplace de atracção ou repulsão entre duas correntes paralelas é dada pela expressão:

Ir

Iz

d F I

intensidade em cada um dos condutores (A) comprimento dos condutores (m) distância entre condutores (m) força electrodinâmica (N)

249

Podemos concluir que essa força é tanto maior quanto maiores forem as intensidades das correntes

i

e o comprimento dos condutores, e diminui com o
aumento da distância
Com base nas acções electromagnéticas podemos

dar uma nova definicão de ampere como sendo

F:2x l0-i
newton

Fig.

base nas acções electrodinâmicas.

260 - Definição

de ampere com

Como vemos, as acções electrodinâmicas são insignificantes quando as intensÌdades de serviço são pequenas. Porém, quando as correntes são elevadas, essas acções são intensas e não podem ser negligenciadas no cálculo, onde em particular devem ser levadas em consideração as situações de curto-circuito, que, como sabemos, são as mais desfavoráveis.

ffiX"-& &W&KffiK"&K&ffi WK ffiKKï*Xffi& K &ffiãffi WK# ffi KwÃ"}ff*mm eX çp ru
Estes aparelhos diferem f undamentalmente dos de tipo electromagnético anteriormente estudados, pela utilização de uma bobina criadora do campo em substituicão de um íman permanente. Na fig. 261 dá-se um exemplo de galvanómetro baseado neste efeito. O seu princípio de funcionamento permite a respectiva utilização em corrente con-

tínua ou em corrente alternada dado que
nesta última a inversão da corrente é acompanhada, em simultâneo, da inversão da polaridade em cada uma das bobinas. Uma particularidade destes aparelhos é que o desvio da equipagem móvel, embora proporcional, não é linear com a intensidade da corrente, utilizando, por conseguinte, uma escala logaFig. 261 - Voltímetro electrodinâmico. rítmica. A sua utilização como amperímetro ou voltímetro depende da introdução de um shunt ou resistência adicional, respectivamente. Segundo este princípio constroem-se ainda wattímetros electrodinâmÌcos para medidas de potência com base nos efeitos conjugados de duas bobinas - uma em série ou amperimétrica e outra em paralelo ou voltimétrica.

250

INDUÇAO ELECTR,OMAGNETICA
O fenómeno de indução electromagnética corresponde ao aparecimento de uma corrente eléctrica, ou pelo menos de uma Í.e.m., num circuito quando este é varrido por um fluxo magnético variável. Sendo a origem de tais correntes alheia ao próprio circuito, são, por esse motivo, designadas CORRENTES INDUZIDAS. O campo magnético por elas responsável é designado CAMPO INDUTOR.

MK-& W&KM,KWKKffi

XWffiXKffiXgS"ffi ffiffiKvx$Kwffiffiffi Xp* ffiW?r KffiW&Km&ffiffiKffiKWW#

As duas experiências seguintes mostram como obter correntes induzidas num circuito sujeito a uma variação de fluxo e correspondem às duas situações distintas de criar um campo magnético;

-

devido a ívlnrues ffig. 262]) devido a CORRENTES (fig. 263)

Em ambos os casos dispomos de uma bobina com núcleo de ar cujo circuito se fecha através de um galvanómetro de zero ao centÍo. O circuito assim constituído é

um circuito passivo, isto é, não inclui qualquer gerador de corrente.

ffi

VARIACÃO OO CAMPO INDUTOR DEVIDA A UM íMAN

circuito do induzido

Fig.262 - lnducão electro-

magnética devida a um íman.

)

251

Se fizermos variar as posições relativas do íman e da bobina, o que se consegue, por exemplo, com a bobina fixa e o íman a deslocar-se (Íig.2621 , verificamos que:

n n !

enquanto durar o movimento de aproximação, o galvanómetro indicará um desvio brusco para um dos lados, acusando a passagem duma corrente induzida

-

no instante em que se dá a inversão do movimento do íman não há variação de fluxo, não havendo, consequentemente, corrente induzida. O galvanómetro nada acusará; durante o movimento de afastamento, o galvanómetro acusará novamente um desvio, mas agora em sentido contrário, indicando a passagem duma corrente com sentido oposto da situação inicial.

Concluímos, portanto, que só há corrente induzida enquanto houver variação do

fluxo indutor.

w

vARrAçÃo oo cAMpo |NDUToR DEVTDA A UMA

GORRENTE

Fig. 263 - lndução electromagnética devida a uma corrente. O sentido da corrente induzida ì7 ou i2 depende do sentido da corrente indutora.

Aproximemos agora da bobina anterior uma outra cujo circuito independente inclui um reóstato e uma fonte de alimentação em corrente contínua (fig. 263). Verificaremos que o galvanómetro indicará um determinado desvio quando:

r .

ligarmos o circuito aumentarmos a intensidade da corrente

OFF

-*
I

ON

I

r/

[-+--_]
.
252
aproximarmos ambas as bobinas

tFt I

-.rl-rF

I

I

O sentido do desvio no galvanómetro é o oposto quando:

r o

desligarmos o circuito diminuirmos a intensidade da corrente

ON

_

OFF

.

afastarmos ambas as bobinas

As correntes induzidas têm, portanto, em cada uma das situações referidas, sentidos opostos.

ffiK,&

Y*KKffi

&K Y.&-K,&$&X'

As leis de Faraday resumem as conclusões das experiências precedentes e têm o seguinte enunciado:

::ïffivftot.

mffi.ffi WKffiWKffi& 33& ffiffiKKK&YWK
K.mx

XXWXIWffiKK-&-g

KK

&ffiWxtâ

A determinação do sentido duma corrente induzida Íaz-se por aplicação da lei de Lenz, cujo enunciado é complementar das leis de Faraday.
LEI DE LENZ

253

X

ANÁLISE DAS EXPERIÊNCIAS PRECEDENTES

lremos averiguar em cada um dos casos qual o sentido da corrente induzida por aplicação da lei de Lenz. L-I VARIACAO DO CAMPO INDUTOR DEVIDA A UM IMAN

Fig.264 Lei de Lenz determinação do sentido da corrente induzida numa bobina por aproximação de um íman.

-

-

Fig. 265 Lei de Lenz determinação do sentido da corrente induzida numa bobina por afastamento de um íman.

-

-

Ouando da aproximação do íman dá-se um gradual aumento de fluxo através da bobina, a que ela se oporá criando um pólo do mesmo nome do indutor na sua face mais próxima. Na fig. 264 vê-se a criação de um pólo norte na face superior quando o pólo indutor que se aproxima é norte também. Aplicando a regra do saca-rolhas de Maxwell facilmente determinamos o sentido da corrente induzida, conforme se representa na figura. Durante o afastamento do condutor (fig. 265l. , a bobina vai agora criar na sua face superior um pólo de nome contrário ao do indutor que se afasta.

n

vARtAçÃo oo cAMpo TNDUToR

DEVTDA

A UMA

CORRENTE

A ligação da corrente, aumento da intensidade e aproximação das bobinas são situações ilustradas na fig, 266 e correspondem a um aumento de fluxo indutor, o que vai originar, pela lei de Lenz, uma corrente induzida tal, que o seu efeito magnetizante vai contrariar o efeito magnetizante da corrente indutora. Nesta situação, a polaridade da bobina indutora é a indicada. Na bobina que constitui o induzido, a criação dum pólo norte na sua face superior vai contrariar o aumento de fluxo e, de acordo com a lei de Lenz, o sentido da corrente induzida terá de ser o indicado. As sìtuações inversas de corte da corrente, diminuicão da intensidade e afastamento das bobinas, ilustradas na fig. 267, implicarn uma diminuição do fluxo indutor. A polaridade das faces vizinhas das bobinas do indutor e do induzido são agora de nomes diferentes, de forma a contrariar tal variação. pelo que o sentido da corrente terá de ser o representado.

254

OFF

*

ON

Fig. 266 >

ON

-

OFF

I

Fig.267 >

ffim.& wffiK3ffiKtrg-RçÃffi W&WwffiermK"ffie
&ffiXffi WW W&ffiËt*ituffiJkK

ffie#ï6

As leis de Faraday relacionam a força electromotriz induzida com a variação no tempo do fluxo indutor. Se a variação do fluxo for uniforme, podemos escrever:
Ag

Ât N -

e

f.e.m. induzida, em volt vanaçã,o do fluxo indutor, em weber
intervalo de tempo em que ocorre a variação de fluxo, em segundos número de espiras da bobina (adimensional)

O sinal negativo na expressão precedente mostra que a f.e.m. induzida se opõe à variação do fluxo indutor. Podemos então concluir:

"'ììiíldrú2idãì'r:::rri:: ::'lr-

".ììììììììttìì'

255

De igual forma,

De facto, sendo
cluímos que:

I:E R

e utilizando

expressão precedente, con-

.aaaa:::,::)

O mesmo não acontece com a quantidade de electricidade induzida, que é independente do tempo em que ocorre tal variação.

'O que se pode ver explicitando O como uma função de /:
Atendendo à expressãoanteriore ainda

que Q: I.t,

então:

PROBTEIIA RESOTVil'O
Uma espira quadrada, de 12 cm de lado, está disposta perpendicularmente às linhas de força de um campo magnético crescente durante 3 segundos. A indução magnética sofreu, em consequência, uma variação de 1,4
Resolução:

T. Determinar a f.e.m. induzida.

S

: I x l:

0,122

:0,0144m2
AB.S

A variação de fluxo

Aó nesse intervalo é Ad : Ad : 1,4 x 0,0144 : 0,02 Wb e:Aó _ _ 0,02 =-6_7mv

uma variação positiva corresponde a um fluxo crescente

ar3-

O sinal negativo paÍaa f.e.m. indica que ela se opõe ao aumento do fluxo indutor, originando um fluxo de sentido contrário.

256

PROBI.ETIAS PARA RESOI.VER 1. Uma espira circular,
de

com um diâmetro de l5 cm, corta perpendicularmente as linhas de força um campo magnético onde a indução passa de 2,5'I paraO,5 T num intervalo de 3 segundos. Qual a f.e.m. induzida?

R.: e:1l,8mV
2. Uma
espira circular, com um raio de 8 cm, corta perpendicularmente as linhas de força de um campo magnético onde a indução tem um valor de 4 tesla. Um dado aumento de fluxo, durante 5 segundos, é acompanhado de uma f.e.m. induzida de l0 mV. Determinar:

a) A variação de fluxo correspondente. b) O valor da indução magnética correspondente ao outro extremo da variação.

R.: a) Aó = 50 mWb b) B :6,57
3. Qual
deve ser o número de espiras que deve ter uma bobina de secção quadrada com 5 cm de lado para que uma variação de 1,2 tesla na indução magnética, durante meio segundo, induza uma f.e.m. de 360 mV?

R... N:60espiras

wK.s ÕrãwKeffi ffiKKKreç&mw &KtrK xwp&x**ew xrs,Kx&ç&e mffi ws*xrK&
82.5.T DESLOCAMENTO DE UM
CONDUTOR, F,ECTILÍIUNO NUM CAMPO MAGNETICO UNIFOR,ME
Consideremos um condutor rectilíneo de com-

primento

/, como o

representado na

fig. 268,

deslocando-se com velocidade constante perpendicularmente às linhas de força de um campo magné- Fig. 268 - F.e.m. e corrente induzitico uniforme. COmo aO longo do seu movimentO irá das num.condutor em deslocamento no seio de um campo magnético' interceptar diferentes linhas de Íorça, o condutor será varrido por um fluxo magnético variável, originando o aparecimento duma corrente e naturalmente duma f.e.m. induzidas.

257

g

SENTIDO DA CORRENTE INDUZIDA
REGRA DA MÃO DIREITA

EXPRESSÃO PARA
INDUZIDA

O

CALCULO DA F.E.M.

Fig. 269 - Regra da mão direita, para determinar o sentido da corrente induzida. Notar que o sentido da f .e.m. induzida ã é oposto ao da corrente induzida /.

I

DTRECCÃO DO DESLOCAMENTO PERPENDTCULAR

AS LTNHAS DE FORÇA

k,
paraaf.e.m.induzida:
e

<Fí9.27O - Ovector / ésempre normal ao plano dos restan-

tesvectoresÉeü.

Nesta situação, os vectores V e B são perpendiculares e então podemos escrever

B V

I -

f.e.m. induzida, em volt
indução magnética, em tesla velocidade linear, em metros/segundo

comprimento do condutor sob a acção do campo

N

GENERALIZACÃO DA EXPRESSÃO

auALauER D\RECÇÃO DO DESLOCAMENTO
Seja
cv

o ângulo Íormado pelos vectores É e Ú. Então'
,,gt tè,,,,ttr}',:V,

l íffi:,,í B

que ó = BS cos cY e porque para o fluxo @ = g,HS cos d.
Sabendo

=

pH,temos

Fig.271 - De acordo com
rente induzida opor-se-á

a

lei de Lenz, o sentido da corao

Vejamos a influência dos parâmetros que nos falta analisar: o efeito da variação da permeabilidade magnética p e da secção S.

deslocamento do condutor, o
que está de acordo com a força

de Laplace por ela originada.

258

?,?'.5.2 EFETTO DA VARrAçÃO DA PERMEABTLIDADE p

Fig. 272 - Efeito da permeabilidade no fluxo da indução. >

Para iguais variações da corrente indutora, a situação 2dafig.272, onde se considera um núcleo ferromagnético comum a ambas as bobinas, originará correntes indu-

zidas muito superiores do que em 1, onde a permeabilidade magnética é inferior.

22.5.6 EFETTO DA VARrAÇÃO DA

SECÇÃO S

Fig.273 - A diminuição

da área de uma espira deformável, da situação 1 para a situação 2, é acompanhada duma variação de fluxo.

Se variarmos a áÍea de uma espira facilmente deformável, constataremos nesse instante o aparecimento duma corrente induzida (Íig. 2731 .

259

PROBTJEIUAS RESOLVIDOS

1. Considerar um condutor rectilíneo, com um comprimento activo de 15 cm, deslocando-se com velocidade constante e iglual a2 m./s, perpendicularmente às linhas de força de um campo magnético uniforme de 2,5 T. Determinar o valor da f.e.m. induzida.
Resolução:

e:BlVsencv

ÉrV-o:90o

E : r,t x 0,15 x 2 :0,75volt : F5Ãt-l
) Uma
espira como a representada na fig. 274 roda uniformemente, no sentido indicado, a uma velocidade de 1500 r.p.m. (rotações por minuto). O campo magnético uniforme e radial onde gira a espira tem um valor de 2,8 tesla. Os lados activos da espira têm um comprimento de 11 cm. Os restantes dois lados medem 9 cm. Determinar:

-e:BlV

Fis.274

a) A velocidade linear na periferia da espira. b) A f.e.m. induzida.
Resolução:

a) Calculemos a frequência rotacional:

f:

lsoo r.p.m.

= t;90 = 25 r.p.s. 60
157 rad/s

A velocidade angular

será:

a : 2rf : 2x r x 25 : v:
b) e : BIV
e
c,rr

A partir da velocidade angular, calculemos a velocidade linear pela

relação

:

157

x

0,045

:

7,06 m/s

:

2,8

x 2 x 0,11 x

7,06

:

4,35Y

PROBI,EMAS PARA BESOI,VER 1. Um condutor rectilíneo com um comprimento activo
de 40 cm desloca-se com velocidade constante de 4 m/s

no seio de um campo magnético uniforme de 6 T, fazendo um ângulo de 60o com as linhas de força. Determinar o valor da f.e.m. induzida.

R..' e = 4,8volt

Fis. 276

260

2.

Os condutores activos de uma espira, que constitui o rótor elementar de um gerador eléctrico, têm 12 cm cada um e estão mergulhados num campo indutor uniforme e radial de 5 tesla. Sabendo que a velocidade linear em qualquer ponto dos condutores activos é de 4 m/s, calcular a f.e.m. induzida.

R.; e:4,8V

Km.€$ ffiwKmmwKKffi mK tr#€pffieKrmK

EE.6.I

CONCEITO

As peças que compõem as máquinas eléctricas, como transformadores, motores, alternadores, etc., são particularmente vulneráveis a este efeito, uma vez que estão sujeitas a uma taxa de variação de fluxo que é o da própria frequência da corrente indutora, na generalidade os 5O Hz.

2.?".6.8 PÊMOULO DE FOUCAULT
E uma experiêncÌa típica que mostra bem a origem e efeito dessas correntes. Como se mostra na fig. 276, existe um pêndulo suspenso por uma haste, em cuja extremidade livre existe um disco metálico, em cobre ou alumínio, por exemplo. É livre de oscilar entre os pólos de um electroíman. Na ausência de excitação, o seu movimento de vaivém não será perturbado. Ouando a bobina do electroíman é excitada, o disco metálico, que agora atravessa

um campo magnético variável devido ao seu próprio movimento, vai ser sede de correntes induzidas. De acordo com a lei de Lenz, estas correntes opor-se-ão à causa que lhes deu origem, isto é, o movimento do disco, pelo que este acabará por parar.

correntes de Foucault,

Fig.276 - Demonstração experimental das

261

?,2.6.3 CAF,ACTER,ISTICAS
As correntes de Foucault têm características especiais:

- Toda a massa metálica, para tais correntes, equivale a um circuito eléctrico fechadp, de grande secção consequentemente, de baixa resistência.
e,

:lËfrffiìl.%nms ï:f,2/iffi$.Fìlï!:W em
i..'qtt!L4 ììI{}+I!ï1 Wl Estabelecem-se

planos perpendiculares

à

direcção do fluxo que está na sua origem e fecham-se sobre si próprias. Nas condições da Íig. 277 , têm o sentido indicado, que decorre da aplicação da lei de Lenz.

muito intensas e em remoinho. Êstão em conÍormidade com a lei de Lenz.

Fig. 277 - As correntes de Foucault

são

22.6.4 INCONVENIENTES.

PEF,DAS MAGNETICAS

Nas peças onde se instalam, as correntes de Foucault originam perdas de energia apreciáveis por efeito de Joule. Tal como as perdas por histerese, as correntes de Foucault são, por unidade de volume, proporcionais à frequência e ao valor máximo do campo e designam-se conjuntamente por PERDAS NO FERRO. Esta designação diÍerencia-as das chamadas PERDAS NO COBRE, que, como sabemos, se deve ao efeito de Joule provocado pela circulação da intensidade da corrente

nos condutores de alimentação. As perdas no ferro e no cobre são as PERDAS MAGNÉTICAS que temos sempre de considerar no desenho e concepção das máquinas eléctricas.

22.6.5 TF,ATAMENTO DAS COF,R,ENTES DE FOUCAULT
Pelo exposto se conclui da necessidade de eliminar ou, na impossibilidade, de ate-

nuar essas correntes, minimizando assim os seus efeitos. Os seguintes procedimentos têm esse objectivo:

n

Utilização de ligas ferromagnéticas de grande resistÍvidade, o que leva a incorporar nos ferros uma certa percentagem de silício (3o/o a 5o/ol. A adição de silício tem um inconveniente, para além do seu elevado custo, que é o de tornar a peça mais sujeita a fractura, razão que limita o seu doseamento no fabrico de peças para máquinas rotativas como motores, alternadores, etc.

I
262

Utilização de lâminas delgadas ou condutores multiÍilares em lugar de peças metálicas compactas.

É corrente a laminação dos núcleos ferromagnéticos como se mostra na fig. 278. A disposição destas lâminas deve cortar perpendicularmente o plano em que se estabelecem as correntes. No sentido de aumentar ainda mais a resis-

tividade, as lâminas são separadas umas das outras por papel ou impregnadas de um verniz isolante. A laminação deverá ser tanto mais Íina quanto maior for a frequência de trabalho,
conseguindo-se assim limitar o aumento das cor-

rentes induzidas pelo aumento proporcional da resistividade.

Fig. 278 - Folheamento de um núcleo ferromagnético de um transformador, para limitar o aparecimento das correntes de Foucault.

22.6.6 APLTCAÇOES

TNDUSTRTATS

As correntes de Foucault, no entanto, podem ser aproveitadas como nos sugerem as seguintes aplicações:

W FRENAGEM ELECTROMAGNÉTICA
fig. 279 mostra-se esquematicamente como funciona um travão ou freio magnético. Um disco metálico como o representado tem um movimento de rotação solidário com uma roda, cuja velocidade se pretende controlar. Para o efeito basta fechar o circuito da bobina de excitação do elecNa

troíman, entre cujos pólos aparecerá um

campo magnético. A frenagem será tanto mais eÍicaz quanto maior for a velocidade de rotacão do disco.

Fig. 279

-

Frenagem electromagnética.

T

FORNO DE INDUCÃO

Um forno de indução destina-se a fundir metais. Para o efeito, existe uma bobina de grande secção, em cujo interior é colocada, sobre material refractário, o metal que

se pretende fundir. Ao ser percorrida por uma corrente de frequência e intensidade elevadas, a bobina de excitação induz na peça metálica correntes cujo efeito calorífico levam o material à fusão.

W AMORTECIMENTO DA EOUIPAGEM MOVEL EM APARELHOS DE MEDIDA

263

KK.?

WWWKreffi PKX-XÕXSlu-â,ffi-

A condução da corrente eléctrica num condutor Íaz-se, normalmente, através de toda a sua secção recta. Porém, quando a frequência é muito elevada, a corrente passa a circular na periferia do condutor e em casos de muito alta frequência a corrente flui mesmo exteriormente à sua superfície, que apenas lhe serve de guia. Nesta última situação, o condutor designa-se por GUIA DE ONDA. Por esta razão, as guias de onda são normalmente condutores ocos. O fenómeno resulta do efeito de indução. Como sabemos, o campo magnético criado pela corrente é maior no centro e diminui radialmente com a distância ao condutor. Ouando a frequência da corrente é elevada, induzem-se correntes igualmente elevadas e cujo valor é maior também no centro do condutor. Pela sua acção electromagnética, de acordo com a lei de Lenz, opõem-se à circulação nessa região da corrente principal, afastando-a para a periferia.

&ffi.ffi &p&xffi#'ç&Kffi mffi KKms&wwKffi sK
xãwmwç&w
W
GERADORES

Dínamos (c.c.) e alternadores (c.a.) constituem dois importantes exemplos do aproveitamento do fenómeno de indução na produção industrial de correntes. Nos dínamos e na parte estática da máquina cria-se um campo magnético por meio de umas bobinas cujos núcleos formam as expansões polares. Nesse campo, e accionado por uma máquina primária, como, por exemplo, uma turbina, encontra-se o rotor, que é a parte rotativa da máquina. Nela se encontram os enrolamentos do induzido que, ao serem varridos por um fluxo magnético variável durante o seu deslocamento, vão ser sede de correntes induzidas. Nos alternadores são normalmente as bobinas do indutor que se deslocam (indutor móvel) e as bobinas do induzido são fixas no estator.

ry

MOTORES ELÉCTRICOS

Se alimentarmos o induzido da máquina por meio de uma corrente, poderemos, em virtude da força de Laplace, obter o movimento do rotor. Temos assim realizado

um motor de indução.

W

TRANSFORMADORES

Constituem outro importante exemplo do efeito da indução. Um transformador é uma máquina estática constituída fundamentalmente por um núcleo com duas bobinas, a indutora e a do induzido, respectivamente designadas por primário e secundário do transformador. A razão entre

Fig. 280

representar transf ormadores.

-

Símbolos utilizados para

264

Fig.

tensão. Reparar no menor número de espiras e na maior secção do enrolamento da bobina primária.

