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MÉTODO PARA AVALIAÇÃO DE DRENOS DE FUNDAÇÃO DE BARRAGENS DE CONCRETO BASEADO EM FIBRAS ÓTICAS [Roberto Pettres]

MÉTODO PARA AVALIAÇÃO DE DRENOS DE FUNDAÇÃO DE BARRAGENS DE CONCRETO BASEADO EM FIBRAS ÓTICAS [Roberto Pettres]

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This paper presents laboratory results from the application a measuring technique based on distributed temperature values along optical fibers for monitoring water level in foundation drains of concrete dams. In the developed model, the heating up method was used, forcing the diffusion of heat from the optical cable towards the adjacent environment. It can be show experimentally that by analyzing the rate of temperature rise inside the cable it is possible to identify whether the external environment is water or air, allowing determining the level of the water column inside a tube. Through simple mathematical algorithms, it is shown that the water level can be identified with reasonable accuracy even in a straight configuration for the optical cable inside the tube. It is concluded that the developed method of analysis may be employed in dam foundations to obtain data to evaluate the uplift pressure profile from a single measurement.
This paper presents laboratory results from the application a measuring technique based on distributed temperature values along optical fibers for monitoring water level in foundation drains of concrete dams. In the developed model, the heating up method was used, forcing the diffusion of heat from the optical cable towards the adjacent environment. It can be show experimentally that by analyzing the rate of temperature rise inside the cable it is possible to identify whether the external environment is water or air, allowing determining the level of the water column inside a tube. Through simple mathematical algorithms, it is shown that the water level can be identified with reasonable accuracy even in a straight configuration for the optical cable inside the tube. It is concluded that the developed method of analysis may be employed in dam foundations to obtain data to evaluate the uplift pressure profile from a single measurement.

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Comitê Brasileiro de Barragens VIII Simpósio sobre Pequenas e Médias Centrais Hidrelétricas Porto Alegre – RS – 01 a 04 de maio de 2012

MÉTODO PARA AVALIAÇÃO DE DRENOS DE FUNDAÇÃO DE BARRAGENS DE CONCRETO BASEADO EM FIBRAS ÓTICAS

Roberto PETTRES Doutorando em Métodos Numéricos em Engenharia pela Universidade Federal do Paraná e Colaborador do Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento - LACTEC. Rafael P. O. ROCHA Pesquisador – Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento – LACTEC. Luiz A. DE LACERDA Gerente/Pesquisador – Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento – LACTEC. RESUMO Este trabalho apresenta resultados laboratoriais da aplicação de técnicas de medição distribuída de temperatura com fibras óticas para o monitoramento do nível de água em drenos de fundação de barragens de concreto. No modelo desenvolvido, utilizou-se o método do aquecimento do cabo de fibra ótica, forçando a difusão do calor a partir do mesmo em direção ao meio adjacente. Demonstra-se experimentalmente que através da análise da taxa de elevação da temperatura do cabo é possível identificar se o meio envolvente é água ou ar, consequentemente, possibilitando a determinação do nível d’água no interior do dreno. Através de simples algoritmos matemáticos, mostra-se que o nível de água pode ser identificado com razoável precisão mesmo dispondo o cabo de fibra ótica linearmente no interior do dreno. Conclui-se que o método de análise desenvolvido pode ser empregado em fundações de barragens para a obtenção de dados para a composição de um perfil de subpressões através de uma única medição. ABSTRACT This paper presents laboratory results from the application a measuring technique based on distributed temperature values along optical fibers for monitoring water level in foundation drains of concrete dams. In the developed model, the heating up method was used, forcing the diffusion of heat from the optical cable towards the adjacent environment. It can be show experimentally that by analyzing the rate of temperature rise inside the cable it is possible to identify whether the external environment is water or air, allowing determining the level of the water column inside a tube. Through simple mathematical algorithms, it is shown that the water level can be identified with reasonable accuracy even in a straight configuration for the optical cable inside the tube. It is concluded that the developed method of analysis may be employed in dam foundations to obtain data to evaluate the uplift pressure profile from a single measurement.