281 - Transformador elevador de

o número de espiras, numa e noutra, é chamada razão de transformação, e define o nível da tensão no secundário em função da tensão aplicada no primário (fig. 281).

Arelaçãoéaseguinte:

Nl N2

VI
Y2

Vl V2

N2 Nl

tensão no primário tensão no secundário

n.o espiras do primário n.o espiras do secundário

Se Se

IVZ < VT I temos um ÏRANSFORMADOR ABAIXADOR ll
I

DE TENSAO.

V2 >

vl I

temos um TRANSFORMADOR ELEVADOR DE TENSAO.

x

IW
2
3

!
I !

II i
{

-nricìeocentral

j
I

!4 I6
I I

-

sunorte do enrolamento isolamento entre camadas a papel parafinado isolamento entre os enrolamentos primário secundário com tela envernizada terminais do primário
e

camadas do enrolamento primário

! 5 - camadas do enrolamento secundário

-

!
ï7

Fig. 282

-

Corte de um transformador utilizado como elevador de tensão.

265

Assim, um transformador elevador de tensão terá maior número de espiras no secundário do que no primário. Pelo contrário, se o transformador é abaixador de tensão, será agora o enrolamento primário o que tem maior número de espiras.
É

importante ainda observar que, para uma dada potência em transformação, quanto

maior for a tensão, menor será a intensidade da corrente, o que justifica o facto dos condutores do lado de alta terem secção mais reduzida do que os condutores do lado de baixa, onde a tensão é mais reduzida.

266

AUT0-rNDUÇ40

ww.3, ffiffiKffiKKKW ffi

&ffiKffimKKw-&.ffi

Como sabemos, todo o condutor onde circula uma corrente eléctrica é abraçado pelas linhas de Íorça do campo magnético por ele próprio criado. Se essa corrente é constante, o campo magnético é do tipo estacionário e nada de especial acontece. Se, pelo contrário, essa corrente variar, variará em simultâneo a configuração do campo em torno do condutor e nele próprio irá aparecer uma f .e.m, de auto-indução e, portanto, uma corrente auto-induzida.

Os efeitos de auto-indução têm, por conseguinte, particular importância e associada permanência nos circuitos de corrente alternada, quando em corrente contínua têm natureza transitória, ocasional e comparativamente menos significativas implicações.
Define-se AUTO-INDUÇÃO como sendo

As correntes induzidas nestas situações chamam-se correntes de auto-indução ou extracoÍrentes e são particularmente importantes nos circuitos que contêm bobinas ou enrolamentos.

267

mffi.s

fçl I ãKwwwrcÃwffiN,m sw I ffi
DEFTNTÇÃo

ffi&xswx#xxwwwffi ruffi ,&rrw&-KffimxãçKffi

aa.s.L

Para cada circuito existe proporcionalidade entre a corrente principal e o fluxo magnético a ela devido, isto é

d

L I

fluxo magnético (Wb) ^
intensidade da corrente (A) coeficiente pe auto-indução (H)

L é a constante de proporcionaÌidade que caracteriza cada circuito ou bobina. A unidade Slé o henry, H. Ela permite distinguir duas bobinas ou circuitos distintos onde, para a mesma varipÇão da corrente, se originam diferentes variações de fluxo. Podemos definir henry como

?"3.3.3 PAnÂMETROS DE QUE DEPENDE
O coeficiente de auto-indução depende das características da bobina. Demonstraremos que será tanto maior quanto maior Íor o número de espiras e a sua secção e diminuirá com o comprimento da bobina, como mostra a seguinte expressão: N

- n.o de espiras - secção transversal (m2) I comprimento - permeabilidade(m) magnética do meio (H,/m) Í{ t ': L-indutância(H) '
S

K DEMONSTRAçÃO
o Fluxo induzido em cada espira d

:

BS

r Em N espiras: F : úïl
o Por outro

(l)
e como

lado tr = pH

rr:

+

então

[t: -ìtl

o,

268

o Substituindo o valor de B em (1) temos

, q:p

N2IS

(3)

. Como ó : Ll r

substituindo em (3):

LI:
I,

lLl

N2IS

(4)

Dividindo ambos os membros da equação por

temos:

c. q. d.

mK.& K-WKç& ffi&KSKK&W&KKXK Kffi
r&,WK&-XWWfãW&ffi
A força electromotriz induzida é directamente proporcional à variação da corrente e ao coeficiente de auto-indução, como se pode ver pela relação:

facilmentededuzível sesubstituirmosnaexpressão e

= -#"valorde
:,

Ó

=

Ll.

&w.K s&xwp&KK&KKffiWX& mK ryM,& K&KK&y&
O fenómeno de auto-indução pode ocorrer não só em corrente alternada, devido frequência da variação da corrente, mas também em corrente contínua, onde consà titui um fenómeno transitório. Vejamos então o que se passa quando uma bobina é ligada a uma fonte de corrente contínua (fig. 283).

K

EXTRACORRENTE DE LIGAçÃO

rf*K

Ao estabelecer-se o circuito, a corrente não atinge instantaneamente o valor de regime' Ela
cresce progressivamente a partir de um valor zero. Essa variação vai traduzir-se numa corrente auto-

-induzida que, de acordo com a lei de Lenz, irá opor-se ao estabelecimento da corrente principal. Fig. 283 - í extracorrente de ligação' Tem, por conseguinte, um sentido oposto a esta e é responsável por um certo atraso em estabilizar no seu valor nominal, Designa-se por EXTRACORRENTE DE LIGAçÃO.

269

W

EXTRACORRENTE DE RUPTURA

Ao desligar o circuito, o fenómeno é inverso. A corrente auto-induzida, devido à diminuição da corrente no circuito principal, irá opor-se a essa variação. O seu sentido é agora coincidente com

o da corrente principal, reforçando o seu valor (Íis.2841. Designa-se por EXTRACORRENTE DE RUp-

Fig. 284

-

/ extracorrente de ruptura.

TURA e é responsável,'no instante em que se interrompe o circuito, pela formação de um arco eléctrico entre os terminais de seccionamento. Nesse momento um voltímetro intercalado entre os referidos pontos acusará uma sobretensão. É importante ainda notar que, dada a interrupção de um circuito ser mais rápida que a sua ligação, resulta que a extracorrente de ruptura é mais intensa que a extracorrente de ligação.

&&"6 X&r$çXrwmKxKrwrx$ w& &ïrxÕ-xxvruxrç"&w
n
O corte de circuitos indutivos, pelos valores de sobretensão e sobreintensidade associados, é causa da daniÍicação dos contactos nos terminais da aparelhagem de corte. No sentido de atenuar esses efeitos existem câmaras de corte que podem
conjugar várias acções: levar a descarga a atravessar um gás inerte ou óleo de boas

qualidades dieléctricas ou, ainda, criar um efeito de sopragem magnética.

n

Nos interruptores de facas existem uns contactos auxiliares que suportam os efeitos da descarga após a abertura brusca dos contactos principais. A substituição dos contactos auxiliares faz-se com facilidade e tem custos mais reduzidos.
O fenómeno de auto-indução é causa de interferências nos circuitos mais próximos. Para além de todos estes aspectos deve salientar-se a importância de que se reveste, em corrente alternada, a existência de indutância na rede, que estudaremos opor-

n
n

tunamente.

&õ.? &KffimKreçÃ& *&ffi $KXrS mKffiXw&ffi
Existem vários procedimentos que, sumariamente, são:

r r
270

Dispor os condutores segundo trajectos o mais possível rectilíneos. Utilização de enrolamentos bifilares. O enrolamento é feito conforme sugere a fig. 285. Tem a vantagem de anular totalmente o efeito de auto-indução, devido

a compensarem-se mutuamente as acções magnetizantes

das correntes emparelhadas com sentidos contrários. O principal inconveniente deste método é o elevado valor de capacidade que introduz no circuito.

.

Colocar em derivação com a bobina um díodo semicondu-

tor, cujo estado de condução coincida com o sentido da corrente de ruptura.

o r

Utilização de um condensador em paralelo com a bobina, compensando assim o efeito de indutância.
Colocar em paralelo uma resistência VDR que, ao diminuir o seu valor em face da sobretensão, permite a passagem

através dela da extracorrente de ruptura.

Fig.

não indutiva.

285 - Resistência

KW.m "&WeKffieç}ffiKffi
Entre outras:

o Balastros, usados no arranque o Sistemas de ignição.

de lâmpadas fluorescentes.

&ffi"S ffi&YKK&X"&" ,&'KM&KmK&ffi& MKKKA.

K*KKK&
Uma bobina tem associado um determinado valor do campo magnético criado durante o tempo em que ela absorve corrente da rede' A energia associada a esse campo magnético é novamente devolvida à rede na altura da ruptura do circuito. Essa energia é calculada pela seguinte expressão:
W
S?.r,;1

L

I-

energia, em joule

indutância, em henry
intensidade de corrente, em ampere

271

INDUÇAO MUTUA
m€*.3. &m3#ffiffiKmü} ffi WWtrKffiKç &

Fig. 286

-

lndução entre circuitos.

Consideremos dois cÌrcuitos como os representados na fig. 286, constituídos por

duas bobinas suficientemente próximas. Analisemos separadamente o efeito da variacão da corrente numa delas sobre a outra. Ouando a primeira bobina é percorrida por uma intensidade variável /,, parte do fluxo por ela criado abraça a segunda bobina. se admitirmos agora que esta última é alimentada por uma corrente /r, da mesma maneira parte do fluxo por esta criado vai abraçar a primeira. Estamos perante um fenómeno de indução mútua que poderíamos resumir como

ftúÍo;:

!Íéz:,,:ÈarçÌãt

18-EL

273

ffi,&.& wKrffiffiKffiKffi WK K&WWWffi&&WWK&
No tratamento matemático que faremos deste assunto importa definir o significado das seguintes grandezas:

ó.,,
ó.t.,

parte do fluxo magnético criado pela corrente /, que atravessa a bobina 2. parte do fluxo magnético criado pela corrente /, que atravessa a própria
bobina.

ór. ór,

/, que atravessa a bobina 1. parte do fluxo magnético criado pela corrente /, que atravessa a plópria
parte do fluxo magnético criado pela corrente
bobina.

Na fig. 286 encontram-se desenhadas as linhas de força representativas de cada uma das situações referidas.

m4.s lmnl ffiepKãwKwwKffi
lÕï* I
ewewffil@ee

mre swmwçeçp

ffiffirrqFrF Ã

2..4.3.L DEFTNTÇAO E LEr DE NEUMANN
Para cada par de circuitos existe uma proporcionalidade entre a parte do fluxo que atravessa um circuito, proveniente dum outro circuito próximo, e a intensidade da cor-

rente que atravessa este último. Podemos então escrever as expressões para estes fluxos:

aìì.....È

,1,ì....t

':,&T,ittttttt,tttfA;ti;í,Áâ

válidas apenas para núcleos não-ferromagnéticos ou então núcleos ferromagnéticos cuja permeabilidade seja constante, o que acontece para valores do campo afastados da saturação magnética, A constante de proporcionalidade em cada uma das expressões chama-se coeÍiciente de indução mútua.

W

LEI DE NEUMANN

Demonstraremos seguidamente que

relação vulgarmente conhecida por lei de Neumann.

274

O valor de M, ou seja, do coeficiente de indução mútua é uma característica para cada par de circuitos. Exprime-se em HENRY no sistema internacional de unidades. Pode igualmente definir-se esta unidade como sendo

W DEMONSTRACÃO DA LEI DE NEUMANN
Considerando NÌ e N, o número de espiras de cada bobina fluxos de auto-indução, temos que:

e ón e dzr os respectivos

N2 @t,

: M,, It

donde

I M,,

N,
I

órz
I1

N1

@21

:

M21

12

rogo

tt;: t" I

c. q. d.

24.3.2 PAB,ÂMETF,OS DE QUE DEPENDE
O coeficiente de indução mútua depende das características do par de circuitos. Como se conclui da relação anteriormente apresentada, é proporcional ao número

de espiras de cada um dos enrolamentos e às características do núcleot permeabilidade, área e comprimento.

K*&.& WeK,ç*' KX.reffiKK€pMffiWKKffi
MXYEKT-&

Xyffi

ãKffiKrw&ffi

A f 'e.m. de indução mútua em cada um dos circuitos acoplados pode exprimir-se em função dos respectivos fluxos, da seguinte maneira:

sendo €r:e

aÓzt ê v at

e^: L2--

aÓn

at

como óx : MIz e

ón = MI,,

podemos agora exprimir a f .e.m. de indução mútua em função das correntes em que têm origem;

275

&'&.m X'effiK$X, Km &g$Wf"&Kffi&N-W&
O factor de acoplamento entre dois circuitos ou bobinas traduz a qualidade da sua ligação magnética. Essa ligação será tanto melhor quanto maior for o aproveitamento que uma bobina f az do fluxo produzido pela outra, isto é, quanto menores forem as per-

das de transferência. Exprime-se pelo factor K na seguinte relação:

M: K "'lTrIO seu valor
Fig. 287
bobinas.

mento entre

-

Acopladuas

permite, por exemplo, dìstinguir a ligação magnética entre duas bobinas iguais, isto é, com o mesmo valor de indutância, em função da sua posição relativa. Dir-se-á que uma ligação magnética é forte quando o valor de K for o mais próximo

possível da unidade. Ouando ambas as bobinas são abraçadas por um núcleo ferromagnético comum, todo o fluxo produzido por uma é aproveitado pela outra. Nesta situacão:

K:1

M:\,trr.t2

têm o seu valor máximo.

276

4
CORRENTE ATTERNADA

277

COR,R,ENTE ALTEN,NADA SINUSOIDAL

ffiK.ã #&K,Kp& pffi epex*ew "effi K ffixr&s
ïp"&KX&,&WMffi
Se, a nível da utilização da energia, um variado e significativo número de receptores trabalha em corrente contínua (c.c.), já, a nível da cadeia de energia, a sua produ-

ção, transporte ou distribuição é feita quase exclusivamente em corrente alternada. Esta opção é assim fundamentada:

n

Na etapa da produção, se compararmos em igualdade de potências um alternador e um gerador de corrente contínua, aquele apresenta melhor rendimento

de transÍormação, é de construção mais simples e tem menores dimensões.

T A selecção,

já justificada, de diferentes níveis de tensão ao longo de toda a cadeia de energia é facilmente realizável em corrente alternada pelos transformadores estáticos de grande e média potência nas centrais e subestações e de potência mais reduzida nos postos de transformação. Em corrente contínua tal procedimento não seria igualmente viável, dada a complexidade, custos e meios técnicos envolvidos. Vantagens decorrentes da implementação de sistemas trifásicos.

I
T

No domínio da utilização, salientamos a importância do motor de corrente alternada. Dada a simplicidade de construção, maior rendimento e menor preço que as correspondentes versões em corrente contínua, estas unidades representam uma carga importante na rede que por si só justificaria a sua distribuição em corrente alternada.

r

Além disso não constitui problema de maior a alimentação de unidades de corrente contínua. Simples rectificadores de corrente, em muitos casos incorporados nos próprios receptores, como é o caso de televisores, computadores, sintonizadores, etc., permitem a sua alimentação directamente a partir da rede.

279

KS.,& ffiffiKKffiffiWffi &"y*KKK*&K&m& ffiãffi€pffi&XmeKe5.e.

r

DEFTNTÇAO

São igualmente funções sinusoidais
f

a

.e.m. ou a tensão, pelo que se representam,
gráf

quer

ica quer matematicamente,

da
Fig. 288 - Variação sinusoidal da intensidade da corrente com o tempo.

mesma maneira.

25.2.2 SUA PRODUÇÃO
A fig. 289 mostra-nos um alternador muito elementar com o qual se pode obter uma f.e.m. e, consequentemente, uma corrente deste tipo.

r

289 - F.e.m. induzida e variação do fluxo indutoÍ num alternador monofásico elementar.
Fig.

No essencial, este alternador é constituído por duas partes:

I
28O

O INDUTOR, basicamente um íman que roda a velocidade constante no sentido indicado. O indutor integra a parte rotativa da máquina. designada por ROTOR.

I

O INDUZIDO, constituído por um conjunto de bobinas alojadas em ranhuras existentes na parte fixa da máquina designada por ESTATOR'

Podemos observar a variação do valor da f.e.m. gerada, em função da variação

do fluxo indutor. Ouando o indutor se encontra na posição 1 ou 3, o fluxo através da bobina do induzido é nulo mas é máxima a sua variação. Consequentemente, a f.e.m. induzida atinge em 1 o seu máximo valor e em 3 o seu mínimo. Nas posições 2 e 4 o fluxo é máximo e mínimo, respectivamente. Contudo, em qualquer dos casos, a variação de fluxo é nula e nula portanto a f.e.m.

ffiK.W Õ,&K&,WKWK*ffiWXü"ê"S $m UÍmÍ{&
&K.&3'?
m

KK,&

ffi

XeãKf

ffi

&K K

&

e

e5.5.1

PEB,TODO

(

/\

/\

No sistema internacional a unidade é o
segundo.
Na fig. 29O, o período da corrente representadaé T = 0,5s, duranteoqualaonda descreveu um ciclo. T

\'7 \

')

Fig. 290 - O período desta corrente

: O,5 s, o que corresponde a uma frequência f :2H,.

é

?"6.3.2 FREQUENCTA
.M
Exprime-se em ciclos por segundo (c/s) ou hertz (Hz) e representa-se pela letra f.

A frequência é igual ao inverso do período:

281

Para a corrente em questão, podia concluir-se directamente do gráfico que

f :2Hz
ou, da relação anterior,

r:

-=L :2Hz u,)
a

A frequência da corrente nas redes de energia é. em Portugal como em toda Europa, de 50 Hz. Nos Estados Unidos é de 6O Hz.

Alguma redes com características especiais trabalham noutras gamas de frequência. Em sistemas de tracção eléctrica, a frequência é de 25 Hz. Esta e outras frequências relativamente baixas são produzidas por geradores síncronos. Em telecomunicações, as frequências são muitíssimo mais elevadas. A designa-

ção dessas ondas e o respectivo espectro de frequências é o seguinte:
ONDAS MUTïO LONCES <Very low trequencp.. ONDAS LONCAS

::,,:,,:1,,,,,,,$\f

.::::::,::}rrci:i:rrrrrrrrrrr,r' .ì,ììììììììì,,ì,r,.à a: i::r::r.ì. :;;a;t:trut,,. r' -lìllììììììììì,.u,uuuu

ulo*

frequencyo

30

Kllz
Kllz

*-a

300 KHz

<Middìe frequenry>

','.:íyr,

ì.300

, : ììt:zllrlrlrá.,ir,ìlììììììììììììlììììì:,r,r3ìììÌun''ir;l:nt;l

ìì:ììììììììì,,.,.,ì,riii:lllìèÀ::... ""-i*í::tl:lll:l:::::::,,,))))""':1":"::l:.

ì..,úfÍãlriì.,,,,'l':,,,,,,€*7;

''S,,,&IHr,,,,,,,,,,,",

:3ô.R{;)'!...i...... .í à.,,,
3ì:$I{2"ì13
t::t"j..,:.X#,

:,èì!.'.4.9,::::,:l:,:':'::":,111

25.3.3 VALON, INSTANTÂNEO
Na fig. 291 representa-se graficamente a função I : f(t), que traduz o valor da intensidade da corrente a cada momento, isto é, o seu valor instantâneo. Este será positivo na semionda ou alternância positiva, negativo na semionda ou alternância negativa, e nulo nos

instantest:Os,f :5s
282

e t:10s.

Fí5.291 - Valores instantâneos da corrente.

Representamo-lo por /rr". Na Íi9.291 corresponde ao instante bém é chamado valor de pico ou valor de crista.

t : 2,5 s. Tam-

?,5.3.4 VALOR, MEDIO
O valor médio corresponde à soma algébrica dos valores instantâneos da corrente. Ao longo de um período é nulo, dada a simetria de valores em cada alternância. lnteressa, portanto, referir esse valor a meio período. Yer Íig. 292. Esse valor é inferior em 640/o, aproximadamente, em relação ao valor máximo e é calculado pela expressão

Fig.292 - Valor médìo da corrente.
dade é referida a meio período.

Esta quanti-

Ir'aeo

= ï r*^"

lrro =

0,637

lru,

E5.5.5 VALOR, EFICAZ
Dado que a intensidade da corrente está continuamente a variar, o seu efeito calorífico numa resistência é inferior ao que corresponderia se ela mantivesse o seu valor máximo.

A relação entre o valor máximo da intensidade da corrente e o seu valor eÍicaz é:

[f I

'^e vz

I I

ou

I F;;-] -l I
= 0,707
[raa"

Para a f.e.m. e tensão temos expressões similares:

[": -E"--l [r: -!r-l I 'u I I ,u
É importante salientar que em

I

c.a. as grandezas intensidade da corrente, tensão ou Í.e.m. exprimem-se em valor eficaz. Assim, ao indicarmos uma corrente I : 5 A ou uma tensão U : 220 V, referimo-nos a valores eficazes. É este valor também que é indicado pelos aparelhos de medida. Ao valor eÍicaz duma grandeza sinusoidal também se chama valor médio quadrático (r.m.s.).

283

25.3.6 nEPRESENTAÇÃO
SINUSOIDAIS

VECTORTAL DE QUANTTDADES

ot

-

ângulo da fase ou ângulo de giro

Fig.

cer, a cada momento, o valor instantâneo e a respectiva grandeza.

293 - Toda

a grandeza vectorial é representável por um vector giranle. A sua posição permite conhe-

Toda a grandeza ou quantidade sinusoidal pode ser representada vectorialmente. Consideremos uma corrente sinusoidal t cujo traçado, durante um período, se representa na fig. 293. Consideremos agora um círculo e, centrado na origem, um vectoÍ girante que roda com velocidade constante no sentido da seta (sentido directo). O comprimento do vector representará, assim, a intensidade máxima da corrente. No instante t : O considerou-se o vector coincidindo com o eixo das abcissas. Decorrido um certo tempo Í7, a sua posição será a do vector í]. Tracemos a recta projectante do vector í-, sobre o eixo das ordenadas, Em abcissa marquemos também o tempo úí e por ele levantemos a perpendicular. A intersecção das duas projectantes define um ponto da sinusóide que representa o valor da intensidade no instante f7. Na mesma figura representou-se ainda um vector /, correspondente a um valor sinusoidal decorridos f, segundos desde o início do ciclo. Podemos assim concluir que toda a grandeza sinusoidal é representável por um vector girante cujo módulo define o seu valor máximo e a sua posição o seu valor instantâneo. Contudo, como qualquer grandeza sinusoidal é expressa sempre em valoÍ eÍicaz, nos diagramas vectoriais optou-se por ser esta a grandeza que caracteriza o vector girante e não o respectivo valor máximo.

?,5.3.? VELOCIDADE ANGULAF,
Com movimento uniforme, o vector girante, ao fim de um período, retoma a sua posição inicial. Entretanto descreveu todo o arco de circunferência, que equivale a um percurso de 2 r radianos.

284

Z

O quociente deste percurso angular pelo tempo em que foi realizado, o período define a sua velocidade angular <,r, também designada por pulsação ou frequência

angular.

ou
o T

como f

=

I
T

-

radianos por segundo (radls)
segundos (s)

A velocidade angular exprime-se em radianos por segundo, como decorre da própria equação de definição.