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1. INTRODUÇÃO A instrumentação e o monitoramento de barragens são fundamentais para a avaliação dos níveis de segurança apresentados pelas estruturas. Entre as técnicas implementadas em barragens está a aplicação de um sistema de drenagem de fundação, que é normalmente utilizado para reduzir a subpressão que atua na base da barragem e no corpo do maciço rochoso [1]. Comumente, são utilizados equipamentos como piezômetros e medidores de nível d’água para se obter um perfil das subpressões em barragens. No entanto, em estruturas de grande porte, realizar este tipo de leitura em campo é uma tarefa dispendiosa. Com o avanço da tecnologia, equipamentos cada vez mais sofisticados e versáteis vêm sendo desenvolvidos para realizar diferentes tipos de coleta de dados e análise. Entre eles, tem-se a tecnologia DTS – Distributed Temperature Sensing, também conhecida como DFOT – Distributed Fiber Optic Temperature, a qual permite monitorar informações relativas às variações térmicas com base em propriedades do espectro da luz retroespelhada no interior do núcleo de uma fibra ótica. Investiga-se neste trabalho a possibilidade de uso desta tecnologia para determinação do nível d’água em drenos de barragens. Para tanto, estudos laboratoriais visando à validação do conceito de monitoramento foram realizados, cujos testes e resultados obtidos são apresentados a seguir.

2. A TECNOLOGIA DTS A técnica de medição distribuída de temperatura com fibra ótica baseia-se nas propriedades de sensibilidade térmica da fibra onde ela mesma é o sensor [2]. A fibra ótica é um filamento extremamente fino e flexível. Sua estrutura cilíndrica básica é formada por uma região central chamada de núcleo, envolta por uma camada chamada de revestimento primário, as quais apresentam diferentes índices de refração, permitindo assim que a energia eletromagnética (luz) emitida viaje confinada no interior do núcleo até a extremidade oposta ou um receptor [3]. O pulso de luz, quando projetado no interior do núcleo da fibra por um determinado período de tempo, se desloca ao longo de todo o seu comprimento (Figura 1). Ao se deslocar, o pulso de luz colide com a estrutura atômica da fibra ótica provocando o retroespelhamento de ondas que retornam ao início da fibra, possibilitando assim sua análise através de equipamentos específicos.

Figura 1 - Deslocamento do pulso de luz ao longo do comprimento da fibra ótica (Adaptado de SMOLEN e SPEK [4]).
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A onda principal retroespelhada que possui o mais forte sinal de retorno é chamada de pico de Rayleigh, este sinal é geralmente filtrado e ocultado. Os outros dois picos observados no espectro da luz retroespelhada são chamadas de Brillouin e Raman. Os picos de Brillouin se encontram muito próximos e difíceis de separar da banda principal de Rayleigh. Finalmente, o mais fraco dos picos retroespelhados, resultantes das vibrações moleculares e atômicas, são chamados de Raman. Este sinal é composto por bandas chamadas de Stokes e anti-Stokes. A banda de Stokes é bem estável e pouco sensível à temperatura, já a banda de anti-Stokes apresenta maior sensibilidade à temperatura, onde quanto maior a energia desta banda, maior será a temperatura e vice-versa. A relação entre a energia da banda anti-Stokes com a banda de Stokes pode ser simplesmente relacionada com a temperatura da fibra ótica em qualquer posição do seu comprimento [4]. A Figura 2 caracteriza o espectro da luz retroespelhado, onde estão presentes os picos de Rayleigh, Brillouin e Raman.

Figura 2 - Espectro da luz retro espelhado (Adaptado de SMOLEN e SPEK [4]). O instrumento de medição conhecido como DTS, normalmente utiliza um laser para aplicar pulsos de luz dentro da fibra ótica. Um detector específico para a freqüência Raman mede a reflexão deste pico ao longo do seu comprimento, e através da análise do tempo total referente ao momento de emissão da luz até sua recepção, determina os pontos de medição distribuídos na fibra ótica, tendo em vista que a velocidade e o caminho de ida e volta do pulso de luz são conhecidos [2]. As variações monitoradas podem permitir a avaliação da temperatura com precisão e resolução espacial que dependerão do equipamento utilizado. Neste trabalho, o equipamento utilizado tem precisão máxima de 0,1ºC e resolução espacial de 1,02m para um comprimento de até 6 km de fibra ótica. Para correlacionar um monitoramento do nível da água com uma medição de temperatura, propiciada pela tecnologia DTS, podem ser utilizados o método do gradiente [5] e o método do aquecimento [6]. Neste trabalho utiliza-se o método do aquecimento, uma vez que o método do gradiente utiliza exclusivamente a temperatura do meio como indicador [7]. Originalmente, o método do aquecimento (Heat up Method) foi desenvolvido para aplicações onde o método do gradiente não pudesse ser aplicado. Neste método é necessária a utilização de cabos especiais compostos por fios de cobre distribuídos no entorno de fibras óticas e elementos de tração que fornecem maior resistência e
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proteção, todos envoltos a uma camada externa protetora [8]. O método requer uma adequada distribuição de entrada de calor no cabo, que pode ser suprida pela utilização de uma fonte de aquecimento que trabalha com corrente contínua, o que produzirá uma potência térmica linear se aplicada sobre fios de cobre [6]. O método do aquecimento avalia exclusivamente as diferenças de temperatura entre o estágio de aquecimento (seção de aquecimento – B) e o estágio anterior ao início do aquecimento (seção de referência – A), conforme pode ser visto na Figura 3.

Figura 3 - Evolução da temperatura no interior do cabo e as diferenças de temperatura calculadas (Adaptado de PERZLMAIER et al. [8]) O aumento de temperatura no cabo é influenciado pelas propriedades térmicas do meio que o envolve. Quando o cabo está em contato com meios de baixa condutividade térmica, como no caso de materiais secos ou ar, irá propiciar um aumento maior da temperatura, enquanto que meios de alta condutividade térmica, como no caso da água, a evolução é menor. Este comportamento, portanto, permitiria detectar a interface entre água e ar, ou seja, o nível da água.

3. METODOLOGIA PARA DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO A parte inicial do trabalho contou com o desenvolvimento de um modelo para estudo do cabo com a fibra ótica e de sua resolução de resposta a partir do sistema de monitoramento DTS. O objetivo desse ensaio foi determinar a zona de influência dos pontos distribuídos ao longo da fibra ótica, tão como de entender qual a representatividade do aquecimento parcial desta zona na variação de temperatura do ponto.

3.1 Descrição do modelo Uma célula de isopor foi projetada (Figura 4) com dimensões de (0,10 x 0,19 x 3,00 m, altura, largura, comprimento). Esta célula possui um canal vedado nos vértices com silicone para possibilitar seu preenchimento com água, com dimensões de 0,05 x 0,05 x 3,00 m. Em suas extremidades, estão presentes furos que permitem a passagem da fibra ótica, e ao longo do seu comprimento foi impresso uma escala que indica o comprimento da fibra a cada 10 cm.
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Figura 4 – Célula de isopor, a) dimensões; b) foto da célula de isopor fixada sobre bancada de madeira. Com o intuito de possibilitar a variação do comprimento do canal, ou seja, limitar o comprimento do segmento de fibra ótica a ser analisado, foram projetados limitadores de acrílico (Figura 5) com dimensões de 0,05 x 0,05 x 0,002 m, todos com furo central de diâmetro igual a 5 mm para permitir a passagem da fibra ótica, e adaptados para colocação de grampos metálicos que auxiliam na fixação dentro do canal.