E5.5.8 FASE
Um vector f, com velocidade angular c,r ao fim de ú, segundos desde a sua origem rodou de um certo ângulo, dado pelo produto cuÍr. Este ângulo designa-se por ângulo de giro, ângulo de fase ou simplesmente fase. Ver fig. 293. O seu valor é dado em radianos no sistema circular ou em gÍaus no sistema sexagesimal. Como sabemos, uma circunferência tem 2r radianos, ou seja, 360o. A cada valor do ângulo de fase corresponde um determinado vector. Este vector de fase designa-se por fasor. Na fig. 293 os vectores i, irsão, portanto, os fasores da corrente nos instantes " t1 e t2, respectivamente.

@ FASE NA ORIGEM
Consideremos uma corrente I (fig. 294l, que, na origem dos tempos, isto é, O s, tem um determinado valor instantâneo /o. Esta corrente começou o seu ciclo com um avanço de fase e, que designamos por fase inicial ou fase na origem.

t:

Fig.294 -

Representação vectorial duma corrente alternada com fase inicial.

O fasor correspondente /o está representado na 'tig. 294. No instante tr por exemplo, a fase de vibração será, por conseguinte , ut, * e, como se mostra na figura.

Km.& w&K&fiwK.eç&e

M&w&w*wxg*

w&rx&&

&K&XWMKS"&L ffi Xffi XT$WXX}&r'
Oualquer grandeza sinusoidal pode representar-se por uma equação trigonométrica

do tipo

i Inra* I
No caso de não haver fase inicial 9 simples:

intensidade instantânea intensidade miíxima fase na origem

oot*9-ângulodefase

-

:

O , então a fórmula toma um aspecto mais

::úíi,tì,ìì

Wg"S ffi&SKWWKW&&XKXIYX€3 mK &&ffiKrXqïm
ffiffiK'ãW&MYffiWWKffi KWX
ffi

,,&-

26"5.I

F,ESISTENCIA

O comportamento de uma resistência em c.a. não difere do seu comportamento em c.c. Faz-se igualmente a aplicação da lei de Ohm, tendo apenas em atenção de entrarmos com os valores eficazes da intensidade da corrente e da tensão e, portanto,

Fig. 295 - Numa resistência (1), a intensidade da corrente está em fase com a tensão aplicada nos seus terminais. Em (2), representação sinusoidal. Em (3), representação vectorial.

286

Nesta situação, e como se ilustra na fig. 295, a intensidade da corrente íe a tensão U encontram-se em fase. lsto significa que ambas se anulam e atingem o valor máximo em simultâneo. Na representação vectorial destas grandezas, vemos que qualquer que seja o instante considerado, tensão e corrente são representados por dois vectores concordantes.

85.5.E BOBINA

PUR,A

Considere-se uma bobina pura, isto é, uma bobina ideal sem resistência (fig. 296-1). Como sabemos, ela caracteriza-se por um determinado valor L, chamado coefi-

ciente de auto-indução ou indutância. Oualquer bobina em c.a. constitui uma oposição à passagem da corrente, que se representa por X, e se designa por reactância indutiva. Mede-se também em ohm. Essa oposição é tanto maior quanto maior for a indutância da bobina e quanto maior for a frequência, como podemos ver pela relação seguinte:

Xr,:2rfL
c'.:

ou, como

a:2rf LxL-

I X,:oL | " 'l

I

f

-

velocidade angular, em rad,/s frequência, em c/s ou}{z

indutância, em henry reactância indutiva,lem ohm

lndependentemente do valor dessa oposição, a corrente sofre um atraso de 90' relativamente à tensão, como se mostra na fig. 296-2 e 3, respectivamente em Íepresentação sinusoidal e em diagrama vectorial.

o
n'+ F-900
I

U

I

t

Fig. 296 - Numa bobina (1), a intensidade da corrente está em atraso 90o relativamente à tensão aplicada. Em (2), representação sinusoidal. Em (3), representação vectorial.

As equações para a tensão e corrente são as seguintes:

u:

i:

Uru^ sen ot

Ira^ sen

(c,rt

- 90')

I : -90o

A lei de Ohm, aplicada a uma bobina pura ou circuito puramente indutivo, é dada pela expressão

287

25.5.5 CAPACIDADE

PUN,A

Um condensador caracteriza-se pela sua capacidade ou capacitância C. Vamos supor um condensador ideal, isto é, uma capacidade pura, sem resistência portanto. Embora desprezível na maioria dos casos, os condensadores têm uma resistência que resulta sobretudo da imperÍeição do dieléctrico e ainda da rotação dos respectivos dipolos moleculares. Oualquer condensador em c.a. constitui igualmente uma oposição à passagem da corrente, que se designa por reactância capacitiva, representa-se por X" e exprime-se também em ohm. Essa oposição varia na razão inversa da capacidade e da frequência e é traduzida pela relação
Xc:
co

2rfC

I

ou como

a:2rf
C Xc capacidade, em farad (F) reactância capacitiva, em ohm

f-

velocidade angular, em rad,/s frequência, em c/s ou Hz

Em consequência, a corrente fica adiantada de 9Oo relativamente à tensão, como pode ver em repÍesentação sinusoidal (fig. 297-2]' ou em diagrama vectorial se (Íis.297-31.

o

Fí9.297 - Num condensador (1),

a intensidade da corrente está em avanço de quadratura (90o) relativamente à tensão. Em (2), representação sinusoidal. Em (3), representação vectorial.

As equações da tensão e corrente são, respectivamente:

u=

Urura,

sen

c,lt

i:

In u" sen (cot

+ 90o) P : *

90o

Também a lei de Ohm é aqui aplicável:

288

PROBLEUAS RESOI.Vil}OS
1.. O valor máximo duma corrente sinusoidal é 30 A. Calcular o ângulo de fase que corresponde

a uma corrente instantânea de 15 A.
Resolução:

i:

Irras,,

sen

c,rt

15
c,lt

:

30 sen

cot

: c'.rt :

arc
30o

se 15 tro

2. Uma tensão alternada sinusoidal tem de valor
Calcular:
a.) O valor máximo. b.) O valor médio.

220 Y

.

c) A tensão instantânea para um ângulo de fase de 60o.
Resoluçâo:

tliU ., b) Ur'rea :3Ur,,ra"
a) IJ.'a*: c)

: 12 x 220: 311,1 V Urraea : 0,637 x 311,1 : 198,1 V
Urra,i,

u: U*jr.trt

u:311,1 x sen60o:3ll,l x

0,866

:269,4Y

3. Determinar a reaclãncia indutiva de uma bobina de 80 milihenry de indutância, quando
incluída num circuito c.a. 50 Hz.
Resolução:

Xr:2tfL Xt = 2 x

3,14

x

50

x

80

x

10-3 = 25,1Q

4. Calcular a frequência
Resolução:

de trabalho de uma bobina de 25 mH de coeficiente de auto-indução,

sabendo que a sua reactância é de 78,5 0.

xr:2zrfl- f :-I'
5. Um condensador
Resolução:

:afu:5ooHz
Y, 50 Hz.

de 20 pF é alimentado a uma tensão 220

Calcular a reactância capacitiva.

I v 'tc- 2nf c
19_EL

Y ^t:m:'

: l59a
289

PROBTEMAS PARA RESOI,VER
1. A reactância indutiva duma indutância pura é de9,42 O quando ligada a uma rede de 60 Hz. Determinar o valor da sua indutância.

R.;
2. Calcular,
por uma bobina de 8 henry.

25 mH

às frequências de 50 Hz e 60 Hz, os diferentes valores de reactância apresentados

'-

R"'

: Xr- :
Xt.

2,5 kO (a 50 Hz) 3 kO (a 60 Hz)

3. Uma bobina

de resistência desprezível é alimentada por uma corrente de 6 A à tensão 220 Y, 50 Hz. Calcular:

a) A reactància indutiva da bobirta. b) A respectiva indutância.

,

ft..' a) Xr : 36,7 Q b) L: 116,8mH

4. Uma

capacidade de 100 pF é alimentada por um circuito c.a.,220 V, 50 Hz. Se a frequência sofrer um acréscimo de 890 determinar:

a) Os valores inicial e final da sua reactância. b) A variação percentual de reactância.

R'.' a) X"i : 31,83 O , X"r : b) Ax = -7,4V0
5. Calcular
a reactância capacitiva de uma capacitância pura de

29,47 {ì

75

p.F à tensão 220

V,50 Hz.

R"' Xc :
6. Qual a capacidade
de 60 Hz?

42,4

Q

de um condensador cuja reactância capacitiva é de 450 O à frequência

R... C:5,89pF
7. O valor máximo
de uma corrente é de 65 Calcular: a) A intensidade eficaz. b.)

A

e a sua frequência de 50 Hz.

A intensidade

média.

c) O período da corrente.
d,) O ângulo de fase no instante

t:

3 ms.

e) A velocidade angular. .f) O valor instantâneo da intensidade para

t : 3 ms. R.; a) I : 46 A b) Ir,rea : 41,4 A c) T=20ms

f) j:52,6A

d) at : 0,94 rad e) a : 314 rad/s

290

gm.6 wew Itfr & mm Kwprem"&wffix.&
::t::::iììììììììììììi

Essa oposição é, como sabemos, devida fundamentalmente a resistências, indutâncias e capacidades ou a qualquer combinação destes elementos. Representa-se pela letra Z e mede-se em ohm da mesma forma que a resistência óhmica ou qualquer reactância, seja indutiva ou capacitiva. Compreende-se que de facto seja assim, dado que, em qualquer dos casos, se pretende quantificar uma oposição à passagem da corrente, não importa a sua origem. Sendo a impedância o resultado conjunto de resistências e reactâncias no circuito, contudo ela não é igual à soma aritmética mas sim vectorial das referidas grandezas. Veremos oportunamente como é feito o seu cálculo. Consoante a natureza do circuito, assim recebe designação especial, podendo incluir-se num dos seguintes tipos:

X

puramente resistivo

IZ:RI
,;:;) t'l
R

Aimpedânciaéasua própria resistência.

E

puramente indutivo

:0

A sua resistência é nula, confundindo-se a sua impedância com a própria reactância indutiva.

tr

puramente capacitivo

R:0

A sua resistência é nula, confundindo-se a sua impedância com a própria reactância capacitiva.

I

predominantemente
Prevalece

indutivo f''nl
capacitivo

o efeito

de indutância. r

E

predominantemente

f">x;l

Prevalece o efeito de capacitância.

291

ANALISE DE CIN,CUITOS

EM

CON,N,ENTE ALTER,NADA

Fundamentalmente, o problema resume-se à determinação dos valores das tensões, correntes e potências em jogo nos diferentes pontos de um circuito. A metodologia a seguir difere conforme se trata de um circuito série ou circuito

em paralelo. Consoante o tipo de elementos da associação, os circuitos podem ser assim
designados:

. RL . RC

combinação de resistência e indutância combinação de r:esistência e capacidade de resistência, capacidade e indutância

o RLC combinação

&&.ï gïeüïrrx{}g
n !

s&m.rg

Para o cálculo destes circuitos devemos lembrar que:

A intensidade da corrente é a mesma em todos os elementos do circuito.
A queda de tensão nos terminais do circuito é igual à soma das quedas de tensão em cada um dos seus elementos. Convém acÍescentar que esta soma não é do tipo algébrico mas sim vectorial.

E6.I.I
,

CIR,CUITOS N,L

CÁLCULO DA IMPEDÂNCIA

Na fig. 298, representa-se um triângulo rectângulo, designado por triângulo das impedâncias. Deve ser desenhado na posição indicada, assim como as grandezas ÍÌ e X. que lhe estão associadas.

293

Triângulo das
impedâncias

Triângulo das

1: XrI

I

Fig. 298 - O vector Ué resultado da soma de Up com em avanço de 90o.

Ut. Uaé um vector

em fase com a corrente e

UL

Nele podemos ver que a impedància Z se relaciona com a Íesistência fiÌ.e com a

reactância indutiva Xr, como num triângulo rectângulo a hipotenusa relativamente aos seus catetos, o que nos permite escrever:

22:P.2*Xr2 &
CALCULO DAS TENSÕES

ou

z

:

.lFD-+

xJ.

,Podemos construir um novo triângulo, o TRIÂNGULO DAs TENsÕEs, representado na Íig. 298-2, obtido a partir do triângulo das impedâncias depois de multiplicarmos cada uma das suas grandezas pelo valor da íntensidade da corrente l, onde:
UB UL

é a queda de tensão nos terminais da resistência R
é a queda de tensão nos terminais da indutância

f

trFRf
tr;:rF] :
F n-"

U

é a queda de tensão nos terminais do agrupamento

A fig. 298-3 resulta de um tÍatamento vectorial das grandezas deste último triângulo. Podemos observar como o vector Ú C o resultado da soma dos vectores Ü"

e Ú. que estão, respectivamente, em fase e em avanço de quadratura {+

9Oo)

relativamente a í-. Na verdade, a resistência não introduz qualquer desfasamento entre a intensidade da corrente e a tensão, pelo que estes vectores coincidem. Já na indutância a coÍrente soÍre um atÍaso de 9Oo relativamente à tensão nos seus terminais, razão por que o vector Ü, se desenhou com um avanço de fase de 9Oo relativamente à intensidade da corrente e também em relação a Ür.

M

CÁLCULO DA INTENSIDADE DA CORRENTE

Vimos

que U = Z\

donde se tira que

Esta relação matemática traduz a lei de Ohm em corrente alternada. A única diferença, relativamente à sua expressão em c.c., é que em lugar da resistência figura agora a impedância.

294

K

CALCULO DO DESFASAMENTO EXISTENTE ENTRE TENSÃO E CORRENTE

O vector i Íazum determinado ângulo com o vector Ü. fste ângulo é designado pela letra grega I (fi) e convencionou-se ser positivo por corresponder a um deslocamento angular no sentido contrário ao movimento dos ponteiros do relógio. Esta situa-

ção caracteriza os circuitos indutivos. Da fig. 298-1 tiramos a seguinte relação trigonométrica:

Depois de efectuarmos aquele quociente, que é igual ao co-seno do ângulo de desfasamento, podemos, a partir da leitura em tabelas trigonométricas (pá9. 372) ou directamente duma calculadora científica, conhecer o valor do referido ângulo. O valor cos g chama-se Íactor de potência. É um valor muito importante em corrente alternada, pois caracteriza a natureza da carga.

K

CÁLCULO DE PoTÊNcIAs

Se multiplicarmos cada uma das tensões U^, U, e U por l, obtemos as potências associadas, respectivamente, à resistência, à indutância e à capacidade. Obtemos analogamente um triângulo designado por TRIÂNGULO DAS POTÊNCIAS, como se mostra na fig. 298-4. Embora estas sejam posteriormente objecto de cuidadoso estudo, podemos distinguir neste último triângulo:

P

POTÊNCIA ACTIVA

-

consumida e transformada em calor na resistência em watt (w)

F iJl
A

ou F=t|
-

POTÊNCIA REACTIVA

associada ao campo magnético criado pela passagem da corrente na bobina ou indutância oa correnre DoDtna tnouïancta

I

a : u.l I

q = x,-tt ou t----------lI I
-

(VA*l em volt-ampere reactivo (\

S

POTÊNCIA APARENTE

potência de conjunto associada, à impedância Z

I

S

:

UI

I ou

t.l

lS

:

ZI'z

I

em volt-ampere (VA)

Podemos, de forma análoga, relacionar estas potências pelas expressões:

"otr:{

-

P:scosp +
295

sen,e:8

==> Q:Scos,p

+ F:tlr,;A
s:vF
+aZ

tcp:+
Do triângulo da

fig. 298-4 tiramos ainda que

PRoSLErIAS RESoLVmoS
1. Uma bobina tem uma
Calcular:
resistência de 5 0 e um coeficiente de auto-indução igual a 30 mH e é alimentada à tensão de 220 V, 50 Hz.

a) A reacÍãncia indutiva Xr. b) A impedância de conjunto. c) A intensidade da corrente. d) O ângulo de desfasamento entre a tensão e a corrente. e) A potência consumida pela bobina. -f) A potência reactiva.
Resolução:

",E :+:ffi:Fó.;l d f';-l : + :-:- : 0,46e p : "rE :RI:5x20,642:Fffil
tE :
2, Uma
Calcular:

E : O) Vl :
,,

aL

:
*

2nfL
X,_'

:

2tr

x

5ox o,o3

:@
I

VR,

: .lsz + 9,422 : I ro,00o

arcos 0,46e

=F tr""*l

XrI2

:9,42

x

20,642:

@
é

resistência de 3 0 e uma bobina de resistência desprezível, cuja reactância indutiva igual a 4 0, encontram-se ligadas em série sob uma tensão de 220 V, 50 Hz.

a) A impedância de conjunto. b) A intensidade da corrente.

296

c,) As tensões, respectivamente, nos terminais da resistência e da bobina.

Verificar ainda que estas tensões se relacionam com a tensão de conjunto conforme o triângulo das impedâncias. d) O faclor de potência.
e,)

O ângulo de desfasamento.
e

-f) Desenhar o diagrama vectorial referente à intensidade da corrente g.) As potências aparente, activa e reactiva.
Resolução:

tensões determinadas.

dlA

:^tí'+4':'JB=El

b,E:+:+:@
dE:RI:3x44:E

tr:xLI:4x44:@
verificação

d,F;.1
4
0

:+:+:E
: F;-l
IND
ESCALAS

Ly,]

:

Vu;zTuLz :.,132r-a-1jÇ

:lzzovl

E

=

arcos 0,6

1A-lmm 6,6V-1mm

< Fis. 299

d

E:
Bl:

uI

:
-

220

x

44:
220

filt"l
: F;;;l
:
17,74

E : ulcos ç :
Vs,
P2

x 44 xo,u

:

Ve,682

-

s,81,

kvAR
I

297

3. Um circuito é constituído por duas bobinas cujas resistências e coeficientes de auto-indução são, respectivamente, Rr : 15 0, Lr : 70 mH e R2 : 30 O, L2 : 200 mH. Estão ligadas em série e são percorridas por uma corrente

r:

75

A

à frequência de 50 Hz.

Calcular:

a) A reactãncia X1, e Xr, de cada bobina. b) A reaclãrrcia combinada X. c) A resistência total R do agrupamento. d) As impedàncias 2,, e Z, de cada bobina e a impedâncía combinada Z. e) As quedas de tensão Ur e U, em ambas as bobinas e nos terminais do agrupamento. -f) Os desfasamentos tensão/corrente rp1, p2 e g em cada bobina e no agrupamento. g) A potência Py, P2 e P consumidas, respectivamente, em cada bobina e no seu agrupamento. á) Equacionar o problema graficamente.
Resolução:

tr : 2trfL, = 2tt5ox o,o7 = @ tr: 2trf L2:2tr 50 x 0,2 : @ b) tr: X1, * X1, :21,99 + 62,83: @
a)

c) d)

E:
rI

R, + R,

:

15

+ 30 :

[4;;l
+ 2t,ss2 :lze,ezsl

Vl: trl: A:

u/n; + x#
VR,2
VR2

- ltsr

+

Yr,': V3o'+ 62,832 =leg,ezal

+ x2

: \/452 + 84,822: Pry_l
xrr : F;uJ
u-l

e)

tr: z2r: x rt :F;Gil tr: zr:e6x75:@
6e,62

tr

:

z,r

:

26,62

o cos<p, : + : ;r:
eos

e,: + : #

0,56 tr : :0,43 Ã:

+

s5,7o IND

+ 64,50 rND
620 IND

R45 cose:tì:-ç:O,qeg
298

: +

c,

E:

RrI2
R2I2

: ls x 752 :'752: F-', õl
:
P2

tr:
E:

3o

x i52:
84'3

trt--l
:@

P1

+

:

+

168'7

Fig. 300

-

Diagrama vectorial >

ESCALAS:

tensões100V-1mm

correntes2A-lmm

PNOBTEMAS PANA RESOI.VER
CIRCUITOS COM COMPONENTES REACTIVOS EM SÉRIE

1.

Qual a tensão a que está submetida uma bobina cujo coeficiente de auto-indução é de 140 mH, tem de resistência óhmica 45 O e é percorrida por uma intensidade de corrente de 6 A numa rede de 50 Hz?

R.; U = 377,5Y

2. Um gerador de c.a.

130 V, 50 Hz alimenta uma carga indutiva com resistência de 20 0. que o desfasamento entre a tensão e a corrente é, de 45", calcular: Sabendo a) A impedância Z da carga. b.) A intensidade da corrente I. c) A reactância indutiva Xt. d) O coeficiente de auto-indução L do circuito. e) A queda indutiva de tensão Ur. -f) A queda resistiva de tensão U*. g.) Equacionar vectorialmente o problema relacionando todas as grandezas intervenientes.

R..' a)Z:28,3Q ;
3. Um bobinado apresenta

b)I:4;6Ã i c)Xr-:204 d)L:63,7mH i e)Ur:92Y i OUn=92Y

uma resistência óhmica de 20 0. É alimentado a uma tensão de 220 Y 50 H.z, sendo a intensidade da corrente de 5,5 A. Calcular:

a) A respectiva impedância Z. b) A reactância indutiva Xr. c) A indutância L do bobinado.

299-

"

d) O factor de potência, cos <p. e) A queda indutiva da tensão Ur. fl A queda de tensão respeitante à parte resistiva U*. g) A potência activa consumida p. á) As potências reactiva Q e aparente S.

R.:

Xt : 34,6dì ; c) L: t10mH IJr: i90,5V ; O Un : llgv i 9P :605V/ ; h)Q : 1047,8VA*, S : l210VA
b)
e)

a) Z : 40A ; d) cos e : 0,5

4. Uma bobina A,

de 6 O de resistência e 20 mH de indutância, está ligada em série com uma outra bobina B cujas resistência e indutância são, respectivamente, 30 O e 0,07 H. A tensão de alimentação é de 220 Y, 50 Hz. Calcular:

a) A resistênçia e a reactância de conjunto. b) A impedância de cada bobina e do circuito. c) O ângulo de desfasamento introduzido por cada bobina e o resultado da associação
ambas.

de

d) A queda de tensão em cada bobina. e) As potências consumidas por cada bobina e pelo circuito.

f)

Fazet um diagrama vectorial relacionando as tensões nos terminais de cada bobina com a tensão aplicada ao conjunto e ainda com a intensidade da corrente no circuito.

R..' a) R:3612, Xr:28,3O b) Z^:8,7 O , Zs: 37,2A , Z :45,8 O c) pp,: + 46,30 IND, 9" : * 36,2o IND, 9 : + 38,2o IND d) ut : 41,7 Y , IJs : 179,5 V e.) PA : 138W, Ps : 691W, P : 829W

P.6.L.2 CIA,CUITOS

F,C

K

CÁLcULo DA IMPEDÂNGIA
Triângulo das
impedâncias R

Triângulo das
tensões

Triângulo
potências P

das

lu = XcI

\"
o
Fig. 301 - o vector úé o resultado da soma de úp com e U6 um vector em atraso de 90o.

Ú" Ú, é um vector em fase com a corrente

300

A única diferença a registar no desenho do triângulo das impedâncias é a sua posição invertida relativamente ao seu traçado num circuito RI- (fig' 301-1). Na verdade, a posição deste triângulo em nada influi o cálculo da impedância, contudo deve ser mantida, pois quando, a partir dele, desenhamos o triângulo das tensões e associamos os respectivos vectores representativos, deixa de ser arbitrária tal postura. Podemos igualmente escreveÍ

z:"lP+xJ
Expressão que relaciona a impedância Z, a resistência

Re a reactância capacitiva X".

X

CÁLCULO DAS TENSÕES

Multiplicando as grandezas do triângulo das impedâncias por I, derivamos para um novo triângulo, o triângulo das tensões (fig. 301-2). São as seguintes as quedas de tensão a considerar:

UR nos terminais da resistência

R

r;-:-l
f;=

Uc U

nos terminais da capacidade C nos terminais do agrupamento

x"l

F-:,rl

Representando estas tensões pelos vectores U^, Ure U (fig. 301-3), podemos ver que 4 está em fase com o vector l-e em quadratura de avanço relativamente a tJ". Apercebemo-nos também do avanço de 9Oo da intensidade da corrente relativamente à tensão no condensador e ainda do ângulo 9 formado entre aquela e o vector Ü.

X

CALCULO DA INTENSIDADE DA CORRENTE
Pela Iei de Ohm em c.a. obtemos o valor de í, fazendo o quociente da tensão pela

impedância

i

X

CALCULO DO DESFASAMENTO EXISTENTE ENTRE TENSÃO E CORRENÏE

O vector üforma com /-um ângulo rp considerado como negativo, dado resultar de um deslocamento angular no sentido do movimento dos ponteiros do relógio. Esta

situação caracteriza os circuitos capacitivos. A equação trigonométrica já anteriormente escrita para os circuitos RL mantém-se

301

X

CÁLCULO DAS POTÊNCIAS

Da mesma forma, se multiplicarmos por I as grandezas do triângulo das tensões obtemos o triângulo das potências (fig. 301-4). Para as potências mantêm-se as expressões atrás consideradas, tendo em atenção que a reactância é agora capacitiva.

Potência activa Potência

lP=URI|oul P:RI, I

emwatt(W)
em vott-ampere reactivo (VA*]

reactiva

F ;I

o" [ì : ""t, I

Potência aparente
Da

F=f

", [t=;l

em vott-ampere (vA)

fig. 301-4 podemos concluir que são igualmente válidas as expressões já con-

sideradas

Fã;7

F:il?
g : 1/pzl-@
PROBTEMAS RESOI,VMOS
1. Um gerador
de c.a. 220

ticas:R:700,

C:50pF.

Y,50 Hz alimenta uma carga capacitiva com

as seguintes caracterís-

Calcular: a) A impedância da carga. b) A intensidade da corrente. c) O factor de potência e o ângulo de desfasamento. d) A potência consumida e) A potência aparente.

,f) Desenhar o diagrama vectorial que traduz o problema.
Resolução:

al x

I - 2úC - 215ox
VR2

I

5o

x 10-6
63,662

:

63'66Q

|b)
302

A:

+ Xr'

:

'l7o' +

:

lgt,eza

I

E:+:?#:E

R c/lcos,pl:z:

70

94,62

@

ESCALAS:

6,5V-1mm 1A-15mm

a - -42,3"

CAP

d
",

E:

RI2

: io x 2322 : Fqtïl
220

E:

uI

:

x 2,32:

FroÃl
Fis. 302

0 U* : RI :

x 2,32 : 162,4Y Uc : XcI : 63,66 x 2,32 : 147,7 Y
70

2. Um condensador de 65 pF é ligado em série com uma resistência de 12 O. A corrente atravessa o conjunto é de 30 A. A frequência da rede é de 60 Hz.
Calcular:

que

a) A rcactãncia capacitiva. b) A impedância do conjunto. c) As tensões no condensador, na resistência e nos terminais de conjunto. d) O desfasamento entre a tensão e a corrente' e) Desenhar o respectivo diagrama vectorial.
Resolução:

')

E : r+r: z;#v-u = @
Vn2

Ul:):

*

X.2

:

'ltz2 + 40,82:142,53 o

I

")E:RI: t2x3o:@

e)

ESCALAS:

40V-1mm 1,5A-lmm

tr: xcl:40,8 x 30:@i1 tr : zr : x : FttB ;-l
42,53

3o

..Rt2 d)cose:à=ffi:0,282
:
arcos 0,282 =

-

73,s (CAP)
Fig. 3O3

303

PROBI.EMAS PABA RESOTVER

1'

tes:R:45O e C:60pF.
Determinar:

Um gerador de c'a.220 V' 50 Hz alimenta uma carga capacitiva com as características seguin-

a) A reactãncia capacitiva X". b) A impedância Z do circuito. c) A intensidade da corrente. d) O factor de potência e o ângulo de desfasamento.

R..' a)X.:53,05O t b)Z:69,57Q; c)I:3,16A d) cos ç : 0,647 ; I : - 49,7o CAp
2. Um
condensador de 106 pF é ligado em série com uma resistência de 30 O, sendo o conjunto atravessado por uma corrente de intensidade 5,6A quando a tensão é220v.

Determinar a frequência da corrente e tensão na rede.

R... f : 59,2H2

E6.T.õ CIF,CUITOS R,LC
A resolução de circuitos constituídos por resistência, indutância pura e capacitância pura em série, isto é, de circuitos RLC, reduz-se à aplicação dos conhecimentos e fórmulas atrás referidas. Bastará analisar os exemplos seguintes.

PROBLEIIAS RESOI,VII)OS
1. A reactância capacitiva e indutiva, respectivamente, de um condensador e bobina são 17 ohm e 23 ohm. A resistência do condensador é desprezível e a da bobina é de 12 ohm. À série
destes elementos está aplicada uma tensão 220 v, 50 Hz Desenhar o triângulo das impedâncias que traduz o pro_ blema e calcular o valor da intensidade da corrente.

Resolução:

2:./pz1pç.-ç;z

E:v:#:@
304

a:

I122 + (23

-

t7)2

: I rt,+z çt

I

Fig. 304 >

A resolução gráfica do problema

X" como se mostra na fig. 304. Xt e X" têm a mesma direcção mas sentidos contrários, pelo que se subtraem os respectivos valores. X, e X" estão em avanço e em atraso de 90o em relação a R, respectivamente. Como X" ) X", o circuito é predominantemente indutivo.
2. Umabobinacomumaresistênciade
tensão de 220 V, 50 Hz. Calcular:
16 Oecoeficientedeauto-induçãoL

faz-se da seguinte maneira. Escolhe-se uma escala conveniente para as grandezas, seguidamente desenham-se R,

X, e

:

47 mHestáligada

em série com um condensador cuja capacidade é de 90 pF. O conjunto está submetido a uma

a) A reactància indutiva. b) A reactãncia capacitiva. c) A reactância do circuito. d.) Classificar o circuito quanto à natureza da carga. e) A impedância devido à bobina. 1) A impedância do circuito. g) A intensidade no circuito. 1r) As tensões U", U" respectivamente nos terminais do condensador e da bobina. i) Os desfasamentos gt, p2, introduzidos, respectivamente, pelo condensador e pela
bobina.

j)
I)

O factor de potência do circuito e desfasamento da tensão relativamente à intensidade. Faça a representação vectorial das tensões na bobina, condensador e tensão de conjunto bem como os respectivos desfasamentos.

m) As potências activa, reactiva e aparente.
Resolução:

E : 2 zrfL : 2tr 50 x 0,047: @ b'] Bf : r+r = i;rd-.3õ-r-m--:
4
",

@
X. )
X..

E - xc - xL:
vR, + xJ

35,37

-

14,76:

@

d) O circuito

é predominantemente capacitivo, porque

,,ã:

: -J16, + t4J6r:@

f)A: \,Tu-F - \,16: + 20,61, : E*l
nr[ìl_u_ "'t I z
2OEL

220 _
26,1

305

l, E:

XcI

:

3s,37

x x

8,43 8,43

: Fg2V-l :

tr:
i)

z"r:

21,77

|ì*;l
90" CAP

Desfasamento devido ao condensador:

Como se trata de uma capacidade pura é, evidentemente,
Desfasamento
cos

It

ihtroduzido pela bobina:

-l , F : + : +T:
r)
ESCALA DE TENSÕES

R16 e2: È : ZijT : 0,735 +

9z: * 42,7oIND
arcos 0'613

@

E:

:F "'

Ãl

O ângulo é negativo devido ao circuito ser predominantemente capacitivo'
Para a representação vectorial das tensões torna-se necessário calcular as tensões U* e Ut

lmm-5,4V

2

: RI : 16 x 8,43 : 134,9 Y Ur- : XrI : 14,76 x 8,43 - 124,4 Y
Un
ç=
'p'
42,7o

:

-52o

Ú*

+
Fis. 305
Fig. 306

", E

: uI cos ç :

22ox 8,43

x

0,613

: f--r<;-l

Outro processo:

E:Rr2: t6x8,432:F --l tr : xr2 : 20,61 x 8,432 : tl/. *o*l tr:
306

UI

sen

ç=

220

x

8,43

x

0,788

: f;*Ãl

E:

ur :2zo x

8,43

: f"

*I
a

Nas associações R, L, c os componentes reactivos ficam muitas vezes sujeitos tensões que ulúrapassam o valor da tensão aplicada ao conjunto.

U"eU.

O problema anterior é um exemplo onde isso acontece, basta comparar os valores de U u,

PBOBLEMAS PAAA RESOLVER
1. Um circuito é constituído por uma série de uma
resistência de 16 O, uma bobina cuja reactância é 3,14 O e um condensador cuja reactânciaé de20 0. A tensão de alimentação é,220 y,
50

r

I

r

RL-,9
2
r

|T

o

I

3 ll

4

Hz. A montagem é a da fig. 307.

-

-

Fig. 307

a,) Classificar o circuito quanto à natureza da carga.

Determinar:

b) A reactãncia e a impedância do circuito. c) A intensidade da corrente. d) As quedas de tensão em cada um dos elementos do circuito. e) As quedas de tensão entre os pontos I e 3,2 e 4 do circuito. f) o facÍ.or de potência e o ângulo de desfasamento entre a tensão e a corrente. g) Relacionar em diagrama vectorial as diferentes tensões calculadas, a tensão de alimentação e a intensidade da corrente no circuito.

R..' a) circuito predominantemente capacitivo X" ) X. b) X: 16,86 0 , Z :23,24Q c)I:9,47A d) UR: 151,5V, Ur:29,7Y, fJc: 189,3V e) Un = 154,3Y , Uzq: 159,6 V f) cos ç: 0,688 , I : - 46,50 CAP
2.
Observar o esquema de montagem da fig. 308, cujos

componentes reactivos são puros.

As

suas características são:

C:50pF L:350mH
A tensão é de 220 V,
Calcular:
50 Hz. Fis. 308

a) A intensidade da corrente. b) O desfasamento tensão/corrente e classificar o circuito. c) As tensões nos terminais do condensador e da bobina.

307

d) As potências activa, reactiva e aparente. e) Fazer um diagrama vectorial que traduza o problema.

R..' a) I : 4,75 A b)ç=+90'IND
circuito puramente reactivo, sendo predominantemente indutivo

U": 302,4V , IJr = 522'5V d)P = 0V/ ' Q:1045VA*, S:1045V4
c)

?,6,L,4. R,ESSONANCIA
Um circuito R, L, C diz-se ressonante quando as suas reactâncias capacitiva e indu-

tiva se igualam.

|
X:

: Xc e portanto - Xr 0, o que nos leva a dizer que num circuito ressonante a sua reactância é nula.
Naturalmente a sua impedância será igual à própria resistência, isto é,

^':x'I
lr:Rl

Podemos também dizer que um circuito ressonante comporta-se como uma carga puramente óhmica de que resulta que coÍÍente e tensão estão sempre em concordância de fase. lsto acontece para uma dada frequência, designada por frequência de ressonância f o, cujo valor decorre da igualdade anterior

Xr-:Xc
Explicitando

fl

2rfol-:

f,

obtemos:

=+l

"

2rlLC

Na situação de ressonância o circuito diz-se em sintonia com a grandeza, cuja frequência é fo. A ressonância ocorre quer em circuitos em paralelo quer em circuitos série. Assume características próprias em cada um deles. Temos, assim, respectivamente, a chamada

ressonância da corrente ou em paralelo e a ressonância da tensão ou em série.

il

RESSONÂruCIN DA TENSÃO

Para além das características apontadas, comuns a qualquer circuito ressonante, podemos concluir algo mais sobre o comportamento específico destes circuitos, ana-

lisando o problema seguinte.

308

PNOBTEUA RESOLVII}O
1. Uma resistência
de 30 0, uma bobina cujo coeficiente de auto-indução é de 0,05 H e um condensador de 20 pF estão ligados em série num circuito cuja tensão é de 220 V, 50 Hz. Determinar:

a) A frequência de ressonância. b) construir um quadro onde se registem os valores Xl, Xç, x, z, r, u" e u"
cias de 100 Hz, 300 Hz e à frequência de ressonância. Resolução:

às frequên-

fr :

100 Hz

tr :

2trfL

:

2tr t00x

0,05

:@

l1 2rfC

2rl00x20x10-6
7e,58

tr : X" - X, :
n:
vR2 + X2

- 3t,41: F,,,,;l
+
48,172

Nesta frequência predomina a reactância capacitiva. Isto acontece a qualquer
frequência inferior à de ressonância.

:

v302

u z

220 56,75

:@
x
3,88

=

|

S0,ZS çr
I

tr:

XLI

:

31,4t

: FtBìl trtsu]

tr:

xcl:79'58 x 3'88:

tr:
fo

Rr:30 x 3,88: F6rI

:

159 Hz

tr : 2 trfsL : 2 tr 159x 0,05 = @
2TfsC 21159 x20x10-6 Reparar na igualdade Xr : Xc : 50 0
309

l1

E

E:-:

E:*:+:@
E:X1r=5o
x 7,33:

trìl

tr:,r,:Fu-'ïl
Reparar que, quer no condensador, quer na bobina, a tensão ultrapassa a tensão aplicada ao conjunto.

fz

:

300 Hz

tr:

Ztrf2L:2tr300 x
2"ïc

0,05

:@

E]l^tl-

94,25

I
26,53

:t--;l -l4u'JJÀ!l
:@Jr
r;Ãl

tr : *, - *. :
Vl:
VR2

Nesta frequência é predominante o efeito indutivo. Este facto ocorre para qualquer frequência superior à de ressonância.

+ x2

: V3o2 + 67,i22: trl_]
x 2,9i :Wrw
I

E:v:+:@
tr : xlr : tr: xcl :
b)
94,25 26,53

x 2,9i =

f,'*-l
x
(0)

tr:Rr:30 x2,e7:@
f(Hz)
100

Xr (o)
31,41

Xc (o)
79,58

z (a)
56,75

I

(A)

Ur (V)
121,8

U" (V)
308,8

48,17

3,88

fo310

l59d&d,@
300

" *:re*
26,53

';*
67,72
74

94,25

2,97

279,9

78,79

Da análise deste problema podemos tirar as seguintes conclusões, válidas para qual-

quer circuito ressonante RLC série:

ffi CARACTERíSTICAS

DE RESSONÂruCIN

Num sistema de eixos cartesianos (fig, 309)

desenhamos, simultaneamente, as curvas que traduzem a variação das tensões na bobina e no
condensador, assim como da intensidade da cor-

rente para diferentes valores da frequêncìa. Por análise da fig. 309 podemos concluir que

Fig. 309
quência.

nos componentes reactivos em Íunção da fre-

-

Variação da corrente e tensões

E ainda:

'üio,&* irn"!oriffi
;iliiiiil:

311

W

FACTOR DE OUALIDADE

Como acabámos de ver, à frequência de ressonância as tensões nos componentes reactivos ultrapassam em muito a tensão aplicada. Em alguns circuitos ressonantes essa tensão pode ser superior a 3OO vezes o valor da tensão aplicada. Define-se factor de qualidade de um circuito ressonante e nota-se pela letra O,

Ç&"ïi

O factor de qualidade O de um circuito ressonante pode ser calculado a partir de qualquer das expressões seguintes:

a:+:
uc -URIR

XLI _ RIR

XL

X.I

Xc

E E

O factor de qualidade da bobina no exemplo anterior é, portanto,

tr:+:+:E
Decorre destas expressões que

Assim, na fig. 310 vemos que o circuito 2 tem uma resistência menor e melhor factor de qualidade do que o circuito 1 . lsto significa também que uma dada variação na frequência resultará no circuito 2 numa maior variação da intensidade da corrente e, consequentemente, da tensão nos componentes reactivos.
Fig. 310 - Curvas de ressonância e factor de qualidade de dois circuitos,

312

PROBLEMAS PARA RESOTVER
RESSONÁNC/A

DA TENSÃO
de

1. Num circuito à frequência de 60 }{z, €ncontram-se montados em série uma resistência 12 0, uma indutância de 30 mH e uma caBacidade de 80pF. A tensão é220Y.
Determinar:

a) Ãs reactàncias indutiva, capacitiva e total. b) A impedância do circuito.
c,) Qual a capacidade necessária para que o circuito entre em ressonância.

d) A intensidade da corrente no circuito inicial e no circuito ressonante.

R'.'

a) XL

: ll'31 0, Xc : 33,16O, X :

21,850

b)Z=24,93çì c)C:234,7pF

d)I=8,82A,I0:18,33A
2. Um circuito é constituído por uma resistência, uma bobina e um condensador dados os valores de R : 15 O, L : 45 mH , C : 87pF ,lJ : 220Y.
Determinar:
em série. São

A frequência para a qual a intensidade b) A intensidade da corrente. c) A tensão na bobina e no condensador.
a.)

da corrente é máxima no circuito.

R.; a) fo : 80,4H7, b)r:14,67A c) UL : Uc : 333,6 V
3. Um circuito R, L, C série, cujos componentes têm as seguintes características R : 8 0 , L : 70 mH , C : 30 p.F, é alimentado à tensão de 220 Y. a) Determinar a frequência de ressonância. b) Construir um quadro onde se possam registar os valores assumidos pelas diferentes grandezas, não só à frequência de ressonância como às restantes frequências nele constantes.

fo-

c) Calcular o factor de qualidade do cirçuito.

313

R..'

a) fo b)

:
L,

109,8 Hz

I.60I
T6I

6'gzt L'g\v
iiiirii:iWSsa

Í6't
gL's

z'9s I'g€
ìì::ì::ìì:sììì*ë

L
7,,

SS

6'LZ
T,EE

g'€g

06I 09I
{l,iL:tffi,,L:.

LE

v'01
:ra

*;i;::8.7&:Í:::

ar&
úlL

)l:::::,.:Ü::1,::'

:
t'88

trSlSà::::

-0J

z'lrt
6'gEZ

8'26
L,LI

ç'29
8'€9 I

z9

v'92

09 0€

c,t.)'n

CnJ'n

vE'l (v) r

9,891

8'9Lt

(Nz

(n)

x

(o)'x

z'tt (n)'x

(zn) r

c)Q:6

ffiffi"& #KKWKyKW&# p&m&&rumffi
A metodologia a seguir no cálculo destes circuitos tem por base o seguinte:

E A tensão U aplicada a cada um dos ramos em derivação é a mesma
todos eles.

para

I

Em conformidade com as leis de Kirchhoff, podemos enunciar que a intensidade da corrente no circuito principal é igual à soma das intensidades da coÍÍente nos ramos derivados. Esta soma é vectorial, visto tratar-se de grandezas alternadas

sinusoidais.
lremos passar em análise os circuitos típicos RL, RC e RLC. Finalmente, a situação

de ressonância.

2'6.2.L CIB,CUITOS

R,L
na

Uma associação em paralelo de resistên-

cia e bobina pura, como se mostra

fig. 31 1, constitui o circuito RL que nos propomos estudar, A resolução do problema seguinte permite familiarizarmo-nos com o tipo de cálculo a utilizar nestes circuitos.
Fig. 311

314

Srsblcma
Uma resistência pura de 35 ohm está ligada em paralelo com uma indutância pura de 70 mH.

O conjunto está submetido a uma tensão 220 Y, 50 Hz.
Calcular:

A reactância indutiva Xr. b) As intensidades I no circuito principal, I* através da resistência c) O factor de potência e o ângulo de desfasamento.
a.) Resolução:

e

It

através da bobina.

a)

x, :

2

rfL :

2

r

50

x 0,07 :

220"

u -=ï:6,284 220 b)1": i: R35 u r,: xL _220:loA 22 Ì:Ì*+ï,
Partindo do vector Ü, que é a tensão comum aos terminais da resistência e da bobina, desenhemos os restantes vectores representativos das intensidades de corrente. Ver fig. 312. i* é um vector em fase com Ú, visto que a resistência não introduz desfasamento.

i"

é om vector em atraso de 90" relativamente à

tensão.

Podemos associar as grandezas dos vectores Í* e Ì, às medidas dos catetos de um triângulo rectângulo cuja hipotenusa nos dá o valor de I, a intensidade no cirçuito principal.

Fig.312

I:
c) O factor

.vç'z + L'z- :

^1628'-+W:

11,81

A

de poúência cos rp é calculado a partir do referido triângulo e a sua expressão é:

IR 6,28 cosçr:T:Ti;g:0,532 p:
arcos 0,532

: + 57,8o IND
é

Como se tÍata deuma carga indutiva, o ângulo de desfasamento

naturalmente positivo.

315

PROBLEMAS RESOLVII)OS 1. Uma resistência de 45 0 está ligada em paralelo cia. A tensão de alimentação é 32 V, 50 Hz.
Calcular:
com uma bobina pura com 15 0 de reactân-

a) A intensidade da corrente no circuito principal e derivados. b) A impedância Z da associação. c,) O factor de potência e o ângulo de fase. d.) A potência consumida.
Resolução:

dE: *:ii=Ea!

tr: +=+:E
:
Vt*, +
tL2

o,a:Ï=#:@
",F;-l
E:
d,
arcos 0,316

ll_l

='/o,ilz + 2,13,

: 12,25 Al

:+:#:@
:
45

E:

Rrn2

x 0,7t2 :@

2. CASO DE DUAS BOBINAS REA/S EM PARALELO
Duas bobinas,

A

e B, cujas resistência e indutância são, respectivamente,

Ra:23O,La:0,01H
Calcular:

e

Rs:80,Ls:0,03H,
ll0 V, 50 Iìz.

estão ligadas em paralelo. Nos terminais de conjunto está aplicada uma tensão de

a) A reactância indutiva de ambas as bobinas. b) A impedância de cada bobina. c) A intensidade da corrente que percorre cada uma das bobinas. d) O desfasamento entre a tensão e a corrente introduzida por cada bobina. e) A intensidade da corrente principal. .fl As potências consumidas por cada bobina, assim como a potência total absorvida.

316

Resolução:

F;l : 2 trrLt: 2 tr 5o x o,ol : @ f :2*fLs:2zr50x0,03:@ o) Vl: vR;z + xJ- : .ln, + 3ÍF : lzt,zr çt trd: VRr2 + Xru': V8'+ 9,422: ltz':ao
O

I

dE:+:+i:@

I

d)

tr:+:+k:E :
cos

,": \

#:
8

0,ee1

gr:
COS

! 7,7oIND
RB

írB : --;-

LB

12,36

:

0,647

PB,: I49,70IND
Fis. 313

A seguinte relação (ver Nofa matemática) permite-nos calcular a grandeza do vector resultante da soma vectorial de Ío com Ìu, a partir do ângulo formado por eles.