Figura 5 – Limitador de acrílico. a) dimensões, b) foto do limitador montado.

3.2 Execução do ensaio Primeiramente, foi realizada a locação do ponto a ser analisado, o qual, após ser identificado pelo aquecimento da fibra em diferentes trechos, foi posicionado no centro do canal da célula de isopor. Foram utilizados 45 m de fibra ótica, sendo deste total: 3 m distribuídos no interior do canal; 12 m utilizados como referência de leituras, mantidos submersos em um barril de água com a temperatura monitorada; 10 m entre o barril e o equipamento DTS, para evitar que a atenuação ótica devido à perda de sinal em função da conexão
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com o DTS influenciasse os dados do trecho imerso no barril; e mais 10 m após a célula de isopor, ou seja, o final do segmento, com o intuito de garantir que as reflexões do sinal ótico, característicos deste ponto (final da fibra), não interferissem nas leituras do trecho de interesse (segmento presente dentro do canal). O segmento de fibra ótica distribuído no interior do canal foi mantido esticado e centralizado, através do uso de âncoras posicionadas nos extremos da célula de isopor. As superfícies das âncoras em contato com a fibra foram tratadas para que mesmo com uma pequena pressão imposta pelo peso da placa, garantisse o travamento da fibra (Figura 6).

Figura 6 – Configuração do ensaio. Para determinar a zona de influência dos pontos situados no interior do canal, trechos com 10 cm de comprimento, definidos pelos limitadores de acrílico, foram analisados em tempos distintos. Essa análise consistiu em aquecer por um período de 5 minutos os 10 cm de fibra presentes no interior deste segmento. Para tanto, foi utilizada água aquecida, sempre com uma variação média de 25 ° em relação à temperatura ambiente, a C qual era monitorada através do uso de um termômetro de mercúrio. Para garantir a vedação do segmento analisado, uma fina película de plástico foi disposta cobrindo todas as superfícies em contato com a água. Depois de finalizado o tempo de aquecimento, executou-se a substituição da água aquecida por água à temperatura ambiente, acelerando assim o processo de resfriamento. O passo seguinte consistiu em retirar toda a água utilizada para o resfriamento, como também da película de plástico. Poucos minutos após esta operação, toda a fibra ótica se encontrava a temperatura ambiente devido ao equilíbrio térmico, possibilitando assim, deslocar os limitadores de acrílico para o próximo segmento a ser analisado. O deslocamento dos limitadores seguiu uma seqüência iniciada pelo lado direito do ponto central e posteriormente para o lado esquerdo (Figura 7).

Figura 7 – Sequência de distribuição dos limitadores.

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3.3 Resultados parciais obtidos Para facilitar o entendimento dos resultados obtidos, os pontos situados no interior do canal foram nomeados da seguinte forma: - Ponto central: ‘k’; - Ponto esquerdo a 100 cm de ‘k’ em direção a unidade leitora DTS: ‘a’; - Ponto direito a 100 cm de ‘k’ em direção ao fim da fibra ótica: ‘b’. A Figura 8 representa a união do modelo físico da célula de isopor (parte superior) ao gráfico que demonstra a resposta térmica dos pontos acima nomeados para cada posição do trecho de 10 cm. A resposta térmica é resultado da média de temperatura registrada durante um período de aquecimento de 5 minutos, tendo como referência para o cálculo das variações de temperatura, as leituras realizadas antes da colocação da água aquecida, ou seja, quando todo o segmento estava em equilíbrio térmico com o ambiente.