Ì

: Ir2 + IB2 + 2I^.IB cos (9o : ps- er,: 42o : Io.I" J): 14,742 + 8,92 + 2 x 4,74 x
12

,pu)

8,9

x

0,743

:

|

12,82A
I

t E : Raro2 : 23 x 4,i42 :lr"J-1 tr:RBIB2:8x8,92:frJ-l tr: PA + PB : 517 + u,4 : lll5o;w-l
NOTA MATEMÁTICA A resultante I de um paralelogramo, cujos lados são I, e I, e formam entre si um ângulo o, é determinada pela seguinte expressão
matemática
12

:

It2 + I22 + 2IrI,

cos a

I:

+ 2 I,I, cos a
317

PROBLEIIAS PARA RESOI,VER
1. Uma resistência de
Determinar:
15 0 é ligada em paralelo com uma bobina com reactância de 20 O. tensão de alimentação é de 220 V, 50 Hz.

A

a) As intensidades das correntes derivadas e no circuito principal. b) O factor de potência e o ângulo de desfasamento entre a tensão e a corrente. d) A impedância do circuito.
e.) As potências activa, reactiva e aparente.

f)

Fazer a representação vectorial das correntes e da tensão no circuito.

R..' a) I*:

A, Ir : llA, I : 18,344 b) cosp = 0,8, I : * 36,9o IND Q Z = 2A d) P = 3228W Q:2420 VA* , S : 4035 VA '
14,67

2. Uma

associação em paralelo de resistência e bobina pura absorve uma potência de 2016 W e uma potência aparente de2255 VA. A tensão de alimentação é 110 V, 50 Hz.

Determinar:

a) O facÍor de potência. b) As intensidades das correntes no circuito principal e derivados. c) A impedância do circuito. d) O valor da resistência e da reactância. e) A potência reactiva.

R.;

ç : 0,894 b)I =20,5A, In : 18,3A, It:9,2A
a) cos

c)Z=5,37Q

d)R:60
e)Q:1011

, Xr:724
VAR

26.2.2 CIF,CUITOS F,C
Trata-se agora de um paralelo de resistência e capacidade puras. A filosofia de cálculo é idêntica à anterior, devendo contudo ter-se em atenção que a capacidade pÍovoca um avanço da intensidade relativamente à tensão.

318

PROBT,EMAS RESOTVII)OS 1. Uma resistência óhmica de 75 0
Calcular:
está ligada em paralelo com uma capacidade de 28 pF e o

conjunto está sob uma tensão alternada de 110

Y,60ÍJz.

a) A reactància capacitiva. b) As intensidades da corrente principal e derivadas. c) A impedância do circuito. d) O desfasamento introduzido pelo conjunto.
Resolução:

"E:r#":z;k=@ b,,E:*:+*:@
tr:+:+#=@

oa:Y:,,:@
d.)cosr:+:#:0,786
38,20 CAP

lI:

vt*' + lc2 :

"lt,47z

+

1,162

: [tz

n
I

Fig. 315

PROBI,EIIAS PANA RESOI,VER
1. Um condensador, cuja capacidade A tensão é de 300 V, 50 Hz.
Calcular:
é

60 nF,

é

ligado em paralelo com uma resistência de24 kQ.

a) A reactància capacitiva. b) As intensidades da corrente principal e derivadas. c) O factor de potência. d) As potências activa, reactiva e aparente. e) Fazer o diagrama vectorial das correntes.

R.;

a) X" : 53 kO b) Ic:5,66mA , In

: l2,5m{ ,I:

l3,72m4

d) P

c)cos9:0,911 : 3,75V/, Q : l,69VA*, S : 4,llVA 319

2. Num circuito 220Y,50H'2, o desfasamento entre a tensão
tuído pelo paralelo de uma resistência de 167 Calcular:
O

e a corrente é de l7o e é consti-

com uma capacitância de valor desconhecido.

a) As intensidades da corrente no circuito principal e nos ramos em derivação.

b) A reactãncia capacitiva. c) A impedância. d) A capacidade do condensador.

R.;

a) I* : 1,32A, b) Xc : 546'6 Q c) Z:159,4Q

I : 1,384, Ic : 0,4A

d)C:5,82p.F

P,6.2.3 CIF,CUITOS N,LC
Um circuito RLC é um circuito formado por um paralelo de três elementos puros, resistência, bobina e condensador, e a sua análise baseia-se nos procedimentos já utilizados nos exercícios anteriores.

PROBTEMAS RESOIVU}OS 1. Uma
resistência de 70 0, uma bobina cuja reactância é de 95 0 e um condensador de reactância 70 O, estão ligados em paralelo sob uma tensão de 220 V, 50 Hz.

Calcular: a) As intensidades que circulam.em cada ramo.

b) A intensidade da corrente principal. c) O factor de potência e o ângulo de desfasamento. d) Fazer o diagrama vectorial das correntes e da tensão do circuito.
Resolução:

dE:*:+:@

tr:+:+:E

tr=+:+=@
320

b)l:I*+I.+I"
As correntes

I. e I" estão em oposição

de

fase, como se pode ver pela fig. 316, pelo que se subtraem.

!_l

: lfJ=lqri.!

:@
E:

=

Jii[t

a

s,s2z =

",F;.]

:ryt:,W-:@
arroro,ffi:,-Mf' cAP cA -'frtf3o
Fis. 316

PROBTEIIAS PARA BESOI.VER
1.

L:

Considerem-se três elementos puros em paralelo: uma bobina R : 25 O, uma indutância 0,038 H e um condensador C : 50 pF. O agrupamento está sob uma tensão 220 y, 50 Hz. Calcular: a.) As reactâncias indutiva e capacitiva.

b) As intensidades da corrente de alimentação e das correntes derivadas. c) O factor de potência. d) A impedância do circuito. e) Classificar o circuito quanto à sua natureza.

Í)
g)

As potências activa, reactiva e aparente.
Representar vectorialmente as correntes em jogo.

R..' a) Xr : ll'94 Q , Xc : 63,66 Q b.) IR : 8,84, lr : 18,42A, Ic : 3,46A, I : c)cosç:0'507 d)Z:12,674 e) circuito predominantemente capacitivo Xc ) Xt f) P : 1936W, Q : 3292VA*, S : 38l9VA

17,36

A

CASO GERAL: BOBINA COM RESISTÊNCIA NÃO DESPREZAVEL
Se num condensador a sua resistência é praticamente desprezável, o mesmo não se pode dizer duma bobina, cuja resistência, ainda que pequena, não deve ser ignorada no cálculo. Analisemos através de um exemplo esta situação.

321

#r*&3eme
Consideremos uma bobina com uma resistência de l5 O e coeficiente de auto-indução 35 mH. Em paralelo com esta bobina, liga-se um condensador com 80 pF de capacidade. O conjunto está sob uma tensão 220V,50H2. Este esquema está representado na fig. 317. Calcular:

a) As reactãncias indutiva e capacitiva.

b) Os valores da intensidade da corrente no ramo
bobina e do condensador, respectivamente.

da

c.) O desfasamento entre a corrente através da bobina e

a tensão aplicada.

d) A intensidade da corrente principal.
e) O desfasamento introduzido pelo circuito.

fl A impedância
Resoluçâo:

do circuito.
Fig. 317

,,

E :2*fL:2tr5o x 0,035: f
1

2rfC

2r50x80x10-6

b)E:+:#i:E
Cálculo de

I":

tr+:

VRr2

+ Xr"'

:

Vls2 + ll'?

:

tu
| 18,6o
I

*r,

:+:ffi:F,,"l
+: *:0,806 arcos 0,806 : Flr/ rGl

RB

Fig. 318

c) coseu:

tr:

d.) Sabemos que a resultante I de um paralelogramo, cujos lados I" e I" formam entre si um ângulo a, é dada pela expressão (ver No/a matemática dapâg. 317):

r:m
Nestecaso,

a:90" I gs

ouseja, a:90o +36,20:126,2o

322

Fig. 319 >

Então: ll: Vs,s:2 + ll'832 +2x 5'53 x ll'83 x cos126'2:19'65A1 e) O cos pn : cos p pois os vectores I" e I têm ambos a mesma projecção no eixo que
contém o vector Ú.

Por outro lado sabemos que

cosps:;X lR
X : Is cos ípB X:11,83x0,806:9,54
Sabemos também

que X cosP:T
cos

.

:.:.

'
,

p

: 9'sf :
tó5

o,ess

0a=Y:#:@
d) v

E : arcos 0,e88 : l+ã" t,*l

As alíneas d) e e) poderiam ser ainda resolvidas pelo seguinte processo:

: Iu sen <p" y : 11,83 x sen 36,2o : 6,99 x : Is cos (pB x : 11,83 cos 36,2o : 9,54 y' : y-Ic : 6,99 5,53 : -

1,46

e)

. cos,p: x

lI : V*' * v" : ^19,542 + 1,462 : I g'ose

I

tr

:

i: óii:0,e88
arcos 0,e88

9-54

: f tf"

^;-l
323

?'6.2.4 N,ESSONANCIA DA COR,R,ENTE
A ressonância da corrente ou ressonância em paralelo ocorre num circuito constituído por bobina e capacidade em paralelo, e a uma dada frequência fr, designada frequência de ressonância. O seu valor é igualmente calculado pela expressão

Nesta situação estamos em presença de um circuito ressonante ou sintonizado. Referindo-nos à situação ideal, isto é, se considerarmos a bobina como indutância pura e o condensador como capacidade pura, podemos dizer que os vectores representativos das intensidades da corrente na bobina e no condensador, respectivamente ir" i", estão em oposição de Íase e são iguais em grandeza (fig. 320-1), peto que é nula a corrente no circuito principal. Um tal circuito apresenta impedância de entrada infinita, o que só teoricamente é de admitir. Por outro Iado, na malha LC a corrente é elevada oscilando sucessivamente do condensador para a bobina e desta para aquele. O circuito ressonante diz-se também, por esta razão, um circuito oscilante. Esta situação é, como se disse, ideal. Na prática, devido à resistência associada à bobina resulta que a intensidade da corrente que alimenta o circuito sintonizado não é nula, embora seja muito próxima deste valor. De facto, os vectores I, e I" não estão propriamente em oposição de fase e diferem um pouco em grandeza (fig. 320). Esta pequena corrente no circuito principal alimenta as oscilações de energia entre o condensador e a bobina que, de outro modo, rapidamente resultariam amortecidas devido às perdas.

Situaçâo ideal O circuito ressonante é constituído por um condensador e bobina pura.

Situação real O circuito ressonante
é conse

tituído por condensador
bobina com resistência.

Fig. 320

-

Diagrama vectoriâl das correntes e da tensão num circuito LC em ressonância de corrente.

O comportamento de um circuito ressonante paralelo pode, então, resumir-se nos seguintes pontos:

324

Na fig. 321, podemos ver a curva típica de impedância como função da frequência num circuito paralelo LC. Estas conclusões podem ser verificadas no quadro abaixo, depois de compararmos às diferentes frequências os valores assumidos pelas diversas grandezas num circuito LC paralelo, constituído por uma bobina de 40 O de resistência, 500 mH de coeficiente

Fig. 321 - Variação da impedância com tensão 22O V. frequência. Será um bom exercício calcular todos aqueles valores, incluindo a verificação da situação de ressonância à frequência de 60,1 5 Hz.

de auto-indução e um condensador de 14 pF de capacidade, alimentado a uma

a

f (Hz)
30

X.

(o)

Xc (o)
378,9
stììììììììììììììììììììììüiíã

IL (A) 2,15

Ic (A)
0,58

I (A)
r,63 #rr,oìt{ltirt,iii
iiirlilr,li

z

(a)

94,3

134,9
llt:;::tìììììlìììlìììììììììììììl:ì:

fot

w1r'
90 282,7

t:',ttt,,48pry)t 126,3
0,7'7

lil8!il$ìï.,llìì

1,74

0,98

223,8

Seguidamente exemplifica-se o cálculo daquelas grandezas à frequência de 30 Hr,
Cálculo de

X,

tr:
Cálculo de

2trïL:2n30
X"

X 0,5

:@

r F-l l- 2"fc : l^' :
Cálculo de

zo3o

rou :[õ;l * - l-'""
x t4

|

I,
VRt +

tr:+:#:E
Cálculo de

Zr.

:

xJ : "lW-+ e4T:

102,4

Q

I"
220
378,9

=u: xc

:@
325

Cálculo de
COS

I
R ZL

@, =

#:
:
67" IND

o'3er

g:

arcos 0,391
Ir.

I: |

*I.

+ 2 \.Ic

cos (90o

+

,p)

:
__]

Vo,sa'

r

2,152

+2x

0,58

x 2,15 x

cos (90o

+ 670) :

|

1,63

A
I

Cálculo de

A:+:#:@

Z

PROBLEMAS PARA NESOLVER 1. Um circuito ressonante é constituído por um condensador de27 pF ligado em paralelo com uma bobina pura cujo coeficiente de auto-indução é 30 mH. A tensão é de 110 V.
Calcular: a,) A frequência de ressonância. b) As reactâncias indutiva e capacitiva. c) As intensidades através da bobina e do condensador.

R.: a) fç: 176,8H7

b)Xr:Xc:33,3O c) It: Ic : 3,3 A

2. Uma bobina R

15 0 e L : 300 mH está ligada em paralelo com um condensador, pretendendo-se que o circuito entre em ressonância quando lhe for aplicada uma tensão 220 V, à frequência de 50 Hr. a) Calcular a capacidade desse condensador. b.) Calcular as intensidades das correntes no condensador, na bobina e no circuito de alimentação. c) Fazer uma representação vectorial das referidas correntes e da tensão no circuito.

:

R.: a) C : b) Ic :

33,8 pF 2,33 A i Ir-

:

2,32

3. Um circuito, constituído por um condensador de 25

p.F em paralelo com uma bobina com

^;

I:

0'36

A

35 O de resistência e 240 mH de indutância, é alimentado à tensão de 220 Y. Determinar a frequência a que o circuito entra em ressonância e ainda os valores das grandezas constantes do quadro às diferentes frequências de trabalho nele referidas.

326

Soluções:

g'gg
r{slìl:)ì::;$wu,:,:

vs'7,

8'€

g'I

8'tç

8'ç9I

OII
oJ

L'0ç

vE'v

69'0

9L'V

g'8I

g

z'ot
(o)

0z

(úz

(v)

r

(v) ,I

(v)'r

(o)'x

tx

(zn) s

2ó6.2.5 DECOMPOSTÇÃO VECTOnTAL DA TNTENSTDADE

DA COR,B,ENTE
M
CASO DE UM CIRCUITO INDUTIVO

Os circuitos indutivos constituem uma boa parte dos muitos receptores que, no seu conjunto, constituem a carga duma rede de distribuicão, daí a nossa referência especial.

A intensidade da corrente sofre, por efeito de indutância, um desfasamento I relativamente à tensão. Na fig. 322 temos um gráfico onde podemos ver esse desfasamento e também como o vector I pode ser decomposto em dois outros seus componentes:
/" designado por componente activa; J designado por componente reactiva.

f, e um vector em fase com ú, e representa a fracção da intensidade da corrente consumida pela parte resistiva do circuito. J e um vector em quadratura e atraso relativamente a Ú. É a componente da intensidade da corrente utilizada pela indutância para criar o seu próprio campo magnético, Fig. 322 * Componentes por essa razão também designada corrente magnetizante, activa e reactiva da corrente.
componente reactiva da corrente exprime-se em ampere reactivo, Ar. A componente activa exprime-se em ampeÍe, A, da mesma forma que a corrente verdadeiramente existente no circuito. À componente activa /" está associada a potência activa, pelo que se pode
escrever

A

327

À componente reactiva /, corresponde a potência reactiva, que pode ser igualmente calculada pela expressão

Da

fig. 332 podemos ainda deduzir as seguintes expressões;

cos(p:+ sene:+

eportanto eportanto

Iu

= Icosg

Podemos também desenhar o triângulo das potências a partir das componentes activa

e reactiva da intensidade, depois de as multiplicarmos pelo valor da tensão (fig. 323).
Triângulo das potências

P:

UI,(w)

= UIR (vAn)

@
Fig.

@

323

-

Construção do triângulo das potências a partir das componentes activa e reactiva da corrente.

PROBTEMAS AESOI.VII)OS

l.Umcircuitoindutivotemasseguintescaracterísticas:R:20{ì,XL:35O.Atensãoé
de 220

V. Calcular:

a) A intensidade da corrente no circuito. b) O factor de potência. c.) As suas componentes acliva e reactiva.

d) As potências activa, reactiva
Resolução:

e aparente.

a) Z

:

VRr +

X;t: Jnr+

3sT:

40,3 0

E:9=ffi:@
b)cose:l
328

@:#:@

c) Iu

:I

cos

I,
d,)

: I sen,p E :
potência activa

s tr : 5,46 x 0,496 :@
5,46

x 0,868

:

F,z4A;l

-

tr : u Ia :
potência reactiva

220

x

2,jt: Fr',

-l

-

tr
-

: u r, :
S

220

x 4,74: Fo4r$ vA;l

potência aparente

E : rr r :
R:

220

x 5,46: For,, vA-l

PROBLEIIAS PANA NESOI.VER
1.. Uma carga indutiva

35

O, XL :

70

O

é alimentada à tensão de 110 V.

Determinar:

a) A intensidade da corrente no circuito. b) O factor de potência e o ângulo de desfasamento.
c,) As componentes activa e reactiva da corrente.

d) As potências em jogo.

R'; a)I:1,4A b)cosç:0,447 ) 9:63,4" c) I^ : 0,63 A i I, : 1,25 AR d)P:69,3W ; Q:137'5VAR ; S: l54VA
2. Uma instalação indutiva 220V, cos rp : 0,65 absorve uma potência de 1100 W.
Calcular:

a) A potência aparente. b) As componentes activa e reactiva da corrente. c,) A intensidade da corrente. d) A impedância do circuito. e) A resistência e a reactância do circuito.

R..'a)S:l692VA b)I,:5A i I,:5,854R c) I:7,7 A d) z:28,6{2 e)R:18,60 i Xr_:21,7Q
329

3. Um circuito indutivo com factor de potência 0,8 absorve uma potência de 600 W à tensão de 220Y.

a) Calcular a intensidade da corrente. b) Calcular as componentes activa e reactiva. c) Calcular o ângulo de desfasamento. d) Representar vectorialmente a intensidade da corrente e as suuìs componentes
e) Determinar as potências activa, reactiva e aparente.

activa e reactiva.

R..' a) I : 3,4 A b) I^ : 2,72 A , I, : 2,04 AR c)P:+36,9oIND d)P:600W, Q:449VAR , S:748VA

?.6.2.6

FACTOF, DE POTENCIA

O factor de potência identifica o tipo de carga. Esta é maioritariamente indutiva na rede, pelo que a intensidade da correntevirá, nesses casos, em atraso de um ângulo
<p

relativamente à
O

tensão.

:

ângulo

9

é posto igualmente em evidência pelo desfasamento existente entre

a intensidade da corrente e a sua componente activa pelo facto desta estar em fase com a tensão. Se admitirmos como unidade de medida o valor da intensidade da corrente no circuito, o factoÍ de potência, ou seja, o cos g corresponderá à medida da componente activa da corrente (Íig. 324-11. Ouanto maior for o ângulo <p, isto é, quanto mais indutiva for a carga, menor é o Íactor de potência. Por outro lado, se rodarmos o vector f no sentido do aumento do ângulo de fase, a componente reactiva aumentará, como se pode verificar através da fig. 324-2.

Fig.324

-

DeÍinição do factor de potência e sua variação com o tipo de carga do circuito

330

tiva que em 2. Daí o seu factor de potência ser menor, isto é, cos ç1 < cos gz' Em 1 também, a componente reactiva é maior do que em 2. Para uma carga puramente resistiva, o ângulo de desfasamento seria nulo e nula, portanto, a componente reactiva da corrente.

Nela se ilustram duas situações. A situação 1 corresponde a uma carga mais indu-

?ó6.2.? CORB,ECÇÃO DO FACTOR, DE POTENCTA
W
POSICIONAMENTO DO PROBLEMA

Da intensidade absorvida por um receptor, só uma fracção desta, mais propriamente a sua componente activa, é aproveitada de forma útil' Decorre, por conseguinte, da análise da fig. 324-2 que uma dada corrente absorvida será tanto melhor aproveitada quanto maior for a sua componente activa e mais próximo da unidade, portanto, for o Íactor de potência. A parte correspondente à sua componente reactiva circula simplesmente na rede, sem ser transformada' A absorção, por parte dos receptores indutivos, de correntes cujo valor é superior ao necessário para o respectivo funcionamento tem importantes implicações a todos
os níveis do Sistema Eléctrico de Energia, cujos inconvenientes são seguidamente apon-

tados.

IMPLICAÇÕES TÉCNICAS

-

Necessidade de aumentar a potência instalada nas centrais produtoras. Os grupos terão, assim, de ser sobredimensionados para fazerem face a uma carga reactiva adversa.

ECONOMICAS

-

Os custos são proporcionais à potência unitária dos grupos.

IMPLICACÕES TÉCNICAS

-

As linhas terão igualmente de ser sobredimensionadas para que possam veicular a corrente por essa razão excedentária. Maiores quedas de tensão em res as perdas P : Zl2.

linha U : Z I e maio-

Sobredimensionamento de toda a aparelhagem de corte e protecção, como, por exemplo, seccionadores e dis-

juntores. Aumento da potência dos transformadores estáticos nas subestações transformadoras.

331

ECONOMICAS

_

Linhas de maior secção, naturalmente mais caras. O investimento na sua construção não tem, assim, a contrapartida de maior número de utilizadores, o que se traduz numa perda da potencial receita de facturação. Contabilização das perdas por efeito Joule nas linhas. Toda a aparelhagem da rede é de custo mais elevado.

IMPLICACÕES TÉCNICAS

-

Se se trata de um consumidor de média ou alta tensão, ele próprio terá de prever o sobredimensionamento das

linhas e aparelhagem. ECONOMICAS
Naturalmente, o agravamento de custos será suportado

pelo utilizador.

Se o utilizador é de baixa tensão, tipo doméstico, o factor de potência é muito aproximadamente unitário e o distribuidor apenas factura a energia activa consumida. Os custos e inconvenientes derivados da utilização de receptores do tipo indutivo, como lâmpadas fluorescentes e esporadicamente motores, são geralmente suportados pela entidade distribuidora. Se o utilizador é de baixa tensão mas possui instalações com baixo factor de potência, então o distribuidor obriga-lo-á a instalar um contador de energia reactiva, obrigando-o a suportar os custos da sua própria instalação não corrigida. . Para factores de potência cujo valor é igual ou superior a 0,8, o distribuidor não obriga à instalação de contadores de energia reactiva.

w

coMpENsAçÃo Do FAcroR DE porÊNcrA

Pelo que ficou dito ressalta a importância da correcção do Íactor de potência, isto é, a possiblidade de o tornar o mais próximo possível da unidade. z Consegue-se tal correcção fazendo diminuir a componente reactiva da corrente, recorrendo ao efeito conjugado de capacidade no circuito. Como sabemos, a componente reactiva da corrente está em quadratura e atraso de Fig.325 - Carga indutiva antes da correcção. 90o relativamente à tensão. Ver fig. 325. Baixo Íactor de potência. Por seu lado, por efeito de capacidade, podemos introduzir no circuito uma corrente reactiva capacitiva 1", cujo avanço de 90o relativamentea U leva-a aficarem

{IIIIIIT

332

oposição de fase com a componente indutiva, anulando os seus efeitos. É o que se designa por compensação total (fig. 326-2Ì'.

coRRECÇAO
PARCTAI,

lt'

O
Fig. 326

@

-

Carga indutiva após correcção do Íactor de potência.