Figura 8 – Zonas de influência. A partir da Figura 8 observa-se que quanto mais próximo o segmento de 10 cm se encontra do ponto analisado, seja ele (a; k; b), maior é a sua sensibilidade térmica, e que esta variação aparenta uma tendência linear, abrangendo uma zona de aproximadamente dois metros (2.04 m). Fisicamente, esta característica espacial está relacionada ao tamanho e forma do pulso de luz emitido no interior da fibra. Desta maneira, caso a anomalia (aquecimento) seja aplicada ao longo de toda a zona de influência do ponto “k”, a qual é limitada pelos pontos “a” e “b” que estão distanciados entre si por 2.04 m, sua variação térmica corresponde ao valor integral da temperatura aplicada, neste caso 25° e nos pon tos “a” e “b” exatamente a C, metade, ou seja, 12.5° pois apenas a metade da zo na de influência destes pontos C, é afetada (Figura 9). Para validar esta informação foram realizados mais três testes, sendo o primeiro com o aquecimento integral da zona de influência do ponto “k”, e os outros dois em parte deste segmento, primeiramente um metro ao lado esquerdo e posteriormente um metro ao lado direito. O resultado obtido é ilustrado na Figura 9, sendo demonstrada esquematicamente na parte superior da mesma as temperaturas a serem alcançadas por cada ponto em conjunto com a função que rege o
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aquecimento ao longo da zona de aquecimento do ponto “k”, e na Figura 10 estão os resultados obtidos. Na situação 1, onde toda a zona de influência do ponto “k” é aquecida, obteve-se exatamente o comentado anteriormente, ou seja, o ponto “k” atingiu 25° e os C pontos “a e b” exatamente a metade igual a 12.5° C. Quando se aqueceu apenas a metade esquerda da zona de influência (Situação 2) ou à direita (Situação 3) observou-se que somente os dois pontos pertencentes a esta zona “a\k” e “k\b”, respectivamente, eram sensibilizados exatamente com a metade do valor da temperatura da anomalia.

Figura 9 – Variação térmica dos pontos influenciados pelo aquecimento.

Figura 10 – Resultados obtidos. Matematicamente este comportamento pode ser entendido como um produto entre o valor de temperatura da anomalia térmica pelo somatório dos valores de temperatura oriundos do processo de aquecimento, ou mais precisamente da condição imposta à faixa ou zona de influência do cabo. Como o processo de aquecimento é contínuo, pode-se substituir o somatório de valores de temperaturas da função de aquecimento por uma integral definida limitada pelos pontos a e b. Assim, Tk é resultado do produto entre a temperatura da anomalia T pela integral da função de aquecimento f(x) (Eq. (1)).

Tk = T ∫

b = x2

a = x1

f ( x) dx

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3.4 Detecção de nível de água em dreno simulado em laboratório A segunda parte do trabalho contou com o desenvolvimento de um modelo em laboratório que simula o volume de parte de um dreno de fundação de barragem, sujeito a diferentes níveis de água em seu interior. O objetivo desse ensaio foi determinar a altura da coluna de água no interior do dreno utilizando o método do aquecimento e a tecnologia DTS. A configuração adotada para a realização dos testes é ilustrada pela Figura 11, consistindo de um tubo de PVC com 0,15 m de diâmetro e 3 m de altura, onde em seu interior foi distribuído linearmente um cabo de fibra ótica. Em sua base foi adaptado uma válvula e uma guia para o controle do nível da água. A válvula foi implantada com o intuito de variar o nível de água no interior do tubo. Parte dos cabos de fibra ótica foi posicionada no interior de um recipiente contendo água com temperatura monitorada, região de referência do sistema de leitura do equipamento DTS [9]. A fibra ótica presente no interior do cabo foi conectada à unidade leitora DTS, e as extremidades dos fios de cobre à unidade de aquecimento.

Figura 11 – Imagem ilustrativa da configuração do experimento.