Nem sempre é possível fazer compensação total, uma vez que, em muitos casos, potência da carga sof re oscilações que Íazem variar o factor de potência. a Na fig. 326-3 podemos observar um processo de compensação parcial do factor de potência. lnicialmente, antes da correcção portanto, o vectoÍ f representa a coÍrente absorvida pelo aparelho. Após correcção, embora no referido aparelho circule a mesma intensidade, o conjunto carga/condensador absorve uma intensidade de corrente /'significativamente inferior. Esta corrente I'será tanto menor quanto maior Íor o factor de potência, igualando a componente activa da corrente quando a compensação é total.

n

GoMPENSAçÃO POR OUEBRA INDUTIVA

O processo normalmente utilizado é a ligação da carga a corrigir, em paralelo com um cond_ensador ou bateria de condensadores estáticos. Este procedimento conduz-nos a um aumento da tensão no terminal da carga, redu-

zindo a corrente de linha.

n

coMpENsAçÃo PoR sÉRtE cAPAclilvA

Uma outra técnica é a ligação em série, com a carga a corrigir, de uma capacidade, o que reduz a reactância daquela sem afectar o valor da corrente.

333

PROBIEMAS BESOTVU)OS 1.
1+

rARTE

-

lNs?ãLAÇÃo NÁo connrcrDA

Consideremos um motor monofásico que, alimentado à tensão de 220 uma potência de 6 kW com cos <p : [,f. Calcular:

v,

50

Hz, consome

a) A intensidade da corrente absorvida pelo motor. b) O ângulo de desfasamento entre a tensão e a corrente. c) As componentes activa e reactiva da corrente.
2S

PARTE

-

CORRECÇÃO PARCIAL DO FACTOR DE POTÊNCIA

Pretende-se melhorar o factor de potência da instalação, elevando-o para 0,9. Qual a capacidade do condensador a ligar em paralelo com a referida instalação? Representar vectorialmente as intensidades antes e após a correcção. Desenhar ainda um esquema de montagem onde se mostre a distribuição das correntes.

3i PARTE

-

CORRECÇÃO TOTAL DO FACTOR DE ?OTÊNCIA

Pretende-se determinar agora o valor da capacidade aligar em paralelo com o motor, de forma a que aquele não consuma potência reactiva. Como anteriormente, fazer a representação vectorial das correntes em jogo antes da carga corrigida e após a compensação total.

Resolução:

Iâ PARTE

b) p c)

:

arcos 0,6

:

53o IND

I:45,5A

I^:

I

cos

<p

tr:

45,5

x 0,6 :

Fru;l
U :22O
M

I.=Isenr E:45,5x0,8:@
2+ PARTE cos (p'

:

0,9

+

ça'

:

25,8o IND

Fig. 327

Calculemos o valor da corrente

I'
p'

absorvida pelo agrupamento nesta situação.

cosrp':9-l': ' l'
334

Iu,
cos

tr:iÊ:@

Determinemos agora a sua componente reactiva I',

r"

: ru tg ç'

tr :
-

27,3

x

0,484

:

F"z

"fl

A corrente capacitiva I" a fornecer pelo condensador a instalar deverá anular a corrente I', reactiva cujo valor é I,

tr
"L

: I, -

I'.

:

36,4

-

l3,z: |z,,

&l

uç:XçIç

ã X":+ E= #:@ r_1 2rfxç tr: t;-rtjs = l'3t F-l 2rfC
30.3

l'

=

A l. : *

23,2 A

U = 220Y

O
Fig. 328

-

1

2 3

-

Distribuição das correntes no circuito parcialmente corrigido. Pormenor da operação vectorial:-lc = ln - l'n óiagmma vectorial das intensidades.

OUTRO PROCESSO: MÉTODO DAS POTÊNCIAS
Calculemos as potências reactivas correspondentes a cada situação.

cos

I : Q,f Q : UI senP Q :

220

x45,5 x 0,8

:

8kVAR

cos(p':0,9 Q'= UI'senrp' Q:220 x 30,3 x0,436 = 2,9kVAn
A variação da potência reactiva foi:

AQ

: Q-a', : 8 -2,9 :

5,1 kVAR

335

O condensador deverá desenvolver uma potência reactiva da mesma grandeza dada pela
expressão:

e=X"1"2

1e:Xc{si,.|

tr:#:@
tr: t#*
3+ PARTE

# - F=+l
F{

= 2,5olx er =

9"=0o,

COS

(p" : I

A condição a satisfazer é

I" :

1*

o

cálculo

de

I* já foi feito na alínea c) da 1." parte do problema, pelo que se dispensa

a sua repetição.

Ic: In :36,4A
Uç =

X"[" =] 2rfXç
I

x": ffi:

aa

(-:-

tr=

2 r50xX.

T: _-- _-l lo = r*- r"l
Ic

:

36'4 o

U-220

o
Fig. 329

o
3
1 - Distribuição das correntes no circuito após correcção total. 2 - Pormenor da operação vectorial.

-

Diagrama vectorial das intensidades. correcção total do factor de potência.

336

2. Uma instalação monofásica
características:

220 Y , 50 Hz é constituída por dois motores com as seguintes

Pr: Pz:
a,)

6000W
12 000 W

cos (Pl

: cos 92 :

0,7 0,6

Determinar:

A intensidade da corrente absorvida por cada motor. b) A intensidade da corrente absorvida pelo conjunto. c) O factor de potência da instalação. d) A capacidade necessária para uma compensação da instalação conjunta
de forma a elevar o factor de potência para 0,95.

dos dois motores

Resolução:

a)Pr: UIrcos pr è

I,:-Il-U, cos g, '

t!: t-l : f'l:
b,

r:_-l

6000 noxoJ : |;;;;l
12 ooo

z2o

x os:
38,9

leo'eA

I

E : Ir * Iz :
Total de potência

+ g0,g: Fr,8 el

c)P:UIcosp

-.ot,f

:fr
6000

activa P : Pr + P2 :

+

12 000

:

18 000 W

@:@
I d)
cos
COS

arcos 0,63

:

5lo

çi :
(P'i

0,63 0,95

Q

:

P ts ei

:

18 000

x

1,2327

: :

22 188,6 VAR
5916,6 VAR

:
tr

Q' : P tg p'i:

18 000

x

0,3287

AQ:Q_Q' X^:

= 22188,6 -

5916,6

:

16272VAR.
t:

'a

-c
I

2

'

2202 16 272

- t()7í)

x": r*c
22-EL

/1..? " Ì-,' ,' it ït \ -'"
)

2r50x2,97

337

PROBTEMAS PARA RESOTVER
1. Uma instalação monofásica consome uma potência de 7 kW com factor de potência 0,66. A tensão de alimentação é 220 V, 50 Hz. Prete-nde-se elevar para 0,85 o factor de potência.
Calcular:

a) A intensidade da corrente absorvida pela instalação antes e após a compensação, respectivamente I e I'. b.) A capacidade do condensador a ligar em paralelo com a instalação. c) As potências aparente, activa e reactiva em ambos os casos e em cada um deles desenhar
o triângulo de potências.

R.:

I : 48,24, I' : 37,44 b)c:238,9pF c) S-: 10,6kVA, P : 7 kV/, Q : 7,97 kVAr S' : 8,24 k-VA , P' : 7 kW , Q' : 4,34 kVAn
a)

2. IJma instalação monofásica 220 V, 50 H, não corrigida consome uma potência reactiva Q : 12,6 kVAR, sendo a intensidade da corrente I : 84 A. Ligando em paralelo com a referida instalação um condensador C : 540 pF , conseguiu-se diminuir à intensidade da corrente no circuito de alimentação, que passou para Calcular:

I:

64,5 A.

a) A potência reactiva devida ao condensador. b) O factor de potência que caracteriza a instalação nas duas situações referidas. c) As potências aparentes num e noutro caso.

R..' a) Q -: 8,2 kVAR b) cos I : 0,73 , cos (P' : 0,95 c) S:18,5kVA , S'- l4,2kVA
3. Uma instalação monofásica
é constituídãpor uma carga resistiva de 36

O odois motores

com as seguintes características:

Motorr P:6CV Motor, P:4CV

cosp:Q,J ?:0,85 cos<p_:0,8 \:0,9

A tensão de alimentação é 220 V, 50 Hz. Calcular: a/ A potência activa absorvida por cada uma das cargas. b) As potências reactivas em-cada motor. c) O factor de potência da instalação. d) A intensidade da corrente absorvida. e) A potência aparente.

R.;

a) Pt:5188 W , Pz: 3266W b) Qr = 5293 VAR , Qz : 2450 VAR

c)cosç-0'737
d)
e)

r:

s2A

S: 1l,4kVA

338
i
.l

&,w.w peK&ewÇK-&x exr*-K.x$x QãseK-Kw,&.wxw"&
Em c.a. a potência é uma Íunção sinusoidal do tempo, surgindo matematicamente como resultado do produto de duas outras funções sinusoidais: a tensão e a intensidade da corrente. O seu valor varia com o instante considerado e é justamente com base nos valores instantâneos de u e Í que será feita a análise funcional desta grandeza. Podemos então escrever a equação

em que as variáveis instantâneas u e í têm as seguintes expressões gerais:

u:
sendo
<p

UMá, sen ot

e

i :

Iva* sen

(ot f

rp)

o desfasamento eventualmente existente entra ambas.

Analisaremos sucessivamente as situações típicas de carga óhmica, indutância pura

e capacidade pura. Finalmente, a situação mais comum na rede, que é a existência de cargas predominantemente indutivas, tipo R, L, portanto.

26.õ.

1

R,ECEPTOR,ES OHMÏCOS
+
I

Representamos qualquer destes receptores por uma resistência r?, como na fig. 330. Ao ser aplicada uma tensão u aos seus terminais, sur.girá em fase com ela uma corrente /. Nesta situação as equações reais para U e / são assim escritas:

Fig. 330

u

: i:

u*a* sen ot
Irr,ra.

sen

cot

em que I :-Oo, isto e-naoFOéG: fasamento entre ambas. Na fig. 331 podemos ver como tensão g qorrente evoluem em con-

cordância de fase ao longo de um período. lsto é posto em evidência pela simultaneidade com que ambas se anulam e atingem__o1-valores máximo e mínimo. No primeiro semiperíodo, U e I são positivas. No segundo semiperõãõ, Ú e / são negativas. Fig. 331 - Evolução conjunta das funções corrente, tensão e potência
num circuito puramente resistivo.

+ +

+ +

+

A potência é, portanto, sempre positiva, qualquer que seja o instante considerado e o seu gráfìco desenvolve-se sempre acima do eixo dos tempos. O sinal sempre positivo da potência associada a qualquer receptor óhmico significa que ele recebe continuamente energia da rede, isto é, energia que é consumida e efectivamente transformada, Daí a sua habitual designação de potência activa. É esta grandeza que podemos ler em qualquer wattímetro. Exprime-se em watt, como sabemos. Os contadores de energia activa darão, por conseguinte, a energia consumida durante um certo tempo em kWh (kilowatt hora). Da análise da fig. 331 concluímos ainda que:

A área delimitada pela sua curva (fig. 332) representa a energia consumida pela resistência durante o tempo

f. Esta área é equivalente à de um rectângulo cuja altura é a potência média,
isto

é

Pva"

-r:-,

e comprimento equivaFig. 332 - Energia consumida por um receptor óhmico ao longo de um período.

lente ao percurso angular decorrido um período de tensão ou de corrente,

fl-l: l: P*r : Urr^Irr* - JI xtJxJlxl lrmea , , ,
Este desenvolvimento demonstra que
:f1â,

-f-t;.Il -l ""'|

?'6.3.2 INDUTANCIA PUR,A
Na fig. 333 representa-se uma bobina de indutância L, à qual é aplicada uma tensão alternada sinusoidal.
I

Nestas condições a bobina será percorrida por uma corrente / em quadratura e atraso relativamente à tensão U.

Os valores instantâneos de U e
equações:

/

são dados pelas
Fis. 333

u: 340

Uue, sen

cot

i - Irr" sen (r,rt -

90')

Na fig. 334 encontram-se desenhadas as curvas que lhes vem associada. Como no caso anterior:

de u e i

e ainda da potência

No primeiro e terceiro quartos de período U e / têm sinais contrários, pelo que nesses quadrantes a potência será negativa, o que significa estar a ser fornecida energida à rede. No segundo e quarto quadrantes, U e /têm o mesmo sinal e a potência toma sinal positivo, o que significa, como sabemos, que nestes intervalos.

a bobina recebe energia na

mesma

quantidade que havia anteriormente enviado para rede. Vemos, assim, que há uma oscilação contínua de energia, ora da rede em direcção à carga, ora desta para
aquela.

+

+

+

+

Essa energia nunca chega a ser transformada e, portanto, a potência média que lhe está associada é nula. lsto é posto em evidência pela igualdade e simetria das áreas delimitadas pela função potência, cuja soma algé-

I+
t'
Fig. 334
tensão
2o

l-l+
3o 40

e potência num circuito puramente

-

Evolução conjunta das funções corrente, indutivo.

brica relativa a um período é nula. Podemos então afirmar que
.ìl*l::lìììììlììììììlìrl{ry!â F.U,ït& ì\ltii:l|,tutàt:,trt:ü

Porém, essa energia que circula alternadamente entre a rede e a carga, embora não seja consumida, tem um determinado valor e é designada por ENERGIA REACTIVA, designando-se igualmente por reactiva a potência que lhe vem associada. Nota-se pela letra O e a sua unidade no S.l. é o VOLT-AMPERE REACTIVO (VAR) e pode ser
medida pelos VARíMETROS e a energia correspondente pelos CONTADORES DE ENERGIA REACTIVA, medida em VARh. Essa energia corresponde ao campo magnético criado na indutância pela passa-

gem da corrente.
Como podemos concluir da fig. 334, a bobina começa por fornecer energia à rede. Podemos também afirmar:
ììììÉ::rrr,rr,,-. ..,,,,,,,

: -. ii

............... :;i::.:,:ll:lllll:::::::::t:i.;l

?1,::1,1ì::rr,,,."ì'ì?ÍLffrà

',.,,,.

&':::

341

26.3.3 CAPACIDADE

PUR,A

Na fig. 335 representa-se um condensador C entre cujos terminais está aplicada uma tensão alternada sinu-

soidal U. Como sabemos, a corrente / está em avanço de 90o, conforme nos mostram as equações:
U

: Uu* SOÍl cot i : Ir,rá" sen (cot + 90o)

Fig. 335

Na fig. 336, u e i estão representadas graficamente juntamente com a curva da potência. Nos 1.o e 3.o quadrantes a potência positiva, e negatíva nos 2.o e 49 é

quadrantes.

A situação é oposta à verificada anteriormente, pois o condensador começa por consumir energia da rede {potência positiva) para na oscilação seguinte voltar a fornecê-la na mesma
quantidade.
Pela igualdade e simetria das áreas positivas e negativas delimitadas pela curva e seguindo um raciocínio idêntico ao já utilizado nos dois pontos anteriores, podemos tirar as seguintes conclu-

+ +

+ +

sões:

+
20

+
3o 4o

&:Fel,êfiqài M
ÌÈìÈâò,,,i
è..liid,ài

lìÈì

'.:

.,::,2 Fig. 336 - Evolução da corrente, tensão e
num circuito capacitivo puro.

potência

:':

iiÌtÈàÈ-àci*ìàà,','Èüiã*.ò....l.òoçsòmb....ãê'ï,]g

|...àiìà]r,,,,,,,],,,]],:],lâ:n

o

I

Contrariamente à bobina, um condensador comeca por receber energia da rede.
,.;':911,;,.:::,::'11.13,

,,,,:AOrt{áúsaà;t 6',,f1 :tléóôìitffi.dÈÍtd6ròÈìàlià..'lrâàÈii

:..:::A..::::.,.?::::.,8:::::::::::::::::.,.

...

Também ao condensador está associada uma energia oscilante que não é transÍormada. A potência associada designa-se por POTÊNCIA REACTIVA. Esta tem por unidade o VOLT-AMPERE REACTIVO (VAR) e é medida pelos VARíMETROS, como sabemos. Para medir a energia reactiva utilizam-se CONTADORES DE ENERGIA REACTIVA, cuja ìndicação é dada em VARh (VOLT-AMPERE REACTIVO HORA).

342

,i

26.3.4

CAF,GA PN,EDOMINANTEMENTE INDUTIVA tipo B, L
como

Consideremos agora uma carga
na fig. 337.

Ouando aplicamos uma tensão U nos seus terminais, a corrente / resultante vai, naturalmente, estar em atraso, sendo o ângulo de desfasamento função dos valores

deReL.
A fig. 338, que tipicamente ilustra esta situação, refere-se em particular à evolução da potência numa bobina onde tensão e corrente estão desfasadas de

Fig. 337

4 a' J

radianos, ou seja, 60o.
UMáx sen

u:

(,t

i:

Ira* sen (.ot

-

AJ
J

Da análise da f unção potência vemos que as áreas positivas por
ela delimitadas são superiores às negativas.
A sua diferença corresponde à ener-

gia efectivamente consumida durante um período, isto é, à energia activa.
Também há a assinalar uma energia

reactiva que corresponde às áreas que se compensam, Esta energia circula na rede, como sabemos, sem ser transformada.

lauApRAlrrnl
Fig.

H w ffi
e potên

cia num circuito predominantemente indutivo.

338 - Evolução típica da corrente, tensão

343

A utilização dos sistemas trifásicos em toda a cadeia de energia tem um carácter praticamente exclusivo. Somente a nível da utilização vamos encontrar um significativo e variado número de aparelhos, assim como instalações de pequena potência alimentadas com tensões monofásicas.

TR.ï3'ÁSrtOS
l
x
Para a mesma potência a fornecer, um alternador trifásico tem menor volume e preço que a correspondente unidade monofásica e maior fiabilidade de serviço.

As redes de transporte e de distribuição resultam mais simples e económicas. Utilizam três condutores de fase e, eventualmente, um quarto condutor neutro, dispensando seis condutores que requer uma rede monofásica equilavente. À economia do cobre e menores perdas em linha aliam-se os menores custos e maior simplicidade de concepção e implantação das estruturas de apoio das
linhas.

tl

A simplicidade de construção, menores custos e grande fiabilidade de funcionamento dos transformadores trifásicos e ainda dos motores assíncronos de campo girante, de emprego generalizado e que não têm equivalente em monofásico, justificam só por si a existência de sistemas trifásicos.

K

CONSTTTUTçÃO

Um alternador trifásico, como se representa na fig, 339, é constituído fundamen-

talmente por três partes, a que correspondem três circuitos distintos:

T N N

INDUTOR INDUZIDO EXCITATRIZ

345

2
3

4 5 6 7

I - rotor

anéis colectores da excitatriz

escovas expansòes polares e bobinas

do indutor

- carcaça (estator) entreferro - bobinas do induzido 8, 8' - terminais de fase 9,9' terminais de fase - terminais de fase 10. 10' -

< Fig. 339 - Esquema geral de um alternador trifásico tetrapolar.

t]

O INDUTOR

Na versão em análise, a mais comum, o indutor situa-se na parte rotativa da máquina, isto é, o rotor. É formado por um cilindro em aço, em cuja periferia se encontram quatro pólos indutores. O número de pólos pode diferir, contudo ele é determinante na velocidade da máquina e, consequentemente, na frequência das tensões ou correntes produzidas. Existem sempre em número par e são alternadamente norte e sul. Para o efeito dispõe-se de bobinas indutoras ligadas em série e nas quais o sentido do enrolamento é alternadamente modificado. Estas bobinas constituem o circuito do indutor e são alimentadas em corrente contínua por um dínamo designado por EXCITATRIZ.

N

O INDUZIDO

No estator encontram-se as bobinas do induzido, cujo número é triplo do número pólos existente. No alternador tetrapolar são doze bobinas, como se mostra na de fig.339, igualmente espaçadas e repartindo-se por três circuitos, dado tratar-se de um alternador trifásico. Também o sentido do enrolamento das bobinas do induzido pertencentes ao mesmo

circuito deve ser alternado, de forma a que o efeito de um pólo norte sobre cada bobina seja análogo ao efeito do pólo sul sobre a bobina seguinte.

346

Os circuitos do induzido são introduzidos em ranhuras próprias na carcaça da máquina, normalmente constituída por chapas em Íerrossilício com as quais se obtêm elevados valores de permeabilidade e reduzidas perdas no ferro'

T

A EXCITATRIZ
EXCITATRIZ

1

2 3 4 5 6 7

-

veio comum

corente de excitação
anéis colectores

rotor
pólos indutores bobina do induzido terminais de fase

Fig.

340

conjunto alternador-excitatriz. >

-

Corte longitudinal do

A excitatriz destina-se a alimentar em c.c. o circuito do indutor e é normalmente acoplada ao alternador, cujo veio acciona o seu próprio induzido (fig.34O). A corrente é comunicada ao circuito indutor do alternador através de um sistema de escovas e dois anéis colectores, rodando estes solidariamente com o eixo comum de ambas as máquinas.

ffi

FUNCIONAMENTO

A passagem de um pólo em frente de uma bobina tem como consequência o aparecimento de uma f .e.m. induzida. Como as bobinas pertencentes ao mesmo circuÌto de fase estão ligadas em série, a f .e.m. resultante será a soma das f .e.m. obtidas em cada uma delas. Dispomos, assim, de um sistema trifásico de tensões que evoluem sinusoidalmente com o tempo e cujo período corresponde ao tempo que demora o rotor a percorrer meia circunferência ao fim do qual a situação se repete. Como o espaçamentc de duas bobinas pertencentes a circuitos distintos é de 1/3 do espaçamento correspondente a um peÍíodo, meia volta portanto, então as f .e.m. e naturalmente as correntes aparecerão desfasadas de 1/3 de período, ou seja, de 120o'

KW.W WKKKR\ïKW&ffi Wffi
WKKK&-SXffi€3

Xr&&ffi

ffiXffiKWKe

27.3.L F,EPF,ESENTAÇÕES CAR,TESIANA E VECTOF,IAL
j

***_---s
vectorial (2) de um sistema triÍásico de tensões. Notar que estão desfasadas entre si de 12Oo, ou seja, 1/3 de período.
Fig.
e

341 - Representação cartesiana ('l)

Na fig. 341-1 podemos ver em representação cartesiana a evolução das tensões de um sistema trifásico a partir dos respectivos valores instantâneos. Pode ainda fazer-se uma Íepresentação vectorial do mesmo sistema (fig. 341 -2) , se atendermos a que um desfasamento no tempo de 1/3 de período equivale a uma diferença angular de 12Oo entre os vectores representativos das tensões. Supõe-se todo o sistema rodando a uma velocidade angular <,r no sentido indicado, que arbitramos como positivo. Úr, Úr, Ü, constituem, assim, um conjunto de três vectores girantes cuja grandeza mede em valor eÍicaz as referidas tensões.

2?.3.2 SEQUÊNCrA DE FASES
Da análise da fig. 341-1 vemos que U, está em avanço relativamente a tJ, . De facto, se escolhermos, por exemplo, a origem dos tempos como referência, verificamos que U, tem já um certo valor positivo numa fase decrescente da sua alternância, enquanto que U, é nulo e só agora irá iniciar a alternância positiva por valores sucessivamente crescentes. Verificamos igualmente que U, está em atraso relativamente a IJ1. lsto significa que se admitirmos todo o sistema rodando no sentido indicado na fig.341-2 etomarmos como referência a posição ocupada a dado momento por um desses vectores, por exemplo Ú,, veremos que esta será sucessivamente ocupada pelos vectores Ú, e IJ-, . A sequência de fases indicada é 1, 2, 3 e chama-se SEOUÊNCIA DE FASES POSITIVA. Portanto,

LIGAÇAO DE CAN,GAS TN,IFASICAS

Existem duas formas típicas de associação, as chamadas:

tr I
mm.

Ligação em ESTRELA. Ligação em TRIÂNGULO ou DELTA.

K

Cii KKe;eçg ÕÕg ã Ë

Ë1: #êË-è

lg-!E ffMÕ+&=lwlw&tt;!rÃ'P' Ë{

Ë1:

t,

dE

Vamos ver seguidamente como podemos simplificar a alimentação de três cargas monofásicas independentes (fig. 342) reduztndo ao número de condutores e ligando-as em estrela (fig. 343).

independente de 3 cargas monofásicas idênticas aos enrolamentos

Fig, 342 -

Ligacão

dum alternador trifásico (fonte), Íormando uma pseudo-estrela.
Nos 3 condutores centrais a soma algébrica

-*Ir = 5,66 A
13

:

5,66

A

das correntes é nula.

) :
11,32

A

Fig. 343 -

Ligação

em estrela de 3 cargas monofásicas utilizando

um único condutor
comum central (condutor neutro). Neste condutor não circula corrente, /N : o. Poderia mesmo suprimir-se.

z=5'664

As três cargas representadas caracterizam-se pelo mesmo valor de impedância, isto é, Zr : Zz : Zs. As respectivas extremidades estão ligadas aos terminais de
cada um dos enrolamentos do alternador e são referenciadas pelas letras UX, VY, WZ. Nos condutores de alimentação estabelecem-se assim três correntes com o mesmo

valor eficaz mas desfasadas de 'l2Oo . Os valores instantâneos dessas correntes diferem, contudo, em cada momento e em cada uma das fases, mas verifica-se que nos três condutores centrais, independentemente do instante considerado, a sua soma algébrica é sempre nula. Daqui concluímos que os três condutores centrais poderão ser substituídos por apenas um único, sem que haja alteração das condições de funcionamento. Designa-se por CONDUTOR NEUTRO e poderíamos inclusive retirá-lo do circuito sem alteração ou prejuízo das condições de funcionamento. E só não o fazemos por uma medida preventiva, salvaguardando assim a hipótese das três cargas poderem sofrer qualquer
alteração.

Estas ligações configuram uma estrela, tanto na fonte como na carga. O ponto comum, em ambos os casos, designa-se por PONTO NEUTRO. Os valores de lr, Ir, /, considerados na Íig.342 correspondem a uma corrente eficaz de 8 A por fase e relativos ao momento em que <ot : 9Oo

Ir :
Iz

I*u* sen

cot

:

Irnr,i*

sen (ot

+

120")

I: :

Iua" sen (c,rt

120")

f : tt," 9oo : FÃl fl: t,tzsen (- 3o') : fN6 "-j : Fl"adl f : rr,:z
sen sen 21oo

Neste, como em qualquer outro instante, a soma algébrica das correntes é zero: Io

: Ir + 12 + It :

17,32

-

5,66

-

5,66

: 0A

em que /o representa a corrente no neutro. A Íig. 344 mostra este sistema de correntes em representação cartesiana, onde, para cada instante, a soma das ordenadas correspondentes à intersecção da vertical com as respectivas sinusóides é sempre igual a zero. I(

a

Os vectores têm todos mesma grandeza, isto é,

tirt:tf2t:tf3t

que a uma determinada escala medem o valor eÍicaz da corrente.

Fig.344 *

Em cada instante, a soma algébrica das correntes é zero. Êxemplo: instantes t' e t".

350

e8. r.

I

STSTEMAS EQUTLTBF,ADOS

Fig.

345

-

Representação vectorial de correntes e tensões num sistema de cargas equilibradas em triângulo.

,;,:@\,f!@.,,todasàÈ,]òàgÈÈ,têm,ro:mèSú9,,]úâ!òf )

tema diz-se equilibrado e as coÍÍent€s em
Foi o caso em apreço no ponto anterior.

Se as cargas são resistivas puras, então os vectores das tensões e das correntes

são concordantes (f ig. 345- 1 ). Se as cargas são indutivas, os vectores representativas das correntes fazem um ângulo d com os vectores representativos das tensões em cada uma das fases (fig. 3a5-2) . Em tal situação, o ângulo de desfasamento é marcado no sentido contrário ao da sequência de Íases do sistema.

ffi

TENSÕES SIMPLES E COMPOSTA

T

TENSÃO SIMPLES

tro (fig. 346), cujas linhas de alimentação

Consideremos um sistema trifásico com neusão constituídas por três condutores de fase e pelo condutor neutro, referenciados, respectivamente,

porR,S,TeN.
Consideremos ainda os pontos 1,2,3 e 0 correspondentes aos terminais de ligação.
Fig. 346
de Íase.

-

Tensões simples ou tensões

351

Considera-se este condutor ao potencial zero relativamente ao qual se referem as tensões de todos os restantes condutores. Assim, Uroou, mais simplesmente, U, representa a tensão existente entre os pontos 1 e 0, ou seja, entre as fases B e S.

Uro:Ur-Uo:Ur
Num sistema trifásico com neutro temos, portanto, três tensões simples, que designamos por

U,UreUs.
Como sabemos, são iguais em grandeza e vec-

torialmente formam uma estrela trifásica de tensões (fig. 347). Devemos assinalar uma particularidade neste diagrama vectorial. Cada uma das tensões aparece com sentido oposto ao habitual. Não há com isso qualquer alteração do sistema, que se mantém com as mesmas características: a mesma
grandeza e o mesmo desÍasamento entre tensões. Fig. 347 - Estrela trifásica de tensões.

T

TENSÃO COMPOSTA

Na fig. 348 assinalamos as reÍeridas tensões com simbologia já nossa conhecida, isto é:

Urz:Ur-

u2

úrr: úr_ ú,

U:t: U:-Ur
que representam, respèctivamente, as tensões Fig. 348 - Tensões compostas, entre as fases B e S, S e T, T e R. Estas expressões possibilitam-nos desenhar os vectores representativos das tensões compostas de um sistema trifásico a partir das respectivas tensões simples. Mais ainda, determinar a relação existente entre as respectivas grandezas. É o que está feito na fig. 349.

352

Vejamos, por exemplo, como foi construído o vector úrr. Da sua expressão concluímos que ele resulta da soma de lJ, com o simétrico de Úr, operação que se particulariza na fig. 349-1e em cuja composição foi aplicada a REGRA DO POLÍGONO
DE FORÇAS.

Fig. 349

os vectores representativos das tensões simples e composta. Em 1, pormenor da operação vectorial.

-

Relação entre

x

RELAçÃO DE GRANDEZA ENTRE AS TENSÕES SlnnplEs E COMposTA Do respectivo diagrama vectorial busquemos a relação entre a tensão composta

e a tensão simples: os três vectores formam um triângulo isósceles, cujo ângulo obtuso

corresponde ao desfasamento existente entre Ú, e IJr, isto é, 12O" . Os restantes dois ângulos valem 30" cada um. O semicomprimento do vector lJ-r, pode ser determinado resolvendo a seguinte

equação trigonométrica

:

2l
e portanto
então Sendo
e

ll

-lt-r U,, |

rtt | U, lcos30o
= 2 U, cos 30o

isto é,
como

lu,,: U,
cos 30o

cos 30o

Urz

:V'

2

lJr,

:

..ll IJ,

Ur:Uz:U::Us Un : Uzz: U:t :

Uc

temos que

uc:

r6us

onde U" representa a tensão simples e l)" a tensão composta. Ouando nos sistemas trifásicos se indica um determinado valor da tensão sem qualquer adjectivação, deve subentender-se que ele se refere a uma tensão composta. Por

exemplo, se dissermos que uma determinada linha de MT é de 15 kV, devemos entendê-la como a tensão composta, Outras vezes aparecem-nos duas tensões escritas seguidamente apenas com um traço oblíquo a separá-las. por exemplo, uma rede 22Ol38O V. A primeira designa então a tensão simples e a segunda a tensão composta.
23-EL

353

28.1.2

STSTEMAS TRTFASTCOS DESEQUTLTBRADOS

Nesta situação, o papel desempenhado pelo condutor NEUTRO é fundamental,

como veremos.
lremos então estudar o funcionamento de uma carga trifásica desequilibrada ligada em estrela com neutro, e seguidamente sem neutro, e avaliar ds resultados.

K

ESTRELA COM NEUTRO

Fig.350

-

Determinaçãovectorial dacorrentenocondutorneutroemsistemastrifásicosdesequilibrados.

Pode acontecer que todos os elementos da estrela sejam puramente resistivos. Neste caso, como as resistências por fase diferem, os vectores representativos das intensidades diferem igualmente em grandeza mas continuam coincidentes com os

respectivos vectores de tensão. Se numa situação mais diversificada considerarmos que essas cargas são reactivas e, por hipótese, não iguais, então em cada fase surgirá um determinado ângulo de desfasamento entre a tensão e a corrente. Circulará assim uma corrente no neutro T, correspondente à resultante da soma vectorial das correntes nas três fases. Concluímos que:
Num sistema em estrela desequilibrààa circula.sempÍe uma corÍente no neutro.

354

T

DETERMINACÃO DA INTENSIDADE DA CORRENTE NO NEUTRO

Prpblema
I_

ã

PROCESSO GRAFICO

Seja um conjunto de três receptores óhmicos ligados em estrela com neutro a uma tensão de220 volt. Têm os seguintes valores de resistência: Rr : 27,5A, Rz : 44 çr, R3 : 55 0. Determinar a intensidade da corrente no condutor neutro. CáIculos preliminares

:+:#=8A r,:+:#:5A r,:+:+:4A
r'
Desenhemos os vectores

ï, ,

Ìr, Ì, .

Fig. 351

Escolhamos uma escala adequada. Na fig.

rial das referidas intensidades. A

essa escala

351, I cm - 3,2 A. I* resulta da soma vectoI* : 3,6 A.

II _

PROCESSO ANALíTICO

É um processo de precisão, portanto com vantagem relativamente ao método gráfico que acabámos de expor, e faz-se em três etapas, resultando num simples problema de resolução de
triângulos.

Lo

Calculo do vector resultante da soma

de ï, com Ír,
expressão:

que designamos

por í*,

(fig. 352).

A grandeza deste vector é dada pela

I*, : @

ver No?14 MATEMÁTICA dapág.317.

d representa o ângulo formado pelos vectores f, e Ir.
Assim, temos:

355

2.o Determinação do ângulo y formado pela resultante

I*,

com o vector Ir.

Calculemos primeiramente B, isto é, o ângulo formado pelos vectores

Iì, e L.

0

: z (Iu, Iz) l:120o+0
2

NOTA MATEMATICA

I,' : I*r' + I22 Logo:

I*, I,

cos B

82:72+52-2xix5x cosB: : 'y :
0
81,8" o2 12
<2

cos0

:

+0,143
Fig. 352

l20o

+ (1200 +

81,8o)

:

158,2"

3.o Determinação da resultante

I^

da soma dos vectores

I, e I^,

:Vr3:3,6A
?rcblema
ã

Consideremos agora dois receptores indutivos e um óhmico ligados em estrela, como se mostra na fig. 353. A tensão por fase é de 220 V. Determinar a intensidade da corrente no condutor neutro.

Fig. 353

CáIcuIos preliminares:

u r.: 21 _

220 :6,5A
34 -1's A

-u220 : : tr: i; 4r-

,,:*: z1
< Fig. 354

??9:r,3A 169

356

ao vector
liticamente.

A partir da composição dos vectores Ï*, cuja grandezu I T^

I,, ír, Ír, como se mostra na fig. 354, chegaríamos t- 3 A poderia igualmente ser determinada anaI

ffi ESTRELA SEM NEUTRO
A supressão do condutor neutro num sistema desequilibrado origina um desequilíbrio das tensões simples
sujeitando os diversos receptores a suportar nuns casos sobretensões noutros tensões inferiores ao respectivo valor nominal.

Como se pode ver pela fig. 355,

No ponto comum às três fases, a soma vectorial das

correntes é zero, o que está em conformidade com LEI DOS NOS DE KIRCHHOFF.

a

Reajustamento das tenFig. 355 sões simples num sistema trifásico em estrela desequilibrada sem condutoÍ neutro. Notar que as tensões compostas não sofrem perturbação.

-

O cálculo das tensões e correntes obedece, neste caso, a um cálculo laborioso ao qual não se fará referência. Vejamos, contudo, um problema de fácil análise que nos permite comparar as condições de funcionamento num sistema em estrela antes e após a supressão do condutor neutro.

Frmblema

: 140, Rz : 25A, R: : 320, numa montagem como nos mostra a fig. 356. A tensão por fase é 220 V. Calculemos o valor da intensidade da corrente em cada ramo da estrela.
Rr
0 [1

Temos três receptores óhmicos cujas resistências são:

U
R1

220

t4
220
25

15,7

^
Fig.

2 J

r2

U
R2

8,8 6,9

A A
quilibrada em estrela com neutro.

I3

U
R.

220
32

356 - Situação inicial: carga dese-

357

Retiremos agora o condutor neutro. Retiremos ainda do circuito a carga Rr, criando situação particular de desequilíbrio (fig. 357). Nesta situação, o conjunto das duas cargas ficará submetido a uma tensão VJ vezes maior, isto é, à tensão composta 380 V, e será atravessado por uma corrente que iremos calcular:

I: = u"= : ,,380.= :9.74A - R,+R, 14+25
Nos terminais de cada,uma das cargas teremos então os seguintes valores de tensão:

: Uz :
U1

: RzI :
R1I

x 9,74 : 25 x 9,74 :
14

136,4V
243,5 Y

Fig. 357 - Situação particular de desequilíbrio. Corte de alimentação
na fase 3.

Como vemos, U, é uma sobretensão que a manter-Se danificará por certo um receptor cuja tensão nominal é de 220 y. Por outro lado, U, é uma tensão inferior à nominal que fará diminuir o rendimento do aparelho ou mesmo ser insuficiente para ele funcionar. Na fig. 358, o problema está exposto em termos vectoriais.
Numa instalação de utilizaçáo trifásica, todos os receptores monofásicos são ligados em paralelo entre fase e neutro.
Para o quadro de distribuição, aquelas cargas no seu conjunto representam uma ligação estrela com neutro (fig. 359).

U, U,

subtensão sobretensão

Fig.

358 - lnterpretação vectorial.

Compreende-se, assim, por que motivo na execução duma instalação trifásica se devem repartir as diferentes cargas de forma equilibrada pelas três fases e os inconvenientes que resultariam se o condutor neutro fosse retirado ou cortado antecipadamente às fases.

QUADRO DE DISTRIBUIÇÃO

Disjuntores de plotecção de linha

interruptor
de corte geral

< Fig. 359 Distribuição das cargas

em estrela
de distribuição

equilibrada
numa instalação de utilização a par-

tir do quadÍo
geral.

358

!-

PROBLETIAS PARA RESOTVEN 1. Determine, usando o método gráfico, o valor da corrente no condutor neutro num sistema trifásico emestrelacujascargas sãoR, : 30 o, Rz : 50 o, R: : 75 o' Atensão simples
de alimentação é 220 Y.

2. Considere três cargas ligadas em estrela com neutro Rr : 55 0; Zz:30Q, Ços <p2:0,8 IND; Zt: 30 0, cos <p, : 0,7 IND. A tensão de rede é220/380Y'
Determinar:

a) A intensidade da corrente em cada

fase.

b) As potências activa, reactiva e aparente consumidas por cada uma das cargas e no conjunto pelo sistema.
c.) O factor de potência médio da instalação.

d) A intensidade da corrente no condutor neutro.

R'.' a) Ir:

4

A,

12

- I: :

7,33

A
FASE
3

FASE 2 b) FASE 1 Pr : 880W Pz : 1290,1W Qr : 0 VAn Qz : 967,6 VAt Sz : 1612,6 VA S : 880 VA

Pr : 1128,8W P : 3298'9W Q: : 115l,6 VAn Q : 2ll9'2 VAn S : 3920'9 VA S: : 1612,6 VA

c) cos g^: d) I*:3,36

0,84

i

3. Após retirarmos uma das

cargas duma ligação em estrela com neutro, ficamos com duas cargas óhmicas cujas potências são Pr : 5000 W e P, : 2000 W' Sabendo que a tensão de alimentação é 220/380 V, pretende-se saber:

a) A intensidade da corrente por fase e no condutor neutro. b) Realizar um diagrama vectorial das correntes. c.) A resistência de cada uma das cargas.
Retirando agora o condutor de neutro, determinar:

d) A intensidade da corrente que circula nos dois receptores. e) d.d.p. nos terminais de cada receptor. f) ^ Realizar um diagrama vectorial das tensões. R.; a) \ : 22,'7 A,

lz: 9,1A,

IN

: 2lA

c)Rr:9,79 , Rz=24,2Q d)I:ll,2A e) Yr : 108,6V, Yz : 271,4Y

4. Numa rede de distribuição a quatro fios a tensão entre dois quaisquer condutores de fase é de 190 V. Qual será a tensão existente entre cada condutor de fase e o condutor neutro?

R..'

Us

:

110 V

359

i

ffiffi.ffi

exffieff&* mw ww-mÃwffixtr&#

Fig. 360

-

Duas perspectivas duma mesma ligação em triângulo.

Numa ligação em triângulo, as três cargas ligam-se sequencialmente configurando uma malha fechada triangular (fig. 36O), sendo cada ponto comum ligado a uma fase. Podemos verificar que: Não existe um condutor neutro por não haver ponto comum às três fases.

::.::::::a''..::::::)t::. .....:,:7,

28.2.T

COR,R,ENTES

NA LINHA E NA FASE
como a própria

As correntes de linha

lL,

designação indica, são as correntes que circulam nos condutores de alimentação e que na figura foram notadas por 1,, l, e lr. Chama-se correntes de fase í, às correntes que circulam nos ramos do triângulo. São as cor-

rentes lt2, ln e I, da fig. 361. Todas têm o mesmo sentido de circulação (arbitrado).
3

I3

Fig. 361

360

?-8.2.2 TRrÂNGULO EQUTLTBnADO
Um sistema trifásico diz-se em triângulo equilibrado quando todas as cargas do triângulo são idênticas e portanto têm a mesma impedância. Nesta situação as correntes nas linhas:-19loqe,:.iSyai* isto é, 'q; -"?-r-3t assim como as coÍrentes nas fases, ou seja $*ÌWãíK, quatqúéí óâóo dã; "r fasadas 120o entre si.

Fig. 362

-

Representação vectorial das tensões compostas, correntes de linha e de Íase.

Na fig. 362 temos um diagrama vectorial que relaciona as correntes e tensões em jogo num triângulo constituído por três cargas óhmicas de igual valor. Como podemos ver, as correntes ür, ïr, e /], encontram-se em fase com as respectivas tensões.

Para representarmos no mesmo gráfico as correntes nas linhas

necessitamos de aplicar as leis de Kirchhoff para cada um dos nós, assim:

ü, l, e

f,

It:

Irr-

11

Í,: lrr- 1,, Ì,: lrr_ Í,,
Estas operações vectoriais, como se
pode ver, estão feitas na fig. 362. Na fig. 363 mostra-se isoladamente a construção do vector ír, a partir das correntes de fase respectivas.

Fig. 363 Pormenorda operação vectorial de construção do vector da corÍente de linha 72 a parïir dos vectores representativos das correntes de fase ir2 e irr. >

-

361

W

RELAçÃO ENTRE CORRENTE DE LINHA E CORRENTE DE FASE

Na fig. 363 vemos que o ângulo formado por (corrente na fase) é de 3Oo. Podemos então escrever:

Í,

(corrente na linha) com 'ír"

*

:
'^cos

3oo

I,,

logo,

r,

:

..'ll

\,

O mesmo sucederia para qualquer outra corrente de linha e corrente de fase que considerássemos, isto é,

Esta relação permite-nos enunciar que

?"8.2.3 TRTANGULO DESEQUTLTBF,ADO
Ouando as cargas não são todas iguais, o triângulo é desequilibrado e a relação que deduzimos no ponto anterior não é válida. As correntes de linha deixam de ser iguais, assim como as correntes de fase. Mantêm-se, contudo, as tensões de fase nos terminais de cada uma das cargas. Vejamos o seguinte:

#rablema
Um conjunto de três receptores ligados em triângulo, còmo mostra a fig. 364, e com as características nela indicadas, é alimentado por uma rede 220/380 V.

a) Calcúar a intensidade da corrente
uma das fases.

em cada

4t = 29,2A
9=00

Zn

:

25'3
oo

\p:

b)

Escrever as equações vectoriais que relacionam as correntes nas linhas e nas fases.

+I.
Zn =
47,5 O,(pr

c) Desenhar o diagrama vectorial.

:

60o

d) Determinar graficamente o valor das correntes.

+
Fis. 364

362

Resolução:

uc 380 -, r a)ro:à:xp:tse
T"" '23

U" = zr, -

380
47,5

c)

:8A
13A

ï _ uc _380 r":à=tr7:
U

Í,:

ï,,

-

ï,,
1r,

Ír:1nÌ,:ï,,-ïr, d)It:246

Iz:23A Ir : 11,36 A

Fig. 365

PROBI,EMAS PARA RESOLVER 1.
Consideremos três receptores ligados em triângulo com as características apontadas na fig. 366. Atensão da rede é 220/380Y.

a) Determinar

a intensidade da corrente em cada

uma das fases.

Ztt =

50Q

Zn=30Q
=
30o

b)

Fazer a representação vectorial das çorrentes em linha e em fase e ainda das tensões.
os valores das corren-

9: = 30"

c) Determinar graficamente
tes de linha.

I I"
Zzt

=

30 Q,

p; =

25o

R.: a) In: Izz:

A , I:r :7,6A c) It : 17,6 A, Iz : 18 A, I. : 264
12,67

*L
Fig. 366

363

À

2.

Os relés de protecção existentes em cada fase de um motor trifásico estão regulados para uma corrente 1,15 vezes a intensidade de regime. A corrente na linha de alimentação é de 3 A. Para que valor da intensidade deverão ser regulados os relés?

R... I:2A
3. Calcular as potências em cada receptor que figuram no triângulo do problema l.

R...

: Qrz : Srz :
Prz

W 2406 VAn 4813 VA
4168

Pzt

: 4362W Qz: : 2034 VAn Sz: : 4813 VA

P:r

: Q:r : Sl :

2501

w

1444 VAn

2888 VA

364

POTENCIA EM CIR,CUITOS TN,IFASICOS

mffi.3. wwffiffiwee{ãi Ãm m"*-KEWãA.TTGA
O cálculo de potências em c.a. trifásica, nomeadamente das potências activa, reac-

tiva e aparente, sintetiza e segue uma formulação idêntica à dos consumos por fase. Considerando o caso geral que contempla todas as situações de carga a que temos vindo a fazer reÍerëncia - cargas equilibradas ou não, ligação em estrela ou em triângulo -, pode ser assim equacionado:

29.I.I

CASO GEB,AL
POTÊNCIA ACTIVA POTÊNCIA REACTIVA POTENCIA APARENTE
::F:::'llã,

@:

.::::::::

Cada uma das parcelas indexadas representa uma potência por fase, e as respectivas equações são:

Pr

:

Ur It cos Ur
11

tPt ,Pt

.

ar :

sen

É oportuno lembrar que a potência activa, sendo correspondente a uma potência consumida, é sempre positiva e a referida soma é aritmética. A potência reactiva total é o balanço da potência que circula entre os componentes reactivos e a rede, sendo negativa quando consumida, e positiva quando fornecida. A sua soma é, portanto, algébrica.