3.4.1 Modelo experimental Para realização do ensaio o cabo de fibra ótica foi posicionado em forma de U, utilizando-se uma guia perfurada para igualar o nível de água em seu interior ao nível no tubo de PVC. Basicamente, o cabo entra por uma extremidade da guia (cabo descendente) e sai pela outra (cabo ascendente), mapeando linearmente todo o tubo. Esse tipo disposição pode facilitar o processo de implantação do sistema em um modelo de campo real, além de possibilitar a ligação em série de diversos drenos. Introduziu-se uma coluna d’água com 1 m de altura e iniciou-se o processo de leitura das temperaturas de referência durante 60 minutos. Nas duas horas seguintes foi
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aplicada uma corrente de 32,5 ampéres (A) e tensão de 23 volts (V) no cabo, causando a elevação de sua temperatura.

3.4.2

Alocação do cabo no interior no tubo de PVC

O cabo foi disposto no interior do tubo de PVC conforme a figura a seguir:

Figura 12 – Alocação do cabo no interior do tubo de PVC (metros).

4. ANÁLISE DOS DADOS DTS O modelo de análise, inicialmente, visou à determinação dos trechos que apresentavam maior variação de temperaturas, e para isto foi aplicado o seguinte algoritmo: %Algoritmo 01 1. Leia o valor de temperatura em cada ponto no período de referência (TR); 2. Leia o valor de temperatura em cada ponto no período de aquecimento (TA); 3. Calcule a média do período de referência (MR); 4. Calcule a média do período de aquecimento (MA); 5. Calcule MA-MR para cada ponto (MRA_i, i=1, 2, 3,..., 8); 6. Calcule MRA_i – MRA_i+1; 7. Encontre máxima| MRA_i – MRA_i+1| (trecho d) no cabo descendente; 8. Encontre máxima| MRA_i – MRA_i+1| (trecho a) no cabo ascendente; 9. Encontre trecho d ∩ trecho a. Este algoritmo determina o limite superior e inferior em que o nível de água está, encontrando a interseção entre os trechos, estabelecendo uma faixa limite no interior do tubo para o nível de água. A Figura 13 ilustra um caso analisado pelo algoritmo onde foi determinada a intersecção dos trechos do cabo que limitam o nível de água.

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Figura 13 – Determinação dos trechos limites para o nível de água (metros). A segunda parte da análise consiste em determinar o comprimento do cabo imerso em água a partir de três pontos do mesmo, pelo lado descendente ou ascendente. Na ilustração, o primeiro ponto, Q1, é o ponto anterior à maior variação de temperatura, o segundo e terceiro são, respectivamente, um ponto anterior e um posterior à Q1. O mesmo raciocínio se aplica ao trecho ascendente, ponto Q1’.

Figura 14 – Determinação dos pontos para análise do nível de água. Baseada na Figura 14, tem-se a seguinte expressão que é válida para cálculo da temperatura em Q1 (ou Q1´):
x . (Q1 + Q2) y . (Q1 + Q3) + 2 2 Q1 = x+y
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onde Q1, Q2 e Q3 são valores de temperaturas nos respectivos pontos, x é o comprimento da coluna de água no trecho determinado e y é comprimento da coluna de ar. Como Q1, Q2, Q3 são conhecidos a partir do monitoramento com o DTS e assumindo que
x + y = 2.04

(3)

tem-se,
x= 2.04 (Q1- Q3) (Q2 - Q3)

(4)

para Q2 diferente de Q3. Com essas expressões determina-se a posição do nível de água.

4.1 Resultados Iniciou-se a análise com uma coluna de água de 1 m de altura. Durante os 30 minutos iniciais foram realizadas leituras de referência com o equipamento DTS. Nos 70 minutos seguintes foi aplicado o método de aquecimento, conforme explicado anteriormente. Durante todo o período de ensaio foram monitoradas as temperaturas da água do sistema de referência, assim como do ambiente. Estes valores podem ser utilizados para eventuais correções na análise. Terminado o período de aquecimento, os dados obtidos foram processados. O mesmo procedimento foi repetido para diferentes níveis de água (1,10, 1,20, 1,30, 1,40, 1,50, 1,60, 1,70, 1,80, 1,90, 2,00 e 2,50 m) no interior do tubo. A comparação dos resultados da análise com a fibra ótica e os níveis de água impostos é apresentada na Figura 15:

Figura 15 - Valores obtidos para os níveis de água.

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Observa-se uma boa concordância dos dados com erro inferior a 16% na análise feita com o trecho descendente e inferior a 5% no trecho ascendente. Parte destes erros é decorrente de parte da área de influência dos pontos de medição superiores estar fora do tubo e, portanto, sujeitos à maiores oscilações térmicas. O erro no trecho descendente é maior, pois o ponto Q2 tem um segmento maior da sua área de influência fora do tubo, se comparado ao ponto Q2´.

5. CONCLUSÃO Conclui-se que é possível determinar com boa precisão o nível de água em drenos de fundação em barragens com a utilização de fibras óticas. O sistema desenvolvido pode ser ampliado para ligações em série, possibilitando através de uma única medição a avaliação de vários drenos. A técnica desenvolvida é mais uma ferramenta de monitoramento, entre outras, que pode ser incorporada a um sistema de monitoramento distribuído de fibras óticas em um empreendimento de grande porte como barragens de concreto.

6. AGRADECIMENTOS Ao CNPq, pelos subsídios para a importação, constantes da Lei 8010/90, L.I 09/2669381-3, à ELEJOR, ao LACTEC e à ANEEL, pelo financiamento e infraestrutura para a condução deste projeto de pesquisa.

7. PALAVRAS-CHAVES Monitoramento, Barragens, Fibra ótica, Drenos de fundação.

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] HOFFMAN, O. (1928) – ‘Permeazioni D'Acqua e Loro Effeti Nei Muri Di Ritenuta’, Ulrico Hoelpli. Milano. [2] AUFLEGER, M.; CONRAD, M; STROBL, T.; MALKAWI, A.I.H; DUAN, Y. (2003) - ‘Distribuited Fiber Optic Temperature Measurement’, In: RCC-Dams in Jordan and China. China. [3] BAILEY, D.; WRIGHT, E. (2003) – Pratical Fiber Optics. Inglaterra: Newnes. [4] SMOLEN, J. J. e SPEK, A. V. D. (2003) – ‘Distributed Temperature Sensing’, Shell – DTS. [5] JOHANSSON, S.; SJÖDAHL, P. (2009) – A guide for seepage monitoring of embankment dams using temperature measurements. CEATI Report n° T062700-0214, Sweden.
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[6] PERZLMAIER, S.; STASSER, K.H.; STROBL, Th.; AUFFLEGER, M. (2006) – Integral Seepage Monitoring on Open Channel Embankment Dams by the DFOT Heat Pulse Method. In: Proceedings of the 22nd Congress of the Inetnational Commission on Large Dams (ICOLD), Barcelona, Spain, June. [7] ROCHA, R. P. O.; SANCHEZ, P. F.; BOSZCZOWSKI, R. B.; LACERDA, L. A.; KORMANN, A. C. M. (2010) – Desenvolvimento e avaliação de Instrumentação geotécnica para o monitoramento de infiltração da água em solo arenoso com base em tecnologia de fibra ótica. In: XV Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica, Gramado. [8] PERZLMAIER, S.; AUFFLEGER, M.; CONRAD, M. (2004) – Distributed Fiber Optic Temperature Measurements in Hydraulic Engineering Prospects of the Heat-up Method. Proceedings of the 72nd Annual Meeting of the International Commission on Large. Dams (ICOLD), Seoul, Korea. [9] ROCHA, R. P. O. (2011) – ‘Instrumentação Geotécnica com fibra ótica: Monitoramento de frente de umedecimento e análise da variação do grau de saturação em solos arenosos’. Dissertação de Mestrado em Construção Civil. Universidade Federal do Paraná, Curitiba.

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