365

29.L.2 CAncAS EQUTLTBRADAS
Ouando as cargas são iguais nas três fases, as expressões para as potências resultam mais simples. Analisemos, então, as ligações em estrela e em triângulo.

w

LrcAçÃo EM

ESTRELA

Nesta montagem e nas condições enunciadas, temos que:

n f _

As correntes de fase são iguais em grandeza e iguais às correntes de linha. Nos terminais de cada carga está aplicada uma tensão simples.

Nestas considerações baseiam-se as deduções para as diferentes potências;
POTÊNCIA ACTIVA

Pr: Pz - P:: Urlrcos<p P: Pr + P2 + P::3U. Ircosp

como

u" : Y' "v3
P:3 Ut
t; VJ

L

cos.a

e portanto

P:\5U"I.cos<p

W

(waúú)

*

POTÊNCIA REACTIVA De forma análoga chegaríamos à expressão:

a:Vtu"Irsenrp

VAR (volt-ampere reactivo)

-

POTENCIA APARENTE

s:V3ucr,.

YA (volt-ampere)

K

LrcAçÃO EM TR|ÂNGULO
Nesta montagem e nas condições enunciadas, temos que;

n

As coÍrentes nas linhas são V3 superiores às correntes nas fases e têm o mesmo valor em todas elas. A tensão aplicada a cada um dos elementos do triângulo é a tensão composta.

tr
366

(

Sendo assim, deduzamos as expressões para as diferentes potências:

-

POTÊNCIA ACTIVA

Pr:

Pz

- P::

U"IrcosP

j5"ory P:3U.Ircosp:3Uc-J:
e portanto

P:VíU"Ircosrp

W (watt)

_

POTÊNCIA REACTIVA De forma análoga

a:

VSu6Irsenrp

VAR (vott-ampere reactivo)

POTÊNCIA APARENTE

s:V3ucIr
X

VA (volt-ampere)

EXPRESSÃO GERAL DA POTÊNCIA EM SISTEMAS TRIFASICOS EOUILIBRADOS

Comparando as expressões que deduzimos no caso da ligação em triângulo e em estrela verificamos que são iguais, pelo que podemos escrever para ambos os casos:

&s"w pK&gm$w&$ mm wKKmÍr!"&X
POTÊNCIA ACTIVA

N

SISTEMAS DESEOUILIBRADOS

Fig.

(1)e 3 fios (2).

367 - Utilização de 3 wattímetros monofásicos para a medida da potência activa numa rede de 4 fios

367

A medicão da potência activa em sistemas trifásicos desequilibrados pode ser feita recorrendo a wattímetros trifásicos ou então utilizando três wattímetros monofásicos

como mostra a fig. 367, respectivamente, numa rede de 4 e de 3 fios. Em qualquer destes casos a potência absorvida pela rede é igual à soma aritmétrica das potências indicadas por cada um, isto é.

P:Pr+Pr+P, tr
SISTEMAS EOUILIBRADOS

Fig.368-Mediçãodapotênciaactivanumainstalaçãoequilibradaa4fios(1le3fios(2)
um neutro artiÍicial.

-criacãode

Nos circuitos equilibrados, dada a igualdade das correntes em cada uma das fases, não se justifica mais que um wattímetro, que poderá ser intercalado em qualquer das três fases. A leitura, evidentemente, terá de ser multiplicada por três. A fig. 368 mostra a forma de utilização numa rede de 4 e 3 fios. Nesta última recorreu-se à criacão de um neutro artificial, constituído pelas resistências R, e Rr.

-

PROCESSO GERAL

MÉTODo DoS DoIS WATTíMETRoS em sistemas trifásicos,
Em duas fases do sistema intercalam-se as bobinas amperimétricas dos wattímetros.

As respectivas bobinas voltimétricas ligam-se à outra fase disponível.

Fig. 369 - Método dos dois wattímetros na medida da potência activa, aplicável em redes trifásicas com 3fios.

)

368

!-

A forma como as bobinas voltimétrica e amperimétrica são ligadas no circuito pode originar, eventualmente, que na escala de um ou dos dois wattímetros o ponteiro seja solicitado a deslocar-se no sentido oposto ao seu curso normal. Dever-se-á então inverter o sentido do deslocamento, para o que é suficiente trocar as ligações da bobina amperimétrica. Podem então verificar-se as três situações seguintes:

-

Nos dois wattímetros os ponteiros têm deslocamento normal na escala. A potência neste caso é igual à soma das potências indicadas por cada um deles.

P:Pr+Pz
-lnicialmente os ponteiros deslocam-se em sentido contrário ao da escala. Dever-se-á fazer a correcção do sentido pelo processo atrás explicado.
Neste caso também

P:Pr*Pz

-

Apenas num dos aparelhos o deslocamento do ponteiro tem sentido contrário. Feita a devida correcção a potência total é agora igual à diferença das leituras indicadas por cada um deles, isto é

p= I p,-p,

I

PRO3LEUAS BESOTVIDOS
1. Qual o factor
de potência de uma instalação trifásica 220/380 Y, 50 Hzque absorve uma potência de 8490 W com'uma corrente de 15 A?

P:V3U.

Icosp+cosrp=*ft,
8490

l-;;l
n='Pf
Pu

=

Víx380x15

2. Um motor trifásico

de 6 Cv com factor de potência 0,8 e um rendimento de 92Vo é ligado a uma tensão de 380 V. Calcular a intensidade da corrente absorvida.

Pu:6x735:zt410w
D-Pu
f f -

44lO
4
-

0,92

:

4793,5 W P
4793

-

P = VíUcIcose

Ví U"

cos e

Víx380x0,8

=t-'rl
369

PROBLEilAS PANA RESOI,VEA
1.. Sabendo que uma instalação trifásica 220/380 V, 50 Hz é equilibrada e consome 50 A com um factor de potência 0,85, calcular a energia consumida em doze horas de trabalho nesse regime.

R... W - 336kwh
2. Um motor trifásico
de potência igual a 1,5 Cv tem um factor de potência igual a 0,8 e um rendimento de 0,89 e é ligado a uma tensão de 380 V. Calcular:

a) A potência fornecida. b) A intensidade de corrente de alimentação.

R"'

: 1238'76 W b)l:2,35A
a) Pt

3. A potência absorvida por uma instalação trifásica é de 35 kW , cos I a tensão da rede é 220/380 V, 50 Hz, determinar:
a) A intensidade de corrente absorvida. b) O custo I kwh

:

0,98. Sabendo que

mensal de utilização, durante oito horas por dia, num total de22 dias úteis.

Admitir

-

11$00.

R..' a) I : b) I :
4. Calcular

54,3

A

67 760 escudos

a potência de um motor trifásico, 380 V, que absorve uma corrente de 7,5 A. O factor de potência é 0,86 e o rendimento de 9090. Exprimir o resultado em cavalos-vapor.

R';
5. Um conjunto
de três enrolamentos idênticos tem uma impedância

Po

:

5,2 Cv

Z:

20

0

e

cos

p:

0,89.

Estão ligadas em triângulo numa rede 220/380 Y, 50 }Jz. Calcular:

a) A potênci4 activa consumida.

b) A potência reactiva.
c) A potência aparente.

R..' a) P : 1l,l

kW

b) Q:5,7kVAR

c.)S:l2,5kVA
370

p-â.nrsK.&3xIc-& x3&" KWïIB pS pffi.or}&rçÃ&
CENTB,OS PRODUTON,ES COM POTÊNCIA SUPER,ION

A 50 MIII

EM SERVIÇO

Aguieira
Valeira
Bemposta

t98l
1976 1964
1983 1958

Mondego

270

Pocinho Picote Carrapatelo

t97l
1960 1973
195

Miranda
Régua

Douro Douro Douro Douro Douro Douro Douro
Zèzere Cávado

216

2t0
186 180 180

174

t56
139
135 130 130

Castelo de Bode Vila Nova Fratel

I

1950

t974
1972

Tejo
Homem

Vilarinho das Furnas
Crestuma-Level

Cabril
Lindoso
Belver Alto Rabagão

-J{1-* r954
1931

Douro
Zèzere

195.
97 80 79 72 72 64 60 50

,n

1952 1964
1988

Lima Tejo
Rabagão Tâmega

Torrão (Grupo I)
Vilar-Tabuaço Caniçada
Bouçã Setúbal Sines (Grupos Carregado Tunes

1965
1955 1955

Távora
Cávado Zèzere

t979

I, II e III)

l00q
900

1985 1968

750

Tapada do Outeiro

Alto de Mira
Barreiro

1973 1960 1975 1978

t99
150 135

64

EM CONSTRUÇÃO
a
t)

Torrão (Grupo II)

1989

Tâmega

E o I
\c)

Alto Lindoso
Alqueva
Sines (Grupo IV) Pego (Grupo D

r992

Lima
Guadiana

72 625 360

1989

1993

H

300 300

371

f"g&}|}ïtJl$ nïS,SïJs..&ïS
iïiu:ì'iì
W,.,:,1 .4..:4.4 :.:..:
gi*111...:.

:i#.tj,iìi!ììì:3ur;:rr,rl

{€q

*2
0,695 682
669 656 643

0,000
017

1,000

0,000
017

;i:,,1:1,:::rl11lr7;

035

I,000 0,999
999 998

:1.ir36ì:iìiìì

0,719
731
743 755 766

I,036
072

035

052
070 087

052 070
087

G##e,
ëìs.',:1

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::r:i,r,,,f

lll

r'.'.,,.

150

996 0,995
993

ìlrrììììììììSSììììììrì,.
ri,:11r,

192 1,235
280 327 376 428 1,483 540 600 664 732 1,804

iìli,ì

0,105
122 139 156

0,105
123

i:if

5ìlìì,.,tìtììtìì

0,777
788

0,629
616 602
588 574

.,'1,il...l..ll]l

990
988 985

t4t
158

174
0,

176

ffir,l 'J}.

, *{3ì:ìtiì

799
809 819

l9l
208
225 242 259

0,982
978 974 970 966
0,961

0,194
213

0,829
839 848 857 866

0,559
545 530 515 500

231
249

268 0,287
306 325

0,276
292 309 326 342

0,875
883 891

0,485
469

956
951

454
438 423

88r 1,963

946 940

344 364 0,384
404 424 445 466

899

2,050
145

906

0,358
375

0,934
927 921

"rmì,irii
l6?::,11',li
llll,,,,,.6,9i,'..
iiL::11:::ffi,,:,,,7,:2

914
921 927

0,407
391

2,246
356 475 605 747

39t
407

423

914 906 0,899
891 883

:,':sSììììììì
ifgg::::ïr:l,rl

934 940

375 358 342

0,438
454 469 485 500

0,488
510 532 554 577 0,601 625 649 675 700

KivÍiì:.:.::

na
ì3ilStill:rrl ''
l'::f$:ìlìììììì

0,946
951

0,326
309 292 276

2,904
3,078

956
961

27t
487

875 866

:,;i9..]
...lìì$lìììllllìr

966

259
242 225

3,732 4,011

0,515
530 545 559 574

0,857
848 839 829 819

::,:,1:::/::7.t6t,7:;i.

0,970
974

'g-';
{.!J'N;19-:':,.:,,:'.:'.

atil,Tt:.,,::::

978 982
985

208
191

4,331 4,705
5,145 5,671

174

0,588 602 616
629 643

0,809 799
788 777

0,727 754
781

Wfi$ílrrr
lììg$:ìlììl.:l
ììì:iSsìlììlìììì
ìrìl:llllSllll',llr.

0,988
990 993 995

0,156
139
122 105

6,314
7,115

766 0,755 743

810 839

8,144 9,514
11,430
14,301 19,081

l;l*:W1ç

996 0,998 999 999
1,000 1,000

087

0,656
669

0,869
900

i:Ki;:
ìrr:8ï':..:ii
t,,;{;fi;':,:,,;;i 7r,::,**,',",',,
;;:111.)p':,1::,,:.

0,070 052
035
017

682
695

73r
719 0,707

933 966

28,636
s7 290

0,707

I,000

0,000

372

L*

Írvorcn
lt

l. ËuffR0etilFflcA
1.
ENEA,GIA E ELECTN,ICIDADE 1.1 Energia 1.2 Energia eléctrica......
ESTR,UTUR,A ATÓMICA
5 10

2.

E MOLECULAF, DA MATÉNTA.

27

3. CIR,CUITO ELÉCTR,ICO

5.1 Elementos constitutivos e suas funçóes........ 5.2 Circuitos inteÌno e externo do gerador... 5.5 Circuito elécürico......
4. GN,ANDEZAS ELÉCTB,ICAS FUNDAMENTAIS

5t
86 56

4.1 4.2 4.õ 4.4 4.5 4.6 4.7 4.8

Carga e1éctrica ou quantldade de electricidade............ Potencial ou tensáo eléctrica...... Diferenqa de potencial ou queda de tensã,o Força electromotriz A correnüe eléctrica.. A intensidade da correnüe eléctrica .............. :.... Resistência eléctrica Condutibilidade: condutores e isoladoÌes.

59

40 42
4A

44 45 46
4'-1

5. EFEITOS DA COB,F,ENTE 6. LEI DE OHM ?. CONDUTÂNCIA
8. R,ESISTIVIDADE

ELÉCTB,ICA.

oô 55 59

8.Ì Conceito

8.Ê Factores de que depende a

8.5 nesistividade 8.4 Variação da resistência e da resistividade com a temperatura...............
9. ASSOCIAçÃO DE R,ESISTÊNCIAS

resistêneia ou resistência especÍfica série..

61 61 65 67

9.I

9.3 Associação em paralelo ou derivação...............

Associação em

7ó 77

ro. TIPOS DE RESISTÊTVCTES
1O.I F,esistências lineares 10.2 F,esistências não lineares.......
1O.5 F,esistência adicional de um

9I
97
lOO

voltímetro 10.4 Shunt de um amperimetro .................:.

IOõ

II.

LEÏ DE OHM GENER,ALIZADA Ì1.1 Grandezas caracterÍstÍcas de um gerador ll.e Queda de tensão inteÌna 11.5 Ï,ei de Ohm aplicada a um 9erador................. II.4 Lei de Ohm em circuito fechado....... Ì1.5 Força contra-elecüromotriz f.c.e.m..... Ì1.6 Lei de Ohm aplicada a um receptor com f.c.e.m 1I.? Lei de Ohrn generalizada

fog
1Og

110

1le
11S

Ì16
116

373

12.

ASSOCTAçÃO DE GERADOnES I2.1 Associaçáo em série Iâ.e Associação em paralelo

ler
LzA

1õ. ENERGIA E POTÊNCIA
Iõ.1 Energia
15.2 Potência ................ 15.5 Energia como função da poüência
........... j.......

te9 r50

Iõ.4 Lei de Joule I3.5 B,endimento

r5I

15e
1S5

L4. LEIS DE KIR,CHHOFF E ANÁLISE DE B,EDES ELÉCTR,ICAS.........

1õ9

r5. CAPACTDADE E CONDENSAçÃO 15.Ì Capacidade elóctrica
15.2 Condensação eléctrica ...............

ELÉCTB,TCAS
145

I5.5

Tipos de condensadorês ............ 15.4 Capacidade de um condensador plano.... 15.5 Constante dieléctrica Ì5.6 Permitividade relativa....... 15.7 Energia da descarga de um condensador

t4ô r4,l
149 149

r49
150 150

15.8 Tensã,o disruptiva e Ìigidez dielécürica... 15.9 Associação de condensadores ...............

ISe

2. ruffnoguirr{rcn
16.
ELECTB,ÓLISE l6.l Elecürólitos.........,..

16.â Teoria da dÍssociaçã,o de Arrhénius ................. 16.õ Corrente iónica......

Iô.4 Electrólise simples. Electrólise do cloreto de cobÌe...... Ì6.5 Electrólises complexas. B,eacções secundárias.
16.6 Leis de Faraday.. 16.? Ânod.o solúvel e formação de um atepósito elecürolitico 16.8 Galvanoüecnia........

159 160 160

r6I t6r
T6?

163

r68

17.

PB,ODUçÃO DE ENEF,GIA ELÉCTRICA: GER,ADOB,ES HIDR,OELÉCTR,ICOS

l7.I

PÍlhas..

17.2 Acumuladores

t7r
l-77

â

í, rmcTRotutAg

N

FrNl{o
lgf lgt
t9Ê

18. MAGNETISMO I8.I Conceito e definição 18.2 Ímanes naturais e arüificiais 18.8 Vantagens dos ímanes artÍficiais 18.4 Formatos usuais..... 18.5 B,egiões activas e zoÍj.a neutra......... 18.6 A molécula: um íman elementar.... 18.7 Leis qualitativas das acções magnéticas.. 18.8 Ma€netizaçeo; conceito e processos.. 18.9 Magnetizaçã,o temporária e permanente. 374

Ige
19õ 19õ

Ì94 I94
195

L_---

18.10 Desmagnetização: conceito e processos..... 18. I1 Conservaçã,o dos imanes I8.1e Campo magnético e acçã,o a distância... 18.15 Calacterização do campo magnético.......... r8.14 Interacçáo de campos ma€néüicos.. 18. l5 Campo magnético terrestre......

r96
197

t97 r98 f99
2OO

magnética 18. l? Origem das propriedades magnéticas............. r8.r8 Definição vectorial do campo magnético.... r8.19 Campo uniforme r8.eo Grandezas magnéticas..
I8.16 Permeabilidade

AOf

.. ..

eoe
2O4
?'O4 eO5

I9.

CIF,CUITO MAGNÉTTCO 19. I Experiência de Oersted lo I negra de Ampère

209

19.õ Campos magnéticos associados às correntes. L9.4 Força magnetomotriz...... 18.5 Permeabilidade magnética relativa e absoluta

elO

elo
e19

222
<'<'<'
P,2.

r9.6
19.7 19.8 19.9

224
P,27

20.

CIN,CUITO MAGNÉTTCO

Classificação........... Lei de Hopkinson................ F,elutância.............. Permeância............. eO.5 Circuito magnético e circuito eléctrico âO.6 Dispersão magnética 2O.? CáIcuIo de cilcuitos magnétÍcos.. â0.8 Electroímanes........
2O.l 30.2 20.õ 20.4

eeg
eõO

260 23L
P'32

232
F"63

2õ8

2r.

FOF,çAS ELECTA,OMAGNÉTTCAS 31.1 Acçáo dum campo magnético sobre uma corrente 2I.2 AplicaçÕes da força de Laplace

31.5 Acções electrodinâmicas............. 31.4 Aparelhos de medida electrodinâmicos ............

..

243 246
P.49

250

2e. rNDUçÃO

32.P Leis de Faraday.. e3.õ SÊítido da corrente induzida: lei de Lenz 22.4 Formulação matemática das leis de Faraday...... 22.5 Ouüras siüuaçÕes que implicam variação de fluxo......

ELECTnOMAGNÉTICA 23.1 Correntes indu2idas.................

251

22.6 Correntes de Foucault..............

e55 e5õ 255 e57

ae.?Efeitopelicu1ar...'.:.''..''....'..''.. 33.8 ApÌicaçÕes do fenómeno de induçáo...

e6I

2&
267
26?

25.

AUTO-rNDUçÃO 25.1 Conceito e definiçáo

2õ.Ê Correntes de auto-indução........ 35.3 Indutância .."......... 25.4 Força electromotriz de auto-indução.............. 3õ.5 Comporüamenüo de uma bobina........

35.6 Inconvenientes da auto-indução............. 25.7 Atenuaçáo dos seus efeÍtos..

e68 e69 e69
P'?O

2?O

375

23.8 Âplicações............. 25.9 Energia armazenada numa

bobina

e?l e?I
27

24. INDUÇÃO lUÚrue
â4.1 24.3 24.5 24.4 24.5
Conceito e definição Questões de nomenclaüura.......... Coeficiente de indução mútua..... Força electromotriz de indução mútua Factor de acoplamenüo .. .... . ...... ...

2t4
274 27s
Ê?6

4, connrilff
85.

ArïERITADA
Z7g
e8O

COR,F,ENTE ALTER,NADA SINUSOIDÂL â5.1 Campo de aplicação e suas vanta€lens 25.â Corrente alternada sinusoidal e5.õ Caracteristicas de uma grandeza sinusoidal ... 35.4 Formulaçáo matemática duma €lrandeza sinusoidal.... 25.5 Comportamento de alguns componentes em c.a......... â5.6 Noção de impedância ............... .

gBI
e86
Ê86

egl
Zg3 AL4 559

26. ANÁLISE DE CIRCUITOS EM COF,B,ENTE ê6.1 Circuitos série 26.2 Circuitos paralelo Ê6.5 Potência: análise qualitativa...
E?. SÏSTEMAS
TRIFÁSICOS

ALTEB,NADA

..

47.1 Vantagens dos sistemas trifásicos 27.2 Alternadores trifásicos................ 2?.3 Definição de um sisüema trifásico......

946 645
A4Z

es. LIGAçÃO DE CAncÂS
ê8.1 Ligaçã,o em estrela e8.e Ligaçáo em üriângSrlo

TRrFÁSICAS
349 360 565
.367

29.

POTENCIA EM CIN,CUITOS TR,IFÁSICOS 29.1 Formulação matemática.............
Ê9.2 Processos de medida

Agradece-se a colaboração das empresas fÉCfrtfgAMO-VON ROLL e TUDOR PORTUGUESA por terem gentilmente cedido ilustrações e outros dados técnicos necessários a esta obra.

ELECTROTECNIA

edição/4000 exemplares/.1989. Registo de depósito legal n9 25215/89 Execução gráíica de: BLOCO GRÁFICO, LDA. - R. dô Restauração, 387

1l

-

TEÓRICA E APLICADA

-

40OO

PORTO

-

ERRATA
Pás.
15 15
41

Linha
10 12 13 26 14
Ëì

Onde se Iê
secu ndário

Deve ler-se inìportante

é prloritário

_4>_2
Va<Ve

não é prioritário

41

55 55
56

:2 ()

constante

Vn>Ve R=0.5O constanïe

-4<-2

Fis. 50
3 17 U

R:2Q
2Q
=

R:0,5f)
0.5 Q

110

E-

Ri

U:E_RiI
Pb

179

Fig. 165

Pb so4
Badoni

o,

ELECTROTECNIA

- A.

L

À

PREçO 2500$00

'

Ësta obra constituri urn curso básico de Ëlectrotecnia, akrrangendo áreas como ENERGIA, ËLECÏROCINÉTICA, ELECTROOUíMICA E CORRENTE ALTERI.IAAA. Nela são abordeclas novas tecnciogias no âmbito cla produção e transporte, nomeadamente centrais de incineração e supercondutores. Tods o dssenvolvímento teórico é complementado som um elevado número de prohrÍemas

A

r\-

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